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Plataforma vai coletar sugestões da sociedade para construção do programa de governo do PT

29 de Maio de 2026, 18:56

A Fundação Perseu Abramo, centro de formação política e de produção de conhecimento do PT, lançou hoje (29/5) uma plataforma de escuta social para colher sugestões ao programa de governo do partido, tendo em vista as eleições de outubro. Leia em TVT News.

Ao acessar a página da ferramenta (www.planoparticipativobrasil.org.br), o cidadão poderá opinar sobre os pontos do plano participativo Pelo Brasil, pelos brasileiros. O texto está dividido em treze eixos, que contemplam áreas prioritárias para os organizadores.

“Nessa ferramenta moderna, a plataforma digital, podemos apresentar um plano e ouvir as opiniões para construir um programa a ser apresentado a toda a sociedade brasileira. Este é um dos passos de um processo amplo de escuta que o PT e a FPA vão fazer a partir de agora”, definiu Brenno Almeida, presidente da Fundação Perseu Abramo.

Como fazer sugestões para o programa de governo do PT

As sugestões, de forma individual ou coletiva, podem ser feitas pela sociedade até 30 de junho. Todas as contribuições serão avaliadas por grupos de trabalho envolvidos na montagem do programa final a ser apresentado à sociedade antes do início da campanha eleitoral.

A plataforma e o plano são organizados pela Fundação Perseu Abramo com o apoio de outras fundações partidárias, como a Maurício Grabois (PCdoB), Herbert Daniel (PV), Leonel Brizola-Alberto Pasqualini (PDT) e João Mangabeira (PSB).

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As sugestões, de forma individual ou coletiva, podem ser feitas pela sociedade até 30 de junho. Reprodução / Plano Participativo

“Qualquer pessoa pode se cadastrar e apresentar emendas ao documento base que vai ficar disponível para avaliação”, destaca José Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo do PT.

O lançamento da plataforma teve a presença do presidente do PT, Edinho Silva, da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, da presidenta do Psol, Paula Coradi, entre outros dirigentes petistas e de siglas aliadas de várias regiões do país.

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Analfabeto digitalizado: dados de conectividade e INAF revelam o impacto no eleitor

21 de Maio de 2026, 16:01

Artigo do publicitário, especialista em marketing político, Christian Jauch sobre conectividade e o impacto no eleitor.

Por Christian Jauch 

Vivemos um paradoxo silencioso e perigoso. Nunca tivemos tanto acesso à informação, estivemos tão conectados, e nunca foi tão fácil consumir conteúdo, opinar, compartilhar e reagir em tempo real.

Ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil separar informação de interpretação, dado de narrativa, conhecimento de impressão.

A promessa da internet era clara: democratizar o acesso ao conhecimento. E, de fato, isso aconteceu. O problema é que o acesso cresceu em uma velocidade muito maior do que a capacidade de interpretação.

E é nesse descompasso que surge um fenômeno central para entender o cenário político atual: o analfabeto digitalizado.

O que é o analfabeto digitalizado

O termo não descreve alguém desconectado, descreve exatamente o oposto. O analfabeto digitalizado é alguém profundamente inserido no ambiente digital. Está nas redes sociais, consome vídeos, lê manchetes, participa de discussões, recebe informação o tempo todo. Mas não necessariamente consegue interpretar o que consome.

Essa é a diferença central.

  • Consumir não é compreender.
  • Estar exposto não é entender.
  • Receber informação não é formar pensamento crítico.

E quando essa diferença escala para milhões de pessoas, o problema deixa de ser individual e passa a ser estrutural.

Os números mostram um país hiperconectado

Se olharmos apenas para conectividade, o Brasil parece um caso de sucesso. Os dados de 2024 mostram um cenário robusto:

MétricaDado (2024)Contexto
População Total203 milhõesBase para o consumo digital
Brasileiros acima de 16 anos160 milhõesPúblico-alvo para informação política
Linhas com acesso à internet270 milhõesInfraestrutura de conectividade
Pessoas conectadas168 milhõesUsuários ativos da internet
Presentes em redes sociais144 milhõesEngajamento em plataformas
Acesso via celular90%Principal meio de consumo de conteúdo

Além disso, o Brasil aparece entre os países mais conectados do mundo:

  • 2º lugar em tempo médio de uso da internet (9h13 por dia)
  • 3º lugar em presença em redes sociais
  • 5º lugar em número de usuários de internet

Se pararmos aqui, a leitura é otimista. Um país conectado, ativo, participativo. Mas essa é só metade da história.

