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Espanha e Portugal ameaçam desistir da Copa de 2030 por plano da Fifa; entenda

31 de Julho de 2026, 14:34
A seleção da espanha campeã da Copa do Mundo. Foto: Divulgação

Espanha e Portugal planejam retirar a candidatura para sediar a Copa do Mundo de 2030 caso o presidente da Fifa, Gianni Infantino, leve adiante a proposta de vender parte dos direitos comerciais do torneio, informou o jornal espanhol ‘El Español’ nesta sexta-feira (31). Os dois países dividem a organização prevista com Marrocos.

A eventual saída integraria a reação da UEFA contra o projeto e significaria também abrir mão de receber partidas do Mundial. A edição de 2030 prevê jogos nos três países anfitriões e partidas inaugurais no Uruguai, na Argentina e no Paraguai, em referência ao centenário da primeira Copa.

O plano contestado prevê a venda de 20% de uma nova subsidiária encarregada de comercializar os direitos da Copa do Mundo para investidores privados. O empreendimento teria avaliação de US$ 20 bilhões, e a operação poderia render US$ 4,2 bilhões à Fifa.

A Confederação Asiática de Futebol (AFC) se juntou à UEFA e à Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) na oposição ao projeto. Para a AFC, a Fifa “não consegue, de forma realista, alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para avançar”.

A entidade asiática reúne 47 associações, a Concacaf reúne 41 e a UEFA tem 55. Juntas, as três confederações somam 143 dos 211 membros da Fifa, acima dos 106 votos necessários para aprovar a proposta.

Taça da Copa do Mundo e as bandeiras das sedes de 2030. Foto: Divulgação

A Concacaf rejeitou a iniciativa após reunião emergencial realizada na quinta-feira (30). As associações apontaram “profunda preocupação” com a ausência de revisão pelos órgãos de governança da Fifa, com o prazo curto para análise e com a falta de devido processo na discussão.

A AFC também cobrou uma revisão urgente da estrutura de governança e de tomada de decisões da entidade. A confederação africana deve discutir o tema na próxima semana, enquanto a Oceania programou uma reunião para o mês seguinte; a Conmebol ainda não divulgou posição pública.

O diretor de operações da Fifa, Kevin Lamour, criticou a condução de Infantino e classificou a proposta como “projeto de uma pessoa”. Ele afirmou que funcionários da entidade foram “enganados” pela falta de transparência e declarou que não pretende renunciar, mesmo que sua manifestação lhe custe o emprego.

No mesmo dia, Carlos Cordeiro, assessor sênior de Infantino e ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos, pediu demissão em protesto. “É hipotecar o futuro do futebol sem qualquer justificativa convincente”, disse Cordeiro ao argumentar que a Fifa tem bilhões de dólares em reservas, não possui dívidas e registrou US$ 15 bilhões em receitas entre 2022 e 2026.

Extrema-direita mira ciganos para ataques xenofóbicos em Portugal

11 de Julho de 2026, 10:01
André Fernandes, líder da extrema-direita portuguesa, em outdoor contra ciganos. Foto: reprodução

O partido Chega, da ultradireita de Portugal, transformou a comunidade cigana em alvo recorrente de seu discurso xenófobo, enquanto lideranças ciganas relatam aumento de ofensas em espaços públicos e na internet com a popularidade de André Ventura.

A reação apareceu no Dia Nacional da Pessoa Cigana, comemorado em 24 de junho no bairro de Padre Cruz, em Lisboa, uma região conhecida por ruas com nomes de rios portugueses e por abrigar uma das comunidades ciganas mais tradicionais da cidade, com cerca de 500 pessoas.

O DJ Jorge Syllvah foi a principal atração da celebração, com repertório que mistura música luso-flamenca, rumba e pop. Ele tem 52 mil seguidores no YouTube, número próximo da estimativa de cerca de 60 mil pessoas ciganas em Portugal. “Em Portugal não é fácil ser cigano, há muito racismo e preconceito”, disse Syllvah. “A música, uma linguagem universal, é um jeito de nos integrar à sociedade.”

A bailarina e professora de flamenco Claudia Pargana também se apresentou no evento. Ela dá aulas de música e dança cigana em cinco escolas da rede pública de Lisboa. “Com a arte mostramos a força da nossa criatividade, e os mais jovens tomam contato com nossa cultura desde pequenos”, afirmou.

