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OnlyFans: a foto que expõe o amor bandido de Flávio Bolsonaro e Alcolumbre

30 de Abril de 2026, 17:05
Davi Alcolumbre abraça Flávio Bolsonaro durante sessão do Congresso para derrubar veto presidencial ao PL da Dosimetria. Foto: Gabriela Biló/Folhapress

É mais explícito que qualquer coisa do OnlyFans. O abraço entre Davi Alcolumbre e Flávio Bolsonaro, capturado pela talentosa fotógrafa Gabriela Biló, expõe um método. É o retrato de um contubérnio, a fusão pragmática entre o centrão, que controla o processo, e o bolsonarismo, que pauta o objetivo.

O Congresso derrubou, com folga, o veto de Luiz Inácio Lula da Silva ao PL da Dosimetria: 318 deputados e 49 senadores. Resultado: virou lei um conjunto de mudanças que reduz penas, flexibiliza progressões e altera a resposta penal aos crimes de golpe de Estado e de abolição violenta da ordem democrática.

O efeito político é imediato. O novo cálculo de penas beneficia diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro e alcança também os condenados pelos atos de 8 de janeiro. Ao mesmo tempo, a decisão amplia impactos para além da política, atingindo centenas de milhares de casos no sistema penal.

Mas o que a foto captura não é o texto da lei. É o arranjo que a tornou possível.

Davi Alcolumbre em fevereiro de 2025, ao comemorar vitória na eleição para a presidência da Casa. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Alcolumbre preside, pauta, organiza e limpa o caminho. Isola a votação, negocia a agenda, administra resistências e entrega o resultado. Do outro lado, o bolsonarismo adere disciplinado: não cria ruído, não tensiona outras frentes, concentra energia no que interessa. O encontro desses dois vetores produz eficiência. É isso que se vê no placar e é isso que o abraço consagra.

A cena dispensa teatralidade. O gesto é direto, quase íntimo, mas ocorre em público, sob as luzes do plenário. É um sinal interno transformado em mensagem externa: há coordenação, há confiança operacional, há divisão de tarefas.

Enquanto isso, o governo assiste a mais um revés relevante no Legislativo, na sequência de derrotas recentes. A assimetria fica evidente: quem controla o rito controla o desfecho.

O mérito da fotografia de Gabriela Biló está em revelar esse mecanismo sem uma única palavra. O país discute a dosimetria; a imagem mostra quem dosou o poder.

Redução da pena de Bolsonaro dependerá do STF; entenda

30 de Abril de 2026, 17:02
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Foto: Divulgação

O Congresso Nacional derrubou nesta quinta-feira (30) o veto presidencial ao projeto que reduz as penas de condenados pelos ataques aos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, o PL da Dosimetria. Com isso, ao menos 280 pessoas podem ser beneficiadas pela nova medida, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, condenados por tentar implementar um golpe de Estado no Brasil.

A redução das penas, no entanto, não ocorre de forma automática. O projeto aprovado determina que o Supremo Tribunal Federal (STF) seja o responsável por recalcular as punições de cada réu, levando em consideração as novas regras estabelecidas pela legislação.

Para que a redução aconteça, a corte precisa ser provocada, seja pela defesa de algum dos condenados, pelo Ministério Público ou por um ministro do STF, que seria o relator de um dos casos relacionados à tentativa de golpe.

Apesar da aprovação do projeto, ele ainda pode ser questionado no STF. Partidos políticos, entidades de classe, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o próprio governo podem entrar com ações para contestar a validade da medida, que, se for considerada inconstitucional, poderá ser anulada pelos ministros da corte.

O ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Divulgação

Caso a proposta seja aceita, a pena de Bolsonaro, que atualmente está em prisão domiciliar por motivos de saúde, poderá ser reduzida. Especialistas estimam que o ex-presidente tenha a possibilidade de migrar para um regime mais brando em um prazo de dois a quatro anos, muito mais cedo do que a previsão original de sete anos.

O PL da Dosimetria estabelece regras específicas para dois crimes contra a democracia: a abolição violenta do Estado Democrático de Direito, com pena de 4 a 8 anos, e o golpe de Estado, com pena de 4 a 12 anos. Caso os dois crimes sejam cometidos no mesmo contexto, as penas não podem ser somadas, conforme o projeto.

Nesses casos, a pena do crime mais grave será aplicada, com um aumento de um sexto até a metade, conforme a definição da Justiça. Além disso, o projeto também prevê redução de pena de até dois terços quando os crimes ocorrerem em contexto de multidão, desde que o réu não tenha exercido papel de liderança ou financiado os atos.

No caso dos ataques de 8 de janeiro, a Procuradoria-Geral da República usou a tese dos “crimes multitudinários” para justificar a redução de pena para aqueles que participaram sem liderança direta. O projeto ainda altera as regras de progressão de regime, permitindo a saída do regime fechado após o cumprimento de um sexto da pena.

Messias manda recado nas redes após rejeição no Senado

30 de Abril de 2026, 16:25
advogado-geral da União, Jorge Messias, sério, segurando livro
O advogado-geral da União, Jorge Messias. Foto: Reprodução

Após a rejeição de sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado, o advogado-geral da União, Jorge Messias, se pronunciou nesta quinta (30). Evangélico, ele usou uma passagem bíblica para se manifestar sobre o caso.

A citação escolhida foi do Salmo 3, versículos 5 e 6: “Eu me deito e durmo, e torno a acordar, porque é o Senhor que me sustém”. Veja o post:

Messias publica versículo nas redes após ser rejeitado no Senado. Foto: Reprodução

A rejeição ocorreu no dia 29 de abril, quando o Senado votou contra a indicação de Messias para o STF. A votação foi apertada, com 42 senadores contra e 34 a favor de sua nomeação. Para ser aprovado, precisava da maioria absoluta, ou seja, pelo menos 41 votos favoráveis.

A rejeição é histórica, pois foi a primeira vez em 132 anos que uma indicação ao Supremo foi barrada pelo Senado. A última vez que isso ocorreu foi em 1894, quando Cândido Barata Ribeiro, médico e prefeito do Rio de Janeiro que teve seu nome recusado pelos senadores mesmo já tendo exercido o cargo por dez meses desde o fim de novembro de 1893.

Na sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Messias defendeu um “aperfeiçoamento” do Supremo e criticou a atuação individualizada de alguns magistrados. Ele também se posicionou contra o aborto, o que gerou uma série de questionamentos dos senadores durante sua apresentação.

Messias foi o segundo indicado para a Corte pelo presidente Lula. O primeiro foi Flávio Dino, que assumiu a vaga de Rosa Weber em 2023, após chegar ao maior número de votos contrários das últimas duas décadas na sabatina da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça): 17 favoráveis contra 10 a favor.

Aliados de Lula afirmam que ele pretende indicar um novo nome ao STF e não vai deixar a tarefa para a próxima gestão.

Congresso derruba veto: o que acontece agora com o PL da Dosimetria

30 de Abril de 2026, 16:08
O presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Foto: Mateus Bonomi/Estadão Conteúdo

O Congresso Nacional derrubou, nesta quinta (30), o PL da Dosimetria, projeto que altera as regras de cálculo e cumprimento de penas e beneficia condenados por tentativa de golpe de Estado, como o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na Câmara dos Deputados, 318 votaram para derrubar e 144 para manter a decisão do presidente Lula, enquanto o placar foi, respectivamente, de 49 a 24 no Senado.

Para um veto presidencial ser derrubado, ele precisa de 257 votos na Câmara e 41 no Senado. Com as decisões das Casas, o projeto de lei será promulgado e o texto virará lei. O presidente terá 48 horas para promulgar o veto e, caso não cumpra o prazo, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), assumirá a tarefa.

A derrubada do veto não muda as penas dos condenados automaticamente, mas abre brecha para que as defesas peçam a aplicação da nova lei à Justiça, que decidirá caso a caso.

Plenário do Congresso. Foto: Giuliana Miranda

O texto define como o juiz calcula o tamanho da pena com base na gravidade do crime, nos antecedentes e nas circunstâncias do caso. O projeto cria uma regra específica para crimes contra a democracia, como a abolição violenta do Estado Democrático de Direito e o golpe de Estado, com penas variando de 4 a 12 anos de prisão.

Se os dois crimes ocorrerem no mesmo contexto, as penas não poderão ser somadas, e a aplicação do “concurso formal de crimes” fará com que a pena do crime mais grave prevaleça, com um aumento de até metade, dependendo da decisão judicial.

O PL da Dosimetria também prevê uma redução de penas de até dois terços para crimes cometidos em contextos de multidão, desde que o réu não tenha desempenhado papel de liderança ou financiado os atos, altera as regras de progressão, permitindo que um condenado saia do regime fechado após cumprir apenas um sexto da pena.

Antes das votações, Alcolumbre retirou alguns trechos do projeto que conflitavam com trechos da Lei Antifacção, aprovada no Congresso recentemente. Ele desmembrou a decisão de Lula, que vetou o PL da Dosimetria integralmente, para fazer com que alguns trechos excluídos não voltem a valer.

A nova pena de Bolsonaro após derrubada do veto de Lula

30 de Abril de 2026, 16:05
O ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Divulgação

A derrubada do veto presidencial ao Projeto de Lei (PL) da dosimetria no Congresso Nacional pode resultar em uma redução significativa da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro, que poderia ver sua sentença diminuir cerca de 24%.

Segundo estimativas do deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do projeto, a pena de Bolsonaro, que originalmente seria de 27 anos e três meses, poderia ser reduzida para 20 anos e 8 meses.

Nesse novo cenário, o ex-presidente teria que cumprir, no mínimo, três anos e cinco meses em regime fechado, para então iniciar o processo de progressão de pena. O PL da dosimetria, que foi vetado por Lula, e teve o veto derrubado no Congresso, também prevê que o tempo de prisão domiciliar seja contabilizado para a remição da pena.

Isso resultaria em uma redução significativa do tempo que Bolsonaro precisaria cumprir efetivamente em regime fechado. De acordo com projeções do parlamentar, o ex-capitão de direita passaria cerca de dois anos e quatro meses em regime fechado, considerando o tempo de prisão domiciliar já cumprido.

O deputado Paulinho da Força. Foto: Divulgação

Embora a proposta original do projeto tenha sido mais ampla, incluindo benefícios para presos comuns, o alcance da medida foi reduzido. Em dezembro, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, retirou do PL trechos que entravam em conflito com a Lei Antifacção, que estabelece regras específicas para a progressão de pena.

Esses dispositivos, retirados pela intervenção de Alcolumbre, incluíam partes que poderiam beneficiar membros de facções criminosas, o que gerou críticas de especialistas. Ele justificou sua decisão afirmando que a proposta original não teria efeitos práticos e causaria conflitos com a legislação já em vigor.

A alteração feita por pelo presidente do Congresso também excluiu os incisos 4 a 10 do projeto, que tratavam diretamente da progressão de pena, afetando não só os presos comuns, mas também integrantes de facções criminosas.

Ele explicou que esses dispositivos estavam em desacordo com a Lei Antifacção, que já regula a progressão de regime de cumprimento de pena no Brasil. Com isso, o PL da dosimetria, em sua versão atual, tem um impacto reduzido, especialmente para aqueles envolvidos em crimes mais graves.

PL da Dosimetria: Congresso derruba veto de Lula a projeto que beneficia Bolsonaro

30 de Abril de 2026, 15:31
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

Nesta quinta (30), a Câmara dos Deputados e o Senado derrubaram o veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria, um projeto de lei que altera as condições para a progressão de penas e o cálculo de sentença. A votação na Câmara terminou com 318 votos a favor da derrubada e 144 contra.

A decisão é mais uma derrota para o governo Lula, um dia após a rejeição do Senado Federal ao nome de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para o Supremo Tribunal Federal (STF).

A discussão na Câmara foi acirrada. A oposição se manifestou contra o veto e, durante a sessão, houve até manifestações de senadores e deputados de extrema-direita, com cânticos e discursos críticos à gestão petista. Já os parlamentares alinhados ao governo relembraram a ditadura militar e usaram figuras históricas desse período para justificar a manutenção do veto, alegando que o projeto feriria valores democráticos conquistados após a ditadura.

Placar da votação contra o veto ao PL da Dosimetria na Câmara. Foto: Reprodução

Na sequência, o Senado Federal também votou a favor da derrubada, com 49 manifestações contra o veto e 24 favoráveis.

Placar da votação contra veto do PL da Dosimetria no Senado. Foto: Reprodução

Com a decisão, as penas para condenados por tentativa de golpe de Estado, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, podem ser reduzidas. Ele, que foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pelos atos de 8 de janeiro de 2023, poderá ter sua pena diminuída para cerca de 20 anos com a aplicação da nova lei, sendo apenas 3 anos e 5 meses em regime fechado.

O ex-presidente Jair Bolsonaro na garagem de sua casa, em Brasília. Foto: Sergio Lima/AFP

O PL da Dosimetria estabelece que, quando um réu cometer vários crimes no mesmo contexto, a punição mais grave prevalecerá, sem que as penas sejam somadas. O texto cria novas regras para a progressão de regime, determinando que o cumprimento de um sexto da pena será suficiente para que o condenado avance de regime, o que é mais brando do que o atual padrão.

O projeto também prevê penas mais leves para crimes cometidos em contextos coletivos, quando o réu não foi líder ou financiador dos atos. Outro ponto é a ampliação do uso de atividades laborais para redução da pena, medida que visa aumentar a possibilidade de remição.

Logo no início da votação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) fez uma manobra para retirar da análise trechos do projeto que conflitavam com a Lei Antifacção, recentemente aprovada pelo Congresso.

Entre os trechos que ficaram fora da votação estão o que determinava que “se o apenado for primário e for condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, deverão ser cumpridos ao menos 40% (quarenta por cento) da pena”. A Lei Antifacção estabeleceu o percentual mínimo mínimo a “70% da pena, se o apenado for condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, se for primário”.

Motta e Alcolumbre são os políticos mais rejeitados pelos brasileiros, diz AtlasIntel

30 de Abril de 2026, 14:57
Hugo Motta e Davi Alcolumbre. Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

Pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quinta (30) revelou que os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), são os políticos com as piores avaliações pela população brasileira. O tem apenas 2% de aprovação, enquanto o segundo conta com 3%.

A rejeição dos parlamentares é alta, com 87% e 81%, respectivamente. Outros políticos também foram avaliados: o presidente Lula, o ex-presidente Jair Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro lideram as avaliações com 45% de aprovação, embora também enfrentem desaprovação majoritária, variando de 51% a 53%.

Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo, obteve 44% de aprovação, enquanto o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) teve o mesmo índice. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência, ficou com 42%, seguido de Romeu Zema (Novo) e Geraldo Alckmin (PSB).

Imagem de líderes políticos. Foto: Reprodução/AtlasIntel

A pesquisa também abordou a tramitação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para acabar com a escala de trabalho 6×1. A maioria da população apoia a medida, com 55,7% favoráveis ao fim dessa escala.

O apoio é particularmente forte entre jovens de 16 a 24 anos e pessoas com ensino superior e renda de R$ 3.000 a R$ 5.000 mensais. A proposta deve ser analisada pela comissão especial, e o governo prevê um relatório final em 30 dias.

Avaliação da população sobre o fim da escala de trabalho 6×1. Foto: Reprodução/AtlasIntel

Outro tema econômico abordado foi a regulamentação das empresas de apostas esportivas, as chamadas “bets”. A maioria da população é crítica à disseminação desse mercado, com 63,2% dizendo que ele traz apenas prejuízos.

Os entrevistados também apontaram que as apostas contribuem para o endividamento da sociedade e criticaram o fácil acesso de menores às plataformas. A maior parte acredita que o governo deveria aumentar a tributação sobre essas empresas e limitar sua publicidade.

A pesquisa entrevistou 5.008 pessoas entre os dias 22 e 27 de abril, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%.

O jantar de Moraes e Alcolumbre na véspera da derrota de Messias

30 de Abril de 2026, 14:25
Alexandre de Moraes e Davi Alcolumbre. Foto: Divulgação

Na terça-feira (28), um jantar na residência do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, com a presença do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reacendeu as desconfianças do presidente Lula sobre uma possível aliança entre ambos para barrar a indicação de Jorge Messias ao STF.

Com informações da coluna da Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo, a reunião, que aconteceu na véspera da rejeição dele no Senado, com 42 votos contrários e 34 favoráveis, gerou um clima de indignação no Palácio da Alvorada, conforme relataram autoridades próximas a Lula.

O encontro, embora não tenha sido especificamente convocado para tratar da votação do advogado, levantou suspeitas pela proximidade de seus participantes com a política nacional.

O motivo formal para o jantar foi a homenagem ao procurador e ex-secretário Nacional de Justiça, Mário Luiz Sarrubbo, amigo de longa data de Moraes, com quem compartilhou carreira no Ministério Público de São Paulo.

A recepção contou com a presença de ministros do STF, procuradores e aliados políticos, incluindo o ministro Cristiano Zanin e o superintendente da PF, Andrei Rodrigues. De acordo com relatos de alguns presentes, o nome de Messias foi mencionado apenas de forma periférica, em conversas informais, predominantemente sobre questões triviais.

O advogado Jorge Messias. Foto: Divulgação

Contudo, o jantar também reuniu figuras importantes do cenário político, como o ministro Gilmar Mendes, que apoiou a nomeação de Messias, e o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), com Zanin e Mendes participando apenas brevemente do evento e não se envolvendo diretamente nas discussões.

Entretanto, uma fonte próxima ao presidente Lula afirmou que, durante o evento, Alcolumbre teria confidenciado a aliados em pequenas rodas de conversa que já possuía 50 votos garantidos para barrar a indicação de Messias no Senado.

Este detalhe alimentou ainda mais as suspeitas de que a derrota do advogado-geral da União já estava premeditada antes da votação oficial, com presidente do Senado celebrando antecipadamente o fracasso da indicação de Messias.

Por outro lado, uma versão contraditória foi compartilhada por outro convidado do evento, que assegurou que a data do jantar coincidiu por pura casualidade com a votação de Messias e que a derrota já estava prevista independentemente das conversas no encontro.

Este convidado ressaltou que a ocasião foi planejada apenas para que Sarrubbo, que estaria em Brasília para uma reunião do Conselho Nacional de Segurança Pública e Defesa Social no dia seguinte, fosse homenageado pelos amigos próximos de Moraes.

Mais de 200 mil condenados podem ser beneficiados por medida que favorece Bolsonaro; entenda

30 de Abril de 2026, 14:19
Bolsonaro na Superintendência da PF, onde ficou preso até o fim de março

Nesta quinta-feira (30), o Congresso Nacional se reunirá para votar a derrubada do veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria, que pode resultar em uma redução significativa da pena de mais de 200 mil pessoas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está cumprindo prisão domiciliar após a tentativa de golpe de Estado.

A proposta, que visa modificar a remição da pena por estudo e trabalho, já foi aprovada tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado, mas foi vetada por Lula, que alegou problemas nas implicações da medida. A votação pode alterar radicalmente o sistema de penas no Brasil, caso o veto seja derrubado.

Atualmente, a legislação vigente proíbe a redução de pena por atividades como estudo ou trabalho para condenados que cumprem pena em regime domiciliar, salvo exceções com autorização judicial.

O projeto, agora em debate, propõe a ampliação dessa possibilidade, permitindo que qualquer pessoa em prisão domiciliar abata sua pena por meio dessas atividades, um benefício que já existe em regimes mais severos, como o semiaberto e fechado. O caso de Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pela tentativa de golpe de Estado, é o principal alvo da modificação.

De acordo com dados mais recentes da Secretaria Nacional de Políticas Penais do Ministério da Justiça, aproximadamente 235 mil pessoas estavam cumprindo pena em regime domiciliar em 30 de junho de 2025, com um crescimento de 3.812% no número de presos em regime domiciliar nos últimos nove anos, impulsionado pela pandemia.

A medida visa permitir que essas pessoas possam reduzir sua pena em até 48 dias ao longo de um ano, caso se dediquem ao estudo de até 12 livros por ano, cada um gerando uma redução de quatro dias de pena. Além disso, a remição por trabalho possibilita a diminuição de um dia de pena a cada três dias de serviço prestado.

Detento lendo livro em penitenciaria. Foto: Divulgação

Felippe Angeli, coordenador da plataforma Justa, explica que a mudança exige uma regulamentação rigorosa para evitar abusos, uma vez que o regime domiciliar dificulta a fiscalização da participação dos condenados em atividades de remição.

“Hoje tudo é organizado a partir da custódia pelo Estado. O preso sai do estabelecimento e retorna [após o trabalho/estudo] ou no regime fechado tem acesso a possibilidade trabalho e educação dentro do estabelecimento. Então, isso já fica registrado para fins da própria remição. No caso domiciliar, não se tem essa informação, vai precisar de uma prova muito robusta”, afirmou Angeli.

Além disso, o advogado Pierpaolo Bottini, que foi membro do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, também expressou preocupações sobre a mudança legislativa.

“O instituto sozinho não é ruim, no fundo é um instrumento de ressocialização. A questão é que ele não pode ser casuística e vir num projeto que busca beneficiar um determinado grupo de pessoas”, argumentou.

Em defesa da proposta, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do projeto na Câmara, afirmou que a mudança foi pensada para beneficiar especificamente o caso de Bolsonaro. Ele disse também que a proposta não teria implicações para o sistema prisional como um todo, uma vez que o projeto visa apenas permitir que o ex-presidente possa remir sua penar.

Apesar da aprovação do projeto na Câmara (291 votos a 148) e no Senado (48 votos a 25), o presidente Lula vetou integralmente a proposta, citando preocupações com a falta de regulamentação e a possibilidade de seu uso indiscriminado.

Ministro de Lula deixa cargo para reforçar ofensiva no Senado por Messias no STF

27 de Abril de 2026, 21:21
advogado-geral da União, Jorge Messias, falando, com mãos em sinal de oração
O advogado-geral da União, Jorge Messias – Reprodução

O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, vai se desincompatibilizar do cargo nesta semana para reassumir temporariamente sua cadeira no Senado e participar da sabatina e da votação que decidirão o futuro de Jorge Messias no Supremo Tribunal Federal. A movimentação foi definida pelo Palácio do Planalto como parte da reta final da operação montada para garantir a aprovação do advogado-geral da União.

Com o retorno de Wellington, a suplente Jussara Lima (PSD-PI) deixa o posto provisoriamente. Embora aliados considerem que ela votaria a favor de Messias, a avaliação dentro do governo é que a presença do ex-governador do Piauí oferece mais do que um voto: simboliza engajamento político explícito de uma das figuras mais influentes do lulismo no Nordeste em torno de uma indicação tratada como estratégica por Lula.

A decisão também tem peso regional. Jorge Messias construiu no Piauí parte importante de sua trajetória pessoal e profissional, e Wellington Dias quer associar sua imagem à defesa de um nome que dialoga com o eleitorado petista e progressista do estado. Nos bastidores, governistas admitem que a ida do ministro ao Senado serve para blindar qualquer risco de dissidência e para mostrar mobilização máxima numa votação considerada sensível.

O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, falando e olhando pra baixo, sério, de roupa social cinza
O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias – Reprodução

A sabatina de Messias está marcada para esta terça-feira (29) na Comissão de Constituição e Justiça, etapa obrigatória antes da análise em plenário. Para ser aprovado na CCJ, o indicado precisa de maioria simples entre os presentes; no plenário, necessita de ao menos 41 votos favoráveis em votação secreta.

Apesar de o governo trabalhar publicamente com uma margem entre 48 e 52 votos, o ambiente ainda não é de conforto absoluto. Lideranças da oposição, especialmente senadores do PL e do Novo, intensificaram nas últimas semanas uma articulação para desgastar Messias em temas ideológicos e em decisões recentes da Advocacia-Geral da União. O objetivo é transformar a sabatina em uma vitrine de constrangimento político e reduzir a margem lulista.

Outro fator de atenção no Planalto é o comportamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Embora aliados afirmem que ele não esteja operando frontalmente contra a indicação, o senador manteve distância da campanha por Messias e sequer integrou o grupo de parlamentares que se reuniu com o AGU nos últimos meses. Essa neutralidade calculada é vista no governo como um risco, porque Alcolumbre controla o ritmo político da Casa e influencia diretamente senadores de centro.

Por isso, a ordem de Lula foi abandonar a confiança automática no favoritismo histórico das indicações ao Supremo e partir para o corpo a corpo. Jorge Messias já conversou com ao menos 76 dos 81 senadores, enquanto ministros e líderes governistas foram destacados para a busca individual de votos. Além de Wellington Dias, nomes como Jaques Wagner, Randolfe Rodrigues e Camilo Santana entraram na linha de frente da articulação.

Indicado por Lula para ocupar uma das cadeiras mais importantes do Judiciário, Messias é tratado pelo presidente como um nome de confiança absoluta dentro do campo jurídico e político. Uma eventual aprovação apertada, no entanto, enfraqueceria simbolicamente o governo; por isso, a volta de Wellington Dias ao Senado virou um gesto de que o Planalto não pretende desperdiçar nenhum voto numa disputa que passou a ser tratada como teste de força entre Lula e a oposição.

Kassab diz que Bolsonaro “não tinha vocação para a vida pública”

27 de Abril de 2026, 21:18
Gilberto Kassab, presidente do PSD, durante evento do LIDE. Reprodução

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta segunda-feira (27) que Jair Bolsonaro (PL) “não tinha vocação para a vida pública”. A declaração foi dada durante evento empresarial do LIDE, grupo ligado ao ex-governador João Doria, em São Paulo.

Segundo Kassab, a eleição de 2018 foi marcada por um forte sentimento antipetista, o que abriu caminho para a vitória de Bolsonaro. “O Brasil não podia mais ouvir falar no PT, e Bolsonaro acabou assumindo. Sinceramente, sem nenhuma vocação para a vida pública”, disse.

Apesar da crítica, Kassab afirmou que o governo Bolsonaro se sustentou por causa de nomes fortes na equipe econômica. Ele citou Paulo Guedes como peça central da gestão. “Ele praticamente comandava a economia e teve papel muito importante”, declarou.

O dirigente do PSD também fez ressalvas ao governo Lula. Kassab apontou dificuldades na condução econômica e questionou a eficiência administrativa da atual gestão federal.

As falas ocorrem em meio às articulações para a disputa presidencial de 2026. O PSD tenta ampliar seu espaço nacional e sustentar uma alternativa à polarização entre PT e PL.

VÍDEO: Roberto Justus surpreende ao elogiar Lula e criticar Bolsonaro

26 de Abril de 2026, 16:29
Roberto Justus em um PodCast – Foto: Reprodução

Roberto Justus, empresário e apresentador, se posicionou de maneira firme contra a possibilidade de Jair Bolsonaro voltar ao poder. O empresário, conhecido por sua trajetória no mercado publicitário e como apresentador de reality shows afirmou que não gostaria de ver o ex-presidente de volta à presidência, criticando a postura de Bolsonaro após a derrota eleitoral.

Justus mencionou a decisão de Bolsonaro de não passar a faixa presidencial e sua ida aos Estados Unidos como atitudes que o decepcionaram. Para ele, essas atitudes contribuíram são incompatíveis com o papel de um líder. Comparando Bolsonaro com Lula, disse que o atual presidente do Brasil é um exemplo.

Além de sua carreira como apresentador, Justus tem se destacado no mundo dos negócios.

Ele é o CEO da SteelCorp, uma construtech que fabrica estruturas industrializadas para construção de casas e prédios.

Recentemente, a empresa inaugurou uma megafábrica de 16.000 m² em Cajamar, no estado de São Paulo, com o objetivo de ampliar a produção de casas populares, especialmente voltadas para o programa Minha Casa Minha Vida. Essa aposta no setor imobiliário reflete a visão de Justus sobre o potencial do mercado de Light Steel Frame, uma técnica de construção mais eficiente e com menor impacto ambiental.

A decisão de investir na SteelCorp surge em meio a um período de turbulência no mercado político e econômico, com Justus ainda refletindo sobre as implicações do governo Bolsonaro na economia.

No entanto, sua atuação no mercado imobiliário está focada em oferecer soluções para o déficit habitacional no Brasil, especialmente com a utilização do sistema LSF, que promete ser mais rápido e sustentável do que as construções convencionais.

🚨VEJA: Roberto Justus diz que não quer Bolsonaro de volta e critica postura após derrota

O empresário Roberto Justus afirmou que não gostaria de ver Jair Bolsonaro novamente no poder. Segundo ele, o ex-presidente “pisou na bola” ao não saber lidar com a derrota eleitoral,… pic.twitter.com/7F1C2NnFjB

— Pesquisas Eleições (@EleicaoBr2026) April 26, 2026

Acordo de Caiado com EUA ameaça controle constitucional sobre o subsolo goiano

26 de Abril de 2026, 15:55
Ronaldo Caiado – Foto: Reprodução

O acordo firmado entre o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e potências estrangeiras como os Estados Unidos e o Japão, está colocando em risco a constitucionalidade sobre a gestão dos recursos minerais no estado. Goiás, em sua tentativa de negociar diretamente o subsolo com essas nações, esbarra em uma barreira jurídica: a Constituição Federal estabelece que os recursos minerais pertencem à União, e não aos estados. Esse impasse gerou um cenário de tensão política e jurídica, com a discussão envolvendo as implicações de um acordo internacional com repercussões em terras raras.

Em um momento onde o mundo disputa o controle das terras raras, o estado de Goiás se tornou um foco geopolítico ao tentar firmar acordos que permitem a exploração mineral diretamente com países estrangeiros. A ideia de “romper o ciclo de exportador de matéria-prima”, promovida por Caiado, tem gerado controvérsias, já que a Constituição é clara ao definir que a exploração mineral é uma competência exclusiva da União. A negociação, portanto, parece ir contra a legislação, trazendo questionamentos sobre sua viabilidade jurídica.

No centro da discussão está a venda da Mina Serra Verde, em Minaçu, que foi adquirida por um consórcio americano por US$ 2,8 bilhões. O Tribunal de Justiça de Goiás, no entanto, já havia reiterado, em decisões anteriores, que os recursos minerais pertencem à União e que o proprietário da terra não pode reivindicar compensação com base no valor do minério. Isso levanta a questão: se nem o proprietário da terra pode dispor do subsolo, como um estado pode negociar com um país estrangeiro a exploração desses recursos?

Mineração Serra Verde, em Minaçu (GO) – Foto: Divulgação/Mineração Serra Verde

Esse movimento também gerou reações políticas, com parlamentares do PSOL acionando a Procuradoria-Geral da República para questionar a legalidade do acordo de Caiado. Eles alegam que a negociação pode configurar uma invasão de competência da União, que detém o controle sobre os recursos minerais. No cenário estadual, a deputada Bia de Lima defendeu maior participação de Goiás nos royalties da mineração, destacando a disputa política sobre a distribuição dos ganhos do setor.

Porém, especialistas em direito constitucional alertam para os vícios legais presentes na ação. Ao tentar criar um “puxadinho regulatório”, Goiás instituiu a Lei estadual 23.597/25 e a Autoridade Estadual de Minerais Críticos, mas isso configura uma antinomia jurídica, pois um estado não tem autoridade para criar uma estrutura paralela à Agência Nacional de Mineração (ANM). Isso coloca em xeque a legitimidade da negociação e a segurança jurídica das empresas envolvidas.

A polêmica sobre o acordo também envolve questões geopolíticas mais amplas, como o impacto ambiental e a exportação de empregos. Goiás se arrisca a continuar sendo um mero exportador de minério bruto, enquanto o refino e o beneficiamento, mais lucrativos e tecnológicos, ficariam nas mãos dos EUA e Japão. Além disso, o compartilhamento de dados geológicos com os americanos levanta preocupações sobre a segurança nacional, dado o valor estratégico dessas informações em um momento de guerra tecnológica com a China.

Flávio Bolsonaro se manifesta após tiroteio em evento de Trump

26 de Abril de 2026, 14:32
Flávio Bolsonaro – Foto: Reprodução/YouTube/Pânico Jovem Pan

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reagiu, neste domingo (26), ao ataque a tiros que ocorreu durante o jantar de correspondentes da Casa Branca, em Washington, no qual o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sua esposa, Melania Trump, estavam presentes. O tiroteio, que forçou a evacuação do evento, também resultou em um ferido entre os agentes do Serviço Secreto. Em sua manifestação, Flávio Bolsonaro expressou seu apoio a Trump e aos participantes do evento, mencionando que tem orado pelo presidente e pela sua família.

“Coloco nas minhas orações o Presidente Donald Trump, a primeira-dama Melania Trump e todos que estiveram no jantar em Washington. Tentar tirar a vida de quem pensa diferente usando balas ou facas não cabe numa democracia. Que Deus nos proteja desse tipo de violência lá ou aqui no Brasil”, escreveu Flávio Bolsonaro na rede social X.

Coloco nas minhas orações o Presidente Donald Trump, a primeira-dama Melania Trump e todos que estiveram no jantar em Washington.

Tentar tira a vida de quem pensa diferente usando balas ou facas não cabe numa democracia.

Que Deus nos proteja desse tipo de violência lá ou aqui… pic.twitter.com/5PPRvrVfrN

— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) April 26, 2026

O ataque aconteceu na noite de sábado (25) no Washington Hilton, onde a Associação de Correspondentes da Casa Branca realizava o tradicional evento. A suspeita de envolvimento no ataque é de Cole Tomas Allen, de 31 anos, residente da Califórnia e professor. Após o ocorrido, as autoridades detiveram rapidamente Allen, que deve comparecer ao tribunal nesta segunda-feira (29), conforme anunciou a procuradora dos EUA, Jeanine Pirro.

Os detalhes sobre os motivos de Allen ainda estão sendo investigados, mas o tiroteio gerou grande comoção, especialmente por envolver figuras públicas de alto escalão dos Estados Unidos. A situação foi controlada rapidamente, mas o evento, que reúne jornalistas e políticos, deixou um clima de insegurança.

O ataque à vida do presidente Trump e seus aliados, bem como o ambiente de crescente violência, faz com que Flávio Bolsonaro se preocupe com a segurança tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Sua manifestação aponta para uma preocupação generalizada sobre a violência política e a necessidade de proteção nas democracias.

Flávio Bolsonaro, que também é pré-candidato à presidência, utilizou o ataque para reafirmar sua posição contra a violência e defender a proteção de todas as pessoas, independentemente de suas opiniões políticas. A declaração do senador não apenas expressa apoio a Trump, mas também destaca o desafio da violência que afeta países em todo o mundo.

VÍDEO: Presente no jantar, chefe do UFC diz que atentado contra Trump foi “incrível”

26 de Abril de 2026, 14:22
Dana White na Casa Branca durante tentativa de atentado contra Trump. Foto: Reprodução

No último sábado (25) Dana White estava presente no tradicional Jantar da Associação dos Correspondentes da Casa Branca, em Washington, quando disparos de arma de fogo interromperam o evento. O presidente do UFC tem paixão por adrenalina.

Durante o caos, White, conhecido por seu apoio a Donald Trump, relatou aos jornalistas que se recusou a seguir a instrução dos agentes de segurança para se abaixar, preferindo “aproveitar cada minuto” do momento tenso. Para ele, a situação foi “incrível” e “uma experiência louca e única.”

“Começou a ficar barulhento, mesas sendo viradas, carros correndo com armas gritando para abaixar. Eu não abaixei, foi incrível para c***. Eu literalmente aproveitei cada minuto. Foi uma experiência louca e única”, relatou White, que estava posicionado bem em frente à mesa de Trump.

Dana White do UFC, acostumado com pancadaria e confusão, deu um breve relato para jornalistas na saída do Hilton Hotel sobre o tiroteio no Jantar dos Correspondentes da Casa Branca:

"Mesas sendo viradas, caras correndo com armas. Foi FODA! Foi de tirar o fôlego!”. https://t.co/7KXrXmrSIb pic.twitter.com/ubNYYPuT8Y

— Área Militar (@areamilitarof) April 26, 2026

O incidente teve início quando tiros foram disparados durante o evento, que reunia importantes autoridades políticas e jornalistas. Trump, acompanhado da primeira-dama Melania, foi retirado do salão imediatamente pelos agentes do Serviço Secreto, após o som dos disparos.

A operação de emergência envolveu a evacuação do presidente e de outros convidados, com a rápida chegada de agentes armados que tomaram o controle do ambiente. Segundo o FBI, um suspeito foi detido, identificado como Cole Tomas Allen, um homem de 31 anos da Califórnia.

Trump, em coletiva após o incidente, descreveu o ocorrido como um momento “chocante” e, embora não tenha se referido diretamente ao suspeito, indicou que ele se tratava de “um lobo solitário”. O presidente também elogiou o trabalho rápido do Serviço Secreto e das forças policiais.

“Foi muito rápido. O desempenho da polícia foi muito bom”, comentou Trump. O FBI, em declaração oficial, informou que o suspeito foi preso e enfrenta acusações graves, incluindo porte de arma de fogo durante um crime violento e agressão a um agente federal.

O procurador-geral do Distrito de Columbia, Todd Blanche, afirmou que novas acusações podem ser apresentadas nos próximos dias. O incidente, que gerou pânico entre os convidados, também trouxe à tona preocupações sobre os protocolos de segurança em eventos de alto nível.

Imagens de câmeras de segurança revelaram que o suspeito, após ser identificado pelo Serviço Secreto, disparou antes de ser imobilizado. Testemunhas que estavam no local relataram um clima de total desordem e pânico, com agentes de segurança posicionados em vários pontos com armas longas, ordenando que os presentes se abaixassem e corresse para áreas mais seguras.

O evento, que ocorre anualmente e é considerado um dos principais jantares políticos dos Estados Unidos, foi interrompido por completo. No entanto, após o incidente, as festas pós-evento, incluindo a da revista ‘Time’ na residência do embaixador suíço, foram confirmadas e seguiram com alguns ajustes no cronograma.

Atirador divulga manifesto anti-Trump e se autodenomina “Assassino Federal Amigável”

26 de Abril de 2026, 13:52
O atirador Cole Allen imobilizado Imagem: reprodução

O atirador Cole Allen enviou um manifesto contra o presidente Donald Trump a familiares cerca de 10 minutos antes de abrir fogo no jantar da White House Correspondents’ Dinner, na noite de sábado. No texto, ele se descreve como “Assassino Federal Amigável” e afirma que pretendia matar integrantes da administração Trump, segundo informações obtidas pelo New York Post.

No documento, entregue à polícia por um parente, Allen faz uma série de declarações justificando o ataque. “Dar a outra face é para quando você mesmo é o oprimido. Eu não sou a pessoa estuprada em um campo de detenção. Não sou o pescador executado sem julgamento”, escreveu.

Participantes do evento agachados em meio ao tumulto Imagem: reprodução

Ele continua: “Não sou um estudante explodido, nem uma criança faminta, nem uma adolescente abusada pelos muitos criminosos nesta administração. Dar a outra face quando outra pessoa é oprimida não é comportamento cristão; é cumplicidade com os crimes do opressor.”

Allen listou seus alvos como “funcionários do governo (não incluindo [o diretor do FBI, Kash Patel]): eles são alvos, priorizados do mais alto escalão ao mais baixo”.
Em outro trecho, afirmou: “Não estou mais disposto a permitir que um pedófilo, estuprador e traidor cubra minhas mãos com seus crimes”, aparentemente em referência ao presidente.