Conectividade não é conhecimento

O erro está em assumir que acesso gera entendimento. Não gera. “A conectividade amplia a exposição. Mas não garante interpretação.” E é exatamente aí que entra o segundo conjunto de dados — muito mais incômodo.

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O acesso cresceu em uma velocidade muito maior do que a capacidade de interpretação. Foto: Pexels

O INAF 2024 revela o problema oculto

O Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF) de 2024 mostra que a capacidade de interpretação no Brasil é extremamente desigual. E, mais importante, revela que o problema não está apenas no analfabetismo tradicional. Existe uma camada muito maior de limitação cognitiva funcional, que impacta diretamente a forma como a informação digital é processada.

INAF: Distribuição de Capacidade de Interpretação

FaixaPercentualCapacidadeImpacto DigitalRisco Político
Analfabetos7%Não conseguem ler ou escrever frases simples.Extremamente vulneráveis a desinformação visual e áudio.Manipulação por conteúdo simplificado e emocional.
Rudimentares22%Identificam informações básicas em textos simples.Dificuldade em discernir fontes e contextos complexos.Formação de opinião baseada em manchetes e fragmentos.
Elementares36%Compreendem textos médios, com limitações de inferência.Podem ser enganados por narrativas bem construídas, mas superficiais.Vulneráveis a polarização por falta de análise aprofundada.
Intermediários25%Interpretam textos mais complexos, mas com dificuldade em abstrações.Capazes de filtrar parte da desinformação, mas ainda suscetíveis a vieses.Podem ser influenciados por argumentos emocionais ou populistas.
Proficientes10%Analisam, comparam e interpretam com profundidade e criticidade.Resistentes à desinformação, buscam fontes e análises diversas.Tomada de decisão mais informada e menos suscetível a manipulação.

Agora junta os dois mundos

Aqui está o ponto que pouca gente encara de frente:

  • o Brasil é altamente conectado (dados de 2024)
  • mas majoritariamente com limitações de interpretação (dados do INAF 2024)

Isso significa que temos milhões de pessoas:

  • expostas a um volume massivo de informação
  • consumindo conteúdo constantemente
  • participando do debate público

Mas sem necessariamente ter repertório crítico para filtrar, comparar e interpretar.

É isso que define o analfabeto digitalizado.

Contraste: Conectividade vs. Capacidade de Interpretação

AspectoRealidade (2024)Consequência
Acesso à Informação168 milhões de pessoas conectadas.Volume massivo de dados disponível a todo momento.
Capacidade de Interpretação65% da população com alfabetismo funcional rudimentar ou elementar (INAF 2024).Dificuldade em filtrar, analisar e contextualizar informações complexas.
Comportamento DigitalConsumo acelerado, fragmentado e via celular.Formação de opinião baseada em estímulos curtos e emocionais.

A ilusão do entendimento

O ambiente digital cria uma sensação de domínio. A pessoa vê um vídeo, lê uma manchete, acompanha um corte e rapidamente forma uma opinião. Mas essa opinião não vem de análise. Vem de exposição. Esse é um dos efeitos mais perigosos da hiperconectividade: a ilusão de que ver é entender.

E isso muda completamente a dinâmica do debate público.

O impacto direto da conectividade na política

Esse cenário altera o comportamento do eleitor. O consumo de informação deixa de ser linear e passa a ser fragmentado. O eleitor não acompanha processos completos, ele reage a estímulos, isso muda o jogo.

A disputa política deixa de ser apenas:

  • quem tem a melhor proposta
  • quem tem mais preparo
  • quem tem melhor histórico

E passa a ser também:

  • quem simplifica melhor
  • quem comunica mais rápido
  • quem gera mais identificação imediata

A ascensão da reação sobre a reflexão

O ambiente digital favorece a velocidade. E a velocidade favorece a reação.

Isso cria um cenário onde:

  • conteúdos curtos ganham espaço
  • interpretações rápidas se espalham
  • emoções têm mais peso que análise

Não porque as pessoas não sejam capazes de pensar, mas porque o ambiente não estimula esse tipo de comportamento.

