O deputado federal Mario Frias (PL-SP) acusou a atriz Samara Felippo de mentir à Justiça ao justificar sua ausência em uma audiência de conciliação virtual. A nova manifestação entrou nos autos do processo que ele move contra a artista por danos morais.
Segundo a coluna de Fábia Oliveira, Frias contestou o atestado médico apresentado por Samara após a audiência. O parlamentar sustenta que a justificativa não combina com uma reportagem da revista Marie Claire, que apontaria a participação da atriz em uma oficina nos Estúdios Globo na mesma data do compromisso judicial.
A ação começou depois de uma publicação feita por Samara Felippo em suas redes sociais. Na postagem, a atriz associou o nome de Frias ao de criminosos condenados, como os irmãos Cravinhos e o ex-goleiro Bruno, ao afirmar que ele também teria “fãs”.
Frias alegou que a publicação atingiu sua honra e sua imagem pública. Ele pediu indenização de R$ 30 mil por danos morais, a remoção do conteúdo e a proibição de novas publicações semelhantes; a Justiça negou o pedido liminar para retirada do material.
Deputado federal Mario Frias, do PL. Foto: Reprodução.
Audiência virtual e atestado viram novo ponto de disputa
A audiência de conciliação virtual ocorreu em 29 de maio, mas Samara Felippo não participou. Dias depois, a atriz juntou aos autos um atestado médico para informar necessidade de afastamento e justificar a ausência.
Na nova petição, Mario Frias afirma que a presença da atriz em uma atividade nos Estúdios Globo, caso confirmada, torna incompatível a explicação apresentada ao juízo. O deputado argumenta que não havia impedimento real para que ela participasse da audiência virtual.
O parlamentar pediu que a Justiça rejeite a justificativa de Samara e reconheça que a ausência ocorreu sem motivo válido. Frias também requereu a decretação da revelia da atriz, medida que pode levar à presunção de veracidade dos fatos narrados por ele na ação.
Frias ainda solicitou a condenação de Samara Felippo ao pagamento de multa por litigância de má-fé, sob a alegação de que ela apresentou uma justificativa falsa. A Justiça analisará os argumentos das partes para decidir se considera a ausência devidamente justificada.
Tallis Gomes e Mark Zuckerberg em foto manipulada. Foto: reprodução
A assessoria de imprensa do G4 Educação esclareceu a polêmica envolvendo uma foto do CEO da empresa, Tallis Gomes, ao lado do bilionário Mark Zuckerberg, dono da Meta. A imagem foi publicada nas redes sociais pelo empresário e passou a ser questionada por usuários da rede X, que apontaram supostas inconsistências visuais e levantaram a hipótese de montagem com inteligência artificial.
Em nota, a assessoria afirmou que o registro é autêntico. “O encontro e a foto são reais, não se trata de um fake”, afirmou ao DCM.
Tallis Gomes, de 39 anos, é presidente da G4 Educação, plataforma de soluções empresariais que projeta alcançar R$ 1 bilhão em receita no próximo ano. O empresário bolsonarista publicou a imagem após participar de um evento de UFC promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo Gomes, o encontro com Zuckerberg ocorreu na Casa Branca. No domingo, Trump transformou o gramado da residência oficial em uma arena de MMA para celebrar seu aniversário de 80 anos. O evento reuniu apoiadores do presidente estadunidense e convidados para acompanhar lutas no octógono.
Na publicação, Gomes afirmou ter conversado rapidamente com Zuckerberg sobre temas como liberdade de expressão, eleições e empreendedorismo. “Na Casa Branca ontem, bati um papo rápido com o Zuckerberg sobre liberdade de expressão, eleições e empreender. Não foi conversa longa, mas reforçou o óbvio: sem liberdade de verdade, o jogo fica manipulado”, escreveu.
Na Casa Branca ontem, bati um papo rápido com o Zuckerberg sobre liberdade de expressão, eleições e empreender.
Não foi conversa longa, mas reforçou o óbvio: sem liberdade de verdade, o jogo fica manipulado. pic.twitter.com/DIzijL9awv
A postagem, no entanto, gerou questionamentos. Usuários da rede X observaram que a imagem trazia o logo da ferramenta Gemini, do Google, e passaram a afirmar que a fotografia teria sido criada por inteligência artificial. A marca foi interpretada por parte dos internautas como indício de que se tratava de uma imagem artificial ou manipulada.
A assessoria de Tallis Gomes negou que a foto tenha sido fabricada. Segundo a equipe do empresário, a imagem original foi capturada em um ambiente com pouca iluminação e depois passou por uma ferramenta de inteligência artificial para ajuste de qualidade.
“O que aconteceu é que a foto original foi tirada em um ambiente muito escuro e acabou passando por uma ferramenta de IA (Gemini) para melhorar a nitidez e a iluminação. Como esse tipo de tecnologia às vezes altera um pouco as texturas e feições, acabou gerando essa impressão de montagem, mas o registro de fato aconteceu”.
O presidente Lula, em evento do Partido dos Trabalhadores (PT). Foto: Rafaela Araújo/Folhapress
O PT comemorou a inscrição de mais de 50 mil pessoas como “porta-vozes” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais, em uma iniciativa voltada a ampliar a presença digital da pré-campanha de reeleição e responder ao bolsonarismo na internet.
A plataforma foi lançada em 9 de junho para mobilizar simpatizantes a produzir e compartilhar conteúdos favoráveis ao governo. O partido quer atuar com força especial no WhatsApp, apontado como um dos principais terrenos da disputa política digital.
A pré-campanha celebrou o marco de 50 mil inscritos e estabeleceu uma meta mais alta: chegar a meio milhão de apoiadores nas redes até o início dos programas eleitorais no rádio e na TV.
Éden Valadares, secretário de Comunicação do PT e idealizador da plataforma, disse que a proposta é transformar apoiadores em produtores de conteúdo local. “Nosso convite é para que esses simpatizantes abram a câmara, gravem, postem com seu sotaque, na sua comunidade, e a partir da sua realidade, os feitos do governo do presidente Lula”, afirmou.
O presidente do PT, Edinho Silva, durante o aniversário de 46 anos do Partido dos Trabalhadores. Foto: Divulgação/PT Brasil
A direção petista quer dar mais unidade ao discurso durante a pré-campanha eleitoral. Em discursos, o presidente do PT, Edinho Silva, defendeu que a militância atue com mais força nas redes sociais, e não apenas nas ruas.
Os inscritos já começaram a receber missões para produzir ou compartilhar materiais sobre temas considerados prioritários pela estratégia de comunicação da campanha. A orientação mira assuntos de maior circulação e maior impacto político no ambiente digital.
O partido também pretende usar a rede de porta-vozes no combate à desinformação. A atuação desses apoiadores deve envolver respostas a conteúdos bolsonaristas e difusão de mensagens alinhadas ao governo Lula.
A plataforma funciona como uma ferramenta de mobilização da pré-campanha antes do período de propaganda eleitoral no rádio e na TV, etapa em que o PT espera chegar com uma base digital organizada e mais numerosa.
O pré-candidato a presidência, Renan Santos. Foto: Divulgação/Luiz Rebelato
A Justiça de São Paulo negou um pedido de Renan Santos, líder do MBL e pré-candidato à Presidência pelo Missão, para que plataformas como X e Instagram removessem uma publicação feita por JR Freitas, líder de motoboys e pré-candidato a deputado estadual pelo PSol.