O suspeito também descreveu detalhes do ataque, indicando que usaria munição de menor penetração para “minimizar vítimas”, embora tenha admitido que atravessaria qualquer pessoa no local se fosse necessário para atingir seus alvos — alegando que os presentes seriam “cúmplices” por participarem de um evento com alguém que ele acusava de crimes.

Allen ainda zombou da segurança do hotel Washington Hilton, onde ocorreu o evento, chamando-a de “insana” e afirmando que até agentes estrangeiros poderiam ter entrado com armamento mais pesado sem serem notados.

“Entrei com várias armas e ninguém sequer considerou a possibilidade de eu ser uma ameaça”, escreveu. Segundo ele, a segurança estava concentrada do lado de fora, focada em manifestantes e chegadas no momento, sem considerar hóspedes que já estivessem no local.

Ele chegou a afirmar que, se fosse um agente iraniano, poderia ter levado uma metralhadora pesada para dentro do evento sem ser detectado.

O irmão de Allen alertou a polícia de New London, em Connecticut, sobre o manifesto. Autoridades disseram que o Serviço Secreto entrevistou a irmã do suspeito, que relatou que ele frequentemente fazia comentários políticos radicais e falava em fazer “algo” para consertar os problemas do mundo.

De acordo com investigadores, Allen comprou duas pistolas e uma espingarda em uma loja de armas e armazenava o arsenal na casa dos pais. Ele também treinava regularmente em um estande de tiro.

Cole Allen Reprodução

O suspeito fazia parte de um grupo chamado “The Wide Awakes” (“Os Despertos”, em tradução livre) e teria participado de um protesto “No Kings” na Califórnia, onde estudou e trabalhou como professor.

Leia o manifesto na íntegra:

Olá a todos!

Talvez eu tenha surpreendido muita gente hoje. Gostaria de começar pedindo desculpas a todos de cuja confiança eu abusei.

Peço desculpas aos meus pais por ter dito que tinha uma entrevista sem especificar que era para o programa “Most Wanted”.

Peço desculpas aos meus colegas e alunos por ter dito que estava com uma emergência pessoal (quando alguém ler isto, provavelmente PRECISO ir ao pronto-socorro, mas dificilmente posso dizer que não foi uma situação autoinfligida).

Peço desculpas a todas as pessoas que estavam perto de mim, a todos os funcionários que manusearam minha bagagem e a todas as outras pessoas não visadas no hotel que coloquei em perigo simplesmente por estar perto delas.

Peço desculpas a todos que foram abusados ​​e/ou assassinados antes disso, a todos que sofreram antes que eu pudesse tentar isso, a todos que ainda possam sofrer depois, independentemente do meu sucesso ou fracasso.

Não espero perdão, mas se eu pudesse ter visto outra maneira de chegar tão perto, eu a teria escolhido. Novamente, minhas sinceras desculpas.

Quanto ao motivo de eu ter feito tudo isso:

Sou cidadão dos Estados Unidos da América.

As ações dos meus representantes me afetam diretamente.

E não estou mais disposto a permitir que um pedófilo, estuprador e traidor manche minhas mãos com seus crimes.

(Bem, para ser completamente honesto, eu já não estava disposto a isso há muito tempo, mas esta é a primeira oportunidade real que tive para fazer algo a respeito.)

Enquanto discuto isso, também vou repassar minhas regras de engajamento esperadas (provavelmente em um formato terrível, mas não sou militar, então que se dane).

Autoridades da administração (exceto o Sr. Patel): são alvos, priorizados do mais alto escalão ao mais baixo.

Serviço Secreto: são alvos apenas se necessário, e devem ser incapacitados de forma não letal, se possível (ou seja, espero que estejam usando coletes à prova de balas, porque tiros no centro do corpo acabam com pessoas que *não estão* usando).

Segurança do hotel: não são alvos, se possível (ou seja, a menos que atirem em mim).

Polícia do Capitólio: o mesmo que a segurança do hotel.

Guarda Nacional: o mesmo que a segurança do hotel.

Funcionários do hotel: não são alvos de forma alguma.

Hóspedes: não são alvos de forma alguma.

Para minimizar as baixas, também usarei chumbo grosso em vez de… Projéteis (menor penetração em paredes).

Eu ainda enfrentaria quase todos aqui para chegar aos alvos se fosse absolutamente necessário (com base no fato de que a maioria das pessoas *escolheu* assistir a um discurso de um pedófilo, estuprador e traidor, sendo, portanto, cúmplices), mas espero sinceramente que não chegue a esse ponto.

Refutações às objeções:

Objeção 1: Como cristão, você deveria oferecer a outra face.

Refutação: Oferecer a outra face é para quando você mesmo é oprimido. Eu não sou a pessoa estuprada em um centro de detenção. Eu não sou o pescador executado sem julgamento. Eu não sou uma criança explodida, uma criança faminta ou uma adolescente abusada pelos muitos criminosos desta administração.

Oferecer a outra face quando *outra pessoa* é oprimida não é comportamento cristão; é cumplicidade nos crimes do opressor.

Objeção 2: Este não é um momento conveniente para você fazer isso.

Refutação: Preciso que quem pensa assim pare por alguns minutos e perceba que o mundo não gira em torno deles. Vocês acham que, quando vejo alguém sendo estuprado, assassinado ou abusado, devo simplesmente passar direto porque seria “inconveniente” para quem não é a vítima?

Essa foi a melhor oportunidade e o melhor momento que consegui encontrar para ter sucesso.

Objeção 3: Você não conseguiu incluir todos.

Refutação: É preciso começar de algum lugar.

Objeção 4: Como mestiço (negro e branco), você não deveria ser a pessoa a fazer isso.

Refutação: Não vejo mais ninguém assumindo essa responsabilidade.

Objeção 5: O que é de César deve ser entregue a César.

Refutação: Os Estados Unidos da América são governados pela lei, não por uma ou várias pessoas. Na medida em que representantes e juízes não seguem a lei, ninguém é obrigado a ceder a eles algo que foi ordenado ilegalmente.

Gostaria também de expressar minha gratidão a muitas pessoas, pois não estarei presente. Provavelmente poderei falar com eles novamente (a menos que o Serviço Secreto seja *incrivelmente* incompetente).

Trump é retirado do Washington Hotel junto com Melania, o vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio

Agradeço à minha família, tanto a pessoal quanto a da igreja, pelo amor demonstrado ao longo desses 31 anos.

Agradeço aos meus amigos, pela companhia ao longo de tantos anos.

Agradeço aos meus colegas de trabalho, por sua positividade e profissionalismo.

Agradeço aos meus alunos pelo entusiasmo e amor pelo aprendizado.

Agradeço aos muitos conhecidos que fiz, pessoalmente e online, pelas interações breves e relacionamentos duradouros, pelas perspectivas e inspiração.

Obrigado a todos por tudo.

Atenciosamente,

Cole “coldForce” “Assassino Federal Amigável” Allen

PS: Ok, agora que já falei demais, o que diabos o Serviço Secreto está fazendo? Desculpem, vou desabafar um pouco aqui e abandonar o tom formal.

Tipo, eu esperava câmeras de segurança em cada esquina, quartos de hotel grampeados, agentes armados a cada três metros, detectores de metal por toda parte. wazoo.

O que eu recebi (quem sabe, talvez estejam me pregando uma peça!) foi nada.

Nenhuma segurança sequer.

Nem no transporte.

Nem no hotel.

Nem no evento.

Tipo, a única coisa que notei ao entrar no hotel foi a arrogância.

Entrei com várias armas e ninguém sequer considerou a possibilidade de eu representar uma ameaça.

A segurança do evento estava toda do lado de fora, focada nos manifestantes e nos recém-chegados, porque aparentemente ninguém pensou no que aconteceria se alguém fizesse o check-in um dia antes.

Tipo, esse nível de incompetência é insano, e espero sinceramente que seja corrigido até que este país tenha novamente uma liderança competente de verdade.

Tipo, se eu fosse um agente iraniano, em vez de um cidadão americano, eu poderia ter trazido uma Ma Deuce para cá e ninguém teria notado nada.

É realmente insano.

Ah, e se alguém estiver curioso para saber como é fazer algo assim: é horrível. Dá vontade de vomitar; dá vontade de chorar por todas as coisas que eu queria fazer e nunca farei, por todas as pessoas cuja confiança isso traiu; sinto raiva só de pensar em tudo o que este governo fez.

Não recomendo! “Fiquem na escola, crianças.”

Agentes sacam suas armas após fortes estrondos serem ouvidos durante o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca no Washington Hilton

PT aprova manifesto com reformas no Judiciário e mudanças estruturais no Brasil

26 de Abril de 2026, 13:35
Membros do PT, com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ao centro, durante o evento. Foto: Divulgação

Neste domingo (26), o Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou seu manifesto durante o 8º Congresso Nacional da sigla, em Brasília. O evento, que teve início na sexta-feira (24), teve como tema central as diretrizes para a reeleição do presidente Lula.

O documento, intitulado “Construindo o futuro: Manifesto do PT para seguir transformando o país”, propõe reformas consideradas “estruturantes” para o desenvolvimento do Brasil, com destaque para a reforma do Poder Judiciário.

A proposta do PT visa a democratização do Judiciário, com a criação de mecanismos de autocorreção e o fortalecimento do Estado de Direito. A reforma do Judiciário é uma das principais bandeiras do partido, que busca promover mudanças profundas no sistema, permitindo maior controle social sobre a justiça e combate à concentração de poder.

Além da reforma do Judiciário, o manifesto contempla outras reformas essenciais para o partido. Entre elas estão a reforma política e eleitoral, com o objetivo de democratizar o poder e restituir a soberania popular, e a reforma tributária, que busca corrigir distorções no sistema de impostos, promovendo maior justiça fiscal.

O PT também propõe uma reforma administrativa voltada para a reconstrução do Estado, além de reformas na comunicação e na agrária, com foco na democratização do acesso à terra e na soberania alimentar.

Fernando Haddad ao lado do presidente do PT Edinho Silva. Foto: Divulgação

O documento também aborda questões internacionais, criticando a atuação recente dos Estados Unidos e defendendo uma maior participação do Sul Global nos fóruns internacionais. Para o PT, o Brasil deve se posicionar como um mediador de conflitos e promotor da paz, reafirmando sua tradição diplomática.

Apesar de o manifesto ter sido aprovado, algumas discussões importantes, como a revisão do programa partidário e a organização do PT, foram adiadas para o primeiro semestre de 2027. A principal agenda do congresso foi, portanto, a formulação de estratégias eleitorais para as eleições de 2026.

Durante o evento, a ausência do presidente Lula, que se recupera de dois procedimentos médicos, foi notada, mas o congresso contou com a presença de governadores, ministros e pré-candidatos como Fernando Haddad (PT) e Marina Silva (Rede).

O PT, em sua análise, destaca que o Brasil vive uma crise estrutural, que exige reformas profundas para reverter os danos causados pelo governo anterior. O manifesto traça um caminho para a reconstrução nacional, defendendo a valorização do trabalho, a redução da jornada de trabalho e a ampliação dos direitos sociais. Além disso, enfatiza a importância da democracia e da soberania nacional como pilares para o futuro do Brasil.

LEIA a íntegra do documento:

Vivemos uma mudança de época, marcada pela crise do capitalismo neoliberal e pela crescente desordem global. Nessa conjuntura, se sobrepõem crises estruturais que atingem o sistema capitalista, a ordem internacional, as democracias liberais e as próprias condições de vida no planeta. A promessa neoliberal de crescimento econômico, estabilidade e bem-estar mostrou-se incapaz de oferecer futuro para a maioria. Em seu lugar, consolidaram-se a fome, a estagnação, a desigualdade, a precarização do trabalho, a insegurança e o enfraquecimento das instituições democráticas.

O que se apresenta hoje não é apenas o esgotamento de um modelo, mas a intensificação das disputas sobre os rumos da sociedade.

A crise de 2008 deixou evidente que um sistema que se organiza sob a lógica da concentração de riqueza, diante do colapso, não corrige suas distorções: socializa prejuízos e preserva privilégios. O resultado foi a ampliação do endividamento público, o corte de direitos sociais e a consolidação de um padrão de acumulação baseado na captura de renda e na subordinação das economias nacionais ao capital financeiro global. Novas oligarquias emergiram com força. Grandes corporações, sobretudo no campo tecnológico, passaram a controlar fluxos de informação, organizar o trabalho, influenciar comportamentos e intervir na vida política. A democracia liberal, cada vez mais mediada por plataformas privadas, tornou-se terreno de disputa desigual.

Essa dinâmica se expressa também na crise geopolítica em curso. A ordem internacional sob hegemonia dos Estados Unidos se desestabiliza diante da ascensão de novas potências. Em resposta ao declínio relativo de sua posição, as potências tradicionais intensificam o uso da força — militar, financeira e tecnológica — para preservar sua influência. Guerras, sanções, bloqueios e intervenções voltam ao centro do tabuleiro geopolítico, corroendo o direito internacional e aprofundando crises humanitárias. Povos inteiros são submetidos à destruição de seus territórios, ao deslocamento forçado e à violência sistemática, enquanto princípios fundamentais como a soberania e a autodeterminação são seletivamente ignorados.

As eleições de 2026 serão disputadas no Brasil em um cenário de avanço da extrema-direita e do fascismo nos principais países da Europa e das Américas. Ao mesmo tempo, serão disputadas durante a gestão do governo com mais entregas da história. Desde de 2023, o governo Lula trabalha na reconstrução de um país que havia sido destruído pela extrema-direita. Retomamos e ampliamos o Minha Casa Minha Vida, retomamos o PAC e criamos a Nova Indústria Brasil (NIB) e o Plano de Transformação Ecológica, criamos o ECA Digital, o Pé de Meia e o Gás do Povo, ampliamos e aprimoramos o Bolsa Família, ampliamos radicalmente a educação em tempo integral, retomamos o Farmácia Popular, criamos o Agora Tem especialistas, recuperamos a valorização do salário mínimo e aprovamos a Reforma Tributária do consumo e da renda, ampliamos os recursos para cultura pelas leis Paulo Gustavo, Aldir Blanc e Rouanet, aprovamos a Política Nacional de Cuidados e lançamos o Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio, criamos a Lei de Cotas para concursos públicos – entre muitas outras medidas. Mas, diante da destruição promovida pelo governo anterior, e pelas necessidades e anseios de mudanças da sociedade brasileira, sabemos que é preciso ir muito além. 

É nesse ambiente também que se realiza o 8º Congresso do Partido dos Trabalhadores, projetado para o período 2026–2027.

A instabilidade global, a volatilidade energética, a desorganização das cadeias produtivas e as pressões geopolíticas ampliam nossa vulnerabilidade. Ao mesmo tempo, revelam a necessidade de reconstruir a capacidade de planejamento, fortalecer a base produtiva e reafirmar a soberania nacional. A disputa pelo controle de recursos estratégicos, tecnologias e fontes de energia coloca novos desafios para o desenvolvimento nacional. Não há desenvolvimento possível sem autonomia, capacidade industrial e um projeto próprio de país.

Além das medidas estruturais para o desenvolvimento das capacidades domésticas e fortalecimento da soberania, o Presidente Lula se mostrou, neste mandato, como o líder mais preparado para resolver crises e situações de emergência. Da tragédia causada pelas enchentes no Rio Grande do Sul ao tarifaço unilateral de Donald Trump contra o Brasil, o Presidente Lula prontamente atuou em todas as crises que se apresentaram para preservar vidas, empregos e empresas brasileiras. A mesma rápida resposta ocorreu com as queimadas no Centro-Oeste e deslizamentos em Minas Gerais, assim como com a contenção da alta do preço do diesel, diante do contexto de Guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. A atuação de Lula é oposta à do governo anterior, que diante da pandemia permitiu que o país chegasse à marca de 700 mil mortos, e foi considerada a pior gestão do mundo durante a Covid-19. 

Para o PT, a soberania nacional no século XXI não se resume à defesa de fronteiras, mas ao controle sobre o coração da tecnologia do futuro. É imperativo que o Brasil assuma o protagonismo sobre suas reservas de terras raras — um conjunto de 17 minerais críticos essenciais para a indústria de alta tecnologia, para a produção de baterias, lasers, turbinas eólicas e componentes de defesa. Explicar o valor desses recursos é explicar a nossa independência: sem terras raras, não há transição energética nem soberania digital. O Brasil detém uma das maiores reservas do planeta e não pode aceitar o papel de mero exportador de minério bruto; nosso projeto exige que o processamento e a inteligência sobre esses minerais ocorram em solo nacional, gerando empregos qualificados e protegendo nossa riqueza contra a cobiça internacional.

A crise da hegemonia norte-americana abre, por outro lado, espaço para novas articulações internacionais e para a afirmação de polos alternativos de poder. Iniciativas do Sul Global, como os BRICS, demonstram que existem margens reais de disputa e possibilidades de construção de uma ordem internacional mais equilibrada. O Brasil pode e deve exercer papel protagonista nesse processo, contribuindo para um mundo mais equilibrado, baseado na cooperação, no desenvolvimento e na paz. 

Essa caracterização se evidencia pela postura adotada por Donald Trump em relação às principais economias do mundo, ao utilizar tarifas comerciais como instrumento de pressão e de repressão econômica, estabelecendo um ambiente de guerra comercial sem precedentes. Da mesma forma, sua política externa expressa uma face especialmente imperialista e agressiva na relação com países como Venezuela e Cuba, além da aliança com Israel nos violentos processos de ocupação territorial na Faixa de Gaza e ações militares contra Irã e Líbano, alimentando uma guerra no Oriente Médio de consequências nefastas. Em contraste, o governo Lula reafirmou a tradição pacífica do Brasil: liderou a maior operação de repatriação de cidadãos em áreas de conflito, defendeu o cessar-fogo imediato em fóruns globais e colocou nosso país novamente como o mediador necessário em um mundo em chamas.

A crise, porém, não é apenas econômica ou geopolítica. É também civilizatória. A insegurança e a frustração social alimentam a emergência de forças reacionárias. O autoritarismo, o racismo, a misoginia e o negacionismo ganham espaço, impulsionados pela manipulação da informação e pelo uso político do medo. A democracia é tensionada pela desinformação e pela captura do espaço público por interesses privados.

Nesse contexto, o mundo do trabalho se transforma. A plataformização reorganiza a produção, fragmenta a classe trabalhadora e redefine as formas de exploração. O trabalho se torna mais instável, desprotegido e subordinado a lógicas algorítmicas. Ao mesmo tempo, surgem novas formas de resistência e organização.

Diante desse quadro, a disputa pelo futuro está aberta. Trata-se de construir alternativas que enfrentem as estruturas de poder, reconstruam a democracia, afirmem a soberania dos povos e garantam a vida além do trabalho. Isso exige articular crescimento econômico, justiça social, inovação e sustentabilidade, além de reconstruir o papel do Estado e fortalecer a participação popular, reduzindo a jornada de trabalho e acabando imediatamente com a escala 6×1.

O Brasil está no rumo certo. Retomamos um crescimento médio de 2,8% neste mandato, dobrando a média do governo anterior. A desigualdade, que havia voltado a crescer ao longo do desgoverno anterior, atingiu a mínima histórica com Lula, assim como a proporção de pessoas na pobreza e na extrema pobreza. Após a triste marca de o Brasil ter voltado ao Mapa da Fome no último governo, voltamos a sair com Lula. O salário mínimo, que pela primeira vez na história havia tido redução de seu valor real em um mandato presidencial entre 2018 e 2022, voltou a ser valorizado, crescendo 12% em termos reais ao longo do atual mandato do presidente Lula. O mesmo ocorreu com o rendimento médio real das famílias, enquanto o desemprego atingiu a mínima histórica. Os jovens que não estudam nem trabalham, que haviam atingido o maior patamar da história com o último presidente, atingiram o menor patamar com Lula. 

Tudo isso com inflação controlada. Trouxemos a inflação de volta à meta, atingindo a menor média por mandato presidencial da história do real. A inflação de alimentos, que foi, em média, de 12% ao ano, no governo passado, passou a 3%, em média, com Lula. Isso, somado à valorização do salário mínimo, fez com que a quantidade de cestas básicas compradas com um salário mínimo — que havia despencado ao longo do governo anterior — voltasse a crescer sob Lula: enquanto um salário mínimo comprava 1,7 cestas básicas em 2022, passou a comprar 2,1 em 2026.

Com o governo Lula, o orçamento para educação cresceu mais de R$100 bilhões em relação ao governo anterior, equivalente a mais de 60% de crescimento. Já o crescimento do orçamento da saúde foi superior a 30%. Com o Compromisso Nacional da Criança Alfabetizada, praticamente dobramos a parcela de crianças alfabetizadas em 4 anos, saltando de 36% para 66%. Neste governo, a cobertura de municípios com oferta de educação em tempo integral passou de 17% para 91%, com a criação de 1,8 milhão de vagas. O Fundeb teve um crescimento de 350% com Lula em relação ao último governo. Com mais de 4 milhões de jovens beneficiados por ano, o Pé de Meia reduziu em 43% a evasão no Ensino Médio. A cobertura vacinal em crianças cresceu mais de 10% no governo Lula, após o último governo ter negado a importância das vacinas. 

Com o Presidente Lula, a safra agrícola bateu recorde, crescendo 32% em relação ao governo anterior, beneficiada pelo maior Plano Safra — tanto para a agricultura familiar quanto empresarial — da história. A produção de veículos cresceu mais de 30% em relação ao governo anterior, e a qualidade das estradas, que piorou no governo anterior, atingiu o melhor patamar da história no atual mandato do Presidente Lula. Os brasileiros voltaram a viajar de avião, com aumento de mais de 30 milhões de passageiros por ano em relação a 2022, e a chegada de turistas internacionais também bateu recorde, atingindo 9,3 milhões em 2025, três vezes mais do que em 2022. Mesmo com o tarifaço de Trump, a balança comercial bateu recorde, crescendo mais de 50% em relação ao governo anterior.

A concessão de crédito aumentou mais de 40% de 2022 para 2025, com crescimento tanto do crédito público quanto do crédito privado. O financiamento habitacional pelo FGTS bateu recorde: depois de ter caído 25% no último governo, cresceu 75% com Lula. A produção industrial, que havia recuado, voltou a crescer. Só no âmbito da Nova Indústria Brasil, foram mais de 650 bilhões de reais contratados. As dotações do Fundo Nacional de Ciência e Tecnologia bateram recorde, crescendo mais de 300% na comparação entre 2025 e 2022. A aprovação de crédito no Fundo Clima somou, apenas nos três primeiros anos do governo Lula, R$ 23,5 milhões, contra menos de R$ 2 milhões ao longo dos quatro anos do último governo.

Todos esses resultados foram conquistados em conjunto com a melhora das contas públicas. O déficit primário médio ao longo do mandato de Lula foi cerca de um terço do que foi o do último governo, e metade do que foi o anterior. Isso mesmo com o atual Governo tendo assumido com um orçamento que previa um déficit de R$ 230 bilhões. Após termos perdido reservas internacionais com o governo anterior, voltamos a acumular reservas com Lula, com um aumento de mais de R$ 40 bilhões de dólares.

São muitos avanços que precisam continuar. Apesar disso, precisamos ir além. Para além dos bons indicadores e resultados, precisamos avançar nas reformas estruturais e atualizar o nosso projeto portador de futuro para o Brasil. Diante do tamanho dos desafios estruturais que Brasil enfrenta e dos novos desafios que a atual conjuntura impõe, esse momento exige a atualização do programa e da estratégia do Partido dos Trabalhadores, tendo as eleições de 2026 como eixo central da tática política. 

A reeleição do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva é decisiva para o futuro do Brasil e para o campo democrático internacional. O papel do Brasil impacta diretamente a correlação de forças na América Latina e no mundo. O País reúne condições estratégicas singulares: dimensão territorial, população, recursos naturais e capacidade produtiva. Seu papel é decisivo no desenvolvimento global, o que exige a reafirmação da soberania e da democracia.

O governo anterior representou o ápice da degradação ao executar um verdadeiro projeto de destruição nacional. Esse período de trevas deixou como herança um Estado desmontado e instituições profundamente fragilizadas, além de agravar a crise econômica e social com o negacionismo durante a pandemia, o desmonte do SUS e o retorno trágico da fome e da precarização absoluta.

Diante desse cenário de terra arrasada, o governo Lula assumiu a tarefa inadiável da reconstrução nacional. Em pouco tempo, o país foi recolocado na rota do desenvolvimento com justiça social, retomando políticas estruturantes, reduzindo o desemprego, garantindo a valorização do salário mínimo e resgatando novamente o povo brasileiro do Mapa da Fome.

O 8º Congresso do Partido dos Trabalhadores deve apresentar à sociedade as diretrizes de um novo projeto de desenvolvimento nacional. Trata-se de um momento decisivo para definir prioridades e dialogar com a sociedade brasileira, estabelecendo com clareza quais serão as prioridades políticas para o próximo período.

A estratégia do Partido dos Trabalhadores está ancorada na construção de um bloco democrático-popular, capaz de articular forças sociais diversas em torno de um projeto de transformação. Essa construção exige organização permanente, disputa de hegemonia e uma contínua acumulação de forças sociais e políticas nas bases da sociedade.

Faz-se necessário, portanto, consolidar um amplo processo de concertação social que supere a fragmentação e institua um novo pacto pelo desenvolvimento nacional. Este movimento deve reunir o setor produtivo e o empresariado comprometidos com a nação, a classe trabalhadora, o sindicalismo e os movimentos populares em uma coalizão que transcenda a defesa institucional da democracia. É imperativo que essa articulação se converta em uma potente força de incidência política e social, a ponto de quebrar a hegemonia do rentismo, viabilizando a nova industrialização e a transição energética como pilares de um projeto de país soberano.

Este projeto de país soberano deve ter como eixo central a soberania alimentar, energética, industrial, ambiental, digital e comunicativa e a garantia universal dos direitos sociais. Isso implica a universalização da escola em tempo integral para todas as crianças, em todos os municípios brasileiros, com investimento em infraestrutura escolar adequada, no magistério e na gestão educacional. Deve também assegurar a universalização do acesso à creche e à alfabetização infantil. É fundamental que contemple a expansão dos investimentos em infraestrutura nas áreas de educação e saúde. Precisamos universalizar o direito à segurança alimentar e ao atendimento à saúde; garantir a segurança pública, assegurando o direito de ir e vir; assegurar o direito à mobilidade urbana, com tarifa zero; promover os direitos à cultura, ao esporte e ao lazer; garantir o direito à assistência social; e assegurar a igualdade de gênero, étnico-racial e regional; e o direito à vida plena para a juventude.

Esta soberania também exige a valorização dos agentes desta transformação, a classe trabalhadora brasileira. O direito ao salário digno, o direito ao emprego, assim como o direito ao descanso, ao tempo com a família e ao estudo são fundamentais para um país ser verdadeiramente soberano. Neste sentido, a luta histórica pela redução de jornada de trabalho, materializada pela luta pelo fim imediato da jornada 6×1, constitui também o núcleo de um projeto de país soberano. 

A experiência brasileira demonstra que não há democracia sustentável sem a efetiva transformação material da sociedade. Sem a redistribuição real de renda, de poder e de oportunidades, a frustração social se aprofunda e corrói a confiança nas instituições. É esse vácuo de esperança que se torna terreno fértil para a ofensiva autoritária da extrema-direita, que captura o ressentimento popular ao oferecer falsas soluções regressivas para problemas que são, na essência, estruturais.

A disputa central do nosso tempo é uma disputa de hegemonia. Ela se dá no terreno econômico, institucional, cultural e simbólico. Construir maiorias democráticas duradouras exige organização social, formação política, comunicação popular e presença cotidiana do Partido nos territórios, nos locais de trabalho, nas escolas, universidades, no campo e nas novas formas de trabalho. Sem hegemonia social, não há reforma estrutural sustentável.

As reformas estruturais que o Partido dos Trabalhadores propõe devem ser compreendidas como parte de um projeto nacional de desenvolvimento, orientado por objetivos estratégicos claros – tendo como horizonte programático o socialismo democrático – e sustentado por uma correlação de forças capaz de enfrentar privilégios historicamente consolidados. Elas se organizam a partir de três eixos centrais do projeto nacional de desenvolvimento, já em curso no governo Lula 3:

  1. Reconstrução do papel do Estado como indutor do desenvolvimento, por meio do fortalecimento do investimento público, do planejamento, da participação social e das políticas estruturantes, e da superação de seus pressupostos autoritários e elitistas;
  2. Retomada do crescimento econômico com distribuição de renda, riqueza e patrimônio, enfrentando o rentismo e ampliando direitos;
  3. Transição produtiva, tecnológica e ambiental, orientada pela sustentabilidade e pela soberania nacional.

Esses três eixos se materializam, no plano estrutural, em sete reformas decisivas, sem as quais o projeto democrático-popular permanecerá bloqueado:

a) Reforma política e eleitoral, capaz de democratizar o poder e restituir a soberania popular e alterar o atual modelo de execução orçamentária através de emendas parlamentares;

b)  Reforma tributária, para corrigir distorções graves do sistema de impostos e financiar direitos. Aprovamos no Governo Lula 3 a histórica Reforma Tributária dos tributos indiretos, permitindo um crescimento potencial de 10% do PIB no longo prazo pela maior eficiência do sistema tributário, e avançamos muito na justiça tributária com a Reforma do Imposto de renda, isentando quem ganha até R$ 5 mil e cobrando mais dos super-ricos, e com a tributação de fundos exclusivos, offshores e bets;

c)  Reforma tecnológica, com vistas à soberania produtiva, científica e digital, fortalecida por uma ampla regulamentação dos oligopólios das plataformas digitais;

d)  Reforma do Poder Judiciário, visando à democratização, mecanismos de autocorreção e fortalecimento do Estado de Direito; e

e)  Reforma administrativa, que permita a reconstrução do Estado brasileiro e o fortalecimento da capacidade pública.

f) Reforma agrária, garantindo soberania alimentar, desenvolvimento e democracia no campo;

g) Reforma da comunicação, garantindo o cumprimento da construção que proíbe monopólios neste setor.

Essas reformas estruturantes organizam o núcleo estratégico do projeto nacional e consolidam o caminho que o Brasil já começou a trilhar. Elas implicam a continuidade e o aprofundamento das políticas públicas e projetos estruturantes em curso. E exigem que o Brasil dê um passo além neste próximo ciclo: que consolide este legado de conquistas e apresente e implemente um projeto de futuro para as próximas gerações.

O Partido dos Trabalhadores reafirma seu compromisso com a construção de um novo projeto histórico. Um projeto que supere os limites do capitalismo brasileiro, combine democracia, desenvolvimento e soberania, e devolva à política sua capacidade de transformar a realidade. É nesse terreno que se decidirá o futuro do Brasil e do mundo.

Para isso, é necessário fortalecer as instâncias partidárias em todo o território nacional, garantindo o funcionamento efetivo dos diretórios em todos os níveis e fazendo com que os mandatos se submetam ao partido. É fundamental priorizar a organização de base, com núcleos presentes em todos os setores sociais e regiões do país, assegurando a presença cotidiana do partido junto à sociedade, enraizado na nossa base social histórica. É fundamental que os núcleos de base sejam reconhecidos como instâncias partidárias. 

Devemos valorizar nossas secretarias e setoriais como instrumentos de organização e diálogo social. Ao mesmo tempo, é necessário inovar na organização da nova classe trabalhadora, combinando o fortalecimento do movimento sindical com novas formas de organização social, incluindo a economia solidária. É urgente que, no próximo período, o PT institua a permanente transição geracional, limitando o número de mandatos nas suas instâncias —  no máximo dois no mesmo cargo e três no total de participação na mesma instância —, e garantindo no mínimo 50% de mulheres nos espaços de deliberação. 

O Partido dos Trabalhadores precisa estar à altura dos desafios históricos colocados, organizando-se como instrumento político capaz de disputar os rumos do Brasil e construir um projeto de país comprometido com a democracia, com as reformas da renda, agrária e institucional, com a justiça social, a igualdade, o fim de todas as formas de discriminação e preconceito e a soberania nacional. Mais do que nunca temos de reafirmar nosso compromisso com o socialismo, e com um mundo democrático, de paz e de igualdade de direitos.

Todos eles são da mesma turma. Por Moisés Mendes

26 de Abril de 2026, 12:59
Donald Trump

A frase do maior assassino do século 21, que está na capa de todos os jornais, sobre o sujeito que teria tentado matá-lo na festa em Washington:

“Era um homem doente”.

Também está em destaque esta chamada:

“PL avalia que Zema ‘radical’ perde força para ser vice de Flávio”.

Romeu Zema

Depois dos ataques ao Supremo, Zema passou a ser radical demais para o extremista moderado.

O fascismo às vezes tenta parecer um bicho estranho, mas é o que é. Trump, Zema e Flávio são da mesma turma de homens doentes da extrema direita.

Dino propõe mudanças na lei para punir com mais rigor crimes no Judiciário

26 de Abril de 2026, 12:43
Ministro Flávio Dino durante sessão plenária do STF em 16/04/2026 — Foto: Reprodução

O ministro do STF Flávio Dino propôs mudanças no Código Penal para endurecer a punição de crimes cometidos por integrantes do sistema de Justiça, como juízes, procuradores, promotores, advogados, defensores, assessores e servidores.

A proposta aumenta as penas para delitos como peculato, corrupção passiva, prevaricação e tráfico de influência quando praticados no exercício da função. Dino também defende o afastamento imediato do investigado após o recebimento da denúncia e a perda automática do cargo em caso de condenação definitiva.

O ministro ainda sugere a criação de uma tipificação mais ampla para obstrução de Justiça, alcançando qualquer conduta destinada a dificultar investigações ou processos. Para ele, interferências internas no funcionamento do Judiciário precisam receber tratamento penal mais rígido.

Sede do Supremo Tribunal Federal

Segundo Dino, os mecanismos atuais de controle, como os conselhos de fiscalização, não têm sido suficientes para conter redes de corrupção e lavagem de dinheiro dentro das instituições. Ele sustenta que a resposta administrativa isolada não basta diante da gravidade dos casos.

No texto, o ex-ministro da Justiça afirma que a credibilidade do sistema depende da punição exemplar de seus próprios membros. Ele chama esse tipo de violação de “justicídio” e diz que a leniência com agentes da lei compromete a confiança pública nas instituições.

Entre as medidas, Dino também propõe que advogados denunciados tenham o registro suspenso e, se condenados, cassado em definitivo. A avaliação do ministro é que o sistema de Justiça precisa adotar rigor interno para preservar sua legitimidade e impedir a continuidade de práticas ilícitas.

Irã vence guerra digital contra os EUA com memes virais e vídeos de IA ridicularizando Trump

25 de Abril de 2026, 11:07
Donald Trump em LEGO – Foto: Divulgação

Se o Irã conseguisse produzir mísseis na mesma velocidade com que cria memes virais, o Comando Central dos EUA já teria se rendido — ao menos no campo simbólico. Um dos aspectos mais inesperados do conflito entre Irã e Estados Unidos é justamente a superioridade iraniana na guerra de comunicação digital.

O Irã surpreende ao mobilizar uma geração jovem — especialmente millennials e Gen Z — para disputar narrativas nas redes sociais com humor, sarcasmo e domínio das linguagens digitais.

Do outro lado, Donald Trump enfrenta desgaste crescente, com níveis de aprovação comparáveis aos de Richard Nixon durante o processo de impeachment. Erros de comunicação se acumulam, incluindo postagens apagadas e declarações polêmicas, como quando tentou se comparar a uma figura messiânica.

A ofensiva digital iraniana vai de perfis de embaixadas até figuras centrais do regime, como Mohammad Qalibaf. O sucesso é ainda mais paradoxal considerando que o próprio governo mantém a população sob um dos mais longos apagões de internet do mundo, além de restringir a imprensa local a reproduzir versões oficiais.

Mesmo assim, desse ambiente repressivo emerge uma produção criativa voltada ao público internacional. Contas pró-governo utilizam vídeos gerados por inteligência artificial — incluindo animações com estética de Lego — para conectar temas como o escândalo de Jeffrey Epstein à guerra, ou para satirizar lideranças ocidentais.

Um dos exemplos mais populares mostra Trump como um cantor de rock dos anos 1980 em uma paródia musical que viralizou rapidamente, acumulando dezenas de milhares de interações em poucas horas. Em outro momento, uma embaixada iraniana publicou o vídeo de um cachorro olhando para a câmera enquanto “nada acontecia”, ironizando ameaças de destruição feitas pelo presidente americano.

Trump cantor de rock – Foto: Reprodução

Para especialistas, o Irã entendeu rapidamente que guerras modernas são travadas em dois campos: o militar e o comunicacional. A antropóloga Narges Bajoghli afirma que o país conseguiu praticamente monopolizar a narrativa nas redes sociais, atingindo públicos de diferentes espectros políticos nos Estados Unidos — da direita radical à esquerda.

Segundo ela, o Irã reconhece que não conseguirá espaço na mídia tradicional americana, onde há décadas é retratado como um Estado terrorista. Por isso, aposta em “hackear” o debate público nas redes, explorando temas sensíveis e conteúdos que têm potencial de viralização global.

Esse fenômeno também se estende ao mundo árabe, onde o Irã tenta influenciar discussões sobre soberania regional, questionando o papel de Israel como potência militar respaldada pelos EUA.

Enquanto isso, a comunicação americana enfrenta dificuldades, agravadas por cortes institucionais e uma estratégia que muitas vezes se limita a discursos voltados à própria base política. O contraste com a agilidade e o humor da produção iraniana é evidente.

Apesar do sucesso digital, especialistas alertam que memes não são suficientes para transformar completamente a imagem internacional do Irã, marcada por repressão interna. Ainda assim, a capacidade de influenciar percepções — especialmente entre públicos jovens — pode ter efeitos duradouros.

A importância desse campo já havia sido reconhecida por Ali Khamenei, que afirmou em 2024: a mídia pode ser mais eficaz que armas tradicionais na guerra por corações e mentes.

Por ora, nessa batalha específica, o chamado “país dos tech bros” está ficando para trás.

Damn. Iran just dropped an A+ level troll on Trump in this new LEGO movie.

I’m no fan of Iran at all… but this one actually nails him. 😂😂 pic.twitter.com/0NxAsaRyco

— Jon Cooper 🇺🇸 (@joncoopertweets) April 10, 2026

Zema quer ser ponta-de-lança da Operação Delenda Supremo. Por Paulo Henrique Arantes

25 de Abril de 2026, 10:49
Romeu Zema – Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

Romeu Zema integra o campo político dos direitistas travestidos de moderninhos, que administram a coisa pública pela ótica das redes sociais. Seus atos são forjados por marqueteiros para conquistarem seguidores, gerarem likes e aumentarem o engajamento, visando a consolidar uma persona pública antes de tudo falsa, descasada das liturgias a que são obrigados os governantes. São enganadores profissionais.

Candidato a presidente da República, o ex-governador de Minas Gerais, ou sua assessoria de marquetagem, percebeu que a onda do momento é atirar contra o Supremo Tribunal Federal. A Operação Delenda Supremo, ora em curso, é pilotada por políticos e empresários enroscados com a lei, golpistas da democracia, alas partidarizadas da Polícia Federal e boa parte da imprensa. Zema pretende ser ponta-de-lança do movimento.

Como quase metade do Brasil aprecia um ser abjeto como Jair Bolsonaro, por natural a corte que o condenou tornou-se alvo da turba e atacá-la, discurso eleiçoeiro certeiro. A intenção de voto em Romeu Zema deu um pequeno salto depois do bate-boca que travou com Gilmar Mendes, ministro que não leva desaforo para casa, mas que neste caso parece ter caído numa armadilha. A retórica do cerceamento da liberdade de expressão gruda como cola.