O terreno perfeito para narrativas

Quando você combina:

  • alta conectividade
  • baixa capacidade média de interpretação (INAF 2024)
  • consumo fragmentado de conteúdo

Você cria o ambiente ideal para a circulação de narrativas simplificadas.

Narrativas que não precisam ser completas. Precisam apenas ser compreensíveis e replicáveis.

E é aqui que entra a inteligência artificial

Se já existe dificuldade de interpretação em um ambiente saturado de informação, o que acontece quando ferramentas passam a produzir conteúdo em escala, com aparência de autoridade?

A inteligência artificial não cria esse cenário, ela potencializa. Mas antes de tratá-la como solução, é necessário entender sua natureza. Porque existe um erro conceitual que precisa ser corrigido: a inteligência artificial não pensa.

E entender isso muda completamente a forma como as campanhas devem usar a tecnologia.

Eu aprofundo esse ponto no próximo artigo da série

Leia também: Inteligência Artificial não pensa: por que ela só amplifica quem a comanda

Conclusão

O problema não é falta de informação. É excesso sem filtro.

O desafio não é o acesso. É interpretação.

E, no centro desse cenário, está um eleitor que participa, consome, reage — mas nem sempre compreende em profundidade o que está diante dele.

Isso não simplifica a política. Complica.

Porque exige não apenas comunicação, mas entendimento do ambiente em que essa comunicação acontece.

Reflexão

Se o Brasil nunca esteve tão conectado, por que a sensação de confusão só aumenta?

estamos formando uma sociedade mais informada…
ou apenas mais exposta?

E mais:

no ambiente digital, estamos estimulando o pensamento…
ou apenas acelerando a reação?


Sobre o autor

Christian Jauch é um publicitário com mais de 20 anos de experiência, especializado em branding, design, inovação, tecnologia, inteligência artificial, automação de processos, marketing político e comunicação governamental.

Estrategista político com duas décadas de experiência na integração entre tecnologia e comunicação em campanhas de todas as esferas (municipal, estadual e federal).

Atualmente, é especialista na aplicação tática de Inteligência Artificial para blindagem e estratégia eleitoral.

Há 12 anos, também lidera campanhas para a OAB. Membro do CAMP (Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político) e co-fundador da Alcateia Política. Mais artigos:

Outras reflexões sobre o tema podem ser lidas no blog: www.christianjauch.com.br


Os artigos dos colunistas expressam as opiniões individuais da autora ou do autor e não, necessariamente, refletem a opinião da TVT News

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O centro que tenta nascer em meio ao barulho dos extremos

25 de Março de 2026, 17:54

Por Nilson Hashizumi


Há algo curioso acontecendo na política brasileira.

Enquanto os extremos seguem organizados, barulhentos e emocionalmente mobilizados, uma parte significativa do país parece ter entrado em silêncio.

Não é apatia.
É exaustão.

Exaustão de um debate que não avança, de posições que não dialogam e de uma lógica onde vencer parece mais importante do que governar.

É nesse espaço — difuso, fragmentado, ainda sem identidade clara — que surge, mais uma vez, a tentativa de construção de uma terceira via.

Mas há um detalhe importante que costuma ser ignorado:

O centro não nasce da ausência de extremos. Ele precisa ser construído como presença.

A engenharia política que tentou dar forma ao centro

No fim de janeiro de 2026, Gilberto Kassab fez um movimento que, à primeira vista, parecia reunir todos os elementos da racionalidade política.

Atraiu três governadores em fim de mandato — Ronaldo Caiado, Ratinho Junior e Eduardo Leite — e organizou uma espécie de “pré-seleção” para a disputa presidencial.

A ideia era simples, quase didática:

escolher entre os três aquele que tivesse melhores condições de competir, unificar o grupo e apresentar ao país uma candidatura de centro, moderada, dialogadora, sem os vícios dos extremos.

Na lógica da estratégia, fazia sentido.

Na lógica da política real, nem tanto.

Porque política não é apenas construção de cenário.

É disputa de percepção.

Quando o plano encontra a realidade

Ratinho Junior foi anunciado como pré-candidato.

Duas semanas depois, desistiu.

