Mensagens enviadas pelo pastor André Valadão, líder da Igreja da Lagoinha em conversas no WhatsApp indicam a atuação de um senador em tratativas para “resguardar” o líder religioso. Os registros mostram orientações relacionadas ao momento considerado mais adequado para determinadas ações. As informações são do Metrópoles.
Em uma das mensagens encaminhadas por Valadão a um interlocutor, o texto de uma terceira pessoa afirma: “Pastor, será melhor esperar para final de fevereiro ou março , ele disse que vai estar mais tranquilo e ele vai fazer algumas ações para lhe resguardar”.
Na sequência, o pastor acrescenta ao diálogo: “Senador mandou esperar. Pra eu na ir mesmo pro 🇧🇷 [sic]”. As mensagens foram trocadas no dia 22 de janeiro deste ano.
Mensagens de WhatsApp para André Valadão – Reprodução
O nome de André Valadão aparece no contexto das investigações da CPMI do INSS, que apura possíveis irregularidades envolvendo benefícios previdenciários. A apuração inclui conexões com pessoas ligadas ao entorno do líder religioso.
Entre os citados está o empresário Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Zettel atuou como pastor em uma unidade da Igreja Batista da Lagoinha localizada no bairro Belvedere, em Belo Horizonte.
Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontou movimentações financeiras que somam R$ 40,9 milhões atribuídas ao empresário em repasses para a unidade religiosa.
O senador Alexandre Luiz Giordano (MDB-SP) O senador Alexandre Luiz Giordano (MDB-SP) O senador Alexandre Luiz Giordano (MDB-SP)
A Polícia Militar de São Paulo abriu procedimento interno para apurar a liberação do veículo do senador Alexandre Luiz Giordano após abordagem na segunda-feira (23), na zona norte da capital.
O parlamentar foi flagrado dirigindo uma Land Rover sem placas, com a CNH vencida e utilizando luzes estroboscópicas, equipamento semelhante ao “giroflex” de viaturas policiais.
Mesmo após ser autuado, o senador foi liberado e deixou o local dirigindo o próprio veículo. A corporação informou que ele possui imunidade parlamentar.
A liberação gerou questionamentos sobre o cumprimento do Código de Trânsito Brasileiro. A PM afirmou que analisa os procedimentos adotados na ocorrência.
O carro do senador Alexandre Luiz Giordano (MDB-SP) em fuga
Segundo o registro da ocorrência, o senador tentou fugir da abordagem. Ele chegou a subir na calçada e quase atropelar um policial antes de ser interceptado.
Durante a ação, Giordano se identificou como “federal” e depois como “senador da República”. Ele também se recusou a apresentar documentos no primeiro momento.
Após a abordagem, os policiais localizaram as placas do veículo no porta-malas. O senador foi autuado por dirigir sem placas, com CNH vencida e pelo uso irregular de luzes estroboscópicas.
Especialista em direito de trânsito afirmou que, em situação comum, o veículo deveria ser apreendido e encaminhado ao pátio até regularização. O senador não respondeu aos contatos feitos após o caso.
A Justiça do Rio de Janeiro decidiu, nesta quarta-feira (25), inocentar o ator e humorista Marcius Melhem em mais duas acusações de assédio sexual. A decisão resultou na exclusão desses episódios do processo.
Com isso, o número de casos ainda em análise judicial foi reduzido. As acusações descartadas não seguirão na ação que tramita contra o ex-diretor de humor.
Segundo informações do processo, as duas denúncias foram arquivadas por prescrição do prazo legal. O Ministério Público do Rio de Janeiro já havia se manifestado pela desistência de levar os casos adiante.
O órgão apontou que, após análise do material reunido no inquérito, não foram identificados elementos que comprovassem constrangimento das supostas vítimas. Também não houve comprovação do uso de posição hierárquica para obtenção de favores sexuais.
O humorista Marcius Melhem.
Em trechos avaliados, o promotor indicou que algumas conversas analisadas apontariam interações de intimidade recíproca entre as partes envolvidas.
O caso teve início após denúncias feitas por oito mulheres. Ao longo do processo, decisões judiciais e arquivamentos reduziram o número de acusações.
Com as novas decisões, resta apenas um episódio que ainda pode ser analisado pela Justiça. O andamento desse caso segue em tramitação.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução
Um dia antes de ser preso no aeroporto internacional de Guarulhos, em novembro de 2025, o empresário Daniel Vorcaro fez uma busca no Google sobre o juiz da 10ª Vara Federal de Brasília, onde tramitava o inquérito sigiloso que resultou em sua detenção. O registro da pesquisa foi encontrado no celular do banqueiro, apreendido pela Polícia Federal quando ele tentava embarcar em um jatinho com destino a Dubai, com escala em Malta, sob suspeita de fuga.
De acordo com informações do Globo, o material foi compartilhado com parlamentares da CPI do INSS e reforçou a suspeita de vazamento de informações sigilosas. Segundo investigadores, o print foi feito em 16 de novembro, um dia antes da prisão.
Na mesma data, Vorcaro criou uma anotação em seu celular com a frase “Vocês são próximos? Ricardo Soares Leite, 10 vara criminal federal”, que teria sido enviada a um destinatário não identificado por meio de mensagem com visualização única.
As apurações indicaram que o banqueiro já demonstrava conhecimento prévio da ordem de prisão. No dia 17, às 17h26, ele enviou mensagem ao ministro Alexandre de Moraes perguntando: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”.
Segundo a investigação, foram nove mensagens trocadas, nas quais Vorcaro relatava medidas adotadas para tentar “salvar” o Banco Master, enquanto Moraes respondia com emoticons e conteúdos de visualização única.
A ordem de prisão foi assinada pelo juiz substituto Ricardo Augusto Soares Leite às 15h29 daquele dia, com base em pedido do Ministério Público Federal feito um mês antes. O magistrado divide a vara com Antonio Claudio Macedo da Silva, responsável por outros processos da mesma unidade.
O juiz substituto da 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, Ricardo Augusto Soares Leite. Foto: reprodução
A Polícia Federal também identificou que Vorcaro teria acessado indevidamente sistemas internos do MPF, da própria PF e até do FBI. Quatro meses antes da prisão, ele já possuía informações sobre três procedimentos sigilosos, incluindo o que investigava irregularidades envolvendo o Banco Master e o BRB. Esses dados teriam sido enviados a um comparsa conhecido como “Sicário”.
Outro elemento que levantou suspeitas foi a publicação de uma reportagem no site O Bastidor, do jornalista Diego Escosteguy, no mesmo dia da prisão. O conteúdo antecipava a existência de investigação na 10ª Vara Federal. Segundo a PF, após a publicação, o material foi enviado ao próprio Vorcaro e a seu advogado, que acionaram a Justiça minutos depois da decisão judicial.
Mensagens extraídas do celular indicaram ainda que Vorcaro negociava pagamentos para publicação de conteúdos “de interesse do banqueiro”. Três dias antes da reportagem, Escosteguy teria enviado dados bancários para recebimento de valores. O jornalista afirmou que os pagamentos eram referentes a contratos de publicidade e que não interferiam na linha editorial.
A investigação também revelou que, antes da execução da prisão, o advogado Walfrido Warde afirmou que estava “infernizando o cara”, em referência ao juiz responsável pelo caso, e tentou contato direto com o magistrado. Para os investigadores, a tentativa de viagem ao exterior e a atuação da defesa reforçam a hipótese de que houve vazamento de informações confidenciais.
Recruta do Exército José Carlos Junior Carvalho Grachet. Foto: Divulgação
O soldado do Exército José Carlos Junior Carvalho Grachet, de 18 anos, morreu após passar mal durante um treinamento de corrida realizado em Goiânia. O jovem participava de atividades físicas no 1º Batalhão de Ações de Comandos quando apresentou sinais de mal-estar e precisou ser socorrido pela equipe médica da unidade.
Ele foi levado inicialmente a um posto de atendimento e depois transferido para a UTI de um hospital da região, mas não resistiu. Segundo o Exército, o caso ocorreu durante exercício de preparação física.
Após desmaiar, o militar recebeu atendimento imediato, porém o quadro se agravou durante o transporte para o hospital. A corporação informou que foi instaurado um Inquérito Policial Militar para apurar as circunstâncias da morte, enquanto a Polícia Civil de Goiás também abriu investigação para esclarecer a causa do óbito.
Até a última atualização, a Secretaria de Saúde não havia informado o diagnóstico que levou à morte do jovem. O Exército divulgou nota lamentando o ocorrido e manifestou solidariedade à família. Em publicação nas redes sociais, o Comando de Operações Especiais escreveu: “Que Deus conforte a todos neste momento de consternação”.
José Carlos Junior Carvalho Grachet morreu durante um treinamento em Goiás. Foto: Reprodução
Familiares e amigos relataram que José Carlos vinha se preparando há meses para ingressar na carreira militar. Segundo pessoas próximas, ele mantinha rotina intensa de treinos para o Teste de Aptidão Física exigido para o serviço. Um amigo afirmou que acompanhava a preparação. “Praticamente por dois meses eu e meu irmão gêmeo ajudamos ele a treinar para o TAF. Ele perdeu mais de 15 kg nesse período”.
De acordo com relatos, o jovem passou mal durante a corrida, perdeu o ritmo em relação aos colegas e caiu no chão antes de ser atendido. Um amigo descreveu o momento. “No meio do treino ele começou a perder posição em relação aos colegas, caiu de joelhos e teve um mal súbito”.
Nas redes sociais, diversas mensagens lembraram o entusiasmo do soldado ao ser aprovado para servir. Um dos amigos escreveu: “Lembro de você pulando de alegria com a carta do Exército aprovado. Dos momentos bons, dos churrascos de fim de semana, da gente treinando junto e correndo”.
