Visualização de leitura

Raízen: disputa com Ometto leva IG4 a oferecer R$ 2 bilhões em dinheiro por créditos

A IG4 Capital subiu o tom na disputa pelo controle da Raízen. A gestora está disposta a desembolsar até R$ 2 bilhões em dinheiro para comprar os créditos da companhia com credores, em uma tentativa de garantir 50% mais uma ação depois da conversão de dívida em equity prevista no plano de recuperação extrajudicial.

O valor representa cerca de 62% dos créditos que serão convertidos em participação acionária na maior recuperação extrajudicial da história do país, de R$ 64,7 bilhões. A movimentação ocorre em meio à concorrência de outras gestoras pelo direito de conduzir a reestruturação da companhia de energia.

Leia também: Fitch rebaixa rating do banco Digimais; PF investiga gestão e bloqueia R$ 670 milhões

Oferta em dinheiro avança

Diante da disputa por outros nomes interessados no negócio, a IG4 decidiu colocar na mesa o pagamento total em espécie pelos créditos mirados, segundo informações confirmadas por Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. A estratégia busca dar mais força à proposta frente a credores que também avaliam outras alternativas de recebimento.

🔍 Recuperação extrajudicial: processo em que uma empresa endividada negocia diretamente com seus credores, fora da Justiça, um plano de pagamento ou reestruturação da dívida, sem passar por todas as etapas formais de uma recuperação judicial.

Paulo Mattos, chairman e CIO da IG4 Capital, resumiu a ambição da gestora ao Pipeline. Segundo ele, a casa quer concentrar esforços em poucas operações, mas de grande porte. “Queremos ser a 3G do special situation e focar em poucos e grandes deals”, afirmou ao Valor, com confirmação do Times Brasil | CNBC.

Mattos também fez um aceno aos investidores sobre a capacidade financeira da gestora, mesmo após a operação Braskem. “Hoje temos equipe e recursos para fazer isso, mesmo tendo assumido a Braskem”, disse.

Mattos fala em ser 3G da Raízen e do setor

Em entrevista à agência de notícias Reuters, concedida na segunda-feira (22), Mattos detalhou a estratégia da gestora para o ativo. A oferta não vinculante enviada aos credores prevê opções de recebimento, incluindo pagamento em dinheiro e a alternativa de quem preferir continuar exposto à Raízen receber cotas de um fundo gerido pela própria IG4.

🔍 Oferta não vinculante: proposta inicial que sinaliza interesse e condições gerais de um negócio, mas que ainda não obriga juridicamente as partes envolvidas a fechar o acordo nos termos apresentados.

Mattos não revelou o valor exato oferecido a cada credor. Segundo ele, a gestora tem histórico de assumir controle ou cocontrole de companhias e considera que um turnaround só funciona com participação majoritária.

O executivo negou ainda qualquer participação societária do BTG Pactual na IG4. Segundo Mattos, o banco já investiu em fundos da gestora, mas não detém controle ou equity na companhia.

Ometto rebate negociação

O presidente do conselho da Raízen, Rubens Ometto, minimizou a movimentação da IG4. Para ele, a proposta não passa de especulação de mercado. “O mercado financeiro está cheio de ideias criativas”, disse à Reuters.

A reação de Ometto contrasta com o avanço público da articulação da IG4 junto a assessores dos credores, como o banco Moelis e a consultoria financeira Journey Capital, que já receberam a oferta não vinculante da gestora.

Prazo aponta para março de 2027

Segundo os executivos da IG4, a estratégia não envolve uma tomada hostil de controle. A gestora afirma buscar construir apoio entre credores e demais partes interessadas antes de negociar com os acionistas que permanecerem na companhia.

🔍 Oferta hostil: tentativa de aquisição de uma empresa feita sem o apoio do conselho ou da administração, geralmente comprando ações diretamente no mercado ou pressionando acionistas, em contraposição a negociações amigáveis com a gestão atual.

Caso consiga compromissos equivalentes a 50% mais uma ação da Raízen, a IG4 pretende abrir negociação com os acionistas remanescentes. A meta da gestora é finalizar a aquisição até o fim de março de 2027, condicionada ao sucesso da articulação junto aos credores.

O movimento sobre a Raízen vem na sequência da venda da participação da IG4 na CLI, vendida ao AD Ports Group por US$ 835 milhões em parceria com a Macquarie. Hélio Novaes, recém-nomeado CEO da IG4, disse que a gestora volta a atenção para o agronegócio. “Estamos voltando nossa atenção para o setor agro, que continua robusto, mas enfrenta diversas dificuldades”, afirmou.

Atualmente com 40 profissionais, a IG4 diz que a saída da CLI abriu espaço de caixa para novas operações. Segundo os executivos, a gestora prioriza agora um número menor de companhias, com foco em negócios maiores e mais complexos.

O post Raízen: disputa com Ometto leva IG4 a oferecer R$ 2 bilhões em dinheiro por créditos apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.

  •  

Digimais, banco do Edir Macedo, corre ‘risco real de quebra’, justificou a Fitch diante do corte do rating

Um dia antes de a Polícia Federal deflagrar a Operação Miragem, que investiga suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional supostamente cometidos na gestão do Banco Digimais, a Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito da instituição e encerrou seu acompanhamento. O rating nacional de longo prazo caiu de ‘BB+(bra)’ para ‘CCC(bra)’, enquanto o de curto prazo foi reduzido de ‘B(bra)’ para ‘C(bra)’.

📝 A combinação de rebaixamento e retirada dos ratings indica que a agência não encontrou informações suficientes para continuar avaliando o banco.

Leia também: PF aponta que Digimais copiou tática do Master de superavaliar ativos para esconder rombo e de se escorar no FGC

Mais cedo, a Justiça Federal autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, além do sequestro e bloqueio de bens e valores de até R$ 670.348.945,70.

Na véspera, a Fitch afirmou que o Digimais tem margem de segurança baixa e que há possibilidade real de inadimplência ou falência. A agência não chegou a afirmar que o banco vai à falência, mas enquadrou o cenário nessa categoria de risco.

O que levou à decisão

Pesaram na decisão a deterioração dos resultados financeiros, uma disputa judicial envolvendo um fundo de direitos creditórios (FIDC) e um processo de reformulação do modelo de negócios sem contornos definidos.

A governança também entrou na conta: o banco trocou o CEO e destituiu o Conselho de Administração, o que, segundo a Fitch, reduz a previsibilidade sobre os próximos passos da gestão.

Há um processo de venda em curso. Em abril de 2026, um banco, não identificado no comunicado, assinou documentos para adquirir o controle do Digimais. A operação ainda depende de processo competitivo, definição de proposta vencedora e aprovações do Banco Central e do Cade. A Fitch disse não ter informações adicionais sobre a transação.

Com a saída do monitoramento, a agência deixa de acompanhar o banco por ausência de dados que considera verificáveis.

O post Digimais, banco do Edir Macedo, corre ‘risco real de quebra’, justificou a Fitch diante do corte do rating apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.

  •  

Banco de Edir Macedo investiu em fundos com projetos sem licença e terras protegidas; entenda

Digimais, banco de Edir Macedo. Foto: reprodução

Em crise financeira, o banco Digimais, ligado ao líder da Igreja Universal, Edir Macedo, aportou recursos em fundos de investimento ligados a empreendimentos de alto risco. Segundo documentos obtidos pelo Estadão, os fundos incluem um projeto imobiliário sem licença para construção em Pernambuco e uma empresa dona de terras em praias protegidas pela União, em Paraty, no Rio de Janeiro, área ocupada por caiçaras e marcada por conflitos fundiários.

Os imóveis estão alocados em fundos dos quais o Digimais é cotista e somam patrimônio de R$ 526 milhões. O investimento ocorreu nos últimos três anos, período em que o banco enfrentou crise, passou a ser negociado no mercado e entrou na mira da Polícia Federal por suspeitas de fraudes.

Auditores independentes apontaram que cerca de 75% dos R$ 4 bilhões em aportes do Digimais não puderam ser devidamente analisados por falta de documentos que comprovassem a situação dos fundos. Parte desses recursos foi destinada a fundos imobiliários e empresas, dos quais R$ 1,9 bilhão não tinha documentação suficiente para auditoria.

Um dos fundos é o Cajaíba, com patrimônio de R$ 419 milhões, criado em junho de 2025 e nunca auditado. Ele investe na Cajaíba Participações, empresa detentora de terras na Praia Grande da Cajaíba, em Paraty. A região é isolada, tem áreas de proteção ambiental e social e abriga comunidades caiçaras.

Veja fotos da área que pertencem ao fundo Cajaíba:

A empresa pertence a Cristiano Tannus Notari, neto de Gibrail Tannus Notari, que adquiriu terras na região nos anos 1950. A ocupação é alvo de controvérsias antigas. O pesquisador Pedro Berruezo Marques, mestre em Ciências Sociais pela UFRRJ, afirma que havia relatos de intimidação contra caiçaras.

“Algumas estratégias eram bem relatadas na literatura. Uma delas é que ele (Gibrail) levou uma série de bois e búfalos e os soltou naquela região, na fazenda que comprou, só que os bois vagavam. Então começaram a pisotear a roça dos caiçaras, a assustar as crianças, e os relatos de berne nas crianças aumentaram”, disse.

Ao Estadão, Tannus Notari negou irregularidades. “Nenhum processo, fundamental esclarecer, envolve qualquer irregularidade, grilagem, ou compromete a titularidade dos imóveis e o curso normal das atividades”.

“Todos são regularmente acompanhados pelos advogados da Companhia, no estrito cumprimento do devido processo legal”, afirmou.

A empresa diz não pretender construir resort no local e afirma estudar um projeto de preservação com geração de créditos de restauração de biodiversidade, modelo semelhante ao crédito de carbono, com certificação prevista para 2028.

Outro fundo, o ID Goiana, recebeu investimentos para um projeto de condomínio em Goiana, no nordeste de Pernambuco. O fundo tem patrimônio de R$ 107 milhões e apenas um cotista, segundo balanços enviados à CVM. O Estadão apurou que o cotista é o Digimais. O terreno, de 700 hectares, não tem licença da prefeitura para construção.

O banco, antes presidido por João Urbaneja, bispo da Igreja Universal, passou a ser comandado por Aldemir Bendine no fim de 2025. Nos últimos meses, o Digimais tem sido negociado com o BTG Pactual, que afirmou ter interesse em sua “carteira de clientes”.

  •  

Bancários reivindicam aumento real, PLR e defesa dos bancos públicos

São Paulo, com informações do Sindicato dos Bancários – A categoria bancária definiu neste domingo (21) as reivindicações da Campanha Nacional Unificada que serão entregues à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) no dia 24 de junho.

Entre as prioridades apontadas pela categoria dos bancários estão:

  • o reajuste com reposição integral da inflação (INPC na data-base)
  • aumento real de 5%,
  • PLR maior,
  • valorização do vale-alimentação e vale-refeição,
  • ampliação do emprego e da rede de atendimento bancário,
  • combate às metas abusivas e
  • defesa dos bancos públicos.

Além disso, a categoria propõe a regulamentação do Sistema Financeiro Nacional, com maior controle social sobre o setor, ampliação do acesso ao crédito, redução das desigualdades e fortalecimento do papel dos bancos no financiamento do desenvolvimento econômico e social do país. E a importância de eleger um governo democrático e um Congresso que defenda a pauta dos trabalhadores.

A definição da pauta final de negociação começou no mês de abril, com a consulta aos bancários e os debates nas conferências estaduais. Neste fim de semana, durante a 28ª Conferência Nacional, em São Paulo, cerca de 630 delegados que representam trabalhadores de bancos públicos e privados de todo o país, definiram os itens para a Campanha Nacional Unificada 2026. São 450 mil bancários no país, organizados pelo Comando Nacional dos Bancários.

“Nossa campanha começou em abril, com a consulta à categoria, e em seguida as conferências estaduais e hoje finalizamos a Conferência Nacional. O resultado da consulta reflete a real necessidade da categoria. Nas cláusulas econômicas, as principais reivindicações foram por aumento real, PLR maior, e reajustes no vale-alimentação e refeição”, conta Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.

“Entre as cláusulas sociais, a consulta apontou a manutenção dos direitos, emprego, plano de saúde e combate ao assédio moral. E destaca como a atual política dos bancos compromete a saúde dos empregados: Há um aumento no uso de medicamentos controlados, como antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes, nos últimos 12 meses. Além disso, a categoria aponta impacto negativo do ambiente bancário sobre a saúde mental, o que representa um problema estrutural de gestão, metas, pressão e intensificação do trabalho”, destaca Neiva.

“Também há uma preocupação crescente entre os trabalhadores, com o alto investimento dos bancos em tecnologia e IA e a categoria reivindica proteção ao emprego, qualificação, remuneração, revisão humana das decisões e limites ao monitoramento. Esse é um ponto fundamental da negociação coletiva no setor financeiro”.

Na Conferência, 630 delegados que representam trabalhadores de bancos públicos e privados de todo o país, definiram os itens para a Campanha Nacional Unificada 2026 dos 450 mil bancários no país, organizados pelo Comando Nacional dos Bancários

A coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, reforçou que a minuta de reivindicações expressa as preocupações da categoria, “como aumento real, valorização e proteção do emprego bancário, combate ao assédio moral, às metas abusivas, por um ambiente de trabalho saudável e para que as transformação estruturais do setor decorrentes da implementação das novas tecnologias resultem em benefícios para a categoria, não em fechamento de agências e postos de trabalho”, disse Juvandia.

“Saímos desta plenária revigorados, mais unidos e dispostos para seguir em frente na luta pela manutenção e avanço em direitos às bancárias e bancários de todo o país. A luta da categoria bancária é a luta de toda a classe trabalhadora. Quando nós avançamos, inspiramos toda a nossa classe a seguir avançando”, completou a dirigente.

Consulta Nacional dos Bancários 2026

A Consulta Nacional dos Bancários 2026 confirmou a disposição da categoria em participar da construção da pauta de reivindicações da Campanha Nacional. O levantamento, realizado entre 17 de abril e 31 de maio, recebeu 54.952 respostas.

