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Condenado por fraude, ex-ministro da ditadura é grande doador de Flávio Bolsonaro

9 de Setembro de 2026, 23:45
Ângelo Calmon de Sá
O ex-ministro da ditadura militar, Ângelo Calmon de Sá. Foto: Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem

O ex-ministro Ângelo Calmon de Sá, banqueiro condenado por fraude e integrante de dois governos durante e logo após a ditadura militar, aparece entre os maiores doadores privados associados à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Aos 91 anos, ele destinou R$ 400 mil à Direção Nacional do PL, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral analisados pela Folha de S.Paulo.

O dinheiro não foi transferido diretamente para a conta de Flávio Bolsonaro, mas para a direção nacional da legenda que financia sua candidatura. No levantamento da Folha, Calmon de Sá aparece como o terceiro maior doador pessoa física ligado à campanha, atrás de Fernando de Castro Marques, da União Química, e Erasmo Carlos Battistella, da Be8, que destinaram R$ 500 mil cada.

A relação financeira do banqueiro com o partido não começou nesta eleição. Em 2024, Calmon de Sá já havia destinado R$ 300 mil ao PL, em três repasses registrados como contribuições para a manutenção da legenda.

Flávio Bolsonaro
O candidato a presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Divulgação/Vitor Salles

O empresário presidiu o Banco do Brasil durante a ditadura de Emílio Garrastazu Médici e foi ministro da Indústria e Comércio de Ernesto Geisel entre 1977 e 1979. Anos mais tarde, Fernando Collor o nomeou ministro do Desenvolvimento Regional. Depois das passagens pelo governo, Calmon de Sá voltou ao comando do Banco Econômico, instituição que entrou em intervenção do Banco Central em 1995 e foi liquidada no ano seguinte.

Durante a crise do banco, o BC descobriu o episódio conhecido como “pasta rosa”, envolvendo US$ 2,4 milhões destinados a candidaturas nas eleições de 1990. À época, doações empresariais eram proibidas, e a investigação apontou o uso de registros de pagamentos por serviços fictícios para encobrir as transferências.

Em 2007, Calmon de Sá foi condenado pela Justiça Federal a 13 anos e quatro meses de prisão em regime fechado. Na sentença citada pela Folha, o juiz o classificou como principal estrategista das irregularidades e como destinatário de recursos captados no exterior e desviados para o banco. A reportagem afirma que não há registros de que a pena tenha sido cumprida; a defesa apresentou ao longo dos anos recursos e pedidos de habeas corpus, inclusive com alegações de prescrição.

A contribuição ocorre enquanto Flávio Bolsonaro concentra os maiores gastos da eleição presidencial. A campanha do candidato do PL já declarou R$ 49,5 milhões em despesas, e R$ 42 milhões de sua arrecadação vieram do Fundo Eleitoral repassado pela própria legenda.

Em disputa por influência, Carlos Bolsonaro critica campanha de Flávio e mira economista aliada

9 de Setembro de 2026, 23:25
Flávio Carlos Bolsonaro
O candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL) e o irmão, Carlos Bolsonaro. Foto: Adriano Machado/Reuters

A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro voltou a enfrentar uma disputa interna aberta entre a ala ideológica do bolsonarismo e o grupo que ganhou espaço na formulação econômica da candidatura. Carlos Bolsonaro cobrou publicamente que o irmão reconheça que seu crescimento eleitoral está ligado a Jair Bolsonaro e alertou contra integrantes do entorno que, em sua avaliação, podem afastá-lo da base. Segundo a Folha de S.Paulo, aliados de Carlos apontam Daniella Marques, conselheira econômica da campanha, como um dos principais alvos da crítica.

“Flávio precisa entender que seu crescimento e sua eleição se devem ao seu pai”, escreveu Carlos Bolsonaro. Em outro trecho, afirmou que quem tentar conduzir o candidato por outro caminho “o afasta de sua base e o torna refém pós-eleitoral”. O irmão não citou Daniella nominalmente, mas interlocutores disseram à Folha que a mensagem era dirigida, entre outros nomes, à ex-presidente da Caixa.

Daniella vem ampliando sua influência na campanha, com participação em atos, lives, viagens e elaboração do programa econômico. A ala mais radical do bolsonarismo considera que ela deveria permanecer em uma função técnica e de bastidor e reclama que passou a ocupar espaço político e a dar ordens. Eduardo Bolsonaro compartilha a resistência à economista, segundo pessoas próximas a ele ouvidas pelo jornal.