Conhecido entre os colegas como comunicativo e bem-humorado, José Carlos era descrito como alguém muito próximo da família e dos amigos. Pessoas que conviveram com ele afirmaram que o jovem participava com frequência de atividades esportivas e mantinha rotina ativa. “Era um cara muito querido, sempre sorrindo, fazendo gracinha com tudo”, relatou um amigo.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução
Em editorial publicado neste domingo (22), o Estadão afirma que a possível delação de Daniel Vorcaro deve ser tratada com cautela e sobriedade institucional, à luz dos erros cometidos na Lava Jato. Para o jornal, a colaboração do banqueiro do Banco Master não pode ser convertida em espetáculo político ou midiático, nem servir como atalho investigativo sem a devida sustentação por provas independentes:
O sr. Daniel Vorcaro, por meio de seu advogado, formalizou a intenção de firmar um acordo de delação premiada. Na quinta-feira passada, o investigado deu o primeiro passo ao assinar um termo de confidencialidade. Por ordem do ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), no mesmo dia, Vorcaro foi transferido do presídio de segurança máxima de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal, onde terá melhores condições para negociar com as autoridades.
O movimento do banqueiro recoloca no centro do debate público um instrumento jurídico que tem sido mal compreendido e, não raras vezes, mal utilizado no País. Delação premiada não é prova de coisa alguma. Trata-se de um meio de obtenção de prova, entre tantos outros, sujeito a requisitos legais muito bem definidos na Lei 12.850/2013. Entre eles, destacam-se a voluntariedade do investigado ou réu colaborador, a utilidade das informações prestadas, a revelação da estrutura de uma organização criminosa e, principalmente, a imprescindível confirmação de seus termos por elementos probatórios diversos e independentes. Sem esses pressupostos, não há acordo válido, há um discurso interesseiro.
A delação de Vorcaro, portanto, deve ser recebida com um misto de serenidade e ceticismo. A história recente do País é pródiga em lições. Será um erro ignorá-las. Uma vez celebrados os acordos de delação premiada, muitas autoridades arrefeceram o ímpeto investigativo, como se a palavra dos colaboradores bastasse para seus propósitos. No âmbito da Operação Lava Jato, não foram poucas as denúncias oferecidas pelo Ministério Público com base quase exclusivamente em depoimentos de colaboradores. Resultado: condenações, acordos e multas bilionárias anulados poucos anos depois – muitos por decisões monocráticas do ministro Dias Toffoli, ele mesmo alvo potencial da delação de Vorcaro – e a corrosão da credibilidade de um instrumento que deveria fortalecer, e não substituir, uma investigação policial.
Editorial do Estadão sobre delação de Vorcaro. Foto: Reprodução
[…] Não é trivial o potencial de comprometimento da cúpula da República com os negócios do encalacrado banqueiro. Sabe-se, por exemplo, que ao menos dois ministros do STF, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, têm vínculos insofismáveis com o caso Master.
É nesse contexto que a delação de Vorcaro não só será firmada, de resto a etapa mais fácil, como terá de ser homologada pelo próprio STF. Forças muito poderosas atuarão para impedir esse acordo – ou anulá-lo.
Daí a necessidade de cautela diante da perspectiva de uma nova “delação do fim do mundo”. A tentação de transformar as confissões de Vorcaro em espetáculo ou instrumentalizá-las para fins político-eleitorais será enorme. Para os investigadores, pode parecer um atalho para a solução de um caso de altíssima complexidade. […]
A delação de Vorcaro tem de ser tratada com sobriedade institucional. Não é condição indispensável para a responsabilização de culpados nem muleta para investigações tíbias. Ao contrário. Quanto mais ruidoso for o teor do acordo, maior deve ser o escrutínio das autoridades sobre a consistência dos elementos de prova que o sustentam – assumindo-se, claro, que existam. […]
A delação de Vorcaro deve ser apenas o começo, jamais o fim, de um bom trabalho investigativo. Passa da hora de o Brasil amadurecer para a cobertura midiática desses acordos e para cobrar investigações e processos bem instruídos, de modo a produzir decisões judiciais que resistam ao tempo.
O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — Foto: Edilson Dantas/Agência O Globo
Cinco meses após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central (BC), o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) permanece em silêncio sobre o escândalo que envolveu a falência da instituição financeira e seus desdobramentos. A ausência de declarações de Flávio Bolsonaro sobre o caso é vista com “estranheza” por aliados, especialmente considerando que o escândalo é um dos maiores episódios de fraude financeira no Brasil. Com informações de Lauro Jardim, do Globo.
Enquanto Bolsonaro se cala, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se posicionado publicamente sobre o escândalo, com um discurso contundente. Na última quinta-feira (19), Lula afirmou que “não deixaremos pedra sob pedra para apurar tudo o que fizeram, dando um rombo de R$ 50 bilhões neste país”. A postura de Lula contrasta com a ausência de comentários de Flávio Bolsonaro sobre o caso, especialmente considerando que o escândalo envolve figuras do governo Bolsonaro e do círculo político de Flávio.
Enquanto isso, o Partido dos Trabalhadores (PT) tem intensificado as críticas a Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em uma resolução publicada recentemente, o PT questiona a omissão de Flávio Bolsonaro sobre o escândalo, destacando a negligência do governo Bolsonaro na supervisão do setor financeiro e sua ligação com Daniel Vorcaro, o banqueiro acusado de fraude. “O banco foi fundado e operou livremente durante o governo Bolsonaro, período em que acumulou fortes indícios de gestão fraudulenta”, afirma o PT.
A resolução do partido também acusa o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, de ter permitido o crescimento do esquema de corrupção, sem realizar intervenções necessárias. No entanto, o PT foca suas críticas diretamente em Flávio Bolsonaro, associando-o ao financiamento eleitoral de sua campanha e ao uso de recursos oriundos do Banco Master: “Flávio Bolsonaro representa a continuidade do mesmo projeto autoritário e antipopular que o Brasil derrotou nas urnas”.
Além da publicação oficial, grupos de WhatsApp ligados ao PT têm propagado vídeos e conteúdos que associam Vorcaro a Flávio Bolsonaro. Uma postagem, por exemplo, traz uma montagem que relaciona o nome de Flávio Bolsonaro com os contatos encontrados na agenda de Vorcaro. “A teia do escândalo BolsoMaster só cresce e todos os caminhos levam ao clã Bolsonaro”, diz o texto compartilhado nos grupos.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução
Em entrevista, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiram que a estratégia de comunicação do governo foi errada ao evitar um confronto direto com Flávio Bolsonaro. Alguns membros do PT acreditam que, ao focar apenas em pautas positivas e evitar embates com Flávio, o governo perdeu tempo e espaço. “Agora seria, portanto, necessário ajustar a rota”, disseram. Para o PT, a relação entre Flávio Bolsonaro e o escândalo do Banco Master precisa ser destacada como um fator crucial para desmantelar a narrativa da direita.
Em paralelo, o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas presidenciais tem gerado um alerta entre governistas, que veem na omissão da sua relação com o escândalo uma falha na comunicação do governo. O PT busca agora reorganizar sua estratégia e manter a pressão sobre Flávio Bolsonaro, utilizando a associação ao Banco Master como uma ferramenta de desgaste político.
Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto aparece sem camisa no corredor do apartamento. Foto: Divulgação
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de assassinar sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, foi preso após uma série de comportamentos considerados “atípicos” e “gélidos” durante a investigação de sua morte. A soldado foi encontrada baleada na cabeça em 18 de fevereiro, e o oficial, que inicialmente alegou suicídio, é agora suspeito de feminicídio e fraude processual. “Irmão, é tiro de .40”, disse Neto, com frieza, ao ser informado sobre o estado de saúde de Gisele, que ainda apresentava sinais vitais na ocasião. Com informações do Globo.
O comportamento de Neto, registrado por câmeras corporais da polícia, gerou desconfiança. O oficial insistiu em tomar banho, mesmo após ser alertado sobre o risco de destruir provas, como resíduos de pólvora nas mãos. “Eu sei o que estou falando… eu vou tomar banho, irmão!”, afirmou. Além disso, Neto demonstrou irritação quando percebeu que os policiais haviam alterado a disposição do quarto, questionando: “Quem foi que fez isso?”. Esse comportamento, somado à tentativa de alterar a cena, levou à prisão preventiva do tenente-coronel, que nega a acusação de homicídio.
A investigação da Polícia Civil e os laudos periciais apontam que Gisele foi abordada de forma deliberada. O tiro foi disparado com a arma encostada na têmpora da vítima, e os exames confirmaram que o disparo não foi compatível com um suicídio. A posição da arma, que estava na mão da vítima, e as manchas de sangue encontradas na bermuda de Neto também desmentem a versão inicial apresentada por ele. A perícia identificou ainda marcas de sangue no banheiro, contradizendo a narrativa de que Neto estava distante da cena do crime.
Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto e a soldado Gisele Alves. Foto: Reprodução
Relatos de colegas de trabalho de Gisele indicam que o relacionamento do casal era marcado por ciúmes e controle excessivo por parte de Neto. Ele frequentemente aparecia no ambiente de trabalho da esposa, utilizando sua posição hierárquica para desqualificar profissionalmente a soldado e monitorar suas atividades. O comportamento controlador de Neto gerou desconforto entre os colegas de Gisele, que relatam situações constrangedoras causadas pelo oficial.
A defesa de Neto, que insiste na tese do suicídio, entrou com um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para reverter a decisão de prisão preventiva. Os advogados alegam que houve uma descontextualização dos elementos utilizados para justificar a prisão e que aspectos da vida privada de Neto foram indevidamente expostos. A investigação continua, e a Polícia Civil segue trabalhando para esclarecer completamente os eventos que levaram à morte de Gisele.
O caso está gerando grande repercussão, com denúncias de abuso psicológico e de controle de Neto sobre sua esposa. A prisão do tenente-coronel reflete o avanço das investigações de feminicídio e a busca por justiça, enquanto o impacto emocional na família e colegas de Gisele continua sendo um tema central da discussão.
Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto aparece sem camisa no corredor do apartamento. Foto: Divulgação
Gravações de câmeras corporais de policiais militares mostram a disputa de poder entre o tenente-coronel Geraldo Neto e um cabo da PM no apartamento onde sua esposa, a soldado Gisele Alves, foi baleada na cabeça. O caso, ocorrido no dia 18 de fevereiro, levanta suspeitas sobre a versão de suicídio defendida por Neto, que está preso preventivamente e é réu por feminicídio e fraude processual. Gisele foi socorrida, mas morreu no mesmo dia no hospital. As informações são do g1.
