O presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Foto: Mateus Bonomi/Estadão Conteúdo
O Congresso Nacional derrubou, nesta quinta (30), o PL da Dosimetria, projeto que altera as regras de cálculo e cumprimento de penas e beneficia condenados por tentativa de golpe de Estado, como o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na Câmara dos Deputados, 318 votaram para derrubar e 144 para manter a decisão do presidente Lula, enquanto o placar foi, respectivamente, de 49 a 24 no Senado.
Para um veto presidencial ser derrubado, ele precisa de 257 votos na Câmara e 41 no Senado. Com as decisões das Casas, o projeto de lei será promulgado e o texto virará lei. O presidente terá 48 horas para promulgar o veto e, caso não cumpra o prazo, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), assumirá a tarefa.
A derrubada do veto não muda as penas dos condenados automaticamente, mas abre brecha para que as defesas peçam a aplicação da nova lei à Justiça, que decidirá caso a caso.
Plenário do Congresso. Foto: Giuliana Miranda
O texto define como o juiz calcula o tamanho da pena com base na gravidade do crime, nos antecedentes e nas circunstâncias do caso. O projeto cria uma regra específica para crimes contra a democracia, como a abolição violenta do Estado Democrático de Direito e o golpe de Estado, com penas variando de 4 a 12 anos de prisão.
Se os dois crimes ocorrerem no mesmo contexto, as penas não poderão ser somadas, e a aplicação do “concurso formal de crimes” fará com que a pena do crime mais grave prevaleça, com um aumento de até metade, dependendo da decisão judicial.
O PL da Dosimetria também prevê uma redução de penas de até dois terços para crimes cometidos em contextos de multidão, desde que o réu não tenha desempenhado papel de liderança ou financiado os atos, altera as regras de progressão, permitindo que um condenado saia do regime fechado após cumprir apenas um sexto da pena.
Antes das votações, Alcolumbre retirou alguns trechos do projeto que conflitavam com trechos da Lei Antifacção, aprovada no Congresso recentemente. Ele desmembrou a decisão de Lula, que vetou o PL da Dosimetria integralmente, para fazer com que alguns trechos excluídos não voltem a valer.
Nesta quinta (30), a Câmara dos Deputados e o Senado derrubaram o veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria, um projeto de lei que altera as condições para a progressão de penas e o cálculo de sentença. A votação na Câmara terminou com 318 votos a favor da derrubada e 144 contra.
A decisão é mais uma derrota para o governo Lula, um dia após a rejeição do Senado Federal ao nome de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para o Supremo Tribunal Federal (STF).
A discussão na Câmara foi acirrada. A oposição se manifestou contra o veto e, durante a sessão, houve até manifestações de senadores e deputados de extrema-direita, com cânticos e discursos críticos à gestão petista. Já os parlamentares alinhados ao governo relembraram a ditadura militar e usaram figuras históricas desse período para justificar a manutenção do veto, alegando que o projeto feriria valores democráticos conquistados após a ditadura.
Placar da votação contra o veto ao PL da Dosimetria na Câmara. Foto: Reprodução
Na sequência, o Senado Federal também votou a favor da derrubada, com 49 manifestações contra o veto e 24 favoráveis.
Placar da votação contra veto do PL da Dosimetria no Senado. Foto: Reprodução
Com a decisão, as penas para condenados por tentativa de golpe de Estado, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, podem ser reduzidas. Ele, que foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pelos atos de 8 de janeiro de 2023, poderá ter sua pena diminuída para cerca de 20 anos com a aplicação da nova lei, sendo apenas 3 anos e 5 meses em regime fechado.
O ex-presidente Jair Bolsonaro na garagem de sua casa, em Brasília. Foto: Sergio Lima/AFP
O PL da Dosimetria estabelece que, quando um réu cometer vários crimes no mesmo contexto, a punição mais grave prevalecerá, sem que as penas sejam somadas. O texto cria novas regras para a progressão de regime, determinando que o cumprimento de um sexto da pena será suficiente para que o condenado avance de regime, o que é mais brando do que o atual padrão.
O projeto também prevê penas mais leves para crimes cometidos em contextos coletivos, quando o réu não foi líder ou financiador dos atos. Outro ponto é a ampliação do uso de atividades laborais para redução da pena, medida que visa aumentar a possibilidade de remição.
Logo no início da votação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) fez uma manobra para retirar da análise trechos do projeto que conflitavam com a Lei Antifacção, recentemente aprovada pelo Congresso.
Entre os trechos que ficaram fora da votação estão o que determinava que “se o apenado for primário e for condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, deverão ser cumpridos ao menos 40% (quarenta por cento) da pena”. A Lei Antifacção estabeleceu o percentual mínimo mínimo a “70% da pena, se o apenado for condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, se for primário”.
Alexandre de Moraes e Davi Alcolumbre. Foto: Divulgação
Na terça-feira (28), um jantar na residência do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, com a presença do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reacendeu as desconfianças do presidente Lula sobre uma possível aliança entre ambos para barrar a indicação de Jorge Messias ao STF.
Com informações da coluna da Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo, a reunião, que aconteceu na véspera da rejeição dele no Senado, com 42 votos contrários e 34 favoráveis, gerou um clima de indignação no Palácio da Alvorada, conforme relataram autoridades próximas a Lula.
O encontro, embora não tenha sido especificamente convocado para tratar da votação do advogado, levantou suspeitas pela proximidade de seus participantes com a política nacional.
O motivo formal para o jantar foi a homenagem ao procurador e ex-secretário Nacional de Justiça, Mário Luiz Sarrubbo, amigo de longa data de Moraes, com quem compartilhou carreira no Ministério Público de São Paulo.
A recepção contou com a presença de ministros do STF, procuradores e aliados políticos, incluindo o ministro Cristiano Zanin e o superintendente da PF, Andrei Rodrigues. De acordo com relatos de alguns presentes, o nome de Messias foi mencionado apenas de forma periférica, em conversas informais, predominantemente sobre questões triviais.
O advogado Jorge Messias. Foto: Divulgação
Contudo, o jantar também reuniu figuras importantes do cenário político, como o ministro Gilmar Mendes, que apoiou a nomeação de Messias, e o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), com Zanin e Mendes participando apenas brevemente do evento e não se envolvendo diretamente nas discussões.
Entretanto, uma fonte próxima ao presidente Lula afirmou que, durante o evento, Alcolumbre teria confidenciado a aliados em pequenas rodas de conversa que já possuía 50 votos garantidos para barrar a indicação de Messias no Senado.
Este detalhe alimentou ainda mais as suspeitas de que a derrota do advogado-geral da União já estava premeditada antes da votação oficial, com presidente do Senado celebrando antecipadamente o fracasso da indicação de Messias.
Por outro lado, uma versão contraditória foi compartilhada por outro convidado do evento, que assegurou que a data do jantar coincidiu por pura casualidade com a votação de Messias e que a derrota já estava prevista independentemente das conversas no encontro.
Este convidado ressaltou que a ocasião foi planejada apenas para que Sarrubbo, que estaria em Brasília para uma reunião do Conselho Nacional de Segurança Pública e Defesa Social no dia seguinte, fosse homenageado pelos amigos próximos de Moraes.
O advogado-geral da União, Jorge Messias – Reprodução
O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, vai se desincompatibilizar do cargo nesta semana para reassumir temporariamente sua cadeira no Senado e participar da sabatina e da votação que decidirão o futuro de Jorge Messias no Supremo Tribunal Federal. A movimentação foi definida pelo Palácio do Planalto como parte da reta final da operação montada para garantir a aprovação do advogado-geral da União.
Com o retorno de Wellington, a suplente Jussara Lima (PSD-PI) deixa o posto provisoriamente. Embora aliados considerem que ela votaria a favor de Messias, a avaliação dentro do governo é que a presença do ex-governador do Piauí oferece mais do que um voto: simboliza engajamento político explícito de uma das figuras mais influentes do lulismo no Nordeste em torno de uma indicação tratada como estratégica por Lula.
A decisão também tem peso regional. Jorge Messias construiu no Piauí parte importante de sua trajetória pessoal e profissional, e Wellington Dias quer associar sua imagem à defesa de um nome que dialoga com o eleitorado petista e progressista do estado. Nos bastidores, governistas admitem que a ida do ministro ao Senado serve para blindar qualquer risco de dissidência e para mostrar mobilização máxima numa votação considerada sensível.
O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias – Reprodução
A sabatina de Messias está marcada para esta terça-feira (29) na Comissão de Constituição e Justiça, etapa obrigatória antes da análise em plenário. Para ser aprovado na CCJ, o indicado precisa de maioria simples entre os presentes; no plenário, necessita de ao menos 41 votos favoráveis em votação secreta.
Apesar de o governo trabalhar publicamente com uma margem entre 48 e 52 votos, o ambiente ainda não é de conforto absoluto. Lideranças da oposição, especialmente senadores do PL e do Novo, intensificaram nas últimas semanas uma articulação para desgastar Messias em temas ideológicos e em decisões recentes da Advocacia-Geral da União. O objetivo é transformar a sabatina em uma vitrine de constrangimento político e reduzir a margem lulista.
Outro fator de atenção no Planalto é o comportamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Embora aliados afirmem que ele não esteja operando frontalmente contra a indicação, o senador manteve distância da campanha por Messias e sequer integrou o grupo de parlamentares que se reuniu com o AGU nos últimos meses. Essa neutralidade calculada é vista no governo como um risco, porque Alcolumbre controla o ritmo político da Casa e influencia diretamente senadores de centro.
Por isso, a ordem de Lula foi abandonar a confiança automática no favoritismo histórico das indicações ao Supremo e partir para o corpo a corpo. Jorge Messias já conversou com ao menos 76 dos 81 senadores, enquanto ministros e líderes governistas foram destacados para a busca individual de votos. Além de Wellington Dias, nomes como Jaques Wagner, Randolfe Rodrigues e Camilo Santana entraram na linha de frente da articulação.
Indicado por Lula para ocupar uma das cadeiras mais importantes do Judiciário, Messias é tratado pelo presidente como um nome de confiança absoluta dentro do campo jurídico e político. Uma eventual aprovação apertada, no entanto, enfraqueceria simbolicamente o governo; por isso, a volta de Wellington Dias ao Senado virou um gesto de que o Planalto não pretende desperdiçar nenhum voto numa disputa que passou a ser tratada como teste de força entre Lula e a oposição.
Gilberto Kassab, presidente do PSD, durante evento do LIDE. Reprodução
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta segunda-feira (27) que Jair Bolsonaro (PL) “não tinha vocação para a vida pública”. A declaração foi dada durante evento empresarial do LIDE, grupo ligado ao ex-governador João Doria, em São Paulo.
Segundo Kassab, a eleição de 2018 foi marcada por um forte sentimento antipetista, o que abriu caminho para a vitória de Bolsonaro. “O Brasil não podia mais ouvir falar no PT, e Bolsonaro acabou assumindo. Sinceramente, sem nenhuma vocação para a vida pública”, disse.
Apesar da crítica, Kassab afirmou que o governo Bolsonaro se sustentou por causa de nomes fortes na equipe econômica. Ele citou Paulo Guedes como peça central da gestão. “Ele praticamente comandava a economia e teve papel muito importante”, declarou.
O dirigente do PSD também fez ressalvas ao governo Lula. Kassab apontou dificuldades na condução econômica e questionou a eficiência administrativa da atual gestão federal.
As falas ocorrem em meio às articulações para a disputa presidencial de 2026. O PSD tenta ampliar seu espaço nacional e sustentar uma alternativa à polarização entre PT e PL.
Membros do PT, com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ao centro, durante o evento. Foto: Divulgação
Neste domingo (26), o Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou seu manifesto durante o 8º Congresso Nacional da sigla, em Brasília. O evento, que teve início na sexta-feira (24), teve como tema central as diretrizes para a reeleição do presidente Lula.
O documento, intitulado “Construindo o futuro: Manifesto do PT para seguir transformando o país”, propõe reformas consideradas “estruturantes” para o desenvolvimento do Brasil, com destaque para a reforma do Poder Judiciário.
A proposta do PT visa a democratização do Judiciário, com a criação de mecanismos de autocorreção e o fortalecimento do Estado de Direito. A reforma do Judiciário é uma das principais bandeiras do partido, que busca promover mudanças profundas no sistema, permitindo maior controle social sobre a justiça e combate à concentração de poder.
Além da reforma do Judiciário, o manifesto contempla outras reformas essenciais para o partido. Entre elas estão a reforma política e eleitoral, com o objetivo de democratizar o poder e restituir a soberania popular, e a reforma tributária, que busca corrigir distorções no sistema de impostos, promovendo maior justiça fiscal.
O PT também propõe uma reforma administrativa voltada para a reconstrução do Estado, além de reformas na comunicação e na agrária, com foco na democratização do acesso à terra e na soberania alimentar.
Fernando Haddad ao lado do presidente do PT Edinho Silva. Foto: Divulgação
O documento também aborda questões internacionais, criticando a atuação recente dos Estados Unidos e defendendo uma maior participação do Sul Global nos fóruns internacionais. Para o PT, o Brasil deve se posicionar como um mediador de conflitos e promotor da paz, reafirmando sua tradição diplomática.
Apesar de o manifesto ter sido aprovado, algumas discussões importantes, como a revisão do programa partidário e a organização do PT, foram adiadas para o primeiro semestre de 2027. A principal agenda do congresso foi, portanto, a formulação de estratégias eleitorais para as eleições de 2026.
Durante o evento, a ausência do presidente Lula, que se recupera de dois procedimentos médicos, foi notada, mas o congresso contou com a presença de governadores, ministros e pré-candidatos como Fernando Haddad (PT) e Marina Silva (Rede).
O PT, em sua análise, destaca que o Brasil vive uma crise estrutural, que exige reformas profundas para reverter os danos causados pelo governo anterior. O manifesto traça um caminho para a reconstrução nacional, defendendo a valorização do trabalho, a redução da jornada de trabalho e a ampliação dos direitos sociais. Além disso, enfatiza a importância da democracia e da soberania nacional como pilares para o futuro do Brasil.
LEIA a íntegra do documento:
Vivemos uma mudança de época, marcada pela crise do capitalismo neoliberal e pela crescente desordem global. Nessa conjuntura, se sobrepõem crises estruturais que atingem o sistema capitalista, a ordem internacional, as democracias liberais e as próprias condições de vida no planeta. A promessa neoliberal de crescimento econômico, estabilidade e bem-estar mostrou-se incapaz de oferecer futuro para a maioria. Em seu lugar, consolidaram-se a fome, a estagnação, a desigualdade, a precarização do trabalho, a insegurança e o enfraquecimento das instituições democráticas.
O que se apresenta hoje não é apenas o esgotamento de um modelo, mas a intensificação das disputas sobre os rumos da sociedade.
A crise de 2008 deixou evidente que um sistema que se organiza sob a lógica da concentração de riqueza, diante do colapso, não corrige suas distorções: socializa prejuízos e preserva privilégios. O resultado foi a ampliação do endividamento público, o corte de direitos sociais e a consolidação de um padrão de acumulação baseado na captura de renda e na subordinação das economias nacionais ao capital financeiro global. Novas oligarquias emergiram com força. Grandes corporações, sobretudo no campo tecnológico, passaram a controlar fluxos de informação, organizar o trabalho, influenciar comportamentos e intervir na vida política. A democracia liberal, cada vez mais mediada por plataformas privadas, tornou-se terreno de disputa desigual.
Essa dinâmica se expressa também na crise geopolítica em curso. A ordem internacional sob hegemonia dos Estados Unidos se desestabiliza diante da ascensão de novas potências. Em resposta ao declínio relativo de sua posição, as potências tradicionais intensificam o uso da força — militar, financeira e tecnológica — para preservar sua influência. Guerras, sanções, bloqueios e intervenções voltam ao centro do tabuleiro geopolítico, corroendo o direito internacional e aprofundando crises humanitárias. Povos inteiros são submetidos à destruição de seus territórios, ao deslocamento forçado e à violência sistemática, enquanto princípios fundamentais como a soberania e a autodeterminação são seletivamente ignorados.
As eleições de 2026 serão disputadas no Brasil em um cenário de avanço da extrema-direita e do fascismo nos principais países da Europa e das Américas. Ao mesmo tempo, serão disputadas durante a gestão do governo com mais entregas da história. Desde de 2023, o governo Lula trabalha na reconstrução de um país que havia sido destruído pela extrema-direita. Retomamos e ampliamos o Minha Casa Minha Vida, retomamos o PAC e criamos a Nova Indústria Brasil (NIB) e o Plano de Transformação Ecológica, criamos o ECA Digital, o Pé de Meia e o Gás do Povo, ampliamos e aprimoramos o Bolsa Família, ampliamos radicalmente a educação em tempo integral, retomamos o Farmácia Popular, criamos o Agora Tem especialistas, recuperamos a valorização do salário mínimo e aprovamos a Reforma Tributária do consumo e da renda, ampliamos os recursos para cultura pelas leis Paulo Gustavo, Aldir Blanc e Rouanet, aprovamos a Política Nacional de Cuidados e lançamos o Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio, criamos a Lei de Cotas para concursos públicos – entre muitas outras medidas. Mas, diante da destruição promovida pelo governo anterior, e pelas necessidades e anseios de mudanças da sociedade brasileira, sabemos que é preciso ir muito além.
É nesse ambiente também que se realiza o 8º Congresso do Partido dos Trabalhadores, projetado para o período 2026–2027.
A instabilidade global, a volatilidade energética, a desorganização das cadeias produtivas e as pressões geopolíticas ampliam nossa vulnerabilidade. Ao mesmo tempo, revelam a necessidade de reconstruir a capacidade de planejamento, fortalecer a base produtiva e reafirmar a soberania nacional. A disputa pelo controle de recursos estratégicos, tecnologias e fontes de energia coloca novos desafios para o desenvolvimento nacional. Não há desenvolvimento possível sem autonomia, capacidade industrial e um projeto próprio de país.
Além das medidas estruturais para o desenvolvimento das capacidades domésticas e fortalecimento da soberania, o Presidente Lula se mostrou, neste mandato, como o líder mais preparado para resolver crises e situações de emergência. Da tragédia causada pelas enchentes no Rio Grande do Sul ao tarifaço unilateral de Donald Trump contra o Brasil, o Presidente Lula prontamente atuou em todas as crises que se apresentaram para preservar vidas, empregos e empresas brasileiras. A mesma rápida resposta ocorreu com as queimadas no Centro-Oeste e deslizamentos em Minas Gerais, assim como com a contenção da alta do preço do diesel, diante do contexto de Guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. A atuação de Lula é oposta à do governo anterior, que diante da pandemia permitiu que o país chegasse à marca de 700 mil mortos, e foi considerada a pior gestão do mundo durante a Covid-19.
Para o PT, a soberania nacional no século XXI não se resume à defesa de fronteiras, mas ao controle sobre o coração da tecnologia do futuro. É imperativo que o Brasil assuma o protagonismo sobre suas reservas de terras raras — um conjunto de 17 minerais críticos essenciais para a indústria de alta tecnologia, para a produção de baterias, lasers, turbinas eólicas e componentes de defesa. Explicar o valor desses recursos é explicar a nossa independência: sem terras raras, não há transição energética nem soberania digital. O Brasil detém uma das maiores reservas do planeta e não pode aceitar o papel de mero exportador de minério bruto; nosso projeto exige que o processamento e a inteligência sobre esses minerais ocorram em solo nacional, gerando empregos qualificados e protegendo nossa riqueza contra a cobiça internacional.
A crise da hegemonia norte-americana abre, por outro lado, espaço para novas articulações internacionais e para a afirmação de polos alternativos de poder. Iniciativas do Sul Global, como os BRICS, demonstram que existem margens reais de disputa e possibilidades de construção de uma ordem internacional mais equilibrada. O Brasil pode e deve exercer papel protagonista nesse processo, contribuindo para um mundo mais equilibrado, baseado na cooperação, no desenvolvimento e na paz.
Essa caracterização se evidencia pela postura adotada por Donald Trump em relação às principais economias do mundo, ao utilizar tarifas comerciais como instrumento de pressão e de repressão econômica, estabelecendo um ambiente de guerra comercial sem precedentes. Da mesma forma, sua política externa expressa uma face especialmente imperialista e agressiva na relação com países como Venezuela e Cuba, além da aliança com Israel nos violentos processos de ocupação territorial na Faixa de Gaza e ações militares contra Irã e Líbano, alimentando uma guerra no Oriente Médio de consequências nefastas. Em contraste, o governo Lula reafirmou a tradição pacífica do Brasil: liderou a maior operação de repatriação de cidadãos em áreas de conflito, defendeu o cessar-fogo imediato em fóruns globais e colocou nosso país novamente como o mediador necessário em um mundo em chamas.
A crise, porém, não é apenas econômica ou geopolítica. É também civilizatória. A insegurança e a frustração social alimentam a emergência de forças reacionárias. O autoritarismo, o racismo, a misoginia e o negacionismo ganham espaço, impulsionados pela manipulação da informação e pelo uso político do medo. A democracia é tensionada pela desinformação e pela captura do espaço público por interesses privados.
