A Polícia Federal transferiu internamente o banqueiro Daniel Vorcaro para uma cela comum na carceragem da Superintendência do Distrito Federal.
Com isso, ele passa a ser submetido às regras do normativo interno da PF para a visita de advogados. Essas regras permitem duas visitas por dia por um período de meia hora.
Antes, ele estava alocado em uma sala de Estado-Maior que havia sido reformada para abrigar o ex-presidente Jair Bolsonaro no cumprimento de sua prisão. Vorcaro ficou no local para trabalhar na sua proposta de delação premiada com seus advogados e passava quase o dia inteiro reunido com eles.
A PF já havia solicitado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que Vorcaro fosse transferido de volta para um presídio, sob o argumento de que as condições dele na prisão na Superintendência alteravam e afetavam a rotina da administração.
O ministro ainda não proferiu uma decisão sobre essa mudança de endereço, mas autorizou a mudança de celas dentro da PF. Vorcaro está na Superintendência desde o dia 19 de março, quando começou a negociar sua delação premiada.
Como a defesa de Vorcaro já entregou sua proposta de colaboração a PF decidiu aplicar a ele as regras usadas para todos os demais presos e colocá-lo em uma carceragem comum.
A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda analisam a proposta apresentada. Como mostrou o Estadão, a tendência é que essa proposta seja devolvida aos advogados com um pedido para complemento dos temas abordados.
O nome de Christian Egan deve ser anunciado nos próximos dias como o próximo presidente da B3. A informação é do jornal Valor Econômico. Egan foi anunciado como chefe da área corporate e do banco de investimento do Santander no Brasil há apenas dois meses.
Se se confirmar, o nome de Egan deve chegar como uma surpresa para o mercado. Isso porque acredita-se que o atual vice-presidente de produtos e clientes da B3, Luiz Masagão, seja o nome mais cotado para substituir Gilson Finkelsztain à frente da bolsa.
Fontes ouvidas pelo Valor Econômico afirmam que houve uma divisão interna no conselho da B3. Enquanto alguns eram favoráveis a Masagão para a sucessão, outros, incluindo o presidente do conselho, Caio Ibrahim David, foram resistentes a escolhê-lo para a liderança.
O jornal apurou ainda que o próprio Ibrahim David foi considerado para a função, mas posteriormente teria sido descartado por não ter tanto conhecimento técnico para o cargo. Também se considerou que debater sobre o nome no conselho seria conflituoso por ele presidir o colegiado.
Segundo o Valor, outro nome aventado foi o de Alexandre Bettamio, que teria declinado o convite para assumir a presidência da B3. Ele mora em Nova York há 12 anos e está voltando para o Brasil para ser co-chair de global corporate e investment banking do Bank of America (BofA).
O jornal procurou a B3 para comentar a sucessão, mas a bolsa afirmou que o processo ainda não foi concluído e segue sendo conduzido pelo conselho de administração da companhia, em linha com as melhores práticas de governança. A companhia reforçou seu compromisso com a transparência e disse que comunicará o nome oportunamente.
A Alphabet, controladora do Google, concordou em criar um negócio de computação em nuvem voltado à inteligência artificial em parceria com a Blackstone, em uma tentativa de competir com empresas como a CoreWeave em um mercado em rápida expansão.
O projeto contará com um aporte inicial de US$ 5 bilhões em capital próprio da Blackstone, que será a acionista majoritária da nova empresa, segundo comunicado divulgado nesta segunda-feira. Considerando alavancagem financeira, o investimento total chegará a US$ 25 bilhões, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto.
A meta é alcançar, até 2027, uma capacidade computacional equivalente a 500 megawatts. Os data centers utilizarão os chips de inteligência artificial desenvolvidos pelo próprio Google, chamados tensor processing units (TPUs), projetados para treinar e operar modelos de IA. O veterano executivo do Google Benjamin Treynor Sloss assumirá como CEO da nova companhia.
O movimento reforça o boom global de investimentos em infraestrutura computacional, base dos modelos e serviços de inteligência artificial. O Google vem expandindo sua linha de chips de IA e buscando capacidade adicional de data centers para acomodá-los, em resposta ao aumento da demanda tanto de usuários internos quanto de clientes externos.
A nova empresa competirá com as chamadas “neoclouds”, como CoreWeave e Nebius, que oferecem poder computacional para provedores de serviços de IA. Muitas delas têm apoio da Nvidia e utilizam as GPUs da fabricante, unidades de processamento gráfico voltadas a inteligência artificial.
No início deste mês, a Blackstone realizou a oferta pública inicial da Blackstone Digital Infrastructure Trust, veículo de aquisição de data centers criado para comprar propriedades já construídas e alugadas que se beneficiam do boom da inteligência artificial.
A Blackstone, que administra mais de US$ 1,3 trilhão em ativos, se apresenta como a maior fornecedora global de data centers. A gestora adquiriu a operadora de data centers QTS em 2021 e comprou a empresa australiana de computação AirTrunk em 2024.
O Google já desponta como um dos maiores beneficiados pela onda de investimentos em inteligência artificial. As receitas de sua divisão de computação em nuvem aceleram fortemente, enquanto seus próprios serviços de IA ganham adesão entre consumidores.
A atriz Cate Blanchett confirmou que irá estrelar o próximo filme do diretor Brady Corbet ao lado de Selena Gomez e Michael Fassbender. A novidade surgiu durante uma masterclass no Festival de Cannes, quando Blanchett revelou casualmente que estava prestes a trabalhar com Corbet. Pouco depois, a informação foi confirmada pela revista Variety.
“Jack Ryan de Tom Clancy: Guerra Fantasma” chega ao Prime Video nesta quarta-feira, 20, como o novo capítulo da franquia estrelada por John Krasinski. O longa funciona como continuação direta da série “Jack Ryan”, encerrada oficialmente em 2023 após quatro temporadas de sucesso no streaming.
O ator e roteirista Seth Rogenvoltou a criticar o uso de inteligência artificial na indústria do entretenimento. Durante uma entrevista à Brut no Festival de Cannes, o astro afirmou que pessoas que recorrem à IA para escrever roteiros “não deveriam ser escritoras”.
A reta final de "The Boys" continua elevando o nível de violência e choque que transformou a série em um dos maiores sucessos do Prime Video. Agora, novas imagens de bastidores entregaram detalhes dos bastidores mais impactantes da temporada final. Mas, cuidado! Se você ainda não viu o episódio 7, os parágrafos a seguir contêm spoilers:
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, assinou nesta segunda-feira (18) decreto que estabelece estado de alerta climático por 180 dias. A medida é preventiva e procura fortalecer ações de prevenções, principalmente em caso de chuvas e alagamentos, por causa do El Niño.
Segundo a agência de notícias do governo estadual, haverá investimento em monitoramento, capacitação e modernização de barragens, mas a medida não se trata de um decreto de situação de emergência ou de estado de calamidade pública.
“O objetivo é permitir a mobilização antecipada dos órgãos estaduais para ações de prevenção, monitoramento e resposta rápida diante de possíveis eventos extremos”, informa.
O decreto estabelece critérios objetivos para que municípios atingidos possam declarar situação de emergência, como índices elevados de chuva (precipitação superior a 80 milímetros em 24 horas), desabrigamento de famílias, interrupção de serviços essenciais, deslizamentos e alertas de nível laranja ou vermelho emitidos pela Defesa Civil estadual.
“O decreto ainda prevê mobilização de servidores estaduais para apoio às ações da Defesa Civil e autoriza o uso de recursos do Fundo Estadual de Proteção e Defesa Civil (Fundec) para custear medidas preventivas e operacionais”, explicou o governo.
O decreto tem vigência até novembro, mas pode ser prorrogado.
O estado já sofreu grandes enchentes nos anos de 1983 e 2023 provocadas pelo El Niño.
El Niño
Os estudos mais recentes, tanto nacionais quanto do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) – órgão do governo dos Estados Unidos que observa condições climáticas, indicam probabilidade acima de 80% de ocorrência do El Niño já em julho.
A situação no começo de maio era de neutralidade (temperatura das águas dentro do esperado para a região tropical do Pacífico), com aquecimento de mais de meio grau a partir de julho.
O fenômeno caracteriza-se pela alteração de temperatura das águas do Oceano Pacífico.
A previsão atual é de que o El Niño tenha maior intensidade entre dezembro de 2026 e janeiro de 2027, segundo a agência norte-americana e uma das referências no estudo do El Niño e do La Niña.
Na quinta-feira passada (14), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) divulgou documento com análises atualizadas sobre a possível formação do fenômeno climático e seus impactos no território gaúcho. O texto aponta para a “possibilidade de formação de um novo episódio de El Niño ao longo de 2026, com maior probabilidade de atuação durante a primavera deste ano e o verão de 2027”.
Conforme os especialistas, os cenários atuais “sugerem tendência de chuvas acima da média em diferentes regiões do Rio Grande do Sul, além de temperaturas superiores ao padrão climatológico em determinados períodos”.
O boletim da última sexta-feira, do NOAA, indica um risco aumentado de mais de dois graus de variação entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027, o que levou a um alerta para a costa oeste dos Estados Unidos, que se prepara para temporais mais intensos e inundações.
Segundo o órgão, a elevação da temperatura média dos oceanos, o aumento de sua altura e a força do El Niño coincidem e podem levar à maior incidência de desastres naturais.
Institutos ligados ao Ministério da Agricultura e da Ciência, Tecnologia e Inovação têm alertado para risco de chuvas no Sul e de maior dificuldade na produção de alimentos, com instabilidade para culturas alimentares, como arroz, feijão e milho.
A economia do Japão continuou a se expandir durante o primeiro trimestre de 2026, reforçando o argumento para um novo aumento da taxa de juros, à medida que o conflito no Oriente Médio eleva os riscos de inflação.
O Produto Interno Bruto (PIB) real cresceu 0,5% no período de janeiro a março em relação ao trimestre anterior, mostraram nesta terça-feira, 19, dados preliminares do governo.
Isso se compara à expansão de 0,2% registrada no trimestre de outubro a dezembro e ao crescimento de 0,4% esperado em uma pesquisa com economistas realizada pela provedora de dados Quick.
