Hugo Motta e Davi Alcolumbre. Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados
Pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quinta (30) revelou que os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), são os políticos com as piores avaliações pela população brasileira. O tem apenas 2% de aprovação, enquanto o segundo conta com 3%.
A rejeição dos parlamentares é alta, com 87% e 81%, respectivamente. Outros políticos também foram avaliados: o presidente Lula, o ex-presidente Jair Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro lideram as avaliações com 45% de aprovação, embora também enfrentem desaprovação majoritária, variando de 51% a 53%.
Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo, obteve 44% de aprovação, enquanto o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) teve o mesmo índice. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência, ficou com 42%, seguido de Romeu Zema (Novo) e Geraldo Alckmin (PSB).
Imagem de líderes políticos. Foto: Reprodução/AtlasIntel
A pesquisa também abordou a tramitação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para acabar com a escala de trabalho 6×1. A maioria da população apoia a medida, com 55,7% favoráveis ao fim dessa escala.
O apoio é particularmente forte entre jovens de 16 a 24 anos e pessoas com ensino superior e renda de R$ 3.000 a R$ 5.000 mensais. A proposta deve ser analisada pela comissão especial, e o governo prevê um relatório final em 30 dias.
Avaliação da população sobre o fim da escala de trabalho 6×1. Foto: Reprodução/AtlasIntel
Outro tema econômico abordado foi a regulamentação das empresas de apostas esportivas, as chamadas “bets”. A maioria da população é crítica à disseminação desse mercado, com 63,2% dizendo que ele traz apenas prejuízos.
Os entrevistados também apontaram que as apostas contribuem para o endividamento da sociedade e criticaram o fácil acesso de menores às plataformas. A maior parte acredita que o governo deveria aumentar a tributação sobre essas empresas e limitar sua publicidade.
A pesquisa entrevistou 5.008 pessoas entre os dias 22 e 27 de abril, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%.
A cantora britânica Joss Stone. Foto: Mauricio Santana/Getty Images
A cantora britânica Joss Stone voltou a questionar a vacinação infantil às vésperas de um show em Florianópolis, marcado para maio, na avenida Beira-Mar Norte. A apresentação terá custo de R$ 2,7 milhões aos cofres públicos, segundo dados do contrato da prefeitura.
Em publicação nas redes sociais, a artista afirmou que pais não deveriam vacinar bebês “sem questionar”. “Acho que dar vacinas aos bebês sem questionar é difícil para qualquer pai. Fé cega não é apropriada aqui”, disse, em conteúdo da série “Happy Mummy Mondays”.
A fala reforçou o histórico negacionista da cantora. No vídeo, Joss Stone defendeu que pais façam suas “próprias pesquisas” sobre imunizantes, expressão recorrente em discursos usados para desacreditar vacinas.
A repercussão cresceu porque a cantora será paga com dinheiro público para se apresentar na capital catarinense. O valor previsto inclui estrutura, segurança, som, logística e demais custos do evento.
Não é a primeira vez que Joss Stone coloca vacinas sob suspeita. Em 2022, após contrair Covid-19 mesmo vacinada, ela atacou o imunizante em entrevista à PopMatters: “Essa porcaria não funciona”. Na mesma conversa, afirmou: “A vacinação, eu não sei se funciona. Certamente não funcionou para nós.”
A declaração ignorava o papel central das vacinas contra a Covid-19: reduzir casos graves, internações e mortes, não impedir todas as infecções. Desde a pandemia, autoridades sanitárias reiteram que pessoas vacinadas ainda podem se infectar, mas seguem mais protegidas contra desfechos graves.
O acordo firmado entre o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e potências estrangeiras como os Estados Unidos e o Japão, está colocando em risco a constitucionalidade sobre a gestão dos recursos minerais no estado. Goiás, em sua tentativa de negociar diretamente o subsolo com essas nações, esbarra em uma barreira jurídica: a Constituição Federal estabelece que os recursos minerais pertencem à União, e não aos estados. Esse impasse gerou um cenário de tensão política e jurídica, com a discussão envolvendo as implicações de um acordo internacional com repercussões em terras raras.
Em um momento onde o mundo disputa o controle das terras raras, o estado de Goiás se tornou um foco geopolítico ao tentar firmar acordos que permitem a exploração mineral diretamente com países estrangeiros. A ideia de “romper o ciclo de exportador de matéria-prima”, promovida por Caiado, tem gerado controvérsias, já que a Constituição é clara ao definir que a exploração mineral é uma competência exclusiva da União. A negociação, portanto, parece ir contra a legislação, trazendo questionamentos sobre sua viabilidade jurídica.
No centro da discussão está a venda da Mina Serra Verde, em Minaçu, que foi adquirida por um consórcio americano por US$ 2,8 bilhões. O Tribunal de Justiça de Goiás, no entanto, já havia reiterado, em decisões anteriores, que os recursos minerais pertencem à União e que o proprietário da terra não pode reivindicar compensação com base no valor do minério. Isso levanta a questão: se nem o proprietário da terra pode dispor do subsolo, como um estado pode negociar com um país estrangeiro a exploração desses recursos?
Esse movimento também gerou reações políticas, com parlamentares do PSOL acionando a Procuradoria-Geral da República para questionar a legalidade do acordo de Caiado. Eles alegam que a negociação pode configurar uma invasão de competência da União, que detém o controle sobre os recursos minerais. No cenário estadual, a deputada Bia de Lima defendeu maior participação de Goiás nos royalties da mineração, destacando a disputa política sobre a distribuição dos ganhos do setor.
Porém, especialistas em direito constitucional alertam para os vícios legais presentes na ação. Ao tentar criar um “puxadinho regulatório”, Goiás instituiu a Lei estadual 23.597/25 e a Autoridade Estadual de Minerais Críticos, mas isso configura uma antinomia jurídica, pois um estado não tem autoridade para criar uma estrutura paralela à Agência Nacional de Mineração (ANM). Isso coloca em xeque a legitimidade da negociação e a segurança jurídica das empresas envolvidas.
A polêmica sobre o acordo também envolve questões geopolíticas mais amplas, como o impacto ambiental e a exportação de empregos. Goiás se arrisca a continuar sendo um mero exportador de minério bruto, enquanto o refino e o beneficiamento, mais lucrativos e tecnológicos, ficariam nas mãos dos EUA e Japão. Além disso, o compartilhamento de dados geológicos com os americanos levanta preocupações sobre a segurança nacional, dado o valor estratégico dessas informações em um momento de guerra tecnológica com a China.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) abriu uma investigação sobre uma acusação de transfobia contra a atriz bolsonarista Cassia Kis, de 68 anos. O caso, que ocorreu no Barra Shopping, zona sudoeste da capital fluminense, envolve a denúncia da atriz e auxiliar de restaurante, Roberta Santana, uma mulher trans de 25 anos, que afirmou ter sido constrangida e atacada verbalmente por Kis enquanto aguardava na fila para utilizar o banheiro feminino.
A denúncia foi feita pelo ativista LGBTQIA+ Agripino Magalhães Júnior e foi confirmada pelo MP-RJ neste domingo (26). As diligências terão início nesta segunda-feira (27), e Cassia Kis será intimada a prestar sua defesa.
De acordo com Roberta, a atriz a abordou no banheiro e passou a questionar sua presença no local. “Fui vítima de transfobia, a autora desse crime de ódio, a atriz Cassia Kis. Assim que entrei no banheiro ela estava atrás de mim aguardando a fila, e começou os ataques. Ouvi coisas absurdas, entrei em uma das cabines e ao sair ela continuava falando coisas horríveis, e questionando minha presença no banheiro”.
A vítima de transfobia também revelou que Kis continuou a agredi-la verbalmente ao sair da cabine, tornando a situação ainda mais constrangedora. Roberta, que se identifica como travesti, explicou que a violência verbal foi ainda mais agressiva quando Kis a seguiu pelo shopping e continuou gritando.
“Ela disse que o Brasil estava perdido porque tinha ‘homem’ no banheiro, que não tinha uma placa ali autorizando minha entrada, coisas absurdas e deploráveis. Nunca me senti tão constrangida em todo minha vida”. Apesar de não conhecer ela pessoalmente, Roberta se sentiu humilhada e vulnerável durante o ocorrido.
A atriz e auxiliar de restaurante, Roberta Santana. Foto: Divulgação
O caso não é o primeiro enfrentado por Cassia Kis em relação à intolerância. Em outubro de 2024, a Justiça Federal aceitou uma denúncia contra a atriz por homofobia, em um caso que ainda está em andamento na 2ª Vara Federal do Rio de Janeiro.
A ação civil pública pode resultar em uma multa de até R$ 1 milhão para a atriz. A ação civil pública, movida pelo coletivo Antra (Articulação Nacional dos Transgêneros) e pelo ator José de Abreu, acusa ela de praticar homofobia ao afirmar em entrevista que casais homoafetivos “não dão filhos” e que certas atitudes buscam “destruir a família” e “a vida humana”.
Roberta Santana, que afirmou estar recebendo apoio jurídico, anunciou que tomará medidas legais contra a atriz, incluindo o registro do caso na polícia, que será feito nesta segunda-feira (27). “Ela tem que pagar pelo que fez”, afirmou.
Se o Irã conseguisse produzir mísseis na mesma velocidade com que cria memes virais, o Comando Central dos EUA já teria se rendido — ao menos no campo simbólico. Um dos aspectos mais inesperados do conflito entre Irã e Estados Unidos é justamente a superioridade iraniana na guerra de comunicação digital.
O Irã surpreende ao mobilizar uma geração jovem — especialmente millennials e Gen Z — para disputar narrativas nas redes sociais com humor, sarcasmo e domínio das linguagens digitais.
Do outro lado, Donald Trump enfrenta desgaste crescente, com níveis de aprovação comparáveis aos de Richard Nixon durante o processo de impeachment. Erros de comunicação se acumulam, incluindo postagens apagadas e declarações polêmicas, como quando tentou se comparar a uma figura messiânica.
A ofensiva digital iraniana vai de perfis de embaixadas até figuras centrais do regime, como Mohammad Qalibaf. O sucesso é ainda mais paradoxal considerando que o próprio governo mantém a população sob um dos mais longos apagões de internet do mundo, além de restringir a imprensa local a reproduzir versões oficiais.
Mesmo assim, desse ambiente repressivo emerge uma produção criativa voltada ao público internacional. Contas pró-governo utilizam vídeos gerados por inteligência artificial — incluindo animações com estética de Lego — para conectar temas como o escândalo de Jeffrey Epstein à guerra, ou para satirizar lideranças ocidentais.
Um dos exemplos mais populares mostra Trump como um cantor de rock dos anos 1980 em uma paródia musical que viralizou rapidamente, acumulando dezenas de milhares de interações em poucas horas. Em outro momento, uma embaixada iraniana publicou o vídeo de um cachorro olhando para a câmera enquanto “nada acontecia”, ironizando ameaças de destruição feitas pelo presidente americano.
Trump cantor de rock – Foto: Reprodução
Para especialistas, o Irã entendeu rapidamente que guerras modernas são travadas em dois campos: o militar e o comunicacional. A antropóloga Narges Bajoghli afirma que o país conseguiu praticamente monopolizar a narrativa nas redes sociais, atingindo públicos de diferentes espectros políticos nos Estados Unidos — da direita radical à esquerda.
Segundo ela, o Irã reconhece que não conseguirá espaço na mídia tradicional americana, onde há décadas é retratado como um Estado terrorista. Por isso, aposta em “hackear” o debate público nas redes, explorando temas sensíveis e conteúdos que têm potencial de viralização global.
Esse fenômeno também se estende ao mundo árabe, onde o Irã tenta influenciar discussões sobre soberania regional, questionando o papel de Israel como potência militar respaldada pelos EUA.
Enquanto isso, a comunicação americana enfrenta dificuldades, agravadas por cortes institucionais e uma estratégia que muitas vezes se limita a discursos voltados à própria base política. O contraste com a agilidade e o humor da produção iraniana é evidente.
Apesar do sucesso digital, especialistas alertam que memes não são suficientes para transformar completamente a imagem internacional do Irã, marcada por repressão interna. Ainda assim, a capacidade de influenciar percepções — especialmente entre públicos jovens — pode ter efeitos duradouros.
A importância desse campo já havia sido reconhecida por Ali Khamenei, que afirmou em 2024: a mídia pode ser mais eficaz que armas tradicionais na guerra por corações e mentes.
Por ora, nessa batalha específica, o chamado “país dos tech bros” está ficando para trás.
Damn. Iran just dropped an A+ level troll on Trump in this new LEGO movie.
O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal) – Reprodução
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou para manter a prisão preventiva de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), em investigação sobre suposto favorecimento ao Banco Master.
No voto, apresentado em sessão de referendo de decisão monocrática, Gilmar afirmou haver indícios suficientes de que Paulo Henrique teria recebido vantagens indevidas. Segundo o ministro, os elementos apontam para o recebimento de imóveis de alto valor em contexto ligado à aquisição de carteiras de crédito do Banco Master pelo BRB.
Para Gilmar, a liberdade do ex-dirigente poderia comprometer a instrução do caso. Por isso, o ministro acompanhou o entendimento pela manutenção da prisão preventiva.
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) – Reprodução
O magistrado, porém, divergiu parcialmente em relação ao advogado Daniel Lopes Monteiro, outro investigado no caso. Gilmar avaliou que, embora existam indícios contra ele, ainda não há elementos suficientes para equiparar sua conduta à dos principais alvos da apuração.
O ministro defendeu cautela para diferenciar o exercício regular da advocacia de eventuais excessos com relevância penal. Segundo ele, parte das condutas atribuídas ao advogado pode estar ligada à atuação profissional, o que exige análise mais aprofundada antes de medidas mais duras.
Com esse entendimento, Gilmar propôs substituir a prisão preventiva de Monteiro por prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica, proibição de contato com outros investigados e restrições à atuação profissional em casos ligados à investigação.
O ministro também citou o princípio da proporcionalidade e a necessidade de tratamento isonômico entre investigados. Ele observou que outros envolvidos, apontados com participação mais relevante, seguem submetidos a medidas menos severas.
Gilmar ressaltou que o julgamento ocorre em fase preliminar, com base em cognição limitada, e que novas provas podem levar à revisão das medidas cautelares.
A Polícia Federal deflagrou na quinta-feira (23) a Operação Mercador de Fumaça 2 para investigar uma associação criminosa suspeita de prometer decisões favoráveis no Judiciário em troca de pagamento. Na ação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão no Distrito Federal.
Segundo a PF, o grupo atuava na captação de pessoas com processos judiciais em andamento e dizia ter acesso a autoridades capazes de influenciar o resultado dessas ações. A promessa era usada para induzir os alvos ao pagamento de dinheiro sob a alegação de interferência em decisões da Justiça.
A investigação trata o caso como exploração de prestígio no âmbito do Poder Judiciário. Em termos práticos, a suspeita é de que os investigados vendiam uma suposta ponte com autoridades para obter vantagem financeira de pessoas em situação de fragilidade processual.
A operação foi realizada pela PF no Distrito Federal e foi apresentada como desdobramento das apurações sobre essa rede de intermediação ilícita. Até agora, a corporação não informou nomes dos alvos nem detalhou valores envolvidos no esquema.
O foco da ofensiva, segundo a Polícia Federal, é desmontar a atuação do grupo e reunir provas sobre a oferta fraudulenta de influência em decisões judiciais. O caso segue sob investigação.
Na última sexta-feira (24), o jornal Estadão publicou um editorial colocando em cheque a credibilidade da Polícia Militar de São Paulo com um olhar especial para oficiais da Rota, grupo de elite da corporação, que são suspeitos de vender informações estratégicas para o PCC. O veículo, no entanto, exaltou o governo paulista, sobretudo o governador Tarcício de Freitas (Republicanos), por mudanças na corporação que não apresentaram mudanças concretas. Ou, como escreveu Moisés Mendes, o veículo “escondeu” o bolsonarista das responsabilidades. Veja trechos do editorial do Estadão:
Há algo de podre na Polícia Militar
A troca do comando da Polícia Militar (PM) de São Paulo está longe de ser um movimento trivial na rotina administrativa da corporação. A saída do coronel José Augusto Coutinho e a ascensão da coronel Glauce Anselmo Cavalli não podem ser explicadas somente à luz da versão protocolar apresentada pelo governo estadual, segundo a qual “motivos pessoais” teriam levado Coutinho a se afastar do cargo. Os fatos revelados pelo Estadão indicam outra coisa: foi uma decisão forçada pela gravíssima suspeita de que o ex-comandante teria prevaricado, no mínimo, diante da associação criminosa entre membros da Rota, unidade de elite da PM paulista, e o PCC.
Este jornal teve acesso ao depoimento sigiloso do promotor Lincoln Gakiya, peça fundamental para a correta decisão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) de trocar o comando da PM. […]
Oficiais da Rota teriam vazado informações policiais estratégicas para a cúpula do PCC em troca de milhões de reais. E, o que é ainda pior, sob o beneplácito de superiores. […]
O promotor informou à cúpula da PM que uma reunião fechada com um delator foi gravada por policiais militares e teve o conteúdo vendido a líderes do PCC por R$ 5 milhões. Se confirmados, esses fatos não apenas configuram corrupção, como representam uma quebra intolerável da confiança pública na cúpula do policiamento ostensivo de São Paulo […]
Tarcísio de Freitas em meio a PMs. Foto: reprodução
A hipótese de prevaricação, vale dizer, a omissão deliberada diante da suspeita de crimes, já bastaria para inviabilizar sua permanência no cargo. Mas, agora, é preciso ir além. Ainda segundo Gakiya, Coutinho teria sido informado pessoalmente sobre o vazamento de informações policiais para o PCC. Além disso, o coronel teria tido acesso aos áudios que sustentam a denúncia do promotor. Mesmo assim, não estão claras que providências o ex-comandante teria tomado à época dos fatos. […]
A menção a pagamentos, à proteção policial de membros do PCC, à execução de desafetos do bando e à circulação de informações privilegiadas expõe um grau de contaminação da PM paulista que, se não for debelada, comprometerá, se não eliminar, a capacidade do Estado mais rico da Federação de enfrentar o crime organizado. […]
Mas mudança de nomes, por si só, não basta. É preciso que o Palácio dos Bandeirantes assegure o bom andamento das investigações e, ademais, aja com a responsabilidade que lhe cabe para a punição exemplar de todos os policiais, militares ou civis, mancomunados com o crime organizado. A melhor política de segurança pública do mundo sucumbe à corrupção do guarda da esquina.
Ao longo de décadas, a PM de São Paulo construiu uma reputação de excelência operacional que não pode ser dilapidada por práticas criminosas de alguns de seus quadros podres. Das polícias de São Paulo não se espera outra coisa senão integridade absoluta de seus agentes, respeito estrito à legalidade e compromisso inarredável com o Estado Democrático de Direito. A base de sua legitimidade e de sua fé pública está aí.
O presidente dos EUA, Donald Trump. Foto: Divulgação
Nesta terça-feira (7), Amir-Saeid Iravani, enviado do Irã na ONU, afirmou que Teerã não ficará inerte caso o presidente dos EUA, Donald Trump, leve adiante suas ameaças. Em uma reunião do Conselho de Segurança, Iravani acusou Trump de incitar crimes de guerra ao afirmar que “toda uma civilização morrerá” se o Irã não fechar um acordo.
Segundo o representante iraniano, tais palavras podem configurar genocídio. O diplomata destacou que o Irã não ficará de braços cruzados diante das ameaças de Trump e que tomará ações imediatas e proporcionais para se defender.
“O Irã não ficará de braços cruzados diante de crimes de guerra tão graves. Exercerá, sem hesitação, seu direito inerente de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais”, disse ele.
Ele pediu à comunidade internacional que se posicione contra essa retórica antes que seja tarde demais. A resposta de Teerã foi imediata, com a declaração de que diversas infraestruturas da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein seriam alvos, pedindo a civis que evitassem essas áreas.
Trump, por sua vez, intensificou as ameaças. Em uma postagem no Truth Social, o presidente dos EUA declarou que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, ao referir-se ao prazo final para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz. A declaração foi feita após várias autoridades iranianas mostrarem sinais claros de que não pretendem ceder.
“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. Contudo, agora que temos uma mudança de regime completa e total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE? Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!”, afirmou.
Postagem de Trump no Truth Social. Foto: Divulgação
O Irã bloqueou parcialmente o estreito desde o ataque dos EUA e Israel ao seu território em 28 de fevereiro, o que gerou um aumento nos preços do petróleo. O prazo dado por Trump para que o Irã reabra a passagem encerra nesta terça-feira, às 21h, horário de Brasília.
O clima em Teerã é de extrema tensão. Antes da postagem de Trump, o governo iraniano havia apelado para a formação de correntes humanas por toda a população, com o intuito de proteger instalações de energia e outros ativos do país.
Segundo Alireza Rahimi, do Conselho Supremo da Juventude, a medida visa proteger as usinas de energia que são vitais para o país. “As usinas de energia são nossos ativos e capital nacional”.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, já havia afirmado que milhões de iranianos estão “prontos para se sacrificar” pelo país. “Mais de 14 milhões de iranianos valentes já declararam, até este momento, estar prontos para sacrificar suas vidas em defesa do Irã. Eu também tenho sido, sou e continuarei sendo alguém disposto a dar a vida pelo Irã”, afirmou Pezeshkian em publicação no X.
O ambos os países rejeitou uma proposta de cessar-fogo do Paquistão, preferindo negociar uma solução definitiva para o conflito, ao invés de uma pausa temporária. A proposta paquistanesa sugeria que o cessar-fogo entrasse em vigor imediatamente, com um prazo de 15 a 20 dias para um acordo mais amplo, o que foi rejeitado pelas autoridades iranianas.
O papa Leão XIV fez duras críticas às recentes ameaças contra o povo iraniano durante uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (7). Para ele, as ameaças são “inaceitáveis”, e ele destacou que ataques à infraestrutura civil, como pontes e usinas de energia, são claras violações do direito internacional.
O pontífice reagiu às declarações do presidente dos EUA Donald Trump, que afirmou em uma rede social que “uma civilização inteira morrerá” na noite de terça-feira, caso o Irã não atenda às exigências de reabertura do Estreito de Ormuz.
Durante a coletiva, o papa reiterou seu apelo pela paz no Oriente Médio e pediu que cidadãos de todo o mundo pressionassem seus representantes políticos para pôr fim à guerra.
Ele enfatizou que, além das questões legais, essa é uma questão de moralidade, pois são vidas humanas que estão em jogo, incluindo as de crianças. O pontífice, que tem intensificado suas críticas ao conflito, já havia afirmado, em 29 de março, que Deus não escutaria as orações de líderes que fomentam a guerra.
O presidente dos EUA Donald Trump. Foto: Divulgação
Em relação às declarações de Trump, Leão XIV expressou preocupação com as implicações dessas ameaças, afirmando que, além das questões jurídicas, há um profundo dilema moral envolvido.
Para ele, qualquer ação que tenha como alvo a população civil, especialmente em tempos de guerra, é uma violação dos princípios fundamentais do direito internacional e dos direitos humanos.
Trump, por sua vez, manteve o tom agressivo nas redes sociais. O presidente dos EUA, em postagem feita horas antes do prazo final dado ao Irã, declarou que o ataque planejado seria um dos momentos mais significativos da história mundial.
“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. Contudo, agora que temos uma mudança de regime completa e total, em que mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, quem sabe?”, afirmou Trump.
Mais um estabelecimento do Rio de Janeiro entrou na mira do Procon Carioca por uma manifestação considerada discriminatória, além do bar Partisan, na Lapa.
Segundo a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor, uma multa de R$ 9.520 teria sido aplicada ao restaurante O Porco Gordo, supostamente localizado no Recreio dos Bandeirantes, após uma postagem nas redes sociais envolvendo cidadãos de Israel.
De acordo com o órgão, o perfil do estabelecimento publicou uma imagem da bandeira de Israel acompanhada da legenda: “também não são bem-vindos aqui. Não estão proibidos, mas não são bem-vindos”. Para o Procon, a mensagem constrangeria consumidores e violaria o Código de Defesa do Consumidor ao sugerir tratamento diferenciado com base em nacionalidade ou religião.
O problema é que o lugar não existe. O próprio responsável pelo perfil do Porco Gordo explicou, em suas redes sociais, que trata-se de “uma história de ficção”. Leia:
Aos tantos comentários que recebi sinto que lhes devo uma explicação:
O Porco Gordo é uma história de ficção, e na ficção escrita por mim, 5 chefs comandam uma cozinha, sendo um dos cozinheiros um Palestino refugiado, portanto O Porco Gordo é uma obra de literatura da qual em determinado momento o personagem precisa enfrentar seus fantasmas do passado, é interessante que queiram me incriminar e fechar o restaurante, eles só não acharam o estabelecimento no mundo real…
Como artista que sou, reflito o tempo em que vivemos, e provoco o público para melhor entendimento da época e situações que nos rodeiam. E que fique claro, o instagram do Porco, como podem ver por diversas postagens antigas, segue o roteiro dessa história e enquanto me permitirem isso continuará. E peço ao público que não se afobe e tire conclusões precipitadas até conhecer a história finalizada.