E esse movimento, que pode parecer apenas mais um capítulo da dinâmica eleitoral, na verdade revela algo mais profundo:

O centro ainda não encontrou o seu próprio chão

Com cerca de 7% das intenções de voto no início de março, segundo a Genial/Quaest, Ratinho ocupava exatamente o lugar onde muitas candidaturas de centro param:

existe, aparece, mas não se impõe.

É lembrado — mas ainda não é escolhido.

E na política, essa diferença é brutal.

O jogo que acontece fora dos holofotes

Enquanto o centro tenta se organizar, os extremos seguem jogando.

A reaproximação entre Jair Bolsonaro e Sergio Moro não é apenas um gesto político.

É reposicionamento de força.

É reorganização de território.

É mensagem para dentro e para fora.

Ao fortalecer o palanque no Paraná, ao mesmo tempo em que reconfigura relações internas, o campo conservador demonstra algo que o centro ainda não conseguiu fazer:

agir como bloco.

Já o centro, até aqui, se comporta como soma.

E soma, em política, raramente vence bloco organizado.

O dado que revela o espaço — e o problema

Se a movimentação das lideranças mostra o jogo político, os dados mostram o humor da sociedade.

E o humor é claro: o país está dividido — e cansado.

A pesquisa Genial/Quaest de fevereiro de 2026 mostra um cenário de equilíbrio tenso: 45% aprovam o governo Lula, enquanto 49% desaprovam.

Em março, a desaprovação cresce para 51%, com 44% de aprovação.

Não há ruptura.

Mas há desgaste.

E mais do que isso: há um dado que costuma passar despercebido —

os eleitores independentes, aqueles que poderiam sustentar uma candidatura de centro, não estão plenamente convencidos por nenhum dos lados.

O centro existe.
Mas ainda não se reconhece como escolha.

O erro recorrente: tratar o centro como estratégia — e não como identidade

Há um equívoco que se repete eleição após eleição.

Imaginar que o centro pode ser construído por engenharia política.

Não pode.

Centro não é posicionamento técnico.
Centro é percepção social.

Não se define em reunião.
Se constrói na trajetória.

Não se impõe por acordo.
Se conquista por confiança.

E aqui entra um ponto que deveria ser óbvio, mas raramente é tratado com a devida seriedade:

reputação não se improvisa em ano eleitoral.

Entre a intenção e a viabilidade

O movimento de Kassab tem mérito.

É, talvez, a tentativa mais estruturada dos últimos anos de dar forma a uma alternativa fora da polarização.

Mas esbarra em três barreiras que não se resolvem com articulação:

1. O eleitor não escolhe apenas com a razão — escolhe com identidade
E identidade, hoje, está ancorada nos extremos.

2. O centro não mobiliza — ainda
Porque não oferece pertencimento claro.

3. Visibilidade não é viabilidade
Ser conhecido não é o mesmo que ser escolhido.

E a política, no fim, é sobre escolha.

2026 não será uma eleição simples

Lula chega competitivo, mas sob desgaste.

O campo conservador se reorganiza e tenta reviver sua força.

E, entre esses dois polos, existe um eleitor que não quer repetir 2018, nem reviver 2022.

Mas querer algo diferente não significa saber o que escolher.

E esse é o espaço — e o desafio — da terceira via.

A travessia que ainda não começou

A pergunta não é se há espaço para o centro.

Há.

A pergunta é outra: há alguém capaz de transformar esse espaço em confiança?

Porque, no fim, é sempre sobre isso.

Trajetória gera reputação.
Reputação gera confiança.
E confiança é o que sustenta qualquer projeto de poder legítimo.

Sem isso, não há terceira via.

Há apenas tentativa.

Sobre o autor

NILSON HASHIZUMI

Nilson Hashizumi é estrategista de marketing político e corporativo, jornalista, fotógrafo, gestor de cultura e preparador de candidatos, grupos e agremiações políticas, com MBA em Comunicação Governamental e Marketing Político. Co-fundador da Alcateia Política, orientou, coordenou e defendeu candidatos majoritários em São Paulo e Pará e candidatos proporcionais em São Paulo e Minas Gerais.

Orientado a resultados, trabalha com visão de processos na gestão da comunicação on e off-line para a construção de reputação, imagem e formação de opinião. Atuou por mais de 30 anos na iniciativa privada, organizações da sociedade civil e entidades de classe antes de atuar em favor de entes políticos. Associado ao CAMP.

