O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta sexta-feira (18) reconhecer a validade do decreto que permite o reajuste para os benefícios do programa Bolsa Família.
Mendes atendeu ao pedido da Advocacia-Geral da União (AGU).
Para o ministro, o reajuste não afronta as regras eleitorais e representa medida legal para atualizar o piso familiar do programa.
“A medida não importa criação de novo benefício, alteração dos critérios de elegibilidade ou ampliação do universo de beneficiários. Trata-se apenas de atualização dos valores das prestações integrantes de programa social já existente, mediante critério objetivo de correção monetária”, afirmou Mendes.
A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o reconhecimento da legalidade do decreto. O reajuste foi anunciado nesta quinta-feira (17) pelo governo federal. O benefício pago pelo programa Bolsa Família será reajustado em 15%, a partir de 1° de outubro.
O valor mínimo do benefício ficará em R$ 691. Já o valor médio pago chegará a R$ 777.
Na petição enviada ao Supremo, a AGU sustenta que o reajuste também está de acordo com a legislação eleitoral e não representa benefício novo.
A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o reconhecimento da legalidade do decreto que permite o reajuste para os benefícios do programa Bolsa Família.
O reajuste foi anunciado nesta quinta-feira (17) pelo governo federal. O benefício pago pelo programa Bolsa Família será reajustado em 15%, a partir de 1° de outubro.
O valor mínimo do benefício ficará em R$ 691. Já o valor médio pago chegará a R$ 777.
A atualização dos valores está prevista na legislação do Bolsa Família e busca preservar o poder de compra das famílias beneficiárias, de acordo com o governo.
Na petição enviada ao Supremo, a AGU sustenta que o reajuste também está de acordo com a legislação eleitoral e não representa benefício novo.
Para o órgão, a Lei nº 14.601/2023 prevê a atualização dos pagamentos por meio de correção monetária. “Trata-se, portanto, de providência inserida na execução ordinária e continuada de política pública já existente, em observância ao marco normativo reconhecido por essa Corte como apto a concretizar a ordem injuncional. O decreto representa ato de manutenção e atualização de programa social permanente, e não a criação de vantagem inédita ou excepcional”, argumenta a AGU.
A Justiça Eleitoral do Rio Grande do Sul determinou a remoção imediata de publicações do candidato a deputado federal Divaldo Lara (Republicanos) que apresentavam de forma enganosa o julgamento que indeferiu seu registro de candidatura. A decisão liminar foi proferida pela desembargadora federal Vânia Hack de Almeida, relatora da representação por propaganda eleitoral irregular movida pelo vereador e candidato a deputado estadual Lelinho Lopes (PT)
Na decisão, o TRE-RS determinou que as publicações sejam retiradas do ar no prazo de duas horas, sob pena de multa de R$ 1.000 por hora de descumprimento, e ordenou à Meta — responsável pelas plataformas Facebook e Instagram — a preservação dos registros e metadados do conteúdo. O representado foi citado para apresentar defesa no prazo de dois dias, e os autos foram remetidos à Procuradoria Regional Eleitoral para parecer.
A representação aponta que Divaldo Lara utilizou trecho do voto vencido no julgamento em que o TRE-RS, por 5 votos a 2, indeferiu seu registro de candidatura a deputado federal nas Eleições de 2026, dando sentido diverso do resultado final. Nas publicações, o candidato se apresentava como “elegível”, classificava como “fake news” as notícias sobre sua inelegibilidade e pedia votos para o número 1011.
A inelegibilidade que motivou o indeferimento decorre de condenação por abuso de poder político e econômico nas Eleições de 2018, com trânsito em julgado em dezembro de 2024. O prazo de oito anos de inelegibilidade se encerraria em 7 de outubro de 2026, três dias após o primeiro turno do pleito, marcado para 4 de outubro — fundamento pelo qual o Tribunal indeferiu o registro na sessão de 11 de setembro.
Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que comparecerem para votar nas eleições de outubro não precisarão fazer a verificação da Prova de Vida neste ano.
De acordo com o Ministério da Previdência Social, a verificação vai ocorrer de forma automática a partir do cruzamento das informações da Justiça Eleitoral com a base de dados do INSS.
A Prova de Vida é um procedimento anual cujo objetivo é identificar se o titular do benefício previdenciário ou assistencial continua vivo para garantir a manutenção de pagamentos.
O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, disse que a medida facilita a vida dos pensionistas.
“A Prova de Vida pode se dar por meio do comparecimento eleitoral. Então, se você for votar no dia das eleições, você já terá a prova de vida realizada. O INSS recebe esses dados e já computa como prova de vida”, explicou.
Segundo a pasta, o procedimento abrange atualmente cerca de 40 milhões de beneficiários ativos, entre aposentadorias, pensões e benefícios assistenciais.
Além disso, desde 2019, como forma de reduzir filas e custos para processo de Prova de Vida, o comparecimento presencial deixou de ser regra, estabelecendo que o INSS busque, de forma proativa, dados que confirmem a condição de vida do cidadão.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, rebateu nesta sexta-feira (18) o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, que classificou organizações criminosas brasileiras como terroristas e disse que o Brasil não consegue enfrentar as facções.
A declaração de Lula ocorreu durante evento oficial no Rio de Janeiro, que reuniu a cúpula da segurança pública nas esferas federal, estadual e municipal.
O presidente defendeu retomar territórios ocupados por traficantes no Rio. “Nós precisamos ganhar do crime organizado. Eu não aceito a ideia de que as facções são terroristas, como diz o Trump”, afirmou.
Segundo Lula, “quando Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado, briga pelo poder”. “Quem era isso? Era o [ex-presidente Jair] Bolsonaro tentando dar o golpe de 8 de Janeiro. Isso é terrorismo. Pensando em matar Lula, [o vice-presidente Geraldo] Alckmin e até o [ministro do Supremo Tribunal Federal] Alexandre de Moraes. Esse era o plano. Isso é terrorismo de Estado”, discursou.
Lula criticou Trump novamente ao afirmar que o país precisa reforçar a vigilância na região da margem equatorial, no norte do país, e no pré-sal, litoral do Sudeste. Nas duas regiões, há exploração de petróleo.“Nós temos que tomar conta porque o Trump está aí. O Trump está aí atrás de minerais críticos, atrás de petróleo, atrás de terra rara”.
No último dia 15, em documento anual enviado ao Congresso norte-americano, Trump criticou o governo brasileiro por, na visão dele, ter falhado no enfrentamento às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
Durante a cerimônia no Rio, foram demonstrados convênios assinados entre os governos federal, estadual e municipal, direcionados a três frentes:
– Proteção integrada dos corredores logísticos, em parceria entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o governo do estado: combate à mobilidade de criminosos e roubo de cargas, entre outros crimes. As ações acontecem nas divisas entre estados do Sudeste e importantes vias arteriais do Rio, como a Avenida Brasil, Linha Vermelha, Linha Amarela e os acessos ao Porto e ao Aeroporto Internacional.
– Política Estadual de Reocupação Territorial, firmada entre o ministério e o governo do estado: a finalidade é reduzir o controle territorial, armado e econômico das organizações criminosas e fortalecer a presença estatal. Inclui atuação sobre mercados explorados pelo crime.
– Capacitação da Força Municipal: em parceria com a prefeitura, entes federais, como a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), colaboram na formação de turmas de elite da Guarda Municipal do Rio, denominada de Força Municipal, composta por agentes armados.
Os convênios com o estado foram assinados no início de setembro e têm vigência de 60 meses. A parceria com a prefeitura foi firmada em agosto de 2025 e vale por três anos.
O presidente Lula defendeu que o Rio é uma espécie de laboratório para as ações integradas de segurança nas três esferas. “Se der certo no Rio, vai dar certo em todo o território nacional”.
Sem tutela
O governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, afirmou que as ações em conjunto com o governo federal resultam em maiores apreensões, como as de drogas, e defendeu a soberania do país no combate ao crime. “O Brasil tem condições, sim, de, por si, seguir em frente e realizar as atividades próprias da segurança. Não é o caso de sermos tutelados”.
O prefeito carioca, Eduardo Cavaliere, explicou que uma das integrações realizadas pela prefeitura é o compartilhamento de informações de inteligência e monitoramento em vídeo de vias.
O evento foi no Complexo da PRF, onde também funciona a sede da Força Municipal, no entroncamento da Avenida Brasil e Rodovia Presidente Dutra, porta de entrada para municípios da região metropolitana, como São João de Meriti e Duque de Caxias.
“Uma realização como a de hoje dá um sinal muito claro para a população de integração entre as forças, com impacto em todas as cidades da região metropolitana”, disse Cavaliere.
O presidente Lula e o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) durante ato em Guarulhos (SP). Foto: Eduardo Knapp/Folhapress
O presidente Lula afirmou nesta sexta-feira (18), durante ato em Guarulhos, na Grande São Paulo, que pretende acabar com as bets no Brasil. “Se depender da minha vontade pessoal, eu vou acabar com as bets neste país”, declarou, sob aplausos. Em seguida, classificou as plataformas como “a coisa mais horrorosa” que já viu e como “uma loucura da nação”. A manifestação ocorre em meio à discussão no governo sobre novas restrições ao setor.
No discurso, Lula relatou o caso de uma mulher que, segundo ele, perdeu o filho de 26 anos após o jovem acumular dívidas com apostas. O presidente comparou a dependência provocada pela jogatina à devastação causada pelo crack e afirmou que apostadores podem comprometer renda que não possuem na expectativa de ganhar dinheiro. “Não é jogo, é vício, é ludopatia”, disse.
Lula também afirmou que R$ 62 bilhões foram destinados às bets e colocou a perda de arrecadação em segundo plano diante do impacto social que atribui às apostas. “A gente pode perder o imposto. O que eu não posso perder é a vida dos pobres jogando”, declarou. Na quinta-feira (17), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, havia usado a mesma ordem de grandeza ao afirmar que cerca de R$ 62 bilhões saem das famílias para as plataformas e que o governo estuda formas de reduzir esse impacto.
O presidente dedicou parte do discurso à reação dos clubes de futebol. Entidades e equipes da Série A se mobilizaram contra possíveis restrições mais duras às empresas de apostas, hoje responsáveis por uma parcela relevante dos patrocínios esportivos. Lula lembrou que o Brasil conquistou as Copas de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002 antes da atual expansão das casas de apostas e ironizou: “Depois que apareceram as bets, não ganhou mais nada”.
Rapaz, o Lula quer acabar com as bets mesmo! Comparou o vício ao crack e disse que vai conversar com os times brasileiros.
“É a coisa mais horrorosa que vi na vida. Não posso perder a vida das pessoas jogando. O Brasil era campeão antes das bets, depois nunca mais.” pic.twitter.com/1iMXzKLM1k
Ele também rejeitou a tese de que medidas contra as empresas provocariam o colapso do futebol brasileiro. “Esse negócio de que se acabar com as bets vai acabar com o futebol é uma balela”, afirmou. Na sequência, elevou o tom: “A gente vai acabar com as bets, e a gente vai acabar com a lavagem de dinheiro, com a safadeza e com a roubalheira”. Investigações recentes da Polícia Federal e do Ministério Público apuram casos específicos de lavagem de dinheiro relacionados a operadores de apostas, o que não significa que a acusação alcance indistintamente todas as empresas do setor.
Lula encerrou esse trecho dizendo que pretende conversar com os clubes, mas afirmou que a resistência das empresas não mudará sua posição pessoal. “Os donos das bets não vão querer que eu acabe. Mas eu não sou dono de bets, eu sou o Presidente da República deste país e vou acabar com as bets”, declarou. O discurso amplia uma ofensiva que Lula já vinha fazendo contra o setor: em abril, ele afirmou ao DCM, Brasil 247 e Fórum que as bets estavam “assaltando o povo”.
Um em cada três brasileiros acredita que a maioria dos políticos envolvidos no Caso Master é de esquerda, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (18). São 34% nessa avaliação, contra 27% que apontam a direita, 10% que citam o centro e 13% que dizem que há políticos de todos os campos. Outros 16% não souberam responder.
A percepção do eleitor atinge um limite, no entanto. Quando se observa a relação de políticos que apareceram, direta ou indiretamente, nas apurações e reportagens sobre Daniel Vorcaro, há uma concentração expressiva de nomes da direita e do centro-direita. Levantamentos publicados ao longo do ano listaram figuras como Ciro Nogueira, Cláudio Castro, Antônio Rueda, Jair e Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Nikolas Ferreira, Hugo Motta e Ibaneis Rocha.
Um dos casos mais avançados é o de Ciro Nogueira, presidente do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro. A Polícia Federal investiga a relação do senador com Vorcaro e afirma que o banqueiro bancou viagens internacionais, hospedagens e outras despesas do parlamentar, aonde, documentos apreendidos levaram os investigadores a classificar a relação entre os dois como estratégica para interesses do Master no Congresso. A defesa do senador nega participação em qualquer atividade ilícita.
Foto: Arte/DCM
Nikolas Ferreira, deputado do PL e um dos principais nomes do bolsonarismo, também aparece nas mensagens do ex-banqueiro. Vorcaro afirmou em conversa privada que havia bancado os voos do parlamentar, que utilizou um jato ligado ao empresário durante a campanha de 2022. Posteriormente, Nikolas admitiu contatos com Vorcaro e pediu ajuda para uma questão envolvendo um ativo minerário de um ex-assessor. O deputado nega ter recebido dinheiro do banqueiro ou cometido irregularidades.
Documentos da Polícia Federal também apontam Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, como interlocutor direto de Vorcaro nas tratativas para financiar “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O senador pediu recursos ao ex-banqueiro, participou de reuniões e cobrou parcelas destinadas ao projeto. A PF registrou encontro entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro antes das cobranças por novos pagamentos.
O resultado contrasta a uma pesquisa do Datafolha de abril, em que 38% dos entrevistados atribuíam maior envolvimento à esquerda e apenas 20% à direita. Agora, a esquerda caiu para 34%, enquanto a direita subiu para 27%, reduzindo a distância de 18 para somente sete pontos percentuais.
Por João Pedro Pitombo (Folhapress) – O presidente Lula (PT) foi o principal alvo de conteúdos com uso de inteligência artificial durante a pré-campanha, aponta levantamento do Observatório IA nas Eleições. Ao todo, foram 112 casos identificados com reprodução artificial da imagem ou voz do presidente. Adversário de Lula na disputa presidencial, o senador Flávio […]
A desconfiança dos brasileiros no Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu o maior patamar da série histórica do Datafolha, iniciada em 2012. Segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira (18), 48% dos entrevistados dizem não confiar na Corte.
O resultado também coloca o Supremo, pela primeira vez, numericamente acima de outras instituições avaliadas pelo instituto em desconfiança. A Presidência da República registra 42%, enquanto Congresso e partidos políticos aparecem com 45% cada.
A deterioração ocorreu em poucos meses. Em março, 43% afirmavam desconfiar do STF. Na rodada atual, 14% dizem confiar muito na Corte e 35% afirmam confiar um pouco. Na pesquisa anterior, esses percentuais eram de 16% e 38%, respectivamente.
Foto: Arte/DCM
O levantamento foi realizado durante a crise aberta no Supremo em torno do Caso Master, que expôs conflitos entre ministros sobre as investigações envolvendo Daniel Vorcaro e integrantes da Corte. Na última semana, o plenário protagonizou uma sessão marcada por confrontos entre André Mendonça e outros ministros durante a discussão sobre as apurações.
O desgaste específico do STF é maior que o registrado para o Poder Judiciário em seu conjunto. Nesse caso, 38% dizem não confiar, 43% afirmam confiar um pouco e 17%, muito. Em março, a desconfiança no Judiciário era de 36%.
O Datafolha ouviu 2.001 pessoas em 125 municípios entre terça-feira (15) e quinta-feira (17). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento foi encomendado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-04029/2026.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou nesta sexta-feira (18) uma nota de repúdio à escalada de violência online contra jornalistas que atuam na cobertura das eleições e de casos de corrupção. A entidade alertou para o aumento de ataques, ameaças e tentativas de descredibilização do trabalho da imprensa nas redes sociais. Segundo a […]
A juíza auxiliar Domitila Manssur, do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), mandou a vereadora e candidata a deputada federal Zoe Martínez (PL) interromper o impulsionamento e a veiculação paga de dois vídeos com ataques ao PT. A decisão, tomada na sexta-feira (18), manteve as postagens nas redes sociais, mas proibiu sua distribuição como anúncio.
A liminar atendeu a um pedido da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, e da Federação Psol-Rede. A magistrada fixou multa diária de R$ 2 mil em caso de descumprimento, limitada inicialmente a R$ 30 mil.
Em sua decisão, Domitila afirmou que críticas a adversários, partidos e correntes políticas integram, em princípio, a liberdade de expressão e o debate eleitoral. Ela destacou, porém, que a legislação impõe regras próprias à amplificação paga de conteúdos políticos.
Para a juíza, o impulsionamento deve promover ou beneficiar a candidatura ou a agremiação que contrata o anúncio. Os dois vídeos questionados tinham como eixo central ataques a adversários políticos, sem conteúdo substancial de promoção da candidatura de Zoe Martínez.
Zoe Martínez. Foto: Reprodução
No primeiro anúncio, Zoe associava o período de governo do PT a consequências negativas para o país e terminava com um pedido de voto para outro candidato. A mensagem dizia: “Flávio Bolsonaro presidente, 22, conto com vocês”.
Domitila avaliou que a identificação da vereadora no material não bastava para caracterizar o conteúdo como propaganda voltada principalmente à sua própria candidatura. “Em exame preliminar, não constitui o núcleo da comunicação patrocinada”, escreveu a magistrada.
No segundo vídeo, Zoe relatava sua experiência em Cuba, país onde nasceu, criticava o comunismo e relacionava esse discurso à esquerda e ao PT no Brasil. A candidata afirmou que valores familiares e religiosos sofreriam ataques e atribuiu efeitos negativos à esquerda na economia.
A juíza também determinou que as responsáveis por Instagram e Facebook interrompam a distribuição paga dos anúncios. Após a decisão, Zoe Martínez classificou a medida como “dois pesos e duas medidas” e afirmou: “Não vão me calar. Se não posso usar as redes sociais, vou continuar nas ruas, com megafone na mão e panfletando.”
Por José Marques e Raquel Lopes (Folhapress) – Conversas entre Daniel Vorcaro e um número de telefone de propriedade do ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Benedito Gonçalves, extraídas de celular do ex-banqueiro, indicam uma possível relação próxima entre os dois. Benedito atualmente ocupa o cargo de corregedor do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). O material obtido pela Folha mostra que ele […]
Por Cleber Lourenço Preso preventivamente, Daniel Vorcaro passou a fazer chegar à imprensa recados de que pode expor ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades. As ameaças atribuídas ao ex-banqueiro aparecem justamente enquanto ele tenta deixar a prisão e seu pai, Henrique Vorcaro, busca obter prisão domiciliar. O ponto mais grave dos relatos […]
O diretor norte-americano Cyrus Nowrasteh afirmou que os valores divulgados como orçamento de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foram “ridiculamente inflados”. Leia em TVT News.
A declaração foi publicada pelo cineasta na rede social X nesta quinta-feira (10) e acrescenta novos elementos ao debate sobre os recursos envolvidos na produção, que é alvo de investigação da Polícia Federal.
O diretor reagiu a uma publicação que comparava o orçamento atribuído ao longa com os custos de filmes vencedores do Oscar e contestou a forma como os valores vêm sendo apresentados.
Segundo Nowrasteh, as cifras divulgadas não corresponderiam apenas aos gastos necessários para realizar o filme. Os números incluiriam também projeções relacionadas às despesas de marketing e publicidade, que, nos Estados Unidos, são normalmente contabilizadas separadamente dos custos de produção.
“Os números sendo divulgados para o custo do filme são ridiculamente inflados. Eles incluem custos projetados de marketing para ‘Dark Horse’”, escreveu o diretor.
A declaração ocorre em meio às investigações sobre o financiamento da cinebiografia e após a divulgação de informações sobre uma suposta negociação envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje candidato à Presidência da República, e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Diretor de Dark Horse em suas redes sociais – Reprodução
Diretor separa custos de produção e gastos com publicidade
Ao explicar sua posição, Cyrus Nowrasteh afirmou que despesas com divulgação podem ultrapassar os valores empregados diretamente na realização de uma produção cinematográfica. Para ele, a inclusão dessas diferentes despesas em uma mesma cifra provoca uma distorção na comparação com outros filmes.
“Marketing e publicidade para um filme frequentemente excedem os custos de produção. Nos EUA, não combinamos os dois, como fazem no Brasil. Por favor, tenha isso em mente. Os custos de produção deste filme foram menores que a maioria, se não todos, dos filmes listados”, afirmou.
A discussão surgiu depois que o valor atribuído a “Dark Horse” foi comparado pelo jornal O Globo aos orçamentos de produções vencedoras do Oscar. Entre os filmes mencionados na comparação estão “Anora”, “Parasita”, “Moonlight” e “A Forma da Água”, que tiveram custos de produção inferiores a US$ 24 milhões.
Segundo reportagem publicada pelo Intercept Brasil em maio, Flávio Bolsonaro teria solicitado US$ 24 milhões, valor que correspondia a cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção.
Para o jornalista Paulo Motoryn, a manifestação de Nowrasteh merece atenção diante das apurações que investigam os recursos relacionados a “Dark Horse”.
“A gente tem o diretor do ‘Dark Horse’ falando que os custos estão sendo inflados e que os custos da produção são muito menores que os outros filmes listados”, afirmou Motoryn.
Segundo o jornalista, a declaração pode representar mais um elemento a ser considerado na análise dos valores envolvidos no projeto.
“É uma pista muito importante para nossa investigação, seja do jornalismo, seja da Polícia Federal”, disse.
A controvérsia sobre os recursos destinados ao longa ocorre enquanto a Polícia Federal investiga suspeitas relacionadas ao financiamento da produção.
Flávio Bolsonaro é investigado pela PF no caso Dark Horse
Flávio Bolsonaro é investigado pela Polícia Federal em um inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). A apuração envolve suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao financiamento de “Dark Horse”.
A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça em 22 de julho, após pedido da Polícia Federal e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
De acordo com as informações que integram a apuração, os investigadores analisam a atuação de Flávio Bolsonaro na obtenção e na cobrança de recursos junto a Daniel Vorcaro.
Mensagens, ligações e registros de encontros encontrados no celular do banqueiro indicariam, segundo os investigadores, uma participação direta do senador nas tratativas relacionadas ao financiamento do projeto.
Operação teve buscas contra Mario Frias e produtora
Na quinta-feira (10), a Polícia Federal deflagrou uma operação relacionada ao financiamento de “Dark Horse”. Entre os alvos de mandados de busca e apreensão estavam o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e Karina Gama, produtora do filme.
Karina também é apontada como responsável por entidades que receberam recursos provenientes de emendas parlamentares, outro ponto que integra o contexto investigado pelas autoridades.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), convocou para 22 de setembro uma audiência pública que vai discutir se os parlamentares devem se submeter a regime de controle, fiscalização, prestação de contas e responsabilização pela destinação de recursos públicos por meio de emendas impositivas. O objetivo é reunir especialistas e representantes de instituições públicas e da sociedade civil para apresentar diferentes pontos de vista sobre o tema. Leia em TVT News.
A matéria é objeto da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7995, proposta pelo partido Rede Sustentabilidade contra regras das Emendas Constitucionais 86/2015, 100/2019, 105/2019 e e 126/2022, que instituíram e ampliaram o mecanismo das emendas parlamentares impositivas, de execução obrigatória pelo Poder Executivo.
O objetivo é proporcionar um “debate plural e tecnicamente qualificado”, a fim de subsidiar a Corte de elementos para o julgamento de mérito.
Entidades e pessoas interessadas em participar como expositores devem solicitar inscrição até terça-feira (15), pelo e-mail audiencias.gmfd@stf.jus.br. O pedido deve informar quem será o representante e quais pontos pretende abordar. A lista dos participantes habilitados será divulgada no Portal do STF a partir de 17 de setembro.
A escolha dos expositores levará em conta a experiência e o conhecimento sobre o tema, além da contribuição que cada participante poderá oferecer para esclarecer as questões discutidas na ação. Como o tempo e o número de participantes são limitados, pessoas e entidades que não forem incluídas na programação poderão apresentar contribuições por escrito, se forem autorizadas pelo ministro.
Convidados
No despacho, Dino indicou dois especialistas para contribuir com o debate: o procurador do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) André Alexandre e a procuradora do Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo (MPC-SP) Élida Pinto, autores de um estudo sobre o tema.
O ministro também convidou a Associação Nacional do Ministério Público de Contas (AMPCON), a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) e o Tribunal de Contas da União (TCU).
O que está em discussão
Entre outros pontos, a audiência vai discutir a extensão e a natureza dos deveres de controle e responsabilização aplicáveis aos parlamentares que indicam ou direcionam emendas e a possibilidade de equiparar sua atuação à do ordenador de despesas, agente público responsável por autorizar gastos e responder por sua execução.
Outro ponto é saber se a Constituição permite a destinação de recursos de emendas diretamente a entidades privadas, além de esclarecer a responsabilidade de cada agente envolvido no caminho percorrido pelo dinheiro, desde a indicação até a aplicação dos recursos.
Outras ADIs
Em 27 de junho de 2025, o ministro realizou uma audiência pública para discutir a constitucionalidade das emendas impositivas, questionadas também nas ADIs 7688, 7695 e 7697. Na ocasião, a discussão envolveu temas como a obrigatoriedade das emendas parlamentares “individuais” e “de bancada” frente à separação dos Poderes e ao sistema presidencialista e a compatibilidade do montante e do crescimento das emendas impositivas com a Constituição, entre outros.
Na nova audiência, a controvérsia se refere ao cabimento de obrigações aos parlamentares que as indicam.
Quando será
A audiência pública será realizada das 9h às 12h, na Sala de Sessões da Primeira Turma, com transmissão pela TV Justiça e pela Rádio Justiça e pelo canal do STF no Youtube.
A Universidade de São Paulo (USP) contestou uma informação utilizada pelo candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) em sua apresentação profissional. O escritor afirma, no site oficial e no plano de governo, que é professor de pós-graduação da instituição, mas a universidade nega que ele tenha ocupado essa função. Mais informações em TVT News.
De acordo com a USP, Cury participou apenas como professor convidado de uma disciplina da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto entre 2020 e 2022. A atividade ocorreu no programa de pós-graduação em Reabilitação Oral e não representava vínculo com o quadro docente da universidade.
Cury também incluiu no currículo entregue ao TSE curso de doutorado internacional que não teria feito. Foto: Reprodução/YouTube
A disciplina tinha como título “Gestão da Emoção na Formação de Professores do Ensino Universitário”. A informação foi confirmada pela unidade de Ribeirão Preto após questionamentos da imprensa.
A condição de convidado permite que especialistas participem de aulas ou atividades acadêmicas específicas, mas não equivale ao cargo de professor da USP. Docentes da instituição são contratados por meio de processos formais, como concursos públicos, e mantêm vínculo funcional com a universidade.
Informação aparece em materiais da campanha
No site de Cury, o candidato é apresentado como psiquiatra, pesquisador, escritor e professor de pós-graduação da USP. A mesma credencial aparece em seu plano de governo entregue à Justiça Eleitoral. A descrição, no entanto, não informa que a participação ocorreu apenas como convidado nem que foi limitada ao período entre 2020 e 2022.
A controvérsia ganhou repercussão durante a campanha presidencial, em um momento de crescimento do candidato nas pesquisas de intenção de voto. Conhecido pelos livros sobre comportamento e gestão das emoções, Cury passou a ocupar a terceira colocação em alguns levantamentos eleitorais.
Trajetória acadêmica já foi questionada
O currículo de Augusto Cury já foi questionado antes. O candidato enfrentou dúvidas sobre a forma como descreve sua formação acadêmica e um suposto doutorado em psicologia.
Cury é formado em medicina e se tornou conhecido como escritor de livros de auto-ajuda e palestrante. Ele é autor da chamada Teoria da Inteligência Multifocal, método divulgado em livros e cursos, mas questionado por especialistas quanto ao reconhecimento e à validação científica.
A universidade reconhece que Cury participou de atividades em uma disciplina de pós-graduação, mas ressalta que essa atuação ocorreu na condição de convidado. Portanto, de acordo com a instituição, ele não pode ser apresentado como professor de pós-graduação da USP.
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A perícia criminal é fundamental para solucionar diversos tipos de crimes. Por isso, é preciso que esse trabalho esteja pautado na imparcialidade e na defesa dos direitos humanos. É justamente sobre esse tema um relatório produzido pelo Instituto Vladimir Herzog.
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Instituto Vladimir Herzog lança relatório sobre perícia criminal do Brasil
Rede TVT3 de agosto de 2020 23:25
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A Bahia Málaga, no Pacífico colombiano, é um destino turístico paradisíaco. Apesar da exuberância, este paraíso que não dispõe de um sistema adequado de coleta de lixo, enfrenta a poluição para tentar preservar a natureza exuberante. Desde 2019, a Fundação Plástico Precioso Uramba recolheu cerca de 16 toneladas de lixo na Bahia Málaga. Em troca das tampinhas que coletam, recebem moedas fictícias, também de plástico, que usam para trocar por roupas, material escolar, brinquedos, livros ou pipoca para comer enquanto assistem filmes. O material coletado é derretido em uma prensa térmica, que Pardo construiu com base em um esboço que encontrou online. O resultado final é uma pesada placa do material que vai servir para a construção de carteiras, que serão doadas à principal escola como recompensa às salas de aula que mais reciclam. Dezenas de crianças já estudam com cadeiras feitas com o que antes era lixo. O processo ajuda a sensibilizar os jovens. De acordo com a ONU, todos os anos cerca de oito milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos. A Organização estima que até 2040 vão existir cerca de 50 kg de plástico por metro de litoral em todo o mundo. Na Bahia Málaga já começaram a trabalhar para ter um futuro mais limpo.