Não existe restaurante a ser boicotado, denunciado, multado porque ele só existe em um mundo fictício, e como autor da história, faço o uso de minha liberdade criativa para trazer a tona um debate necessário, pela qual, estou sendo julgado, antes mesmo de que o público conheça a história.
O restaurante O Porco Gordo foi fechado há anos e sequer chegou a ser um restaurante com mesas para atendimento ao público, foi tão somente uma cozinha. É interessante que vereadores sequer tenham vindo me perguntar a respeito, e é curioso que se “confundam” críticas a um estado com a religião de seu povo. Contudo, acho saudável que tenhamos esse debate nesse momento de nossa sociedade. É preciso, com clareza, ter posições que nos proteja enquanto humanidade. A todos e sem distinção.
A arte ainda é uma maneira de se transgressar contra opressões, autoritarismos e todo e qualquer tipo de censura. E por vezes a arte toma caminhos provocativos que nos fazem ter sentimentos antagônicos a quem realmente somos, então, eu entendo a reação e acredito que ela sirva de reflexão. Por incrível que pareça, isso me completa como artista. A caixa de comentários continuará aberta para que possam se expressar, contudo, pensem como um reflexo, esse é um bom exercício.
O governo federal aprovou a redução a zero do imposto de importação para quase mil produtos em 2026. A medida foi definida pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) em reunião realizada nesta semana.
A decisão tem como objetivo suprir a ausência ou insuficiência de produção nacional em diferentes setores da economia. Os itens contemplados foram considerados estratégicos para abastecimento e funcionamento de cadeias produtivas.
Entre os produtos incluídos estão medicamentos utilizados no tratamento de doenças como diabetes, Alzheimer, Parkinson e esquizofrenia. Também fazem parte da lista insumos industriais e agrícolas.
A medida abrange ainda produtos voltados à nutrição hospitalar, insumos da indústria têxtil e lúpulo utilizado na fabricação de cerveja. O alcance envolve diferentes segmentos produtivos.
Container para carga de produtos
Cerca de 970 itens classificados como Bens de Capital (BK) e Bens de Informática e Telecomunicações (BIT) também foram incluídos. Parte dessas reduções tarifárias terá caráter provisório, conforme resoluções específicas do comitê.
A iniciativa busca reduzir custos de produção e ampliar a competitividade da indústria nacional. O foco está em setores que dependem de equipamentos e tecnologia importados.
Além da redução das tarifas, o Gecex-Camex decidiu aplicar medidas antidumping por cinco anos sobre a importação de etanolaminas da China e resinas de polietileno dos Estados Unidos e do Canadá.
No caso das resinas, houve ajuste por interesse público com redução das tarifas antidumping para níveis provisórios. A medida busca evitar impactos adicionais nas cadeias produtivas que utilizam esses insumos.
Mensagens enviadas pelo pastor André Valadão, líder da Igreja da Lagoinha em conversas no WhatsApp indicam a atuação de um senador em tratativas para “resguardar” o líder religioso. Os registros mostram orientações relacionadas ao momento considerado mais adequado para determinadas ações. As informações são do Metrópoles.
Em uma das mensagens encaminhadas por Valadão a um interlocutor, o texto de uma terceira pessoa afirma: “Pastor, será melhor esperar para final de fevereiro ou março , ele disse que vai estar mais tranquilo e ele vai fazer algumas ações para lhe resguardar”.
Na sequência, o pastor acrescenta ao diálogo: “Senador mandou esperar. Pra eu na ir mesmo pro 🇧🇷 [sic]”. As mensagens foram trocadas no dia 22 de janeiro deste ano.
Mensagens de WhatsApp para André Valadão – Reprodução
O nome de André Valadão aparece no contexto das investigações da CPMI do INSS, que apura possíveis irregularidades envolvendo benefícios previdenciários. A apuração inclui conexões com pessoas ligadas ao entorno do líder religioso.
Entre os citados está o empresário Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Zettel atuou como pastor em uma unidade da Igreja Batista da Lagoinha localizada no bairro Belvedere, em Belo Horizonte.
Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontou movimentações financeiras que somam R$ 40,9 milhões atribuídas ao empresário em repasses para a unidade religiosa.
O senador Alexandre Luiz Giordano (MDB-SP) O senador Alexandre Luiz Giordano (MDB-SP) O senador Alexandre Luiz Giordano (MDB-SP)
A Polícia Militar de São Paulo abriu procedimento interno para apurar a liberação do veículo do senador Alexandre Luiz Giordano após abordagem na segunda-feira (23), na zona norte da capital.
O parlamentar foi flagrado dirigindo uma Land Rover sem placas, com a CNH vencida e utilizando luzes estroboscópicas, equipamento semelhante ao “giroflex” de viaturas policiais.
Mesmo após ser autuado, o senador foi liberado e deixou o local dirigindo o próprio veículo. A corporação informou que ele possui imunidade parlamentar.
A liberação gerou questionamentos sobre o cumprimento do Código de Trânsito Brasileiro. A PM afirmou que analisa os procedimentos adotados na ocorrência.
O carro do senador Alexandre Luiz Giordano (MDB-SP) em fuga
Segundo o registro da ocorrência, o senador tentou fugir da abordagem. Ele chegou a subir na calçada e quase atropelar um policial antes de ser interceptado.
Durante a ação, Giordano se identificou como “federal” e depois como “senador da República”. Ele também se recusou a apresentar documentos no primeiro momento.
Após a abordagem, os policiais localizaram as placas do veículo no porta-malas. O senador foi autuado por dirigir sem placas, com CNH vencida e pelo uso irregular de luzes estroboscópicas.
Especialista em direito de trânsito afirmou que, em situação comum, o veículo deveria ser apreendido e encaminhado ao pátio até regularização. O senador não respondeu aos contatos feitos após o caso.
A Justiça do Rio de Janeiro decidiu, nesta quarta-feira (25), inocentar o ator e humorista Marcius Melhem em mais duas acusações de assédio sexual. A decisão resultou na exclusão desses episódios do processo.
Com isso, o número de casos ainda em análise judicial foi reduzido. As acusações descartadas não seguirão na ação que tramita contra o ex-diretor de humor.
Segundo informações do processo, as duas denúncias foram arquivadas por prescrição do prazo legal. O Ministério Público do Rio de Janeiro já havia se manifestado pela desistência de levar os casos adiante.
O órgão apontou que, após análise do material reunido no inquérito, não foram identificados elementos que comprovassem constrangimento das supostas vítimas. Também não houve comprovação do uso de posição hierárquica para obtenção de favores sexuais.
O humorista Marcius Melhem.
Em trechos avaliados, o promotor indicou que algumas conversas analisadas apontariam interações de intimidade recíproca entre as partes envolvidas.
O caso teve início após denúncias feitas por oito mulheres. Ao longo do processo, decisões judiciais e arquivamentos reduziram o número de acusações.
Com as novas decisões, resta apenas um episódio que ainda pode ser analisado pela Justiça. O andamento desse caso segue em tramitação.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou nesta quarta-feira (25), no Supremo Tribunal Federal (STF), uma notícia de fato contra o senador Sergio Moro (PL-PR) após declarações em que ele insinuou, sem apresentar provas, que a eleição presidencial de 2022 não teria sido legítima. O pedido foi encaminhado no âmbito do Inquérito 4.874, conhecido como o inquérito das milícias digitais, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
A iniciativa busca que o STF analise a conexão entre a fala de Moro e investigações sobre a disseminação de desinformação contra o sistema eleitoral. Na petição, Lindbergh sustenta que a manifestação se insere em um contexto mais amplo de ataques às instituições democráticas, especialmente ao Tribunal Superior Eleitoral e às urnas eletrônicas.
“A visão que o cidadão tem é que o nosso presidente da República hoje, que não é nosso, mas foi eleito — entre aspas — aqui no Brasil está do lado dos criminosos e minimiza o crime a todo momento”, alegou Moro durante cerimônia de filiação ao PL, realizada na terça-feira (24). O senador não apresentou evidências para sustentar a afirmação.
Veja o momento da fala de Moro:
Segundo Lindbergh, esse tipo de declaração reforça uma narrativa de deslegitimação do processo eleitoral e mantém em circulação suspeitas de fraude já rebatidas pelas autoridades.
“A insistência em desacreditar o pleito de 2022 possui dimensão prospectiva e não se limita a revisitar o passado. Ela produz efeitos sobre o presente e prepara terreno para o futuro, ao manter em circulação o repertório simbólico da fraude, da suspeição eleitoral e da ilegitimidade institucional”, disse o petista.
Na ação, o deputado solicita a oitiva da Procuradoria-Geral da República, além do envio de cópias ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia da Advocacia-Geral da União. O objetivo é avaliar eventuais medidas diante do que classifica como continuidade de um processo de desinformação.
A petição também menciona o contexto recente de tensão institucional no país, incluindo os atos de 8 de janeiro de 2023, e argumenta que a repetição de alegações infundadas sobre fraude eleitoral contribui para a erosão da confiança pública nas instituições. Para o parlamentar, reabrir esse tipo de narrativa mantém ativa uma ofensiva contra a soberania popular.
O episódio ocorre no momento em que Moro se posiciona como pré-candidato ao governo do Paraná e se aproxima politicamente do bolsonarismo. O senador participou do evento de filiação ao PL ao lado de lideranças do partido, como Flávio Bolsonaro e Valdemar Costa Neto.
A trajetória de Moro também é citada no debate político recente. Como ex-juiz da Lava Jato, ele foi responsável por decisões que impactaram diretamente o cenário eleitoral de 2018. Posteriormente, o STF anulou as condenações do Presidente Lula e reconheceu a suspeição do ex-magistrado, em decisões que reconfiguraram o quadro jurídico e político do país.
A 71ª Vara de São Paulo/SP determinou que o Banco Pan indenizasse uma consultora comercial por danos morais, após reconhecer que a funcionária foi submetida a um ambiente de trabalho hostil e constrangedor. A sentença foi prolatada pelo juiz Cristovão José Martins Amaral.
A decisão se baseou em condutas vexatórias e em uma série de violações à dignidade da trabalhadora, incluindo comentários machistas e exposição pública humilhante. De acordo com a ação movida pela funcionária, ela enfrentou um ambiente competitivo e desconfortável. Segundo o juiz, as provas testemunhais confirmaram que as atitudes dos superiores extrapolavam os limites do que seria considerado profissional e saudável no ambiente corporativo.
Em um dos relatos, uma testemunha mencionou que o gerente regional da funcionária fazia comentários sobre a sua aparência e forma de vestir, além de afirmar que ela estava “arrasando corações”. Esses comentários foram classificados como “brincadeiras machistas”, que, de acordo com o juiz, violavam o respeito devido no local de trabalho.
Em uma situação ainda mais constrangedora, durante o aniversário da funcionária, o mesmo gerente cantou uma música com conotação dúbia e fez um comentário inapropriado: “parabéns, hoje vou comer seu bolo”, o que a funcionária descreveu como extremamente desconfortável.
Fachada de uma agência do Banco Pan. Foto: Divulgação
Entre os casos relatados, a trabalhadora destacou um atraso no pagamento das comissões, que foi feito de maneira injustificada por cerca de 60 dias, enquanto outros funcionários receberam as suas comissões dentro do prazo estabelecido.
Além disso, ela foi preterida em premiação para um evento musical, algo que também agravou o clima de hostilidade no ambiente de trabalho. A funcionária ainda relatou que, durante as reuniões, eram exibidos rankings de desempenho, mostrando publicamente os nomes dos empregados e o percentual de metas não alcançadas, criando uma situação de constrangimento.
O juiz, ao analisar o caso, considerou que as condutas do gerente e a exposição pública nas reuniões não apenas prejudicaram a imagem da trabalhadora, mas também criaram um ambiente de trabalho tóxico, contrariando a política de conduta do próprio Banco Pan, que veda práticas discriminatórias e de assédio moral.
“Tais condutas extrapolam os limites do poder diretivo do empregador e revelam comportamento incompatível com um ambiente de trabalho saudável e respeitoso, configurando afronta à dignidade da trabalhadora. Registre-se, inclusive, que a própria política de conduta do Banco Pan veda práticas discriminatórias e de assédio moral, exigindo atuação pautada no respeito e no profissionalismo”, afirmou o juiz.
Com base nos depoimentos e provas apresentadas, o juiz concluiu que houve uma violação à dignidade, honra e imagem da trabalhadora, e, por isso, determinou que o banco pagasse R$ 5 mil em danos morais à funcionária, como forma de reparar os danos causados pela conduta abusiva e discriminatória de seus superiores.
O vereador bolsonarista Adrilles Jorge. Foto: Reprodução
A aprovação do Projeto de Lei (PL) que visa criminalizar o discurso de ódio contra mulheres, conhecido como “PL da Misoginia”, no Senado, provocou reações histéricas de políticos de direita. Um desses casos aconteceu na Câmara Municipal de São Paulo, onde o vereador bolsonarista Adrilles Jorge (União) usou o plenário para promover um espetáculo de misoginia e transfobia, em protesto contra a aprovação do projeto.
Durante a sessão, Adrilles Jorge, indignado com o avanço do projeto no Senado, fez uma performance polêmica. O vereador copiou uma ação do deputado Nikolas Ferreira e colocou uma peruca, em uma tentativa de atacar o “PL da misoginia” de maneira provocativa.
Ele afirmou que a lei, por não definir claramente o que é uma mulher, permitiria que qualquer homem se julgasse mulher e, consequentemente, promova discurso de ódio contra as mulheres.
“Eu posso me julgar mulher porque a lei é tão esdrúxula, que ela não define o que é uma mulher, então, eu, enquanto homem, posso contestar as senhoras, eu posso agredir verbalmente as senhoras, porque aos homens […] as mulheres se colocam como vítimas preferenciais […] essa lei não resolve nada […] então, eu, como mulher, agora como Geórgia, posso falar como mulher porque a lei me permite assim”, disse o vereador durante a sessão.
TRANSFOBIA NA CÂMARA DE SP!
O vereador Adrilles Jorge, em mais um episódio de desrespeito, reproduz o mesmo comportamento de Nikolas Ferreira ao usar uma peruca no plenário para ridicularizar pessoas trans.
Enquanto isso, o PL da Misoginia continua a tramitar na Câmara dos Deputados, onde será discutido por parlamentares e, se aprovado, seguirá para a sanção do presidente Lula. A proposta aprovada no Senado no dia 25 de abril define a misoginia como crime, equiparando-a ao racismo na legislação brasileira.
A medida visa punir comportamentos que manifestem ódio ou aversão às mulheres, fundamentados na crença da supremacia masculina. A nova lei inclui manifestações verbais, como injúrias e discursos de ódio, bem como ofensas que atentem contra a dignidade feminina.
Isso inclui também as agressões no ambiente digital, como em redes sociais e fóruns, onde muitos discursos misóginos têm sido proliferados. O projeto prevê penas de prisão que variam de dois a cinco anos, além de multas, para os envolvidos em práticas misóginas.
Em casos de incitação ou indução à misoginia, as penas podem ser de um a três anos, com a mesma penalidade de multa. A medida é vista como um avanço no combate a atitudes discriminatórias contra as mulheres, especialmente no cenário atual, onde os ataques à dignidade feminina têm aumentado na sociedade, principalmente pela internet.
Embora o projeto tenha sido aprovado por unanimidade no Senado, com 67 votos favoráveis, a reação de políticos de extrema-direita tem sido polarizada. O ato de Adrilles Jorge é apenas um exemplo das tentativas de impedir a implementação da proposta, com alegações de que a lei poderia ser mal interpretada ou abrir brechas para abusos.
O “PL da Misoginia” foi apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) e teve a relatoria de Soraya Thronicke (Podemos-MS), que destacou a importância da medida no enfrentamento de discursos de ódio. A senadora afirmou que a proposta visa combater não apenas agressões físicas, mas também discursos misóginos que têm ganhado força nas redes sociais.
Thronicke defendeu que o projeto é essencial para coibir a propagação de ideias que sustentam a superioridade masculina, especialmente em tempos de crescente radicalização política e social. “O ódio às mulheres não é abstrato: é estruturado, crescente e ceifa vidas todos os dias”, afirmou ao defender o projeto.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Divulgação
A aprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caiu para 36%, o nível mais baixo desde seu retorno à Casa Branca. A pesquisa Reuters/Ipsos, realizada ao longo de quatro dias e publicada nesta quarta-feira (24), revelou que a queda no apoio popular ocorre em meio ao aumento dos preços dos combustíveis e à crescente desaprovação da guerra contra o Irã, que foi iniciada pelo governo del.
Em comparação com a pesquisa anterior, a aprovação passou de 40% para 36%. O levantamento associou essa piora à alta nos preços dos combustíveis, impulsionada pelos ataques coordenados entre os EUA e Israel ao Irã no final de fevereiro.
Com os preços da gasolina subindo, o eleitorado demonstrou insatisfação com a gestão do presidente, especialmente no que se refere ao custo de vida e ao impacto econômico da guerra.
A pesquisa também indicou que, apesar da queda na aprovação geral, Trump ainda mantém um forte apoio entre os eleitores republicanos, embora tenha perdido parte da confiança do partido, especialmente no tema da inflação.
A pesquisa destacou que apenas 25% dos entrevistados aprovam a forma como Trump está lidando com o custo de vida, um dos pontos centrais de sua campanha para a reeleição em 2024.
O dado é um reflexo do descontentamento crescente, com 34% dos eleitores republicanos desaprovando sua condução da economia e 20% expressando insatisfação com sua administração de questões relacionadas ao custo de vida.
Donald Trump anunciando o “tarifaço” em 2025. Foto: Divulgação
Esses números representam um aumento significativo em relação à pesquisa da semana anterior, que indicava uma desaprovação de 27%. Outro fator que contribuiu para a queda na popularidade de Trump foi a guerra no Irã. A pesquisa mostrou uma mudança significativa na opinião pública sobre os ataques dos EUA ao país.
A aprovação dos ataques caiu de 37% para 35%, enquanto a desaprovação subiu de 59% para 61%. A pesquisa feita após os primeiros ataques indicava uma maior indecisão entre os eleitores, mas, na pesquisa mais recente, a taxa de indecisão desapareceu, com 5% dos entrevistados se recusando a responder.
Apesar da queda na aprovação de Trump, os dados indicam que a desaceleração em sua popularidade não está afetando diretamente a corrida para as eleições de meio de mandato, que ocorrerão em novembro.
Segundo o levantamento, 38% dos eleitores registrados consideram os republicanos mais capazes de cuidar da economia, enquanto 34% apontaram os democratas como a melhor opção.
Isso sugere que, embora a aprovação do presidente esteja em declínio, os aliados republicanos ainda têm um apoio considerável entre os eleitores, especialmente nas questões econômicas. A pesquisa foi realizada online e entrevistou 1.272 adultos nos Estados Unidos, com uma margem de erro de 3 pontos percentuais.
Flávio Bolsonaro e Sergio Moro durante evento de filiação do senador ao PL em Brasília, nesta terça (24). Foto: Reprodução
O senador Sérgio Moro (PL-PR) oficializou sua filiação ao Partido Liberal (PL) nesta terça-feira (24), com o objetivo de concorrer ao governo do Paraná nas eleições de outubro deste ano. O evento ocorreu em Brasília e contou com a presença de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência.
Durante o discurso, Moro atacou o presidente Lula e chegou a sugerir que houve fraude nas eleições de 2022. “Lula foi eleito entre aspas aqui no Brasil e está do lado dos criminosos e minimiza o crime a todo momento”, disse o ex-juiz. Ele ainda tentou tenta culpar o petista pelos escândalos do INSS e do Master.
O parlamentar também prometeu palanque a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Paraná e disse estar “ansioso para ver seu pai [o ex-presidente Jair Bolsonaro] em casa”, em meio a movimentos para conseguir a liberação para prisão domiciliar.
“O Paraná não vai faltar ao seu projeto presidencial. Vamos trabalhar para que vossa excelência tenha vitória, uma grande vitória no nosso estado, que será uma vitória para o nosso país”, completou.
Sérgio Moro filia-se ao Partido Liberal (PL) para concorrer ao governo do Paraná e promete palanque forte a Flávio Bolsonaro:
“Flávio, o Paraná não vai lhe faltar, porque o Paraná não vai faltar ao Brasil. Estou ansioso para ver Jair Bolsonaro em casa, por questão de justiça.” pic.twitter.com/WVNOxSbCly
A filiação de Moro ao PL representa um rompimento com o atual governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), que anunciou sua desistência da pré-candidatura à presidência na segunda (23) e optou por concluir seu mandato no estado.
O evento também serviu para anunciar os candidatos ao Senado na chapa de Moro: o deputado Felipe Barros (PL-PR) e o ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo-PR), ambos com forte ligação à Operação Lava Jato. A ideia da chapa é fortalecer a imagem do Paraná como o estado da Lava Jato, onde Moro atuou como juiz e Dallagnol como procurador.
Moro tem uma história de relação conturbada com o PL. Antes de sua filiação, o partido pediu sua cassação por abuso de poder nas eleições, mas o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) o inocentou. A decisão foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apesar do recurso do partido.
Em 2018, Moro aceitou o convite de Bolsonaro para ser ministro da Justiça. Após um 1 e 4meses no cargo, ele deixou o governo devido a um desentendimento com o então presidente, que decidiu trocar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, indicado pelo então ministro.
Embora tenha se afastado de Bolsonaro, Moro ainda o apoiou nas eleições de 2022 contra Lula, vencedor do pleito.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução
Um dia antes de ser preso no aeroporto internacional de Guarulhos, em novembro de 2025, o empresário Daniel Vorcaro fez uma busca no Google sobre o juiz da 10ª Vara Federal de Brasília, onde tramitava o inquérito sigiloso que resultou em sua detenção. O registro da pesquisa foi encontrado no celular do banqueiro, apreendido pela Polícia Federal quando ele tentava embarcar em um jatinho com destino a Dubai, com escala em Malta, sob suspeita de fuga.
De acordo com informações do Globo, o material foi compartilhado com parlamentares da CPI do INSS e reforçou a suspeita de vazamento de informações sigilosas. Segundo investigadores, o print foi feito em 16 de novembro, um dia antes da prisão.
Na mesma data, Vorcaro criou uma anotação em seu celular com a frase “Vocês são próximos? Ricardo Soares Leite, 10 vara criminal federal”, que teria sido enviada a um destinatário não identificado por meio de mensagem com visualização única.
As apurações indicaram que o banqueiro já demonstrava conhecimento prévio da ordem de prisão. No dia 17, às 17h26, ele enviou mensagem ao ministro Alexandre de Moraes perguntando: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”.
Segundo a investigação, foram nove mensagens trocadas, nas quais Vorcaro relatava medidas adotadas para tentar “salvar” o Banco Master, enquanto Moraes respondia com emoticons e conteúdos de visualização única.
A ordem de prisão foi assinada pelo juiz substituto Ricardo Augusto Soares Leite às 15h29 daquele dia, com base em pedido do Ministério Público Federal feito um mês antes. O magistrado divide a vara com Antonio Claudio Macedo da Silva, responsável por outros processos da mesma unidade.
O juiz substituto da 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, Ricardo Augusto Soares Leite. Foto: reprodução
A Polícia Federal também identificou que Vorcaro teria acessado indevidamente sistemas internos do MPF, da própria PF e até do FBI. Quatro meses antes da prisão, ele já possuía informações sobre três procedimentos sigilosos, incluindo o que investigava irregularidades envolvendo o Banco Master e o BRB. Esses dados teriam sido enviados a um comparsa conhecido como “Sicário”.
Outro elemento que levantou suspeitas foi a publicação de uma reportagem no site O Bastidor, do jornalista Diego Escosteguy, no mesmo dia da prisão. O conteúdo antecipava a existência de investigação na 10ª Vara Federal. Segundo a PF, após a publicação, o material foi enviado ao próprio Vorcaro e a seu advogado, que acionaram a Justiça minutos depois da decisão judicial.
Mensagens extraídas do celular indicaram ainda que Vorcaro negociava pagamentos para publicação de conteúdos “de interesse do banqueiro”. Três dias antes da reportagem, Escosteguy teria enviado dados bancários para recebimento de valores. O jornalista afirmou que os pagamentos eram referentes a contratos de publicidade e que não interferiam na linha editorial.
A investigação também revelou que, antes da execução da prisão, o advogado Walfrido Warde afirmou que estava “infernizando o cara”, em referência ao juiz responsável pelo caso, e tentou contato direto com o magistrado. Para os investigadores, a tentativa de viagem ao exterior e a atuação da defesa reforçam a hipótese de que houve vazamento de informações confidenciais.
Recruta do Exército José Carlos Junior Carvalho Grachet. Foto: Divulgação
O soldado do Exército José Carlos Junior Carvalho Grachet, de 18 anos, morreu após passar mal durante um treinamento de corrida realizado em Goiânia. O jovem participava de atividades físicas no 1º Batalhão de Ações de Comandos quando apresentou sinais de mal-estar e precisou ser socorrido pela equipe médica da unidade.
