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EUA negam interferência contra reeleição de Lula: “Respeitamos o povo brasileiro”

13 de Agosto de 2026, 22:28
Lula e Marco Rubio em montagem com retratos lado a lado
Marco Rubio e Lula. Foto: Reprodução

O Departamento de Estado dos Estados Unidos negou nesta quinta-feira (13) que tenha um plano para impedir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que respeitará qualquer governo escolhido pelos brasileiros nas eleições de outubro. Com informações de G1.

Uma autoridade do órgão declarou que a avaliação atribuída ao Planalto não corresponde à realidade. “Damos grande importância à relação com o Brasil. Respeitamos o povo brasileiro e qualquer governo que eles escolham livremente, por meio de eleições livres e justas no Brasil”, disse.

A fonte afirmou ainda que Washington mantém relações com governos brasileiros de diferentes campos políticos. “Nós [EUA] temos respeitado e mantido relações com governos de ambos os lados do espectro político no Brasil, e tivemos relações muito bem-sucedidas com eles”, acrescentou, sem citar nominalmente o secretário de Estado Marco Rubio.

Assessores de Lula avaliam que Rubio busca evitar uma nova vitória do presidente. A percepção ganhou força após o governo de Donald Trump divulgar um vídeo no qual afirma que o domínio dos Estados Unidos sobre toda a América “nunca mais será questionado”.

O presidente dos EUA Donald Trump. Foto: Divulgação

A manifestação do Departamento de Estado ocorre durante uma crise nas relações entre Brasília e Washington, às vésperas da disputa presidencial marcada para os dois primeiros fins de semana de outubro. Rubio é apontado como uma das figuras mais influentes do segundo mandato de Trump na política para a América Latina.

Entre os episódios que elevaram a tensão estão uma montagem que colocou Lula algemado e vendado no lugar do presidente venezuelano Nicolás Maduro, preso pelos Estados Unidos em janeiro, e o cancelamento do visto da embaixadora brasileira em Washington.

O governo americano também aplicou a Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes em 2025 e adotou tarifaços contra o Brasil e produtos brasileiros. Essas medidas ampliaram os atritos entre os dois países.

A referência dos EUA a “eleições livres e justas” já apareceu em manifestações do governo Trump sobre pleitos de outros países. O Tribunal Superior Eleitoral sustenta que o sistema eleitoral brasileiro é seguro e que as urnas eletrônicas permitem eleições livres.

“Socialismo ou morte”: 100 anos de Fidel, e por que o legado de Cuba derrotará a barbárie imperialista

13 de Agosto de 2026, 21:20
Fidel Castro Cuba
Escola em Havana com posters em homenagem aos 100 anos de Fidel Castro. Foto: Norlys Perez/Reuters

Cuba e o mundo marcam hoje os 100 anos do nascimento de Fidel Castro (13 de agosto de 1926, Birán), em meio ao cerco mais duro de Washington desde o Período Especial. Marco Rubio prepara o que fica explícito como uma tentativa de estrangulamento final da realidade revolucionária que persiste há décadas em Cuba.

Antes da Revolução, Cuba era uma quase-colônia americana sob a ditadura de Fulgencio Batista, instituída em um golpe de Estado em 1952, comandado por Washington. O capital estrangeiro, sobretudo dos EUA, controlava a maior parte da economia, incluindo usinas de açúcar, terras, serviços públicos, telefonia, eletricidade e bancos. Havana era o parque de diversões da máfia norte-americana (Meyer Lansky), com cassinos, prostituição e jogo. No campo, latifúndio, desemprego sazonal e miséria; o analfabetismo rondava um quarto da população, com pouca escolaridade e serviços de saúde precários fora das cidades.