No post, Freitas publicou trecho de um boletim de ocorrência em que uma mulher relata ter sido vítima de assédio por Renan. O dirigente do MBL nega a acusação e afirma ter sido absolvido no caso. Nos autos, ele apresentou certidões para demonstrar que não possui antecedentes criminais.
Renan alegou à Justiça que era alvo de uma campanha de difamação. Também afirmou que Freitas teria omitido deliberadamente a informação de que ele foi absolvido e divulgado documento que, segundo a defesa, era sigiloso.
Olha o B.O aberto contra o candidato do MBL a presidência da República. Segundo o Renan Santos, isso é invenção da cabeça da garota. pic.twitter.com/PbP6xVTQME
O juiz Fabio Evangelista de Moura, da 45ª Vara Cível de São Paulo, rejeitou o pedido. Na decisão, o magistrado afirmou que a retirada de manifestações em redes sociais é uma medida excepcional e só deve ocorrer diante de clara violação de direitos.
O magistrado também entendeu que a publicação do boletim de ocorrência, por si só, não significa imputação direta de crime ao líder do MBL. Ele ressaltou que Renan, por ser figura pública, tem esfera de proteção à intimidade e à vida privada mais limitada, sem perder proteção contra conteúdos evidentemente falsos.
JR Freitas ganhou projeção em São Paulo durante a disputa sobre a regulamentação do serviço de mototáxi. Ele liderou mobilizações de entregadores e motoboys e atuou como interlocutor da categoria em debates com o governo federal sobre trabalho por aplicativo.
Em maio, Freitas participou de evento com Lula no lançamento de uma linha de crédito para motoristas de aplicativo. O motoboy é apontado como uma das apostas do PSol para a disputa à Assembleia Legislativa de São Paulo.
Por Guilherme Matos (Folhapress) – O homem de meia-idade veste jaleco branco e fala com a calma de quem passou décadas estudando. Parece, mas não é um profissional da saúde. Nunca existiu. Com voz e imagem geradas por inteligência artificial, o médico falso fez sucesso no TikTok afirmando que suco de batata combate males […]
Uma biomédica identificada como Nahe Rhayane viveu uma situação constrangedora durante uma mentoria promovida pelo grupo Natalia Beauty, empresa fundada pela empresária e influenciadora Natalia Martins. O episódio aconteceu na sexta-feira (29) e ganhou grande repercussão nas redes sociais após a divulgação de um vídeo gravado durante o evento.
Nas imagens, Nahe Rhayane relata que foi convidada a participar da mentoria e aproveitou um momento de perguntas para questionar quais seriam os diferenciais do programa em relação a outras mentorias oferecidas no mercado. Ela destacou que existem diversos profissionais que também atuam na área e perguntou o que tornaria a proposta da Natalia Beauty única para os participantes.
Inicialmente, um dos apresentadores do evento respondeu afirmando que nenhuma outra mentoria do setor alcançava os mesmos resultados e números da chamada “Circle”, programa da empresa. No entanto, a resposta foi interrompida por Natalia Martins, que afirmou que a participante estaria apenas tentando causar polêmica e declarou que ela não fazia parte do perfil desejado para o grupo.
A gravação rapidamente se espalhou pelas redes sociais e gerou debate entre internautas sobre a forma como a pergunta foi recebida durante o encontro.
E esse vídeo que tá rolando na rede vizinha, dessa tal Natalia Beauty humilhando uma biomédica que fez uma simples pergunta em um evento? pic.twitter.com/Trrqerr8xj
Na legenda das publicações, Nahe Rhayane classificou o episódio como “o pior dia da vida” e afirmou ter se sentido humilhada pela reação àquilo que considerou uma pergunta simples e legítima.
Após a repercussão do caso, Natalia Martins se manifestou nos comentários de uma página que compartilhou o vídeo. Segundo a empresária, a biomédica teria aproveitado a situação para ganhar visibilidade nas redes sociais.
Belo e Alcione durante abertura do primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo 2026. Imagem: reprodução
O amistoso entre Brasil e Panamá, disputado neste domingo (31), no Maracanã, teve repercussão antes mesmo de a bola rolar. Convidados para cantar o hino nacional, Belo e Alcione tiveram dificuldades para acompanhar o ritmo dos instrumentos no estádio.
Em alguns momentos, as vozes dos artistas ficaram desencontradas em relação ao acompanhamento musical. Também foi possível notar que Belo se confundiu com parte da letra durante a apresentação.
O problema ocorreu quando os instrumentos deixaram de acompanhar os cantores. A partir daí, Belo e Alcione seguiram a execução a capela até o fim. O episódio repercutiu rapidamente nas redes sociais durante a transmissão do amistoso.
Gente! Quem teve a brilhante ideia de colocar o Belo e a Alcione pra cantar o hino nacional? ? ?
Geralmente nunca dar certo isso… É colocar a nossa marrom pra pagar um mico desnecessário! pic.twitter.com/UT4AJeK4fq
A seleção entrou em campo ainda sem alguns atletas convocados para a Copa do Mundo, entre eles Marquinhos, Gabriel Magalhães, Gabriel Martinelli e Neymar, que seguem em recuperação de lesão ou disputam competições por seus clubes.
Após o jogo, a delegação brasileira seguirá para os Estados Unidos, onde fará a preparação final para o Mundial no Columbia Park Training Center, em Morristown, perto de Nova York. Antes da estreia, o Brasil ainda enfrentará o Egito em amistoso no próximo sábado (6).
Vivemos um paradoxo silencioso e perigoso. Nunca tivemos tanto acesso à informação, estivemos tão conectados, e nunca foi tão fácil consumir conteúdo, opinar, compartilhar e reagir em tempo real.
Ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil separar informação de interpretação, dado de narrativa, conhecimento de impressão.
A promessa da internet era clara: democratizar o acesso ao conhecimento. E, de fato, isso aconteceu. O problema é que o acesso cresceu em uma velocidade muito maior do que a capacidade de interpretação.
E é nesse descompasso que surge um fenômeno central para entender o cenário político atual: o analfabeto digitalizado.
O que é o analfabeto digitalizado
O termo não descreve alguém desconectado, descreve exatamente o oposto. O analfabeto digitalizado é alguém profundamente inserido no ambiente digital. Está nas redes sociais, consome vídeos, lê manchetes, participa de discussões, recebe informação o tempo todo. Mas não necessariamente consegue interpretar o que consome.
Essa é a diferença central.
Consumir não é compreender.
Estar exposto não é entender.
Receber informação não é formar pensamento crítico.
E quando essa diferença escala para milhões de pessoas, o problema deixa de ser individual e passa a ser estrutural.
Os números mostram um país hiperconectado
Se olharmos apenas para conectividade, o Brasil parece um caso de sucesso. Os dados de 2024 mostram um cenário robusto:
Métrica
Dado (2024)
Contexto
População Total
203 milhões
Base para o consumo digital
Brasileiros acima de 16 anos
160 milhões
Público-alvo para informação política
Linhas com acesso à internet
270 milhões
Infraestrutura de conectividade
Pessoas conectadas
168 milhões
Usuários ativos da internet
Presentes em redes sociais
144 milhões
Engajamento em plataformas
Acesso via celular
90%
Principal meio de consumo de conteúdo
Além disso, o Brasil aparece entre os países mais conectados do mundo:
2º lugar em tempo médio de uso da internet (9h13 por dia)
3º lugar em presença em redes sociais
5º lugar em número de usuários de internet
Se pararmos aqui, a leitura é otimista. Um país conectado, ativo, participativo. Mas essa é só metade da história.