Nos vídeos, captados por uma câmera corporal do cabo, é possível ver o tenente-coronel insistindo para tomar banho, mesmo contra as ordens dos policiais que estavam preservando a cena do crime. “Eu vou tomar banho, irmão”, disse Neto, desobedecendo a orientação de que ele deveria apenas vestir uma camiseta e calça para seguir à delegacia. A tensão entre os PMs e o oficial de alta patente é evidente, e o comportamento de Neto levanta suspeitas de que ele tenha tentado alterar evidências da cena do crime.
Ao ser questionado, Neto afirmou que estava no banho quando ouviu o disparo e que não havia tomado banho completo. No entanto, o cabo, ciente da importância de preservar a cena, temia que Neto apagasse possíveis provas. “Se tomar banho vai perder tudo os baguio [vestígios] da mão”, comentou o cabo, evidenciando o receio de que resquícios de pólvora fossem apagados antes da perícia.
A insistência de Neto em tomar banho, apesar das advertências, foi um ponto-chave nas investigações. O exame de resíduos feito nas mãos do oficial após o banho não encontrou vestígios de pólvora, o que corrobora a hipótese de que ele não tenha disparado a arma. “Se fosse um paisano a gente já arrasta para perto”, disse o cabo, sugerindo que, se fosse uma pessoa comum, o tratamento seria diferente.
O caso ganhou contornos ainda mais complicados quando o tenente-coronel começou a circular pelo apartamento e a permitir que outros policiais entrassem e limpassem a cena. Segundo as gravações, Neto voltou ao imóvel diversas vezes, acompanhado de pessoas, e retirou itens do local, ações que aumentaram as dúvidas sobre a integridade da cena do crime.
A polícia agora investiga não apenas a versão de Neto, mas também o possível desvio de conduta de agentes que permitiram suas ações. Em coletiva de imprensa, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que “caso seja constatada irregularidade de qualquer agente, as medidas cabíveis serão adotadas.” A defesa de Neto ainda não se manifestou, mas já havia declarado anteriormente que o caso se tratava de um suicídio.
Intimidação – Gravações das câmeras corporais de policiais militares mostram a disputa de poder hierárquico entre um cabo _ que queria preservar o local onde a soldado Gisele Alves foi baleada na cabeça _, e a autoridade de um oficial de alta patente, o marido dela, o… pic.twitter.com/zdJNJB5cq5
Daniel Vorcaro e a cantora Anitta. Foto: reprodução
Mensagens obtidas em investigação da Polícia Federal revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, relatou ter intermediado um encontro com a cantora Anitta, o irmão dela e empresários ligados ao setor de apostas esportivas. O diálogo faz parte do material apreendido na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo o grupo do empresário.
A conversa foi registrada em 9 de setembro de 2024 e enviada por Vorcaro à então namorada, Martha Graeff, e obtida pelo Metrópoles. Na mensagem, ele descreve a organização do encontro. “A Anitta vai vir agora com o irmão dela. Vamos fazer uma reunião bem rápida, de no máximo uma hora. Já falei que às 22h todo mundo out [fora], porque tenho jantar com o amor da minha vida”, escreveu.
Questionado por Martha sobre quem participaria da reunião, o banqueiro detalhou os convidados. “São quatro amigos meus, sócios de um negócio de bet, a Anitta e o irmão dela”, afirmou. Em outro trecho da conversa, Graeff demonstra resistência em encontrar a cantora. “Você se importa em encontrar com a turma?”, perguntou Vorcaro. “Eu não vou encontrar com ela, já falei”, respondeu.
Dois dias após o diálogo, em 11 de setembro de 2024, Anitta participou do MTV Video Music Awards, realizado em Nova York, nos Estados Unidos, onde Vorcaro vivia à época. Não há confirmação de que o encontro mencionado tenha ocorrido, nem detalhes sobre qual empresa de apostas estaria envolvida na reunião citada pelo banqueiro.
Recentemente, uma plataforma do setor, a Bet.Bet, apareceu como patrocinadora oficial da turnê “Ensaios da Anitta” em 2025, cujo tema foi “Maratona da Jogação”, voltado a modalidades esportivas. Ainda assim, não há indicação de relação direta entre a cantora e o conteúdo investigado pela Polícia Federal.
Bet.bet aparece em material do “Ensaio da Anitta”. Foto: reprodução
O irmão de Anitta, Renan Machado, citado nas mensagens, é sócio da artista e atua como seu principal gestor de carreira, com participação em decisões estratégicas e projetos profissionais.
As mensagens analisadas integram o conjunto de provas que embasam a terceira fase da Operação Compliance Zero. Até o momento, não há informação de que Anitta seja investigada ou tenha qualquer envolvimento com o caso Banco Master. A apuração segue sob responsabilidade da Polícia Federal, com foco nas atividades atribuídas ao grupo de Vorcaro.
A defesa da modelo Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, afirmou que ela não possui bens vinculados ao empresário e que vive de aluguel em Miami, nos Estados Unidos. Em entrevista ao “Estúdio I”, da GloboNews, na quinta-feira (19), o advogado Lúcio de Constantino disse que o patrimônio da influenciadora permaneceu inalterado antes, durante e após o relacionamento com o dono do Banco Master.
“A Martha possui um patrimônio que é igual antes, durante e depois do relacionamento. Eu perguntei: ‘Martha, tu mora onde?’ Ela mora de aluguel, em um apartamento alugado”, disse.
Apesar da afirmação, o imóvel citado é uma cobertura de alto padrão com cerca de 700 m² no complexo Four Seasons Surfside, em uma das áreas mais valorizadas de Miami. Segundo informações do caso, o contrato de aluguel teria sido pago antecipadamente por Vorcaro, e a mudança da modelo para o local ocorreu após o início do relacionamento.
A investigação da Operação Carbono Oculto identificou mensagens em que o banqueiro discutia a criação de um trust para Martha, com valores que poderiam ultrapassar R$ 520 milhões. A defesa, no entanto, nega que a influenciadora tenha conhecimento ou participação em qualquer estrutura financeira.
“A Marta possui um patrimônio que é igual antes, durante e depois do relacionamento com o senhor Daniel Vorcaro. Basta examinar as declarações de renda”, afirmou Constantino. “Ela inclusive questionou o que era um trust nas mensagens. Ela não sabia o que significava”.
Daniel Vorcaro e Martha Graeff. Foto: reprodução
Segundo o advogado, Martha chegou a buscar explicações sobre o termo e consultou um advogado nos Estados Unidos, que confirmou a inexistência de um trust em seu nome. “Ela buscou contato com um advogado nos Estados Unidos, que informou não haver nenhum trust em nome dela”, disse.
Sobre bens de luxo mencionados nas investigações, como imóveis e carros de alto valor, a defesa afirmou desconhecimento. “Ela não conhece nada disso. Eu perguntei: ‘Martha, tu mora onde?’. Ela mora de aluguel. O patrimônio que ela tem foi construído em 20 anos de trabalho nas redes sociais”.
Em nota, a defesa reforçou que “A Sra. Martha não possui imóveis, automóveis ou depósitos de valores decorrentes do relacionamento com o Sr. Daniel Vorcaro. Também não tem conhecimento sobre a existência de algum trust que lhe envolva, seja nos Estados Unidos ou em qualquer outro país”.
O advogado também criticou a divulgação de mensagens íntimas envolvendo o casal, incluindo diálogos que mencionam encontros políticos e o nome do ministro Alexandre de Moraes. “São milhares de informações que estão estruturalmente desorganizadas. (…) Existe um meio eficaz para resolver isso [citação de autoridade] e não é fazer uma publicidade, não é fazer uma mídia agressiva de relações e de intimidade. Você tem um elemento próprio para investigar em condições idôneas e não se faz.”
Em uma das mensagens, Martha reage a uma suposta videochamada com o ministro: “Morri… que vergonha, eu estava de pijama”.
Segundo a defesa, a exposição pública teve forte impacto emocional. “Houve uma degradação da esfera privada. Isso atingiu uma mulher que é mãe de uma menina de 6 anos. Ela ficou consternada pela falta de responsabilidade de quem divulgou esses dados”, afirmou Constantino.
O advogado relatou ainda que a cliente enfrenta um quadro de depressão após o escândalo. “Ela foi surpreendida com esse rombo com esse escândalo todo, tenha dúvida, não tenha dúvida (…) Esta mulher caiu em depressão.”
“Aconteceu foi num período ela ter namorado uma pessoa que se destacava no sistema financeiro (…) e que depois disso começa uma série de revelações que ela desconhecia e que ela começa a ser partícipe do público para conhecer o que está acontecendo.”
Constantino também comentou o comportamento de Vorcaro nas mensagens. “Em alguns momentos, percebe-se que ele ‘sobejava’ informações, que ele se valorizava. Isso parece um pouco comum em relação de namorados”.
Martha Graeff foi convocada para depor na CPI do Crime Organizado, mas a defesa avalia que o depoimento pode ser prejudicado caso esteja baseado em mensagens consideradas inválidas judicialmente. “Se o interesse de ouvi-la é vinculado a mensagens que foram proibidas, o depoimento fica prejudicado. Não há como fazer um movimento junto a uma prova que foi vedada”, concluiu.
O banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro – Reprodução
A transferência do banqueiro Daniel Vorcaro para a carceragem da Polícia Federal em Brasília colocou o dono do Banco Master no mesmo espaço onde o ex-presidente Jair Bolsonaro ficou preso após a condenação pela trama golpista. A mudança foi autorizada pelo ministro André Mendonça e ocorreu no momento em que Vorcaro iniciou tratativas para um acordo de delação premiada. Com informações do Globo.
Até então, o banqueiro estava sob custódia na Penitenciária Federal de Brasília, em regime de segurança máxima. Nesse modelo, os presos ficam em celas menores, com rotina mais restrita, isolamento mais rígido e circulação limitada, sempre sob protocolos severos de escolta e controle.
Na estrutura da Polícia Federal, o ambiente é mais amplo e conta com condições diferentes das do sistema penitenciário federal. O local onde Vorcaro passou a ficar é o mesmo que recebeu Bolsonaro durante parte de sua prisão em Brasília, em uma área adaptada para custódia de autoridades.