Nesse contexto, o mundo do trabalho se transforma. A plataformização reorganiza a produção, fragmenta a classe trabalhadora e redefine as formas de exploração. O trabalho se torna mais instável, desprotegido e subordinado a lógicas algorítmicas. Ao mesmo tempo, surgem novas formas de resistência e organização.
Diante desse quadro, a disputa pelo futuro está aberta. Trata-se de construir alternativas que enfrentem as estruturas de poder, reconstruam a democracia, afirmem a soberania dos povos e garantam a vida além do trabalho. Isso exige articular crescimento econômico, justiça social, inovação e sustentabilidade, além de reconstruir o papel do Estado e fortalecer a participação popular, reduzindo a jornada de trabalho e acabando imediatamente com a escala 6×1.
O Brasil está no rumo certo. Retomamos um crescimento médio de 2,8% neste mandato, dobrando a média do governo anterior. A desigualdade, que havia voltado a crescer ao longo do desgoverno anterior, atingiu a mínima histórica com Lula, assim como a proporção de pessoas na pobreza e na extrema pobreza. Após a triste marca de o Brasil ter voltado ao Mapa da Fome no último governo, voltamos a sair com Lula. O salário mínimo, que pela primeira vez na história havia tido redução de seu valor real em um mandato presidencial entre 2018 e 2022, voltou a ser valorizado, crescendo 12% em termos reais ao longo do atual mandato do presidente Lula. O mesmo ocorreu com o rendimento médio real das famílias, enquanto o desemprego atingiu a mínima histórica. Os jovens que não estudam nem trabalham, que haviam atingido o maior patamar da história com o último presidente, atingiram o menor patamar com Lula.
Tudo isso com inflação controlada. Trouxemos a inflação de volta à meta, atingindo a menor média por mandato presidencial da história do real. A inflação de alimentos, que foi, em média, de 12% ao ano, no governo passado, passou a 3%, em média, com Lula. Isso, somado à valorização do salário mínimo, fez com que a quantidade de cestas básicas compradas com um salário mínimo — que havia despencado ao longo do governo anterior — voltasse a crescer sob Lula: enquanto um salário mínimo comprava 1,7 cestas básicas em 2022, passou a comprar 2,1 em 2026.
Com o governo Lula, o orçamento para educação cresceu mais de R$100 bilhões em relação ao governo anterior, equivalente a mais de 60% de crescimento. Já o crescimento do orçamento da saúde foi superior a 30%. Com o Compromisso Nacional da Criança Alfabetizada, praticamente dobramos a parcela de crianças alfabetizadas em 4 anos, saltando de 36% para 66%. Neste governo, a cobertura de municípios com oferta de educação em tempo integral passou de 17% para 91%, com a criação de 1,8 milhão de vagas. O Fundeb teve um crescimento de 350% com Lula em relação ao último governo. Com mais de 4 milhões de jovens beneficiados por ano, o Pé de Meia reduziu em 43% a evasão no Ensino Médio. A cobertura vacinal em crianças cresceu mais de 10% no governo Lula, após o último governo ter negado a importância das vacinas.
Com o Presidente Lula, a safra agrícola bateu recorde, crescendo 32% em relação ao governo anterior, beneficiada pelo maior Plano Safra — tanto para a agricultura familiar quanto empresarial — da história. A produção de veículos cresceu mais de 30% em relação ao governo anterior, e a qualidade das estradas, que piorou no governo anterior, atingiu o melhor patamar da história no atual mandato do Presidente Lula. Os brasileiros voltaram a viajar de avião, com aumento de mais de 30 milhões de passageiros por ano em relação a 2022, e a chegada de turistas internacionais também bateu recorde, atingindo 9,3 milhões em 2025, três vezes mais do que em 2022. Mesmo com o tarifaço de Trump, a balança comercial bateu recorde, crescendo mais de 50% em relação ao governo anterior.
A concessão de crédito aumentou mais de 40% de 2022 para 2025, com crescimento tanto do crédito público quanto do crédito privado. O financiamento habitacional pelo FGTS bateu recorde: depois de ter caído 25% no último governo, cresceu 75% com Lula. A produção industrial, que havia recuado, voltou a crescer. Só no âmbito da Nova Indústria Brasil, foram mais de 650 bilhões de reais contratados. As dotações do Fundo Nacional de Ciência e Tecnologia bateram recorde, crescendo mais de 300% na comparação entre 2025 e 2022. A aprovação de crédito no Fundo Clima somou, apenas nos três primeiros anos do governo Lula, R$ 23,5 milhões, contra menos de R$ 2 milhões ao longo dos quatro anos do último governo.
Todos esses resultados foram conquistados em conjunto com a melhora das contas públicas. O déficit primário médio ao longo do mandato de Lula foi cerca de um terço do que foi o do último governo, e metade do que foi o anterior. Isso mesmo com o atual Governo tendo assumido com um orçamento que previa um déficit de R$ 230 bilhões. Após termos perdido reservas internacionais com o governo anterior, voltamos a acumular reservas com Lula, com um aumento de mais de R$ 40 bilhões de dólares.
São muitos avanços que precisam continuar. Apesar disso, precisamos ir além. Para além dos bons indicadores e resultados, precisamos avançar nas reformas estruturais e atualizar o nosso projeto portador de futuro para o Brasil. Diante do tamanho dos desafios estruturais que Brasil enfrenta e dos novos desafios que a atual conjuntura impõe, esse momento exige a atualização do programa e da estratégia do Partido dos Trabalhadores, tendo as eleições de 2026 como eixo central da tática política.
A reeleição do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva é decisiva para o futuro do Brasil e para o campo democrático internacional. O papel do Brasil impacta diretamente a correlação de forças na América Latina e no mundo. O País reúne condições estratégicas singulares: dimensão territorial, população, recursos naturais e capacidade produtiva. Seu papel é decisivo no desenvolvimento global, o que exige a reafirmação da soberania e da democracia.
O governo anterior representou o ápice da degradação ao executar um verdadeiro projeto de destruição nacional. Esse período de trevas deixou como herança um Estado desmontado e instituições profundamente fragilizadas, além de agravar a crise econômica e social com o negacionismo durante a pandemia, o desmonte do SUS e o retorno trágico da fome e da precarização absoluta.
Diante desse cenário de terra arrasada, o governo Lula assumiu a tarefa inadiável da reconstrução nacional. Em pouco tempo, o país foi recolocado na rota do desenvolvimento com justiça social, retomando políticas estruturantes, reduzindo o desemprego, garantindo a valorização do salário mínimo e resgatando novamente o povo brasileiro do Mapa da Fome.
O 8º Congresso do Partido dos Trabalhadores deve apresentar à sociedade as diretrizes de um novo projeto de desenvolvimento nacional. Trata-se de um momento decisivo para definir prioridades e dialogar com a sociedade brasileira, estabelecendo com clareza quais serão as prioridades políticas para o próximo período.
A estratégia do Partido dos Trabalhadores está ancorada na construção de um bloco democrático-popular, capaz de articular forças sociais diversas em torno de um projeto de transformação. Essa construção exige organização permanente, disputa de hegemonia e uma contínua acumulação de forças sociais e políticas nas bases da sociedade.
Faz-se necessário, portanto, consolidar um amplo processo de concertação social que supere a fragmentação e institua um novo pacto pelo desenvolvimento nacional. Este movimento deve reunir o setor produtivo e o empresariado comprometidos com a nação, a classe trabalhadora, o sindicalismo e os movimentos populares em uma coalizão que transcenda a defesa institucional da democracia. É imperativo que essa articulação se converta em uma potente força de incidência política e social, a ponto de quebrar a hegemonia do rentismo, viabilizando a nova industrialização e a transição energética como pilares de um projeto de país soberano.
Este projeto de país soberano deve ter como eixo central a soberania alimentar, energética, industrial, ambiental, digital e comunicativa e a garantia universal dos direitos sociais. Isso implica a universalização da escola em tempo integral para todas as crianças, em todos os municípios brasileiros, com investimento em infraestrutura escolar adequada, no magistério e na gestão educacional. Deve também assegurar a universalização do acesso à creche e à alfabetização infantil. É fundamental que contemple a expansão dos investimentos em infraestrutura nas áreas de educação e saúde. Precisamos universalizar o direito à segurança alimentar e ao atendimento à saúde; garantir a segurança pública, assegurando o direito de ir e vir; assegurar o direito à mobilidade urbana, com tarifa zero; promover os direitos à cultura, ao esporte e ao lazer; garantir o direito à assistência social; e assegurar a igualdade de gênero, étnico-racial e regional; e o direito à vida plena para a juventude.
Esta soberania também exige a valorização dos agentes desta transformação, a classe trabalhadora brasileira. O direito ao salário digno, o direito ao emprego, assim como o direito ao descanso, ao tempo com a família e ao estudo são fundamentais para um país ser verdadeiramente soberano. Neste sentido, a luta histórica pela redução de jornada de trabalho, materializada pela luta pelo fim imediato da jornada 6×1, constitui também o núcleo de um projeto de país soberano.
A experiência brasileira demonstra que não há democracia sustentável sem a efetiva transformação material da sociedade. Sem a redistribuição real de renda, de poder e de oportunidades, a frustração social se aprofunda e corrói a confiança nas instituições. É esse vácuo de esperança que se torna terreno fértil para a ofensiva autoritária da extrema-direita, que captura o ressentimento popular ao oferecer falsas soluções regressivas para problemas que são, na essência, estruturais.
A disputa central do nosso tempo é uma disputa de hegemonia. Ela se dá no terreno econômico, institucional, cultural e simbólico. Construir maiorias democráticas duradouras exige organização social, formação política, comunicação popular e presença cotidiana do Partido nos territórios, nos locais de trabalho, nas escolas, universidades, no campo e nas novas formas de trabalho. Sem hegemonia social, não há reforma estrutural sustentável.
As reformas estruturais que o Partido dos Trabalhadores propõe devem ser compreendidas como parte de um projeto nacional de desenvolvimento, orientado por objetivos estratégicos claros – tendo como horizonte programático o socialismo democrático – e sustentado por uma correlação de forças capaz de enfrentar privilégios historicamente consolidados. Elas se organizam a partir de três eixos centrais do projeto nacional de desenvolvimento, já em curso no governo Lula 3:
Reconstrução do papel do Estado como indutor do desenvolvimento, por meio do fortalecimento do investimento público, do planejamento, da participação social e das políticas estruturantes, e da superação de seus pressupostos autoritários e elitistas;
Retomada do crescimento econômico com distribuição de renda, riqueza e patrimônio, enfrentando o rentismo e ampliando direitos;
Transição produtiva, tecnológica e ambiental, orientada pela sustentabilidade e pela soberania nacional.
Esses três eixos se materializam, no plano estrutural, em sete reformas decisivas, sem as quais o projeto democrático-popular permanecerá bloqueado:
a) Reforma política e eleitoral, capaz de democratizar o poder e restituir a soberania popular e alterar o atual modelo de execução orçamentária através de emendas parlamentares;
b) Reforma tributária, para corrigir distorções graves do sistema de impostos e financiar direitos. Aprovamos no Governo Lula 3 a histórica Reforma Tributária dos tributos indiretos, permitindo um crescimento potencial de 10% do PIB no longo prazo pela maior eficiência do sistema tributário, e avançamos muito na justiça tributária com a Reforma do Imposto de renda, isentando quem ganha até R$ 5 mil e cobrando mais dos super-ricos, e com a tributação de fundos exclusivos, offshores e bets;
c) Reforma tecnológica, com vistas à soberania produtiva, científica e digital, fortalecida por uma ampla regulamentação dos oligopólios das plataformas digitais;
d) Reforma do Poder Judiciário, visando à democratização, mecanismos de autocorreção e fortalecimento do Estado de Direito; e
e) Reforma administrativa, que permita a reconstrução do Estado brasileiro e o fortalecimento da capacidade pública.
f) Reforma agrária, garantindo soberania alimentar, desenvolvimento e democracia no campo;
g) Reforma da comunicação, garantindo o cumprimento da construção que proíbe monopólios neste setor.
Essas reformas estruturantes organizam o núcleo estratégico do projeto nacional e consolidam o caminho que o Brasil já começou a trilhar. Elas implicam a continuidade e o aprofundamento das políticas públicas e projetos estruturantes em curso. E exigem que o Brasil dê um passo além neste próximo ciclo: que consolide este legado de conquistas e apresente e implemente um projeto de futuro para as próximas gerações.
O Partido dos Trabalhadores reafirma seu compromisso com a construção de um novo projeto histórico. Um projeto que supere os limites do capitalismo brasileiro, combine democracia, desenvolvimento e soberania, e devolva à política sua capacidade de transformar a realidade. É nesse terreno que se decidirá o futuro do Brasil e do mundo.
Para isso, é necessário fortalecer as instâncias partidárias em todo o território nacional, garantindo o funcionamento efetivo dos diretórios em todos os níveis e fazendo com que os mandatos se submetam ao partido. É fundamental priorizar a organização de base, com núcleos presentes em todos os setores sociais e regiões do país, assegurando a presença cotidiana do partido junto à sociedade, enraizado na nossa base social histórica. É fundamental que os núcleos de base sejam reconhecidos como instâncias partidárias.
Devemos valorizar nossas secretarias e setoriais como instrumentos de organização e diálogo social. Ao mesmo tempo, é necessário inovar na organização da nova classe trabalhadora, combinando o fortalecimento do movimento sindical com novas formas de organização social, incluindo a economia solidária. É urgente que, no próximo período, o PT institua a permanente transição geracional, limitando o número de mandatos nas suas instâncias — no máximo dois no mesmo cargo e três no total de participação na mesma instância —, e garantindo no mínimo 50% de mulheres nos espaços de deliberação.
O Partido dos Trabalhadores precisa estar à altura dos desafios históricos colocados, organizando-se como instrumento político capaz de disputar os rumos do Brasil e construir um projeto de país comprometido com a democracia, com as reformas da renda, agrária e institucional, com a justiça social, a igualdade, o fim de todas as formas de discriminação e preconceito e a soberania nacional. Mais do que nunca temos de reafirmar nosso compromisso com o socialismo, e com um mundo democrático, de paz e de igualdade de direitos.
André Esteves, presidente do conselho do BTG. Foto: reprodução
O banqueiro André Esteves, presidente do conselho de administração do BTG Pactual, afirmou que a eleição presidencial no Brasil deve ser marcada por uma disputa polarizada entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). Para ele, porém, o ponto central não será a orientação ideológica do vencedor, mas a manutenção de uma agenda econômica considerada racional e pró-mercado.
“Estamos caminhando no Brasil para uma eleição 50/50. Temos dois candidatos, o filho do ex-presidente Bolsonaro, Flávio, que é um político experiente, ele não apareceu do nada, é senador, um cara com bom-senso; e o presidente Lula, que foi protagonista nas últimas dez eleições no Brasil, que mesmo sendo de centro-esquerda, é um líder amigável ao mercado”, disse Esteves.
“É difícil prever o vencedor […] mas eu não me importo muito se é esquerda ou direita, desde que o vencedor seja a decisão econômica racional. A racionalidade não pertence à direita ou à esquerda, é mais sobre ser racional contra ser populista. A região [América Latina] tem tomado boas escolhas”.
A declaração foi feita durante o evento Latam Focus 2026, promovido pelo BTG no Chile. No encontro, Esteves avaliou que os Estados Unidos deixaram de funcionar como um “buraco negro” capaz de concentrar grande parte dos investimentos globais. Segundo ele, há uma realocação de capital para outros mercados, impulsionada pela busca de investidores por diversificação.
Lula e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução
Esse movimento, na avaliação do executivo, tende a beneficiar economias emergentes, incluindo países da América Latina e o Brasil. Esteves afirmou que, mesmo após a valorização recente dos ativos latino-americanos e brasileiros, esses mercados ainda apresentam um “valuation” atrativo quando comparados aos mercados estadunidenses.
O banqueiro também citou a comparação entre o BTG Pactual e a gestora estadunidense Blackstone, comandada por Stephen A. Schwarzman, de quem disse ser amigo. Para Esteves, a diferença entre os múltiplos das duas empresas era exagerada no início de 2025.
“No começo de 2025, o BTG era negociado a um múltiplo 8 vezes o preço/lucro, e a Blackstone a um múltiplo de 35 vezes. O valor de mercado deles era dez vezes o nosso, apesar de o lucro ser apenas o dobro do nosso. Eu estou bem de ter o CEP errado [a sede do BTG ser no Brasil], mas era uma diferença exagerada. Agora as coisas se corrigiram um pouco, a Blackstone é negociada a 25 vezes e o BTG a 11 vezes, depois de nossa ação ter subido mais de 100%”, comentou.
O presidente do Chile, José Antônio Kast, de direita, também discursou no evento do BTG. Ele afirmou que aprovou um projeto de reconstrução nacional e desenvolvimento econômico e social, que será encaminhado ao Congresso.
“Queremos que seja conversado, não que se fechem ao debate mesmo antes de iniciar o processo. […] Não estamos falando de um projeto ideológico, mas de como transformar, recuperar nossa pátria”.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan. Foto: Divulgação
O governo federal está avaliando a possibilidade de permitir a utilização de parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para que os trabalhadores brasileiros possam quitar suas dívidas. A medida, confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta terça-feira (7), visa aliviar o orçamento das famílias, que enfrentam altos níveis de endividamento.
De acordo com ele, a proposta está sendo analisada em conjunto com o Ministério do Trabalho, que tem a preocupação de garantir a integridade do fundo. O ministro afirmou que, caso a avaliação considere razoável o uso do FGTS para refinanciamento de dívidas, a medida poderá ser adotada.
“Estamos avaliando isso com o Ministério do Trabalho, que tem uma preocupação com a higidez do Fundo de Garantia. Ao se fazer uma análise, se a gente achar que for razoável a utilização para refinanciamento de algumas dívidas, isso vai ser admitido. Isso não é feito só por mim, mas também pelo ministro (Luiz) Marinho (do Trabalho). Estamos caminhando com essa avaliação, do impacto que isso vai ter sobre o FGTS”, disse ele.
A proposta surge em meio a uma série de discussões sobre o crescente endividamento das famílias brasileiras, um tema que tem preocupado o presidente Lula nas últimas semanas. Durante a reunião, Durigan e outros ministros discutiram formas de combater esse endividamento e aliviar a pressão financeira sobre os cidadãos.
Entre as medidas que estão sendo consideradas, está a liberação do FGTS para pagamento de dívidas, o que, segundo o governo, poderia diminuir o comprometimento de renda das famílias. No entanto, também há preocupações sobre o impacto dessa ação na segurança financeira dos trabalhadores, especialmente em caso de perda de emprego.
Usuário acessando o aplicativo da Caixa Econômica Federal. Foto: Divulgação
Além da liberação do FGTS para o pagamento de dívidas, outra medida em discussão envolve a regulamentação do fundo como garantia para operações de crédito consignado privado. Essa proposta busca facilitar o acesso ao crédito de forma mais acessível e com taxas de juros mais baixas.
O governo também estuda outras ações para combater o endividamento, como o uso dos recursos esquecidos nos bancos, atualmente avaliados em R$ 10,5 bilhões. Esses recursos poderiam ser direcionados ao Fundo Garantidor de Operações (FGO), com o objetivo de reforçar as garantias do governo aos empréstimos renegociados.
Embora essa medida tenha gerado expectativa, Durigan optou por não detalhar suas especificidades, prometendo anunciar os detalhes assim que as decisões forem finalizadas. “Não vou entrar nos detalhes das medidas, isso ainda vai ser anunciado com todos os detalhes”, afirmou o ministro.
Além disso, o governo está discutindo dois focos principais para o novo programa de combate ao endividamento: o primeiro seria focado na população de baixa renda, com dívidas em atraso entre 60 e 360 dias, incentivando a renegociação com descontos e novas opções de parcelamento.
O segundo foco seria para pessoas adimplentes, mas com alto comprometimento de renda, que poderiam ser estimuladas a migrar para linhas de crédito com juros mais baixos, aliviando assim suas finanças.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante solenidade do Rio de Janeiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou aliados por maior agilidade na organização da pré-campanha presidencial durante reunião realizada na segunda-feira (23), no Palácio da Alvorada. A orientação ocorre em meio ao avanço do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais. Com informações da Folha de S.Paulo.
Relatos indicam que o mandatário demonstrou insatisfação com o desempenho recente nas sondagens e com a dificuldade de transformar ações do governo em apoio eleitoral. O presidente também apontou necessidade de reação diante da movimentação do campo adversário.
Após o encontro, a direção do PT orientou deputados a intensificar o confronto político com a oposição. A estratégia inclui ampliar a repercussão de declarações do presidente sobre o caso Banco Master.
A recomendação é associar o episódio a adversários políticos e reforçar a comunicação pública do governo sobre o tema. A orientação foi repassada em reuniões com parlamentares da bancada.
Edinho Silva, novo presidente do PT
Lula tem mantido encontros frequentes com integrantes da pré-campanha para discutir o cenário político e definir ações. Participaram da reunião nomes como Edinho Silva, Sérgio Gabrielli e José de Filippi Jr.
Auxiliares avaliam que o grupo adversário avançou na organização da pré-campanha. Segundo relatos, o partido opositor já estruturou equipe jurídica e comunicação voltadas ao processo eleitoral.