A economia cresceu 2,1% em termos anualizados durante o primeiro trimestre.
Os resultados sólidos provavelmente aumentarão as expectativas de um aumento de juros em breve pelo Banco do Japão.
Muitos economistas e investidores esperam que o banco central eleve sua taxa básica para 1,0%, de 0,75%, em sua próxima reunião, apesar do risco de que as pressões de preços possam desestimular os gastos das famílias e comprimir as margens corporativas, desacelerando a atividade econômica.
Isso deixa o banco central em uma posição difícil. Manter as taxas de juros inalteradas para proteger a economia pode alimentar uma maior fraqueza da moeda e acelerar a inflação. Por outro lado, aumentar os juros de forma mais agressiva para controlar custos e proteger o iene traz o risco de sufocar o crescimento econômico.
Os dados de terça-feira mostraram que a recuperação da demanda interna permanece gradual e frágil. A incerteza geopolítica contínua e os custos mais altos de combustível podem, em breve, começar a pressionar as finanças e prejudicar o sentimento de famílias e empresas.
O consumo privado avançou 0,3% no primeiro trimestre, após ficar estável nos três meses anteriores. O investimento em capital cresceu 0,3%, bem abaixo da expansão de 1,4% no trimestre anterior.
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast
Deputados da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) determinaram repasses de R$ 700 mil dos cofres públicos para empresas geridas por Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. As indicações partiram de três parlamentares bolsonaristas e um petista, que negam irregularidades.
Do montante, R$ 300 mil foram efetivamente pagos, conforme dados do Portal da Transparência. A informação foi revelada pelo site Metrópoles e confirmada pelo GLOBO.
O financiamento do longa-metragem é objeto de investigação da Polícia Federal. Na semana passada, o site “Intercept Brasil” divulgou áudios em que o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) cobrava pagamentos ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Pelo menos R$ 61 milhões foram enviados por um negócio controlado por ele a um fundo americano.
As emendas dos deputados paulistas foram destinadas a duas empresas de Karina, denominadas Instituto Conhecer Brasil e Associação Nacional de Cultura. Ambas estão sediadas em um conjunto comercial na Avenida Paulista, em São Paulo, segundo os registros dos CNPJs.
Em 2023, a deputada Valéria Bolsonaro (PL), ex-secretária estadual de Políticas para a Mulher, enviou R$ 100 mil para o instituto com a finalidade de “aquisição de equipamentos”. A emenda, de execução obrigatória, foi encaminhada em 28 de dezembro daquele ano, no limite para o pagamento. A assessoria da parlamentar foi procurada para explicar a medida, mas ainda não retornou o contato.
Dois anos depois, outros dois deputados bolsonaristas optaram, ao menos inicialmente, por repasses a empresas ligadas a Karina.
Lucas Bove (PL) indicou R$ 213 mil para o mesmo CNPJ, desta vez para um projeto esportivo. A emenda, contudo, foi “impedida tecnicamente” e acabou não sendo executada. O termo se refere a alguma falha no processo, o que pode envolver descumprimento de prazos, ausência de projeto, documentação reprovada ou desistência, por exemplo.
“Recebi um projeto voltado ao esporte infantil que parecia interessante, porém redirecionei o recurso por questões documentais do proponente. O instituto não apresentou a documentação técnica para execução, aí resolvi redirecionar para outro projeto”, alegou o deputado por mensagens.
Gil Diniz (PL), conhecido pela alcunha de “Carteiro Reaça” e próximo de Eduardo Bolsonaro, destinou R$ 200 mil para a Associação Nacional de Cultura, sob a justificativa de bancar a produção da série documental “Heróis Nacionais — Filhos do Brasil que não se rende”. O valor foi pago em agosto de 2025. Diniz não retornou o contato.
Neste ano, o deputado petista Luiz Fernando Teixeira, nome próximo do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, protocolou uma emenda impositiva de R$ 190 mil para o instituto de Karina, para “projetos culturais”. Ele afirmou, por meio de nota, que ela será “utilizada única e exclusivamente para um projeto de aulas de teatro em São Bernardo do Campo, por solicitação de um grupo de teatro”. O parlamentar declarou que apoia o setor da cultura desde 2015, quando assumiu o cargo.
Emendas federais sob escrutínio
Recentemente, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino cobrou explicações de deputados federais do PL em razão de emendas dirigidas às empresas Instituto Conhecer Brasil e Academia Nacional de Cultura, controladas pela sócia da produtora de “Dark Horse”. A apuração é preliminar e tem como foco um possível descumprimento de uma decisão anterior da Corte que determinou transparência e rastreabilidade às chamadas “emendas Pix”, além de um eventual redirecionamento oculto para o filme de Bolsonaro.
Um dos deputados envolvidos é o ex-ator Mário Frias (PL), que faz parte do elenco de “Dark Horse” e assina o roteiro do filme. Ele enviou R$ 2 milhões para o Instituto Conhecer Brasil através de duas emendas: uma delas era destinada à capacitação de adultos e adolescentes em “letramento digital” para o ensino digital a alunos de 4º e 5º anos de escolas públicas municipais, e a outra para implementação do projeto de artes marciais “Lutando pela Vida” em São Paulo.
Reportagem do site “UOL” apurou ainda que Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Carla Zambelli (PL-SP) enviaram R$ 1 milhão cada para o governo de São Paulo, através de transferências especiais, mecanismo que ficou conhecido como “emendas Pix” e não permite verificar o destino final sem fazer um cruzamento complexo de dados. Neste caso, era para a Academia Nacional de Cultura, sob justificativa de bancar a produção “Heróis Nacionais”. Marcos Pollon (PL-MS) complementou com R$ 500 mil, e Bia Kicis (PL-DF), com mais R$ 150 mil.
O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) informou neste domingo, 17, que em sua última visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na prisão domiciliar o pai definiu que irá apoiar os nomes de Alfredo Gaspar (PL) e Arthur Lira (PP) como os candidatos ao Senado Federal por Alagoas. Eles disputarão as duas vagas abertas para o Estado nas eleições deste ano.
“Em Alagoas, o presidente Jair Bolsonaro, toda a família Bolsonaro e todo o agrupamento de direita e centro-direita já têm definidos seus nomes para o Senado: Arthur Lira e Alfredo Gaspar de Mendonça. São nomes preparados, experientes e comprometidos com os valores que defendemos para o Brasil”, disse Carlos Bolsonaro para jornalistas durante o evento “Acorda Brasil” em Maceió.
O deputado federal e ex-presidente da Câmara, Arthur Lira, já lançou sua pré-candidatura ao Senado Federal em março deste ano, em um evento com lideranças políticas em Maceió. Há uma movimentação para que ele se filie ao Partido Liberal (PL), de Jair Bolsonaro, mas atualmente ele está definido como pré-candidato pelo Partido Progressistas (PP).
Já o deputado federal Alfredo Gaspar lançou sua pré-candidatura pelas redes sociais, em abril deste ano, pela sigla de Bolsonaro. Ele se filiou ao PL em março deste ano, deixando o União Brasil. Ao ingressar no partido, ele assumiu a presidência estadual da sigla, substituindo o ex-prefeito de Maceió, JHC.
Em Alagoas, duas vagas ao Senado estarão em disputa em outubro. Os mandatos do senador Renan Calheiros (MDB) e do senador Fernando Farias (MDB) se encerram em janeiro de 2027.
Carlo Ancelotti teve uma agenda e tanto nesta segunda-feira. Ao meio-dia, o técnico da seleção brasileira fechou a lista dos convocados para a Copa do Mundo. Às 17h, foi feito o anúncio.
O italiano seguiu para a entrevista coletiva e, depois disso, o dia ainda estava longe de terminar. Ancelotti foi ao “Jornal Nacional”, da Globo. Diante de compromissos tão midiáticos, o técnico ficou tranquilo.
Não houve, porém, como segurar a emoção quando foi exibida uma reportagem sobre a trajetória do técnico com a seleção até aqui. “Acho que é um aspecto pessoal. Sou uma pessoa tranquila e quero transmitir isso às pessoas que estão comigo. Sempre digo que não vou falar com um jogador, mas com uma pessoa que joga futebol”, disse.
“Não sou um psicólogo, mas conheço muito bem as pessoas, o que pensam os jogadores, porque eu era um jogador. Eu entendo”, respondeu.
O técnico exaltou a torcida do Brasil e repetiu que foi muito bem recebido no País. “Eu não tive ansiedade para essa lista. É novo, interessante conhecer a paixão que esse País tem por futebol. Pode-se tocar (a paixão) com a mão, é real”, comentou Ancelotti, que revelou ter fechado a convocação ao meio-dia desta segunda-feira, após acompanhar jogos do fim de semana.
Ancelotti também avaliou sua primeira experiência como técnico de uma seleção, além de ser o primeiro estrangeiro no comando do Brasil. “A responsabilidade aumenta, porque estamos fazendo um trabalho para um povo que ama o futebol, que tem a melhor seleção do mundo, da história.”
O técnico voltou a exaltar o carinho do torcedor e comparou o modo de treinar um clube com uma seleção. “Estou contente. Vivo numa cidade fantástica, no Rio, muito bonita. E a recepção das pessoas é muito bonita para mim. Sou estrangeiro ‘entre vírgulas’. O brasileiro é alegre, humilde, parece um pouco do caráter que eu tenho. Estou muito animado, vamos fazer uma boa Copa do Mundo e tentar ganhar”, disse.
“A pressão, eu honestamente não sinto. Sinto motivação, alegria, felicidade por ter a oportunidade de preparar uma Copa do Mundo com o Brasil. Não é uma seleção normal. O Brasil não pode pensar só em participar da Copa, quando ganhou cinco vezes”, avaliou o técnico, que considera o Brasil um dos favoritos, junto de Argentina e França.