Gilmar Mendes – Foto: Sergio Lima/AFP

O que dá certa tranquilidade à parcela civilizada do eleitorado é que a desconstrução de Zema virá com facilidade, pelo ridículo do seu comportamento e por sua administração errática em Minas Gerais.

Ocupante do Palácio Tiradentes, Roma Zema não apenas comeu banana com casca para abordar pateticamente a questão alimentar. Antes, no Carnaval de 2019, surgiu vestido de gari, a varrer ruas em Belo Horizonte. A ação buscava sinalizar humildade e valorização do trabalho básico, mas não passou de encenação simbólica, típica de marketing político rasteiro, sem conexão com políticas públicas estruturais. Ao viajar de classe econômica, tentou posar de homem simples e econômico, mas a atitude nitidamente performática de se fazer passar por um cidadão comum prejudica, na prática, a gestão do Estado: o governador não pode estar limitado aos voos de carreira em suas viagens de trabalho, em nome da celeridade administrativa.

Ao longo dos seus mandatos, Zema publicou vídeos com linguagem coloquial, tentando se aproximar do eleitor comum. Tais conteúdos foram alvo de críticas por parecerem artificiais ou mal calibrados, especialmente quando tratavam de temas complexos mediante simplificação excessiva, gerando reações negativas.

O verdadeiro governo Zema guarda esqueletos assustadores no armário. Em 2021, auge da pandemia, o Ministério Público Federal abriu procedimentos para apurar compras de EPIs pelo governo de Minas por indícios de sobrepreço e favorecimento de fornecedores. A investigação foi encerrada, contudo, sem desdobramento penal.

Em 2026, o Ministério Público de Minas Gerais abriu inquérito para apurar uma queda de 96% na destinação de recursos para prevenção contra enchentes no Estado, motivado por suspeitas de omissão administrativa e má gestão orçamentária. A investigação está em curso.

O neoliberal Romeu Zema, de outra parte, não consegue se livrar da ajuda estatal, como prova o avanço da dívida mineira, hoje na casa de R$ 200 bilhões, cerca de 90% dos quais com a União. O governador Zema obteve um novo acordo com a União, no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag),que estabelece parcelamento em até 30 anos, possibilidade de juros reais próximos de zero (IPCA + 0%) e exigência de contrapartidas (ajustes fiscais e eventualmente venda/federalização de ativos). Uma renegociação de pai para filho.

Só que o papagaio continua sendo tema de disputa no Supremo Tribunal Federal. O ministro Nunes Marques chegou a cobrar comprovantes de pagamento da dívida em 2026. Minas já conseguiu, no passado recente, suspender pagamentos por quase dois anos via decisões judiciais. Ou seja: o conflito federativo não desapareceu — só foi reorganizado. Registre-se que a dívida de Minas Gerais cresceu mais de 60% desde 2019, início da era Zema.

Apesar do acordo do Propag, relatórios da Secretaria de Fazenda de Minas Gerais indicam que o Estado iniciou 2026 com uma disponibilidade de caixa líquida negativa em mais de R$ 11 bilhões. Isso ocorre porque, embora a dívida tenha sido alongada, o fluxo de pagamentos e a renúncia fiscal aprovada em 2025 ainda pressionam o orçamento mineiro no curto prazo.

Como todo neoliberal brasileiro, Zema não vive sem uma mãozinha da União.

O voto de Gilmar Mendes para manter prisão de ex-presidente do BRB

25 de Abril de 2026, 09:07
O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal)
O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal) – Reprodução

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou para manter a prisão preventiva de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), em investigação sobre suposto favorecimento ao Banco Master.

No voto, apresentado em sessão de referendo de decisão monocrática, Gilmar afirmou haver indícios suficientes de que Paulo Henrique teria recebido vantagens indevidas. Segundo o ministro, os elementos apontam para o recebimento de imóveis de alto valor em contexto ligado à aquisição de carteiras de crédito do Banco Master pelo BRB.

Para Gilmar, a liberdade do ex-dirigente poderia comprometer a instrução do caso. Por isso, o ministro acompanhou o entendimento pela manutenção da prisão preventiva.

Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), falando, em close, sem olhar para a câmera
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) – Reprodução

O magistrado, porém, divergiu parcialmente em relação ao advogado Daniel Lopes Monteiro, outro investigado no caso. Gilmar avaliou que, embora existam indícios contra ele, ainda não há elementos suficientes para equiparar sua conduta à dos principais alvos da apuração.

O ministro defendeu cautela para diferenciar o exercício regular da advocacia de eventuais excessos com relevância penal. Segundo ele, parte das condutas atribuídas ao advogado pode estar ligada à atuação profissional, o que exige análise mais aprofundada antes de medidas mais duras.

Com esse entendimento, Gilmar propôs substituir a prisão preventiva de Monteiro por prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica, proibição de contato com outros investigados e restrições à atuação profissional em casos ligados à investigação.

O ministro também citou o princípio da proporcionalidade e a necessidade de tratamento isonômico entre investigados. Ele observou que outros envolvidos, apontados com participação mais relevante, seguem submetidos a medidas menos severas.

Gilmar ressaltou que o julgamento ocorre em fase preliminar, com base em cognição limitada, e que novas provas podem levar à revisão das medidas cautelares.

Sob incertezas, EUA e Irã vão ao Paquistão negociar cessar-fogo; veja os detalhes

25 de Abril de 2026, 07:47
O chanceler Iraniano, Abbas Araqchi, com seu homólogo paquistanês, Ishaq Dar, em Islamabad nesta sexta-feira (24). Foto: Esmaeil Baqaei

Delegações de Irã e Estados Unidos se preparam para chegar ao Paquistão neste fim de semana em meio à expectativa de retomada das negociações, mas a ausência de diálogo direto entre os dois países mantém o cenário de incerteza. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, já está em Islamabad, enquanto enviados estadunidenses devem desembarcar neste sábado (25).

Apesar da movimentação diplomática, Teerã descarta encontros diretos. Um porta-voz da chancelaria iraniana afirmou que “nenhuma reunião está planejada entre o Irã e os Estados Unidos”, indicando que as posições do país serão transmitidas por meio do governo paquistanês, que atua como mediador.

Do lado dos Estados Unidos, os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner são esperados para participar das tratativas. Antes da negativa iraniana, a Casa Branca havia informado que ambos participariam de conversas com Araghchi. A secretária de imprensa Karoline Leavitt afirmou que houve avanços recentes e que há expectativa de novos progressos nos próximos dias.

O presidente Donald Trump reforçou o tom cauteloso ao comentar as negociações. Questionado sobre com quem Washington dialoga, disse: “Não quero dizer isso, mas estamos lidando com as pessoas que estão no comando agora”. Ele também afirmou que o Irã pretende apresentar uma proposta, embora não conheça os detalhes.

Donald Trump, presidente dos EUA. Jonathan Ernst/Reuters

Nos bastidores, fontes paquistanesas indicam que equipes de logística e segurança dos EUA já estão posicionadas em Islamabad para viabilizar possíveis encontros. O governo local confirmou a chegada da comitiva iraniana e reforçou a segurança na capital, sinalizando a relevância das conversas indiretas.

A retomada do diálogo ocorre após o fracasso da última tentativa, prevista para terça-feira (21), quando o Irã alegou não estar pronto e a delegação estadunidense sequer deixou Washington. No mesmo dia, Trump prorrogou o cessar-fogo para abrir espaço a novas negociações.

Enquanto isso, a tensão no Estreito de Ormuz segue impactando a economia global. A região, responsável por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás natural liquefeito, permanece sob bloqueio duplo de Irã e Estados Unidos. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, classificou a reabertura como “vital para o mundo”, enquanto os preços do petróleo continuam voláteis diante das incertezas.

Paralelamente, o conflito no Líbano pressiona o frágil cessar-fogo. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou: “Iniciamos um processo para alcançar uma paz histórica entre Israel e Líbano, e parece evidente que o Hezbollah tenta sabotá-lo”. Já o grupo, apoiado pelo Irã, rebateu dizendo que a trégua não faz “sentido” diante dos “atos de hostilidade” israelenses.

A posição da PGR sobre a nova cirurgia de Jair Bolsonaro

24 de Abril de 2026, 20:57
Após liberação por parte da PGR para cirurgia de Bolsonaro, cabe a Moraes os próximos passos.
O procurador geral da república Paulo Gonet, e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Foto: Antonio Augusto/Secom/MPF

A Procuradoria-Geral da República informou nesta sexta-feira (24) que não se opõe ao pedido de Jair Bolsonaro para realizar uma cirurgia no ombro direito. A decisão final, porém, continua nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Na manifestação enviada ao Supremo, Paulo Gonet afirmou que, diante das informações médicas apresentadas pela defesa, “não se vislumbra óbice” ao acolhimento do pedido. O parecer menciona que Bolsonaro relata dores recorrentes e intermitentes no ombro direito, tanto em repouso quanto nos movimentos do braço.

O pedido da defesa foi apresentado ao STF com solicitação de urgência e prevê cirurgia por artroscopia para reparar lesões no manguito rotador e problemas associados no ombro direito. Os advogados também pediram que eventual autorização cubra as etapas do tratamento, do pré-operatório à reabilitação.

PGR liberou para que se realize a cirurgia de Bolsonaro no ombro direito
O ex-presidente Jair Bolsonaro, tossindo em evento durante isolamento social da pandemia. Foto: Reprodução

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde 27 de março, após receber alta hospitalar em Brasília. A medida foi autorizada por Moraes por 90 dias, depois de manifestação favorável da própria PGR, no contexto da execução da pena imposta ao ex-presidente.

Segundo apuração da CNN, a tendência é que Moraes autorize o procedimento no hospital DF Star, em Brasília. O ministro, no entanto, ainda não definiu prazo para decidir nem a data de eventual cirurgia.

“Toupeira cega”: ofensa a Jair Renan aumenta o racha entre Nikolas e o clã Bolsonaro

24 de Abril de 2026, 20:18
Nikolas Ferreira segue em embates com a família Bolsonaro, e o alvo da vez foi Jair Renan
O deputado federal, Nikolas Ferreira. Foto: Wallace Martins/Estadão Contéudo

A nova troca de ataques entre Nikolas Ferreira e Jair Renan Bolsonaro abriu mais um capítulo do desgaste interno no bolsonarismo. Nesta sexta-feira (24), o deputado mineiro chamou o vereador de Balneário Camboriú de “toupeira cega” após uma discussão no X, em meio à pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no PL.

A confusão começou quando o influenciador bolsonarista Junior Japa ironizou um vídeo de Nikolas em Minas Gerais e insinuou que ele teria “sentido” críticas recentes, além de sugerir troca de apoio por emendas. Nikolas reagiu dizendo que mandaria “emenda” para internar os críticos “num hospício”; Jair Renan entrou na conversa com o meme “Galvão?”, seguido pela resposta “Sentiu”.

Foi nesse ponto que Nikolas publicou o print da interação e escreveu que, se somada, a “capacidade cognitiva” de Jair Renan e do influenciador “não alcança a de uma toupeira cega”. O ataque virou o sinal mais recente de um mal-estar que já vinha crescendo no entorno de Flávio Bolsonaro por causa da atuação considerada tímida de Nikolas na campanha.

Nos bastidores, aliados dos Bolsonaro passaram a monitorar as redes do deputado e a reclamar que ele menciona pouco o nome de Flávio. Nikolas respondeu dizendo sofrer “ataques unilaterais” e acusou integrantes do grupo de se acharem “mais Bolsonaro do que o próprio Bolsonaro”, o que transformou uma briga de rede social em sintoma de corrosão política mais ampla.

Se juntar a capacidade cognitiva dessa dupla não alcança a de uma toupeira cega. pic.twitter.com/F8voYWiHcC

— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) April 24, 2026

A tensão atual se soma ao embate que Nikolas já havia travado com Eduardo Bolsonaro no início do mês. Depois de um “kkk” publicado pelo mineiro em resposta a críticas, Eduardo acusou o deputado de desrespeitar sua família, de usar o algoritmo das redes para dar visibilidade a adversários do bolsonarismo e de não apoiar Flávio de forma consistente.

O conflito também atravessou a própria família Bolsonaro. Enquanto Carlos e Jair Renan se alinharam com Eduardo nas redes, Michelle adotou uma posição ambígua e chegou a publicar vídeo de Nikolas no mesmo dia do embate, num gesto lido como sinal de apoio ao parlamentar mineiro; em paralelo, Carlos passou a pressionar filiados do PL com um “levantamento” de quem não divulga a candidatura de Flávio.

Flávio tentou atuar como bombeiro e pediu “racionalidade” e pacificação, afirmando que esse tipo de confronto “não é inteligente” e que não há vencedor em guerra interna. O problema é que a repetição desses episódios mostra que a campanha depende cada vez mais de apagar incêndios entre aliados e parentes, e menos de consolidar uma linha única de discurso.

Na reta para a eleição de outubro, a sequência de choques públicos fragiliza o PL porque dispersa a militância, embaralha a autoridade do clã e obriga Flávio Bolsonaro a arbitrar disputas domésticas em vez de ampliar sua frente eleitoral. Aliados do senador já trataram a briga entre Eduardo e Nikolas como fator de risco e de “potencial catastrófico”, sobretudo porque Minas Gerais é vista como peça estratégica e o apoio de Nikolas segue considerado central nesse tabuleiro.

A reação de Janja após aliado de Trump chamar brasileiras de “put*s” e “raça maldita”

24 de Abril de 2026, 19:31
Janja mostrou-se indignada com as de conselheiro de Trump, Paolo Zampolli, sobre brasileiras.
A socióloga e primeira-dama brasileira, Rosângela da Silva. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, reagiu nesta sexta-feira (24) às declarações de Paolo Zampolli, enviado especial para parcerias globais do governo Donald Trump, e afirmou ser “impossível não se indignar” com o ataque feito às mulheres brasileiras.

“Dizer que somos uma ‘raça maldita’ e ‘programadas para causar confusão’ não nos diminui. Pois sabemos muito bem quem somos e temos muito orgulho de quem nos tornamos diariamente”, escreveu Janja em seu Instagram. Ela também afirmou que as brasileiras rompem “diariamente, ciclos de violência e de silenciamento” e reforçou a reação contra o machismo, a misoginia, o feminicídio e outras formas de violência.

A manifestação ocorreu depois de Zampolli dar entrevista à emissora italiana RAI. Ao comentar a ex-companheira Amanda Ungaro, ele afirmou que mulheres brasileiras seriam “programadas para causar confusão”.

 

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Um post compartilhado por Janja Silva (@janjalula)

Na mesma conversa, o aliado de Trump agravou o tom e chamou brasileiras de “putas” e de “raça maldita”, o que ampliou a repercussão do caso no Brasil.

Zampolli foi casado por cerca de 20 anos com Amanda Ungaro, que o acusa de agressão física, psicológica e sexual. Ele nega as acusações.

O Ministério das Mulheres também repudiou as falas e afirmou que misoginia “não constitui opinião”, classificando esse tipo de manifestação como discurso de ódio e incitação à violência.

Em entrevista concedida a Rai3 Report, Zampolli, expert de política externa de Trump, a MULHER BRASILEIRA É:
Zampolli:” Ah Lidia, eu sei lá… é uma dessas PUTAS BRASILEIRAS , essas RAÇAS BASTARDAS BRASILEIRAS QUE SÃO TODAS IGUAIS. Aquela (sic) estávamos juntos, eu trepava (sic)… pic.twitter.com/qG6tsEkF0E

— Prof.Marco Antonio Villa (@VillaMarcovilla) April 18, 2026

A fantástica família antissistema. Por Moisés Mendes

24 de Abril de 2026, 18:46
Rogéria Bolsonaro com os filhos Eduardo, Carlos e Flávio. Reprodução

E agora mais essa. O Instituto Paraná pesquisa mostra que Benedita da Silva tem 32,3% das intenções de voto para o Senado no Rio. Em segundo lugar aparece Rogéria Bolsonaro com 28,1%.

Rogéria é a ex-mulher de Bolsonaro e mãe de Flávio, Eduardo e Carluxo. Em São Paulo, Renato Bolsonaro, irmão do presidiário, é candidato a deputado federal. Em Santa Catarina, Jair Renan é candidato a deputado federal e Carluxo a senador.

Michelle é candidata ao Senado por Brasília. Flávio é candidato a presidente. E Eduardo, que deve ser condenado pelo Supremo e se transformará em foragido, talvez venha a ser o único adulto não candidato a nada na família (Laura, a filha de Bolsonaro e Michelle, tem 15 anos).

Jair, Carlos, Flávio, Renan e Michelle Bolsonaro. Foto: reprodução

Se não for condenado, Eduardo continuará elegível e terá o direito de ser candidato, mesmo estando nos Estados Unidos, com participação remota e virtual na campanha, porque não precisa morar no Brasil.

Carluxo, por exemplo, mora na Lua e poderá se eleger senador por Santa Catarina. Essa é a família antissistema.

E tem gente preocupada porque Neymar não vai pra Copa.

Sakamoto: No Rio, deputados lutam para não deixar o povo escolher novo governador

24 de Abril de 2026, 18:35
O desembargador Ricardo Couto, atual governador do Rio de Janeiro. Foto: Divulgação

Por Leonardo Sakamoto, no UOL

O governador do Rio de Janeiro continuará sendo o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça, até que o Supremo Tribunal Federal decida se a eleição que preencherá a vaga deixada pela renúncia de Cláudio Castro será pelo voto indireto dos deputados estaduais ou direto do povo fluminense. Ou seja, o Rio ganhou mais tempo para evitar que sua democracia tão combalida leve mais um golpe.

A decisão é do ministro Cristiano Zanin, do STF, em resposta a uma ação do PSD do ex-prefeito Eduardo Paes. O deputado Douglas Ruas, aliado do ex-governador e nome escolhido pelo PL para disputar o Palácio Guanabara em outubro, foi eleito presidente da Assembleia e queria o cargo desde já. Ele e seus aliados dão como justificativa a linha sucessória. Mas, na prática, a razão é mais prosaica: facilitar a recondução do grupo que está no poder no Rio nas eleições gerais. O que ajudaria, inclusive, a candidatura presidencial do partido, que deve ser encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro.

Há duas semanas, o ministro Flávio Dino pediu vistas na ação em que o STF decidirá como será a escolha do governador-tampão do Rio. A renúncia de Castro, logo antes de ser cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (por desviar R$ 1 bilhão em grana pública a fim de contratar milhares de cabos eleitorais), tem sido vista como uma manobra para que seu grupo político decidisse o seu sucessor, aproveitando divergências de interpretação entre a legislação eleitoral e leis do estado.

Ou seja, o governador, que ia ser cassado exatamente por tentar manipular as eleições, como ato derradeiro de seu mandato, tentou manipular as eleições. A renúncia não foi um ato para afastar a sua inelegibilidade, que é garantida, mas para botar no Palácio Guanabara um aliado que, com o controle da máquina nas mãos, terá mais facilidade para buscar a reeleição em outubro. É uma clara tentativa de fraudar a lei, daí a disputa de posições no Supremo.

Com o tribunal fragilizado, dado o envolvimento de membros da corte com o caso Master, uma decisão que leve em conta essa tentativa de fraudar o cumprimento da lei será tratada por aliados de Castro como ingerência política. Ironicamente, isso seria, na verdade, uma tentativa de consertar a ingerência política do ex-governador e seus sócios.

Como já disse aqui um rosário de vezes, Castro deixou como legado um rombo de quase R$ 1 bilhão no RioPrevidência após o fundo injetar dinheiro no Master quando o banco já era visto como uma piada no mercado financeiro. Era dinheiro de aposentadorias de professor com burnout, enfermeira que segura plantão triplo e gari que limpa rua alagada.

Foi pai de algumas das operações policiais mais letais da história da região metropolitana do Rio de Janeiro. Foram 121 mortos na Penha e no Alemão no ano passado; 28 no Jacarezinho (maio de 2021); 23 na Vila Cruzeiro (maio de 2022); 16 no Complexo do Alemão (julho de 2022); 13 em São Gonçalo e Salgueiro (março de 2023); e 12 em Itaguaí e Vila Ibirapitanga (outubro de 2020).

E renunciou para não ser cassado no escândalo dos cargos secretos que sangraram os cofres públicos em mais de R$ 1 bilhão durante as eleições de 2022. Foram 24 mil pessoas contratadas com dinheiro público, via Fundação Ceperj e Universidade Estadual do Rio de Janeiro, para atuar como cabos eleitorais ilegais. Uma extensa investigação de Ruben Berta e Igor Mello, do UOL, em 2022, levou ao julgamento e revelou a engrenagem.

Cláudio Castro (PL), ex-governador do Rio de Janeiro. Foto: Divulgação

Castro seguiu à risca a velha lógica de políticos fluminenses, que tratam o Estado como propriedade privada e a população como figurante descartável. A chance de interromper essa lógica seria garantir que a última cartada de Castro não tivesse sucesso, possibilitando igualdade de condições para a definição do próximo governador.

O caso está longe de ser resolvido, uma vez que o ministro Luiz Fux, que também relata uma ação da Assembleia a favor de Douglas Ruas, ainda deve proferir o seu voto.

No fim das contas, a pergunta é simples (e, talvez por isso mesmo, tão incômoda): por que tanto medo do voto direto?

Se o grupo que hoje controla o poder no Rio acredita na própria gestão, deveria ser o primeiro a defender que a população decida. Mas não. Prefere o atalho, o conchavo, o arranjo de gabinete. Porque sabe que, nas urnas, o roteiro pode sair do controle.

O Rio de Janeiro precisa assumir o risco da própria escolha, com todos os erros e acertos que isso implica. Democracia não é um seguro contra tragédias, mas é o único instrumento que permite responsabilizar quem transforma o estado em balcão de negócios.

Negar o voto direto agora não é apenas proteger um grupo político. É dizer, em alto e bom som, que o povo fluminense não é confiável o suficiente para decidir seu próprio destino, mas é bom o bastante para pagar a conta.

E talvez seja justamente isso que mais assuste: quando a população deixa de ser figurante e resolve, finalmente, subir ao palco.

“Misógino arrogante”: Gleisi detona aliado de Trump que atacou brasileiras

24 de Abril de 2026, 18:05
Paolo Zampolli é conselheiro de Trump e fez comentários sobre brasileiras em entrevista.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o seu conselheiro, Paolo Zampolli. Foto: Reprodução

A ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, detonou Paolo Zampolli, conselheiro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que atacou mulheres brasileiras. O empresário disse que elas seriam “programadas” para causar confusão.

“Esse Paolo Zampolli, enviado especial do Donald Trump para assuntos globais, é o tipo de misógino arrogante da extrema-direita. Quem cria confusão e guerras que afetam o mundo inteiro é o chefe dele”, escreveu a ministra no X.

Ela ainda afirmou que ele “não é bem-vindo” no país. “Respeite as mulheres, respeite as brasileiras”, completou.

Esse Paolo Zampolli, enviado especial do Donald Trump para assuntos globais, é o tipo de misógino arrogante da extrema direita. Quem cria confusão e guerras que afetam o mundo inteiro é o chefe dele. Respeite as mulheres, respeite as brasileiras! No Brasil você não é bem vindo!

— Gleisi Hoffmann (@gleisi) April 24, 2026

Ex-marido da ex-modelo brasileira Amanda Ungaro, com quem foi casado por 20 anos, ele fez uma série de ataques contra mulheres do país, chamando-as de “prostitutas”. As ofensas ocorreram após citar a ex-companheira.

“As mulheres brasileiras, mesmo as que estão aqui, são programadas para causar problemas”, disse Zampolli à emissora italiana RAI. O empresário também citou uma mulher, identificada como Lídia, que seria amiga de Amanda, e afirmou que ela seria “uma dessas putas brasileiras, essa raça maldita de brasileiras, são todas iguais”.

O empresário foi citado dezenas de vezes nos arquivos do caso Epstein. Ele também é acusado pela ex de abuso sexual, violência doméstica e uso de influência política para tentar deportá-la dos Estados Unidos. Os dois disputam a guarda do filho adolescente na Justiça.

Motta cria comissão especial para discutir fim da escala 6×1

24 de Abril de 2026, 17:53
Protesto contra a escala 6×1. Foto: Reprodução

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), assinou nesta sexta (24) a criação de uma comissão especial para analisar o mérito da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que propõe o fim da escala de trabalho 6×1. A medida marca o avanço da proposta dentro da Casa após a etapa inicial de admissibilidade.

De acordo com o despacho, o colegiado será formado por 37 membros titulares e 37 suplentes, respeitando a proporcionalidade entre os partidos. Ainda não foram definidos os nomes que vão ocupar a presidência e a relatoria da comissão, cargos considerados estratégicos no andamento da proposta.

O documento também detalha a composição do grupo e prevê a inclusão de um titular e um suplente adicionais para atender ao sistema de rodízio entre bancadas não contempladas.

“A Comissão será composta de 37 (trinta e sete) membros titulares e de igual número de suplentes, mais um titular e um suplente, atendendo ao rodízio entre as bancadas não contempladas, designados de acordo com os §§ 1º e 2º do art. 33 do Regimento Interno”, diz o despacho.

Hugo Motta, presidente da Câmara. Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

A definição da relatoria tem gerado disputa entre parlamentares interessados nos cargos de liderança. Segundo Motta, o número elevado de pedidos tem atrasado o anúncio oficial dos nomes. “Muita gente querendo, e eu estou administrando”, afirmou o presidente da Câmara.

Segundo a coluna de Igor Gadelha no Metrópoles, entre os nomes citados para a relatoria está o deputado Paulo Azi (União-BA), que já atuou na análise da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ele é defendido por lideranças como Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Reginaldo Lopes (PT-MG).

Os parlamentares argumentam que Azi deve continuar na função por ser um “bom nome” e pelo trabalho realizado anteriormente. A atuação dele na CCJ foi destacada após a aprovação da admissibilidade da proposta na quarta (22).

A nova proposta do governo para aliviar o endividamento das famílias

7 de Abril de 2026, 18:38
O ministro da Fazenda, Dario Durigan. Foto: Divulgação

O governo federal está avaliando a possibilidade de permitir a utilização de parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para que os trabalhadores brasileiros possam quitar suas dívidas. A medida, confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta terça-feira (7), visa aliviar o orçamento das famílias, que enfrentam altos níveis de endividamento.

De acordo com ele, a proposta está sendo analisada em conjunto com o Ministério do Trabalho, que tem a preocupação de garantir a integridade do fundo. O ministro afirmou que, caso a avaliação considere razoável o uso do FGTS para refinanciamento de dívidas, a medida poderá ser adotada.

“Estamos avaliando isso com o Ministério do Trabalho, que tem uma preocupação com a higidez do Fundo de Garantia. Ao se fazer uma análise, se a gente achar que for razoável a utilização para refinanciamento de algumas dívidas, isso vai ser admitido. Isso não é feito só por mim, mas também pelo ministro (Luiz) Marinho (do Trabalho). Estamos caminhando com essa avaliação, do impacto que isso vai ter sobre o FGTS”, disse ele.

A proposta surge em meio a uma série de discussões sobre o crescente endividamento das famílias brasileiras, um tema que tem preocupado o presidente Lula nas últimas semanas. Durante a reunião, Durigan e outros ministros discutiram formas de combater esse endividamento e aliviar a pressão financeira sobre os cidadãos.

Entre as medidas que estão sendo consideradas, está a liberação do FGTS para pagamento de dívidas, o que, segundo o governo, poderia diminuir o comprometimento de renda das famílias. No entanto, também há preocupações sobre o impacto dessa ação na segurança financeira dos trabalhadores, especialmente em caso de perda de emprego.

Usuário acessando o aplicativo da Caixa Econômica Federal. Foto: Divulgação

Além da liberação do FGTS para o pagamento de dívidas, outra medida em discussão envolve a regulamentação do fundo como garantia para operações de crédito consignado privado. Essa proposta busca facilitar o acesso ao crédito de forma mais acessível e com taxas de juros mais baixas.

O governo também estuda outras ações para combater o endividamento, como o uso dos recursos esquecidos nos bancos, atualmente avaliados em R$ 10,5 bilhões. Esses recursos poderiam ser direcionados ao Fundo Garantidor de Operações (FGO), com o objetivo de reforçar as garantias do governo aos empréstimos renegociados.

Embora essa medida tenha gerado expectativa, Durigan optou por não detalhar suas especificidades, prometendo anunciar os detalhes assim que as decisões forem finalizadas. “Não vou entrar nos detalhes das medidas, isso ainda vai ser anunciado com todos os detalhes”, afirmou o ministro.

Além disso, o governo está discutindo dois focos principais para o novo programa de combate ao endividamento: o primeiro seria focado na população de baixa renda, com dívidas em atraso entre 60 e 360 dias, incentivando a renegociação com descontos e novas opções de parcelamento.

O segundo foco seria para pessoas adimplentes, mas com alto comprometimento de renda, que poderiam ser estimuladas a migrar para linhas de crédito com juros mais baixos, aliviando assim suas finanças.

Por que o ultimato de Trump ao Irã esbarra em limites militares e riscos estratégicos

7 de Abril de 2026, 16:52
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Divulgação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou drasticamente o tom contra o Irã ao ameaçar destruir grande parte da infraestrutura civil do país caso não haja um acordo até o prazo estipulado por Washington. No entanto, especialistas militares avaliam que as ameaças enfrentam sérias limitações práticas — e podem não surtir o efeito desejado.

Trump afirmou que poderia destruir “todas as pontes” e usinas de energia do Irã em poucas horas. Depois, intensificou o discurso, dizendo que “uma civilização inteira morrerá” se não houver acordo. Analistas ouvidos pela BBC classificam a retórica como sem precedentes — e alertam que atacar infraestrutura civil poderia configurar crime de guerra.

Apesar da gravidade das declarações, ex-integrantes do Departamento de Defesa dos EUA apontam que a execução de um ataque dessa magnitude é inviável no prazo mencionado. O Irã, com território vasto e milhares de alvos potenciais, não poderia ter toda sua infraestrutura destruída em questão de horas.

“Seria uma tarefa hercúlea — e ainda resta a dúvida se teria o efeito estratégico desejado”, disse um ex-alto funcionário da defesa americana.

Alvos mais prováveis: energia e petróleo

Especialistas afirmam que um ataque amplo ao setor energético é mais plausível do que a destruição total de pontes. Grande parte da infraestrutura de energia iraniana está concentrada nas províncias costeiras de Bushehr, Khuzestan e Hormozgan, ao longo do Golfo Pérsico.

Um ponto-chave é a Kharg Island, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo do país. Segundo o vice-presidente JD Vance, ataques aéreos já atingiram alvos militares na região.

A estratégia, segundo analistas, seria sufocar economicamente o regime iraniano, reduzindo sua capacidade de exportar petróleo e operar no Estreito de Omuz, rota vital para o comércio global de energia.

Estreito de Omuz. Foto: Divulgação

Pressão pode não funcionar

Mesmo com ataques intensificados, não há garantia de que o Irã cederá rapidamente. Autoridades americanas e iranianas voltaram a dialogar diretamente, mas continuam distantes em temas centrais como o programa nuclear, o setor petrolífero e o controle do estreito de Ormuz.

Analistas destacam que o regime iraniano já enfrenta apagões frequentes e dificuldades estruturais no setor energético — o que reduz o impacto de novas ofensivas como ferramenta de pressão interna.

Além disso, interromper ainda mais o fluxo de petróleo pode gerar efeitos colaterais globais, elevando preços e agravando a instabilidade econômica internacional.

Escalada com resultados incertos

Para especialistas, o governo Trump pode estar superestimando o impacto de uma escalada militar. Após semanas de conflito, o Irã demonstrou resistência significativa e disposição para prolongar o confronto.

“O regime encara essa guerra como uma luta existencial”, afirmou um ex-funcionário do Departamento de Defesa dos EUA.

Nesse cenário, a ameaça de destruição em larga escala pode ter mais efeito retórico do que prático — e corre o risco de ampliar o conflito sem garantir avanços diplomáticos.

Flávio Bolsonaro tenta censurar usuários do X e leva invertida; entenda

7 de Abril de 2026, 16:20
Flávio Bolsonaro. Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou com um processo contra a rede social X e pediu para que a plataforma forneça dados pessoais de usuários que o criticaram publicamente. O senador alega que se tornou alvo de uma “campanha difamatória e caluniosa”, ultrapassando os limites da liberdade de expressão.

Ele solicita informações como CPF, telefone e e-mail de cinco perfis, alegando que essas críticas constituem crimes, pois se utilizam do anonimato para “cometer crimes”. Em resposta, a rede social defende a liberdade de expressão, argumentando que a quebra do anonimato precisa ser tratada com cautela.

A empresa menciona direitos essenciais como a liberdade de manifestação do pensamento e o discurso político, destacando que não pode haver uma quebra de sigilo sem uma justificativa robusta e proporcional, apontando os abusos específicos cometidos por cada perfil. O caso segue em análise judicial.

Flávio alegou que é defensor da liberdade de expressão, mas que acredita que a Justiça deve agir quando há crime envolvido. O pedido do sigilo do processo foi negado pelo juiz Marcello Filho, da 2ª Vara Cível da Pavuna, que determinou que a big tech se manifestasse. A plataforma recorreu da decisão, e o processo está atualmente parado, aguardando uma nova avaliação.

“Flávio Bolsonaro é um defensor da liberdade de expressão e entende que a Justiça brasileira tem as ferramentas necessárias para agir quando há crime. E, neste caso, tudo o que se quer é fazer valer a lei e retirar do ar as mentiras publicadas pela esquerda”, disse o parlamentar em nota.

Logo do X. Foto: Kirill Kudryavtsev/AFP

O X também citou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), em especial o voto do ministro Luís Roberto Barroso, que considera que políticos devem tolerar críticas mais severas. A empresa afirmou que as postagens questionadas fazem parte de um debate público contínuo e que não há base para uma decisão automática de quebra de sigilo.

A companhia também argumentou que a entrega dos dados de usuários, sem a análise de envolvimento com condutas ilícitas, poderia resultar em assédio judicial, um argumento frequentemente utilizado por políticos conservadores para se opor a regulamentações mais rígidas das plataformas.

Para a empresa, o pedido de Flávio ultrapassa os limites do que seria necessário para identificar eventuais crimes, mencionando que o Marco Civil da Internet só exige a manutenção de dados de acessos nos últimos seis meses.

A rede social também destaca que, embora tenha a obrigação de armazenar alguns dados, como IPs de login e registros de acessos, não pode ser compelida a fornecer dados pessoais como telefones e e-mails, exceto em caso de decisão judicial.

“Evidentemente, manifestações que configurem ameaça, imputação sabidamente falsa de fato determinado ou abuso manifesto podem ensejar responsabilização. Contudo, não é possível presumir a ilicitude a partir da mera contundência da linguagem ou do desconforto gerado por críticas políticas”, disse o X.

A reação de Lula diante do crescimento de Flávio Bolsonaro

26 de Março de 2026, 23:57
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante solenidade do Rio de Janeiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou aliados por maior agilidade na organização da pré-campanha presidencial durante reunião realizada na segunda-feira (23), no Palácio da Alvorada. A orientação ocorre em meio ao avanço do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais. Com informações da Folha de S.Paulo.

Relatos indicam que o mandatário demonstrou insatisfação com o desempenho recente nas sondagens e com a dificuldade de transformar ações do governo em apoio eleitoral. O presidente também apontou necessidade de reação diante da movimentação do campo adversário.

Após o encontro, a direção do PT orientou deputados a intensificar o confronto político com a oposição. A estratégia inclui ampliar a repercussão de declarações do presidente sobre o caso Banco Master.

A recomendação é associar o episódio a adversários políticos e reforçar a comunicação pública do governo sobre o tema. A orientação foi repassada em reuniões com parlamentares da bancada.

Edinho Silva, novo presidente do PT

Lula tem mantido encontros frequentes com integrantes da pré-campanha para discutir o cenário político e definir ações. Participaram da reunião nomes como Edinho Silva, Sérgio Gabrielli e José de Filippi Jr.

Auxiliares avaliam que o grupo adversário avançou na organização da pré-campanha. Segundo relatos, o partido opositor já estruturou equipe jurídica e comunicação voltadas ao processo eleitoral.

Durante reunião com deputados, dirigentes do PT também destacaram a importância de ampliar arrecadação e reforçar presença política. Entre as ações discutidas estão eventos de financiamento e alinhamento de discurso.

Troca de mensagens mostra que senador agiu para “resguardar” André Valadão

26 de Março de 2026, 22:55
pastor André Valadão com a mão no peito, sério, sem olhar para a câmera, de roupa preta
O pastor André Valadão – Reprodução

Mensagens enviadas pelo pastor André Valadão, líder da Igreja da Lagoinha em conversas no WhatsApp indicam a atuação de um senador em tratativas para “resguardar” o líder religioso. Os registros mostram orientações relacionadas ao momento considerado mais adequado para determinadas ações. As informações são do Metrópoles.

Em uma das mensagens encaminhadas por Valadão a um interlocutor, o texto de uma terceira pessoa afirma: “Pastor, será melhor esperar para final de fevereiro ou março , ele disse que vai estar mais tranquilo e ele vai fazer algumas ações para lhe resguardar”.

Na sequência, o pastor acrescenta ao diálogo: “Senador mandou esperar. Pra eu na ir mesmo pro 🇧🇷 [sic]”. As mensagens foram trocadas no dia 22 de janeiro deste ano.

Print de mensagens para André Valadão
Mensagens de WhatsApp para André Valadão – Reprodução

O nome de André Valadão aparece no contexto das investigações da CPMI do INSS, que apura possíveis irregularidades envolvendo benefícios previdenciários. A apuração inclui conexões com pessoas ligadas ao entorno do líder religioso.

Entre os citados está o empresário Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Zettel atuou como pastor em uma unidade da Igreja Batista da Lagoinha localizada no bairro Belvedere, em Belo Horizonte.

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontou movimentações financeiras que somam R$ 40,9 milhões atribuídas ao empresário em repasses para a unidade religiosa.

AtlasIntel: Maioria das ações do governo Lula é aprovada pela população

26 de Março de 2026, 22:33
Estabelecimento com cartaz do Farmácia Popular
Estabelecimento com Farmácia Popular – Reprodução

Uma pesquisa realizada pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, divulgada nesta quinta-feira (26), indica que 9 entre 15 medidas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são consideradas acertos pela maioria dos brasileiros. O levantamento avaliou programas sociais, econômicos e propostas em debate no governo federal.

Entre as ações com maior índice de aprovação está o Farmácia Popular, cuja ampliação da gratuidade de medicamentos e itens é vista como acerto por 84% dos entrevistados, enquanto 9% classificam como erro e 7% não souberam responder. O programa aparece como a medida mais bem avaliada entre todas as analisadas.

O Desenrola Brasil também registra avaliação majoritariamente positiva, sendo considerado acerto por 75%, erro por 14% e desconhecimento por 11%. A proposta de isenção do Imposto de Renda para contribuintes com renda mensal abaixo de R$ 5 mil é vista como acerto por 74%, enquanto 16% consideram erro e 10% não souberam opinar.

Outras iniciativas com maioria favorável incluem o acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia, apontado como acerto por 63% dos entrevistados, além do fim da obrigatoriedade de aulas em autoescola para obtenção da carteira de motorista, considerado positivo por 60%. Nessas medidas, os índices de rejeição ficaram em 14% e 33%, respectivamente.