Ele foi levado inicialmente a um posto de atendimento e depois transferido para a UTI de um hospital da região, mas não resistiu. Segundo o Exército, o caso ocorreu durante exercício de preparação física.
Após desmaiar, o militar recebeu atendimento imediato, porém o quadro se agravou durante o transporte para o hospital. A corporação informou que foi instaurado um Inquérito Policial Militar para apurar as circunstâncias da morte, enquanto a Polícia Civil de Goiás também abriu investigação para esclarecer a causa do óbito.
Até a última atualização, a Secretaria de Saúde não havia informado o diagnóstico que levou à morte do jovem. O Exército divulgou nota lamentando o ocorrido e manifestou solidariedade à família. Em publicação nas redes sociais, o Comando de Operações Especiais escreveu: “Que Deus conforte a todos neste momento de consternação”.
José Carlos Junior Carvalho Grachet morreu durante um treinamento em Goiás. Foto: Reprodução
Familiares e amigos relataram que José Carlos vinha se preparando há meses para ingressar na carreira militar. Segundo pessoas próximas, ele mantinha rotina intensa de treinos para o Teste de Aptidão Física exigido para o serviço. Um amigo afirmou que acompanhava a preparação. “Praticamente por dois meses eu e meu irmão gêmeo ajudamos ele a treinar para o TAF. Ele perdeu mais de 15 kg nesse período”.
De acordo com relatos, o jovem passou mal durante a corrida, perdeu o ritmo em relação aos colegas e caiu no chão antes de ser atendido. Um amigo descreveu o momento. “No meio do treino ele começou a perder posição em relação aos colegas, caiu de joelhos e teve um mal súbito”.
Nas redes sociais, diversas mensagens lembraram o entusiasmo do soldado ao ser aprovado para servir. Um dos amigos escreveu: “Lembro de você pulando de alegria com a carta do Exército aprovado. Dos momentos bons, dos churrascos de fim de semana, da gente treinando junto e correndo”.
Conhecido entre os colegas como comunicativo e bem-humorado, José Carlos era descrito como alguém muito próximo da família e dos amigos. Pessoas que conviveram com ele afirmaram que o jovem participava com frequência de atividades esportivas e mantinha rotina ativa. “Era um cara muito querido, sempre sorrindo, fazendo gracinha com tudo”, relatou um amigo.
O analista político Eduardo Gayer, a jornalista Basília Rodrigues, Valdemar Costa Neto, presidente do PL e a repórter Soane Guerreiro no SBT News. Reprodução
Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, afirmou no programa “Sala de Imprensa”, do SBT News, que o senador Sérgio Moro, recém-filiado ao Partido Liberal, disse ter votado contra sua convocação à CPI do Crime Organizado. Segundo Valdemar, o ex-juiz afirmou: “Eu queria te convocar lá para você falar e tal” e, em seguida, acrescentou: “Não te convocamos, graças ao meu voto. Foi 6 a 5”.
A declaração foi dada após pergunta da repórter Soane Guerreiro sobre eventual articulação com integrantes da comissão. Valdemar relatou que se reuniu com Moro na véspera e disse que o senador o abordou antes do início da reunião para falar sobre o requerimento de convocação. Ao relembrar a conversa, afirmou ter reagido com surpresa: “Que CPI? Do crime organizado? Eu? Mas o quê?”.
No mesmo relato, Valdemar disse que Moro mencionou uma tentativa posterior de nova deliberação sobre o caso. Segundo o dirigente, o senador afirmou: “Ainda bem que o Magno Malta ficou lá, porque depois que eles saíram, acabou a reunião, eles quiseram fazer outra reunião para tentar fazer uma outra convocação ilegal contra mim e o Magno não deixou”
🚨URGENTE – Valdemar conta que Sérgio Moro lhe afirmou que ele só não foi convocado para a CPI do Crime Organizado graças a seu voto de minerva
No mesmo relato, o político disse que Moro ainda afirmou que houve uma tentativa posterior de nova deliberação sobre o caso. Segundo ele, o senador declarou: “Ainda bem que o Magno Malta ficou lá, porque depois que eles saíram, acabou a reunião, eles quiseram fazer outra reunião para tentar fazer uma outra convocação ilegal contra mim e o Magno não deixou”.
Costa Neto também declarou que sua relação com Moro já havia sido atravessada por um processo anterior movido em contexto eleitoral. Segundo ele, um senador do PL pediu a abertura da ação, e o episódio deixou Moro contrariado. Valdemar afirmou ainda que aliados sugeriram a retirada do processo, mas ele recusou.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução
Em editorial publicado neste domingo (22), o Estadão afirma que a possível delação de Daniel Vorcaro deve ser tratada com cautela e sobriedade institucional, à luz dos erros cometidos na Lava Jato. Para o jornal, a colaboração do banqueiro do Banco Master não pode ser convertida em espetáculo político ou midiático, nem servir como atalho investigativo sem a devida sustentação por provas independentes:
O sr. Daniel Vorcaro, por meio de seu advogado, formalizou a intenção de firmar um acordo de delação premiada. Na quinta-feira passada, o investigado deu o primeiro passo ao assinar um termo de confidencialidade. Por ordem do ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), no mesmo dia, Vorcaro foi transferido do presídio de segurança máxima de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal, onde terá melhores condições para negociar com as autoridades.
O movimento do banqueiro recoloca no centro do debate público um instrumento jurídico que tem sido mal compreendido e, não raras vezes, mal utilizado no País. Delação premiada não é prova de coisa alguma. Trata-se de um meio de obtenção de prova, entre tantos outros, sujeito a requisitos legais muito bem definidos na Lei 12.850/2013. Entre eles, destacam-se a voluntariedade do investigado ou réu colaborador, a utilidade das informações prestadas, a revelação da estrutura de uma organização criminosa e, principalmente, a imprescindível confirmação de seus termos por elementos probatórios diversos e independentes. Sem esses pressupostos, não há acordo válido, há um discurso interesseiro.
A delação de Vorcaro, portanto, deve ser recebida com um misto de serenidade e ceticismo. A história recente do País é pródiga em lições. Será um erro ignorá-las. Uma vez celebrados os acordos de delação premiada, muitas autoridades arrefeceram o ímpeto investigativo, como se a palavra dos colaboradores bastasse para seus propósitos. No âmbito da Operação Lava Jato, não foram poucas as denúncias oferecidas pelo Ministério Público com base quase exclusivamente em depoimentos de colaboradores. Resultado: condenações, acordos e multas bilionárias anulados poucos anos depois – muitos por decisões monocráticas do ministro Dias Toffoli, ele mesmo alvo potencial da delação de Vorcaro – e a corrosão da credibilidade de um instrumento que deveria fortalecer, e não substituir, uma investigação policial.
Editorial do Estadão sobre delação de Vorcaro. Foto: Reprodução
[…] Não é trivial o potencial de comprometimento da cúpula da República com os negócios do encalacrado banqueiro. Sabe-se, por exemplo, que ao menos dois ministros do STF, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, têm vínculos insofismáveis com o caso Master.
É nesse contexto que a delação de Vorcaro não só será firmada, de resto a etapa mais fácil, como terá de ser homologada pelo próprio STF. Forças muito poderosas atuarão para impedir esse acordo – ou anulá-lo.
Daí a necessidade de cautela diante da perspectiva de uma nova “delação do fim do mundo”. A tentação de transformar as confissões de Vorcaro em espetáculo ou instrumentalizá-las para fins político-eleitorais será enorme. Para os investigadores, pode parecer um atalho para a solução de um caso de altíssima complexidade. […]
A delação de Vorcaro tem de ser tratada com sobriedade institucional. Não é condição indispensável para a responsabilização de culpados nem muleta para investigações tíbias. Ao contrário. Quanto mais ruidoso for o teor do acordo, maior deve ser o escrutínio das autoridades sobre a consistência dos elementos de prova que o sustentam – assumindo-se, claro, que existam. […]
A delação de Vorcaro deve ser apenas o começo, jamais o fim, de um bom trabalho investigativo. Passa da hora de o Brasil amadurecer para a cobertura midiática desses acordos e para cobrar investigações e processos bem instruídos, de modo a produzir decisões judiciais que resistam ao tempo.
O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — Foto: Edilson Dantas/Agência O Globo
Cinco meses após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central (BC), o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) permanece em silêncio sobre o escândalo que envolveu a falência da instituição financeira e seus desdobramentos. A ausência de declarações de Flávio Bolsonaro sobre o caso é vista com “estranheza” por aliados, especialmente considerando que o escândalo é um dos maiores episódios de fraude financeira no Brasil. Com informações de Lauro Jardim, do Globo.
Enquanto Bolsonaro se cala, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se posicionado publicamente sobre o escândalo, com um discurso contundente. Na última quinta-feira (19), Lula afirmou que “não deixaremos pedra sob pedra para apurar tudo o que fizeram, dando um rombo de R$ 50 bilhões neste país”. A postura de Lula contrasta com a ausência de comentários de Flávio Bolsonaro sobre o caso, especialmente considerando que o escândalo envolve figuras do governo Bolsonaro e do círculo político de Flávio.
Enquanto isso, o Partido dos Trabalhadores (PT) tem intensificado as críticas a Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em uma resolução publicada recentemente, o PT questiona a omissão de Flávio Bolsonaro sobre o escândalo, destacando a negligência do governo Bolsonaro na supervisão do setor financeiro e sua ligação com Daniel Vorcaro, o banqueiro acusado de fraude. “O banco foi fundado e operou livremente durante o governo Bolsonaro, período em que acumulou fortes indícios de gestão fraudulenta”, afirma o PT.
A resolução do partido também acusa o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, de ter permitido o crescimento do esquema de corrupção, sem realizar intervenções necessárias. No entanto, o PT foca suas críticas diretamente em Flávio Bolsonaro, associando-o ao financiamento eleitoral de sua campanha e ao uso de recursos oriundos do Banco Master: “Flávio Bolsonaro representa a continuidade do mesmo projeto autoritário e antipopular que o Brasil derrotou nas urnas”.
Além da publicação oficial, grupos de WhatsApp ligados ao PT têm propagado vídeos e conteúdos que associam Vorcaro a Flávio Bolsonaro. Uma postagem, por exemplo, traz uma montagem que relaciona o nome de Flávio Bolsonaro com os contatos encontrados na agenda de Vorcaro. “A teia do escândalo BolsoMaster só cresce e todos os caminhos levam ao clã Bolsonaro”, diz o texto compartilhado nos grupos.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução
Em entrevista, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiram que a estratégia de comunicação do governo foi errada ao evitar um confronto direto com Flávio Bolsonaro. Alguns membros do PT acreditam que, ao focar apenas em pautas positivas e evitar embates com Flávio, o governo perdeu tempo e espaço. “Agora seria, portanto, necessário ajustar a rota”, disseram. Para o PT, a relação entre Flávio Bolsonaro e o escândalo do Banco Master precisa ser destacada como um fator crucial para desmantelar a narrativa da direita.
Em paralelo, o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas presidenciais tem gerado um alerta entre governistas, que veem na omissão da sua relação com o escândalo uma falha na comunicação do governo. O PT busca agora reorganizar sua estratégia e manter a pressão sobre Flávio Bolsonaro, utilizando a associação ao Banco Master como uma ferramenta de desgaste político.
Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto aparece sem camisa no corredor do apartamento. Foto: Divulgação
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de assassinar sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, foi preso após uma série de comportamentos considerados “atípicos” e “gélidos” durante a investigação de sua morte. A soldado foi encontrada baleada na cabeça em 18 de fevereiro, e o oficial, que inicialmente alegou suicídio, é agora suspeito de feminicídio e fraude processual. “Irmão, é tiro de .40”, disse Neto, com frieza, ao ser informado sobre o estado de saúde de Gisele, que ainda apresentava sinais vitais na ocasião. Com informações do Globo.
O comportamento de Neto, registrado por câmeras corporais da polícia, gerou desconfiança. O oficial insistiu em tomar banho, mesmo após ser alertado sobre o risco de destruir provas, como resíduos de pólvora nas mãos. “Eu sei o que estou falando… eu vou tomar banho, irmão!”, afirmou. Além disso, Neto demonstrou irritação quando percebeu que os policiais haviam alterado a disposição do quarto, questionando: “Quem foi que fez isso?”. Esse comportamento, somado à tentativa de alterar a cena, levou à prisão preventiva do tenente-coronel, que nega a acusação de homicídio.
A investigação da Polícia Civil e os laudos periciais apontam que Gisele foi abordada de forma deliberada. O tiro foi disparado com a arma encostada na têmpora da vítima, e os exames confirmaram que o disparo não foi compatível com um suicídio. A posição da arma, que estava na mão da vítima, e as manchas de sangue encontradas na bermuda de Neto também desmentem a versão inicial apresentada por ele. A perícia identificou ainda marcas de sangue no banheiro, contradizendo a narrativa de que Neto estava distante da cena do crime.
Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto e a soldado Gisele Alves. Foto: Reprodução
Relatos de colegas de trabalho de Gisele indicam que o relacionamento do casal era marcado por ciúmes e controle excessivo por parte de Neto. Ele frequentemente aparecia no ambiente de trabalho da esposa, utilizando sua posição hierárquica para desqualificar profissionalmente a soldado e monitorar suas atividades. O comportamento controlador de Neto gerou desconforto entre os colegas de Gisele, que relatam situações constrangedoras causadas pelo oficial.
A defesa de Neto, que insiste na tese do suicídio, entrou com um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para reverter a decisão de prisão preventiva. Os advogados alegam que houve uma descontextualização dos elementos utilizados para justificar a prisão e que aspectos da vida privada de Neto foram indevidamente expostos. A investigação continua, e a Polícia Civil segue trabalhando para esclarecer completamente os eventos que levaram à morte de Gisele.
O caso está gerando grande repercussão, com denúncias de abuso psicológico e de controle de Neto sobre sua esposa. A prisão do tenente-coronel reflete o avanço das investigações de feminicídio e a busca por justiça, enquanto o impacto emocional na família e colegas de Gisele continua sendo um tema central da discussão.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) – Reprodução/Instagram
O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) denunciou a tentativa de manipulação de informações pela GloboNews após a emissora exibir um PowerPoint sobre o escândalo do Banco Master, em 20 de março. O quadro, que teve como figura central o banqueiro Daniel Vorcaro, foi criticado por Pimenta por omitir figuras-chave do caso, como Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Roberto Campos Neto e Ibaneis Rocha, enquanto tentava ligar o escândalo à esquerda e ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. “É muito grave o que a Rede Globo fez, o novo PowerPoint”, declarou o deputado.
Nas redes sociais, Pimenta questionou a ausência de personagens importantes na narrativa da GloboNews, como Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Segundo ele, a apresentação ignorou a relação de pessoas e instituições com o escândalo, especialmente a ligação de figuras da direita com o Banco Master. “Não aparece o Bolsonaro, não aparece o Campos Neto, presidente do Banco Central, figura chave do esquema do Bolsomaster”, destacou.
O deputado também fez referência à omissão de outros nomes envolvidos no caso, como Ciro Nogueira (PP-PI), que foi mencionado de forma distorcida, e a falta de transparência sobre a relação entre a Globo e Daniel Vorcaro, que patrocinou eventos da emissora. “Não dá destaque pro fato de que o avião do Vorcaro foi utilizado para que o Nikolas Ferreira percorresse o Brasil fazendo campanha pro Bolsonaro no segundo turno”, apontou, acusando a Globo de proteger seus próprios interesses e aliados políticos.
O Powerpoint da Globo: a palhaçada da Lava Jato 2.0 está completa
A denúncia de Paulo Pimenta evidencia a manipulação de informações pela mídia, com a tentativa de desviar a atenção das verdadeiras conexões do Banco Master com figuras do governo anterior. O caso coloca em discussão a prática da mídia corporativa de distorcer narrativas para proteger suas conexões políticas e financeiras. “Nós queremos que a verdade apareça, porque na medida que a verdade aparecer vai ficar claro que esse filho não é nosso, que o Bolsomaster não é nosso filho, pelo contrário, ele é filho legítimo do Bolsonaro”, afirmou Pimenta.
O escândalo do Banco Master e sua relação com o financiamento de campanhas eleitorais também foi abordado, com o deputado apontando que as campanhas mais financiadas nas últimas eleições foram as de Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. A apresentação da GloboNews foi vista como uma tentativa de ocultar as responsabilidades de figuras da direita no esquema criminoso.
Com o avanço das investigações e a pressão por transparência, Pimenta reforçou a importância de esclarecer os fatos e responsabilizar os verdadeiros envolvidos no caso. “A verdade vai prevalecer”, concluiu, indicando que o movimento para desmascarar a manipulação midiática segue em frente.
Quando passei pela sala e vi rapidamente a tela da TV, me pareceu um programa de algum culto pentecostal que resolveu fazer o seu jornalzinho rápido para atacar o Lula. Mandaram alguém pegar uma cartolina cor da pele, colar algumas fotos e fazer linhas associando alhos com bugalhos, pão de queijo com fuzil, brincadeira de criança com tornozeleira eletrônica.
No meio, a foto com cara de rico de Vorcaro, bem debaixo dele a estrela do PT, como se ele fosse um petista, acima deles Lula, como se fosse o chefe de tudo. Numa órbita bem distante do centro, estavam Ciro Nogueira, Nikolas Ferreira, Antonio Rueda, João Doria, Hugo Motta e Davi Alcolumbre.
Acredito que a editoria que mandou fazer essa cartolina esqueceu vários nomes principais dessa história. Por exemplo, Roberto Campos Neto, o ex-presidente do Banco Central, foi na época dele que tudo começou; Tarcísio de Freitas, que recebeu 2 milhões de reais de Vorcaro; Jair Bolsonaro, que recebeu 3 milhões de reais de Vorcaro; Ibaneis Rocha, governador de Brasília, que quis comprar o Banco Master através do Banco de Brasília para salvar Vorcaro; Claudio Castro, governador do Rio, que investiu bilhões do fundo de previdência dos funcionários públicos do Rio em papéis podres do Master.
Talvez se isso tivesse sido exibido por uma TV rodoviária de alguma cidade pequena do interior, seria uma grande mentira, mas não um grande problema. Ser exibido pela emissora que um dia teve orgulho de dizer que tinha um padrão de qualidade é jogar na nossa cara, telespectadores, a falta de respeito que têm por nós. Esse episódio aceita vários nomes, menos o de jornalismo.
Dia da vergonha na Gnews. Os tios dos churrascos e as tias do zap também sabem fazer jornalismo desse jeito.
Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto aparece sem camisa no corredor do apartamento. Foto: Divulgação
Gravações de câmeras corporais de policiais militares mostram a disputa de poder entre o tenente-coronel Geraldo Neto e um cabo da PM no apartamento onde sua esposa, a soldado Gisele Alves, foi baleada na cabeça. O caso, ocorrido no dia 18 de fevereiro, levanta suspeitas sobre a versão de suicídio defendida por Neto, que está preso preventivamente e é réu por feminicídio e fraude processual. Gisele foi socorrida, mas morreu no mesmo dia no hospital. As informações são do g1.
Nos vídeos, captados por uma câmera corporal do cabo, é possível ver o tenente-coronel insistindo para tomar banho, mesmo contra as ordens dos policiais que estavam preservando a cena do crime. “Eu vou tomar banho, irmão”, disse Neto, desobedecendo a orientação de que ele deveria apenas vestir uma camiseta e calça para seguir à delegacia. A tensão entre os PMs e o oficial de alta patente é evidente, e o comportamento de Neto levanta suspeitas de que ele tenha tentado alterar evidências da cena do crime.
Ao ser questionado, Neto afirmou que estava no banho quando ouviu o disparo e que não havia tomado banho completo. No entanto, o cabo, ciente da importância de preservar a cena, temia que Neto apagasse possíveis provas. “Se tomar banho vai perder tudo os baguio [vestígios] da mão”, comentou o cabo, evidenciando o receio de que resquícios de pólvora fossem apagados antes da perícia.
A insistência de Neto em tomar banho, apesar das advertências, foi um ponto-chave nas investigações. O exame de resíduos feito nas mãos do oficial após o banho não encontrou vestígios de pólvora, o que corrobora a hipótese de que ele não tenha disparado a arma. “Se fosse um paisano a gente já arrasta para perto”, disse o cabo, sugerindo que, se fosse uma pessoa comum, o tratamento seria diferente.
O caso ganhou contornos ainda mais complicados quando o tenente-coronel começou a circular pelo apartamento e a permitir que outros policiais entrassem e limpassem a cena. Segundo as gravações, Neto voltou ao imóvel diversas vezes, acompanhado de pessoas, e retirou itens do local, ações que aumentaram as dúvidas sobre a integridade da cena do crime.
A polícia agora investiga não apenas a versão de Neto, mas também o possível desvio de conduta de agentes que permitiram suas ações. Em coletiva de imprensa, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que “caso seja constatada irregularidade de qualquer agente, as medidas cabíveis serão adotadas.” A defesa de Neto ainda não se manifestou, mas já havia declarado anteriormente que o caso se tratava de um suicídio.
Intimidação – Gravações das câmeras corporais de policiais militares mostram a disputa de poder hierárquico entre um cabo _ que queria preservar o local onde a soldado Gisele Alves foi baleada na cabeça _, e a autoridade de um oficial de alta patente, o marido dela, o… pic.twitter.com/zdJNJB5cq5
Daniel Vorcaro em entrada na prisão. Foto: reprodução
A delação premiada, regulamentada pela Lei das Organizações Criminosas em 2013, é um instrumento legal utilizado para avançar investigações criminais no Brasil. Seu objetivo principal é a cooperação do delator com as autoridades, revelando a estrutura das organizações criminosas e ajudando a identificar os envolvidos nos crimes. Com informações do Globo.
A colaboração é feita de forma voluntária, com a assistência de um advogado, e o delator pode obter benefícios como redução de pena ou cumprimento de prisão domiciliar, dependendo da eficácia de suas informações. As informações são do Jornal Nacional.
A etapa inicial da delação é marcada pela assinatura de um termo de confidencialidade, como ocorreu com o banqueiro Daniel Vorcaro. Este termo impõe sigilo sobre o conteúdo da delação, garantindo que as informações não sejam usadas contra o delator, caso o acordo não seja formalizado. O colaborador deve manter reserva absoluta e não se comunicar publicamente, conforme esclarece o professor Gustavo Sampaio: “Se o colaborador aceita esse termo, ele deve, portanto, manter reserva absoluta de todas as informações.”
Após a assinatura, o colaborador faz os primeiros depoimentos, fornecendo informações às autoridades para que novas provas possam ser obtidas. De acordo com a professora Luísa Ferreira, a delação é um “negócio jurídico”, que exige negociação entre as partes, e uma vez aceita, o delator começa a revelar o que sabe.
Daniel Vorcaro chegando na Superintendência da Polícia Federal. Foto: Vinicius Schmidt/Metrópoles
Essas informações são fundamentais para a continuidade das investigações e para a produção de provas adicionais, conforme enfatiza o professor Gustavo Sampaio: “O colaborador poderá dar boas indicações ao aparato de investigação que, a partir dessas indicações, poderá chegar à produção de novas provas.”
Os acordos de delação premiada são conduzidos exclusivamente pelo Ministério Público ou pela Polícia Federal, que são responsáveis por interrogar o delator e coletar documentos para complementar as investigações. O juiz é quem decide se a delação será homologada e qual o tamanho do benefício a ser concedido ao colaborador, levando em consideração a relevância das informações prestadas.
A delação premiada não é uma simples confissão, mas uma ferramenta crucial para a obtenção de provas. A professora Luísa Ferreira alerta que a delação “não pode ser utilizada nem para prender uma pessoa, nem para o oferecimento de denúncia”, sendo essencial que as autoridades tratem essas informações com cautela. Apenas com a homologação judicial e a produção de novas provas é que o acordo poderá gerar efeitos concretos.
Na tarde de sexta-feira (20), a GloboNews exibiu um PowerPoint “explicativo” sobre o escândalo do Banco Master que causa espanto pela distorção dos fatos.
A apresentação, que tinha como figura central o banqueiro Daniel Vorcaro, tentou ligar o caso a figuras da esquerda e do governo, como Lula, Guido Mantega e o “PT da Bahia”, ignorando completamente os nomes de figuras chave que têm conexões diretas com o escândalo, como Jair Bolsonaro (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ciro Nogeira, Roberro Campos Neto, e outros nomes do centrão.
O PowerPoint da GloboNews omitiu o PL, o maior envolvido no escândalo, e deixou de mencionar figuras como Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e outros aliados do governo que receberam recursos de Fabiano Zettel, operador financeiro de Vorcaro.
Já o nome de Ciro Nogueira (PP-PI), um dos senadores mais próximos de Vorcaro, foi colocado na apresentação de maneira distorcida, sem mencionar seu partido e sua conhecida ligação com o banqueiro. Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central, foi incluído como “próximo” de Vorcaro, enquanto Roberto Campos Neto, seu antecessor e aliado de Bolsonaro, foi completamente ignorado.
O PowerPoint verdadeiro deveria ter incluído a própria Globo e seu envolvimento no escândalo. Daniel Vorcaro, que patrocinou um evento da Globo em Nova York e foi o principal orador, chamou figuras da emissora de “amigos”, incluindo o organizador Fred Kachar.