Ancelotti falou sobre a situação de Neymar, convocado pela primeira vez desde que ele assumiu a seleção. “Nos últimos tempos, Neymar começou a jogar com continuidade, mostrou evolução física. Não precisamos testá-lo, como não precisamos testar Weverton, goleiro do Grêmio. Pensamos que está bem e por seu talento, sua experiência, sua qualidade, pode dar algo bonito à equipe. Não foco no individual, mas no que ele pode contribuir para o coletivo.”
Ao ser perguntado se o jogador será titular, o treinador manteve a posição já dita pouco antes. “Se merecer ser titular, vai ser. Tem o mesmo papel que os outros 25. Quem merecer vai jogar”, disse, categórico.
Até 10 jogadores da seleção brasileira podem ‘se atrasar’ para a apresentação junto à delegação da Copa do Mundo. São os atletas que terão agenda estendida com seus clubes pela disputa da final da Champions League ou das rodadas finais das fases de grupos de Libertadores e Sul-Americana.
O regulamento da Copa do Mundo libera os atletas finalistas de competições continentais, o que valia para a Uefa. A medida foi estendida pela Fifa também às rodadas finais das fases de grupos, atendendo à Conmebol.
A permissão não significa que todos irão chegar depois. Pode ser que alguns dos jogadores sejam liberados dos compromissos com clubes, como é esperado que aconteça com Neymar.
O Santos tem dois duelos em casa pela Sul-Americana, com San Lorenzo (dia 20) e Deportivo Cuenca (dia 26). Ainda antes, pelo Brasileirão, o time enfrenta o Grêmio (dia 23), ainda no período em que Neymar pode atuar na competição nacional.
Os demais 16 jogadores começam a ser liberados pelos clubes a partir de 25 de maio. Os times brasileiros, portanto, poderão usar os convocados nas competições continentais, mas não no Brasileirão, que tem a última rodada antes da pausa no fim de semana de 30 de maio.
A programação da CBF prevê apresentação dos jogadores à seleção a partir do dia 27 de maio. Os jogos das competições sul-americanas serão nos dias 26, 27 e 28. A final da Champions, dia 30.
JOGADORES QUE PODEM ATRASAR NA APRESENTAÇÃO À SELEÇÃO:
O Santos considera que o “plano Neymar” foi bem-sucedido, culminando na convocação do jogador para a seleção brasileira na Copa do Mundo. O jogador não atuava pela equipe nacional desde outubro de 2023 e almejava o retorno a partir da volta ao clube paulista, no começo de 2025.
Esse era também o planejamento da gestão do Santos. O plano envolvia que Neymar emplacasse uma sequência de jogos em um ambiente no qual “se sentisse em casa”. A avaliação é de que o jogador esteve sempre muito comprometido e em evolução física no período no clube.
“O Brasil inteiro vibrou com a convocação do Neymar, mas principalmente o torcedor santista. Isso confirma a importância do trabalho desenvolvido para a sua recuperação dentro de campo, permitindo que ele voltasse a atuar em alto nível, sendo importante para a nossa equipe e retornando à seleção brasileira. O Santos é a casa do Neymar. É onde ele se sente feliz e confiante para desempenhar o seu melhor futebol. Todos nós estamos muito felizes com esse momento. Depois de mais de 15 anos, a seleção brasileira voltará a ter um atleta do Santos”, disse o presidente santista, Marcelo Teixeira, ao Estadão.
Entre a Copa do Mundo de 2022 e o retorno ao Santos, Neymar havia feito apenas 20 jogos, marcando seis gols e concedendo 10 assistências. Desde que retornou ao Brasil, foram 45 partidas, 18 gols e nove assistências.
O clube tem mais motivos para comemorar. É a primeira vez que o Santos tem um jogador convocado para uma Copa do Mundo desde 2010, quando Robinho foi chamado.
Neste ano, a Fifa ampliou a premiação para clubes que cedem jogadores ao Mundial. Pela convocação de Neymar, o Santos deve receber aproximadamente US$ 250 mil (R$ 1,25 milhão na cotação atual).
O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, deixou a sala especial que ocupava na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e foi transferido para uma cela comum da unidade. A alteração ocorreu nesta segunda-feira e também incluiu novas restrições para visitas de advogados.
O uso de inteligência artificial (IA) avança no setor de saúde no Brasil, e sua aplicação prática ainda está concentrada em demandas operacionais. De acordo com os dados da pesquisa da TIC Saúde, que está na sua 12ª edição, divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil e conduzida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), 18% dos estabelecimentos de saúde do País já utilizam algum recurso de inteligência artificial.
A lista de convocados da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026, anunciada nesta segunda-feira, 18, pelo técnico Carlo Ancelotti, gerou repercussão nas redes sociais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve, nesta segunda-feira, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para realizar acompanhamento médico relacionado a procedimentos feitos em abril.
A lista de 26 jogadores convocados por Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo, anunciada nesta segunda-feira, divergiu das previsões do álbum oficial de figurinhas do torneio da Fifa. Produzido pela Panini, o material deixou de fora cinco nomes que aparecem entre os 18 jogadores retratados para a seleção brasileira, resultando no pior índice de acerto da empresa desde 1986.
O texto da comissão especial da Câmara que discute o fim da escala 6x1 no país deve prever duas regras distintas de transição, com a chegada, ainda neste ano, à escala 5x2 — no mínimo dois dias de folga obrigatórios por semana. A proposta do relator, o deputado Leo Prates (Republicanos-BA), deverá ser oficialmente apresentada na quarta-feira, 20, e votada pela comissão no dia seguinte.
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), disse nesta segunda-feira, 18, em Florianópolis, que não se arrepende das críticas feitas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela relação com Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master.
A convocação da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026 repercutiu na imprensa internacional após Carlo Ancelotti divulgar a lista final dos 26 jogadores, nesta segunda-feira, 18.
A marca de azeites Galloanunciou nesta segunda-feira, 18, na APAS Show 2026, o maior evento do varejo da América Latina, os lançamentos voltados à expansão do uso do azeite de oliva na culinária cotidiana, da preparação dos alimentos à finalização dos pratos.
Em coletiva realizada logo após o anúncio da lista final de convocados para a Copa do Mundo de 2026, o treinador italiano Carlo Ancelotti explicou as razões pelas quais chamaram o craque do Santos, mesmo fazendo ponderações.
A convocação definitiva da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026 foi anunciada nesta segunda-feira, 18, em cerimônia no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.
Sabrina Nazario, Chief Data Officer e líder de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) na Schneider Electric para a América do Sul, percorreu uma trajetória marcada por diversidade de experiências e países.
A convocação de Neymar para a Copa do Mundo de 2026 encerrou as dúvidas sobre a presença do atacante no torneio e colocou o jogador em uma lista restrita de brasileiros com quatro participações em Mundiais.
A convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026 foi anunciada nesta segunda-feira, 18, em cerimônia no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.
A convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026 foi anunciada nesta segunda-feira, 18, em cerimônia no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.
A convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026 reforçou uma tendência já consolidada no futebol nacional: a maioria dos jogadores atua fora do Brasil.
Acabou o mistério. Neymar estará na Copa do Mundo de 2026. O treinador da Seleção, Carlo Ancelotti, fez o anúncio dos 26 jogadores que defenderão o Brasil no Mundial e colocou o atleta do Santos na lista. Será a quarta Copa do Mundo do craque.
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Cristiano Ronaldo, o primeiro jogador de futebol bilionário do mundo, comprou uma participação na LiveModeTV, canal internacional de streaming ligado à CazéTV, do Brasil, ampliando sua aposta em mídia digital antes da próxima Copa do Mundo.
“A missão é levar o esporte para todos, de uma maneira totalmente nova e inspiradora”, afirmou Ronaldo em comunicado enviado por e-mail à Bloomberg News. O objetivo é ampliar alcance e engajamento “por meio de transmissões no YouTube e conteúdo distribuído em todas as plataformas de redes sociais”, acrescentou.
A LiveModeTV é o braço internacional da LiveMode, empresa por trás da plataforma CazéTV, fundada pelo influenciador Casimiro Miguel, e faz parte da expansão da companhia para além do Brasil. A LiveModeTV foi lançada recentemente em Portugal para oferecer cobertura gratuita e digital da Copa do Mundo da FIFA de 2026.
Ronaldo, que é português, não revelou quanto investirá para adquirir uma “participação relevante” na recém-criada empresa de transmissões esportivas digitais fora do Brasil.
O movimento marca o mais recente negócio do jogador de 41 anos, cuja fortuna é estimada em cerca de US$ 1,4 bilhão.
Empresas de streaming vêm ampliando seus portfólios esportivos em busca de novas frentes de crescimento.
A CazéTV e a LiveMode criaram um novo modelo, exibindo principalmente conteúdos esportivos premium gratuitamente no YouTube e dependendo de receitas de publicidade e patrocínios em vez de assinaturas.
No Brasil, a CazéTV registrou 3,7 bilhões de visualizações em 2025 apenas no YouTube. A LiveMode espera ganhar escala internacional ao se associar a Ronaldo, que possui seu próprio canal no YouTube e é a pessoa mais popular do mundo no Instagram, com mais de 660 milhões de seguidores.
“O que ligas e competições esportivas ganham com canais como a CazéTV é uma nova audiência”, disse Minal Modha, da consultoria de mídia Ampere Analysis. “Muitas competições esportivas estão tendo dificuldade para engajar fãs jovens, e esses canais têm acesso a esse público.”
Embora Ronaldo tenha construído um amplo portfólio de negócios — incluindo sua marca CR7, hotéis, academias e um grupo de mídia — esses empreendimentos não são suas principais fontes de riqueza. A maior parte de sua fortuna vem dos ganhos da carreira, incluindo seu atual contrato com o Al-Nassr, um dos clubes de futebol mais populares e bem-sucedidos da Arábia Saudita.
Um dos jogadores profissionais mais longevos ainda em atividade, Ronaldo afirmou que pretende ser dono de vários clubes de futebol após se aposentar.
Alexandre Birman tinha o sonho de erguer o maior grupo de moda do Brasil. A fusão entre Arezzo e Grupo Soma, formalizada em agosto de 2024, era a peça central da ambição: um conglomerado com mais de 30 marcas, do calçado ao vestuário, capaz de competir em escala com players globais.