Especialista em campanhas e comunicação governamental, integra estratégias on-line e off-line na construção de imagem pública

Defende que reputação é patrimônio — construída pela trajetória, sustentada pela coerência e reconhecida pela confiança.


Os artigos dos colunistas expressam as opiniões individuais da autora ou do autor e não, necessariamente, refletem a opinião da TVT News

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VÍDEO – Moro puxa saco de Flávio, ataca Lula e sugere que ele fraudou as eleições

24 de Março de 2026, 13:16
Flávio Bolsonaro e Sergio Moro durante evento de filiação do senador ao PL em Brasília, nesta terça (24). Foto: Reprodução

O senador Sérgio Moro (PL-PR) oficializou sua filiação ao Partido Liberal (PL) nesta terça-feira (24), com o objetivo de concorrer ao governo do Paraná nas eleições de outubro deste ano. O evento ocorreu em Brasília e contou com a presença de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência.

Durante o discurso, Moro atacou o presidente Lula e chegou a sugerir que houve fraude nas eleições de 2022. “Lula foi eleito entre aspas aqui no Brasil e está do lado dos criminosos e minimiza o crime a todo momento”, disse o ex-juiz. Ele ainda tentou tenta culpar o petista pelos escândalos do INSS e do Master.

O parlamentar também prometeu palanque a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Paraná e disse estar “ansioso para ver seu pai [o ex-presidente Jair Bolsonaro] em casa”, em meio a movimentos para conseguir a liberação para prisão domiciliar.

“O Paraná não vai faltar ao seu projeto presidencial. Vamos trabalhar para que vossa excelência tenha vitória, uma grande vitória no nosso estado, que será uma vitória para o nosso país”, completou.

Sérgio Moro filia-se ao Partido Liberal (PL) para concorrer ao governo do Paraná e promete palanque forte a Flávio Bolsonaro:

“Flávio, o Paraná não vai lhe faltar, porque o Paraná não vai faltar ao Brasil. Estou ansioso para ver Jair Bolsonaro em casa, por questão de justiça.” pic.twitter.com/WVNOxSbCly

— Pri (@Pri_usabr1) March 24, 2026

A filiação de Moro ao PL representa um rompimento com o atual governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), que anunciou sua desistência da pré-candidatura à presidência na segunda (23) e optou por concluir seu mandato no estado.

O evento também serviu para anunciar os candidatos ao Senado na chapa de Moro: o deputado Felipe Barros (PL-PR) e o ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo-PR), ambos com forte ligação à Operação Lava Jato. A ideia da chapa é fortalecer a imagem do Paraná como o estado da Lava Jato, onde Moro atuou como juiz e Dallagnol como procurador.

Moro tem uma história de relação conturbada com o PL. Antes de sua filiação, o partido pediu sua cassação por abuso de poder nas eleições, mas o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) o inocentou. A decisão foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apesar do recurso do partido.

Em 2018, Moro aceitou o convite de Bolsonaro para ser ministro da Justiça. Após um 1 e 4meses no cargo, ele deixou o governo devido a um desentendimento com o então presidente, que decidiu trocar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, indicado pelo então ministro.

Embora tenha se afastado de Bolsonaro, Moro ainda o apoiou nas eleições de 2022 contra Lula, vencedor do pleito.

Como a polarização engoliu o debate moderado e como reconquistar o eleitor independente

19 de Março de 2026, 18:01

Por Edson Panes de Oliveira Filho

Como a polarização engoliu o debate moderado e qual estratégia pode reconquistar o eleitor independente

Nos últimos anos, a política brasileira deixou de ser um campo plural de ideias para se transformar em um território de trincheiras. Em 2026, essa lógica não apenas persiste: ela se intensifica.

A polarização, que antes parecia um fenômeno conjuntural, tornou-se estrutural, moldando comportamentos, narrativas e até identidades sociais.

O espaço tradicionalmente ocupado pelo debate moderado encolheu diante de duas máquinas narrativas poderosas: a da direita conservadora e a da esquerda progressista.

Em meio a esse fogo cruzado, permanece um grupo silencioso, mas decisivo: o eleitor independente, que rejeita os extremos e busca uma política pragmática, de resultados.