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Colombianos transformam plásticos das praias em moeda de troca
Rede TVT18 de janeiro de 2025 23:41
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Acesse TVT News em https://tvtnews.com.br" data-video-title="Ataque ao MST é fruto de discursos de ódio" data-channel-id="UCmQTY7b5w61WlmBbJ5a8XrQ" data-views="254 visualizações" data-published-date="1737254263" data-formatted-published-date="18 de janeiro de 2025 23:37" data-comment-count="1">
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O ataque ao assentamento Olga Benário, em Tremembé, reflete uma onda de ódio que se consolidou ao longo dos anos contra o MST e outros movimentos populares. Alceu Castilho, editor-chefe do observatório 'De olho nos ruralistas', o ataque é decorrência de discursos de ódio contra o MST, como os proferidos por Jair Bolsonaro.
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Ataque ao MST é fruto de discursos de ódio
Rede TVT18 de janeiro de 2025 23:37
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Acesse TVT News em https://tvtnews.com.br" data-video-title="Polícia reforça investigação do ataque ao MST em Tremembé" data-channel-id="UCmQTY7b5w61WlmBbJ5a8XrQ" data-views="368 visualizações" data-published-date="1737254120" data-formatted-published-date="18 de janeiro de 2025 23:35" data-comment-count="0">
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A Polícia Civil montou uma força tarefa para investigar o ataque da semana passada que resultou em 2 mortos, no assentamento Olga Benário do MST em Tremembé, interior de São Paulo.
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Polícia reforça investigação do ataque ao MST em Tremembé
Rede TVT18 de janeiro de 2025 23:35
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Acesse TVT News em https://tvtnews.com.br" data-video-title="OMS alerta que o mundo caminha para crise de saúde global" data-channel-id="UCmQTY7b5w61WlmBbJ5a8XrQ" data-views="23.6milhares visualizações" data-published-date="1737253841" data-formatted-published-date="18 de janeiro de 2025 23:30" data-comment-count="160">
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A OMS lançou seu apelo de emergência em saúde para 2025. A agência afirma que o mundo está em um “ponto de inflexão”, marcado por conflitos, mudanças climáticas, epidemias e deslocamentos que convergem para criar uma “crise de saúde global sem precedentes”.
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OMS alerta que o mundo caminha para crise de saúde global
Rede TVT18 de janeiro de 2025 23:30
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Acesse TVT News em https://tvtnews.com.br" data-video-title="Estudo mapeia risco de extinção das árvores no mundo" data-channel-id="UCmQTY7b5w61WlmBbJ5a8XrQ" data-views="295 visualizações" data-published-date="1737253553" data-formatted-published-date="18 de janeiro de 2025 23:25" data-comment-count="1">
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O estudo traz uma atualização da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza, conhecida pela sigla U.I.C.N. Pela primeira vez, a maior parte das árvores do planeta foi incluída na lista vermelha desta organização civil, com pelo menos 16.425 espécies em risco de extinção das 47.282 identificadas. O estudo, um inventário global do estado de conservação de espécies vegetais e animais, mostra que do total de 166.061 espécies avaliadas, 46.337 estão ameaçadas de extinção e 10.235 em perigo crítico. Este primeiro panorama global do estado de conservação das árvores é resultado da mobilização de uma rede global de mais de 100 parceiros institucionais e mais de 1.000 especialistas. As espécies de árvores ameaçadas de extinção estão catalogadas em 192 países.
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Estudo mapeia risco de extinção das árvores no mundo
Rede TVT18 de janeiro de 2025 23:25
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Acesse TVT News em https://tvtnews.com.br" data-video-title="Governo Federal anuncia investimentos de R$ 1 bi no Rio Grande do Sul" data-channel-id="UCmQTY7b5w61WlmBbJ5a8XrQ" data-views="544 visualizações" data-published-date="1737253048" data-formatted-published-date="18 de janeiro de 2025 23:17" data-comment-count="2">
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O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou no Rio Grande do Sul investimentos de R$ 1 bilhão na indústria química. A maior parte dos recursos – quase R$ 800 milhões – será investida no Pólo Petroquímico de Triunfo.
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Governo Federal anuncia investimentos de R$ 1 bi no Rio Grande do Sul
Rede TVT18 de janeiro de 2025 23:17
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Acesse TVT News em https://tvtnews.com.br" data-video-title="Tendência é de barateamento dos preços dos alimentos" data-channel-id="UCmQTY7b5w61WlmBbJ5a8XrQ" data-views="717 visualizações" data-published-date="1737252806" data-formatted-published-date="18 de janeiro de 2025 23:13" data-comment-count="6">
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O presidente Lula sancionou nesta semana a Lei da Reforma Tributária, que torna o sistema tributário mais simples e justo. O diretor técnico adjunto do Dieese, Victor Pagani, acredita que a tendência deste ano é o barateamento dos preços dos alimentos.
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Tendência é de barateamento dos preços dos alimentos
Rede TVT18 de janeiro de 2025 23:13
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Acesse TVT News em https://tvtnews.com.br" data-video-title="Moraes manda governador de SC depor à PF após fala sobre Bolsonaro | SJ 17.01" data-channel-id="UCmQTY7b5w61WlmBbJ5a8XrQ" data-views="3.8milhares visualizações" data-published-date="1737153922" data-formatted-published-date="17 de janeiro de 2025 19:45" data-comment-count="26">
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Moraes manda governador de SC depor à PF após fala sobre Bolsonaro | SJ 17.01
Um relatório da Polícia Federal divulgado nesta sexta (11) aponta que mensagens e registros de comunicação extraídos do celular de Daniel Vorcaro mostram a participação direta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em tratativas relacionadas ao financiamento de Dark Horse. Vocaro é o ex-banqueiro responsável pelo escândalo do Banco Master. Leia em TVT News.
As correspondências digitais analisadas pela PF registram contatos com o banqueiro, reuniões presenciais e cobranças relacionadas aos pagamentos da produção ao longo de 2025.
Para a PF, a sequência de mensagens indica que Flávio aparece como interlocutor direto de Vorcaro em diferentes momentos das tratativas sobre o filme, incluindo cobranças de pagamentos, reuniões e conversas sobre o andamento das gravações.
De acordo com a PF, as primeiras articulações identificadas ocorreram em dezembro de 2024. No dia 8 daquele mês, Thiago Miranda Silva procurou Vorcaro para marcar uma reunião com Flávio Bolsonaro e informou que um dos assuntos seria o “filme do presidente”. O encontro foi agendado para 11 de dezembro. Dois dias antes, Thiago encaminhou a Vorcaro uma mensagem atribuída a Flávio informando que o então deputado federal Mário Frias participaria da reunião por ser o idealizador do projeto.
Flávio e Vorcaro mantiveram contato direto durante as negociações
Segundo a análise da Polícia Federal, em janeiro de 2025 os registros passaram a incluir cobranças relacionadas aos aportes. No dia 20, Thiago Miranda cobrou Vorcaro sobre o primeiro pagamento e enviou uma captura de tela de conversa com um contato identificado como Flávio Bolsonaro, na qual era solicitada uma resposta do jurídico do investidor.
Em 28 de janeiro, Vorcaro questionou Fabiano Zettel sobre o pagamento. Ao saber que o valor ainda não havia sido repassado, afirmou que aquele seria “o mais importante disparado” e que não poderia haver nova falha no cumprimento da obrigação.
A partir de agosto, aparecem registros de interlocução direta entre Flávio e Vorcaro. Em 20 de agosto, mensagens indicam um provável encontro presencial entre os dois. Vorcaro informou o horário e Flávio respondeu que estava “a caminho”.
Em 8 de setembro, Flávio enviou um áudio ao banqueiro cobrando pagamentos relacionados ao filme. Segundo a PF, o senador demonstrava preocupação com possíveis atrasos nos compromissos assumidos pela produção com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. Vorcaro respondeu pedindo desculpas e afirmou que tentaria solucionar a situação.
Cobranças ocorreram durante as gravações
Ainda segundo os documentos analisados pela PF, em 15 de setembro, Thiago Miranda informou a Vorcaro que Flávio queria um encontro pessoalmente para mostrar o que estava sendo gravado. No dia seguinte, há registro de uma ligação entre Vorcaro e Flávio, na mesma época em que ocorreu uma remessa da Entre Investimentos para a Havengate Development Fund, conforme o material citado pela investigação.
Em 22 de outubro, Flávio voltou a tratar com Vorcaro sobre os recursos. O senador informou que o filme estava no terceiro dia de gravações e que a produção estava “no limite”. Ele pediu que o banqueiro avisasse caso não pudesse realizar o aporte, para que pudesse buscar outra alternativa.
Vorcaro respondeu que resolveria a situação. Na mesma data, Flávio o convidou para jantar com o ator principal e o diretor do filme em São Paulo. Dias depois, entretanto, Thiago Miranda voltou a cobrar o banqueiro, indicando que o pagamento que teria sido liberado ainda não havia chegado ao destino.
PF registra contato entre Flávio e Vorcaro antes da prisão
Os documentos analisados pela Polícia Federal também registram uma tentativa de contato entre Flávio e Vorcaro em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão do banqueiro. Após tentar falar por telefone, o senador enviou uma mensagem na qual afirmou: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.
No dia seguinte, 17 de novembro, Vorcaro foi preso ao tentar embarcar em um jato particular com destino a Dubai. A primeira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada no dia seguinte.
Os documentos também apontam questões que, segundo a investigação, precisam ser esclarecidas, como a origem dos recursos destinados à produção, a utilização da Entre Investimentos como intermediária, a função da Havengate Development Fund e os destinatários finais dos valores enviados ao exterior.
Contrato previa investimento de US$ 24 milhões
Entre os documentos extraídos do aparelho de Vorcaro está um contrato que, segundo a PF, previa investimento total de US$ 24 milhões para a produção de Dark Horse. Também foi localizado o “Plano de Negócios Capitão do Povo V5”, encaminhado por Thiago Miranda, com projeções de receita bruta de bilheteria de US$ 45 milhões no cenário pessimista, US$ 70 milhões no conservador e US$ 100 milhões no otimista.
Um eletricista, morador da Brasilândia, periferia da Zona Norte de São Paulo, aparece no centro de uma investigação da Polícia Federal sobre a movimentação de milhões de reais em recursos públicos. Mas como um homem simples foi parar nos autos de investigação de um dos casos mais emblemáticos do ano? Mais informações em TVT News.
Vanderlei Magalhães Natividade está entre os alvos da Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10). Ele é apontado como tesoureiro do Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização ligada à empresária Karina Ferreira da Gama, produtora de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, Vanderlei teria movimentado mais de R$ 83 milhões do ICB entre setembro de 2023 e agosto de 2024. O documento aponta ainda que tinha acesso a todas as contas da entidade e realizava movimentações financeiras de alto valor.
Trecho da decisão de Flávio Dino, que autorizou a operação da Polícia Federal nesta quinta-feira (10). — Foto: Reprodução/STF
O endereço de Vanderlei foi alvo de busca e apreensão. Ele também teve o passaporte recolhido e está proibido de deixar o país sem autorização do STF.
De eletricista a tesoureiro de entidade milionária
O perfil de Vanderlei e o volume de recursos que passaram pelas contas sob sua responsabilidade chamaram a atenção durante a investigação.
Segundo as informações reunidas no caso, Vanderlei atua como eletricista industrial e oferece serviços de instalação e manutenção de câmeras, alarmes e sistemas de controle de acesso. Ele morava, ao menos até maio deste ano, em uma casa simples nos fundos de um terreno na Brasilândia, região onde também viveram familiares de Karina da Gama.
Fachada da casa de Vanderlei Natividade, no bairro da Brasilândia, Zona Norte de SP. — Foto: Reprodução/Polícia Civil de SP
Vanderlei chegou a se apresentar como parente “de consideração” da empresária. Ao mesmo tempo, ocupava uma posição com amplos poderes dentro do Instituto Conhecer Brasil.
A entidade mantém, entre outros projetos, um contrato anual de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para prestação de serviços relacionados a pontos de Wi-Fi na periferia da capital, também alvo de investigação.
Troca de mensagens que mostra que Vanderlei Natividade se apresenta como eletricista. — Foto: Reprodução
A PF tenta agora esclarecer a origem, o destino e a justificativa das movimentações realizadas pelas organizações e empresas envolvidas.
Rede de entidades e empresas está sob investigação
A Operação Make Up cumpriu 49 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (10) e teve como alvo agentes públicos, empresários, advogados e dirigentes de organizações que receberam recursos públicos.
Ao todo, 29 pessoas foram submetidas às medidas cautelares determinadas por Dino. Além de Vanderlei, estão Karina da Gama, presidente da entidade e o deputado federal Mário Frias (PL-SP), além de integrantes e ex-integrantes do gabinete do parlamentar.
A investigação apura a aplicação de emendas parlamentares destinadas a projetos do Instituto Conhecer Brasil. De acordo com a decisão judicial, parte do dinheiro teria sido repassada a fornecedores que mantêm relações societárias, profissionais ou familiares entre si.
A suspeita investigada é de que recursos públicos tenham sido direcionados para empresas subcontratadas irregularmente e, em alguns casos, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços.
Informações da Controladoria-Geral da União (CGU), do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e da própria Polícia Federal integram as ações. Entre os possíveis crimes investigados estão peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa, fraude e crimes relacionados a licitações.
Conexão com Mário Frias e ‘Dark Horse’
O deputado Mário Frias também está entre os alvos das buscas. A investigação apura, entre outros pontos, a destinação de recursos de emendas parlamentares para organizações relacionadas a Karina da Gama.
Frias é produtor-executivo de Dark Horse, enquanto Karina é apontada como idealizadora e produtora do projeto. Ela também prestou serviços à campanha eleitoral do parlamentar em 2022.
PF e CGU investigam possível desvio de recursos públicos e miram deputado que destinou emendas ao Instituto Conhecer Brasil, de Karina Gama – Reprodução/Instagram
Além do deputado, a investigação alcança integrantes e ex-integrantes de seu gabinete, como Raphael Augusto Azevedo, Luiz Claudio Faria Velloso e outras pessoas relacionadas à execução dos projetos investigados.
Empresas ligadas a pessoas que mantiveram relações com o gabinete de Frias também aparecem no caso. A PF procura identificar se existia uma rede articulada para direcionar recursos públicos e posteriormente ocultar sua origem ou destino.
STF suspendeu atividades das entidades
Além das buscas, Flávio Dino determinou a suspensão das atividades do Instituto Conhecer Brasil e da Academia Nacional de Cultura (ANC), outra organização ligada a Karina da Gama.
Vinte e duas empresas também ficaram proibidas de participar de licitações ou celebrar novos contratos, convênios e termos de parceria com o poder público. Os 29 investigados estão proibidos de manter contato entre si, diretamente ou por intermédio de terceiros, e não podem deixar o Brasil sem autorização do Supremo.
No caso de Vanderlei Natividade, a PF ainda tenta esclarecer como um homem que se apresenta como eletricista passou a ocupar uma posição com poderes para movimentar todas as contas de uma organização que administrou dezenas de milhões de reais.
A movimentação de mais de R$ 83 milhões atribuída a ele na decisão judicial passa a ser uma das peças para a investigação reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro público e identificar quem se beneficiou das operações.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou que o ministro André Mendonça retire o sigilo de parte das investigações relacionadas ao caso Banco Master que resultou na prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão foi tomada de ofício e estabelece que sejam disponibilizados os procedimentos que integram ou estão relacionados à investigação. Leia em TVT News.
Fachin ressalvou, no entanto, que podem continuar protegidas as diligências cujo sigilo seja considerado indispensável para a realização das medidas. O presidente do STF também determinou que Mendonça encaminhe aos gabinetes dos demais ministros da Corte um HD com os procedimentos incluídos ou relacionados à investigação que levou à prisão de Vorcaro.
Detalhes sobre o Dark Horse não estão entre os documentos liberados
A abertura determinada por Fachin não alcança os elementos da investigação relacionados ao Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro que também é alvo de apuração no STF. As informações referentes a essa frente permanecem sob sigilo.
A decisão ocorre enquanto o STF também analisa as investigações envolvendo a relação de Vorcaro com diferentes autoridades e pessoas ligadas ao caso Master. O processo relacionado às mensagens atribuídas a Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro está previsto para ser analisado pelo plenário da Corte.
Fachin cobra publicidade da investigação que levou à prisão de Vorcaro
No despacho, Fachin destacou a necessidade de tornar pública a investigação que resultou na prisão de Vorcaro e os procedimentos diretamente vinculados a ela. A determinação, porém, preserva informações cuja divulgação possa comprometer diligências ainda em andamento.
A medida acontece em meio à crise no STF envolvendo a condução das diferentes frentes do caso Master. Mendonça é o relator de parte das investigações, enquanto Fachin, como presidente da Corte, tem adotado medidas para organizar a tramitação dos processos e evitar sobreposição entre procedimentos.
A determinação também ocorre às vésperas da análise, pelo STF, de questões relacionadas às investigações sobre o banco e às mensagens atribuídas a Moraes. O objetivo da abertura parcial é ampliar a transparência sobre a apuração que levou à prisão de Vorcaro, sem comprometer diligências que ainda dependam de sigilo.
De acordo com investigação da Polícia Federal que estava sob os poderes do ministro do STF, André Mendonça, o banqueiro Daniel Vorcaro tinha um esquema que envolvia quatro principais núcleos. Saiba mais em TVT News.
1 – Núcleo financeiro, responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro;
2 – Núcleo de corrupção institucional, voltado à cooptação de servidores públicos do Bacen (Banco Central);
3 – Núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, com utilização de empresas interpostas;
4 – Núcleo de intimidação e obstrução de justiça, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.
O documento fala que, o núcleo de corrupção institucional envolvia o Chefe-Adjunto de Supervisão Bancária no Bacen, Paulo Sérgio, que se torna uma “espécie de consultor de Vorcaro para assuntos de interesse exclusivamente privado”.
A investigação aponta que há inúmeras mensagens transcritas nos autos entre Vorcaro e Paulo Sérgio que comprovam isso. Uma das mensagens enviadas por Daniel Vorcaro para Paulo Sérgio pede que servidor analise uma minuta de ofício que seria enviada pelo Banco Master, ao próprio Departamento do Bacen em que este último exercia a função de Chefe-Adjunto. Paulo Sérgio chega a responder com sugestões de alteração no documento referido.
Ainda, o servidor do Bacen, Belline Santana, também é investigado por ter relação semelhante com Vorcaro. Santana “também foi instado por Vorcaro a emitir opinião sobre um oficio que o Banco Master enviaria ao Departamento que ele próprio chefiava no Bacen” diz trecho da investigação.
Toffoli e o fundo Arleen
A reportagem “O ministro, o banqueiro e o fundo” da piauí mostra que as ligações de Vorcaro vão além do Banco Central e envolvem o STF. A publicação diz que existe a suspeita de que o ministro José Antonio Dias Toffoli seja o beneficário final de um fundo de investimentos, que recebeu 35 milhões de reais de Vorcaro e, que por meio de uma transação envolvendo a holding Egide I, os recursos foram parar em um paraíso fiscal no Caribe.
Segundo documentos obtidos pela piauí, o fundo Arleen era sócio do Tayaya, resort que pertence ao ministro e à familia dele. No entanto, o Arleen teria mudado de dono, passando para as mãos de um amigo de Toffoli, fazendo uma alteração no regulamento para que todos os investimentos pudessem ter transferidos para o exterior.
A reportagem ainda problematiza uma outra questão. Vorcaro poderia ter influenciado num voto de Toffoli sobre um caso que envolvia um precatório (requisição de pagamento para órgão públicos após condenação judicial). O ministro votou em uma ação envolvendo usinas a favor da União, o que contrariava sua posição histórica. Isso desesperou Fábio Faria, ex-ministro de Bolsonaro que trabalhava como lobista de Vorcaro. Um tempo depois, em um caso em que envolvia a Alcídia, Toffoli retomou a posição história e votou a favor da usina Alcídia. Uma decisão contrária teria forte impacto financeiro sobre o Master.
Festas
Outra reportagem da piauí “A festa das suíças de Vorcaro” cita que Vorcaro teria promovido uma festa em 2023 para estreitar laços. Uma festa com 20 homens e 120 mulheres. A festa aconteceu na casa de shows localizada na Bela Vista em São Paulo, Madame Satã. Nas mensagens, ex-ministro de Bolsonaro, Fábio Faria teria enviado uma mensagem dizendo “Davi e Pacheco fechado para terça. Chamei Toffoli também”.
Um dos áudios de Faria citados na matéria da piauí também faz menção a Moraes “É, eu sei. Mas, pô, eu, por exemplo, estou falando que vou dormir em Brasília, entendeu? É só pra dar confiança pros caras. Falou, pro Arthur, todo mundo, pô, vai trazer todo mundo. Mandei aqui pro Toffoli. Pô, dá até para trazer o Alexandre numa dessa, entendeu? Quando for só de fora, então é caprichar nisso aí. De repente trazer menos brasileira hoje, porra, que já está bom pra caralho e a gente vê. Mas se você toca aí. Abraço”. A suspeita é que Moraes seja o ministro Alexandre de Moraes e Arthur seja o deputado Arthur Lira.
O que sugeria o convite ao ministro Toffoli e aos senadores Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco. Questionados pela reportagem da piauí todos negaram presença.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quinta-feira (10), em entrevista ao SBT, que o Brasil discuta a criação de mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, também é necessária uma nova reforma do Poder Judiciário, com mudanças que alcancem desde a primeira instância até os tribunais superiores. Leia em TVT News.
Sobre os mandatos de ministros do STF, Lula reforçou a necessidade de criar um limite para o período de ocupação dos cargos. “Eu sinceramente hoje acho que é preciso discutir um mandato para a Suprema Corte. Ninguém pode ficar 40 anos no mesmo cargo”, declarou.
Lula defendeu que uma reforma precisa estabelecer parâmetros para o funcionamento do Judiciário e evitar a concentração excessiva de poder, e que a discussão não deveria ficar limitada ao Supremo.
“Nós precisamos fazer uma reforma no Poder Judiciário da primeira à última instância. É preciso criar critérios, porque senão as pessoas vão virando Deus e acham que podem tudo”, afirmou.
A declaração ocorre no mesmo momento em que o PT apresentou uma PEC com propostas para alterar regras de composição e funcionamento de tribunais superiores. O texto prevê, entre outras medidas, mandatos de até dez anos para ministros do STF, STJ, TST e STM, além de integrantes de órgãos de controle. A proposta também estabelece critérios de idade para as nomeações e prevê medidas relacionadas à representação de homens e mulheres nas cortes.
“Eu disse brincando: quem quiser ser da Suprema Corte não pode querer ser rico. Tem que fazer escolha. Se quiser ser rico, vai trabalhar no seu escritório. Se quiser ser juiz meritório de respeito, vai para a Suprema Corte. É assim que tem que ser”, disse Lula.
Presidente cita reforma de seu primeiro governo
Ao defender uma nova revisão do Judiciário, Lula lembrou as mudanças realizadas durante seu primeiro mandato, quando Márcio Thomaz Bastos era ministro da Justiça e Nelson Jobim presidia o Supremo.
“É preciso fazer outra? É. Agora, eu não vou dizer o que eu quero fazer porque eu não sei o que eu quero fazer. Eu vou conversar com a sociedade brasileira, com tudo que é peça da sociedade, para saber”, afirmou.
Lula evita antecipar propostas para plano de governo
Questionado sobre a possibilidade de incluir mudanças no Judiciário em seu programa de governo, Lula não confirmou quais medidas poderão fazer parte do documento.
Lula apontou a necessidade de cautela ao apresentar compromissos eleitorais enquanto ainda ocupa o Palácio do Planalto, já que a condição de candidato à reeleição não elimina a responsabilidade de falar como chefe do Executivo.
“No papel de presidente da República, mesmo sendo candidato, eu tenho que pesar as minhas palavras, sabe, com um pouco mais de cuidado do que qualquer candidato irresponsável”, afirmou.
A Polícia Federal (PF) apontou que o deputado Eduardo Bolsonaro teria orientado a forma como recursos destinados ao filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, seriam administrados nos Estados Unidos. Leia em TVT News.
Segundo as investigações, o fundo Havengate, sediado no Texas e administrado pelo advogado Paulo Calixto, próximo de Eduardo, teria sido utilizado como veículo para receber valores destinados à produção cinematográfica.
De acordo com a PF, o fundo poderia receber US$ 24 milhões, cerca de R$ 122 milhões, provenientes do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os repasses, porém, foram interrompidos após a prisão do empresário.
“Em 21/03/2025, THIAGO MIRANDA encaminhou a DANIEL VORCARO captura de tela de conversa atribuída a EDUARDO BOLSONARO, na qual eram apresentadas orientações sobre a forma pela qual os recursos poderiam ser geridos nos Estados Unidos, com menção à possibilidade de envio da maior quantidade possível de valores pelo modelo então em curso e referência à disponibilidade de ALTIERES SANTANA”, diz o relatório da Polícia Federal.
As informações fazem parte das investigações relacionadas ao caso Master e se tornaram públicas após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo dos documentos na noite de quinta-feira (10). A decisão ocorreu a pedido do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
A Polícia Federal sustenta que há elementos que justificam a investigação sobre a compatibilidade entre a estrutura financeira utilizada e a destinação declarada dos recursos para o filme.
Fundo teria permanecido sem atividade por quase quatro anos
Segundo o relatório da PF, o Havengate havia sido criado originalmente, em 2020, para um empreendimento imobiliário de US$ 21 milhões nos Estados Unidos. No entanto, de acordo com a representação policial, não há registro de propriedades em nome do fundo.
A corporação também menciona informações publicadas pelo site Intercept Brasil. A reportagem citada pela PF relatou que uma visita ao local onde deveria funcionar o empreendimento imobiliário não encontrou a estrutura prevista.
Ainda conforme a investigação, a Calixsan Capital Management LLC, gestora do fundo e controlada por Paulo Calixto e Altieris Santana, cancelou seus registros como gestora regulada de investimentos no Texas, em maio de 2021, e na Flórida, em setembro daquele ano.
Para a Polícia Federal, esse histórico chama atenção porque, segundo o cronograma inicial do empreendimento, o projeto imobiliário deveria estar em andamento naquele período.
O relatório afirma que o fundo permaneceu formalmente ativo, mas sem atividade pública registrada durante quase quatro anos. A situação teria mudado em fevereiro de 2025, quando ocorreu uma primeira remessa de US$ 2 milhões, enviada pela Entre Investimentos para o financiamento declarado do filme “Dark Horse”.
Segundo a PF, a utilização de um fundo originalmente criado para outro tipo de empreendimento, que teria permanecido sem atividade operacional durante anos, é uma circunstância que precisa ser investigada.
A corporação afirma que a reativação da estrutura financeira para receber remessas internacionais relacionadas a uma produção cinematográfica reforça a necessidade de verificar a compatibilidade entre o perfil do veículo utilizado e a destinação informada para os valores.
PF cita mensagens envolvendo Flávio, Vorcaro e publicitário
A investigação também menciona trocas de mensagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, Daniel Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda.
Segundo a PF, o conteúdo dessas conversas é um dos elementos utilizados para fundamentar a abertura da investigação sobre o financiamento do filme.
As mensagens já haviam sido reveladas pelo Intercept Brasil e, de acordo com a Polícia Federal, indicam que Eduardo Bolsonaro teria participado das orientações sobre a forma de gestão dos recursos nos Estados Unidos. A investigação aponta ainda que ele teria indicado a utilização do Havengate para a operação.
O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado apontado como próximo de Eduardo Bolsonaro.
A apuração busca esclarecer a origem, a circulação e a destinação dos recursos que seriam utilizados na produção de “Dark Horse”, além de examinar a estrutura financeira escolhida para receber os valores nos Estados Unidos.
Dinheiro para filme de Bolsonaro era enviado por Daniel Vorcaro
Segundo a investigação, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro seria responsável pelo envio de recursos que, no total, poderiam chegar a US$ 24 milhões para o fundo ligado ao financiamento do filme.
Os repasses, entretanto, deixaram de ocorrer após a prisão de Vorcaro.
A primeira transferência identificada pela PF ocorreu em 13 de fevereiro de 2025, quando US$ 2 milhões foram remetidos pela Entre Investimentos.
A empresa pertence ao empresário Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. Ele firmou acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR), homologado nesta semana pelo ministro André Mendonça.
A PF agora investiga as circunstâncias que envolveram a utilização do Havengate e a relação entre os envolvidos nas tratativas sobre o financiamento do filme.
A divulgação dos documentos amplia as informações públicas sobre a apuração relacionada ao caso Master e coloca sob investigação a estrutura financeira que teria sido utilizada para viabilizar os recursos destinados à cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O ex-ministro da ditadura militar, Ângelo Calmon de Sá. Foto: Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem
O ex-ministro Ângelo Calmon de Sá, banqueiro condenado por fraude e integrante de dois governos durante e logo após a ditadura militar, aparece entre os maiores doadores privados associados à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Aos 91 anos, ele destinou R$ 400 mil à Direção Nacional do PL, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral analisados pela Folha de S.Paulo.
O dinheiro não foi transferido diretamente para a conta de Flávio Bolsonaro, mas para a direção nacional da legenda que financia sua candidatura. No levantamento da Folha, Calmon de Sá aparece como o terceiro maior doador pessoa física ligado à campanha, atrás de Fernando de Castro Marques, da União Química, e Erasmo Carlos Battistella, da Be8, que destinaram R$ 500 mil cada.
A relação financeira do banqueiro com o partido não começou nesta eleição. Em 2024, Calmon de Sá já havia destinado R$ 300 mil ao PL, em três repasses registrados como contribuições para a manutenção da legenda.
O candidato a presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Divulgação/Vitor Salles
O empresário presidiu o Banco do Brasil durante a ditadura de Emílio Garrastazu Médici e foi ministro da Indústria e Comércio de Ernesto Geisel entre 1977 e 1979. Anos mais tarde, Fernando Collor o nomeou ministro do Desenvolvimento Regional. Depois das passagens pelo governo, Calmon de Sá voltou ao comando do Banco Econômico, instituição que entrou em intervenção do Banco Central em 1995 e foi liquidada no ano seguinte.
Durante a crise do banco, o BC descobriu o episódio conhecido como “pasta rosa”, envolvendo US$ 2,4 milhões destinados a candidaturas nas eleições de 1990. À época, doações empresariais eram proibidas, e a investigação apontou o uso de registros de pagamentos por serviços fictícios para encobrir as transferências.