Menos de dois anos depois, o sonho está se desfazendo, e uma reconciliação entre os dois sócios controladores, Birman e Roberto Jatahy, parece cada vez menos provável.
As ações do Azzas 2154 acumulam queda da ordem de 50% em 12 meses. A empresa vale hoje R$ 3,8 bilhões, menos da metade do que atingiu no auge.
No mais recente capítulo, Jatahy obteve na Justiça do Rio de Janeiro uma medida cautelar contra decisões do sócio, em uma batalha que, segundo algumas pessoas com conhecimento da situação, tem como desfecho provável a cisão do grupo (Birman entrou com um agravo de instrumento para suspender a cautelar e aponta que o foro de qualquer questão deveria ser a Justiça de São Paulo, como determina o estatuto da companhia).
Mas esse não será um desfecho trivial. Primeiro, porque o tema da separação dos negócios não está na mesa de discussões, segundo fontes próximas a Birman.
E também porque a questão é saber até que ponto cada lado está disposto a ceder e a abrir mão de (muito) dinheiro: o acordo de acionistas celebrado na fusão prevê um lock-up (proibição de venda) de 10 anos para as ações no bloco de controle.
Alexandre Birman (esq.) e Roberto Jatahy, sócios do Azzas 2154, no anúncio da fusão (Divulgação)
O desafio não é exatamente da saúde das marcas: Farm Rio, Reserva e Animale seguem bem. Hering patina, mas dá sinais de melhora gradual com um plano de turnaround – e segue com um nome forte. O desafio é de governança.
Dois fundadores acostumados a mandar sozinhos, com culturas de gestão opostas, tentaram dividir o controle de um grupo com mais de 30 marcas. Não funcionou até aqui.
Segundo pessoas próximas a Jatahy, ele sempre deu autonomia às operações, formou lideranças internas e manteve cada marca quase como uma empresa independente. Birman, por sua vez, operaria no estilo “comando e controle”, um modelo que funcionou bem na Arezzo, mas que se mostrou inadequado para a complexidade do Azzas.
A percepção sobre Birman era a de um executivo duro, trabalhador, com uma narrativa sólida de quem construiu a Arezzo com as próprias mãos, o “sapateiro” que vendia resultados ao mercado com consistência. Parecia complementar o perfil criativo e descentralizado de Jatahy.
A realidade, segundo essas fontes, foi diferente. A dificuldade de lidar com divergências, segundo quem conviveu com Birman, teria afastado sucessivamente executivos que poderiam ter ajudado a estabilizar o grupo. Mais de 30 diretores não executivos deixaram o Azzas desde a fusão, muitos com acordos de confidencialidade que os impedem de falar publicamente. Birman costuma negar essa versão.
“São dois founders que tinham muita autonomia nas suas empresas antes da fusão”, diz uma pessoa que compôs o alto escalão da empresa. “No dia 2 do casamento, isso virou uma divisão de poder, e os dois se viram em papéis com os quais não estavam satisfeitos.”
A fusão também pecou pelo que deixou de fora.
Pessoas com conhecimento do processo dizem que o negócio foi pensado principalmente em termos de sinergias de receita, em como as marcas cresceriam juntas. As sinergias de custo, até mais relevantes para a rentabilidade, ficaram em segundo plano.
O estopim
O padrão de desgaste com executivos começou antes mesmo de a fusão ser concluída.
Rony Meisler, fundador da Reserva, deixou o grupo em agosto de 2024, poucos dias após o fechamento do negócio. O distanciamento vinha de antes. A Arezzo havia comprado a Reserva em 2020 por R$ 715 milhões, parte em ações com lock-up gradual.
Nas duas primeiras janelas, em 2022 e 2023, Meisler vendeu praticamente toda a sua fatia, um movimento que não agradou Birman. O estilo centralizador do CEO também bateu de frente com a personalidade do fundador, que se sentia cada vez menos consultado.
E, apesar de tentativas do alto comando do Azzas, nada convenceu Meisler a seguir no grupo.
Depois desse momento, os dois sócios controladores negociaram um armistício.
Jatahy cedeu mais, fosse na composição do conselho, nos acordos de acionistas, na escolha de executivos. Sempre com o objetivo declarado, segundo pessoas próximas a ele, de preservar a companhia e evitar um conflito aberto.
Após a saída de seis executivos do alto escalão do Azzas 2154, o grupo anunciou o retorno de Roberto Jatahy à liderança do negócio de moda. #azzas#moda#negócios
O ponto de equilíbrio encontrado no meio de 2025 tinha um nome: Ruy Kameyama. O executivo, que atuava como conselheiro de Jatahy, voltou para a gestão para ser a interface entre as operações de moda no Rio de Janeiro, provenientes em geral do Soma, e a holding.
Por algum tempo, funcionou. Kameyama conduziu um processo de integração que durou dez meses, com consultoria contratada, que mapeou sinergias entre R$ 80 milhões e R$ 116 milhões de Ebitda anuais para a unidade carioca.
Foi um trabalho com custo financeiro e humano relevante, com demissões, reestruturações e meses de reuniões. O resultado estava incorporado ao orçamento de 2026.
Foi nesse momento que Birman passou a interferir na Reserva, área que estava sob o guarda-chuva de Kameyama. Em uma ligação, segundo relatos de pessoas que acompanharam a situação, Birman disse ao executivo que ele estava “cruzando a linha” ao se envolver em questões societárias. Kameyama pediu demissão no dia seguinte.
Com Kameyama fora, Birman anunciou que a Reserva seria transferida para o comando de David Python, executivo de sua confiança à frente das unidades Basic (Hering) e Shoes & Bags e que tem ganhado espaço no grupo.
Python é co-fundador da Cariuma, marca de calçados adquirida pelo Azzas no fim de 2025 justamente para trazê-lo, junto com outro executivo, Fernando Porto, para tocar o turnaround da Hering. Ele trabalhou anos em cargos de liderança na Arezzo e na Schutz antes do seu próprio negócio.
Para Jatahy, jogar fora R$ 116 milhões em Ebitda potencial, em uma empresa que já destruía valor, não tinha racionalidade econômica. A medida cautelar foi sua resposta.
O Azzas divulgou comunicado ao mercado dizendo ter sido “surpreendida” pelo pedido judicial, enquadrando a decisão sobre a Reserva, marca de moda masculina, como prerrogativa estatutária do CEO.
O custo nos negócios
Os resultados do Azzas no primeiro trimestre de 2026 mostraram em parte o custo da instabilidade na gestão. A receita líquida caiu 8% na comparação anual. A unidade de negócios Basic (Hering) respondeu pela maior parte da queda, com recuo de 19% no período.
O Citi apontou que o Ebitda reportado ficou 15% abaixo de sua estimativa e o lucro líquido veio quase 60% abaixo do projetado. O banco não descartou novas revisões para baixo nas projeções.
A deterioração do resultado da Hering é um exemplo dos riscos de integrações. A marca chegou a gerar R$ 240 milhões de Ebitda no fim dos anos 2010, antes da aquisição pelo Soma, e fechou 2025 com R$ 71 milhões, segundo pessoas com conhecimento da operação.
A piora culminou com a saída de Thiago Hering, da família fundadora. E levou à chegada de Python e Porto em outubro passado. O plano, que passa por uma nova lógica de operação – com redução dos estoques que demandavam desconto para dar saída -, se traduziu em queda das vendas, antes que elas – segundo se espera – voltem a crescer.
O vestuário feminino, que é a divisão herdada do Grupo Soma e segue sob influência de Jatahy, é hoje o ativo mais sólido do grupo. Cresceu 5% no primeiro trimestre, mesmo com desaceleração.
O futuro do Azzas 2154
Além da hipótese de cisão, há quem defenda uma terceira via: trazer um CEO externo, afastar os dois fundadores do dia a dia e tentar capturar parte das sinergias que motivaram o negócio.
“A empresa não conseguiu seus resultados, mas é uma questão de melhorar a governança”, diz uma pessoa que passou pelo alto escalão do grupo.
A questão é que o conselho atual não tem demonstrado capacidade de arbitrar o conflito, diz outra pessoa ouvida pela reportagem.
O caminho imediato é a arbitragem, resolvida a disputa de liminares e recursos.
Parte do mercado nutre a esperança de que o acirramento force uma composição e mais um armistício entre os dois sócios. Mas pessoas próximas aos bastidores do grupo são céticas. Birman, dizem, dificilmente dá um passo atrás, e Jatahy, após quase dois anos de concessões, chegou ao limite.
O Azzas foi construído sobre a tese de que marcas fortes ficam mais fortes juntas. Por ora, o que se vê é o oposto: marcas que funcionavam bem agora presas em uma sociedade que não funciona.
Procurado, o grupo Azzas 2154 preferiu não comentar e enviou os fatos relevantes recentes como resposta.
A Americanas fechou um acordo para vender ao Oba Hortifruti os ativos usados na operação de dez lojas deficitárias da Hortifruti Natural da Terra, todas localizadas no estado de São Paulo.
O negócio foi anunciado nesta quarta-feira (13) pela rede varejista, que segue em recuperação judicial desde janeiro de 2023, e envolve a subsidiária HNT Comércio de Hortifrutigranjeiros. O preço de aquisição foi definido em R$ 69,3 milhões, sujeito a ajustes previstos em contrato.
A operação ainda depende do cumprimento de condições precedentes, incluindo a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade. A transferência dos ativos será feita de forma gradual, conforme os termos acertados entre as empresas.
Pelo contrato, o Oba pagará R$ 10,4 milhões à vista na data de fechamento da transação. O restante será quitado em 24 parcelas mensais, iguais e sucessivas, corrigidas pela variação do CDI. A primeira parcela vence em até 30 dias após a conclusão da operação.
A venda não representa a saída completa da Americanas do negócio, mas reforça o movimento da companhia de rever ativos que estão em seu portfólio e reduzir operações deficitárias em meio ao processo de recuperação judicial.
No comunicado, a empresa afirma que a alienação foi feita no curso normal dos negócios e está autorizada pelo plano de recuperação.