Esse vínculo crucial entre a Globo e o banqueiro foi convenientemente omitido da apresentação, evidentimente. A Globo, mais uma vez, reedita o lavajatismo de forma grotesca, distorcendo os fatos e manipulando a narrativa.
A emissora repete a estratégia de desviar a atenção e manipular a opinião pública. A tentativa de responsabilizar Lula e o PT pelo caso, enquanto apaga o próprio envolvimento da Globo e seus aliados, é um exemplo claro de como a mídia corporativa distorce informações para proteger seus próprios interesses e aliados políticos.
Erika Hilton quer processar Ratinho por transfobia — Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados e Reprodução/YouTube
O apresentador Ratinho voltou a criticar, nesta sexta-feira (20), a ação movida pela deputada Erika Hilton (Psol-SP) após declarações feitas no SBT. O embate começou quando ele questionou a eleição da parlamentar para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, afirmando: “Não achei justo, com tanta mulher, por que vai dar uma mulher trans?”.
Ao comentar o processo em Cuiabá, Ratinho disse não acreditar em condenação, classificou a ação como desproporcional e chamou a deputada de “mal criada”. Ele também afirmou que não pretende recuar: “Minha posição é essa, não vai mudar. Eu dei minha opinião”.
O apresentador sustentou que suas falas refletem uma opinião pessoal e argumentou que mulheres teriam mais propriedade para tratar de temas do universo feminino. Ele negou ter cometido preconceito e declarou respeitar diferentes formas de viver.
🚨URGENTE ‘ Em Cuiabá, Ratinho chama Erika Hilton de “malcriada” e minimiza processo: “Seria muito desleal a Justiça acreditar nas histerias”
Durante agenda em Cuiabá, na manhã desta sexta-feira (20), no Palácio Paiaguás, o apresentador Ratinho voltou a comentar a polêmica… pic.twitter.com/VZRPCkjlvn
O caso ganhou repercussão após o Ministério Público Federal acionar Ratinho e o SBT por suspeita de transfobia. O Ministério das Comunicações também analisa o episódio. Em nota, a emissora pediu desculpas à deputada, mas o apresentador disse não se arrepender das declarações.
No Congresso, a eleição de Erika Hilton gerou reações divergentes. Governistas saíram em defesa da parlamentar, enquanto setores da oposição questionaram sua escolha e acionaram a Câmara, além de apresentarem representações no Conselho de Ética.
Daniel Vorcaro e a cantora Anitta. Foto: reprodução
Mensagens obtidas em investigação da Polícia Federal revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, relatou ter intermediado um encontro com a cantora Anitta, o irmão dela e empresários ligados ao setor de apostas esportivas. O diálogo faz parte do material apreendido na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo o grupo do empresário.
A conversa foi registrada em 9 de setembro de 2024 e enviada por Vorcaro à então namorada, Martha Graeff, e obtida pelo Metrópoles. Na mensagem, ele descreve a organização do encontro. “A Anitta vai vir agora com o irmão dela. Vamos fazer uma reunião bem rápida, de no máximo uma hora. Já falei que às 22h todo mundo out [fora], porque tenho jantar com o amor da minha vida”, escreveu.
Questionado por Martha sobre quem participaria da reunião, o banqueiro detalhou os convidados. “São quatro amigos meus, sócios de um negócio de bet, a Anitta e o irmão dela”, afirmou. Em outro trecho da conversa, Graeff demonstra resistência em encontrar a cantora. “Você se importa em encontrar com a turma?”, perguntou Vorcaro. “Eu não vou encontrar com ela, já falei”, respondeu.
Dois dias após o diálogo, em 11 de setembro de 2024, Anitta participou do MTV Video Music Awards, realizado em Nova York, nos Estados Unidos, onde Vorcaro vivia à época. Não há confirmação de que o encontro mencionado tenha ocorrido, nem detalhes sobre qual empresa de apostas estaria envolvida na reunião citada pelo banqueiro.
Recentemente, uma plataforma do setor, a Bet.Bet, apareceu como patrocinadora oficial da turnê “Ensaios da Anitta” em 2025, cujo tema foi “Maratona da Jogação”, voltado a modalidades esportivas. Ainda assim, não há indicação de relação direta entre a cantora e o conteúdo investigado pela Polícia Federal.
Bet.bet aparece em material do “Ensaio da Anitta”. Foto: reprodução
O irmão de Anitta, Renan Machado, citado nas mensagens, é sócio da artista e atua como seu principal gestor de carreira, com participação em decisões estratégicas e projetos profissionais.
As mensagens analisadas integram o conjunto de provas que embasam a terceira fase da Operação Compliance Zero. Até o momento, não há informação de que Anitta seja investigada ou tenha qualquer envolvimento com o caso Banco Master. A apuração segue sob responsabilidade da Polícia Federal, com foco nas atividades atribuídas ao grupo de Vorcaro.
Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: Kevin Lamarque/Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a insinuar, em publicações nas redes sociais, que a Venezuela poderia se tornar um estado estadunidense. As declarações ocorreram enquanto ele comentava o desempenho da seleção venezuelana no Mundial de Beisebol, que terminou com vitória sobre os Estados Unidos na final.
A primeira menção foi feita após a vitória da Venezuela sobre a Itália nas semifinais. “Uau! A Venezuela derrotou a Itália hoje à noite por 4 a 2 na semifinal do WBC. Eles estão parecendo muito fortes. Coisas boas estão acontecendo com a Venezuela ultimamente! Fico me perguntando do que se trata essa magia. Estado nº 51, alguém?”, escreveu. Após o título, Trump voltou à rede Truth Social e publicou apenas: “status de estado”.
As declarações ocorrem dois meses após a invasão dos Estados Unidos à Venezuela, que resultou no sequestro do então presidente Nicolás Maduro. Desde então, o país, atualmente sob liderança interina de Delcy Rodríguez, enfrenta pressão constante do governo Trump, ampliando as tensões na região.
Publicação de Trump após título venezuelano. Foto: reprodução
A Venezuela, no entanto, não é o único território mencionado por Trump em seus planos expansionistas. O presidente também voltou a defender a anexação da Groenlândia, destacando a importância estratégica da ilha para a segurança nacional e para o chamado “Domo de Ouro”.
“Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo. A Otan deveria liderar o processo para que a conquistemos. Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão, e isso não vai acontecer!”, afirmou.
As declarações geraram reação imediata da Dinamarca e de aliados da Otan, que reforçaram a presença militar na região. “Como membros da Otan, estamos empenhados em fortalecer a segurança do Ártico como um interesse transatlântico comum”, diz o comunicado.
Apesar da pressão, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou que o território pode discutir parcerias, mas rejeita abrir mão da soberania.
Imagem de IA usada por Trump para ameaçar anexação da Groenlândia. Foto: reprodução
Trump também voltou a sugerir a anexação do Canadá, inclusive com publicações que indicavam a possibilidade de o país se tornar o “estado número 51”. Segundo ele, a medida traria benefícios econômicos e de segurança.
“Eu disse ao Canadá, que deseja com todas as suas forças fazer parte de nosso fabuloso sistema Domo de Ouro, que custará US$ 61 bilhões se continuar sendo uma nação separada, mas desigual”, declarou. “Mas não vai custar nada se eles se tornarem nosso querido estado de número 51. Estão considerando a oferta!”.
A proposta foi rejeitada pelo primeiro-ministro canadense, Mark Carney. “O Canadá nunca esteve à venda”, afirmou. Em resposta anterior, o governo canadense já havia dito: “Só se o inferno congelar que o Canadá vai se tornar parte dos Estados Unidos. Os trabalhadores e as comunidades dos dois países se beneficiam do fato de serem os maiores parceiros comerciais e de segurança um do outro”.
Outro alvo das declarações recentes de Trump foi Cuba. O presidente afirmou que seria uma “honra” “tomar Cuba”, em meio à crise energética enfrentada pela ilha. O governo cubano confirmou que iniciou negociações com os Estados Unidos. “Essas negociações visam encontrar soluções, por meio do diálogo, para as diferenças bilaterais entre nações”, disse o presidente Miguel Díaz-Canel.
A defesa da modelo Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, afirmou que ela não possui bens vinculados ao empresário e que vive de aluguel em Miami, nos Estados Unidos. Em entrevista ao “Estúdio I”, da GloboNews, na quinta-feira (19), o advogado Lúcio de Constantino disse que o patrimônio da influenciadora permaneceu inalterado antes, durante e após o relacionamento com o dono do Banco Master.
“A Martha possui um patrimônio que é igual antes, durante e depois do relacionamento. Eu perguntei: ‘Martha, tu mora onde?’ Ela mora de aluguel, em um apartamento alugado”, disse.
Apesar da afirmação, o imóvel citado é uma cobertura de alto padrão com cerca de 700 m² no complexo Four Seasons Surfside, em uma das áreas mais valorizadas de Miami. Segundo informações do caso, o contrato de aluguel teria sido pago antecipadamente por Vorcaro, e a mudança da modelo para o local ocorreu após o início do relacionamento.
A investigação da Operação Carbono Oculto identificou mensagens em que o banqueiro discutia a criação de um trust para Martha, com valores que poderiam ultrapassar R$ 520 milhões. A defesa, no entanto, nega que a influenciadora tenha conhecimento ou participação em qualquer estrutura financeira.
“A Marta possui um patrimônio que é igual antes, durante e depois do relacionamento com o senhor Daniel Vorcaro. Basta examinar as declarações de renda”, afirmou Constantino. “Ela inclusive questionou o que era um trust nas mensagens. Ela não sabia o que significava”.
Daniel Vorcaro e Martha Graeff. Foto: reprodução
Segundo o advogado, Martha chegou a buscar explicações sobre o termo e consultou um advogado nos Estados Unidos, que confirmou a inexistência de um trust em seu nome. “Ela buscou contato com um advogado nos Estados Unidos, que informou não haver nenhum trust em nome dela”, disse.
Sobre bens de luxo mencionados nas investigações, como imóveis e carros de alto valor, a defesa afirmou desconhecimento. “Ela não conhece nada disso. Eu perguntei: ‘Martha, tu mora onde?’. Ela mora de aluguel. O patrimônio que ela tem foi construído em 20 anos de trabalho nas redes sociais”.
Em nota, a defesa reforçou que “A Sra. Martha não possui imóveis, automóveis ou depósitos de valores decorrentes do relacionamento com o Sr. Daniel Vorcaro. Também não tem conhecimento sobre a existência de algum trust que lhe envolva, seja nos Estados Unidos ou em qualquer outro país”.
O advogado também criticou a divulgação de mensagens íntimas envolvendo o casal, incluindo diálogos que mencionam encontros políticos e o nome do ministro Alexandre de Moraes. “São milhares de informações que estão estruturalmente desorganizadas. (…) Existe um meio eficaz para resolver isso [citação de autoridade] e não é fazer uma publicidade, não é fazer uma mídia agressiva de relações e de intimidade. Você tem um elemento próprio para investigar em condições idôneas e não se faz.”
Em uma das mensagens, Martha reage a uma suposta videochamada com o ministro: “Morri… que vergonha, eu estava de pijama”.
Segundo a defesa, a exposição pública teve forte impacto emocional. “Houve uma degradação da esfera privada. Isso atingiu uma mulher que é mãe de uma menina de 6 anos. Ela ficou consternada pela falta de responsabilidade de quem divulgou esses dados”, afirmou Constantino.
O advogado relatou ainda que a cliente enfrenta um quadro de depressão após o escândalo. “Ela foi surpreendida com esse rombo com esse escândalo todo, tenha dúvida, não tenha dúvida (…) Esta mulher caiu em depressão.”
“Aconteceu foi num período ela ter namorado uma pessoa que se destacava no sistema financeiro (…) e que depois disso começa uma série de revelações que ela desconhecia e que ela começa a ser partícipe do público para conhecer o que está acontecendo.”
Constantino também comentou o comportamento de Vorcaro nas mensagens. “Em alguns momentos, percebe-se que ele ‘sobejava’ informações, que ele se valorizava. Isso parece um pouco comum em relação de namorados”.
Martha Graeff foi convocada para depor na CPI do Crime Organizado, mas a defesa avalia que o depoimento pode ser prejudicado caso esteja baseado em mensagens consideradas inválidas judicialmente. “Se o interesse de ouvi-la é vinculado a mensagens que foram proibidas, o depoimento fica prejudicado. Não há como fazer um movimento junto a uma prova que foi vedada”, concluiu.
O banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro – Reprodução
A transferência do banqueiro Daniel Vorcaro para a carceragem da Polícia Federal em Brasília colocou o dono do Banco Master no mesmo espaço onde o ex-presidente Jair Bolsonaro ficou preso após a condenação pela trama golpista. A mudança foi autorizada pelo ministro André Mendonça e ocorreu no momento em que Vorcaro iniciou tratativas para um acordo de delação premiada. Com informações do Globo.
Até então, o banqueiro estava sob custódia na Penitenciária Federal de Brasília, em regime de segurança máxima. Nesse modelo, os presos ficam em celas menores, com rotina mais restrita, isolamento mais rígido e circulação limitada, sempre sob protocolos severos de escolta e controle.
Na estrutura da Polícia Federal, o ambiente é mais amplo e conta com condições diferentes das do sistema penitenciário federal. O local onde Vorcaro passou a ficar é o mesmo que recebeu Bolsonaro durante parte de sua prisão em Brasília, em uma área adaptada para custódia de autoridades.
Cela da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal – Reprodução
A transferência também atende à nova fase do caso, já que a permanência na PF facilita reuniões com advogados, deslocamentos internos e eventuais oitivas com investigadores. A defesa de Vorcaro vinha tentando retirá-lo do regime de segurança máxima, alegando dificuldades de contato e de andamento da estratégia jurídica.
Vorcaro chegou à Superintendência da Polícia Federal no início da noite desta quinta-feira (19), após deixar o sistema penitenciário federal de helicóptero. Ele estava preso desde 4 de março e formalizou um termo de confidencialidade antes de iniciar as conversas relacionadas à possível colaboração.
Bolsonaro, por sua vez, permaneceu por 54 dias na carceragem da PF, entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, antes de ser transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.
Jair Bolsonaro recebendo atendimento médico. Crédito: X de Carlos Bolsonaro
O ex-vereador Carlos Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (16) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) segue com quadro de saúde “muito delicado” durante internação no Hospital DF Star, em Brasília. Em publicação nas redes sociais, ele relatou que Bolsonaro foi transferido para uma unidade semi-intensiva, mas ainda apresenta sintomas associados à broncopneumonia bacteriana.
No texto, postado em suas redes sociais, Carluxo descreveu as condições clínicas do ex-presidente: “Saio do DF Star após visitar o Presidente @jairbolsonaro. Ele foi transferido para uma unidade semi-intensiva, mas sua pneumonia bacteriana persiste, mantendo sua respiração muito debilitada. Isso também tem afetado sua voz, equilíbrio e a condição de seus pulmões, que seguem sob observação permanente.”
O filho também mencionou dificuldades na comunicação e outros sintomas. “Seu estado continua muito delicado e está sendo monitorado constantemente para evitar qualquer nova piora no quadro. Consegui conversar um pouco com ele, mas a dificuldade para falar ainda é grande, assim como os soluços que permanecem. Todo o processo de observação segue sensível e necessário.”
Na mesma publicação, Carlos afirmou que a família segue acompanhando a situação. “Seguimos preocupados, mas tenho certeza de que as boas energias e orações enviadas por todos ajudam e o fazem se sentir mais forte.” Ele também agradeceu manifestações de apoio: “Meu muito obrigado a todos pelo carinho. Amanhã volto para lhe dar um abraço.”
Bolsonaro está internado desde sexta-feira (13), após passar mal durante a madrugada e ser diagnosticado com broncopneumonia bacteriana bilateral. Exames indicaram maior comprometimento do pulmão esquerdo, e o tratamento foi iniciado com antibióticos intravenosos.
Ratinho no programa desta segunda-feira (16) – Reprodução/SBT
O apresentador Ratinho, de 70 anos, comentou nesta semana a repercussão de uma fala sobre a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), de 33 anos. Durante a edição desta segunda-feira (16) do “Programa do Ratinho”, exibido pelo SBT, ele afirmou que sua declaração anterior se tratou de uma “opinião” e mencionou o volume de comentários favoráveis recebidos após o episódio.
No programa, o apresentador disse que recebeu mensagens de apoio nas redes sociais. “Quero agradecer a todos que me apoiaram. Eu nem tive como acompanhar todas as mensagens, porque são milhares de mensagens — quase todas unânimes nos comentários favoráveis. Muita gente, mas muita gente mesmo, concordou comigo”, declarou.
Ratinho também afirmou que não pretende alterar seu posicionamento. “Quem gosta de mim vai continuar gostando. Quem não gosta, vai continuar não gostando. Eu não vou mudar o meu jeito de ser para agradar a quem quer que seja. Fica o recado. Vamos continuar o nosso programa e vamos continuar com a nossa opinião. Eu não vou mudar!”, disse o apresentador, ao comentar as reações ao caso.
“E olha, eu não sou garoto de internet”, prosseguiu o apresentador. “Quando eu comecei na televisão e no rádio, não tinha internet. Tenho o meu jeito direto e reto de falar as coisas e, nos tempos atuais, quem fala a verdade pode ser vítima de patrulhamento e lacração que no meu tempo não tinha”.
A impunidade produz isso. Ratinho diz que não vai mudar, diz que “quem fala a verdade” está sujeito a “patrulhamento” e reduz tudo à “lacração” de internet. Espero que a Justiça o lembre que o país tem leis. E que quem comete crime sempre discorda delas… pic.twitter.com/ptocyiAMik
A polêmica envolvendo Ratinho e Erika Hilton teve início após uma declaração feita durante o “Programa do Ratinho” da última quarta-feira (11). O apresentador criticou a eleição da parlamentar para a função de presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
“Não achei muito justo, não. Com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? A Erika Hilton. Ela não é mulher, ela é trans”, disse ele.
Erika Hilton acionou o Ministério Público Federal (MPF), que pediu que o famoso e o SBT sejam condenados ao pagamento de R$ 10 milhões em danos coletivos Ela também processou o veterano por transfobia.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou nesta segunda-feira (16) que não pretende recuar diante de possíveis ações judiciais e reiterou a defesa da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar irregularidades relacionadas ao Banco Master.
A declaração foi feita após a divulgação de que o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, avalia processar o parlamentar por calúnia e difamação.
Em publicação nas redes sociais, Vieira afirmou: “Tentativas de intimidação não assustam e não vão nos calar. Nosso compromisso é com os brasileiros, especialmente com as milhares de vítimas do caso Master, e é com seriedade e coragem que seguiremos trabalhando todos os dias!”.
O senador também declarou que não se surpreendeu com a possibilidade de ação judicial e voltou a defender a abertura da CPI para investigar relações envolvendo o Banco Master. Ele afirmou que a apuração deve incluir eventuais vínculos com autoridades públicas.
Vieira disse ainda: “O que eu disse e volto a repetir foi que a família (de Moraes), através do escritório de advocacia da Viviane Barci, recebeu recursos do Master. E todos nós sabemos que o Banco Master é uma organização criminosa. Lesou milhares, talvez milhões de brasileiros, pelo país afora”.
Em outra manifestação, o parlamentar acrescentou: “Intimidação não vai funcionar. Isso mostra a importância de uma CPI específica para investigar a atuação deste e de outros ministros (do STF) que possam ter envolvimento com essa situação”.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro foi notificado pela Polícia Federal (sobre uma investigação por abandono de cargo como escrivão da corporação. Ele tem 15 dias para apresentar sua defesa em um processo administrativo, conforme publicado no Diário Oficial da União.
O comunicado aponta que Eduardo está sendo investigado por “indícios da prática de abandono de cargo” após não retornar à função quando foi convocado pela PF. Em janeiro deste ano, a corporação determinou que Eduardo voltasse a exercer o cargo de escrivão, mas ele criticou a medida, chamando-a de “perseguição judicial”.
Eduardo afirmou que não entregaria o cargo “de mãos beijadas”. Atualmente, o ex-deputado encontra-se “em lugar incerto e não sabido”, como apontado pela delegada Karen Cristina Dunder. Ele vive nos Estados Unidos desde março de 2025.
O ex-parlamentar foi afastado do cargo de escrivão para cumprir seu mandato de deputado federal. Contudo, seu mandato foi cassado em dezembro de 2025 devido a 59 faltas injustificadas nas sessões deliberativas, ultrapassando o limite previsto pela Constituição.
Polícia Federal. Foto: Divulgação
A falta de retorno ao cargo após a cassação gerou o processo administrativo disciplinar, com possibilidade de demissão por abandono de cargo, conforme a legislação. A remuneração para o cargo de escrivão da PF é de R$ 14.164,81, podendo chegar a cerca de R$ 20 mil para servidores no topo da carreira.
No período em que esteve afastado para cumprir seu mandato, Eduardo não recebia salário como escrivão. As funções do posto envolvem atuar em investigações, dar cumprimento a formalidades processuais, lavrar termos e mandados, além de acompanhar autoridades policiais em diligências.
Além das funções administrativas, o escrivão também é responsável por garantir a segurança orgânica e cumprir outras atividades relacionadas à função policial. A investigação contra Eduardo Bolsonaro ocorre dentro de um contexto legal em que servidores públicos podem ser demitidos por abandono de cargo, uma vez que o processo administrativo é instaurado.
O ex-presidente Jair Bolsonaro no hospital. Foto: Divulgação
O ex-presidente Jair Bolsonaro segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília, após ser diagnosticado com pneumonia bacteriana. O boletim médico divulgado na manhã desta segunda-feira (16) informou que, nas últimas 24 horas, ele apresentou uma melhora clínica e laboratorial significativa.
De acordo com a equipe médica, houve recuperação parcial da função renal e uma resposta positiva aos antibióticos, resultando em uma melhora dos marcadores inflamatórios. Apesar do avanço no quadro de saúde, o ex-presidente continua sob cuidados intensivos e não há previsão para sua alta da UTI.
Bolsonaro foi internado na última sexta-feira (13), após sofrer um episódio de broncoaspiração, que resultou em pneumonia bacteriana. Desde então, ele está recebendo suporte clínico intensivo e sessões de fisioterapia respiratória e motora.
No boletim anterior, emitido no último sábado (14), o hospital havia relatado uma piora nas funções renais do ex-presidente, mas, felizmente, essa situação foi revertida nas últimas 24 horas. A recuperação parcial observada foi atribuída à resposta positiva aos medicamentos administrados durante o tratamento.
Bolsonaro é atendido pelo Samu após episódio de broncoaspiração. Foto: Divulgação
Bolsonaro foi internado devido à pneumonia bacteriana decorrente de broncoaspiração. A infecção aconteceu enquanto o ex-presidente estava cumprindo pena na unidade de prisão Papudinha, onde se encontra desde janeiro deste ano, após ser transferido da Superintendência da Polícia Federal (PF).
Em setembro de 2025, o ex-presidente já havia enfrentado problemas de saúde, necessitando de atendimento médico por causa de vômitos, tontura e queda da pressão arterial. Na ocasião, ele estava em prisão domiciliar.
Em janeiro deste ano, durante sua detenção na Superintendência da PF, Bolsonaro também foi internado após sofrer um acidente dentro de sua cela, onde bateu a cabeça em um móvel. A situação fez com que ele fosse transferido para a unidade Papudinha, a pedido de seus advogados. A unidade oferece apoio médico contínuo, incluindo fisioterapia e acompanhamento 24 horas.
Embora a defesa dele tenha apresentado novos pedidos para sua prisão domiciliar, argumentando fragilidade na saúde do ex-presidente, o Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do ministro Moraes que negou as solicitações. Ele considerou que, conforme atestado pela junta médica da Polícia Federal, Bolsonaro está em condições de continuar cumprindo sua pena na unidade prisional.
Os pedidos de prisão domiciliar foram baseados na argumentação de que a saúde do ex-presidente estava comprometida, o que foi contestado por médicos e autoridades judiciais. A decisão do STF foi respaldada por laudos médicos que atestam que, apesar das condições de saúde, ele está apto a permanecer na prisão com a assistência necessária.
O deputado federal Lindbergh Farias. Foto: Gabriel Paiva
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) usou as redes sociais nesta segunda-feira (16) para criticar o Estadão que, em um editorial, sugeriu um suposto canaço dos brasileiros em relação ao presidente Lula (PT). O parlamentar apontou que o jornal da “escolha muito difícil”, entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PL) em 2018, tenta falsamente equiparar o governo atual, com recordes de emprego e benefícios sociais, à família Bolsonaro, cercada por escândalos criminais.
Lindbergh defende ainda que Lula representa avanços, direitos e esperança para o povo, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) simboliza retrocesso, privilégios e alinhamento com interesses das elites. Leia a publicação de Lindbergh na íntegra:
Em editorial feito por IA, o Estadão tenta vender a tese de que o Brasil estaria “cansado de Lula”. Na prática, é a velha operação da falsa equivalência para transformar em “escolha muito difícil” a disputa entre um governo que entregou a menor taxa anual de desemprego da série histórica, de 5,6% em 2025, inflação de 3,81% em 12 meses até fevereiro de 2026 e isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, vigente desde janeiro de 2026, e a família Bolsonaro cercada por denúncias de rachadinha, roubo de joias, matadores de aluguel, milícias e vínculos com facções criminosas.
