O diretor norte-americano Cyrus Nowrasteh afirmou que os valores divulgados como orçamento de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foram “ridiculamente inflados”. Leia em TVT News.
A declaração foi publicada pelo cineasta na rede social X nesta quinta-feira (10) e acrescenta novos elementos ao debate sobre os recursos envolvidos na produção, que é alvo de investigação da Polícia Federal.
O diretor reagiu a uma publicação que comparava o orçamento atribuído ao longa com os custos de filmes vencedores do Oscar e contestou a forma como os valores vêm sendo apresentados.
Segundo Nowrasteh, as cifras divulgadas não corresponderiam apenas aos gastos necessários para realizar o filme. Os números incluiriam também projeções relacionadas às despesas de marketing e publicidade, que, nos Estados Unidos, são normalmente contabilizadas separadamente dos custos de produção.
“Os números sendo divulgados para o custo do filme são ridiculamente inflados. Eles incluem custos projetados de marketing para ‘Dark Horse’”, escreveu o diretor.
A declaração ocorre em meio às investigações sobre o financiamento da cinebiografia e após a divulgação de informações sobre uma suposta negociação envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje candidato à Presidência da República, e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Diretor de Dark Horse em suas redes sociais – Reprodução
Diretor separa custos de produção e gastos com publicidade
Ao explicar sua posição, Cyrus Nowrasteh afirmou que despesas com divulgação podem ultrapassar os valores empregados diretamente na realização de uma produção cinematográfica. Para ele, a inclusão dessas diferentes despesas em uma mesma cifra provoca uma distorção na comparação com outros filmes.
“Marketing e publicidade para um filme frequentemente excedem os custos de produção. Nos EUA, não combinamos os dois, como fazem no Brasil. Por favor, tenha isso em mente. Os custos de produção deste filme foram menores que a maioria, se não todos, dos filmes listados”, afirmou.
A discussão surgiu depois que o valor atribuído a “Dark Horse” foi comparado pelo jornal O Globo aos orçamentos de produções vencedoras do Oscar. Entre os filmes mencionados na comparação estão “Anora”, “Parasita”, “Moonlight” e “A Forma da Água”, que tiveram custos de produção inferiores a US$ 24 milhões.
Segundo reportagem publicada pelo Intercept Brasil em maio, Flávio Bolsonaro teria solicitado US$ 24 milhões, valor que correspondia a cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção.
Para o jornalista Paulo Motoryn, a manifestação de Nowrasteh merece atenção diante das apurações que investigam os recursos relacionados a “Dark Horse”.
“A gente tem o diretor do ‘Dark Horse’ falando que os custos estão sendo inflados e que os custos da produção são muito menores que os outros filmes listados”, afirmou Motoryn.
Segundo o jornalista, a declaração pode representar mais um elemento a ser considerado na análise dos valores envolvidos no projeto.
“É uma pista muito importante para nossa investigação, seja do jornalismo, seja da Polícia Federal”, disse.
A controvérsia sobre os recursos destinados ao longa ocorre enquanto a Polícia Federal investiga suspeitas relacionadas ao financiamento da produção.
Flávio Bolsonaro é investigado pela PF no caso Dark Horse
Flávio Bolsonaro é investigado pela Polícia Federal em um inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). A apuração envolve suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao financiamento de “Dark Horse”.
A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça em 22 de julho, após pedido da Polícia Federal e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
De acordo com as informações que integram a apuração, os investigadores analisam a atuação de Flávio Bolsonaro na obtenção e na cobrança de recursos junto a Daniel Vorcaro.
Mensagens, ligações e registros de encontros encontrados no celular do banqueiro indicariam, segundo os investigadores, uma participação direta do senador nas tratativas relacionadas ao financiamento do projeto.
Operação teve buscas contra Mario Frias e produtora
Na quinta-feira (10), a Polícia Federal deflagrou uma operação relacionada ao financiamento de “Dark Horse”. Entre os alvos de mandados de busca e apreensão estavam o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e Karina Gama, produtora do filme.
Karina também é apontada como responsável por entidades que receberam recursos provenientes de emendas parlamentares, outro ponto que integra o contexto investigado pelas autoridades.
O Comitê Técnico de Análise Crítica do EIA-RIMA do Projeto Natureza, que reúne organizações, pesquisadores, entidades socioambientais e representantes da sociedade civil, encaminhou ao governo federal uma carta em que pede a revisão do apoio institucional ao empreendimento da CMPC previsto para Barra do Ribeiro, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A manifestação ocorre às vésperas da assinatura do contrato para implantação de um terminal da empresa no Porto de Rio Grande, prevista para esta sexta-feira (11).
Na carta, o grupo sustenta que ainda existem questões ambientais, sociais, econômicas e jurídicas sem resposta no processo de licenciamento conduzido pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). O documento também questiona compromissos assumidos pelo governo do Rio Grande do Sul com a empresa antes da conclusão do licenciamento e sustenta que decisões políticas ou econômicas não deveriam antecipar uma eventual autorização para a implantação do empreendimento.
O Projeto Natureza prevê a instalação de uma nova fábrica de celulose da CMPC na Fazenda Barba Negra, em Barra do Ribeiro. O empreendimento é anunciado pela empresa como um investimento de cerca de R$ 27 bilhões e envolve, além da unidade industrial, estruturas logísticas e portuárias.
Um dos principais pontos levantados pelo comitê é o impacto sobre o Guaíba. Segundo a carta, a fábrica deverá consumir cerca de 288 milhões de litros de água por dia e lançar aproximadamente 242 milhões de litros de efluentes diariamente no manancial. O documento afirma ainda que o ponto previsto para o lançamento ficaria a pouco mais de seis quilômetros de duas adutoras utilizadas pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) para o abastecimento de Porto Alegre.
O grupo também sustenta que os efluentes previstos teriam carga orgânica e poderiam conter compostos organoclorados, citando dioxinas e furanos. A carta afirma que substâncias desse tipo já teriam sido identificadas em sedimentos associados à operação da CMPC em Guaíba e manifesta preocupação com possíveis efeitos sobre organismos aquáticos, pesca e populações que dependem do ambiente.
A manifestação relaciona ainda o empreendimento ao estado atual do Guaíba após as enchentes de 2024. Segundo o comitê, pesquisas recentes do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS indicariam que a qualidade da água ainda não teria retornado às condições anteriores ao desastre climático. O documento defende que, diante desse cenário, a prioridade deveria ser a recuperação da qualidade do manancial, e não a ampliação da pressão sobre o sistema.
Outro eixo central da carta é a consulta prévia, livre e informada às comunidades indígenas potencialmente atingidas pelo empreendimento. O comitê defende que essa etapa ainda não foi cumprida de forma adequada.
O processo de licenciamento já havia suscitado uma recomendação do Ministério Público Federal (MPF) para a suspensão da liberação. Em março, o MPF apontou a existência de pelo menos oito aldeias Mbyá Guarani na área de influência direta e outras 18 na área de influência indireta do empreendimento.
A assinatura do contrato para o terminal em Rio Grande integra a estrutura logística do Projeto Natureza. O terminal da CMPC no Porto de Rio Grande prevê a cessão de uma área de 412 mil metros quadrados, com investimento estimado em cerca de R$ 1,3 bilhão.
A assinatura do contrato está mantida para esta sexta-feira (11). A empresa não confirmou se o ato será realizado na unidade da CMPC em Guaíba. A licença prévia do terminal foi emitida pela Fepam em junho. Já o licenciamento da fábrica de celulose em Barra do Ribeiro permanece em análise. Na carta enviada ao governo federal, o comitê questiona justamente o avanço de compromissos relacionados ao projeto enquanto a viabilidade ambiental da fábrica ainda não foi formalmente concluída.
Para as entidades, esse processo cria uma situação de potencial irreversibilidade e reduz o espaço para que o licenciamento cumpra sua função de avaliar a viabilidade ambiental do empreendimento antes de sua implantação.
A reportagem do Sul21 entrou em contato com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos para confirmar a eventual vinda da chefe da pasta, Esther Dweck, para a cerimônia nessa sexta-feira (11), mas não recebeu retorno até o fechamento dessa reportagem. A CMPC não quis se manifestar sobre as críticas ao projeto Natureza apresentadas na carta.
O Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre (CMS/POA) apresentou, durante plenária nesta quinta-feira (3), os resultados de fiscalizações realizadas em unidades de saúde das regiões Norte e Leste da Capital. As visitas tiveram como objetivo conhecer diretamente as condições de funcionamento dos serviços, a composição das equipes e, especialmente, os impactos da mudança de gestão das unidades para o Instituto de Apoio à Gestão (IAG).
Entre os locais visitados estão as unidades de saúde Santa Rosa, Ramos, Chácara da Fumaça e Mapa. Estiveram presentes conselheiros municipais e representantes dos Conselhos Locais de Saúde. Durante as visitas, a comitiva encontrou um cenário marcado por problemas na estrutura e no atendimento das unidades.
Na US Santa Rosa, visitada em 14 de agosto, duas semanas após o início da atuação do IAG, foram identificadas apenas três equipes de Saúde da Família. A unidade atende uma população oficialmente estimada em cerca de 13 mil pessoas, embora trabalhadores e comunidade avaliem que o número real seja maior.
Além disso, os três médicos que atuavam anteriormente na unidade deixaram o serviço, o que exigiu a adaptação da nova equipe aos fluxos de trabalho e aos sistemas de atendimento. Na primeira semana após a mudança, uma médica do programa Mais Médicos permaneceu no local para auxiliar na continuidade dos atendimentos.
A fiscalização também constatou a ausência de um técnico de enfermagem na composição prevista da equipe, além da falta, naquele momento, de uma escala de trabalho com a identificação dos profissionais. Segundo a unidade, a situação ocorreu em razão do processo recente de troca da gestão para o IAG.
Um dos principais problemas constatados, no entanto, está relacionado à estrutura física da US Santa Rosa. A construção de uma nova unidade é uma reivindicação antiga da comunidade e consta entre as demandas do CMS desde 2007.
Na US Ramos, também foram identificadas mudanças na composição e no funcionamento do serviço. O horário de atendimento, anteriormente das 7h às 22h, passou a ser das 7h às 19h. O número de equipes de Saúde da Família também foi reduzido de cinco para quatro.
Na Ramos, a transição de gestão também foi considerada difícil. Segundo os relatos apresentados, onze profissionais deixaram a unidade e somente dez foram repostos, que demandam tempo para aprender sistemas e processos.
Na US Chácara da Fumaça, a população atendida é de aproximadamente 30 mil pessoas, com cerca de 14 mil cadastradas. A unidade funciona das 7h às 22h e conta com cinco equipes de Saúde da Família, embora tenham sido registradas mudanças recentes na composição dos profissionais.
A fiscalização constatou a falta de um técnico de enfermagem e registrou a saída de profissionais após o início da nova gestão, entre eles uma médica, um auxiliar de Saúde Bucal, um farmacêutico e dois auxiliares de farmácia. A comunidade da Chácara da Fumaça também aguarda a construção de uma nova unidade de saúde.
Entre as dificuldades apontadas pela equipe estão a falta de alguns insumos, dificuldades para acesso a exames e problemas relacionados ao acesso da população aos serviços de referência. Também foi destacada a existência de uma demanda significativa de saúde mental nas escolas da região, que não estaria sendo suficientemente absorvida pelos serviços.
Na US Mapa, os conselheiros encontraram uma unidade relativamente nova, com condições de acessibilidade para cadeirantes. A fiscalização verificou a disponibilidade de medicamentos e vacinas, identificação visual da unidade, relação dos trabalhadores exposta no mural e informações sobre as reuniões do Conselho Local de Saúde.
Entretanto, durante a visita também foram identificadas vacâncias e mudanças recentes na composição da equipe, uma tônica da nova gestão.
“Para o controle social, a mudança de profissionais não representa apenas a substituição de postos de trabalho. Ela também pode interromper vínculos construídos entre trabalhadores e comunidade e exige novo período de adaptação e aprendizagem dos profissionais que chegam”, destaca o Conselho Municipal.
Durante as visitas, os relatos colhidos pelos representantes do CMS é de condições cada vez mais difíceis para desenvolver o trabalho por parte dos profissionais da saúde. Os problemas principais são sobrecarga, falta de equipe, dificuldades estruturais e perda de capacidade de resposta às necessidades da população.
Entenda o caso
Foto: Marcelo Pires/Sul21
A discussão sobre a gestão das unidades de saúde de Porto Alegre pelo IAG é um assunto que vem se arrastando desde a metade do ano. Em junho, o CMS emitiu uma uma nota pública em que repudiava a contratação do Instituto. A organização de Londrina, no Paraná, havia vencido um edital para assumir a gestão de 67 US das regiões Leste e Norte da Capital.
O processo é uma terceirização da Atenção Básica na Capital. O IAG tomou o lugar deixado pelas duas maiores operadoras de postos de saúde da cidade, a Santa Casa de Porto Alegre e a Rede de Saúde Divina Providência, que rescindiram o contrato para a operação das unidades em janeiro devido a questões financeiras.
Desde que o IAG passou a administrar as unidades, denúncias de redução de salários, corte de equipe e substituição de profissionais passaram a se acumular. No início de julho, o começo das atividades do Instituto em Porto Alegre foi marcado por instabilidade para trabalhadores e pacientes.
Sobre salários, o diretor-executivo do Instituto, Juan Monastério, justificou a redução em razão do orçamento proposto pela Prefeitura de Porto Alegre no edital que contratou a instituição. Ainda, afirmou “não há grande diferença” nos pagamentos. “O salário é R$ 19 mil. Para R$ 22 mil, R$ 23 mil, não há uma grande diferença”, disse Monastério em entrevista à Rádio Gaúcha.
A falta de contratos, uniforme, equipamento de proteção individual e de pagamento de vale-transporte e vale-alimentação também foram algumas das reclamações feitas por funcionários. Tanto a SMS quanto o IAG admitiram falhas na transição.
Fora da esfera da Saúde, segundo apuração do Correio do Povo, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) verificou que o IAG descumpriu obrigações contratuais firmadas com a Prefeitura de Tramandaí em outro serviço realizado com uma administração municipal gaúcha.
A investigação apontou que o Instituto teria superfaturado pagamentos e não alocou profissionais em alguns postos de saúde do município. Ainda, o IAG teria empregado apenas parte dos recursos, apesar da Prefeitura ter disponibilizado os valores na sua totalidade.
Alguns sindicatos buscaram a via judicial para tentar interromper a gestão dos serviços de saúde pelo IAG. A medida foi confirmada pelo Sindisaúde-RS, Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS) e Sindicato dos Odontologistas do Estado do Rio Grande do Sul (SOERGS).
Contudo, no dia 13 de julho, a Justiça negou pedido do Simers, que defendia a suspensão provisória do contrato entre o Município de Porto Alegre e o Instituto de Apoio à Gestão Pública. O Simers contestava a vitória do IAG no edital de chamamento público e levanta potenciais prejuízos à saúde de Porto Alegre.
A crise no Supremo Tribunal Federal voltou a ocupar a campanha presidencial nesta quarta-feira (9), em um dia marcado por decisões conflitantes sobre o comando da Polícia Federal e por novas manifestações dos candidatos sobre as investigações do Banco Master.
Pela manhã, Flávio Dino determinou a reintegração do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, afastados na terça-feira (8) por André Mendonça. No fim da tarde, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as decisões de ambos os ministros, manteve Andrei no cargo por enquanto e assumiu a condução de procedimentos ligados à crise.
Fachin também retirou Alexandre de Moraes da condução do inquérito das fake news e marcou para 15 de setembro uma sessão extraordinária do plenário.
Lula pede abertura dos sigilos e faz campanha no Piauí
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou o dia em Brasília e, antes de viajar ao Piauí, defendeu publicamente maior transparência nas investigações relacionadas ao Banco Master.
Em uma publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que a crise no Judiciário exige explicações e criticou o que classificou como vazamentos seletivos capazes de afetar a disputa eleitoral.
“É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master”, afirmou Lula.
À tarde, já em Teresina, Lula cumpriu compromissos institucionais.
À noite, o candidato participou do ato “Brasil pronto para mais”, ao lado do governador e candidato à reeleição Rafael Fonteles (PT) e de aliados locais. No discurso, Lula voltou a defender a soberania do processo eleitoral brasileiro e criticou uma eventual interferência dos Estados Unidos nas eleições.
Flávio critica Flávio Dino e refaz trajeto de Bolsonaro em Juiz de Fora
Flávio Bolsonaro concentrou a agenda em Juiz de Fora, em Minas Gerais, onde participou de motocarreata e de um comício no centro da cidade.
O ato passou pelo local onde Jair Bolsonaro foi esfaqueado durante a campanha presidencial de 2018. Flávio afirmou que pretendia concluir simbolicamente o trajeto interrompido pelo pai naquele episódio.
Durante a passagem pela cidade, o candidato criticou a decisão tomada pela manhã por Flávio Dino de reintegrar Andrei Rodrigues e Leandro Almada à cúpula da Polícia Federal.
“Eu quero ganhar as eleições nas urnas, no voto, e o Lula quer ganhar no tapetão”, afirmou Flávio, ao acusar Dino de interferir em um processo no qual, segundo ele, não teria competência para atuar.
Antes da decisão de Fachin, Flávio também havia cobrado que o presidente do STF interviesse no impasse.
Caiado pede fim de sigilos e critica decisões no Supremo
Ronaldo Caiado cumpriu agenda em São Paulo. Pela manhã, participou por videoconferência de uma sabatina da Rádio Itatiaia e, depois, se reuniu com representantes da Associação Brasileira de Incorporadoras.
Durante o dia, o candidato protocolou no STF um pedido para que sejam retirados os sigilos de investigações relacionadas ao Banco Master e às fraudes no INSS. Caiado defendeu que as informações sejam conhecidas pelos eleitores antes do primeiro turno.
Após as decisões de Fachin no fim da tarde, Caiado elogiou a retirada do inquérito das fake news da condução de Alexandre de Moraes, mas demonstrou preocupação com a suspensão da decisão de Mendonça sobre a Polícia Federal.
“Esse inquérito foi uma invenção e um conflito de interesses que apequena o Judiciário”, afirmou.
Caiado também anunciou que pretende organizar um debate com Renan Santos na próxima segunda-feira (14), depois do cancelamento do encontro que seria realizado por um grupo de veículos. Romeu Zema e Augusto Cury também foram convidados.
Zema critica Dino e convoca ato em Brasília
Romeu Zema passou a manhã em Brasília, onde participou ao lado do candidato a vice, Eduardo Girão, do lançamento de uma carta direcionada ao eleitorado cristão.
Zema também criticou a decisão de Dino que havia reconduzido Andrei Rodrigues ao comando da PF. O afastamento determinado no dia anterior por André Mendonça ocorreu após pedido apresentado pelo próprio Novo.
“Mais uma vez nós estamos assistindo os intocáveis em ação”, afirmou Zema, que classificou a decisão de Dino como uma “aberração jurídica”.
Depois das decisões de Fachin, o candidato comemorou a retirada de Moraes da condução do inquérito das fake news e convocou apoiadores para um ato em Brasília em 15 de setembro, data em que o plenário do STF deve analisar a possibilidade de abertura de investigação contra Moraes.
Renan chama crise no STF de “show de horrores”
Renan Santos participou à noite de um ato com apoiadores na região central de São Paulo.
Após Fachin anunciar as novas decisões sobre a crise no Supremo, Renan criticou o embate entre integrantes da Corte.
“A decisão do Fachin só coroou um show de horrores que o Brasil está passando”, afirmou o candidato, que atribuiu a crise a disputas internas entre os ministros.
Cury propõe lista tríplice para comando da PF
Augusto Cury concentrou a agenda em São Paulo. O candidato participou de entrevistas, visitou a Bienal Internacional do Livro e se reuniu com representantes de cooperativas e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.
Ao ser questionado sobre a disputa em torno do comando da Polícia Federal, Cury evitou avaliar diretamente a decisão de Dino e propôs uma mudança na forma de escolha do diretor-geral da corporação.
“Para não haver interferência na Polícia Federal, deveria haver uma lista tríplice de delegados federais”, afirmou. Segundo a proposta, a relação seria escolhida pelos próprios delegados e o presidente da República selecionaria um dos nomes.
Mais tarde, depois das decisões anunciadas por Fachin, Cury disse estar “profundamente chocado” com a crise institucional e defendeu rapidez na apuração dos fatos. O candidato também declarou apoio ao manifesto divulgado pela Fiesp cobrando rigor nas investigações envolvendo integrantes do Supremo.
Combustíveis terão redução de impostos: R$ 0,63 a menos para litro da gasolina e zero para etanol. Confira as medidas para reduzir os preços dos combustíveis com a TVT News.
Uma delas foi a assinatura de decreto que reduz em R$ 0,63 as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre o litro de gasolina e zera as contribuições sobre o etanol hidratado.
A redução das alíquotas substitui e amplia os efeitos da subvenção da gasolina prevista na MP nº 1.358/2026, com valor de R$ 0,44 por litro, cuja vigência termina nesta quarta-feira. A outra foi a assinatura de medida provisória que autoriza subvenção econômica ao óleo diesel.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, o Governo Lula vem acompanhando as oscilações do mercado e tomando medidas proporcionais ao cenário do momento. O mercado internacional segue marcado por elevada incerteza.
Lideranças reconheceram o histórico de incentivo aos biocombustíveis nos governos Lula. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O preço do petróleo Brent voltou à faixa de US$ 100 por barril, em nível bastante superior ao observado antes do acirramento dos conflitos, e permanecem as restrições que justificam a manutenção da política de suavização de preço dos derivados.
No caso do diesel, o aumento dos custos internacionais de refino agrava os efeitos do choque externo. Mais de 25% do diesel consumido no Brasil é proveniente de importações.
As medidas buscam amortecer, de forma temporária, os efeitos dessa conjuntura internacional sobre o mercado doméstico de combustíveis.
Decreto reduz impostos dos combustíveis gasolina e etanol
O decreto reduz por 30 dias, entre 10 de setembro e 9 de outubro, as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre a importação e a comercialização de gasolina e suas correntes, com exceção da gasolina de aviação, e de etanol hidratado.
No caso da gasolina, a redução da carga tributária é de R$ 0,63 por litro, incluindo PIS/Pasep e Cofins. Com a redução, os tributos totais serão de R$ 0,16 por litro, de modo que os consumidores pagarão menos tributos em comparação ao cenário atual.
Para o etanol hidratado, utilizado diretamente como combustível, as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins serão zeradas, o que corresponde a uma redução tributária de R$ 0,19 por litro.
Subvenção do Diesel
A medida provisória autoriza a União a conceder subvenção econômica a produtores e importadores de óleo diesel de uso rodoviário enquanto persistir a instabilidade na oferta de combustíveis decorrente de conflitos geopolíticos.
O valor da subvenção por litro será definido por ato do Ministério da Fazenda e poderá ser alterado, interrompido ou prorrogado conforme as condições do mercado.
No primeiro período, o valor da subvenção será de R$1,00 por litro. Os agentes que aderirem ao mecanismo deverão deduzir do preço de venda o montante correspondente à subvenção e registrar o desconto na nota fiscal.
No primeiro período, o valor da subvenção será de R$1,00 por litro. Foto: Rovena Rosa/EBC.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) fará a habilitação dos participantes, o acompanhamento dos preços e o pagamento da subvenção.
A MP estabelece um mecanismo de caráter temporário e ajustável, justamente para permitir adequação à evolução das condições internacionais de oferta e preços. A duração e o valor da subvenção poderão ser modificados de acordo com a conjuntura e com a disponibilidade orçamentária e financeira.
Qual a diferença entre subsídio e subvenção
A principal diferença é que o subsídio é um termo mais amplo que engloba qualquer ajuda financeira do governo para baratear um produto ou serviço (como um desconto na compra de um imóvel ou na passagem de ônibus), enquanto a subvenção é um tipo específico de subsídio focado em cobrir despesas de custeio (como manutenção e funcionamento) de entidades públicas ou privadas.
O que é Subvenção?
A Subvenção é uma transferência de recursos financeiros que o beneficiário não precisa devolver, destinada a cobrir despesas correntes de custeio.
Como funciona: É muito usada no orçamento público para ajudar instituições (empresas, hospitais ou ONGs) a manterem suas portas abertas e contas do dia a dia pagas.
Tipos principais:
Subvenção Social: Ajuda instituições sem fins lucrativos (como assistência social ou saúde).
Subvenção Econômica: Ajuda empresas comerciais ou industriais para estimular a economia local ou baratear insumos
Em Santos, Tarcísio participa do lançamento da candidatura Paulo Alexandre Barbosa. Foto: André Luiz Salibi/UOL
O lançamento da campanha à reeleição de Paulo Alexandre Barbosa (PSD-SP) expôs uma fissura no grupo político reunido em torno do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O deputado federal rejeitou o rótulo de bolsonarista e anunciou que votará em Ronaldo Caiado (PSD) para presidente.
De acordo com reportagem do UOL, Paulo Alexandre respondeu “jamais” ao ser questionado se se considerava bolsonarista. Na saída do evento realizado em Santos, ele afirmou que Caiado receberá seu apoio e seu voto.
A escolha contraria a posição de Tarcísio, que declarou apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). O governador participou do lançamento, mas não mencionou o senador em seu discurso. Jair Bolsonaro também não foi citado nas falas acompanhadas pela reportagem.
Paulo Alexandre procurou separar sua proximidade com Tarcísio de qualquer adesão ideológica. Disse admirar o equilíbrio, a moderação e as entregas administrativas do governador e resumiu sua posição: “Eu não discuto ideologia, eu discuto metodologia”.
O candidato a presidência, Ronaldo Caiado (PSD). Foto: Gabriel Pinheiro/CNI
O ato ocorreu nos Arcos do Valongo, no Centro Histórico de Santos, e reuniu Tarcísio, o candidato ao Senado André do Prado (PL), o prefeito Rogério Santos (Republicanos) e outras lideranças da Baixada Santista. Os discursos se concentraram em obras como o túnel Santos-Guarujá e em investimentos estaduais em habitação, saneamento e saúde.
Ex-prefeito de Santos por dois mandatos, Paulo Alexandre deixou o PSDB em março, após 25 anos de filiação, e migrou para o PSD. O movimento acompanhou o esvaziamento tucano na Baixada: o partido, que conquistou sete das nove prefeituras da região em 2016, não elegeu nenhum prefeito em 2024.
O episódio expõe um limite do projeto eleitoral de Tarcísio. O governador consegue reunir antigos tucanos e setores de centro-direita em torno de sua gestão, mas essa aproximação não produz apoio automático ao bolsonarismo nem à candidatura de Flávio Bolsonaro. Em Santos, um de seus principais aliados fez questão de separar as duas coisas.
A inserção da juventude brasileira no mundo do trabalho é atravessada por barreiras estruturais, disparidade de renda e um profundo abismo de oportunidades entre as classes sociais. Os dados da pesquisa “Juventudes e o Mundo do Trabalho”, promovida pelo Observatório Fundação Itaú em parceria técnica com o Datafolha e o Instituto Locomotiva, revelam que 70% […]
Mais de 3 milhões de beneficiários de programas sociais federais, como o Bolsa Família, já foram impedidos de abrir ou manter contas em sites autorizados a explorar, no Brasil, as apostas de quota fixa, as chamadas bets.
Segundo a Secretaria de Comunicação Social (Secom), da Presidência da República, o bloqueio se tornou possível graças a uma funcionalidade do Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), implementada em outubro de 2025.
Entre os impedidos, estão beneficiários dos seguintes programas:
Bolsa Família;
Benefício de Prestação Continuada (BPC);
Fundo de Financiamento Infantil (Fies);
programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola Brasil.
O Módulo Impedidos foi desenvolvido pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), atendendo a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em novembro de 2024, o STF determinou que o governo federal adotasse medidas para impedir o uso de recursos de programas sociais em apostas on-line, para evitar “impactos negativos sobre o orçamento das famílias e a saúde mental, especialmente de pessoas em situação de vulnerabilidade”.
O Sigap é uma plataforma tecnológica que permite a regulação, o monitoramento e a fiscalização do mercado de apostas no país. Capaz de processar cerca de 500 milhões de registros diários, o sistema já acumula mais de 5 milhões de arquivos operacionais em sua base de dados.
Segundo a Secom, é a partir das informações reunidas pelo Sigap que as empresas licenciadas identificam os usuários impedidos de se cadastrar ou de manter uma conta já cadastrada nas plataformas de apostas. A verificação automática é feita em tempo real, no âmbito do Módulo Impedidos, por cruzamento entre o CPF e outras informações fornecidas pelo usuário.
Quando o impedimento é identificado em conta já existente, a plataforma tem até três dias para encerrá-la e devolver ao usuário todo o saldo disponível. A decisão de negar cadastro ou encerrar conta é da própria operadora.
Não há intervenção manual nesse processo e o bloqueio não gera nenhuma outra penalidade ao usuário ou às empresas.
*Com informações da Secretaria de Comunicação Social (Secom), da Presidência da República.
Em “Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista” (Autêntica Editora), o militar de quase cinco décadas de carreira revela como resistiu às pressões de Jair Bolsonaro para que as Forças Armadas aderissem ao golpe de Estado após a derrota do então presidente nas eleições de 2022.
O livro, que chega às livrarias em 15 de setembro, é a primeira obra escrita por um integrante da alta cúpula militar daquele período a expor os bastidores da crise que ameaçou a democracia brasileira.
O relato em primeira pessoa percorre desde o início do governo Bolsonaro, em 2019, atravessa a gestão da pandemia de Covid-19 e desemboca na crise militar de 2021 — quando o então presidente trocou o ministro da Defesa e os três comandantes das Forças Armadas.
Baptista Junior revela em suas páginas que a resiliência das instituições em 2022 não foi automática, mas resultado de escolhas individuais de oficiais de alta patente em posições estratégicas.
Os “cartões amarelos” de Bolsonaro e a pressão sobre o comandante
A colunista do jornal O Globo, Bela Megale, adiantou uma das revelações do livro. Em uma das tensas reuniões com a cúpula das Forças Armadas no Palácio do Alvorada, após a derrota nas eleições de 2022, Jair Bolsonaro dirigiu-se ao então comandante da Aeronáutica com um recado que soou como ameaça: “Já te dei dois cartões amarelos”.
Para Baptista Junior, a declaração foi uma tentativa clara de pressão diante dos posicionamentos legalistas que ele havia adotado publicamente.
Em entrevistas aos jornais O GLOBO e à Folha de S.Paulo no fim de 2022, o comandante enfatizou que as Forças Armadas cumpririam a lei e prestariam continência ao presidente eleito, independentemente de quem fosse — afirmações que contrariavam as expectativas de Bolsonaro e motivaram os “cartões amarelos”.
“Objetivos da medida de exceção não eram para garantir a paz social”, disse brigadeiro. Foto: Marcelo Camargo/ABR
Baptista Junior integrava o chamado “grupo dos quatro” — reuniões constantes entre ele, o general Freire Gomes (comandante do Exército), o almirante Almir Garnier (comandante da Marinha) e o general Paulo Sergio (ministro da Defesa).
O militar da Aeronáutica detalha como esses encontros foram marcados por confrontos e divergências profundas sobre as medidas a serem adotadas diante da contestação eleitoral encampada pelo ex-presidente.
Em meio a esse ambiente, Baptista Junior conta no livro que chegou a dizer a Bolsonaro que ele não permaneceria no cargo após 1º de janeiro de 2023.
Livro traz 3 momentos em que a tentativa de glope foi frustrada
O militar traz no livro detalhes de três momentos em que a tentativa de golpe acabou frustrada. Ele confirmou encontros no Palácio da Alvorada e no Ministério da Defesa em que se discutiram medidas de exceção e os termos de uma minuta golpista — da qual se recusou a receber cópia.
“Eu disse NÃO”: tenente-brigadeiro Baptista Junior revela em livro as pressões de Bolsonaro para golpe. Imagem: Reprodução / Editora Autêntica
Baptista Junior contou que o general Freire Gomes alertou Bolsonaro de que ele seria preso se insistisse no golpe para impedir a posse de Lula. E revelou que o almirante Almir Garnier, então chefe da Marinha, colocou tropas da Força à disposição do plano golpista.Garnier foi posteriormente condenado pela Primeira Turma do STF a 24 anos de prisão por sua participação na tentativa de golpe de Estado.
Quem é o tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior
Carlos de Almeida Baptista Junior ingressou na Força Aérea Brasileira em 1975 e formou-se Oficial Aviador pela Academia da Força Aérea em 1981. Piloto de Caça e de Reconhecimento, acumulou mais de 4.500 horas de voo e dedicou quase cinco décadas de serviço à Aeronáutica.
Comandante da FAB entre abril de 2021 e janeiro de 2023, ele enfrentou uma etapa de forte tensão e uma atmosfera hostil protagonizada por Bolsonaro e a cúpula das Forças Armadas — um período em que a manutenção da ordem democrática dependeu, em parte, de decisões tomadas nos quartéis.
Baptista Junior relata reunião com a cúpula mlitar: “Se você tentar isso, eu vou ter que lhe prender. Foi isso que ele disse”. Foto: Isac Nóbrega/PR
Baptista Junior fala com a segurança e autoridade de quem esteve na sala de decisão — não como espectador, mas como um dos atores que, segundo seu próprio relato, ajudou a manter as Forças Armadas longe do rompimento.
Seu livro é descrito como um “testemunho raro, sincero e corajoso sobre a real espessura da crise institucional brasileira e sobre o que, afinal, fez com que a ruptura não se concretizasse”.
Em entrevista ao jornal O Globo, Baptista Junior explica o lançamento do livro
O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, concedeu entrevista exclusiva para a jornalista Bela Megale, do jornal O Globo e conta os motivos que o levaram a escrever o livro que confirma a tentativa de golpe por Jair Bolsonaro.
Confira os principais trechos da entrevista à Bela Megale.
Lançamento do livro em meio à polarização
Questionado sobre por que escolheu lançar o livro durante o período eleitoral, Baptista Junior afirmou que não tinha a menor intenção de influenciar as eleições.
Ele disse que não escreveu a obra para ser um instrumento de propaganda eleitoral de nenhum dos candidatos e que, no último capítulo, argumentava que os brasileiros também são culpados pelas mazelas do país, o que passa pelo voto, não apenas para presidente.
Por isso, avaliou que seria positivo se algumas pessoas pudessem ler e refletir sobre essa questão antes do pleito, para não se colocarem nem como vítimas nem como culpadas.
Sobre o fato de não ter publicado o livro antes, o ex-comandante explicou que não poderia fazê-lo enquanto ainda estava na ativa. T
ambém afirmou que não lançaria a obra durante o andamento das ações do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a tentativa de golpe, pois seria inimaginável testemunhar e escrever um livro logo em seguida. Além disso, lembrou que o processo de escrita e de encontrar uma editora leva tempo. Quando viu a possibilidade de lançá-lo antes das eleições, considerou que seria bom.
Momentos de tensão e a conversa com Bolsonaro após o 8 de janeiro
Questionado sobre o momento mais tenso que viveu na tentativa de golpe, Baptista Junior afirmou que os dias 14, 22 e 24 de novembro de 2022 foram muito tensos. Ele explicou que foi quando o presidente Bolsonaro acreditou na possibilidade de o Instituto Voto Legal ter encontrado um erro nas urnas.
Sobre a última conversa com Bolsonaro depois do 8 de janeiro, o ex-comandante relatou que, cerca de dez dias após os ataques, viu na televisão uma tarja embaixo de uma entrevista do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, dizendo que muitos dos erros de Bolsonaro eram culpa dos militares. Ele tirou uma foto da tela e a enviou para Bolsonaro, que estava nos Estados Unidos.
Em seguida, o ex-presidente ligou para ele. Baptista Junior contou que alertou Bolsonaro sobre o que estava acontecendo, dizendo que, depois de tudo aquilo, quem levaria toda a carga seriam as Forças Armadas e que ele poderia ter acabado com aquilo.
Segundo o ex-comandante, Bolsonaro respondeu que não seria capaz de mudar o pensamento daquelas pessoas. Para Baptista Junior, porém, Bolsonaro poderia ter mandado todo mundo para casa e reconhecido a derrota.
Balanço: confiabilidade das Forças e custo pessoal
Perguntado se os militares ganharam ou perderam com Bolsonaro na Presidência, Baptista Junior avaliou que as Forças perderam confiabilidade. Ele explicou que sempre houve uma parte da sociedade, até pelo processo histórico, que não tinha um bom alinhamento ou uma boa percepção das Forças Armadas, mas que agora esse leque se ampliou.
Ainda assim, disse confiar que as Forças Armadas vão recuperar essa confiabilidade mantendo sua postura de Estado, de que não estão ali para defender A ou B.
Sobre o maior custo pessoal por manter a postura legalista, o ex-comandante confessou que sentiu muito perder amigos, mas afirmou que sua amizade com essas pessoas não poderia depender de elas ficarem fazendo uma revolução ou um golpe de Estado em grupos de WhatsApp, fragilizando a postura legalista da Força Aérea que serviram ou da instituição que disseram amar e proteger.
O pior, porém, foi ouvir um grande amigo mandar um major atacar os comandantes da Força Aérea e do Exército e suas famílias. Para Baptista Junior, colocar a família nisso passou do limite, e ele disse ter certeza de que Walter Braga Netto se arrependeu.
Saiba mais sobre o livro “Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista”
“Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista” (Autêntica Editora, 240 páginas) narra em primeira pessoa o período entre abril de 2021 e janeiro de 2023 — o momento mais tenso da relação entre Bolsonaro e a cúpula militar.
O tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior acompanhou de perto as pressões para que as Forças Armadas aderissem a uma tentativa de ruptura institucional, que teria seu desfecho nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
A obra remonta ao início do governo Bolsonaro, em 2019, atravessa a gestão da pandemia e desemboca na crise militar de 2021, quando o então presidente trocou o ministro da Defesa e os três comandantes das Forças. No período eleitoral de 2022, o relato passa pela pressão sobre o sistema eleitoral e pelas reuniões de alta tensão da disputa presidencial, até os meses decisivos entre os dois turnos e a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.
Ex-comandante da FAB revela em livro pressão de Bolsonaro para golpe . Imagem: Reprodução Autêntica Editora
O autor justifica a decisão de escrever o livro a partir da percepção de um fenômeno social inquietante: pesquisa do Instituto AtlasIntel, realizada entre 6 e 9 de janeiro de 2023, revelou que 39,7% da população não acreditava na vitória de Lula sobre Bolsonaro. “Em um dado ainda mais preocupante, 36,8% dos entrevistados declararam ser favoráveis a uma intervenção militar que anulasse o resultado das eleições de 2022”, afirma o oficial.
Onde comprar o livro sobre como Bolsonaro pressionou pelo golpe:
Relembre a tentativa de golpe e o papel das Forças Armadas
Em 8 de janeiro de 2023, o Brasil assistiu a uma das mais graves investidas contra o Estado Democrático de Direito desde o fim da ditadura empresarial-militar.
Bolsonaristas na tentativa de golpe de estado em 8 de janeiro. Foto: Joédson Alves/Agencia Brasil
Milhares de pessoas, motivadas por discursos golpistas e por uma campanha sistemática de desinformação, invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília, na tentativa de romper a ordem democrática e impedir o funcionamento das instituições republicanas.
Os ataques não foram atos isolados. Tiveram início em meados de 2021, com um ataque deliberado às urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral, e culminaram no 8 de janeiro.
A radicalização do movimento foi marcada pela recusa do resultado das eleições de 2022, pela conivência de setores civis e militares e pela disseminação de discursos que naturalizavam a ruptura institucional como solução política.
O papel das Forças Armadas nesse contexto foi decisivo. Como revela Baptista Junior, a adesão dos militares ao plano golpista não foi unânime. O comandante da Aeronáutica e o general Freire Gomes, do Exército, resistiram às pressões de Bolsonaro, enquanto o almirante Almir Garnier, da Marinha, colocou tropas à disposição do plano.
O STF já responsabilizou 1.399 pessoas pelos crimes cometidos no contexto da tentativa de golpe. Desse total, 564 celebraram Acordos de Não Persecução Penal, 420 foram condenadas a penas privativas de liberdade e multas que somam cerca de R$ 30 milhões em danos morais coletivos, e outros 415 tiveram penas substituídas por prestação de serviços.
Almir Garnier negou ter colocado tropas à disposição, mas foi condenado pela tentativa de golpe de Estado. Foto: Gustavo Moreno/STF
A condenação do almirante Almir Garnier a 24 anos de prisão, em setembro de 2025, foi um marco na responsabilização dos militares envolvidos na trama. O ex-comandante da Marinha foi considerado culpado em todos os cinco crimes apontados pela Procuradoria-Geral da República: golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado contra patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
O relato de Baptista Junior em “Eu disse NÃO” é mais um importante documento sobre o 8 de janeiro — a visão de dentro de quem, no momento decisivo, disse não à ruptura e ajudou a preservar a democracia brasileira.
Sete em cada dez brasileiros desaprovam o uso de inteligência artificial (IA) por candidatos nas campanhas eleitorais de 2026, segundo pesquisa Genial/Quaest encomendada pela Globo em parceria com o jornal O Globo. De acordo com o levantamento, 73% dos eleitores são contrários à utilização da tecnologia, enquanto 21% aprovam seu uso. Saiba mais na TVT News.
Outros 3% afirmaram ser indiferentes à presença da inteligência artificial nas campanhas e 3% não souberam ou preferiram não responder.
A resistência à tecnologia aparece em diferentes segmentos do eleitorado. Entre os eleitores com até 34 anos, 68% desaprovam o uso de IA por candidatos. O percentual sobe para 76% entre pessoas com mais de 60 anos.
Também há diferença entre homens e mulheres. A rejeição chega a 78% entre as mulheres, enquanto 69% dos homens se posicionam contra a utilização da tecnologia nas campanhas.
A desaprovação ao uso de inteligência artificial também é majoritária entre eleitores de diferentes posicionamentos políticos. Entre os eleitores de esquerda que não se identificam com o lulismo, 79% rejeitam a ferramenta nas campanhas. O índice é de 73% entre os lulistas.
Entre os bolsonaristas, 70% desaprovam a utilização da IA, enquanto a rejeição chega a 69% entre eleitores de direita que não se identificam com o bolsonarismo.
Já entre os eleitores independentes, 75% são contrários ao uso da tecnologia.
Os dados indicam que a preocupação com a utilização de conteúdos produzidos ou manipulados por inteligência artificial não está concentrada em apenas um grupo político ou faixa etária.
No material, Bolsonaro aparece manifestando apoio ao filho e apresentando Flávio como herdeiro de seu projeto político para as eleições de 2026.
O episódio provocou questionamentos na Justiça Eleitoral. O PT acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), argumentando que o conteúdo poderia ser enquadrado como deepfake e estaria sujeito às restrições estabelecidas para o período eleitoral. O partido também questionou a divulgação do material antes do início oficial da campanha, apontando possível propaganda eleitoral antecipada.
A defesa de Flávio Bolsonaro, por sua vez, argumentou ao TSE que a inteligência artificial representa uma ampliação dos recursos técnicos disponíveis para a atividade política e que não seria possível eliminar completamente a tecnologia das campanhas.
TSE discute regras para inteligência artificial
A utilização de inteligência artificial se tornou um dos principais desafios para a Justiça Eleitoral nas eleições de 2026. O TSE marcou para esta terça-feira (18) uma reunião para discutir a aplicação das regras relacionadas à tecnologia e aos conteúdos manipulados artificialmente.
A legislação eleitoral permite o uso de IA nas campanhas sob determinadas condições. Entre as exigências está a identificação clara de conteúdos produzidos ou modificados com auxílio da tecnologia.
As regras também estabelecem restrições para o uso de inteligência artificial na produção de conteúdos falsos ou manipulados destinados a prejudicar adversários, disseminar desinformação ou atacar o processo democrático.
Os chamados deepfakes — conteúdos que simulam de maneira artificial a imagem ou a voz de uma pessoa — estão entre os pontos mais sensíveis da regulamentação eleitoral.
A discussão ocorre em um cenário no qual ferramentas de inteligência artificial generativa estão cada vez mais acessíveis e podem ser utilizadas para produzir vídeos, imagens e áudios com aparência realista. A preocupação da Justiça Eleitoral é estabelecer limites que preservem a liberdade de comunicação política sem permitir que conteúdos fraudulentos sejam utilizados para manipular o eleitorado.
Maioria rejeita uso da tecnologia
Para os eleitores entrevistados pela Quaest, entretanto, a questão vai além das regras jurídicas. O levantamento mostra uma rejeição expressiva à presença da inteligência artificial nas campanhas.
A diferença entre os que desaprovam e os que aprovam a utilização da ferramenta é de 52 pontos percentuais: 73% são contrários, enquanto apenas 21% defendem seu uso.
O resultado ocorre justamente quando partidos e candidatos começam a incorporar ferramentas de IA à comunicação eleitoral, aumentando a necessidade de fiscalização sobre conteúdos digitais e sua identificação pelos eleitores.
A pesquisa Quaest ouviu 2.004 pessoas entre 10 e 13 de agosto de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-06773/2026.
Os números reforçam o tamanho do desafio para candidatos, partidos, plataformas digitais e para a própria Justiça Eleitoral: embora a inteligência artificial esteja se tornando uma ferramenta disponível para a comunicação política, a maioria dos eleitores brasileiros ainda demonstra forte resistência à sua utilização durante as campanhas.
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, realizou nesta segunda-feira (17) seu primeiro ato próprio de campanha na disputa estadual. A agenda ocorreu no centro da capital paulista, com uma caminhada ao lado das candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). Também participaram a esposa de Haddad, Ana Estela Haddad, e a deputada federal Erika Hilton (PSOL). Leia em TVT News.
A atividade começou na Praça da República e seguiu até o Theatro Municipal. Durante o trajeto, Marina Silva relatou à repórter Emilly Gondim da TVT que foi intimidada por uma pessoa. Segundo a candidata, um homem se colocou de forma agressiva à sua frente. “Mas ele não sabia que, diante do amor, o ódio recua. Eu não dou um passo atrás“, afirmou.
O candidato também defendeu a integração de informações entre órgãos públicos para identificar situações de violência antes de uma denúncia formal. A proposta é criar uma central capaz de reunir registros e queixas para permitir um diagnóstico antecipado de possíveis casos de agressão.
Mulheres com Haddad – Foto: Diogo ZacariasMulheres com Haddad – Foto: Diogo ZacariasMulheres com Haddad – Foto: Diogo Zacarias
Simone Tebet defende delegacias da mulher abertas 24 horas
Candidata ao Senado, Simone Tebet afirmou à TVT que o combate à violência contra as mulheres está entre as principais pautas de sua atuação política. Ela lembrou que presidiu a Comissão Permanente de Combate à Violência contra a Mulher do Congresso Nacional, criada em 2015.
Tebet citou leis aprovadas nos últimos anos, como a legislação que tipificou o feminicídio e mudanças relacionadas à violência sexual e ao assédio em transportes públicos. Também destacou uma alteração na Lei Maria da Penha que, segundo ela, ampliou a possibilidade de concessão de medidas protetivas.
Para a candidata, a estrutura de atendimento precisa funcionar justamente nos períodos em que as mulheres mais precisam. “Eu quero que uma parte desse recurso seja para garantir 24 horas por dia, sete dias na semana, as delegacias especializadas da mulher abertas aqui no interior”, afirmou à TVT.
Segundo Tebet, muitas dessas unidades não funcionam à noite ou nos fins de semana, o que dificulta o acesso de mulheres que procuram proteção.
Marina Silva relaciona meio ambiente, emprego e renda
Marina Silva também falou à TVT sobre a agenda ambiental e sua relação com o desenvolvimento econômico. Para ela, a preservação dos recursos naturais precisa estar associada à geração de empregos e renda.
“A agenda ambiental é, sobretudo, uma agenda de desenvolvimento econômico”, afirmou. Marina defendeu políticas capazes de enfrentar as mudanças climáticas ao mesmo tempo em que promovam atividades econômicas e protejam o meio ambiente.
A candidata também comentou as transformações nas relações de trabalho provocadas pela pandemia. Sobre o trabalho remoto, afirmou que a modalidade precisa ser analisada de forma técnica, considerando as atividades em que a presença física dos trabalhadores é necessária.
“O importante é garantir serviço público de qualidade para todas as pessoas”, disse Marina, citando áreas como saúde, educação, segurança pública e moradia.
Erika Hilton: “proteção deve alcançar todas as mulheres”
A deputada federal Erika Hilton destacou, em entrevista à TVT, a necessidade de incluir mulheres trans e travestis nas políticas de enfrentamento à violência de gênero.
“A defesa das mulheres trans e travestis perpassa pela defesa de todas as mulheres”, afirmou. Segundo Erika, a violência contra mulheres trans está relacionada a uma estrutura mais ampla de controle sobre os corpos femininos e de violência de gênero.
Ela também chamou atenção para o crescimento dos feminicídios e para problemas nas políticas de proteção às mulheres. “Todas as mulheres devem ser protegidas, porque não existe isso de proteger um grupo e ignorar outro porque a violência avança sobre todas nós”, afirmou.
Erika reforçou ainda que mulheres trans devem ser reconhecidas como mulheres também no acesso à Justiça. A deputada citou uma decisão recente em segunda instância em uma ação movida contra o SBT.
Durante a caminhada, Haddad também falou sobre educação e políticas para a rede pública estadual. Questionado sobre a possibilidade de reversão de medidas já adotadas, afirmou que mudanças em contratos podem ser complexas.
O candidato declarou que, caso seja eleito, não pretende ampliar a adoção de escolas cívico-militares nem promover a privatização de escolas públicas. “O meu foco é ensino-aprendizagem, valorização do professor, dedicação do estudante, envolvimento das famílias”, afirmou.
Haddad disse que sua atuação na área da educação foi pautada por esses pontos e avaliou que São Paulo vem apresentando resultados negativos em razão de políticas que considera equivocadas.
A caminhada marcou o início da agenda própria de Haddad na campanha pelo governo paulista. O candidato havia participado, no domingo (16), do lançamento da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.
O mercado global de beleza movimentou US$ 258,99 bilhões ( cerca de R$1,3 trilhão) em 2025, considerando as 100 maiores fabricantes do setor. O valor representa alta de 2,7% em relação ao ano anterior, segundo o ranking anual Beauty Inc Top 100, elaborado pela WWD.
Apesar do avanço, o mercado enfrentou um período de crescimento moderado. Os cuidados com a pele perderam força para muitas companhias, enquanto o mercado de massa apresentou dificuldades e a expansão das fragrâncias desacelerou.
Nesse cenário, a L’Oréal manteve a liderança entre as maiores empresas de beleza do mundo, com US$ 49,72 bilhões (R$ 258 bilhões) em vendas, alta de 1,3% na comparação com 2024.
A companhia francesa aparece com ampla vantagem na primeira posição. A L’Oréal respondeu por 19,2% das vendas das 100 maiores empresas de beleza, aumentando sua participação em 0,5 ponto percentual.
A empresa registrou crescimento de 4% nas vendas comparáveis em 2025, acima da expansão estimada de 3,5% do mercado global. Ainda assim, enfrentou dificuldades nos cuidados com a pele e no varejo de viagens na Ásia. No segundo semestre, porém, a companhia ganhou ritmo, especialmente no quarto trimestre, impulsionada por inovações e novos produtos.
Confira as maiores empresas de beleza
O ranking reúne empresas dos segmentos de cosméticos, perfumes, maquiagem, cuidados com a pele e cabelos:
A Unilever, segunda colocada, registrou US$ 26,98 bilhões (R$ 140,4 bilhões) em vendas de beleza estimadas, apesar da queda de 2,9%. A empresa passou por mudanças estratégicas e pretende aumentar a participação de beleza, bem-estar e cuidados pessoais no negócio.
Na terceira posição, a Procter & Gamble alcançou US$ 15,4 bilhões (R$ 80 bilhões) estimados, com crescimento de 3%. A Herbal Essences teve avanço de dois dígitos em cuidados capilares, enquanto os cuidados pessoais também apresentaram crescimento.
A Estée Lauder, quarta colocada, teve vendas estimadas em US$ 14,7 bilhões (R$ 76 bilhões), queda de 3%. O ano também marcou mudanças na liderança da companhia.
Chanel cresce e Puig se destaca
A LVMH registrou US$ 9,22 bilhões (R$ 48 bilhões) e queda de 3%, embora sua divisão de perfumes e cosméticos tenha mantido vendas estáveis em termos orgânicos. Já a Chanel cresceu 3,1%, para US$ 9,18 bilhões (R$ 47,78 bilhões), impulsionada principalmente pelo segmento de fragrâncias e pela demanda na China, Coreia do Sul e Estados Unidos.
A Beiersdorf ficou praticamente estável, com US$ 8,89 bilhões (R$ 46 bilhões). A empresa enfrentou dificuldades nos cuidados com a pele e apostou em novos produtos da Nivea. A Shiseido teve queda de 2,1%, para US$ 6,48 bilhões (R$ 33,7 bilhões), enquanto a Coty recuou 4,6%, para US$ 5,81 bilhões (R$ 30,24 bilhões), em meio a mudanças na liderança.
A Puig, décima colocada, teve o maior crescimento entre as dez primeiras: 5,5%. A companhia alcançou US$ 5,27 bilhões (R$ 27 bilhões), com destaque para a expansão da maquiagem, especialmente da Charlotte Tilbury.
No conjunto das 100 maiores empresas, 74% aumentaram as vendas, enquanto 29% registraram crescimento de dois dígitos. Por outro lado, 11 das 20 maiores companhias tiveram queda.
As dez maiores empresas concentraram US$ 151,65 bilhões (R$ 789,32 bilhões), equivalente a 58,6% das vendas do Top 100. Assim, o ranking mostra a força das grandes companhias no setor de beleza, com a L’Oréal mantendo uma liderança bastante distante das demais concorrentes.
A startup britânica de tecnologia de defesa e engenharia espacial Cambridge Aerospace recebeu US$ 300 milhões em investimentos para ampliar seus sistemas e aumentar a produção de drones e mísseis.
Em entrevista exclusiva à CNBC, Steven Barret CEO da companhia afirmou que os conflitos recentes no Oriente Médio estão acelerando uma transformação na indústria de defesa, especialmente na busca por equipamentos de menor custo e produção em escala.
Segundo o executivo, a empresa já realizou testes com os Estados Unidos no Oriente Médio e mantém conversas com parceiros norte-americanos. A Cambridge Aerospace também possui contratos com o Ministério da Defesa do Reino Unido.
Para Barret, a aproximação entre startups de tecnologia de defesa e forças armadas é fundamental para desenvolver produtos que atendam às necessidades reais dos usuários.
“Nós realizamos alguns testes com os Estados Unidos e estamos em conversas contínuas. Os testes foram realizados no Oriente Médio e continuamos trabalhando com nossos parceiros nos Estados Unidos”.
O CEO também destacou a importância da participação antecipada das forças armadas no desenvolvimento de novas tecnologias. Segundo ele, esse processo permite que as empresas testem, ajustem e aprimorem os sistemas em conjunto com os usuários finais.
“Essa colaboração próxima no estágio inicial é extremamente importante para nós e também para aquisição de defesa de baixo custo”.
A mudança na dinâmica dos conflitos também está alterando a relação entre o custo das armas utilizadas e o valor dos equipamentos necessários para neutralizá-las. O CEO citou como exemplo a destruição de um radar de alerta precoce de mísseis balísticos avaliado em cerca de US$ 1,2 milhão por um drone que teria custado dezenas de milhares de dólares.
O problema se torna ainda maior quando sistemas de defesa de alto custo são utilizados contra drones relativamente baratos. Interceptadores como os Patriots podem custar milhões de dólares, enquanto alguns drones utilizados em ataques podem custar apenas uma fração desse valor.
“É absolutamente essencial que os Estados Unidos, o Reino Unido e outros aliados produzam vastas quantidades de equipamentos de defesa a custos historicamente muito mais baixos”.
A necessidade de ampliar a escala de produção também está relacionada à capacidade limitada das atuais cadeias de defesa. Para o executivo, mesmo países com grandes orçamentos militares não conseguiriam sustentar uma estratégia baseada exclusivamente em interceptadores sofisticados e caros diante do aumento no volume de drones utilizados nos conflitos.
Nesse cenário, startups passaram a ganhar espaço na indústria. Barret afirmou que Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha vêm ampliando a colaboração com empresas menores para acelerar o desenvolvimento de novas tecnologias.
A guerra no Oriente Médio também contribuiu para aumentar o interesse de investidores de venture capital pelo setor. Fundos de diferentes regiões já demonstravam interesse em empresas de tecnologia aeroespacial e defesa antes do conflito, mas os acontecimentos recentes funcionaram como um catalisador.
“Já havia um interesse significativo por parte de fundos de capital de risco em todo o mundo em investir em startups aeroespaciais e de defesa, mesmo antes do conflito com o Irã. Mas eu acho que isso serviu como um catalisador adicional”.
A Operação Arena, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (13), chegou à residência do advogado Nelson Wilians, em São Paulo. Durante o cumprimento do mandado, carros de luxo e obras de arte foram registrados no imóvel. Entre eles estão uma Ferrari amarela e veículos da Rolls-Royce.
Os itens fazem parte do cenário encontrado pelos agentes durante a busca. A operação, no entanto, tem como objetivo principal investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionado ao mercado de apostas esportivas e jogos de azar.
A Justiça Federal da Paraíba autorizou 17 mandados de busca e apreensão e determinou o sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens e valores ligados aos investigados.
Entre os bens de luxo registrados durante a operação estão uma Ferrari amarela e veículos da Rolls-Royce. Os carros aparecem no material relacionado à ação realizada na residência de Nelson Wilians, um dos alvos da investigação.
Além dos automóveis, obras de arte também estavam no imóvel. Os registros mostram parte do patrimônio encontrado pelos agentes durante o cumprimento do mandado em São Paulo.
Os veículos e as peças de arte, portanto, fazem parte dos bens que aparecem no contexto da operação. Já as medidas de apreensão e sequestro determinadas pela Justiça abrangem os patrimônios relacionados à investigação, conforme a análise das autoridades.
O que a Polícia Federal apreendeu
A Operação Arena cumpriu 17 mandados de busca e apreensão em endereços de cinco estados: Paraíba, Sergipe, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. As medidas foram autorizadas pela Justiça Federal da Paraíba.
Além das buscas, a decisão judicial determinou o sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens e valores. Além disso, a medida tem como objetivo preservar recursos e patrimônios que possam estar relacionados aos fatos investigados.
Durante a operação, a Polícia Federal e a Receita Federal também atuaram na coleta de documentos e outros elementos que podem ajudar a reconstruir a movimentação financeira do grupo investigado.