Durante reunião com deputados, dirigentes do PT também destacaram a importância de ampliar arrecadação e reforçar presença política. Entre as ações discutidas estão eventos de financiamento e alinhamento de discurso.
Uma pesquisa realizada pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, divulgada nesta quinta-feira (26), indica que 9 entre 15 medidas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são consideradas acertos pela maioria dos brasileiros. O levantamento avaliou programas sociais, econômicos e propostas em debate no governo federal.
Entre as ações com maior índice de aprovação está o Farmácia Popular, cuja ampliação da gratuidade de medicamentos e itens é vista como acerto por 84% dos entrevistados, enquanto 9% classificam como erro e 7% não souberam responder. O programa aparece como a medida mais bem avaliada entre todas as analisadas.
O Desenrola Brasil também registra avaliação majoritariamente positiva, sendo considerado acerto por 75%, erro por 14% e desconhecimento por 11%. A proposta de isenção do Imposto de Renda para contribuintes com renda mensal abaixo de R$ 5 mil é vista como acerto por 74%, enquanto 16% consideram erro e 10% não souberam opinar.
Outras iniciativas com maioria favorável incluem o acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia, apontado como acerto por 63% dos entrevistados, além do fim da obrigatoriedade de aulas em autoescola para obtenção da carteira de motorista, considerado positivo por 60%. Nessas medidas, os índices de rejeição ficaram em 14% e 33%, respectivamente.
Entre as ações com maior percentual de avaliação negativa está a taxação de compras internacionais de até US$ 50, apontada como erro por 62% dos entrevistados, enquanto 30% classificam como acerto e 8% não souberam responder. A proposta de fiscalização de transações via Pix acima de R$ 5 mil mensais também apresenta maioria contrária, sendo considerada erro por 59%, acerto por 35% e desconhecida por 7%.
Outros pontos avaliados incluem a política de cotas de emprego para detentos em regime semiaberto e ex-detentos em licitações públicas, vista como erro por 51% e acerto por 32%, além do arcabouço fiscal, que aparece com avaliações divididas, com 45% apontando erro e 40% acerto.
A retirada de empresas públicas, como os Correios, do programa de privatização também apresenta divisão, com 51% considerando erro e 43% acerto. A pesquisa ouviu 5.028 brasileiros adultos entre os dias 18 e 23 de março, com recrutamento digital aleatório, margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.
PESQUISA ATLAS/BLOOMBERG
9 entre 15 medidas do governo são considerados acertos para maioria dos brasileiros. Os destaques são a gratuidade de remédios do Farmácia Popular (84%), Desenrola (75%) e isenção de IR (74%). Já a taxa das blusinhas é vista como o pior erro, para 62%. pic.twitter.com/e8DwUrQLpI
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou nesta quarta-feira (25), no Supremo Tribunal Federal (STF), uma notícia de fato contra o senador Sergio Moro (PL-PR) após declarações em que ele insinuou, sem apresentar provas, que a eleição presidencial de 2022 não teria sido legítima. O pedido foi encaminhado no âmbito do Inquérito 4.874, conhecido como o inquérito das milícias digitais, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
A iniciativa busca que o STF analise a conexão entre a fala de Moro e investigações sobre a disseminação de desinformação contra o sistema eleitoral. Na petição, Lindbergh sustenta que a manifestação se insere em um contexto mais amplo de ataques às instituições democráticas, especialmente ao Tribunal Superior Eleitoral e às urnas eletrônicas.
“A visão que o cidadão tem é que o nosso presidente da República hoje, que não é nosso, mas foi eleito — entre aspas — aqui no Brasil está do lado dos criminosos e minimiza o crime a todo momento”, alegou Moro durante cerimônia de filiação ao PL, realizada na terça-feira (24). O senador não apresentou evidências para sustentar a afirmação.
Veja o momento da fala de Moro:
Segundo Lindbergh, esse tipo de declaração reforça uma narrativa de deslegitimação do processo eleitoral e mantém em circulação suspeitas de fraude já rebatidas pelas autoridades.
“A insistência em desacreditar o pleito de 2022 possui dimensão prospectiva e não se limita a revisitar o passado. Ela produz efeitos sobre o presente e prepara terreno para o futuro, ao manter em circulação o repertório simbólico da fraude, da suspeição eleitoral e da ilegitimidade institucional”, disse o petista.
Na ação, o deputado solicita a oitiva da Procuradoria-Geral da República, além do envio de cópias ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia da Advocacia-Geral da União. O objetivo é avaliar eventuais medidas diante do que classifica como continuidade de um processo de desinformação.
A petição também menciona o contexto recente de tensão institucional no país, incluindo os atos de 8 de janeiro de 2023, e argumenta que a repetição de alegações infundadas sobre fraude eleitoral contribui para a erosão da confiança pública nas instituições. Para o parlamentar, reabrir esse tipo de narrativa mantém ativa uma ofensiva contra a soberania popular.
O episódio ocorre no momento em que Moro se posiciona como pré-candidato ao governo do Paraná e se aproxima politicamente do bolsonarismo. O senador participou do evento de filiação ao PL ao lado de lideranças do partido, como Flávio Bolsonaro e Valdemar Costa Neto.
A trajetória de Moro também é citada no debate político recente. Como ex-juiz da Lava Jato, ele foi responsável por decisões que impactaram diretamente o cenário eleitoral de 2018. Posteriormente, o STF anulou as condenações do Presidente Lula e reconheceu a suspeição do ex-magistrado, em decisões que reconfiguraram o quadro jurídico e político do país.
A nova pesquisa Atlas deve ser lida com a serenidade que o momento político exige — e, sobretudo, com atenção aos seus recortes internos. O dado mais chamativo, a desaprovação de 54% ao presidente, ganha contornos mais claros quando se observa a composição desse número.
Entre os eleitores de Bolsonaro, a rejeição a Lula é praticamente unânime (98,5%), o que pouco acrescenta em termos analíticos: trata-se de um eleitorado já consolidado na oposição. O mesmo padrão, ainda que menos intenso, aparece entre os que votaram em branco (76,5%) e entre os que não votaram (81,8%). Ou seja, a desaprovação cresce justamente nos segmentos menos engajados ou mais voláteis — um sinal mais relevante do que a simples rejeição entre adversários históricos.
Na avaliação do governo, o desenho se repete com pequenas variações. Entre os bolsonaristas, 94,5% classificam a gestão como péssima — novamente, um dado esperado. Já entre brancos (69,6%) e abstencionistas (68%), a crítica permanece alta, indicando que o governo enfrenta dificuldades para conquistar ou reter apoio fora de sua base tradicional.
Quando se passa à intenção de voto para o primeiro turno, o padrão de polarização se mantém. Flávio Bolsonaro herda de forma expressiva o eleitorado do pai (80,7%), mas mostra fragilidade fora desse núcleo: tem desempenho baixo entre votos brancos (13,9%) e recuperação apenas parcial entre os que não votaram (30,2%). É, portanto, um candidato competitivo dentro da bolha bolsonarista, mas ainda limitado na expansão.
O cenário que se desenha, por ora, é de repetição de 2022. Lula, como incumbente, carrega a vantagem estrutural da máquina e da visibilidade, mas enfrenta o desgaste acumulado de um ciclo longo do PT no poder — uma espécie de “fadiga de material”. Já o herdeiro político de Bolsonaro tem no sobrenome tanto um ativo quanto um passivo: mobiliza sua base, mas encontra resistência fora dela.
Nesse contexto, a eleição de 2026 tende a ser decidida menos pela conversão de adversários e mais pela capacidade de mobilização. Em teoria, o fator decisivo continua sendo o mesmo desde 2002: ativar o contingente de eleitores que se abstêm, votam em branco ou anulam. Quem conseguir engajar esse grupo pode abrir uma vantagem relevante.
Tyndaro Menezes, ex-editor da Rede Globo com 30 anos de experiência na emissora, foi contratado pela campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo a Revista Liberta, ele atuará na produção de dossiês contra o presidente Lula e pessoas próximas a ele, prática comum ao bolsonarismo.
Menezes foi demitido da Globo em 2022, após uma investigação revelando sua proximidade com figuras envolvidas em escândalos de corrupção no Rio de Janeiro. O jornalista era ligado a vários contratos com o governo do estado.
Menezes começou sua carreira como office-boy na Globo e subiu na hierarquia, tornando-se editor-executivo do núcleo de jornalismo investigativo. O profissional integrou o núcleo vencedor do prêmio Emmy de 2017.
Ele era próximo de “Rei Arthur”, como era conhecido o então secretário de Administração Fazendária do Rio e o empresário Arthur César de Menezes Soares Filho, que estava envolvido em um esquema de corrupção durante os mandatos dos governadores Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.
Tyndaro Menezes. Foto: Reprodução
Dono do grupo Facility, “Rei Arthur” montou durante os mandatos de Cabral e do sucessor, Luiz Fernando Pezão, uma série de empresas que forneciam mão de obra terceirizada para a administração estadual, faturando até R$ 2 bilhões por ano com contratos públicos entre 2009 e 2015.
O empresário chegou a ser considerado foragido da Polícia Federal em 2017 e esteve envolvido na compra de votos para que o estado fosse escolhido como sede das Olimpíadas de 2016.
Apesar das investigações, Menezes nunca foi formalmente acusado, mas a Globo optou por sua demissão por suas políticas de compliance. Após deixar a emissora, ele passou a trabalhar com gestão de crise e prevenção de escândalos.
O Presidente Lula (PT) criticou tensões geopolíticas e cobrou mais atuação internacional durante discurso na COP-15, conferência da ONU sobre espécies migratórias, realizada neste domingo (22) em Campo Grande (MS). Sem citar diretamente países, ele fez referências ao cenário de conflitos no Oriente Médio e defendeu o fortalecimento do multilateralismo.
“Esta COP-15 ocorre em um momento de grandes tensões geopolíticas. Ações unilaterais, atentados à soberania e execuções sumárias estão se tornando a regra”, disse o presidente. Lula também afirmou que o Conselho de Segurança da ONU “tem sido omisso na busca por soluções de conflitos” e alertou para os riscos globais. “Um mundo sem regras é um mundo inseguro, onde qualquer um pode ser a próxima vítima”, afirmou.
Ao defender maior cooperação internacional, Lula destacou que “no lugar de muros e discursos de ódio”, são necessárias “políticas de acolhimento e de um multilateralismo forte e renovado”. A fala ocorre em meio a debates globais sobre migração e segurança, além do aumento de conflitos internacionais.
No campo interno, o presidente também fez críticas à gestão ambiental do ex-presidente Jair Bolsonaro, associando o período a prejuízos na imagem externa do Brasil. “Até pouco tempo, a imagem internacional do Brasil na área ambiental enfrentava questionamentos profundos, impactando diretamente nossas relações econômicas e comerciais”, afirmou.
Veja a fala de Lula:
Segundo Lula, o cenário mudou a partir de 2023, com redução do desmatamento na Amazônia pela metade, queda superior a 30% no Cerrado e diminuição de mais de 90% das queimadas no Pantanal. Ele também destacou iniciativas como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, a Coalizão de Mercados de Carbono e a realização da COP-30 no Brasil.
O presidente lembrou ainda a importância histórica da convenção sobre espécies migratórias, criada em 1979, que contribuiu para a preservação de quase 1.200 espécies. “Contribuiu para a recuperação da baleia jubarte, da tartaruga-verde, que estavam prestes a desaparecer”, afirmou.
Durante a conferência, o governo brasileiro anunciou medidas ambientais, incluindo a criação de uma nova unidade de conservação em Minas Gerais, com 41 mil hectares, a ampliação do Parque Nacional do Pantanal em mais 47 mil hectares e a expansão da Estação Ecológica de Taiamã para 68 mil hectares.
Lula também defendeu a aprovação do Acordo de Escazú pelo Senado e afirmou esperar que a COP-15 contribua para a criação de um santuário de baleias no Atlântico Sul e de uma área marinha protegida na Antártica.
Banca de jornal com edições da Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, Valor Econômico e outros veículos nacionais e internacionais. Foto: Reprodução
Enquanto bate em Lula, a Folha publica na capa mais um release da assessoria de imprensa da extrema-direita:
“Michelle lança bancada de aliadas para o Senado e trabalha pelo apoio de Bolsonaro e do PL”
Está tudo bem descarado. Todos os dias há uma notícia sobre os bons modos e a vida franciscana do fascismo.
E esta é manchete da Folha:
“Famílias comprometem 29% da renda com dívidas, maior patamar em 20 anos”
A manchete da Folha. Foto: Divulgação
Logo abaixo, a informação que remete para a eleição:
“Números ligam sinal de alerta em bancos e varejistas e podem mexer com percepção do cenário econômico em ano de eleição”.
Aqui está a motivação da pauta: tudo isso mexe com a percepção do cenário em ano de eleição. É a Folha se mexendo.
O engajamento das corporações de mídia ao novo bolsonarismo sem Bolsonaro está em ritmo forte.
E esta é a manchete do Globo, que tenta fragilizar Haddad como ameaça à extrema-direita em São Paulo:
“De ‘austericida’ e ‘Taxad’ a cartada do PT: a virada de Haddad para a pré-candidatura ao governo de São Paulo”.
Manchete d Glogo. Foto: Reprodução
E tem mais esta, em chamada de capa do Estadão:
“Em pré-campanha, Flávio Bolsonaro adota tom leve e mira ‘cansaço’ do eleitor com Lula”.
Tom mais leve… O filho que tem vínculos com os milicianos se consolida pelos jornalões como mais um extremista moderado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou aliados históricos para reforçar sua campanha à reeleição, pedindo a formação de um “gabinete de pronta-resposta” para enfrentar ataques, especialmente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Durante um encontro no Palácio da Alvorada com figuras da velha-guarda petista, Lula destacou que a disputa será difícil e que o governo enfrenta um cenário de baixa aprovação, com pesquisas apontando apenas 32% a 33% de apoio à sua gestão. O PT busca superar a avaliação negativa e enfrentar a resistência popular, apesar dos avanços econômicos como inflação controlada e a menor taxa de desemprego desde 2012. As informações são do Estadão.
Para coordenar a campanha, Lula e o PT reuniram uma equipe de aliados experientes, incluindo Gilberto Carvalho, Aloizio Mercadante e Wellington Dias. A estratégia é reforçar a comunicação política e aumentar o apoio, focando em temas como a crise no INSS e a crescente influência da direita nas redes sociais. Lula também se mostrou preocupado com o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e, como parte da nova tática, o PT passou a associar o nome do senador diretamente a escândalos como a “rachadinha”, além de destacar os perigos do retorno do bolsonarismo ao poder.
Gilberto Carvalho, ex-ministro e membro da campanha, compartilhou preocupações com os desafios da campanha. “Dificilmente um governo consegue a reeleição sem chegar a, pelo menos, 45% de aprovação”, afirmou, questionando como superar a resistência crescente. O ex-ministro ressaltou que o governo deve se concentrar em apresentar os resultados de suas ações, comparando-as com o governo anterior. Para Carvalho, a crítica social e a desconstrução do adversário político são elementos chave para recuperar a confiança do eleitor.
O presidente Lula e o ministro Guilherme Boulos (Secretaria Geral) conversam em cerimônia no Palácio do Planalto. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress
Além disso, Lula e seus aliados discutem estratégias de engajamento com diferentes grupos sociais, incluindo os trabalhadores informais, atualmente influenciados pelo bolsonarismo. Para lidar com essa questão, a campanha contará com Guilherme Boulos, que ficará responsável pela relação com esses grupos, e Mônica Valente, que fará a ponte com as campanhas estaduais. A presença de Paulo Okamotto será fundamental para impulsionar a comunicação digital, com projetos como “Pode Espalhar”, focado em ampliar a divulgação das pautas positivas do governo.
Lula também direcionou críticas ao governo Bolsonaro, associando-o ao escândalo do Banco Master. “Esse Banco Master é ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos (Neto)”, protestou, defendendo que o PT não seja culpabilizado pelo caso. As investigações sobre o banco, que causaram um prejuízo de R$ 50 bilhões, continuam a se expandir, atingindo figuras do Centrão e ministros do STF. O ex-presidente também mencionou as dificuldades de governar com a autonomia do Banco Central, com um foco em reforçar a autonomia da política monetária no novo programa de governo.
Por fim, a campanha de Lula visa formar uma rede de influenciadores digitais para engajar mais jovens e setores da sociedade. A proposta de criar o “Clube de Influência do Time Lula” envolve um esforço coordenado para melhorar a comunicação e garantir a difusão de suas ações políticas nas redes sociais. “Vamos atuar com muita disciplina e organização para explicar e dar mais centralidade ao que o governo está fazendo para melhorar a vida do povo”, afirmou Okamotto.
O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — Foto: Edilson Dantas/Agência O Globo
Cinco meses após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central (BC), o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) permanece em silêncio sobre o escândalo que envolveu a falência da instituição financeira e seus desdobramentos. A ausência de declarações de Flávio Bolsonaro sobre o caso é vista com “estranheza” por aliados, especialmente considerando que o escândalo é um dos maiores episódios de fraude financeira no Brasil. Com informações de Lauro Jardim, do Globo.
Enquanto Bolsonaro se cala, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se posicionado publicamente sobre o escândalo, com um discurso contundente. Na última quinta-feira (19), Lula afirmou que “não deixaremos pedra sob pedra para apurar tudo o que fizeram, dando um rombo de R$ 50 bilhões neste país”. A postura de Lula contrasta com a ausência de comentários de Flávio Bolsonaro sobre o caso, especialmente considerando que o escândalo envolve figuras do governo Bolsonaro e do círculo político de Flávio.
Enquanto isso, o Partido dos Trabalhadores (PT) tem intensificado as críticas a Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em uma resolução publicada recentemente, o PT questiona a omissão de Flávio Bolsonaro sobre o escândalo, destacando a negligência do governo Bolsonaro na supervisão do setor financeiro e sua ligação com Daniel Vorcaro, o banqueiro acusado de fraude. “O banco foi fundado e operou livremente durante o governo Bolsonaro, período em que acumulou fortes indícios de gestão fraudulenta”, afirma o PT.
A resolução do partido também acusa o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, de ter permitido o crescimento do esquema de corrupção, sem realizar intervenções necessárias. No entanto, o PT foca suas críticas diretamente em Flávio Bolsonaro, associando-o ao financiamento eleitoral de sua campanha e ao uso de recursos oriundos do Banco Master: “Flávio Bolsonaro representa a continuidade do mesmo projeto autoritário e antipopular que o Brasil derrotou nas urnas”.
Além da publicação oficial, grupos de WhatsApp ligados ao PT têm propagado vídeos e conteúdos que associam Vorcaro a Flávio Bolsonaro. Uma postagem, por exemplo, traz uma montagem que relaciona o nome de Flávio Bolsonaro com os contatos encontrados na agenda de Vorcaro. “A teia do escândalo BolsoMaster só cresce e todos os caminhos levam ao clã Bolsonaro”, diz o texto compartilhado nos grupos.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução
Em entrevista, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiram que a estratégia de comunicação do governo foi errada ao evitar um confronto direto com Flávio Bolsonaro. Alguns membros do PT acreditam que, ao focar apenas em pautas positivas e evitar embates com Flávio, o governo perdeu tempo e espaço. “Agora seria, portanto, necessário ajustar a rota”, disseram. Para o PT, a relação entre Flávio Bolsonaro e o escândalo do Banco Master precisa ser destacada como um fator crucial para desmantelar a narrativa da direita.
Em paralelo, o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas presidenciais tem gerado um alerta entre governistas, que veem na omissão da sua relação com o escândalo uma falha na comunicação do governo. O PT busca agora reorganizar sua estratégia e manter a pressão sobre Flávio Bolsonaro, utilizando a associação ao Banco Master como uma ferramenta de desgaste político.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) – Reprodução/Instagram
O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) denunciou a tentativa de manipulação de informações pela GloboNews após a emissora exibir um PowerPoint sobre o escândalo do Banco Master, em 20 de março. O quadro, que teve como figura central o banqueiro Daniel Vorcaro, foi criticado por Pimenta por omitir figuras-chave do caso, como Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Roberto Campos Neto e Ibaneis Rocha, enquanto tentava ligar o escândalo à esquerda e ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. “É muito grave o que a Rede Globo fez, o novo PowerPoint”, declarou o deputado.
Nas redes sociais, Pimenta questionou a ausência de personagens importantes na narrativa da GloboNews, como Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Segundo ele, a apresentação ignorou a relação de pessoas e instituições com o escândalo, especialmente a ligação de figuras da direita com o Banco Master. “Não aparece o Bolsonaro, não aparece o Campos Neto, presidente do Banco Central, figura chave do esquema do Bolsomaster”, destacou.
O deputado também fez referência à omissão de outros nomes envolvidos no caso, como Ciro Nogueira (PP-PI), que foi mencionado de forma distorcida, e a falta de transparência sobre a relação entre a Globo e Daniel Vorcaro, que patrocinou eventos da emissora. “Não dá destaque pro fato de que o avião do Vorcaro foi utilizado para que o Nikolas Ferreira percorresse o Brasil fazendo campanha pro Bolsonaro no segundo turno”, apontou, acusando a Globo de proteger seus próprios interesses e aliados políticos.
