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“Guerra cultural”: o discurso de Eduardo Bolsonaro na premiere de “Dark Horse” nos EUA

17 de Junho de 2026, 09:04
Eduardo Bolsonaro em evento nos EUA. Foto: Madel Ngan/AFP

Alvo de investigação da Polícia Federal sobre a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com o financiamento da obra, o filme “Dark horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), teve sua primeira exibição pública na segunda-feira (15), em Las Vegas, nos Estados Unidos. A sessão ocorreu durante o Fraud Fighter Summit, encontro da direita estadunidense dedicado a temas como fraude eleitoral, corrupção e manipulação de processos eleitorais.

A premiere encerrou o primeiro dia da convenção e contou com a presença do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O objetivo do filho do ex-presidente, segundo o blog da Bela Megale, era atrair distribuidores interessados em exibir “Dark horse” em salas de cinema nos Estados Unidos.

Após a exibição, Eduardo participou de um painel ao lado do diretor Cyrus Nowrasteh, mediado pelo influenciador de direita Juan O’Savin. Durante a conversa, o ex-deputado falou sobre a situação de saúde de Jair Bolsonaro e citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao tratar da Operação Lava Jato.

Eduardo Bolsonaro durante discurso na Fraud Fighter Summit (Cúpula de Combate a Fraude), em Las Vegas. Foto: reprodução

Eduardo afirmou que o filme faz parte de uma disputa cultural contra adversários ideológicos. “O que mais gosto é a guerra cultural. Por exemplo, esse filme aqui vai ser um pesadelo para a esquerda”, disse Eduardo, que citou Exterminador do Futuro 2, de 1991, como exemplo de obra de impacto duradouro. “É assim que esse tipo de coisa é poderosa. E não está em português, está em inglês, de propósito. Se fizermos algo no Brasil, eles bloqueiam facilmente, mas também porque queremos que este filme seja um sucesso mundial”.

Questionado sobre eventual reação política contrária à produção, Eduardo mencionou apenas uma ação na Justiça Eleitoral, sem comentar outras controvérsias envolvendo o longa, como o suposto financiamento de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

“O Partido dos Trabalhadores, que é o partido do atual ocupante da Presidência da República, entrou com uma ação contra nós na Justiça Eleitoral tentando censurar este filme até a eleição”, disse Eduardo.

Cyrus Nowrasteh afirmou que o filme foi produzido sem conhecimento do “establishment” e que órgãos públicos só souberam da obra no fim das filmagens, quando a equipe gravava cenas sobre a facada sofrida por Bolsonaro em 2018. “Todos os nossos documentos estavam legais”, disse o cineasta.

O diretor também afirmou que espera que o filme tenha impacto político no Brasil. “Esperamos que este filme seja visto no Brasil e receba o apoio dos brasileiros. Eles reconhecerão a sua própria história, a sua história recente, e levarão Flávio Bolsonaro ao poder como o próximo presidente do Brasil”, disse Cyrus.

O evento ocorreu um dia antes de a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenar Eduardo Bolsonaro a quatro anos de prisão por atuação nos EUA para coagir ministros da Corte por meio da articulação de sanções. No painel, ele admitiu ter trabalhado com o governo Trump para sancionar um ministro do Supremo.

“Disseram que eu estava trabalhando com o governo Trump para sancionar o ministro do Supremo Tribunal Federal que está mandando todas essas pessoas para a prisão. Isso é verdade. Não porque eu estivesse tentando absolver meu pai no julgamento, porque eu sempre soube que ele seria condenado. Mas, como eles são covardes, não processam nem denunciam o presidente Trump, o secretário Rubio ou Bessent. Em vez disso, estão me denunciando, tentando me tornar inelegível”, disse Eduardo.

O Fraud Fighter Summit informou que os 700 lugares do evento, com ingressos a US$ 350, foram esgotados. A programação também previa participações de Stephen Bannon, Roseanne Barr e Hwang Kyo-ahn.

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