Flávio Bolsonaro e sua próspera franquia da Kopenhagen. Reprodução
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou patrimônio de R$ 8.186.555,83 ao registrar seu pedido de candidatura à Presidência da República no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O valor representa um crescimento nominal de 370% em relação aos R$ 1.741.758,15 informados em 2018, quando foi eleito senador pelo Rio de Janeiro. O registro para a eleição de 2026 aparece no sistema como “aguardando julgamento”.
No recorte das quatro últimas eleições disputadas pelo filho mais velho de Jair Bolsonaro, o patrimônio declarado aumentou mais de onze vezes. Flávio informou R$ 714 mil em 2014; R$ 1,45 milhão em 2016; R$ 1,75 milhão em 2018; e R$ 8,2 milhão em 2026. Entre a primeira e a última declaração da série, a alta foi de 1.045,9%, uma diferença de R$ 7.472.161,14.
Na eleição de 2018, o total subiu 19,8% em relação a 2016, para R$ 1.741.758,15. Flávio declarou um apartamento de R$ 917.038,09 e uma sala comercial de R$ 150 mil, ambos na Barra da Tijuca; R$ 558.220,06 em aplicações; um Volvo avaliado em R$ 66,5 mil; e metade da Bolsotini Chocolates e Café.
As operações financeiras e imobiliárias realizadas durante seus mandatos na Assembleia Legislativa do Rio posteriormente entraram no debate sobre o caso da “rachadinha” em seu antigo gabinete. A investigação foi encerrada depois que STF e STJ anularam provas, sem julgamento do mérito das suspeitas.
O salto mais expressivo aparece agora. Dos R$ 8,186 milhões declarados em 2026, R$ 6.226.043,80 correspondem à casa de Flávio no Lago Sul, em Brasília. O imóvel representa 76% de todo o patrimônio informado.
O senador também declarou R$ 1.090.520,47 em um fundo multimercado, R$ 568.730,23 em diferentes bancos, R$ 133 mil em um veículo, R$ 103.746,23 em poupança e outros R$ 64.515,10 em aplicações e participações empresariais. Em 2024, Flávio desembolsou R$ 3,4 milhões para quitar o financiamento da mansão.
Um mês antes do registro, o ex-deputado Julian Lemos, antigo aliado da família Bolsonaro, afirmou que a fortuna de Flávio poderia chegar a R$ 700 milhões, no entanto, Lemos não apresentou documentos que sustentassem a estimativa. A ficha entregue ao TSE coloca o patrimônio declarado muito abaixo dessa cifra.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos negou nesta quinta-feira (13) que tenha um plano para impedir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que respeitará qualquer governo escolhido pelos brasileiros nas eleições de outubro. Com informações de G1.
Uma autoridade do órgão declarou que a avaliação atribuída ao Planalto não corresponde à realidade. “Damos grande importância à relação com o Brasil. Respeitamos o povo brasileiro e qualquer governo que eles escolham livremente, por meio de eleições livres e justas no Brasil”, disse.
A fonte afirmou ainda que Washington mantém relações com governos brasileiros de diferentes campos políticos. “Nós [EUA] temos respeitado e mantido relações com governos de ambos os lados do espectro político no Brasil, e tivemos relações muito bem-sucedidas com eles”, acrescentou, sem citar nominalmente o secretário de Estado Marco Rubio.
Assessores de Lula avaliam que Rubio busca evitar uma nova vitória do presidente. A percepção ganhou força após o governo de Donald Trump divulgar um vídeo no qual afirma que o domínio dos Estados Unidos sobre toda a América “nunca mais será questionado”.
O presidente dos EUA Donald Trump. Foto: Divulgação
A manifestação do Departamento de Estado ocorre durante uma crise nas relações entre Brasília e Washington, às vésperas da disputa presidencial marcada para os dois primeiros fins de semana de outubro. Rubio é apontado como uma das figuras mais influentes do segundo mandato de Trump na política para a América Latina.
Entre os episódios que elevaram a tensão estão uma montagem que colocou Lula algemado e vendado no lugar do presidente venezuelano Nicolás Maduro, preso pelos Estados Unidos em janeiro, e o cancelamento do visto da embaixadora brasileira em Washington.
O governo americano também aplicou a Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes em 2025 e adotou tarifaços contra o Brasil e produtos brasileiros. Essas medidas ampliaram os atritos entre os dois países.
A referência dos EUA a “eleições livres e justas” já apareceu em manifestações do governo Trump sobre pleitos de outros países. O Tribunal Superior Eleitoral sustenta que o sistema eleitoral brasileiro é seguro e que as urnas eletrônicas permitem eleições livres.
Famílias com fotos dos desaparecidos após a ação militar norte-americana. Reprodução TWP
A CIA estaria por trás de uma série de ataques contra barcos de pesca equatorianos realizados no início deste ano, segundo uma reportagem do The Washington Post.
As operações permaneceram sem autoria oficial durante meses e deixaram oito pescadores desaparecidos, presumidos mortos.
Sobreviventes relataram que homens não identificados, falando inglês, atacaram as embarcações com drones. Antes dos ataques, um avião teria realizado operações de vigilância sobre os barcos.
Segundo fontes ouvidas pelo Washington Post, os ataques fizeram parte de um programa de “ação encoberta”, expressão usada para designar operações secretas no exterior autorizadas pelo presidente dos Estados Unidos e conduzidas de forma que o envolvimento de Washington não seja reconhecido publicamente.
Ainda não está claro por que os barcos foram escolhidos como alvos nem qual seria o objetivo da operação mais ampla.
Um dos episódios ocorreu em janeiro, quando o barco pesqueiro Fiorella, de aproximadamente 16 metros, foi atingido. Os oito tripulantes desapareceram e são considerados mortos.
Outros dois barcos, o Negra Francisca Duarte II e o Don Maca, foram atacados em março. Todos os pescadores a bordo sobreviveram. Não há evidências de que qualquer uma das embarcações estivesse envolvida em atividades além da pesca.
Sobreviventes disseram ao New York Times que foram atacados por pessoas que usavam distintivos com a bandeira dos Estados Unidos, mas que não apresentavam nenhuma outra identificação oficial.
Dados de rastreamento de voos acrescentaram outro elemento ao mistério. Um avião de patrulha marítima baseado em uma instalação militar em El Salvador teria voado na direção dos três barcos pouco antes dos ataques.
Segundo o New York Times, a aeronave passou perto do Fiorella em quatro ocasiões diferentes, inclusive no dia em que a embarcação desapareceu.
O avião utilizado na vigilância não está registrado em nome do governo americano. Gravações de comunicações com o controle de tráfego aéreo indicam que os pilotos falavam inglês com sotaque americano.
O Washington Post informou que a aeronave havia voado do Tennessee para El Salvador em novembro. A informação levanta a possibilidade de que contratados militares privados tenham sido utilizados para executar os ataques, embora não esteja claro quem operou as embarcações e drones ou quem deu as ordens.
O caso é diferente da campanha pública promovida pelo governo de Donald Trump contra embarcações acusadas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico Oriental.
Desde setembro do ano passado, as Forças Armadas dos EUA atacaram cerca de 67 barcos, segundo dados citados na reportagem, deixando 221 mortos. Nesses casos, o Pentágono assumiu publicamente a autoria e frequentemente divulgou imagens das operações nas redes sociais.
As ações contra os chamados “narco barcos” também provocaram críticas de organizações de direitos humanos, que questionam sua legalidade e afirmam que os ataques podem configurar execuções extrajudiciais. O governo Trump sustenta que o uso de força letal é justificável porque os Estados Unidos estão, na prática, em guerra contra os cartéis.
A diferença entre as operações públicas contra suspeitos de narcotráfico e os ataques no Equador aumenta as dúvidas sobre a finalidade da missão secreta.
“Isso levanta a questão de por que seria necessário fazer isso. Qual seria o propósito de todo esse sigilo?”, questionou ao Washington Post um ex-oficial americano que trabalhou na região.
Trump teria ampliado, no ano passado, a autoridade da CIA para realizar operações letais contra traficantes de drogas em países da América Latina.
O senador Rogério Marinho, o candidato à presidência Flávio Bolsonaro, Dani Marcos, coordenadora do plano de governo e o vice da chapa do PL, Alfredo Gaspar. Reprodução YT
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que seu gabinete recebeu e-mails automáticos do Partido Missão antes da descoberta de que ele havia sido registrado como filiado à legenda. As mensagens, segundo o presidenciável, foram ignoradas por parecerem spam.
A declaração foi feita em uma transmissão realizada na noite desta quinta-feira (13), com a participação do candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar e de Dani Marcos, integrante da equipe responsável pela coordenação do plano de governo da chapa e do Senador Rogério Marinho.
“Chegou no meu gabinete alguns e-mails automáticos desse partido aí. Como ninguém conhece, acaba que a assessoria vê aquilo e acha que é spam”, declarou Flávio.
Flávio Bolsonaro confirma alegação do partido Missão: sua assessoria recebeu emails sobre a filiação fraudulenta, mas considerou que era “spam” pic.twitter.com/FNCwS6wVad
O senador levou uma das mensagens impressas para a live e afirmou que o e-mail cobrava um pagamento que não teria sido realizado dentro do prazo. “É reclamando que não recebeu o meu pagamento em dez dias”, disse.
A filiação ao Missão apareceu no sistema da Justiça Eleitoral e impediu inicialmente o registro da candidatura de Flávio à Presidência pelo PL. O senador classifica o episódio como uma fraude e nega que tenha solicitado a entrada na legenda.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que não houve invasão ao sistema da Justiça Eleitoral. O registro foi realizado por alguém com credenciais do próprio Missão e autorização para cadastrar filiações partidárias.
Durante a transmissão, Flávio também rebateu a acusação feita pelo deputado federal André Janones (Avante-MG) de que ele teria encenado o episódio para desacreditar a Justiça Eleitoral. Janones não apresentou provas da alegação.
O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee. Foto: Daniel Torok/Casa Branca
O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, chamou de “terroristas israelenses” os colonos que mantiveram moradores de três casas palestinas cercados em Qusra, na Cisjordânia ocupada. A expressão veio de um aliado de Donald Trump conhecido pela defesa dos assentamentos e foi acompanhada de outra definição: “ato de terror”. Horas depois, o próprio Huckabee começou a reduzir o alcance da condenação. Com informações da AP.
Durante cinco noites, colonos bloquearam as saídas dos imóveis, cortaram água e eletricidade e impediram que as famílias circulassem com segurança, enquanto diminuíam os estoques de alimentos e água potável. Qusai Abu Rida permaneceu em uma das casas com o filho adolescente e recorreu à água de um poço. Forças israelenses chegaram a intervir, mas os colonos voltaram. Nesta quinta-feira (13), o Exército afirmou ter desmontado dois postos ilegais e detido um israelense.
Huckabee afirmou que a embaixada americana pedira a atuação do Exército e da polícia de Israel. Disse que os responsáveis eram “terroristas israelenses”, classificou o cerco como “ato de terror” e chamou a intimidação contra a família de “comportamento de bandidos”. Também negou que Washington e a representação diplomática tivessem ignorado o caso.
This is another lie. @usembassyjlm has been VERY involved & the IDF & Israel Police have gone at our request to remove the Israeli terrorists doing this. The actions of those doing this to this family’s home is criminal. The WH hasn’t “intervened” because we have kept DC… https://t.co/qrfnCYcOtB
— Ambassador Mike Huckabee (@GovMikeHuckabee) August 13, 2026
Menos de quatro horas depois, porém, os “terroristas” passaram a ser descritos pelo embaixador como “invasores ilegais”. À tarde, Huckabee foi além: escreveu que os colonos “não são o problema” na região que chamou de “Judeia e Samaria” e usou o rótulo “unsettlers” — algo como “descolonos” — para apresentar os autores do cerco como uma pequena minoria desvinculada do movimento. Em seguida, cobrou da imprensa uma cobertura “equilibrada”.
Para sustentar essa distinção, Huckabee compartilhou uma reportagem do Jerusalem Post com condenações de líderes de assentamentos. Yisrael Ganz disse que a violência em Qusra “não é o nosso caminho”, enquanto Shai Alon afirmou que os agressores causam danos irreversíveis a Israel e ao movimento. O mesmo Ganz, no entanto, defendeu a continuidade da expansão israelense na Cisjordânia e pediu a revogação dos Acordos de Oslo.
"Settlers" are not the problem in Judea/Samaria. "Unsettlers" are. Very small minority who do great damage to Palestinian families & to Israel. Real settlers like Ysrael Ganz, Governor of Judea/Samaria condemn the actions of the few. Let's hope the media gives attention to this…
— Ambassador Mike Huckabee (@GovMikeHuckabee) August 13, 2026
Qusra registra mais ataques de colonos do que qualquer outra comunidade da Cisjordânia em 2026, segundo a ONU. Autoridades palestinas contabilizam 1.476 ataques desde janeiro. O cerco tampouco é um episódio isolado para Washington, já que em julho, colonos israelenses armados cercaram o deputado americano Ro Khanna por cerca de 90 minutos. O episódio integra um quadro mais amplo de violência de colonos judeus contra palestinos na Cisjordânia ocupada.
No programa Estúdio i, da GloboNews, a apresentadora Andréia Sadi comentou a operação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra bandidos que perseguem o ministro Flávio Dino no Maranhão. A diatribe de Sadi fez a festa da extrema-direita com todo um ataque ao “sistema”, essa palavrinha mágica sobre a qual os fascistas se refestelam como porcos na lavagem da democracia.
“O Supremo Tribunal Federal, como guardião da Constituição, promove esse ato que — como estamos vendo e conforme venho dizendo aqui —, na minha opinião, tem um objetivo final totalmente diferente: eles estão nos testando. Sim, estão testando. Mas os nervos estão à flor da pele desde o caso Master, momento em que foram levados para dentro desse processo. O tempo todo, o que se vê é o sistema atuando em favor do próprio sistema, do qual eles fazem parte. Tenho falado sobre isso aqui. Da mesma forma, Octávio [Guedes}, quando você e a Flávia [Oliveira] abordam a questão do diploma jornalístico, vale lembrar que há muitos jornalistas diplomados que, ‘entre aspas’, já não exercem o jornalismo”, disse.
“Isso ocorre porque não há como flexibilizar essa discussão; esse debate só tem um caminho: defender o que está na Constituição. O artigo 5º, inciso XIV, é extremamente claro. Se estivesse escrito em russo, ainda assim seria transparente para nós, jornalistas. Portanto, investigar é necessário? Obviamente. Deve-se apurar se há alguém monitorando um ministro do Supremo ou qualquer indivíduo que se sinta perseguido? Com certeza. O que não é cabível é realizar essa investigação violando o direito e a garantia constitucional de um jornalista.”
ANDRÉIA SADI DETONA O STF E JORNALISTAS QUE DEFENDERAM A OPERAÇÃO CONTRA FONTE DE JORNALISTA AUTORIZADA POR MORAES:
“Eles estão testando, com os nervos à flor da pele desde o caso Master, onde foram levados para dentro do caso por eles. É o sistema atuando pelo sistema, e eles… pic.twitter.com/cJUit7F8C7
O discurso de Sadi ocorreu no contexto da operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, a pedido da Polícia Federal e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). O alvo da ação foi Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública e de Assuntos Legislativos do Maranhão.
Cutrim, segundo a Polícia Federal, violou sistemas de acesso restrito para monitorar carros e trajetos feitos pelo ministro Flávio Dino e repassá-los a um comunicador local, é alvo de investigação por suspeita de oferecer propina para ocultar o nome de políticos do Estado no caso do assassinato de um empresário em 2022.
As informações foram repassadas ao jornalista e blogueiro Luís Pablo, que publicou reportagens sobre o tema a partir de novembro de 2025. Em março de 2026, a PF apreendeu celulares, notebook e pendrive de Luís Pablo, ação que levou os investigadores até o nome de Cutrim.
Segundo registros disponíveis na plataforma Jusbrasil, na seção de “diários oficiais”, Luís Pablo aparece como réu em mais de 350 processos. Os processos, porém, não tratam todos de acusações de extorsão.
Em dezenas desses casos, há registros de condenações relacionadas ao não pagamento de salários e de direitos trabalhistas. Em 2017, ele foi preso junto com o pai e um irmão, também blogueiros, sob suspeita de cobrar dinheiro de pessoas investigadas para não divulgar informações obtidas clandestinamente. Em 2019, foi condenado por difamação contra três desembargadores do Tribunal de Justiça do Maranhão, em razão de publicações feitas em seu site.
Escola em Havana com posters em homenagem aos 100 anos de Fidel Castro. Foto: Norlys Perez/Reuters
Cuba e o mundo marcam hoje os 100 anos do nascimento de Fidel Castro (13 de agosto de 1926, Birán), em meio ao cerco mais duro de Washington desde o Período Especial. Marco Rubio prepara o que fica explícito como uma tentativa de estrangulamento final da realidade revolucionária que persiste há décadas em Cuba.
Antes da Revolução, Cuba era uma quase-colônia americana sob a ditadura de Fulgencio Batista, instituída em um golpe de Estado em 1952, comandado por Washington. O capital estrangeiro, sobretudo dos EUA, controlava a maior parte da economia, incluindo usinas de açúcar, terras, serviços públicos, telefonia, eletricidade e bancos. Havana era o parque de diversões da máfia norte-americana (Meyer Lansky), com cassinos, prostituição e jogo. No campo, latifúndio, desemprego sazonal e miséria; o analfabetismo rondava um quarto da população, com pouca escolaridade e serviços de saúde precários fora das cidades.
A barbárie imperialista
É a essa “ordem pré-revolucionária” que Washington quer retornar. O bloqueio dos EUA, com 64 anos, foi levado a níveis inéditos no segundo mandato de Trump, sob Marco Rubio no Departamento de Estado, e a tomada de Cuba vem sendo construída peça por peça. No primeiro dia exato do segundo mandato, 20 de janeiro de 2025, Trump designou Cuba como State Sponsor of Terrorism (SST). A consequência mais decisiva e cruel da designação encontra-se no efeito dissuasório sobre o sistema financeiro global. A designação aciona o regime de sanções secundárias — o instrumento que estende a jurisdição americana ao planeta inteiro. Qualquer banco, seguradora, armador, empresa ou governo que negocie com Cuba passa a arriscar ser cortado do sistema financeiro dos Estados Unidos e tratado como cúmplice de terrorismo.
Esse cerco econômico e financeiro se articula a uma estratégia mais ampla de repressão e contenção política. A Estratégia Nacional de Contraterrorismo de 2026 de Trump fundiu, pela primeira vez, três categorias de “ameaça terrorista”: narcoterroristas/gangues transnacionais, jihadistas legados e — inédito — “extremistas violentos de esquerda”. É hoje o arcabouço que enquadra governos latino-americanos não alinhados, enquanto Guantánamo, o SOFA no Paraguai, o FBI no Equador e as bases argentinas se tornam “equivalentes funcionais” das bases dos EUA no Golfo.
Os Estados Unidos querem deixar claro que a ameaça militar a Cuba é permanente. Em meio aos navios de guerra no Caribe e às execuções extrajudiciais, o secretário de Guerra, Pete Hegseth, discursando na base naval de Guantánamo — território cubano ocupado ilegalmente — ameaçou Cuba diretamente: “Seria imprudente para o governo cubano tentar adquirir ou obter acesso ao tipo de armas que poderiam alcançar esta base ou o território americano. Estariam convidando o tipo de confronto que não apenas não desejam, mas não poderiam suportar.”
Paralelamente, Rubio amplia vetos de visto ligados às missões médicas cubanas, mirando autoridades de cerca de 50 países que recebem médicos cubanos, sob a alegação de “trabalho forçado”.
Rubio sancionou, dois meses depois, cinco entidades (Tecnoimport, União da Indústria Militar/UIM, EMI Yuri Gagarin e mais duas) e oito autoridades (o ministro da Defesa, Álvaro López Miera, e o chefe do Estado-Maior, Roberto Legrá Sotolongo, entre outros), alegando aquisição de equipamento militar da Rússia e da China.
Evento de comemoração do governo cubano em homenagem ao centenário de Fidel Castro. Foto: Norlys Perez/Reuters
O mundo a partir dos olhos da Revolução Cubana e a audácia revolucionária de Fidel
Cuba, no entanto, nunca se entregou. Fidel sempre deixou claro que as aberturas (turismo, capital estrangeiro em setores selecionados) eram ditadas pela necessidade histórica, e não por um abrandamento da convicção socialista — exatamente a lógica que Cuba retoma hoje nas reformas de 2026. Díaz-Canel, no ato central, resumiu seu argumento: “O socialismo não é um dogma, mas uma ciência em construção, que deve ser adaptada às realidades concretas.”
Fidel soube ler o momento histórico e a oportunidade e, depois, soube adaptar a estratégia sem abrir mão do princípio. A Revolução trouxe consigo uma taxa de alfabetização superior a 99%. A expectativa de vida e a mortalidade infantil em Cuba tornaram-se melhores que as dos Estados Unidos, e Cuba acumula mais médicos enviados ao exterior do que OMS + UNICEF + MSF somados em missões de solidariedade.
Para além da libertação nacional de Cuba, o internacionalismo genuíno — “a pátria era a humanidade” — segue coerente até hoje. Cuba enviou tropas para defender a Angola independente contra as invasões da África do Sul do apartheid. Cerca de 9.000 soldados cubanos de elite, com tanques e aviação, detiveram e derrotaram as forças sul-africanas, forçando a retirada da África do Sul de Angola e da Namíbia e acelerando a independência namibiana e o fim do apartheid. Cuba diz que mais de 300 mil voluntários serviram em Angola ao longo do período; um monumento em Pretória honra 2.070 soldados cubanos mortos. As palavras de Mandela selam o legado: “Quando procurávamos os governos ocidentais, éramos recebidos por funcionários de baixo escalão. Quando visitamos Cuba, fomos recebidos pelas mais altas autoridades, que de imediato ofereceram tudo o que quiséssemos e precisássemos.”
Fidel apoiou a Revolução Sandinista (1979), enviando professores, médicos e assessores. Apoiou também processos em El Salvador, Granada e a esquerda latino-americana em geral. Fidel acompanhou e estimulou a trajetória de Lula e do PT. Diante da derrota de 1989 para Collor, Lula pensou em desistir, e Fidel viu isso como um aviso para continuar — a vez em que um operário metalúrgico chegou mais perto da Presidência.
Fidel convidou o mundo a ver a si mesmo com outros olhos, livre da opressão, da competição e da humilhação capitalista. Testou na prática a solidariedade entre os povos, foi inúmeras vezes vitorioso nas lutas de libertação. Mostrou que o socialismo é real, possível, mas tem um grande desafio: o cerco da barbárie capitalista em queda livre.
O deputado federal, André Janones (REDE-MG). Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados
O deputado federal André Janones (Avante-MG) acusou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de ter encenado a própria filiação ao Partido Missão para descredibilizar a Justiça Eleitoral. Em publicação nas redes sociais nesta quarta-feira (13), Janones disse que o senador teria pago alguém para incluí-lo em outra legenda, mas não apresentou provas da acusação.
A declaração foi feita após Flávio aparecer como filiado ao Missão no sistema da Justiça Eleitoral, o que impediu inicialmente o registro de sua candidatura à Presidência pelo PL. Janones afirmou que o episódio repetiria, segundo sua versão, a estratégia usada pela família Bolsonaro após a facada contra Jair Bolsonaro em 2018.
O TSE informou que a filiação não foi resultado de ataque ao sistema eleitoral. Segundo o tribunal, o registro foi feito por alguém que tinha credenciais do Partido Missão para efetivar filiações, e não por uma invasão à plataforma da Justiça Eleitoral.
Todo mundo sabe o que aconteceu. O próprio Flávio pagou alguém pra filiar ele em outro partido para tentar tentar descredibilizar a justiça eleitoral. Seguiram o mesmo roteiro da facada forjada em 2018 pra eleger Bolsonaro. Só que dessa vez deu ruim pra eles. Isso é só uma…
A filiação de Flávio ao PL foi retomada pelo TSE após a checagem do caso, permitindo que o senador voltasse a constar na legenda pela qual pretende disputar a Presidência. A informação do tribunal, no entanto, não identifica quem usou as credenciais do Missão nem atribui a operação a Flávio Bolsonaro.
Ao final, Janones afirmou que jogará “com todas as armas” para “exterminar esses vermes”.
Os candidatos ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos). Foto: Renato Pizzutto/Band
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), anunciou nesta quinta-feira (13) a abertura de um inquérito policial para apurar a denúncia de que o motorista de Fernando Haddad (PT) teria sido perseguido por uma viatura da Polícia Militar após deixar o candidato em casa.
Tarcísio afirmou que o caso será tratado “tecnicamente” e que a apuração reunirá imagens de mais de 40 câmeras para reconstruir o trajeto do motorista. O governador disse ainda que o funcionário será chamado a prestar esclarecimentos formais durante o inquérito.
Haddad relatou que o motorista foi seguido de forma ostensiva e intimidatória por policiais na noite de terça-feira (11). Segundo a versão inicial apresentada à PM, ele teria entrado em um hotel durante o trajeto para se afastar da viatura.
➡️ Tarcísio diz que vai abrir inquérito para apurar episódio de Haddad com PM pic.twitter.com/ahma5VlB60
O inquérito deverá reunir as imagens já levantadas pela polícia, o depoimento formal do motorista e outros elementos sobre o trajeto percorrido depois que ele deixou Haddad em casa. A investigação foi anunciada após o caso ganhar repercussão durante a disputa pelo Governo de São Paulo.
Na quarta-feira (12), o PT apresentou uma Notícia de Fato à Procuradoria Regional Eleitoral e pediu a abertura de um Procedimento Preparatório Eleitoral para investigar o episódio.
Pete Hegseth, secretário de Guerra dos EUA, no Panamá. Foto: Aris Martinez/REUTERS
Os Estados Unidos planejam ampliar para operações em terra a campanha militar contra organizações do narcotráfico na América Latina. A estratégia prevê ações contra grupos considerados ameaças aos EUA e a países aliados, em uma expansão da ofensiva que já ocorre contra supostas embarcações usadas para o tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico Oriental.
A informação foi dada pelo secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, durante uma visita ao Panamá. Segundo ele, Washington pretende levar para o território continental da América Latina a mesma capacidade operacional empregada nos ataques contra as chamadas “narcolanchas”.
“Onde quer que trafiquem drogas ou ameacem o povo americano ou nossos parceiros, essas organizações são um alvo, assim como o Estado Islâmico ou a Al Qaeda”, afirmou Hegseth.
Vestindo uma camiseta verde-oliva e cercado por militares, o chefe do Pentágono disse que os Estados Unidos trabalham com países aliados para realizar operações terrestres contra organizações que Washington classifica como organizações terroristas designadas.
Hegseth citou especificamente Equador e Colômbia como parceiros nos preparativos para levar a ofensiva aos territórios onde atuam grupos do narcotráfico.
EUA querem repetir ataques realizados no Caribe e no Pacífico
De acordo com o secretário de Defesa, os EUA esperam, no curto prazo, desenvolver com os países aliados uma “capacidade operacional” semelhante à utilizada nos ataques contra embarcações suspeitas de transportar drogas.
“Será o mesmo efeito em terra”, afirmou Hegseth. “Por isso estamos trabalhando com Equador, Colômbia e outros parceiros para levar a luta às DTO [organizações designadas terroristas] em terra.”
A campanha militar americana contra supostas embarcações do narcotráfico começou em setembro de 2025 e, segundo os dados apresentados na reportagem, já deixou ao menos 215 mortos em ataques realizados no Caribe e no Pacífico Oriental.
As operações provocaram críticas de juristas e organizações de direitos humanos, que questionam a legalidade dos ataques e afirmam que alguns deles podem configurar execuções extrajudiciais.
Hegseth, porém, defendeu abertamente a estratégia letal.
“Não vamos submetê-los a um processo judicial, onde sabemos que serão liberados. Vamos destruir estas redes com todas as capacidades do governo americano.”
Out with our warriors at the Jungle Operations Training Center in Panama.
No environment is too harsh, no terrain too tough. Incredibly proud of these lethal joint and partner forces. pic.twitter.com/cJHqoepLY9
Os planos fazem parte da Coalizão Anticartéis das Américas, uma aliança liderada pelo governo de Donald Trump que reúne 19 países.
Entre os participantes estão Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Honduras e Peru. O México, apesar de abrigar alguns dos grupos criminosos mais poderosos da região, não integra a coalizão.
Durante sua passagem pelo Panamá, Hegseth participou de exercícios militares realizados anualmente no país com a participação de cerca de 20 nações.
O secretário afirmou que a ofensiva poderá alcançar qualquer lugar onde organizações de tráfico de drogas estejam operando.
Entre os grupos e atividades mencionados por Hegseth estão redes de tráfico de cocaína, o comércio de fentanil no México e remanescentes de guerrilhas colombianas.
A declaração representa uma ampliação significativa da atuação militar americana contra o narcotráfico na América Latina e abre a possibilidade de operações terrestres dos EUA e de seus aliados contra grupos classificados por Washington como organizações terroristas.
Os candidatos ao governo do Ceará, Elmano de Freitas (PT) e Ciro Gomes (PSDB). Foto: Fco Fontenele/O POVO/Eduardo Anizelli/Folhapress
Ciro Gomes (PSDB) lidera a disputa pelo Governo do Ceará com 52% das intenções de voto, contra 33% do governador Elmano de Freitas (PT), que busca a reeleição, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (13). A vantagem do ex-governador é de 19 pontos percentuais no cenário estimulado, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos eleitores.
Pedro Brito (Novo), Delegado Huggo (Missão) e Danilo Soares (Democrata) marcaram 1% cada. Serley Leal (UP) e Zé Batista (PSTU) não pontuaram; brancos, nulos ou nenhum somaram 7%, e 4% não souberam responder. Pedro Brito deixou a disputa após o registro do levantamento, e o Novo lançou Vera Lúcia como candidata ao governo.
Na pesquisa espontânea, Ciro foi citado por 28% dos entrevistados e Elmano por 20%, enquanto 43% disseram não saber em quem votar. Camilo Santana (PT), que não é candidato, apareceu com 2%. O dado mostra que os dois principais nomes já concentram as lembranças do eleitorado, mas que a corrida ainda tem espaço para disputa.
Em uma simulação de segundo turno, Ciro venceu Elmano por 55% a 37%. Brancos e nulos foram 5%, e 3% não souberam responder. A pesquisa ouviu 1.022 eleitores em 51 municípios cearenses entre segunda-feira (10) e quarta (12), tem margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
O levantamento também aponta maior rejeição a Elmano: 35% disseram que não votariam no petista de jeito nenhum. Ciro foi rejeitado por 21%. Delegado Huggo marcou 19%, Zé Batista, 18%, Pedro Brito, 17%, Danilo Soares, 15%, e Serley Leal, 11%.
O lendário guitarrista Ritchie Blackmore. Foto: Divulgação/The Music Journal
Os fãs de rock tiveram uma surpresa histórica na noite desta quarta-feira (12). Ritchie Blackmore, fundador do Deep Purple e um dos maiores guitarristas da história, voltou a dividir o palco com o grupo pela primeira vez em 33 anos.
Blackmore participou do show realizado no Jones Beach Theater, em Wantagh, no estado de Nova York, e tocou o clássico “Smoke on the Water”, lançado originalmente em 1972 no disco Machine Head.
Blackmore ao estava dedicado à música renascentista e ao violão. Nos vídeos nas redes, o guitarrista contou que estava ao lado dos antigos companheiros pela primeira vez desde sua saída da banda, em 1993.
“Na verdade, não toco rock há 25 anos. Vai ser bom rever os velhos amigos”, afirmou. O músico ainda brincou sobre a idade dos integrantes e admitiu estar nervoso com a apresentação.
Richie Blackmore makes his first appearance with Deep Purple in 33 years.
Depois da participação de Blackmore, o vocalista Ian Gillan explicou ao público como a reunião aconteceu. Segundo ele, o próprio guitarrista tomou a iniciativa de procurar a banda.
“Há alguns dias, recebi uma mensagem de um morador local dizendo: ‘Moro aqui perto. Vocês se importariam se eu fosse tocar com vocês?’”, contou Gillan à plateia.
O momento foi especialmente simbólico porque Gillan e Blackmore estavam rompidos.
Ele nem sequer participou da cerimônia no Rock & Roll Hall of Fame, em 2016.
Na turnê do álbum “The Battle Rages On” (1993), Blackmore agrediu o cantor em pleno palco. E tudo durante um show que estava sendo gravado.
O candidato ao governo do Paraná, Sérgio Moro (PL). Foto: Reprodução
O senador Sergio Moro (PL-PR) virou alvo de ironias nesta quinta-feira (13) depois de sugerir que a retirada de carretas que, segundo ele, estavam tombadas na BR-277 poderia ser realizada em outro horário. A declaração foi gravada enquanto o parlamentar estava parado na praça de pedágio de São Luiz do Purunã, no Paraná.
No vídeo publicado na quarta-feira (12), Moro afirmou que o trânsito estava interrompido havia mais de 40 minutos e reclamou da falta de informações aos motoristas. O senador disse que carretas tombadas aparentemente estavam sendo retiradas da pista.
“Poderiam fazer talvez em outro horário. Poderiam manter uma via desobstruída ou passagem alternativa”, declarou. Moro também afirmou que o congestionamento era quilométrico e encerrou a gravação com uma provocação a adversários políticos, dizendo não dispor de dinheiro para viajar de helicóptero.
Posto de pedágio em São Luiz do Purunã, no Paraná, tudo parado há mais de 40 minutos.
Sem informação adequada. Aparentemente, carretas tombadas sendo retiradas da pista. Poderiam fazer talvez em outro horário. Poderiam manter uma via desobstruída ou passagem alternativa.