A comparação real não é entre dois estilos de governo. Lula é o novo que tira milhões da miséria, gera emprego, amplia renda, reduz imposto para quem trabalha, valoriza o salário mínimo e recoloca o povo no centro das prioridades nacionais. Flávio Bolsonaro é o velho que propõe a retirada de direitos, do receituário neoliberal embalado como modernidade, da fila do osso, do ataque à aposentadoria, das ameaças a férias, 13º salário e proteção trabalhista, sempre em favor dos mesmos privilégios do andar de cima.
De um lado, um projeto que apoia o debate sobre o fim da escala 6×1, proteger as mulheres contra o feminicídio, combater o crime organizado e busca construir um país mais justo com saúde, educação e emprego. Do outro, escândalos, compra de imóveis com dinheiro vivo, defesa da violência, sabotagem da economia nacional e submissão a interesses externos.
O Brasil real sabe reconhecer quem melhora a vida do povo. Lula representa emprego, renda, democracia, direitos e esperança. Representa a ideia de um país mais justo, que enfrenta desigualdades, ataca privilégios e não aceita que o destino do povo seja o sofrimento imposto pelos poderosos de sempre. É por isso que Lula segue tão forte, porque encarna os sonhos e o futuro, enquanto seus adversários representam apenas os fantasmas do passado que o Brasil já rejeitou.
Em editorial feito por IA, o Estadão tenta vender a tese de que o Brasil estaria “cansado de Lula”. Na prática, é a velha operação da falsa equivalência para transformar em “escolha muito difícil” a disputa entre um governo que entregou a menor taxa anual de desemprego da série…
Três jornalistas, que preferem não se identificar, registraram boletins de ocorrência após sofrerem uma onda de intimidação de seguidores de Jair Bolsonaro em Brasília, segundo a Carta Capital. O caso teve início com um vídeo publicado por Cris Mourão, extremista que acusou os profissionais de imprensa em frente ao Hospital DF Star de estarem torcendo pela morte do ex-presidente.
A gravação foi amplificada quando Michelle Bolsonaro (PL) compartilhou o conteúdo em seu Instagram, com mais de 8 milhões de seguidores, incitando uma nova onda de ataques. O deputado federal Mário Frias (PL-SP) também contribuiu para a propagação do episódio ao publicar um vídeo, que depois foi deletado, onde acusava os jornalistas de desejar a morte de Bolsonaro.
A situação ganhou mais força no sábado (14), quando Michelle compartilhou o vídeo da militante, desencadeando uma campanha de ataques online e offline contra os repórteres.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) acionaram a Secretaria de Segurança Pública e o Ministério Público e estudam ações jurídicas para evitar que a agressão a jornalistas se torne um novo precedente.
Os familiares dos profissionais também têm sofrido ataques. O filho de um dos jornalistas foi alvo de uma campanha de intimidação nas redes.
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) condenou a atitude de Michelle Bolsonaro ao compartilhar o vídeo sem nenhuma contestação, chamando a atenção para a continuidade da violência contra jornalistas desde o período de 2019 a 2022, quando episódios semelhantes ocorreram sob o governo de seu marido.
“O episódio remete ao período de 2019 a 2022, em que a violência contra jornalistas foi praticada e estimulada diretamente pelo próprio Bolsonaro, então presidente da República, por meio de diversos episódios de triste memória”, disse a ABI.
A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) afirmou que é “inadmissível que parlamentares e figuras com espaço no debate público utilizem sua influência para orquestrar campanhas de difamação e incitar agressões contra profissionais de imprensa”.
A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) e o SJPDF (Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal) emitiram uma nota conjunta cobrando que as empresas que contrataram os profissionais “proporcionem condições seguras de trabalho” e “ofereçam apoio jurídico aos e às jornalistas e garantam o afastamento do local da cobertura caso as e os jornalistas não se sintam seguros para exercer seus trabalhos”.
Aplicativo da Receita Federal em celular. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
A Receita Federal anunciou que o prazo para a entrega da declaração do Imposto de Renda 2026, referente ao ano-base 2025, começa em 23 de março e vai até 29 de maio. Isso dá aos contribuintes pouco mais de dois meses para enviar as declarações e regularizar a situação com o Fisco.
Quem perder o prazo estará sujeito a multa, que varia entre R$ 165,74 e 20% do imposto devido. As mudanças na faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil, previstas para o ano de 2026, só terão efeito na declaração de 2027.
A declaração de 2026 abrange rendimentos recebidos em 2025, e a ampliação da faixa de isenção não é retroativa. Além disso, a Receita Federal informa que os contribuintes podem optar pelo desconto simplificado, que corresponde à dedução de 20% sobre os rendimentos tributáveis, com limite de R$ 16.754,34. Os interessados poderão enviar a declaração pela internet, usando o programa de transmissão da Receita Federal ou por mídia removível.
Quem tiver imposto a pagar poderá parcelar o valor em até oito vezes, com a parcela mínima sendo de R$ 50. Impostos inferiores a R$ 100 devem ser pagos em cota única. Também existe a possibilidade de optar pelo débito automático para o pagamento das parcelas. Em 2025, aproximadamente 45,64 milhões de pessoas enviaram as declarações, representando 41% da população economicamente ativa no Brasil.
O Fisco exige que a declaração seja feita por quem recebeu rendimentos tributáveis superiores a R$ 35.584,00 ou quem obteve rendimentos isentos, não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 200 mil. Também estão obrigados a declarar os contribuintes que obtiveram ganhos de capital ou realizaram operações em bolsas de valores, por exemplo, além de quem teve isenção de imposto sobre a venda de imóveis, entre outras condições.
Receita Federal em SP. Foto: Reprodução
Para declarar, o contribuinte pode usar o Programa Gerador da Declaração (PGD), disponível para download no site da Receita Federal, ou o serviço “Meu Imposto de Renda”, disponível online e em aplicativos para dispositivos móveis.
O acesso ao serviço é feito por meio da conta “gov.br”, com identidade digital. No entanto, pessoas com rendimentos de fontes exclusivas, como ganho de capital ou operações no exterior, terão restrições ao uso do serviço.
A Receita Federal recomenda que os contribuintes se preparem com antecedência, reunindo documentos como informes de rendimentos, extratos bancários e comprovantes de despesas médicas e educação. Organizar a documentação de forma antecipada pode evitar erros e omissões e garantir o envio correto da declaração. Aqueles que entregarem a declaração de forma antecipada, sem erros, poderão receber a restituição nos primeiros lotes.
Entre os documentos exigidos estão informes de rendimentos de bancos, salários, aluguéis, pensões e programas fiscais como o Nota Fiscal Paulista. Também é necessário comprovar gastos com educação, saúde, previdência privada, doações, entre outros. Para bens e direitos, os contribuintes devem apresentar notas fiscais de compra e venda, contratos de empréstimos e extratos de criptoativos e ações.
A Receita alerta que a entrega antecipada facilita o planejamento tributário e reduz riscos de inconsistências, além de agilizar o recebimento da restituição. O órgão também recomenda que os contribuintes verifiquem todos os informes e documentos com antecedência, para garantir que a declaração seja enviada de forma correta e dentro do prazo.
Wagner Moura em “O Agente Secreto”. Foto: reprodução
Entre os filmes indicados a Melhor Filme na 98ª edição do Oscar, uma grande produção brasileira se destaca: “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho. O longa, que concorre a quatro estatuetas — Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (para Wagner Moura) e Melhor Direção de Elenco —, se tornou o filme mais bem avaliado pela crítica especializada entre os concorrentes. Com uma aprovação de 98% no Rotten Tomatoes, “O Agente Secreto” supera todos os outros indicados na principal categoria do Oscar.
O filme brasileiro, que se passa na cidade de Recife, em 1977, e trata de temas como repressão política, a ditadura militar e o uso da tecnologia como ferramenta de controle, foi amplamente elogiado por sua força emocional. Com a atuação impecável de Wagner Moura, que interpreta um personagem marcado pelos traumas da repressão, o filme tem emocionado e conquistado a crítica especializada. A história explora não apenas os aspectos políticos da época, mas também as relações humanas em tempos de censura e opressão.
O prestigiado crítico britânico Kevin Maher, do “The Times”, foi um dos que deram nota máxima a “O Agente Secreto”. Em sua avaliação, Maher destacou a performance de Wagner Moura, dizendo que ele deveria vencer o Oscar de Melhor Ator. Segundo Maher, “Wagner Moura interpreta um homem destruído pela ditadura brasileira, com uma vulnerabilidade que nos faz torcer para que ele supere Timothée Chalamet e cause uma surpresa na premiação”. Essa opinião só aumenta as expectativas de que o ator brasileiro possa sair vitorioso na cerimônia.
Kleber Mendonça e Wagner Moura nas filmagens de “O Agente Secreto”
O ranking da crítica
Logo atrás de “O Agente Secreto”, o segundo longa mais bem avaliado entre os indicados a Melhor Filme é “Pecadores”, de Ryan Coogler, com 97% de aprovação no Rotten Tomatoes. Coogler, que já conquistou diversos prêmios em sua carreira, traz em “Pecadores” uma narrativa que mistura o sobrenatural com questões sociais, ao abordar o tema do racismo através da história de vampiros em um contexto histórico dos Estados Unidos.
Em seguida, aparece “Valor Sentimental”, do diretor norueguês Joachim Trier, com 96% de aprovação. O filme, que concorre também na categoria de Melhor Filme Internacional, narra as complexas relações familiares e a luta por identidade e pertencimento, conquistando tanto o público quanto os críticos com seu olhar delicado sobre a vida cotidiana.
Outros concorrentes notáveis na disputa por Melhor Filme são “Uma Batalha Após a Outra” (94%), de Paul Thomas Anderson, e “Sonhos de Trem” (94%), que tem o brasileiro Adolpho Veloso como diretor de fotografia. Ambos os filmes são altamente elogiados pela crítica, sendo “Uma Batalha Após a Outra” um épico de proporções grandiosas e “Sonhos de Trem” um drama psicológico e poético que também chamou a atenção em festivais internacionais.
“Marty Supreme”, com 93% de aprovação, traz Timothée Chalamet no papel principal e é considerado um forte concorrente na categoria. Já “Bugonia”, de Yorgos Lanthimos, que rendeu à atriz Emma Stone uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz, tem 87% de aprovação, mas ainda assim se destaca entre os favoritos.
Com o apoio da crítica e o reconhecimento mundial, “O Agente Secreto” está se posicionando como um dos grandes favoritos para a premiação deste ano. O filme, além de suas questões políticas, também é uma grande celebração da narrativa cinematográfica e das possibilidades de representar o Brasil de maneira profunda e significativa no cinema global.
Em meio à corrida acirrada, o filme brasileiro mantém seu lugar de destaque, e a cerimônia do Oscar 2026 promete ser um marco para o cinema nacional. Ganhe ou perca, “O Agente Secreto” já fez história.
Primeiro Encontro de Jovens Parlamentares, que reunirá centenas de representantes dos parlamentos de diversas regiões do país. Foto: Divulgação
Nos dias 16 e 17 março de 2026, Brasília será palco de um evento histórico para a política brasileira. O Partido dos Trabalhadores (PT) realizará o Encontro Nacional de Parlamentares Jovens Petistas, um evento que reflete um movimento de renovação geracional e diversidade, com o objetivo de fortalecer a presença de jovens no cenário político.
O evento será um espaço de diálogo e articulação, reunindo lideranças históricas e jovens parlamentares eleitos nas últimas eleições municipais. O encontro, que vai além de uma simples agenda institucional, busca consolidar o movimento que, nas últimas eleições, elegeu 562 vereadores e vereadoras entre 18 e 35 anos.
Esses jovens parlamentares representam um novo capítulo na política, especialmente nas periferias e pequenos municípios, onde as demandas por renovação política são cada vez mais urgentes. A proposta do evento é transformar a potência das urnas em uma rede de sustentação política permanente, fortalecendo o protagonismo jovem dentro do PT e nas câmaras municipais de todo o país.
A programação do encontro será dividida em blocos temáticos que abrangem tanto a articulação com o Governo Federal quanto a troca de experiências sobre como os mandatos jovens podem territorializar as políticas públicas.
O evento contará com oficinas práticas sobre o “Modo Petista de Legislar”, focando na comunicação política e no enfrentamento da extrema-direita, temas fundamentais para a formação desses novos parlamentares.
Entre os nomes confirmados no evento, estarão figuras históricas do PT, como Zé Dirceu, Edinho Silva, presidente nacional do partido, Luna Zarattini, vereadora eleita com 100 mil votos em São Paulo, Valter Pomar, secretário nacional de formação do PT, e Anne Moura, secretária executiva nacional da sigla.
Para a secretária nacional de juventude do PT, Julia Köpf, o Encontro Nacional de Parlamentares Jovens Petistas é uma oportunidade única para qualificar a atuação dos jovens dentro do partido.
“Estamos reunindo a juventude que faz a política acontecer lá na ponta para garantir que esses mandatos não fiquem isolados. Nossa missão é qualificar a incidência desses jovens nas câmaras municipais, oferecendo ferramentas para que o ‘Modo Petista de Legislar’ se traduza em políticas públicas reais para quem mais precisa”, afirmou Julia.
Köpf destacou que o encontro visa fortalecer a juventude política como uma rede de apoio mútuo, para que os jovens vereadores e vereadoras se sintam parte de um projeto nacional de defesa da democracia e enfrentamento ao extremismo. “Queremos que esses mandatos se tornem verdadeiramente populares, com propostas que atendam às necessidades das comunidades e enfrentem a crescente onda de extremismo”, completou a secretária.
O grande objetivo do encontro será a consolidação de uma “Agenda Nacional de Atuação”. Essa agenda terá como propósito não apenas fortalecer a rede de apoio dos jovens parlamentares, mas também coordenar propostas legislativas que enfrentem o extremismo e defendam a democracia em todos os cantos do Brasil.
O encontro será uma oportunidade para os jovens parlamentares saírem de Brasília com uma missão clara e com um conjunto de ações concretas a serem implementadas em seus respectivos municípios.
O encontro também traz consigo uma mensagem poderosa sobre o processo de renovação política. Como destacou Julia Köpf, “renovar não é apenas trocar a data de nascimento no documento de identidade; é renovar os sujeitos, as vozes e as narrativas que fazem a nossa democracia ser, verdadeiramente, popular.”
Flávio Bolsonaro pula de alegria em comício em Rondônia com o pai na UTI
No último sábado (14), Flávio Bolsonaro foi flagrado durante um evento político em Ji-Paraná, Rondônia, pulando e sorrindo em júbilo, atitude reveladora de seu caráter, considerando a gravidade do estado de saúde de seu pai, Jair Bolsonaro, internado na UTI do hospital DF Star, em Brasília.
Enquanto o ex-presidente passa por uma broncopneumonia bacteriana bilateral, com um quadro exigindo cuidados intensivos e acompanhamento médico rigoroso, o comportamento do filho se mostra, no mínimo, indigno.
Durante o evento, promovido pelo PL, Flávio Bolsonaro demonstrava entusiasmo incontido, sorrindo enlouquecidamente. O comportamento do senador e presidenciável repete a falta de empatia e decência que o próprio Jair exibiu no momento em que milhares de brasileiros morriam durante a pandemia de Covid-19.
Em sua defesa, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais, justificando sua presença no evento como um compromisso político. E daí?
Ele afirmou que, após o evento, foi diretamente ao hospital em Brasília para visitar o velho e dar-lhe boas notícias sobre o lançamento da chapa de pré-candidatos em Rondônia.
Jair Bolsonaro apresentou melhora em sua função renal, mas teve piora nos indicadores inflamatórios e precisou ampliar a cobertura de antibióticos.
Carlos Bolsonaro, irmão de Flávio, se manifestou em defesa do irmão, alegando que o comportamento de Flávio é uma forma de honrar os pedidos de seu pai e manter o ânimo durante um momento difícil.
Como sempre digo, para o clã Bolsonaro vale tudo pelo poder. Basta observar a alegria do filho 01 durante um ato político, mesmo com o pai na UTI e, segundo ele próprio, em estado muito grave de saúde. pic.twitter.com/9MWvf872sM
Na verdade, eles se odeiam e disputam o legado do morto-vivo. De um lado os três irmãos, do outro Michelle com Nikolas Ferreira, parte do Centrão o que restou de Tarcísio de Freitas.
A ex-primeira-dama joga pesado também. Divulgou um vídeo em que uma influenciadora bolsonarista acusa jornalistas de “desejarem” a morte do marido. Os repórteres estavam do lado de fora do hospital para acompanhar as atualizações sobre o estado de saúde do ex-mandatário.
O vídeo, que não mostra os supostos comentários feitos pelos jornalistas, é acompanhado de uma legenda que afirma: “jornalistas reunidos desejando a morte de Bolsonaro e comemorando por ser sexta-feira 13”. No registro, a influenciadora grita com os repórteres e filma o crachá de uma assessora do hospital, acusando os profissionais de imprensa de “falta de vergonha”.
Dois jornalistas registraram boletins de ocorrência por intimidação. Um deles, que teve seu filho ameaçado, decidiu fechar suas redes sociais. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) se manifestou publicamente, repudiando “veementemente as ameaças, a difamação e a exposição violenta de jornalistas e seus familiares” após a divulgação do vídeo, classificando-o como “irresponsável”.
A deputada federal Erika Hilton fez uma grave denúncia contra o governo do Paraná, liderado pelo pré-candidato à Presidência, Ratinho Jr. Ela afirmou que o estado manteve em atividade um militar acusado de abusar sexualmente de pelo menos nove meninas em uma escola cívico-militar do Paraná, mesmo após o caso ser investigado.
A parlamentar cobrou medidas enérgicas e afirmou que o militar, em vez de ser afastado, foi transferido para o setor administrativo. Em suas redes sociais, Erika Hilton compartilhou detalhes da denúncia, destacando o fato de o acusado ter continuado trabalhando na escola por dois anos após as acusações.
“Estou denunciando o governo de Ratinho Jr. por manter um militar investigado por estupro de vulnerável trabalhando numa escola cívico-militar do Paraná. O militar, acusado de abusar de ao menos nove meninas de 11 a 13 anos, continuou na escola por dois anos após as denúncias”, escreveu a deputada.
Além da transferência para um setor administrativo, Hilton destacou o risco que essa decisão representou para a segurança das crianças.
“Sabem qual foi a medida tomada? O militar, que antes era inspetor, foi transferido para o setor administrativo da mesma escola. Ou seja, um militar, com direito ao porte de arma, acusado de estupro de vulnerável, possivelmente passou a ter acesso aos endereços e imagens das vítimas e de outras meninas”, afirmou a deputada.
🚨 Estou denunciando o governo de Ratinho Jr. por manter um militar investigado por estupro de vulnerável trabalhando numa escola cívico-militar do Paraná.
O militar, acusado de abusar de ao menos nove meninas de 11 a 13 anos, continuou na escola por dois anos após as denúncias.… pic.twitter.com/BJiUgL1OHJ
O caso ganha contornos ainda mais intensos devido ao recente confronto entre a deputada e o pai do governador, o apresentador de TV Ratinho. A polêmica surgiu a partir de declarações transfóbicas feitas por Ratinho em seu programa no SBT.
Ele criticou a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, afirmando que a parlamentar “não é mulher, ela é trans”.
O apresentador, durante a transmissão ao vivo, também questionou a justiça de uma mulher trans ocupar o cargo, afirmando que a posição deveria ser destinada a uma mulher cisgênero.
A deputada protocolou solicitações de investigação criminal por transfobia, solicitou reparação por danos morais coletivos ao Ministério Público Federal e pediu ao Ministério das Comunicações a suspensão do programa por 30 dias.
O MPF do Rio Grande do Sul ajuizou uma ação civil contra o apresentador, requerendo uma indenização de R$ 10 milhões. De acordo com o órgão, houve discurso de ódio e desumanização da identidade de gênero da comunidade LGBT+.
Jessie Buckley é a aposta mais segura da temporada para faturar o Oscar de Melhor Atriz no Oscar 2026, após sua performance imersiva e inesquecível como uma jovem mãe em luto no aclamado filme “Hamnet”. O papel, que marcou sua estreia na categoria, impressiona não apenas pela sua profundidade emocional, mas também pela habilidade de Buckley em dar vida a uma personagem tão complexa e poderosa, elevando sua carreira a novos patamares.
Buckley já havia varrido as principais premiações de pré-Oscar, incluindo os prêmios mais cobiçados da temporada, consolidando-se como uma das favoritas indiscutíveis. Sua atuação em “Hamnet”, uma adaptação cinematográfica da obra literária de Maggie O’Farrell, foi amplamente reconhecida por sua habilidade de capturar as emoções mais sutis de sua personagem, uma mulher em luto pela morte do filho, lidando com a dor e o peso do amor perdido.
Contudo, um incidente inusitado gerou um pequeno burburinho nas redes sociais durante a campanha. Em uma entrevista, Buckley fez uma piada sobre não gostar de gatos, algo que rapidamente foi amplificado na mídia. A atriz rapidamente voltou atrás durante uma aparição no “The Tonight Show”, de Jimmy Fallon, esclarecendo que a declaração não deveria ser levada a sério.
Nomes como Rose Byrne, por “Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria“, e Kate Hudson, por “Song Sung Blue – Um Sonho a Dois”, aparecem como concorrentes à altura, mas sem o mesmo apoio generalizado. Renate Reinsve, com “Valor Sentimental”, tem uma chance mais remota, enquanto a veterana Emma Stone, indicada por “Bugonia”, provavelmente ficaria de fora após duas vitórias anteriores na categoria.
“Hamnet” é um drama intimista que aborda o luto, a perda e o poder da memória. Buckley, como protagonista, foi a peça-chave para dar vida a uma história que emociona e faz refletir sobre os laços familiares e o poder da arte em tempos de sofrimento. Buckley não apenas celebra sua performance de destaque, mas também consagra seu nome no panteão das grandes atrizes contemporâneas.
Prédio da Comissão Federal de Comunicação (FCC), em Washington. Foto: Divulgação
O presidente da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC), Brendan Carr, tomou uma posição firme contra as emissoras de televisão dos EUA, ameaçando revogar suas licenças devido ao que ele considera um viés nas coberturas da guerra no Irã. A declaração dele, feita no sábado (14), veio no contexto de um confronto crescente entre os Estados Unidos e o Irã.
Ele acusou as emissoras de “divulgarem boatos e distorções de notícias”, orientando-as a “corrigir o rumo antes da renovação de suas licenças”. Ele afirmou: “As emissoras devem operar em prol do interesse público e perderão suas licenças se não o fizerem.”
O presidente da FCC, que tem se mostrado cada vez mais crítico da mídia desde que assumiu o cargo durante o governo Trump, defendeu que as redes de comunicação devem se alinhar com os interesses do governo e não veicular notícias que possam minar o esforço militar dos EUA.
Ele também compartilhou uma postagem do presidente Donald Trump no Truth Social, na qual o republicano criticava a cobertura da mídia sobre o ataque a cinco aviões de reabastecimento americanos na Arábia Saudita.
Trump considerou a manchete do ‘The Wall Street Journal’ sobre o incidente “intencionalmente enganosa”, acusando a mídia de querer que os EUA perdessem a guerra. A publicação do jornal não respondeu prontamente a solicitações de comentário sobre a crítica dele.
Em um tom semelhante ao de Carr, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, também expressou insatisfação com a cobertura da guerra pelo canal ‘CNN’ durante uma coletiva de imprensa na sexta-feira (13).
Hegseth fez referência ao bilionário David Ellison, dono da Paramount Skydance, que busca adquirir a Warner Bros. Discovery por US$ 111 bilhões. Se concretizado, esse negócio colocaria a CNN sob o controle dele, que é conhecido por suas afinidades com a ala conservadora da mídia e também por ter uma relação amigável com Trump.
O comportamento dele, que lidera a FCC desde 2017, vem gerando controvérsias. Especialistas em regulamentação da mídia alertam que a revogação de licenças é um processo complexo e custoso, e que a lei federal proíbe explicitamente o uso de regulamentações para censurar a imprensa.
O presidente da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC), Brendan Carr. Foto: Divulgação
No entanto, Carr tem levantado frequentemente a possibilidade de restringir as licenças das emissoras que, em sua visão, não atendem ao interesse público ou que transmitem informações que ele considera prejudiciais aos objetivos do governo. Parlamentares democratas e defensores da liberdade de expressão reagiram com críticas severas à postura dele.
A senadora Elizabeth Warren (Massachusetts) qualificou a ameaça do presidente do FCC como “típica de um manual autoritário”, enquanto o senador Mark Kelly (Arizona) enfatizou que “quando nossa nação está em guerra, é crucial que a imprensa seja livre para noticiar sem interferência do governo”.
Para eles, a ação dele configura uma violação direta da Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que garante a liberdade de imprensa. A Fundação para os Direitos Individuais e a Expressão, uma organização que defende os direitos da imprensa, classificou a postura dele como “chocante e perigosa”.