Entre as cláusulas econômicas, a principal prioridade apontada pela categoria foi o aumento real de salário, indicado por 93% dos respondentes. Em seguida aparecem aumento da PLR, com 63%; aumento maior para o vale-alimentação e o vale-refeição, com 51%; aumento do piso da categoria, com 31%; Plano de Cargos e Salários, com 25%; igualdade salarial, com 10%; aumento da ajuda de custo para home office, com 3%; e aumento do auxílio combustível, com 2%.

Nas cláusulas sociais, a manutenção de direitos aparece como a principal prioridade, citada por 65% dos respondentes. Emprego foi indicado por 45%; plano de saúde, por 39%; combate ao assédio moral, por 35%; igualdade de oportunidades, por 24%; previdência complementar, por 19%; e impacto das inovações tecnológicas, por 17%.

A consulta também revelou que 40% dos consultados usaram medicamentos controlados, como antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes, nos últimos 12 meses. Além disso, 72,6% afirmaram que o ambiente de trabalho no banco em que atuam traz impactos negativos para a saúde mental dos trabalhadores e trabalhadoras. Apenas 14,3% disseram que não há impactos negativos e 12,6% responderam que não sabem.

Dados da categoria dos bancários

Emprego x agências

A defesa do emprego é uma das prioridades da Campanha 2026. A partir de 2020, com a intensificação da digitalização dos serviços financeiros, o setor bancário fechou 31,3 mil postos de trabalho até abril de 2026, dos quais aproximadamente 25 mil eram ocupados por mulheres (Novo Caged). As mulheres representaram 44,3% das admissões, mas 49,1% dos desligamentos no período. Somente em 2026 (janeiro até abril) foram fechados 5.410 postos de trabalho.

Entre 2024 e 2025, os cinco maiores bancos fecharam 1.345 agências, totalizando queda de 37% na rede física, considerando esse período. Mas reestruturação não reflete uma retração no setor, que teve lucro líquido de R$ 124 bilhões em 2025, mas sim uma mudança de estratégia para focar em alta renda e no atendimento digital.

Adoecimento

Em 2024, nos afastamentos por doenças “mentais e comportamentais”, os bancos múltiplos com carteira comercial ocuparam a 1ª posição entre os afastamentos acidentários por saúde mental do país, com 1.946 afastamentos e a 5ª posição entre os afastamentos previdenciários, com 8.345 ocorrências em 2024.

Em relação ao total de afastamentos por doenças mentais e comportamentais, a categoria bancária representa 25% dos afastamentos acidentários (que tem relação com o trabalho) e 3,3% dos afastamentos previdenciários no Brasil.

Tecnologia x lucro

O orçamento total em tecnologia do setor, para 2025, foi estimado em R$ 47,8 bilhões (alta de 13% ante 2024). Em 2025, somente os três privados, juntos (Itaú Unibanco, Bradesco e Santander), lucraram R$ 87,1 bilhões, com alta de 16,9%.

Com informações do Sindicato dos Bancários de São Paulo

Você também pode se interessar

The post Bancários reivindicam aumento real, PLR e defesa dos bancos públicos appeared first on TVT News.

  •  

Cosan vende parte de portfólio de terras agrícolas por R$ 1,85 bi

A Cosan informou nesta quarta-feira (17), por meio de fato relevante, que o Grupo Radar assinou um compromisso para vender parte de seu portfólio de propriedades agrícolas localizadas no Mato Grosso. A operação envolve subsidiárias do grupo que são detentoras de propriedades agrícolas nas quais a Cosan possui investimentos.

Os imóveis correspondem a 12% do portfólio total de propriedades agrícolas detido pela Radar, estão localizados no Estado do Mato Grosso, compreendem uma área total de 41,2 mil hectares e são destinados ao cultivo de soja, milho e algodão. O valor total ofertado pelo terceiro adquirente por estes Imóveis é de R$ 1,85 bilhão, sendo aproximadamente R$ 586 milhões referentes à participação da Cosan.

Leia também: Cosan nega venda da Rumo, mas reafirma foco em desalavancagem

A conclusão da operação tem certas condições precedentes usuais para esse tipo de operação. Segundo a companhia, a operação está alinhada à estratégia de desinvestimentos, redução da alavancagem e simplificação de portfólio da Cosan.

A Cosan afirma que manterá seus acionistas e o mercado em geral devidamente informados em conformidade com a regulamentação aplicável.

O post Cosan vende parte de portfólio de terras agrícolas por R$ 1,85 bi apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.

  •  

McDonald’s e Coca-Cola: parceria de 70 Anos pode estar abalada; entenda

A relação entre McDonald’s e Coca-Cola, firmada em um aperto de mãos em 1955, tornou-se um dos símbolos mais duradouros do capitalismo americano. Por décadas, o refrigerante da marca foi o acompanhamento oficial dos hambúrgueres da rede, ajudando a consolidar campanhas e produtos que marcaram gerações. Mas, após 70 anos, essa união enfrenta turbulências.

O motivo não é falta de compromisso entre as empresas, mas sim a transformação do mercado. O consumo de refrigerantes tradicionais está em queda, especialmente entre os jovens, que buscam sabores exóticos e bebidas com apelo visual para as redes sociais. Enquanto isso, concorrentes como Starbucks e Dunkin mostram que o setor de bebidas pode ser um motor bilionário de crescimento.

De olho nesse cenário, o McDonald’s lançou recentemente suas próprias linhas de refrigerantes personalizados e refrescos, além de preparar a estreia de energéticos em parceria com a Red Bull. A iniciativa sinaliza que a rede não quer depender apenas da Coca-Cola para atrair novos consumidores e aumentar receitas. As informações são do The Wall Street Journal.

Leia também: Chuteiras rosas dominam a Copa do Mundo, mas reduzem diferenciação entre marcas

A Coca-Cola, por sua vez, tenta se reinventar. Em feiras e eventos, a empresa tem apresentado protótipos ousados, como limonadas coloridas e misturas com sabores inusitados, numa tentativa de reconquistar espaço e atender às demandas de restaurantes que pedem mais variedade. Executivos da companhia reconhecem que é um movimento desconfortável, mas necessário para manter relevância.

Apesar das tensões, ambas as empresas afirmam que a parceria continua “fantástica”. A Coca-Cola participa do desenvolvimento das novas “dirty sodas” do McDonald’s, enquanto a rede reforça que o refrigerante segue sendo peça central em sua operação global. Ainda assim, a busca por inovação mostra que o futuro da relação pode ser bem diferente do passado.

O que começou com Ray Kroc e Waddy Pratt em um estacionamento de Illinois agora enfrenta o desafio de se adaptar a um mercado em constante mudança. A parceria que moldou o fast-food moderno precisa provar que ainda tem fôlego para acompanhar os novos tempos.

O post McDonald’s e Coca-Cola: parceria de 70 Anos pode estar abalada; entenda apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.

  •  

Jovem de 28 anos quitou empréstimo de 63 mil dólares da faculdade de Direito vendendo adesivos e livros de colorir

Elyse Burns matriculou-se na faculdade de direito da Universidade Duke em 2019, contraindo empréstimos estudantis federais para cobrir os US$ 63.000 da mensalidade, além de suas despesas de moradia, segundo ela. Uma carreira jurídica parecia a escolha mais prática, mas antes de se formar, ela já sabia que não trabalharia como advogada.

“Tenho a impressão de que todo mundo sabe que dá para ganhar bem a vida como advogado, mas não como artista, e esse é o estereótipo e o pensamento predominante”, diz o jovem de 28 anos.

Em 2015, Burns começou a vender telas pintadas à mão no Etsy. Ela abriu uma conta bancária e a vinculou a uma conta de vendedora no Etsy no dia do seu aniversário de 18 anos, e vendeu duas peças em uma semana. Em 2020, sua empresa, Elyse Breanne Design, faturava centenas de milhares de dólares em vendas, chegando a US$ 360.000 naquele ano, segundo ela.

Após concluir a faculdade de direito, ela pôde se dedicar integralmente ao seu negócio, que agora vende uma variedade de produtos, incluindo adesivos, livros de colorir, artigos de papelaria e utensílios domésticos. Em setembro de 2023, ela havia quitado toda a dívida estudantil contraída para obter seu diploma de direito, sem sequer prestar o exame da Ordem. 

Embora não tenha seguido carreira na área jurídica, Burns não se arrepende de ter cursado Direito, considerando isso parte de sua jornada e da trajetória de sucesso de sua empresa.

“Tive muita sorte, e o caminho que me trouxe até aqui também incluiu a faculdade de direito”, diz ela. “Compartilhar sobre estar na faculdade de direito e administrar um negócio no TikTok foi parte do que impulsionou meu negócio inicialmente.”

Por que Burns escolheu seu negócio de arte em vez de uma carreira jurídica?

O negócio de arte de Burns continuou sendo uma atividade paralela enquanto ela cursava Direito. Ela trabalhou na clínica da Primeira Emenda da Universidade Duke durante o verão, mas não conseguiu resistir à vontade de se concentrar em sua arte.

“Eu estava fazendo exatamente o que queria fazer legalmente, e mesmo assim pensava: ‘Nossa, só quero terminar isso por hoje para poder pintar’”, diz ela.

Ela entrou para o TikTok e começou a postar suas criações na plataforma em 2020, passando a vender seus designs no atacado pela Faire, uma plataforma que conecta marcas a varejistas. Foi aí que as coisas realmente começaram a decolar, conta ela. Falar sobre administrar seu negócio de arte enquanto estudava Direito pareceu atrair os seguidores do TikTok.

À medida que construía uma renda suficiente para viver com seu negócio de arte, Burns começou a repensar sua carreira jurídica. Nenhuma das várias opções que ela havia considerado anteriormente para quitar seus empréstimos — seja trabalhar com direito corporativo e receber um salário alto para pagá-los rapidamente, seja ingressar na área de direito de interesse público e buscar o perdão de empréstimos para serviço público ao longo de 10 anos — parecia muito atraente para ela.

Burns apresentou a ideia de abandonar a carreira jurídica ao seu agora marido. Ela sentia que ficaria deprimida trabalhando na área e que trabalhar tanto a deixaria sem energia, conta. Ele apoiou totalmente a ideia de ela seguir a carreira pela qual se sentia mais apaixonada e confiou na sua capacidade de pagar os empréstimos estudantis. Mesmo assim, ela se sentiu motivada a concluir o curso de Direito que havia começado, afirma.

“Mesmo sabendo que isso não seria necessário — que o diploma não me serviria de muita coisa —, acho que era algo que eu estava muito convencida de que precisava fazer”, diz Burns.

Todos os empréstimos de Burns eram federais, o que significava que ainda estavam no período de carência sem juros da era da pandemia quando ela se formou em 2022. Isso a motivou a quitá-los rapidamente, antes que começassem a acumular juros. 

Em 2023, ela terminou de quitar mais de US$ 75.000 em empréstimos estudantis, de acordo com documentos analisados ​​pela CNBC Make It. Burns não tem certeza do valor total que acabou pegando emprestado e pagando, mas estima que seu custo de estudo seja de US$ 63.000 por ano, mais cerca de US$ 20.000 para despesas de moradia. Ela recebeu uma bolsa de estudos de US$ 25.000 por ano e pagou o terceiro ano do próprio bolso, afirma.

Os negócios continuam em alta

Em 2025, a Elyse Breanne Design faturou cerca de US$ 4,6 milhões em vendas em diversos canais, online e na Mill and Meadow, uma papelaria que ela inaugurou em Durham, Carolina do Norte, em 2022. Ela é a única proprietária da Elyse Breanne Design e reinveste consistentemente os lucros da empresa com o objetivo de expandir os negócios, afirma. A empresa conta com 18 funcionários em tempo integral.

Burns enfrentou muitos desafios como proprietária de uma pequena empresa, principalmente aprendendo a administrar um negócio à medida que a sua evoluía. Um negócio em crescimento traz consigo necessidades em constante mudança e expansão, “o que é um ótimo problema para se ter”, diz ela.

Desde que Burns começou a alugar galpões em 2021, a empresa cresceu tanto que precisou de um espaço comercial maior do que o que tinha disponível em todos os locais. Segundo ela, o próximo grande objetivo é ter mais produtos em grandes lojas de departamento. Por enquanto, os clientes podem encontrar seus designs nas lojas Blick Art Materials e em cerca de 40 lojas da Hallmark. 

Há momentos em que Burns se sente exausta e sobrecarregada, desejando que outra empresa adquirisse a sua. Mas, se surgisse a oportunidade de vender o seu negócio, “acho que não é assim que me sinto de verdade, porque penso: ‘Não sei o que mais faria’”, diz ela.

Fazer o exame da Ordem dos Advogados provavelmente não estaria nos planos dela.

“O que eu realmente faria além disso? Tem o meu nome. Se eu fosse vender, eu abriria outro negócio exatamente igual a este”, diz ela. “Então, acho que o caminho pela frente é praticamente o mesmo, e vou ver o que acontece.”

O post Jovem de 28 anos quitou empréstimo de 63 mil dólares da faculdade de Direito vendendo adesivos e livros de colorir apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.

  •  

Como os carros elétricos chineses planejam conquistar o mercado americano em poucos anos

Os veículos elétricos chineses enfrentam tarifas paralisantes, regulamentações rigorosas e forte oposição de legisladores e da indústria automobilística americana, mas há uma possibilidade crescente de que os VEs chineses sejam vendidos nos EUA nos próximos anos.

A China expandiu deliberada e agressivamente sua presença de VEs por toda a Europa, Reino Unido, Ásia e Austrália, exportando milhões de veículos bem projetados, de alta tecnologia e com preços competitivos, construindo fábricas e ampliando as cadeias de suprimentos. Agora, o país está de olho nas nações ocidentais, especialmente nos EUA — o segundo maior mercado automotivo do mundo, atrás apenas do seu próprio —, que recuou significativamente de suas próprias ambições de VEs.

