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Transformação, escala e autonomia marcam o 2º dia do Congresso da Indústria em São Paulo

26 de Março de 2026, 21:01

Diversificar a indústria, transformar pesquisa em escala e ampliar a capacidade de resposta do país a desafios estratégicos foram alguns dos temas que marcaram o segundo dia do Congresso de Inovação da Indústria, realizado nesta quinta-feira (26), em São Paulo.

Promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Sebrae, o encontro reuniu empresários, pesquisadores e executivos de grandes companhias para discutir como o Brasil pode ganhar competitividade em um cenário de mudanças tecnológicas aceleradas, pressão por eficiência e busca por novos modelos de crescimento.

Um dos pontos centrais do debate foi a necessidade de ampliar o horizonte da indústria brasileira para além de seus setores mais consolidados. Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o vice-presidente da Firjan, Antonio Carlos Vilela, afirmou que o Rio de Janeiro precisa transformar seu potencial industrial em uma estratégia efetiva de crescimento, sem ficar restrito à força do petróleo e do gás. “Nós não somos só óleo e gás”, disse Vilela.

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Segundo ele, o estado reúne oportunidades em áreas como indústria criativa, energia, baixo carbono, metalmecânica e complexo da saúde, mas esse potencial precisa ser convertido em ação coordenada entre setor produtivo, universidades e poder público.

“Não existe desenvolvimento sem todos os atores estarem comprometidos com aquilo. A gente quer se juntar força com os outros atores”, afirmou.

A vice-presidente de Sustentabilidade da Natura, Ana Costa, levou ao evento a visão de que inovação e competitividade passam, cada vez mais, por um olhar integrado entre modelo de negócio, colaboração e sustentabilidade. Segundo ela, esse movimento já está incorporado à cultura da empresa e aparece em frentes como bioeconomia, economia circular e parcerias com outras companhias. “A inovação, quando é coletiva, é muito mais potente”, disse.

Para Ana, a sustentabilidade não deve ser tratada como custo adicional, mas como uma alavanca de resiliência e geração de valor. “Eu não vejo isso como custo, eu vejo isso, sim, como investimento”, defendeu. “Esse é o tipo de coisa que não tem patente, que deve ser de interesse público.”

Autonomia, tecnologia e aplicação prática

A agenda da inovação também apareceu associada à capacidade de resposta do país em áreas estratégicas. A pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcomo afirmou que a experiência da pandemia da Covid-19 reforçou a importância de fortalecer a produção nacional e reduzir a dependência externa em momentos críticos.

“É preciso que nós consigamos alcançar autonomia”, disse. 

Na avaliação dela, esse esforço exige uma indústria mais conectada às necessidades reais do país, especialmente em contextos de emergência. “A autonomia exige da indústria grande sensibilidade para nos ouvir o que é necessário ter, o que a indústria deve produzir e o que ela deve ter em situações contingenciais de emergência”, afirmou.

Na área de logística, a gerente de inovação da Wilson Sons, Simone Prado, apresentou um exemplo de transformação digital aplicada a uma operação tradicionalmente pesada. Segundo ela, a companhia desenvolveu uma ferramenta para monitorar rebocadores em todo o país e apoiar, em tempo real, a segurança das embarcações e das manobras.

“A gente consegue monitorar 80 rebocadores ao longo do Brasil inteiro com 26 antenas proprietárias que a gente tem”, disse.

Simone afirmou que a solução já vem trazendo ganhos concretos para a empresa, inclusive em áreas como eficiência operacional e descarbonização. “A gente já vê muitos resultados.”

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Além da executiva, a sócia-proprietária da Nilo By Lysis, Ana Maria da Silva, mostrou como uma inovação nascida da pesquisa científica pode ganhar escala industrial e impacto social. A empresa desenvolveu uma proteína a partir de vísceras de peixe e frango, usada em um sorvete de alto valor nutricional voltado a pacientes oncológicos, crianças e idosos.

Segundo Ana Maria, o próximo passo é buscar grandes parceiros da indústria para ampliar a produção e distribuir o produto em maior escala. “Para aumentar a nossa produção, nós estamos buscando parceiros, grandes indústrias que trabalham com sorvete”, afirmou.

Ela disse ainda que a ambição da empresa é levar o produto a um público mais amplo, inclusive fora do país.“A gente tem essa ambição também de exportar para que esse produto chegue para todo paciente oncológico que precisa.”