A praça de São Luiz do Purunã fica no km 140 da BR-277, no município de Balsa Nova, e faz parte do trecho administrado pela Via Araucária.
Depois de reclamar da falta de informação, sugerir a liberação de uma faixa e dizer que não tinha dinheiro para viajar de helicóptero, Moro ofereceu sua contribuição à engenharia de tráfego: a retirada das carretas poderia ficar para outro horário.
Internautas sugeriram, em tom de piada, a criação do “Agendamento Nacional de Acidentes e Destombamentos (ANAD)” para ironizar Moro, que tratou uma situação de urgência como se ela pudesse esperar um momento mais conveniente.
O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) questionou nesta sexta-feira (31) as pesquisas que apontam maior preferência das mulheres por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e acusou o presidente de usar o governo federal para retaliar São Paulo. O senador participou de um café da manhã com vereadores na capital paulista.
Flávio afirmou não entender por que mulheres indicam maior apoio a Lula, apesar de associar pautas femininas à direita. “Parece que aquele que defende as mulheres está defendendo a pauta errada”, disse durante o encontro no QG de sua pré-campanha, na zona sul da cidade.
Também pesa contra o senador a relação com sua madrasta, Michelle Bolsonaro. Apesar da trégua para confirmar sua candidatura à Presidência, a ex-primeira-dama gravou um vídeo de quase 30 minutos para expor o destrato dentro do âmbito familiar, o que reforçou a imagem misógina dentro do bolsonarismo.
Dados do Datafolha divulgados em 24 de julho indicam que 50% das mulheres não votariam em Flávio de jeito nenhum no primeiro turno. Para Lula, o índice nesse grupo é de 44%. As mulheres representam 52,84% do eleitorado brasileiro, e a rejeição total do senador chega a 48%, ante 46% do presidente.
IRONIA! Flávio Bolsonaro diz que não compreende porque as mulheres rejeitam ele, será mesmo que não compreende? Manda esse vídeo pra ele que ele passa a entender rapidinho quando vê a quantidade de bizarrice que seu pai disse e fez com mulheres. pic.twitter.com/M9mkrRUZii
Flávio também disse que Lula se “vinga” de São Paulo por causa do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), ambos aliados de sua pré-candidatura. “A prefeitura, o governo do estado implorando para liberar um financiamento, que o estado e a cidade têm condições de pagar”, afirmou.
Sem detalhar quais operações de crédito estariam travadas, o senador acusou o Planalto de perseguir adversários. Nunes endossou a crítica e classificou como “perseguição política” a demora na liberação de uma operação de crédito de R$ 4 bilhões, que, segundo ele, aguarda aval desde abril.
Em março, Lula disse que o governo federal participa de todas as obras realizadas no estado. “Não estamos fazendo favor, é obrigação, mas queria que o governo estadual reconhecesse que metade vem deles e metade vem do governo federal”, declarou o presidente em agenda pública.
O encontro reuniu Tarcísio, Nunes e os pré-candidatos ao Senado André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), além de vereadores de partidos de centro e direita. A estratégia de Flávio mira lideranças municipais com contato direto com o eleitorado paulista.
Ao falar sobre segurança e políticas de drogas, o senador atacou a esquerda e citou o programa “De Braços Abertos”, criado na gestão de Fernando Haddad (PT) na Prefeitura de São Paulo, entre 2013 e 2016. A iniciativa oferecia moradia, trabalho e cursos de capacitação a usuários de drogas na região da cracolândia; Flávio a chamou de “bolsa crack”.
São Paulo é o maior colégio eleitoral do país e concentra aliados importantes para o senador. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana apontou Flávio à frente de Lula em um eventual segundo turno no estado, por 40% a 35%; no primeiro turno, os dois aparecem tecnicamente empatados, com 34% e 30%, respectivamente.
Um pedido da Polícia Federal para abrir investigação sobre Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, intensificou o conflito entre a corporação e o gabinete do ministro André Mendonça, relator do inquérito principal sobre o INSS no Supremo Tribunal Federal. A nova frente apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência.
A solicitação da PF chegou ao STF durante o plantão do ministro Alexandre de Moraes. Moraes enviou o caso à Procuradoria-Geral da República, que deu parecer favorável à instauração da investigação, e o processo acabou distribuído a Mendonça.
Segundo o g1, o atrito entre investigadores e o gabinete do ministro, porém, já vinha de meses. Integrantes da equipe de Mendonça cobravam informações sobre o andamento do inquérito, questionavam a demora de diligências e demonstravam preocupação com alterações na equipe responsável pela apuração.
A Polícia Federal rejeita a avaliação de que existam problemas na condução do caso. A corporação sustenta que seguiu critérios técnicos e não cometeu irregularidades durante as investigações.
A nova sede da PF em Brasília. Foto: reprodução
PF questionou restrições impostas pelo relator
O mal-estar também envolve limites estabelecidos por Mendonça para a comunicação de informações da investigação com superiores de delegados da PF. A corporação procurou a Advocacia-Geral da União para avaliar medidas contra as restrições.
Interlocutores do gabinete do ministro afirmam haver indícios de que a condução das apurações não funcionaria de forma regular. Fontes da PF contestam essa interpretação e dizem que decisões judiciais não podem interferir nas competências da corporação.
Desde janeiro, a PF buscava a AGU para questionar medidas que considerava interferência em suas atribuições. Naquele momento, Dias Toffoli ainda relatava o caso no Supremo, e a manifestação inicial ocorreu verbalmente; em maio e junho, os pedidos passaram a ser formalizados.
A PF afirma que as iniciativas junto à AGU antecedem o pedido de investigação sobre Lulinha e não têm relação com esse desdobramento. Documentos que tiveram o sigilo parcialmente retirado também levantaram suspeita de vazamento de informações no capítulo que envolve o senador Jaques Wagner, hipótese incluída nas petições do processo.
Migrantes reunidos perto da fronteira entre Marrocos e o território espanhol de Ceuta. Foto: Reprodução
Ceuta, cidade autônoma espanhola de 18,5 quilômetros quadrados na costa africana do Mediterrâneo, reúne comunidades cristã, muçulmana, judaica e hindu em um território com pouco mais de 83 mil habitantes. As tradições dos quatro grupos influenciam o calendário de feriados, os templos e a culinária local.
A cidade fica separada da Espanha continental pelo Estreito de Gibraltar e, ao lado de Melilla, forma a única fronteira terrestre entre a União Europeia e a África, sendo o único território europeu no continente. Marrocos não reconhece a soberania espanhola sobre as duas cidades e as considera áreas ocupadas.
Cristãos e muçulmanos formam as maiores comunidades de Ceuta. No cotidiano local, os termos também podem indicar identidades culturais, familiares e linguísticas, além da prática religiosa.
A presença cristã remonta à Antiguidade, e a cidade ainda preserva ruínas de uma basílica do século 4. O cristianismo ganhou força depois da conquista portuguesa de Ceuta, em 1415, antes de o território passar ao controle espanhol; entre os símbolos católicos estão o Santuário de Santa Maria da África e a Catedral da Assunção.
‼️ [ 🇪🇸 ESPAGNE | 🇲🇦 MAROC ]
🔸 Le président du gouvernement de Ceuta affirme que près de 60.000 migrants ont franchi la frontière entre le Maroc et l’enclave espagnole ces derniers jours, soit l’équivalent d’environ 70 % de la population locale.
Mesquitas, sinagoga e templo hindu marcam o território
A herança islâmica se relaciona aos séculos de domínio muçulmano e aos laços históricos e familiares com Marrocos. Em bairros como Hadú, Los Rosales e El Príncipe, mesquitas, mercados, casas de chá e o uso do darija, variedade árabe falada no país vizinho, integram a rotina dos moradores.
Grande parte dos muçulmanos de Ceuta é formada por cidadãos espanhóis nascidos na própria cidade. A Mesquita de Sidi Embarek está entre as maiores do território, enquanto a Mesquita de Muley El Mehdi foi inaugurada em 1940; o fim do Ramadã e o Eid al-Adha fazem parte da vida pública, e a festa do sacrifício integra o calendário oficial de feriados locais.
A comunidade judaica, menor em número, reúne descendentes de famílias sefarditas expulsas da Península Ibérica no fim do século 15 e de judeus berberes que viveram durante séculos em Marrocos.
A Sinagoga Bet-El, construída em 1971 a partir da união de três pequenos espaços religiosos, abriga celebrações como o Hanukkah, que também atrai representantes de outras comunidades.
Comerciantes sindis começaram a consolidar a comunidade hindu no fim do século 19, chegando por Gibraltar e Tânger para negociar tecidos, perfumes, incensos e, mais tarde, eletrônicos. O templo hindu abriu em 2007, e a cidade celebra o Diwali e o nascimento de Ganesha, quando a imagem da divindade percorre ruas e passa por locais ligados a outras religiões antes de seguir ao mar.
Procissões da Semana Santa, o fim do Ramadã, o Eid al-Adha, o Diwali e o Hanukkah ocupam ruas e praças de Ceuta. A diversidade também se reflete em tapas andaluzas, espetinhos temperados, doces árabes, pratos halal, receitas sefarditas, comida vegetariana hindu e chá de hortelã.
A convivência entre as comunidades não elimina desigualdades sociais e econômicas. Estudos sobre a cidade apontam concentração de pobreza e exclusão em bairros periféricos, como Príncipe Alfonso, além de problemas de moradia, educação, emprego e segregação residencial.
O vice-presidente paraguaio, Pedro Alliana, disse que o embaixador informou às autoridades locais que as declarações de Lula foram retiradas de contexto e não tiveram a intenção de ofender a população do país vizinho. “Nunca foi a intenção do presidente Lula realmente ressentir ou insultar o Paraguai com essas declarações”, afirmou Alliana em coletiva de imprensa.
O encontro ocorreu na sede da chancelaria paraguaia, em Assunção, um dia depois de o governo do país convocar Marcondes para prestar esclarecimentos. A convocação ocorreu após a repercussão das falas de Lula sobre o conflito que opôs Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai no século 19.
Rubén Ramírez Lezcano, ministro das Relações Exteriores do Paraguai, afirmou ter recebido a explicação apresentada pela diplomacia brasileira. Para o chanceler, o esclarecimento de que Lula não pretendia atingir o povo paraguaio encaminhou o episódio sem necessidade de uma escalada bilateral.
A crise começou após um discurso de Lula em Jacareí, no interior de São Paulo, em 24 de julho. Ao defender investimentos em defesa, o presidente afirmou que o Brasil busca a paz, mas citou o início da guerra no século 19.
❗️🇧🇷🇺🇸Lula destaca necessidade de proteção das fronteiras e cita ”LOUCOS” que querem fazer guerra
”A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia, o Paraguai invadiu o Brasil. (…) E aquela guerra que parecia que era nada, durou cinco anos”, afirmou. pic.twitter.com/FebjhOuY3n
Congresso paraguaio entregou nota de repúdio ao Brasil
Durante a reunião, autoridades paraguaias entregaram formalmente uma nota de repúdio aprovada pelo Congresso do país ao representante brasileiro. O documento expressa a reação parlamentar às declarações que provocaram críticas no Paraguai.
Alliana também citou o cenário eleitoral brasileiro ao explicar a decisão de não ampliar o conflito diplomático. “Vocês sabem que também estão em plena campanha eleitoral lá [no Brasil] e o que menos queremos é que acreditem que queremos nos imiscuir nessas eleições”, declarou.
A Guerra da Tríplice Aliança, também conhecida como Guerra do Paraguai, ocorreu entre 1864 e 1870. O confronto deixou efeitos duradouros no país e dizimou cerca de 70% da população paraguaia, segundo estimativas históricas frequentemente citadas sobre o período.
Até a última atualização, o governo brasileiro e o Itamaraty não haviam se manifestado publicamente sobre a reunião em Assunção nem sobre a nota de repúdio entregue pelas autoridades paraguaias.
Deputado federal Nikolas Ferreira durante sessão no plenário da Câmara dos Deputados. Foto: Reprodução
A Justiça do Distrito Federal condenou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) a pagar R$ 20 mil por danos morais ao Partido dos Trabalhadores (PT), após ele chamar a sigla de “PT – Partido dos Traficantes” em uma publicação no X. A sentença, assinada na quinta-feira (30), também prevê a remoção da postagem após o fim das possibilidades de recurso.
O juiz Wagner Pessoa Vieira, da 5ª Vara Cível de Brasília, concluiu que a mensagem ultrapassou os limites da crítica política ao relacionar diretamente o partido ao tráfico de drogas sem apresentar base factual. “A crítica política pode ser dura, ácida, irônica e injusta, mas não pode, sem suporte mínimo de veracidade, creditar associação direta da pessoa jurídica a crimes”, escreveu.
O PT entrou com a ação pedindo a exclusão da publicação e uma indenização de R$ 40 mil. O partido sustentou que a frase atingiu sua honra e sua imagem institucional ao vinculá-lo a uma atividade criminosa.
Na decisão, o magistrado afirmou que partidos políticos aceitam críticas mais severas no debate público, mas apontou que Nikolas publicou a acusação em seu perfil pessoal sem citar investigação, processo, dado oficial ou outro elemento concreto que sustentasse a associação.
Publicação difamatória de Nikolas no X. Foto: reprodução
Juiz rejeitou imunidade parlamentar alegada pela defesa
A defesa do deputado pediu a rejeição da ação e alegou que a postagem estava protegida pela imunidade parlamentar e pela liberdade de expressão. Também afirmou que se tratava de crítica política, sem imputação de um crime específico, e solicitou que uma eventual indenização ficasse em R$ 5 mil.
Wagner Pessoa Vieira rejeitou esse argumento. Para o juiz, manifestações fora do Congresso só recebem proteção da imunidade quando mantêm vínculo com o exercício do mandato, como atos de fiscalização pública ou participação em debates legislativos.
O magistrado avaliou que a postagem não tratava de fiscalização parlamentar e teve como objetivo desqualificar um partido adversário. Ele afirmou que a indenização não busca censurar o debate político, mas impede que redes sociais sejam usadas para associar pessoas ou instituições a crimes sem fundamento.
Além dos R$ 20 mil, Nikolas terá de pagar as custas do processo e os honorários dos advogados do PT, definidos em 15% sobre o valor atualizado da indenização. Caso a publicação permaneça no ar cinco dias após o trânsito em julgado, o deputado poderá receber multa diária de R$ 1 mil, limitada a R$ 60 mil.
Mochilas de entregadores da Keeta. Foto: reprodução
A plataforma de delivery Keeta, controlada pela chinesa Meituan, foi denunciada ao Ministério Público do Trabalho (MPT) em São Paulo por mensagens que avisam entregadores de que sua velocidade está “abaixo do esperado”. A representação também questiona bônus ligados a entregas mais rápidas e sustenta que as práticas podem expor motociclistas a riscos no trânsito.
O entregador Elias Pereira Freitas da Silva Júnior, conhecido como JR Freitas e integrante do Movimento dos Trabalhadores Sem Direitos, protocolou a denúncia após receber relatos de motociclistas. Eles afirmaram que o algoritmo da empresa os pressionaria a aumentar a velocidade, sob receio de bloqueios e perda de remuneração.
Entre os elementos anexados estão avisos de que o entregador tem até 49 segundos para responder a um chamado. A plataforma também informaria que outros trabalhadores estão na fila para aceitar a mesma entrega, mecanismo que, para Freitas, eleva a ansiedade e pode distrair quem conduz uma motocicleta.
Freitas questiona se o sistema considera congestionamentos, chuva, semáforos e as condições das ruas ao calcular os prazos.
“O trabalhador está no trânsito, muitas vezes parado por um congestionamento ou um semáforo, e recebe uma mensagem dizendo que está abaixo da velocidade. Isso gera desespero porque ele acredita que pode ser bloqueado”, afirmou ao g1.
Entregador de delivery em motocicleta. Foto: Reprodução
Representação pede auditoria e preservação de dados da Keeta
O documento solicita que o MPT preserve registros da plataforma, incluindo dados de geolocalização, mensagens enviadas aos entregadores, critérios de remuneração e históricos de bloqueios. A denúncia também pede a suspensão imediata dos alertas de velocidade até que a empresa comprove a segurança desse tipo de comunicação.
O requerimento inclui a desvinculação de bônus de metas consideradas perigosas, uma auditoria independente do algoritmo, transparência sobre bloqueios e pagamentos e proteção contra retaliações a trabalhadores que colaborem com a investigação.
O MPT não respondeu especificamente sobre a representação contra a Keeta. O órgão, porém, informou que já conduz uma investigação sobre a velocidade exigida de entregadores, diante dos riscos à segurança viária e do aumento das mortes no trânsito da capital paulista.
Em nota, a Keeta afirmou que a segurança dos entregadores parceiros é prioridade e disse que usa sistemas próprios e inteligência artificial para otimizar rotas, reduzir o tempo de espera e ampliar o número de entregas “sem sobrecarregar os parceiros”. A empresa declarou que suas tecnologias permitem cumprir os horários previstos sem exceder os limites de velocidade.
A companhia mantém no Brasil a política de “Horário Garantido”, que oferece compensação ao consumidor caso o pedido atrase. A Keeta afirmou que o compromisso com rapidez depende de tecnologia e planejamento, “e não por pressão sobre os parceiros entregadores”.
Freitas avaliou que a chegada da Keeta e da 99Food ampliou a concorrência no delivery, mas defendeu que a disputa entre empresas não sacrifique a segurança. “A entrega mais importante é voltar para casa. Não há bônus que pague isso. Às vezes, somos tratados mais baratos do que um lanche do McDonald’s”, disse.
Fachada de unidade da rede Americanas. Foto: Reprodução
A juíza federal Giovana Teixeira Brantes Calmon apontou indícios de apagamento de provas em computadores e celulares que a Americanas entregou à Polícia Federal durante a investigação sobre a fraude contábil na varejista. A magistrada citou aparelhos atribuídos aos ex-executivos Miguel Gutierrez e Sergio Rial em despacho assinado em 22 de maio.
No caso de Gutierrez, que comandou a Americanas por mais de 20 anos, os aparelhos entregues como sendo de seu uso estavam com os padrões de fábrica restaurados. Para a juíza, a hipótese de os dispositivos nunca terem sido utilizados não se sustenta porque a própria empresa os apresentou à polícia como equipamentos usados pelo ex-CEO.
“Assim, é possível afirmar com convicção quase completa que os aparelhos foram ‘formatados’ antes de ser entregues para a Autoridade Policial”, escreveu Calmon. Ela também registrou que o computador atribuído a Sergio Rial continha pastas vazias.
A decisão cita ainda um perfil identificado como sendo de Carlos Gatto, ex-diretor da AME Digital, que os peritos não conseguiram acessar porque a senha não foi fornecida. Sobre o equipamento ligado a Rial, a juíza afirmou haver indício de que provas “muito provavelmente foram apagadas de forma definitiva”, possivelmente para impedir o acesso aos arquivos.
Miguel Gutierrez e Sergio Rial, ex-executivos da Americanas. Foto: reprodução
Decisão embasou buscas contra acionistas de referência
O despacho antecedeu a segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada em junho contra Beto Sicupira, o presidente do conselho de administração da Americanas, Eduardo Saggioro, e Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann. A medida questiona a versão dos acionistas de referência de que a antiga diretoria os enganou sobre a situação financeira da companhia.
Calmon reconheceu não haver provas documentais da participação dos acionistas em conversas explícitas sobre mecanismos usados para maquiar resultados, como operações de risco sacado, verbas de propaganda cooperada e alterações em cartas de circularização entre bancos e auditorias. Ainda assim, a magistrada avaliou que Gutierrez atuava como pessoa de confiança dos acionistas, com apoio da LTS, holding ligada a Lemann, Marcel Telles e Sicupira.
A defesa de Sergio Rial afirmou que a Americanas entregou o computador à Polícia Federal em 2 de junho de 2023, cinco meses depois de sua saída da empresa, e que o aparelho permaneceu sob posse da varejista nesse período. Os advogados disseram não existir prova de que Rial tenha usado o equipamento ou apagado arquivos e sustentaram que o perfil de acesso identificado no computador pertencia a outra pessoa. A defesa de Gutierrez informou que não comentaria o caso.
Em nota, a Americanas declarou que entregou computadores e demais elementos solicitados pelas autoridades em 2023 “no estado em que se encontravam quando requisitados”. Sicupira, Paulo Lemann e Saggioro afirmaram que as investigações, incluindo acordos de colaboração premiada, concluíram que os acionistas de referência e o conselho foram enganados sistematicamente pela antiga diretoria.
Flávio Bolsonaro e Marcos Pereira em sessão do Congresso Nacional. Foto: Reprodução
O Republicanos marcou sua convenção para esta terça-feira (4) e deve rejeitar uma aliança nacional com o senador Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. A direção da legenda consulta os diretórios estaduais, e a maioria defende neutralidade na disputa.
O presidente do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), conduz a consulta interna antes da convenção. São Paulo surge como exceção: aliados do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) defendem uma coligação com o PL.
O PP também decidiu não apoiar Flávio Bolsonaro. A cúpula partidária se reuniu em São Paulo na quarta-feira (29) e optou por liberar os diretórios estaduais para apoiar candidatos conforme as alianças e condições políticas de cada região.
Com as decisões do PP e a provável liberação do Republicanos, Flávio terá o PL como único apoio partidário nacional. O senador disporá de 4 minutos e 20 segundos em cada bloco de 12 minutos e 30 segundos da propaganda eleitoral no rádio e na TV, enquanto o presidente Lula (PT) terá 5 minutos e 32 segundos.
O presidente Lula. Foto: Divulgação
Dirigentes do Republicanos avaliam que a neutralidade pode ajudar a ampliar as bancadas federais do partido em outubro. Em vários estados, a legenda integra alianças ligadas ao governo Lula ou enfrenta o PL em disputas locais, o que dificulta uma posição nacional unificada.
O líder do Republicanos na Câmara, deputado Augusto Coutinho (PE), afirmou que o diretório pernambucano aprovou internamente a independência. “Estamos coligados com o PSB, [o senador] Humberto Costa [PT] e Marília [Arraes, do PDT]. Como a gente não consegue levar o partido para o presidente Lula, trabalhamos pela neutralidade”, disse.
No Maranhão, o presidente estadual do partido, deputado federal Aluísio Mendes, também defendeu neutralidade e citou divergências com o presidente local do PL, José Maria Maranhãozinho. “Combato ele e a forma dele de fazer política desde que eu era secretário de Segurança Pública do Maranhão”, afirmou.
O diretório do Mato Grosso do Sul adotou posição diferente e defendeu o apoio a Flávio Bolsonaro, por estar coligado com PL e PP no estado. O presidente regional do Republicanos, deputado federal Beto Pereira, disse que considera a adesão “mais assertiva”, mas reconheceu que “a tendência [nacional] é a liberação”.
O diretor de operações da FIFA, Kevin Lamour. Foto: Divulgação
O diretor de operações da FIFA, Kevin Lamour, acusou o presidente da entidade, Gianni Infantino, de enganar funcionários ao conduzir sem transparência um plano de investimento privado ligado à Copa do Mundo. Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (31), Lamour afirmou que os trabalhadores “merecem algo melhor do que desprezo e intimidação”.
Lamour classificou a proposta como um “projeto de uma pessoa” e defendeu que ela não avance. “Este projeto não só não deve prosseguir… como chegou a hora de os líderes políticos do futebol se questionarem corretamente e tomarem as decisões certas”, declarou.
O diretor disse que não pretende pedir demissão, embora admita o risco de perder o emprego por se manifestar. “Se isso significar perder meu emprego, que assim seja. Pelo menos vou dormir bem esta noite”, afirmou.
Na crítica a Infantino, Lamour disse que vice-presidentes, integrantes do Conselho da FIFA, confederações, federações, jogadores, ligas, clubes, torcedores e a própria administração foram ignorados. Para ele, a condução do tema revela “falta de confiança, falta de transparência, falta de discernimento, falta de boa governança. E uma grave falta de respeito”.
O presidente da FIFA Gianni Infantino. Foto: Divulgação
Também nesta sexta-feira (31), Carlos Cordeiro deixou o posto de conselheiro sênior de Infantino em protesto contra o projeto. Ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos e ex-vice-presidente do Goldman Sachs, ele ocupava a função desde 2021 e integra a força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo de 2026.
Cordeiro criticou a ideia de vender 20% de uma nova subsidiária responsável por comercializar direitos da Copa do Mundo. O empreendimento teria avaliação de US$ 20 bilhões, e a operação buscaria levantar US$ 4,2 bilhões com investidores privados. “É um mau negócio para as Associações Membro da FIFA, um mau negócio para o futebol e um mau negócio para o futuro do esporte a longo prazo”, disse.
O ex-assessor questionou por que a FIFA pretende captar recursos apesar de possuir bilhões de dólares em reservas e não ter dívidas. Ele citou os US$ 15 bilhões em receitas entre 2022 e 2026 mencionados por Infantino e afirmou que vender uma participação permanente no principal ativo comercial da entidade significaria “hipotecar o futuro do futebol sem qualquer justificativa convincente”.
A Confederação Asiática de Futebol, a Concacaf e a UEFA se posicionaram contra o plano, reunindo 143 das 211 associações filiadas à FIFA — mais do que as 106 necessárias para aprová-lo em votação.
A entidade respondeu que não está “vendendo futebol”, atribuiu parte da reação a “reportagens incorretas da mídia” e afirmou que seguirá com o processo de consulta; a Confederação Africana avaliará a proposta na próxima semana, enquanto a Oceania discutirá o tema no próximo mês.
A seleção da espanha campeã da Copa do Mundo. Foto: Divulgação
Espanha e Portugal planejam retirar a candidatura para sediar a Copa do Mundo de 2030 caso o presidente da Fifa, Gianni Infantino, leve adiante a proposta de vender parte dos direitos comerciais do torneio, informou o jornal espanhol ‘El Español’ nesta sexta-feira (31). Os dois países dividem a organização prevista com Marrocos.
A eventual saída integraria a reação da UEFA contra o projeto e significaria também abrir mão de receber partidas do Mundial. A edição de 2030 prevê jogos nos três países anfitriões e partidas inaugurais no Uruguai, na Argentina e no Paraguai, em referência ao centenário da primeira Copa.
O plano contestado prevê a venda de 20% de uma nova subsidiária encarregada de comercializar os direitos da Copa do Mundo para investidores privados. O empreendimento teria avaliação de US$ 20 bilhões, e a operação poderia render US$ 4,2 bilhões à Fifa.
A Confederação Asiática de Futebol (AFC) se juntou à UEFA e à Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) na oposição ao projeto. Para a AFC, a Fifa “não consegue, de forma realista, alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para avançar”.
A entidade asiática reúne 47 associações, a Concacaf reúne 41 e a UEFA tem 55. Juntas, as três confederações somam 143 dos 211 membros da Fifa, acima dos 106 votos necessários para aprovar a proposta.
Taça da Copa do Mundo e as bandeiras das sedes de 2030. Foto: Divulgação
A Concacaf rejeitou a iniciativa após reunião emergencial realizada na quinta-feira (30). As associações apontaram “profunda preocupação” com a ausência de revisão pelos órgãos de governança da Fifa, com o prazo curto para análise e com a falta de devido processo na discussão.
A AFC também cobrou uma revisão urgente da estrutura de governança e de tomada de decisões da entidade. A confederação africana deve discutir o tema na próxima semana, enquanto a Oceania programou uma reunião para o mês seguinte; a Conmebol ainda não divulgou posição pública.
O diretor de operações da Fifa, Kevin Lamour, criticou a condução de Infantino e classificou a proposta como “projeto de uma pessoa”. Ele afirmou que funcionários da entidade foram “enganados” pela falta de transparência e declarou que não pretende renunciar, mesmo que sua manifestação lhe custe o emprego.
No mesmo dia, Carlos Cordeiro, assessor sênior de Infantino e ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos, pediu demissão em protesto. “É hipotecar o futuro do futebol sem qualquer justificativa convincente”, disse Cordeiro ao argumentar que a Fifa tem bilhões de dólares em reservas, não possui dívidas e registrou US$ 15 bilhões em receitas entre 2022 e 2026.
André Fernandes e Flávio Bolsonaro em evento do PL-CE. Foto: reprodução
Um ato do PL em Fortaleza nesta sexta-feira (10), com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), expôs a crise interna da família Bolsonaro e a resistência de parte da base bolsonarista à aliança com Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo do Ceará. Durante o evento, o deputado federal André Fernandes (PL-CE), presidente da sigla no estado, mandou uma indireta para a ex-primeira-dama, chamando o ex-presidente Jair Bolsonaro de “nosso galego”, apelido carinhoso dado por ela.
O evento lançou a pré-candidatura do deputado estadual Alcides Fernandes (PL) ao Senado e reuniu nomes bolsonaristas que pretendem disputar vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. O palanque também serviu para o grupo ligado a Flávio e André Fernandes avançar na montagem da chapa estadual.
Flávio e as demais lideranças que discursaram não citaram Ciro Gomes, apesar dos protestos no local. Um grupo de apoiadores levou cartazes com a mensagem “Ciro não”, e houve princípio de confusão quando outros presentes tentaram arrancar os cartazes das mãos dos manifestantes.
André Fernandes reagiu no microfone e atribuiu o tumulto a adversários. “Tem alguns petistas infiltrados, querendo bagunçar o nosso evento. Façam o seguinte, ignorem. Vamos derrubar o PT. A todo momento vai ter gente querendo dividir a oposição”, disse. Em seguida, afirmou: “Entenda aqui, petista, quem dá moral à merd* é mosca”.
🚨URGENTE – Deputado André Fernandes manda indireta para Michelle Bolsonaro em evento do PL no Ceará
“Nosso eterno presidente, NOSSO galego. Não é de ninguém individual, não tá! É NOSSO galego!” pic.twitter.com/7Xxs94HINI
André Fernandes também fez uma indireta à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao mencionar Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por golpe de Estado. “Eu fico olhando ali o rosto dele, o nosso eterno presidente. O nosso galego, não é de ninguém individual, não. É o nosso galego”, declarou, em referência ao apelido usado por Michelle para tratar o marido.
A crise entre Michelle e Flávio veio à tona no mês passado, quando a ex-primeira-dama publicou um vídeo com críticas ao enteado por causa das articulações no Ceará. Ela defendia a vereadora de Fortaleza Priscila Costa para a segunda vaga do PL ao Senado, além da candidatura de Alcides Fernandes.
A eventual entrada de Priscila na disputa ameaçava a aliança com Ciro Gomes, já que os tucanos devem indicar o segundo nome da chapa apoiada pelo PL. Michelle se opõe à parceria por considerar que Ciro fez ataques imperdoáveis a Jair Bolsonaro e aos filhos do ex-presidente.
Com Michelle afastada da exposição pública após renunciar à presidência do PL Mulher, Priscila viajou a Portugal nesta sexta-feira (10) para participar de um evento de mulheres conservadoras da Europa. A ausência abriu caminho para o grupo de André, Flávio e Alcides conduzir o ato sem interferência da ala ligada à ex-primeira-dama.
No discurso, Flávio fez acenos ao eleitorado feminino e prometeu endurecer penas para crimes contra mulheres. “Eu vou ser radical na segurança pública. Vocês mulheres vão ser finalmente protegidas no governo Bolsonaro. A gente vai botar agressor e assassino de mulher atrás das grades por 40 anos. Quem violenta mulher e criança vai ser preso e sofrer castração química”, afirmou.
O senador também repetiu a promessa de construir 500 mil vagas em presídios, defendeu a redução da maioridade penal e prometeu um conjunto habitacional no bairro Vila Velha, na periferia de Fortaleza. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da pré-campanha presidencial de Flávio, sugeriu que Priscila Costa pode disputar outro cargo, como deputada federal, mas o nome dela não apareceu entre os pré-candidatos à Câmara citados no palanque.
Há algo de profundamente simbólico no futebol contemporâneo, e não me refiro a esquemas táticos ou a estatísticas. Refiro-me a uma mudança de mentalidade. De imaginário.
Lembro-me de quando a regra que proibia o goleiro de agarrar com as mãos o recuo deliberado do companheiro foi saudada como uma revolução. Seria o fim da cera, da acomodação, do jogo burocrático. Durante algum tempo, pareceu funcionar.
Mas o futebol, como as instituições, também aprende a contornar as regras. O velho recuo transformou-se em outra coisa. Hoje ele não precisa mais ser dado ao goleiro. Basta fazê-lo horizontalmente. O resultado é semelhante: posse de bola estéril, circulação interminável, um “tiki-taka” no meio do campo que confunde movimentação com criatividade e controle com coragem.
O jogador que parte para cima do marcador parece ter sido substituído pelo funcionário que cumpre protocolo. O futebol produziu seus próprios burocratas.
1. Chego, então, ao Brasil: a derrota, a desclassificação.
Não basta dizer que perdemos. É preciso compreender como se perde. Contra a Noruega, assistimos a um espetáculo de resignação. Os noruegueses trocavam passes lentamente. O Brasil aguardava pacientemente em seu próprio campo. Como se recuperar a bola fosse um detalhe secundário.
Onde estava a pressão imediata? Onde estava aquilo que os alemães chamariam, metaforicamente, de uma blitzkrieg para recuperar a posse?
Nada. Os jogadores apenas cercavam, acompanhavam, observavam. Espirravam em torno da bola. Pateticamente. O resultado foi quase pedagógico.
Dois gols. Porque quem espera permanentemente acaba premiando o adversário. Mas talvez o problema nem seja exclusivamente tático. O problema é anterior. É cultural. Falta vigor. Falta dedicação. Falta sangue nos olhos.
A seleção brasileira parece ter se transformado em uma atividade paralela. Comercial.