Leia também: Brasil vira centro da aviação global e recebe CEOs para discutir inovação e sustentabilidade

Aí reside um dilema existencial enfrentado pelas “Três Grandes” — General Motors, Ford e Stellantis. Embora continuem a oferecer um número limitado de VEs, elas estão focadas principalmente na produção e venda de veículos com motor de combustão interna, enquanto muitos especialistas automotivos concordam que os VEs são o futuro da indústria automobilística global e que a China está posicionada para controlar o mercado.

“As empresas dos EUA recuaram em muitas de suas campanhas de veículos elétricos porque não conseguiram desenvolver, de forma barata, uma proposta de valor atraente para os consumidores americanos”, disse Stephen Dyer, diretor administrativo da prática automotiva e industrial da AlixPartners. Mas se os VEs são o futuro, ele disse: “Você não pode ser competitivo se não estiver no jogo”.

Tão pouco as Três Grandes podem descansar sobre os louros. “As montadoras de Detroit aperfeiçoaram o negócio de fabricação de veículos tradicionais movidos a motores a gasolina”, disse Michael Dunne, CEO da Dunne Insights, uma consultoria focada em VEs e veículos autônomos. Mas quando confrontadas com a mudança dramática para a eletrificação e autonomia, “elas lutaram para fazer a transição”.

Enquanto isso, disse Dunne, “a China tem um plano diretor para dominar o mercado global de VEs, incluindo carros, caminhões e as baterias que os alimentam”. Na virada do século, a China produzia menos de um milhão de carros por ano, disse ele, mas em 2010 já havia superado os EUA em termos de tamanho de mercado e produção.

Embora a oportunidade de vencer o gigante chinês possa estar escapando, a longo prazo, a maneira mais viável de permanecer relevante e competitivo pode ser juntar-se a eles.

Leia também: Amazon apresenta robô que entende linguagem natural e amplia aposta em IA na logística

Como as importações diretas de VEs fabricados na China para os EUA parecem altamente improváveis, permitir que sejam fabricados aqui está se tornando uma opção realista. Em janeiro, o presidente Donald Trump expressou apoio a permitir que a China se estabelecesse nos EUA, desde que empregasse trabalhadores americanos. A observação levou a uma ampla especulação de que o assunto seria levantado na recente cúpula de Pequim com Xi Jinping, embora não haja relatos de que tenha surgido. Entre a comitiva de CEOs que acompanhou Trump, o único executivo do setor automotivo era Elon Musk, da Tesla, cuja empresa tem presença na China, embora esteja bem atrás da líder doméstica BYD.

A China continua sendo o maior polo mundial de fabricação e comércio de carros elétricos, capturando cerca de 75% e 40% dos respectivos totais globais. Liderada principalmente por montadoras nacionais, a produção da China em 2025 de 16 milhões de carros elétricos superou a demanda interna em 20%, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), impulsionando as exportações de carros elétricos chineses a dobrarem para um recorde histórico de mais de 2,5 milhões — o principal motor do seu crescimento nas exportações de automóveis. Em 2025, os modelos elétricos representaram mais de 35% de todas as exportações de carros chineses, acima dos cerca de 20% do ano anterior.

“O único mercado no mundo em que eles ainda não penetraram são os Estados Unidos”, disse Dunne.

De qualquer forma, as restrições regulatórias existentes sobre software e hardware desenvolvidos pela China em sistemas conectados ou autônomos de VEs fabricados nos EUA teriam que ser superadas. Além disso, um projeto de lei do Senado para banir permanentemente as montadoras chinesas dos EUA foi apresentado pelos senadores Bernie Moreno (Republicano-Ohio) e Elissa Slotkin (Democrata-Mich.).

Uma via mais provável é por meio de colaborações entre empresas automotivas americanas e chinesas. “Acho que o objetivo final de muitas montadoras chinesas é ter suas operações de montagem e negócios independentes e de propriedade total nos EUA eventualmente, mas elas estariam dispostas a dar esse passo intermediário”, disse Dyer.

“As montadoras tradicionais entendem a ameaça e muitas delas agora têm parcerias”, disse Adam Bernard, fundador da empresa de consultoria AutoPerspectives e ex-diretor associado de inteligência competitiva da General Motors, citando acordos que a Ford, GM e Stellantis têm com montadoras chinesas.

A Ford — cujo CEO, Jim Farley, admitiu que gosta de dirigir um sedã Xiaomi SU7 — está supostamente em negociações com o Zhejiang Geely Holding Group da China para criar uma parceria europeia e, de acordo com o The Wall Street Journal, “também parece estar abrindo as portas para permitir carros chineses nos EUA em algum momento”.

Enquanto isso, a Ford está avançando com o desenvolvimento de sua plataforma de Veículo Elétrico Universal, ou UEV (Universal Electric Vehicle), que estreará com uma picape elétrica de tamanho médio de US$ 30.000, programada para ser lançada no próximo ano. A F-150 Lightning totalmente elétrica da montadora, introduzida em 2021, não atendeu às expectativas e está sendo reprojetada como híbrida.

A GM importa células de bateria de VE fabricadas pela chinesa CATL para uso em seu Chevy Bolt EV, que é fabricado na fábrica de montagem Fairfax da GM em Kansas City, Kansas. A empresa também opera uma instalação em Coahuila, México, onde constrói vários de seus VEs de marca, incluindo o Equinox, Blazer e Cadillac Optiq. Esses veículos, no entanto, não estão sujeitos a tarifas, devido ao Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), que permite o comércio isento de impostos de veículos montados na América do Norte. A GM e sua duradoura joint venture na China, SAIC-GM-Wuling, estão em negociações avançadas para começar a fabricar veículos a combustão no México.

Leia também: Tarifas de Trump reduzem investimentos dos EUA no Brasil ao menor nível em oito anos

A GM e a Ford não responderam aos pedidos de comentário.

Bernard também apontou que o Zhejiang Geely Holding Group da China adquiriu a Volvo da Ford em 2010 e, posteriormente, lançou a marca de VEs Polestar. Ambos são produzidos na fábrica da Volvo perto de Charleston, Carolina do Sul, a qual a Geely está de olho para expandir para produzir mais VEs. “Não acho que seria um grande problema para eles adaptarem essa fábrica para algumas outras plataformas da Geely”, disse Bernard.

Uma forte candidata seria a Zeekr, outra marca chinesa que a Geely controla e que a Waymo, de propriedade da Alphabet, usa para sua frota de robotáxis em São Francisco.

A Volvo recebeu recentemente aprovação do governo dos EUA para continuar vendendo veículos que usam software desenvolvido e mantido pela China, depois que a regra instituída pelo governo Biden entrou em vigor em março de 2026 e cobriu empresas com participação acionária chinesa significativa.

Trabalhadores verificam chassis de veículos na linha de produção da fabricante de veículos elétricos Zeekr em sua fábrica em 29 de maio de 2025, em Ningbo, China. Kevin Frayer | Getty Images News | Getty Images

A importação de marcas chinesas de VE para a América do Norte já está acontecendo no México e no Canadá.

No México, os veículos chineses representam um quarto das vendas totais, embora esse número possa cair depois que o México impôs uma tarifa de 50% no início deste ano. Por outro lado, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, assinou um acordo em janeiro permitindo a entrada de até 49.000 VEs fabricados na China no país anualmente a uma taxa tarifária de 6,1%.

A Stellantis — dona da Dodge, Chrysler, Jeep e Ram, além de inúmeras marcas europeias — é a maior acionista da Zhejiang Leapmotor Technology Co., com uma participação de 21%, e proprietária majoritária de 51% de uma joint venture com a montadora chinesa. Durante uma recente coletiva de imprensa, o CEO da Stellantis, Antonio Filosa, disse que a empresa “com certeza” vê oportunidade em expandir sua produção e venda de veículos com a Leapmotor no México e potencialmente no Canadá. “Acredito que há espaço no México… Talvez haja espaço no Canadá. Veremos”, disse ele.

A Stellantis se recusou a dar mais detalhes sobre sua parceria com a Leapmotor.

Além da colaboração Stellantis-Leapmotor, outras montadoras estão buscando planos para construir instalações em países da América do Norte. Sob pressão dos EUA, o México recuou de um plano para permitir que a BYD construísse uma fábrica em seu solo, mas a BYD e a Geely estariam supostamente entre as finalistas que disputam a compra de uma fábrica da Nissan–Mercedes-Benz no México. Em abril, o Guangzhou Automobile Group Co. anunciou planos para começar a montar veículos lá no segundo semestre deste ano.

A vice-presidente executiva da BYD, Stella Li, disse em março que a empresa está considerando construir uma fábrica de propriedade total no Canadá e, possivelmente, adquirir uma montadora tradicional em dificuldades. “Estamos abertos a todas as oportunidades que tivermos”, disse Li, sem oferecer detalhes específicos.

A guerra comercial de Trump e o novo acordo com o Canadá e o México ameaçam o cenário

Resta saber se esses desdobramentos acabarão abrindo uma oportunidade indireta para a importação de VEs chineses para os EUA, considerando vários obstáculos existentes mais concretos do que as dezenas de legisladores de ambos os lados do espectro político e grupos da indústria automobilística que fizeram uma petição a Trump para impedir as importações de veículos chineses montados no México ou no Canadá. Por exemplo, a tarifa sobre veículos fabricados em ambos os países é de 25%, substancialmente menor do que a taxa cumulativa de 125% para os VEs chineses, mas ainda assim um fator de custo.

Sob o acordo comercial atual da América do Norte, o USMCA, um veículo montado no México ou no Canadá pode entrar nos EUA com tratamento tarifário preferencial apenas se 75% do seu conteúdo — como baterias, motores, eletrônicos e software — for originário da América do Norte.

Leia também: EXCLUSIVO CNBC: “Estamos prontos para avançar”, diz CEO da Boeing sobre produção do 737 Max

Essa matemática, no entanto, pode ter se tornado mais complicada. Esta semana, o governo Trump propôs uma nova tarifa de 10% sobre o México, o Canadá e outros países devido ao suposto fracasso em abordar as preocupações com o trabalho forçado. Isso ocorre logo após a decisão da Suprema Corte em fevereiro, que determinou que as tarifas do “Dia da Libertação” de Trump eram ilegais. Além disso, o Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse à CNBC esta semana que, para que qualquer renovação do USMCA ocorra — e ele garantiu que não haverá uma renovação automática em 1º de julho —, os requisitos de conteúdo automotivo dos EUA são um grande ponto de discórdia.

O governo Trump não concordará com nenhum novo acordo que não inclua uma nova exigência de uma porcentagem específica de conteúdo nos carros que deve ser fabricado nos EUA. Embora Greer tenha dito que as reportagens recentes do The Wall Street Journal de que o governo busca uma exigência de conteúdo dos EUA de até 50% eram imprecisas, ele disse que é verdade que o governo está focado nessa questão e a pressionará nas negociações. E se os EUA não conseguirem o que procuram nas negociações do USMCA, “isso nos colocará em um caminho para eventualmente sair dele, se não formos capazes de chegar a uma posição melhor”, disse ele a Megan Casella, da CNBC, no CNBC CEO Council Summit em Washington, D.C., na terça-feira.

Apesar disso, VEs chineses da BYD, Geely, Great Wall e Xpeng estão aparecendo ao longo da fronteira EUA-México. Eles foram comprados em concessionárias no México — alguns modelos por menos de US$ 20.000 — por cidadãos mexicanos que, em conformidade com as regras dos EUA, podem se deslocar de ida e volta para El Paso, San Diego e outras cidades fronteiriças. As regulamentações dos EUA, no entanto, tornam quase impossível que tais veículos sejam registrados no país.

Mesmo sendo difícil para os motoristas americanos comprarem um VE chinês, não importa onde seja fabricado, muitos afirmam estar curiosos sobre VEs, ainda mais com os preços atuais da gasolina nas alturas causados pela guerra no Irã. De acordo com um estudo recente da Kelley Blue Book, 38% os americanos dizem que considerariam comprar um veículo chinês se tivessem a opção. “A única coisa que [os] impede são as restrições de venda para os EUA”, disse Dan Ives, analista da Wedbush Securities.

A China lutou por décadas para fazer sua indústria automobilística nacional decolar, mas sua estratégia de longo prazo para dominar o mercado global — como fez nos setores de energia solar, eólica, baterias e outros setores de energia limpa — está se concretizando. Hoje, a China é a principal fabricante de automóveis do mundo, com cerca de 100 empresas produzindo uma ampla gama de veículos totalmente elétricos, híbridos e com motor de combustão interna. A BYD eclipsou a pioneira dos VEs, Tesla — que começou a exportar para a China em 2014 e desde então construiu uma megafábrica em Xangai —, como a marca internacional número 1.

Em 2025, quase 55% de todas as vendas de carros na China foram de VEs, de acordo com a AIE, e as montadoras chinesas foram responsáveis por 60% das vendas globais de VEs. Este ano, espera-se que a China produza mais de 34 milhões de veículos, incluindo quase 12 mlihões de modelos de VE. Quase 30% da produção total será exportada.

Apenas em abril, a China despachou mais VEs e híbridos plug-in do que veículos a combustão pela primeira vez na história, de acordo com a Associação de Carros de Passageiros da China (China Passenger Car Association). Isso aponta para a necessidade crescente de as montadoras chinesas olharem além do mercado doméstico. O excesso de capacidade de fabricação, a intensificação da concorrência interna e a redução dos subsídios governamentais resultaram em uma queda de 6,8% nas vendas ano a ano de VEs e híbridos na China em abril, enquanto as vendas gerais de veículos caíram 21,5% em relação ao ano anterior.

Então, os motoristas dos EUA poderão comprar um VE chinês em um futuro próximo? Sim, disse Tu Le, fundador da Sino Auto Insights, uma empresa de consultoria automotiva. “Assim que os canadenses começarem a comprá-los nos próximos 18 meses, [enquanto] nossos vizinhos mexicanos já podem comprá-los, a pressão vai aumentar significativamente”, disse ele.