Operação Arena investiga dinheiro de apostas esportivas
A investigação mira um grupo empresarial ligado à exploração de apostas esportivas e jogos de azar. De acordo com a investigação, os envolvidos teriam utilizado uma estrutura formada por empresas no Brasil e no exterior para movimentar recursos e dificultar a identificação de sua origem e destino..
A apuração também envolve possíveis crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Além disso, os investigadores apontam que parte das operações financeiras teria passado por diferentes empresas e estruturas antes de chegar aos beneficiários finais.
Além disso, a PF investiga operações envolvendo instituições de pagamento, câmbio e ativos digitais. A Receita Federal participa da apuração para verificar possíveis irregularidades tributárias e financeiras.
Nelson Wilians está entre os alvos da Operação Arena
A residência de Nelson Wilians foi um dos endereços visitados pela Polícia Federal durante a Operação Arena. Nesse sentido, o advogado aparece entre os alvos das medidas autorizadas pela Justiça.
A investigação também analisa a relação profissional de Wilians com empresas do setor de apostas. Entre elas está a PixBet, para a qual o escritório Nelson Wilians Advogados presta serviços jurídicos.
A defesa sustenta que a relação é exclusivamente profissional e afirma que a atuação do escritório não representa participação nas atividades empresariais ou financeiras dos clientes.
Bens fazem parte da apuração
A presença de carros de luxo e obras de arte na residência ganhou destaque entre os elementos registrados durante a operação. A Ferrari amarela e os veículos da Rolls-Royce estão entre os bens que aparecem no material relacionado à busca.
Ao mesmo tempo, a investigação da PF vai além do patrimônio localizado no endereço. Os agentes procuram entender o caminho percorrido pelos recursos e identificar possíveis conexões entre empresas, contas e operações financeiras no Brasil e no exterior.
Com o avanço da análise dos materiais recolhidos e das movimentações financeiras, a Operação Arena deverá esclarecer a origem dos recursos e a eventual participação de cada investigado. Até o momento, o caso segue em apuração e não representa condenação dos envolvidos.
O Bradesco apresentou o “Meu Bradesco”, uma iniciativa que reúne diferentes frentes de tecnologia, inteligência artificial e inovação desenvolvidas pela instituição para ampliar a personalização dos serviços oferecidos aos clientes. O novo ecossistema passa a concentrar soluções digitais do banco sob uma mesma estratégia, com foco em tornar a experiência bancária mais individualizada.
O lançamento é acompanhado por uma campanha nacional criada pela AlmapBBDO, que apresenta o conceito como uma evolução da atuação tecnológica do banco. A comunicação será utilizada para divulgar projetos atuais e futuros ligados à transformação digital da instituição.
Segundo o Bradesco, a proposta é utilizar dados e recursos tecnológicos para oferecer serviços mais adequados ao perfil e às necessidades de cada cliente, mantendo também a interação humana como parte da relação com a instituição.
“O ‘Meu Bradesco’ consolida essa história: usamos a inteligência de dados para entregar relevância e cuidado. Para nós, a tecnologia é uma excelente habilitadora, mas o coração do banco continua sendo o relacionamento humano com humano”, afirma Renato Camargo, CMO do Bradesco.
Inteligência artificial completa dez anos de operação
Entre as principais iniciativas reunidas no novo ecossistema está a “b.ia”, assistente virtual de inteligência artificial do banco, que completa dez anos em setembro de 2026. Criada para atender clientes por canais digitais, a ferramenta passou por diferentes etapas de evolução e atualmente realiza operações financeiras e atendimentos mais complexos.
De acordo com a instituição, a b.ia acumulou mais de 3 bilhões de interações desde o início de sua operação. No primeiro semestre de 2026, foram registradas 74 milhões de interações. O banco também informa que, no último ano, a quantidade de usuários ativos mensais da ferramenta cresceu sete vezes, enquanto o volume de interações aumentou 8,3 vezes.
A instituição afirma ainda que a assistente apresenta índice de resolução de demandas de 87% e taxa de retenção interna de 90%. A ferramenta está disponível para toda a base de clientes do banco.
Plataforma para o agronegócio e recomendações financeiras com IA
Além da “b.ia”, o “Meu Bradesco” incorpora outras soluções digitais desenvolvidas pela instituição. Entre elas está o E-agro, plataforma voltada ao produtor rural, que reúne recursos digitais para apoiar diferentes etapas da atividade agrícola e da gestão de negócios.
O ecossistema também inclui recomendações de investimentos baseadas em inteligência artificial generativa (GenAI). A tecnologia é utilizada para analisar informações e oferecer orientações financeiras personalizadas aos clientes.
Com a integração dessas ferramentas, o banco busca ampliar o uso de inteligência artificial em diferentes áreas de atendimento e relacionamento, combinando automação, análise de dados e serviços digitais.
Estratégia digital será comunicada de forma contínua
A campanha de lançamento do “Meu Bradesco” terá presença em televisão fechada, plataformas digitais, mídia externa e ações com influenciadores. A iniciativa marca o início de uma comunicação permanente sobre as soluções tecnológicas da instituição.
O banco afirma que a estratégia faz parte de um movimento de longo prazo para incorporar tecnologia aos serviços financeiros e acompanhar mudanças no comportamento dos consumidores, que têm buscado maior agilidade e conveniência nas operações bancárias.
A nova frente reúne projetos desenvolvidos ao longo dos últimos anos e passa a funcionar como uma plataforma de apresentação das iniciativas de inovação da instituição.
A Mega-Sena voltou a acumular após o concurso 3041, realizado na última quinta-feira (06). Nenhuma aposta acertou as seis dezenas sorteadas, e o prêmio principal subiu para R$ 165 milhões no próximo concurso.
O novo sorteio acontece neste domingo, (09), e pode pagar um dos maiores prêmios da modalidade em 2026. As dezenas sorteadas foram 16, 21, 24, 31, 43 e 54.
Sem vencedores na faixa principal, a Mega-Sena premiou apostadores que acertaram cinco e quatro dezenas. Essa prática é comum e aumenta as chances dos apostadores de, ao menos, faturarem um montante menor:
Além da estimativa de R$ 165 milhões para o próximo sorteio deste sábado, a Mega-Sena também registra outros valores acumulados para os demais concursos da modalidade:
Acumulado para o próximo concurso: aproximadamente R$ 147 milhões.
Acumulado para os concursos finais zero e cinco (3045): aproximadamente R$ 14,9 milhões.
Acumulado para o sorteio especial: aproximadamente R$ 44,8 milhões.
Data e horário
A Caixa realizará o próximo concurso da Mega-Sena neste domingo, (09), às 11h. As apostas podem ser feitas até as 22h (horário de Brasília), do dia anterior, em qualquer casa lotérica credenciada ou pelos canais digitais oficiais da Caixa. A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 6,00.
A Mega-Sena oferece o maior prêmio das loterias da Caixa e paga milhões para quem acerta as seis dezenas sorteadas. Além das premiações especiais, a modalidade também acontece durante as semanas, o que aumenta a popularidade.
O apostador deve escolher de 6 a 20 números entre os 60 disponíveis no volante da Mega-Sena. Quanto mais dezenas selecionar, maiores ficam as chances de ganhar, mas o valor da aposta também aumenta.
A adoção da inteligência artificial (I.A) pelas empresas brasileiras avança, mas ainda enfrenta desafios para transformar a tecnologia em resultados concretos.
Um estudo global realizado pelo SAS Institute em parceria com a International Data Corporation (IDC) mostra que apenas 8% das companhias do Brasil conseguem equilibrar a confiança na I.A com estruturas adequadas de governança, transparência e gestão de riscos.
O índice brasileiro fica abaixo da média global, de 9%, e revela um dos principais obstáculos para a implementação da tecnologia: muitas organizações apostam na inteligência artificial, mas ainda não possuem processos preparados para garantir um uso seguro e eficiente.
A pesquisa, baseada em 2.375 entrevistas realizadas em diferentes regiões do mundo, aponta para o chamado “dilema da confiança”. O cenário acontece quando a expectativa das empresas em relação à I.A não acompanha os investimentos necessários em controles, qualidade de dados e estratégias de gerenciamento de riscos.
Falta de governança é um dos principais desafios da I.A nas empresas
No Brasil, 48% das empresas aparecem no grupo classificado pelo estudo como “retardatárias”. Essas organizações apresentam baixa confiança na inteligência artificial e também pouca estrutura de governança para acompanhar o avanço da tecnologia.
Além disso, 26% das companhias demonstram excesso de confiança, ou seja, acreditam mais no potencial da I.A do que sua estrutura atual consegue sustentar. Enquanto isso, 19% utilizam menos recursos de inteligência artificial do que poderiam, mesmo tendo condições para ampliar o uso.
Dessa forma, apenas 8% das empresas brasileiras atingem o equilíbrio considerado ideal pelo levantamento, combinando confiança, preparação interna e mecanismos de controle.
Outro ponto destacado pelo estudo é que a percepção das empresas sobre a I.A varia conforme a tecnologia utilizada. Na inteligência artificial tradicional, 29% das companhias brasileiras afirmam ter algum nível de confiança, enquanto 22% relatam confiança total.
Já na IA generativa, que ganhou espaço com ferramentas capazes de criar textos, imagens e análises, 25% demonstram alguma confiança e 32% afirmam confiar totalmente. No caso da I.A agêntica, tecnologia capaz de executar ações de forma mais autônoma, 37% dizem ter alguma confiança e apenas 17% afirmam confiar totalmente.
Apesar disso, o Brasil apresenta um Índice de Confiabilidade da I.A de 3,35 pontos, em uma escala de 0 a 5. O resultado supera países como Alemanha e China. Entretanto, quando o assunto é impacto nos negócios, o desempenho brasileiro fica atrás.
O Índice de Impacto da I.A no país chegou a 2,84 pontos, abaixo de mercados como Irlanda e Austrália, que conseguem unir maior confiança na tecnologia com resultados empresariais mais consistentes.
Estrutura de dados limita avanço da inteligência artificial
Além da governança, a preparação dos dados aparece como outro desafio para a implementação da I.A. Segundo o levantamento, a infraestrutura de dados das empresas brasileiras ainda é fragmentada.
Cerca de 35% das organizações operam em estágios considerados “ad hoc” ou fragmentados, enquanto a média global é de 16%. Na prática, essa falta de organização dificulta a criação de sistemas mais eficientes e reduz a capacidade das empresas de transformar investimentos de inteligência artificial em ganhos reais.
O impacto também aparece no retorno financeiro. Para cada dólar investido em I.A, as empresas brasileiras registram um retorno médio de US$ 1,52. O valor fica abaixo da média mundial, de US$ 1,61, e da média das Américas e América Latina, de US$ 1,63.
Empresas aumentam investimentos, mas precisam melhorar preparação
Mesmo diante dos desafios, o cenário indica que as empresas continuam apostando na expansão da inteligência artificial. A América Latina aparece como a região com maior expectativa de crescimento nos investimentos em I.A entre os mercados analisados.
Nos próximos 12 meses, 20% das empresas latino-americanas esperam aumentar seus orçamentos para a tecnologia em mais de 20%, quase o dobro da média global.
No entanto, o avanço dos investimentos exige uma preparação maior. Sem uma base estruturada de dados, regras claras de uso e mecanismos de acompanhamento, a adoção da I.A pode não alcançar todo o potencial esperado pelas organizações.
Para Jim Goodnight, CEO e cofundador do SAS, a tecnologia precisa estar associada à capacidade de tomar decisões confiáveis. Segundo ele, esse princípio acompanha a empresa desde sua criação e se tornou ainda mais relevante com a expansão da inteligência artificial.
O estudo também marca um momento importante para o SAS, que completa 50 anos em julho de 2026. Fundada em 1976 como um projeto de pesquisa na North Carolina State University, a companhia se consolidou como uma das principais fornecedoras globais de softwares para análise de dados e inteligência artificial.
Atualmente, a empresa afirma atender clientes em mais de 150 países e manter investimentos contínuos em pesquisa e desenvolvimento. Ao longo de cinco décadas, a companhia passou a acompanhar a evolução do mercado de dados, que agora enfrenta o desafio de equilibrar inovação, segurança e confiança no uso da I.A.
O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou que pretende visitar Jair Bolsonaro durante sua viagem ao Brasil neste mês.
O encontro, porém, dependerá de autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), já que o ex-presidente cumpre prisão domiciliar em Brasília e tem restrições quanto às visitas que pode receber.
Pelas condições impostas por Moraes, Bolsonaro só pode receber familiares, advogados e integrantes de sua equipe médica. Qualquer um fora dessa lista precisa ser previamente autorizada pelo STF.
Em entrevista à rádio argentina Now, Milei confirmou que desembarcará no Brasil em 25 de julho para participar do ato de lançamento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
“No dia 25 viajo ao Brasil, a convite do candidato a presidente Flávio Bolsonaro. Vou estar em São Paulo e vou dar uma passada também por Brasília para cumprimentar Jair Bolsonaro”, declarou.
A visita faz parte da estratégia de Milei de fortalecer sua articulação com lideranças da extrema-direita na América Latina. O presidente argentino é um dos principais aliados internacionais da família Bolsonaro e tem afirmado repetidamente que Jair Bolsonaro é alvo de “perseguição judicial” no Brasil.
Ele também faz parte do grupo Escudo das Américas, montado por Marco Rubio, secretário de Estado americano, com governos lacaios na América Latina.
Os Estados Unidos realizarão, na próxima quinta-feira (16), em Washington, uma reunião internacional dedicada ao que o governo Donald Trump classifica como o “ressurgimento do terrorismo transnacional de esquerda”. O encontro será liderado por Rubio e contará com representantes de mais de 60 países convidados de diferentes regiões do mundo. O Brasil está na lista.
Segundo o Departamento de Estado, a conferência discutirá a cooperação internacional para enfrentar ameaças consideradas emergentes pelo governo americano. A falácia é uma preocupacão com o movimento “Antifa” (abreviação de antifascistas).
MILEI VIAJARÁ A BRASIL PARA RESPALDAR A FLAVIO BOLSONARO
El 25 de julio, Javier Milei viajará a San Pablo para participar del acto en que Flavio Bolsonaro será proclamado candidato presidencial de la derecha brasileña, y luego pasará por Brasilia para reunirse con el… pic.twitter.com/1BIoFKyXrJ
Em ano de eleições, um dos temas que tomam conta da pauta é o fundo eleitoral, o chamado “fundão”. Os 30 partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) receberão, somados, R$ 4,9 bilhões em recursos públicos para as campanhas das eleições de 2026. Mas como funciona esse sistema? O Sul21 te explica.
O Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) foi criado em 2017 após a proibição de doações eleitorais por empresas. Hoje, o fundo eleitoral é constituído por recursos públicos previstos no Orçamento da União e com valor definido em consenso entre as esferas envolvidas. Desde então, se tornou uma das principais fontes de custeio das campanhas eleitorais no país.
Marcelo Gayardi, advogado especialista em Direito Eleitoral, explica que a distribuição é feita da seguinte forma:
48% proporcionalmente ao número de representantes eleitos para a Câmara dos Deputados na última eleição geral (considerando a representação atual do partido na Câmara);
35% proporcionalmente ao número de representantes eleitos para a Câmara dos Deputados nos 4 anos anteriores, desconsiderando as mudanças de legenda;
15% proporcionalmente ao número de senadores eleitos nos 4 anos anteriores;
2% proporcionalmente ao número de representantes eleitos para a Câmara dos Deputados nos 4 anos anteriores, com distribuição entre os partidos que não atingiram a cláusula de barreira, mas têm ao menos um deputado federal eleito.
Com esse modelo de divisão, o Partido Liberal (PL) é a sigla com a maior fatia para 2026, recebendo em torno de R$ 881 milhões. Em seguida aparecem o Partido dos Trabalhadores (PT), com R$ 615 milhões, e o União Brasil, com cerca de R$ 526 milhões. Juntas, as três legendas concentram quase 40% do montante distribuído pelo fundo eleitoral.
Confira a lista dos repasses por partido:
Gayardi avalia que a tendência é de estabilidade dos valores do fundo eleitoral. O total, de R$ 4,9 bilhões, está congelado desde 2022, somente com uma correção de cerca de R$ 60 milhões para as eleições municipais de 2024.
Em 2018, o FEFC tinha “apenas” R$ 1,7 bilhão à disposição, menos da metade do total disponibilizado quatro anos depois. Gayardi diz que o valor não cobriu todos os custos e forçou as candidaturas a captarem recursos. Com isso, segundo o advogado, abriu-se a janela para os megarricos doarem grandes quantias para seus candidatos preferidos. Porém, Gayardi indica que era o começo da introdução do fundo na política, uma época em que era “tudo mato”.
Hoje, mesmo sem uma lei efetiva ou em desenvolvimento que regulamente o limite do fundo, o advogado prevê que o teto de gastos orçamentário irá restringir o crescimento exponencial, como visto entre 2018 e 2022. “Não há sistema perfeito, mas entendo que esse mecanismo vigente auxilia o interesse público”, complementa.
O fundo eleitoral, algumas vezes, é confundido com o Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, o fundo partidário. Este último corresponde ao recurso usado para as despesas cotidianas dos partidos. Ele é composto por multas e penalidades eleitorais, e por recursos financeiros destinados por lei. Ainda, as legendas podem receber doações de pessoas físicas.
No fundo eleitoral, as despesas são limitadas a questões relacionadas à campanha. Produção de material gráfico, impulsionamento de conteúdo na internet, contratação de pessoal, serviços de comunicação e outros gastos são permitidos.
Além disso, a Justiça Eleitoral fiscaliza a aplicação dos recursos e analisa posteriormente as prestações de contas. O descumprimento das normas pode resultar em devolução de valores ao Tesouro Nacional, desaprovação das contas e outras sanções previstas na legislação eleitoral.
Após o recebimento dos recursos, cabe às direções partidárias definir como será feita a distribuição interna entre candidaturas e federações. Em alguns episódios, essa divisão intrapartidária causa rachas e discussões dentro dos partidos.
Deputada federal Erika Hilton (PSOL). Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
No final de junho, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) criticou abertamente a divisão de recursos feita pela direção do seu partido, citando, nominalmente, a pré-candidata gaúcha ao Senado, Manuela d’Ávila. Em publicação nas redes sociais, Erika disse estar “chocada e decepcionada” com os valores repassados a ela e outros candidatos, especialmente candidaturas com ajustes por gênero, raça e para pessoas com deficiência (PCD).
“O PSOL precisa cumprir os acordos que fez conosco. E não está cumprindo. Está rasgando nossos combinados e praticamente nos inviabilizando”, afirmou a parlamentar.
“Hoje, Juliano Medeiros, presidente da Federação PSOL-Rede, em sua primeira candidatura, teria exatamente a mesma prioridade que eu. Manuela d’Ávila, que acabou de chegar ao partido, tem previsão de receber mais que o dobro. Respeito a trajetória deles e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis se sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios… A inteligência política passou longe”, complementou Erika Hilton.
Marcelo Gayardi diz que esse tipo de decisão parte das direções partidárias. “O partido tem que ter autonomia de estratégia. Não tem muito o que fazer e não cabe legislar sobre isso”, afirma.
Fiscalização
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A fiscalização do uso do fundo eleitoral é feita em múltiplas camadas, com participação do TSE e do Ministério Público Eleitoral (MPE). No portal DivulgaCandContas, o TSE disponibiliza a relação de candidatos, receitas e despesas em tempo real.
O principal meio de controle é o Sistema de Prestação de Contas Eleitorais (SPCE), por onde transitam todas as informações financeiras da campanha. Cada candidatura, desde deputado estadual até vice-presidente e presidente, tem que abrir um CNPJ e ter uma tesouraria. A tesouraria, obrigatoriamente, deve lançar receitas e custos no sistema.
Os gastos tem que estar documentados, seja com contratos, notas fiscais ou outros. Marcelo Gayardi chama a atenção para um ponto importante dessa etapa da transparência, que é a “materialidade da despesa”. Ele explica que a candidatura não deve apenas apresentar documentos, mas ter provas materiais que esse recurso está sendo empregado.
Marcelo Gayardi exemplifica com um gasto tradicional de períodos eleitorais: panfletos. Se um candidato manda fazer mil panfletos em uma gráfica, a campanha deve registrar o pedido (especificações, quantidade, fornecedor, qualidade do material, etc.), a nota fiscal, fotos do recebimento do material e imagens desses panfletos sendo distribuídos na rua.
Ao final da campanha, um advogado, junto à tesouraria, assina um documento que confirma a legalidade e a transparência de todos os gastos apresentados ao SPCE. Todo dinheiro não utilizado volta ao Tesouro Nacional.
“O fundo eleitoral representa um avanço inegável em termos de transparência e controle em comparação com o modelo anterior de financiamento empresarial, que era opaco e propenso a abusos de poder econômico”, observa o advogado. “Hoje, todo recurso público destinado a campanhas é rastreável, sujeito a prestação de contas e passível de sanção. Esse ganho de accountability não deve ser minimizado”.
Ainda assim, Gayardi afirma que a fiscalização tem dificuldades para verificar a efetiva prestação de serviços e combater o “caixa dois”. Além disso, o volume de contas a serem analisadas em um curto período sobrecarrega a Justiça Eleitoral. Mas o advogado é otimista para essas eleições. Ele acredita que o rigor na prestação de contas será maior do que nos últimos anos devido ao avanço das Inteligências Artificiais, que facilitam o trabalho de verificação. “O caminho não vai ser o humano, vai ser a tecnologia mesmo”, comenta.
Representatividade eleitoral ou a pluralidade política?
Foto: Lucas Azeredo/Sul21
Um dos desafios da legislação eleitoral é a diversidade nas candidaturas. Existem, hoje, regras que tentam garantir a presença de grupos diferentes na política, e elas têm se tornado mais rigorosas nos últimos anos, observa Gayardi.
Para as mulheres, já está previsto o mínimo de 30% de candidaturas, recursos e tempo de propaganda para as candidatas. Ou seja, não basta lançar 30% de candidatas mulheres, é obrigatório destinar a elas, no mínimo, 30% dos recursos públicos de campanha.
O percentual é o mesmo para candidaturas de pessoas negras. Os partidos devem destinar no mínimo 30% dos recursos tanto do fundo eleitoral quanto do fundo partidário a essas chapas, proporcionalmente ao número de candidatos negros lançados pela legenda. As candidaturas indígenas seguem uma lógica similar para a destinação de recursos.
Um grupo que está de fora da legislação eleitoral é a comunidade LGBTQI+. Segundo Gayardi, não há, até o momento, uma regra específica que estabeleça percentual mínimo de recursos para candidaturas LGBTQI+, nem uma proposição legislativa avançada sobre o tema.
“A proteção existente decorre de princípios constitucionais (dignidade da pessoa humana, não discriminação) e de decisões pontuais do TSE, mas sem obrigatoriedade vinculante de destinação orçamentária”, informa o advogado.
Outra questão que surge com a divulgação da divisão de recursos é a possibilidade de dar mais poder aos partidos que têm dominância no campo. Para Marcelo, o modelo atual, ainda que proporcional e representativo da vontade popular, “reproduz e amplia a vantagem dos partidos já consolidados”, criando um ciclo de “retroalimentação”.
“A justiça da distribuição depende do critério que se adota: se é a representatividade eleitoral ou a pluralidade política. O sistema atual claramente privilegia o primeiro”, comenta.
Para o advogado, o ponto mais sensível é que a cláusula de barreira exige um mínimo de votos ou de deputados para garantir acesso pleno aos recursos do fundo. Por si só, isso já exclui as legendas menores do fundo eleitoral, o que, na sua opinião, aprofunda a “concentração nos grandes centros de poder”.
“A partir do momento que tu cria uma regra que privilegia quem é grande, se está fazendo uma ‘seleção natural’”, complementa.
Porém, Marcelo Gayardi entende que o sistema atual enfrenta, objetivamente, a pulverização de legendas que favorece a fragmentação ideológica e facilita o “fisiologismo” — a política das trocas de favores. Os maiores partidos tendem a apresentar candidaturas majoritárias que demandam grandes recursos, e ainda precisam garantir estrutura para seus eleitos e potenciais candidatos para manter ou ampliar sua representatividade. Isso faz com que, na prática, a distribuição dos recursos aos seus filiados atingir valores bem inferiores aos alcançados pelas legendas que possuem menos representantes.
Nos últimos dois anos, tem sido fácil pontuar a corrida da inteligência artificial (IA): modelos maiores, melhores referências de desempenho (benchmarks) e qualquer empresa que pudesse reivindicar a liderança, pelo menos até o próximo lançamento.
Esse painel de pontuação começa a parecer insuficiente.
À medida que as empresas passam dos testes de IA para o uso em produtos e fluxos de trabalho reais, não se trata mais de acionar o melhor modelo, mas sim de acessar aquele que melhor se adapta a um trabalho específico, pelo custo certo, com os dados necessários e no ambiente escolhido.
Essa mudança está abrindo as portas para um novo tipo de competição em IA, focado menos no tamanho do modelo e mais no roteamento, custo, controle e computação.
“O modelo por si só não é mais o produto”, disse o CEO da Perplexity, Aravind Srinivas, à CNBC. “É o arranjo, o sistema de orquestração que coloca o modelo dentro de uma estrutura muito capaz e o combina com uma série de ferramentas”, completou.
Isso significa que os produtos de IA estão se tornando sistemas que podem decidir qual modelo usar, quando usá-lo e quais ferramentas externas ou fontes de dados da empresa são necessárias. Uma tarefa de atendimento ao cliente pode não precisar do modelo mais caro. Um problema complexo de programação pode precisar. Um fluxo de trabalho interno rotineiro poderia rodar em um modelo aberto mais barato. Uma etapa mais difícil poderia ser escalada para um mais potente.
“A resposta é sempre usar o que for melhor para a tarefa”, disse Srinivas.
O surgimento de modelos alternativos ocorre no momento em que as corporações americanas reduzem os gastos com IA, e apresenta outro desafio para a OpenAI e a Anthropic, que prosperaram nos últimos anos vendendo a tecnologia mais inovadora do mercado.
A Perplexity apresentou nesta semana uma prévia de um novo sistema para o seu produto de uso de computador (computer-use) construído em torno do GLM 5.2, um modelo aberto da empresa chinesa Z.ai. O sistema foi projetado para permitir que um modelo mais barato lide com a maior parte do trabalho, acionando um modelo mais forte apenas quando necessário.
Essa abordagem reflete uma mudança mais ampla no mercado. Modelos de pesos abertos (open-weight), que podem ser baixados, ajustados e executados pelas próprias empresas, estão se tornando mais capazes. Eles também são mais baratos de operar do que os modelos proprietários premium dos maiores laboratórios de IA.
Peter Fenton, sócio-gerente da Benchmark, disse que a mudança pode ser drástica.
“Uma visão talvez contrária, que está se tornando consenso, é a nossa crença de que mais de 90% dos tokens criados virão de modelos de pesos abertos nos próximos 18 a 24 meses, possivelmente até o final do ano”, disse Fenton à CNBC.
Tokens são as unidades de dados que os modelos de IA processam e geram.
“As margens de inferência geradas pelas empresas de modelos de fronteira, acredito, sofrerão pressão quando for possível executá-los sem a margem de lucro que elas aplicam, e quando houver modelos de pesos abertos bons o suficiente”, disse Fenton.
Fenton afirmou que a migração para modelos abertos não se trata apenas de economizar dinheiro. Em alguns casos, modelos menores ajustados para uma tarefa específica podem ser mais rápidos e ter melhor desempenho do que modelos maiores de uso geral.
“Onde funciona e como funciona“
Essa é uma das razões pelas quais a Benchmark investiu na Ollama, uma empresa que facilita para desenvolvedores e empresas o download, a execução e o gerenciamento de modelos abertos.
“Uma coisa é de onde o modelo vem e onde ele foi criado e treinado”, disse o CEO da Ollama, Jeff Morgan. “No entanto, o mais importante para essas empresas com quem conversamos é onde ele roda e como roda”.
Morgan disse que a Ollama foi adotada por mais de 85% das empresas da Fortune 500, incluindo companhias em setores regulamentados, como aviação, seguros e saúde. Ele afirmou que muitas empresas começam com modelos menores rodando perto de seus próprios dados e, depois, expandem para modelos abertos maiores à medida que ganham mais confiança.
A ascensão dos modelos abertos também cria um desafio estratégico para os EUA. Muitos dos modelos de pesos abertos mais competitivos estão vindo de laboratórios chineses, incluindo Z.ai e DeepSeek. Isso tornou a IA de código aberto uma questão de negócios, de política pública e de competitividade nacional.
Srinivas disse que os EUA deveriam apoiar os modelos abertos porque eles tornam a IA mais acessível e economicamente viável.
“Se você quer que os benefícios da IA sejam amplamente distribuídos para pequenas empresas na América e em países aliados dos EUA, então você realmente precisa que a IA seja muito mais acessível”, disse Srinivas. “E o código aberto é a única maneira de fazer isso”.
A mudança também pode afetar a enorme construção de centros de dados em andamento em todo o setor de tecnologia.
O atual boom da IA pressupõe que a demanda continuará fluindo para grandes data centers em nuvem repletos de chips de última geração. Srinivas diz que parte do trabalho de IA pode, eventualmente, ser executada localmente, em dispositivos de propriedade de consumidores ou empresas.
Isso não eliminaria a necessidade de data centers, mas poderia criar um sistema de IA mais híbrido, com tarefas rotineiras executadas localmente e o trabalho mais difícil enviado para um modelo mais potente na nuvem.
Para os investidores, a questão é se os maiores laboratórios de IA conseguirão manter seu poder de fixação de preços à medida que os modelos abertos melhoram e as empresas se tornam mais seletivas sobre o que utilizam.
Sóstenes Cavalcante, Luiz Carlos Motta e Capitão Alden. Foto: Reprodução
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e os deputados Luiz Carlos Motta (PL-SP) e Capitão Alden (PL-BA) aparecem como solicitantes formais de R$ 119 milhões em emendas parlamentares que a Polícia Federal atribui ao presidente do partido, Valdemar Costa Neto, em investigação sobre suspeita de desvio de recursos públicos.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na sexta-feira (10) o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens de Valdemar. A suspeita é que o dirigente do PL tenha comandado a destinação de 21 emendas mesmo sem exercer mandato parlamentar. Os recursos saíram do Orçamento da União em 2024 e 2025.
A PF aponta que deputados federais foram indicados de forma falsa como “solicitantes” das emendas para dar aparência de legalidade a repasses que teriam sido apropriados politicamente por Valdemar. A investigação também afirma que o presidente do PL usou servidores da Câmara para direcionar recursos de emendas de comissão.
Sóstenes colocou seu nome em R$ 94 milhões em emendas que, para a PF, pertenciam a Valdemar. Embora seja deputado pelo Rio de Janeiro, ele aparece como solicitante de recursos para municípios de São Paulo, Paraná, Bahia, Pará e Rio. A maior emenda citada foi de R$ 25 milhões para Porto Seguro (BA).
Valdemar Costa Neto, presidente do PL. Foto: Beto Barata/PL
Documentos apreendidos e decisão de Flávio Dino
Luiz Carlos Motta assumiu a indicação de duas emendas, no valor de R$ 22,8 milhões, destinadas a Suzano e Ubatuba, em São Paulo. Capitão Alden aparece como solicitante de uma emenda de R$ 2,4 milhões para Itaguaçu da Bahia (BA). Todas as emendas citadas pertencem às comissões de Saúde e de Turismo da Câmara.
Documentos apreendidos pela Polícia Federal com Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, ex-assessora do deputado federal e ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), levaram os investigadores a apontar Valdemar como verdadeiro padrinho das emendas. Dino escreveu que “um terceiro não atuante no parlamento brasileiro tinha o poder e a ingerência sobre o direcionamento do orçamento público”.
Em relatório enviado ao ministro, a PF afirmou: “Se tomarmos o mais condescendente dos quadros, e considerarmos os desvios ‘apenas’ das emendas já pagas, temos uma consolidação de um desvio de R$ 104 milhões”. Os investigadores suspeitam que Valdemar tenha sido beneficiário direto desse montante.
A defesa de Valdemar negou crime e criticou as medidas cautelares. Em nota divulgada pelos advogados e compartilhada pelo dirigente nas redes sociais, a defesa afirmou que a decisão parte de “premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária” e disse que a Procuradoria-Geral da República foi contrária às cautelares.
Luiz Carlos Motta disse que seu nome aparece nos registros porque ele exerceu a função de relator do Orçamento Geral da União em 2024. “Isso, porém, não significa que os recursos tenham sido escolhidos ou destinados por decisão individual minha”, afirmou. Capitão Alden declarou que não participou da execução financeira, da contratação de fornecedores nem de pagamentos, e atribuiu a presença de seu nome ao “procedimento institucional adotado” para formalizar a emenda. Sóstenes não comentou.
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, saiu em defesa de Valdemar e criticou a Polícia Federal. “Lamentável ver a PF atuando de forma seletiva para constranger um adversário político do atual governo”, afirmou o parlamentar.
O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, prometeu vingança pela morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, em ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel. A declaração ampliou a tensão com Washington após novas ameaças do presidente americano, Donald Trump, contra Teerã.
Em comunicado atribuído a Mojtaba e divulgado pela agência Fars, ligada ao Estado iraniano, ele afirmou que a resposta pela morte do pai virou uma demanda nacional. “A vingança é uma exigência da nossa nação e certamente deve ser concretizada”, diz o texto.
A declaração também se dirige ao líder morto e promete punição aos responsáveis pelos ataques. “Prometemos que vingaremos o seu sangue puro e o sangue de todos os mártires destas duas guerras, punindo os assassinos criminosos e ignóbeis”, afirma o comunicado.
Mojtaba ainda diz que os nomes dos responsáveis estariam documentados. “Esses criminosos — cujos nomes, do mais alto ao mais baixo escalão, são conhecidos e estão documentados — levarão para o túmulo o desejo de uma morte tranquila, na velhice e em seus leitos”, declarou.
Ali Khamenei, líder supremo do Irã assassinado por Israel e EUA. Foto: reprodução
Trump ameaça ataque caso o Irã tente assassiná-lo
O alerta iraniano surgiu poucas horas depois de Trump ameaçar “dizimar” o Irã caso o país tentasse matá-lo. O presidente dos Estados Unidos publicou a mensagem na Truth Social, rede que costuma usar para anúncios políticos e ataques a adversários.
Na publicação, Trump afirmou que mísseis americanos já estariam apontados para o território iraniano. “Mil mísseis estão armados, prontos para lançamento e apontados para a República Islâmica do Irã”, escreveu.
O republicano disse ainda que “milhares” de outros mísseis poderiam ser disparados imediatamente se o governo iraniano concretizasse uma ameaça de assassinato contra o presidente dos Estados Unidos. Ele encerrou o trecho com a frase: “neste caso, EU!”.
O novo líder supremo iraniano ainda não apareceu em público desde sua nomeação. No comunicado atribuído a ele, Mojtaba afirma que a retaliação “não depende da minha existência ou da de outras autoridades”.
A fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery dará origem a uma das maiores empresas de entretenimento do mundo, mas também a uma das mais endividadas do setor. Segundo estimativas do The Wall Street Journal, a companhia combinada nascerá com cerca de US$ 80 bilhões (R$ 409,60 bilhões) em dívidas.
De acordo com o jornal, esse montante equivale a aproximadamente 6,5 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) anual projetado para a nova empresa, um nível considerado elevado para o setor de mídia.
A operação, avaliada em US$ 81 bilhões (R$ 414,72 bilhões), faz parte da estratégia das empresas para ganhar escala em um mercado cada vez mais competitivo, impulsionado pelo crescimento das plataformas de streaming.
A companhia reunirá marcas como HBO Max, Paramount+, Pluto TV, CNN, CBS, MTV e Nickelodeon, além de manter uma produção de pelo menos 30 filmes por ano para lançamento nos cinemas.
Apesar do tamanho da operação, um dos principais desafios será reduzir o elevado endividamento. Segundo o The Wall Street Journal, a meta é diminuir a alavancagem para cerca de três vezes o Ebitda em até três anos.
A estratégia não prevê a venda de ativos relevantes e busca preservar os investimentos em conteúdo, considerados fundamentais para fortalecer a competitividade da empresa no mercado de streaming.
Segundo a Paramount, a companhia pretende alcançar mais de US$ 6 bilhões (R$ 30,72 bilhões) em sinergias, principalmente por meio da integração das plataformas digitais, da consolidação de operações e da eliminação de estruturas duplicadas.
A expectativa é que esses ganhos de eficiência contribuam para acelerar a redução da dívida e fortalecer a posição financeira da nova empresa em um setor cada vez mais disputado.
Por Raphael Di Cunto (Folhapress) Sob suspeita de ter indicado emendas parlamentares de comissão ao Orçamento mesmo sem mandato, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, teve um volume de recursos atribuído pela Polícia Federal em um ano que supera o de 99,8% dos deputados no mesmo período, apesar de presidir o maior partido de […]
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (10) o bloqueio de R$ 119 milhões em bens que estão em nome do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
A decisão é um desdobramento da Operação Transparência, na qual a Polícia Federal (PF) investiga desvios de emendas.
Na decisão, Dino apontou a suspeita de que Valdemar pode ter feito indicações irregulares de emendas mesmo sem mandato. Valdemar é ex-deputado federal.
“Consoante atestam diálogos em aplicativos de mensagens e numerosas planilhas compartilhadas entre os investigados, Valdemar Costa Neto, sem exercer mandato parlamentar, parece ter atuado, até muito recentemente, como mandante do (re)direcionamento de valores públicos”, afirmou Dino.
De acordo com as investigações, as indicações irregulares de emendas ocorriam por meio de funcionários da Câmara.
A PF apupou que funcionários da liderança do PL entravam em contato com uma servidora responsável pelo registro das emendas e solicitava a inclusão das indicações de recursos em nome de Valdemar.
Em uma mensagem descoberta pelos investigadores, Garigham Amarante Pinto, apontado como interlocutor direto de Valdemar, procurou a servidora Mariângela Fialek para saber se as indicações foram formalizadas.
“No dia seguinte (26/08/2025), Garigham cobra a Mariâgela: ‘Fechou o valor do Pres Valdemar?’, uma provável referência ao presidente do PL. Mariângela responde: ‘Se puder trocar tudo turismo ótimo’. Em resposta a essa mensagem, Garigham diz: “24 milhões tá bom”, diz trecho da investigação.
Emendas
De acordo com o material apurado pela PF, foram registradas 21 emendas em nome de Valdemar, que totalizam R$ 119 milhões, valor bloqueado pelo STF para garantir o ressarcimento em caso de condenação.
Os valores foram registrados entre os anos de 2024, 2025 e 2026.
A emenda com maior valor foi R$ 24 milhões, destinada ao município de Porto Seguro (BA). Em seguida, aparecem duas emendas de R$ 15,8 milhões e R$ 11 milhões para Suzano (SP).
Os municípios de Mogi das Cruzes (SP), Rio de Janeiro, Caraguatatuba (SP) e Dom Eliseu (PA) também receberam indicações de emendas do presidente do PL.
Dino
Na decisão em que determinou o bloqueio dos bens de Costa Neto, o ministro Flávio Dino ressaltou que o ex-deputado não tem direito à indicação de emendas.
“A espantosa ascendência que alguns servidores da Câmara dos Deputados parecem atribuir ao investigado Valdemar Costa Neto contrasta com a ausência de título jurídico que lhe permita dispor do orçamento público, sejam quais forem os valores, sejam quais forem os seus destinatários”, afirmou o ministro.
A Agência Brasil entrou em contato com a assessoria de imprensa do PL e aguarda retorno. O espaço está aberto para manifestação.
Mais de três anos após o início do boom da inteligência artificial generativa, o Google desafiou muitos céticos que acreditavam que o ChatGPT seria o golpe fatal para o gigante das buscas. Mas alguns problemas estão abalando seu negócio principal.
O mecanismo de busca DuckDuckGo está registrando aumentos nas taxas de instalação de até 40% por semana. O Bing, da Microsoft, alcançou 1 bilhão de usuários pela primeira vez no último trimestre. E o tráfego do mecanismo de busca do Google caiu ligeiramente no último mês, enquanto o ChatGPT registrou uma pequena alta.
O Google ainda controla 90% do mercado de buscas, o preço de suas ações mais do que dobrou no último ano e o crescimento da receita no primeiro trimestre foi o mais rápido desde 2022. Mas a preocupação com a IA persiste à medida que mais pessoas recorrem aos chatbots como método preferido para encontrar informações.
O ChatGPT ocupa consistentemente a posição de aplicativo gratuito mais baixado no iOS da Apple, e o Claude, da Anthropic, está atualmente em oitavo lugar, uma posição atrás do Gemini, do Google.
Enquanto isso, outra onda de usuários da internet está se afastando completamente das buscas impulsionadas por IA em favor de alternativas sem IA. Um estudo do Pew Research Center publicado em março constatou que cerca de metade dos americanos sentia que a IA em suas vidas diárias os deixava “mais preocupados do que entusiasmados”.
Navegar pela internet sem ela é um dos mecanismos de adaptação e, no início deste mês, o DuckDuckGo lançou um mecanismo de busca “sem IA” com novas extensões para navegador que permitem aos usuários utilizar por padrão o endereço noai.duckduckgo.com.
“Muitas pessoas usam o Google porque o Google é como a página inicial da internet, mas elas querem fazer essas jornadas, clicar e pesquisar por conta própria e tomar suas próprias decisões”, disse Lily Ray, vice-presidente de otimização para mecanismos de busca e busca por IA da empresa de marketing Amsive.
O Google também enfrenta o desafio de conter startups de IA fortemente financiadas, que estão pagando valores elevados por talentos antes de suas potenciais ofertas públicas iniciais de ações (IPOs).
Na semana passada, Noam Shazeer, vice-presidente de engenharia e copresidente do Gemini AI, anunciou que estava deixando o Google para ingressar na OpenAI. E, na sexta-feira, John Jumper, vice-presidente da DeepMind e fellow de engenharia, informou que estava saindo para trabalhar na Anthropic.
As ações da Alphabet tiveram, na segunda-feira, seu pior desempenho em mais de um ano, com queda de 5%.
Analistas da Jefferies escreveram em um relatório que “não interpretam as recentes saídas como um sinal de que o Google esteja fazendo menos em IA, mas sim como mais um dado em uma guerra por talentos que afeta toda a indústria, na qual laboratórios de ponta estão oferecendo lances agressivos”.
Um porta-voz do Google se recusou a comentar para esta reportagem.
Para o Google, o surgimento da IA generativa representa uma espécie de risco existencial desde o lançamento do ChatGPT, no fim de 2022, que recentemente ultrapassou 1 bilhão de usuários ativos mensais. A ameaça é dupla: o Google pode perder sua posição dominante e, ao tentar competir em IA, pode canibalizar seu próprio mecanismo de busca em favor de uma nova forma de encontrar informações que ainda não possui um modelo comprovado de publicidade digital.
Os anúncios ainda representam cerca de três quartos da receita da empresa. As margens extremamente elevadas da publicidade permitem ao Google financiar apostas de longo prazo e alto custo, como a Waymo e a IA baseada no espaço, além de investir perto de US$ 200 bilhões em infraestrutura de IA.
Em sua conferência anual para desenvolvedores, realizada no mês passado, o Google anunciou que redesenharia a caixa de busca pela primeira vez em 25 anos, posicionando o botão “Modo IA” diretamente dentro dela. O botão de busca agora fica abaixo da caixa.
“Esta é a maior atualização da nossa icônica caixa de busca desde sua estreia, há mais de 25 anos”, afirmou Elizabeth Reid, responsável pela organização de buscas do Google, durante o evento.
Além disso, a popular ferramenta de geração de imagens Nano Banana também está disponível na caixa de busca por meio do botão de adição. No aplicativo móvel do Google Search, uma grande caixa clicável do “Modo IA” tem praticamente o mesmo tamanho da caixa de busca tradicional.
No último mês, o tráfego do mecanismo de busca do Google caiu mais de 1%. O tráfego do ChatGPT aumentou um pouco. O DuckDuckGo, que há muito tempo se posiciona contra o Google como uma opção de busca mais privada, afirma que as taxas de instalação cresceram até 75% em relação ao período anterior ao anúncio do Google I/O, em maio.
O Google precisa “encontrar um equilíbrio, porque, se avançar demais com a IA, perderá seus usuários”, disse Ray, da Amsive. Ela classificou a participação de mercado do DuckDuckGo como “microscópica”, mas afirmou que houve um grande aumento recentemente.
Até mesmo o CEO da Alphabet, Sundar Pichai, reconhece os receios em torno da IA. Em um episódio recente do podcast “Hard Fork”, Pichai afirmou que as pessoas estão “justificadamente” ansiosas sobre o tipo de futuro que a tecnologia criará, classificando a escala da mudança como sem precedentes.
Google e OpenAI enfrentaram processos por morte culposa movidos por familiares de pessoas que supostamente cometeram atos de violência ou automutilação devido ao uso de chatbots. Em março, o Google foi processado pelo pai de um homem de 36 anos, que alegou que o chatbot Gemini convenceu seu filho a tentar realizar “um ataque com múltiplas vítimas” e, posteriormente, a cometer suicídio.
No mercado de buscas, o DuckDuckGo não é o único mecanismo respondendo à demanda por alternativas. A Microsoft lançou uma extensão para navegador chamada “Bing AI Search Choice”, que permite aos usuários desativar recursos semelhantes a chats de IA.
“A IA está fazendo coisas poderosas para as buscas, mas as pesquisas mostram que nem todos querem usar IA para tudo o tempo todo”, escreveu Jordi Ribas, presidente de busca e IA da Microsoft, em uma publicação no LinkedIn sobre a atualização.
Também cresce a antipatia entre editoras e veículos de mídia, que viram o tráfego proveniente das buscas do Google despencar, em parte porque a IA reúne informações em resumos exibidos no topo dos resultados, eliminando a necessidade de clicar nos links.
Em uma disputa antitruste com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o Google admitiu no ano passado, em documento judicial, que a web aberta já está “em rápido declínio”, uma avaliação que contrastou com declarações públicas de executivos da empresa.
Estudos de painéis de dados como SparkToro e Similarweb mostram que aproximadamente 68% de todas as buscas no Google agora terminam sem um único clique para um site externo. Roger Lynch, CEO da Condé Nast, afirmou em entrevista no mês passado à TBPN que sua equipe prevê quedas no tráfego oriundo das buscas há três anos e que “todos os anos a queda foi maior do que a prevista”.
“No ano passado, eu disse às nossas equipes para assumirem que não existe busca”, afirmou. “Vocês precisam planejar seus negócios como se a busca fosse zero.”
Mesmo após a queda das ações do Google na segunda-feira, o papel ainda acumula alta superior a 100% no último ano, superando com folga todos os seus pares entre as chamadas hyperscalers. A empresa demonstrou capacidade de sobreviver e prosperar em meio a grandes mudanças de plataforma, principalmente na transição da web para os smartphones, e provou ser uma participante relevante na IA generativa, apesar de um início lento.
Na última teleconferência de resultados, Pichai atribuiu o aumento do engajamento dos usuários a experiências baseadas em IA, como o AI Mode e o AI Overviews, áreas que recebem investimentos significativos.
“A IA continua impulsionando o uso das buscas e o volume de consultas está em nível recorde”, afirmou Pichai durante a conferência.
No entanto, o Google ativa o AI Overview automaticamente, o que significa, nas palavras de Kamyl Bazbaz, diretor de políticas do DuckDuckGo, que os usuários não recebem “uma escolha”.
Reid, líder da área de buscas do Google, afirmou em um podcast da Bloomberg, em abril, que “existe esse tipo de mito de que as pessoas querem IA ou a web”.
“Na verdade, acho que o que vemos é que as pessoas querem IA e a web juntas”, disse ela.
Em um contexto de massacre e limpeza étnica, o que pode querer dizer o desejo enunciado de estar acordado quando morrer? “Quero estar acordado quando morrer: diário do genocídio em Gaza” é o título de um dos livros de Atef Abu Saif, palestino, autor de cinco romances, dois livros de contos e de ensaios políticos, e ex Ministro da Cultura da Autoridade Nacional Palestina, função exercida até 2024.
A instigante frase do título endereçada aos leitores e, por que não dizer, ao mundo, insiste como interrogação perturbadora ao percorrermos as entradas do diário de Saif. Ele foi escrito durante os primeiros 85 dias de sobrevivência à ofensiva israelense na Faixa de Gaza, iniciada em outubro de 2023. Residente em Ramallah, capital administrativa da Palestina, localizada na Cisjordânia e a 15 km de Jerusalém, ele cumpria uma agenda de trabalho quando do início da “guerra”. Na ocasião, estava acompanhado de seu filho Yasser, com quem lutou obstinadamente contra a morte.
A cadência da chegada do sono em direção ao ciclo de dormir, sonhar, acordar e despertar é um dos ritmos junto aos quais Saif se detém em seu diário, para narrar algo que cumpre função de circunscrição de sanidade diante do horror que escalava diariamente. Embora um dia se assemelhasse muito ao outro no que tange à continuidade de bombardeios, destruição, mortes e luta pela sobrevivência, a marcação do tempo, dos ritmos, protege alguma coisa que escapa à devastação resultante do estado de trauma contínuo. Traçar a diferença entre dormir e acordar, por exemplo, permite reestabelecer o intervalo entre as sensações de fusão da percepção corporal e a materialidade dos destroços, desenhando uma certa borda capaz de proteger um tanto de integridade subjetiva. Ocorre que dormir, na situação na qual se encontra Saif, não é mais algo com o que se pode contar, digamos assim, como um componente natural da fisiologia humana.
A grande maioria dos ataques aconteciam à noite, portanto, o barulho ensurdecedor dos mísseis se torna o som ao redor. Entregar-se ao dormir pode significar não ter a chance de entender, “desperto”, a arquitetura dos ataques, o funcionamento das armas letais, o tempo que leva entre um clarão, o estouro e os desabamentos. Ver um míssil é também um sinal de que se está vivo. Com o decorrer dos dias, o som dos estrondos vai se naturalizando, dando lugar ao sono como ferramenta de sobrevivência. No terceiro dia dos ataques, escreveu:
Faço um esforço consciente para dormir, para descansar quando posso. Na guerra, você fica simultaneamente exausto e entediado na maior parte do tempo, tendo de lutar a cada momento para permanecer vivo. Mas nada muda. Sempre penso na época em que levei um tiro quando era criança, na Primeira Intifada, e como minha mãe me disse que eu realmente morri por alguns minutos, antes de ser trazido de volta. Sinto algum conforto com o pensamento de que quiçá desta vez eu possa fazer o mesmo, voltar dos mortos. O simples fato de eu estar pensando em sobrevivência é prova de que sobrevivi até agora.
Os primeiros minutos depois de acordar costumava ser um momento de muita angústia, pois era quando recebiam as notícias pelo celular. Depois de um tempo, acordar também passou a ser um momento de felicidade, pois, nesta fresta do tempo da catástrofe, se davam conta de que ainda estavam vivos. Ambivalências, contradições, absurdos, são, prima facie, a tônica da realidade da guerra. “Um homem nada na praia e a guerra estoura. É como uma contradição. Então tento desenvolver isso [no livro]”, diz Saif em entrevista ao Metrópoles. Nadando na praia era o que ele estava fazendo quando tudo começou e, de repente, se viu colocando 7 a 10 pessoas em seu carro para fugirem dos ataques.
A contagem dos dias é diferente na guerra. Eles passam a ser contados a partir do início dos ataques. A cada dia, Saif costumava iniciar a escrita do diário contando da noite anterior, de como se abrigaram e fizeram para dormir, quando possível. Em seguida inicia o inventário das mortes, dos números gerais quando tinham eletricidade e notícias, bem como das mortes testemunhadas nas proximidades. É impossível entender, para quem está lendo, o absurdo que é ter tanta, mas tanta força para juntar tantos e tantos corpos, membros mutilados, e reconstituir alguma unidade a partir de uma montagem lúgubre que dá as condições mínimas de reconhecimento dos mortos. Muitas vezes, a sequência narrativa de Saif vai na via do que se sabe ou se imagina dos últimos momentos de vida daquelas pessoas. Poder ler a posição em que estavam os corpos, identificar a peça da casa em que estavam e os objetos circundantes, parece ajudar a reintegrar a dignidade dos mortos que tiveram seus corpos violados de todas as formas possíveis e impossíveis.
Toda a família que estava na casa do meu primo Hatem morreu quando uma bomba a atingiu. Somente Wissam, minha sobrinha de 23 anos, e sua irmã Widad sobreviveram para manter a história da família, para contar o que aconteceu, e relatar seus últimos momentos, as últimas risadas, os últimos abraços. Alguém tem de provar para nós que não é possível dar um fim à vida. A vida é uma dádiva, e quem quer que a tenha dado para nós vai protege-la. Isso não é uma prece, já que nenhuma prece é capaz de mudar o destino. É um sentimento meu, um sentimento que me arrebata de tempos em tempos. Eu o senti ontem à noite, visitando Wissam no hospital, quando vi de relance no corredor uma menina que, no meio da multidão e de todo o caos, estava quieta fazendo a lição de casa.
Escrever é também, para Said, uma espécie de prova de realidade que indica se ele está ou não está vivo. Apesar de os pensamentos serem focados em um constante e infernal agora, a escrita convoca uma relação com a temporalidade de uma outra forma, demarca um lugar em que os tempos se encontram. Escreve ao mesmo tempo para o presente, o passado e o futuro. Escreve para lembrar do que já fez para sobreviver e chegar até aqui, para registrar os nomes dos mortos, dos vivos, para cunhar a memória de quem viveu a Nakba em 1948 e agora resiste a uma segunda Nakba. Escrever é também um endereçamento para o futuro, para manter acesa nem que seja uma pequena esperança de futuro de uma Palestina viva como um lugar, uma ideia, um mapa:
Quando vislumbro o futuro desta cidade, se é que tem algum, me sinto compelido a continuar escrevendo. Por meio da escrita, podemos manter vivos os lugares, podemos depositar nossas lembranças das ruas agora em ruínas, das casas agora arrasadas. Podemos impedir que sejam esquecidas, e também criar um mapa de como devem ser reconstruídas, exatamente como era, onde quer que isso termine.
Bait Lahia, Bait Hanun, Cidade de Gaza, Jabalia, Uádi Gaza, Rua Saftawi, bairro Saftawi, Hospital Al-Chifa, cidade de Nazla, Rua Jalaa, Rodovia Salah Al-Din (a “Nova Rodovia Nakba”), Hospital Indonésio, Hospital Europeu, Khan Yunis, Hospital Nasser, Rafah. Nomes dos lugares que conhecemos, página a página, como mapas portadores e guardiões de uma ancestralidade interditada em terra aos palestinos, mas não em memória.
No 46° dia, Saif começou sua peregrinação para o sul da Faixa de Gaza, na companhia de Yasser e de seus sogros, conforme orientação do Exército israelense. A decisão de deixar a hara em que nasceu e cresceu, seu bairro Jabalia, foi tomada neste dia em diálogo com seu pai, que decidiu ficar e o estimulou a partir. A narrativa desses dias prévios à decisão, bem como do dia da partida é, para mim, uma das partes mais lancinantes do livro. Foi surpreendente me deparar com a ideia de que o encontro com as tropas do exército, com as pessoas em carne e osso, de alguma forma poderia ser pior do que “se defender” dos ataques pelos mísseis. O nível de exposição sem defesas à humilhação a que foram e ainda são submetidos é simplesmente inacreditável, repugnante, inaceitável. Nenhum desses adjetivos é capaz de se aproximar do nível de abjeção e incredulidade que é encontrar no olhar do outro a sanha pela dominação, pela humilhação e pela destruição.
Não podemos mais ficar aqui, decidimos. Os projéteis das duas últimas noites estavam tão próximos que não apenas vi a luz e ouvi o estrondo de suas explosões como também os vi voando bem perto da minha janela. Os israelenses estão mais próximos a cada minuto. A maioria das regiões externas do campo está sob ocupação total. Durante a noite, as tropas marcharam, vindas do norte, e se aproximaram ainda mais. Nossa rua foi alvo de bombardeios contínuos dos tanques. Não preguei os olhos, em momento algum. “Quero estar acordado quando morrer”, disse a Muhammad. “Quero ver acontecer.”
À medida em que minha leitura avança nos registros de Saif sobre a escalada dos bombardeios e do extermínio, vou lembrando dos momentos em que lia e assistia àquelas notícias, que via aquelas fotos dos hospitais em chamas, daquela mãe aos prantos segurando o cadáver de seu filho, da fome. Lampejos de memória e de dor ressurgem por debaixo do manto da anestesia, fazendo lembrar também que isso não acabou. Isso me leva a pensar que, qualquer um, a qualquer tempo, em qualquer canto do mundo, pode acordar do sono anestésico e se situar como testemunha na corrente humanitária que repudia esses acontecimentos, levando adiante uma palavra que seja a respeito desse horror ainda em curso. Suportar o despertar, o desejo de se manter acordado, de sustentar o olhar e querer ver o que está acontecendo, insistir na abertura do campo da palavra. Quem sabe um dia, poder falar dos sonhos. É pouco, muito pouco, quase nada, mas falar da atrocidade que é o genocídio na Palestina é uma escolha e, como diz Saif, quando se tem uma escolha, pode ser tudo o que se tem.
(*) Psicanalista, membro da Associação Psicanalítica de Porto Alegre (Appoa) e doutora em Filosofia pela PUCRS.
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As opiniões emitidas nos artigos publicados no espaço de opinião expressam a posição de seu autor e não necessariamente representam o pensamento editorial do Sul21.
O Comitê de Análise e Questionamento do EIA-RIMA do Projeto Natureza, empreendimento da empresa de celulose CMPC, fez um alerta nesta segunda-feira (22) sobre o lançamento de vapor que foi observado no domingo (21), em Guaíba. Um registro fotográfico compartilhado pelo Comitê mostra a movimentação intensa de vapor que chega a formar uma nuvem que se espalha por todo o território da instalação da empresa na Região Metropolitana e segue avançando.
Conforme o Comitê, que é composto por entidades de preservação do ambiente natural, técnicos, especialistas e ativistas, a chamada nuvem extraordinária pode ser causada por um processo de despressurização, o que pode ocasionar “poluição térmica e provável combinação com substâncias químicas de potencial tóxico”. “Embora as emissões de vapor possam fazer parte de procedimentos operacionais em sistemas de caldeiras, nossa avaliação aponta que eventos extremos de despressurização requerem atenção devido não somente à geração de ruído intenso, mas à poluição térmica e provável combinação com substâncias químicas de potencial tóxico, utilizadas no tratamento da água industrial e que são liberadas nestas gigantes nuvens de vapor”, afirma a nota.
O Comitê também traz relatos de moradores sobre a ocorrência de ruídos altos em função do processo. A nota cobra mais transparência da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) sobre os possíveis riscos à população de processos com uso de substâncias tóxicas que poderiam estar contidas no jato.