O técnico divide seu tempo entre convocações e campanhas publicitárias de cerveja. Isso que, segundo noticiou a imprensa, recebe 4 milhões por mês. E renovou até 2.030. E precisa do comercial da Brahma. Que coisa, não?
Há jogadores com dezenas de contratos comerciais. Diz-se que um empresário sozinho possui um terço dos jogadores da seleção na sua carteira.
Um anuncia bancos. Outro promove casas de apostas. Outro vende cerveja. Outro se jacta (adoro essa palavra) de ter R$ 200 mil em perfumes e cremes para pele e cabelo. E, pior, diz que a Copa lhe tirou as férias. Sim, foi Raphinha quem disse tal absurdo. E ainda faz propaganda dos produtos usados por sua esposa.
E o que dizer de Neymar, que, conforme se noticiou e mostrou, levou relógios avaliados em 22 milhões. E a malta pintando ruas de verde e amarelo. Pobre povo.
2. Perdeu o jogo, frustrou a torcida, colocou dois brincos de diamante em cada orelha e foi ao cinema
É a paráfrase do clássico Matou a Família e Foi ao Cinema, de 1969, dirigido por Júlio Bressane, obra marco do cinema marginal. Poucos, à época, souberam ler o niilismo ali escancarado, manifestado no grito de revolta e descrença frente às utopias políticas da época e à opressão da ditadura militar.
Niilismo, bem entendido, vai além de agir mal sem demonstrar peso na consciência: é o esvaziamento dos valores que davam sentido à própria coisa. No filme, o protagonista mata a família e vai ao cinema. Lembra Raskolnikov, de Crime e Castigo. Só que, atenção, não o Raskolnikov de depois do crime, devorado pela culpa até a confissão; o de antes, aquele que se convenceu de que cometera um gesto extraordinário e que o homem extraordinário está acima do julgamento comum.
É esse Raskolnikov de antes que vejo nos jogadores da seleção. Perdem o jogo e saem sorrindo. Vini Jr coloca dois brincos em cada orelha (devem valer alguns milhões) e abre o sorriso e vai para o jantar. Ou ao cinema, como no filme. Falo não dos caros brincos em si (belos, por sinal). Falo do simbólico: ninguém se enfeita para ir a um velório. Remorso zero. Culpa nenhuma. Isso se repete em Ancelotti. Com seu chiclete incansável. Aliás, não entendi por qual razão os fabricantes de goma de mascar não contrataram Ancelotti.
Não há pecado algum em ganhar dinheiro. O problema começa quando a profissão principal parece transformar-se em atividade acessória. A seleção deixa de ser o centro. Passa a ser uma plataforma de exposição para marcas.
Neymar após eliminação na Copa do Mundo. Foto: Reprodução
A pergunta inevitável é simples. Em que momento há tempo para pensar futebol?
Jogadores milionários que pouco se importam com o que a torcida pensa. Não é moralismo. É prioridade. Pelé, Zico, Beckenbauer, Zidane faziam publicidade. A diferença é que a publicidade era consequência. Hoje ela parece ser o projeto principal.
O futebol virou intervalo comercial. Como venho insistindo há anos a respeito do Direito, que de prática interpretativa foi convertido em gerenciamento de procedimento, a burocracia engole tudo. O futebol não escapou; há apenas mapas de calor, GPS, métricas, algoritmos… e muita frescura. Enfim, parece que o futebol imita o Direito.
Tem de tudo. Só falta o futebol. O ludopedismo. A propósito: já não há cobradores de faltas. Dizem que treinar cobranças prejudica o joelhinho. Pobre gente. Que pena que eu tenho.
Fundamentalmente, falta justamente aquilo que fazia alguém levantar do sofá. Os jogadores jogam passando a bola para o lado e para trás. O dinizismo venceu. Aliás, deveriam ter deixado Diniz na seleção. Encaixaria melhor. E sem o chiclete do mister.
Em algum momento convencemos nossos jogadores de que errar tentando é pior do que acertar sem criar.
Talvez aí esteja a verdadeira derrota. Não apenas da seleção. Mas da própria ideia de futebol.
Enfim, esculhambaram (com) o futebol. Apatifaram-no, cobrindo-o de ouro e diamantes. E de Rolexes. Patek Philippes, Richard Milles etc. De empresários. De assessorias de imprensa que blindam determinados jogadores de quaisquer críticas. Claro, e de jornalistas amigos.
E o que dizer dos influencers transformados em comentaristas? Nada menos do que patético. E os repórteres entrevistando o pipoqueiro e o guarda de trânsito? O pré-jogo virou uma disputa de palhaçadas sem graça.
No fim, é o que resta: perderam o jogo, puseram os brincos, os relógios… e foram ao cinema. Sem remorso. Sem culpa. Como no filme. E no livro.
A Meta flexibilizou sua política de conteúdo explícito, e vídeos sexuais passaram a permanecer por mais tempo no Instagram, com distribuição em feeds por meio de hashtags sem relação direta com pornografia, como aeronaves, ets e ciência.
A colunista Bruna Maia relatou nesta sexta-feira (10) que o conteúdo adulto deixou de depender apenas da busca ativa do usuário e começou a se misturar à navegação comum na plataforma de Mark Zuckerberg. Para ela, o fenômeno transforma o sexo em uma espécie de spam visual.
Bruna contou que percebeu o mecanismo ao receber vídeos de mulheres com roupas cor da pele em situações banais, como dobrar lençóis, abastecer carros, experimentar joias e passear com cachorros. Um amigo classificou esse tipo de produção como “soft porn”, feito para driblar restrições de conteúdo adulto.
A colunista afirmou que bloqueava uma conta e via outras semelhantes surgirem em seguida. Depois de alterar o comportamento de interação, disse que conseguiu aproximar o feed do que queria consumir, com vídeos de lontras e texugos do mel.
Censura que aparecia em conteúdo inadequado no Instagram. Foto: reprodução
Hashtags comuns ajudam vídeos explícitos a entrar no feed
A mudança apontada por Bruna envolve conteúdos mais explícitos do que os vídeos de “elastano bege” que ela havia encontrado antes. Esses materiais passaram a circular com marcadores aparentemente inocentes, o que permite que apareçam para usuários interessados em temas como animais, astronomia ou ciência.
Ela citou o risco para crianças e adolescentes e a objetificação recorrente do corpo feminino, mas concentrou a análise no impacto sobre a formação do desejo sexual. “O consumo de pornografia vira algorítmico e compulsório”, escreveu.
Bruna comparou o cenário atual com formas anteriores de acesso à pornografia, como revistas, fitas VHS, sites pornográficos e plataformas pagas como OnlyFans e Privacy. A diferença, para ela, está no fato de que o Instagram leva esse conteúdo para o mesmo espaço em que familiares publicam crochês, animais domésticos e cenas cotidianas.
“Quando esse desejo ou impulso deixa de ser um precedente, o sexo ganha ares de spam –aquele conteúdo que você não buscou e não necessariamente quer”, afirmou a colunista. Ela acrescentou que sua reação ao excesso de estímulo tende à irritação ou à indiferença, e não ao interesse.
André Fernandes, líder da extrema-direita portuguesa, em outdoor contra ciganos. Foto: reprodução
O partido Chega, da ultradireita de Portugal, transformou a comunidade cigana em alvo recorrente de seu discurso xenófobo, enquanto lideranças ciganas relatam aumento de ofensas em espaços públicos e na internet com a popularidade de André Ventura.
A reação apareceu no Dia Nacional da Pessoa Cigana, comemorado em 24 de junho no bairro de Padre Cruz, em Lisboa, uma região conhecida por ruas com nomes de rios portugueses e por abrigar uma das comunidades ciganas mais tradicionais da cidade, com cerca de 500 pessoas.
O DJ Jorge Syllvah foi a principal atração da celebração, com repertório que mistura música luso-flamenca, rumba e pop. Ele tem 52 mil seguidores no YouTube, número próximo da estimativa de cerca de 60 mil pessoas ciganas em Portugal. “Em Portugal não é fácil ser cigano, há muito racismo e preconceito”, disse Syllvah. “A música, uma linguagem universal, é um jeito de nos integrar à sociedade.”
A bailarina e professora de flamenco Claudia Pargana também se apresentou no evento. Ela dá aulas de música e dança cigana em cinco escolas da rede pública de Lisboa. “Com a arte mostramos a força da nossa criatividade, e os mais jovens tomam contato com nossa cultura desde pequenos”, afirmou.
Associações ciganas recorrem à Justiça contra o Chega
André Ventura ataca povos ciganos desde a fundação do Chega, em 2019, e costuma acusá-los de viver à custa do Estado português por meio da expressão “subsidiodependência”. Bruno Oliveira, líder da Associação Intercultural Cigana, diz que a retórica ampliou a discriminação cotidiana: “O discurso da extrema direita tirou do armário os que tinham preconceito contra os ciganos. Hoje sentimos a discriminação em lugares públicos, como restaurantes, e também na internet”.
A atriz e ativista Maria Gil, referência no movimento feminista português, contesta a ideia de privilégio em moradias populares e afirma que a comunidade sofreu deslocamento urbano. “O que ocorreu, na verdade, é que fomos expulsos do centro para a periferia das cidades”, disse. “Meus avós viviam na região central da cidade do Porto e eram integrados e respeitados no bairro. Hoje muitos de nós vivem confinados em guetos”.
A socióloga Maria Manuela Mendes, pesquisadora da Universidade de Lisboa, calcula que existam de duas a três dezenas de associações de povos ciganos em Portugal. Uma decisão judicial recente obrigou o Chega a retirar cartazes da última campanha presidencial com a foto de Ventura e a frase “os ciganos têm que cumprir a lei”. A juíza Ana Barão sustentou que “a frase foi pensada para causar um específico impacto relativamente a um grupo social”.
Claudia Pargana, bailarina e professora de flamenco. Foto: Reprodução
Ricardo Sá Fernandes, advogado que representou as associações ciganas no processo, disse ao Diário de Notícias que a decisão teve efeito pedagógico: “Espero que ninguém mais afixe cartazes discriminatórios e vexatórios para qualquer comunidade, como exige a defesa da dignidade de todos”. Bruno Gonçalves, presidente da associação Letras Nômadas, afirma que “nossa estratégia de luta é usar sempre as armas da democracia” e lembra que povos ciganos estão em Portugal há mais de 500 anos, com presença registrada na peça “Farsa das Ciganas”, de Gil Vicente.
Mendes coordenou em 2014 o único estudo acadêmico aprofundado sobre comunidades ciganas no país e lidera uma nova pesquisa prevista para 2027. Ela estima pelo menos 60 mil ciganos em Portugal, embora o censo nacional não inclua etnia nos questionários. Programas europeus de integração ampliaram o acesso a bolsas de estudo, e já surgem integrantes dessas comunidades com mestrado e doutorado em universidades portuguesas.
As lideranças temem que o avanço da ultradireita limite esses ganhos. Maria Gil, que já concorreu à Câmara Municipal do Porto, aponta a baixa presença institucional como obstáculo: “Temos atividade política nas organizações, mas pouca presença dentro dos partidos, à direita e à esquerda. Precisamos dessa participação porque, quando André Ventura começou a pregar o anticiganismo, ficou claro que tínhamos entrado numa guerra”.
O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou que pretende visitar Jair Bolsonaro durante sua viagem ao Brasil neste mês.
O encontro, porém, dependerá de autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), já que o ex-presidente cumpre prisão domiciliar em Brasília e tem restrições quanto às visitas que pode receber.
Pelas condições impostas por Moraes, Bolsonaro só pode receber familiares, advogados e integrantes de sua equipe médica. Qualquer um fora dessa lista precisa ser previamente autorizada pelo STF.
Em entrevista à rádio argentina Now, Milei confirmou que desembarcará no Brasil em 25 de julho para participar do ato de lançamento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
“No dia 25 viajo ao Brasil, a convite do candidato a presidente Flávio Bolsonaro. Vou estar em São Paulo e vou dar uma passada também por Brasília para cumprimentar Jair Bolsonaro”, declarou.
A visita faz parte da estratégia de Milei de fortalecer sua articulação com lideranças da extrema-direita na América Latina. O presidente argentino é um dos principais aliados internacionais da família Bolsonaro e tem afirmado repetidamente que Jair Bolsonaro é alvo de “perseguição judicial” no Brasil.
Ele também faz parte do grupo Escudo das Américas, montado por Marco Rubio, secretário de Estado americano, com governos lacaios na América Latina.
Os Estados Unidos realizarão, na próxima quinta-feira (16), em Washington, uma reunião internacional dedicada ao que o governo Donald Trump classifica como o “ressurgimento do terrorismo transnacional de esquerda”. O encontro será liderado por Rubio e contará com representantes de mais de 60 países convidados de diferentes regiões do mundo. O Brasil está na lista.
Segundo o Departamento de Estado, a conferência discutirá a cooperação internacional para enfrentar ameaças consideradas emergentes pelo governo americano. A falácia é uma preocupacão com o movimento “Antifa” (abreviação de antifascistas).
MILEI VIAJARÁ A BRASIL PARA RESPALDAR A FLAVIO BOLSONARO
El 25 de julio, Javier Milei viajará a San Pablo para participar del acto en que Flavio Bolsonaro será proclamado candidato presidencial de la derecha brasileña, y luego pasará por Brasilia para reunirse con el… pic.twitter.com/1BIoFKyXrJ
Donald Trump e Harry Kane jogando golfe. Foto: reprodução
Harry Kane, maior artilheiro da seleção inglesa, contou detalhes de uma partida de golfe com Donald Trump às vésperas do duelo da Inglaterra contra a Noruega pelas quartas de final da Copa do Mundo.
O atacante afirmou na sexta-feira (10) que encontrou o presidente dos Estados Unidos cerca de um ano e meio atrás, quando estava em Palm Beach. Kane disse que Trump o convidou para jogar e classificou o encontro como incomum.
“Joguei bem, para ser sincero. Ele me convidou para jogar quando eu estava em Palm Beach. Foi uma experiência bastante surreal simplesmente conhecê-lo e, obviamente, jogar golfe com ele”, disse o jogador inglês.
Kane também elogiou o desempenho de Trump no campo. “Para ser sincero, ele joga muito bem. Espero conseguir jogar tão bem quando tiver a idade dele. Foi uma experiência única, e fiquei muito grato pelo convite”, afirmou.
Harry Kane, atacante da seleção da Inglaterra. Foto: Reprodução
Trump já havia comentado encontro com Kane
Donald Trump falou sobre a partida dias antes, depois da vitória da Inglaterra sobre o México nas oitavas de final da Copa. Kane marcou um dos gols ingleses no confronto.
Na rede social Truth Social, o presidente dos Estados Unidos escreveu: “Acho que Kane é um grande jogador. Joguei golfe com ele e gosto muito dele. É um bom golfista. É realmente excelente”.
Inglaterra e Noruega se enfrentam neste sábado, às 18h no horário de Brasília, em Miami. A partida define uma vaga na semifinal do torneio.
Quem avançar no confronto entre ingleses e noruegueses jogará contra o vencedor de Argentina x Suíça na fase seguinte da Copa do Mundo.
Sóstenes Cavalcante, Luiz Carlos Motta e Capitão Alden. Foto: Reprodução
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e os deputados Luiz Carlos Motta (PL-SP) e Capitão Alden (PL-BA) aparecem como solicitantes formais de R$ 119 milhões em emendas parlamentares que a Polícia Federal atribui ao presidente do partido, Valdemar Costa Neto, em investigação sobre suspeita de desvio de recursos públicos.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na sexta-feira (10) o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens de Valdemar. A suspeita é que o dirigente do PL tenha comandado a destinação de 21 emendas mesmo sem exercer mandato parlamentar. Os recursos saíram do Orçamento da União em 2024 e 2025.
A PF aponta que deputados federais foram indicados de forma falsa como “solicitantes” das emendas para dar aparência de legalidade a repasses que teriam sido apropriados politicamente por Valdemar. A investigação também afirma que o presidente do PL usou servidores da Câmara para direcionar recursos de emendas de comissão.
Sóstenes colocou seu nome em R$ 94 milhões em emendas que, para a PF, pertenciam a Valdemar. Embora seja deputado pelo Rio de Janeiro, ele aparece como solicitante de recursos para municípios de São Paulo, Paraná, Bahia, Pará e Rio. A maior emenda citada foi de R$ 25 milhões para Porto Seguro (BA).
Valdemar Costa Neto, presidente do PL. Foto: Beto Barata/PL
Documentos apreendidos e decisão de Flávio Dino
Luiz Carlos Motta assumiu a indicação de duas emendas, no valor de R$ 22,8 milhões, destinadas a Suzano e Ubatuba, em São Paulo. Capitão Alden aparece como solicitante de uma emenda de R$ 2,4 milhões para Itaguaçu da Bahia (BA). Todas as emendas citadas pertencem às comissões de Saúde e de Turismo da Câmara.
Documentos apreendidos pela Polícia Federal com Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, ex-assessora do deputado federal e ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), levaram os investigadores a apontar Valdemar como verdadeiro padrinho das emendas. Dino escreveu que “um terceiro não atuante no parlamento brasileiro tinha o poder e a ingerência sobre o direcionamento do orçamento público”.
Em relatório enviado ao ministro, a PF afirmou: “Se tomarmos o mais condescendente dos quadros, e considerarmos os desvios ‘apenas’ das emendas já pagas, temos uma consolidação de um desvio de R$ 104 milhões”. Os investigadores suspeitam que Valdemar tenha sido beneficiário direto desse montante.
A defesa de Valdemar negou crime e criticou as medidas cautelares. Em nota divulgada pelos advogados e compartilhada pelo dirigente nas redes sociais, a defesa afirmou que a decisão parte de “premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária” e disse que a Procuradoria-Geral da República foi contrária às cautelares.
Luiz Carlos Motta disse que seu nome aparece nos registros porque ele exerceu a função de relator do Orçamento Geral da União em 2024. “Isso, porém, não significa que os recursos tenham sido escolhidos ou destinados por decisão individual minha”, afirmou. Capitão Alden declarou que não participou da execução financeira, da contratação de fornecedores nem de pagamentos, e atribuiu a presença de seu nome ao “procedimento institucional adotado” para formalizar a emenda. Sóstenes não comentou.
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, saiu em defesa de Valdemar e criticou a Polícia Federal. “Lamentável ver a PF atuando de forma seletiva para constranger um adversário político do atual governo”, afirmou o parlamentar.
O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, prometeu vingança pela morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, em ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel. A declaração ampliou a tensão com Washington após novas ameaças do presidente americano, Donald Trump, contra Teerã.
Em comunicado atribuído a Mojtaba e divulgado pela agência Fars, ligada ao Estado iraniano, ele afirmou que a resposta pela morte do pai virou uma demanda nacional. “A vingança é uma exigência da nossa nação e certamente deve ser concretizada”, diz o texto.
A declaração também se dirige ao líder morto e promete punição aos responsáveis pelos ataques. “Prometemos que vingaremos o seu sangue puro e o sangue de todos os mártires destas duas guerras, punindo os assassinos criminosos e ignóbeis”, afirma o comunicado.
Mojtaba ainda diz que os nomes dos responsáveis estariam documentados. “Esses criminosos — cujos nomes, do mais alto ao mais baixo escalão, são conhecidos e estão documentados — levarão para o túmulo o desejo de uma morte tranquila, na velhice e em seus leitos”, declarou.
Ali Khamenei, líder supremo do Irã assassinado por Israel e EUA. Foto: reprodução
Trump ameaça ataque caso o Irã tente assassiná-lo
O alerta iraniano surgiu poucas horas depois de Trump ameaçar “dizimar” o Irã caso o país tentasse matá-lo. O presidente dos Estados Unidos publicou a mensagem na Truth Social, rede que costuma usar para anúncios políticos e ataques a adversários.
Na publicação, Trump afirmou que mísseis americanos já estariam apontados para o território iraniano. “Mil mísseis estão armados, prontos para lançamento e apontados para a República Islâmica do Irã”, escreveu.
O republicano disse ainda que “milhares” de outros mísseis poderiam ser disparados imediatamente se o governo iraniano concretizasse uma ameaça de assassinato contra o presidente dos Estados Unidos. Ele encerrou o trecho com a frase: “neste caso, EU!”.
O novo líder supremo iraniano ainda não apareceu em público desde sua nomeação. No comunicado atribuído a ele, Mojtaba afirma que a retaliação “não depende da minha existência ou da de outras autoridades”.
Identificação do FBI nos Estados Unidos. Foto: Reprodução
O FBI prendeu nesta sexta-feira (10), na Flórida, o brasileiro Helbert Oliveira, de 47 anos, acusado de participar de um roubo de aproximadamente US$ 200 mil, cerca de R$ 1 milhão, de um carro-forte em Framingham, no estado de Massachusetts.
O crime ocorreu em novembro do ano passado. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusa Helbert de roubo à mão armada e conspiração para cometer roubo à mão armada, crimes previstos na Lei Hobbs.
Após a prisão, Helbert compareceu perante um juiz na Flórida. As acusações podem levar a pena de até 20 anos de prisão, três anos de liberdade condicional e multa de até US$ 250 mil, o equivalente a cerca de R$ 1,2 milhão.
O Departamento de Justiça também afirmou que o brasileiro está com o visto vencido nos Estados Unidos. A situação migratória foi citada junto às acusações federais apresentadas contra ele.
🔥Another arrest made in connection with Operation Summer Heat 2.0, an #FBI initiative to crush violent crime in our communities. #FBI Boston has arrested Helbert Oliveira, a Brazilian national illegally living in the U.S. on an expired visa, in Florida in connection with the… pic.twitter.com/EotWTgQR7u
Acusação aponta arma e comparsa no roubo em Massachusetts
De acordo com a acusação, Helbert teria agido com Curt Porcher, identificado pelas autoridades como o motorista da ação criminosa. Porcher já havia sido preso e indiciado em 22 de abril.
Os investigadores afirmam que Helbert teria apontado uma arma de fogo para a vítima durante o assalto. Ele também teria levado o dinheiro retirado do carro-forte.
O roubo ocorreu em Framingham, cidade localizada em Massachusetts. O caso entrou na esfera federal por envolver acusações enquadradas na Lei Hobbs, usada pelo Departamento de Justiça em processos de roubo à mão armada e conspiração.
Com a prisão na Flórida, Helbert passa a responder às acusações na Justiça dos Estados Unidos. O processo contra Curt Porcher segue após o indiciamento registrado em abril.
Mulher usa celular com jogo de apostas online em transporte público na capital paulista. Foto: Reprodução
O Ministério da Fazenda impediu o acesso de 2,8 milhões de beneficiários do Bolsa Família e do BPC a sites de apostas, as chamadas bets, em meio à aplicação das regras que proíbem o uso de recursos de programas sociais nesse mercado. O número equivale a 10,4% dos 27 milhões de contemplados pelos dois programas e a 11,2% dos 25 milhões de brasileiros que tentaram apostar ao menos uma vez em 2025.
A restrição atende a uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) para impedir que beneficiários utilizem recursos dos programas sociais em apostas. Todos os 27 milhões de contemplados por Bolsa Família e BPC estão proibidos de se cadastrar em plataformas autorizadas, mas o bloqueio atingiu diretamente 2,8 milhões que já tinham conta ativa.
As empresas de apostas precisam fazer checagens quinzenais em suas bases de usuários. Para isso, podem consultar no Sigap, sistema de gestão de apostas do Serpro, por meio do CPF, se a pessoa que tenta se cadastrar recebe Bolsa Família ou BPC.
“Durante a verificação é indicado objetivamente se é ou não beneficiário de programas sociais, com ‘impedido’ ou ‘não impedido’”, diz a Fazenda em nota. A regra obriga as plataformas autorizadas a derrubar o acesso quando o CPF aparece vinculado aos benefícios.
Lula e Dario Durigan, ministro da Fazenda. Foto: reprodução
Autoexclusão passa de 925 mil cadastros
Agentes públicos com atuação no setor de apostas, atletas profissionais, árbitros, dirigentes, fiscais ou técnicos esportivos e pessoas diagnosticadas com ludopatia também não podem apostar por lei. Para esses grupos, porém, não há um sistema automático de bloqueio, e o veto funciona por autodeclaração.
Mais de 925 mil pessoas se cadastraram na plataforma de autoexclusão, ferramenta que permite ao próprio cidadão impedir seu acesso a sites de apostas por prazo definido. A autoexclusão centralizada vale para todas as casas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda.
O bloqueio voluntário pode ter prazo determinado ou indeterminado. Na opção sem data final, a pessoa só pode desistir da restrição depois de 12 meses; entre os cadastrados, pode haver usuários que nunca apostaram, já que houve recomendações para inscrição como forma de evitar uso indevido do CPF por terceiros.
Entidades do setor apontam uma lacuna no modelo: apostadores ainda podem recorrer a sites clandestinos, sem supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas. Essas empresas não seguem regras de publicidade, não pagam a outorga de R$ 30 milhões ao governo, não recolhem impostos no modelo regulado e ficam fora do sistema de autoexclusão.
Para pedir a autoexclusão, o interessado deve acessar a página da Secretaria de Prêmios e Apostas no portal Gov.br com conta prata ou ouro, preencher a solicitação, escolher o motivo e o período do bloqueio. O procedimento exige aceitar os termos de uso e declarar ciência de que, durante a restrição, não será possível acessar plataformas autorizadas nem receber publicidade direcionada.
Presidente Lula e o senador Jaques Wagner. Foto: Reprodução.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se reunir com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), até o meio desta semana para discutir a possível saída do senador do posto, em uma tentativa de conter o desgaste provocado pelo caso Master sobre a gestão petista.
A expectativa no Palácio do Planalto é que Wagner peça para deixar a liderança, segundo o Metrópoles. Integrantes do governo e do PT pressionam o senador a abrir mão da função porque avaliam que a investigação dá munição à oposição bolsonarista.
A estratégia da cúpula petista e da pré-campanha de Lula é separar o presidente do episódio que envolve Wagner. O argumento usado internamente é que o senador baiano disputará a reeleição ao Senado em 2026, e não a Presidência da República.
A reunião entre Lula e Wagner está prevista para quarta-feira (24/6), dia em que o presidente deve despachar em Brasília. Nesta terça-feira (23/6), Lula cumpre agendas no Rio de Janeiro e em São Paulo, enquanto a equipe de Wagner evita confirmar quando ele retorna da Bahia à capital federal.
Teresa Leitão, Camilo Santana e Rogério Carvalho entram na disputa
Com a possível saída de Wagner, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) ganhou força como eventual substituta. Ela lidera o PT no Senado desde abril, tem longa trajetória no partido e cumpre mandato iniciado em 2022, o que a libera de uma campanha eleitoral neste ano.
A escolha ainda divide opiniões no governo. Aliados citam como vantagem o fato de Teresa não enfrentar ruídos na relação com o Planalto nem com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que rompeu com Lula após a derrubada da indicação de Jorge Messias a uma vaga no Supremo Tribunal Federal, atribuída à articulação de bastidores do senador amapaense.
O senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação, também aparece nas conversas, mas deixou o ministério em abril para se dedicar à campanha de reeleição do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), que aparece em segundo lugar nas pesquisas contra Ciro Gomes (PSDB). Rogério Carvalho (PT-SE), que já exerceu interinamente a liderança durante licença de Wagner no ano passado, agrada a integrantes do governo, mas pretende disputar a reeleição ao Senado.
O senadores Teresa Leitão, Camilo Santana e Rogério Carvalho. Foto: reprodução
Falta menos de um mês para o recesso parlamentar de meio de ano, previsto para 18 de julho. Se Wagner deixar o cargo, o novo líder terá de acelerar pautas tratadas como prioritárias pelo governo e ainda sem definição no Senado, como a PEC da Segurança Pública, a PEC do fim da escala 6×1 e o Redata, projeto sobre regulamentação e compartilhamento de dados entre órgãos públicos.
Operação da PF e entrevista à BandNews pesam sobre Wagner
A 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (18/6), mirou Jaques Wagner. Os investigadores apuram se o senador atuou em favor de interesses do Banco Master no Congresso, incluindo uma proposta para ampliar o crédito consignado e uma medida chamada nos bastidores de Emenda Master.
A PF também apura a transferência de um apartamento de R$ 2,5 milhões para o senador, uso de aeronaves particulares, ingressos para shows e repasses que somariam R$ 3,5 milhões. As suspeitas surgiram após análise de conteúdo extraído do celular de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, que também foi alvo da ação. Wagner nega envolvimento e afirmou, em nota, que “não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados”.
Aliados dizem que Wagner não pretende entrar em rota de colisão com Lula, com quem mantém relação política e amizade de mais de 40 anos. O senador resiste a deixar a liderança por avaliar que a saída poderia soar como admissão de culpa, mas cogita pedir licença da função sob o argumento de que precisa se dedicar à defesa e à campanha de 2026.
A entrevista de Wagner à BandNews, na quinta-feira (18/6), causou incômodo no Planalto. Interlocutores do governo citaram quatro pontos mal recebidos: a revelação de um telefonema de Lula, a afirmação de que recebeu solidariedade do presidente, a declaração de que Lula teria classificado a operação como perseguição política e a fala de que não deixaria a liderança; na mesma entrevista, Wagner reafirmou a pré-candidatura ao Senado e disse: “Espero ser reeleito”.
Edir Macedo, bispo da Igreja Universal e controlador do Banco Digimais. Foto: Reprodução.
A Fitch rebaixou a classificação de risco no rating nacional do Banco Digimais na segunda-feira (22/6), um dia antes de a Polícia Federal deflagrar uma operação contra a instituição financeira. A agência apontou possibilidade real de quebra ou calote do banco controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.
Na decisão, a Fitch afirmou que o Digimais apresenta vulnerabilidade para seguir funcionando sem apoio externo. “A capacidade de o banco manter suas operações sem suporte é altamente vulnerável a uma deterioração do ambiente de negócios e econômico”, diz a decisão.
A agência analisa títulos de dívida, emissores e instrumentos financeiros para medir risco de crédito. Notas altas indicam baixo risco no grau de investimento, enquanto notas baixas apontam alto risco especulativo.
A Fitch também citou mudanças na governança do banco, incluindo troca no comando executivo e saída do Conselho de Administração. “As alterações relevantes na governança corporativa do banco, incluindo a substituição do CEO e a destituição do Conselho de Administração, somam-se a esse quadro e reduzem a previsibilidade sobre a execução de sua estratégia e de sua capacidade de estabilizar o desempenho financeiro”, informou a agência.
App do banco Digimais no celular. Foto: Paulo Renato Nepomuceno/Agência O Globo
Operação Miragem mira a cúpula do Banco Digimais
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (23/6), a Operação Miragem contra a cúpula do Banco Digimais. A investigação mira administradores da instituição controlada por Edir Macedo.
A Justiça autorizou buscas e determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados. A decisão também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 670,3 milhões.
Segundo a PF, há suspeitas de que administradores do banco tenham criado mecanismos para apresentar uma situação financeira mais favorável do que a real. A investigação aponta alteração de informações contábeis e geração artificial de receitas.
A Fitch também decidiu retirar todos os ratings do Digimais por insuficiência de informações. “A retirada reflete a avaliação da agência de que não será capaz de manter o monitoramento adequado das classificações, tendo em vista a ausência de informações financeiras suficientes, confiáveis e verificáveis”, diz a agência.
O deputado federal Mario Frias (PL-SP) acusou a atriz Samara Felippo de mentir à Justiça ao justificar sua ausência em uma audiência de conciliação virtual. A nova manifestação entrou nos autos do processo que ele move contra a artista por danos morais.
Segundo a coluna de Fábia Oliveira, Frias contestou o atestado médico apresentado por Samara após a audiência. O parlamentar sustenta que a justificativa não combina com uma reportagem da revista Marie Claire, que apontaria a participação da atriz em uma oficina nos Estúdios Globo na mesma data do compromisso judicial.
A ação começou depois de uma publicação feita por Samara Felippo em suas redes sociais. Na postagem, a atriz associou o nome de Frias ao de criminosos condenados, como os irmãos Cravinhos e o ex-goleiro Bruno, ao afirmar que ele também teria “fãs”.
Frias alegou que a publicação atingiu sua honra e sua imagem pública. Ele pediu indenização de R$ 30 mil por danos morais, a remoção do conteúdo e a proibição de novas publicações semelhantes; a Justiça negou o pedido liminar para retirada do material.
Deputado federal Mario Frias, do PL. Foto: Reprodução.
Audiência virtual e atestado viram novo ponto de disputa
A audiência de conciliação virtual ocorreu em 29 de maio, mas Samara Felippo não participou. Dias depois, a atriz juntou aos autos um atestado médico para informar necessidade de afastamento e justificar a ausência.
Na nova petição, Mario Frias afirma que a presença da atriz em uma atividade nos Estúdios Globo, caso confirmada, torna incompatível a explicação apresentada ao juízo. O deputado argumenta que não havia impedimento real para que ela participasse da audiência virtual.
O parlamentar pediu que a Justiça rejeite a justificativa de Samara e reconheça que a ausência ocorreu sem motivo válido. Frias também requereu a decretação da revelia da atriz, medida que pode levar à presunção de veracidade dos fatos narrados por ele na ação.
Frias ainda solicitou a condenação de Samara Felippo ao pagamento de multa por litigância de má-fé, sob a alegação de que ela apresentou uma justificativa falsa. A Justiça analisará os argumentos das partes para decidir se considera a ausência devidamente justificada.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se inscreveu para discursar em uma audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sobre o novo tarifaço contra o Brasil. A sessão está marcada para 6 de julho, e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu cinco minutos de fala como representante do Senado Federal e pré-candidato à Presidência.