Mas como chegamos até aqui? E, mais importante, como os candidatos podem “pescar” esse eleitor que está fora das bolhas?

A implosão do centro político: quando a moderação deixou de viralizar

A política brasileira sempre conviveu com contrastes, mas a hiperconexão trouxe novas regras. O algoritmo recompensa:

  • Paixão;
  • Conflito;
  • Identidade;
  • Reação imediata.

E penaliza:

  • Conteúdo técnico;
  • Discussões equilibradas;
  • Argumentos racionais;
  • Tom moderado.

No ecossistema atual, o centro não viraliza e quem não viraliza, desaparece. O debate moderado, portanto, não acabou por falta de demanda, mas por falta de tração algorítmica.

A esquerda e a direita entenderam isso antes de todos.

A direita construiu uma comunidade digital hiperengajada, alimentada por símbolos, antagonismos e linguagem simples. A esquerda, por sua vez, responde com forte narrativa institucional e foco na defesa de políticas públicas. Ambas prosperam nas redes e ambas ocupam a maior parte do espaço mental do eleitor comum.

O eleitor independente: quem é e como pensa em 2026

Apesar da predominância dos polos, o eleitor independente não desapareceu. Ele apenas ficou soterrado na guerra de narrativas.

Os dados dos últimos 120 dias mostram que:

  • De 17% a 20% dos brasileiros se apresentam como “centro”;
  • Um grupo adicional — entre 15% e 18% — rejeita abertamente tanto a esquerda quanto a direita, o famoso “nem-nem”;
  • A taxa de indecisos caiu a níveis historicamente baixos (cerca de 2%), indicando que esse eleitor não é desinformado — ele é desinteressado pelas narrativas tradicionais.

O que todos esses grupos têm em comum?

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Eleitora realizando o processo de biometria para realizar o voto em Santa Catarina (SC). Foto: Reprodução/ TRE-SC

Eles querem resultados, não guerras culturais.

O eleitor independente não está interessado em quem “lacrou”, quem “expôs”, quem “venceu o debate”. Ele quer:

  • Segurança;
  • Estabilidade econômica;
  • Previsibilidade;
  • Políticas públicas tangíveis;
  • Uma narrativa de futuro.

Mas, por não ver essas pautas bem explicadas, ele se afasta — não da política, mas do barulho político.

O desafio dos candidatos: romper as bolhas sem ser engolido por elas

Para conquistar o eleitor independente em 2026, o candidato precisa de uma estratégia clara: falar com o centro sem irritar as bases — uma manobra delicada em tempos de radicalização digital.

Isso exige três movimentos essenciais:

1. Abandonar a “terceira via” abstrata e adotar uma proposta concreta de gestão

O eleitor moderado não se move por ideologias. Ele se move por:

  • Projetos;
  • Planos;
  • Indicadores;
  • Soluções reais.

O discurso deve enfatizar capacidade de gestão, eficiência e pragmatismo sem cair no tecnicismo frio que não gera conexão emocional.

2. Usar linguagem simples, mas não simplista

A grande vantagem das campanhas radicais é que elas são entendidas imediatamente.

Para competir nesse terreno, o candidato moderado precisa:

  • Traduzir políticas públicas em histórias reais;
  • Explicar medidas complexas com metáforas cotidianas;
  • Mostrar impacto direto na vida do eleitor.

Não basta “comunicar bem”: é preciso performar bem, porque a arena digital é visual, rápida e emocional.

3. Apostar na narrativa da “solução possível”

Enquanto a esquerda oferece esperança institucional e a direita oferece ordem moral, falta quem ofereça resolução prática.

O centro precisa se transformar na narrativa da “solução possível”:

“Enquanto eles brigam, eu resolvo.”

Esta mensagem, repetida com consistência, tem força para atrair quem está cansado da luta ideológica.

A estratégia vencedora: microsegmentação emocional + proposta concreta

A campanha eficaz para conquistar o eleitor independente precisa unir duas frentes:

1. Microsegmentação algorítmica

Falar com o eleitor pelo ângulo certo:

  • Para o jovem: mobilidade, ensino técnico, futuro do trabalho;
  • Para a mãe solo: renda, creches, proteção social;
  • Para o empreendedor: crédito, simplificação e juros;
  • Para o evangélico moderado: acolhimento emocional sem guerra cultural;
  • Para o motorista de app: combustível, segurança e renda mínima.