Entre as ações com maior percentual de avaliação negativa está a taxação de compras internacionais de até US$ 50, apontada como erro por 62% dos entrevistados, enquanto 30% classificam como acerto e 8% não souberam responder. A proposta de fiscalização de transações via Pix acima de R$ 5 mil mensais também apresenta maioria contrária, sendo considerada erro por 59%, acerto por 35% e desconhecida por 7%.

Outros pontos avaliados incluem a política de cotas de emprego para detentos em regime semiaberto e ex-detentos em licitações públicas, vista como erro por 51% e acerto por 32%, além do arcabouço fiscal, que aparece com avaliações divididas, com 45% apontando erro e 40% acerto.

A retirada de empresas públicas, como os Correios, do programa de privatização também apresenta divisão, com 51% considerando erro e 43% acerto. A pesquisa ouviu 5.028 brasileiros adultos entre os dias 18 e 23 de março, com recrutamento digital aleatório, margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.

PESQUISA ATLAS/BLOOMBERG

9 entre 15 medidas do governo são considerados acertos para maioria dos brasileiros. Os destaques são a gratuidade de remédios do Farmácia Popular (84%), Desenrola (75%) e isenção de IR (74%). Já a taxa das blusinhas é vista como o pior erro, para 62%. pic.twitter.com/e8DwUrQLpI

— AtlasIntel BR (@atlaspolitico) March 26, 2026

SP: PM investiga conduta de policiais que liberaram senador com carro sem placas

26 de Março de 2026, 22:20
O senador Alexandre Luiz Giordano (MDB-SP) O senador Alexandre Luiz Giordano (MDB-SP)
O senador Alexandre Luiz Giordano (MDB-SP)

A Polícia Militar de São Paulo abriu procedimento interno para apurar a liberação do veículo do senador Alexandre Luiz Giordano após abordagem na segunda-feira (23), na zona norte da capital.

O parlamentar foi flagrado dirigindo uma Land Rover sem placas, com a CNH vencida e utilizando luzes estroboscópicas, equipamento semelhante ao “giroflex” de viaturas policiais.

Mesmo após ser autuado, o senador foi liberado e deixou o local dirigindo o próprio veículo. A corporação informou que ele possui imunidade parlamentar.

A liberação gerou questionamentos sobre o cumprimento do Código de Trânsito Brasileiro. A PM afirmou que analisa os procedimentos adotados na ocorrência.

O carro do senador Alexandre Luiz Giordano (MDB-SP) em fuga

Segundo o registro da ocorrência, o senador tentou fugir da abordagem. Ele chegou a subir na calçada e quase atropelar um policial antes de ser interceptado.

Durante a ação, Giordano se identificou como “federal” e depois como “senador da República”. Ele também se recusou a apresentar documentos no primeiro momento.

Após a abordagem, os policiais localizaram as placas do veículo no porta-malas. O senador foi autuado por dirigir sem placas, com CNH vencida e pelo uso irregular de luzes estroboscópicas.

Especialista em direito de trânsito afirmou que, em situação comum, o veículo deveria ser apreendido e encaminhado ao pátio até regularização. O senador não respondeu aos contatos feitos após o caso.

VÍDEO – Trump diz que CIA o informou que o novo líder supremo do Irã é gay

26 de Março de 2026, 22:10
Mojtaba Khamenei e Donald Trump em montagem de duas fotos
Mojtaba Khamenei e Donald Trump – Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (26) que a CIA lhe informou que o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, é gay. A declaração foi feita durante entrevista ao apresentador Jesse Watters, da Fox News. Ao ser questionado, Trump respondeu: “Bem, eles disseram isso, mas não sei se foram só eles. Acho que muita gente está dizendo isso. O que lhe dá uma má vantagem inicial naquele país.”

O presidente não apresentou evidências para a informação atribuída à CIA. No Irã, relações entre pessoas do mesmo sexo são consideradas ilegais sob a legislação baseada na sharia. Antes da entrevista, o New York Post já havia noticiado que Trump teria sido informado sobre o tema. O presidente também havia levantado dúvidas sobre a situação de Mojtaba após ataques militares recentes.

Mojtaba Khamenei foi anunciado como líder supremo do Irã em 8 de março, após a morte de seu pai, Ali Khamenei, em ataques realizados por Estados Unidos e Israel no início da guerra, em 28 de fevereiro. A escolha foi feita pela Assembleia de Peritos, órgão composto por 88 clérigos responsáveis por definir a liderança do país desde a Revolução Islâmica de 1979. Aos 56 anos, Mojtaba ocupava posição intermediária no clero e mantinha influência nos bastidores do regime.

Em entrevista para a Fox News, Donald Trump confirma que ouviu relatos da CIA de que o novo líder supremo do Irã é homossexual.

Código Penal Islâmico do Irã pune a homossexualidade com pena de morte. pic.twitter.com/RVxE3rk3XT

— Sam Pancher (@SamPancher) March 26, 2026

O novo líder tem ligações com a Guarda Revolucionária Islâmica e com a força paramilitar Basij. O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã já deixou mais de 1.750 civis mortos no território iraniano, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos. A Casa Branca registra ao menos 13 mortes de militares americanos em ataques relacionados ao confronto.

Além do Irã, ações militares atingiram países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. Autoridades iranianas afirmam que os ataques têm como alvo interesses dos Estados Unidos e de Israel nessas nações. O confronto também alcançou o Líbano, onde o grupo Hezbollah realizou ofensivas contra Israel.

Após a escolha de Mojtaba Khamenei, Donald Trump declarou que considera a decisão um “grande erro”. O presidente afirmou que deveria participar do processo e classificou o novo líder como “inaceitável” para a condução do país.

Everton Ribeiro curte crítica a Nikolas e é elogiado na web: “Craque dentro e fora de campo”

26 de Março de 2026, 21:40
O meio-campista Everton Ribeiro, do Esporte Clube Bahia, em campo, correndo, sério
O meio-campista Everton Ribeiro, do Esporte Clube Bahia – Reprodução

O meio-campista Everton Ribeiro, do Esporte Clube Bahia, movimentou as redes sociais ao curtir uma publicação da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) com críticas ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). A interação ocorreu após a aprovação, no Senado, do projeto de lei que inclui a misoginia entre os crimes de preconceito, na última terça-feira (24).

A publicação curtida pelo jogador é um vídeo divulgado por Tabata Amaral em suas redes. No conteúdo, a parlamentar comenta a votação da proposta, que recebeu 67 votos favoráveis e não teve votos contrários nem abstenções, e contesta declarações feitas por Nikolas Ferreira sobre o texto aprovado.

“Nikolas Ferreira mente pra você. De novo. Ontem o Senado aprovou por 67 votos contra zero um projeto de lei que inclui a misoginia dentre os crimes de preconceito. Zero votos contra, zero abstenções. O PL, partido dele, votou inteiro a favor”, afirmou a deputada no vídeo.

Após a curtida de Everton Ribeiro, a interação passou a circular entre torcedores e usuários das redes sociais. Comentários destacaram apoio ao atleta, com mensagens que mencionavam sua trajetória dentro e fora de campo. Parte das reações veio de torcedores do Bahia, clube atual do jogador, e do Flamengo, equipe na qual ele atuou e conquistou títulos.

Entre as manifestações, usuários publicaram elogios ao posicionamento do jogador. “Everton ídolo dentro e fora de campo”, escreveu um torcedor. Outro comentou: “Ribeiro sempre do lado certo”. Uma torcedora afirmou: “Vocês não têm noção do carinho que eu sinto pelo senhor Everton Ribeiro. Miteiro dentro e fora de campo, o melhor camisa 7 que eu vi jogar pelo Flamengo”.

A repercussão ocorre em meio ao debate sobre o projeto aprovado no Senado. Após a votação, Nikolas Ferreira classificou o texto como “aberração” e afirmou que pretende atuar para barrar o avanço da proposta na Câmara dos Deputados. Em resposta, Tabata Amaral declarou: “Esse projeto não existe à toa, mas sim porque a violência contra as mulheres no Brasil é uma emergência”.

Confira a repercussão:

Finalmente um jogador de futebol que merece o nome de ídolo! eu te amo Everton Augusto de Barros Ribeiro 💙 https://t.co/sSNOUosESN

— ɢᴀʙ 🧙🏻‍♀️ (@piresxicara) March 26, 2026

Everton Ribeiro é um exemplo como pai, como marido, como jogador e como cidadão.

— Cintia Pereira 💙🤍 (@CintiaPersan) March 26, 2026

Everton Ribeiro é craque dentro e fora do campo!

— Hbyele 🌻 (@hbyelee) March 26, 2026

joão gomes colocando a lista dos livros lidos e pedindo mais indicações, everton ribeiro dando like em post contra o niklolas que fofinhos os meninos

— Fabiane 😶 (@fabianeglima) March 26, 2026

as curtidas no insta do Éverton e do Arthur! Eles carregando um monte de animal sendo dois entre alguns sensatos do futebol br 👏 https://t.co/qZLupBznZR pic.twitter.com/6zqQ2pj4cG

— 🅱️ andida (@improtass) March 26, 2026

eu AMO o everton ribeiro, que HOMEM https://t.co/lK3iLANq1n

— m¡ 🇧🇷 (@flamengrr) March 26, 2026

Mossad insuflou protestos no Irã e prometeu aos EUA derrubar governo, diz New York Times

26 de Março de 2026, 21:30
Protesto no Irã

A agência de inteligência de Israel, o Mossad, apresentou um plano para provocar a queda do governo do Irã por meio de operações combinadas com agitação interna, segundo reportagem do New York Times. A proposta teria sido usada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para convencer o presidente Donald Trump de que seria possível derrubar a República Islâmica com rapidez.

De acordo com o jornal, o chefe do Mossad, David Barnea, apresentou o plano dias antes do início da guerra. A estratégia previa a eliminação de lideranças iranianas, seguida de uma série de operações de inteligência destinadas a estimular uma revolta popular. A avaliação era de que isso poderia levar a um levante em larga escala e à queda do regime.

Em janeiro, episódios de violência ocorridos nos dias 8 e 9 no Irã, que deixaram cerca de 3 mil mortos, foram incorporados a essa narrativa. Esses eventos foram apresentados como protestos pró-democracia no Ocidente, mas eram parte de um cenário utilizado para sustentar a viabilidade de uma mudança de regime.

A leitura atribuída ao Mossad era de que esses episódios funcionariam como um indicativo de que a sociedade iraniana poderia reagir a uma ofensiva militar.

Os acontecimentos de janeiro foram levados a Trump como uma espécie de “prévia” de uma possível insurreição mais ampla. A avaliação era de que ataques direcionados contra a liderança iraniana poderiam desencadear um colapso imediato do governo, com apoio interno. Parte de autoridades americanas e da inteligência israelense, no entanto, expressou dúvidas sobre essa hipótese.

No início do conflito, o discurso público de Trump refletiu essa expectativa. Em declaração em vídeo, ele afirmou que a população iraniana deveria assumir o controle do país ao fim das operações. “Finalmente, ao grande e orgulhoso povo do Irã, digo esta noite que a hora da sua liberdade está próxima… quando terminarmos, assumam o controle do seu governo. Ele será de vocês”, disse.

THIS IS HILARIOUS 😭😭

“Iran 🇮🇷 wanted to make me their Supreme leader but i refused and said no thanks”

– Donald Trump 🤣

He has totally lost it pic.twitter.com/PcF2ds4LTB

— Amock_ (@Amockx2022) March 26, 2026

A hipótese de mudança de regime, porém, perdeu força rapidamente. Menos de duas semanas após o início da guerra, senadores americanos afirmaram que a derrubada do governo iraniano não fazia parte dos objetivos da operação e que não havia um plano estruturado nesse sentido.

Avaliações da CIA indicam que o regime iraniano não deve cair, mesmo diante dos ataques. Segundo a agência, a morte de lideranças poderia resultar na ascensão de um governo mais radical. A inteligência israelense também avalia que o governo foi enfraquecido, mas segue no poder.

Com o avanço do conflito e a ausência de um desfecho rápido, avaliações iniciais passaram a ser revistas. Segundo o próprio relatório citado pelo New York Times, a crença de que Israel e Estados Unidos poderiam estimular uma revolta ampla foi uma falha central no planejamento da guerra.

Autoridades militares americanas alertaram que a população não sairia às ruas sob bombardeio, e analistas consideraram baixa a probabilidade de um levante.

TSE confirma eleição indireta ao governo do RJ após renúncia de Cláudio Castro

25 de Março de 2026, 20:19
Cláudio Castro falando, sério, sem olhar para a câmera
O ex-governador Cláudio Castro – Reprodução

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que a escolha do novo governador do Rio de Janeiro, após a renúncia de Cláudio Castro, será realizada por meio de eleição indireta. A definição foi encaminhada ao governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, que havia solicitado esclarecimentos formais sobre o modelo do pleito. A decisão estabelece que a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) será responsável pela escolha.

A definição segue entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) para casos de dupla vacância por causas não eleitorais. Nesse tipo de situação, os estados têm competência para regulamentar a forma de eleição. No caso do Rio, além da renúncia do titular, não há vice-governador, o que caracteriza a vacância simultânea dos cargos do Executivo estadual.

No julgamento que analisou o caso, o TSE considerou prejudicada a cassação do mandato de Cláudio Castro, já que ele deixou o cargo antes da conclusão do processo. A Corte determinou, no entanto, a inelegibilidade do ex-governador por oito anos, com efeitos até 2030. A decisão mantém restrições para eventual candidatura em eleições futuras.

Durante a tramitação do caso, houve um erro na comunicação enviada ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), que mencionava a realização de novas eleições com base em regra aplicável ao modelo direto. O equívoco foi corrigido nesta quarta-feira, com a atualização da certidão do julgamento, que passou a indicar expressamente a realização de eleição indireta para os cargos majoritários.

Enquanto isso, o governador em exercício, Ricardo Couto, optou por adiar a convocação da eleição até a confirmação formal do modelo. Em declaração, afirmou que buscou esclarecimentos para evitar questionamentos jurídicos e garantir segurança no processo. A definição do TSE foi enviada após esse pedido.

As regras da eleição indireta ainda estão em análise no STF. Um texto aprovado pela Alerj prevê voto aberto e prazo de desincompatibilização de 24 horas após a vacância. No entanto, decisão liminar do ministro Luiz Fux estabelece que a votação deve ser secreta e que o prazo para afastamento de cargos deve ser de seis meses antes do pleito, nos moldes das eleições gerais.

Governo é condenado a pagar R$ 150 mil por fala de Paulo Guedes em 2020

25 de Março de 2026, 20:11
Paulo Guedes, ex-ministro de Bolsonaro. Foto: reprodução

A Justiça Federal condenou a União a pagar R$ 150 mil por danos morais coletivos em razão de declarações do ex-ministro da Economia do governo Bolsonaro, Paulo Guedes, sobre servidores públicos durante a pandemia de Covid-19.

A decisão foi proferida pelo juiz Diego Câmara, da 17ª Vara Federal Cível do Distrito Federal, em sentença assinada no dia 19 de março, após ação civil pública movida pela Confederação Brasileira dos Policiais Civis (Cobrapol).

O caso tem origem em uma fala de Guedes, feita em 2020, quando o então ministro criticou pressões por reajustes salariais no funcionalismo.

Na ocasião, afirmou: “Por favor, não assaltem o Brasil enquanto o Brasil está nocauteado. É inaceitável que tentem saquear o gigante que está no chão, que usem a desculpa para saquear o Brasil”. A declaração ocorreu durante coletiva no Palácio do Planalto, em meio à crise sanitária.

Na sentença, o magistrado entendeu que houve dano coletivo à honra dos servidores públicos. “Resta cristalina a existência dos danos morais coletivos e a necessidade de reparação”, afirmou. O juiz também destacou o alcance das declarações e seus efeitos.

“Com efeito, sem maiores delongas, ante a inafastável imputação da conduta lesiva ao então Ministro da Economia, Paulo Roberto Nunes Guedes, e dos danos indiscutivelmente suportados pelos servidores públicos em todos os âmbitos federativos, o que foi potencializado pela ampla divulgação midiática do tema, tenho que a procedência do pedido reparatório é medida que se impõe”.

No Dia do Servidor Público, o Brasil de Fato separou cinco momentos em que o governo Jair Bolsonaro, através do ministro da Economia Paulo Guedes, atacou os servidores públicos.

Paulo Guedes lidera movimento pela aprovação da chamada “reforma” administrativa (PEC 32). pic.twitter.com/Rc6AVBgtWd

— Brasil de Fato (@brasildefato) October 28, 2021

O valor da condenação deverá ser destinado a um fundo a ser definido posteriormente. Ainda cabe recurso da decisão por parte da União.

À época das declarações, entidades representativas de servidores reagiram publicamente. O presidente da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF), Deolindo Carniel, afirmou que a fala causou indignação na categoria. “Sentimento é de injustiça com o trabalho que a segurança e a saúde estão realizando neste momento”, disse.

A entidade também divulgou nota criticando o posicionamento do então ministro. “Trata-se de uma afronta à dignidade pessoal de todas as categorias”, afirmou o documento. Em outro trecho, a federação questionou: “Qual o limite do escárnio, do desrespeito e da covardia desse senhor que, além de negar seu papel de funcionário público, trata os milhares de brasileiros que servem a esse país com expressões brutais, agressivas e mentirosas?”.

Segundo Carniel, a principal demanda da categoria naquele momento não era reajuste salarial, mas sim o reforço no efetivo. Ele destacou que o número de agentes permanecia semelhante ao de décadas anteriores, mesmo com o aumento das atribuições durante a pandemia, incluindo apoio em ações de vacinação e distribuição de alimentos.

Lindbergh aciona Moro por insinuação sobre vitória de Lula em 2022: “Eleito entre aspas”

25 de Março de 2026, 19:48
Lindbergh Farias e Sergio Moro. Foto: reprodução

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou nesta quarta-feira (25), no Supremo Tribunal Federal (STF), uma notícia de fato contra o senador Sergio Moro (PL-PR) após declarações em que ele insinuou, sem apresentar provas, que a eleição presidencial de 2022 não teria sido legítima. O pedido foi encaminhado no âmbito do Inquérito 4.874, conhecido como o inquérito das milícias digitais, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

A iniciativa busca que o STF analise a conexão entre a fala de Moro e investigações sobre a disseminação de desinformação contra o sistema eleitoral. Na petição, Lindbergh sustenta que a manifestação se insere em um contexto mais amplo de ataques às instituições democráticas, especialmente ao Tribunal Superior Eleitoral e às urnas eletrônicas.

“A visão que o cidadão tem é que o nosso presidente da República hoje, que não é nosso, mas foi eleito — entre aspas — aqui no Brasil está do lado dos criminosos e minimiza o crime a todo momento”, alegou Moro durante cerimônia de filiação ao PL, realizada na terça-feira (24). O senador não apresentou evidências para sustentar a afirmação.

Veja o momento da fala de Moro: 

Segundo Lindbergh, esse tipo de declaração reforça uma narrativa de deslegitimação do processo eleitoral e mantém em circulação suspeitas de fraude já rebatidas pelas autoridades.

“A insistência em desacreditar o pleito de 2022 possui dimensão prospectiva e não se limita a revisitar o passado. Ela produz efeitos sobre o presente e prepara terreno para o futuro, ao manter em circulação o repertório simbólico da fraude, da suspeição eleitoral e da ilegitimidade institucional”, disse o petista.

Na ação, o deputado solicita a oitiva da Procuradoria-Geral da República, além do envio de cópias ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia da Advocacia-Geral da União. O objetivo é avaliar eventuais medidas diante do que classifica como continuidade de um processo de desinformação.

A petição também menciona o contexto recente de tensão institucional no país, incluindo os atos de 8 de janeiro de 2023, e argumenta que a repetição de alegações infundadas sobre fraude eleitoral contribui para a erosão da confiança pública nas instituições. Para o parlamentar, reabrir esse tipo de narrativa mantém ativa uma ofensiva contra a soberania popular.

O episódio ocorre no momento em que Moro se posiciona como pré-candidato ao governo do Paraná e se aproxima politicamente do bolsonarismo. O senador participou do evento de filiação ao PL ao lado de lideranças do partido, como Flávio Bolsonaro e Valdemar Costa Neto.

A trajetória de Moro também é citada no debate político recente. Como ex-juiz da Lava Jato, ele foi responsável por decisões que impactaram diretamente o cenário eleitoral de 2018. Posteriormente, o STF anulou as condenações do Presidente Lula e reconheceu a suspeição do ex-magistrado, em decisões que reconfiguraram o quadro jurídico e político do país.

VÍDEO: Adrilles imita Nikolas, põe peruca e chama PL da Misoginia de “esdrúxulo”

25 de Março de 2026, 18:37
O vereador bolsonarista Adrilles Jorge. Foto: Reprodução

A aprovação do Projeto de Lei (PL) que visa criminalizar o discurso de ódio contra mulheres, conhecido como “PL da Misoginia”, no Senado, provocou reações histéricas de políticos de direita. Um desses casos aconteceu na Câmara Municipal de São Paulo, onde o vereador bolsonarista Adrilles Jorge (União) usou o plenário para promover um espetáculo de misoginia e transfobia, em protesto contra a aprovação do projeto.

Durante a sessão, Adrilles Jorge, indignado com o avanço do projeto no Senado, fez uma performance polêmica. O vereador copiou uma ação do deputado Nikolas Ferreira e colocou uma peruca, em uma tentativa de atacar o “PL da misoginia” de maneira provocativa.

Ele afirmou que a lei, por não definir claramente o que é uma mulher, permitiria que qualquer homem se julgasse mulher e, consequentemente, promova discurso de ódio contra as mulheres.

“Eu posso me julgar mulher porque a lei é tão esdrúxula, que ela não define o que é uma mulher, então, eu, enquanto homem, posso contestar as senhoras, eu posso agredir verbalmente as senhoras, porque aos homens […] as mulheres se colocam como vítimas preferenciais […] essa lei não resolve nada […] então, eu, como mulher, agora como Geórgia, posso falar como mulher porque a lei me permite assim”, disse o vereador durante a sessão.

TRANSFOBIA NA CÂMARA DE SP!

O vereador Adrilles Jorge, em mais um episódio de desrespeito, reproduz o mesmo comportamento de Nikolas Ferreira ao usar uma peruca no plenário para ridicularizar pessoas trans.

Poucos dias antes, Fabiana Bolsonaro também protagonizou uma cena… pic.twitter.com/BJmZ6NyIIL

— Duda Salabert (@DudaSalabert) March 25, 2026

Enquanto isso, o PL da Misoginia continua a tramitar na Câmara dos Deputados, onde será discutido por parlamentares e, se aprovado, seguirá para a sanção do presidente Lula. A proposta aprovada no Senado no dia 25 de abril define a misoginia como crime, equiparando-a ao racismo na legislação brasileira.

A medida visa punir comportamentos que manifestem ódio ou aversão às mulheres, fundamentados na crença da supremacia masculina. A nova lei inclui manifestações verbais, como injúrias e discursos de ódio, bem como ofensas que atentem contra a dignidade feminina.

Isso inclui também as agressões no ambiente digital, como em redes sociais e fóruns, onde muitos discursos misóginos têm sido proliferados. O projeto prevê penas de prisão que variam de dois a cinco anos, além de multas, para os envolvidos em práticas misóginas.

Em casos de incitação ou indução à misoginia, as penas podem ser de um a três anos, com a mesma penalidade de multa. A medida é vista como um avanço no combate a atitudes discriminatórias contra as mulheres, especialmente no cenário atual, onde os ataques à dignidade feminina têm aumentado na sociedade, principalmente pela internet.

Embora o projeto tenha sido aprovado por unanimidade no Senado, com 67 votos favoráveis, a reação de políticos de extrema-direita tem sido polarizada. O ato de Adrilles Jorge é apenas um exemplo das tentativas de impedir a implementação da proposta, com alegações de que a lei poderia ser mal interpretada ou abrir brechas para abusos.

O “PL da Misoginia” foi apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) e teve a relatoria de Soraya Thronicke (Podemos-MS), que destacou a importância da medida no enfrentamento de discursos de ódio. A senadora afirmou que a proposta visa combater não apenas agressões físicas, mas também discursos misóginos que têm ganhado força nas redes sociais.

Thronicke defendeu que o projeto é essencial para coibir a propagação de ideias que sustentam a superioridade masculina, especialmente em tempos de crescente radicalização política e social. “O ódio às mulheres não é abstrato: é estruturado, crescente e ceifa vidas todos os dias”, afirmou ao defender o projeto.

Por que a pesquisa Atlas indica repetição de 2022 e qual o desafio a ser vencido

25 de Março de 2026, 17:17
Lula e Flávio Bolsonaro

A nova pesquisa Atlas deve ser lida com a serenidade que o momento político exige — e, sobretudo, com atenção aos seus recortes internos. O dado mais chamativo, a desaprovação de 54% ao presidente, ganha contornos mais claros quando se observa a composição desse número.

Entre os eleitores de Bolsonaro, a rejeição a Lula é praticamente unânime (98,5%), o que pouco acrescenta em termos analíticos: trata-se de um eleitorado já consolidado na oposição. O mesmo padrão, ainda que menos intenso, aparece entre os que votaram em branco (76,5%) e entre os que não votaram (81,8%). Ou seja, a desaprovação cresce justamente nos segmentos menos engajados ou mais voláteis — um sinal mais relevante do que a simples rejeição entre adversários históricos.

Na avaliação do governo, o desenho se repete com pequenas variações. Entre os bolsonaristas, 94,5% classificam a gestão como péssima — novamente, um dado esperado. Já entre brancos (69,6%) e abstencionistas (68%), a crítica permanece alta, indicando que o governo enfrenta dificuldades para conquistar ou reter apoio fora de sua base tradicional.

Quando se passa à intenção de voto para o primeiro turno, o padrão de polarização se mantém. Flávio Bolsonaro herda de forma expressiva o eleitorado do pai (80,7%), mas mostra fragilidade fora desse núcleo: tem desempenho baixo entre votos brancos (13,9%) e recuperação apenas parcial entre os que não votaram (30,2%). É, portanto, um candidato competitivo dentro da bolha bolsonarista, mas ainda limitado na expansão.

O cenário que se desenha, por ora, é de repetição de 2022Lula, como incumbente, carrega a vantagem estrutural da máquina e da visibilidade, mas enfrenta o desgaste acumulado de um ciclo longo do PT no poder — uma espécie de “fadiga de material”. Já o herdeiro político de Bolsonaro tem no sobrenome tanto um ativo quanto um passivo: mobiliza sua base, mas encontra resistência fora dela.

Nesse contexto, a eleição de 2026 tende a ser decidida menos pela conversão de adversários e mais pela capacidade de mobilização. Em teoria, o fator decisivo continua sendo o mesmo desde 2002: ativar o contingente de eleitores que se abstêm, votam em branco ou anulam. Quem conseguir engajar esse grupo pode abrir uma vantagem relevante.

“Cadeia para pobres e impunidade para ricos”, diz Lindbergh sobre domiciliar de Bolsonaro

24 de Março de 2026, 16:16
Jair Bolsonaro e Alexandre de Moraes. Foto: Sergio Lima/AFP

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) se manifestou contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que mandou Jair Bolsonaro para a prisão domiciliar por pelo menos 90 dias. O parlamentar afirma que a prisão do ex-presidente “precisa ser afirmada como resposta grave a quem tentou destruir a democracia”.

Em post no X, Lindbergh apontou que a determinação de Moraes “escancara é o funcionamento seletivo do sistema penal” e que Bolsonaro já tinha atendimento médico permanente na “Papudinha”, mas seus aliados conseguiram pressionar a Corte para mandá-lo para casa.

O petista ainda diz que a decisão do ministro deixa uma mensagem: “Cadeia para os pobres e impunidade para os ricos”.

O deputado federal Lindbergh Farias. Foto: Gabriel Paiva

Leia a manifestação do deputado na íntegra:

Acabou de sair a decisão do ministro Alexandre de Moraes que concedeu, por prazo inicial de 90 dias, a prisão domiciliar a Jair Bolsonaro, após parecer favorável da PGR. A condenação de Bolsonaro e dos militares golpistas marcou a história do país e precisa ser afirmada como resposta grave a quem tentou destruir a democracia. Mas a forma de execução da pena também revela muito sobre a estrutura de poder no Brasil.

O ponto que esse caso escancara é o funcionamento seletivo do sistema penal. Bolsonaro já estava numa unidade com espaço amplo e atendimento médico permanente, e ainda assim se construiu uma pressão política e simbólica por um tratamento mais brando.

Enquanto isso, milhares de presos idosos e doentes seguem amontoados em celas superlotadas, sem assistência adequada, sem comoção pública e sem a mesma velocidade de resposta judicial. A família Bolsonaro sempre defendeu crueldade penal para os de baixo, sempre estimulou a lógica de que preso pobre tem de apodrecer na cadeia e agora faz um verdadeiro carnaval quando a pena alcança um dos seus.

Essa é a justiça de classe em estado puro. No Brasil, a prisão pesa com toda a sua brutalidade sobre pobres, negros e periféricos, mas encontra suavizações, cautelas e excepcionalidades quando chega aos poderosos. E agora, os presos com mais de 70 anos, os doentes e os vulneráveis das penitenciárias brasileiras também terão direito à prisão domiciliar? Porque a mensagem que fica, se nada mudar, é de cadeia para os pobres e impunidade para os ricos.

Por que Moraes vetou visitas a Bolsonaro em prisão domiciliar

24 de Março de 2026, 15:51
Jair Bolsonaro. Foto: Pablo Porciuncula/AFP

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o ex-presidente Jair Bolsonaro não receba visitas durante o período de prisão domiciliar, com o objetivo de evitar o risco de sepse. O magistrado autorizou a transferência de Bolsonaro para sua residência, sob o uso de tornozeleira eletrônica, por 90 dias, a partir da sua alta médica.

A medida visa proporcionar o tratamento adequado para a broncopneumonia que levou o ex-presidente ao hospital. Em sua decisão, Moraes afirmou que a suspensão de todas as visitas durante os 90 dias de recuperação de Bolsonaro é necessária para garantir um ambiente controlado.

“A suspensão de todas as demais visitas pelo prazo de 90 (noventa) dias, correspondente ao período de recuperação do custodiado, para resguardar o ambiente controlado necessário, principalmente para se evitar o risco de sepse e controle de infecções, conforme anteriormente salientado”, escreveu o magistrado.

O ex-presidente Jair Bolsonaro na garagem de sua casa, em Brasília. Foto: Sergio Lima/AFP

A decisão também inclui a proibição de qualquer visita a outros moradores da residência de Bolsonaro, exceto se houver autorização judicial específica para isso. Embora as visitas externas estejam restritas, os filhos de Bolsonaro, Flávio, Carlos e Jair Renan, têm permissão para visitá-lo, mas com as mesmas condições que estavam em vigor quando ele estava na Papudinha, uma ala especial da penitenciária.

As visitas serão permitidas apenas nos seguintes horários: quartas-feiras e sábados, das 8h às 10h, das 11h às 13h e das 14h às 16h.

A decisão foi proferida na terça (24) e segue a recomendação médica sobre a necessidade de cuidados constantes devido ao quadro clínico de Bolsonaro. O ex-presidente está internado devido a uma broncopneumonia.

Nesta segunda (23), a Procuradoria-Geral da República (PGR) deu um parecer favorável à transferência de Bolsonaro para a prisão domiciliar. No documento, Paulo Gonet afirmou: “Está positivada a necessidade da prisão domiciliar, ensejadora dos cuidados indispensáveis ao monitoramento, em tempo integral, do estado de saúde do ex-Presidente, que se acha, comprovadamente, sujeito a súbitas e imprevisíveis alterações perniciosas de um momento para o outro”.

Moraes aceita pedido da defesa e manda Bolsonaro para prisão domiciliar

24 de Março de 2026, 15:05
O ex-presidente Jair Bolsonaro na garagem de sua casa, em Brasília. Foto: Sergio Lima/AFP

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu transferir Jair Bolsonaro para a prisão domiciliar nesta terça (24). O magistrado aceitou pedido da defesa do ex-presidente, que solicitou a mudança por questões de saúde, especialmente durante a recuperação de um quadro grave de broncopneumonia.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou a favor da decisão nesta segunda (23), alegando que o estado de saúde do ex-presidente requer acompanhamento constante, o que seria mais adequado em um ambiente familiar. Com a decisão, ele será transferido para sua casa no Jardim Botânico, em Brasília.

A prisão domiciliar terá duração inicial de 90 dias, durante a recuperação da broncopneumonia, e, após o período, “será reanalisada a presença dos requisitos necessários para a manutenção da prisão domiciliar humanitária, inclusive com perícia médica se houver necessidade”, segundo Moraes.

O magistrado também determinou que Bolsonaro use tornozeleira eletrônica e proibiu o uso de celular ou qualquer meio de comunicação externa “diretamente ou por terceiros”. Também foram canceladas todas as visitas a ele, com exceção de familiares e médicos com autorização permanente.

Moraes ainda autorizou a continuidade de sessões de fisioterapia e eventuais internações imediatas sem necessidade de comunicar a Justiça.

Jair Bolsonaro internado em hospital. Foto: Reprodução

Bolsonaro foi internado no Hospital DF Star em 13 de março ao apresentar dificuldades respiratórias e foi diagnosticado com broncoaspiração. Após ser internado na UTI, o ex-presidente foi transferido para um quarto, e a equipe médica informou que sua condição estava melhorando, embora sem previsão de alta hospitalar.

O ministro aceitou a argumentação da defesa, levando em consideração a saúde debilitada de Bolsonaro e o risco de complicações no ambiente prisional.

Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, ele começou a cumprir pena na Superintendência da Polícia Federal em Brasília e, posteriormente, foi mandado para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, local que fica dentro do Complexo Penitenciário da Papuda e é conhecido como “Papudinha”.

Moraes negou uma série de pedidos de transferência para o regime domiciliar nos últimos meses, argumentando que as informações médicas sobre a saúde do ex-presidente não indicavam a necessidade de cuidados médicos em casa e que as condições da Papudinha atendiam as demandas de saúde.

Bolsonaro melhora, mas segue internado e sem previsão de alta

24 de Março de 2026, 14:02
Jair Bolsonaro internado em hospital. Foto: Reprodução

O ex-presidente Jair Bolsonaro teve uma melhora clínica em seu quadro de saúde, mas segue sem previsão de alta, conforme o boletim médico divulgado nesta terça (24) pelo Hospital DF Star. Ele está sendo tratado por pneumonia bacteriana bilateral, uma complicação decorrente de broncoaspiração.

Bolsonaro recebeu alta da unidade de terapia intensiva (UTI) na segunda (23), mas ainda permanece internado para continuidade do tratamento. “No momento segue com antibioticoterapia endovenosa, suporte clínico e fisioterapia respiratória e motora. Não há previsão de alta hospitalar”, diz o boletim.

Internado desde o dia 13 de março, Bolsonaro foi diagnosticado com pneumonia bacteriana bilateral, condição provocada por broncoaspiração, que ocorre quando conteúdo do estômago ou secreções entram nas vias respiratórias, podendo levar a uma infecção pulmonar.

O ex-presidente foi hospitalizado após apresentar febre, vômitos e queda na saturação de oxigênio. Desde a internação, a evolução do quadro clínico tem sido gradual.

Embora os indicadores médicos mostrem melhora, Bolsonaro segue no hospital por precaução, já que é necessário um monitoramento constante e fisioterapia para evitar complicações respiratórias, comuns em casos como o dele.

O ex-presidente Jair Bolsonaro na garagem da casa onde cumpria prisão domiciliar, em Brasília. Foto: Scarlett Rocha/Estadão Conteúdo

A situação de saúde de Bolsonaro também impactou as discussões jurídicas sobre o cumprimento da sua pena. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já se manifestou favoravelmente à concessão de prisão domiciliar devido à sua condição de saúde. Seus aliados aguardam que, com a melhora do quadro clínico, Bolsonaro possa cumprir sua pena em casa.

A equipe médica do Hospital DF Star estima que o período total de internação de Bolsonaro possa chegar a 14 dias, dependendo da resposta do paciente ao tratamento. A decisão sobre a alta será tomada com base na evolução do estado de saúde e na necessidade de cuidados médicos contínuos.

Flávio contrata ex-editor da Globo demitido por investigação de corrupção

24 de Março de 2026, 13:44
Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: AFP

Tyndaro Menezes, ex-editor da Rede Globo com 30 anos de experiência na emissora, foi contratado pela campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo a Revista Liberta, ele atuará na produção de dossiês contra o presidente Lula e pessoas próximas a ele, prática comum ao bolsonarismo.

Menezes foi demitido da Globo em 2022, após uma investigação revelando sua proximidade com figuras envolvidas em escândalos de corrupção no Rio de Janeiro. O jornalista era ligado a vários contratos com o governo do estado.

Menezes começou sua carreira como office-boy na Globo e subiu na hierarquia, tornando-se editor-executivo do núcleo de jornalismo investigativo. O profissional integrou o núcleo vencedor do prêmio Emmy de 2017.

Ele era próximo de “Rei Arthur”, como era conhecido o então secretário de Administração Fazendária do Rio e o empresário Arthur César de Menezes Soares Filho, que estava envolvido em um esquema de corrupção durante os mandatos dos governadores Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.

Tyndaro Menezes. Foto: Reprodução

Dono do grupo Facility, “Rei Arthur” montou durante os mandatos de Cabral e do sucessor, Luiz Fernando Pezão, uma série de empresas que forneciam mão de obra terceirizada para a administração estadual, faturando até R$ 2 bilhões por ano com contratos públicos entre 2009 e 2015.

O empresário chegou a ser considerado foragido da Polícia Federal em 2017 e esteve envolvido na compra de votos para que o estado fosse escolhido como sede das Olimpíadas de 2016.

Apesar das investigações, Menezes nunca foi formalmente acusado, mas a Globo optou por sua demissão por suas políticas de compliance. Após deixar a emissora, ele passou a trabalhar com gestão de crise e prevenção de escândalos.

VÍDEO – Moro puxa saco de Flávio, ataca Lula e sugere que ele fraudou as eleições

24 de Março de 2026, 13:16
Flávio Bolsonaro e Sergio Moro durante evento de filiação do senador ao PL em Brasília, nesta terça (24). Foto: Reprodução

O senador Sérgio Moro (PL-PR) oficializou sua filiação ao Partido Liberal (PL) nesta terça-feira (24), com o objetivo de concorrer ao governo do Paraná nas eleições de outubro deste ano. O evento ocorreu em Brasília e contou com a presença de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência.

Durante o discurso, Moro atacou o presidente Lula e chegou a sugerir que houve fraude nas eleições de 2022. “Lula foi eleito entre aspas aqui no Brasil e está do lado dos criminosos e minimiza o crime a todo momento”, disse o ex-juiz. Ele ainda tentou tenta culpar o petista pelos escândalos do INSS e do Master.

O parlamentar também prometeu palanque a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Paraná e disse estar “ansioso para ver seu pai [o ex-presidente Jair Bolsonaro] em casa”, em meio a movimentos para conseguir a liberação para prisão domiciliar.

“O Paraná não vai faltar ao seu projeto presidencial. Vamos trabalhar para que vossa excelência tenha vitória, uma grande vitória no nosso estado, que será uma vitória para o nosso país”, completou.