Conectividade não é conhecimento
O erro está em assumir que acesso gera entendimento. Não gera. “A conectividade amplia a exposição. Mas não garante interpretação.” E é exatamente aí que entra o segundo conjunto de dados — muito mais incômodo.
O acesso cresceu em uma velocidade muito maior do que a capacidade de interpretação. Foto: Pexels
O INAF 2024 revela o problema oculto
O Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF) de 2024 mostra que a capacidade de interpretação no Brasil é extremamente desigual. E, mais importante, revela que o problema não está apenas no analfabetismo tradicional. Existe uma camada muito maior de limitação cognitiva funcional, que impacta diretamente a forma como a informação digital é processada.
INAF: Distribuição de Capacidade de Interpretação
Faixa
Percentual
Capacidade
Impacto Digital
Risco Político
Analfabetos
7%
Não conseguem ler ou escrever frases simples.
Extremamente vulneráveis a desinformação visual e áudio.
Manipulação por conteúdo simplificado e emocional.
Rudimentares
22%
Identificam informações básicas em textos simples.
Dificuldade em discernir fontes e contextos complexos.
Formação de opinião baseada em manchetes e fragmentos.
Elementares
36%
Compreendem textos médios, com limitações de inferência.
Podem ser enganados por narrativas bem construídas, mas superficiais.
Vulneráveis a polarização por falta de análise aprofundada.
Intermediários
25%
Interpretam textos mais complexos, mas com dificuldade em abstrações.
Capazes de filtrar parte da desinformação, mas ainda suscetíveis a vieses.
Podem ser influenciados por argumentos emocionais ou populistas.
Proficientes
10%
Analisam, comparam e interpretam com profundidade e criticidade.
Resistentes à desinformação, buscam fontes e análises diversas.
Tomada de decisão mais informada e menos suscetível a manipulação.
Agora junta os dois mundos
Aqui está o ponto que pouca gente encara de frente:
o Brasil é altamente conectado (dados de 2024)
mas majoritariamente com limitações de interpretação (dados do INAF 2024)
Isso significa que temos milhões de pessoas:
expostas a um volume massivo de informação
consumindo conteúdo constantemente
participando do debate público
Mas sem necessariamente ter repertório crítico para filtrar, comparar e interpretar.
É isso que define o analfabeto digitalizado.
Contraste: Conectividade vs. Capacidade de Interpretação
Aspecto
Realidade (2024)
Consequência
Acesso à Informação
168 milhões de pessoas conectadas.
Volume massivo de dados disponível a todo momento.
Capacidade de Interpretação
65% da população com alfabetismo funcional rudimentar ou elementar (INAF 2024).
Dificuldade em filtrar, analisar e contextualizar informações complexas.
Comportamento Digital
Consumo acelerado, fragmentado e via celular.
Formação de opinião baseada em estímulos curtos e emocionais.
A ilusão do entendimento
O ambiente digital cria uma sensação de domínio. A pessoa vê um vídeo, lê uma manchete, acompanha um corte e rapidamente forma uma opinião. Mas essa opinião não vem de análise. Vem de exposição. Esse é um dos efeitos mais perigosos da hiperconectividade: a ilusão de que ver é entender.
E isso muda completamente a dinâmica do debate público.
O impacto direto da conectividade na política
Esse cenário altera o comportamento do eleitor. O consumo de informação deixa de ser linear e passa a ser fragmentado. O eleitor não acompanha processos completos, ele reage a estímulos, isso muda o jogo.
A disputa política deixa de ser apenas:
quem tem a melhor proposta
quem tem mais preparo
quem tem melhor histórico
E passa a ser também:
quem simplifica melhor
quem comunica mais rápido
quem gera mais identificação imediata
A ascensão da reação sobre a reflexão
O ambiente digital favorece a velocidade. E a velocidade favorece a reação.
Isso cria um cenário onde:
conteúdos curtos ganham espaço
interpretações rápidas se espalham
emoções têm mais peso que análise
Não porque as pessoas não sejam capazes de pensar, mas porque o ambiente não estimula esse tipo de comportamento.
O terreno perfeito para narrativas
Quando você combina:
alta conectividade
baixa capacidade média de interpretação (INAF 2024)
consumo fragmentado de conteúdo
Você cria o ambiente ideal para a circulação de narrativas simplificadas.
Narrativas que não precisam ser completas. Precisam apenas ser compreensíveis e replicáveis.
E é aqui que entra a inteligência artificial
Se já existe dificuldade de interpretação em um ambiente saturado de informação, o que acontece quando ferramentas passam a produzir conteúdo em escala, com aparência de autoridade?
A inteligência artificial não cria esse cenário, ela potencializa. Mas antes de tratá-la como solução, é necessário entender sua natureza. Porque existe um erro conceitual que precisa ser corrigido: a inteligência artificial não pensa.
E entender isso muda completamente a forma como as campanhas devem usar a tecnologia.
Eu aprofundo esse ponto no próximo artigo da série
O problema não é falta de informação. É excesso sem filtro.
O desafio não é o acesso. É interpretação.
E, no centro desse cenário, está um eleitor que participa, consome, reage — mas nem sempre compreende em profundidade o que está diante dele.
Isso não simplifica a política. Complica.
Porque exige não apenas comunicação, mas entendimento do ambiente em que essa comunicação acontece.
Reflexão
Se o Brasil nunca esteve tão conectado, por que a sensação de confusão só aumenta?
estamos formando uma sociedade mais informada… ou apenas mais exposta?
E mais:
no ambiente digital, estamos estimulando o pensamento… ou apenas acelerando a reação?
Sobre o autor
Christian Jauch é um publicitário com mais de 20 anos de experiência, especializado em branding, design, inovação, tecnologia, inteligência artificial, automação de processos, marketing político e comunicação governamental.
Estrategista político com duas décadas de experiência na integração entre tecnologia e comunicação em campanhas de todas as esferas (municipal, estadual e federal).
Atualmente, é especialista na aplicação tática de Inteligência Artificial para blindagem e estratégia eleitoral.
Há 12 anos, também lidera campanhas para a OAB. Membro do CAMP (Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político) e co-fundador da Alcateia Política. Mais artigos:
Se o Irã conseguisse produzir mísseis na mesma velocidade com que cria memes virais, o Comando Central dos EUA já teria se rendido — ao menos no campo simbólico. Um dos aspectos mais inesperados do conflito entre Irã e Estados Unidos é justamente a superioridade iraniana na guerra de comunicação digital.
O Irã surpreende ao mobilizar uma geração jovem — especialmente millennials e Gen Z — para disputar narrativas nas redes sociais com humor, sarcasmo e domínio das linguagens digitais.
Do outro lado, Donald Trump enfrenta desgaste crescente, com níveis de aprovação comparáveis aos de Richard Nixon durante o processo de impeachment. Erros de comunicação se acumulam, incluindo postagens apagadas e declarações polêmicas, como quando tentou se comparar a uma figura messiânica.
A ofensiva digital iraniana vai de perfis de embaixadas até figuras centrais do regime, como Mohammad Qalibaf. O sucesso é ainda mais paradoxal considerando que o próprio governo mantém a população sob um dos mais longos apagões de internet do mundo, além de restringir a imprensa local a reproduzir versões oficiais.