Le acrescentou que, embora os políticos dos EUA estejam estabelecendo barreiras legais para manter os VEs chineses fora, eles não articularam nenhum plano para tornar nossas montadoras domésticas competitivas. “Não pode ser apenas um ‘não, nunca'”, disse ele. “Isso acabará paralisando a indústria automobilística dos EUA. Vai inflacionar os preços para os consumidores, porque nossa tecnologia será duas ou três gerações mais antiga do que qualquer coisa que se possa comprar na Europa e na China.”

Dunne está confiante de que “até 2030, veremos alguma forma de carros chineses nas estradas americanas. De uma forma ou de outra, eles encontrarão um caminho para entrar”, disse ele.

A maioria dos especialistas concorda que os VEs são o futuro da indústria automobilística global e que a China está posicionada para continuar como líder de mercado. Isso pode levar as montadoras dos EUA a unir forças com empresas chinesas como a maneira mais viável de permanecerem relevantes e competitivas.

“Acho que haverá uma combinação de empresas que querem seguir sozinhas [ou formar] parcerias e joint ventures“, disse Le. “Se eu sou a BYD, há um holofote sobre mim porque sou uma marca chinesa. Então, se eu for para os Estados Unidos com a Ford ou a GM, isso deve aliviar um pouco essa pressão ou, pelo menos, desviar parte dela.”

O post Como os carros elétricos chineses planejam conquistar o mercado americano em poucos anos apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.

  •  

IATA volta ao Rio após 27 anos; Grupo Latam é o anfitrião do evento que reúne líderes da indústria global da aviação

O Rio de Janeiro sedia, entre este sábado (6) e a próxima segunda-feira (8), o principal evento anual da aviação civil, promovido pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA). A conferência, que tem a Latam como anfitriã, reúne cerca de 1.500 participantes entre executivos de companhias aéreas, autoridades, fabricantes, pilotos e comissários de diferentes partes do mundo. É a primeira vez em 27 anos que o evento acontece no Brasil.

Um dos principais pontos de discussão do evento é o ambiente regulatório, especialmente a carga tributária sobre o setor aéreo. A entidade alerta que a reforma tributária em discussão no Brasil, com previsão de um IVA de 26,5%, pode gerar impacto significativo na demanda por passagens, com estimativas de queda de até 30% no volume de passageiros.

Além dos impostos, o setor também demonstra preocupação com a política de adoção do SAF, o principal cobustível da aviação. A avaliação é de que há pressão por implementação do combustível sustentável, mas sem incentivos equivalentes para ampliar a produção e atender a demanda futura, o que pode limitar sua expansão.

As projeções apresentadas no evento indicam crescimento médio de 3,7% ao ano para a aviação global entre 2026 e 2040, ritmo semelhante ao esperado para a América Latina e o Caribe. A América do Norte aparece com expansão mais moderada, de 2,8% no mesmo período.

Apesar das perspectivas positivas, o setor ainda enfrenta um cenário de recuperação incompleta após os impactos da pandemia de Covid-19. Segundo dados da associação, o volume de passageiros e o faturamento global ainda não retornaram aos níveis de 2019, reforçando que a retomada plena segue em andamento.

O post IATA volta ao Rio após 27 anos; Grupo Latam é o anfitrião do evento que reúne líderes da indústria global da aviação apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.

  •  

Shell apoia plano de reestruturação da Raízen e destaca busca por estabilidade financeira

A Shell declarou apoio ao plano de recuperação extrajudicial da Raízen, formalizado na última sexta-feira (6). A companhia afirmou, em nota, que a reestruturação deve proporcionar “maior estabilidade financeira e uma trajetória mais clara para o futuro”.

A petroleira destacou ainda que o plano preserva a presença da marca Shell nos mercados brasileiros de postos de combustíveis, lubrificantes e aviação, além de manter sua participação no conselho de administração da Raízen.

“Continuaremos trabalhando com a equipe de gestão da companhia, seus credores e demais partes interessadas para apoiar a implementação do plano e a sustentabilidade de longo prazo da Raízen”, afirmou.

O post Shell apoia plano de reestruturação da Raízen e destaca busca por estabilidade financeira apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.

  •  

Berkshire Hathaway anuncia primeira aquisição desde saída de Warren Buffett como CEO

A Berkshire Hathaway anunciou neste domingo a aquisição da construtora Taylor Morrison Home em um acordo avaliado em US$ 6,8 bilhões, reforçando sua aposta no mercado imobiliário norte-americano após um período prolongado de retração.

A empresa sediada em Omaha, Nebraska, pagará US$ 72,50 por ação em dinheiro, segundo comunicado oficial. A oferta representa um prêmio de 24% em relação ao preço de fechamento da construtora em 29 de maio e avalia a companhia em cerca de US$ 8,5 bilhões, incluindo dívidas.

Leia também: Berkshire Hathaway mantém cautela e registra caixa recorde sob nova fase

Este é um dos primeiros grandes movimentos estratégicos sob a liderança de Greg Abel, sucessor de Warren Buffett, que assumiu como CEO no início de 2026. O fechamento da transação está previsto para o segundo semestre de 2026. Apesar do valor expressivo, o negócio é considerado modesto para os padrões da Berkshire, que atualmente possui um caixa próximo de US$ 400 bilhões.

“A Berkshire está adquirindo uma construtora nacional de primeira linha, liderada por uma equipe excepcional e reconhecida pela experiência do cliente”, afirmou Abel. “Com o tempo, esperamos unificar nossas operações de construção em um único modelo, permitindo que mais americanos realizem o sonho da casa própria.”

O acordo sinaliza que a Berkshire aposta em uma recuperação da demanda habitacional nos EUA, mesmo diante de taxas de hipoteca elevadas e desafios de acessibilidade que pressionaram o setor nos últimos anos.
“Eles estão apostando que o ciclo imobiliário vai virar e que há uma demanda reprimida”, disse Bill Stone, CIO da Glenview Trust e acionista da Berkshire, à CNBC.

Leia também: Caixa elevado indica postura defensiva de Berkshire Hathaway no mercado global

A aquisição amplia ainda mais a presença da Berkshire no setor de habitação. O conglomerado já controla a gigante de casas pré-fabricadas Clayton Homes, diversas empresas de produtos de construção e a Berkshire Hathaway HomeServices, uma das maiores redes de franquias de corretagem imobiliária residencial dos EUA.

O último grande negócio da Berkshire havia sido em outubro de 2025, quando fechou a compra da OxyChem, braço químico da Occidental Petroleum, em um acordo de US$ 9,7 bilhões em dinheiro.

O post Berkshire Hathaway anuncia primeira aquisição desde saída de Warren Buffett como CEO apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.

  •  

Sabesp conclui compra de 70% da Águas de Castilho por R$ 30,7 milhões

A Sabesp concluiu a aquisição de 70% do capital social da Águas de Castilho, empresa que atua na prestação de serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário no município de Castilho, no interior de São Paulo.

A operação foi realizada por meio da Sabesp Participações, subsidiária da companhia, que pagou R$ 30,7 milhões à Iguá Saneamento pela fatia. Com a conclusão da compra, a Sabesp passa a deter 100% do capital social da Águas de Castilho.

Segundo comunicado ao mercado divulgado pela companhia, foram cumpridas todas as condições precedentes previstas no contrato, incluindo a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Leia também: Quem é Carlos Piani, citado em representação sobre Sabesp, EMAE e Banco Master

A Águas de Castilho opera por meio de contrato de concessão com prazo até 2041. De acordo com a Sabesp, os serviços já estão universalizados e atendem uma população de aproximadamente 21 mil habitantes.

A receita operacional líquida da empresa no exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025 foi de R$ 10,254 milhões.

A Sabesp afirmou que a conclusão da operação faz parte de seu plano estratégico e fortalece a atuação da companhia no setor de saneamento básico no Brasil.

A companhia também informou que a aquisição da Águas de Castilho não está sujeita à deliberação em assembleia geral e não gera direito de recesso aos acionistas.

Leia também: Ministério Público investiga ligações entre a Equatorial e o escândalo do Banco Master na privatização da Sabesp

Compra da Águas de Andradina ainda não foi concluída

O contrato firmado com a Iguá também prevê a aquisição de 70% do capital social da Águas de Andradina.

Segundo a Sabesp, o Cade já aprovou a operação envolvendo Andradina, mas a conclusão ainda depende do cumprimento das demais condições previstas no contrato.

A companhia informou que manterá acionistas e o mercado atualizados sobre novos desdobramentos relacionados à compra da participação na Águas de Andradina.

O post Sabesp conclui compra de 70% da Águas de Castilho por R$ 30,7 milhões apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.

  •  

Quanto custa produzir no Paraguai? Veja diferenças em relação ao Brasil

Mais de 200 empresas brasileiras transferiram parte de suas operações para o Paraguai desde 2007 em busca de custos menores, incentivos fiscais e menos burocracia.

O movimento ganhou força nos últimos anos com o avanço da chamada Lei de Maquila, modelo criado pelo governo paraguaio para atrair indústrias estrangeiras voltadas à exportação.

A diferença na carga tributária e nos encargos trabalhistas aparece como principal motivo para a mudança.

O Paraguai se consolidou como uma alternativa para empresas que buscam reduzir despesas de produção.

Pelo regime de maquila, companhias estrangeiras podem importar máquinas, equipamentos e matérias-primas sem pagar parte dos tributos, desde que o produto final seja exportado posteriormente.

Leia mais: Com fábrica no Paraguai, Lupo espera reduzir custos operacionais em até 30%

Na prática, o sistema diminui de forma significativa o custo operacional das empresas. Enquanto no Brasil a soma de impostos e encargos trabalhistas pode chegar perto de 80% em alguns setores, no Paraguai os custos ficam próximos de 12%, dependendo da atividade exercida.

Outro ponto que chama atenção é a taxa aplicada sobre exportações dentro do modelo paraguaio. Segundo especialistas, o imposto pode ser de apenas 1% quando os produtos fabricados são destinados ao mercado externo.

Empresas conseguem cortar gastos

A diferença tributária tem impacto direto nos custos industriais. Empresas instaladas no Paraguai relatam redução operacional de até 40%, especialmente em segmentos ligados à indústria têxtil, montagem de produtos e fabricação de peças.

Leia também: Lupo vai construir fábrica no Paraguai

Além da questão fiscal, empresários também apontam economia com folha de pagamento e processos administrativos mais simples. No Brasil, gastos ligados à burocracia e às obrigações trabalhistas acabam elevando o custo final da produção.

O cenário tem permitido que companhias aumentem a competitividade e ofereçam preços mais baixos ao consumidor, principalmente no mercado brasileiro.

Brasileiros lideram operações no país

Dados do Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai mostram que empresas brasileiras representam a maior parte das maquiladoras em funcionamento no país. Atualmente, 69% das indústrias inseridas nesse regime são do Brasil.

Ao todo, o Paraguai possui cerca de 320 empresas operando dentro do sistema de maquila. Juntas, elas movimentam aproximadamente US$ 1,2 bilhão em exportações.

Leia também:

A expansão desse modelo também alcançou novos setores. Recentemente, o governo paraguaio ampliou a legislação para incluir empresas das áreas de tecnologia e serviços, aumentando ainda mais o interesse estrangeiro.

Produção sem limite mínimo de investimento

Outro fator considerado atrativo é a flexibilidade da legislação paraguaia. A Lei nº 1.064/97 não estabelece valor mínimo para abertura de empresas nem limita o capital investido. O modelo aceita investimentos nacionais, estrangeiros ou mistos.

Também não existem restrições sobre localização ou segmento econômico, desde que as empresas sigam as exigências legais do país.

Com menos barreiras tributárias e custos menores de operação, o Paraguai vem ampliando sua participação como polo industrial para empresas brasileiras que buscam produzir gastando menos.

5 sinais de que você já investe como quem entende do mercado financeiro
Por André Amadeus
Bitcoin segue forte mesmo com volatilidade? Especialista explica cenário do mercado cripto
Por André Amadeus
Quanto guardar por mês para fazer a primeira viagem internacional em 2027
Por André Amadeus
Mega da Virada x Mega 30 anos: o que muda entre os sorteios especiais da Caixa
Por Joyce Canelle
Harry Potter, DC e mais: veja as franquias que ficarão sob o mesmo grupo após fusão Paramount–WBD
Por André Amadeus
Fortuna da família da Samsung dispara em um ano com chips de IA; veja valores
Por Aryel Fernandes
Fundo Lumen: quem está por trás do grupo que assumiu o controle do conselho da Oncoclínicas
Por Joyce Canelle
Bitcoin Pizza Day: o que é, como surgiu e por que a data é tão importante no mundo cripto
Por Aryel Fernandes
Corinthians lança novas camisas inspiradas na Invasão de 1976; veja quanto custam os modelos
Por André Amadeus
Operação Compliance Zero 5ª fase: veja o que já aconteceu em cada etapa da investigação
Por Joyce Canelle

O post Quanto custa produzir no Paraguai? Veja diferenças em relação ao Brasil apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.

  •  

Entrelinhas de Mercado: iFood já opera como empresa de inteligência artificial, diz CEO

O iFood já está mais próximo de ser uma empresa de inteligência artificial do que apenas uma empresa de tecnologia, afirmou Diego Barreto, CEO do iFood, no Entrelinhas de Mercado, programa do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC apresentado por Junior Borneli.

Segundo Barreto, a definição de uma empresa deve considerar qual é a alavanca que orienta suas decisões, sua operação e sua geração de valor. No caso do iFood, afirmou, essa alavanca é a inteligência artificial.

“Eu diria que a gente está mais hoje para ser já uma IA company do que uma tech company”, disse.

O executivo afirmou que mais de 50% dos funcionários do iFood atuam em tecnologia e dados. Segundo ele, todas as áreas da companhia têm estruturas próprias de tech e data, incluindo marketing, branding e pessoas.

Barreto disse que a empresa tem hoje mais de 150 modelos proprietários de inteligência artificial. Para ele, esses sistemas são centrais para a operação.

“Se eu desligar os modelos, a empresa não funciona. A empresa para de uma hora para outra”, afirmou.