Sérgio Moro filia-se ao Partido Liberal (PL) para concorrer ao governo do Paraná e promete palanque forte a Flávio Bolsonaro:

“Flávio, o Paraná não vai lhe faltar, porque o Paraná não vai faltar ao Brasil. Estou ansioso para ver Jair Bolsonaro em casa, por questão de justiça.” pic.twitter.com/WVNOxSbCly

— Pri (@Pri_usabr1) March 24, 2026

A filiação de Moro ao PL representa um rompimento com o atual governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), que anunciou sua desistência da pré-candidatura à presidência na segunda (23) e optou por concluir seu mandato no estado.

O evento também serviu para anunciar os candidatos ao Senado na chapa de Moro: o deputado Felipe Barros (PL-PR) e o ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo-PR), ambos com forte ligação à Operação Lava Jato. A ideia da chapa é fortalecer a imagem do Paraná como o estado da Lava Jato, onde Moro atuou como juiz e Dallagnol como procurador.

Moro tem uma história de relação conturbada com o PL. Antes de sua filiação, o partido pediu sua cassação por abuso de poder nas eleições, mas o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) o inocentou. A decisão foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apesar do recurso do partido.

Em 2018, Moro aceitou o convite de Bolsonaro para ser ministro da Justiça. Após um 1 e 4meses no cargo, ele deixou o governo devido a um desentendimento com o então presidente, que decidiu trocar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, indicado pelo então ministro.

Embora tenha se afastado de Bolsonaro, Moro ainda o apoiou nas eleições de 2022 contra Lula, vencedor do pleito.

O fim do silêncio de Kassab após Ratinho Jr. desistir da Presidência

24 de Março de 2026, 12:08
Gilberto Kassab e Ratinho Jr. Foto: reprodução

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, se manifestou após o governador do Paraná, Ratinho Júnior, desistir da pré-candidatura à Presidência da República. Em publicação nas redes sociais, Kassab elogiou a trajetória do correligionário e reafirmou que o partido manterá um nome na disputa ao Palácio do Planalto em 2026.

“O Partido Social Democrático reafirma sua admiração pelo governador Ratinho Junior e por sua gestão, considerada a melhor da história do Paraná que, entre outros feitos, transformou a educação do Estado na melhor do Brasil, reduziu os índices de criminalidade aos menores níveis em décadas e fez enormes investimentos em infraestrutura que trarão, por muitos anos, bons frutos ao desenvolvimento paranaense”, escreveu Kassab.

Na mesma publicação, o dirigente destacou que a sigla seguirá buscando uma alternativa eleitoral fora da polarização. “O PSD se mantém firme em sua decisão de apresentar aos brasileiros uma candidatura a presidente da República, que com certeza será a ‘melhor via’, contrapondo-se a essa polarização de propostas radicais que em nada contribuem para o que o Brasil precisa”, afirmou.

Kassab também indicou os possíveis nomes para a disputa. “Eduardo Leite e Ronaldo Caiado são governadores muito bem avaliados, com inúmeras realizações ao longo de suas vidas públicas. Ambos têm apresentado seus projetos para o Brasil, que nortearão o plano de governo do candidato do PSD. A escolha, como afirmado anteriormente, deve ocorrer até o fim deste mês de março”.

pic.twitter.com/6DYa1kTRh2

— Gilberto Kassab (@gilbertokassab) March 23, 2026

A decisão de Ratinho Júnior de deixar a corrida presidencial foi anunciada na segunda-feira (23), após conversa com a família. Nos bastidores, aliados apontam que a resistência familiar teve peso na escolha, especialmente por preocupações com a exposição dos negócios do grupo durante uma campanha nacional.

Outro fator determinante foi a sucessão no Paraná. Sem poder disputar a reeleição, o governador passou a priorizar a definição de um nome para manter seu grupo político no comando do estado a partir de 2027. O cenário ganhou ainda mais pressão com o avanço do senador Sergio Moro nas articulações para disputar o governo estadual.

Em reunião recente, Moro e Flávio Bolsonaro firmaram acordo para uma aliança eleitoral no Paraná em 2026, com apoio do PL ao projeto do ex-juiz. Diante disso, Ratinho optou por permanecer no cargo para acompanhar de perto a sucessão e preservar sua influência política no estado.

VÍDEO: Lula cobra ONU por omissão em conflitos e critica legado ambiental de Bolsonaro

23 de Março de 2026, 07:30
O presidente Lula. Foto: Ricardo Stuckert

O Presidente Lula (PT) criticou tensões geopolíticas e cobrou mais atuação internacional durante discurso na COP-15, conferência da ONU sobre espécies migratórias, realizada neste domingo (22) em Campo Grande (MS). Sem citar diretamente países, ele fez referências ao cenário de conflitos no Oriente Médio e defendeu o fortalecimento do multilateralismo.

“Esta COP-15 ocorre em um momento de grandes tensões geopolíticas. Ações unilaterais, atentados à soberania e execuções sumárias estão se tornando a regra”, disse o presidente. Lula também afirmou que o Conselho de Segurança da ONU “tem sido omisso na busca por soluções de conflitos” e alertou para os riscos globais. “Um mundo sem regras é um mundo inseguro, onde qualquer um pode ser a próxima vítima”, afirmou.

Ao defender maior cooperação internacional, Lula destacou que “no lugar de muros e discursos de ódio”, são necessárias “políticas de acolhimento e de um multilateralismo forte e renovado”. A fala ocorre em meio a debates globais sobre migração e segurança, além do aumento de conflitos internacionais.

No campo interno, o presidente também fez críticas à gestão ambiental do ex-presidente Jair Bolsonaro, associando o período a prejuízos na imagem externa do Brasil. “Até pouco tempo, a imagem internacional do Brasil na área ambiental enfrentava questionamentos profundos, impactando diretamente nossas relações econômicas e comerciais”, afirmou.

Veja a fala de Lula: 

Segundo Lula, o cenário mudou a partir de 2023, com redução do desmatamento na Amazônia pela metade, queda superior a 30% no Cerrado e diminuição de mais de 90% das queimadas no Pantanal. Ele também destacou iniciativas como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, a Coalizão de Mercados de Carbono e a realização da COP-30 no Brasil.

O presidente lembrou ainda a importância histórica da convenção sobre espécies migratórias, criada em 1979, que contribuiu para a preservação de quase 1.200 espécies. “Contribuiu para a recuperação da baleia jubarte, da tartaruga-verde, que estavam prestes a desaparecer”, afirmou.

Durante a conferência, o governo brasileiro anunciou medidas ambientais, incluindo a criação de uma nova unidade de conservação em Minas Gerais, com 41 mil hectares, a ampliação do Parque Nacional do Pantanal em mais 47 mil hectares e a expansão da Estação Ecológica de Taiamã para 68 mil hectares.

Lula também defendeu a aprovação do Acordo de Escazú pelo Senado e afirmou esperar que a COP-15 contribua para a criação de um santuário de baleias no Atlântico Sul e de uma área marinha protegida na Antártica.

Michelle toma protagonismo de Flávio após caso Master e internação de Bolsonaro; entenda

23 de Março de 2026, 06:42
Michelle Bolsonaro e Valdemar da Costa Neto, presidente do PL. Foto: reprodução

O avanço das investigações sobre o Banco Master no Distrito Federal e a nova internação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) provocaram uma mudança no comando do bolsonarismo. Com o desgaste do entorno do governador Ibaneis Rocha (MDB) e a perda do principal eixo de articulação da direita local, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro passou a ocupar espaço central nas decisões políticas, interferindo diretamente na definição de candidaturas para 2026.

O movimento, de acordo com informações do Globo, a colocou em rota de colisão com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que até então conduzia a estratégia nacional do grupo no posto de pré-candidato à Presidência.

A crise foi agravada pelas revelações envolvendo o Banco Master e sua relação com decisões do governo do DF, especialmente no caso do BRB. O cenário piorou após a divulgação de um contrato de R$ 38 milhões firmado pelo escritório de advocacia de Ibaneis com um fundo ligado à Reag, investigada pela Polícia Federal.

Em resposta, o Partido Liberal protocolou pedido de CPI na Câmara Legislativa, rompendo na prática com o governador, que era aliado e articulava candidatura ao Senado.

Sem Ibaneis como referência política, parlamentares passaram a buscar Michelle diretamente, consolidando seu protagonismo. Ela passou a dialogar com pré-candidatos e a influenciar decisões eleitorais, enquanto Flávio mantinha a articulação nacional focada em alianças mais amplas.

No DF, a divergência ficou evidente: Michelle defendeu uma chapa ao Senado com seu nome e o da deputada Bia Kicis, além de apoiar Celina Leão ao governo local. “A Michelle se manifestou publicamente já várias vezes, desde o meu pré-lançamento no dia 11 de novembro, como pelas redes sociais dela várias vezes. Vamos ter agendas em breve, depois da internação do ex-presidente”, afirmou a deputada Bia Kicis (PL-DF).

Já aliados de Flávio passaram a defender o nome do senador Izalci Lucas (PL-DF) como alternativa de centro-direita. A proposta foi rejeitada por aliados de Michelle.

“Até agora nada apareceu diretamente ligado a ela e acho que ela tem chances reais de ser eleita. Izalci é muito preparado, bom parlamentar, mas Celina é a melhor opção. Celina já passou pelo Executivo antes. Celina será nossa governadora”, disse a ex-ministra e senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

O senador Flávio Bolsonaro. Foto: AFP

O protagonismo de Michelle foi reforçado por uma carta de Jair Bolsonaro, na qual ele pediu que aliados parassem de pressioná-la e indicou que ela deveria assumir papel mais ativo. A possibilidade de prisão domiciliar do ex-presidente também é vista como fator que pode ampliar ainda mais sua influência política.

Enquanto Michelle passou a atuar diretamente na articulação política e no entorno pessoal de Bolsonaro, controlando agendas e acesso, Flávio manteve interlocução institucional e chegou a se reunir com o ministro Alexandre de Moraes para tratar da situação do pai. Michelle, por sua vez, acionou aliados como Tarcísio de Freitas para reforçar o pleito.

O conflito também se espalhou para outros estados. No Ceará, Flávio tentou viabilizar aliança com Ciro Gomes (PSDB-CE), enquanto Michelle se posicionou contra o acordo, alinhada a nomes mais conservadores. Em Minas Gerais e São Paulo, divergências sobre alianças e composição de chapas reforçam a disputa interna.

Apesar do cenário de tensão, o discurso público ainda é de unidade. “Quando o presidente Bolsonaro fez a escolha, automaticamente teve outra pessoa que preferia ter outra escolha. Mas como a gente tem um líder, a gente tem que seguir o líder. E daí já está tudo resolvido, 100% dos apoiadores do presidente Bolsonaro estão com o Flávio Bolsonaro”, disse o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB).

VÍDEO: Valdemar revela que Moro barrou sua convocação à CPI do Crime Organizado

22 de Março de 2026, 22:47
O analista político Eduardo Gayer, a jornalista Basília Rodrigues, Valdemar Costa Neto, presidente do PL e a repórter Soane Guerreiro no SBT News. Reprodução

Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, afirmou no programa “Sala de Imprensa”, do SBT News, que o senador Sérgio Moro, recém-filiado ao Partido Liberal, disse ter votado contra sua convocação à CPI do Crime Organizado. Segundo Valdemar, o ex-juiz afirmou: “Eu queria te convocar lá para você falar e tal” e, em seguida, acrescentou: “Não te convocamos, graças ao meu voto. Foi 6 a 5”.

A declaração foi dada após pergunta da repórter Soane Guerreiro sobre eventual articulação com integrantes da comissão. Valdemar relatou que se reuniu com Moro na véspera e disse que o senador o abordou antes do início da reunião para falar sobre o requerimento de convocação. Ao relembrar a conversa, afirmou ter reagido com surpresa: “Que CPI? Do crime organizado? Eu? Mas o quê?”.

No mesmo relato, Valdemar disse que Moro mencionou uma tentativa posterior de nova deliberação sobre o caso. Segundo o dirigente, o senador afirmou: “Ainda bem que o Magno Malta ficou lá, porque depois que eles saíram, acabou a reunião, eles quiseram fazer outra reunião para tentar fazer uma outra convocação ilegal contra mim e o Magno não deixou”

🚨URGENTE – Valdemar conta que Sérgio Moro lhe afirmou que ele só não foi convocado para a CPI do Crime Organizado graças a seu voto de minerva

“Não te convocamos graças ao meu voto. Foi 6×5, viu Valdemar?!”, disse Moro. pic.twitter.com/9nggzOAUiG

— SPACE LIBERDADE  (@NewsLiberdade) March 22, 2026

No mesmo relato, o político disse que Moro ainda afirmou que houve uma tentativa posterior de nova deliberação sobre o caso. Segundo ele, o senador declarou: “Ainda bem que o Magno Malta ficou lá, porque depois que eles saíram, acabou a reunião, eles quiseram fazer outra reunião para tentar fazer uma outra convocação ilegal contra mim e o Magno não deixou”.

Costa Neto também declarou que sua relação com Moro já havia sido atravessada por um processo anterior movido em contexto eleitoral. Segundo ele, um senador do PL pediu a abertura da ação, e o episódio deixou Moro contrariado. Valdemar afirmou ainda que aliados sugeriram a retirada do processo, mas ele recusou.

Lula convoca velha guarda do PT e cobra reação rápida contra Flávio Bolsonaro

22 de Março de 2026, 10:45
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou aliados históricos para reforçar sua campanha à reeleição, pedindo a formação de um “gabinete de pronta-resposta” para enfrentar ataques, especialmente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Durante um encontro no Palácio da Alvorada com figuras da velha-guarda petista, Lula destacou que a disputa será difícil e que o governo enfrenta um cenário de baixa aprovação, com pesquisas apontando apenas 32% a 33% de apoio à sua gestão. O PT busca superar a avaliação negativa e enfrentar a resistência popular, apesar dos avanços econômicos como inflação controlada e a menor taxa de desemprego desde 2012. As informações são do Estadão.

Para coordenar a campanha, Lula e o PT reuniram uma equipe de aliados experientes, incluindo Gilberto Carvalho, Aloizio Mercadante e Wellington Dias. A estratégia é reforçar a comunicação política e aumentar o apoio, focando em temas como a crise no INSS e a crescente influência da direita nas redes sociais. Lula também se mostrou preocupado com o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e, como parte da nova tática, o PT passou a associar o nome do senador diretamente a escândalos como a “rachadinha”, além de destacar os perigos do retorno do bolsonarismo ao poder.

Gilberto Carvalho, ex-ministro e membro da campanha, compartilhou preocupações com os desafios da campanha. “Dificilmente um governo consegue a reeleição sem chegar a, pelo menos, 45% de aprovação”, afirmou, questionando como superar a resistência crescente. O ex-ministro ressaltou que o governo deve se concentrar em apresentar os resultados de suas ações, comparando-as com o governo anterior. Para Carvalho, a crítica social e a desconstrução do adversário político são elementos chave para recuperar a confiança do eleitor.

O presidente Lula e o ministro Guilherme Boulos (Secretaria Geral) conversam em cerimônia no Palácio do Planalto. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Além disso, Lula e seus aliados discutem estratégias de engajamento com diferentes grupos sociais, incluindo os trabalhadores informais, atualmente influenciados pelo bolsonarismo. Para lidar com essa questão, a campanha contará com Guilherme Boulos, que ficará responsável pela relação com esses grupos, e Mônica Valente, que fará a ponte com as campanhas estaduais. A presença de Paulo Okamotto será fundamental para impulsionar a comunicação digital, com projetos como “Pode Espalhar”, focado em ampliar a divulgação das pautas positivas do governo.

Lula também direcionou críticas ao governo Bolsonaro, associando-o ao escândalo do Banco Master. “Esse Banco Master é ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos (Neto)”, protestou, defendendo que o PT não seja culpabilizado pelo caso. As investigações sobre o banco, que causaram um prejuízo de R$ 50 bilhões, continuam a se expandir, atingindo figuras do Centrão e ministros do STF. O ex-presidente também mencionou as dificuldades de governar com a autonomia do Banco Central, com um foco em reforçar a autonomia da política monetária no novo programa de governo.

Por fim, a campanha de Lula visa formar uma rede de influenciadores digitais para engajar mais jovens e setores da sociedade. A proposta de criar o “Clube de Influência do Time Lula” envolve um esforço coordenado para melhorar a comunicação e garantir a difusão de suas ações políticas nas redes sociais. “Vamos atuar com muita disciplina e organização para explicar e dar mais centralidade ao que o governo está fazendo para melhorar a vida do povo”, afirmou Okamotto.

Delação de Vorcaro exige cautela após lições da Lava Jato, diz Estadão

22 de Março de 2026, 10:14
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

Em editorial publicado neste domingo (22), o Estadão afirma que a possível delação de Daniel Vorcaro deve ser tratada com cautela e sobriedade institucional, à luz dos erros cometidos na Lava Jato. Para o jornal, a colaboração do banqueiro do Banco Master não pode ser convertida em espetáculo político ou midiático, nem servir como atalho investigativo sem a devida sustentação por provas independentes:

O sr. Daniel Vorcaro, por meio de seu advogado, formalizou a intenção de firmar um acordo de delação premiada. Na quinta-feira passada, o investigado deu o primeiro passo ao assinar um termo de confidencialidade. Por ordem do ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), no mesmo dia, Vorcaro foi transferido do presídio de segurança máxima de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal, onde terá melhores condições para negociar com as autoridades.

O movimento do banqueiro recoloca no centro do debate público um instrumento jurídico que tem sido mal compreendido e, não raras vezes, mal utilizado no País. Delação premiada não é prova de coisa alguma. Trata-se de um meio de obtenção de prova, entre tantos outros, sujeito a requisitos legais muito bem definidos na Lei 12.850/2013. Entre eles, destacam-se a voluntariedade do investigado ou réu colaborador, a utilidade das informações prestadas, a revelação da estrutura de uma organização criminosa e, principalmente, a imprescindível confirmação de seus termos por elementos probatórios diversos e independentes. Sem esses pressupostos, não há acordo válido, há um discurso interesseiro.

A delação de Vorcaro, portanto, deve ser recebida com um misto de serenidade e ceticismo. A história recente do País é pródiga em lições. Será um erro ignorá-las. Uma vez celebrados os acordos de delação premiada, muitas autoridades arrefeceram o ímpeto investigativo, como se a palavra dos colaboradores bastasse para seus propósitos. No âmbito da Operação Lava Jato, não foram poucas as denúncias oferecidas pelo Ministério Público com base quase exclusivamente em depoimentos de colaboradores. Resultado: condenações, acordos e multas bilionárias anulados poucos anos depois – muitos por decisões monocráticas do ministro Dias Toffoli, ele mesmo alvo potencial da delação de Vorcaro – e a corrosão da credibilidade de um instrumento que deveria fortalecer, e não substituir, uma investigação policial.

Editorial do Estadão sobre delação de Vorcaro. Foto: Reprodução

[…] Não é trivial o potencial de comprometimento da cúpula da República com os negócios do encalacrado banqueiro. Sabe-se, por exemplo, que ao menos dois ministros do STF, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, têm vínculos insofismáveis com o caso Master.

É nesse contexto que a delação de Vorcaro não só será firmada, de resto a etapa mais fácil, como terá de ser homologada pelo próprio STF. Forças muito poderosas atuarão para impedir esse acordo – ou anulá-lo.

Daí a necessidade de cautela diante da perspectiva de uma nova “delação do fim do mundo”. A tentação de transformar as confissões de Vorcaro em espetáculo ou instrumentalizá-las para fins político-eleitorais será enorme. Para os investigadores, pode parecer um atalho para a solução de um caso de altíssima complexidade. […]

A delação de Vorcaro tem de ser tratada com sobriedade institucional. Não é condição indispensável para a responsabilização de culpados nem muleta para investigações tíbias. Ao contrário. Quanto mais ruidoso for o teor do acordo, maior deve ser o escrutínio das autoridades sobre a consistência dos elementos de prova que o sustentam – assumindo-se, claro, que existam. […]

A delação de Vorcaro deve ser apenas o começo, jamais o fim, de um bom trabalho investigativo. Passa da hora de o Brasil amadurecer para a cobertura midiática desses acordos e para cobrar investigações e processos bem instruídos, de modo a produzir decisões judiciais que resistam ao tempo.

“Estranheza”: Flávio Bolsonaro se cala sobre o caso Master há cinco meses

22 de Março de 2026, 09:21
O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — Foto: Edilson Dantas/Agência O Globo

Cinco meses após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central (BC), o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) permanece em silêncio sobre o escândalo que envolveu a falência da instituição financeira e seus desdobramentos. A ausência de declarações de Flávio Bolsonaro sobre o caso é vista com “estranheza” por aliados, especialmente considerando que o escândalo é um dos maiores episódios de fraude financeira no Brasil. Com informações de Lauro Jardim, do Globo.

Enquanto Bolsonaro se cala, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se posicionado publicamente sobre o escândalo, com um discurso contundente. Na última quinta-feira (19), Lula afirmou que “não deixaremos pedra sob pedra para apurar tudo o que fizeram, dando um rombo de R$ 50 bilhões neste país”. A postura de Lula contrasta com a ausência de comentários de Flávio Bolsonaro sobre o caso, especialmente considerando que o escândalo envolve figuras do governo Bolsonaro e do círculo político de Flávio.

Enquanto isso, o Partido dos Trabalhadores (PT) tem intensificado as críticas a Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em uma resolução publicada recentemente, o PT questiona a omissão de Flávio Bolsonaro sobre o escândalo, destacando a negligência do governo Bolsonaro na supervisão do setor financeiro e sua ligação com Daniel Vorcaro, o banqueiro acusado de fraude. “O banco foi fundado e operou livremente durante o governo Bolsonaro, período em que acumulou fortes indícios de gestão fraudulenta”, afirma o PT.

A resolução do partido também acusa o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, de ter permitido o crescimento do esquema de corrupção, sem realizar intervenções necessárias. No entanto, o PT foca suas críticas diretamente em Flávio Bolsonaro, associando-o ao financiamento eleitoral de sua campanha e ao uso de recursos oriundos do Banco Master: “Flávio Bolsonaro representa a continuidade do mesmo projeto autoritário e antipopular que o Brasil derrotou nas urnas”.

Além da publicação oficial, grupos de WhatsApp ligados ao PT têm propagado vídeos e conteúdos que associam Vorcaro a Flávio Bolsonaro. Uma postagem, por exemplo, traz uma montagem que relaciona o nome de Flávio Bolsonaro com os contatos encontrados na agenda de Vorcaro. “A teia do escândalo BolsoMaster só cresce e todos os caminhos levam ao clã Bolsonaro”, diz o texto compartilhado nos grupos.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

Em entrevista, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiram que a estratégia de comunicação do governo foi errada ao evitar um confronto direto com Flávio Bolsonaro. Alguns membros do PT acreditam que, ao focar apenas em pautas positivas e evitar embates com Flávio, o governo perdeu tempo e espaço. “Agora seria, portanto, necessário ajustar a rota”, disseram. Para o PT, a relação entre Flávio Bolsonaro e o escândalo do Banco Master precisa ser destacada como um fator crucial para desmantelar a narrativa da direita.

Em paralelo, o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas presidenciais tem gerado um alerta entre governistas, que veem na omissão da sua relação com o escândalo uma falha na comunicação do governo. O PT busca agora reorganizar sua estratégia e manter a pressão sobre Flávio Bolsonaro, utilizando a associação ao Banco Master como uma ferramenta de desgaste político.

Ari Peixoto, outro ex-Globo, se revolta com PowerPoint ligando Master ao PT: “Preparem-se”

22 de Março de 2026, 08:14
Ari Peixoto nos tempos da Globo

O jornalista Ari Peixoto, que trabalhou na Globo por 34 anos, com passagens por Jornal Nacional e Fantástico e coberturas internacionais, deixou um comentário no post da colega Neide Duarte, que teve a emissora por 42 anos.

Neide criticou a exibição do PowerPoint grotesco pondo o PT no centro do caso Master de “Dia da Vergonha”.

Nas palavras de Ari:

Trabalhei nesta emissora por 34 anos e posso dizer, sem medo de errar, que alguns destes anos foram os melhores para mim, para ela e para o jornalismo…

Mas, aos poucos, tudo isso foi ficando pra trás, os melhores repórteres, repcines, editores e produtores foram saindo (ou foram saídos) e o que era pra ser uma emissora de televisão se tornou uma arma política, quase um partido autônomo, dirigido por gente ressentida pelas derrotas sucessivas para os candidatos da esquerda…

Me lembro bem do selo do túnel de esgoto por onde passava dinheiro, exposto todas as noites no JN. Uma lástima.

Mas preparem-se. Cenas como esta, aliadas à IA, serão muito comuns até outubro. O PowerPoint da Lava Jato vai parecer desenho de criança do jardim de infância.

O PowerPoint da Globo

Lava Jato 2.0

Na tarde de sexta-feira (20), a GloboNews exibiu um PowerPoint “explicativo” sobre o escândalo do Banco Master que causa espanto pela distorção dos fatos.

O diagrama canhestro, que tinha como figura central o banqueiro Daniel Vorcaro, tentou ligar o caso a figuras da esquerda e do governo, como Jaques Wagner, Guido Mantega e o “PT da Bahia”, ignorando completamente os nomes de figuras-chaves que têm conexões diretas com o escândalo, como Jair Bolsonaro (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ibaneis Rocha (MDB), Roberto Campos Neto, Rueda e outros nomes do centrão.

O PowerPoint da GloboNews omitiu o PL, o maior envolvido no escândalo, e deixou de mencionar figuras como Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e outros aliados do governo que receberam recursos de Fabiano Zettel, operador financeiro de Vorcaro.

Já o nome de Ciro Nogueira (PP-PI), um dos senadores mais próximos de Vorcaro, foi colocado na apresentação de maneira discreta, sem mencionar seu partido e sua conhecida ligação com o banqueiro. Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central, foi incluído como “próximo” de Vorcaro, enquanto Roberto Campos Neto, seu antecessor e aliado de Bolsonaro, foi completamente ignorado.

O PowerPoint verdadeiro deveria ter incluído a própria Globo e seu envolvimento no escândalo. Daniel Vorcaro, que patrocinou um evento da Globo em Nova York e foi o principal orador, chamou figuras do grupo de “amigos”, incluindo o organizador Fred Kachar.

Pimenta critica Globo por manipular PowerPoint sobre Banco Master: “Criminoso”

22 de Março de 2026, 08:11
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) falando e gesticulando sem olhar para a câmera, sério
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) – Reprodução/Instagram

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) denunciou a tentativa de manipulação de informações pela GloboNews após a emissora exibir um PowerPoint sobre o escândalo do Banco Master, em 20 de março. O quadro, que teve como figura central o banqueiro Daniel Vorcaro, foi criticado por Pimenta por omitir figuras-chave do caso, como Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Roberto Campos Neto e Ibaneis Rocha, enquanto tentava ligar o escândalo à esquerda e ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. “É muito grave o que a Rede Globo fez, o novo PowerPoint”, declarou o deputado.

Nas redes sociais, Pimenta questionou a ausência de personagens importantes na narrativa da GloboNews, como Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Segundo ele, a apresentação ignorou a relação de pessoas e instituições com o escândalo, especialmente a ligação de figuras da direita com o Banco Master. “Não aparece o Bolsonaro, não aparece o Campos Neto, presidente do Banco Central, figura chave do esquema do Bolsomaster”, destacou.

O deputado também fez referência à omissão de outros nomes envolvidos no caso, como Ciro Nogueira (PP-PI), que foi mencionado de forma distorcida, e a falta de transparência sobre a relação entre a Globo e Daniel Vorcaro, que patrocinou eventos da emissora. “Não dá destaque pro fato de que o avião do Vorcaro foi utilizado para que o Nikolas Ferreira percorresse o Brasil fazendo campanha pro Bolsonaro no segundo turno”, apontou, acusando a Globo de proteger seus próprios interesses e aliados políticos.

Globo e o PowerPoint das omissões
O Powerpoint da Globo: a palhaçada da Lava Jato 2.0 está completa

A denúncia de Paulo Pimenta evidencia a manipulação de informações pela mídia, com a tentativa de desviar a atenção das verdadeiras conexões do Banco Master com figuras do governo anterior. O caso coloca em discussão a prática da mídia corporativa de distorcer narrativas para proteger suas conexões políticas e financeiras. “Nós queremos que a verdade apareça, porque na medida que a verdade aparecer vai ficar claro que esse filho não é nosso, que o Bolsomaster não é nosso filho, pelo contrário, ele é filho legítimo do Bolsonaro”, afirmou Pimenta.

O escândalo do Banco Master e sua relação com o financiamento de campanhas eleitorais também foi abordado, com o deputado apontando que as campanhas mais financiadas nas últimas eleições foram as de Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. A apresentação da GloboNews foi vista como uma tentativa de ocultar as responsabilidades de figuras da direita no esquema criminoso.

Com o avanço das investigações e a pressão por transparência, Pimenta reforçou a importância de esclarecer os fatos e responsabilizar os verdadeiros envolvidos no caso. “A verdade vai prevalecer”, concluiu, indicando que o movimento para desmascarar a manipulação midiática segue em frente.

Assessor de deputado bolsonarista está entre os quatro presos com R$ 2,7 milhões

21 de Março de 2026, 23:42
O dinheiro apreendido pela PF. Foto: Divulgação

O assessor do deputado federal bolsonarista Vinicius Carvalho (PL-SP) está entre os quatro presos em flagrante na ação da Polícia Federal que apreendeu R$ 2,7 milhões em dinheiro vivo no Recife. A informação sobre a presença do integrante do gabinete no grupo foi publicada neste sábado (21). Com informações do Metrópoles.

A operação ocorreu na sexta-feira (20), após a retirada de R$ 2.733.000,00 em espécie em uma agência bancária localizada no centro da capital pernambucana. Segundo a Polícia Federal, um dos suspeitos sacou o valor e faria a entrega aos outros três envolvidos.

Segundo informações, o assessor atuava como segurança do grupo no momento da abordagem. Os outros três investigados haviam chegado ao Recife pouco antes da ação em um jato particular, fato que entrou no radar dos policiais durante a operação. Os quatro presos foram levados à sede da Polícia Federal, onde acabaram autuados em flagrante por lavagem de capitais.

A Polícia Federal não divulgou os nomes dos quatro presos nem detalhou a relação entre eles. A corporação também afirmou que a investigação continua para apurar a origem dos recursos e eventuais outros crimes ligados ao caso.

Quem é o deputado federal Vinicius Rapozo de Carvalho

O deputado federal bolsonarista Vinicius Carvalho (PL-SP). Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O bolsonarista é deputado federal por São Paulo. Nascido no Rio de Janeiro, ele tem perfil oficial na Câmara com as profissões de advogado, jornalista, administrador e comunicador, além de escolaridade de mestrado. No dia 16 de março, Vinicius Carvalho deixou o Republicanos e se filiou ao PL, em movimento que reuniu deputados federais e estaduais da ala evangélica e do bolsonarismo.

O deputado foi relator da proposta de mudanças no sistema de proteção social das Forças Armadas, em 2019. Ele previa reajustes acima de 40% para alguns militares, ponto que gerou repercussão política na época. Em outro momento da tramitação, também foi noticiado que o relator amenizou regras de transição para aposentadoria de PMs e bombeiros.

Em 2024 o bolsonarista apareceu como o parlamentar que mais gastou com viagens naquele ano até o início de agosto. Vinicius Carvalho somava R$ 67.502,90 em despesas, incluindo deslocamentos internacionais.

Lula critica uso da força por nações ricas para invadir outros países

21 de Março de 2026, 23:02
O presidente Lula. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Por Luciano Nascimento, na Agência Brasil

Em discurso neste sábado (21), durante a 10ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e do I Fórum Celac-África, em Bogotá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as crescentes intimidações à soberania da América Latina e do Caribe e a retomada da política colonialista por parte dos Estados Unidos (EUA). “Não é possível alguém achar que é dono dos outros países. O que estão fazendo com Cuba agora? O que fizeram com a Venezuela? Isso é democrático?

Ele questionou ainda em que parágrafo e em que artigo da Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) está dito que o presidente de um país pode invadir o outro? “Em que documento do mundo está dito isso? Nem da Bíblia. Não existe nada que permita que isso aconteça. É a utilização da força e do poder para nos colonizar outra vez?”.

O presidente citou como exemplo o caso da Bolívia, que sofre com a pressão dos Estados Unidos para a venda dos minerais críticos, como o lítio, utilizados na confecção de baterias elétricas, essenciais à transição para uma matriz energética baseada em fontes renováveis.

Lula citou o passado de países da América Latina, do Caribe e da África, vítimas do regime colonial que saqueou suas riquezas. “Aqui, neste plenário, todo mundo tem experiência de que o seu país já foi saqueado em tudo que é ouro que tinha, tudo que é prata, que é diamante, tudo que é minério”, disse.

“Ou seja, já levaram quase tudo da Bolívia. Agora que a Bolívia tem minerais críticos, é a chance da Bolívia, da África, da América Latina não aceitar ser apenas exportador de minerais para eles”, acrescentou.

O presidente disse ainda que esses materiais devem ser utilizados para promover o desenvolvimento tecnológico dos países africanos e latinoamericanos, para “dar um salto de qualidade na produção de combustíveis alternativos”.

“Quem quiser que venha se instalar e produzir no país, para que a gente tenha a chance de desenvolvê-lo, nós já fomos colonizados, fizemos luta pela independência, conquistamos democracia, perdemos democracia, agora estão querendo nos colonizar outra vez”, defendeu.

Para ele, é preciso gritar alto e bom som para não permitir que isso aconteça em outros países, o que já aconteceu em Gaza recentemente, por exemplo.

O presidente voltou a criticar a falta de atuação do Conselho de Segurança da ONU para impedir a proliferação de conflitos ao redor do mundo. Ele citou os ataques dos EUA e de Israel ao Irã, o genocídio na Faixa de Gaza, os conflito na Líbia e as guerras no Iraque e na Ucrânia.

“O que estamos assistindo no mundo é a falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas. O Conselho de Segurança da ONU e os seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz. E são eles que estão fazendo as guerras”, afirmou.

Ele defendeu uma tomada de atitude para não permitir que os países mais poderosos se achem donos dos países mais frágeis. “Quando é que a ONU vai convocar uma reunião extraordinária para que a gente decida qual é o papel dos membros do Conselho de Segurança? Por que não se renova? Por que não se colocam mais países representando o Conselho de Segurança da ONU?, perguntou.

Lula também criticou o investimento cada vez maior em armamentos, em contraste com os recursos destinados ao combate à fome.

“É importante que a gente não perca de vista que, enquanto se gastou no ano passado US$ 2,7 trilhões em armas e guerras, nós ainda temos 630 milhões de pessoas passando fome. Ainda temos milhões de seres humanos sem energia elétrica. E ainda temos milhões de seres humanos sem acesso à educação e outros milhões e milhões de mulheres e crianças que são resultado dessas guerras fratricidas e que ficam abandonados sem documento, sem residência, sem ter sequer uma pátria onde morar”, lamentou.

Além de Lula, participam da cúpula da Celac o presidente colombiano, Gustavo Petro, o uruguaio Yamandú Orsi e o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves. Vinte chanceleres também marcam presença.

Presidente Gustavo Petro no fórum CELAC-África. Foto: Divulgação

Ao falar da cooperação entre os países africanos, da América Latina e do Caribe, o presidente disse que o multilateralismo traz oportunidades de cooperação, investimento e comércio.

“Ainda somos penalizados por uma ordem desigual, estabelecida, enquanto o colonialismo e o apartheid prevaleciam em muitas partes do mundo. Não faz sentido que a América Latina e a África não tenham representação adequada no Conselho de Segurança da ONU”, afirmou. “Precisamos manter o Atlântico Sul livre de disputas geopolíticas alheias”.

Juntos, os 55 países da União africana e os 33 países da Celac reúnem cerca de 2,2 bilhões de pessoas. Lula destacou que os países devem incrementar os esforços no combate à fome, enfrentamento às mudanças do clima, na preservação do meio ambiente, transição energética, inteligência artificial, entre outros e que essa é a guerra a ser vencida.

“Essa é a guerra que temos que fazer para acabar com a fome na África, na América Latina, acabar com o analfabetismo, acabar com a falta de energia elétrica”, afirmou.

Trump ameaça “atingir e obliterar” usinas do Irã se Estreito de Ormuz não for reaberto em 48 horas

21 de Março de 2026, 22:21
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Divulgação/Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou neste sábado (21) “atingir e obliterar” usinas de energia do Irã caso Teerã não reabra o Estreito de Ormuz dentro de 48 horas.

“Se o Irã não ABRIR COMPLETAMENTE, SEM AMEAÇAS, o Estreito de Ormuz dentro de 48 HORAS a partir deste exato momento, os Estados Unidos da América irão atingir e obliterar suas várias USINAS DE ENERGIA, COMEÇANDO PELA MAIOR!”, escreveu Trump em sua rede Truth Social.

A declaração representa uma escalada no tom adotado pelo presidente, que anteriormente já havia sugerido a possibilidade de atacar a infraestrutura iraniana, embora com ressalvas sobre o impacto na reconstrução do país.

Ao mesmo tempo, reconhece implicitamente que o fechamento do estreito — uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo — dá ao Irã um poder significativo de pressão.

A nova fala ocorre um dia após Trump afirmar que os Estados Unidos consideravam “reduzir gradualmente” suas operações militares no Oriente Médio. Questionado sobre um plano para restabelecer o tráfego no Estreito de Ormuz, ele respondeu que, “em certo momento, ele se abrirá por conta própria”.

Também acontece após Trump dizer, na quinta-feira, que pediu ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que suspendesse ataques contra instalações iranianas de petróleo e gás.

Apesar disso, a alta nos preços da gasolina dentro dos EUA tem pressionado o governo, que tenta evitar um fechamento prolongado da via marítima. Nos bastidores, autoridades americanas reconhecem que reabrir o estreito é um desafio sem solução clara.

Trump afirmou ainda que o Irã deseja negociar, mas disse não ter interesse em um acordo, alegando que seus objetivos já teriam sido alcançados “semanas antes do previsto” e que os EUA teriam “varrido o Irã do mapa”.

“A liderança deles acabou, sua Marinha e sua Força Aérea estão destruídas, eles não têm defesa alguma — e querem fazer um acordo. Eu não!”, declarou.

“Você não faz cessar-fogo quando está literalmente obliterando o outro lado. Eles não têm Marinha, não têm Força Aérea, não têm equipamentos, radares ou defesa antiaérea. E seus líderes foram eliminados em todos os níveis. Não estamos procurando isso”, completou.

Agora — de Donald Trump, sobre a guerra contra o regime islâmico no Irã: “… eu não quero fazer um cessar-fogo. Sabe, você não faz um cessar-fogo quando está literalmente obliterando o outro lado.” pic.twitter.com/o21usH5CoU

— No Front Militar (@noFrontMilitar) March 20, 2026

“Dízimo indo pro céu”: Valadão posta VÍDEO em helicóptero e é criticado na web

21 de Março de 2026, 21:29
O pastor André Valadão, líder da Igreja Batista da Lagoinha, no helicóptero. Foto: Divulgação

O pastor André Valadão, líder da Igreja Batista da Lagoinha, publicou neste sábado (21) um vídeo em um helicóptero com a frase “Olha seus dízimos e ofertas indo pro céu”. Segundo o próprio pastor, o sobrevoo teve como objetivo levar pedidos de fiéis “mais perto” de Deus. As imagens geraram revolta e uma onda de críticas nas redes sociais.