A Hortifruti Natural da Terra entrou para o grupo Americanas em 2021, antes da revelação das inconsistências contábeis da ordem de mais de R$ 40 bilhões, muitas das quais sob suspeita de fraudes, que levaram a companhia à recuperação judicial.
Naquele momento pré-crise, a aquisição da Natural da Terra foi apresentada como parte de uma estratégia de expansão da Americanas para a categoria de alimentos frescos, um segmento com maior recorrência de compra e potencial de integração com o e-commerce.
A prioridade da Americanas, porém, mudou após a revelação do rombo bilionário e a entrada em recuperação judicial. A companhia passou a concentrar esforços na preservação de caixa, na renegociação com credores e na simplificação da estrutura operacional.
Para o Oba, o negócio amplia a sua presença em São Paulo, principal mercado do país e região em que redes de hortifruti e supermercados disputam consumidores de maior renda e tíquete médio mais alto.
O grupo já opera uma rede consolidada no segmento de frutas, legumes, verduras e produtos perecíveis, com posicionamento mais próximo do varejo alimentar especializado.
A CSN deve dar início na próxima semana à segunda fase do processo de venda da CSN Cimentos, a segunda maior fabricante de cimento do Brasil. Nessa etapa, as interessadas enviam suas propostas formais. A informação foi confirmada ao InvestNews por uma fonte próxima à empresa.
A venda do controle da CSN Cimentos pode render mais de R$ 10 bilhões, segundo pessoas próximas à operação. Entre os interessados estão o Grupo Votorantim, a Polimix e as cimenteiras chinesas Anhui Conch, Huaxin Cement e Sinoma International.
A Votorantim Cimentos, maior empresa de materiais de construção do Brasil e 7ª maior produtora de cimento do mundo em capacidade instalada, deve entrar no negócio por meio de um consórcio, segundo fonte familiarizada com o grupo. A estrutura contornaria eventuais restrições antitruste do Cade. Uma aquisição direta, dado o peso da empresa no setor, provavelmente seria barrada pelo regulador.
O Morgan Stanley atua como consultor financeiro da operação.
A venda da cimenteira é a mais relevante de um plano estruturado de alienação de ativos da CSN, que tem como meta levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões a partir de 2026.
O objetivo, segundo a empresa, é reduzir o endividamento do grupo, concentrar esforços nos segmentos de maior rentabilidade e, em até oito anos, atingir uma alavancagem sustentável em torno de 1 vez a relação dívida líquida/Ebitda — além de dobrar o Ebitda no período.
“Vamos resolver de uma vez por todas a alavancagem da CSN. Nunca nos comprometemos de maneira tão objetiva e pragmática para que isso ocorresse”, afirmou Benjamin Steinbruch, controlador e CEO da CSN, a investidores e analistas em janeiro, ao anunciar o plano.
A Embraer está mirando aumentar a produção de jatos comerciais no próximo ano, à medida que a alta dos preços dos combustíveis provocada pela guerra no Irã impulsiona a demanda por aeronaves mais eficientes.
A companhia tem a ambição de entregar até 100 jatos comerciais em 2027, quase 20% acima deste ano, afirmou o CEO Francisco Gomes Neto em entrevista em Nova York.
A fabricante brasileira manteve sua projeção de entregas de 85 jatos comerciais e entre 160 e 170 aeronaves executivas em 2026, mesmo com a persistente escassez de componentes como motores e partes da fuselagem.
A Embraer construiu seus negócios no mercado de jatos regionais, como a família E2, com capacidade entre 70 e 145 passageiros, além de um portfólio de aeronaves executivas para até cerca de 12 passageiros.
Avião maior
Agora, a empresa estuda como será seu futuro portfólio de produtos, disse Gomes Neto, incluindo a possibilidade de desenvolver um avião narrow-body maior, que competiria mais diretamente com os modelos A320, da Airbus, e 737, da Boeing.
A Embraer também pode decidir lançar um novo jato executivo, afirmou o executivo.
“Não queremos fracassar como outras empresas fracassaram no passado, então não estamos nos pressionando”, disse Gomes Neto, acrescentando que a Embraer não lançará dois novos projetos simultaneamente.
Por enquanto, os jatos E2 continuam no centro da estratégia da fabricante para atingir US$ 10 bilhões em receita até 2030, acima dos US$ 7,5 bilhões registrados em 2025.
Embora espere que os preços mais altos do combustível sustentem a demanda por aeronaves mais eficientes, Gomes Neto afirmou que a empresa ainda não observou um aumento relevante em novos pedidos.
Se aqui no Brasil, a Braskem ainda tem conseguido evitar um pedido de recuperação extrajudicial ou judicial, em meio a um processo de mudança societária, no exterior, a joint venture mexicana Braskem Idesa está na iminência de recorrer ao Chapter 11, ou seja, entrar em um processo de recuperação judicial dentro das regras americanas.
Um do sinais de que o Chpater 11 está próximo é que a companhia está em fase avançada de negociação para um empréstimo de aproximadamente US$ 250 milhões, deve servir como suporte financeiro para o pedido de recuperação judicial. Esse dinheiro viria de parte dos próprios credores do grupo.
Segundo fontes próximas ao assunto, a companhia e seus assessores correm para estruturar o chamado financiamento DIP (debtor-in-possession), visando garantir fôlego para que a empresa possa aproveitar a recente melhora nas margens petroquímicas, impulsionada pelo cenário de conflitos no Oriente Médio.
Apesar do estágio das conversas, os interlocutores ressaltam que as negociações ainda estão em andamento e nenhuma decisão final foi tomada.
A joint venture entre a brasileira Braskem e a mexicana Grupo Idesa tenta reestruturar seu passivo há meses, após falhar no pagamento de juros de bônus globais com vencimentos em 2029 e 2032.
Essa pressão de caixa tem forçado a unidade a operar com capacidade reduzida, o que impediu a companhia de aproveitar plenamente a valorização do petróleo. Atualmente, os títulos com vencimento em 2029 ensaiam uma recuperação no mercado secundário, sendo negociados ligeiramente abaixo de 70 centavos de dólar, com um rendimento de cerca de 19,9%.
Petrobras faz reunião no México
O cenário também envolve a movimentação direta da Petrobras, uma das principais acionistas da Braskem no Brasil. Executivos da estatal brasileira estiveram recentemente no México para reuniões com a diretoria da Braskem Idesa, onde discutiram a estrutura do balanço da unidade e a futura relação comercial entre as empresas.
A aproximação coincide com a estratégia da CEO da Petrobras, Magda Chambriard, que confirmou em coletiva de imprensa o interesse em estreitar parcerias com a estatal mexicana Pemex. Questionadas, as companhias envolvidas e a Petrobras preferiram não se manifestar sobre os detalhes das conversas.
Para a Braskem, o impasse no México soma-se a uma série de desafios financeiros e jurídicos enfrentados pela matriz, como a crise ambiental decorrente da mineração de sal em Maceió e a longa espera pela venda da participação da Novonor (ex-Odebrecht). Enquanto tenta resolver o imbróglio da subsidiária mexicana, o mercado aguarda a divulgação dos resultados financeiros da companhia, prevista para ocorrer nesta quarta-feira.
A concorrência das plataformas chinesas deve pesar ainda mais sobre o varejo brasileiro após o governo eliminar o imposto sobre compras internacionais de baixo valor.
A medida, assinada na terça-feira (12), derruba a alíquota extra de 20% sobre remessas internacionais até US$ 50 – a chamada “taxa das blusinhas”, em vigor desde agosto de 2024. A isenção já começa a valer nesta quarta-feira (13).
O imposto havia sido implementado para reduzir a vantagem competitiva de plataformas asiáticas como Shein, Shopee e Temu, que cresceram de forma agressiva no Brasil nos últimos anos.
Em relatório, analistas do BTG Pactual afirmaram que a mudança “reabre o debate sobre a assimetria competitiva” entre empresas brasileiras e marketplaces internacionais, e afeta especialmente empresas voltadas às classes média e baixa.
Antes da criação do imposto, mais de 18 milhões de encomendas internacionais de baixo valor entravam no Brasil mensalmente.
Após a taxação, o volume teria caído para 11 milhões mensais no fim de 2024, o que trouxe alívio num momento de queda de vendas das varejistas brasileiras. Mais recentemente, porém, as remessas já haviam voltado para uma faixa entre 15 milhões e 17 milhões por mês, com as plataformas absorvendo parte dos custos para manter os preços baixos.
Mesmo com o imposto, a Shein ainda operava com preços inferiores aos das varejistas brasileiras: 6% mais barata do que a Guararapes, dona da Riachuelo; 10% abaixo da LojasRenner; e 13% abaixo da C&A.
Assimetria da ‘taxa das blusinhas’
A revogação da taxa foi recebida com críticas pelo varejo brasileiro. Em nota, o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) afirmou que a medida amplia a disparidade competitiva entre o produto importado e o fabricado no Brasil, que, segundo a entidade, paga hoje 92% de carga tributária.
Para o instituto, mesmo a alíquota de 20% não era suficiente para equilibrar a competição com plataformas estrangeiras. Segundo o IDV, se as compras internacionais de até US$ 50 não pagarem o imposto extra, os produtos nacionais nessa mesma faixa também deveriam ficar isentos.
“A assimetria hoje existe. E existem forças que querem que a assimetria seja ainda maior”, disse André Farber, CEO da Riachuelo, em entrevista ao InvestNews.
Varejo mais preparado
Apesar da avaliação negativa para o setor, o BTG afirma que o varejo brasileiro hoje está mais preparado para enfrentar a concorrência chinesa do que em 2023 e 2024, quando o avanço das plataformas asiáticas pegou as empresas locais de surpresa.
Segundo o relatório, varejistas brasileiras melhoraram a gestão de estoques, ficaram mais disciplinadas em promoções e remarcações, ajustaram cadeias de fornecimento e avançaram na integração entre lojas físicas e canais digitais.
O banco também avalia que a disputa deixou de ser restrita ao vestuário. A competição das plataformas internacionais já avançou para categorias como produtos de beleza, acessórios eletrônicos, decoração e artigos esportivos.