A barbárie imperialista

É a essa “ordem pré-revolucionária” que Washington quer retornar. O bloqueio dos EUA, com 64 anos, foi levado a níveis inéditos no segundo mandato de Trump, sob Marco Rubio no Departamento de Estado, e a tomada de Cuba vem sendo construída peça por peça. No primeiro dia exato do segundo mandato, 20 de janeiro de 2025, Trump designou Cuba como State Sponsor of Terrorism (SST). A consequência mais decisiva e cruel da designação encontra-se no efeito dissuasório sobre o sistema financeiro global. A designação aciona o regime de sanções secundárias — o instrumento que estende a jurisdição americana ao planeta inteiro. Qualquer banco, seguradora, armador, empresa ou governo que negocie com Cuba passa a arriscar ser cortado do sistema financeiro dos Estados Unidos e tratado como cúmplice de terrorismo.

Esse cerco econômico e financeiro se articula a uma estratégia mais ampla de repressão e contenção política. A Estratégia Nacional de Contraterrorismo de 2026 de Trump fundiu, pela primeira vez, três categorias de “ameaça terrorista”: narcoterroristas/gangues transnacionais, jihadistas legados e — inédito — “extremistas violentos de esquerda”. É hoje o arcabouço que enquadra governos latino-americanos não alinhados, enquanto Guantánamo, o SOFA no Paraguai, o FBI no Equador e as bases argentinas se tornam “equivalentes funcionais” das bases dos EUA no Golfo.

Os Estados Unidos querem deixar claro que a ameaça militar a Cuba é permanente. Em meio aos navios de guerra no Caribe e às execuções extrajudiciais, o secretário de Guerra, Pete Hegseth, discursando na base naval de Guantánamo — território cubano ocupado ilegalmente — ameaçou Cuba diretamente: “Seria imprudente para o governo cubano tentar adquirir ou obter acesso ao tipo de armas que poderiam alcançar esta base ou o território americano. Estariam convidando o tipo de confronto que não apenas não desejam, mas não poderiam suportar.”

Paralelamente, Rubio amplia vetos de visto ligados às missões médicas cubanas, mirando autoridades de cerca de 50 países que recebem médicos cubanos, sob a alegação de “trabalho forçado”.

Rubio sancionou, dois meses depois, cinco entidades (Tecnoimport, União da Indústria Militar/UIM, EMI Yuri Gagarin e mais duas) e oito autoridades (o ministro da Defesa, Álvaro López Miera, e o chefe do Estado-Maior, Roberto Legrá Sotolongo, entre outros), alegando aquisição de equipamento militar da Rússia e da China.

Cuba Fidel Castro
Evento de comemoração do governo cubano em homenagem ao centenário de Fidel Castro. Foto: Norlys Perez/Reuters

O mundo a partir dos olhos da Revolução Cubana e a audácia revolucionária de Fidel

Cuba, no entanto, nunca se entregou. Fidel sempre deixou claro que as aberturas (turismo, capital estrangeiro em setores selecionados) eram ditadas pela necessidade histórica, e não por um abrandamento da convicção socialista — exatamente a lógica que Cuba retoma hoje nas reformas de 2026. Díaz-Canel, no ato central, resumiu seu argumento: “O socialismo não é um dogma, mas uma ciência em construção, que deve ser adaptada às realidades concretas.”

Fidel soube ler o momento histórico e a oportunidade e, depois, soube adaptar a estratégia sem abrir mão do princípio. A Revolução trouxe consigo uma taxa de alfabetização superior a 99%. A expectativa de vida e a mortalidade infantil em Cuba tornaram-se melhores que as dos Estados Unidos, e Cuba acumula mais médicos enviados ao exterior do que OMS + UNICEF + MSF somados em missões de solidariedade.

Para além da libertação nacional de Cuba, o internacionalismo genuíno — “a pátria era a humanidade” — segue coerente até hoje. Cuba enviou tropas para defender a Angola independente contra as invasões da África do Sul do apartheid. Cerca de 9.000 soldados cubanos de elite, com tanques e aviação, detiveram e derrotaram as forças sul-africanas, forçando a retirada da África do Sul de Angola e da Namíbia e acelerando a independência namibiana e o fim do apartheid. Cuba diz que mais de 300 mil voluntários serviram em Angola ao longo do período; um monumento em Pretória honra 2.070 soldados cubanos mortos. As palavras de Mandela selam o legado: “Quando procurávamos os governos ocidentais, éramos recebidos por funcionários de baixo escalão. Quando visitamos Cuba, fomos recebidos pelas mais altas autoridades, que de imediato ofereceram tudo o que quiséssemos e precisássemos.”

