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Rede Sul21: conheça o aplicativo e descubra os benefícios de ser assinante

Por:Sul 21
18 de Maio de 2026, 18:48

Neste mês de maio, o Sul21 completa 16 anos. Para celebrar a data, lançamos, na última sexta-feira (15), a Rede Sul21. O projeto é resultado de um trabalho minucioso para transformar o apoio ao jornalismo local em conexão real com nossos leitores.

Uma característica de nosso tempo é o uso das redes sociais também para consumir informação. Esse fenômeno, no entanto, acaba por afastar o público das páginas de veículos de notícias. Em muitos casos, nosso leitores acessam apenas trechos de reportagens disponíveis nas redes, entregues conforme interesse calculado por algoritmos sobre os quais não temos nenhuma ingerência.

Na tentativa de escapar de redes que não controlamos, desenvolvemos um aplicativo, que já está disponível para Android e iPhone, no qual nossos leitores podem acessar na palma da mão todas as notícias do Sul21, completas, sem anúncios e sem depender das redes sociais.

Além disso, aqueles que assinam o Sul21 e nos apoiam mensalmente na tarefa de fazer jornalismo independente e de impacto social passam a fazer parte da Rede Sul21, uma comunidade de economia solidária que os conecta a negócios locais com benefícios exclusivos.

Dentro do aplicativo, os assinantes têm acesso a uma área restrita, onde encontram estabelecimentos parceiros, cada um com sua história, seus valores e os benefícios que oferecem para a Rede. É como ter um guia personalizado dos negócios de Porto Alegre, alinhados ao posicionamento do Sul21 e ao consumo consciente.

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2026 e o futuro do SUS: mais PPPs ou mais saúde pública? (Coluna da ASERGHC)

Por:Sul 21
25 de Abril de 2026, 08:46

ASERGHC (*)

A eleição de 2026 não vai decidir apenas nomes ou projetos de governo de forma abstrata. O que estará em disputa, de maneira concreta, é o modelo de saúde pública que o país pretende aprofundar nos próximos anos. Esse debate não começa agora. Desde a década de 1990, o Brasil convive com uma tensão permanente entre projetos distintos para a gestão dos serviços públicos: de um lado, a construção de um sistema universal, público e estatal, como previsto na Constituição de 1988. De outro, a incorporação de diretrizes que buscam transferir ao setor privado a execução de serviços, sob o argumento de maior eficiência e racionalidade administrativa.

É nesse cenário que se consolidam as chamadas Parcerias Público-Privadas (PPPs) na saúde. Apresentadas como solução para problemas históricos do Sistema Único de Saúde, elas são defendidas com base na ideia de que a gestão privada seria mais eficiente, capaz de reduzir custos e melhorar o atendimento à população. No entanto, quando esse discurso é confrontado com evidências concretas, a narrativa começa a perder sustentação.

Um estudo desenvolvido no âmbito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul comparou hospitais geridos por PPPs com unidades públicas de mesmo porte e perfil dentro do SUS, analisando indicadores centrais como tempo médio de permanência, taxa de mortalidade hospitalar e ocupação de leitos. O resultado é pouco compatível com a promessa que sustenta esse modelo: a gestão por PPP não apresentou desempenho superior em relação aos demais modelos existentes no sistema público. Em outras palavras, não há evidência de que a transferência da gestão para o setor privado produza melhores resultados.

Se a eficiência não se confirma nos indicadores de desempenho, resta avaliar o argumento econômico que também costuma justificar essas parcerias. Nesse ponto, o estudo é igualmente contundente ao demonstrar que os valores efetivamente pagos pelos governos às PPPs são superiores aos custos observados nos hospitais públicos comparados. Trata-se, portanto, de um modelo que mobiliza mais recursos públicos sem entregar, em contrapartida, melhora proporcional na qualidade ou nos resultados do atendimento. A ideia de que a privatização da gestão traria racionalidade ao gasto público não se sustenta diante dos dados disponíveis.

Esse descompasso entre discurso e evidência leva a uma questão mais profunda sobre o que orienta, de fato, a adoção desse tipo de modelo. A própria análise aponta que a escolha da forma de gestão hospitalar costuma ser influenciada muito mais por limites orçamentários, regras fiscais e diretrizes de ajuste do que pelos indicadores de saúde ou pelas necessidades concretas da população. Isso significa que não se trata apenas de uma decisão técnica, baseada em desempenho ou qualidade do serviço, mas de uma escolha política que reflete determinado projeto de Estado e de política pública.