Em 2007, Calmon de Sá foi condenado pela Justiça Federal a 13 anos e quatro meses de prisão em regime fechado. Na sentença citada pela Folha, o juiz o classificou como principal estrategista das irregularidades e como destinatário de recursos captados no exterior e desviados para o banco. A reportagem afirma que não há registros de que a pena tenha sido cumprida; a defesa apresentou ao longo dos anos recursos e pedidos de habeas corpus, inclusive com alegações de prescrição.
O candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL) e o irmão, Carlos Bolsonaro. Foto: Adriano Machado/Reuters
A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro voltou a enfrentar uma disputa interna aberta entre a ala ideológica do bolsonarismo e o grupo que ganhou espaço na formulação econômica da candidatura. Carlos Bolsonaro cobrou publicamente que o irmão reconheça que seu crescimento eleitoral está ligado a Jair Bolsonaro e alertou contra integrantes do entorno que, em sua avaliação, podem afastá-lo da base. Segundo a Folha de S.Paulo, aliados de Carlos apontam Daniella Marques, conselheira econômica da campanha, como um dos principais alvos da crítica.
“Flávio precisa entender que seu crescimento e sua eleição se devem ao seu pai”, escreveu Carlos Bolsonaro. Em outro trecho, afirmou que quem tentar conduzir o candidato por outro caminho “o afasta de sua base e o torna refém pós-eleitoral”. O irmão não citou Daniella nominalmente, mas interlocutores disseram à Folha que a mensagem era dirigida, entre outros nomes, à ex-presidente da Caixa.
Daniella vem ampliando sua influência na campanha, com participação em atos, lives, viagens e elaboração do programa econômico. A ala mais radical do bolsonarismo considera que ela deveria permanecer em uma função técnica e de bastidor e reclama que passou a ocupar espaço político e a dar ordens. Eduardo Bolsonaro compartilha a resistência à economista, segundo pessoas próximas a ele ouvidas pelo jornal.
Um dos principais pontos de atrito é a defesa de cortes de gastos. Flávio Bolsonaro já prometeu um “tesouraço” caso chegue ao Planalto, e Daniella passou a ser identificada internamente com a proposta. Para integrantes da ala ideológica, colocar o ajuste fiscal no centro da campanha pode afastar eleitores que dependem de políticas sociais em um país de renda baixa.
Flávio precisa entender que seu crescimento e sua eleição se devem ao seu pai, à rejeição à covardia, aos desmandos e às revelações do modus operandi de determinados setores do Judiciário e à ruína, tanto econômica quanto social, que Lula vem trazendo ao país.
A crítica ganhou um componente histórico dentro do próprio bolsonarismo. Integrantes desse grupo atribuem à política econômica de Paulo Guedes, de quem Daniella foi uma das principais auxiliares, parte da responsabilidade pela derrota de Jair Bolsonaro em 2022. Eles defendem que Flávio Bolsonaro se comprometa com a manutenção de programas sociais e priorize temas como segurança pública, emprego e o legado político do pai.
A nova disputa ocorre justamente quando Flávio Bolsonaro melhora seu desempenho nas pesquisas e passa a enxergar uma possibilidade concreta de vitória. Para aliados do candidato, a alta nas sondagens também intensificou a briga por espaço e influência. Já a ala radical sustenta que o crescimento não autoriza uma mudança de identidade: quer uma campanha mais emocional, centrada em Jair Bolsonaro e nas bandeiras antissistema que consolidaram o bolsonarismo.
Boneco inflável de Trump segurando o presidente Lula com roupa de presidiário foi exibido no último ato bolsonarista de 7 de setembro na Paulista. Foto: Bruno Santos/Folhapress
O presidente Lula chamou de “vira-latas” e “traidores da pátria” brasileiros que levam bandeiras dos Estados Unidos para manifestações políticas no país. A declaração foi feita nesta quarta-feira (9), durante comício da campanha à reeleição em Teresina, no Piauí, dois dias depois de um ato convocado por Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista exibir símbolos estadunidenses e homenagens a Donald Trump.
“Eu tenho muito orgulho da minha bandeira. Aqueles que só carregam a bandeira do Brasil e vão para comício com bandeira americana são vira-latas, são traidores da pátria, que não têm nenhum compromisso com este país”, afirmou Lula. O presidente não citou nominalmente Flávio Bolsonaro nem a manifestação da Paulista nesse trecho do discurso.
A referência ocorre depois de bolsonaristas erguerem um boneco inflável gigante de Trump durante o ato de 7 de Setembro. A figura do presidente estadunidense aparecia segurando uma representação de Lula vestido como presidiário. A manifestação também teve cartazes em inglês e acessórios ligados ao movimento MAGA. O evento foi convocado por Flávio Bolsonaro.
Lula também dirigiu o discurso diretamente ao presidente dos Estados Unidos. “O Trump que se meta no país dele. Aqui é um problema de nós, brasileiros”, afirmou. Na sequência, disse que seu governo reagirá caso Washington tente interferir no processo eleitoral: “Que não venham os americanos querer influir nas nossas eleições. Se eles vierem se meter aqui, a gente vai derrotá-los”.
🗳️ ELEIÇÕES | Lula critica bandeiras dos EUA em atos políticos: “Traidores da pátria” pic.twitter.com/vyw2gVdloL
Em Teresina, Lula vinculou esse discurso à sua motivação para continuar na política. Disse que acorda diariamente para defender educação, alimentação, emprego e renda e afirmou que “não são os anos que envelhecem a pessoa”, mas a falta de uma causa. Ao falar das bandeiras, reafirmou ter orgulho tanto do verde e amarelo do Brasil quanto do vermelho do PT, antes de atacar quem utiliza símbolos estadunidenses em atos políticos.
O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, que Paulo Gonet não atue como chefe do Ministério Público no processo que analisa mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro. A entidade quer que outro integrante do MP assuma essa função porque o próprio procurador-geral da República foi chamado a prestar esclarecimentos sobre fatos incluídos no material. Com informações do Estadão.
A medida não é um pedido para retirar Gonet do comando da PGR. A OAB afirma que a providência tem caráter “estritamente processual e preventivo” e não representa uma conclusão sobre a conduta do procurador-geral. O objetivo declarado é evitar que ele ocupe simultaneamente a posição de autoridade chamada a se explicar e de representante do Ministério Público no julgamento dos mesmos fatos.
Fachin determinou que Gonet prestasse esclarecimentos, inclusive sobre medidas adotadas no exercício do controle externo da atividade policial. O presidente do Supremo também marcou para terça-feira (15) uma sessão extraordinária do plenário para discutir o relatório da Polícia Federal que reuniu mensagens de Vorcaro e autoridades.
O documento registra conversas em que Vorcaro tratava de caminhos para tentar impedir o avanço da Operação Compliance Zero. Em uma delas, o banqueiro pergunta se seria possível “reverter isso com Paulo ou Andrei?”. Investigadores interpretaram “Paulo” como uma referência a Gonet. O relatório também reúne contatos do procurador-geral com Vorcaro, alguns intermediados pelo advogado Ciro Soares.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet. Foto: Victor Piemonte/STF
As relações descritas nas mensagens já provocaram uma série de questionamentos sobre a atuação da PGR no caso Master. Gonet e familiares aparecem diversas vezes no material analisado pela PF, embora a existência das referências, por si só, não comprove irregularidade. O procurador-geral nega ter mantido relação financeira, contratual ou profissional com Vorcaro.
Antes do pedido da OAB, Gonet havia defendido o arquivamento do relatório sob o argumento de que André Mendonça determinou sua produção de maneira ilegal. Fachin suspendeu temporariamente a tramitação da Petição 16.662, aberta de ofício por Mendonça após a entrega do documento policial.
A Ordem também pediu que sejam instaurados os procedimentos necessários para apurar eventuais crimes relacionados ao conjunto de fatos. Nesse ponto, a entidade não individualizou acusações contra Gonet, Moraes ou Mendonça. O pedido agora será analisado no contexto das medidas adotadas por Fachin para concentrar na Presidência do STF os desdobramentos da crise.
A primeira-dama Janja Lula da Silva. Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert
A primeira-dama Janja da Silva chamou o presidente Lula de “verdadeiro ungido de Deus” nesta quarta-feira (9), durante comício da campanha à reeleição em Teresina, no Piauí. A expressão apareceu em um trecho no qual ela enumerava políticas sociais do governo e, logo depois, abriu uma defesa dos direitos das mulheres e da democracia.
Janja citou investimentos em educação, cultura e economia e afirmou que o governo ampliou oportunidades para crianças, jovens, mulheres e idosos. “Esse é o verdadeiro ungido de Deus. Esse sim é o homem que quer que todos tenham uma vida digna”, declarou diante dos apoiadores.
Na sequência, a primeira-dama colocou as mulheres no centro de sua defesa do governo. “O presidente Lula voltou e colocou as mulheres na centralidade das políticas públicas. Porque quando as mulheres avançam, o Brasil avança junto”, afirmou. Ela então mudou o tom para fazer um alerta sobre a preservação das conquistas obtidas.
Janja fala que Lula é o “único ungido de Deus” e exalta o papel das mulheres na campanha do Presidente. pic.twitter.com/7ZfsQUDDLW
“Mas é importante lembrar: nenhuma conquista está garantida para sempre. Direitos precisam ser defendidos, a democracia precisa ser cuidada diariamente, e nós, mulheres, somos a sua guardiã”, disse Janja. A primeira-dama pediu ainda que as mulheres escolham “todos os dias” o futuro que desejam construir para si e suas famílias.
A expressão religiosa utilizada por Janja aparece em meio a uma campanha em que referências à fé também ganharam peso no campo bolsonarista. André Mendonça, ministro do Supremo indicado por Jair Bolsonaro após a promessa de uma escolha “terrivelmente evangélica”, vem recebendo manifestações públicas de apoio de lideranças religiosas. Michelle Bolsonaro chegou a chamá-lo de “escolhido e ungido do Senhor” durante a atual crise no STF. A coincidência de linguagem dá contexto político à fala, mas Janja não citou Mendonça nesse trecho nem afirmou estar respondendo ao ministro ou a seus apoiadores.
No mesmo comício, Janja também atacou a família Bolsonaro e afirmou que ela não possui projeto para o Nordeste. A primeira-dama disse que, “se dependesse dos Bolsonaro, os nordestinos estavam comendo capim” e associou o governo anterior às filas por ossos, ao abandono e ao medo. O discurso reuniu, assim, três linhas da campanha de Lula: defesa das políticas sociais, mobilização das mulheres em torno da democracia e confronto com o legado de Jair Bolsonaro.
Os ministros André Mendonça e Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Fellipe Sampaio/STF
Esta é a mais previsível de todas as previsões: o alvo preferencial do fascismo passa a ser Flávio Dino. O ministro não só reintegrou o delegado Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal como anotou em seu despacho que é ‘complexa’ a situação de André Mendonça, por ter se reunido em ambiente privado com o banqueiro mafioso Daniel Vorcaro. É uma situação terrivelmente complexa.
O que Dino diz, ao manter o comando da PF, é que sabe o que Mendonça andou fazendo com Vorcaro no verão passado. E que havia, na sua tentativa de desmontar a direção da instituição, indícios de ressentimento. É este o trecho mais incisivo:
“Compreende-se que o digno Ministro André Mendonça tenha suas divergências funcionais ou pessoais com a Polícia Federal e possa defender os seus direitos perante a instância própria. Mas tais direitos — inerentes a qualquer parte que se sinta prejudicada — não podem converter-se em fundamento para a prolação de decisão em causa própria, com o efeito de paralisar investigações e os trabalhos policiais”.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Divergências funcionais e pessoais? Suficientes para acionar o que Mendonça acabou fazendo? E as divergências muito mais do que políticas, os desencontros ideológicos entre eles? Como ministro, Dino não abordou nem deveria abordar. Nem precisava.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, retirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news. A decisão foi publicada nesta quarta-feira (9) e ficam preservadas todas as decisões tomadas por Moraes no processo até a data de hoje.
O inquérito foi aberto pela Corte em março de 2019 e continua em andamento. Na época, o então presidente do STF, ministro Dias Toffoli, defendeu a medida como forma de combater a veiculação de notícias que atingiam a honorabilidade e a segurança do STF, de seus membros e parentes. O ministro também nomeou Moraes como relator.
A decisão de Fachin ocorre durante uma crise protagonizada por Moraes e o ministro André Mendonça. Na semana passada, Moraes incluiu acusações contra Mendonça no âmbito do inquérito das Fake News. O relatório dizia que Mendonça teria, em tese, praticado uma série de condutas tipificadas como improbidade administrativa, abuso de autoridade e favorecimento a determinados grupos políticos.
Dias antes, Mendonça havia retirado o sigilo de um relatório da PF que trazia mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes. Vorcaro é alvo central da Operação Compliance Zero, que trata da suspeita de fraudes financeiras bilionárias no Master, e está preso atualmente.
Nesta quarta, Fachin determinou a retirada da investigação contra Mendonça do inquérito das fake news. Todo seu conteúdo foi remetido ao próprio presidente da Corte.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (9) a soltura de Romeu Carvalho Antunes, investigado na Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos associativos de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Antunes estava preso preventivamente desde 18 de dezembro de 2025, quando foi alvo de uma fase da operação INSS. Ele é filho do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, que segue preso.
A prisão de Romeu Antunes foi substituída pelo uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de deixar o país e a entrega do passaporte. O investigado também ficou proibido de manter contato, direta ou indiretamente, com outros investigados e testemunhas da Operação Sem Desconto.
Mendonça determinou ainda que Romeu não frequente entidades associativas com as quais tenha mantido relação e não tenha acesso às instalações do INSS e da Dataprev, empresa pública que administra o banco de dados da autarquia. O ministro estabeleceu que o investigado permaneça na comarca de sua residência e que qualquer deslocamento para fora dela dependa de autorização judicial.
“No caso de Romeu, entendo que a segregação física integral não mais se mostra necessária na intensidade anteriormente reconhecida. A análise atual deve considerar, cumulativamente, o estágio alcançado pela investigação, a possibilidade de controle objetivo dos deslocamentos do investigado, sua retirada dos ambientes institucionais diretamente associados aos fatos apurados, a vedação de interlocução com investigados e testemunhas e a manutenção de sua vinculação à jurisdição nacional”, apontou o ministro, na decisão.
A situação de saúde de Romeu também pesou na análise do magistrado. Segundo informações apresentadas pela defesa e mencionadas na decisão, ele foi internado em junho no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), em Brasília, após apresentar cólicas intensas, febre e vômitos provocados por cálculos renais, incluindo um cálculo no ureter direito com obstrução. O incidente ocorreu em junho. No pedido de soltura, André Mendonça afirmou que as condições de saúde “denotam fragilidade a demandar cuidados médicos” e considerou o quadro um elemento adicional para a substituição da prisão.
A concessão de liberdade a Romeu não contou com aval da Procuradoria Geral da República (PGR), que reafirmou a gravidade das condutas imputadas ao investigado e avaliou que soltura representaria um risco à ordem pública e à instrução processual.
A prisão foi substituída pelo uso de tornozeleira eletrônica, além da proibição de se comunicar com outros investigados ou acessar as dependências do INSS ou da Dataprev.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, atendeu ao pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) e suspendeu nesta quarta-feira (9) o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, do cargo. O diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada, também teve seu afastamento suspenso. Ambos haviam sido afastados dos cargos pelo ministro André Mendonça.
Na prática, os dois diretores da Polícia Federal voltam aos seus cargos, mas em atendimento à liminar da AGU, e não em virtude da decisão de Dino.
Em sua decisão, o presidente da Corte criticou a guerra de decisões entre ministros.
“O afastamento das autoridades policiais que ora se examina encadeou decisões monocráticas sucessivas com comandos normativos incompatíveis entre si”, disse Fachin.
“É grave o quadro em que decisões de Ministros passam a ser desafiadas horizontalmente, mormente quando pendentes, tanto o julgamento em curso no âmbito da Segunda Turma deste Tribunal, quanto o pedido de suspensão de liminar que se encontra sob apreciação desta Presidência”, acrescentou, ainda em sua decisão.
Fachin marcou para o dia 15 de setembro uma sessão no plenário da Corte para decidir se o ministro Alexandre de Moraes será investigado por suposta relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master. Vorcaro está preso atualmente.
Guerra de decisões
A crise entre ministros do Supremo emergiu na semana passada, após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que trazia mensagens supostamente enviadas por Vorcaro a Moraes.
As conversas mostram citações aos nomes de Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. As mensagens foram recuperadas do celular de Vorcaro, alvo central da Operação Compliance Zero, que trata da suspeita de fraudes financeiras bilionárias no Master. O caso é relatado por Mendonça.
Em resposta, Moraes incluiu Mendonça no inquérito das Fake News, relatado por ele, baseado em um relatório interno e inconclusivo da Polícia Federal. O relatório dizia que Mendonça teria, em tese, praticado uma série de condutas tipificadas como improbidade administrativa, abuso de autoridade e favorecimento a determinados grupos políticos.
A AGU pediu a Fachin a suspensão da decisão de Mendonça. Mas, antes que o presidente da Corte se manifestasse, Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Rodrigues e Leandro Almada, na manhã desta quarta (9). Entre os argumentos apresentados, o ministro afirmou que o partido Novo não tinha legitimidade para fazer tal pedido.
Dino também argumentou que a interrupção na produção de relatórios pela PF traria prejuízo às investigações sob sua relatoria. A decisão de Dino foi tomada no processo em que a PF analisa o material apreendido pela Polícia Civil de São Paulo em investigações sobre o desvio de emendas parlamentares para financiar a produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, cancelou a sessão plenária ordinária que estava marcada para as 14h desta quarta-feira (9), em meio ao agravamento de uma crise entre ministros da própria Corte.
O episódio é o mais recente de um embate público entre duas alas do Supremo – uma aliada a Mendonça e outra ao ministro Alexandre de Moraes. Ao cancelar a sessão desta quarta, Fachin evita o primeiro encontro público entre os ministros desde que a crise interna veio à tona, na semana passada.
Na sessão desta quarta, o plenário retomaria o julgamento sobre as regras para a contribuição social de produtores rurais ao Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural).
Fachin é relator de um processo que trata da regularidade de relatórios da PF que têm como alvo Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes. O presidente do Supremo ainda aguarda a manifestação dos envolvidos antes de decidir sobre a abertura de investigações formais.
Fachin pode decidir de forma monocrática (individual) ou levar o caso ao plenário, em sessão aberta ou fechada. Como alternativa, é possível que o presidente do Supremo convoque uma reunião reservada em seu gabinete para que todos os ministros decidam como conduzir a crise interna.
Essa foi a solução dada quando veio à tona uma suposta ligação entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Dias Toffoli, em fevereiro deste ano. Na ocasião, a relatoria do caso Master foi transferida de Toffoli para Mendonça.
Guerra de relatórios
A crise veio à tona com a retirada do sigilo, por Mendonça, de relatórios parciais da Operação Compliance Zero, da qual é relator e que tem como alvo a corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas por Vorcaro, antigo dono do Banco Master.
No material divulgado constam 52 mensagens que os investigadores do caso dizem terem sido enviadas por Vorcaro a Moraes. Nelas, o ex-banqueiro demonstra proximidade com o ministro e aparenta ter encaminhado a ele um contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Em outro trecho, Vorcaro parece buscar junto a Moraes informações sobre uma possível operação da PF para prendê-lo. As respostas do interlocutor ao ex-banqueiro não puderam ser resgatadas, informaram os investigadores.
Até o momento, Moraes nega qualquer contato com o ex-banqueiro. Após divulgação do material, o ministro tornou público um “relatório de inteligência” da PF segundo o qual Mendonça que sugere direcionamento contra desafetos políticos na condução do caso Master.
O documento apresentado por Moraes, contudo, não é assinado nem traz qualquer marca da Polícia Federal. O ministro pediu a Fachin que Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, suspendeu nesta quarta-feira (9) tanto o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado por André Mendonça, quanto a decisão posterior de Flávio Dino que havia devolvido o delegado ao cargo. Leia em TVT News.
A medida também alcança o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada, que havia sido afastado por Mendonça e reintegrado por Dino. Segundo Fachin, a suspensão é necessária para interromper a sobreposição de decisões enquanto outras medidas relacionadas ao caso ainda estão sob análise no Supremo.
“É grave o quadro em que decisões de Ministros passam a ser desafiadas horizontalmente”, escreveu Fachin. O ministro citou ainda a existência de um julgamento em andamento na Segunda Turma e de um pedido de suspensão de liminar que estava sendo analisado pela Presidência do STF.
Na decisão, Fachin afirmou que a questão sobre a permanência ou não das autoridades nos cargos deverá ser examinada posteriormente. Para o presidente do STF, neste momento é necessário evitar que diferentes decisões produzam um cenário de conflito institucional e processual.
“Considero necessária a suspensão das decisões ora analisadas”, afirmou. Fachin argumentou que a sequência de determinações, independentemente do mérito do afastamento, poderia provocar prejuízo à ordem pública e à própria integridade do tribunal.
A decisão ocorre em meio à crise envolvendo ministros do Supremo e a direção da Polícia Federal, que ganhou força a partir de medidas tomadas no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master.
Fachin assume relatoria do inquérito das fake news
O presidente do STF, Edson Fachin, também retirou do ministro Alexandre de Moraes a relatoria do inquérito das fake news. A decisão faz parte das medidas adotadas pelo presidente da Corte para reorganizar os processos relacionados à crise envolvendo integrantes do tribunal e evitar a sobreposição de decisões.
“Inquéritos, PETs ou outros procedimentos de investigação preliminar em andamento, autuados e distribuídos por prevenção ao Inq. 4.781/DF retornam, no estado em que se encontram, à Relatoria da Presidência, que após análise remeterá os autos à autoridade policial e, ato contínuo, à Procuradoria Geral da República para oferecimento da denúncia ou requerimento do arquivamento, nos termos da lei e do Regimento Interno”, disse Fachin na peça.
Na decisão, Fachin determina que as ações penais advindas do inquérito seguem com Moraes e que todos os atos tomados no curso do inquérito estão em vigor.
Caso Master está no centro da crise
As divergências envolvem os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes e passaram a incluir outros integrantes e autoridades, entre eles o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o próprio Fachin, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ministro Flávio Dino.
Edson Fachin e Alexandre de Moraes se abraçam sob aplaudos de Davi Alcolumbre na cerimônia de posse da presidência do STF. Foto: Gustavo Moreno
Mendonça é relator de investigações relacionadas ao Banco Master e também de uma apuração envolvendo repasses destinados à produção de um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Antes da sequência de decisões que culminou nos afastamentos e reintegrações, já existiam divergências entre o gabinete de Mendonça e a cúpula da Polícia Federal sobre a condução das investigações relacionadas ao banco.
Lula havia orientado Andrei a procurar Mendonça
Em agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou Andrei Rodrigues a conversar com André Mendonça sobre a relação entre a Polícia Federal e o gabinete do ministro.
A tentativa de aproximação ocorreu antes do agravamento da crise no Supremo e das decisões que atingiram a direção da PF.
Com a decisão de Fachin, ficam suspensas as determinações conflitantes sobre Andrei Rodrigues e Leandro Almada. O futuro dos dois nos cargos deverá ser analisado no âmbito do próprio STF.
Vídeo: entenda o que acontece no STF
O jurista Roberto Tardelli,escritor e procurador de Justiça aposentado do Ministério Público de São Paulo, criticou duramente , no Jornal TVT News Primeira Edição, as atitudes monocráticas no STF, destacando a ausência de legitimidade do Partido Novo para provocar medidas cautelares no processo. Tardelli classificou como uma “vulgarização do inquérito” a decisão de afastar o diretor-geral da Polícia Federal sem a devida manifestação da Procuradoria-Geral da República.
O convidado ressaltou a conduta inadequada do ministro André Mendonça ao reunir-se reservadamente com réus e investigados, apontando vício grave de imparcialidade. O analista denunciou a nítida seletividade da Justiça ao relaxar prisões de acusados de grandes fraudes milionárias enquanto mantém presos cidadãos vulneráveis por crimes banais.
Confira a a entrevista completa com Roberto Tardelli:
Conteúdo do acordo: Mineiro confirmou sete transferências bancárias, totalizando US$ 12 milhões, cerca de R$ 63 milhões
Quem é o delator: Antonio Carlos Freixo Júnior é dono da Entre Investimentos e Participações e atuava como operador do mercado financeiro.
Função para Vorcaro: Empresário “gerava” dinheiro vivo para Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, entregando valores em malas para pagamento de propina.
Impacto em Flávio Bolsonaro: Delação confirma pagamento em setembro de 2025, contrariando afirmação do senador, e candidato a presidente, de que último repasse foi em maio.
Delator confirma sete transferências para fundo nos EUA
As transações totalizaram US$ 12 milhões, cerca de R$ 63 milhões, pela cotação de setembro de 2025 . Segundo a delação, a solicitação inicial de Daniel Vorcaro previa cerca de US$ 24 milhões em mais de dez parcelas até janeiro de 2026, mas apenas sete foram concluídas antes da primeira prisão do ex-banqueiro em novembro de 2025.
Audiência confirmou voluntariedade do acordo
Na terça-feira (8), a defesa de Mineiro participou de audiência com o juiz auxiliar do gabinete de Mendonça para confirmar a voluntariedade da delação, requisito legal para homologação. O encontro durou cerca de três horas no STF, e o delator afirmou não ter sofrido pressões para firmar o acordo.
A colaboração premiada, assinada com a PGR em 8 de agosto, é a primeira envolvendo o caso “Dark Horse”.
O papel de Mineiro como operador de Vorcaro
Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, era responsável por “gerar” dinheiro vivo para a equipe de Daniel Vorcaro . Segundo sua delação, ele movimentou cerca de R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025 a pedido do ex-banqueiro.
O esquema funcionava da seguinte forma: Mineiro recebia solicitações de Vorcaro ou de seu cunhado, Fabiano Zettel, via WhatsApp . Ele então contatava três operadores para obter dinheiro em espécie, realizando transferências bancárias para empresas indicadas por eles . Os operadores conseguiam o dinheiro no Brás, no Centro de São Paulo, e no setor de combustíveis.
Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, fechou acordo de delação premiada com a PGR no caso do Banco Master. Foto: Reprodução/Entrepay
As entregas das malas com dinheiro vivo ocorriam no estacionamento da sede da Entre Investimentos ou na garagem do prédio de Zettel, ambos no Itaim Bibi, em São Paulo . Mineiro e os operadores recebiam comissões de 1% e 4%, respectivamente, pelo serviço .
Para comprovar seus relatos, o empresário entregou às autoridades recibos das malas compradas para guardar o dinheiro, contratos de mútuo simulados e registros das transferências .
Suspeita da PF sobre destino dos recursos
Uma das linhas de investigação da Polícia Federal e da PGR é verificar se todos os recursos transferidos ao fundo Havengate foram efetivamente usados na produção de “Dark Horse” . A suspeita é que parte do dinheiro possa ter sido desviada para financiar Eduardo Bolsonaro, que vive no Texas desde fevereiro de 2025 .
O fundo Havengate é administrado por Paulo Calixto, advogado de imigração próximo ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Mineiro entregou às autoridades comprovantes das transferências e e-mails trocados com Calixto para formalizar as “subscrições de cotas”.
Comprovante de transferência mostra que 2 milhões de dólares foram transferidos pela Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate. As marcações em preto foram inseridas pelo Intercept para não expor códigos e informações técnicas da operação bancária (Foto: Reprodução)
Os pagamentos foram negociados diretamente entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, como revelaram mensagens de WhatsApp publicadas pelo Intercept Brasil.
Impacto da delação em Flávio Bolsonaro
A delação de Mineiro contradiz a versão apresentada por Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, de que o último pagamento de Vorcaro havia ocorrido em maio de 2025 . O sétimo pagamento, realizado em setembro de 2025, no valor de US$ 1,666 milhão, contraria essa afirmação .
Flávio Bolsonaro vinha afirmando que os recursos foram usados “integralmente” no filme . No entanto, a PF investiga se parte do dinheiro teve outros destinos.
Composição de imagens de Flávio Bolsonaro e reprodução de conversa com Vorcaro, do Banco Master divulgadas pelo The Intecetp Brasil – Imagens: Foto de Flávio Bolsonaro por Maura Martins/TV Brasil
O filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória política de Jair Bolsonaro com destaque para a facada em 2018, só deve estrear nos cinemas após as eleições deste ano. A produção teria custado R$ 75 milhões, segundo auditoria contratada pela produtora Go Up.
Inicialmente, Flávio Bolsonaro negou que o Banco Master tivesse financiado o filme, mas depois confirmou ter captado R$ 61 milhões de Vorcaro. Investigações posteriores, incluindo a delação de Mineiro, revelaram que os repasses foram maiores.
Reprodução da conversa com o pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, do Banco Master, obtida pelo Intercet. O dinheiro seria para a produção do filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro, “Dark Horse” Reprodução / Intercept
Daniel Vorcaro foi preso e é investigado pela Polícia Federal por suspeitas de crimes contra o sistema financeiro e corrupção . Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master .
Além das transferências para o Havengate, Mineiro também relatou pagamentos no exterior por meio de sua empresa sediada em Nassau, nas Bahamas, a pedido de Vorcaro, sem detalhar os beneficiários .
A defesa do delator não comentou o caso devido ao segredo de Justiça.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpre agenda em Teresina, no Piauí, nesta quarta-feira (9), com compromissos voltados à educação e à infraestrutura. A programação inclui uma visita a uma escola de tempo integral e o acompanhamento de obras de mobilidade urbana e do contorno rodoviário da capital.
Lula deixa Brasília às 12h e tem chegada prevista para 13h50 no Aeroporto Internacional de Teresina.
Às 14h30, o presidente visita o Centro Estadual de Tempo Integral Profª. Júlia Nunes Alves, no bairro Itararé.
Às 16h, Lula acompanha as obras de revitalização e modernização do VLT de Teresina, na Estação Boa Esperança. No mesmo local, às 17h, estão previstas intervenções sobre as obras do VLT e do contorno rodoviário da capital.
