Flávio Bolsonaro e sua próspera franquia da Kopenhagen. Reprodução
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou patrimônio de R$ 8.186.555,83 ao registrar seu pedido de candidatura à Presidência da República no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O valor representa um crescimento nominal de 370% em relação aos R$ 1.741.758,15 informados em 2018, quando foi eleito senador pelo Rio de Janeiro. O registro para a eleição de 2026 aparece no sistema como “aguardando julgamento”.
No recorte das quatro últimas eleições disputadas pelo filho mais velho de Jair Bolsonaro, o patrimônio declarado aumentou mais de onze vezes. Flávio informou R$ 714 mil em 2014; R$ 1,45 milhão em 2016; R$ 1,75 milhão em 2018; e R$ 8,2 milhão em 2026. Entre a primeira e a última declaração da série, a alta foi de 1.045,9%, uma diferença de R$ 7.472.161,14.
Na eleição de 2018, o total subiu 19,8% em relação a 2016, para R$ 1.741.758,15. Flávio declarou um apartamento de R$ 917.038,09 e uma sala comercial de R$ 150 mil, ambos na Barra da Tijuca; R$ 558.220,06 em aplicações; um Volvo avaliado em R$ 66,5 mil; e metade da Bolsotini Chocolates e Café.
As operações financeiras e imobiliárias realizadas durante seus mandatos na Assembleia Legislativa do Rio posteriormente entraram no debate sobre o caso da “rachadinha” em seu antigo gabinete. A investigação foi encerrada depois que STF e STJ anularam provas, sem julgamento do mérito das suspeitas.
O salto mais expressivo aparece agora. Dos R$ 8,186 milhões declarados em 2026, R$ 6.226.043,80 correspondem à casa de Flávio no Lago Sul, em Brasília. O imóvel representa 76% de todo o patrimônio informado.
O senador também declarou R$ 1.090.520,47 em um fundo multimercado, R$ 568.730,23 em diferentes bancos, R$ 133 mil em um veículo, R$ 103.746,23 em poupança e outros R$ 64.515,10 em aplicações e participações empresariais. Em 2024, Flávio desembolsou R$ 3,4 milhões para quitar o financiamento da mansão.
Um mês antes do registro, o ex-deputado Julian Lemos, antigo aliado da família Bolsonaro, afirmou que a fortuna de Flávio poderia chegar a R$ 700 milhões, no entanto, Lemos não apresentou documentos que sustentassem a estimativa. A ficha entregue ao TSE coloca o patrimônio declarado muito abaixo dessa cifra.
O senador Rogério Marinho, o candidato à presidência Flávio Bolsonaro, Dani Marcos, coordenadora do plano de governo e o vice da chapa do PL, Alfredo Gaspar. Reprodução YT
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que seu gabinete recebeu e-mails automáticos do Partido Missão antes da descoberta de que ele havia sido registrado como filiado à legenda. As mensagens, segundo o presidenciável, foram ignoradas por parecerem spam.
A declaração foi feita em uma transmissão realizada na noite desta quinta-feira (13), com a participação do candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar e de Dani Marcos, integrante da equipe responsável pela coordenação do plano de governo da chapa e do Senador Rogério Marinho.
“Chegou no meu gabinete alguns e-mails automáticos desse partido aí. Como ninguém conhece, acaba que a assessoria vê aquilo e acha que é spam”, declarou Flávio.
Flávio Bolsonaro confirma alegação do partido Missão: sua assessoria recebeu emails sobre a filiação fraudulenta, mas considerou que era “spam” pic.twitter.com/FNCwS6wVad
O senador levou uma das mensagens impressas para a live e afirmou que o e-mail cobrava um pagamento que não teria sido realizado dentro do prazo. “É reclamando que não recebeu o meu pagamento em dez dias”, disse.
A filiação ao Missão apareceu no sistema da Justiça Eleitoral e impediu inicialmente o registro da candidatura de Flávio à Presidência pelo PL. O senador classifica o episódio como uma fraude e nega que tenha solicitado a entrada na legenda.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que não houve invasão ao sistema da Justiça Eleitoral. O registro foi realizado por alguém com credenciais do próprio Missão e autorização para cadastrar filiações partidárias.
Durante a transmissão, Flávio também rebateu a acusação feita pelo deputado federal André Janones (Avante-MG) de que ele teria encenado o episódio para desacreditar a Justiça Eleitoral. Janones não apresentou provas da alegação.
Escola em Havana com posters em homenagem aos 100 anos de Fidel Castro. Foto: Norlys Perez/Reuters
Cuba e o mundo marcam hoje os 100 anos do nascimento de Fidel Castro (13 de agosto de 1926, Birán), em meio ao cerco mais duro de Washington desde o Período Especial. Marco Rubio prepara o que fica explícito como uma tentativa de estrangulamento final da realidade revolucionária que persiste há décadas em Cuba.
Antes da Revolução, Cuba era uma quase-colônia americana sob a ditadura de Fulgencio Batista, instituída em um golpe de Estado em 1952, comandado por Washington. O capital estrangeiro, sobretudo dos EUA, controlava a maior parte da economia, incluindo usinas de açúcar, terras, serviços públicos, telefonia, eletricidade e bancos. Havana era o parque de diversões da máfia norte-americana (Meyer Lansky), com cassinos, prostituição e jogo. No campo, latifúndio, desemprego sazonal e miséria; o analfabetismo rondava um quarto da população, com pouca escolaridade e serviços de saúde precários fora das cidades.
A barbárie imperialista
É a essa “ordem pré-revolucionária” que Washington quer retornar. O bloqueio dos EUA, com 64 anos, foi levado a níveis inéditos no segundo mandato de Trump, sob Marco Rubio no Departamento de Estado, e a tomada de Cuba vem sendo construída peça por peça. No primeiro dia exato do segundo mandato, 20 de janeiro de 2025, Trump designou Cuba como State Sponsor of Terrorism (SST). A consequência mais decisiva e cruel da designação encontra-se no efeito dissuasório sobre o sistema financeiro global. A designação aciona o regime de sanções secundárias — o instrumento que estende a jurisdição americana ao planeta inteiro. Qualquer banco, seguradora, armador, empresa ou governo que negocie com Cuba passa a arriscar ser cortado do sistema financeiro dos Estados Unidos e tratado como cúmplice de terrorismo.
Esse cerco econômico e financeiro se articula a uma estratégia mais ampla de repressão e contenção política. A Estratégia Nacional de Contraterrorismo de 2026 de Trump fundiu, pela primeira vez, três categorias de “ameaça terrorista”: narcoterroristas/gangues transnacionais, jihadistas legados e — inédito — “extremistas violentos de esquerda”. É hoje o arcabouço que enquadra governos latino-americanos não alinhados, enquanto Guantánamo, o SOFA no Paraguai, o FBI no Equador e as bases argentinas se tornam “equivalentes funcionais” das bases dos EUA no Golfo.
Os Estados Unidos querem deixar claro que a ameaça militar a Cuba é permanente. Em meio aos navios de guerra no Caribe e às execuções extrajudiciais, o secretário de Guerra, Pete Hegseth, discursando na base naval de Guantánamo — território cubano ocupado ilegalmente — ameaçou Cuba diretamente: “Seria imprudente para o governo cubano tentar adquirir ou obter acesso ao tipo de armas que poderiam alcançar esta base ou o território americano. Estariam convidando o tipo de confronto que não apenas não desejam, mas não poderiam suportar.”
Paralelamente, Rubio amplia vetos de visto ligados às missões médicas cubanas, mirando autoridades de cerca de 50 países que recebem médicos cubanos, sob a alegação de “trabalho forçado”.
Rubio sancionou, dois meses depois, cinco entidades (Tecnoimport, União da Indústria Militar/UIM, EMI Yuri Gagarin e mais duas) e oito autoridades (o ministro da Defesa, Álvaro López Miera, e o chefe do Estado-Maior, Roberto Legrá Sotolongo, entre outros), alegando aquisição de equipamento militar da Rússia e da China.
Evento de comemoração do governo cubano em homenagem ao centenário de Fidel Castro. Foto: Norlys Perez/Reuters
O mundo a partir dos olhos da Revolução Cubana e a audácia revolucionária de Fidel
Cuba, no entanto, nunca se entregou. Fidel sempre deixou claro que as aberturas (turismo, capital estrangeiro em setores selecionados) eram ditadas pela necessidade histórica, e não por um abrandamento da convicção socialista — exatamente a lógica que Cuba retoma hoje nas reformas de 2026. Díaz-Canel, no ato central, resumiu seu argumento: “O socialismo não é um dogma, mas uma ciência em construção, que deve ser adaptada às realidades concretas.”
Fidel soube ler o momento histórico e a oportunidade e, depois, soube adaptar a estratégia sem abrir mão do princípio. A Revolução trouxe consigo uma taxa de alfabetização superior a 99%. A expectativa de vida e a mortalidade infantil em Cuba tornaram-se melhores que as dos Estados Unidos, e Cuba acumula mais médicos enviados ao exterior do que OMS + UNICEF + MSF somados em missões de solidariedade.
Para além da libertação nacional de Cuba, o internacionalismo genuíno — “a pátria era a humanidade” — segue coerente até hoje. Cuba enviou tropas para defender a Angola independente contra as invasões da África do Sul do apartheid. Cerca de 9.000 soldados cubanos de elite, com tanques e aviação, detiveram e derrotaram as forças sul-africanas, forçando a retirada da África do Sul de Angola e da Namíbia e acelerando a independência namibiana e o fim do apartheid. Cuba diz que mais de 300 mil voluntários serviram em Angola ao longo do período; um monumento em Pretória honra 2.070 soldados cubanos mortos. As palavras de Mandela selam o legado: “Quando procurávamos os governos ocidentais, éramos recebidos por funcionários de baixo escalão. Quando visitamos Cuba, fomos recebidos pelas mais altas autoridades, que de imediato ofereceram tudo o que quiséssemos e precisássemos.”
Fidel apoiou a Revolução Sandinista (1979), enviando professores, médicos e assessores. Apoiou também processos em El Salvador, Granada e a esquerda latino-americana em geral. Fidel acompanhou e estimulou a trajetória de Lula e do PT. Diante da derrota de 1989 para Collor, Lula pensou em desistir, e Fidel viu isso como um aviso para continuar — a vez em que um operário metalúrgico chegou mais perto da Presidência.
Fidel convidou o mundo a ver a si mesmo com outros olhos, livre da opressão, da competição e da humilhação capitalista. Testou na prática a solidariedade entre os povos, foi inúmeras vezes vitorioso nas lutas de libertação. Mostrou que o socialismo é real, possível, mas tem um grande desafio: o cerco da barbárie capitalista em queda livre.
O deputado federal, André Janones (REDE-MG). Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados
O deputado federal André Janones (Avante-MG) acusou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de ter encenado a própria filiação ao Partido Missão para descredibilizar a Justiça Eleitoral. Em publicação nas redes sociais nesta quarta-feira (13), Janones disse que o senador teria pago alguém para incluí-lo em outra legenda, mas não apresentou provas da acusação.
A declaração foi feita após Flávio aparecer como filiado ao Missão no sistema da Justiça Eleitoral, o que impediu inicialmente o registro de sua candidatura à Presidência pelo PL. Janones afirmou que o episódio repetiria, segundo sua versão, a estratégia usada pela família Bolsonaro após a facada contra Jair Bolsonaro em 2018.
O TSE informou que a filiação não foi resultado de ataque ao sistema eleitoral. Segundo o tribunal, o registro foi feito por alguém que tinha credenciais do Partido Missão para efetivar filiações, e não por uma invasão à plataforma da Justiça Eleitoral.
Todo mundo sabe o que aconteceu. O próprio Flávio pagou alguém pra filiar ele em outro partido para tentar tentar descredibilizar a justiça eleitoral. Seguiram o mesmo roteiro da facada forjada em 2018 pra eleger Bolsonaro. Só que dessa vez deu ruim pra eles. Isso é só uma…
A filiação de Flávio ao PL foi retomada pelo TSE após a checagem do caso, permitindo que o senador voltasse a constar na legenda pela qual pretende disputar a Presidência. A informação do tribunal, no entanto, não identifica quem usou as credenciais do Missão nem atribui a operação a Flávio Bolsonaro.
Ao final, Janones afirmou que jogará “com todas as armas” para “exterminar esses vermes”.
O candidato ao governo do Paraná, Sérgio Moro (PL). Foto: Reprodução
O senador Sergio Moro (PL-PR) virou alvo de ironias nesta quinta-feira (13) depois de sugerir que a retirada de carretas que, segundo ele, estavam tombadas na BR-277 poderia ser realizada em outro horário. A declaração foi gravada enquanto o parlamentar estava parado na praça de pedágio de São Luiz do Purunã, no Paraná.
No vídeo publicado na quarta-feira (12), Moro afirmou que o trânsito estava interrompido havia mais de 40 minutos e reclamou da falta de informações aos motoristas. O senador disse que carretas tombadas aparentemente estavam sendo retiradas da pista.
“Poderiam fazer talvez em outro horário. Poderiam manter uma via desobstruída ou passagem alternativa”, declarou. Moro também afirmou que o congestionamento era quilométrico e encerrou a gravação com uma provocação a adversários políticos, dizendo não dispor de dinheiro para viajar de helicóptero.
Posto de pedágio em São Luiz do Purunã, no Paraná, tudo parado há mais de 40 minutos.
Sem informação adequada. Aparentemente, carretas tombadas sendo retiradas da pista. Poderiam fazer talvez em outro horário. Poderiam manter uma via desobstruída ou passagem alternativa.
A praça de São Luiz do Purunã fica no km 140 da BR-277, no município de Balsa Nova, e faz parte do trecho administrado pela Via Araucária.
Depois de reclamar da falta de informação, sugerir a liberação de uma faixa e dizer que não tinha dinheiro para viajar de helicóptero, Moro ofereceu sua contribuição à engenharia de tráfego: a retirada das carretas poderia ficar para outro horário.
Internautas sugeriram, em tom de piada, a criação do “Agendamento Nacional de Acidentes e Destombamentos (ANAD)” para ironizar Moro, que tratou uma situação de urgência como se ela pudesse esperar um momento mais conveniente.
O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) questionou nesta sexta-feira (31) as pesquisas que apontam maior preferência das mulheres por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e acusou o presidente de usar o governo federal para retaliar São Paulo. O senador participou de um café da manhã com vereadores na capital paulista.
Flávio afirmou não entender por que mulheres indicam maior apoio a Lula, apesar de associar pautas femininas à direita. “Parece que aquele que defende as mulheres está defendendo a pauta errada”, disse durante o encontro no QG de sua pré-campanha, na zona sul da cidade.
Também pesa contra o senador a relação com sua madrasta, Michelle Bolsonaro. Apesar da trégua para confirmar sua candidatura à Presidência, a ex-primeira-dama gravou um vídeo de quase 30 minutos para expor o destrato dentro do âmbito familiar, o que reforçou a imagem misógina dentro do bolsonarismo.
Dados do Datafolha divulgados em 24 de julho indicam que 50% das mulheres não votariam em Flávio de jeito nenhum no primeiro turno. Para Lula, o índice nesse grupo é de 44%. As mulheres representam 52,84% do eleitorado brasileiro, e a rejeição total do senador chega a 48%, ante 46% do presidente.
IRONIA! Flávio Bolsonaro diz que não compreende porque as mulheres rejeitam ele, será mesmo que não compreende? Manda esse vídeo pra ele que ele passa a entender rapidinho quando vê a quantidade de bizarrice que seu pai disse e fez com mulheres. pic.twitter.com/M9mkrRUZii
Flávio também disse que Lula se “vinga” de São Paulo por causa do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), ambos aliados de sua pré-candidatura. “A prefeitura, o governo do estado implorando para liberar um financiamento, que o estado e a cidade têm condições de pagar”, afirmou.
Sem detalhar quais operações de crédito estariam travadas, o senador acusou o Planalto de perseguir adversários. Nunes endossou a crítica e classificou como “perseguição política” a demora na liberação de uma operação de crédito de R$ 4 bilhões, que, segundo ele, aguarda aval desde abril.
Em março, Lula disse que o governo federal participa de todas as obras realizadas no estado. “Não estamos fazendo favor, é obrigação, mas queria que o governo estadual reconhecesse que metade vem deles e metade vem do governo federal”, declarou o presidente em agenda pública.
O encontro reuniu Tarcísio, Nunes e os pré-candidatos ao Senado André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), além de vereadores de partidos de centro e direita. A estratégia de Flávio mira lideranças municipais com contato direto com o eleitorado paulista.
Ao falar sobre segurança e políticas de drogas, o senador atacou a esquerda e citou o programa “De Braços Abertos”, criado na gestão de Fernando Haddad (PT) na Prefeitura de São Paulo, entre 2013 e 2016. A iniciativa oferecia moradia, trabalho e cursos de capacitação a usuários de drogas na região da cracolândia; Flávio a chamou de “bolsa crack”.
São Paulo é o maior colégio eleitoral do país e concentra aliados importantes para o senador. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana apontou Flávio à frente de Lula em um eventual segundo turno no estado, por 40% a 35%; no primeiro turno, os dois aparecem tecnicamente empatados, com 34% e 30%, respectivamente.
Deputado federal Nikolas Ferreira durante sessão no plenário da Câmara dos Deputados. Foto: Reprodução
A Justiça do Distrito Federal condenou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) a pagar R$ 20 mil por danos morais ao Partido dos Trabalhadores (PT), após ele chamar a sigla de “PT – Partido dos Traficantes” em uma publicação no X. A sentença, assinada na quinta-feira (30), também prevê a remoção da postagem após o fim das possibilidades de recurso.
O juiz Wagner Pessoa Vieira, da 5ª Vara Cível de Brasília, concluiu que a mensagem ultrapassou os limites da crítica política ao relacionar diretamente o partido ao tráfico de drogas sem apresentar base factual. “A crítica política pode ser dura, ácida, irônica e injusta, mas não pode, sem suporte mínimo de veracidade, creditar associação direta da pessoa jurídica a crimes”, escreveu.
O PT entrou com a ação pedindo a exclusão da publicação e uma indenização de R$ 40 mil. O partido sustentou que a frase atingiu sua honra e sua imagem institucional ao vinculá-lo a uma atividade criminosa.
Na decisão, o magistrado afirmou que partidos políticos aceitam críticas mais severas no debate público, mas apontou que Nikolas publicou a acusação em seu perfil pessoal sem citar investigação, processo, dado oficial ou outro elemento concreto que sustentasse a associação.
Publicação difamatória de Nikolas no X. Foto: reprodução
Juiz rejeitou imunidade parlamentar alegada pela defesa
A defesa do deputado pediu a rejeição da ação e alegou que a postagem estava protegida pela imunidade parlamentar e pela liberdade de expressão. Também afirmou que se tratava de crítica política, sem imputação de um crime específico, e solicitou que uma eventual indenização ficasse em R$ 5 mil.
Wagner Pessoa Vieira rejeitou esse argumento. Para o juiz, manifestações fora do Congresso só recebem proteção da imunidade quando mantêm vínculo com o exercício do mandato, como atos de fiscalização pública ou participação em debates legislativos.
O magistrado avaliou que a postagem não tratava de fiscalização parlamentar e teve como objetivo desqualificar um partido adversário. Ele afirmou que a indenização não busca censurar o debate político, mas impede que redes sociais sejam usadas para associar pessoas ou instituições a crimes sem fundamento.
Além dos R$ 20 mil, Nikolas terá de pagar as custas do processo e os honorários dos advogados do PT, definidos em 15% sobre o valor atualizado da indenização. Caso a publicação permaneça no ar cinco dias após o trânsito em julgado, o deputado poderá receber multa diária de R$ 1 mil, limitada a R$ 60 mil.
Flávio Bolsonaro e Marcos Pereira em sessão do Congresso Nacional. Foto: Reprodução
O Republicanos marcou sua convenção para esta terça-feira (4) e deve rejeitar uma aliança nacional com o senador Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. A direção da legenda consulta os diretórios estaduais, e a maioria defende neutralidade na disputa.
O presidente do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), conduz a consulta interna antes da convenção. São Paulo surge como exceção: aliados do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) defendem uma coligação com o PL.
O PP também decidiu não apoiar Flávio Bolsonaro. A cúpula partidária se reuniu em São Paulo na quarta-feira (29) e optou por liberar os diretórios estaduais para apoiar candidatos conforme as alianças e condições políticas de cada região.
Com as decisões do PP e a provável liberação do Republicanos, Flávio terá o PL como único apoio partidário nacional. O senador disporá de 4 minutos e 20 segundos em cada bloco de 12 minutos e 30 segundos da propaganda eleitoral no rádio e na TV, enquanto o presidente Lula (PT) terá 5 minutos e 32 segundos.
O presidente Lula. Foto: Divulgação
Dirigentes do Republicanos avaliam que a neutralidade pode ajudar a ampliar as bancadas federais do partido em outubro. Em vários estados, a legenda integra alianças ligadas ao governo Lula ou enfrenta o PL em disputas locais, o que dificulta uma posição nacional unificada.
O líder do Republicanos na Câmara, deputado Augusto Coutinho (PE), afirmou que o diretório pernambucano aprovou internamente a independência. “Estamos coligados com o PSB, [o senador] Humberto Costa [PT] e Marília [Arraes, do PDT]. Como a gente não consegue levar o partido para o presidente Lula, trabalhamos pela neutralidade”, disse.
No Maranhão, o presidente estadual do partido, deputado federal Aluísio Mendes, também defendeu neutralidade e citou divergências com o presidente local do PL, José Maria Maranhãozinho. “Combato ele e a forma dele de fazer política desde que eu era secretário de Segurança Pública do Maranhão”, afirmou.
O diretório do Mato Grosso do Sul adotou posição diferente e defendeu o apoio a Flávio Bolsonaro, por estar coligado com PL e PP no estado. O presidente regional do Republicanos, deputado federal Beto Pereira, disse que considera a adesão “mais assertiva”, mas reconheceu que “a tendência [nacional] é a liberação”.
O diretor de operações da FIFA, Kevin Lamour. Foto: Divulgação
O diretor de operações da FIFA, Kevin Lamour, acusou o presidente da entidade, Gianni Infantino, de enganar funcionários ao conduzir sem transparência um plano de investimento privado ligado à Copa do Mundo. Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (31), Lamour afirmou que os trabalhadores “merecem algo melhor do que desprezo e intimidação”.
Lamour classificou a proposta como um “projeto de uma pessoa” e defendeu que ela não avance. “Este projeto não só não deve prosseguir… como chegou a hora de os líderes políticos do futebol se questionarem corretamente e tomarem as decisões certas”, declarou.
O diretor disse que não pretende pedir demissão, embora admita o risco de perder o emprego por se manifestar. “Se isso significar perder meu emprego, que assim seja. Pelo menos vou dormir bem esta noite”, afirmou.
Na crítica a Infantino, Lamour disse que vice-presidentes, integrantes do Conselho da FIFA, confederações, federações, jogadores, ligas, clubes, torcedores e a própria administração foram ignorados. Para ele, a condução do tema revela “falta de confiança, falta de transparência, falta de discernimento, falta de boa governança. E uma grave falta de respeito”.
O presidente da FIFA Gianni Infantino. Foto: Divulgação
Também nesta sexta-feira (31), Carlos Cordeiro deixou o posto de conselheiro sênior de Infantino em protesto contra o projeto. Ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos e ex-vice-presidente do Goldman Sachs, ele ocupava a função desde 2021 e integra a força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo de 2026.
Cordeiro criticou a ideia de vender 20% de uma nova subsidiária responsável por comercializar direitos da Copa do Mundo. O empreendimento teria avaliação de US$ 20 bilhões, e a operação buscaria levantar US$ 4,2 bilhões com investidores privados. “É um mau negócio para as Associações Membro da FIFA, um mau negócio para o futebol e um mau negócio para o futuro do esporte a longo prazo”, disse.
O ex-assessor questionou por que a FIFA pretende captar recursos apesar de possuir bilhões de dólares em reservas e não ter dívidas. Ele citou os US$ 15 bilhões em receitas entre 2022 e 2026 mencionados por Infantino e afirmou que vender uma participação permanente no principal ativo comercial da entidade significaria “hipotecar o futuro do futebol sem qualquer justificativa convincente”.
A Confederação Asiática de Futebol, a Concacaf e a UEFA se posicionaram contra o plano, reunindo 143 das 211 associações filiadas à FIFA — mais do que as 106 necessárias para aprová-lo em votação.
A entidade respondeu que não está “vendendo futebol”, atribuiu parte da reação a “reportagens incorretas da mídia” e afirmou que seguirá com o processo de consulta; a Confederação Africana avaliará a proposta na próxima semana, enquanto a Oceania discutirá o tema no próximo mês.
André Fernandes e Flávio Bolsonaro em evento do PL-CE. Foto: reprodução
Um ato do PL em Fortaleza nesta sexta-feira (10), com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), expôs a crise interna da família Bolsonaro e a resistência de parte da base bolsonarista à aliança com Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo do Ceará. Durante o evento, o deputado federal André Fernandes (PL-CE), presidente da sigla no estado, mandou uma indireta para a ex-primeira-dama, chamando o ex-presidente Jair Bolsonaro de “nosso galego”, apelido carinhoso dado por ela.
O evento lançou a pré-candidatura do deputado estadual Alcides Fernandes (PL) ao Senado e reuniu nomes bolsonaristas que pretendem disputar vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. O palanque também serviu para o grupo ligado a Flávio e André Fernandes avançar na montagem da chapa estadual.
Flávio e as demais lideranças que discursaram não citaram Ciro Gomes, apesar dos protestos no local. Um grupo de apoiadores levou cartazes com a mensagem “Ciro não”, e houve princípio de confusão quando outros presentes tentaram arrancar os cartazes das mãos dos manifestantes.
André Fernandes reagiu no microfone e atribuiu o tumulto a adversários. “Tem alguns petistas infiltrados, querendo bagunçar o nosso evento. Façam o seguinte, ignorem. Vamos derrubar o PT. A todo momento vai ter gente querendo dividir a oposição”, disse. Em seguida, afirmou: “Entenda aqui, petista, quem dá moral à merd* é mosca”.
🚨URGENTE – Deputado André Fernandes manda indireta para Michelle Bolsonaro em evento do PL no Ceará
“Nosso eterno presidente, NOSSO galego. Não é de ninguém individual, não tá! É NOSSO galego!” pic.twitter.com/7Xxs94HINI
André Fernandes também fez uma indireta à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao mencionar Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por golpe de Estado. “Eu fico olhando ali o rosto dele, o nosso eterno presidente. O nosso galego, não é de ninguém individual, não. É o nosso galego”, declarou, em referência ao apelido usado por Michelle para tratar o marido.
A crise entre Michelle e Flávio veio à tona no mês passado, quando a ex-primeira-dama publicou um vídeo com críticas ao enteado por causa das articulações no Ceará. Ela defendia a vereadora de Fortaleza Priscila Costa para a segunda vaga do PL ao Senado, além da candidatura de Alcides Fernandes.
A eventual entrada de Priscila na disputa ameaçava a aliança com Ciro Gomes, já que os tucanos devem indicar o segundo nome da chapa apoiada pelo PL. Michelle se opõe à parceria por considerar que Ciro fez ataques imperdoáveis a Jair Bolsonaro e aos filhos do ex-presidente.
Com Michelle afastada da exposição pública após renunciar à presidência do PL Mulher, Priscila viajou a Portugal nesta sexta-feira (10) para participar de um evento de mulheres conservadoras da Europa. A ausência abriu caminho para o grupo de André, Flávio e Alcides conduzir o ato sem interferência da ala ligada à ex-primeira-dama.
No discurso, Flávio fez acenos ao eleitorado feminino e prometeu endurecer penas para crimes contra mulheres. “Eu vou ser radical na segurança pública. Vocês mulheres vão ser finalmente protegidas no governo Bolsonaro. A gente vai botar agressor e assassino de mulher atrás das grades por 40 anos. Quem violenta mulher e criança vai ser preso e sofrer castração química”, afirmou.
O senador também repetiu a promessa de construir 500 mil vagas em presídios, defendeu a redução da maioridade penal e prometeu um conjunto habitacional no bairro Vila Velha, na periferia de Fortaleza. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da pré-campanha presidencial de Flávio, sugeriu que Priscila Costa pode disputar outro cargo, como deputada federal, mas o nome dela não apareceu entre os pré-candidatos à Câmara citados no palanque.
O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou que pretende visitar Jair Bolsonaro durante sua viagem ao Brasil neste mês.
O encontro, porém, dependerá de autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), já que o ex-presidente cumpre prisão domiciliar em Brasília e tem restrições quanto às visitas que pode receber.
Pelas condições impostas por Moraes, Bolsonaro só pode receber familiares, advogados e integrantes de sua equipe médica. Qualquer um fora dessa lista precisa ser previamente autorizada pelo STF.
Em entrevista à rádio argentina Now, Milei confirmou que desembarcará no Brasil em 25 de julho para participar do ato de lançamento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
“No dia 25 viajo ao Brasil, a convite do candidato a presidente Flávio Bolsonaro. Vou estar em São Paulo e vou dar uma passada também por Brasília para cumprimentar Jair Bolsonaro”, declarou.
A visita faz parte da estratégia de Milei de fortalecer sua articulação com lideranças da extrema-direita na América Latina. O presidente argentino é um dos principais aliados internacionais da família Bolsonaro e tem afirmado repetidamente que Jair Bolsonaro é alvo de “perseguição judicial” no Brasil.
Ele também faz parte do grupo Escudo das Américas, montado por Marco Rubio, secretário de Estado americano, com governos lacaios na América Latina.
Os Estados Unidos realizarão, na próxima quinta-feira (16), em Washington, uma reunião internacional dedicada ao que o governo Donald Trump classifica como o “ressurgimento do terrorismo transnacional de esquerda”. O encontro será liderado por Rubio e contará com representantes de mais de 60 países convidados de diferentes regiões do mundo. O Brasil está na lista.
Segundo o Departamento de Estado, a conferência discutirá a cooperação internacional para enfrentar ameaças consideradas emergentes pelo governo americano. A falácia é uma preocupacão com o movimento “Antifa” (abreviação de antifascistas).
MILEI VIAJARÁ A BRASIL PARA RESPALDAR A FLAVIO BOLSONARO
El 25 de julio, Javier Milei viajará a San Pablo para participar del acto en que Flavio Bolsonaro será proclamado candidato presidencial de la derecha brasileña, y luego pasará por Brasilia para reunirse con el… pic.twitter.com/1BIoFKyXrJ
Presidente Lula e o senador Jaques Wagner. Foto: Reprodução.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se reunir com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), até o meio desta semana para discutir a possível saída do senador do posto, em uma tentativa de conter o desgaste provocado pelo caso Master sobre a gestão petista.
A expectativa no Palácio do Planalto é que Wagner peça para deixar a liderança, segundo o Metrópoles. Integrantes do governo e do PT pressionam o senador a abrir mão da função porque avaliam que a investigação dá munição à oposição bolsonarista.
A estratégia da cúpula petista e da pré-campanha de Lula é separar o presidente do episódio que envolve Wagner. O argumento usado internamente é que o senador baiano disputará a reeleição ao Senado em 2026, e não a Presidência da República.
A reunião entre Lula e Wagner está prevista para quarta-feira (24/6), dia em que o presidente deve despachar em Brasília. Nesta terça-feira (23/6), Lula cumpre agendas no Rio de Janeiro e em São Paulo, enquanto a equipe de Wagner evita confirmar quando ele retorna da Bahia à capital federal.
Teresa Leitão, Camilo Santana e Rogério Carvalho entram na disputa
Com a possível saída de Wagner, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) ganhou força como eventual substituta. Ela lidera o PT no Senado desde abril, tem longa trajetória no partido e cumpre mandato iniciado em 2022, o que a libera de uma campanha eleitoral neste ano.
A escolha ainda divide opiniões no governo. Aliados citam como vantagem o fato de Teresa não enfrentar ruídos na relação com o Planalto nem com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que rompeu com Lula após a derrubada da indicação de Jorge Messias a uma vaga no Supremo Tribunal Federal, atribuída à articulação de bastidores do senador amapaense.
O senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação, também aparece nas conversas, mas deixou o ministério em abril para se dedicar à campanha de reeleição do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), que aparece em segundo lugar nas pesquisas contra Ciro Gomes (PSDB). Rogério Carvalho (PT-SE), que já exerceu interinamente a liderança durante licença de Wagner no ano passado, agrada a integrantes do governo, mas pretende disputar a reeleição ao Senado.