Um dos principais pontos de atrito é a defesa de cortes de gastos. Flávio Bolsonaro já prometeu um “tesouraço” caso chegue ao Planalto, e Daniella passou a ser identificada internamente com a proposta. Para integrantes da ala ideológica, colocar o ajuste fiscal no centro da campanha pode afastar eleitores que dependem de políticas sociais em um país de renda baixa.

Flávio precisa entender que seu crescimento e sua eleição se devem ao seu pai, à rejeição à covardia, aos desmandos e às revelações do modus operandi de determinados setores do Judiciário e à ruína, tanto econômica quanto social, que Lula vem trazendo ao país.

Qualquer um de seu…

— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) September 8, 2026

A crítica ganhou um componente histórico dentro do próprio bolsonarismo. Integrantes desse grupo atribuem à política econômica de Paulo Guedes, de quem Daniella foi uma das principais auxiliares, parte da responsabilidade pela derrota de Jair Bolsonaro em 2022. Eles defendem que Flávio Bolsonaro se comprometa com a manutenção de programas sociais e priorize temas como segurança pública, emprego e o legado político do pai.

As divergências já haviam aparecido em outras pautas. Daniella criticou a proposta de acabar com a escala 6×1 e defendeu maior liberdade para ampliar a jornada de trabalho. Ela também ganhou protagonismo na tentativa de aproximar Flávio Bolsonaro do eleitorado feminino e do mercado financeiro, dois movimentos vistos com desconfiança por setores mais ideológicos da família e da base.

A nova disputa ocorre justamente quando Flávio Bolsonaro melhora seu desempenho nas pesquisas e passa a enxergar uma possibilidade concreta de vitória. Para aliados do candidato, a alta nas sondagens também intensificou a briga por espaço e influência. Já a ala radical sustenta que o crescimento não autoriza uma mudança de identidade: quer uma campanha mais emocional, centrada em Jair Bolsonaro e nas bandeiras antissistema que consolidaram o bolsonarismo.

Fotos com Trump, como a de Flávio Bolsonaro, são comercializadas por até US$ 500 mil

26 de Maio de 2026, 23:56
Flávio Bolsonaro Trump
O pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Reprodução/X (@FlavioBolsonaro)

O senador Flávio Bolsonaro conseguiu na tarde desta terça-feira (26) aquilo que parecia ser o principal objetivo de sua viagem aos Estados Unidos: um retrato ao lado do presidente norte-americano Donald Trump.

A agenda, no entanto, esteve longe de representar uma reunião diplomática robusta ou um encontro político de grande densidade. Segundo relatos de jornalistas brasileiros em Washington, a passagem dos irmãos Bolsonaro pela Casa Branca foi extremamente rápida, durando cerca de dez minutos.

A correspondente da GloboNews Raquel Krähenbühl descreveu a sequência de forma quase burocrática: entrada de Flávio e Eduardo Bolsonaro, entrega de documentos a assessores, registro de imagens e saída. Já o correspondente da BandNews, Eduardo Barão, afirmou que toda a agenda teria levado aproximadamente dez minutos.

O registro foi feito dentro principal gabinete presidencial. Num outro clique, aparecem o lobista Paulo Figueiredo e seu comparsa Eduardo.

Trata-se de uma tentativa de mudar de assunto. Flávio atravessa uma crise após a repercussão de sua relação íntima com o banqueiro Daniel Vorcaro, tema que passou a dominar o noticiário político.

O episódio também expõe uma realidade conhecida nos bastidores da política americana: o acesso a Trump é um ativo financeiro, instrumento de marketing político e é comercializado. Pagou, levou.

Nos Estados Unidos, reuniões rápidas, fotos e momentos privados com o ex-presidente são associados a pacotes de arrecadação milionários destinados a financiar organizações conservadoras e campanhas republicanas. A manobra se chama photo op, contração de photo opportunity.

Um dos exemplos mais explícitos veio à tona recentemente através de um e-mail obtido pela newsletter Popular Information. A mensagem revelava que empresários e grandes doadores conservadores receberam uma proposta para participar de uma experiência VIP com Trump mediante doação de US$ 500 mil ao comitê político da organização de extrema-direita Turning Point USA, TPUSA. O pacote colocava preço na fotografia.