Leia também: iFood anuncia R$ 17 bilhões em investimentos no Brasil até março de 2026

Modelos próprios e crédito para restaurantes

Barreto citou o antifraude do iFood como exemplo de modelo interno. Segundo ele, a solução é própria e supera benchmarks do mercado brasileiro.

O CEO também destacou a fintech da companhia, o iFood Pago. Ele afirmou que a área já desembolsa R$ 100 milhões em crédito, principalmente para pequenos comerciantes que normalmente têm dificuldade de acesso a financiamento no mercado tradicional.

“Ela tem hoje uma carteira que desembolsa R$ 100 milhões de crédito. R$ 100 milhões por um perfil que no Brasil pouquíssima gente dá dinheiro, que é o pequeno comerciante”, disse.

Segundo Barreto, o prazo médio da carteira é de 18 meses, e a inadimplência é de 7%.

O executivo afirmou que o diferencial do iFood está nos dados operacionais da plataforma. Segundo ele, o modelo de crédito da empresa não se baseia principalmente em receita ou lucro, mas em informações como cancelamentos, faturamento, turnos de funcionamento, comportamento de preços e correlação com inflação.

“O meu modelo de crédito tem como maior componente questões operacionais”, afirmou.

iFood como canal de vendas

Barreto disse que o iFood se tornou um grande canal de vendas, especialmente para pequenos comerciantes. A plataforma tem 60 milhões de usuários, segundo o executivo.

Para ele, o principal valor do iFood está em permitir que pequenos negócios acessem demanda sem precisar investir em tecnologia própria, marketing ou canais digitais complexos.

“O iFood é um grande canal de vendas, uma grande ferramenta em especial para o pequeno comerciante”, afirmou.

O CEO citou o exemplo de uma padaria que vende pizza apenas fisicamente, mas pode criar uma operação digital separada dentro da plataforma e alcançar consumidores que não associariam aquele estabelecimento a uma pizzaria.

“Essa é a beleza. É um canhão de vendas com flexibilidade que permite as pessoas serem criativas”, disse.

Barreto afirmou que a companhia não pretende operar lojas físicas ou estoques próprios. Segundo ele, a estratégia do iFood é entrar na rotina das pessoas por meio da conveniência regionalizada.

“Eu não tenho a pretensão de ser a loja física, eu não tenho a pretensão de ter o meu estoque”, afirmou.

Leia também: iFood Pago quer alcançar a marca de R$ 2,4 bilhões em crédito para restaurantes em SP

Além da comida

O CEO disse que o food delivery foi o ponto de partida porque é a categoria de maior frequência de consumo. A partir dela, o iFood passou a conhecer melhor os hábitos dos usuários e avançou para áreas adjacentes.

Segundo Barreto, a empresa começou, em 2021, a desenvolver negócios em mercado, farmácia, bebidas e conveniência, além de pet shop.

O executivo afirmou que farmácia tem maior proximidade com a estrutura logística já existente do iFood, enquanto supermercado é mais complexo por exigir operação offline e gestão de estoque mais sofisticada.

A empresa também testa há cerca de um ano a categoria de shopping, com entrega de produtos vendidos em centros comerciais. Barreto disse que o objetivo não é competir diretamente com varejistas ou marketplaces, mas atender demandas de conveniência em prazo curto.

“Você precisa dela nos próximos 30 minutos. É aí que eu começo a entrar nessa história”, afirmou.

Marca, testes e cultura

Barreto afirmou que construir uma marca querida em um negócio como o do iFood é difícil porque a experiência do consumidor depende de partes que a empresa não controla diretamente, como restaurantes e entregadores.

“A marca não é só o que você parece ser, ela é o que você é também”, disse.

Segundo ele, a companhia atua em uma janela curta de conveniência. Se há atraso, erro no pedido ou problema na entrega, o iFood precisa resolver em minutos.

“Eu sou um business de conveniência. Não é que eu tenho um dia para resolver um eventual problema. Eu tenho 30 minutos de janela para resolver tudo”, afirmou.

O CEO disse que a cultura do iFood parte do princípio de sonhar grande e testar continuamente. Segundo ele, a empresa não estrutura inovação a partir de cronogramas rígidos, mas por experimentos rápidos.

Barreto citou a metodologia interna chamada de “jet ski”, usada para testar ideias em pequenos times antes de escalar.

“O que é o jet ski? É quando eu te obrigo a fazer, por exemplo, em uma ou duas semanas, pequenos times, com os ativos que estão aqui para você”, disse.

Para o executivo, a lógica de produto é diferente da lógica de projeto. Em vez de aprovar grandes planos e só depois colocá-los no mercado, a empresa testa hipóteses, aprende e escala apenas quando encontra sinais de tração.

“Você tem um problema, não sabe qual é a solução, abre 10, 20 hipóteses, testa, aprende, testa, aprende”, afirmou.

Leia também: EXCLUSIVO: Em Davos, iFood defende regras para plataformas e projeta novo ciclo de investimentos no Brasil

Entregadores e impacto social

Barreto afirmou que o iFood tem quase 400 mil entregadores e reconheceu a responsabilidade social da plataforma na geração de renda.

Segundo ele, a empresa identificou três perfis de entregadores: os que se dedicam de forma recorrente à atividade, os que usam a plataforma para complementar renda em momentos específicos e os que trabalham temporariamente enquanto buscam outra ocupação.

Para o primeiro grupo, disse Barreto, o foco é garantir ganho absoluto. Segundo ele, entregadores que se dedicam diariamente ao iFood recebem, líquidos das despesas com moto ou bicicleta, o equivalente a dois salários mínimos.

“Quem se dedica aqui dentro do iFood nessa primeira categoria por dia ganha, líquido da despesa da moto ou da bicicleta, dois salários mínimos”, afirmou.

O executivo também destacou iniciativas de educação. Segundo ele, o iFood é hoje o maior formador de ensino médio do Brasil pelo Encceja, programa voltado a pessoas que não concluíram essa etapa na idade regular.

“Todo ano a gente forma pelo menos 5 mil entregadores aqui dentro”, disse.

Barreto afirmou que 75% dos entregadores do iFood têm ensino médio completo. Entre os que concluem essa etapa com apoio da plataforma, quatro em cada dez vão para a faculdade, segundo ele.

Regulação e futuro do modelo

O CEO disse que a evolução do trabalho por aplicativo depende de um arcabouço legal mais claro. Segundo ele, a empresa vem conversando com o governo e com o Ministério do Trabalho sobre o tema.

“A grande evolução está em a gente ter um arcabouço legal”, afirmou.

Barreto disse que não há foco em internacionalização. Para ele, a estratégia exige escolhas e renúncias, e a expansão global cabe à Prosus, acionista do iFood.

“Estratégia é a arte de você definir opções e dizer não para o resto”, disse.

O executivo também afirmou que não vê o iFood como um super app nos moldes asiáticos. Para ele, a cultura do consumidor ocidental aponta mais para um modelo de integração entre diferentes aplicativos.

“O iFood será um multi-app”, afirmou.

Segundo Barreto, a primeira grande experiência dessa estratégia deve surgir ainda neste ano.

“Vou ter vários apps diferentes, alguns meus, outros não meus, que vão se integrar e criar esse ecossistema de multi-apps”, disse.

O post Entrelinhas de Mercado: iFood já opera como empresa de inteligência artificial, diz CEO apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.

  •  

Da recuperação judicial à Bolsa de Valores de Nova York: a virada da Azul em menos de um ano

Doze meses — essa é a distância que separa dois eventos importantes e de dimensões completamente distintas da história da Azul Linhas Aéreas: o processo de recuperação judicial nos Estados Unidos e o anúncio da estreia em uma das bolsas de valores mais importantes do mundo, a NYSE American.

De lá pra cá, o caminho não foi simples. A Azul enfrentou uma trajetória cheia de obstáculos, marcada por uma das maiores crises do setor aéreo brasileiro, uma fusão frustrada com a concorrente Gol e uma renegociação bilionária com credores que redesenhou por completo o balanço de uma das maiores companhias aéreas do Brasil.

A crise que levou ao Chapter 11

Quando recorreu à Justiça de Nova York, em 28 de maio de 2025, a Azul carregava o passivo acumulado de anos de turbulência. A dívida havia alcançado R$ 31,35 bilhões no primeiro trimestre de 2025, mais de 50% superior à de um ano antes. Os fatores somavam os efeitos prolongados da pandemia sobre a demanda, a valorização do dólar, atrasos na entrega de aeronaves pelas fabricantes e as enchentes que mantiveram o aeroporto de Porto Alegre (uma das principais bases da companhia) fechado por meses em 2024.

A decisão de pedir socorro à Justiça americana, e não à brasileira, tinha lógica. No Brasil, a lei não permite que dívidas de leasing de aeronaves entrem no processo de recuperação judicial, e como boa parte da frota da Azul é arrendada, ficaria de fora qualquer renegociação.

Além de permitirem incluir esses contratos, os EUA oferecem o financiamento DIP (sigla em inglês para debtor-in-possession, ou “devedor em posse”), uma linha de crédito desenhada para companhias em reestruturação, em que o credor entra na frente dos demais na fila de recebimento. É esse dinheiro que mantém a empresa operando, pagando salários e voando, enquanto o plano de reorganização é negociado. Sem ele, a Azul teria pouca margem para sobreviver à travessia.

Mas a companhia chegou à Justiça de Nova York preparada. Levou para o tribunal acordos pré-arranjados com seus principais credores. O pacote previa cerca de US$ 1,6 bilhão em financiamento durante o processo, o corte de mais de US$ 2 bilhões em dívidas e até US$ 950 milhões em novos aportes na saída. Era um plano costurado para encurtar a rota.

Leia também: Azul anuncia entrada na bolsa de valores de Nova York após reestruturação financeira

Uma fusão que naufragou

No meio do processo, um capítulo paralelo se encerrou. Em setembro de 2025, a Abra, controladora da Gol, e a Azul anunciaram o fim das negociações para uma possível fusão — uma união que vinha sendo costurada desde janeiro daquele ano e que criaria a maior companhia aérea do Brasil, com cerca de 60% do mercado doméstico. O negócio esbarrou em obstáculos como o descompasso financeiro entre as duas empresas, pressões políticas e a perspectiva de uma análise concorrencial complexa pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

No mercado, as ações da Azul dispararam 17,1% no pregão seguinte ao anúncio do fim das tratativas. Para os investidores, a desistência era menos uma derrota do que uma libertação. Afinal, sem o peso da negociação com a Gol, a Azul podia finalmente concentrar suas energias em colocar a própria casa em ordem.

Saída em tempo recorde

E foi o que aconteceu. Em 20 de fevereiro de 2026, menos de nove meses depois de ter pedido o Chapter 11, a Azul anunciou a conclusão do processo — uma das saídas mais rápidas entre as companhias aéreas da América Latina que passaram por reestruturações parecidas na última década. A empresa emergiu mais leve, com US$ 850 milhões em capital novo, US$ 2,5 bilhões a menos em dívidas e obrigações de leasing, além da menor alavancagem da história.

Os primeiros resultados pós-reestruturação, divulgados em maio, confirmaram a virada. A Azul reportou prejuízo ajustado de R$ 44,4 milhões no primeiro trimestre, queda de 97,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a empresa ainda afundava em vermelho. O Ebitda atingiu R$ 1,7 bilhão, recorde para um primeiro trimestre, com margem de 31,1%. A liquidez praticamente dobrou em um ano, chegando a R$ 4,7 bilhões. Era uma companhia diferente da que havia entrado no tribunal de Nova York.

Leia também: Azul registra melhor março da história com alta de 170% nos fretamentos e maior pontualidade do Brasil

A chegada a Wall Street

Foi nesse cenário que veio o anúncio desta terça-feira (26). A Azul informou ao mercado que teve aprovada a listagem de suas ações na NYSE American, em Nova York. A negociação começa em 1º de junho.

Mas a estreia em Wall Street é só uma escala. A própria companhia já avisou que pretende migrar para a New York Stock Exchange (NYSE), a bolsa principal, logo no início de julho.

“A nossa listagem na NYSE American marca um momento decisivo para a Azul, à medida que saímos do nosso processo de reestruturação com uma posição financeira mais sólida”, afirmou John Rodgerson, CEO da empresa, em comunicado ao mercado.

Doze meses depois de bater à porta da Justiça americana pedindo socorro, a Azul aterrissa na mesma cidade — mas desta vez, para tocar o sino da bolsa.

O post Da recuperação judicial à Bolsa de Valores de Nova York: a virada da Azul em menos de um ano apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.

  •  

Kardigan entra com pedido de IPO nos EUA para financiar investimentos em terapias cardiovasculares

A Kardigan entrou com pedido para abertura de capital nos EUA com o intuito de captar recursos para financiar o desenvolvimento de terapias que visam a causa raiz de doenças cardiovasculares específicas para as quais não existem tratamentos aprovados.

No documento protocolado junto à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, a CVM americana), a Kardigan diz que almeja listar suas ações com o código KARD na bolsa americana Nasdaq. O prospecto preliminar da oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) não determina quantas ações serão ofertadas e também não cita o preço referencial dos ativos.

No prospecto, a Kardigan detalha que tem expertise em biologia cardiovascular, dados de pacientes e análises avançadas para acelerar a descoberta e o desenvolvimento de fármacos, com o objetivo de entregar terapias de alto impacto de forma eficiente e em escala.

“A doença cardiovascular é a principal causa de morte no mundo, porém a inovação tem ficado para trás devido ao desenvolvimento de medicamentos focado em abordagens amplas, a jusante e orientadas a sintomas, apesar da heterogeneidade da doença e da variabilidade genética – resultando em avanços incrementais e ensaios clínicos longos”, destacou o comunicado.

O pipeline de tratamentos da empresa inclui o Danicamtiv, que está sendo desenvolvido para restaurar a função e a disponibilidade da miosina, uma proteína motora fundamental para a contração muscular e o movimento celular. O Danicamtiv foi avaliado em 10 estudos clínicos concluídos e atualmente está sendo estudado em ensaio de Fase 2b/3, informou a empresa.