O senadores Teresa Leitão, Camilo Santana e Rogério Carvalho. Foto: reprodução
Falta menos de um mês para o recesso parlamentar de meio de ano, previsto para 18 de julho. Se Wagner deixar o cargo, o novo líder terá de acelerar pautas tratadas como prioritárias pelo governo e ainda sem definição no Senado, como a PEC da Segurança Pública, a PEC do fim da escala 6×1 e o Redata, projeto sobre regulamentação e compartilhamento de dados entre órgãos públicos.
Operação da PF e entrevista à BandNews pesam sobre Wagner
A 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (18/6), mirou Jaques Wagner. Os investigadores apuram se o senador atuou em favor de interesses do Banco Master no Congresso, incluindo uma proposta para ampliar o crédito consignado e uma medida chamada nos bastidores de Emenda Master.
A PF também apura a transferência de um apartamento de R$ 2,5 milhões para o senador, uso de aeronaves particulares, ingressos para shows e repasses que somariam R$ 3,5 milhões. As suspeitas surgiram após análise de conteúdo extraído do celular de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, que também foi alvo da ação. Wagner nega envolvimento e afirmou, em nota, que “não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados”.
Aliados dizem que Wagner não pretende entrar em rota de colisão com Lula, com quem mantém relação política e amizade de mais de 40 anos. O senador resiste a deixar a liderança por avaliar que a saída poderia soar como admissão de culpa, mas cogita pedir licença da função sob o argumento de que precisa se dedicar à defesa e à campanha de 2026.
A entrevista de Wagner à BandNews, na quinta-feira (18/6), causou incômodo no Planalto. Interlocutores do governo citaram quatro pontos mal recebidos: a revelação de um telefonema de Lula, a afirmação de que recebeu solidariedade do presidente, a declaração de que Lula teria classificado a operação como perseguição política e a fala de que não deixaria a liderança; na mesma entrevista, Wagner reafirmou a pré-candidatura ao Senado e disse: “Espero ser reeleito”.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se inscreveu para discursar em uma audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sobre o novo tarifaço contra o Brasil. A sessão está marcada para 6 de julho, e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu cinco minutos de fala como representante do Senado Federal e pré-candidato à Presidência.
Ao Globo, aliados afirmaram que Flávio deve defender a suspensão da proposta de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e também o Pix, alvo de críticas do governo Donald Trump por suposta concorrência desleal. O prazo para os Estados Unidos decidirem se adotarão ou não as medidas termina em 15 de julho, cerca de uma semana após a audiência.
No início de junho, o USTR concluiu uma investigação contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio estadunidense, mecanismo que permite a Washington reagir a práticas consideradas injustas. O órgão questionou políticas brasileiras ligadas ao comércio digital e ao Pix, além de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e questões ambientais.
A última segunda-feira foi a data-limite para pedidos de participação na audiência. A comissão deve divulgar nos próximos dias a lista de participantes. O governo Lula não inscreveu representantes.
A discussão ocorre em meio ao desgaste de Flávio com o tema. Pesquisa Genial/Quaest divulgada neste mês mostrou que 47% dos entrevistados concordam com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quando ele afirma que Flávio teria pedido as novas tarifas. Outros 35% concordam com a versão do pré-candidato do PL de que teria pedido a Trump para não tarifar produtos brasileiros.
A sondagem também apontou que 46% concordam com Lula ao dizer que as tarifas seriam uma retaliação ao Pix. Já 36% apoiam a leitura de Flávio de que a medida seria resposta a declarações do petista contra os Estados Unidos.
Flávio Bolsonaro e Donald Trump. Foto: reprodução
A família Bolsonaro mantém relações com a direita trumpista desde antes da eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, e ampliou os contatos durante o julgamento da trama golpista.
Eduardo Bolsonaro, autoexilado nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado, passou a articular pressão internacional ao lado de Paulo Figueiredo. Em julho passado, o empresário comemorou o primeiro tarifaço. “O Brasil merece a tarifa Moraes”, disse.
Na semana passada, Eduardo foi condenado a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no curso do processo sobre a tentativa de golpe de Estado. Flávio, por sua vez, foi escolhido pelo pai para disputar o Planalto e intensificou viagens e conversas em Washington.
No ofício ao USTR, Flávio afirma ter tratado do tema diretamente com Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio. O senador promete falar “contra a medida proposta e a favor de uma solução construtiva e negociada para as questões identificadas na investigação”.
“Duas posições são declaradas logo de início e de forma categórica. A testemunha opõe-se à imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e a qualquer medida voltada para o sistema público brasileiro de pagamentos instantâneos. Faz isso em nome dos consumidores e produtores de ambos os países e em defesa de uma parceria que tem servido aos Estados Unidos e ao Brasil há mais de oitenta anos”, diz o pedido.
Flávio argumenta que as tarifas poderiam beneficiar Lula. “A parte beneficiada pela medida não é a parte que a medida visa atingir”, ressalta. Segundo ele, “em várias das conclusões, a distância entre a posição do Representante Comercial e a de um governo brasileiro reformista é muito menor do que aquela existente em relação ao governo atual”.
A Polícia Federal acordou o país hoje para lembrar que o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, exala o mesmo cheiro de decomposição financeira que empesteava o banco de Daniel Vorcaro. O alvo da Operação Miragem é uma engrenagem que usa a alquimia contábil para maquiar cadáveres insepultos na instituição pertencente ao líder da Igreja Universal, que possui semelhanças com os zumbis do Master.
O modus operandi de ambos é parecido na audácia: enquanto a trupe de Vorcaro multiplicava pães fabricando carteiras inteiras de crédito consignado falso para justificar bilhões em ativos ilusórios, a instituição de Macedo optou pelo milagre da reciclagem. O Digimais pegava suas carteiras de crédito podres, como financiamentos de veículos que ninguém ia pagar, e jogava em fundos de investimento onde o próprio banco era o dono. É o velho golpe do “Zé com Zé” para fingir saúde e apresentar lucro no balanço.
Há bancos que morrem e não voltam à vida como Lázaro, mas seguem por aí, zumbis. Não comem cérebros, mas devoram a grana alheia. Maquiados por contabilidades criativas sob intensa pregação de sucesso, Master e Digimais ostentavam um vigor de mentira para captar dinheiro de verdade. Ao emitir títulos como CDBs pagando rentabilidades agressivas, acima de 110% do CDI, essas instituições atraíram investidores seduzidos por falsos profetas. Vendiam a imagem de um milagre financeiro, mas entregaram o de sempre: a socialização do risco e a privatização do lucro.
A podridão, como se sabe, aproxima. No início do ano, Macedo tentou repassar o controle do Digimais para Maurício Quadrado, empresário que veio justamente da cúpula do Banco Master. O Banco Central, que não estava enxergando, mas parece ter recuperado parte da visão com a catástrofe de Vorcaro, barrou o negócio. A justificativa foi o risco sistêmico.
O estrago do Banco Master resultou na sua liquidação extrajudicial e em um rombo que obrigou o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) a destinar R$ 49 bilhões para cobrir o buraco. É dinheiro privado, mas que vai ser recomposto com grana dos correntistas, porque banco não perde nunca. Hoje, com a ação contra o Digimais, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 670 milhões em bens do bispo e de seus associados. É uma quantia pornográfica para a maioria dos brasileiros, mas perto do dano sistêmico que essas pirâmides com CNPJ causam, soa quase como um dízimo da impunidade.
App do banco Digimais no celular. Foto: Paulo Renato Nepomuceno/Agência O Globo
No Brasil, se um trabalhador furtar um pacote de macarrão ou um desodorante no supermercado, o Estado o lança em uma cela superlotada e joga a chave fora. Mas se você frauda o Sistema Financeiro Nacional em centenas de milhões ou bilhões, forja relatórios para o Banco Central e engana milhares de pessoas, costuma ser chamado de operador arrojado por muita gente que usa coletinho puffer.
Mas no país onde a fé move montanhas e, ao que tudo indica, também movimenta ativos podres entre fundos de investimento, o bispo Edir Macedo agora enfrenta a mais mundana das provações. Não a dos 40 dias no deserto, mas a da Polícia Federal batendo à porta com mandado de busca e apreensão.
Muitos ensinam que a prosperidade é sinal da graça divina. Difícil, no entanto, explicar aos fiéis que depositaram sua fé no Digimais que o milagre prometido era, na verdade, uma ilusão. A diferença teológica é sutil, mas o extrato bancário ajuda a distinguir.
Para o sistema financeiro, a operação chega como lembrete de que as únicas ressurreições confiáveis em se tratando de dinheiro são as dos prejuízos, que ficam voltando, voltando e voltando. Só espera-se que o nome da operação não seja honesto demais, pois no Brasil, a miragem não costuma ser o crime, mas a punição.
Deputado federal Mario Frias, do PL. Foto: Reprodução.
Duas notas fiscais de hospedagem do deputado federal Mario Frias (PL) e de seu então chefe de gabinete, Raphael Augusto Azevedo, registraram um e-mail vinculado a Karina Ferreira da Gama, produtora do filme “Dark horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O Hotel Mercure, em Campinas (SP), emitiu os documentos em 28 de abril de 2023. As notas registram o endereço karinamercosul2@gmail.com, usado por Frias e Azevedo nos campos de identificação.
O mesmo e-mail consta no registro do domínio do Instituto Conhecer Brasil e no cadastro da Receita Federal da Gama Participações Ltda., holding de Karina Ferreira da Gama. A informação liga as despesas de hospedagem a um endereço eletrônico associado à produtora investigada.
As notas fiscais somam R$ 1.107,30: uma no valor de R$ 594,30 e outra de R$ 513. Os documentos entraram na Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, e a Câmara dos Deputados reembolsou os valores a Mario Frias.
Karina Gama, produtora de “Dark Horse”. Foto: reprodução
Produtora de “Dark horse” é alvo de apurações
Karina Ferreira da Gama responde a investigações da Polícia Civil de São Paulo e da Polícia Federal que apuram a destinação de recursos públicos à produção de “Dark horse”. Mario Frias atua como produtor executivo do filme.
O deputado também entrou no radar do STF em uma apuração sobre a suposta destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil. A entidade tem vínculo com a Go Up Entertainment, responsável pela produção de “Dark horse”.
Raphael Augusto Azevedo chefiou o gabinete de Mario Frias até fevereiro de 2024. Ele também apareceu em relato de uma ex-assessora do deputado sobre um suposto esquema de “rachadinha” no gabinete parlamentar.
As notas fiscais de abril de 2023, o uso do e-mail associado a Karina Ferreira da Gama e os reembolsos pela cota parlamentar integram o conjunto de documentos agora citados nas apurações sobre a relação entre despesas públicas, o Instituto Conhecer Brasil e a produção do filme.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em seminário da Esfera Brasil em São Paulo. Foto: Reprodução.
O banditismo de Daniel Vorcaro está muito além das famigeradas redes de corrupção brasileiras. Trata-se não apenas da cooptação de políticos e de quadros técnicos das estruturas estatais para favorecimentos e enriquecimento nos ambientes financeiros, mas da adoção sem pudor de práticas mafiosas para solução mesmo de entreveros de ordem pessoal ou amorosa. Os métodos de intimidação da “Turma”, nome dado à milícia privada à serviço do dono do Banco Master, não devem nada aos das máfias transnacionais, reais ou cinematográficas. Assim nos fazem deduzir as recentes revelações da Polícia Federal.
Diálogos interceptados pela PF mostraram que Vorcaro ordenou à “Turma” uma ação de vingança contra o DJ e ex-jogador da NBA Ronald Fred Seikaly, que teve um relacionamento com Martha Graeff – eles têm uma filha. À época das mensagens, Graeff era namorada de Vorcaro. O método sugerido pelo banqueiro-mafioso, disposto a investir R$10 milhões na empreitada, foi o flaking: termo que designa “plantar” drogas e forjar uma situação de flagrante policial.
Seikaly morava em Miami. Nas conversas capturadas pela PF não parece decidido se o flaking ocorreria na cidade da Flórida ou se o DJ seria seduzido a realizar uma apresentação no Brasil, onde se armaria a cilada. Vorcaro orienta Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, a acionar “o amigo da Interpol” para viabilizar a tarefa.
Fato é que a polícia de Miami possui notória expertise quando se trata de plantar provas falsas, e o banqueiro mostra-se conhecedor dos métodos intimidatórios que, digamos, possuem alto potencial de gerar o resultado esperado. Rememore-se o caso Raul Iglesias, de 2012.
Iglesias era um policial veterano com 18 anos de corporação e liderava uma unidade de elite de combate ao tráfico de drogas. Na verdade, era o rei do flaking. Investigações conduzidas pelo FBI e pela Corregedoria descobriram que ele e sua equipe rotineiramente plantavam sacos de cocaína e crack em suspeitos que queriam prender, mesmo quando nenhuma droga era encontrada com o alvo. O esquema era duplo: além de forjar os flagrantes, o sargento Iglesias roubava pacotes de drogas e milhares de dólares em espécie apreendidos de traficantes reais, usando parte do entorpecente roubado para abastecer seu “estoque” e plantar em futuras vítimas inocentes.
Em janeiro de 2013, um júri federal em Miami julgou Raul Iglesias culpado por conspiração para violar direitos civis, distribuição de narcóticos e obstrução de justiça. O Departamento de Justiça americano classificou o caso como uma traição absoluta à confiança pública. Parece que o “método Iglesias” seduziu Daniel Vorcaro e seus sicários – sem surpresa, se forem consideradas as dimensões dos outros métodos adotados pela “Turma”.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”. Foto: reprodução
As organizações mafiosas modernas, como a liderada por Danilel Vorcaro, utilizam aparatos de vigilância privada e infiltrações para antecipar passos de adversários e neutralizar ameaças internas. Perseguição, levantamento de rotinas e descoberta de endereços residenciais de ex-funcionários, colaboradores insatisfeitos ou críticos são práticas rotineiras. No caso de Vorcaro, a PF identificou ordens expressas para conseguir o endereço e rastrear os passos de ex-empregados que ameaçavam expô-lo.
O banqueiro também usava de agentes ou contatos policiais para invadir ilegalmente bancos de dados sigilosos do Ministério Público Federal e da própria Polícia Federal, como apurou a investigação. O leque criminoso incluída planejamento de emboscadas violentas disfarçadas de crimes comuns para aplicar surras ou punições físicas, como àquela desvendada que se armava contra o jornalista Lauro Jardim.
A umbilical relação entre Vorcaro e o senador Ciro Nogueira, recebedor de mesadas milionárias e mimos variados, bem como o tratamento fraterno desnudado entre o banqueiro-mafioso e Flávio Bolsonaro com vistas à produção da hagiografia do pai – ou ao sustento luxuoso do foragido Eduardo Bolsonaro -, ou ainda a escandalosa promiscuidade apurada entre o CEO do Banco Master e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro atestam o que já era público e notório: a intimidade dos bolsonaristas com adeptos de práticas milicianas. Gente da pior espécie se admira e se atrai.
Eduardo Bolsonaro em evento nos EUA. Foto: Madel Ngan/AFP
Alvo de investigação da Polícia Federal sobre a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com o financiamento da obra, o filme “Dark horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), teve sua primeira exibição pública na segunda-feira (15), em Las Vegas, nos Estados Unidos. A sessão ocorreu durante o Fraud Fighter Summit, encontro da direita estadunidense dedicado a temas como fraude eleitoral, corrupção e manipulação de processos eleitorais.
A premiere encerrou o primeiro dia da convenção e contou com a presença do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O objetivo do filho do ex-presidente, segundo o blog da Bela Megale, era atrair distribuidores interessados em exibir “Dark horse” em salas de cinema nos Estados Unidos.
Após a exibição, Eduardo participou de um painel ao lado do diretor Cyrus Nowrasteh, mediado pelo influenciador de direita Juan O’Savin. Durante a conversa, o ex-deputado falou sobre a situação de saúde de Jair Bolsonaro e citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao tratar da Operação Lava Jato.
Eduardo Bolsonaro durante discurso na Fraud Fighter Summit (Cúpula de Combate a Fraude), em Las Vegas. Foto: reprodução
Eduardo afirmou que o filme faz parte de uma disputa cultural contra adversários ideológicos. “O que mais gosto é a guerra cultural. Por exemplo, esse filme aqui vai ser um pesadelo para a esquerda”, disse Eduardo, que citou Exterminador do Futuro 2, de 1991, como exemplo de obra de impacto duradouro. “É assim que esse tipo de coisa é poderosa. E não está em português, está em inglês, de propósito. Se fizermos algo no Brasil, eles bloqueiam facilmente, mas também porque queremos que este filme seja um sucesso mundial”.
Questionado sobre eventual reação política contrária à produção, Eduardo mencionou apenas uma ação na Justiça Eleitoral, sem comentar outras controvérsias envolvendo o longa, como o suposto financiamento de Daniel Vorcaro, do Banco Master.
“O Partido dos Trabalhadores, que é o partido do atual ocupante da Presidência da República, entrou com uma ação contra nós na Justiça Eleitoral tentando censurar este filme até a eleição”, disse Eduardo.
Cyrus Nowrasteh afirmou que o filme foi produzido sem conhecimento do “establishment” e que órgãos públicos só souberam da obra no fim das filmagens, quando a equipe gravava cenas sobre a facada sofrida por Bolsonaro em 2018. “Todos os nossos documentos estavam legais”, disse o cineasta.
O diretor também afirmou que espera que o filme tenha impacto político no Brasil. “Esperamos que este filme seja visto no Brasil e receba o apoio dos brasileiros. Eles reconhecerão a sua própria história, a sua história recente, e levarão Flávio Bolsonaro ao poder como o próximo presidente do Brasil”, disse Cyrus.
O evento ocorreu um dia antes de a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenar Eduardo Bolsonaro a quatro anos de prisão por atuação nos EUA para coagir ministros da Corte por meio da articulação de sanções. No painel, ele admitiu ter trabalhado com o governo Trump para sancionar um ministro do Supremo.
“Disseram que eu estava trabalhando com o governo Trump para sancionar o ministro do Supremo Tribunal Federal que está mandando todas essas pessoas para a prisão. Isso é verdade. Não porque eu estivesse tentando absolver meu pai no julgamento, porque eu sempre soube que ele seria condenado. Mas, como eles são covardes, não processam nem denunciam o presidente Trump, o secretário Rubio ou Bessent. Em vez disso, estão me denunciando, tentando me tornar inelegível”, disse Eduardo.
O Fraud Fighter Summit informou que os 700 lugares do evento, com ingressos a US$ 350, foram esgotados. A programação também previa participações de Stephen Bannon, Roseanne Barr e Hwang Kyo-ahn.
Jacob Arabo, fundador da Jacob & Co, e a influencer Virginia Fonseca. Foto: reprodução
Durante sua passagem por Nova York para cobrir a Copa do Mundo e cumprir compromissos comerciais, Virginia Fonseca publicou uma foto ao lado do bilionário Jacob Arabo, fundador da grife de relógios e joias de luxo Jacob & Co.
O empresário no mercado de luxo tem uma trajetória controversa: foi preso em um dos maiores casos de investigação financeira ligados ao narcotráfico nos Estados Unidos.
Virginia, que participa da cobertura do Mundial pela TV Globo como “comentarista” do Domingão com Huck, visitou um dos escritórios da Jacob & Co. e compartilhou o registro nas redes sociais.
Na imagem, ela aparece usando uma camiseta da WePink, sua marca de cosméticos, ao lado do empresário, tendo ao fundo a logomarca da companhia.
Conhecido mundialmente como “Jacob o Joalheiro”, Arabo construiu um império no mercado de relógios e joias de luxo.
Nascido no Uzbequistão, ele se mudou ainda jovem para os Estados Unidos e fundou a Jacob & Co. em 1986. Suas peças passaram a ser usadas por celebridades como Jay-Z, Cristiano Ronaldo e Floyd Mayweather Jr., além de colecionadores dispostos a pagar milhões de dólares por modelos exclusivos.
Em 15 de junho de 2006, Jacob foi preso por autoridades federais americanas sob acusações de lavagem de dinheiro e conspiração ligada ao tráfico de drogas. A investigação apontava conexões com a Black Mafia Family (BMF), uma organização criminosa baseada em Detroit que movimentava milhões de dólares provenientes do narcotráfico.
Segundo os promotores, o empresário teria ajudado integrantes da quadrilha a ocultar mais de US$ 270 milhões em recursos obtidos ilegalmente por meio da compra de joias de alto valor, uma estratégia usada para disfarçar a origem do dinheiro.
Em 2007, Jacob fechou um acordo com a Justiça americana. As acusações de lavagem de dinheiro foram retiradas, mas ele admitiu culpa por falsificação de registros comerciais e por fornecer informações falsas a agentes federais durante a investigação.
A sentença veio em 2008: 30 meses de prisão federal. Jacob cumpriu pena e deixou a prisão em 2010. Desde então, retomou o comando da Jacob & Co. e reconstruiu sua imagem no mercado de luxo internacional.
No encontro com Virginia, o empresário usava um relógio avaliado em cerca de US$ 9 milhões. Após publicar a foto, a influenciadora incentivou seus seguidores a comentarem na página de Jacob nas redes sociais, provocando uma invasão bem-humorada de brasileiros no perfil do bilionário.
O tricampeão mundial Gérson, conhecido como Canhotinha de Ouro – Foto: Reprodução
O tricampeão mundial Gérson, conhecido como Canhotinha de Ouro, fez duras críticas à atuação do Brasil no empate por 1 a 1 com Marrocos, neste sábado (13), na estreia da Seleção na Copa do Mundo de 2026. Em comentário sobre a partida, ele afirmou que Carlo Ancelotti demorou para mudar a equipe e errou nas substituições.
“Agora, o seu treinador, o senhor mexeu errado. Demorou a mexer, mexeu errado”, disse Gérson. O ex-jogador também apontou o meio-campo como um dos principais problemas da Seleção. “O Casemiro e o Bruno Guimarães não jogaram absolutamente nada. Jogando para trás, perdido no meio”, afirmou.
Segundo o Canhotinha, Lucas Paquetá também esteve abaixo do esperado. “Com o Paquetá também perdidinho no campo”, declarou. Para ele, o Brasil concentrou demais as jogadas pelo lado esquerdo e não conseguiu variar o jogo para explorar outros setores do campo.
Gérson foi ainda mais duro ao analisar o domínio marroquino em parte da partida. “O time do Brasil levou um passeio. Um passeio, não sabia onde é que estava a bola. E os caras tocando, tocando, tocando e o Brasil desesperado correndo atrás dos caras”, afirmou.
Vinicius Junior comemorando gol contra o Panamá. Foto: Thiago Ribeiro/Agif
O tricampeão elogiou Vinicius Júnior pela jogada do gol brasileiro. “Fez um gol, porque o Vini fez a jogada correta. Puxou, como ele sabe fazer, meteu a curva do outro lado”, disse. Mas voltou a criticar a defesa no lance do gol sofrido, apontando falha de posicionamento dos zagueiros.
Outro alvo foi Igor Thiago, titular no comando do ataque. “Não tocou na bola, não viu a cor da bola”, disse Gérson. Ele também cobrou lançamentos para Raphinha e infiltrações para o centroavante, afirmando que faltou criação e aproximação no setor ofensivo.
Gérson ainda questionou a ausência de um lateral de ofício no elenco. “Cadê o lateral de ofício? O seu treineiro? Cadê o lateral de ofício que o senhor cortou por machucar e deixou aqui e levou o meio do campo? Errou”, disparou. Para ele, Danilo atuou apenas como “quarto zagueiro deslocado”, sem oferecer apoio pelo lado direito. Veja o vídeo:
Vini Jr. comemora o gol de empate contra o Marrocos na estreia da Copa
A Seleção Brasileira estreou na Copa do Mundo de 2026 com um empate em 1 a 1 diante do Marrocos neste sábado (13), no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Em um confronto equilibrado e de muita intensidade física, os dois gols da partida saíram ainda na etapa inicial.
O Marrocos surpreendeu a defesa brasileira e abriu o placar com Saibari, após uma rápida transição ofensiva. O atacante recebeu um lançamento em profundidade, venceu a marcação na velocidade e demonstrou muita categoria ao encobrir o goleiro Alisson, que saiu muito mal.
A resposta da Seleção veio antes do intervalo. Principal referência técnica do ataque, Vini Jr. balançou as redes e deixou tudo igual, recolocando o Brasil no jogo.
Além dos gols, o primeiro tempo foi marcado por disputas ríspidas no meio-campo: Casemiro e Ibañez foram advertidos com cartão amarelo por faltas em El Aynaoui e Brahim Díaz, respectivamente, enquanto El Khannouss levou amarelo por parar Raphinha com falta. No segundo tempo, as equipes mantiveram a postura competitiva, mas o placar permaneceu inalterado.
O segundo tempo teve momentos de perigo para ambas as equipes, com Allison fazendo uma defesa importante no final. Sob forte calor, a etapa final teve ritmo mais lento do que os primeiros 45 minutos.
Carlo Ancelotti fez alguns gestos à beira do campo orientando um dos atacantes centrais da Seleção a se deslocar para os lados quando Vinícius Júnior recebia a bola. A movimentação parecia fazer parte de uma estratégia para atrair os defensores marroquinos para as laterais, criando espaços na região central do campo.
Como fica a situação no Grupo C?
Por se tratar da rodada de abertura do Grupo C, o resultado deixa a briga pelas vagas na próxima fase totalmente aberta. Veja o impacto do tropeço na estreia:
Tabela de pontos: Brasil e Marrocos somam 1 ponto cada um. A liderança ou a vice-liderança momentânea do grupo dependerá do saldo de gols e do resultado do outro confronto da chave, disputado entre Haiti e Escócia hoje às 22h (horário de Brasília).
Regulamento favorece: Com o formato de 48 seleções, avançam para o mata-mata (dezesseis-avos de final) os dois primeiros colocados de cada grupo, além dos oito melhores terceiros colocados gerais. Embora o empate tire a tranquilidade, o Brasil segue com chances claras de classificação.
Pressão por vitórias: O critério de desempate pode ser crucial. Para não depender de combinações de resultados ou da vaga como melhor terceiro, a Seleção Brasileira precisará buscar os três pontos nas próximas duas partidas.
Próximos jogos do Brasil
A Seleção Brasileira volta a campo na próxima semana para tentar garantir sua primeira vitória no Mundial:
Brasil x Haiti: Quinta-feira, 19 de junho
Escócia x Brasil: Terça-feira, 24 de junho
Ismael Saibari marcou o gol do Marrocos contra o Brasil
Apesar de aparecer numericamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial no Rio de Janeiro, a nova pesquisa Prefab Future revela sinais preocupantes para o senador Flávio Bolsonaro. Os dados apontam crescimento da rejeição ao bolsonarista, perda de terreno em relação a levantamentos anteriores e dificuldade para transferir votos a aliados nas disputas estaduais.
Segundo a pesquisa, realizada entre 1º e 4 de junho com 2.200 entrevistas presenciais, Lula registra 31,9% das intenções de voto para presidente, enquanto Flávio aparece com 31,8%. Embora o resultado represente empate técnico, a série histórica do instituto mostra trajetórias opostas: Lula está em crescimento no estado, enquanto Flávio vem perdendo apoio ao longo dos últimos meses e explodiu após os áudios ligados a Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master.
Outro dado negativo para o senador é a rejeição. Flávio Bolsonaro alcança 33,3% de rejeição e o índice vem aumentando sucessivamente, de acordo com o levantamento. Embora Lula ainda tenha a maior rejeição do cenário, com 43,7%, o petista apresenta tendência de queda, enquanto o filho do ex-presidente segue na direção contrária.
A pesquisa também sugere que a força eleitoral de Flávio não está se convertendo em apoio aos candidatos associados ao seu campo político. Na disputa pelo governo estadual, o deputado estadual Douglas Ruas aparece com apenas 8%, muito distante dos 35,8% obtidos pelo prefeito Eduardo Paes, líder isolado da corrida ao Palácio Guanabara.
No Senado, a situação é semelhante. Nenhum dos nomes identificados com a direita consegue assumir protagonismo. A liderança pertence à deputada federal Benedita da Silva, com 12,1%, seguida por Marcelo Crivella, com 9,5%, e Márcio Canella, com 9,2%.
O coordenador da pesquisa, Mario Marques, chamou atenção para a dificuldade dos aliados do bolsonarista em capitalizar sua candidatura. Segundo ele, “tanto Douglas Ruas quanto os candidatos à direita no Senado não estão conseguindo se estabelecer nesse momento da disputa na associação com Flávio”.
O levantamento mostra ainda que a disputa presidencial está longe de ser confortável para o senador. Embora lidere numericamente a pesquisa espontânea por uma diferença mínima — 24,2% contra 24,0% de Lula —, o crescimento da rejeição e a perda de apoio registrada na série histórica indicam um cenário de desgaste para o principal nome do clã Bolsonaro no estado que sempre foi considerado seu principal reduto eleitoral.
Registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número RJ-01716/2026, a pesquisa tem margem de erro de 2,09 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Paes lidera corrida ao Palácio Guanabara
Na disputa pelo governo do estado, Eduardo Paes aparece isolado na liderança com 35,8% das intenções de voto. Em segundo lugar surge Douglas Ruas, com 8%, seguido de perto por Anthony Garotinho, que registra 7,8%. Wilson Witzel aparece com 3,7%, enquanto os demais candidatos não ultrapassam a marca de 3%.
Segundo o instituto, a entrada de Garotinho na disputa altera a dinâmica eleitoral, especialmente entre eleitores de baixa renda e moradores do interior do estado. Apesar da liderança confortável, Paes ainda não ultrapassa os 40%, patamar considerado importante para consolidar uma vantagem mais robusta.
Os índices de rejeição nesse cenário são relativamente próximos: Paes tem 18,5%, Garotinho 16,5% e Witzel 15,1%.
Senado segue indefinido
A corrida ao Senado é apontada pelo instituto como a mais aberta entre todas as disputas analisadas. Com a retirada do ex-governador Cláudio Castro do cenário eleitoral, a deputada federal Benedita da Silva assumiu a liderança com 12,1%. Logo atrás aparecem Marcelo Crivella, com 9,5%, e Márcio Canella, com 9,2%. Pedro Paulo registra 5,6% e Waguinho aparece com 5,2%.
O principal destaque é o elevado grau de indefinição do eleitorado. Na pesquisa estimulada, 30,9% afirmam ainda não saber em quem votar. Na espontânea, o percentual de indecisos salta para 88,5%.
O coordenador da pesquisa, Mario Marques, afirmou que “tanto Douglas Ruas quanto os candidatos à direita no Senado não estão conseguindo se estabelecer nesse momento da disputa na associação com Flávio”.
Governador interino é pouco conhecido
A pesquisa também avaliou a administração do governador interino Ricardo Couto. O resultado mostra que 55,5% dos entrevistados afirmam não ter opinião formada sobre o governo. Entre os que responderam, 38% aprovam a gestão e apenas 6,5% desaprovam.
O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número RJ-01716/2026, tem margem de erro de 2,09 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
O senador e pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro. Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo
A queda de Flávio Bolsonaro nas pesquisas no Sudeste virou motivo de preocupação entre aliados do Zero Um. A avaliação no entorno do pré-candidato do PL é que um nome enfraquecido na disputa presidencial terá dificuldade para impulsionar palanques estaduais em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três maiores colégios eleitorais do país.
Segundo a Coluna do Estadão, pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou que Flávio Bolsonaro caiu de 41,2% para 30,7% no Sudeste entre abril e maio. No mesmo período, Lula avançou na região, considerada estratégica para qualquer candidatura presidencial.
O Rio de Janeiro é apontado como um dos principais focos de tensão. O estado é o berço político da família Bolsonaro, mas o palanque local do PL é descrito por bolsonaristas como “totalmente bagunçado”. O candidato ao governo é Douglas Ruas, que ainda busca se tornar conhecido e carrega o desgaste de ter integrado a gestão Cláudio Castro.
Castro desistiu de disputar o Senado após ser atingido por duas operações da Polícia Federal. As investigações apontaram relações entre o ex-governador e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, caso que já provocou danos políticos à pré-campanha de Flávio Bolsonaro.
Jair Bolsonaro deve definir nos próximos dias quem substituirá Castro na composição ao Senado. Entre os nomes avaliados estão Sóstenes Cavalcante, Carlos Jordy e Carlos Portinho. A escolha é tratada como peça central para tentar reorganizar o palanque fluminense.