Mesmo assim, desse ambiente repressivo emerge uma produção criativa voltada ao público internacional. Contas pró-governo utilizam vídeos gerados por inteligência artificial — incluindo animações com estética de Lego — para conectar temas como o escândalo de Jeffrey Epstein à guerra, ou para satirizar lideranças ocidentais.
Um dos exemplos mais populares mostra Trump como um cantor de rock dos anos 1980 em uma paródia musical que viralizou rapidamente, acumulando dezenas de milhares de interações em poucas horas. Em outro momento, uma embaixada iraniana publicou o vídeo de um cachorro olhando para a câmera enquanto “nada acontecia”, ironizando ameaças de destruição feitas pelo presidente americano.
Trump cantor de rock – Foto: Reprodução
Para especialistas, o Irã entendeu rapidamente que guerras modernas são travadas em dois campos: o militar e o comunicacional. A antropóloga Narges Bajoghli afirma que o país conseguiu praticamente monopolizar a narrativa nas redes sociais, atingindo públicos de diferentes espectros políticos nos Estados Unidos — da direita radical à esquerda.
Segundo ela, o Irã reconhece que não conseguirá espaço na mídia tradicional americana, onde há décadas é retratado como um Estado terrorista. Por isso, aposta em “hackear” o debate público nas redes, explorando temas sensíveis e conteúdos que têm potencial de viralização global.
Esse fenômeno também se estende ao mundo árabe, onde o Irã tenta influenciar discussões sobre soberania regional, questionando o papel de Israel como potência militar respaldada pelos EUA.
Enquanto isso, a comunicação americana enfrenta dificuldades, agravadas por cortes institucionais e uma estratégia que muitas vezes se limita a discursos voltados à própria base política. O contraste com a agilidade e o humor da produção iraniana é evidente.
Apesar do sucesso digital, especialistas alertam que memes não são suficientes para transformar completamente a imagem internacional do Irã, marcada por repressão interna. Ainda assim, a capacidade de influenciar percepções — especialmente entre públicos jovens — pode ter efeitos duradouros.
A importância desse campo já havia sido reconhecida por Ali Khamenei, que afirmou em 2024: a mídia pode ser mais eficaz que armas tradicionais na guerra por corações e mentes.
Por ora, nessa batalha específica, o chamado “país dos tech bros” está ficando para trás.
Damn. Iran just dropped an A+ level troll on Trump in this new LEGO movie.
O WhatsApp, aplicativo de mensagens mais popular do Brasil, está passando por uma mudança histórica em seu modelo de negócio. A Meta, empresa controladora da plataforma, lançou oficialmente uma nova versão do aplicativo que introduz uma taxa de assinatura no valor de R$ 14,60 por mês, sinalizando o fim da gratuidade total para determinadas categorias de usuários. Leia em TVT News.
A medida gerou dúvidas entre os bilhões de usuários do app, mas o foco da cobrança é específico e visa profissionalizar o uso da ferramenta para fins comerciais.
Quem será cobrado?
A assinatura de R$ 14,60 faz parte do novo pacote WhatsApp Premium, uma versão aprimorada exclusiva para o WhatsApp Business.
Diferente do que muitos usuários comuns temeram, o aplicativo pessoal (aquele usado para conversar com amigos e família) continua sendo gratuito. A taxa é voltada para pequenas e médias empresas que desejam recursos avançados de gestão e atendimento ao cliente que não estão disponíveis na versão padrão.
O que o “WhatsApp de R$ 14,60” oferece?
A Meta justifica o valor mensal através de funcionalidades focadas em aumentar a produtividade das empresas:
As empresas podem criar um link personalizado (como wa.me/nomedaempresa), facilitando a memorização pelos clientes e o marketing em redes sociais.
Enquanto a versão gratuita permite conectar até quatro aparelhos, o Premium permite que até 10 dispositivos acessem a mesma conta simultaneamente, ideal para equipes de suporte maiores.
Ferramentas mais robustas de gestão de conversas para organizar chats e atribuir conversas a atendentes específicos também entram no pacote.
O Fim de uma Era?
Embora o WhatsApp sempre tenha flertado com a monetização através de anúncios ou serviços para grandes corporações (API), esta é a primeira vez que uma assinatura direta é implementada para o usuário final do nicho comercial.
A estratégia da Meta é clara: transformar o WhatsApp em um “super aplicativo” de negócios, onde a empresa paga uma taxa módica para ter um mini-site e uma central de atendimento profissional.
Para o usuário comum, nada muda por enquanto. No entanto, para o microempreendedor, o valor de R$ 14,60 passa a ser um novo custo operacional para manter a presença digital oficializada na plataforma de mensagens mais importante do país.
Uma decisão recente da Procuradoria de Proteção Ambiental do Estado do México, no México, desencadeou uma disputa inusitada e bem-humorada nas redes sociais latino-americanas. O órgão anunciou o reconhecimento do chamado “perrito amarillo”, o tão conhecido cachorro vira-lata caramelo no Brasil, como uma raça nacional, colocando o animal ao lado de ícones tradicionais como o Xoloitzcuintli e o Chihuahua. Entenda na TVT News.
Medida vira debate cultural
A iniciativa mexicana não tem caráter estritamente científico. Segundo autoridades locais, o objetivo principal é combater o preconceito contra cães sem pedigree e incentivar a adoção em um país que enfrenta uma grave crise de abandono animal. Estima-se que o México tenha cerca de 29,7 milhões de cães e gatos em situação de rua, com aproximadamente 70% dos cães vivendo sem tutor.
A estratégia busca transformar a percepção social desses animais, frequentemente negligenciados, em símbolos de identidade e responsabilidade coletiva.
Brasileiros reagem: “símbolo nacional”
A repercussão no Brasil foi imediata. Internautas passaram a reivindicar o “vira-lata caramelo” como patrimônio cultural brasileiro, gerando uma onda de comentários irônicos e nacionalistas nas redes.
Expressões como “roubaram nosso símbolo” e “isso é papo de guerra” viralizaram, ainda que em tom de humor. O animal, que já é protagonista de memes, blocos de Carnaval e produções audiovisuais, é reconhecido como um ícone popular no país.
Curiosamente, a decisão mexicana teria sido inspirada por uma campanha brasileira de 2025 que buscava justamente valorizar o caramelo como símbolo cultural e aumentar sua adoção.
Apesar do anúncio oficial, especialistas destacam que o “cachorro caramelo” não atende aos critérios técnicos exigidos pela Fédération Cynologique Internationale para o reconhecimento de uma raça.
Entre as exigências estão estabilidade genética comprovada, linhagens definidas e acompanhamento por várias gerações, requisitos que não se aplicam ao caramelo, cuja principal característica é justamente a miscigenação.
Esses cães possuem traços genéticos de centenas de raças diferentes, sendo sua aparência padronizada resultado de adaptação ao ambiente, especialmente ao clima quente.
Fama contrasta com abandono
Apesar da popularidade nas redes, a realidade desses animais segue preocupante. Tanto no México quanto no Brasil, cães de pelagem amarelada estão entre os mais abandonados e menos adotados.
Dados apontam que, enquanto raças consideradas “puras” recebem grande procura, os caramelos podem passar anos em abrigos sem interessados. No México, mais de 1.300 animais são abandonados diariamente, e políticas públicas ainda incluem medidas controversas, como o sacrifício em massa para controle populacional.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou com um processo contra a rede social X e pediu para que a plataforma forneça dados pessoais de usuários que o criticaram publicamente. O senador alega que se tornou alvo de uma “campanha difamatória e caluniosa”, ultrapassando os limites da liberdade de expressão.