Ao Globo, aliados afirmaram que Flávio deve defender a suspensão da proposta de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e também o Pix, alvo de críticas do governo Donald Trump por suposta concorrência desleal. O prazo para os Estados Unidos decidirem se adotarão ou não as medidas termina em 15 de julho, cerca de uma semana após a audiência.
No início de junho, o USTR concluiu uma investigação contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio estadunidense, mecanismo que permite a Washington reagir a práticas consideradas injustas. O órgão questionou políticas brasileiras ligadas ao comércio digital e ao Pix, além de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e questões ambientais.
A última segunda-feira foi a data-limite para pedidos de participação na audiência. A comissão deve divulgar nos próximos dias a lista de participantes. O governo Lula não inscreveu representantes.
A discussão ocorre em meio ao desgaste de Flávio com o tema. Pesquisa Genial/Quaest divulgada neste mês mostrou que 47% dos entrevistados concordam com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quando ele afirma que Flávio teria pedido as novas tarifas. Outros 35% concordam com a versão do pré-candidato do PL de que teria pedido a Trump para não tarifar produtos brasileiros.
A sondagem também apontou que 46% concordam com Lula ao dizer que as tarifas seriam uma retaliação ao Pix. Já 36% apoiam a leitura de Flávio de que a medida seria resposta a declarações do petista contra os Estados Unidos.
Flávio Bolsonaro e Donald Trump. Foto: reprodução
A família Bolsonaro mantém relações com a direita trumpista desde antes da eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, e ampliou os contatos durante o julgamento da trama golpista.
Eduardo Bolsonaro, autoexilado nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado, passou a articular pressão internacional ao lado de Paulo Figueiredo. Em julho passado, o empresário comemorou o primeiro tarifaço. “O Brasil merece a tarifa Moraes”, disse.
Na semana passada, Eduardo foi condenado a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no curso do processo sobre a tentativa de golpe de Estado. Flávio, por sua vez, foi escolhido pelo pai para disputar o Planalto e intensificou viagens e conversas em Washington.
No ofício ao USTR, Flávio afirma ter tratado do tema diretamente com Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio. O senador promete falar “contra a medida proposta e a favor de uma solução construtiva e negociada para as questões identificadas na investigação”.
“Duas posições são declaradas logo de início e de forma categórica. A testemunha opõe-se à imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e a qualquer medida voltada para o sistema público brasileiro de pagamentos instantâneos. Faz isso em nome dos consumidores e produtores de ambos os países e em defesa de uma parceria que tem servido aos Estados Unidos e ao Brasil há mais de oitenta anos”, diz o pedido.
Flávio argumenta que as tarifas poderiam beneficiar Lula. “A parte beneficiada pela medida não é a parte que a medida visa atingir”, ressalta. Segundo ele, “em várias das conclusões, a distância entre a posição do Representante Comercial e a de um governo brasileiro reformista é muito menor do que aquela existente em relação ao governo atual”.
Em crise financeira, o banco Digimais, ligado ao líder da Igreja Universal, Edir Macedo, aportou recursos em fundos de investimento ligados a empreendimentos de alto risco. Segundo documentos obtidos pelo Estadão, os fundos incluem um projeto imobiliário sem licença para construção em Pernambuco e uma empresa dona de terras em praias protegidas pela União, em Paraty, no Rio de Janeiro, área ocupada por caiçaras e marcada por conflitos fundiários.
Os imóveis estão alocados em fundos dos quais o Digimais é cotista e somam patrimônio de R$ 526 milhões. O investimento ocorreu nos últimos três anos, período em que o banco enfrentou crise, passou a ser negociado no mercado e entrou na mira da Polícia Federal por suspeitas de fraudes.
Auditores independentes apontaram que cerca de 75% dos R$ 4 bilhões em aportes do Digimais não puderam ser devidamente analisados por falta de documentos que comprovassem a situação dos fundos. Parte desses recursos foi destinada a fundos imobiliários e empresas, dos quais R$ 1,9 bilhão não tinha documentação suficiente para auditoria.
Um dos fundos é o Cajaíba, com patrimônio de R$ 419 milhões, criado em junho de 2025 e nunca auditado. Ele investe na Cajaíba Participações, empresa detentora de terras na Praia Grande da Cajaíba, em Paraty. A região é isolada, tem áreas de proteção ambiental e social e abriga comunidades caiçaras.
Veja fotos da área que pertencem ao fundo Cajaíba:
A empresa pertence a Cristiano Tannus Notari, neto de Gibrail Tannus Notari, que adquiriu terras na região nos anos 1950. A ocupação é alvo de controvérsias antigas. O pesquisador Pedro Berruezo Marques, mestre em Ciências Sociais pela UFRRJ, afirma que havia relatos de intimidação contra caiçaras.
“Algumas estratégias eram bem relatadas na literatura. Uma delas é que ele (Gibrail) levou uma série de bois e búfalos e os soltou naquela região, na fazenda que comprou, só que os bois vagavam. Então começaram a pisotear a roça dos caiçaras, a assustar as crianças, e os relatos de berne nas crianças aumentaram”, disse.
Ao Estadão, Tannus Notari negou irregularidades. “Nenhum processo, fundamental esclarecer, envolve qualquer irregularidade, grilagem, ou compromete a titularidade dos imóveis e o curso normal das atividades”.
“Todos são regularmente acompanhados pelos advogados da Companhia, no estrito cumprimento do devido processo legal”, afirmou.
A empresa diz não pretender construir resort no local e afirma estudar um projeto de preservação com geração de créditos de restauração de biodiversidade, modelo semelhante ao crédito de carbono, com certificação prevista para 2028.
Outro fundo, o ID Goiana, recebeu investimentos para um projeto de condomínio em Goiana, no nordeste de Pernambuco. O fundo tem patrimônio de R$ 107 milhões e apenas um cotista, segundo balanços enviados à CVM. O Estadão apurou que o cotista é o Digimais. O terreno, de 700 hectares, não tem licença da prefeitura para construção.
O banco, antes presidido por João Urbaneja, bispo da Igreja Universal, passou a ser comandado por Aldemir Bendine no fim de 2025. Nos últimos meses, o Digimais tem sido negociado com o BTG Pactual, que afirmou ter interesse em sua “carteira de clientes”.
Agentes da Polícia Civil durante operação nesta manhã. Foto: reprodução
A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu sete pessoas suspeitas de envolvimento em descontos irregulares em 3,5 mil contas de aposentados no Banco de Brasília (BRB) na manhã desta terça-feira (23).
Equipes cumpriram mandados em Brasília e em Minas Gerais. Segundo a investigação, três servidores do BRB estão entre os presos na operação.
A polícia afirma que os servidores faziam descontos nas contas dos correntistas sem autorização. Os investigadores apontam que o grupo ligava para aposentados e apresentava transcrições falsas das conversas para justificar as cobranças.
As fraudes, de acordo com a apuração policial, ocorrem desde 2024. A investigação mira a forma como os descontos teriam entrado nas contas dos clientes do banco.
Fachada do Banco BRB. Foto: reprodução
Operação mira suspeitos em Brasília e Minas Gerais
A Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes conduz a operação. A unidade atua em investigações de fraudes e crimes contra consumidores no Distrito Federal.
O g1 informou que aguardava posicionamento do BRB sobre a operação desta terça. A pauta não trouxe manifestação do banco até a publicação das informações disponíveis.
Na sexta-feira (19), o BRB já havia sido alvo de outra operação, com 50 mandados de busca e apreensão. O Ministério Público investigou descontos irregulares na folha de pagamento de servidores do Distrito Federal.
Entre os alvos dessa operação anterior estavam Ney Ferraz, ex-secretário de Economia, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB que está preso, e Eduardo Chedid, diretor do PicPay. Naquele caso, não houve prisões.
A Polícia Federal acordou o país hoje para lembrar que o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, exala o mesmo cheiro de decomposição financeira que empesteava o banco de Daniel Vorcaro. O alvo da Operação Miragem é uma engrenagem que usa a alquimia contábil para maquiar cadáveres insepultos na instituição pertencente ao líder da Igreja Universal, que possui semelhanças com os zumbis do Master.
O modus operandi de ambos é parecido na audácia: enquanto a trupe de Vorcaro multiplicava pães fabricando carteiras inteiras de crédito consignado falso para justificar bilhões em ativos ilusórios, a instituição de Macedo optou pelo milagre da reciclagem. O Digimais pegava suas carteiras de crédito podres, como financiamentos de veículos que ninguém ia pagar, e jogava em fundos de investimento onde o próprio banco era o dono. É o velho golpe do “Zé com Zé” para fingir saúde e apresentar lucro no balanço.
Há bancos que morrem e não voltam à vida como Lázaro, mas seguem por aí, zumbis. Não comem cérebros, mas devoram a grana alheia. Maquiados por contabilidades criativas sob intensa pregação de sucesso, Master e Digimais ostentavam um vigor de mentira para captar dinheiro de verdade. Ao emitir títulos como CDBs pagando rentabilidades agressivas, acima de 110% do CDI, essas instituições atraíram investidores seduzidos por falsos profetas. Vendiam a imagem de um milagre financeiro, mas entregaram o de sempre: a socialização do risco e a privatização do lucro.
A podridão, como se sabe, aproxima. No início do ano, Macedo tentou repassar o controle do Digimais para Maurício Quadrado, empresário que veio justamente da cúpula do Banco Master. O Banco Central, que não estava enxergando, mas parece ter recuperado parte da visão com a catástrofe de Vorcaro, barrou o negócio. A justificativa foi o risco sistêmico.
O estrago do Banco Master resultou na sua liquidação extrajudicial e em um rombo que obrigou o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) a destinar R$ 49 bilhões para cobrir o buraco. É dinheiro privado, mas que vai ser recomposto com grana dos correntistas, porque banco não perde nunca. Hoje, com a ação contra o Digimais, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 670 milhões em bens do bispo e de seus associados. É uma quantia pornográfica para a maioria dos brasileiros, mas perto do dano sistêmico que essas pirâmides com CNPJ causam, soa quase como um dízimo da impunidade.
App do banco Digimais no celular. Foto: Paulo Renato Nepomuceno/Agência O Globo
No Brasil, se um trabalhador furtar um pacote de macarrão ou um desodorante no supermercado, o Estado o lança em uma cela superlotada e joga a chave fora. Mas se você frauda o Sistema Financeiro Nacional em centenas de milhões ou bilhões, forja relatórios para o Banco Central e engana milhares de pessoas, costuma ser chamado de operador arrojado por muita gente que usa coletinho puffer.
Mas no país onde a fé move montanhas e, ao que tudo indica, também movimenta ativos podres entre fundos de investimento, o bispo Edir Macedo agora enfrenta a mais mundana das provações. Não a dos 40 dias no deserto, mas a da Polícia Federal batendo à porta com mandado de busca e apreensão.
Muitos ensinam que a prosperidade é sinal da graça divina. Difícil, no entanto, explicar aos fiéis que depositaram sua fé no Digimais que o milagre prometido era, na verdade, uma ilusão. A diferença teológica é sutil, mas o extrato bancário ajuda a distinguir.
Para o sistema financeiro, a operação chega como lembrete de que as únicas ressurreições confiáveis em se tratando de dinheiro são as dos prejuízos, que ficam voltando, voltando e voltando. Só espera-se que o nome da operação não seja honesto demais, pois no Brasil, a miragem não costuma ser o crime, mas a punição.
Deputado federal Mario Frias, do PL. Foto: Reprodução.
Duas notas fiscais de hospedagem do deputado federal Mario Frias (PL) e de seu então chefe de gabinete, Raphael Augusto Azevedo, registraram um e-mail vinculado a Karina Ferreira da Gama, produtora do filme “Dark horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O Hotel Mercure, em Campinas (SP), emitiu os documentos em 28 de abril de 2023. As notas registram o endereço karinamercosul2@gmail.com, usado por Frias e Azevedo nos campos de identificação.
O mesmo e-mail consta no registro do domínio do Instituto Conhecer Brasil e no cadastro da Receita Federal da Gama Participações Ltda., holding de Karina Ferreira da Gama. A informação liga as despesas de hospedagem a um endereço eletrônico associado à produtora investigada.
As notas fiscais somam R$ 1.107,30: uma no valor de R$ 594,30 e outra de R$ 513. Os documentos entraram na Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, e a Câmara dos Deputados reembolsou os valores a Mario Frias.
Karina Gama, produtora de “Dark Horse”. Foto: reprodução
Produtora de “Dark horse” é alvo de apurações
Karina Ferreira da Gama responde a investigações da Polícia Civil de São Paulo e da Polícia Federal que apuram a destinação de recursos públicos à produção de “Dark horse”. Mario Frias atua como produtor executivo do filme.
O deputado também entrou no radar do STF em uma apuração sobre a suposta destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil. A entidade tem vínculo com a Go Up Entertainment, responsável pela produção de “Dark horse”.
Raphael Augusto Azevedo chefiou o gabinete de Mario Frias até fevereiro de 2024. Ele também apareceu em relato de uma ex-assessora do deputado sobre um suposto esquema de “rachadinha” no gabinete parlamentar.
As notas fiscais de abril de 2023, o uso do e-mail associado a Karina Ferreira da Gama e os reembolsos pela cota parlamentar integram o conjunto de documentos agora citados nas apurações sobre a relação entre despesas públicas, o Instituto Conhecer Brasil e a produção do filme.
Andy Burnham, político trabalhista britânico. Foto: Reprodução.
Andy Burnham, ex-prefeito de Manchester, tornou-se o principal favorito para suceder Keir Starmer no Reino Unido depois que o primeiro-ministro britânico anunciou um cronograma para deixar o cargo. A movimentação em Westminster acelerou a transição de poder no Partido Trabalhista e colocou Burnham no centro da disputa pelo governo.
A posição de Burnham ganhou força na segunda-feira (22), quando Wes Streeting, ex-secretário de Saúde e apontado como seu maior rival em potencial, desistiu de concorrer e declarou apoio ao ex-prefeito de Manchester. A retirada deixou o caminho mais aberto para uma sucessão rápida dentro do partido.
Se confirmar a ascensão, Burnham será o quinto primeiro-ministro do Reino Unido em quatro anos. Ele acaba de chegar ao Parlamento como deputado por Makerfield, depois de vencer uma eleição complementar em uma área onde o Reform UK, partido da direita radical, costuma ter desempenho relevante.
Disputa trabalhista expõe dúvidas sobre Burnham
A possível troca de comando também abriu uma disputa por espaço no futuro governo. Aliados de Rachel Reeves defendem sua permanência no Ministério das Finanças sob o argumento de que ela preservou a confiança dos mercados. Há quem veja Streeting como possível substituto, mas ele afirmou que não recebeu convite de Burnham para ocupar o posto.
Parte do Partido Trabalhista demonstra incômodo com a velocidade da ascensão. Um ministro lembrou que Burnham não disputou as últimas eleições gerais, não era deputado até a semana passada e já perdeu duas corridas pela liderança trabalhista. “E lembre-se de que ele já concorreu à liderança do Partido Trabalhista duas vezes antes e perdeu”, disse. O mesmo ministro acrescentou: “E não só isso. Ele perdeu para dois perdedores — Ed Miliband e Jeremy Corbyn.”
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer. Foto: Jaimi Joy/Reuters
Ed Miliband perdeu as eleições gerais de 2015, enquanto Jeremy Corbyn foi derrotado em 2017 e 2019. A comparação alimenta a resistência de setores trabalhistas, apesar de Burnham aparecer hoje como um nome eleitoralmente competitivo contra o Reform UK e de ter escolhido uma vaga considerada difícil para retornar ao Parlamento.
A falta de detalhes sobre seu programa também provoca tensão interna. Uma fonte descreveu a movimentação de parlamentares trabalhistas como uma corrida “para pegar um trem que está prestes a sair da estação”, sem saber “para onde ele vai”. Durante a campanha em Makerfield, Burnham apresentou ideias gerais, mas concentrou sua agenda em temas locais que ajudariam a garantir a vitória.
Em publicação nas redes sociais sobre a decisão de Starmer de sair, Burnham disse que “as pessoas querem ver progresso no crescimento econômico, no custo de vida, nos serviços públicos, na habitação e nas oportunidades para a próxima geração”. Agora, parlamentares esperam que ele detalhe como pretende executar essas propostas, enquanto alguns cogitam tentar convencer Darren Jones, ministro-chefe de Starmer, a concorrer; aliados dizem que isso parece improvável, mas ainda não descartado.
O próximo passo da transição será a apresentação do programa de Burnham. Caso chegue ao cargo, ele terá de responder a questões que pouco enfrentou publicamente como prefeito, entre elas a relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a possibilidade de elevar recursos para as Forças Armadas britânicas e a forma de financiar esse aumento.
O Banco Digimais, instituição financeira controlada pelo bispo e líder religioso Edir Macedo, virou alvo da Operação Miragem da Polícia Federal, nesta terça-feira (23/6), após enfrentar uma disputa judicial aberta por uma acusação de prejuízo de quase R$ 500 milhões. O empresário Roberto Campos Marinho Filho, sócio do banco e dono da Yards Capital, acionou a Justiça contra a instituição.
A disputa judicial nasceu da participação do Digimais no fundo de investimento EXP 1, gerido pela Yards Capital. Marinho Filho contestou a aceitação de títulos emitidos pelas empresas Fictor, Reag e pelo Banco Master como lastro da operação.
O Digimais detém 80% do fundo, enquanto Marinho Filho possui os 20% restantes. Segundo o processo, os papéis da carteira perderam valor de mercado após o avanço de investigações sobre supostas fraudes envolvendo Banco Master, Reag e Fictor, todos sob investigação do Banco Central.
A Yards Capital notificou judicialmente o banco de Edir Macedo para tentar reaver aportes e transferir o risco financeiro acumulado na operação. A gestora exigiu que o Digimais recomprasse uma carteira de ativos avaliada em R$ 462,2 milhões: R$ 316,6 milhões em títulos do Banco Master e da Reag, além de R$ 145,6 milhões em papéis ligados à Fictor.
O bispo Edir Macedo. Foto: reprodução
Investigações atingiram Reag, Fictor e Banco Master
A Reag entrou na mira de grandes operações policiais que atingiram a Faria Lima, em São Paulo. A gestora de fundos é investigada por suposto envolvimento em manobras para esconder dinheiro do crime organizado, na operação Carbono Oculto, e por usar a mesma rede de fundos em movimentações suspeitas do Banco Master, na operação Compliance Zero. O Banco Central liquidou a Reag em 15 de dezembro.
A Fictor ganhou destaque depois de anunciar, em novembro de 2025, que compraria o Banco Master por R$ 3 bilhões. Um dia depois, o Banco Central liquidou o Master, e os principais executivos do banco acabaram presos. Em janeiro deste ano, a Fictor pediu recuperação judicial e afirmou que notícias envolvendo o Master levaram investidores a pedir resgates, esvaziando o caixa e provocando crise de liquidez.
A crise do Master atingiu outras instituições financeiras, entre elas o Digimais. Relatórios de 2024 e 2025 apontaram alta inadimplência depois da pandemia, perda de patrimônio e necessidade de aportes recorrentes para evitar quebra técnica. O dinheiro saiu do próprio Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da Rede Record de Televisão.
Em 2025, o Digimais passou por reestruturações sob supervisão do Banco Central e abriu negociações de venda por causa de desafios operacionais. O investidor Mauricio Quadrado, ex-sócio do Banco Master, chegou a anunciar que havia fechado a compra com Edir Macedo, mas o negócio não avançou. Em São Paulo, o governo Tarcísio de Freitas também liberou o Digimais para operar crédito consignado na Polícia Militar após a crise.
Vozinha com a bandeira de Cabo Verde após o empate sem gols contra a Espanha. Foto: Reprodução.
O goleiro Vozinha virou o grande personagem da estreia de Cabo Verde em Copas ao segurar a Espanha no empate por 0 a 0, resultado histórico para a seleção africana e que levou seu nome a circular pelo mundo do futebol. As defesas do camisa 1 também mudaram sua presença nas redes: ele saiu de 46 mil para mais de 10 milhões de seguidores em uma plataforma.
A atuação mexeu diretamente com Kleidir Dias, irmão de Vozinha, que mora há quatro anos em Camaragibe, na região metropolitana do Recife. Depois da partida, os dois conversaram à distância, como fazem desde que Kleidir chegou ao Brasil. “Falei apenas que tudo o que ele tinha passado tinha um propósito”, disse o professor.
Kleidir dá aulas particulares de matemática para crianças e adolescentes e cobra mensalidades de R$ 80 e R$ 90. Mesmo após o irmão virar celebridade instantânea, ele manteve a rotina de trabalho e só aceitou conversar à noite, quando disse que não estaria mais ocupado.
O irmão do goleiro afirmou que não busca exposição pelo feito de Vozinha. “Quem tem que aparecer é ele, não eu”, explicou. Kleidir contou que algumas crianças comentaram que conheciam o goleiro de Cabo Verde, e ele respondeu apenas que era irmão do jogador.
Kleidir Dias, irmão do goleiro Vozinha, de Cabo Verde. Foto: reprodução
Irmão de Vozinha vive em Camaragibe e fala da simplicidade da família
Kleidir atribui a forma de viver da família à mentalidade da “Morabeza”, palavra do crioulo cabo-verdiano associada à simplicidade, tranquilidade e acolhimento. Para ele, o novo status do irmão não muda a maneira como Vozinha será recebido quando voltar ao país.
“Em Cabo Verde não tem isso de celebridade. Após a Copa, quando ele for para casa visitar a família, vai haver festa por um ou dois dias e depois ele vai tomar banho em Laginha, colocar um chinelo, um short e uma camiseta e ficar com a família. Vivemos todos na simplicidade, sem ostentação, sem fama, sem vaidade”, descreveu Kleidir.
Os irmãos não se encontram pessoalmente há quatro anos, mas mantêm contato por videochamadas e mensagens. Kleidir recordou a infância na casa da avó, Maria Senhorinha dos Santos, de onde veio o apelido que acabou transformando Josimar em Vozinha.
“Meu irmão sempre teve fome pelo futebol. Eu também jogava, mas nunca levei muito a sério. Não tinha esse talento. Mas quando tínhamos a oportunidade sempre estávamos jogando em qualquer espaço. Como no Brasil, jogávamos na rua, com quatro pedras no chão formando as balizas. Na casa da minha avó, jogávamos nos quartos, cada um em uma cama. Jogávamos a bola na parede e depois chutávamos. E ele sempre agarrava”, lembrou.
Kleidir disse que sempre percebeu no irmão o desejo de seguir carreira no futebol. “Ele sempre quis ser jogador de futebol. Via isso nos olhos dele. Ele chegou onde chegou com muita dedicação e esforço. As barreiras que foram colocadas no caminho serviram para ele ultrapassar”, afirmou. O professor veio ao Brasil para estudar teologia e escolheu o Recife porque já namorava uma pernambucana, com quem se casou.
Cabo Verde terá Uruguai e Arábia Saudita pela frente na Copa
O reencontro entre Kleidir e Vozinha ainda não tem data definida, mas o irmão afirma que quer abraçá-lo o mais rápido possível. Segundo dados da Fifa citados na reportagem, há mais cabo-verdianos vivendo fora do país do que os 530 mil habitantes das dez ilhas que formam o arquipélago.
“A emoção será a de abraçar aquele que nos pertence. Preferimos focar mais no pessoal e não nas conquistas. Para o mundo ele é o Vozinha, para nós é o Josimar. A família para nós sempre será um lugar de aconchego e acolhimento. A saudade faz parte da essência do cabo-verdiano porque a maior parte da população mora fora do país. Mas todos querem voltar um dia”, disse Kleidir.
Antes desse reencontro, Kleidir terá ao menos mais duas partidas para acompanhar o irmão na fase de grupos da Copa: Cabo Verde enfrenta o Uruguai no próximo domingo e a Arábia Saudita no dia 26. “A gente aprende sempre que tem que dar um passo de cada vez. Todo mundo quer avançar, mas o próximo passo é o Uruguai, uma das melhores seleções da América do Sul. Vamos degrau a degrau. Com o mesmo respeito, mas com o mesmo propósito. De deixar o povo cabo-verdiano alegre e orgulhoso com os Tubarões Azuis”, afirmou.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em seminário da Esfera Brasil em São Paulo. Foto: Reprodução.
O banditismo de Daniel Vorcaro está muito além das famigeradas redes de corrupção brasileiras. Trata-se não apenas da cooptação de políticos e de quadros técnicos das estruturas estatais para favorecimentos e enriquecimento nos ambientes financeiros, mas da adoção sem pudor de práticas mafiosas para solução mesmo de entreveros de ordem pessoal ou amorosa. Os métodos de intimidação da “Turma”, nome dado à milícia privada à serviço do dono do Banco Master, não devem nada aos das máfias transnacionais, reais ou cinematográficas. Assim nos fazem deduzir as recentes revelações da Polícia Federal.
Diálogos interceptados pela PF mostraram que Vorcaro ordenou à “Turma” uma ação de vingança contra o DJ e ex-jogador da NBA Ronald Fred Seikaly, que teve um relacionamento com Martha Graeff – eles têm uma filha. À época das mensagens, Graeff era namorada de Vorcaro. O método sugerido pelo banqueiro-mafioso, disposto a investir R$10 milhões na empreitada, foi o flaking: termo que designa “plantar” drogas e forjar uma situação de flagrante policial.
Seikaly morava em Miami. Nas conversas capturadas pela PF não parece decidido se o flaking ocorreria na cidade da Flórida ou se o DJ seria seduzido a realizar uma apresentação no Brasil, onde se armaria a cilada. Vorcaro orienta Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, a acionar “o amigo da Interpol” para viabilizar a tarefa.
Fato é que a polícia de Miami possui notória expertise quando se trata de plantar provas falsas, e o banqueiro mostra-se conhecedor dos métodos intimidatórios que, digamos, possuem alto potencial de gerar o resultado esperado. Rememore-se o caso Raul Iglesias, de 2012.
Iglesias era um policial veterano com 18 anos de corporação e liderava uma unidade de elite de combate ao tráfico de drogas. Na verdade, era o rei do flaking. Investigações conduzidas pelo FBI e pela Corregedoria descobriram que ele e sua equipe rotineiramente plantavam sacos de cocaína e crack em suspeitos que queriam prender, mesmo quando nenhuma droga era encontrada com o alvo. O esquema era duplo: além de forjar os flagrantes, o sargento Iglesias roubava pacotes de drogas e milhares de dólares em espécie apreendidos de traficantes reais, usando parte do entorpecente roubado para abastecer seu “estoque” e plantar em futuras vítimas inocentes.
Em janeiro de 2013, um júri federal em Miami julgou Raul Iglesias culpado por conspiração para violar direitos civis, distribuição de narcóticos e obstrução de justiça. O Departamento de Justiça americano classificou o caso como uma traição absoluta à confiança pública. Parece que o “método Iglesias” seduziu Daniel Vorcaro e seus sicários – sem surpresa, se forem consideradas as dimensões dos outros métodos adotados pela “Turma”.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”. Foto: reprodução
As organizações mafiosas modernas, como a liderada por Danilel Vorcaro, utilizam aparatos de vigilância privada e infiltrações para antecipar passos de adversários e neutralizar ameaças internas. Perseguição, levantamento de rotinas e descoberta de endereços residenciais de ex-funcionários, colaboradores insatisfeitos ou críticos são práticas rotineiras. No caso de Vorcaro, a PF identificou ordens expressas para conseguir o endereço e rastrear os passos de ex-empregados que ameaçavam expô-lo.
O banqueiro também usava de agentes ou contatos policiais para invadir ilegalmente bancos de dados sigilosos do Ministério Público Federal e da própria Polícia Federal, como apurou a investigação. O leque criminoso incluída planejamento de emboscadas violentas disfarçadas de crimes comuns para aplicar surras ou punições físicas, como àquela desvendada que se armava contra o jornalista Lauro Jardim.
A umbilical relação entre Vorcaro e o senador Ciro Nogueira, recebedor de mesadas milionárias e mimos variados, bem como o tratamento fraterno desnudado entre o banqueiro-mafioso e Flávio Bolsonaro com vistas à produção da hagiografia do pai – ou ao sustento luxuoso do foragido Eduardo Bolsonaro -, ou ainda a escandalosa promiscuidade apurada entre o CEO do Banco Master e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro atestam o que já era público e notório: a intimidade dos bolsonaristas com adeptos de práticas milicianas. Gente da pior espécie se admira e se atrai.
Lula e Donald Trump próximos a líderes internacionais na cúpula do G7 na França. Foto: Reprodução.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se cumprimentaram na noite de terça-feira (16/6) durante um evento social da cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França, segundo assessores do petista.
Auxiliares de Lula disseram que o cumprimento ocorreu após um concerto organizado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, no hotel onde acontece a cúpula. Eles afirmam que ninguém registrou o momento em foto ou vídeo.
Depois do concerto, Lula e Trump seguiram para um jantar de gala que Macron ofereceu aos líderes presentes no encontro. O contato ocorreu fora da agenda formal de reuniões bilaterais da cúpula.
Mais cedo, durante a chamada “foto de família” dos líderes do G7 e convidados, Lula e Trump passaram próximos um do outro, mas não interagiram diante das câmeras.
Líderes mundias na Cúpula do G7. Foto: Foto: Evelyn Hockstein/ Reuters
Planalto diz que não houve pedido de reunião bilateral
Integrantes do Palácio do Planalto afirmam que Brasil e Estados Unidos não apresentaram pedido formal para uma reunião bilateral entre Lula e Trump durante a cúpula.
A avaliação de auxiliares do presidente brasileiro é que uma nova conversa formal entre os dois não faria sentido neste momento, porque o grupo criado durante a visita de Lula à Casa Branca, em maio, ainda discute os temas tratados pelos dois governos.
A agenda de Lula no G7 também incluiu conversas com outros líderes. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu uma reunião bilateral com o brasileiro durante a cúpula.
Na programação do encontro, Lula também discutiu o acordo Mercosul-Japão com a primeira-ministra japonesa. Em discurso no G7, o presidente brasileiro enviou recados a Trump sobre facções e tarifaço, segundo a pauta da coluna.
Eduardo Bolsonaro em evento nos EUA. Foto: Madel Ngan/AFP
Alvo de investigação da Polícia Federal sobre a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com o financiamento da obra, o filme “Dark horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), teve sua primeira exibição pública na segunda-feira (15), em Las Vegas, nos Estados Unidos. A sessão ocorreu durante o Fraud Fighter Summit, encontro da direita estadunidense dedicado a temas como fraude eleitoral, corrupção e manipulação de processos eleitorais.
A premiere encerrou o primeiro dia da convenção e contou com a presença do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O objetivo do filho do ex-presidente, segundo o blog da Bela Megale, era atrair distribuidores interessados em exibir “Dark horse” em salas de cinema nos Estados Unidos.
Após a exibição, Eduardo participou de um painel ao lado do diretor Cyrus Nowrasteh, mediado pelo influenciador de direita Juan O’Savin. Durante a conversa, o ex-deputado falou sobre a situação de saúde de Jair Bolsonaro e citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao tratar da Operação Lava Jato.
Eduardo Bolsonaro durante discurso na Fraud Fighter Summit (Cúpula de Combate a Fraude), em Las Vegas. Foto: reprodução
Eduardo afirmou que o filme faz parte de uma disputa cultural contra adversários ideológicos. “O que mais gosto é a guerra cultural. Por exemplo, esse filme aqui vai ser um pesadelo para a esquerda”, disse Eduardo, que citou Exterminador do Futuro 2, de 1991, como exemplo de obra de impacto duradouro. “É assim que esse tipo de coisa é poderosa. E não está em português, está em inglês, de propósito. Se fizermos algo no Brasil, eles bloqueiam facilmente, mas também porque queremos que este filme seja um sucesso mundial”.
Questionado sobre eventual reação política contrária à produção, Eduardo mencionou apenas uma ação na Justiça Eleitoral, sem comentar outras controvérsias envolvendo o longa, como o suposto financiamento de Daniel Vorcaro, do Banco Master.
“O Partido dos Trabalhadores, que é o partido do atual ocupante da Presidência da República, entrou com uma ação contra nós na Justiça Eleitoral tentando censurar este filme até a eleição”, disse Eduardo.
Cyrus Nowrasteh afirmou que o filme foi produzido sem conhecimento do “establishment” e que órgãos públicos só souberam da obra no fim das filmagens, quando a equipe gravava cenas sobre a facada sofrida por Bolsonaro em 2018. “Todos os nossos documentos estavam legais”, disse o cineasta.
O diretor também afirmou que espera que o filme tenha impacto político no Brasil. “Esperamos que este filme seja visto no Brasil e receba o apoio dos brasileiros. Eles reconhecerão a sua própria história, a sua história recente, e levarão Flávio Bolsonaro ao poder como o próximo presidente do Brasil”, disse Cyrus.
O evento ocorreu um dia antes de a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenar Eduardo Bolsonaro a quatro anos de prisão por atuação nos EUA para coagir ministros da Corte por meio da articulação de sanções. No painel, ele admitiu ter trabalhado com o governo Trump para sancionar um ministro do Supremo.
“Disseram que eu estava trabalhando com o governo Trump para sancionar o ministro do Supremo Tribunal Federal que está mandando todas essas pessoas para a prisão. Isso é verdade. Não porque eu estivesse tentando absolver meu pai no julgamento, porque eu sempre soube que ele seria condenado. Mas, como eles são covardes, não processam nem denunciam o presidente Trump, o secretário Rubio ou Bessent. Em vez disso, estão me denunciando, tentando me tornar inelegível”, disse Eduardo.
O Fraud Fighter Summit informou que os 700 lugares do evento, com ingressos a US$ 350, foram esgotados. A programação também previa participações de Stephen Bannon, Roseanne Barr e Hwang Kyo-ahn.