O TPUSA foi fundada pelo ativista fascista Charlie Kirk, assassinado durante uma palestra na Universidade do Vale de Utah, em Orem, em novembro. O ex-presidente Jair Bolsonaro participou, em fevereiro de 2023, do evento “Power to the People” (“Poder ao Povo”) em Miami, organizado pelo grupo. Foi saudado por Kirk como um “lutador contra o marxismo”.

Segundo o convite obtido pelo Popular Information, os participantes teriam direito a voo fretado até Phoenix, no Arizona, hospedagem, acesso especial ao comício intitulado “Build the Red Wall” (“Construa a Parede Vermelha”), tour privado pela sede da organização — e, principalmente, um encontro reservado com Trump seguido por uma sessão de fotos.

“Essa experiência incluirá participação em uma breve conversa com o presidente, seguida por uma oportunidade de fotografia”, dizia o e-mail enviado pelo executivo de relações públicas Sinan Kanatsiz.

Embora o evento de Trump em Phoenix fosse aberto gratuitamente ao público, o verdadeiro produto vendido nos bastidores era o acesso exclusivo ao presidente. O mesmo que se passou com Flávio e seu bando.

O ecossistema trumpista transformou esse tipo de acesso em produto de luxo. De acordo com o Popular Information, a oferta circulava de forma reservada entre empresários e aliados políticos selecionados.

No rodapé do convite havia inclusive um aviso em letras maiúsculas: “ESTE E-MAIL É APENAS PARA USO DO DESTINATÁRIO E NÃO DEVE SER COMPARTILHADO — CONFIDENCIAL”.

“Toupeira cega”: ofensa a Jair Renan aumenta o racha entre Nikolas e o clã Bolsonaro

24 de Abril de 2026, 20:18
Nikolas Ferreira segue em embates com a família Bolsonaro, e o alvo da vez foi Jair Renan
O deputado federal, Nikolas Ferreira. Foto: Wallace Martins/Estadão Contéudo

A nova troca de ataques entre Nikolas Ferreira e Jair Renan Bolsonaro abriu mais um capítulo do desgaste interno no bolsonarismo. Nesta sexta-feira (24), o deputado mineiro chamou o vereador de Balneário Camboriú de “toupeira cega” após uma discussão no X, em meio à pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no PL.

A confusão começou quando o influenciador bolsonarista Junior Japa ironizou um vídeo de Nikolas em Minas Gerais e insinuou que ele teria “sentido” críticas recentes, além de sugerir troca de apoio por emendas. Nikolas reagiu dizendo que mandaria “emenda” para internar os críticos “num hospício”; Jair Renan entrou na conversa com o meme “Galvão?”, seguido pela resposta “Sentiu”.

Foi nesse ponto que Nikolas publicou o print da interação e escreveu que, se somada, a “capacidade cognitiva” de Jair Renan e do influenciador “não alcança a de uma toupeira cega”. O ataque virou o sinal mais recente de um mal-estar que já vinha crescendo no entorno de Flávio Bolsonaro por causa da atuação considerada tímida de Nikolas na campanha.

Nos bastidores, aliados dos Bolsonaro passaram a monitorar as redes do deputado e a reclamar que ele menciona pouco o nome de Flávio. Nikolas respondeu dizendo sofrer “ataques unilaterais” e acusou integrantes do grupo de se acharem “mais Bolsonaro do que o próprio Bolsonaro”, o que transformou uma briga de rede social em sintoma de corrosão política mais ampla.

Se juntar a capacidade cognitiva dessa dupla não alcança a de uma toupeira cega. pic.twitter.com/F8voYWiHcC

— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) April 24, 2026

A tensão atual se soma ao embate que Nikolas já havia travado com Eduardo Bolsonaro no início do mês. Depois de um “kkk” publicado pelo mineiro em resposta a críticas, Eduardo acusou o deputado de desrespeitar sua família, de usar o algoritmo das redes para dar visibilidade a adversários do bolsonarismo e de não apoiar Flávio de forma consistente.

O conflito também atravessou a própria família Bolsonaro. Enquanto Carlos e Jair Renan se alinharam com Eduardo nas redes, Michelle adotou uma posição ambígua e chegou a publicar vídeo de Nikolas no mesmo dia do embate, num gesto lido como sinal de apoio ao parlamentar mineiro; em paralelo, Carlos passou a pressionar filiados do PL com um “levantamento” de quem não divulga a candidatura de Flávio.