Em Minas Gerais, a situação também é indefinida. O senador Cleitinho, do Republicanos, lidera pesquisas recentes, mas ainda não confirmou se será candidato ao governo. Um aliado de Flávio Bolsonaro disse ao Estadão que Cleitinho “só sabe ser pedra, não sabe ser vidraça”, em referência ao risco de ele não sustentar uma candidatura majoritária.
A preocupação da direita é que a perda de força de Flávio Bolsonaro no Sudeste reduza sua capacidade de organizar alianças e transferir votos. A região concentra estados decisivos e, no caso do Rio, expõe um problema adicional: a família Bolsonaro enfrenta desgaste justamente em seu principal território político.
O pré-candidato ao entreguismo, “Tariflávio” Bolsonaro. Foto: Reprodução
A narrativa do “Tariflávio” dominou o debate nas redes sociais sobre o tarifaço dos Estados Unidos e a ofensiva contra o Pix, ampliando a pressão sobre a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Segundo dados do Instituto Democracia em Xeque, as menções que atribuem culpa ao senador pelas tarifas foram quase dez vezes maiores que as que responsabilizam Lula.
O relatório aponta que a narrativa do tarifaço ou “Tariflávio” concentrou 563,1 mil publicações e 4,7 milhões de interações. A tentativa de atribuir a culpa a Lula alcançou 58,9 mil publicações e 606,4 mil interações.
Para os pesquisadores, a diferença mostra que a responsabilização da família Bolsonaro engajou com mais força a conversa pública. A associação reuniu três elementos: a tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos, o ataque ao Pix e a aproximação entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump, lida por críticos como uma ação contra interesses nacionais.
Gráfico mostra o número de publicações com os termos “Tariflávio” e “Culpa do Lula”. Foto: Instituto Democracia em Xeque
A crise ganhou novo fôlego após Eduardo Bolsonaro falar sobre o Zelle, sistema de transferências dos Estados Unidos, em entrevista à TMC News. Questionado sobre se o Pix estava ameaçado, ele afirmou que o Brasil poderia levar o Zelle à mesa de negociação com os estadunidenses.
“Agora, os EUA têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como, por exemplo, o Zelle, que é o Pix dos EUA. Então dá para você ir a uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos. Dá para você sentar, dá para negociar”, declarou Eduardo Bolsonaro.
🚨VEJA – Eduardo Bolsonaro diz que os EUA tem o Zelle e afirma que então da para ir para negociação com bons argumentos
"Os EUA têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, por exemplo o Zelle (…) Então dá pra você ir pra uma mesa de negociação com com bons argumentos” pic.twitter.com/KMNbv91Gqk
A declaração foi criticada por quem entendeu que o ex-deputado sugeria flexibilizar o Pix diante da pressão de Washington. No dia seguinte, Eduardo Bolsonaro tentou se explicar e afirmou que citou o Zelle para argumentar aos Estados Unidos que não haveria problema no Pix, já que os estadunidenses também têm plataformas semelhantes.
A fala gerou incômodo dentro do próprio PL. Uma pessoa da cúpula do partido disse ao Estadão que a declaração foi um “desastre”. Outra pessoa ligada à campanha avaliou que o comentário “pode atrapalhar muito” se não for bem explicado.
Flávio Bolsonaro já vinha tentando se defender do tarifaço anunciado poucos dias após seu encontro com Trump na Casa Branca. Depois da fala do irmão, o senador passou a defender publicamente o Pix e afirmou que o sistema “é do Brasil” e “é do Bolsonaro”, por ter sido implementado durante o governo Jair Bolsonaro.
Imagem ilustrativa gerada com Inteligência Artificial. Foto: Reprodução
A Polícia Federal encontrou elementos que indicam um repasse de R$ 22 milhões de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a um parente de um figurão da República. Segundo a coluna Radar, da Veja, o novo negócio é mantido sob sigilo para não prejudicar a investigação.
A apuração ocorre dentro do caso Master, que investiga pagamentos milionários de Vorcaro a figuras ligadas ao Judiciário. O inquérito também mira o uso de festas, viagens e eventos privados como parte de um suposto esquema de lobby e corrupção.
As festas organizadas por Vorcaro para políticos, modelos internacionais e autoridades da República incluíam “presentinhos” aos convidados. Entre eles, segundo a revista, estavam chocolates em formato de coração e cogumelos mágicos triturados.
O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Foto: Victor Moriyama/Bloomberg
Não se sabe quem recebeu os presentes nem quais autoridades participaram dos eventos citados. Também não informa a identidade do parente que teria recebido os R$ 22 milhões nem o nome do “figurão da República” ligado ao novo repasse sob apuração.
O caso Master já havia revelado a proximidade de Vorcaro com integrantes da política, do Judiciário e do mercado financeiro. As investigações tentam mapear se pagamentos, eventos de luxo e relações pessoais foram usados para obter influência e proteção institucional.
O Banco Master virou alvo de apurações após suspeitas sobre operações financeiras, repasses e relações com autoridades. A Polícia Federal também investiga se recursos ligados ao grupo foram usados em contratos e articulações políticas.
Qualquer pessoa que acompanha minha coluna no UOL nos últimos 16 anos sabe que considero o fim da escala 6×1 uma tardia reparação civilizacional. Dito isso, acho justa uma saudação aos 22 deputados que atacaram por meses a proposta e, na hora H, tiveram a coragem e a coerência de votar contra.
Ressaltaram, dessa forma, o oportunismo de colegas que até então estavam ombro a ombro com eles, mas resolveram fazer parte da massa dos 472 votos a favor por medo da verdade da urna eletrônica. Ou seja, de não serem reeleitos em outubro diante de uma pauta que tem apoio de 7 entre cada 10 eleitores.
Sim, tigrão no vídeo do Insta, para o gozo de parte do patronato; tchutchuca na hora do voto, diante da raiva de quem não consegue ver os filhos crescerem porque trabalha seis dias por semana. Não à toa, parte da direita e da extrema direita que foram coerentes com sua posição está indignada com os colegas.
Pondere-se, entretanto, que uma parte desses 22 nem poderia fazer diferente. Eles representam aqueles 2 em cada 10 brasileiros que são contra a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais e da escala de 6×1 para 5×2.
Considerando que a Câmara tem 513 deputados, seria de se esperar ao menos 102 votos defendendo a manutenção da 6×1, portanto? Na verdade, não, porque são poucos os parlamentares que possuem eleitorado que pensa de forma quase uniforme sobre uma ampla gama de temas. São normalmente parlamentares mais radicais. Tanto que as pesquisas mostram que o fim da 6×1 tem apoio considerável entre bolsonaristas e a direita não-bolsonarista. O que mostra que o fato de serem trabalhadores, e entenderem a situação, fala mais alto que outros posicionamentos ideológicos.
O plenário da Cãmara dos Deputados. Foto: Kayo Magalhães/Agência Câmara
Quando a redução da escala começou a tomar corpo, escrevi aqui que a questão é colocar o tema em votação, pois, uma vez no plenário, a maior parte dos parlamentares votaria a favor da mudança porque não é suicida. Contudo, o placar de 472 votos foi bem mais elástico do que qualquer pessoa imaginava, inclusive no governo, mostrando o tamanho do medo eleitoral e as proporções que o tema tomou.
Ou seja, #ficadica para o Senado Federal, que, agora, tenta aplicar o golpe da PRC das Horas Trabalhadas, anulando o ganho com o fim da escala 6×1.
Isso me lembra uma história sobre ser tigrão e tchutchuca.
Em novembro de 2020, o então presidente Jair Bolsonaro disse que, enquanto deputado federal, havia votado contra o confisco de propriedades rurais e urbanas de quem escravizou trabalhadores. Queria agradar parte de sua base, composta também pelo naco anacrônico do agronegócio. Contudo, os registros da Câmara dos Deputados mostram que ele votou a favor da proposta no primeiro turno, em 2004, e estava ausente no segundo, em 2012.
Naquele primeiro turno, todos os partidos e bancadas recomendaram a aprovação da emenda, e 326 deputados votaram a favor. Mesmo com a orientação, dez parlamentares se posicionaram contra, a maioria ruralistas. Discordo deles, mas foram coerentes. Bolsonaro, não: evitou deixar as digitais contra a PEC do Trabalho Escravo, da qual era contrário.
Talvez confiasse que seus seguidores não se importam com os fatos, apenas com as palavras que saem de sua boca, podendo, assim, sustentar a contradição com base na mentira.
Brasil durante partida contra Panamá na Copa do Mundo 2026. Imagem: reprodução
A Seleção Brasileira goleou o Panamá por 6 a 2 neste domingo (31), no Maracanã, no último compromisso antes da viagem para a Copa do Mundo. A equipe de Carlo Ancelotti abriu o placar logo no início, com Vini Jr., e depois transformou a partida em goleada com uma sequência ofensiva forte no segundo tempo.
O Brasil construiu a vantagem em dez minutos depois do intervalo. Rayan aproveitou erro na saída panamenha e marcou por cobertura. Na sequência, Lucas Paquetá completou jogada coletiva para ampliar. Pouco depois, Igor Thiago sofreu pênalti, cobrou e fez mais um para a Seleção. Danilo fechou o placar aos 80 minutos de jogo.
Primeiro gol do Rayan com a camisa da seleção brasileira!
O resultado manteve a invencibilidade brasileira contra o Panamá. Antes do amistoso deste domingo, as seleções haviam se enfrentado cinco vezes, com quatro vitórias do Brasil e um empate. O retrospecto tinha 17 gols brasileiros e apenas um panamenho.
O primeiro encontro ocorreu em 1952, no Campeonato Pan-Americano, em Santiago, quando o Brasil venceu por 5 a 0 e depois conquistou o título. Em 2001, na Arena da Baixada, a Seleção repetiu o placar em amistoso, com gols de Edílson, Alex, Euller, Juninho Paulista e Roberto Carlos.
Às vésperas da Copa de 2014, o Panamá voltou a servir como teste final. No Serra Dourada, em Goiânia, o Brasil venceu por 4 a 0, com gols de Neymar, Daniel Alves, Hulk e Willian. Em 2016, em Denver, nos Estados Unidos, Jonas e Gabriel Barbosa marcaram na vitória por 2 a 0.
O único tropeço brasileiro no confronto havia sido em março de 2019, no Estádio do Dragão, no Porto, em Portugal, quando as equipes empataram por 1 a 1. Lucas Paquetá marcou naquele jogo seu primeiro gol pela Seleção.
Depois da goleada no Maracanã, a delegação brasileira segue para os Estados Unidos, onde fará a preparação final para a Copa do Mundo. A vitória reforça o domínio histórico sobre o Panamá e encerra a fase de testes da Seleção em clima positivo.
Gleisi Hoffmann – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) lançou neste sábado (30/5) sua pré-candidatura ao Senado pelo Paraná. O anúncio ocorreu em evento que também apresentou Requião Filho (PDT-PR) como pré-candidato ao governo estadual.
Ao lado do presidente nacional do PT, Edinho Silva, Gleisi afirmou que a esquerda derrotará “a extrema direita no Brasil e o juiz ladrão do Paraná”, em referência ao senador e pré-candidato ao governo estadual Sergio Moro (PL-PR).
➡️ Gleisi se lança ao Senado e diz que esquerda derrotará “juiz ladrão”
O ex-ministro da Justiça Sergio Moro anunciou, na sexta-feira (26/5), sua pré-candidatura ao governo do Paraná. Ele compareceu ao evento acompanhado do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O ato também apresentou a chapa majoritária apoiada pelo PT no Paraná, incluindo as pré-candidaturas do deputado federal Filipe Barros (PL-PR) e do ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado. No evento, Flávio Bolsonaro estava usando colete à prova de balas.
A agenda foi considerada estratégica para o grupo político de Flávio em meio ao desgaste provocado pela divulgação de contatos do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
O PT reforçou que pretende se consolidar no Paraná com a chapa apresentada, mirando as eleições de 2026, enquanto Gleisi Hoffmann busca reforçar seu nome como representante da legenda no Senado e ampliar a atuação política no estado.
Neste domingo (31), João Fonseca fez história ao derrotar o norueguês Casper Ruud por 3 sets a 1, garantindo uma vaga nas quartas de final de Roland Garros. Com apenas 19 anos, o brasileiro venceu o número 16 do ranking da ATP, especialista em saibro, em sua primeira partida oficial contra Ruud, consolidando-se como uma das promessas mais fortes do tênis mundial.
Fonseca se tornou o primeiro brasileiro na chave masculina a alcançar as quartas de final do torneio francês desde Guga Kuerten, em 2004. Em 2010, Thomaz Bellucci também fez uma campanha importante em Roland Garros, mas parou na quarta rodada. Em 2023, Bia Haddad Maia chegou à semifinal do torneio na chave feminina.
A partida aconteceu na quadra Philippe Chatrier, principal do complexo de Roland Garros, e foi marcada por um desempenho sólido, agressivo e estratégico do jovem tenista.
Tricampeão de Roland Garros (em 1997, 2000 e 2001), Guga Kuerten assistiu, emocionado, à vitória de Fonseca.
Casper Ruud, ex-número 2 do mundo e finalista do torneio em 2022 e 2023, destacou o talento do adversário antes do confronto: “Tenho uma missão incrível pela frente contra um jovem talento, que é o João. Ele já venceu grandes jogadores em sua carreira. Contra Djokovic, foi provavelmente a maior vitória da carreira dele. Então, vou tentar fazer uma boa partida. Ele é um garoto muito legal e torço para que seja um bom confronto”.
Após a vitória sobre Ruud, João Fonseca comentou sobre seu momento histórico e os próximos desafios: “Todos os sonhos podem se tornar realidade. Meu sonho sempre foi jogar com Djokovic. Joguei e venci. Obviamente, tenho o sonho de ser campeão de um Grand Slam. Mas uma coisa de cada vez”.
Novak Djokovic, que foi eliminado na fase anterior pelo brasileiro, elogiou a performance de Fonseca: “Tiro o chapéu para o João. Ele jogou um tênis excepcional. Em todos os momentos decisivos, ele foi para cima. Jogou pontos com muita agressividade e estava detonando com uma velocidade incrível”.
A campanha de Fonseca em Roland Garros 2026 marca um ponto alto para o tênis brasileiro e aumenta as expectativas para o desempenho do jovem atleta nos próximos Grand Slams. Com vitórias históricas e jogos consistentes, João demonstra maturidade, foco e potencial para se tornar um dos principais nomes do circuito mundial.
Em um desfecho que confirma a profunda polarização política do país, a Colômbia definiu seus dois candidatos para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026: o ultradireitista Abelardo de la Espriella e o esquerdista Iván Cepeda.
Com a apuração final, ambos os candidatos garantiram suas vagas na próxima etapa da disputa, cada um concentrando mais de 40% dos votos. De la Espriella superou Cepeda por uma margem estreita no primeiro turno, enquanto a grande surpresa foi o colapso da uribista Paloma Valencia, que obteve pouco mais de 6,5% dos votos, muito abaixo das expectativas.
Sergio Fajardo e Santiago Botero completaram o quadro de candidatos, em uma jornada eleitoral que, segundo a Registraduría Nacional do Estado Civil, transcorreu “com normalidade e plenas garantias”.
Abelardo de la Espriella: A Consolidação da Ultradireita
Abelardo de la Espriella, o rosto da ultradireita radical colombiana, consolidou sua posição no primeiro turno. Sua campanha, marcada por táticas de semear desconfiança no processo democrático, como o vídeo publicado antes de votar em Barranquilla alertando, sem provas, sobre um possível colapso do sistema eleitoral, ressaltou sua tática suja.
Em questão de meses, De la Espriella transformou-se de um advogado controverso em um candidato presidencial com chances reais de vitória.
Sua mensagem de “impor autoridade” ressoou com um eleitorado frustrado com os partidos tradicionais. Com 47 anos, carismático e com um discurso firme, ele apelou ao espetáculo e fez declarações categóricas e provocativas.
Apresentando-se como empresário de sucesso e amante da “alta cultura”, sua retórica da ultradireita e propostas canalhas visaram conquistar o eleitorado conservador e antagonizar o governo atual. Sua promessa de interromper o projeto político de Gustavo Petro e sua estratégia de polarização, representando um extremo sem restrições, foram eficazes para levá-lo ao segundo turno.
Ele lançou um movimento chamado Defensores da Pátria, adotou a imagem de “tigre” como símbolo de força e promete aplicar mão‑dura para enfrentar os desafios do país. Espriella também conta com o apoio político do senador brasileiro Flávio Bolsonaro.
Iván Cepeda: A Resiliência da Esquerda Progressista
Iván Cepeda, o candidato da esquerda progressista, também garantiu sua vaga no segundo turno, demonstrando a resiliência de seu projeto político. Sua votação em Kennedy, sudoeste de Bogotá, foi acompanhada da declaração de confiança: “Estamos convencidos de que hoje à tarde celebraremos o segundo governo progressista na Colômbia.” A esquerda, unida em torno de sua figura, conseguiu mobilizar sua base e se posicionar como a principal força de oposição à ultradireita.
A trajetória de Cepeda rumo ao segundo turno foi impulsionada por um ponto de virada crucial: o caso contra o ex-presidente Álvaro Uribe. O processo judicial contra Uribe, no qual Cepeda foi vítima e testemunha, catapultou sua notoriedade e o posicionou como um pré-candidato favorito. Nascido em 1962, Cepeda, senador pelo governista Pacto Histórico, carrega um legado de luta herdado de seus pais, líderes comunistas. Sua voz calma, mas firme, em defesa da justiça, tornou-se sua marca.
Com formação em filosofia e direito internacional humanitário, Cepeda tem uma carreira política marcada por ativismo, exílio e denúncias contra a parapolítica. No Congresso, atuou como facilitador em processos de paz e colaborou com a política de “paz total” de Petro. Seu programa enfatiza a continuidade da “paz total”, a reconciliação nacional, a defesa dos direitos humanos, uma política externa autônoma e propostas de “revolução agrária” e “democrática”.
O pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Reprodução/X (@FlavioBolsonaro)
O senador Flávio Bolsonaro conseguiu na tarde desta terça-feira (26) aquilo que parecia ser o principal objetivo de sua viagem aos Estados Unidos: um retrato ao lado do presidente norte-americano Donald Trump.
A agenda, no entanto, esteve longe de representar uma reunião diplomática robusta ou um encontro político de grande densidade. Segundo relatos de jornalistas brasileiros em Washington, a passagem dos irmãos Bolsonaro pela Casa Branca foi extremamente rápida, durando cerca de dez minutos.
A correspondente da GloboNews Raquel Krähenbühl descreveu a sequência de forma quase burocrática: entrada de Flávio e Eduardo Bolsonaro, entrega de documentos a assessores, registro de imagens e saída. Já o correspondente da BandNews, Eduardo Barão, afirmou que toda a agenda teria levado aproximadamente dez minutos.
O registro foi feito dentro principal gabinete presidencial. Num outro clique, aparecem o lobista Paulo Figueiredo e seu comparsa Eduardo.
Trata-se de uma tentativa de mudar de assunto. Flávio atravessa uma crise após a repercussão de sua relação íntima com o banqueiro Daniel Vorcaro, tema que passou a dominar o noticiário político.
O episódio também expõe uma realidade conhecida nos bastidores da política americana: o acesso a Trump é um ativo financeiro, instrumento de marketing político e é comercializado. Pagou, levou.
Nos Estados Unidos, reuniões rápidas, fotos e momentos privados com o ex-presidente são associados a pacotes de arrecadação milionários destinados a financiar organizações conservadoras e campanhas republicanas. A manobra se chama photo op, contração de photo opportunity.
Um dos exemplos mais explícitos veio à tona recentemente através de um e-mail obtido pela newsletter Popular Information. A mensagem revelava que empresários e grandes doadores conservadores receberam uma proposta para participar de uma experiência VIP com Trump mediante doação de US$ 500 mil ao comitê político da organização de extrema-direita Turning Point USA, TPUSA. O pacote colocava preço na fotografia.
O TPUSA foi fundada pelo ativista fascista Charlie Kirk, assassinado durante uma palestra na Universidade do Vale de Utah, em Orem, em novembro. O ex-presidente Jair Bolsonaro participou, em fevereiro de 2023, do evento “Power to the People” (“Poder ao Povo”) em Miami, organizado pelo grupo. Foi saudado por Kirk como um “lutador contra o marxismo”.
Segundo o convite obtido pelo Popular Information, os participantes teriam direito a voo fretado até Phoenix, no Arizona, hospedagem, acesso especial ao comício intitulado “Build the Red Wall” (“Construa a Parede Vermelha”), tour privado pela sede da organização — e, principalmente, um encontro reservado com Trump seguido por uma sessão de fotos.
“Essa experiência incluirá participação em uma breve conversa com o presidente, seguida por uma oportunidade de fotografia”, dizia o e-mail enviado pelo executivo de relações públicas Sinan Kanatsiz.
Embora o evento de Trump em Phoenix fosse aberto gratuitamente ao público, o verdadeiro produto vendido nos bastidores era o acesso exclusivo ao presidente. O mesmo que se passou com Flávio e seu bando.
O ecossistema trumpista transformou esse tipo de acesso em produto de luxo. De acordo com o Popular Information, a oferta circulava de forma reservada entre empresários e aliados políticos selecionados.
No rodapé do convite havia inclusive um aviso em letras maiúsculas: “ESTE E-MAIL É APENAS PARA USO DO DESTINATÁRIO E NÃO DEVE SER COMPARTILHADO — CONFIDENCIAL”.
Flávio Bolsonaro se encontra com o presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca – Foto: Divulgação
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o encontro entre o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode gerar riscos para a pauta comercial entre os dois países. A avaliação foi relatada por integrantes do governo ouvidos sob reserva. Com informações da Folha.
Segundo integrantes do governo, a preocupação está relacionada à atuação de bolsonaristas no ano passado em defesa do tarifaço sobre produtos brasileiros. Apesar disso, integrantes do Executivo afirmam que as negociações com os Estados Unidos para retirar tarifas ainda existentes seguem avançando.
Fontes do Palácio do Planalto e do Itamaraty minimizaram a possibilidade de impacto eleitoral da visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca. Interlocutores do presidente Lula afirmam que o principal efeito político interno continua relacionado à ligação do senador com Daniel Vorcaro.
Palácio do Itamaraty. Foto: A C Moraes/Itamaraty
De acordo com a avaliação de diplomatas, não há risco de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro em razão da agenda realizada nos Estados Unidos. A análise é compartilhada por integrantes da área diplomática do governo.
Os diplomatas também afirmam que os encontros entre Lula e Trump e a melhora do processo de negociação entre Brasil e Estados Unidos têm produzido resultados positivos. A avaliação considera o atual estágio das conversas mantidas entre os dois países.
Flávio Bolsonaro esteve em Washington nesta terça-feira (26). O encontro com Trump ocorreu em meio às discussões do governo sobre os possíveis reflexos da agenda para a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.
A fotografia era o que importava. Não a conversa, não as promessas, não a pretensa diplomacia. Apenas a imagem. Flávio Bolsonaro precisava dela como quem precisa de um colete salva-vidas em mar revolto. E, com a ajuda de Eduardo Bolsonaro e de aliados nos Estados Unidos, cavou hoje um encontro rápido com Donald Trump na Casa Branca para produzir exatamente isso: um retrato de sobrevivência política.
O objetivo não era competir em termos institucionais com Lula, que se reuniu oficialmente com o presidente norte-americano em encontro entre chefes de Estado em Washington DC para discutir temas de interessam a brasileiros e norte-americanos. A intenção era outra. Flávio precisava de uma fumaça espessa capaz de desviar o foco sobre sua relação com o bandido-Master Daniel Vorcaro, o seu pedido de R$ 134 milhões ao banqueiro e a promessa de lealdade eterna feita a ele. E, principalmente, sobre as mentiras contadas pelo senador para encobrir tudo isso.
A foto surge, então, como instrumento político. Um símbolo para consumo interno. Um recado aos aliados, aos empresários e principalmente à militância: “a campanha continua viva”. Porque, no imaginário bolsonarista, ser recebido por Trump ainda funciona como certificado de relevância internacional. Pouco importa se o encontro foi rápido, paralelo, periférico. O que interessa é o enquadramento.
Trump aparece sentado, no centro da cena, enquanto Flávio, em pé e ao lado, ocupa uma posição lateral, quase ornamental. A composição lembra pinturas medievais nas quais o senhor feudal recebia seus vassalos para reafirmar hierarquia e lealdade. Um beija-mão. Não é a iconografia normalmente encontrada entre líderes equivalentes. Quando Trump posa com chefes de Estado, a liturgia visual costuma buscar simetria: ambos em pé, sentados, no mesmo plano. Ali, não. A fotografia estabelece níveis.
Para muita gente, isso é sinônimo de vassalagem e um lembrete da política de alinhamento automático com os EUA executada por Jair Bolsonaro. Contudo, ao contrário do que pensa o naco da sociedade que preza pela soberania, isso é exatamente a razão que explica por que ela funciona tão bem para o trumpismo tropical.
Daniel Vorcaro, do Banco Master. Foto: Divulgação/Banco Master
O bolsonarismo sempre cultivou fascínio pela ideia de submissão a uma liderança forte, estrangeira e mitificada. A imagem de Flávio ao lado de Trump não comunica independência política, mas pertencimento. É menos um encontro entre iguais e mais uma audiência com o epicentro da extrema direita global. Há quem vá ao delírio com isso e chore enrolado na bandeira dos Estados Unidos.
O eleitorado fiel verá força onde existe encenação. Há aliados que interpretarão o clique como sinal de viabilidade. Mas a parcela independente do eleitorado, aquela que não vive em devoção permanente nem ao lulismo nem ao bolsonarismo, tende a continuar fazendo perguntas simples para definir o seu voto: por que esconder relações políticas e financeiras? Por que negar proximidades que depois reaparecem? E por que uma foto deveria valer mais do que explicações?
Há um sujeito oculto na imagem. É Vorcaro. Porque toda a pressa para produzir o retrato está menos ligada à necessidade de se contrapor Lula (que havia visitado Trump na Casa Branca e passado três horas discutindo política) e mais à necessidade urgente de mudar de assunto.
No fim das contas, pouco importava a postura corporal, a posição subalterna na foto ou o fato de Trump reservá-la normalmente para assessores e apoiadores de segunda linha. O importante era voltar ao Brasil com um JPEG circulando nas redes e na imprensa e a esperança de que alguns milhares de compartilhamentos sejam suficientes para soterrar perguntas inconvenientes sobre banqueiros, promessas de fidelidade e cifras milionárias.
Em tempos de bolsonarismo, uma imagem vale mais do que mil palavras. Especialmente quando as palavras podem virar prova contra si nas eleições e nos tribunais.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acompanhado de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, e de Paulo Figueiredo. Foto: Reprodução
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cometeu um ato falho durante entrevista a jornalistas em Washington, nesta terça-feira (26), ao dizer que foi à Casa Branca a convite do “presidente Lula”. O senador se corrigiu segundos depois e afirmou que o convite teria partido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Mais uma vez, foi um convite oficial do presidente Lula, ele tava ali com dois assessores dele… do presidente Trump, desculpa, o presidente Trump estava com dois assessores dele”, disse Flávio Bolsonaro. A fala ocorreu depois do encontro com Trump e da divulgação de fotos do senador no Salão Oval.
Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro criticou Lula diversas vezes e afirmou que pediu a Trump para classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O governo brasileiro se opõe à medida por avaliar que ela poderia abrir margem para interferência estrangeira no território nacional.
O encontro foi articulado por Eduardo Bolsonaro junto à ala ideológica do governo Trump. Segundo o blog do Valdo Cruz, Flávio Bolsonaro pretendia tratar da classificação de facções como terroristas e da liberdade de expressão nas redes sociais no Brasil, pauta comum entre bolsonaristas e aliados do republicano.
Na coletiva, o senador também afirmou que prometeu incluir o Brasil no chamado Escudo das Américas, uma coalizão criada pelos Estados Unidos com países latino-americanos para combater crime organizado e interferências estrangeiras. Flávio Bolsonaro disse ainda ter conversado com Trump sobre tarifas e terras raras.
Apesar de Flávio Bolsonaro afirmar que a comitiva ficou cerca de uma hora e meia na Casa Branca e passou “bastante tempo” reunida com Trump, fontes ouvidas pelo g1 relataram que o encontro foi rápido. Segundo integrantes da comitiva, documentos foram entregues a assessores da Casa Branca e, em seguida, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo entraram no Salão Oval apenas para tirar uma foto com Trump.
A viagem ocorreu em meio à tentativa da pré-campanha de Flávio Bolsonaro de produzir uma agenda positiva após o desgaste provocado pelo caso “Dark Horse”. A relação do senador com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afetou seu desempenho no Datafolha: Lula ampliou de três para nove pontos a vantagem no primeiro turno e abriu quatro pontos no segundo.
O pré-candidato a presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas. Foto: Danilo Verpa/Folhapress
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira (26) que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem “muitas questões” a explicar sobre sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A declaração foi dada durante coletiva na entrega da primeira etapa da Estação de Tratamento de Esgoto de Perus, na Zona Norte da capital paulista.
Ao comentar o caso, Tarcísio de Freitas disse que a população acompanha o escândalo envolvendo o Banco Master e que o episódio exige explicações. “Como eu falei, eu acho que tem muitas questões que ele mesmo precisa explicar. A população está vendo esse escândalo do Banco Master, que é uma coisa que agride a sociedade como um todo. Isso deixa a sociedade em alerta e aí tudo tem que ser muito bem explicado”, afirmou.
A fala ocorre após a revelação de que Flávio Bolsonaro se reuniu com Daniel Vorcaro depois da primeira prisão do banqueiro. Segundo o senador, o encontro teve como objetivo “botar um ponto final” na questão do financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. A Polícia Federal deve apurar se a visita ocorreu para cobrar dinheiro ligado à produção.
Flávio Bolsonaro admitiu na semana passada que esteve com Vorcaro após a soltura do banqueiro, que passou a usar tornozeleira eletrônica. O encontro ocorreu no dia seguinte à decisão do TRF-1 que liberou o dono do Banco Master, em novembro de 2025.
▶️COBROU: Tarcísio cobra explicações de Flávio Bolsonaro sobre ligação com banqueiro investigado
O governador de São Paulo afirmou que Flávio Bolsonaro precisa esclarecer muitas questões sobre sua relação com Daniel Vorcaro, investigado por fraudes no Banco Master, dizendo que o… pic.twitter.com/KvgEXcnq2i
— Pesquisas Eleições (@EleicaoBr2026) May 26, 2026
Tarcísio de Freitas negou afastamento político de Flávio Bolsonaro e desejou sucesso ao aliado na viagem aos Estados Unidos. O governador disse que o senador é pré-candidato à Presidência e que considera “extremamente saudável” conversar com chefes de Estado e lideranças internacionais.
Questionado sobre a ausência em agendas conjuntas com Flávio Bolsonaro nas últimas semanas, Tarcísio de Freitas afirmou que está concentrado no governo paulista. “É porque eu tenho uma agenda de governador. Veja, eu estou governando o estado. Quando é que eu vou pensar em eleição? No período da campanha”, disse.
O jornalista Octávio Guedes e a foto “de fã” de Eduardo Bolsonaro com Donald Trump em Washington. Fotomontagem
O jornalista Octavio Guedes afirmou nesta terça-feira (26) que a primeira imagem divulgada do encontro entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Donald Trump, na Casa Branca, parece mais uma foto de fã com ídolo do que uma reunião entre um pré-candidato à Presidência do Brasil e o presidente dos Estados Unidos. A análise foi publicada no g1 após a divulgação das imagens do senador ao lado do republicano.
Segundo Guedes, a fotografia não é o ponto central da viagem. O comentarista afirmou que o senador viajou aos Estados Unidos para sair do Brasil e evitar perguntas sobre o escândalo envolvendo o Banco Master e o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. “Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não viajou para se encontrar com Trump, e sim para sair do Brasil, fugindo de perguntas sobre o escândalo do Banco Master”, escreveu.
Ao tratar da imagem, Octavio Guedes afirmou que: “A primeira foto divulgada nesta terça-feira (26) do encontro do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parece mais a foto de um fã com seu ídolo do que propriamente a de um presidenciável de um país soberano conversando com o presidente de outro país soberano”.
O jornalista também apontou que Flávio Bolsonaro tem evitado explicar onde está o suposto contrato firmado com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. O senador foi gravado pedindo dinheiro ao banqueiro para a produção. Segundo a Folha, Vorcaro investiu R$ 61 milhões no projeto, e o episódio abriu uma crise na pré-campanha do PL.