Tallis Gomes e Mark Zuckerberg em foto manipulada. Foto: reprodução
A assessoria de imprensa do G4 Educação esclareceu a polêmica envolvendo uma foto do CEO da empresa, Tallis Gomes, ao lado do bilionário Mark Zuckerberg, dono da Meta. A imagem foi publicada nas redes sociais pelo empresário e passou a ser questionada por usuários da rede X, que apontaram supostas inconsistências visuais e levantaram a hipótese de montagem com inteligência artificial.
Em nota, a assessoria afirmou que o registro é autêntico. “O encontro e a foto são reais, não se trata de um fake”, afirmou ao DCM.
Tallis Gomes, de 39 anos, é presidente da G4 Educação, plataforma de soluções empresariais que projeta alcançar R$ 1 bilhão em receita no próximo ano. O empresário bolsonarista publicou a imagem após participar de um evento de UFC promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo Gomes, o encontro com Zuckerberg ocorreu na Casa Branca. No domingo, Trump transformou o gramado da residência oficial em uma arena de MMA para celebrar seu aniversário de 80 anos. O evento reuniu apoiadores do presidente estadunidense e convidados para acompanhar lutas no octógono.
Na publicação, Gomes afirmou ter conversado rapidamente com Zuckerberg sobre temas como liberdade de expressão, eleições e empreendedorismo. “Na Casa Branca ontem, bati um papo rápido com o Zuckerberg sobre liberdade de expressão, eleições e empreender. Não foi conversa longa, mas reforçou o óbvio: sem liberdade de verdade, o jogo fica manipulado”, escreveu.
Na Casa Branca ontem, bati um papo rápido com o Zuckerberg sobre liberdade de expressão, eleições e empreender.
Não foi conversa longa, mas reforçou o óbvio: sem liberdade de verdade, o jogo fica manipulado. pic.twitter.com/DIzijL9awv
A postagem, no entanto, gerou questionamentos. Usuários da rede X observaram que a imagem trazia o logo da ferramenta Gemini, do Google, e passaram a afirmar que a fotografia teria sido criada por inteligência artificial. A marca foi interpretada por parte dos internautas como indício de que se tratava de uma imagem artificial ou manipulada.
A assessoria de Tallis Gomes negou que a foto tenha sido fabricada. Segundo a equipe do empresário, a imagem original foi capturada em um ambiente com pouca iluminação e depois passou por uma ferramenta de inteligência artificial para ajuste de qualidade.
“O que aconteceu é que a foto original foi tirada em um ambiente muito escuro e acabou passando por uma ferramenta de IA (Gemini) para melhorar a nitidez e a iluminação. Como esse tipo de tecnologia às vezes altera um pouco as texturas e feições, acabou gerando essa impressão de montagem, mas o registro de fato aconteceu”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abriu nesta quarta-feira (17) uma reunião com líderes da cúpula do G7 com uma frase irônica dirigida aos demais participantes: “Eu sou o chefe”.
A declaração marcou o início do encontro entre chefes de governo e de Estado presentes à cúpula. Trump fez a observação antes do avanço das conversas com os outros líderes reunidos no fórum.
O relato identifica a fala como uma ironia. A frase ganhou destaque por ter partido do presidente americano diante de representantes das principais economias que integram o G7.
Trump participou da reunião como chefe do governo dos Estados Unidos, um dos países do grupo. A cúpula reúne lideranças de EUA, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Reino Unido, com participação da União Europeia nos encontros.
WATCH: Trump jokingly declares that he is “the boss” during a meeting with G7 leaders. pic.twitter.com/3flewxM5WU
A negociação das novas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no início de junho, está entre as principais prioridades do governo brasileiro na reunião do G7, realizada na França nesta semana. O grupo reúne algumas das maiores economias do mundo e discute temas como economia, conflitos, clima e segurança.
Segundo o G1, diplomatas brasileiros apostam em um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump para destravar as negociações. A reunião bilateral, porém, ainda não foi confirmada. O fato de os dois líderes não terem interagido ao posar para a foto oficial do grupo foi visto como sinal negativo por interlocutores.
O Brasil não integra o G7, mas pode ser convidado para participar de reuniões do bloco, como ocorreu na atual cúpula. O governo brasileiro tenta negociar a retirada das tarifas desde o ano passado, quando Trump anunciou as primeiras taxas de importação sobre produtos do país.
Houve avanço em novembro de 2025, quando a Casa Branca eliminou a tarifa de 40% aplicada a diversos itens exportados pelo Brasil. As novas tarifas de 25%, anunciadas neste mês, são vistas pelo governo Lula como uma medida mais política do que comercial.
Integrantes do governo afirmam que a decisão ignora argumentos técnicos apresentados por representantes brasileiros nos últimos meses. A medida, porém, segue um padrão adotado por Trump em outras ocasiões: o uso de tarifas como instrumento de pressão em negociações comerciais e diplomáticas.
O governo dos Estados Unidos e a República Islâmica do Irã devem assinar formalmente, em 19 de junho, na Suíça, um memorando de entendimento que abre caminho para 60 dias de negociações destinadas a encerrar definitivamente a guerra entre os dois países e estabelecer novas restrições ao programa nuclear iraniano.
A seguir, os principais pontos da minuta de 14 artigos obtida pela Bloomberg News:
1. Fim imediato e permanente da guerra
Estados Unidos e Irã, juntamente com seus aliados envolvidos no conflito, declaram o fim imediato e permanente da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano. Os dois países se comprometem a não realizar ações hostis um contra o outro nem ameaçar ou utilizar força militar.
2. Respeito à soberania
As duas nações se comprometem a respeitar mutuamente a soberania e a integridade territorial de cada país, abstendo-se de interferir em assuntos internos.
3. Prazo para acordo definitivo
Os governos concordam em negociar um acordo final em até 60 dias, prazo que poderá ser prorrogado mediante consentimento mútuo.
4. Fim do bloqueio naval e retirada militar dos EUA
Imediatamente após a assinatura do memorando, os Estados Unidos deverão suspender o bloqueio naval e restaurar integralmente o tráfego marítimo ligado ao Irã em até 30 dias. Também se comprometem a retirar suas forças das áreas próximas ao país em até 30 dias após a assinatura do acordo definitivo.
5. Reabertura das rotas marítimas pelo Irã
O Irã deverá garantir a retomada da circulação de navios mercantes entre o Golfo Pérsico e o Mar de Omã, restaurando o fluxo aos níveis anteriores à guerra em até 30 dias. O texto prevê a remoção de obstáculos técnicos e a neutralização de minas marítimas.
Vista de satélite do Estreito de Ormuz. Foto: reprodução
6. Plano econômico de US$ 300 bilhões
Os Estados Unidos e seus parceiros regionais se comprometem a elaborar um amplo plano de reconstrução e desenvolvimento econômico para o Irã, com financiamento mínimo de US$ 300 bilhões. Os mecanismos de implementação serão definidos durante as negociações.
7. Fim das sanções
Washington promete encerrar, de forma gradual e dentro de cronograma a ser negociado, todas as sanções impostas ao Irã, incluindo medidas aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU, pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e sanções unilaterais americanas.
8. Compromisso nuclear
O Irã reafirma que nunca produzirá armas nucleares. O destino do material enriquecido e outras questões relacionadas ao programa nuclear serão tratados no acordo definitivo, incluindo as necessidades nucleares civis do país.
9. Manutenção do status atual durante as negociações
Até a conclusão do acordo final, o Irã manterá inalterado seu programa nuclear e os Estados Unidos não imporão novas sanções nem ampliarão sua presença militar na região.
10. Autorização para exportações iranianas
O Departamento do Tesouro dos EUA emitirá autorizações especiais para permitir exportações de petróleo bruto, produtos petroquímicos e derivados iranianos, além dos serviços relacionados, como transporte, seguros e operações bancárias.
11. Liberação de ativos congelados
Os Estados Unidos se comprometem a liberar fundos e ativos iranianos atualmente congelados ou restritos, à medida que as negociações avancem. Os recursos ficarão sob controle do Banco Central do Irã e poderão ser utilizados livremente.
12. Mecanismo de supervisão
Será criado um sistema de monitoramento para garantir o cumprimento das obrigações previstas no acordo final.
13. Negociação das cláusulas restantes
Após a implementação inicial dos artigos considerados prioritários — especialmente os relacionados ao comércio marítimo, exportações e liberação de recursos — os dois países iniciarão negociações focadas exclusivamente nos demais pontos pendentes.
14. Aprovação pela ONU
O acordo definitivo deverá ser ratificado por meio de uma resolução vinculante do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Caso seja confirmado e assinado nos próximos dias, o memorando representará uma das maiores reaproximações diplomáticas entre Washington e Teerã em décadas, envolvendo o encerramento formal das hostilidades, a flexibilização de sanções econômicas e um novo marco para o programa nuclear iraniano.
Jacob Arabo, fundador da Jacob & Co, e a influencer Virginia Fonseca. Foto: reprodução
Durante sua passagem por Nova York para cobrir a Copa do Mundo e cumprir compromissos comerciais, Virginia Fonseca publicou uma foto ao lado do bilionário Jacob Arabo, fundador da grife de relógios e joias de luxo Jacob & Co.
O empresário no mercado de luxo tem uma trajetória controversa: foi preso em um dos maiores casos de investigação financeira ligados ao narcotráfico nos Estados Unidos.
Virginia, que participa da cobertura do Mundial pela TV Globo como “comentarista” do Domingão com Huck, visitou um dos escritórios da Jacob & Co. e compartilhou o registro nas redes sociais.
Na imagem, ela aparece usando uma camiseta da WePink, sua marca de cosméticos, ao lado do empresário, tendo ao fundo a logomarca da companhia.
Conhecido mundialmente como “Jacob o Joalheiro”, Arabo construiu um império no mercado de relógios e joias de luxo.
Nascido no Uzbequistão, ele se mudou ainda jovem para os Estados Unidos e fundou a Jacob & Co. em 1986. Suas peças passaram a ser usadas por celebridades como Jay-Z, Cristiano Ronaldo e Floyd Mayweather Jr., além de colecionadores dispostos a pagar milhões de dólares por modelos exclusivos.
Em 15 de junho de 2006, Jacob foi preso por autoridades federais americanas sob acusações de lavagem de dinheiro e conspiração ligada ao tráfico de drogas. A investigação apontava conexões com a Black Mafia Family (BMF), uma organização criminosa baseada em Detroit que movimentava milhões de dólares provenientes do narcotráfico.
Segundo os promotores, o empresário teria ajudado integrantes da quadrilha a ocultar mais de US$ 270 milhões em recursos obtidos ilegalmente por meio da compra de joias de alto valor, uma estratégia usada para disfarçar a origem do dinheiro.
Em 2007, Jacob fechou um acordo com a Justiça americana. As acusações de lavagem de dinheiro foram retiradas, mas ele admitiu culpa por falsificação de registros comerciais e por fornecer informações falsas a agentes federais durante a investigação.
A sentença veio em 2008: 30 meses de prisão federal. Jacob cumpriu pena e deixou a prisão em 2010. Desde então, retomou o comando da Jacob & Co. e reconstruiu sua imagem no mercado de luxo internacional.
No encontro com Virginia, o empresário usava um relógio avaliado em cerca de US$ 9 milhões. Após publicar a foto, a influenciadora incentivou seus seguidores a comentarem na página de Jacob nas redes sociais, provocando uma invasão bem-humorada de brasileiros no perfil do bilionário.
O presidente Lula, em evento do Partido dos Trabalhadores (PT). Foto: Rafaela Araújo/Folhapress
O PT comemorou a inscrição de mais de 50 mil pessoas como “porta-vozes” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais, em uma iniciativa voltada a ampliar a presença digital da pré-campanha de reeleição e responder ao bolsonarismo na internet.
A plataforma foi lançada em 9 de junho para mobilizar simpatizantes a produzir e compartilhar conteúdos favoráveis ao governo. O partido quer atuar com força especial no WhatsApp, apontado como um dos principais terrenos da disputa política digital.
A pré-campanha celebrou o marco de 50 mil inscritos e estabeleceu uma meta mais alta: chegar a meio milhão de apoiadores nas redes até o início dos programas eleitorais no rádio e na TV.
Éden Valadares, secretário de Comunicação do PT e idealizador da plataforma, disse que a proposta é transformar apoiadores em produtores de conteúdo local. “Nosso convite é para que esses simpatizantes abram a câmara, gravem, postem com seu sotaque, na sua comunidade, e a partir da sua realidade, os feitos do governo do presidente Lula”, afirmou.
O presidente do PT, Edinho Silva, durante o aniversário de 46 anos do Partido dos Trabalhadores. Foto: Divulgação/PT Brasil
A direção petista quer dar mais unidade ao discurso durante a pré-campanha eleitoral. Em discursos, o presidente do PT, Edinho Silva, defendeu que a militância atue com mais força nas redes sociais, e não apenas nas ruas.
Os inscritos já começaram a receber missões para produzir ou compartilhar materiais sobre temas considerados prioritários pela estratégia de comunicação da campanha. A orientação mira assuntos de maior circulação e maior impacto político no ambiente digital.
O partido também pretende usar a rede de porta-vozes no combate à desinformação. A atuação desses apoiadores deve envolver respostas a conteúdos bolsonaristas e difusão de mensagens alinhadas ao governo Lula.
A plataforma funciona como uma ferramenta de mobilização da pré-campanha antes do período de propaganda eleitoral no rádio e na TV, etapa em que o PT espera chegar com uma base digital organizada e mais numerosa.
Messi em lance de cartão vermelho e Cristiano Ronaldo. Foto: reprodução
A goleada da Argentina por 3 a 0 sobre a Argélia, na estreia da Copa do Mundo de 2026, foi marcada por uma grande polêmica envolvendo Lionel Messi. O craque argentino escapou de uma possível expulsão após uma entrada dura sobre o zagueiro argelino Aïssa Mandi, gerando críticas de torcedores, comentaristas e acusações de favorecimento por parte da FIFA.
O lance aconteceu poucos minutos depois de Messi abrir o placar para a Argentina. Em uma disputa de bola, o camisa 10 aparentou atingir a perna direita de Mandi com as travas da chuteira. O defensor caiu imediatamente no gramado, segurando a panturrilha e reclamando de dores.
Apesar da gravidade da jogada, o árbitro não aplicou sequer cartão amarelo ao argentino. O VAR também não recomendou revisão do lance, decisão que provocou forte reação nas redes sociais.
“Está óbvio que a FIFA vai proteger Messi novamente nesta Copa. Isso era cartão vermelho sem discussão”, escreveu um usuário na rede X. Outro afirmou que “nem o próprio Messi pareceu acreditar que escaparia sem punição”.
As a Messi fan I must confess he’s really been favoured by referee. That’s a red card offence! Period! pic.twitter.com/y1CnqFIVfG
A patacoada levanta suspeitas se o tratamento diferenciado será aplicado a outra estrela do torneio: Cristiano Ronaldo, que estreia nesta quarta contra o Congo às 14h.
As críticas foram além dos torcedores. Durante a transmissão da ESPN no Reino Unido, o ex-zagueiro inglês Nedum Onuoha afirmou que a jogada merecia expulsão.
“Provavelmente deveria ter sido cartão vermelho. O árbitro pode ter perdido o lance, mas é difícil entender como o VAR analisou a jogada e concluiu que não havia nada de errado”, disse.
O comentarista Alejandro Moreno foi ainda mais enfático.
“Foi 100% cartão vermelho para Lionel Messi. Esse tipo de decisão reforça a narrativa de que grandes estrelas recebem tratamento diferenciado”, afirmou.
Moreno também questionou por que o árbitro polonês Szymon Marciniak não foi chamado ao monitor para revisar a jogada.
“Você vê as travas percorrendo toda a parte de trás da perna do adversário, do joelho até o tornozelo. Foi uma entrada imprudente e deveria ter resultado em expulsão”, completou.
A controvérsia ganhou ainda mais repercussão porque Messi permaneceu em campo e protagonizou a partida. O atacante de 38 anos marcou mais dois gols no segundo tempo, completando o primeiro hat-trick de sua carreira em Copas do Mundo e liderando a vitória argentina sobre a Argélia.
Enquanto os argentinos comemoram a atuação histórica de seu capitão, o debate sobre a arbitragem promete continuar nos próximos dias, com muitos torcedores questionando se outros jogadores receberiam o mesmo tratamento em uma situação semelhante.
Vini Jr., durante entrevista após o jogo da Seleção na qual não pode ser questionado em espanhol graças ao veto da Fifa. Reprodução
A Fifa proibiu o uso do espanhol em determinados ambientes oficiais de entrevista da Copa do Mundo de 2026, incluindo coletivas e zonas mistas com idiomas previamente autorizados pela organização. A justificativa atribuída à entidade é a padronização da comunicação entre delegações, jogadores e imprensa, com o inglês adotado como idioma-base quando não houver língua comum liberada.
A regra apareceu no entorno de Brasil x Marrocos, no sábado (13), quando jornalistas hispanofalantes tentaram fazer perguntas em espanhol a jogadores acostumados ao idioma. Na véspera da partida, Vinicius Junior chegou a pedir que uma questão feita em inglês fosse reformulada em espanhol, mas o idioma não estava entre os permitidos pela Fifa naquele espaço oficial.
🇺🇸🇲🇽 | La FIFA prohíbe a los periodistas preguntar en español a los jugadores de Brasil y Marruecos a pesar de ser la segunda lengua materna más hablada del mundo por encima del inglés.
La FIFA autorizó a preguntar en francés, árabe, portugués e inglés, algo que supuso un… pic.twitter.com/67K1XRTTcA
Após o empate por 1 a 1, o tema voltou à tona na zona mista. Um jornalista venezuelano pediu que Vini Jr. respondesse em espanhol, mas o atacante disse que falaria em português por estar a serviço da Seleção Brasileira. “Estou com o Brasil, vou falar só em português”, afirmou, antes de comentar a atuação do time.
A limitação também afetou profissionais que tentaram entrevistar atletas de Marrocos, como Achraf Hakimi. Segundo relatos publicados nas redes sociais, a Fifa autorizou perguntas apenas em francês, árabe, português e inglês em determinados ambientes ligados à partida.
Na prática, a norma impediu o uso de uma língua amplamente dominada por jogadores dos dois elencos, especialmente atletas que atuam ou atuaram na Espanha. O caso chamou atenção porque o Mundial de 2026 também é sediado pelo México, país hispanofalante, além de Estados Unidos e Canadá.
🗣️ Periodista: “SOY DE VENEZUELA, EN ESPAÑOL, POR FAVOR”.
🗣️ Vinícius: “SOY DE BRASIL VOY A HABLAR EN PORTUGUÉS”.
O tricampeão mundial Gérson, conhecido como Canhotinha de Ouro – Foto: Reprodução
O tricampeão mundial Gérson, conhecido como Canhotinha de Ouro, fez duras críticas à atuação do Brasil no empate por 1 a 1 com Marrocos, neste sábado (13), na estreia da Seleção na Copa do Mundo de 2026. Em comentário sobre a partida, ele afirmou que Carlo Ancelotti demorou para mudar a equipe e errou nas substituições.
“Agora, o seu treinador, o senhor mexeu errado. Demorou a mexer, mexeu errado”, disse Gérson. O ex-jogador também apontou o meio-campo como um dos principais problemas da Seleção. “O Casemiro e o Bruno Guimarães não jogaram absolutamente nada. Jogando para trás, perdido no meio”, afirmou.
Segundo o Canhotinha, Lucas Paquetá também esteve abaixo do esperado. “Com o Paquetá também perdidinho no campo”, declarou. Para ele, o Brasil concentrou demais as jogadas pelo lado esquerdo e não conseguiu variar o jogo para explorar outros setores do campo.
Gérson foi ainda mais duro ao analisar o domínio marroquino em parte da partida. “O time do Brasil levou um passeio. Um passeio, não sabia onde é que estava a bola. E os caras tocando, tocando, tocando e o Brasil desesperado correndo atrás dos caras”, afirmou.
Vinicius Junior comemorando gol contra o Panamá. Foto: Thiago Ribeiro/Agif
O tricampeão elogiou Vinicius Júnior pela jogada do gol brasileiro. “Fez um gol, porque o Vini fez a jogada correta. Puxou, como ele sabe fazer, meteu a curva do outro lado”, disse. Mas voltou a criticar a defesa no lance do gol sofrido, apontando falha de posicionamento dos zagueiros.
Outro alvo foi Igor Thiago, titular no comando do ataque. “Não tocou na bola, não viu a cor da bola”, disse Gérson. Ele também cobrou lançamentos para Raphinha e infiltrações para o centroavante, afirmando que faltou criação e aproximação no setor ofensivo.
Gérson ainda questionou a ausência de um lateral de ofício no elenco. “Cadê o lateral de ofício? O seu treineiro? Cadê o lateral de ofício que o senhor cortou por machucar e deixou aqui e levou o meio do campo? Errou”, disparou. Para ele, Danilo atuou apenas como “quarto zagueiro deslocado”, sem oferecer apoio pelo lado direito. Veja o vídeo:
Pela primeira vez na história das Copas do Mundo, uma seleção atuou com 11 jogadores nascidos fora do país que representa. O feito foi registrado por Marrocos no empate por 1 a 1 com o Brasil, neste sábado (13), pela primeira rodada do Mundial de 2026.
O marco ocorreu após a saída de Azzedine Ounahi, único atleta nascido em território marroquino que iniciou a partida. Com a entrada de Chemsdine Talbi, nascido na Bélgica, a equipe passou a ter todos os jogadores em campo nascidos no exterior.
A formação reunia atletas nascidos em Canadá, França, Bélgica, Espanha e Países Baixos. Entre eles estavam Bono, natural de Montreal, Achraf Hakimi, de Madri, e Bilal El Khannouss, de Molenbeek. Todos defendem Marrocos por ascendência familiar.
🇲🇦🌍 Pela primeira vez na história das Copas do Mundo, uma seleção entrou em campo com 11 jogadores nascidos fora do país que representa.
No empate contra o Brasil, todos os titulares marroquinos nasceram no exterior:
— Curiosidades Europa (@CuriosidadesEU) June 14, 2026
A característica reflete a grande diáspora marroquina instalada principalmente na Europa. Nas últimas décadas, a federação do país ampliou a busca por talentos descendentes de marroquinos formados em categorias de base de clubes europeus.
O modelo ajudou a transformar a seleção em uma das forças emergentes do futebol mundial. Depois da histórica semifinal em 2022, Marrocos voltou a mostrar competitividade ao segurar o Brasil na estreia da Copa de 2026.
A equipe comandada por Walid Regragui teve organização tática e criou dificuldades para o time de Carlo Ancelotti. O empate reforçou o papel de uma geração construída fora das fronteiras do país, mas conectada à identidade marroquina.
Chegada dos investigados na delegacia, e a vítima em preparação do salto. Foto: Reprodução/Redes Sociais
Um vídeo divulgado neste sábado (13) mostra a chegada de três suspeitos à delegacia de Limeira, no interior de São Paulo, após a morte de uma jovem de 21 anos durante a prática de rope jump na Trilha da Ponte do Esqueleto. O acidente ocorreu pela manhã e é investigado pelas autoridades.
As imagens registram o momento em que os envolvidos são levados à unidade policial. De acordo com informações divulgadas pela Gazeta de Limeira, seis pessoas foram encaminhadas ao Distrito Policial, mas apenas três permaneceram detidas após os primeiros procedimentos da investigação.
Segundo a apuração inicial, a jovem identificada como Maria Eduarda Rodrigues participava da atividade organizada pela empresa responsável pelos saltos quando foi lançada de uma ponte com cerca de 30 metros de altura sem o equipamento que deveria garantir sua segurança.
Testemunhas relataram que pessoas que estavam no local tentaram reanimar a vítima por meio de manobras de ressuscitação cardiopulmonar até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Apesar dos esforços, a morte foi constatada ainda no local em razão dos múltiplos ferimentos sofridos na queda.
O boletim de ocorrência informa que, ao chegarem à área do acidente, policiais encontraram dois homens próximos à vítima. Durante o atendimento da ocorrência, um dos agentes se afastou para auxiliar o resgate e, nesse momento, os indivíduos fugiram em direção a uma região de mata.
A fuga mobilizou equipes de apoio e uma aeronave policial para auxiliar nas buscas. As diligências resultaram na condução dos suspeitos à delegacia para prestar esclarecimentos sobre as circunstâncias do caso.
Ainda conforme o registro policial, a vítima teria sido arremessada da ponte por três pessoas sem que houvesse a conferência ou utilização do equipamento de segurança considerado indispensável para a atividade. Para os investigadores, os elementos reunidos até o momento indicam que os envolvidos assumiram o risco de provocar o resultado que levou à morte da jovem.
As autoridades também destacaram que o local possui histórico de ocorrências graves, incluindo registros anteriores com vítimas fatais. O caso segue em investigação para apurar responsabilidades e esclarecer todas as circunstâncias do acidente.
Everaldo Marques e o ex-jogador Denilson. Foto: Reprodução/TV Globo
A transmissão do empate entre Brasil e Marrocos pela Copa do Mundo registrou neste sábado (13) a pior audiência da história da Globo em jogos da seleção brasileira no torneio. Exibida entre 19h04 e 21h05, a partida disputada nos Estados Unidos alcançou média prévia de 30,74 pontos na Grande São Paulo, segundo dados obtidos pelo mercado televisivo. Com informaões do TV Pop.
O confronto também marcou a primeira partida da seleção em uma Copa do Mundo sem a narração de Galvão Bueno na Globo desde 1982. Nesta edição, o narrador passou a integrar a equipe do SBT, enquanto Everaldo Marques assumiu a transmissão do jogo pela emissora líder de audiência.
O resultado ficou abaixo do antigo recorde negativo da Globo em partidas do Brasil no Mundial. Até então, a menor audiência havia sido registrada em 12 de julho de 2014, quando a seleção perdeu para a Holanda na disputa pelo terceiro lugar da Copa do Mundo realizada no Brasil. Na ocasião, a emissora marcou 31,5 pontos na Grande São Paulo.
Durante a exibição de Brasil x Marrocos, a audiência da Globo atingiu pico de 31,75 pontos às 21h05. A emissora concentrou, em média, 49,08% dos televisores ligados na região metropolitana paulista, mantendo a liderança isolada entre todos os concorrentes.
Transmissão da CazéTV com Casemiro e o ex-jogador Romário. Foto: Reprodução/Youtube
As plataformas de streaming apareceram como a principal alternativa à transmissão da Globo. Considerando os televisores sintonizados na CazéTV, os serviços digitais registraram média de 11,36 pontos no mesmo período da partida. A emissora do YouTube, aliás, com seus 12 milhões de expectadores simultâneos, bateu o recorde mundial da plataforma.
O SBT também obteve um de seus melhores desempenhos na cobertura do torneio. Com Galvão Bueno à frente da transmissão, a emissora alcançou média de 8,07 pontos e pico de 10,64 pontos às 19h55. O resultado foi registrado pouco depois da separação da transmissão compartilhada com a N Sports.
Executivos da emissora avaliam que, após a consolidação dos números e considerando a audiência de plataformas não identificadas pelos sistemas de medição em tempo real, o SBT poderá atingir cerca de 12 pontos de média. Caso a projeção se confirme, o desempenho superará a audiência conquistada pela Band na estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014.
No Painel Nacional de Televisão, que reúne dados das 15 principais regiões metropolitanas do país, a Globo permaneceu na liderança com 31,85 pontos. Os serviços de streaming ficaram em segundo lugar com 11,51 pontos, seguidos pelos conteúdos não identificados, SBT, televisão por assinatura, Record, Band e RedeTV!, repetindo a mesma ordem observada na Grande São Paulo.
Maria Eduarda ao ser Impulsionada da ponte por integrantes das empresas responsáveis pela atividade. Foto: Reprodução
A investigação sobre a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump em Limeira (SP), revelou que dois dos envolvidos deixaram o local e se esconderam em uma área de mata após o acidente ocorrido neste sábado (13). Eles foram encontrados pela Polícia Militar com auxílio do helicóptero Águia.
A jovem morreu depois de ser lançada da Ponte do Esqueleto sem estar conectada à corda de segurança que deveria protegê-la durante a atividade. Ao todo, seis pessoas foram levadas à delegacia para prestar depoimento. Três permaneceram presas e são investigadas por homicídio com dolo eventual.
Segundo a Polícia Militar, um dos detidos atua como bombeiro civil. A Polícia Civil apura as circunstâncias que levaram ao acidente e busca esclarecer a responsabilidade de cada participante na operação do salto.
Vídeos gravados por testemunhas registraram o momento em que Maria Eduarda foi impulsionada da ponte por integrantes das empresas responsáveis pela atividade. As imagens mostram ainda a reação de pessoas que perceberam a ausência da corda logo após a jovem ser lançada.
Em uma das gravações, testemunhas demonstram desespero ao notar a falha de segurança. Os registros passaram a integrar o conjunto de elementos analisados durante a investigação.
A queda ocorreu de uma altura aproximada de 40 metros. Maria Eduarda sofreu múltiplos ferimentos e teve a morte constatada ainda no local pelas equipes de atendimento de emergência.
Após a repercussão do caso, os perfis das empresas Entre Cordas e Ih Voei foram retirados das redes sociais. Até o momento, representantes dos grupos não se manifestaram sobre o acidente.
Moradora de Jandira, na Grande São Paulo, Maria Eduarda tinha formação em Educação Física e gestão esportiva. Horas antes do salto, ela publicou imagens da visita à Ponte do Esqueleto. Conforme o boletim de ocorrência, a jovem utilizava uma câmera GoPro para registrar a experiência, mas o equipamento não foi localizado após a queda.
Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira, durante entrevista após a estreia do time na Copa. Reprodução
A ausência de Endrick no empate por 1 a 1 entre Brasil e Marrocos, neste sábado (13), pela primeira rodada do Grupo C da Copa do Mundo de 2026, virou um dos principais assuntos após a partida.
Diante de uma atuação pouco inspirada da Seleção, a decisão de Carlo Ancelotti de deixar o atacante no banco durante os 90 minutos gerou questionamentos entre torcedores e jornalistas.
Autor do gol da vitória brasileira sobre o Egito no amistoso da semana passada, o camisa 19 era apontado por muitos como uma alternativa para mudar o panorama de um time que teve dificuldades para criar chances diante dos marroquinos. Mesmo assim, Ancelotti optou por iniciar a partida com Igor Thiago no comando do ataque e lançou Matheus Cunha no segundo tempo.
Após o jogo, o treinador italiano foi questionado sobre a ausência de Endrick, mas evitou entrar no tema. Visivelmente incomodado e sem demonstrar disposição para aprofundar a análise da partida, Ancelotti afirmou que não comentaria desempenhos individuais.
🚨 URGENTE – Ancelotti é questionado por que não colocou o Endrick e diz que não está ali para falar de um jogador individualmente
“Não estou aqui para falar individualmente de jogadores. Falo do time, que não foi bem no primeiro tempo e melhorou no segundo. Tivemos algumas oportunidades e temos que acertar mais”, declarou.
O Brasil começou a partida em ritmo lento e viu o Marrocos abrir o placar com Saibari ainda no primeiro tempo. A equipe africana foi superior em boa parte da etapa inicial e explorou as dificuldades defensivas brasileiras. O empate veio graças a uma jogada individual de Vinícius Júnior, que marcou um belo gol e evitou uma derrota na estreia.
A resposta de Ancelotti, porém, dificilmente encerrará o debate. Com o ataque apresentando pouca efetividade e o treinador deixando uma das principais promessas do futebol brasileiro no banco durante toda a partida, a pressão sobre a comissão técnica tende a aumentar nos próximos dias.
A Seleção Brasileira volta a campo na próxima sexta-feira (19), às 21h30 (horário de Brasília), contra o Haiti, no Lincoln Financial Field, na Filadélfia. O último compromisso da fase de grupos será diante da Escócia, no dia 24.
Caroline von Rantzau e Arno Koën. Foto: apf/John T Essberger Gruppe e Arquivo Pessoal
A herdeira alemã Caroline von Rantzau, de 26 anos, foi encontrada morta com um disparo de arma de fogo em um alojamento de safári pertencente à sua família em Leeuwfontein, na África do Sul. O caso veio a público após a polícia local confirmar que a jovem morreu no local, contrariando informações divulgadas anteriormente sobre as circunstâncias da morte.
A ocorrência foi registrada no início de junho e ganhou novos desdobramentos após a revelação de que a morte aconteceu menos de 24 horas depois do assassinato de Arno Koën, de 44 anos, gerente financeiro e sócio dos negócios da família. Ele também foi morto a tiros na mesma propriedade.
Em um primeiro momento, comunicados divulgados pelo conglomerado marítimo alemão Deutsche Afrika-Linien (DAL) / John T. Essberger informaram que Caroline havia morrido em um acidente de carro em 1º de junho. A versão, no entanto, foi posteriormente descartada pelas autoridades sul-africanas responsáveis pela investigação.
As circunstâncias da morte passaram a ser analisadas após testemunhas relatarem ter ouvido dois disparos vindos do quarto ocupado pela jovem dentro da propriedade. Os depoimentos reforçaram as suspeitas em torno do caso e ampliaram o trabalho dos investigadores.
Segundo informações publicadas pelo jornal britânico Daily Mail, a principal hipótese considerada é que Caroline tenha sido atingida por um rifle de caça. A arma estaria armazenada no armário de armas de seu pai, Eberhart von Rantzau.
O alojamento do safari Leeuwfontein, na África do Sul. Foto: Divulgação/Leeuwfontein Safaris
O caso também chamou atenção por causa da relação entre a herdeira e Arno Koën. De acordo com o jornal alemão Bild, pessoas próximas relataram que o executivo exercia um papel importante na vida da jovem, sendo visto por ela como uma espécie de mentor e figura paterna.