Na visão dos analistas do BTG, o principal desafio agora será manter a melhora recente nas margens e na qualidade dos estoques sem perder participação de mercado em um ambiente novamente pressionado por preços baixos vindos do exterior.
Impacto fiscal
Segundo a Receita Federal, o governo arrecadou R$ 1,8 bilhão com impostos de importação sobre compras internacionais nos quatro primeiros meses de 2026. A equipe econômica estima uma perda fiscal de R$ 1,94 bilhão neste ano com a retirada da cobrança federal.
O impacto deve subir para R$ 3,54 bilhões em 2027 e R$ 4,24 bilhões em 2028, de acordo com dados da Subsecretaria de Administração Aduaneira.
A redução vale apenas para o tributo federal. O ICMS estadual sobre compras internacionais continua sendo cobrado normalmente.
O McDonald’s vai dar nome ao novo estádio do Chicago Fire Football Club, em sua primeira parceria de naming rights com um grande estádio profissional nos Estados Unidos. A arena, batizada de McDonald’s Park, tem inauguração prevista para 2028 e está sendo construída na região do South Loop, às margens do Rio Chicago, ao sul do centro financeiro da cidade.
O projeto é financiado pelo proprietário do clube, Joe Mansueto, fundador da empresa de pesquisa de investimentos Morningstar, e fica próximo ao distrito financeiro da cidade e à sede global da McDonald’s. O estádio substituirá o atual uso do Soldier Field pelo Chicago Fire.
Com capacidade para mais de 22 mil torcedores em jogos de futebol e até 31 mil em shows e eventos especiais, o McDonald’s Park foi concebido como um espaço multiuso e de uso contínuo, com programação ao longo de todo o ano. Além das partidas do Chicago Fire na Major League Soccer (MLS), o local deve receber shows, eventos culturais, festivais, conferências e iniciativas comunitárias.
Diferentemente de um estádio tradicional, o projeto prevê integração direta com a marca McDonald’s, incluindo a instalação de um restaurante flagship dentro da arena e experiências gastronômicas e interativas ligadas ao universo da empresa. A companhia também terá participação ativa no desenho de experiências para torcedores, com ativações de marca, elementos criativos e ações durante os jogos.
Segundo o McDonald’s, a iniciativa busca conectar esporte, alimentação, cultura e comunidade, reforçando a ideia de que o estádio será um espaço de convivência urbana e não apenas de eventos esportivos. Em comunicado, o CEO da empresa, Chris Kempczinski, afirmou que o objetivo é “construir um lugar que sirva alegria, gere impacto e seja projetado para futuras gerações”.
O acordo também reforça a aposta da companhia no crescimento do futebol nos Estados Unidos e em sua cidade de origem, em um momento em que Chicago enfrenta desafios de atratividade econômica após a saída de grandes empresas e debates sobre segurança pública.
No campo social, a parceria prevê uma forte expansão de iniciativas comunitárias. A partir de 2027, a McDonald’s será parceira principal do programa P.L.A.Y.S. (Participate, Learn, Achieve, Youth, Soccer), voltado ao ensino de futebol em escolas públicas de Chicago. O projeto deve crescer de 70 escolas para cerca de 140 escolas até a abertura do estádio e pode alcançar mais de 280 escolas no longo prazo, com foco em comunidades de baixa renda.
Pazes com Chicago
O estádio ficará em uma área de desenvolvimento urbano que inclui praças públicas e novos empreendimentos residenciais e comerciais, com o objetivo de impulsionar a economia local e criar um novo polo de atividades no South Loop. O McDonald’s não divulgou os termos financeiros detalhados do acordo.
O jornal americano Wall Street Journal destacou que o contrato, válido até 2040, marca uma reaproximação da McDonald’s com sua cidade de origem após um período de tensões.
Nos últimos anos, a empresa expressou preocupações com os rumos de Chicago. Em 2022, o CEO Chris Kempczinski criticou a falta de liderança no enfrentamento da criminalidade na cidade. “Há uma percepção geral de que nossa cidade está em crise”, afirmou em discurso no Economic Club of Chicago.
No ano passado, a companhia também se opôs a uma proposta de imposto empresarial apoiada pelo prefeito Brandon Johnson. Em um artigo publicado no Chicago Tribune, um executivo sênior afirmou que, embora Illinois faça parte da história da empresa desde o início, “no fim das contas, as corporações têm escolha sobre onde se estabelecer”.
O texto alimentou especulações no setor de que a McDonald’s poderia deixar Chicago, como já fizeram outras empresas. O conselho da cidade acabou rejeitando a proposta de imposto.
A McDonald’s tem suas origens em um restaurante fundado em San Bernardino, na Califórnia, e cresceu globalmente sob a liderança de Ray Kroc, que abriu uma unidade em um subúrbio de Chicago em 1955. A empresa foi sediada na cidade entre 1955 e 1971, quando se mudou para um subúrbio, e retornou ao centro de Chicago em 2018.
Segundo a reportagem do WSJ, os acordos de naming rights em estádios da MLS variam de dezenas de milhões a mais de US$ 100 milhões.
O Chicago Fire iniciou a busca por um parceiro de naming rights há cerca de seis meses, avaliando centenas de potenciais patrocinadores. O McDonald’s apareceu no topo da lista por sua presença local e valores compartilhados, segundo o presidente de operações comerciais do clube, Dave Baldwin.
A Química Amparo, dona da Ypê, enfrenta uma das maiores crises de sua história de mais de 75 anos.
É uma crise que se instalou no dia 7 de maio, quando o grupo familiar recebeu uma determinação da Anvisa para recolher milhares de produtos de limpeza por causa de risco de contaminação bacteriana constatado na sua fábrica em Amparo, no interior de São Paulo.
A decisão chegou justamente no momento em que as categorias em que a empresa construiu liderança cresciam no ritmo mais acelerado dos últimos anos.
A Ypê é um caso raro para uma marca nacional: está presente em 95% dos lares brasileiros, segundo dados da consultoria Kantar. Em penetração de mercado, só perde para a Coca-Cola, absoluta no mercado de refrigerantes.
A história da Química Amparo remonta a 1950, ano de sua fundação na cidade a 129 quilômetros de São Paulo, na região conhecida como Circuito das Águas. Fundada por Waldyr Beira, a companhia atravessou três gerações da família até se tornar uma das maiores fabricantes nacionais de produtos de limpeza.
Fotos do início da operação da Ypê, que foi fundada em 1950 pela família Beira
Depois da morte do fundador, em 1998, os filhos assumiram o negócio. Waldir Beira Jr. ficou no comando executivo. Os irmãos Jorge Eduardo Beira, que é diretor de operações, e Antonio Ricardo, além da mãe, Ana Maria Veroneze Beira, integram o conselho de administração.
Em 2025, Eduardo Beira passou a fazer parte do conselho, representando a terceira geração da família no negócio.
A estrutura ainda carrega forte presença familiar, mas com sinais de profissionalização. O conselho tem cinco membros da família e quatro independentes. É presidido por Andrea Salgueiro Cruz Lima, ex-CEO da Whirlpool no Brasil.
Sob Waldir Jr., a Química Amparo entrou em um ciclo longo de expansão. Comprou a marca Atol e sua fábrica na Bahia, incorporou a Perfex e a Assolan com uma planta em Goiânia e montou uma rede fabril com sete unidades, em São Paulo, Bahia, Goiás, Minas Gerais e Pernambuco.
A aposta mais recente foi no Norte e no Nordeste. Em 2023, a empresa inaugurou uma fábrica em Itapissuma, em Pernambuco, com investimento de R$ 420 milhões. A unidade reforçou a estratégia de crescer em regiões em que algumas categorias de limpeza ainda têm menor penetração.
“É um mercado que estimamos que crescerá a taxas maiores do que as do Brasil, porque alguns produtos ainda não têm nível de penetração iguais ao do Sul e Sudeste. Vemos um potencial de mercado maior”, disse Waldir Jr. ao Valor em 2020.
Até 2019, a Química Amparo faturava cerca de R$ 4 bilhões. Hoje seu faturamento é estimado em R$ 10 bilhões por ano, em uma estrutura com mais de 7.300 funcionários e marcas que vão da Ypê à Assolan, do Tixan ao Banho a Banho.
Em Amparo, a presença da família vai além da fábrica.
A Química Amparo é uma das principais mantenedoras da Santa Casa local e de outras entidades assistenciais da cidade. Por meio do Instituto Ypê, coordena projetos socioambientais na região, incluindo iniciativas de reflorestamento com a árvore que dá nome à marca.
Briga com gigantes globais
A Ypê conseguiu se destacar em um setor dominado no Brasil por multinacionais. A Unilever, líder de mercado, é dona de marcas globais como Omo, Comfort e Cif. A P&G tem o Ariel e o Downy. A Reckitt é dona do Veja e do Vanish.
O Brasil é o quarto maior mercado mundial na categoria, segundo dados da Abipla, a associação do setor. Mas lida com um mercado paralelo relevante.
Entre 14% e 20% dos produtos de limpeza vendidos no país circulam fora do mercado formal, segundo estimativa da Abipla. É reflexo tanto da pressão financeira sobre o consumidor quanto da baixa barreira de entrada para fabricar produtos como detergente.
Nesse cenário, a Química Amparo ocupa uma posição singular. É uma fabricante brasileira de grande porte competindo com gigantes globais. Entre as empresas nacionais, concorrentes como Bombril, Flora – que faz parte da J&F, a holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista – e Limppano têm presença relevante, mas operam em escala menor.
A estratégia da Ypê foi construída com foco nas classes B e C, preço acessível e distribuição capilar. A marca chega ao pequeno mercado de bairro com a mesma eficiência com que abastece grandes redes de atacarejo.
No segmento de detergentes lava-louças, sua fatia é estimada em quase 40% do mercado nacional — mais que o dobro da segunda colocada, a Limpol, marca da Bombril, com 19%. Em sabão em barra, também lidera.
Um executivo do setor que já comandou uma grande concorrente da Química Amparo, e que conversou com o InvestNews em caráter reservado, resume a percepção do mercado: a Ypê sempre foi vista pelos rivais como um player com padrão alto de qualidade.