A postagem de André Valadão repercutiu em meio às investigações sobre sua relação com o Banco Master e com estruturas ligadas à Igreja Batista da Lagoinha. O pastor teve o nome citado após a revelação de uma transferência de cerca de R$ 3,9 milhões do banco para uma empresa ligada ao seu grupo religioso, operação apontada em relatório do Coaf como movimentação atípica e alvo de pedido de investigação na Polícia Federal.

O deputado Rogério Correia (PT-MG) levou à Polícia Federal uma notícia de fato pedindo investigação sobre essa transferência para a empresa Amando Vidas Produtora e Gravadora Ltda., ligada ao grupo religioso de Valadão. Segundo o parlamentar, o objetivo é apurar a origem, a finalidade e a legalidade da operação.

🚨 VEJA l Pastor André Valadão usa helicóptero para levar pedidos de fiéis 'mais perto' de Deuspic.twitter.com/ppZDcYHoyt

— Notícias Paralelas (@NP__Oficial) March 21, 2026

No X, o vídeo foi alvo de ataques. “Enquanto isso fiéis esperando ônibus na chuva e frio”, escreveu um usuário. “A pessoa tem que ser muito ingênua pra seguir esses caras mano. Como que pode?! Enquanto fiéis se fodem num CLT da vida o cara ta voando por aí”, afirmou outro. “Vendo uma cena dessas pode-se afirmar com todas as letras que o bolsonarismo destruiu completamente o evangelismo”. Veja a repercussão:

O nome do pastor também aparece nas investigações sobre o Clava Forte Bank, fintech criada em março de 2024 para operar com recebimento de dízimos no universo da Lagoinha. A estrutura é citada nas apurações sobre a fraude no INSS, caso que também atingiu a unidade Belvedere da igreja em Belo Horizonte, que encerrou as atividades no domingo (15).

Valadão ainda apareceu em registros da campanha de 2022 ao lado de Nikolas Ferreira em aeronave associada a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em uma postagem daquele período, o pastor escreveu: “Chegando em Brasília. Trabalhando, sonhando e já vendo a maior virada política da história. VAMOOO. Brasil nunca será vermelho”.

Chegando em Brasília. Trabalhando, sonhando e já vendo a maior virada política da história. VAMOOO. Brasil nunca será vermelho. @nikolas_dm pic.twitter.com/2mVjBzyPeL

— Andre Valadao (@andrevaladao) October 10, 2022

Governo Trump suspende sanções contra petróleo iraniano por 30 dias para tentar conter preços

21 de Março de 2026, 20:03
Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: reprodução

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira (20) uma isenção de sanções por 30 dias para a compra de petróleo do Irã no mar. A medida, divulgada pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, busca aliviar a pressão no fornecimento global de energia em meio à guerra envolvendo EUA, Israel e Irã.

Segundo o Departamento do Tesouro, a licença permite a comercialização de petróleo bruto iraniano e derivados embarcados entre 20 de março e 19 de abril. Esta é a terceira flexibilização de sanções em cerca de duas semanas, após medidas semelhantes envolvendo também o petróleo russo.

Barris de petróleo para exportação. Foto: reprodução

De acordo com Bessent, a liberação deve colocar cerca de 140 milhões de barris no mercado internacional, ampliando a oferta e reduzindo pressões nos preços. “Ao desbloquear temporariamente esse suprimento existente para o mundo, os Estados Unidos […] ajudam a aliviar as pressões temporárias sobre o suprimento”, afirmou.

O secretário destacou ainda o caráter estratégico da decisão. “Em essência, estaremos usando os barris iranianos contra Teerã para manter o preço baixo enquanto continuamos a operação Fúria Épica”, disse.

Filho de Nunes Marques, com 1 ano de OAB, afirma ter mais de 500 clientes e usa escritório da tia

21 de Março de 2026, 18:24
O ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF)

Kevin de Carvalho Marques, advogado de 25 anos e filho do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem gerado polêmica após divulgar em seu site que, em seu primeiro ano de advocacia, atendeu mais de 500 clientes e “resolveu” cerca de mil processos. A informação foi rapidamente retirada do ar pela assessoria de Marques, que alegou que o site estava em sua versão preliminar e que a página foi publicada por engano. No entanto, as informações sobre os números de clientes e processos continuam a gerar controvérsia, levantando dúvidas sobre a veracidade dos dados apresentados.

Em uma nota oficial, a assessoria de Kevin Marques não fez comentários específicos sobre o volume de clientes ou sobre o impacto que esses números tiveram na credibilidade do advogado. Embora tenha se tornado um nome conhecido no campo do Direito Tributário, a rapidez com que esses números surgiram no mercado e a falta de explicações claras em relação a sua trajetória geraram questionamentos entre colegas de profissão e no meio político.

A situação de Kevin se complicou ainda mais quando o jornal Estadão revelou que a Consult Inteligência Tributária, uma das empresas de consultoria para as quais Kevin prestou serviços, pagou R$ 281,6 mil a ele entre 2024 e 2025. Esses pagamentos foram monitorados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentações atípicas, principalmente por parte do Banco Master e da JBS, empresas com as quais a Consult também manteve relações comerciais.

A presença do nome de Kevin em meio a transações financeiras envolvendo empresas de grande porte como o Banco Master e a JBS levantou suspeitas de que o advogado possa ter vínculos diretos com essas corporações, algo que ele negou veementemente. Em uma declaração, a assessoria de Kevin afirmou que ele jamais recebeu qualquer pagamento direto do Master ou da JBS e que as relações financeiras foram limitadas ao trabalho da Consult, que atende diversos clientes.

Imóvel que abriga o escritório de Kevin e Karine Marques, filho e irmã do ministro Kassio Nunes Marques. Foto: Reprodução/Google Maps

A situação se torna mais delicada, já que no período em que esses pagamentos ocorreram, o pai de Kevin, Nunes Marques, estava envolvido em um dos casos jurídicos mais disputados do país, a batalha entre a J&F, controladora da JBS, e a Paper Excellence, uma empresa indonésia, pela compra da Eldorado Celulose. O caso gerou uma série de disputas legais, com o STF, e o próprio Nunes Marques, sendo uma das figuras centrais na resolução do conflito.

Embora o escritório de Kevin tenha sido oficialmente aberto apenas em agosto de 2024, logo após sua aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ele já havia sido vinculado a um número significativo de processos e clientes. Em janeiro de 2025, Kevin se tornou um dos advogados da Refit, a antiga Refinaria Manguinhos, lidando com vários casos no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), onde a relação entre o pai e o tribunal foi rapidamente lembrada.

O escritório de Kevin, localizado no Lago Sul, um dos bairros mais nobres de Brasília, também serve como local de trabalho para sua irmã, Karine Nunes Marques, que mantém seu próprio escritório de advocacia. A localização compartilhada e a proximidade com seu pai geram ainda mais especulações sobre as possíveis conexões entre o trabalho de Kevin e as atividades no STF. A prática de compartilhar um escritório com parentes é comum, mas o fato de os dois estarem no mesmo endereço, com conexões familiares tão evidentes, tem gerado críticas.

A assessoria de Kevin afirmou que a situação é uma tentativa de criminalizar a profissão de advocacia e de atacar o trabalho do ministro Nunes Marques. Segundo a nota, ele nunca defendeu nenhum caso no STF ou no TSE, e qualquer especulação em relação a sua carreira é infundada. No entanto, as polêmicas envolvendo movimentações financeiras e a revelação de clientes e processos seguem sendo um ponto delicado em sua ascensão profissional.

Vorcaro e o rito da delação premiada: saiba o que vem a seguir

21 de Março de 2026, 07:37
Daniel Vorcaro em entrada na prisão. Foto: reprodução

A delação premiada, regulamentada pela Lei das Organizações Criminosas em 2013, é um instrumento legal utilizado para avançar investigações criminais no Brasil. Seu objetivo principal é a cooperação do delator com as autoridades, revelando a estrutura das organizações criminosas e ajudando a identificar os envolvidos nos crimes. Com informações do Globo.

A colaboração é feita de forma voluntária, com a assistência de um advogado, e o delator pode obter benefícios como redução de pena ou cumprimento de prisão domiciliar, dependendo da eficácia de suas informações. As informações são do Jornal Nacional.

A etapa inicial da delação é marcada pela assinatura de um termo de confidencialidade, como ocorreu com o banqueiro Daniel Vorcaro. Este termo impõe sigilo sobre o conteúdo da delação, garantindo que as informações não sejam usadas contra o delator, caso o acordo não seja formalizado. O colaborador deve manter reserva absoluta e não se comunicar publicamente, conforme esclarece o professor Gustavo Sampaio: “Se o colaborador aceita esse termo, ele deve, portanto, manter reserva absoluta de todas as informações.”

Após a assinatura, o colaborador faz os primeiros depoimentos, fornecendo informações às autoridades para que novas provas possam ser obtidas. De acordo com a professora Luísa Ferreira, a delação é um “negócio jurídico”, que exige negociação entre as partes, e uma vez aceita, o delator começa a revelar o que sabe.

Daniel Vorcaro chegando na Superintendência da Polícia Federal. Foto: Vinicius Schmidt/Metrópoles

Essas informações são fundamentais para a continuidade das investigações e para a produção de provas adicionais, conforme enfatiza o professor Gustavo Sampaio: “O colaborador poderá dar boas indicações ao aparato de investigação que, a partir dessas indicações, poderá chegar à produção de novas provas.”

Os acordos de delação premiada são conduzidos exclusivamente pelo Ministério Público ou pela Polícia Federal, que são responsáveis por interrogar o delator e coletar documentos para complementar as investigações. O juiz é quem decide se a delação será homologada e qual o tamanho do benefício a ser concedido ao colaborador, levando em consideração a relevância das informações prestadas.

A delação premiada não é uma simples confissão, mas uma ferramenta crucial para a obtenção de provas. A professora Luísa Ferreira alerta que a delação “não pode ser utilizada nem para prender uma pessoa, nem para o oferecimento de denúncia”, sendo essencial que as autoridades tratem essas informações com cautela. Apenas com a homologação judicial e a produção de novas provas é que o acordo poderá gerar efeitos concretos.

Silvio Almeida é denunciado pela PGR por importunação sexual contra Anielle Franco

21 de Março de 2026, 07:24
Silvio Almeida, ex-ministro dos Direitos Humanos. Foto: reprodução

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, ao Supremo Tribunal Federal (STF) sob acusação de importunação sexual contra a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. A denúncia foi apresentada em 4 de março e é assinada pelo procurador-geral Paulo Gonet. O caso tramita sob sigilo e está sob relatoria do ministro André Mendonça.

Na peça enviada à Corte, a PGR afirma que há elementos que corroboram o relato da ministra. Entre os depoimentos citados está o do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que participou de uma reunião em maio de 2023 na sede do Ministério da Igualdade Racial. Segundo o documento obtido pela Folha, o relato dele está em consonância com o que foi descrito por Anielle.

De acordo com a denúncia, Andrei afirmou ter percebido a ministra abalada após o encontro, chegando a ouvir comentários como “não aguentar mais”.

Embora não tenha citado diretamente o nome de Silvio Almeida naquele momento, Anielle teria deixado a reunião visivelmente desconfortável. A corregedora-geral da Polícia Federal, Aletea Vega Marona Kunde, também esteve presente e prestou depoimento semelhante, além de relatos de amigas com quem a ministra conversou à época.

O indiciamento de Almeida pela Polícia Federal ocorreu em novembro do ano passado e incluiu suspeitas envolvendo Anielle Franco e a professora Isabel Rodrigues. No entanto, a denúncia da PGR trata apenas do caso envolvendo a ministra, já que o outro episódio foi encaminhado à primeira instância por ter ocorrido antes de Almeida assumir o cargo.

Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Segundo a investigação, há ainda situações em que a prescrição foi reconhecida, impedindo eventual punição devido ao tempo decorrido desde os fatos. Somadas, as penas podem chegar a dez anos de prisão, caso haja condenação.

Em depoimento à Polícia Federal, Anielle relatou que as “abordagens inadequadas” evoluíram para episódios de contato físico. Em entrevista, afirmou que houve “atitudes inconvenientes”, incluindo toques e convites impertinentes, mas que evitou denunciar inicialmente por receio de descrédito e julgamentos.

A defesa de Silvio Almeida sustenta que as acusações não têm materialidade e são baseadas em ilações. O ex-ministro nega as acusações. “Dou aula há 20 anos. Tive, aproximadamente, 40 mil alunos. Metade disso são mulheres. Em todas as universidades que passei, isso está dito de maneira oficial, nunca tive nenhum tipo de acusação.” Ele também afirmou: “Não fiz isso. Não sei por que as pessoas mentem. E quem mente tem responsabilidade.”

Em outro momento, declarou que Anielle teria “se perdido no personagem” e negou qualquer conduta inadequada durante reuniões. Após as denúncias, publicou mensagem nas redes sociais: “Estou vivo, continuo indignado e não quero compaixão nem ‘segunda chance’. Eu quero justiça.”

O caso levou à demissão de Silvio Almeida do governo Lula em setembro de 2024. Na ocasião, o presidente considerou “insustentável” a permanência do ministro diante da gravidade das acusações. Atualmente, o Ministério dos Direitos Humanos é comandado por Macaé Evaristo.

Lula se reúne com mãe de vítima de feminicídio arrastada na Marginal Tietê

21 de Março de 2026, 06:39
Lula com Lúcia Aparecida, mãe de Tainara Souza Santos. Imagem: reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu, na última quinta-feira (19), em São Paulo, com Lúcia Aparecida, mãe de Tainara Souza Santos, de 31 anos, vítima de feminicídio na capital paulista. O encontro ocorreu durante a 17ª Caravana Federativa, no Expo Center Norte, e contou com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes.

Tainara foi atropelada e arrastada por mais de 1 km pelo ex-companheiro, Douglas Alves da Silva, de 26 anos, em 29 de novembro. Ela ficou internada por quase um mês no Hospital das Clínicas, chegou a ter as duas pernas amputadas e morreu em decorrência de falência múltipla dos órgãos. O suspeito foi preso dias após o crime.

Douglas Alves da Silva, o suspeito de ter arrastado Tainara na Marginal Tietê.

A reunião aconteceu após discurso de Lula sobre o combate à violência contra a mulher, no qual o presidente fez um apelo por mudanças culturais e maior mobilização da sociedade contra o feminicídio. O caso gerou comoção e mobilizou atos públicos na capital paulista.

Em homenagem à vítima, foi inaugurado um mural de mais de 140 metros no Parque Novo Mundo, local onde o crime ocorreu. A obra foi feita por mais de 35 grafiteiras e reuniu movimentos sociais, moradores e autoridades, incluindo as ministras Marina Silva e Sonia Guajajara.

Durante o ato, a mãe de Tainara relatou a violência sofrida pela filha: “Foi atropelada, arrastada, presa embaixo de um carro, parecendo um saco de lixo”. Autoridades reforçaram a necessidade de combater o feminicídio, destacando que cerca de 1.500 mulheres são assassinadas por ano no Brasil.

Lula quer recomprar refinaria privatizada por Bolsonaro e libera R$ 9 bi à Petrobras

20 de Março de 2026, 23:15
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita às instalações da Regap, no Distrito Industrial Paulo Camilo Sul. Betim
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita às instalações da Regap, no Distrito Industrial Paulo Camilo Sul. Betim – Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (20), em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, que o governo federal pretende recomprar a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, privatizada em 2021 durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). A declaração foi feita durante agenda na Refinaria Gabriel Passos (Regap), onde também foi anunciado um pacote de R$ 9 bilhões em investimentos da Petrobras.

Durante o evento, Lula disse que a gestão federal pretende retomar o controle da unidade baiana, vendida por US$ 1,65 bilhão. “Nós fazemos as coisas que precisam ser feitas. Eles venderam a refinaria da Bahia, nós vamos comprar a refinaria da Bahia, pode demorar um pouco, mas nós vamos comprar”, declarou o presidente. Segundo ele, a medida integra a estratégia de ampliar a capacidade de refino no país e reduzir a dependência de derivados importados.

A RLAM é uma das principais unidades do sistema de refino nacional e atende parcela relevante do mercado do Nordeste. No mesmo discurso, Lula também afirmou que o governo pretende ampliar as pesquisas em reservas de petróleo. Ao comentar a política energética da gestão anterior, disse que o atual governo seguirá investindo em produção interna e em medidas consideradas estratégicas para o abastecimento nacional.

Diesel R. Um combustível com conteúdo renovável, como o óleo de soja, que está sendo produzido na refinaria da Petrobras em Betim (MG). Além de reduzir o impacto ambiental, ele beneficia cooperativas de catadores, gerando emprego e renda para as famílias que trabalham com a… pic.twitter.com/C07DNTLx2V

— Lula (@LulaOficial) March 20, 2026

Lula ainda anunciou que a Petrobras deverá criar uma política de estoques de combustíveis, ao lado da presidente da estatal, Magda Chambriard. A proposta, segundo ele, tem como objetivo permitir resposta em momentos de crise e de pressão internacional sobre os preços. O presidente afirmou que a medida exige tempo e tem custo elevado, mas será tratada como ponto estratégico para o país.

Ao defender a formação de estoques, Lula relacionou a iniciativa ao cenário internacional e às oscilações do mercado de energia. “Isso não é rápido, leva tempo. Mas é estratégico que a Petrobras e o governo precisam pensar, para não ser vítima do que está acontecendo hoje”, afirmou. Em seguida, acrescentou que o Brasil precisa ter instrumentos para reagir a movimentos especulativos e conter impactos no preço dos combustíveis.

Em novo ataque, Ratinho chama Erika Hilton de “mal criada” e diz não temer processo

20 de Março de 2026, 22:48
Erika Hilton quer processar Ratinho por transfobia — Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados e Reprodução/YouTube

O apresentador Ratinho voltou a criticar, nesta sexta-feira (20), a ação movida pela deputada Erika Hilton (Psol-SP) após declarações feitas no SBT. O embate começou quando ele questionou a eleição da parlamentar para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, afirmando: “Não achei justo, com tanta mulher, por que vai dar uma mulher trans?”.

Ao comentar o processo em Cuiabá, Ratinho disse não acreditar em condenação, classificou a ação como desproporcional e chamou a deputada de “mal criada”. Ele também afirmou que não pretende recuar: “Minha posição é essa, não vai mudar. Eu dei minha opinião”.

O apresentador sustentou que suas falas refletem uma opinião pessoal e argumentou que mulheres teriam mais propriedade para tratar de temas do universo feminino. Ele negou ter cometido preconceito e declarou respeitar diferentes formas de viver.

🚨URGENTE ‘ Em Cuiabá, Ratinho chama Erika Hilton de “malcriada” e minimiza processo: “Seria muito desleal a Justiça acreditar nas histerias”

Durante agenda em Cuiabá, na manhã desta sexta-feira (20), no Palácio Paiaguás, o apresentador Ratinho voltou a comentar a polêmica… pic.twitter.com/VZRPCkjlvn

— Pesquisas Eleições (@EleicaoBr2026) March 20, 2026

O caso ganhou repercussão após o Ministério Público Federal acionar Ratinho e o SBT por suspeita de transfobia. O Ministério das Comunicações também analisa o episódio. Em nota, a emissora pediu desculpas à deputada, mas o apresentador disse não se arrepender das declarações.

No Congresso, a eleição de Erika Hilton gerou reações divergentes. Governistas saíram em defesa da parlamentar, enquanto setores da oposição questionaram sua escolha e acionaram a Câmara, além de apresentarem representações no Conselho de Ética.

É um danado esse Lulinha. Por Moisés Mendes

20 de Março de 2026, 22:18
Lulinha, filho do presidente Lula

Nikolas Ferreira, atraído para uma armadilha, andou por nove dias num jatinho de Vorcaro, em campanha por Bolsonaro na eleição de 2022. Lulinha guarda um de seus jatos, todos dourados, no hangar desse avião de Vorcaro usado por Nikolas. Deve ter visto Nikolas voando de um lado pra outro e não o alertou: aquele avião é de um mafioso.

Dois diretores do Banco Central trabalhavam para o Master, ao lado do gabinete de Roberto Campos no governo Bolsonaro. Eram infiltrados a serviço de Daniel Vorcaro, que abasteciam com informações de decisões tomadas dentro do BC.

Lulinha, que vivia tomando cafezinho e chá de hibisco com Campos Neto e diretores do BC de Bolsonaro, sabia ou deveria saber e não alertou nem Campos Neto, nem Bolsonaro, nem Malu Gaspar.

Bianca Medeiros, cunhada de Hugo Motta, pegou um empréstimo de R$ 22 milhões no Banco Master e comprou um terreno em João Pessoa, não para construir uma casa, mas um bairro.

Lulinha não fez nada para impedir que Bianca entrasse nessa fria, sabendo que no BRB ela poderia pegar o mesmo empréstimo pela metade dos juros e aplicar parte do recebido no Master em CDBs com rendimento de bitcoin de Javier Milei.

Ciro Nogueira confiou em dois deputados que pagavam suas contas do cartão de crédito, Átila Lira e Júlio Arcoverde, do PP do Piauí. Ciro descobriu agora, estupefato, por informação do Coaf, que os dois podem ter usado dinheiro de lavagem do PCC com uma fintech da Faria Lima.

Lulinha vive dando banda na Faria Lima, com sua pasta 007, e não sabia de nada? Não poderia ter alertado Ciro Nogueira de que o dinheiro poderia ser da lavanderia das fintechs investigadas pela Polícia Federal e das quais ninguém mais fala?

Bolsonaro e Tarcísio de Freitas receberam dinheiro de Vorcaro, na eleição de 2022, sendo R$ 3 milhões para o chefão e R$ 2 milhões para o extremista moderado, e ninguém disse: peraí que esse cara vai meter muita gente num rolo sem fim.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Reprodução

Lulinha poderia ter dito, porque é impossível que Valdemar Costa Neto não tenha dito a Lulinha o que disse em entrevistas, que os R$ 3 milhões foram depositados na conta de Bolsonaro, e não do PL, na campanha.

Há omissões de Lulinha em todas as áreas. O senador Carlos Viana, do Podemos, presidente da CPMI do INSS, destinou R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares para a Fundação Oasis, da Igreja Batista da Lagoinha, do pastor André Valadão. Lulinha, frequentador da Lagoinha e dos lagões da extrema direita religiosa, não sabia, ou sabia e induziu Viana a fazer a doação?

A Polícia Federal acusa a deputada bolsonarista cearense Gorete Pereira, que saiu do PL para o MDB, de ter comprado um apartamento de R$ 4 milhões com dinheiro desviado do INSS usando empresas de fachada.

Lulinha vai dizer que não conhece Gorete, frequentadora das praias de Jijoca de Jericoacoara, onde ele tem no portão da sua mansão um par de esculturas de leões em ouro maciço e no jardim uma cabra de prata 950?

O deputado Sóstenes Cavalcante vendeu um imóvel e recebeu o pagamento em dinheiro vivo e foi flagrado com os R$ 470 mil em casa. Porque Lulinha, amigo de um primo de um tio de Sóstenes, não o aconselhou a guardar o dinheiro no Master ou no BRB?

A deputada Julia Zanata, do PL de Santa Catarina, está chorosa porque um projeto que tramita no Congresso pode impedir a compra de imóveis com dinheiro vivo.

Lulinha, que movimenta milhões, segundo o Globo, comete o erro de lidar com bancos, quando poderia guardar todo o dinheiro vivo em casas compradas com dinheiro vivo. O que é mais seguro e garantido.

Julia sabe o problemão que será criado com a proibição, mas que não terá o apoio dos que preferem os bancos. O que fazer com a dinheirama que as pessoas têm em casa em Santa Catarina para comprar casinhas?

É interminável a lista de pessoas que poderiam ter sido alertadas por Lulinha. Mas ele se calou e foi omisso. Pode ser processado por omissão de socorro a Campos Neto, Bolsonaro, Tarcísio, ACM Neto, Ibaneis, Rueda, Alcolumbre, Sóstenes, Nikolas, Hugo Motta, Ciro Nogueira, Valdemar Costa Neto – todos vítimas de estelionatários ao lado do Valor Econômico e da Globo, ingenuamente patrocinados por Vorcaro em evento de líderes mundiais em Nova York.

Lulinha deveria ter avisado Campos Neto para que evitasse receber Vorcaro em visitas ao Banco Central. Mas Vorcaro foi uma, duas, três, quatro, cinco, seis, foi ou mandou emissários 24 vezes ao Banco Central durante a gestão de Campos Neto.

A frequência de Vorcaro no Banco Central é maior do que a de Carluxo nas sessões da Câmara de Vereadores do Rio. E Lulinha sempre quieto. É um danado esse Lulinha.

A pergunta que o advogado da ex de Vorcaro não respondeu

20 de Março de 2026, 07:53
A modelo Martha Graeff. Foto: reprodução

A defesa da modelo Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, afirmou que ela não possui bens vinculados ao empresário e que vive de aluguel em Miami, nos Estados Unidos. Em entrevista ao “Estúdio I”, da GloboNews, na quinta-feira (19), o advogado Lúcio de Constantino disse que o patrimônio da influenciadora permaneceu inalterado antes, durante e após o relacionamento com o dono do Banco Master.

“A Martha possui um patrimônio que é igual antes, durante e depois do relacionamento. Eu perguntei: ‘Martha, tu mora onde?’ Ela mora de aluguel, em um apartamento alugado”, disse.

Apesar da afirmação, o imóvel citado é uma cobertura de alto padrão com cerca de 700 m² no complexo Four Seasons Surfside, em uma das áreas mais valorizadas de Miami. Segundo informações do caso, o contrato de aluguel teria sido pago antecipadamente por Vorcaro, e a mudança da modelo para o local ocorreu após o início do relacionamento.

A investigação da Operação Carbono Oculto identificou mensagens em que o banqueiro discutia a criação de um trust para Martha, com valores que poderiam ultrapassar R$ 520 milhões. A defesa, no entanto, nega que a influenciadora tenha conhecimento ou participação em qualquer estrutura financeira.

“A Marta possui um patrimônio que é igual antes, durante e depois do relacionamento com o senhor Daniel Vorcaro. Basta examinar as declarações de renda”, afirmou Constantino. “Ela inclusive questionou o que era um trust nas mensagens. Ela não sabia o que significava”.

Daniel Vorcaro e Martha Graeff. Foto: reprodução

Segundo o advogado, Martha chegou a buscar explicações sobre o termo e consultou um advogado nos Estados Unidos, que confirmou a inexistência de um trust em seu nome. “Ela buscou contato com um advogado nos Estados Unidos, que informou não haver nenhum trust em nome dela”, disse.

Sobre bens de luxo mencionados nas investigações, como imóveis e carros de alto valor, a defesa afirmou desconhecimento. “Ela não conhece nada disso. Eu perguntei: ‘Martha, tu mora onde?’. Ela mora de aluguel. O patrimônio que ela tem foi construído em 20 anos de trabalho nas redes sociais”.

Em nota, a defesa reforçou que “A Sra. Martha não possui imóveis, automóveis ou depósitos de valores decorrentes do relacionamento com o Sr. Daniel Vorcaro. Também não tem conhecimento sobre a existência de algum trust que lhe envolva, seja nos Estados Unidos ou em qualquer outro país”.

O advogado também criticou a divulgação de mensagens íntimas envolvendo o casal, incluindo diálogos que mencionam encontros políticos e o nome do ministro Alexandre de Moraes. “São milhares de informações que estão estruturalmente desorganizadas. (…) Existe um meio eficaz para resolver isso [citação de autoridade] e não é fazer uma publicidade, não é fazer uma mídia agressiva de relações e de intimidade. Você tem um elemento próprio para investigar em condições idôneas e não se faz.”

Em uma das mensagens, Martha reage a uma suposta videochamada com o ministro: “Morri… que vergonha, eu estava de pijama”.

Segundo a defesa, a exposição pública teve forte impacto emocional. “Houve uma degradação da esfera privada. Isso atingiu uma mulher que é mãe de uma menina de 6 anos. Ela ficou consternada pela falta de responsabilidade de quem divulgou esses dados”, afirmou Constantino.

O advogado relatou ainda que a cliente enfrenta um quadro de depressão após o escândalo. “Ela foi surpreendida com esse rombo com esse escândalo todo, tenha dúvida, não tenha dúvida (…) Esta mulher caiu em depressão.”

“Aconteceu foi num período ela ter namorado uma pessoa que se destacava no sistema financeiro (…) e que depois disso começa uma série de revelações que ela desconhecia e que ela começa a ser partícipe do público para conhecer o que está acontecendo.”

Constantino também comentou o comportamento de Vorcaro nas mensagens. “Em alguns momentos, percebe-se que ele ‘sobejava’ informações, que ele se valorizava. Isso parece um pouco comum em relação de namorados”.

Martha Graeff foi convocada para depor na CPI do Crime Organizado, mas a defesa avalia que o depoimento pode ser prejudicado caso esteja baseado em mensagens consideradas inválidas judicialmente. “Se o interesse de ouvi-la é vinculado a mensagens que foram proibidas, o depoimento fica prejudicado. Não há como fazer um movimento junto a uma prova que foi vedada”, concluiu.

VÍDEO: “Banco Master é ovo da serpente de Bolsonaro e de Campos Neto”, diz Lula

20 de Março de 2026, 06:59
Lula em evento em São Bernardo. Foto: reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (19) que a oposição tenta “empurrar” o escândalo do Banco Master para o Partido dos Trabalhadores, mas atribuiu a origem do caso ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. A declaração foi feita em São Bernardo do Campo, durante evento que oficializou a pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo.

Ao comentar o cenário político, Lula criticou o nível dos debates e disse que há uma “promiscuidade generalizada” na política brasileira. O presidente citou tanto o caso do Banco Master quanto irregularidades no INSS como exemplos e defendeu que o governo atual foi responsável por revelar problemas.

“Quem descobriu toda a roubalheira na Previdência Social foi o nosso governo, foi a Controladoria Geral da União (CGU) e a Polícia Federal (PF). Eu era favorável a que o PT abrisse uma CPI. Mas aí eu pensava que o partido que está no governo não deveria abrir a CPI. Eles [oposição] abriram. Em vez de a gente estar indo para cima deles, eles estão indo para cima de nós, tá? (24:07) Então, é importante saber que, quando na política a gente vacila, a gente paga um preço muito alto. Esse Banco Master, vira e mexe, eles estão tentando empurrar nas costas do PT e do governo. Esse Banco Master é obra, é o ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos, ex-presidente do Banco Central”, afirmou.

Lula também relembrou que a transferência do Banco Master para o controle de Daniel Vorcaro foi autorizada em 2019, durante a gestão de Campos Neto no Banco Central. Segundo o presidente, é preciso atenção para evitar que a oposição associe o governo atual ao escândalo. Ele defendeu ainda uma postura mais firme da bancada petista diante das críticas.

“A bancada do PT tem que ter coragem de denunciar. A gente não pode se calar, temos que abrir a boca e ir para o enfrentamento. Não tem aquele negócio de Lulinha paz e amor. Também não quero ser o Lulinha paz e ódio. Eu quero ser Lulinha paz e amor, mas com amor mais duro, mais responsável, para não deixar nego [sic] colocar uma cagada no nosso pescoço”.

O evento também marcou a oficialização da pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo paulista. O anúncio foi feito por dirigentes do PT e contou com a presença de ministros do governo. “O Fernando é o objetivo da nossa vinda aqui no sindicato, por conta da missão que ele vai assumir no nosso projeto aqui para frente (em São Paulo)”, afirmou Edinho Silva.

Mais cedo, Haddad já havia comunicado sua saída do Ministério da Fazenda. “Hoje pra mim é um dia especial, um dia que estou deixando o Ministério da Fazenda”, declarou. Lula confirmou que o atual secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, assumirá o comando do ministério a partir desta sexta-feira (20).

Governo teme que delação de Vorcaro cite Executivo para tumultuar caso Master

20 de Março de 2026, 06:35
Daniel Vorcaro na prisão. Foto: reprodução

Integrantes do governo federal avaliam a possibilidade de o banqueiro Daniel Vorcaro firmar um acordo de delação premiada no caso Banco Master e envolver nomes do Executivo. Nos bastidores, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) consideram que o empresário pode adotar uma estratégia agressiva, já que, na visão de interlocutores, ele não teria mais nada a perder e poderia ampliar o alcance político das investigações, ampliando ao máximo o número de investigados.

Vorcaro foi transferido na última quinta-feira (19) de um presídio federal no Distrito Federal para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

A mudança ocorreu após a assinatura de um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR), etapa inicial para um possível acordo de colaboração premiada. De acordo com informações do Globo, a movimentação elevou o estado de alerta dentro do governo, que monitora os desdobramentos do caso.

Auxiliares do Planalto também questionam a necessidade de uma eventual delação. Segundo esse grupo, a Polícia Federal já possui acesso a dados bancários e conteúdos de aparelhos celulares do banqueiro, o que, na avaliação interna, seria suficiente para sustentar as investigações sem depender do depoimento do próprio investigado.

Desse modo, o olhar da PF ficaria sobre os políticos do centrão e da direita, como, por exemplo, os presidentes do PP, Ciro Nogueira, do União Brasil, Antônio Rueda, e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que tinha o contato salvo no celular de Vorcaro e usou um avião do banqueiro em diversas oportunidades. Nas redes sociais, apoiadores chegaram a apelidar o caso de “Bolsomaster”.

Nikolas Ferreira durante viagem em avião de Vorcaro. Foto: reprodução

No caso de Ciro Nogueira, documentos obtidos pela imprensa mostram que o senador aparece em mensagens atribuídas a Vorcaro como “um dos meus grandes amigos de vida”. Os registros também indicam encontros entre os dois e citam uma reunião na casa do banqueiro com a participação de Hugo Motta.

Antônio Rueda, presidente do União Brasil, também aparece em documentos ligados à apuração. Um e-mail incluído na quebra de sigilo de Vorcaro registra a reserva de um voo de helicóptero com o nome de “Antonio Rueda e 07 convidados”, em deslocamento entre Interlagos e Congonhas.

Já Nikolas Ferreira entrou no radar por causa do uso de uma aeronave ligada a Vorcaro durante a campanha do segundo turno de 2022. Segundo reportagens sobre o conteúdo dos registros apreendidos, o deputado do PL utilizou o avião em deslocamentos de apoio à campanha de Jair Bolsonaro, passando por capitais do Nordeste e cidades do interior de Minas Gerais.

Lula quer Alckmin no Senado, mas mantém vice como opção

19 de Março de 2026, 23:52
Alckmin e Lula em evento na UFABC nesta quinta. Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (19) que a vaga de vice em sua chapa está “aberta” ao atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), mas indicou que o aliado pode avaliar uma candidatura ao Senado por São Paulo. A declaração foi feita durante evento que marcou a pré-candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo paulista, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo.

Ao comentar o futuro político de seu companheiro de chapa em 2022, Lula revelou conversas recentes e destacou a relação de confiança entre os dois. “Conversei com o Alckmin essa semana. ‘O que você quer ser?’ Pedi para ele conversar com o Haddad. Ficarei imensamente feliz em ter ele como vice outra vez. É um companheiro que aprendi a gostar, é de muita lealdade, só me ajuda. Mas tem que conversar com o Haddad para saber onde a gente pode colher mais frutos dele. Se ser candidato ao Senado não ajuda mais. Eles não têm senador para disputar conosco”.

Lula reforçou que a definição dependerá de articulações políticas em São Paulo, especialmente com Haddad. “Se ele for meu vice, estou tranquilo, mas o Haddad precisa de uma chapa para ganhar. E eles não tem candidato para ganhar da gente. Não sei se o Geraldo vai ser candidato ao Senado. A vaga de vice está aberta para ele”, afirmou.

No mesmo evento, Alckmin sinalizou apoio à candidatura de Haddad e prometeu participação ativa na campanha. “Escrevam aí: o Haddad vai ganhar essa eleição. E conte conosco, Haddad, pra gente percorrer a geografia de São Paulo, desde o litoral até as barrancas do Rio Paraná; desde o Rio Grande até o Rio Paranapiacaba. Ouvindo o povo, as críticas , sugestões, propostas, porque o Haddad vai apresentar a melhor plataforma, o melhor programa pra gente sair dessa inércia de São Paulo para um grande projeto de desenvolvimento, humanista, com alma, com sentimento, em benefício da nossa população”.

Fernando Haddad, por sua vez, confirmou a pré-candidatura ao Palácio dos Bandeirantes e afastou a ideia de que disputaria apenas para cumprir papel político. “Quando vejo dizerem que o Haddad está indo para o sacrifício, é porque essa pessoa nunca tomou um chope comigo”, afirmou. Em seguida, completou: “Eu disputo a eleição para ganhar”.

Vorcaro será levado à carceragem da PF em Brasília onde Bolsonaro ficou preso

19 de Março de 2026, 23:39
Daniel Vorcaro e Jair Bolsonaro
O banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro – Reprodução

A transferência do banqueiro Daniel Vorcaro para a carceragem da Polícia Federal em Brasília colocou o dono do Banco Master no mesmo espaço onde o ex-presidente Jair Bolsonaro ficou preso após a condenação pela trama golpista. A mudança foi autorizada pelo ministro André Mendonça e ocorreu no momento em que Vorcaro iniciou tratativas para um acordo de delação premiada. Com informações do Globo.

Até então, o banqueiro estava sob custódia na Penitenciária Federal de Brasília, em regime de segurança máxima. Nesse modelo, os presos ficam em celas menores, com rotina mais restrita, isolamento mais rígido e circulação limitada, sempre sob protocolos severos de escolta e controle.

Na estrutura da Polícia Federal, o ambiente é mais amplo e conta com condições diferentes das do sistema penitenciário federal. O local onde Vorcaro passou a ficar é o mesmo que recebeu Bolsonaro durante parte de sua prisão em Brasília, em uma área adaptada para custódia de autoridades.

Montagem de três fotos de cela da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal
Cela da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal – Reprodução

A transferência também atende à nova fase do caso, já que a permanência na PF facilita reuniões com advogados, deslocamentos internos e eventuais oitivas com investigadores. A defesa de Vorcaro vinha tentando retirá-lo do regime de segurança máxima, alegando dificuldades de contato e de andamento da estratégia jurídica.

Vorcaro chegou à Superintendência da Polícia Federal no início da noite desta quinta-feira (19), após deixar o sistema penitenciário federal de helicóptero. Ele estava preso desde 4 de março e formalizou um termo de confidencialidade antes de iniciar as conversas relacionadas à possível colaboração.

Bolsonaro, por sua vez, permaneceu por 54 dias na carceragem da PF, entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, antes de ser transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.

Tarcísio vai ao STF e pressiona Moraes sobre domiciliar para Bolsonaro

19 de Março de 2026, 23:32
Tarcísio de Freitas e Alexandre de Moraes. Foto: reprodução

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), esteve no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (19) para reuniões com cinco ministros da Corte, incluindo o presidente Edson Fachin e o vice-presidente Alexandre de Moraes. Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o governador levou à Corte um pedido para que o antigo mandatário passe a cumprir pena em prisão domiciliar, em meio ao agravamento de seu quadro de saúde.

Segundo o Globo, interlocutores afirmaram que Moraes foi o único ministro com quem Tarcísio tratou diretamente da possibilidade de mudança de regime.

Essa não foi a primeira articulação nesse sentido. Em visita anterior ao STF, o governador já havia feito uma ofensiva semelhante. Na última terça-feira (17), o senador Flávio Bolsonaro (PL) também se reuniu com Moraes e apresentou pedido para que o pai deixe a prisão e cumpra pena em casa.