Em comunicado, a entidade afirmou que o presidente da FCC tem se mostrado disposto a intimidar e ameaçar a imprensa livre de maneira descarada, algo que consideram uma ameaça à democracia.
Carr tem mostrado uma abordagem agressiva em relação à mídia nos últimos anos. O programa ‘Jimmy Kimmel Live!’ foi retirado temporariamente do ar após ele questionar alguns comentários do apresentador da ABC, e o ‘The View’, talk show político da emissora, foi alvo de críticas, com a FCC sugerindo investigações sobre seu conteúdo.
Em 2023, Stephen Colbert também criticou Carr, apontando que a CBS havia impedido a exibição de uma entrevista com um candidato democrata devido a novas regras da FCC sobre igualdade de tempo de antena para candidatos políticos.
A retórica do governo Trump contra a imprensa está ocorrendo em um momento delicado para a guerra no Irã, com pesquisas mostrando que o apoio popular à intervenção militar dos EUA está em queda. Além disso, o governo enfrenta dificuldades em impedir que o Irã bloqueie rotas petrolíferas essenciais, em meio à alta dos preços globais do petróleo.
O ataque israelense a Teerã em 2 de março de 2026. Foto: Divulgação
Diferente de conflitos anteriores, como a guerra entre Irã e Israel em junho de 2025 ou os combates entre Israel e Hamas, a atual Guerra no Irã extrapolou as fronteiras dos países diretamente envolvidos, se espalhando rapidamente pelo Oriente Médio.
Os combates, que entraram na terceira semana em março de 2026, começaram em 28 de fevereiro com bombardeios conjuntos dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, um ataque que resultou na morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei. A ofensiva atingiu alvos militares e civis, incluindo uma escola com estudantes.
Em resposta, o Irã iniciou ataques retaliatórios não apenas contra Israel, mas também contra embaixadas e bases americanas localizadas em países vizinhos, além de alvos civis, como prédios que supostamente abrigariam funcionários americanos.
A intensificação das hostilidades arrastou mais países para o conflito, com o Hezbollah, do Líbano, retomando os ataques a Israel, ampliando a dimensão da guerra para o território libanês, incluindo a capital Beirute.
O Irã, que vinha sendo pressionado politicamente, havia aberto negociações com os Estados Unidos para um acordo que limitasse seu programa nuclear. No entanto, o ataque conjunto de EUA e Israel contra o Irã, em fevereiro, deflagrou uma guerra que agora afeta vários países da região, com consequências econômicas e políticas significativas.
O Irã respondeu fechando o estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o transporte de petróleo, e iniciou ataques contra navios que tentavam sair do Golfo Pérsico. Além dos Estados Unidos e Israel, outros países estão diretamente envolvidos na guerra, como o Líbano, o Emirados Árabes Unidos, o Catar e o Bahrein.
O Líbano foi novamente arrastado para o conflito devido aos ataques do Hezbollah contra Israel, com as forças israelenses realizando bombardeios pesados nas regiões do sul e do vale do Bekaa, além de Beirute. O número de mortos no Líbano devido aos ataques israelenses já ultrapassou 700.
Os Emirados Árabes Unidos, um dos maiores aliados dos EUA na região, também foram alvo de drones suicidas iranianos, com mais de 800 ataques registrados até março de 2026. Dubai, em particular, foi atingida em alvos estratégicos, como o hotel Palm Jumeirah e o Burj al-Khalifa, o edifício mais alto do mundo.
🇦🇪🇮🇷 Uma das torres mais altas de Dubai está em chamas após ser atingida por um drone kamikaze.
O Irã está realizando com frequência missões de assassinatos seletivos contra autoridades militares e agentes de inteligência dos EUA que operam nos países do Golfo. pic.twitter.com/Ufcbh7qhld
O Catar, apesar de ter boas relações com o Irã, foi afetado pelos ataques iranianos. O país, que abriga a maior base aérea americana da região, teve sua produção de gás natural interrompida após a destruição de duas de suas instalações.
Além disso, a Força Aérea catari abateu dois caças iranianos em uma tentativa de se defender contra os ataques. Outros países do Golfo, como o Bahrein e Omã, também estão sendo impactados pelos ataques iranianos.
O Bahrein, aliado dos EUA e de maioria xiita, mas controlado por uma família real sunita, tem sido alvo frequente de drones iranianos, atingindo não apenas instalações militares americanas, mas também alvos civis. Omã, por outro lado, tem procurado manter sua neutralidade e atuado como mediador, mas também foi afetado, com a presença de bases americanas no país sendo atacada.
A Arábia Saudita, que mantém laços históricos com os Estados Unidos, também foi alvo de ataques iranianos, incluindo a embaixada americana e a refinaria de Ras Tanura, uma das maiores do mundo, que é essencial para a indústria petrolífera saudita.
A Jordânia, outro país da região com estreitas relações com potências orientais, tem visto seu espaço aéreo ser frequentemente violado por mísseis direcionados a Israel. No entanto, houve poucos ataques a bases americanas em seu território, se comparado aos seus vizinhos.
O Iraque, que abriga uma grande quantidade de bases americanas, tem sido um dos países mais atacados, especialmente em áreas como Bagdá e Erbil, no norte, onde há uma forte presença curda, hostil ao Irã. Outros países, embora não diretamente envolvidos, têm participado de forma marginal na guerra.
O Sri Lanka, por exemplo, viu um submarino americano afundar um navio militar iraniano, enquanto a Turquia utilizou baterias antiaéreas da Otan para derrubar mísseis iranianos. A ilha de Chipre, que abriga uma grande base militar britânica, também foi atacada por drones, com especulações de que o Hezbollah tenha sido o responsável.
Drones suicidas iranianos também atacaram um aeroporto e áreas civis no Azerbaijão, país vizinho ao Irã e grande produtor de petróleo. Autoridades de Baku afirmam estar considerando uma retaliação.
A França e o Reino Unido, embora cautelosos em se envolver diretamente no conflito, estão monitorando a situação de perto. O Reino Unido autorizou o uso de bases aéreas britânicas pelos EUA, enquanto a França enviou um porta-aviões para a região, embora sem participação ativa em missões militares.
Wagner Moura em cena de ‘O agente secreto’, de Kleber Mendonça Filho — Foto: Reprodução
Wagner Moura é um dos fortes candidatos ao Oscar 2026 na categoria de melhor ator, disputando a estatueta com nomes como Michael B. Jordan e Timothée Chalamet.
O The New York Times destaca que a lista de indicados é uma das mais competitivas da história da Academia, e embora a vitória de Jordan em outros prêmios e o Globo de Ouro de Chalamet lhes deem vantagem, Moura pode se beneficiar do cenário atual. O filme “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, coloca o ator brasileiro em uma posição promissora, com a chance de superar seus concorrentes pela força de sua performance e pela relevância do projeto.
A campanha de Wagner Moura tem ganhado força nos últimos meses, com ele sendo reconhecido não apenas pela crítica, mas também pelo público. A análise de Kyle Buchanan, repórter do New York Times, sugere que o timing das exibições pode ser crucial, e o fato de “O Agente Secreto” ter sido um dos filmes mais assistidos no final da temporada pode garantir uma vantagem sobre os outros candidatos. Para ele, Moura tem uma forte base de fãs, o que pode ajudá-lo a conquistar votos, especialmente entre os mais resistentes a apoiar atores mais jovens, como Chalamet.
Moura, conhecido pelo seu papel de destaque na série “Narcos”, tem uma longa trajetória em Hollywood, o que pode ser um trunfo para sua vitória. A participação do ator em filmes como “Guerra Civil” e a série “Ladrões de Drogas” aumentou sua visibilidade entre os membros da Academia, majoritariamente americana. Sua carreira internacional o coloca em uma posição mais favorável do que outros atores brasileiros, como Fernanda Torres, que tentou a sorte no Oscar sem o mesmo nível de reconhecimento internacional.
Apesar da crescente pressão e dos elogios à sua atuação em “O Agente Secreto”, Moura não foi indicado pelo Screen Actors Guild, nem teve a oportunidade de competir no BAFTA, o que coloca em dúvida suas chances de vitória. No entanto, o envolvimento do ator em campanhas de conscientização e sua postura em eventos como o Globo de Ouro indicam que ele está se posicionando como um forte concorrente.
Timothée Chalamet
As comparações com Fernanda Torres são inevitáveis, especialmente pelo fato de ela também ter se destacado em uma produção brasileira e ter conquistado o Globo de Ouro. Porém, Moura é visto como uma figura mais consolidada e um nome conhecido na indústria cinematográfica americana, o que pode lhe garantir a vantagem na corrida pelo Oscar.
O repórter Kyle Buchanan também aponta que, embora Moura tenha a chance de ser impulsionado pelo sentimento anti-Chalamet, o fato de o ator não ter sido indicado em outros prêmios relevantes pode limitar suas opções de mostrar sua habilidade até a noite da cerimônia do Oscar. Isso cria um desafio para sua campanha, que precisará de mais do que apenas uma boa performance para conquistar o prêmio.
De qualquer forma, a atuação de Wagner Moura em “O Agente Secreto” tem sido amplamente reconhecida, e sua trajetória nos cinemas de Hollywood o coloca como um favorito entre os votantes da Academia. Se ele conseguir superar os obstáculos e os concorrentes, poderá se tornar o vencedor do Oscar 2026, consolidando sua carreira e seu nome como um dos grandes atores internacionais da atualidade.
Em um ano em que a competição para melhor ator está particularmente acirrada, as chances de Wagner Moura continuar em ascensão são reais, mas ele precisará do apoio crucial de seus fãs e do reconhecimento final dos membros da Academia. O suspense sobre quem sairá vencedor, entre os favoritos da temporada, só será resolvido no dia da cerimônia.
O secretário de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro, Gutemberg Fonseca, será candidato à Câmara dos Deputados nas próximas eleições. Fonseca, que foi indicado ao cargo pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se vê no centro de uma polêmica investigação da Polícia Federal. Segundo a PF, ele teria negociado com um integrante do Comando Vermelho (CV) para garantir policiamento no estado, mas o secretário nega qualquer envolvimento com a facção criminosa. Com informações do PlatöBR.
A situação complicou a candidatura de Fonseca, já que Flávio Bolsonaro foi alertado sobre os possíveis danos à sua própria campanha presidencial. A Polícia Federal investigou e levantou suspeitas sobre o contato entre Fonseca e o CV, mas o ex-assessor negou as acusações e se manteve firme em sua defesa. A situação levou o senador a ser aconselhado a se afastar temporariamente de Fonseca para não prejudicar sua candidatura.
Apesar da pressão, Flávio Bolsonaro, que tem se movimentado intensamente para alavancar sua campanha à presidência, decidiu apoiar a candidatura de Gutemberg Fonseca para a Câmara dos Deputados. O apoio de Flávio a Fonseca reflete uma continuidade no apoio aos aliados, mesmo diante das investigações. O PL, partido de Bolsonaro, continua apoiando a candidatura do secretário, que também conta com o respaldo de outros membros influentes da legenda.
Com o apoio de Flávio, Fonseca continua se preparando para disputar a vaga na Câmara, enquanto aguarda o desfecho da investigação da PF. A candidatura de Fonseca é vista como uma tentativa de fortalecer a base do PL no Rio de Janeiro, onde o partido ainda busca consolidar apoio popular. A situação, no entanto, continua a gerar críticas e discussões, com adversários políticos utilizando as investigações como uma forma de questionar a transparência e a ética da campanha.
O senador Flávio Bolsonaro (PL)
A relação entre Flávio Bolsonaro e Gutemberg Fonseca também levanta questões sobre os vínculos do senador com setores controversos. Apesar das críticas, Flávio segue em busca do apoio de sua base e se mantém firme em sua candidatura à presidência, com Fonseca sendo uma das peças-chave em sua estratégia eleitoral. O caso continua a gerar repercussões, com a oposição exigindo mais clareza sobre os supostos envolvimentos com facções criminosas.
A Polícia Federal segue monitorando a investigação, enquanto Fonseca tenta limpar seu nome das acusações. Por outro lado, Flávio Bolsonaro enfrenta a difícil tarefa de equilibrar os interesses de sua campanha com as consequências de sua aliança com um candidato investigado. Com o cenário político em ebulição, a candidatura de Fonseca promete ser um dos temas centrais da campanha eleitoral do PL.
Em meio à pressão, a decisão de Flávio de apoiar Fonseca também reflete a dinâmica das alianças políticas no Brasil, onde interesses pessoais e partidários muitas vezes se sobrepõem às acusações de corrupção e envolvimento com organizações criminosas. A disputa eleitoral de 2026 se configura cada vez mais complexa, com o PL tentando consolidar seu poder em um contexto de investigações e polarização política.
Enquanto isso, a oposição ao governo Bolsonaro continua a criticar a relação entre o senador e seus aliados. Em um ano eleitoral marcado por tensões e acusações, o futuro de Fonseca e a reação do público à sua candidatura podem ser decisivos para o desenrolar da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. A batalha eleitoral no Rio de Janeiro ganha contornos ainda mais intensos com essa aliança controversa.
O apresentador Ratinho se pronunciou após repercussão de comentários transfóbicos feitos sobre a deputada federal Erika Hilton durante seu programa no SBT. As ofensas ocorreram após ele comentar a eleição da parlamentar para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
Após a repercussão, o apresentador afirmou que suas falas fazem parte de crítica política e negou intenção de preconceito. “Defendo a população trans. Mas defendo também o direito de questionar quem governa. Crítica política não é preconceito. É jornalismo. E não vou ficar em silêncio.”
🚨VEJA: Ratinho se pronuncia após falas contra Érika Hilton:
“Eu defendo a população trans, mas defendo também o direito de questionar quem governa. Crítica política, gente, não é preconceito, é jornalismo. E eu não vou ficar em silêncio”.
Durante o programa, Ratinho questionou a escolha da deputada para o cargo e fez comentários sobre identidade de gênero. “Ela não é mulher, ela é trans. Eu não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres, mulher mesmo… Mulher para ser mulher tem que ser mulher, gente. Eu até respeito, respeito todo mundo que tem comportamento diferente, está tudo certo. Agora, para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias”, disse.
O apresentador também declarou que não concorda com a eleição da parlamentar para a comissão. “Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher. Mas quero dizer que não tenho nada contra a deputada, o deputado… A deputada Erika Hilton. Ela não me fez nada, ela só fala bem, mas não tenho nada contra ela. Acho que deveria ser uma mulher.”
Em outro momento, Ratinho questionou se uma mulher trans poderia representar pautas femininas. “Para quem não sabe, a deputada Erika Hilton é trans, mas será que ela entende dos problemas e desafios de uma pessoa que nasceu mulher? Não é fácil ser mulher. Imagine se uma mulher trans fosse defender as pautas relacionadas ao público masculino? Estaria certo? Também não. Está certo, vamos nos modernizar, ter inclusão, mas não precisa exagerar.”
DESSERVIÇO! Ratinho dispara contra Érika Hilton ao vivo, e diz que a Deputada NÃO É MULHER.
A deputada respondeu nas redes sociais e afirmou não se preocupar com as críticas. “Não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbecis é a última coisa que me importa. Hoje fiz história por mim, que tive minha adolescência e minha dignidade roubada pelo preconceito e discriminação.”
Ela também comentou a eleição para a presidência da comissão. “Podem espernear. Podem latir. Eu sou a presidenta da Comissão da Mulher? E foi a minha luta, a minha história e a minha garra que me trouxeram até aqui.”
O SBT divulgou nota afirmando que as declarações não representam a posição da emissora. “O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores.”
Erika Hilton informou que acionou o Ministério Público Federal para investigar o caso e pediu abertura de ação civil pública com pedido de indenização por danos morais coletivos. Segundo ela, as falas não atingem apenas pessoas trans. “Este ataque de Ratinho foi contra todas as mulheres trans e contra todas as mulheres cis que não menstruam mais ou nunca menstruaram.”
A deputada também afirmou que pretende levar o caso adiante. “Ratinho e o SBT pagarão por seus atos. Eles não pagarão a mim, mas a todas as mulheres vítimas de violência, trans e cis. Por fim, vale lembrar: eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é, e sempre será, um rato.”
Sim, estou processando o apresentador Ratinho.
Sei que, pela audiência irrisória de seu programa, que até onde sei não agrada nem suas chefes no SBT, lhe resta apelar à violência.
Porque o que o apresentador cometeu foi uma violência, um ataque, e não foi só contra mim.… pic.twitter.com/F9Suqaf3b8
Inflamação pulmonar causada por broncopneumonia. Foto: Divulgação
O ex-presidente Jair Bolsonaro passou por exames no Hospital DF Star, em Brasília, após apresentar sintomas respiratórios e queda na oxigenação. O diagnóstico preliminar indicou broncopneumonia, uma infecção inflamatória que atinge pulmões e brônquios e pode comprometer a respiração.
A broncopneumonia é um tipo de infecção pulmonar que começa nos bronquíolos, pequenas ramificações das vias aéreas, e pode se espalhar para diferentes regiões dos pulmões. Diferentemente de algumas pneumonias localizadas, esse quadro costuma atingir vários pontos ao mesmo tempo, provocando inflamação e acúmulo de secreção nas vias respiratórias, o que dificulta a passagem de ar e reduz a oxigenação do sangue.
A doença pode ser causada por bactérias, vírus ou fungos. Em muitos casos, surge após a aspiração de secreções ou partículas para as vias aéreas, situação conhecida como pneumonia por aspiração. Quando esse material não é eliminado pela tosse, pode desencadear infecção.
Quando a inflamação atinge bronquíolos e alvéolos, ocorre a broncopneumonia. O processo inflamatório faz com que os pulmões fiquem preenchidos por secreção, células inflamatórias e produtos da infecção, como o pus. Isso reduz a capacidade de troca de oxigênio e pode provocar falta de ar, queda na saturação e sensação de cansaço intenso.
Entre os sintomas mais comuns estão febre, tosse, dor no peito, calafrios, sudorese, fraqueza, mal-estar geral e dificuldade para respirar. Em casos mais graves, pode ocorrer redução da oxigenação do sangue, o que exige tratamento hospitalar e, em algumas situações, internação em unidade de terapia intensiva.
Bolsonaro sendo levado para o hospital. Foto: Divulgação
Relatos médicos indicam que o quadro que levou ao atendimento de Bolsonaro incluiu febre alta, calafrios, vômitos e queda da saturação de oxigênio, além de episódio de broncoaspiração, quando líquidos ou secreções entram nas vias respiratórias. O primeiro atendimento ocorreu ainda durante a madrugada, antes da transferência para o hospital.
Exames laboratoriais e de imagem confirmaram broncopneumonia bacteriana bilateral. O tratamento costuma incluir antibióticos, hidratação, oxigênio suplementar e repouso. Dependendo da gravidade, pode ser necessária internação para monitoramento da respiração e prevenção de complicações.
Especialistas explicam que broncopneumonia e pneumonia são quadros semelhantes. “Pneumonia e broncopneumonia podem ser consideradas como sinônimos por terem diferenças muito sutis”, afirmou o pneumologista Gustavo Prado. Segundo ele, uma das complicações possíveis é a insuficiência respiratória, situação que pode exigir ventilação mecânica e cuidados intensivos para manter a oxigenação adequada.
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, determinou busca e apreensão na residência do jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, conhecido como Luís Pablo, após publicações em que ele apontou suposto uso irregular de veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino em São Luís.
A decisão autorizou a apreensão de celulares e computador e foi cumprida na terça-feira (10).
Na decisão, Moraes afirmou que há indícios da prática do crime previsto no artigo 147-A do Código Penal, que trata de perseguição, além de possível relação com outras condutas investigadas. O ministro citou uma série de reportagens publicadas no blog do jornalista desde novembro, iniciadas com o texto intitulado “Carro pago pelo Tribunal de Justiça do Maranhão é entregue a Flávio Dino e usado por sua família em São Luís”.
Segundo Moraes, o conteúdo sugere que o autor teria utilizado mecanismos para identificar veículos oficiais, o que poderia expor informações sensíveis ligadas à segurança de autoridades. O ministro também afirmou que as condutas apresentam modus operandi semelhante ao investigado no Inquérito 4781, conhecido como inquérito das fake news.
De acordo com o advogado Lucas Mourão, que se manifestou no X, “o ministro não indica falsidade na apuração, não solicita correção pontual da informação, de modo que a busca e apreensão parece uma medida providencial de efeito intimidatório. A medida parece menos tutela cautelar e mais ‘pedagogia’ contra a imprensa”.
“O sigilo da fonte, ao que consta, continua sendo garantia constitucional e não detalhe convenientemente descartável quando o noticiário desagrada. Espero sinceramente que o rumo desse caso seja revertido, respeitando, inclusive, a robusta jurisprudência do STF sobre liberdade de expressão e de imprensa”, escreveu.
🚨URGENTE – Luís Pablo Almeida, jornalista que sofreu busca e apreensão por ordem de Alexandre de Moraes, diz que o objetivo era descobrir suas fontes
“A forma como vieram fazer a busca e apreensão é para saber quem foi que me passou a informação.” pic.twitter.com/QoYr08tdHj
Em março de 2017, a Polícia Federal já havia prendido Luís Pablo e outros suspeitos no Maranhão sob acusação de extorquir empresários e servidores públicos. Segundo as investigações, o grupo obtinha informações sigilosas sobre operações policiais e cobrava valores para não divulgá-las na imprensa local.
Na chamada Operação Turing, foi preso ainda o policial federal Danilo dos Santos Silva, suspeito de repassar dados protegidos por sigilo para os blogueiros.
De acordo com o Ministério Público Federal, o grupo seria liderado por Luís Pablo, Luís Assis Cardoso Silva de Almeida, conhecido como Luís Cardoso, e Hilton Ferreira Neto, o Neto Ferreira. As apurações indicaram que eles cobravam entre R$ 1,5 mil e R$ 10 mil por publicações ou pela omissão delas, usando reportagens para pressionar empresários, servidores e pessoas politicamente expostas.
O delegado Max Eduardo Pinheiro, da Polícia Federal, afirmou na época que havia relatos de que o grupo utilizava denúncias e ligações com políticos locais para fazer chantagem e obter vantagens. As investigações também apontaram que o esquema funcionava com vazamento antecipado de informações sob segredo de Justiça, que eram usadas para ameaçar alvos de operações.
Em troca, segundo a polícia, alguns investigados conseguiam favores, cargos e publicações favoráveis na imprensa local. O juiz federal José Magno Linhares Morais afirmou à época que as prisões foram necessárias para evitar destruição de provas e combinação de versões entre os envolvidos.
Reportagens publicadas pelo blogueiro desde novembro afirmam que Dino estaria utilizando, em São Luís (MA), um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA). O carro teria sido comprado com recursos do Fundo Especial de Segurança dos Magistrados (Funseg-JE), destinado à proteção institucional de magistrados e ao uso em atividades do Judiciário estadual.
De acordo com o blog, o veículo — um Toyota SW4 — passou a ser usado pelo ministro e por familiares em deslocamentos particulares na capital maranhense. A publicação sustenta que o automóvel integra a frota restrita do tribunal e, em regra, estaria destinado ao presidente do TJ-MA, a corregedores ou ao apoio eventual a autoridades em missões oficiais.
O site também afirma que o carro possui placa reservada e seria abastecido com recursos públicos do próprio tribunal. As reportagens apresentam imagens que, segundo o blogueiro, mostram o veículo sendo utilizado sem relação com atividades de segurança institucional do Judiciário ou com compromissos oficiais do ministro.
Em nota, Dino declarou que existem normas que autorizam a utilização de veículos de segurança do Supremo Tribunal Federal em cooperação com tribunais estaduais, dentro de protocolos de proteção de autoridades.
Luís Pablo, que se apresenta como responsável pelo “blog mais polêmico do Maranhão”, é ligado ao governador Carlos Brandão, adversário do grupo político ligado a Flávio Dino no estado.
Caso Flávio Dino vs. Jornalista Luís Pablo
O ministro não indica falsidade na apuração, não solicita correção pontual da informação, de modo que a busca e apreensão parece uma medida providencial de efeito intimidatório. A medida parece menos tutela cautelar e mais “pedagogia”…
Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta (11) mostrou um aumento na desaprovação ao governo do presidente Lula, que atingiu 51%, enquanto a aprovação ficou em 44%. Os números eram, respectivamente, 49% e 45% em fevereiro.
O aumento da desaprovação vem crescendo desde o fim de 2023 e é a primeira vez que atinge um índice tão alto após os picos registrados em maio de 2025, quando a desaprovação chegou a 57%.
O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, também revelou mudanças no perfil do eleitorado. Pela primeira vez, entre as mulheres, a desaprovação superou a aprovação, com 48% de desaprovação contra 46% de aprovação. A desaprovação entre os eleitores de 16 a 34 anos aumentou de 50% para 56%.
Desaprovação de Lula chega ao maior número desde setembro. Foto: Reprodução/Quaest
A pesquisa também apontou que o Norte e o Centro-Oeste, além do Sul e Sudeste, continuam sendo regiões onde a desaprovação ao governo é mais pronunciada. No Nordeste, onde Lula ainda mantém uma forte base de apoio, ele tem 65% de aprovação.
Entre os católicos, a desaprovação passou de 42% para 47%, com a aprovação caindo de 52% para 49%. Esses dados demonstram uma tendência de erosão do apoio popular, especialmente entre setores mais religiosos e jovens.
Em relação à avaliação do governo, a pesquisa indicou que 43% dos eleitores consideram a gestão negativa, enquanto 31% a veem positivamente. Esses números são mais altos do que os registrados em janeiro e fevereiro, quando a avaliação negativa era de 39%.
Avaliação negativa do governo Lula chega ao pior número desde maio de 2025. Foto: Reprodução
Ao ser questionado se Lula merece continuar na presidência, 59% dos entrevistados responderam que não, enquanto 37% acreditam que ele merece seguir no cargo, mostrando um quadro de ceticismo em relação à continuidade de seu governo.
Em termos econômicos, a pesquisa revelou que 48% dos eleitores acreditam que a situação econômica piorou nos últimos 12 meses, o que representa um aumento em relação a fevereiro, quando o índice era de 43%. Apenas 24% consideram que a economia melhorou, e 26% acreditam que ela ficou do mesmo jeito.
Quando questionados sobre as expectativas para os próximos 12 meses, 41% dos entrevistados acreditam que a economia vai melhorar, enquanto 34% acham que ela vai piorar, e 21% acreditam que ficará do mesmo jeito.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 6 a 9 de março. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
A empresaria bilionária Luana Lopes Lara. Foto: Divulgação
Luana Lopes Lara, de 29 anos, é a cofundadora e diretora de operações da startup Kalshi, que se especializa em contratos de eventos. Ela acaba de se tornar a bilionária mais jovem do mundo a conquistar sua fortuna sem herança. A notícia foi divulgada pela revista Forbes, que reconheceu ela como uma das figuras mais notáveis do mercado financeiro global.
A empresa que a jovem fundou em 2018 com seu sócio, Tarek Mansour, funciona de maneira única. Ela permite que investidores compitam no mercado com base nas probabilidades de eventos futuros, como a inflação dos Estados Unidos ou o risco de um governo entrar em colapso.
Antes de fundar a Kalshi, Luana teve uma trajetória de vida multifacetada. Nascida em Belo Horizonte (MG), ela se destacou desde cedo no Brasil, conquistando medalhas em competições acadêmicas como a Olimpíada Brasileira de Astronomia e a Olimpíada Catarinense de Matemática.
Sua paixão pela dança também a levou à Escola de Teatro Bolshoi, em Joinville (SC), onde ela treinou ballet e se apresentou profissionalmente por nove meses na Áustria, antes de seguir para os Estados Unidos para estudar Ciência da Computação no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
Foi no MIT que ela conheceu Tarek Mansour, seu futuro sócio. Ambos ingressaram no mercado financeiro durante a faculdade e trabalharam em gigantes como Goldman Sachs e Bridgewater Associates. Nesse ambiente, eles perceberam que muitos dos investimentos eram baseados em previsões sobre o futuro, mas não existia uma maneira simples e direta para negociar com base nessas previsões.
Luana Lopes Lara ao lado do sócio Tarek Mansour. Foto: Divulgação
A solução surgiu com a criação da Kalshi, uma plataforma de negociação de contratos baseada na probabilidade de eventos futuros. A ideia era simples: permitir que as pessoas comprassem e vendessem contratos com base nos resultados de eventos, como a taxa de desemprego nos EUA ou o resultado de uma eleição.
A proposta inovadora conquistou grande apoio no mercado, e a empresa obteve um financiamento de US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) em uma rodada de investimentos no final de 2025, elevando seu valor de mercado de US$ 2 bilhões (R$ 10,7 bilhões) para US$ 11 bilhões (R$ 58,8 bilhões).
Esse aumento de avaliação resultou em um grande aumento na fortuna dos cofundadores. Tanto Luana quanto Mansour possuem aproximadamente 12% das ações da empresa, o que fez com que o patrimônio de cada um superasse a marca de US$ 1 bilhão.
Com isso ela se tornou a bilionária “self-made” mais jovem do planeta, superando até mesmo Lucy Guo, fundadora da Scale AI. Em 2020, a Kalshi obteve aprovação regulatória da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), tornando-se a primeira bolsa de futuros nos EUA totalmente regulamentada para contratos de eventos.
Daniel Vorcaro com ex-namorada Martha Graeff – Foto/Reprodução
A influenciadora Martha Graeff contratou uma assessoria de comunicação e um advogado e passou a adotar medidas para se desvincular publicamente do banqueiro Daniel Vorcaro. A iniciativa ocorre após a nova prisão do empresário, na última quarta-feira (4), quando ele foi levado para a Penitenciária Federal em Brasília. Com informações do Uol.
Vorcaro foi alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades na gestão do Banco Master. De acordo com a Polícia Federal, ele comandaria uma organização criminosa, possuía um “braço armado” e a prisão seria necessária para interromper a atuação do grupo.
Martha Graeff não foi alvo da operação. O nome da influenciadora apareceu após a divulgação de mensagens trocadas entre ela e o banqueiro encontradas no telefone celular de Vorcaro, periciado pela Polícia Federal.
Martha Graeff. Foto: reprodução
Nos diálogos, além de conversas pessoais, o banqueiro menciona encontros com autoridades e cita políticos e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. As mensagens vieram a público durante a investigação.
A nova assessoria contratada por Martha procurou veículos de imprensa para informar que ela e Vorcaro não mantêm mais relacionamento. Segundo a equipe, os dois estão separados “há alguns meses” e o relacionamento ocorreu à distância. A assessoria também informou que a influenciadora vive fora do Brasil há cerca de 20 anos e atualmente mora em Miami. Ainda segundo o comunicado, ela não viaja ao Brasil há alguns meses.
Em nota, a equipe afirmou que Martha não possui qualquer relação com os negócios do banqueiro. “As mensagens que vêm sendo mencionadas publicamente referem-se a conversas privadas trocadas durante o período em que estavam em um relacionamento, em um contexto estritamente pessoal, como qualquer casal que compartilha aspectos do seu dia a dia. Martha nunca participou ou teve qualquer envolvimento com os negócios ou atividades profissionais de Daniel Vorcaro”, diz o comunicado.
O advogado Lúcio de Constantino declarou que a cliente está “consternada em face da grave violência que vem sofrendo”, citando a divulgação pública de mensagens privadas. Ele afirmou que a defesa pretende adotar medidas judiciais e extrajudiciais para proteger os direitos da influenciadora.
Segundo o advogado, a defesa também considera que a divulgação das conversas representa violação da intimidade. A nota informa que Martha Graeff não mantém relacionamento com Vorcaro há meses e que não teve participação em qualquer atividade investigada pelas autoridades.
Guto Zacarias em debate – Imagem: Fábio Vieira/Especial Metrópoles @fabiovieirafotorua
O deputado estadual Guto Zacarias (União Brasil), ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), provocou tumulto na Avenida Paulista na tarde deste domingo (8), durante uma manifestação organizada por grupos de esquerda no Dia Internacional da Mulher.
O parlamentar montou uma tenda no local da manifestação com um cartaz que dizia: “Pix de R$ 1 mil pra quem me convencer que Lula está fazendo um bom governo”. A ação ocorreu enquanto manifestantes participavam de um ato que tinha como pauta principal o combate ao feminicídio.
A presença do deputado e a mensagem exibida no cartaz provocaram reação de manifestantes. Um grupo se aproximou da tenda e iniciou uma discussão com Zacarias, pedindo em coro que ele recuasse do local.
A iniciativa do parlamentar ocorreu de forma semelhante à de outros políticos de direita presentes na Avenida Paulista. O vereador de São Paulo Lucas Pavanato (PL) também participou de ações durante os atos realizados na data.
A manifestação organizada por movimentos de esquerda reuniu participantes que levaram às ruas pautas relacionadas ao enfrentamento da violência contra mulheres. Entre as reivindicações estavam o combate aos feminicídios e melhorias nas condições de trabalho.
Outras demandas apresentadas durante o ato incluíam o fim da escala de trabalho 6×1, críticas à violência policial contra populações negras e periféricas e a retomada do serviço de aborto legal no Hospital Vila Nova Cachoeirinha.
Pela manhã, a Avenida Paulista também recebeu uma caminhada convocada por lideranças políticas de direita. Entre elas estava a vereadora Ana Carolina Oliveira (Podemos), mãe de Isabella Nardoni, morta em 2008 aos 5 anos de idade.
Durante discurso no evento, a vereadora afirmou: “Eu sou uma vítima que ficou”. Ela também declarou: “Quem fala sobre quem ficou? Precisamos falar sobre os filhos do feminicídio, as famílias do entorno, porque muitas dessas mulheres são mães. Eu sou uma vítima secundária, então a gente precisa falar também sobre os cuidados com quem está fica.”
O estudante de medicina, Marco Aurélio Cardenas Acosta – Foto/ Reprodução
A Jovem Pan foi condenada a pagar R$ 30 mil de indenização aos pais de Marco Aurélio Cardenas Acosta, estudante de medicina morto por PMs em São Paulo, em novembro de 2024. A decisão foi tomada pela 30ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, após a emissora ser acusada de veicular informações falsas sobre a morte de Marco Aurélio durante seu programa Morning Show. A família do estudante havia pedido R$ 70 mil de indenização, alegando que a emissora ultrapassou os limites da liberdade de expressão ao fazer acusações infundadas.
“Depois de muito tempo, a verdade começa a chegar. É a primeira vitória após macularem a imagem e a vida do meu filho. Essa é a minha mensagem para um pouco de justiça que se começa a fazer”, disse Júlio Cesar Acosta, pai do estudante.
Na reportagem, o apresentador André Marinho afirmou que Marco Aurélio estava “visivelmente sob efeito de alguma coisa” e que teria tentado “tirar a arma do policial”, o que não foi confirmado pela investigação. Imagens de câmeras corporais dos PMs envolvidos no caso mostram que a situação começou quando Marco Aurélio deu um tapa no retrovisor de uma viatura e correu para dentro de um hotel. Ao ser seguido pelos policiais, ele foi abordado e baleado por um dos PMs, Guilherme Augusto Macedo.
A ação policial ocorreu na Rua Cubatão, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, onde Marco Aurélio estava hospedado com uma amiga. Os policiais alegaram que ele teria sacado uma arma, mas essa versão foi negada pela família. A mãe do jovem, Silvia Monica Cardenas Prado, afirmou que o filho “não estava armado” e que foi vítima de uma abordagem violenta e injustificada. Ela considerou a sentença como um primeiro passo em direção à justiça para seu filho.
Marco Aurélio encurralado por PM – Foto: Reprodução
A juíza Priscila Bittar Neves, que proferiu a decisão, afirmou que os laudos e imagens anexadas ao processo “desmentem as afirmações feitas pela Jovem Pan”. A sentença também determinou que a emissora veiculasse um direito de resposta no programa Morning Show, com a mesma duração da reportagem que deu origem ao processo, de forma a corrigir a informação errada.
A condenação da Jovem Pan ocorre em um momento de crescente cobrança sobre a responsabilidade da mídia, especialmente em casos envolvendo pessoas que não podem se defender. A sentença reafirma a importância da veracidade das informações transmitidas pela imprensa e os danos que a disseminação de notícias falsas pode causar à honra e à dignidade de indivíduos.
O caso de Marco Aurélio Cardenas Acosta também gerou um debate sobre o uso excessivo da força por parte da polícia em situações de abordagem envolvendo jovens. A morte do estudante e a condenação da Jovem Pan refletem a busca por justiça e transparência em casos de violência policial e na cobertura midiática de tragédias.
A Jovem Pan afirmou que não comenta ações judiciais e que recorrerá da decisão. A família de Marco Aurélio, entretanto, considera a condenação um passo importante para a reparação do dano moral causado pela falsa acusação.
O ex-ministro de Lula, Franklin Martins. Foto: Divulgação
O ex-ministro chefe da Secretaria de Comunicação Social de Lula, Franklin Martins, revelou neste domingo (8) um incidente ocorrido durante sua viagem ao Panamá, onde foi impedido de seguir para a Guatemala devido a um questionamento sobre sua atuação política no Brasil durante a ditadura militar.
O relato foi encaminhado ao Itamaraty, que já acionou as autoridades panamenhas para solicitar esclarecimentos sobre o caso. O chanceler Mauro Vieira se envolveu diretamente e o chefe da diplomacia do Panamá, Javier Martinez-Acha, pediu desculpas pelo erro, reafirmando que Martins é “muito bem-vindo ao Panamá”.
Confira o relato de Franklin Martins na íntegra:
”No dia 6 de março de 2026, pouco depois da 01:00 h da madrugada, deixei o aeroporto do Galeão a bordo de um avião da Copa Airlines. Meu destino final era a Cidade da Guatemala, onde participaria durante três dias de um seminário promovido pela iniciativa “Reconstruindo estados de bem-estar social nas Américas”, na Universidade Rafael Landívar. No trajeto, faria uma conexão na Cidade do Panamá.
Lá chegamos por volta das 06:00 da manhã. O voo para a capital da Guatemala deveria sair duas horas e meia depois. Ao desembarcar do avião, no final do “finger” que dava para a entrada da área internacional do aeroporto, dois policiais à paisana pediam aos passageiros seus passaportes, que eram examinados rapidamente e devolvidos. Quando entreguei meu documento, um dos agentes dirigiu-se ao seu colega (provavelmente seu superior) e entregou-lhe o passaporte. Imediatamente o policial pediu-me que o acompanhasse. Perguntei-lhe o motivo. Respondeu apenas que precisava fazer uma entrevista comigo.
Levou-me até as dependências de uma área fechada, ainda na parte internacional do aeroporto, que não possuía qualquer identificação. Ao chegarmos, pediu que eu me sentasse numa cadeira em frente à mesa e dirigiu-se à sala ao lado. Falou com alguém e voltou em poucos minutos. Os dois ambientes eram separados por uma grande parede de vidro. Através dela, os chefes dos interrogadores e outros policiais, sem serem vistos pelo interrogado, poderiam acompanhar tudo que estava acontecendo e sendo dito na sala ao lado.
O agente pediu-me que preenchesse um documento com meus dados (nome, profissão, idade, endereço, motivo da viagem, se já tinha sido preso, motivo da prisão etc). Perguntei a razão da entrevista e ele não quis responder. Disse que era um procedimento padrão autorizado pela lei de migração de 2008 e que depois me daria outras informações. E começou a fazer perguntas que, de um modo geral, apenas repetiam o que já estava informado no documento que eu havia preenchido. Pediu-me provas de que eu iria participar de um seminário numa universidade da Guatemala. Mostrei-lhe a programação, que ele fotografou. Tirou fotos minhas também e colheu minhas impressões digitais três vezes.
Visivelmente, o policial estava querendo ganhar tempo. Deteve-se especialmente no item da minha prisão em 1968, em Ibiúna. Preferi não entrar em detalhes. Respondi apenas que havia sido preso por motivos políticos. O Brasil vivia sob uma ditadura militar e eu havia lutado durante 21 anos contra ela – e isso não era um crime, mas um dever para os democratas. Depois de mais algumas perguntas sem importância, pediu-me que aguardasse. Entrou na sala ao lado, separada da dependência em que estávamos pela grande parede de vidro. E não voltou mais.
Depois de uns 20 minutos sozinho na sala, preocupado com a possibilidade de perder o voo do Panamá para a Guatemala, que sairia às oito e pouco da manhã, bati na porta várias vezes. Não responderam. Pouco depois, outro policial veio falar comigo. Disse que meu caso tinha sido decidido por seus superiores. Eu não poderia viajar para a Guatemala. Seria deportado de volta para o Brasil no primeiro voo com destino ao Rio de Janeiro. Perguntei-lhe a razão. Ele tampouco explicou claramente. Como seu colega, voltou a falar na Lei de Migração de 2008. Disse que ela determinava que estrangeiros não poderiam entrar no Panamá ou fazer conexões para outros países através do Panamá se tivessem cometido crimes considerados graves, como tráfico de drogas, crimes financeiros, assassinatos, sequestros etc. Mais uma vez afirmei que não havia cometido crime algum, mas lutado contra uma ditadura. E me orgulhava disso.
Pedi então que eles entrassem em contato com a Embaixada do Brasil ou me permitissem fazer uma ligação telefônica para nossa representação diplomática. O policial respondeu que não fariam isso. Alegou que se tratava de uma decisão soberana e exclusiva das autoridades panamenhas.
Por volta das 10:00hs da manhã, deixei a sala acompanhado por dois policiais – sem identificação, mas provavelmente integrantes da Policía Nacional – e fui levado para o andar de baixo, sendo confinado numa sala de Migración de Panamá, ao lado dos guichês de controle dos passaportes dos viajantes. Lá fiquei por mais quatro horas sem qualquer explicação. Novamente, fui fotografado de frente e perfil. Colheram por duas vezes minhas impressões digitais.
Pelo menos, os funcionários da Migración eram mais sociáveis. Permitiram que eu fosse ao banheiro. Autorizaram a compra de um hamburguer na hora do almoço. Ajudaram a recarregar meu celular. E procuraram mostrar simpatia, dando a entender que sabiam que, às vezes, erros eram cometidos com os “retenidos”. Voltaram a falar na Lei de 2008, mas deixaram escapar que sua aplicação havia se tornado mais rígida depois de decretos recentes do governo. Em 2025, os EUA e o Panamá assinaram acordos bastante abrangentes na área da segurança.
Pouco depois das 14:00hs, outro funcionário da Migración, levando meu passaporte e a passagem da Copa Airlines da Cidade do Panamá para o Rio de Janeiro, acompanhou-me até o portão de embarque. O documento foi entregue à chefe dos comissários de bordo, com a determinação de que só me fosse devolvido no Rio. Ao chegarmos na Cidade Maravilhosa, a aeromoça entregou-o a uma funcionária brasileira da Copa Airlines, que me acompanhou até a sala da Polícia Federal ao lado dos guichês de controle dos passaportes. Em um minuto, recebi de volta o documento.
Uma observação final: é evidente que não se tratou de uma operação fortuita. Ela foi planejada, provavelmente a partir do cruzamento de informações das bases de dados panamenhas e/ou norte-americanas – a cooperação entre os órgãos de segurança dos dois países é intensa – com os nomes dos passageiros do voo. Não creio que se tratou de uma perseguição à minha pessoa. Devem estar adotando esse procedimento como um padrão. Talvez seja um sinal dos tempos turbulentos que estamos vivendo.
Será que quem lutou contra a ditadura militar no Brasil e, em algum momento, foi condenado pelos tribunais militares daquela época, não deve ser alertado se for visitar o Panamá ou mesmo fazer uma conexão para outro país? Não seria o caso do governo brasileiro, através de seus representantes diplomáticos, conversar sobre esses abusos com as autoridades panamenhas?”
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante inauguração do Túnel Moacyr Sreder Bastos, em Campo Grande. Rio de Janeiro – RJ. Foto: Ricardo Stuckert / PR
“Político, sou caçador de nuvens”, disse Ulysses Guimarães ao encerrar o discurso de promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988, diante do plenário lotado, após nove mil horas de trabalho constituinte, resumindo numa confissão poética o que separa estadistas de gestores de rotina.
Quase quatro décadas depois, Lula enfrenta o dilema que Ulysses sintetizou. Ou inova, ou compromete não apenas a própria reeleição, mas o futuro de gerações que dependem de um Brasil estável e soberano.
O momento geopolítico é dramático. As sombras da guerra ameaçam a vida e o bem-estar de toda a humanidade, para enriquecer um punhado de bilionários, obcecados por armas, violência e dominação. A regressão política do maior país da América Latina representaria um golpe para bilhões de pessoas no Sul Global que enxergam no Brasil uma referência na luta pela soberania dos povos.
A pesquisa Datafolha divulgada neste sábado traz Lula com 38% das intenções de voto contra 32% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de seis pontos que, com margem de erro de dois pontos percentuais, configura corrida competitiva.
No segundo turno, a situação é mais apertada. Lula marca 46% contra 43% de Flávio Bolsonaro, empate técnico. Em dezembro, a vantagem do presidente sobre Flávio era de 15 pontos. Agora caiu para três.
A aritmética por trás desses percentuais impõe um desafio adicional. Os principais nomes alternativos testados, como Ratinho Junior (7%), Romeu Zema (4%) e Ronaldo Caiado (4%), vêm da direita, com perfis e bases eleitorais próximas do bolsonarismo, o que significa que, numa eventual consolidação, seus votos tendem a migrar para o candidato do PL.
Diferentemente de 2022, quando os candidatos fora da polarização somaram apenas 6,3% do eleitorado total, os nomes alternativos agora alcançam cerca de 16%. É um contingente mais que dobrado de eleitores em jogo, e a maioria deles está à direita.
Nesse terreno mais fragmentado, quem atrair novos votos primeiro terá vantagem decisiva.
A ausência de um projeto de futuro se torna o principal problema estratégico do presidente. Para crescer, Lula precisaria apresentar propostas que mudem o cotidiano das pessoas de forma estrutural. Programas como Bolsa Família, Pé-de-Meia, entre outros, sustentam a base social, mas não a expandem.
Um caminho evidente é a democratização da energia solar residencial. Instalar painéis fotovoltaicos numa casa reduz a conta de luz em 70% a 90%. Um domicílio que paga R$ 200 por mês passaria a desembolsar entre R$ 20 e R$ 60, economia anual próxima de R$ 2 mil por família.
Ao cortar o custo da eletricidade, a energia solar amplia diretamente o poder de compra das famílias e funciona simultaneamente como política de renda, transição energética e desenvolvimento tecnológico. Para que ganhe escala, porém, seria necessário crédito barato para instalação, programas de financiamento popular e formação de engenheiros e pesquisadores, através de parcerias muito mais ambiciosas com a China.
Pesquisa de intenção de voto em 2026 e 2022, com Lula e Bolsonaro
O Ministério da Fazenda, comandado por Fernando Haddad, caminhou na direção oposta ao impor aumento de impostos sobre painéis fotovoltaicos importados, protegendo, na prática, um pequeno grupo de montadoras que simplesmente montam peças vindas de fora, não uma indústria solar brasileira, que ainda não existe de fato.
O caminho deveria ser acelerar a difusão da tecnologia e investir em ciência e inovação, não encarecê-la.
Outro eixo capaz de redesenhar o cotidiano de milhões de brasileiros é o transporte urbano sobre trilhos. Metrôs, trens e VLTs transformariam os deslocamentos degradantes que hoje consomem horas diárias da população das grandes cidades, além de gerar emprego, indústria e planejamento urbano moderno.
No mundo inteiro, as metrópoles voltaram a investir em transporte ferroviário. No Brasil, o tema permanece à margem do debate.
Voltemos à pesquisa. A estabilidade da base eleitoral de Lula, apesar da fragilidade da vantagem, oferece um alicerce que não deve ser subestimado.
Como o cientista político Antônio Lavareda costuma ressaltar, para dimensionar de fato o peso de um candidato é preciso medir sua intenção de voto sobre o conjunto do eleitorado, incluindo abstenções, brancos e nulos, não apenas sobre os votos válidos.
Em 2022, o eleitorado apto somava 156,4 milhões de pessoas. Lula obteve 57,2 milhões de votos no primeiro turno, o equivalente a 36,6% do total de eleitores registrados. Jair Bolsonaro recebeu 51,1 milhões, ou 32,6%.
Agora, a pesquisa Datafolha atribui a Lula 38% das intenções de voto e a Flávio Bolsonaro 32%. Como essas pesquisas captam o universo completo dos eleitores, incluindo quem declara voto em branco, nulo ou indecisão, os percentuais são comparáveis ao cálculo sobre o eleitorado total. Aplicando-os aos 155,4 milhões de eleitores registrados hoje pelo TSE, Lula teria, segundo o Datafolha, cerca de 59 milhões de votos contra 49,7 milhões de Flávio Bolsonaro, uma diferença de aproximadamente 9,3 milhões.
A base de Lula permanece estável em relação a 2022, mas a vantagem percentual estreita ganha outra dimensão quando traduzida em milhões de votos.
Lula permanece como favorito. Mas, para transformar essa vantagem em vitória, precisará apresentar ao país propostas que projetem um horizonte novo, o tipo de imaginação política que dá sentido ao voto e transforma eleição numa escolha definidora do nosso destino.
Ulysses dizia caçar nuvens para reconstruir a nossa democracia. Lula, para preservá-la, precisará mobilizar o sonho.
Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. Foto: reprodução
Em 9 de fevereiro de 2026, pouco antes de suas ligações telefônicas com Daniel Vorcaro se tornarem públicas, o ministro Alexandre de Moraes trocou o número de seu celular. A mudança, que ocorreu menos de um mês antes da revelação de supostas mensagens de Vorcaro enviadas ao ministro, gerou questionamentos sobre a natureza das comunicações entre ambos. As informações são de Lauro Jardim.