Serviço
Agenda de Lula na quarta-feira (9) Teresina (PI)
14h30 — Visita ao Centro Estadual de Tempo Integral Profª. Júlia Nunes Alves R. Gibraltar, s/n — Itararé
16h — Visita às obras de revitalização e modernização do VLT Estação Boa Esperança
17h — Intervenções sobre as obras do VLT e do contorno rodoviário de Teresina Estação Boa Esperança
As pesquisas Quaest divulgadas nesta terça-feira (8) mostram como está a disputa presidencial em cinco importantes unidades da federação: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Distrito Federal. Os levantamentos foram realizados entre 4 e 7 de setembro e apresentam cenários de primeiro e segundo turno. Leia em TVT News.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente de Lula (PT) em São Paulo, Rio de Janeiro e no Distrito Federal. O presidente lidera em Minas Gerais e Pernambuco. Em relação à rodada anterior, divulgada em 25 de agosto, houve oscilações importantes nos cinco locais.
Em São Paulo, Flávio Bolsonaro lidera com 31%, enquanto Lula aparece com 30%. Na pesquisa anterior, os dois tinham 30% e 29%, respectivamente. Assim, Flávio oscilou 1 ponto para cima, e Lula também avançou 1 ponto.
Augusto Cury (Avante) passou de 2% para 8%. Ronaldo Caiado (PSD) manteve 4%. Renan Santos (Missão) caiu de 3% para 2%, enquanto Romeu Zema (Novo) passou de 3% para 1%.
Os indecisos passaram de 13% para 12%, e o grupo que declarou voto em branco, nulo ou que não pretende votar caiu de 12% para 10%.
No segundo turno entre Lula e Flávio, o senador teria 41%, contra 33% do presidente.
Rio de Janeiro: Flávio chega a 34% contra 32% de Lula
No Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro marca 34% e Lula, 32%. Na rodada anterior, os percentuais eram 31% e 29%, respectivamente. O candidato do PL, portanto, cresceu 3 pontos, enquanto Lula avançou 3 pontos.
Augusto Cury foi de 1% para 5%, e Ronaldo Caiado passou de 2% para 3%. Renan Santos permaneceu com 2%, assim como Zema, também com 2%.
O número de indecisos caiu de 16% para 9%, enquanto brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar passaram de 16% para 12%.
No segundo turno, Flávio aparece com 43%, contra 37% de Lula.
Minas Gerais: Lula lidera com 31% e Flávio tem 27%
Em Minas Gerais, Lula está na frente com 31%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 27%. Na pesquisa anterior, o presidente tinha 30% e Flávio, 31%. Lula oscilou 1 ponto para cima, enquanto o candidato do PL caiu 4 pontos.
Augusto Cury subiu de 1% para 8%. Romeu Zema passou de 7% para 6%. Ronaldo Caiado manteve 3%, enquanto Renan Santos recuou de 3% para 2%.
Os indecisos passaram de 17% para 15%, e brancos, nulos e quem não pretende votar permaneceram em 8%.
No segundo turno, porém, Flávio aparece numericamente à frente, com 40%, contra 37% de Lula.
Pernambuco: Lula tem 51% e amplia vantagem sobre Flávio
Pernambuco apresenta o cenário mais favorável a Lula entre os cinco locais pesquisados. O presidente tem 51% das intenções de voto, contra 21% de Flávio Bolsonaro.
Na pesquisa anterior, Lula tinha 54% e Flávio, 19%. Assim, o presidente oscilou 3 pontos para baixo, enquanto Flávio avançou 2 pontos.
Augusto Cury passou de 1% para 6%. Ronaldo Caiado caiu de 3% para 2%, e Renan Santos manteve 2%. Os indecisos passaram de 11% para 10%, enquanto brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar recuaram de 9% para 8%.
Em um eventual segundo turno, Lula aparece com 57%, contra 26% de Flávio Bolsonaro.
Distrito Federal: Flávio chega a 31% e Lula tem 28%
No Distrito Federal, Flávio Bolsonaro lidera com 31%, enquanto Lula registra 28%. Na pesquisa anterior, Flávio tinha 26% e Lula, 28%. O candidato do PL cresceu 5 pontos, enquanto o presidente manteve o mesmo percentual.
Ronaldo Caiado passou de 13% para 12%. Augusto Cury avançou de 3% para 8%. Romeu Zema caiu de 3% para 2%, e Renan Santos recuou de 3% para 2%. Samara Martins passou de 2% para 1%.
Os votos em branco, nulos e de eleitores que não pretendem votar caíram de 10% para 7%. Os indecisos passaram de 12% para 9%.
No segundo turno, Flávio aparece com 45%, contra 38% de Lula.
Como foi feita a pesquisa
Os levantamentos foram contratados pela Globo e realizados presencialmente entre 4 e 7 de setembro. Foram entrevistadas 1.800 pessoas em São Paulo, 1.302 no Rio de Janeiro, 1.506 em Minas Gerais, 1.302 em Pernambuco e 1.104 no Distrito Federal.
A margem de erro é de 2 pontos percentuais em São Paulo e de 3 pontos nos demais estados, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (21) apontou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, tem rejeição numericamente superior à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), resultado que contraria uma das principais apostas de sua campanha. Com informações de O Globo.
O levantamento indica que 46% dos eleitores afirmam que não votariam em Flávio de jeito nenhum. No caso de Lula, 45% deram a mesma resposta.
A campanha do senador aposta na alta rejeição ao presidente para favorecer sua candidatura na disputa presidencial. Os novos índices deixam Flávio um ponto percentual acima de Lula nesse indicador.
A estratégia busca explorar o desgaste de Lula à frente do governo e transformar a resistência ao petista em votos para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Gráfico feito com IA
PL aposta em queda da rejeição de Flávio Bolsonaro
Apesar do resultado, integrantes do PL destacam que a rejeição de Flávio caiu dois pontos percentuais. Aliados tratam esse movimento como uma “luz no fim do túnel” para a campanha.
A avaliação interna do partido é que o senador ainda pode reduzir a resistência ao seu nome ao longo da disputa, mesmo permanecendo numericamente acima de Lula na pesquisa.
Dirigentes do PL atribuem essa expectativa à combinação entre o antipetismo e o desgaste enfrentado por quem ocupa a Presidência da República.
Lula também registrou redução na rejeição entre julho e agosto, mas em ritmo menor: o índice do presidente caiu um ponto percentual no período.
O presidente e candidato a reeleição, Lula (PT). Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert
Lula elevou o tom contra Romeu Zema (Novo) durante uma passagem por Minas Gerais. Ao defender a renegociação da dívida estadual, o presidente chamou o ex-governador e candidato à Presidência de “comedor de banana com casca” e prometeu transformar 2026 no “ano da verdade”.
As declarações ocorreram durante uma agenda em Governador Valadares. Lula acusou seus adversários de mentir sobre as contas mineiras, criticou a falta de negociação durante o governo Jair Bolsonaro e afirmou que Zema fez demagogia com a dívida herdada pelo estado.
A provocação recupera uma cena criada pelo próprio político do Novo. Em fevereiro de 2025, Zema publicou um vídeo comendo uma banana com casca para atacar Lula por causa do preço dos alimentos. A encenação usada contra o governo federal agora virou apelido nas mãos do presidente.
A dívida mineira foi renegociada por meio do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, o Propag. Dados divulgados pelo governo de Minas mostram que um saldo de R$ 179,3 bilhões foi refinanciado por 360 meses. Após oferecer ativos para amortizar 20% do débito, o estado passou a ter correção pelo IPCA e juros reais de 0% ao ano.
🇧🇷 Lula defende Fernando Pimentel e diz que o ex-governador de Minas não conseguia pagar servidores nem fornecedores porque tinha de honrar a dívida do estado.
O presidente afirmou ter aconselhado Pimentel a “se defender” dos ataques do sucessor, que governou o estado por quase… pic.twitter.com/tLeksYYPPg
O acordo também obriga Minas a fazer aportes anuais equivalentes a 1% do saldo devedor no Fundo de Equalização Federativa e a investir outro 1% em áreas estratégicas, como educação, saneamento, habitação, transportes e segurança. Lula afirmou que a renegociação permitirá ao estado economizar cerca de R$ 6 bilhões por ano.
A agenda também serviu para apresentar obras federais. Lula e o ministro dos Transportes, George Santoro, vistoriaram a duplicação da Ponte do São Raimundo, sobre o Rio Doce. Segundo o Ministério dos Transportes, o conjunto de intervenções recebe R$ 309 milhões, gera 2 mil empregos e inclui uma nova ponte de 477 metros, com entrega prevista para o fim do ano.
No estado em que derrotou Bolsonaro por apenas 0,4 ponto percentual em 2022, Lula tenta transformar renegociação de dívidas e obras de infraestrutura em contraste com o discurso da direita. Depois de Governador Valadares, ele seguiu para um comício em Belo Horizonte ao lado de Patrus Ananias, candidato do PT ao governo mineiro.
Em Santos, Tarcísio participa do lançamento da candidatura Paulo Alexandre Barbosa. Foto: André Luiz Salibi/UOL
O lançamento da campanha à reeleição de Paulo Alexandre Barbosa (PSD-SP) expôs uma fissura no grupo político reunido em torno do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O deputado federal rejeitou o rótulo de bolsonarista e anunciou que votará em Ronaldo Caiado (PSD) para presidente.
De acordo com reportagem do UOL, Paulo Alexandre respondeu “jamais” ao ser questionado se se considerava bolsonarista. Na saída do evento realizado em Santos, ele afirmou que Caiado receberá seu apoio e seu voto.
A escolha contraria a posição de Tarcísio, que declarou apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). O governador participou do lançamento, mas não mencionou o senador em seu discurso. Jair Bolsonaro também não foi citado nas falas acompanhadas pela reportagem.
Paulo Alexandre procurou separar sua proximidade com Tarcísio de qualquer adesão ideológica. Disse admirar o equilíbrio, a moderação e as entregas administrativas do governador e resumiu sua posição: “Eu não discuto ideologia, eu discuto metodologia”.
O candidato a presidência, Ronaldo Caiado (PSD). Foto: Gabriel Pinheiro/CNI
O ato ocorreu nos Arcos do Valongo, no Centro Histórico de Santos, e reuniu Tarcísio, o candidato ao Senado André do Prado (PL), o prefeito Rogério Santos (Republicanos) e outras lideranças da Baixada Santista. Os discursos se concentraram em obras como o túnel Santos-Guarujá e em investimentos estaduais em habitação, saneamento e saúde.
Ex-prefeito de Santos por dois mandatos, Paulo Alexandre deixou o PSDB em março, após 25 anos de filiação, e migrou para o PSD. O movimento acompanhou o esvaziamento tucano na Baixada: o partido, que conquistou sete das nove prefeituras da região em 2016, não elegeu nenhum prefeito em 2024.
O episódio expõe um limite do projeto eleitoral de Tarcísio. O governador consegue reunir antigos tucanos e setores de centro-direita em torno de sua gestão, mas essa aproximação não produz apoio automático ao bolsonarismo nem à candidatura de Flávio Bolsonaro. Em Santos, um de seus principais aliados fez questão de separar as duas coisas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e o presidente do Brasil, Lula, em encontro de outubro de 2025. Foto: Daniel Torok/Casa Branca
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter deixado uma linha vermelha para Donald Trump: o Brasil aceita cooperação contra o crime organizado, mas não tutela estrangeira.
Durante comício na Praça da Estação, em Belo Horizonte, nesta sexta-feira (21), Lula relatou o teor da conversa mantida horas antes com o presidente dos Estados Unidos. “Nós queremos trabalhar juntos. O que nós não queremos é interferência no Brasil”, disse.
O telefonema durou 1h20. Lula contestou as justificativas usadas pelos Estados Unidos para impor novas tarifas aos produtos brasileiros e classificou as acusações como infundadas. Trump defendeu a preservação dos vínculos comerciais e propôs a retomada das reuniões entre representantes dos dois governos.
No campo da segurança, Lula reafirmou que o Brasil pretende cooperar com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. O presidente, porém, rejeitou a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas e argumentou que o país possui instrumentos próprios para enfrentar as facções sem abrir espaço para ingerência externa.
➡️ Lula revela o que conversou com Trump: “Não queremos interferência no Brasil” pic.twitter.com/kvLtIa170T
No comício, Lula afirmou que Trump reconheceu os argumentos apresentados pelo governo brasileiro. Segundo o petista, o secretário de Comércio estadunidense já procurou seu equivalente no Brasil e uma reunião foi marcada. Até a noite desta sexta, a Casa Branca não havia divulgado um relato detalhado próprio sobre o telefonema.
As guerras também entraram na conversa. Lula contou ter sugerido que Trump convidasse Vladimir Putin e Xi Jinping para seu clube de golfe na Flórida. “Convida os caras pra tua casa. Toma um trago”, disse, ao defender negociações para encerrar os conflitos internacionais.
O presidente encerrou o relato com uma defesa da soberania nacional. “Se a gente não se respeitar, ninguém respeita a gente”, afirmou. A conversa diplomática, descrita oficialmente como cordial, tornou-se no palanque um recado contra qualquer tentativa de tutela sobre o Brasil.
O fim da escala 6×1 é um dos principais debates neste ano eleitoral. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Duas propostas prioritárias do governo Lula avançaram no Senado nesta sexta-feira (21): as PECs do fim da escala 6×1 e da Segurança Pública ganharam relatores na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O presidente da comissão, Otto Alencar (PSD-BA), acertou os nomes com Davi Alcolumbre, presidente do Senado. Omar Aziz (PSD-AM) ficará responsável pela proposta trabalhista, enquanto Rogério Carvalho (PT-SE) conduzirá a PEC da Segurança. Conforme informações do blog do Valdo Cruz, no g1.
A definição não significa que os textos já estejam aprovados. Os relatores ainda precisam apresentar seus pareceres e submetê-los à CCJ. Otto avaliará os cronogramas para saber se as votações poderão ocorrer no esforço concentrado previsto para o fim de agosto e o início de setembro.
A proposta que acaba com a escala 6×1 foi aprovada em dois turnos pela Câmara. O texto prevê dois dias de descanso remunerado por semana e redução da jornada de 44 para 42 horas dois meses depois da eventual promulgação. Após mais 12 meses, o limite cairá para 40 horas, sem redução salarial.
O senador Omar Aziz (PSD-AM). Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Omar Aziz afirmou que conversará com líderes partidários antes de apresentar seu plano de trabalho. O senador defendeu que o debate considere não apenas as 44 horas formais de serviço, mas também o tempo gasto pelos trabalhadores no deslocamento entre casa e emprego.
A PEC da Segurança amplia a integração entre União, estados e municípios, estabelece atribuição constitucional da Polícia Federal no combate a facções e milícias de alcance interestadual ou internacional e permite que a Polícia Rodoviária Federal atue também em ferrovias e hidrovias. As polícias estaduais continuam subordinadas aos governadores.
As matérias ficaram paradas durante meses e avançaram após Lula e Alcolumbre retomarem o diálogo. Os dois relatores são aliados do presidente, mas o calendário eleitoral ainda pode dificultar a conclusão das votações. Para serem promulgadas sem retornar à Câmara, as PECs precisam passar sem alterações por dois turnos no Senado, com pelo menos 49 votos favoráveis em cada um.
O presidente e candidato a reeleição, Lula (PT). Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert
O presidente Lula (PT) aparece com 40,2% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33,3% de Flávio Bolsonaro (PL), segundo o agregador de pesquisas do UOL. A distância entre os dois é de 6,9 pontos percentuais.
Os números foram atualizados nesta sexta-feira (21), após a divulgação da nova rodada do Datafolha. O agregador não é uma pesquisa realizada pelo UOL: trata-se de uma ferramenta que combina diferentes levantamentos eleitorais.
Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 4,7%, seguido por Renan Santos (Missão), com 4,1%, e Romeu Zema (Novo), com 2,9%. Os índices correspondem aos cinco candidatos exibidos na atualização do modelo.
Na simulação de segundo turno, Lula registra 46,1%, enquanto Flávio tem 42,5%. A vantagem do petista nesse confronto é de 3,6 pontos percentuais.
A metodologia do agregador considera pesquisas nacionais estimuladas, registradas no Tribunal Superior Eleitoral desde janeiro de 2026 e realizadas com pelo menos mil entrevistados.
Cada levantamento recebe um peso de acordo com sua recência, o tamanho da amostra, a forma de coleta, o custo por entrevistado e a consistência histórica do instituto responsável. Por isso, os resultados não representam uma média aritmética simples.
Como o agregador reúne pesquisas diferentes, ele não possui amostra nem margem de erro próprias. Sua função é oferecer uma leitura mais ampla do cenário e reduzir o impacto de oscilações isoladas de um único levantamento.
Três em cada dez eleitores afirmam que escolherão um candidato à Presidência em 2026 principalmente para impedir a vitória de outro concorrente, aponta pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (21).
Para 61% dos entrevistados, a motivação principal são as propostas e o preparo do candidato escolhido. Outros 7% indicaram razões diferentes, enquanto 2% não souberam responder.
Entre os eleitores do presidente Lula (PT), 23% dizem que votariam para derrotar outro candidato e 68% apontam as propostas e o preparo como razão da escolha. A margem de erro nesse segmento é de três pontos percentuais.
No grupo que declara voto no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), 35% têm como principal objetivo impedir a eleição de um adversário. Outros 56% consideram o candidato o mais preparado e com as melhores propostas. A margem de erro é de quatro pontos.
O presidente e candidato a reeleição, Lula (PT). Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert
O voto para barrar um rival chega numericamente a 37% entre os eleitores de Romeu Zema (Novo), 31% entre os de Ronaldo Caiado (PSD) e 24% entre os de Renan Santos (Missão). As margens de erro desses segmentos são de 13, nove e 12 pontos percentuais, respectivamente.
O Datafolha também perguntou aos entrevistados se a escolha para presidente ainda poderia mudar. No total, 72% disseram estar totalmente decididos, 27% admitiram a possibilidade de trocar o voto e 1% não soube responder.
A proporção de eleitores totalmente decididos alcança 82% entre os que declaram voto em Lula. No eleitorado de Flávio Bolsonaro, 78% afirmam que a decisão já está tomada.
O instituto entrevistou 2.058 pessoas com 16 anos ou mais em 128 municípios entre terça-feira (18) e quarta-feira (19). A margem de erro da amostra total é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Encomendada pela TV Globo e pela Folha, a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04496/2026.
As atrizes Regina Duarte e Gabriela Duarte. Foto: Reprodução
A volta de Regina e Gabriela Duarte aos palcos produziu um climão fora de cena. Depois de tentar conter a mãe durante uma entrevista, Gabriela disparou: “Para de querer responder!” e concluiu: “Você é adulta.”
O encontro ocorreu no Teatro BDO Jaraguá, em São Paulo, durante a divulgação de “A Filha da…”, primeira peça das duas juntas em duas décadas. Segundo a Folha de S.Paulo, a conversa começou tranquila, mas ficou progressivamente tensa quando o entrevistador abordou a passagem de Regina pelo governo de Jair Bolsonaro. Um integrante da equipe chegou a pedir que a gravação fosse encerrada.
O atrito apareceu logo na pergunta sobre um possível custo pessoal da entrada de Regina na vida pública. Enquanto a atriz insistia em responder, Gabriela tentava interrompê-la e defendia que a conversa voltasse ao espetáculo. “Não, mãe”, repetiu a filha. Regina, porém, afirmou que não sofrera custo algum e decretou: “Morreu esse assunto.”
A temperatura aumentou quando o jornalista perguntou se Regina mantinha por Flávio Bolsonaro a admiração que já manifestara pelo ex-presidente. Antes que ela respondesse, Gabriela interveio: “Você não vai responder isso.” Regina recusou-se a revelar seu voto, mas continuou discutindo a pergunta enquanto a filha tentava encerrar o tema.
Regina Duarte e a filha, a também atriz Gabriela Duarte, estão sobre o palco numa atmosfera de tensão. Os nervos parecem à flor da pele. O mal-estar, porém, nada tem a ver com “A Filha da…”, que estreia na capital paulista na próxima quinta-feira (27) e marca a primeira vez em… pic.twitter.com/nVucoYDVI4
O ponto mais tenso veio quando Regina foi questionada sobre a possibilidade de aceitar novamente um cargo público. A atriz respondeu que “definitivamente” não aceitaria. Gabriela então pediu que ela parasse de tentar responder. “Mas eu não aguento, minha filha!”, retrucou Regina. “Não, mas então aguenta. Você é adulta”, rebateu Gabriela.
Pouco depois, uma pessoa da equipe avisou que todos já estavam atrasados, e a conversa foi encerrada. O desfecho contrastou com o motivo oficial do encontro: promover uma comédia na qual as duas interpretam mãe e filha envolvidas numa tentativa absurda de esconder uma morte. O climão real acabou roubando a cena.
O presidente e candidato a reeleição, Lula (PT). Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert
A campanha do presidente Lula prepara uma cobrança direta a Flávio Bolsonaro: desafiar o senador a abrir o sigilo bancário. A iniciativa faria parte de uma ofensiva para responder à exploração eleitoral das denúncias envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A estratégia foi revelada pela colunista Carla Araújo, do UOL. Segundo ela, Lula deve abordar o assunto nos próximos dias, e a campanha pretende argumentar que Lulinha já colocou seus dados bancários à disposição, enquanto Flávio não.
O contra-ataque também deve retomar o caso Dark Horse, projeto de cinebiografia de Jair Bolsonaro que envolveu negociações com o banqueiro Daniel Vorcaro. Flávio tenta tratar o episódio como assunto encerrado, enquanto o PT pretende recolocá-lo no centro da campanha. Lula já classificou a relação entre o senador e Vorcaro como um “caso de polícia”.
O candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Divulgação/Vittor Sales
Carla Araújo relatou que integrantes do governo consideraram negativas as últimas semanas, marcadas pelo noticiário sobre Lulinha e Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente. Apesar do desgaste, a campanha já teria preparado sua resposta e pretende intensificar o confronto nas redes sociais.
Parte dos aliados ainda trabalha com a possibilidade de Lula vencer no primeiro turno. Uma fonte próxima ao presidente resumiu essa avaliação com a pergunta: “Quem disse que teremos segundo turno?”. A campanha aposta que a propaganda no rádio e na televisão poderá ampliar sua vantagem.
A maioria dos interlocutores, porém, considera que a disputa continuará apertada. A ofensiva contra Flávio busca impedir que as denúncias contra Lulinha dominem o debate e, ao mesmo tempo, obrigar o adversário a responder sobre suas próprias relações financeiras.
Por Agência Brasil O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), despachou na tarde desta sexta-feira (21) para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a proposta de emenda à Constituição PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. O relator da matéria na CCJ será o senador Omar Aziz (PSD-AM). Na semana passada, Alcolumbre havia sinalizado que […]
Por Rodrigo Chagas – Brasil de Fato Maquinistas da Vale que trabalham na Estrada de Ferro Carajás, entre o Pará e o Maranhão, chegam a passar seis horas conduzindo trens sem ir ao banheiro. As locomotivas têm sanitários, mas o regime de monocondução, em que apenas um profissional fica responsável pela operação, impede que o trabalhador […]
Por André Richter – Agência Brasil O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta sexta-feira (21) o ex-presidente Jair Bolsonaro a voltar a receber vistas na prisão domiciliar. O benefício ficou suspenso pelos últimos 30 dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicar nas redes sociais uma carta escrita pelo ex-presidente. Bolsonaro […]
O Instituto Datafolha divulgou nesta sexta-feira (21) a primeira pesquisa de intenção de voto para a presidência da República depois do início da campanha eleitoral. No primeiro turno, Lula (PT) registra 39% contra 33% de Flávio Bolsonaro (PL). No segundo, o petista foi escolhido por 47% dos entrevistados e Flávio por 43%.
Os dois candidatos lideram a pesquisa por ampla margem em relação a seus oponentes. Ronaldo Caiado (PSD) tem 5%, Renan Santos (Missão), 4%, e Romeu Zema (Novo), 3%. Augusto Cury (Avante) alcança 2%, Samara Martins (UP), 1%, Rui Costa Pimenta (PCO), 1%, Wilson Grassi (Democrata), 1%, e Edmilson Costa (PCB), 1%. No cenário que leva em conta a candidatura de Pablo Marçal (PRTB), ele teve 2%. Os demais não pontuaram.
O Datafolha ouviu 2.058 eleitores em 127 municípios entre terça (17) e quarta-feira (18). A margem de erro é dois pontos, para mais ou para menos. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-04496/2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou, na manhã desta sexta-feira (21), para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para defender a retomada das negociações comerciais bilaterais e discutir a contenção de conflitos internacionais.
Durante a conversa de 1 hora e 20 minutos, classificada pelo Planalto como cordial, Lula afirmou que as alegações americanas que motivaram a recente imposição de novas tarifas contra o Brasil são infundadas. O governo estadunidense fundamentou as medidas alegando desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado.
Lula afirmou que as tarifas afetam negativamente o Brasil e os Estados Unidos e enfatizou que o diálogo é o melhor caminho para ambos os países. Trump concordou com a necessidade de preservar os vínculos comerciais fortes e propôs o reencontro breve de suas equipes diplomáticas.
Na pauta de segurança, Lula reiterou o interesse brasileiro na cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. O presidente argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas.
Ele afirmou ainda que o Brasil tem instrumentos para enfrentar essas organizações. Entre as estratégias está a asfixia financeira que já resultou na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões. Lula apresentou ainda os avanços brasileiros no combate ao crime organizado — destacando a Lei Antifacção e a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus. Trump se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e afirmou que indicará funcionários de alto escalão para dar andamento às tratativas.
Os dois presidentes também conversaram sobre os principais conflitos globais, em especial as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Ambos concordaram sobre a urgência de encontrar uma solução negociada para o conflito entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por quase cinco anos. Já o presidente Trump teceu considerações sobre as perspectivas estadunidenses de resolução do conflito com o Irã.
O presidente brasileiro lamentou a inoperância do Conselho de Segurança da ONU diante dos conflitos e sugeriu a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para buscar saídas diplomáticas. “Os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”, declarou Lula.
Em “Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista” (Autêntica Editora), o militar de quase cinco décadas de carreira revela como resistiu às pressões de Jair Bolsonaro para que as Forças Armadas aderissem ao golpe de Estado após a derrota do então presidente nas eleições de 2022.
O livro, que chega às livrarias em 15 de setembro, é a primeira obra escrita por um integrante da alta cúpula militar daquele período a expor os bastidores da crise que ameaçou a democracia brasileira.
O relato em primeira pessoa percorre desde o início do governo Bolsonaro, em 2019, atravessa a gestão da pandemia de Covid-19 e desemboca na crise militar de 2021 — quando o então presidente trocou o ministro da Defesa e os três comandantes das Forças Armadas.
Baptista Junior revela em suas páginas que a resiliência das instituições em 2022 não foi automática, mas resultado de escolhas individuais de oficiais de alta patente em posições estratégicas.
Os “cartões amarelos” de Bolsonaro e a pressão sobre o comandante
A colunista do jornal O Globo, Bela Megale, adiantou uma das revelações do livro. Em uma das tensas reuniões com a cúpula das Forças Armadas no Palácio do Alvorada, após a derrota nas eleições de 2022, Jair Bolsonaro dirigiu-se ao então comandante da Aeronáutica com um recado que soou como ameaça: “Já te dei dois cartões amarelos”.
Para Baptista Junior, a declaração foi uma tentativa clara de pressão diante dos posicionamentos legalistas que ele havia adotado publicamente.
Em entrevistas aos jornais O GLOBO e à Folha de S.Paulo no fim de 2022, o comandante enfatizou que as Forças Armadas cumpririam a lei e prestariam continência ao presidente eleito, independentemente de quem fosse — afirmações que contrariavam as expectativas de Bolsonaro e motivaram os “cartões amarelos”.
“Objetivos da medida de exceção não eram para garantir a paz social”, disse brigadeiro. Foto: Marcelo Camargo/ABR
Baptista Junior integrava o chamado “grupo dos quatro” — reuniões constantes entre ele, o general Freire Gomes (comandante do Exército), o almirante Almir Garnier (comandante da Marinha) e o general Paulo Sergio (ministro da Defesa).
O militar da Aeronáutica detalha como esses encontros foram marcados por confrontos e divergências profundas sobre as medidas a serem adotadas diante da contestação eleitoral encampada pelo ex-presidente.
Em meio a esse ambiente, Baptista Junior conta no livro que chegou a dizer a Bolsonaro que ele não permaneceria no cargo após 1º de janeiro de 2023.
Livro traz 3 momentos em que a tentativa de glope foi frustrada
O militar traz no livro detalhes de três momentos em que a tentativa de golpe acabou frustrada. Ele confirmou encontros no Palácio da Alvorada e no Ministério da Defesa em que se discutiram medidas de exceção e os termos de uma minuta golpista — da qual se recusou a receber cópia.
“Eu disse NÃO”: tenente-brigadeiro Baptista Junior revela em livro as pressões de Bolsonaro para golpe. Imagem: Reprodução / Editora Autêntica
Baptista Junior contou que o general Freire Gomes alertou Bolsonaro de que ele seria preso se insistisse no golpe para impedir a posse de Lula. E revelou que o almirante Almir Garnier, então chefe da Marinha, colocou tropas da Força à disposição do plano golpista.Garnier foi posteriormente condenado pela Primeira Turma do STF a 24 anos de prisão por sua participação na tentativa de golpe de Estado.
Quem é o tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior
Carlos de Almeida Baptista Junior ingressou na Força Aérea Brasileira em 1975 e formou-se Oficial Aviador pela Academia da Força Aérea em 1981. Piloto de Caça e de Reconhecimento, acumulou mais de 4.500 horas de voo e dedicou quase cinco décadas de serviço à Aeronáutica.
Comandante da FAB entre abril de 2021 e janeiro de 2023, ele enfrentou uma etapa de forte tensão e uma atmosfera hostil protagonizada por Bolsonaro e a cúpula das Forças Armadas — um período em que a manutenção da ordem democrática dependeu, em parte, de decisões tomadas nos quartéis.
Baptista Junior relata reunião com a cúpula mlitar: “Se você tentar isso, eu vou ter que lhe prender. Foi isso que ele disse”. Foto: Isac Nóbrega/PR
Baptista Junior fala com a segurança e autoridade de quem esteve na sala de decisão — não como espectador, mas como um dos atores que, segundo seu próprio relato, ajudou a manter as Forças Armadas longe do rompimento.
Seu livro é descrito como um “testemunho raro, sincero e corajoso sobre a real espessura da crise institucional brasileira e sobre o que, afinal, fez com que a ruptura não se concretizasse”.