A proximidade temporal entre as duas mortes levantou questionamentos sobre possíveis conexões entre os episódios. Até o momento, porém, as autoridades não divulgaram conclusões sobre a existência de vínculo entre os casos.
Em nota, o porta-voz da polícia sul-africana, Malesela Ledwaba, informou que os resultados da autópsia serão fundamentais para esclarecer as causas da morte de Caroline. O exame também deverá indicar se haverá necessidade de abertura de investigações envolvendo outras pessoas.
Vini Jr. comemora o gol de empate contra o Marrocos na estreia da Copa
A Seleção Brasileira estreou na Copa do Mundo de 2026 com um empate em 1 a 1 diante do Marrocos neste sábado (13), no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Em um confronto equilibrado e de muita intensidade física, os dois gols da partida saíram ainda na etapa inicial.
O Marrocos surpreendeu a defesa brasileira e abriu o placar com Saibari, após uma rápida transição ofensiva. O atacante recebeu um lançamento em profundidade, venceu a marcação na velocidade e demonstrou muita categoria ao encobrir o goleiro Alisson, que saiu muito mal.
A resposta da Seleção veio antes do intervalo. Principal referência técnica do ataque, Vini Jr. balançou as redes e deixou tudo igual, recolocando o Brasil no jogo.
Além dos gols, o primeiro tempo foi marcado por disputas ríspidas no meio-campo: Casemiro e Ibañez foram advertidos com cartão amarelo por faltas em El Aynaoui e Brahim Díaz, respectivamente, enquanto El Khannouss levou amarelo por parar Raphinha com falta. No segundo tempo, as equipes mantiveram a postura competitiva, mas o placar permaneceu inalterado.
O segundo tempo teve momentos de perigo para ambas as equipes, com Allison fazendo uma defesa importante no final. Sob forte calor, a etapa final teve ritmo mais lento do que os primeiros 45 minutos.
Carlo Ancelotti fez alguns gestos à beira do campo orientando um dos atacantes centrais da Seleção a se deslocar para os lados quando Vinícius Júnior recebia a bola. A movimentação parecia fazer parte de uma estratégia para atrair os defensores marroquinos para as laterais, criando espaços na região central do campo.
Como fica a situação no Grupo C?
Por se tratar da rodada de abertura do Grupo C, o resultado deixa a briga pelas vagas na próxima fase totalmente aberta. Veja o impacto do tropeço na estreia:
Tabela de pontos: Brasil e Marrocos somam 1 ponto cada um. A liderança ou a vice-liderança momentânea do grupo dependerá do saldo de gols e do resultado do outro confronto da chave, disputado entre Haiti e Escócia hoje às 22h (horário de Brasília).
Regulamento favorece: Com o formato de 48 seleções, avançam para o mata-mata (dezesseis-avos de final) os dois primeiros colocados de cada grupo, além dos oito melhores terceiros colocados gerais. Embora o empate tire a tranquilidade, o Brasil segue com chances claras de classificação.
Pressão por vitórias: O critério de desempate pode ser crucial. Para não depender de combinações de resultados ou da vaga como melhor terceiro, a Seleção Brasileira precisará buscar os três pontos nas próximas duas partidas.
Próximos jogos do Brasil
A Seleção Brasileira volta a campo na próxima semana para tentar garantir sua primeira vitória no Mundial:
Brasil x Haiti: Quinta-feira, 19 de junho
Escócia x Brasil: Terça-feira, 24 de junho
Ismael Saibari marcou o gol do Marrocos contra o Brasil
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, e o local do salto na Ponte do Esqueleto. Foto: Reprodução/Redes Sociais
A morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira, expôs uma sucessão de possíveis falhas de segurança que agora são investigadas pela Polícia Civil. Segundo informações preliminares da Polícia Militar, a jovem teria sido lançada da plataforma sem estar presa ao equipamento que deveria sustentá-la.
Em atividades de aventura com cordas, a primeira regra é simples: ninguém salta sem conferência completa do sistema. Normas de turismo de aventura, como a ABNT NBR ISO 21101, tratam da necessidade de gestão de segurança, identificação de riscos e aplicação de processos para reduzir acidentes.
O primeiro erro possível foi a ausência de conexão efetiva da vítima à corda principal. Se a jovem foi arremessada sem o equipamento preso ao corpo, como relatado preliminarmente, a barreira mais básica de segurança falhou antes mesmo do salto.
O segundo erro foi a aparente falta de dupla checagem. Em atividades com corda, o procedimento seguro exige que mais de uma pessoa confira arnês, mosquetões, nós, trava, ancoragem e linha de salto antes da liberação. Checklists técnicos de atividades verticais recomendam inspeção de corda, arnês, conectores e ancoragens antes de cada descida ou operação.
O terceiro ponto é a falta de comando claro para autorizar o salto. Em operação segura, uma pessoa deve ser responsável por dar a ordem final apenas depois da confirmação verbal e visual de que todos os sistemas estão conectados. Se ninguém soube dizer quem deveria prender ou conferir Maria Eduarda, houve falha grave de cadeia de comando.
O quarto erro possível foi a ausência de redundância. Em atividades de risco, especialmente em altura, sistemas de proteção costumam trabalhar com linhas, travas ou pontos de segurança independentes para evitar que uma única falha produza queda fatal. A NR-35, usada como referência para trabalho em altura, define equipamentos destinados a deter quedas e prevê medidas de controle quando houver risco à integridade física.
O quinto erro foi não interromper a operação diante de dúvida. Se os próprios envolvidos disseram à polícia que estão “desnorteados” e não sabem explicar o que ocorreu, isso indica que o procedimento não tinha travas suficientes para impedir uma liberação insegura. Em protocolos de risco, dúvida operacional é condição para parar tudo.
O sexto erro possível foi a falta de controle da área e da plataforma. Um participante não deve chegar ao ponto de salto sem estar equipado, conectado e identificado como pronto. A gestão de segurança em turismo de aventura exige processos organizados para controlar riscos antes, durante e depois da atividade
O sétimo erro foi a aparente ausência de resposta preventiva eficaz, apesar do histórico de risco no local. A Ponte do Esqueleto já havia sido alvo de pedidos de bloqueio e sinalização após outra morte. Mesmo assim, atividades voltaram a ocorrer na estrutura. A tragédia indica que não bastava haver corda, instrutor e propaganda: era preciso haver método, fiscalização e uma sequência rígida de checagens que impedisse exatamente o que aconteceu.
O pré-candidato a presidência, Renan Santos. Foto: Divulgação/Luiz Rebelato
A Justiça de São Paulo negou um pedido de Renan Santos, líder do MBL e pré-candidato à Presidência pelo Missão, para que plataformas como X e Instagram removessem uma publicação feita por JR Freitas, líder de motoboys e pré-candidato a deputado estadual pelo PSol.
No post, Freitas publicou trecho de um boletim de ocorrência em que uma mulher relata ter sido vítima de assédio por Renan. O dirigente do MBL nega a acusação e afirma ter sido absolvido no caso. Nos autos, ele apresentou certidões para demonstrar que não possui antecedentes criminais.
Renan alegou à Justiça que era alvo de uma campanha de difamação. Também afirmou que Freitas teria omitido deliberadamente a informação de que ele foi absolvido e divulgado documento que, segundo a defesa, era sigiloso.
Olha o B.O aberto contra o candidato do MBL a presidência da República. Segundo o Renan Santos, isso é invenção da cabeça da garota. pic.twitter.com/PbP6xVTQME
O juiz Fabio Evangelista de Moura, da 45ª Vara Cível de São Paulo, rejeitou o pedido. Na decisão, o magistrado afirmou que a retirada de manifestações em redes sociais é uma medida excepcional e só deve ocorrer diante de clara violação de direitos.
O magistrado também entendeu que a publicação do boletim de ocorrência, por si só, não significa imputação direta de crime ao líder do MBL. Ele ressaltou que Renan, por ser figura pública, tem esfera de proteção à intimidade e à vida privada mais limitada, sem perder proteção contra conteúdos evidentemente falsos.
JR Freitas ganhou projeção em São Paulo durante a disputa sobre a regulamentação do serviço de mototáxi. Ele liderou mobilizações de entregadores e motoboys e atuou como interlocutor da categoria em debates com o governo federal sobre trabalho por aplicativo.
Em maio, Freitas participou de evento com Lula no lançamento de uma linha de crédito para motoristas de aplicativo. O motoboy é apontado como uma das apostas do PSol para a disputa à Assembleia Legislativa de São Paulo.
Carla Zambelli e o jornalista Luan Araújo. Foto: Reprodução
Alexandre Frota, ex-deputado federal e atual vereador em Cotia, se ofereceu para pagar a multa de R$ 2.216,30 imposta ao jornalista Luan Araújo, condenado pela Justiça de São Paulo por difamação contra Carla Zambelli. A oferta foi feita após a pena pecuniária ser convertida em prisão pelo juiz José Fernando Steinberg.
Luan foi perseguido por Carla Zambelli em outubro de 2022, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, quando a então deputada federal sacou e apontou uma arma em sua direção em São Paulo. Depois do episódio, o jornalista publicou um texto relatando o caso e criticando a bolsonarista.
Em uma postagem de Luan sobre a conversão da multa em pena privativa de liberdade, Frota comentou: “Vamos pagar a multa. Se quiser, pede ao advogado para me ligar”.
A defesa de Luan afirmou que pedirá habeas corpus na segunda-feira (8). O advogado Renan Bohus disse que já havia informado à Justiça que o jornalista não tem condições financeiras de pagar o valor integral da multa e havia requerido o parcelamento da obrigação.
Print da mensagem de Frota a Luan Foto: Reprodução
Em nota, a defesa afirmou que causa estranheza o indeferimento do pedido e a conversão da sanção em prisão, mesmo diante da alegação de incapacidade econômica. “Entendemos que a pobreza não pode ser tratada como motivo para encarceramento”, diz o texto.
Carla Zambelli foi condenada pelo STF a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo no episódio envolvendo Luan. A ex-deputada também responde a processo de extradição na Itália relacionado a essa condenação.
No mês passado, Zambelli deixou a prisão na Itália após a Justiça do país anular sua extradição ao Brasil no processo em que foi condenada por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça. Ela estava presa desde julho de 2025 em um presídio nos arredores de Roma.
Na semana passada, durante o 5º Fórum Esfera Brasil, o apresentador Luciano Huck atacou o Bolsa Família. Segundo ele, o programa falha em estimular a saída da pobreza e acaba criando uma “dependência eterna”. Huck afirmou que o uso de tecnologia e inteligência artificial poderia tornar a política pública mais eficiente na promoção da mobilidade social.
No último dia 4, o apresentador desembarcou em Paris com a mulher, Angélica, e publicou em suas redes sociais uma série de vídeos da viagem.
Só esse cafezinho que o Luciano Huck está tomando em Paris custa os mesmos 600 reais do Bolsa Família que ele acha ruim que as pessoas recebem. pic.twitter.com/lHJKDMY9Ls
Em uma das gravações, ele aparece jantando no restaurante Langosteria, localizado no luxuoso Hôtel Cheval Blanc, um dos endereços mais exclusivos da capital francesa.
O vídeo mostra o menu personalizado com o nome de Luciano Huck. Entre os itens servidos estavam:
Crudo Langosteria (crudo de peixe com tomate, alcaparras e rúcula);
Brittany lobster “spicy blue” (lagosta da Bretanha com chilli fermentado);
Black grouper chateaubriand (garoupa negra acompanhada de berinjela e molho agridoce);
Paccheri with sea bass (massa paccheri com robalo, azeitonas, alcaparras e amlfi lemon);
Sorbets de morango e limão cedra;
Tartelettes de morango, framboesa e tiramisù;
Vinho branco Thierry Violot-Guillemard 2018;
Vinho tinto Aloxe-Corton Premier Cru Les Fournières 2019.
Menu personalizado para Huck do restaurante Langosteria, em Paris. Foto: Reprodução/Instagram (@lucianohuck)
A Langosteria ocupa o sétimo andar do Cheval Blanc Paris, instalado no histórico edifício da antiga La Samaritaine.
O restaurante é conhecido pela vista para a Torre Eiffel e pela culinária italiana de alto padrão. As reservas costumam ser disputadas e, segundo informações do hotel, é recomendável agendar mesas com semanas de antecedência.
De acordo com valores divulgados pelo restaurante, uma refeição para duas pessoas pode chegar a cerca de 504 euros, o equivalente a mais de R$ 3 mil na cotação atual.
Em outro vídeo publicado por Huck, Angélica aparece escolhendo produtos em uma farmácia parisiense. Enquanto a filma, o apresentador pergunta: “Está feliz? Está na Disney?”.
A Angélica e o Luciano Huck nunca pisam em uma farmácia no Brasil, mas acham chique ir a uma farmácia em Paris. Isso diz muito sobre a elite brasileira que acha que o Brasil é inferior e não é bom o suficiente para eles. pic.twitter.com/mb9QPQ4FMw
O presidente Lula em encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O governo brasileiro deve manter a cooperação já existente com os Estados Unidos no combate ao crime organizado após a decisão de Donald Trump de classificar o PCC e CV como organizações terroristas. Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto também descartam a possibilidade de uma ação militar estadunidense em território brasileiro em ano eleitoral.
Segundo o Valor, a avaliação no governo Lula é que a designação tem mais peso político do que efeitos práticos no enfrentamento às facções. Interlocutores do Planalto afirmam que Brasil e Estados Unidos já mantêm cooperação ampla em investigações, troca de informações e combate a redes criminosas.
Na leitura desses integrantes do governo, a medida não decorre de uma mudança recente no cenário de segurança pública nem de algum fato novo que justificasse alteração na atuação conjunta entre os dois países. A decisão foi oficializada nesta sexta-feira (5) pelo governo Trump.
A principal preocupação do Planalto está nos efeitos indiretos da classificação. Como a designação enquadra as facções no escopo da legislação antiterrorismo estadunidense, ela pode ampliar o espaço para iniciativas unilaterais dos Estados Unidos em temas de segurança e sistema financeiro internacional.
Distribuição do PCC (azul) e do CV (vermelho) no território brasileiro em 2025. Foto: Divulgação/Fórum Nacional de Segurança Pública
Na prática, interlocutores do governo avaliam que a medida aumenta a vulnerabilidade do Brasil a pressões externas sem gerar ganhos concretos no combate ao crime organizado. A preocupação envolve possíveis sanções, restrições financeiras e impactos sobre empresas ou instituições que venham a ser associadas a pessoas ligadas às facções.
Mesmo assim, a hipótese de ação militar dos Estados Unidos no Brasil é tratada como remota. A avaliação no Planalto é que não há justificativa concreta para uma iniciativa desse tipo e que uma operação dessa natureza criaria uma crise diplomática em meio ao calendário eleitoral.
O governo Lula deve insistir na linha de cooperação policial e judicial, sem aceitar efeitos automáticos da classificação feita por Washington sobre a legislação brasileira. A posição interna é que facções criminosas devem continuar sendo enfrentadas com inteligência, investigação financeira, controle de fronteiras e integração entre autoridades, não por enquadramento externo imposto por outro país.
Marinheiros recebem o presidente Lula em visita ao Complexo Naval de Itaguaí (RJ), em 2023. Foto: Ricardo Stuckert/PR
A Marinha lançou uma campanha institucional com foco na defesa da soberania nacional em meio a cortes no orçamento das Forças Armadas. O vídeo, divulgado para marcar o Dia da Marinha, comemorado em 11 de junho, afirma que o cenário geopolítico exige “capacidades navais compatíveis com a proteção da soberania nacional”.
A peça tem como eixo a Amazônia Azul, área marítima sob jurisdição brasileira que concentra rotas comerciais, estruturas de exploração de petróleo, cabos submarinos, recursos biológicos e minerais. A Marinha afirma que 97% das importações e exportações do Brasil passam pelo mar e pelos portos.
O Alto Comando da Marinha avalia que a população ainda conhece pouco o papel da Força na proteção do mar territorial e das riquezas ligadas ao Atlântico Sul. O vídeo institucional apresenta equipamentos como o navio-aeródromo Atlântico, fragatas da classe Tamandaré e submarinos da classe Riachuelo.
A campanha também ocorre em momento de restrição orçamentária. O governo determinou contenção de R$ 31,3 bilhões para cumprir a meta fiscal, e o Ministério da Defesa foi a pasta mais atingida, com R$ 4,4 bilhões retidos. A manutenção de projetos estratégicos, como o Programa de Submarinos, virou prioridade no comando da Marinha.
O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou nesta semana que a frota das Forças Armadas vem envelhecendo. “Daqui a pouco vai ter marinheiro sem navio, aviador sem avião e soldado do Exército sem equipamento para lutar”, disse ele, ao defender investimentos na área.
Oficiais ouvidos pelo Correio também associam o alerta de soberania ao cenário internacional. A pressão do governo Donald Trump por negociações envolvendo petróleo, terras raras e tarifas sobre produtos brasileiros acendeu preocupação entre militares sobre a proteção de recursos estratégicos.
A Marinha afirma que fortalecer a consciência marítima da sociedade é parte da defesa nacional. O vice-almirante Vagner Belarmino de Oliveira, diretor do Centro de Comunicação Estratégica da Força, disse que a segurança energética, parte da economia e infraestruturas relevantes dependem da estabilidade do ambiente marítimo.
Pesquisa do Centro de Pesquisas Pew, dos EUA, sobre a rejeição crescente a Israel
Uma pesquisa internacional realizada pelo Pew Research Center revela que a imagem de Israel continua se deteriorando em grande parte do mundo e que a confiança no primeiro-ministro Benjamin Netanyahu segue em queda.
O levantamento foi realizado entre 8 de fevereiro e 13 de maio de 2026 em 36 países, incluindo Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Argentina, México, Colômbia e África do Sul.
O Pew Research Center é um dos principais institutos independentes de pesquisa dos Estados Unidos, especializado em estudos de opinião pública, tendências sociais, política, religião e relações internacionais. Seus levantamentos são frequentemente utilizados por universidades, governos, meios de comunicação e centros de pesquisa em diversos países.
Segundo o estudo, a mediana global mostra que 67% dos entrevistados têm uma opinião desfavorável de Israel, enquanto apenas 25% manifestam uma visão favorável.
Os índices mais negativos aparecem em países de maioria muçulmana, como Bangladesh, Indonésia, Malásia, Paquistão e Turquia, além da Cisjordânia e Jerusalém Oriental. O levantamento não incluiu a Faixa de Gaza devido às condições de terra arrasada.
A pesquisa também identificou níveis elevados de rejeição em praticamente toda a Europa. Na Itália, na Holanda e na Espanha, cerca de metade da população ou mais declarou ter uma visão “muito desfavorável” de Israel. Em contrapartida, alguns dos resultados mais positivos foram registrados em países da África Subsaariana.
Os dados indicam ainda uma diferença geracional significativa. Em vários países da América do Norte e da Europa, os jovens demonstram opiniões mais negativas sobre Israel do que os grupos mais velhos. Na Hungria, por exemplo, 72% das pessoas entre 18 e 34 anos têm visão desfavorável do país, contra 45% entre aqueles com 50 anos ou mais.
O recorte ideológico também mostra uma divisão expressiva. Em diversos países, eleitores identificados com a esquerda apresentam avaliações muito mais negativas de Israel do que aqueles posicionados à direita. Nos Estados Unidos, 83% dos liberais têm opinião desfavorável sobre Israel, contra 37% dos conservadores. Diferenças semelhantes foram registradas na Austrália, Espanha, França, Suécia, Canadá, Alemanha, Holanda, Itália, Brasil e Colômbia.
Segundo o levantamento, 52% dos brasileiros têm uma visão desfavorável do país, enquanto 33% expressam uma opinião favorável. Entre os que avaliam Israel negativamente, 13% afirmam ter uma opinião “muito desfavorável” e 39% uma opinião “um pouco desfavorável”. Já entre os que veem o país de forma positiva, 28% manifestam uma opinião “um pouco favorável” e apenas 5% dizem ter uma visão “muito favorável”.
O resultado coloca o Brasil entre os países latino-americanos onde predominam avaliações negativas sobre Israel, ao lado de Chile (60%), México (59%), Colômbia (56%) e Argentina (55%).
A percepção internacional sobre Israel piorou em relação ao ano passado. Entre os 24 países onde havia dados comparáveis, 13 registraram aumento estatisticamente significativo das opiniões negativas. Na Argentina, por exemplo, a parcela da população com visão desfavorável passou de 46% em 2025 para 55% em 2026. Crescimentos também foram observados na Austrália, Itália, Nigéria, Polônia e Reino Unido.
O estudo aponta igualmente uma deterioração da imagem de Benjamin Netanyahu. Em grande parte dos países pesquisados, a maioria dos entrevistados declarou ter pouca ou nenhuma confiança no premiê israelense para lidar com assuntos internacionais.
Mais da metade da população em países como Canadá, França, Alemanha, Itália, Espanha, Suécia, Austrália, Indonésia, Malásia, Paquistão e Reino Unido afirmou não confiar de forma alguma no líder israelense.
Apenas dois países apresentaram maioria favorável a Netanyahu: Quênia e Filipinas. Nos demais, os índices de desconfiança predominam. Assim como ocorre com a imagem de Israel, jovens e pessoas identificadas com a esquerda tendem a expressar avaliações mais negativas do primeiro-ministro.
A confiança em Netanyahu também caiu em 13 dos 24 países onde o instituto possui dados comparativos. A Coreia do Sul registrou a maior mudança: 76% dos entrevistados afirmam agora ter pouca ou nenhuma confiança no premiê israelense, ante 64% no ano anterior. Na Itália, a parcela dos que dizem não confiar de forma alguma em Netanyahu subiu de 45% para 62% em apenas um ano.
A pesquisa foi realizada após o início da campanha militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã, lançada em 28 de fevereiro, e em meio à continuidade do genocídio na Faixa de Gaza, fatores que ajudam a contextualizar a evolução dos resultados observados pelo instituto.
Apesar de aparecer numericamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial no Rio de Janeiro, a nova pesquisa Prefab Future revela sinais preocupantes para o senador Flávio Bolsonaro. Os dados apontam crescimento da rejeição ao bolsonarista, perda de terreno em relação a levantamentos anteriores e dificuldade para transferir votos a aliados nas disputas estaduais.
Segundo a pesquisa, realizada entre 1º e 4 de junho com 2.200 entrevistas presenciais, Lula registra 31,9% das intenções de voto para presidente, enquanto Flávio aparece com 31,8%. Embora o resultado represente empate técnico, a série histórica do instituto mostra trajetórias opostas: Lula está em crescimento no estado, enquanto Flávio vem perdendo apoio ao longo dos últimos meses e explodiu após os áudios ligados a Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master.
Outro dado negativo para o senador é a rejeição. Flávio Bolsonaro alcança 33,3% de rejeição e o índice vem aumentando sucessivamente, de acordo com o levantamento. Embora Lula ainda tenha a maior rejeição do cenário, com 43,7%, o petista apresenta tendência de queda, enquanto o filho do ex-presidente segue na direção contrária.
A pesquisa também sugere que a força eleitoral de Flávio não está se convertendo em apoio aos candidatos associados ao seu campo político. Na disputa pelo governo estadual, o deputado estadual Douglas Ruas aparece com apenas 8%, muito distante dos 35,8% obtidos pelo prefeito Eduardo Paes, líder isolado da corrida ao Palácio Guanabara.
No Senado, a situação é semelhante. Nenhum dos nomes identificados com a direita consegue assumir protagonismo. A liderança pertence à deputada federal Benedita da Silva, com 12,1%, seguida por Marcelo Crivella, com 9,5%, e Márcio Canella, com 9,2%.
O coordenador da pesquisa, Mario Marques, chamou atenção para a dificuldade dos aliados do bolsonarista em capitalizar sua candidatura. Segundo ele, “tanto Douglas Ruas quanto os candidatos à direita no Senado não estão conseguindo se estabelecer nesse momento da disputa na associação com Flávio”.
O levantamento mostra ainda que a disputa presidencial está longe de ser confortável para o senador. Embora lidere numericamente a pesquisa espontânea por uma diferença mínima — 24,2% contra 24,0% de Lula —, o crescimento da rejeição e a perda de apoio registrada na série histórica indicam um cenário de desgaste para o principal nome do clã Bolsonaro no estado que sempre foi considerado seu principal reduto eleitoral.
Registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número RJ-01716/2026, a pesquisa tem margem de erro de 2,09 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Paes lidera corrida ao Palácio Guanabara
Na disputa pelo governo do estado, Eduardo Paes aparece isolado na liderança com 35,8% das intenções de voto. Em segundo lugar surge Douglas Ruas, com 8%, seguido de perto por Anthony Garotinho, que registra 7,8%. Wilson Witzel aparece com 3,7%, enquanto os demais candidatos não ultrapassam a marca de 3%.
Segundo o instituto, a entrada de Garotinho na disputa altera a dinâmica eleitoral, especialmente entre eleitores de baixa renda e moradores do interior do estado. Apesar da liderança confortável, Paes ainda não ultrapassa os 40%, patamar considerado importante para consolidar uma vantagem mais robusta.
Os índices de rejeição nesse cenário são relativamente próximos: Paes tem 18,5%, Garotinho 16,5% e Witzel 15,1%.
Senado segue indefinido
A corrida ao Senado é apontada pelo instituto como a mais aberta entre todas as disputas analisadas. Com a retirada do ex-governador Cláudio Castro do cenário eleitoral, a deputada federal Benedita da Silva assumiu a liderança com 12,1%. Logo atrás aparecem Marcelo Crivella, com 9,5%, e Márcio Canella, com 9,2%. Pedro Paulo registra 5,6% e Waguinho aparece com 5,2%.
O principal destaque é o elevado grau de indefinição do eleitorado. Na pesquisa estimulada, 30,9% afirmam ainda não saber em quem votar. Na espontânea, o percentual de indecisos salta para 88,5%.
O coordenador da pesquisa, Mario Marques, afirmou que “tanto Douglas Ruas quanto os candidatos à direita no Senado não estão conseguindo se estabelecer nesse momento da disputa na associação com Flávio”.
Governador interino é pouco conhecido
A pesquisa também avaliou a administração do governador interino Ricardo Couto. O resultado mostra que 55,5% dos entrevistados afirmam não ter opinião formada sobre o governo. Entre os que responderam, 38% aprovam a gestão e apenas 6,5% desaprovam.
O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número RJ-01716/2026, tem margem de erro de 2,09 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
O senador e pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro. Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo
A queda de Flávio Bolsonaro nas pesquisas no Sudeste virou motivo de preocupação entre aliados do Zero Um. A avaliação no entorno do pré-candidato do PL é que um nome enfraquecido na disputa presidencial terá dificuldade para impulsionar palanques estaduais em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três maiores colégios eleitorais do país.
Segundo a Coluna do Estadão, pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou que Flávio Bolsonaro caiu de 41,2% para 30,7% no Sudeste entre abril e maio. No mesmo período, Lula avançou na região, considerada estratégica para qualquer candidatura presidencial.
O Rio de Janeiro é apontado como um dos principais focos de tensão. O estado é o berço político da família Bolsonaro, mas o palanque local do PL é descrito por bolsonaristas como “totalmente bagunçado”. O candidato ao governo é Douglas Ruas, que ainda busca se tornar conhecido e carrega o desgaste de ter integrado a gestão Cláudio Castro.
Castro desistiu de disputar o Senado após ser atingido por duas operações da Polícia Federal. As investigações apontaram relações entre o ex-governador e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, caso que já provocou danos políticos à pré-campanha de Flávio Bolsonaro.
Jair Bolsonaro deve definir nos próximos dias quem substituirá Castro na composição ao Senado. Entre os nomes avaliados estão Sóstenes Cavalcante, Carlos Jordy e Carlos Portinho. A escolha é tratada como peça central para tentar reorganizar o palanque fluminense.
Em Minas Gerais, a situação também é indefinida. O senador Cleitinho, do Republicanos, lidera pesquisas recentes, mas ainda não confirmou se será candidato ao governo. Um aliado de Flávio Bolsonaro disse ao Estadão que Cleitinho “só sabe ser pedra, não sabe ser vidraça”, em referência ao risco de ele não sustentar uma candidatura majoritária.
A preocupação da direita é que a perda de força de Flávio Bolsonaro no Sudeste reduza sua capacidade de organizar alianças e transferir votos. A região concentra estados decisivos e, no caso do Rio, expõe um problema adicional: a família Bolsonaro enfrenta desgaste justamente em seu principal território político.
O pré-candidato ao entreguismo, “Tariflávio” Bolsonaro. Foto: Reprodução
A narrativa do “Tariflávio” dominou o debate nas redes sociais sobre o tarifaço dos Estados Unidos e a ofensiva contra o Pix, ampliando a pressão sobre a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Segundo dados do Instituto Democracia em Xeque, as menções que atribuem culpa ao senador pelas tarifas foram quase dez vezes maiores que as que responsabilizam Lula.
O relatório aponta que a narrativa do tarifaço ou “Tariflávio” concentrou 563,1 mil publicações e 4,7 milhões de interações. A tentativa de atribuir a culpa a Lula alcançou 58,9 mil publicações e 606,4 mil interações.
Para os pesquisadores, a diferença mostra que a responsabilização da família Bolsonaro engajou com mais força a conversa pública. A associação reuniu três elementos: a tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos, o ataque ao Pix e a aproximação entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump, lida por críticos como uma ação contra interesses nacionais.
Gráfico mostra o número de publicações com os termos “Tariflávio” e “Culpa do Lula”. Foto: Instituto Democracia em Xeque
A crise ganhou novo fôlego após Eduardo Bolsonaro falar sobre o Zelle, sistema de transferências dos Estados Unidos, em entrevista à TMC News. Questionado sobre se o Pix estava ameaçado, ele afirmou que o Brasil poderia levar o Zelle à mesa de negociação com os estadunidenses.
“Agora, os EUA têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como, por exemplo, o Zelle, que é o Pix dos EUA. Então dá para você ir a uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos. Dá para você sentar, dá para negociar”, declarou Eduardo Bolsonaro.
🚨VEJA – Eduardo Bolsonaro diz que os EUA tem o Zelle e afirma que então da para ir para negociação com bons argumentos
"Os EUA têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, por exemplo o Zelle (…) Então dá pra você ir pra uma mesa de negociação com com bons argumentos” pic.twitter.com/KMNbv91Gqk
A declaração foi criticada por quem entendeu que o ex-deputado sugeria flexibilizar o Pix diante da pressão de Washington. No dia seguinte, Eduardo Bolsonaro tentou se explicar e afirmou que citou o Zelle para argumentar aos Estados Unidos que não haveria problema no Pix, já que os estadunidenses também têm plataformas semelhantes.
A fala gerou incômodo dentro do próprio PL. Uma pessoa da cúpula do partido disse ao Estadão que a declaração foi um “desastre”. Outra pessoa ligada à campanha avaliou que o comentário “pode atrapalhar muito” se não for bem explicado.
Flávio Bolsonaro já vinha tentando se defender do tarifaço anunciado poucos dias após seu encontro com Trump na Casa Branca. Depois da fala do irmão, o senador passou a defender publicamente o Pix e afirmou que o sistema “é do Brasil” e “é do Bolsonaro”, por ter sido implementado durante o governo Jair Bolsonaro.
Imagem ilustrativa gerada com Inteligência Artificial. Foto: Reprodução
A Polícia Federal encontrou elementos que indicam um repasse de R$ 22 milhões de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a um parente de um figurão da República. Segundo a coluna Radar, da Veja, o novo negócio é mantido sob sigilo para não prejudicar a investigação.
A apuração ocorre dentro do caso Master, que investiga pagamentos milionários de Vorcaro a figuras ligadas ao Judiciário. O inquérito também mira o uso de festas, viagens e eventos privados como parte de um suposto esquema de lobby e corrupção.
As festas organizadas por Vorcaro para políticos, modelos internacionais e autoridades da República incluíam “presentinhos” aos convidados. Entre eles, segundo a revista, estavam chocolates em formato de coração e cogumelos mágicos triturados.
O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Foto: Victor Moriyama/Bloomberg
Não se sabe quem recebeu os presentes nem quais autoridades participaram dos eventos citados. Também não informa a identidade do parente que teria recebido os R$ 22 milhões nem o nome do “figurão da República” ligado ao novo repasse sob apuração.
O caso Master já havia revelado a proximidade de Vorcaro com integrantes da política, do Judiciário e do mercado financeiro. As investigações tentam mapear se pagamentos, eventos de luxo e relações pessoais foram usados para obter influência e proteção institucional.
O Banco Master virou alvo de apurações após suspeitas sobre operações financeiras, repasses e relações com autoridades. A Polícia Federal também investiga se recursos ligados ao grupo foram usados em contratos e articulações políticas.
Qualquer pessoa que acompanha minha coluna no UOL nos últimos 16 anos sabe que considero o fim da escala 6×1 uma tardia reparação civilizacional. Dito isso, acho justa uma saudação aos 22 deputados que atacaram por meses a proposta e, na hora H, tiveram a coragem e a coerência de votar contra.
Ressaltaram, dessa forma, o oportunismo de colegas que até então estavam ombro a ombro com eles, mas resolveram fazer parte da massa dos 472 votos a favor por medo da verdade da urna eletrônica. Ou seja, de não serem reeleitos em outubro diante de uma pauta que tem apoio de 7 entre cada 10 eleitores.
Sim, tigrão no vídeo do Insta, para o gozo de parte do patronato; tchutchuca na hora do voto, diante da raiva de quem não consegue ver os filhos crescerem porque trabalha seis dias por semana. Não à toa, parte da direita e da extrema direita que foram coerentes com sua posição está indignada com os colegas.