Blog do Octavio Guedes – A primeira foto divulgada nesta terça-feira (26) do encontro do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parece mais a foto de um fã com seu ídolo do que propriamente a de um… pic.twitter.com/moZwBhAJHi
Guedes lembrou que, desde a divulgação do áudio da conversa com Vorcaro, em 13 de maio, Flávio Bolsonaro foi questionado duas vezes pela imprensa sobre o caso e teve, segundo ele, reações constrangedoras. Na primeira, riu ao responder a uma pergunta do Intercept sobre os R$ 61 milhões pagos pelo banqueiro e afirmou que a informação era “mentira”. Depois, no aeroporto, a caminho dos Estados Unidos, brincou que só falaria em inglês.
Na análise, Octavio Guedes afirmou que: “A fotografia é o que menos importa para a pré-campanha. O silêncio do senador e filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro importa muito mais”.
Após o encontro, Flávio Bolsonaro disse que pediu a Trump para classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. O senador também afirmou que conversou com o republicano sobre segurança pública, tarifas e terras raras, além de negar que a agenda tivesse relação com o desgaste provocado pelo caso “Dark Horse”. Folha
A viagem foi articulada por Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Octavio Guedes registrou que o ex-deputado federal cassado perdeu o mandato por excesso de faltas, é investigado no STF e atua no exterior em articulações com aliados de Trump.
O pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Reprodução/X (@FlavioBolsonaro)
O encontro de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com Donald Trump na Casa Branca passou a ser marcado por versões diferentes sobre a duração e o conteúdo da conversa. O senador afirmou, em coletiva, que chegou ao local às 15h e saiu às 16h40. A jornalista Raquel Krähenbühl, da GloboNews, relatou que a passagem foi rápida: entrada de Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, entrega de documentos a assessores, foto e saída. O correspondente da Rádio BandNews Eduardo Barão disse que a agenda durou cerca de dez minutos.
A visita ocorreu nesta terça-feira (26), em Washington, no momento em que aliados tentam construir uma pauta positiva para Flávio Bolsonaro após o desgaste provocado pelo caso “Dark Horse”. O governo dos Estados Unidos não havia confirmado oficialmente reunião de Trump com o senador.
Na coletiva, Flávio Bolsonaro negou que a ida à Casa Branca tivesse relação com a crise aberta pela revelação do pedido de dinheiro feito a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. O senador também disse ser favorável à abertura de uma CPI sobre o caso.
Flávio Bolsonaro afirmou que não pediu endosso de Trump à sua pré-candidatura à Presidência, mas disse ter mostrado pesquisas eleitorais e declarado ao republicano acreditar em vitória em 2026. A fala reforçou a tentativa de projetar a visita como demonstração de prestígio internacional.
Diferente de outras fontes, Flavio disse que ficou bastante tempo com Trump (mas não declarou quanto tempo).
Flavio contou que pediu que Trump declare facções criminosas – PCC/ CV – como grupos terroristas e que o presidente ficou de avaliar o pedido dele. pic.twitter.com/Pk42YOtX2n
O pedido para que os Estados Unidos classifiquem PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas apareceu como um dos temas tratados na reunião, mas ficou em segundo plano diante da disputa sobre a duração real do encontro. Flávio Bolsonaro afirmou que levou o assunto a Trump e acusou Lula de atuar no sentido contrário.
Na mesma fala, o senador atacou o Itamaraty e a Embaixada do Brasil em Washington por não cederem espaço para a coletiva. Chamou a negativa de “gesto pequeno, mesquinho e revelador” e acusou a diplomacia brasileira de “aparelhamento ideológico” no governo Lula.
Paulo Figueiredo também sustentou a versão de que o encontro durou cerca de uma hora e quarenta minutos. Segundo ele, a comitiva entregou mais de dez camisas da seleção brasileira a Trump e a familiares do presidente dos Estados Unidos. Ele e Flávio Bolsonaro afirmaram ainda que Trump perguntou sobre Jair Bolsonaro durante a reunião.
Daniel Vorcaro em fotos tiradas na prisão em São Paulo. Foto: Divulgação
A defesa de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, solicitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça a transferência do da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”.
O pedido foi protocolado após a mudança do banqueiro para uma cela comum da PF. Segundo os advogados, Vorcaro foi transferido na segunda-feira (18) para uma cela destinada a presos em trânsito na Superintendência da Polícia Federal. Antes disso, ele permanecia em uma sala especial que já foi utilizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
A defesa argumenta que as condições da nova cela são inadequadas. Os advogados afirmam que o espaço não possui banheiro separado, conta com vaso sanitário instalado no chão e não dispõe de chuveiro convencional. De acordo com a petição, a água é liberada por uma abertura na parede.
Até a tarde desta quinta-feira (21), André Mendonça ainda não havia decidido sobre o pedido de transferência apresentado pelos representantes de Vorcaro. O ministro também analisa uma solicitação da própria Polícia Federal para que o banqueiro seja encaminhado à Penitenciária Federal de Brasília.
Vorcaro é transferido de unidade prisional. Foto: Divulgação
Vorcaro está preso no âmbito da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de fraude bilionária envolvendo o empresário e outros alvos da operação. Além da alteração do local de custódia, a Polícia Federal modificou as regras de acesso dos advogados ao banqueiro.
Conforme informado pela defesa, as visitas passaram a ser limitadas a dois encontros diários de 30 minutos cada. Anteriormente, os defensores podiam permanecer com Vorcaro entre 9h e 17h sem restrições de horário. A mudança passou a valer após a implementação das novas regras de funcionamento definidas pela Superintendência da PF.
As alterações ocorreram depois que André Mendonça autorizou que Vorcaro fosse submetido às “regras de funcionamento ordinárias” da unidade da Polícia Federal em Brasília. A decisão serviu de base para a revisão das condições de custódia e das visitas.
As medidas também foram adotadas na mesma semana em que a Polícia Federal rejeitou uma proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro. Diante da negativa, a estratégia da defesa passou a concentrar esforços na tentativa de obter a aceitação da colaboração pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
O senador Rogério Marinho durante entrevista na CNN. Foto: Divulgação
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), passou por um momento de constrangimento após reproduzir uma informação que acabou sendo desmentida durante debate na CNN Brasil.
O parlamentar foi desmentido pela apresentadora Elisa Veeck após afirmar que os filmes do presidente Lula e do ex-presidente Michel Temer foram patrocinados por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
“Só para acrescentar aqui para o senhor, os diretores e produtores, as pessoas envolvidas com os filmes que o senhor citou negam que tenha havido essa conexão que o senhor acabou de afirmar aqui, senador”, disse a apresentadora, deixando o bolsonarista claramente desnorteado.
Fake News do Vorcaro patrocinar filme do Lula é desmentida ao vivo na CNN. Olha o constrangimento do senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flavio Bolsonaro. pic.twitter.com/ctb7htYId8
A fake news começou após a publicação da coluna de Lauro Jardim, no O Globo, que afirmava que Vorcaro também teria financiado produções ligadas ao presidente Lula e Michel Temer.
A informação foi rapidamente compartilhada por perfis e grupos bolsonaristas nas redes sociais, que passaram a utilizá-la para rebater as acusações envolvendo o caso atribuído a Flávio Bolsonaro.
A circulação da coluna alimentou a narrativa de que Vorcaro teria mantido relações semelhantes com projetos ligados a diferentes grupos políticos. A estratégia buscava estabelecer uma equivalência entre os casos, sugerindo que o empresário também teria financiado iniciativas associadas a Lula e Temer.
Entretanto, começaram a surgir manifestações contestando a informação. Pessoas diretamente ligadas às produções mencionadas negaram a existência de qualquer aporte financeiro do banqueiro nos projetos citados pela coluna.
Entre elas estava Elsinho Mouco, ex-assessor de Michel Temer, que rejeitou a versão de que Vorcaro teria financiado o documentário relacionado ao ex-presidente. A negativa enfraqueceu a principal sustentação da narrativa que circulava nas redes sociais.
Posteriormente, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República também se manifestou sobre o tema. A Secom informou que o governo Lula não realizou pedido de financiamento para o documentário dirigido pelo cineasta Oliver Stone, outro ponto citado durante a repercussão do caso.
A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ter identificado a transferência de R$ 14,2 milhões, em 2024, de um fundo ligado ao grupo Refit para a empresa Ciro Nogueira Agropecuária LTDA, pertencente a familiares do senador Ciro Nogueira (PP).
A movimentação consta de relatório encaminhado ao STF no âmbito da Operação Sem Refino, que investiga suposto esquema de fraudes fiscais e sonegação no setor de combustíveis. Segundo os investigadores, os recursos saíram da empresa Athena Real Estate LTDA, vinculada ao fundo EUV Gladiator, que possui ligação societária com estruturas associadas ao grupo empresarial investigado.
De acordo com a PF, a análise contábil da Athena apontou capital social de R$ 22 milhões e uma transferência de R$ 14,2 milhões para a empresa ligada à família do senador. O relatório não detalha as circunstâncias da operação, que permanece sob apuração.
O grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, é controlado pelo empresário Ricardo Magro, apontado pela investigação como líder de uma organização criminosa suspeita de utilizar estruturas públicas para favorecer interesses empresariais.
Magro teve prisão decretada na Operação Sem Refino e é considerado foragido pelas autoridades brasileiras. Ao g1, o senador afirmou que o valor corresponde à venda de uma área de 40 hectares em Teresina (PI), destinada à instalação de uma distribuidora de combustíveis.
“Pelo que fui informado, aqui pela empresa, uma empresa que eu não sou nem sócio, mas eles compraram uma grande área para construir uma distribuidora aqui em Teresina, uma área de R$ 14 milhões, 40 hectares na saída de Teresina, uma das áreas mais valorizadas de Teresina. E é uma área que hoje vale muito mais do que esses R$ 14 milhões. E que essa empresa ia construir, depois, ela teve uma série de denúncias, resolveu não fazer esse empreendimento”, declarou o senador.
O empresário Ricardo Magro. Foto: Divulgação
Em nota, a assessoria do parlamentar afirmou que a negociação ocorreu de forma regular e foi comunicada aos órgãos competentes. O texto informa ainda que a empresa familiar atua no mercado imobiliário e que, na época da transação, a participação societária de Ciro era inferior a 1%.
Atualmente, segundo a nota, ele não possui participação na companhia. A defesa sustenta que os valores envolvidos eram compatíveis com os preços praticados no mercado para a região onde está localizado o imóvel.
Embora não seja alvo da Operação Sem Refino, o senador aparece de forma indireta nas investigações. O STF autorizou buscas contra Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro, ex-secretário-executivo da Casa Civil durante a gestão de Nogueira no governo Bolsonaro.
Segundo a PF, uma empresa apontada como “de passagem” e ligada ao grupo investigado transferiu cerca de R$ 1,3 milhão para estruturas relacionadas ao ex-assessor. Os investigadores afirmam que os recursos recebidos por Jonathas eram rapidamente repassados ao beneficiário final.
“Os valores creditados foram rapidamente transferidos diretamente ao próprio beneficiário final JONATHAS ASSUNÇÃO SALVADOR NERY DE CASTRO, cerca de R$1.325.000,00. Tal padrão evidencia baixa permanência dos recursos na conta, típico de empresa de passagem, sem identificação de despesas operacionais compatíveis com a atividade declarada de consultoria, como folha de pagamento, estrutura administrativa relevante ou custos técnicos proporcionais aos valores recebidos”, diz a PF no relatório enviado ao STF.
A nota divulgada pela assessoria do senador afirma que ele não praticou qualquer irregularidade e atribui a divulgação do caso a tentativas de desgastar sua imagem. O comunicado sustenta que o parlamentar é “o principal interessado no esclarecimento dos fatos” e destaca que as acusações surgem em período eleitoral.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou nesta quinta (21) ter solicitado uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Questionado por jornalistas no Congresso sobre quem teria articulado o encontro, o parlamentar respondeu em inglês: “No, I didn’t ask anything. Nobody asked [Não, não pedi nada. Ninguém pediu, em português]”.
Segundo aliados do senador, a reunião poderá ocorrer na próxima semana e teria partido de um convite feito pelo próprio governo americano. Até o momento, a Casa Branca não confirmou oficialmente a realização do encontro nem comentou a existência do convite.
Ao ser novamente questionado sobre o tema, Flávio manteve as respostas em inglês e ironizou o presidente Lula. “I’m speaking like this because Lula cannot understand what I’m talking about [Estou falando assim porque Lula não consegue entender o que estou dizendo, em português]”, afirmou aos repórteres.
O senador também evitou dar detalhes sobre a possível agenda nos Estados Unidos. “Call to White House and ask them if this is true or false [Ligue para a Casa Branca e pergunte se isso é verdadeiro ou falso, em português]”, declarou ao ser perguntado sobre a confirmação da reunião.
🗣️ “Call the White House and ask them if this is true or false.”
A suposta viagem ocorre em meio às articulações da pré-campanha presidencial de Flávio. O senador vem ampliando compromissos políticos nacionais e internacionais enquanto busca consolidar seu nome para a disputa.
Na semana passada, vieram a público conversas entre Flávio e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Nas mensagens, o senador solicita recursos para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nenhuma autoridade americana confirmou o encontro com Trump até o momento. Membros de sua pré-campanha disseram a veículos de imprensa que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, fez o convite e que a agenda foi articulada pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty reagiram com cautela à informação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretende se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Aliados do parlamentar disseram que ele vai se reunir com o republicano na próxima semana.
Segundo diplomatas ouvidos pela coluna de Igor Gadelha no Metrópoles, o governo brasileiro ainda não recebeu confirmação oficial sobre o encontro. Nos bastidores, interlocutores avaliam que a divulgação da agenda pode estar relacionada ao momento político enfrentado pelo senador.
A avaliação de parte dos diplomatas é que a notícia da possível reunião foi utilizada como cortina de fumaça para desviar o foco da crise envolvendo a relação de Flávio com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
No Palácio do Planalto, auxiliares do presidente Lula também afirmam não ter recebido qualquer confirmação sobre a agenda entre o senador e Trump. Mesmo diante da possibilidade de o encontro ocorrer, assessores do governo minimizam eventuais efeitos políticos da reunião para o cenário nacional. “Não nos preocupa”, afirmou um assessor ligado ao presidente Lula.
Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
A Casa Branca e a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil não confirmaram até o momento o encontro de Flávio e Trump.
Membros da pré-campanha do senador têm dito a veículos de imprensa que o convite partiu de Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, e que a articulação para viabilizar o encontro envolveu o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
Se confirmado, o encontro deve ocorrer semanas após uma viagem de Lula aos Estados Unidos para reunião com Trump. O petista esteve na Casa Branca na primeira semana de maio para discutir o “tarifaço”, parcerias no setor de minérios e ações conjuntas de combate ao crime organizado.
Mensagens obtidas pelo Intercept Brasil mostram que Daniel Vorcaro reclamou diretamente com Thiago Miranda, sócio do Portal Leo Dias, após a publicação de uma reportagem revelando a existência de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro (PL), em 1º de agosto de 2025. Cerca de uma hora depois, o conteúdo foi retirado do ar.
Os diálogos indicam que o banqueiro acompanhava de perto a divulgação do projeto, do qual era o principal financiador. Às 12h07 daquele dia, Vorcaro enviou uma mensagem pelo WhatsApp demonstrando incômodo com a publicação.
“Opa tudo bem? Achei que divulgar que ta fazendo o filme muito ruim, nao acha?”, escreveu ao empresário. A reportagem havia sido publicada pelo Portal Leo Dias poucas horas antes e trazia detalhes inéditos sobre a produção cinematográfica.
O ex-presidente Jair Bolsonaro em entrevista a Leo Dias. Foto: Reprodução
Miranda, que também atuava como intermediador de repasses financeiros ao filme, respondeu às 12h40 concordando com a avaliação do banqueiro. “Acho muito!! Tínhamos combinado de não divulgar nada. Vou entender agora com o Mário”, afirmou. Em seguida, Vorcaro reforçou sua insatisfação: “Mas soltou no Leo. Mto ruim”.
Poucos minutos depois, o sócio do portal prometeu agir para retirar a reportagem. “Acabei de ver. Vou pedir pra apagar”, escreveu às 12h46. Na mesma sequência de mensagens, afirmou ter conversado com “Mário e Flávio”, em referência ao deputado federal Mário Frias (PL-SP) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ambos ligados ao projeto.
Miranda justificou o vazamento dizendo que as gravações e testes já haviam começado. “Mas não vai aparecer nome de ninguém. Eles me garantiram isso”, escreveu. Às 12h49, informou ao banqueiro: “Já mandei deletar”. Mesmo assim, Vorcaro voltou a reclamar.
Mensagens entre Thiago Miranda e Daniel Vorcaro. Foto: Reprodução
O empresário reconheceu o erro e reiterou que a matéria seria removida. “Vc tá certo. Como ninguém sabe de nada, eles fizeram e não passou por mim. Foi erro meu. Mas já mandei apagar”, respondeu. Às 13h06, confirmou a exclusão do conteúdo e acrescentou: “Resolvido. Flavio disse que vai te dar uma ligada tb”.
A reportagem retirada do ar tinha o título “História de Bolsonaro vira filme nos EUA; ex-presidente será retratado como herói”. O texto antecipava a sinopse de “Dark Horse”, citava integrantes da equipe de produção, mencionava a escolha de atores para interpretar familiares do ex-presidente e informava que o atentado em Juiz de Fora (MG) faria parte da narrativa. Não havia referência ao financiamento do longa nem ao envolvimento de Vorcaro.
O Portal Leo Dias afirmou, por meio da advogada Hallyne Marques, que o material foi removido por dúvidas sobre a apuração. “Recebemos o material de uma fonte e, como não estávamos 100% convictos da apuração, acabamos por retirar do ar. A decisão passou por Thiago Miranda, então CEO do portal”, informou a defesa.
O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre. Foto: Divulgação
O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), recusou nesta quinta-feira (21) os pedidos de parlamentares para a leitura dos requerimentos de criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar o Banco Master.
Durante a sessão conjunta do Congresso, o senador afirmou que a pauta do encontro estava restrita à análise do veto do presidente Lula ao trecho da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que permitia a municípios inadimplentes com até 65 mil habitantes receber recursos federais.
Ao justificar a decisão, Alcolumbre afirmou que não atenderia aos pedidos apresentados por parlamentares porque o tema não constava previamente na pauta de deliberação. “Peço a compreensão de Vossas Excelências, peço desculpa a Vossas Excelências por não atender a demanda solicitada por mais de 11 congressistas nesta sessão, em relação a outro tema que não estava previamente estabelecido na pauta de deliberação”, declarou o presidente do Congresso.
A leitura do requerimento é uma etapa necessária para a instalação de uma CPMI. Segundo Alcolumbre, a definição do momento em que esse procedimento ocorre é uma atribuição da presidência da Mesa do Congresso Nacional. “Requerimentos de leituras de matérias devem ser objeto de despacho da presidência. Portanto, o momento da leitura é um ato discricionário da presidência da mesa do Congresso Nacional”, afirmou durante a sessão.
O presidente do Senado também declarou que a condução do processo de instalação da comissão é prerrogativa da Mesa Diretora. Atualmente existem ao menos cinco pedidos de CPMI relacionados ao Banco Master apresentados por deputados e senadores.
O dono do Banco Master Daniel Vorcaro. Foto: Divulgação
A sessão foi marcada por manifestações de parlamentares de diferentes partidos favoráveis à abertura da investigação. Durante os debates, congressistas de legendas da base governista e da oposição cobraram a instalação da comissão.
Parlamentares argumentaram que a apuração deveria avançar diante das denúncias e suspeitas envolvendo a instituição financeira e seus dirigentes. Apesar da pressão política, a presidência do Congresso manteve a decisão de não realizar a leitura dos requerimentos.
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, esteve entre os defensores da criação da CPMI. Durante a sessão, ele afirmou que Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, deveria comparecer a uma eventual investigação parlamentar para prestar esclarecimentos sobre suas relações com diferentes autoridades e agentes políticos.
Ele também afirmou que setores da esquerda seriam contrários à abertura da comissão. Em sua manifestação, questionou os parlamentares presentes sobre o apoio à investigação e voltou a defender a instalação do colegiado para aprofundar as apurações relacionadas ao banco.
Na semana passada, a divulgação de um áudio pelo Intercept Brasil colocou Flávio no centro das discussões sobre o Banco Master. Na gravação, o senador conversa com Vorcaro sobre a obtenção de recursos para o filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro até a Presidência da República.
Após a repercussão do conteúdo, o senador reconheceu ter solicitado apoio financeiro ao empresário e afirmou que os valores mencionados seriam provenientes de recursos privados.
Flávio Bolsonaro e Lindbergh Farias. Foto: Reprodução
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) bateram boca nesta quinta (21) durante sessão conjunta no Congresso Nacional. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a defender a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Banco Master, mesmo após a divulgação de suas mensagens e encontros com Daniel Vorcaro, e provocou parlamentares de esquerda em discurso.
“Eu tenho um desafio a fazer: eu quero Daniel Vorcaro e Augusto Lima sentados naquela CPMI falando qual a relação eles tinham com Flávio e com o Lula, com Alexandre de Moraes. Eu não tenho nada a temer, nada a esconder. Estou desafiando aqui a esquerda brasileira. Vocês têm medo dessa CPMI”, disse o senador. Ele ainda atacou o governo Lula e culpou a gestão petista pelo escândalo do INSS.
“Do outro lado está o filme do presidente Bolsonaro, que recebeu investimento privado, que na época não tinha nada que pudesse desabonar sua conduta”, prosseguiu. O senador enviou mensagens ao banqueiro às vésperas de sua prisão, em 17 de novembro de 2025, e fez uma visita a ele em São Paulo após sua liberação.
Veja o discurso:
Em resposta, Lindbergh disse que a esquerda apoia a CPMI, mas cobrou respostas de Flávio sobre o destino do dinheiro de Vorcaro. “Aquele dinheiro foi usado para conspirar contra o Brasil, bancar a estadia do Eduardo Bolsonaro. Foi para conspirar por sanções e tarifas contra o Brasil”, afirmou.
Flávio pediu o direito de resposta e voltou a atacar o presidente, acusando-o de trocar o presidente do Banco Central para ajudar o Master. “Eu já dei todas os esclarecimentos que eu precisava dar, todas as explicações. Quem tem que dar explicações agora é o seu chefe [Lula], o que ele estava fazendo na reunião secreta?”, afirmou.
Ele ainda questionou se o presidente “é sócio, é conselheiro ou é só amigo dessas pessoas?” e chamou o petista de “ladrão”, sendo acompanhado por aliados.
Veja:
🗣️FLÁVIO BOLSONARO É CORTE RÁPIDO | “O seu chefe é ladrão. Abre o olho, rapaz.”
Flávio Bolsonaro respondeu Lindbergh Farias no Senado e deixou o Lindinho sem chão: quando cobrado sobre explicações, devolveu a pergunta para Lula e colocou o Banco Master no colo do PT.
O cantor bolsonarista Conrado participou da divulgação de um título de capitalização ligado ao grupo de Daniel Vorcaro poucas semanas após realizar um show produzido por Karina Gama, dona da produtora do filme “Dark Horse”, com R$ 292 mil em apoio da Prefeitura de São Paulo. A informação é da coluna de Demétrio Vecchioli no Metrópoles.
Em abril de 2025, Conrado retornou aos palcos com o espetáculo “O Amor Ainda É Tudo”, realizado no Teatro Sabesp, em São Paulo, sob produção da Academia Nacional de Cultura (ANC), entidade presidida por Karina Gama.
O evento contou com apoio da Secretaria Municipal de Turismo, que destinou R$ 292 mil para custear serviços como limpeza, segurança, recepção, iluminação, sonorização, ambulâncias, kits de alimentação e água mineral. A prefeitura informou que os recursos foram aplicados na infraestrutura do espetáculo e que houve distribuição gratuita de ingressos.
Menos de um mês depois, Conrado e a esposa, Andréa Sorvetão, lançaram o título de capitalização “Casal do Milhão”, da Kovr Capitalização, empresa então vinculada ao conglomerado do Banco Master. O produto, autorizado pela Susep, oferecia prêmio de R$ 15 mil e ficou disponível por curto período.
Karina Ferreira da Gama, da produtora do filme “Dark Horse”. Foto: reprodução
Atualmente filiados ao Democracia Cristã (DC), Conrado e Sorvetão passaram a divulgar conteúdos políticos com frequência nas redes sociais, incluindo manifestações em defesa de Daniel Vorcaro e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Ao comentar o financiamento do filme “Dark Horse”, Conrado afirmou: “O cara estava sob um contrato de sigilo, ele vai abrir a boca? Pegam o telefone e vazam só o contato dele? Era uma verba direcionada ao filme, junto a um contrato privado. Quem não quer apostar num filme sobre o Bolsonaro? Se eu tivesse dinheiro eu colocaria meu dinheiro lá”.
O cantor e a ANC não se manifestaram sobre o show e o título de capitalização do Master.
Davi Alcolumbre abraça Flávio Bolsonaro durante sessão do Congresso para derrubar veto presidencial ao PL da Dosimetria. Foto: Gabriela Biló/Folhapress
É mais explícito que qualquer coisa do OnlyFans. O abraço entre Davi Alcolumbre e Flávio Bolsonaro, capturado pela talentosa fotógrafa Gabriela Biló, expõe um método. É o retrato de um contubérnio, a fusão pragmática entre o centrão, que controla o processo, e o bolsonarismo, que pauta o objetivo.
O Congresso derrubou, com folga, o veto de Luiz Inácio Lula da Silva ao PL da Dosimetria: 318 deputados e 49 senadores. Resultado: virou lei um conjunto de mudanças que reduz penas, flexibiliza progressões e altera a resposta penal aos crimes de golpe de Estado e de abolição violenta da ordem democrática.
O efeito político é imediato. O novo cálculo de penas beneficia diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro e alcança também os condenados pelos atos de 8 de janeiro. Ao mesmo tempo, a decisão amplia impactos para além da política, atingindo centenas de milhares de casos no sistema penal.
Mas o que a foto captura não é o texto da lei. É o arranjo que a tornou possível.
Davi Alcolumbre em fevereiro de 2025, ao comemorar vitória na eleição para a presidência da Casa. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Alcolumbre preside, pauta, organiza e limpa o caminho. Isola a votação, negocia a agenda, administra resistências e entrega o resultado. Do outro lado, o bolsonarismo adere disciplinado: não cria ruído, não tensiona outras frentes, concentra energia no que interessa. O encontro desses dois vetores produz eficiência. É isso que se vê no placar e é isso que o abraço consagra.
A cena dispensa teatralidade. O gesto é direto, quase íntimo, mas ocorre em público, sob as luzes do plenário. É um sinal interno transformado em mensagem externa: há coordenação, há confiança operacional, há divisão de tarefas.
Enquanto isso, o governo assiste a mais um revés relevante no Legislativo, na sequência de derrotas recentes. A assimetria fica evidente: quem controla o rito controla o desfecho.
O mérito da fotografia de Gabriela Biló está em revelar esse mecanismo sem uma única palavra. O país discute a dosimetria; a imagem mostra quem dosou o poder.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Foto: Divulgação
O Congresso Nacional derrubou nesta quinta-feira (30) o veto presidencial ao projeto que reduz as penas de condenados pelos ataques aos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, o PL da Dosimetria. Com isso, ao menos 280 pessoas podem ser beneficiadas pela nova medida, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, condenados por tentar implementar um golpe de Estado no Brasil.
A redução das penas, no entanto, não ocorre de forma automática. O projeto aprovado determina que o Supremo Tribunal Federal (STF) seja o responsável por recalcular as punições de cada réu, levando em consideração as novas regras estabelecidas pela legislação.
Para que a redução aconteça, a corte precisa ser provocada, seja pela defesa de algum dos condenados, pelo Ministério Público ou por um ministro do STF, que seria o relator de um dos casos relacionados à tentativa de golpe.
Apesar da aprovação do projeto, ele ainda pode ser questionado no STF. Partidos políticos, entidades de classe, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o próprio governo podem entrar com ações para contestar a validade da medida, que, se for considerada inconstitucional, poderá ser anulada pelos ministros da corte.
O ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Divulgação
Caso a proposta seja aceita, a pena de Bolsonaro, que atualmente está em prisão domiciliar por motivos de saúde, poderá ser reduzida. Especialistas estimam que o ex-presidente tenha a possibilidade de migrar para um regime mais brando em um prazo de dois a quatro anos, muito mais cedo do que a previsão original de sete anos.
O PL da Dosimetria estabelece regras específicas para dois crimes contra a democracia: a abolição violenta do Estado Democrático de Direito, com pena de 4 a 8 anos, e o golpe de Estado, com pena de 4 a 12 anos. Caso os dois crimes sejam cometidos no mesmo contexto, as penas não podem ser somadas, conforme o projeto.
Nesses casos, a pena do crime mais grave será aplicada, com um aumento de um sexto até a metade, conforme a definição da Justiça. Além disso, o projeto também prevê redução de pena de até dois terços quando os crimes ocorrerem em contexto de multidão, desde que o réu não tenha exercido papel de liderança ou financiado os atos.
No caso dos ataques de 8 de janeiro, a Procuradoria-Geral da República usou a tese dos “crimes multitudinários” para justificar a redução de pena para aqueles que participaram sem liderança direta. O projeto ainda altera as regras de progressão de regime, permitindo a saída do regime fechado após o cumprimento de um sexto da pena.
A derrubada do veto presidencial ao Projeto de Lei (PL) da dosimetria no Congresso Nacional pode resultar em uma redução significativa da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro, que poderia ver sua sentença diminuir cerca de 24%.
Segundo estimativas do deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do projeto, a pena de Bolsonaro, que originalmente seria de 27 anos e três meses, poderia ser reduzida para 20 anos e 8 meses.
Nesse novo cenário, o ex-presidente teria que cumprir, no mínimo, três anos e cinco meses em regime fechado, para então iniciar o processo de progressão de pena. O PL da dosimetria, que foi vetado por Lula, e teve o veto derrubado no Congresso, também prevê que o tempo de prisão domiciliar seja contabilizado para a remição da pena.
Isso resultaria em uma redução significativa do tempo que Bolsonaro precisaria cumprir efetivamente em regime fechado. De acordo com projeções do parlamentar, o ex-capitão de direita passaria cerca de dois anos e quatro meses em regime fechado, considerando o tempo de prisão domiciliar já cumprido.
O deputado Paulinho da Força. Foto: Divulgação
Embora a proposta original do projeto tenha sido mais ampla, incluindo benefícios para presos comuns, o alcance da medida foi reduzido. Em dezembro, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, retirou do PL trechos que entravam em conflito com a Lei Antifacção, que estabelece regras específicas para a progressão de pena.
Esses dispositivos, retirados pela intervenção de Alcolumbre, incluíam partes que poderiam beneficiar membros de facções criminosas, o que gerou críticas de especialistas. Ele justificou sua decisão afirmando que a proposta original não teria efeitos práticos e causaria conflitos com a legislação já em vigor.
A alteração feita por pelo presidente do Congresso também excluiu os incisos 4 a 10 do projeto, que tratavam diretamente da progressão de pena, afetando não só os presos comuns, mas também integrantes de facções criminosas.
Ele explicou que esses dispositivos estavam em desacordo com a Lei Antifacção, que já regula a progressão de regime de cumprimento de pena no Brasil. Com isso, o PL da dosimetria, em sua versão atual, tem um impacto reduzido, especialmente para aqueles envolvidos em crimes mais graves.
Bolsonaro na Superintendência da PF, onde ficou preso até o fim de março
Nesta quinta-feira (30), o Congresso Nacional se reunirá para votar a derrubada do veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria, que pode resultar em uma redução significativa da pena de mais de 200 mil pessoas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está cumprindo prisão domiciliar após a tentativa de golpe de Estado.
A proposta, que visa modificar a remição da pena por estudo e trabalho, já foi aprovada tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado, mas foi vetada por Lula, que alegou problemas nas implicações da medida. A votação pode alterar radicalmente o sistema de penas no Brasil, caso o veto seja derrubado.
Atualmente, a legislação vigente proíbe a redução de pena por atividades como estudo ou trabalho para condenados que cumprem pena em regime domiciliar, salvo exceções com autorização judicial.
O projeto, agora em debate, propõe a ampliação dessa possibilidade, permitindo que qualquer pessoa em prisão domiciliar abata sua pena por meio dessas atividades, um benefício que já existe em regimes mais severos, como o semiaberto e fechado. O caso de Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pela tentativa de golpe de Estado, é o principal alvo da modificação.