Em março de 2025, a Kardigan adquiriu a Prolaio, uma plataforma integrada e exclusiva de dados e terapêutica cardiovascular.

O post Kardigan entra com pedido de IPO nos EUA para financiar investimentos em terapias cardiovasculares apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.

  •  

Exclusivo CNBC: CEO da Ferrari diz que novo elétrico manterá “emoção” dos supercarros da marca

O CEO da Ferrari, Benedetto Vigna, afirmou em entrevista à CNBC Internacional que o primeiro modelo totalmente elétrico da montadora manterá a “emoção” característica dos supercarros da marca, mesmo sem o tradicional motor a combustão.

A declaração ocorre em meio à repercussão do lançamento do novo veículo elétrico da companhia italiana e à reação negativa do mercado, com queda das ações da Ferrari após a apresentação do modelo.

Segundo Vigna, o lançamento representa “um novo capítulo” na história da empresa. “Esperei por este dia por cinco anos”, afirmou o executivo, destacando que a Ferrari busca inovar sem abandonar a identidade construída pela marca ao longo das décadas.

O CEO reconheceu que o novo modelo rompe com características tradicionais da fabricante, incluindo mudanças no design, maior espaço interno e configuração com cinco assentos. Ainda assim, afirmou que a estratégia busca equilibrar os desejos dos clientes históricos da Ferrari com a atração de novos consumidores.

De acordo com Vigna, os veículos elétricos oferecem novas possibilidades de design devido ao tamanho reduzido dos motores em comparação aos modelos térmicos. Ele citou alterações estruturais no capô e o uso de materiais como alumínio e vidro como exemplos de soluções que poderão influenciar futuros modelos da montadora.

O executivo também abordou uma das principais preocupações dos fãs da marca, o som do motor. Segundo ele, o novo veículo elétrico possui um som próprio desenvolvido para transmitir emoção ao motorista. “Cada motor tem seu próprio som. O importante é a emoção que ele transmite”, afirmou.

Durante a entrevista, Vigna destacou ainda a colaboração da Ferrari com parceiros externos no desenvolvimento do projeto, defendendo o conceito de “inovação aberta” como parte da cultura histórica da empresa.

O novo modelo elétrico terá preço inicial superior a 500 mil euros. Questionado sobre a rentabilidade do projeto, em um cenário em que veículos elétricos costumam operar com margens menores, o CEO afirmou que os investimentos foram feitos de forma “disciplinada” e alinhados aos padrões de lucratividade da companhia.

O post Exclusivo CNBC: CEO da Ferrari diz que novo elétrico manterá “emoção” dos supercarros da marca apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.

  •  

Redução da pena de Bolsonaro dependerá do STF; entenda

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Foto: Divulgação

O Congresso Nacional derrubou nesta quinta-feira (30) o veto presidencial ao projeto que reduz as penas de condenados pelos ataques aos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, o PL da Dosimetria. Com isso, ao menos 280 pessoas podem ser beneficiadas pela nova medida, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, condenados por tentar implementar um golpe de Estado no Brasil.

A redução das penas, no entanto, não ocorre de forma automática. O projeto aprovado determina que o Supremo Tribunal Federal (STF) seja o responsável por recalcular as punições de cada réu, levando em consideração as novas regras estabelecidas pela legislação.

Para que a redução aconteça, a corte precisa ser provocada, seja pela defesa de algum dos condenados, pelo Ministério Público ou por um ministro do STF, que seria o relator de um dos casos relacionados à tentativa de golpe.

Apesar da aprovação do projeto, ele ainda pode ser questionado no STF. Partidos políticos, entidades de classe, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o próprio governo podem entrar com ações para contestar a validade da medida, que, se for considerada inconstitucional, poderá ser anulada pelos ministros da corte.

O ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Divulgação

Caso a proposta seja aceita, a pena de Bolsonaro, que atualmente está em prisão domiciliar por motivos de saúde, poderá ser reduzida. Especialistas estimam que o ex-presidente tenha a possibilidade de migrar para um regime mais brando em um prazo de dois a quatro anos, muito mais cedo do que a previsão original de sete anos.

O PL da Dosimetria estabelece regras específicas para dois crimes contra a democracia: a abolição violenta do Estado Democrático de Direito, com pena de 4 a 8 anos, e o golpe de Estado, com pena de 4 a 12 anos. Caso os dois crimes sejam cometidos no mesmo contexto, as penas não podem ser somadas, conforme o projeto.

Nesses casos, a pena do crime mais grave será aplicada, com um aumento de um sexto até a metade, conforme a definição da Justiça. Além disso, o projeto também prevê redução de pena de até dois terços quando os crimes ocorrerem em contexto de multidão, desde que o réu não tenha exercido papel de liderança ou financiado os atos.

No caso dos ataques de 8 de janeiro, a Procuradoria-Geral da República usou a tese dos “crimes multitudinários” para justificar a redução de pena para aqueles que participaram sem liderança direta. O projeto ainda altera as regras de progressão de regime, permitindo a saída do regime fechado após o cumprimento de um sexto da pena.

  •  

Fintechs e o mito da bancarização no Brasil

Artigo da Presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Neiva Ribeiro, sobre o mito da bancarização. Leia o artigo em TVT News.

Por Neiva Ribeiro

Presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região

Nos últimos anos, as fintechs foram apresentadas como solução inovadora para ampliar o acesso da população ao sistema financeiro. Com discurso de inclusão, tecnologia e desburocratização, essas empresas prometeram levar serviços bancários a quem historicamente esteve à margem.

Mas, na prática, é preciso questionar: elas de fato promoveram a bancarização ou apenas ampliaram o alcance de serviços financeiros sem compromisso com inclusão real?

Bancarizar não é simplesmente abrir contas digitais ou oferecer cartões de crédito. Bancarização significa garantir acesso a crédito em condições justas, com taxas compatíveis com a renda da população, além de serviços que promovam estabilidade financeira e desenvolvimento econômico. Trata-se de inclusão.

Dados de 2024 do Banco Central indicam que o crédito no Sistema Financeiro Nacional segue fortemente concentrado nos grandes bancos, que respondem por 81% do total, percentual praticamente inalterado há mais de uma década. Em seguida, aparecem as cooperativas, com 7%, os bancos de desenvolvimento e as financeiras, com 5%, enquanto as fintechs, majoritariamente instituições de pagamento, ainda detêm participação bastante reduzida, de apenas 1%.

governo-lula-avalia-novas-regras-compras-vale-refeicao-alimentacao-marcelo-camargo-agencia-brasil-tvt-news
80,2% das famílias brasileiras estão endividadas, sendo que 29,6% possuem dívidas em atraso e 12,6% não terão condições de quitá-las. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O que se observa, no entanto, é que muitas fintechs expandiram sua atuação justamente entre as camadas mais vulneráveis da população, oferecendo crédito fácil, porém com juros elevados. Esse modelo tem contribuído para o aumento do endividamento das famílias mais pobres, que encontram nessas plataformas uma das poucas alternativas disponíveis, mas acabam presas em ciclos de dívida.

Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (CNC) indicam que 80,2% das famílias brasileiras estão endividadas, sendo que 29,6% possuem dívidas em atraso e 12,6% não terão condições de quitá-las.

Esse quadro se agrava diante do elevado patamar das taxas de juros no país: com a taxa Selic em 14,75%, as operações de crédito para pessoa física apresentam custos bastante elevados, como no cheque especial (138,73% ao ano), no crédito pessoal (118,13%) e, de forma ainda mais crítica, no rotativo do cartão de crédito (424,49%). A promessa de democratização do crédito se transforma, assim, em mais um mecanismo de exploração financeira.

fintechs-e-o-mito-da-bancarizacao-no-brasil-nubank-tvt-news
Em 2024, o movimento sindical bancário protocolou no Ministério da Fazenda uma proposta de regulamentação mais rígida para o setor de fintechs. Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

O crescimento acelerado das fintechs no Brasil reforça essa contradição. Impulsionadas por investimentos robustos e por um ambiente regulatório mais flexível, essas empresas ampliaram sua base de clientes rapidamente.

No entanto, a proposta inicial — de criar uma rede mais acessível, com custos menores e juros reduzidos — não se concretizou na escala prometida. Em muitos casos, as taxas praticadas são tão altas quanto, ou até superiores, às dos bancos tradicionais.

A exclusão aumenta quando os bancos fecham agências e privilegiam setores de alta renda, para aumentar seus lucros. Um levantamento feito pelo Dieese mostra que tivemos a redução de 37% das agências em 10 anos, chegando a pouco mais de 14 mil unidades. São 8,5 mil agências a menos no país entre 2015 e 2025, Somente em 2025, 30 agências foram fechadas a cada semana.

Quase metade dos municípios não possuem agências bancárias. O fechamento de agências tem um impacto direto sobre a população, especialmente em cidades menores, afetando milhões de pessoas. Isso dificulta o acesso ao crédito, ao atendimento presencial e a serviços essenciais, sobretudo para idosos, população de baixa renda e pessoas com pouca familiaridade digital. O resultado é um processo de exclusão financeira e territorial.

Os bancos são uma concessão pública. Isso significa que os bancos têm responsabilidade social e obrigação de atender toda a população, não apenas os segmentos de alta renda. O fechamento de agências, a redução do atendimento presencial e a concentração de serviços voltados aos clientes mais rentáveis contrariam esse princípio e aprofundam desigualdades.

Se queremos, de fato, falar em bancarização, é preciso ir além da retórica da inovação. É necessário enfrentar o problema dos juros abusivos, proteger os consumidores mais vulneráveis e reafirmar o papel social das instituições financeiras. Caso contrário, continuaremos assistindo à expansão de um modelo que, sob o discurso da inclusão, reproduz e aprofunda desigualdades.

Sobre a autora

neiva-ribeiro-presidente-do-sindicato-dos-bancarios-tvt-news
Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários

Neiva Ribeiro é a atual presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região. É formada em Letras pela Universidade Guarulhos, pós-graduada em Gestão Pública pela Fesp-SP, e em Gestão Universitária pela Unisal. É funcionária do Bradesco desde 1989. Ingressou na direção do Sindicato em 2000.

Foi diretora-geral da Faculdade 28 de Agosto de Ensino e Pesquisa, secretária de Formação e secretária-geral da entidade. 

Leia outros artigos de Neiva Ribeiro

The post Fintechs e o mito da bancarização no Brasil appeared first on TVT News.

  •  

Desde 2019: as primeiras ligações de Ibaneis Rocha com o Banco Master

Ibaneis Rocha, governador do DF. Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), assinou em dezembro de 2019 um contrato que previa a venda de direitos sobre R$ 4,4 milhões em honorários de precatórios do seu escritório de advocacia a um fundo administrado pela Planner. À época, a corretora era controlada por Maurício Quadrado, que meses depois se tornaria sócio do banqueiro Daniel Vorcaro.

O fundo envolvido na operação, identificado como BLP PCJ VII, foi representado na negociação por Artur Martins de Figueiredo, diretor de uma empresa que ajudou a capitalizar o Banco Master com bilhões de reais e que está sob investigação da Polícia Federal. Segundo o Globo, Figueiredo também aparece nas apurações como diretor da holding Banvox, que chegou a ser acionista do banco.

O contrato trata da cessão de honorários de precatórios ligados a uma ação movida pelo Sindicato dos Servidores da Justiça do Trabalho de Rondônia e Acre (Sinjustra), em tramitação desde 2011. Nesse tipo de operação, escritórios de advocacia vendem a investidores o direito de receber honorários futuros de precatórios, antecipando valores que podem levar anos para serem pagos.

Somados a outros dois contratos semelhantes revelados anteriormente, os acordos envolvendo o escritório ligado ao governador somam R$ 52,9 milhões em cessões de honorários. O escritório, atualmente administrado por seu filho, Caio Barros, afirma ter recebido cerca de R$ 12 milhões nessas operações, já que os títulos costumam ser vendidos com desconto.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

A existência dessas transações reforça suspeitas de um padrão de negócios envolvendo fundos ligados ao chamado ecossistema do Banco Master. Parte dessas gestoras e fundos aparece nas investigações da operação Compliance Zero e também em apurações sobre lavagem de dinheiro no setor financeiro.

O documento do contrato indica que o próprio Ibaneis Rocha atuou como avalista da operação firmada em 23 de dezembro de 2019. Nesse papel, ele se tornaria responsável solidário pelos valores negociados caso o escritório não cumprisse o acordo com o fundo. A assinatura do governador foi reconhecida em cartório no 1º Ofício de Notas e Protesto de Brasília.

Também aparecem como avalistas a empresa Ibaneis Agropecuária e Administradora de Bens Patrimoniais e outros dois sócios do escritório à época, Marlúcio Lustosa Bonfim e Johann Homonnai Júnior.

Ao Globo, o escritório afirmou que o contrato representa um “negócio jurídico regular, lícito e reiteradamente praticado no mercado por escritórios de advocacia, credores da Fazenda Pública e instituições financeiras, como forma de abreviar, com deságio, o recebimento de valores decorrentes de ações judiciais contra entes públicos”.

Em nota, a Planner declarou que a operação ocorreu “em conformidade com o disposto na regulamentação então vigente” e que “atuou apenas como representante legal” do fundo BLP PCJ VII, “não tendo participado de qualquer tipo de intermediação entre as partes”.

  •  

Bolsonaro apresenta recuperação renal, mas segue internado na UTI

O ex-presidente Jair Bolsonaro no hospital. Foto: Divulgação

O ex-presidente Jair Bolsonaro segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília, após ser diagnosticado com pneumonia bacteriana. O boletim médico divulgado na manhã desta segunda-feira (16) informou que, nas últimas 24 horas, ele apresentou uma melhora clínica e laboratorial significativa.

De acordo com a equipe médica, houve recuperação parcial da função renal e uma resposta positiva aos antibióticos, resultando em uma melhora dos marcadores inflamatórios. Apesar do avanço no quadro de saúde, o ex-presidente continua sob cuidados intensivos e não há previsão para sua alta da UTI.