Em entrevista ao jornal O Globo, Baptista Junior explica o lançamento do livro
O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, concedeu entrevista exclusiva para a jornalista Bela Megale, do jornal O Globo e conta os motivos que o levaram a escrever o livro que confirma a tentativa de golpe por Jair Bolsonaro.
Confira os principais trechos da entrevista à Bela Megale.
Lançamento do livro em meio à polarização
Questionado sobre por que escolheu lançar o livro durante o período eleitoral, Baptista Junior afirmou que não tinha a menor intenção de influenciar as eleições.
Ele disse que não escreveu a obra para ser um instrumento de propaganda eleitoral de nenhum dos candidatos e que, no último capítulo, argumentava que os brasileiros também são culpados pelas mazelas do país, o que passa pelo voto, não apenas para presidente.
Por isso, avaliou que seria positivo se algumas pessoas pudessem ler e refletir sobre essa questão antes do pleito, para não se colocarem nem como vítimas nem como culpadas.
Sobre o fato de não ter publicado o livro antes, o ex-comandante explicou que não poderia fazê-lo enquanto ainda estava na ativa. T
ambém afirmou que não lançaria a obra durante o andamento das ações do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a tentativa de golpe, pois seria inimaginável testemunhar e escrever um livro logo em seguida. Além disso, lembrou que o processo de escrita e de encontrar uma editora leva tempo. Quando viu a possibilidade de lançá-lo antes das eleições, considerou que seria bom.
Momentos de tensão e a conversa com Bolsonaro após o 8 de janeiro
Questionado sobre o momento mais tenso que viveu na tentativa de golpe, Baptista Junior afirmou que os dias 14, 22 e 24 de novembro de 2022 foram muito tensos. Ele explicou que foi quando o presidente Bolsonaro acreditou na possibilidade de o Instituto Voto Legal ter encontrado um erro nas urnas.
Sobre a última conversa com Bolsonaro depois do 8 de janeiro, o ex-comandante relatou que, cerca de dez dias após os ataques, viu na televisão uma tarja embaixo de uma entrevista do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, dizendo que muitos dos erros de Bolsonaro eram culpa dos militares. Ele tirou uma foto da tela e a enviou para Bolsonaro, que estava nos Estados Unidos.
Em seguida, o ex-presidente ligou para ele. Baptista Junior contou que alertou Bolsonaro sobre o que estava acontecendo, dizendo que, depois de tudo aquilo, quem levaria toda a carga seriam as Forças Armadas e que ele poderia ter acabado com aquilo.
Segundo o ex-comandante, Bolsonaro respondeu que não seria capaz de mudar o pensamento daquelas pessoas. Para Baptista Junior, porém, Bolsonaro poderia ter mandado todo mundo para casa e reconhecido a derrota.
Balanço: confiabilidade das Forças e custo pessoal
Perguntado se os militares ganharam ou perderam com Bolsonaro na Presidência, Baptista Junior avaliou que as Forças perderam confiabilidade. Ele explicou que sempre houve uma parte da sociedade, até pelo processo histórico, que não tinha um bom alinhamento ou uma boa percepção das Forças Armadas, mas que agora esse leque se ampliou.
Ainda assim, disse confiar que as Forças Armadas vão recuperar essa confiabilidade mantendo sua postura de Estado, de que não estão ali para defender A ou B.
Sobre o maior custo pessoal por manter a postura legalista, o ex-comandante confessou que sentiu muito perder amigos, mas afirmou que sua amizade com essas pessoas não poderia depender de elas ficarem fazendo uma revolução ou um golpe de Estado em grupos de WhatsApp, fragilizando a postura legalista da Força Aérea que serviram ou da instituição que disseram amar e proteger.
O pior, porém, foi ouvir um grande amigo mandar um major atacar os comandantes da Força Aérea e do Exército e suas famílias. Para Baptista Junior, colocar a família nisso passou do limite, e ele disse ter certeza de que Walter Braga Netto se arrependeu.
Saiba mais sobre o livro “Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista”
“Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista” (Autêntica Editora, 240 páginas) narra em primeira pessoa o período entre abril de 2021 e janeiro de 2023 — o momento mais tenso da relação entre Bolsonaro e a cúpula militar.
O tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior acompanhou de perto as pressões para que as Forças Armadas aderissem a uma tentativa de ruptura institucional, que teria seu desfecho nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
A obra remonta ao início do governo Bolsonaro, em 2019, atravessa a gestão da pandemia e desemboca na crise militar de 2021, quando o então presidente trocou o ministro da Defesa e os três comandantes das Forças. No período eleitoral de 2022, o relato passa pela pressão sobre o sistema eleitoral e pelas reuniões de alta tensão da disputa presidencial, até os meses decisivos entre os dois turnos e a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.
Ex-comandante da FAB revela em livro pressão de Bolsonaro para golpe . Imagem: Reprodução Autêntica Editora
O autor justifica a decisão de escrever o livro a partir da percepção de um fenômeno social inquietante: pesquisa do Instituto AtlasIntel, realizada entre 6 e 9 de janeiro de 2023, revelou que 39,7% da população não acreditava na vitória de Lula sobre Bolsonaro. “Em um dado ainda mais preocupante, 36,8% dos entrevistados declararam ser favoráveis a uma intervenção militar que anulasse o resultado das eleições de 2022”, afirma o oficial.
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Relembre a tentativa de golpe e o papel das Forças Armadas
Em 8 de janeiro de 2023, o Brasil assistiu a uma das mais graves investidas contra o Estado Democrático de Direito desde o fim da ditadura empresarial-militar.
Bolsonaristas na tentativa de golpe de estado em 8 de janeiro. Foto: Joédson Alves/Agencia Brasil
Milhares de pessoas, motivadas por discursos golpistas e por uma campanha sistemática de desinformação, invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília, na tentativa de romper a ordem democrática e impedir o funcionamento das instituições republicanas.
Os ataques não foram atos isolados. Tiveram início em meados de 2021, com um ataque deliberado às urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral, e culminaram no 8 de janeiro.
A radicalização do movimento foi marcada pela recusa do resultado das eleições de 2022, pela conivência de setores civis e militares e pela disseminação de discursos que naturalizavam a ruptura institucional como solução política.
O papel das Forças Armadas nesse contexto foi decisivo. Como revela Baptista Junior, a adesão dos militares ao plano golpista não foi unânime. O comandante da Aeronáutica e o general Freire Gomes, do Exército, resistiram às pressões de Bolsonaro, enquanto o almirante Almir Garnier, da Marinha, colocou tropas à disposição do plano.
O STF já responsabilizou 1.399 pessoas pelos crimes cometidos no contexto da tentativa de golpe. Desse total, 564 celebraram Acordos de Não Persecução Penal, 420 foram condenadas a penas privativas de liberdade e multas que somam cerca de R$ 30 milhões em danos morais coletivos, e outros 415 tiveram penas substituídas por prestação de serviços.
Almir Garnier negou ter colocado tropas à disposição, mas foi condenado pela tentativa de golpe de Estado. Foto: Gustavo Moreno/STF
A condenação do almirante Almir Garnier a 24 anos de prisão, em setembro de 2025, foi um marco na responsabilização dos militares envolvidos na trama. O ex-comandante da Marinha foi considerado culpado em todos os cinco crimes apontados pela Procuradoria-Geral da República: golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado contra patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
O relato de Baptista Junior em “Eu disse NÃO” é mais um importante documento sobre o 8 de janeiro — a visão de dentro de quem, no momento decisivo, disse não à ruptura e ajudou a preservar a democracia brasileira.
A 45 dias do 1º turno das eleições 2026, o cenário é de compressão da distância entre Lula e Flávio Bolsonaro, estreitando a vantagem governista de oito para apenas três pontos percentuais em menos de um mês.
Para analistas do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP (Labop), o empate poderia ser explicado pela piora na percepção popular sobre os rumos da economia e pelo alto grau de rejeição de ambos os candidatos.
O cenário cristaliza a polarização política, reduz as chances de uma terceira via e estabelece uma base rígida de votos com teto limitado e alta rejeição para ambos os lados, dizem os especialistas da FESPSP: Beto Vasques, Hilton Fernandes e Jairo Pimentel.
A economia e o maior medo do eleitor
Segundo Beto Vasques, analista político e coordenador do Laboratório da FESPSP, a percepção do eleitor com relação à economia poderia ser uma das hipóteses explicaria a oscilação que aproximou, ainda mais, o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro nesta última pesquisa Quaest.
Numa disputa tão acirrada, na qual ambos os candidatos apresentam pisos muito altos (intenção de voto acima dos 30% no cenário de primeiro turno e de 40% na simulação de segundo) e tetos bastante baixos (elevadas rejeições, acima de 50%), as oscilações nos indicadores eleitorais favoráveis a Flávio coincidem com o aumento no grupo de eleitores que apontam percepção de piora da economia nos últimos 12 meses, que saltou de 43% para 49% em apenas nove dias, entre a rodada da Quaest anterior (05/08) e a da última sexta-feira (14/08).
Além da intenção de voto e da rejeição, a situação de empate técnico com Lula numericamente à frente do senador também se repete quando os entrevistados são questionados sobre o seu maior medo como eleitores. A volta da família Bolsonaro ao poder subiu um ponto para cima em relação à pesquisa anterior, alcançou 45%, e a manutenção de Lula por mais quatro anos ficou estável em 41%.
Alta rejeição continua a frear crescimento das campanhas
Os dados merecem atenção, diz o cientista político e pesquisador do Labop, Hilton Fernandes, pois “sendo a primeira grande pesquisa divulgada após as convenções que definiram os candidatos, os resultados da Quaest servem como referência para o início da campanha eleitoral”. E, nesse aspecto, os números que refletem a intenção de votos do momento acendem um sinal de alerta para a campanha de Lula, pois indicam dificuldade do candidato petista em agregar votos, mesmo diante de agendas populares do governo ou de desgastes éticos da oposição.
De acordo com Fernandes, “um possível fator que explicaria o baixo impacto das notícias positivas ou negativas para os dois candidatos é a alta rejeição pessoal, acima de 50%, combinada com uma base eleitoral fiel, que leva os eleitores a votar ou em contraposição ou no ‘menos pior’ dos dois. Isso também pode ter afetado a avaliação da gestão atual, que voltou a ter saldo negativo”.
Como consequência desse engessamento, avalia, “é de se esperar que os concorrentes adotem cada vez mais discursos emocionais, polarizadores ou extremistas para atrair a atenção do eleitorado”, o que pode prejudicar a campanha petista, que precisará equilibrar a demonstração de resultados práticos com a recuperação de imagem do presidente.
Disputa em processo de compressão
Sob a ótica da engenharia eleitoral, é preciso qualificar o chamado ‘empate técnico’, diz o cientista político Jairo Pimentel, pesquisador do Labop, porque mais relevante do que a oscilação de uma rodada é a trajetória acumulada de aproximação entre os dois concorrentes.
No cenário de primeiro turno, em que Lula pontua 38% contra 31% de Flávio Bolsonaro, também existe um movimento de concentração do voto, à medida que candidatos alternativos como Renan Santos (4%), Ronaldo Caiado (4%) e Romeu Zema (2%) patinam nas intenções. “Isso indica que Flávio vem conseguindo consolidar a maior parte do eleitorado de oposição e reduzir o espaço disponível para uma candidatura alternativa de direita ou de centro”, pondera Pimentel.
O ritmo de transferência e ganho de voto entre turnos, por outro lado, reforça a resiliência das candidaturas majoritárias. “Flávio cresce nove pontos entre o primeiro e o segundo turno (…), enquanto Lula avança cinco”, o que “sugere que, neste momento, o parlamentar está agregando com maior eficiência o voto anti-Lula.
Ao mesmo tempo, o presidente conserva a liderança porque mantém uma base eleitoral mais robusta e porque o adversário ainda enfrenta dificuldades para ultrapassar o teto do bolsonarismo e construir maioria”, diz Pimentel. “A pesquisa, portanto, não mostra uma virada, mas uma disputa em processo de compressão”, consolidando um “quadro é de polarização crescente e de redução do espaço político para uma terceira via”.
Beto Vasques — Coordenador do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP
Última pesquisa antes do início formal da campanha, a Quaest reforçou o cenário de disputa acirrada entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente Lula, ambos com pisos muito altos (intenção de voto acima dos 30% no cenário de primeiro turno e 40% na simulação de segundo) e tetos bastante baixos (elevadas rejeições, acima de 50%). Trata-se da segunda pesquisa seguida do instituto em menos de um mês na qual Flávio encurta a distância em relação a Lula nas simulações de segundo turno — ambas dentro da margem de erro —, reduzindo em cinco pontos a diferença entre eles.
A vantagem favorável ao presidente, que era de oito pontos percentuais em julho (55% contra 37%), entra em situação de empate técnico, com Lula três pontos à frente do senador (43% contra 40%). A rejeição de ambos permaneceu estável em relação à rodada anterior, também em empate técnico, com o parlamentar dois pontos acima (54%) do petista (52%). A aprovação do governo também oscilou para baixo, voltando a apresentar um resultado negativo de dois pontos (48% de reprovação contra 46% de aprovação). Quanto ao maior medo do eleitor, há um novo empate técnico numericamente favorável ao presidente, no limite da margem de erro de 4%: a volta da família Bolsonaro oscilou um ponto para cima, alcançando 45%, contra 41% dos que temem mais a permanência do atual mandatário no Palácio do Planalto, mesmo resultado do levantamento anterior da Quaest.
Pelos dados divulgados até o momento, essa oscilação contrária a Lula e favorável a Flávio Bolsonaro nas intenções de voto coincide com uma piora na percepção dos rumos da economia. Houve um aumento de seis pontos percentuais, em relação ao levantamento anterior, no total de eleitores que dizem que a situação econômica piorou ao longo dos últimos doze meses: eram 43% na pesquisa de 5 de agosto e, nesta rodada, nove dias depois, somam 49%.
Hilton Fernandes — Cientista político e professor da FESPSP
Sendo a primeira grande pesquisa divulgada após as convenções que definiram os candidatos, os resultados da Quaest servem como referência para o início da campanha eleitoral. O cenário geral continua com Lula pouco à frente, com 43% contra 40% de Flávio Bolsonaro no segundo turno, mas confirma a dificuldade do petista em agregar votos, mesmo após a combinação de ações populares do governo com o desgaste da imagem do oponente devido às denúncias do caso Dark Horse.
Um possível fator que explicaria o baixo impacto das notícias positivas ou negativas para os dois candidatos é a alta rejeição pessoal, acima de 50%, combinada com uma base eleitoral fiel, que leva os eleitores a votar ou em contraposição ou no “menos pior” dos dois. Isso também pode ter afetado a avaliação da gestão atual, que voltou a ter saldo negativo, com 48% de reprovação e 46% de aprovação.
Com isso, é de se esperar que os concorrentes adotem cada vez mais discursos emocionais, polarizadores ou extremistas para atrair a atenção do eleitorado. Essa situação tende a prejudicar mais a campanha petista, que precisa mostrar suas realizações ao mesmo tempo em que tenta recuperar a imagem pessoal do presidente Lula, sem cair na apresentação monótona de números.
Sobre os demais candidatos, Renan Santos, com 4% das intenções para o primeiro turno, vai ocupando a posição de candidato antissistema da vez, enquanto Romeu Zema continua se desidratando, chegando a 2%. O grande desafio será para Ronaldo Caiado, que, com 4%, precisa reagir para garantir a força do apoio aos seus aliados nas campanhas estaduais.
Jairo Pimentel — Cientista político e professor da FESPSP
A nova Quaest mostra que a eleição está se tornando progressivamente mais competitiva, mas é importante qualificar o chamado “empate técnico”. Lula continua numericamente à frente de Flávio Bolsonaro, por 43% a 40%. O que mudou foi o tamanho da vantagem: ela caiu de oito pontos em meados de julho para cinco na semana passada e, agora, para três. Portanto, mais relevante do que a oscilação de uma rodada é a trajetória acumulada de aproximação entre os dois concorrentes.
No primeiro turno, apesar de as diferentes composições dos cenários impedirem uma comparação direta, também existe um movimento de concentração do voto: Lula marca 38% e Flávio, 31%, enquanto nenhum dos demais postulantes ultrapassa 4%. Isso indica que Flávio vem conseguindo consolidar a maior parte do eleitorado de oposição e reduzir o espaço disponível para uma candidatura alternativa de direita ou de centro.
Outro dado importante é que Flávio cresce nove pontos entre o primeiro e o segundo turno, passando de 31% para 40%, enquanto Lula avança cinco, de 38% para 43%. Isso sugere que, neste momento, o parlamentar está agregando com maior eficiência o voto anti-Lula. Ao mesmo tempo, o presidente conserva a liderança porque mantém uma base eleitoral mais robusta e porque o adversário ainda enfrenta dificuldades para ultrapassar o teto do bolsonarismo e construir maioria.
A pesquisa, portanto, não mostra uma virada, mas uma disputa em processo de compressão. Lula segue favorito, porém com uma vantagem menos confortável. Flávio se afirma como o principal polo da oposição, enquanto Caiado, Renan Santos e Zema demonstram capacidade de reunir parte do voto contrário ao governo, mas ainda ficam distantes do líder. O quadro é de polarização crescente e de redução do espaço político para uma terceira via.
Sete em cada dez brasileiros desaprovam o uso de inteligência artificial (IA) por candidatos nas campanhas eleitorais de 2026, segundo pesquisa Genial/Quaest encomendada pela Globo em parceria com o jornal O Globo. De acordo com o levantamento, 73% dos eleitores são contrários à utilização da tecnologia, enquanto 21% aprovam seu uso. Saiba mais na TVT News.
Outros 3% afirmaram ser indiferentes à presença da inteligência artificial nas campanhas e 3% não souberam ou preferiram não responder.
A resistência à tecnologia aparece em diferentes segmentos do eleitorado. Entre os eleitores com até 34 anos, 68% desaprovam o uso de IA por candidatos. O percentual sobe para 76% entre pessoas com mais de 60 anos.
Também há diferença entre homens e mulheres. A rejeição chega a 78% entre as mulheres, enquanto 69% dos homens se posicionam contra a utilização da tecnologia nas campanhas.
A desaprovação ao uso de inteligência artificial também é majoritária entre eleitores de diferentes posicionamentos políticos. Entre os eleitores de esquerda que não se identificam com o lulismo, 79% rejeitam a ferramenta nas campanhas. O índice é de 73% entre os lulistas.
Entre os bolsonaristas, 70% desaprovam a utilização da IA, enquanto a rejeição chega a 69% entre eleitores de direita que não se identificam com o bolsonarismo.
Já entre os eleitores independentes, 75% são contrários ao uso da tecnologia.
Os dados indicam que a preocupação com a utilização de conteúdos produzidos ou manipulados por inteligência artificial não está concentrada em apenas um grupo político ou faixa etária.
No material, Bolsonaro aparece manifestando apoio ao filho e apresentando Flávio como herdeiro de seu projeto político para as eleições de 2026.
O episódio provocou questionamentos na Justiça Eleitoral. O PT acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), argumentando que o conteúdo poderia ser enquadrado como deepfake e estaria sujeito às restrições estabelecidas para o período eleitoral. O partido também questionou a divulgação do material antes do início oficial da campanha, apontando possível propaganda eleitoral antecipada.
A defesa de Flávio Bolsonaro, por sua vez, argumentou ao TSE que a inteligência artificial representa uma ampliação dos recursos técnicos disponíveis para a atividade política e que não seria possível eliminar completamente a tecnologia das campanhas.
TSE discute regras para inteligência artificial
A utilização de inteligência artificial se tornou um dos principais desafios para a Justiça Eleitoral nas eleições de 2026. O TSE marcou para esta terça-feira (18) uma reunião para discutir a aplicação das regras relacionadas à tecnologia e aos conteúdos manipulados artificialmente.
A legislação eleitoral permite o uso de IA nas campanhas sob determinadas condições. Entre as exigências está a identificação clara de conteúdos produzidos ou modificados com auxílio da tecnologia.
As regras também estabelecem restrições para o uso de inteligência artificial na produção de conteúdos falsos ou manipulados destinados a prejudicar adversários, disseminar desinformação ou atacar o processo democrático.
Os chamados deepfakes — conteúdos que simulam de maneira artificial a imagem ou a voz de uma pessoa — estão entre os pontos mais sensíveis da regulamentação eleitoral.
A discussão ocorre em um cenário no qual ferramentas de inteligência artificial generativa estão cada vez mais acessíveis e podem ser utilizadas para produzir vídeos, imagens e áudios com aparência realista. A preocupação da Justiça Eleitoral é estabelecer limites que preservem a liberdade de comunicação política sem permitir que conteúdos fraudulentos sejam utilizados para manipular o eleitorado.
Maioria rejeita uso da tecnologia
Para os eleitores entrevistados pela Quaest, entretanto, a questão vai além das regras jurídicas. O levantamento mostra uma rejeição expressiva à presença da inteligência artificial nas campanhas.
A diferença entre os que desaprovam e os que aprovam a utilização da ferramenta é de 52 pontos percentuais: 73% são contrários, enquanto apenas 21% defendem seu uso.
O resultado ocorre justamente quando partidos e candidatos começam a incorporar ferramentas de IA à comunicação eleitoral, aumentando a necessidade de fiscalização sobre conteúdos digitais e sua identificação pelos eleitores.
A pesquisa Quaest ouviu 2.004 pessoas entre 10 e 13 de agosto de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-06773/2026.
Os números reforçam o tamanho do desafio para candidatos, partidos, plataformas digitais e para a própria Justiça Eleitoral: embora a inteligência artificial esteja se tornando uma ferramenta disponível para a comunicação política, a maioria dos eleitores brasileiros ainda demonstra forte resistência à sua utilização durante as campanhas.
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, realizou nesta segunda-feira (17) seu primeiro ato próprio de campanha na disputa estadual. A agenda ocorreu no centro da capital paulista, com uma caminhada ao lado das candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). Também participaram a esposa de Haddad, Ana Estela Haddad, e a deputada federal Erika Hilton (PSOL). Leia em TVT News.
A atividade começou na Praça da República e seguiu até o Theatro Municipal. Durante o trajeto, Marina Silva relatou à repórter Emilly Gondim da TVT que foi intimidada por uma pessoa. Segundo a candidata, um homem se colocou de forma agressiva à sua frente. “Mas ele não sabia que, diante do amor, o ódio recua. Eu não dou um passo atrás“, afirmou.
O candidato também defendeu a integração de informações entre órgãos públicos para identificar situações de violência antes de uma denúncia formal. A proposta é criar uma central capaz de reunir registros e queixas para permitir um diagnóstico antecipado de possíveis casos de agressão.
Mulheres com Haddad – Foto: Diogo ZacariasMulheres com Haddad – Foto: Diogo ZacariasMulheres com Haddad – Foto: Diogo Zacarias
Simone Tebet defende delegacias da mulher abertas 24 horas
Candidata ao Senado, Simone Tebet afirmou à TVT que o combate à violência contra as mulheres está entre as principais pautas de sua atuação política. Ela lembrou que presidiu a Comissão Permanente de Combate à Violência contra a Mulher do Congresso Nacional, criada em 2015.
Tebet citou leis aprovadas nos últimos anos, como a legislação que tipificou o feminicídio e mudanças relacionadas à violência sexual e ao assédio em transportes públicos. Também destacou uma alteração na Lei Maria da Penha que, segundo ela, ampliou a possibilidade de concessão de medidas protetivas.
Para a candidata, a estrutura de atendimento precisa funcionar justamente nos períodos em que as mulheres mais precisam. “Eu quero que uma parte desse recurso seja para garantir 24 horas por dia, sete dias na semana, as delegacias especializadas da mulher abertas aqui no interior”, afirmou à TVT.
Segundo Tebet, muitas dessas unidades não funcionam à noite ou nos fins de semana, o que dificulta o acesso de mulheres que procuram proteção.
Marina Silva relaciona meio ambiente, emprego e renda
Marina Silva também falou à TVT sobre a agenda ambiental e sua relação com o desenvolvimento econômico. Para ela, a preservação dos recursos naturais precisa estar associada à geração de empregos e renda.
“A agenda ambiental é, sobretudo, uma agenda de desenvolvimento econômico”, afirmou. Marina defendeu políticas capazes de enfrentar as mudanças climáticas ao mesmo tempo em que promovam atividades econômicas e protejam o meio ambiente.
A candidata também comentou as transformações nas relações de trabalho provocadas pela pandemia. Sobre o trabalho remoto, afirmou que a modalidade precisa ser analisada de forma técnica, considerando as atividades em que a presença física dos trabalhadores é necessária.
“O importante é garantir serviço público de qualidade para todas as pessoas”, disse Marina, citando áreas como saúde, educação, segurança pública e moradia.
Erika Hilton: “proteção deve alcançar todas as mulheres”
A deputada federal Erika Hilton destacou, em entrevista à TVT, a necessidade de incluir mulheres trans e travestis nas políticas de enfrentamento à violência de gênero.
“A defesa das mulheres trans e travestis perpassa pela defesa de todas as mulheres”, afirmou. Segundo Erika, a violência contra mulheres trans está relacionada a uma estrutura mais ampla de controle sobre os corpos femininos e de violência de gênero.
Ela também chamou atenção para o crescimento dos feminicídios e para problemas nas políticas de proteção às mulheres. “Todas as mulheres devem ser protegidas, porque não existe isso de proteger um grupo e ignorar outro porque a violência avança sobre todas nós”, afirmou.
Erika reforçou ainda que mulheres trans devem ser reconhecidas como mulheres também no acesso à Justiça. A deputada citou uma decisão recente em segunda instância em uma ação movida contra o SBT.
Durante a caminhada, Haddad também falou sobre educação e políticas para a rede pública estadual. Questionado sobre a possibilidade de reversão de medidas já adotadas, afirmou que mudanças em contratos podem ser complexas.
O candidato declarou que, caso seja eleito, não pretende ampliar a adoção de escolas cívico-militares nem promover a privatização de escolas públicas. “O meu foco é ensino-aprendizagem, valorização do professor, dedicação do estudante, envolvimento das famílias”, afirmou.
Haddad disse que sua atuação na área da educação foi pautada por esses pontos e avaliou que São Paulo vem apresentando resultados negativos em razão de políticas que considera equivocadas.
A caminhada marcou o início da agenda própria de Haddad na campanha pelo governo paulista. O candidato havia participado, no domingo (16), do lançamento da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.
Flávio Bolsonaro e sua próspera franquia da Kopenhagen. Reprodução
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou patrimônio de R$ 8.186.555,83 ao registrar seu pedido de candidatura à Presidência da República no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O valor representa um crescimento nominal de 370% em relação aos R$ 1.741.758,15 informados em 2018, quando foi eleito senador pelo Rio de Janeiro. O registro para a eleição de 2026 aparece no sistema como “aguardando julgamento”.
No recorte das quatro últimas eleições disputadas pelo filho mais velho de Jair Bolsonaro, o patrimônio declarado aumentou mais de onze vezes. Flávio informou R$ 714 mil em 2014; R$ 1,45 milhão em 2016; R$ 1,75 milhão em 2018; e R$ 8,2 milhão em 2026. Entre a primeira e a última declaração da série, a alta foi de 1.045,9%, uma diferença de R$ 7.472.161,14.
Na eleição de 2018, o total subiu 19,8% em relação a 2016, para R$ 1.741.758,15. Flávio declarou um apartamento de R$ 917.038,09 e uma sala comercial de R$ 150 mil, ambos na Barra da Tijuca; R$ 558.220,06 em aplicações; um Volvo avaliado em R$ 66,5 mil; e metade da Bolsotini Chocolates e Café.
As operações financeiras e imobiliárias realizadas durante seus mandatos na Assembleia Legislativa do Rio posteriormente entraram no debate sobre o caso da “rachadinha” em seu antigo gabinete. A investigação foi encerrada depois que STF e STJ anularam provas, sem julgamento do mérito das suspeitas.
O salto mais expressivo aparece agora. Dos R$ 8,186 milhões declarados em 2026, R$ 6.226.043,80 correspondem à casa de Flávio no Lago Sul, em Brasília. O imóvel representa 76% de todo o patrimônio informado.
O senador também declarou R$ 1.090.520,47 em um fundo multimercado, R$ 568.730,23 em diferentes bancos, R$ 133 mil em um veículo, R$ 103.746,23 em poupança e outros R$ 64.515,10 em aplicações e participações empresariais. Em 2024, Flávio desembolsou R$ 3,4 milhões para quitar o financiamento da mansão.
Um mês antes do registro, o ex-deputado Julian Lemos, antigo aliado da família Bolsonaro, afirmou que a fortuna de Flávio poderia chegar a R$ 700 milhões, no entanto, Lemos não apresentou documentos que sustentassem a estimativa. A ficha entregue ao TSE coloca o patrimônio declarado muito abaixo dessa cifra.
O senador Rogério Marinho, o candidato à presidência Flávio Bolsonaro, Dani Marcos, coordenadora do plano de governo e o vice da chapa do PL, Alfredo Gaspar. Reprodução YT
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que seu gabinete recebeu e-mails automáticos do Partido Missão antes da descoberta de que ele havia sido registrado como filiado à legenda. As mensagens, segundo o presidenciável, foram ignoradas por parecerem spam.
A declaração foi feita em uma transmissão realizada na noite desta quinta-feira (13), com a participação do candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar e de Dani Marcos, integrante da equipe responsável pela coordenação do plano de governo da chapa e do Senador Rogério Marinho.
“Chegou no meu gabinete alguns e-mails automáticos desse partido aí. Como ninguém conhece, acaba que a assessoria vê aquilo e acha que é spam”, declarou Flávio.
Flávio Bolsonaro confirma alegação do partido Missão: sua assessoria recebeu emails sobre a filiação fraudulenta, mas considerou que era “spam” pic.twitter.com/FNCwS6wVad
O senador levou uma das mensagens impressas para a live e afirmou que o e-mail cobrava um pagamento que não teria sido realizado dentro do prazo. “É reclamando que não recebeu o meu pagamento em dez dias”, disse.
A filiação ao Missão apareceu no sistema da Justiça Eleitoral e impediu inicialmente o registro da candidatura de Flávio à Presidência pelo PL. O senador classifica o episódio como uma fraude e nega que tenha solicitado a entrada na legenda.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que não houve invasão ao sistema da Justiça Eleitoral. O registro foi realizado por alguém com credenciais do próprio Missão e autorização para cadastrar filiações partidárias.
