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As conversas para substituir Jaques Wagner na liderança do PT no Senado

23 de Junho de 2026, 10:17
Lula e Jaques Wagner lado a lado
Presidente Lula e o senador Jaques Wagner. Foto: Reprodução.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se reunir com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), até o meio desta semana para discutir a possível saída do senador do posto, em uma tentativa de conter o desgaste provocado pelo caso Master sobre a gestão petista.

A expectativa no Palácio do Planalto é que Wagner peça para deixar a liderança, segundo o Metrópoles. Integrantes do governo e do PT pressionam o senador a abrir mão da função porque avaliam que a investigação dá munição à oposição bolsonarista.

A estratégia da cúpula petista e da pré-campanha de Lula é separar o presidente do episódio que envolve Wagner. O argumento usado internamente é que o senador baiano disputará a reeleição ao Senado em 2026, e não a Presidência da República.

A reunião entre Lula e Wagner está prevista para quarta-feira (24/6), dia em que o presidente deve despachar em Brasília. Nesta terça-feira (23/6), Lula cumpre agendas no Rio de Janeiro e em São Paulo, enquanto a equipe de Wagner evita confirmar quando ele retorna da Bahia à capital federal.

Teresa Leitão, Camilo Santana e Rogério Carvalho entram na disputa

Com a possível saída de Wagner, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) ganhou força como eventual substituta. Ela lidera o PT no Senado desde abril, tem longa trajetória no partido e cumpre mandato iniciado em 2022, o que a libera de uma campanha eleitoral neste ano.

A escolha ainda divide opiniões no governo. Aliados citam como vantagem o fato de Teresa não enfrentar ruídos na relação com o Planalto nem com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que rompeu com Lula após a derrubada da indicação de Jorge Messias a uma vaga no Supremo Tribunal Federal, atribuída à articulação de bastidores do senador amapaense.

O senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação, também aparece nas conversas, mas deixou o ministério em abril para se dedicar à campanha de reeleição do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), que aparece em segundo lugar nas pesquisas contra Ciro Gomes (PSDB). Rogério Carvalho (PT-SE), que já exerceu interinamente a liderança durante licença de Wagner no ano passado, agrada a integrantes do governo, mas pretende disputar a reeleição ao Senado.

O senadores Teresa Leitão, Camilo Santana e Rogério Carvalho. Foto: reprodução

Falta menos de um mês para o recesso parlamentar de meio de ano, previsto para 18 de julho. Se Wagner deixar o cargo, o novo líder terá de acelerar pautas tratadas como prioritárias pelo governo e ainda sem definição no Senado, como a PEC da Segurança Pública, a PEC do fim da escala 6×1 e o Redata, projeto sobre regulamentação e compartilhamento de dados entre órgãos públicos.

Operação da PF e entrevista à BandNews pesam sobre Wagner

A 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (18/6), mirou Jaques Wagner. Os investigadores apuram se o senador atuou em favor de interesses do Banco Master no Congresso, incluindo uma proposta para ampliar o crédito consignado e uma medida chamada nos bastidores de Emenda Master.

A PF também apura a transferência de um apartamento de R$ 2,5 milhões para o senador, uso de aeronaves particulares, ingressos para shows e repasses que somariam R$ 3,5 milhões. As suspeitas surgiram após análise de conteúdo extraído do celular de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, que também foi alvo da ação. Wagner nega envolvimento e afirmou, em nota, que “não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados”.

Aliados dizem que Wagner não pretende entrar em rota de colisão com Lula, com quem mantém relação política e amizade de mais de 40 anos. O senador resiste a deixar a liderança por avaliar que a saída poderia soar como admissão de culpa, mas cogita pedir licença da função sob o argumento de que precisa se dedicar à defesa e à campanha de 2026.

A entrevista de Wagner à BandNews, na quinta-feira (18/6), causou incômodo no Planalto. Interlocutores do governo citaram quatro pontos mal recebidos: a revelação de um telefonema de Lula, a afirmação de que recebeu solidariedade do presidente, a declaração de que Lula teria classificado a operação como perseguição política e a fala de que não deixaria a liderança; na mesma entrevista, Wagner reafirmou a pré-candidatura ao Senado e disse: “Espero ser reeleito”.

VÍDEO – “Meus bolsonaristas são honrados”, diz Ciro Gomes ao rebater Camilo Santana

31 de Maio de 2026, 21:10
Ciro Gomes (PSDB). Foto: José Cruz/Agência Brasilvci

O pré-candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), defendeu neste domingo (31) sua aproximação com lideranças bolsonaristas no estado e afirmou que os aliados “dele” são diferentes dos bolsonaristas ligados ao grupo adversário. A fala foi dada em Barbalha, durante a tradicional missa de bênção da bandeira de Santo Antônio.

Questionado sobre críticas do senador Camilo Santana (PT), que disse que Ciro estaria se aliando a bolsonaristas, o ex-governador respondeu com uma distinção direta. “Sabe qual é a diferença? Que os meus bolsonaristas são todos homens honrados, limpos. Nenhum deles é picareta”, declarou.

Política no Ceará.🔥 🔥

Ao ser entrevistado, Ciro Gomes disse que os bolsonaristas dele são todos homens honrados. pic.twitter.com/kuN8dLTOmd

— Iane menezes (@iane_menezes) May 31, 2026

Ciro afirmou que decidiu procurar lideranças de oposição no Ceará porque, segundo ele, o grupo governista passou a “reinar, mandar e desmandar” no estado. O tucano disse que sua articulação tem como objetivo reunir forças contra o PT e “livrar o Ceará desta ditadura corrupta que está implantada aqui”.

Entre os nomes citados por Ciro está Capitão Wagner, adversário histórico dos Ferreira Gomes. O ex-ministro disse que procurou o aliado do PL, reconheceu ataques antigos e pediu desculpas publicamente. “Eu não queria nem ouvir falar no Capitão Wagner, só porque ele era adversário do meu irmão Cid, e eu cegamente atacava”, afirmou.

Ciro também citou Roberto Cláudio, ex-prefeito de Fortaleza, e André Fernandes (PL), que quase venceu a eleição municipal na capital cearense. Segundo ele, embora tenha votado em José Sarto no primeiro turno, o crescimento de André Fernandes mostrou a força de uma oposição reorganizada.

Bolsonaristas André Fernandes e Roberto Cláudio. Foto: Dalila Lima/O Estado

A aproximação com o bolsonarismo é hoje um dos pontos mais sensíveis da tentativa de Ciro de voltar ao governo estadual. Segundo a Veja, faixas espalhadas por Fortaleza passaram a chamá-lo de “Cironaro”, numa referência à aliança com nomes do PL. A estratégia busca transformar a ligação com bolsonaristas em munição para PT, Camilo Santana e Elmano de Freitas.

Ciro tenta reativar sua imagem de gestor no Ceará, onde governou de 1991 a 1994 e construiu parte de sua base política. A dificuldade é conciliar esse capital histórico com uma aliança que inclui setores bolsonaristas, especialmente em um estado onde Lula e Camilo mantêm alta aprovação.

Ciro tenta responder dizendo que o PT também convive com aliados oriundos do PL e do bolsonarismo. Citou o prefeito de Sobral, Júlio Mano e “Úrido Paredão” como exemplos. A fala, porém, aparenta reforçar que para enfrentar o grupo de Camilo no Ceará, o cearense passou a defender uma aliança com bolsonaristas que até pouco tempo atrás tratava como fortes adversários.

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