De acordo com dados mais recentes da Secretaria Nacional de Políticas Penais do Ministério da Justiça, aproximadamente 235 mil pessoas estavam cumprindo pena em regime domiciliar em 30 de junho de 2025, com um crescimento de 3.812% no número de presos em regime domiciliar nos últimos nove anos, impulsionado pela pandemia.
A medida visa permitir que essas pessoas possam reduzir sua pena em até 48 dias ao longo de um ano, caso se dediquem ao estudo de até 12 livros por ano, cada um gerando uma redução de quatro dias de pena. Além disso, a remição por trabalho possibilita a diminuição de um dia de pena a cada três dias de serviço prestado.
Detento lendo livro em penitenciaria. Foto: Divulgação
Felippe Angeli, coordenador da plataforma Justa, explica que a mudança exige uma regulamentação rigorosa para evitar abusos, uma vez que o regime domiciliar dificulta a fiscalização da participação dos condenados em atividades de remição.
“Hoje tudo é organizado a partir da custódia pelo Estado. O preso sai do estabelecimento e retorna [após o trabalho/estudo] ou no regime fechado tem acesso a possibilidade trabalho e educação dentro do estabelecimento. Então, isso já fica registrado para fins da própria remição. No caso domiciliar, não se tem essa informação, vai precisar de uma prova muito robusta”, afirmou Angeli.
Além disso, o advogado Pierpaolo Bottini, que foi membro do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, também expressou preocupações sobre a mudança legislativa.
“O instituto sozinho não é ruim, no fundo é um instrumento de ressocialização. A questão é que ele não pode ser casuística e vir num projeto que busca beneficiar um determinado grupo de pessoas”, argumentou.
Em defesa da proposta, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do projeto na Câmara, afirmou que a mudança foi pensada para beneficiar especificamente o caso de Bolsonaro. Ele disse também que a proposta não teria implicações para o sistema prisional como um todo, uma vez que o projeto visa apenas permitir que o ex-presidente possa remir sua penar.
Apesar da aprovação do projeto na Câmara (291 votos a 148) e no Senado (48 votos a 25), o presidente Lula vetou integralmente a proposta, citando preocupações com a falta de regulamentação e a possibilidade de seu uso indiscriminado.
Lá vou eu mais uma vez repetir, feito uma maritaca com cãibra, que ou o Brasil acaba com as bets ou as bets vão acabar com o Brasil. Ao lado dos juros altos e do mau uso do crédito consignado, a ilusão de encarar apostas como complemento de renda ou solução para dívidas está tornando famílias insolventes, isso quando não levando ao seu adoecimento e até ao suicídio.
Bets cresceram nas frestas da lei por anos durante a gestão Bolsonaro e depois foram reguladas de forma insuficiente no governo Lula, com autorização para a propaganda que nunca deveria ter sido dada. Com isso, parte da economia amarrou seu burro nelas.
Das empresas nacionais e internacionais que lucram bilhões com as tragédias de famílias, passando pela mídia que se financia com espaço para bets anunciarem seu engodo, até o futebol que se tornou dependente da grana obtida pela sangria da população, o negócio se tornou parte do cotidiano.
Tudo protegido por uma constelação de políticos, principalmente no Congresso Nacional. Bancadas da Bíblia, da Bala e do Boi? Bobagem, a mais poderosa é a das bets.
Também, como não canso de dizer, dada a impossibilidade de proibir as bets no curto prazo, o ideal seria vetar todos os anúncios, incluindo aí as mentiras contadas pelos bem pagos influenciadores. Mas, pelos motivos listados acima, teremos que viver com a hipocrisia de não termos anúncios de tabaco, mas termos de tigrinhos.
A economia funcionava antes das bets e vai continuar depois. Mas, como é muito dinheiro, ninguém quer abrir mão. Enquanto isso, o povaréu se estrepa.
Algumas das principais plataformas de apostas. Fotomontagem
Bets viciam tanto quanto o crack. A diferença é que, enquanto você corre o risco de ser preso ou levar bala ao ir à boca comprar uma pedra, as casas de apostas e cassinos on-line estão a um clique de distância em seu smartphone. Neste momento, seu marido ou seu filho podem estar alimentando o vício, gastando as economias e fazendo dívidas de dentro da segurança da sua casa.
Não estou sendo moralista, mas estou falando de um modelo de negócio que lucra justamente com a perda e com o desespero de milhões. Cada propaganda exibida, cada bônus oferecido, cada ganho fácil vendido é, na prática, um convite ao endividamento silencioso.
Reportagem de João José Oliveira, no UOL, já havia apontado que as apostas on-line se tornaram um dos principais fatores de endividamento das famílias brasileiras, superando o impacto do crédito e dos juros no orçamento, segundo estudo do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo) e da FIA Business School.
O impacto disso não aparece imediatamente nas estatísticas macroeconômicas, mas se manifesta na vida real: na conta de luz atrasada, no carrinho de supermercado mais vazio, no remédio que deixa de ser comprado. Pesquisas mostram que uma parcela relevante dos apostadores compromete a própria renda mensal com jogos, sacrificando despesas básicas — inclusive alimentação, educação, moradia e outros serviços essenciais. Sim, bets geram carestia.
As bets funcionam como um imposto informal, regressivo e sem retorno social, com uma dinâmica de consumo que mistura entretenimento, promessa de ascensão rápida e engenharia comportamental desenhada para viciar. Ao fim, o resultado é o enriquecimento de donos de plataformas e dos políticos que se aproveitam da amizade com eles.
Não deixa de ser irônico que muita gente bonita, crescida no leite de pera, reclame de programas de transferência de renda dos ricos para os mais pobres, enquanto defendem a liberdade das bets – que hoje são um robusto programa de transferência de renda dos mais pobres para os ricos.
Não falta diagnóstico, sobra conveniência. Porque enfrentar esse modelo exigiria contrariar quem lucra alto e rápido, ainda que às custas do lento empobrecimento de milhões. Com esse tipo de dívida, o país não quebra de uma vez, mas vai sendo corroído aos poucos, clique após clique, aposta após aposta, enquanto a conta (como sempre) chega a quem menos pode pagar.
Gilberto Kassab, presidente do PSD, durante evento do LIDE. Reprodução
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta segunda-feira (27) que Jair Bolsonaro (PL) “não tinha vocação para a vida pública”. A declaração foi dada durante evento empresarial do LIDE, grupo ligado ao ex-governador João Doria, em São Paulo.
Segundo Kassab, a eleição de 2018 foi marcada por um forte sentimento antipetista, o que abriu caminho para a vitória de Bolsonaro. “O Brasil não podia mais ouvir falar no PT, e Bolsonaro acabou assumindo. Sinceramente, sem nenhuma vocação para a vida pública”, disse.
Apesar da crítica, Kassab afirmou que o governo Bolsonaro se sustentou por causa de nomes fortes na equipe econômica. Ele citou Paulo Guedes como peça central da gestão. “Ele praticamente comandava a economia e teve papel muito importante”, declarou.
O dirigente do PSD também fez ressalvas ao governo Lula. Kassab apontou dificuldades na condução econômica e questionou a eficiência administrativa da atual gestão federal.
As falas ocorrem em meio às articulações para a disputa presidencial de 2026. O PSD tenta ampliar seu espaço nacional e sustentar uma alternativa à polarização entre PT e PL.
Roberto Justus, empresário e apresentador, se posicionou de maneira firme contra a possibilidade de Jair Bolsonaro voltar ao poder. O empresário, conhecido por sua trajetória no mercado publicitário e como apresentador de reality shows afirmou que não gostaria de ver o ex-presidente de volta à presidência, criticando a postura de Bolsonaro após a derrota eleitoral.
Justus mencionou a decisão de Bolsonaro de não passar a faixa presidencial e sua ida aos Estados Unidos como atitudes que o decepcionaram. Para ele, essas atitudes contribuíram são incompatíveis com o papel de um líder. Comparando Bolsonaro com Lula, disse que o atual presidente do Brasil é um exemplo.
Além de sua carreira como apresentador, Justus tem se destacado no mundo dos negócios.
Ele é o CEO da SteelCorp, uma construtech que fabrica estruturas industrializadas para construção de casas e prédios.
Recentemente, a empresa inaugurou uma megafábrica de 16.000 m² em Cajamar, no estado de São Paulo, com o objetivo de ampliar a produção de casas populares, especialmente voltadas para o programa Minha Casa Minha Vida. Essa aposta no setor imobiliário reflete a visão de Justus sobre o potencial do mercado de Light Steel Frame, uma técnica de construção mais eficiente e com menor impacto ambiental.
A decisão de investir na SteelCorp surge em meio a um período de turbulência no mercado político e econômico, com Justus ainda refletindo sobre as implicações do governo Bolsonaro na economia.
No entanto, sua atuação no mercado imobiliário está focada em oferecer soluções para o déficit habitacional no Brasil, especialmente com a utilização do sistema LSF, que promete ser mais rápido e sustentável do que as construções convencionais.
🚨VEJA: Roberto Justus diz que não quer Bolsonaro de volta e critica postura após derrota
O empresário Roberto Justus afirmou que não gostaria de ver Jair Bolsonaro novamente no poder. Segundo ele, o ex-presidente “pisou na bola” ao não saber lidar com a derrota eleitoral,… pic.twitter.com/7F1C2NnFjB
Flávio Bolsonaro – Foto: Reprodução/YouTube/Pânico Jovem Pan
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reagiu, neste domingo (26), ao ataque a tiros que ocorreu durante o jantar de correspondentes da Casa Branca, em Washington, no qual o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sua esposa, Melania Trump, estavam presentes. O tiroteio, que forçou a evacuação do evento, também resultou em um ferido entre os agentes do Serviço Secreto. Em sua manifestação, Flávio Bolsonaro expressou seu apoio a Trump e aos participantes do evento, mencionando que tem orado pelo presidente e pela sua família.
“Coloco nas minhas orações o Presidente Donald Trump, a primeira-dama Melania Trump e todos que estiveram no jantar em Washington. Tentar tirar a vida de quem pensa diferente usando balas ou facas não cabe numa democracia. Que Deus nos proteja desse tipo de violência lá ou aqui no Brasil”, escreveu Flávio Bolsonaro na rede social X.
Coloco nas minhas orações o Presidente Donald Trump, a primeira-dama Melania Trump e todos que estiveram no jantar em Washington.
Tentar tira a vida de quem pensa diferente usando balas ou facas não cabe numa democracia.
O ataque aconteceu na noite de sábado (25) no Washington Hilton, onde a Associação de Correspondentes da Casa Branca realizava o tradicional evento. A suspeita de envolvimento no ataque é de Cole Tomas Allen, de 31 anos, residente da Califórnia e professor. Após o ocorrido, as autoridades detiveram rapidamente Allen, que deve comparecer ao tribunal nesta segunda-feira (29), conforme anunciou a procuradora dos EUA, Jeanine Pirro.
Os detalhes sobre os motivos de Allen ainda estão sendo investigados, mas o tiroteio gerou grande comoção, especialmente por envolver figuras públicas de alto escalão dos Estados Unidos. A situação foi controlada rapidamente, mas o evento, que reúne jornalistas e políticos, deixou um clima de insegurança.
O ataque à vida do presidente Trump e seus aliados, bem como o ambiente de crescente violência, faz com que Flávio Bolsonaro se preocupe com a segurança tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Sua manifestação aponta para uma preocupação generalizada sobre a violência política e a necessidade de proteção nas democracias.
Flávio Bolsonaro, que também é pré-candidato à presidência, utilizou o ataque para reafirmar sua posição contra a violência e defender a proteção de todas as pessoas, independentemente de suas opiniões políticas. A declaração do senador não apenas expressa apoio a Trump, mas também destaca o desafio da violência que afeta países em todo o mundo.
André Esteves, presidente do conselho do BTG. Foto: reprodução
O banqueiro André Esteves, presidente do conselho de administração do BTG Pactual, afirmou que a eleição presidencial no Brasil deve ser marcada por uma disputa polarizada entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). Para ele, porém, o ponto central não será a orientação ideológica do vencedor, mas a manutenção de uma agenda econômica considerada racional e pró-mercado.
“Estamos caminhando no Brasil para uma eleição 50/50. Temos dois candidatos, o filho do ex-presidente Bolsonaro, Flávio, que é um político experiente, ele não apareceu do nada, é senador, um cara com bom-senso; e o presidente Lula, que foi protagonista nas últimas dez eleições no Brasil, que mesmo sendo de centro-esquerda, é um líder amigável ao mercado”, disse Esteves.
“É difícil prever o vencedor […] mas eu não me importo muito se é esquerda ou direita, desde que o vencedor seja a decisão econômica racional. A racionalidade não pertence à direita ou à esquerda, é mais sobre ser racional contra ser populista. A região [América Latina] tem tomado boas escolhas”.
A declaração foi feita durante o evento Latam Focus 2026, promovido pelo BTG no Chile. No encontro, Esteves avaliou que os Estados Unidos deixaram de funcionar como um “buraco negro” capaz de concentrar grande parte dos investimentos globais. Segundo ele, há uma realocação de capital para outros mercados, impulsionada pela busca de investidores por diversificação.
Lula e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução
Esse movimento, na avaliação do executivo, tende a beneficiar economias emergentes, incluindo países da América Latina e o Brasil. Esteves afirmou que, mesmo após a valorização recente dos ativos latino-americanos e brasileiros, esses mercados ainda apresentam um “valuation” atrativo quando comparados aos mercados estadunidenses.
O banqueiro também citou a comparação entre o BTG Pactual e a gestora estadunidense Blackstone, comandada por Stephen A. Schwarzman, de quem disse ser amigo. Para Esteves, a diferença entre os múltiplos das duas empresas era exagerada no início de 2025.
“No começo de 2025, o BTG era negociado a um múltiplo 8 vezes o preço/lucro, e a Blackstone a um múltiplo de 35 vezes. O valor de mercado deles era dez vezes o nosso, apesar de o lucro ser apenas o dobro do nosso. Eu estou bem de ter o CEP errado [a sede do BTG ser no Brasil], mas era uma diferença exagerada. Agora as coisas se corrigiram um pouco, a Blackstone é negociada a 25 vezes e o BTG a 11 vezes, depois de nossa ação ter subido mais de 100%”, comentou.
O presidente do Chile, José Antônio Kast, de direita, também discursou no evento do BTG. Ele afirmou que aprovou um projeto de reconstrução nacional e desenvolvimento econômico e social, que será encaminhado ao Congresso.
“Queremos que seja conversado, não que se fechem ao debate mesmo antes de iniciar o processo. […] Não estamos falando de um projeto ideológico, mas de como transformar, recuperar nossa pátria”.
O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal) – Reprodução
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou para manter a prisão preventiva de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), em investigação sobre suposto favorecimento ao Banco Master.
No voto, apresentado em sessão de referendo de decisão monocrática, Gilmar afirmou haver indícios suficientes de que Paulo Henrique teria recebido vantagens indevidas. Segundo o ministro, os elementos apontam para o recebimento de imóveis de alto valor em contexto ligado à aquisição de carteiras de crédito do Banco Master pelo BRB.
Para Gilmar, a liberdade do ex-dirigente poderia comprometer a instrução do caso. Por isso, o ministro acompanhou o entendimento pela manutenção da prisão preventiva.
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) – Reprodução
O magistrado, porém, divergiu parcialmente em relação ao advogado Daniel Lopes Monteiro, outro investigado no caso. Gilmar avaliou que, embora existam indícios contra ele, ainda não há elementos suficientes para equiparar sua conduta à dos principais alvos da apuração.
O ministro defendeu cautela para diferenciar o exercício regular da advocacia de eventuais excessos com relevância penal. Segundo ele, parte das condutas atribuídas ao advogado pode estar ligada à atuação profissional, o que exige análise mais aprofundada antes de medidas mais duras.
Com esse entendimento, Gilmar propôs substituir a prisão preventiva de Monteiro por prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica, proibição de contato com outros investigados e restrições à atuação profissional em casos ligados à investigação.
O ministro também citou o princípio da proporcionalidade e a necessidade de tratamento isonômico entre investigados. Ele observou que outros envolvidos, apontados com participação mais relevante, seguem submetidos a medidas menos severas.
Gilmar ressaltou que o julgamento ocorre em fase preliminar, com base em cognição limitada, e que novas provas podem levar à revisão das medidas cautelares.
O procurador geral da república Paulo Gonet, e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Foto: Antonio Augusto/Secom/MPF
A Procuradoria-Geral da República informou nesta sexta-feira (24) que não se opõe ao pedido de Jair Bolsonaro para realizar uma cirurgia no ombro direito. A decisão final, porém, continua nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Na manifestação enviada ao Supremo, Paulo Gonet afirmou que, diante das informações médicas apresentadas pela defesa, “não se vislumbra óbice” ao acolhimento do pedido. O parecer menciona que Bolsonaro relata dores recorrentes e intermitentes no ombro direito, tanto em repouso quanto nos movimentos do braço.
O pedido da defesa foi apresentado ao STF com solicitação de urgência e prevê cirurgia por artroscopia para reparar lesões no manguito rotador e problemas associados no ombro direito. Os advogados também pediram que eventual autorização cubra as etapas do tratamento, do pré-operatório à reabilitação.
O ex-presidente Jair Bolsonaro, tossindo em evento durante isolamento social da pandemia. Foto: Reprodução
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde 27 de março, após receber alta hospitalar em Brasília. A medida foi autorizada por Moraes por 90 dias, depois de manifestação favorável da própria PGR, no contexto da execução da pena imposta ao ex-presidente.
Segundo apuração da CNN, a tendência é que Moraes autorize o procedimento no hospital DF Star, em Brasília. O ministro, no entanto, ainda não definiu prazo para decidir nem a data de eventual cirurgia.
O policial penal Luciano de Lima Fagundes Pinheiro, conhecido como Bonitão, foi preso nesta sexta-feira (24) nos Estados Unidos. Ele estava foragido da Operação Anomalia e era procurado desde março. Com informações do g1.
A prisão foi feita por agentes da DEA, agência antidrogas do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, após troca de informações com a Polícia Federal no Rio de Janeiro. Luciano deve passar por audiência de custódia na Justiça americana, que vai avaliar medidas como a deportação para o Brasil.
Bonitão estava incluído na Difusão Vermelha da Interpol. Ele é suspeito de atuar para tentar atrasar a extradição de Gerel Lusiano Palm, traficante internacional de drogas preso no Rio em 2021.
A Operação Anomalia foi deflagrada no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II. A investigação mira um núcleo suspeito de negociar vantagens indevidas e vender influência para favorecer interesses de Gerel Palm, condenado por homicídio na Holanda e investigado pela DEA por tráfico internacional.
Luciano é servidor da Secretaria de Administração Penitenciária do Rio, mas já esteve cedido a outros órgãos estaduais e federais. No início da década de 2010, atuou como segurança de jogadores de futebol, principalmente atletas brasileiros que jogavam na Rússia.
Em 2014, ele foi preso na Maré, apontado como informante do traficante Marcelo das Dores, o Menor P. Segundo a investigação da época, ele seria elo entre Menor P e Antonio Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha. Luciano foi condenado, cumpriu pena e obteve reabilitação criminal na Justiça.
O policial penal também foi alvo de investigação da Seap em 2021, após uma apuração sobre visitas ao empresário Glaidson Acácio, o “Faraó dos Bitcoins”, em período de quarentena no presídio. À época, ele negou ter visitado Glaidson.
Depois, Luciano foi nomeado na Assembleia Legislativa do Rio e também esteve cedido ao gabinete do deputado Dr. Luizinho (PP), em Brasília, até fevereiro de 2025. Na primeira fase da Operação Anomalia, em 9 de março, foram expedidos quatro mandados de prisão pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.
O deputado federal, Nikolas Ferreira. Foto: Wallace Martins/Estadão Contéudo
A nova troca de ataques entre Nikolas Ferreira e Jair Renan Bolsonaro abriu mais um capítulo do desgaste interno no bolsonarismo. Nesta sexta-feira (24), o deputado mineiro chamou o vereador de Balneário Camboriú de “toupeira cega” após uma discussão no X, em meio à pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no PL.
A confusão começou quando o influenciador bolsonarista Junior Japa ironizou um vídeo de Nikolas em Minas Gerais e insinuou que ele teria “sentido” críticas recentes, além de sugerir troca de apoio por emendas. Nikolas reagiu dizendo que mandaria “emenda” para internar os críticos “num hospício”; Jair Renan entrou na conversa com o meme “Galvão?”, seguido pela resposta “Sentiu”.
Foi nesse ponto que Nikolas publicou o print da interação e escreveu que, se somada, a “capacidade cognitiva” de Jair Renan e do influenciador “não alcança a de uma toupeira cega”. O ataque virou o sinal mais recente de um mal-estar que já vinha crescendo no entorno de Flávio Bolsonaro por causa da atuação considerada tímida de Nikolas na campanha.
Nos bastidores, aliados dos Bolsonaro passaram a monitorar as redes do deputado e a reclamar que ele menciona pouco o nome de Flávio. Nikolas respondeu dizendo sofrer “ataques unilaterais” e acusou integrantes do grupo de se acharem “mais Bolsonaro do que o próprio Bolsonaro”, o que transformou uma briga de rede social em sintoma de corrosão política mais ampla.
Se juntar a capacidade cognitiva dessa dupla não alcança a de uma toupeira cega. pic.twitter.com/F8voYWiHcC
A tensão atual se soma ao embate que Nikolas já havia travado com Eduardo Bolsonaro no início do mês. Depois de um “kkk” publicado pelo mineiro em resposta a críticas, Eduardo acusou o deputado de desrespeitar sua família, de usar o algoritmo das redes para dar visibilidade a adversários do bolsonarismo e de não apoiar Flávio de forma consistente.
O conflito também atravessou a própria família Bolsonaro. Enquanto Carlos e Jair Renan se alinharam com Eduardo nas redes, Michelle adotou uma posição ambígua e chegou a publicar vídeo de Nikolas no mesmo dia do embate, num gesto lido como sinal de apoio ao parlamentar mineiro; em paralelo, Carlos passou a pressionar filiados do PL com um “levantamento” de quem não divulga a candidatura de Flávio.
Flávio tentou atuar como bombeiro e pediu “racionalidade” e pacificação, afirmando que esse tipo de confronto “não é inteligente” e que não há vencedor em guerra interna. O problema é que a repetição desses episódios mostra que a campanha depende cada vez mais de apagar incêndios entre aliados e parentes, e menos de consolidar uma linha única de discurso.
Na reta para a eleição de outubro, a sequência de choques públicos fragiliza o PL porque dispersa a militância, embaralha a autoridade do clã e obriga Flávio Bolsonaro a arbitrar disputas domésticas em vez de ampliar sua frente eleitoral. Aliados do senador já trataram a briga entre Eduardo e Nikolas como fator de risco e de “potencial catastrófico”, sobretudo porque Minas Gerais é vista como peça estratégica e o apoio de Nikolas segue considerado central nesse tabuleiro.
As cantoras Cláudia Leitte e Luiza Possi e o ator e palestrante red pill Juliano Cazarré. Fotomontagem
O ator Juliano Cazarré passou a receber manifestações públicas de apoio de artistas e celebridades de extrema-direita, após a repercussão negativa do seu evento red pill intintulado “O Farol e a Forja”, voltado ao público masculino.
Entre os nomes que saíram em defesa de Cazarré estão Claudia Leitte, Luiza Possi, Caio Castro, Rodrigo Nogueira e Gabriela Morais. A cantora Claudia Leitte reagiu com emojis de aplauso em postagem de apoio ao ator, enquanto Caio Castro deixou um coração e um gesto de bênção. Já Luiza Possi foi mais enfática e escreveu: “TÔ COM VOCÊ! Queria até palestrar nesse evento maravilhoso!”.
O ator Juliana Knust também gravou vídeo em defesa do colega e criticou a reação negativa ao projeto. “Um homem como Juliano Cazarré, pai de seis filhos, casado, trabalhador, um homem religioso, um cara de bem, cria um encontro para discutir responsabilidade, presença, fé, saúde masculina e isso é tratado como ameaça?”, questionou.
Os comentários no post da atriz que defendeu o Juliano Cazarre e seu curso de introdução a machosfera
A influenciadora Gabriela Morais, ex-mulher de Gabriela Pugliesi, disse não entender a dimensão da polêmica e afirmou que encontros voltados ao fortalecimento da figura paterna e familiar deveriam ser incentivados. “Nós mulheres adoraríamos viver com homens mais dignos, mais respeitosos, com homens que honrem mais a família, o lar”, declarou.
Também houve apoio da atriz Mônica Carvalho, que associou a repercussão negativa a um incômodo com valores religiosos e familiares. “Quando a alma está alinhada com Deus, nenhuma voz contrária tem poder”, escreveu. O lutador Minotauro ainda afirmou que participará do encontro promovido por Cazarré.
A controvérsia começou depois que atrizes como Marjorie Estiano, Claudia Abreu, Betty Gofman, Julia Lemmertz e Paulo Betti criticaram a proposta, apontando no discurso do evento sinais de machismo e da cultura red pill.
A socióloga e primeira-dama brasileira, Rosângela da Silva. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters
A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, reagiu nesta sexta-feira (24) às declarações de Paolo Zampolli, enviado especial para parcerias globais do governo Donald Trump, e afirmou ser “impossível não se indignar” com o ataque feito às mulheres brasileiras.
“Dizer que somos uma ‘raça maldita’ e ‘programadas para causar confusão’ não nos diminui. Pois sabemos muito bem quem somos e temos muito orgulho de quem nos tornamos diariamente”, escreveu Janja em seu Instagram. Ela também afirmou que as brasileiras rompem “diariamente, ciclos de violência e de silenciamento” e reforçou a reação contra o machismo, a misoginia, o feminicídio e outras formas de violência.
A manifestação ocorreu depois de Zampolli dar entrevista à emissora italiana RAI. Ao comentar a ex-companheira Amanda Ungaro, ele afirmou que mulheres brasileiras seriam “programadas para causar confusão”.
Na mesma conversa, o aliado de Trump agravou o tom e chamou brasileiras de “putas” e de “raça maldita”, o que ampliou a repercussão do caso no Brasil.
Zampolli foi casado por cerca de 20 anos com Amanda Ungaro, que o acusa de agressão física, psicológica e sexual. Ele nega as acusações.
O Ministério das Mulheres também repudiou as falas e afirmou que misoginia “não constitui opinião”, classificando esse tipo de manifestação como discurso de ódio e incitação à violência.
Em entrevista concedida a Rai3 Report, Zampolli, expert de política externa de Trump, a MULHER BRASILEIRA É: Zampolli:” Ah Lidia, eu sei lá… é uma dessas PUTAS BRASILEIRAS , essas RAÇAS BASTARDAS BRASILEIRAS QUE SÃO TODAS IGUAIS. Aquela (sic) estávamos juntos, eu trepava (sic)… pic.twitter.com/qG6tsEkF0E
— Prof.Marco Antonio Villa (@VillaMarcovilla) April 18, 2026
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, encerrou nesta sexta-feira (24) a execução das penas dos condenados pela trama golpista relacionada ao governo de Jair Bolsonaro.
A decisão ocorreu após o reconhecimento do trânsito em julgado, etapa que encerra a possibilidade de recursos. Com isso, os réus passam à condição de presos definitivos. A medida incluiu integrantes do chamado Núcleo 2, último grupo pendente.
Entre os condenados estão Mário Fernandes, com pena de 26 anos e seis meses; Silvinei Vasques, com 24 anos e seis meses; Marcelo Câmara e Filipe Martins, ambos condenados a 21 anos; e Marília de Alencar, com pena de 8 anos e seis meses.
No caso dela, foi determinada prisão domiciliar por 90 dias, com uso de tornozeleira eletrônica, devido à recuperação de cirurgia. Segundo a Procuradoria-Geral da República, Filipe Martins atuou na elaboração de minuta de golpe de Estado ao fim do governo anterior.
Mário Fernandes foi acusado de planejar ações contra o presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o próprio Moraes, com base em documento intitulado “Punhal Verde e Amarelo”. Já Marcelo Câmara teria monitorado ilegalmente a rotina do ministro.
Mensagens apreendidas no celular de Mauro Cid indicam que Câmara informou a localização de Moraes em São Paulo e se referiu ao ministro como “professora”. O caso ocorreu em dezembro de 2022 e integra o conjunto de provas analisadas no processo.
Fernando de Sousa Oliveira; Filipe Martins; Marcelo Costa Câmara; Marília Ferreira de Alencar; Mário Fernandes; Silvinei Vasques: os integrantes do ‘núcleo 2’ da trama golpista. Foto: Reprodução
Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, foi apontado como responsável por ações que teriam dificultado o deslocamento de eleitores de Lula no segundo turno das eleições de 2022. Já Marília de Alencar teria atuado no levantamento de dados que fundamentaram as operações de fiscalização.
As defesas dos réus negaram as acusações em dezembro do ano passado e pediram a absolvição. Apesar disso, a Primeira Turma do STF manteve as condenações, com base nas investigações conduzidas pela Polícia Federal e pela PGR.
Até o momento, o Supremo já condenou 29 pessoas no âmbito da trama golpista, sendo 20 em regime fechado. Além disso, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o general Augusto Heleno e Marília de Alencar cumprem prisão domiciliar.
Outros envolvidos firmaram acordos com a PGR e não foram presos. É o caso dos militares Márcio Nunes de Resende Júnior e Ronald Ferreira de Araújo Júnior, que receberam penas menores. Mauro Cid, após acordo de delação premiada, também responde em liberdade.
Três mandados de prisão seguem em aberto. Alexandre Ramagem, Carlos Cesar Moretzsohn Rocha e Reginaldo Vieira de Abreu são considerados foragidos no exterior, segundo as informações do processo.
O governador do Rio de Janeiro continuará sendo o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça, até que o Supremo Tribunal Federal decida se a eleição que preencherá a vaga deixada pela renúncia de Cláudio Castro será pelo voto indireto dos deputados estaduais ou direto do povo fluminense. Ou seja, o Rio ganhou mais tempo para evitar que sua democracia tão combalida leve mais um golpe.
A decisão é do ministro Cristiano Zanin, do STF, em resposta a uma ação do PSD do ex-prefeito Eduardo Paes. O deputado Douglas Ruas, aliado do ex-governador e nome escolhido pelo PL para disputar o Palácio Guanabara em outubro, foi eleito presidente da Assembleia e queria o cargo desde já. Ele e seus aliados dão como justificativa a linha sucessória. Mas, na prática, a razão é mais prosaica: facilitar a recondução do grupo que está no poder no Rio nas eleições gerais. O que ajudaria, inclusive, a candidatura presidencial do partido, que deve ser encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro.
Há duas semanas, o ministro Flávio Dino pediu vistas na ação em que o STF decidirá como será a escolha do governador-tampão do Rio. A renúncia de Castro, logo antes de ser cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (por desviar R$ 1 bilhão em grana pública a fim de contratar milhares de cabos eleitorais), tem sido vista como uma manobra para que seu grupo político decidisse o seu sucessor, aproveitando divergências de interpretação entre a legislação eleitoral e leis do estado.
Ou seja, o governador, que ia ser cassado exatamente por tentar manipular as eleições, como ato derradeiro de seu mandato, tentou manipular as eleições. A renúncia não foi um ato para afastar a sua inelegibilidade, que é garantida, mas para botar no Palácio Guanabara um aliado que, com o controle da máquina nas mãos, terá mais facilidade para buscar a reeleição em outubro. É uma clara tentativa de fraudar a lei, daí a disputa de posições no Supremo.
Com o tribunal fragilizado, dado o envolvimento de membros da corte com o caso Master, uma decisão que leve em conta essa tentativa de fraudar o cumprimento da lei será tratada por aliados de Castro como ingerência política. Ironicamente, isso seria, na verdade, uma tentativa de consertar a ingerência política do ex-governador e seus sócios.
Como já disse aqui um rosário de vezes, Castro deixou como legado um rombo de quase R$ 1 bilhão no RioPrevidência após o fundo injetar dinheiro no Master quando o banco já era visto como uma piada no mercado financeiro. Era dinheiro de aposentadorias de professor com burnout, enfermeira que segura plantão triplo e gari que limpa rua alagada.
Foi pai de algumas das operações policiais mais letais da história da região metropolitana do Rio de Janeiro. Foram 121 mortos na Penha e no Alemão no ano passado; 28 no Jacarezinho (maio de 2021); 23 na Vila Cruzeiro (maio de 2022); 16 no Complexo do Alemão (julho de 2022); 13 em São Gonçalo e Salgueiro (março de 2023); e 12 em Itaguaí e Vila Ibirapitanga (outubro de 2020).