Bolsonaro foi internado na última sexta-feira (13), após sofrer um episódio de broncoaspiração, que resultou em pneumonia bacteriana. Desde então, ele está recebendo suporte clínico intensivo e sessões de fisioterapia respiratória e motora.

No boletim anterior, emitido no último sábado (14), o hospital havia relatado uma piora nas funções renais do ex-presidente, mas, felizmente, essa situação foi revertida nas últimas 24 horas. A recuperação parcial observada foi atribuída à resposta positiva aos medicamentos administrados durante o tratamento.

Bolsonaro é atendido pelo Samu após episódio de broncoaspiração. Foto: Divulgação

Bolsonaro foi internado devido à pneumonia bacteriana decorrente de broncoaspiração. A infecção aconteceu enquanto o ex-presidente estava cumprindo pena na unidade de prisão Papudinha, onde se encontra desde janeiro deste ano, após ser transferido da Superintendência da Polícia Federal (PF).

Em setembro de 2025, o ex-presidente já havia enfrentado problemas de saúde, necessitando de atendimento médico por causa de vômitos, tontura e queda da pressão arterial. Na ocasião, ele estava em prisão domiciliar.

Em janeiro deste ano, durante sua detenção na Superintendência da PF, Bolsonaro também foi internado após sofrer um acidente dentro de sua cela, onde bateu a cabeça em um móvel. A situação fez com que ele fosse transferido para a unidade Papudinha, a pedido de seus advogados. A unidade oferece apoio médico contínuo, incluindo fisioterapia e acompanhamento 24 horas.

Embora a defesa dele tenha apresentado novos pedidos para sua prisão domiciliar, argumentando fragilidade na saúde do ex-presidente, o Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do ministro Moraes que negou as solicitações. Ele considerou que, conforme atestado pela junta médica da Polícia Federal, Bolsonaro está em condições de continuar cumprindo sua pena na unidade prisional.

Os pedidos de prisão domiciliar foram baseados na argumentação de que a saúde do ex-presidente estava comprometida, o que foi contestado por médicos e autoridades judiciais. A decisão do STF foi respaldada por laudos médicos que atestam que, apesar das condições de saúde, ele está apto a permanecer na prisão com a assistência necessária.

  •  

“Inchado” e “irritado”: Carlos Bolsonaro descreve pai após visita na UTI

Jair e Carlos Bolsonaro.
(Foto: Beto Barata/ PL)

O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) fez uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na unidade de terapia intensiva (UTI) do hospital DF Star, em Brasília, nesta quinta-feira (15). O ex-presidente está internado há três dias, após ser diagnosticado com broncopneumonia bacteriana bilateral. Carlos, ao sair da visita, relatou que Bolsonaro se encontra “inchado” devido ao uso de antibióticos e “naturalmente irritado” com seu quadro de saúde.

“Seu corpo está visivelmente muito inchado, em razão dos antibióticos, e seu estado psicológico segue naturalmente irritado diante de tudo o que está acontecendo”, disse Carlos Bolsonaro. O filho do ex-presidente reforçou que, se não tivesse recebido atendimento médico rapidamente, a situação poderia ter sido fatal.

Segundo Carlos, os médicos foram claros ao explicar que, caso o ex-presidente não tivesse sido tratado a tempo, ele poderia não ter sobrevivido. “Conversei com os médicos, que foram muito claros: mais uma ou duas horas no estado em que ele se encontrava e, muito provavelmente, a morte teria ocorrido. E sabemos que é exatamente isso que os canalhas querem”, afirmou.

Imagem – BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Carlos também pediu, mais uma vez, que seu pai seja transferido para prisão domiciliar, alegando que a medida seria necessária para a preservação de sua vida. “O dia de hoje é, mais uma vez, extremamente doloroso. Um homem que jamais desviou um centavo dos cofres públicos encontra-se preso, enquanto verdadeiros bandidos estão soltos e dando ordens no Brasil”, acrescentou o ex-vereador.

O estado de saúde de Jair Bolsonaro continua sendo monitorado de perto pela equipe médica do hospital. O último boletim, divulgado pela manhã deste domingo (15), informou que houve uma evolução clínica, com melhora na função renal, mas os marcadores inflamatórios no sangue aumentaram, exigindo o aumento da dosagem de antibióticos.

Os médicos que acompanham Bolsonaro, Cláudio Birolini, Leandro Echenique e Brasil Caiado, também indicaram que o ex-presidente continua com “suporte clínico intensivo” e está passando por intensificação da fisioterapia respiratória e motora. Não há previsão de alta da UTI no momento.

A internação de Bolsonaro tem gerado uma série de reações, principalmente devido à sua prisão no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado. A visita de Carlos Bolsonaro e os relatos sobre a condição do ex-presidente aumentaram a tensão sobre a saúde do ex-mandatário e a possibilidade de mudanças nas condições de sua prisão.

A situação continua sendo acompanhada por médicos e autoridades, e a expectativa é que o quadro de saúde de Bolsonaro seja atualizado nos próximos dias.

  •  

Por que Jessie Buckley deve ganhar o Oscar de Melhor Atriz pela atuação em ‘Hamnet’

Jessie Buckley em “Hamnet”

Jessie Buckley é a aposta mais segura da temporada para faturar o Oscar de Melhor Atriz no Oscar 2026, após sua performance imersiva e inesquecível como uma jovem mãe em luto no aclamado filme “Hamnet”. O papel, que marcou sua estreia na categoria, impressiona não apenas pela sua profundidade emocional, mas também pela habilidade de Buckley em dar vida a uma personagem tão complexa e poderosa, elevando sua carreira a novos patamares.

Buckley já havia varrido as principais premiações de pré-Oscar, incluindo os prêmios mais cobiçados da temporada, consolidando-se como uma das favoritas indiscutíveis. Sua atuação em “Hamnet”, uma adaptação cinematográfica da obra literária de Maggie O’Farrell, foi amplamente reconhecida por sua habilidade de capturar as emoções mais sutis de sua personagem, uma mulher em luto pela morte do filho, lidando com a dor e o peso do amor perdido.

Contudo, um incidente inusitado gerou um pequeno burburinho nas redes sociais durante a campanha. Em uma entrevista, Buckley fez uma piada sobre não gostar de gatos, algo que rapidamente foi amplificado na mídia. A atriz rapidamente voltou atrás durante uma aparição no “The Tonight Show”, de Jimmy Fallon, esclarecendo que a declaração não deveria ser levada a sério.

Nomes como Rose Byrne, por “Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria“, e Kate Hudson, por “Song Sung Blue – Um Sonho a Dois”, aparecem como concorrentes à altura, mas sem o mesmo apoio generalizado. Renate Reinsve, com “Valor Sentimental”, tem uma chance mais remota, enquanto a veterana Emma Stone, indicada por “Bugonia”, provavelmente ficaria de fora após duas vitórias anteriores na categoria.

“Hamnet” é um drama intimista que aborda o luto, a perda e o poder da memória. Buckley, como protagonista, foi a peça-chave para dar vida a uma história que emociona e faz refletir sobre os laços familiares e o poder da arte em tempos de sofrimento. Buckley não apenas celebra sua performance de destaque, mas também consagra seu nome no panteão das grandes atrizes contemporâneas.

  •  

A brasileira mais jovem do mundo a se tornar bilionária

A empresaria bilionária Luana Lopes Lara. Foto: Divulgação

Luana Lopes Lara, de 29 anos, é a cofundadora e diretora de operações da startup Kalshi, que se especializa em contratos de eventos. Ela acaba de se tornar a bilionária mais jovem do mundo a conquistar sua fortuna sem herança. A notícia foi divulgada pela revista Forbes, que reconheceu ela como uma das figuras mais notáveis do mercado financeiro global.

A empresa que a jovem fundou em 2018 com seu sócio, Tarek Mansour, funciona de maneira única. Ela permite que investidores compitam no mercado com base nas probabilidades de eventos futuros, como a inflação dos Estados Unidos ou o risco de um governo entrar em colapso.

Antes de fundar a Kalshi, Luana teve uma trajetória de vida multifacetada. Nascida em Belo Horizonte (MG), ela se destacou desde cedo no Brasil, conquistando medalhas em competições acadêmicas como a Olimpíada Brasileira de Astronomia e a Olimpíada Catarinense de Matemática.

Sua paixão pela dança também a levou à Escola de Teatro Bolshoi, em Joinville (SC), onde ela treinou ballet e se apresentou profissionalmente por nove meses na Áustria, antes de seguir para os Estados Unidos para estudar Ciência da Computação no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Foi no MIT que ela conheceu Tarek Mansour, seu futuro sócio. Ambos ingressaram no mercado financeiro durante a faculdade e trabalharam em gigantes como Goldman Sachs e Bridgewater Associates. Nesse ambiente, eles perceberam que muitos dos investimentos eram baseados em previsões sobre o futuro, mas não existia uma maneira simples e direta para negociar com base nessas previsões.

Luana Lopes Lara ao lado do sócio Tarek Mansour. Foto: Divulgação

A solução surgiu com a criação da Kalshi, uma plataforma de negociação de contratos baseada na probabilidade de eventos futuros. A ideia era simples: permitir que as pessoas comprassem e vendessem contratos com base nos resultados de eventos, como a taxa de desemprego nos EUA ou o resultado de uma eleição.

A proposta inovadora conquistou grande apoio no mercado, e a empresa obteve um financiamento de US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) em uma rodada de investimentos no final de 2025, elevando seu valor de mercado de US$ 2 bilhões (R$ 10,7 bilhões) para US$ 11 bilhões (R$ 58,8 bilhões).

Esse aumento de avaliação resultou em um grande aumento na fortuna dos cofundadores. Tanto Luana quanto Mansour possuem aproximadamente 12% das ações da empresa, o que fez com que o patrimônio de cada um superasse a marca de US$ 1 bilhão.

Com isso ela se tornou a bilionária “self-made” mais jovem do planeta, superando até mesmo Lucy Guo, fundadora da Scale AI. Em 2020, a Kalshi obteve aprovação regulatória da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), tornando-se a primeira bolsa de futuros nos EUA totalmente regulamentada para contratos de eventos.

  •  

Com fortuna de US$ 839 bilhões, Elon Musk lidera lista da Forbes

O bilionário de extrema-direita Elon Musk. Foto: Evelyn Hockstein/Reuters

A Forbes divulgou sua tradicional lista de 2026, revelando um crescimento no número de pessoas com fortunas bilionárias. No último ano, o número de bilionários no mundo alcançou a marca recorde de 3.428, com um patrimônio acumulado de US$ 20,1 trilhões.

Elon Musk, CEO da Tesla e SpaceX, lidera a lista com um patrimônio de US$ 839 bilhões, um aumento de US$ 497 bilhões em relação a 2025, consolidando sua posição como o homem mais rico do mundo.

O crescimento expressivo da riqueza global pode ser atribuído à entrada de 400 novos bilionários, abrangendo empreendedores, investidores e herdeiros. O aumento das fortunas foi impulsionado pelo boom da inteligência artificial, que aqueceu os mercados globais e gerou grandes lucros para os investidores. Como resultado, a riqueza total dos bilionários cresceu em US$ 4 trilhões, quebrando mais um recorde financeiro.

Os Estados Unidos continuam a dominar a lista com 989 bilionários, incluindo 15 das 20 pessoas mais ricas do mundo. A China ocupa o segundo lugar, com 610 bilionários, enquanto a Índia está em terceiro, com 229. O Brasil, por sua vez, tem 70 bilionários, com Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, sendo o mais rico do país, com uma fortuna estimada em US$ 35,9 bilhões.

Logos da Amazon, Google e Meta. Foto: Reprodução

O desenvolvimento da inteligência artificial e sua integração com setores como a tecnologia, saúde e finanças têm sido fundamentais para o crescimento da riqueza dos bilionários. As empresas de tecnologia, como Tesla, Google, Amazon e Facebook, lideram a lista de grandes fortunas, com nomes como Larry Page, Sergey Brin, Jeff Bezos e Mark Zuckerberg figurando entre os mais ricos do mundo.

Os dez mais ricos do mundo incluem, além de Musk, Larry Page (US$ 257 bilhões), Sergey Brin (US$ 237 bilhões), Jeff Bezos (US$ 224 bilhões), Mark Zuckerberg (US$ 222 bilhões) e Larry Ellison (US$ 190 bilhões), todos com fortunas impressionantes, em grande parte originadas das indústrias de tecnologia e inovação.

No Brasil, os dez bilionários mais ricos incluem Eduardo Saverin, com US$ 35,9 bilhões, seguido por André Esteves, do BTG Pactual, com US$ 20,2 bilhões. Jorge Paulo Lemann, da 3G Capital, que controla a InBev, ocupa o terceiro lugar com US$ 19,8 bilhões, enquanto o fundador do Itaú, Fernando Moreira Salles, aparece com US$ 9,9 bilhões.

  •  

X de Musk recebe multa milionária por resposta incompreensível à Justiça Eleitoral

Rede X, do bilionário Elon Musk. Foto: reprodução

A Justiça Eleitoral aplicou multa de R$ 1,6 milhão à rede social X após considerar descumprida uma ordem judicial de fornecimento de informações sobre perfis envolvidos em propaganda eleitoral negativa. O caso ocorreu no Rio de Janeiro em processo relacionado às eleições de 2022.

A ação foi apresentada por Marcelo Freixo, que disputou o governo do estado naquele ano. Ele solicitou a identificação dos responsáveis por publicações na plataforma. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro determinou que a empresa fornecesse, em até 48 horas, dados técnicos que permitiriam identificar os usuários.

Entre as informações solicitadas estava a chamada “porta lógica”, um identificador de conexão que, combinado com o endereço IP, permite localizar de forma precisa o responsável por determinado acesso à internet. A decisão previa multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento.

Fachada do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. Reprodução

A plataforma enviou dados dentro do prazo estabelecido, porém as informações foram apresentadas em língua estrangeira e com termos técnicos que dificultaram a compreensão. Além disso, não houve indicação da porta lógica solicitada.

Os advogados de Freixo continuaram solicitando os dados necessários no processo. A plataforma voltou a se manifestar apenas 163 dias depois, quando apresentou as informações em português e organizadas de forma compreensível.