Associações ciganas recorrem à Justiça contra o Chega

André Ventura ataca povos ciganos desde a fundação do Chega, em 2019, e costuma acusá-los de viver à custa do Estado português por meio da expressão “subsidiodependência”. Bruno Oliveira, líder da Associação Intercultural Cigana, diz que a retórica ampliou a discriminação cotidiana: “O discurso da extrema direita tirou do armário os que tinham preconceito contra os ciganos. Hoje sentimos a discriminação em lugares públicos, como restaurantes, e também na internet”.

A atriz e ativista Maria Gil, referência no movimento feminista português, contesta a ideia de privilégio em moradias populares e afirma que a comunidade sofreu deslocamento urbano. “O que ocorreu, na verdade, é que fomos expulsos do centro para a periferia das cidades”, disse. “Meus avós viviam na região central da cidade do Porto e eram integrados e respeitados no bairro. Hoje muitos de nós vivem confinados em guetos”.

A socióloga Maria Manuela Mendes, pesquisadora da Universidade de Lisboa, calcula que existam de duas a três dezenas de associações de povos ciganos em Portugal. Uma decisão judicial recente obrigou o Chega a retirar cartazes da última campanha presidencial com a foto de Ventura e a frase “os ciganos têm que cumprir a lei”. A juíza Ana Barão sustentou que “a frase foi pensada para causar um específico impacto relativamente a um grupo social”.

Claudia Pargana, bailarina e professora de flamenco
Claudia Pargana, bailarina e professora de flamenco. Foto: Reprodução

Ricardo Sá Fernandes, advogado que representou as associações ciganas no processo, disse ao Diário de Notícias que a decisão teve efeito pedagógico: “Espero que ninguém mais afixe cartazes discriminatórios e vexatórios para qualquer comunidade, como exige a defesa da dignidade de todos”. Bruno Gonçalves, presidente da associação Letras Nômadas, afirma que “nossa estratégia de luta é usar sempre as armas da democracia” e lembra que povos ciganos estão em Portugal há mais de 500 anos, com presença registrada na peça “Farsa das Ciganas”, de Gil Vicente.

Mendes coordenou em 2014 o único estudo acadêmico aprofundado sobre comunidades ciganas no país e lidera uma nova pesquisa prevista para 2027. Ela estima pelo menos 60 mil ciganos em Portugal, embora o censo nacional não inclua etnia nos questionários. Programas europeus de integração ampliaram o acesso a bolsas de estudo, e já surgem integrantes dessas comunidades com mestrado e doutorado em universidades portuguesas.

As lideranças temem que o avanço da ultradireita limite esses ganhos. Maria Gil, que já concorreu à Câmara Municipal do Porto, aponta a baixa presença institucional como obstáculo: “Temos atividade política nas organizações, mas pouca presença dentro dos partidos, à direita e à esquerda. Precisamos dessa participação porque, quando André Ventura começou a pregar o anticiganismo, ficou claro que tínhamos entrado numa guerra”.

Jorge Jesus assume Portugal e relembra recado a Neymar: “Você acabou”

10 de Julho de 2026, 14:55

Apresentado nesta sexta-feira (10) como novo técnico da seleção de Portugal, Jorge Jesus aproveitou a primeira entrevista coletiva no cargo para deixar claro que pretende tomar decisões baseadas exclusivamente no desempenho dos jogadores, independentemente do prestígio ou da história de cada atleta. Para ilustrar sua filosofia, o treinador português relembrou um episódio envolvendo Neymar durante a passagem de ambos pelo Al-Hilal, da Arábia Saudita. Saiba mais na TVT News.

Ao ser questionado sobre como administrará a reta final da carreira de Cristiano Ronaldo na seleção portuguesa, Jesus afirmou que nunca escalou jogadores pelo nome e usou o atacante brasileiro como exemplo.

“Para mim o passado, o nome não conta. Eu já treinei os dois melhores jogadores do mundo, o Cristiano e o Neymar. Ao Neymar eu disse: ‘Tu, finish’. O que eu achar melhor para a equipe e para a seleção é assim que será feito.”

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A declaração faz referência ao período em que comandou Neymar no Al-Hilal, entre agosto de 2023 e janeiro de 2025. Após sucessivas lesões do camisa 10, Jorge Jesus optou por não inscrevê-lo no Campeonato Saudita devido ao limite de jogadores estrangeiros. O treinador pretendia utilizá-lo apenas na Liga dos Campeões da Ásia, mas o brasileiro considerou insuficiente a proposta e rescindiu contrato para retornar ao Santos.