E renunciou para não ser cassado no escândalo dos cargos secretos que sangraram os cofres públicos em mais de R$ 1 bilhão durante as eleições de 2022. Foram 24 mil pessoas contratadas com dinheiro público, via Fundação Ceperj e Universidade Estadual do Rio de Janeiro, para atuar como cabos eleitorais ilegais. Uma extensa investigação de Ruben Berta e Igor Mello, do UOL, em 2022, levou ao julgamento e revelou a engrenagem.
Cláudio Castro (PL), ex-governador do Rio de Janeiro. Foto: Divulgação
Castro seguiu à risca a velha lógica de políticos fluminenses, que tratam o Estado como propriedade privada e a população como figurante descartável. A chance de interromper essa lógica seria garantir que a última cartada de Castro não tivesse sucesso, possibilitando igualdade de condições para a definição do próximo governador.
O caso está longe de ser resolvido, uma vez que o ministro Luiz Fux, que também relata uma ação da Assembleia a favor de Douglas Ruas, ainda deve proferir o seu voto.
No fim das contas, a pergunta é simples (e, talvez por isso mesmo, tão incômoda): por que tanto medo do voto direto?
Se o grupo que hoje controla o poder no Rio acredita na própria gestão, deveria ser o primeiro a defender que a população decida. Mas não. Prefere o atalho, o conchavo, o arranjo de gabinete. Porque sabe que, nas urnas, o roteiro pode sair do controle.
O Rio de Janeiro precisa assumir o risco da própria escolha, com todos os erros e acertos que isso implica. Democracia não é um seguro contra tragédias, mas é o único instrumento que permite responsabilizar quem transforma o estado em balcão de negócios.
Negar o voto direto agora não é apenas proteger um grupo político. É dizer, em alto e bom som, que o povo fluminense não é confiável o suficiente para decidir seu próprio destino, mas é bom o bastante para pagar a conta.
E talvez seja justamente isso que mais assuste: quando a população deixa de ser figurante e resolve, finalmente, subir ao palco.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou com um processo contra a rede social X e pediu para que a plataforma forneça dados pessoais de usuários que o criticaram publicamente. O senador alega que se tornou alvo de uma “campanha difamatória e caluniosa”, ultrapassando os limites da liberdade de expressão.
Ele solicita informações como CPF, telefone e e-mail de cinco perfis, alegando que essas críticas constituem crimes, pois se utilizam do anonimato para “cometer crimes”. Em resposta, a rede social defende a liberdade de expressão, argumentando que a quebra do anonimato precisa ser tratada com cautela.
A empresa menciona direitos essenciais como a liberdade de manifestação do pensamento e o discurso político, destacando que não pode haver uma quebra de sigilo sem uma justificativa robusta e proporcional, apontando os abusos específicos cometidos por cada perfil. O caso segue em análise judicial.
Flávio alegou que é defensor da liberdade de expressão, mas que acredita que a Justiça deve agir quando há crime envolvido. O pedido do sigilo do processo foi negado pelo juiz Marcello Filho, da 2ª Vara Cível da Pavuna, que determinou que a big tech se manifestasse. A plataforma recorreu da decisão, e o processo está atualmente parado, aguardando uma nova avaliação.
“Flávio Bolsonaro é um defensor da liberdade de expressão e entende que a Justiça brasileira tem as ferramentas necessárias para agir quando há crime. E, neste caso, tudo o que se quer é fazer valer a lei e retirar do ar as mentiras publicadas pela esquerda”, disse o parlamentar em nota.
Logo do X. Foto: Kirill Kudryavtsev/AFP
O X também citou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), em especial o voto do ministro Luís Roberto Barroso, que considera que políticos devem tolerar críticas mais severas. A empresa afirmou que as postagens questionadas fazem parte de um debate público contínuo e que não há base para uma decisão automática de quebra de sigilo.
A companhia também argumentou que a entrega dos dados de usuários, sem a análise de envolvimento com condutas ilícitas, poderia resultar em assédio judicial, um argumento frequentemente utilizado por políticos conservadores para se opor a regulamentações mais rígidas das plataformas.
Para a empresa, o pedido de Flávio ultrapassa os limites do que seria necessário para identificar eventuais crimes, mencionando que o Marco Civil da Internet só exige a manutenção de dados de acessos nos últimos seis meses.
A rede social também destaca que, embora tenha a obrigação de armazenar alguns dados, como IPs de login e registros de acessos, não pode ser compelida a fornecer dados pessoais como telefones e e-mails, exceto em caso de decisão judicial.
“Evidentemente, manifestações que configurem ameaça, imputação sabidamente falsa de fato determinado ou abuso manifesto podem ensejar responsabilização. Contudo, não é possível presumir a ilicitude a partir da mera contundência da linguagem ou do desconforto gerado por críticas políticas”, disse o X.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante solenidade do Rio de Janeiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou aliados por maior agilidade na organização da pré-campanha presidencial durante reunião realizada na segunda-feira (23), no Palácio da Alvorada. A orientação ocorre em meio ao avanço do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais. Com informações da Folha de S.Paulo.
Relatos indicam que o mandatário demonstrou insatisfação com o desempenho recente nas sondagens e com a dificuldade de transformar ações do governo em apoio eleitoral. O presidente também apontou necessidade de reação diante da movimentação do campo adversário.
Após o encontro, a direção do PT orientou deputados a intensificar o confronto político com a oposição. A estratégia inclui ampliar a repercussão de declarações do presidente sobre o caso Banco Master.
A recomendação é associar o episódio a adversários políticos e reforçar a comunicação pública do governo sobre o tema. A orientação foi repassada em reuniões com parlamentares da bancada.
Edinho Silva, novo presidente do PT
Lula tem mantido encontros frequentes com integrantes da pré-campanha para discutir o cenário político e definir ações. Participaram da reunião nomes como Edinho Silva, Sérgio Gabrielli e José de Filippi Jr.
Auxiliares avaliam que o grupo adversário avançou na organização da pré-campanha. Segundo relatos, o partido opositor já estruturou equipe jurídica e comunicação voltadas ao processo eleitoral.
Durante reunião com deputados, dirigentes do PT também destacaram a importância de ampliar arrecadação e reforçar presença política. Entre as ações discutidas estão eventos de financiamento e alinhamento de discurso.
Mensagens enviadas pelo pastor André Valadão, líder da Igreja da Lagoinha em conversas no WhatsApp indicam a atuação de um senador em tratativas para “resguardar” o líder religioso. Os registros mostram orientações relacionadas ao momento considerado mais adequado para determinadas ações. As informações são do Metrópoles.
Em uma das mensagens encaminhadas por Valadão a um interlocutor, o texto de uma terceira pessoa afirma: “Pastor, será melhor esperar para final de fevereiro ou março , ele disse que vai estar mais tranquilo e ele vai fazer algumas ações para lhe resguardar”.
Na sequência, o pastor acrescenta ao diálogo: “Senador mandou esperar. Pra eu na ir mesmo pro 🇧🇷 [sic]”. As mensagens foram trocadas no dia 22 de janeiro deste ano.
Mensagens de WhatsApp para André Valadão – Reprodução
O nome de André Valadão aparece no contexto das investigações da CPMI do INSS, que apura possíveis irregularidades envolvendo benefícios previdenciários. A apuração inclui conexões com pessoas ligadas ao entorno do líder religioso.
Entre os citados está o empresário Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Zettel atuou como pastor em uma unidade da Igreja Batista da Lagoinha localizada no bairro Belvedere, em Belo Horizonte.
Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontou movimentações financeiras que somam R$ 40,9 milhões atribuídas ao empresário em repasses para a unidade religiosa.
O meio-campista Everton Ribeiro, do Esporte Clube Bahia – Reprodução
O meio-campista Everton Ribeiro, do Esporte Clube Bahia, movimentou as redes sociais ao curtir uma publicação da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) com críticas ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). A interação ocorreu após a aprovação, no Senado, do projeto de lei que inclui a misoginia entre os crimes de preconceito, na última terça-feira (24).
A publicação curtida pelo jogador é um vídeo divulgado por Tabata Amaral em suas redes. No conteúdo, a parlamentar comenta a votação da proposta, que recebeu 67 votos favoráveis e não teve votos contrários nem abstenções, e contesta declarações feitas por Nikolas Ferreira sobre o texto aprovado.
“Nikolas Ferreira mente pra você. De novo. Ontem o Senado aprovou por 67 votos contra zero um projeto de lei que inclui a misoginia dentre os crimes de preconceito. Zero votos contra, zero abstenções. O PL, partido dele, votou inteiro a favor”, afirmou a deputada no vídeo.
Após a curtida de Everton Ribeiro, a interação passou a circular entre torcedores e usuários das redes sociais. Comentários destacaram apoio ao atleta, com mensagens que mencionavam sua trajetória dentro e fora de campo. Parte das reações veio de torcedores do Bahia, clube atual do jogador, e do Flamengo, equipe na qual ele atuou e conquistou títulos.
Entre as manifestações, usuários publicaram elogios ao posicionamento do jogador. “Everton ídolo dentro e fora de campo”, escreveu um torcedor. Outro comentou: “Ribeiro sempre do lado certo”. Uma torcedora afirmou: “Vocês não têm noção do carinho que eu sinto pelo senhor Everton Ribeiro. Miteiro dentro e fora de campo, o melhor camisa 7 que eu vi jogar pelo Flamengo”.
A repercussão ocorre em meio ao debate sobre o projeto aprovado no Senado. Após a votação, Nikolas Ferreira classificou o texto como “aberração” e afirmou que pretende atuar para barrar o avanço da proposta na Câmara dos Deputados. Em resposta, Tabata Amaral declarou: “Esse projeto não existe à toa, mas sim porque a violência contra as mulheres no Brasil é uma emergência”.
Confira a repercussão:
Finalmente um jogador de futebol que merece o nome de ídolo! eu te amo Everton Augusto de Barros Ribeiro 💙 https://t.co/sSNOUosESN
Ao apresentar o caso, o jornalista afirmou: “Eu quero chamar sua atenção para essas imagens que eu vou mostrar. Um policial militar agrediu dois estudantes dentro de um colégio estadual da Zona Sul do Rio de Janeiro. Um deles usava uma camiseta de Che Guevara, famoso guerrilheiro comunista. O caso aconteceu durante um protesto de movimentos estudantis. Representantes de associações foram até essa escola para apurar denúncias de assédio sexual, mas foram impedidas de entrar pela direção que acionou a Polícia Militar”.
ENQUANTO ISSO, NO SBT BRASIL…
O fato:
Policia agride estudantes em protesto.
A notícia:
Estudante vestia camiseta estampada com “Che Guevara, famoso guerrilheiro comunista”.
Em que isso acrescenta à notícia?
Ou melhor… a serviço de quê, senão de uma disputa ideológica… pic.twitter.com/dRlBaCeWbl
O caso ocorreu na Escola Estadual Senor Abravanel, no Largo do Machado, durante um protesto organizado por movimentos estudantis. As imagens foram registradas por João Herbella, diretor do Diretório Central dos Estudantes da UFRJ, que acompanhava Marissol Lopes, presidente da Associação Municipal dos Estudantes do Rio de Janeiro, e Theo Oliveira, diretor da entidade. Os três acabaram detidos após a ação policial.
Segundo informações apuradas, o policial envolvido é o subtenente Ricardo Telles de Noronha Júnior, do Batalhão de Choque, que atuava no programa Segurança Presente em Laranjeiras. De acordo com relato de Marissol, o grupo foi à escola após solicitação de alunos que denunciavam um caso de assédio.
“Nós fomos à escola solicitados por alunos que queriam organizar uma luta contra um caso de assédio que estava acontecendo no colégio. Um caso que é antigo, mas que recentemente estourou e ficou abafado. Nós entramos na escola, porque é o nosso direito enquanto uma entidade estudantil, e fomos agredidos por policiais de forma bastante truculenta. A tentativa de diálogo foi praticamente nula”, disse.
As imagens que circularam nas redes mostram o momento em que o policial discute com os estudantes e, em seguida, agride Marissol com dois tapas no rosto, rasgando sua camisa. Ao tentar intervir, Theo Oliveira também é atingido com um soco e derrubado. O vídeo ainda registra novas agressões antes de ser encerrado.
Gente que absurdo isso
Policial agride aluno dentro da Escola Estadual Senor Abravanel ( antiga Amaro Cavalcante )no Largo do Machado .
Estudantes organizavam um ato contra um professor assediador.
De acordo com a Ames Rio, os estudantes foram chamados pelo grêmio da escola para apoiar um abaixo-assinado pelo afastamento de um professor acusado de assédio.
“Os representantes das entidades foram chamados pelos alunos para apoiar um abaixo-assinado pelo afastamento de um professor acusado de assédio”, informou a entidade. Ainda segundo a associação, a Secretaria Estadual de Educação havia autorizado a entrada dos representantes, mas a direção da escola impediu o acesso e acionou a polícia.
A entidade também relatou que a violência continuou fora da escola. “Dentro da escola, houve agressões com tapas e socos. Do lado de fora, a violência continuou com spray de pimenta e cassetetes, e a presidente da AMES-RJ teve sua camisa rasgada antes de ser detida junto aos outros representantes”, detalhou.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que a escolha do novo governador do Rio de Janeiro, após a renúncia de Cláudio Castro, será realizada por meio de eleição indireta. A definição foi encaminhada ao governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, que havia solicitado esclarecimentos formais sobre o modelo do pleito. A decisão estabelece que a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) será responsável pela escolha.
A definição segue entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) para casos de dupla vacância por causas não eleitorais. Nesse tipo de situação, os estados têm competência para regulamentar a forma de eleição. No caso do Rio, além da renúncia do titular, não há vice-governador, o que caracteriza a vacância simultânea dos cargos do Executivo estadual.
No julgamento que analisou o caso, o TSE considerou prejudicada a cassação do mandato de Cláudio Castro, já que ele deixou o cargo antes da conclusão do processo. A Corte determinou, no entanto, a inelegibilidade do ex-governador por oito anos, com efeitos até 2030. A decisão mantém restrições para eventual candidatura em eleições futuras.
Durante a tramitação do caso, houve um erro na comunicação enviada ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), que mencionava a realização de novas eleições com base em regra aplicável ao modelo direto. O equívoco foi corrigido nesta quarta-feira, com a atualização da certidão do julgamento, que passou a indicar expressamente a realização de eleição indireta para os cargos majoritários.
Enquanto isso, o governador em exercício, Ricardo Couto, optou por adiar a convocação da eleição até a confirmação formal do modelo. Em declaração, afirmou que buscou esclarecimentos para evitar questionamentos jurídicos e garantir segurança no processo. A definição do TSE foi enviada após esse pedido.
As regras da eleição indireta ainda estão em análise no STF. Um texto aprovado pela Alerj prevê voto aberto e prazo de desincompatibilização de 24 horas após a vacância. No entanto, decisão liminar do ministro Luiz Fux estabelece que a votação deve ser secreta e que o prazo para afastamento de cargos deve ser de seis meses antes do pleito, nos moldes das eleições gerais.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou nesta quarta-feira (25), no Supremo Tribunal Federal (STF), uma notícia de fato contra o senador Sergio Moro (PL-PR) após declarações em que ele insinuou, sem apresentar provas, que a eleição presidencial de 2022 não teria sido legítima. O pedido foi encaminhado no âmbito do Inquérito 4.874, conhecido como o inquérito das milícias digitais, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
A iniciativa busca que o STF analise a conexão entre a fala de Moro e investigações sobre a disseminação de desinformação contra o sistema eleitoral. Na petição, Lindbergh sustenta que a manifestação se insere em um contexto mais amplo de ataques às instituições democráticas, especialmente ao Tribunal Superior Eleitoral e às urnas eletrônicas.
“A visão que o cidadão tem é que o nosso presidente da República hoje, que não é nosso, mas foi eleito — entre aspas — aqui no Brasil está do lado dos criminosos e minimiza o crime a todo momento”, alegou Moro durante cerimônia de filiação ao PL, realizada na terça-feira (24). O senador não apresentou evidências para sustentar a afirmação.
Veja o momento da fala de Moro:
Segundo Lindbergh, esse tipo de declaração reforça uma narrativa de deslegitimação do processo eleitoral e mantém em circulação suspeitas de fraude já rebatidas pelas autoridades.
“A insistência em desacreditar o pleito de 2022 possui dimensão prospectiva e não se limita a revisitar o passado. Ela produz efeitos sobre o presente e prepara terreno para o futuro, ao manter em circulação o repertório simbólico da fraude, da suspeição eleitoral e da ilegitimidade institucional”, disse o petista.
Na ação, o deputado solicita a oitiva da Procuradoria-Geral da República, além do envio de cópias ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia da Advocacia-Geral da União. O objetivo é avaliar eventuais medidas diante do que classifica como continuidade de um processo de desinformação.
A petição também menciona o contexto recente de tensão institucional no país, incluindo os atos de 8 de janeiro de 2023, e argumenta que a repetição de alegações infundadas sobre fraude eleitoral contribui para a erosão da confiança pública nas instituições. Para o parlamentar, reabrir esse tipo de narrativa mantém ativa uma ofensiva contra a soberania popular.
O episódio ocorre no momento em que Moro se posiciona como pré-candidato ao governo do Paraná e se aproxima politicamente do bolsonarismo. O senador participou do evento de filiação ao PL ao lado de lideranças do partido, como Flávio Bolsonaro e Valdemar Costa Neto.
A trajetória de Moro também é citada no debate político recente. Como ex-juiz da Lava Jato, ele foi responsável por decisões que impactaram diretamente o cenário eleitoral de 2018. Posteriormente, o STF anulou as condenações do Presidente Lula e reconheceu a suspeição do ex-magistrado, em decisões que reconfiguraram o quadro jurídico e político do país.
A nova pesquisa Atlas deve ser lida com a serenidade que o momento político exige — e, sobretudo, com atenção aos seus recortes internos. O dado mais chamativo, a desaprovação de 54% ao presidente, ganha contornos mais claros quando se observa a composição desse número.
Entre os eleitores de Bolsonaro, a rejeição a Lula é praticamente unânime (98,5%), o que pouco acrescenta em termos analíticos: trata-se de um eleitorado já consolidado na oposição. O mesmo padrão, ainda que menos intenso, aparece entre os que votaram em branco (76,5%) e entre os que não votaram (81,8%). Ou seja, a desaprovação cresce justamente nos segmentos menos engajados ou mais voláteis — um sinal mais relevante do que a simples rejeição entre adversários históricos.
Na avaliação do governo, o desenho se repete com pequenas variações. Entre os bolsonaristas, 94,5% classificam a gestão como péssima — novamente, um dado esperado. Já entre brancos (69,6%) e abstencionistas (68%), a crítica permanece alta, indicando que o governo enfrenta dificuldades para conquistar ou reter apoio fora de sua base tradicional.
Quando se passa à intenção de voto para o primeiro turno, o padrão de polarização se mantém. Flávio Bolsonaro herda de forma expressiva o eleitorado do pai (80,7%), mas mostra fragilidade fora desse núcleo: tem desempenho baixo entre votos brancos (13,9%) e recuperação apenas parcial entre os que não votaram (30,2%). É, portanto, um candidato competitivo dentro da bolha bolsonarista, mas ainda limitado na expansão.
O cenário que se desenha, por ora, é de repetição de 2022. Lula, como incumbente, carrega a vantagem estrutural da máquina e da visibilidade, mas enfrenta o desgaste acumulado de um ciclo longo do PT no poder — uma espécie de “fadiga de material”. Já o herdeiro político de Bolsonaro tem no sobrenome tanto um ativo quanto um passivo: mobiliza sua base, mas encontra resistência fora dela.
Nesse contexto, a eleição de 2026 tende a ser decidida menos pela conversão de adversários e mais pela capacidade de mobilização. Em teoria, o fator decisivo continua sendo o mesmo desde 2002: ativar o contingente de eleitores que se abstêm, votam em branco ou anulam. Quem conseguir engajar esse grupo pode abrir uma vantagem relevante.
Jair Bolsonaro e Alexandre de Moraes. Foto: Sergio Lima/AFP
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) se manifestou contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que mandou Jair Bolsonaro para a prisão domiciliar por pelo menos 90 dias. O parlamentar afirma que a prisão do ex-presidente “precisa ser afirmada como resposta grave a quem tentou destruir a democracia”.
Em post no X, Lindbergh apontou que a determinação de Moraes “escancara é o funcionamento seletivo do sistema penal” e que Bolsonaro já tinha atendimento médico permanente na “Papudinha”, mas seus aliados conseguiram pressionar a Corte para mandá-lo para casa.
O petista ainda diz que a decisão do ministro deixa uma mensagem: “Cadeia para os pobres e impunidade para os ricos”.
O deputado federal Lindbergh Farias. Foto: Gabriel Paiva
Leia a manifestação do deputado na íntegra:
Acabou de sair a decisão do ministro Alexandre de Moraes que concedeu, por prazo inicial de 90 dias, a prisão domiciliar a Jair Bolsonaro, após parecer favorável da PGR. A condenação de Bolsonaro e dos militares golpistas marcou a história do país e precisa ser afirmada como resposta grave a quem tentou destruir a democracia. Mas a forma de execução da pena também revela muito sobre a estrutura de poder no Brasil.
O ponto que esse caso escancara é o funcionamento seletivo do sistema penal. Bolsonaro já estava numa unidade com espaço amplo e atendimento médico permanente, e ainda assim se construiu uma pressão política e simbólica por um tratamento mais brando.
Enquanto isso, milhares de presos idosos e doentes seguem amontoados em celas superlotadas, sem assistência adequada, sem comoção pública e sem a mesma velocidade de resposta judicial. A família Bolsonaro sempre defendeu crueldade penal para os de baixo, sempre estimulou a lógica de que preso pobre tem de apodrecer na cadeia e agora faz um verdadeiro carnaval quando a pena alcança um dos seus.
Essa é a justiça de classe em estado puro. No Brasil, a prisão pesa com toda a sua brutalidade sobre pobres, negros e periféricos, mas encontra suavizações, cautelas e excepcionalidades quando chega aos poderosos. E agora, os presos com mais de 70 anos, os doentes e os vulneráveis das penitenciárias brasileiras também terão direito à prisão domiciliar? Porque a mensagem que fica, se nada mudar, é de cadeia para os pobres e impunidade para os ricos.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o ex-presidente Jair Bolsonaro não receba visitas durante o período de prisão domiciliar, com o objetivo de evitar o risco de sepse. O magistrado autorizou a transferência de Bolsonaro para sua residência, sob o uso de tornozeleira eletrônica, por 90 dias, a partir da sua alta médica.
A medida visa proporcionar o tratamento adequado para a broncopneumonia que levou o ex-presidente ao hospital. Em sua decisão, Moraes afirmou que a suspensão de todas as visitas durante os 90 dias de recuperação de Bolsonaro é necessária para garantir um ambiente controlado.
“A suspensão de todas as demais visitas pelo prazo de 90 (noventa) dias, correspondente ao período de recuperação do custodiado, para resguardar o ambiente controlado necessário, principalmente para se evitar o risco de sepse e controle de infecções, conforme anteriormente salientado”, escreveu o magistrado.
O ex-presidente Jair Bolsonaro na garagem de sua casa, em Brasília. Foto: Sergio Lima/AFP
A decisão também inclui a proibição de qualquer visita a outros moradores da residência de Bolsonaro, exceto se houver autorização judicial específica para isso. Embora as visitas externas estejam restritas, os filhos de Bolsonaro, Flávio, Carlos e Jair Renan, têm permissão para visitá-lo, mas com as mesmas condições que estavam em vigor quando ele estava na Papudinha, uma ala especial da penitenciária.
As visitas serão permitidas apenas nos seguintes horários: quartas-feiras e sábados, das 8h às 10h, das 11h às 13h e das 14h às 16h.
A decisão foi proferida na terça (24) e segue a recomendação médica sobre a necessidade de cuidados constantes devido ao quadro clínico de Bolsonaro. O ex-presidente está internado devido a uma broncopneumonia.
O ex-presidente Jair Bolsonaro na garagem de sua casa, em Brasília. Foto: Sergio Lima/AFP
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu transferir Jair Bolsonaro para a prisão domiciliar nesta terça (24). O magistrado aceitou pedido da defesa do ex-presidente, que solicitou a mudança por questões de saúde, especialmente durante a recuperação de um quadro grave de broncopneumonia.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou a favor da decisão nesta segunda (23), alegando que o estado de saúde do ex-presidente requer acompanhamento constante, o que seria mais adequado em um ambiente familiar. Com a decisão, ele será transferido para sua casa no Jardim Botânico, em Brasília.
A prisão domiciliar terá duração inicial de 90 dias, durante a recuperação da broncopneumonia, e, após o período, “será reanalisada a presença dos requisitos necessários para a manutenção da prisão domiciliar humanitária, inclusive com perícia médica se houver necessidade”, segundo Moraes.
O magistrado também determinou que Bolsonaro use tornozeleira eletrônica e proibiu o uso de celular ou qualquer meio de comunicação externa “diretamente ou por terceiros”. Também foram canceladas todas as visitas a ele, com exceção de familiares e médicos com autorização permanente.
Moraes ainda autorizou a continuidade de sessões de fisioterapia e eventuais internações imediatas sem necessidade de comunicar a Justiça.
Jair Bolsonaro internado em hospital. Foto: Reprodução
Bolsonaro foi internado no Hospital DF Star em 13 de março ao apresentar dificuldades respiratórias e foi diagnosticado com broncoaspiração. Após ser internado na UTI, o ex-presidente foi transferido para um quarto, e a equipe médica informou que sua condição estava melhorando, embora sem previsão de alta hospitalar.
O ministro aceitou a argumentação da defesa, levando em consideração a saúde debilitada de Bolsonaro e o risco de complicações no ambiente prisional.
Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, ele começou a cumprir pena na Superintendência da Polícia Federal em Brasília e, posteriormente, foi mandado para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, local que fica dentro do Complexo Penitenciário da Papuda e é conhecido como “Papudinha”.
Moraes negou uma série de pedidos de transferência para o regime domiciliar nos últimos meses, argumentando que as informações médicas sobre a saúde do ex-presidente não indicavam a necessidade de cuidados médicos em casa e que as condições da Papudinha atendiam as demandas de saúde.
Jair Bolsonaro internado em hospital. Foto: Reprodução
O ex-presidente Jair Bolsonaro teve uma melhora clínica em seu quadro de saúde, mas segue sem previsão de alta, conforme o boletim médico divulgado nesta terça (24) pelo Hospital DF Star. Ele está sendo tratado por pneumonia bacteriana bilateral, uma complicação decorrente de broncoaspiração.
Internado desde o dia 13 de março, Bolsonaro foi diagnosticado com pneumonia bacteriana bilateral, condição provocada por broncoaspiração, que ocorre quando conteúdo do estômago ou secreções entram nas vias respiratórias, podendo levar a uma infecção pulmonar.
O ex-presidente foi hospitalizado após apresentar febre, vômitos e queda na saturação de oxigênio. Desde a internação, a evolução do quadro clínico tem sido gradual.
Embora os indicadores médicos mostrem melhora, Bolsonaro segue no hospital por precaução, já que é necessário um monitoramento constante e fisioterapia para evitar complicações respiratórias, comuns em casos como o dele.
O ex-presidente Jair Bolsonaro na garagem da casa onde cumpria prisão domiciliar, em Brasília. Foto: Scarlett Rocha/Estadão Conteúdo
A situação de saúde de Bolsonaro também impactou as discussões jurídicas sobre o cumprimento da sua pena. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já se manifestou favoravelmente à concessão de prisão domiciliar devido à sua condição de saúde. Seus aliados aguardam que, com a melhora do quadro clínico, Bolsonaro possa cumprir sua pena em casa.
A equipe médica do Hospital DF Star estima que o período total de internação de Bolsonaro possa chegar a 14 dias, dependendo da resposta do paciente ao tratamento. A decisão sobre a alta será tomada com base na evolução do estado de saúde e na necessidade de cuidados médicos contínuos.
Tyndaro Menezes, ex-editor da Rede Globo com 30 anos de experiência na emissora, foi contratado pela campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo a Revista Liberta, ele atuará na produção de dossiês contra o presidente Lula e pessoas próximas a ele, prática comum ao bolsonarismo.
Menezes foi demitido da Globo em 2022, após uma investigação revelando sua proximidade com figuras envolvidas em escândalos de corrupção no Rio de Janeiro. O jornalista era ligado a vários contratos com o governo do estado.
Menezes começou sua carreira como office-boy na Globo e subiu na hierarquia, tornando-se editor-executivo do núcleo de jornalismo investigativo. O profissional integrou o núcleo vencedor do prêmio Emmy de 2017.
Ele era próximo de “Rei Arthur”, como era conhecido o então secretário de Administração Fazendária do Rio e o empresário Arthur César de Menezes Soares Filho, que estava envolvido em um esquema de corrupção durante os mandatos dos governadores Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.
Tyndaro Menezes. Foto: Reprodução
Dono do grupo Facility, “Rei Arthur” montou durante os mandatos de Cabral e do sucessor, Luiz Fernando Pezão, uma série de empresas que forneciam mão de obra terceirizada para a administração estadual, faturando até R$ 2 bilhões por ano com contratos públicos entre 2009 e 2015.
O empresário chegou a ser considerado foragido da Polícia Federal em 2017 e esteve envolvido na compra de votos para que o estado fosse escolhido como sede das Olimpíadas de 2016.
Apesar das investigações, Menezes nunca foi formalmente acusado, mas a Globo optou por sua demissão por suas políticas de compliance. Após deixar a emissora, ele passou a trabalhar com gestão de crise e prevenção de escândalos.
Flávio Bolsonaro e Sergio Moro durante evento de filiação do senador ao PL em Brasília, nesta terça (24). Foto: Reprodução
O senador Sérgio Moro (PL-PR) oficializou sua filiação ao Partido Liberal (PL) nesta terça-feira (24), com o objetivo de concorrer ao governo do Paraná nas eleições de outubro deste ano. O evento ocorreu em Brasília e contou com a presença de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência.
Durante o discurso, Moro atacou o presidente Lula e chegou a sugerir que houve fraude nas eleições de 2022. “Lula foi eleito entre aspas aqui no Brasil e está do lado dos criminosos e minimiza o crime a todo momento”, disse o ex-juiz. Ele ainda tentou tenta culpar o petista pelos escândalos do INSS e do Master.
O parlamentar também prometeu palanque a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Paraná e disse estar “ansioso para ver seu pai [o ex-presidente Jair Bolsonaro] em casa”, em meio a movimentos para conseguir a liberação para prisão domiciliar.
“O Paraná não vai faltar ao seu projeto presidencial. Vamos trabalhar para que vossa excelência tenha vitória, uma grande vitória no nosso estado, que será uma vitória para o nosso país”, completou.
Sérgio Moro filia-se ao Partido Liberal (PL) para concorrer ao governo do Paraná e promete palanque forte a Flávio Bolsonaro:
“Flávio, o Paraná não vai lhe faltar, porque o Paraná não vai faltar ao Brasil. Estou ansioso para ver Jair Bolsonaro em casa, por questão de justiça.” pic.twitter.com/WVNOxSbCly
A filiação de Moro ao PL representa um rompimento com o atual governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), que anunciou sua desistência da pré-candidatura à presidência na segunda (23) e optou por concluir seu mandato no estado.
O evento também serviu para anunciar os candidatos ao Senado na chapa de Moro: o deputado Felipe Barros (PL-PR) e o ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo-PR), ambos com forte ligação à Operação Lava Jato. A ideia da chapa é fortalecer a imagem do Paraná como o estado da Lava Jato, onde Moro atuou como juiz e Dallagnol como procurador.
Moro tem uma história de relação conturbada com o PL. Antes de sua filiação, o partido pediu sua cassação por abuso de poder nas eleições, mas o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) o inocentou. A decisão foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apesar do recurso do partido.
Em 2018, Moro aceitou o convite de Bolsonaro para ser ministro da Justiça. Após um 1 e 4meses no cargo, ele deixou o governo devido a um desentendimento com o então presidente, que decidiu trocar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, indicado pelo então ministro.
Embora tenha se afastado de Bolsonaro, Moro ainda o apoiou nas eleições de 2022 contra Lula, vencedor do pleito.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, se manifestou após o governador do Paraná, Ratinho Júnior, desistir da pré-candidatura à Presidência da República. Em publicação nas redes sociais, Kassab elogiou a trajetória do correligionário e reafirmou que o partido manterá um nome na disputa ao Palácio do Planalto em 2026.