Flávio tentou atuar como bombeiro e pediu “racionalidade” e pacificação, afirmando que esse tipo de confronto “não é inteligente” e que não há vencedor em guerra interna. O problema é que a repetição desses episódios mostra que a campanha depende cada vez mais de apagar incêndios entre aliados e parentes, e menos de consolidar uma linha única de discurso.

Na reta para a eleição de outubro, a sequência de choques públicos fragiliza o PL porque dispersa a militância, embaralha a autoridade do clã e obriga Flávio Bolsonaro a arbitrar disputas domésticas em vez de ampliar sua frente eleitoral. Aliados do senador já trataram a briga entre Eduardo e Nikolas como fator de risco e de “potencial catastrófico”, sobretudo porque Minas Gerais é vista como peça estratégica e o apoio de Nikolas segue considerado central nesse tabuleiro.

Lula convoca velha guarda do PT e cobra reação rápida contra Flávio Bolsonaro

22 de Março de 2026, 10:45
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou aliados históricos para reforçar sua campanha à reeleição, pedindo a formação de um “gabinete de pronta-resposta” para enfrentar ataques, especialmente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Durante um encontro no Palácio da Alvorada com figuras da velha-guarda petista, Lula destacou que a disputa será difícil e que o governo enfrenta um cenário de baixa aprovação, com pesquisas apontando apenas 32% a 33% de apoio à sua gestão. O PT busca superar a avaliação negativa e enfrentar a resistência popular, apesar dos avanços econômicos como inflação controlada e a menor taxa de desemprego desde 2012. As informações são do Estadão.

Para coordenar a campanha, Lula e o PT reuniram uma equipe de aliados experientes, incluindo Gilberto Carvalho, Aloizio Mercadante e Wellington Dias. A estratégia é reforçar a comunicação política e aumentar o apoio, focando em temas como a crise no INSS e a crescente influência da direita nas redes sociais. Lula também se mostrou preocupado com o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e, como parte da nova tática, o PT passou a associar o nome do senador diretamente a escândalos como a “rachadinha”, além de destacar os perigos do retorno do bolsonarismo ao poder.

Gilberto Carvalho, ex-ministro e membro da campanha, compartilhou preocupações com os desafios da campanha. “Dificilmente um governo consegue a reeleição sem chegar a, pelo menos, 45% de aprovação”, afirmou, questionando como superar a resistência crescente. O ex-ministro ressaltou que o governo deve se concentrar em apresentar os resultados de suas ações, comparando-as com o governo anterior. Para Carvalho, a crítica social e a desconstrução do adversário político são elementos chave para recuperar a confiança do eleitor.

O presidente Lula e o ministro Guilherme Boulos (Secretaria Geral) conversam em cerimônia no Palácio do Planalto. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Além disso, Lula e seus aliados discutem estratégias de engajamento com diferentes grupos sociais, incluindo os trabalhadores informais, atualmente influenciados pelo bolsonarismo. Para lidar com essa questão, a campanha contará com Guilherme Boulos, que ficará responsável pela relação com esses grupos, e Mônica Valente, que fará a ponte com as campanhas estaduais. A presença de Paulo Okamotto será fundamental para impulsionar a comunicação digital, com projetos como “Pode Espalhar”, focado em ampliar a divulgação das pautas positivas do governo.

Lula também direcionou críticas ao governo Bolsonaro, associando-o ao escândalo do Banco Master. “Esse Banco Master é ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos (Neto)”, protestou, defendendo que o PT não seja culpabilizado pelo caso. As investigações sobre o banco, que causaram um prejuízo de R$ 50 bilhões, continuam a se expandir, atingindo figuras do Centrão e ministros do STF. O ex-presidente também mencionou as dificuldades de governar com a autonomia do Banco Central, com um foco em reforçar a autonomia da política monetária no novo programa de governo.

Por fim, a campanha de Lula visa formar uma rede de influenciadores digitais para engajar mais jovens e setores da sociedade. A proposta de criar o “Clube de Influência do Time Lula” envolve um esforço coordenado para melhorar a comunicação e garantir a difusão de suas ações políticas nas redes sociais. “Vamos atuar com muita disciplina e organização para explicar e dar mais centralidade ao que o governo está fazendo para melhorar a vida do povo”, afirmou Okamotto.

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