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Lula reitera desejo de acabar com as bets: “Não é jogo, é vício”

18 de Setembro de 2026, 21:04
Lula Haddad
O presidente Lula e o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) durante ato em Guarulhos (SP). Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

O presidente Lula afirmou nesta sexta-feira (18), durante ato em Guarulhos, na Grande São Paulo, que pretende acabar com as bets no Brasil. “Se depender da minha vontade pessoal, eu vou acabar com as bets neste país”, declarou, sob aplausos. Em seguida, classificou as plataformas como “a coisa mais horrorosa” que já viu e como “uma loucura da nação”. A manifestação ocorre em meio à discussão no governo sobre novas restrições ao setor.

No discurso, Lula relatou o caso de uma mulher que, segundo ele, perdeu o filho de 26 anos após o jovem acumular dívidas com apostas. O presidente comparou a dependência provocada pela jogatina à devastação causada pelo crack e afirmou que apostadores podem comprometer renda que não possuem na expectativa de ganhar dinheiro. “Não é jogo, é vício, é ludopatia”, disse.

Lula também afirmou que R$ 62 bilhões foram destinados às bets e colocou a perda de arrecadação em segundo plano diante do impacto social que atribui às apostas. “A gente pode perder o imposto. O que eu não posso perder é a vida dos pobres jogando”, declarou. Na quinta-feira (17), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, havia usado a mesma ordem de grandeza ao afirmar que cerca de R$ 62 bilhões saem das famílias para as plataformas e que o governo estuda formas de reduzir esse impacto.

O presidente dedicou parte do discurso à reação dos clubes de futebol. Entidades e equipes da Série A se mobilizaram contra possíveis restrições mais duras às empresas de apostas, hoje responsáveis por uma parcela relevante dos patrocínios esportivos. Lula lembrou que o Brasil conquistou as Copas de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002 antes da atual expansão das casas de apostas e ironizou: “Depois que apareceram as bets, não ganhou mais nada”.

Rapaz, o Lula quer acabar com as bets mesmo! Comparou o vício ao crack e disse que vai conversar com os times brasileiros.

“É a coisa mais horrorosa que vi na vida. Não posso perder a vida das pessoas jogando. O Brasil era campeão antes das bets, depois nunca mais.” pic.twitter.com/1iMXzKLM1k

— Bruno Guzzo® (@brunoguzzo) September 18, 2026

Ele também rejeitou a tese de que medidas contra as empresas provocariam o colapso do futebol brasileiro. “Esse negócio de que se acabar com as bets vai acabar com o futebol é uma balela”, afirmou. Na sequência, elevou o tom: “A gente vai acabar com as bets, e a gente vai acabar com a lavagem de dinheiro, com a safadeza e com a roubalheira”. Investigações recentes da Polícia Federal e do Ministério Público apuram casos específicos de lavagem de dinheiro relacionados a operadores de apostas, o que não significa que a acusação alcance indistintamente todas as empresas do setor.

Lula encerrou esse trecho dizendo que pretende conversar com os clubes, mas afirmou que a resistência das empresas não mudará sua posição pessoal. “Os donos das bets não vão querer que eu acabe. Mas eu não sou dono de bets, eu sou o Presidente da República deste país e vou acabar com as bets”, declarou. O discurso amplia uma ofensiva que Lula já vinha fazendo contra o setor: em abril, ele afirmou ao DCM, Brasil 247 e Fórum que as bets estavam “assaltando o povo”.

Apesar da declaração categórica de Lula, uma proibição ainda não está definida. O governo discute uma medida para proibir jogos de cassino online e impor novas restrições às apostas esportivas, mas o desenho final não foi anunciado. Durigan afirmou na quinta-feira que não havia decisão tomada e que qualquer nova medida seria apresentada ofici

2,8 milhões de beneficiários do Bolsa Família e do BPC perdem acesso às bets

11 de Julho de 2026, 08:42
Mulher usa celular com jogo de apostas online em transporte público
Mulher usa celular com jogo de apostas online em transporte público na capital paulista. Foto: Reprodução

O Ministério da Fazenda impediu o acesso de 2,8 milhões de beneficiários do Bolsa Família e do BPC a sites de apostas, as chamadas bets, em meio à aplicação das regras que proíbem o uso de recursos de programas sociais nesse mercado. O número equivale a 10,4% dos 27 milhões de contemplados pelos dois programas e a 11,2% dos 25 milhões de brasileiros que tentaram apostar ao menos uma vez em 2025.

A restrição atende a uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) para impedir que beneficiários utilizem recursos dos programas sociais em apostas. Todos os 27 milhões de contemplados por Bolsa Família e BPC estão proibidos de se cadastrar em plataformas autorizadas, mas o bloqueio atingiu diretamente 2,8 milhões que já tinham conta ativa.

As empresas de apostas precisam fazer checagens quinzenais em suas bases de usuários. Para isso, podem consultar no Sigap, sistema de gestão de apostas do Serpro, por meio do CPF, se a pessoa que tenta se cadastrar recebe Bolsa Família ou BPC.

“Durante a verificação é indicado objetivamente se é ou não beneficiário de programas sociais, com ‘impedido’ ou ‘não impedido’”, diz a Fazenda em nota. A regra obriga as plataformas autorizadas a derrubar o acesso quando o CPF aparece vinculado aos benefícios.

Lula e Dario Durigan, ministro da Fazenda. Foto: reprodução

Autoexclusão passa de 925 mil cadastros

Agentes públicos com atuação no setor de apostas, atletas profissionais, árbitros, dirigentes, fiscais ou técnicos esportivos e pessoas diagnosticadas com ludopatia também não podem apostar por lei. Para esses grupos, porém, não há um sistema automático de bloqueio, e o veto funciona por autodeclaração.

Mais de 925 mil pessoas se cadastraram na plataforma de autoexclusão, ferramenta que permite ao próprio cidadão impedir seu acesso a sites de apostas por prazo definido. A autoexclusão centralizada vale para todas as casas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda.

O bloqueio voluntário pode ter prazo determinado ou indeterminado. Na opção sem data final, a pessoa só pode desistir da restrição depois de 12 meses; entre os cadastrados, pode haver usuários que nunca apostaram, já que houve recomendações para inscrição como forma de evitar uso indevido do CPF por terceiros.

Entidades do setor apontam uma lacuna no modelo: apostadores ainda podem recorrer a sites clandestinos, sem supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas. Essas empresas não seguem regras de publicidade, não pagam a outorga de R$ 30 milhões ao governo, não recolhem impostos no modelo regulado e ficam fora do sistema de autoexclusão.

Para pedir a autoexclusão, o interessado deve acessar a página da Secretaria de Prêmios e Apostas no portal Gov.br com conta prata ou ouro, preencher a solicitação, escolher o motivo e o período do bloqueio. O procedimento exige aceitar os termos de uso e declarar ciência de que, durante a restrição, não será possível acessar plataformas autorizadas nem receber publicidade direcionada.

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