Ele solicita informações como CPF, telefone e e-mail de cinco perfis, alegando que essas críticas constituem crimes, pois se utilizam do anonimato para “cometer crimes”. Em resposta, a rede social defende a liberdade de expressão, argumentando que a quebra do anonimato precisa ser tratada com cautela.
A empresa menciona direitos essenciais como a liberdade de manifestação do pensamento e o discurso político, destacando que não pode haver uma quebra de sigilo sem uma justificativa robusta e proporcional, apontando os abusos específicos cometidos por cada perfil. O caso segue em análise judicial.
Flávio alegou que é defensor da liberdade de expressão, mas que acredita que a Justiça deve agir quando há crime envolvido. O pedido do sigilo do processo foi negado pelo juiz Marcello Filho, da 2ª Vara Cível da Pavuna, que determinou que a big tech se manifestasse. A plataforma recorreu da decisão, e o processo está atualmente parado, aguardando uma nova avaliação.
“Flávio Bolsonaro é um defensor da liberdade de expressão e entende que a Justiça brasileira tem as ferramentas necessárias para agir quando há crime. E, neste caso, tudo o que se quer é fazer valer a lei e retirar do ar as mentiras publicadas pela esquerda”, disse o parlamentar em nota.
Logo do X. Foto: Kirill Kudryavtsev/AFP
O X também citou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), em especial o voto do ministro Luís Roberto Barroso, que considera que políticos devem tolerar críticas mais severas. A empresa afirmou que as postagens questionadas fazem parte de um debate público contínuo e que não há base para uma decisão automática de quebra de sigilo.
A companhia também argumentou que a entrega dos dados de usuários, sem a análise de envolvimento com condutas ilícitas, poderia resultar em assédio judicial, um argumento frequentemente utilizado por políticos conservadores para se opor a regulamentações mais rígidas das plataformas.
Para a empresa, o pedido de Flávio ultrapassa os limites do que seria necessário para identificar eventuais crimes, mencionando que o Marco Civil da Internet só exige a manutenção de dados de acessos nos últimos seis meses.
A rede social também destaca que, embora tenha a obrigação de armazenar alguns dados, como IPs de login e registros de acessos, não pode ser compelida a fornecer dados pessoais como telefones e e-mails, exceto em caso de decisão judicial.
“Evidentemente, manifestações que configurem ameaça, imputação sabidamente falsa de fato determinado ou abuso manifesto podem ensejar responsabilização. Contudo, não é possível presumir a ilicitude a partir da mera contundência da linguagem ou do desconforto gerado por críticas políticas”, disse o X.
O meio-campista Everton Ribeiro, do Esporte Clube Bahia – Reprodução
O meio-campista Everton Ribeiro, do Esporte Clube Bahia, movimentou as redes sociais ao curtir uma publicação da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) com críticas ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). A interação ocorreu após a aprovação, no Senado, do projeto de lei que inclui a misoginia entre os crimes de preconceito, na última terça-feira (24).
A publicação curtida pelo jogador é um vídeo divulgado por Tabata Amaral em suas redes. No conteúdo, a parlamentar comenta a votação da proposta, que recebeu 67 votos favoráveis e não teve votos contrários nem abstenções, e contesta declarações feitas por Nikolas Ferreira sobre o texto aprovado.
“Nikolas Ferreira mente pra você. De novo. Ontem o Senado aprovou por 67 votos contra zero um projeto de lei que inclui a misoginia dentre os crimes de preconceito. Zero votos contra, zero abstenções. O PL, partido dele, votou inteiro a favor”, afirmou a deputada no vídeo.
Após a curtida de Everton Ribeiro, a interação passou a circular entre torcedores e usuários das redes sociais. Comentários destacaram apoio ao atleta, com mensagens que mencionavam sua trajetória dentro e fora de campo. Parte das reações veio de torcedores do Bahia, clube atual do jogador, e do Flamengo, equipe na qual ele atuou e conquistou títulos.
Entre as manifestações, usuários publicaram elogios ao posicionamento do jogador. “Everton ídolo dentro e fora de campo”, escreveu um torcedor. Outro comentou: “Ribeiro sempre do lado certo”. Uma torcedora afirmou: “Vocês não têm noção do carinho que eu sinto pelo senhor Everton Ribeiro. Miteiro dentro e fora de campo, o melhor camisa 7 que eu vi jogar pelo Flamengo”.
A repercussão ocorre em meio ao debate sobre o projeto aprovado no Senado. Após a votação, Nikolas Ferreira classificou o texto como “aberração” e afirmou que pretende atuar para barrar o avanço da proposta na Câmara dos Deputados. Em resposta, Tabata Amaral declarou: “Esse projeto não existe à toa, mas sim porque a violência contra as mulheres no Brasil é uma emergência”.
Confira a repercussão:
Finalmente um jogador de futebol que merece o nome de ídolo! eu te amo Everton Augusto de Barros Ribeiro 💙 https://t.co/sSNOUosESN
Há algo curioso acontecendo na política brasileira.
Enquanto os extremos seguem organizados, barulhentos e emocionalmente mobilizados, uma parte significativa do país parece ter entrado em silêncio.
Não é apatia. É exaustão.
Exaustão de um debate que não avança, de posições que não dialogam e de uma lógica onde vencer parece mais importante do que governar.
É nesse espaço — difuso, fragmentado, ainda sem identidade clara — que surge, mais uma vez, a tentativa de construção de uma terceira via.
Mas há um detalhe importante que costuma ser ignorado:
O centro não nasce da ausência de extremos. Ele precisa ser construído como presença.
A engenharia política que tentou dar forma ao centro
No fim de janeiro de 2026, Gilberto Kassab fez um movimento que, à primeira vista, parecia reunir todos os elementos da racionalidade política.
Atraiu três governadores em fim de mandato — Ronaldo Caiado, Ratinho Junior e Eduardo Leite — e organizou uma espécie de “pré-seleção” para a disputa presidencial.
A ideia era simples, quase didática:
escolher entre os três aquele que tivesse melhores condições de competir, unificar o grupo e apresentar ao país uma candidatura de centro, moderada, dialogadora, sem os vícios dos extremos.
Na lógica da estratégia, fazia sentido.
Na lógica da política real, nem tanto.
Porque política não é apenas construção de cenário.
É disputa de percepção.
Quando o plano encontra a realidade
Ratinho Junior foi anunciado como pré-candidato.
Duas semanas depois, desistiu.
E esse movimento, que pode parecer apenas mais um capítulo da dinâmica eleitoral, na verdade revela algo mais profundo:
O centro ainda não encontrou o seu próprio chão
Com cerca de 7% das intenções de voto no início de março, segundo a Genial/Quaest, Ratinho ocupava exatamente o lugar onde muitas candidaturas de centro param:
existe, aparece, mas não se impõe.
É lembrado — mas ainda não é escolhido.
E na política, essa diferença é brutal.
O jogo que acontece fora dos holofotes
Enquanto o centro tenta se organizar, os extremos seguem jogando.
A reaproximação entre Jair Bolsonaro e Sergio Moro não é apenas um gesto político.
É reposicionamento de força.
É reorganização de território.
É mensagem para dentro e para fora.
