PF investiga possível mudança de Lulinha ao exterior em apuração sobre fraudes no INSS
Relatório técnico da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) apontou suspeitas de que a mudança de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para o exterior poderia ter como objetivo evitar o avanço das investigações sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A defesa nega essa intenção e afirma que a mudança foi planejada antes da deflagração da Operação Sem Desconto.
O documento, mantido sob sigilo, foi encaminhado ao STF em dezembro, no contexto do pedido de quebra de sigilo bancário de Lulinha, autorizado pelo ministro André Mendonça.
Segundo o Estadão, a análise trata da relação entre o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, preso sob suspeita de liderar um esquema de desvio de aposentadorias.
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Segundo o relatório, a viagem de Lulinha ao exterior, sem previsão de retorno, poderia indicar “possível evasão do País”, considerando sua associação com o que a PF descreve como o principal operador das fraudes.
Em petição apresentada ao STF na segunda-feira (16), Lulinha afirmou que mantinha com Antunes uma relação “esporádica e de natureza social”. Ele reconheceu que o empresário custeou uma viagem a Portugal, em novembro de 2024, para conhecer um projeto de produção de canabidiol medicinal. De acordo com a PF, o empresário pretendia investir no setor por meio da empresa World Cannabis.
A confissão de Lulinha havia sido antecipada pelo Estadão, mas é a primeira vez que sua defesa apresenta formalmente explicações ao ministro André Mendonça sobre sua relação com o empresário. A petição foi apresentada depois das notícias da quebra do sigilo bancário do empresário e diante do receio de que ele seja alvo de novas medidas da Polícia Federal.
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Lulinha diz que foi apresentado ao Careca do INSS por meio de sua amiga Roberta Luchsinger em 2024 “como um bem-sucedido empresário do mercado farmacêutico”. Lulinha afirma que não tinha conhecimento, na ocasião, da atuação dele junto ao INSS.
A investigação aponta que o empreendimento poderia ser financiado com recursos oriundos do esquema de desvio de aposentadorias, configurando uma etapa de lavagem de dinheiro. Durante a viagem, eles visitaram um terreno onde seria instalada uma fábrica.
Procurada pelo Estadão, a defesa sustenta que o negócio não avançou e que Lulinha não recebeu recursos do empresário nem participou de negociações. Também afirma que ele desconhecia qualquer irregularidade envolvendo Antunes à época.
Além da viagem, a PF apreendeu anotações atribuídas ao empresário que indicariam encontros com Lulinha em Brasília e apura se houve pagamentos. Ainda de acordo com o jornal, um ex-funcionário de Antunes afirmou ter ouvido que o empresário pagava uma mesada de R$ 300 mil ao filho do presidente. A quebra de sigilo bancário, no entanto, não identificou transferências desse tipo para as contas de Lulinha.
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Os advogados afirmam que a mudança para Madri começou a ser planejada em 2024, com medidas práticas adotadas apenas em 2025, incluindo contato com instituições de ensino na Espanha para matrícula dos filhos. A Operação Sem Desconto foi deflagrada em abril de 2025, quando já havia reportagens sobre suspeitas envolvendo o empresário.
A defesa também argumenta que Lulinha foi apresentado a Antunes por uma amiga em 2024, como empresário do setor farmacêutico, e que não tinha conhecimento de sua atuação junto ao INSS. Segundo os advogados, mesmo que tivesse havido eventual relação comercial, isso não configuraria crime, uma vez que o projeto era considerado lícito à época.
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