O Powerpoint da Globo: a palhaçada da Lava Jato 2.0 está completa
A denúncia de Paulo Pimenta evidencia a manipulação de informações pela mídia, com a tentativa de desviar a atenção das verdadeiras conexões do Banco Master com figuras do governo anterior. O caso coloca em discussão a prática da mídia corporativa de distorcer narrativas para proteger suas conexões políticas e financeiras. “Nós queremos que a verdade apareça, porque na medida que a verdade aparecer vai ficar claro que esse filho não é nosso, que o Bolsomaster não é nosso filho, pelo contrário, ele é filho legítimo do Bolsonaro”, afirmou Pimenta.
O escândalo do Banco Master e sua relação com o financiamento de campanhas eleitorais também foi abordado, com o deputado apontando que as campanhas mais financiadas nas últimas eleições foram as de Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. A apresentação da GloboNews foi vista como uma tentativa de ocultar as responsabilidades de figuras da direita no esquema criminoso.
Com o avanço das investigações e a pressão por transparência, Pimenta reforçou a importância de esclarecer os fatos e responsabilizar os verdadeiros envolvidos no caso. “A verdade vai prevalecer”, concluiu, indicando que o movimento para desmascarar a manipulação midiática segue em frente.
Em discurso neste sábado (21), durante a 10ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e do I Fórum Celac-África, em Bogotá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as crescentes intimidações à soberania da América Latina e do Caribe e a retomada da política colonialista por parte dos Estados Unidos (EUA). “Não é possível alguém achar que é dono dos outros países. O que estão fazendo com Cuba agora? O que fizeram com a Venezuela? Isso é democrático?
Ele questionou ainda em que parágrafo e em que artigo da Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) está dito que o presidente de um país pode invadir o outro? “Em que documento do mundo está dito isso? Nem da Bíblia. Não existe nada que permita que isso aconteça. É a utilização da força e do poder para nos colonizar outra vez?”.
O presidente citou como exemplo o caso da Bolívia, que sofre com a pressão dos Estados Unidos para a venda dos minerais críticos, como o lítio, utilizados na confecção de baterias elétricas, essenciais à transição para uma matriz energética baseada em fontes renováveis.
Lula citou o passado de países da América Latina, do Caribe e da África, vítimas do regime colonial que saqueou suas riquezas. “Aqui, neste plenário, todo mundo tem experiência de que o seu país já foi saqueado em tudo que é ouro que tinha, tudo que é prata, que é diamante, tudo que é minério”, disse.
“Ou seja, já levaram quase tudo da Bolívia. Agora que a Bolívia tem minerais críticos, é a chance da Bolívia, da África, da América Latina não aceitar ser apenas exportador de minerais para eles”, acrescentou.
O presidente disse ainda que esses materiais devem ser utilizados para promover o desenvolvimento tecnológico dos países africanos e latinoamericanos, para “dar um salto de qualidade na produção de combustíveis alternativos”.
“Quem quiser que venha se instalar e produzir no país, para que a gente tenha a chance de desenvolvê-lo, nós já fomos colonizados, fizemos luta pela independência, conquistamos democracia, perdemos democracia, agora estão querendo nos colonizar outra vez”, defendeu.
Para ele, é preciso gritar alto e bom som para não permitir que isso aconteça em outros países, o que já aconteceu em Gaza recentemente, por exemplo.
O presidente voltou a criticar a falta de atuação do Conselho de Segurança da ONU para impedir a proliferação de conflitos ao redor do mundo. Ele citou os ataques dos EUA e de Israel ao Irã, o genocídio na Faixa de Gaza, os conflito na Líbia e as guerras no Iraque e na Ucrânia.
“O que estamos assistindo no mundo é a falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas. O Conselho de Segurança da ONU e os seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz. E são eles que estão fazendo as guerras”, afirmou.
Ele defendeu uma tomada de atitude para não permitir que os países mais poderosos se achem donos dos países mais frágeis. “Quando é que a ONU vai convocar uma reunião extraordinária para que a gente decida qual é o papel dos membros do Conselho de Segurança? Por que não se renova? Por que não se colocam mais países representando o Conselho de Segurança da ONU?, perguntou.
Lula também criticou o investimento cada vez maior em armamentos, em contraste com os recursos destinados ao combate à fome.
“É importante que a gente não perca de vista que, enquanto se gastou no ano passado US$ 2,7 trilhões em armas e guerras, nós ainda temos 630 milhões de pessoas passando fome. Ainda temos milhões de seres humanos sem energia elétrica. E ainda temos milhões de seres humanos sem acesso à educação e outros milhões e milhões de mulheres e crianças que são resultado dessas guerras fratricidas e que ficam abandonados sem documento, sem residência, sem ter sequer uma pátria onde morar”, lamentou.
Além de Lula, participam da cúpula da Celac o presidente colombiano, Gustavo Petro, o uruguaio Yamandú Orsi e o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves. Vinte chanceleres também marcam presença.
Presidente Gustavo Petro no fórum CELAC-África. Foto: Divulgação
Ao falar da cooperação entre os países africanos, da América Latina e do Caribe, o presidente disse que o multilateralismo traz oportunidades de cooperação, investimento e comércio.
“Ainda somos penalizados por uma ordem desigual, estabelecida, enquanto o colonialismo e o apartheid prevaleciam em muitas partes do mundo. Não faz sentido que a América Latina e a África não tenham representação adequada no Conselho de Segurança da ONU”, afirmou. “Precisamos manter o Atlântico Sul livre de disputas geopolíticas alheias”.
Juntos, os 55 países da União africana e os 33 países da Celac reúnem cerca de 2,2 bilhões de pessoas. Lula destacou que os países devem incrementar os esforços no combate à fome, enfrentamento às mudanças do clima, na preservação do meio ambiente, transição energética, inteligência artificial, entre outros e que essa é a guerra a ser vencida.
“Essa é a guerra que temos que fazer para acabar com a fome na África, na América Latina, acabar com o analfabetismo, acabar com a falta de energia elétrica”, afirmou.
Quando passei pela sala e vi rapidamente a tela da TV, me pareceu um programa de algum culto pentecostal que resolveu fazer o seu jornalzinho rápido para atacar o Lula. Mandaram alguém pegar uma cartolina cor da pele, colar algumas fotos e fazer linhas associando alhos com bugalhos, pão de queijo com fuzil, brincadeira de criança com tornozeleira eletrônica.
No meio, a foto com cara de rico de Vorcaro, bem debaixo dele a estrela do PT, como se ele fosse um petista, acima deles Lula, como se fosse o chefe de tudo. Numa órbita bem distante do centro, estavam Ciro Nogueira, Nikolas Ferreira, Antonio Rueda, João Doria, Hugo Motta e Davi Alcolumbre.
Acredito que a editoria que mandou fazer essa cartolina esqueceu vários nomes principais dessa história. Por exemplo, Roberto Campos Neto, o ex-presidente do Banco Central, foi na época dele que tudo começou; Tarcísio de Freitas, que recebeu 2 milhões de reais de Vorcaro; Jair Bolsonaro, que recebeu 3 milhões de reais de Vorcaro; Ibaneis Rocha, governador de Brasília, que quis comprar o Banco Master através do Banco de Brasília para salvar Vorcaro; Claudio Castro, governador do Rio, que investiu bilhões do fundo de previdência dos funcionários públicos do Rio em papéis podres do Master.
Talvez se isso tivesse sido exibido por uma TV rodoviária de alguma cidade pequena do interior, seria uma grande mentira, mas não um grande problema. Ser exibido pela emissora que um dia teve orgulho de dizer que tinha um padrão de qualidade é jogar na nossa cara, telespectadores, a falta de respeito que têm por nós. Esse episódio aceita vários nomes, menos o de jornalismo.
Dia da vergonha na Gnews. Os tios dos churrascos e as tias do zap também sabem fazer jornalismo desse jeito.
Silvio Almeida, ex-ministro dos Direitos Humanos. Foto: reprodução
A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, ao Supremo Tribunal Federal (STF) sob acusação de importunação sexual contra a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. A denúncia foi apresentada em 4 de março e é assinada pelo procurador-geral Paulo Gonet. O caso tramita sob sigilo e está sob relatoria do ministro André Mendonça.
Na peça enviada à Corte, a PGR afirma que há elementos que corroboram o relato da ministra. Entre os depoimentos citados está o do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que participou de uma reunião em maio de 2023 na sede do Ministério da Igualdade Racial. Segundo o documento obtido pela Folha, o relato dele está em consonância com o que foi descrito por Anielle.
De acordo com a denúncia, Andrei afirmou ter percebido a ministra abalada após o encontro, chegando a ouvir comentários como “não aguentar mais”.
Embora não tenha citado diretamente o nome de Silvio Almeida naquele momento, Anielle teria deixado a reunião visivelmente desconfortável. A corregedora-geral da Polícia Federal, Aletea Vega Marona Kunde, também esteve presente e prestou depoimento semelhante, além de relatos de amigas com quem a ministra conversou à época.
O indiciamento de Almeida pela Polícia Federal ocorreu em novembro do ano passado e incluiu suspeitas envolvendo Anielle Franco e a professora Isabel Rodrigues. No entanto, a denúncia da PGR trata apenas do caso envolvendo a ministra, já que o outro episódio foi encaminhado à primeira instância por ter ocorrido antes de Almeida assumir o cargo.
Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Segundo a investigação, há ainda situações em que a prescrição foi reconhecida, impedindo eventual punição devido ao tempo decorrido desde os fatos. Somadas, as penas podem chegar a dez anos de prisão, caso haja condenação.
Em depoimento à Polícia Federal, Anielle relatou que as “abordagens inadequadas” evoluíram para episódios de contato físico. Em entrevista, afirmou que houve “atitudes inconvenientes”, incluindo toques e convites impertinentes, mas que evitou denunciar inicialmente por receio de descrédito e julgamentos.
A defesa de Silvio Almeida sustenta que as acusações não têm materialidade e são baseadas em ilações. O ex-ministro nega as acusações. “Dou aula há 20 anos. Tive, aproximadamente, 40 mil alunos. Metade disso são mulheres. Em todas as universidades que passei, isso está dito de maneira oficial, nunca tive nenhum tipo de acusação.” Ele também afirmou: “Não fiz isso. Não sei por que as pessoas mentem. E quem mente tem responsabilidade.”
Em outro momento, declarou que Anielle teria “se perdido no personagem” e negou qualquer conduta inadequada durante reuniões. Após as denúncias, publicou mensagem nas redes sociais: “Estou vivo, continuo indignado e não quero compaixão nem ‘segunda chance’. Eu quero justiça.”
O caso levou à demissão de Silvio Almeida do governo Lula em setembro de 2024. Na ocasião, o presidente considerou “insustentável” a permanência do ministro diante da gravidade das acusações. Atualmente, o Ministério dos Direitos Humanos é comandado por Macaé Evaristo.
Lula com Lúcia Aparecida, mãe de Tainara Souza Santos. Imagem: reprodução
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu, na última quinta-feira (19), em São Paulo, com Lúcia Aparecida, mãe de Tainara Souza Santos, de 31 anos, vítima de feminicídio na capital paulista. O encontro ocorreu durante a 17ª Caravana Federativa, no Expo Center Norte, e contou com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes.
Tainara foi atropelada e arrastada por mais de 1 km pelo ex-companheiro, Douglas Alves da Silva, de 26 anos, em 29 de novembro. Ela ficou internada por quase um mês no Hospital das Clínicas, chegou a ter as duas pernas amputadas e morreu em decorrência de falência múltipla dos órgãos. O suspeito foi preso dias após o crime.
Douglas Alves da Silva, o suspeito de ter arrastado Tainara na Marginal Tietê.
A reunião aconteceu após discurso de Lula sobre o combate à violência contra a mulher, no qual o presidente fez um apelo por mudanças culturais e maior mobilização da sociedade contra o feminicídio. O caso gerou comoção e mobilizou atos públicos na capital paulista.
Em homenagem à vítima, foi inaugurado um mural de mais de 140 metros no Parque Novo Mundo, local onde o crime ocorreu. A obra foi feita por mais de 35 grafiteiras e reuniu movimentos sociais, moradores e autoridades, incluindo as ministras Marina Silva e Sonia Guajajara.
Durante o ato, a mãe de Tainara relatou a violência sofrida pela filha: “Foi atropelada, arrastada, presa embaixo de um carro, parecendo um saco de lixo”. Autoridades reforçaram a necessidade de combater o feminicídio, destacando que cerca de 1.500 mulheres são assassinadas por ano no Brasil.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita às instalações da Regap, no Distrito Industrial Paulo Camilo Sul. Betim – Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (20), em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, que o governo federal pretende recomprar a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, privatizada em 2021 durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). A declaração foi feita durante agenda na Refinaria Gabriel Passos (Regap), onde também foi anunciado um pacote de R$ 9 bilhões em investimentos da Petrobras.
Durante o evento, Lula disse que a gestão federal pretende retomar o controle da unidade baiana, vendida por US$ 1,65 bilhão. “Nós fazemos as coisas que precisam ser feitas. Eles venderam a refinaria da Bahia, nós vamos comprar a refinaria da Bahia, pode demorar um pouco, mas nós vamos comprar”, declarou o presidente. Segundo ele, a medida integra a estratégia de ampliar a capacidade de refino no país e reduzir a dependência de derivados importados.
A RLAM é uma das principais unidades do sistema de refino nacional e atende parcela relevante do mercado do Nordeste. No mesmo discurso, Lula também afirmou que o governo pretende ampliar as pesquisas em reservas de petróleo. Ao comentar a política energética da gestão anterior, disse que o atual governo seguirá investindo em produção interna e em medidas consideradas estratégicas para o abastecimento nacional.
Diesel R. Um combustível com conteúdo renovável, como o óleo de soja, que está sendo produzido na refinaria da Petrobras em Betim (MG). Além de reduzir o impacto ambiental, ele beneficia cooperativas de catadores, gerando emprego e renda para as famílias que trabalham com a… pic.twitter.com/C07DNTLx2V
Lula ainda anunciou que a Petrobras deverá criar uma política de estoques de combustíveis, ao lado da presidente da estatal, Magda Chambriard. A proposta, segundo ele, tem como objetivo permitir resposta em momentos de crise e de pressão internacional sobre os preços. O presidente afirmou que a medida exige tempo e tem custo elevado, mas será tratada como ponto estratégico para o país.
Ao defender a formação de estoques, Lula relacionou a iniciativa ao cenário internacional e às oscilações do mercado de energia. “Isso não é rápido, leva tempo. Mas é estratégico que a Petrobras e o governo precisam pensar, para não ser vítima do que está acontecendo hoje”, afirmou. Em seguida, acrescentou que o Brasil precisa ter instrumentos para reagir a movimentos especulativos e conter impactos no preço dos combustíveis.
Nikolas Ferreira, atraído para uma armadilha, andou por nove dias num jatinho de Vorcaro, em campanha por Bolsonaro na eleição de 2022. Lulinha guarda um de seus jatos, todos dourados, no hangar desse avião de Vorcaro usado por Nikolas. Deve ter visto Nikolas voando de um lado pra outro e não o alertou: aquele avião é de um mafioso.
Dois diretores do Banco Central trabalhavam para o Master, ao lado do gabinete de Roberto Campos no governo Bolsonaro. Eram infiltrados a serviço de Daniel Vorcaro, que abasteciam com informações de decisões tomadas dentro do BC.
Lulinha, que vivia tomando cafezinho e chá de hibisco com Campos Neto e diretores do BC de Bolsonaro, sabia ou deveria saber e não alertou nem Campos Neto, nem Bolsonaro, nem Malu Gaspar.
Bianca Medeiros, cunhada de Hugo Motta, pegou um empréstimo de R$ 22 milhões no Banco Master e comprou um terreno em João Pessoa, não para construir uma casa, mas um bairro.
Lulinha não fez nada para impedir que Bianca entrasse nessa fria, sabendo que no BRB ela poderia pegar o mesmo empréstimo pela metade dos juros e aplicar parte do recebido no Master em CDBs com rendimento de bitcoin de Javier Milei.
Ciro Nogueira confiou em dois deputados que pagavam suas contas do cartão de crédito, Átila Lira e Júlio Arcoverde, do PP do Piauí. Ciro descobriu agora, estupefato, por informação do Coaf, que os dois podem ter usado dinheiro de lavagem do PCC com uma fintech da Faria Lima.
Lulinha vive dando banda na Faria Lima, com sua pasta 007, e não sabia de nada? Não poderia ter alertado Ciro Nogueira de que o dinheiro poderia ser da lavanderia das fintechs investigadas pela Polícia Federal e das quais ninguém mais fala?
Bolsonaro e Tarcísio de Freitas receberam dinheiro de Vorcaro, na eleição de 2022, sendo R$ 3 milhões para o chefão e R$ 2 milhões para o extremista moderado, e ninguém disse: peraí que esse cara vai meter muita gente num rolo sem fim.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Reprodução
Lulinha poderia ter dito, porque é impossível que Valdemar Costa Neto não tenha dito a Lulinha o que disse em entrevistas, que os R$ 3 milhões foram depositados na conta de Bolsonaro, e não do PL, na campanha.
Há omissões de Lulinha em todas as áreas. O senador Carlos Viana, do Podemos, presidente da CPMI do INSS, destinou R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares para a Fundação Oasis, da Igreja Batista da Lagoinha, do pastor André Valadão. Lulinha, frequentador da Lagoinha e dos lagões da extrema direita religiosa, não sabia, ou sabia e induziu Viana a fazer a doação?
A Polícia Federal acusa a deputada bolsonarista cearense Gorete Pereira, que saiu do PL para o MDB, de ter comprado um apartamento de R$ 4 milhões com dinheiro desviado do INSS usando empresas de fachada.
Lulinha vai dizer que não conhece Gorete, frequentadora das praias de Jijoca de Jericoacoara, onde ele tem no portão da sua mansão um par de esculturas de leões em ouro maciço e no jardim uma cabra de prata 950?
O deputado Sóstenes Cavalcante vendeu um imóvel e recebeu o pagamento em dinheiro vivo e foi flagrado com os R$ 470 mil em casa. Porque Lulinha, amigo de um primo de um tio de Sóstenes, não o aconselhou a guardar o dinheiro no Master ou no BRB?
A deputada Julia Zanata, do PL de Santa Catarina, está chorosa porque um projeto que tramita no Congresso pode impedir a compra de imóveis com dinheiro vivo.
Lulinha, que movimenta milhões, segundo o Globo, comete o erro de lidar com bancos, quando poderia guardar todo o dinheiro vivo em casas compradas com dinheiro vivo. O que é mais seguro e garantido.
Julia sabe o problemão que será criado com a proibição, mas que não terá o apoio dos que preferem os bancos. O que fazer com a dinheirama que as pessoas têm em casa em Santa Catarina para comprar casinhas?
É interminável a lista de pessoas que poderiam ter sido alertadas por Lulinha. Mas ele se calou e foi omisso. Pode ser processado por omissão de socorro a Campos Neto, Bolsonaro, Tarcísio, ACM Neto, Ibaneis, Rueda, Alcolumbre, Sóstenes, Nikolas, Hugo Motta, Ciro Nogueira, Valdemar Costa Neto – todos vítimas de estelionatários ao lado do Valor Econômico e da Globo, ingenuamente patrocinados por Vorcaro em evento de líderes mundiais em Nova York.
Lulinha deveria ter avisado Campos Neto para que evitasse receber Vorcaro em visitas ao Banco Central. Mas Vorcaro foi uma, duas, três, quatro, cinco, seis, foi ou mandou emissários 24 vezes ao Banco Central durante a gestão de Campos Neto.
A frequência de Vorcaro no Banco Central é maior do que a de Carluxo nas sessões da Câmara de Vereadores do Rio. E Lulinha sempre quieto. É um danado esse Lulinha.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antecipou o pagamento do 13º salário para aposentados, pensionistas e demais beneficiários do INSS em 2026. O decreto foi publicado na quinta-feira (19) em edição extra do Diário Oficial da União e prevê o repasse do abono anual em duas parcelas, com impacto direto na renda de milhões de brasileiros e na economia do país.
A medida contempla segurados e dependentes que receberam, ao longo do ano, benefícios como aposentadoria, pensão por morte, auxílio por incapacidade temporária, auxílio-acidente, salário-maternidade ou auxílio-reclusão. Ao todo, cerca de 35,2 milhões de benefícios terão o 13º antecipado, conforme o Decreto nº 12.884.
O pagamento será feito em duas etapas. A primeira parcela, equivalente a 50% do valor do benefício, será depositada junto ao pagamento de abril, entre os dias 24 de abril e 8 de maio. Já a segunda parcela, correspondente ao restante do abono, será paga entre 25 de maio e 8 de junho. O calendário segue o número final do cartão de benefício, desconsiderando o dígito verificador.
De acordo com o Ministério da Previdência Social, a antecipação vai injetar cerca de R$ 78,2 bilhões na economia brasileira, sendo aproximadamente R$ 39 bilhões em cada parcela. O objetivo, segundo a pasta, é reforçar a renda dos beneficiários e estimular o consumo nos municípios.