Ao fortalecer o palanque no Paraná, ao mesmo tempo em que reconfigura relações internas, o campo conservador demonstra algo que o centro ainda não conseguiu fazer:
agir como bloco.
Já o centro, até aqui, se comporta como soma.
E soma, em política, raramente vence bloco organizado.
O dado que revela o espaço — e o problema
Se a movimentação das lideranças mostra o jogo político, os dados mostram o humor da sociedade.
E o humor é claro: o país está dividido — e cansado.
A pesquisa Genial/Quaest de fevereiro de 2026 mostra um cenário de equilíbrio tenso: 45% aprovam o governo Lula, enquanto 49% desaprovam.
Em março, a desaprovação cresce para 51%, com 44% de aprovação.
Não há ruptura.
Mas há desgaste.
E mais do que isso: há um dado que costuma passar despercebido —
os eleitores independentes, aqueles que poderiam sustentar uma candidatura de centro, não estão plenamente convencidos por nenhum dos lados.
O centro existe. Mas ainda não se reconhece como escolha.
O erro recorrente: tratar o centro como estratégia — e não como identidade
Há um equívoco que se repete eleição após eleição.
Imaginar que o centro pode ser construído por engenharia política.
Não pode.
Centro não é posicionamento técnico. Centro é percepção social.
Não se define em reunião. Se constrói na trajetória.
Não se impõe por acordo. Se conquista por confiança.
E aqui entra um ponto que deveria ser óbvio, mas raramente é tratado com a devida seriedade:
reputação não se improvisa em ano eleitoral.
Entre a intenção e a viabilidade
O movimento de Kassab tem mérito.
É, talvez, a tentativa mais estruturada dos últimos anos de dar forma a uma alternativa fora da polarização.
Mas esbarra em três barreiras que não se resolvem com articulação:
1. O eleitor não escolhe apenas com a razão — escolhe com identidade E identidade, hoje, está ancorada nos extremos.
2. O centro não mobiliza — ainda Porque não oferece pertencimento claro.
3. Visibilidade não é viabilidade Ser conhecido não é o mesmo que ser escolhido.
E a política, no fim, é sobre escolha.
2026 não será uma eleição simples
Lula chega competitivo, mas sob desgaste.
O campo conservador se reorganiza e tenta reviver sua força.
E, entre esses dois polos, existe um eleitor que não quer repetir 2018, nem reviver 2022.
Mas querer algo diferente não significa saber o que escolher.
E esse é o espaço — e o desafio — da terceira via.
A travessia que ainda não começou
A pergunta não é se há espaço para o centro.
Há.
A pergunta é outra: há alguém capaz de transformar esse espaço em confiança?
Porque, no fim, é sempre sobre isso.
Trajetória gera reputação. Reputação gera confiança. E confiança é o que sustenta qualquer projeto de poder legítimo.
Sem isso, não há terceira via.
Há apenas tentativa.
Sobre o autor
NILSON HASHIZUMI
Nilson Hashizumi é estrategista de marketing político e corporativo, jornalista, fotógrafo, gestor de cultura e preparador de candidatos, grupos e agremiações políticas, com MBA em Comunicação Governamental e Marketing Político. Co-fundador da Alcateia Política, orientou, coordenou e defendeu candidatos majoritários em São Paulo e Pará e candidatos proporcionais em São Paulo e Minas Gerais.
Orientado a resultados, trabalha com visão de processos na gestão da comunicação on e off-line para a construção de reputação, imagem e formação de opinião. Atuou por mais de 30 anos na iniciativa privada, organizações da sociedade civil e entidades de classe antes de atuar em favor de entes políticos. Associado ao CAMP.
Especialista em campanhas e comunicação governamental, integra estratégias on-line e off-line na construção de imagem pública
Defende que reputação é patrimônio — construída pela trajetória, sustentada pela coerência e reconhecida pela confiança.
Os artigos dos colunistas expressam as opiniões individuais da autora ou do autor e não, necessariamente, refletem a opinião da TVT News
Em resposta à acusação, Chappell Roan se pronunciou em seus Stories no Instagram. Primeiro, ela fez um texto na plataforma que rapidamente apagou: “Acabei de acordar. Mereço meu espaço, principalmente em momentos como o café da manhã. Levo meu café da manhã muito a sério”
Horas depois, em vídeo, a cantora explicou que ue não viu a mãe nem a criança e que a intervenção do segurança não foi ordenada por ela. A cantora sugeriu que a atitude foi isolada, por parte da segurança do local, e destacou que a situação foi injusta. Roan pediu desculpas à mãe e à filha pela confusão, afirmando que “não odeia crianças” e lamentando o desconforto causado. “Se vocês se sentiram desconfortáveis, isso me deixa muito triste. Vocês não mereciam isso”, finalizou a artista.
Chappell Roan se pronuncia, pede desculpas e diz que nem chegou a ver a filha de Jorginho Frello:
“Eu nem vi uma criança. Ninguém veio até mim e ele não é meu segurança pessoal… Eu não odeio crianças, isso é loucura. Me desculpe”. pic.twitter.com/K4k2xBqdRl
O pastor André Valadão, líder da Igreja Batista da Lagoinha, no helicóptero. Foto: Divulgação
O pastor André Valadão, líder da Igreja Batista da Lagoinha, publicou neste sábado (21) um vídeo em um helicóptero com a frase “Olha seus dízimos e ofertas indo pro céu”. Segundo o próprio pastor, o sobrevoo teve como objetivo levar pedidos de fiéis “mais perto” de Deus. As imagens geraram revolta e uma onda de críticas nas redes sociais.
A postagem de André Valadão repercutiu em meio às investigações sobre sua relação com o Banco Master e com estruturas ligadas à Igreja Batista da Lagoinha. O pastor teve o nome citado após a revelação de uma transferência de cerca de R$ 3,9 milhões do banco para uma empresa ligada ao seu grupo religioso, operação apontada em relatório do Coaf como movimentação atípica e alvo de pedido de investigação na Polícia Federal.
O deputado Rogério Correia (PT-MG) levou à Polícia Federal uma notícia de fato pedindo investigação sobre essa transferência para a empresa Amando Vidas Produtora e Gravadora Ltda., ligada ao grupo religioso de Valadão. Segundo o parlamentar, o objetivo é apurar a origem, a finalidade e a legalidade da operação.
🚨 VEJA l Pastor André Valadão usa helicóptero para levar pedidos de fiéis 'mais perto' de Deuspic.twitter.com/ppZDcYHoyt
No X, o vídeo foi alvo de ataques. “Enquanto isso fiéis esperando ônibus na chuva e frio”, escreveu um usuário. “A pessoa tem que ser muito ingênua pra seguir esses caras mano. Como que pode?! Enquanto fiéis se fodem num CLT da vida o cara ta voando por aí”, afirmou outro. “Vendo uma cena dessas pode-se afirmar com todas as letras que o bolsonarismo destruiu completamente o evangelismo”. Veja a repercussão:
O nome do pastor também aparece nas investigações sobre o Clava Forte Bank, fintech criada em março de 2024 para operar com recebimento de dízimos no universo da Lagoinha. A estrutura é citada nas apurações sobre a fraude no INSS, caso que também atingiu a unidade Belvedere da igreja em Belo Horizonte, que encerrou as atividades no domingo (15).
Valadão ainda apareceu em registros da campanha de 2022 ao lado de Nikolas Ferreira em aeronave associada a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em uma postagem daquele período, o pastor escreveu: “Chegando em Brasília. Trabalhando, sonhando e já vendo a maior virada política da história. VAMOOO. Brasil nunca será vermelho”.