Durante a transmissão, Flávio também rebateu a acusação feita pelo deputado federal André Janones (Avante-MG) de que ele teria encenado o episódio para desacreditar a Justiça Eleitoral. Janones não apresentou provas da alegação.
O deputado federal, André Janones (REDE-MG). Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados
O deputado federal André Janones (Avante-MG) acusou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de ter encenado a própria filiação ao Partido Missão para descredibilizar a Justiça Eleitoral. Em publicação nas redes sociais nesta quarta-feira (13), Janones disse que o senador teria pago alguém para incluí-lo em outra legenda, mas não apresentou provas da acusação.
A declaração foi feita após Flávio aparecer como filiado ao Missão no sistema da Justiça Eleitoral, o que impediu inicialmente o registro de sua candidatura à Presidência pelo PL. Janones afirmou que o episódio repetiria, segundo sua versão, a estratégia usada pela família Bolsonaro após a facada contra Jair Bolsonaro em 2018.
O TSE informou que a filiação não foi resultado de ataque ao sistema eleitoral. Segundo o tribunal, o registro foi feito por alguém que tinha credenciais do Partido Missão para efetivar filiações, e não por uma invasão à plataforma da Justiça Eleitoral.
Todo mundo sabe o que aconteceu. O próprio Flávio pagou alguém pra filiar ele em outro partido para tentar tentar descredibilizar a justiça eleitoral. Seguiram o mesmo roteiro da facada forjada em 2018 pra eleger Bolsonaro. Só que dessa vez deu ruim pra eles. Isso é só uma…
A filiação de Flávio ao PL foi retomada pelo TSE após a checagem do caso, permitindo que o senador voltasse a constar na legenda pela qual pretende disputar a Presidência. A informação do tribunal, no entanto, não identifica quem usou as credenciais do Missão nem atribui a operação a Flávio Bolsonaro.
Ao final, Janones afirmou que jogará “com todas as armas” para “exterminar esses vermes”.
Os candidatos ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos). Foto: Renato Pizzutto/Band
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), anunciou nesta quinta-feira (13) a abertura de um inquérito policial para apurar a denúncia de que o motorista de Fernando Haddad (PT) teria sido perseguido por uma viatura da Polícia Militar após deixar o candidato em casa.
Tarcísio afirmou que o caso será tratado “tecnicamente” e que a apuração reunirá imagens de mais de 40 câmeras para reconstruir o trajeto do motorista. O governador disse ainda que o funcionário será chamado a prestar esclarecimentos formais durante o inquérito.
Haddad relatou que o motorista foi seguido de forma ostensiva e intimidatória por policiais na noite de terça-feira (11). Segundo a versão inicial apresentada à PM, ele teria entrado em um hotel durante o trajeto para se afastar da viatura.
➡️ Tarcísio diz que vai abrir inquérito para apurar episódio de Haddad com PM pic.twitter.com/ahma5VlB60
O inquérito deverá reunir as imagens já levantadas pela polícia, o depoimento formal do motorista e outros elementos sobre o trajeto percorrido depois que ele deixou Haddad em casa. A investigação foi anunciada após o caso ganhar repercussão durante a disputa pelo Governo de São Paulo.
Na quarta-feira (12), o PT apresentou uma Notícia de Fato à Procuradoria Regional Eleitoral e pediu a abertura de um Procedimento Preparatório Eleitoral para investigar o episódio.
Por Cleber Lourenço Militares que atuam no sistema de controle interno das Forças Armadas relataram ao Tribunal de Contas da União (TCU) ter sofrido pressão para alterar, retirar ou suavizar achados de auditorias. Os relatos mais contundentes partiram de integrantes do Exército e incluem referências a “orientações estilo ‘deixa disso’” quando os trabalhos apontavam para […]
Os candidatos ao governo do Ceará, Elmano de Freitas (PT) e Ciro Gomes (PSDB). Foto: Fco Fontenele/O POVO/Eduardo Anizelli/Folhapress
Ciro Gomes (PSDB) lidera a disputa pelo Governo do Ceará com 52% das intenções de voto, contra 33% do governador Elmano de Freitas (PT), que busca a reeleição, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (13). A vantagem do ex-governador é de 19 pontos percentuais no cenário estimulado, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos eleitores.
Pedro Brito (Novo), Delegado Huggo (Missão) e Danilo Soares (Democrata) marcaram 1% cada. Serley Leal (UP) e Zé Batista (PSTU) não pontuaram; brancos, nulos ou nenhum somaram 7%, e 4% não souberam responder. Pedro Brito deixou a disputa após o registro do levantamento, e o Novo lançou Vera Lúcia como candidata ao governo.
Na pesquisa espontânea, Ciro foi citado por 28% dos entrevistados e Elmano por 20%, enquanto 43% disseram não saber em quem votar. Camilo Santana (PT), que não é candidato, apareceu com 2%. O dado mostra que os dois principais nomes já concentram as lembranças do eleitorado, mas que a corrida ainda tem espaço para disputa.
Em uma simulação de segundo turno, Ciro venceu Elmano por 55% a 37%. Brancos e nulos foram 5%, e 3% não souberam responder. A pesquisa ouviu 1.022 eleitores em 51 municípios cearenses entre segunda-feira (10) e quarta (12), tem margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
O levantamento também aponta maior rejeição a Elmano: 35% disseram que não votariam no petista de jeito nenhum. Ciro foi rejeitado por 21%. Delegado Huggo marcou 19%, Zé Batista, 18%, Pedro Brito, 17%, Danilo Soares, 15%, e Serley Leal, 11%.
Por Cleber Lourenço O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse ao ICL Notícias que não negocia condições para acordos de colaboração premiada com advogados. A manifestação ocorre após Daniel Bialski, novo advogado do banqueiro Daniel Vorcaro, pedir uma audiência com o relator das investigações sobre o Banco Master na Corte. Procurado pelo […]
Por Cleber Lourenço A aparição de Flávio Bolsonaro como filiado ao Missão sem reconhecer a mudança de partido não é um episódio isolado na história da Justiça Eleitoral. O senador entrou para uma lista que já teve Lula registrado no PL, Nikolas Ferreira apontado como integrante do PT e até Silvio Santos vinculado ao partido […]
O candidato ao governo do Paraná, Sérgio Moro (PL). Foto: Reprodução
O senador Sergio Moro (PL-PR) virou alvo de ironias nesta quinta-feira (13) depois de sugerir que a retirada de carretas que, segundo ele, estavam tombadas na BR-277 poderia ser realizada em outro horário. A declaração foi gravada enquanto o parlamentar estava parado na praça de pedágio de São Luiz do Purunã, no Paraná.
No vídeo publicado na quarta-feira (12), Moro afirmou que o trânsito estava interrompido havia mais de 40 minutos e reclamou da falta de informações aos motoristas. O senador disse que carretas tombadas aparentemente estavam sendo retiradas da pista.
“Poderiam fazer talvez em outro horário. Poderiam manter uma via desobstruída ou passagem alternativa”, declarou. Moro também afirmou que o congestionamento era quilométrico e encerrou a gravação com uma provocação a adversários políticos, dizendo não dispor de dinheiro para viajar de helicóptero.
Posto de pedágio em São Luiz do Purunã, no Paraná, tudo parado há mais de 40 minutos.
Sem informação adequada. Aparentemente, carretas tombadas sendo retiradas da pista. Poderiam fazer talvez em outro horário. Poderiam manter uma via desobstruída ou passagem alternativa.
A praça de São Luiz do Purunã fica no km 140 da BR-277, no município de Balsa Nova, e faz parte do trecho administrado pela Via Araucária.
Depois de reclamar da falta de informação, sugerir a liberação de uma faixa e dizer que não tinha dinheiro para viajar de helicóptero, Moro ofereceu sua contribuição à engenharia de tráfego: a retirada das carretas poderia ficar para outro horário.
Internautas sugeriram, em tom de piada, a criação do “Agendamento Nacional de Acidentes e Destombamentos (ANAD)” para ironizar Moro, que tratou uma situação de urgência como se ela pudesse esperar um momento mais conveniente.
A Prefeitura de Porto Alegre perdeu R$ 1 milhão em recursos de convênio com o Ministério da Cultura para realizar oficinas de música em escolas. O Ministério da Cultura desabilitou a Capital de executar o projeto, que seria voltado a estudantes de comunidades vulneráveis.
Pelo convênio com o governo federal, a Prefeitura teria acesso a repasse de R$ 1 milhão para a realização do projeto. No entanto, conforme a pasta, não houve comprovação de contratações para produzir o evento, assim como a contrapartida orçamentária, de R$ 10 mil.
A desabilitação foi publicada no Diário Oficial da União dessa quarta-feira (12). Por meio de nota, a Secretaria Municipal da Cultura informou que desde o recebimento do montante, em 21 de março de 2023 adotou “as providências cabíveis para dar andamento à proposta, observando as exigências aplicáveis à Administração Pública”. “Porém, identificou-se uma dificuldade objetiva: o Plano de Trabalho aprovado originalmente apresentava exigências que não poderiam ser executadas diretamente pela SMC, especialmente as relacionadas ao fornecimento de lanche, transporte e Cartão TRI aos estudantes participantes das oficinas”.
Ainda conforme a Secretaria, em maio desse ano a gestão municipal formalizou o pedido de alteração do plano de trabalho do projeto, solicitando que a execução da iniciativa pudesse ser em parceria com uma Organização da Sociedade Civil (OSC), que assumiria a operação do projeto.
“O pedido, no entanto, foi indeferido pelo Governo Federal cerca de um mês e meio após a solicitação, sob o entendimento de que a alteração não se enquadrava na proposta aprovada para a emenda. Portanto, a não realização das oficinas não decorreu de falta de interesse ou de omissão por parte da Secretaria Municipal da Cultura. O processo foi impactado, sucessivamente, pelo tempo de tramitação administrativa e assinatura do contrato, pela implantação do novo sistema orçamentário e financeiro, pelos efeitos das enchentes de 2024, pela demora na atualização do prazo no sistema federal e, por fim, pela incompatibilidade entre o Plano de Trabalho original e as condições efetivas de execução pela Secretaria Municipal da Cultura”, explica a Secretaria da Cultura por meio de nota.
Por Cleber Lourenço Daniel Vorcaro entrou numa corrida contra o relógio para tentar emplacar uma terceira proposta de delação premiada antes de a Polícia Federal fechar o primeiro grande inquérito sobre as fraudes envolvendo o Banco Master e o BRB. A PF trabalha com a previsão de concluir a investigação até o fim de agosto, […]
A pesquisa, encomendado pelo Grupo Globo, ouviu 2.004 eleitores em entrevistas presenciais entre segunda (10) e quinta-feira (13), com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro no TSE tem o número BR-06773/2026.
O que a nova pesquisa Quaest de 14 de agosto vai medir
Percepção sobre economia, emprego e preços dos alimentos;
Quem o eleitor acredita que vencerá a eleição, independentemente da intenção de voto.
A pesquisa Quaest testa 13 nomes no primeiro turno e quatro simulações de segundo turno: Lula x Flávio Bolsonaro, Lula x Renan Santos, Lula x Romeu Zema e Lula x Ronaldo Caiado. Esta é a última pesquisa antes do início da propaganda eleitoral, que começa no domingo (16).
Quais os números da última pesquisa Quaest de 5 de agosto
1º turno: Lula (PT) lidera com 39% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 30%. Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) aparecem com 4% cada, e Romeu Zema (Novo) tem 2%.
2º turno (Lula x Flávio Bolsonaro): Lula tem 44% contra 39% de Flávio — vantagem de cinco pontos.
Aprovação do governo e do presidente Lula: 48% aprovam o governo, 47% desaprovam e 5% não responderam. A avaliação positiva do governo é de 36%, negativa de 36% e regular de 26%.
A série histórica da pesquisa Quaest para o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, desde maio de 2026, é a seguinte:
Maio de 2026: Lula com 42% e Flávio Bolsonaro com 41%.
Junho de 2026: Lula com 44% e Flávio Bolsonaro com 38%.
Julho de 2026: Lula com 45% e Flávio Bolsonaro com 37%.
Agosto de 2026: Lula com 44% e Flávio Bolsonaro com 39%.
Esta série mostra a vantagem de Lula oscilando: de 1 ponto em maio (empate técnico), para 6 em junho, 8 em julho, e recuando para 5 pontos em agosto.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, determinou que a filiação do senador Flávio Bolsonaro ao PL seja restabelecida. Ele é o pré-candidato do partido à Presidência da República.
Desde cedo, matérias jornalísticas informavam que a equipe da campanha do senador não conseguiu formalizar a candidatura no sistema do TSE devido à filiação ao Missão.
A decisão do ministro foi tomada após o partido solicitar a desfiliação de Flávio do Missão. O caso está sendo investigado pelo TSE.
A partir de agora, o PL poderá registrar a candidatura do senador no sistema da Corte. O prazo termina no próximo sábado (15).
Mais cedo, Flávio Bolsonaro afirmou que o registro de filiação ao Missão foi “fraudado”.
O TSE negou que o sistema de candidaturas tenha sido hackeado e informou que alguém com as credenciais digitais do Missão realizou a filiação de Flávio ao partido.
“O Tribunal Superior Eleitoral informa que a filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais da legenda para efetivar filiações”, declarou o TSE.
A decisão foi tomada pelo presidente da Corte, ministro Kássio Nunes Marques, após uma alteração no sistema da Justiça Eleitoral vincular o parlamentar ao partido Missão e impedir inicialmente o registro.
O ministro também ordenou a exclusão do registro que o vinculava ao Missão e liberou o Sistema CANDex, utilizado para encaminhar os pedidos de registro de candidatura.
A decisão atende a um pedido de tutela de urgência apresentado pela defesa de Flávio. Com a determinação, a campanha poderá prosseguir com o registro dentro do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral, que termina às 19h deste sábado (15).
Segundo Nunes Marques, os documentos apresentados pela defesa demonstram que Flávio permanecia regularmente filiado ao PL.
Entre a noite de quarta-feira (12) e a manhã desta quinta, porém, um novo registro foi incluído no Sistema de Filiação Partidária (FILIA), provocando a desfiliação automática do senador e sua inclusão no Missão.
O ministro afirmou que não houve manifestação de vontade de Flávio para a mudança e ressaltou que a filiação partidária é uma condição de elegibilidade que não pode ser retirada por ação de terceiros.
“A filiação partidária constitui condição de elegibilidade e pressuposto para o exercício do direito de ser votado, não podendo ser suprimida por ato de terceiro estranho à vontade do filiado”, escreveu o ministro.
Mudança para o Missão é considerada incompatível
Nunes Marques também considerou o cenário da disputa presidencial, em que Flávio é o candidato anunciado pelo PL à Presidência, enquanto o Missão já tem Renan Santos como candidato ao mesmo cargo.
Na avaliação do ministro, o contexto torna pouco provável que Flávio tenha decidido voluntariamente trocar de partido.
“O Partido Missão, por sua vez, já possui candidato próprio e assumido ao mesmo cargo, circunstância que torna inverossímil a alegação de que o requerente teria migrado voluntariamente para agremiação que já anuncia a disputa à Presidência com outro nome”, afirmou.
O ministro também apontou risco de prejuízo à candidatura diante da proximidade do fim do prazo para registro.
Polícia Federal vai investigar alteração
Além de restabelecer o vínculo de Flávio com o PL, Nunes Marques determinou que o TSE preserve registros de acesso e logs do Sistema FILIA relacionados à alteração.
O ministro encaminhou o caso à Polícia Federal e determinou a abertura de investigação para identificar a autoria e esclarecer as circunstâncias da mudança no cadastro partidário.
O episódio veio à tona na manhã desta quinta (13), quando a campanha de Flávio tentou registrar sua candidatura e descobriu que o senador aparecia como filiado ao Missão. A alteração havia impedido o procedimento, já que as convenções partidárias terminaram em 5 de agosto.
Defesa diz que mudança ocorreu em menos de 11 horas
Na ação apresentada ao TSE, a defesa afirmou que Flávio estava filiado ao PL de forma ininterrupta desde novembro de 2021.
Os advogados anexaram uma certidão emitida às 23h17 de quarta-feira que ainda registrava a filiação do senador ao PL como “regular e exclusiva”. Menos de 11 horas depois, o sistema apontava o cancelamento do vínculo e a inclusão no Missão.
A defesa sustentou que a alteração ocorreu sem autorização do senador e poderia o retirar da disputa presidencial.
Os advogados também argumentaram que as regras do TSE exigem manifestação expressa do filiado para a desfiliação partidária e permitem a reversão do cancelamento por decisão judicial.
Com a decisão de Nunes Marques, Flávio Bolsonaro volta a constar como filiado ao PL e fica autorizado a dar continuidade ao registro de sua candidatura à Presidência dentro do prazo eleitoral.
A manifestação ocorre em meio à crescente tensão diplomática entre Washington e Brasília e a preocupações do governo brasileiro com a atuação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, no pleito eleitoral deste ano.
A declaração foi transmitida por uma fonte do Departamento de Estado a jornalistas. Rubio não foi citado nominalmente.
Na manifestação, o governo norte-americano afirmou dar importância à relação com o Brasil e disse respeitar o povo brasileiro e qualquer governo escolhido por meio de eleições livres e justas.
A declaração também destacou que os Estados Unidos mantiveram relações com governos brasileiros de diferentes posições políticas e classificou essas interações como bem-sucedidas.
Apesar da negativa, a manifestação de Washington não foi suficiente para eliminar as preocupações dentro do governo brasileiro sobre a postura dos Estados Unidos diante das eleições de 2026.
“Damos grande importância à relação com o Brasil. Respeitamos o povo brasileiro e qualquer governo que eles escolham livremente, por meio de eleições livres e justas no Brasil”, foram as palavras da fonte.
A menção a “eleições livres e justas” chamou atenção porque expressões semelhantes já foram utilizadas pelo governo Trump em manifestações sobre processos eleitorais de outros países. O contexto alimenta a preocupação de que Washington possa, eventualmente, questionar o resultado de uma eleição brasileira.
O sistema eleitoral brasileiro é submetido a mecanismos de fiscalização e auditoria e é administrado pela Justiça Eleitoral, tendo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como órgão máximo.
Segundo integrantes do governo Lula, as suspeitas sobre uma possível atuação de Rubio contra a candidatura do presidente também foram alimentadas por manifestações recentes do governo Trump sobre a política dos Estados Unidos para o continente americano.
Em vídeo publicado recentemente, o Departamento de Estado dos EUA afirmaram que o domínio do país sobre a América Latina “nunca mais será questionado”, mencionando a Doutrina Monroe, implementada no início do século XX e usada como fundamento para influenciar a política em países latinoamericanos.
Rubio e a nova política dos EUA para a América Latina
Marco Rubio ocupa uma posição de destaque na política externa do segundo governo de Donald Trump e tem defendido uma atuação mais assertiva dos Estados Unidos na América Latina.
Rubio também já protagonizou declarações críticas ao governo brasileiro e a Lula, contribuindo para o ambiente de tensão entre os dois países.
A preocupação em Brasília ocorre ainda em um momento de forte disputa política e comercial entre os governos. A possibilidade de interferência externa nas eleições brasileiras é tratada pelo Planalto dentro de um cenário mais amplo de deterioração das relações diplomáticas.
Relação entre Brasil e EUA enfrenta série de conflitos
A crise atual não se limita à questão eleitoral. Nos últimos meses, Brasília e Washington entraram em rota de colisão por diferentes motivos.
Entre os episódios que aumentaram a tensão está a circulação de uma montagem que mostrava Lula algemado e vendado no lugar do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Também houve medidas contra autoridades brasileiras, incluindo restrições de vistos e sanções impostas pelo governo norte-americano. Em 2025, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes foi alvo da aplicação da Lei Magnitsky pelo governo dos Estados Unidos, em uma decisão posteriormente revogada.
Outro ponto de conflito foi o tarifaço implementado por Trump, que teve novos episódios neste ano após as primeiras medidas em 2025. O governo norte-americano anunciou tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, provocando reação do governo Lula e a adoção de medidas para proteger setores afetados da economia brasileira.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta quinta-feira (13) a abertura de uma investigação para apurar a filiação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, ao Missão.
A medida foi tomada após a divulgação de matérias jornalísticas informando que a equipe da campanha não conseguiu formalizar a candidatura no sistema do TSE devido à filiação ao outro partido. O prazo termina no próximo sábado (15).
Pelas redes sociais, Flávio Bolsonaro afirmou que o registro de filiação ao Missão foi “fraudado”.
Em nota, o TSE negou que a inclusão do nome do senador tenha ocorrido por meio do hackeamento do sistema da Corte e disse que houve “uso indevido” da ferramenta.
Além disso, o tribunal informou que o presidente da Corte acionou o Ministério Público Eleitoral e determinou a abertura de uma investigação interna.
“O Tribunal Superior Eleitoral informa que a filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credencias da legenda para efetivar filiações”, declarou o TSE.
Após a repercussão do caso, o PL entrou no TSE com um pedido de desfiliação do Missão. O pedido já está em análise pelo tribunal.
O Missão afirmou que chegou a detectar a filiação indevida, mas não conseguiu cancelar o ato no sistema do TSE.
“O Partido Missão vem a público informar que foi vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro. Nosso sistema, ao notar a fraude, tentou realizar no mesmo dia o cancelamento da filiação, ação que foi rejeitada pelo TSE”, declarou partido.
O nome de Flávio Bolsonaro (PL) apareceu filiado ao Partido Missão quando o senador tentou registrar sua candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (13). Com isso, Flávio ainda não pode registrar sua candidatura à presidência para as eleições deste ano. O senador tem até o sábado (15) para resolver a situação, que acusa ser uma fraude.
“Fraudaram a minha filiação partidária. O sistema vai tentar de tudo para me parar, mas não vai conseguir não porque Deus está no comando, e a gente, juntos, vamos resgatar o Brasil”, afirmou Bolsonaro em publicação nas suas redes sociais. Ele inicia sua campanha eleitoral neste domingo (16) com ato na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Já o Partido Missão, braço eleitoreiro do grupo conservador Movimento Brasil Livre (MBL), sublinhou a justificativa de Bolsonaro. Em nota, a sigla explica que foi “vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro”. O Missão diz ainda que o gabinete de Flávio foi informado sobre a tentativa de filiação no dia 2 de agosto. “Consta em nosso sistema que os e-mails enviados foram abertos, mas não foram respondidos”, explicou o partido.
“Nosso sistema, ao notar a fraude, tentou realizar no mesmo dia o cancelamento da filiação, ação que foi rejeitada pelo TSE”, ressaltou o partido.
A nota publicada nas redes sociais informa ainda que a sigla “já está adotando todas as providências cabíveis junto à Polícia Federal e ao TSE, a fim de que os responsáveis pelo crime e pela fraude sejam identificados e exemplarmente punidos”. “Um relatório com todos os logs, e-mails e IPs será disponibilizado para a imprensa e autoridades”.
O candidato do Missão à presidência é o próprio presidente e fundador do MBL, Renan Santos. Santos busca se apresentar como uma alternativa tanto a Lula quanto ao grupo político dos Bolsonaro e defende uma agenda ultraliberal inspirada nas propostas do presidente argentino Javier Milei. A campanha de Renan Santos se baseia no forte uso das redes sociais, especialmente do formato de vídeos curtos. Ainda tenta conquistar o voto da Geração Z com seus conteúdos conservadores e, por vezes, alinhados à extrema-direita.
O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) questionou nesta sexta-feira (31) as pesquisas que apontam maior preferência das mulheres por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e acusou o presidente de usar o governo federal para retaliar São Paulo. O senador participou de um café da manhã com vereadores na capital paulista.
Flávio afirmou não entender por que mulheres indicam maior apoio a Lula, apesar de associar pautas femininas à direita. “Parece que aquele que defende as mulheres está defendendo a pauta errada”, disse durante o encontro no QG de sua pré-campanha, na zona sul da cidade.
Também pesa contra o senador a relação com sua madrasta, Michelle Bolsonaro. Apesar da trégua para confirmar sua candidatura à Presidência, a ex-primeira-dama gravou um vídeo de quase 30 minutos para expor o destrato dentro do âmbito familiar, o que reforçou a imagem misógina dentro do bolsonarismo.
Dados do Datafolha divulgados em 24 de julho indicam que 50% das mulheres não votariam em Flávio de jeito nenhum no primeiro turno. Para Lula, o índice nesse grupo é de 44%. As mulheres representam 52,84% do eleitorado brasileiro, e a rejeição total do senador chega a 48%, ante 46% do presidente.
IRONIA! Flávio Bolsonaro diz que não compreende porque as mulheres rejeitam ele, será mesmo que não compreende? Manda esse vídeo pra ele que ele passa a entender rapidinho quando vê a quantidade de bizarrice que seu pai disse e fez com mulheres. pic.twitter.com/M9mkrRUZii
Flávio também disse que Lula se “vinga” de São Paulo por causa do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), ambos aliados de sua pré-candidatura. “A prefeitura, o governo do estado implorando para liberar um financiamento, que o estado e a cidade têm condições de pagar”, afirmou.
Sem detalhar quais operações de crédito estariam travadas, o senador acusou o Planalto de perseguir adversários. Nunes endossou a crítica e classificou como “perseguição política” a demora na liberação de uma operação de crédito de R$ 4 bilhões, que, segundo ele, aguarda aval desde abril.
Em março, Lula disse que o governo federal participa de todas as obras realizadas no estado. “Não estamos fazendo favor, é obrigação, mas queria que o governo estadual reconhecesse que metade vem deles e metade vem do governo federal”, declarou o presidente em agenda pública.
O encontro reuniu Tarcísio, Nunes e os pré-candidatos ao Senado André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), além de vereadores de partidos de centro e direita. A estratégia de Flávio mira lideranças municipais com contato direto com o eleitorado paulista.
Ao falar sobre segurança e políticas de drogas, o senador atacou a esquerda e citou o programa “De Braços Abertos”, criado na gestão de Fernando Haddad (PT) na Prefeitura de São Paulo, entre 2013 e 2016. A iniciativa oferecia moradia, trabalho e cursos de capacitação a usuários de drogas na região da cracolândia; Flávio a chamou de “bolsa crack”.
São Paulo é o maior colégio eleitoral do país e concentra aliados importantes para o senador. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana apontou Flávio à frente de Lula em um eventual segundo turno no estado, por 40% a 35%; no primeiro turno, os dois aparecem tecnicamente empatados, com 34% e 30%, respectivamente.
Um pedido da Polícia Federal para abrir investigação sobre Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, intensificou o conflito entre a corporação e o gabinete do ministro André Mendonça, relator do inquérito principal sobre o INSS no Supremo Tribunal Federal. A nova frente apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência.
A solicitação da PF chegou ao STF durante o plantão do ministro Alexandre de Moraes. Moraes enviou o caso à Procuradoria-Geral da República, que deu parecer favorável à instauração da investigação, e o processo acabou distribuído a Mendonça.
Segundo o g1, o atrito entre investigadores e o gabinete do ministro, porém, já vinha de meses. Integrantes da equipe de Mendonça cobravam informações sobre o andamento do inquérito, questionavam a demora de diligências e demonstravam preocupação com alterações na equipe responsável pela apuração.
A Polícia Federal rejeita a avaliação de que existam problemas na condução do caso. A corporação sustenta que seguiu critérios técnicos e não cometeu irregularidades durante as investigações.
A nova sede da PF em Brasília. Foto: reprodução
PF questionou restrições impostas pelo relator
O mal-estar também envolve limites estabelecidos por Mendonça para a comunicação de informações da investigação com superiores de delegados da PF. A corporação procurou a Advocacia-Geral da União para avaliar medidas contra as restrições.
Interlocutores do gabinete do ministro afirmam haver indícios de que a condução das apurações não funcionaria de forma regular. Fontes da PF contestam essa interpretação e dizem que decisões judiciais não podem interferir nas competências da corporação.
Desde janeiro, a PF buscava a AGU para questionar medidas que considerava interferência em suas atribuições. Naquele momento, Dias Toffoli ainda relatava o caso no Supremo, e a manifestação inicial ocorreu verbalmente; em maio e junho, os pedidos passaram a ser formalizados.
A PF afirma que as iniciativas junto à AGU antecedem o pedido de investigação sobre Lulinha e não têm relação com esse desdobramento. Documentos que tiveram o sigilo parcialmente retirado também levantaram suspeita de vazamento de informações no capítulo que envolve o senador Jaques Wagner, hipótese incluída nas petições do processo.
A Federação PSDB/Cidadania oficializou, nesta quinta-feira (30), a candidatura de Marcelo Maranata (PSDB) ao governo do Rio Grande do Sul. A convenção estadual, realizada na Câmara Municipal de Porto Alegre, também homologou o nome de Cláudio Diaz (PSDB ) como candidato a vice-governador.
O encontro, que teve início às 17h, reuniu lideranças políticas, filiados e apoiadores de diversas regiões do Estado. Com a homologação, a chapa inicia oficialmente a campanha eleitoral.
Em seu discurso, Marcelo Maranata reforçou a confiança no futuro do Estado e destacou o espírito de união que marcou a reconstrução do RS. “Vamos vencer juntos! Como fizemos nas enchentes. E, por mais difícil que pareça, eu acredito no Rio Grande”, disse.
A federação também apresentou uma nominata com cerca de 80 candidatos a deputado estadual e federal, além de homologar as candidaturas de Milton Cardoso (PSDB) e Renato Jaguarão (Cidadania) ao Senado Federal. O fechamento da nominata será concluído até a tarde desta sexta-feira (31).
Flávio Bolsonaro e Marcos Pereira em sessão do Congresso Nacional. Foto: Reprodução
O Republicanos marcou sua convenção para esta terça-feira (4) e deve rejeitar uma aliança nacional com o senador Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. A direção da legenda consulta os diretórios estaduais, e a maioria defende neutralidade na disputa.
O presidente do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), conduz a consulta interna antes da convenção. São Paulo surge como exceção: aliados do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) defendem uma coligação com o PL.
O PP também decidiu não apoiar Flávio Bolsonaro. A cúpula partidária se reuniu em São Paulo na quarta-feira (29) e optou por liberar os diretórios estaduais para apoiar candidatos conforme as alianças e condições políticas de cada região.