“Na operação de caldeiras de alta pressão, a água utilizada no processo requer rigorosos tratamentos de desmineralização e controle de corrosão. Entre os produtos tradicionalmente empregados nestas indústrias estão os sequestrantes de oxigênio, como o caso da hidrazina e do sulfito de sódio, além de compostos alcalinizantes e anticorrosivos, como a morfolina. Essas substâncias, frequentemente utilizadas nestes processos, possuem reconhecidos riscos toxicológicos e ambientais, principalmente quando manipuladas inadequadamente ou liberadas para o meio ambiente, podendo ser este o caso. A hidrazina é considerada altamente tóxica e potencialmente carcinogênica, além de apresentar elevada toxicidade para organismos aquáticos. O sulfito de sódio pode liberar dióxido de enxofre, um gás irritante associado ao agravamento de doenças respiratórias, especialmente em pessoas com asma. Já a morfolina é classificada como substância corrosiva, capaz de provocar irritações severas em contato com a pele, olhos e sistema respiratório”, completa a nota.
Os ativistas ainda alertam para riscos de efeitos colaterais de eventos com vapores como o registrado em Guaíba, que podem alterar drasticamente as condições ambientais para os animais, assim como aumento da umidade atmosférica do inverno, associado com aumento de doenças respiratórias. Por meio da nota, o Comitê ainda chama a atenção para os possíveis efeitos da instalação de uma nova fábrica da CMPC Celulose, do chamado Projeto Natureza, também no Estado, dessa vez em Barra do Ribeiro.
A CMPC Celulose foi procurada pela reportagem do Sul21, mas, até o fechamento dessa matéria, não havia se manifestado sobre o incidente.
São Paulo, com informações do Sindicato dos Bancários – A categoria bancária definiu neste domingo (21) as reivindicações da Campanha Nacional Unificada que serão entregues à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) no dia 24 de junho.
Entre as prioridades apontadas pela categoria dos bancários estão:
o reajuste com reposição integral da inflação (INPC na data-base)
ampliação do emprego e da rede de atendimento bancário,
combate às metas abusivas e
defesa dos bancos públicos.
Além disso, a categoria propõe a regulamentação do Sistema Financeiro Nacional, com maior controle social sobre o setor, ampliação do acesso ao crédito, redução das desigualdades e fortalecimento do papel dos bancos no financiamento do desenvolvimento econômico e social do país. E a importância de eleger um governo democrático e um Congresso que defenda a pauta dos trabalhadores.
A definição da pauta final de negociação começou no mês de abril, com a consulta aos bancários e os debates nas conferências estaduais. Neste fim de semana, durante a 28ª Conferência Nacional, em São Paulo, cerca de 630 delegados que representam trabalhadores de bancos públicos e privados de todo o país, definiram os itens para a Campanha Nacional Unificada 2026. São 450 mil bancários no país, organizados pelo Comando Nacional dos Bancários.
“Nossa campanha começou em abril, com a consulta à categoria, e em seguida as conferências estaduais e hoje finalizamos a Conferência Nacional. O resultado da consulta reflete a real necessidade da categoria. Nas cláusulas econômicas, as principais reivindicações foram por aumento real, PLR maior, e reajustes no vale-alimentação e refeição”, conta Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.
“Entre as cláusulas sociais, a consulta apontou a manutenção dos direitos, emprego, plano de saúde e combate ao assédio moral. E destaca como a atual política dos bancos compromete a saúde dos empregados: Há um aumento no uso de medicamentos controlados, como antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes, nos últimos 12 meses. Além disso, a categoria aponta impacto negativo do ambiente bancário sobre a saúde mental, o que representa um problema estrutural de gestão, metas, pressão e intensificação do trabalho”, destaca Neiva.
“Também há uma preocupação crescente entre os trabalhadores, com o alto investimento dos bancos em tecnologia e IA e a categoria reivindica proteção ao emprego, qualificação, remuneração, revisão humana das decisões e limites ao monitoramento. Esse é um ponto fundamental da negociação coletiva no setor financeiro”.
Na Conferência, 630 delegados que representam trabalhadores de bancos públicos e privados de todo o país, definiram os itens para a Campanha Nacional Unificada 2026 dos 450 mil bancários no país, organizados pelo Comando Nacional dos Bancários
A coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, reforçou que a minuta de reivindicações expressa as preocupações da categoria, “como aumento real, valorização e proteção do emprego bancário, combate ao assédio moral, às metas abusivas, por um ambiente de trabalho saudável e para que as transformação estruturais do setor decorrentes da implementação das novas tecnologias resultem em benefícios para a categoria, não em fechamento de agências e postos de trabalho”, disse Juvandia.
“Saímos desta plenária revigorados, mais unidos e dispostos para seguir em frente na luta pela manutenção e avanço em direitos às bancárias e bancários de todo o país. A luta da categoria bancária é a luta de toda a classe trabalhadora. Quando nós avançamos, inspiramos toda a nossa classe a seguir avançando”, completou a dirigente.
Consulta Nacional dos Bancários 2026
A Consulta Nacional dos Bancários 2026 confirmou a disposição da categoria em participar da construção da pauta de reivindicações da Campanha Nacional. O levantamento, realizado entre 17 de abril e 31 de maio, recebeu 54.952 respostas.
Entre as cláusulas econômicas, a principal prioridade apontada pela categoria foi o aumento real de salário, indicado por 93% dos respondentes. Em seguida aparecem aumento da PLR, com 63%; aumento maior para o vale-alimentação e o vale-refeição, com 51%; aumento do piso da categoria, com 31%; Plano de Cargos e Salários, com 25%; igualdade salarial, com 10%; aumento da ajuda de custo para home office, com 3%; e aumento do auxílio combustível, com 2%.
Nas cláusulas sociais, a manutenção de direitos aparece como a principal prioridade, citada por 65% dos respondentes. Emprego foi indicado por 45%; plano de saúde, por 39%; combate ao assédio moral, por 35%; igualdade de oportunidades, por 24%; previdência complementar, por 19%; e impacto das inovações tecnológicas, por 17%.
A consulta também revelou que 40% dos consultados usaram medicamentos controlados, como antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes, nos últimos 12 meses. Além disso, 72,6% afirmaram que o ambiente de trabalho no banco em que atuam traz impactos negativos para a saúde mental dos trabalhadores e trabalhadoras. Apenas 14,3% disseram que não há impactos negativos e 12,6% responderam que não sabem.
Dados da categoria dos bancários
Emprego x agências
A defesa do emprego é uma das prioridades da Campanha 2026. A partir de 2020, com a intensificação da digitalização dos serviços financeiros, o setor bancário fechou 31,3 mil postos de trabalho até abril de 2026, dos quais aproximadamente 25 mil eram ocupados por mulheres (Novo Caged). As mulheres representaram 44,3% das admissões, mas 49,1% dos desligamentos no período. Somente em 2026 (janeiro até abril) foram fechados 5.410 postos de trabalho.
Entre 2024 e 2025, os cinco maiores bancos fecharam 1.345 agências, totalizando queda de 37% na rede física, considerando esse período. Mas reestruturação não reflete uma retração no setor, que teve lucro líquido de R$ 124 bilhões em 2025, mas sim uma mudança de estratégia para focar em alta renda e no atendimento digital.
Adoecimento
Em 2024, nos afastamentos por doenças “mentais e comportamentais”, os bancos múltiplos com carteira comercial ocuparam a 1ª posição entre os afastamentos acidentários por saúde mental do país, com 1.946 afastamentos e a 5ª posição entre os afastamentos previdenciários, com 8.345 ocorrências em 2024.
Em relação ao total de afastamentos por doenças mentais e comportamentais, a categoria bancária representa 25% dos afastamentos acidentários (que tem relação com o trabalho) e 3,3% dos afastamentos previdenciários no Brasil.
Tecnologia x lucro
O orçamento total em tecnologia do setor, para 2025, foi estimado em R$ 47,8 bilhões (alta de 13% ante 2024). Em 2025, somente os três privados, juntos (Itaú Unibanco, Bradesco e Santander), lucraram R$ 87,1 bilhões, com alta de 16,9%.
Embora o Rio Grande do Sul esteja na liderança em rankings nacionais de números de pesquisadores e de pesquisas com maior impacto, o financiamento que o Estado reserva para a pesquisa científica e acadêmica é um dos mais baixos do País. O diagnóstico é do professor titular do Departamento de Farmacologia da Ufrgs, Rafael Roesler, que está no segundo mandato como diretor técnico-científico do Conselho Técnico Administrativo (CTA) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs).
A Fapergs é a principal agência de fomento à pesquisa científica e à inovação tecnológica do RS, uma fundação pública da administração estadual. Conforme o diretor, o setor nunca recebeu os recursos previstos em legislação, o que, para ele, denota um problema sistêmico de baixo financiamento para estudos no RS.
No entanto, mesmo com poucos recursos, ele ressalta que os pesquisadores gaúchos são protagonistas em momentos de crise como nas enchentes de 2024, quando diversos especialistas de universidades gaúchas se mobilizaram para oferecer diagnósticos e soluções para diminuir os impactos das cheias.
O professor é o convidado do encontro promovido pelo Grupo de Trabalho de Ciência e Tecnologia da Adufrgs-Sindical e palestra, nessa segunda-feira (22), na sede da entidade. Nessa entrevista ao Sul21, o professor ainda defende que o Brasil precisa aprender com os modelos de financiamento de pesquisa de países como China e Coreia do Sul, que conseguiram usar a inovação local para impulsionar a economia.
Confira:
Sul21:O que falta para o Brasil se destacar?
Rafael Roesler: Há várias carências crônicas e várias instabilidades crônicas. E entra na questão do financiamento, que é o principal fator que determina se as coisas vão acontecer ou não. Temos, em nível federal, as principais agências de fomento: o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que é fomento mais à pesquisa, incluindo a pesquisa básica; a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que é mais para a formação de pessoas, com bolsas de pós-graduação; e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que é voltada para grandes infraestruturas de pesquisa e de inovação, inclusive inovação nas empresas, onde é necessário esse fomento público também. Temos que enxergar a atividade de pesquisa científica vinculada à inovação tecnológica, a atuação das universidades, das empresas, dos institutos de pesquisa, do poder público, da sociedade civil, idealmente como atores articulados em torno de um projeto de desenvolvimento socioeconômico do país.
Sul21:Quais os exemplos estrangeiros que podem ser apropriados pelo Brasil?
Roesler: Todos os países que conseguiram um desenvolvimento soberano, uma economia avançada e socialmente justa, baseada em pesquisa científica na base da economia, articularam esses atores todos. Precisamos dessa articulação com o poder público coordenando esse processo e dando a diretriz, principalmente o governo federal, com as agências públicas dos estados, os laboratórios nacionais públicos, as universidades de todas as matizes e características de gestão, e também com a indústria nacional. Vale enfatizar ainda a participação da geração de start ups nacionais, pequenas empresas de alta densidade tecnológica, que diversificam a economia, com alto conteúdo científico, para que projetem a economia para um modelo baseado em tecnologia mais sustentável e mais avançado. Esses agentes podem trabalhar de forma harmoniosa e benéfica para a sociedade. E o critério é estar inserido num projeto de desenvolvimento nacional. Tem sido assim a experiência de todos os países que conseguiram dar um salto a partir de uma posição de capitalismo periférico. Como a Coreia do Sul, que se tornou uma economia de maior produtividade e maior renda, capaz de prestar serviços sociais mais generosos. Outro grande modelo que temos agora é a China.
Sul21:E como está o RS nesse cenário?
Roesler: O Rio Grande do Sul tem um sistema acadêmico, científico e tecnológico muito rico. As universidades comunitárias têm um papel fundamental nisso. Temos os institutos federais, as unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), sete universidades federais sediadas no estado, parques tecnológicos, incubadoras de ponta. É um estado muito rico e muito competitivo para captação desses recursos federais que existem. O Rio Grande do Sul tem a maior densidade de pesquisadores ativos profissionalmente por habitante, a maior densidade de publicações científicas por habitante no Brasil e a maior qualidade de produção científica no Brasil medida pelo impacto. Também tem a maior formação de doutores no Brasil e a maior formação de pós-graduação. Se analisarmos a produção conforme as métricas por habitante. o Rio Grande do Sul lidera tudo isso no país, mais até do que São Paulo, que tem um financiamento muitíssimo maior. Agora, o nosso financiamento é muito baixo. A gente tem um problema crônico de subfinanciamento, que é um dos orçamentos mais baixos do Brasil.
Rafael Roesler é diretor-técnico da Fapergs
Sul21: Qual o orçamento da Fapergs?
Roesler: Quando começa o ano, o orçamento base da Fapergs, que é destinado na lei de orçamentária da Assembleia, historicamente, fica em torno de R$ 30 milhões. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) fica em torno de R$ 1,5 bilhão a R$ 2 bilhões. Rio de Janeiro e Minas Gerais praticam orçamento de R$ 700 a R$ 900 milhões por ano. Todos os outros estados da região Sul e Sudeste e a maior parte dos estados do Nordeste e do Norte recebem mais financiamento estadual do que o Rio Grande do Sul. Temos conseguido algumas suplementações importantes nos últimos anos, graças ao esforço de vários agentes, da própria Fapergs, da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia e do Governo do Estado. Com isso, tem executado orçamento na casa de R$ 100 milhões, mas isso são suplementações que são incertas, que não estão organicamente incluídas ainda no orçamento que é aprovado pela Assembleia na lei orçamentária. E esse é o grande gargalo aqui para o Estado em termos de política estadual, de ciência, tecnologia e inovação.
Sul21:Há um contraste entre esses dados de liderança nas pesquisas. O que está faltando para o orçamento reconhecer a extensão da pesquisa?
Roesler: Temos conversado com muitos deputados e o Governo do Estado, que conhecem essa realidade. O Tribunal de Contas do Estado todo ano aponta o Governo do Estado por causa dessa deficiência. Temos uma lei na constituição que diz que 1,5% da arrecadação líquida de impostos do estado deveria vir para pesquisa científica, principalmente para Fapergs. Isso nunca foi cumprido. Nunca chegou perto de ser cumprido. E não é que os agentes desconhecem a situação. Pois estamos em todos os fóruns comunicando, isso é público. Parece que é um problema estrutural, todos os governos falam que o RS é um estado financeiramente complicado. Pessoalmente, penso que é uma questão de priorização, porque há competição pelo orçamento público por diferentes demandas. Tem que haver um entendimento de que o financiamento em pesquisa gera lá na frente um crescimento econômico que compensa esse financiamento pelos benefícios sociais. Mas é um problema crônico histórico do Estado. Existe esse clichê de que a culpa é dos pesquisadores que não sabem se comunicar com a sociedade. Mas discordo, tem muito canal de divulgação científica hoje em dia, tem muitos comunicadores bons e todos os caminhos para conhecer o que é feito. É realmente um problema político e de modelo econômico.
Sul21:Professor, durante as enchentes de 2024, os órgãos de pesquisa do RS foram muito acionados. Como o senhor avalia esse momento?
Roesler: Naquela época, imediatamente quando ocorreu a enchente, a posição da Fapergs foi de acionar a comunidade científica acadêmica do Rio Grande do Sul, porque ela queria muito oferecer especialistas e centros de pesquisa dessa área que são de ponta, que teriam soluções e diagnósticos. E precisam de espaço para conseguirem aprimorar, trabalhar e serem ouvidos. E foi assim na covid-19 também, na hora em que a gente precisa da informação apurada, do conteúdo real com substância e do parecer técnico real, onde é que o Jornal Nacional veio fazer a transmissão? Foi no Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Ufrgs, veio para a universidade federal. Na covid-19 também, as pessoas foram procurar informação de qualidade dentro da universidade federal. É ali que está o conhecimento, e principalmente o conhecimento de qualidade. Então após as enchentes fizemos um movimento para construir um grande programa de apoio à pesquisa, para resiliência, prevenção e resposta a desastres climáticos.
Sul21:Como foi essa articulação?
Roesler: Pesquisamos muito a experiência internacional, o que as agências de fomento americanas fizeram nos Estados Unidos em resposta ao furacão Katrina em New Orleans. Estudamos o que o Japão faz em questão de pesquisa científica na resposta aos terremotos e tsunamis. Pesquisamos o sistema científico internacional de tsunami da Indonésia e usamos isso como modelo para construção de um edital. Conseguimos viabilizar esse edital com o apoio do Governo do Estado e dos recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), que o Governo Federal disponibilizou na época para o RS. E lançamos um edital de R$ 45 milhões para desastres climáticos. Esse foi o maior, mas houve outros editais também acessórios a esse e outros em paralelo. Então lançamos uma série de programas para tentar manter os jovens talentos científicos no estado, não fazer eles desistirem do estado por causa daquilo, para tentar estimular a pesquisa nessa área, dando a prioridade para a própria comunidade acadêmica e científica gaúcha, não para agentes externos. E para apoiar as pequenas empresas tecnológicas que precisavam de apoio para continuar no estado. Fizemos vários programas e editais. E houve uma resposta muito boa. Então, houve uma ativação da comunidade científica em resposta a esse processo climático.
Sul21:O uso da Inteligência Artificial (IA) em pesquisas e no ambiente acadêmico traz preocupações para o senhor?
Roesler: Não sou especialista nessa área, mas, como todo mundo, estou muito perplexo com a rapidez que vem sendo utilizada. A IA claramente apresenta enormes oportunidades, é uma mudança irreversível na maneira como nós fazemos as coisas e apresenta também ameaças. Espero que a gente consiga construir um modelo brasileiro de IA, onde não fiquemos subalternos tecnologicamente, nem subalternos do ponto de vista de entrega da informação estratégica brasileira para essas grandes corporações internacionais. Deveríamos ter uma discussão mais profunda sobre o que está havendo, para criar um modelo brasileiro de governança, que nos fornecesse segurança e um uso benéfico para a sociedade brasileira.
As iniciativas integram o Novo PAC Periferia Viva – Urbanização de Favelas e o FGTS – Programa Pró-Moradia/Periferia Viva e contemplam três das maiores comunidades do Rio de Janeiro: Favela da Maré, Complexo do Alemão e Rocinha.
As ações têm como objetivo ampliar o acesso à infraestrutura urbana, promover inclusão social e garantir mais dignidade e qualidade de vida para a população das periferias.
Ações integram Novo PAC Periferia Viva
Na Favela da Maré, serão assinados documentos entre o Governo do Brasil, a Caixa Econômica Federal e a Prefeitura do Rio de Janeiro para viabilizar a fase 1 das intervenções do Novo PAC Periferia Viva.
Entre as ações previstas estão a construção do Parque Linear da Maré, na Vila dos Pinheiros, e a implantação de um Ecoponto. O parque ocupará área atualmente degradada e utilizada para descarte irregular de resíduos às margens da Baía de Guanabara.
A Autorização do Início da Obra representa os primeiros R$ 8,5 milhões em investimentos do Novo PAC Periferia Viva na comunidade. Consideradas as etapas seguintes, os investimentos na Maré deverão alcançar R$ 170 milhões.
A comunidade também celebrará a conclusão do Programa CEP para Todos. Todo o Complexo da Maré passa a contar com CEP por logradouro, com a criação de 434 novos códigos de endereçamento postal internos. O trabalho envolveu a verificação de 887 logradouros, incluindo avenidas, travessas, becos e vielas, além da atualização de 225 nomes e da identificação oficial do Bairro Maré junto aos Correios.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de anúncio de investimentos do Governo Federal para Periferias, Favelas e Comunidades Urbanas do Rio de Janeiro, no Jardim Maravilha – RJ.
Foto: Ricardo Stuckert / PR
No Complexo do Alemão, será assinado o Contrato da Operação do FGTS – Programa Pró-Moradia/Periferia Viva, que prevê obras de infraestrutura urbana, incluindo implantação de redes de esgoto sanitário e abastecimento de água, rede elétrica e iluminação pública, pavimentação, drenagem, construção de praças e ações de regularização fundiária.
Também será inaugurado o Posto Territorial Periferia Viva, instalado em imóvel localizado no interior da comunidade e equipado para apoiar a implementação das ações do programa. O Governo do Brasil vai liberar R$ 200 milhões e viabilizar um investimento total no Complexo do Alemão de R$ 210,5 milhões com a contrapartida da Prefeitura do Rio.
A agenda prevê ainda a assinatura do contrato de financiamento para a urbanização da Rocinha, firmado entre o Ministério das Cidades, a Prefeitura do Rio de Janeiro e a Caixa Econômica Federal. O projeto contará com R$ 350 milhões em investimentos, dos quais R$ 332,9 milhões serão financiados pelo Governo do Brasil e R$ 17,5 milhões correspondem à contrapartida da Prefeitura do Rio, responsável pela execução.
Baseada no Plano Diretor da Rocinha, a intervenção reúne ações integradas nas áreas de infraestrutura urbana, mobilidade, meio ambiente e qualidade de vida, abrangendo aproximadamente 280 mil metros quadrados da comunidade. A expectativa é beneficiar diretamente cerca de 10 mil famílias que vivem no entorno das obras.
A agenda também inclui a assinatura do termo que autoriza o início das obras do PAC Jardim Maravilha, em Guaratiba. Com investimento do Governo do Brasil por meio do Novo PAC, as intervenções incluem a construção de um dique, reservatórios para retenção das águas das chuvas, obras de drenagem, urbanização e implantação de pavimentação e passeios, melhorando a mobilidade e a acessibilidade. O projeto beneficiará cerca de 30 mil moradores da região e reforçará a proteção do bairro contra enchentes.
O mercado espacial vive um novo ciclo de expansão. Em 2025, startups dos Estados Unidos ligadas ao setor captaram US$ 7,1 bilhões em investimentos de risco, quase três vezes mais do que no ano anterior.
O movimento ocorre em meio ao fortalecimento da indústria espacial, impulsionado pelo sucesso da SpaceX, pela crescente demanda por satélites e pelo surgimento de novas tecnologias voltadas para comunicação, defesa e infraestrutura orbital.
O aumento do fluxo de capital mostra que investidores passaram a enxergar o espaço como uma oportunidade concreta de negócios e não apenas como uma aposta futurista.
Empresas que desenvolvem sistemas de comunicação a laser, componentes eletrônicos para missões espaciais e serviços de suporte em órbita estão entre as que mais atraem recursos.
De acordo com o The Wall Street Journal, nos últimos meses, diversas startups anunciaram rodadas milionárias de financiamento para ampliar operações e acelerar projetos.
A percepção do mercado mudou à medida que algumas empresas começaram a demonstrar capacidade de gerar receitas e fechar contratos de longo prazo. O setor, antes visto como altamente experimental, passou a apresentar modelos de negócios mais definidos.
Efeito SpaceX e nova onda de investimentos
Grande parte do entusiasmo dos investidores está relacionada ao desempenho da SpaceX. A empresa fundada por Elon Musk transformou o mercado de lançamentos espaciais, criou uma das maiores constelações de satélites do mundo e se tornou uma das companhias mais valiosas do planeta.
O recente sucesso da abertura de capital da empresa reforçou a confiança dos investidores em negócios ligados ao espaço.
Para muitos fundos, o desempenho da SpaceX serviu como prova de que projetos considerados arriscados podem se transformar em operações altamente lucrativas.
Esse efeito tem beneficiado principalmente startups criadas por ex-funcionários da companhia, que carregam experiência técnica e credibilidade junto ao mercado financeiro.
Satélites maiores
Uma das áreas que mais despertam interesse é a fabricação de satélites de grande porte. Empresas do setor apostam em equipamentos mais potentes para atender demandas de comunicação, monitoramento e defesa.
O crescimento da inteligência artificial também tem ampliado a necessidade de transmissão de dados em alta velocidade, criando oportunidades para redes espaciais mais avançadas.
Além disso, novas soluções estão sendo desenvolvidas para permitir a movimentação de cargas e equipamentos no espaço, criando um mercado que alguns especialistas já chamam de “logística orbital”.
Defesa e governo ampliam oportunidades
Outro fator que ajuda a explicar o interesse dos investidores é o aumento da participação dos governos no setor espacial.
Nos Estados Unidos, empresas do segmento veem oportunidades crescentes em contratos militares e projetos ligados à segurança nacional.
A expectativa de expansão dos gastos públicos com tecnologia espacial tem servido como incentivo adicional para a entrada de novos investidores.
Para muitas startups, a combinação de clientes governamentais e contratos comerciais representa uma fonte importante de estabilidade financeira.
Riscos continuam elevados
Apesar do entusiasmo, especialistas alertam que o setor continua carregando riscos significativos.
Desenvolver tecnologias capazes de operar no ambiente espacial exige investimentos elevados, longos períodos de testes e alta tolerância a falhas. Um único problema técnico pode comprometer anos de trabalho e milhões de dólares em recursos.
O histórico recente do setor também serve como alerta. Nos últimos anos, algumas empresas espaciais abriram capital com grande expectativa, mas não conseguiram sustentar seus planos de crescimento e acabaram encerrando atividades.
Por isso, investidores seguem adotando uma postura seletiva, priorizando empresas que já possuem contratos assinados, clientes definidos e perspectivas reais de geração de receita.
A atual onda de investimentos sugere que o espaço está deixando de ser apenas uma fronteira científica para se tornar uma nova fronteira econômica.
Com bilhões de dólares sendo direcionados para satélites, comunicações, infraestrutura orbital e serviços espaciais, o setor vive uma corrida semelhante à observada em outras revoluções tecnológicas das últimas décadas.
A diferença é que, desta vez, startups aposta que parte do crescimento econômico do futuro poderá vir de atividades realizadas muito além da atmosfera terrestre.
A Anthropic, gigante do setor de I.A., passou cerca de quatro anos construindo uma imagem de empresa mais cautelosa e transparente no setor de inteligência artificial. Porém, o lançamento do Claude Fable 5 mudou esse cenário em apenas 96 horas.
Apresentado em 9 de junho como o modelo mais poderoso já lançado pela empresa, o Claude Fable 5 saiu do ambiente restrito do Project Glasswing e chegou ao público como o primeiro integrante da família Mythos. Poucos dias depois, o projeto virou alvo de críticas técnicas, pressão regulatória e desgaste de imagem.
Junto com o lançamento, a Anthropic publicou um system card com 319 páginas para explicar o funcionamento e os limites do modelo. Entretanto, pesquisadores encontraram no documento uma informação que rapidamente gerou reação negativa.
O Claude Fable 5 utilizava uma salvaguarda invisível contra distilação que altera respostas quando identifica tentativas de usar o sistema para treinar modelos menores. O problema central surgiu porque o usuário recebia respostas modificadas sem qualquer aviso.
Após a repercussão, a Anthropic publicou um pedido de desculpas em 11 de junho e reconheceu que adotou a estratégia errada ao priorizar proteções invisíveis.
Filtros e respostas inconsistentes
As críticas não ficaram restritas apenas ao detalhe oculto da ferramenta. Pesquisadores apontaram problemas na forma como o modelo tratava conteúdos simples ligados à biologia.
O sistema recusava perguntas básicas sobre mitocôndria, causas da febre do feno e vacinas de mRNA, mas respondia sobre uso de gás cloro como arma química. Especialistas entenderam que o filtro priorizou riscos de forma inconsistente.
Além de não informar assuntos educativos, a falta de transparência do aplicativo e a abertura para assuntos violentos pioraram ainda mais a imagem do lançamento da Anthropic.
Como resultado do fracasso da plataforma, a Anthropic recebeu uma diretiva do Departamento de Comércio dos Estados Unidos que determinou suspensão imediata do acesso ao Fable 5 e ao Mythos 5 para estrangeiros dentro e fora do território americano.
Segundo o governo, uma empresa teria conseguido realizar um jailbreak no sistema e desbloquear capacidades consideradas sensíveis para a segurança nacional.
Como a Anthropic não conseguia diferenciar nacionalidades entre centenas de milhões de usuários, a empresa optou por interromper o acesso de forma ampla. A companhia contestou a gravidade da falha e afirmou que o mesmo método funcionava no GPT 5.5, da OpenAI, sem qualquer suspensão.
Mais de 70% da população brasileira depende diretamente do Sistema Único de Saúde. Esse dado deveria orientar qualquer debate sério sobre os desafios da saúde no Brasil. Estamos falando do sistema que garante atendimento, vacinação, urgência, emergência, consultas, exames, cirurgias e cuidado cotidiano para a maioria do povo brasileiro.
O SUS é uma das maiores conquistas sociais do país. Mas nenhuma conquista se sustenta apenas com discurso.
Não existe SUS forte com subfinanciamento permanente. A saúde pública deixa de ser tratada como direito quando o orçamento aparece sempre como obstáculo, e não como instrumento para garantir cuidado à população.
O debate sobre a saúde costuma falar em filas, falta de leitos, demora em exames e cirurgias, dificuldade de acesso e falta de profissionais. Tudo isso é verdade. Mas esses problemas são resultado de escolhas políticas, de modelos de gestão e de uma lógica fiscal que insiste em adaptar as necessidades da população ao tamanho do orçamento disponível.
A pergunta deveria ser outra: quanto custa garantir saúde pública de verdade para um país como o Brasil?
No lugar dessa pergunta, o que se impõe é a lógica do ajuste fiscal. O governo federal anunciou novo bloqueio bilionário de despesas no Orçamento de 2026 para cumprir as regras fiscais. A Saúde também aparece entre as áreas atingidas. Na prática, o recado é conhecido por quem vive o SUS diariamente: o direito é universal, mas o financiamento segue limitado.
Essa contradição tem consequência concreta. Aparece quando o usuário espera meses por um exame ou tem uma cirurgia adiada. Aparece quando faltam trabalhadores em uma escala. Aparece quando a enfermagem é remanejada para tapar buracos da gestão. Aparece quando trabalhadores adoecem e depois são tratados como se o problema fosse individual, e não resultado de um ambiente de trabalho cada vez mais desorganizado e adoecedor.
O GHC deveria ser referência de fortalecimento do SUS. Pela sua história, pelo seu tamanho e pelo papel que ocupa na rede pública, deveria ser exemplo de gestão técnica, democrática, transparente e comprometida com trabalhadores e usuários. Mas o que se vê hoje é uma instituição pressionada por problemas internos graves, enquanto a direção assume novas responsabilidades fora da sua base original.
A gestão do Hospital Federal de Bonsucesso, no Rio de Janeiro, e do Hospital de Pronto-Socorro de Pelotas é apresentada como expansão da capacidade pública. Mas é preciso perguntar: com qual estrutura? Com qual planejamento? Com qual modelo de gestão? Com qual participação dos trabalhadores?
Não se trata de negar a importância de ampliar o atendimento à população. O SUS precisa crescer e responder às demandas reprimidas. Mas expansão sem base sólida não é fortalecimento. Pode ser apenas vitrine. Quando uma instituição não resolve problemas estruturais dentro das suas próprias unidades, assumir novas frentes de gestão pode significar mais improviso e mais distanciamento entre a direção e a realidade concreta do trabalho.
No lugar de anúncios grandiosos, o SUS precisa de serviços funcionando, equipes completas e valorizadas, processos organizados, chefias qualificadas, orçamento suficiente e respeito aos trabalhadores.
O problema central do GHC é a falta de gestão. As trabalhadoras e os trabalhadores sabem disso porque vivem essa realidade na prática. Sabem o que significa entrar em um plantão com equipe reduzida. Sabem o que significa ser deslocado sem critério. Sabem o que significa acumular tarefas que não fazem parte da sua função. Sabem o que significa ver a assistência ser comprometida por decisões tomadas por indicados políticos sem qualificação técnica.
A solução passa por financiamento adequado do SUS, valorização dos quadros de carreira e enfrentamento da precarização do trabalho. Passa também por reduzir o peso das indicações políticas, profissionalizar a gestão e democratizar as decisões.
Não se administra hospital público apenas com cargos de confiança assim como não é possível organizar uma rede complexa com improviso. Não se fortalece o SUS tratando trabalhadores como peça substituível em uma engrenagem desregulada. O GHC precisa enfrentar o adoecimento dos trabalhadores, os remanejamentos abusivos, a falta de dimensionamento adequado, a ausência de uma política efetiva de saúde do trabalhador e a fragmentação dos processos de trabalho. Precisa ouvir quem trabalha nos hospitais todos os dias.
Antes de vender soluções para fora, a direção precisa responder às denúncias de dentro.
Os desafios do SUS não serão resolvidos com expansão desordenada, bloqueio de recursos e gestão distante da realidade. Serão enfrentados com financiamento público adequado, gestão profissional, participação dos trabalhadores e compromisso real com a população.
O SUS que defendemos precisa ser universal, público, financiado e democrático. E o GHC que precisamos não é um laboratório de improvisos, nem uma plataforma de expansão para gestores. É uma instituição pública forte, comprometida com os usuários e capaz de cuidar sem adoecer quem cuida.
(*) Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Conceição
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da reunião ampliada do G7, em Évian, na França, e fez um apelo pela reconstrução da solidariedade internacional diante do agravamento das desigualdades, da crise climática e dos conflitos armados.
Em sua fala, Lula criticou o modelo econômico baseado na austeridade e na desregulamentação, defendeu maior protagonismo do Sul Global e cobrou compromisso efetivo dos países ricos com o financiamento ao desenvolvimento. Confira como foi o Lula na reunião do G7 com a TVT News.
Resumo do discurso de Lula no G7
Criticou o neoliberalismo e a austeridade fiscal como respostas insuficientes às crises globais;
Denunciou o aumento da desigualdade entre países ricos e pobres;
De frente com Trump, Cobrou recursos para cumprir a Agenda 2030 e os compromissos climáticos;
Alertou para a redução da ajuda internacional e seus impactos sociais;
Defendeu reformas no sistema financeiro internacional;
Lula afirmou que o mundo permaneceu “aprisionado em dogmas” que defendem a desregulamentação dos mercados, o Estado mínimo e a austeridade fiscal como fins em si mesmos. Segundo ele, essas políticas contribuíram para aprofundar a desigualdade econômica e alimentar a crise política que afeta as democracias contemporâneas.
Presidente denuncia desigualdade entre Norte e Sul Global
O presidente destacou que a distância entre a prosperidade dos países desenvolvidos e a realidade vivida por bilhões de pessoas no Sul Global continua crescendo. Lula ressaltou que a extrema concentração de riqueza é resultado de décadas de políticas favoráveis aos mais ricos e afirmou que o avanço da desigualdade coloca em risco os compromissos internacionais de desenvolvimento.
Cobrança por justiça climática e financiamento
Ao abordar a crise climática, Lula afirmou que a COP-30 evidenciou novamente a diferença entre promessas e ações concretas. Ele defendeu a ampliação do financiamento climático para pelo menos US$ 1,3 trilhão anuais, condição necessária para acelerar a implementação do Acordo de Paris e proteger as populações mais vulneráveis.
Redução da ajuda internacional afeta milhões
O presidente chamou atenção para a queda histórica da Ajuda Oficial ao Desenvolvimento e para os cortes em organismos multilaterais. Segundo Lula, a redução dos recursos impacta diretamente a vida das pessoas, ampliando a fome, a evasão escolar, a vulnerabilidade das mulheres e a exposição de comunidades a doenças evitáveis.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião ampliada do G7 sobre o tema “Firmar novas parcerias e reconstruir a solidariedade internacional”, em Évian-les-Bains – França. Foto: Ricardo Stuckert / PR
Reforma financeira para combater desigualdades
Lula afirmou que os países em desenvolvimento não podem continuar sendo obrigados a escolher entre honrar dívidas e garantir direitos básicos à população. Para ele, o problema central não é a escassez de recursos, mas a ausência de vontade política para implementar soluções já conhecidas.
Brasil apresenta iniciativas de cooperação
O presidente destacou ações lideradas pelo Brasil, como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre e a Aliança Global contra a Fome. Também citou o apoio ao Painel Internacional sobre Desigualdade, proposto pela presidência sul-africana do G20, como instrumento para orientar políticas coordenadas.
Combate ao crime com respeito à soberania
Lula defendeu o fortalecimento da cooperação internacional no enfrentamento ao crime organizado, ao narcotráfico, à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas. Ao mesmo tempo, ressaltou que esse esforço deve respeitar a soberania dos Estados e priorizar o diálogo institucional.
Tecnologia e inteligência artificial devem reduzir desigualdades
Ao final do discurso, Lula alertou que a inteligência artificial e as transições energética e digital não podem reproduzir padrões históricos de concentração de riqueza. O presidente defendeu transferência de tecnologia, industrialização e participação dos países detentores de minerais críticos nas etapas de maior valor agregado das cadeias produtivas.
Confira o discurso completo do presidente Lula no G7
Discurso lido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reunião ampliada do G7 sobre o tema “Firmar novas parcerias e reconstruir a solidariedade internacional”, em Évian (França), em 16 de junho de 2026
Agradeço ao presidente Macron pelo convite para participar deste segmento ampliado em Évian.
Ainda em 2003, uma das minhas primeiras tarefas como presidente do Brasil foi participar da Cúpula do então-G8 nesta bela cidade.
Desde aquele ano estive em outras nove cúpulas do G8 ou G7.
Em todas elas nos defrontamos com crises e desafios que afetam milhões de pessoas ao redor do mundo.
Mas em nenhuma conseguimos construir respostas coletivas e duradouras.
Ficamos aprisionados em dogmas que defendem desregulamentação de mercados, Estado mínimo e austeridade fiscal como fins em si mesmos.
O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias.
Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas.
A distância que separa a prosperidade de Évian da realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo.
Nos últimos anos, a desigualdade entre países ricos e pobres tem aumentado.
O primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial.
A extrema concentração de riqueza decorre de décadas de políticas pró-bilionários.
Caminhamos na contramão da Agenda 2030.
Faltam 4 trilhões de dólares por ano para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
A COP-30 voltou a evidenciar a distância entre os compromissos assumidos pelos países desenvolvidos e os recursos efetivamente mobilizados para cumpri-los.
Para acelerar a implementação do Acordo de Paris, é preciso ampliar o financiamento climático para, pelo menos, um trilhão e trezentos bilhões de dólares.
Os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe.
No ano passado, registramos queda histórica de 23% na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento.
O Programa Mundial de Alimentos perdeu cerca de 40% de seu financiamento.
A Organização Mundial da Saúde e o UNICEF reduziram seus orçamentos em mais de 20%.
Não são cifras abstratas.
Elas impactam diretamente o cotidiano dos habitantes de países em desenvolvimento.
São milhões de pessoas sem acesso à alimentação adequada; crianças sem frequentar a escola; mulheres privadas de proteção; e comunidades vulneráveis diante de doenças que podem ser prevenidas.
Guerras e conflitos também continuam desviando o foco da agenda do desenvolvimento.
Os gastos militares anuais somam quase 3 trilhões de dólares.
Nossa tarefa é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica.
O mundo em desenvolvimento transfere 1,4 trilhão de dólares por ano em serviço da dívida, valor sete vezes superior à ajuda recebida dos países ricos.
A Conferência de Sevilha sobre Financiamento para o Desenvolvimento apontou para a direção correta.
Embora a contribuição do setor privado seja bem-vinda, a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento segue sendo responsabilidade primordial dos estados.
Precisamos de um sistema financeiro no qual os países não sejam obrigados a escolher entre pagar credores e alimentar suas crianças.
Está claro que o desafio não é administrar a escassez.
O déficit que enfrentamos é de implementação e de vontade política.
Não faltam boas ideias.
Mecanismos inovadores como a troca de dívida por ação climática ou investimentos sociais podem contribuir para ampliar o espaço fiscal dos países mais vulneráveis.
O Brasil tem dado a sua contribuição.
O Fundo Florestas Tropicais para Sempre vai canalizar investimentos para a conservação desse bioma e de seus habitantes.
A Aliança Global contra a Fome possibilita compartilhar experiências e auxiliar a implementação de políticas públicas eficazes na redução das desigualdades.
O estabelecimento do Painel Internacional sobre Desigualdade, proposto pela presidência sul-africana do G20, apoiará com dados e evidências a formulação de respostas coordenadas a esse desafio.
Outros temas, como o combate aos crimes transnacionais, também devem fazer parte da agenda de desenvolvimento.
Um deles, é o desafio do crime organizado, que aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas.
Esse esforço deve levar em conta do respeito à soberania dos Estados.
A Declaração de Líderes do G7 sobre o Combate ao Tráfico de Drogas é um passo positivo.
Mas o enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas.
Valorizar o diálogo e a cooperação institucional, inclusive por meio da INTERPOL, contribuirá para a localização de ativos e indivíduos vinculados a essas atividades criminosas.
Outro desafio que não pode permanecer excluído do debate sobre parcerias para o desenvolvimento é o acesso a tecnologias de ponta, como a Inteligência Artificial.
As transições energética e digital não podem reproduzir padrões históricos que concentram benefícios econômicos em poucos atores.
Os países detentores de minerais críticos devem participar das etapas de maior valor agregado da cadeia, por meio da industrialização, da transferência de tecnologia e da formação de capacidades, conforme suas necessidades nacionais.
Em coletiva na manhã desta terça-feira (16), o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apresentou um estudo técnico que avalia as Parcerias Público-Privadas (PPPs) da Educação propostas pelo Governo do Estado. A análise elaborada pelo Dieese identificou uma série de inconsistências na modelagem econômico-financeira utilizada para justificar as parcerias. Entre os principais pontos do estudo estão a superestimação de custos, fragilidades na demonstração da suposta economia para o Estado e alta proteção financeira à futura concessionária.
A proposta do governo de Eduardo Leite (PSD) prevê que as empresas vencedoras do leilão na B3, em São Paulo, atuem na reforma e adequação de 98 escolas, com contratos de até 25 anos. São estimados R$ 4,5 bilhões às empresas privadas. O leilão está marcado para 26 de junho.
Serviços de limpeza, merenda e vigilância também estão incluídos na parceria, que vai abranger os ensinos fundamental e médio. Ou seja: quase tudo vai ser parceirizado, menos a atividade-fim das escolas, que é a pedagogia. Como o Sul21 mostrou em 2024, a iniciativa é criticada por trabalhadores e especialistas em educação que enxergam a escola como um ecossistema movido por todos os alunos, professores e funcionários que exercem as mais diversas funções no ambiente escolar.
A suposta vantagem econômica das PPPs para o Estado não foi demonstrada suficientemente, segundo a economista e técnica do Dieese, Anelise Manganelli. Os cálculos oficiais do governo projetam economia de apenas 0,81% do valor total do contrato. Seriam menos de R$ 1.000 por escola poupados do orçamento do Rio Grande do Sul, como informa a economista.
Anelise Manganelli, economista e técnica do Dieese. Foto: Joni Oliveira/CPERS Sindicato
Outro ponto destacado é o impacto orçamentário do projeto. Embora atenda apenas 4,2% da rede estadual, a PPP prevê um gasto médio anual por unidade quase cinco vezes superior ao atualmente destinado às escolas estaduais. O gasto médio anual por escola estadual é de R$ 417 mil. Uma escola parceirizada subiria o valor das contas para quase R$ 2 milhões de reais (4,7 vezes mais caro).
Além das questões financeiras, a fiscalização do funcionamento adequado do projeto é um problema. No contrato consta que a fiscalização será privada. Serão agentes privados contratados pela empresa vencedora e a conta paga pelo Piratini. “O fracasso do agente fiscalizador é uma vantagem para o concessionário”, complementa Anelise.
“Está na lei das PPPs ter que demonstrar que há uma vantagem econômica, que há uma sustentabilidade no projeto, que há eficiência na utilização dos recursos. E o que nós fizemos, olhando os dados detalhados, foi verificar que essa demonstração da vantajosidade não acontece”, comenta Anelise Manganelli. “Não há justificativa plausível”.
A vantagem econômica, na verdade, é da empresa que vencer o edital de concessão. O Dieese estima um lucro líquido de R$ 527 milhões para a concessionária ao final dos 25 anos. E a empresa está “altamente blindada” pelo contrato, diz Anelise. A modelagem do projeto usa o Fundo de Participação dos Estados, um recurso previsível e estável, como garantia financeira. Ainda, a vencedora do leilão poderá pedir reequilíbrio das contas se o custo ficar acima do esperado.
“A concessão vem com uma roupagem dita pelo governo que seria dividir riscos e a gente não encontrou isso durante todo o processo. A todo momento, o ônus está vinculado ao poder concedente, que vai ser o Estado que contrata essa concessão”, explica a economista.
O Dieese também acusa o Governo do Estado, na análise feita pelo Departamento, de superestimar os custos da contratação pública para fazer com que o modelo via PPP se torne mais atrativa. “Eles superestimaram custos. A gente observou valores que não descrevem a realidade para materiais e serviços. Por exemplo, ar-condicionado, bebedouros, manutenção de áreas verdes, tudo com valores superestimados”, afirma Anelise.
“Isso fez com que, na modelagem econômica, artificialmente, a PPP pudesse ser mais barata, porque a contratação tradicional estaria superestimada”, destaca.
‘Hora de defender a escola pública’
Rosane Zan, presidente do Cpers. Foto: Joni Oliveira/CPERS Sindicato
Desde o anúncio do projeto das PPPs da Educação, professores, estudantes e organizações representativas de categorias foram às ruas contra a proposta. No começo de maio, centenas de pessoas se reuniram em frente à Escola Estadual Medianeira em Porto Alegre — uma das 98 instituições selecionadas — em manifestação contra a venda da escola.
Na quinta-feira (11), foi a vez dos estudantes das escolas estaduais Jerônimo de Albuquerque, Madre Maria Selima e Paulo da Gama, todas da Capital, trocarem a sala de aula pelas ruas. As três escolas estão na lista das que serão leiloadas. A ideia era fazer uma “aula pública” com os alunos no Viaduto São Jorge, no bairro Partenon, em protesto.
Para Rosane Zan, presidente do Cpers, que promoveu a coletiva com o Dieese, o cidadão necessita entender que a pressão contra a venda das escolas tem que ser um “movimento com toda a sociedade gaúcha”. “Se tu está entregando hoje 98 escolas, daqui a pouco são as 2.300 escolas”, salienta. “Essa revolta não pode ser somente das 98 escolas, mas de todas as escolas da rede estadual, dos 497 municípios”.
“A educação não pode ser tratada como oportunidade de negócio. A educação pública não pode ser transformada em um contrato financeiro de 25 anos. Não somos contra investir nas escolas, somos contra pagar mais para investir menos”, diz a presidente do sindicato.
“É o mercado financeiro que está em jogo para abocanhar uma fatia do que é público e que deveria ser investimento”, complementa Rosane. “Por que entregar essas 98 escolas?”, provoca.
Rosane afirma que as ações do Cpers não se limitarão aos atos na rua. Além de já ter procurado o Tribunal de Contas do Estado sobre a situação anteriormente, Zan confirma que buscará a via jurídica com Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, usando as informações do levantamento do Dieese.
Na esfera nacional, procurará o STF, junto à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). O objetivo é impedir o que define como “tiro no pé” do governo de Eduardo Leite. Segundo a presidente do Cpers, essas ações na Justiça são “passos para tentar barrar — e barrar — esse ataque [contra a educação]”. “Agora é a hora de defender a escola pública”, destaca.
Ao final da coletiva, Rosane Zan afirmou: “Nós vamos barrar essa ação”.
O tricampeão mundial Gérson, conhecido como Canhotinha de Ouro – Foto: Reprodução
O tricampeão mundial Gérson, conhecido como Canhotinha de Ouro, fez duras críticas à atuação do Brasil no empate por 1 a 1 com Marrocos, neste sábado (13), na estreia da Seleção na Copa do Mundo de 2026. Em comentário sobre a partida, ele afirmou que Carlo Ancelotti demorou para mudar a equipe e errou nas substituições.
“Agora, o seu treinador, o senhor mexeu errado. Demorou a mexer, mexeu errado”, disse Gérson. O ex-jogador também apontou o meio-campo como um dos principais problemas da Seleção. “O Casemiro e o Bruno Guimarães não jogaram absolutamente nada. Jogando para trás, perdido no meio”, afirmou.
Segundo o Canhotinha, Lucas Paquetá também esteve abaixo do esperado. “Com o Paquetá também perdidinho no campo”, declarou. Para ele, o Brasil concentrou demais as jogadas pelo lado esquerdo e não conseguiu variar o jogo para explorar outros setores do campo.
Gérson foi ainda mais duro ao analisar o domínio marroquino em parte da partida. “O time do Brasil levou um passeio. Um passeio, não sabia onde é que estava a bola. E os caras tocando, tocando, tocando e o Brasil desesperado correndo atrás dos caras”, afirmou.
Vinicius Junior comemorando gol contra o Panamá. Foto: Thiago Ribeiro/Agif
O tricampeão elogiou Vinicius Júnior pela jogada do gol brasileiro. “Fez um gol, porque o Vini fez a jogada correta. Puxou, como ele sabe fazer, meteu a curva do outro lado”, disse. Mas voltou a criticar a defesa no lance do gol sofrido, apontando falha de posicionamento dos zagueiros.
Outro alvo foi Igor Thiago, titular no comando do ataque. “Não tocou na bola, não viu a cor da bola”, disse Gérson. Ele também cobrou lançamentos para Raphinha e infiltrações para o centroavante, afirmando que faltou criação e aproximação no setor ofensivo.
Gérson ainda questionou a ausência de um lateral de ofício no elenco. “Cadê o lateral de ofício? O seu treineiro? Cadê o lateral de ofício que o senhor cortou por machucar e deixou aqui e levou o meio do campo? Errou”, disparou. Para ele, Danilo atuou apenas como “quarto zagueiro deslocado”, sem oferecer apoio pelo lado direito. Veja o vídeo:
Vini Jr. comemora o gol de empate contra o Marrocos na estreia da Copa
A Seleção Brasileira estreou na Copa do Mundo de 2026 com um empate em 1 a 1 diante do Marrocos neste sábado (13), no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Em um confronto equilibrado e de muita intensidade física, os dois gols da partida saíram ainda na etapa inicial.
O Marrocos surpreendeu a defesa brasileira e abriu o placar com Saibari, após uma rápida transição ofensiva. O atacante recebeu um lançamento em profundidade, venceu a marcação na velocidade e demonstrou muita categoria ao encobrir o goleiro Alisson, que saiu muito mal.
A resposta da Seleção veio antes do intervalo. Principal referência técnica do ataque, Vini Jr. balançou as redes e deixou tudo igual, recolocando o Brasil no jogo.
Além dos gols, o primeiro tempo foi marcado por disputas ríspidas no meio-campo: Casemiro e Ibañez foram advertidos com cartão amarelo por faltas em El Aynaoui e Brahim Díaz, respectivamente, enquanto El Khannouss levou amarelo por parar Raphinha com falta. No segundo tempo, as equipes mantiveram a postura competitiva, mas o placar permaneceu inalterado.
O segundo tempo teve momentos de perigo para ambas as equipes, com Allison fazendo uma defesa importante no final. Sob forte calor, a etapa final teve ritmo mais lento do que os primeiros 45 minutos.
Carlo Ancelotti fez alguns gestos à beira do campo orientando um dos atacantes centrais da Seleção a se deslocar para os lados quando Vinícius Júnior recebia a bola. A movimentação parecia fazer parte de uma estratégia para atrair os defensores marroquinos para as laterais, criando espaços na região central do campo.
Como fica a situação no Grupo C?
Por se tratar da rodada de abertura do Grupo C, o resultado deixa a briga pelas vagas na próxima fase totalmente aberta. Veja o impacto do tropeço na estreia:
Tabela de pontos: Brasil e Marrocos somam 1 ponto cada um. A liderança ou a vice-liderança momentânea do grupo dependerá do saldo de gols e do resultado do outro confronto da chave, disputado entre Haiti e Escócia hoje às 22h (horário de Brasília).
Regulamento favorece: Com o formato de 48 seleções, avançam para o mata-mata (dezesseis-avos de final) os dois primeiros colocados de cada grupo, além dos oito melhores terceiros colocados gerais. Embora o empate tire a tranquilidade, o Brasil segue com chances claras de classificação.
Pressão por vitórias: O critério de desempate pode ser crucial. Para não depender de combinações de resultados ou da vaga como melhor terceiro, a Seleção Brasileira precisará buscar os três pontos nas próximas duas partidas.
Próximos jogos do Brasil
A Seleção Brasileira volta a campo na próxima semana para tentar garantir sua primeira vitória no Mundial:
Brasil x Haiti: Quinta-feira, 19 de junho
Escócia x Brasil: Terça-feira, 24 de junho
Ismael Saibari marcou o gol do Marrocos contra o Brasil
A Panini anunciou o lançamento do “Update Set”, pacote de atualização do álbum oficial da Copa do Mundo de 2026 que inclui 120 novas figurinhas com jogadores convocados para o Mundial após o fechamento da versão original da coleção. Entre os destaques está o atacante Neymar, que passa a integrar oficialmente o álbum ao lado de nomes como o goleiro alemão Manuel Neuer e o zagueiro espanhol Pau Cubarsí. Saiba mais na TVT News.
O kit já está em pré-venda no site da editora italiana e custa R$ 119,90. O conjunto é formado por seis cartelas com 20 figurinhas cada, totalizando 120 cromos. Segundo a Panini, a iniciativa busca atualizar a coleção com atletas que garantiram vaga nas listas finais das seleções classificadas para a Copa do Mundo de 2026, mas que não haviam sido incluídos na primeira edição do álbum.
Do total de figurinhas do pacote, 118 correspondem a jogadores convocados que ficaram de fora da coleção original. A atualização permite que os colecionadores substituam atletas que acabaram não sendo chamados para o torneio por nomes que efetivamente disputarão a competição.
Além de Neymar, o pacote traz outros brasileiros que não estavam na versão inicial do álbum, como o goleiro Weverton, o lateral Alex Sandro e o atacante Igor Thiago. Eles entram no lugar de jogadores que apareciam na coleção original, mas acabaram fora da convocação final da Seleção Brasileira.
Álbum de figurinhas é sucesso
O lançamento ocorre em meio ao sucesso comercial do álbum da Copa de 2026, que já entrou para a história como o maior de todos os Mundiais. A coleção possui 980 figurinhas, superando com folga as 670 da edição do Catar, em 2022, e as 270 da Copa do México, em 1970.
Um levantamento divulgado pela CBN apontou que a Panini acertou 746 dos 864 jogadores retratados na versão original do álbum, o equivalente a 86,34% dos atletas efetivamente convocados pelas 48 seleções participantes. No caso da Seleção Brasileira, o índice de acerto foi de 72%, considerado o pior desempenho da editora em quatro décadas.
Com a chegada do Update Set, os colecionadores terão a oportunidade de deixar o álbum alinhado às listas oficiais das seleções. Diferentemente das figurinhas vendidas em pacotes tradicionais, os novos cromos não estarão disponíveis em bancas de jornal nem nos serviços de entrega. A única forma de obtê-los será por meio da compra do kit complementar.
O lançamento também reacendeu discussões sobre o custo de completar a coleção. Considerando apenas o álbum simples, vendido por R$ 24,90, e a compra hipotética de figurinhas sem repetições, o gasto mínimo seria pouco superior a R$ 1 mil. Na prática, porém, a presença de cromos repetidos eleva significativamente esse valor.
Cálculos baseados na chamada “série harmônica”, conceito matemático utilizado para estimar o esforço necessário para completar conjuntos aleatórios, indicam que um colecionador que tente finalizar sozinho um álbum de 980 espaços precisaria adquirir, em média, cerca de 7.316 figurinhas. Somando o valor do álbum e do kit de atualização, o custo total poderia ultrapassar R$ 7,4 mil.
Apesar dos números expressivos, a tradição de colecionar figurinhas continua mobilizando fãs de futebol ao redor do mundo. Às vésperas da Copa de 2026, encontros de troca reúnem milhares de pessoas e reforçam um hábito que atravessa gerações, agora impulsionado pela possibilidade de atualizar a coleção com os jogadores que estarão em campo no maior Mundial da história.
A cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intituladaDark Horse, teve um custo declarado de pouco mais de R$ 75 milhões, segundo documentos anexados a uma investigação que apura suspeitas de desvio de recursos públicos. A informação foi revelada pelo portal Metrópoles e consta em uma perícia privada contratada pela própria produtora responsável pelo longa-metragem. Leia em TVT News.
O documento amplia as discussões em torno do financiamento da produção e lança novos questionamentos sobre a participação do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e sobre a atuação de integrantes da família Bolsonaro nas negociações relacionadas ao projeto.
Segundo a documentação, a produtora Go Up Entertainment declarou gastos totais de US$ 13,3 milhões, valor equivalente a pouco mais de R$ 75 milhões. A empresa é comandada por Karina Ferreira da Gama, também representante do Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade investigada em um inquérito que apura supostos desvios de recursos de um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo.
De acordo com a documentação obtida pelo Metrópoles, a produtora informou que R$ 54,2 milhões foram gastos nos Estados Unidos e outros R$ 20,9 milhões no Brasil.
Embora o filme conte com nomes conhecidos do cinema norte-americano, como Jim Caviezel, que interpreta Jair Bolsonaro, parte significativa das gravações ocorreu em cidades brasileiras, entre elas São Paulo.
A perícia aponta ainda que o orçamento inicialmente aprovado para a produção era de US$ 16 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 89,7 milhões. Mesmo assim, a cifra declarada oficialmente permanece abaixo dos montantes que teriam sido discutidos em negociações envolvendo Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro.
Áudios revelam preocupação de Flávio Bolsonaro com dinheiro prometido por Vorcaro
O caso ganhou nova dimensão após reportagens revelarem diálogos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro.
Em um dos cenários debatidos, o valor previsto para a produção chegaria a US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação utilizada à época. O montante seria pago por meio de parcelas sucessivas.
“Há indícios de que esse braço armado possua mais integrantes, alguns deles ainda não presos”, afirmou o relator. Foto: Reprodução
Posteriormente, Flávio Bolsonaro enviou uma mensagem de áudio a Daniel Vorcaro demonstrando preocupação com atrasos nos pagamentos relacionados ao projeto cinematográfico.
“Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. Tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou para o filme, né?”, afirmou o senador.
Na mesma gravação, Flávio menciona a preocupação com compromissos assumidos junto a integrantes do elenco internacional.
“Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, disse.
O parlamentar confirmou posteriormente a autenticidade do áudio divulgado pela imprensa. Flávio Bolsonaro, porém, sustenta que os recursos destinados ao filme tiveram origem legal e não envolveram contrapartidas.
Valor divulgado pela produtora é inferior aos R$ 134 milhões que foram negociados entre Flávio e Vorcaro
De acordo com os documentos analisados, o valor efetivamente repassado para a produção teria sido menor do que aquele mencionado nas negociações.
Segundo a perícia anexada ao processo, Daniel Vorcaro teria destinado US$ 10,6 milhões ao projeto por meio da empresa Entrepay. O valor corresponde a aproximadamente R$ 61 milhões.
O documento afirma que a origem dos recursos analisados seria privada.
“Quanto à origem dos recursos financeiros, a perícia constatou que os ingressos vinculados ao projeto possuem origem privada, comprovada por contratos de investimento, extratos bancários, documentos de remessa e demais registros financeiros disponibilizados para análise”, registra o relatório elaborado pelo Instituto de Perícia Investigativa (IPI).