Ao longo do segundo dia do congresso, as falas convergiram para a mensagem de que inovação deixou de ser um diferencial periférico e passou a ocupar o centro da disputa por competitividade, crescimento e capacidade de resposta da indústria brasileira.

O post Transformação, escala e autonomia marcam o 2º dia do Congresso da Indústria em São Paulo apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.

Sakamoto – Fim da 6×1: Maioria dos empreendedores não vê impacto negativo, diz Sebrae

22 de Fevereiro de 2026, 12:33
Manifestantes protestam pelo fim da escala 6×1 na Avenida Paulista

Por Leonardo Sakamoto

Dos responsáveis por pequenos negócios, 47% afirmam que o fim da escala 6×1 não trará impacto para suas empresas. Outros 9% veem possibilidade de impacto positivo, 32% estimam impacto negativo e 12% não souberam opinar. Ou seja, predomina a percepção de que a garantia de dois dias de descanso não irá afetar a maioria dos empreendedores.

Os dados estão em pesquisa interna do Sebrae, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, sobre o assunto, coletada no final de 2024 junto a empresas de pequeno porte, microempresas e microempreendedores individuais, e que não havia sido divulgada à imprensa. A margem de erro é de um ponto em relação ao universo dos pequenos negócios no Brasil e o intervalo de confiança é de 95%.

O Congresso Nacional está discutindo propostas que podem levar ao fim da escala 6×1 de trabalho, reduzindo a jornada para 40 ou 36 horas semanais. Pesquisa Genial/Quaest, divulgada em dezembro, aponta que 72% da população apoiam o fim da escala 6×1, contra 24% que se posicionam de forma contrária à mudança.

Entre os microempreendedores individuais (MEI), 53% afirmam que a alteração não afetará seus negócios. Nesse grupo, 11% projetam impacto positivo, 23% acreditam em impacto negativo e 13% não sabem. Já entre as micro e pequenas empresas (MPE), 40% avaliam que não haverá impacto, enquanto 7% enxergam impacto positivo, 44% estimam impacto negativo e 9% não souberam responder.

Quando analisados apenas os responsáveis por microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), a percepção de impacto varia conforme o segmento econômico. No total geral desse recorte, 44% projetam impacto negativo e 47% afirmam que não haverá impacto ou ele será positivo.

Manifestantes protestam pelo fim da escala 6×1 na Avenida Paulista, com bandeira do movimento VAT – Vida além do trabalho

Serviços de alimentação, pet shops e veterinária, indústria alimentícia, comércio varejista, energia, turismo e oficinas e peças de automóveis são os setores nos quais mais empreendedores avaliam que haverá mais impactos negativos do que neutros e positivos.

No setor de serviços de alimentação, 64% estimam efeito adverso, enquanto 24% avaliam que não haverá impacto ou o ele será positivo. Em pet shops e serviços veterinários, 59% apontam impacto negativo, 26% não preveem alterações ou que elas serão boas. Na indústria alimentícia, 58% a 32%, respectivamente; no comércio varejista, 57% a 36%; na moda, 55% a 31%; energia, 51% a 43%; turismo, 51% a 47%; e oficinas e peças de automóveis, 50% a 35%.

Por outro lado, há segmentos em que predomina a percepção de que o fim da escala 6×1 será neutra ou positiva. Ou seja, que não veem prejuízo com a mudança.

Em academias e atividades físicas, 75% afirmam que a mudança não deverá impactar suas atividades ou projetam impacto positivo enquanto 11% dizem que ele será negativo. É seguido de logística e transporte (62% a 19%, respectivamente), artesanato (45% a 30%), economia criativa (66% a 31%), beleza (63% a 32%), serviços empresariais (56% a 34%), educação (60% a 35%), saúde (52% a 36%), serviços pessoais (58% a 38%), agronegócio (51% a 41%), indústria de base tecnológica (54% a 43%) e outras atividades industriais (51% a 42%).

“Entendemos que as mudanças na jornada devem ser feitas com diálogo e a partir de uma negociação com amplos setores da sociedade, garantindo segurança jurídica e sustentabilidade para empresas e trabalhadores”, afirma o presidente do Sebrae, Décio Lima. “Acreditamos que o fim da escala 6×1, além de melhorar a qualidade de vida da população, pode proporcionar um aumento da oferta de emprego e avanços em produtividade”, acrescenta.

Para ele, em vez de focar na simples compensação de horas, as empresas devem ser estimuladas a investir em tecnologias e métodos de trabalho que aumentem a produtividade.

Publicado originalmente no Uol

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