Pondere-se, entretanto, que uma parte desses 22 nem poderia fazer diferente. Eles representam aqueles 2 em cada 10 brasileiros que são contra a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais e da escala de 6×1 para 5×2.
Considerando que a Câmara tem 513 deputados, seria de se esperar ao menos 102 votos defendendo a manutenção da 6×1, portanto? Na verdade, não, porque são poucos os parlamentares que possuem eleitorado que pensa de forma quase uniforme sobre uma ampla gama de temas. São normalmente parlamentares mais radicais. Tanto que as pesquisas mostram que o fim da 6×1 tem apoio considerável entre bolsonaristas e a direita não-bolsonarista. O que mostra que o fato de serem trabalhadores, e entenderem a situação, fala mais alto que outros posicionamentos ideológicos.
O plenário da Cãmara dos Deputados. Foto: Kayo Magalhães/Agência Câmara
Quando a redução da escala começou a tomar corpo, escrevi aqui que a questão é colocar o tema em votação, pois, uma vez no plenário, a maior parte dos parlamentares votaria a favor da mudança porque não é suicida. Contudo, o placar de 472 votos foi bem mais elástico do que qualquer pessoa imaginava, inclusive no governo, mostrando o tamanho do medo eleitoral e as proporções que o tema tomou.
Ou seja, #ficadica para o Senado Federal, que, agora, tenta aplicar o golpe da PRC das Horas Trabalhadas, anulando o ganho com o fim da escala 6×1.
Isso me lembra uma história sobre ser tigrão e tchutchuca.
Em novembro de 2020, o então presidente Jair Bolsonaro disse que, enquanto deputado federal, havia votado contra o confisco de propriedades rurais e urbanas de quem escravizou trabalhadores. Queria agradar parte de sua base, composta também pelo naco anacrônico do agronegócio. Contudo, os registros da Câmara dos Deputados mostram que ele votou a favor da proposta no primeiro turno, em 2004, e estava ausente no segundo, em 2012.
Naquele primeiro turno, todos os partidos e bancadas recomendaram a aprovação da emenda, e 326 deputados votaram a favor. Mesmo com a orientação, dez parlamentares se posicionaram contra, a maioria ruralistas. Discordo deles, mas foram coerentes. Bolsonaro, não: evitou deixar as digitais contra a PEC do Trabalho Escravo, da qual era contrário.
Talvez confiasse que seus seguidores não se importam com os fatos, apenas com as palavras que saem de sua boca, podendo, assim, sustentar a contradição com base na mentira.
Uma biomédica identificada como Nahe Rhayane viveu uma situação constrangedora durante uma mentoria promovida pelo grupo Natalia Beauty, empresa fundada pela empresária e influenciadora Natalia Martins. O episódio aconteceu na sexta-feira (29) e ganhou grande repercussão nas redes sociais após a divulgação de um vídeo gravado durante o evento.
Nas imagens, Nahe Rhayane relata que foi convidada a participar da mentoria e aproveitou um momento de perguntas para questionar quais seriam os diferenciais do programa em relação a outras mentorias oferecidas no mercado. Ela destacou que existem diversos profissionais que também atuam na área e perguntou o que tornaria a proposta da Natalia Beauty única para os participantes.
Inicialmente, um dos apresentadores do evento respondeu afirmando que nenhuma outra mentoria do setor alcançava os mesmos resultados e números da chamada “Circle”, programa da empresa. No entanto, a resposta foi interrompida por Natalia Martins, que afirmou que a participante estaria apenas tentando causar polêmica e declarou que ela não fazia parte do perfil desejado para o grupo.
A gravação rapidamente se espalhou pelas redes sociais e gerou debate entre internautas sobre a forma como a pergunta foi recebida durante o encontro.
E esse vídeo que tá rolando na rede vizinha, dessa tal Natalia Beauty humilhando uma biomédica que fez uma simples pergunta em um evento? pic.twitter.com/Trrqerr8xj
Na legenda das publicações, Nahe Rhayane classificou o episódio como “o pior dia da vida” e afirmou ter se sentido humilhada pela reação àquilo que considerou uma pergunta simples e legítima.
Após a repercussão do caso, Natalia Martins se manifestou nos comentários de uma página que compartilhou o vídeo. Segundo a empresária, a biomédica teria aproveitado a situação para ganhar visibilidade nas redes sociais.
Ciro Gomes (PSDB). Foto: José Cruz/Agência Brasilvci
O pré-candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), defendeu neste domingo (31) sua aproximação com lideranças bolsonaristas no estado e afirmou que os aliados “dele” são diferentes dos bolsonaristas ligados ao grupo adversário. A fala foi dada em Barbalha, durante a tradicional missa de bênção da bandeira de Santo Antônio.
Questionado sobre críticas do senador Camilo Santana (PT), que disse que Ciro estaria se aliando a bolsonaristas, o ex-governador respondeu com uma distinção direta. “Sabe qual é a diferença? Que os meus bolsonaristas são todos homens honrados, limpos. Nenhum deles é picareta”, declarou.
Política no Ceará.🔥 🔥
Ao ser entrevistado, Ciro Gomes disse que os bolsonaristas dele são todos homens honrados. pic.twitter.com/kuN8dLTOmd
Ciro afirmou que decidiu procurar lideranças de oposição no Ceará porque, segundo ele, o grupo governista passou a “reinar, mandar e desmandar” no estado. O tucano disse que sua articulação tem como objetivo reunir forças contra o PT e “livrar o Ceará desta ditadura corrupta que está implantada aqui”.
Entre os nomes citados por Ciro está Capitão Wagner, adversário histórico dos Ferreira Gomes. O ex-ministro disse que procurou o aliado do PL, reconheceu ataques antigos e pediu desculpas publicamente. “Eu não queria nem ouvir falar no Capitão Wagner, só porque ele era adversário do meu irmão Cid, e eu cegamente atacava”, afirmou.
Ciro também citou Roberto Cláudio, ex-prefeito de Fortaleza, e André Fernandes (PL), que quase venceu a eleição municipal na capital cearense. Segundo ele, embora tenha votado em José Sarto no primeiro turno, o crescimento de André Fernandes mostrou a força de uma oposição reorganizada.
Bolsonaristas André Fernandes e Roberto Cláudio. Foto: Dalila Lima/O Estado
A aproximação com o bolsonarismo é hoje um dos pontos mais sensíveis da tentativa de Ciro de voltar ao governo estadual. Segundo a Veja, faixas espalhadas por Fortaleza passaram a chamá-lo de “Cironaro”, numa referência à aliança com nomes do PL. A estratégia busca transformar a ligação com bolsonaristas em munição para PT, Camilo Santana e Elmano de Freitas.
Ciro tenta reativar sua imagem de gestor no Ceará, onde governou de 1991 a 1994 e construiu parte de sua base política. A dificuldade é conciliar esse capital histórico com uma aliança que inclui setores bolsonaristas, especialmente em um estado onde Lula e Camilo mantêm alta aprovação.
Ciro tenta responder dizendo que o PT também convive com aliados oriundos do PL e do bolsonarismo. Citou o prefeito de Sobral, Júlio Mano e “Úrido Paredão” como exemplos. A fala, porém, aparenta reforçar que para enfrentar o grupo de Camilo no Ceará, o cearense passou a defender uma aliança com bolsonaristas que até pouco tempo atrás tratava como fortes adversários.
O presidente Donald Trump, em Mar-a-Lago. Foto: Reprodução/Redes Sociais
Donald Trump voltou a publicar imagens feitas com inteligência artificial em que aparece com o rosto esculpido no Monte Rushmore, monumento localizado na Dakota do Sul, nos Estados Unidos. As montagens foram compartilhadas em seu perfil no Truth Social e que circularam nas redes sociais.
Nas imagens, Trump aparece ao lado de Abraham Lincoln, um dos quatro ex-presidentes representados no memorial. Atualmente, o Monte Rushmore reúne os rostos de George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Lincoln.
Publicações de Donald Trump em sua rede social. Foto: Reprodução
O desejo de Trump de ver seu rosto no Monte Rushmore não é novo. Segundo o Poder360, o tema já circulava desde seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Kristi Noem, hoje secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, chegou a presenteá-lo com uma maquete do monumento incluindo sua imagem.
A ideia também teve tentativa formal no Congresso dos Estados Unidos. Em 2025, a deputada republicana Anna Paulina Luna apresentou um projeto de lei para incluir Trump no memorial, sob o argumento de que ele teria deixado um legado duradouro ao país.
O Serviço Nacional de Parques rejeitou a expansão do monumento por risco de instabilidade geológica nas rochas. Mesmo assim, Trump já havia publicado outra versão da imagem no início de maio e voltou agora a divulgar montagens semelhantes.
Brasil durante partida contra Panamá na Copa do Mundo 2026. Imagem: reprodução
A Seleção Brasileira goleou o Panamá por 6 a 2 neste domingo (31), no Maracanã, no último compromisso antes da viagem para a Copa do Mundo. A equipe de Carlo Ancelotti abriu o placar logo no início, com Vini Jr., e depois transformou a partida em goleada com uma sequência ofensiva forte no segundo tempo.
O Brasil construiu a vantagem em dez minutos depois do intervalo. Rayan aproveitou erro na saída panamenha e marcou por cobertura. Na sequência, Lucas Paquetá completou jogada coletiva para ampliar. Pouco depois, Igor Thiago sofreu pênalti, cobrou e fez mais um para a Seleção. Danilo fechou o placar aos 80 minutos de jogo.
Primeiro gol do Rayan com a camisa da seleção brasileira!
O resultado manteve a invencibilidade brasileira contra o Panamá. Antes do amistoso deste domingo, as seleções haviam se enfrentado cinco vezes, com quatro vitórias do Brasil e um empate. O retrospecto tinha 17 gols brasileiros e apenas um panamenho.
O primeiro encontro ocorreu em 1952, no Campeonato Pan-Americano, em Santiago, quando o Brasil venceu por 5 a 0 e depois conquistou o título. Em 2001, na Arena da Baixada, a Seleção repetiu o placar em amistoso, com gols de Edílson, Alex, Euller, Juninho Paulista e Roberto Carlos.
Às vésperas da Copa de 2014, o Panamá voltou a servir como teste final. No Serra Dourada, em Goiânia, o Brasil venceu por 4 a 0, com gols de Neymar, Daniel Alves, Hulk e Willian. Em 2016, em Denver, nos Estados Unidos, Jonas e Gabriel Barbosa marcaram na vitória por 2 a 0.
O único tropeço brasileiro no confronto havia sido em março de 2019, no Estádio do Dragão, no Porto, em Portugal, quando as equipes empataram por 1 a 1. Lucas Paquetá marcou naquele jogo seu primeiro gol pela Seleção.
Depois da goleada no Maracanã, a delegação brasileira segue para os Estados Unidos, onde fará a preparação final para a Copa do Mundo. A vitória reforça o domínio histórico sobre o Panamá e encerra a fase de testes da Seleção em clima positivo.
Gleisi Hoffmann – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) lançou neste sábado (30/5) sua pré-candidatura ao Senado pelo Paraná. O anúncio ocorreu em evento que também apresentou Requião Filho (PDT-PR) como pré-candidato ao governo estadual.
Ao lado do presidente nacional do PT, Edinho Silva, Gleisi afirmou que a esquerda derrotará “a extrema direita no Brasil e o juiz ladrão do Paraná”, em referência ao senador e pré-candidato ao governo estadual Sergio Moro (PL-PR).
➡️ Gleisi se lança ao Senado e diz que esquerda derrotará “juiz ladrão”
O ex-ministro da Justiça Sergio Moro anunciou, na sexta-feira (26/5), sua pré-candidatura ao governo do Paraná. Ele compareceu ao evento acompanhado do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O ato também apresentou a chapa majoritária apoiada pelo PT no Paraná, incluindo as pré-candidaturas do deputado federal Filipe Barros (PL-PR) e do ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado. No evento, Flávio Bolsonaro estava usando colete à prova de balas.
A agenda foi considerada estratégica para o grupo político de Flávio em meio ao desgaste provocado pela divulgação de contatos do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
O PT reforçou que pretende se consolidar no Paraná com a chapa apresentada, mirando as eleições de 2026, enquanto Gleisi Hoffmann busca reforçar seu nome como representante da legenda no Senado e ampliar a atuação política no estado.
Belo e Alcione durante abertura do primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo 2026. Imagem: reprodução
O amistoso entre Brasil e Panamá, disputado neste domingo (31), no Maracanã, teve repercussão antes mesmo de a bola rolar. Convidados para cantar o hino nacional, Belo e Alcione tiveram dificuldades para acompanhar o ritmo dos instrumentos no estádio.
Em alguns momentos, as vozes dos artistas ficaram desencontradas em relação ao acompanhamento musical. Também foi possível notar que Belo se confundiu com parte da letra durante a apresentação.
O problema ocorreu quando os instrumentos deixaram de acompanhar os cantores. A partir daí, Belo e Alcione seguiram a execução a capela até o fim. O episódio repercutiu rapidamente nas redes sociais durante a transmissão do amistoso.
Gente! Quem teve a brilhante ideia de colocar o Belo e a Alcione pra cantar o hino nacional? ? ?
Geralmente nunca dar certo isso… É colocar a nossa marrom pra pagar um mico desnecessário! pic.twitter.com/UT4AJeK4fq
A seleção entrou em campo ainda sem alguns atletas convocados para a Copa do Mundo, entre eles Marquinhos, Gabriel Magalhães, Gabriel Martinelli e Neymar, que seguem em recuperação de lesão ou disputam competições por seus clubes.
Após o jogo, a delegação brasileira seguirá para os Estados Unidos, onde fará a preparação final para o Mundial no Columbia Park Training Center, em Morristown, perto de Nova York. Antes da estreia, o Brasil ainda enfrentará o Egito em amistoso no próximo sábado (6).
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, tomou uma decisão histórica ao não participar da tradicional Israel Day Parade, interrompendo uma tradição de longa data em que líderes da cidade comparecem ao evento.
Mamdani explicou que sua ausência se deve a seu posicionamento sobre o governo israelense e à defesa contínua dos direitos do povo palestino, enfatizando a importância de apoiar a justiça internacional e a proteção de populações vulneráveis.
Apesar de não estar presente, Mamdani garantiu que o desfile ocorreria de maneira segura e organizada, com forte presença policial e protocolos de segurança reforçados. A comissária de polícia Jessica Tisch participou do evento pessoalmente, assegurando que a celebração transcorresse sem incidentes, enquanto o prefeito mantinha seu compromisso com seus princípios políticos.
A decisão de Mamdani provocou reações diversas. Líderes da comunidade judaica e adversários políticos o criticaram, acusando-o de adotar uma postura divisiva e desrespeitosa. O rabino Marc Schneier considerou a ausência do prefeito como um gesto que não honra a tradição da cidade.
Além disso, a exibição de um vídeo produzido pela prefeitura sobre a Nakba, que narra a expulsão de palestinos durante a guerra árabe-israelense de 1948, gerou polêmica ao não mencionar a expulsão de judeus de países árabes ou o impacto do Holocausto na criação de Israel.
Mesmo diante das críticas, Mamdani manteve sua posição firme. Como primeiro prefeito muçulmano de Nova York, ele continua a apoiar os direitos dos palestinos, ao mesmo tempo em que garante a proteção dos residentes judeus. O prefeito destacou o trabalho do Escritório de Combate ao Antissemitismo, reforçando medidas de segurança e programas educativos para prevenir hostilidades.
Ministros israelenses que defenderam a limpeza étnica de palestinos e o uso de armas nucleares contra Gaza participaram do desfile, enquanto Israel enfrenta crescente isolamento internacional devido ao genocídio em Gaza e seus conflitos no Oriente Médio.
Entre os participantes estavam o ministro das Finanças da extrema-direita, Bezalel Smotrich, o ministro do Patrimônio, Amichai Eliyahu, e 13 membros do Knesset. Smotrich defendeu a expulsão da população palestina de Gaza e a destruição do enclave sitiado.
O Procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI) apresentou pedido secreto de mandado de prisão contra Smotrich por supostos crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos contra palestinos na Cisjordânia ocupada. As acusações incluem deslocamento forçado como crime contra a humanidade e crime de guerra, transferência da própria população israelense como crime de guerra, perseguição e apartheid.
Durante o evento, Smotrich afirmou que o desfile o lembrava de uma procissão ultra-nacionalista pela Cidade Antiga de Jerusalém e pelo Quarteirão Muçulmano, chamada “Marcha da Bandeira de Israel”, em que manifestantes costumam gritar “Morte aos árabes” e atacar moradores palestinos e cristãos.
Amichai Eliyahu, outro membro da delegação, já defendeu o uso de armas nucleares contra a população de Gaza, antes do genocídio, e propôs privar de comida os palestinos, afirmando que “não há problema em bombardear suas reservas de alimentos e combustível. Eles devem passar fome”.
Israel supporters bring carboard cutout of Zohran Mamdani to walk in the Israel Day Parade after he refused to attend. 🇮🇱 pic.twitter.com/H5E8Ot3uy1
Israel Day Parade in NYC: Senate Minority Leader Chuck Schumer, far-right Israeli Finance Minister Bezalel Smotrich and other far-right Israeli lawmakers and American politicians march on Fifth Avenue
NYC mayor Zohran Mamdani decided to skip the event | @Etanetan23
Neste domingo (31), João Fonseca fez história ao derrotar o norueguês Casper Ruud por 3 sets a 1, garantindo uma vaga nas quartas de final de Roland Garros. Com apenas 19 anos, o brasileiro venceu o número 16 do ranking da ATP, especialista em saibro, em sua primeira partida oficial contra Ruud, consolidando-se como uma das promessas mais fortes do tênis mundial.
Fonseca se tornou o primeiro brasileiro na chave masculina a alcançar as quartas de final do torneio francês desde Guga Kuerten, em 2004. Em 2010, Thomaz Bellucci também fez uma campanha importante em Roland Garros, mas parou na quarta rodada. Em 2023, Bia Haddad Maia chegou à semifinal do torneio na chave feminina.
A partida aconteceu na quadra Philippe Chatrier, principal do complexo de Roland Garros, e foi marcada por um desempenho sólido, agressivo e estratégico do jovem tenista.
Tricampeão de Roland Garros (em 1997, 2000 e 2001), Guga Kuerten assistiu, emocionado, à vitória de Fonseca.
Casper Ruud, ex-número 2 do mundo e finalista do torneio em 2022 e 2023, destacou o talento do adversário antes do confronto: “Tenho uma missão incrível pela frente contra um jovem talento, que é o João. Ele já venceu grandes jogadores em sua carreira. Contra Djokovic, foi provavelmente a maior vitória da carreira dele. Então, vou tentar fazer uma boa partida. Ele é um garoto muito legal e torço para que seja um bom confronto”.
Após a vitória sobre Ruud, João Fonseca comentou sobre seu momento histórico e os próximos desafios: “Todos os sonhos podem se tornar realidade. Meu sonho sempre foi jogar com Djokovic. Joguei e venci. Obviamente, tenho o sonho de ser campeão de um Grand Slam. Mas uma coisa de cada vez”.
Novak Djokovic, que foi eliminado na fase anterior pelo brasileiro, elogiou a performance de Fonseca: “Tiro o chapéu para o João. Ele jogou um tênis excepcional. Em todos os momentos decisivos, ele foi para cima. Jogou pontos com muita agressividade e estava detonando com uma velocidade incrível”.
A campanha de Fonseca em Roland Garros 2026 marca um ponto alto para o tênis brasileiro e aumenta as expectativas para o desempenho do jovem atleta nos próximos Grand Slams. Com vitórias históricas e jogos consistentes, João demonstra maturidade, foco e potencial para se tornar um dos principais nomes do circuito mundial.
Em um desfecho que confirma a profunda polarização política do país, a Colômbia definiu seus dois candidatos para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026: o ultradireitista Abelardo de la Espriella e o esquerdista Iván Cepeda.
Com a apuração final, ambos os candidatos garantiram suas vagas na próxima etapa da disputa, cada um concentrando mais de 40% dos votos. De la Espriella superou Cepeda por uma margem estreita no primeiro turno, enquanto a grande surpresa foi o colapso da uribista Paloma Valencia, que obteve pouco mais de 6,5% dos votos, muito abaixo das expectativas.
Sergio Fajardo e Santiago Botero completaram o quadro de candidatos, em uma jornada eleitoral que, segundo a Registraduría Nacional do Estado Civil, transcorreu “com normalidade e plenas garantias”.
Abelardo de la Espriella: A Consolidação da Ultradireita
Abelardo de la Espriella, o rosto da ultradireita radical colombiana, consolidou sua posição no primeiro turno. Sua campanha, marcada por táticas de semear desconfiança no processo democrático, como o vídeo publicado antes de votar em Barranquilla alertando, sem provas, sobre um possível colapso do sistema eleitoral, ressaltou sua tática suja.
Em questão de meses, De la Espriella transformou-se de um advogado controverso em um candidato presidencial com chances reais de vitória.
Sua mensagem de “impor autoridade” ressoou com um eleitorado frustrado com os partidos tradicionais. Com 47 anos, carismático e com um discurso firme, ele apelou ao espetáculo e fez declarações categóricas e provocativas.
Apresentando-se como empresário de sucesso e amante da “alta cultura”, sua retórica da ultradireita e propostas canalhas visaram conquistar o eleitorado conservador e antagonizar o governo atual. Sua promessa de interromper o projeto político de Gustavo Petro e sua estratégia de polarização, representando um extremo sem restrições, foram eficazes para levá-lo ao segundo turno.
Ele lançou um movimento chamado Defensores da Pátria, adotou a imagem de “tigre” como símbolo de força e promete aplicar mão‑dura para enfrentar os desafios do país. Espriella também conta com o apoio político do senador brasileiro Flávio Bolsonaro.
Iván Cepeda: A Resiliência da Esquerda Progressista
Iván Cepeda, o candidato da esquerda progressista, também garantiu sua vaga no segundo turno, demonstrando a resiliência de seu projeto político. Sua votação em Kennedy, sudoeste de Bogotá, foi acompanhada da declaração de confiança: “Estamos convencidos de que hoje à tarde celebraremos o segundo governo progressista na Colômbia.” A esquerda, unida em torno de sua figura, conseguiu mobilizar sua base e se posicionar como a principal força de oposição à ultradireita.
A trajetória de Cepeda rumo ao segundo turno foi impulsionada por um ponto de virada crucial: o caso contra o ex-presidente Álvaro Uribe. O processo judicial contra Uribe, no qual Cepeda foi vítima e testemunha, catapultou sua notoriedade e o posicionou como um pré-candidato favorito. Nascido em 1962, Cepeda, senador pelo governista Pacto Histórico, carrega um legado de luta herdado de seus pais, líderes comunistas. Sua voz calma, mas firme, em defesa da justiça, tornou-se sua marca.
Com formação em filosofia e direito internacional humanitário, Cepeda tem uma carreira política marcada por ativismo, exílio e denúncias contra a parapolítica. No Congresso, atuou como facilitador em processos de paz e colaborou com a política de “paz total” de Petro. Seu programa enfatiza a continuidade da “paz total”, a reconciliação nacional, a defesa dos direitos humanos, uma política externa autônoma e propostas de “revolução agrária” e “democrática”.
O pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Reprodução/X (@FlavioBolsonaro)
O senador Flávio Bolsonaro conseguiu na tarde desta terça-feira (26) aquilo que parecia ser o principal objetivo de sua viagem aos Estados Unidos: um retrato ao lado do presidente norte-americano Donald Trump.
A agenda, no entanto, esteve longe de representar uma reunião diplomática robusta ou um encontro político de grande densidade. Segundo relatos de jornalistas brasileiros em Washington, a passagem dos irmãos Bolsonaro pela Casa Branca foi extremamente rápida, durando cerca de dez minutos.
A correspondente da GloboNews Raquel Krähenbühl descreveu a sequência de forma quase burocrática: entrada de Flávio e Eduardo Bolsonaro, entrega de documentos a assessores, registro de imagens e saída. Já o correspondente da BandNews, Eduardo Barão, afirmou que toda a agenda teria levado aproximadamente dez minutos.
O registro foi feito dentro principal gabinete presidencial. Num outro clique, aparecem o lobista Paulo Figueiredo e seu comparsa Eduardo.
Trata-se de uma tentativa de mudar de assunto. Flávio atravessa uma crise após a repercussão de sua relação íntima com o banqueiro Daniel Vorcaro, tema que passou a dominar o noticiário político.
O episódio também expõe uma realidade conhecida nos bastidores da política americana: o acesso a Trump é um ativo financeiro, instrumento de marketing político e é comercializado. Pagou, levou.
Nos Estados Unidos, reuniões rápidas, fotos e momentos privados com o ex-presidente são associados a pacotes de arrecadação milionários destinados a financiar organizações conservadoras e campanhas republicanas. A manobra se chama photo op, contração de photo opportunity.
Um dos exemplos mais explícitos veio à tona recentemente através de um e-mail obtido pela newsletter Popular Information. A mensagem revelava que empresários e grandes doadores conservadores receberam uma proposta para participar de uma experiência VIP com Trump mediante doação de US$ 500 mil ao comitê político da organização de extrema-direita Turning Point USA, TPUSA. O pacote colocava preço na fotografia.
O TPUSA foi fundada pelo ativista fascista Charlie Kirk, assassinado durante uma palestra na Universidade do Vale de Utah, em Orem, em novembro. O ex-presidente Jair Bolsonaro participou, em fevereiro de 2023, do evento “Power to the People” (“Poder ao Povo”) em Miami, organizado pelo grupo. Foi saudado por Kirk como um “lutador contra o marxismo”.
Segundo o convite obtido pelo Popular Information, os participantes teriam direito a voo fretado até Phoenix, no Arizona, hospedagem, acesso especial ao comício intitulado “Build the Red Wall” (“Construa a Parede Vermelha”), tour privado pela sede da organização — e, principalmente, um encontro reservado com Trump seguido por uma sessão de fotos.
“Essa experiência incluirá participação em uma breve conversa com o presidente, seguida por uma oportunidade de fotografia”, dizia o e-mail enviado pelo executivo de relações públicas Sinan Kanatsiz.
Embora o evento de Trump em Phoenix fosse aberto gratuitamente ao público, o verdadeiro produto vendido nos bastidores era o acesso exclusivo ao presidente. O mesmo que se passou com Flávio e seu bando.
O ecossistema trumpista transformou esse tipo de acesso em produto de luxo. De acordo com o Popular Information, a oferta circulava de forma reservada entre empresários e aliados políticos selecionados.
No rodapé do convite havia inclusive um aviso em letras maiúsculas: “ESTE E-MAIL É APENAS PARA USO DO DESTINATÁRIO E NÃO DEVE SER COMPARTILHADO — CONFIDENCIAL”.
Lindbergh Farias e Ronaldo Caiado – Foto: Reprodução
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo Lula na Câmara dos Deputados, pediu nesta terça-feira (26) que a Polícia Federal investigue o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) em razão das transações realizadas pelo governo estadual com a BK Instituição de Pagamento, conhecida como BK Bank. O pedido foi encaminhado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Com informações da Folha.
O caso foi revelado em reportagem publicada nesta segunda-feira (25) e serviu de base para a solicitação apresentada por Lindbergh. Caiado deixou o governo de Goiás em março e é pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026.
No pedido enviado à Polícia Federal, o parlamentar afirmou: “A gravidade dos fatos decore de possível inserção de recursos públicos, programas sociais e comerciantes locais em ambiente financeiro contaminado por suspeitas de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e organização criminosa”.
A gestão de Caiado utilizou a BK Bank para movimentar R$ 1,36 bilhão de programas de transferência de renda. A BK é uma fintech suspeita de atuar como um banco paralelo da facção criminosa PCC, conforme as investigações da Operação Carbono Oculto. Um documento do Coaf mostra repasses de R$ 1,36 bilhão da Agência de Fomento de Goiás à BK entre outubro de 2021 e agosto de 2025.
Cartão da Bk Bank e Ronaldo Caiado – Foto: Divulgação
Segundo o Governo de Goiás, a conta na BK era utilizada para operacionalizar programas de transferência de renda que atendem 880 mil beneficiários. A partir dessa conta, eram realizados os repasses aos cartões dos usuários finais. Sobre as operações incidia uma taxa de utilização de até 6%, cobrada dos estabelecimentos credenciados para compras pelos beneficiários. Desse valor, 50% eram destinados à Agência de Fomento e 50% à BK Bank.
Em nota, o Governo de Goiás declarou: “Quando da deflagração da Operação Carbono Oculto, a agência adotou medidas administrativas e judiciais para resguardar o interesse público. Até o momento, não há prejuízo constatado à GoiásFomento”. Caiado afirmou que uma certidão do Banco Central atesta a BK como “autorizada em atividade” e questionou: “Não estaria existindo, neste momento, conivência ou omissão do Coaf na prevenção de crimes dessas organizações criminosas, deixando-as operar e informando delitos somente depois da operação policial que trouxe à tona o envolvimento da empresa com o narcotráfico? De quem parte a ordem para calar o Coaf?”. A BK foi procurada por email e por telefone pela reportagem, mas não houve resposta.
Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), e a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) – Foto: Reprodução/ Paulo Sergio/Câmara dos Deputados
A bancada do PL na Câmara dos Deputados anunciou que irá pedir a votação da proposta da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) sobre o fim da escala 6×1 no lugar da PEC que está em discussão. A proposta de Erika prevê a redução da jornada de trabalho para a escala 4×3, com três dias de folga ao trabalhador. Já a PEC em debate estabelece a escala 5×2, com dois dias de folga. Com informações do Globo.
Nos bastidores, integrantes da bancada afirmam que o objetivo é constranger o governo, que teria que se opor a uma proposta mais vantajosa aos trabalhadores. Entre integrantes do governo Lula, a avaliação é que essa possibilidade poderá gerar tumulto na discussão e atrasar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
O tema da redução da jornada de trabalho é considerado prioritário para a gestão petista e potencial bandeira para ser explorada na campanha à reeleição de Lula neste ano, diante do alcance da medida. Desde que a votação foi anunciada na Câmara, parlamentares da oposição passaram a se manifestar contra a proposta do governo, afirmando se tratar de uma jogada eleitoreira.
O Palácio do Planalto tem pressa para que o tema tramite ainda neste semestre, já que a partir de agosto o Congresso deverá ficar esvaziado por conta do processo eleitoral. O recesso parlamentar começa oficialmente em 18 de julho, mas o calendário também inclui feriado e comemorações de São João. Além da aprovação na Câmara, o texto ainda precisará passar por análise no Senado.
Protesto pelo fim da Escala 6×1. Reprodução
Em fala na tribuna da Câmara nesta terça-feira (26), o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que o partido apresentará um destaque de preferência para votar a PEC de Erika Hilton. Segundo ele: “Nós, do PL, vamos defender sempre o liberalismo econômico e a relação livre, para que o trabalhador trabalhe quantas horas e quantos dias ele quiser. Na hora da votação em plenário, apresentaremos destaque de preferência para votar a escala 4 por 3, porque nós somos a favor de o trabalhador trabalhar menos, ficar em casa, descansar com a sua família, e não somos hipócritas e oportunistas como este governo”.
Lideranças do PL afirmam concordar com o texto apresentado por Maurício Marcon (PL-RS), que não foi apensado à PEC analisada. Diante disso, o partido apresentará uma questão de ordem questionando Hugo Motta (Republicanos-PB) sobre os motivos pelos quais a proposta de Marcon não foi incorporada à matéria. O texto permite ao trabalhador escolher entre o regime previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A estratégia já foi utilizada anteriormente pelo partido durante a tramitação da proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, quando o PL apresentou uma emenda para ampliar a faixa de isenção para quem recebe até R$ 10 mil. A medida não prosperou.
Flávio Bolsonaro se encontra com o presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca – Foto: Divulgação
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o encontro entre o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode gerar riscos para a pauta comercial entre os dois países. A avaliação foi relatada por integrantes do governo ouvidos sob reserva. Com informações da Folha.
Segundo integrantes do governo, a preocupação está relacionada à atuação de bolsonaristas no ano passado em defesa do tarifaço sobre produtos brasileiros. Apesar disso, integrantes do Executivo afirmam que as negociações com os Estados Unidos para retirar tarifas ainda existentes seguem avançando.
Fontes do Palácio do Planalto e do Itamaraty minimizaram a possibilidade de impacto eleitoral da visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca. Interlocutores do presidente Lula afirmam que o principal efeito político interno continua relacionado à ligação do senador com Daniel Vorcaro.
Palácio do Itamaraty. Foto: A C Moraes/Itamaraty
De acordo com a avaliação de diplomatas, não há risco de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro em razão da agenda realizada nos Estados Unidos. A análise é compartilhada por integrantes da área diplomática do governo.
Os diplomatas também afirmam que os encontros entre Lula e Trump e a melhora do processo de negociação entre Brasil e Estados Unidos têm produzido resultados positivos. A avaliação considera o atual estágio das conversas mantidas entre os dois países.
Flávio Bolsonaro esteve em Washington nesta terça-feira (26). O encontro com Trump ocorreu em meio às discussões do governo sobre os possíveis reflexos da agenda para a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.
A fotografia era o que importava. Não a conversa, não as promessas, não a pretensa diplomacia. Apenas a imagem. Flávio Bolsonaro precisava dela como quem precisa de um colete salva-vidas em mar revolto. E, com a ajuda de Eduardo Bolsonaro e de aliados nos Estados Unidos, cavou hoje um encontro rápido com Donald Trump na Casa Branca para produzir exatamente isso: um retrato de sobrevivência política.