“Esse é o mais importante disparado”, escreveu o banqueiro preso, após cobrança de Flávio. Foto: Agência Brasil
Apesar da conclusão apresentada pela perícia contratada pela produtora, o caso continua cercado de questionamentos devido ao contexto das investigações envolvendo o Banco Master e seu controlador.
Os documentos contábeis detalham tanto o fluxo de aportes previstos pelo Banco Master quanto as quantias que entraram efetivamente nas contas de um fundo de investimentos sediado no exterior e diretamente vinculado à gestão de “Dark Horse”.
Isto significa que, ou a produtora omitiu o recebimento de parte do valor, ou o restante do dinheiro enviado pelo Banco Master para a família Bolsonaro teria outros fins que não fossem, de fato, a produção da obra cinematrográfica.
O banqueiro chegou a ser preso no âmbito da operação, que investiga movimentações financeiras consideradas suspeitas por autoridades responsáveis pelo caso.
A revelação de que recursos ligados a Vorcaro foram utilizados para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro trouxe novos elementos para o debate político e jurídico em torno da produção.
A proximidade entre integrantes da família Bolsonaro e o empresário passou a ser observada com maior atenção após a divulgação dos áudios e documentos.
O caso também ocorre em um momento de intensa movimentação política dentro do campo bolsonarista.
Relação com a família Bolsonaro amplia repercussão
A participação de Flávio Bolsonaro nas tratativas relacionadas ao financiamento do filme colocou o senador no centro da controvérsia.
Além de ser um dos principais aliados políticos do pai, Flávio é pré-candidato à presidência da República.
As revelações mostram que o parlamentar acompanhava de perto a situação financeira do projeto e mantinha interlocução direta com Daniel Vorcaro sobre os pagamentos.
PF investiga possível ligação com estadia de Eduardo Bolsonaro nos EUA
Outro desdobramento do caso envolve o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Segundo informações divulgadas recentemente, a Polícia Federal passou a investigar se recursos enviados por Daniel Vorcaro por meio do fundo Heavengate Development podem ter sido utilizados para custear despesas relacionadas à permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Até o momento, não há conclusão oficial das investigações.
A apuração busca verificar a destinação dos recursos e se houve utilização para finalidades diferentes daquelas apresentadas nos contratos relacionados à produção cinematográfica.
O avanço das investigações poderá esclarecer o caminho percorrido pelo dinheiro e o papel desempenhado por diferentes agentes envolvidos no financiamento do projeto.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira, 12 de junho, no Palácio do Planalto, o Move Brasil – Entregadores e Moto app, programa de financiamento especial voltado a profissionais que trabalham com entregas de mercadorias, transporte de passageiros ou transporte de cargas por meio de aplicativos ou com vínculo celetista.
A iniciativa tem como objetivo facilitar a aquisição de bicicletas elétricas, motonetas, ciclomotores, motos elétricas e motos flex, montados ou produzidos no Brasil. O programa busca renovar a frota, ampliar a produtividade e a segurança dos trabalhadores e contribuir para a descarbonização da mobilidade urbana.
Poderão participar entregadores ciclistas e motociclistas cadastrados em plataformas de aplicativo há pelo menos seis meses e que tenham realizado, no mínimo, 100 corridas ou entregas. Também poderão acessar o programa ciclistas, motofretistas e mototaxistas profissionais com carteira assinada há pelo menos seis meses na mesma empresa.
Para os veículos que exigem habilitação, será necessário possuir Carteira Nacional de Habilitação na categoria “A”.
O Move Brasil – Entregadores e Motoapp permitirá o financiamento de um veículo por beneficiário, e os trabalhadores terão dois meses para começar a pagar e prazo de financiamento de até 48 meses.
O seguro prestamista, proteção que ajuda a quitar a dívida em caso de imprevistos graves com o trabalhador, também poderá ser financiado. A linha contará com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO).
As condições financeiras serão diferenciadas para homens e mulheres. Para homens, a taxa será de 12,5% ao ano, equivalente a 0,99% ao mês. Para mulheres, será de 11,5% ao ano, equivalente a 0,91% ao mês. Em uma simulação para operação de R$ 21 mil, a prestação ficaria em cerca de R$ 552.
Entre os itens financiáveis estão:
motocicletas, motonetas e ciclomotores flex de até 160 cilindradas produzidos no país;
bicicletas e veículos autopropelidos elétricos de até 1.000 watts; e
motos, motonetas e ciclomotores elétricos de até 7.500 watts, desde que produzidos no Brasil ou vinculados a projeto de investimento para produção nacional.
Os veículos deverão ser zero-quilômetro.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante anúncio de linha de crédito para financiamento de motos para trabalhadores de aplicativos, no Palácio do Planalto, em Brasília – DF. Foto: Ricardo Stuckert / PR
Confira como foi o evento de lançamento do Move Brasil Entregadores
Como fazer o cadastro no Move Brasil – Entregadores e Moto app
A aprovação do cadastro no programa confirma que o profissional atende aos requisitos de participação, mas não garante automaticamente o financiamento, que ficará sujeito à análise de crédito dos bancos.
As montadoras também poderão oferecer descontos na aquisição dos veículos. A medida combina crédito, apoio dos bancos federais e participação do setor produtivo para reduzir o custo final aos trabalhadores e fortalecer a produção nacional.
Qual é a plataforma do Move Brasil?
A adesão será feita por meio da plataforma oficial gov.br/movebrasil, com autorização do profissional para compartilhamento de dados necessários à verificação dos requisitos do programa.
O portal de cadastramento será aberto nesta sexta-feira, 12 de junho, mesma data de edição da medida provisória, do decreto e da resolução do FIIS que estruturam o programa.
Após o cadastro, o trabalhador será informado se atende às condições de participação. A partir de 13 de julho, os profissionais que receberem a confirmação poderão procurar a CAIXA, o Banco do Brasil ou instituições financeiras habilitadas para análise de crédito e contratação do financiamento.
Empresas também podem financar motos novas?
O programa também tem uma linha voltada a empresas, com financiamento para expansão da infraestrutura de recarga e troca de baterias de motos elétricas. A medida busca apoiar soluções de mobilidade urbana mais sustentáveis, com redução de emissões e da poluição sonora nos centros urbanos.
A linha para pessoas jurídicas poderá financiar itens como baterias, postos de troca e sistemas de recarga de motos elétricas, além de capital de giro associado, limitado a 30% do valor dos investimentos. O valor disponível é de R$ 70 milhões. As condições finais serão definidas em portaria do Ministério da Fazenda.
Poderão participar entregadores ciclistas e motociclistas cadastrados em plataformas de aplicativo há pelo menos seis meses e que tenham realizado, no mínimo, 100 corridas ou entregas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Como participar do Move Brasil – Entregadores e Motoapp
Veja as etapas para participar do programa para financiar uma moto elétrica nova:
1. Cadastro e consentimento
A primeira etapa é a adesão ao programa por meio da plataforma oficial gov.br/movebrasil. Ao se cadastrar, o profissional autoriza o compartilhamento dos seus dados para verificar se atende aos requisitos do programa.
2. Confirmação da participação
Após o cadastro, o profissional será informado, na plataforma, se atende aos requisitos para participar do programa.
Podem participar entregadores ciclistas e motociclistas cadastrados em plataformas de aplicativo há pelo menos seis meses e com, no mínimo, 100 corridas ou entregas realizadas. Também são elegíveis ciclistas, motofretistas e mototaxistas profissionais com carteira assinada há pelo menos seis meses na mesma empresa.
Para financiar veículos que exigem habilitação, será necessário possuir CNH categoria “A”.
A aprovação do cadastro não garante acesso à linha de financiamento. A contratação estará sujeita à análise de crédito dos bancos.
3. Solicitação do financiamento
A partir de 13 de julho, os profissionais que receberem a confirmação de participação poderão procurar a CAIXA, o Banco do Brasil ou instituições financeiras habilitadas para análise de crédito e contratação do financiamento.
Cada beneficiário poderá financiar um veículo: bicicletas elétricas, motonetas, ciclomotores, motos elétricas e motos flex, conforme as regras do programa. O veículo deverá ser zero-quilômetro e atender aos critérios de produção nacional ou projeto de investimento para produção no país.
Com informações do Palácio do Planalto e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
Pela plataforma, entregadoresm podem se cadastar para financiar moto em até 48x. Reprodução / Governo Federal
A TVT News selecionou as principais dúvidas para você:
Quem pode participar do programa?
Profissionais de APPs: ao menos 6 meses de cadastro na plataforma e, no mínimo, 100 corridas ou entregas realizadas.
Profissionais celetistas: ciclistas, motofretistas e mototaxis profissionais, com contratos celetistas (CLT) que tenham carteira assinada há, pelo menos, 6 meses na mesma empresa. É preciso ter Carteira de Habilitação categoria “A” (moto).
Como conseguir financiar motos e bicicletas elétricas
O acesso ao programa é dividido em 3 etapas:
Cadastro: A primeira delas é o cadastro, a partir do dia 15 de junho, por meio da plataforma gov.br/movebrasil.
Confirmação: Até 5 dias úteis após o cadastro na plataforma gov.br, o motociclista é informado se está apto ou não a participar do programa Move Brasil – Entregadores e Motoapp.
Compra da moto e financiamento: a partir de 13 de julho, os profissionais que receberam a confirmação de participação no programa podem procurar as instituições financeiras participantes do programa para análises de crédito e de avaliação de viabilidade de concessão do financiamento.
Posso financiar motos de até qual valor?
Não há definição de um valor máximo para as motocicletas.
O programa permite a compra de:
* Ciclomotores, motonetas e motocicletas flex até 160 cilindradas produzidas no País Motos flex; * Ciclomotores, motonetas, motocicletas e bicicletas elétricas até 7.500W produzidas no País ou com projeto de investimento para produção nacional; * Bicicletas elétricas até 1.000 W.
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O pré-candidato a presidência, Renan Santos. Foto: Divulgação/Luiz Rebelato
A Justiça de São Paulo negou um pedido de Renan Santos, líder do MBL e pré-candidato à Presidência pelo Missão, para que plataformas como X e Instagram removessem uma publicação feita por JR Freitas, líder de motoboys e pré-candidato a deputado estadual pelo PSol.
No post, Freitas publicou trecho de um boletim de ocorrência em que uma mulher relata ter sido vítima de assédio por Renan. O dirigente do MBL nega a acusação e afirma ter sido absolvido no caso. Nos autos, ele apresentou certidões para demonstrar que não possui antecedentes criminais.
Renan alegou à Justiça que era alvo de uma campanha de difamação. Também afirmou que Freitas teria omitido deliberadamente a informação de que ele foi absolvido e divulgado documento que, segundo a defesa, era sigiloso.
Olha o B.O aberto contra o candidato do MBL a presidência da República. Segundo o Renan Santos, isso é invenção da cabeça da garota. pic.twitter.com/PbP6xVTQME
O juiz Fabio Evangelista de Moura, da 45ª Vara Cível de São Paulo, rejeitou o pedido. Na decisão, o magistrado afirmou que a retirada de manifestações em redes sociais é uma medida excepcional e só deve ocorrer diante de clara violação de direitos.
O magistrado também entendeu que a publicação do boletim de ocorrência, por si só, não significa imputação direta de crime ao líder do MBL. Ele ressaltou que Renan, por ser figura pública, tem esfera de proteção à intimidade e à vida privada mais limitada, sem perder proteção contra conteúdos evidentemente falsos.
JR Freitas ganhou projeção em São Paulo durante a disputa sobre a regulamentação do serviço de mototáxi. Ele liderou mobilizações de entregadores e motoboys e atuou como interlocutor da categoria em debates com o governo federal sobre trabalho por aplicativo.
Em maio, Freitas participou de evento com Lula no lançamento de uma linha de crédito para motoristas de aplicativo. O motoboy é apontado como uma das apostas do PSol para a disputa à Assembleia Legislativa de São Paulo.
Em um canto muito pequeno — e, pelo menos até agora, obscuro — do mercado de criptomoedas, os investidores estão correndo para entrar, em vez de correr para as saídas. Os chamados ETFs de HYPE estão captando novos ativos de investidores em um momento no qual as principais apostas em cripto, incluindo o bitcoin e o ether, estão derretendo.
Em maio, a Bitwise e a 21shares lançaram ETFs à vista (spot) que replicam índices do HYPE, um ativo cripto descentralizado que opera em sua própria blockchain, a Hyperliquid. Os produtos, negociados sob os tickers BHYP e THYP, já captaram cerca de US$ 150 milhões em ativos e, desde o lançamento, registraram em sua maioria dias de fluxo líquido positivo — algo que chamou a atenção de Nate Geraci, presidente da NovaDius Wealth Management.
A Grayscale lançou seu próprio ETF, o Grayscale Hyperliquid Staking ETF (HYPG), na quarta-feira.
“Este é um mercado que penetrou apenas 1% do seu mercado potencial. A maioria das pessoas ainda não sabe o que é a Hyperliquid”, disse Matt Hougan, diretor de investimentos da Bitwise, à CNBC.
A Hyperliquid é uma exchange descentralizada de contratos futuros perpétuos construída em blockchain. Ela opera 24 horas por dia para traders fora dos Estados Unidos. A plataforma existia discretamente até o verão passado, quando a guerra entre os EUA e o Irã fez com que os traders corressem em busca de acesso aos mercados de petróleo durante o fim de semana. O volume rapidamente atingiu cerca de US$ 1 bilhão por dia apenas em petróleo bruto, disse Stephen Coltman, vice-presidente e chefe de macro da 21shares.
Para um token do qual a maioria dos consultores financeiros e investidores nunca tinha ouvido falar há um mês, a recepção tem sido difícil de ignorar, especialmente em um momento em que o bitcoin enfrenta uma forte onda de vendas. Os ETFs de bitcoin à vista vêm sofrendo saídas de ativos. O iShares Bitcoin Trust ETF (IBIT), por exemplo, encerrou a semana em queda de cerca de 16%.
Os aportes no HYPE provavelmente não representam uma migração de recursos de criptomoedas já existentes, mas sim um movimento dos investidores em direção a algo genuinamente novo.
“A Hyperliquid está trazendo novos investidores de fora do ecossistema cripto para este ativo digital específico. Acho que ela atrai um tipo de investidor muito diferente do investidor de bitcoin”, disse Zach Pandl, chefe de pesquisa da Grayscale.
Pandl afirmou que os investidores são atraídos por um modelo de receita que conseguem compreender. A maioria dos tokens cripto tem uma relação indireta com a atividade da plataforma subjacente, mas a Hyperliquid é diferente.
“No caso da Hyperliquid, 99% das taxas geradas na plataforma são destinadas à recompra do HYPE, o ativo”, disse Hougan. “Existe esse ciclo muito estreito entre a atividade que ocorre no mundo cripto e o valor do ativo Hyperliquid.”
Este é um mecanismo de mercado que os investidores de ações tradicionais reconheceriam imediatamente: a prática de empresas de capital aberto que utilizam seu caixa para recomprar as próprias ações. “É muito semelhante a uma recompra de ações, onde todas as negociações geradas são usadas para recomprar o token”, disse Coltman.
Bitwise Hyperliquid ETF
Os especialistas em ETFs afirmam que esses fundos são um ponto de entrada prático para investidores que desejam exposição sem a complexidade de configurar uma carteira digital (wallet) ou navegar em uma exchange descentralizada.
Até sexta-feira, o recém-lançado Grayscale Hyperliquid Staking ETF contava com US$ 4,5 milhões em ativos. O 21shares Hyperliquid ETF possuía US$ 75,8 milhões em ativos sob gestão, enquanto o Bitwise Hyperliquid ETF somava US$ 71,14 milhões.
Geraci disse que, à medida que os investidores se familiarizarem com a Hyperliquid por meio dos ETFs, é razoável esperar que os produtos ajudem a acelerar a adoção em massa da própria plataforma.
“Vejo os ETFs de cripto à vista como uma ponte importante entre as finanças tradicionais (TradFi) e as finanças descentralizadas (DeFi). Embora seja difícil determinar o grau de sobreposição entre os investidores de ETFs de HYPE e os usuários da Hyperliquid, os ETFs sem dúvida aumentam a visibilidade da plataforma”, escreveu ele em um e-mail para a CNBC.
No entanto, os especialistas em ETFs alertaram que o nível de conhecimento do público ainda é baixo, a concorrência é ampla e os riscos continuam altos.
A 21shares destaca seu histórico, tendo listado um produto de HYPE na Europa em agosto de 2025. A Grayscale possui a menor taxa de administração, de 0,29%, contra 0,30% da 21shares e 0,34% da Bitwise. A Bitwise, por sua vez, possui forte relacionamento com family offices.
“O maior desafio da Hyperliquid pode ser a crescente concorrência tanto da TradFi quanto da DeFi, uma dinâmica que um ambiente regulatório mais favorável poderia intensificar”, escreveu Geraci.
A plataforma continua indisponível nos EUA, mas Pandl disse que sua expectativa para aprovação é 2027, o que ele chamou de “um prazo razoável para quando pudermos ter clareza regulatória suficiente sobre exchanges descentralizadas para que os usuários dos EUA comecem a acessar a plataforma”.
O cenário pode estar consideravelmente mais lotado até lá. A história do rápido crescimento dos ativos dos ETFs de Hyperliquid mostra que alguns investidores não estão dispostos a esperar.
Marinheiros recebem o presidente Lula em visita ao Complexo Naval de Itaguaí (RJ), em 2023. Foto: Ricardo Stuckert/PR
A Marinha lançou uma campanha institucional com foco na defesa da soberania nacional em meio a cortes no orçamento das Forças Armadas. O vídeo, divulgado para marcar o Dia da Marinha, comemorado em 11 de junho, afirma que o cenário geopolítico exige “capacidades navais compatíveis com a proteção da soberania nacional”.
A peça tem como eixo a Amazônia Azul, área marítima sob jurisdição brasileira que concentra rotas comerciais, estruturas de exploração de petróleo, cabos submarinos, recursos biológicos e minerais. A Marinha afirma que 97% das importações e exportações do Brasil passam pelo mar e pelos portos.
O Alto Comando da Marinha avalia que a população ainda conhece pouco o papel da Força na proteção do mar territorial e das riquezas ligadas ao Atlântico Sul. O vídeo institucional apresenta equipamentos como o navio-aeródromo Atlântico, fragatas da classe Tamandaré e submarinos da classe Riachuelo.
A campanha também ocorre em momento de restrição orçamentária. O governo determinou contenção de R$ 31,3 bilhões para cumprir a meta fiscal, e o Ministério da Defesa foi a pasta mais atingida, com R$ 4,4 bilhões retidos. A manutenção de projetos estratégicos, como o Programa de Submarinos, virou prioridade no comando da Marinha.
O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou nesta semana que a frota das Forças Armadas vem envelhecendo. “Daqui a pouco vai ter marinheiro sem navio, aviador sem avião e soldado do Exército sem equipamento para lutar”, disse ele, ao defender investimentos na área.
Oficiais ouvidos pelo Correio também associam o alerta de soberania ao cenário internacional. A pressão do governo Donald Trump por negociações envolvendo petróleo, terras raras e tarifas sobre produtos brasileiros acendeu preocupação entre militares sobre a proteção de recursos estratégicos.
A Marinha afirma que fortalecer a consciência marítima da sociedade é parte da defesa nacional. O vice-almirante Vagner Belarmino de Oliveira, diretor do Centro de Comunicação Estratégica da Força, disse que a segurança energética, parte da economia e infraestruturas relevantes dependem da estabilidade do ambiente marítimo.
O governo lançou oficialmente neste sábado (30) a plataforma Tela Brasil, o streaming público e gratuito de audiovisual brasileiro. A iniciativa tem o objetivo de democratizar o acesso da população à cultura brasileira, a partir da ampliação do alcance da produção nacional.
A plataforma coordenada pelo Ministério da Cultura e desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Alagoas vai disponibilizar filmes brasileiros sob demanda, com acesso integrado ao site Gov.br.
No lançamento do streaming, na Cidade das Artes, na zona Oeste do Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que a plataforma é uma ferramenta de soberania cultural para que os brasileiros conheçam a si mesmos.
“[A Tela Brasil} vai contribuir para a elevação da compreensão de um país chamado Brasil. Por que nós somos assim? Por que nós fazemos assim?”
O presidente também criticou o excesso de conteúdos estrangeiros nas telas do país, que ele considera de baixa qualidade.
“A quantidade de enlatados de má qualidade que a gente é obrigado a assistir toda noite, porque não tem outra coisa para a gente ver. O que não permite que a juventude brasileira tenha acesso à plenitude da cultura brasileira”, lamentou Lula.
O presidente também chamou a atenção para o desconhecimento sobre o peso econômico e a quantidade de empregos gerados pelo setor cultural brasileiro para o desenvolvimento econômico e profissional.
“O mais importante é a gente conhecer o nosso país por dentro, conhecer a nossa cultura, a razão das coisas que fizeram a gente chegar onde nós chegamos”, disse Lula.
Por fim, o presidente fez a conexão com outras políticas públicas de sua gestão, como o recém-lançado MEC Livros, que já conta com o acervo de mais de 25 mil livros. Ele destacou que o acesso à cultura, agora, faz parte da política de habitação do governo. “Todo o conjunto habitacional que a gente entregar, nesse país, vai ter uma biblioteca para que a pessoa tenha acesso à cultura.”
O projeto contou com um investimento de R$ 9 milhões entre 2024 e 2025. Segundo o governo, o valor garantiu o licenciamento de um catálogo diversificado, desenvolvimento tecnológico próprio e ferramentas completas de acessibilidade.
Histórias ainda não contadas
Presente no lançamento, a ministra da Cultura, Margareth Menezes disse que a motivação de criar a plataforma foi fazer com que o povo brasileiro tenha acesso ao direito cultural.
“Na questão do audiovisual, nós temos um gargalo ainda muito grande na questão da distribuição. Como fazer o povo ter acesso a tudo o que se produz, às coisas que são importantes, que referenciam o nosso país?
Ela destacou que o audiovisual agrega todas as outras artes como a música, o desenho. “Todo mundo trabalha e tem essa representatividade. A nossa diversidade está no que a gente produz, só que o povo não tinha acesso.”
Em sintonia com o discurso do presidente Lula, a ministra celebrou a soberania, a miscigenação e a necessidade de resgatar o protagonismo das figuras históricas do país.
“O povo que se conhece, o povo que se vê, ele se fortalece, porque nossas histórias são lindas. Temos os povos originários, os povos africanos, os povos europeus, as pessoas que construíram esse país, as histórias que nunca foram contadas.”
Acervo da nova plataforma
O acervo inaugural une conteúdos financiados pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), obras guardadas por instituições do Sistema MinC, como a Cinemateca Brasileira, o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a Funarte e a Fundação Cultural Palmares.
O foco é a diversidade, englobando o cinema negro, o cinema indígena, produções dirigidas por mulheres, e temas urgentes como justiça climática e sustentabilidade.
A Tela Brasil já chega com acervo que cobre desde clássicos históricos de 1910 até produções contemporâneas, de 2025.
Ao todo, a plataforma inicia com 555 obras audiovisuais brasileiras, divididas em:
267 curtas-metragens;
139 longas-metragens;
85 médias-metragens ou telefilmes;
64 obras seriadas.
Entre elas: A Hora da Estrela, de Suzana Amaral; Xica da Silva, de Cacá Diegues; Central do Brasil, de Walter Salles; e Cidade de Deus, de Fernando Meirelles.
Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha; Carandiru (2003), de Hector Babenco; e Olga (2004), de Jayme Monjardim, são outras obras de destaque.
O catálogo inicial inclui 19 títulos que já representaram o Brasil na disputa pelo Oscar ao longo da história.
Entre as categorias listadas pelo Ministério da Cultura estão obras para a infância, juventude, de artes e de brasilidade.
Na parte de diversidade cultural, entrou a categoria Africanidades, que reúne obras audiovisuais que narram trajetórias, memórias e experiências da população negra no Brasil, entrelaçando ancestralidade e contemporaneidade.
Acessibilidade é outro ponto central do projeto: todos os títulos selecionados via edital público contam com audiodescrição, legendagem descritiva e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras).
“Importante destacar que tem pesquisa no meio sobre acessibilidade. São obras com três recursos de acessibilidade, que envolvem também discussão sobre preservação e memória. Há soluções tecnológicas e soluções jurídicas sobre regulamentação. É política pública baseada em pesquisa e evidência”, disse a professora Luciana Peixoto Santa Rita, que participou do projeto pela UFAL.
Perfis de utilização
Para começar a navegar, o usuário precisa de uma conta ativa no sistema de login único do governo federal, o Gov.br. A plataforma tem duas formas de navegação:
Perfil Cidadão: qualquer pessoa pode acessar de forma individual e gratuita a filmes, séries e documentários organizados por gêneros, formatos e categorias, além de criar uma lista de favoritos.
Perfil Direcionado: criado especialmente para exibições coletivas e sem fins comerciais em salas de aula, cineclubes, pontos de cultura, bibliotecas e museus de todo o país.
Numa primeira fase, a plataforma funciona diretamente no navegador de computadores (com opção de transmissão para Smart TVs). Os aplicativos para celulares (Android e iOS) serão disponibilizados em um prazo de 30 dias.
Parcerias
Durante o evento, também foi assinado um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Ministério da Cultura (MinC) e a TV Brasil, emissora pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) para expandir a oferta, a circulação de conteúdos e a integração das políticas públicas para o audiovisual brasileiro.
A Tela Brasil foi desenvolvida com tecnologia brasileira, pelo Ministério da Cultura (MinC) com o apoio da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
“Só a participação cidadã é capaz de mudar um país” Herbert de Souza/Betinho (sociólogo e ativista dos direitos humanos)
O Ministério de Minas e Energia (MME) é o órgão responsável no governo federal pela formulação e implementação de políticas nacionais para os setores de energia elétrica, combustíveis (petróleo, gás natural, biocombustíveis), mineração e geologia. Sua função principal é garantir a segurança energética com um abastecimento seguro, contribuindo para um desenvolvimento socioeconômico e ambiental, com aproveitamento sustentável dos recursos energéticos e minerais do país. Diante do desafio dos tempos atuais, com as mudanças climáticas, não é só garantir energia, com qualquer fonte energética, mas com aquelas geradas pelas renováveis (sol, ventos, água, biomassa).
No caso da política energética brasileira, entre os grandes problemas existentes está a elevada tarifa elétrica paga pelo consumidor, mesmo que 85% da matriz elétrica seja composta por fontes renováveis, o que significa mais baratas do que qualquer alternativa fóssil. Segundo relatório da Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA), divulgado em julho de 2025, o Brasil aparece entre os países com menor custo de geração de energia renováveldo mundo, sem dúvida, uma grande vantagem comparativa do país. Todavia, a conta de luz é uma das despesas mais importantes para os brasileiros, do que é para consumidores de países desenvolvidos. Segundo relatório do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC) para famílias de baixa renda, ela pode comprometer até metade do orçamento, muitas vezes competindo diretamente com a alimentação e saúde.
Diante do atual cenário uma das medidas mais polêmica recentemente tomada pelo MME, com a justificativa oficial de ser uma “ferramenta estratégica para assegurar que haja energia disponível no futuro, principalmente em períodos de maior demanda, fortalecendo a confiabilidade do sistema elétrico brasileiro”, foi promover o 20 Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap 2026), nos dias 18 e 20 de março/2026, para a contratação de termelétricas a combustíveis fósseis: gás natural, carvão mineral, diesel e óleo combustível. Desde 2021 não se tinha este tipo de leilão, que teve uma contratação recorde de 19 GigaWatts (GW).
Na prática, as escolhas energéticas do LRCap 2026 criarão uma maior dependência de combustíveis fósseis, para a geração de energia elétrica. Historicamente, a matriz elétrica brasileira foi majoritariamente baseada em hidroeletricidade, e atualmente conta com participação expressiva de energia solar, eólica, etanol, biomassa, biometano e biodiesel. Assim, com diversidade e complementaridade, é que deve continuar aumentando a participação das fontes renováveis; e não dependendo mais de fontes de origem fóssil.
Os problemas com este leilão começaram mesmo antes de sua realização. O Tribunal de Contas da União (TCU) através da AudElétrica, Auditoria Especializada em Energia Elétrica e Nuclear, já tinha identificado vários problemas, suspeitas, falhas e fragilidades no edital. Mas mesmo assim o leilão foi realizado.
Ao serem divulgados os preços tetos, a “insatisfação do mercado”, (a insatisfação do consumidor não é levada em conta), gritou mais alto, e mostrou a poderosa influência que exercem os lobistas do setor de energia fóssil nos círculos de poder. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sucumbiu, e na véspera do certame, acabou aprovando um reajuste de até 80%, atendendo o que era pleiteado pelo mercado.
O governo havia definido preço-teto de R$ 1,6 milhão/MW.ano para usinas térmicas novas a gás natural, e reajustou para R$ 2,9 milhões/MW.ano. Para as térmicas existentes a gás natural e carvão, o teto foi reajustado de R$ 1,12 milhão/MW.ano para R$ 2,25 milhões/MW.ano. Os valores tetos limitam quanto o governo pode pagar pela contratação de capacidade.
Foram as termelétricas a gás natural (novas e existentes) as protagonistas, que do total contratado de 19 GW, 90 eram usinas a gás, correspondendo a 15, 2 GW (9 GW de usinas novas). Tornando assim a geração de energia elétrica mais suja, com mais emissões de gases de efeito estufa (GEE’s), agravando o enfrentamento às mudanças climáticas. Além de tornar as tarifas mais onerosas para o consumidor, visto que as fontes fósseis são mais caras que as fontes renováveis.
Vários foram os questionamentos, suspeitas de irregularidades e críticas ao leilão. Não somente pela súbita e inesperada elevação dos valores tetos da disputa, sem justificativa técnica-econômica; mas também pelo próprio modelo adotado de leilão em 2 etapas, além do grande montante de potência contratada, representando uma receita para as empresas ao longo dos 15 anos de contrato de R$ 515,7 bilhões, mas que pode ultrapassar R$ 800 bilhões. Estes valores serão pagos pelo consumidor quando as usinas estiverem efetivamente funcionando.
A judicialização do certame era previsível, o que acabou acontecendo. A contratação de usinas termelétricas fósseis foi questionada, na justiça e administrativamente. O imbróglio causado pelo MME neste episódio teve como desfecho, finalmente, a homologação do leilão, com entregas previstas a partir do segundo semestre de 2026.
A realização do leilão de capacidade, com uma potência recorde correspondente a mais de uma Itaipu (14 GW), aconteceu em um contexto inverossímil do setor de energia. O crescimento exponencial, e desordenado da geração solar e eólica, não foi acompanhado da infraestrutura necessária para transportar a energia até sua distribuição. Assim, o Nordeste Brasileiro, onde se encontram instaladas as grandes usinas solares e eólicas, passou a conviver com a situação de cortar ou reduzir intencionalmente a geração de energia de fontes renováveis ordenado pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). Tecnicamente conhecido como “curtailment”, ocorre por conta do forte desequilíbrio estrutural entre a alta produção de energia elétrica renovável e a capacidade limitada de escoamento e consumo. Resumindo, o ritmo de instalação destas fontes de energia cresceu mais rápido que as linhas de transmissão ou do consumo, resultando em grande desperdício de energia, descartada e não injetada na rede. O que se verifica é que quantidades entre 20 a 25% de toda potência solar e eólica de grandes instalações (corresponde a 55 GW) estão sendo desperdiçadas. Ou seja, temos energia, mas não temos linhas de transmissão para seu aproveitamento pelo sistema elétrico nacional. Esta irracionalidade no planejamento, levou as empresas geradoras a exigirem ressarcimento, pois produziram, mas não faturaram.
As polêmicas decisões que cercam a atuação do MME ocorrem muito em função do déficit democrático existente no setor energético, provocado a repetição de inúmeros problemas causados, principalmente pelos interesses lobistas que dominam o MME, em proveito de alguns, e contrários à maioria da população, que vive o drama de ver suas contas de energia aumentarem, ano a ano, em muitos casos bem acima da inflação.
Não existe um debate democrático sobre a questão energética no país. Não existe espaço público para a sociedade civil expressar suas opiniões, suas propostas. As chamadas “audiências públicas”, acabam sendo dirigidas, e inócuas no sentido de contribuir para a melhoria das propostas, na direção dos interesses majoritários da sociedade.
Exige-se mais democracia, mais participação, mais transparência em um setor estratégico, que insiste em não discutir com a sociedade as decisões que toma.
A realização desta malfadada contratação de energia a partir de fontes fósseis, foi um grande retrocesso, ao lado do recente desmonte da legislação de proteção ambiental votada pelos “nobres” deputados da extrema-direita, do centrão, e do agronegócio. As três propostas aprovadas são devastadoras para o meio ambiente, e estão nos projetos de lei: PL 364/2019, PL 5900/2025 e o PL 2564/2025.
(*) Professor associado aposentado da Universidade Federal de Pernambuco, graduado em Física pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP/SP), mestrado em Ciências e Tecnologias Nucleares na Universidade Federal de Pernambuco (DEN/UFPE) e doutorado em Energética, na Universidade de Marselha/Aix – Centro de Estudos de Cadarache/Comissariado de Energia Atômica (CEA)-França.
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O vice-governador Gabriel Souza (MDB) lançou oficialmente neste sábado a sua pré-candidatura ao governo do Rio Grande do Sul, que representará a continuidade do governo de Eduardo Leite (PSD). Em evento realizado em Porto Alegre, MDB e PSD lançaram as composições majoritárias da chapa 100% Rio Grande, que também terá os apoios de União Brasil, Federação Renovação Solidária e AGIR e terá Ernani Polo (PSD) como candidato a vice-governador e Germano Rigotto (MDB) e Frederico Antunes (PSD) na disputa ao Senado.
De acordo com MDB, mais de 7 mil pessoas participaram do lançamento da chapa, que ocorreu em uma casa de eventos nas proximidades do Aeroporto Internacional Salgado Filho e foi marcado pelo lançamento do jingle “100% Rio Grande”. “A gauchada tá unida pro Rio Grande acontecer. Não temos presidente de estimação. Nossa alma é o Rio Grande e o gaúcho é o patrão”, diz um dos trechos da música, que crítica a chamada “radicalização política”.
Em sua fala no evento, Gabriel Souza afirmou a chapa não está reunida em torno de um nome, mas de uma proposta. “É um projeto que acredita na responsabilidade com as contas públicas, na liberdade para produzir, no cuidado com as pessoas e na preparação do Estado para os desafios do futuro. O Rio Grande voltou a ter rumo e capacidade de realizar. Agora queremos seguir evoluindo, com diálogo, experiência e os pés no chão”, afirmou.
Gabriel encabeçará chapa que terá Ernani Polo (à direita do governador Leite) como vice, Germano Rigotto (dir.) e Frederico Antunes (esq.) ao Senado, e Ronaldo Caiado para a presidência | Foto: Gustavo Mansur
Na mesma linha, o pré-candidato a vice-governador Ernani Polo destacou a construção suprapartidária. “Todos os dias recebo ligações e mensagens de lideranças de outros partidos dizendo que estão conosco nesta caminhada. Por tudo que o governo fez, por tudo que o governo está fazendo e principalmente por aquilo que nós queremos fazer”, afirmou.
Governador do Rio Grande do Sul de 2003 a 2007, abordou temas que entende como relevantes para a disputa ao Senado, como a rediscussão da dívida do Estado com a União, a transição da reforma tributária, políticas de valorização das mulheres e incentivo aos jovens. Já Frederico Antunes pontuou que a coligação defenderá o legado de 8 anos do governador Eduardo Leite. “É um projeto que já transformou para melhor nosso Estado, e isso fica evidente quando mais de 7 mil pessoas se reúnem no mesmo evento. A presença de pelo menos 500 pessoas da Fronteira demonstra que essa mobilização é de todas as regiões”, afirmou.
A polarização nacional também foi abordada por Leite, que afirmou que a chapa não foi construída para servir a projetos nacionais ou ser extensão de disputa presidencial. “É uma candidatura que nasce dos interesses dos gaúchos, comprometida com a continuidade das transformações”, disse.
O ato contou ainda com a participação do pré-candidato à presidência Ronaldo Caiado(PSD), que ressaltou a importância da parceria entre os governos estadual e federal para enfrentar desafios e impulsionar o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. “O futuro governador do Rio Grande do Sul está aqui. Gabriel reúne preparo, experiência e integridade, construiu sua trajetória na vida pública com trabalho e seriedade e conhece profundamente os desafios do Estado”, disse.
O ato, realizado três dias após a aprovação na Câmara dos Deputados do fim da escala 6 x 1 e da redução da jornada para 40 horas semanais — uma das lutas históricas de Moisés — marcou também a apresentação do projeto da Bancada dos Trabalhadores e Trabalhadoras, grupo de parlamentares que representará a classe trabalhadora na Câmara dos Deputados.
Selerges será o líder da iniciativa, que tem como um de seus objetivos a criação da Frente Parlamentar dos Trabalhadores em Brasília e a articulação para que a iniciativa se replique nas assembleias estaduais.
O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC foi transformado na Vila Euclides das greves operárias. Foto: Leandro Paiva
Em seu discurso, Moisés Selerges ressaltou a importância de ampliar a participação da classe trabalhadora na política nacional. “Precisamos ter uma bancada organizada de parlamentares que represente e defenda os direitos daqueles que dão duro todo dia para gerar a riqueza desse Brasil. Bancos, fazendeiros, empresários têm a sua bancada. Agora chegou a nossa vez”, defendeu o pré-candidato.
O evento, que lotou o auditório do solo sagrado da classe trabalhadora, oSindicato dos Metalúrgicos do ABC, contou com a presença dos ministros Luiz Marinho e Guilherme Boulos
Moisés reforçou que a Bancada será um espaço de escuta, debate e defesa de direitos, garantindo que as decisões em Brasília reflitam a realidade do trabalho brasileiro.
O manifesto da Bancada, que será formada por deputados de diversos partidos progressistas, reforça a ideia de que sua atuação será construída coletivamente, com base nas necessidades reais de quem trabalha. Entre os compromissos do documento estão a proteção social para trabalhadores de plataformas, a garantia de aposentadoria digna, inclusive para donas de casa, jornadas de trabalho justas e políticas de incentivo aos pequenos e médios empreendedores.
“Queremos que a produtividade da tecnologia reverta em benefício para quem trabalha, e não apenas em lucro para quem explora”, destacou Selerges.
Além da criação da Bancada, o pré-candidato tem como projetos a isenção do Imposto de Renda sobre a Participação nos Lucros e Resultados, a regulamentação do trabalho por aplicativos e políticas de apoio a pequenos e médios empreendedores.
Com bom humor, Moisés relembrou o episódio que foi decisivo para a construção da sua pré-candidatura. “O presidente Lula pediu que o Luiz Marinho seguisse no governo para ajudar na sua reeleição. Aí o Marinho perguntou a ele quem seria o candidato. O presidente virou para ele e disse: ‘O menino do Sindicato’. O ministro então questionou: ‘Mas o Moisés se elege?’. A resposta do presidente Lula resolveu a questão: ‘Ele se chama Selerges. Ele tem eleição no nome’”, completou sorrindo.
Moisés é liderança da futura bancada dos trabalhadores, afirma Boulos
Guilherme Boulos reforçou a relevância da iniciativa e o papel fundamental que Moisés terá no projeto: “Não vejo hoje ninguém mais capaz do que o Moisés para ser o líder dessa Bancada. Ele é hoje a liderança mais representativa do novo sindicalismo brasileiro e o cara certo para conduzir esse projeto, que colocará o trabalhador em pé de igualdade com os grupos que hoje controlam a Câmara dos Deputados”, disse.
O ministro Luiz Marinho destacou a importância de líderes sindicais como Selerges para a renovação da representação política no País e na Câmara dos Deputados. “Moisés conhece de perto a realidade dos trabalhadores do ABC e do Brasil. Por isso é a pessoa certa para liderar a Bancada dos Trabalhadores. Uma das missões será a redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais”, afirmou Marinho.
Moisés Selerges ressaltou a importância de ampliar a participação da classe trabalhadora na política nacional. Foto: Leandro Paiva
O evento contou ainda com a presença de parlamentares como os deputados estaduais Barba, Luiz Fernando, Maurici e Rômulo Fernandez; vereadores da capital e de municípios do ABC, da Baixada Santista e do interior do estado; e lideranças sindicais de diversas entidades, como Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Químicos, Papeleiros, Petroleiros e Servidores Municipais de várias cidades da região, entre outras.
Ao acessar a página da ferramenta (www.planoparticipativobrasil.org.br), o cidadão poderá opinar sobre os pontos do plano participativo Pelo Brasil, pelos brasileiros. O texto está dividido em treze eixos, que contemplam áreas prioritárias para os organizadores.
“Nessa ferramenta moderna, a plataforma digital, podemos apresentar um plano e ouvir as opiniões para construir um programa a ser apresentado a toda a sociedade brasileira. Este é um dos passos de um processo amplo de escuta que o PT e a FPA vão fazer a partir de agora”, definiu Brenno Almeida, presidente da Fundação Perseu Abramo.
Como fazer sugestões para o programa de governo do PT
As sugestões, de forma individual ou coletiva, podem ser feitas pela sociedade até 30 de junho. Todas as contribuições serão avaliadas por grupos de trabalho envolvidos na montagem do programa final a ser apresentado à sociedade antes do início da campanha eleitoral.
A plataforma e o plano são organizados pela Fundação Perseu Abramo com o apoio de outras fundações partidárias, como a Maurício Grabois (PCdoB), Herbert Daniel (PV), Leonel Brizola-Alberto Pasqualini (PDT) e João Mangabeira (PSB).
As sugestões, de forma individual ou coletiva, podem ser feitas pela sociedade até 30 de junho. Reprodução / Plano Participativo
“Qualquer pessoa pode se cadastrar e apresentar emendas ao documento base que vai ficar disponível para avaliação”, destaca José Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo do PT.
O lançamento da plataforma teve a presença do presidente do PT, Edinho Silva, da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, da presidenta do Psol, Paula Coradi, entre outros dirigentes petistas e de siglas aliadas de várias regiões do país.
O mercado saudável deixou de ser um nicho e virou uma disputa estratégica entre marcas no varejo alimentar. Impulsionadas por um consumidor mais atento a saudabilidade, praticidade e funcionalidade, empresas consolidadas e nomes que antes estavam fora desse território aceleram lançamentos em proteínas, zero açúcar, zero lactose e produtos voltados ao bem-estar.
O movimento ganha força no setor supermercadista que faturou R$ 1,145 trilhão em 2025, respondeu por 9,02% do PIB nacional (Ranking ABRAS 2026) e segue como um dos principais motores do consumo no país. Os dados foram apresentados durante a APAS Show 2026, feira organizada pela Associação Paulista de Supermercados (APAS) e considerada o maior evento supermercadista do mundo.
Em entrevistas exclusivas concedidas no evento, executivos de empresas afirmaram que a nova corrida do setor não é apenas por vendas, mas por espaço na rotina de um consumidor cada vez mais preocupado com saúde e longevidade.
A mudança de comportamento aparece diretamente nos números do consumo. Segundo a pesquisa apresentada na feira, 53% dos brasileiros reduziram a ingestão de açúcar, enquanto 49% passaram a aumentar o consumo de proteína e 45% ampliaram a ingestão de frutas e legumes.
O impacto já começa a remodelar as gôndolas dos supermercados: um terço do faturamento dos refrigerantes no país já vem das versões zero açúcar, enquanto categorias associadas à praticidade saudável, como frutas congeladas, cresceram 48,9% em volume entre janeiro e março de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior.
A tendência também acompanha um cenário mais amplo de transformação social, marcado pelo envelhecimento da população, maior preocupação com longevidade e avanço do mercado fitness no Brasil.
Proteína vira prioridade da indústria
A explosão da demanda por produtos proteicos se tornou um dos principais reflexos dessa transformação no consumo. Antes concentrada em marcas especializadas em suplementação, a categoria passou a atrair empresas tradicionais do setor alimentício, que enxergam no movimento uma oportunidade de crescimento em um mercado de alto valor agregado e consumo recorrente.
No evento, a Aurora apresentou oficialmente sua entrada no segmento com a linha “AuroPro Whey”, apostando em bebidas lácteas com até 15 gramas de proteína por embalagem. Em entrevista exclusiva, Ricardo Chueiri, diretor de Mercado e Consumo da companhia, afirmou que a decisão veio após anos acompanhando a mudança nos hábitos alimentares dos consumidores.
“A gente está percebendo essa tendência já há muitos anos”, disse o executivo. “O consumidor busca uma dieta mais saudável, com menos produtos processados e mais proteínas naturais.”
Segundo Chueiri, a estratégia da empresa passa por utilizar a força de distribuição da Aurora, presente em mais de 120 mil pontos de venda no país, para acelerar a entrada em uma categoria que, segundo ele, cresce cerca de 20% ao ano. A companhia trabalha com um horizonte de consolidação de dois anos para a nova linha e já estuda ampliar o portfólio com outros produtos proteicos e funcionais.
O movimento também representa uma tentativa de ampliar a percepção da marca além das categorias tradicionalmente associadas ao consumo cotidiano. “A Aurora não é só a marca de linguiça associada ao churrasco, é uma marca de alimentos”, afirmou Chueiri.
Saúde vira ecossistema de consumo
O avanço do mercado saudável também tem levado grandes marcas a ampliar atuação para além da suplementação tradicional, apostando em produtos que unem proteína, conveniência, indulgência e experiência de consumo. Durante a feira, executivos de empresas do setor afirmaram que a disputa pelo consumidor wellness passou a envolver diferentes momentos da rotina, do café da manhã ao pós-treino.
Na Italac, a estratégia passa pela ampliação do portfólio proteico e pela aproximação com marcas já consolidadas no imaginário do consumidor. A companhia apresentou novas linhas funcionais e uma collab com a Hershey’s, unindo bebidas proteicas e sabores indulgentes em uma mesma proposta. Em entrevista exclusiva, Andréia Alvares, gerente de Marketing da empresa, afirmou que o crescimento da categoria acompanha uma mudança estrutural no comportamento do consumidor.
“A proteína hoje é uma realidade e o público passou a buscar produtos que combinem saudabilidade, praticidade e sabor. O consumidor de proteína quer novidade, quer mais sabor e quer praticidade”, disse Andréia.
A Piracanjuba segue um caminho semelhante, mas ampliando a estratégia para diferentes nichos de consumo. Além do fortalecimento da linha Paraforce, a companhia expandiu a parceria com a Milky Moo, lançando milkshakes proteicos e produtos voltados ao varejo de suplementação. Para Juliana Morato, gerente de comunicação e atendimento do grupo, o crescimento da categoria está diretamente ligado à incorporação da proteína na rotina do consumidor comum, e não apenas do público fitness.
“A proteína veio com uma tendência que eu acho que já é o nosso novo normal”, afirmou. Segundo a Juliana, a empresa passou a desenvolver soluções para diferentes perfis de consumo, incluindo produtos voltados para pessoas 50+, diabéticos e consumidores que utilizam canetas emagrecedoras.
A estratégia da Piracanjuba também envolve collabs como ferramenta para ampliar presença entre públicos mais jovens. “As collabs nos levam para o público que ainda não nos conhece”, disse a executiva. A empresa atualmente mantém parcerias com marcas como Milky Moo, Cacau Show e até licenciamentos ligados ao entretenimento e à música.
Na Danone, o avanço da alimentação funcional é tratado como reflexo de uma mudança mais ampla no comportamento do consumidor. Em entrevista exclusiva, Marcelo Bronze, vice-presidente de Marketing da companhia, afirmou que o crescimento do mercado saudável vai além da busca por performance física.
“O consumidor está mais informado, mais criterioso e quer produtos que entreguem benefícios reais, com respaldo científico e que se encaixem na rotina”, afirmou Marcelo.
Segundo Bronze, a estratégia da empresa para manter YoPRO na liderança passa por investimento contínuo em inovação, ciência e expansão do portfólio para diferentes ocasiões de consumo. A avaliação da companhia é de que o mercado ainda possui espaço relevante para crescimento no Brasil, impulsionado pela consolidação de hábitos ligados à saúde, bem-estar e longevidade.
O avanço das academias impulsiona o consumo wellness
O crescimento do mercado saudável também acompanha a expansão acelerada do setor fitness no Brasil, que passou a funcionar como um dos principais motores da demanda por produtos funcionais, proteicos e ligados à saúde preventiva. A mudança de comportamento citada por executivos da indústria alimentícia aparece diretamente no avanço das academias, no fortalecimento da cultura de bem-estar e na consolidação do wellness como parte da rotina de consumo dos brasileiros.
O Brasil já é o segundo país com maior número de academias no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Segundo dados do setor, o país possui mais de 30 mil unidades, embora a taxa de penetração ainda esteja abaixo de 5% da população, percentual distante dos mais de 20% observados em mercados maduros, como os países nórdicos e os EUA.
Para Nelson Lins, fundador da Selfit Academias e da Face Doctor, o crescimento do setor reflete uma transformação cultural mais ampla, impulsionada pela busca por saúde preventiva, longevidade e qualidade de vida. “Hoje, é comum médicos prescreverem treinos para saúde e longevidade”, afirmou em entrevista ao Times Brasil- Licenciado exclusivo CNBC.
Segundo o empresário, a preocupação com autocuidado deixou de ficar restrita às classes de maior renda e passou a atingir diferentes perfis de consumidores. “O nível de consciência do público melhorou nas classes A, B, C e D”, disse.
O avanço da demanda também tem acelerado a expansão das grandes redes. A Smart Fit projeta abrir entre 330 e 350 academias em 2026, mantendo um ritmo de crescimento anual próximo de 17%. Já a Selfit soma mais de 260 unidades e afirma ter inaugurado academias a cada 48 horas no último trimestre.
Para empresas do setor alimentício, esse crescimento ajuda a explicar por que produtos antes ligados apenas à suplementação esportiva passaram a ocupar espaço central no varejo tradicional. A alimentação funcional deixou de conversar apenas com atletas ou frequentadores assíduos de academia e passou a atingir consumidores interessados em energia, bem-estar, envelhecimento saudável e rotina equilibrada.
O Brasil já vive o “novo normal” da inteligência artificial, com uso disseminado da tecnologia entre consumidores e empresas. É o que avalia David Dias, sócio e líder de inteligência artificial da EY Brasil e Notável do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Dias disse que a adoção da IA generativa avançou rapidamente desde o lançamento do ChatGPT e passou a fazer parte da rotina dos brasileiros.
“Hoje é muito comum que, para qualquer dúvida, para qualquer questão, a gente vá lá no GPT. Então o GPT hoje se tornou quase que uma companhia das pessoas”, afirmou.
Segundo o Notável, uma pesquisa global feita pela EY mostra que o Brasil está entre os países pioneiros no uso e na adoção de inteligência artificial.
“Só para você entender, 94% da população economicamente ativa usa inteligência artificial. Então o Brasil está nessa perspectiva de pioneiros”, disse.
Nas empresas, o uso da tecnologia também já é amplo. De acordo com Dias, 88% das organizações usam inteligência artificial, e 79% utilizam inteligência artificial generativa.
Apesar disso, ele afirmou que o impacto econômico da IA ainda aparece de forma limitada nos resultados corporativos.
“A gente pode ver inteligência artificial dentro de todas as empresas, mas ainda não está enxergando a geração de valor através da inteligência artificial”, afirmou. “O grande valor da inteligência artificial ainda não apareceu nos balanços finais das organizações.”
Para Dias, o problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela tem sido implementada. Segundo ele, muitas empresas ainda usam IA de maneira isolada, em atividades específicas, sem transformar processos ou modelos de negócio.
“Inteligência artificial vai muito além da possibilidade de automatizar uma determinada atividade. A inteligência artificial tem a capacidade de transformar organizações, pivotar o negócio, ser a nova estratégia de crescimento das empresas”, disse.
O Notável afirmou que as empresas mais avançadas em IA têm quatro características em comum: envolvimento da alta liderança, programas de alfabetização em inteligência artificial, revisão profunda de processos e adoção de práticas de IA responsável.
“As empresas bem-sucedidas hoje têm quatro pontos absolutamente importantes: envolvimento da alta gestão, um programa de letramento que vai do estagiário ao presidente, revisão dos processos e um programa de responsible AI”, afirmou.
Dias disse que um dos maiores desafios para escalar IA nas empresas é medir o retorno sobre o investimento. Segundo ele, o ROI não deve ser calculado apenas a partir de redução de custos ou corte de pessoal.
“O ROI vem muitas vezes de um business novo que você está criando, de um processo novo, do custo de aquisição de clientes que cai, de novos canais, novas possibilidades de venda, novos produtos e novos serviços inovadores”, afirmou.
Para o Notável, as empresas precisam mudar a forma de avaliar projetos de IA e abandonar métricas centradas apenas na implementação de ferramentas.
“A gente não está falando em redução de custos, está falando em geração de valor. Então o ROI tem que ser calculado dentro de uma lógica de geração de valor”, disse.
Dias afirmou ainda que a inteligência artificial deve alterar a cultura das organizações, com avanço de uma lógica que chamou de “AI first”.
O CEO da Ferrari, Benedetto Vigna, afirmou em entrevista à CNBC Internacional que o primeiro modelo totalmente elétrico da montadora manterá a “emoção” característica dos supercarros da marca, mesmo sem o tradicional motor a combustão.
A declaração ocorre em meio à repercussão do lançamento do novo veículo elétrico da companhia italiana e à reação negativa do mercado, com queda das ações da Ferrari após a apresentação do modelo.
Segundo Vigna, o lançamento representa “um novo capítulo” na história da empresa. “Esperei por este dia por cinco anos”, afirmou o executivo, destacando que a Ferrari busca inovar sem abandonar a identidade construída pela marca ao longo das décadas.
O CEO reconheceu que o novo modelo rompe com características tradicionais da fabricante, incluindo mudanças no design, maior espaço interno e configuração com cinco assentos. Ainda assim, afirmou que a estratégia busca equilibrar os desejos dos clientes históricos da Ferrari com a atração de novos consumidores.
De acordo com Vigna, os veículos elétricos oferecem novas possibilidades de design devido ao tamanho reduzido dos motores em comparação aos modelos térmicos. Ele citou alterações estruturais no capô e o uso de materiais como alumínio e vidro como exemplos de soluções que poderão influenciar futuros modelos da montadora.
O executivo também abordou uma das principais preocupações dos fãs da marca, o som do motor. Segundo ele, o novo veículo elétrico possui um som próprio desenvolvido para transmitir emoção ao motorista. “Cada motor tem seu próprio som. O importante é a emoção que ele transmite”, afirmou.
Durante a entrevista, Vigna destacou ainda a colaboração da Ferrari com parceiros externos no desenvolvimento do projeto, defendendo o conceito de “inovação aberta” como parte da cultura histórica da empresa.
O novo modelo elétrico terá preço inicial superior a 500 mil euros. Questionado sobre a rentabilidade do projeto, em um cenário em que veículos elétricos costumam operar com margens menores, o CEO afirmou que os investimentos foram feitos de forma “disciplinada” e alinhados aos padrões de lucratividade da companhia.
A produtora Go Up Enterteniment, responsável pelo filme sobre Jair Bolsonaro, “Dark Horse”, pode pagar até R$ 100 mil em multa após Ancine abrir investigação sobre os meios de financiamento do filme. O caso ganhou destaque após o jornal The Intercept divulgar áudio de Flávio Bolsonaro pedindo R$ 134 milhões de reais para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sob a justificativa de pagar as depesas do filme sobre o pai. Leia em TVT News.
Em um primeiro momento, tanto a produtora Karina Ferreira da Gama como Mário Frias, que está envolvido no projeto, negaram haver recebido dinheiro de Vorcaro para a produção, mesmo após Flávio admitir que as mensagens eram verdadeiras.
Posteriormente, no entanto, Karina assumiu que 90% do filme havia sido financiado com dinheiro do Banco Master e que o orçamento já realizado do filme está em cerca de 13 milhões de dólares.
A Agência Nacional de Cinema (Ancine) investiga a conduta da empresa Go Up Entertainment, produtora nacional responsável pelo filme sobre Bolsonaro.
A Go Up Enterteniment está sujeita à aplicação de uma sanção financeira que varia de R$ 2.000,00 a R$ 100.000,00 devido à ausência de prestação de informações obrigatórias sobre a realização das filmagens em território brasileiro.
A fiscalização da Ancine busca esclarecer o nível de participação da Go Up Entertainment na execução do projeto cinematográfico, cuja estreia nas salas de cinema comerciais está programada para o mês de setembro deste ano.
O órgão regulador visa determinar se a empresa nacional atuou na condição de produtora principal do longa-metragem ou se figurou apenas como prestadora de serviços contratada por uma corporação sediada no exterior.
Reprodução da conversa com o pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, do Banco Master, obtida pelo Intercet. Reprodução / Intercept
Diretrizes da Ancine
As diretrizes regulamentares da agência determinam de forma expressa que toda atividade de filmagem de produções de caráter internacional executada no perímetro geográfico brasileiro deve ocorrer sob a estrita tutela e responsabilidade de uma empresa comercial devidamente registrada nos quadros da Ancine.
A legislação estipula que a firma parceira local possui a obrigação legal de notificar formalmente a agência sobre o cronograma de atividades, além de submeter um conjunto de documentos administrativos obrigatórios, incluindo cópias dos contratos de prestação de serviços, o planejamento logístico detalhado das filmagens e a documentação migratória e passaportes dos profissionais estrangeiros alocados na produção.
“Dark horse”, biografia de Bolsonaro, descumpriu regras da Ancine
A despeito do fato de que as gravações de “Dark Horse” ocorreram na cidade de São Paulo no decorrer do ano passado e alcançaram ampla repercussão nos meios de comunicação, a Go Up Entertainment não remeteu nenhum dos documentos exigidos até o momento.
A Superintendência de Fiscalização da Ancine emitiu notificações e ofícios formais direcionados à sede da produtora nos meses de fevereiro e março deste ano, exigindo a comprovação imediata da regularidade do projeto.
Os documentos oficiais expedidos pelo órgão de fiscalização estipularam que a comprovação da comunicação prévia acerca de obras estrangeiras constitui uma obrigação administrativa compulsória.
A norma em questão encontra-se respaldada por uma instrução normativa editada pela própria Ancine que vigora desde o ano de 2008, instituindo os parâmetros legais para o desenvolvimento de produções audiovisuais estrangeiras no espaço geográfico brasileiro.
Omissão da produtora
A Go Up Entertainment manteve-se em silêncio e deixou de responder aos questionamentos enviados pelas autoridades governamentais nos prazos assinalados.
As notificações emitidas pela Ancine alertavam explicitamente a direção da empresa de que a persistência da omissão documental resultaria na lavratura de um auto de infração, culminando nas penalidades financeiras previstas na regulamentação do setor de radiodifusão e cinema.