Esse debate não é distante da realidade concreta dos trabalhadores da saúde. Ele já se materializa no cotidiano do Grupo Hospitalar Conceição, onde a pressão por operar com menos recursos, a falta de planejamento e a desorganização dos processos impactam diretamente as condições de trabalho e a qualidade do atendimento. Remanejamentos constantes, sobrecarga e improviso deixam de ser exceção e passam a fazer parte da rotina. Mais do que isso, o avanço das PPPs não aparece apenas como tendência geral, mas como projeto concreto em curso dentro do próprio grupo.

As PPPs se inserem em uma lógica mais ampla que busca reduzir a atuação direta do Estado na provisão de serviços, introduzir mecanismos de mercado na gestão pública e ampliar o espaço do setor privado em áreas historicamente estruturadas como direitos sociais. Esse movimento não é isolado nem recente e tem sido reiteradamente defendido por diferentes governos como alternativa de gestão, mesmo diante de resultados que não confirmam suas promessas centrais.

No caso do GHC, já está em andamento, no âmbito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a estruturação de um projeto de Parceria Público-Privada para um novo complexo hospitalar em Porto Alegre, que prevê a concentração de diferentes unidades da rede e a participação do setor privado na construção, operação e manutenção de serviços ligados à estrutura hospitalar. Vinculado ao Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do Governo Federal, o projeto evidencia que a lógica das PPPs já chegou ao coração de uma das principais referências de saúde pública do país.

Além disso, experiências nacionais e internacionais apontam que esse tipo de parceria envolve riscos relevantes ao longo do tempo, como aumento de custos, necessidade de renegociação de contratos e transferência de riscos ao próprio setor público, enquanto o parceiro privado mantém a possibilidade de obtenção de ganhos elevados. Em contratos de longa duração, como é o caso das PPPs, a complexidade das operações e a dificuldade de previsão de cenários futuros tendem a favorecer esse tipo de desequilíbrio.

Ainda que frequentemente apresentada como modernização ou inovação, a proposta de PPP no GHC reforça a mesma lógica já observada em outras experiências: transferência de responsabilidades públicas para o setor privado sob o argumento de eficiência, mesmo quando as evidências disponíveis não demonstram melhora nos resultados assistenciais e indicam aumento de custos.

Diante desse cenário, o debate sobre o futuro da saúde pública no Brasil não pode ser reduzido a uma discussão genérica sobre eficiência. Trata-se de definir se o país pretende fortalecer a capacidade do Estado de planejar, gerir e executar diretamente as políticas de saúde ou se seguirá ampliando a transferência dessas funções ao setor privado, mesmo sem evidências consistentes de melhoria nos resultados.

É nesse contexto que a eleição de 2026 ganha centralidade. Estará em jogo a direção do Sistema Único de Saúde em um cenário marcado pelo avanço da extrema-direita e pelos riscos concretos que ela representa. Ao mesmo tempo, a disputa não se esgota nessa oposição: a defesa do SUS precisa se expressar em escolhas concretas. É nesse terreno que se definem os rumos do sistema, entre seu fortalecimento como política pública estatal e a continuidade de formas de gestão que ampliam a presença do setor privado, mesmo sob governos que se apresentam como seus defensores.

Os dados já estão disponíveis e indicam que as PPPs não entregam melhor desempenho e podem custar mais caro. Ao mesmo tempo, o avanço de projetos de PPP no GHC mostra que essa escolha já está sendo feita no presente. Ignorar essas evidências não é uma decisão técnica, mas política. Não se fortalece o SUS nem se constrói uma alternativa real à extrema-direita mantendo políticas que ampliam a precarização e a lógica de mercado na saúde.

(*) Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Conceição

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As opiniões emitidas nos artigos publicados no espaço de opinião expressam a posição de seu autor e não necessariamente representam o pensamento editorial do Sul21.