De acordo com relatos feitos ao Globo, Tarcísio argumentou sobre as condições de saúde de Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado. O ex-presidente está preso desde 15 de janeiro no 19º Batalhão da Polícia Militar, em Brasília, conhecido como Papudinha.

Bolsonaro no DF Star em foto publicada por Carluxo. Foto: reprodução

No entanto, ele foi internado no dia 13 de março no hospital DFStar após diagnóstico de pneumonia bacteriana, chegando a ser encaminhado para uma UTI.

A defesa de Bolsonaro protocolou um novo pedido de prisão domiciliar, alegando necessidade de cuidados médicos contínuos. Segundo a petição, relatórios indicam histórico de doenças respiratórias, apneia do sono e outras comorbidades que exigiriam monitoramento constante e resposta rápida em caso de intercorrências clínicas.

Nos bastidores do STF, ministros avaliam que a eventual concessão de prisão domiciliar pode funcionar como uma forma de proteção institucional da própria Corte, diante do agravamento do estado de saúde do ex-presidente e dos possíveis impactos políticos da decisão.

Integrantes do governo federal e do PT também consideram, sob reserva, que a piora clínica pode justificar a transferência para o regime domiciliar.

Deputada bolsonarista que trocou PL pelo MDB é alvo de operação contra desvios do INSS

17 de Março de 2026, 07:40
A ex-deputada Maria Gorete. Foto: reprodução

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta terça-feira (17), a Operação Indébito, novo desdobramento da Operação Sem Desconto, para aprofundar investigações sobre um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. A ação mira a ex-deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE), bolsonarista eleita pelo PL, além de outras suspeitas de fraudes bilionárias que atingiram milhares de beneficiários.

Ao todo, segundo o g1, estão sendo cumpridos 19 mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão e outras medidas cautelares no Ceará e no Distrito Federal.

As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça, e incluem apurações por crimes como inserção de dados falsos em sistemas oficiais, estelionato previdenciário, organização criminosa e ocultação de patrimônio.

As investigações indicam que o grupo teria movimentado pelo menos R$ 1,3 bilhão a partir de descontos indevidos de mensalidades associativas em benefícios pagos pelo INSS, sem o conhecimento ou autorização dos aposentados. Segundo a Justiça, os valores eram extraídos diretamente dos pagamentos mensais das vítimas.

O nome da Maria Gorete aparece entre os investigados. De acordo com a decisão judicial, ela “recebeu procuração da associação AAPEN para celebrar o Acordo de Cooperação Técnica com o INSS”, o que lhe concederia amplos poderes dentro da estrutura investigada. Também há registro de que ela movimentou cerca de R$ 245 mil em transações consideradas suspeitas entre 2018 e 2023.

André Mendonça, ministro do STF. Foto: reprodução

Documentos obtidos pelas autoridades apontam para movimentações milionárias e descrevem o esquema como responsável por “valores astronômicos” relacionados à prática de estelionato e lavagem de dinheiro. O juiz da 11ª Vara Federal do Ceará destacou que o grupo teria sido estruturado para operar de forma contínua e organizada.

Entre os alvos está o empresário Natjo de Lima Pinheiro, apontado como “um dos principais gestores das associações investigadas, sendo um dos maiores envolvidos nas transações suspeitas relacionados aos valores astronômicos movimentos para associações, originados de valores obtidos através de milhares de descontos fraudulentos dos benefícios de aposentados pelo INSS, havendo grandes indícios que a operação das associações se dava em conjunto”.

A advogada Cecília Rodrigues Mota também é citada nas investigações. Segundo a apuração, os dois teriam utilizado “testas de ferro” para movimentar recursos e dificultar o rastreamento do dinheiro.

Durante as buscas, foram apreendidos veículos de luxo, incluindo uma Ferrari e um Rolls-Royce, além de itens de alto valor, como dezenas de pares de sapatos avaliados em cerca de R$ 40 mil cada.

Jornalões aplicam harmonização para que o filho fique diferente do pai. Por Moisés Mendes

17 de Março de 2026, 07:30
Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. Foto: Sérgio Lima/Poder360

Os jornalões estão limpando a barra de Flávio Bolsonaro, como admitiu até a ombudsman da Folha, e daqui a pouco irão tratá-lo de forma carinhosa. Mesmo que diminutivos geralmente sejam problemáticos para políticos, ele pode virar um Flavinho sem sobrenome.

Flávio precisa, na repaginada, de mudanças que suavizem seu perfil. Como sugeriu a colunista Raquel Landim, em fevereiro, na capa do Estadão: “E se Flávio Bolsonaro tivesse um Paulo Guedes de saias?”

Os Bolsonaros são a expressão da brutalização da política brasileira. É preciso torná-los mais femininos. Raquel imagina uma mulher mandando na Fazenda e oferece a ideia de graça para o filho ungido.

Vários colunistas liberais, entre os quais Joel Pinheiro da Fonseca, Demétrio Magnoli e Elio Gaspari, têm certeza de que o filho não é igual ao pai.

É preciso livrá-lo dos estigmas e apresentar, não a perna cabeluda, mas a coxa depilada do fascismo. A surpreendente exceção é Merval Pereira, que já prevê com a ascensão de Flávio uma nova tentativa de golpe.

Qualquer um desses liberais colaboracionistas pode acrescentar sugestões liberalizantes a Flávio, incluindo uma pessoa trans na Casa Civil, um carnavalesco na cultura e um negro de esquerda nos direitos humanos.

Podem contribuir para o que Alexandra Moraes, a ombudsman da Folha, denunciou no próprio jornal, no domingo, com o alerta de que o sobrenome Bolsonaro está desparecendo dos títulos das notícias.

Alexandra nos indica que a Folha pode estar na dianteira de um plano para que daqui a pouco Flávio seja o Flavinho. Mudam a roupa, vendem a imagem de moderado e chamam mulheres para perto. Porque a maioria do eleitorado feminino o rejeita.

Suavizar o perfil de Flávio é hoje tarefa muito mais entregue às corporações de mídia do que aos marqueteiros da extrema direita. Folha, Globo e Estadão se encarregam da harmonização. O novo bolsonarismo é humanizado por fora, porque por dentro é complicado.

Manchete de Raquel Landim no Estadão. Foto: Reprodução

Um sujeito com o carisma de um brócolis começa a se apresentar como negociador que conversa com todo mundo, como dançarino de palco, que se revelou performático em comício em Rondônia, e como figura de projeção internacional que já fez várias viagens curtas e longas.

Flávio Bolsonaro precisa ser assimilado como o sapo a ser engolido pelos jornalões e pela velha direita. Mas precisa fazer concessões que o tornem uma figura menos bruta e por isso também menos associada à imagem e semelhança do grande chefão preso.

A retirada do sobrenome tem, além de fazer a faxina, a pretensão de testar um nome que se basta sozinho. Flávio será tratado como um Fernando Henrique, que no fim virou FH ou FHC.

Não podemos duvidar que também ele vire uma sigla e que as próximas manchetes o tratem como FB, como tratavam ACM e um dia trataram JK. Flávio Bolsonaro é um homem em reconstrução, em que tudo que já usava só vale para o seu eleitorado raiz.

O resto da direita à la Valdemar Victor Frankstein Costa Neto merece uma criatura com bons modos à mesa, mesmo que sua estrutura, sua essência e sua alma continuem sendo tudo o que carrega do DNA do pai.

Desde 2019: as primeiras ligações de Ibaneis Rocha com o Banco Master

17 de Março de 2026, 06:37
Ibaneis Rocha, governador do DF. Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), assinou em dezembro de 2019 um contrato que previa a venda de direitos sobre R$ 4,4 milhões em honorários de precatórios do seu escritório de advocacia a um fundo administrado pela Planner. À época, a corretora era controlada por Maurício Quadrado, que meses depois se tornaria sócio do banqueiro Daniel Vorcaro.

O fundo envolvido na operação, identificado como BLP PCJ VII, foi representado na negociação por Artur Martins de Figueiredo, diretor de uma empresa que ajudou a capitalizar o Banco Master com bilhões de reais e que está sob investigação da Polícia Federal. Segundo o Globo, Figueiredo também aparece nas apurações como diretor da holding Banvox, que chegou a ser acionista do banco.

O contrato trata da cessão de honorários de precatórios ligados a uma ação movida pelo Sindicato dos Servidores da Justiça do Trabalho de Rondônia e Acre (Sinjustra), em tramitação desde 2011. Nesse tipo de operação, escritórios de advocacia vendem a investidores o direito de receber honorários futuros de precatórios, antecipando valores que podem levar anos para serem pagos.

Somados a outros dois contratos semelhantes revelados anteriormente, os acordos envolvendo o escritório ligado ao governador somam R$ 52,9 milhões em cessões de honorários. O escritório, atualmente administrado por seu filho, Caio Barros, afirma ter recebido cerca de R$ 12 milhões nessas operações, já que os títulos costumam ser vendidos com desconto.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

A existência dessas transações reforça suspeitas de um padrão de negócios envolvendo fundos ligados ao chamado ecossistema do Banco Master. Parte dessas gestoras e fundos aparece nas investigações da operação Compliance Zero e também em apurações sobre lavagem de dinheiro no setor financeiro.

O documento do contrato indica que o próprio Ibaneis Rocha atuou como avalista da operação firmada em 23 de dezembro de 2019. Nesse papel, ele se tornaria responsável solidário pelos valores negociados caso o escritório não cumprisse o acordo com o fundo. A assinatura do governador foi reconhecida em cartório no 1º Ofício de Notas e Protesto de Brasília.

Também aparecem como avalistas a empresa Ibaneis Agropecuária e Administradora de Bens Patrimoniais e outros dois sócios do escritório à época, Marlúcio Lustosa Bonfim e Johann Homonnai Júnior.

Ao Globo, o escritório afirmou que o contrato representa um “negócio jurídico regular, lícito e reiteradamente praticado no mercado por escritórios de advocacia, credores da Fazenda Pública e instituições financeiras, como forma de abreviar, com deságio, o recebimento de valores decorrentes de ações judiciais contra entes públicos”.

Em nota, a Planner declarou que a operação ocorreu “em conformidade com o disposto na regulamentação então vigente” e que “atuou apenas como representante legal” do fundo BLP PCJ VII, “não tendo participado de qualquer tipo de intermediação entre as partes”.

Cunhada de Hugo Motta fez empréstimo de R$ 22 milhões com Banco Master

17 de Março de 2026, 06:16
Daniel Vorcaro sentado, sério, ao lado de computador
O banqueiro Daniel Vorcaro – Reprodução

A empresária Bianca Medeiros, cunhada do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), realizou um empréstimo de pelo menos R$ 22 milhões com o Banco Master em março de 2024. O valor foi utilizado para a aquisição de um terreno de mais de 400 hectares em João Pessoa (PB), onde funcionava uma antiga fábrica de cimento e que será destinado à criação de um novo bairro. As informações são da Folha de S.Paulo.

De acordo com registros, Bianca comprou em 8 de março de 2024 todas as cotas da ETC Participações, empresa com capital social de R$ 100 mil. Uma semana depois, em 15 de março, firmou contrato de crédito com o banco, utilizando as cotas da companhia como garantia da operação, conforme documentos registrados em juntas comerciais.

O terreno foi adquirido em abril de 2024 por R$ 45 milhões. As matrículas do imóvel indicam valor fiscal de R$ 101 milhões, base usada pela prefeitura para cálculo de impostos. A área está dividida em cinco registros: uma parte foi comprada por subsidiária da ETC, enquanto as demais foram adquiridas pela AJC Participações, na qual Bianca detém cerca de 25% por meio da ETC.

presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), sentado, com expressão pensativa
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) – Reprodução

Em nota, Bianca Medeiros informou que o contrato de crédito foi celebrado em condições usuais de mercado, com garantias compatíveis com o valor da operação e previsão de quitação conforme as cláusulas estabelecidas. Ela declarou que a escolha do Banco Master ocorreu por critérios negociais e operacionais e afirmou que a empresa responsável pela operação não possui relação societária ou de gestão com o deputado Hugo Motta.

Hugo Motta declarou que não possui associação financeira direta com o Banco Master nem vínculo societário com a ETC Participações. Procurado, o Banco Master não respondeu aos questionamentos até a publicação das informações. Esta é a primeira ligação financeira identificada entre pessoa da família do parlamentar e a instituição financeira.

Registros também indicam que Bianca Medeiros ocupou cargos comissionados no Ministério da Cidadania entre 2021 e 2023, durante o governo de Jair Bolsonaro. Em fevereiro de 2025, mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro indicaram encontro entre o banqueiro e Hugo Motta na residência oficial da Câmara. No mesmo período, o deputado afirmou que não apoiaria a abertura de CPI para tratar do caso envolvendo o banco.

CPMI do INSS: Presidente cita “garotas de programa” e confirma “vídeo íntimos” no celular de Vorcaro

17 de Março de 2026, 00:50
O senador Carlos Viana, presidente da CPMI do INSS. Reprodução/YouTube TV Cultura

Durante sua participação no programa “Roda Viva”, da TV Cultura, nesta segunda-feira (16), o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, confirmou a existência de vídeos íntimos no celular de Daniel Vorcaro: “Eu tomei conhecimento da existência desses vídeos”, afirmou o parlamentar, referindo-se a registros particulares e de conteúdo íntimo de pessoas que supostamente participaram de festas com Vorcaro, incluindo, segundo ele, “garotas de programa” contratadas para os eventos.

Raquel Landim, do SBT News, questionou o senador sobre a decisão do ministro André Mendonça, que proibiu o acesso à sala cofre onde estão armazenados dados sigilosos de Vorcaro.Viana explicou que essa medida visava impedir o vazamento dos vídeos, algo que poderia prejudicar a investigação e fortalecer a defesa do empresário. “Se esses dados vazam, a defesa de Vorcaro fica muito mais forte”, afirmou o senador, reforçando a gravidade da situação.

Ele ainda ressaltou a importância da preservação das provas, especialmente considerando a envolvência de membros da Justiça no caso, como apontado pelo Supremo Tribunal Federal. “Isso é muito grave”, disse Viana, destacando a necessidade de tomar medidas para proteger a integridade da investigação.

🚨 NO RODA VIVA: Carlos Viana diz que celular de Daniel Vorcaro tem “vários vídeos íntimos”

Durante participação no Roda Viva, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, afirmou que há “vários vídeos íntimos” entre os arquivos encontrados no celular do… pic.twitter.com/kMR6p4QY3x

— Pesquisas Eleições (@EleicaoBr2026) March 17, 2026

O senador criticou a falta de ação por parte dos parlamentares em relação aos vazamentos de imagens de dentro da sala cofre e afirmou que o Senado tomará as providências necessárias.

Em relação ao conteúdo dos vídeos, o senador esclareceu que, embora o conteúdo íntimo seja claro, isso não está diretamente relacionado à investigação da CPMI. “Isso não tem nada a ver com a investigação, e o vazamento só prejudica a credibilidade do trabalho”, concluiu Viana.

“Respiração debilitada e dificuldade para falar”: A saúde de Bolsonaro segundo Carluxo

16 de Março de 2026, 23:58
Jair Bolsonaro recebendo atendimento médico. Crédito: X de Carlos Bolsonaro

O ex-vereador Carlos Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (16) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) segue com quadro de saúde “muito delicado” durante internação no Hospital DF Star, em Brasília. Em publicação nas redes sociais, ele relatou que Bolsonaro foi transferido para uma unidade semi-intensiva, mas ainda apresenta sintomas associados à broncopneumonia bacteriana.

No texto, postado em suas redes sociais,  Carluxo descreveu as condições clínicas do ex-presidente: “Saio do DF Star após visitar o Presidente @jairbolsonaro. Ele foi transferido para uma unidade semi-intensiva, mas sua pneumonia bacteriana persiste, mantendo sua respiração muito debilitada. Isso também tem afetado sua voz, equilíbrio e a condição de seus pulmões, que seguem sob observação permanente.”

O filho também mencionou dificuldades na comunicação e outros sintomas. “Seu estado continua muito delicado e está sendo monitorado constantemente para evitar qualquer nova piora no quadro. Consegui conversar um pouco com ele, mas a dificuldade para falar ainda é grande, assim como os soluços que permanecem. Todo o processo de observação segue sensível e necessário.”

Na mesma publicação, Carlos afirmou que a família segue acompanhando a situação. “Seguimos preocupados, mas tenho certeza de que as boas energias e orações enviadas por todos ajudam e o fazem se sentir mais forte.” Ele também agradeceu manifestações de apoio: “Meu muito obrigado a todos pelo carinho. Amanhã volto para lhe dar um abraço.”

Bolsonaro está internado desde sexta-feira (13), após passar mal durante a madrugada e ser diagnosticado com broncopneumonia bacteriana bilateral. Exames indicaram maior comprometimento do pulmão esquerdo, e o tratamento foi iniciado com antibióticos intravenosos.

Alessandro Vieira desafia processo da esposa de Moraes e mantém defesa da CPI do Master

16 de Março de 2026, 23:27
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou nesta segunda-feira (16) que não pretende recuar diante de possíveis ações judiciais e reiterou a defesa da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar irregularidades relacionadas ao Banco Master.

A declaração foi feita após a divulgação de que o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, avalia processar o parlamentar por calúnia e difamação.

Em publicação nas redes sociais, Vieira afirmou: “Tentativas de intimidação não assustam e não vão nos calar. Nosso compromisso é com os brasileiros, especialmente com as milhares de vítimas do caso Master, e é com seriedade e coragem que seguiremos trabalhando todos os dias!”.

O senador também declarou que não se surpreendeu com a possibilidade de ação judicial e voltou a defender a abertura da CPI para investigar relações envolvendo o Banco Master. Ele afirmou que a apuração deve incluir eventuais vínculos com autoridades públicas.

Vieira disse ainda: “O que eu disse e volto a repetir foi que a família (de Moraes), através do escritório de advocacia da Viviane Barci, recebeu recursos do Master. E todos nós sabemos que o Banco Master é uma organização criminosa. Lesou milhares, talvez milhões de brasileiros, pelo país afora”.

Em outra manifestação, o parlamentar acrescentou: “Intimidação não vai funcionar. Isso mostra a importância de uma CPI específica para investigar a atuação deste e de outros ministros (do STF) que possam ter envolvimento com essa situação”.

PF manda Eduardo Bolsonaro explicar abandono de cargo em até 15 dias

16 de Março de 2026, 14:10
Eduardo Bolsonaro. Foto: Saul Loeb/AFP

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro foi notificado pela Polícia Federal (sobre uma investigação por abandono de cargo como escrivão da corporação. Ele tem 15 dias para apresentar sua defesa em um processo administrativo, conforme publicado no Diário Oficial da União.

O comunicado aponta que Eduardo está sendo investigado por “indícios da prática de abandono de cargo” após não retornar à função quando foi convocado pela PF. Em janeiro deste ano, a corporação determinou que Eduardo voltasse a exercer o cargo de escrivão, mas ele criticou a medida, chamando-a de “perseguição judicial”.

Eduardo afirmou que não entregaria o cargo “de mãos beijadas”. Atualmente, o ex-deputado encontra-se “em lugar incerto e não sabido”, como apontado pela delegada Karen Cristina Dunder. Ele vive nos Estados Unidos desde março de 2025.

O ex-parlamentar foi afastado do cargo de escrivão para cumprir seu mandato de deputado federal. Contudo, seu mandato foi cassado em dezembro de 2025 devido a 59 faltas injustificadas nas sessões deliberativas, ultrapassando o limite previsto pela Constituição.

Polícia Federal. Foto: Divulgação

A falta de retorno ao cargo após a cassação gerou o processo administrativo disciplinar, com possibilidade de demissão por abandono de cargo, conforme a legislação. A remuneração para o cargo de escrivão da PF é de R$ 14.164,81, podendo chegar a cerca de R$ 20 mil para servidores no topo da carreira.

No período em que esteve afastado para cumprir seu mandato, Eduardo não recebia salário como escrivão. As funções do posto envolvem atuar em investigações, dar cumprimento a formalidades processuais, lavrar termos e mandados, além de acompanhar autoridades policiais em diligências.

Além das funções administrativas, o escrivão também é responsável por garantir a segurança orgânica e cumprir outras atividades relacionadas à função policial. A investigação contra Eduardo Bolsonaro ocorre dentro de um contexto legal em que servidores públicos podem ser demitidos por abandono de cargo, uma vez que o processo administrativo é instaurado.

Como bolsonaristas querem usar internação para pressionar Moraes

16 de Março de 2026, 13:40
Jair Bolsonaro e Alexandre de Moraes. Foto: Gabriela Biló/Folhapress

A internação de Jair Bolsonaro em uma UTI em Brasília gerou uma nova onda de pressão de parlamentares bolsonaristas para que o Supremo Tribunal Federal (STF) conceda a prisão domiciliar ao ex-presidente. O alvo principal dos ataques é o ministro Alexandre de Moraes, responsável pela condenação.

A pressão foi intensificada após o ex-presidente ser internado com uma broncopneumonia grave no último sábado (13). O deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição, afirmou que a pressão sobre o STF deve aumentar com a saúde debilitada de Bolsonaro.

Moraes já havia rejeitado um pedido de transferência para prisão domiciliar no início de março. No entanto, aliados de Bolsonaro, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), planejam apresentar uma nova solicitação ao STF, junto com uma estratégia para aumentar as críticas à corte.

“Vamos continuar pressionando politicamente até o presidente ficar em casa, para que ele possa ter mais dias de vida. A Suprema Corte está envolvida em diversos escândalos de corrupção, tráfico de influência, decisões arbitrárias, perseguição. A gente vai bater pesado nesse sentido”, disse Silva à Folha de S. Paulo.

O ex-presidente Jair Bolsonaro em hospital. Foto: Reprodução

O ex-presidente, que foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, segue cumprindo pena na unidade prisional conhecida como Papudinha. Embora a pena seja considerada alta, espera-se que Bolsonaro cumpra entre seis a oito anos de regime fechado.

O projeto de redução das penas, que visa diminuir o tempo de condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, também beneficiaria Bolsonaro, mas foi vetado pelo presidente Lula. O Congresso tem o direito de derrubar o veto, mas enfrenta um obstáculo, já que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem rejeitado a ideia.

O deputado Paulinho da Força (SD-SP), relator do projeto de redução das penas, sugeriu que se faça um acordo para que o veto seja derrubado sem a criação da CPI para investigar o Banco Master.

O líder do PDT, Mário Heringer (MG), disse que a saúde de Bolsonaro e as discussões sobre a prisão domiciliar são usadas pela oposição para pressionar o Judiciário. Ele acredita que o ex-presidente está sendo utilizado politicamente para constranger o STF.

O líder do Republicanos, Augusto Coutinho (PE), reclamou da pressão, afirmando que o Congresso não deve intervir nas decisões do STF.

Bolsonaro apresenta recuperação renal, mas segue internado na UTI

16 de Março de 2026, 13:31
O ex-presidente Jair Bolsonaro no hospital. Foto: Divulgação

O ex-presidente Jair Bolsonaro segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília, após ser diagnosticado com pneumonia bacteriana. O boletim médico divulgado na manhã desta segunda-feira (16) informou que, nas últimas 24 horas, ele apresentou uma melhora clínica e laboratorial significativa.

De acordo com a equipe médica, houve recuperação parcial da função renal e uma resposta positiva aos antibióticos, resultando em uma melhora dos marcadores inflamatórios. Apesar do avanço no quadro de saúde, o ex-presidente continua sob cuidados intensivos e não há previsão para sua alta da UTI.

Bolsonaro foi internado na última sexta-feira (13), após sofrer um episódio de broncoaspiração, que resultou em pneumonia bacteriana. Desde então, ele está recebendo suporte clínico intensivo e sessões de fisioterapia respiratória e motora.

No boletim anterior, emitido no último sábado (14), o hospital havia relatado uma piora nas funções renais do ex-presidente, mas, felizmente, essa situação foi revertida nas últimas 24 horas. A recuperação parcial observada foi atribuída à resposta positiva aos medicamentos administrados durante o tratamento.

Bolsonaro é atendido pelo Samu após episódio de broncoaspiração. Foto: Divulgação

Bolsonaro foi internado devido à pneumonia bacteriana decorrente de broncoaspiração. A infecção aconteceu enquanto o ex-presidente estava cumprindo pena na unidade de prisão Papudinha, onde se encontra desde janeiro deste ano, após ser transferido da Superintendência da Polícia Federal (PF).

Em setembro de 2025, o ex-presidente já havia enfrentado problemas de saúde, necessitando de atendimento médico por causa de vômitos, tontura e queda da pressão arterial. Na ocasião, ele estava em prisão domiciliar.

Em janeiro deste ano, durante sua detenção na Superintendência da PF, Bolsonaro também foi internado após sofrer um acidente dentro de sua cela, onde bateu a cabeça em um móvel. A situação fez com que ele fosse transferido para a unidade Papudinha, a pedido de seus advogados. A unidade oferece apoio médico contínuo, incluindo fisioterapia e acompanhamento 24 horas.

Embora a defesa dele tenha apresentado novos pedidos para sua prisão domiciliar, argumentando fragilidade na saúde do ex-presidente, o Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do ministro Moraes que negou as solicitações. Ele considerou que, conforme atestado pela junta médica da Polícia Federal, Bolsonaro está em condições de continuar cumprindo sua pena na unidade prisional.

Os pedidos de prisão domiciliar foram baseados na argumentação de que a saúde do ex-presidente estava comprometida, o que foi contestado por médicos e autoridades judiciais. A decisão do STF foi respaldada por laudos médicos que atestam que, apesar das condições de saúde, ele está apto a permanecer na prisão com a assistência necessária.

Dino acaba com aposentadoria compulsória como maior punição para juízes; entenda

16 de Março de 2026, 12:47
O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino. Foto: Divulgação

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu que a maior punição para juízes e ministros do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) que cometerem infrações disciplinares será a perda do cargo, em vez da aposentadoria compulsória. A medida, anunciada nesta segunda (16), modifica as regras estabelecidas pela Lei Orgânica da Magistratura.

Agora, a perda de cargo é a maior pena para casos graves, o que significa que o magistrado perderá seu cargo e o respectivo salário, algo que antes não acontecia com a aposentadoria compulsória. A aposentadoria compulsória permitia que os magistrados se afastassem do trabalho, mas continuassem recebendo salário proporcional ao tempo de serviço.

Dino, em sua decisão, afirmou que “casos graves, à luz da Constituição, devem ser punidos com a perda do cargo”, o que exigirá uma ação judicial para ser concretizado. A mudança na legislação foi impulsionada por uma emenda de 2019 que revogou a aposentadoria compulsória punitiva.

O ministro mencionou que a antiga prática não fazia mais sentido em um sistema de responsabilidade disciplinar, já que permitia que magistrados se mantivessem imunes a sanções eficazes.

Prédio do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Foto: Divulgação

A perda do cargo será aplicada, mas ainda precisa ser aprovada pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e, caso a decisão seja favorável, será encaminhada para ação judicial no STF. Se o conselho aprovar a perda do cargo, a ação deverá ser ajuizada no STF pela Advocacia Geral da União (AGU).

A decisão de Dino foi tomada após a análise de um caso envolvendo um juiz afastado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que buscava reverter sua aposentadoria compulsória. Ele foi acusado de diversas condutas irregulares, como favorecer grupos políticos locais, liberar bens bloqueados sem a devida manifestação do Ministério Público (MP), e direcionar ações para conceder liminares a favor de policiais militares milicianos.

A defesa do magistrado, que havia sido punido com aposentadoria compulsória pelo CNJ e pelo TJ-RJ, recorreu ao STF para anular as decisões. O juiz atuava na Comarca de Mangaratiba (RJ) e foi afastado após o conselho comprovar que ele havia cometido diversas irregularidades, incluindo favorecimento de policiais e manipulação de processos judiciais.

Bolsonaristas hostilizam jornalistas na porta de hospital e caso vai parar na polícia

16 de Março de 2026, 12:03
Hospital DF Star, em Brasília. Foto: Reprodução

Três jornalistas, que preferem não se identificar, registraram boletins de ocorrência após sofrerem uma onda de intimidação de seguidores de Jair Bolsonaro em Brasília, segundo a Carta Capital. O caso teve início com um vídeo publicado por Cris Mourão, extremista que acusou os profissionais de imprensa em frente ao Hospital DF Star de estarem torcendo pela morte do ex-presidente.

A gravação foi amplificada quando Michelle Bolsonaro (PL) compartilhou o conteúdo em seu Instagram, com mais de 8 milhões de seguidores, incitando uma nova onda de ataques. O deputado federal Mário Frias (PL-SP) também contribuiu para a propagação do episódio ao publicar um vídeo, que depois foi deletado, onde acusava os jornalistas de desejar a morte de Bolsonaro.

A situação ganhou mais força no sábado (14), quando Michelle compartilhou o vídeo da militante, desencadeando uma campanha de ataques online e offline contra os repórteres.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) acionaram a Secretaria de Segurança Pública e o Ministério Público e estudam ações jurídicas para evitar que a agressão a jornalistas se torne um novo precedente.

Os familiares dos profissionais também têm sofrido ataques. O filho de um dos jornalistas foi alvo de uma campanha de intimidação nas redes.

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) condenou a atitude de Michelle Bolsonaro ao compartilhar o vídeo sem nenhuma contestação, chamando a atenção para a continuidade da violência contra jornalistas desde o período de 2019 a 2022, quando episódios semelhantes ocorreram sob o governo de seu marido.

“O episódio remete ao período de 2019 a 2022, em que a violência contra jornalistas foi praticada e estimulada diretamente pelo próprio Bolsonaro, então presidente da República, por meio de diversos episódios de triste memória”, disse a ABI.

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) afirmou que é “inadmissível que parlamentares e figuras com espaço no debate público utilizem sua influência para orquestrar campanhas de difamação e incitar agressões contra profissionais de imprensa”.

A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) e o SJPDF (Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal) emitiram uma nota conjunta cobrando que as empresas que contrataram os profissionais “proporcionem condições seguras de trabalho” e “ofereçam apoio jurídico aos e às jornalistas e garantam o afastamento do local da cobertura caso as e os jornalistas não se sintam seguros para exercer seus trabalhos”.

“Estamos vendo o começo do fim do regime israelense”, avalia intelectual iraniano

15 de Março de 2026, 19:54
Nuvem de fumaça após ataque ao Irã. Foto: Reprodução

Editado por: Rodrigo Gomes

Nunca antes na história, um país conseguiu causar tantos danos a bases estadunidenses pelo mundo, nem causar tanta destruição no território que Israel ocupa ilegalmente na Palestina, quanto o Irã nos últimos 13 dias. Segundo o apresentador e ex-membro do parlamento britânico, George Galloway, algumas de suas fontes anônimas em Tel Aviv têm reportado que partes da cidade agora se assemelham a Gaza, cruelmente bombardeada pelo regime sionista.

Prestes a completar duas semanas de resistência, o Irã parece estar dando as cartas na guerra neste momento, e pode ditar os termos do fim do conflito. Nos últimos dias, segundo alguns meios ocidentais, o governo iraniano teria sido procurado duas vezes pelo enviado especial de Donald Trump, Steve Witkoff, para sondagens a respeito de possíveis negociações. Teerã teria recusado o diálogo.

Após ser duas vezes traído em meio a negociações com os EUA — em junho de 2025 e março de 2026 — o governo do Irã não vê sentido em negociar agora. Ali Larijani, presidente do Conselho Supremo de Segurança do Irã, respondendo a um post de Donald Trump, que afirmava que os EUA deveriam ganhar a guerra em breve, afirmou que “começar uma guerra é fácil, mas seu fim não se consegue com alguns tuítes. Não os deixaremos em paz até que aceitem seu erro e paguem por ele”.

Autoridades persas têm afirmado que mal começaram a empregar seus mísseis mais sofisticados, enquanto as defesas estadunidenses e israelenses já começam a dar sinais de esgotamento. Também segundo meios ocidentais, os alarmes antimísseis em Tel Aviv, por exemplo, têm soado somente segundos antes de mísseis atingirem a capital do país, em vez dos 10 minutos tradicionais.

Enquanto isso, o recém eleito líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, fez seu primeiro pronunciamento oficial ao povo iraniano e deixou clara a intenção do governo revolucionário islâmico: “de qualquer forma, obteremos reparações do inimigo. Se ele se recusar, tomaremos de seus bens o montante que considerarmos adequado; e se isso também não for possível, destruiremos seus bens na mesma proporção”.

O aiatolá também fez um alerta aos países árabes da região, clamando para que fechem as bases estadunidenses de seus territórios, ou elas continuarão a ser atacadas. A essa altura, apesar dos inúmeros bombardeios sofridos em seu território e de mais de 1.200 pessoas assassinadas, impressiona a autoconfiança das lideranças iranianas, levando a crer que possuem total controle sobre a situação e têm clareza de sua estratégia.

O mesmo não pode ser dito das lideranças em Washington, que têm emitido mensagens contraditórias nos últimos dias, ao mesmo tempo em que vazamentos na mídia estadunidense dão notícia de inúmeras mudanças de sua estratégia desde o começo da guerra.

O Brasil de Fato conversou com um dos intelectuais iranianos mais conhecidos fora de seu país, Mohammad Marandi, professor de literatura e especialista em geopolítica, da Universidade de Teerã. Ele foi um dos consultores do governo iraniano nas negociações do JCPOA (2015-2018), que tentavam regular o programa nuclear iraniano em troca do alívio das sanções contra o país da Ásia Ocidental. Marandi acredita que “o sucesso impressionante do Irã nas últimas semanas é uma grande vitória para a humanidade. E é uma ótima notícia para a maioria global, porque lhes dará poder diante do império. Isso criará uma maior autoconfiança entre as nações”.

Confira abaixo a entrevista completa:

Brasil de Fato: No segundo dia da guerra, o líder supremo aiatolá Ali Khamenei foi assassinado em um bombardeio ao complexo onde vivia e trabalhava. Autoridades iranianas afirmaram que Khamenei se recusou a esconder-se em um abrigo, insistindo em permanecer nas mesmas condições que o resto da população. O que explica essa atitude por parte do líder de uma nação em guerra? Quais são as consequências dessa perda para a revolução islâmica?

Mohammad Marandi: O aiatolá Khamenei foi assassinado logo no início deste ataque ilegal. Ele estava em seu escritório, trabalhando, e seu escritório fica bem ao lado de sua residência. Ele se recusou a sair porque disse às pessoas que muitos iranianos, devido às sanções, estão passando por dificuldades e não têm para onde ir. Enquanto eles não tiverem para onde ir, eu não vou embora. Ele acreditava que seu escritório e sua residência eram alvos principais. Que, se a guerra recomeçasse, esse seria o primeiro lugar que eles atacariam.

Mas ele se recusou a ir e sua família se recusou a deixá-lo. E assim, seu heroísmo ressoa por todo o Irã. Ele sempre foi uma figura muito popular. Era um guerreiro da justiça social. Apoiava movimentos anti-imperialistas em todo o mundo e, claro, na Palestina. Ele era altamente educado, muito culto, profundamente conhecedor de literatura e fluente em quatro idiomas. Mas esse sacrifício que fez teve um enorme impacto na sociedade iraniana e fortaleceu a resistência e a resiliência do povo iraniano. Uniu-os ainda mais do que antes.

Trump foi eleito com a promessa de “chega de guerras” — uma das plataformas do Maga (sigla em inglês de Faça a América Grande Novamente — e pesquisas de opinião pública nos EUA mostram que menos de 30% da população apoia a guerra contra o Irã. Há alguns dias, Tucker Carlson, um dos líderes do Maga e apoiador de Trump, disse que os ataques dos EUA e de Israel são “malignos e repugnantes”. Por outro lado, esta guerra está fazendo com que os preços da energia (petróleo e gás natural) disparem, o que deve aumentar a inflação nos EUA (e em grande parte do mundo) e o custo de vida da população. A popularidade de Trump já é muito baixa, e este contexto aumenta suas chances de derrota nas eleições de meio de mandato em novembro. Ele mesmo afirmou recentemente que, se perder o controle das duas Casas, poderá enfrentar um impeachment. Diante de riscos políticos tão grandes, o que explica a decisão da Casa Branca de provocar essa guerra? Como você interpreta o discurso de Trump na última segunda (9), afirmando que a missão de sua guerra está quase concluída?

Acho que a razão pela qual ele disse que a missão está quase concluída e que eles venceram a guerra, apesar do fato de que, obviamente, eles estão perdendo, os Estados Unidos estão perdendo feio nesta guerra, é porque ele está buscando uma saída. Mas o Irã não lhe dará uma saída tão facilmente. Há condições que terão que ser cumpridas. Trump assumiu, como você corretamente apontou, com uma plataforma declarando que não haveria mais guerras. Mas ele está profundamente sob a influência dos sionistas.

Agora, seja porque eles estão fazendo chantagem e têm fotos ou filmagens dele nos arquivos de Epstein, ou seja, porque ele está cercado por sionistas — seu genro é sionista, seus amigos mais próximos são sionistas, sua equipe é toda sionista — eles colocam Israel em primeiro lugar, não os Estados Unidos. Ou pode ser uma combinação de todas essas coisas. Que eles têm informações comprometedoras sobre ele, mas também que ele está cercado por essas pessoas.

Mas, de qualquer forma, a razão pela qual a guerra aconteceu, é porque é do interesse do sionismo. É do interesse da classe Epstein, não do interesse do povo americano. É contra os interesses do povo americano. É contra os interesses do mundo. O mundo está pagando um preço agora, um preço econômico, porque os sionistas querem a guerra.

Presidente dos EUA, Donald Trump — Foto: REUTERS/Nathan Howard

Nas semanas que antecederam a guerra, vários analistas políticos e militares afirmaram que a China havia enviado equipamentos sofisticados de inteligência – como o navio Oceano Um e radares capazes de detectar aeronaves furtivas. Também há rumores de que a Rússia está fazendo algo semelhante. Pequim e Moscou emitiram declarações apoiando a soberania iraniana e criticando duramente os ataques criminosos dos EUA e de Israel. Ao mesmo tempo, a China recomendou cautela na contraofensiva do Irã em países da região, por exemplo, ataques a refinarias e fábricas de petróleo e gás na Arábia Saudita e no Catar. Há também rumores de que a Rússia está se oferecendo para mediar as negociações entre Teerã e seus vizinhos, e Putin conversou por telefone com Trump na segunda (9). Você concorda com essas análises? Como você avalia os possíveis desdobramentos nas relações do Irã com dois de seus parceiros mais estratégicos?

As capacidades do Irã são principalmente autóctones. Os mísseis, os drones, as bases subterrâneas, as fábricas subterrâneas que produzem mais mísseis e drones. A tecnologia autóctone está por trás de tudo isso. Tecnologia de ponta. É um sinal do brilhantismo iraniano que tenhamos criado uma capacidade militar tão eficaz contra a superpotência mundial e a coalizão que trabalha para ela. Porque todo o Ocidente está apoiando o regime genocida sionista e o regime de Trump nesta guerra.

E o mesmo vale para os representantes regionais, as ditaduras familiares árabes no Golfo Pérsico, Erdogan na Turquia, todos eles estão no campo americano. Então, acho que é bastante impressionante que o Irã tenha tanto sucesso. É extraordinário. Mas a relação do Irã com a Rússia e a China é muito boa. Eles se aproximaram ao longo dos anos. Após a Guerra dos 12 Dias, eles se aproximaram ainda mais. E, obviamente, a Rússia, a China e o Irã, nenhum de nós quer que a economia global entre em colapso.