O silêncio institucional da produtora antecedeu a divulgação midiática de arquivos de áudio nos quais o senador Flávio Bolsonaro realiza cobranças financeiras expressivas destinadas ao financiamento do filme para o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Emendas parlamentares na mira da justiça
Produtora de filme de Bolsonaro, “Dark Horse”, nunca produziu um filme
Os registros documentais da agência de cinema revelam que a Go Up Entertainment apresenta uma trajetória atípica no segmento de mercado em que atua, uma vez que a empresa privada nunca assinou a realização de nenhuma outra produção cinematográfica anterior ao projeto sobre o ex-presidente.
A entrada da responsável pela firma, Karina Gama, na coordenação de “Dark Horse” ocorreu por intermédio do deputado federal Mário Frias (PL-SP), político que desempenhou as funções de secretário especial de Cultura no governo anterior e que assina formalmente o roteiro técnico do longa-metragem.
Foco principal está em cerca de R$ 61 milhões que teriam sido transferidos para o fundo offshore Havengate, que financiou o filme “Dark Horse”. Foto: Divulgação
Karina Gama também exerce o cargo de presidente do Instituto Conhecer Brasil, entidade que passou a ser investigada no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF).
A linha de apuração foca na destinação de R$ 2 milhões em verbas de emendas parlamentares federais enviadas pelo deputado Mário Frias com a justificativa de financiar o filme “Dark Horse”.
Os dados cadastrais demonstram que o Instituto Conhecer Brasil detém registro ativo na Ancine desde o ano de 2020, contudo, a organização não governamental jamais efetuou o lançamento de nenhuma produção audiovisual no mercado nacional ou no exterior sem ser o filme “Dark Horse”.
Financiamento internacional
O circuito de financiamento econômico por trás de “Dark Horse” exibe ramificações que operam fora das fronteiras nacionais.
Investigações jornalísticas publicadas pelo veículo Intercept Brasil indicaram que o senador Flávio Bolsonaro admitiu ter captado o montante de R$ 61 milhões junto ao empresário Daniel Vorcaro.
Daria para fazer dois “O Agente Secreto” com R$ 61 milhões
Meme sobre financiamento de “Dark Horse” Foto: Reprodução
O valor de R$ 134 milhões solicitado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a obra sobre seu pai é quase o dobro de orçamentos de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” juntos. Já o valor que, de fato, teria sido recebido, os R$ 61 milhões, daria para fazer dois Agentes Secretos.
O fluxo do capital financeiro de “Dark Horse” deu-se por meio de uma pessoa jurídica vinculada ao ex-banqueiro, com destino final direcionado a um fundo de investimentos privado com sede em território estrangeiro.
O fundo de investimentos em questão possui a gestão sob a responsabilidade direta do advogado de imigração que atende Eduardo Bolsonaro em solo norte-americano.
As autoridades que acompanham o caso apontam suspeitas de que os aportes financeiros intermediados pelo fundo tenham servido para a manutenção financeira do deputado federal e filho do ex-presidente em sua estadia nos Estados Unidos.
Nenhuma justificativa técnica foi apresentada pelos envolvidos para fundamentar a necessidade de triangulação financeira internacional em uma produção “Dark Horse” filmada no Brasil.
Havengate: qual é o fundo que liga Vorcaro, Flávio e Eduardo Bolsonaro
O fundo offshore Havengate Development Fund LP, registrado no estado do Texas, nos Estados Unidos, tornou-se um dos principais focos das investigações que apuram a relação entre o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e a família Bolsonaro.
O veículo financeiro aparece no centro das suspeitas sobre a transferência de recursos destinados oficialmente ao filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas que agora também levantam questionamentos sobre eventual financiamento indireto da permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
A nova linha investigativa da Polícia Federal ganhou força após reportagens do site The Intercept Brasil revelarem documentos, contratos, comprovantes de pagamento e trocas de mensagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, Vorcaro, empresas ligadas ao grupo Entre Investimentos e o fundo americano Havengate.
Flávio Bolsonaro nega qualquer desvio de finalidade dos R$ 60 milhões obtidos com Daniel Vorcaro. Em entrevista à GloboNews, o senador afirmou que todo o dinheiro recebido foi destinado exclusivamente à produção cinematográfica.
“Todos os recursos que foram aportados neste fundo, que é específico para a produção do filme, foram usados integralmente para fazer o filme”, declarou o parlamentar.
Reprodução da conversa com o pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, do Banco Master, obtida pelo Intercet. O dinheiro seria para a produção do filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro, “Dark Horse” Reprodução / Intercept
A declaração, porém, passou a ser confrontada por novos documentos revelados posteriormente pelo Intercept. Segundo a reportagem, Eduardo Bolsonaro assinou contratos ligados diretamente à produção de “Dark Horse” e exerceu funções executivas na estrutura do projeto, contrariando declarações públicas anteriores em que afirmava ter apenas cedido seus direitos de imagem.
O contrato citado pela reportagem, datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente em janeiro de 2024, aponta a empresa GoUp Entertainment como produtora da obra e coloca Eduardo Bolsonaro e o deputado Mario Frias como produtores-executivos do filme.
Os documentos ampliaram as suspeitas sobre a verdadeira função do Havengate dentro da engrenagem financeira que sustentou a produção de “Dark Horse”. Segundo os documentos obtidos pelo Intercept Brasil, os recursos ligados a Vorcaro teriam sido enviados inicialmente pela empresa Entre Investimentos e Participações, comandada pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”.
A empresa aparece no radar da Polícia Federal em investigações sobre lavagem de dinheiro, fraudes financeiras e operações consideradas suspeitas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Relatórios do Coaf classificaram movimentações da Entre como indicativas de “conta de passagem”, expressão utilizada para descrever estruturas usadas para circular dinheiro sem relação clara com a atividade econômica declarada.
A PF investiga se a Entre foi utilizada como intermediária para remeter valores ao exterior após dificuldades operacionais enfrentadas pelo próprio Banco Master para executar transferências internacionais.
Mensagens obtidas pelos investigadores indicam que Vorcaro teria orientado operadores financeiros a realizar os pagamentos “via Entre”, o que acabou direcionando os recursos para o fundo Havengate nos Estados Unidos.
A partir daí, investigadores passaram a questionar quem seriam os verdadeiros beneficiários finais da estrutura financeira.
Eduardo no centro das suspeitas
Eduardo Bolsonaro nega ter recebido recursos do fundo ou ter exercido controle sobre a estrutura financeira utilizada no projeto do filme “Dark Horse”. Em manifestações públicas, afirmou que apenas participou do início da produção do filme e posteriormente deixou a gestão da obra.
“Passei então a ser somente uma pessoa que assinou sua cessão de direitos autorais”, afirmou.
As investigações sobre o filme “Dark Horse”, no entanto, ocorrem paralelamente ao acompanhamento da permanência de Eduardo nos Estados Unidos.
O ex-deputado vive no país desde fevereiro de 2025. Na semana passada, a Procuradoria-Geral da República pediu sua condenação por coação no curso do processo, acusando-o de articular, do exterior, ações para pressionar autoridades brasileiras e interferir no julgamento envolvendo Jair Bolsonaro.
Em 2025, o próprio Jair Bolsonaro transferiu R$ 2 milhões ao filho nos Estados Unidos, movimentação que o Supremo Tribunal Federal considerou indício relevante da articulação política e financeira entre pai e filho.
Agora, investigadores tentam esclarecer se parte dos recursos ligados ao Havengate também pode ter servido para sustentar despesas pessoais ou políticas de Eduardo Bolsonaro em território americano.
Cooperação internacional e dificuldades de rastreamento
Especialistas ouvidos por veículos de imprensa destacam que fundos offshore como o Havengate são estruturas complexas justamente porque dificultam a identificação dos beneficiários reais dos recursos.
Os Estados Unidos não aderiram ao sistema internacional CRS, mecanismo da OCDE que prevê troca automática de informações financeiras entre países. Isso torna mais difícil para autoridades brasileiras acessarem dados bancários de estrangeiros que movimentam recursos em solo americano.
Para avançar nas investigações, o Supremo Tribunal Federal poderá depender de pedidos formais de cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos, via Departamento de Justiça americano (DOJ), utilizando os mecanismos previstos no tratado MLAT.
A eventual quebra de sigilo bancário do Havengate dependeria de autorização judicial nos dois países.
Enquanto isso, a crise política provocada pelas revelações continua ampliando o desgaste da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Pesquisas recentes já apontam queda nas intenções de voto do senador após a divulgação dos áudios e documentos envolvendo Daniel Vorcaro, o Banco Master e o financiamento do filme “Dark Horse”.
O trailer do filme “Dark Horse”
O material de divulgação de “Dark Horse” exibe cenas captadas em locações em território nacional, porém estruturadas com diálogos falados na língua inglesa e sustentadas por um corpo de profissionais e atores predominantemente estrangeiros.
O papel principal de Jair Bolsonaro é interpretado pelo ator de nacionalidade norte-americana Jim Caviezel, conhecido no mercado de cinema por sua atuação no filme “A Paixão de Cristo”.
A análise preliminar efetuada pelas áreas técnicas de fiscalização identificou a inserção da logomarca institucional da Go Up Entertainment nos créditos iniciais do trailer de divulgação de “Dark Horse”. Essa configuração visual serve como indício técnico de que a operação se enquadra na modalidade de filmagem de produção estrangeira executada com o suporte de uma produtora local cadastrada, atraindo a obrigatoriedade de sujeição total às regras de controle editadas pela Ancine.
A agência governamental pontuou que os resultados das apurações administrativas em curso serão levados ao conhecimento público e que as punições cabíveis serão adotadas em caso de confirmação das irregularidades.
A cidade de São Paulo cediará um debate voltado para os direitos humanos e a justiça social no início do mês de junho. Nos dias 2 e 3 de junho de 2026, ocorre o Seminário Nacional “Empregabilidade de Pessoas LGBTQIA+ em Situação de Rua: Direitos, Dignidade e Inclusão Produtiva”. O encontro, que conta com o apoio da deputada federal Erika Hilton, será realizado no Casarão Brasil, localizado na região central da capital paulista. Leia em TVT News.
O evento tem como objetivo central discutir propostas e articular caminhos estruturais para combater a exclusão que afeta essa parcela da população no mercado de trabalho.
A organização prevê a participação presencial de cerca de 150 pessoas LGBTQIA+, reunindo integrantes do governo federal, militantes de movimentos sociais, especialistas do setor privado, lideranças comunitárias e representantes de organizações da sociedade civil que atuam diretamente com a população que vive em situação de vulnerabilidade extrema nas ruas.
Para assegurar o acesso público e a transparência dos debates, toda a programação terá transmissão ao vivo pela internet. Os interessados poderão acompanhar as mesas e painéis por meio do canal oficial do YouTube do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
Enfrentamento à exclusão histórica LGBTQIA+
A abertura oficial dos trabalhos trará como eixo de discussão o tema “Empregabilidade como direito: enfrentar a exclusão histórica da população LGBTQIA+ em situação de rua”.
Essa mesa inicial contará com a presença da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, além de representantes do Fundo Positivo, do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para a População em Situação de Rua (CIAMP-Rua) e de outras lideranças dedicadas à defesa dos direitos civis.
O seminário propõe uma abordagem multidimensional sobre as barreiras que impedem o acesso dessa população ao trabalho formal e à geração de renda. Entre as temáticas integradas aos painéis de debate estão a aporofobia (preconceito contra pessoas pobres), a LGBTfobia, o racismo estrutural, a falta de documentação civil básica, os baixos índices de escolaridade formal, a violência praticada por instituições, as deficiências nas políticas públicas vigentes e as formas de acesso aos mecanismos de justiça.
Harley Henriques, presidente e diretor do Fundo Positivo, destaca que as discussões sobre o ingresso no mercado de trabalho para este segmento populacional envolvem necessidades fundamentais de subsistência e reparação. Conforme pontua o dirigente, as ações integradas devem romper com o ciclo de marginalização que empurra esses cidadãos para fora das redes tradicionais de proteção e assistência.
“Não existe inclusão real quando uma pessoa LGBTQIA+ em situação de rua continua sendo empurrada para fora da escola, do trabalho, da saúde, da moradia e da cidadania. O emprego digno não pode ser visto como favor ou exceção. Ele é um direito. O que precisamos construir, junto com o Estado, empresas e sociedade civil, são caminhos reais para que essas pessoas sejam reconhecidas, protegidas e incluídas”, afirma Harley Henriques.
Inclusão LGBTQIA+
A programação do primeiro dia reserva espaço para a análise e o aperfeiçoamento das ferramentas estatais existentes. O debate sobre as respostas institucionais de caráter estrutural passará pela avaliação de programas e planos já formulados pelas esferas governamentais.
Estão inseridas na pauta as discussões acerca da regulamentação da Política Nacional do Trabalho Digno, as diretrizes do Plano Nacional Ruas Visíveis, as ações do programa Cidadania PopRua e as metas do Programa Empodera + LGBT.
29ª Parada do Orgulho LGBTQIA+ reuniu luta e cultura na Avenida Paulista, em São Paulo – Reprodução
O seminário também abrirá espaço para o compartilhamento de iniciativas executadas em âmbito municipal que apresentam resultados práticos positivos, como é o caso do programa Transcidadania, desenvolvido na cidade de São Paulo para promover a elevação da escolaridade e a qualificação profissional de travestis e transexuais.
No segundo dia de atividades, o foco do evento será expandido para avaliar o papel e o nível de responsabilidade do setor empresarial privado.
As mesas de debate tratarão de temas como gestão da diversidade nas empresas, implementação de políticas de contratação afirmativa, desenvolvimento de ambientes laborais seguros, estratégias de combate à discriminação e à LGBTfobia nos locais de trabalho, além das diretrizes gerais de responsabilidade social corporativa.
Oficinas temáticas
Além dos painéis teóricos de debate, o Seminário Nacional promoverá a realização de oficinas de caráter técnico e prático. Essas atividades serão direcionadas para temas como qualificação profissional, fomento à economia solidária, organização de cooperativas, incentivo ao empreendedorismo popular, técnicas de incidência política e os mecanismos de controle social sobre o orçamento e as políticas públicas para LGBTQIA+.
Ao término dos dois dias de discussões e formulações coletivas, os participantes produzirão a Carta de Recomendações do Seminário Nacional sobre Empregabilidade de Pessoas LGBTQIA+ em Situação de Rua.
Este documento conterá um conjunto de propostas formais e compromissos firmados de maneira intersetorial, servindo como guia para subsidiar a criação e o fortalecimento de políticas públicas voltadas ao trabalho, à distribuição de renda, à consolidação da proteção social e à inclusão produtiva.
A conclusão das atividades reforça o entendimento de que a conquista de uma ocupação profissional digna atua como um elemento transformador que ultrapassa a barreira financeira, incidindo diretamente na cidadania e na integridade física e psicológica dos sujeitos afetados pela vulnerabilidade social.
“Quando uma pessoa LGBTQIA+ em situação de rua consegue acessar trabalho digno, não estamos falando apenas de renda. Estamos falando de reconstrução de vínculos, autoestima, autonomia, segurança e vida. Esse seminário nasce para transformar escuta em proposta, diagnóstico em ação e urgência em compromisso público”, completa Harley Henriques.
Serviço
Data: 2 e 3 de junho de 2026
Local: Casarão Brasil, centro de São Paulo
Transmissão: YouTube do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania
A Campanha por Valorização Salarial do Sindjus está na rua. Nesta quinta-feira (21) acontece a paralisação de uma hora, chamada de Apagão do Judiciário. Esta não é a primeira ação da campanha e nem será a última.
Após ter tentado diversos meios para estabelecer uma negociação institucional com a presidência do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, porém sem sucesso em obter uma resposta concreta da atual administração, o Sindjus-RS entende que é o momento de dar visibilidade e de mostrar a força da categoria, para que as suas reivindicações também sejam atendidas.
A presidência do TJRS se disse surpreendida com os atos da semana passada, com a convocação para o Apagão desta semana e “não ter recebido nenhuma pauta de reivindicações”. A verdadeira surpresa, porém, está nos fatos concretos: em 26 de março, já com a pauta da categoria em mãos, o Sindicato a entregou ao presidente, desembargador Eduardo Uhlein, durante a primeira audiência entre as partes. Posteriormente, no dia 30 de março, também foi entregue a pauta de reivindicações da Assembleia Geral, que originou o processo SEI nº 8.2026.0139/001569-1, que acompanha a tramitação interna do tema no TJRS.
Ou seja, a pauta da categoria foi entregue diretamente ao presidente do Tribunal, o desembargador Eduardo Uhlein.
Ao negar esse recebimento, a presidência do TJRS comunica o descaso com que trata as demandas de sua maior força de trabalho, além da negligência com a informação pública e com os profissionais de imprensa ao omitir os fatos de forma deliberada.
Vale ressaltar que a audiência com o TJRS da próxima quarta-feira, dia 27, só foi convocada pela presidência após a divulgação da agenda de lutas do Sindicato, que está sendo publicizada desde o começo de maio.
Sabemos que esses são os 100 primeiros dias de gestão, mas cabe recapitular que neste mesmo período os juízes e desembargadores tiveram diversas demandas financeiras atendidas. Inclusive, chama atenção que no breve espaço de tempo, entre um ato e outro da categoria (atos do dia 14 e o Apagão do Judiciário convocado para esta quinta-feira, 21), a presidência tenha encontrado tempo na agenda e recursos no orçamento para acolher mais uma pauta remuneratória da magistratura.
Assim, reiteramos a convocação de toda a categoria para paralisar as atividades nesta quinta-feira (21), entre 13h e 14h, e participar não só do Apagão do Judiciário, mas também do Assembleia-Ato dia 27 de maio, às 10h, em frente ao TJ, para acompanhar a audiência que deve apresentar respostas para as pautas já entregues oficialmente, não reapresentá-las.
A nossa mobilização é para avançarmos no diálogo, e não retroceder.
(*) Sindicato dos Servidores da Justiça do Estado do Rio Grande do Sul
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As opiniões emitidas nos artigos publicados no espaço de opinião expressam a posição de seu autor e não necessariamente representam o pensamento editorial do Sul21.
O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira (18) que o Brasil não vai abrir mão de sua soberania para exploração de minerais críticos e terras raras existentes no país.
Durante evento realizado em Campinas, no interior de São Paulo, Lula destacou que outros países poderão se associar ao Brasil para explorar esses recursos, dentro do território brasileiro.
“Não temos preferência por ninguém. Pode vir chinês, alemão, francês, japonês, americano. Pode vir quem quiser. Desde que tenham consciência de que o Brasil não abre mão de sua soberania para dizer que os minerais críticos e as terras raras são nossas e que queremos explorá-la aqui dentro”, disse o presidente.
Em seu discurso, Lula também destacou que pesquisadores brasileiros, especialmente do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), poderão ajudar a fazer um estudo sobre esses recursos do país.
“Se a gente for fazer esse estudo só cavando buraco, isso vai demorar muito. A gente vai ter que contar com inteligência e a ciência e o conhecimento de vocês para dar um salto de qualidade, e ver se, em um curto espaço de tempo, a gente faça que o Trump [presidente dos EUA] deixe de brigar com o Xi Jinping [presidente da China] e venha se associar a nós para explorar isso aqui”, disse ele.
Supermicroscópio
O discurso do presidente foi feito na cerimônia de inauguração de quatro linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius, uma espécie de supermicroscópio do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas.
As novas linhas de luz síncroton devem ampliar a capacidade de pesquisa do país em áreas como saúde, energia, agricultura, clima e nanotecnologia. As novas linhas são chamadas de Tatu, Sapucaia, Quati e Sapê.
O investimento é de R$ 800 milhões, por meio do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
“Para fazer um investimento como esse, a gente não tem que perguntar quanto custa. Qualquer quantidade de milhões que colocarmos é muito pequeno diante da quantidade de milhões que isso aqui vai render para o futuro do país e para o futuro da sociedade brasileira”, comentou o presidente.
“Não me convença com discurso, me convença com projeto. Se o projeto for factível, se ele tiver começo, meio e fim, não haverá problema em arrumar dinheiro e aprovar qualquer projeto desse país. E esse projeto aqui é um projeto que pode dar ao Brasil uma respeitabilidade mundial para que nenhum ser humano do mundo ache que o Brasil é inferior”, reforçou.
Para a ministra de Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, a inauguração das novas linhas podem representar um salto tecnológico para o país.
“O que celebramos aqui vai muito além das novas linhas do Sirius ou do avanço das obras do Orion [um complexo para pesquisas avançadas em patógenos]. Essa é a prova de que o Brasil pode ocupar o lugar de liderança científica, tecnológica e industrial no mundo”, disse a ministra.
“O CNPEM ajudou a romper essa lógica de dependência e mostrou que conhecimento também é soberania. Antes do Sirius, pesquisadores brasileiros dependiam de laboratórios estrangeiros para realizar estudos avançados em materiais, proteínas e vírus e tecnologias estratégicas. Isso atrasava pesquisavas e limitava o conhecimento e a capacidade do Brasil em produzir conhecimento em áreas fundamentais”, acrescentou Luciana Santos.
As linhas
A Tatu, primeira linha em uma fonte de luz de quarta geração a operar na faixa dos terahertz, permitirá investigar fenômenos em materiais quânticos, sistemas nanofotônicos e biomoléculas, capazes de analisar estruturas em escala nanométrica. Essa linha vai contribuir para avanços na área de telecomunicações, computação e processamento de dados baseado em luz.
Já a linha Sapucaia é voltada para estudos com nanopartículas, proteínas, polímeros, catalisadores, medicamentos, fluidos humanos e terapias.
A Quati, por sua vez, vai permitir investigações avançadas em materiais para as indústrias petroquímica e farmacêutica, além de pesquisas em terras raras e minerais críticos.
Por fim, a linha Sapê pretende desenvolver materiais avançados, com aplicações em energia, saúde e infraestrutura, bem como em materiais supercondutores e semicondutores, estes últimos importantes para o desenvolvimento de novos chips para a indústria eletrônica.
Luz síncroton e Sirius
A luz síncrotron é um tipo de radiação eletromagnética extremamente brilhante que se estende por um amplo espectro, isto é, ela é composta por diversos tipos de luz, desde o infravermelho, passando pela luz visível e pela radiação ultravioleta e chegando aos raios X.
Com o uso dessa luz especial é possível penetrar a matéria e revelar características de sua estrutura molecular e atômica para a investigação de todo tipo de material.
Já o acelerador de partículas Sirius é uma imensa máquina capaz de analisar estruturas em escala atômica, ou seja, consegue revelar detalhes das estruturas dos átomos e apoiar pesquisas avançadas em diferentes áreas do conhecimento.
Esse equipamento é considerado a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil e uma das mais avançadas fontes de luz síncrotron do mundo.
“O Sirius colocou o país em outro patamar científico e tecnológico. O Brasil passou a integrar um grupo extremamente restrito e seleto de países que dominam tecnologia de fontes de luz síncrotron de quarta geração. O Sirius é a mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil e abriga um dos mais maiores aceleradores de elétrons no mundo o que nos permite desenvolver pesquisas em medicamentos, semicondutores, baterias e minerais estratégicos”, explicou a ministra da Ciência e Tecnologia.
Inovação em saúde
Além da inauguração dessas quatro novas linhas, Lula e o ministro em exercício da Saúde, Adriano Massuda, acompanharam o lançamento da pedra fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde.
O programa, que será realizado inicialmente pelo CNPEM, foi desenvolvido com o objetivo de fortalecer a soberania tecnológica nacional na área da saúde.
A iniciativa visa ampliar o desenvolvimento nacional de tecnologias estratégicas voltadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), como biomoléculas, biossensores, dispositivos médicos e novos diagnósticos.
Esse programa, diz o governo, pretende contribuir para reduzir a dependência de tecnologias importadas e fortalecer a capacidade nacional de desenvolver soluções em saúde alinhadas às necessidades do SUS e da população brasileira.
Lá vou eu mais uma vez repetir, feito uma maritaca com cãibra, que ou o Brasil acaba com as bets ou as bets vão acabar com o Brasil. Ao lado dos juros altos e do mau uso do crédito consignado, a ilusão de encarar apostas como complemento de renda ou solução para dívidas está tornando famílias insolventes, isso quando não levando ao seu adoecimento e até ao suicídio.
Bets cresceram nas frestas da lei por anos durante a gestão Bolsonaro e depois foram reguladas de forma insuficiente no governo Lula, com autorização para a propaganda que nunca deveria ter sido dada. Com isso, parte da economia amarrou seu burro nelas.
Das empresas nacionais e internacionais que lucram bilhões com as tragédias de famílias, passando pela mídia que se financia com espaço para bets anunciarem seu engodo, até o futebol que se tornou dependente da grana obtida pela sangria da população, o negócio se tornou parte do cotidiano.
Tudo protegido por uma constelação de políticos, principalmente no Congresso Nacional. Bancadas da Bíblia, da Bala e do Boi? Bobagem, a mais poderosa é a das bets.
Também, como não canso de dizer, dada a impossibilidade de proibir as bets no curto prazo, o ideal seria vetar todos os anúncios, incluindo aí as mentiras contadas pelos bem pagos influenciadores. Mas, pelos motivos listados acima, teremos que viver com a hipocrisia de não termos anúncios de tabaco, mas termos de tigrinhos.
A economia funcionava antes das bets e vai continuar depois. Mas, como é muito dinheiro, ninguém quer abrir mão. Enquanto isso, o povaréu se estrepa.
Algumas das principais plataformas de apostas. Fotomontagem
Bets viciam tanto quanto o crack. A diferença é que, enquanto você corre o risco de ser preso ou levar bala ao ir à boca comprar uma pedra, as casas de apostas e cassinos on-line estão a um clique de distância em seu smartphone. Neste momento, seu marido ou seu filho podem estar alimentando o vício, gastando as economias e fazendo dívidas de dentro da segurança da sua casa.
Não estou sendo moralista, mas estou falando de um modelo de negócio que lucra justamente com a perda e com o desespero de milhões. Cada propaganda exibida, cada bônus oferecido, cada ganho fácil vendido é, na prática, um convite ao endividamento silencioso.
Reportagem de João José Oliveira, no UOL, já havia apontado que as apostas on-line se tornaram um dos principais fatores de endividamento das famílias brasileiras, superando o impacto do crédito e dos juros no orçamento, segundo estudo do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo) e da FIA Business School.
O impacto disso não aparece imediatamente nas estatísticas macroeconômicas, mas se manifesta na vida real: na conta de luz atrasada, no carrinho de supermercado mais vazio, no remédio que deixa de ser comprado. Pesquisas mostram que uma parcela relevante dos apostadores compromete a própria renda mensal com jogos, sacrificando despesas básicas — inclusive alimentação, educação, moradia e outros serviços essenciais. Sim, bets geram carestia.
As bets funcionam como um imposto informal, regressivo e sem retorno social, com uma dinâmica de consumo que mistura entretenimento, promessa de ascensão rápida e engenharia comportamental desenhada para viciar. Ao fim, o resultado é o enriquecimento de donos de plataformas e dos políticos que se aproveitam da amizade com eles.
Não deixa de ser irônico que muita gente bonita, crescida no leite de pera, reclame de programas de transferência de renda dos ricos para os mais pobres, enquanto defendem a liberdade das bets – que hoje são um robusto programa de transferência de renda dos mais pobres para os ricos.
Não falta diagnóstico, sobra conveniência. Porque enfrentar esse modelo exigiria contrariar quem lucra alto e rápido, ainda que às custas do lento empobrecimento de milhões. Com esse tipo de dívida, o país não quebra de uma vez, mas vai sendo corroído aos poucos, clique após clique, aposta após aposta, enquanto a conta (como sempre) chega a quem menos pode pagar.
A febre do álbum e figurinhas da Copa do Mundo 2026 está para começar. E para facilitar a venda em todos os cantos do país, a rede lotérica da Caixa também fará vendas de álbum e figurinhas. Leia em TVT News.
Onde comprar álbum e figurinhas da Copa do Mundo: lotéricas da Caixa farão vendas
O maior torneio de futebol do mundo começa em 11 de junho de 2026, mas os amantes do esporte já podem viver a magia do mundial por meio das figurinhas colecionáveis da Copa do Mundo de Futebol Masculino FIFA 2026.
Neste ano, as unidades lotéricas da Caixa passam a integrar oficialmente a venda do álbum e das figurinhas da Copa, reforçando sua presença no cotidiano dos brasileiros e conectando colecionadores de todas as regiões do país. A partir de quinta-feira (30), o álbum e as figurinhas estarão disponíveis para compra nas lotéricas cadastradas como ponto de venda oficial, conforme a disponibilidade de estoque.
Cada pacote com 7 figurinhas custa R$ 7 e o álbum avulso R$ 24,90. Para completar todo o álbum são necessárias 980 figurinhas, sendo 68 dessas especiais em papel metalizado.
Atenção, criançada
Em observância ao Estatuto da Criança e do Adolescente, o atendimento e a comercialização do álbum e das figurinhas nas lotéricas são restritos a maiores de 18 anos, vedada a venda direta a crianças e adolescentes neste canal.
Capilaridade da Caixa para álbum e figurinhas da Copa chegarem a todas e todos
Com cerca de 13 mil unidades, as lotéricas são a maior rede de atendimento física da CAIXA e levam conveniência e atendimento próximo a mais de 95% dos municípios brasileiros.
Lotérias cadastradas podeão vender figurinhas da Copa do Mundo. Foto: Tânia Rego/Agência Brasil
Quanto custa o álbum da Copa do Mundo
Os preços de lançamento definidos para os álbuns variam conforme o acabamento escolhido pelo torcedor:
Capa brochura: R$ 24,90
Capa dura: R$ 75,90
Capa dura ouro ou prata: R$ 79,90
Qual o valor das figurinhas da Copa do Mundo
O custo das figurinhas também requer planejamento financeiro. Cada envelope chega às bancas pelo valor de R$ 7,00 e contém 7 figurinhas,
Versões do álbum de figurinhas da Copa do Mundo
Para quem deseja iniciar a jornada, as opções de álbuns atendem a diferentes perfis de colecionadores:
Brochura (tradicional): R$ 24,90
Álbum de figurinhas da Copa do Mundo modelo cartão – Foto: Divulgação/Panini
Capa Dura: R$ 74,90
Álbum de figurinhas da Copa do Mundo modelo capa dura – Foto: Divulgação/Panini
Capa Dura Especial (Prateado ou Dourado): R$ 79,90
Álbum de figurinhas da Copa do Mundo modelo capa dura especial – Foto: Divulgação/Panini
Box Luva Premium Taça: R$ 359,90 (exclusivo para o site da Panini)
Álbum de figurinhas da Copa do Mundo box – Foto: Divulgação/Panini
Quanto vou gastar para completar o álbum da Copa do Mundo?
Perfil de colecionador
Pacotes necessários
Custo por pacote
Gasto com figurinhas
Solitário
~1.463
R$ 7,00
R$ 10.241,00
Social com muita sorte (poucas repetidas)
~300
R$ 7,00
R$ 2.100,00
Social (trocas)
~400
R$ 7,00
R$ 2.800,00
Quanto deve custar para preencher o álbum da Copa do Mundo
Na teoria, completar o álbum parece simples: são 980 figurinhas, distribuídas em pacotes com 7 unidades, vendidos a R$ 7,00. Em um cenário ideal, sem repetições, seriam necessários 140 pacotes — o que daria R$ 980,00 em figurinhas.
Mas a prática é bem diferente.
Panni já abriu a pré-venda do álbum da Copa. Reprodução: Panini
O Cálculo Matemático da “Sorte”
À medida que o álbum começa a ser preenchido, a chance de tirar figurinhas repetidas cresce rapidamente. No início, quase todas as figurinhas são novas. Porém, depois de metade do álbum completo, a probabilidade de repetição aumenta de forma significativa. Nos estágios finais, é comum abrir um pacote inteiro sem conseguir sequer uma figurinha inédita.
Esse fenômeno acontece porque o número de figurinhas que ainda faltam diminui, enquanto o universo total (as 980 possíveis) permanece o mesmo. Em termos simples: quanto mais completo o álbum, mais difícil encontrar o que falta.
Com 48 seleções, o número de figurinhas aumentou consideravelmente. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Na prática, isso significa que o custo real costuma ser bem maior do que o cálculo inicial. Estimativas entre colecionadores indicam que, sem trocas, o gasto pode facilmente dobrar — chegando ou até ultrapassando R$ 2.000 ao longo do tempo, dependendo da sorte.
Somando o valor do álbum, o investimento total pode ficar em:
Mais de R$ 2.024,90 (com álbum brochura)
Mais de R$ 2.075,90 (com álbum capa dura)
Mais de R$ 2.079,90 (com álbum capa especial)
Como gastar menos para completar o álbum da Copa do Mundo?
O “Combo” de Lançamento: Geralmente, as editoras lançam kits com o álbum de capa dura e uma caixa de 80 a 100 pacotes com desconto. Este é o melhor ponto de partida.
Trocas 1:1: Ao trocar uma figurinha repetida por uma que você não tem, você economiza o valor unitário do cromo (R$ 1,00 cada).
Compra de figurinha avulsa: No final da Copa, a própria editora costuma vender as figurinhas faltantes. O preço unitário é maior que no pacote, mas é muito mais barato do que tentar a sorte em envelopes aleatórios.
Trocar figurinhas é a melhor forma para completar o álbum da Copa do Mundo. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Trocar figurinhas é a melhor forma para completar o álbum
Para quem deseja economizar e agilizar a conclusão da coleção, a interação social é a ferramenta mais eficaz. O hábito de trocar as figurinhas repetidas em praças, shoppings e escolas reduz a dependência da sorte ao abrir novos pacotes.
Pontos de encontro: Tradicionalmente, bancas de jornais tornam-se “hubs” de negociação nos finais de semana.
Redes Sociais: Grupos de aplicativos de mensagens facilitam a localização daquela figurinha específica que falta para fechar uma seleção difícil.
Economia Direta: A troca um-por-um evita que o torcedor gaste dinheiro com figurinhas que ele já possui, tornando o processo mais acessível e dinâmico.
Dica do Editor: Fique atento às figurinhas “brilhantes” ou cromadas. Elas costumam ser mais raras e você pode tentar negociar um valor de troca maior nos pontos de encontro.
Atualmente, praças, shoppings, escolas e grupos dedicados em aplicativos de mensagens tornam-se os principais polos de negociação. Essa rede colaborativa não apenas agiliza o preenchimento dos espaços vazios, mas protege o orçamento do torcedor e transforma a montagem álbum em um grande evento coletivo.
GRUPO A: México, África do Sul, Coreia do Sul e Dinamarca;
GRUPO B: Canadá, Bósnia, Catar e Suíça;
GRUPO C: Brasil, Marrocos, Haiti e Escócia;
GRUPO D: Estados Unidos, Paraguai, Austrália e Turquia;
GRUPO E: Alemanha, Curaçao, Costa do Marfim e Equador;
GRUPO F: Holanda, Japão, Suécia e Tunísia;
GRUPO G: Bélgica, Egito, Irã e Nova Zelândia;
GRUPO H: Espanha, Cabo Verde, Arábia Saudita e Uruguai;
GRUPO I: França, Senegal, Iraque e Noruega;
GRUPO J: Argentina, Argélia, Áustria e Jordânia;
GRUPO K: Portugal, RD Congo, Uzbequistão e Colômbia;
GRUPO L: Inglaterra, Croácia, Gana e Panamá.
Línguas mais faladas na Copa do Mundo 2026: espanhol, árabe e inglês lideram
As línguas mais faladas na Copa do Mundo 2026 revelam a diversidade dos 48 países classificados para o torneio que será disputado em junho e julho nos Estados Unidos, México e Canadá.
A lista de seleções reúne idiomas de quatro continentes — do guarani indígena do Paraguai ao uzbeque da Ásia Central — em um mapa linguístico que mostra tanto a diversidade como a marca da história.
A liderança de idiomas de origem europeia, como inglês, francês e espanhol é sinal dos processos de colonização e imperialismo de Espanha, Inglaterra e Portugal (o português está presente em países de 3 continentes na Copa do Mundo). Por outro lado, também mostra a expansão do império árabe, que da península arábica, chegou até o norte da África.
Membros do PT, com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ao centro, durante o evento. Foto: Divulgação
Neste domingo (26), o Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou seu manifesto durante o 8º Congresso Nacional da sigla, em Brasília. O evento, que teve início na sexta-feira (24), teve como tema central as diretrizes para a reeleição do presidente Lula.
O documento, intitulado “Construindo o futuro: Manifesto do PT para seguir transformando o país”, propõe reformas consideradas “estruturantes” para o desenvolvimento do Brasil, com destaque para a reforma do Poder Judiciário.
A proposta do PT visa a democratização do Judiciário, com a criação de mecanismos de autocorreção e o fortalecimento do Estado de Direito. A reforma do Judiciário é uma das principais bandeiras do partido, que busca promover mudanças profundas no sistema, permitindo maior controle social sobre a justiça e combate à concentração de poder.
Além da reforma do Judiciário, o manifesto contempla outras reformas essenciais para o partido. Entre elas estão a reforma política e eleitoral, com o objetivo de democratizar o poder e restituir a soberania popular, e a reforma tributária, que busca corrigir distorções no sistema de impostos, promovendo maior justiça fiscal.
O PT também propõe uma reforma administrativa voltada para a reconstrução do Estado, além de reformas na comunicação e na agrária, com foco na democratização do acesso à terra e na soberania alimentar.
Fernando Haddad ao lado do presidente do PT Edinho Silva. Foto: Divulgação
O documento também aborda questões internacionais, criticando a atuação recente dos Estados Unidos e defendendo uma maior participação do Sul Global nos fóruns internacionais. Para o PT, o Brasil deve se posicionar como um mediador de conflitos e promotor da paz, reafirmando sua tradição diplomática.
Apesar de o manifesto ter sido aprovado, algumas discussões importantes, como a revisão do programa partidário e a organização do PT, foram adiadas para o primeiro semestre de 2027. A principal agenda do congresso foi, portanto, a formulação de estratégias eleitorais para as eleições de 2026.
Durante o evento, a ausência do presidente Lula, que se recupera de dois procedimentos médicos, foi notada, mas o congresso contou com a presença de governadores, ministros e pré-candidatos como Fernando Haddad (PT) e Marina Silva (Rede).
O PT, em sua análise, destaca que o Brasil vive uma crise estrutural, que exige reformas profundas para reverter os danos causados pelo governo anterior. O manifesto traça um caminho para a reconstrução nacional, defendendo a valorização do trabalho, a redução da jornada de trabalho e a ampliação dos direitos sociais. Além disso, enfatiza a importância da democracia e da soberania nacional como pilares para o futuro do Brasil.
LEIA a íntegra do documento:
Vivemos uma mudança de época, marcada pela crise do capitalismo neoliberal e pela crescente desordem global. Nessa conjuntura, se sobrepõem crises estruturais que atingem o sistema capitalista, a ordem internacional, as democracias liberais e as próprias condições de vida no planeta. A promessa neoliberal de crescimento econômico, estabilidade e bem-estar mostrou-se incapaz de oferecer futuro para a maioria. Em seu lugar, consolidaram-se a fome, a estagnação, a desigualdade, a precarização do trabalho, a insegurança e o enfraquecimento das instituições democráticas.
O que se apresenta hoje não é apenas o esgotamento de um modelo, mas a intensificação das disputas sobre os rumos da sociedade.
A crise de 2008 deixou evidente que um sistema que se organiza sob a lógica da concentração de riqueza, diante do colapso, não corrige suas distorções: socializa prejuízos e preserva privilégios. O resultado foi a ampliação do endividamento público, o corte de direitos sociais e a consolidação de um padrão de acumulação baseado na captura de renda e na subordinação das economias nacionais ao capital financeiro global. Novas oligarquias emergiram com força. Grandes corporações, sobretudo no campo tecnológico, passaram a controlar fluxos de informação, organizar o trabalho, influenciar comportamentos e intervir na vida política. A democracia liberal, cada vez mais mediada por plataformas privadas, tornou-se terreno de disputa desigual.
Essa dinâmica se expressa também na crise geopolítica em curso. A ordem internacional sob hegemonia dos Estados Unidos se desestabiliza diante da ascensão de novas potências. Em resposta ao declínio relativo de sua posição, as potências tradicionais intensificam o uso da força — militar, financeira e tecnológica — para preservar sua influência. Guerras, sanções, bloqueios e intervenções voltam ao centro do tabuleiro geopolítico, corroendo o direito internacional e aprofundando crises humanitárias. Povos inteiros são submetidos à destruição de seus territórios, ao deslocamento forçado e à violência sistemática, enquanto princípios fundamentais como a soberania e a autodeterminação são seletivamente ignorados.
As eleições de 2026 serão disputadas no Brasil em um cenário de avanço da extrema-direita e do fascismo nos principais países da Europa e das Américas. Ao mesmo tempo, serão disputadas durante a gestão do governo com mais entregas da história. Desde de 2023, o governo Lula trabalha na reconstrução de um país que havia sido destruído pela extrema-direita. Retomamos e ampliamos o Minha Casa Minha Vida, retomamos o PAC e criamos a Nova Indústria Brasil (NIB) e o Plano de Transformação Ecológica, criamos o ECA Digital, o Pé de Meia e o Gás do Povo, ampliamos e aprimoramos o Bolsa Família, ampliamos radicalmente a educação em tempo integral, retomamos o Farmácia Popular, criamos o Agora Tem especialistas, recuperamos a valorização do salário mínimo e aprovamos a Reforma Tributária do consumo e da renda, ampliamos os recursos para cultura pelas leis Paulo Gustavo, Aldir Blanc e Rouanet, aprovamos a Política Nacional de Cuidados e lançamos o Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio, criamos a Lei de Cotas para concursos públicos – entre muitas outras medidas. Mas, diante da destruição promovida pelo governo anterior, e pelas necessidades e anseios de mudanças da sociedade brasileira, sabemos que é preciso ir muito além.
É nesse ambiente também que se realiza o 8º Congresso do Partido dos Trabalhadores, projetado para o período 2026–2027.
A instabilidade global, a volatilidade energética, a desorganização das cadeias produtivas e as pressões geopolíticas ampliam nossa vulnerabilidade. Ao mesmo tempo, revelam a necessidade de reconstruir a capacidade de planejamento, fortalecer a base produtiva e reafirmar a soberania nacional. A disputa pelo controle de recursos estratégicos, tecnologias e fontes de energia coloca novos desafios para o desenvolvimento nacional. Não há desenvolvimento possível sem autonomia, capacidade industrial e um projeto próprio de país.
Além das medidas estruturais para o desenvolvimento das capacidades domésticas e fortalecimento da soberania, o Presidente Lula se mostrou, neste mandato, como o líder mais preparado para resolver crises e situações de emergência. Da tragédia causada pelas enchentes no Rio Grande do Sul ao tarifaço unilateral de Donald Trump contra o Brasil, o Presidente Lula prontamente atuou em todas as crises que se apresentaram para preservar vidas, empregos e empresas brasileiras. A mesma rápida resposta ocorreu com as queimadas no Centro-Oeste e deslizamentos em Minas Gerais, assim como com a contenção da alta do preço do diesel, diante do contexto de Guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. A atuação de Lula é oposta à do governo anterior, que diante da pandemia permitiu que o país chegasse à marca de 700 mil mortos, e foi considerada a pior gestão do mundo durante a Covid-19.
Para o PT, a soberania nacional no século XXI não se resume à defesa de fronteiras, mas ao controle sobre o coração da tecnologia do futuro. É imperativo que o Brasil assuma o protagonismo sobre suas reservas de terras raras — um conjunto de 17 minerais críticos essenciais para a indústria de alta tecnologia, para a produção de baterias, lasers, turbinas eólicas e componentes de defesa. Explicar o valor desses recursos é explicar a nossa independência: sem terras raras, não há transição energética nem soberania digital. O Brasil detém uma das maiores reservas do planeta e não pode aceitar o papel de mero exportador de minério bruto; nosso projeto exige que o processamento e a inteligência sobre esses minerais ocorram em solo nacional, gerando empregos qualificados e protegendo nossa riqueza contra a cobiça internacional.
A crise da hegemonia norte-americana abre, por outro lado, espaço para novas articulações internacionais e para a afirmação de polos alternativos de poder. Iniciativas do Sul Global, como os BRICS, demonstram que existem margens reais de disputa e possibilidades de construção de uma ordem internacional mais equilibrada. O Brasil pode e deve exercer papel protagonista nesse processo, contribuindo para um mundo mais equilibrado, baseado na cooperação, no desenvolvimento e na paz.
Essa caracterização se evidencia pela postura adotada por Donald Trump em relação às principais economias do mundo, ao utilizar tarifas comerciais como instrumento de pressão e de repressão econômica, estabelecendo um ambiente de guerra comercial sem precedentes. Da mesma forma, sua política externa expressa uma face especialmente imperialista e agressiva na relação com países como Venezuela e Cuba, além da aliança com Israel nos violentos processos de ocupação territorial na Faixa de Gaza e ações militares contra Irã e Líbano, alimentando uma guerra no Oriente Médio de consequências nefastas. Em contraste, o governo Lula reafirmou a tradição pacífica do Brasil: liderou a maior operação de repatriação de cidadãos em áreas de conflito, defendeu o cessar-fogo imediato em fóruns globais e colocou nosso país novamente como o mediador necessário em um mundo em chamas.
A crise, porém, não é apenas econômica ou geopolítica. É também civilizatória. A insegurança e a frustração social alimentam a emergência de forças reacionárias. O autoritarismo, o racismo, a misoginia e o negacionismo ganham espaço, impulsionados pela manipulação da informação e pelo uso político do medo. A democracia é tensionada pela desinformação e pela captura do espaço público por interesses privados.
Nesse contexto, o mundo do trabalho se transforma. A plataformização reorganiza a produção, fragmenta a classe trabalhadora e redefine as formas de exploração. O trabalho se torna mais instável, desprotegido e subordinado a lógicas algorítmicas. Ao mesmo tempo, surgem novas formas de resistência e organização.
Diante desse quadro, a disputa pelo futuro está aberta. Trata-se de construir alternativas que enfrentem as estruturas de poder, reconstruam a democracia, afirmem a soberania dos povos e garantam a vida além do trabalho. Isso exige articular crescimento econômico, justiça social, inovação e sustentabilidade, além de reconstruir o papel do Estado e fortalecer a participação popular, reduzindo a jornada de trabalho e acabando imediatamente com a escala 6×1.
O Brasil está no rumo certo. Retomamos um crescimento médio de 2,8% neste mandato, dobrando a média do governo anterior. A desigualdade, que havia voltado a crescer ao longo do desgoverno anterior, atingiu a mínima histórica com Lula, assim como a proporção de pessoas na pobreza e na extrema pobreza. Após a triste marca de o Brasil ter voltado ao Mapa da Fome no último governo, voltamos a sair com Lula. O salário mínimo, que pela primeira vez na história havia tido redução de seu valor real em um mandato presidencial entre 2018 e 2022, voltou a ser valorizado, crescendo 12% em termos reais ao longo do atual mandato do presidente Lula. O mesmo ocorreu com o rendimento médio real das famílias, enquanto o desemprego atingiu a mínima histórica. Os jovens que não estudam nem trabalham, que haviam atingido o maior patamar da história com o último presidente, atingiram o menor patamar com Lula.
Tudo isso com inflação controlada. Trouxemos a inflação de volta à meta, atingindo a menor média por mandato presidencial da história do real. A inflação de alimentos, que foi, em média, de 12% ao ano, no governo passado, passou a 3%, em média, com Lula. Isso, somado à valorização do salário mínimo, fez com que a quantidade de cestas básicas compradas com um salário mínimo — que havia despencado ao longo do governo anterior — voltasse a crescer sob Lula: enquanto um salário mínimo comprava 1,7 cestas básicas em 2022, passou a comprar 2,1 em 2026.
Com o governo Lula, o orçamento para educação cresceu mais de R$100 bilhões em relação ao governo anterior, equivalente a mais de 60% de crescimento. Já o crescimento do orçamento da saúde foi superior a 30%. Com o Compromisso Nacional da Criança Alfabetizada, praticamente dobramos a parcela de crianças alfabetizadas em 4 anos, saltando de 36% para 66%. Neste governo, a cobertura de municípios com oferta de educação em tempo integral passou de 17% para 91%, com a criação de 1,8 milhão de vagas. O Fundeb teve um crescimento de 350% com Lula em relação ao último governo. Com mais de 4 milhões de jovens beneficiados por ano, o Pé de Meia reduziu em 43% a evasão no Ensino Médio. A cobertura vacinal em crianças cresceu mais de 10% no governo Lula, após o último governo ter negado a importância das vacinas.
Com o Presidente Lula, a safra agrícola bateu recorde, crescendo 32% em relação ao governo anterior, beneficiada pelo maior Plano Safra — tanto para a agricultura familiar quanto empresarial — da história. A produção de veículos cresceu mais de 30% em relação ao governo anterior, e a qualidade das estradas, que piorou no governo anterior, atingiu o melhor patamar da história no atual mandato do Presidente Lula. Os brasileiros voltaram a viajar de avião, com aumento de mais de 30 milhões de passageiros por ano em relação a 2022, e a chegada de turistas internacionais também bateu recorde, atingindo 9,3 milhões em 2025, três vezes mais do que em 2022. Mesmo com o tarifaço de Trump, a balança comercial bateu recorde, crescendo mais de 50% em relação ao governo anterior.
A concessão de crédito aumentou mais de 40% de 2022 para 2025, com crescimento tanto do crédito público quanto do crédito privado. O financiamento habitacional pelo FGTS bateu recorde: depois de ter caído 25% no último governo, cresceu 75% com Lula. A produção industrial, que havia recuado, voltou a crescer. Só no âmbito da Nova Indústria Brasil, foram mais de 650 bilhões de reais contratados. As dotações do Fundo Nacional de Ciência e Tecnologia bateram recorde, crescendo mais de 300% na comparação entre 2025 e 2022. A aprovação de crédito no Fundo Clima somou, apenas nos três primeiros anos do governo Lula, R$ 23,5 milhões, contra menos de R$ 2 milhões ao longo dos quatro anos do último governo.
Todos esses resultados foram conquistados em conjunto com a melhora das contas públicas. O déficit primário médio ao longo do mandato de Lula foi cerca de um terço do que foi o do último governo, e metade do que foi o anterior. Isso mesmo com o atual Governo tendo assumido com um orçamento que previa um déficit de R$ 230 bilhões. Após termos perdido reservas internacionais com o governo anterior, voltamos a acumular reservas com Lula, com um aumento de mais de R$ 40 bilhões de dólares.
São muitos avanços que precisam continuar. Apesar disso, precisamos ir além. Para além dos bons indicadores e resultados, precisamos avançar nas reformas estruturais e atualizar o nosso projeto portador de futuro para o Brasil. Diante do tamanho dos desafios estruturais que Brasil enfrenta e dos novos desafios que a atual conjuntura impõe, esse momento exige a atualização do programa e da estratégia do Partido dos Trabalhadores, tendo as eleições de 2026 como eixo central da tática política.
A reeleição do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva é decisiva para o futuro do Brasil e para o campo democrático internacional. O papel do Brasil impacta diretamente a correlação de forças na América Latina e no mundo. O País reúne condições estratégicas singulares: dimensão territorial, população, recursos naturais e capacidade produtiva. Seu papel é decisivo no desenvolvimento global, o que exige a reafirmação da soberania e da democracia.
O governo anterior representou o ápice da degradação ao executar um verdadeiro projeto de destruição nacional. Esse período de trevas deixou como herança um Estado desmontado e instituições profundamente fragilizadas, além de agravar a crise econômica e social com o negacionismo durante a pandemia, o desmonte do SUS e o retorno trágico da fome e da precarização absoluta.
Diante desse cenário de terra arrasada, o governo Lula assumiu a tarefa inadiável da reconstrução nacional. Em pouco tempo, o país foi recolocado na rota do desenvolvimento com justiça social, retomando políticas estruturantes, reduzindo o desemprego, garantindo a valorização do salário mínimo e resgatando novamente o povo brasileiro do Mapa da Fome.
O 8º Congresso do Partido dos Trabalhadores deve apresentar à sociedade as diretrizes de um novo projeto de desenvolvimento nacional. Trata-se de um momento decisivo para definir prioridades e dialogar com a sociedade brasileira, estabelecendo com clareza quais serão as prioridades políticas para o próximo período.
A estratégia do Partido dos Trabalhadores está ancorada na construção de um bloco democrático-popular, capaz de articular forças sociais diversas em torno de um projeto de transformação. Essa construção exige organização permanente, disputa de hegemonia e uma contínua acumulação de forças sociais e políticas nas bases da sociedade.
Faz-se necessário, portanto, consolidar um amplo processo de concertação social que supere a fragmentação e institua um novo pacto pelo desenvolvimento nacional. Este movimento deve reunir o setor produtivo e o empresariado comprometidos com a nação, a classe trabalhadora, o sindicalismo e os movimentos populares em uma coalizão que transcenda a defesa institucional da democracia. É imperativo que essa articulação se converta em uma potente força de incidência política e social, a ponto de quebrar a hegemonia do rentismo, viabilizando a nova industrialização e a transição energética como pilares de um projeto de país soberano.
Este projeto de país soberano deve ter como eixo central a soberania alimentar, energética, industrial, ambiental, digital e comunicativa e a garantia universal dos direitos sociais. Isso implica a universalização da escola em tempo integral para todas as crianças, em todos os municípios brasileiros, com investimento em infraestrutura escolar adequada, no magistério e na gestão educacional. Deve também assegurar a universalização do acesso à creche e à alfabetização infantil. É fundamental que contemple a expansão dos investimentos em infraestrutura nas áreas de educação e saúde. Precisamos universalizar o direito à segurança alimentar e ao atendimento à saúde; garantir a segurança pública, assegurando o direito de ir e vir; assegurar o direito à mobilidade urbana, com tarifa zero; promover os direitos à cultura, ao esporte e ao lazer; garantir o direito à assistência social; e assegurar a igualdade de gênero, étnico-racial e regional; e o direito à vida plena para a juventude.
Esta soberania também exige a valorização dos agentes desta transformação, a classe trabalhadora brasileira. O direito ao salário digno, o direito ao emprego, assim como o direito ao descanso, ao tempo com a família e ao estudo são fundamentais para um país ser verdadeiramente soberano. Neste sentido, a luta histórica pela redução de jornada de trabalho, materializada pela luta pelo fim imediato da jornada 6×1, constitui também o núcleo de um projeto de país soberano.
A experiência brasileira demonstra que não há democracia sustentável sem a efetiva transformação material da sociedade. Sem a redistribuição real de renda, de poder e de oportunidades, a frustração social se aprofunda e corrói a confiança nas instituições. É esse vácuo de esperança que se torna terreno fértil para a ofensiva autoritária da extrema-direita, que captura o ressentimento popular ao oferecer falsas soluções regressivas para problemas que são, na essência, estruturais.
A disputa central do nosso tempo é uma disputa de hegemonia. Ela se dá no terreno econômico, institucional, cultural e simbólico. Construir maiorias democráticas duradouras exige organização social, formação política, comunicação popular e presença cotidiana do Partido nos territórios, nos locais de trabalho, nas escolas, universidades, no campo e nas novas formas de trabalho. Sem hegemonia social, não há reforma estrutural sustentável.
As reformas estruturais que o Partido dos Trabalhadores propõe devem ser compreendidas como parte de um projeto nacional de desenvolvimento, orientado por objetivos estratégicos claros – tendo como horizonte programático o socialismo democrático – e sustentado por uma correlação de forças capaz de enfrentar privilégios historicamente consolidados. Elas se organizam a partir de três eixos centrais do projeto nacional de desenvolvimento, já em curso no governo Lula 3:
Reconstrução do papel do Estado como indutor do desenvolvimento, por meio do fortalecimento do investimento público, do planejamento, da participação social e das políticas estruturantes, e da superação de seus pressupostos autoritários e elitistas;
Retomada do crescimento econômico com distribuição de renda, riqueza e patrimônio, enfrentando o rentismo e ampliando direitos;
Transição produtiva, tecnológica e ambiental, orientada pela sustentabilidade e pela soberania nacional.
Esses três eixos se materializam, no plano estrutural, em sete reformas decisivas, sem as quais o projeto democrático-popular permanecerá bloqueado:
a) Reforma política e eleitoral, capaz de democratizar o poder e restituir a soberania popular e alterar o atual modelo de execução orçamentária através de emendas parlamentares;
b) Reforma tributária, para corrigir distorções graves do sistema de impostos e financiar direitos. Aprovamos no Governo Lula 3 a histórica Reforma Tributária dos tributos indiretos, permitindo um crescimento potencial de 10% do PIB no longo prazo pela maior eficiência do sistema tributário, e avançamos muito na justiça tributária com a Reforma do Imposto de renda, isentando quem ganha até R$ 5 mil e cobrando mais dos super-ricos, e com a tributação de fundos exclusivos, offshores e bets;
c) Reforma tecnológica, com vistas à soberania produtiva, científica e digital, fortalecida por uma ampla regulamentação dos oligopólios das plataformas digitais;
d) Reforma do Poder Judiciário, visando à democratização, mecanismos de autocorreção e fortalecimento do Estado de Direito; e
e) Reforma administrativa, que permita a reconstrução do Estado brasileiro e o fortalecimento da capacidade pública.
f) Reforma agrária, garantindo soberania alimentar, desenvolvimento e democracia no campo;
g) Reforma da comunicação, garantindo o cumprimento da construção que proíbe monopólios neste setor.
Essas reformas estruturantes organizam o núcleo estratégico do projeto nacional e consolidam o caminho que o Brasil já começou a trilhar. Elas implicam a continuidade e o aprofundamento das políticas públicas e projetos estruturantes em curso. E exigem que o Brasil dê um passo além neste próximo ciclo: que consolide este legado de conquistas e apresente e implemente um projeto de futuro para as próximas gerações.
O Partido dos Trabalhadores reafirma seu compromisso com a construção de um novo projeto histórico. Um projeto que supere os limites do capitalismo brasileiro, combine democracia, desenvolvimento e soberania, e devolva à política sua capacidade de transformar a realidade. É nesse terreno que se decidirá o futuro do Brasil e do mundo.
Para isso, é necessário fortalecer as instâncias partidárias em todo o território nacional, garantindo o funcionamento efetivo dos diretórios em todos os níveis e fazendo com que os mandatos se submetam ao partido. É fundamental priorizar a organização de base, com núcleos presentes em todos os setores sociais e regiões do país, assegurando a presença cotidiana do partido junto à sociedade, enraizado na nossa base social histórica. É fundamental que os núcleos de base sejam reconhecidos como instâncias partidárias.
