Visualização normal

Received before yesterday

Fotos com Trump, como a de Flávio Bolsonaro, são comercializadas por até US$ 500 mil

26 de Maio de 2026, 23:56
Flávio Bolsonaro Trump
O pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Reprodução/X (@FlavioBolsonaro)

O senador Flávio Bolsonaro conseguiu na tarde desta terça-feira (26) aquilo que parecia ser o principal objetivo de sua viagem aos Estados Unidos: um retrato ao lado do presidente norte-americano Donald Trump.

A agenda, no entanto, esteve longe de representar uma reunião diplomática robusta ou um encontro político de grande densidade. Segundo relatos de jornalistas brasileiros em Washington, a passagem dos irmãos Bolsonaro pela Casa Branca foi extremamente rápida, durando cerca de dez minutos.

A correspondente da GloboNews Raquel Krähenbühl descreveu a sequência de forma quase burocrática: entrada de Flávio e Eduardo Bolsonaro, entrega de documentos a assessores, registro de imagens e saída. Já o correspondente da BandNews, Eduardo Barão, afirmou que toda a agenda teria levado aproximadamente dez minutos.

O registro foi feito dentro principal gabinete presidencial. Num outro clique, aparecem o lobista Paulo Figueiredo e seu comparsa Eduardo.

Trata-se de uma tentativa de mudar de assunto. Flávio atravessa uma crise após a repercussão de sua relação íntima com o banqueiro Daniel Vorcaro, tema que passou a dominar o noticiário político.

O episódio também expõe uma realidade conhecida nos bastidores da política americana: o acesso a Trump é um ativo financeiro, instrumento de marketing político e é comercializado. Pagou, levou.

Nos Estados Unidos, reuniões rápidas, fotos e momentos privados com o ex-presidente são associados a pacotes de arrecadação milionários destinados a financiar organizações conservadoras e campanhas republicanas. A manobra se chama photo op, contração de photo opportunity.

Um dos exemplos mais explícitos veio à tona recentemente através de um e-mail obtido pela newsletter Popular Information. A mensagem revelava que empresários e grandes doadores conservadores receberam uma proposta para participar de uma experiência VIP com Trump mediante doação de US$ 500 mil ao comitê político da organização de extrema-direita Turning Point USA, TPUSA. O pacote colocava preço na fotografia.

O TPUSA foi fundada pelo ativista fascista Charlie Kirk, assassinado durante uma palestra na Universidade do Vale de Utah, em Orem, em novembro. O ex-presidente Jair Bolsonaro participou, em fevereiro de 2023, do evento “Power to the People” (“Poder ao Povo”) em Miami, organizado pelo grupo. Foi saudado por Kirk como um “lutador contra o marxismo”.

Segundo o convite obtido pelo Popular Information, os participantes teriam direito a voo fretado até Phoenix, no Arizona, hospedagem, acesso especial ao comício intitulado “Build the Red Wall” (“Construa a Parede Vermelha”), tour privado pela sede da organização — e, principalmente, um encontro reservado com Trump seguido por uma sessão de fotos.

“Essa experiência incluirá participação em uma breve conversa com o presidente, seguida por uma oportunidade de fotografia”, dizia o e-mail enviado pelo executivo de relações públicas Sinan Kanatsiz.

Embora o evento de Trump em Phoenix fosse aberto gratuitamente ao público, o verdadeiro produto vendido nos bastidores era o acesso exclusivo ao presidente. O mesmo que se passou com Flávio e seu bando.

O ecossistema trumpista transformou esse tipo de acesso em produto de luxo. De acordo com o Popular Information, a oferta circulava de forma reservada entre empresários e aliados políticos selecionados.

No rodapé do convite havia inclusive um aviso em letras maiúsculas: “ESTE E-MAIL É APENAS PARA USO DO DESTINATÁRIO E NÃO DEVE SER COMPARTILHADO — CONFIDENCIAL”.

“Toupeira cega”: ofensa a Jair Renan aumenta o racha entre Nikolas e o clã Bolsonaro

24 de Abril de 2026, 20:18
Nikolas Ferreira segue em embates com a família Bolsonaro, e o alvo da vez foi Jair Renan
O deputado federal, Nikolas Ferreira. Foto: Wallace Martins/Estadão Contéudo

A nova troca de ataques entre Nikolas Ferreira e Jair Renan Bolsonaro abriu mais um capítulo do desgaste interno no bolsonarismo. Nesta sexta-feira (24), o deputado mineiro chamou o vereador de Balneário Camboriú de “toupeira cega” após uma discussão no X, em meio à pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no PL.

A confusão começou quando o influenciador bolsonarista Junior Japa ironizou um vídeo de Nikolas em Minas Gerais e insinuou que ele teria “sentido” críticas recentes, além de sugerir troca de apoio por emendas. Nikolas reagiu dizendo que mandaria “emenda” para internar os críticos “num hospício”; Jair Renan entrou na conversa com o meme “Galvão?”, seguido pela resposta “Sentiu”.

Foi nesse ponto que Nikolas publicou o print da interação e escreveu que, se somada, a “capacidade cognitiva” de Jair Renan e do influenciador “não alcança a de uma toupeira cega”. O ataque virou o sinal mais recente de um mal-estar que já vinha crescendo no entorno de Flávio Bolsonaro por causa da atuação considerada tímida de Nikolas na campanha.