O objetivo não era competir em termos institucionais com Lula, que se reuniu oficialmente com o presidente norte-americano em encontro entre chefes de Estado em Washington DC para discutir temas de interessam a brasileiros e norte-americanos. A intenção era outra. Flávio precisava de uma fumaça espessa capaz de desviar o foco sobre sua relação com o bandido-Master Daniel Vorcaro, o seu pedido de R$ 134 milhões ao banqueiro e a promessa de lealdade eterna feita a ele. E, principalmente, sobre as mentiras contadas pelo senador para encobrir tudo isso.
A foto surge, então, como instrumento político. Um símbolo para consumo interno. Um recado aos aliados, aos empresários e principalmente à militância: “a campanha continua viva”. Porque, no imaginário bolsonarista, ser recebido por Trump ainda funciona como certificado de relevância internacional. Pouco importa se o encontro foi rápido, paralelo, periférico. O que interessa é o enquadramento.
Trump aparece sentado, no centro da cena, enquanto Flávio, em pé e ao lado, ocupa uma posição lateral, quase ornamental. A composição lembra pinturas medievais nas quais o senhor feudal recebia seus vassalos para reafirmar hierarquia e lealdade. Um beija-mão. Não é a iconografia normalmente encontrada entre líderes equivalentes. Quando Trump posa com chefes de Estado, a liturgia visual costuma buscar simetria: ambos em pé, sentados, no mesmo plano. Ali, não. A fotografia estabelece níveis.
Para muita gente, isso é sinônimo de vassalagem e um lembrete da política de alinhamento automático com os EUA executada por Jair Bolsonaro. Contudo, ao contrário do que pensa o naco da sociedade que preza pela soberania, isso é exatamente a razão que explica por que ela funciona tão bem para o trumpismo tropical.
Daniel Vorcaro, do Banco Master. Foto: Divulgação/Banco Master
O bolsonarismo sempre cultivou fascínio pela ideia de submissão a uma liderança forte, estrangeira e mitificada. A imagem de Flávio ao lado de Trump não comunica independência política, mas pertencimento. É menos um encontro entre iguais e mais uma audiência com o epicentro da extrema direita global. Há quem vá ao delírio com isso e chore enrolado na bandeira dos Estados Unidos.
O eleitorado fiel verá força onde existe encenação. Há aliados que interpretarão o clique como sinal de viabilidade. Mas a parcela independente do eleitorado, aquela que não vive em devoção permanente nem ao lulismo nem ao bolsonarismo, tende a continuar fazendo perguntas simples para definir o seu voto: por que esconder relações políticas e financeiras? Por que negar proximidades que depois reaparecem? E por que uma foto deveria valer mais do que explicações?
Há um sujeito oculto na imagem. É Vorcaro. Porque toda a pressa para produzir o retrato está menos ligada à necessidade de se contrapor Lula (que havia visitado Trump na Casa Branca e passado três horas discutindo política) e mais à necessidade urgente de mudar de assunto.
No fim das contas, pouco importava a postura corporal, a posição subalterna na foto ou o fato de Trump reservá-la normalmente para assessores e apoiadores de segunda linha. O importante era voltar ao Brasil com um JPEG circulando nas redes e na imprensa e a esperança de que alguns milhares de compartilhamentos sejam suficientes para soterrar perguntas inconvenientes sobre banqueiros, promessas de fidelidade e cifras milionárias.
Em tempos de bolsonarismo, uma imagem vale mais do que mil palavras. Especialmente quando as palavras podem virar prova contra si nas eleições e nos tribunais.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acompanhado de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, e de Paulo Figueiredo. Foto: Reprodução
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cometeu um ato falho durante entrevista a jornalistas em Washington, nesta terça-feira (26), ao dizer que foi à Casa Branca a convite do “presidente Lula”. O senador se corrigiu segundos depois e afirmou que o convite teria partido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Mais uma vez, foi um convite oficial do presidente Lula, ele tava ali com dois assessores dele… do presidente Trump, desculpa, o presidente Trump estava com dois assessores dele”, disse Flávio Bolsonaro. A fala ocorreu depois do encontro com Trump e da divulgação de fotos do senador no Salão Oval.
Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro criticou Lula diversas vezes e afirmou que pediu a Trump para classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O governo brasileiro se opõe à medida por avaliar que ela poderia abrir margem para interferência estrangeira no território nacional.
O encontro foi articulado por Eduardo Bolsonaro junto à ala ideológica do governo Trump. Segundo o blog do Valdo Cruz, Flávio Bolsonaro pretendia tratar da classificação de facções como terroristas e da liberdade de expressão nas redes sociais no Brasil, pauta comum entre bolsonaristas e aliados do republicano.
Na coletiva, o senador também afirmou que prometeu incluir o Brasil no chamado Escudo das Américas, uma coalizão criada pelos Estados Unidos com países latino-americanos para combater crime organizado e interferências estrangeiras. Flávio Bolsonaro disse ainda ter conversado com Trump sobre tarifas e terras raras.
Apesar de Flávio Bolsonaro afirmar que a comitiva ficou cerca de uma hora e meia na Casa Branca e passou “bastante tempo” reunida com Trump, fontes ouvidas pelo g1 relataram que o encontro foi rápido. Segundo integrantes da comitiva, documentos foram entregues a assessores da Casa Branca e, em seguida, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo entraram no Salão Oval apenas para tirar uma foto com Trump.
A viagem ocorreu em meio à tentativa da pré-campanha de Flávio Bolsonaro de produzir uma agenda positiva após o desgaste provocado pelo caso “Dark Horse”. A relação do senador com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afetou seu desempenho no Datafolha: Lula ampliou de três para nove pontos a vantagem no primeiro turno e abriu quatro pontos no segundo.
O pré-candidato a presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas. Foto: Danilo Verpa/Folhapress
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira (26) que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem “muitas questões” a explicar sobre sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A declaração foi dada durante coletiva na entrega da primeira etapa da Estação de Tratamento de Esgoto de Perus, na Zona Norte da capital paulista.
Ao comentar o caso, Tarcísio de Freitas disse que a população acompanha o escândalo envolvendo o Banco Master e que o episódio exige explicações. “Como eu falei, eu acho que tem muitas questões que ele mesmo precisa explicar. A população está vendo esse escândalo do Banco Master, que é uma coisa que agride a sociedade como um todo. Isso deixa a sociedade em alerta e aí tudo tem que ser muito bem explicado”, afirmou.
A fala ocorre após a revelação de que Flávio Bolsonaro se reuniu com Daniel Vorcaro depois da primeira prisão do banqueiro. Segundo o senador, o encontro teve como objetivo “botar um ponto final” na questão do financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. A Polícia Federal deve apurar se a visita ocorreu para cobrar dinheiro ligado à produção.
Flávio Bolsonaro admitiu na semana passada que esteve com Vorcaro após a soltura do banqueiro, que passou a usar tornozeleira eletrônica. O encontro ocorreu no dia seguinte à decisão do TRF-1 que liberou o dono do Banco Master, em novembro de 2025.
▶️COBROU: Tarcísio cobra explicações de Flávio Bolsonaro sobre ligação com banqueiro investigado
O governador de São Paulo afirmou que Flávio Bolsonaro precisa esclarecer muitas questões sobre sua relação com Daniel Vorcaro, investigado por fraudes no Banco Master, dizendo que o… pic.twitter.com/KvgEXcnq2i
— Pesquisas Eleições (@EleicaoBr2026) May 26, 2026
Tarcísio de Freitas negou afastamento político de Flávio Bolsonaro e desejou sucesso ao aliado na viagem aos Estados Unidos. O governador disse que o senador é pré-candidato à Presidência e que considera “extremamente saudável” conversar com chefes de Estado e lideranças internacionais.
Questionado sobre a ausência em agendas conjuntas com Flávio Bolsonaro nas últimas semanas, Tarcísio de Freitas afirmou que está concentrado no governo paulista. “É porque eu tenho uma agenda de governador. Veja, eu estou governando o estado. Quando é que eu vou pensar em eleição? No período da campanha”, disse.
O jornalista Octávio Guedes e a foto “de fã” de Eduardo Bolsonaro com Donald Trump em Washington. Fotomontagem
O jornalista Octavio Guedes afirmou nesta terça-feira (26) que a primeira imagem divulgada do encontro entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Donald Trump, na Casa Branca, parece mais uma foto de fã com ídolo do que uma reunião entre um pré-candidato à Presidência do Brasil e o presidente dos Estados Unidos. A análise foi publicada no g1 após a divulgação das imagens do senador ao lado do republicano.
Segundo Guedes, a fotografia não é o ponto central da viagem. O comentarista afirmou que o senador viajou aos Estados Unidos para sair do Brasil e evitar perguntas sobre o escândalo envolvendo o Banco Master e o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. “Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não viajou para se encontrar com Trump, e sim para sair do Brasil, fugindo de perguntas sobre o escândalo do Banco Master”, escreveu.
Ao tratar da imagem, Octavio Guedes afirmou que: “A primeira foto divulgada nesta terça-feira (26) do encontro do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parece mais a foto de um fã com seu ídolo do que propriamente a de um presidenciável de um país soberano conversando com o presidente de outro país soberano”.
O jornalista também apontou que Flávio Bolsonaro tem evitado explicar onde está o suposto contrato firmado com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. O senador foi gravado pedindo dinheiro ao banqueiro para a produção. Segundo a Folha, Vorcaro investiu R$ 61 milhões no projeto, e o episódio abriu uma crise na pré-campanha do PL.
Blog do Octavio Guedes – A primeira foto divulgada nesta terça-feira (26) do encontro do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parece mais a foto de um fã com seu ídolo do que propriamente a de um… pic.twitter.com/moZwBhAJHi
Guedes lembrou que, desde a divulgação do áudio da conversa com Vorcaro, em 13 de maio, Flávio Bolsonaro foi questionado duas vezes pela imprensa sobre o caso e teve, segundo ele, reações constrangedoras. Na primeira, riu ao responder a uma pergunta do Intercept sobre os R$ 61 milhões pagos pelo banqueiro e afirmou que a informação era “mentira”. Depois, no aeroporto, a caminho dos Estados Unidos, brincou que só falaria em inglês.
Na análise, Octavio Guedes afirmou que: “A fotografia é o que menos importa para a pré-campanha. O silêncio do senador e filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro importa muito mais”.
Após o encontro, Flávio Bolsonaro disse que pediu a Trump para classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. O senador também afirmou que conversou com o republicano sobre segurança pública, tarifas e terras raras, além de negar que a agenda tivesse relação com o desgaste provocado pelo caso “Dark Horse”. Folha
A viagem foi articulada por Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Octavio Guedes registrou que o ex-deputado federal cassado perdeu o mandato por excesso de faltas, é investigado no STF e atua no exterior em articulações com aliados de Trump.
O pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Reprodução/X (@FlavioBolsonaro)
O encontro de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com Donald Trump na Casa Branca passou a ser marcado por versões diferentes sobre a duração e o conteúdo da conversa. O senador afirmou, em coletiva, que chegou ao local às 15h e saiu às 16h40. A jornalista Raquel Krähenbühl, da GloboNews, relatou que a passagem foi rápida: entrada de Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, entrega de documentos a assessores, foto e saída. O correspondente da Rádio BandNews Eduardo Barão disse que a agenda durou cerca de dez minutos.
A visita ocorreu nesta terça-feira (26), em Washington, no momento em que aliados tentam construir uma pauta positiva para Flávio Bolsonaro após o desgaste provocado pelo caso “Dark Horse”. O governo dos Estados Unidos não havia confirmado oficialmente reunião de Trump com o senador.
Na coletiva, Flávio Bolsonaro negou que a ida à Casa Branca tivesse relação com a crise aberta pela revelação do pedido de dinheiro feito a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. O senador também disse ser favorável à abertura de uma CPI sobre o caso.
Flávio Bolsonaro afirmou que não pediu endosso de Trump à sua pré-candidatura à Presidência, mas disse ter mostrado pesquisas eleitorais e declarado ao republicano acreditar em vitória em 2026. A fala reforçou a tentativa de projetar a visita como demonstração de prestígio internacional.
Diferente de outras fontes, Flavio disse que ficou bastante tempo com Trump (mas não declarou quanto tempo).
Flavio contou que pediu que Trump declare facções criminosas – PCC/ CV – como grupos terroristas e que o presidente ficou de avaliar o pedido dele. pic.twitter.com/Pk42YOtX2n
O pedido para que os Estados Unidos classifiquem PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas apareceu como um dos temas tratados na reunião, mas ficou em segundo plano diante da disputa sobre a duração real do encontro. Flávio Bolsonaro afirmou que levou o assunto a Trump e acusou Lula de atuar no sentido contrário.
Na mesma fala, o senador atacou o Itamaraty e a Embaixada do Brasil em Washington por não cederem espaço para a coletiva. Chamou a negativa de “gesto pequeno, mesquinho e revelador” e acusou a diplomacia brasileira de “aparelhamento ideológico” no governo Lula.
Paulo Figueiredo também sustentou a versão de que o encontro durou cerca de uma hora e quarenta minutos. Segundo ele, a comitiva entregou mais de dez camisas da seleção brasileira a Trump e a familiares do presidente dos Estados Unidos. Ele e Flávio Bolsonaro afirmaram ainda que Trump perguntou sobre Jair Bolsonaro durante a reunião.
Flávio Bolsonaro durante entrevista após encontro com Trump em Wasington. Reprodução
Bolsonaristas reclamaram da negativa da Embaixada do Brasil em Washington ao pedido do senador Flávio Bolsonaro para usar o local em uma coletiva de imprensa após encontro com Donald Trump. O uso de embaixadas e consulados brasileiros no exterior, no entanto, segue regras diplomáticas, administrativas e protocolares do Itamaraty, e o acesso à estrutura não é informal nem automático.
As representações brasileiras no exterior podem ser usadas para apoio institucional, reuniões, agendas oficiais e articulações de interesse do Estado. O Ministério das Relações Exteriores mantém normas internas de protocolo e coordenação que determinam que agendas oficiais sejam previamente comunicadas às missões diplomáticas brasileiras.
Em viagens presidenciais ou ministeriais, por exemplo, o Cerimonial do Itamaraty é responsável por organizar programas, contatos e logística. O Decreto nº 70.274/1972, que regula o cerimonial público brasileiro, atribui ao Cerimonial do Ministério das Relações Exteriores a elaboração do programa de visitas oficiais do presidente da República e do ministro das Relações Exteriores ao exterior.
Na prática diplomática, embaixadas e consulados não funcionam como espaços livres para uso político pessoal de autoridades. As representações pertencem ao Estado brasileiro e têm finalidade institucional. Pedidos de utilização para reuniões, eventos, apoio logístico, segurança, transporte oficial ou encontros políticos precisam passar por autorização e coordenação da chefia do posto diplomático — normalmente o embaixador ou cônsul responsável.
Também existe a necessidade operacional de antecedência. Embora não haja uma lei geral fixando prazo único em dias para toda autoridade, o protocolo diplomático trabalha com planejamento prévio porque as missões precisam organizar segurança, agenda, recepção, transporte, interlocução com autoridades locais e eventual uso da estrutura pública.
No caso de autoridades de alto escalão — como presidente da República, ministros, presidentes de Poderes, parlamentares em missão oficial ou governadores — a prática institucional é que as embaixadas sejam avisadas com antecedência suficiente para preparação diplomática. Em viagens improvisadas ou agendas não informadas previamente, a missão pode prestar assistência mínima, mas não é obrigada a disponibilizar estrutura ampla ou assumir atos que não tenham sido formalmente comunicados.
O caso de Flávio Bolsonaro em Washington ilustra esse limite. Segundo a coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, o gabinete do senador enviou na noite de segunda-feira (25) um pedido para usar a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos como local de uma coletiva de imprensa após o encontro com Trump. A solicitação foi negada na terça-feira (26), por e-mail, sob o argumento de que Flávio Bolsonaro não estava em visita oficial.
Diplomatas ouvidos pela coluna afirmaram que, para o pedido ser atendido, o Senado precisaria ter informado oficialmente à embaixada que Flávio Bolsonaro estava em missão oficial. Segundo a apuração, isso não foi feito pela Casa Legislativa. Com a negativa, o senador realizou a coletiva em uma casa de eventos privada em Washington.
O episódio também mostra a diferença entre viagem oficial e viagem político-partidária. Membros do Itamaraty lembraram que, em 2025, a embaixada brasileira em Washington prestou apoio a uma comitiva de senadores, inclusive de oposição ao governo Lula, porque a missão havia sido oficialmente comunicada pelo Senado. Na ocasião, participaram parlamentares como Tereza Cristina e Astronauta Marcos Pontes, ambos ex-ministros do governo Jair Bolsonaro, e a embaixada cedeu espaço para reuniões e uma coletiva de imprensa.
Quando a autoridade viaja em caráter pessoal ou político-partidário, o uso da estrutura estatal pode gerar questionamentos administrativos e políticos, especialmente se envolver servidores públicos, veículos oficiais, segurança diplomática ou instalações da embaixada para fins sem relação direta com interesses do Estado brasileiro. Nessas situações, entra em debate o limite entre representação institucional e atividade político-partidária.
Daniel Vorcaro em fotos tiradas na prisão em São Paulo. Foto: Divulgação
A defesa de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, solicitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça a transferência do da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”.
O pedido foi protocolado após a mudança do banqueiro para uma cela comum da PF. Segundo os advogados, Vorcaro foi transferido na segunda-feira (18) para uma cela destinada a presos em trânsito na Superintendência da Polícia Federal. Antes disso, ele permanecia em uma sala especial que já foi utilizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
A defesa argumenta que as condições da nova cela são inadequadas. Os advogados afirmam que o espaço não possui banheiro separado, conta com vaso sanitário instalado no chão e não dispõe de chuveiro convencional. De acordo com a petição, a água é liberada por uma abertura na parede.
Até a tarde desta quinta-feira (21), André Mendonça ainda não havia decidido sobre o pedido de transferência apresentado pelos representantes de Vorcaro. O ministro também analisa uma solicitação da própria Polícia Federal para que o banqueiro seja encaminhado à Penitenciária Federal de Brasília.
Vorcaro é transferido de unidade prisional. Foto: Divulgação
Vorcaro está preso no âmbito da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de fraude bilionária envolvendo o empresário e outros alvos da operação. Além da alteração do local de custódia, a Polícia Federal modificou as regras de acesso dos advogados ao banqueiro.
Conforme informado pela defesa, as visitas passaram a ser limitadas a dois encontros diários de 30 minutos cada. Anteriormente, os defensores podiam permanecer com Vorcaro entre 9h e 17h sem restrições de horário. A mudança passou a valer após a implementação das novas regras de funcionamento definidas pela Superintendência da PF.
As alterações ocorreram depois que André Mendonça autorizou que Vorcaro fosse submetido às “regras de funcionamento ordinárias” da unidade da Polícia Federal em Brasília. A decisão serviu de base para a revisão das condições de custódia e das visitas.
As medidas também foram adotadas na mesma semana em que a Polícia Federal rejeitou uma proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro. Diante da negativa, a estratégia da defesa passou a concentrar esforços na tentativa de obter a aceitação da colaboração pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
O senador Rogério Marinho durante entrevista na CNN. Foto: Divulgação
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), passou por um momento de constrangimento após reproduzir uma informação que acabou sendo desmentida durante debate na CNN Brasil.
O parlamentar foi desmentido pela apresentadora Elisa Veeck após afirmar que os filmes do presidente Lula e do ex-presidente Michel Temer foram patrocinados por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
“Só para acrescentar aqui para o senhor, os diretores e produtores, as pessoas envolvidas com os filmes que o senhor citou negam que tenha havido essa conexão que o senhor acabou de afirmar aqui, senador”, disse a apresentadora, deixando o bolsonarista claramente desnorteado.
Fake News do Vorcaro patrocinar filme do Lula é desmentida ao vivo na CNN. Olha o constrangimento do senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flavio Bolsonaro. pic.twitter.com/ctb7htYId8
A fake news começou após a publicação da coluna de Lauro Jardim, no O Globo, que afirmava que Vorcaro também teria financiado produções ligadas ao presidente Lula e Michel Temer.
A informação foi rapidamente compartilhada por perfis e grupos bolsonaristas nas redes sociais, que passaram a utilizá-la para rebater as acusações envolvendo o caso atribuído a Flávio Bolsonaro.
A circulação da coluna alimentou a narrativa de que Vorcaro teria mantido relações semelhantes com projetos ligados a diferentes grupos políticos. A estratégia buscava estabelecer uma equivalência entre os casos, sugerindo que o empresário também teria financiado iniciativas associadas a Lula e Temer.
Entretanto, começaram a surgir manifestações contestando a informação. Pessoas diretamente ligadas às produções mencionadas negaram a existência de qualquer aporte financeiro do banqueiro nos projetos citados pela coluna.
Entre elas estava Elsinho Mouco, ex-assessor de Michel Temer, que rejeitou a versão de que Vorcaro teria financiado o documentário relacionado ao ex-presidente. A negativa enfraqueceu a principal sustentação da narrativa que circulava nas redes sociais.
Posteriormente, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República também se manifestou sobre o tema. A Secom informou que o governo Lula não realizou pedido de financiamento para o documentário dirigido pelo cineasta Oliver Stone, outro ponto citado durante a repercussão do caso.
Parada do Orgulho LGBTQIA+ na avenida Paulista. Foto: Divulgação
A Câmara Municipal de São Paulo aprovou em primeira votação, nesta quarta-feira (20), um projeto de lei que restringe a realização de eventos LGBTQIA+ em vias públicas da capital.
A proposta, apresentada por Rubinho Nunes (União Brasil), determina que atividades que “façam alusão ou fomentem práticas LGBTQIA+”, incluindo a Parada do Orgulho LGBT+, sejam realizadas exclusivamente em espaços fechados, com controle de acesso e classificação indicativa para maiores de 18 anos.
O texto também proíbe a interdição de ruas e avenidas para esse tipo de manifestação e estabelece multas que podem chegar a R$ 1 milhão em caso de descumprimento. Segundo a justificativa apresentada pelo vereador, a medida busca proteger crianças e adolescentes e reduzir impactos urbanos provocados por grandes eventos realizados na cidade.
A votação ocorreu poucas semanas antes da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo de 2026, marcada para 7 de junho na Avenida Paulista. O evento é considerado um dos maiores do gênero no mundo e tradicionalmente reúne milhares de participantes na região central da capital paulista.
Segundo a organização do evento, o patrocínio caiu 60% entre 2025 e 2026 após a saída de empresas multinacionais, movimento que os organizadores associam ao avanço de políticas antidiversidade em outros países.
Atrações na Parada do Orgulho LGBTQIA+. Foto: Divulgação
Na mesma sessão, os vereadores aprovaram outro projeto relacionado à pauta LGBTQIA+, desta vez com conteúdo distinto. A proposta é de autoria da vereadora Amanda Paschoal (PSOL) e altera a Lei Municipal nº 17.301/2020 para impedir que empresas ou entidades condenadas por discriminação relacionada à orientação sexual ou identidade de gênero recebam benefícios do município.
A medida veta a celebração de contratos públicos, concessão de incentivos fiscais, patrocínios e outras formas de apoio financeiro a organizações condenadas administrativa ou judicialmente por práticas discriminatórias contra pessoas LGBTQIA+.
O projeto também prevê mecanismos permanentes de fiscalização. Entre eles estão a criação de canais de denúncia, a análise anual dos contratos firmados pela administração municipal e a possibilidade de suspensão de benefícios concedidos a entidades que descumprirem as determinações previstas na legislação.
Além disso, organizações que infringirem as regras poderão ser incluídas em cadastro de inidoneidade do município. A proposta busca ampliar o monitoramento da aplicação de recursos públicos e estabelecer critérios para a relação entre a administração municipal e entidades privadas.
As duas propostas ainda precisam passar por nova votação na Câmara Municipal antes de seguirem para eventual sanção ou veto do Executivo. As aprovações ocorreram em um contexto de discussões sobre a realização da Parada LGBT+ de 2026.
A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ter identificado a transferência de R$ 14,2 milhões, em 2024, de um fundo ligado ao grupo Refit para a empresa Ciro Nogueira Agropecuária LTDA, pertencente a familiares do senador Ciro Nogueira (PP).
A movimentação consta de relatório encaminhado ao STF no âmbito da Operação Sem Refino, que investiga suposto esquema de fraudes fiscais e sonegação no setor de combustíveis. Segundo os investigadores, os recursos saíram da empresa Athena Real Estate LTDA, vinculada ao fundo EUV Gladiator, que possui ligação societária com estruturas associadas ao grupo empresarial investigado.
De acordo com a PF, a análise contábil da Athena apontou capital social de R$ 22 milhões e uma transferência de R$ 14,2 milhões para a empresa ligada à família do senador. O relatório não detalha as circunstâncias da operação, que permanece sob apuração.
O grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, é controlado pelo empresário Ricardo Magro, apontado pela investigação como líder de uma organização criminosa suspeita de utilizar estruturas públicas para favorecer interesses empresariais.
Magro teve prisão decretada na Operação Sem Refino e é considerado foragido pelas autoridades brasileiras. Ao g1, o senador afirmou que o valor corresponde à venda de uma área de 40 hectares em Teresina (PI), destinada à instalação de uma distribuidora de combustíveis.
“Pelo que fui informado, aqui pela empresa, uma empresa que eu não sou nem sócio, mas eles compraram uma grande área para construir uma distribuidora aqui em Teresina, uma área de R$ 14 milhões, 40 hectares na saída de Teresina, uma das áreas mais valorizadas de Teresina. E é uma área que hoje vale muito mais do que esses R$ 14 milhões. E que essa empresa ia construir, depois, ela teve uma série de denúncias, resolveu não fazer esse empreendimento”, declarou o senador.
O empresário Ricardo Magro. Foto: Divulgação
Em nota, a assessoria do parlamentar afirmou que a negociação ocorreu de forma regular e foi comunicada aos órgãos competentes. O texto informa ainda que a empresa familiar atua no mercado imobiliário e que, na época da transação, a participação societária de Ciro era inferior a 1%.
Atualmente, segundo a nota, ele não possui participação na companhia. A defesa sustenta que os valores envolvidos eram compatíveis com os preços praticados no mercado para a região onde está localizado o imóvel.
Embora não seja alvo da Operação Sem Refino, o senador aparece de forma indireta nas investigações. O STF autorizou buscas contra Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro, ex-secretário-executivo da Casa Civil durante a gestão de Nogueira no governo Bolsonaro.
Segundo a PF, uma empresa apontada como “de passagem” e ligada ao grupo investigado transferiu cerca de R$ 1,3 milhão para estruturas relacionadas ao ex-assessor. Os investigadores afirmam que os recursos recebidos por Jonathas eram rapidamente repassados ao beneficiário final.
“Os valores creditados foram rapidamente transferidos diretamente ao próprio beneficiário final JONATHAS ASSUNÇÃO SALVADOR NERY DE CASTRO, cerca de R$1.325.000,00. Tal padrão evidencia baixa permanência dos recursos na conta, típico de empresa de passagem, sem identificação de despesas operacionais compatíveis com a atividade declarada de consultoria, como folha de pagamento, estrutura administrativa relevante ou custos técnicos proporcionais aos valores recebidos”, diz a PF no relatório enviado ao STF.
A nota divulgada pela assessoria do senador afirma que ele não praticou qualquer irregularidade e atribui a divulgação do caso a tentativas de desgastar sua imagem. O comunicado sustenta que o parlamentar é “o principal interessado no esclarecimento dos fatos” e destaca que as acusações surgem em período eleitoral.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou nesta quinta (21) ter solicitado uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Questionado por jornalistas no Congresso sobre quem teria articulado o encontro, o parlamentar respondeu em inglês: “No, I didn’t ask anything. Nobody asked [Não, não pedi nada. Ninguém pediu, em português]”.
Segundo aliados do senador, a reunião poderá ocorrer na próxima semana e teria partido de um convite feito pelo próprio governo americano. Até o momento, a Casa Branca não confirmou oficialmente a realização do encontro nem comentou a existência do convite.
Ao ser novamente questionado sobre o tema, Flávio manteve as respostas em inglês e ironizou o presidente Lula. “I’m speaking like this because Lula cannot understand what I’m talking about [Estou falando assim porque Lula não consegue entender o que estou dizendo, em português]”, afirmou aos repórteres.
O senador também evitou dar detalhes sobre a possível agenda nos Estados Unidos. “Call to White House and ask them if this is true or false [Ligue para a Casa Branca e pergunte se isso é verdadeiro ou falso, em português]”, declarou ao ser perguntado sobre a confirmação da reunião.
🗣️ “Call the White House and ask them if this is true or false.”
A suposta viagem ocorre em meio às articulações da pré-campanha presidencial de Flávio. O senador vem ampliando compromissos políticos nacionais e internacionais enquanto busca consolidar seu nome para a disputa.
Na semana passada, vieram a público conversas entre Flávio e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Nas mensagens, o senador solicita recursos para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nenhuma autoridade americana confirmou o encontro com Trump até o momento. Membros de sua pré-campanha disseram a veículos de imprensa que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, fez o convite e que a agenda foi articulada pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty reagiram com cautela à informação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretende se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Aliados do parlamentar disseram que ele vai se reunir com o republicano na próxima semana.
Segundo diplomatas ouvidos pela coluna de Igor Gadelha no Metrópoles, o governo brasileiro ainda não recebeu confirmação oficial sobre o encontro. Nos bastidores, interlocutores avaliam que a divulgação da agenda pode estar relacionada ao momento político enfrentado pelo senador.
A avaliação de parte dos diplomatas é que a notícia da possível reunião foi utilizada como cortina de fumaça para desviar o foco da crise envolvendo a relação de Flávio com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
No Palácio do Planalto, auxiliares do presidente Lula também afirmam não ter recebido qualquer confirmação sobre a agenda entre o senador e Trump. Mesmo diante da possibilidade de o encontro ocorrer, assessores do governo minimizam eventuais efeitos políticos da reunião para o cenário nacional. “Não nos preocupa”, afirmou um assessor ligado ao presidente Lula.
Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
A Casa Branca e a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil não confirmaram até o momento o encontro de Flávio e Trump.
Membros da pré-campanha do senador têm dito a veículos de imprensa que o convite partiu de Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, e que a articulação para viabilizar o encontro envolveu o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
Se confirmado, o encontro deve ocorrer semanas após uma viagem de Lula aos Estados Unidos para reunião com Trump. O petista esteve na Casa Branca na primeira semana de maio para discutir o “tarifaço”, parcerias no setor de minérios e ações conjuntas de combate ao crime organizado.
Mensagens obtidas pelo Intercept Brasil mostram que Daniel Vorcaro reclamou diretamente com Thiago Miranda, sócio do Portal Leo Dias, após a publicação de uma reportagem revelando a existência de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro (PL), em 1º de agosto de 2025. Cerca de uma hora depois, o conteúdo foi retirado do ar.
Os diálogos indicam que o banqueiro acompanhava de perto a divulgação do projeto, do qual era o principal financiador. Às 12h07 daquele dia, Vorcaro enviou uma mensagem pelo WhatsApp demonstrando incômodo com a publicação.
“Opa tudo bem? Achei que divulgar que ta fazendo o filme muito ruim, nao acha?”, escreveu ao empresário. A reportagem havia sido publicada pelo Portal Leo Dias poucas horas antes e trazia detalhes inéditos sobre a produção cinematográfica.
O ex-presidente Jair Bolsonaro em entrevista a Leo Dias. Foto: Reprodução
Miranda, que também atuava como intermediador de repasses financeiros ao filme, respondeu às 12h40 concordando com a avaliação do banqueiro. “Acho muito!! Tínhamos combinado de não divulgar nada. Vou entender agora com o Mário”, afirmou. Em seguida, Vorcaro reforçou sua insatisfação: “Mas soltou no Leo. Mto ruim”.
Poucos minutos depois, o sócio do portal prometeu agir para retirar a reportagem. “Acabei de ver. Vou pedir pra apagar”, escreveu às 12h46. Na mesma sequência de mensagens, afirmou ter conversado com “Mário e Flávio”, em referência ao deputado federal Mário Frias (PL-SP) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ambos ligados ao projeto.
Miranda justificou o vazamento dizendo que as gravações e testes já haviam começado. “Mas não vai aparecer nome de ninguém. Eles me garantiram isso”, escreveu. Às 12h49, informou ao banqueiro: “Já mandei deletar”. Mesmo assim, Vorcaro voltou a reclamar.
Mensagens entre Thiago Miranda e Daniel Vorcaro. Foto: Reprodução
O empresário reconheceu o erro e reiterou que a matéria seria removida. “Vc tá certo. Como ninguém sabe de nada, eles fizeram e não passou por mim. Foi erro meu. Mas já mandei apagar”, respondeu. Às 13h06, confirmou a exclusão do conteúdo e acrescentou: “Resolvido. Flavio disse que vai te dar uma ligada tb”.
A reportagem retirada do ar tinha o título “História de Bolsonaro vira filme nos EUA; ex-presidente será retratado como herói”. O texto antecipava a sinopse de “Dark Horse”, citava integrantes da equipe de produção, mencionava a escolha de atores para interpretar familiares do ex-presidente e informava que o atentado em Juiz de Fora (MG) faria parte da narrativa. Não havia referência ao financiamento do longa nem ao envolvimento de Vorcaro.
O Portal Leo Dias afirmou, por meio da advogada Hallyne Marques, que o material foi removido por dúvidas sobre a apuração. “Recebemos o material de uma fonte e, como não estávamos 100% convictos da apuração, acabamos por retirar do ar. A decisão passou por Thiago Miranda, então CEO do portal”, informou a defesa.