Fidel apoiou a Revolução Sandinista (1979), enviando professores, médicos e assessores. Apoiou também processos em El Salvador, Granada e a esquerda latino-americana em geral. Fidel acompanhou e estimulou a trajetória de Lula e do PT. Diante da derrota de 1989 para Collor, Lula pensou em desistir, e Fidel viu isso como um aviso para continuar — a vez em que um operário metalúrgico chegou mais perto da Presidência.

Fidel convidou o mundo a ver a si mesmo com outros olhos, livre da opressão, da competição e da humilhação capitalista. Testou na prática a solidariedade entre os povos, foi inúmeras vezes vitorioso nas lutas de libertação. Mostrou que o socialismo é real, possível, mas tem um grande desafio: o cerco da barbárie capitalista em queda livre.

Flávio Bolsonaro se inscreve para encenar suposta defesa do Brasil contra “TariFlávio” nos EUA

23 de Junho de 2026, 09:54
O senador Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se inscreveu para discursar em uma audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sobre o novo tarifaço contra o Brasil. A sessão está marcada para 6 de julho, e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu cinco minutos de fala como representante do Senado Federal e pré-candidato à Presidência.

Ao Globo, aliados afirmaram que Flávio deve defender a suspensão da proposta de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e também o Pix, alvo de críticas do governo Donald Trump por suposta concorrência desleal. O prazo para os Estados Unidos decidirem se adotarão ou não as medidas termina em 15 de julho, cerca de uma semana após a audiência.

No início de junho, o USTR concluiu uma investigação contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio estadunidense, mecanismo que permite a Washington reagir a práticas consideradas injustas. O órgão questionou políticas brasileiras ligadas ao comércio digital e ao Pix, além de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e questões ambientais.

A última segunda-feira foi a data-limite para pedidos de participação na audiência. A comissão deve divulgar nos próximos dias a lista de participantes. O governo Lula não inscreveu representantes.

A discussão ocorre em meio ao desgaste de Flávio com o tema. Pesquisa Genial/Quaest divulgada neste mês mostrou que 47% dos entrevistados concordam com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quando ele afirma que Flávio teria pedido as novas tarifas. Outros 35% concordam com a versão do pré-candidato do PL de que teria pedido a Trump para não tarifar produtos brasileiros.

A sondagem também apontou que 46% concordam com Lula ao dizer que as tarifas seriam uma retaliação ao Pix. Já 36% apoiam a leitura de Flávio de que a medida seria resposta a declarações do petista contra os Estados Unidos.

Flávio Bolsonaro e Donald Trump. Foto: reprodução

A família Bolsonaro mantém relações com a direita trumpista desde antes da eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, e ampliou os contatos durante o julgamento da trama golpista.

Eduardo Bolsonaro, autoexilado nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado, passou a articular pressão internacional ao lado de Paulo Figueiredo. Em julho passado, o empresário comemorou o primeiro tarifaço. “O Brasil merece a tarifa Moraes”, disse.

Na semana passada, Eduardo foi condenado a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no curso do processo sobre a tentativa de golpe de Estado. Flávio, por sua vez, foi escolhido pelo pai para disputar o Planalto e intensificou viagens e conversas em Washington.

No ofício ao USTR, Flávio afirma ter tratado do tema diretamente com Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio. O senador promete falar “contra a medida proposta e a favor de uma solução construtiva e negociada para as questões identificadas na investigação”.