Cada grupo recebe um recorte do “projeto de futuro”, que dialoga com suas dores e expectativas.

2. Proposta de gestão narrada de forma humana

O centro só funcionará quando deixar de ser um “meio-termo” e passar a ser:

  • um projeto;
  • uma visão de país;
  • uma resposta à fadiga política da polarização.

O eleitor independente não quer neutralidade. Ele quer solução.

Conclusão: o centro não morreu — ele só precisa aprender a falar alto de novo

A polarização não engoliu o eleitor moderado. Ela apenas silenciou sua representação política. Para compreender e traduzir eficiência, equilíbrio e futuro em narrativas digitais e desbloquear um caminho poderoso para 2026, procure um dos profissionais de Marketing Político da Alcateia e assim, em um país cansado de extremos, verá que existe espaço e demanda por uma nova liderança capaz de unir:

  • performance digital;
  • solução prática;
  • empatia social.

Essa é a fórmula para conquistar quem realmente decide a eleição: o eleitor que não quer escolher um lado, mas escolher um caminho.


Sobre o autor

Edson Panes de Oliveira Filho


Edson Panes de Oliveira Filho é advogado e estrategista politico, Especialista em Direito Eleitoral, com MBA em Direito Empresarial, MBA em Gestão de Pessoas e MBA em Comunicação Governamental e Marketing Político, proprietário da CRIA Marketing Digital e Politico e cofundador do Alcateia Política.


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Pesadelos, medos e soluços: as reclamações de Bolsonaro na Papudinha

5 de Março de 2026, 11:01
Bolsonaro cercado por policiais. Foto: reprodução

Preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem dividido suas visitas entre encontros políticos e pessoais enquanto cumpre pena após condenação por tentativa de golpe de Estado. No local, segundo relatos de aliados que o visitaram nas últimas semanas, Bolsonaro aproveita os encontros para desabafar sobre sua situação e discutir estratégias eleitorais para este ano.

De acordo com a Folha, pessoas próximas dizem que o ex-presidente tem pesadelos frequentes e se lamenta de se alimentar pouco para evitar crises de soluço. Também relata preocupação com a segurança do filho, o senador Flávio Bolsonaro, temendo que ele possa sofrer um atentado durante a corrida eleitoral, como ocorreu com ele próprio nas eleições de 2018.

O ex-secretário de Assuntos Fundiários Nabhan Garcia esteve com Bolsonaro no sábado de Carnaval e afirmou que o ex-presidente pediu que transmitisse um recado ao filho para que tome cuidado durante a campanha.

Segundo o aliado, Bolsonaro se emocionou ao falar do assunto. Em um ato bolsonarista realizado em São Paulo no domingo (1º), Flávio chegou a usar um colete à prova de balas por baixo da camisa verde e amarela.

O temor também foi relatado em conversa com o bispo Robson Rodovalho, líder da igreja Sara Nossa Terra, que presta assistência religiosa ao ex-presidente com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). “Acho que Bolsonaro é um homem traumatizado. Ele teme por várias coisas e se sente injustiçado, impotente para se defender e defender os seus”, afirmou o bispo.

Vista aérea da Papudinha, onde Bolsonaro está preso. Foto: Google Maps

Bolsonaro também expressa preocupação com a própria saúde. Após uma cirurgia realizada em dezembro, ele disse a aliados que chegou a pensar que poderia morrer. Rodovalho afirmou que tem realizado orações durante as visitas para tentar tranquilizá-lo. “Eu trabalhei com ele a esperança, a fé no futuro. O corpo dele pode estar lá [na Papudinha], mas a mente tem que sair”, declarou.

Apesar de receber refeições enviadas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o ex-presidente tem demonstrado receio em relação à alimentação. “Ele não se alimenta muito. Fica com medo, receio de se alimentar e desencadear o soluço”, disse Rodovalho.

Mesmo detido, Bolsonaro continua participando de discussões políticas. Aliados afirmam que pré-candidatos têm visitado o ex-presidente em busca de apoio eleitoral e orientação para campanhas regionais. Segundo interlocutores, ele também acompanha de dentro da prisão a pré-campanha de Flávio Bolsonaro e articulações para formação de palanques nos estados.

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