Na época, o português também provocou repercussão ao afirmar que Neymar já não conseguia acompanhar fisicamente o restante do elenco.

“É um jogador top mundial, mas fisicamente não tem conseguido acompanhar a equipe”, declarou em janeiro de 2025.

Posteriormente, Neymar admitiu que ficou incomodado com as declarações do treinador, embora tenha reconhecido que ainda buscava recuperar a melhor condição física após a grave lesão no ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo sofrida em outubro de 2023.

Cristiano Ronaldo segue nos planos

Apesar da idade de Cristiano Ronaldo, Jorge Jesus evitou qualquer indicação de aposentadoria imediata do principal nome do futebol português. Segundo ele, o atacante continua plenamente capaz de atuar em alto nível.

“O Cristiano trabalhou um ano comigo e não teve uma lesão. Fazia oito quilômetros por jogo. Quando entendia que devia jogar, jogava. Quando achava que não, não jogava. A idade não é o fator principal”, afirmou.

Jesus acrescentou que pretende conversar individualmente com todos os atletas antes das próximas convocações.

“Não vou falar com o Cristiano por ser o Cristiano. Vou falar com todos. Ele é um símbolo de Portugal, mas as decisões serão tomadas pensando no rendimento.”

“Portugal é o Brasil da Europa”

Durante a apresentação, o treinador também elogiou a capacidade portuguesa de revelar jogadores e comparou o país ao Brasil.

“Portugal é o Brasil da Europa. Tem uma formação de enorme qualidade. No Brasil vocês dão um chute numa pedra e aparece um jogador. Portugal também tem essa facilidade.”

Segundo Jesus, a renovação da equipe dependerá do desempenho dos atletas até a Copa do Mundo de 2030, e não da idade.

Estilo próprio para a seleção

O novo comandante prometeu implantar uma identidade diferente da utilizada pela seleção portuguesa nos últimos anos.

“A minha ideia de jogo não tem nada a ver com a anterior. Zero. Quero que todos entendam que vestir a camisa da seleção não é apenas encontrar amigos e família. Se querem ganhar, precisam pagar o preço.”

Jorge Jesus substitui Roberto Martínez, demitido após a eliminação de Portugal nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Aos 71 anos, será a primeira experiência do treinador no comando de uma seleção nacional. Seu contrato com a Federação Portuguesa de Futebol vai até o Mundial de 2030.

Especulações sobre a Seleção Brasileira

As declarações sobre Neymar também voltaram a alimentar uma especulação que circulou nos bastidores do futebol brasileiro antes da contratação de Carlo Ancelotti pela CBF. À época, veículos da imprensa esportiva noticiaram que a relação desgastada entre Jorge Jesus e Neymar teria sido apontada como um dos fatores que reduziram as chances de o treinador português assumir a Seleção Brasileira.

A hipótese nunca foi confirmada oficialmente pela Confederação Brasileira de Futebol nem pelo próprio Jorge Jesus. Tampouco Neymar atribuiu publicamente a escolha do treinador à divergência entre ambos. Ainda assim, a convivência conturbada no Al-Hilal e as críticas públicas feitas pelo técnico ao atacante passaram a ser frequentemente citadas como um elemento que dificultaria a gestão do principal jogador brasileiro caso Jesus fosse escolhido para comandar a equipe nacional.

Agora à frente de Portugal, o treinador deixa claro que pretende manter o mesmo princípio adotado ao longo da carreira: para ele, reputação e passado não garantem lugar entre os titulares. O rendimento em campo continuará sendo, segundo suas próprias palavras, o único critério para definir quem joga.

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Super-ricos brasileiros inflacionam mercado imobiliário em Portugal

15 de Março de 2026, 13:49
Propriedade de 240 m² em Oeiras está avaliada em 3,5 milhões de euros. Foto: Divulgação

A empresária brasileira Angela Gonçalves, 48, fez a escolha de se mudar para Portugal após morar três anos nos Estados Unidos com sua família. O clima de insegurança e a violência crescente nos EUA pesaram na decisão de viver em Cascais, uma cidade na Grande Lisboa, conhecida pelo alto poder aquisitivo de seus moradores.

Segundo informações do UOL, o impacto dessa mudança reflete a onda de investimentos estrangeiros no mercado imobiliário de Portugal, principalmente de brasileiros e americanos, que vêm comprando imóveis de luxo, aumentando a demanda e, consequentemente, os preços.