Com as decisões do PP e a provável liberação do Republicanos, Flávio terá o PL como único apoio partidário nacional. O senador disporá de 4 minutos e 20 segundos em cada bloco de 12 minutos e 30 segundos da propaganda eleitoral no rádio e na TV, enquanto o presidente Lula (PT) terá 5 minutos e 32 segundos.
O presidente Lula. Foto: Divulgação
Dirigentes do Republicanos avaliam que a neutralidade pode ajudar a ampliar as bancadas federais do partido em outubro. Em vários estados, a legenda integra alianças ligadas ao governo Lula ou enfrenta o PL em disputas locais, o que dificulta uma posição nacional unificada.
O líder do Republicanos na Câmara, deputado Augusto Coutinho (PE), afirmou que o diretório pernambucano aprovou internamente a independência. “Estamos coligados com o PSB, [o senador] Humberto Costa [PT] e Marília [Arraes, do PDT]. Como a gente não consegue levar o partido para o presidente Lula, trabalhamos pela neutralidade”, disse.
No Maranhão, o presidente estadual do partido, deputado federal Aluísio Mendes, também defendeu neutralidade e citou divergências com o presidente local do PL, José Maria Maranhãozinho. “Combato ele e a forma dele de fazer política desde que eu era secretário de Segurança Pública do Maranhão”, afirmou.
O diretório do Mato Grosso do Sul adotou posição diferente e defendeu o apoio a Flávio Bolsonaro, por estar coligado com PL e PP no estado. O presidente regional do Republicanos, deputado federal Beto Pereira, disse que considera a adesão “mais assertiva”, mas reconheceu que “a tendência [nacional] é a liberação”.
O Rio Grande do Sul está mais seguro a cada ano. Ao menos é o que indicam os números apresentados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP): têm sido registrados menos crimes como roubo, latrocínio e homicídio doloso. Mesmo assim, como mostra uma pesquisa encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) ao Instituto Datafolha, o cidadão médio ainda sente medo constante de ser vitimado por algum criminoso. Isso deve impactar as campanhas de candidatos ao Piratini e, consequentemente, o resultado nas urnas em outubro.
Entre 2018 e 2022, os roubos de veículos tiveram uma boa redução, assim como o número de vítimas de latrocínio. O estelionato, por outro lado, teve um aumento de quase 300%. Mas o índice começou a baixar novamente entre 2022 e 2025, quando também houve redução nas vítimas de homicídio doloso e nos registros de furto. Os únicos índices que não tiveram redução, no período, foram o tráfico de entorpecentes e o número de vítimas de lesão corporal seguida de morte.
Mesmo com a melhora dos indicadores, que se repete em outros estados, a população segue preocupada, não somente no RS, mas em todo o país. O Datafolha realizou a pesquisa encomendada pelo FBSP em março deste ano e concluiu que não estamos diante de uma dissipação do medo, e sim de uma acomodação em patamar elevado do medo da violência, depois de um momento excepcionalmente tensionado em 2022.
O curioso, como mostram os gráficos a seguir, é que o número de pessoas dizendo ter sido vítima de algum crime nos últimos 12 meses é muito menor do que o público que respondeu ter medo dos crimes listados na pesquisa. “A insegurança, no Brasil, ultrapassa a condição de percepção episódica e assume a forma de um clima social persistente, amplamente disseminado entre a população, fortemente influenciado pelo medo de perder patrimônio e a ameaça à vida”, aponta o relatório do FBSP.
“Quando analisamos dados de segurança pública, existe uma multicausalidade. Muitos aspectos que podem ter influenciado, como mudanças demográficas, dinâmicas dos mercados ilegais, políticas federais e municipais. Mas o resultado final é uma queda significativa principalmente nos homicídios, roubos e furtos, que de fato perturbam a vida do cidadão comum”, explica o professor da PUCRS Rodrigo Ghiringhelli, que tem mais de 30 anos de pesquisa no campo da segurança pública e da justiça criminal. “No entanto, existe a dimensão subjetiva do problema, que é como as pessoas se sentem. Nós vivemos numa sociedade onde há uma insegurança ontológica, as pessoas se sentem inseguras porque ainda vivemos numa sociedade violenta. Portanto, esse tema tende a ser central na eleição nacional, o que se reflete no Rio Grande do Sul”, analisa.
Feminicídios
Enquanto a maior parte dos crimes apresentou queda no RS, o oposto vem ocorrendo com o índice de feminicídios. Em março deste ano, o assassinato de mulheres cometido por razões de gênero já era 53% maior do que no mesmo período de 2025 – ano que contou com 10 feminicídios em um único feriadão. O recorde foi novamente quebrado no mês de maio, e até a publicação desta reportagem o RS já registra 46 feminicídios em 2026.
Ghiringhelli afirma que o tema dos feminicídios deve certamente ganhar ênfase nestas eleições – mas de forma diferente para candidatos distintos. Com relação ao candidato Luciano Zucco (PL), o professor acredita que a pauta pode ser um canal de acesso ao eleitorado feminino. “Essa parcela do eleitorado tem sido mais refratária à extrema-direita no Brasil, mas que percebe que há de fato um problema que está mal resolvido”, avalia o professor.
“A disseminação de discursos misóginos tem afetado, socialmente falando, a mentalidade masculinista. Essa é uma discussão talvez difícil para essa candidatura [de Zucco] enfrentar”, acrescenta. “É importante reconhecer que o problema da violência doméstica e familiar é muito sério no Rio Grande do Sul, e o combate a esse tipo de criminalidade envolve mais políticas de acompanhamento de saúde pública e de escolarização do de polícia. A polícia dificilmente previne crimes dentro de casa. Mas a professora, o assistente social e os agentes de saúde pública, se fizerem um acompanhamento, são bastante efetivos”.
Onde avançar
Ghiringhelli pontua que, no geral, o governo de Eduardo Leite (PSD) teve uma boa política de segurança pública. O especialista avalia como “bem elaborado e bem implementado” o Programa RS Seguro, mas afirma que ainda há pontos em que é preciso avançar.
“Apesar de todos os avanços para não haver mais homicídios entre os grupos do crime organizado, o fato é que essas organizações cresceram e continuam fazendo o seu trabalho nos mercados ilegais”, diz o professor. “Tem havido toda uma ideia de que é preciso descapitalizar esses grupos, e que isso só é possível integrando a polícia estadual com a Polícia Federal, com a Receita Federal. Essa integração entre estado e União precisa avançar”.
Mas o que aumenta, hoje em dia, a sensação de insegurança são os golpes digitais. Para Ghiringhelli, é preciso ampliar a estrutura especializada que já existe com mecanismos mais eficazes para mapeamento e coibição desse tipo de delito.
Um aspecto que não avançou no governo Leite é a valorização dos profissionais da segurança pública, como explica Ghiringhelli e como demonstram as frequentes denúncias dos policiais civis, representados pela Ugeirm. “Um candidato não pode deixar isso em segundo plano. É preciso reconhecer que há problemas, que há condições de trabalho muitas vezes pouco adequadas. Isso tem que estar combinado com o controle e responsabilização quando há abusos, e por isso mesmo ampliação dos sistemas de câmeras no fardamento, da corregedoria, para evitar abusos e letalidade policial”, afirma o especialista.
Outro ponto sensível é a questão carcerária. Embora o governo Leite tenha investido no sistema prisional, o crescimento da população carcerária foi ainda maior. Continua havendo problemas de superlotação e falta de condições adequadas, como pontua Ghiringhelli. “É preciso desafogar o sistema por meio de alternativas penais, repensando a porta de entrada do sistema prisional, mas também a porta de saída – a reinserção social do apenado”, salienta o professor.
Gargalo da esquerda
A segurança pública se mostra, em diversos pleitos, um gargalo para candidatos de esquerda. Segundo Ghiringhelli, o campo tem tido dificuldade para assumir a criminalidade como um problema real e que precisa ser enfrentado por políticas públicas. “É preciso romper com a ideia de que a esquerda ou não reconhece o problema ou acaba entregando a segurança pública para uma visão corporativa, de policiais ligados aos partidos de esquerda”, pontua.
Isso não significa, segundo o professor, que a esquerda não tenha implantado políticas públicas eficientes nessa área. Ghiringhelli destaca a atuação de Tarso Genro que, como Ministro da Justiça durante o segundo governo do presidente Lula, implantou o Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci). A política integrou União, estados e municípios, com o objetivo de qualificar os servidores da segurança pública — através de cursos de aperfeiçoamento —, tanto na ação direta contra criminosos, como na implantação de programas sistêmicos de policiamento preventivo e de polícia comunitária.
“Eu acho que Juliana Brizola entra bem nisso, justamente por ser uma candidata de centro-esquerda. Eles não têm um discurso polarizado – de um lado a extrema-direita defendendo o combate ao crime a qualquer preço, do outro a esquerda, que só bate no discurso dos direitos humanos. Ela pode entrar na perspectiva de que o problema do crime e da insegurança é um problema sério e ainda há espaço para avançar numa série de políticas que precisam ser feitas. É preciso apresentar propostas que sejam factíveis e financeiramente viáveis, e possam avançar em relação àquilo de positivo que já aconteceu”, avalia o professor.
O que dizem os candidatos
O Sul21 procurou os três candidatos ao Piratini que se destacam nas pesquisas eleitorais para entender como eles enxergam a preocupação do eleitorado com a segurança pública e, se eleitos, como pretendem melhorar as políticas públicas sobre o tema.
Juliana Brizola | Foto: Fernando dos Santos/Divulgação
Juliana Brizola (PDT) defende que a visão de uma parte da direita sobre segurança pública é “totalmente atrasada e fracassada”, com operações pontuais apenas para ter resultado midiático e sem qualquer resultado efetivo para enfraquecer o crime organizado. A candidata se diz incomodada com o fato de que a preocupação da sociedade com a segurança “seja transformada em palco de disputa ideológica e não em propostas concretas”.
A candidata dá exemplos da Itália e do México para explicar sua proposta de estratégia coordenada: “nós vamos criar aqui um Centro de Inteligência do Mercosul, reunindo as polícias do Estado, a Polícia Federal, as polícias de Santa Catarina e Paraná e também da Argentina e do Uruguai, com o COAF e as Receitas Federais e Estaduais”.
Juliana também pretende estruturar mais quatro presídios de segurança máxima no Estado e criar “o maior plano de redução da reincidência criminal que o Estado já teve, colocando os presos para estudar e trabalhar em atividades produtivas”.
Quanto aos golpes digitais, Juliana propõe a criação de uma “sala de resposta rápida”, com auxílio dos bancos, big techs e empresas de celular para “bloquear os canais que os bandidos estão usando”. Outra proposta é um programa de saúde mental para os profissionais de segurança, com uma rede de psicólogos dentro e fora das polícias.
Juliana tem doze propostas para o combate aos feminicídios, elencadas no Plano Mulher Gaúcha Segura. Entre elas, um sistema integrado com os dados de prefeituras e do Estado e um programa de prevenção nas escolas e comunidades. “Para as mulheres vítimas de violência, vamos criar um programa inovador chamado Protetoras, seguindo a experiência da Inglaterra. As protetoras vão trabalhar de maneira ativa e farão contato permanente com cada mulher vítima em situação de risco, para ajudá-la a realmente reconstruir sua vida e encontrar novos caminhos”, acrescenta.
Luciano Zucco | Foto: PL-RS/Divulgação
O combate às facções é prioridade para Luciano Zucco (PL). Ele admite que o Rio Grande do Sul acompanhou uma queda nacional na criminalidade, “mas não quer dizer que as coisas estejam bem”. “Não estamos naquela catástrofe que foi o alinhamento entre Dilma Rousseff e Tarso Genro, mas temos preocupações sérias. As facções ganharam muito terreno. Então, hoje, a sensação de insegurança vem principalmente pela percepção da presença do crime organizado. O crime organizado, com golpes, estelionatos, furtos, tráfico de drogas, está muito mais perto de cada um de nós. É preciso enfrentar isso com bastante firmeza”, afirma o candidato. [Nota da edição, o pico de crimes contra a vida no RS foi registrado em 2017, durante o governo de José Ivo Sartori, MDB]
Para tanto, Zucco credita que é preciso isolar os líderes e controlar os presídios. “Vamos bloquear efetivamente o uso de celulares nos presídios, separar os presos por periculosidade e combater o ócio dos apenados. O preso tem que trabalhar. Aquele preso que ingressa por um pequeno delito é rapidamente cooptado por alguma organização criminosa. Se ele trabalha e se a facção está enfraquecida, cortamos esse incentivo que produz criminosos cada vez mais perigosos”, afirma.
O candidato também propõe investir em mecanismos de comparação facial, “para que a investigação policial possa encontrar o bandido com mais facilidade”.
Especialmente quanto aos feminicídios, Zucco aponta dois caminhos para impedir que o índice continue crescendo. “O primeiro é a garantia da punição. O agressor de mulheres precisa ter medo da punição. Isso depende da justiça e da polícia. Nós chegamos, em 2025, a ser o Estado com mais mortes de mulheres com medida protetiva em vigor. Isso significa que não estamos conseguindo proteger nem mesmo as mulheres que pedem proteção na justiça. Então vamos adquirir mais tornozeleiras eletrônicas e aprimorar o sistema de monitoramento. Nós chegamos a ter 17 mil medidas protetivas e apenas 1.000 tornozeleiras. É uma realidade que não podemos aceitar. Temos de estar equipados”, pontua.
O segundo caminho, segundo o candidato, é a prevenção, que passa por políticas de conscientização e de proteção social e comunitária. “Temos que treinar profissionais da educação, da saúde e da assistência social, que muitas vezes percebem ou testemunham situações de agressão e vulnerabilidade, para identificar alertas de risco para violência doméstica. Precisamos de um protocolo bem definido para essas situações”, explica.
Gabriel Souza (centro) | Foto: Gustavo Mansur/Divulgação
O candidato e atual vice-governador Gabriel Souza (MDB) salienta os índices positivos do governo Leite: “em 2025, por exemplo, reduzimos em 27% os homicídios dolosos e em 25% os crimes violentos letais”. Mas ele admite que a segurança é um desafio permanente, e acredita que o Estado precisa seguir investindo na pauta.
“Meu compromisso é aprofundar uma política pública que vem dando resultado. Desde 2019, o Estado investiu mais de R$ 2 bilhões em segurança pública. Esse é um investimento que precisa continuar, porque polícia valorizada e bem equipada protege melhor a população”, afirma.
No que diz respeito aos feminicídios, Gabriel propõe fortalecer e ampliar o programa de monitoramento eletrônico de agressores, integrado ao acompanhamento das mulheres protegidas por medidas protetivas. Além disso, destaca o combate à cultura do machismo como uma medida a ser tomada a partir do trabalho entre crianças e jovens. “Também precisamos garantir mais autonomia econômica às mulheres, com qualificação profissional e geração de oportunidades. Muitas permanecem em relacionamentos abusivos por dependência financeira, e romper esse ciclo também é uma forma de prevenir a violência”, acrescenta o candidato.
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André Fernandes e Flávio Bolsonaro em evento do PL-CE. Foto: reprodução
Um ato do PL em Fortaleza nesta sexta-feira (10), com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), expôs a crise interna da família Bolsonaro e a resistência de parte da base bolsonarista à aliança com Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo do Ceará. Durante o evento, o deputado federal André Fernandes (PL-CE), presidente da sigla no estado, mandou uma indireta para a ex-primeira-dama, chamando o ex-presidente Jair Bolsonaro de “nosso galego”, apelido carinhoso dado por ela.
O evento lançou a pré-candidatura do deputado estadual Alcides Fernandes (PL) ao Senado e reuniu nomes bolsonaristas que pretendem disputar vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. O palanque também serviu para o grupo ligado a Flávio e André Fernandes avançar na montagem da chapa estadual.
Flávio e as demais lideranças que discursaram não citaram Ciro Gomes, apesar dos protestos no local. Um grupo de apoiadores levou cartazes com a mensagem “Ciro não”, e houve princípio de confusão quando outros presentes tentaram arrancar os cartazes das mãos dos manifestantes.
André Fernandes reagiu no microfone e atribuiu o tumulto a adversários. “Tem alguns petistas infiltrados, querendo bagunçar o nosso evento. Façam o seguinte, ignorem. Vamos derrubar o PT. A todo momento vai ter gente querendo dividir a oposição”, disse. Em seguida, afirmou: “Entenda aqui, petista, quem dá moral à merd* é mosca”.
🚨URGENTE – Deputado André Fernandes manda indireta para Michelle Bolsonaro em evento do PL no Ceará
“Nosso eterno presidente, NOSSO galego. Não é de ninguém individual, não tá! É NOSSO galego!” pic.twitter.com/7Xxs94HINI
André Fernandes também fez uma indireta à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao mencionar Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por golpe de Estado. “Eu fico olhando ali o rosto dele, o nosso eterno presidente. O nosso galego, não é de ninguém individual, não. É o nosso galego”, declarou, em referência ao apelido usado por Michelle para tratar o marido.
A crise entre Michelle e Flávio veio à tona no mês passado, quando a ex-primeira-dama publicou um vídeo com críticas ao enteado por causa das articulações no Ceará. Ela defendia a vereadora de Fortaleza Priscila Costa para a segunda vaga do PL ao Senado, além da candidatura de Alcides Fernandes.
A eventual entrada de Priscila na disputa ameaçava a aliança com Ciro Gomes, já que os tucanos devem indicar o segundo nome da chapa apoiada pelo PL. Michelle se opõe à parceria por considerar que Ciro fez ataques imperdoáveis a Jair Bolsonaro e aos filhos do ex-presidente.
Com Michelle afastada da exposição pública após renunciar à presidência do PL Mulher, Priscila viajou a Portugal nesta sexta-feira (10) para participar de um evento de mulheres conservadoras da Europa. A ausência abriu caminho para o grupo de André, Flávio e Alcides conduzir o ato sem interferência da ala ligada à ex-primeira-dama.
No discurso, Flávio fez acenos ao eleitorado feminino e prometeu endurecer penas para crimes contra mulheres. “Eu vou ser radical na segurança pública. Vocês mulheres vão ser finalmente protegidas no governo Bolsonaro. A gente vai botar agressor e assassino de mulher atrás das grades por 40 anos. Quem violenta mulher e criança vai ser preso e sofrer castração química”, afirmou.
O senador também repetiu a promessa de construir 500 mil vagas em presídios, defendeu a redução da maioridade penal e prometeu um conjunto habitacional no bairro Vila Velha, na periferia de Fortaleza. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da pré-campanha presidencial de Flávio, sugeriu que Priscila Costa pode disputar outro cargo, como deputada federal, mas o nome dela não apareceu entre os pré-candidatos à Câmara citados no palanque.
O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou que pretende visitar Jair Bolsonaro durante sua viagem ao Brasil neste mês.
O encontro, porém, dependerá de autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), já que o ex-presidente cumpre prisão domiciliar em Brasília e tem restrições quanto às visitas que pode receber.
Pelas condições impostas por Moraes, Bolsonaro só pode receber familiares, advogados e integrantes de sua equipe médica. Qualquer um fora dessa lista precisa ser previamente autorizada pelo STF.
Em entrevista à rádio argentina Now, Milei confirmou que desembarcará no Brasil em 25 de julho para participar do ato de lançamento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
“No dia 25 viajo ao Brasil, a convite do candidato a presidente Flávio Bolsonaro. Vou estar em São Paulo e vou dar uma passada também por Brasília para cumprimentar Jair Bolsonaro”, declarou.
A visita faz parte da estratégia de Milei de fortalecer sua articulação com lideranças da extrema-direita na América Latina. O presidente argentino é um dos principais aliados internacionais da família Bolsonaro e tem afirmado repetidamente que Jair Bolsonaro é alvo de “perseguição judicial” no Brasil.
Ele também faz parte do grupo Escudo das Américas, montado por Marco Rubio, secretário de Estado americano, com governos lacaios na América Latina.
Os Estados Unidos realizarão, na próxima quinta-feira (16), em Washington, uma reunião internacional dedicada ao que o governo Donald Trump classifica como o “ressurgimento do terrorismo transnacional de esquerda”. O encontro será liderado por Rubio e contará com representantes de mais de 60 países convidados de diferentes regiões do mundo. O Brasil está na lista.
Segundo o Departamento de Estado, a conferência discutirá a cooperação internacional para enfrentar ameaças consideradas emergentes pelo governo americano. A falácia é uma preocupacão com o movimento “Antifa” (abreviação de antifascistas).
MILEI VIAJARÁ A BRASIL PARA RESPALDAR A FLAVIO BOLSONARO
El 25 de julio, Javier Milei viajará a San Pablo para participar del acto en que Flavio Bolsonaro será proclamado candidato presidencial de la derecha brasileña, y luego pasará por Brasilia para reunirse con el… pic.twitter.com/1BIoFKyXrJ
O Departamento de Guerra dos Estados Unidos divulgou nesta sexta-feira (10) imagens de um objeto voador não identificado (OVNI) registrado por astronautas da Nasa durante a missão STS-80 do ônibus espacial Columbia, realizada entre 19 de novembro e 7 de dezembro de 1996. As fotografias mostram um objeto em órbita baixa da Terra. Na primeira […]
O Departamento de Guerra dos Estados Unidos divulgou nesta sexta-feira (10) imagens de um objeto voador não identificado (OVNI) registrado por astronautas da Nasa durante a missão STS-80 do ônibus espacial Columbia, realizada entre 19 de novembro e 7 de dezembro de 1996.
Em ano de eleições, um dos temas que tomam conta da pauta é o fundo eleitoral, o chamado “fundão”. Os 30 partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) receberão, somados, R$ 4,9 bilhões em recursos públicos para as campanhas das eleições de 2026. Mas como funciona esse sistema? O Sul21 te explica.
O Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) foi criado em 2017 após a proibição de doações eleitorais por empresas. Hoje, o fundo eleitoral é constituído por recursos públicos previstos no Orçamento da União e com valor definido em consenso entre as esferas envolvidas. Desde então, se tornou uma das principais fontes de custeio das campanhas eleitorais no país.
Marcelo Gayardi, advogado especialista em Direito Eleitoral, explica que a distribuição é feita da seguinte forma:
48% proporcionalmente ao número de representantes eleitos para a Câmara dos Deputados na última eleição geral (considerando a representação atual do partido na Câmara);
35% proporcionalmente ao número de representantes eleitos para a Câmara dos Deputados nos 4 anos anteriores, desconsiderando as mudanças de legenda;
15% proporcionalmente ao número de senadores eleitos nos 4 anos anteriores;
2% proporcionalmente ao número de representantes eleitos para a Câmara dos Deputados nos 4 anos anteriores, com distribuição entre os partidos que não atingiram a cláusula de barreira, mas têm ao menos um deputado federal eleito.
Com esse modelo de divisão, o Partido Liberal (PL) é a sigla com a maior fatia para 2026, recebendo em torno de R$ 881 milhões. Em seguida aparecem o Partido dos Trabalhadores (PT), com R$ 615 milhões, e o União Brasil, com cerca de R$ 526 milhões. Juntas, as três legendas concentram quase 40% do montante distribuído pelo fundo eleitoral.
Confira a lista dos repasses por partido:
Gayardi avalia que a tendência é de estabilidade dos valores do fundo eleitoral. O total, de R$ 4,9 bilhões, está congelado desde 2022, somente com uma correção de cerca de R$ 60 milhões para as eleições municipais de 2024.
Em 2018, o FEFC tinha “apenas” R$ 1,7 bilhão à disposição, menos da metade do total disponibilizado quatro anos depois. Gayardi diz que o valor não cobriu todos os custos e forçou as candidaturas a captarem recursos. Com isso, segundo o advogado, abriu-se a janela para os megarricos doarem grandes quantias para seus candidatos preferidos. Porém, Gayardi indica que era o começo da introdução do fundo na política, uma época em que era “tudo mato”.
Hoje, mesmo sem uma lei efetiva ou em desenvolvimento que regulamente o limite do fundo, o advogado prevê que o teto de gastos orçamentário irá restringir o crescimento exponencial, como visto entre 2018 e 2022. “Não há sistema perfeito, mas entendo que esse mecanismo vigente auxilia o interesse público”, complementa.
O fundo eleitoral, algumas vezes, é confundido com o Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, o fundo partidário. Este último corresponde ao recurso usado para as despesas cotidianas dos partidos. Ele é composto por multas e penalidades eleitorais, e por recursos financeiros destinados por lei. Ainda, as legendas podem receber doações de pessoas físicas.
No fundo eleitoral, as despesas são limitadas a questões relacionadas à campanha. Produção de material gráfico, impulsionamento de conteúdo na internet, contratação de pessoal, serviços de comunicação e outros gastos são permitidos.
Além disso, a Justiça Eleitoral fiscaliza a aplicação dos recursos e analisa posteriormente as prestações de contas. O descumprimento das normas pode resultar em devolução de valores ao Tesouro Nacional, desaprovação das contas e outras sanções previstas na legislação eleitoral.
Após o recebimento dos recursos, cabe às direções partidárias definir como será feita a distribuição interna entre candidaturas e federações. Em alguns episódios, essa divisão intrapartidária causa rachas e discussões dentro dos partidos.
Deputada federal Erika Hilton (PSOL). Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
No final de junho, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) criticou abertamente a divisão de recursos feita pela direção do seu partido, citando, nominalmente, a pré-candidata gaúcha ao Senado, Manuela d’Ávila. Em publicação nas redes sociais, Erika disse estar “chocada e decepcionada” com os valores repassados a ela e outros candidatos, especialmente candidaturas com ajustes por gênero, raça e para pessoas com deficiência (PCD).
“O PSOL precisa cumprir os acordos que fez conosco. E não está cumprindo. Está rasgando nossos combinados e praticamente nos inviabilizando”, afirmou a parlamentar.
“Hoje, Juliano Medeiros, presidente da Federação PSOL-Rede, em sua primeira candidatura, teria exatamente a mesma prioridade que eu. Manuela d’Ávila, que acabou de chegar ao partido, tem previsão de receber mais que o dobro. Respeito a trajetória deles e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis se sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios… A inteligência política passou longe”, complementou Erika Hilton.
Marcelo Gayardi diz que esse tipo de decisão parte das direções partidárias. “O partido tem que ter autonomia de estratégia. Não tem muito o que fazer e não cabe legislar sobre isso”, afirma.
Fiscalização
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A fiscalização do uso do fundo eleitoral é feita em múltiplas camadas, com participação do TSE e do Ministério Público Eleitoral (MPE). No portal DivulgaCandContas, o TSE disponibiliza a relação de candidatos, receitas e despesas em tempo real.
O principal meio de controle é o Sistema de Prestação de Contas Eleitorais (SPCE), por onde transitam todas as informações financeiras da campanha. Cada candidatura, desde deputado estadual até vice-presidente e presidente, tem que abrir um CNPJ e ter uma tesouraria. A tesouraria, obrigatoriamente, deve lançar receitas e custos no sistema.
Os gastos tem que estar documentados, seja com contratos, notas fiscais ou outros. Marcelo Gayardi chama a atenção para um ponto importante dessa etapa da transparência, que é a “materialidade da despesa”. Ele explica que a candidatura não deve apenas apresentar documentos, mas ter provas materiais que esse recurso está sendo empregado.
Marcelo Gayardi exemplifica com um gasto tradicional de períodos eleitorais: panfletos. Se um candidato manda fazer mil panfletos em uma gráfica, a campanha deve registrar o pedido (especificações, quantidade, fornecedor, qualidade do material, etc.), a nota fiscal, fotos do recebimento do material e imagens desses panfletos sendo distribuídos na rua.
Ao final da campanha, um advogado, junto à tesouraria, assina um documento que confirma a legalidade e a transparência de todos os gastos apresentados ao SPCE. Todo dinheiro não utilizado volta ao Tesouro Nacional.
“O fundo eleitoral representa um avanço inegável em termos de transparência e controle em comparação com o modelo anterior de financiamento empresarial, que era opaco e propenso a abusos de poder econômico”, observa o advogado. “Hoje, todo recurso público destinado a campanhas é rastreável, sujeito a prestação de contas e passível de sanção. Esse ganho de accountability não deve ser minimizado”.
Ainda assim, Gayardi afirma que a fiscalização tem dificuldades para verificar a efetiva prestação de serviços e combater o “caixa dois”. Além disso, o volume de contas a serem analisadas em um curto período sobrecarrega a Justiça Eleitoral. Mas o advogado é otimista para essas eleições. Ele acredita que o rigor na prestação de contas será maior do que nos últimos anos devido ao avanço das Inteligências Artificiais, que facilitam o trabalho de verificação. “O caminho não vai ser o humano, vai ser a tecnologia mesmo”, comenta.
Representatividade eleitoral ou a pluralidade política?
Foto: Lucas Azeredo/Sul21
Um dos desafios da legislação eleitoral é a diversidade nas candidaturas. Existem, hoje, regras que tentam garantir a presença de grupos diferentes na política, e elas têm se tornado mais rigorosas nos últimos anos, observa Gayardi.
Para as mulheres, já está previsto o mínimo de 30% de candidaturas, recursos e tempo de propaganda para as candidatas. Ou seja, não basta lançar 30% de candidatas mulheres, é obrigatório destinar a elas, no mínimo, 30% dos recursos públicos de campanha.
O percentual é o mesmo para candidaturas de pessoas negras. Os partidos devem destinar no mínimo 30% dos recursos tanto do fundo eleitoral quanto do fundo partidário a essas chapas, proporcionalmente ao número de candidatos negros lançados pela legenda. As candidaturas indígenas seguem uma lógica similar para a destinação de recursos.
Um grupo que está de fora da legislação eleitoral é a comunidade LGBTQI+. Segundo Gayardi, não há, até o momento, uma regra específica que estabeleça percentual mínimo de recursos para candidaturas LGBTQI+, nem uma proposição legislativa avançada sobre o tema.
“A proteção existente decorre de princípios constitucionais (dignidade da pessoa humana, não discriminação) e de decisões pontuais do TSE, mas sem obrigatoriedade vinculante de destinação orçamentária”, informa o advogado.
Outra questão que surge com a divulgação da divisão de recursos é a possibilidade de dar mais poder aos partidos que têm dominância no campo. Para Marcelo, o modelo atual, ainda que proporcional e representativo da vontade popular, “reproduz e amplia a vantagem dos partidos já consolidados”, criando um ciclo de “retroalimentação”.