“Duas posições são declaradas logo de início e de forma categórica. A testemunha opõe-se à imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e a qualquer medida voltada para o sistema público brasileiro de pagamentos instantâneos. Faz isso em nome dos consumidores e produtores de ambos os países e em defesa de uma parceria que tem servido aos Estados Unidos e ao Brasil há mais de oitenta anos”, diz o pedido.

Flávio argumenta que as tarifas poderiam beneficiar Lula. “A parte beneficiada pela medida não é a parte que a medida visa atingir”, ressalta. Segundo ele, “em várias das conclusões, a distância entre a posição do Representante Comercial e a de um governo brasileiro reformista é muito menor do que aquela existente em relação ao governo atual”.

Aliado dos Bolsonaros, Rubio perde prestígio e é escanteado de negociações dos EUA com o Irã

25 de Abril de 2026, 09:24
Jair e Eduardo Bolsonaro com Marco Rubio. Foto: reprodução

Principal interlocutor de Eduardo Bolsonaro no governo de Donald Trump, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ficará fora da nova rodada de negociações com o Irã no Paquistão, em mais um sinal de que a diplomacia da Casa Branca tem sido conduzida por nomes próximos ao presidente, e não pelo secretário de Estado.

Segundo o New York Times, a delegação estadunidense enviada a Islamabad será liderada por Steve Witkoff e Jared Kushner, enquanto Rubio permanecerá em Washington.

A ausência chama atenção porque, tradicionalmente, secretários de Estado lideram as principais tarefas diplomáticas dos EUA, de tratados de controle de armas a negociações no Oriente Médio. Como exemplo, quando Barack Obama negociou o acordo nuclear com o Irã, há mais de uma década, o principal articulador foi John Kerry, então secretário de Estado, que se reuniu com seu equivalente iraniano em pelo menos 18 dias ao longo de 20 meses de conversas.

Rubio, por outro lado, não participou da última reunião entre EUA e Irã neste mês, nem de encontros realizados no último ano em Genebra e Doha. Também ficou fora de delegações enviadas ao exterior para tratar da guerra na Ucrânia e do conflito em Gaza. Mesmo em meio a crises no Oriente Médio, ele não visita a região desde uma breve passagem por Israel em outubro passado.

Parte da explicação está no acúmulo de funções. Além de comandar o Departamento de Estado, Rubio atua como conselheiro de segurança nacional de Trump, combinação rara em Washington. Ele é o primeiro a ocupar os dois postos simultaneamente desde Henry Kissinger, nos anos 1970.

Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA. Foto: Andrew Caballero-Reynolds/AFP

Segundo analistas, o duplo cargo aumenta sua influência junto a Trump, mas reduz sua presença nas frentes diplomáticas externas. Emma Ashford, do Stimson Center, afirmou que “Rubio claramente prefere ficar perto de Trump”.

Ela também disse ver prejuízo para a diplomacia estadunidense: “Acho que é em detrimento de todo o Departamento de Estado e da capacidade dos Estados Unidos de conduzir a diplomacia em geral que, na prática, temos o cargo de secretário de Estado vago”.

O Departamento de Estado rejeita essa avaliação. Tommy Pigott, porta-voz da pasta, afirmou que “qualquer um que tente retratar a coordenação próxima do secretário Rubio com a Casa Branca e outras agências como algo negativo não poderia estar mais errado”. Segundo ele, “agora temos um Conselho de Segurança Nacional e um Departamento de Estado totalmente sincronizados, um objetivo que escapou de administrações anteriores por décadas”.

Rubio também defende o arranjo. Em entrevista ao jornal Politico, disse que vai ao Departamento de Estado “quase todos os dias”. “Em muitos casos, você acaba estando nas mesmas reuniões ou nos mesmos lugares; há apenas uma pessoa a menos ali, se você pensar bem”, afirmou sobre o acúmulo de cargos.

“Muitas pessoas viriam a Washington, por exemplo, para reuniões, e gostariam de se encontrar com o conselheiro de segurança nacional e depois comigo como secretário de Estado. Agora elas podem fazer as duas coisas em uma reunião”.