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Troca de mensagens mostra que senador agiu para “resguardar” André Valadão

26 de Março de 2026, 22:55
pastor André Valadão com a mão no peito, sério, sem olhar para a câmera, de roupa preta
O pastor André Valadão – Reprodução

Mensagens enviadas pelo pastor André Valadão, líder da Igreja da Lagoinha em conversas no WhatsApp indicam a atuação de um senador em tratativas para “resguardar” o líder religioso. Os registros mostram orientações relacionadas ao momento considerado mais adequado para determinadas ações. As informações são do Metrópoles.

Em uma das mensagens encaminhadas por Valadão a um interlocutor, o texto de uma terceira pessoa afirma: “Pastor, será melhor esperar para final de fevereiro ou março , ele disse que vai estar mais tranquilo e ele vai fazer algumas ações para lhe resguardar”.

Na sequência, o pastor acrescenta ao diálogo: “Senador mandou esperar. Pra eu na ir mesmo pro 🇧🇷 [sic]”. As mensagens foram trocadas no dia 22 de janeiro deste ano.

Print de mensagens para André Valadão
Mensagens de WhatsApp para André Valadão – Reprodução

O nome de André Valadão aparece no contexto das investigações da CPMI do INSS, que apura possíveis irregularidades envolvendo benefícios previdenciários. A apuração inclui conexões com pessoas ligadas ao entorno do líder religioso.

Entre os citados está o empresário Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Zettel atuou como pastor em uma unidade da Igreja Batista da Lagoinha localizada no bairro Belvedere, em Belo Horizonte.

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontou movimentações financeiras que somam R$ 40,9 milhões atribuídas ao empresário em repasses para a unidade religiosa.

Como peritos recuperaram mensagens de WhatsApp de Vorcaro

11 de Março de 2026, 15:45
Daniel Vorcaro. Foto: Ana Paula Paiva/Valor

A Polícia Federal de São Paulo está utilizando prints do bloco de notas de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, como parte da investigação sobre as mensagens enviadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Funcionários dos aplicativos WhatsApp e Signal, que participaram da perícia, afirmaram que a captura de tela deixava vestígios no aparelho em várias etapas, segundo a Folha de S.Paulo.

Isso permitiu que as autoridades recuperassem dados que normalmente seriam criptografados ou apagados, como mensagens de visualização única enviadas a Moraes. Ao contrário de fotos ou gravações feitas pelos aplicativos, os prints deixam marcas temporais e informações sobre o que foi copiado e colado nas conversas.

Quando o WhatsApp ou Signal enviam uma mensagem de visualização única, o conteúdo desaparece após ser visualizado, mas o histórico da ação pode ser recuperado. A perícia é feita com o auxílio de softwares forenses avançados, como o Cellebrite, que pode acessar dados ocultos em iPhones e dispositivos Android, permitindo que os investigadores recuperem até mesmo arquivos apagados.

Além de recuperar os dados de mensagens, o uso dessas ferramentas forenses permite que a Polícia Federal acesse metadados dos aplicativos, como o horário de envio, a identidade dos interlocutores e o status das mensagens.

Print de bloco de notas encontrado no celular de Daniel Vorcaro. Foto: Reprodução

Embora a ferramenta de perícia não consiga identificar com 100% de certeza qual mensagem foi visualizada em uma conversa de visualização única, ela pode fornecer evidências circunstanciais que ajudam a reforçar a teoria das autoridades. Isso inclui a rede Wi-Fi utilizada e a localização do aparelho, informações úteis para rastrear a sequência de eventos.

A análise das evidências foi realizada de forma rigorosa, com técnicas de perícia digital que garantem a integridade e confiabilidade dos dados recuperados. O processo preserva a cadeia de custódia, fundamental para a reprodutibilidade da investigação.

A perícia digital é capaz de organizar as evidências encontradas, assegurando que os dados sejam auditáveis e que todas as etapas da investigação possam ser verificadas de forma transparente.

Apesar das dificuldades em recuperar as mensagens de visualização única diretamente, os peritos afirmam que a recuperação de dados por outros meios, como prints e dados de metadados, oferece uma visão mais completa dos acontecimentos.

Mulher de Moraes nega ter recebido prints de Vorcaro citados na CPMI do INSS

8 de Março de 2026, 09:42
A advogada Viviane Barci de Moraes e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de perfil, sérios
A advogada Viviane Barci de Moraes e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) – Reprodução

A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, negou ter recebido as mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, durante sua prisão em novembro de 2025. As mensagens, registradas no bloco de notas do celular, tratavam das negociações para a venda do banco e continham perguntas como “alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. De acordo com fontes próximas à investigação, Vorcaro teria enviado as mensagens como imagens de visualização única para o ministro do STF, que foi identificado no envio. Com informações do Globo.