Cela da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal – Reprodução
A transferência também atende à nova fase do caso, já que a permanência na PF facilita reuniões com advogados, deslocamentos internos e eventuais oitivas com investigadores. A defesa de Vorcaro vinha tentando retirá-lo do regime de segurança máxima, alegando dificuldades de contato e de andamento da estratégia jurídica.
Vorcaro chegou à Superintendência da Polícia Federal no início da noite desta quinta-feira (19), após deixar o sistema penitenciário federal de helicóptero. Ele estava preso desde 4 de março e formalizou um termo de confidencialidade antes de iniciar as conversas relacionadas à possível colaboração.
Bolsonaro, por sua vez, permaneceu por 54 dias na carceragem da PF, entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, antes de ser transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou nesta segunda-feira (16) que não pretende recuar diante de possíveis ações judiciais e reiterou a defesa da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar irregularidades relacionadas ao Banco Master.
A declaração foi feita após a divulgação de que o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, avalia processar o parlamentar por calúnia e difamação.
Em publicação nas redes sociais, Vieira afirmou: “Tentativas de intimidação não assustam e não vão nos calar. Nosso compromisso é com os brasileiros, especialmente com as milhares de vítimas do caso Master, e é com seriedade e coragem que seguiremos trabalhando todos os dias!”.
O senador também declarou que não se surpreendeu com a possibilidade de ação judicial e voltou a defender a abertura da CPI para investigar relações envolvendo o Banco Master. Ele afirmou que a apuração deve incluir eventuais vínculos com autoridades públicas.
Vieira disse ainda: “O que eu disse e volto a repetir foi que a família (de Moraes), através do escritório de advocacia da Viviane Barci, recebeu recursos do Master. E todos nós sabemos que o Banco Master é uma organização criminosa. Lesou milhares, talvez milhões de brasileiros, pelo país afora”.
Em outra manifestação, o parlamentar acrescentou: “Intimidação não vai funcionar. Isso mostra a importância de uma CPI específica para investigar a atuação deste e de outros ministros (do STF) que possam ter envolvimento com essa situação”.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro foi notificado pela Polícia Federal (sobre uma investigação por abandono de cargo como escrivão da corporação. Ele tem 15 dias para apresentar sua defesa em um processo administrativo, conforme publicado no Diário Oficial da União.
O comunicado aponta que Eduardo está sendo investigado por “indícios da prática de abandono de cargo” após não retornar à função quando foi convocado pela PF. Em janeiro deste ano, a corporação determinou que Eduardo voltasse a exercer o cargo de escrivão, mas ele criticou a medida, chamando-a de “perseguição judicial”.
Eduardo afirmou que não entregaria o cargo “de mãos beijadas”. Atualmente, o ex-deputado encontra-se “em lugar incerto e não sabido”, como apontado pela delegada Karen Cristina Dunder. Ele vive nos Estados Unidos desde março de 2025.
O ex-parlamentar foi afastado do cargo de escrivão para cumprir seu mandato de deputado federal. Contudo, seu mandato foi cassado em dezembro de 2025 devido a 59 faltas injustificadas nas sessões deliberativas, ultrapassando o limite previsto pela Constituição.
Polícia Federal. Foto: Divulgação
A falta de retorno ao cargo após a cassação gerou o processo administrativo disciplinar, com possibilidade de demissão por abandono de cargo, conforme a legislação. A remuneração para o cargo de escrivão da PF é de R$ 14.164,81, podendo chegar a cerca de R$ 20 mil para servidores no topo da carreira.
No período em que esteve afastado para cumprir seu mandato, Eduardo não recebia salário como escrivão. As funções do posto envolvem atuar em investigações, dar cumprimento a formalidades processuais, lavrar termos e mandados, além de acompanhar autoridades policiais em diligências.
Além das funções administrativas, o escrivão também é responsável por garantir a segurança orgânica e cumprir outras atividades relacionadas à função policial. A investigação contra Eduardo Bolsonaro ocorre dentro de um contexto legal em que servidores públicos podem ser demitidos por abandono de cargo, uma vez que o processo administrativo é instaurado.
A deputada federal Erika Hilton fez uma grave denúncia contra o governo do Paraná, liderado pelo pré-candidato à Presidência, Ratinho Jr. Ela afirmou que o estado manteve em atividade um militar acusado de abusar sexualmente de pelo menos nove meninas em uma escola cívico-militar do Paraná, mesmo após o caso ser investigado.
A parlamentar cobrou medidas enérgicas e afirmou que o militar, em vez de ser afastado, foi transferido para o setor administrativo. Em suas redes sociais, Erika Hilton compartilhou detalhes da denúncia, destacando o fato de o acusado ter continuado trabalhando na escola por dois anos após as acusações.
“Estou denunciando o governo de Ratinho Jr. por manter um militar investigado por estupro de vulnerável trabalhando numa escola cívico-militar do Paraná. O militar, acusado de abusar de ao menos nove meninas de 11 a 13 anos, continuou na escola por dois anos após as denúncias”, escreveu a deputada.
Além da transferência para um setor administrativo, Hilton destacou o risco que essa decisão representou para a segurança das crianças.
“Sabem qual foi a medida tomada? O militar, que antes era inspetor, foi transferido para o setor administrativo da mesma escola. Ou seja, um militar, com direito ao porte de arma, acusado de estupro de vulnerável, possivelmente passou a ter acesso aos endereços e imagens das vítimas e de outras meninas”, afirmou a deputada.
🚨 Estou denunciando o governo de Ratinho Jr. por manter um militar investigado por estupro de vulnerável trabalhando numa escola cívico-militar do Paraná.
O militar, acusado de abusar de ao menos nove meninas de 11 a 13 anos, continuou na escola por dois anos após as denúncias.… pic.twitter.com/BJiUgL1OHJ
O caso ganha contornos ainda mais intensos devido ao recente confronto entre a deputada e o pai do governador, o apresentador de TV Ratinho. A polêmica surgiu a partir de declarações transfóbicas feitas por Ratinho em seu programa no SBT.
Ele criticou a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, afirmando que a parlamentar “não é mulher, ela é trans”.
O apresentador, durante a transmissão ao vivo, também questionou a justiça de uma mulher trans ocupar o cargo, afirmando que a posição deveria ser destinada a uma mulher cisgênero.
A deputada protocolou solicitações de investigação criminal por transfobia, solicitou reparação por danos morais coletivos ao Ministério Público Federal e pediu ao Ministério das Comunicações a suspensão do programa por 30 dias.
O MPF do Rio Grande do Sul ajuizou uma ação civil contra o apresentador, requerendo uma indenização de R$ 10 milhões. De acordo com o órgão, houve discurso de ódio e desumanização da identidade de gênero da comunidade LGBT+.
O secretário de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro, Gutemberg Fonseca, será candidato à Câmara dos Deputados nas próximas eleições. Fonseca, que foi indicado ao cargo pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se vê no centro de uma polêmica investigação da Polícia Federal. Segundo a PF, ele teria negociado com um integrante do Comando Vermelho (CV) para garantir policiamento no estado, mas o secretário nega qualquer envolvimento com a facção criminosa. Com informações do PlatöBR.
A situação complicou a candidatura de Fonseca, já que Flávio Bolsonaro foi alertado sobre os possíveis danos à sua própria campanha presidencial. A Polícia Federal investigou e levantou suspeitas sobre o contato entre Fonseca e o CV, mas o ex-assessor negou as acusações e se manteve firme em sua defesa. A situação levou o senador a ser aconselhado a se afastar temporariamente de Fonseca para não prejudicar sua candidatura.
Apesar da pressão, Flávio Bolsonaro, que tem se movimentado intensamente para alavancar sua campanha à presidência, decidiu apoiar a candidatura de Gutemberg Fonseca para a Câmara dos Deputados. O apoio de Flávio a Fonseca reflete uma continuidade no apoio aos aliados, mesmo diante das investigações. O PL, partido de Bolsonaro, continua apoiando a candidatura do secretário, que também conta com o respaldo de outros membros influentes da legenda.
Com o apoio de Flávio, Fonseca continua se preparando para disputar a vaga na Câmara, enquanto aguarda o desfecho da investigação da PF. A candidatura de Fonseca é vista como uma tentativa de fortalecer a base do PL no Rio de Janeiro, onde o partido ainda busca consolidar apoio popular. A situação, no entanto, continua a gerar críticas e discussões, com adversários políticos utilizando as investigações como uma forma de questionar a transparência e a ética da campanha.
O senador Flávio Bolsonaro (PL)
A relação entre Flávio Bolsonaro e Gutemberg Fonseca também levanta questões sobre os vínculos do senador com setores controversos. Apesar das críticas, Flávio segue em busca do apoio de sua base e se mantém firme em sua candidatura à presidência, com Fonseca sendo uma das peças-chave em sua estratégia eleitoral. O caso continua a gerar repercussões, com a oposição exigindo mais clareza sobre os supostos envolvimentos com facções criminosas.
A Polícia Federal segue monitorando a investigação, enquanto Fonseca tenta limpar seu nome das acusações. Por outro lado, Flávio Bolsonaro enfrenta a difícil tarefa de equilibrar os interesses de sua campanha com as consequências de sua aliança com um candidato investigado. Com o cenário político em ebulição, a candidatura de Fonseca promete ser um dos temas centrais da campanha eleitoral do PL.
Em meio à pressão, a decisão de Flávio de apoiar Fonseca também reflete a dinâmica das alianças políticas no Brasil, onde interesses pessoais e partidários muitas vezes se sobrepõem às acusações de corrupção e envolvimento com organizações criminosas. A disputa eleitoral de 2026 se configura cada vez mais complexa, com o PL tentando consolidar seu poder em um contexto de investigações e polarização política.
Enquanto isso, a oposição ao governo Bolsonaro continua a criticar a relação entre o senador e seus aliados. Em um ano eleitoral marcado por tensões e acusações, o futuro de Fonseca e a reação do público à sua candidatura podem ser decisivos para o desenrolar da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. A batalha eleitoral no Rio de Janeiro ganha contornos ainda mais intensos com essa aliança controversa.