Aplicativo do INSS. Foto: reprodução
O decreto também estabelece regras para casos em que o benefício seja encerrado antes do fim do ano. Nessa hipótese, o valor do 13º será calculado proporcionalmente ao período em que o segurado recebeu o benefício. O texto ainda prevê ajuste de contas caso haja diferença entre o valor antecipado e o efetivamente devido.
Dados da folha de pagamento indicam que a maioria dos beneficiários do INSS recebe até um salário mínimo. São cerca de 23,3 milhões de benefícios nessa faixa, o que representa 66,2% do total. Outros 11,9 milhões recebem acima do piso nacional, incluindo cerca de 13,7 mil que atingem o teto da Previdência, atualmente em R$ 8.475,55.
Por outro lado, nem todos os beneficiários terão direito ao 13º. Ficam de fora os que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), destinado a idosos com mais de 65 anos e pessoas com deficiência de baixa renda, além dos beneficiários de Renda Mensal Vitalícia.
Tradicionalmente pago no segundo semestre, entre agosto e novembro, o abono anual foi antecipado neste ano como medida excepcional. A iniciativa alcança todos os estados e deve ter efeito relevante na economia local, especialmente em cidades que dependem fortemente da renda previdenciária.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (19) que a oposição tenta “empurrar” o escândalo do Banco Master para o Partido dos Trabalhadores, mas atribuiu a origem do caso ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. A declaração foi feita em São Bernardo do Campo, durante evento que oficializou a pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo.
Ao comentar o cenário político, Lula criticou o nível dos debates e disse que há uma “promiscuidade generalizada” na política brasileira. O presidente citou tanto o caso do Banco Master quanto irregularidades no INSS como exemplos e defendeu que o governo atual foi responsável por revelar problemas.
“Quem descobriu toda a roubalheira na Previdência Social foi o nosso governo, foi a Controladoria Geral da União (CGU) e a Polícia Federal (PF). Eu era favorável a que o PT abrisse uma CPI. Mas aí eu pensava que o partido que está no governo não deveria abrir a CPI. Eles [oposição] abriram. Em vez de a gente estar indo para cima deles, eles estão indo para cima de nós, tá? (24:07) Então, é importante saber que, quando na política a gente vacila, a gente paga um preço muito alto. Esse Banco Master, vira e mexe, eles estão tentando empurrar nas costas do PT e do governo. Esse Banco Master é obra, é o ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos, ex-presidente do Banco Central”, afirmou.
Lula também relembrou que a transferência do Banco Master para o controle de Daniel Vorcaro foi autorizada em 2019, durante a gestão de Campos Neto no Banco Central. Segundo o presidente, é preciso atenção para evitar que a oposição associe o governo atual ao escândalo. Ele defendeu ainda uma postura mais firme da bancada petista diante das críticas.
“A bancada do PT tem que ter coragem de denunciar. A gente não pode se calar, temos que abrir a boca e ir para o enfrentamento. Não tem aquele negócio de Lulinha paz e amor. Também não quero ser o Lulinha paz e ódio. Eu quero ser Lulinha paz e amor, mas com amor mais duro, mais responsável, para não deixar nego [sic] colocar uma cagada no nosso pescoço”.
O evento também marcou a oficialização da pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo paulista. O anúncio foi feito por dirigentes do PT e contou com a presença de ministros do governo. “O Fernando é o objetivo da nossa vinda aqui no sindicato, por conta da missão que ele vai assumir no nosso projeto aqui para frente (em São Paulo)”, afirmou Edinho Silva.
Mais cedo, Haddad já havia comunicado sua saída do Ministério da Fazenda. “Hoje pra mim é um dia especial, um dia que estou deixando o Ministério da Fazenda”, declarou. Lula confirmou que o atual secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, assumirá o comando do ministério a partir desta sexta-feira (20).
Integrantes do governo federal avaliam a possibilidade de o banqueiro Daniel Vorcaro firmar um acordo de delação premiada no caso Banco Master e envolver nomes do Executivo. Nos bastidores, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) consideram que o empresário pode adotar uma estratégia agressiva, já que, na visão de interlocutores, ele não teria mais nada a perder e poderia ampliar o alcance político das investigações, ampliando ao máximo o número de investigados.
Vorcaro foi transferido na última quinta-feira (19) de um presídio federal no Distrito Federal para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
A mudança ocorreu após a assinatura de um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR), etapa inicial para um possível acordo de colaboração premiada. De acordo com informações do Globo, a movimentação elevou o estado de alerta dentro do governo, que monitora os desdobramentos do caso.
Auxiliares do Planalto também questionam a necessidade de uma eventual delação. Segundo esse grupo, a Polícia Federal já possui acesso a dados bancários e conteúdos de aparelhos celulares do banqueiro, o que, na avaliação interna, seria suficiente para sustentar as investigações sem depender do depoimento do próprio investigado.
Desse modo, o olhar da PF ficaria sobre os políticos do centrão e da direita, como, por exemplo, os presidentes do PP, Ciro Nogueira, do União Brasil, Antônio Rueda, e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que tinha o contato salvo no celular de Vorcaro e usou um avião do banqueiro em diversas oportunidades. Nas redes sociais, apoiadores chegaram a apelidar o caso de “Bolsomaster”.
Nikolas Ferreira durante viagem em avião de Vorcaro. Foto: reprodução
No caso de Ciro Nogueira, documentos obtidos pela imprensa mostram que o senador aparece em mensagens atribuídas a Vorcaro como “um dos meus grandes amigos de vida”. Os registros também indicam encontros entre os dois e citam uma reunião na casa do banqueiro com a participação de Hugo Motta.
Antônio Rueda, presidente do União Brasil, também aparece em documentos ligados à apuração. Um e-mail incluído na quebra de sigilo de Vorcaro registra a reserva de um voo de helicóptero com o nome de “Antonio Rueda e 07 convidados”, em deslocamento entre Interlagos e Congonhas.
Já Nikolas Ferreira entrou no radar por causa do uso de uma aeronave ligada a Vorcaro durante a campanha do segundo turno de 2022. Segundo reportagens sobre o conteúdo dos registros apreendidos, o deputado do PL utilizou o avião em deslocamentos de apoio à campanha de Jair Bolsonaro, passando por capitais do Nordeste e cidades do interior de Minas Gerais.
Alckmin e Lula em evento na UFABC nesta quinta. Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (19) que a vaga de vice em sua chapa está “aberta” ao atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), mas indicou que o aliado pode avaliar uma candidatura ao Senado por São Paulo. A declaração foi feita durante evento que marcou a pré-candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo paulista, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo.
Ao comentar o futuro político de seu companheiro de chapa em 2022, Lula revelou conversas recentes e destacou a relação de confiança entre os dois. “Conversei com o Alckmin essa semana. ‘O que você quer ser?’ Pedi para ele conversar com o Haddad. Ficarei imensamente feliz em ter ele como vice outra vez. É um companheiro que aprendi a gostar, é de muita lealdade, só me ajuda. Mas tem que conversar com o Haddad para saber onde a gente pode colher mais frutos dele. Se ser candidato ao Senado não ajuda mais. Eles não têm senador para disputar conosco”.
Lula reforçou que a definição dependerá de articulações políticas em São Paulo, especialmente com Haddad. “Se ele for meu vice, estou tranquilo, mas o Haddad precisa de uma chapa para ganhar. E eles não tem candidato para ganhar da gente. Não sei se o Geraldo vai ser candidato ao Senado. A vaga de vice está aberta para ele”, afirmou.
No mesmo evento, Alckmin sinalizou apoio à candidatura de Haddad e prometeu participação ativa na campanha. “Escrevam aí: o Haddad vai ganhar essa eleição. E conte conosco, Haddad, pra gente percorrer a geografia de São Paulo, desde o litoral até as barrancas do Rio Paraná; desde o Rio Grande até o Rio Paranapiacaba. Ouvindo o povo, as críticas , sugestões, propostas, porque o Haddad vai apresentar a melhor plataforma, o melhor programa pra gente sair dessa inércia de São Paulo para um grande projeto de desenvolvimento, humanista, com alma, com sentimento, em benefício da nossa população”.
Fernando Haddad, por sua vez, confirmou a pré-candidatura ao Palácio dos Bandeirantes e afastou a ideia de que disputaria apenas para cumprir papel político. “Quando vejo dizerem que o Haddad está indo para o sacrifício, é porque essa pessoa nunca tomou um chope comigo”, afirmou. Em seguida, completou: “Eu disputo a eleição para ganhar”.
Lula, presidente do Brasil. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assina nesta terça-feira (17), no Palácio do Planalto, um conjunto de decretos que regulamenta o chamado ECA Digital, com regras voltadas à proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual.
Entre as medidas previstas, está a proibição de acesso de menores de 18 anos a conteúdos relacionados a armas, jogos de apostas ilegais e plataformas que utilizam sistemas de recompensa. As normas buscam estabelecer limites para o consumo de conteúdos considerados sensíveis na internet.
O secretário Nacional de Direitos Digitais, Victor Fernandes, afirmou que os decretos têm como objetivo dar efetividade às regras já previstas na legislação. “Esses três decretos vão conferir operacionalidade e mais eficácia ainda para as regras que estão previstas no ECA Digital. É uma sinalização clara do nosso governo federal de que não haverá interstício, não haverá intervalo, não haverá zona cinzenta. Amanhã começa e é para valer”, disse.
Criança assiste a desenho animado no celular. Foto: Reprodução
Parte das regras ainda dependerá de regulamentação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), responsável por definir detalhes técnicos, incluindo os mecanismos de verificação de idade nas plataformas digitais. A implementação será feita de forma escalonada, com prazos a serem apresentados pela agência.
O presidente da ANPD, Waldemar Gonçalves Ortunho Júnior, afirmou que diferentes métodos poderão ser utilizados na verificação etária, desde que não violem a privacidade dos usuários. “Desde a publicação [da lei] em setembro, já desenhamos algumas medidas. Elencamos 37 empresas que têm mais atuação em produtos ou serviços ofertados a crianças e adolescentes. É um monitoramento onde abrimos um diálogo para saber o que essas empresas estão fazendo para atender ao ECA digital. É um processo muito importante, o diálogo”, declarou.
Os decretos também preveem a criação do Centro Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente, sob responsabilidade da Polícia Federal. A estrutura será responsável por receber denúncias de crimes envolvendo menores na internet, com obrigação das plataformas de comunicar conteúdos suspeitos. “Isso é fundamental porque não existe um dever claro de as empresas reportarem esses crimes para a polícia. Hoje, esse momento de notificação, de compartilhamento das informações é feito via cooperação internacional voluntária. Isso acaba amanhã”, afirmou Fernandes.
O deputado federal Lindbergh Farias. Foto: Gabriel Paiva
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) usou as redes sociais nesta segunda-feira (16) para criticar o Estadão que, em um editorial, sugeriu um suposto canaço dos brasileiros em relação ao presidente Lula (PT). O parlamentar apontou que o jornal da “escolha muito difícil”, entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PL) em 2018, tenta falsamente equiparar o governo atual, com recordes de emprego e benefícios sociais, à família Bolsonaro, cercada por escândalos criminais.
Lindbergh defende ainda que Lula representa avanços, direitos e esperança para o povo, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) simboliza retrocesso, privilégios e alinhamento com interesses das elites. Leia a publicação de Lindbergh na íntegra:
Em editorial feito por IA, o Estadão tenta vender a tese de que o Brasil estaria “cansado de Lula”. Na prática, é a velha operação da falsa equivalência para transformar em “escolha muito difícil” a disputa entre um governo que entregou a menor taxa anual de desemprego da série histórica, de 5,6% em 2025, inflação de 3,81% em 12 meses até fevereiro de 2026 e isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, vigente desde janeiro de 2026, e a família Bolsonaro cercada por denúncias de rachadinha, roubo de joias, matadores de aluguel, milícias e vínculos com facções criminosas.
A comparação real não é entre dois estilos de governo. Lula é o novo que tira milhões da miséria, gera emprego, amplia renda, reduz imposto para quem trabalha, valoriza o salário mínimo e recoloca o povo no centro das prioridades nacionais. Flávio Bolsonaro é o velho que propõe a retirada de direitos, do receituário neoliberal embalado como modernidade, da fila do osso, do ataque à aposentadoria, das ameaças a férias, 13º salário e proteção trabalhista, sempre em favor dos mesmos privilégios do andar de cima.
De um lado, um projeto que apoia o debate sobre o fim da escala 6×1, proteger as mulheres contra o feminicídio, combater o crime organizado e busca construir um país mais justo com saúde, educação e emprego. Do outro, escândalos, compra de imóveis com dinheiro vivo, defesa da violência, sabotagem da economia nacional e submissão a interesses externos.
O Brasil real sabe reconhecer quem melhora a vida do povo. Lula representa emprego, renda, democracia, direitos e esperança. Representa a ideia de um país mais justo, que enfrenta desigualdades, ataca privilégios e não aceita que o destino do povo seja o sofrimento imposto pelos poderosos de sempre. É por isso que Lula segue tão forte, porque encarna os sonhos e o futuro, enquanto seus adversários representam apenas os fantasmas do passado que o Brasil já rejeitou.
Em editorial feito por IA, o Estadão tenta vender a tese de que o Brasil estaria “cansado de Lula”. Na prática, é a velha operação da falsa equivalência para transformar em “escolha muito difícil” a disputa entre um governo que entregou a menor taxa anual de desemprego da série…
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, fez duras críticas a um editorial publicado neste domingo (15) pela Folha. No texto, o jornal aborda o que classifica como combate à corrupção no governo do presidente Lula.
Gleisi acusou a publicação de distorcer os fatos ao tratar das investigações envolvendo fraudes contra aposentados e irregularidades no caso Master. Afirmou que a Folha apresentou uma versão equivocada dos eventos.
A ministra destacou que as investigações, que ganharam visibilidade recentemente, não foram frutos de pressões políticas ou de reportagens do jornal, mas sim de ações coordenadas por instituições responsáveis pela fiscalização, como a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU). Ela também mencionou a participação do Banco Central em um dos casos investigados, enfatizando a atuação conjunta das instituições públicas.
“Editorial na capa da @folha corrompe a realidade ao tratar do combate à corrupção no governo do presidente @LulaOficial. Quem ‘rompeu o silêncio’ sobre o roubo dos aposentados e as fraudes no Master foi a ação conjunta da Polícia Federal com a CGU no primeiro caso, e o Banco Central, no segundo”, escreveu a ministra.
Ela também afirmou que o jornal ignora o papel essencial das instituições responsáveis pela apuração desses episódios. E reiterou que os escândalos investigados têm origem em períodos anteriores à atual gestão, ou seja, tudo começou durante o governo de Jair Bolsonaro.
Editorial na capa da @folha corrompe a realidade ao tratar do combate à corrupção no governo do presidente @LulaOficial. Quem “rompeu o silêncio” sobre o roubo dos aposentados e as fraudes no Master foi a ação conjunta da Polícia Federal com a CGU no primeiro caso, e o Banco…
Gleisi argumentou que os problemas relacionados às fraudes contra aposentados e ao caso Master não foram identificados pelo jornal no momento em que ocorreram. “Ambos os escândalos, que nasceram e se desenvolveram durante o governo Bolsonaro, nunca foram percebidos pelo jornal antes da ação das autoridades responsáveis neste governo”, afirmou.
Segundo a ministra, as investigações seguem os procedimentos legais estabelecidos, sempre com a supervisão do Poder Judiciário, como determina a lei. Gleisi ressaltou que as apurações estão sendo conduzidas sem qualquer interferência política, conforme a orientação do presidente Lula. “Importante frisar também que as investigações policiais ocorrem sob a supervisão do Judiciário, como a lei exige, sem qualquer interferência política por parte do governo, uma postura sempre orientada pelo presidente Lula”, disse.
Ela também abordou o papel da imprensa no sistema democrático, destacando a importância da liberdade de atuação dos veículos de comunicação. No entanto, criticou a Folha de S.Paulo por, em sua visão, interpretar de forma equivocada o cenário político. “A imprensa cumpre seu papel na democracia, que foi ameaçada pelo governo anterior, não por este, caso a Folha tenha se esquecido da história recente do país”, completou a ministra.
Brasil aposta em mísseis nacionais para reforçar defesa e ampliar alcance estratégico, enquanto destino do projeto depende da retomada da Avibras. (Imagem: Reprodução/Avibras)
O Exército brasileiro realizou um investimento de R$ 1,27 bilhão durante o governo Lula para aquisição de mísseis anticarro e blindados anfíbios, conforme dados obtidos pela Folha de S. Paulo via Lei de Acesso à Informação. O objetivo declarado é preparar as forças terrestres para “ameaças contemporâneas e futuras”, em um contexto de crescente instabilidade geopolítica internacional.
As compras incluíram 220 mísseis anticarro em 2025, ao custo de R$ 153,8 milhões. O lote é composto por 100 mísseis Javelin FGM-148F, adquiridos junto ao governo dos Estados Unidos, e 120 mísseis 1.2 AC Max, fabricados no Brasil pela empresa SIATT, em São José dos Campos (SP). O míssil nacional utiliza um sistema de guiagem a laser e representa uma conquista tecnológica que remonta a um programa de desenvolvimento iniciado ainda na década de 1980.
O contexto de defasagem do Exército nessa área ajudou a impulsionar o programa. Antes dessa aquisição, especialistas apontavam que o Brasil estava atrás de vizinhos sul-americanos em capacidade anticarro, com armamentos de alcance muito inferior aos tanques argentinos, chilenos e peruanos. A crise envolvendo a Venezuela e a Guiana, no fim de 2023, atuou como gatilho decisivo: a possibilidade de tropas de Nicolás Maduro invadirem o território guianês cruzando a fronteira brasileira levou à mobilização de tropas para Roraima e acelerou a percepção da necessidade de modernização .
O Exército justificou oficialmente os gastos citando lições aprendidas em conflitos atuais. Segundo a Força, a guerra na Ucrânia demonstrou a eficácia de sistemas portáteis anticarro para neutralizar colunas blindadas, enquanto os combates na Palestina mostraram sua importância em cenários urbanos e assimétricos contra forças tecnicamente superiores.
VBTP Guarani 6×6 (Foto: Andre Gustavo Stumpf Filho)
Paralelamente, o Brasil adquiriu 163 viaturas blindadas entre 2023 e 2026, com investimento de R$ 1,12 bilhão. A maioria é do modelo VBTP Guarani 6×6, fabricado pela IDV Brasil em Sete Lagoas (MG). Com capacidade anfíbia, o veículo pesa 18 toneladas, atinge 110 km/h e tem autonomia de 600 km, podendo operar em rios e terrenos irregulares. O contrato de longo prazo prevê a fabricação de centenas de unidades até 2040, num total de R$ 7,5 bilhões.
O cenário geopolítico, no entanto, sofreu uma reviravolta radical no início de 2026, com a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos em Caracas. Diante da intervenção sem precedentes na América do Sul, o governo Lula passou a manifestar preocupação com as vulnerabilidades brasileiras. “Se a gente não se preparar em questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente”, alertou o presidente durante encontro com o presidente da África do Sul. A nova ordem internacional, marcada por ações unilaterais de potências, reposicionou o debate sobre soberania e defesa nacional.
O Exército mantém sigilo sobre a localização exata dos novos armamentos, alegando risco à segurança nacional. Sabe-se, porém, que parte dos equipamentos foi destinada a Roraima, Osasco (SP), Paraná e Rio de Janeiro. O programa de modernização reflete uma mudança de paradigma: em um mundo mais instável, até países tradicionalmente pacíficos como o Brasil precisam repensar sua capacidade de dissuasão e proteção territorial.
Bolsonaro será protagonista da eleição, onde estiver, ainda vivo, na cadeia ou em casa, ou já morto e cremado. A velha direita, a Globo e as esquerdas não conseguiram se livrar do chefe da organização criminosa.
É incômodo para todos. Nunca um doente preso teve tanta influência nos destinos do país. Se ressuscitar amanhã e andar, Bolsonaro será um super-Deus da extrema direita.
Se ficar penando em casa, será visto como o líder que se submete ao flagelo de continuar vivo para salvar seu povo. Se morrer, será martirizado e a eleição pode virar uma nova confusão.
E aí se apresenta a dúvida que consome Alexandre de Moraes, o fascismo, o governo, Lula e a direita antiga: como lidar com Bolsonaro agora, se ele é mais do que um estorvo?
O filho Flávio fez um alerta inspirado nos gestos dos grandes humanistas: “Estão brincando com a vida do meu pai. Não dá mais para ficar com essa postura de achar que isso aqui é algum tipo de frescura, ou ficar com essa paranoia de que ele pode fugir”.
Flávio avisa que Bolsonaro não está fazendo mi-mi-mi e pede que ele deixe a Papudinha. O filho exige prisão “domiciliar humanitária em casa, onde ele pode ter cuidado permanente da família”.
É onde Bolsonaro pode ter, como acrescenta Flávio, cuidado permanente de um técnico de enfermagem. Bolsonaro pode ter em casa carinho, afeto e suporte como se continuasse no hospital.
Poderá dispor do que é decisivo para um paciente com problemas respiratórios. Terá muitos tubos de oxigênio. Porque é do que ele mais irá precisar. Ar, para continuar vivendo com suas deficiências pulmonares.