Chegando em Brasília. Trabalhando, sonhando e já vendo a maior virada política da história. VAMOOO. Brasil nunca será vermelho. @nikolas_dmpic.twitter.com/2mVjBzyPeL
Como a polarização engoliu o debate moderado e qual estratégia pode reconquistar o eleitor independente
Nos últimos anos, a política brasileira deixou de ser um campo plural de ideias para se transformar em um território de trincheiras. Em 2026, essa lógica não apenas persiste: ela se intensifica.
A polarização, que antes parecia um fenômeno conjuntural, tornou-se estrutural, moldando comportamentos, narrativas e até identidades sociais.
O espaço tradicionalmente ocupado pelo debate moderado encolheu diante de duas máquinas narrativas poderosas: a da direita conservadora e a da esquerda progressista.
Em meio a esse fogo cruzado, permanece um grupo silencioso, mas decisivo: o eleitor independente, que rejeita os extremos e busca uma política pragmática, de resultados.
Mas como chegamos até aqui? E, mais importante, como os candidatos podem “pescar” esse eleitor que está fora das bolhas?
A implosão do centro político: quando a moderação deixou de viralizar
A política brasileira sempre conviveu com contrastes, mas a hiperconexão trouxe novas regras. O algoritmo recompensa:
Paixão;
Conflito;
Identidade;
Reação imediata.
E penaliza:
Conteúdo técnico;
Discussões equilibradas;
Argumentos racionais;
Tom moderado.
No ecossistema atual, o centro não viraliza e quem não viraliza, desaparece. O debate moderado, portanto, não acabou por falta de demanda, mas por falta de tração algorítmica.
A esquerda e a direita entenderam isso antes de todos.
A direita construiu uma comunidade digital hiperengajada, alimentada por símbolos, antagonismos e linguagem simples. A esquerda, por sua vez, responde com forte narrativa institucional e foco na defesa de políticas públicas. Ambas prosperam nas redes e ambas ocupam a maior parte do espaço mental do eleitor comum.
O eleitor independente: quem é e como pensa em 2026
Apesar da predominância dos polos, o eleitor independente não desapareceu. Ele apenas ficou soterrado na guerra de narrativas.
Os dados dos últimos 120 dias mostram que:
De 17% a 20% dos brasileiros se apresentam como “centro”;
Um grupo adicional — entre 15% e 18% — rejeita abertamente tanto a esquerda quanto a direita, o famoso “nem-nem”;
A taxa de indecisos caiu a níveis historicamente baixos (cerca de 2%), indicando que esse eleitor não é desinformado — ele é desinteressado pelas narrativas tradicionais.
O que todos esses grupos têm em comum?
Eleitora realizando o processo de biometria para realizar o voto em Santa Catarina (SC). Foto: Reprodução/ TRE-SC
Eles querem resultados, não guerras culturais.
O eleitor independente não está interessado em quem “lacrou”, quem “expôs”, quem “venceu o debate”. Ele quer:
Segurança;
Estabilidade econômica;
Previsibilidade;
Políticas públicas tangíveis;
Uma narrativa de futuro.
Mas, por não ver essas pautas bem explicadas, ele se afasta — não da política, mas do barulho político.
O desafio dos candidatos: romper as bolhas sem ser engolido por elas
Para conquistar o eleitor independente em 2026, o candidato precisa de uma estratégia clara: falar com o centro sem irritar as bases — uma manobra delicada em tempos de radicalização digital.
Isso exige três movimentos essenciais:
1. Abandonar a “terceira via” abstrata e adotar uma proposta concreta de gestão
O eleitor moderado não se move por ideologias. Ele se move por:
Projetos;
Planos;
Indicadores;
Soluções reais.
O discurso deve enfatizar capacidade de gestão, eficiência e pragmatismo sem cair no tecnicismo frio que não gera conexão emocional.
2. Usar linguagem simples, mas não simplista
A grande vantagem das campanhas radicais é que elas são entendidas imediatamente.
Para competir nesse terreno, o candidato moderado precisa:
Traduzir políticas públicas em histórias reais;
Explicar medidas complexas com metáforas cotidianas;
Mostrar impacto direto na vida do eleitor.
Não basta “comunicar bem”: é preciso performar bem, porque a arena digital é visual, rápida e emocional.
3. Apostar na narrativa da “solução possível”
Enquanto a esquerda oferece esperança institucional e a direita oferece ordem moral, falta quem ofereça resolução prática.
O centro precisa se transformar na narrativa da “solução possível”:
“Enquanto eles brigam, eu resolvo.”
Esta mensagem, repetida com consistência, tem força para atrair quem está cansado da luta ideológica.
A estratégia vencedora: microsegmentação emocional + proposta concreta
A campanha eficaz para conquistar o eleitor independente precisa unir duas frentes:
1. Microsegmentação algorítmica
Falar com o eleitor pelo ângulo certo:
Para o jovem: mobilidade, ensino técnico, futuro do trabalho;
Para a mãe solo: renda, creches, proteção social;
Para o empreendedor: crédito, simplificação e juros;
Para o evangélico moderado: acolhimento emocional sem guerra cultural;
Para o motorista de app: combustível, segurança e renda mínima.
Cada grupo recebe um recorte do “projeto de futuro”, que dialoga com suas dores e expectativas.
2. Proposta de gestão narrada de forma humana
O centro só funcionará quando deixar de ser um “meio-termo” e passar a ser:
um projeto;
uma visão de país;
uma resposta à fadiga política da polarização.
O eleitor independente não quer neutralidade. Ele quer solução.
Conclusão: o centro não morreu — ele só precisa aprender a falar alto de novo
A polarização não engoliu o eleitor moderado. Ela apenas silenciou sua representação política. Para compreender e traduzir eficiência, equilíbrio e futuro em narrativas digitais e desbloquear um caminho poderoso para 2026, procure um dos profissionais de Marketing Político da Alcateia e assim, em um país cansado de extremos, verá que existe espaço e demanda por uma nova liderança capaz de unir:
performance digital;
solução prática;
empatia social.
Essa é a fórmula para conquistar quem realmente decide a eleição: o eleitor que não quer escolher um lado, mas escolher um caminho.
Sobre o autor
Edson Panes de Oliveira Filho
Edson Panes de Oliveira Filho é advogado e estrategista politico, Especialista em Direito Eleitoral, com MBA em Direito Empresarial, MBA em Gestão de Pessoas e MBA em Comunicação Governamental e Marketing Político, proprietário da CRIA Marketing Digital e Politico e cofundador do Alcateia Política.
Os artigos dos colunistas expressam as opiniões individuais da autora ou do autor e não, necessariamente, refletem a opinião da TVT News
Lula, presidente do Brasil. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assina nesta terça-feira (17), no Palácio do Planalto, um conjunto de decretos que regulamenta o chamado ECA Digital, com regras voltadas à proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual.
Entre as medidas previstas, está a proibição de acesso de menores de 18 anos a conteúdos relacionados a armas, jogos de apostas ilegais e plataformas que utilizam sistemas de recompensa. As normas buscam estabelecer limites para o consumo de conteúdos considerados sensíveis na internet.