Por isso, procuram uma saída para esta crise. O Irã nunca deixou de se preocupar. O Irã não quer esta guerra. O Irã quer que todos possam continuar com os seus negócios e quer poder continuar com os seus próprios negócios. Mas, para que isso aconteça, certas condições têm de ser cumpridas. Tem que haver reparação para todos os assassinatos e a destruição.

Os direitos e a soberania do Irã têm que ser reconhecidos. Tem de haver garantias reais de que os Estados Unidos nunca possam fazer isso de novo. Caso contrário, um cessar-fogo agora significaria, basicamente, que os americanos nos atacariam novamente, em alguns meses. Assim como vimos há oito, nove meses.

Apesar do enorme poder das forças armadas dos EUA e de Israel, muitos analistas militares afirmam que a indústria bélica dos EUA tem, atualmente, uma capacidade relativamente baixa para reabastecer seus estoques de armas a fim de enfrentar seus desafios. Por outro lado, analistas também afirmaram que, nestes primeiros dias de guerra, o Irã tem usado principalmente seus estoques de drones e mísseis antigos para desgastar as defesas do inimigo, e que está começando a usar seus mísseis mais sofisticados a partir de agora. Você concorda com essa análise? O que podemos esperar da resistência iraniana nos próximos dias?

Sim, essa análise está correta. Os iranianos têm usado primeiro todos os seus estoques antigos. E mesmo essas armas antigas têm causado danos devastadores. Elas não apenas esgotaram grande parte das defesas aéreas americanas e israelenses, mas muitas delas também conseguiram passar. E assim, gradualmente, os iranianos também estão usando tecnologias mais novas.

Eles ainda estão usando os mísseis e drones mais antigos, mas também os estão combinando com tecnologias mais novas. Mas as tecnologias mais recentes ainda não estão sendo usadas. Portanto, o Irã tem capacidade para continuar esta guerra até as eleições de meio termo nos EUA [novembro] e para além delas. Isto chocou os americanos. E o que também é importante é a fraqueza dos serviços secretos americanos e israelitas. Porque estimavam que os mísseis do Irã eram limitados. Mas agora vemos que o Irã está disparando drones e mísseis sem parar. Portanto, o Mossad e a CIA obviamente subestimaram muito.

Desde o fim da Guerra Fria (1991), os EUA se envolveram em inúmeras guerras, mas sempre com adversários militares muito mais fracos, como o Iraque (1991), a antiga Iugoslávia (1999), o Iraque (2003), o Afeganistão (2003), a Líbia (2010), a Síria (desde 2014), entre outros. O Irã parece ser o primeiro adversário capaz de responder adequadamente aos ataques dos EUA – e de Israel, simultaneamente. Independentemente do resultado final desta guerra, o Irã já alcançou feitos históricos, como atacar e praticamente destruir quase 20 bases americanas no oeste da Ásia , incluindo radares sofisticados – que custaram muitos bilhões de dólares – e infligir danos sem precedentes a Israel. Na sua opinião, quais são as possíveis consequências históricas de tais feitos iranianos? O Irã pretende expulsar os EUA da região para sempre?

Sim, o Irã quer garantir que, no futuro, os Estados Unidos não possam mais impor sua hegemonia sobre esta região e que se comportem como um país normal. O sucesso impressionante do Irã nas últimas semanas é uma grande vitória para a humanidade. E é uma ótima notícia para a maioria global, porque lhes dará poder diante do império. Isso criará uma maior autoconfiança entre as nações.

A resiliência do Irã, a resiliência do povo iraniano é única. E eles foram capazes de fazer o que todos pensavam ser impossível. Todos pensavam que o Irã entraria em colapso. Nós nunca pensamos isso. Mas fora do Irã, todos pensavam que isso seria moleza para os Estados Unidos. Portanto, o Irã está prestando um grande serviço à humanidade e esperamos que o mundo seja capaz de se libertar do jugo desse império maligno.

Durante décadas, o Irã vem implementando um plano estratégico — baseado no conceito de “economia de resistência” — para alcançar excelência tecnológica em certos setores, como energia nuclear, nanotecnologia, IA, medicina, aeroespacial e mísseis. Para começar, o país garantiu a massificação do ensino superior, que saltou de 175 mil estudantes, em 1979 (ano da revolução), para 4,8 milhões, em 2015. O Irã também se destaca hoje como um dos países que mais forma engenheiros no mundo (variando entre o 5º e o 7º lugar, dependendo do ano). É essa estratégia — que, aliás, se assemelha ao modelo chinês — que explica a resiliência do Irã nesta guerra, bem como sua capacidade de desferir um golpe contra a presença neocolonial dos EUA na região? Como essa estratégia foi debatida e desenvolvida no país? Qual foi o papel do líder supremo Ali Khamenei nessa estratégia?

O aiatolá Khamenei foi a figura-chave que promoveu a economia de resistência. Na verdade, essa expressão foi algo que ele começou a usar publicamente. E houve muita resistência em diferentes administrações a esse conceito. Se tivessem dado ouvidos a ele, estaríamos em uma posição ainda melhor hoje.

Mas os iranianos optaram por desenvolver suas próprias capacidades, sejam elas civis ou militares, escolheram um caminho independente na política externa, escolheram um caminho de independência na agricultura, na indústria e nos campos de alta tecnologia.

E, claro, tudo isso aconteceu sob sanções de pressão máxima, múltiplas guerras e terrorismo. Vimos há apenas alguns meses como a Mossad nos Estados Unidos matou centenas de policiais e voluntários nas ruas de diferentes cidades, criou um caos em massa e destruiu tantos serviços públicos.

Eles estão constantemente tentando minar o país, criar destruição. Vimos a guerra que eles travaram há oito, nove meses. Há 47 anos, eles vêm tentando minar o Irã. No entanto, sob essas sanções de pressão máxima, sob a guerra e apesar das guerras, do terrorismo e da propaganda anti-iraniana que espalham pelo mundo através de sua poderosa mídia, o Irã sobreviveu e prosperou e hoje está humilhando os Estados Unidos no campo de batalha.

De acordo com vários meios de comunicação ocidentais e regionais, Israel impôs um regime de censura rigoroso às imagens dos danos causados pelos ataques iranianos em Tel Aviv e outras cidades israelenses, tanto para canais de televisão como para vídeos de telemóveis gravados por cidadãos comuns. Por outro lado, há rumores nas redes sociais de um elevado número de vítimas em Israel e nos EUA, incluindo militares, agentes de inteligência (CIA e Mossad) e civis. Que dados públicos o governo iraniano tem sobre as baixas inimigas neste momento? Apesar da censura, imagens recentes de um ataque sem precedentes a Tel Aviv circularam pelo mundo. Há rumores de que o irmão de Netanyahu teria morrido e que o ex-ministro e líder de extrema direita Ben-Gvir estaria gravemente ferido. O governo iraniano confirma essas informações?

O que se pode dizer é que a devastação em toda a Palestina ocupada é enorme. E o próprio fato de haver uma censura sem precedentes e de o Ocidente concordar com ela mostra que as coisas estão muito ruins. Mas também mostra que a liberdade de informação é um absurdo no Ocidente. Eles só querem liberdade de informação quando isso serve aos seus interesses.

Mas quando isso vai contra seus interesses, não só o regime israelense pode impor censura, ou censura total, como todo o Ocidente vai cooperar com ele. Portanto, acho que isso expõe ainda mais a natureza da mídia ocidental, dos governos ocidentais e das instituições ocidentais. Mas o dano causado ao regime israelense é irreversível. No futuro, ninguém vai investir em Israel porque sabem que ele sempre será vulnerável.

Acredito que estamos vendo o começo do fim do regime israelense. O mundo o odeia por causa do genocídio em Gaza, dos ataques genocidas no Líbano e das guerras intermináveis. Mas o regime também se mostrou vulnerável, extremamente vulnerável.

E o mesmo se aplica a todos os representantes americanos no Golfo Pérsico, os sauditas, os emirados, os kuwaitianos, os bahreinitas, o governo de Omã, todos eles basicamente se permitiram ser ferramentas dos Estados Unidos. Permitiram que as bases americanas fossem usadas contra o Irã. E, no futuro, nunca mais terão o status que tinham há duas semanas, antes da guerra.

A Assembleia de Especialistas anunciou esta semana (8) a eleição do novo líder supremo do Irã, o filho do aiatolá Ali Khamenei. Como é escolhida a Assembleia de Especialistas? Quais foram os critérios para a eleição do novo líder, o aiatolá Mujtaba Khamenei? Quais são as características pessoais e políticas que se destacam no novo líder? O que esperar de sua liderança?

Os membros da Assembleia de Peritos são todos juristas de alto nível. E são eleitos a cada oito anos. E decidem quem se torna líder. Podem escolher o líder e podem destituí-lo, de acordo com a Constituição. Esse é o seu papel. E supervisionam o que o líder faz. Escolheram o aiatolá Mujtab al-Khamenei, que é um académico de alto nível em seminários. É um jurista. Ensina investigadores e estudantes de alto nível há 20 anos.

Mas ele também esteve no gabinete do líder todos esses anos. Portanto, ele é altamente educado, é um acadêmico sênior, mas também está muito familiarizado com o que acontece na política externa iraniana, assuntos militares, economia e assim por diante. Ele sempre teve muito cuidado para que nenhum de seus filhos tivesse negócios. Não que ele fosse contra o setor privado, mas ele se opunha a que qualquer membro de sua família imediata tivesse qualquer envolvimento com o setor privado.

Portanto, todos os seus filhos, filhas, noras e genros, são todos acadêmicos ou professores. O aiatolá Mojtaba Khamenei também tem um estilo de vida muito simples, como seu pai. E ele está muito familiarizado com o funcionamento do Estado. Acredito que ele é um defensor, como seu pai, dos oprimidos. É por isso que o Irã tem ajudado países como Cuba, Venezuela e Nicarágua sob sanções, ou a resistência no sul da África e, claro, o povo da Palestina e outros povos oprimidos pelo império.

Portanto, em relação à política externa do Irã, em geral, estou confiante de que veremos continuidade na nossa visão de mundo política. Além disso, o aiatolá Mojtaba Khamenei, o novo líder, nunca foi uma figura pública. Ele nunca apareceu na TV. Ele nunca foi visto na TV. Nem nenhum dos filhos do aiatolá Khamenei. Então, ele era apenas um estudioso. Ele era um estudioso, mas também trabalhava e ajudava seu pai em seu escritório.

Publicado originalmente no Brasil de Fato

PT promove encontro de jovens parlamentares em Brasília

15 de Março de 2026, 19:14
Primeiro Encontro de Jovens Parlamentares, que reunirá centenas de representantes dos parlamentos de diversas regiões do país. Foto: Divulgação

Nos dias 16 e 17 março de 2026, Brasília será palco de um evento histórico para a política brasileira. O Partido dos Trabalhadores (PT) realizará o Encontro Nacional de Parlamentares Jovens Petistas, um evento que reflete um movimento de renovação geracional e diversidade, com o objetivo de fortalecer a presença de jovens no cenário político.

O evento será um espaço de diálogo e articulação, reunindo lideranças históricas e jovens parlamentares eleitos nas últimas eleições municipais. O encontro, que vai além de uma simples agenda institucional, busca consolidar o movimento que, nas últimas eleições, elegeu 562 vereadores e vereadoras entre 18 e 35 anos.

Esses jovens parlamentares representam um novo capítulo na política, especialmente nas periferias e pequenos municípios, onde as demandas por renovação política são cada vez mais urgentes. A proposta do evento é transformar a potência das urnas em uma rede de sustentação política permanente, fortalecendo o protagonismo jovem dentro do PT e nas câmaras municipais de todo o país.

A programação do encontro será dividida em blocos temáticos que abrangem tanto a articulação com o Governo Federal quanto a troca de experiências sobre como os mandatos jovens podem territorializar as políticas públicas.

O evento contará com oficinas práticas sobre o “Modo Petista de Legislar”, focando na comunicação política e no enfrentamento da extrema-direita, temas fundamentais para a formação desses novos parlamentares.

Entre os nomes confirmados no evento, estarão figuras históricas do PT, como Zé Dirceu, Edinho Silva, presidente nacional do partido, Luna Zarattini, vereadora eleita com 100 mil votos em São Paulo, Valter Pomar, secretário nacional de formação do PT, e Anne Moura, secretária executiva nacional da sigla.

Para a secretária nacional de juventude do PT, Julia Köpf, o Encontro Nacional de Parlamentares Jovens Petistas é uma oportunidade única para qualificar a atuação dos jovens dentro do partido.

“Estamos reunindo a juventude que faz a política acontecer lá na ponta para garantir que esses mandatos não fiquem isolados. Nossa missão é qualificar a incidência desses jovens nas câmaras municipais, oferecendo ferramentas para que o ‘Modo Petista de Legislar’ se traduza em políticas públicas reais para quem mais precisa”, afirmou Julia.

Köpf destacou que o encontro visa fortalecer a juventude política como uma rede de apoio mútuo, para que os jovens vereadores e vereadoras se sintam parte de um projeto nacional de defesa da democracia e enfrentamento ao extremismo. “Queremos que esses mandatos se tornem verdadeiramente populares, com propostas que atendam às necessidades das comunidades e enfrentem a crescente onda de extremismo”, completou a secretária.

O grande objetivo do encontro será a consolidação de uma “Agenda Nacional de Atuação”. Essa agenda terá como propósito não apenas fortalecer a rede de apoio dos jovens parlamentares, mas também coordenar propostas legislativas que enfrentem o extremismo e defendam a democracia em todos os cantos do Brasil.

O encontro será uma oportunidade para os jovens parlamentares saírem de Brasília com uma missão clara e com um conjunto de ações concretas a serem implementadas em seus respectivos municípios.

O encontro também traz consigo uma mensagem poderosa sobre o processo de renovação política. Como destacou Julia Köpf, “renovar não é apenas trocar a data de nascimento no documento de identidade; é renovar os sujeitos, as vozes e as narrativas que fazem a nossa democracia ser, verdadeiramente, popular.”

A evidente psicopatia dos Bolsonaros nos pulinhos de júbilo de Flávio com o pai na UTI

15 de Março de 2026, 18:05
Flávio Bolsonaro pula de alegria em comício em Rondônia com o pai na UTI

No último sábado (14), Flávio Bolsonaro foi flagrado durante um evento político em Ji-Paraná, Rondônia, pulando e sorrindo em júbilo, atitude reveladora de seu caráter, considerando a gravidade do estado de saúde de seu pai, Jair Bolsonaro, internado na UTI do hospital DF Star, em Brasília.

Enquanto o ex-presidente passa por uma broncopneumonia bacteriana bilateral, com um quadro exigindo cuidados intensivos e acompanhamento médico rigoroso, o comportamento do filho se mostra, no mínimo, indigno.

Durante o evento, promovido pelo PL, Flávio Bolsonaro demonstrava entusiasmo incontido, sorrindo enlouquecidamente. O comportamento do senador e presidenciável repete a falta de empatia e decência que o próprio Jair exibiu no momento em que milhares de brasileiros morriam durante a pandemia de Covid-19.

Em sua defesa, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais, justificando sua presença no evento como um compromisso político. E daí?

Ele afirmou que, após o evento, foi diretamente ao hospital em Brasília para visitar o velho e dar-lhe boas notícias sobre o lançamento da chapa de pré-candidatos em Rondônia.

Jair Bolsonaro apresentou melhora em sua função renal, mas teve piora nos indicadores inflamatórios e precisou ampliar a cobertura de antibióticos.

Carlos Bolsonaro, irmão de Flávio, se manifestou em defesa do irmão, alegando que o comportamento de Flávio é uma forma de honrar os pedidos de seu pai e manter o ânimo durante um momento difícil.

Como sempre digo, para o clã Bolsonaro vale tudo pelo poder. Basta observar a alegria do filho 01 durante um ato político, mesmo com o pai na UTI e, segundo ele próprio, em estado muito grave de saúde. pic.twitter.com/9MWvf872sM

— Carlos Zarattini (@CarlosZarattini) March 15, 2026

Na verdade, eles se odeiam e disputam o legado do morto-vivo. De um lado os três irmãos, do outro Michelle com Nikolas Ferreira, parte do Centrão o que restou de Tarcísio de Freitas.

A ex-primeira-dama joga pesado também. Divulgou um vídeo em que uma influenciadora bolsonarista acusa jornalistas de “desejarem” a morte do marido. Os repórteres estavam do lado de fora do hospital para acompanhar as atualizações sobre o estado de saúde do ex-mandatário.

O vídeo, que não mostra os supostos comentários feitos pelos jornalistas, é acompanhado de uma legenda que afirma: “jornalistas reunidos desejando a morte de Bolsonaro e comemorando por ser sexta-feira 13”. No registro, a influenciadora grita com os repórteres e filma o crachá de uma assessora do hospital, acusando os profissionais de imprensa de “falta de vergonha”.

Dois jornalistas registraram boletins de ocorrência por intimidação. Um deles, que teve seu filho ameaçado, decidiu fechar suas redes sociais. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) se manifestou publicamente, repudiando “veementemente as ameaças, a difamação e a exposição violenta de jornalistas e seus familiares” após a divulgação do vídeo, classificando-o como “irresponsável”.

Erika Hilton acusa Ratinho Jr. de proteger suspeito de estupro em escola cívico-militar

15 de Março de 2026, 16:45
A deputada federal Erika Hilton. Foto: Divulgação

A deputada federal Erika Hilton fez uma grave denúncia contra o governo do Paraná, liderado pelo pré-candidato à Presidência, Ratinho Jr. Ela afirmou que o estado manteve em atividade um militar acusado de abusar sexualmente de pelo menos nove meninas em uma escola cívico-militar do Paraná, mesmo após o caso ser investigado.

A parlamentar cobrou medidas enérgicas e afirmou que o militar, em vez de ser afastado, foi transferido para o setor administrativo. Em suas redes sociais, Erika Hilton compartilhou detalhes da denúncia, destacando o fato de o acusado ter continuado trabalhando na escola por dois anos após as acusações.

“Estou denunciando o governo de Ratinho Jr. por manter um militar investigado por estupro de vulnerável trabalhando numa escola cívico-militar do Paraná. O militar, acusado de abusar de ao menos nove meninas de 11 a 13 anos, continuou na escola por dois anos após as denúncias”, escreveu a deputada.

Além da transferência para um setor administrativo, Hilton destacou o risco que essa decisão representou para a segurança das crianças.

“Sabem qual foi a medida tomada? O militar, que antes era inspetor, foi transferido para o setor administrativo da mesma escola. Ou seja, um militar, com direito ao porte de arma, acusado de estupro de vulnerável, possivelmente passou a ter acesso aos endereços e imagens das vítimas e de outras meninas”, afirmou a deputada.

🚨 Estou denunciando o governo de Ratinho Jr. por manter um militar investigado por estupro de vulnerável trabalhando numa escola cívico-militar do Paraná.

O militar, acusado de abusar de ao menos nove meninas de 11 a 13 anos, continuou na escola por dois anos após as denúncias.… pic.twitter.com/BJiUgL1OHJ

— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) March 15, 2026

O caso ganha contornos ainda mais intensos devido ao recente confronto entre a deputada e o pai do governador, o apresentador de TV Ratinho. A polêmica surgiu a partir de declarações transfóbicas feitas por Ratinho em seu programa no SBT.

Ele criticou a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, afirmando que a parlamentar “não é mulher, ela é trans”.

O apresentador, durante a transmissão ao vivo, também questionou a justiça de uma mulher trans ocupar o cargo, afirmando que a posição deveria ser destinada a uma mulher cisgênero.

A deputada protocolou solicitações de investigação criminal por transfobia, solicitou reparação por danos morais coletivos ao Ministério Público Federal e pediu ao Ministério das Comunicações a suspensão do programa por 30 dias.

O MPF do Rio Grande do Sul ajuizou uma ação civil contra o apresentador, requerendo uma indenização de R$ 10 milhões. De acordo com o órgão, houve discurso de ódio e desumanização da identidade de gênero da comunidade LGBT+.

Gleisi desmente editorial da Folha e defende ações do governo Lula no combate à corrupção

15 de Março de 2026, 16:23
A ministra Gleisi Hoffmann. Foto: Divulgação

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, fez duras críticas a um editorial publicado neste domingo (15) pela Folha. No texto, o jornal aborda o que classifica como combate à corrupção no governo do presidente Lula.

Gleisi acusou a publicação de distorcer os fatos ao tratar das investigações envolvendo fraudes contra aposentados e irregularidades no caso Master. Afirmou que a Folha apresentou uma versão equivocada dos eventos.

A ministra destacou que as investigações, que ganharam visibilidade recentemente, não foram frutos de pressões políticas ou de reportagens do jornal, mas sim de ações coordenadas por instituições responsáveis pela fiscalização, como a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU). Ela também mencionou a participação do Banco Central em um dos casos investigados, enfatizando a atuação conjunta das instituições públicas.

“Editorial na capa da @folha corrompe a realidade ao tratar do combate à corrupção no governo do presidente @LulaOficial. Quem ‘rompeu o silêncio’ sobre o roubo dos aposentados e as fraudes no Master foi a ação conjunta da Polícia Federal com a CGU no primeiro caso, e o Banco Central, no segundo”, escreveu a ministra.

Ela também afirmou que o jornal ignora o papel essencial das instituições responsáveis pela apuração desses episódios. E reiterou que os escândalos investigados têm origem em períodos anteriores à atual gestão, ou seja, tudo começou durante o governo de Jair Bolsonaro.

Editorial na capa da @folha corrompe a realidade ao tratar do combate à corrupção no governo do presidente @LulaOficial. Quem “rompeu o silêncio” sobre o roubo dos aposentados e as fraudes no Master foi a ação conjunta da Polícia Federal com a CGU no primeiro caso, e o Banco…

— Gleisi Hoffmann (@gleisi) March 15, 2026

Gleisi argumentou que os problemas relacionados às fraudes contra aposentados e ao caso Master não foram identificados pelo jornal no momento em que ocorreram. “Ambos os escândalos, que nasceram e se desenvolveram durante o governo Bolsonaro, nunca foram percebidos pelo jornal antes da ação das autoridades responsáveis neste governo”, afirmou.

Segundo a ministra, as investigações seguem os procedimentos legais estabelecidos, sempre com a supervisão do Poder Judiciário, como determina a lei. Gleisi ressaltou que as apurações estão sendo conduzidas sem qualquer interferência política, conforme a orientação do presidente Lula. “Importante frisar também que as investigações policiais ocorrem sob a supervisão do Judiciário, como a lei exige, sem qualquer interferência política por parte do governo, uma postura sempre orientada pelo presidente Lula”, disse.

Ela também abordou o papel da imprensa no sistema democrático, destacando a importância da liberdade de atuação dos veículos de comunicação. No entanto, criticou a Folha de S.Paulo por, em sua visão, interpretar de forma equivocada o cenário político. “A imprensa cumpre seu papel na democracia, que foi ameaçada pelo governo anterior, não por este, caso a Folha tenha se esquecido da história recente do país”, completou a ministra.

Fake news compartilhada por Michelle provoca ataques e ameaças de morte a jornalistas

15 de Março de 2026, 15:46
Michelle Bolsonaro e Carlos Bolsonaro participam de coletiva de imprensa em frente ao hospital DF Star. Foto: Divulgação

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou em seu perfil no Instagram um vídeo de uma influenciadora bolsonarista que acusava jornalistas de “desejarem” a morte do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A postagem foi feita enquanto os jornalistas acompanhavam do lado de fora do hospital DF Star as atualizações sobre o estado de saúde do ex-presidente. A gravação, tirada de contexto, foi compartilhada sem comentários, mas gerou uma série de ameaças contra os profissionais de imprensa.

O vídeo foi feito pela influenciadora no primeiro dia da internação de Bolsonaro e, sem provas, insinua que os jornalistas estavam comemorando os problemas de saúde enfrentados por Bolsonaro. “Jornalistas reunidos desejando a morte de Bolsonaro e comemorando por ser sexta-feira 13”, dizia o texto da gravação.

Michelle, que conta com mais de 8,1 milhões de seguidores, amplificou a mensagem ao compartilhar o conteúdo sem qualquer verificação prévia, gerando indignação entre os jornalistas. Após a divulgação do vídeo, ao menos dois jornalistas se tornaram alvo de ameaças de morte. Um deles registrou boletim de ocorrência devido aos ataques.

REVOLTANTE — Jornalistas se reuniram em frente ao hospital onde Jair Bolsonaro está internado, em Brasília, e foram flagrados fazendo piadas e até desejando sua morte, celebrando a sexta-feira 13. Esse é o “jornalismo” que vive pregando empatia e respeito? pic.twitter.com/p7xhMLKOEL

— MSP – Brazil Sem Picanha (@mspbra) March 13, 2026

As ameaças começaram a surgir nas redes sociais e também em encontros presenciais. Em um dos casos, foi publicado um vídeo gerado por inteligência artificial simulando que uma jornalista seria esfaqueada. Outro jornalista recebeu ameaças direcionadas a seu filho e decidiu fechar suas redes sociais após o episódio.

Nas redes sociais, um dos ataques dizia: “Você é a vagabunda que ficou desejando a morte do Bolsonaro, né?”

Outro comentário agressivo dizia: “Agora somos nós que desejamos a sua morte!”, direcionado a uma repórter exposta no vídeo. A situação gerou uma onda de violência verbal contra jornalistas e seus familiares, levando à condenação imediata de parlamentares e ativistas pela liberdade de expressão.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) se manifestou publicamente contra os ataques, reforçando a importância da liberdade de imprensa. “Nada justifica tamanha violência contra profissionais da imprensa em pleno exercício da atividade jornalística”, disse a organização, que também pediu uma apuração rigorosa do caso e punição para os agressores.

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) também emitiu uma nota de repúdio, destacando o impacto negativo dessa campanha de desinformação contra os jornalistas.

“O vídeo, produzido por uma influenciadora bolsonarista, foi amplificado por parlamentares da extrema direita e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que o compartilharam sem qualquer verificação, disseminando mentiras e expondo profissionais de imprensa que estavam simplesmente exercendo seu trabalho.”, afirmou a Abraji.

A Polícia Militar, por sua vez, procurou os jornalistas envolvidos e os orientou a buscar apoio da equipe de segurança que estava de guarda em frente ao hospital, caso novos episódios de violência ocorressem. Depois disso, não foram registrados novos ataques.

Como a candidatura de Kim Kataguiri ao governo de SP pode acabar favorecendo o PT

15 de Março de 2026, 14:58
O deputado Kim Kataguiri. Foto: Divulgação

Dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) têm demonstrado, de forma discreta, apoio à candidatura de Kim Kataguiri, deputado federal e líder do partido Missão, ao governo de São Paulo. A aposta dos petistas é que uma disputa mais acirrada no estado, entre Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas, possa garantir a realização de um segundo turno, fortalecendo a campanha de Lula na corrida presidencial.

Em pesquisa do Datafolha divulgada no dia 8 de março, Kataguiri, que fundou o partido Missão, aparece com 5% das intenções de voto. O governador Tarcísio lidera com 44%, seguido de Haddad, com 31%. Outros possíveis candidatos, como Paulo Serra (PSDB) com 5% e Felipe D’Avila (Novo) com 3%, não devem seguir com as candidaturas, pois seus partidos têm sinalizado apoio à reeleição dele.

A presença dele como terceira via relevante poderia agitar o cenário eleitoral, abrindo caminho para um possível segundo turno. Esse resultado seria estratégico para o PT, que almeja uma palanque forte em São Paulo no segundo turno das eleições presidenciais, a fim de aumentar a competitividade contra Flávio Bolsonaro, o candidato da direita.

Em resposta à especulação sobre sua candidatura, Kim Kataguiri se mostrou irônico ao comentar o apoio implícito do PT. “Fico lisonjeado”, disse o deputado, destacando que a decisão sobre sua candidatura ao governo de São Paulo ou sua reeleição para a Câmara dos Deputados será tomada apenas em junho.

O deputado Kim Kataguiri atualmente é o líder do partido Missão. Foto: Divulgação

Atualmente, ele está se dedicado à construção das chapas do partido Missão nos estados e ao seu trabalho como líder do partido na Câmara dos Deputados. “Neste momento tenho gasto minhas energias com a construção das chapas do partido nos estados, e com o cargo de líder do Missão na Câmara, para o qual não conto com nenhuma estrutura na Casa”, afirmou Kataguiri, deixando claro que sua agenda política está focada em outras prioridades.

Apesar da ironia, a movimentação política em torno da possível candidatura de Kim não é vista como algo inesperado. O deputado, conhecido por sua postura “crítica e independente”, tem conquistado a atenção de setores que buscam uma alternativa à polarização entre PT e o bolsonarismo.

Para o PT, a chance de fortalecer a campanha presidencial de Haddad depende de uma disputa estadual acirrada. A candidatura de Kim poderia ser o elemento que faltava para criar uma polarização mais intensa, forçando um segundo turno, algo que aumentaria as chances de vitória para o partido nas eleições gerais.

Vice entra em rota de colisão com Ricardo Nunes ao denunciar corrupção na prefeitura de SP

15 de Março de 2026, 14:21
O Ricardo Nunes e o vice-prefeito Ricardo Mello Araújo. Foto: Divulgação

A relação entre o vice-prefeito de São Paulo, coronel Ricardo Mello Araújo, e o prefeito Ricardo Nunes ficou estremecida após o registro de dois boletins de ocorrência por parte do vice sem que o prefeito fosse informado. A situação causou desconforto entre os dois, com a falta de comunicação gerando embaraços e desentendimentos.

Na manhã de segunda-feira (9), Araújo registrou o boletim de ocorrência alegando que teve o celular furtado e foi alvo de uma campanha difamatória devido ao seu trabalho investigativo dentro da Prefeitura de São Paulo. O vice-prefeito afirmou à polícia que as acusações contra ele estariam ligadas às suas ações para apurar possíveis irregularidades na administração municipal, incluindo a exoneração de servidores.

Ricardo Nunes, por sua vez, só tomou conhecimento das ocorrências quando leu sobre o caso na Folha, na noite de segunda-feira. Ele tentou entrar em contato com Araújo para discutir o assunto, mas o bolsonarista não atendeu. Na tarde de sexta-feira (13), ambos ainda não haviam abordado o tema diretamente.

Segundo fontes próximas ao prefeito, houve uma sugestão de que o vice-prefeito deveria ter comunicado o ocorrido a Nunes imediatamente, considerando que qualquer suspeita envolvendo membros da administração precisa ser apurada internamente.

O vice-prefeito de São Paulo Ricardo Mello Araújo. Foto: Divulgação

A forma como o vice-prefeito relatou o caso nos boletins de ocorrência gerou preocupação, pois a narrativa apresentada levantou suspeitas sobre a integridade de toda a gestão municipal. Ele afirmou que “a verdade vai aparecer se Deus quiser”, indicando sua confiança de que o caso será esclarecido.

No boletim, o vice-prefeito relatou que soube de um suposto plano para grampear seu celular e abrir uma conta corrente em seu nome no Uruguai. “Com a finalidade de desmoralizar minha imagem, devido às minhas atitudes de depurações e exonerações que estamos fazendo na Prefeitura de São Paulo”, relatou ele, no boletim.

Segundo o coronel, o intuito seria difamar sua figura pública, associando-o à corrupção, e assim desqualificar seu trabalho à frente das apurações e exonerações realizadas na administração municipal. “A ideia seria divulgar para a imprensa, passando a imagem de corrupto desmoralizando a imagem deste vice-prefeito”, relatou, sem esclarecer se o prefeito esta por dentro desta iniciativa.

Nunes comentou o incidente publicamente, questionando o tempo que Araújo levou para registrar o boletim de ocorrência. O prefeito lembrou que o furto do celular ocorreu no dia 1º de março, durante um protesto contra o presidente Lula e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Contudo, ele só registrou o boletim de ocorrência oito dias depois, o que gerou dúvidas sobre a urgência e a seriedade da situação.

Exército gasta R$ 1,3 bi em mísseis e blindados após tensão na fronteira com a Venezuela

15 de Março de 2026, 13:58
Plano de R$ 456 bilhões do Exército entregue a Lula mira rearmar o Brasil com o míssil Matador e o novo balístico nacional S+100
Brasil aposta em mísseis nacionais para reforçar defesa e ampliar alcance estratégico, enquanto destino do projeto depende da retomada da Avibras. (Imagem: Reprodução/Avibras)

O Exército brasileiro realizou um investimento de R$ 1,27 bilhão durante o governo Lula para aquisição de mísseis anticarro e blindados anfíbios, conforme dados obtidos pela Folha de S. Paulo via Lei de Acesso à Informação. O objetivo declarado é preparar as forças terrestres para “ameaças contemporâneas e futuras”, em um contexto de crescente instabilidade geopolítica internacional.

As compras incluíram 220 mísseis anticarro em 2025, ao custo de R$ 153,8 milhões. O lote é composto por 100 mísseis Javelin FGM-148F, adquiridos junto ao governo dos Estados Unidos, e 120 mísseis 1.2 AC Max, fabricados no Brasil pela empresa SIATT, em São José dos Campos (SP). O míssil nacional utiliza um sistema de guiagem a laser e representa uma conquista tecnológica que remonta a um programa de desenvolvimento iniciado ainda na década de 1980.

O contexto de defasagem do Exército nessa área ajudou a impulsionar o programa. Antes dessa aquisição, especialistas apontavam que o Brasil estava atrás de vizinhos sul-americanos em capacidade anticarro, com armamentos de alcance muito inferior aos tanques argentinos, chilenos e peruanos. A crise envolvendo a Venezuela e a Guiana, no fim de 2023, atuou como gatilho decisivo: a possibilidade de tropas de Nicolás Maduro invadirem o território guianês cruzando a fronteira brasileira levou à mobilização de tropas para Roraima e acelerou a percepção da necessidade de modernização .

O Exército justificou oficialmente os gastos citando lições aprendidas em conflitos atuais. Segundo a Força, a guerra na Ucrânia demonstrou a eficácia de sistemas portáteis anticarro para neutralizar colunas blindadas, enquanto os combates na Palestina mostraram sua importância em cenários urbanos e assimétricos contra forças tecnicamente superiores.

Imagem mostra um VBTP Guarani 6x6 com um soldado do exército brasileiro o conduzindo. O veículo é blindado e possui armamento altamente avançado.
VBTP Guarani 6×6 (Foto: Andre Gustavo Stumpf Filho)

Paralelamente, o Brasil adquiriu 163 viaturas blindadas entre 2023 e 2026, com investimento de R$ 1,12 bilhão. A maioria é do modelo VBTP Guarani 6×6, fabricado pela IDV Brasil em Sete Lagoas (MG). Com capacidade anfíbia, o veículo pesa 18 toneladas, atinge 110 km/h e tem autonomia de 600 km, podendo operar em rios e terrenos irregulares. O contrato de longo prazo prevê a fabricação de centenas de unidades até 2040, num total de R$ 7,5 bilhões.

O cenário geopolítico, no entanto, sofreu uma reviravolta radical no início de 2026, com a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos em Caracas. Diante da intervenção sem precedentes na América do Sul, o governo Lula passou a manifestar preocupação com as vulnerabilidades brasileiras. “Se a gente não se preparar em questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente”, alertou o presidente durante encontro com o presidente da África do Sul. A nova ordem internacional, marcada por ações unilaterais de potências, reposicionou o debate sobre soberania e defesa nacional.

O Exército mantém sigilo sobre a localização exata dos novos armamentos, alegando risco à segurança nacional. Sabe-se, porém, que parte dos equipamentos foi destinada a Roraima, Osasco (SP), Paraná e Rio de Janeiro. O programa de modernização reflete uma mudança de paradigma: em um mundo mais instável, até países tradicionalmente pacíficos como o Brasil precisam repensar sua capacidade de dissuasão e proteção territorial.

Bolsonaro deve ser mantido bem vivo. Por Moisés Mendes

15 de Março de 2026, 12:40
O ex-presidente, Jair Bolsonaro

Bolsonaro será protagonista da eleição, onde estiver, ainda vivo, na cadeia ou em casa, ou já morto e cremado. A velha direita, a Globo e as esquerdas não conseguiram se livrar do chefe da organização criminosa.

É incômodo para todos. Nunca um doente preso teve tanta influência nos destinos do país. Se ressuscitar amanhã e andar, Bolsonaro será um super-Deus da extrema direita.

Se ficar penando em casa, será visto como o líder que se submete ao flagelo de continuar vivo para salvar seu povo. Se morrer, será martirizado e a eleição pode virar uma nova confusão.

E aí se apresenta a dúvida que consome Alexandre de Moraes, o fascismo, o governo, Lula e a direita antiga: como lidar com Bolsonaro agora, se ele é mais do que um estorvo?

O filho Flávio fez um alerta inspirado nos gestos dos grandes humanistas: “Estão brincando com a vida do meu pai. Não dá mais para ficar com essa postura de achar que isso aqui é algum tipo de frescura, ou ficar com essa paranoia de que ele pode fugir”.

Flávio avisa que Bolsonaro não está fazendo mi-mi-mi e pede que ele deixe a Papudinha. O filho exige prisão “domiciliar humanitária em casa, onde ele pode ter cuidado permanente da família”.

É onde Bolsonaro pode ter, como acrescenta Flávio, cuidado permanente de um técnico de enfermagem. Bolsonaro pode ter em casa carinho, afeto e suporte como se continuasse no hospital.

Poderá dispor do que é decisivo para um paciente com problemas respiratórios. Terá muitos tubos de oxigênio. Porque é do que ele mais irá precisar. Ar, para continuar vivendo com suas deficiências pulmonares.

Flávio durante entrevista sobre a internação de seu pai, Jair Bolsonaro. Foto: reprodução

Bolsonaro não pode morrer com falta de ar. Não pode faltar nada a Bolsonaro, porque qualquer passo em falso de Moraes agora pode oferecer ao bolsonarismo o que muitos torcem para que aconteça, dentro inclusive das facções de extrema direita.

Os que imaginavam a viabilização de uma terceira via acreditavam que Bolsonaro condenado e preso deixaria de ser o que ainda é. Está preso, está doente e sai da cama à noite cambaleando. Mas está vivo. É preciso mantê-lo vivo.

Se o candidato ungido por Bolsonaro, que quase foi Tarcísio, fosse outro, é possível que as pesquisas indicassem um bolsonarismo competitivo. Mesmo sem o sobrenome da família.

Porque Bolsonaro ainda inspira, lidera e comanda. Tombaram todas as previsões em contrário, que o consideravam um morto político.

Caiado, Ratinho, Eduardo Leite e Zema não são nada no cenário em que o filho brilha. Uma figura que nunca foi citada como possível herdeiro, que não aparecia nas pesquisas, que não tem carisma, que não sabe falar e até ontem era apenas o operador financeiro da família.

Flávio parou de pé porque o pai disse: é ele. Esse pai está mal e deve ser protegido. A primeira providência hoje, a mais urgente, é não deixá-lo morrer.

É preciso mantê-lo vivo. Não por piedade, mas pelo que é determinado pelos cálculos políticos de quem ainda aposta na salvação da democracia. Depois da eleição, Bolsonaro estará liberado para morrer várias vezes.

(O autor desse artigo teve familiares próximos, amigos e vizinhos que morreram enquanto Bolsonaro debochava dos que sentiam falta de ar e lhes negava vacina e oxigênio.)

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