Flávio durante entrevista sobre a internação de seu pai, Jair Bolsonaro. Foto: reprodução
Bolsonaro não pode morrer com falta de ar. Não pode faltar nada a Bolsonaro, porque qualquer passo em falso de Moraes agora pode oferecer ao bolsonarismo o que muitos torcem para que aconteça, dentro inclusive das facções de extrema direita.
Os que imaginavam a viabilização de uma terceira via acreditavam que Bolsonaro condenado e preso deixaria de ser o que ainda é. Está preso, está doente e sai da cama à noite cambaleando. Mas está vivo. É preciso mantê-lo vivo.
Se o candidato ungido por Bolsonaro, que quase foi Tarcísio, fosse outro, é possível que as pesquisas indicassem um bolsonarismo competitivo. Mesmo sem o sobrenome da família.
Porque Bolsonaro ainda inspira, lidera e comanda. Tombaram todas as previsões em contrário, que o consideravam um morto político.
Caiado, Ratinho, Eduardo Leite e Zema não são nada no cenário em que o filho brilha. Uma figura que nunca foi citada como possível herdeiro, que não aparecia nas pesquisas, que não tem carisma, que não sabe falar e até ontem era apenas o operador financeiro da família.
Flávio parou de pé porque o pai disse: é ele. Esse pai está mal e deve ser protegido. A primeira providência hoje, a mais urgente, é não deixá-lo morrer.
É preciso mantê-lo vivo. Não por piedade, mas pelo que é determinado pelos cálculos políticos de quem ainda aposta na salvação da democracia. Depois da eleição, Bolsonaro estará liberado para morrer várias vezes.
(O autor desse artigo teve familiares próximos, amigos e vizinhos que morreram enquanto Bolsonaro debochava dos que sentiam falta de ar e lhes negava vacina e oxigênio.)
O historiador e professor titular da UFRJ, Francisco Carlos Teixeira, o Chico Teixeira, comentou em entrevista ao DCMTV que militares brasileiros têm discutido nos bastidores a possibilidade de uma intervenção dos Estados Unidos no Brasil.
Segundo ele, esse seria hoje o principal tema de preocupação dentro das Forças Armadas, mais relevante do que a narrativa divulgada por parte da imprensa sobre pressões relacionadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. A visita barrada do emissário extremista do governo Trump, Darren Beattie, é muito mais que provocação, diz ele. Beattie é conselheiro sênior para políticas sobre o Brasil do Departamento de Estado.
Na conversa, Teixeira criticou a alegação de Merval Pereira na GloboNews, segundo o qual Lula estaria sendo alertado por militares sobre a crise no Supremo Tribunal Federal, e afirmou que a tese de que militares estariam tentando salvar patentes de oficiais condenados não representa o centro do debate dentro da caserna. Ele também falou do Irã e das disputas envolvendo Estados Unidos, China e a política externa brasileira.
O comando militar e a possibilidade de golpe
Eu acho que aí tem pontos para a gente tentar esclarecer. Foi o Merval que trouxe a questão de que os militares estariam aproveitando a situação de relativo enfraquecimento, de crise, no STF, em decorrência do caso Master, para pressionar e salvar patentes daqueles condenados pela tentativa frustrada de golpe do Estado. Então, tudo partiu do Merval. A Andréia Sadi pegou carona e requentou a notícia. Daí, decorrem duas coisas. Primeiro, estão ocorrendo consultas entre a Presidência da República e os militares nesse momento? Houve, de fato, reuniões? Sim, tem havido reuniões, tem havido contatos, tem havido um certo cuidado e pressão. O tema é salvar os militares condenados? Não.
As reuniões e as conversas que têm tido tem sido fundamentalmente, não exclusivamente, sobre outra coisa que está gerando uma situação de apreensão e desconforto muito grande nas Forças Armadas, que é a hipótese cada vez mais concreta de uma intervenção americana. Essa é a questão. A questão do STF entrou subsidiariamente na conversa. Quais são os sinais de uma possível intervenção americana aí? Em primeiro lugar, o relatório feito pela Segurança Nacional americana para a Presidência da República apontando a presença de uma grande empresa chinesa minerando terras raras na Bahia. Em segundo lugar, a presença de uma pretensa base militar chinesa na Paraíba. Em terceiro lugar, a questão de declaração do PCC e do CV como organizações terroristas internacionais que colocam em risco a segurança dos Estados Unidos. E, portanto, os Estados Unidos teriam todo o direito de agir sem inclusive nenhuma consulta com as autoridades brasileiras.
Em quarto lugar, a chegada das tropas americanas no Paraguai, inclusive na fronteira, cuidando da questão do narcotráfico. E, por fim, um quinto ponto, um relatório que circula requentado também, muito requentado, na Polícia Federal, apontando a presença de terroristas islâmicos em Foz do Iguaçu. Esse relatório que, vira e volta, ele é retirado e ele foi encomendado claramente pelas autoridades de Israel, do Mossad, à Polícia Federal. Eles têm um monte de convênios e um monte de atos de cooperação, inclusive de treinamento e inteligência. E o Mossad não se conforma da existência dessas 40 mil pessoas de origem palestina existentes na Foz do Iguaçu, alguns deles na lista de procurados por Israel.
Como o governo brasileiro avisou a Israel que não aceitam no território brasileiro o programa de assassinatos de lideranças, que Israel continua colocando em prática, o Brasil avisou que isso não pode ocorrer aqui, então eles devolveram a bola fazendo um relatório a partir de uma comissão composta pela Argentina, Paraguai, Brasil e Estados Unidos. Os Estados Unidos pediram para participar dessa comissão de segurança na fronteira brasileira lá em Foz do Iguaçu. E aí eles responderam dizendo que existe atividade nítida do Hezbollah no Brasil. E isso coloca em risco empresas, pessoas, cidadãos dos Estados Unidos tanto no Brasil quanto no Paraguai e na Argentina.
Também o Milei colocou na gaveta aqueles atentados terroristas feitos contra a AMIA, a Associação Mutualista Israel e Argentina, e contra a Embaixada de Israel em Buenos Aires, acusando o Irã e o Hezbollah de serem os autores e de terem guarida em Foz do Iguaçu. Isso é uma mentira feita pelos grupos de inteligência da Argentina, que são profundamente antissemitas. Os atentados foram feitos por grupos nazistas que se reproduzem na polícia e na segurança argentina. Como o negócio ficou muito quente, eles acusaram o Irã de ser autor desses atentados. O que a gente vê aqui é que a gente está numa situação muito tensa de relações internacionais, onde ficou muito claro que Trump já quer encerrar a guerra no Irã, porque não saiu como ele esperava, e ele quer fazer novamente uma outra guerra onde ele possa aparecer como campeão invicto, e isso seria Cuba.
Mas um grande problema para uma invasão de Cuba, ou uma operação cirúrgica em Cuba, é qual a situação do Brasil. Eles conseguiram o José Antonio Kast, no Chile, o presidente do Paraguai, o Pena, o presidente Milei da Argentina e o Fernandes da Bolívia. Então eles precisam que o Brasil abandone Cuba. Estão fazendo uma pressão imensa sobre o Brasil para que o Brasil aceite a mudança de regime em Cuba, coisa que não é aceitável para nós. Não aceitando, eles desenvolveram então a possibilidade de uma intervenção direta no Brasil. É esse o quadro, essa a grande preocupação. O que foi falado sobre o STF foi de que a crise institucional desenvolvida pelo caso Master ajuda a mostrar para fora, para os americanos, que as instituições brasileiras estão em crise e que é preciso uma intervenção para evitar que o Brasil vire um esconderijo do terrorismo, seja criminoso, narcotraficante, narcoterrorismo, como eles dizem, seja do terrorismo do Hezbollah.
O representante de Trump no Brasil
Esse senhor Darren Beattie é um anticomunista notório, militante, uma das cabeças mais importantes do movimento ultraconservador americano e que não foi à toa que foi nomeado para esse cargo de subsecretário de Estado para a América do Sul, com ênfase em Brasil. Ele é um especialista em Brasil, ele conhece a história do PT, a história do Lula, e não foi à toa que ele foi nomeado para isso. E a primeira coisa que ele quis fazer foi uma visita a Bolsonaro na prisão, onde ele iria receber, evidentemente, o relatório das probabilidades, todas elas fantasiosas de derrubar o governo brasileiro num ano eleitoral.
Então é isso que está acontecendo. Essa proposta trazida pelo Merval é uma tentativa de colocar mais fogo na fogueira, colocar mais combustível aí para dizer que nós estamos paralisados. E vocês vejam que há mais de dez dias não tem nenhum assunto na Rede Globo, a não ser que as instituições estão paralisadas, o Supremo não funciona, a corrupção chegou ao cargo dos ministros, aquela coisa toda, para justificar, então, a intervenção que será uma intervenção militar no Brasil.
Celso Amorim avisou
Há dez dias, o conselheiro de política externa do Brasil, o embaixador Celso Amorim, fez uma declaração numa aula magna na UFRJ, de que a situação era muito perigosa. A imprensa acabou dizendo: “Ah, Celso Amorim tá apavorado, tá não sei o quê”. O embaixador Celso Amorim é um homem extremamente experiente e frio e tranquilo. E, além de tudo, muito gentil também. Quando ele vem a público e diz que a situação é muito grave, é porque ela é. E quando Lula declara para um chefe de estado estrangeiro que foi humilhado pelo Trump, que é o Ramaphosa, da África do Sul, que precisamos de uma proteção coletiva, de uma defesa coletiva, ele não está falando da América Latina nem da América do Sul, ele tá falando do BRICS, no âmbito do BRICS, porque não tem sentido uma defesa comum na África do Sul fora do âmbito do BRICS. Então, nós estamos aqui perante uma escalada muito grande da política intervencionista norte-americana.
EUA querem Cuba, Venezuela, Paraguai e Brasil
Trump declarou que, na verdade, Cuba seria resolvida pelo [Secretário de estado] Marco Rubio, que é cubano e que faz coisas maravilhosas, segundo ele, e que Rubio poderia, inclusive, assumir o governo de Cuba. Esse momento que vivemos hoje não tem precedente. Eu acho que a gente, inclusive, tem que abandonar essa ideia de precedentes e de ressignificação. Têm pessoas falando em Doutrina Trump, tem gente falado em política de terceira bandeira, essa coisa toda. Não, isso é inteiramente novo, é uma etapa diferenciada, como diria a direita, o novo sempre vem e nem sempre é para melhor.
Nesse caso, estamos assistindo uma dinamitação completa da ordem mundial, uma total paralisia da ONU, a substituição da OEA, da ONU, do pan-americanismo, por outras políticas de intervenção direta nesse sentido. Não nos ajuda ficar falando de Doutrina Monroe. Só para você ter uma ideia, a Doutrina Monroe foi formulada em 1823, quando os potências reunidas anteriormente no Congresso de Viena, de 1815, se constituíram numa espécie de polícia internacional para acabar com os regimes independentistas da América Hispânica e da América Portuguesa, foi essa a visão. Além disso, os russos já estavam quase em Los Angeles, já estavam quase chegando em Los Angeles, eles tinham avançado por uma uma tripazinha que desce pelo litoral do Canadá e tinham chegado até Bodega Bay, nas imediações de Los Angeles.
Isso foi antes da guerra civil americana, antes da industrialização dos Estados Unidos, antes de se constituir, classicamente, a política imperialista das potências do capitalismo avançado. Então, comparar essas coisas não fecha nesse sentido. O que a gente vê aqui é o mais alto imperialismo, que é uma etapa muito superior do desenvolvimento capitalista, que não corresponde a 1820, não é isso que funciona nesse sentido.
O que a gente está vendo aqui é um mega, um ultra imperialismo novo, baseado no poder tecnológico das armas, e baseado nos interesses das grandes companhias de alta tecnologia, sejam elas espaciais, aeronáuticas, tecnológicas, cibernéticas, que estão agora formando o núcleo central desse capitalismo ultra desenvolvido, tecnologicamente, nesse sentido. Eu estou falando isso, agora, porque as coisas tendem a ir para trás, em vez de ir para a frente. As pessoas estão falando em Doutrina Donroe, como se fosse um corolário. Não, é outra coisa. Não existiu imperialismo como Lenin, como Rosa Luxemburgo definiram, em 1820. Aquilo era quase mercantilismo, era outra coisa. Agora não, a gente está vendo um ultra imperialismo com muito poder.
Os EUA são um império em decadência?
Eu diria uma coisa também, que talvez contrarie muito os nossos ouvintes. O Panamá expulsou todas as empresas chinesas que estavam lá. O México expulsou os chineses também. A Claudia Sheinbaum fica falando, fazendo aqueles discursos muito bons, mas ela tirou todas as montadoras chinesas que estavam no México. Ela fez o que o Trump pediu. Ela apanhou cidadãos mexicanos, os chefes dos cartéis, e entregou aos Estados Unidos, para serem julgados nos Estados Unidos. Então, tudo que o Trump está pedindo, ela está fazendo, porque ela sabe que a capacidade de intervenção é grande.
A exigência sobre a Groenlândia, tudo isso é uma etapa nova desse ultraimperialismo que a gente está vendo aí. E isso nos diz que aquilo que muitos de nós, à esquerda, falamos, que os Estados Unidos são uma potência em decadência, não é mais do que desejo da gente. Isso não é mapa de uma potência em decadência. Uma potência que pode gastar bilhões em uma semana para atacar o Irã, não é uma potência em decadência. Ah, se isso vai dar certo, é outra coisa. Ninguém adivinha na história. Nem o Trump. Se vai dar certo ou não é outra coisa. Mas a ideia de uma potência em decadência é extremamente perigosa para a gente hoje. Porque pode dar um conforto que é absolutamente irreal.
Quem está ganhado a guerra com o Irã?
Eu tenho a impressão de que a gente pode variar a tática, mas não muda a estratégia. Nós vemos que, na verdade, as críticas ao Trump são poucas, não são abundantes. Eu estava vendo a CNN americana,e uma pesquisa diz que 81% da população de Israel apoia Netanyahu. E 67% da população americana apoia Trump no ataque ao Irã. Não é pouco. Pode ser que tenha pessoas que não apoiam a forma como ele age, a questão Epstein etc. Mas, na guerra do Irã, ele tem maioria. Na guerra do Irã, ele conseguiu construir o Irã como uma potência do mal, nesse sentido. A gente não está vendo, como vimos, por exemplo, na guerra de Iraque, com milhares de pessoas nas ruas, nos Estados Unidos, protestando contra a guerra.
Isso não está acontecendo. Aconteceu quando houve várias políticas, por exemplo, da expulsão de estrangeiros. Na questão do ICE, da expulsão de estrangeiros, ele recuou. Também tem uma coisa aí muito estranha, todo mundo montou nesse slogan, que é um slogan dos democratas americanos, do Partido Democrata, que é que o Trump sempre amarela. Onde que ele amarela? Onde está o Maduro? Onde está o Khamenei? Quer dizer, se eu sou dirigente em Cuba hoje, eu estou olhando o que aconteceu na Venezuela e no Irã, e não acreditando nos liberais americanos que dizem que o Trump sempre amarela.
Nenhuma potência reagirá
China e Índia, no passado, foram à guerra. Foi terrível para que a coisa não escalasse. Temos uma guerra em curso hoje entre Afeganistão e Paquistão que paralisa inteiramente a China. A Índia tinha desenvolvido todo um objetivo de transformar o Afeganistão talibã numa profundidade estratégica dela para enfrentar o Paquistão. Agora ela vai ser atropelada. E o Paquistão está bombardeando Cabul. A situação não é fácil. Também tem um outro errinho aí de análise, penso eu, que é a ideia de que no Alasca houve no encontro do Putin com o Trump uma redivisão do mundo.
O Trump ficaria com as Américas, o Putin ficaria com a Eurásia e a China ficaria com o Sul global e a África. Isso não aconteceu. Quer dizer, o Trump está agindo no Japão, está agindo na Índia, está agindo no Irã, está agindo na Venezuela, vai agir em Cuba. E o que a gente vê claramente é uma política global, ultraimperialista do Trump, no qual ele quer de qualquer maneira colocar em prática uma coisa que os neoconservadores americanos vinham falando desde Bush filho, que é quando os Estados Unidos olharem para trás, eles usam a expressão “no second place”, não há segundo lugar. A potência próxima deles estaria em terceiro, quarto ou quinto lugar. Não haveria mais.
A política deles agora é de que não tenha ninguém, nem aliado, nem inimigo. O segundo e terceiro lugar vão estar vagos. Quem vier vai vir lá atrás,muito mal colocado. Para isso é preciso cercar a China. Quando você ataca Venezuela e Irã, você está assumindo a torneira energética da China. Quando você retira as companhias chinesas do canal do Panamá, você está fechando áreas geopolíticas para a China. Quando você quer ocupar a Groenlândia, você está tentando colocar a mão na passagem do norte e evitar que a China possa utilizar isso a seu contento. Na verdade, a gente vê claramente uma grande luta de grandes potências pela hegemonia mundial. Não pela hegemonia nas Américas, é a hegemonia mundial.
Trump e Lula
Os buracos no poderio militar americano
A indústria de transformação nos Estados Unidos envelheceu, claramente. Durante um longo tempo, se colocou as indústrias fora dos Estados Unidos, no México, em Taiwan, na Coreia do Sul, etc. Em algum momento, as cadeias foram até para dentro da China popular. A indústria de transformação envelheceu. Em compensação, a alta tecnologia, a pesquisa tecnológica foi muito à frente. Desde a internet, a gente só vê por causa da pesquisa tecnológica americana, a internet é uma invenção dos Estados Unidos. Foi Al Gore que transformou de sistema militar em sistema civil. Ordenou e possibilitou isso. Ela é muito avançada. Além disso, a política de tarifas econômicas agora colocada em prática, principalmente o aumento do preço do petróleo, favorecem os Estados Unidos. Os Estados Unidos arrecadaram milhões e milhões com as tarifas. A Suprema Corte derrubou. O que ele fez? Estabeleceu uma nova tarifa igual para todo mundo. Hoje tem uma tarifa para todo mundo, inclusive quem não conhece agora tem. Inclusive à revelia dos acordos que ele tinha feito antes. E isso gera dinheiro.
E os Estados Unidos também são o maior produtor de gás petróleo do mundo. Quando ele briga pelo petróleo no Irã ou na Venezuela, ele não briga pelo petróleo para ele consumir. Ele é autossuficiente no petróleo. Ele briga pelo petróleo por duas razões. Para as empresas americanas terem o monopólio da exploração, do refino e da distribuição e, portanto, ganharem dinheiro vendendo esse petróleo para os outros. E em segundo lugar, para dizer quem pode ter ou não ter petróleo. Em 1940, os Estados Unidos decretaram um bloqueio contra o Japão, não permitiu que o Japão comprasse mais petróleo, minérios, borracha e sucata. Parava a indústria japonesa.
Quando o Japão decide atacar os Estados Unidos, um ataque preventivo, segundo eles, claramente é porque já tinha. Quando você corta o petróleo, o aço, a sucata de um país altamente colonizado como já era o Japão, você está fazendo uma declaração de guerra. Isso é uma declaração de guerra. Não pode. Imagina, nós somos altamente dependentes do trigo. O Brasil não produz trigo que seja necessário para a população, para o consumo da população brasileira. Se os Estados Unidos chegam e dizem assim, olha, bloqueamos o trigo, vocês não podem mais comprar e trigo… Como eles fazem em Cuba, até com remédios. É um ato de guerra, é um ato de agressão. O que nós estamos vendo agora, claramente, é que os Estados Unidos têm interesse pelo petróleo para manter o monopólio das suas empresas e para utilizar isso como arma de guerra contra concorrentes.
Lula com Trump nos EUA
Está se discutindo muito a ida de Lula em abril aos Estados Unidos. Isso parece um erro, um erro, né? Quer dizer, nós não temos nenhum rascunho de declaração, de acordo, de pauta comum, de cinco ou seis ou sete pontos sobre a ordem mundial já acordados nos Estados Unidos, né? Lula iria para a Casa Branca com as mãos vazias, sem saber o que poderia acontecer naquele salão com Marco Rubio de um lado, [o secretário de Defesa] Pete Hegseth do outro e Trump no meio. Vou falar uma coisa que eu acho que a gente tem que entender, senão vão me chamar de elitista, né? As duas pessoas que foram humilhadas na Casa Branca pelo Trump foram Zelensky e Ramaphosa. Falam inglês fluentemente e podiam reagir na hora e dizer “não sei, não conheço, não acho” etc. O Lula não tem essa vantagem, ele precisa de intérpretes. Que precisam de tempo. E eles próprios não dão tempo de resposta, né? Ficaria o Lula tentando entender o que está sendo dito, esperando a tradução e já os jornais do mundo inteiro gravando e transmitindo o esporro que o Lula vai levar no ano eleitoral.