Em nota divulgada por sua assessoria, Viviane Barci de Moraes afirmou que não recebeu as referidas mensagens, contrariando as afirmações do ministro Alexandre de Moraes, que alegou que os prints estavam “vinculados a pastas de outras pessoas”. O ministro explicou que, devido à organização dos arquivos, as capturas de tela feitas por Vorcaro estariam direcionadas aos contatos na mesma pasta, o que, segundo ele, indicaria que Viviane seria a destinatária. No entanto, a advogada negou essa versão.

O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, que foi contratado pelo Banco Master em janeiro de 2024 com um contrato de R$ 3,6 milhões mensais, também foi questionado sobre o envolvimento da advogada, mas não houve mais declarações. Além disso, a versão de Moraes foi contradita por outros políticos mencionados nas mensagens encontradas no celular de Vorcaro. O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e o senador Irajá Abreu (PSD-RJ) também negaram ter tido qualquer contato com o banqueiro, apesar de seus números de telefone aparecerem nas pastas com os prints de mensagens.

Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Foto: reprodução

A explicação dada pelo ministro sobre a organização dos arquivos foi refutada por peritos da Polícia Federal, que afirmaram que a disposição dos documentos no celular não indica a origem do envio, pois a organização é realizada automaticamente pelo programa utilizado para a análise dos dados. Esse software, o IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), utilizado pela PF, reorganiza os arquivos de acordo com um algoritmo, mantendo a integridade das provas durante a investigação.

A CPI do INSS recebeu os arquivos extraídos do celular de Vorcaro, mas esses não contêm o histórico completo de conversas no WhatsApp. O único histórico disponível no material entregue à comissão foi de uma conversa entre Vorcaro e sua então namorada, que foi salva no iCloud antes de sua prisão. A Polícia Federal, no entanto, tem a capacidade de recuperar o histórico de conversas de WhatsApp e já o fez ao longo das investigações, o que pode revelar mais detalhes sobre o envolvimento de outras pessoas no caso.

Escândalo do Banco Master avança, mas CPI esbarra em ligações políticas de Vorcaro

7 de Março de 2026, 09:15
Imagem aérea mostra Vorcaro chegando ao IML. Foto: Reprodução/GloboNews

A revelação de mensagens trocadas por Daniel Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes (STF) no dia de sua primeira prisão ampliou a pressão política para que o Congresso avance em investigações sobre o caso do Banco Master. Apesar disso, parlamentares avaliam que a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) específica enfrenta forte resistência política.

Segundo informações divulgadas pelo O Globo, as mensagens foram encontradas no celular do empresário durante as investigações da Polícia Federal. Moraes afirmou que não recebeu as mensagens mencionadas e classificou a interpretação como uma tentativa de atacar o Supremo Tribunal Federal.

Nos bastidores do Congresso, parlamentares reconhecem que o caso envolve conexões políticas que dificultam o avanço das apurações. Vorcaro teria proximidade com líderes partidários e políticos influentes, incluindo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), citado em conversas privadas como “um dos meus grandes amigos de vida”.

O dono do Master, Daniel Vorcaro, falando em microfone, sério
O dono do Master, Daniel Vorcaro – Reprodução

A atual CPI do INSS, que analisa dados obtidos na quebra de sigilo do empresário, deve encerrar seus trabalhos no fim de março. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), já sinalizou que não pretende prorrogar o prazo da comissão nem avançar rapidamente com uma nova CPI focada exclusivamente no Banco Master.

Mesmo assim, alguns parlamentares defendem aprofundar a investigação. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou que os fatos revelados exigem apuração transparente, enquanto o deputado Duarte Júnior (PSB-MA) avalia levar o tema à CPI do INSS e discutir possíveis esclarecimentos sobre as relações entre o banqueiro e autoridades.

Outros requerimentos apresentados no Congresso buscam ampliar a investigação sobre o caso. O deputado Kim Kataguiri (União-SP) pediu a convocação de Martha Graeff, então companheira de Vorcaro, além de solicitar esclarecimentos sobre as mensagens interceptadas pela Polícia Federal que mencionam contatos entre o empresário e integrantes do Judiciário.