O apresentador Ratinho se pronunciou após repercussão de comentários transfóbicos feitos sobre a deputada federal Erika Hilton durante seu programa no SBT. As ofensas ocorreram após ele comentar a eleição da parlamentar para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
Após a repercussão, o apresentador afirmou que suas falas fazem parte de crítica política e negou intenção de preconceito. “Defendo a população trans. Mas defendo também o direito de questionar quem governa. Crítica política não é preconceito. É jornalismo. E não vou ficar em silêncio.”
🚨VEJA: Ratinho se pronuncia após falas contra Érika Hilton:
“Eu defendo a população trans, mas defendo também o direito de questionar quem governa. Crítica política, gente, não é preconceito, é jornalismo. E eu não vou ficar em silêncio”.
Durante o programa, Ratinho questionou a escolha da deputada para o cargo e fez comentários sobre identidade de gênero. “Ela não é mulher, ela é trans. Eu não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres, mulher mesmo… Mulher para ser mulher tem que ser mulher, gente. Eu até respeito, respeito todo mundo que tem comportamento diferente, está tudo certo. Agora, para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias”, disse.
O apresentador também declarou que não concorda com a eleição da parlamentar para a comissão. “Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher. Mas quero dizer que não tenho nada contra a deputada, o deputado… A deputada Erika Hilton. Ela não me fez nada, ela só fala bem, mas não tenho nada contra ela. Acho que deveria ser uma mulher.”
Em outro momento, Ratinho questionou se uma mulher trans poderia representar pautas femininas. “Para quem não sabe, a deputada Erika Hilton é trans, mas será que ela entende dos problemas e desafios de uma pessoa que nasceu mulher? Não é fácil ser mulher. Imagine se uma mulher trans fosse defender as pautas relacionadas ao público masculino? Estaria certo? Também não. Está certo, vamos nos modernizar, ter inclusão, mas não precisa exagerar.”
DESSERVIÇO! Ratinho dispara contra Érika Hilton ao vivo, e diz que a Deputada NÃO É MULHER.
A deputada respondeu nas redes sociais e afirmou não se preocupar com as críticas. “Não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbecis é a última coisa que me importa. Hoje fiz história por mim, que tive minha adolescência e minha dignidade roubada pelo preconceito e discriminação.”
Ela também comentou a eleição para a presidência da comissão. “Podem espernear. Podem latir. Eu sou a presidenta da Comissão da Mulher? E foi a minha luta, a minha história e a minha garra que me trouxeram até aqui.”
O SBT divulgou nota afirmando que as declarações não representam a posição da emissora. “O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores.”
Erika Hilton informou que acionou o Ministério Público Federal para investigar o caso e pediu abertura de ação civil pública com pedido de indenização por danos morais coletivos. Segundo ela, as falas não atingem apenas pessoas trans. “Este ataque de Ratinho foi contra todas as mulheres trans e contra todas as mulheres cis que não menstruam mais ou nunca menstruaram.”
A deputada também afirmou que pretende levar o caso adiante. “Ratinho e o SBT pagarão por seus atos. Eles não pagarão a mim, mas a todas as mulheres vítimas de violência, trans e cis. Por fim, vale lembrar: eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é, e sempre será, um rato.”
Sim, estou processando o apresentador Ratinho.
Sei que, pela audiência irrisória de seu programa, que até onde sei não agrada nem suas chefes no SBT, lhe resta apelar à violência.
Porque o que o apresentador cometeu foi uma violência, um ataque, e não foi só contra mim.… pic.twitter.com/F9Suqaf3b8
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, determinou busca e apreensão na residência do jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, conhecido como Luís Pablo, após publicações em que ele apontou suposto uso irregular de veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino em São Luís.
A decisão autorizou a apreensão de celulares e computador e foi cumprida na terça-feira (10).
Na decisão, Moraes afirmou que há indícios da prática do crime previsto no artigo 147-A do Código Penal, que trata de perseguição, além de possível relação com outras condutas investigadas. O ministro citou uma série de reportagens publicadas no blog do jornalista desde novembro, iniciadas com o texto intitulado “Carro pago pelo Tribunal de Justiça do Maranhão é entregue a Flávio Dino e usado por sua família em São Luís”.
Segundo Moraes, o conteúdo sugere que o autor teria utilizado mecanismos para identificar veículos oficiais, o que poderia expor informações sensíveis ligadas à segurança de autoridades. O ministro também afirmou que as condutas apresentam modus operandi semelhante ao investigado no Inquérito 4781, conhecido como inquérito das fake news.
De acordo com o advogado Lucas Mourão, que se manifestou no X, “o ministro não indica falsidade na apuração, não solicita correção pontual da informação, de modo que a busca e apreensão parece uma medida providencial de efeito intimidatório. A medida parece menos tutela cautelar e mais ‘pedagogia’ contra a imprensa”.
“O sigilo da fonte, ao que consta, continua sendo garantia constitucional e não detalhe convenientemente descartável quando o noticiário desagrada. Espero sinceramente que o rumo desse caso seja revertido, respeitando, inclusive, a robusta jurisprudência do STF sobre liberdade de expressão e de imprensa”, escreveu.
🚨URGENTE – Luís Pablo Almeida, jornalista que sofreu busca e apreensão por ordem de Alexandre de Moraes, diz que o objetivo era descobrir suas fontes
“A forma como vieram fazer a busca e apreensão é para saber quem foi que me passou a informação.” pic.twitter.com/QoYr08tdHj
Em março de 2017, a Polícia Federal já havia prendido Luís Pablo e outros suspeitos no Maranhão sob acusação de extorquir empresários e servidores públicos. Segundo as investigações, o grupo obtinha informações sigilosas sobre operações policiais e cobrava valores para não divulgá-las na imprensa local.
Na chamada Operação Turing, foi preso ainda o policial federal Danilo dos Santos Silva, suspeito de repassar dados protegidos por sigilo para os blogueiros.
De acordo com o Ministério Público Federal, o grupo seria liderado por Luís Pablo, Luís Assis Cardoso Silva de Almeida, conhecido como Luís Cardoso, e Hilton Ferreira Neto, o Neto Ferreira. As apurações indicaram que eles cobravam entre R$ 1,5 mil e R$ 10 mil por publicações ou pela omissão delas, usando reportagens para pressionar empresários, servidores e pessoas politicamente expostas.
O delegado Max Eduardo Pinheiro, da Polícia Federal, afirmou na época que havia relatos de que o grupo utilizava denúncias e ligações com políticos locais para fazer chantagem e obter vantagens. As investigações também apontaram que o esquema funcionava com vazamento antecipado de informações sob segredo de Justiça, que eram usadas para ameaçar alvos de operações.
Em troca, segundo a polícia, alguns investigados conseguiam favores, cargos e publicações favoráveis na imprensa local. O juiz federal José Magno Linhares Morais afirmou à época que as prisões foram necessárias para evitar destruição de provas e combinação de versões entre os envolvidos.
Reportagens publicadas pelo blogueiro desde novembro afirmam que Dino estaria utilizando, em São Luís (MA), um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA). O carro teria sido comprado com recursos do Fundo Especial de Segurança dos Magistrados (Funseg-JE), destinado à proteção institucional de magistrados e ao uso em atividades do Judiciário estadual.
De acordo com o blog, o veículo — um Toyota SW4 — passou a ser usado pelo ministro e por familiares em deslocamentos particulares na capital maranhense. A publicação sustenta que o automóvel integra a frota restrita do tribunal e, em regra, estaria destinado ao presidente do TJ-MA, a corregedores ou ao apoio eventual a autoridades em missões oficiais.
O site também afirma que o carro possui placa reservada e seria abastecido com recursos públicos do próprio tribunal. As reportagens apresentam imagens que, segundo o blogueiro, mostram o veículo sendo utilizado sem relação com atividades de segurança institucional do Judiciário ou com compromissos oficiais do ministro.
Em nota, Dino declarou que existem normas que autorizam a utilização de veículos de segurança do Supremo Tribunal Federal em cooperação com tribunais estaduais, dentro de protocolos de proteção de autoridades.
Luís Pablo, que se apresenta como responsável pelo “blog mais polêmico do Maranhão”, é ligado ao governador Carlos Brandão, adversário do grupo político ligado a Flávio Dino no estado.
Caso Flávio Dino vs. Jornalista Luís Pablo
O ministro não indica falsidade na apuração, não solicita correção pontual da informação, de modo que a busca e apreensão parece uma medida providencial de efeito intimidatório. A medida parece menos tutela cautelar e mais “pedagogia”…
Daniel Vorcaro com ex-namorada Martha Graeff – Foto/Reprodução
A influenciadora Martha Graeff contratou uma assessoria de comunicação e um advogado e passou a adotar medidas para se desvincular publicamente do banqueiro Daniel Vorcaro. A iniciativa ocorre após a nova prisão do empresário, na última quarta-feira (4), quando ele foi levado para a Penitenciária Federal em Brasília. Com informações do Uol.
Vorcaro foi alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades na gestão do Banco Master. De acordo com a Polícia Federal, ele comandaria uma organização criminosa, possuía um “braço armado” e a prisão seria necessária para interromper a atuação do grupo.
Martha Graeff não foi alvo da operação. O nome da influenciadora apareceu após a divulgação de mensagens trocadas entre ela e o banqueiro encontradas no telefone celular de Vorcaro, periciado pela Polícia Federal.
Martha Graeff. Foto: reprodução
Nos diálogos, além de conversas pessoais, o banqueiro menciona encontros com autoridades e cita políticos e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. As mensagens vieram a público durante a investigação.
A nova assessoria contratada por Martha procurou veículos de imprensa para informar que ela e Vorcaro não mantêm mais relacionamento. Segundo a equipe, os dois estão separados “há alguns meses” e o relacionamento ocorreu à distância. A assessoria também informou que a influenciadora vive fora do Brasil há cerca de 20 anos e atualmente mora em Miami. Ainda segundo o comunicado, ela não viaja ao Brasil há alguns meses.