Imagina o que isso vai virar de cortes na campanha eleitoral… Então, é muito desaconselhável, profundamente desaconselhável, que o Lula vá agora em abril. É absolutamente desaconselhável sem existir um rascunho de declaração final, já pronto e comprometido que isso possa aparecer. Além de tudo, Viaro, tem uma outra coisa. A gente não sabe o que que vai acontecer no Irã. A situação no Irã está se complicando, né? Porque se esperava alguma coisa de perfil venezuelano e o Irã está mostrando força e resiliência nesse sentido. Não sabemos o que os americanos podem fazer. O Trump pode dizer assim: “Eu ganhei a guerra, pronto, acabou. E ir embora”. Mas ele pode piorar muito a situação lá. O que vai acontecer para a figura do Lula, a figura mundial do Lula, se o Lula está na Casa Branca quando acontecer um ataque ainda mais brutal ao Irã? Não teremos a ideia de que o Lula concordou. O Lula vai poder, dentro da Casa Branca, dizer que está acontecendo um novo genocídio no Irã? Não é aconselhável, enquanto essa guerra durar, sem um memorando previamente acordado entre as partes, que Lula faça essa viagem.
Paulo Figueiredo, Darren Beattie e Eduardo Bolsonaro. Foto: Reprodução
O governo Lula avalia que o assessor do governo Donald Trump para assuntos ligados ao Brasil, Darren Beattie, não informou o verdadeiro objetivo da viagem ao país e transformou a visita em um ato político. Integrantes do Planalto afirmam que a justificativa oficial apresentada para entrada no Brasil não correspondia às agendas que ele pretendia cumprir.
Segundo auxiliares do governo ouvidos pelo Blog do Valdo Cruz no g1, Beattie declarou que viria ao país para participar de um evento sobre terras raras e minerais críticos em São Paulo. No entanto, após a chegada, surgiram indicações de que ele pretendia realizar encontros políticos, o que não teria sido informado no pedido de visto apresentado às autoridades brasileiras.
A avaliação de governistas é de que a situação ficou mais clara quando o ex-presidente Jair Bolsonaro solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para receber o assessor na prisão.
O encontro chegou a ser autorizado, mas depois foi cancelado pelo próprio ministro após questionamentos sobre o motivo da visita e um pedido do Ministério das Relações Exteriores, que apontou risco de “indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”.
Jair Bolsonaro e Donald Trump. Foto: Alan Santos/PR
Diante do episódio, o governo decidiu aplicar o princípio da reciprocidade, regra tradicional da diplomacia que permite responder a medidas tomadas por outro país com ações equivalentes. A revogação do visto foi interpretada internamente como uma resposta política à tentativa de transformar a viagem em um gesto de apoio ao ex-presidente.
Auxiliares de Lula avaliam que a iniciativa também serviu para conter a atuação de aliados de Trump que tentam ampliar influência na política brasileira. Segundo essa leitura, a visita faria parte de um movimento ligado à agenda internacional defendida pelo ex-presidente norte-americano.
A chamada política “America First” de Trump prevê maior atuação dos Estados Unidos no hemisfério ocidental e reforço de alianças estratégicas. Integrantes do governo brasileiro entendem que a presença do assessor poderia ser usada para fortalecer esse alinhamento em pleno período pré-eleitoral.
Por isso, a decisão de impedir a permanência de Darren Beattie no país foi tratada dentro do governo como uma medida política e diplomática ao mesmo tempo. A avaliação é que a ação evita aproximações consideradas indevidas entre aliados de Trump e bolsonaristas em um momento de disputa eleitoral no Brasil.
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) – Reprodução
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) afirmou, nesta quarta-feira (12), que a região Sudeste terá papel central na disputa presidencial de 2026. Em entrevista ao programa “CNN 360°”, ele declarou que o resultado da eleição dependerá do desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos quatro estados da região. “A eleição se decide aqui no Sudeste”, disse.
Dirceu afirmou que o partido não considera a reeleição como garantida e classificou a disputa como aberta. Segundo ele, eleições recentes no Brasil tiveram resultados equilibrados, citando os pleitos de 2014 e 2022. “Nós nunca tivemos ilusão que essa eleição seria uma eleição ganha ou o presidente Lula estaria reeleito. Não existe isso no Brasil”, afirmou.
Ao tratar das articulações em São Paulo, Dirceu disse considerar definida a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo estadual e a de Simone Tebet (MDB) ao Senado. Para a composição da chapa ao governo e a segunda vaga ao Senado, mencionou os nomes de Marina Silva (Rede) e Márcio França (PSB). Ele também defendeu a permanência do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na chapa presidencial e sua atuação na campanha paulista.
Dirceu afirmou que uma aliança envolvendo Haddad, Tebet, Marina Silva, Márcio França ou outro nome do interior paulista, com apoio de Alckmin, pode disputar o governo do estado com o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O ex-ministro também classificou a aliança entre Lula e Alckmin como “um contrato, um pacto que nós fizemos com a maioria da sociedade brasileira para eleger o Lula”.
Em relação a Minas Gerais, ele mencionou negociações com o senador Rodrigo Pacheco (PSD), a prefeita de Contagem Marília Campos (PT) e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT). No Rio de Janeiro, apontou a aliança com o prefeito Eduardo Paes (PSD) e a deputada federal Benedita da Silva (PT) para o Senado como base da campanha presidencial no estado.
Dirceu também comentou o cenário em outras regiões do país. No Sul, afirmou que o PT pode ampliar sua presença eleitoral, enquanto no Centro-Oeste e no Norte avaliou que a disputa tende a ser mais difícil. Ele disse que o partido possui estrutura e base eleitoral para competir nacionalmente e declarou que a oposição não deve conquistar maioria no Senado. O ex-ministro também comentou temas da política econômica e afirmou que os nomes citados em investigações relacionadas ao Banco Master não têm ligação com o PT.
O governo federal anunciou nesta quinta-feira (12) um decreto que amplia as punições administrativas para casos de maus-tratos contra animais no Brasil. A norma recebeu o nome de “Cão Orelha”, em referência ao cachorro que morreu em Florianópolis no início deste ano. O texto ainda será publicado no Diário Oficial da União.
Com a nova regulamentação, os valores das multas passam a variar de R$ 1.500 a R$ 50 mil. Antes da mudança, as penalidades previstas iam de R$ 300 a R$ 3 mil. O decreto estabelece também a possibilidade de aumento das multas quando forem identificados agravantes durante a apuração das infrações.
Nos casos mais graves, as penalidades financeiras podem chegar a R$ 1 milhão. Isso pode ocorrer quando houver circunstâncias que elevem a gravidade da infração ou quando o valor-base da multa for multiplicado de acordo com critérios previstos na regulamentação.
Entre os fatores considerados agravantes estão a reincidência do infrator e o abandono do animal. O decreto também prevê aumento das penalidades quando o crime é divulgado nas redes sociais ou quando há recrutamento de menores de idade para a prática das agressões.
Manifestantes da causa animal fazem protesto na avenida Paulista contra o assassinato do cão Orelha. Foto: Bruno Santos/Folhapress
Se os maus-tratos resultarem na morte do animal ou em sequelas permanentes, o valor da multa também poderá ser ampliado. Outro elemento considerado na aplicação das punições é a crueldade na prática do crime ou a ocorrência de violência contra espécies ameaçadas de extinção.
O nome do decreto faz referência ao caso do cão Orelha, que morreu em 4 de janeiro na Praia Brava, em Florianópolis. O animal era considerado comunitário e era cuidado por moradores da região. A suspeita é de que ele tenha sido agredido por um grupo de adolescentes, episódio que mobilizou manifestações públicas e investigações sobre as circunstâncias da morte.
Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta (11) mostrou um aumento na desaprovação ao governo do presidente Lula, que atingiu 51%, enquanto a aprovação ficou em 44%. Os números eram, respectivamente, 49% e 45% em fevereiro.
O aumento da desaprovação vem crescendo desde o fim de 2023 e é a primeira vez que atinge um índice tão alto após os picos registrados em maio de 2025, quando a desaprovação chegou a 57%.
O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, também revelou mudanças no perfil do eleitorado. Pela primeira vez, entre as mulheres, a desaprovação superou a aprovação, com 48% de desaprovação contra 46% de aprovação. A desaprovação entre os eleitores de 16 a 34 anos aumentou de 50% para 56%.
Desaprovação de Lula chega ao maior número desde setembro. Foto: Reprodução/Quaest
A pesquisa também apontou que o Norte e o Centro-Oeste, além do Sul e Sudeste, continuam sendo regiões onde a desaprovação ao governo é mais pronunciada. No Nordeste, onde Lula ainda mantém uma forte base de apoio, ele tem 65% de aprovação.
Entre os católicos, a desaprovação passou de 42% para 47%, com a aprovação caindo de 52% para 49%. Esses dados demonstram uma tendência de erosão do apoio popular, especialmente entre setores mais religiosos e jovens.
Em relação à avaliação do governo, a pesquisa indicou que 43% dos eleitores consideram a gestão negativa, enquanto 31% a veem positivamente. Esses números são mais altos do que os registrados em janeiro e fevereiro, quando a avaliação negativa era de 39%.
Avaliação negativa do governo Lula chega ao pior número desde maio de 2025. Foto: Reprodução
Ao ser questionado se Lula merece continuar na presidência, 59% dos entrevistados responderam que não, enquanto 37% acreditam que ele merece seguir no cargo, mostrando um quadro de ceticismo em relação à continuidade de seu governo.
Em termos econômicos, a pesquisa revelou que 48% dos eleitores acreditam que a situação econômica piorou nos últimos 12 meses, o que representa um aumento em relação a fevereiro, quando o índice era de 43%. Apenas 24% consideram que a economia melhorou, e 26% acreditam que ela ficou do mesmo jeito.
Quando questionados sobre as expectativas para os próximos 12 meses, 41% dos entrevistados acreditam que a economia vai melhorar, enquanto 34% acham que ela vai piorar, e 21% acreditam que ficará do mesmo jeito.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 6 a 9 de março. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Lula e Flávio Bolsonaro. Fotos: Ricardo Stuckert/PR e Roque de Sá/Agência Senado
Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta (11) mostrou que o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estão empatados numericamente, ambos com 41% das intenções de voto no cenário de segundo turno. Esse é o primeiro empate entre os dois candidatos em toda a série histórica da pesquisa, marcando uma virada na disputa.
Anteriormente, Lula mantinha uma vantagem que chegou a ser de dez pontos em dezembro de 2023, passando para sete em janeiro e cinco em fevereiro. No levantamento, a diferença entre os dois candidatos desapareceu, com Flávio ganhando terreno nos últimos meses.
A pesquisa ainda mostra que 16% dos eleitores pretendem votar branco, nulo ou não votar e 2% estão indecisos. Em fevereiro, Lula estava com 43%, enquanto Flávio tinha 38% e a taxa de indecisos era de 17%.
Veja:
Lula e Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução/g1
A pesquisa também revelou que, entre os eleitores independentes, Flávio aparece pela primeira vez à frente de Lula, com 32% das intenções de voto contra 27% do presidente. Esse grupo, composto por 32% do total de eleitores, é considerado crucial para a disputa e apresenta uma margem de erro maior devido à diversidade de opiniões.
Entre os eleitores lulistas, o petista segue forte com 95%, e Flávio mantém 96% de apoio entre os bolsonaristas.
Os índices de rejeição para ambos os candidatos continuam altos: 56% dos eleitores afirmam que não votariam em Lula, contra 55% de Flávio. A taxa entre independentes é ainda maior: 65% e 61%, respectivamente.
A pesquisa também revelou as percepções do eleitorado sobre Lula e Flávio. Para 48% dos entrevistados, o senador não é mais moderado do que sua família, e 53% dos independentes compartilham essa visão. Em relação ao petista, 42% consideram que ele é mais moderado que o PT o partido, enquanto 46% o veem como radical.
O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, foi realizado entre os dias 6 e 9 de março com 2.004 eleitores com 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
A Quaest também apresentou sete cenários diferentes de segundo turno, com Lula enfrentando outros adversários, além de Flávio. Em todos os cenários, exceto contra o senador, Lula aparece à frente. A maior vantagem do presidente é contra Aldo Rebelo, do DC: 44% contra 23%.
Veja os números:
Cenário 2: Lula x Ratinho Júnior (PSD)
Lula: 42% (eram 43% em fevereiro e janeiro);
Ratinho Júnior: 33% (eram 35% em fevereiro e 36% em janeiro);
Indecisos: 3% (eram 3% em fevereiro e 4% em janeiro).
Branco/nulo/não vai votar: 22% (eram 19% em fevereiro e 17% em janeiro).
Cenário 3: Lula x Romeu Zema (Novo)
Lula: 44% (eram 43% em fevereiro e 46% em janeiro);
Romeu Zema: 34% (eram 32% em fevereiro e 31% em janeiro);
Indecisos: 3% (eram 4% em fevereiro e janeiro);
Branco/nulo/não vai votar: 19% (eram 21% em fevereiro e 19% em janeiro).
Cenário 4: Lula x Ronaldo Caiado (PSD)
Lula: 44% (eram 42% em fevereiro e 44% em janeiro);
Ronaldo Caiado: 32% (eram 32% em fevereiro e 33% em janeiro);
Indecisos: 3% (eram 4% em fevereiro e janeiro);
Branco/nulo/não vai votar: 21% (eram 22% em fevereiro e 19% em janeiro).
Cenário 5: Lula x Eduardo Leite (PSD)
Lula: 42% (eram eram 42% em fevereiro e 41% em novembro);
Eduardo Leite: 26% (eram 28% em fevereiro e novembro);
Indecisos: 3% (eram 4% em fevereiro e novembro);
Branco/nulo/não vai votar: 29% (eram 26% em fevereiro e 27% em novembro).
Cenário 6: Lula x Aldo Rebelo (DC)
Lula: 44% (eram 44% em fevereiro e 45% em janeiro);
Aldo Rebelo: 23% (eram 25% em fevereiro e 27% em janeiro);
Indecisos: 3% (eram 4% em fevereiro e janeiro);
Branco/nulo/não vai votar: 30% (eram 27% em fevereiro e 24% em janeiro).
Cenário 7: Lula x Renan Santos (Missão)
Lula: 43% (eram 44% em fevereiro e 46% em janeiro);
Renan Santos: 24% (eram 25% em fevereiro e 26% em janeiro);
Indecisos: 3% (eram 4% em fevereiro e janeiro);
Branco/nulo/não vai votar: 30% (eram 27% em fevereiro e 24% em janeiro).
O presidente Lula se manifestou contra a legalização de cassinos online no Brasil, defendendo uma lei que proíba esse tipo de jogo. Em um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, ele afirmou que não faz sentido permitir jogos digitais como o “Jogo do Tigrinho”, que, segundo ele, tem levado famílias a se endividarem.
“Os cassinos são proibidos no Brasil, não faz sentido permitir que o Jogo do Tigrinho entre nas casas, endividando as famílias pelo celular. Vamos trabalhar unindo Governo, Congresso e Judiciário para que esses cassinos digitais não continuem endividando as famílias e destruindo lares”, declarou o presidente.
Os cassinos são proibidos no Brasil. Não faz sentido permitir que os Jogos do Tigrinho entrem nas casas, endividando as famílias pelo celular. Vamos trabalhar unindo o Governo, o Congresso e o Judiciário para que esses cassinos digitais não continuem endividando famílias e… pic.twitter.com/wp1zNSPlyd
Lula sancionou a lei em dezembro de 2023, exigindo que as plataformas de apostas digitais, incluindo os cassinos virtuais, tivessem regras específicas para operar no país.
Ele destacou em seu pronunciamento que o problema causado pelos jogos online é grave, já que muitos jogadores acabam perdendo o dinheiro necessário para o sustento da família. Lula afirmou que os cassinos digitais têm um impacto devastador, prejudicando financeiramente as pessoas, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade social.
“Muitas famílias acabam jogando o dinheiro da comida, dos filhos, em apostas”, lamentou o presidente, ressaltando a importância de uma fiscalização rigorosa para coibir os danos causados pelos cassinos online.
O presidente também comentou sobre a necessidade de o Governo, o Congresso e o Judiciário trabalharem juntos para garantir que a regulamentação dos jogos de azar no Brasil não prejudique ainda mais as famílias. Lula mencionou a importância de limitar a expansão dos cassinos online, que têm crescido em popularidade no Brasil, mas muitas vezes são utilizados como forma de entretenimento predatório.
Presidente Lula – Imagem: Roberto Sungi/Estadão Conteúdo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou neste domingo, 8, seu check-up anual no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Segundo o boletim médico, todos os exames estão dentro da normalidade. O presidente de 80 anos seguirá com acompanhamento médico regular, conduzido pelas equipes lideradas por Roberto Kalil Filho e pela médica Ana Helena Germoglio.
O check-up de Lula ocorre no início de cada ano. Em janeiro, ele foi submetido a uma cirurgia de catarata no olho esquerdo, um procedimento de baixa complexidade realizado com anestesia local. A operação foi concluída sem intercorrências, e o presidente teve alta no mesmo dia.
Em maio de 2025, Lula havia enfrentado um episódio de vertigem, o que levou ao cancelamento de sua agenda. Na ocasião, ele foi submetido a uma série de exames no Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, onde foi diagnosticado com labirintite. Já em outubro de 2024, precisou ser atendido após cair no banheiro e sofrer um ferimento na cabeça. O boletim médico divulgado na época informou que Lula teve um “ferimento corto-contuso na região occipital”, sendo necessário um procedimento para tratar um sangramento no cérebro.
O presidente mantém um acompanhamento contínuo de sua saúde, conforme recomendado por suas equipes médicas. A rotina de exames, bem como as atividades físicas que pratica regularmente, têm sido essencial para garantir o bem-estar do mandatário, que mantém sua agenda de compromissos políticos e internacionais.
Lula retorna para Brasília ainda neste domingo. Na segunda, 9, vai receber o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, no Palácio do Planalto. No meio da semana, viajará para o Chile, na posse do presidente José Antônio Kast.
Uma nova pesquisa do instituto Datafolha sobre a disputa pela Presidência da República será divulgada neste sábado (7). O levantamento apresenta dados sobre intenção de voto, rejeição e grau de conhecimento dos pré-candidatos na corrida eleitoral.
O estudo também inclui cenários simulados de segundo turno entre os principais nomes que já se movimentam para a eleição de 2026. A pesquisa mostra a posição dos candidatos no momento em que os entrevistados foram consultados.
No levantamento anterior, divulgado em dezembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecia com 51% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que registrava 36%.
Em outro cenário testado pelo instituto, Lula tinha 47% das intenções de voto em uma disputa contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que marcava 42%.
Os governadores Eduardo Leite (RS), Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Jr. (PR), e o presidente do PSD, Gilberto Kassab. Foto: Reprodução
Além desses nomes, governadores também aparecem entre os possíveis candidatos ao Palácio do Planalto. Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, Ratinho Junior, do Paraná, e Ronaldo Caiado, de Goiás, buscam a indicação do PSD.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, é pré-candidato pelo partido Novo. Outros nomes também anunciaram intenção de disputar a Presidência.
Entre eles estão o ex-ministro Aldo Rebelo, da Democracia Cristã, e Renan Santos, do partido Missão. Ambos declararam publicamente a intenção de concorrer ao cargo.
Segundo o Datafolha, pesquisas eleitorais registram a opinião dos entrevistados no período em que o levantamento é realizado. O resultado corresponde a um retrato do momento da coleta de dados.
Os dados divulgados neste sábado (7) devem atualizar o cenário da corrida presidencial e apresentar novos indicadores sobre intenção de voto e rejeição entre os possíveis candidatos ao Palácio do Planalto.
A viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aos Estados Unidos, prevista para a segunda quinzena de março, foi suspensa em razão da guerra no Irã. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (6) pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que participaria da agenda presidencial no país. Com informações do Estadão.
Segundo o ministro, a visita fazia parte das negociações entre Brasil e Estados Unidos relacionadas às tarifas comerciais impostas pelo governo do presidente Donald Trump. O tema vinha sendo tratado entre autoridades dos dois países nas últimas semanas.
Fávaro afirmou que havia sido convidado por Lula para integrar a comitiva presidencial na viagem a Washington. No entanto, a agenda internacional foi interrompida após o agravamento do conflito envolvendo o Irã.
“A gente está em plena negociação por conta das tarifas impostas nos Estados Unidos, apesar de já ter reduzido. Temos ainda muitos assuntos a serem tratados com os Estados Unidos de interesse comum. (O presidente) me pediu para que acompanhasse essa viagem, que deveria ser na segunda quinzena de março, mas em função da guerra essa agenda foi suspensa”, declarou o ministro.
Carlos Fávaro, ministro da Agricultura. Foto: reprodução
O titular da Agricultura comentou o tema ao ser questionado sobre o prazo para deixar o cargo no governo federal. Ele deve se descompatibilizar da função para disputar a reeleição ao Senado por Mato Grosso.
A legislação eleitoral estabelece que ministros que pretendem concorrer nas eleições devem deixar o cargo até o início de abril. No caso de Fávaro, o prazo máximo para a saída do ministério é nesta sexta-feira (4).
O ministro afirmou que aguardava a definição do presidente Lula sobre a viagem antes de formalizar a saída do cargo. Com a suspensão da agenda internacional, a decisão sobre a descompatibilização passa a depender apenas da definição do presidente.
“Não sei exatamente (a data). Eu estou aguardando a decisão do presidente Lula, que tinha me pedido para fazer mais uma viagem internacional com ele, aos Estados Unidos”, afirmou.