O momento favorável do setor
A crise chegou quando o vento soprava a favor das vendas do setor.
O mercado de detergentes lava-louças movimentou R$ 3,6 bilhões em 2025, ante R$ 2,9 bilhões em 2023 — crescimento de 25% em dois anos, segundo a Euromonitor. A projeção é que chegue a R$ 4,7 bilhões até 2028.
O sabão líquido para roupas também cresce. O mercado passou de R$ 2,5 bilhões para R$ 2,8 bilhões no mesmo período, com projeção de R$ 3,6 bilhões em 2028. É o reflexo de uma migração em curso do sabão em pó, categoria que encolheu de R$ 11,3 bilhões para R$ 9,3 bilhões em dois anos.
A inspeção da Anvisa, em conjunto com as vigilâncias sanitárias estadual e municipal de Amparo, encontrou, segundo a agência, descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, incluindo falhas nos sistemas de garantia de qualidade e controle. O risco era de contaminação microbiológica.
O Fantástico, da Globo, revelou imagens da inspeção com equipamentos com marcas de corrosão e restos de produtos sendo devolvidos às linhas de envase. Pessoas próximas à empresa, ouvidas pelo InvestNews, afirmam que as imagens mostram áreas fora de uso.
Não foi o primeiro problema do tipo. Em 2024, a Anvisa determinou recolhimento de lotes da Ypê por risco de contaminação microbiológica. Em novembro de 2025, a própria empresa fez um recolhimento voluntário ao identificar a bactéria Pseudomonas aeruginosa em lotes de lava-roupas.
Em 2026, segundo a Anvisa, o problema deixou de ser pontual. A agência afirma ter encontrado falhas nas Boas Práticas de Fabricação — o conjunto de normas mínimas exigidas de qualquer fábrica do setor.
A empresa contesta essa avaliação, diz ter laudos técnicos que atestam a segurança dos produtos e classificou a medida como arbitrária e desproporcional.
A Química Amparo recorreu e obteve efeito suspensivo, voltando a ter autorização para produzir e comercializar os produtos. Ainda assim, decidiu manter parada a produção da fábrica de líquidos.
A Anvisa manteve sua avaliação técnica e sua recomendação de não usar os produtos. A diretoria colegiada da agência deve julgar o recurso da empresa nesta quarta-feira (13).
Em reunião com a Anvisa na terça (12), a Ypê afirmou que suas equipes de Amparo intensificaram o trabalho para atender a 239 ações corretivas com o objetivo de cumprir as exigências da vigilância sanitária. As medidas consideram também inspeções realizadas em 2024 e 2025.
Da crise sanitária à disputa política
Mas a crise da Ypê não ficou circunscrita ao campo da análise técnica. Nas redes sociais, o caso ganhou conotação política. Isso porque, em 2022, três membros da família Beira doaram juntos R$ 1 milhão à campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Waldir Beira Jr., CEO da Química Amparo: segunda geração da família (Divulgação)
A proximidade com Bolsonaro gerou reações de boicote à marca por parte de consumidores naquele período. Segundo pessoas próximas à companhia, a família decidiu se manter à margem da disputa eleitoral em 2026.
A crise sanitária, porém, arrastou a marca mais uma vez para os embates políticos nas redes sociais.
Figuras ligadas à direita enquadraram rapidamente o caso como suposta perseguição da Anvisa a uma empresa que apoiou Bolsonaro no passado, com vídeos de políticos lavando louça com o detergente da companhia.
Do outro lado, consumidores relatam nas redes casos de mau cheiro nos produtos e irritações nas mãos.
Para Felipe Carreirão, analista sênior da Euromonitor, essa sobreposição entre crise sanitária e disputa política cria um problema específico de comunicação. Fica difícil para o consumidor separar o que é avaliação técnica do que é narrativa ideológica.
O teste de fidelidade
Independentemente do caráter técnico e político do caso, há um desafio logístico imediato.
O que está nas gôndolas dos supermercados pode ser retirado pela empresa com relativa facilidade. O que já está na casa do consumidor… nem tanto. Esses são produtos de alto giro, que estão presentes em milhões de lares. E essa capilaridade torna o recolhimento caro e lento, relatam executivos do setor.
E aí vem o teste de fidelidade à marca. Carreirão, da Euromonitor, aponta que detergente lava-louças é exatamente uma categoria em que a lealdade de marca é mais frágil, por causa de suas características preço baixo, diferença mínima entre produtos e barreira de troca quase zero.
O consumidor forçado a experimentar outra marca pode não voltar. Nos últimos anos, marcas regionais vêm ganhando espaço no varejo brasileiro, impulsionadas pela pressão da inflação e por preços mais acessíveis — e estão bem posicionadas para capturar esse fluxo. A crise pode acelerar esse movimento.
Há, por outro lado, um contrapeso. Carreirão lembra que o brasileiro tem uma relação afetiva com o cheiro dos produtos de limpeza. O perfume do lava-louças, do lava-roupas e do desinfetante cria um vínculo que a lógica de preço não explica totalmente.
Quem trocou pode voltar simplesmente porque sentiu falta do cheiro de sempre. E, pondera o analista, a Ypê tem força de distribuição e penetração no varejo que poucos concorrentes conseguem igualar.
A Química Amparo não respondeu ao pedido de entrevista do InvestNews.
Para um pequeno escritório de arquitetura ou engenharia, a lógica de contratação de mão de obra parece óbvia. Em empresas que tocam projetos com começo, meio e fim, a ideia de ter o mínimo possível de funcionários CLT e contratar profissionais PJ conforme a demanda parece a opção mais vantajosa.
Mas a conta não fica só no custo operacional. Para empresas enquadradas no Simples Nacional, a escolha entre contratar CLTs, fechar parcerias com outras PJs ou recrutar freelancers afeta diretamente a carga tributária, a margem de lucro e os riscos jurídicos do negócio.
Afinal, o que é melhor: contar com funcionários CLT ou contratar outras pessoas jurídicas na hora de executar os projetos? A verdade é que cada caso exige fazer contas – mas, do ponto de vista tributário, ter uma folha fixa mais alta pode não ser um problema.
Via de regra, escritórios de arquitetura e engenharia têm a tributação mais cara do Simples. Eles são enquadrados no chamado Anexo V, com alíquota inicial de 15,5% sobre o faturamento.
Isso vale para quem tem receita pequena, de até R$ 180 mil por ano.
Quando o faturamento aumenta, as alíquotas crescem também – e rápido. Se seu escritório fatura R$ 200 mil por ano, já entra na faixa de 18%. E assim vai até o teto, de 30,5%, para aqueles com receita de R$ 3,6 milhões a R$ 4,8 milhões.
A boa notícia é que a legislação abre uma brecha para que esse tipo de empresa migre para o Anexo III do Simples, em que as alíquotas começam em 6% – bem mais palatáveis. Isso é possível quando o gasto com a folha de pagamento é alto em comparação com o faturamento da empresa.
Mas alto quanto? Entra aí o “Fator R”, um indicador que mede essa relação. Pela fórmula, basta dividir o valor da folha da empresa nos últimos 12 meses pela receita bruta no mesmo período. Já explicamos o funcionamento do indicador em detalhes nesta reportagem do Descomplica PJ.
Na folha entram os salários dos funcionários CLT, o pró-labore dos sócios e os encargos trabalhistas, como FGTS e INSS. Se o “Fator R” der 0,28 (28%) ou mais, o escritório pode migrar para o Anexo III e pagar um imposto mais baixo. Se ficar abaixo, precisa permanecer no Anexo V, com tributação mais alta.
Pagamentos a PJs ou freelancers não entram na conta. Portanto, se sua empresa só contrata dessa forma, o gasto com a folha fica baixo e ela não pode pleitear uma tributação menor.
Há também o risco jurídico, considerado grave. Se a contratação da PJ mascarar uma relação de emprego – em que existe subordinação, exigência de pessoalidade e dependência econômica -, o escritório fica exposto a potenciais processos trabalhistas.
Em resumo sobre as diferentes modalidades:
Funcionário CLT: Embora gere mais custos diretos de contratação (com FGTS, férias, 13º salário, entre outros), essa despesa compõe a massa salarial. Na prática, ter funcionários no regime CLT ajuda a estabilizar o Fator R em 28%, e isso permite migrar para alíquotas mais baixas no Simples.
PJ parceira: Esse regime não influencia o “Fator R”, pois os pagamentos são considerados serviços prestados por terceiros e entram apenas como despesa operacional da empresa, não gasto com folha.
Freelancer pessoa física: Neste caso, além de não contar para o “Fator R”, o escritório ainda é obrigado a recolher 20% de INSS patronal sobre o valor pago ao profissional.
A diferença de custo em um exemplo
Nada melhor que um exemplo para entender o impacto real do “Fator R”. Imagine um escritório de arquitetura ou engenharia com faturamento mensal de R$ 50 mil (R$ 600 mil ano) , com custo fixo de R$ 14 mil por mês com equipe.
No primeiro cenário, o escritório só contrata PJs para executar os projetos – ou seja, os R$ 14 mil mensais entram como despesas operacionais e não compõem a folha de pagamento. Como o “Fator R” não alcança 28%, o escritório se mantém no Anexo V.
Com isso, a empresa cairia na alíquota de 19,5% do Simples. Descontando deduções possíveis, seu gasto com impostos seria de R$ 8.925 por mês.
No segundo cenário, o escritório contrata funcionários no regime CLT e gasta os mesmos R$ 14 mil por mês com a folha de salários. Nesse caso, o “Fator R” atingiria exatamente 28% e a empresa poderia migrar para o Anexo III, com tributação menor. A alíquota do Simples seria de 13,5% e o gasto com impostos, depois de deduções, cairia para R$ 5.280 por mês.
A diferença entre fazer 100% das contratações no regime PJ e 100% no regime CLT geraria, nesse caso, uma economia de R$ 3.645 por mês no imposto do Simples. “Portanto, antes de fechar uma contratação, o cálculo na ponta do lápis deve envolver não só o RH mas também o planejamento tributário”, diz Milton Fontes, sócio do Peixoto & Cury Advogados.