Devemos valorizar nossas secretarias e setoriais como instrumentos de organização e diálogo social. Ao mesmo tempo, é necessário inovar na organização da nova classe trabalhadora, combinando o fortalecimento do movimento sindical com novas formas de organização social, incluindo a economia solidária. É urgente que, no próximo período, o PT institua a permanente transição geracional, limitando o número de mandatos nas suas instâncias — no máximo dois no mesmo cargo e três no total de participação na mesma instância —, e garantindo no mínimo 50% de mulheres nos espaços de deliberação.
O Partido dos Trabalhadores precisa estar à altura dos desafios históricos colocados, organizando-se como instrumento político capaz de disputar os rumos do Brasil e construir um projeto de país comprometido com a democracia, com as reformas da renda, agrária e institucional, com a justiça social, a igualdade, o fim de todas as formas de discriminação e preconceito e a soberania nacional. Mais do que nunca temos de reafirmar nosso compromisso com o socialismo, e com um mundo democrático, de paz e de igualdade de direitos.
Romeu Zema integra o campo político dos direitistas travestidos de moderninhos, que administram a coisa pública pela ótica das redes sociais. Seus atos são forjados por marqueteiros para conquistarem seguidores, gerarem likes e aumentarem o engajamento, visando a consolidar uma persona pública antes de tudo falsa, descasada das liturgias a que são obrigados os governantes. São enganadores profissionais.
Candidato a presidente da República, o ex-governador de Minas Gerais, ou sua assessoria de marquetagem, percebeu que a onda do momento é atirar contra o Supremo Tribunal Federal. A Operação Delenda Supremo, ora em curso, é pilotada por políticos e empresários enroscados com a lei, golpistas da democracia, alas partidarizadas da Polícia Federal e boa parte da imprensa. Zema pretende ser ponta-de-lança do movimento.
Como quase metade do Brasil aprecia um ser abjeto como Jair Bolsonaro, por natural a corte que o condenou tornou-se alvo da turba e atacá-la, discurso eleiçoeiro certeiro. A intenção de voto em Romeu Zema deu um pequeno salto depois do bate-boca que travou com Gilmar Mendes, ministro que não leva desaforo para casa, mas que neste caso parece ter caído numa armadilha. A retórica do cerceamento da liberdade de expressão gruda como cola.
Gilmar Mendes – Foto: Sergio Lima/AFP
O que dá certa tranquilidade à parcela civilizada do eleitorado é que a desconstrução de Zema virá com facilidade, pelo ridículo do seu comportamento e por sua administração errática em Minas Gerais.
Ocupante do Palácio Tiradentes, Roma Zema não apenas comeu banana com casca para abordar pateticamente a questão alimentar. Antes, no Carnaval de 2019, surgiu vestido de gari, a varrer ruas em Belo Horizonte. A ação buscava sinalizar humildade e valorização do trabalho básico, mas não passou de encenação simbólica, típica de marketing político rasteiro, sem conexão com políticas públicas estruturais. Ao viajar de classe econômica, tentou posar de homem simples e econômico, mas a atitude nitidamente performática de se fazer passar por um cidadão comum prejudica, na prática, a gestão do Estado: o governador não pode estar limitado aos voos de carreira em suas viagens de trabalho, em nome da celeridade administrativa.
Ao longo dos seus mandatos, Zema publicou vídeos com linguagem coloquial, tentando se aproximar do eleitor comum. Tais conteúdos foram alvo de críticas por parecerem artificiais ou mal calibrados, especialmente quando tratavam de temas complexos mediante simplificação excessiva, gerando reações negativas.
O verdadeiro governo Zema guarda esqueletos assustadores no armário. Em 2021, auge da pandemia, o Ministério Público Federal abriu procedimentos para apurar compras de EPIs pelo governo de Minas por indícios de sobrepreço e favorecimento de fornecedores. A investigação foi encerrada, contudo, sem desdobramento penal.
Em 2026, o Ministério Público de Minas Gerais abriu inquérito para apurar uma queda de 96% na destinação de recursos para prevenção contra enchentes no Estado, motivado por suspeitas de omissão administrativa e má gestão orçamentária. A investigação está em curso.
O neoliberal Romeu Zema, de outra parte, não consegue se livrar da ajuda estatal, como prova o avanço da dívida mineira, hoje na casa de R$ 200 bilhões, cerca de 90% dos quais com a União. O governador Zema obteve um novo acordo com a União, no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag),que estabelece parcelamento em até 30 anos, possibilidade de juros reais próximos de zero (IPCA + 0%) e exigência de contrapartidas (ajustes fiscais e eventualmente venda/federalização de ativos). Uma renegociação de pai para filho.
Só que o papagaio continua sendo tema de disputa no Supremo Tribunal Federal. O ministro Nunes Marques chegou a cobrar comprovantes de pagamento da dívida em 2026. Minas já conseguiu, no passado recente, suspender pagamentos por quase dois anos via decisões judiciais. Ou seja: o conflito federativo não desapareceu — só foi reorganizado. Registre-se que a dívida de Minas Gerais cresceu mais de 60% desde 2019, início da era Zema.
Apesar do acordo do Propag, relatórios da Secretaria de Fazenda de Minas Gerais indicam que o Estado iniciou 2026 com uma disponibilidade de caixa líquida negativa em mais de R$ 11 bilhões. Isso ocorre porque, embora a dívida tenha sido alongada, o fluxo de pagamentos e a renúncia fiscal aprovada em 2025 ainda pressionam o orçamento mineiro no curto prazo.
Como todo neoliberal brasileiro, Zema não vive sem uma mãozinha da União.
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) aumentou 1 ponto percentual em abril, em relação ao mês anterior, totalizando 89,1 pontos. O resultado é o mesmo alcançado em dezembro do ano passado, que foi o maior até então. Saiba mais na TVT News.
Na média móvel trimestral, o índice subiu 0,6 ponto, para 87,8 pontos. Os números foram divulgados nesta sexta-feira (24), no Rio de Janeiro.
Na avaliação da economista do Ibre Anna Carolina Gouveia, a melhora da percepção sobre o momento atual impulsionou essa segunda alta da confiança do consumidor.
Segundo ela, tiveram peso no resultado de abril a manutenção da inflação mais controlada e do mercado de trabalho robusto.
“E como a gente vem tendo uma melhora mais focada nas faixas de renda mais baixas, eu acredito que talvez a questão da isenção do imposto de renda tenha ajudado a dar um alívio pontual no orçamento das famílias de menor renda. Então, isso pode estar influenciando os últimos meses da melhora da confiança”, disse a economista do Ibre à Agência Brasil.
Os dois indicadores que formam a confiança do consumidor apresentaram melhora.
O ISA, que reflete a percepção sobre o momento presente da economia, avançou 2,1 pontos, atingindo 85,3 pontos, e mostrando que o consumidor está avaliando de forma mais favorável a economia atual.
O IE, que mostra as expectativas do consumidor com relação ao futuro, subiu 0,2 ponto, registrando 92,3 pontos em abril.
Anna Carolina afirmou que a melhora percebida no mês de abril veio mais do momento presente.
“No mês, o indicador que mais impulsionou a melhora do ICC foi o indicador de situação financeira atual das famílias, que subiu 3,9 pontos. Esse foi o principal motivador da alta da confiança em abril”, explicou a economista.
A análise do índice de consumidor por faixa de renda indica que a melhora mais significativa foi a do consumidor que ganha até R$ 2,1 mil mensais, com a segunda melhora mensal, de 3,4 pontos. Em março, em comparação ao mês anterior, a alta foi de 5,4 pontos.
Futuro
Anna Carolina Gouveia afirmou que uma análise para os próximos meses é incerta por conta, principalmente, dos impactos da guerra externa na inflação do Brasil.
“Há previsão de algum impacto de inflação no futuro, em função da guerra que a gente não sabe quanto tempo vai durar, como vai acontecer etc. E isso pode vir a ocasionar uma queda da confiança e acabar gerando aumento do pessimismo do consumidor, caso a inflação volte a subir”.
Além da inflação, a economista indicou que um ponto principal para o consumidor atualmente tem sido a questão do endividamento, que está elevado.
“Essa é uma questão que não se resolve muito rápido. No mês, a gente teve até uma melhora pontual desse indicador de endividamento, que pode estar sendo impulsionada por alguma política já sinalizada pelo governo de que tentar ajudar o consumidor nessa questão. Isso também pode influenciar o resultado para o futuro”.
Segundo a economista, se houver uma política que ajude o consumidor a desafogar o seu orçamento, isso poderá deixá-lo mais tranquilo e menos pessimista, conseguindo não só pagar suas contas, mas também voltar a consumir normalmente.
Já faz 15 dias que estudantes da USP estão em greve, que foi iniciada pelos TAEs (Técnicos-Administrativos em Educação). Nesta sexta (24), a reitoria revogou a minuta que limitaria a atuação de entidades estudantis. Tratava-se de uma das reivindicações mais cruciais dos estudantes em greve. Reunião para discutir os rumos da greve está marcada para 14h de terça (23). Leia em TVT News.
Nesta quinta (23), servidores técnicos e admnistrativos assinaram acordo com a reitoria e encerraram a greve. No mesmo dia, estudantes da USP fizeram um protesto para defender alguns pontos centrais, como a alimentação nos restaurantes universitários, moradia, aumento de bolsas e contra uma minuta que limita a atuação dos movimentos estudantis.
A manifestação foi organizada pelo Diretório Central dos Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) e passou pelas ruas próximas ao campus Butantã. Mais de 120 cursos em cinco campi aderiram à greve.
“Ontem a gente fez um ato saindo do Portão 1 da USP, até a Faria Lima, composto majoritariamente pelos estudantes, mas agora com a saída dos trabalhadores da greve fica meio incerto. Semana que vem terão assembleias para decidir a continuidade da greve”, disse Antonio Michiles à TVT.
Michiles é estudante de Geografia e militante da Fogo no Pavio. O estudante está ajudando a organizar a greve junto a outras entidades estudantis. Para ele, se trata de uma greve muito particular dentro da USP, porque “diferente da greve de 2023, quem entra na greve primeiro não são os estudantes, são os trabalhadores, os técnicos administrativos”.
Entenda as demandas dos estudantes
Estudantes da USP protestam nesta quinta (23) – Melhorar a qualidade da comida dos restaurantes universitários é uma das reivindicações da greve – Foto: Gabriel Albuquerque
Dois acontecimentos críticos teriam criado a força mobilizadora: a minuta da reitoria sobre os espaços estudantis e larvas encontradas em restaurantes universitários. Um sentimento geral de insatisfação com a Universidade, no entanto, já existia, como a precaridade de institutos, problemas habitacionais, cortes de bolsas e outras políticas de permanência estudantis.
Michiles cita o exemplo da Geografia, que recentemente teve um corte nos trabalhos de campo, fundamentais para a formação de geógrafos. “Nós não temos mais ônibus para fazer os trabalhos de campo“, disse. O estudante diz que essa é uma das dificuldades para o direcionamento da greve. Como todos os cursos têm insatisfações particulares, que passa pelo teto de gastos mantido pelo governo Tarcísio, a unificação dessas pautas se torna algo difícil.
“Então, o que a gente tem procurado fazer e articular com os estudantes é que as pautas dos estudantes não virem uma lista de desejos, e que se criem pautas unificadas, principalmente em relação à meta de sustentabilidade da USP, que, na verdade, é um teto de gastos colocado pelo governo do Estado, que impede com que a USP gaste boa parte do dinheiro do orçamento que vem do ICMS para a universidade”, disse.
Larva no bandeijão
A qualidade da comida ofertada nos restaurantes universitários é uma das principais demandas. Estudantes denunciam a presença de larvas nas refeições, insetos mortos e comida estragada.
No restaurante da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), campus da Zona Leste, estudantes denunciaram neste mês a qualidade da comida, que fez com que alunos pegassem intoxicação alimentar. Eles relataram que desde o começo do ano o serviço ofertado piora.
Já na Faculdade de Direito, que fica no Largo São Francisco, denúncias parecidas sobre larvas na comida e insetos surgiram neste mês.
Larva no bandejão da Sanfran USP. Alunos estão em greve, entre os motivos está a qualidade da comida – ReproduçãoLarva no bandejão da Sanfran USP. Alunos estão em greve, entre os motivos está a qualidade da comida – Reprodução
O bandejão da Medicina é conhecido por ser um dos melhores ofertados, mesmo assim casos de larvas também ocorreram neste ano, o que causou indignação entre estudantes do curso, que dessa vez aderiram à greve.
O que era a minuta que foi revogada hoje?
Outro ponto crucial, que já foi revogado, era uma minuta comunicada pela reitoria que proibia a comercialização dos espaços estudantis e também exigia que os centros acadêmicos, as entidades, os estudantes paguassem conta de água e luz.
Essa minuta uniu os estudantes da USP, já que ela impossibilitaria o funcionamento de entidades estudantis, como os movimentos ao impedir que essas organizações conseguissem financiamento.
“Então, basicamente, essa minuta é o que ela está fazendo, impedindo que o movimento social exista e tenha financiamento próprio dentro da universidade. […] Na prática, limitaria ou acabaria com a maior parte dos centros acadêmicos que precisam de dinheiro para se manter, para fazer suas atividades, seus eventos, organizar as caloradas, enfim. Então, essa é uma pauta que tem mobilizado bastante o corpo de estudantes, […] inclusive institutos que historicamente não entram em greve, como a FEA e a Poli, e ontem a Medicina também entrou em greve”, disse Michiles
O que os TAEs reivindicavam
O ponta-pé inicial da paralização que partiu dos TAEs foi a falta de igualdade entre professores e servidores. Docentes passaram a receber a Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Grace), mas a política não havia sido aplicada aos servidores.
Além disso, Funcionários da universidade também estavam paralisados contra perdas salariais, políticas de terceirização e precarização do atendimento nos restaurantes universitários e más condições sanitárias.
O acordo desta quinta garantiu a criação de um programa de gratificação aos servidores, que deve ser pago mensalmente pelo mesmo período que for paga a gratificação dos docentes. A reitoria também se comprometeu a formalizar juridicamente o abono das horas não trabalhadas em períodos de “pontes” de feriados e recesso de final de ano e implementar soluções para assegurar aos tercerizados condições de deslocamento análogas a dos servidores, como a gratuidade dos ônibus circulares.
Leia na íntegra comunicado da Reitoria – 24/04/2026
“A Reitoria reforça que não há nenhuma intenção da retirada dos espaços estudantis na Universidade. A minuta referente à utilização dos espaços estudantis está revogada.
Um grupo de trabalho será constituído com representação estudantil para a discussão das estratégias de regularização desses espaços para garantir maior segurança jurídica, transparência e conformidade com a legislação aplicável ao patrimônio público tanto para a Universidade quanto para os estudantes.
Ficou agendada para o próximo dia 28 de abril (terça-feira), às 14h, uma reunião de negociação com os representantes definidos pelos estudantes”.
Míssil iraniano atravessa o espaço aéreo de Israel em meio à escalada de tensões entre Teerã, Tel Aviv e Washington. Foto: Divulgação
Nesta terça-feira (7), diversos países do Oriente Médio foram alvos de uma série de ataques provenientes do Irã. Catar, Bahrein e Emirados Árabes Unidos confirmaram o lançamento de mísseis e drones de Teerã, poucos antes do fim do prazo dado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Irã fechasse um acordo favorável a Washington.
Em Bagdá, no Iraque, instalações americanas localizadas nas proximidades do aeroporto também foram atingidas. De acordo com informações da Reuters, explosões foram ouvidas em Doha, capital do Catar, onde autoridades locais afirmaram ter interceptado com sucesso um ataque de mísseis.
As tensões se intensificaram ainda mais quando o Ministério do Interior do Bahrein anunciou que sirenes foram ativadas em todo o território, alertando a população para a situação de emergência. O ministério pediu aos cidadãos e residentes que se dirigissem aos locais mais seguros.
Similarmente, os Emirados Árabes Unidos também dispararam sirenes de alerta, informando que estavam combatendo mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones iranianos. Além disso, o Irã emitiu um aviso alertando para a designação de várias áreas no Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita como zonas militares.
A medida entraria em vigor às 23h, horário de Teerã (16h30 em Brasília). O regime do Kuwait, por sua vez, instaurou um toque de recolher em todo o país, recomendando que os moradores saíssem de casa apenas em casos de extrema necessidade.
O ataque não se limitou aos países do Golfo Pérsico. O Irã também continuou seus lançamentos de mísseis contra o território israelense. Em resposta, Israel atacou o Irã, resultando na morte do chefe da Inteligência da Guarda Revolucionária Iraniana.
O representante iraniano na ONU, Amir-Saeid Iravani, fez duras críticas à retórica do presidente Donald Trump, acusando-o de incitar crimes de guerra e potencial genocídio.
Em uma declaração durante uma sessão do Conselho de Segurança sobre o Estreito de Ormuz, ele pediu à comunidade internacional que condenasse as ameaças dele antes que a situação se deteriorasse ainda mais. Iravani afirmou que, se as ameaças de Trump se concretizarem, o Irã não ficaria inerte.
O enviado afirmou que Teerã tomaria medidas de autodefesa e ações proporcionais para responder às ameaças. Durante uma postagem na rede social Truth Social, Trump alertou que “uma civilização inteira morrerá nesta noite” caso o Irã não reabra o Estreito de Ormuz, um ponto estratégico fundamental para o comércio de petróleo.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan. Foto: Divulgação
O governo federal está avaliando a possibilidade de permitir a utilização de parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para que os trabalhadores brasileiros possam quitar suas dívidas. A medida, confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta terça-feira (7), visa aliviar o orçamento das famílias, que enfrentam altos níveis de endividamento.
De acordo com ele, a proposta está sendo analisada em conjunto com o Ministério do Trabalho, que tem a preocupação de garantir a integridade do fundo. O ministro afirmou que, caso a avaliação considere razoável o uso do FGTS para refinanciamento de dívidas, a medida poderá ser adotada.
“Estamos avaliando isso com o Ministério do Trabalho, que tem uma preocupação com a higidez do Fundo de Garantia. Ao se fazer uma análise, se a gente achar que for razoável a utilização para refinanciamento de algumas dívidas, isso vai ser admitido. Isso não é feito só por mim, mas também pelo ministro (Luiz) Marinho (do Trabalho). Estamos caminhando com essa avaliação, do impacto que isso vai ter sobre o FGTS”, disse ele.
A proposta surge em meio a uma série de discussões sobre o crescente endividamento das famílias brasileiras, um tema que tem preocupado o presidente Lula nas últimas semanas. Durante a reunião, Durigan e outros ministros discutiram formas de combater esse endividamento e aliviar a pressão financeira sobre os cidadãos.
Entre as medidas que estão sendo consideradas, está a liberação do FGTS para pagamento de dívidas, o que, segundo o governo, poderia diminuir o comprometimento de renda das famílias. No entanto, também há preocupações sobre o impacto dessa ação na segurança financeira dos trabalhadores, especialmente em caso de perda de emprego.
Usuário acessando o aplicativo da Caixa Econômica Federal. Foto: Divulgação
Além da liberação do FGTS para o pagamento de dívidas, outra medida em discussão envolve a regulamentação do fundo como garantia para operações de crédito consignado privado. Essa proposta busca facilitar o acesso ao crédito de forma mais acessível e com taxas de juros mais baixas.
O governo também estuda outras ações para combater o endividamento, como o uso dos recursos esquecidos nos bancos, atualmente avaliados em R$ 10,5 bilhões. Esses recursos poderiam ser direcionados ao Fundo Garantidor de Operações (FGO), com o objetivo de reforçar as garantias do governo aos empréstimos renegociados.
Embora essa medida tenha gerado expectativa, Durigan optou por não detalhar suas especificidades, prometendo anunciar os detalhes assim que as decisões forem finalizadas. “Não vou entrar nos detalhes das medidas, isso ainda vai ser anunciado com todos os detalhes”, afirmou o ministro.
Além disso, o governo está discutindo dois focos principais para o novo programa de combate ao endividamento: o primeiro seria focado na população de baixa renda, com dívidas em atraso entre 60 e 360 dias, incentivando a renegociação com descontos e novas opções de parcelamento.
O segundo foco seria para pessoas adimplentes, mas com alto comprometimento de renda, que poderiam ser estimuladas a migrar para linhas de crédito com juros mais baixos, aliviando assim suas finanças.
O lado oculto da Lua: Trump ameaça tomar Irã nesta noite; internautas se encantam com fotografias da missão Artemis II
Desde o começo da missão Artemis II, a Nasa vem divulgando fotografias de “turismo” do espaço que estão circulando pelas redes sociais. Como forma de propaganda da missão, as imagens servem para receber apoio do público. No site da agência, a viagem é transmitida ao vivo 24 horas seguidas. As atualizações sempre em tom de exaltação.
Em suas redes sociais, Donald Trump, Nasa e a Casa Branca compartilharam como colaboradores a “primeira imagem” registrada do lado oculto da lua:
A fotografia desse ângulo foi divulgada como a primeira já realizada em tom de exaltação e de conquista, mas não é bem assim como eles contam.
Desde o programa Apollo, nas décadas de 1960 e 1970, exploradores robóticos já mapearam o lado oculto da Lua.
Em 2023, a Índia enviou a sonda Chandrayaan-3 e capturou imagens detalhadas da mesma região. Por olhos humanos, a Nasa pode ter feito o primeiro registro do lado oculto da Lua, mas está longe de ser um feito verdadeiramente inédito.
Foto do lado oculto da Lua feita em 2023 por uma câmera da sonda Chandrayaan-3, da Índia – Foto: Divulgação
O lado oculto da Lua: “Uma civilização inteira morrerá nesta noite”, declarou Trump nesta segunda
A tensão da guerra com o Irã atingiu o ápice nesta terça-feira (7), prazo final de um ultimato de 48 horas imposto pelos Estados Unidos para a reabertura do Estreito de Ormuz.
Em uma postagem que gerou alarme internacional por seu caráter extremado, Trump afirmou em sua rede social que “uma civilização inteira morrerá nesta noite”, sinalizando um descarte das vias diplomáticas tradicionais em favor de uma retórica de aniquilação.
A astronauta Christina Koch observa a Terra a partir da nave Orion na Missão Artemis II (imagem feita com um iPhone 17 Pro Max) – NASA/ DivulgaçãoUma imagem feita no quarto dia da missão Artemis 2 mostra a bacia Orientale na borda direita do disco lunar na Missão Artemis II – NASA/DivulgaçãoLado oculto da lua capturada da Orion enquanto a Terra submerge além do horizonte lunar – NASA/Divulgação
Como as imagens são feitas
Esta é a primeira vez que câmeras digitais são levadas tão longe. Junto aos 4 astronautas estão 32 câmeras e dispositivos, 15 instalados na nave e 17 operados manualmente.
Conforme detalhado pela Nasa, a tripulação utiliza equipamentos fotográficos com cerca de uma década de mercado, a exemplo da Nikon D5, complementados por câmeras GoPro e smartphones. Para quem deseja conferir as especificações técnicas, o álbum da missão na plataforma Flickr detalha qual dispositivo foi o responsável por cada registro publicado.
Entenda: Nikon D5 lançada em 2016 vai ao espaço, fotógrafo explica:
Agora, a Artemis II entra em fase de regresso. Depois de completar a volta em torno da Lua, a espaçonave Orion acionou os motores rumo à Terra e deixará a órbita lunar nesta terça (7). O feito consolida o retorno dos voos tripulados ao espaço profundo, algo que não ocorria desde o fim do programa Apollo, em 1972.
Artemis II bate recorde de distância percorrida por seres humanos no espaço
A missão Artemis II, da NASA, entrou para a história nesta segunda-feira (6) ao estabelecer um novo recorde de distância percorrida por seres humanos no espaço. A bordo da cápsula Orion, quatro astronautas ultrapassaram a marca registrada pela missão Apollo 13, de 1970, e se tornaram os humanos que mais se afastaram da Terra. Leia em TVT News.
De acordo com dados divulgados pela agência espacial e confirmados por veículos internacionais, a tripulação atingiu cerca de 252 mil milhas (aproximadamente 406 mil quilômetros) de distância do planeta, superando o recorde anterior de 248 mil milhas. Esse marco foi alcançado durante o sobrevoo da face oculta da Lua, momento em que a nave também entrou em um período temporário de blackout de comunicações com a Terra.
Os professores da rede pública estadual de São Paulo entram em greve nos dias 9 e 10 de abril. Leia sobre a paralisação dos professores da rede pública de SP com a TVT News.
Greve dos professores da rede pública de São Paulo dias 9 e 10 de abril
Atenção, pois há paralisações previstas em escolas de todas as regiões de São Paulo, incluindo capital, litoral e interior.
Convocação da Apeoesp para a greve nos dias 9 e 10 de abril Imagem: Reprodução / Apeoesp
Entenda os motivos da greve dos professores da rede estadual de São Paulo
A greve dos professores da rede pública, que também envolve mobilizações nos dias 9 e 10 de abril, ocorre em meio a críticas dos docentes às políticas educacionais do governo Tarcísio. Entre as principais reivindicações está o reajuste do piso nacional do magistério com impacto na carreira.
“O governo Tarcísio de Freitas publicou o Decreto 70.483/2026, que dispõe sobre a concessão de abono omplementar aos servidores. Na prática, o governo Tarcísio mais uma vez descumpre a lei do piso, e pagará um abono para aqueles profissionais que recebem abaixo do piso nacional, até que complemente o valor”, explica, em nota o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).
“Tarcísio também enviou para a Assembleia Legislativa o Projeto de Lei Complementar 226/2026, que propõe reajuste salarial de 10% para as forças de segurança (polícias civil e militar). Ora, não desconhecemos a importância das forças policiais, porém a Educação e seus profissionais são fundamentais para a sociedade e, portanto,também devemos receber um reajuste linear compatível com o que está sendo a eles concedido”, completa a nota da Apeoesp.
Os professores também cobram a aplicação correta da jornada do piso, garantindo que ao menos um terço da carga horária seja destinado a atividades extraclasse, como planejamento e formação. Outro ponto central é a retirada do Projeto de Lei 1316/2025, que trata da reforma administrativa na área da educação.
A pauta da greve inclui ainda a revogação de mecanismos de avaliação considerados injustos pela categoria, mudanças na atribuição de aulas para assegurar maior transparência e a garantia de que não haja professores sem aulas ou estudantes sem docentes.
Entre outras demandas, estão:
Reajuste salarial para todos os professores, ativos e aposentados, com base no piso nacional da educação;
Abertura de classes no período noturno, tanto no ensino regular quanto na Educação de Jovens e Adultos (EJA);
Ampliação da educação especial inclusiva, com atendimento adequado a estudantes com deficiência;
Convocação de mais professores concursados;
Regularização de pagamentos atrasados e revisão de descontos realizados durante a pandemia;
Devolução de valores considerados indevidos a aposentados e pensionistas.
A mobilização é organizada por entidades representativas dos professores da rede pública e deve reunir educadores de diversas regiões do estado. A assembleia no vão do MASP será determinante para definir os próximos passos do movimento, incluindo a possibilidade de manutenção ou ampliação da greve.
A expectativa é de forte adesão à greve dos professores, em um cenário de tensão entre a categoria e o governo Tarcísio de Freitas. Foto: Reprodução / Apeoesp
A expectativa é de forte adesão, em um cenário de tensão entre a categoria e o governo estadual, com impactos diretos no calendário escolar da rede pública paulista.
Os professores também realizam uma assembleia decisiva na quinta-feira, 10 de abril, às 16h, no vão livre do MASP, para avaliar a continuidade do movimento.
Por que os professores de São Paulo estão em greve?
Entre as principais reivindicações do professores em greve estão:
Reajuste do piso nacional do salário base com repercussão na carreira e não no abono complementar
Reajuste salarial imediato de 6,27% para todos os professores, ativos e aposentados, com base no piso nacional da educação;
Aplicação correta da jornada do piso em aulas (26 aulas em classe e 14 sem estudantes)
Retirada do PL 1316/2025 – Reforma Administrativa da Educação
Revogação da Avaliação de Desempenho injusta e punitiva
Atribuição de aulas presencial, justa e transparente
Nenhum professor sem aula, nenhum estudante sem professor
Abertura de classes no noturno ensino regular e EJA
Educação Especial Inclusiva que atenda às necessidades de estudantes atípicos e com deficiência
Convocação de mais professores concursados
Aplicação do tempo de serviço descongelado da pandemia e pagamento dos retroativos
Devolução dos valores confiscados de aposentados e pensionistas
Melhores condições de trabalho, incluindo climatização das salas de aula devido às fortes ondas de calor;
Diálogo efetivo com o governo estadual, que tem se mostrado resistente às negociações.
Segundo a deputada estadual Professora Bebel (PT), presidenta da Apeoesp, , a paralisação é resultado da falta de avanços nas pautas apresentadas ao governo estadual. “Estamos chamando os professores e as professoras a fecharem suas escolas nos dias 9 e 10 e participarem da assembleia. É um momento decisivo para a nossa categoria, que precisa se posicionar diante das medidas que impactam a educação pública e a carreira do magistério”, explica Bebel.
Outro ponto da greve é a defesa da carreira docente, incluindo a implementação da meta 17 do Plano Nacional de Educação, que prevê a equiparação salarial dos professores com outros profissionais de nível superior.
“Nós lutamos há anos para que o piso seja o ponto de partida da carreira. Valorização de verdade significa cumprir a carreira e garantir salários compatíveis com a importância do nosso trabalho”, afirma Bebel.
A deputada reforça a importância da participação da categoria na assembleia do dia 10. “A presença de cada professor e professora será fundamental para que possamos decidir os próximos passos do movimento. É na assembleia que a categoria se expressa e define seus rumos”, conclui.
Professores e outras categorias do funcionalismo público participaração do ato no dia 10, às 16h, no MASP. Foto: Reprodução / Apeoesp
A Apeoesp reforça a importãncia de todos os professores participarem ativamente da assembleia no dia 10, ressaltando que a unidade da categoria será determinante para os próximos passos na luta por valorização profissional e melhorias na educação pública.
Caravana da Educação
A mobilização vem sendo organizada em todo o estado por meio da Caravana da Educação, que percorre as subsedes da Apeoesp promovendo debates com a comunidade escolar. Segundo a entidade, com as Caravana, já foram instalados 30 comitês populares, 12 estão com lançamentos previstos, e a expectativa é ampliar essa articulação para as 95 subsedes.
Para Bebel, a greve também busca ampliar o diálogo com a sociedade. Ela explica que “a educação pública diz respeito a toda a população. Estamos dialogando com estudantes, pais e comunidades para mostrar o que está em jogo e fortalecer essa construção coletiva”.
os dias 16 e 30 de março, o Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) aprovou o Plano de Ação para 2026, que prevê cerca de R$ 1,4 bilhão em recursos. A decisão foi tomada durante a 78ª e a 79ª reuniões do colegiado, realizadas no Ministério da Cultura (MinC), em Brasília. Leia em TVT News.
Os encontros, presididos pela ministra Margareth Menezes, reuniram gestores públicos e representantes do setor audiovisual para avaliar dados, ouvir demandas e encaminhar propostas que devem orientar o próximo ciclo de políticas para o segmento.
A Agência Nacional do Cinema (Ancine), como secretaria-executiva do FSA, coordenou os trabalhos e apresentou dados do setor por meio do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA), que subsidiam a formulação e o aperfeiçoamento das políticas públicas.
As pautas dos encontros incluíram a apresentação dos relatórios de gestão do FSA, o planejamento das políticas de fomento, a aprovação das regras e critérios das chamadas públicas remanescentes do Plano de Ação de 2025, a programação da execução orçamentária e financeira de 2026 e a apresentação de um calendário para o lançamento das novas ações.
Também foram apresentados documentos estratégicos para o setor, como o Panorama do Ecossistema Audiovisual e os Planos de Ação e Composição Orçamentária da linha dos Arranjos Regionais.
Além disso, foi retomada a linha de investimentos em núcleos criativos, voltados à etapa de desenvolvimento de projetos audiovisuais, como a criação e a estruturação de roteiros e obras.
Conjuntamente, foram aprovadas propostas de novas parcerias com a RioFilme e com o Estado do Rio de Janeiro, além da continuidade de ações emergenciais voltadas ao Rio Grande do Sul.
A reunião contou com a participação de representantes da Casa Civil, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do setor audiovisual.
Na abertura, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou o momento vivido pelo setor e a importância da articulação entre governo e sociedade civil. “A gente fica feliz de ver o que está acontecendo no audiovisual. Isso dá mais inspiração para continuar trabalhando e procurando acertar também no que diz respeito ao que cabe ao governo”.
Plano de Ação 2026
O Plano de Ação aprovado prevê cerca de R$ 1,4 bilhão em recursos, sendo R$ 976 milhões destinados às ações de investimento e R$ 460 milhões a operações de crédito, conforme orçamento aprovado.
Os recursos incluem valores previstos no Plano Anual de Investimentos (PAI) 2026, estimado em cerca de R$ 1,1 bilhão, além de saldos remanescentes de anos anteriores.
Dentro das ações de investimento, os recursos se distribuem entre diferentes linhas, com destaque para o cinema (Prodecine) e para TV e vídeo sob demanda (Prodav), enquanto as linhas de crédito (Proinfra) concentram as operações reembolsáveis.
Plano de Ação 2026
A alocação dos recursos busca impulsionar o desenvolvimento econômico e industrial do setor em todas as regiões do país, ampliar a presença da produção nacional nos diferentes segmentos de mercado e promover a inserção de novos talentos e empreendedores, com atenção à diversidade e à representatividade.
Ao comentar os dados, o diretor-presidente da Ancine, Alex Braga, destacou o papel das informações produzidas pela agência para o setor. Segundo ele, “a Ancine, nos últimos anos, consolidou um modelo de atuação baseado na produção, sistematização e ampla divulgação de dados de mercado do setor audiovisual brasileiro”. Ele acrescentou que o material foi apresentado ao Comitê para, a partir desses diagnósticos, “pensarmos a revisão e o aperfeiçoamento das políticas públicas, estimulando a participação social, críticas e proposições”.
O relatório também aponta que a demanda do setor permanece elevada, com mais de 4 mil projetos avaliados nos editais recentes.
A secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, Joelma Gonzaga, afirmou que a gestão busca equilibrar diferentes perfis de produção e aprimorar os instrumentos de avaliação. Na ocasião, ressaltou que o Plano de Diretrizes e Metas (PDM) já possui validade administrativa e passará a orientar o Comitê Gestor, com a implementação de uma metodologia de monitoramento baseada em indicadores.
Desafios e perspectivas
Representantes do setor também apontaram desafios relacionados à previsibilidade e à execução das políticas.
Entre os pontos discutidos estão a estruturação de editais e a necessidade de ampliar a distribuição regional dos recursos. Em 2025, o Sudeste concentrou 66,3% dos investimentos, enquanto o Nordeste ficou com 11,5%, o Sul com 11,1%, o Centro-Oeste com 8,5% e o Norte com 2,6%. Para 2026, o plano prevê cotas de até 40% para projetos das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Os indicadores divulgados pela Ancine reforçam o momento de retomada do setor. O país registra 3.554 salas de cinema em operação, recorde histórico, com 367 filmes brasileiros exibidos em 2025, que somaram 11,12 milhões de espectadores e R$ 214,9 milhões em renda.
Mesmo com a ampliação dos recursos e a diversificação dos instrumentos de financiamento, o cronograma de lançamento das ações para 2026 segue condicionado à disponibilidade financeira e à definição de critérios pelo Comitê Gestor.
Planejamento e linhas de investimentoPlano de linhas e investimentos
O alto nível de endividamento das famílias brasileiras segue como uma preocupação central do governo Lula desde o início do mandato. Um dos principais sinais dessa preocupação foi a criação do programa Desenrola Brasil, que beneficiou mais de 15 milhões de pessoas, com a renegociação de R$ 51,7 bilhões em dívidas em todo o país. Mais informações em TVT News.
Apesar dos esforços do governo federal, o volume de endividados ainda é elevado. Dados do levantamento produzido mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que o percentual de famílias com dívidas alcançou 80,4% em março de 2026. O índice supera tanto o registrado no mesmo período do ano passado, de 77,1%, quanto o de fevereiro deste ano, quando estava em 80,2%, indicando uma tendência persistente de alta no comprometimento da renda das famílias brasileiras.
Diante do desafio de aliviar o orçamento da população, o governo estuda a adoção de novas medidas. Na manhã desta terça-feira (7), o presidente se reuniu com ministros no Palácio do Planalto para discutir alternativas. O foco das ações está voltado principalmente para a população de baixa renda e também para pessoas adimplentes que, embora estejam com as contas em dia, apresentam alto comprometimento da renda com empréstimos e financiamentos.
Entre as alternativas em análise está a retomada do Desenrola, desta vez com foco exclusivo nos mais pobres, além da possibilidade de permitir a migração de consumidores com empréstimos ativos para linhas de crédito com juros mais baixos, o que poderia reduzir o peso das parcelas no orçamento mensal.
Recursos perdidos para enfrentar o endividamento das famílias
Para garantir a adesão das instituições financeiras às medidas, o governo avalia o uso de recursos do Fundo Garantidor de Operações, que serviria como uma espécie de garantia para os bancos, incentivando a concessão de descontos nas renegociações. Para reforçar esse fundo, está em estudo a utilização de recursos esquecidos em contas bancárias, atualmente estimados em cerca de R$ 10,5 bilhões.
Com esse mecanismo, a lógica é que, quanto maior for a participação dos bancos nas renegociações e maior a oferta de condições facilitadas aos consumidores, maior também será o acesso dessas instituições às garantias oferecidas pelo governo federal em novas operações de crédito. Na prática, isso pode resultar em descontos de até 80% para quem busca renegociar dívidas.
Outra medida em discussão, considerada mais polêmica, é a liberação de recursos do FGTS para quitação de dívidas. A proposta enfrenta resistência porque o uso do fundo para esse fim pode comprometer outras finalidades importantes, como a aquisição da casa própria e o acesso ao recurso em casos de demissão sem justa causa. Além disso, há preocupação com a sobreposição com o chamado crédito do trabalhador, que já utiliza o FGTS como garantia em caso de inadimplência.
Governo estuda liberar FGTS para auxiliar na redução do endividamento das famílias. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Pequenas empresas e microempreendedores individuais (MEIs) também estão no radar do governo. A equipe econômica trabalha na criação de uma espécie de “Desenrola”, voltado à renegociação de dívidas empresariais. A minuta de uma Medida Provisória já foi elaborada pelo Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte e deve ser analisada em breve.
Apesar das iniciativas, especialistas apontam que o alto nível de endividamento está diretamente ligado ao patamar elevado dos juros no país. Mesmo com o início do ciclo de queda da Taxa Selic — atualmente em 14,75% ao ano —, o custo do crédito segue alto, enquanto a inflação ainda apresenta resistência, influenciada por fatores internos e externos, como conflitos internacionais.
Com a redução do poder de compra, muitas famílias acabam recorrendo ao crédito até mesmo para despesas básicas, tornando-se dependentes de modalidades mais caras, como o rotativo do cartão de crédito, que possui taxas significativamente elevadas.
Diante desse cenário, o governo também avalia medidas preventivas, como a ampliação de programas de educação financeira e incentivo ao consumo consciente. Entre as propostas está a criação de mecanismos para conter o endividamento relacionado a apostas online — as chamadas “bets”. Uma das ideias em estudo é implementar um tipo de restrição para impedir que pessoas que tenham contraído empréstimos para quitar dívidas possam realizar apostas, como forma de evitar o agravamento da situação financeira dessas famílias.
No Dia do Jornalista, celebrado nesta terça-feira, 7 de abril, o Brasil ganha um novo instrumento de proteção à liberdade de imprensa com a formalização de um protocolo nacional específico para investigar crimes contra jornalistas e comunicadores. O protocolo foi assinado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César, em evento realizado no Palácio do Planalto que contou com a presença da ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Janine Mello, e do ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, entre outras autoridades. Leia em TVT News.
Com o documento, o Brasil se alinha a uma tendência internacional de criação de mecanismos específicos para proteger jornalistas e enfrentar a violência contra a imprensa, um dos principais desafios globais para a democracia. “A violência contra jornalistas e comunicadores não será tratada como algo periférico à democracia. O direito de informar e o direito de ser informado merecem proteção efetiva. Este protocolo representa isso. Proteger quem informa é, em última instância, proteger o coração da nossa democracia”, ressaltou Wellington César.
“O MDHC também tem contribuído com o Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores, criado ainda em 2023 pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O protocolo se insere nesse contexto e compreende uma firme resposta do Estado brasileiro ao cumprimento de obrigações internacionais dos direitos humanos relativas à violência contra jornalistas e comunicadores”, destacou Janine Mello.
COMPROMISSO DO ESTADO – Ao discursar em nome do ministro Sidônio Palmeira, o secretário de imprensa da Secom, Laércio Portela, frisou que zelar pela segurança de jornalistas e comunicadores é um dever do Governo do Brasil e reforçou que a norma assinada é mais um passo no sentido de assegurar o pleno direito da sociedade à informação precisa e de qualidade.
“Nós, que fazemos comunicação com o Governo, sabemos da importância de estarmos reunidos no Palácio Planalto, para assinar o protocolo nacional de investigação de crimes contra jornalistas e comunicadores. O protocolo é mais do que uma norma. É um compromisso do Estado brasileiro e deste governo com a verdade, com a democracia e com as pessoas que arriscam a própria segurança e a própria vida para que a sociedade possa ser bem informada com liberdade”, afirmou.
PREVENÇÃO, APURAÇÃO E RESPONSABILIZAÇÃO – O protocolo estabelece proteção imediata às vítimas, organiza procedimentos investigativos e reforça a cooperação entre instituições para enfrentar a impunidade. Elaborado no âmbito do Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores, a norma cria um padrão nacional de atuação para o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), com foco na prevenção, apuração e responsabilização de crimes praticados em razão da atividade jornalística.
QUATRO EIXOS – Secretária Nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães Loula destacou que o protocolo está embasado em quatro eixos: proteção imediata da vítima e dos familiares, qualificação da investigação, produção e a preservação das provas, e a escuta qualificada das vítimas. “O protocolo estabelece parâmetros consistentes e técnicos para a prevenção e a investigação policial de crimes cometidos contra jornalistas e comunicadores. Isso significa reconhecer que esses casos exigem uma resposta estatal que não considere apenas o fato, mas o contexto, a motivação da agressão e a relação do crime com o exercício profissional da atividade jornalística de comunicação. O protocolo também se dedica, com atenção especial, a situações específicas, como desaparecimentos”, ressaltou.
FENAJ – O evento reuniu representantes de diversas organizações ligadas ao exercício do jornalismo, que se pronunciaram antes do início da cerimônia. Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro elogiou a oficialização do protocolo e a criação do Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores pelo governo do presidente Lula, em 2023. “O protocolo é uma iniciativa muito aguardada pelas organizações que compõem o campo do jornalismo, inclusive a Federação Nacional dos Jornalistas. Desde 2013, quando a violência contra jornalistas explodiu no Brasil, a gente reivindicava que o poder público brasileiro olhasse para os crimes cometidos contra a nossa categoria”, lembrou Samira de Castro.
“Ao longo da história os jornalistas sempre foram alvo, pela natureza investigativa do nosso trabalho, de denúncias, de escrutínio dos poderes públicos e privados. Com o Observatório Nacional da Violência, e com esse protocolo, que teve muito empenho da Secom e da Presidência da República, para que ele pudesse se materializar, esse instrumento vai normatizar uma série de condutas para que a gente tenha celeridade nas investigações e tenha a efetiva punição dos perpetrantes de violência contra a nossa categoria”, prosseguiu a presidente da Fenaj.
SOCIEDADE CIVIL – O protocolo foi construído em articulação com a sociedade civil, reunindo entidades como a Associação Nacional de Jornais (ANJ), Artigo 19, Repórteres Sem Fronteiras (RSF), Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), além de organizações como a Fenaj e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), entre outros e representantes do jornalismo profissional e da comunicação popular.
RANKING – A organização Repórteres Sem Fronteiras, que defende o direito de todo ser humano de ter acesso a informações livres e confiáveis, divulgou no final do ano passado o ranking 2025 de Liberdade de Imprensa, segundo o qual o Brasil aparece na 63ª posição entre os 180 países listados. A RSF mantém acompanhamento em tempo real de ataques a jornalistas no mundo. Desde 1º de janeiro deste ano seis jornalistas foram mortos e outros 479 foram detidos.
Diretor Jurídico e Administrativo e membro da Executiva do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, Wanderlei Pozzembom lembrou que ataques a jornalistas fazem parte da realidade da profissão no Brasil. “Essa é uma preocupação enorme por parte dos representantes da categoria. O Brasil tem um ranking vergonhoso de ataques e mortes de jornalistas no exercício da profissão. É uma violência brutal contra a democracia e contra essa categoria que tem uma responsabilidade enorme de trazer para a sociedade a relevância dos fatos que dizem respeito à democracia, que tem que ser mantida. E esse é o papel da comunicação, do jornalismo e dos jornalistas.”
IMPACTO SOBRE A DEMOCRACIA – Ataques a jornalistas não se configuram apenas em crimes individuais, mas violações à liberdade de expressão e ao direito à informação, com impacto direto sobre a democracia. Neste sentido, o protocolo orienta desde o registro da ocorrência até a condução das investigações, incluindo medidas emergenciais de proteção, coleta qualificada de provas e preservação do sigilo da fonte.
CONCURSO BRUNO E DOM – Além do protocolo, o evento formalizou o lançamento do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação em Defesa do Meio Ambiente, Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais, que reconhece e incentiva produções voltadas a essas áreas. Com inscrições abertas até 21 de maio, a iniciativa contempla seis categorias — incluindo reportagem, audiovisual e comunicação indígena — e busca transformar a memória de Dom Phillips e Bruno Pereira em fomento ao jornalismo de interesse público e à comunicação comunitária.
REPERCUSSÃO INTERNACIONAL – Dom Phillips, jornalista britânico, e Bruno Pereira, indigenista brasileiro, foram assassinados em junho de 2022, no Vale do Javari (AM), enquanto realizavam trabalho de campo voltado à proteção da Amazônia e dos povos indígenas. O caso teve repercussão internacional e se tornou símbolo dos riscos enfrentados por jornalistas e defensores de direitos humanos em regiões de conflito.
COMUNICAÇÃO PLURAL – O protocolo nacional para investigar crimes contra jornalistas e comunicadores e o Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação em Defesa do Meio Ambiente, Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais reforçam o compromisso do Estado brasileiro com a liberdade de imprensa, a proteção de jornalistas e o fortalecimento de uma comunicação plural — pilares essenciais para o funcionamento da democracia.
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), ausente na abertura de um evento de tecnologia chamado South Summit, em Porto Alegre, acabou sendo lembrado por um clássico do mercado.
Cotado como possível candidato da chamada terceira via nas eleições presidenciais, ele recebeu apoio público do economista Armínio Fraga.
Durante painel sobre riscos e oportunidades para o Brasil em 2027, Fraga fez um elogio confuso a Leite. “Existe uma oportunidade espetacular para o Brasil, mas eu não acredito que a situação polarizada que a gente tem hoje vai dar uma resposta. Eu acredito que quem pode colocar o Brasil nessa trajetória é o governador Eduardo Leite”, disse.
O gaúcho estava em São Paulo, onde se reuniu com Gilberto Kassab para tratar de sua possível candidatura ao Planalto. Filiado ao PSD, ele tenta se consolidar como alternativa fora da polarização entre os principais grupos políticos.
O South Summit tem sido uma vitrine recorrente para Leite desde 2022, quando o governo do Rio Grande do Sul passou a financiar o evento. A gestão estadual mantém presença ativa na programação, com participação institucional e apresentações voltadas à agenda de inovação e tecnologia.
Ex-presidente do Banco Central, Armínio propôs congelar o salário mínimo por seis anos em maio de 2025, permitindo apenas a correção pela inflação, sem aumento real. A medida ajudaria a reduzir gastos públicos, que hoje, segundo ele, concentram até 80% do orçamento em folha e previdência.
Arminio Fraga declara apoio a Eduardo Leite:
“Tudo no Brasil pode melhorar, eu acredito nisso. Não acredito que a polarização vá resolver os problemas. Quem pode resolver nessa trajetória é o Eduardo Leite.” 🤣
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta quinta-feira (26), ter demandado ao novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que apresente soluções para o endividamento das famílias brasileiras. Segundo o presidente, essa solução precisa vir acompanhada de campanhas voltadas à educação financeira das pessoas, para que melhor planejem seus orçamentos. Leia em TVT News.
Em visita à unidade industrial da montadora Caoa, em Anápolis (GO), Lula disse que, apesar de a economia do país estar bem, há ainda um problema a ser resolvido: “temos a sociedade brasileira um pouco endividada”.
De acordo com o presidente, algumas dívidas podem ser consideradas boas, como é o caso das que são adquiridas para a formação de patrimônio, como imóveis; ou que garantam qualidade de vida, como a aquisição de automóveis ou aparelhos domésticos.
O problema, segundo ele, é quando a dívida ou a prestação ficam maiores do que o que sobra de dinheiro no final do mês.
“Aí, a gente fica zangado e culpa quem? Culpa o governo. O mundo é assim. A gente culpa o governo por tudo que dá errado. Eu sei que, na cabeça das pessoas, funciona assim”, disse o presidente.
“Por isso, eu pedi ao ministro da Fazenda para a gente resolver o problema da dívida das pessoas”, acrescentou.
Busca por uma solução
Lula disse não querer que as pessoas deixem de se endividar “para ter uma coisa nova da vida”.
“O que nós queremos é ver como é que a gente faz para facilitar o pagamento daquilo que as pessoas devem, e como é que a gente pode começar a ensinar as pessoas a administrar o salário”, disse, ao falar também sobre os riscos de comprometer o orçamento futuro por meio do uso exagerado do cartão de crédito.
“Por isso o Dario Durigan está com a função de apresentar essa solução”, acrescentou.
Momento raro
Durigan assumiu o cargo de ministro da Fazenda após a saída de Fernando Haddad, que vai disputar as próximas eleições. Segundo o novo ministro, o país passa por um “momento raro”.
“Não é senso comum nem algo básico que um país cresça e se desenvolva gerando emprego; que tire as pessoas do Mapa da Fome e, ao mesmo tempo, mantenha a inflação sob controle. Estamos vivendo um momento raro”, disse o ministro.
Ele lembrou que o atual governo foi o que mais fez concessões na área de infraestrutura; e o que mais apostou no desenvolvimento do país.
“Ao mesmo tempo, foi o que mais passou recursos a estados e municípios. Isso também não é comum. É raro e mostra que nosso compromisso é com todos: com o meio ambiente, com o agronegócio, com a indústria, com a economia e com a democracia. Mais que tudo isso, nosso compromisso é para que o nosso povo viva com qualidade de vida.”
Produtividade e inovação
Segundo ele, um dos desafios a ser enfrentado pelo ministério é aumentar a produtividade e a inovação no país. Algo que, na avaliação do governo, abrange uma melhor formação de trabalhadores e, também, a redução da escala 6 por 1, que dará, aos brasileiros, o direito a folgar dois dias por semana.
Ainda nesse contexto, ele destacou os benefícios que a reforma tributária trarão para a produção no país, uma vez que dará mais eficiência e racionalidade ao pagamento de tributos.
“No ano que vem, vamos ganhar — e muito — em racionalidade, eficiência e celeridade na nossa economia. Isso aumenta a produtividade, com cada um de nós trabalhando melhor. Não necessariamente mais tempo, mas, no tempo de trabalho que a gente tem, com a gente entregando todo o nosso potencial”, argumentou.
O planejamento econômico da China, estruturado em planos quinquenais e orientado pelo Estado, está redesenhando o equilíbrio global de poder e abrindo uma janela de oportunidades — e riscos — para o Brasil. Essa foi a avaliação de especialistas que participaram do Jornal TVT News Primeira Edição, ao analisarem os impactos da estratégia chinesa sobre a economia internacional. Saiba mais em TVT News.
Para o professor Feliciano de Sá Guimarães, da USP, o plano chinês não é apenas doméstico: ele projeta efeitos diretos na geopolítica. “É tanto uma reorganização interna quanto algo com consequências internacionais muito importantes”, afirmou. Entre os principais pontos, ele destacou o investimento contínuo em inteligência artificial e a aproximação estratégica com a Rússia, evidenciada por projetos como novos gasodutos.
Segundo ele, a parceria sino-russa consolida uma mudança estrutural: “Essa associação veio para ficar e tem implicações geopolíticas de toda ordem”. O cenário, acrescenta, aponta para uma ordem internacional em transição. “Estamos numa ordem multipolar em construção, mas ainda muito desequilibrada, o que aumenta o risco de conflitos.”
O economista José Kobori ressaltou que o planejamento chinês busca superar a chamada “armadilha da renda média”, combinando inovação tecnológica com ampliação do consumo interno. “Se a maioria da população tem renda e poder de consumo, você cria um mercado interno poderosíssimo”, explicou. Com 1,4 bilhão de habitantes, esse mercado funciona como “amortecedor de choques externos” e amplia o poder de barganha da China no cenário global.
Na prática, esse modelo fortalece não apenas o país asiático, mas também abre espaço para o chamado Sul Global. “O desenvolvimento da China vai ajudar outros países a se desenvolverem para atender esse mercado”, disse Kobori.
A subsecretária de Acompanhamento Macroeconômico e Políticas Comerciais do Ministério da Fazenda, Julia Braga, destacou que, apesar de uma desaceleração aparente, a economia chinesa segue como motor global. “Um crescimento de 4,5% com população praticamente estável significa um avanço expressivo em renda per capita”, afirmou.
Brasil e China
Ela avalia que a relação entre Brasil e China é marcada pela complementaridade. “O Brasil é superavitário com a China e tem ganhos expressivos do ponto de vista macroeconômico”, disse, citando o saldo positivo de cerca de US$ 30 bilhões. Nesse contexto, o país ocupa posição estratégica ao fornecer energia e alimentos — itens centrais na agenda de “segurança econômica” chinesa.
O petróleo, por exemplo, ganhou peso recente nas exportações brasileiras, assim como soja e minério. Ao mesmo tempo, o Brasil importa bens de maior valor agregado. “Máquinas e equipamentos importados já embutem tecnologia e elevam a produtividade”, explicou Braga.
A cooperação vai além do comércio e inclui áreas como infraestrutura, energia limpa, inovação, inteligência artificial e veículos elétricos. “A relação com a China é estratégica e está em aprofundamento em múltiplas frentes”, afirmou.
Apesar das oportunidades, os especialistas alertam para um problema estrutural: o risco de o Brasil permanecer como fornecedor de commodities. Kobori foi direto: “O Brasil não pode continuar sendo a periferia do capitalismo”. Para ele, a saída passa necessariamente por investimento em tecnologia e inovação. “Não existe outro caminho para elevar produtividade e renda.”
O debate ganha ainda mais relevância no contexto dos minerais críticos e das terras raras, essenciais para tecnologias avançadas e defesa. O Brasil possui grandes reservas, mas ainda carece de capacidade de processamento. “Hoje, cerca de 90% dessas terras raras são processadas pela China, o que dá uma vantagem estratégica enorme ao país”, afirmou Kobori.
Feliciano reforçou que há uma disputa global por esses recursos e que o Brasil precisa definir sua estratégia. “Depende de nós decidir se vamos apenas exportar matéria-prima ou avançar na cadeia produtiva com investimento e tecnologia”, disse.
No campo militar, a China também avança. Já é o segundo maior orçamento de defesa do mundo e busca ampliar sua presença no mercado internacional de armas. Ainda assim, os Estados Unidos mantêm ampla superioridade tecnológica e industrial.
Para o professor, o futuro da ordem global dependerá de dois fatores centrais: “as mudanças climáticas e a rivalidade entre China e Estados Unidos”. O desfecho dessa disputa será decisivo para o sistema internacional.
Ao final, os participantes convergiram em um diagnóstico: o Brasil tem espaço nesse “xadrez econômico”, mas precisa agir com estratégia. Isso inclui planejamento de longo prazo, coordenação entre Estado e setor produtivo e aposta consistente em inovação.
Como resumiu Julia Braga, há aprendizado mútuo possível entre os países. “O ideal seria sermos um pouco mais como os chineses em inovação, e eles um pouco mais como o Brasil em bem-estar social.” Sem esse equilíbrio, alertam os especialistas, o país corre o risco de assistir à reconfiguração global sem protagonismo.
Michelle Bolsonaro e Valdemar da Costa Neto, presidente do PL. Foto: reprodução
O avanço das investigações sobre o Banco Master no Distrito Federal e a nova internação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) provocaram uma mudança no comando do bolsonarismo. Com o desgaste do entorno do governador Ibaneis Rocha (MDB) e a perda do principal eixo de articulação da direita local, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro passou a ocupar espaço central nas decisões políticas, interferindo diretamente na definição de candidaturas para 2026.
O movimento, de acordo com informações do Globo, a colocou em rota de colisão com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que até então conduzia a estratégia nacional do grupo no posto de pré-candidato à Presidência.
A crise foi agravada pelas revelações envolvendo o Banco Master e sua relação com decisões do governo do DF, especialmente no caso do BRB. O cenário piorou após a divulgação de um contrato de R$ 38 milhões firmado pelo escritório de advocacia de Ibaneis com um fundo ligado à Reag, investigada pela Polícia Federal.
Em resposta, o Partido Liberal protocolou pedido de CPI na Câmara Legislativa, rompendo na prática com o governador, que era aliado e articulava candidatura ao Senado.
Sem Ibaneis como referência política, parlamentares passaram a buscar Michelle diretamente, consolidando seu protagonismo. Ela passou a dialogar com pré-candidatos e a influenciar decisões eleitorais, enquanto Flávio mantinha a articulação nacional focada em alianças mais amplas.
No DF, a divergência ficou evidente: Michelle defendeu uma chapa ao Senado com seu nome e o da deputada Bia Kicis, além de apoiar Celina Leão ao governo local. “A Michelle se manifestou publicamente já várias vezes, desde o meu pré-lançamento no dia 11 de novembro, como pelas redes sociais dela várias vezes. Vamos ter agendas em breve, depois da internação do ex-presidente”, afirmou a deputada Bia Kicis (PL-DF).
Já aliados de Flávio passaram a defender o nome do senador Izalci Lucas (PL-DF) como alternativa de centro-direita. A proposta foi rejeitada por aliados de Michelle.
“Até agora nada apareceu diretamente ligado a ela e acho que ela tem chances reais de ser eleita. Izalci é muito preparado, bom parlamentar, mas Celina é a melhor opção. Celina já passou pelo Executivo antes. Celina será nossa governadora”, disse a ex-ministra e senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
O senador Flávio Bolsonaro. Foto: AFP
O protagonismo de Michelle foi reforçado por uma carta de Jair Bolsonaro, na qual ele pediu que aliados parassem de pressioná-la e indicou que ela deveria assumir papel mais ativo. A possibilidade de prisão domiciliar do ex-presidente também é vista como fator que pode ampliar ainda mais sua influência política.