Em nota, a equipe afirmou que Martha não possui qualquer relação com os negócios do banqueiro. “As mensagens que vêm sendo mencionadas publicamente referem-se a conversas privadas trocadas durante o período em que estavam em um relacionamento, em um contexto estritamente pessoal, como qualquer casal que compartilha aspectos do seu dia a dia. Martha nunca participou ou teve qualquer envolvimento com os negócios ou atividades profissionais de Daniel Vorcaro”, diz o comunicado.
O advogado Lúcio de Constantino declarou que a cliente está “consternada em face da grave violência que vem sofrendo”, citando a divulgação pública de mensagens privadas. Ele afirmou que a defesa pretende adotar medidas judiciais e extrajudiciais para proteger os direitos da influenciadora.
Segundo o advogado, a defesa também considera que a divulgação das conversas representa violação da intimidade. A nota informa que Martha Graeff não mantém relacionamento com Vorcaro há meses e que não teve participação em qualquer atividade investigada pelas autoridades.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante inauguração do Túnel Moacyr Sreder Bastos, em Campo Grande. Rio de Janeiro – RJ. Foto: Ricardo Stuckert / PR
“Político, sou caçador de nuvens”, disse Ulysses Guimarães ao encerrar o discurso de promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988, diante do plenário lotado, após nove mil horas de trabalho constituinte, resumindo numa confissão poética o que separa estadistas de gestores de rotina.
Quase quatro décadas depois, Lula enfrenta o dilema que Ulysses sintetizou. Ou inova, ou compromete não apenas a própria reeleição, mas o futuro de gerações que dependem de um Brasil estável e soberano.
O momento geopolítico é dramático. As sombras da guerra ameaçam a vida e o bem-estar de toda a humanidade, para enriquecer um punhado de bilionários, obcecados por armas, violência e dominação. A regressão política do maior país da América Latina representaria um golpe para bilhões de pessoas no Sul Global que enxergam no Brasil uma referência na luta pela soberania dos povos.
A pesquisa Datafolha divulgada neste sábado traz Lula com 38% das intenções de voto contra 32% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de seis pontos que, com margem de erro de dois pontos percentuais, configura corrida competitiva.
No segundo turno, a situação é mais apertada. Lula marca 46% contra 43% de Flávio Bolsonaro, empate técnico. Em dezembro, a vantagem do presidente sobre Flávio era de 15 pontos. Agora caiu para três.
A aritmética por trás desses percentuais impõe um desafio adicional. Os principais nomes alternativos testados, como Ratinho Junior (7%), Romeu Zema (4%) e Ronaldo Caiado (4%), vêm da direita, com perfis e bases eleitorais próximas do bolsonarismo, o que significa que, numa eventual consolidação, seus votos tendem a migrar para o candidato do PL.
Diferentemente de 2022, quando os candidatos fora da polarização somaram apenas 6,3% do eleitorado total, os nomes alternativos agora alcançam cerca de 16%. É um contingente mais que dobrado de eleitores em jogo, e a maioria deles está à direita.
Nesse terreno mais fragmentado, quem atrair novos votos primeiro terá vantagem decisiva.
A ausência de um projeto de futuro se torna o principal problema estratégico do presidente. Para crescer, Lula precisaria apresentar propostas que mudem o cotidiano das pessoas de forma estrutural. Programas como Bolsa Família, Pé-de-Meia, entre outros, sustentam a base social, mas não a expandem.
Um caminho evidente é a democratização da energia solar residencial. Instalar painéis fotovoltaicos numa casa reduz a conta de luz em 70% a 90%. Um domicílio que paga R$ 200 por mês passaria a desembolsar entre R$ 20 e R$ 60, economia anual próxima de R$ 2 mil por família.
Ao cortar o custo da eletricidade, a energia solar amplia diretamente o poder de compra das famílias e funciona simultaneamente como política de renda, transição energética e desenvolvimento tecnológico. Para que ganhe escala, porém, seria necessário crédito barato para instalação, programas de financiamento popular e formação de engenheiros e pesquisadores, através de parcerias muito mais ambiciosas com a China.
Pesquisa de intenção de voto em 2026 e 2022, com Lula e Bolsonaro
O Ministério da Fazenda, comandado por Fernando Haddad, caminhou na direção oposta ao impor aumento de impostos sobre painéis fotovoltaicos importados, protegendo, na prática, um pequeno grupo de montadoras que simplesmente montam peças vindas de fora, não uma indústria solar brasileira, que ainda não existe de fato.
O caminho deveria ser acelerar a difusão da tecnologia e investir em ciência e inovação, não encarecê-la.
Outro eixo capaz de redesenhar o cotidiano de milhões de brasileiros é o transporte urbano sobre trilhos. Metrôs, trens e VLTs transformariam os deslocamentos degradantes que hoje consomem horas diárias da população das grandes cidades, além de gerar emprego, indústria e planejamento urbano moderno.
No mundo inteiro, as metrópoles voltaram a investir em transporte ferroviário. No Brasil, o tema permanece à margem do debate.
Voltemos à pesquisa. A estabilidade da base eleitoral de Lula, apesar da fragilidade da vantagem, oferece um alicerce que não deve ser subestimado.
Como o cientista político Antônio Lavareda costuma ressaltar, para dimensionar de fato o peso de um candidato é preciso medir sua intenção de voto sobre o conjunto do eleitorado, incluindo abstenções, brancos e nulos, não apenas sobre os votos válidos.
Em 2022, o eleitorado apto somava 156,4 milhões de pessoas. Lula obteve 57,2 milhões de votos no primeiro turno, o equivalente a 36,6% do total de eleitores registrados. Jair Bolsonaro recebeu 51,1 milhões, ou 32,6%.
Agora, a pesquisa Datafolha atribui a Lula 38% das intenções de voto e a Flávio Bolsonaro 32%. Como essas pesquisas captam o universo completo dos eleitores, incluindo quem declara voto em branco, nulo ou indecisão, os percentuais são comparáveis ao cálculo sobre o eleitorado total. Aplicando-os aos 155,4 milhões de eleitores registrados hoje pelo TSE, Lula teria, segundo o Datafolha, cerca de 59 milhões de votos contra 49,7 milhões de Flávio Bolsonaro, uma diferença de aproximadamente 9,3 milhões.
A base de Lula permanece estável em relação a 2022, mas a vantagem percentual estreita ganha outra dimensão quando traduzida em milhões de votos.
Lula permanece como favorito. Mas, para transformar essa vantagem em vitória, precisará apresentar ao país propostas que projetem um horizonte novo, o tipo de imaginação política que dá sentido ao voto e transforma eleição numa escolha definidora do nosso destino.
Ulysses dizia caçar nuvens para reconstruir a nossa democracia. Lula, para preservá-la, precisará mobilizar o sonho.
Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. Foto: reprodução
Em 9 de fevereiro de 2026, pouco antes de suas ligações telefônicas com Daniel Vorcaro se tornarem públicas, o ministro Alexandre de Moraes trocou o número de seu celular. A mudança, que ocorreu menos de um mês antes da revelação de supostas mensagens de Vorcaro enviadas ao ministro, gerou questionamentos sobre a natureza das comunicações entre ambos. As informações são de Lauro Jardim.
A troca de número de Moraes ocorreu em um contexto tenso, com o país acompanhando de perto os desdobramentos da Operação Compliance Zero e da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS, que investiga fraudes financeiras e outras irregularidades envolvendo o Banco Master. As mensagens atribuídas a Vorcaro foram reveladas em prints que circularam pela imprensa, sugerindo que ele teria enviado comunicações a Moraes horas antes de sua prisão em 17 de novembro de 2025.
De acordo com o STF, as mensagens de visualização única, enviadas por Vorcaro em novembro, foram armazenadas na mesma pasta que outros contatos do executivo, e não nos registros do número de Moraes. A análise técnica foi conduzida pela Polícia Federal, que extraiu e organizou os dados de Vorcaro como parte da investigação, que inclui a análise de informações armazenadas no celular e na nuvem de Vorcaro.
Alexandre de Moraes, ministro do STF. Foto: reprodução
O comunicado do STF também esclareceu que, devido ao sigilo decretado pelo ministro André Mendonça, os nomes dos outros contatos mencionados nos arquivos de Vorcaro não foram divulgados. Essa decisão gerou mais especulações sobre a identidade dos envolvidos nas comunicações de Vorcaro e seu vínculo com figuras políticas e empresariais de destaque.
“No conteúdo extraído do celular do executivo pelos investigadores, os prints dessas mensagens enviadas por Vorcaro estão vinculadas a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes”, diz a nota.
“Os nomes e contatos das pessoas vinculadas aos respectivos arquivos não serão mencionados na presente nota em virtude do sigilo decretado pelo ministro André Mendonça, mas constam no arquivo que a CPMI do INSS disponibilizou para toda a imprensa”.
A advogada Viviane Barci de Moraes e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) – Reprodução
A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, negou ter recebido as mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, durante sua prisão em novembro de 2025. As mensagens, registradas no bloco de notas do celular, tratavam das negociações para a venda do banco e continham perguntas como “alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. De acordo com fontes próximas à investigação, Vorcaro teria enviado as mensagens como imagens de visualização única para o ministro do STF, que foi identificado no envio. Com informações do Globo.
Em nota divulgada por sua assessoria, Viviane Barci de Moraes afirmou que não recebeu as referidas mensagens, contrariando as afirmações do ministro Alexandre de Moraes, que alegou que os prints estavam “vinculados a pastas de outras pessoas”. O ministro explicou que, devido à organização dos arquivos, as capturas de tela feitas por Vorcaro estariam direcionadas aos contatos na mesma pasta, o que, segundo ele, indicaria que Viviane seria a destinatária. No entanto, a advogada negou essa versão.
O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, que foi contratado pelo Banco Master em janeiro de 2024 com um contrato de R$ 3,6 milhões mensais, também foi questionado sobre o envolvimento da advogada, mas não houve mais declarações. Além disso, a versão de Moraes foi contradita por outros políticos mencionados nas mensagens encontradas no celular de Vorcaro. O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e o senador Irajá Abreu (PSD-RJ) também negaram ter tido qualquer contato com o banqueiro, apesar de seus números de telefone aparecerem nas pastas com os prints de mensagens.
Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Foto: reprodução
A explicação dada pelo ministro sobre a organização dos arquivos foi refutada por peritos da Polícia Federal, que afirmaram que a disposição dos documentos no celular não indica a origem do envio, pois a organização é realizada automaticamente pelo programa utilizado para a análise dos dados. Esse software, o IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), utilizado pela PF, reorganiza os arquivos de acordo com um algoritmo, mantendo a integridade das provas durante a investigação.
A CPI do INSS recebeu os arquivos extraídos do celular de Vorcaro, mas esses não contêm o histórico completo de conversas no WhatsApp. O único histórico disponível no material entregue à comissão foi de uma conversa entre Vorcaro e sua então namorada, que foi salva no iCloud antes de sua prisão. A Polícia Federal, no entanto, tem a capacidade de recuperar o histórico de conversas de WhatsApp e já o fez ao longo das investigações, o que pode revelar mais detalhes sobre o envolvimento de outras pessoas no caso.
Imagem aérea mostra Vorcaro chegando ao IML. Foto: Reprodução/GloboNews
A revelação de mensagens trocadas por Daniel Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes (STF) no dia de sua primeira prisão ampliou a pressão política para que o Congresso avance em investigações sobre o caso do Banco Master. Apesar disso, parlamentares avaliam que a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) específica enfrenta forte resistência política.
Segundo informações divulgadas pelo O Globo, as mensagens foram encontradas no celular do empresário durante as investigações da Polícia Federal. Moraes afirmou que não recebeu as mensagens mencionadas e classificou a interpretação como uma tentativa de atacar o Supremo Tribunal Federal.
Nos bastidores do Congresso, parlamentares reconhecem que o caso envolve conexões políticas que dificultam o avanço das apurações. Vorcaro teria proximidade com líderes partidários e políticos influentes, incluindo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), citado em conversas privadas como “um dos meus grandes amigos de vida”.
O dono do Master, Daniel Vorcaro – Reprodução
A atual CPI do INSS, que analisa dados obtidos na quebra de sigilo do empresário, deve encerrar seus trabalhos no fim de março. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), já sinalizou que não pretende prorrogar o prazo da comissão nem avançar rapidamente com uma nova CPI focada exclusivamente no Banco Master.
Mesmo assim, alguns parlamentares defendem aprofundar a investigação. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou que os fatos revelados exigem apuração transparente, enquanto o deputado Duarte Júnior (PSB-MA) avalia levar o tema à CPI do INSS e discutir possíveis esclarecimentos sobre as relações entre o banqueiro e autoridades.
Outros requerimentos apresentados no Congresso buscam ampliar a investigação sobre o caso. O deputado Kim Kataguiri (União-SP) pediu a convocação de Martha Graeff, então companheira de Vorcaro, além de solicitar esclarecimentos sobre as mensagens interceptadas pela Polícia Federal que mencionam contatos entre o empresário e integrantes do Judiciário.
Luiz Phillipi Machado Moraes Mourão, o Sicário. Foto: reprodução
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” do banqueiro Daniel Vorcaro, morreu após atentar contra a própria vida enquanto estava sob custódia da Polícia Federal em Belo Horizonte. Ele havia sido preso na quarta-feira (4) durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A morte foi confirmada oficialmente após a conclusão do protocolo de morte cerebral.
Segundo relatos obtidos pela reportagem do Estadão, Mourão demonstrava nos últimos anos forte temor de voltar à prisão. Pessoas que conviveram com ele afirmaram que o investigado dizia preferir morrer a ser preso novamente. Aos 43 anos, ele tinha uma longa ficha policial e era conhecido em Belo Horizonte pelo apelido de “Mexerica”.
A aproximação com Daniel Vorcaro ocorreu por meio do empresário Fabiano Zettel, amigo da família do banqueiro e frequentador da Igreja Batista da Lagoinha. A relação se fortaleceu após Zettel se casar, em 2017, com Natália Vorcaro, irmã do ex-presidente do Banco Master. Segundo a Polícia Federal, Mourão passou a integrar o círculo de confiança do banqueiro.
O pastor da Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Foto: reprodução
As investigações indicam que ele coordenava um grupo chamado “A Turma”, descrito pela PF como uma milícia privada usada para intimidar adversários e monitorar pessoas de interesse do grupo. Mensagens encontradas no celular de Vorcaro mostram ordens direcionadas ao “Sicário” para pressionar funcionários e desafetos ligados às investigações.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo também realizava coleta de informações sigilosas e monitoramento de autoridades. Investigadores afirmam que Mourão montou uma rede de inteligência em Belo Horizonte, incluindo hackers e informantes que buscavam dados sobre rotinas e encontros de figuras consideradas estratégicas pelo grupo investigado.
Antes de se aproximar de Vorcaro, Mourão já havia sido preso e investigado em outros casos. Em 2020, ele foi detido em Confins em um inquérito sobre pirâmide financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Relatórios do Coaf indicam que empresas ligadas a ele movimentaram mais de R$ 28 milhões entre 2018 e 2021. Parte dessas companhias teve as atividades suspensas por decisão do ministro André Mendonça (STF).
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) identificou um novo produto de crédito consignado ligado ao Banco Master que estaria sendo oferecido de forma irregular. Segundo o órgão, há indícios de fraude em contratos do chamado M Fácil Consignado, incluindo duplicação de nomes, ausência de assinatura e falta de transparência sobre juros cobrados. Com informações da Folha.
De acordo com o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, o M Fácil tem funcionamento semelhante ao Credcesta, modalidade criada em 2018 por Augusto Lima e posteriormente levada ao Banco Master, onde Lima se tornou sócio de Daniel Vorcaro. Inicialmente ofertado a servidores públicos, o produto foi posteriormente direcionado também a aposentados e pensionistas.
A análise conduzida pelo INSS identificou que contratos do M Fácil não permitem verificar se a assinatura eletrônica do beneficiário é válida. Também foram encontrados documentos sem informações claras sobre taxas de juros ou valores das parcelas, o que levou o órgão a iniciar uma investigação para avaliar a extensão das operações.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Divulgação
A apuração foi realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e comunicada a outros órgãos de controle. Segundo o INSS, os casos podem ser encaminhados à esfera criminal diante dos indícios de fraude detectados nos contratos.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o Banco Master sempre atuou em conformidade com as normas aplicáveis ao crédito consignado. “O banco sempre atuou em estrita observância às normas e aos procedimentos estabelecidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado”, declarou a defesa.
O Banco Central, responsável pelo processo de liquidação do Banco Master decretado em novembro, não respondeu aos questionamentos sobre o caso. O acordo de cooperação que permitia ao banco operar consignados do INSS deixou de ser renovado após o surgimento de suspeitas envolvendo operações de crédito.
“Sicário”, parceiro de Vorcaro que se matou dentro de cela da PF em MG. Reprodução
A Polícia Federal informou que enviará ao gabinete do ministro André Mendonça, relator no Supremo Tribunal Federal (STF), os registros em vídeo que mostram a dinâmica da tentativa de suicídio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. O material reúne imagens captadas no local onde ele estava custodiado na Superintendência Regional da PF em Minas Gerais.
Mourão foi preso nesta quarta-feira (4) durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, investigação relacionada ao Banco Master. Segundo a Polícia Federal, ele atentou contra a própria vida enquanto permanecia sob custódia da corporação na unidade da PF em Minas Gerais.
Fachada da Superintendência da Polícia Federal em MG, onde ‘Sicário’ atentou contra a própria vida. Reprodução
De acordo com a corporação, policiais federais que estavam no local prestaram socorro imediato ao investigado assim que tomaram conhecimento da situação. Os agentes iniciaram procedimentos de reanimação e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
A equipe médica deu continuidade ao atendimento no local e, posteriormente, o custodiado foi encaminhado à rede hospitalar para avaliação e tratamento. Mourão foi levado ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.
A Polícia Federal informou ainda que os registros em vídeo enviados ao STF mostram a sequência dos acontecimentos envolvendo o custodiado dentro da unidade policial. O material foi encaminhado ao gabinete do ministro relator responsável pelo caso no Supremo.
Segundo a corporação, será instaurado procedimento apuratório para esclarecer as circunstâncias do ocorrido. A investigação interna deverá analisar os registros e demais elementos relacionados ao episódio.
João Doria e Daniel Vorcaro se cumprimentam em evento do BRB. Reprodução
O ex-governador de São Paulo João Doria enviou uma mensagem ao banqueiro Daniel Vorcaro alertando sobre informações negativas que circulavam a respeito dele e de executivos do Banco Master. O conteúdo da conversa foi localizado pela Polícia Federal no celular de Vorcaro durante as investigações da Operação Compliance Zero.
Na mensagem, Doria escreveu: “Amigo Daniel, boa tarde. Estou preocupado com você. Tenho escutado coisas que vão precisar de reação sua. Sempre com equilíbrio e ponderação. Mas jamais com silêncio. Vamos marcar um café?”.
Após receber a mensagem, Vorcaro perguntou a que se referiam as “coisas” mencionadas pelo ex-governador. “Com relação a quê?”, questionou o banqueiro. Doria respondeu: “A você, ao Maurício, ao banco”.
O banqueiro Daniel Vorcaro – Reprodução
Segundo os registros encontrados no aparelho, Vorcaro pediu que a conversa continuasse por telefone. Uma ligação entre os dois ocorreu no minuto seguinte ao envio das mensagens.
Procurado, João Doria afirmou por meio de sua assessoria que o contato ocorreu em maio de 2025, antes da abertura das investigações sobre o banco. “A mensagem foi enviada em maio de 2025, quando ainda não havia nenhum tema público de gravidade imputado ao banco Master. Foi apenas um gesto cordial”, declarou.
Daniel Vorcaro foi preso nesta quarta-feira (4) na terceira fase da Operação Compliance Zero. Segundo a Polícia Federal, a investigação apura a atuação de um grupo ligado ao banqueiro que teria sido utilizado para intimidar críticos, funcionários e ex-colaboradores do Banco Master.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o ‘Sicário’. Foto: Reprodução
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado como aliado do banqueiro Daniel Vorcaro, tirou a própria vida enquanto estava preso na carceragem da Polícia Federal em Minas Gerais. Ele havia sido detido na terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de obstrução de Justiça em apurações relacionadas ao Banco Master.