O preço do metro quadrado em Cascais, entre março de 2025 e janeiro de 2026, subiu de 6.570 euros para 7.309 euros, um aumento considerável que também reflete a especulação no mercado. Imóveis com vista para o mar podem chegar a valores exorbitantes, como o caso de uma propriedade que atingiu 28 milhões de euros.

Esse fenômeno é um reflexo de um padrão que se repete em outras regiões de Portugal, com estrangeiros impulsionando a alta do mercado de luxo. Em 2025, o investimento estrangeiro no setor imobiliário português bateu recordes, atingindo 3,9 bilhões de euros, o maior valor desde 2008.

A alta do preço do metro quadrado em Portugal superou a de toda a Europa, conforme dados da agência S&P Global. No entanto, essa valorização impacta negativamente as classes mais baixas e os locais que buscam acessar o mercado imobiliário, gerando uma crise habitacional sem precedentes.

A busca por imóveis de luxo, especialmente entre brasileiros e americanos, elevou os preços a níveis que muitos portugueses não conseguem mais acompanhar. Ayres Neto, empresário brasileiro especializado no mercado imobiliário de alto padrão, observa que, além de brasileiros, americanos também têm se deslocado para o país, atraídos por uma combinação de segurança, clima e proximidade linguística.

“Comprar imóveis em Portugal é barato. Em vez de pagar US$ 40 milhões em uma casa nos Estados Unidos, paga-se aqui 5 milhões de euros no mesmo tipo de imóvel, melhor localizado”, afirma, comparando a aquisição de uma casa em Portugal a uma similar nos Estados Unidos, onde o preço chega a ser quatro vezes maior.

Mansão em Lagos, no Algarve, disponível para compra por 27 milhões de euros. Foto: Divulgação

O mercado de luxo, no entanto, é uma realidade distante para muitos portugueses. Com a alta dos preços, pessoas como Letícia Floriano, uma assistente administrativa no Porto, enfrentam dificuldades em encontrar uma moradia acessível.

“Morar sozinha é impossível”, diz Letícia, que ganha 1.200 euros mensais e paga 450 euros de aluguel por um espaço dividido com outras três pessoas. “Pelo meu salário e idade, não consigo financiamento. Morar sozinha é impossível, o aluguel consumiria toda a minha renda” afirma ela.

O aumento da superlotação habitacional é outro reflexo direto dessa crise. Em Portugal, mais de 1,2 milhão de pessoas vivem em condições inadequadas de moradia. O conceito de “superlotação habitacional”, que é quando a quantidade de pessoas por imóvel excede o número de quartos, tem se tornado cada vez mais comum, dificultando a vida de quem não consegue pagar por uma moradia mais cara.

Essa situação se agrava em um mercado onde a oferta de imóveis de baixo custo está cada vez mais escassa. Os dados sobre o mercado de imóveis em Portugal indicam que a alta nos preços foi impulsionada por investidores estrangeiros, mas também por políticas locais que não conseguem acompanhar o ritmo das mudanças no mercado.

O preço médio do metro quadrado em Lisboa, por exemplo, superou os 5.000 euros, uma cifra que equivale a 5,4 vezes o salário mínimo do país. As estatísticas revelam uma discrepância entre as regiões do país, com Lisboa e Porto enfrentando uma elevação desproporcional, enquanto cidades no interior de Portugal continuam com valores mais baixos, mas sem atratividade para grandes investidores.

A situação gerou uma resposta do governo português, que tem implementado medidas para tentar controlar o mercado imobiliário. A Assembleia da República, equivalente ao Congresso Nacional do Brasil, está em processo de aprovação de um pacote de medidas que busca reduzir impostos e criar incentivos para a construção de imóveis destinados ao aluguel de longo prazo.

Porém, essas iniciativas ainda são consideradas insuficientes para reverter os efeitos da crise no curto prazo. O impacto dessa crise não afeta apenas os locais, mas também imigrantes e estrangeiros que, ao buscar uma oportunidade de compra ou aluguel, acabam enfrentando não apenas a alta dos preços, mas também a discriminação no acesso à moradia.

A pesquisa da Casa do Brasil de Lisboa revelou que 90,4% dos imigrantes brasileiros enfrentam preconceito no processo de locação, com abusos como o pedido de caução excessiva. Além disso, a xenofobia, especialmente contra os imigrantes brasileiros, é um fator que agrava a insegurança habitacional.

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