Enquanto Michelle passou a atuar diretamente na articulação política e no entorno pessoal de Bolsonaro, controlando agendas e acesso, Flávio manteve interlocução institucional e chegou a se reunir com o ministro Alexandre de Moraes para tratar da situação do pai. Michelle, por sua vez, acionou aliados como Tarcísio de Freitas para reforçar o pleito.
O conflito também se espalhou para outros estados. No Ceará, Flávio tentou viabilizar aliança com Ciro Gomes (PSDB-CE), enquanto Michelle se posicionou contra o acordo, alinhada a nomes mais conservadores. Em Minas Gerais e São Paulo, divergências sobre alianças e composição de chapas reforçam a disputa interna.
Apesar do cenário de tensão, o discurso público ainda é de unidade. “Quando o presidente Bolsonaro fez a escolha, automaticamente teve outra pessoa que preferia ter outra escolha. Mas como a gente tem um líder, a gente tem que seguir o líder. E daí já está tudo resolvido, 100% dos apoiadores do presidente Bolsonaro estão com o Flávio Bolsonaro”, disse o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB).
Em um café com jornalistas realizado nesta sexta-feira, em São Paulo, o pré-candidato ao governo do estado, Fernando Haddad, comentou sua decisão de deixar o Ministério da Economia para disputar a eleição deste ano contra o atual governador, Tarcísio de Freitas. Confira mais em TVT News.
Sua candidatura, embora esperada, ainda gerava dúvidas diante das especulações de que o vice-presidente, Geraldo Alckmin, poderia ser o nome apoiado pelo presidente Lula em São Paulo. Esse, aliás, foi o tema mais recorrente entre as perguntas dos jornalistas presentes.
Fernando Haddad iniciou a conversa destacando que já não está mais à frente do Ministério da Economia e que a decisão foi publicada na manhã desta sexta-feira no Diário Oficial da União.
Após o anúncio, Haddad afirmou que o encontro com jornalistas é importante para garantir que a população tenha acesso a informações corretas e para aprimorar a relação com a imprensa. Ele também destacou que a campanha de 2022 foi elogiada pelo alto nível do debate e disse que pretende manter esse padrão em 2026, sem calúnias ou desinformação.
A primeira pergunta tratou da escolha do vice para a chapa em São Paulo. Haddad afirmou que ainda não iniciou uma rodada de conversas com lideranças políticas, o que deve ocorrer nos próximos dias. “Ainda não fiz as conversas que pretendo ter com Márcio França, Caio França, Geraldo Alckmin, Tabata Amaral, Guilherme Boulos, Erika Hilton, Juliano Medeiros e Marina Silva”, disse.
Segundo ele, diversos encontros já estavam pré-agendados, mas foram adiados. “Muitas pessoas queriam já ter conversado comigo, e eu pedi um pouco de paciência”, afirmou. Haddad acrescentou que pretende alinhar sua posição dentro do governo antes de avançar no diálogo político. “Quero me acertar internamente, conversar primeiro com Lula e aprofundar qual é a melhor posição, onde posso ser mais útil.”
Pré-candidato ao governo de SP, Fernando Haddad, em coletiva com jornalistas na capital. Foto: Elizeu Fundão/ TVT News.
Ao abrir a rodada de perguntas, o primeiro questionamento foi sobre a crise no preço dos combustíveis. Apesar da decisão do governo de zerar impostos federais, como PIS/Cofins sobre o diesel, para evitar uma paralisação de caminhoneiros — que vem sendo anunciada nas últimas semanas —, boa parte dos estados se recusou a fazer o mesmo em relação ao ICMS, o que poderia atenuar a alta provocada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Haddad afirmou que o governo do presidente Lula acertou ao zerar impostos sobre combustíveis em meio a um cenário de conflitos. Segundo ele, o mundo vive um momento “dramático”, com uma guerra que afeta não apenas o comércio de combustíveis, mas também a circulação de outros bens e serviços.
Ele ressaltou que o aumento promovido pela Petrobras atingiu apenas o diesel e que não há justificativa para reajustes em outros combustíveis, como a gasolina. “Não há razão para aumento nem de gasolina nem de diesel, já que foi compensado pelas medidas que o governo tomou”, disse.
De acordo com o ex-ministro, cabe agora aos órgãos de fiscalização coibir abusos. “Agora cabe aos órgãos de fiscalização impedir, na forma da lei, a abusividade de preços. É o que compete ao governo neste momento”, afirmou.
Ele também comentou a relação com os estados e criticou medidas adotadas anteriormente. “Afastamos qualquer possibilidade de medida semelhante à que Bolsonaro tomou em 2022, quando retirou recursos dos governadores ao zerar o ICMS por lei federal”, afirmou.
Questionado sobre a equipe de campanha e quem deve contribuir para a elaboração de sua plataforma eleitoral em 2026, Haddad disse que ainda não definiu nomes, mas ressaltou que São Paulo reúne profissionais qualificados para colaborar com o plano.
“Não falta interesse e inteligência em São Paulo. Nas comunidades, nas favelas, na universidade, na classe artística e científica há gente da melhor qualidade pensando em soluções para os problemas que enfrentamos”, afirmou.
Embate com Tarcísio de Freitas
Ao comentar a disputa política em São Paulo, Haddad afirmou que não vê mais uma vantagem consolidada de seu principal adversário, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Questionado sobre as estratégias para enfrentar a preferência de parte do eleitorado pelo atual governador, disse ter mudado de avaliação. “Não acho isso. Já pensei assim, mas agora vejo muitas vulnerabilidades e uma falta de encantamento em São Paulo com o destino do estado e até com a própria gestão”, afirmou.
Para Haddad, os últimos quatro anos da gestão de Tarcísio deixaram marcas de retrocesso em diversas áreas. Como candidato, disse que pretende conduzir um debate de alto nível.
“Vou me basear sempre em dados, em informações de vocês e em dados oficiais para fazer um diagnóstico do que o estado está perdendo e do potencial que tem para superar suas dificuldades, especialmente nas áreas de segurança e educação. Estou muito preocupado com o que tenho visto”, afirmou.
Segurança pública como tema central da campanha
Questionado sobre o aumento dos casos de feminicídio em São Paulo — que registra alta desde o início da série histórica, em 2018, passando de 253 casos em 2024 para 270 em 2025, um crescimento de 6,7%, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP) —, Haddad fez uma crítica direta a Tarcísio.
Segundo ele, o governador prometeu, em 2022, ampliar os investimentos no combate à violência de gênero, mas reduziu significativamente os recursos destinados à área no orçamento de 2026.
Apoio de Lula na campanha em São Paulo
Ao ser questionado sobre a participação do presidente Lula na campanha, Haddad afirmou que, diferentemente de 2022, o comitê eleitoral do presidente não será sediado em São Paulo, o que pode dificultar a logística conjunta. Ainda assim, disse esperar que Lula visite o estado e que, nessas ocasiões, possam dividir o palanque.
O presidente Lula participou nesta quinta-feira, 19 de março, da abertura da 17ª Caravana Federativa, em São Paulo (SP). O Governo do Brasil anunciou entregas e investimentos em diferentes áreas, como saúde, mobilidade urbana, habitação, educação e segurança pública, com iniciativas vinculadas ao Novo PAC. Leia em TVT News.
“É por isso que essa caravana é importante, porque aqui vocês vão em tempo real. Vá lá, procure a sua cidade, veja o que você reivindicou, veja o que que nós prometemos e veja o que está acontecendo. Não precisa ser prefeito não, pode ser o secretário do prefeito que tiver aqui. Vá atrás das coisas da sua cidade”, disse Lula.
O encontro reúne prefeitos, vereadores e gestores municipais para apresentar programas, serviços e oportunidades oferecidos pelo Governo do Brasil. Lula incentivou os prefeitos a cobrarem do governo a implementação das medidas anunciadas. “No governo é assim: a gente decide e a gente tem que cobrar. E vocês, prefeitos, têm que cobrar de nós. Não tenham medo de cobrar”, afirmou.
“Essa caravana é uma coisa maravilhosa porque é o Governo Federal se despir no chão onde os prefeitos e as prefeitas pisam e dizer: cobre de nós. Está aqui a bancada toda de funcionários. Cobre, para ver se a gente consegue fazer as coisas acontecerem com maior rapidez”, registrou Lula.
Durante a Caravana Federativa em São Paulo, o presidente Lula sancionou duas leis. A primeira é o Projeto de Lei Complementar nº 14, que prevê um incentivo de mais de R$ 1,1 bilhão em créditos tributários para empresas participantes do regime especial da indústria química, o chamado REIQ. O projeto reduz as alíquotas para indústrias químicas e petroquímicas participantes deste regime especial até sua migração para um novo regime com vigência em 2027.
“São R$ 3,1 bilhões para a indústria petroquímica e química. E veio no momento exato porque, infelizmente, com a guerra, aumentou o preço de gás natural, de insumos para a indústria química. Reduz os impostos federais para os insumos da indústria química para melhorar a competitividade e parceria de investimento para inovação e eficiência energética”, explicou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.
O outro projeto sancionado foi o PL 2.213/2025, que amplia os investimentos voltados à agricultura familiar. A norma direciona recursos que estão disponíveis no Fundo Garantidor de Operações (FGO) para garantir operações do Pronaf, somando mais R$ 500 milhões.
APROXIMAÇÃO — Organizada pela Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República (SRI), a Caravana Federativa aproxima o Governo do Brasil dos municípios, com a apresentação de políticas públicas, programas e oportunidades de financiamento voltadas ao desenvolvimento local.
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, destacou que as Caravanas Federativas já passaram por 16 estados, alcançando 3 mil municípios. “É uma alegria muito grande chegar aqui em São Paulo com a Caravana Federativa. É um grande encontro entre o Governo Federal e os municípios de todas as regiões do estado. Temos aqui 430 municípios representados, com mais de 4,3 mil inscritos, que durante esses dois dias vão poder visitar os nossos estantes”, afirmou.
INVESTIMENTO EM SÃO PAULO — A ministra também fez um balanço dos programas sociais no estado de São Paulo na atual gestão. Na habitação, já são mais de 587 mil moradias contratadas pelo Minha Casa, Minha vida. No acesso à saúde, os profissionais do programa Mais Médicos mais que dobraram, passando de 1.465 médicos para 3.565 médicos em 2025 e o Farmácia Popular já distribuiu remédios para 10 milhões de pessoas.
Na educação, 539 mil estudantes já foram atendidos pelo programa Pé-de-Meia e 13 novos institutos federais serão construídos. O estado já recebeu mais de R$ 1 bilhão em investimentos para a Cultura. Com o Novo PAC, foram destinados R$ 153 bilhões, executados em 699 empreendimentos concluídos até dezembro de 2025.
“E ainda tem muitas obras em andamento em todas as áreas. Investimentos produtivos, financiamento à agricultura, R$ 106 bilhões para apoiar a produção agrícola, além de créditos para micro e pequenas empresa”, destacou a ministra.
COOPERAÇÃO — Fernando Haddad, ministro da Fazenda, ressaltou a importância da cooperação entre União, estados e municípios para o fortalecimento da economia e para a melhoria das políticas públicas. “Nós não podemos perder de vista a recuperação do pacto federativo. Essa recuperação é essencial. Está sendo o segredo da nossa economia agora. É muito importante ver essa casa cheia, tanta gente aqui representando os municípios, porque é esse espírito que tem que nortear a parceria dos eleitos em proveito da população”, disse Haddad.
DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO — No evento, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar anunciou um contrato de crédito de R$ 54 milhões para 977 operações no estado de São Paulo, no âmbito do Programa Nacional da Reforma Agrária (PNRA). Os recursos contemplam crédito habitacional, apoio à instalação de assentamentos e compras por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
MORADIA E MOBILIDADE — Durante os dois dias de Caravana, o Governo do Brasil fará outros anúncios para o estado de São Paulo. O Ministério das Cidades apresentou avanços do Minha Casa, Minha Vida, com foco em pequenos municípios. Também assinou contratos para dois municípios paulistas com menos de 50 mil habitantes, somando R$ 4,2 milhões em investimentos para a construção de 30 unidades habitacionais.
Foi autorizado o início de obras em 11 municípios do estado de São Paulo, igualmente com menos de 50 mil habitantes. A iniciativa prevê R$ 37,5 milhões em recursos e a construção de 285 moradias. Na área de mobilidade urbana, foi assinada uma portaria de seleção para aquisição de 83 ônibus elétricos para a cidade de São Paulo, com investimento de R$ 118 milhões.
SAÚDE — Na área da saúde, as entregas beneficiam mais de 16 milhões de pessoas no estado de São Paulo com recursos do Novo PAC Saúde e vão fortalecer o programa Agora Tem Especialistas. Foram entregues 46 ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) para ampliação da estrutura de atendimento na capital paulista e em mais oito cidades; 36 combos de equipamentos para Unidades Básicas de Saúde; e dois combos de cirurgias à rede SUS. As entregas vão ampliar o acesso a serviços de urgência, saúde primária, saúde bucal e procedimentos cirúrgicos.
MUNICÍPIOS — O presidente da Associação de Municípios de Médio e Pequeno Porte de São Paulo, José Adinan, destacou a importância da Caravana Federativa como instrumento de aproximação entre Governo e municípios, contribuindo para destravar demandas e resolver diversos gargalos administrativos.
“Vocês não sabem como movimentos como essa Caravana Federativa impactam nos municípios. Temos prefeitos e dezenas de técnicos que vão resolver a situação de vários convênios e liberar recursos para os municípios. Daqui vão sair centenas de obras que vão melhorar a vida da população. Isso é o maior presente pra gente que se dedicou para essa caravana acontecer”, afirmou.
EDUCAÇÃO E CIÊNCIA — Para a educação paulista, foi anunciada a aquisição do prédio e a reforma do Instituto Federal de Cotia, com investimento de R$ 46 milhões. Já o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) entregou quatro linhas de luz do acelerador de partículas Sirius, em Campinas, com investimentos que somam R$ 230 milhões. Três dessas linhas (Quati, Sapucaia e Sapê) fazem parte da Fase I do projeto, iniciada em 2022, com investimento de R$ 200 milhões. A quarta linha integra a Fase II, iniciada em 2023 no âmbito do Novo PAC, com investimento de R$ 30 milhões, correspondente à linha Tatu.
GÁS DO POVO — Para o Gás do Povo, foram destinados R$ 5,1 bilhões em 2026 para a iniciativa do Governo do Brasil que amplia e fortalece o acesso ao gás de cozinha para famílias de baixa renda.
NAVEGAÇÃO SEGURA — Também foram repassados R$ 68 milhões para a conclusão da obra de derrocagem do canal de Nova Avanhandava, na hidrovia do Tietê. O projeto busca garantir navegação segura durante todo o ano e ampliar a flexibilidade operacional da usina hidrelétrica local e do Sistema Interligado Nacional.
RECICLAGEM — O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima realizou a entrega de equipamentos para cooperativas e associações de catadoras e catadores de materiais recicláveis, com investimento de R$ 3,8 milhões. Foram contemplados cinco projetos nos municípios de Lençóis Paulista, Orlândia, Bauru, Araraquara e São Paulo, com equipamentos como prensa hidráulica enfardadeira vertical e caminhão zero quilômetro para coleta seletiva.
INCLUSÃO DIGITAL — Na inclusão digital, o Ministério das Comunicações doou 2 mil computadores para entidades responsáveis pela criação de Pontos de Inclusão Digital, com investimento de R$ 2 milhões.
GESTÃO E INOVAÇÃO – O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos realizou a cessão gratuita de 14 imóveis no estado de São Paulo, sendo nove destinados a prefeituras e cinco a organizações da sociedade civil. Também foram assinados ações de cooperação institucional, incluindo a adesão da Escola de Governo do Estado de São Paulo ao programa Enap Aqui, com lançamento de quatro turmas de formação.
PARTICIPAÇÃO SOCIAL — A Secretaria-Geral da Presidência da República promoverá a adesão de prefeituras da Região Metropolitana de São Paulo ao Pacto pelo Desenvolvimento Sustentável – Meu Município pelos ODS. Também foi incentivada a adesão de municípios ao ID Jovem, documento virtual gratuito destinado a jovens de 15 a 29 anos de baixa renda inscritos no CadÚnico, que garante meia-entrada em eventos culturais e esportivos e vagas gratuitas ou com desconto no transporte interestadual.
CRÉDITO — A Caixa Econômica Federal, em parceria com o Banco Mundial, anunciou uma linha de crédito de US$ 500 milhões voltada ao financiamento de projetos de transição energética e eletromobilidade. Na ocasião, foi assinada a parceria para um projeto piloto com o município de Praia Grande.
CORREIOS – Os Correios lançaram um selo comemorativo do Mercosul, em homenagem ao pano brasileiro, especialmente à chita, tecido de inspiração indiana que chegou ao país no século XVII e teve sua primeira produção nacional em Minas Gerais.
CARAVANA FEDERATIVA — A programação segue até esta sexta-feira (20/3) e inclui uma feira de serviços e inovações do Governo do Brasil, com a participação de mais de 30 ministérios e autarquias federais. Nos estandes, prefeitos e equipes técnicas podem esclarecer dúvidas sobre convênios, obras e políticas públicas.
O evento também oferece oficinas temáticas e espaços de diálogo federativo, com orientações sobre programas como o Minha Casa, Minha Vida, além de informações sobre linhas de financiamento e instrumentos de apoio à gestão municipal.
O presidente Lula participa da abertura da 17ª Caravana Federativa com a entrega de veículos e equipamentos nas áreas da Saúde e Segurança Pública, em São Pa...
Dados de 2025 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil, um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. Apesar da criação de diversas medidas de combate à violência contra a mulher, os números continuam em alta. Diante disso, o que ainda falta para mudar esse cenário? A aposta das metalúrgicas do ABC é falar diretamente e de forma franca com os homens. Confira mais em TVT News.
A Comissão de Mulheres do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC promoveu, nesta quinta-feira (19), o ato “Homens contra o Feminicídio”, iniciativa que busca envolver homens na luta pelo fim da violência contra as mulheres. A mobilização ocorreu na sede do sindicato, em São Bernardo do Campo (SP).
Metalúrgicas e Metalúrgicos se concentraram no Salão Nobre do Sindicato em São Bernardo do Campo – SP. Foto: Elizeu Fundão/ TVT News.
Andrea Ferreira de Sousa, diretora executiva do sindicato, explicou que a ação surgiu das próprias mulheres metalúrgicas, a partir de conversas nas fábricas. Segundo ela, enquanto as mulheres vêm aprendendo sobre o ciclo da violência, muitos homens ainda ignoram o problema.
“Todo mês de agosto falamos sobre violência, por causa do aniversário da Lei Maria da Penha. Então, as mulheres começaram a dizer: ‘não falem mais conosco, falem com os homens’. A partir disso, pensamos na iniciativa. Neste ano, com o aumento dos casos de feminicídio, a situação ficou insustentável, o que nos levou a promover ações de conscientização dentro das fábricas, com os trabalhadores”, afirmou.
Andrea Ferreira de Sousa, Diretora Executiva do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, participou da elaboração da cartilha, que propõe um bate papo direto com os homens sobre violência de gênero. Foto: Elizeu Fundão/ TVT News
O ato também marcou o lançamento da cartilha “Papo de homem: Violência contra a mulher – Temos que dar um fim!”. Produzido pelo sindicato, o material propõe um diálogo direto com os homens, incentivando a reflexão sobre a realidade de milhares de mulheres que enfrentam violência dentro e fora de casa.
Para o presidente do sindicato, Moisés Selerges, é fundamental que os homens participem desse debate, já que são responsáveis pela maioria das agressões. Segundo o Atlas da Violência, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 8 em cada 10 casos são cometidos por homens.
“Precisamos fazer esse debate com os homens para que isso não aconteça. É inadmissível aceitar a violência contra a mulher neste país”, declarou Selerges.
A ministra das Mulheres do governo Lula, Márcia Lopes, também participou do evento. Antes do ato, ela se reuniu com representantes do sindicato e movimentos de mulheres do ABC, que relataram dificuldades para avançar nas políticas de enfrentamento à violência de gênero na região.
Márcia Lopes – Ministra das Mulheres, conversa com representantes de movimentos populares do ABC Paulista. Foto: Elizeu Fundão/ TVT News.
Para se ter uma ideia, o Grande ABC conta com apenas cinco Delegacias da Mulher e, até o início deste ano, muitas não ofereciam atendimento 24 horas. Cidades próximas, como Ribeirão Pires, ainda não dispõem do serviço. Esse cenário reflete a falta de investimentos no estado de São Paulo.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) propôs, para este ano, um orçamento para a Secretaria das Mulheres 54,4% menor do que o aprovado em 2025. Além disso, recusou-se a aderir ao Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, promovido pelo governo federal, que prevê cerca de R$ 200 bilhões para fortalecer a segurança pública e a rede de atendimento nos estados.
O deputado estadual Teonílio Barba (PT-SP), ligado aos metalúrgicos do ABC, também esteve presente e criticou o cenário.
“Tarcísio Gomes de Freitas é um bolsonarista que não tem atenção ao combate à violência contra a mulher. Por isso, apresentamos um projeto em São Paulo para o enfrentamento ao feminicídio e convidamos vereadoras a levarem a proposta para suas cidades. Agora vamos dialogar com vereadores homens para que também apresentem esse projeto”, afirmou.
Atenta às demandas da região, a ministra Márcia Lopes anunciou que o governo federal deve implementar, em breve, com apoio do Consórcio Intermunicipal Grande ABC, a primeira Casa da Mulher Brasileira na região. O espaço oferecerá atendimento humanizado e integrado, 24 horas, para mulheres em situação de violência doméstica.
Ministra Márcia Lopes e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges. Foto: Elizeu Fundão/ TVT News.
“São inúmeras iniciativas que o ministério vem desenvolvendo, em conjunto com outros órgãos do governo federal, por orientação do presidente Lula. Vamos seguir nesse pacto e esperamos que o estado de São Paulo também o assuma. Caso contrário, a sociedade civil, as instituições e os sindicatos seguirão mobilizados”, concluiu.
Mais de 200 pesquisadores, educadores e lideranças de movimentos sindicais e sociais de todo o país divulgaram a Carta de Vitória em Defesa da Rede Federal e do Ensino Médio Integrado nesta segunda-feira, 16. O documento denuncia os impactos da contrarreforma do ensino médio sobre os Institutos Federais e a educação pública. A íntegra do documento pode ser acessada abaixo. Leia em TVT News.
A carta foi aprovada ao final do I Seminário Nacional de Pesquisa sobre a Contrarreforma do Ensino Médio na Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, realizado entre os dias 10 e 12 de fevereiro, em Vitória (ES), que reuniu pesquisadores e representantes de movimentos sociais de diferentes regiões do país.
O documento reúne resultados de pesquisas que analisam criticamente os efeitos da reforma do Ensino Médio iniciada em 2016 e aponta retrocessos no direito à formação humana integral da juventude e da classe trabalhadora. Mesmo após alterações legislativas recentes, os pesquisadores avaliam que os fundamentos da reforma permanecem, mantendo a redução da formação geral em cursos técnicos e reforçando a flexibilização curricular.
A carta também alerta para o subfinanciamento da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Dados apresentados no seminário indicam que o número de matrículas quase dobrou nos últimos anos, enquanto o orçamento permaneceu praticamente estagnado, o que pressiona a capacidade das instituições de manter a qualidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão.
Além da denúncia, o documento apresenta 18 propostas para fortalecer o Ensino Médio Integrado e a Rede Federal, entre elas a ampliação do orçamento da rede, a garantia de autonomia pedagógica das instituições e a criação de políticas públicas de incentivo à formação integrada.
Os signatários afirmam que a defesa do Ensino Médio Integrado e da Rede Federal está diretamente ligada à garantia do direito à educação pública e de qualidade. “Ensino Médio Integrado é direito inalienável. A Rede Federal de EPT é patrimônio do povo brasileiro”, conclui o documento.
Alex Sandro (Flamengo), Bremer (Juventus), Danilo (Flamengo), Douglas Santos (Zenit), Gabriel Magalhães (ARSENAL), Ibañez (Al-Ahly), Léo Pereira (Flamengo), Marquinhos (PSG), Wesley (Roma)
Meio Campo
Andrey Santos (Chelsea), Casemiro (Manchester United), Danilo (Botafogo), Fabinho (Al-Ittihad), Gabriel Sara (Galatasaray)
Atacantes
Endrick (Lyon), Gabriel Martinelli (Arsenal), Igor Thiago (Brentford), Luiz Henriquie (Zenit), Matheus Cunha (Manchester United), Raphinha (Barcelona), Rayan (Bournemouth), Vini Jr. (Real Madrid), João Pedro (Chelsea)
Ao vivo: convocação da Seleção Brasileira
O que disse Ancelotti sobre a lista de jogadores convocados
“A explicação da lista é que depende muito das lesões, obviamente. É uma lista criada com jogadores que estao 100% de condição física. Todos que estão jogando, já que temos lesões importantes, como Militão, Bruno Guimarães, Estevão, Rodrygo, que desejamos uma rápida recuperação”
Mas é uma lista de quem esta bem fisicamente, porque vamos jogar dois jogos muito importantes, de intensidade, com um prazo muito curto, incluindo a viagem. Então preferi chamar quem está 100%. Levando em conta também a posição de alguns jogadores que não conheço, como Ibañez, Bremer, Rayan, Danilo, Gabriel Sara. É uma ultima oportunidade de conhecer eles e fazer uma lista final com a ideai mais clara possível”disse Ancelotti.
“Quando chamamos jogadores novos não é porque queremos ver como se preocupa no campo, isso já sabemos. Queremos saber como ele se incorpora no nosso ambiente, seu caráter, em todos os jogadores novos é isso que vamos ver. Sabemos perfeitamente com está jogando, porque temos avaliações de cada jogador que está e não está na lista. de cada jogador que não esta em nenhuma lista nesse ano. Estamos avaliando todos. Em nível técnico todo, em questão de caráter, quero saber mais. Também jogadores que merecem estar, porque estão atuando bem no seu campeonato, como Endrick, Rayan, Danilo, Gabriel Sara, Ibañez e também Bremer” “Ancelotti.
Convocação é a última da Seleção Brasileira antes da Copa do Mundo, confira o calendário
No dia 26 de março, a Seleção Brasileira enfrenta a França, no Gillette Stadium, em Boston, às 17h (de Brasília). Já no dia 31, encara a Croácia, no Camping World Stadium, em Orlando, às 21h (de Brasília).
Franceses e croatas estão no Top 10 do Ranking Mundial Masculino da FIFA: a França ocupa a terceira colocação, e a Croácia, a décima.
Com estes adversários, o departamento de Seleções cumprirá o planejamento traçado para que o Brasil enfrentasse seleções fortes de diferentes escolas mundiais.
Desde o fim das Eliminatórias, a equipe encarou, em outubro, os asiáticos Coreia do Sul e Japão e, em novembro, os africanos Senegal e Tunísia.
Dia 18 de maio sai a lista final dos convocados que vão para a Copa do Mundo.
Lista divulgada nesta segunda-feira pode ser a mesma da Copa do Mundo Foto: Rafael Ribeiro / CBF
Camisa 2 da Seleção Brasileira na Copa do Mundo não é vermelha. Gostou?
Diferente das especulações, ela não será vermelha. O azul, tradicional do segundo uniforme, ganhou tons de preto. No jogo contra a França o uniforme será o azul.
Como é a camisa 2 da seleção brasileira para a Copa do Mundo 2026
O aguardado lançamento da nova camisa 2 da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026 finalmente aconteceu. Em um evento realizado na última quinta-feira (12), a fornecedora esportiva Nike revelou o novo uniforme alternativo do Brasil. O grande destaque é a colaboração com a Jordan Brand, marca assinada pelo lendário ex-jogador de basquete Michael Jordan.
A equipe pentacampeã será a primeira seleção nacional a estampar o famoso logotipo “Jumpman” em seu peito, substituindo o tradicional símbolo da Nike. Com o lema “Joga Sinistro”, a peça busca unir o estilo da moda urbana à paixão pelo futebol, trazendo um visual diferente para a disputa do Mundial.
Design inspirado na fauna brasileira dita o tom da camisa 2 da Seleção
A estética da camisa 2 da Seleção Brasileira mantém o clássico fundo azul royal, mas ganha detalhes mais agressivos e modernos. O design apresenta texturas, padrões e listras pretas que remetem a animais predadores do Brasil. A intenção é transmitir força e velocidade dentro de campo.
No novo modelo, o escudo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) fica centralizado no peito, enquanto o logo da Jordan aparece em amarelo, no lado direito. O uniforme traz ainda recortes em verde-água e amarelo nas mangas e laterais.
De acordo com a fornecedora de material esportivo, o tecido é feito com material 100% reciclado e conta com tecnologia de resfriamento, ideal para a circulação de ar durante os jogos.
Quando será a estreia oficial do novo uniforme azul?
Os torcedores não precisarão aguardar o início da Copa do Mundo para ver a camisa 2 da Seleção Brasileira nos gramados. A estreia da nova vestimenta está marcada para o dia 26 de março, no amistoso de peso contra a França, que será disputado nos Estados Unidos.
A campanha de lançamento já está no ar, estrelada por craques que representam o futuro e o presente do país, como Vinícius Júnior, Estêvão, Marquinhos e Matheus Cunha. Além disso, a tradicional camisa 1 (amarela) será lançada nos próximos dias e tem previsão de estreia para o dia 31 de março, em duelo contra a Croácia.
Preços e onde comprar a camisa 2 da Seleção Brasileira
Para os fãs que desejam garantir a peça de colecionador, a camisa 2 da Seleção Brasileira já está disponível no mercado brasileiro. Os produtos podem ser adquiridos no site e no aplicativo oficial da Nike, além de lojas esportivas parceiras.
Preços salgados para o torcedor brasileiro
Os preços variam de acordo com o modelo: a versão torcedor, voltada para o uso no dia a dia, é comercializada por R$ 449,99. Já a versão jogador sai por R$ 749,99. A colaboração com a marca também se estende para fora das quatro linhas, trazendo uma linha de roupas casuais que inclui moletons, bermudas e agasalhos.
Preços do uniforme da Seleção Brasileira são salgados. Foto: Instagram / CBF
Qual horário dos jogos do Brasil na Copa do Mundo 2026
A Seleção Brasileira já conhece o caminho que percorrerá na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. A estreia será no dia 13 de junho, contra Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, às 19h (horário de Brasília). Será o primeiro passo do time comandado por Carlo Ancelotti na busca pelo hexacampeonato.
Confira a convocação da Seleção Brasileira Masculina Principal para os amistosos contra a França (26/03) e a Croácia (31/03).Instagram: https://www.instagram...
Nos dias 20 e 21 de março de 2026, sexta-feira às 20h e sábado, às 19h, a Cia. Estrela D’Alva de Teatro (@ciaestreladalva) celebra seus 20 anos de trajetória com a estreia de “Urucum – As Árvores Não Têm Culpa”, no Sesc Santo André. Os ingressos custam a partir de R$ 15 e podem ser adquiridos nas bilheterias ou no site do Sesc SP. Todas as sessões contarão com Programa de Previsibilidade para pessoas neurodivergentes e tradução em Libras. Leia em TVT News.
O público terá duas noites para acompanhar a travessia de uma mulher que precisa sair. Sair de casa, sair da moldura, sair da narrativa que lhe foi entregue pronta. A casa já não comporta seu corpo e o que transborda vira pergunta. É assim, como quem anuncia um rito de passagem, que a Cia. Estrela D’Alva de Teatro apresenta “Urucum – As Árvores Não Têm Culpa”.
A obra nasce da dramaturgia de Lígia Helena de Almeida (@aligia_helena), publicada em 2024 pela Editora Me Parió Revolução. A escrita partiu de uma pesquisa autoetnográfica em que a autora revisita as histórias da bisavó, da avó, da mãe e de si mesma, revelando como aquilo que parece íntimo reverbera como retrato social. Ao costurar memórias familiares, a dramaturga constrói um panorama das experiências femininas atravessadas por colonização, migração, violência, trabalho, maternidade e solidão.
A bisavó indígena, no século XIX, carrega as marcas da colonização. A avó nordestina vive o casamento precoce, a migração e sucessivas violências. A mãe, mulher do século XX, divide-se entre o trabalho e os silenciamentos impostos pela estrutura familiar. Já a moça, uma mulher urbana do século XXI, divorciada, trabalhadora autônoma, tenta interromper o ciclo e encontrar sua própria palavra. No palco, a própria Lígia assume essas camadas: é atriz, narradora, filha e ancestral ao mesmo tempo. A encenação articula teatro, música ao vivo e dramaturgia do corpo para criar uma experiência sensível e política, em que a delicadeza convive com a denúncia e a memória se transforma em gesto.
O processo de criação contou com a consultoria da dramaturga Adélia Nicolete, que acompanhou a relação entre palavra, imagem e cena. A provocação da atuação é assinada por Patrícia Gifford, e a dramaturgia do movimento por Janette Santiago. A música, elemento estruturante do espetáculo, ganha presença viva com Camila Ruiz de Paula (piano e violão), Michelle Lomba (percussões) e participação especial de Vitória Lima (violino), ampliando a tessitura sonora e simbólica da cena.
Antes de ganhar o palco, “Urucum” teve seu lançamento em livro físico, audiobook e integrou uma série de ações formativas realizadas desde 2023, incluindo oficinas gratuitas de escrita voltadas exclusivamente para mulheres em Santo André. Foram encontros de memória e escuta sensível, nos quais outras narrativas femininas puderam emergir. O espetáculo surge como continuidade desse percurso: é o momento em que a palavra impressa se transforma em corpo, som e respiração compartilhada.
Serviço: Estreia “Urucum – As Árvores Não Têm Culpa”
Sinopse: A moça precisa sair. A casa, o lar, são caixas em que seu corpo não cabe mais. Ela não encontra palavra para compreender o impulso. A mãe, a avó e a bisavó, cada uma em seu tempo, sua ancestralidade e sua dor, é que mostrarão o caminho para uma mulher em busca de liberdade. Duração: 60 minutos.
Classificação etária: acima de 12 anos
Quando: 20 e 21 de março de 2026 – sexta-feira às 20h, sábado às 19h
Onde: Sesc Santo André – Rua Tamarutaca, 302 – Vila Guiomar – Santo André/SP
Capacidade: 100 lugares. Estacionamento: Pago no local. Acessibilidade física: sim
Programa de previsibilidade para pessoas neurodivergentes e tradução em LIBRAS em todas as sessões.
Grupo carnavalesco Pitombeiras, em Recife, onde se passa o filme indicado ao Oscar “O Agente Secreto” que concorre a quatro Oscars: melhor filme, melhor filme internacional, melhor ator e melhor elenco. (Foto de Diego Nigro / AFP)
O cinema brasileiro chega ao Oscar 2026 em um de seus momentos mais importantes. O filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, conquistou quatro indicações, igualando o recorde nacional alcançado por Cidade de Deus.
O longa concorre nas seguintes categorias:
Melhor Filme
Melhor Filme Internacional
Melhor Ator, com Wagner Moura
Melhor Seleção de Elenco
A indicação de Moura é histórica: ele se tornou o primeiro brasileiro indicado ao prêmio de Melhor Ator. Na disputa, o ator enfrenta nomes de peso como Timothée Chalamet, Leonardo DiCaprio e Michael B. Jordan.
Entre os dez concorrentes ao prêmio principal da Academia Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, organizadora da premiação, é também o longa de menor orçamento, um detalhe que torna sua trajetória ainda mais simbólica.
Flávio Bolsonaro pula de alegria em comício em Rondônia com o pai na UTI
No último sábado (14), Flávio Bolsonaro foi flagrado durante um evento político em Ji-Paraná, Rondônia, pulando e sorrindo em júbilo, atitude reveladora de seu caráter, considerando a gravidade do estado de saúde de seu pai, Jair Bolsonaro, internado na UTI do hospital DF Star, em Brasília.
Enquanto o ex-presidente passa por uma broncopneumonia bacteriana bilateral, com um quadro exigindo cuidados intensivos e acompanhamento médico rigoroso, o comportamento do filho se mostra, no mínimo, indigno.
Durante o evento, promovido pelo PL, Flávio Bolsonaro demonstrava entusiasmo incontido, sorrindo enlouquecidamente. O comportamento do senador e presidenciável repete a falta de empatia e decência que o próprio Jair exibiu no momento em que milhares de brasileiros morriam durante a pandemia de Covid-19.
Em sua defesa, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais, justificando sua presença no evento como um compromisso político. E daí?
Ele afirmou que, após o evento, foi diretamente ao hospital em Brasília para visitar o velho e dar-lhe boas notícias sobre o lançamento da chapa de pré-candidatos em Rondônia.
Jair Bolsonaro apresentou melhora em sua função renal, mas teve piora nos indicadores inflamatórios e precisou ampliar a cobertura de antibióticos.
Carlos Bolsonaro, irmão de Flávio, se manifestou em defesa do irmão, alegando que o comportamento de Flávio é uma forma de honrar os pedidos de seu pai e manter o ânimo durante um momento difícil.
Como sempre digo, para o clã Bolsonaro vale tudo pelo poder. Basta observar a alegria do filho 01 durante um ato político, mesmo com o pai na UTI e, segundo ele próprio, em estado muito grave de saúde. pic.twitter.com/9MWvf872sM
Na verdade, eles se odeiam e disputam o legado do morto-vivo. De um lado os três irmãos, do outro Michelle com Nikolas Ferreira, parte do Centrão o que restou de Tarcísio de Freitas.
A ex-primeira-dama joga pesado também. Divulgou um vídeo em que uma influenciadora bolsonarista acusa jornalistas de “desejarem” a morte do marido. Os repórteres estavam do lado de fora do hospital para acompanhar as atualizações sobre o estado de saúde do ex-mandatário.
O vídeo, que não mostra os supostos comentários feitos pelos jornalistas, é acompanhado de uma legenda que afirma: “jornalistas reunidos desejando a morte de Bolsonaro e comemorando por ser sexta-feira 13”. No registro, a influenciadora grita com os repórteres e filma o crachá de uma assessora do hospital, acusando os profissionais de imprensa de “falta de vergonha”.
Dois jornalistas registraram boletins de ocorrência por intimidação. Um deles, que teve seu filho ameaçado, decidiu fechar suas redes sociais. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) se manifestou publicamente, repudiando “veementemente as ameaças, a difamação e a exposição violenta de jornalistas e seus familiares” após a divulgação do vídeo, classificando-o como “irresponsável”.
Como é a camisa 2 da seleção brasileira para a Copa do Mundo 2026
O aguardado lançamento da nova camisa 2 da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026 finalmente aconteceu. Em um evento realizado na última quinta-feira (12), a fornecedora esportiva Nike revelou o novo uniforme alternativo do Brasil. O grande destaque é a colaboração com a Jordan Brand, marca assinada pelo lendário ex-jogador de basquete Michael Jordan.
Para quem não gosta de usar a camisa amarela da CBF, uniforme azul é opção para torcer pelo Brasil. Foto: Instagram / CBF
A equipe pentacampeã será a primeira seleção nacional a estampar o famoso logotipo “Jumpman” em seu peito, substituindo o tradicional símbolo da Nike. Com o lema “Joga Sinistro”, a peça busca unir o estilo da moda urbana à paixão pelo futebol, trazendo um visual diferente para a disputa do Mundial.
Design inspirado na fauna brasileira dita o tom da camisa 2 da Seleção
A estética da camisa 2 da Seleção Brasileira mantém o clássico fundo azul royal, mas ganha detalhes mais agressivos e modernos. O design apresenta texturas, padrões e listras pretas que remetem a animais predadores do Brasil. A intenção é transmitir força e velocidade dentro de campo.
No novo modelo, o escudo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) fica centralizado no peito, enquanto o logo da Jordan aparece em amarelo, no lado direito. O uniforme traz ainda recortes em verde-água e amarelo nas mangas e laterais.
De acordo com a fornecedora de material esportivo, o tecido é feito com material 100% reciclado e conta com tecnologia de resfriamento, ideal para a circulação de ar durante os jogos.
Quando será a estreia oficial do novo uniforme azul?
Os torcedores não precisarão aguardar o início da Copa do Mundo para ver a camisa 2 da Seleção Brasileira nos gramados. A estreia da nova vestimenta está marcada para o dia 26 de março, no amistoso de peso contra a França, que será disputado nos Estados Unidos.
A campanha de lançamento já está no ar, estrelada por craques que representam o futuro e o presente do país, como Vinícius Júnior, Estêvão, Marquinhos e Matheus Cunha. Além disso, a tradicional camisa 1 (amarela) será lançada nos próximos dias e tem previsão de estreia para o dia 31 de março, em duelo contra a Croácia.
Preços e onde comprar a camisa 2 da Seleção Brasileira
Para os fãs que desejam garantir a peça de colecionador, a camisa 2 da Seleção Brasileira já está disponível no mercado brasileiro. Os produtos podem ser adquiridos no site e no aplicativo oficial da Nike, além de lojas esportivas parceiras.
Preços salgados para o torcedor brasileiro
Os preços variam de acordo com o modelo: a versão torcedor, voltada para o uso no dia a dia, é comercializada por R$ 449,99. Já a versão jogador sai por R$ 749,99. A colaboração com a marca também se estende para fora das quatro linhas, trazendo uma linha de roupas casuais que inclui moletons, bermudas e agasalhos.
Preços do uniforme da Seleção Brasileira são salgados. Foto: Instagram / CBF
Qual horário dos jogos do Brasil na Copa do Mundo 2026
A Seleção Brasileira já conhece o caminho que percorrerá na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. A estreia será no dia 13 de junho, contra Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, às 19h (horário de Brasília). Será o primeiro passo do time comandado por Carlo Ancelotti na busca pelo hexacampeonato.
Na segunda rodada, o Brasil volta a campo no dia 19 de junho, quando encara o Haiti no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, às 22h (horário de Brasília). Já o encerramento da primeira fase está marcado para o dia 24 de junho, contra a Escócia, no Hard Rock Stadium, em Miami, também às 19h (horário de Brasília).
Horários dos jogos do Brasil na Copa do Mundo; Arte: TVT News, com apoio de IA
Conseguindo a classificação para a fase de 16 avos de final, a seleção vai enfrentar um adversário do Grupo F (Holanda, Japão, Tunísia e Europa B – Ucrânia, Suécia, Albânia ou Polônia) no dia 29 de junho. O jogo será em Houston se o Brasil fechar em primeiro a fase de grupos. Ficando em segundo, o time nacional jogará em Monterrey.
Jogos do Brasil na Copa do Mundo
Data
Horário
Dia da semana
Local
Jogo
13 de junho
19h
Sábado
New Jersey – Estádio MetLife
Brasil x Marrocos
19 de junho
22h
Sexta
Filadélfia – Lincoln Financial Field
Brasil x Haiti
24 de junho
19h
Quarta
Miami – Estádio Hard Rock
Brasil x Escócia
Jogos da Copa do Mundo
A tabela completa do torneio foi divulgada em evento na tarde deste sábado (06) comandado pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, com participação dos ex-jogadores Ronaldo,Totti, Stoichkov e Lalas. A cerimônia ocorreu no Hilton Capital Hotel em Washington (Estados Unidos).
A Copa do Mundo 2026 será realizada entre 11 de junho e 19 de julho de 2026 com a sede compartilhada em 16 cidades divididas entre México, Estados Unidos e Canadá. Os grupos foram definidos nesta sexta-feira (5) em sorteio no Kennedy Center, em Washington (Estados Unidos).
A Copa do Mundo de 2026 reunirá 48 seleções e terá o total de 104 jogos. O jogo de abertura, entre México e África do Sul, será disputado no dia 11 de junho de 2026, no Estádio Azteca, na Cidade do México (México). Já a grande decisão está programada para o dia 19 de julho de 2026, no MetLife Stadium, em Nova Jersey (Estados Unidos).
Quais são os grupos da Copa do Mundo 2026
Confira os grupos da Copa de 2026 completos:
Grupo A: México, Coreia do Sul, África do Sul e Europa D (República Tcheca, Irlanda, Dinamarca ou Macedônia do Norte).
Grupo B: Canadá, Suíça, Catar e Europa A (Itália, Irlanda do Norte, País de Gales e Bósnia).
Grupo C: Brasil, Marrocos, Escócia e Haiti
Grupo D: Estados Unidos, Austrália, Paraguai e Europa C (Turquia, Romênia, Eslováquia ou Kosovo)
Grupo E: Alemanha, Equador, Costa do Marfim e Curaçau
Grupo F: Holanda, Japão, Tunísia e Europa B (Ucrânia, Suécia, Polônia ou Albânia)
Grupo G: Bélgica, Irã, Egito e Nova Zelândia.
Grupo H: Espanha, Uruguai, Arábia Saudita e Cabo Verde.
Grupo I: França, Senegal, Noruega e Intercontinental 2 (Bolívia, Suriname ou Iraque).
Grupo J: Argentina, Áustria, Argélia e Jordânia.
Grupo K: Portugal, Colômbia, Uzbequistão e Intercontinental 1 (RD Congo, Jamaica ou Nova Caledônia).
Grupo L: Inglaterra, Croácia, Panamá e Gana.
Rumo ao Hexa: Copa do Mundo 2026 tem jogos definidos. Arte: TVT News
Qual o caminho do Brasil na Copa do Mundo?
Adversários do Brasil na Fase de Grupos
1ª rodada – 13 de junho (sábado) – Brasil x Marrocos
2ª rodada – 19 de junho (sexta-feira) – Brasil x Haiti
3ª rodada – 24 de junho (quarta-feira) – Escócia x Brasil
Quais são os possíveis adversários do Brasil na Copa do Mundo?
Primeiro mata-mata
Se o Brasil passar em 1º lugar no grupo C, vai enfrentar o vice-líder do grupo F, composto por Holanda, Japão, Tunísia e uma seleção europeia vinda da repescagem.
O jogo seria no dia 29 de junho, uma segunda-feira, em Houston.
Caso o Brasil passe em 2ª lugar, enfrenta quem ficar em 1° o grupo F. Nesse caso, o jogo também seria no dia 29, mas em Monterrey, no México.
Brasil estreia contra Marrocos no dia 13 de junho. Arte: TVT News
Qual seria o adversário do Brasil nas oitavas
Se o Brasil passar em primeiro lugar e se classificar na fase de 16 avos de final, o Brasil jogaria a partida de oitavas no dia 5 de julho, um domingo.
O adversário sairia do confronto entre os vice-líderes dos grupos E e I, o que colocaria seleções como Alemanha, França, Equador ou Noruega como adversários do Brasil nas oitavas.
Se o Brasil passar em 2º lugar, o caminho para as oitavas seria contra o vencedor do duelo entre os vice-líderes dos grupos A e B. e os adversários podem ser podem ser México, Suíça, Coreia do Sul, Canadá ou até mesmo Itália e Dinamarca (que ainda jogarão a repescagem).
Quem o Brasil pode enfrentar nas quartas?
Para as quartas de final, uma simulação possível é um jogo entre Brasil x Inglaterra, caso as seleções passem em primeiro nos seus respectivos grupos.
Como em final de Copa do Mundo, bares, cinemas e cineclubes em várias cidades do país estão organizando transmissões da premiação, bolões, quizzes e sessões especiais para acompanhar a 98ª edição da maior noite do cinema mundial neste domingo (15).
Se Hollywood trata o Oscar como uma sofisticada engrenagem de campanhas e estratégias de estúdio, no Brasil ele ganhou novos contornos. Há memes nas redes sociais, correntes de torcida e uma mobilização espontânea de cinéfilos que lembra muito o que aconteceu no ano passado com “Ainda Estou Aqui”, que recebeu o Oscar na categoria de melhor filme internacional.
Agora, o centro dessa expectativa é “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, que chega a 2026 com indicações de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Ator para Wagner Moura.
Os números ajudam a explicar o entusiasmo. Mesmo competindo com superproduções de Hollywood, o filme brasileiro, segundo dados da FILME B, portal sobre o mercado de cinema no Brasil, lidera a bilheteria entre os indicados ao Oscar, com 2.464.071 ingressos vendidos e mais de R$ 50 milhões arrecadados.
Entre os dez concorrentes ao prêmio principal da Academia Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, organizadora da premiação, é também o longa de menor orçamento, um detalhe que torna sua trajetória ainda mais simbólica.
O cinema brasileiro chega ao Oscar 2026 em um de seus momentos mais importantes. O filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, conquistou quatro indicações, igualando o recorde nacional alcançado por Cidade de Deus.
O longa concorre nas seguintes categorias:
Melhor Filme
Melhor Filme Internacional
Melhor Ator, com Wagner Moura
Melhor Seleção de Elenco
A indicação de Moura é histórica: ele se tornou o primeiro brasileiro indicado ao prêmio de Melhor Ator. Na disputa, o ator enfrenta nomes de peso como Timothée Chalamet, Leonardo DiCaprio e Michael B. Jordan.
Além disso, o diretor de fotografia brasileiro Adolpho Veloso também recebeu uma indicação por seu trabalho no filme Sonhos de Trem.
Torcida nos bares e cinemas pelo Brasil no Oscar
Em várias cidades brasileiras, a premiação será acompanhada coletivamente, um fenômeno que vem crescendo nos últimos anos.
No Rio de Janeiro, o produtor e exibidor Cavi Borges, do Grupo Estação e da Cavideo, prepara novamente uma grande festa para a transmissão.
O evento começou há mais de duas décadas de forma quase improvisada:
“Eu faço essa transmissão ao vivo do Oscar há 25 anos. Começou lá na Cobal do Mytown, quando a Cavideo estava nascendo. Era uma reunião pequena, cinéfila mesmo.”
Nos últimos anos, porém, o evento ganhou proporções inesperadas.
“No ano passado, foi o ápice: quase duas mil pessoas. Cinco salas lotadas e um telão no saguão. Quando o Brasil ganhou o Oscar, o cinema tremeu. Foi histórico.”
Bolão do Oscar 2026
Para 2026, a expectativa é ainda maior. O evento terá bolão de apostas, quiz cinéfilo, concurso de sósias de Wagner Moura e transmissão simultânea em salas do Estação Net Rio e do Estação Net Botafogo.
Mais do que festa, Borges vê nisso um efeito direto do momento que o cinema brasileiro atravessa.
“Muita gente que não frequentava cinema de arte começou a aparecer. Pessoas que iam ao shopping ver blockbuster foram à Estação para ver Ainda Estou Aqui ou O Agente Secreto. E quando chegam lá descobrem um monte de outros filmes.”
Segundo ele, esse movimento ajuda a revelar algo curioso:
“O Brasil produz cerca de 300 filmes por ano, mas o grande público conhece quatro ou cinco. Quando as pessoas entram na sala de cinema por causa de um filme brasileiro que virou fenômeno, elas descobrem que existe muito mais.”
Confira a lista completa de indicações ao Oscar 2026
Melhor Filme
O Agente Secreto
Bugonia
F1
Frankenstein
Hamnet
Marty Supreme
Pecadores
Sonhos de Trem
Uma Batalha Após a Outra
Valor Sentimental
Melhor Direção
Chloe Zhao, por Hamnet
Joachim Trier, por Valor Sentimental
Josh Safdie, por Marty Supreme
Paul Thomas Anderson, por Uma Batalha Após a Outra
Ryan Coogler, por Pecadores
Melhor Ator
Wagner Moura, por O Agente Secreto
Timothy Chalamet, por Marty Supreme
Leonardo Di Caprio, por Uma Batalha Após a Outra
Ethan Hawke, por Blue Moon
Michael B Jordan, por Pecadores
Melhor Atriz
Jessie Buckley, por Hamnet
Rose Byrne, por Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
Renata Reinsve, por Valor Sentimental
Kate Hudson, por Song Sung Blue: Um sonho a dois
Emma Stone, por Bugonia
Ator Coadjuvante
Benicio Del Toro, por Uma Batalha Após a Outra
Jacob Elordi, por Frankenstein
Delroy Lindo, por Pecadores
Sean Penn, por Uma Batalha Após a Outra
Stellan Skarsgård, por Valor Sentimental
Atriz Coadjuvante
Elle Fanning, por Valor Sentimental
Inga Ibsdotter Lilleaas, por Valor Sentimental
Amy Madigan, por A Hora do Mal
Wunmi Mosaku, por Pecadores
Teyana Taylor, por Uma Batalha Após a Outra
Roteiro Original
Blue Moon
Foi Apenas Um Acidente
Marty Supreme
Valor Sentimental
Pecadores
Roteiro Adaptado
Bugonia
Frankenstein
Hamnet
Uma Batalha Após a Outra
Sonhos de Trem
Seleção de Elenco
O Agente Secreto
Hamnet
Marty Supreme
Pecadores
Uma Batalha Após a Outra
Melhor Animação
Arco
Elio
Guerreiras do K-Pop
A Pequena Amélie
Zootopia 2
Design de Produção
Frankenstein
Hamnet
Marty Supreme
Uma Batalha Após a Outra
Pecadores
Melhor Fotografia
Frankenstein
Marty Supreme
Uma Batalha Após a Outra
Pecadores
Sonhos de Trem
Figurino
Avatar: Fogo e Cinzas
Hamnet
Frankenstein
Pecadores
Marty Supreme
Edição
F1
Marty Supreme
Uma Batalha Após a Outra
Pecadores
Valor Sentimental
Maquiagem e Cabelo
Kokuho
Frankenstein
Pecadores
Coração de Lutador: The Smashing Machine
A Meia-Irmã Feia
Som
F1
Frankenstein
Uma Batalha Após a Outra
Pecadores
Sirāt
Efeitos Visuais
Avatar: Fogo e Cinzas
F1
Jurassic World: Recomeço
O Ônibus Perdido
Pecadores
Trilha Sonora Original
Bugonia
Frankenstein
Hamnet
Uma Batalha Após a Outra
Pecadores
Canção Original
Dear Me, de Diane Warren: Relentless
Golden, de Guerreiras do K-Pop
I Lied to You, de Pecadores
Sweet Dreams of Joy, de Viva Verdi!
Train Dreams, de Sonhos de Trem
Melhor Documentário
The Alabama Solution
Come See Me In The Good Light
Mr Nobody Against Putin
Perfect Neighbour
Cutting Through Rocks
Melhor Filme Internacional
O Agente Secreto, do Brasil
Foi Apenas Um Acidente, da França
Valor Sentimental, da Noruega
Sirāt, da Espanha
A voz de Hind Rajab, da Tunísia
Curta-metragem de Animação
Butterfly
Forever Green
The Girl Who Cried Pearls
Retirement Plan
The Three Sisters
Curta-documentário
All The Empty Rooms
Armed Only With A Camera
Children No More
Perfectly A Strangeness
The Devil Is Busy
Curta-metragem com Atores
Butchers Stain
A Friend Of Dorothy
The Singers
Two People Exchanging Saliva
Jane Austen’s Period Drama
Elenco do filme O Agente Secreto, que já ultrapassou 2,4 milhões de espectadores – Foto Paulo Pinto/Agência Brasil
O Agente Secreto concorre em 4 categorias no Oscar 2026
Dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, O Agente Secreto tornou-se um caso raro: um filme autoral que conseguiu dialogar com o público sem abrir mão de sua identidade estética.
O longa já ultrapassou 2,4 milhões de espectadores, tornando-se o filme mais visto no Brasil entre todos os indicados ao Oscar deste ano.
Nas redes sociais, Kleber tem demonstrado uma mistura de celebração e responsabilidade diante da mobilização nacional.
O diretor agradeceu recentemente a “energia incrível” do público brasileiro e destacou algo que considera essencial para o sucesso do filme: as políticas públicas de incentivo ao audiovisual. Para ele, o reconhecimento internacional também tem um significado cultural mais amplo.
O cineasta afirma que a presença do filme no Oscar representa uma forma de “soft power brasileiro” — a capacidade de o país projetar sua cultura e sua identidade no palco global. Ao mesmo tempo, Kleber reconhece a pressão e já comentou sentir “medo de decepcionar” diante da enorme expectativa criada no Brasil.
Entre todas as categorias, especialistas apontam uma em que o Brasil aparece particularmente forte. A nova categoria de Melhor Direção de Elenco, criada pela Academia em 2024 e inaugurada nesta edição do Oscar, pode marcar um momento histórico para o país.
O brasileiro Gabriel Domingues foi indicado pelo trabalho em O Agente Secreto, responsável pela seleção de mais de 60 atores, combinando nomes consagrados e novos
Mesmo com o entusiasmo brasileiro, a disputa continua aberta. Veículos especializados americanos apontam “Pecadores”, de Ryan Coogler, como possível grande vencedor da noite.
Publicações ligadas ao cinema independente foram mais generosas com o longa brasileiro. O site IndieWire, por exemplo, colocou O Agente Secreto no topo do ranking entre os indicados a Melhor Filme.
Entre os favoritos estão Timothée Chalamet, vencedor do Globo de Ouro, e Michael B. Jordan. Mas há também histórias que Hollywood adora: trajetórias longas esperando reconhecimento.
É impossível não lembrar, por exemplo, de Ethan Hawke — um dos atores mais respeitados de sua geração que, surpreendentemente, nunca levou uma estatueta.
Enquanto isso, o Brasil torce por Wagner Moura, que chega à corrida com enorme capital simbólico após sua vitória no Globo de Ouro.
Wagner Moura concorre na categoria de melhor ator – Foto Paulo Pinto/Agência Brasil
Se os prognósticos internacionais são cautelosos, no Brasil o sentimento é outro. Há algo que números e estatísticas não capturam: a mobilização afetiva em torno de um filme. Nunca tantos portais, canais de cinema, podcasts e perfis nas redes sociais acompanharam tão intensamente a temporada de premiações.
Talvez porque o cinema brasileiro esteja vivendo um momento raro: o de voltar a se ver no centro da conversa mundial.
Donald Trump, presidente dos EUA, e Motjaba Khamenei, novo líder do Irã. Foto: reprodução
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou acreditar que o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, está “vivo, mas danificado” após o ataque que matou parte de sua família, incluindo seu pai e antecessor, Ali Khamenei. A declaração foi feita durante entrevista ao programa “The Brian Kilmeade Show”, da Fox News, exibida na noite de quinta-feira (12).
“Acho que ele provavelmente está (vivo). Acho que ele está danificado, mas acho que ele provavelmente está vivo de alguma forma, sabe?”, disse Trump na entrevista divulgada pela emissora.
Mojtaba, de 56 anos, ficou ferido no mesmo ataque que matou sua mãe, sua esposa e seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, em 28 de fevereiro. A ofensiva foi realizada de forma coordenada por Estados Unidos e Israel contra Teerã e acabou desencadeando uma guerra regional que vem se intensificando desde então. Após rumores sobre o estado de saúde do novo líder iraniano, o filho do presidente da República Islâmica afirmou na quarta-feira que Mojtaba está “são e salvo”.