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro considerou que o cumprimento efetivo da decisão ocorreu somente quando as informações permitiram identificar os responsáveis pelas publicações. Com isso, o período de 163 dias foi contabilizado para aplicação da multa.

Inicialmente, o valor acumulado chegou a R$ 16,3 milhões. O tribunal reduziu a multa diária para R$ 30 mil, o que levou o total para R$ 4,8 milhões.

A rede X recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral para tentar afastar a penalidade ou reduzir o valor. Relator do caso, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva manteve a aplicação da multa, citando o artigo 192 do Código de Processo Civil, que estabelece o uso obrigatório da língua portuguesa nos atos processuais.

Na decisão, o ministro afirmou que a legislação admite documentos em língua estrangeira quando o conteúdo é compreensível e não causa prejuízo às partes. No caso analisado, o tribunal considerou que a forma como os dados foram apresentados exigiu novas solicitações no processo.

Cueva determinou nova redução do valor da penalidade. A multa diária foi fixada em R$ 10 mil, totalizando R$ 1,6 milhão.

  •  

“Negócio absurdo”: mensagens citam propina de até R$ 33 milhões a policiais para encerrar investigações

Dinheiro encontrado com policial alvo de operação contra corrupção na Polícia Civil de SP. Foto: Divulgação

Áudios e mensagens encontrados em celulares apreendidos indicam que policiais civis de São Paulo cobravam propinas que chegavam a R$ 33 milhões para encerrar investigações envolvendo suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. O material foi reunido durante uma apuração conduzida pelo Ministério Público (MP), Polícia Federal e Corregedoria da Polícia Civil.

Em um dos áudios, um investigado menciona a tentativa de intermediar pagamentos junto a um delegado. “Eu fui até a delegacia, tá? É referente a uma transferência de [R$] 33 milhões”, afirma. Na mesma gravação, ele acrescenta: “Ali naquela delegacia o delegado é ‘parceiraço’ meu, tá? Você quer que eu faça alguma coisa lá? Tô…Vou aguardar a orientação tua, tá bom?”.

Áudio transcrito mostra que investigado citando pagamento de R$ 33 milhões. Foto: Reprodução

A investigação levou à deflagração da Operação Bazzar nesta quinta (5). A ação tem como alvo um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro dentro de setores estratégicos da Polícia Civil paulista. Nove pessoas foram presas, incluindo um delegado, investigadores, uma doleira e um advogado.

Mensagens também citam pagamentos milionários a policiais. Em um dos diálogos analisados pelos investigadores, aparece a referência a valores elevados pagos a um delegado. “Segundo o Dr aqui: recebeu mais de [R$] 20 milhões”, diz uma das mensagens, sendo “Dr” a forma usada para se referir ao delegado.

Alvo da polícia diz que delegado já recebeu mais de R$ 20 milhões em propina. Foto: Reprodução

A apuração é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo. Segundo os investigadores, participariam do esquema policiais ligados ao Departamento de Investigações Criminais (Deic) e ao Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).

De acordo com a investigação, parte das extorsões ocorria em locais como o hangar do Serviço Aerotático da Polícia Civil, no Campo de Marte, e também no 16º Distrito Policial, na Vila Clementino. Em outro áudio, um investigado relata uma cobrança para barrar um inquérito:

“Tem como a gente falar com esse pessoal, pra…pra…para saber ‘que pé’ que está esse negócio? Que os cara pediram [R$] 5 milhões. Negócio…assim…absurdo…pra quem foi lá”.

Policiais cobraram R$ 5 milhões para trancamento de inquérito, dizem mensagens. Foto: Reprodução

Os celulares apreendidos também mostram registros de pagamentos menores realizados em parcelas. Em uma gravação, um investigado descreve transferências feitas a policiais: “Anota aí para mim que eu dei [R$] 100 mil pro Deic esses dias, eu não sei se você anotou …. e ontem foi mais [R$] 110 [mil]… são [R$] 220 mil que eu dei pro Deic aí, anota aí, tá?”.

Em outro diálogo, um dos envolvidos comenta o temor de novas cobranças: “O cara vai trazer aqui um inquérito para a gente ver que falaram que a gente tá fodido lá no 16º [DP]”.

Segundo a Justiça, o grupo teria transformado delegacias especializadas em espaços de negociação para garantir a paralisação de investigações. A Secretaria da Segurança Pública afirmou em nota que a Corregedoria acompanha a operação e declarou que “a Polícia Civil não compactua com desvios de conduta por parte de seus integrantes e adotará todas as medidas legais e disciplinares cabíveis caso sejam confirmadas quaisquer irregularidades”.

  •  

Polícia prende líder da facção ‘Povo de Israel’ em churrasco no Rio

Chefe da facção Povo de Israel é preso durante churrasco na Baixada Fluminense. Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu nesta terça-feira (3) Márcio Cea de Paiva, de 45 anos, conhecido como “Kinca”, apontado como um dos principais integrantes da facção criminosa Povo de Israel. A captura ocorreu em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, durante uma ação da 38ª DP (Brás de Pina), após monitoramento realizado por agentes de inteligência.

Segundo a investigação, Kinca estava em um churrasco com amigos quando foi localizado pelos policiais. Contra ele havia dois mandados de prisão em aberto por roubo. A ação foi realizada após levantamento de informações que indicavam o paradeiro do suspeito, considerado um dos nomes de destaque dentro da organização criminosa.

Ao chegar ao local, os agentes cercaram o imóvel e realizaram a abordagem por volta das 15h. Durante a operação, os policiais identificaram outro homem com mandado de prisão pendente e cinco indivíduos que estavam com telefones celulares roubados.

Todos foram conduzidos para a delegacia. No total, sete pessoas acabaram presas na ocorrência. Cinco delas foram autuadas em flagrante pelo crime de receptação, enquanto os dois suspeitos com mandados de prisão tiveram as ordens judiciais cumpridas.

➡️ RIO DE JANEIRO | Líder de organização criminosa Povo de Israel é preso em churrasco

Segundo as investigações, o grupo atua principalmente em golpes e extorsões por telefone

Leia na coluna de @mirelle_aphttps://t.co/kL8pmERouD pic.twitter.com/9Y6rzxlh3t

— Metrópoles (@Metropoles) March 4, 2026

De acordo com dados de inteligência da Polícia Civil, Kinca ocupa posição relevante dentro da facção autodenominada Povo de Israel, sendo apontado como o terceiro na hierarquia do grupo criminoso. A organização surgiu dentro do sistema penitenciário do estado do Rio de Janeiro e é composta majoritariamente por detentos que continuam coordenando atividades ilegais mesmo encarcerados.

As investigações indicam que a facção se especializou em golpes e extorsões aplicados por telefone a partir de presídios, especialmente o golpe do falso sequestro. Segundo os investigadores, as fraudes movimentam milhões de reais.

Os policiais apontam que Kinca possui extenso histórico criminal, com registros por crimes como roubo de carga, receptação e estelionato. Ele também é citado em investigações relacionadas à onda de ataques ocorrida em novembro de 2010 no Rio de Janeiro, quando facções promoveram arrastões, incêndio de veículos e confrontos com forças de segurança.

Na época, o suspeito chegou a ser preso e, devido ao grau de periculosidade atribuído a ele, foi transferido para o Presídio Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

  •  

Sakamoto – Fim da 6×1: Maioria dos empreendedores não vê impacto negativo, diz Sebrae

Manifestantes protestam pelo fim da escala 6×1 na Avenida Paulista

Por Leonardo Sakamoto

Dos responsáveis por pequenos negócios, 47% afirmam que o fim da escala 6×1 não trará impacto para suas empresas. Outros 9% veem possibilidade de impacto positivo, 32% estimam impacto negativo e 12% não souberam opinar. Ou seja, predomina a percepção de que a garantia de dois dias de descanso não irá afetar a maioria dos empreendedores.

Os dados estão em pesquisa interna do Sebrae, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, sobre o assunto, coletada no final de 2024 junto a empresas de pequeno porte, microempresas e microempreendedores individuais, e que não havia sido divulgada à imprensa. A margem de erro é de um ponto em relação ao universo dos pequenos negócios no Brasil e o intervalo de confiança é de 95%.

O Congresso Nacional está discutindo propostas que podem levar ao fim da escala 6×1 de trabalho, reduzindo a jornada para 40 ou 36 horas semanais. Pesquisa Genial/Quaest, divulgada em dezembro, aponta que 72% da população apoiam o fim da escala 6×1, contra 24% que se posicionam de forma contrária à mudança.

Entre os microempreendedores individuais (MEI), 53% afirmam que a alteração não afetará seus negócios. Nesse grupo, 11% projetam impacto positivo, 23% acreditam em impacto negativo e 13% não sabem. Já entre as micro e pequenas empresas (MPE), 40% avaliam que não haverá impacto, enquanto 7% enxergam impacto positivo, 44% estimam impacto negativo e 9% não souberam responder.

Quando analisados apenas os responsáveis por microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), a percepção de impacto varia conforme o segmento econômico. No total geral desse recorte, 44% projetam impacto negativo e 47% afirmam que não haverá impacto ou ele será positivo.

Manifestantes protestam pelo fim da escala 6×1 na Avenida Paulista, com bandeira do movimento VAT – Vida além do trabalho

Serviços de alimentação, pet shops e veterinária, indústria alimentícia, comércio varejista, energia, turismo e oficinas e peças de automóveis são os setores nos quais mais empreendedores avaliam que haverá mais impactos negativos do que neutros e positivos.

No setor de serviços de alimentação, 64% estimam efeito adverso, enquanto 24% avaliam que não haverá impacto ou o ele será positivo. Em pet shops e serviços veterinários, 59% apontam impacto negativo, 26% não preveem alterações ou que elas serão boas. Na indústria alimentícia, 58% a 32%, respectivamente; no comércio varejista, 57% a 36%; na moda, 55% a 31%; energia, 51% a 43%; turismo, 51% a 47%; e oficinas e peças de automóveis, 50% a 35%.

Por outro lado, há segmentos em que predomina a percepção de que o fim da escala 6×1 será neutra ou positiva. Ou seja, que não veem prejuízo com a mudança.

Em academias e atividades físicas, 75% afirmam que a mudança não deverá impactar suas atividades ou projetam impacto positivo enquanto 11% dizem que ele será negativo. É seguido de logística e transporte (62% a 19%, respectivamente), artesanato (45% a 30%), economia criativa (66% a 31%), beleza (63% a 32%), serviços empresariais (56% a 34%), educação (60% a 35%), saúde (52% a 36%), serviços pessoais (58% a 38%), agronegócio (51% a 41%), indústria de base tecnológica (54% a 43%) e outras atividades industriais (51% a 42%).

“Entendemos que as mudanças na jornada devem ser feitas com diálogo e a partir de uma negociação com amplos setores da sociedade, garantindo segurança jurídica e sustentabilidade para empresas e trabalhadores”, afirma o presidente do Sebrae, Décio Lima. “Acreditamos que o fim da escala 6×1, além de melhorar a qualidade de vida da população, pode proporcionar um aumento da oferta de emprego e avanços em produtividade”, acrescenta.

Para ele, em vez de focar na simples compensação de horas, as empresas devem ser estimuladas a investir em tecnologias e métodos de trabalho que aumentem a produtividade.

Publicado originalmente no Uol

  •  

Caso Master vem de gestões anteriores do BC, afirma diretor-geral da PF

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Foto: Divulgação

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta terça-feira (10) que o caso envolvendo o Banco Master teve origem em gestões anteriores do Banco Central, mas passou a ser efetivamente enfrentado na atual administração. Segundo ele, o avanço das investigações só foi possível graças à atuação integrada entre instituições e ao envio formal de informações à Polícia Federal.

A declaração foi dada durante entrevista coletiva sobre o balanço das gestões da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. Rodrigues destacou que a apuração ganhou força a partir da cooperação entre os órgãos e da decisão da atual direção do Banco Central de levar os dados às autoridades policiais.

“E isso foi possível graças a essa integração, essa parceria, essa cooperação, graças à coragem também do presidente [Gabriel Galípolo], de enfrentar um problema que já vinha de outras gestões”, afirmou. Segundo o diretor-geral, Galípolo teve “a coragem, a capacidade de levar à frente” o caso, conforme determina a lei.

Rodrigues acrescentou que a autonomia institucional foi determinante para o andamento das apurações. “Essa autonomia que o Banco Central teve para fazer isso também tivemos nós na Polícia Federal para avançar”, disse, ao parafrasear o presidente do BC.

Como revelou a Folha, na data da liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, a instituição mantinha apenas R$ 22,9 milhões em depósitos no Banco Central. O valor representava menos de 1% dos R$ 2,537 bilhões exigidos pelo regulador ao conglomerado controlado por Daniel Vorcaro.

Relatos enviados pelo Banco Central ao Tribunal de Contas da União indicam que a situação se deteriorou ao longo de 2025, com descumprimentos recorrentes dos depósitos compulsórios desde novembro de 2024. Segundo apuração do Estadão, o então presidente do BC, Roberto Campos Neto, teria conhecimento do cenário, mas não interveio.

Rodrigues afirmou ainda que o inquérito principal sobre o caso Master está em fase final. “Estamos caminhando para um relatório final, dando encaminhamento a todos os achados, sem descartar nenhuma hipótese”, declarou.

Na segunda-feira (9), o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou ser grato por conduzir o caso durante o governo de Lula. “Agradeço a Deus por passar por isso sob o presidente Lula”, disse, ao defender a autonomia do BC e da Polícia Federal.

Em janeiro, Lula afirmou que o pobre no Brasil é sacrificado “enquanto um cidadão do Banco Master deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”. Galípolo também agradeceu o apoio do ministro Fernando Haddad e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, além da atuação da Polícia Federal.

Por fim, o presidente do Banco Central defendeu a decisão de liquidar o banco diante do risco sistêmico causado pelo volume de vencimentos de CDBs e pela incapacidade da instituição de cumprir exigências regulatórias.

  •