A troca de número de Moraes ocorreu em um contexto tenso, com o país acompanhando de perto os desdobramentos da Operação Compliance Zero e da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS, que investiga fraudes financeiras e outras irregularidades envolvendo o Banco Master. As mensagens atribuídas a Vorcaro foram reveladas em prints que circularam pela imprensa, sugerindo que ele teria enviado comunicações a Moraes horas antes de sua prisão em 17 de novembro de 2025.
De acordo com o STF, as mensagens de visualização única, enviadas por Vorcaro em novembro, foram armazenadas na mesma pasta que outros contatos do executivo, e não nos registros do número de Moraes. A análise técnica foi conduzida pela Polícia Federal, que extraiu e organizou os dados de Vorcaro como parte da investigação, que inclui a análise de informações armazenadas no celular e na nuvem de Vorcaro.
Alexandre de Moraes, ministro do STF. Foto: reprodução
O comunicado do STF também esclareceu que, devido ao sigilo decretado pelo ministro André Mendonça, os nomes dos outros contatos mencionados nos arquivos de Vorcaro não foram divulgados. Essa decisão gerou mais especulações sobre a identidade dos envolvidos nas comunicações de Vorcaro e seu vínculo com figuras políticas e empresariais de destaque.
“No conteúdo extraído do celular do executivo pelos investigadores, os prints dessas mensagens enviadas por Vorcaro estão vinculadas a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes”, diz a nota.
“Os nomes e contatos das pessoas vinculadas aos respectivos arquivos não serão mencionados na presente nota em virtude do sigilo decretado pelo ministro André Mendonça, mas constam no arquivo que a CPMI do INSS disponibilizou para toda a imprensa”.
A advogada Viviane Barci de Moraes e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) – Reprodução
A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, negou ter recebido as mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, durante sua prisão em novembro de 2025. As mensagens, registradas no bloco de notas do celular, tratavam das negociações para a venda do banco e continham perguntas como “alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. De acordo com fontes próximas à investigação, Vorcaro teria enviado as mensagens como imagens de visualização única para o ministro do STF, que foi identificado no envio. Com informações do Globo.
Em nota divulgada por sua assessoria, Viviane Barci de Moraes afirmou que não recebeu as referidas mensagens, contrariando as afirmações do ministro Alexandre de Moraes, que alegou que os prints estavam “vinculados a pastas de outras pessoas”. O ministro explicou que, devido à organização dos arquivos, as capturas de tela feitas por Vorcaro estariam direcionadas aos contatos na mesma pasta, o que, segundo ele, indicaria que Viviane seria a destinatária. No entanto, a advogada negou essa versão.
O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, que foi contratado pelo Banco Master em janeiro de 2024 com um contrato de R$ 3,6 milhões mensais, também foi questionado sobre o envolvimento da advogada, mas não houve mais declarações. Além disso, a versão de Moraes foi contradita por outros políticos mencionados nas mensagens encontradas no celular de Vorcaro. O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e o senador Irajá Abreu (PSD-RJ) também negaram ter tido qualquer contato com o banqueiro, apesar de seus números de telefone aparecerem nas pastas com os prints de mensagens.
Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Foto: reprodução
A explicação dada pelo ministro sobre a organização dos arquivos foi refutada por peritos da Polícia Federal, que afirmaram que a disposição dos documentos no celular não indica a origem do envio, pois a organização é realizada automaticamente pelo programa utilizado para a análise dos dados. Esse software, o IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), utilizado pela PF, reorganiza os arquivos de acordo com um algoritmo, mantendo a integridade das provas durante a investigação.
A CPI do INSS recebeu os arquivos extraídos do celular de Vorcaro, mas esses não contêm o histórico completo de conversas no WhatsApp. O único histórico disponível no material entregue à comissão foi de uma conversa entre Vorcaro e sua então namorada, que foi salva no iCloud antes de sua prisão. A Polícia Federal, no entanto, tem a capacidade de recuperar o histórico de conversas de WhatsApp e já o fez ao longo das investigações, o que pode revelar mais detalhes sobre o envolvimento de outras pessoas no caso.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela segunda vez na Operação Compliance Zero, está considerando seriamente fazer uma delação premiada. A ideia, que foi inicialmente discutida em janeiro como uma possibilidade remota, ganhou força após sua segunda prisão em março de 2026. As informações são do Lauro Jardim, do Globo.
Fontes próximas à defesa de Vorcaro confirmaram que a delação será negociada diretamente com a Polícia Federal (PF), em vez de com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A avaliação da defesa é que a negociação com a PF oferece mais espaço para que a colaboração seja aceita, ao contrário da PGR.
A negociação de um acordo de delação premiada é vista como uma alternativa para o ex-banqueiro, que está envolvido em um esquema bilionário de fraudes financeiras investigado pela Operação Compliance Zero. O caso envolve o Banco Master e já resultou em sua prisão, após a PF cumprir mandados de prisão contra ele e seus associados.
Daniel Vorcaro chegando à prisão. Foto: reprodução
Além de mudanças na equipe de defesa, que podem ser necessárias para dar seguimento ao processo de delação, a decisão de colaborar com a Justiça pode representar uma tentativa de minimizar as possíveis consequências jurídicas e penais enfrentadas por Vorcaro.
Nos bastidores do caso, no entanto, o tema ainda é tratado com cautela por pessoas próximas ao banqueiro. Segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil, a delação ainda não está formalmente na mesa de negociação, mas a forte pressão política e psicológica sobre Vorcaro teria aberto espaço para que essa possibilidade volte a ser discutida. Uma pessoa próxima ao ex-banqueiro afirma que há uma tentativa de “quebrar” psicologicamente o empresário.
O vazamento de mensagens encontradas no celular de Vorcaro também elevou a tensão em torno da investigação. A defesa entrou com um pedido judicial para que seja apurada a origem desses vazamentos, solicitando a identificação de eventuais agentes públicos responsáveis pela divulgação das informações.
Além disso, o isolamento imposto pelo regime de prisão é apontado como um fator adicional de pressão. Vorcaro está preso no interior de São Paulo e deve ser transferido para Brasília após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que atendeu a um pedido da Polícia Federal.
Imagem aérea mostra Vorcaro chegando ao IML. Foto: Reprodução/GloboNews
A revelação de mensagens trocadas por Daniel Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes (STF) no dia de sua primeira prisão ampliou a pressão política para que o Congresso avance em investigações sobre o caso do Banco Master. Apesar disso, parlamentares avaliam que a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) específica enfrenta forte resistência política.
Segundo informações divulgadas pelo O Globo, as mensagens foram encontradas no celular do empresário durante as investigações da Polícia Federal. Moraes afirmou que não recebeu as mensagens mencionadas e classificou a interpretação como uma tentativa de atacar o Supremo Tribunal Federal.
Nos bastidores do Congresso, parlamentares reconhecem que o caso envolve conexões políticas que dificultam o avanço das apurações. Vorcaro teria proximidade com líderes partidários e políticos influentes, incluindo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), citado em conversas privadas como “um dos meus grandes amigos de vida”.
O dono do Master, Daniel Vorcaro – Reprodução
A atual CPI do INSS, que analisa dados obtidos na quebra de sigilo do empresário, deve encerrar seus trabalhos no fim de março. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), já sinalizou que não pretende prorrogar o prazo da comissão nem avançar rapidamente com uma nova CPI focada exclusivamente no Banco Master.
Mesmo assim, alguns parlamentares defendem aprofundar a investigação. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou que os fatos revelados exigem apuração transparente, enquanto o deputado Duarte Júnior (PSB-MA) avalia levar o tema à CPI do INSS e discutir possíveis esclarecimentos sobre as relações entre o banqueiro e autoridades.
Outros requerimentos apresentados no Congresso buscam ampliar a investigação sobre o caso. O deputado Kim Kataguiri (União-SP) pediu a convocação de Martha Graeff, então companheira de Vorcaro, além de solicitar esclarecimentos sobre as mensagens interceptadas pela Polícia Federal que mencionam contatos entre o empresário e integrantes do Judiciário.
Luiz Phillipi Machado Moraes Mourão, o Sicário. Foto: reprodução
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” do banqueiro Daniel Vorcaro, morreu após atentar contra a própria vida enquanto estava sob custódia da Polícia Federal em Belo Horizonte. Ele havia sido preso na quarta-feira (4) durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A morte foi confirmada oficialmente após a conclusão do protocolo de morte cerebral.
Segundo relatos obtidos pela reportagem do Estadão, Mourão demonstrava nos últimos anos forte temor de voltar à prisão. Pessoas que conviveram com ele afirmaram que o investigado dizia preferir morrer a ser preso novamente. Aos 43 anos, ele tinha uma longa ficha policial e era conhecido em Belo Horizonte pelo apelido de “Mexerica”.
A aproximação com Daniel Vorcaro ocorreu por meio do empresário Fabiano Zettel, amigo da família do banqueiro e frequentador da Igreja Batista da Lagoinha. A relação se fortaleceu após Zettel se casar, em 2017, com Natália Vorcaro, irmã do ex-presidente do Banco Master. Segundo a Polícia Federal, Mourão passou a integrar o círculo de confiança do banqueiro.
O pastor da Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Foto: reprodução
As investigações indicam que ele coordenava um grupo chamado “A Turma”, descrito pela PF como uma milícia privada usada para intimidar adversários e monitorar pessoas de interesse do grupo. Mensagens encontradas no celular de Vorcaro mostram ordens direcionadas ao “Sicário” para pressionar funcionários e desafetos ligados às investigações.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo também realizava coleta de informações sigilosas e monitoramento de autoridades. Investigadores afirmam que Mourão montou uma rede de inteligência em Belo Horizonte, incluindo hackers e informantes que buscavam dados sobre rotinas e encontros de figuras consideradas estratégicas pelo grupo investigado.
Antes de se aproximar de Vorcaro, Mourão já havia sido preso e investigado em outros casos. Em 2020, ele foi detido em Confins em um inquérito sobre pirâmide financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Relatórios do Coaf indicam que empresas ligadas a ele movimentaram mais de R$ 28 milhões entre 2018 e 2021. Parte dessas companhias teve as atividades suspensas por decisão do ministro André Mendonça (STF).
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) identificou um novo produto de crédito consignado ligado ao Banco Master que estaria sendo oferecido de forma irregular. Segundo o órgão, há indícios de fraude em contratos do chamado M Fácil Consignado, incluindo duplicação de nomes, ausência de assinatura e falta de transparência sobre juros cobrados. Com informações da Folha.
De acordo com o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, o M Fácil tem funcionamento semelhante ao Credcesta, modalidade criada em 2018 por Augusto Lima e posteriormente levada ao Banco Master, onde Lima se tornou sócio de Daniel Vorcaro. Inicialmente ofertado a servidores públicos, o produto foi posteriormente direcionado também a aposentados e pensionistas.
A análise conduzida pelo INSS identificou que contratos do M Fácil não permitem verificar se a assinatura eletrônica do beneficiário é válida. Também foram encontrados documentos sem informações claras sobre taxas de juros ou valores das parcelas, o que levou o órgão a iniciar uma investigação para avaliar a extensão das operações.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Divulgação
A apuração foi realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e comunicada a outros órgãos de controle. Segundo o INSS, os casos podem ser encaminhados à esfera criminal diante dos indícios de fraude detectados nos contratos.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o Banco Master sempre atuou em conformidade com as normas aplicáveis ao crédito consignado. “O banco sempre atuou em estrita observância às normas e aos procedimentos estabelecidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado”, declarou a defesa.
O Banco Central, responsável pelo processo de liquidação do Banco Master decretado em novembro, não respondeu aos questionamentos sobre o caso. O acordo de cooperação que permitia ao banco operar consignados do INSS deixou de ser renovado após o surgimento de suspeitas envolvendo operações de crédito.
“Sicário”, parceiro de Vorcaro que se matou dentro de cela da PF em MG. Reprodução
A Polícia Federal informou que enviará ao gabinete do ministro André Mendonça, relator no Supremo Tribunal Federal (STF), os registros em vídeo que mostram a dinâmica da tentativa de suicídio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. O material reúne imagens captadas no local onde ele estava custodiado na Superintendência Regional da PF em Minas Gerais.
Mourão foi preso nesta quarta-feira (4) durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, investigação relacionada ao Banco Master. Segundo a Polícia Federal, ele atentou contra a própria vida enquanto permanecia sob custódia da corporação na unidade da PF em Minas Gerais.
Fachada da Superintendência da Polícia Federal em MG, onde ‘Sicário’ atentou contra a própria vida. Reprodução
De acordo com a corporação, policiais federais que estavam no local prestaram socorro imediato ao investigado assim que tomaram conhecimento da situação. Os agentes iniciaram procedimentos de reanimação e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
A equipe médica deu continuidade ao atendimento no local e, posteriormente, o custodiado foi encaminhado à rede hospitalar para avaliação e tratamento. Mourão foi levado ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.
A Polícia Federal informou ainda que os registros em vídeo enviados ao STF mostram a sequência dos acontecimentos envolvendo o custodiado dentro da unidade policial. O material foi encaminhado ao gabinete do ministro relator responsável pelo caso no Supremo.
Segundo a corporação, será instaurado procedimento apuratório para esclarecer as circunstâncias do ocorrido. A investigação interna deverá analisar os registros e demais elementos relacionados ao episódio.
João Doria e Daniel Vorcaro se cumprimentam em evento do BRB. Reprodução
O ex-governador de São Paulo João Doria enviou uma mensagem ao banqueiro Daniel Vorcaro alertando sobre informações negativas que circulavam a respeito dele e de executivos do Banco Master. O conteúdo da conversa foi localizado pela Polícia Federal no celular de Vorcaro durante as investigações da Operação Compliance Zero.
Na mensagem, Doria escreveu: “Amigo Daniel, boa tarde. Estou preocupado com você. Tenho escutado coisas que vão precisar de reação sua. Sempre com equilíbrio e ponderação. Mas jamais com silêncio. Vamos marcar um café?”.
Após receber a mensagem, Vorcaro perguntou a que se referiam as “coisas” mencionadas pelo ex-governador. “Com relação a quê?”, questionou o banqueiro. Doria respondeu: “A você, ao Maurício, ao banco”.
O banqueiro Daniel Vorcaro – Reprodução
Segundo os registros encontrados no aparelho, Vorcaro pediu que a conversa continuasse por telefone. Uma ligação entre os dois ocorreu no minuto seguinte ao envio das mensagens.
Procurado, João Doria afirmou por meio de sua assessoria que o contato ocorreu em maio de 2025, antes da abertura das investigações sobre o banco. “A mensagem foi enviada em maio de 2025, quando ainda não havia nenhum tema público de gravidade imputado ao banco Master. Foi apenas um gesto cordial”, declarou.
Daniel Vorcaro foi preso nesta quarta-feira (4) na terceira fase da Operação Compliance Zero. Segundo a Polícia Federal, a investigação apura a atuação de um grupo ligado ao banqueiro que teria sido utilizado para intimidar críticos, funcionários e ex-colaboradores do Banco Master.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o ‘Sicário’. Foto: Reprodução
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado como aliado do banqueiro Daniel Vorcaro, tirou a própria vida enquanto estava preso na carceragem da Polícia Federal em Minas Gerais. Ele havia sido detido na terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de obstrução de Justiça em apurações relacionadas ao Banco Master.
De acordo com informações divulgadas pela Polícia Federal nesta quarta-feira (4), Mourão atentou contra a própria vida enquanto estava sob custódia na superintendência da corporação. Policiais que estavam no local prestaram socorro imediato após tomarem conhecimento da situação.
Segundo apuração da revista “Veja”, Mourão utilizou um método de enforcamento dentro da cela. A PF informou que agentes iniciaram procedimentos de reanimação e acionaram equipes de atendimento médico para prestar assistência.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado e o detento foi encaminhado ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, para avaliação e atendimento médico. Mourão, no entanto, não resistiu.
Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. Foto: Reprodução
A Polícia Federal comunicou o ocorrido ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A corporação informou que todos os registros em vídeo do episódio serão encaminhados às autoridades responsáveis.
Segundo as investigações, Mourão era apontado como responsável pela gestão de um grupo informal conhecido como “A Turma”, descrito nas apurações como uma estrutura utilizada para coletar informações de interesse de Daniel Vorcaro e pressionar desafetos ligados ao caso investigado.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Felipe Mourão” e chamado de “Sicário”, morreu nesta quarta-feira (4) após ser encontrado desacordado na cela onde estava custodiado na Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais. Ele foi socorrido por agentes e encaminhado ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, mas não resistiu. A Polícia Federal informou que abrirá investigação interna para apurar as circunstâncias do ocorrido.
Mourão havia sido preso no mesmo dia durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, investigação relacionada ao Banco Master. Ele era apontado pelos investigadores como aliado do empresário Daniel Vorcaro, também detido na operação. Segundo a Polícia Federal, o investigado integrava um grupo responsável por coletar informações sobre pessoas consideradas “desafetos” e realizar monitoramento de alvos.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Divulgação
De acordo com a investigação, Mourão coordenava atividades de levantamento de dados considerados relevantes para os interesses do grupo. A corporação afirma que ele realizava consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases utilizadas por instituições de segurança pública e investigação policial.
Os investigadores também apontam que Mourão teria obtido acesso indevido a sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais, como FBI e Interpol. A apuração menciona ainda atuação em ações voltadas à remoção de conteúdos e perfis em plataformas digitais.
Conversas analisadas pelos investigadores mostram diálogos atribuídos a Vorcaro e Mourão sobre coleta de dados de pessoas, monitoramento de funcionários e planejamento de intimidação de alvos, incluindo o jornalista Lauro Jardim. Em uma das mensagens, Vorcaro teria pedido para organizar um assalto e “dar um pau” no jornalista.
Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. Foto: Reprodução
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva apresentou nesta quarta-feira (4) ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para suspender a quebra de seus sigilos bancário e fiscal aprovada pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
No requerimento, os advogados solicitam a extensão da liminar já concedida à empresária Roberta Luchsinger, que suspendeu as quebras de sigilo aprovadas “em globo” durante a sessão da comissão realizada em 26 de fevereiro.
A empresária Roberta Luchsinger. Foto: Reprodução
Segundo a nota assinada pelo advogado Guilherme Suguimori Santos, a situação de Fábio Luís é semelhante à de Luchsinger, uma vez que a decisão da CPMI teria ocorrido sem fundamentação concreta, específica e individualizada. A defesa sustenta que esse tipo de justificativa é exigido para a adoção de medidas investigativas consideradas invasivas.
Ainda de acordo com o documento, Fábio Luís manterá colaboração com a investigação conduzida pelo Supremo Tribunal Federal, incluindo o fornecimento voluntário de documentos bancários e fiscais no âmbito do procedimento judicial adequado, sob garantia do devido processo legal.
A nota também afirma que há respeito ao trabalho da CPMI do INSS, mas ressalta que colaborar com apurações sob supervisão do Judiciário não implica concordância com medidas que a defesa considera ilegais. O texto menciona ainda que o ambiente político e a exposição pública, em período pré-eleitoral, podem favorecer usos indevidos de decisões adotadas no âmbito da comissão.
A CPMI do INSS investiga suspeitas relacionadas à gestão e a possíveis irregularidades. O pedido apresentado ao STF será analisado por um dos ministros da Corte.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
O Palácio do Planalto decidiu reagir às tentativas da oposição de associar o escândalo envolvendo o Banco Master ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Integrantes da base aliada informaram ao Executivo que parlamentares adversários pretendiam relacionar o banqueiro Daniel Vorcaro à atual gestão.
O tema foi discutido em reuniões realizadas no início da semana com deputados que participam da CPI do Crime Organizado e da CPI do INSS. Nessas conversas, parlamentares relataram ao governo que havia articulações para tentar vincular o caso Master ao governo federal.
Após os encontros, integrantes do Executivo passaram a destacar informações da investigação envolvendo o banqueiro. A estratégia inclui mencionar possíveis relações de Vorcaro com políticos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, citou nas redes sociais uma viagem do deputado Nikolas Ferreira em avião de Vorcaro durante a campanha eleitoral de 2022. Em publicação, ela escreveu: “Foram dez dias voando pelo país nas asas do Master, junto com pastores da Igreja Lagoinha, a mesma do pastor Fabiano Zettel, cunhado e sócio de Vorcaro, que foi o maior doador individual das campanhas de Bolsonaro e Tarcísio (de Freitas)”.
A operação de hoje da Polícia Federal expões definitivamente a corrupção do Banco Central de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto no escândalo Master. O ex-diretor de Fiscalização do BC indicado por Bolsonaro, Paulo Sérgio Souza, e o ex-chefe da Supervisão Bancária nomeado por…
Após a nova prisão de Vorcaro e a divulgação de suspeitas envolvendo servidores do Banco Central, Gleisi voltou a se manifestar nas redes sociais. A ministra publicou: “A operação de hoje da Polícia Federal expõe definitivamente a corrupção do Banco Central de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto no escândalo Master.
O ex-diretor de Fiscalização do BC indicado por Bolsonaro, Paulo Sérgio Souza, e o ex-chefe da Supervisão Bancária nomeado por Campos Neto, Belini Santana, recebiam dinheiro de Daniel Vorcaro para impedir a fiscalização do Master, de acordo com a investigação. Por que será que Campos Neto não agiu contra as fraudes de Vorcaro enquanto era presidente do BC?”
Parlamentares da base aliada afirmam que o governo pretende destacar possíveis vínculos políticos do banqueiro com figuras do campo bolsonarista. Entre os pontos citados por integrantes do grupo estão as viagens realizadas por Nikolas Ferreira no avião de Vorcaro durante o período eleitoral de 2022.
Os Ministros do STF André Mendonça, Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Luiz Fux e Cármen Lúcia – Reprodução
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal deve manter a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, determinada nesta quarta-feira (4) pelo ministro André Mendonça. A decisão foi tomada no âmbito da investigação que envolve o Banco Master e mensagens atribuídas ao empresário. Com informações da Mônica Bérgamo, na Folha.
A defesa de Vorcaro deve recorrer ao colegiado para tentar reverter a medida. Integrantes da corte avaliam, porém, que a chance de revogação da prisão é considerada baixa no julgamento pela Segunda Turma.
O colegiado é composto pelos ministros André Mendonça, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. O recurso da defesa deve ser analisado pelos integrantes do grupo responsável por casos penais dentro do tribunal.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Divulgação
No despacho que determinou a prisão, Mendonça listou mensagens atribuídas a Vorcaro que indicariam planejamento de um ataque contra o jornalista Lauro Jardim. A conversa teria ocorrido com Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão, apontado como operador financeiro ligado ao grupo.
Em um dos trechos, Vorcaro escreveu: “Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”. Na sequência, Mourão respondeu à mensagem e indicou que acompanhava publicações consideradas negativas sobre o empresário.
Em outro momento da troca de mensagens, Mourão perguntou se poderia “dar um pau” no jornalista. Segundo a decisão do STF, Vorcaro respondeu afirmativamente. Em conversa posterior, o ex-banqueiro também mencionou uma funcionária e escreveu: “É mole? Tem que moer essa vagabunda”, ao que Mourão perguntou o que deveria fazer. Vorcaro respondeu: “Puxa endereço, tudo”.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). Reprodução
O deputado federal Lindbergh Farias (PT/RJ) informou nesta quarta-feira (4) que protocolou uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando investigação sobre o eventual envolvimento do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, no caso relacionado ao Banco Master e ao seu controlador, Daniel Vorcaro. A iniciativa ocorre após a terceira fase da Operação “Compliance Zero”, que apreendeu mensagens no celular do banqueiro.
Segundo o parlamentar, o material obtido na investigação menciona a existência de uma estrutura voltada à intimidação e violência contra jornalistas. As mensagens passaram a integrar o conjunto de elementos citados pelo deputado no pedido de investigação apresentado ao Ministério Público.
Lindbergh também recorda que, em abril de 2025, quando ocorreu a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), já havia encaminhado um pedido de apuração à Comissão de Ética da Presidência da República. Na ocasião, o parlamentar citou indícios de irregularidades relacionados ao processo de aquisição.
A terceira fase da Operação Compliance Zero, que prendeu hoje o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, revelou fatos extremamente graves sobre a atuação da organização criminosa investigada. As mensagens encontradas no celular do banqueiro indicam a existência de uma espécie de… pic.twitter.com/hogvH3eejS
Com a divulgação de novos elementos, o deputado afirma que surgiram referências à possível atuação de agentes públicos do Banco Central. Entre os nomes citados estão Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, identificados como chefe e adjunto do Departamento de Supervisão Bancária.
De acordo com o parlamentar, as mensagens indicariam interlocução frequente entre esses servidores e o controlador do banco. O deputado sustenta que as informações exigem ampliação do foco investigativo para alcançar também a gestão do então presidente do Banco Central.
Na notícia-crime apresentada à PGR, Lindbergh pede que sejam investigados possíveis casos de omissão dolosa na fiscalização bancária. O pedido também solicita análise sobre normas editadas durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central que, segundo o parlamentar, poderiam ter facilitado irregularidades atribuídas ao Banco Master.
O objetivo da representação, segundo o deputado, é garantir uma apuração completa sobre responsabilidades individuais, decisões administrativas e eventuais condutas relacionadas ao funcionamento do sistema financeiro no caso envolvendo o banco.