“O Partido Social Democrático reafirma sua admiração pelo governador Ratinho Junior e por sua gestão, considerada a melhor da história do Paraná que, entre outros feitos, transformou a educação do Estado na melhor do Brasil, reduziu os índices de criminalidade aos menores níveis em décadas e fez enormes investimentos em infraestrutura que trarão, por muitos anos, bons frutos ao desenvolvimento paranaense”, escreveu Kassab.
Na mesma publicação, o dirigente destacou que a sigla seguirá buscando uma alternativa eleitoral fora da polarização. “O PSD se mantém firme em sua decisão de apresentar aos brasileiros uma candidatura a presidente da República, que com certeza será a ‘melhor via’, contrapondo-se a essa polarização de propostas radicais que em nada contribuem para o que o Brasil precisa”, afirmou.
Kassab também indicou os possíveis nomes para a disputa. “Eduardo Leite e Ronaldo Caiado são governadores muito bem avaliados, com inúmeras realizações ao longo de suas vidas públicas. Ambos têm apresentado seus projetos para o Brasil, que nortearão o plano de governo do candidato do PSD. A escolha, como afirmado anteriormente, deve ocorrer até o fim deste mês de março”.
A decisão de Ratinho Júnior de deixar a corrida presidencial foi anunciada na segunda-feira (23), após conversa com a família. Nos bastidores, aliados apontam que a resistência familiar teve peso na escolha, especialmente por preocupações com a exposição dos negócios do grupo durante uma campanha nacional.
Outro fator determinante foi a sucessão no Paraná. Sem poder disputar a reeleição, o governador passou a priorizar a definição de um nome para manter seu grupo político no comando do estado a partir de 2027. O cenário ganhou ainda mais pressão com o avanço do senador Sergio Moro nas articulações para disputar o governo estadual.
Em reunião recente, Moro e Flávio Bolsonaro firmaram acordo para uma aliança eleitoral no Paraná em 2026, com apoio do PL ao projeto do ex-juiz. Diante disso, Ratinho optou por permanecer no cargo para acompanhar de perto a sucessão e preservar sua influência política no estado.
Banca de jornal com edições da Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, Valor Econômico e outros veículos nacionais e internacionais. Foto: Reprodução
Enquanto bate em Lula, a Folha publica na capa mais um release da assessoria de imprensa da extrema-direita:
“Michelle lança bancada de aliadas para o Senado e trabalha pelo apoio de Bolsonaro e do PL”
Está tudo bem descarado. Todos os dias há uma notícia sobre os bons modos e a vida franciscana do fascismo.
E esta é manchete da Folha:
“Famílias comprometem 29% da renda com dívidas, maior patamar em 20 anos”
A manchete da Folha. Foto: Divulgação
Logo abaixo, a informação que remete para a eleição:
“Números ligam sinal de alerta em bancos e varejistas e podem mexer com percepção do cenário econômico em ano de eleição”.
Aqui está a motivação da pauta: tudo isso mexe com a percepção do cenário em ano de eleição. É a Folha se mexendo.
O engajamento das corporações de mídia ao novo bolsonarismo sem Bolsonaro está em ritmo forte.
E esta é a manchete do Globo, que tenta fragilizar Haddad como ameaça à extrema-direita em São Paulo:
“De ‘austericida’ e ‘Taxad’ a cartada do PT: a virada de Haddad para a pré-candidatura ao governo de São Paulo”.
Manchete d Glogo. Foto: Reprodução
E tem mais esta, em chamada de capa do Estadão:
“Em pré-campanha, Flávio Bolsonaro adota tom leve e mira ‘cansaço’ do eleitor com Lula”.
Tom mais leve… O filho que tem vínculos com os milicianos se consolida pelos jornalões como mais um extremista moderado.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução
Um dia antes de ser preso no aeroporto internacional de Guarulhos, em novembro de 2025, o empresário Daniel Vorcaro fez uma busca no Google sobre o juiz da 10ª Vara Federal de Brasília, onde tramitava o inquérito sigiloso que resultou em sua detenção. O registro da pesquisa foi encontrado no celular do banqueiro, apreendido pela Polícia Federal quando ele tentava embarcar em um jatinho com destino a Dubai, com escala em Malta, sob suspeita de fuga.
De acordo com informações do Globo, o material foi compartilhado com parlamentares da CPI do INSS e reforçou a suspeita de vazamento de informações sigilosas. Segundo investigadores, o print foi feito em 16 de novembro, um dia antes da prisão.
Na mesma data, Vorcaro criou uma anotação em seu celular com a frase “Vocês são próximos? Ricardo Soares Leite, 10 vara criminal federal”, que teria sido enviada a um destinatário não identificado por meio de mensagem com visualização única.
As apurações indicaram que o banqueiro já demonstrava conhecimento prévio da ordem de prisão. No dia 17, às 17h26, ele enviou mensagem ao ministro Alexandre de Moraes perguntando: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”.
Segundo a investigação, foram nove mensagens trocadas, nas quais Vorcaro relatava medidas adotadas para tentar “salvar” o Banco Master, enquanto Moraes respondia com emoticons e conteúdos de visualização única.
A ordem de prisão foi assinada pelo juiz substituto Ricardo Augusto Soares Leite às 15h29 daquele dia, com base em pedido do Ministério Público Federal feito um mês antes. O magistrado divide a vara com Antonio Claudio Macedo da Silva, responsável por outros processos da mesma unidade.
O juiz substituto da 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, Ricardo Augusto Soares Leite. Foto: reprodução
A Polícia Federal também identificou que Vorcaro teria acessado indevidamente sistemas internos do MPF, da própria PF e até do FBI. Quatro meses antes da prisão, ele já possuía informações sobre três procedimentos sigilosos, incluindo o que investigava irregularidades envolvendo o Banco Master e o BRB. Esses dados teriam sido enviados a um comparsa conhecido como “Sicário”.
Outro elemento que levantou suspeitas foi a publicação de uma reportagem no site O Bastidor, do jornalista Diego Escosteguy, no mesmo dia da prisão. O conteúdo antecipava a existência de investigação na 10ª Vara Federal. Segundo a PF, após a publicação, o material foi enviado ao próprio Vorcaro e a seu advogado, que acionaram a Justiça minutos depois da decisão judicial.
Mensagens extraídas do celular indicaram ainda que Vorcaro negociava pagamentos para publicação de conteúdos “de interesse do banqueiro”. Três dias antes da reportagem, Escosteguy teria enviado dados bancários para recebimento de valores. O jornalista afirmou que os pagamentos eram referentes a contratos de publicidade e que não interferiam na linha editorial.
A investigação também revelou que, antes da execução da prisão, o advogado Walfrido Warde afirmou que estava “infernizando o cara”, em referência ao juiz responsável pelo caso, e tentou contato direto com o magistrado. Para os investigadores, a tentativa de viagem ao exterior e a atuação da defesa reforçam a hipótese de que houve vazamento de informações confidenciais.
Michelle Bolsonaro e Valdemar da Costa Neto, presidente do PL. Foto: reprodução
O avanço das investigações sobre o Banco Master no Distrito Federal e a nova internação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) provocaram uma mudança no comando do bolsonarismo. Com o desgaste do entorno do governador Ibaneis Rocha (MDB) e a perda do principal eixo de articulação da direita local, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro passou a ocupar espaço central nas decisões políticas, interferindo diretamente na definição de candidaturas para 2026.
O movimento, de acordo com informações do Globo, a colocou em rota de colisão com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que até então conduzia a estratégia nacional do grupo no posto de pré-candidato à Presidência.
A crise foi agravada pelas revelações envolvendo o Banco Master e sua relação com decisões do governo do DF, especialmente no caso do BRB. O cenário piorou após a divulgação de um contrato de R$ 38 milhões firmado pelo escritório de advocacia de Ibaneis com um fundo ligado à Reag, investigada pela Polícia Federal.
Em resposta, o Partido Liberal protocolou pedido de CPI na Câmara Legislativa, rompendo na prática com o governador, que era aliado e articulava candidatura ao Senado.
Sem Ibaneis como referência política, parlamentares passaram a buscar Michelle diretamente, consolidando seu protagonismo. Ela passou a dialogar com pré-candidatos e a influenciar decisões eleitorais, enquanto Flávio mantinha a articulação nacional focada em alianças mais amplas.
No DF, a divergência ficou evidente: Michelle defendeu uma chapa ao Senado com seu nome e o da deputada Bia Kicis, além de apoiar Celina Leão ao governo local. “A Michelle se manifestou publicamente já várias vezes, desde o meu pré-lançamento no dia 11 de novembro, como pelas redes sociais dela várias vezes. Vamos ter agendas em breve, depois da internação do ex-presidente”, afirmou a deputada Bia Kicis (PL-DF).
Já aliados de Flávio passaram a defender o nome do senador Izalci Lucas (PL-DF) como alternativa de centro-direita. A proposta foi rejeitada por aliados de Michelle.
“Até agora nada apareceu diretamente ligado a ela e acho que ela tem chances reais de ser eleita. Izalci é muito preparado, bom parlamentar, mas Celina é a melhor opção. Celina já passou pelo Executivo antes. Celina será nossa governadora”, disse a ex-ministra e senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
O senador Flávio Bolsonaro. Foto: AFP
O protagonismo de Michelle foi reforçado por uma carta de Jair Bolsonaro, na qual ele pediu que aliados parassem de pressioná-la e indicou que ela deveria assumir papel mais ativo. A possibilidade de prisão domiciliar do ex-presidente também é vista como fator que pode ampliar ainda mais sua influência política.
Enquanto Michelle passou a atuar diretamente na articulação política e no entorno pessoal de Bolsonaro, controlando agendas e acesso, Flávio manteve interlocução institucional e chegou a se reunir com o ministro Alexandre de Moraes para tratar da situação do pai. Michelle, por sua vez, acionou aliados como Tarcísio de Freitas para reforçar o pleito.
O conflito também se espalhou para outros estados. No Ceará, Flávio tentou viabilizar aliança com Ciro Gomes (PSDB-CE), enquanto Michelle se posicionou contra o acordo, alinhada a nomes mais conservadores. Em Minas Gerais e São Paulo, divergências sobre alianças e composição de chapas reforçam a disputa interna.
Apesar do cenário de tensão, o discurso público ainda é de unidade. “Quando o presidente Bolsonaro fez a escolha, automaticamente teve outra pessoa que preferia ter outra escolha. Mas como a gente tem um líder, a gente tem que seguir o líder. E daí já está tudo resolvido, 100% dos apoiadores do presidente Bolsonaro estão com o Flávio Bolsonaro”, disse o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB).
O julgamento dos acusados pela morte de Henry Borel, de 4 anos, deve começar na próxima semana, no Rio de Janeiro, com expectativa disputa de versões entre os réus. O caso tem como réus o ex-vereador Dr. Jairinho, padrasto do menino, e a mãe, Monique Medeiros, que vão a júri popular.
Henry morreu em março de 2021, após dar entrada em um hospital na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. As investigações apontaram que a criança foi vítima de agressões, enquanto os dois acusados negam o crime.
No domingo (7) de março de 2021, data dos últimos registros de Henry com vida, o pai do menino, Leniel Borel, trocou mensagens com Monique demonstrando preocupação com a resistência da criança em voltar para a casa da mãe. Naquela tarde, Monique buscou o filho após o fim de semana com o pai. Imagens mostram os dois entrando no condomínio onde ela morava, na Barra da Tijuca, e, pouco depois, Henry aparece no elevador ao lado de Jairinho. Já de madrugada, novas imagens registraram o menino imóvel no colo da mãe, quando foi levado ao hospital. Segundo relatório médico, ele já chegou sem vida.
O laudo do Instituto Médico Legal apontou que a morte foi causada por hemorragia interna e laceração do fígado, provocadas por ação contundente. Exames também identificaram 23 lesões no corpo da criança, inclusive na cabeça, nos rins e no pulmão. Em depoimento, Monique e Jairinho disseram que Henry teria caído da cama durante a noite, mas essa versão foi descartada pela investigação. De acordo com a polícia, a morte não foi acidental, e o Ministério Público denunciou o casal por tortura e homicídio.
O ex-vereador e a Monique. Foto: Reprodução
As investigações também apontaram que Henry sofria uma rotina de agressões antes do dia da morte. Segundo os promotores, ele teria sido torturado outras vezes antes da noite em que morreu. Jairinho e Monique estão presos desde então. No julgamento, a promotoria deve sustentar que não há dúvida sobre a autoria dos crimes e apresentar laudos periciais, depoimentos e outros elementos reunidos durante a apuração.
A defesa de Jairinho deve tentar demonstrar que a polícia não investigou indícios de que Henry poderia ter sofrido um acidente enquanto estava com o pai. Os advogados também afirmam que o laudo do IML, que teve seis versões complementares, teria sido modificado por interferência de Leniel junto aos peritos. Já a defesa de Monique deve contestar a versão da polícia e do Ministério Público de que ela sabia das agressões sofridas pelo filho e afirmar, perante os jurados, que o ex-vereador é o responsável pela morte da criança.
O júri deve ouvir 27 testemunhas e contará com sete jurados, além dos representantes da acusação e das defesas. A previsão é que o julgamento dure de cinco a dez dias. As penas podem ultrapassar 50 anos de prisão para cada réu. A defesa de Jairinho ainda pediu que o julgamento seja transferido para fora do Rio de Janeiro, sob a alegação de que existe na cidade uma mobilização capaz de influenciar os jurados. O pedido será analisado pelo Tribunal de Justiça.
A cidade de Havana às escuras. Foto: YAMIL LAGE / AFP
Cuba voltou a ficar às escuras pelo segundo apagão nacional em menos de uma semana, após um novo colapso da rede elétrica do país — o terceiro apenas neste mês de março.
A crise ocorre em meio a fortes restrições no fornecimento de combustível, graças a um bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos.
A União Elétrica de Cuba, ligada ao Ministério de Energia e Minas, anunciou no sábado um apagão total em toda a ilha. Inicialmente, não houve explicação oficial para a falha. Mais tarde, autoridades informaram que o problema começou com uma pane inesperada em uma unidade geradora da usina termelétrica de Nuevitas, na província de Camagüey.
Segundo o governo, a falha desencadeou um efeito cascata que derrubou outras unidades do sistema elétrico. Para conter os danos, foram ativadas “micro-ilhas” de geração, destinadas a garantir energia a serviços essenciais, como hospitais e sistemas de abastecimento de água.
As autoridades afirmaram que trabalham para restabelecer o fornecimento. O blecaute anterior havia ocorrido apenas cinco dias antes, na segunda-feira. Este foi o segundo em uma semana e o terceiro em março, evidenciando a fragilidade do sistema.
🇨🇺 | La Habana a oscuras: nuevo apagón general en Cuba, el segundo en una semana. pic.twitter.com/agVqzIJy1H
Com a chegada da noite, ruas de Havana ficaram praticamente às escuras. Moradores usavam lanternas e celulares para se locomover. Em áreas turísticas do centro histórico, alguns restaurantes conseguiram permanecer abertos graças a geradores, enquanto músicos tocavam para os clientes.Na capital, os cubanos já convivem com cortes diários de energia que podem durar até 15 horas. No interior da ilha, a situação é ainda mais grave.
A crise energética se agravou desde que o país deixou de importar petróleo, em 9 de janeiro. A escassez impactou não apenas a geração de eletricidade, mas também o setor aéreo, com redução de voos e prejuízos ao turismo — uma das principais fontes de renda da ilha.
O apagão ocorreu no mesmo momento em que um comboio internacional de ajuda começava a chegar a Havana, trazendo suprimentos médicos, alimentos, água e painéis solares.
A situação piorou ainda mais após o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em janeiro — fato que abalou o principal parceiro energético de Cuba.
Trump tem afirmado repetidamente que o regime cubano está à beira do colapso e chegou a declarar que poderia “tomar” Cuba em breve.
Em resposta, o presidente Miguel Díaz-Canel advertiu que qualquer agressão externa enfrentará “uma resistência inquebrantável”.
O analista político Eduardo Gayer, a jornalista Basília Rodrigues, Valdemar Costa Neto, presidente do PL e a repórter Soane Guerreiro no SBT News. Reprodução
Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, afirmou no programa “Sala de Imprensa”, do SBT News, que o senador Sérgio Moro, recém-filiado ao Partido Liberal, disse ter votado contra sua convocação à CPI do Crime Organizado. Segundo Valdemar, o ex-juiz afirmou: “Eu queria te convocar lá para você falar e tal” e, em seguida, acrescentou: “Não te convocamos, graças ao meu voto. Foi 6 a 5”.
A declaração foi dada após pergunta da repórter Soane Guerreiro sobre eventual articulação com integrantes da comissão. Valdemar relatou que se reuniu com Moro na véspera e disse que o senador o abordou antes do início da reunião para falar sobre o requerimento de convocação. Ao relembrar a conversa, afirmou ter reagido com surpresa: “Que CPI? Do crime organizado? Eu? Mas o quê?”.
No mesmo relato, Valdemar disse que Moro mencionou uma tentativa posterior de nova deliberação sobre o caso. Segundo o dirigente, o senador afirmou: “Ainda bem que o Magno Malta ficou lá, porque depois que eles saíram, acabou a reunião, eles quiseram fazer outra reunião para tentar fazer uma outra convocação ilegal contra mim e o Magno não deixou”
🚨URGENTE – Valdemar conta que Sérgio Moro lhe afirmou que ele só não foi convocado para a CPI do Crime Organizado graças a seu voto de minerva
No mesmo relato, o político disse que Moro ainda afirmou que houve uma tentativa posterior de nova deliberação sobre o caso. Segundo ele, o senador declarou: “Ainda bem que o Magno Malta ficou lá, porque depois que eles saíram, acabou a reunião, eles quiseram fazer outra reunião para tentar fazer uma outra convocação ilegal contra mim e o Magno não deixou”.
Costa Neto também declarou que sua relação com Moro já havia sido atravessada por um processo anterior movido em contexto eleitoral. Segundo ele, um senador do PL pediu a abertura da ação, e o episódio deixou Moro contrariado. Valdemar afirmou ainda que aliados sugeriram a retirada do processo, mas ele recusou.
Eduardo Moscovis com o Prêmio Shell, em cerimônia no Teatro Paulo Autran – Divulgação
Na noite de quarta-feira (17), o ator Eduardo Moscovis recebeu o Prêmio Shell de Teatro, por sua atuação no monólogo “O Motociclista no Globo da Morte”. Em seu discurso, ele repudiou movimentos machistas, homofóbicos, transfóbicos e o movimento red pill, que promove ideias misóginas sobre relacionamentos e papéis de gênero. Moscovis afirmou: “Eu agora aqui, como homem branco e com todos os privilégios que eu tenho e tive, reafirmo: Não aos machistas, não aos racistas, não aos misóginos, não aos homofóbicos, não aos transfóbicos, não aos neonazistas, não ao movimento red pill.” Sua fala foi amplamente aplaudida pela plateia.
Moscovis usou seu prêmio para criticar comportamentos violentos e estereótipos associados a certos modelos de masculinidade, ressaltando a importância de uma mudança de postura. “Vamos tentar criar uma nova geração de homens que possam habitar o mundo de uma forma mais equilibrada”, destacou. A atriz Larissa Luz, vencedora do prêmio de Melhor Atriz, também fez um discurso emocionante, dedicando seu prêmio às mulheres, especialmente às mulheres trans, vítimas de feminicídio e à vereadora Marielle Franco: “Às mulheres que não são vistas e ouvidas, às mulheres trans que, sim, são mulheres.”
O evento ocorreu em meio às declarações transfóbicas do apresentador Ratinho, que desrespeitou a deputada federal Erika Hilton, recém-eleita para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. Ratinho afirmou que, para ser mulher, é necessário ter útero e menstruar, o que gerou ampla repercussão negativa, incluindo dentro da própria emissora SBT. No mesmo dia, a deputada estadual Fabiana Bolsonaro também fez uma performance de blackface em protesto contra Erika Hilton, intensificando o debate sobre intolerância e desrespeito à identidade de gênero e à luta contra o racismo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou aliados históricos para reforçar sua campanha à reeleição, pedindo a formação de um “gabinete de pronta-resposta” para enfrentar ataques, especialmente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Durante um encontro no Palácio da Alvorada com figuras da velha-guarda petista, Lula destacou que a disputa será difícil e que o governo enfrenta um cenário de baixa aprovação, com pesquisas apontando apenas 32% a 33% de apoio à sua gestão. O PT busca superar a avaliação negativa e enfrentar a resistência popular, apesar dos avanços econômicos como inflação controlada e a menor taxa de desemprego desde 2012. As informações são do Estadão.
Para coordenar a campanha, Lula e o PT reuniram uma equipe de aliados experientes, incluindo Gilberto Carvalho, Aloizio Mercadante e Wellington Dias. A estratégia é reforçar a comunicação política e aumentar o apoio, focando em temas como a crise no INSS e a crescente influência da direita nas redes sociais. Lula também se mostrou preocupado com o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e, como parte da nova tática, o PT passou a associar o nome do senador diretamente a escândalos como a “rachadinha”, além de destacar os perigos do retorno do bolsonarismo ao poder.
Gilberto Carvalho, ex-ministro e membro da campanha, compartilhou preocupações com os desafios da campanha. “Dificilmente um governo consegue a reeleição sem chegar a, pelo menos, 45% de aprovação”, afirmou, questionando como superar a resistência crescente. O ex-ministro ressaltou que o governo deve se concentrar em apresentar os resultados de suas ações, comparando-as com o governo anterior. Para Carvalho, a crítica social e a desconstrução do adversário político são elementos chave para recuperar a confiança do eleitor.
O presidente Lula e o ministro Guilherme Boulos (Secretaria Geral) conversam em cerimônia no Palácio do Planalto. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress
Além disso, Lula e seus aliados discutem estratégias de engajamento com diferentes grupos sociais, incluindo os trabalhadores informais, atualmente influenciados pelo bolsonarismo. Para lidar com essa questão, a campanha contará com Guilherme Boulos, que ficará responsável pela relação com esses grupos, e Mônica Valente, que fará a ponte com as campanhas estaduais. A presença de Paulo Okamotto será fundamental para impulsionar a comunicação digital, com projetos como “Pode Espalhar”, focado em ampliar a divulgação das pautas positivas do governo.
Lula também direcionou críticas ao governo Bolsonaro, associando-o ao escândalo do Banco Master. “Esse Banco Master é ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos (Neto)”, protestou, defendendo que o PT não seja culpabilizado pelo caso. As investigações sobre o banco, que causaram um prejuízo de R$ 50 bilhões, continuam a se expandir, atingindo figuras do Centrão e ministros do STF. O ex-presidente também mencionou as dificuldades de governar com a autonomia do Banco Central, com um foco em reforçar a autonomia da política monetária no novo programa de governo.
Por fim, a campanha de Lula visa formar uma rede de influenciadores digitais para engajar mais jovens e setores da sociedade. A proposta de criar o “Clube de Influência do Time Lula” envolve um esforço coordenado para melhorar a comunicação e garantir a difusão de suas ações políticas nas redes sociais. “Vamos atuar com muita disciplina e organização para explicar e dar mais centralidade ao que o governo está fazendo para melhorar a vida do povo”, afirmou Okamotto.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução
Em editorial publicado neste domingo (22), o Estadão afirma que a possível delação de Daniel Vorcaro deve ser tratada com cautela e sobriedade institucional, à luz dos erros cometidos na Lava Jato. Para o jornal, a colaboração do banqueiro do Banco Master não pode ser convertida em espetáculo político ou midiático, nem servir como atalho investigativo sem a devida sustentação por provas independentes:
O sr. Daniel Vorcaro, por meio de seu advogado, formalizou a intenção de firmar um acordo de delação premiada. Na quinta-feira passada, o investigado deu o primeiro passo ao assinar um termo de confidencialidade. Por ordem do ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), no mesmo dia, Vorcaro foi transferido do presídio de segurança máxima de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal, onde terá melhores condições para negociar com as autoridades.
O movimento do banqueiro recoloca no centro do debate público um instrumento jurídico que tem sido mal compreendido e, não raras vezes, mal utilizado no País. Delação premiada não é prova de coisa alguma. Trata-se de um meio de obtenção de prova, entre tantos outros, sujeito a requisitos legais muito bem definidos na Lei 12.850/2013. Entre eles, destacam-se a voluntariedade do investigado ou réu colaborador, a utilidade das informações prestadas, a revelação da estrutura de uma organização criminosa e, principalmente, a imprescindível confirmação de seus termos por elementos probatórios diversos e independentes. Sem esses pressupostos, não há acordo válido, há um discurso interesseiro.
A delação de Vorcaro, portanto, deve ser recebida com um misto de serenidade e ceticismo. A história recente do País é pródiga em lições. Será um erro ignorá-las. Uma vez celebrados os acordos de delação premiada, muitas autoridades arrefeceram o ímpeto investigativo, como se a palavra dos colaboradores bastasse para seus propósitos. No âmbito da Operação Lava Jato, não foram poucas as denúncias oferecidas pelo Ministério Público com base quase exclusivamente em depoimentos de colaboradores. Resultado: condenações, acordos e multas bilionárias anulados poucos anos depois – muitos por decisões monocráticas do ministro Dias Toffoli, ele mesmo alvo potencial da delação de Vorcaro – e a corrosão da credibilidade de um instrumento que deveria fortalecer, e não substituir, uma investigação policial.
Editorial do Estadão sobre delação de Vorcaro. Foto: Reprodução
[…] Não é trivial o potencial de comprometimento da cúpula da República com os negócios do encalacrado banqueiro. Sabe-se, por exemplo, que ao menos dois ministros do STF, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, têm vínculos insofismáveis com o caso Master.
É nesse contexto que a delação de Vorcaro não só será firmada, de resto a etapa mais fácil, como terá de ser homologada pelo próprio STF. Forças muito poderosas atuarão para impedir esse acordo – ou anulá-lo.
Daí a necessidade de cautela diante da perspectiva de uma nova “delação do fim do mundo”. A tentação de transformar as confissões de Vorcaro em espetáculo ou instrumentalizá-las para fins político-eleitorais será enorme. Para os investigadores, pode parecer um atalho para a solução de um caso de altíssima complexidade. […]
A delação de Vorcaro tem de ser tratada com sobriedade institucional. Não é condição indispensável para a responsabilização de culpados nem muleta para investigações tíbias. Ao contrário. Quanto mais ruidoso for o teor do acordo, maior deve ser o escrutínio das autoridades sobre a consistência dos elementos de prova que o sustentam – assumindo-se, claro, que existam. […]
A delação de Vorcaro deve ser apenas o começo, jamais o fim, de um bom trabalho investigativo. Passa da hora de o Brasil amadurecer para a cobertura midiática desses acordos e para cobrar investigações e processos bem instruídos, de modo a produzir decisões judiciais que resistam ao tempo.
O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — Foto: Edilson Dantas/Agência O Globo
Cinco meses após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central (BC), o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) permanece em silêncio sobre o escândalo que envolveu a falência da instituição financeira e seus desdobramentos. A ausência de declarações de Flávio Bolsonaro sobre o caso é vista com “estranheza” por aliados, especialmente considerando que o escândalo é um dos maiores episódios de fraude financeira no Brasil. Com informações de Lauro Jardim, do Globo.
Enquanto Bolsonaro se cala, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se posicionado publicamente sobre o escândalo, com um discurso contundente. Na última quinta-feira (19), Lula afirmou que “não deixaremos pedra sob pedra para apurar tudo o que fizeram, dando um rombo de R$ 50 bilhões neste país”. A postura de Lula contrasta com a ausência de comentários de Flávio Bolsonaro sobre o caso, especialmente considerando que o escândalo envolve figuras do governo Bolsonaro e do círculo político de Flávio.
Enquanto isso, o Partido dos Trabalhadores (PT) tem intensificado as críticas a Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em uma resolução publicada recentemente, o PT questiona a omissão de Flávio Bolsonaro sobre o escândalo, destacando a negligência do governo Bolsonaro na supervisão do setor financeiro e sua ligação com Daniel Vorcaro, o banqueiro acusado de fraude. “O banco foi fundado e operou livremente durante o governo Bolsonaro, período em que acumulou fortes indícios de gestão fraudulenta”, afirma o PT.
A resolução do partido também acusa o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, de ter permitido o crescimento do esquema de corrupção, sem realizar intervenções necessárias. No entanto, o PT foca suas críticas diretamente em Flávio Bolsonaro, associando-o ao financiamento eleitoral de sua campanha e ao uso de recursos oriundos do Banco Master: “Flávio Bolsonaro representa a continuidade do mesmo projeto autoritário e antipopular que o Brasil derrotou nas urnas”.
Além da publicação oficial, grupos de WhatsApp ligados ao PT têm propagado vídeos e conteúdos que associam Vorcaro a Flávio Bolsonaro. Uma postagem, por exemplo, traz uma montagem que relaciona o nome de Flávio Bolsonaro com os contatos encontrados na agenda de Vorcaro. “A teia do escândalo BolsoMaster só cresce e todos os caminhos levam ao clã Bolsonaro”, diz o texto compartilhado nos grupos.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução
Em entrevista, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiram que a estratégia de comunicação do governo foi errada ao evitar um confronto direto com Flávio Bolsonaro. Alguns membros do PT acreditam que, ao focar apenas em pautas positivas e evitar embates com Flávio, o governo perdeu tempo e espaço. “Agora seria, portanto, necessário ajustar a rota”, disseram. Para o PT, a relação entre Flávio Bolsonaro e o escândalo do Banco Master precisa ser destacada como um fator crucial para desmantelar a narrativa da direita.
Em paralelo, o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas presidenciais tem gerado um alerta entre governistas, que veem na omissão da sua relação com o escândalo uma falha na comunicação do governo. O PT busca agora reorganizar sua estratégia e manter a pressão sobre Flávio Bolsonaro, utilizando a associação ao Banco Master como uma ferramenta de desgaste político.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) – Reprodução/Instagram
O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) denunciou a tentativa de manipulação de informações pela GloboNews após a emissora exibir um PowerPoint sobre o escândalo do Banco Master, em 20 de março. O quadro, que teve como figura central o banqueiro Daniel Vorcaro, foi criticado por Pimenta por omitir figuras-chave do caso, como Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Roberto Campos Neto e Ibaneis Rocha, enquanto tentava ligar o escândalo à esquerda e ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. “É muito grave o que a Rede Globo fez, o novo PowerPoint”, declarou o deputado.
Nas redes sociais, Pimenta questionou a ausência de personagens importantes na narrativa da GloboNews, como Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Segundo ele, a apresentação ignorou a relação de pessoas e instituições com o escândalo, especialmente a ligação de figuras da direita com o Banco Master. “Não aparece o Bolsonaro, não aparece o Campos Neto, presidente do Banco Central, figura chave do esquema do Bolsomaster”, destacou.
O deputado também fez referência à omissão de outros nomes envolvidos no caso, como Ciro Nogueira (PP-PI), que foi mencionado de forma distorcida, e a falta de transparência sobre a relação entre a Globo e Daniel Vorcaro, que patrocinou eventos da emissora. “Não dá destaque pro fato de que o avião do Vorcaro foi utilizado para que o Nikolas Ferreira percorresse o Brasil fazendo campanha pro Bolsonaro no segundo turno”, apontou, acusando a Globo de proteger seus próprios interesses e aliados políticos.
O Powerpoint da Globo: a palhaçada da Lava Jato 2.0 está completa
A denúncia de Paulo Pimenta evidencia a manipulação de informações pela mídia, com a tentativa de desviar a atenção das verdadeiras conexões do Banco Master com figuras do governo anterior. O caso coloca em discussão a prática da mídia corporativa de distorcer narrativas para proteger suas conexões políticas e financeiras. “Nós queremos que a verdade apareça, porque na medida que a verdade aparecer vai ficar claro que esse filho não é nosso, que o Bolsomaster não é nosso filho, pelo contrário, ele é filho legítimo do Bolsonaro”, afirmou Pimenta.
O escândalo do Banco Master e sua relação com o financiamento de campanhas eleitorais também foi abordado, com o deputado apontando que as campanhas mais financiadas nas últimas eleições foram as de Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. A apresentação da GloboNews foi vista como uma tentativa de ocultar as responsabilidades de figuras da direita no esquema criminoso.