Integrantes do governo admitem, reservadamente, a possibilidade de que a reunião entre Lula e Donald Trump em Washington seja remarcada. A hipótese considerada por auxiliares é que a viagem possa ocorrer em abril, dependendo da evolução do conflito no Oriente Médio.
Sessão do Plenário desta quarta-feira (4) – Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (4), em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. O texto foi enviado ao Congresso Nacional pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em abril do ano passado e agora segue para análise do Senado Federal.
A proposta tem como objetivo reorganizar e ampliar a integração entre as forças de segurança no país. Entre os pontos do texto está a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) na Constituição.
A PEC também constitucionaliza o Fundo Nacional de Segurança Pública e o Fundo Nacional Penitenciário. Parte do financiamento dessas políticas será reforçada com 30% dos recursos provenientes da tributação das apostas esportivas, as chamadas “bets”.
O texto aprovado prevê ainda proteção para esses recursos contra bloqueios e contingenciamentos orçamentários. O relator da proposta, deputado Mendonça Filho (União-PE), afirmou que a medida garante continuidade às políticas da área. “Impede-se, assim, que ajustes fiscais anuais interrompam projetos estruturantes em inteligência, tecnologia, perícia de natureza criminal, qualificação profissional e infraestrutura penitenciária”, disse.
Durante a tramitação, o relator retirou um trecho que previa a redução da maioridade penal. A mudança ocorreu após negociações com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e abriu caminho para a votação no plenário.
O substitutivo aprovado também estabelece restrições à progressão de regime para líderes de organizações criminosas. Mendonça Filho afirmou que a medida “não se trata de supressão de garantias fundamentais, mas de adequação proporcional da resposta estatal diante de condutas que produzem dano ampliado e instabilidade sistêmica para a maior parte da população”.
Assinatura do acordo do Mercosul-UE – Reprodução/YouTube
O Senado aprovou nesta quarta-feira (4) o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE). A votação foi unânime. A aprovação encerra a etapa de análise do tratado no Congresso brasileiro para que o acordo avance no processo de entrada em vigor.
O tratado foi assinado em 17 de janeiro no Paraguai. O texto prevê redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação que abrangem mais de 90% do comércio entre os dois blocos. A medida inclui regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas, além de disposições sobre investimentos e padrões regulatórios.
Negociado por mais de 25 anos, o acordo cria uma zona comercial que reúne um mercado de mais de 700 milhões de pessoas. A expectativa é ampliar o fluxo de bens e investimentos entre países da América do Sul e da União Europeia.
No Senado, a relatoria ficou com a senadora Tereza Cristina (PP-MS). Ela afirmou que o tratado tem alcance amplo nas relações econômicas entre os blocos. “O alcance do Acordo ultrapassa, de forma incomensurável, a redução de tarifas ou o estabelecimento de quotas. Seu potencial realmente transformador reside nas disciplinas voltadas a temas emergentes que estruturam as bases da competitividade contemporânea: investimentos, fluxos financeiros, serviços, meios de pagamento, transferência de tecnologia, acesso a compras governamentais e regras de concorrência, entre outros”, declarou.
A relatora também mencionou o contexto econômico internacional durante a análise do texto. “O mundo atual é mais fragmentado, mais cético e mais protecionista. Isso torna o acordo com nossos parceiros europeus ainda mais atual — e ainda mais necessário”, disse.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), destacou a tramitação do acordo no Congresso brasileiro. “O parlamento brasileiro demonstra mais uma vez uma maturidade institucional que nós temos e que a cada movimento como este é a constatação de que o parlamento brasileiro está ao lado dos grandes temas de interessa da sociedade”, afirmou.
Na mesma quarta-feira (4), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou decreto que regulamenta medidas chamadas de “salvaguardas bilaterais”. O mecanismo permite adoção de instrumentos de proteção comercial em acordos de livre comércio ou em tratados com preferências tarifárias.
As salvaguardas podem ser aplicadas quando houver aumento relevante das importações em relação à produção nacional ou ao consumo interno, situação que possa causar impacto à indústria brasileira. Entre as medidas possíveis estão elevação temporária de tarifas, limitação de volumes importados ou suspensão de preferências tarifárias.
Além da tramitação no Brasil, o acordo Mercosul-União Europeia ainda precisa ser aprovado por cada país integrante dos dois blocos, conforme os procedimentos legislativos internos. Somente após a ratificação por todos os países o tratado entrará plenamente em vigor.
Enquanto esse processo ocorre, o acordo pode ser aplicado de forma provisória em alguns países. Diplomatas avaliam que a aplicação inicial pode ocorrer já a partir de março, dependendo do andamento das etapas legais nos diferentes parlamentos.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
O Palácio do Planalto decidiu reagir às tentativas da oposição de associar o escândalo envolvendo o Banco Master ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Integrantes da base aliada informaram ao Executivo que parlamentares adversários pretendiam relacionar o banqueiro Daniel Vorcaro à atual gestão.
O tema foi discutido em reuniões realizadas no início da semana com deputados que participam da CPI do Crime Organizado e da CPI do INSS. Nessas conversas, parlamentares relataram ao governo que havia articulações para tentar vincular o caso Master ao governo federal.
Após os encontros, integrantes do Executivo passaram a destacar informações da investigação envolvendo o banqueiro. A estratégia inclui mencionar possíveis relações de Vorcaro com políticos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, citou nas redes sociais uma viagem do deputado Nikolas Ferreira em avião de Vorcaro durante a campanha eleitoral de 2022. Em publicação, ela escreveu: “Foram dez dias voando pelo país nas asas do Master, junto com pastores da Igreja Lagoinha, a mesma do pastor Fabiano Zettel, cunhado e sócio de Vorcaro, que foi o maior doador individual das campanhas de Bolsonaro e Tarcísio (de Freitas)”.
A operação de hoje da Polícia Federal expões definitivamente a corrupção do Banco Central de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto no escândalo Master. O ex-diretor de Fiscalização do BC indicado por Bolsonaro, Paulo Sérgio Souza, e o ex-chefe da Supervisão Bancária nomeado por…
Após a nova prisão de Vorcaro e a divulgação de suspeitas envolvendo servidores do Banco Central, Gleisi voltou a se manifestar nas redes sociais. A ministra publicou: “A operação de hoje da Polícia Federal expõe definitivamente a corrupção do Banco Central de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto no escândalo Master.
O ex-diretor de Fiscalização do BC indicado por Bolsonaro, Paulo Sérgio Souza, e o ex-chefe da Supervisão Bancária nomeado por Campos Neto, Belini Santana, recebiam dinheiro de Daniel Vorcaro para impedir a fiscalização do Master, de acordo com a investigação. Por que será que Campos Neto não agiu contra as fraudes de Vorcaro enquanto era presidente do BC?”
Parlamentares da base aliada afirmam que o governo pretende destacar possíveis vínculos políticos do banqueiro com figuras do campo bolsonarista. Entre os pontos citados por integrantes do grupo estão as viagens realizadas por Nikolas Ferreira no avião de Vorcaro durante o período eleitoral de 2022.
O presidente Lula pediu nesta quarta (4) que líderes mundiais busquem soluções pacíficas diante da guerra no Oriente Médio e priorizem o combate à fome. A declaração foi dada durante a Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe, realizada em Brasília.
Durante o discurso, Lula criticou o aumento dos gastos militares no mundo e afirmou que recursos destinados à produção de armas não ajudam a resolver problemas sociais. Segundo ele, investimentos em armamentos acabam ampliando tensões internacionais em vez de enfrentar desafios como a insegurança alimentar.
O presidente afirmou que o volume global de gastos militares para ilustrar o argumento. Segundo Lula, os cerca de US$ 2 trilhões (cerca de R$ 10,4 trilhões) destinados a conflitos no último ano poderiam ter impacto direto no combate à fome. “Não precisaria ter fome no mundo, se tivesse bom senso entre os governantes”, afirmou.
Lula também direcionou críticas à atuação da Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança. Para o presidente, a entidade tem perdido credibilidade ao não conseguir cumprir plenamente o papel de promover a paz entre os países.
Segundo ele, a organização estaria se afastando de sua missão original. Lula afirmou que a ONU está “cedendo ao fatalismo” ao permitir que interesses ligados a conflitos ganhem espaço em detrimento de iniciativas voltadas à cooperação internacional e à solução pacífica de crises.
O presidente também criticou a ausência de uma articulação internacional mais forte para buscar uma saída diplomática para o conflito no Oriente Médio. Para Lula, a comunidade internacional deveria mobilizar esforços mais consistentes para interromper a escalada de violência.
Ao comentar propostas ligadas à reconstrução de Gaza, Lula fez críticas ao chamado Conselho de Paz defendido por Donald Trump.
“Compensou destruir Gaza, matando a quantidade de mulheres que mataram, crianças, para agora aparecerem com pompa, criando um conselho para dizer, vamos reconstruir Gaza? Aí, aparece como se fosse um resort, para melhorar e passar a férias no lugar que estão os cadáveres das mulheres e das crianças que morreram”, prosseguiu.
Em seguida, acrescentou: “E, muitas vezes, a gente fica impassível. E se a gente não gritar, se a gente não falar, se a gente não se mexer, nada acontece”.
O repórter Tiago Eltz na entrevista coletiva do presidente Lula, em Nova Delhi. Reprodução
Durante a entrevista do presidente Lula concedida em Nova Delhi, o mandatário brasileiro rebateu a interpretação apresentada pelo jornalista Tiago Eltz, da TV Globo, sobre uma declaração relacionada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A divergência surgiu em torno do uso da palavra “receber” ao tratar de investigados brasileiros no exterior.
Ao formular a pergunta, o repórter afirmou que Lula teria mencionado a possibilidade de “receber criminosos no Brasil” ou pessoas que cometessem crimes em território americano. O presidente interrompeu e contestou o entendimento.
“Não, você não ouviu isso aqui”, respondeu Lula. Em seguida, reforçou: “Se eu aceito que você faça a pergunta do jeito que você está fazendo, dá a impressão que eu falei isso. Eu não falei isso”.
Eltz insistiu no esclarecimento e citou que Lula teria falado em “receber criminosos de combustíveis”. O presidente voltou a corrigir o ponto central da interpretação.
“Não, não. Nós queremos prendê-los. Eu não quero recebê-los, eu quero prendê-los”, declarou Lula, diferenciando recebimento de prisão e responsabilização judicial.
Após o ajuste, Lula explicou o contexto mencionado. Segundo o presidente, autoridades brasileiras bloquearam 250 milhões de litros de gasolina em cinco navios e compartilharam informações com os Estados Unidos sobre um investigado que reside em Miami.
“Nós mandamos pro presidente Trump a fotografia da casa dele, o nome dele e nós queremos essa pessoa no Brasil”, afirmou. “É para combater o crime organizado. Então nos entregue os nossos bandidos”.
Na sequência, Lula disse que já discutiu propostas de cooperação bilateral com Trump por telefone. O presidente citou iniciativas voltadas ao combate ao narcotráfico, tráfico de armas e lavagem de dinheiro.
Ciro Nogueira é senador pelo PP do Piauí — Foto: Brenno Carvalho
O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas, tem afirmado a interlocutores que ainda não definiu oficialmente seu posicionamento na sucessão presidencial de 2026, mas já estabeleceu condições claras para eventual apoio. Com informações de Lauro Jardim, no Globo.
Segundo relatos de bastidores, Ciro sinaliza que poderá apoiar Flávio Bolsonaro (PL-RJ), desde que o senador adote uma estratégia de campanha mais voltada ao centro político. A avaliação é de que uma candidatura restrita ao eleitorado bolsonarista não teria o respaldo do comando do PP.
A posição ocorre mesmo após um encontro recente entre Ciro Nogueira e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que resultou em uma trégua política. Apesar do gesto, o dirigente do PP tem indicado que não há possibilidade de alinhamento com o atual chefe do Executivo em 2026.
No cenário apresentado pelo senador, Lula estaria fora de qualquer composição. O dirigente também descarta apoio a Ratinho Jr. (PSD-PR) ou a outro nome que venha a ser lançado pelo PSD na disputa presidencial.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução
Ciro Nogueira tem defendido internamente que o apoio do PP dependerá do perfil adotado pelo candidato que pretenda reunir forças de centro e centro-direita. A legenda busca preservar espaço político e influência no próximo ciclo eleitoral.
De acordo com aliados, a decisão formal do partido deve ser anunciada apenas em junho, quando o cenário eleitoral estiver mais consolidado e as articulações partidárias mais avançadas.
O movimento é acompanhado de perto por lideranças do Congresso, já que o PP integra um bloco relevante na Câmara e no Senado e pode ter peso decisivo na montagem de alianças nacionais.
A sinalização pública de condições para apoio reforça a estratégia do partido de negociar com margem de manobra até o momento considerado mais estratégico, mantendo diálogo aberto enquanto observa a evolução das pré-candidaturas.
As manchetes de domingo dos três jornalões antecipam o que vem aí. São duas manchetes contra o povo e uma manchete de release de assessoria de campanha de Flávio.
Globo:
“Gasto com benefícios sociais dispara 500% e eleva pressão por revisão da política social”.
Essa é a linha de apoio da manchete: “Salto considera despesas de 2004 a 2025; Fazenda vê ineficiência, teme nó fiscal e defende unificação dos auxílios”.
Folha:
“Brasileiro trabalha menos que a média mundial”
A linha abaixo da manchete informa o seguinte: “País ocupa posições inferiores em classificações de esforço dadas a produtividade e a demografia de dezenas de nações”.
Estadão:
“Flávio Bolsonaro passa a ocupar a cadeira do pai na sede do PL para comandar a pré-campanha”.
A linha de apoio é essa: “Senador vai despachar do antigo gabinete de Jair Bolsonaro assim que voltar dos Estados Unidos, no que os aliados definem como nova fase do projeto eleitoral”.
As duas manchetes contra os trabalhadores e direitos da maioria (a da Folha contra o fim da escala 6X1) são complementadas com uma informação que pretende passar um gesto simbólico. O filho está assumindo a cadeira do pai, como nas monarquias.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo | Evaristo Sa/AFP
A manchete do Estadão sobre o filho era tão forçada e tão bolsonarista que ainda pela manhã o jornal a empurrou para baixo na tela e a transformou em chamada secundária com letrinhas miúdas.
Em destaque na capa, acima do título sobre a cadeira de Bolsonaro, o Estadão publicou uma chamada ‘séria’ sobre o programa do filho ungido:
“Privatizações, ferrovias e presídios: o que Flávio Bolsonaro já propôs em 8 áreas”
O jornalismo das corporações aderiu sem escrúpulos à candidatura bolsonarista. Enquanto aperta o cerco a Lula, a Alexandre de Moraes e ao Supremo.
O Estadão é, descaradamente, parte da campanha da extrema direita, e seus colunistas podem começar a despachar de salas ao lado do gabinete de Flávio em Brasília.
Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) passaram a difundir nos bastidores a hipótese de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possa desistir da reeleição. A movimentação ocorre após a divulgação de nova pesquisa Quaest que indicou avanço do parlamentar sobre o atual presidente. Com informações do Globo.
Segundo interlocutores ligados a Flávio, a eventual retirada da candidatura poderia ocorrer em julho, caso avaliações internas apontem risco elevado de derrota. A tese vem sendo comentada em conversas reservadas no meio político.
A leitura do grupo bolsonarista é que o cenário eleitoral se tornou mais competitivo. A pesquisa mencionada teria servido como sinal de alerta para o entorno do Palácio do Planalto.
No levantamento mais recente, Lula ainda aparece na liderança, mas com redução de margem em relação ao adversário. O dado foi interpretado por aliados de Flávio como indicativo de crescimento consistente do senador.
Presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro
Integrantes do campo governista não confirmam qualquer discussão sobre desistência. Até o momento, Lula mantém publicamente a disposição de disputar a reeleição.
Nos bastidores, a circulação da hipótese também é vista como estratégia política. A avaliação é que a narrativa pode gerar instabilidade ou influenciar percepções dentro do eleitorado e entre aliados.
A movimentação ocorre em meio a articulações para consolidação de palanques estaduais e alianças partidárias. A definição de apoios será decisiva para o desenho final da disputa presidencial.
Com o calendário eleitoral avançando, a consolidação das candidaturas e o impacto de novas pesquisas devem influenciar os próximos passos tanto do grupo de Lula quanto do de Flávio Bolsonaro.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Foto: Divulgação
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta terça-feira (10) que o caso envolvendo o Banco Master teve origem em gestões anteriores do Banco Central, mas passou a ser efetivamente enfrentado na atual administração. Segundo ele, o avanço das investigações só foi possível graças à atuação integrada entre instituições e ao envio formal de informações à Polícia Federal.
A declaração foi dada durante entrevista coletiva sobre o balanço das gestões da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. Rodrigues destacou que a apuração ganhou força a partir da cooperação entre os órgãos e da decisão da atual direção do Banco Central de levar os dados às autoridades policiais.
“E isso foi possível graças a essa integração, essa parceria, essa cooperação, graças à coragem também do presidente [Gabriel Galípolo], de enfrentar um problema que já vinha de outras gestões”, afirmou. Segundo o diretor-geral, Galípolo teve “a coragem, a capacidade de levar à frente” o caso, conforme determina a lei.
Rodrigues acrescentou que a autonomia institucional foi determinante para o andamento das apurações. “Essa autonomia que o Banco Central teve para fazer isso também tivemos nós na Polícia Federal para avançar”, disse, ao parafrasear o presidente do BC.
Como revelou a Folha, na data da liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, a instituição mantinha apenas R$ 22,9 milhões em depósitos no Banco Central. O valor representava menos de 1% dos R$ 2,537 bilhões exigidos pelo regulador ao conglomerado controlado por Daniel Vorcaro.
Relatos enviados pelo Banco Central ao Tribunal de Contas da União indicam que a situação se deteriorou ao longo de 2025, com descumprimentos recorrentes dos depósitos compulsórios desde novembro de 2024. Segundo apuração do Estadão, o então presidente do BC, Roberto Campos Neto, teria conhecimento do cenário, mas não interveio.
Rodrigues afirmou ainda que o inquérito principal sobre o caso Master está em fase final. “Estamos caminhando para um relatório final, dando encaminhamento a todos os achados, sem descartar nenhuma hipótese”, declarou.
Na segunda-feira (9), o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou ser grato por conduzir o caso durante o governo de Lula. “Agradeço a Deus por passar por isso sob o presidente Lula”, disse, ao defender a autonomia do BC e da Polícia Federal.
Em janeiro, Lula afirmou que o pobre no Brasil é sacrificado “enquanto um cidadão do Banco Master deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”. Galípolo também agradeceu o apoio do ministro Fernando Haddad e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, além da atuação da Polícia Federal.
Por fim, o presidente do Banco Central defendeu a decisão de liquidar o banco diante do risco sistêmico causado pelo volume de vencimentos de CDBs e pela incapacidade da instituição de cumprir exigências regulatórias.
O presidente Lula ao lado de prefeitos do ABC Paulista. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Lula posou nesta segunda (9) para uma foto com prefeitos do ABC Paulista durante um evento em Mauá, na região metropolitana de São Paulo. Entre os gestores presentes estavam dois filiados ao PL: Tite Campanella, de São Caetano do Sul, e Guto Volpi, de Ribeirão Pires.
Ao perceber a composição do grupo, Lula fez um gesto de “joia” e brincou sobre a reação interna no partido adversário: “O presidente do partido deles [Valdemar Costa Neto] vai bater neles, porque eles estão em uma foto comigo”.
A fala arrancou risadas dos presentes e foi repetida pelo próprio presidente logo depois, já em discurso, ao comentar a diversidade partidária entre os prefeitos do Grande ABC.
“Só para vocês terem ideia, aqui tem dois prefeitos que são do PL. O PL é o partido do [Jair Bolsonaro], o PL é o maior inimigo nosso na Câmara, mesmo assim vocês estão recebendo ambulância, porque vocês foram eleitos pelo voto e eu respeito o voto da cidade de vocês”, afirmou Lula, ao justificar a presença de gestores de oposição no evento.
Prefeitos do PL, partido de Bolsonaro, tiram foto com Lula em Mauá (SP), durante evento de entrega de ambulâncias e investimentos em saúde. Lula olha, ri e solta: “O presidente do partido deles (Valdemar Costa Neto) vai bater neles” 😂
Além dos prefeitos do PL, participaram da cerimônia Marcelo Oliveira (PT–Mauá), Gilvan Junior (PSDB–Santo André), Marcelo Lima (Podemos–São Bernardo do Campo), Taka Yamauchi (MDB–Diadema) e Akira Auriani (PSB–Rio Grande da Serra). O encontro reuniu lideranças municipais de diferentes partidos em torno de anúncios de investimentos federais.
Durante o evento, o governo federal entregou ambulâncias do Samu, kits de equipamentos para a Atenção Básica e estruturas de teleconsulta. Também foram assinadas ordens de serviço para obras de uma policlínica, unidades básicas de saúde e para a implantação de um campus do Instituto Federal de São Paulo em Mauá.
Na cerimônia realizada no Paço Municipal, Lula destacou que um presidente da República não pode agir de forma “mesquinha” ou “pequena” ao deixar de atender municípios administrados por adversários políticos. Segundo ele, o critério para o repasse de recursos deve ser o interesse da população, e não a filiação partidária dos prefeitos.