Nos bastidores, aliados dos Bolsonaro passaram a monitorar as redes do deputado e a reclamar que ele menciona pouco o nome de Flávio. Nikolas respondeu dizendo sofrer “ataques unilaterais” e acusou integrantes do grupo de se acharem “mais Bolsonaro do que o próprio Bolsonaro”, o que transformou uma briga de rede social em sintoma de corrosão política mais ampla.

Se juntar a capacidade cognitiva dessa dupla não alcança a de uma toupeira cega. pic.twitter.com/F8voYWiHcC

— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) April 24, 2026

A tensão atual se soma ao embate que Nikolas já havia travado com Eduardo Bolsonaro no início do mês. Depois de um “kkk” publicado pelo mineiro em resposta a críticas, Eduardo acusou o deputado de desrespeitar sua família, de usar o algoritmo das redes para dar visibilidade a adversários do bolsonarismo e de não apoiar Flávio de forma consistente.

O conflito também atravessou a própria família Bolsonaro. Enquanto Carlos e Jair Renan se alinharam com Eduardo nas redes, Michelle adotou uma posição ambígua e chegou a publicar vídeo de Nikolas no mesmo dia do embate, num gesto lido como sinal de apoio ao parlamentar mineiro; em paralelo, Carlos passou a pressionar filiados do PL com um “levantamento” de quem não divulga a candidatura de Flávio.

Flávio tentou atuar como bombeiro e pediu “racionalidade” e pacificação, afirmando que esse tipo de confronto “não é inteligente” e que não há vencedor em guerra interna. O problema é que a repetição desses episódios mostra que a campanha depende cada vez mais de apagar incêndios entre aliados e parentes, e menos de consolidar uma linha única de discurso.

Na reta para a eleição de outubro, a sequência de choques públicos fragiliza o PL porque dispersa a militância, embaralha a autoridade do clã e obriga Flávio Bolsonaro a arbitrar disputas domésticas em vez de ampliar sua frente eleitoral. Aliados do senador já trataram a briga entre Eduardo e Nikolas como fator de risco e de “potencial catastrófico”, sobretudo porque Minas Gerais é vista como peça estratégica e o apoio de Nikolas segue considerado central nesse tabuleiro.

Lula convoca velha guarda do PT e cobra reação rápida contra Flávio Bolsonaro

22 de Março de 2026, 10:45
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou aliados históricos para reforçar sua campanha à reeleição, pedindo a formação de um “gabinete de pronta-resposta” para enfrentar ataques, especialmente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Durante um encontro no Palácio da Alvorada com figuras da velha-guarda petista, Lula destacou que a disputa será difícil e que o governo enfrenta um cenário de baixa aprovação, com pesquisas apontando apenas 32% a 33% de apoio à sua gestão. O PT busca superar a avaliação negativa e enfrentar a resistência popular, apesar dos avanços econômicos como inflação controlada e a menor taxa de desemprego desde 2012. As informações são do Estadão.

Para coordenar a campanha, Lula e o PT reuniram uma equipe de aliados experientes, incluindo Gilberto Carvalho, Aloizio Mercadante e Wellington Dias. A estratégia é reforçar a comunicação política e aumentar o apoio, focando em temas como a crise no INSS e a crescente influência da direita nas redes sociais. Lula também se mostrou preocupado com o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e, como parte da nova tática, o PT passou a associar o nome do senador diretamente a escândalos como a “rachadinha”, além de destacar os perigos do retorno do bolsonarismo ao poder.

Gilberto Carvalho, ex-ministro e membro da campanha, compartilhou preocupações com os desafios da campanha. “Dificilmente um governo consegue a reeleição sem chegar a, pelo menos, 45% de aprovação”, afirmou, questionando como superar a resistência crescente. O ex-ministro ressaltou que o governo deve se concentrar em apresentar os resultados de suas ações, comparando-as com o governo anterior. Para Carvalho, a crítica social e a desconstrução do adversário político são elementos chave para recuperar a confiança do eleitor.

O presidente Lula e o ministro Guilherme Boulos (Secretaria Geral) conversam em cerimônia no Palácio do Planalto. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Além disso, Lula e seus aliados discutem estratégias de engajamento com diferentes grupos sociais, incluindo os trabalhadores informais, atualmente influenciados pelo bolsonarismo. Para lidar com essa questão, a campanha contará com Guilherme Boulos, que ficará responsável pela relação com esses grupos, e Mônica Valente, que fará a ponte com as campanhas estaduais. A presença de Paulo Okamotto será fundamental para impulsionar a comunicação digital, com projetos como “Pode Espalhar”, focado em ampliar a divulgação das pautas positivas do governo.

Lula também direcionou críticas ao governo Bolsonaro, associando-o ao escândalo do Banco Master. “Esse Banco Master é ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos (Neto)”, protestou, defendendo que o PT não seja culpabilizado pelo caso. As investigações sobre o banco, que causaram um prejuízo de R$ 50 bilhões, continuam a se expandir, atingindo figuras do Centrão e ministros do STF. O ex-presidente também mencionou as dificuldades de governar com a autonomia do Banco Central, com um foco em reforçar a autonomia da política monetária no novo programa de governo.

Por fim, a campanha de Lula visa formar uma rede de influenciadores digitais para engajar mais jovens e setores da sociedade. A proposta de criar o “Clube de Influência do Time Lula” envolve um esforço coordenado para melhorar a comunicação e garantir a difusão de suas ações políticas nas redes sociais. “Vamos atuar com muita disciplina e organização para explicar e dar mais centralidade ao que o governo está fazendo para melhorar a vida do povo”, afirmou Okamotto.

❌