Com o avanço das investigações e a pressão por transparência, Pimenta reforçou a importância de esclarecer os fatos e responsabilizar os verdadeiros envolvidos no caso. “A verdade vai prevalecer”, concluiu, indicando que o movimento para desmascarar a manipulação midiática segue em frente.
O assessor do deputado federal bolsonarista Vinicius Carvalho (PL-SP) está entre os quatro presos em flagrante na ação da Polícia Federal que apreendeu R$ 2,7 milhões em dinheiro vivo no Recife. A informação sobre a presença do integrante do gabinete no grupo foi publicada neste sábado (21). Com informações do Metrópoles.
A operação ocorreu na sexta-feira (20), após a retirada de R$ 2.733.000,00 em espécie em uma agência bancária localizada no centro da capital pernambucana. Segundo a Polícia Federal, um dos suspeitos sacou o valor e faria a entrega aos outros três envolvidos.
Segundo informações, o assessor atuava como segurança do grupo no momento da abordagem. Os outros três investigados haviam chegado ao Recife pouco antes da ação em um jato particular, fato que entrou no radar dos policiais durante a operação. Os quatro presos foram levados à sede da Polícia Federal, onde acabaram autuados em flagrante por lavagem de capitais.
A Polícia Federal não divulgou os nomes dos quatro presos nem detalhou a relação entre eles. A corporação também afirmou que a investigação continua para apurar a origem dos recursos e eventuais outros crimes ligados ao caso.
Quem é o deputado federal Vinicius Rapozo de Carvalho
O deputado federal bolsonarista Vinicius Carvalho (PL-SP). Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
O bolsonarista é deputado federal por São Paulo. Nascido no Rio de Janeiro, ele tem perfil oficial na Câmara com as profissões de advogado, jornalista, administrador e comunicador, além de escolaridade de mestrado. No dia 16 de março, Vinicius Carvalho deixou o Republicanos e se filiou ao PL, em movimento que reuniu deputados federais e estaduais da ala evangélica e do bolsonarismo.
O deputado foi relator da proposta de mudanças no sistema de proteção social das Forças Armadas, em 2019. Ele previa reajustes acima de 40% para alguns militares, ponto que gerou repercussão política na época. Em outro momento da tramitação, também foi noticiado que o relator amenizou regras de transição para aposentadoria de PMs e bombeiros.
Em 2024 o bolsonarista apareceu como o parlamentar que mais gastou com viagens naquele ano até o início de agosto. Vinicius Carvalho somava R$ 67.502,90 em despesas, incluindo deslocamentos internacionais.
Quando passei pela sala e vi rapidamente a tela da TV, me pareceu um programa de algum culto pentecostal que resolveu fazer o seu jornalzinho rápido para atacar o Lula. Mandaram alguém pegar uma cartolina cor da pele, colar algumas fotos e fazer linhas associando alhos com bugalhos, pão de queijo com fuzil, brincadeira de criança com tornozeleira eletrônica.
No meio, a foto com cara de rico de Vorcaro, bem debaixo dele a estrela do PT, como se ele fosse um petista, acima deles Lula, como se fosse o chefe de tudo. Numa órbita bem distante do centro, estavam Ciro Nogueira, Nikolas Ferreira, Antonio Rueda, João Doria, Hugo Motta e Davi Alcolumbre.
Acredito que a editoria que mandou fazer essa cartolina esqueceu vários nomes principais dessa história. Por exemplo, Roberto Campos Neto, o ex-presidente do Banco Central, foi na época dele que tudo começou; Tarcísio de Freitas, que recebeu 2 milhões de reais de Vorcaro; Jair Bolsonaro, que recebeu 3 milhões de reais de Vorcaro; Ibaneis Rocha, governador de Brasília, que quis comprar o Banco Master através do Banco de Brasília para salvar Vorcaro; Claudio Castro, governador do Rio, que investiu bilhões do fundo de previdência dos funcionários públicos do Rio em papéis podres do Master.
Talvez se isso tivesse sido exibido por uma TV rodoviária de alguma cidade pequena do interior, seria uma grande mentira, mas não um grande problema. Ser exibido pela emissora que um dia teve orgulho de dizer que tinha um padrão de qualidade é jogar na nossa cara, telespectadores, a falta de respeito que têm por nós. Esse episódio aceita vários nomes, menos o de jornalismo.
Dia da vergonha na Gnews. Os tios dos churrascos e as tias do zap também sabem fazer jornalismo desse jeito.
O pastor André Valadão, líder da Igreja Batista da Lagoinha, no helicóptero. Foto: Divulgação
O pastor André Valadão, líder da Igreja Batista da Lagoinha, publicou neste sábado (21) um vídeo em um helicóptero com a frase “Olha seus dízimos e ofertas indo pro céu”. Segundo o próprio pastor, o sobrevoo teve como objetivo levar pedidos de fiéis “mais perto” de Deus. As imagens geraram revolta e uma onda de críticas nas redes sociais.
A postagem de André Valadão repercutiu em meio às investigações sobre sua relação com o Banco Master e com estruturas ligadas à Igreja Batista da Lagoinha. O pastor teve o nome citado após a revelação de uma transferência de cerca de R$ 3,9 milhões do banco para uma empresa ligada ao seu grupo religioso, operação apontada em relatório do Coaf como movimentação atípica e alvo de pedido de investigação na Polícia Federal.
O deputado Rogério Correia (PT-MG) levou à Polícia Federal uma notícia de fato pedindo investigação sobre essa transferência para a empresa Amando Vidas Produtora e Gravadora Ltda., ligada ao grupo religioso de Valadão. Segundo o parlamentar, o objetivo é apurar a origem, a finalidade e a legalidade da operação.
🚨 VEJA l Pastor André Valadão usa helicóptero para levar pedidos de fiéis 'mais perto' de Deuspic.twitter.com/ppZDcYHoyt
No X, o vídeo foi alvo de ataques. “Enquanto isso fiéis esperando ônibus na chuva e frio”, escreveu um usuário. “A pessoa tem que ser muito ingênua pra seguir esses caras mano. Como que pode?! Enquanto fiéis se fodem num CLT da vida o cara ta voando por aí”, afirmou outro. “Vendo uma cena dessas pode-se afirmar com todas as letras que o bolsonarismo destruiu completamente o evangelismo”. Veja a repercussão:
O nome do pastor também aparece nas investigações sobre o Clava Forte Bank, fintech criada em março de 2024 para operar com recebimento de dízimos no universo da Lagoinha. A estrutura é citada nas apurações sobre a fraude no INSS, caso que também atingiu a unidade Belvedere da igreja em Belo Horizonte, que encerrou as atividades no domingo (15).
Valadão ainda apareceu em registros da campanha de 2022 ao lado de Nikolas Ferreira em aeronave associada a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em uma postagem daquele período, o pastor escreveu: “Chegando em Brasília. Trabalhando, sonhando e já vendo a maior virada política da história. VAMOOO. Brasil nunca será vermelho”.
Chegando em Brasília. Trabalhando, sonhando e já vendo a maior virada política da história. VAMOOO. Brasil nunca será vermelho. @nikolas_dmpic.twitter.com/2mVjBzyPeL
Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro – Reprodução
Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, recebeu R$ 485 milhões da Super Empreendimentos, empresa investigada pela Polícia Federal sob suspeita de ter sido usada como canal de pagamentos a uma suposta milícia privada do grupo e a agentes públicos. Os dados constam em extrato bancário obtido por reportagem. Os repasses teriam ocorrido entre julho de 2022 e janeiro de 2026. Com informações de Folha de S.Paulo.
Só em 2025, Zettel recebeu R$ 160 milhões da Super Empreendimentos, distribuídos em 264 transferências. Segundo a apuração, os maiores repasses ocorreram entre fevereiro e abril, em operações de R$ 5 milhões cada.
A PF aponta Zettel como responsável por intermediar e operacionalizar pagamentos relacionados a possíveis atividades ilegais ligadas ao grupo de Vorcaro, que voltou a ser preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, determinada pelo ministro André Mendonça, do STF.
De acordo com investigadores, mensagens analisadas pela PF mostram ordens de pagamento e referências a transações com menções a políticos. A decisão de André Mendonça que autorizou prisões preventivas e outras medidas também cita a Super Empreendimentos como empresa usada para movimentações financeiras do grupo, incluindo pagamentos atribuídos ao núcleo chamado de “A Turma”, descrito na investigação como encarregado de monitorar e pressionar pessoas vistas como adversárias de Vorcaro ou ligadas às apurações sobre o banco.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master – Reprodução
Zettel é pastor afastado da Igreja Batista da Lagoinha e foi alvo de prisão preventiva junto com Vorcaro no começo de março. Casado com Natalia Vorcaro, ele se projetou no setor empresarial como fundador e CEO da Moriah Asset, gestora voltada ao mercado de bem-estar.
Por meio da empresa, tornou-se sócio de negócios como Grupo Frutaria, Oakberry, Les Cinq, Desinchá e Super Nutrition. Em 2022, também foi doador das campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), com cerca de R$ 5 milhões no total, sendo R$ 3 milhões para Bolsonaro e R$ 2 milhões para Tarcísio, segundo o texto-base enviado.
A Super Empreendimentos também aparece nas investigações como parte da estrutura financeira usada para tomar empréstimos considerados fraudulentos no Banco Master. Segundo a linha investigativa, esses financiamentos seriam vendidos a fundos de investimento, enquanto recursos circulavam por uma rede que incluía compra de CDBs do próprio banco.
A empresa ainda foi mencionada em decisão judicial sobre pagamentos a dois ex-integrantes do Banco Central investigados no caso: Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana.
Outro ponto citado nas apurações envolve um imóvel de R$ 36 milhões em Brasília, anteriormente registrado em nome da Super, onde Vorcaro recebeu políticos como o senador Ciro Nogueira (PP) e o deputado Hugo Motta (Republicanos).
Segundo a assessoria de Vorcaro, ele era inquilino do imóvel. Zettel deixou a diretoria da Super em julho de 2024. Em nota enviada em dezembro, a assessoria de Vorcaro confirmou que o cunhado era um dos sócios da empresa, mas afirmou que a relação entre Vorcaro e a Super era “meramente comercial”.
Daniel Vorcaro em entrada na prisão. Foto: reprodução
A delação premiada, regulamentada pela Lei das Organizações Criminosas em 2013, é um instrumento legal utilizado para avançar investigações criminais no Brasil. Seu objetivo principal é a cooperação do delator com as autoridades, revelando a estrutura das organizações criminosas e ajudando a identificar os envolvidos nos crimes. Com informações do Globo.
A colaboração é feita de forma voluntária, com a assistência de um advogado, e o delator pode obter benefícios como redução de pena ou cumprimento de prisão domiciliar, dependendo da eficácia de suas informações. As informações são do Jornal Nacional.
A etapa inicial da delação é marcada pela assinatura de um termo de confidencialidade, como ocorreu com o banqueiro Daniel Vorcaro. Este termo impõe sigilo sobre o conteúdo da delação, garantindo que as informações não sejam usadas contra o delator, caso o acordo não seja formalizado. O colaborador deve manter reserva absoluta e não se comunicar publicamente, conforme esclarece o professor Gustavo Sampaio: “Se o colaborador aceita esse termo, ele deve, portanto, manter reserva absoluta de todas as informações.”
Após a assinatura, o colaborador faz os primeiros depoimentos, fornecendo informações às autoridades para que novas provas possam ser obtidas. De acordo com a professora Luísa Ferreira, a delação é um “negócio jurídico”, que exige negociação entre as partes, e uma vez aceita, o delator começa a revelar o que sabe.
Daniel Vorcaro chegando na Superintendência da Polícia Federal. Foto: Vinicius Schmidt/Metrópoles
Essas informações são fundamentais para a continuidade das investigações e para a produção de provas adicionais, conforme enfatiza o professor Gustavo Sampaio: “O colaborador poderá dar boas indicações ao aparato de investigação que, a partir dessas indicações, poderá chegar à produção de novas provas.”
Os acordos de delação premiada são conduzidos exclusivamente pelo Ministério Público ou pela Polícia Federal, que são responsáveis por interrogar o delator e coletar documentos para complementar as investigações. O juiz é quem decide se a delação será homologada e qual o tamanho do benefício a ser concedido ao colaborador, levando em consideração a relevância das informações prestadas.
A delação premiada não é uma simples confissão, mas uma ferramenta crucial para a obtenção de provas. A professora Luísa Ferreira alerta que a delação “não pode ser utilizada nem para prender uma pessoa, nem para o oferecimento de denúncia”, sendo essencial que as autoridades tratem essas informações com cautela. Apenas com a homologação judicial e a produção de novas provas é que o acordo poderá gerar efeitos concretos.
Na tarde de sexta-feira (20), a GloboNews exibiu um PowerPoint “explicativo” sobre o escândalo do Banco Master que causa espanto pela distorção dos fatos.
A apresentação, que tinha como figura central o banqueiro Daniel Vorcaro, tentou ligar o caso a figuras da esquerda e do governo, como Lula, Guido Mantega e o “PT da Bahia”, ignorando completamente os nomes de figuras chave que têm conexões diretas com o escândalo, como Jair Bolsonaro (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ciro Nogeira, Roberro Campos Neto, e outros nomes do centrão.
O PowerPoint da GloboNews omitiu o PL, o maior envolvido no escândalo, e deixou de mencionar figuras como Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e outros aliados do governo que receberam recursos de Fabiano Zettel, operador financeiro de Vorcaro.
Já o nome de Ciro Nogueira (PP-PI), um dos senadores mais próximos de Vorcaro, foi colocado na apresentação de maneira distorcida, sem mencionar seu partido e sua conhecida ligação com o banqueiro. Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central, foi incluído como “próximo” de Vorcaro, enquanto Roberto Campos Neto, seu antecessor e aliado de Bolsonaro, foi completamente ignorado.
O PowerPoint verdadeiro deveria ter incluído a própria Globo e seu envolvimento no escândalo. Daniel Vorcaro, que patrocinou um evento da Globo em Nova York e foi o principal orador, chamou figuras da emissora de “amigos”, incluindo o organizador Fred Kachar.
Esse vínculo crucial entre a Globo e o banqueiro foi convenientemente omitido da apresentação, evidentimente. A Globo, mais uma vez, reedita o lavajatismo de forma grotesca, distorcendo os fatos e manipulando a narrativa.
A emissora repete a estratégia de desviar a atenção e manipular a opinião pública. A tentativa de responsabilizar Lula e o PT pelo caso, enquanto apaga o próprio envolvimento da Globo e seus aliados, é um exemplo claro de como a mídia corporativa distorce informações para proteger seus próprios interesses e aliados políticos.
Elon Musk é dono do X, antigo Twitter. Foto: reprodução
Elon Musk foi considerado responsável nesta sexta-feira (20) por um júri federal dos Estados Unidos em uma ação movida por ex-acionistas do Twitter, atual X, sobre a compra da plataforma por US$ 44 bilhões em 2022. O processo tratava de acusações de fraude ligadas a declarações públicas do bilionário sobre a presença de bots e contas falsas na rede social durante o período em que tentava renegociar ou abandonar o acordo.
A decisão foi tomada após um julgamento civil iniciado em 2 de março, com deliberação do júri a partir da última terça-feira (17). Com informações da Reuters.
Os autores da ação afirmaram que Musk tentou pressionar a queda do valor das ações do Twitter ao publicar mensagens que colocavam em dúvida os dados da empresa sobre contas falsas. Entre as declarações contestadas estavam a de que a compra estaria “temporariamente suspensa” até a confirmação de que bots representavam menos de 5% dos usuários e a de que esse percentual poderia ser “muito” superior a 20%.
Os jurados concluíram que duas dessas falas foram enganosas e responsabilizaram Musk por elas, embora não tenham reconhecido prova de um esquema fraudulento mais amplo.
Durante o julgamento, a defesa dos ex-acionistas sustentou que as manifestações públicas de Musk interferiram no preço dos papéis da companhia em um momento decisivo da negociação.
O grupo que entrou com a ação reúne investidores que disseram ter vendido ações do Twitter entre 13 de maio e 4 de outubro de 2022 por valores artificialmente deprimidos. Segundo Francis Bottini, advogado dos autores, os danos ainda serão calculados, mas podem chegar a cerca de US$ 2,5 bilhões.
A equipe de defesa de Musk argumentou no tribunal que a preocupação do empresário com a quantidade de bots era legítima e que comentar o tema não significava fraude nem intenção deliberada de enganar o mercado. Após o veredito, os advogados do escritório Quinn Emanuel Urquhart & Sullivan classificaram a decisão como “um obstáculo no caminho” e informaram que pretendem recorrer, afirmando esperar uma absolvição em instâncias superiores.
Logo do X – Reprodução
O caso se soma a outras disputas judiciais travadas por Musk nos últimos anos com acionistas e órgãos reguladores dos Estados Unidos. Em 2023, ele venceu um julgamento sobre a declaração de 2018 em que afirmou ter “financiamento garantido” para fechar o capital da Tesla.
Também saiu vitorioso em litígio em Delaware sobre seu pacote de remuneração na montadora. Paralelamente, Musk negocia um acordo com a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA em outro processo civil, relacionado à demora na divulgação de suas compras iniciais de ações do Twitter em 2022.
Na ação da SEC, a agência sustenta que Musk demorou além do prazo legal para informar ao mercado que havia ultrapassado 5% de participação no Twitter, o que teria permitido a compra de mais de US$ 500 milhões em ações antes da reação dos investidores.
Segundo a Reuters, as negociações para um possível acordo seguem em andamento, com pedido conjunto para adiar etapas do processo até 1º de abril de 2026. A nova derrota no caso dos ex-acionistas amplia a pressão judicial sobre o empresário em torno das operações que antecederam a aquisição da plataforma, depois rebatizada como X.
Nikolas Ferreira, atraído para uma armadilha, andou por nove dias num jatinho de Vorcaro, em campanha por Bolsonaro na eleição de 2022. Lulinha guarda um de seus jatos, todos dourados, no hangar desse avião de Vorcaro usado por Nikolas. Deve ter visto Nikolas voando de um lado pra outro e não o alertou: aquele avião é de um mafioso.
Dois diretores do Banco Central trabalhavam para o Master, ao lado do gabinete de Roberto Campos no governo Bolsonaro. Eram infiltrados a serviço de Daniel Vorcaro, que abasteciam com informações de decisões tomadas dentro do BC.
Lulinha, que vivia tomando cafezinho e chá de hibisco com Campos Neto e diretores do BC de Bolsonaro, sabia ou deveria saber e não alertou nem Campos Neto, nem Bolsonaro, nem Malu Gaspar.
Bianca Medeiros, cunhada de Hugo Motta, pegou um empréstimo de R$ 22 milhões no Banco Master e comprou um terreno em João Pessoa, não para construir uma casa, mas um bairro.
Lulinha não fez nada para impedir que Bianca entrasse nessa fria, sabendo que no BRB ela poderia pegar o mesmo empréstimo pela metade dos juros e aplicar parte do recebido no Master em CDBs com rendimento de bitcoin de Javier Milei.
Ciro Nogueira confiou em dois deputados que pagavam suas contas do cartão de crédito, Átila Lira e Júlio Arcoverde, do PP do Piauí. Ciro descobriu agora, estupefato, por informação do Coaf, que os dois podem ter usado dinheiro de lavagem do PCC com uma fintech da Faria Lima.
Lulinha vive dando banda na Faria Lima, com sua pasta 007, e não sabia de nada? Não poderia ter alertado Ciro Nogueira de que o dinheiro poderia ser da lavanderia das fintechs investigadas pela Polícia Federal e das quais ninguém mais fala?
Bolsonaro e Tarcísio de Freitas receberam dinheiro de Vorcaro, na eleição de 2022, sendo R$ 3 milhões para o chefão e R$ 2 milhões para o extremista moderado, e ninguém disse: peraí que esse cara vai meter muita gente num rolo sem fim.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Reprodução
Lulinha poderia ter dito, porque é impossível que Valdemar Costa Neto não tenha dito a Lulinha o que disse em entrevistas, que os R$ 3 milhões foram depositados na conta de Bolsonaro, e não do PL, na campanha.
Há omissões de Lulinha em todas as áreas. O senador Carlos Viana, do Podemos, presidente da CPMI do INSS, destinou R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares para a Fundação Oasis, da Igreja Batista da Lagoinha, do pastor André Valadão. Lulinha, frequentador da Lagoinha e dos lagões da extrema direita religiosa, não sabia, ou sabia e induziu Viana a fazer a doação?
A Polícia Federal acusa a deputada bolsonarista cearense Gorete Pereira, que saiu do PL para o MDB, de ter comprado um apartamento de R$ 4 milhões com dinheiro desviado do INSS usando empresas de fachada.
Lulinha vai dizer que não conhece Gorete, frequentadora das praias de Jijoca de Jericoacoara, onde ele tem no portão da sua mansão um par de esculturas de leões em ouro maciço e no jardim uma cabra de prata 950?
O deputado Sóstenes Cavalcante vendeu um imóvel e recebeu o pagamento em dinheiro vivo e foi flagrado com os R$ 470 mil em casa. Porque Lulinha, amigo de um primo de um tio de Sóstenes, não o aconselhou a guardar o dinheiro no Master ou no BRB?
A deputada Julia Zanata, do PL de Santa Catarina, está chorosa porque um projeto que tramita no Congresso pode impedir a compra de imóveis com dinheiro vivo.
Lulinha, que movimenta milhões, segundo o Globo, comete o erro de lidar com bancos, quando poderia guardar todo o dinheiro vivo em casas compradas com dinheiro vivo. O que é mais seguro e garantido.
Julia sabe o problemão que será criado com a proibição, mas que não terá o apoio dos que preferem os bancos. O que fazer com a dinheirama que as pessoas têm em casa em Santa Catarina para comprar casinhas?
É interminável a lista de pessoas que poderiam ter sido alertadas por Lulinha. Mas ele se calou e foi omisso. Pode ser processado por omissão de socorro a Campos Neto, Bolsonaro, Tarcísio, ACM Neto, Ibaneis, Rueda, Alcolumbre, Sóstenes, Nikolas, Hugo Motta, Ciro Nogueira, Valdemar Costa Neto – todos vítimas de estelionatários ao lado do Valor Econômico e da Globo, ingenuamente patrocinados por Vorcaro em evento de líderes mundiais em Nova York.
Lulinha deveria ter avisado Campos Neto para que evitasse receber Vorcaro em visitas ao Banco Central. Mas Vorcaro foi uma, duas, três, quatro, cinco, seis, foi ou mandou emissários 24 vezes ao Banco Central durante a gestão de Campos Neto.
A frequência de Vorcaro no Banco Central é maior do que a de Carluxo nas sessões da Câmara de Vereadores do Rio. E Lulinha sempre quieto. É um danado esse Lulinha.
Daniel Vorcaro e a cantora Anitta. Foto: reprodução
Mensagens obtidas em investigação da Polícia Federal revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, relatou ter intermediado um encontro com a cantora Anitta, o irmão dela e empresários ligados ao setor de apostas esportivas. O diálogo faz parte do material apreendido na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo o grupo do empresário.
A conversa foi registrada em 9 de setembro de 2024 e enviada por Vorcaro à então namorada, Martha Graeff, e obtida pelo Metrópoles. Na mensagem, ele descreve a organização do encontro. “A Anitta vai vir agora com o irmão dela. Vamos fazer uma reunião bem rápida, de no máximo uma hora. Já falei que às 22h todo mundo out [fora], porque tenho jantar com o amor da minha vida”, escreveu.
Questionado por Martha sobre quem participaria da reunião, o banqueiro detalhou os convidados. “São quatro amigos meus, sócios de um negócio de bet, a Anitta e o irmão dela”, afirmou. Em outro trecho da conversa, Graeff demonstra resistência em encontrar a cantora. “Você se importa em encontrar com a turma?”, perguntou Vorcaro. “Eu não vou encontrar com ela, já falei”, respondeu.
Dois dias após o diálogo, em 11 de setembro de 2024, Anitta participou do MTV Video Music Awards, realizado em Nova York, nos Estados Unidos, onde Vorcaro vivia à época. Não há confirmação de que o encontro mencionado tenha ocorrido, nem detalhes sobre qual empresa de apostas estaria envolvida na reunião citada pelo banqueiro.
Recentemente, uma plataforma do setor, a Bet.Bet, apareceu como patrocinadora oficial da turnê “Ensaios da Anitta” em 2025, cujo tema foi “Maratona da Jogação”, voltado a modalidades esportivas. Ainda assim, não há indicação de relação direta entre a cantora e o conteúdo investigado pela Polícia Federal.
Bet.bet aparece em material do “Ensaio da Anitta”. Foto: reprodução
O irmão de Anitta, Renan Machado, citado nas mensagens, é sócio da artista e atua como seu principal gestor de carreira, com participação em decisões estratégicas e projetos profissionais.
As mensagens analisadas integram o conjunto de provas que embasam a terceira fase da Operação Compliance Zero. Até o momento, não há informação de que Anitta seja investigada ou tenha qualquer envolvimento com o caso Banco Master. A apuração segue sob responsabilidade da Polícia Federal, com foco nas atividades atribuídas ao grupo de Vorcaro.
A defesa da modelo Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, afirmou que ela não possui bens vinculados ao empresário e que vive de aluguel em Miami, nos Estados Unidos. Em entrevista ao “Estúdio I”, da GloboNews, na quinta-feira (19), o advogado Lúcio de Constantino disse que o patrimônio da influenciadora permaneceu inalterado antes, durante e após o relacionamento com o dono do Banco Master.
“A Martha possui um patrimônio que é igual antes, durante e depois do relacionamento. Eu perguntei: ‘Martha, tu mora onde?’ Ela mora de aluguel, em um apartamento alugado”, disse.
Apesar da afirmação, o imóvel citado é uma cobertura de alto padrão com cerca de 700 m² no complexo Four Seasons Surfside, em uma das áreas mais valorizadas de Miami. Segundo informações do caso, o contrato de aluguel teria sido pago antecipadamente por Vorcaro, e a mudança da modelo para o local ocorreu após o início do relacionamento.
A investigação da Operação Carbono Oculto identificou mensagens em que o banqueiro discutia a criação de um trust para Martha, com valores que poderiam ultrapassar R$ 520 milhões. A defesa, no entanto, nega que a influenciadora tenha conhecimento ou participação em qualquer estrutura financeira.
“A Marta possui um patrimônio que é igual antes, durante e depois do relacionamento com o senhor Daniel Vorcaro. Basta examinar as declarações de renda”, afirmou Constantino. “Ela inclusive questionou o que era um trust nas mensagens. Ela não sabia o que significava”.
Daniel Vorcaro e Martha Graeff. Foto: reprodução
Segundo o advogado, Martha chegou a buscar explicações sobre o termo e consultou um advogado nos Estados Unidos, que confirmou a inexistência de um trust em seu nome. “Ela buscou contato com um advogado nos Estados Unidos, que informou não haver nenhum trust em nome dela”, disse.
Sobre bens de luxo mencionados nas investigações, como imóveis e carros de alto valor, a defesa afirmou desconhecimento. “Ela não conhece nada disso. Eu perguntei: ‘Martha, tu mora onde?’. Ela mora de aluguel. O patrimônio que ela tem foi construído em 20 anos de trabalho nas redes sociais”.
Em nota, a defesa reforçou que “A Sra. Martha não possui imóveis, automóveis ou depósitos de valores decorrentes do relacionamento com o Sr. Daniel Vorcaro. Também não tem conhecimento sobre a existência de algum trust que lhe envolva, seja nos Estados Unidos ou em qualquer outro país”.
O advogado também criticou a divulgação de mensagens íntimas envolvendo o casal, incluindo diálogos que mencionam encontros políticos e o nome do ministro Alexandre de Moraes. “São milhares de informações que estão estruturalmente desorganizadas. (…) Existe um meio eficaz para resolver isso [citação de autoridade] e não é fazer uma publicidade, não é fazer uma mídia agressiva de relações e de intimidade. Você tem um elemento próprio para investigar em condições idôneas e não se faz.”
Em uma das mensagens, Martha reage a uma suposta videochamada com o ministro: “Morri… que vergonha, eu estava de pijama”.
Segundo a defesa, a exposição pública teve forte impacto emocional. “Houve uma degradação da esfera privada. Isso atingiu uma mulher que é mãe de uma menina de 6 anos. Ela ficou consternada pela falta de responsabilidade de quem divulgou esses dados”, afirmou Constantino.
O advogado relatou ainda que a cliente enfrenta um quadro de depressão após o escândalo. “Ela foi surpreendida com esse rombo com esse escândalo todo, tenha dúvida, não tenha dúvida (…) Esta mulher caiu em depressão.”
“Aconteceu foi num período ela ter namorado uma pessoa que se destacava no sistema financeiro (…) e que depois disso começa uma série de revelações que ela desconhecia e que ela começa a ser partícipe do público para conhecer o que está acontecendo.”
Constantino também comentou o comportamento de Vorcaro nas mensagens. “Em alguns momentos, percebe-se que ele ‘sobejava’ informações, que ele se valorizava. Isso parece um pouco comum em relação de namorados”.
Martha Graeff foi convocada para depor na CPI do Crime Organizado, mas a defesa avalia que o depoimento pode ser prejudicado caso esteja baseado em mensagens consideradas inválidas judicialmente. “Se o interesse de ouvi-la é vinculado a mensagens que foram proibidas, o depoimento fica prejudicado. Não há como fazer um movimento junto a uma prova que foi vedada”, concluiu.
Gilmar Mendes, ministro do STF. Foto: Andressa Anholete/STF
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve proferir nesta sexta-feira (20) o último voto no julgamento da Segunda Turma que analisa a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, decretada no último dia 4 de março. A sessão ocorre em plenário virtual e está prevista para ser concluída ainda hoje, consolidando a tendência já formada na Corte.
Com o voto do decano, o placar deve ser fechado em 4 a 0 pela manutenção da prisão de Vorcaro. Os ministros André Mendonça, relator do caso, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques já haviam se manifestado pela continuidade da detenção. Dias Toffoli se declarou impedido de participar do julgamento. Apesar de acompanhar o resultado, Gilmar Mendes deve apresentar fundamentação distinta dos colegas.
Segundo o Globo, o ministro entende que a permanência de Vorcaro em penitenciária federal exigiria justificativas específicas, como necessidade de isolamento em regime especial ou proteção à integridade física do preso, o que, na avaliação dele, não se aplica ao caso. Ainda assim, a divergência não altera a tendência de manutenção da prisão.
Na noite de quinta-feira (19), Vorcaro foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal, no Setor Policial Sul da capital federal. A mudança foi autorizada por André Mendonça após pedido da defesa, que sinalizou a intenção do banqueiro de colaborar com as investigações por meio de um possível acordo de delação premiada.
Daniel Vorcaro chegando na Superintendência da Polícia Federal. Foto: Vinicius Schmidt/Metrópoles
A transferência ocorre em meio a negociações para colaboração e também sob pressão política, especialmente de setores do Centrão, diante do potencial de revelações envolvendo diferentes atores. Vorcaro é apontado como líder de uma organização criminosa que teria um “braço armado” voltado à intimidação de adversários.
Em seu voto, Mendonça afirmou que a Polícia Federal identificou ameaças concretas ligadas ao grupo. Segundo o ministro, há indícios de que essa estrutura criminosa ainda está ativa e conta com integrantes em liberdade. “Portanto, a organização ainda se apresenta como uma perigosa ameaça em estado latente, pois conta com integrantes que ainda estão à solta”, disse.
O relator também rejeitou os argumentos da defesa e destacou que não há sinais de interrupção das atividades ilícitas. “Nesse cenário, não se identifica qualquer indício de que as atividades ilícitas praticadas pela organização criminosa teriam cessado até o momento em que prolatada a decisão ora submetida a referendo. Bem ao contrário, do que já se conseguiu verificar, os elementos informativos apontam na direção oposta, ou seja, na permanência das atividades pelo grupo criminoso”, afirmou.
Ao decretar a prisão, Mendonça já havia apontado que os crimes investigados envolvem “valores bilionários” e representam risco ao sistema financeiro nacional, além de tentativas de obtenção de informações sigilosas e monitoramento de autoridades. “Existem fortes indícios da existência de grupo destinado a intimidar adversários e a monitorar autoridades, o que revela risco concreto de interferência nas investigações”, completou.
De acordo com a Polícia Federal, Vorcaro mantinha uma estrutura paralela chamada “A Turma”, voltada à obtenção ilegal de dados e à coerção de críticos. Os investigadores classificam os envolvidos como “profissionais do crime”. O caso segue em andamento, com desdobramentos que podem impactar o cenário político e institucional.