O secretário Nacional de Direitos Digitais, Victor Fernandes, afirmou que os decretos têm como objetivo dar efetividade às regras já previstas na legislação. “Esses três decretos vão conferir operacionalidade e mais eficácia ainda para as regras que estão previstas no ECA Digital. É uma sinalização clara do nosso governo federal de que não haverá interstício, não haverá intervalo, não haverá zona cinzenta. Amanhã começa e é para valer”, disse.
Criança assiste a desenho animado no celular. Foto: Reprodução
Parte das regras ainda dependerá de regulamentação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), responsável por definir detalhes técnicos, incluindo os mecanismos de verificação de idade nas plataformas digitais. A implementação será feita de forma escalonada, com prazos a serem apresentados pela agência.
O presidente da ANPD, Waldemar Gonçalves Ortunho Júnior, afirmou que diferentes métodos poderão ser utilizados na verificação etária, desde que não violem a privacidade dos usuários. “Desde a publicação [da lei] em setembro, já desenhamos algumas medidas. Elencamos 37 empresas que têm mais atuação em produtos ou serviços ofertados a crianças e adolescentes. É um monitoramento onde abrimos um diálogo para saber o que essas empresas estão fazendo para atender ao ECA digital. É um processo muito importante, o diálogo”, declarou.
Os decretos também preveem a criação do Centro Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente, sob responsabilidade da Polícia Federal. A estrutura será responsável por receber denúncias de crimes envolvendo menores na internet, com obrigação das plataformas de comunicar conteúdos suspeitos. “Isso é fundamental porque não existe um dever claro de as empresas reportarem esses crimes para a polícia. Hoje, esse momento de notificação, de compartilhamento das informações é feito via cooperação internacional voluntária. Isso acaba amanhã”, afirmou Fernandes.
Ratinho no programa desta segunda-feira (16) – Reprodução/SBT
O apresentador Ratinho, de 70 anos, comentou nesta semana a repercussão de uma fala sobre a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), de 33 anos. Durante a edição desta segunda-feira (16) do “Programa do Ratinho”, exibido pelo SBT, ele afirmou que sua declaração anterior se tratou de uma “opinião” e mencionou o volume de comentários favoráveis recebidos após o episódio.
No programa, o apresentador disse que recebeu mensagens de apoio nas redes sociais. “Quero agradecer a todos que me apoiaram. Eu nem tive como acompanhar todas as mensagens, porque são milhares de mensagens — quase todas unânimes nos comentários favoráveis. Muita gente, mas muita gente mesmo, concordou comigo”, declarou.
Ratinho também afirmou que não pretende alterar seu posicionamento. “Quem gosta de mim vai continuar gostando. Quem não gosta, vai continuar não gostando. Eu não vou mudar o meu jeito de ser para agradar a quem quer que seja. Fica o recado. Vamos continuar o nosso programa e vamos continuar com a nossa opinião. Eu não vou mudar!”, disse o apresentador, ao comentar as reações ao caso.
“E olha, eu não sou garoto de internet”, prosseguiu o apresentador. “Quando eu comecei na televisão e no rádio, não tinha internet. Tenho o meu jeito direto e reto de falar as coisas e, nos tempos atuais, quem fala a verdade pode ser vítima de patrulhamento e lacração que no meu tempo não tinha”.
A impunidade produz isso. Ratinho diz que não vai mudar, diz que “quem fala a verdade” está sujeito a “patrulhamento” e reduz tudo à “lacração” de internet. Espero que a Justiça o lembre que o país tem leis. E que quem comete crime sempre discorda delas… pic.twitter.com/ptocyiAMik
A polêmica envolvendo Ratinho e Erika Hilton teve início após uma declaração feita durante o “Programa do Ratinho” da última quarta-feira (11). O apresentador criticou a eleição da parlamentar para a função de presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
“Não achei muito justo, não. Com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? A Erika Hilton. Ela não é mulher, ela é trans”, disse ele.
Erika Hilton acionou o Ministério Público Federal (MPF), que pediu que o famoso e o SBT sejam condenados ao pagamento de R$ 10 milhões em danos coletivos Ela também processou o veterano por transfobia.
O apresentador Ratinho se pronunciou após repercussão de comentários transfóbicos feitos sobre a deputada federal Erika Hilton durante seu programa no SBT. As ofensas ocorreram após ele comentar a eleição da parlamentar para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
Após a repercussão, o apresentador afirmou que suas falas fazem parte de crítica política e negou intenção de preconceito. “Defendo a população trans. Mas defendo também o direito de questionar quem governa. Crítica política não é preconceito. É jornalismo. E não vou ficar em silêncio.”
🚨VEJA: Ratinho se pronuncia após falas contra Érika Hilton:
“Eu defendo a população trans, mas defendo também o direito de questionar quem governa. Crítica política, gente, não é preconceito, é jornalismo. E eu não vou ficar em silêncio”.
Durante o programa, Ratinho questionou a escolha da deputada para o cargo e fez comentários sobre identidade de gênero. “Ela não é mulher, ela é trans. Eu não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres, mulher mesmo… Mulher para ser mulher tem que ser mulher, gente. Eu até respeito, respeito todo mundo que tem comportamento diferente, está tudo certo. Agora, para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias”, disse.
O apresentador também declarou que não concorda com a eleição da parlamentar para a comissão. “Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher. Mas quero dizer que não tenho nada contra a deputada, o deputado… A deputada Erika Hilton. Ela não me fez nada, ela só fala bem, mas não tenho nada contra ela. Acho que deveria ser uma mulher.”
Em outro momento, Ratinho questionou se uma mulher trans poderia representar pautas femininas. “Para quem não sabe, a deputada Erika Hilton é trans, mas será que ela entende dos problemas e desafios de uma pessoa que nasceu mulher? Não é fácil ser mulher. Imagine se uma mulher trans fosse defender as pautas relacionadas ao público masculino? Estaria certo? Também não. Está certo, vamos nos modernizar, ter inclusão, mas não precisa exagerar.”
DESSERVIÇO! Ratinho dispara contra Érika Hilton ao vivo, e diz que a Deputada NÃO É MULHER.
A deputada respondeu nas redes sociais e afirmou não se preocupar com as críticas. “Não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbecis é a última coisa que me importa. Hoje fiz história por mim, que tive minha adolescência e minha dignidade roubada pelo preconceito e discriminação.”
Ela também comentou a eleição para a presidência da comissão. “Podem espernear. Podem latir. Eu sou a presidenta da Comissão da Mulher? E foi a minha luta, a minha história e a minha garra que me trouxeram até aqui.”
O SBT divulgou nota afirmando que as declarações não representam a posição da emissora. “O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores.”
Erika Hilton informou que acionou o Ministério Público Federal para investigar o caso e pediu abertura de ação civil pública com pedido de indenização por danos morais coletivos. Segundo ela, as falas não atingem apenas pessoas trans. “Este ataque de Ratinho foi contra todas as mulheres trans e contra todas as mulheres cis que não menstruam mais ou nunca menstruaram.”
A deputada também afirmou que pretende levar o caso adiante. “Ratinho e o SBT pagarão por seus atos. Eles não pagarão a mim, mas a todas as mulheres vítimas de violência, trans e cis. Por fim, vale lembrar: eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é, e sempre será, um rato.”
Sim, estou processando o apresentador Ratinho.
Sei que, pela audiência irrisória de seu programa, que até onde sei não agrada nem suas chefes no SBT, lhe resta apelar à violência.
Porque o que o apresentador cometeu foi uma violência, um ataque, e não foi só contra mim.… pic.twitter.com/F9Suqaf3b8