Ciro Nogueira rejeita Lula, descarta Ratinho Jr. e condiciona apoio a Flávio Bolsonaro

22 de Fevereiro de 2026, 12:27
Ciro Nogueira é senador pelo PP do Piauí — Foto: Brenno Carvalho

O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas, tem afirmado a interlocutores que ainda não definiu oficialmente seu posicionamento na sucessão presidencial de 2026, mas já estabeleceu condições claras para eventual apoio. Com informações de Lauro Jardim, no Globo.

Segundo relatos de bastidores, Ciro sinaliza que poderá apoiar Flávio Bolsonaro (PL-RJ), desde que o senador adote uma estratégia de campanha mais voltada ao centro político. A avaliação é de que uma candidatura restrita ao eleitorado bolsonarista não teria o respaldo do comando do PP.

A posição ocorre mesmo após um encontro recente entre Ciro Nogueira e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que resultou em uma trégua política. Apesar do gesto, o dirigente do PP tem indicado que não há possibilidade de alinhamento com o atual chefe do Executivo em 2026.

No cenário apresentado pelo senador, Lula estaria fora de qualquer composição. O dirigente também descarta apoio a Ratinho Jr. (PSD-PR) ou a outro nome que venha a ser lançado pelo PSD na disputa presidencial.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução

Ciro Nogueira tem defendido internamente que o apoio do PP dependerá do perfil adotado pelo candidato que pretenda reunir forças de centro e centro-direita. A legenda busca preservar espaço político e influência no próximo ciclo eleitoral.

De acordo com aliados, a decisão formal do partido deve ser anunciada apenas em junho, quando o cenário eleitoral estiver mais consolidado e as articulações partidárias mais avançadas.

O movimento é acompanhado de perto por lideranças do Congresso, já que o PP integra um bloco relevante na Câmara e no Senado e pode ter peso decisivo na montagem de alianças nacionais.

A sinalização pública de condições para apoio reforça a estratégia do partido de negociar com margem de manobra até o momento considerado mais estratégico, mantendo diálogo aberto enquanto observa a evolução das pré-candidaturas.

Conselho de fiscalização é aposta da União e de representantes da cultura para garantir uso da Usina por artistas locais 

10 de Fevereiro de 2026, 18:38

O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, e a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, assinaram na tarde desta terça-feira (10) a cessão da Usina do Gasômetro para o Município por 21 anos. O gesto foi simbólico, ainda faltam pequenos detalhes jurídicos para o contrato oficial. No entanto, representantes do Governo Federal e da classe artística detalham que será criado um conselho de fiscalização para garantir que a futura parceria público-privada do espaço cultural cumpra com as contrapartidas definidas em edital. A medida é fruto de um diálogo que se estabeleceu desde que a União ingressou com uma ação, em agosto do ano passado, para suspender edital de PPP da Usina do Gasômetro proposto pela Prefeitura.

O conselho deverá ter representantes da União, de órgãos como Ministério da Cultura (Minc) e Secretaria do Patrimônio da União (SPU); da Prefeitura e do Conselho Municipal de Cultura (CMC). “Uma das coisas que a Prefeitura topou, e para a gente foi importante, é essa fiscalização compartilhada. Não só os governos federal e municipal juntos, mas também a sociedade civil. Ajuda muito a ter um olhar da população, representada pelos movimentos de cultura. É uma cessão onerosa, não financeiramente, mas com encargos, e esse é um dos encargos que têm que ser cumpridos pela Prefeitura”, afirma a ministra Esther Dweck.

A presidente do CMC, Márcia Cavalcante, considera a criação do conselho o “grande diferencial” do processo de diálogo provocado pelo Movimento Gasômetro do Povo e diz que o acordo envolvendo União, Município e representantes da classe artística “trouxe um alento”. “Não é o ideal, mas tem muitos avanços, entre eles a gestão compartilhada. Nós do Conselho Municipal de Cultura vamos acompanhar de perto. Nosso primeiro passo, a partir de amanhã, é já convocar uma reunião para implementação desse conselho”, afirma.