“A justiça da distribuição depende do critério que se adota: se é a representatividade eleitoral ou a pluralidade política. O sistema atual claramente privilegia o primeiro”, comenta.
Para o advogado, o ponto mais sensível é que a cláusula de barreira exige um mínimo de votos ou de deputados para garantir acesso pleno aos recursos do fundo. Por si só, isso já exclui as legendas menores do fundo eleitoral, o que, na sua opinião, aprofunda a “concentração nos grandes centros de poder”.
“A partir do momento que tu cria uma regra que privilegia quem é grande, se está fazendo uma ‘seleção natural’”, complementa.
Porém, Marcelo Gayardi entende que o sistema atual enfrenta, objetivamente, a pulverização de legendas que favorece a fragmentação ideológica e facilita o “fisiologismo” — a política das trocas de favores. Os maiores partidos tendem a apresentar candidaturas majoritárias que demandam grandes recursos, e ainda precisam garantir estrutura para seus eleitos e potenciais candidatos para manter ou ampliar sua representatividade. Isso faz com que, na prática, a distribuição dos recursos aos seus filiados atingir valores bem inferiores aos alcançados pelas legendas que possuem menos representantes.
Sóstenes Cavalcante, Luiz Carlos Motta e Capitão Alden. Foto: Reprodução
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e os deputados Luiz Carlos Motta (PL-SP) e Capitão Alden (PL-BA) aparecem como solicitantes formais de R$ 119 milhões em emendas parlamentares que a Polícia Federal atribui ao presidente do partido, Valdemar Costa Neto, em investigação sobre suspeita de desvio de recursos públicos.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na sexta-feira (10) o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens de Valdemar. A suspeita é que o dirigente do PL tenha comandado a destinação de 21 emendas mesmo sem exercer mandato parlamentar. Os recursos saíram do Orçamento da União em 2024 e 2025.
A PF aponta que deputados federais foram indicados de forma falsa como “solicitantes” das emendas para dar aparência de legalidade a repasses que teriam sido apropriados politicamente por Valdemar. A investigação também afirma que o presidente do PL usou servidores da Câmara para direcionar recursos de emendas de comissão.
Sóstenes colocou seu nome em R$ 94 milhões em emendas que, para a PF, pertenciam a Valdemar. Embora seja deputado pelo Rio de Janeiro, ele aparece como solicitante de recursos para municípios de São Paulo, Paraná, Bahia, Pará e Rio. A maior emenda citada foi de R$ 25 milhões para Porto Seguro (BA).
Valdemar Costa Neto, presidente do PL. Foto: Beto Barata/PL
Documentos apreendidos e decisão de Flávio Dino
Luiz Carlos Motta assumiu a indicação de duas emendas, no valor de R$ 22,8 milhões, destinadas a Suzano e Ubatuba, em São Paulo. Capitão Alden aparece como solicitante de uma emenda de R$ 2,4 milhões para Itaguaçu da Bahia (BA). Todas as emendas citadas pertencem às comissões de Saúde e de Turismo da Câmara.
Documentos apreendidos pela Polícia Federal com Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, ex-assessora do deputado federal e ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), levaram os investigadores a apontar Valdemar como verdadeiro padrinho das emendas. Dino escreveu que “um terceiro não atuante no parlamento brasileiro tinha o poder e a ingerência sobre o direcionamento do orçamento público”.
Em relatório enviado ao ministro, a PF afirmou: “Se tomarmos o mais condescendente dos quadros, e considerarmos os desvios ‘apenas’ das emendas já pagas, temos uma consolidação de um desvio de R$ 104 milhões”. Os investigadores suspeitam que Valdemar tenha sido beneficiário direto desse montante.
A defesa de Valdemar negou crime e criticou as medidas cautelares. Em nota divulgada pelos advogados e compartilhada pelo dirigente nas redes sociais, a defesa afirmou que a decisão parte de “premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária” e disse que a Procuradoria-Geral da República foi contrária às cautelares.
Luiz Carlos Motta disse que seu nome aparece nos registros porque ele exerceu a função de relator do Orçamento Geral da União em 2024. “Isso, porém, não significa que os recursos tenham sido escolhidos ou destinados por decisão individual minha”, afirmou. Capitão Alden declarou que não participou da execução financeira, da contratação de fornecedores nem de pagamentos, e atribuiu a presença de seu nome ao “procedimento institucional adotado” para formalizar a emenda. Sóstenes não comentou.
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, saiu em defesa de Valdemar e criticou a Polícia Federal. “Lamentável ver a PF atuando de forma seletiva para constranger um adversário político do atual governo”, afirmou o parlamentar.
Por Cley Medeiros* O Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas informou que cobrou explicações do Comando da Polícia Militar estadual sobre a não implementação de um curso obrigatório de combate ao racismo religioso. A Procuradoria também avalia ação por danos coletivos após ação policial que apreendeu atabaques em um terreiro de Mina, em Manaus. A […]
Por Raphael Di Cunto (Folhapress) Sob suspeita de ter indicado emendas parlamentares de comissão ao Orçamento mesmo sem mandato, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, teve um volume de recursos atribuído pela Polícia Federal em um ano que supera o de 99,8% dos deputados no mesmo período, apesar de presidir o maior partido de […]
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (10) o bloqueio de R$ 119 milhões em bens que estão em nome do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
A decisão é um desdobramento da Operação Transparência, na qual a Polícia Federal (PF) investiga desvios de emendas.
Na decisão, Dino apontou a suspeita de que Valdemar pode ter feito indicações irregulares de emendas mesmo sem mandato. Valdemar é ex-deputado federal.
“Consoante atestam diálogos em aplicativos de mensagens e numerosas planilhas compartilhadas entre os investigados, Valdemar Costa Neto, sem exercer mandato parlamentar, parece ter atuado, até muito recentemente, como mandante do (re)direcionamento de valores públicos”, afirmou Dino.
De acordo com as investigações, as indicações irregulares de emendas ocorriam por meio de funcionários da Câmara.
A PF apupou que funcionários da liderança do PL entravam em contato com uma servidora responsável pelo registro das emendas e solicitava a inclusão das indicações de recursos em nome de Valdemar.
Em uma mensagem descoberta pelos investigadores, Garigham Amarante Pinto, apontado como interlocutor direto de Valdemar, procurou a servidora Mariângela Fialek para saber se as indicações foram formalizadas.
“No dia seguinte (26/08/2025), Garigham cobra a Mariâgela: ‘Fechou o valor do Pres Valdemar?’, uma provável referência ao presidente do PL. Mariângela responde: ‘Se puder trocar tudo turismo ótimo’. Em resposta a essa mensagem, Garigham diz: “24 milhões tá bom”, diz trecho da investigação.
Emendas
De acordo com o material apurado pela PF, foram registradas 21 emendas em nome de Valdemar, que totalizam R$ 119 milhões, valor bloqueado pelo STF para garantir o ressarcimento em caso de condenação.
Os valores foram registrados entre os anos de 2024, 2025 e 2026.
A emenda com maior valor foi R$ 24 milhões, destinada ao município de Porto Seguro (BA). Em seguida, aparecem duas emendas de R$ 15,8 milhões e R$ 11 milhões para Suzano (SP).
Os municípios de Mogi das Cruzes (SP), Rio de Janeiro, Caraguatatuba (SP) e Dom Eliseu (PA) também receberam indicações de emendas do presidente do PL.
Dino
Na decisão em que determinou o bloqueio dos bens de Costa Neto, o ministro Flávio Dino ressaltou que o ex-deputado não tem direito à indicação de emendas.
“A espantosa ascendência que alguns servidores da Câmara dos Deputados parecem atribuir ao investigado Valdemar Costa Neto contrasta com a ausência de título jurídico que lhe permita dispor do orçamento público, sejam quais forem os valores, sejam quais forem os seus destinatários”, afirmou o ministro.
A Agência Brasil entrou em contato com a assessoria de imprensa do PL e aguarda retorno. O espaço está aberto para manifestação.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que pretende manter Michelle Bolsonaro como líder do PL Mulher e descartou a possibilidade de substituí-la no comando da ala feminina do partido. Segundo ele, a ex-primeira-dama possui um carisma único e é considerada um “fenômeno” dentro da legenda. Em vídeo, Valdemar declarou que ninguém teria […]
A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) retirou do ar mais de 100 mil conteúdos relacionados a temas políticos e ações do governo. O material, publicado desde janeiro de 2023, estava disponível em veículos como Agência Brasil, TV Brasil e Rádio Nacional, além das redes sociais da empresa. Em nota, a Diretoria-Executiva da EBC informou que […]
Presidente Lula e o senador Jaques Wagner. Foto: Reprodução.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se reunir com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), até o meio desta semana para discutir a possível saída do senador do posto, em uma tentativa de conter o desgaste provocado pelo caso Master sobre a gestão petista.
A expectativa no Palácio do Planalto é que Wagner peça para deixar a liderança, segundo o Metrópoles. Integrantes do governo e do PT pressionam o senador a abrir mão da função porque avaliam que a investigação dá munição à oposição bolsonarista.
A estratégia da cúpula petista e da pré-campanha de Lula é separar o presidente do episódio que envolve Wagner. O argumento usado internamente é que o senador baiano disputará a reeleição ao Senado em 2026, e não a Presidência da República.
A reunião entre Lula e Wagner está prevista para quarta-feira (24/6), dia em que o presidente deve despachar em Brasília. Nesta terça-feira (23/6), Lula cumpre agendas no Rio de Janeiro e em São Paulo, enquanto a equipe de Wagner evita confirmar quando ele retorna da Bahia à capital federal.
Teresa Leitão, Camilo Santana e Rogério Carvalho entram na disputa
Com a possível saída de Wagner, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) ganhou força como eventual substituta. Ela lidera o PT no Senado desde abril, tem longa trajetória no partido e cumpre mandato iniciado em 2022, o que a libera de uma campanha eleitoral neste ano.
A escolha ainda divide opiniões no governo. Aliados citam como vantagem o fato de Teresa não enfrentar ruídos na relação com o Planalto nem com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que rompeu com Lula após a derrubada da indicação de Jorge Messias a uma vaga no Supremo Tribunal Federal, atribuída à articulação de bastidores do senador amapaense.
O senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação, também aparece nas conversas, mas deixou o ministério em abril para se dedicar à campanha de reeleição do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), que aparece em segundo lugar nas pesquisas contra Ciro Gomes (PSDB). Rogério Carvalho (PT-SE), que já exerceu interinamente a liderança durante licença de Wagner no ano passado, agrada a integrantes do governo, mas pretende disputar a reeleição ao Senado.
O senadores Teresa Leitão, Camilo Santana e Rogério Carvalho. Foto: reprodução
Falta menos de um mês para o recesso parlamentar de meio de ano, previsto para 18 de julho. Se Wagner deixar o cargo, o novo líder terá de acelerar pautas tratadas como prioritárias pelo governo e ainda sem definição no Senado, como a PEC da Segurança Pública, a PEC do fim da escala 6×1 e o Redata, projeto sobre regulamentação e compartilhamento de dados entre órgãos públicos.
Operação da PF e entrevista à BandNews pesam sobre Wagner
A 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (18/6), mirou Jaques Wagner. Os investigadores apuram se o senador atuou em favor de interesses do Banco Master no Congresso, incluindo uma proposta para ampliar o crédito consignado e uma medida chamada nos bastidores de Emenda Master.
A PF também apura a transferência de um apartamento de R$ 2,5 milhões para o senador, uso de aeronaves particulares, ingressos para shows e repasses que somariam R$ 3,5 milhões. As suspeitas surgiram após análise de conteúdo extraído do celular de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, que também foi alvo da ação. Wagner nega envolvimento e afirmou, em nota, que “não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados”.
Aliados dizem que Wagner não pretende entrar em rota de colisão com Lula, com quem mantém relação política e amizade de mais de 40 anos. O senador resiste a deixar a liderança por avaliar que a saída poderia soar como admissão de culpa, mas cogita pedir licença da função sob o argumento de que precisa se dedicar à defesa e à campanha de 2026.
A entrevista de Wagner à BandNews, na quinta-feira (18/6), causou incômodo no Planalto. Interlocutores do governo citaram quatro pontos mal recebidos: a revelação de um telefonema de Lula, a afirmação de que recebeu solidariedade do presidente, a declaração de que Lula teria classificado a operação como perseguição política e a fala de que não deixaria a liderança; na mesma entrevista, Wagner reafirmou a pré-candidatura ao Senado e disse: “Espero ser reeleito”.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), seja o responsável por analisar o pedido de investigação relacionado ao financiamento do filme Dark Horse, produção que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Leia em TVT News.
O parecer foi apresentado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e enviado ao ministro Alexandre de Moraes, que havia solicitado manifestação do órgão antes de decidir sobre o caso.
A controvérsia gira em torno de um pedido apresentado pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que solicitou a ampliação das investigações envolvendo o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para incluir fatos relacionados ao financiamento do longa-metragem.
Segundo o parlamentar, há indícios de conexão entre os recursos destinados ao filme Dark Horse e a atuação internacional de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Após receber o parecer da PGR, Alexandre de Moraes encaminhou a questão ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. Caberá agora ao chefe da Corte decidir se o caso permanecerá sob a relatoria de Moraes, será transferido para André Mendonça ou se haverá um novo sorteio para definir o ministro responsável.
PGR vê conexão com investigações já conduzidas por Mendonça
No parecer encaminhado ao Supremo, Paulo Gonet argumenta que os fatos mencionados por Lindbergh Farias possuem ligação com investigações já existentes envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Segundo o procurador-geral, esse conjunto de apurações já tramita sob a supervisão de André Mendonça, o que justificaria a redistribuição do pedido para o gabinete do ministro.
“O episódio a que se refere a representação, entretanto, já é objeto de procedimento próprio na Suprema Corte, que tramita sob a supervisão do eminente ministro André Mendonça”, escreveu Gonet.
André Mendonça, ministro do STF – Foto: Fellipe Sampaio/STF
A manifestação da PGR não analisa o mérito das acusações apresentadas pelo parlamentar petista nem se posiciona sobre eventual abertura de investigação. O parecer trata exclusivamente da definição de competência dentro do STF.
A avaliação da Procuradoria é que a conexão entre os fatos apontados por Lindbergh e as investigações já existentes recomenda a concentração dos procedimentos sob uma mesma relatoria.
Pedido surgiu após revelação de conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
As mensagens vieram à tona após reportagens revelarem que Flávio buscou recursos junto a Vorcaro para custear a produção do filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.
Com base nessas informações, Lindbergh sustentou que os recursos poderiam ter relação com a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e com iniciativas internacionais voltadas à defesa da anistia do ex-presidente.
O deputado pediu que Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro fossem incluídos nas investigações conduzidas por Moraes sobre a atuação de Eduardo Bolsonaro no exterior.
Segundo o parlamentar, seria necessário apurar se o dinheiro destinado ao longa-metragem Dark Horse foi efetivamente utilizado apenas para a produção audiovisual ou se parte dos recursos teve outras finalidades.
Relação com o caso envolvendo Eduardo Bolsonaro
A solicitação foi apresentada no âmbito do inquérito que investigou a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
André Porciúncula, Eduardo Bolsonaro e ex-auxiliar de Mario Frias na Secretaria de Cultura do governo Jair Bolsonaro – Foto: Reprodução
Na semana passada, o ex-deputado foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O caso foi relatado por Alexandre de Moraes.
Ao protocolar o pedido de ampliação das investigações, Lindbergh Farias argumentou que existiria uma ligação entre o financiamento do filme e as ações desenvolvidas por Eduardo no exterior.
Segundo o parlamentar, os recursos poderiam ter sido empregados para custear a permanência do ex-deputado fora do Brasil ou para financiar iniciativas relacionadas à campanha internacional por sanções e tarifas em defesa da anistia de Jair Bolsonaro.
As suspeitas foram mencionadas também em documentos da Polícia Federal citados durante a tramitação do caso.
Flávio Bolsonaro recebeu milhões do Master para “Dark Horse”, filme sobre seu pai
Após a divulgação das conversas com Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro negou qualquer prática irregular.
O senador afirmou que o contato com o banqueiro teve como objetivo exclusivo buscar recursos privados para viabilizar a produção cinematográfica.
Segundo ele, não houve negociação de vantagens indevidas nem utilização dos valores para fins distintos daqueles relacionados ao filme Dark Horse.
A equipe do parlamentar também comentou o parecer apresentado pela Procuradoria-Geral da República.
Em nota enviada à imprensa, os assessores destacaram que a manifestação de Paulo Gonet sustenta a redistribuição do processo para André Mendonça.
“O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, apresentou manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF) defendendo que o ministro Alexandre de Moraes seja declarado incompetente para conduzir o julgamento relacionado ao caso Dark Horse.
No parecer, Gonet sustenta que o processo deve ser redistribuído ao ministro André Mendonça, apontado como prevento para analisar a matéria”, afirmou a equipe de Flávio Bolsonaro.
Eduardo Bolsonaro também rebate suspeitas sobre dinheiro de Dark Horse
Eduardo Bolsonaro igualmente rejeitou as hipóteses levantadas sobre eventual utilização de recursos ligados ao filme para sua permanência nos Estados Unidos.
O ex-deputado classificou as suspeitas como “toscas” e argumentou que sua situação migratória impediria o recebimento de valores dessa natureza.
Após a divulgação das conversas envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, também veio à tona a participação de Eduardo como produtor-executivo do filme.
A produção de Dark Horse ganhou repercussão nacional depois que reportagens revelaram a busca de financiamento para viabilizar as gravações da obra.
O que é o caso Dark Horse
O filme Dark Horse é uma cinebiografia que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A produção passou a ocupar espaço no debate político após a divulgação de mensagens que indicariam uma tentativa de captação de recursos junto ao empresário Daniel Vorcaro.
O banqueiro está preso em decorrência das investigações relacionadas ao chamado caso Master, conjunto de apurações que já tramita sob relatoria de André Mendonça no STF.
Foi justamente essa conexão que levou a Procuradoria-Geral da República a defender que o novo pedido seja analisado pelo mesmo ministro.
Na avaliação do órgão, a existência de elementos comuns entre os procedimentos recomenda a concentração dos casos sob uma única relatoria, evitando decisões conflitantes e permitindo uma análise integrada dos fatos.
Fachin decidirá futuro do processo
Com o parecer da PGR nos autos, Alexandre de Moraes optou por não decidir sozinho sobre a definição do relator.
O ministro encaminhou a questão ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, que deverá analisar os argumentos apresentados e definir o destino do procedimento.
Entre as possibilidades estão a manutenção do caso com Moraes, a transferência para André Mendonça ou a realização de um sorteio para indicar outro integrante da Corte.
A decisão será importante para determinar os próximos passos do pedido apresentado por Lindbergh Farias e para definir qual gabinete ficará responsável por avaliar a abertura ou não de uma investigação sobre os recursos destinados ao filme Dark Horse.
Até que essa definição ocorra, não há deliberação do STF sobre o mérito das acusações nem sobre eventual responsabilização dos envolvidos.
Por Carlos Victor Costa (Comissão de Jornalistas Alagoanos) O jornalismo existe para fazer perguntas. Principalmente aos poderosos. Quando essas perguntas passam a ser respondidas com processos judiciais, remoções de conteúdo e tentativas de intimidação, não estamos mais diante de um conflito comum entre imprensa e agentes públicos. Estamos diante de uma ameaça à liberdade de […]
O professor de Geografia Rafael Martins da Costa era concursado há nove anos na rede municipal de ensino de Bento Gonçalves, até ser demitido no final do último mês de maio. O motivo foi o fato de os estudantes terem acesso ao Instagram pessoal do professor, onde ele publica charges de autoria própria. Rafael denuncia perseguição política por parte da Prefeitura, já que algumas charges criticam a gestão do então prefeito Diogo Siqueira (PL). Já a Secretaria Municipal de Educação (Smed) alega que Rafael publicava conteúdos com teor potencialmente violento. A pasta se refere a uma charge sobre o assassinato de Charlie Kirk.
A história começou em agosto de 2025, quando Rafael publicou duas charges ironizando a morte do ultraconservador estadunidense. Foi o suficiente para que, duas semanas depois, dois vereadores de direita de Bento Gonçalves trouxessem o conteúdo à tona nas redes sociais, acusando o professor de incitação à violência. Rafael não teve o nome citado, mas a notícia repercutiu na imprensa local.
No final daquele 18 de setembro, o prefeito Diogo Siqueira publicou um vídeo anunciando que estava afastando o professor do cargo de maneira cautelar. “Os desenhos podem parecer inofensivos, mas comemoram o assassinato de uma pessoa. Um professor que está influenciando as pessoas. Eu tenho uma filha, e eu não quero ver isso dentro de sala de aula. Não quero que nenhum pai passe por essa preocupação”, declarou.
Rafael acredita que a medida tomada pelo prefeito tenha relação, na verdade, com outras charges, publicadas em janeiro de 2025. Naquele início de ano, o professor usou os desenhos para tecer críticas ao Executivo municipal, que propunha uma lei para acabar com a licença-prêmio e os biênios de servidores públicos. O projeto foi aprovado, mas Rafael continuou se manifestando nas redes sociais e trabalhando normalmente. Até que veio a notícia de seu afastamento.
“É uma situação recorrente. Colegas, por qualquer motivo, sofrem punições. Outros professores também estão em processo administrativo. É uma coisa recente, ao meu ver, de 2017 para cá”, diz Rafael. O Sul21 procurou o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bento Gonçalves (Sindiserp) para apurar se há outros casos de perseguição política, mas a organização não se manifestou.
“A partir do meu afastamento, um amigo advogado começou a me ajudar. Ele entrou com pedido de suspensão da decisão, que não foi aceito no judiciário de Bento Gonçalves. Logo, ele fez o pedido no Tribunal de Justiça em Porto Alegre e começamos uma longa espera pelo resultado”, explica Rafael.
Enquanto isso, alguns deputados manifestaram apoio a Rafael, assim como sindicatos e organizações políticas e culturais. O professor chegou a participar de uma reunião da Comissão de Direitos Humanos na Assembleia Legislativa.
No contexto do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) em que Rafael estava envolvido, ele foi chamado ainda em setembro para prestar depoimento na Prefeitura. “Me pediram explicação sobre a charge [sobre Kirk] e eu expliquei o sentido dela. Eles queriam entender por que é que eu fiz. Eu publiquei nas minhas redes, que não têm nada a ver com a escola”, afirma o professor.
Nesse mesmo dia, Rafael descobriu que a Smed de Bento Gonçalves havia ido até a escola verificar o caderno e o material dos estudantes que tinham aula com ele. O que a equipe da Secretaria achou foi uma charge que o professor fez para os alunos, sobre um assunto tratado na aula de Geografia, mas com QR Code que levava para o perfil dele no Instagram.
“Eu disponibilizo essas charges na internet para que outros professores baixem e usem. Caso eles façam cópias e distribuam para outros, o endereço do meu perfil vai junto. E foi assim que fiz na minha aula”, argumenta Rafael. “Não pedi para que meus alunos entrassem no link. Aliás, muito poucos alunos me seguem ou interagem com minhas publicações. Pode ter sido um erro meu”.
Em outubro de 2025, a Justiça ordenou que Rafael voltasse ao trabalho. Contudo, o processo administrativo ainda não tinha terminado. “O ano acabou, vieram as férias, as aulas voltaram, e nada de resposta da comissão disciplinar. Nem deixavam meu advogado ver o andamento do processo. Até que chegou o fim de maio deste ano e descobrimos a resposta do processo: eu estava demitido”, relembra o professor. “Fui demitido, acreditamos, por perseguição política. Por meu posicionamento de esquerda e contra a administração de Bento”.
A decisão, à qual o Sul21 teve acesso, é assinada pelo prefeito Amarildo Lucatelli (PP). Ele assumiu a Prefeitura de Bento Gonçalves quando Diogo Siqueira deixou o cargo para virar pré-candidato a deputado federal. Consta no documento que “o material pedagógico distribuído aos alunos continha QR Code direcionando ao perfil pessoal do professor, permitindo acesso a publicações alheias ao conteúdo estritamente didático”. O relatório cita ainda que “o servidor publicou, em rede social de acesso público, conteúdos com teor potencialmente violento e politicamente sensível”. A demissão de Rafael foi oficializada com a publicação de uma portaria em 28 de maio de 2026.
Procurada, a Smed disse que “a decisão foi adotada com base nos procedimentos legais e administrativos previstos na legislação vigente. O caso foi devidamente apurado por meio de Processo Administrativo Disciplinar (PAD), conduzido em observância aos princípios da legalidade e da ampla defesa”.
Já a defesa de Rafael entrou com recurso para tentar reverter a situação, a nível administrativo. O advogado também tenta uma liminar na Justiça para anular a demissão do professor. “Eu não tenho nenhuma falta grave, profissionalmente. O que está acontecendo é porque políticos de extrema-direita de Bento Gonçalves não gostaram de como eu me posiciono nas redes”, afirma Rafael. Ele e sua defesa estão se mobilizando junto a outros colegas e organizaram uma petição online, que já conta com mais de mil assinaturas.
O deputado federal Mario Frias (PL-SP) acusou a atriz Samara Felippo de mentir à Justiça ao justificar sua ausência em uma audiência de conciliação virtual. A nova manifestação entrou nos autos do processo que ele move contra a artista por danos morais.
Segundo a coluna de Fábia Oliveira, Frias contestou o atestado médico apresentado por Samara após a audiência. O parlamentar sustenta que a justificativa não combina com uma reportagem da revista Marie Claire, que apontaria a participação da atriz em uma oficina nos Estúdios Globo na mesma data do compromisso judicial.
A ação começou depois de uma publicação feita por Samara Felippo em suas redes sociais. Na postagem, a atriz associou o nome de Frias ao de criminosos condenados, como os irmãos Cravinhos e o ex-goleiro Bruno, ao afirmar que ele também teria “fãs”.
Frias alegou que a publicação atingiu sua honra e sua imagem pública. Ele pediu indenização de R$ 30 mil por danos morais, a remoção do conteúdo e a proibição de novas publicações semelhantes; a Justiça negou o pedido liminar para retirada do material.
Deputado federal Mario Frias, do PL. Foto: Reprodução.
Audiência virtual e atestado viram novo ponto de disputa
A audiência de conciliação virtual ocorreu em 29 de maio, mas Samara Felippo não participou. Dias depois, a atriz juntou aos autos um atestado médico para informar necessidade de afastamento e justificar a ausência.
Na nova petição, Mario Frias afirma que a presença da atriz em uma atividade nos Estúdios Globo, caso confirmada, torna incompatível a explicação apresentada ao juízo. O deputado argumenta que não havia impedimento real para que ela participasse da audiência virtual.
O parlamentar pediu que a Justiça rejeite a justificativa de Samara e reconheça que a ausência ocorreu sem motivo válido. Frias também requereu a decretação da revelia da atriz, medida que pode levar à presunção de veracidade dos fatos narrados por ele na ação.
Frias ainda solicitou a condenação de Samara Felippo ao pagamento de multa por litigância de má-fé, sob a alegação de que ela apresentou uma justificativa falsa. A Justiça analisará os argumentos das partes para decidir se considera a ausência devidamente justificada.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se inscreveu para discursar em uma audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sobre o novo tarifaço contra o Brasil. A sessão está marcada para 6 de julho, e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu cinco minutos de fala como representante do Senado Federal e pré-candidato à Presidência.
Ao Globo, aliados afirmaram que Flávio deve defender a suspensão da proposta de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e também o Pix, alvo de críticas do governo Donald Trump por suposta concorrência desleal. O prazo para os Estados Unidos decidirem se adotarão ou não as medidas termina em 15 de julho, cerca de uma semana após a audiência.
No início de junho, o USTR concluiu uma investigação contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio estadunidense, mecanismo que permite a Washington reagir a práticas consideradas injustas. O órgão questionou políticas brasileiras ligadas ao comércio digital e ao Pix, além de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e questões ambientais.
A última segunda-feira foi a data-limite para pedidos de participação na audiência. A comissão deve divulgar nos próximos dias a lista de participantes. O governo Lula não inscreveu representantes.
A discussão ocorre em meio ao desgaste de Flávio com o tema. Pesquisa Genial/Quaest divulgada neste mês mostrou que 47% dos entrevistados concordam com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quando ele afirma que Flávio teria pedido as novas tarifas. Outros 35% concordam com a versão do pré-candidato do PL de que teria pedido a Trump para não tarifar produtos brasileiros.
A sondagem também apontou que 46% concordam com Lula ao dizer que as tarifas seriam uma retaliação ao Pix. Já 36% apoiam a leitura de Flávio de que a medida seria resposta a declarações do petista contra os Estados Unidos.
Flávio Bolsonaro e Donald Trump. Foto: reprodução
A família Bolsonaro mantém relações com a direita trumpista desde antes da eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, e ampliou os contatos durante o julgamento da trama golpista.
Eduardo Bolsonaro, autoexilado nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado, passou a articular pressão internacional ao lado de Paulo Figueiredo. Em julho passado, o empresário comemorou o primeiro tarifaço. “O Brasil merece a tarifa Moraes”, disse.
Na semana passada, Eduardo foi condenado a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no curso do processo sobre a tentativa de golpe de Estado. Flávio, por sua vez, foi escolhido pelo pai para disputar o Planalto e intensificou viagens e conversas em Washington.
No ofício ao USTR, Flávio afirma ter tratado do tema diretamente com Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio. O senador promete falar “contra a medida proposta e a favor de uma solução construtiva e negociada para as questões identificadas na investigação”.
“Duas posições são declaradas logo de início e de forma categórica. A testemunha opõe-se à imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e a qualquer medida voltada para o sistema público brasileiro de pagamentos instantâneos. Faz isso em nome dos consumidores e produtores de ambos os países e em defesa de uma parceria que tem servido aos Estados Unidos e ao Brasil há mais de oitenta anos”, diz o pedido.
Flávio argumenta que as tarifas poderiam beneficiar Lula. “A parte beneficiada pela medida não é a parte que a medida visa atingir”, ressalta. Segundo ele, “em várias das conclusões, a distância entre a posição do Representante Comercial e a de um governo brasileiro reformista é muito menor do que aquela existente em relação ao governo atual”.