De acordo com informações divulgadas pela Polícia Federal nesta quarta-feira (4), Mourão atentou contra a própria vida enquanto estava sob custódia na superintendência da corporação. Policiais que estavam no local prestaram socorro imediato após tomarem conhecimento da situação.
Segundo apuração da revista “Veja”, Mourão utilizou um método de enforcamento dentro da cela. A PF informou que agentes iniciaram procedimentos de reanimação e acionaram equipes de atendimento médico para prestar assistência.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado e o detento foi encaminhado ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, para avaliação e atendimento médico. Mourão, no entanto, não resistiu.
Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. Foto: Reprodução
A Polícia Federal comunicou o ocorrido ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A corporação informou que todos os registros em vídeo do episódio serão encaminhados às autoridades responsáveis.
Segundo as investigações, Mourão era apontado como responsável pela gestão de um grupo informal conhecido como “A Turma”, descrito nas apurações como uma estrutura utilizada para coletar informações de interesse de Daniel Vorcaro e pressionar desafetos ligados ao caso investigado.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Felipe Mourão” e chamado de “Sicário”, morreu nesta quarta-feira (4) após ser encontrado desacordado na cela onde estava custodiado na Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais. Ele foi socorrido por agentes e encaminhado ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, mas não resistiu. A Polícia Federal informou que abrirá investigação interna para apurar as circunstâncias do ocorrido.
Mourão havia sido preso no mesmo dia durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, investigação relacionada ao Banco Master. Ele era apontado pelos investigadores como aliado do empresário Daniel Vorcaro, também detido na operação. Segundo a Polícia Federal, o investigado integrava um grupo responsável por coletar informações sobre pessoas consideradas “desafetos” e realizar monitoramento de alvos.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Divulgação
De acordo com a investigação, Mourão coordenava atividades de levantamento de dados considerados relevantes para os interesses do grupo. A corporação afirma que ele realizava consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases utilizadas por instituições de segurança pública e investigação policial.
Os investigadores também apontam que Mourão teria obtido acesso indevido a sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais, como FBI e Interpol. A apuração menciona ainda atuação em ações voltadas à remoção de conteúdos e perfis em plataformas digitais.
Conversas analisadas pelos investigadores mostram diálogos atribuídos a Vorcaro e Mourão sobre coleta de dados de pessoas, monitoramento de funcionários e planejamento de intimidação de alvos, incluindo o jornalista Lauro Jardim. Em uma das mensagens, Vorcaro teria pedido para organizar um assalto e “dar um pau” no jornalista.
Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. Foto: Reprodução
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva apresentou nesta quarta-feira (4) ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para suspender a quebra de seus sigilos bancário e fiscal aprovada pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
No requerimento, os advogados solicitam a extensão da liminar já concedida à empresária Roberta Luchsinger, que suspendeu as quebras de sigilo aprovadas “em globo” durante a sessão da comissão realizada em 26 de fevereiro.
A empresária Roberta Luchsinger. Foto: Reprodução
Segundo a nota assinada pelo advogado Guilherme Suguimori Santos, a situação de Fábio Luís é semelhante à de Luchsinger, uma vez que a decisão da CPMI teria ocorrido sem fundamentação concreta, específica e individualizada. A defesa sustenta que esse tipo de justificativa é exigido para a adoção de medidas investigativas consideradas invasivas.
Ainda de acordo com o documento, Fábio Luís manterá colaboração com a investigação conduzida pelo Supremo Tribunal Federal, incluindo o fornecimento voluntário de documentos bancários e fiscais no âmbito do procedimento judicial adequado, sob garantia do devido processo legal.
A nota também afirma que há respeito ao trabalho da CPMI do INSS, mas ressalta que colaborar com apurações sob supervisão do Judiciário não implica concordância com medidas que a defesa considera ilegais. O texto menciona ainda que o ambiente político e a exposição pública, em período pré-eleitoral, podem favorecer usos indevidos de decisões adotadas no âmbito da comissão.
A CPMI do INSS investiga suspeitas relacionadas à gestão e a possíveis irregularidades. O pedido apresentado ao STF será analisado por um dos ministros da Corte.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
O Palácio do Planalto decidiu reagir às tentativas da oposição de associar o escândalo envolvendo o Banco Master ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Integrantes da base aliada informaram ao Executivo que parlamentares adversários pretendiam relacionar o banqueiro Daniel Vorcaro à atual gestão.
O tema foi discutido em reuniões realizadas no início da semana com deputados que participam da CPI do Crime Organizado e da CPI do INSS. Nessas conversas, parlamentares relataram ao governo que havia articulações para tentar vincular o caso Master ao governo federal.
Após os encontros, integrantes do Executivo passaram a destacar informações da investigação envolvendo o banqueiro. A estratégia inclui mencionar possíveis relações de Vorcaro com políticos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, citou nas redes sociais uma viagem do deputado Nikolas Ferreira em avião de Vorcaro durante a campanha eleitoral de 2022. Em publicação, ela escreveu: “Foram dez dias voando pelo país nas asas do Master, junto com pastores da Igreja Lagoinha, a mesma do pastor Fabiano Zettel, cunhado e sócio de Vorcaro, que foi o maior doador individual das campanhas de Bolsonaro e Tarcísio (de Freitas)”.
A operação de hoje da Polícia Federal expões definitivamente a corrupção do Banco Central de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto no escândalo Master. O ex-diretor de Fiscalização do BC indicado por Bolsonaro, Paulo Sérgio Souza, e o ex-chefe da Supervisão Bancária nomeado por…
Após a nova prisão de Vorcaro e a divulgação de suspeitas envolvendo servidores do Banco Central, Gleisi voltou a se manifestar nas redes sociais. A ministra publicou: “A operação de hoje da Polícia Federal expõe definitivamente a corrupção do Banco Central de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto no escândalo Master.
O ex-diretor de Fiscalização do BC indicado por Bolsonaro, Paulo Sérgio Souza, e o ex-chefe da Supervisão Bancária nomeado por Campos Neto, Belini Santana, recebiam dinheiro de Daniel Vorcaro para impedir a fiscalização do Master, de acordo com a investigação. Por que será que Campos Neto não agiu contra as fraudes de Vorcaro enquanto era presidente do BC?”
Parlamentares da base aliada afirmam que o governo pretende destacar possíveis vínculos políticos do banqueiro com figuras do campo bolsonarista. Entre os pontos citados por integrantes do grupo estão as viagens realizadas por Nikolas Ferreira no avião de Vorcaro durante o período eleitoral de 2022.
Os Ministros do STF André Mendonça, Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Luiz Fux e Cármen Lúcia – Reprodução
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal deve manter a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, determinada nesta quarta-feira (4) pelo ministro André Mendonça. A decisão foi tomada no âmbito da investigação que envolve o Banco Master e mensagens atribuídas ao empresário. Com informações da Mônica Bérgamo, na Folha.
A defesa de Vorcaro deve recorrer ao colegiado para tentar reverter a medida. Integrantes da corte avaliam, porém, que a chance de revogação da prisão é considerada baixa no julgamento pela Segunda Turma.
O colegiado é composto pelos ministros André Mendonça, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. O recurso da defesa deve ser analisado pelos integrantes do grupo responsável por casos penais dentro do tribunal.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Divulgação
No despacho que determinou a prisão, Mendonça listou mensagens atribuídas a Vorcaro que indicariam planejamento de um ataque contra o jornalista Lauro Jardim. A conversa teria ocorrido com Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão, apontado como operador financeiro ligado ao grupo.
Em um dos trechos, Vorcaro escreveu: “Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”. Na sequência, Mourão respondeu à mensagem e indicou que acompanhava publicações consideradas negativas sobre o empresário.
Em outro momento da troca de mensagens, Mourão perguntou se poderia “dar um pau” no jornalista. Segundo a decisão do STF, Vorcaro respondeu afirmativamente. Em conversa posterior, o ex-banqueiro também mencionou uma funcionária e escreveu: “É mole? Tem que moer essa vagabunda”, ao que Mourão perguntou o que deveria fazer. Vorcaro respondeu: “Puxa endereço, tudo”.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). Reprodução
O deputado federal Lindbergh Farias (PT/RJ) informou nesta quarta-feira (4) que protocolou uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando investigação sobre o eventual envolvimento do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, no caso relacionado ao Banco Master e ao seu controlador, Daniel Vorcaro. A iniciativa ocorre após a terceira fase da Operação “Compliance Zero”, que apreendeu mensagens no celular do banqueiro.
Segundo o parlamentar, o material obtido na investigação menciona a existência de uma estrutura voltada à intimidação e violência contra jornalistas. As mensagens passaram a integrar o conjunto de elementos citados pelo deputado no pedido de investigação apresentado ao Ministério Público.
Lindbergh também recorda que, em abril de 2025, quando ocorreu a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), já havia encaminhado um pedido de apuração à Comissão de Ética da Presidência da República. Na ocasião, o parlamentar citou indícios de irregularidades relacionados ao processo de aquisição.
A terceira fase da Operação Compliance Zero, que prendeu hoje o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, revelou fatos extremamente graves sobre a atuação da organização criminosa investigada. As mensagens encontradas no celular do banqueiro indicam a existência de uma espécie de… pic.twitter.com/hogvH3eejS
Com a divulgação de novos elementos, o deputado afirma que surgiram referências à possível atuação de agentes públicos do Banco Central. Entre os nomes citados estão Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, identificados como chefe e adjunto do Departamento de Supervisão Bancária.
De acordo com o parlamentar, as mensagens indicariam interlocução frequente entre esses servidores e o controlador do banco. O deputado sustenta que as informações exigem ampliação do foco investigativo para alcançar também a gestão do então presidente do Banco Central.
Na notícia-crime apresentada à PGR, Lindbergh pede que sejam investigados possíveis casos de omissão dolosa na fiscalização bancária. O pedido também solicita análise sobre normas editadas durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central que, segundo o parlamentar, poderiam ter facilitado irregularidades atribuídas ao Banco Master.
O objetivo da representação, segundo o deputado, é garantir uma apuração completa sobre responsabilidades individuais, decisões administrativas e eventuais condutas relacionadas ao funcionamento do sistema financeiro no caso envolvendo o banco.