Desde que foi escolhido para suceder o pai como líder supremo do Irã no último domingo, Mojtaba Khamenei não apareceu publicamente. Seu primeiro pronunciamento no cargo foi divulgado apenas na quinta-feira e lido por um apresentador de televisão estatal.
Ali Khamenei, assassinado em ataque dos EUA e de Israel. Foto: reprodução
Na mensagem, o novo líder indicou que o Irã poderá ampliar medidas de pressão contra os adversários, citando inclusive o impacto sobre rotas estratégicas do petróleo. Segundo ele, iniciativas como o controle do Estreito de Ormuz podem “pressionar o inimigo” e provocar aumento nos preços internacionais da commodity.
Logo após o pronunciamento, o governo iraniano anunciou uma nova ofensiva contra Israel. Vídeos divulgados em um canal oficial no Telegram mostram o lançamento de mísseis acompanhado do lema “Labbaik, ó Khamenei”, expressão que significa “Atendemos ao chamado, ó Khamenei”.
O conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel chegou ao 14º dia e já provocou ataques diários entre as forças militares dos países. Enquanto tropas estadunidenses e israelenses realizam ofensivas em território iraniano, Teerã tem respondido com ataques retaliatórios contra Israel e bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio.
A escalada militar ampliou o alcance do confronto na região e aumentou a tensão internacional, enquanto lideranças políticas acompanham com atenção os desdobramentos da guerra e o impacto da mudança no comando do regime iraniano.
Depois de 1.280 dias de greve, os trabalhadores da Avibras Indústria Aeroespacial aprovaram a proposta de pagamento da dívida trabalhista acumulada pela empresa. As atividades da principal indústria bélica do país, localizada em Jacareí, interior de São Paulo, devem ser retomadas em abril, depois de três anos sem produção contínua. Leia em TVT News.
A greve começou em 9 de setembro de 2022.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, a proposta aprovada de pagamento da dívida trabalhista soma R$ 230 milhões. O plano para quitação desse débito prevê o parcelamento de 12 a 48 vezes, de acordo com a faixa salarial de cada trabalhador. Ao todo, 1,4mil pessoas têm valores a receber.
“Para voltar à atividade, a direção da Avibras vai desligar todos os 850 trabalhadores que permanecem registrados na fábrica, quitar as dívidas conforme o plano de parcelamento e fazer 450 recontratações. O processo de demissões, homologações e contratações vai acontecer entre março e abril”, explica o sindicato.
Em nota, a Avibras afirmou que a decisão dos trabalhadores é um avanço relevante para o processo de reestruturação da empresa.
Outro fator importante para viabilizar a retomada das operações foi a decisão do Tribunal de Justiça rejeitando os recursos apresentados contra a homologação do Plano de Recuperação Judicial da companhia.
“A empresa prossegue na fase de transição, que inclui os preparativos necessários para o restabelecimento de suas operações. Também segue empenhada na implementação do Plano de Recuperação Judicial e na construção de um novo ciclo para a empresa, com foco na continuidade de suas operações e no fortalecimento de sua atuação nos setores de defesa e aeroespacial”, diz a empresa.
A Avibras pediu recuperação judicial em março de 2022, devido a uma crise financeira, alegando estar com dívidas de R$ 600 milhões. No mesmo momento, anunciou 420 demissões, que foram suspensas pela Justiça um mês depois, devido a uma ação movida pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região.
A fábrica será retomada sob nova direção. O ex-proprietário João Brasil Carvalho Leite foi destituído em 25 de julho de 2025, pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que homologou a transferência de 99% das ações para o Brasil Crédito Gestão Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, credor da Avibras.
A Avibras é uma empresa brasileira privada de engenharia, com mais de 50 anos de atuação e desenvolve tecnologia para as áreas de defesa e civil. Os destaques da produção são sistemas de lançamento de mísseis de cruzeiro e foguetes guiados, além de diferentes motores foguetes para a Marinha e para a Força Aérea Brasileira e veículos blindados.
Bahia x Vitória na final do Baianão. Acompanhe os resultado da final do Campeonato Baiano com a TVT News.
Resultado da final do Campeonato Baiano 2026
Campeonato Baiano é transmitido pela TVT
O Campeonato Baiano de Futebol de 2026 tem um diferencial importante para os torcedores: além da transmissão exclusiva da TVE, a competição foi retransmitida pela TVT, ampliando o alcance do torneio para públicos de diferentes regiões do país. A parceria entre as duas emissoras públicas reforça o papel da comunicação pública na democratização do acesso ao esporte.
EC Bahia, o Esquadrão de Aço, é o atual campeão do Baianão. Foto: Letícia Martins/EC Bahia
Regulamento do Campeonato Baiano
Ao todo, dez clubes disputam a taça da primeira divisão estadual: Atlético de Alagoinhas, Bahia, Bahia de Feira, Barcelona de Ilhéus, Galícia, Jacuipense, Jequié, Juazeirense, Porto e Vitória. Todos os jogos do Baianão poderão ser acompanhados ao vivo pela TVE, pela TVT e também pelo canal da TVE no YouTube (youtube.com/tvebahia).
O Campeonato Baiano de 2026 estreia uma nova fórmula de disputa, definida pela Federação Baiana de Futebol (FBF). As semifinais e a final serão realizadas em jogo único, com mando de campo da equipe que obtiver a melhor campanha geral. Em caso de empate no tempo regulamentar, a decisão será definida nos pênaltis.
Parceria TVT e TVE
Em 2025, a TVE transmitiu os 50 jogos da competição e registrou forte desempenho de audiência. Segundo a emissora, houve picos de 61% de share entre os canais abertos e cobertura domiciliar de 58%. No ambiente digital, as transmissões ultrapassaram 32 milhões de visualizações no YouTube, com até 840 mil aparelhos conectados simultaneamente. A final do campeonato somou mais de 4 milhões de visualizações na plataforma.
Durante o evento de lançamento do Baianão 2026, que reuniu torcedores, dirigentes, atletas, árbitros e autoridades do esporte, foi assinada a carta de adesão dos clubes, da TVE e da FBF ao Pacto pelo Feminicídio Zero e pela Prevenção à Violência contra as Mulheres. A iniciativa busca ampliar a conscientização social e contribuir para a redução dos casos de feminicídio na Bahia.
Além das transmissões dos jogos, a cobertura do campeonato contará com conteúdos exclusivos nas redes sociais da TVE, no Instagram, TikTok e X (antigo Twitter), além de interação com o público pelo canal oficial da emissora no WhatsApp. Programas como TVE Esporte (segundas-feiras, às 19h), TVE Revista (diariamente, às 12h) e TVE Notícias (diariamente, às 18h) também terão cobertura especial da competição.
Com a parceria entre TVT e TVE, o Campeonato Baiano de 2026 chega à tela com maior visibilidade, reforçando o futebol estadual e garantindo que a bola role para um público ainda mais amplo desde a primeira rodada.
O Dia da Mulher é muito mais do que um momento para presentes ou frases de efeito. Trata-se de um marco político fundamental para o calendário das lutas sociais em todo o mundo. No 8 de março, os movimentos sociais, sindicatos e coletivos feministas reafirmam a necessidade de combater o patriarcado, a desigualdade salarial e a violência de gênero que ainda assola a sociedade.
Ao rememorar o 8 de março, Dia da Mulher, é essencial resgatar a raiz revolucionária desta data. Longe de ser um dia para impulsionar o comércio, o 8 de março nasceu no chão de fábrica, nas assembleias operárias e nas ruas, impulsionado por mulheres que exigiam trabalho digno.
A TVT News preparou um material especial para explicar a origem do 8 de março como Dia da Mulher e destacar figuras importantes na construção da resistência feminina na América Latina.
Quem é essa mulher? Conheça mulheres históricas da América Latina
Por que 8 de março é o Dia da Mulher?
A escolha do 8 de março como o Dia da Mulher não foi aleatória, mas fruto de um processo de organização da classe trabalhadora. No início do século XX, as condições de trabalho eram desumanas, com jornadas exaustivas e salários miseráveis, especialmente para as operárias da indústria têxtil.
Protesto pelo fim da escala 6×1. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O 8 de março serve como um lembrete anual da capacidade de mobilização das trabalhadoras. É um dia para evidenciar que as conquistas democráticas, como o direito ao voto e à licença-maternidade, não foram concessões, mas vitórias arrancadas com muita organização e enfrentamento.
O Dia da Mulher é, portanto, um instrumento de conscientização política e de denúncia contra as opressões.
Qual a origem da data de 8 de março como Dia Internacional da Mulher
Há uma série de acontecimentos que tornaram o 8 de março o Dia das Mulheres.
A ideia de um dia dedicado às mulheres surgiu em um contexto de intensas manifestações por melhores condições de trabalho, direito ao voto e fim da discriminação.
Acompanhe a linha do tempo do Dia da Mulher:
1908: Um marco importante foi a marcha de cerca de 15 mil trabalhadoras têxteis em Nova York, que foram às ruas exigindo a redução da jornada de trabalho (que chegava a 16 horas diárias), melhores salários e o direito ao voto .
1909: Inspirado por essas mobilizações, o Partido Socialista da América celebrou o primeiro Dia Nacional das Mulheres em 28 de fevereiro .
1910: O passo decisivo para a internacionalização da data foi dado pela ativista alemã Clara Zetkin. Durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhague (Dinamarca), ela propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher anual. A ideia era unificar a luta das mulheres ao redor do mundo por direitos, mas nenhuma data específica foi definida na ocasião .
1911: Como resultado, o primeiro Dia Internacional da Mulher foi celebrado em 19 de março em países como Alemanha, Suíça e Dinamarca .
1975: A Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou o 8 de março como o Dia Internacional das Mulheres, durante o Ano Internacional da Mulher, dando à data um reconhecimento global.
Por que 8 de março é o Dia da Mulher: o incêndio na Triangle Shirtwaist (1911)
Um evento trágico em Nova York reforçou a urgência da luta.
Em 25 de março de 1911, um incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist matou 146 trabalhadores, a maioria mulheres imigrantes (judias e italianas).
A tragédia expôs as condições precárias de trabalho e impulsionou a legislação trabalhista nos EUA, tornando-se um símbolo central nas manifestações operárias.
Saída dos ônibus com mulheres de São Paulo para participar da Marcha das Mulheres Negras em Brasília. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Por que 8 de março é o Dia da Mulher: a greve de 1917 na Rússia
Em 8 de março de 1917 (que corresponde a 23 de fevereiro no calendário juliano, então em uso na Rússia), milhares de operárias russas saíram às ruas de Petrogrado (atual São Petersburgo) em um protesto histórico.
Elas reivindicavam “Pão e Paz“: pão para suas famílias famintas e o fim da participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial, além de melhores condições de vida e trabalho
Contudo, foi a oficialização pela Internacional Socialista e, posteriormente, o reconhecimento pela ONU em 1975, que consolidaram o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher, uma data de memória e resistência operária.
Por que 8 de março é o Dia da Mulher? A oficialização pela ONU
O Dia da Mulher, comemorado em 8 de março, surgiu a partir das mobilizações de trabalhadoras por melhores condições de trabalho, igualdade salarial e participação política.
Com o passar do tempo, a data ganhou dimensão internacional. Movimentos sociais e organizações feministas utilizam o Dia da Mulher para debater políticas públicas, denunciar violências e promover ações voltadas à igualdade entre homens e mulheres.
Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, durante Reunião de Alto Nível na 80ª Assembleia Geral da ONU, ao fundo a ex-presidenta do Chile Michele Bachelet. A Conferência é uma iniciativa do Ministério das Mulheres. Foto: Gov.br
Em 1975, a Organização das Nações Unidas oficializou o 8 de março como Dia Internacional da Mulher. Desde então, a data passou a ser reconhecida mundialmente como um momento de reflexão sobre igualdade de direitos e enfrentamento das violências contra mulheres.
Quem é essa mulher? Conheça mulheres que marcaram a história da América Latina
A história oficial muitas vezes apaga ou secundariza a participação feminina nos processos poíticos e culturais.
Para a TVT News, o Dia da Mulher é o momento para corrigir essas injustiças históricas. A seguir, conheça perfis de lutadoras que dedicaram suas vidas à causa da liberdade e da justiça social no continente latino-americano
Mulheres na história da América Latina: Anita Garibaldi
Conhecida como a “Heroína de Dois Mundos”, Anita Garibaldi rompeu com todos os padrões esperados para uma mulher do século XIX. Nascida no sul do Brasil, ela não se limitou ao papel doméstico, pegando em armas ao lado de Giuseppe Garibaldi durante a Revolução Farroupilha. Sua bravura nos campos de batalha e sua habilidade estratégica a tornaram uma lenda viva ainda durante sua curta existência.
Anita e Giuseppe Garibaldi, combatentes em defesa da liberdade. Imagem: Wikimedia Commons /Arte Rebeca de Ávila
Anita participou ativamente de combates no Brasil, no Uruguai e na Itália, defendendo ideais republicanos. Sua trajetória é marcada pela coragem física e pela convicção política, enfrentando exércitos imperiais e as dificuldades de uma vida em constante deslocamento. Ela representa a mulher que não aceita a submissão e que luta, ombro a ombro, pela autodeterminação dos povos.
Mulheres na história da América Latina: Maria Felipa
Maria Felipa de Oliveira é um símbolo da independência do Brasil na Bahia. Marisqueira, negra e liderança natural na Ilha de Itaparica, ela organizou um grupo de vigilância e resistência contra as tropas portuguesas em 1823. A história oral conta que Maria Felipa liderou um grupo de mulheres que, usando galhos de cansanção (uma planta urticante), surraram os soldados portugueses, além de incendiar embarcações inimigas.
Monumento na cidade de Salvador, Bahia, Brasil, em homenagem à Maria Felipa. Foto: SouDiana /Wikimedia Commons
Sua figura destaca o protagonismo das mulheres negras e pobres na construção da soberania nacional, muitas vezes ignorado pelos livros didáticos tradicionais. Maria Felipa encarna a astúcia popular e a força coletiva, provando que a independência do Brasil teve rosto feminino, negro e nordestino.
Mulheres na história da América Latina: Juana Azurduy
Juana Azurduy foi uma das mais importantes líderes militares na luta pela independência da América do Sul. Nascida no que hoje é a Bolívia, ela assumiu o comando de tropas guerrilheiras contra o domínio espanhol no Alto Peru. Juana perdeu o marido e quatro filhos na guerra, mas nunca abandonou o front, chegando a comandar um exército de indígenas e mestiços leais à causa da libertação.
Museo Histórico Nacional – Juana Azurduy. Óleo sobre tela. Autor desconocido / Wikimedia Commons
Reconhecida postumamente com patentes de general na Argentina e na Bolívia, Juana Azurduy simboliza a entrega total à causa anticolonial. Sua vida nos lembra que a independência latino-americana foi conquistada com a participação direta de mulheres que desafiaram não apenas o império espanhol, mas também as normas de gênero de sua época.
Mulheres na história da América Latina: Manuela Sáenz
Equatoriana de nascimento, Manuela Sáenz foi muito mais do que a companheira de Simón Bolívar; foi uma ativista revolucionária com méritos próprios. Conhecida como a “Libertadora do Libertador” por ter salvo a vida de Bolívar em um atentado em Bogotá, Manuela atuou na espionagem, na logística e no financiamento da causa patriota. Ela vestia uniforme militar, montava a cavalo e participava das decisões estratégicas.
Manuela Sáenz, por César Augusto Villacrés (ca. 1910). Fondo pictórico del Museo Nacional de Quito.
Após a morte de Bolívar, Manuela sofreu perseguição e exílio, terminando seus dias no litoral peruano. Sua reabilitação histórica é recente e necessária, posicionando-a como uma intelectual e estrategista política que compreendia a complexidade da integração latino-americana e a necessidade de romper definitivamente com a metrópole.
Mulheres na história da América Latina: Patrícia Galvão
Patrícia Galvão, a Pagu, foi uma mulher à frente de seu tempo, ícone do Modernismo brasileiro e militante comunista fervorosa. Jornalista, desenhista e escritora, Pagu denunciou as desigualdades sociais em obras como “Parque Industrial”, considerado o primeiro romance proletário brasileiro. Sua militância no Partido Comunista a levou ao cárcere diversas vezes durante a Era Vargas, onde sofreu torturas, mas manteve sua integridade ideológica.
Pagu desafiou a moral burguesa de todas as formas, tanto em sua vida pessoal quanto em sua produção artística e política. Ela é um exemplo de intelectual engajada, que colocou seu talento a serviço da denúncia das condições da classe operária e da emancipação feminina, pagando um alto preço pessoal por suas escolhas ousadas.
Mulheres na história da América Latina: Olga Benário
A trajetória de Olga Benário Prestes é marcada pela tragédia e pelo heroísmo antifascista. Militante comunista alemã de origem judaica, veio ao Brasil para fazer a segurança de Luís Carlos Prestes. Após o fracasso do levante comunista de 1935, foi presa pelo governo de Getúlio Vargas. Mesmo grávida, foi deportada para a Alemanha nazista, em um ato de colaboracionismo que mancha a história brasileira.
Olga Benario-Prestes, em 1942. Fonte: Wikimedia Commons
Olga deu à luz sua filha, Anita Leocádia, em um campo de concentração antes de ser assassinada na câmara de gás em Bernburg. Sua história é um alerta permanente sobre os perigos do autoritarismo e do fascismo. Olga tornou-se um símbolo internacional de resistência.
Mulheres na história da América Latina: Gabriela Mistral
Gabriela Mistral, poeta e educadora chilena, foi a primeira pessoa latino-americana a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1945. Sua obra é profundamente marcada pela defesa da educação pública, pelos direitos das crianças e pela valorização da identidade mestiça e indígena do continente. Gabriela atuou na reforma educacional do México pós-revolucionário, a convite de José Vasconcelos, levando sua visão humanista para as escolas rurais.
A chilena Gabriela Mistral. Fonte: Wikimedia Commons
Além de sua vasta produção literária, Mistral foi uma diplomata e intelectual que pensou a América Latina de forma integrada. Ela defendia que o ensino deveria ser uma ferramenta de libertação social, acessível aos mais pobres. Sua voz poética nunca se desvinculou de seu compromisso ético com os desfavorecidos e com a justiça social.
Mulheres na história da América Latina: Antonieta de Barros
Antonieta de Barros foi uma pioneira absoluta na política brasileira. Filha de ex-escravizada, professora e jornalista, foi a primeira mulher negra a ser eleita deputada estadual no Brasil, em Santa Catarina, no ano de 1934. Sua atuação parlamentar foi centrada na defesa da educação como direito de todos e na valorização do magistério, além de lutar contra o racismo estrutural e a discriminação de gênero.
Fonte: Instituto Históerico e Geográfico de Santa Catarina
Foi Antonieta quem criou o Dia do Professor em seu estado, data que depois se tornaria nacional. Sua presença em um espaço de poder, majoritariamente branco e masculino na década de 1930, foi um ato revolucionário. Ela utilizou a tribuna e a imprensa para exigir cidadania plena para a população negra e para as mulheres, deixando um legado de luta pela democratização do ensino.
Mulheres na história da América Latina: Clara Charf
Clara Charf foi um exemplo de vida dedicada à militância de esquerda e aos direitos das mulheres. Viúva de Carlos Marighella, principal líder da resistência armada contra a ditadura militar, Clara viveu na clandestinidade e no exílio, atuando incansavelmente na denúncia das violações de direitos humanos no Brasil.
Após a anistia, continuou sua atuação política, focando especialmente nas questões de gênero e na paz mundial.
Ativista Clara Charf. Foto: Memórias da Ditadura/Reprodução
Fundadora da Associação Mulheres pela Paz, Clara manteve acesa a memória de Marighella e de todos os combatentes que tombaram lutando pela democracia. Sua biografia atravessa décadas de história política brasileira, sempre do lado dos oprimidos. Ela nos ensina que a militância é um compromisso vitalício e que a luta por um mundo mais justo não tem data para acabar.
Mulheres na história da América Latina: Maria Lúcia Petit
Maria Lúcia Petit foi uma militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) que integrou a Guerrilha do Araguaia. Jovem idealista, mudou-se para a região do Bico do Papagaio para organizar os camponeses e resistir ao regime militar. Em 1972, foi morta em combate pelas Forças Armadas. Por décadas, sua família lutou pelo direito de localizar seus restos mortais e sepultá-la dignamente.
Maria Lucia Petit. Foto: Wikimedia Commons
A identificação de sua ossada, nos anos 1990, foi um marco na busca pelos desaparecidos políticos do Araguaia. Maria Lúcia representa a juventude que sacrificou a própria vida sonhando com um Brasil livre da tirania. Sua memória é preservada como denúncia da brutalidade do Estado durante os anos de chumbo.
Mulheres na história da América Latina: Lélia Gonzalez
Lélia Gonzalez foi uma intelectual, política e antropóloga brasileira fundamental para o pensamento feminista negro. Ela cunhou o conceito de “Amefricanidade”, propondo uma leitura da cultura e da história das Américas a partir da contribuição indígena e africana. Lélia foi uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado (MNU), atuando diretamente contra o mito da democracia racial.
A brasileira Lélia Gonzalez | Crédito: Acervo Família Lélia Gonzalez
Sua crítica era afiada: ela apontava como o feminismo tradicional muitas vezes ignorava a realidade das mulheres negras e pobres. Para Lélia, a luta contra o sexismo era inseparável da luta contra o racismo e o capitalismo. Seu pensamento segue atualíssimo, oferecendo ferramentas teóricas para compreendermos as hierarquias sociais brasileiras e a importância de um feminismo interseccional.
Mulheres na história da América Latina: Zuzu Angel
Zuleika Angel Jones, conhecida como Zuzu Angel, transformou sua dor em denúncia internacional. Estilista de renome, ela iniciou uma busca incessante por seu filho, Stuart Angel, militante político torturado e assassinado pela ditadura militar. Zuzu utilizou sua moda para protestar: estampou anjos feridos, tanques de guerra e grades em suas coleções, levando a brutalidade do regime brasileiro para as passarelas de Nova York.
Zuzu Angel durante o lançamento de sua coleção em Nova York, 1972. Foto: Fundo Correio da Manhã.
Sua coragem em confrontar os generais e expor os crimes do Estado brasileiro incomodou o regime. Zuzu morreu em um acidente de carro suspeito no Rio de Janeiro, em 1976, hoje reconhecido como um atentado perpetrado pelos agentes da repressão. Ela é um símbolo da força materna que se converte em luta política por verdade e justiça.
Mulheres na história da América Latina: Clementina de Jesus
Clementina de Jesus, a “Quelé”, foi a voz ancestral que conectou o Brasil moderno às suas raízes africanas profundas. Descoberta para o grande público já idosa, depois de uma vida inteira trabalhando como doméstica, Clementina trouxe em seu canto os vissungos (cantos de trabalho), corimás e sambas rurais que guardava na memória. Ela não foi apenas uma cantora, mas uma guardiã de saberes orais.
Imagem do Fundo Correio da Manhã.
Sua presença na música popular brasileira foi um ato de afirmação da estética e da cultura negra. Sua voz rouca e potente narrava a história de resistência do povo negro pós-abolição. Clementina nos lembra que a cultura é também um campo de disputa e que a memória do povo pobre é um patrimônio inestimável.
Mulheres na história da América Latina: Maria Conceição Tavares
A economista Maria da Conceição Tavares, portuguesa radicada no Brasil, foi uma das vozes mais lúcidas e combativas do pensamento econômico nacional.
Professora da Unicamp e da UFRJ, e ex-deputada pelo PT, Conceição formou gerações de economistas com uma visão crítica ao neoliberalismo e à financeirização da economia. Sua defesa intransigente do desenvolvimento nacional e da distribuição de renda marcou época.
A economista Maria da Conceição Tavares. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Conhecida por sua oratória apaixonada e por não ter papas na língua, ela denunciava a desigualdade brasileira como uma vergonha histórica. Para Conceição Tavares, a economia não podia ser uma ciência fria de números, mas devia servir ao bem-estar da população. Seu legado permanece vivo na defesa da soberania nacional e dos direitos dos trabalhadores contra a austeridade fiscal.
Mulheres na história da América Latina: Violeta Parra
Violeta Parra foi a alma da música folclórica chilena e a precursora da “Nueva Canción Chilena”. Pesquisadora incansável, viajou pelos rincões do Chile recuperando canções, ritmos e tradições camponesas que estavam sendo esquecidas. Sua obra é uma fusão de arte e compromisso social, denunciando as injustiças sofridas pelos trabalhadores rurais e mineiros.
Gabriela Mistral e Violeta Parra | Obra da artista e cenógrafa Macarena Ahumada; praça central (pátio) do Centro Cultural Gabriela Mistral (GAM), em Santiago, Chile. / Foto: Wikimedia Commons
Ela pode ser considerada a mãe da música latino-americana.
Com músicas como “Gracias a la Vida” e “Volver a los 17”, Violeta transcendeu fronteiras. Sua arte era profundamente política, servindo de inspiração para movimentos de esquerda em toda a América Latina. Ela provou que a cultura popular é uma ferramenta poderosa de identidade e resistência contra a hegemonia cultural estrangeira.
Mulheres na história da América Latina: Dulce Maia
Dulce Maia foi a primeira mulher a ser banida do Brasil pela ditadura militar, trocada, junto com outros presos políticos, pelo embaixador japonês sequestrado em 1970. Militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), Dulce sofreu torturas brutais nos porões da Operação Bandeirante (Oban), mas nunca entregou seus companheiros. Sua resistência física e psicológica tornou-se lendária entre a militância.
Após o banimento, viveu no exílio em diversos países, continuando a denunciar o regime brasileiro. O retorno ao Brasil com a anistia marcou a continuidade de sua militância pelos direitos humanos. A história de Dulce Maia é um testemunho da violência de gênero específica aplicada contra as mulheres guerrilheiras, que eram punidas duplamente: por sua oposição política e por desafiarem o papel de submissão feminina.
Mulheres na história da América Latina: Mercedes Sosa
Mercedes Sosa, “La Negra”, foi a voz que unificou a América Latina em torno da esperança e da luta democrática. Cantora argentina, sofreu perseguição e censura durante a ditadura militar em seu país, sendo obrigada a se exilar. Sua interpretação de canções como “Sólo le pido a Dios” e “Canción con todos” tornou-se hino de resistência em todo o continente.
Retrato da cantora argentina Mercedes Sosa por Annemarie Heinrich.
Se Violeta Parra era a mãe, Mercedes Sosa foi a madrinha da música latino-americana.
Mercedes usou seu imenso talento para dar visibilidade aos compositores engajados e às dores do povo latino-americano. Ela cantou com os estudantes, com os trabalhadores e com as Mães da Praça de Maio. Sua arte era um abraço solidário que atravessava fronteiras, lembrando que a luta por liberdade na América Latina é uma causa comum a todos os nossos povos.
Mulheres na história da América Latina: Margarida Maria Alves
“É melhor morrer na luta do que morrer de fome”. A frase de Margarida Maria Alves ecoa até hoje como lema das trabalhadoras rurais. Líder sindical na Paraíba, ela foi a primeira mulher a presidir o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande. Margarida lutou incansavelmente pelos direitos trabalhistas no campo, como carteira assinada, jornada de oito horas e férias, enfrentando a fúria dos latifundiários e usineiros.
Assassinada em 1983 na porta de sua casa, na frente de sua família, a mando de proprietários de terra, Margarida tornou-se semente. Sua morte inspirou a “Marcha das Margaridas”, a maior mobilização de mulheres do campo, da floresta e das águas da América Latina, que ocorre periodicamente em Brasília exigindo reforma agrária e fim da violência no campo.
Mulheres na história da América Latina: Irmã Dorothy Stang
A missionária norte-americana naturalizada brasileira, Irmã Dorothy Stang, dedicou sua vida à defesa da Amazônia e dos povos da floresta. Atuando em Anapu, no Pará, ela lutou pela implantação de Projetos de Desenvolvimento Sustentável (PDS), batendo de frente com grileiros, madeireiros ilegais e fazendeiros que destruíam a mata e oprimiam os pequenos agricultores.
Aos 73 anos, em 2005, foi brutalmente assassinada com seis tiros a mando de fazendeiros da região. Sua morte expôs ao mundo a sangrenta disputa pela terra no Brasil e a impunidade que protege os mandantes de crimes ambientais e agrários. Ela é mártir da luta socioambiental.
Mulheres na história da América Latina: Marielle Franco
Marielle Franco, socióloga, cria da Maré e vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL, representava a renovação da política com a cara da mulher negra, favelada e LGBTQIAPN+.
A atuação parlamentar de Marielle era voltada para a defesa dos direitos humanos, a fiscalização da violência policial e o apoio às minorias. Em 14 de março de 2018, Marielle e seu motorista Anderson Gomes foram executados em uma emboscada política que chocou o mundo.
Manter o nome de Marielle vivo é um ato de justiça, ressalta Luyara Franco, filha da vereadora. Foto: Bernardo Guerreiro/Mídia Ninja
O assassinato de Marielle foi uma tentativa de silenciar as pautas que ela defendia, mas gerou o efeito oposto: multiplicou sua voz em milhares de outras mulheres que ocuparam a política. A pergunta “Quem mandou matar Marielle?” tornou-se um grito por justiça e contra a atuação das milícias no Estado. Marielle é hoje um símbolo global de resistência política e defesa da democracia.
Familiares de Marielle e Anderson acompanharam o julgamento: Foto: Gustavo Moreno/STF
Chegamos ao Dia da Mulher em 2026 com a urgência de estancar a sangria do feminicídio. Apesar dos avanços legislativos e da tipificação do crime, os números continuam alarmantes, refletindo uma cultura machista que enxerga a mulher como propriedade.
O combate a essa violência exige mais do que leis; exige orçamento público para casas de abrigo, delegacias especializadas funcionando 24 horas e programas de educação que desconstruam a masculinidade tóxica desde a base.
O Brasil na luta contra o feminicídio
O Brasil segue enfrentando o desafio de proteger suas mulheres. Neste 8 de março, os movimentos de mulheres reivindicam que o Estado assuma sua responsabilidade integral. Não basta punir o agressor; é preciso evitar a morte.
Isso passa pela autonomia econômica das mulheres e por uma rede de apoio psicossocial robusta. A luta contra o feminicídio é a luta pelo direito mais básico de todos: o direito à vida.
A TVT News reafirma seu compromisso em dar visibilidade a essa pauta todos os dias do ano.
Masoud Pezeshkian, presidente do Irã. Foto: reprodução
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou neste sábado (7) que o país não aceitará as exigências de rendição feitas por Israel e pelos Estados Unidos, em meio à escalada da guerra no Oriente Médio. Em discurso transmitido pela televisão estatal, o líder iraniano respondeu diretamente às declarações do presidente estadunidense Donald Trump.
Segundo Pezeshkian, a ideia de rendição total imposta por Washington não será aceita por Teerã. “Um sonho que eles deveriam levar para o túmulo”, declarou o presidente iraniano ao comentar a exigência feita pelo governo dos Estados Unidos.
Na sexta-feira (6), Trump afirmou que qualquer acordo dependeria de uma rendição completa do Irã. Em publicação em sua rede social, o presidente estadunidense escreveu: “Depois disso, e da seleção de um líder ou líderes excelentes e aceitáveis, nós, muitos de nossos maravilhosos e corajosos aliados e parceiros, trabalharemos incansavelmente para trazer o Irã de volta da beira da destruição, tornando-o economicamente maior, melhor e mais forte do que nunca”.
Pezeshkian integra um conselho interino de liderança que passou a governar o Irã após a morte do aiatolá Ali Khamenei, que ocupava o posto de líder supremo do país. O presidente também tentou reduzir a tensão com países vizinhos, após ataques realizados nos últimos dias.
Durante o discurso, ele pediu desculpas pelos impactos das operações militares na região. “Devo pedir desculpas em meu próprio nome e em nome do Irã aos países vizinhos que foram atacados pelo Irã”, afirmou.
URGENTE!! O Presidente iraniano Masoud Pezeshkian, disse que foi aprovado o fim dos ataques!
“Ontem, o Conselho de Liderança Temporária aprovou que não haverá mais ataques a países vizinhos nem lançamentos de mísseis, a menos que um ataque contra o Irã parta desses países”. pic.twitter.com/9b4OzZCpkX
Pezeshkian também indicou que o governo civil enfrenta dificuldades para controlar totalmente as ações militares no conflito. A Guarda Revolucionária, responsável pelo controle de mísseis balísticos utilizados nos ataques contra Israel e outros alvos, respondia diretamente a Khamenei.
O presidente iraniano defendeu que as forças armadas evitem novos ataques contra países da região. “De agora em diante, eles (as Forças Armadas) não devem atacar países vizinhos nem disparar mísseis contra eles, a menos que sejamos atacados por esses países. Acho que devemos resolver isso por meio da diplomacia”.
Horas após o pronunciamento, novos ataques foram registrados no Golfo Pérsico. Uma ofensiva interrompeu voos no Aeroporto Internacional de Dubai, atingiu uma instalação petrolífera na Arábia Saudita e obrigou moradores a buscar abrigo repetidamente no Bahrein.
Israel também anunciou uma nova onda de bombardeios contra Teerã, em resposta aos ataques iranianos. Entre os alvos atingidos está o aeroporto de Mehrabad, considerado um dos mais movimentados da capital iraniana.
Na última sexta-feira, o mediador das negociações nucleares entre os EUA e o Irã em Omã, o ministro das Relações Exteriores daquele país, Badr Albusaidi, desmascarou a falsa ameaça de guerra do presidente Trump contra Teerã. Por que? Porque Washington recusou as propostas iranianas de abrir mão do que Trump alegava ser sua bomba atômica. O ministro omanita explicou no programa Face the Nation, da CBS, que a equipe iraniana de negociadores concordou em não acumular urânio enriquecido e ofereceu “verificação completa e abrangente pela AIEA”. Essa nova concessão foi um “avanço sem precedentes”, disse ele. E acrescentou: “Acredito que, se conseguirmos aproveitá-la e construir sobre essa base, um acordo estará ao nosso alcance” — “um acordo em que o Irã jamais terá material nuclear capaz de produzir uma bomba. Isso é, sem dúvida, uma grande conquista”.
Ao salientar que este avanço “passou despercebido pela grande mídia”, ele enfatizou que o apelo por “estoque zero” ia muito além do que havia sido negociado durante o governo do presidente Obama, porque “se você não pode estocar material enriquecido, não há como realmente criar uma bomba”.
O aiatolá Ali Khamenei – que já havia emitido uma fatwa contra tal ato e reiterado essa posição ano após ano – convocou os líderes xiitas e o chefe militar do Irã para discutir a ratificação do acordo de cessão do controle do urânio enriquecido, a fim de evitar uma guerra.
Mas tal atitude era precisamente o que nem os Estados Unidos nem Israel podiam aceitar. Uma resolução pacífica teria impedido o plano de longo prazo dos EUA de consolidar e instrumentalizar seu controle sobre o petróleo do Oriente Médio, seu transporte e o investimento das receitas de exportação de petróleo, e de usar Israel e a Al-Qaeda/ISIS como seus exércitos-clientes, para impedir que países produtores de petróleo independentes agissem em função de seus próprios interesses soberanos.
Aparentemente, os serviços de espionagem israelenses alertaram os militares dos EUA, sugerindo que a reunião no complexo do aiatolá oferecia uma grande oportunidade para decapitar os principais dirigentes de uma só vez. Isso seguia a recomendação do manual militar dos EUA, de que matar um líder político considerado antidemocrático por Washington libertaria os supostos anseios populares por uma mudança de regime. Essa era a esperança por trás do bombardeio à residência campestre do presidente Putin no mês passado, e estava em consonância com a recente tentativa dos EUA, por meio do programa Starlink, de mobilizar a oposição popular para uma revolução no Irã.
O ataque conjunto EUA-Israel deixa claro que não havia nada que o Irã pudesse ter cedido que impedisse a longa trajetória dos EUA de controlar o petróleo do Oriente Médio, juntamente com o uso de Israel e dos exércitos clientes do ISIS/Al-Qaeda para impedir que nações soberanas da região assumam o controle de suas reservas de petróleo. Esse controle continua sendo um pilar essencial da política externa dos EUA. É a chave para a capacidade dos EUA de prejudicar outras economias, negando-lhes o acesso à energia caso não se alinhem à política externa norte-americana. Essa insistência em bloquear o acesso mundial a fontes de energia que não estejam sob controle dos EUA é o motivo pelo qual o país atacou a Venezuela, a Síria, o Iraque, a Líbia e a Rússia.
Terrifying scenes from Tehran this evening as US-Israeli Axis seem determined to make Tehran look like Gaza. European Politicians + Media were silent about the Genocide in Gaza, they're silent again as Western Imperialism + Zionism commit War Crimes in Iran…
O ataque aos negociadores (a segunda vez que os Estados Unidos fazem isso contra o Irã) é uma perfídia que ficará marcada na história. O objetivo era impedir a tentativa de alcançar a paz, antes que os líderes iranianos pudessem refutar a falsa alegação de Trump de que se recusavam a desistir de obter sua própria bomba atômica. Seria interessante saber quantos dos assessores de Trump fizeram grandes apostas de que os preços do petróleo disparariam na abertura dos mercados na segunda-feira de manhã.
Na semana passada, os mercados subestimaram enormemente o risco do fechamento do Golfo Pérsico. As empresas petrolíferas norte-americanas lucrarão enormemente. A China e outros importadores de petróleo sofrerão. Os especuladores financeiros americanos também lucrarão muito, pois sua produção de petróleo é doméstica. Esse fato pode até ter influenciado a decisão dos EUA de encerrar o acesso mundial ao petróleo do Oriente Médio por um período que promete ser longo.
A perturbação comercial e financeira será, de fato, tão global que creio que podemos considerar o ataque de sábado, 28 de fevereiro, como o verdadeiro estopim da Terceira Guerra Mundial. Para a maior parte do mundo, a iminente crise financeira (para não mencionar a indignação moral) definirá a próxima década de reestruturação política e econômica internacional.
Os países europeus, asiáticos e do Sul Global não conseguirão obter petróleo a não ser a preços que tornem muitas indústrias não rentáveis e muitos orçamentos familiares inacessíveis. A subida dos preços do petróleo também impossibilitará os países do Sul Global de honrar as suas dívidas em dólares para com os detentores de títulos ocidentais, os bancos e o FMI.
Os países só poderão evitar a imposição de “austeridade” interna, desvalorização cambial e inflação se reconhecerem que o ataque dos EUA (apoiado pela Grã-Bretanha e pela Arábia Saudita, com a aquiescência ambígua da Turquia) pôs fim à ordem unipolar dos EUA – e, com ela, ao sistema financeiro internacional dolarizado. Se isso não for reconhecido, a aquiescência continuará até se tornar, ao fim das contas, insustentável.
Se esta é a batalha inaugural da Terceira Guerra Mundial, ela é, em muitos aspectos, a batalha final para definir o verdadeiro propósito da Segunda Guerra Mundial. O direito internacional ruirá, devido à relutância de um número suficiente de países em proteger as normas do direito civilizado, que sustentaram os princípios da soberania nacional, livres de interferência e coerção estrangeiras, desde a Paz de Vestfália de 1648 até a Carta da ONU? E quanto às guerras que inevitavelmente serão travadas – pouparão civis e não beligerantes, ou serão como o ataque da Ucrânia à sua população de língua russa nas províncias orientais, o genocídio israelense contra os palestinos, a limpeza étnica wahabita contra populações árabes não sunitas ou as populações iraniana, cubana e de outros países, submetidos a ataque patrocinado pelos EUA?
Será possível salvar as Nações Unidas sem libertá-las e aos seus países membros do controle dos EUA? Um teste decisivo para avaliar o rumo das alianças será a adesão de cada país a uma ação que, sob o Direito internacional, busque classificar Donald Trump e seu gabinete como criminosos de guerra. É necessário algo mais do que o atual Tribunal Penal Internacional (TPI), quando se leva em conta os ataques pessoais do governo norte-americano aos juízes do TPI que condenaram Netanyahu.
Donald Trump e Benjamin Netanyahu. Foto: Leah Millis/Reuters
O que se exige é um julgamento em escala semelhante à de Nuremberg, agora contra a política militar ocidental que busca mergulhar o mundo inteiro no caos político e econômico, caso não se submeta à ordem unipolar baseada em governantes estadunidenses. Se outros países não criarem uma alternativa à ofensiva estadunidense-europeia-japonesa-wahabita, sofrerão o que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, chamou (em seu recente discurso em Munique) de um ressurgimento da história ocidental de conquistas contra os princípios básicos do direito internacional e da equidade.
Uma alternativa exige a reestruturação das Nações Unidas, para acabar com a capacidade dos EUA de bloquear resoluções de maioria. Considerando que o secretário-Geral da ONU, António Guterres, afirmou que a organização pode falir até agosto e ter que fechar sua sede em Nova York, este é um momento oportuno para transferi-la dos Estados Unidos. Os EUA proibiram a entrada de Francesca Albanese no país em decorrência de seu relatório que descreve o genocídio israelense em Gaza. Não pode haver Estado de Direito enquanto o controle da ONU e de suas agências permanecer nas mãos dos EUA e de seus satélites europeus.
Em 20 de fevereiro de 1986, um foguete Proton decolou do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, colocando em órbita o módulo central da Mir. Nascia ali a primeira estação espacial modular da humanidade. Uma tecnologia que simbolizava, ao mesmo tempo, a ambição e o destaque tecnológico da União Soviética e a tensão geopolítica da Guerra Fria, materializada no que ficou conhecido como corrida espacial. Confira na TVT News.
Quatro décadas depois, o espaço volta a ser palco de disputa estratégica. Mas a corrida já não é apenas entre Estados Unidos e Rússia. Hoje, China, Índia e também um conjunto de empresas privadas disputam órbita, Lua e mercados bilionários fora da Terra.
Mir, União Soviética e corrida espacial
A Mir (cujo nome significa “paz” ou “mundo” em russo) permaneceu em operação por 15 anos (1986 a 2001) e redefiniu o conceito de permanência humana no espaço. Diferentemente das estações Salyut, ela foi concebida como um sistema modular: novos módulos podiam ser acoplados progressivamente, ampliando capacidades científicas e habitacionais.
O fato é que a União Soviética obteve uma série de vitórias na corrida espacial. Primeiro satélite a orbitar a Terra, primeiro ser vivo no espaço, primeiro ser humano, Yuri Gagarin em 12 de abril de 1961. Enquanto isso, os norte-americanos focaram esforços e colocaram os primeiros homens na Lua em julho de 1969.
Durante sua vida útil, a estação serviu como laboratório para pesquisas em microgravidade, biomedicina, ciência dos materiais e observação terrestre. Também foi palco de experiências cruciais sobre os efeitos fisiológicos da longa permanência no espaço. O cosmonauta Valeri Polyakov estabeleceu ali um recorde histórico que ainda não foi batido: 437 dias consecutivos em órbita, dado fundamental para missões futuras de longa duração.
Estrutura completa da Mir. Foto: Wikicommons
Da rivalidade à cooperação
Com o colapso da União Soviética em 1991, a estação passou a ser administrada pela Roscosmos. Em um gesto de reconfiguração geopolítica, a Mir recebeu astronautas americanos no programa Shuttle-Mir, um prelúdio da cooperação que daria origem à Estação Espacial Internacional (ISS).
A ISS, lançada a partir de 1998, tornou-se o maior projeto científico colaborativo da história humana. E muito do que se sabe sobre operações contínuas em órbita, manutenção, psicologia de tripulação, logística orbital, deriva diretamente da experiência da Mir.
Em março de 2001, já tecnologicamente superada e financeiramente onerosa, a Mir foi “derrubada” de forma controlada sobre o Pacífico Sul. Hoje, a exploração espacial estatal encontra ecos e força na China e nos Estados Unidos, particularmente, também com reflexos no Japão (com a Jaxa) e na comunidade europeia (com a ESA).
A corrida espacial hoje
Quarenta anos depois do lançamento da Mir, o espaço voltou ao centro da agenda estratégica global. A disputa, contudo, é mais complexa e com diferentes agentes do que foi visto durante a Guerra Fria.
Estados Unidos: retorno à Lua
A Nasa lidera o programa Programa Artemis, cujo objetivo é estabelecer presença humana sustentável na Lua. A missão Artemis II, prevista para este ciclo, deve levar astronautas em sobrevoo lunar, o primeiro voo tripulado além da órbita terrestre desde 1972. O plano inclui a construção da estação orbital lunar Gateway e futuras missões tripuladas à superfície, com objetivo na exploração do polo sul lunar, onde há indícios de gelo de água. A ideia é de exploração contínua e estadia de longa duração.
China: presença estatal autônoma
A China consolidou sua presença com a estação Tiangong, permanentemente ocupada. O programa espacial chinês projeta uma missão tripulada à Lua até 2030, apoiado por investimentos estatais robustos e uma estratégia centralizada. Além disso, a China testa tecnologias inovadoras de reaproveitamento de materiais, motores robustos, entre outras.
Diferentemente da cooperação multilateral da ISS, Pequim opera sua estação de forma independente, ampliando gradualmente parcerias com parceiros estratégicos, particularmente com economias emergentes.
Empresas privadas
A grande ruptura estrutural da década é o protagonismo empresarial. A SpaceX apresentou eficiência no setor com foguetes reutilizáveis e custos reduzidos de lançamento. A empresa também lidera a expansão da infraestrutura orbital comercial e o desenvolvimento da nave Starship, projetada para missões lunares e marcianas. Hoje, o foguete Falcon 9, parcialmente reutilizável, é um dos maiores responsáveis por colocar humanos na ISS; ao lado dos módulos Soyuz, ainda em operação, fruto da invenção soviética.
Outras companhias, como a Axiom Space e a Vast, trabalham na construção de estações privadas que pretendem substituir a ISS ao final da década. A órbita baixa da Terra deixa, então, de ser exclusivamente estatal e passa a operar sob lógica de mercado, incluindo turismo de luxo como foco de missões.
Índia e novos atores
A Índia avança com o programa Gaganyaan, visando tornar-se a quarta nação com capacidade independente de voo tripulado. Emirados Árabes também ampliam investimentos científicos e comerciais. Inclusive, os Emirados possuem um satélite orbitando Marte, o Al Amal (Esperança), que realiza pesquisas científicas na atmosfera do planeta extraterrestre. A corrida espacial tornou-se mais multipolar.
Hélio 3 e novos fronts
Além do simbolismo geopolítico, a disputa atual envolve infraestrutura estratégica. Um dos destaques é o composto Hélio 3, presente em abundância na Lua. O minério é aposta para energia limpa em futuros reatores de fusão núclear, uma tecnologia que promete revolucionar a forma como a humanidade produz eletricidade. Além disso, outros pontos seguem de interesse econômico:
telecomunicações via mega-constelações de satélites;
turismo espacial;
cadeias industriais em microgravidade;
soberania tecnológica.
Quarenta anos depois da Mir, a exploração humana vive nova inflexão. A Guerra Fria organizava o espaço em dois polos. Já o século XXI o organiza em múltiplos centros de poder, entre estatais e privados.
As pessoas inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e demais brasileiros e brasileiras podem contar agora com uma ferramenta educativa que utiliza a linguagem do futebol para promover educação financeira. O jogo Bate-Bola Financeiro, lançado nesta segunda-feira (9) pelo Governo Federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), é voltado para todas as idades e propõe uma experiência simples, interativa e divertida para ensinar conceitos básicos de organização financeira, controle de gastos, planejamento e noções voltadas a pequenos negócios. Leia mais na TVT News.
A iniciativa integra a parceria do MDS com a Visa e conta também com o apoio da Caixa Econômica Federal, no âmbito do programa Acredita no Primeiro Passo. A cada pergunta respondida corretamente, o time avança em campo até marcar o gol. Em caso de erro, o jogador tem novas chances de aprender e seguir na partida. As fases são divididas em níveis fácil, médio e difícil, permitindo uma aprendizagem gradual.
Acesse o jogo
O Bate-Bola Financeiro pode ser acessado gratuitamente pelo celular ou pelo computador: mds.batebolafinanceiro.com.br. Em poucos minutos, o usuário já começa a jogar e aprender, unindo diversão, conhecimento e cidadania financeira.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, destacou o uso do futebol como estratégia para ampliar o alcance das ações de educação financeira, especialmente entre famílias em situação de vulnerabilidade social. “Já trabalhamos com formação financeira desde 2023, mas a linguagem do futebol é um trunfo para democratizar esse conhecimento, com qualificação, apoio técnico e financiamento a esses empreendedores”, afirmou.
Dias ressaltou ainda que o objetivo da iniciativa é ampliar o número de pequenos empreendedores e empreendedoras inscritos no Bolsa Família e no CadÚnico. Segundo ele, a ferramenta dialoga diretamente com a realidade de milhões de famílias beneficiárias do Bolsa Família e do CadÚnico que já empreendem ou desejam iniciar um pequeno negócio. “Essa parceria é para formar pequenos empreendedores e empreendedoras, principalmente mulheres do Bolsa Família e do Cadastro Único. Por meio do programa Acredita, apoiamos com qualificação, assistência técnica e também com garantia de financiamento com taxas adequadas para que as pessoas possam superar a pobreza”.
Educação financeira
O secretário de Inclusão Socioeconômica do MDS, Luiz Carlos Everton, destacou a importância da educação financeira como fator decisivo para a sustentabilidade dos pequenos negócios. “A Visa se tornou um grande parceiro do ministério ao aderir ao programa Acredita no Primeiro Passo. Eles estão oferecendo capacitação e formação financeira aos empreendedores do Cadastro Único. É uma das capacitações mais importantes, porque muitos pequenos negócios fracassam justamente pela falta de formação financeira”, explicou. De acordo com o secretário, o lançamento do jogo amplia o alcance dessas ações formativas ao utilizar uma plataforma digital baseada em jogos, inspirada no clima da Copa do Mundo.
Marco
Para o presidente da Visa do Brasil, Rodrigo Cury, o lançamento do Bate-Bola Financeiro representa mais um marco na parceria iniciada em março de 2025 com o MDS. “É uma grande honra estarmos juntos aqui hoje para celebrar mais um importante passo nessa parceria, com o lançamento do jogo Bate-Bola Financeiro. Temos o compromisso de usar inovação e tecnologia para impulsionar a inclusão financeira e o empreendedorismo, que são motores reais de desenvolvimento social e econômico”, destacou.
Educação, capacitação e suporte
Cury enfatizou ainda que inclusão financeira vai além do acesso ao crédito. “Não é apenas abrir uma conta ou ter acesso ao crédito. Significa oferecer educação, capacitação e suporte para que pequenos empreendedores e trabalhadores autônomos possam planejar, crescer e se sustentar com autonomia. O Brasil é uma potência empreendedora”, afirmou.
Acredita no Primeiro Passo
O Acredita no Primeiro Passo é um programa do Governo do Brasil voltado à inclusão socioeconômica de famílias inscritas no Cadastro Único. A iniciativa reúne qualificação profissional, educação financeira, assistência técnica e acesso facilitado ao crédito produtivo, com o objetivo de apoiar a geração de renda, fortalecer pequenos negócios e ampliar as oportunidades de autonomia econômica. O programa atua em parceria com instituições financeiras, empresas e organizações da sociedade civil, ampliando o acesso da população em situação de vulnerabilidade a ferramentas concretas para superar a pobreza e construir trajetórias sustentáveis de desenvolvimento.
A menina Bitita é quem vai abrir o desfile da Unidos da Tijuca em 2026, para contar, desde o começo, a vida da escritora, cantora, compositora e poeta brasileira Carolina Maria de Jesus. Na língua changana ou xichangana, de Moçambique, Bitita significa panela de barro de cor ocre ou preta, representando resistência e ancestralidade. Leia em TVT News.
A escritora recebeu esse apelido do avô Benedito, no início do século passado, e essa será apenas uma de “outras diversas Carolinas” que vão passar pela Sapucaí para contar a trajetória da autora consagrada, como “a doméstica”, “a grávida”, “a louca do Canindé”, “a catadora”, “a escritora”, “a marionete” e “a do carnaval”.
“É um enredo bem biográfico. A história se desenvolve cronologicamente”, pontuou o carnavalesco Edson Pereira em entrevista à Agência Brasil. “O que a Tijuca faz é colocar a Carolina no palco”.
Apesar da grandeza que tem, argumenta o carnavalesco, sua história é pouco divulgada e, por isso, precisa ser contada.
“A gente vive em um momento, não só do país, mas da cultura do nosso país, em que a gente precisa acender a luz daqueles que foram apagados pela nossa história. A Carolina representa muito bem a força da mulher”, afirmou.
Edson Pereira, carnavalesco da Unidos da Tijuca, fala sobre o enredo do desfile de 2026 da escola que vai homenagear a escritora Carolina Maria de Jesus. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Apagamento e força
Foi o avô alforriado e contador de histórias que influenciou Carolina a criar as suas histórias, assim como com as mulheres da família.
“Ela aprendeu os segredos que só o tempo revela no encanto do falar e do ouvir; e, nas barras das saias de sua mãe, tias e madrinhas, se entrelaçou ao poder das coisas ditas, ao espírito desconhecido das letras e palavras, aquelas às quais ela desejava conhecer”, traz a sinopse da Tijuca, texto no qual as escolas explicam o enredo que vão apresentar nos desfiles.
Carolina Maria de Jesus nasceu em 14 de março de 1914, em uma comunidade rural da cidade de Sacramento, em Minas Gerais. Os sonhos de deixar o interior a levaram para São Paulo. A mudança não resultou no que esperava e foi o começo de muitas adversidades. Sob muito preconceito, lutou até se tornar escritora.
“A história da Carolina enquanto escritora que foi apagada é algo que nos fascina não pelo apagamento, mas pelo empoderamento dela. A Carolina enquanto mulher, enquanto preta, enquanto resistência”, comentou o carnavalesco, lamentando que atualmente os problemas são os mesmos. “É triste falar sobre isso, mas é uma realidade”.
Em São Paulo, ela foi morar na favela do Canindé. Foi lá que começou a relatar todos os preconceitos e histórias de feminicídios e viu que o desenvolvimento social não chegava aos pretos.
“Ela começa a se entender no lugar de opressão”, indicou Edson Pereira, acrescentando que Carolina sonhava também em ter comida no prato para alimentar os filhos. “É um carnaval de reconhecimento, de botar o dedo nas feridas”, relatou.
Edson adiantou que a terceira alegoria da Azul e Amarela da Tijuca é dedicada ao livro Quarto de Despejo – Diário de uma favelada, que se transformou em sucesso ao vender 10 mil exemplares na semana de lançamento, em 1960.
A obra, escrita a partir de anotações que fazia em diários contando histórias de vizinhos, foi também traduzida para ao menos 14 idiomas e lançada em mais de quarenta países.
“É todo feito de papelão, de material alternativo”, descreveu o carnavalesco sobre a composição da alegoria, em uma referência ao tempo que a escritora era catadora e construiu sua casa com o dinheiro que ganhou vendendo papelão entre outros materiais.
Carolina Maria de Jesus, uma das primeiras escritoras negras do Brasil, é considerada uma das mais importantes do país Foto: CCSP
Saúde mental
Botar toda esta história de pé para contar da forma como o carnavalesco idealizou não é uma tarefa fácil, e vem sendo realizada pela dupla de diretores de carnaval da Tijuca, Fernando Costa e Elisa Fernandes.
Embora seja o seu primeiro ano nesta função, Elisa não é uma desconhecida na Tijuca, onde já foi assessora de imprensa. A experiência no carnaval, no entanto, vai além dessas passagens. Até 2025, esteve por 10 anos na direção de alegorias da Portela.
Elisa disse que a nova missão é de muita responsabilidade, por ter que gerenciar o projeto, o barracão e a feitura de fantasias e alegorias. Apesar de já ter tido essa experiência na União de Jacarepaguá, ela agora tem a oportunidade de realizar o trabalho no Grupo Especial.
“A coisa cresce muito. O Grupo Especial é muito forte. É o maior espetáculo da Terra, mas, para mim, está sendo um grande prazer”, comentou.
Como método para melhorar as condições de trabalho dos profissionais que preparam o carnaval, Elisa trouxe uma novidade para os bastidores da Tijuca.
“Eu introduzi uma equipe de psicólogos. Hoje, os artistas da escola têm esse cuidado, porque eu acredito que alguns segmentos têm uma pressão muito grande”, contou,
Entre os que utilizam o serviço estão passistas, casal de mestre sala e porta-bandeira, responsáveis pelos ateliês e o setor administrativo da escola. De acordo com a diretora, é necessário ter esse momento de autocuidado, de parar tudo e prestar atenção em si mesmo, diante do trabalho para fazer tudo funcionar na avenida.
“Estou tentando convencer o presidente a fazer também. Ele ainda não fez, mas disse que vai fazer”, indicou.
Força da mulher
Elisa se orgulha de poder, no primeiro ano na função, ter pela frente um enredo em homenagem a Carolina Maria de Jesus. “Eu, como uma mulher negra, no primeiro ano na direção de carnaval, pegar um enredo desse é um presente até difícil de explicar. Estou me matando para fazer jus a essa possibilidade que me foi dada”.
“Carolina é muito importante. Ela inspira outras mulheres a serem o que elas quiserem, porque Carolina não era só escritora. Ela também era cantora e compositora, eu também sou cantora e compositora”, contou.
A escolha do enredo teve a sua participação, lembrou ela. Elisa chegou a defender o enredo diante do presidente da escola. “Fui incisiva. Eu falei ‘olha esse é o melhor que nós temos. Acredito que esse é um enredo que vai fazer a diferença, porque Carolina é muito grande”.
Para a diretora de carnaval, a escritora representa a força de todas as mulheres e também sua versatilidade.
“Acredito nessa coisa de multitarefa da mulher. A sociedade exige de nós essa polivalência. Somos seres polivalentes por nós mesmas. Nós somos sementes da Carolina. A gente só está continuando o trabalho dela e tendo a oportunidade de homenagear uma mulher que já deveria ter sido homenageada há muito tempo”.
Conheça os enredos e a ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro
1º dia – domingo (15/2)
Acadêmicos de Niterói – Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil;
Imperatriz Leopoldinense – Camaleônico;
Portela – O Mistério do Príncipe do Bará;
Estação Primeira de Mangueira – Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra
2º dia – segunda-feira (16/2)
Mocidade Independente de Padre Miguel – Rita Lee, a Padroeira da Liberdade;
Beija‑Flor de Nilópolis – Bembé do Mercado;
Unidos do Viradouro – Pra Cima, Ciça;
Unidos da Tijuca – Carolina Maria de Jesus.
3º dia – terça-feira (17/2)
Paraíso do Tuiuti – Lonã Ifá Lukumi;
Unidos de Vila Isabel – Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África;
Acadêmicos do Grande Rio – A Nação do Mangue;
Acadêmicos do Salgueiro – A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau.