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Received today — 18 de Agosto de 2026Política - Brasil

Livro de ex-comandante da Aeronáutica confirma tentativa de golpe de Jair Bolsonaro em 2022

18 de Agosto de 2026, 08:03

O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, entrega um testemunho inédito sobre os bastidores do período mais tenso da história recente do Brasil.

Em “Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista” (Autêntica Editora), o militar de quase cinco décadas de carreira revela como resistiu às pressões de Jair Bolsonaro para que as Forças Armadas aderissem ao golpe de Estado após a derrota do então presidente nas eleições de 2022.

O livro, que chega às livrarias em 15 de setembro, é a primeira obra escrita por um integrante da alta cúpula militar daquele período a expor os bastidores da crise que ameaçou a democracia brasileira. 

O relato em primeira pessoa percorre desde o início do governo Bolsonaro, em 2019, atravessa a gestão da pandemia de Covid-19 e desemboca na crise militar de 2021 — quando o então presidente trocou o ministro da Defesa e os três comandantes das Forças Armadas.

Baptista Junior revela em suas páginas que a resiliência das instituições em 2022 não foi automática, mas resultado de escolhas individuais de oficiais de alta patente em posições estratégicas. 

O testemunho do oficial foi utilizado nos autos da ação penal 2668 no Supremo Tribunal Federal (STF), que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de reclusão.

Os “cartões amarelos” de Bolsonaro e a pressão sobre o comandante

A colunista do jornal O Globo, Bela Megale, adiantou uma das revelações do livro. Em uma das tensas reuniões com a cúpula das Forças Armadas no Palácio do Alvorada, após a derrota nas eleições de 2022, Jair Bolsonaro dirigiu-se ao então comandante da Aeronáutica com um recado que soou como ameaça: “Já te dei dois cartões amarelos”.

Para Baptista Junior, a declaração foi uma tentativa clara de pressão diante dos posicionamentos legalistas que ele havia adotado publicamente. 

Em entrevistas aos jornais O GLOBO e à Folha de S.Paulo no fim de 2022, o comandante enfatizou que as Forças Armadas cumpririam a lei e prestariam continência ao presidente eleito, independentemente de quem fosse — afirmações que contrariavam as expectativas de Bolsonaro e motivaram os “cartões amarelos”.

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“Objetivos da medida de exceção não eram para garantir a paz social”, disse brigadeiro. Foto: Marcelo Camargo/ABR

Baptista Junior integrava o chamado “grupo dos quatro” — reuniões constantes entre ele, o general Freire Gomes (comandante do Exército), o almirante Almir Garnier (comandante da Marinha) e o general Paulo Sergio (ministro da Defesa). 

O militar da Aeronáutica detalha como esses encontros foram marcados por confrontos e divergências profundas sobre as medidas a serem adotadas diante da contestação eleitoral encampada pelo ex-presidente.

Em meio a esse ambiente, Baptista Junior conta no livro que chegou a dizer a Bolsonaro que ele não permaneceria no cargo após 1º de janeiro de 2023.

Livro traz 3 momentos em que a tentativa de glope foi frustrada

O militar traz no livro detalhes de três momentos em que a tentativa de golpe acabou frustrada. Ele confirmou encontros no Palácio da Alvorada e no Ministério da Defesa em que se discutiram medidas de exceção e os termos de uma minuta golpista — da qual se recusou a receber cópia. 

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“Eu disse NÃO”: tenente-brigadeiro Baptista Junior revela em livro as pressões de Bolsonaro para golpe. Imagem: Reprodução / Editora Autêntica

Baptista Junior contou que o general Freire Gomes alertou Bolsonaro de que ele seria preso se insistisse no golpe para impedir a posse de Lula. E revelou que o almirante Almir Garnier, então chefe da Marinha, colocou tropas da Força à disposição do plano golpista. Garnier foi posteriormente condenado pela Primeira Turma do STF a 24 anos de prisão por sua participação na tentativa de golpe de Estado.

Quem é o tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior

Carlos de Almeida Baptista Junior ingressou na Força Aérea Brasileira em 1975 e formou-se Oficial Aviador pela Academia da Força Aérea em 1981. Piloto de Caça e de Reconhecimento, acumulou mais de 4.500 horas de voo e dedicou quase cinco décadas de serviço à Aeronáutica.

Comandante da FAB entre abril de 2021 e janeiro de 2023, ele enfrentou uma etapa de forte tensão e uma atmosfera hostil protagonizada por Bolsonaro e a cúpula das Forças Armadas — um período em que a manutenção da ordem democrática dependeu, em parte, de decisões tomadas nos quartéis.

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Baptista Junior relata reunião com a cúpula mlitar: “Se você tentar isso, eu vou ter que lhe prender. Foi isso que ele disse”. Foto: Isac Nóbrega/PR

Baptista Junior fala com a segurança e autoridade de quem esteve na sala de decisão — não como espectador, mas como um dos atores que, segundo seu próprio relato, ajudou a manter as Forças Armadas longe do rompimento. 

Seu livro é descrito como um “testemunho raro, sincero e corajoso sobre a real espessura da crise institucional brasileira e sobre o que, afinal, fez com que a ruptura não se concretizasse”.

Em entrevista ao jornal O Globo, Baptista Junior explica o lançamento do livro

O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, concedeu entrevista exclusiva para a jornalista Bela Megale, do jornal O Globo e conta os motivos que o levaram a escrever o livro que confirma a tentativa de golpe por Jair Bolsonaro.

Confira os principais trechos da entrevista à Bela Megale.

Lançamento do livro em meio à polarização

Questionado sobre por que escolheu lançar o livro durante o período eleitoral, Baptista Junior afirmou que não tinha a menor intenção de influenciar as eleições.

Ele disse que não escreveu a obra para ser um instrumento de propaganda eleitoral de nenhum dos candidatos e que, no último capítulo, argumentava que os brasileiros também são culpados pelas mazelas do país, o que passa pelo voto, não apenas para presidente.

Por isso, avaliou que seria positivo se algumas pessoas pudessem ler e refletir sobre essa questão antes do pleito, para não se colocarem nem como vítimas nem como culpadas.

Sobre o fato de não ter publicado o livro antes, o ex-comandante explicou que não poderia fazê-lo enquanto ainda estava na ativa. T

ambém afirmou que não lançaria a obra durante o andamento das ações do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a tentativa de golpe, pois seria inimaginável testemunhar e escrever um livro logo em seguida. Além disso, lembrou que o processo de escrita e de encontrar uma editora leva tempo. Quando viu a possibilidade de lançá-lo antes das eleições, considerou que seria bom.

Momentos de tensão e a conversa com Bolsonaro após o 8 de janeiro

Questionado sobre o momento mais tenso que viveu na tentativa de golpe, Baptista Junior afirmou que os dias 14, 22 e 24 de novembro de 2022 foram muito tensos. Ele explicou que foi quando o presidente Bolsonaro acreditou na possibilidade de o Instituto Voto Legal ter encontrado um erro nas urnas.

Sobre a última conversa com Bolsonaro depois do 8 de janeiro, o ex-comandante relatou que, cerca de dez dias após os ataques, viu na televisão uma tarja embaixo de uma entrevista do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, dizendo que muitos dos erros de Bolsonaro eram culpa dos militares. Ele tirou uma foto da tela e a enviou para Bolsonaro, que estava nos Estados Unidos.

Em seguida, o ex-presidente ligou para ele. Baptista Junior contou que alertou Bolsonaro sobre o que estava acontecendo, dizendo que, depois de tudo aquilo, quem levaria toda a carga seriam as Forças Armadas e que ele poderia ter acabado com aquilo.

Segundo o ex-comandante, Bolsonaro respondeu que não seria capaz de mudar o pensamento daquelas pessoas. Para Baptista Junior, porém, Bolsonaro poderia ter mandado todo mundo para casa e reconhecido a derrota.

Balanço: confiabilidade das Forças e custo pessoal

Perguntado se os militares ganharam ou perderam com Bolsonaro na Presidência, Baptista Junior avaliou que as Forças perderam confiabilidade. Ele explicou que sempre houve uma parte da sociedade, até pelo processo histórico, que não tinha um bom alinhamento ou uma boa percepção das Forças Armadas, mas que agora esse leque se ampliou.

Ainda assim, disse confiar que as Forças Armadas vão recuperar essa confiabilidade mantendo sua postura de Estado, de que não estão ali para defender A ou B.

Sobre o maior custo pessoal por manter a postura legalista, o ex-comandante confessou que sentiu muito perder amigos, mas afirmou que sua amizade com essas pessoas não poderia depender de elas ficarem fazendo uma revolução ou um golpe de Estado em grupos de WhatsApp, fragilizando a postura legalista da Força Aérea que serviram ou da instituição que disseram amar e proteger.

O pior, porém, foi ouvir um grande amigo mandar um major atacar os comandantes da Força Aérea e do Exército e suas famílias. Para Baptista Junior, colocar a família nisso passou do limite, e ele disse ter certeza de que Walter Braga Netto se arrependeu.

Saiba mais sobre o livro “Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista”

“Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista” (Autêntica Editora, 240 páginas) narra em primeira pessoa o período entre abril de 2021 e janeiro de 2023 — o momento mais tenso da relação entre Bolsonaro e a cúpula militar. 

O tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior acompanhou de perto as pressões para que as Forças Armadas aderissem a uma tentativa de ruptura institucional, que teria seu desfecho nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

A obra remonta ao início do governo Bolsonaro, em 2019, atravessa a gestão da pandemia e desemboca na crise militar de 2021, quando o então presidente trocou o ministro da Defesa e os três comandantes das Forças. No período eleitoral de 2022, o relato passa pela pressão sobre o sistema eleitoral e pelas reuniões de alta tensão da disputa presidencial, até os meses decisivos entre os dois turnos e a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.

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Ex-comandante da FAB revela em livro pressão de Bolsonaro para golpe . Imagem: Reprodução Autêntica Editora

O autor justifica a decisão de escrever o livro a partir da percepção de um fenômeno social inquietante: pesquisa do Instituto AtlasIntel, realizada entre 6 e 9 de janeiro de 2023, revelou que 39,7% da população não acreditava na vitória de Lula sobre Bolsonaro. “Em um dado ainda mais preocupante, 36,8% dos entrevistados declararam ser favoráveis a uma intervenção militar que anulasse o resultado das eleições de 2022”, afirma o oficial.

Onde comprar o livro sobre como Bolsonaro pressionou pelo golpe:

Relembre a tentativa de golpe e o papel das Forças Armadas

Em 8 de janeiro de 2023, o Brasil assistiu a uma das mais graves investidas contra o Estado Democrático de Direito desde o fim da ditadura empresarial-militar. 

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Bolsonaristas na tentativa de golpe de estado em 8 de janeiro. Foto: Joédson Alves/Agencia Brasil

Milhares de pessoas, motivadas por discursos golpistas e por uma campanha sistemática de desinformação, invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília, na tentativa de romper a ordem democrática e impedir o funcionamento das instituições republicanas.

Os ataques não foram atos isolados. Tiveram início em meados de 2021, com um ataque deliberado às urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral, e culminaram no 8 de janeiro. 

A radicalização do movimento foi marcada pela recusa do resultado das eleições de 2022, pela conivência de setores civis e militares e pela disseminação de discursos que naturalizavam a ruptura institucional como solução política.

O papel das Forças Armadas nesse contexto foi decisivo. Como revela Baptista Junior, a adesão dos militares ao plano golpista não foi unânime. O comandante da Aeronáutica e o general Freire Gomes, do Exército, resistiram às pressões de Bolsonaro, enquanto o almirante Almir Garnier, da Marinha, colocou tropas à disposição do plano.

O STF já responsabilizou 1.399 pessoas pelos crimes cometidos no contexto da tentativa de golpe. Desse total, 564 celebraram Acordos de Não Persecução Penal, 420 foram condenadas a penas privativas de liberdade e multas que somam cerca de R$ 30 milhões em danos morais coletivos, e outros 415 tiveram penas substituídas por prestação de serviços.

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Almir Garnier negou ter colocado tropas à disposição, mas foi condenado pela tentativa de golpe de Estado. Foto: Gustavo Moreno/STF

A condenação do almirante Almir Garnier a 24 anos de prisão, em setembro de 2025, foi um marco na responsabilização dos militares envolvidos na trama. O ex-comandante da Marinha foi considerado culpado em todos os cinco crimes apontados pela Procuradoria-Geral da República: golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado contra patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

O relato de Baptista Junior em “Eu disse NÃO” é mais um importante documento sobre o 8 de janeiro — a visão de dentro de quem, no momento decisivo, disse não à ruptura e ajudou a preservar a democracia brasileira.

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Times | CNBC AMERICAN ANALYTICS: Diferença entre Flávio e Lula em SP chama atenção pelo histórico do estado, diz cientista político Leonardo Paz

13 de Agosto de 2026, 22:38

O cientista político e professor de Relações Internacionais do Ibmec Leonardo Paz analisou, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, os resultados da pesquisa Times | CNBC AMERICAN ANALYTICS, que mostra Flávio com 36% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Lula.

Segundo o professor, a leitura leva em conta o histórico eleitoral paulista, onde candidatos do PT tradicionalmente enfrentam maior resistência.
“São Paulo tradicionalmente não vota muito no PT, o Lula sofre muito para pontuar lá”, disse.

Na avaliação de Paz, o fato de a distância entre os dois principais candidatos ser de apenas três pontos percentuais chama atenção justamente por esse contexto.

Leia também: DECISÃO 2026 – Flávio Bolsonaro lidera corrida presidencial em SP e aparece à frente de Lula no 2º turno, indica pesquisa AMERICAN ANALYTICS Times Brasil | CNBC

Tarcísio ainda não transfere todo o apoio para Flávio, avalia Paz

O cientista político também comparou o desempenho de Flávio Bolsonaro com a força eleitoral de Tarcísio de Freitas (Republicanos) no estado.

A pesquisa Times | CNBC AMERICAN ANALYTICS para o governo paulista mostra Tarcísio com 46% das intenções de voto, contra 29% de Fernando Haddad (PT).

Para Paz, a diferença entre os desempenhos sugere que o governador, apesar de ser aliado de Flávio, ainda não consegue transferir integralmente sua base eleitoral para o senador.

“O Tarcísio não está conseguindo carregar os seus votos todos para o Flávio Bolsonaro”, afirmou.

No segundo turno presidencial testado pela pesquisa, Flávio aparece com 46%, contra 41% de Lula. A vantagem numérica é de cinco pontos percentuais.

Nos demais confrontos, Lula registra 42% contra 36% de Renan Santos (Missão), 42% contra 37% de Romeu Zema (Novo) e empata em 41% com Ronaldo Caiado (PSD).

Relação com os EUA será desafio central

Além da leitura eleitoral, Paz afirmou que a relação com os Estados Unidos deve ser um dos principais desafios de política externa para quem assumir a Presidência em 2027.

“É o primeiro ponto: como é que o próximo presidente, seja Lula, seja Flávio Bolsonaro ou outro, vai lidar com os Estados Unidos”, afirmou.

O professor destacou que a relação bilateral atravessa um período de tensão e que o próximo governo terá de administrar questões comerciais, diplomáticas e políticas acumuladas nos últimos meses.

Na avaliação dele, uma eventual vitória de Lula poderia exigir uma reconstrução mais difícil do diálogo com Washington. Já uma vitória de Flávio Bolsonaro tenderia, segundo Paz, a encontrar um ambiente político mais favorável junto ao governo de Donald Trump, mas também poderia abrir discussões sobre quais concessões fariam parte de uma eventual negociação.

“Minha preocupação em relação ao Flávio é se ele vai realmente, para conseguir derrubar certas tarifas ou certas punições que o Brasil sofreu, entregar algo de fato em termos de negociação”, afirmou.

A avaliação é do cientista político e não representa uma conclusão sobre eventuais negociações futuras.

América Latina também entra no radar

Paz também apontou a América Latina como outro desafio relevante para o próximo governo.

No caso de uma reeleição de Lula, o professor destacou especialmente a relação com o presidente argentino Javier Milei, hoje marcada por divergências políticas.

Para ele, porém, interesses econômicos e comerciais podem levar a uma redução das tensões depois da eleição brasileira.

“Se o Lula ganha efetivamente, eu imagino que o Milei vai também baixar um pouco o perfil dele, até porque eventualmente ele precisa do Brasil”, disse.

Em uma eventual gestão Flávio Bolsonaro, Paz vê maior facilidade de diálogo político com governos de direita da região, mas disse não identificar, até agora, um projeto claro de integração regional associado a esse campo político.

“Eu não consigo ver, de certa maneira, nenhum grande projeto”, afirmou.

Leia também: Times | CNBC AMERICAN ANALYTICS: Economia e infraestrutura serão desafios centrais do próximo governo de SP, diz economista César Bergo

Governo Lula tem 55% de desaprovação em São Paulo

A pesquisa também mostra que 55% dos entrevistados em São Paulo desaprovam o governo Lula, enquanto 35% aprovam a administração federal. Outros 10% não souberam responder ou preferiram não opinar.

Na avaliação detalhada, 37% consideram o governo péssimo e 13%, ruim. Outros 20% classificam a gestão como regular, enquanto 16% avaliam como boa e 12%, ótima.

A pesquisa Times | CNBC AMERICAN ANALYTICS foi realizada entre os dias 4 e 8 de agosto de 2026 e ouviu 1.500 pessoas no estado de São Paulo. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado sob os números SP-03436/26 e BR-03025/26.

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Flávio Bolsonaro oficializa candidatura com patrimônio 370% maior que em 2018

13 de Agosto de 2026, 22:34
Flávio Bolsonaro e sua próspera franquia da Kopenhagen. Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou patrimônio de R$ 8.186.555,83 ao registrar seu pedido de candidatura à Presidência da República no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O valor representa um crescimento nominal de 370% em relação aos R$ 1.741.758,15 informados em 2018, quando foi eleito senador pelo Rio de Janeiro. O registro para a eleição de 2026 aparece no sistema como “aguardando julgamento”.

No recorte das quatro últimas eleições disputadas pelo filho mais velho de Jair Bolsonaro, o patrimônio declarado aumentou mais de onze vezes. Flávio informou R$ 714 mil em 2014; R$ 1,45 milhão em 2016; R$ 1,75 milhão em 2018; e R$ 8,2 milhão em 2026. Entre a primeira e a última declaração da série, a alta foi de 1.045,9%, uma diferença de R$ 7.472.161,14.

Na eleição de 2018, o total subiu 19,8% em relação a 2016, para R$ 1.741.758,15. Flávio declarou um apartamento de R$ 917.038,09 e uma sala comercial de R$ 150 mil, ambos na Barra da Tijuca; R$ 558.220,06 em aplicações; um Volvo avaliado em R$ 66,5 mil; e metade da Bolsotini Chocolates e Café.

As operações financeiras e imobiliárias realizadas durante seus mandatos na Assembleia Legislativa do Rio posteriormente entraram no debate sobre o caso da “rachadinha” em seu antigo gabinete. A investigação foi encerrada depois que STF e STJ anularam provas, sem julgamento do mérito das suspeitas.

 

O salto mais expressivo aparece agora. Dos R$ 8,186 milhões declarados em 2026, R$ 6.226.043,80 correspondem à casa de Flávio no Lago Sul, em Brasília. O imóvel representa 76% de todo o patrimônio informado.

O senador também declarou R$ 1.090.520,47 em um fundo multimercado, R$ 568.730,23 em diferentes bancos, R$ 133 mil em um veículo, R$ 103.746,23 em poupança e outros R$ 64.515,10 em aplicações e participações empresariais. Em 2024, Flávio desembolsou R$ 3,4 milhões para quitar o financiamento da mansão.

Um mês antes do registro, o ex-deputado Julian Lemos, antigo aliado da família Bolsonaro, afirmou que a fortuna de Flávio poderia chegar a R$ 700 milhões, no entanto, Lemos não apresentou documentos que sustentassem a estimativa. A ficha entregue ao TSE coloca o patrimônio declarado muito abaixo dessa cifra.

Flávio Bolsonaro admite e-mails do Missão, mas diz que foram tratados como “spam”

13 de Agosto de 2026, 22:10
O senador Rogério Marinho, o candidato à presidência Flávio Bolsonaro, Dani Marcos, coordenadora do plano de governo e o vice da chapa do PL, Alfredo Gaspar. Reprodução YT

 

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que seu gabinete recebeu e-mails automáticos do Partido Missão antes da descoberta de que ele havia sido registrado como filiado à legenda. As mensagens, segundo o presidenciável, foram ignoradas por parecerem spam.

A declaração foi feita em uma transmissão realizada na noite desta quinta-feira (13), com a participação do candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar e de Dani Marcos, integrante da equipe responsável pela coordenação do plano de governo da chapa e do Senador Rogério Marinho.

“Chegou no meu gabinete alguns e-mails automáticos desse partido aí. Como ninguém conhece, acaba que a assessoria vê aquilo e acha que é spam”, declarou Flávio.

Flávio Bolsonaro confirma alegação do partido Missão: sua assessoria recebeu emails sobre a filiação fraudulenta, mas considerou que era “spam” pic.twitter.com/FNCwS6wVad

— Sam Pancher (@SamPancher) August 14, 2026

O senador levou uma das mensagens impressas para a live e afirmou que o e-mail cobrava um pagamento que não teria sido realizado dentro do prazo. “É reclamando que não recebeu o meu pagamento em dez dias”, disse.

A filiação ao Missão apareceu no sistema da Justiça Eleitoral e impediu inicialmente o registro da candidatura de Flávio à Presidência pelo PL. O senador classifica o episódio como uma fraude e nega que tenha solicitado a entrada na legenda.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que não houve invasão ao sistema da Justiça Eleitoral. O registro foi realizado por alguém com credenciais do próprio Missão e autorização para cadastrar filiações partidárias.

Durante a transmissão, Flávio também rebateu a acusação feita pelo deputado federal André Janones (Avante-MG) de que ele teria encenado o episódio para desacreditar a Justiça Eleitoral. Janones não apresentou provas da alegação.

Janones acusa Flávio Bolsonaro de forjar filiação fake para atacar Justiça Eleitoral

13 de Agosto de 2026, 21:14
Janones
O deputado federal, André Janones (REDE-MG). Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

O deputado federal André Janones (Avante-MG) acusou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de ter encenado a própria filiação ao Partido Missão para descredibilizar a Justiça Eleitoral. Em publicação nas redes sociais nesta quarta-feira (13), Janones disse que o senador teria pago alguém para incluí-lo em outra legenda, mas não apresentou provas da acusação.

A declaração foi feita após Flávio aparecer como filiado ao Missão no sistema da Justiça Eleitoral, o que impediu inicialmente o registro de sua candidatura à Presidência pelo PL. Janones afirmou que o episódio repetiria, segundo sua versão, a estratégia usada pela família Bolsonaro após a facada contra Jair Bolsonaro em 2018.

O TSE informou que a filiação não foi resultado de ataque ao sistema eleitoral. Segundo o tribunal, o registro foi feito por alguém que tinha credenciais do Partido Missão para efetivar filiações, e não por uma invasão à plataforma da Justiça Eleitoral.

Todo mundo sabe o que aconteceu. O próprio Flávio pagou alguém pra filiar ele em outro partido para tentar tentar descredibilizar a justiça eleitoral. Seguiram o mesmo roteiro da facada forjada em 2018 pra eleger Bolsonaro. Só que dessa vez deu ruim pra eles. Isso é só uma…

— André Janones (@AndreJanonesMG) August 13, 2026

A filiação de Flávio ao PL foi retomada pelo TSE após a checagem do caso, permitindo que o senador voltasse a constar na legenda pela qual pretende disputar a Presidência. A informação do tribunal, no entanto, não identifica quem usou as credenciais do Missão nem atribui a operação a Flávio Bolsonaro.

Ao final, Janones afirmou que jogará “com todas as armas” para “exterminar esses vermes”.

De Lula a Silvio Santos: relembre casos de filiações partidárias sem autorização

13 de Agosto de 2026, 19:57
Lula e Silvio Santos
Por Cleber Lourenço A aparição de Flávio Bolsonaro como filiado ao Missão sem reconhecer a mudança de partido não é um episódio isolado na história da Justiça Eleitoral. O senador entrou para uma lista que já teve Lula registrado no PL, Nikolas Ferreira apontado como integrante do PT e até Silvio Santos vinculado ao partido […]

Confira quando sai a nova pesquisa Quaest para presidente

13 de Agosto de 2026, 18:11

A nova pesquisa Quaest sobre a corrida presidencial de 2026 será divulgada nesta sexta-feira (14), com números atualizados do primeiro e segundo turnos, além de perguntas sobre inteligência artificial, rejeição e interferência estrangeira na eleição.

A pesquisa, encomendado pelo Grupo Globo, ouviu 2.004 eleitores em entrevistas presenciais entre segunda (10) e quinta-feira (13), com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro no TSE tem o número BR-06773/2026.

O que a nova pesquisa Quaest de 14 de agosto vai medir

Além da intenção de voto para presidente da República, o questionário da pesquisa Quaest traz perguntas sobre:

  • Inteligência artificial – como os eleitores percebem o uso de IA nas campanhas eleitorais;
  • Rejeição aos candidatos – quais nomes os eleitores conhecem e em quais não votariam de maneira alguma;
  • Interferência estrangeira – se governos de outros países tentam influenciar o processo eleitoral brasileiro;
  • Sentimentos em relação aos candidatos ;
  • Percepção sobre economia, emprego e preços dos alimentos;
  • Quem o eleitor acredita que vencerá a eleição, independentemente da intenção de voto.

A pesquisa Quaest testa 13 nomes no primeiro turno e quatro simulações de segundo turno: Lula x Flávio Bolsonaro, Lula x Renan Santos, Lula x Romeu Zema e Lula x Ronaldo Caiado. Esta é a última pesquisa antes do início da propaganda eleitoral, que começa no domingo (16).

Quais os números da última pesquisa Quaest de 5 de agosto

  • 1º turno: Lula (PT) lidera com 39% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 30%. Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) aparecem com 4% cada, e Romeu Zema (Novo) tem 2%.

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  • 2º turno (Lula x Flávio Bolsonaro): Lula tem 44% contra 39% de Flávio — vantagem de cinco pontos.
  • Aprovação do governo e do presidente Lula: 48% aprovam o governo, 47% desaprovam e 5% não responderam. A avaliação positiva do governo é de 36%, negativa de 36% e regular de 26%.

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A série histórica da pesquisa Quaest para o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, desde maio de 2026, é a seguinte:

  • Maio de 2026: Lula com 42% e Flávio Bolsonaro com 41%.
  • Junho de 2026: Lula com 44% e Flávio Bolsonaro com 38%.
  • Julho de 2026: Lula com 45% e Flávio Bolsonaro com 37%.
  • Agosto de 2026: Lula com 44% e Flávio Bolsonaro com 39%.

Esta série mostra a vantagem de Lula oscilando: de 1 ponto em maio (empate técnico), para 6 em junho, 8 em julho, e recuando para 5 pontos em agosto.

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TSE restabelece filiação de Flávio Bolsonaro ao PL e libera registro de candidatura

13 de Agosto de 2026, 17:04

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) restabeleceu nesta quinta-feira (13) a filiação de Flávio Bolsonaro ao Partido Liberal (PL) e liberou a retomada do registro de sua candidatura à Presidência. Saiba mais na TVT News.

A decisão foi tomada pelo presidente da Corte, ministro Kássio Nunes Marques, após uma alteração no sistema da Justiça Eleitoral vincular o parlamentar ao partido Missão e impedir inicialmente o registro.

O ministro também ordenou a exclusão do registro que o vinculava ao Missão e liberou o Sistema CANDex, utilizado para encaminhar os pedidos de registro de candidatura.

A decisão atende a um pedido de tutela de urgência apresentado pela defesa de Flávio. Com a determinação, a campanha poderá prosseguir com o registro dentro do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral, que termina às 19h deste sábado (15).

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TSE aponta alteração sem manifestação de Flávio

Segundo Nunes Marques, os documentos apresentados pela defesa demonstram que Flávio permanecia regularmente filiado ao PL.

Entre a noite de quarta-feira (12) e a manhã desta quinta, porém, um novo registro foi incluído no Sistema de Filiação Partidária (FILIA), provocando a desfiliação automática do senador e sua inclusão no Missão.

O ministro afirmou que não houve manifestação de vontade de Flávio para a mudança e ressaltou que a filiação partidária é uma condição de elegibilidade que não pode ser retirada por ação de terceiros.

“A filiação partidária constitui condição de elegibilidade e pressuposto para o exercício do direito de ser votado, não podendo ser suprimida por ato de terceiro estranho à vontade do filiado”, escreveu o ministro.

Mudança para o Missão é considerada incompatível

Nunes Marques também considerou o cenário da disputa presidencial, em que Flávio é o candidato anunciado pelo PL à Presidência, enquanto o Missão já tem Renan Santos como candidato ao mesmo cargo.

Na avaliação do ministro, o contexto torna pouco provável que Flávio tenha decidido voluntariamente trocar de partido.

“O Partido Missão, por sua vez, já possui candidato próprio e assumido ao mesmo cargo, circunstância que torna inverossímil a alegação de que o requerente teria migrado voluntariamente para agremiação que já anuncia a disputa à Presidência com outro nome”, afirmou.

O ministro também apontou risco de prejuízo à candidatura diante da proximidade do fim do prazo para registro.

Polícia Federal vai investigar alteração

Além de restabelecer o vínculo de Flávio com o PL, Nunes Marques determinou que o TSE preserve registros de acesso e logs do Sistema FILIA relacionados à alteração.

O ministro encaminhou o caso à Polícia Federal e determinou a abertura de investigação para identificar a autoria e esclarecer as circunstâncias da mudança no cadastro partidário.

O episódio veio à tona na manhã desta quinta (13), quando a campanha de Flávio tentou registrar sua candidatura e descobriu que o senador aparecia como filiado ao Missão. A alteração havia impedido o procedimento, já que as convenções partidárias terminaram em 5 de agosto.

Defesa diz que mudança ocorreu em menos de 11 horas

Na ação apresentada ao TSE, a defesa afirmou que Flávio estava filiado ao PL de forma ininterrupta desde novembro de 2021.

Os advogados anexaram uma certidão emitida às 23h17 de quarta-feira que ainda registrava a filiação do senador ao PL como “regular e exclusiva”. Menos de 11 horas depois, o sistema apontava o cancelamento do vínculo e a inclusão no Missão.

A defesa sustentou que a alteração ocorreu sem autorização do senador e poderia o retirar da disputa presidencial.

Os advogados também argumentaram que as regras do TSE exigem manifestação expressa do filiado para a desfiliação partidária e permitem a reversão do cancelamento por decisão judicial.

Com a decisão de Nunes Marques, Flávio Bolsonaro volta a constar como filiado ao PL e fica autorizado a dar continuidade ao registro de sua candidatura à Presidência dentro do prazo eleitoral.

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Alguém explica? Flávio Bolsonaro diz não entender por que mulheres preferem Lula

31 de Julho de 2026, 17:00
O senador Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) questionou nesta sexta-feira (31) as pesquisas que apontam maior preferência das mulheres por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e acusou o presidente de usar o governo federal para retaliar São Paulo. O senador participou de um café da manhã com vereadores na capital paulista.

Flávio afirmou não entender por que mulheres indicam maior apoio a Lula, apesar de associar pautas femininas à direita. “Parece que aquele que defende as mulheres está defendendo a pauta errada”, disse durante o encontro no QG de sua pré-campanha, na zona sul da cidade.

Nas últimas semanas, por exemplo, o blogueiro Paulo Figueiredo iniciou uma campanha para retroceder o direito feminino ao voto, alegando que apenas mulher casadas acertavam nas escolhas, mas por influencias dos seus maridos. Neto do ex-ditador João Figueiredo, o blogueiro é um dos principais aliados dos irmãos Bolsonaro.

Também pesa contra o senador a relação com sua madrasta, Michelle Bolsonaro. Apesar da trégua para confirmar sua candidatura à Presidência, a ex-primeira-dama gravou um vídeo de quase 30 minutos para expor o destrato dentro do âmbito familiar, o que reforçou a imagem misógina dentro do bolsonarismo.

Dados do Datafolha divulgados em 24 de julho indicam que 50% das mulheres não votariam em Flávio de jeito nenhum no primeiro turno. Para Lula, o índice nesse grupo é de 44%. As mulheres representam 52,84% do eleitorado brasileiro, e a rejeição total do senador chega a 48%, ante 46% do presidente.

IRONIA! Flávio Bolsonaro diz que não compreende porque as mulheres rejeitam ele, será mesmo que não compreende? Manda esse vídeo pra ele que ele passa a entender rapidinho quando vê a quantidade de bizarrice que seu pai disse e fez com mulheres. pic.twitter.com/M9mkrRUZii

— Eixo Noticias (@oeixooficial) July 31, 2026

Acusação envolve crédito para São Paulo

Flávio também disse que Lula se “vinga” de São Paulo por causa do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), ambos aliados de sua pré-candidatura. “A prefeitura, o governo do estado implorando para liberar um financiamento, que o estado e a cidade têm condições de pagar”, afirmou.

Sem detalhar quais operações de crédito estariam travadas, o senador acusou o Planalto de perseguir adversários. Nunes endossou a crítica e classificou como “perseguição política” a demora na liberação de uma operação de crédito de R$ 4 bilhões, que, segundo ele, aguarda aval desde abril.

Em março, Lula disse que o governo federal participa de todas as obras realizadas no estado. “Não estamos fazendo favor, é obrigação, mas queria que o governo estadual reconhecesse que metade vem deles e metade vem do governo federal”, declarou o presidente em agenda pública.

O encontro reuniu Tarcísio, Nunes e os pré-candidatos ao Senado André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), além de vereadores de partidos de centro e direita. A estratégia de Flávio mira lideranças municipais com contato direto com o eleitorado paulista.

Ao falar sobre segurança e políticas de drogas, o senador atacou a esquerda e citou o programa “De Braços Abertos”, criado na gestão de Fernando Haddad (PT) na Prefeitura de São Paulo, entre 2013 e 2016. A iniciativa oferecia moradia, trabalho e cursos de capacitação a usuários de drogas na região da cracolândia; Flávio a chamou de “bolsa crack”.

São Paulo é o maior colégio eleitoral do país e concentra aliados importantes para o senador. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana apontou Flávio à frente de Lula em um eventual segundo turno no estado, por 40% a 35%; no primeiro turno, os dois aparecem tecnicamente empatados, com 34% e 30%, respectivamente.

Justiça condena Nikolas a pagar R$ 20 mil ao PT por post sobre tráfico

31 de Julho de 2026, 15:56
Deputado federal Nikolas Ferreira durante sessão no plenário da Câmara dos Deputados
Deputado federal Nikolas Ferreira durante sessão no plenário da Câmara dos Deputados. Foto: Reprodução

A Justiça do Distrito Federal condenou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) a pagar R$ 20 mil por danos morais ao Partido dos Trabalhadores (PT), após ele chamar a sigla de “PT – Partido dos Traficantes” em uma publicação no X. A sentença, assinada na quinta-feira (30), também prevê a remoção da postagem após o fim das possibilidades de recurso.

O juiz Wagner Pessoa Vieira, da 5ª Vara Cível de Brasília, concluiu que a mensagem ultrapassou os limites da crítica política ao relacionar diretamente o partido ao tráfico de drogas sem apresentar base factual. “A crítica política pode ser dura, ácida, irônica e injusta, mas não pode, sem suporte mínimo de veracidade, creditar associação direta da pessoa jurídica a crimes”, escreveu.

O PT entrou com a ação pedindo a exclusão da publicação e uma indenização de R$ 40 mil. O partido sustentou que a frase atingiu sua honra e sua imagem institucional ao vinculá-lo a uma atividade criminosa.

Na decisão, o magistrado afirmou que partidos políticos aceitam críticas mais severas no debate público, mas apontou que Nikolas publicou a acusação em seu perfil pessoal sem citar investigação, processo, dado oficial ou outro elemento concreto que sustentasse a associação.

Publicação difamatória de Nikolas no X. Foto: reprodução

Juiz rejeitou imunidade parlamentar alegada pela defesa

A defesa do deputado pediu a rejeição da ação e alegou que a postagem estava protegida pela imunidade parlamentar e pela liberdade de expressão. Também afirmou que se tratava de crítica política, sem imputação de um crime específico, e solicitou que uma eventual indenização ficasse em R$ 5 mil.

Wagner Pessoa Vieira rejeitou esse argumento. Para o juiz, manifestações fora do Congresso só recebem proteção da imunidade quando mantêm vínculo com o exercício do mandato, como atos de fiscalização pública ou participação em debates legislativos.

O magistrado avaliou que a postagem não tratava de fiscalização parlamentar e teve como objetivo desqualificar um partido adversário. Ele afirmou que a indenização não busca censurar o debate político, mas impede que redes sociais sejam usadas para associar pessoas ou instituições a crimes sem fundamento.

Além dos R$ 20 mil, Nikolas terá de pagar as custas do processo e os honorários dos advogados do PT, definidos em 15% sobre o valor atualizado da indenização. Caso a publicação permaneça no ar cinco dias após o trânsito em julgado, o deputado poderá receber multa diária de R$ 1 mil, limitada a R$ 60 mil.

Flávio Bolsonaro pode sofrer nova derrota com o Republicanos

31 de Julho de 2026, 14:53
Flávio Bolsonaro e Marcos Pereira em sessão do Congresso Nacional
Flávio Bolsonaro e Marcos Pereira em sessão do Congresso Nacional. Foto: Reprodução

O Republicanos marcou sua convenção para esta terça-feira (4) e deve rejeitar uma aliança nacional com o senador Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. A direção da legenda consulta os diretórios estaduais, e a maioria defende neutralidade na disputa.

O presidente do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), conduz a consulta interna antes da convenção. São Paulo surge como exceção: aliados do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) defendem uma coligação com o PL.

O PP também decidiu não apoiar Flávio Bolsonaro. A cúpula partidária se reuniu em São Paulo na quarta-feira (29) e optou por liberar os diretórios estaduais para apoiar candidatos conforme as alianças e condições políticas de cada região.

Com as decisões do PP e a provável liberação do Republicanos, Flávio terá o PL como único apoio partidário nacional. O senador disporá de 4 minutos e 20 segundos em cada bloco de 12 minutos e 30 segundos da propaganda eleitoral no rádio e na TV, enquanto o presidente Lula (PT) terá 5 minutos e 32 segundos.

O presidente Lula. Foto: Divulgação

Dirigentes do Republicanos avaliam que a neutralidade pode ajudar a ampliar as bancadas federais do partido em outubro. Em vários estados, a legenda integra alianças ligadas ao governo Lula ou enfrenta o PL em disputas locais, o que dificulta uma posição nacional unificada.

O líder do Republicanos na Câmara, deputado Augusto Coutinho (PE), afirmou que o diretório pernambucano aprovou internamente a independência. “Estamos coligados com o PSB, [o senador] Humberto Costa [PT] e Marília [Arraes, do PDT]. Como a gente não consegue levar o partido para o presidente Lula, trabalhamos pela neutralidade”, disse.

No Maranhão, o presidente estadual do partido, deputado federal Aluísio Mendes, também defendeu neutralidade e citou divergências com o presidente local do PL, José Maria Maranhãozinho. “Combato ele e a forma dele de fazer política desde que eu era secretário de Segurança Pública do Maranhão”, afirmou.

O diretório do Mato Grosso do Sul adotou posição diferente e defendeu o apoio a Flávio Bolsonaro, por estar coligado com PL e PP no estado. O presidente regional do Republicanos, deputado federal Beto Pereira, disse que considera a adesão “mais assertiva”, mas reconheceu que “a tendência [nacional] é a liberação”.

Aos Fatos confirma foto publicada pelo ICL e desmente alegação de montagem

21 de Julho de 2026, 15:37
Por Luiz Fernando Menezes – Aos Fatos Não é verdade que uma imagem que circula nas redes provaria que é montagem a foto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário. O registro apontado em posts como original, que mostra o político ao lado de um apoiador, contém marcas d’água e anomalias de […]

PF recomenda demissão de Eduardo Bolsonaro por abandono de cargo

21 de Julho de 2026, 15:00
STF abre inquérito contra Eduardo Bolsonaro por atuação nos EUA; Moraes será relator
A Polícia Federal (PF) concluiu o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e e recomendou, ao Ministério da Justiça, a demissão do ex-deputado do cargo de escrivão da corporação. A decisão cabe ao ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva. Eduardo está nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e, […]

VÍDEO: Ao lado de Flávio Bolsonaro, André Fernandes manda indireta para Michelle

11 de Julho de 2026, 10:23
André Fernandes e Flávio Bolsonaro em evento do PL-CE. Foto: reprodução

Um ato do PL em Fortaleza nesta sexta-feira (10), com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), expôs a crise interna da família Bolsonaro e a resistência de parte da base bolsonarista à aliança com Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo do Ceará. Durante o evento, o deputado federal André Fernandes (PL-CE), presidente da sigla no estado, mandou uma indireta para a ex-primeira-dama, chamando o ex-presidente Jair Bolsonaro de “nosso galego”, apelido carinhoso dado por ela.

O evento lançou a pré-candidatura do deputado estadual Alcides Fernandes (PL) ao Senado e reuniu nomes bolsonaristas que pretendem disputar vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. O palanque também serviu para o grupo ligado a Flávio e André Fernandes avançar na montagem da chapa estadual.

Flávio e as demais lideranças que discursaram não citaram Ciro Gomes, apesar dos protestos no local. Um grupo de apoiadores levou cartazes com a mensagem “Ciro não”, e houve princípio de confusão quando outros presentes tentaram arrancar os cartazes das mãos dos manifestantes.

André Fernandes reagiu no microfone e atribuiu o tumulto a adversários. “Tem alguns petistas infiltrados, querendo bagunçar o nosso evento. Façam o seguinte, ignorem. Vamos derrubar o PT. A todo momento vai ter gente querendo dividir a oposição”, disse. Em seguida, afirmou: “Entenda aqui, petista, quem dá moral à merd* é mosca”.

🚨URGENTE – Deputado André Fernandes manda indireta para Michelle Bolsonaro em evento do PL no Ceará

“Nosso eterno presidente, NOSSO galego. Não é de ninguém individual, não tá! É NOSSO galego!” pic.twitter.com/7Xxs94HINI

— SPACE LIBERDADE  (@NewsLiberdade) July 11, 2026

Disputa com Michelle entrou no palanque do PL

André Fernandes também fez uma indireta à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao mencionar Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por golpe de Estado. “Eu fico olhando ali o rosto dele, o nosso eterno presidente. O nosso galego, não é de ninguém individual, não. É o nosso galego”, declarou, em referência ao apelido usado por Michelle para tratar o marido.

A crise entre Michelle e Flávio veio à tona no mês passado, quando a ex-primeira-dama publicou um vídeo com críticas ao enteado por causa das articulações no Ceará. Ela defendia a vereadora de Fortaleza Priscila Costa para a segunda vaga do PL ao Senado, além da candidatura de Alcides Fernandes.

A eventual entrada de Priscila na disputa ameaçava a aliança com Ciro Gomes, já que os tucanos devem indicar o segundo nome da chapa apoiada pelo PL. Michelle se opõe à parceria por considerar que Ciro fez ataques imperdoáveis a Jair Bolsonaro e aos filhos do ex-presidente.

Com Michelle afastada da exposição pública após renunciar à presidência do PL Mulher, Priscila viajou a Portugal nesta sexta-feira (10) para participar de um evento de mulheres conservadoras da Europa. A ausência abriu caminho para o grupo de André, Flávio e Alcides conduzir o ato sem interferência da ala ligada à ex-primeira-dama.

No discurso, Flávio fez acenos ao eleitorado feminino e prometeu endurecer penas para crimes contra mulheres. “Eu vou ser radical na segurança pública. Vocês mulheres vão ser finalmente protegidas no governo Bolsonaro. A gente vai botar agressor e assassino de mulher atrás das grades por 40 anos. Quem violenta mulher e criança vai ser preso e sofrer castração química”, afirmou.

O senador também repetiu a promessa de construir 500 mil vagas em presídios, defendeu a redução da maioridade penal e prometeu um conjunto habitacional no bairro Vila Velha, na periferia de Fortaleza. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da pré-campanha presidencial de Flávio, sugeriu que Priscila Costa pode disputar outro cargo, como deputada federal, mas o nome dela não apareceu entre os pré-candidatos à Câmara citados no palanque.

Boa André!!!!
NOSSO galego. pic.twitter.com/QaMMeZNHyO

— Marcele Rojo (@MarceleRojo) July 11, 2026

Milei quer visitar Jair Bolsonaro no Brasil, mas dependerá de autorização de Moraes

11 de Julho de 2026, 09:56
Jair Bolsonaro e Javier Milei

O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou que pretende visitar Jair Bolsonaro durante sua viagem ao Brasil neste mês.

O encontro, porém, dependerá de autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), já que o ex-presidente cumpre prisão domiciliar em Brasília e tem restrições quanto às visitas que pode receber.

Pelas condições impostas por Moraes, Bolsonaro só pode receber familiares, advogados e integrantes de sua equipe médica. Qualquer um fora dessa lista precisa ser previamente autorizada pelo STF.

Em entrevista à rádio argentina Now, Milei confirmou que desembarcará no Brasil em 25 de julho para participar do ato de lançamento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.

“No dia 25 viajo ao Brasil, a convite do candidato a presidente Flávio Bolsonaro. Vou estar em São Paulo e vou dar uma passada também por Brasília para cumprimentar Jair Bolsonaro”, declarou.

A visita faz parte da estratégia de Milei de fortalecer sua articulação com lideranças da extrema-direita na América Latina. O presidente argentino é um dos principais aliados internacionais da família Bolsonaro e tem afirmado repetidamente que Jair Bolsonaro é alvo de “perseguição judicial” no Brasil.

Ele também faz parte do grupo Escudo das Américas, montado por Marco Rubio, secretário de Estado americano, com governos lacaios na América Latina.

Os Estados Unidos realizarão, na próxima quinta-feira (16), em Washington, uma reunião internacional dedicada ao que o governo Donald Trump classifica como o “ressurgimento do terrorismo transnacional de esquerda”. O encontro será liderado por Rubio e contará com representantes de mais de 60 países convidados de diferentes regiões do mundo. O Brasil está na lista.

Segundo o Departamento de Estado, a conferência discutirá a cooperação internacional para enfrentar ameaças consideradas emergentes pelo governo americano. A falácia é uma preocupacão com o movimento “Antifa” (abreviação de antifascistas).

MILEI VIAJARÁ A BRASIL PARA RESPALDAR A FLAVIO BOLSONARO

El 25 de julio, Javier Milei viajará a San Pablo para participar del acto en que Flavio Bolsonaro será proclamado candidato presidencial de la derecha brasileña, y luego pasará por Brasilia para reunirse con el… pic.twitter.com/1BIoFKyXrJ

— Clarín (@clarincom) July 10, 2026

Milei diz que virá ao Brasil para lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro

10 de Julho de 2026, 22:34
Além da presença no evento do PL, o argentino também disse que pretende fazer uma passagem por Brasília para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro

Presidente do PL diz que Michelle ‘precisa colocar a cabeça no lugar’

5 de Julho de 2026, 11:30
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que pretende manter Michelle Bolsonaro como líder do PL Mulher e descartou a possibilidade de substituí-la no comando da ala feminina do partido. Segundo ele, a ex-primeira-dama possui um carisma único e é considerada um “fenômeno” dentro da legenda. Em vídeo, Valdemar declarou que ninguém teria […]

PGR defende que Mendonça relate pedido de investigação sobre filme Dark Horse

23 de Junho de 2026, 10:12

A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), seja o responsável por analisar o pedido de investigação relacionado ao financiamento do filme Dark Horse, produção que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Leia em TVT News.

O parecer foi apresentado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e enviado ao ministro Alexandre de Moraes, que havia solicitado manifestação do órgão antes de decidir sobre o caso.

A controvérsia gira em torno de um pedido apresentado pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que solicitou a ampliação das investigações envolvendo o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para incluir fatos relacionados ao financiamento do longa-metragem.

Segundo o parlamentar, há indícios de conexão entre os recursos destinados ao filme Dark Horse e a atuação internacional de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Após receber o parecer da PGR, Alexandre de Moraes encaminhou a questão ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. Caberá agora ao chefe da Corte decidir se o caso permanecerá sob a relatoria de Moraes, será transferido para André Mendonça ou se haverá um novo sorteio para definir o ministro responsável.

PGR vê conexão com investigações já conduzidas por Mendonça

No parecer encaminhado ao Supremo, Paulo Gonet argumenta que os fatos mencionados por Lindbergh Farias possuem ligação com investigações já existentes envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Segundo o procurador-geral, esse conjunto de apurações já tramita sob a supervisão de André Mendonça, o que justificaria a redistribuição do pedido para o gabinete do ministro.

“O episódio a que se refere a representação, entretanto, já é objeto de procedimento próprio na Suprema Corte, que tramita sob a supervisão do eminente ministro André Mendonça”, escreveu Gonet.

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André Mendonça, ministro do STF – Foto: Fellipe Sampaio/STF

A manifestação da PGR não analisa o mérito das acusações apresentadas pelo parlamentar petista nem se posiciona sobre eventual abertura de investigação. O parecer trata exclusivamente da definição de competência dentro do STF.

A avaliação da Procuradoria é que a conexão entre os fatos apontados por Lindbergh e as investigações já existentes recomenda a concentração dos procedimentos sob uma mesma relatoria.

Pedido surgiu após revelação de conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro

O pedido apresentado por Lindbergh Farias foi protocolado após a divulgação de conversas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, e o banqueiro Daniel Vorcaro.

As mensagens vieram à tona após reportagens revelarem que Flávio buscou recursos junto a Vorcaro para custear a produção do filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.

Com base nessas informações, Lindbergh sustentou que os recursos poderiam ter relação com a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e com iniciativas internacionais voltadas à defesa da anistia do ex-presidente.

O deputado pediu que Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro fossem incluídos nas investigações conduzidas por Moraes sobre a atuação de Eduardo Bolsonaro no exterior.

Segundo o parlamentar, seria necessário apurar se o dinheiro destinado ao longa-metragem Dark Horse foi efetivamente utilizado apenas para a produção audiovisual ou se parte dos recursos teve outras finalidades.

Relação com o caso envolvendo Eduardo Bolsonaro

A solicitação foi apresentada no âmbito do inquérito que investigou a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

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André Porciúncula, Eduardo Bolsonaro e ex-auxiliar de Mario Frias na Secretaria de Cultura do governo Jair Bolsonaro – Foto: Reprodução

Na semana passada, o ex-deputado foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O caso foi relatado por Alexandre de Moraes.

Ao protocolar o pedido de ampliação das investigações, Lindbergh Farias argumentou que existiria uma ligação entre o financiamento do filme e as ações desenvolvidas por Eduardo no exterior.

Segundo o parlamentar, os recursos poderiam ter sido empregados para custear a permanência do ex-deputado fora do Brasil ou para financiar iniciativas relacionadas à campanha internacional por sanções e tarifas em defesa da anistia de Jair Bolsonaro.

As suspeitas foram mencionadas também em documentos da Polícia Federal citados durante a tramitação do caso.

Flávio Bolsonaro recebeu milhões do Master para “Dark Horse”, filme sobre seu pai

Após a divulgação das conversas com Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro negou qualquer prática irregular.

O senador afirmou que o contato com o banqueiro teve como objetivo exclusivo buscar recursos privados para viabilizar a produção cinematográfica.

Segundo ele, não houve negociação de vantagens indevidas nem utilização dos valores para fins distintos daqueles relacionados ao filme Dark Horse.

A equipe do parlamentar também comentou o parecer apresentado pela Procuradoria-Geral da República.

Em nota enviada à imprensa, os assessores destacaram que a manifestação de Paulo Gonet sustenta a redistribuição do processo para André Mendonça.

“O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, apresentou manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF) defendendo que o ministro Alexandre de Moraes seja declarado incompetente para conduzir o julgamento relacionado ao caso Dark Horse.

No parecer, Gonet sustenta que o processo deve ser redistribuído ao ministro André Mendonça, apontado como prevento para analisar a matéria”, afirmou a equipe de Flávio Bolsonaro.

Eduardo Bolsonaro também rebate suspeitas sobre dinheiro de Dark Horse

Eduardo Bolsonaro igualmente rejeitou as hipóteses levantadas sobre eventual utilização de recursos ligados ao filme para sua permanência nos Estados Unidos.

O ex-deputado classificou as suspeitas como “toscas” e argumentou que sua situação migratória impediria o recebimento de valores dessa natureza.

Após a divulgação das conversas envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, também veio à tona a participação de Eduardo como produtor-executivo do filme.

A produção de Dark Horse ganhou repercussão nacional depois que reportagens revelaram a busca de financiamento para viabilizar as gravações da obra.

O que é o caso Dark Horse

O filme Dark Horse é uma cinebiografia que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A produção passou a ocupar espaço no debate político após a divulgação de mensagens que indicariam uma tentativa de captação de recursos junto ao empresário Daniel Vorcaro.

O banqueiro está preso em decorrência das investigações relacionadas ao chamado caso Master, conjunto de apurações que já tramita sob relatoria de André Mendonça no STF.

Foi justamente essa conexão que levou a Procuradoria-Geral da República a defender que o novo pedido seja analisado pelo mesmo ministro.

Na avaliação do órgão, a existência de elementos comuns entre os procedimentos recomenda a concentração dos casos sob uma única relatoria, evitando decisões conflitantes e permitindo uma análise integrada dos fatos.

Fachin decidirá futuro do processo

Com o parecer da PGR nos autos, Alexandre de Moraes optou por não decidir sozinho sobre a definição do relator.

O ministro encaminhou a questão ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, que deverá analisar os argumentos apresentados e definir o destino do procedimento.

Entre as possibilidades estão a manutenção do caso com Moraes, a transferência para André Mendonça ou a realização de um sorteio para indicar outro integrante da Corte.

A decisão será importante para determinar os próximos passos do pedido apresentado por Lindbergh Farias e para definir qual gabinete ficará responsável por avaliar a abertura ou não de uma investigação sobre os recursos destinados ao filme Dark Horse.

Até que essa definição ocorra, não há deliberação do STF sobre o mérito das acusações nem sobre eventual responsabilização dos envolvidos.

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Flávio Bolsonaro se inscreve para encenar suposta defesa do Brasil contra “TariFlávio” nos EUA

23 de Junho de 2026, 09:54
O senador Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se inscreveu para discursar em uma audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sobre o novo tarifaço contra o Brasil. A sessão está marcada para 6 de julho, e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu cinco minutos de fala como representante do Senado Federal e pré-candidato à Presidência.

Ao Globo, aliados afirmaram que Flávio deve defender a suspensão da proposta de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e também o Pix, alvo de críticas do governo Donald Trump por suposta concorrência desleal. O prazo para os Estados Unidos decidirem se adotarão ou não as medidas termina em 15 de julho, cerca de uma semana após a audiência.

No início de junho, o USTR concluiu uma investigação contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio estadunidense, mecanismo que permite a Washington reagir a práticas consideradas injustas. O órgão questionou políticas brasileiras ligadas ao comércio digital e ao Pix, além de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e questões ambientais.

A última segunda-feira foi a data-limite para pedidos de participação na audiência. A comissão deve divulgar nos próximos dias a lista de participantes. O governo Lula não inscreveu representantes.

A discussão ocorre em meio ao desgaste de Flávio com o tema. Pesquisa Genial/Quaest divulgada neste mês mostrou que 47% dos entrevistados concordam com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quando ele afirma que Flávio teria pedido as novas tarifas. Outros 35% concordam com a versão do pré-candidato do PL de que teria pedido a Trump para não tarifar produtos brasileiros.

A sondagem também apontou que 46% concordam com Lula ao dizer que as tarifas seriam uma retaliação ao Pix. Já 36% apoiam a leitura de Flávio de que a medida seria resposta a declarações do petista contra os Estados Unidos.

Flávio Bolsonaro e Donald Trump. Foto: reprodução

A família Bolsonaro mantém relações com a direita trumpista desde antes da eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, e ampliou os contatos durante o julgamento da trama golpista.

Eduardo Bolsonaro, autoexilado nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado, passou a articular pressão internacional ao lado de Paulo Figueiredo. Em julho passado, o empresário comemorou o primeiro tarifaço. “O Brasil merece a tarifa Moraes”, disse.

Na semana passada, Eduardo foi condenado a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no curso do processo sobre a tentativa de golpe de Estado. Flávio, por sua vez, foi escolhido pelo pai para disputar o Planalto e intensificou viagens e conversas em Washington.

No ofício ao USTR, Flávio afirma ter tratado do tema diretamente com Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio. O senador promete falar “contra a medida proposta e a favor de uma solução construtiva e negociada para as questões identificadas na investigação”.

“Duas posições são declaradas logo de início e de forma categórica. A testemunha opõe-se à imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e a qualquer medida voltada para o sistema público brasileiro de pagamentos instantâneos. Faz isso em nome dos consumidores e produtores de ambos os países e em defesa de uma parceria que tem servido aos Estados Unidos e ao Brasil há mais de oitenta anos”, diz o pedido.

Flávio argumenta que as tarifas poderiam beneficiar Lula. “A parte beneficiada pela medida não é a parte que a medida visa atingir”, ressalta. Segundo ele, “em várias das conclusões, a distância entre a posição do Representante Comercial e a de um governo brasileiro reformista é muito menor do que aquela existente em relação ao governo atual”.

Mario Frias usou e-mail da produtora de “Dark Horse” para emitir notas fiscais em hotel

23 de Junho de 2026, 09:13
Deputado federal Mario Frias, do PL
Deputado federal Mario Frias, do PL. Foto: Reprodução.

Duas notas fiscais de hospedagem do deputado federal Mario Frias (PL) e de seu então chefe de gabinete, Raphael Augusto Azevedo, registraram um e-mail vinculado a Karina Ferreira da Gama, produtora do filme “Dark horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O Hotel Mercure, em Campinas (SP), emitiu os documentos em 28 de abril de 2023. As notas registram o endereço karinamercosul2@gmail.com, usado por Frias e Azevedo nos campos de identificação.

O mesmo e-mail consta no registro do domínio do Instituto Conhecer Brasil e no cadastro da Receita Federal da Gama Participações Ltda., holding de Karina Ferreira da Gama. A informação liga as despesas de hospedagem a um endereço eletrônico associado à produtora investigada.

As notas fiscais somam R$ 1.107,30: uma no valor de R$ 594,30 e outra de R$ 513. Os documentos entraram na Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, e a Câmara dos Deputados reembolsou os valores a Mario Frias.

Karina Gama, produtora de “Dark Horse”. Foto: reprodução

Produtora de “Dark horse” é alvo de apurações

Karina Ferreira da Gama responde a investigações da Polícia Civil de São Paulo e da Polícia Federal que apuram a destinação de recursos públicos à produção de “Dark horse”. Mario Frias atua como produtor executivo do filme.

O deputado também entrou no radar do STF em uma apuração sobre a suposta destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil. A entidade tem vínculo com a Go Up Entertainment, responsável pela produção de “Dark horse”.

Raphael Augusto Azevedo chefiou o gabinete de Mario Frias até fevereiro de 2024. Ele também apareceu em relato de uma ex-assessora do deputado sobre um suposto esquema de “rachadinha” no gabinete parlamentar.

As notas fiscais de abril de 2023, o uso do e-mail associado a Karina Ferreira da Gama e os reembolsos pela cota parlamentar integram o conjunto de documentos agora citados nas apurações sobre a relação entre despesas públicas, o Instituto Conhecer Brasil e a produção do filme.

Tendência é de que Alexandre de Moraes mantenha Bolsonaro em prisão domiciliar

23 de Junho de 2026, 08:30
A coluna apurou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, deve estender por mais 90 dias a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ). A defesa juntará laudos sobre a saúde, pedindo que Bolsonaro permaneça em casa, cumprindo a condenação de 27 anos por tentar um golpe. Nos bastidores, a avaliação é […]

“Guerra cultural”: o discurso de Eduardo Bolsonaro na premiere de “Dark Horse” nos EUA

17 de Junho de 2026, 09:04
Eduardo Bolsonaro em evento nos EUA. Foto: Madel Ngan/AFP

Alvo de investigação da Polícia Federal sobre a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com o financiamento da obra, o filme “Dark horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), teve sua primeira exibição pública na segunda-feira (15), em Las Vegas, nos Estados Unidos. A sessão ocorreu durante o Fraud Fighter Summit, encontro da direita estadunidense dedicado a temas como fraude eleitoral, corrupção e manipulação de processos eleitorais.

A premiere encerrou o primeiro dia da convenção e contou com a presença do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O objetivo do filho do ex-presidente, segundo o blog da Bela Megale, era atrair distribuidores interessados em exibir “Dark horse” em salas de cinema nos Estados Unidos.

Após a exibição, Eduardo participou de um painel ao lado do diretor Cyrus Nowrasteh, mediado pelo influenciador de direita Juan O’Savin. Durante a conversa, o ex-deputado falou sobre a situação de saúde de Jair Bolsonaro e citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao tratar da Operação Lava Jato.

Eduardo Bolsonaro durante discurso na Fraud Fighter Summit (Cúpula de Combate a Fraude), em Las Vegas. Foto: reprodução

Eduardo afirmou que o filme faz parte de uma disputa cultural contra adversários ideológicos. “O que mais gosto é a guerra cultural. Por exemplo, esse filme aqui vai ser um pesadelo para a esquerda”, disse Eduardo, que citou Exterminador do Futuro 2, de 1991, como exemplo de obra de impacto duradouro. “É assim que esse tipo de coisa é poderosa. E não está em português, está em inglês, de propósito. Se fizermos algo no Brasil, eles bloqueiam facilmente, mas também porque queremos que este filme seja um sucesso mundial”.

Questionado sobre eventual reação política contrária à produção, Eduardo mencionou apenas uma ação na Justiça Eleitoral, sem comentar outras controvérsias envolvendo o longa, como o suposto financiamento de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

“O Partido dos Trabalhadores, que é o partido do atual ocupante da Presidência da República, entrou com uma ação contra nós na Justiça Eleitoral tentando censurar este filme até a eleição”, disse Eduardo.

Cyrus Nowrasteh afirmou que o filme foi produzido sem conhecimento do “establishment” e que órgãos públicos só souberam da obra no fim das filmagens, quando a equipe gravava cenas sobre a facada sofrida por Bolsonaro em 2018. “Todos os nossos documentos estavam legais”, disse o cineasta.

O diretor também afirmou que espera que o filme tenha impacto político no Brasil. “Esperamos que este filme seja visto no Brasil e receba o apoio dos brasileiros. Eles reconhecerão a sua própria história, a sua história recente, e levarão Flávio Bolsonaro ao poder como o próximo presidente do Brasil”, disse Cyrus.

O evento ocorreu um dia antes de a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenar Eduardo Bolsonaro a quatro anos de prisão por atuação nos EUA para coagir ministros da Corte por meio da articulação de sanções. No painel, ele admitiu ter trabalhado com o governo Trump para sancionar um ministro do Supremo.

“Disseram que eu estava trabalhando com o governo Trump para sancionar o ministro do Supremo Tribunal Federal que está mandando todas essas pessoas para a prisão. Isso é verdade. Não porque eu estivesse tentando absolver meu pai no julgamento, porque eu sempre soube que ele seria condenado. Mas, como eles são covardes, não processam nem denunciam o presidente Trump, o secretário Rubio ou Bessent. Em vez disso, estão me denunciando, tentando me tornar inelegível”, disse Eduardo.

O Fraud Fighter Summit informou que os 700 lugares do evento, com ingressos a US$ 350, foram esgotados. A programação também previa participações de Stephen Bannon, Roseanne Barr e Hwang Kyo-ahn.

Apreensão de arma de Bolsonaro reduz chance de Moraes prorrogar prisão domiciliar

17 de Junho de 2026, 08:56
QUER ESCAPAR?
Por Luísa Martins (Folhapress) – A apreensão de uma arma registrada no nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante uma blitz em Brasília, na noite de segunda-feira (15), reduz as chances de que a sua prisão domiciliar possa ser prorrogada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). O prazo da domiciliar temporária vence no próximo dia 25. O magistrado vinha cogitando […]

Por unanimidade, STF condena Eduardo Bolsonaro no caso do tarifaço

17 de Junho de 2026, 05:47
Eduardo Bolsonaro. Foto: Lula Marques / Agência Brasil
Por André Richter — Agência Brasil Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (16) condenar o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação no curso do processo. O placar unânime de 4 votos a 0 foi obtido no julgamento da ação penal na qual Eduardo é réu pela […]

PGR rejeita segunda proposta de delação de Daniel Vorcaro; defesa sofre novo revés no STF

16 de Junho de 2026, 13:06

A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou a segunda proposta de acordo de colaboração premiada apresentada pela defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e apontado pela Polícia Federal como líder de um esquema bilionário de fraudes financeiras. Leia em TVT News.

A decisão foi comunicada ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (15) e segue o mesmo entendimento adotado anteriormente pela Polícia Federal, que já havia recusado a nova tentativa de delação.

Segundo a PGR, o material apresentado pelos advogados de Vorcaro não trouxe informações inéditas capazes de justificar a abertura de um acordo de colaboração. Na avaliação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e dos integrantes da equipe responsável pelo caso, os elementos apresentados reproduzem ou até mesmo contradizem dados que já constam nas investigações em andamento.

A rejeição representa mais um obstáculo para a estratégia da defesa do ex-banqueiro, preso preventivamente desde março deste ano no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes financeiras estimado em até R$ 12 bilhões.

Falta de informações novas e ressarcimento pesaram na decisão

De acordo com as informações encaminhadas ao STF, um dos fatores considerados pela PGR para rejeitar a proposta foi a ausência de compromisso efetivo com a devolução de recursos aos cofres públicos e às instituições prejudicadas pelo esquema investigado.

A Procuradoria entendia que qualquer avanço nas negociações deveria estar acompanhado de uma sinalização concreta de ressarcimento. Nos bastidores, a avaliação era de que Vorcaro deveria indicar mecanismos para devolver ao menos R$ 60 bilhões, valor considerado relevante diante da dimensão dos prejuízos atribuídos ao esquema.

A proposta analisada pela PGR havia sido reformulada após uma primeira negativa da Polícia Federal. Mesmo com a ampliação do conteúdo, os procuradores concluíram que não houve avanço suficiente para justificar a homologação de um acordo.

Essa foi a primeira manifestação formal da Procuradoria sobre a colaboração proposta pelo ex-banqueiro. Após a primeira recusa da PF, os procuradores mantiveram diálogo com a defesa, mas o complemento apresentado não alterou a avaliação inicial.

Operação Compliance Zero investiga esquema criminoso bilionário envolvendo Banco Master

Daniel Vorcaro está preso em Brasília desde 4 de março, quando foi alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero. Segundo a Polícia Federal, ele comandava uma organização envolvida em fraudes financeiras de grande porte e em uma estrutura paralela de inteligência e intimidação.

Os investigadores afirmam que o grupo utilizava mecanismos de espionagem, invasão de dispositivos eletrônicos e monitoramento de desafetos. A estrutura teria sido operada por uma organização conhecida como “A Turma”.

Também foram presos durante as investigações o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, apontado como administrador de empresas ligadas ao grupo, e Luiz Philip Mourão, conhecido como “Sicário”, descrito pelos investigadores como responsável por ações operacionais da organização.

As apurações apontam que o esquema extrapolava o ambiente financeiro e alcançava setores políticos, empresariais e órgãos públicos.

PF pede retorno de Vorcaro à Papuda

Além da rejeição da delação, a Polícia Federal solicitou que Daniel Vorcaro seja transferido da Superintendência da PF, em Brasília, para o Complexo Penitenciário da Papuda.

Segundo fontes ligadas às investigações, a permanência do ex-banqueiro em uma sala de Estado-Maior da corporação poderia gerar dificuldades para o andamento de diligências relacionadas ao caso.

A decisão caberá ao ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal. Antes de qualquer definição, a Procuradoria-Geral da República também deverá apresentar manifestação sobre o pedido.

Relembre histórico da prisão de Vorcaro

Vorcaro foi preso em novembro de 2025 flagrante pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.

Na ocasião, o empresário tentava embarcar em um jatinho particular com destino a Dubai. No mesmo período, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de sua corretora de câmbio, alegando suspeitas de irregularidades relacionadas à emissão de títulos de crédito.

Após 11 dias de detenção, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região autorizou sua soltura mediante medidas cautelares e monitoramento eletrônico.

A situação mudou em março de 2026, quando a terceira fase da Operação Compliance Zero levou à decretação de uma nova prisão preventiva.

Investigação prendeu presidente do BRB

Desde então, as investigações se expandiram para diferentes frentes.

Em abril, a Polícia Federal prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, sob suspeita de participação em operações financeiras investigadas.

Ciro Nogueira, ex-ministro de Bolsonaro, foi apontado como um dos envolvidos no escândalo do Master

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Relações com banqueiro preso por fraude bilionária complicam Flávio e Ciro. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Em maio, a operação alcançou endereços ligados ao senador Ciro Nogueira. Segundo a PF, o parlamentar teria atuado para favorecer interesses relacionados ao ex-banqueiro.

PF aponta que Refit pagou R$ 14 milhões para família de Ciro Nogueira

Anac bloqueia avião de Ciro Nogueira por ordem do STF

Polícia Federal realiza buscas contra Ciro Nogueira e prende primo de Vorcaro

BolsoMaster: Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro envolvidos com o banqueiro

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Mario Frias, Flávio e Carlos Bolsonaro, com o ator Jim Caviezel do filme “Dark horse” sobre Jair Bolsonaro – Foto: Divulgação

Ainda no mesmo mês, vieram à tona informações sobre contatos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e pedidos de apoio financeiro para o filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

BolsoMaster: vazamento de áudios explode nas redes e amplia desgaste de Flávio Bolsonaro

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Pai de Vorcaro é preso

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Pai de Vorcaro, que foi preso nesta quinta (14) – Reprodução/Linkedin

Também foi preso Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, suspeito de integrar a estrutura de intimidação investigada pela Polícia Federal.

Na sexta fase da operação, agentes da própria Polícia Federal e peritos passaram a ser investigados por suposto vazamento de informações sigilosas e acesso irregular a sistemas restritos.

Fundo Garantidor de Créditos (FGC) busca ressarcimento

Entre os principais interessados em eventual ressarcimento financeiro está o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A entidade privada, mantida pelo sistema bancário, foi responsável por desembolsar bilhões de reais para indenizar investidores após a liquidação do Banco Master.

Caso algum acordo de colaboração venha a ser firmado futuramente, parte dos recursos recuperados poderá ser destinada ao ressarcimento dos prejuízos causados pelo esquema investigado.

Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado em 2024, deve ser garantida a devolução de valores à União, preservando-se também os direitos das vítimas.

Defesa de Vorcaro tenta reorganizar estratégia

A segunda negativa da delação ocorre após mudanças significativas na equipe jurídica de Vorcaro.

Após a rejeição da primeira proposta de colaboração, a defesa promoveu uma reformulação interna. O advogado José de Oliveira Lima deixou a condução principal do caso, e o criminalista Sérgio Leonardo assumiu a coordenação da estratégia jurídica.

A nova proposta protocolada no início de junho ampliava o escopo das informações apresentadas. Segundo apurações divulgadas pela imprensa, o documento abordava relações com integrantes dos Três Poderes e incluía referências a supostos pagamentos periódicos destinados a agentes políticos.

Mesmo assim, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República concluíram que o material não atendia aos requisitos necessários para a formalização de um acordo de colaboração premiada.

Com a nova rejeição, o futuro da estratégia de defesa de Daniel Vorcaro permanece indefinido. Enquanto isso, as investigações da Operação Compliance Zero continuam avançando sob supervisão do STF e da Polícia Federal.

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Pesquisa Futura/Apex: 2º turno Lula tem 48,1% e Flávio 42,9%

16 de Junho de 2026, 11:30

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente em diferentes cenários de segundo turno para as eleições presidenciais de 2026, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira (16) pelo instituto Futura/Apex. O levantamento indica vantagem de Lula em disputas contra nomes da oposição, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL), o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo). Leia em TVT News.

A pesquisa foi realizada entre os dias 8 e 12 de junho de 2026, com 2.000 entrevistados em todo o país. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

No principal cenário de segundo turno testado pelo instituto, Lula registra 48,1% das intenções de voto em uma eventual disputa contra Flávio Bolsonaro, que alcança 42,9%. Neste recorte, os eleitores que afirmaram votar em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos somam 7,2%, enquanto 1,8% disseram não saber ou preferiram não responder.

Os números da Futura mostram uma diferença de 5,2 pontos percentuais entre os dois candidatos. Considerando a margem de erro da pesquisa, o resultado aponta um cenário de vantagem para o atual presidente na simulação realizada pelo instituto.

Evolução da pesquisa Futura/Apex no quadro Lula X Flávio Bolsonaro em possível segundo turno

Lula também lidera contra Caiado e Zema

O levantamento da Futura/Apex também avaliou outros cenários de segundo turno. Em uma eventual disputa contra Ronaldo Caiado, Lula aparece com 45% das intenções de voto, enquanto o ex-governador de Goiás registra 36,3%.

Nesse cenário, o percentual de eleitores que afirmaram votar em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos chega a 14,1%. Já os indecisos representam 4,6% dos entrevistados.

A vantagem do presidente é ainda maior quando o adversário é Romeu Zema. Segundo a pesquisa, Lula alcança 48,5% das intenções de voto, contra 34,9% do ex-governador mineiro.

Entre os entrevistados, 13,3% afirmaram optar por voto branco, nulo ou nenhum dos nomes apresentados, enquanto 3,3% não souberam responder.

Os resultados indicam que Lula mantém desempenho superior ao dos adversários testados pelo instituto nos cenários divulgados nesta rodada da pesquisa.

Instituto simulou diferentes disputas

Além dos confrontos entre Lula e os principais nomes da oposição, a Futura/Apex avaliou outros cenários de segundo turno envolvendo lideranças políticas que vêm sendo mencionadas para a corrida presidencial.

Entre os nomes testados pelo levantamento estão Renan Santos (Missão), Michelle Bolsonaro (PL), Tereza Cristina (PP), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Flávio Bolsonaro (PL) e Fernando Haddad (PT), entre outros.

O estudo também simulou disputas sem a participação de Lula, incluindo cenários entre candidatos da direita e do campo conservador. Nas disputas, Flávio saiu na liderança contra Zema e Caiado. O candidato do PL apenas perde no segundo turno para o petista.

Os dados divulgados nesta terça-feira reforçam a centralidade do atual presidente no debate eleitoral para 2026. Mesmo diante de diferentes adversários, Lula aparece liderando todas as simulações de segundo turno apresentadas pelo instituto.

Lula x Michelle Bolsonaro

A pesquisa Futura/Apex investigou o possível cenário de segundo turno entre Lula e Michelle Bolsonaro.

Em maio, Michelle aparecia com 41,6% na pesquisa contra 47,9% de Lula. Nesta nova rodade de junho, no entanto, a vantagem do atual presidente diminuiu, mas dentro da margem de erro o cenário continuou praticamente igual.

Em junho, 48% dos entrevistados disseram que em um segundo turno entre Lula e Michelle, votariam no petista. Já 42,4%, escolheriam a ex primeira-dama.

Evolução do segundo turno entre Michelle Bolsonaro e Lula da Apex – Fonte: Futura/Apex

Lula X Tereza Cristina

A pesquisa também simulou enfrentamento entre Lula e Tereza Cristina, em que o petista reuniu 48,5% das intenções de voto e Cristina 29,2%.

Lula X Renan Santos

Contra Renan Santos o cenário é parecido. Lula apresenta 48,3% das intenções de votos, enquanto Renan Santos apresenta 30,8%.

Metodologia

A pesquisa Futura/Apex ouviu 2.000 pessoas entre os dias 8 e 12 de junho de 2026.

A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%.

Segundo o instituto, os cenários apresentados são simulações eleitorais realizadas a partir dos nomes incluídos no levantamento e representam um retrato da opinião dos entrevistados no período da coleta de dados.

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Filme “Dark horse” teve gasto de R$ 75 milhões, revela produtora; menor que o valor pedido por Flávio a Vorcaro

12 de Junho de 2026, 15:54

A cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intitulada Dark Horse, teve um custo declarado de pouco mais de R$ 75 milhões, segundo documentos anexados a uma investigação que apura suspeitas de desvio de recursos públicos. A informação foi revelada pelo portal Metrópoles e consta em uma perícia privada contratada pela própria produtora responsável pelo longa-metragem. Leia em TVT News.

O documento amplia as discussões em torno do financiamento da produção e lança novos questionamentos sobre a participação do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e sobre a atuação de integrantes da família Bolsonaro nas negociações relacionadas ao projeto.

Segundo a documentação, a produtora Go Up Entertainment declarou gastos totais de US$ 13,3 milhões, valor equivalente a pouco mais de R$ 75 milhões. A empresa é comandada por Karina Ferreira da Gama, também representante do Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade investigada em um inquérito que apura supostos desvios de recursos de um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo.

A perícia foi anexada ao processo em que o ICB é alvo de investigação. Karina Ferreira da Gama também foi alvo de uma operação da Polícia Civil realizada em 1º de junho.

Gastos declarados no Brasil e nos Estados Unidos

De acordo com a documentação obtida pelo Metrópoles, a produtora informou que R$ 54,2 milhões foram gastos nos Estados Unidos e outros R$ 20,9 milhões no Brasil.

Embora o filme conte com nomes conhecidos do cinema norte-americano, como Jim Caviezel, que interpreta Jair Bolsonaro, parte significativa das gravações ocorreu em cidades brasileiras, entre elas São Paulo.

A perícia aponta ainda que o orçamento inicialmente aprovado para a produção era de US$ 16 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 89,7 milhões. Mesmo assim, a cifra declarada oficialmente permanece abaixo dos montantes que teriam sido discutidos em negociações envolvendo Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro.

Áudios revelam preocupação de Flávio Bolsonaro com dinheiro prometido por Vorcaro

O caso ganhou nova dimensão após reportagens revelarem diálogos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro.

Segundo informações divulgadas anteriormente pelo The Intercept Brasil, conversas obtidas pela reportagem mostram discussões sobre possíveis formas de financiamento do filme.

Em um dos cenários debatidos, o valor previsto para a produção chegaria a US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação utilizada à época. O montante seria pago por meio de parcelas sucessivas.

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“Há indícios de que esse braço armado possua mais integrantes, alguns deles ainda não presos”, afirmou o relator. Foto: Reprodução

Posteriormente, Flávio Bolsonaro enviou uma mensagem de áudio a Daniel Vorcaro demonstrando preocupação com atrasos nos pagamentos relacionados ao projeto cinematográfico.

Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. Tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou para o filme, né?”, afirmou o senador.

Na mesma gravação, Flávio menciona a preocupação com compromissos assumidos junto a integrantes do elenco internacional.

Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, disse.

O parlamentar confirmou posteriormente a autenticidade do áudio divulgado pela imprensa. Flávio Bolsonaro, porém, sustenta que os recursos destinados ao filme tiveram origem legal e não envolveram contrapartidas.

Valor divulgado pela produtora é inferior aos R$ 134 milhões que foram negociados entre Flávio e Vorcaro

De acordo com os documentos analisados, o valor efetivamente repassado para a produção teria sido menor do que aquele mencionado nas negociações.

Segundo a perícia anexada ao processo, Daniel Vorcaro teria destinado US$ 10,6 milhões ao projeto por meio da empresa Entrepay. O valor corresponde a aproximadamente R$ 61 milhões.

O documento afirma que a origem dos recursos analisados seria privada.

Quanto à origem dos recursos financeiros, a perícia constatou que os ingressos vinculados ao projeto possuem origem privada, comprovada por contratos de investimento, extratos bancários, documentos de remessa e demais registros financeiros disponibilizados para análise”, registra o relatório elaborado pelo Instituto de Perícia Investigativa (IPI).

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“Esse é o mais importante disparado”, escreveu o banqueiro preso, após cobrança de Flávio. Foto: Agência Brasil

Apesar da conclusão apresentada pela perícia contratada pela produtora, o caso continua cercado de questionamentos devido ao contexto das investigações envolvendo o Banco Master e seu controlador.

Documentos revelados pelo The Intercept, no entanto, mostram rota financeira de $24 milhões de dólares, o que correspondia a aproximadamente R$ 134 milhões na cotação cambial do período.

Os documentos contábeis detalham tanto o fluxo de aportes previstos pelo Banco Master quanto as quantias que entraram efetivamente nas contas de um fundo de investimentos sediado no exterior e diretamente vinculado à gestão de “Dark Horse”.

Isto significa que, ou a produtora omitiu o recebimento de parte do valor, ou o restante do dinheiro enviado pelo Banco Master para a família Bolsonaro teria outros fins que não fossem, de fato, a produção da obra cinematrográfica.

Leia mais:

Operação investiga suposta fraude bilionária

Daniel Vorcaro tornou-se alvo da Operação Compliance Zero, investigação que apura uma suposta fraude bilionária no mercado financeiro.

O banqueiro chegou a ser preso no âmbito da operação, que investiga movimentações financeiras consideradas suspeitas por autoridades responsáveis pelo caso.

A revelação de que recursos ligados a Vorcaro foram utilizados para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro trouxe novos elementos para o debate político e jurídico em torno da produção.

A proximidade entre integrantes da família Bolsonaro e o empresário passou a ser observada com maior atenção após a divulgação dos áudios e documentos.

O caso também ocorre em um momento de intensa movimentação política dentro do campo bolsonarista.

Relação com a família Bolsonaro amplia repercussão

A participação de Flávio Bolsonaro nas tratativas relacionadas ao financiamento do filme colocou o senador no centro da controvérsia.

Além de ser um dos principais aliados políticos do pai, Flávio é pré-candidato à presidência da República.

As revelações mostram que o parlamentar acompanhava de perto a situação financeira do projeto e mantinha interlocução direta com Daniel Vorcaro sobre os pagamentos.

PF investiga possível ligação com estadia de Eduardo Bolsonaro nos EUA

Outro desdobramento do caso envolve o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Segundo informações divulgadas recentemente, a Polícia Federal passou a investigar se recursos enviados por Daniel Vorcaro por meio do fundo Heavengate Development podem ter sido utilizados para custear despesas relacionadas à permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Até o momento, não há conclusão oficial das investigações.

A apuração busca verificar a destinação dos recursos e se houve utilização para finalidades diferentes daquelas apresentadas nos contratos relacionados à produção cinematográfica.

O avanço das investigações poderá esclarecer o caminho percorrido pelo dinheiro e o papel desempenhado por diferentes agentes envolvidos no financiamento do projeto.

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Advogado de Eduardo Bolsonaro recebeu milhões de dólares do Banco Master

9 de Junho de 2026, 17:23

Uma nova investigação jornalística do site The Intercept Brasil trouxe a público provas materiais que expõem as engrenagens financeiras por trás de Dark Horse (Azarão), o longa-metragem biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O veículo de imprensa obteve acesso exclusivo a planilhas de desembolso, minutas de contratos, registros financeiros e comprovantes bancários internacionais que permitem reconstituir a trilha do dinheiro utilizado para financiar a produção audiovisual em território norte-americano. Leia em TVT News.

Os arquivos revelam uma operação projetada no valor total de quase 24 milhões de dólares, o que correspondia a aproximadamente R$ 134 milhões na cotação cambial do período.

Os documentos contábeis detalham tanto o fluxo de aportes previstos pelo Banco Master quanto as quantias que entraram efetivamente nas contas de um fundo de investimentos sediado no exterior e diretamente vinculado à gestão da obra cinematográfica.

O cronograma do financiamento: planilha “Funding Schedule”

O primeiro documento de destaque obtido pela equipe de reportagem é uma planilha gerencial intitulada “Funding Schedule” (Cronograma de Financiamento). O arquivo funcionava como o mapa de controle das transferências e dividia o montante total da operação em 14 desembolsos sucessivos, planejados para ocorrer entre os meses de janeiro de 2025 e janeiro de 2026.

Cronograma compartilhado em troca de mensagens detalha pagamentos previstos e concretizados pelo Banco Master (Foto: Reprodução)

A planilha mostra as datas dos pagamentos e os valores a serem pagos

As linhas da tabela mostram que as duas parcelas iniciais foram fixadas em 2 milhões de dólares cada. Embora o planejamento original previsse os pagamentos para os dias 20 e 25 de janeiro de 2025, os registros internos da planilha provam que a liquidação efetiva aconteceu em 13 de fevereiro e em 24 de março daquele ano.

As 12 parcelas subsequentes foram estabelecidas no patamar fixo de 1,66 milhão de dólares cada.

Desse bloco secundário, a primeira cota foi remetida em 24 de março, duas outras parcelas foram compensadas em 25 de abril e uma quarta foi efetuada no dia 29 de maio.

Ao término das anotações contidas no documento, a soma de valores recebidos pelo Master atingia a marca de 10,6 milhões de dólares.

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Reprodução da matéria do The Intercept Brasil que traz planilha e comprovante bancário mostram como Vorcaro enviou dinheiro aos EUA para financiar Dark Horse

Cruzamento de informações: planilha e mensagens trocadas entre Vorcaro e empresário do filme

A planilha é complementada por mensagens trocadas em dispositivos eletrônicos.

No dia 7 de agosto de 2025, o empresário Thiago Miranda encaminhou o arquivo a Daniel Vorcaro, acionista controlador do Banco Master, anexando um alerta sobre a inadimplência dos repasses:

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Mensagens obtidas pelo jornal The Intercept – Reprodução

“Duas em atraso e está para vencer a terceira agora em agosto”.

A resposta enviada por Vorcaro foi direta e indicou a continuidade dos fluxos:

“Segunda fazemos duas”.

A planilha mostra que pagamentos do Master ocorrem até o mês de maio, mas mensagens mostram que eles continuaram em agosto

O diálogo sugere às autoridades que novos pagamentos foram autorizados no período, o que aponta que o montante final destinado ao projeto pode ter superado os 10,6 milhões de dólares computados na tabela.

A fiscalização interna dos repasses já vinha sendo monitorada de perto por Vorcaro meses antes.

Em 12 de março de 2025, o banqueiro do Master remeteu uma cópia do cronograma ao pastor Fabiano Zettel, seu cunhado e apontado nas investigações como operador financeiro do grupo.

Nas mensagens anexas, Vorcaro determinou textualmente: “precisa me ajudar controlar isso” e “tem que pagar a segunda e a terceira”.

Em resposta imediata, Zettel assegurou o andamento das cobranças junto aos parceiros comerciais:

“Vou pra cima do Mineiro. Passei o fluxo pra ele. Achei que ele tava fazendo”.

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Mensagens obtidas pelo jornal The Intercept – Reprodução

As investigações policiais e os cruzamentos de dados do jornal indicam que o codinome “Mineiro” refere-se a Antônio Carlos Freixo Júnior, executivo com trânsito operacional na empresa Entre Investimentos e Participações Ltda, responsável por executar as remessas internacionais.

A quebra dos dados telefônicos confirmou que o contato de Freixo estava registrado diretamente no telefone celular de Vorcaro sob o apelido citado.

Extrato oficial mostra que Master enviou dinheiro a advogado de Eduardo Bolsonaro

A prova documental que revela, de fato, que houve transação financeira internacional para o financiamento do filme “Dark Horse” é o comprovante de liquidação emitido pela rede SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication), a plataforma bancária global que processa transferências entre instituições de diferentes países.

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Comprovante de transferência mostra que 2 milhões de dólares foram transferidos pela Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate. As marcações em preto foram inseridas pelo Intercept para não expor códigos e informações técnicas da operação bancária (Foto: Reprodução)

Comprovante atesta envio de 2 milhões de dólares

Datado de 13 de fevereiro de 2025, o extrato oficial atesta a remessa de 2 milhões de dólares para a conta do Havengate Development Fund LP, um fundo de investimentos gerido por Paulo Calixto, advogado do deputado federal Eduardo Bolsonaro.

Conforme a descrição do documento oficial de câmbio, o polo remetente da dinheirama foi a empresa Entre Investimentos e Participações Ltda.

A liquidação física dos valores foi processada no Brasil por intermédio das estruturas do Banco BS2 e teve como destino final uma conta bancária do fundo Havengate mantida junto à instituição norte-americana JPMorgan Chase Bank.

O papel timbrado do SWIFT contém todos os dados regulamentares de controle, incluindo os códigos internacionais de identificação bancária, dados das agências, números de referência de compensação e as chaves de liquidação exigidas pelo sistema financeiro global.

O surgimento da Entre Investimentos e Participações Ltda no topo do comprovante bancário desvelou a engenharia financeira montada para contornar entraves burocráticos internos.

O histórico de mensagens de 5 de fevereiro de 2025 aponta que Fabiano Zettel avisou Daniel Vorcaro que o departamento de câmbio do próprio Banco Master estava gerando óbices técnicos e impondo restrições para chancelar a remessa financeira direcionada ao filme de Jair Bolsonaro.

Diante do travamento burocrático, o banqueiro do Master e o operador discutiram alternativas viáveis e optaram por canalizar a operação por meio da estrutura corporativa da Entre Investimentos.

“Filme!”, escreveu cunhado de Vorcaro após sucesso das transações

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As marcações em preto no comprovante de transferência foram inseridas pelo Intercept para não expor códigos e informações técnicas da operação bancária (Foto: Reprodução)

A consumação do plano foi festejada dias depois. Em 14 de fevereiro, exatamente 24 horas após o processamento bancário da primeira parcela de US$ 2 milhões no JPMorgan Chase Bank, Zettel enviou a cópia digital do comprovante SWIFT a Vorcaro com uma breve celebração escrita: “Filme!”.

Apesar de as defesas da Entre Investimentos e de Daniel Vorcaro negarem formalmente a existência de vínculos de controle, participações societárias mútuas ou acordos de governança corporativa, os documentos vazados e as apurações judiciais em andamento reveladas pelos jornais O Estado de S. Paulo e Metrópoles apontam para uma íntima coordenação operacional entre as empresas e o banqueiro.

O outro lado

O jornal The Intercept Brasil buscou colher os esclarecimentos de Paulo Calixto, Thiago Miranda e Antônio Carlos Freixo Júnior, bem como das equipes de defesa jurídica de Fabiano Zettel e Daniel Vorcaro, que cumprem ordens de prisão preventiva emitidas pela Justiça. Nenhuma das defesas enviou manifestações formais até o fechamento da reportagem.

Em nota oficial encaminhada à imprensa, o Grupo Entre limitou-se a declarar que “realiza suas operações em conformidade com as normas e regulamentações aplicáveis ao setor financeiro”.

A companhia acrescentou em seu texto institucional que possui um firme “compromisso com a integridade, a transparência e o cumprimento” da legislação nacional, colocando-se “à disposição das autoridades competentes sempre que necessário” para prestar esclarecimentos sobre suas movimentações financeiras.

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STM marca julgamento de recurso de Bolsonaro em ação sobre perda de patente

6 de Junho de 2026, 16:42
Os advogados do ex-capitão afirmam que Joseli Parente Camelo não teria imparcialidade para analisar o caso devido a declarações que deu em 2023

Flávio Bolsonaro perde terreno no Rio enquanto Lula cresce, diz nova pesquisa; Paes lidera

6 de Junho de 2026, 13:46
Lula e Flávio Bolsonaro

Apesar de aparecer numericamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial no Rio de Janeiro, a nova pesquisa Prefab Future revela sinais preocupantes para o senador Flávio Bolsonaro. Os dados apontam crescimento da rejeição ao bolsonarista, perda de terreno em relação a levantamentos anteriores e dificuldade para transferir votos a aliados nas disputas estaduais.

Segundo a pesquisa, realizada entre 1º e 4 de junho com 2.200 entrevistas presenciais, Lula registra 31,9% das intenções de voto para presidente, enquanto Flávio aparece com 31,8%. Embora o resultado represente empate técnico, a série histórica do instituto mostra trajetórias opostas: Lula está em crescimento no estado, enquanto Flávio vem perdendo apoio ao longo dos últimos meses e explodiu após os áudios ligados a Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master.

Outro dado negativo para o senador é a rejeição. Flávio Bolsonaro alcança 33,3% de rejeição e o índice vem aumentando sucessivamente, de acordo com o levantamento. Embora Lula ainda tenha a maior rejeição do cenário, com 43,7%, o petista apresenta tendência de queda, enquanto o filho do ex-presidente segue na direção contrária.

A pesquisa também sugere que a força eleitoral de Flávio não está se convertendo em apoio aos candidatos associados ao seu campo político. Na disputa pelo governo estadual, o deputado estadual Douglas Ruas aparece com apenas 8%, muito distante dos 35,8% obtidos pelo prefeito Eduardo Paes, líder isolado da corrida ao Palácio Guanabara.

No Senado, a situação é semelhante. Nenhum dos nomes identificados com a direita consegue assumir protagonismo. A liderança pertence à deputada federal Benedita da Silva, com 12,1%, seguida por Marcelo Crivella, com 9,5%, e Márcio Canella, com 9,2%.

O coordenador da pesquisa, Mario Marques, chamou atenção para a dificuldade dos aliados do bolsonarista em capitalizar sua candidatura. Segundo ele, “tanto Douglas Ruas quanto os candidatos à direita no Senado não estão conseguindo se estabelecer nesse momento da disputa na associação com Flávio”.

O levantamento mostra ainda que a disputa presidencial está longe de ser confortável para o senador. Embora lidere numericamente a pesquisa espontânea por uma diferença mínima — 24,2% contra 24,0% de Lula —, o crescimento da rejeição e a perda de apoio registrada na série histórica indicam um cenário de desgaste para o principal nome do clã Bolsonaro no estado que sempre foi considerado seu principal reduto eleitoral.

Registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número RJ-01716/2026, a pesquisa tem margem de erro de 2,09 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Paes lidera corrida ao Palácio Guanabara

Na disputa pelo governo do estado, Eduardo Paes aparece isolado na liderança com 35,8% das intenções de voto. Em segundo lugar surge Douglas Ruas, com 8%, seguido de perto por Anthony Garotinho, que registra 7,8%. Wilson Witzel aparece com 3,7%, enquanto os demais candidatos não ultrapassam a marca de 3%.

Segundo o instituto, a entrada de Garotinho na disputa altera a dinâmica eleitoral, especialmente entre eleitores de baixa renda e moradores do interior do estado. Apesar da liderança confortável, Paes ainda não ultrapassa os 40%, patamar considerado importante para consolidar uma vantagem mais robusta.

Os índices de rejeição nesse cenário são relativamente próximos: Paes tem 18,5%, Garotinho 16,5% e Witzel 15,1%.

Senado segue indefinido

A corrida ao Senado é apontada pelo instituto como a mais aberta entre todas as disputas analisadas. Com a retirada do ex-governador Cláudio Castro do cenário eleitoral, a deputada federal Benedita da Silva assumiu a liderança com 12,1%. Logo atrás aparecem Marcelo Crivella, com 9,5%, e Márcio Canella, com 9,2%. Pedro Paulo registra 5,6% e Waguinho aparece com 5,2%.

O principal destaque é o elevado grau de indefinição do eleitorado. Na pesquisa estimulada, 30,9% afirmam ainda não saber em quem votar. Na espontânea, o percentual de indecisos salta para 88,5%.

O coordenador da pesquisa, Mario Marques, afirmou que “tanto Douglas Ruas quanto os candidatos à direita no Senado não estão conseguindo se estabelecer nesse momento da disputa na associação com Flávio”.

Governador interino é pouco conhecido

A pesquisa também avaliou a administração do governador interino Ricardo Couto. O resultado mostra que 55,5% dos entrevistados afirmam não ter opinião formada sobre o governo. Entre os que responderam, 38% aprovam a gestão e apenas 6,5% desaprovam.

O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número RJ-01716/2026, tem margem de erro de 2,09 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Flávio Bolsonaro perde força no Sudeste e acende alerta no PL

6 de Junho de 2026, 13:20
Flávio Bolsonaro
O senador e pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro. Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

A queda de Flávio Bolsonaro nas pesquisas no Sudeste virou motivo de preocupação entre aliados do Zero Um. A avaliação no entorno do pré-candidato do PL é que um nome enfraquecido na disputa presidencial terá dificuldade para impulsionar palanques estaduais em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três maiores colégios eleitorais do país.

Segundo a Coluna do Estadão, pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou que Flávio Bolsonaro caiu de 41,2% para 30,7% no Sudeste entre abril e maio. No mesmo período, Lula avançou na região, considerada estratégica para qualquer candidatura presidencial.

O Rio de Janeiro é apontado como um dos principais focos de tensão. O estado é o berço político da família Bolsonaro, mas o palanque local do PL é descrito por bolsonaristas como “totalmente bagunçado”. O candidato ao governo é Douglas Ruas, que ainda busca se tornar conhecido e carrega o desgaste de ter integrado a gestão Cláudio Castro.

Castro desistiu de disputar o Senado após ser atingido por duas operações da Polícia Federal. As investigações apontaram relações entre o ex-governador e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, caso que já provocou danos políticos à pré-campanha de Flávio Bolsonaro.

Jair Bolsonaro deve definir nos próximos dias quem substituirá Castro na composição ao Senado. Entre os nomes avaliados estão Sóstenes Cavalcante, Carlos Jordy e Carlos Portinho. A escolha é tratada como peça central para tentar reorganizar o palanque fluminense.

Em Minas Gerais, a situação também é indefinida. O senador Cleitinho, do Republicanos, lidera pesquisas recentes, mas ainda não confirmou se será candidato ao governo. Um aliado de Flávio Bolsonaro disse ao Estadão que Cleitinho “só sabe ser pedra, não sabe ser vidraça”, em referência ao risco de ele não sustentar uma candidatura majoritária.

A preocupação da direita é que a perda de força de Flávio Bolsonaro no Sudeste reduza sua capacidade de organizar alianças e transferir votos. A região concentra estados decisivos e, no caso do Rio, expõe um problema adicional: a família Bolsonaro enfrenta desgaste justamente em seu principal território político.

“Tariflávio”: Esquerda domina debate do tarifaço e encurrala Flávio Bolsonaro nas redes

6 de Junho de 2026, 13:13
tariflávio
O pré-candidato ao entreguismo, “Tariflávio” Bolsonaro. Foto: Reprodução

A narrativa do “Tariflávio” dominou o debate nas redes sociais sobre o tarifaço dos Estados Unidos e a ofensiva contra o Pix, ampliando a pressão sobre a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Segundo dados do Instituto Democracia em Xeque, as menções que atribuem culpa ao senador pelas tarifas foram quase dez vezes maiores que as que responsabilizam Lula.

O relatório aponta que a narrativa do tarifaço ou “Tariflávio” concentrou 563,1 mil publicações e 4,7 milhões de interações. A tentativa de atribuir a culpa a Lula alcançou 58,9 mil publicações e 606,4 mil interações.

Para os pesquisadores, a diferença mostra que a responsabilização da família Bolsonaro engajou com mais força a conversa pública. A associação reuniu três elementos: a tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos, o ataque ao Pix e a aproximação entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump, lida por críticos como uma ação contra interesses nacionais.

Ilustrativa
Gráfico mostra o número de publicações com os termos “Tariflávio” e “Culpa do Lula”. Foto: Instituto Democracia em Xeque

A crise ganhou novo fôlego após Eduardo Bolsonaro falar sobre o Zelle, sistema de transferências dos Estados Unidos, em entrevista à TMC News. Questionado sobre se o Pix estava ameaçado, ele afirmou que o Brasil poderia levar o Zelle à mesa de negociação com os estadunidenses.

“Agora, os EUA têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como, por exemplo, o Zelle, que é o Pix dos EUA. Então dá para você ir a uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos. Dá para você sentar, dá para negociar”, declarou Eduardo Bolsonaro.

🚨VEJA – Eduardo Bolsonaro diz que os EUA tem o Zelle e afirma que então da para ir para negociação com bons argumentos

"Os EUA têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, por exemplo o Zelle (…) Então dá pra você ir pra uma mesa de negociação com com bons argumentos” pic.twitter.com/KMNbv91Gqk

— SPACE LIBERDADE  (@NewsLiberdade) June 3, 2026

A declaração foi criticada por quem entendeu que o ex-deputado sugeria flexibilizar o Pix diante da pressão de Washington. No dia seguinte, Eduardo Bolsonaro tentou se explicar e afirmou que citou o Zelle para argumentar aos Estados Unidos que não haveria problema no Pix, já que os estadunidenses também têm plataformas semelhantes.

A fala gerou incômodo dentro do próprio PL. Uma pessoa da cúpula do partido disse ao Estadão que a declaração foi um “desastre”. Outra pessoa ligada à campanha avaliou que o comentário “pode atrapalhar muito” se não for bem explicado.

Flávio Bolsonaro já vinha tentando se defender do tarifaço anunciado poucos dias após seu encontro com Trump na Casa Branca. Depois da fala do irmão, o senador passou a defender publicamente o Pix e afirmou que o sistema “é do Brasil” e “é do Bolsonaro”, por ter sido implementado durante o governo Jair Bolsonaro.

Sakamoto: Tigrões da 6×1 viraram tchutchucas quando chegou a hora do voto

31 de Maio de 2026, 21:46
Deputados celebram aprovação de texto que acaba com a escala 6×1. 27.mai.2026 – Imagem: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Por Leonardo Sakamoto, no UOL

Qualquer pessoa que acompanha minha coluna no UOL nos últimos 16 anos sabe que considero o fim da escala 6×1 uma tardia reparação civilizacional. Dito isso, acho justa uma saudação aos 22 deputados que atacaram por meses a proposta e, na hora H, tiveram a coragem e a coerência de votar contra.

Ressaltaram, dessa forma, o oportunismo de colegas que até então estavam ombro a ombro com eles, mas resolveram fazer parte da massa dos 472 votos a favor por medo da verdade da urna eletrônica. Ou seja, de não serem reeleitos em outubro diante de uma pauta que tem apoio de 7 entre cada 10 eleitores.

Sim, tigrão no vídeo do Insta, para o gozo de parte do patronato; tchutchuca na hora do voto, diante da raiva de quem não consegue ver os filhos crescerem porque trabalha seis dias por semana. Não à toa, parte da direita e da extrema direita que foram coerentes com sua posição está indignada com os colegas.

Pondere-se, entretanto, que uma parte desses 22 nem poderia fazer diferente. Eles representam aqueles 2 em cada 10 brasileiros que são contra a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais e da escala de 6×1 para 5×2.

Considerando que a Câmara tem 513 deputados, seria de se esperar ao menos 102 votos defendendo a manutenção da 6×1, portanto? Na verdade, não, porque são poucos os parlamentares que possuem eleitorado que pensa de forma quase uniforme sobre uma ampla gama de temas. São normalmente parlamentares mais radicais. Tanto que as pesquisas mostram que o fim da 6×1 tem apoio considerável entre bolsonaristas e a direita não-bolsonarista. O que mostra que o fato de serem trabalhadores, e entenderem a situação, fala mais alto que outros posicionamentos ideológicos.

O plenário da Cãmara dos Deputados. Foto: Kayo Magalhães/Agência Câmara

Quando a redução da escala começou a tomar corpo, escrevi aqui que a questão é colocar o tema em votação, pois, uma vez no plenário, a maior parte dos parlamentares votaria a favor da mudança porque não é suicida. Contudo, o placar de 472 votos foi bem mais elástico do que qualquer pessoa imaginava, inclusive no governo, mostrando o tamanho do medo eleitoral e as proporções que o tema tomou.

Ou seja, #ficadica para o Senado Federal, que, agora, tenta aplicar o golpe da PRC das Horas Trabalhadas, anulando o ganho com o fim da escala 6×1.

Isso me lembra uma história sobre ser tigrão e tchutchuca.

Em novembro de 2020, o então presidente Jair Bolsonaro disse que, enquanto deputado federal, havia votado contra o confisco de propriedades rurais e urbanas de quem escravizou trabalhadores. Queria agradar parte de sua base, composta também pelo naco anacrônico do agronegócio. Contudo, os registros da Câmara dos Deputados mostram que ele votou a favor da proposta no primeiro turno, em 2004, e estava ausente no segundo, em 2012.

Naquele primeiro turno, todos os partidos e bancadas recomendaram a aprovação da emenda, e 326 deputados votaram a favor. Mesmo com a orientação, dez parlamentares se posicionaram contra, a maioria ruralistas. Discordo deles, mas foram coerentes. Bolsonaro, não: evitou deixar as digitais contra a PEC do Trabalho Escravo, da qual era contrário.

Talvez confiasse que seus seguidores não se importam com os fatos, apenas com as palavras que saem de sua boca, podendo, assim, sustentar a contradição com base na mentira.

Anos depois, vemos que Jair fez escola.

Gleisi Hoffmann anuncia candidatura ao Senado e diz que esquerda derrotará “juiz ladrão”

31 de Maio de 2026, 20:21
Gleisi Hoffmann – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) lançou neste sábado (30/5) sua pré-candidatura ao Senado pelo Paraná. O anúncio ocorreu em evento que também apresentou Requião Filho (PDT-PR) como pré-candidato ao governo estadual.

Ao lado do presidente nacional do PT, Edinho Silva, Gleisi afirmou que a esquerda derrotará “a extrema direita no Brasil e o juiz ladrão do Paraná”, em referência ao senador e pré-candidato ao governo estadual Sergio Moro (PL-PR).

➡️ Gleisi se lança ao Senado e diz que esquerda derrotará “juiz ladrão”

🤳 YouTube/Gleisi Hoffmann pic.twitter.com/lWxifTxqGn

— Metrópoles (@Metropoles) May 31, 2026

O ex-ministro da Justiça Sergio Moro anunciou, na sexta-feira (26/5), sua pré-candidatura ao governo do Paraná. Ele compareceu ao evento acompanhado do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O ato também apresentou a chapa majoritária apoiada pelo PT no Paraná, incluindo as pré-candidaturas do deputado federal Filipe Barros (PL-PR) e do ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado. No evento, Flávio Bolsonaro estava usando colete à prova de balas.

A agenda foi considerada estratégica para o grupo político de Flávio em meio ao desgaste provocado pela divulgação de contatos do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

O PT reforçou que pretende se consolidar no Paraná com a chapa apresentada, mirando as eleições de 2026, enquanto Gleisi Hoffmann busca reforçar seu nome como representante da legenda no Senado e ampliar a atuação política no estado.

O escândalo passa, a identidade fica

31 de Maio de 2026, 08:00
'Dark Horse' pode até arranhar a imagem de Flávio, mas não necessariamente rompe a estrutura simbólica que sustenta sua competitividade entre os evangélicos

Fotos com Trump, como a de Flávio Bolsonaro, são comercializadas por até US$ 500 mil

26 de Maio de 2026, 23:56
Flávio Bolsonaro Trump
O pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Reprodução/X (@FlavioBolsonaro)

O senador Flávio Bolsonaro conseguiu na tarde desta terça-feira (26) aquilo que parecia ser o principal objetivo de sua viagem aos Estados Unidos: um retrato ao lado do presidente norte-americano Donald Trump.

A agenda, no entanto, esteve longe de representar uma reunião diplomática robusta ou um encontro político de grande densidade. Segundo relatos de jornalistas brasileiros em Washington, a passagem dos irmãos Bolsonaro pela Casa Branca foi extremamente rápida, durando cerca de dez minutos.

A correspondente da GloboNews Raquel Krähenbühl descreveu a sequência de forma quase burocrática: entrada de Flávio e Eduardo Bolsonaro, entrega de documentos a assessores, registro de imagens e saída. Já o correspondente da BandNews, Eduardo Barão, afirmou que toda a agenda teria levado aproximadamente dez minutos.

O registro foi feito dentro principal gabinete presidencial. Num outro clique, aparecem o lobista Paulo Figueiredo e seu comparsa Eduardo.

Trata-se de uma tentativa de mudar de assunto. Flávio atravessa uma crise após a repercussão de sua relação íntima com o banqueiro Daniel Vorcaro, tema que passou a dominar o noticiário político.

O episódio também expõe uma realidade conhecida nos bastidores da política americana: o acesso a Trump é um ativo financeiro, instrumento de marketing político e é comercializado. Pagou, levou.

Nos Estados Unidos, reuniões rápidas, fotos e momentos privados com o ex-presidente são associados a pacotes de arrecadação milionários destinados a financiar organizações conservadoras e campanhas republicanas. A manobra se chama photo op, contração de photo opportunity.

Um dos exemplos mais explícitos veio à tona recentemente através de um e-mail obtido pela newsletter Popular Information. A mensagem revelava que empresários e grandes doadores conservadores receberam uma proposta para participar de uma experiência VIP com Trump mediante doação de US$ 500 mil ao comitê político da organização de extrema-direita Turning Point USA, TPUSA. O pacote colocava preço na fotografia.

O TPUSA foi fundada pelo ativista fascista Charlie Kirk, assassinado durante uma palestra na Universidade do Vale de Utah, em Orem, em novembro. O ex-presidente Jair Bolsonaro participou, em fevereiro de 2023, do evento “Power to the People” (“Poder ao Povo”) em Miami, organizado pelo grupo. Foi saudado por Kirk como um “lutador contra o marxismo”.

Segundo o convite obtido pelo Popular Information, os participantes teriam direito a voo fretado até Phoenix, no Arizona, hospedagem, acesso especial ao comício intitulado “Build the Red Wall” (“Construa a Parede Vermelha”), tour privado pela sede da organização — e, principalmente, um encontro reservado com Trump seguido por uma sessão de fotos.

“Essa experiência incluirá participação em uma breve conversa com o presidente, seguida por uma oportunidade de fotografia”, dizia o e-mail enviado pelo executivo de relações públicas Sinan Kanatsiz.

Embora o evento de Trump em Phoenix fosse aberto gratuitamente ao público, o verdadeiro produto vendido nos bastidores era o acesso exclusivo ao presidente. O mesmo que se passou com Flávio e seu bando.

O ecossistema trumpista transformou esse tipo de acesso em produto de luxo. De acordo com o Popular Information, a oferta circulava de forma reservada entre empresários e aliados políticos selecionados.

No rodapé do convite havia inclusive um aviso em letras maiúsculas: “ESTE E-MAIL É APENAS PARA USO DO DESTINATÁRIO E NÃO DEVE SER COMPARTILHADO — CONFIDENCIAL”.

Encontro de Flávio Bolsonaro com Trump pode prejudicar o Brasil, avalia o Planalto

26 de Maio de 2026, 23:10
Flávio Bolsonaro se encontra com o presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca – Foto: Divulgação

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o encontro entre o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode gerar riscos para a pauta comercial entre os dois países. A avaliação foi relatada por integrantes do governo ouvidos sob reserva. Com informações da Folha.

Segundo integrantes do governo, a preocupação está relacionada à atuação de bolsonaristas no ano passado em defesa do tarifaço sobre produtos brasileiros. Apesar disso, integrantes do Executivo afirmam que as negociações com os Estados Unidos para retirar tarifas ainda existentes seguem avançando.

Fontes do Palácio do Planalto e do Itamaraty minimizaram a possibilidade de impacto eleitoral da visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca. Interlocutores do presidente Lula afirmam que o principal efeito político interno continua relacionado à ligação do senador com Daniel Vorcaro.

Itamaraty
Palácio do Itamaraty. Foto: A C Moraes/Itamaraty

De acordo com a avaliação de diplomatas, não há risco de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro em razão da agenda realizada nos Estados Unidos. A análise é compartilhada por integrantes da área diplomática do governo.

Os diplomatas também afirmam que os encontros entre Lula e Trump e a melhora do processo de negociação entre Brasil e Estados Unidos têm produzido resultados positivos. A avaliação considera o atual estágio das conversas mantidas entre os dois países.

Flávio Bolsonaro esteve em Washington nesta terça-feira (26). O encontro com Trump ocorreu em meio às discussões do governo sobre os possíveis reflexos da agenda para a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Sakamoto: Vorcaro é o sujeito oculto na foto de Trump com Flávio Bolsonaro

26 de Maio de 2026, 22:52
Flávio Bolsonaro Trump
O pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Reprodução/X (@FlavioBolsonaro)

Por Leonardo Sakamoto, via UOL.

A fotografia era o que importava. Não a conversa, não as promessas, não a pretensa diplomacia. Apenas a imagem. Flávio Bolsonaro precisava dela como quem precisa de um colete salva-vidas em mar revolto. E, com a ajuda de Eduardo Bolsonaro e de aliados nos Estados Unidos, cavou hoje um encontro rápido com Donald Trump na Casa Branca para produzir exatamente isso: um retrato de sobrevivência política.

O objetivo não era competir em termos institucionais com Lula, que se reuniu oficialmente com o presidente norte-americano em encontro entre chefes de Estado em Washington DC para discutir temas de interessam a brasileiros e norte-americanos. A intenção era outra. Flávio precisava de uma fumaça espessa capaz de desviar o foco sobre sua relação com o bandido-Master Daniel Vorcaro, o seu pedido de R$ 134 milhões ao banqueiro e a promessa de lealdade eterna feita a ele. E, principalmente, sobre as mentiras contadas pelo senador para encobrir tudo isso.

A foto surge, então, como instrumento político. Um símbolo para consumo interno. Um recado aos aliados, aos empresários e principalmente à militância: “a campanha continua viva”. Porque, no imaginário bolsonarista, ser recebido por Trump ainda funciona como certificado de relevância internacional. Pouco importa se o encontro foi rápido, paralelo, periférico. O que interessa é o enquadramento.

Trump aparece sentado, no centro da cena, enquanto Flávio, em pé e ao lado, ocupa uma posição lateral, quase ornamental. A composição lembra pinturas medievais nas quais o senhor feudal recebia seus vassalos para reafirmar hierarquia e lealdade. Um beija-mão. Não é a iconografia normalmente encontrada entre líderes equivalentes. Quando Trump posa com chefes de Estado, a liturgia visual costuma buscar simetria: ambos em pé, sentados, no mesmo plano. Ali, não. A fotografia estabelece níveis.

Para muita gente, isso é sinônimo de vassalagem e um lembrete da política de alinhamento automático com os EUA executada por Jair Bolsonaro. Contudo, ao contrário do que pensa o naco da sociedade que preza pela soberania, isso é exatamente a razão que explica por que ela funciona tão bem para o trumpismo tropical.

Ilustrativa
Daniel Vorcaro, do Banco Master. Foto: Divulgação/Banco Master

O bolsonarismo sempre cultivou fascínio pela ideia de submissão a uma liderança forte, estrangeira e mitificada. A imagem de Flávio ao lado de Trump não comunica independência política, mas pertencimento. É menos um encontro entre iguais e mais uma audiência com o epicentro da extrema direita global. Há quem vá ao delírio com isso e chore enrolado na bandeira dos Estados Unidos.

O eleitorado fiel verá força onde existe encenação. Há aliados que interpretarão o clique como sinal de viabilidade. Mas a parcela independente do eleitorado, aquela que não vive em devoção permanente nem ao lulismo nem ao bolsonarismo, tende a continuar fazendo perguntas simples para definir o seu voto: por que esconder relações políticas e financeiras? Por que negar proximidades que depois reaparecem? E por que uma foto deveria valer mais do que explicações?

Há um sujeito oculto na imagem. É Vorcaro. Porque toda a pressa para produzir o retrato está menos ligada à necessidade de se contrapor Lula (que havia visitado Trump na Casa Branca e passado três horas discutindo política) e mais à necessidade urgente de mudar de assunto.

No fim das contas, pouco importava a postura corporal, a posição subalterna na foto ou o fato de Trump reservá-la normalmente para assessores e apoiadores de segunda linha. O importante era voltar ao Brasil com um JPEG circulando nas redes e na imprensa e a esperança de que alguns milhares de compartilhamentos sejam suficientes para soterrar perguntas inconvenientes sobre banqueiros, promessas de fidelidade e cifras milionárias.

Em tempos de bolsonarismo, uma imagem vale mais do que mil palavras. Especialmente quando as palavras podem virar prova contra si nas eleições e nos tribunais.

VÍDEO – Ato falho: Flávio Bolsonaro diz que foi à Casa Branca a convite “do presidente Lula”

26 de Maio de 2026, 22:06
Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acompanhado de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, e de Paulo Figueiredo. Foto: Reprodução

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cometeu um ato falho durante entrevista a jornalistas em Washington, nesta terça-feira (26), ao dizer que foi à Casa Branca a convite do “presidente Lula”. O senador se corrigiu segundos depois e afirmou que o convite teria partido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Mais uma vez, foi um convite oficial do presidente Lula, ele tava ali com dois assessores dele… do presidente Trump, desculpa, o presidente Trump estava com dois assessores dele”, disse Flávio Bolsonaro. A fala ocorreu depois do encontro com Trump e da divulgação de fotos do senador no Salão Oval.

Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro criticou Lula diversas vezes e afirmou que pediu a Trump para classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O governo brasileiro se opõe à medida por avaliar que ela poderia abrir margem para interferência estrangeira no território nacional.

O encontro foi articulado por Eduardo Bolsonaro junto à ala ideológica do governo Trump. Segundo o blog do Valdo Cruz, Flávio Bolsonaro pretendia tratar da classificação de facções como terroristas e da liberdade de expressão nas redes sociais no Brasil, pauta comum entre bolsonaristas e aliados do republicano.

"Foi um convite oficial do presidente Lula…" 🤣 pic.twitter.com/iiVgXMlpRa

— Cesar Calejon (@cesarcalejon1) May 26, 2026

Na coletiva, o senador também afirmou que prometeu incluir o Brasil no chamado Escudo das Américas, uma coalizão criada pelos Estados Unidos com países latino-americanos para combater crime organizado e interferências estrangeiras. Flávio Bolsonaro disse ainda ter conversado com Trump sobre tarifas e terras raras.

Apesar de Flávio Bolsonaro afirmar que a comitiva ficou cerca de uma hora e meia na Casa Branca e passou “bastante tempo” reunida com Trump, fontes ouvidas pelo g1 relataram que o encontro foi rápido. Segundo integrantes da comitiva, documentos foram entregues a assessores da Casa Branca e, em seguida, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo entraram no Salão Oval apenas para tirar uma foto com Trump.

A viagem ocorreu em meio à tentativa da pré-campanha de Flávio Bolsonaro de produzir uma agenda positiva após o desgaste provocado pelo caso “Dark Horse”. A relação do senador com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afetou seu desempenho no Datafolha: Lula ampliou de três para nove pontos a vantagem no primeiro turno e abriu quatro pontos no segundo.

Tarcísio rifa Flávio Bolsonaro sobre caso Vorcaro: “Muitas questões para ele explicar”

26 de Maio de 2026, 21:56
Tarcísio de Freitas Flávio Bolsonaro
O pré-candidato a presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas. Foto: Danilo Verpa/Folhapress

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira (26) que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem “muitas questões” a explicar sobre sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A declaração foi dada durante coletiva na entrega da primeira etapa da Estação de Tratamento de Esgoto de Perus, na Zona Norte da capital paulista.

Ao comentar o caso, Tarcísio de Freitas disse que a população acompanha o escândalo envolvendo o Banco Master e que o episódio exige explicações. “Como eu falei, eu acho que tem muitas questões que ele mesmo precisa explicar. A população está vendo esse escândalo do Banco Master, que é uma coisa que agride a sociedade como um todo. Isso deixa a sociedade em alerta e aí tudo tem que ser muito bem explicado”, afirmou.

A fala ocorre após a revelação de que Flávio Bolsonaro se reuniu com Daniel Vorcaro depois da primeira prisão do banqueiro. Segundo o senador, o encontro teve como objetivo “botar um ponto final” na questão do financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. A Polícia Federal deve apurar se a visita ocorreu para cobrar dinheiro ligado à produção.

Flávio Bolsonaro admitiu na semana passada que esteve com Vorcaro após a soltura do banqueiro, que passou a usar tornozeleira eletrônica. O encontro ocorreu no dia seguinte à decisão do TRF-1 que liberou o dono do Banco Master, em novembro de 2025.

▶️COBROU: Tarcísio cobra explicações de Flávio Bolsonaro sobre ligação com banqueiro investigado

O governador de São Paulo afirmou que Flávio Bolsonaro precisa esclarecer muitas questões sobre sua relação com Daniel Vorcaro, investigado por fraudes no Banco Master, dizendo que o… pic.twitter.com/KvgEXcnq2i

— Pesquisas Eleições (@EleicaoBr2026) May 26, 2026

Tarcísio de Freitas negou afastamento político de Flávio Bolsonaro e desejou sucesso ao aliado na viagem aos Estados Unidos. O governador disse que o senador é pré-candidato à Presidência e que considera “extremamente saudável” conversar com chefes de Estado e lideranças internacionais.

Questionado sobre a ausência em agendas conjuntas com Flávio Bolsonaro nas últimas semanas, Tarcísio de Freitas afirmou que está concentrado no governo paulista. “É porque eu tenho uma agenda de governador. Veja, eu estou governando o estado. Quando é que eu vou pensar em eleição? No período da campanha”, disse.

O caso “Dark Horse” entrou no centro da crise da pré-campanha de Flávio Bolsonaro após reportagens apontarem que Daniel Vorcaro financiou a cinebiografia de Jair Bolsonaro. O banqueiro chegou a repassar cerca de R$ 61 milhões ao projeto antes de ser preso.

“Foto de fã com ídolo”: Octávio Guedes detona encontro de Flávio Bolsonaro com Trump

26 de Maio de 2026, 21:49
O jornalista Octávio Guedes e a foto “de fã” de Eduardo Bolsonaro com Donald Trump em Washington. Fotomontagem

O jornalista Octavio Guedes afirmou nesta terça-feira (26) que a primeira imagem divulgada do encontro entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Donald Trump, na Casa Branca, parece mais uma foto de fã com ídolo do que uma reunião entre um pré-candidato à Presidência do Brasil e o presidente dos Estados Unidos. A análise foi publicada no g1 após a divulgação das imagens do senador ao lado do republicano.

Segundo Guedes, a fotografia não é o ponto central da viagem. O comentarista afirmou que o senador viajou aos Estados Unidos para sair do Brasil e evitar perguntas sobre o escândalo envolvendo o Banco Master e o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. “Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não viajou para se encontrar com Trump, e sim para sair do Brasil, fugindo de perguntas sobre o escândalo do Banco Master”, escreveu.

Ao tratar da imagem, Octavio Guedes afirmou que: “A primeira foto divulgada nesta terça-feira (26) do encontro do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parece mais a foto de um fã com seu ídolo do que propriamente a de um presidenciável de um país soberano conversando com o presidente de outro país soberano”.

O jornalista também apontou que Flávio Bolsonaro tem evitado explicar onde está o suposto contrato firmado com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. O senador foi gravado pedindo dinheiro ao banqueiro para a produção. Segundo a Folha, Vorcaro investiu R$ 61 milhões no projeto, e o episódio abriu uma crise na pré-campanha do PL.

Blog do Octavio Guedes – A primeira foto divulgada nesta terça-feira (26) do encontro do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parece mais a foto de um fã com seu ídolo do que propriamente a de um… pic.twitter.com/moZwBhAJHi

— g1 (@g1) May 26, 2026

Guedes lembrou que, desde a divulgação do áudio da conversa com Vorcaro, em 13 de maio, Flávio Bolsonaro foi questionado duas vezes pela imprensa sobre o caso e teve, segundo ele, reações constrangedoras. Na primeira, riu ao responder a uma pergunta do Intercept sobre os R$ 61 milhões pagos pelo banqueiro e afirmou que a informação era “mentira”. Depois, no aeroporto, a caminho dos Estados Unidos, brincou que só falaria em inglês.

Na análise, Octavio Guedes afirmou que: “A fotografia é o que menos importa para a pré-campanha. O silêncio do senador e filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro importa muito mais”.

Após o encontro, Flávio Bolsonaro disse que pediu a Trump para classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. O senador também afirmou que conversou com o republicano sobre segurança pública, tarifas e terras raras, além de negar que a agenda tivesse relação com o desgaste provocado pelo caso “Dark Horse”. Folha

A viagem foi articulada por Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Octavio Guedes registrou que o ex-deputado federal cassado perdeu o mandato por excesso de faltas, é investigado no STF e atua no exterior em articulações com aliados de Trump.

Correspondentes desmentem Flávio Bolsonaro e relatam reunião rápida com Trump

26 de Maio de 2026, 21:38
Flávio Bolsonaro Trump
O pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Reprodução/X (@FlavioBolsonaro)

O encontro de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com Donald Trump na Casa Branca passou a ser marcado por versões diferentes sobre a duração e o conteúdo da conversa. O senador afirmou, em coletiva, que chegou ao local às 15h e saiu às 16h40. A jornalista Raquel Krähenbühl, da GloboNews, relatou que a passagem foi rápida: entrada de Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, entrega de documentos a assessores, foto e saída. O correspondente da Rádio BandNews Eduardo Barão disse que a agenda durou cerca de dez minutos.

A visita ocorreu nesta terça-feira (26), em Washington, no momento em que aliados tentam construir uma pauta positiva para Flávio Bolsonaro após o desgaste provocado pelo caso “Dark Horse”. O governo dos Estados Unidos não havia confirmado oficialmente reunião de Trump com o senador.

Na coletiva, Flávio Bolsonaro negou que a ida à Casa Branca tivesse relação com a crise aberta pela revelação do pedido de dinheiro feito a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. O senador também disse ser favorável à abertura de uma CPI sobre o caso.

Flávio Bolsonaro afirmou que não pediu endosso de Trump à sua pré-candidatura à Presidência, mas disse ter mostrado pesquisas eleitorais e declarado ao republicano acreditar em vitória em 2026. A fala reforçou a tentativa de projetar a visita como demonstração de prestígio internacional.

Diferente de outras fontes, Flavio disse que ficou bastante tempo com Trump (mas não declarou quanto tempo).

Flavio contou que pediu que Trump declare facções criminosas – PCC/ CV – como grupos terroristas e que o presidente ficou de avaliar o pedido dele. pic.twitter.com/Pk42YOtX2n

— Raquel Krähenbühl (@Rkrahenbuhl) May 26, 2026

O pedido para que os Estados Unidos classifiquem PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas apareceu como um dos temas tratados na reunião, mas ficou em segundo plano diante da disputa sobre a duração real do encontro. Flávio Bolsonaro afirmou que levou o assunto a Trump e acusou Lula de atuar no sentido contrário.

Na mesma fala, o senador atacou o Itamaraty e a Embaixada do Brasil em Washington por não cederem espaço para a coletiva. Chamou a negativa de “gesto pequeno, mesquinho e revelador” e acusou a diplomacia brasileira de “aparelhamento ideológico” no governo Lula.

Paulo Figueiredo também sustentou a versão de que o encontro durou cerca de uma hora e quarenta minutos. Segundo ele, a comitiva entregou mais de dez camisas da seleção brasileira a Trump e a familiares do presidente dos Estados Unidos. Ele e Flávio Bolsonaro afirmaram ainda que Trump perguntou sobre Jair Bolsonaro durante a reunião.

Flávio Bolsonaro visita Casa Branca e diz que pediu a Trump para classificar PCC e CV como terroristas

26 de Maio de 2026, 19:13
Nos bastidores da campanha, a avaliação é que uma imagem ao lado do presidente dos EUA poderia ajudar a mudar o foco do noticiário e demonstrar prestígio

Ancine pode multar produtora de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, em até R$ 100 mil

21 de Maio de 2026, 17:28

A produtora Go Up Enterteniment, responsável pelo filme sobre Jair Bolsonaro, “Dark Horse”, pode pagar até R$ 100 mil em multa após Ancine abrir investigação sobre os meios de financiamento do filme. O caso ganhou destaque após o jornal The Intercept divulgar áudio de Flávio Bolsonaro pedindo R$ 134 milhões de reais para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sob a justificativa de pagar as depesas do filme sobre o pai. Leia em TVT News.

Bolsomaster

Após o vazamento do áudio de Flávio e de mensagens revelando que Vorcaro transferiu ao menos US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões conforme a cotação do período, entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações destinadas ao projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro. 

Em um primeiro momento, tanto a produtora Karina Ferreira da Gama como Mário Frias, que está envolvido no projeto, negaram haver recebido dinheiro de Vorcaro para a produção, mesmo após Flávio admitir que as mensagens eram verdadeiras.

Posteriormente, no entanto, Karina assumiu que 90% do filme havia sido financiado com dinheiro do Banco Master e que o orçamento já realizado do filme está em cerca de 13 milhões de dólares.

A Agência Nacional de Cinema (Ancine) investiga a conduta da empresa Go Up Entertainment, produtora nacional responsável pelo filme sobre Bolsonaro.

A Go Up Enterteniment está sujeita à aplicação de uma sanção financeira que varia de R$ 2.000,00 a R$ 100.000,00 devido à ausência de prestação de informações obrigatórias sobre a realização das filmagens em território brasileiro.

A fiscalização da Ancine busca esclarecer o nível de participação da Go Up Entertainment na execução do projeto cinematográfico, cuja estreia nas salas de cinema comerciais está programada para o mês de setembro deste ano.

O órgão regulador visa determinar se a empresa nacional atuou na condição de produtora principal do longa-metragem ou se figurou apenas como prestadora de serviços contratada por uma corporação sediada no exterior.

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Reprodução da conversa com o pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, do Banco Master, obtida pelo Intercet. Reprodução / Intercept

Diretrizes da Ancine

As diretrizes regulamentares da agência determinam de forma expressa que toda atividade de filmagem de produções de caráter internacional executada no perímetro geográfico brasileiro deve ocorrer sob a estrita tutela e responsabilidade de uma empresa comercial devidamente registrada nos quadros da Ancine.

A legislação estipula que a firma parceira local possui a obrigação legal de notificar formalmente a agência sobre o cronograma de atividades, além de submeter um conjunto de documentos administrativos obrigatórios, incluindo cópias dos contratos de prestação de serviços, o planejamento logístico detalhado das filmagens e a documentação migratória e passaportes dos profissionais estrangeiros alocados na produção.

“Dark horse”, biografia de Bolsonaro, descumpriu regras da Ancine

A despeito do fato de que as gravações de “Dark Horse” ocorreram na cidade de São Paulo no decorrer do ano passado e alcançaram ampla repercussão nos meios de comunicação, a Go Up Entertainment não remeteu nenhum dos documentos exigidos até o momento.

A Superintendência de Fiscalização da Ancine emitiu notificações e ofícios formais direcionados à sede da produtora nos meses de fevereiro e março deste ano, exigindo a comprovação imediata da regularidade do projeto.

Os documentos oficiais expedidos pelo órgão de fiscalização estipularam que a comprovação da comunicação prévia acerca de obras estrangeiras constitui uma obrigação administrativa compulsória.

A norma em questão encontra-se respaldada por uma instrução normativa editada pela própria Ancine que vigora desde o ano de 2008, instituindo os parâmetros legais para o desenvolvimento de produções audiovisuais estrangeiras no espaço geográfico brasileiro.

Omissão da produtora

A Go Up Entertainment manteve-se em silêncio e deixou de responder aos questionamentos enviados pelas autoridades governamentais nos prazos assinalados.

As notificações emitidas pela Ancine alertavam explicitamente a direção da empresa de que a persistência da omissão documental resultaria na lavratura de um auto de infração, culminando nas penalidades financeiras previstas na regulamentação do setor de radiodifusão e cinema.

O silêncio institucional da produtora antecedeu a divulgação midiática de arquivos de áudio nos quais o senador Flávio Bolsonaro realiza cobranças financeiras expressivas destinadas ao financiamento do filme para o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Emendas parlamentares na mira da justiça

Produtora de filme de Bolsonaro, “Dark Horse”, nunca produziu um filme

Os registros documentais da agência de cinema revelam que a Go Up Entertainment apresenta uma trajetória atípica no segmento de mercado em que atua, uma vez que a empresa privada nunca assinou a realização de nenhuma outra produção cinematográfica anterior ao projeto sobre o ex-presidente.

A entrada da responsável pela firma, Karina Gama, na coordenação de “Dark Horse” ocorreu por intermédio do deputado federal Mário Frias (PL-SP), político que desempenhou as funções de secretário especial de Cultura no governo anterior e que assina formalmente o roteiro técnico do longa-metragem.

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Foco principal está em cerca de R$ 61 milhões que teriam sido transferidos para o fundo offshore Havengate, que financiou o filme “Dark Horse”. Foto: Divulgação

Karina Gama também exerce o cargo de presidente do Instituto Conhecer Brasil, entidade que passou a ser investigada no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF).

A linha de apuração foca na destinação de R$ 2 milhões em verbas de emendas parlamentares federais enviadas pelo deputado Mário Frias com a justificativa de financiar o filme “Dark Horse”.

Os dados cadastrais demonstram que o Instituto Conhecer Brasil detém registro ativo na Ancine desde o ano de 2020, contudo, a organização não governamental jamais efetuou o lançamento de nenhuma produção audiovisual no mercado nacional ou no exterior sem ser o filme “Dark Horse”.

Financiamento internacional

O circuito de financiamento econômico por trás de “Dark Horse” exibe ramificações que operam fora das fronteiras nacionais.

Investigações jornalísticas publicadas pelo veículo Intercept Brasil indicaram que o senador Flávio Bolsonaro admitiu ter captado o montante de R$ 61 milhões junto ao empresário Daniel Vorcaro.

Daria para fazer dois “O Agente Secreto” com R$ 61 milhões

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Meme sobre financiamento de “Dark Horse” Foto: Reprodução

O valor de R$ 134 milhões solicitado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a obra sobre seu pai é quase o dobro de orçamentos de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” juntos. Já o valor que, de fato, teria sido recebido, os R$ 61 milhões, daria para fazer dois Agentes Secretos

O fluxo do capital financeiro de “Dark Horse” deu-se por meio de uma pessoa jurídica vinculada ao ex-banqueiro, com destino final direcionado a um fundo de investimentos privado com sede em território estrangeiro.

O fundo de investimentos em questão possui a gestão sob a responsabilidade direta do advogado de imigração que atende Eduardo Bolsonaro em solo norte-americano.

As autoridades que acompanham o caso apontam suspeitas de que os aportes financeiros intermediados pelo fundo tenham servido para a manutenção financeira do deputado federal e filho do ex-presidente em sua estadia nos Estados Unidos.

Nenhuma justificativa técnica foi apresentada pelos envolvidos para fundamentar a necessidade de triangulação financeira internacional em uma produção “Dark Horse” filmada no Brasil.

Havengate: qual é o fundo que liga Vorcaro, Flávio e Eduardo Bolsonaro

O fundo offshore Havengate Development Fund LP, registrado no estado do Texas, nos Estados Unidos, tornou-se um dos principais focos das investigações que apuram a relação entre o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e a família Bolsonaro.

O veículo financeiro aparece no centro das suspeitas sobre a transferência de recursos destinados oficialmente ao filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas que agora também levantam questionamentos sobre eventual financiamento indireto da permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

A nova linha investigativa da Polícia Federal ganhou força após reportagens do site The Intercept Brasil revelarem documentos, contratos, comprovantes de pagamento e trocas de mensagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, Vorcaro, empresas ligadas ao grupo Entre Investimentos e o fundo americano Havengate.

Flávio Bolsonaro nega qualquer desvio de finalidade dos R$ 60 milhões obtidos com Daniel Vorcaro. Em entrevista à GloboNews, o senador afirmou que todo o dinheiro recebido foi destinado exclusivamente à produção cinematográfica.

“Todos os recursos que foram aportados neste fundo, que é específico para a produção do filme, foram usados integralmente para fazer o filme”, declarou o parlamentar.

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Reprodução da conversa com o pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, do Banco Master, obtida pelo Intercet. O dinheiro seria para a produção do filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro, “Dark Horse” Reprodução / Intercept

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A declaração, porém, passou a ser confrontada por novos documentos revelados posteriormente pelo Intercept. Segundo a reportagem, Eduardo Bolsonaro assinou contratos ligados diretamente à produção de “Dark Horse” e exerceu funções executivas na estrutura do projeto, contrariando declarações públicas anteriores em que afirmava ter apenas cedido seus direitos de imagem.

O contrato citado pela reportagem, datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente em janeiro de 2024, aponta a empresa GoUp Entertainment como produtora da obra e coloca Eduardo Bolsonaro e o deputado Mario Frias como produtores-executivos do filme.

Os documentos ampliaram as suspeitas sobre a verdadeira função do Havengate dentro da engrenagem financeira que sustentou a produção de “Dark Horse”. Segundo os documentos obtidos pelo Intercept Brasil, os recursos ligados a Vorcaro teriam sido enviados inicialmente pela empresa Entre Investimentos e Participações, comandada pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”.

A empresa aparece no radar da Polícia Federal em investigações sobre lavagem de dinheiro, fraudes financeiras e operações consideradas suspeitas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Relatórios do Coaf classificaram movimentações da Entre como indicativas de “conta de passagem”, expressão utilizada para descrever estruturas usadas para circular dinheiro sem relação clara com a atividade econômica declarada.

A PF investiga se a Entre foi utilizada como intermediária para remeter valores ao exterior após dificuldades operacionais enfrentadas pelo próprio Banco Master para executar transferências internacionais.

Mensagens obtidas pelos investigadores indicam que Vorcaro teria orientado operadores financeiros a realizar os pagamentos “via Entre”, o que acabou direcionando os recursos para o fundo Havengate nos Estados Unidos.

A partir daí, investigadores passaram a questionar quem seriam os verdadeiros beneficiários finais da estrutura financeira.

Eduardo no centro das suspeitas

Eduardo Bolsonaro nega ter recebido recursos do fundo ou ter exercido controle sobre a estrutura financeira utilizada no projeto do filme “Dark Horse”. Em manifestações públicas, afirmou que apenas participou do início da produção do filme e posteriormente deixou a gestão da obra.

“Passei então a ser somente uma pessoa que assinou sua cessão de direitos autorais”, afirmou.

As investigações sobre o filme “Dark Horse”, no entanto, ocorrem paralelamente ao acompanhamento da permanência de Eduardo nos Estados Unidos.

O ex-deputado vive no país desde fevereiro de 2025. Na semana passada, a Procuradoria-Geral da República pediu sua condenação por coação no curso do processo, acusando-o de articular, do exterior, ações para pressionar autoridades brasileiras e interferir no julgamento envolvendo Jair Bolsonaro.

Em 2025, o próprio Jair Bolsonaro transferiu R$ 2 milhões ao filho nos Estados Unidos, movimentação que o Supremo Tribunal Federal considerou indício relevante da articulação política e financeira entre pai e filho.

Agora, investigadores tentam esclarecer se parte dos recursos ligados ao Havengate também pode ter servido para sustentar despesas pessoais ou políticas de Eduardo Bolsonaro em território americano.

Cooperação internacional e dificuldades de rastreamento

Especialistas ouvidos por veículos de imprensa destacam que fundos offshore como o Havengate são estruturas complexas justamente porque dificultam a identificação dos beneficiários reais dos recursos.

Os Estados Unidos não aderiram ao sistema internacional CRS, mecanismo da OCDE que prevê troca automática de informações financeiras entre países. Isso torna mais difícil para autoridades brasileiras acessarem dados bancários de estrangeiros que movimentam recursos em solo americano.

Para avançar nas investigações, o Supremo Tribunal Federal poderá depender de pedidos formais de cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos, via Departamento de Justiça americano (DOJ), utilizando os mecanismos previstos no tratado MLAT.

A eventual quebra de sigilo bancário do Havengate dependeria de autorização judicial nos dois países.

Enquanto isso, a crise política provocada pelas revelações continua ampliando o desgaste da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Pesquisas recentes já apontam queda nas intenções de voto do senador após a divulgação dos áudios e documentos envolvendo Daniel Vorcaro, o Banco Master e o financiamento do filme “Dark Horse”.

O trailer do filme “Dark Horse”

O material de divulgação de “Dark Horse” exibe cenas captadas em locações em território nacional, porém estruturadas com diálogos falados na língua inglesa e sustentadas por um corpo de profissionais e atores predominantemente estrangeiros.

O papel principal de Jair Bolsonaro é interpretado pelo ator de nacionalidade norte-americana Jim Caviezel, conhecido no mercado de cinema por sua atuação no filme “A Paixão de Cristo”.

A análise preliminar efetuada pelas áreas técnicas de fiscalização identificou a inserção da logomarca institucional da Go Up Entertainment nos créditos iniciais do trailer de divulgação de “Dark Horse”. Essa configuração visual serve como indício técnico de que a operação se enquadra na modalidade de filmagem de produção estrangeira executada com o suporte de uma produtora local cadastrada, atraindo a obrigatoriedade de sujeição total às regras de controle editadas pela Ancine.

A agência governamental pontuou que os resultados das apurações administrativas em curso serão levados ao conhecimento público e que as punições cabíveis serão adotadas em caso de confirmação das irregularidades.

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VÍDEO – Senador bolsonarista é desmentido ao vivo na CNN após fake news sobre Lula

21 de Maio de 2026, 17:20
O senador Rogério Marinho durante entrevista na CNN. Foto: Divulgação

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), passou por um momento de constrangimento após reproduzir uma informação que acabou sendo desmentida durante debate na CNN Brasil.

O parlamentar foi desmentido pela apresentadora Elisa Veeck após afirmar que os filmes do presidente Lula e do ex-presidente Michel Temer foram patrocinados por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

“Só para acrescentar aqui para o senhor, os diretores e produtores, as pessoas envolvidas com os filmes que o senhor citou negam que tenha havido essa conexão que o senhor acabou de afirmar aqui, senador”, disse a apresentadora, deixando o bolsonarista claramente desnorteado.

Fake News do Vorcaro patrocinar filme do Lula é desmentida ao vivo na CNN. Olha o constrangimento do senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flavio Bolsonaro. pic.twitter.com/ctb7htYId8

— GugaNoblat (@GugaNoblat) May 21, 2026

A fake news começou após a publicação da coluna de Lauro Jardim, no O Globo, que afirmava que Vorcaro também teria financiado produções ligadas ao presidente Lula e Michel Temer.

A informação foi rapidamente compartilhada por perfis e grupos bolsonaristas nas redes sociais, que passaram a utilizá-la para rebater as acusações envolvendo o caso atribuído a Flávio Bolsonaro.

A circulação da coluna alimentou a narrativa de que Vorcaro teria mantido relações semelhantes com projetos ligados a diferentes grupos políticos. A estratégia buscava estabelecer uma equivalência entre os casos, sugerindo que o empresário também teria financiado iniciativas associadas a Lula e Temer.

Entretanto, começaram a surgir manifestações contestando a informação. Pessoas diretamente ligadas às produções mencionadas negaram a existência de qualquer aporte financeiro do banqueiro nos projetos citados pela coluna.

Entre elas estava Elsinho Mouco, ex-assessor de Michel Temer, que rejeitou a versão de que Vorcaro teria financiado o documentário relacionado ao ex-presidente. A negativa enfraqueceu a principal sustentação da narrativa que circulava nas redes sociais.

Posteriormente, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República também se manifestou sobre o tema. A Secom informou que o governo Lula não realizou pedido de financiamento para o documentário dirigido pelo cineasta Oliver Stone, outro ponto citado durante a repercussão do caso.

Em inglês, Flávio diz que não pediu encontro com Trump: “Ligue para a Casa Branca”

21 de Maio de 2026, 16:05
Flávio Bolsonaro. Foto: Gabriela Biló/Folhapress

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou nesta quinta (21) ter solicitado uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Questionado por jornalistas no Congresso sobre quem teria articulado o encontro, o parlamentar respondeu em inglês: “No, I didn’t ask anything. Nobody asked [Não, não pedi nada. Ninguém pediu, em português]”.

Segundo aliados do senador, a reunião poderá ocorrer na próxima semana e teria partido de um convite feito pelo próprio governo americano. Até o momento, a Casa Branca não confirmou oficialmente a realização do encontro nem comentou a existência do convite.

Ao ser novamente questionado sobre o tema, Flávio manteve as respostas em inglês e ironizou o presidente Lula. “I’m speaking like this because Lula cannot understand what I’m talking about [Estou falando assim porque Lula não consegue entender o que estou dizendo, em português]”, afirmou aos repórteres.

O senador também evitou dar detalhes sobre a possível agenda nos Estados Unidos. “Call to White House and ask them if this is true or false [Ligue para a Casa Branca e pergunte se isso é verdadeiro ou falso, em português]”, declarou ao ser perguntado sobre a confirmação da reunião.

🗣️ “Call the White House and ask them if this is true or false.”

Respondeu o Meu Amigo Flávio 🎵 aos rebusnos dos jornas13@FlavioBolsonaro pic.twitter.com/nZ5g2AwoVO

— Ale SBlack (@ale_sblack) May 21, 2026

A suposta viagem ocorre em meio às articulações da pré-campanha presidencial de Flávio. O senador vem ampliando compromissos políticos nacionais e internacionais enquanto busca consolidar seu nome para a disputa.

Na semana passada, vieram a público conversas entre Flávio e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Nas mensagens, o senador solicita recursos para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nenhuma autoridade americana confirmou o encontro com Trump até o momento. Membros de sua pré-campanha disseram a veículos de imprensa que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, fez o convite e que a agenda foi articulada pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

“Não nos preocupa”: o que diz o governo sobre encontro entre Flávio e Trump

21 de Maio de 2026, 15:26
Flávio Bolsonaro e Donald Trump. Foto: reprodução

Integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty reagiram com cautela à informação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretende se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Aliados do parlamentar disseram que ele vai se reunir com o republicano na próxima semana.

Segundo diplomatas ouvidos pela coluna de Igor Gadelha no Metrópoles, o governo brasileiro ainda não recebeu confirmação oficial sobre o encontro. Nos bastidores, interlocutores avaliam que a divulgação da agenda pode estar relacionada ao momento político enfrentado pelo senador.

A avaliação de parte dos diplomatas é que a notícia da possível reunião foi utilizada como cortina de fumaça para desviar o foco da crise envolvendo a relação de Flávio com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

No Palácio do Planalto, auxiliares do presidente Lula também afirmam não ter recebido qualquer confirmação sobre a agenda entre o senador e Trump. Mesmo diante da possibilidade de o encontro ocorrer, assessores do governo minimizam eventuais efeitos políticos da reunião para o cenário nacional. “Não nos preocupa”, afirmou um assessor ligado ao presidente Lula.

Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A Casa Branca e a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil não confirmaram até o momento o encontro de Flávio e Trump.

Membros da pré-campanha do senador têm dito a veículos de imprensa que o convite partiu de Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, e que a articulação para viabilizar o encontro envolveu o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.

Se confirmado, o encontro deve ocorrer semanas após uma viagem de Lula aos Estados Unidos para reunião com Trump. O petista esteve na Casa Branca na primeira semana de maio para discutir o “tarifaço”, parcerias no setor de minérios e ações conjuntas de combate ao crime organizado.

Leo Dias apagou matéria sobre Dark Horse após bronca de Vorcaro

21 de Maio de 2026, 15:16

O avanço da série “Vaza Flávio”, publicada pelo The Intercept Brasil, adicionou um novo capítulo à crise envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Desta vez, mensagens obtidas pelo veículo apontam que o banqueiro Daniel Vorcaro pressionou diretamente integrantes do Portal Leo Dias para remover uma reportagem sobre o longa-metragem ainda em agosto de 2025, quando a existência da produção não havia sido oficialmente divulgada. Saiba mais na TVT News.

Segundo a reportagem do Intercept, a matéria foi publicada em 1º de agosto de 2025 e retirada do ar cerca de uma hora depois, após reclamações de Vorcaro ao empresário Thiago Miranda, sócio do portal e apontado como articulador financeiro das negociações envolvendo o filme. As mensagens reforçam suspeitas sobre o grau de envolvimento do banqueiro na produção audiovisual e sugerem uma tentativa de controle sobre a divulgação pública do projeto.

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Mensagens mostram irritação de Vorcaro

De acordo com os diálogos revelados, Vorcaro enviou mensagem a Thiago Miranda às 12h07 daquele dia demonstrando incômodo com a publicação da reportagem.

“Achei que divulgar que tá fazendo o filme muito ruim, não acha?”, escreveu o banqueiro.

Miranda respondeu concordando com a crítica e afirmou que iria “entender” o que havia acontecido. Em seguida, declarou que “tinham combinado de não divulgar nada” e disse que falaria com “Mário”, numa aparente referência ao deputado federal Mario Frias, produtor-executivo e roteirista do longa.

As mensagens também indicam que o senador Flávio Bolsonaro participou das tratativas para conter a repercussão da notícia. Em um dos trechos divulgados, Thiago Miranda afirma a Vorcaro que havia conversado “com Mário e Flávio” e garante que a matéria seria apagada.

Leo Dias Dark Horse Vorcaro

Pouco depois, Miranda confirma que o conteúdo havia sido retirado do ar. Na sequência, escreve ao banqueiro: “Flavio disse que vai te dar uma ligada também”.

A troca de mensagens reforça uma das principais linhas de apuração em torno do caso: a existência de uma articulação política, empresarial e midiática em torno do projeto cinematográfico, cuja produção vem sendo alvo de investigações da Polícia Federal, do Ministério Público e do Supremo Tribunal Federal.

Reportagem antecipava detalhes do filme

Mesmo retirada do ar, a publicação original acabou preservada por usuários em sistemas de arquivamento da internet. Segundo o Intercept, o texto trazia detalhes inéditos sobre “Dark Horse”, descrevendo o filme como uma narrativa heroica da trajetória política de Bolsonaro.

A reportagem afirmava que o ex-presidente seria retratado como “um homem corajoso e determinado”, impulsionado à política pela “decepção com os rumos do país”. Também citava nomes ligados à produção internacional do longa, como o diretor Cyrus Nowrasteh, o produtor Michael Davis e a diretora de elenco Ricki G. Maslar.

O texto ainda revelava que já havia atores escalados para interpretar os filhos de Bolsonaro — Flávio, Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro — além da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Naquele momento, porém, não havia qualquer menção pública sobre os recursos milionários destinados ao projeto nem sobre a participação de Vorcaro como principal financiador.

Intercept liga Vorcaro ao financiamento do longa

As novas revelações se somam a reportagens anteriores do Intercept que apontam que Flávio Bolsonaro negociou cerca de R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro para financiar o filme. Parte desses recursos teria sido transferida ao fundo offshore Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e administrado por pessoas ligadas ao entorno de Eduardo Bolsonaro.

A produção do longa passou a ser investigada após a divulgação de áudios em que Flávio cobrava repasses financeiros de Vorcaro. Em uma das gravações reveladas anteriormente, o senador demonstrava preocupação com atrasos nos pagamentos relacionados ao filme.

A crise política se agravou depois que vieram à tona suspeitas de que parte dos recursos destinados à produção poderia ter sido usada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele vive desde 2025.

Flávio nega irregularidades e afirma que todo o dinheiro foi utilizado exclusivamente na produção cinematográfica.

Portal Leo Dias diz que retirou texto por “dúvidas internas”

Por meio de nota enviada ao Intercept, o Portal Leo Dias afirmou que a retirada da reportagem ocorreu por “dúvidas internas sobre a apuração”.

Segundo a manifestação atribuída à advogada Hallyne Marques, o conteúdo teria sido recebido de uma fonte, mas acabou removido porque a equipe não estava “100% convicta” das informações publicadas.

A nota informa ainda que a decisão passou por Thiago Miranda, então CEO do portal.

O veículo voltou a tratar do tema apenas em dezembro de 2025, quando imagens das gravações do filme começaram a circular nas redes sociais e a crise envolvendo o Banco Master já havia levado à primeira prisão de Vorcaro.

Caso amplia desgaste político do bolsonarismo

A nova reportagem aprofunda o desgaste político da família Bolsonaro e amplia questionamentos sobre a rede de relações empresariais, financeiras e midiáticas montada em torno do filme “Dark Horse”.

Nos bastidores do Partido Liberal, aliados já vinham demonstrando preocupação com as sucessivas contradições públicas envolvendo o caso. Integrantes do partido criticam a falta de coordenação na estratégia de comunicação adotada após os vazamentos.

Enquanto isso, a PF avalia abrir um inquérito específico para investigar o financiamento da produção cinematográfica, incluindo possíveis crimes financeiros, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e uso de estruturas offshore para movimentação internacional de recursos.

O caso também chegou ao Tribunal de Contas da União e ao STF, onde o ministro Flávio Dino determinou apurações preliminares sobre possíveis vínculos entre emendas parlamentares e entidades relacionadas à produção do filme.

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PF aponta que Refit pagou R$ 14 milhões para família de Ciro Nogueira

21 de Maio de 2026, 14:54

Uma nova investigação conduzida pela Polícia Federal detectou transações financeiras sob suspeita envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro. Os investigadores mapearam um fluxo de R$ 14,2 milhões oriundos de estruturas financeiras ligadas à Refit, um conglomerado atuante no setor de refino e distribuição de combustíveis, direcionados a uma firma controlada por familiares do parlamentar piauiense. Leia em TVT News.

A revelação dos dados bancários e das conexões societárias foi publicada em reportagem exclusiva do jornal O Estado de S. Paulo. O rastreamento dos valores ocorreu no escopo das apurações que fundamentaram a instauração da Operação Sem Refino, autorizada formalmente pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A ação policial visa desarticular um esquema complexo voltado para crimes de sonegação tributária massiva, fraudes fiscais no recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), corrupção de agentes públicos e lavagem de capitais. O principal executivo e controlador do grupo Refit é o empresário Ricardo Magro.

Refit deve mais de R$ 26 bilhões em impostos

De acordo com informações oficiais enviadas pela Receita Federal às autoridades do Poder Judiciário, o conglomerado de Magro figura atualmente como o maior devedor contumaz de impostos do território nacional, acumulando um passivo de débitos fiscais que ultrapassa a marca de R$ 26 bilhões.

Contra o empresário, que se encontra fora do país, foi emitido um mandado de prisão preventiva e seu nome passou a integrar a lista vermelha de foragidos internacionais gerida pela Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol).

Empresas de fachada

Os relatórios técnicos elaborados pelos peritos da Polícia Federal descrevem que a fiscalização contábil se debruçou sobre as movimentações bancárias de uma série de fundos de investimento e pessoas jurídicas vinculadas à holding de Ricardo Magro.

Nesse processo, os agentes identificaram a atuação da empresa Athena Real Estate LTDA, classificada pelos investigadores como uma entidade imobiliária operada de forma oculta pela própria teia diretiva da Refit para fins de aquisição de patrimônio e transações de ativos.

Os documentos apontam que a Athena atuava como a beneficiária principal dos recursos financeiros mobilizados pelo fundo de investimentos EUV Gladiator.

Esse fundo, por sua vez, possui ligações societárias que remetem a estruturas de holdings sediadas em território estrangeiro, compondo a engenharia financeira do conglomerado de combustíveis sob fiscalização. A quebra do sigilo bancário evidenciou que a Athena realizou a transferência direta de R$ 14,2 milhões em favor da firma Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis.

Na contabilidade oficial da empresa emissora dos valores, a auditoria preliminar da Polícia Federal constatou a ausência de detalhamentos técnicos, justificativas comerciais imediatas ou descrições específicas acerca da natureza jurídica do negócio que motivou o repasse milionário.

Embora o senador Ciro Nogueira dê nome à pessoa jurídica que recebeu as somas financeiras, o seu nome civil não consta atualmente no quadro formal de sócios administradores da firma, o qual é composto integralmente por seus parentes diretos.

O político declarou que, no período em que as negociações contratuais foram pactuadas, sua participação societária correspondia a apenas 1% do capital social da empresa familiar.

Outra transferência irregular de R$ 1,3 milhões envolvendo Ciro Nogueira

A teia de fluxos financeiros mapeada pelos investigadores federais na Operação Sem Refino localizou ainda outra frente de transferências monetárias direcionada ao círculo de atuação política do ex ministro Ciro Nogueira.

A Polícia Federal encontrou depósitos bancários que perfazem o montante de R$ 1,325 milhão pagos por uma das firmas que integram o guarda-chuva corporativo da Refit para Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro.

Jonathas Assunção exerceu o cargo de secretário-executivo da Casa Civil da Presidência da República no período em que a pasta ministerial era chefiada diretamente por Ciro Nogueira, figurando como o principal assessor e funcionário diretamente subordinado ao gabinete do senador do Progressistas.

Em decorrência dessas constatações financeiras, o ex-secretário-executivo tornou-se alvo de mandados judiciais de busca e apreensão cumpridos pela corporação policial durante a deflagração da ação de campo.

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“Um dos meus grandes amigos de vida”, disse Vorcaro sobre Ciro, ex-ministro de Bolsonaro. Foto: Divulgação/PP

Os analistas de crimes financeiros da Polícia Federal destacaram, nos relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal, o comportamento atípico verificado nas contas bancárias vinculadas a Ciro Nogueira.

De acordo com o texto produzido pela equipe técnica da PF, os valores em dinheiro creditados pela firma da Refit eram rapidamente sacados ou transferidos em sua totalidade para o próprio beneficiário final, Jonathas Castro.

A corporação apontou que esse padrão de movimentação bancária célere evidencia a baixa permanência do capital em conta corrente, uma característica que a doutrina de combate à lavagem de dinheiro classifica como típica de empresas de fachada ou “contas de passagem”.

Os investigadores ressaltaram, ademais, que a estrutura jurídica que recebeu os valores não registrava o pagamento de despesas operacionais básicas e compatíveis com a atividade declarada de consultoria técnica, tais como folhas de pagamento de funcionários, despesas com estrutura administrativa relevante ou custos técnicos proporcionais aos volumosos repasses recebidos.

Contrato de R$ 14 milhões ligado à Refit é assinado por irmão de Ciro Nogueira alvo da PF no caso do Banco Master

O instrumento contratual que formalizou o negócio jurídico de R$ 14,2 milhões entre a firma Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis e a Athena Real Estate LTDA traz a assinatura de Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador da República.

O documento estabelece os parâmetros comerciais para a alienação de uma extensão de terras correspondente a 40 hectares localizada no estado do Piauí. Conforme os registros que constam na apuração, os pagamentos foram estruturados por meio de depósitos mensais sucessivos, liquidados entre os meses de novembro de 2024 e fevereiro de 2025.

Raimundo Nogueira, que atua na gerência dos negócios imobiliários da família, já havia sido inserido no radar das autoridades policiais em data anterior à deflagração da operação relacionada ao setor de combustíveis. Ele foi um dos alvos principais de mandados de busca e apreensão expedidos no âmbito da quinta fase da Operação Compliance Zero, executada no dia 7 de maio.

Naquela ocasião, a Polícia Federal mirava a existência de um esquema de fraudes e pagamentos ilícitos correlacionados à gestão do Banco Master, instituição financeira sob o comando do empresário Daniel Vorcaro.

Na apuração referente à Operação Compliance Zero, a tese levantada pelos investigadores federais aponta que Raimundo Nogueira atuaria como uma espécie de operador financeiro no núcleo familiar, utilizando o anteparo de empresas imobiliárias e agropecuárias de parentes para intermediar o trânsito de vantagens financeiras indevidas. Na mesma linha de investigação sobre o Banco Master, o próprio senador Ciro Nogueira sofreu buscas e apreensões em suas propriedades.

A Polícia Federal reuniu indícios que sugerem que o parlamentar teria recebido repasses mensais sistemáticos, cujos valores oscilavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, em contrapartida ao exercício de influência e facilitação de projetos de interesse do grupo bancário nas comissões e plenários do Congresso Nacional. No âmbito da Operação Sem Refino, voltada para a Refit, Raimundo Nogueira não figurou como alvo de mandados restritivos adicionais, e sua representação jurídica informou ao jornal O Estado de S. Paulo que não emitiria declarações ou comentários sobre as linhas de investigação em andamento.

Tanto os procedimentos da Operação Sem Refino quanto os desdobramentos da Operação Compliance Zero tramitam sob controle do Poder Judiciário. O aprofundamento das análises dos materiais eletrônicos e dos documentos apreendidos nas sedes das firmas familiares de Ciro Nogueira buscará determinar o nexo causal entre os negócios imobiliários e os interesses das corporações privadas junto ao aparato estatal.

Nota de Ciro Nogueira

Segue a nota oficial de esclarecimento emitida pela assessoria do senador sobre os fatos apurados:

“Nota do senador Ciro Nogueira O senador Ciro Nogueira lamenta as recurrentes tentativas de associá-lo a escândalos, as quais serão inevitavelmente frustradas, uma vez que não praticou nenhum ato irregular ou ilegal. Em relação ao caso em questão, esclarecemos que empresa que adquiriu o terreno buscava uma área superior a 40 hectares com o propósito de construir uma distribuidora de combustíveis.

O valor mencionado pelo repórter se refere à venda dessa área, situada em local altamente valorizado em Teresina, cuja venda foi regular e totalmente declarada junto aos órgãos competentes em valores condizentes com o mercado.

Ressalte-se que a empresa da família do senador atua justamente no segmento imobiliário, na compra, venda e aluguel de imóveis. Informamos, ainda, que o senador atualmente sequer detém participação na empresa e que, na época do negócio, sua participação era inferior a 1%.

O senador Ciro Nogueira manifesta sua total tranquilidade no que se refere a essas e outras insinuações. Ele destaca ser o principal interessado no esclarecimento dos fatos mencionados, acusações que surgem, estranhamente, em ano eleitoral com a clara intenção de desgastar sua imagem junto ao povo do Piauí.”

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Alcolumbre barra leitura de requerimento e adia CPI do Master

21 de Maio de 2026, 14:30
O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre. Foto: Divulgação

O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), recusou nesta quinta-feira (21) os pedidos de parlamentares para a leitura dos requerimentos de criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar o Banco Master.

Durante a sessão conjunta do Congresso, o senador afirmou que a pauta do encontro estava restrita à análise do veto do presidente Lula ao trecho da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que permitia a municípios inadimplentes com até 65 mil habitantes receber recursos federais.

Ao justificar a decisão, Alcolumbre afirmou que não atenderia aos pedidos apresentados por parlamentares porque o tema não constava previamente na pauta de deliberação. “Peço a compreensão de Vossas Excelências, peço desculpa a Vossas Excelências por não atender a demanda solicitada por mais de 11 congressistas nesta sessão, em relação a outro tema que não estava previamente estabelecido na pauta de deliberação”, declarou o presidente do Congresso.

A leitura do requerimento é uma etapa necessária para a instalação de uma CPMI. Segundo Alcolumbre, a definição do momento em que esse procedimento ocorre é uma atribuição da presidência da Mesa do Congresso Nacional. “Requerimentos de leituras de matérias devem ser objeto de despacho da presidência. Portanto, o momento da leitura é um ato discricionário da presidência da mesa do Congresso Nacional”, afirmou durante a sessão.

O presidente do Senado também declarou que a condução do processo de instalação da comissão é prerrogativa da Mesa Diretora. Atualmente existem ao menos cinco pedidos de CPMI relacionados ao Banco Master apresentados por deputados e senadores.

O dono do Banco Master Daniel Vorcaro. Foto: Divulgação

A sessão foi marcada por manifestações de parlamentares de diferentes partidos favoráveis à abertura da investigação. Durante os debates, congressistas de legendas da base governista e da oposição cobraram a instalação da comissão.

Parlamentares argumentaram que a apuração deveria avançar diante das denúncias e suspeitas envolvendo a instituição financeira e seus dirigentes. Apesar da pressão política, a presidência do Congresso manteve a decisão de não realizar a leitura dos requerimentos.

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, esteve entre os defensores da criação da CPMI. Durante a sessão, ele afirmou que Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, deveria comparecer a uma eventual investigação parlamentar para prestar esclarecimentos sobre suas relações com diferentes autoridades e agentes políticos.

Ele também afirmou que setores da esquerda seriam contrários à abertura da comissão. Em sua manifestação, questionou os parlamentares presentes sobre o apoio à investigação e voltou a defender a instalação do colegiado para aprofundar as apurações relacionadas ao banco.

Na semana passada, a divulgação de um áudio pelo Intercept Brasil colocou Flávio no centro das discussões sobre o Banco Master. Na gravação, o senador conversa com Vorcaro sobre a obtenção de recursos para o filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro até a Presidência da República.

Após a repercussão do conteúdo, o senador reconheceu ter solicitado apoio financeiro ao empresário e afirmou que os valores mencionados seriam provenientes de recursos privados.

VÍDEO – Flávio ataca governo Lula e Lindbergh o questiona sobre dinheiro de Vorcaro

21 de Maio de 2026, 13:46
Flávio Bolsonaro e Lindbergh Farias. Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) bateram boca nesta quinta (21) durante sessão conjunta no Congresso Nacional. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a defender a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Banco Master, mesmo após a divulgação de suas mensagens e encontros com Daniel Vorcaro, e provocou parlamentares de esquerda em discurso.

“Eu tenho um desafio a fazer: eu quero Daniel Vorcaro e Augusto Lima sentados naquela CPMI falando qual a relação eles tinham com Flávio e com o Lula, com Alexandre de Moraes. Eu não tenho nada a temer, nada a esconder. Estou desafiando aqui a esquerda brasileira. Vocês têm medo dessa CPMI”, disse o senador. Ele ainda atacou o governo Lula e culpou a gestão petista pelo escândalo do INSS.

“Do outro lado está o filme do presidente Bolsonaro, que recebeu investimento privado, que na época não tinha nada que pudesse desabonar sua conduta”, prosseguiu. O senador enviou mensagens ao banqueiro às vésperas de sua prisão, em 17 de novembro de 2025, e fez uma visita a ele em São Paulo após sua liberação.

Veja o discurso:

Em resposta, Lindbergh disse que a esquerda apoia a CPMI, mas cobrou respostas de Flávio sobre o destino do dinheiro de Vorcaro. “Aquele dinheiro foi usado para conspirar contra o Brasil, bancar a estadia do Eduardo Bolsonaro. Foi para conspirar por sanções e tarifas contra o Brasil”, afirmou.

Flávio pediu o direito de resposta e voltou a atacar o presidente, acusando-o de trocar o presidente do Banco Central para ajudar o Master. “Eu já dei todas os esclarecimentos que eu precisava dar, todas as explicações. Quem tem que dar explicações agora é o seu chefe [Lula], o que ele estava fazendo na reunião secreta?”, afirmou.

Ele ainda questionou se o presidente “é sócio, é conselheiro ou é só amigo dessas pessoas?” e chamou o petista de “ladrão”, sendo acompanhado por aliados.

Veja:

🗣️FLÁVIO BOLSONARO É CORTE RÁPIDO | “O seu chefe é ladrão. Abre o olho, rapaz.”

Flávio Bolsonaro respondeu Lindbergh Farias no Senado e deixou o Lindinho sem chão: quando cobrado sobre explicações, devolveu a pergunta para Lula e colocou o Banco Master no colo do PT.

O senador… pic.twitter.com/ifspOW98cr

— The Incorrupt (@TheIncorrupt_) May 21, 2026

OnlyFans: a foto que expõe o amor bandido de Flávio Bolsonaro e Alcolumbre

30 de Abril de 2026, 17:05
Davi Alcolumbre abraça Flávio Bolsonaro durante sessão do Congresso para derrubar veto presidencial ao PL da Dosimetria. Foto: Gabriela Biló/Folhapress

É mais explícito que qualquer coisa do OnlyFans. O abraço entre Davi Alcolumbre e Flávio Bolsonaro, capturado pela talentosa fotógrafa Gabriela Biló, expõe um método. É o retrato de um contubérnio, a fusão pragmática entre o centrão, que controla o processo, e o bolsonarismo, que pauta o objetivo.

O Congresso derrubou, com folga, o veto de Luiz Inácio Lula da Silva ao PL da Dosimetria: 318 deputados e 49 senadores. Resultado: virou lei um conjunto de mudanças que reduz penas, flexibiliza progressões e altera a resposta penal aos crimes de golpe de Estado e de abolição violenta da ordem democrática.

O efeito político é imediato. O novo cálculo de penas beneficia diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro e alcança também os condenados pelos atos de 8 de janeiro. Ao mesmo tempo, a decisão amplia impactos para além da política, atingindo centenas de milhares de casos no sistema penal.

Mas o que a foto captura não é o texto da lei. É o arranjo que a tornou possível.

Davi Alcolumbre em fevereiro de 2025, ao comemorar vitória na eleição para a presidência da Casa. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Alcolumbre preside, pauta, organiza e limpa o caminho. Isola a votação, negocia a agenda, administra resistências e entrega o resultado. Do outro lado, o bolsonarismo adere disciplinado: não cria ruído, não tensiona outras frentes, concentra energia no que interessa. O encontro desses dois vetores produz eficiência. É isso que se vê no placar e é isso que o abraço consagra.

A cena dispensa teatralidade. O gesto é direto, quase íntimo, mas ocorre em público, sob as luzes do plenário. É um sinal interno transformado em mensagem externa: há coordenação, há confiança operacional, há divisão de tarefas.

Enquanto isso, o governo assiste a mais um revés relevante no Legislativo, na sequência de derrotas recentes. A assimetria fica evidente: quem controla o rito controla o desfecho.

O mérito da fotografia de Gabriela Biló está em revelar esse mecanismo sem uma única palavra. O país discute a dosimetria; a imagem mostra quem dosou o poder.

Redução da pena de Bolsonaro dependerá do STF; entenda

30 de Abril de 2026, 17:02
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Foto: Divulgação

O Congresso Nacional derrubou nesta quinta-feira (30) o veto presidencial ao projeto que reduz as penas de condenados pelos ataques aos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, o PL da Dosimetria. Com isso, ao menos 280 pessoas podem ser beneficiadas pela nova medida, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, condenados por tentar implementar um golpe de Estado no Brasil.

A redução das penas, no entanto, não ocorre de forma automática. O projeto aprovado determina que o Supremo Tribunal Federal (STF) seja o responsável por recalcular as punições de cada réu, levando em consideração as novas regras estabelecidas pela legislação.

Para que a redução aconteça, a corte precisa ser provocada, seja pela defesa de algum dos condenados, pelo Ministério Público ou por um ministro do STF, que seria o relator de um dos casos relacionados à tentativa de golpe.

Apesar da aprovação do projeto, ele ainda pode ser questionado no STF. Partidos políticos, entidades de classe, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o próprio governo podem entrar com ações para contestar a validade da medida, que, se for considerada inconstitucional, poderá ser anulada pelos ministros da corte.

O ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Divulgação

Caso a proposta seja aceita, a pena de Bolsonaro, que atualmente está em prisão domiciliar por motivos de saúde, poderá ser reduzida. Especialistas estimam que o ex-presidente tenha a possibilidade de migrar para um regime mais brando em um prazo de dois a quatro anos, muito mais cedo do que a previsão original de sete anos.

O PL da Dosimetria estabelece regras específicas para dois crimes contra a democracia: a abolição violenta do Estado Democrático de Direito, com pena de 4 a 8 anos, e o golpe de Estado, com pena de 4 a 12 anos. Caso os dois crimes sejam cometidos no mesmo contexto, as penas não podem ser somadas, conforme o projeto.

Nesses casos, a pena do crime mais grave será aplicada, com um aumento de um sexto até a metade, conforme a definição da Justiça. Além disso, o projeto também prevê redução de pena de até dois terços quando os crimes ocorrerem em contexto de multidão, desde que o réu não tenha exercido papel de liderança ou financiado os atos.

No caso dos ataques de 8 de janeiro, a Procuradoria-Geral da República usou a tese dos “crimes multitudinários” para justificar a redução de pena para aqueles que participaram sem liderança direta. O projeto ainda altera as regras de progressão de regime, permitindo a saída do regime fechado após o cumprimento de um sexto da pena.

A nova pena de Bolsonaro após derrubada do veto de Lula

30 de Abril de 2026, 16:05
O ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Divulgação

A derrubada do veto presidencial ao Projeto de Lei (PL) da dosimetria no Congresso Nacional pode resultar em uma redução significativa da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro, que poderia ver sua sentença diminuir cerca de 24%.

Segundo estimativas do deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do projeto, a pena de Bolsonaro, que originalmente seria de 27 anos e três meses, poderia ser reduzida para 20 anos e 8 meses.

Nesse novo cenário, o ex-presidente teria que cumprir, no mínimo, três anos e cinco meses em regime fechado, para então iniciar o processo de progressão de pena. O PL da dosimetria, que foi vetado por Lula, e teve o veto derrubado no Congresso, também prevê que o tempo de prisão domiciliar seja contabilizado para a remição da pena.

Isso resultaria em uma redução significativa do tempo que Bolsonaro precisaria cumprir efetivamente em regime fechado. De acordo com projeções do parlamentar, o ex-capitão de direita passaria cerca de dois anos e quatro meses em regime fechado, considerando o tempo de prisão domiciliar já cumprido.

O deputado Paulinho da Força. Foto: Divulgação

Embora a proposta original do projeto tenha sido mais ampla, incluindo benefícios para presos comuns, o alcance da medida foi reduzido. Em dezembro, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, retirou do PL trechos que entravam em conflito com a Lei Antifacção, que estabelece regras específicas para a progressão de pena.

Esses dispositivos, retirados pela intervenção de Alcolumbre, incluíam partes que poderiam beneficiar membros de facções criminosas, o que gerou críticas de especialistas. Ele justificou sua decisão afirmando que a proposta original não teria efeitos práticos e causaria conflitos com a legislação já em vigor.

A alteração feita por pelo presidente do Congresso também excluiu os incisos 4 a 10 do projeto, que tratavam diretamente da progressão de pena, afetando não só os presos comuns, mas também integrantes de facções criminosas.

Ele explicou que esses dispositivos estavam em desacordo com a Lei Antifacção, que já regula a progressão de regime de cumprimento de pena no Brasil. Com isso, o PL da dosimetria, em sua versão atual, tem um impacto reduzido, especialmente para aqueles envolvidos em crimes mais graves.

Mais de 200 mil condenados podem ser beneficiados por medida que favorece Bolsonaro; entenda

30 de Abril de 2026, 14:19
Bolsonaro na Superintendência da PF, onde ficou preso até o fim de março

Nesta quinta-feira (30), o Congresso Nacional se reunirá para votar a derrubada do veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria, que pode resultar em uma redução significativa da pena de mais de 200 mil pessoas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está cumprindo prisão domiciliar após a tentativa de golpe de Estado.

A proposta, que visa modificar a remição da pena por estudo e trabalho, já foi aprovada tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado, mas foi vetada por Lula, que alegou problemas nas implicações da medida. A votação pode alterar radicalmente o sistema de penas no Brasil, caso o veto seja derrubado.

Atualmente, a legislação vigente proíbe a redução de pena por atividades como estudo ou trabalho para condenados que cumprem pena em regime domiciliar, salvo exceções com autorização judicial.

O projeto, agora em debate, propõe a ampliação dessa possibilidade, permitindo que qualquer pessoa em prisão domiciliar abata sua pena por meio dessas atividades, um benefício que já existe em regimes mais severos, como o semiaberto e fechado. O caso de Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pela tentativa de golpe de Estado, é o principal alvo da modificação.

De acordo com dados mais recentes da Secretaria Nacional de Políticas Penais do Ministério da Justiça, aproximadamente 235 mil pessoas estavam cumprindo pena em regime domiciliar em 30 de junho de 2025, com um crescimento de 3.812% no número de presos em regime domiciliar nos últimos nove anos, impulsionado pela pandemia.

A medida visa permitir que essas pessoas possam reduzir sua pena em até 48 dias ao longo de um ano, caso se dediquem ao estudo de até 12 livros por ano, cada um gerando uma redução de quatro dias de pena. Além disso, a remição por trabalho possibilita a diminuição de um dia de pena a cada três dias de serviço prestado.

Detento lendo livro em penitenciaria. Foto: Divulgação

Felippe Angeli, coordenador da plataforma Justa, explica que a mudança exige uma regulamentação rigorosa para evitar abusos, uma vez que o regime domiciliar dificulta a fiscalização da participação dos condenados em atividades de remição.

“Hoje tudo é organizado a partir da custódia pelo Estado. O preso sai do estabelecimento e retorna [após o trabalho/estudo] ou no regime fechado tem acesso a possibilidade trabalho e educação dentro do estabelecimento. Então, isso já fica registrado para fins da própria remição. No caso domiciliar, não se tem essa informação, vai precisar de uma prova muito robusta”, afirmou Angeli.

Além disso, o advogado Pierpaolo Bottini, que foi membro do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, também expressou preocupações sobre a mudança legislativa.

“O instituto sozinho não é ruim, no fundo é um instrumento de ressocialização. A questão é que ele não pode ser casuística e vir num projeto que busca beneficiar um determinado grupo de pessoas”, argumentou.

Em defesa da proposta, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do projeto na Câmara, afirmou que a mudança foi pensada para beneficiar especificamente o caso de Bolsonaro. Ele disse também que a proposta não teria implicações para o sistema prisional como um todo, uma vez que o projeto visa apenas permitir que o ex-presidente possa remir sua penar.

Apesar da aprovação do projeto na Câmara (291 votos a 148) e no Senado (48 votos a 25), o presidente Lula vetou integralmente a proposta, citando preocupações com a falta de regulamentação e a possibilidade de seu uso indiscriminado.

Kassab diz que Bolsonaro “não tinha vocação para a vida pública”

27 de Abril de 2026, 21:18
Gilberto Kassab, presidente do PSD, durante evento do LIDE. Reprodução

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta segunda-feira (27) que Jair Bolsonaro (PL) “não tinha vocação para a vida pública”. A declaração foi dada durante evento empresarial do LIDE, grupo ligado ao ex-governador João Doria, em São Paulo.

Segundo Kassab, a eleição de 2018 foi marcada por um forte sentimento antipetista, o que abriu caminho para a vitória de Bolsonaro. “O Brasil não podia mais ouvir falar no PT, e Bolsonaro acabou assumindo. Sinceramente, sem nenhuma vocação para a vida pública”, disse.

Apesar da crítica, Kassab afirmou que o governo Bolsonaro se sustentou por causa de nomes fortes na equipe econômica. Ele citou Paulo Guedes como peça central da gestão. “Ele praticamente comandava a economia e teve papel muito importante”, declarou.

O dirigente do PSD também fez ressalvas ao governo Lula. Kassab apontou dificuldades na condução econômica e questionou a eficiência administrativa da atual gestão federal.

As falas ocorrem em meio às articulações para a disputa presidencial de 2026. O PSD tenta ampliar seu espaço nacional e sustentar uma alternativa à polarização entre PT e PL.

VÍDEO: Roberto Justus surpreende ao elogiar Lula e criticar Bolsonaro

26 de Abril de 2026, 16:29
Roberto Justus em um PodCast – Foto: Reprodução

Roberto Justus, empresário e apresentador, se posicionou de maneira firme contra a possibilidade de Jair Bolsonaro voltar ao poder. O empresário, conhecido por sua trajetória no mercado publicitário e como apresentador de reality shows afirmou que não gostaria de ver o ex-presidente de volta à presidência, criticando a postura de Bolsonaro após a derrota eleitoral.

Justus mencionou a decisão de Bolsonaro de não passar a faixa presidencial e sua ida aos Estados Unidos como atitudes que o decepcionaram. Para ele, essas atitudes contribuíram são incompatíveis com o papel de um líder. Comparando Bolsonaro com Lula, disse que o atual presidente do Brasil é um exemplo.

Além de sua carreira como apresentador, Justus tem se destacado no mundo dos negócios.

Ele é o CEO da SteelCorp, uma construtech que fabrica estruturas industrializadas para construção de casas e prédios.

Recentemente, a empresa inaugurou uma megafábrica de 16.000 m² em Cajamar, no estado de São Paulo, com o objetivo de ampliar a produção de casas populares, especialmente voltadas para o programa Minha Casa Minha Vida. Essa aposta no setor imobiliário reflete a visão de Justus sobre o potencial do mercado de Light Steel Frame, uma técnica de construção mais eficiente e com menor impacto ambiental.

A decisão de investir na SteelCorp surge em meio a um período de turbulência no mercado político e econômico, com Justus ainda refletindo sobre as implicações do governo Bolsonaro na economia.

No entanto, sua atuação no mercado imobiliário está focada em oferecer soluções para o déficit habitacional no Brasil, especialmente com a utilização do sistema LSF, que promete ser mais rápido e sustentável do que as construções convencionais.

🚨VEJA: Roberto Justus diz que não quer Bolsonaro de volta e critica postura após derrota

O empresário Roberto Justus afirmou que não gostaria de ver Jair Bolsonaro novamente no poder. Segundo ele, o ex-presidente “pisou na bola” ao não saber lidar com a derrota eleitoral,… pic.twitter.com/7F1C2NnFjB

— Pesquisas Eleições (@EleicaoBr2026) April 26, 2026

Flávio Bolsonaro se manifesta após tiroteio em evento de Trump

26 de Abril de 2026, 14:32
Flávio Bolsonaro – Foto: Reprodução/YouTube/Pânico Jovem Pan

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reagiu, neste domingo (26), ao ataque a tiros que ocorreu durante o jantar de correspondentes da Casa Branca, em Washington, no qual o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sua esposa, Melania Trump, estavam presentes. O tiroteio, que forçou a evacuação do evento, também resultou em um ferido entre os agentes do Serviço Secreto. Em sua manifestação, Flávio Bolsonaro expressou seu apoio a Trump e aos participantes do evento, mencionando que tem orado pelo presidente e pela sua família.

“Coloco nas minhas orações o Presidente Donald Trump, a primeira-dama Melania Trump e todos que estiveram no jantar em Washington. Tentar tirar a vida de quem pensa diferente usando balas ou facas não cabe numa democracia. Que Deus nos proteja desse tipo de violência lá ou aqui no Brasil”, escreveu Flávio Bolsonaro na rede social X.

Coloco nas minhas orações o Presidente Donald Trump, a primeira-dama Melania Trump e todos que estiveram no jantar em Washington.

Tentar tira a vida de quem pensa diferente usando balas ou facas não cabe numa democracia.

Que Deus nos proteja desse tipo de violência lá ou aqui… pic.twitter.com/5PPRvrVfrN

— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) April 26, 2026

O ataque aconteceu na noite de sábado (25) no Washington Hilton, onde a Associação de Correspondentes da Casa Branca realizava o tradicional evento. A suspeita de envolvimento no ataque é de Cole Tomas Allen, de 31 anos, residente da Califórnia e professor. Após o ocorrido, as autoridades detiveram rapidamente Allen, que deve comparecer ao tribunal nesta segunda-feira (29), conforme anunciou a procuradora dos EUA, Jeanine Pirro.

Os detalhes sobre os motivos de Allen ainda estão sendo investigados, mas o tiroteio gerou grande comoção, especialmente por envolver figuras públicas de alto escalão dos Estados Unidos. A situação foi controlada rapidamente, mas o evento, que reúne jornalistas e políticos, deixou um clima de insegurança.

O ataque à vida do presidente Trump e seus aliados, bem como o ambiente de crescente violência, faz com que Flávio Bolsonaro se preocupe com a segurança tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Sua manifestação aponta para uma preocupação generalizada sobre a violência política e a necessidade de proteção nas democracias.

Flávio Bolsonaro, que também é pré-candidato à presidência, utilizou o ataque para reafirmar sua posição contra a violência e defender a proteção de todas as pessoas, independentemente de suas opiniões políticas. A declaração do senador não apenas expressa apoio a Trump, mas também destaca o desafio da violência que afeta países em todo o mundo.

Todos eles são da mesma turma. Por Moisés Mendes

26 de Abril de 2026, 12:59
Donald Trump

A frase do maior assassino do século 21, que está na capa de todos os jornais, sobre o sujeito que teria tentado matá-lo na festa em Washington:

“Era um homem doente”.

Também está em destaque esta chamada:

“PL avalia que Zema ‘radical’ perde força para ser vice de Flávio”.

Romeu Zema

Depois dos ataques ao Supremo, Zema passou a ser radical demais para o extremista moderado.

O fascismo às vezes tenta parecer um bicho estranho, mas é o que é. Trump, Zema e Flávio são da mesma turma de homens doentes da extrema direita.

André Esteves diz que não importa vencedor entre Lula e Flávio Bolsonaro: “Tem que ser pró-mercado”

25 de Abril de 2026, 09:54
André Esteves, presidente do conselho do BTG. Foto: reprodução

O banqueiro André Esteves, presidente do conselho de administração do BTG Pactual, afirmou que a eleição presidencial no Brasil deve ser marcada por uma disputa polarizada entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). Para ele, porém, o ponto central não será a orientação ideológica do vencedor, mas a manutenção de uma agenda econômica considerada racional e pró-mercado.

“Estamos caminhando no Brasil para uma eleição 50/50. Temos dois candidatos, o filho do ex-presidente Bolsonaro, Flávio, que é um político experiente, ele não apareceu do nada, é senador, um cara com bom-senso; e o presidente Lula, que foi protagonista nas últimas dez eleições no Brasil, que mesmo sendo de centro-esquerda, é um líder amigável ao mercado”, disse Esteves.

“É difícil prever o vencedor […] mas eu não me importo muito se é esquerda ou direita, desde que o vencedor seja a decisão econômica racional. A racionalidade não pertence à direita ou à esquerda, é mais sobre ser racional contra ser populista. A região [América Latina] tem tomado boas escolhas”.

A declaração foi feita durante o evento Latam Focus 2026, promovido pelo BTG no Chile. No encontro, Esteves avaliou que os Estados Unidos deixaram de funcionar como um “buraco negro” capaz de concentrar grande parte dos investimentos globais. Segundo ele, há uma realocação de capital para outros mercados, impulsionada pela busca de investidores por diversificação.

Lula e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

Esse movimento, na avaliação do executivo, tende a beneficiar economias emergentes, incluindo países da América Latina e o Brasil. Esteves afirmou que, mesmo após a valorização recente dos ativos latino-americanos e brasileiros, esses mercados ainda apresentam um “valuation” atrativo quando comparados aos mercados estadunidenses.

O banqueiro também citou a comparação entre o BTG Pactual e a gestora estadunidense Blackstone, comandada por Stephen A. Schwarzman, de quem disse ser amigo. Para Esteves, a diferença entre os múltiplos das duas empresas era exagerada no início de 2025.

“No começo de 2025, o BTG era negociado a um múltiplo 8 vezes o preço/lucro, e a Blackstone a um múltiplo de 35 vezes. O valor de mercado deles era dez vezes o nosso, apesar de o lucro ser apenas o dobro do nosso. Eu estou bem de ter o CEP errado [a sede do BTG ser no Brasil], mas era uma diferença exagerada. Agora as coisas se corrigiram um pouco, a Blackstone é negociada a 25 vezes e o BTG a 11 vezes, depois de nossa ação ter subido mais de 100%”, comentou.

O presidente do Chile, José Antônio Kast, de direita, também discursou no evento do BTG. Ele afirmou que aprovou um projeto de reconstrução nacional e desenvolvimento econômico e social, que será encaminhado ao Congresso.

“Queremos que seja conversado, não que se fechem ao debate mesmo antes de iniciar o processo. […] Não estamos falando de um projeto ideológico, mas de como transformar, recuperar nossa pátria”.

A posição da PGR sobre a nova cirurgia de Jair Bolsonaro

24 de Abril de 2026, 20:57
Após liberação por parte da PGR para cirurgia de Bolsonaro, cabe a Moraes os próximos passos.
O procurador geral da república Paulo Gonet, e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Foto: Antonio Augusto/Secom/MPF

A Procuradoria-Geral da República informou nesta sexta-feira (24) que não se opõe ao pedido de Jair Bolsonaro para realizar uma cirurgia no ombro direito. A decisão final, porém, continua nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Na manifestação enviada ao Supremo, Paulo Gonet afirmou que, diante das informações médicas apresentadas pela defesa, “não se vislumbra óbice” ao acolhimento do pedido. O parecer menciona que Bolsonaro relata dores recorrentes e intermitentes no ombro direito, tanto em repouso quanto nos movimentos do braço.

O pedido da defesa foi apresentado ao STF com solicitação de urgência e prevê cirurgia por artroscopia para reparar lesões no manguito rotador e problemas associados no ombro direito. Os advogados também pediram que eventual autorização cubra as etapas do tratamento, do pré-operatório à reabilitação.

PGR liberou para que se realize a cirurgia de Bolsonaro no ombro direito
O ex-presidente Jair Bolsonaro, tossindo em evento durante isolamento social da pandemia. Foto: Reprodução

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde 27 de março, após receber alta hospitalar em Brasília. A medida foi autorizada por Moraes por 90 dias, depois de manifestação favorável da própria PGR, no contexto da execução da pena imposta ao ex-presidente.

Segundo apuração da CNN, a tendência é que Moraes autorize o procedimento no hospital DF Star, em Brasília. O ministro, no entanto, ainda não definiu prazo para decidir nem a data de eventual cirurgia.

“Toupeira cega”: ofensa a Jair Renan aumenta o racha entre Nikolas e o clã Bolsonaro

24 de Abril de 2026, 20:18
Nikolas Ferreira segue em embates com a família Bolsonaro, e o alvo da vez foi Jair Renan
O deputado federal, Nikolas Ferreira. Foto: Wallace Martins/Estadão Contéudo

A nova troca de ataques entre Nikolas Ferreira e Jair Renan Bolsonaro abriu mais um capítulo do desgaste interno no bolsonarismo. Nesta sexta-feira (24), o deputado mineiro chamou o vereador de Balneário Camboriú de “toupeira cega” após uma discussão no X, em meio à pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no PL.

A confusão começou quando o influenciador bolsonarista Junior Japa ironizou um vídeo de Nikolas em Minas Gerais e insinuou que ele teria “sentido” críticas recentes, além de sugerir troca de apoio por emendas. Nikolas reagiu dizendo que mandaria “emenda” para internar os críticos “num hospício”; Jair Renan entrou na conversa com o meme “Galvão?”, seguido pela resposta “Sentiu”.

Foi nesse ponto que Nikolas publicou o print da interação e escreveu que, se somada, a “capacidade cognitiva” de Jair Renan e do influenciador “não alcança a de uma toupeira cega”. O ataque virou o sinal mais recente de um mal-estar que já vinha crescendo no entorno de Flávio Bolsonaro por causa da atuação considerada tímida de Nikolas na campanha.

Nos bastidores, aliados dos Bolsonaro passaram a monitorar as redes do deputado e a reclamar que ele menciona pouco o nome de Flávio. Nikolas respondeu dizendo sofrer “ataques unilaterais” e acusou integrantes do grupo de se acharem “mais Bolsonaro do que o próprio Bolsonaro”, o que transformou uma briga de rede social em sintoma de corrosão política mais ampla.

Se juntar a capacidade cognitiva dessa dupla não alcança a de uma toupeira cega. pic.twitter.com/F8voYWiHcC

— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) April 24, 2026

A tensão atual se soma ao embate que Nikolas já havia travado com Eduardo Bolsonaro no início do mês. Depois de um “kkk” publicado pelo mineiro em resposta a críticas, Eduardo acusou o deputado de desrespeitar sua família, de usar o algoritmo das redes para dar visibilidade a adversários do bolsonarismo e de não apoiar Flávio de forma consistente.

O conflito também atravessou a própria família Bolsonaro. Enquanto Carlos e Jair Renan se alinharam com Eduardo nas redes, Michelle adotou uma posição ambígua e chegou a publicar vídeo de Nikolas no mesmo dia do embate, num gesto lido como sinal de apoio ao parlamentar mineiro; em paralelo, Carlos passou a pressionar filiados do PL com um “levantamento” de quem não divulga a candidatura de Flávio.

Flávio tentou atuar como bombeiro e pediu “racionalidade” e pacificação, afirmando que esse tipo de confronto “não é inteligente” e que não há vencedor em guerra interna. O problema é que a repetição desses episódios mostra que a campanha depende cada vez mais de apagar incêndios entre aliados e parentes, e menos de consolidar uma linha única de discurso.

Na reta para a eleição de outubro, a sequência de choques públicos fragiliza o PL porque dispersa a militância, embaralha a autoridade do clã e obriga Flávio Bolsonaro a arbitrar disputas domésticas em vez de ampliar sua frente eleitoral. Aliados do senador já trataram a briga entre Eduardo e Nikolas como fator de risco e de “potencial catastrófico”, sobretudo porque Minas Gerais é vista como peça estratégica e o apoio de Nikolas segue considerado central nesse tabuleiro.

Moraes determina prisão do último núcleo da trama golpista

24 de Abril de 2026, 18:58
O ministro Alexandre de Moraes. Foto: Divulgação

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, encerrou nesta sexta-feira (24) a execução das penas dos condenados pela trama golpista relacionada ao governo de Jair Bolsonaro.

A decisão ocorreu após o reconhecimento do trânsito em julgado, etapa que encerra a possibilidade de recursos. Com isso, os réus passam à condição de presos definitivos. A medida incluiu integrantes do chamado Núcleo 2, último grupo pendente.

Entre os condenados estão Mário Fernandes, com pena de 26 anos e seis meses; Silvinei Vasques, com 24 anos e seis meses; Marcelo Câmara e Filipe Martins, ambos condenados a 21 anos; e Marília de Alencar, com pena de 8 anos e seis meses.

No caso dela, foi determinada prisão domiciliar por 90 dias, com uso de tornozeleira eletrônica, devido à recuperação de cirurgia. Segundo a Procuradoria-Geral da República, Filipe Martins atuou na elaboração de minuta de golpe de Estado ao fim do governo anterior.

Mário Fernandes foi acusado de planejar ações contra o presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o próprio Moraes, com base em documento intitulado “Punhal Verde e Amarelo”. Já Marcelo Câmara teria monitorado ilegalmente a rotina do ministro.

Mensagens apreendidas no celular de Mauro Cid indicam que Câmara informou a localização de Moraes em São Paulo e se referiu ao ministro como “professora”. O caso ocorreu em dezembro de 2022 e integra o conjunto de provas analisadas no processo.

Fernando de Sousa Oliveira; Filipe Martins; Marcelo Costa Câmara; Marília Ferreira de Alencar; Mário Fernandes; Silvinei Vasques: os integrantes do ‘núcleo 2’ da trama golpista. Foto: Reprodução

Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, foi apontado como responsável por ações que teriam dificultado o deslocamento de eleitores de Lula no segundo turno das eleições de 2022. Já Marília de Alencar teria atuado no levantamento de dados que fundamentaram as operações de fiscalização.

As defesas dos réus negaram as acusações em dezembro do ano passado e pediram a absolvição. Apesar disso, a Primeira Turma do STF manteve as condenações, com base nas investigações conduzidas pela Polícia Federal e pela PGR.

Até o momento, o Supremo já condenou 29 pessoas no âmbito da trama golpista, sendo 20 em regime fechado. Além disso, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o general Augusto Heleno e Marília de Alencar cumprem prisão domiciliar.

Outros envolvidos firmaram acordos com a PGR e não foram presos. É o caso dos militares Márcio Nunes de Resende Júnior e Ronald Ferreira de Araújo Júnior, que receberam penas menores. Mauro Cid, após acordo de delação premiada, também responde em liberdade.

Três mandados de prisão seguem em aberto. Alexandre Ramagem, Carlos Cesar Moretzsohn Rocha e Reginaldo Vieira de Abreu são considerados foragidos no exterior, segundo as informações do processo.

Flávio Bolsonaro tenta censurar usuários do X e leva invertida; entenda

7 de Abril de 2026, 16:20
Flávio Bolsonaro. Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou com um processo contra a rede social X e pediu para que a plataforma forneça dados pessoais de usuários que o criticaram publicamente. O senador alega que se tornou alvo de uma “campanha difamatória e caluniosa”, ultrapassando os limites da liberdade de expressão.

Ele solicita informações como CPF, telefone e e-mail de cinco perfis, alegando que essas críticas constituem crimes, pois se utilizam do anonimato para “cometer crimes”. Em resposta, a rede social defende a liberdade de expressão, argumentando que a quebra do anonimato precisa ser tratada com cautela.

A empresa menciona direitos essenciais como a liberdade de manifestação do pensamento e o discurso político, destacando que não pode haver uma quebra de sigilo sem uma justificativa robusta e proporcional, apontando os abusos específicos cometidos por cada perfil. O caso segue em análise judicial.

Flávio alegou que é defensor da liberdade de expressão, mas que acredita que a Justiça deve agir quando há crime envolvido. O pedido do sigilo do processo foi negado pelo juiz Marcello Filho, da 2ª Vara Cível da Pavuna, que determinou que a big tech se manifestasse. A plataforma recorreu da decisão, e o processo está atualmente parado, aguardando uma nova avaliação.

“Flávio Bolsonaro é um defensor da liberdade de expressão e entende que a Justiça brasileira tem as ferramentas necessárias para agir quando há crime. E, neste caso, tudo o que se quer é fazer valer a lei e retirar do ar as mentiras publicadas pela esquerda”, disse o parlamentar em nota.

Logo do X. Foto: Kirill Kudryavtsev/AFP

O X também citou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), em especial o voto do ministro Luís Roberto Barroso, que considera que políticos devem tolerar críticas mais severas. A empresa afirmou que as postagens questionadas fazem parte de um debate público contínuo e que não há base para uma decisão automática de quebra de sigilo.

A companhia também argumentou que a entrega dos dados de usuários, sem a análise de envolvimento com condutas ilícitas, poderia resultar em assédio judicial, um argumento frequentemente utilizado por políticos conservadores para se opor a regulamentações mais rígidas das plataformas.

Para a empresa, o pedido de Flávio ultrapassa os limites do que seria necessário para identificar eventuais crimes, mencionando que o Marco Civil da Internet só exige a manutenção de dados de acessos nos últimos seis meses.

A rede social também destaca que, embora tenha a obrigação de armazenar alguns dados, como IPs de login e registros de acessos, não pode ser compelida a fornecer dados pessoais como telefones e e-mails, exceto em caso de decisão judicial.

“Evidentemente, manifestações que configurem ameaça, imputação sabidamente falsa de fato determinado ou abuso manifesto podem ensejar responsabilização. Contudo, não é possível presumir a ilicitude a partir da mera contundência da linguagem ou do desconforto gerado por críticas políticas”, disse o X.

A reação de Lula diante do crescimento de Flávio Bolsonaro

26 de Março de 2026, 23:57
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante solenidade do Rio de Janeiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou aliados por maior agilidade na organização da pré-campanha presidencial durante reunião realizada na segunda-feira (23), no Palácio da Alvorada. A orientação ocorre em meio ao avanço do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais. Com informações da Folha de S.Paulo.

Relatos indicam que o mandatário demonstrou insatisfação com o desempenho recente nas sondagens e com a dificuldade de transformar ações do governo em apoio eleitoral. O presidente também apontou necessidade de reação diante da movimentação do campo adversário.

Após o encontro, a direção do PT orientou deputados a intensificar o confronto político com a oposição. A estratégia inclui ampliar a repercussão de declarações do presidente sobre o caso Banco Master.

A recomendação é associar o episódio a adversários políticos e reforçar a comunicação pública do governo sobre o tema. A orientação foi repassada em reuniões com parlamentares da bancada.

Edinho Silva, novo presidente do PT

Lula tem mantido encontros frequentes com integrantes da pré-campanha para discutir o cenário político e definir ações. Participaram da reunião nomes como Edinho Silva, Sérgio Gabrielli e José de Filippi Jr.

Auxiliares avaliam que o grupo adversário avançou na organização da pré-campanha. Segundo relatos, o partido opositor já estruturou equipe jurídica e comunicação voltadas ao processo eleitoral.

Durante reunião com deputados, dirigentes do PT também destacaram a importância de ampliar arrecadação e reforçar presença política. Entre as ações discutidas estão eventos de financiamento e alinhamento de discurso.

Por que a pesquisa Atlas indica repetição de 2022 e qual o desafio a ser vencido

25 de Março de 2026, 17:17
Lula e Flávio Bolsonaro

A nova pesquisa Atlas deve ser lida com a serenidade que o momento político exige — e, sobretudo, com atenção aos seus recortes internos. O dado mais chamativo, a desaprovação de 54% ao presidente, ganha contornos mais claros quando se observa a composição desse número.

Entre os eleitores de Bolsonaro, a rejeição a Lula é praticamente unânime (98,5%), o que pouco acrescenta em termos analíticos: trata-se de um eleitorado já consolidado na oposição. O mesmo padrão, ainda que menos intenso, aparece entre os que votaram em branco (76,5%) e entre os que não votaram (81,8%). Ou seja, a desaprovação cresce justamente nos segmentos menos engajados ou mais voláteis — um sinal mais relevante do que a simples rejeição entre adversários históricos.

Na avaliação do governo, o desenho se repete com pequenas variações. Entre os bolsonaristas, 94,5% classificam a gestão como péssima — novamente, um dado esperado. Já entre brancos (69,6%) e abstencionistas (68%), a crítica permanece alta, indicando que o governo enfrenta dificuldades para conquistar ou reter apoio fora de sua base tradicional.

Quando se passa à intenção de voto para o primeiro turno, o padrão de polarização se mantém. Flávio Bolsonaro herda de forma expressiva o eleitorado do pai (80,7%), mas mostra fragilidade fora desse núcleo: tem desempenho baixo entre votos brancos (13,9%) e recuperação apenas parcial entre os que não votaram (30,2%). É, portanto, um candidato competitivo dentro da bolha bolsonarista, mas ainda limitado na expansão.

O cenário que se desenha, por ora, é de repetição de 2022Lula, como incumbente, carrega a vantagem estrutural da máquina e da visibilidade, mas enfrenta o desgaste acumulado de um ciclo longo do PT no poder — uma espécie de “fadiga de material”. Já o herdeiro político de Bolsonaro tem no sobrenome tanto um ativo quanto um passivo: mobiliza sua base, mas encontra resistência fora dela.

Nesse contexto, a eleição de 2026 tende a ser decidida menos pela conversão de adversários e mais pela capacidade de mobilização. Em teoria, o fator decisivo continua sendo o mesmo desde 2002: ativar o contingente de eleitores que se abstêm, votam em branco ou anulam. Quem conseguir engajar esse grupo pode abrir uma vantagem relevante.

“Cadeia para pobres e impunidade para ricos”, diz Lindbergh sobre domiciliar de Bolsonaro

24 de Março de 2026, 16:16
Jair Bolsonaro e Alexandre de Moraes. Foto: Sergio Lima/AFP

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) se manifestou contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que mandou Jair Bolsonaro para a prisão domiciliar por pelo menos 90 dias. O parlamentar afirma que a prisão do ex-presidente “precisa ser afirmada como resposta grave a quem tentou destruir a democracia”.

Em post no X, Lindbergh apontou que a determinação de Moraes “escancara é o funcionamento seletivo do sistema penal” e que Bolsonaro já tinha atendimento médico permanente na “Papudinha”, mas seus aliados conseguiram pressionar a Corte para mandá-lo para casa.

O petista ainda diz que a decisão do ministro deixa uma mensagem: “Cadeia para os pobres e impunidade para os ricos”.

O deputado federal Lindbergh Farias. Foto: Gabriel Paiva

Leia a manifestação do deputado na íntegra:

Acabou de sair a decisão do ministro Alexandre de Moraes que concedeu, por prazo inicial de 90 dias, a prisão domiciliar a Jair Bolsonaro, após parecer favorável da PGR. A condenação de Bolsonaro e dos militares golpistas marcou a história do país e precisa ser afirmada como resposta grave a quem tentou destruir a democracia. Mas a forma de execução da pena também revela muito sobre a estrutura de poder no Brasil.

O ponto que esse caso escancara é o funcionamento seletivo do sistema penal. Bolsonaro já estava numa unidade com espaço amplo e atendimento médico permanente, e ainda assim se construiu uma pressão política e simbólica por um tratamento mais brando.

Enquanto isso, milhares de presos idosos e doentes seguem amontoados em celas superlotadas, sem assistência adequada, sem comoção pública e sem a mesma velocidade de resposta judicial. A família Bolsonaro sempre defendeu crueldade penal para os de baixo, sempre estimulou a lógica de que preso pobre tem de apodrecer na cadeia e agora faz um verdadeiro carnaval quando a pena alcança um dos seus.

Essa é a justiça de classe em estado puro. No Brasil, a prisão pesa com toda a sua brutalidade sobre pobres, negros e periféricos, mas encontra suavizações, cautelas e excepcionalidades quando chega aos poderosos. E agora, os presos com mais de 70 anos, os doentes e os vulneráveis das penitenciárias brasileiras também terão direito à prisão domiciliar? Porque a mensagem que fica, se nada mudar, é de cadeia para os pobres e impunidade para os ricos.

Por que Moraes vetou visitas a Bolsonaro em prisão domiciliar

24 de Março de 2026, 15:51
Jair Bolsonaro. Foto: Pablo Porciuncula/AFP

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o ex-presidente Jair Bolsonaro não receba visitas durante o período de prisão domiciliar, com o objetivo de evitar o risco de sepse. O magistrado autorizou a transferência de Bolsonaro para sua residência, sob o uso de tornozeleira eletrônica, por 90 dias, a partir da sua alta médica.

A medida visa proporcionar o tratamento adequado para a broncopneumonia que levou o ex-presidente ao hospital. Em sua decisão, Moraes afirmou que a suspensão de todas as visitas durante os 90 dias de recuperação de Bolsonaro é necessária para garantir um ambiente controlado.

“A suspensão de todas as demais visitas pelo prazo de 90 (noventa) dias, correspondente ao período de recuperação do custodiado, para resguardar o ambiente controlado necessário, principalmente para se evitar o risco de sepse e controle de infecções, conforme anteriormente salientado”, escreveu o magistrado.

O ex-presidente Jair Bolsonaro na garagem de sua casa, em Brasília. Foto: Sergio Lima/AFP

A decisão também inclui a proibição de qualquer visita a outros moradores da residência de Bolsonaro, exceto se houver autorização judicial específica para isso. Embora as visitas externas estejam restritas, os filhos de Bolsonaro, Flávio, Carlos e Jair Renan, têm permissão para visitá-lo, mas com as mesmas condições que estavam em vigor quando ele estava na Papudinha, uma ala especial da penitenciária.

As visitas serão permitidas apenas nos seguintes horários: quartas-feiras e sábados, das 8h às 10h, das 11h às 13h e das 14h às 16h.

A decisão foi proferida na terça (24) e segue a recomendação médica sobre a necessidade de cuidados constantes devido ao quadro clínico de Bolsonaro. O ex-presidente está internado devido a uma broncopneumonia.

Nesta segunda (23), a Procuradoria-Geral da República (PGR) deu um parecer favorável à transferência de Bolsonaro para a prisão domiciliar. No documento, Paulo Gonet afirmou: “Está positivada a necessidade da prisão domiciliar, ensejadora dos cuidados indispensáveis ao monitoramento, em tempo integral, do estado de saúde do ex-Presidente, que se acha, comprovadamente, sujeito a súbitas e imprevisíveis alterações perniciosas de um momento para o outro”.

Moraes concede prisão domiciliar a Bolsonaro por 90 dias

24 de Março de 2026, 15:25

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu nesta terça-feira (24) prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Saiba mais em TVT News.

Moraes atendeu ao pedido feito pela defesa do ex-presidente. Segundo os advogados, Bolsonaro não tem condições de voltar para a prisão devido ao agravamento de seus problemas de saúde. 

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A domiciliar passará a ser cumprida após Bolsonaro receber alta do Hospital DF Star, em Brasília, onde recupera de um quadro de pneumonia bacteriana desde o dia 13. 

Conforme a decisão de Moraes, a domiciliar terá prazo inicial de 90 dias. Após o prazo, a manutenção do benefício deverá ser reanalisado pelo ministro, que poderá solicitar nova perícia médica.

Moraes também determinou que Bolsonaro voltará a ser monitorado por tornozeleira eletrônica. Em novembro do ano passado, antes de ser condenado pela trama golpista, o ex-presidente foi preso após tentar violar o equipamento.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão na ação penal da trama golpista e cumpria pena no 19° Batalhão da Polícia Militar, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

O local é conhecido como Papudinha. 

André Richter – Repórter da Agência Brasil

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Moraes aceita pedido da defesa e manda Bolsonaro para prisão domiciliar

24 de Março de 2026, 15:05
O ex-presidente Jair Bolsonaro na garagem de sua casa, em Brasília. Foto: Sergio Lima/AFP

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu transferir Jair Bolsonaro para a prisão domiciliar nesta terça (24). O magistrado aceitou pedido da defesa do ex-presidente, que solicitou a mudança por questões de saúde, especialmente durante a recuperação de um quadro grave de broncopneumonia.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou a favor da decisão nesta segunda (23), alegando que o estado de saúde do ex-presidente requer acompanhamento constante, o que seria mais adequado em um ambiente familiar. Com a decisão, ele será transferido para sua casa no Jardim Botânico, em Brasília.

A prisão domiciliar terá duração inicial de 90 dias, durante a recuperação da broncopneumonia, e, após o período, “será reanalisada a presença dos requisitos necessários para a manutenção da prisão domiciliar humanitária, inclusive com perícia médica se houver necessidade”, segundo Moraes.

O magistrado também determinou que Bolsonaro use tornozeleira eletrônica e proibiu o uso de celular ou qualquer meio de comunicação externa “diretamente ou por terceiros”. Também foram canceladas todas as visitas a ele, com exceção de familiares e médicos com autorização permanente.

Moraes ainda autorizou a continuidade de sessões de fisioterapia e eventuais internações imediatas sem necessidade de comunicar a Justiça.

Jair Bolsonaro internado em hospital. Foto: Reprodução

Bolsonaro foi internado no Hospital DF Star em 13 de março ao apresentar dificuldades respiratórias e foi diagnosticado com broncoaspiração. Após ser internado na UTI, o ex-presidente foi transferido para um quarto, e a equipe médica informou que sua condição estava melhorando, embora sem previsão de alta hospitalar.

O ministro aceitou a argumentação da defesa, levando em consideração a saúde debilitada de Bolsonaro e o risco de complicações no ambiente prisional.

Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, ele começou a cumprir pena na Superintendência da Polícia Federal em Brasília e, posteriormente, foi mandado para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, local que fica dentro do Complexo Penitenciário da Papuda e é conhecido como “Papudinha”.

Moraes negou uma série de pedidos de transferência para o regime domiciliar nos últimos meses, argumentando que as informações médicas sobre a saúde do ex-presidente não indicavam a necessidade de cuidados médicos em casa e que as condições da Papudinha atendiam as demandas de saúde.

Bolsonaro melhora, mas segue internado e sem previsão de alta

24 de Março de 2026, 14:02
Jair Bolsonaro internado em hospital. Foto: Reprodução

O ex-presidente Jair Bolsonaro teve uma melhora clínica em seu quadro de saúde, mas segue sem previsão de alta, conforme o boletim médico divulgado nesta terça (24) pelo Hospital DF Star. Ele está sendo tratado por pneumonia bacteriana bilateral, uma complicação decorrente de broncoaspiração.

Bolsonaro recebeu alta da unidade de terapia intensiva (UTI) na segunda (23), mas ainda permanece internado para continuidade do tratamento. “No momento segue com antibioticoterapia endovenosa, suporte clínico e fisioterapia respiratória e motora. Não há previsão de alta hospitalar”, diz o boletim.

Internado desde o dia 13 de março, Bolsonaro foi diagnosticado com pneumonia bacteriana bilateral, condição provocada por broncoaspiração, que ocorre quando conteúdo do estômago ou secreções entram nas vias respiratórias, podendo levar a uma infecção pulmonar.

O ex-presidente foi hospitalizado após apresentar febre, vômitos e queda na saturação de oxigênio. Desde a internação, a evolução do quadro clínico tem sido gradual.

Embora os indicadores médicos mostrem melhora, Bolsonaro segue no hospital por precaução, já que é necessário um monitoramento constante e fisioterapia para evitar complicações respiratórias, comuns em casos como o dele.

O ex-presidente Jair Bolsonaro na garagem da casa onde cumpria prisão domiciliar, em Brasília. Foto: Scarlett Rocha/Estadão Conteúdo

A situação de saúde de Bolsonaro também impactou as discussões jurídicas sobre o cumprimento da sua pena. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já se manifestou favoravelmente à concessão de prisão domiciliar devido à sua condição de saúde. Seus aliados aguardam que, com a melhora do quadro clínico, Bolsonaro possa cumprir sua pena em casa.

A equipe médica do Hospital DF Star estima que o período total de internação de Bolsonaro possa chegar a 14 dias, dependendo da resposta do paciente ao tratamento. A decisão sobre a alta será tomada com base na evolução do estado de saúde e na necessidade de cuidados médicos contínuos.

Flávio contrata ex-editor da Globo demitido por investigação de corrupção

24 de Março de 2026, 13:44
Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: AFP

Tyndaro Menezes, ex-editor da Rede Globo com 30 anos de experiência na emissora, foi contratado pela campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo a Revista Liberta, ele atuará na produção de dossiês contra o presidente Lula e pessoas próximas a ele, prática comum ao bolsonarismo.

Menezes foi demitido da Globo em 2022, após uma investigação revelando sua proximidade com figuras envolvidas em escândalos de corrupção no Rio de Janeiro. O jornalista era ligado a vários contratos com o governo do estado.

Menezes começou sua carreira como office-boy na Globo e subiu na hierarquia, tornando-se editor-executivo do núcleo de jornalismo investigativo. O profissional integrou o núcleo vencedor do prêmio Emmy de 2017.

Ele era próximo de “Rei Arthur”, como era conhecido o então secretário de Administração Fazendária do Rio e o empresário Arthur César de Menezes Soares Filho, que estava envolvido em um esquema de corrupção durante os mandatos dos governadores Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.

Tyndaro Menezes. Foto: Reprodução

Dono do grupo Facility, “Rei Arthur” montou durante os mandatos de Cabral e do sucessor, Luiz Fernando Pezão, uma série de empresas que forneciam mão de obra terceirizada para a administração estadual, faturando até R$ 2 bilhões por ano com contratos públicos entre 2009 e 2015.

O empresário chegou a ser considerado foragido da Polícia Federal em 2017 e esteve envolvido na compra de votos para que o estado fosse escolhido como sede das Olimpíadas de 2016.

Apesar das investigações, Menezes nunca foi formalmente acusado, mas a Globo optou por sua demissão por suas políticas de compliance. Após deixar a emissora, ele passou a trabalhar com gestão de crise e prevenção de escândalos.

O fim do silêncio de Kassab após Ratinho Jr. desistir da Presidência

24 de Março de 2026, 12:08
Gilberto Kassab e Ratinho Jr. Foto: reprodução

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, se manifestou após o governador do Paraná, Ratinho Júnior, desistir da pré-candidatura à Presidência da República. Em publicação nas redes sociais, Kassab elogiou a trajetória do correligionário e reafirmou que o partido manterá um nome na disputa ao Palácio do Planalto em 2026.

“O Partido Social Democrático reafirma sua admiração pelo governador Ratinho Junior e por sua gestão, considerada a melhor da história do Paraná que, entre outros feitos, transformou a educação do Estado na melhor do Brasil, reduziu os índices de criminalidade aos menores níveis em décadas e fez enormes investimentos em infraestrutura que trarão, por muitos anos, bons frutos ao desenvolvimento paranaense”, escreveu Kassab.

Na mesma publicação, o dirigente destacou que a sigla seguirá buscando uma alternativa eleitoral fora da polarização. “O PSD se mantém firme em sua decisão de apresentar aos brasileiros uma candidatura a presidente da República, que com certeza será a ‘melhor via’, contrapondo-se a essa polarização de propostas radicais que em nada contribuem para o que o Brasil precisa”, afirmou.

Kassab também indicou os possíveis nomes para a disputa. “Eduardo Leite e Ronaldo Caiado são governadores muito bem avaliados, com inúmeras realizações ao longo de suas vidas públicas. Ambos têm apresentado seus projetos para o Brasil, que nortearão o plano de governo do candidato do PSD. A escolha, como afirmado anteriormente, deve ocorrer até o fim deste mês de março”.

pic.twitter.com/6DYa1kTRh2

— Gilberto Kassab (@gilbertokassab) March 23, 2026

A decisão de Ratinho Júnior de deixar a corrida presidencial foi anunciada na segunda-feira (23), após conversa com a família. Nos bastidores, aliados apontam que a resistência familiar teve peso na escolha, especialmente por preocupações com a exposição dos negócios do grupo durante uma campanha nacional.

Outro fator determinante foi a sucessão no Paraná. Sem poder disputar a reeleição, o governador passou a priorizar a definição de um nome para manter seu grupo político no comando do estado a partir de 2027. O cenário ganhou ainda mais pressão com o avanço do senador Sergio Moro nas articulações para disputar o governo estadual.

Em reunião recente, Moro e Flávio Bolsonaro firmaram acordo para uma aliança eleitoral no Paraná em 2026, com apoio do PL ao projeto do ex-juiz. Diante disso, Ratinho optou por permanecer no cargo para acompanhar de perto a sucessão e preservar sua influência política no estado.

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