Veteranos da segurança nacional, porém, veem riscos na combinação. Matthew Waxman, que atuou no Conselho de Segurança Nacional, no Departamento de Estado e no Pentágono durante o governo George W. Bush, afirmou: “Em geral, é um erro combinar essas funções”.

“Dito isso, não é necessariamente ruim que um Rubio com duplo papel esteja tão fora de cena agora”, acrescentou. “Especialmente enquanto tanta atenção está focada na diplomacia de corda bamba com o Irã, alguém precisa gerenciar a política externa do resto do mundo.”

Governo Trump prepara classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

8 de Março de 2026, 20:25
Donald Trump durante reunião do gabinete na Casa Branca, entre o secretário de Estado Marco Rubio (esq.) e o secretário de Defesa Pete Hegseth

O governo Trump deve anunciar nos próximos dias a classificação das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras. A medida está em fase final de tramitação dentro da administração norte-americana, relata a colunista Mariana Sanches, do UOL. 

De acordo com informações confirmadas por fontes ligadas ao governo em Washington, a documentação sobre os dois grupos já foi concluída no Departamento de Estado. O material passou por diferentes agências do governo e recebeu parecer favorável antes de seguir para as etapas finais do processo.

O procedimento segue o mesmo modelo adotado anteriormente pela gestão Trump em relação a organizações criminosas da América Latina, como o Cartel de Jalisco, no México, e o Tren de Aragua, da Venezuela. Após a análise final do secretário de Estado Marco Rubio, a documentação deverá ser enviada ao Congresso dos Estados Unidos e posteriormente publicada no Registro Federal.

A etapa final do processo pode levar cerca de duas semanas. Somente após essa publicação a classificação das facções como Organizações Terroristas Estrangeiras passará a ter efeito legal dentro do sistema norte-americano.

A designação como grupo terrorista implica uma série de sanções. Entre elas estão o congelamento de ativos de integrantes das organizações nos Estados Unidos, restrições ao acesso ao sistema financeiro norte-americano e a proibição de qualquer forma de apoio material, incluindo fornecimento de armas por cidadãos ou empresas dos EUA.

A medida também amplia restrições migratórias contra pessoas associadas às organizações e pode gerar riscos legais adicionais para empresas que atuam em regiões onde essas facções operam. Essas empresas podem ficar sujeitas a sanções do Departamento do Tesouro, por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC).

Dentro da administração Trump, o tema vinha sendo discutido há meses. Entre os integrantes do governo que atuaram na pauta estão o subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, Christopher Landau, o secretário adjunto interino para Assuntos Educacionais e Culturais, Darren Beattie, e o conselheiro sênior para assuntos hemisféricos Ricardo Pita. A iniciativa também conta com apoio da diretora do Escritório de Políticas Nacionais de Controle de Drogas, Sarah Carter.

A discussão ganhou força em meio à prioridade dada pelo governo norte-americano ao combate ao narcotráfico nas Américas. O tema foi abordado em um encontro realizado em Miami com líderes políticos conservadores da América Latina, evento chamado de Shield of the Americas.

Segundo relatos de bastidores, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) também atuou para impulsionar a proposta. Ele teria pedido aos presidentes Javier Milei, da Argentina, e Nayib Bukele, de El Salvador, apoio para que o governo norte-americano avance na classificação das facções brasileiras como organizações terroristas.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem manifestado oposição à medida em diferentes conversas com autoridades dos Estados Unidos. A posição brasileira se baseia no argumento de que PCC e Comando Vermelho são organizações criminosas voltadas ao lucro ilícito e não possuem motivações políticas ou ideológicas que caracterizem terrorismo.

Outro ponto levantado pelo governo brasileiro é o receio de que a classificação possa afetar a soberania nacional no tratamento de questões de segurança pública. Autoridades brasileiras avaliam que a medida poderia abrir espaço para maior atuação externa dos Estados Unidos em temas ligados ao combate ao crime organizado.

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