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Manchetes que nunca irão aparecer nos jornalões. Por Moisés Mendes

18 de Setembro de 2026, 21:14
Milton Leite Tarcísio de Freitas
O ex-vereador, Milton Leite (União Brasil) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Foto: Reprodução/Redes Sociais

Mais chamadas dos jornais sobre rolos e podres da extrema direita e da direita, que não viraram manchete nos jornalões. Todas estão nos jornais, mas nos cantinhos dos sites.

Somente se transformaram em manchete nos jornais alternativos ou de esquerda. Aí estão as chamadas escondidas por Globo, Estadão e Folha:

Flávio Bolsonaro participou de safari na África do Sul com integrantes da máfia do INSS

Vorcaro levou a filho de Fux recurso para tentar destravar precatório bilionário

O esquema com PCC envolvendo ex-presidente da Câmara e outros políticos em SP
(os ‘outros políticos’ são todos da direita e da extrema direita)

Vorcaro se reuniu com Gilmar Mendes no STF e pediu apoio em causa bilionária

Flávio Bolsonaro embarcou em viagens com Willer Tomaz e Weverton Rocha, investigados no escândalo do INSS

Vorcaro procurou filho de Fux para destravar processo de R$ 5 bilhões no STF

Daniel Vorcaro
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Foto: Victor Moriyama/Bloomberg

Flávio Dino manda investigar encontro de Mendonça com Vorcaro

Nunes Marques extinguiu investigação contra aliada do comprador de sentenças Cezinha de Madureira

Ministério Público do Trabalho move processo de R$ 30 milhões contra Havan e Luciano Hang por assédio eleitoral

O áudio que levou ex-número 3 da Fazenda de Tarcísio à cadeia por corrupção

Ex-parceiro de Vorcaro que financiou instituto de Mendonça ficou fora de investigação

Cunhado de Gilmar chamava Vorcaro de irmão e recomendou aproximação com ministro

Flávio fez viagens de luxo em jatinho de empresa de Vorcaro com amigos alvos da PF

Banco de Edir Macedo tem prejuízo de R$ 581,4 milhões no primeiro semestre deste ano

Flávio Dino vira o alvo preferencial. Por Moisés Mendes

9 de Setembro de 2026, 22:45
André Mendonça Flávio Dino
Os ministros André Mendonça e Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Fellipe Sampaio/STF

Esta é a mais previsível de todas as previsões: o alvo preferencial do fascismo passa a ser Flávio Dino. O ministro não só reintegrou o delegado Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal como anotou em seu despacho que é ‘complexa’ a situação de André Mendonça, por ter se reunido em ambiente privado com o banqueiro mafioso Daniel Vorcaro. É uma situação terrivelmente complexa.

O que Dino diz, ao manter o comando da PF, é que sabe o que Mendonça andou fazendo com Vorcaro no verão passado. E que havia, na sua tentativa de desmontar a direção da instituição, indícios de ressentimento. É este o trecho mais incisivo:

“Compreende-se que o digno Ministro André Mendonça tenha suas divergências funcionais ou pessoais com a Polícia Federal e possa defender os seus direitos perante a instância própria. Mas tais direitos — inerentes a qualquer parte que se sinta prejudicada — não podem converter-se em fundamento para a prolação de decisão em causa própria, com o efeito de paralisar investigações e os trabalhos policiais”.

Andrei Rodrigues
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Divergências funcionais e pessoais? Suficientes para acionar o que Mendonça acabou fazendo? E as divergências muito mais do que políticas, os desencontros ideológicos entre eles? Como ministro, Dino não abordou nem deveria abordar. Nem precisava.

Veja a íntegra do despacho de Flávio Dino, com muitos recados ao colega Mendonça.

A pergunta que os jornalistas não faziam a Trump. Por Moisés Mendes

27 de Abril de 2026, 20:22
Donald Trump sendo retirado as pressas pelos serviços secretos após tiroteio em jantar com a imprensa. Texto de Moisés Mendes comenta sobre a entrevista do presidente ao 60 minutes no dia seguinte.
O presidente estadunidense Donald Trump sendo retirado as pressas pelos Serviços Secretos. Foto: Bo Erickson/REUTERS

Um atirador obrigou Trump a dizer o que já deveria ter dito diante de jornalistas, pela imposição da profissão que faz perguntas, mas não com o auxílio da muleta de uma figura que teria tentado matá-lo: “Eu não sou estuprador, nunca estuprei ninguém. Eu não sou pedófilo”.

Foi uma jornalista a formuladora da pergunta, a partir da carta deixada pelo atirador para a família. Essa carta foi a muleta. A jornalista Norah O’Donnell, da CBS, só perguntou a Trump, no dia seguinte, se ele era o pedófilo citado no texto porque Cole Tomas Allen disse o que os jornalistas americanos se negam a dizer.

Allen escreveu antes da invasão do hotel onde se realizava o banquete, sem citar Trump: “Não estou mais disposto a permitir que um pedófilo, estuprador e traidor suje minhas mãos com seus crimes”.

Norah, ao entrevistar Trump na TV, leu esse trecho e pediu que ele o comentasse. Trump respondeu acusando a jornalista de ser uma pessoa horrível, e ela faz então a pergunta que ninguém tinha feito:

“Você acha que ele estava se referindo a você?”

Trump diz, pela primeira vez diante de uma pergunta direta, que não é pedófilo nem estuprador. O jornalismo já havia tido a chance de enfrentar Trump sobre o caso Epstein com uma pergunta assim: você é pedófilo e estuprador?

Em muitas ocasiões, ele foi confrontado com o andamento do caso na Justiça, mas não dessa forma: o atirador que fala em pedófilo e estuprador se refere a você?

Não é uma perguntinha protocolar sobre o que você acha das investigações, dos dossiês e dos depoimentos de vítimas da rede de pedofilia e prostituição, mas uma pergunta direta. Formulada a partir da acusação do atirador.

Quem teria a coragem de fazer essa pergunta durante a festa de gala em que jornalistas confraternizavam com o maior gângster mundial? Quem, entre os que se jogaram ao chão no banquete para jornalistas, perguntariam a Trump: você é pedófilo e estuprador?

A cena provocada pelo atirador expôs o cinismo do jornalismo que senta, come e bebe ao lado do poder que o atemoriza e o amordaça. Sem o atirador, não teríamos a pergunta e a reação de Trump. Allen pautou o jornalismo.

Um jornalismo de corporações de mídia americanas e de outros países que também continua, por falta de coragem, manchando as próprias mãos com o sangue de crianças, mulheres e idosos assassinados pelos foguetes de Trump e por soldados de cúmplices a seu mando. E o doente, segundo Trump, é o atirador.

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