Para Cavalcante, o conselho de fiscalização será fundamental para garantir que os demais pontos do acordo sejam cumpridos, como o retorno do Usina das Artes e demais editais de ocupação. Três espaços da casa deverão ser cedidos para o Usina das Artes, projeto em que grupos culturais podem desenvolver uma ação continuada, com oficinas, ensaios e apresentações. Além disto, haverá datas para ocupação artística nos demais espaços da Usina. Estão previstas 180 datas anuais para uso da nave da Usina, 80 datas para o cinema e 56 datas para o Teatro Elis Regina. Tanto estas datas, quanto o Usina das Artes, deverão selecionar os ocupantes por editais.

Outro ponto destacado pela União e pelo CMC é que a gestão da Usina deverá ficar a cargo da Secretaria Municipal de Cultura. O parceiro privado não deverá atuar como uma espécie de dono do espaço, como ocorre em outros espaços culturais. Recentemente, o Sul21 mostrou que a produtora concessionária do Teatro Túlio Piva derrubou a venda de ingressos de um espetáculo que havia sido contemplado em edital. O fato vinha ocorrendo reiteradamente, e, de acordo com a presidente do CMC, foi sanado pela Prefeitura após demanda do Conselho.

No caso do Auditório Araújo Vianna, um levantamento feito pela Matinal mostrou que, entre 2022 e 2024, foram realizados apenas quatro eventos culturais no Auditório Araújo Vianna pela Prefeitura, de um total de 90 datas disponíveis. Questionado se na Usina do Gasômetro pode ocorrer algo semelhante, Melo destacou que a reforma do Teatro Túlio Piva foi viabilizada pela concessão do Araújo Vianna. “Acho que a primeira coisa a destacar é que, se hoje temos a obra do Túlio Piva, é contrapartida [pela concessão do Araújo Vianna], e ali mais de 50% dos espaços são públicos. Quem vai comandar aqui é a Secretaria da Cultura. Se o parceiro não cumprir o edital, rompe-se o contrato”, garantiu.

O prefeito Sebastião Melo afirmou que o edital de PPP deverá ser semelhante ao lançado anteriormente, feitas apenas algumas “adaptações” após o diálogo com o Governo Federal, como o retorno do Usina das Artes ao espaço, e mais datas para a cultura local. Melo destacou que a parceria deixa mais “leve” a gestão do espaço, mas garantiu a gestão de eventos culturais pela Secretaria de Cultura. “Em em um espaço de 13, 14 mil metros quadrados, fica mais leve ter uma parceria. É uma PPP patrocinada, que tem mais recursos públicos do que privados. Vai ter bar, vai ter café e uma pequena loja de souvenirs. Agora, a questão cultural vai ser comandado pela Cultura, inclusive com uma comissão que vai acompanhar tanto do Governo municipal quanto federal”.

Tom amistoso

Declarações destacando o respeito e o diálogo entre Prefeitura e União marcaram a cerimônia de assinatura da cessão da Usina do Gasômetro, ainda que de um lado estivessem bolsonaristas e, do outro, lulistas. Acompanhado por políticos do PL, como a vice-prefeita Betina Worm e o vereador Jessé Sangalli, além de integrantes do secretariado e do presidente da Câmara dos Vereadores, Moisés Barboza (PSDB), Melo levou a petista Esther Dweck para uma visita às instalações da Usina do Gasômetro, chegando até o terraço, onde a comitiva posou para fotografias.

Na cerimônia de assinatura, o prefeito fez elogios à articulação de dois deputados federais do PT, Maria do Rosário e Paulo Pimenta. Ele destacou a boa relação com o Governo Federal e as cerca de dez mil moradias viabilizadas pelo programa de compra assistida para atingidos pela enchente de maio de 2024. A ministra, por sua vez, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre orienta os ministros a manter boas relações com os prefeitos, independentemente do partido, uma vez que o povo brasileiro é beneficiado por essa boa relação.

Edital provisório

Enquanto o edital de parceria público-privada não é relançado, a Secretaria Municipal de Cultura vai lançar um edital para ocupação artística da nave da Usina do Gasômetro e do Teatro Elis Regina. De acordo com a secretária de Cultura, Liliana Cardoso, o edital deve ser lançado em cerca de 15 dias. Ao todo, serão 280 datas a serem ocupadas imediatamente após o final do certame.

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