Um ponto de atenção
A comparação ajuda a entender o contexto tributário, mas exige cautela. Os mesmos R$ 14 mil mensais permitem montar estruturas diferentes dependendo do modelo de contratação. E, embora a comparação tributária favoreça o regime CLT, esse modelo e o PJ não são equivalentes em custos, disponibilidade da equipe, flexibilidade operacional e risco jurídico.
No regime CLT, o valor total engloba o salário do profissional mas também encargos como FGTS, férias, 13º salário, INSS patronal e outros custos trabalhistas. O valor líquido recebido pelo funcionário é bem menor do que o desembolso total da empresa.
Já na contratação por PJ, os R$ 14 mil chegariam de forma muito mais direta ao prestador de serviço – e, por isso, talvez fosse possível contratar dois no lugar de um, por exemplo. Em compensação, a dinâmica da relação também muda: o escritório não pode exigir a subordinação típica de um vínculo de emprego, como controle de horário, exclusividade ou dedicação contínua.
Como melhorar o “Fator R” sem inchar a equipe?
Essa dinâmica tributária não é exclusividade de escritórios de arquitetura ou engenharia. Ela se aplica a muitas outras atividades sujeitas ao “Fator R” e descritas na resolução do Simples. Confira a lista completa aqui.
Segundo Fontes, para melhorar o “Fator R” e garantir o enquadramento em uma alíquota mais baixa, sem necessariamente inchar a equipe de funcionários, uma estratégia legítima é aumentar o pró-labore dos sócios, pois esse valor também entra na folha de pagamento.
Mas Fontes alerta que é preciso fazer contas: deve-se calcular o peso da contribuição ao INSS e do Imposto de Renda sobre o novo valor do pró-labore para garantir que o gasto com esses tributos na pessoa física seja menor do que a economia gerada no imposto da empresa.
O cenário que costuma fazer mais sentido, equilibrando imposto, margem e risco jurídico, segundo Fontes, é a adoção de um modelo híbrido. “O escritório deve manter a contratação CLT e o pró-labore suficientes para garantir o Fator R acima de 28%, utilizando profissionais PJ apenas para projetos específicos e parcerias técnicas genuínas”, afirma.
No Descomplica PJ, cobertura do InvestNews voltada para esclarecer dúvidas de empreendedores, você tem informação rápida e objetiva para tomar decisões com mais segurança e evitar erros que podem custar caro. Se é dono ou dona de empresa e tem dúvidas sobre tributação, envie sua pergunta para redacao@investnews.com.br.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) teve lucro líquido 17% maior no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, a R$3,1 bilhões, afirmou a instituição de fomento nesta terça-feira.
O banco encerrou o período de janeiro a março com R$995 bilhões em ativos totais, com uma carteira de crédito 14% maior, a R$678,2 bilhões, segundo a instituição.
Enquanto isso, as participações societárias do banco somaram R$110,3 bilhões, crescimento de 27,7% “pela valorização dos investimentos em empresas não coligadas” sobre o final do ano passado, disse o banco.
Petrobras, JBS, Axia Energia e Copel seguem como principais empresas investidas pelo BNDES.
O banco afirmou que as aprovações de crédito somaram R$45,7 bilhões nos três primeiros meses do ano, aumento de 37% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Já os desembolsos do banco atingiram R$36,2 bilhões no trimestre, aumento de 44%.
Enquanto isso, as consultas de interessados em créditos do BNDES corresponderam a um volume de R$84,4 bilhões, uma expansão de 65% sobre o primeiro trimestre do ano passado.
O banco afirmou que para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) as aprovações de crédito no período somaram R$29 bilhões, o que representa um aumento de 120% em relação a um ano antes.
“O BNDES tem uma estratégia muito clara, que vem sendo implementada desde 2023, voltada para o crescimento regional, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, para que a gente possa diminuir a assimetria que ainda existe”, disse a diretora Maria Fernanda Coelho, durante entrevista a jornalistas.
Minerais críticos
Na entrevista, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, disse que o banco já recebeu 56 pedidos de financiamento a projetos de terras raras, no Brasil, perfazendo uma demanda total de R$50 bilhões.
Os projetos estão em análise pelo banco, que avalia a qualidade dos projetos, consistências e garantias, afirmou, no momento em que o banco está renovando sua carteira de participações societárias, deixando setores mais tradicionais para financiar áreas inovadoras e estratégicas.
“Se queremos negociar terras raras, ter parcerias e ter soberania, temos que ter capacidade de investimento e impulsionar esse segmento”, afirmou Mercadante, apontando que o Brasil tem a segunda maior reserva mundial desses minerais, atrás apenas da China.
Um projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e, agora, será apreciado pelo Senado. A proposta prevê incentivos para exploração, processamento e reciclagem de terras raras e outros minerais usados em tecnologias, baterias e equipamentos eletrônicos. O texto cria um fundo garantidor de R$ 2 bilhões e incentivos fiscais de até R$ 5 bilhões para o setor.
A Cury (CURY3), uma das maiores construtoras do Minha Casa Minha Vida, apresentou lucro líquido de R$ 302,9 milhões no primeiro trimestre de 2026, montante 41,9% maior do que no mesmo período de 2025.
A melhora no lucro decorre principalmente do ciclo de mais lançamentos e vendas de imóveis, com subida de preços e manutenção de custos sob controle. Essa equação ajudou a aumentar a receita e diluir despesas. No começo deste ano, os apartamentos foram vendidos a R$ 325,4 mil, em média, 5% mais na comparação com um ano antes.
O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 411,4 milhões, aumento de 42,9% na comparação anual. A margem Ebitda foi a 25,5%, subida de 1,8 de ponto porcentual (p.p.).
A receita operacional líquida somou R$ 1,613 bilhão, crescimento de 32,6%, e recorde para a empresa.
A linha de equivalência patrimonial (que apura os resultados oriundos de empreendimentos feitos em sociedade) gerou um ganho de R$ 2,3 milhões, o triplo na comparação anual.
A margem bruta atingiu a marca de 39,0%, estável na comparação anual. A margem bruta ajustada foi a 39,3%, aumento de 0,1 p.p. Já a margem que estima o resultado dos exercícios futuros foi a 42,9%, queda de 0,4 p.p.
As despesas gerais e administrativas somaram R$ 64,9 milhões, alta de 28,8%. Por sua vez, as despesas comerciais foram de R$ 119,1 milhões, avanço de 12,1%.
A Cury reportou ainda uma despesa de R$ 44,8 milhões na linha de ‘outros’, que foi 12,8% maior na comparação anual.
O resultado financeiro (saldo entre receitas e despesas de natureza financeiras) gerou despesa de R$ 10,7 milhões, valor 26,2% menor.
A companhia reportou geração de caixa de R$ 93,4 milhões, completando 28 trimestres consecutivos de geração de caixa operacional.
Assim, encerrou o trimestre com caixa líquido de R$ 406,9 milhões, 28,8% a mais que no último trimestre do ano passado.
Em sua apresentação de resultados, a direção da Cury afirmou que o começo do ano foi impulsionado pela demanda aquecida por imóveis combinada com a eficiência da empresa na produção das moradias. Como resultado, as vendas líquidas totalizaram 2,3 bilhões, volume recorde.
A construtora destacou que o segundo trimestre começou forte em vendas, já considerando os ajustes recentes no Minha Casa Minha Vida (MCMV), que aumentaram o poder de compra da população, bem como o público identificável pelo programa.
O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu, em reunião extraordinária nesta terça-feira (12), adiar a implementação de uma norma que proíbe a concessão de empréstimos rurais subsidiados a solicitantes com áreas desmatadas após julho de 2019.
Segundo a norma, os bancos seriam responsáveis por verificar o cumprimento da exigência por meio de imagens de satélite, se estão de acordo com a legislação ambiental.
A norma havia entrado em vigor em abril para propriedades rurais com mais de quatro módulos fiscais. Agora, o prazo foi adiado para janeiro de 2027 para propriedades com mais de 15 módulos fiscais.
Para áreas entre quatro e 15 módulos fiscais, a exigência de verificação só entrará em vigor em julho do ano que vem, enquanto para propriedades menores, de até quatro módulos fiscais, a norma passará a vigorar em janeiro de 2028, em vez do prazo anterior de janeiro de 2027.
O adiamento aconteceu após o ministro da Agricultura, André de Paula, ter dito que prometera a produtores que trabalharia dentro do governo para que eles não fossem prejudicados injustamente, sem o direito de defesa, em caso de o sistema de verificação apontar algum falso positivo.
A postergação dos prazos acontece ainda pouco antes do anúncio do Plano Safra, o principal programa governamental de oferta de crédito, que inclui recursos com juros subsidiados pelo Tesouro.
O Novo Desenrola Brasil chegou com o objetivo de ajudar o brasileiro a limpar o nome. Um dos principais diferenciais do programa é a oportunidade de utilizar o saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para saldar dívidas.
Para isso, no entanto, algumas regras precisam ser seguidas.
Podem participar do programa, também chamado de Desenrola 2.0, brasileiros com renda de até cinco salários-mínimos (R$ 8.105).
O uso do dinheiro é permitido para dívidas renegociadas a partir do Desenrola, contratadas até 31 de janeiro de 2026 e com atraso entre 90 dias e dois anos.
Por sua vez, O saldo pode estar disponível tanto em uma conta ativa como inativa do FGTS. O trabalhador pode usufruir de 20% do saldo total ou até R$ 1.000, prevalecendo o maior valor.
Como realizar o resgate do FGTS
Antes de tudo o usuário deve acessar o aplicativo oficial do FGTS e verificar se tem saldo disponível.
No próprio aplicativo é preciso autorizar a consulta de dados pelas instituições participantes do Novo Desenrola Brasil.
No canal digital do banco escolhido, acesse a área de negociação.
O programa oferece descontos que variam de 30% a 90% sobre o valor total da dívida.
A taxa de juros é limitada a 1,99% ao mês.
O perfil do devedor vai ser analisado pelo banco, que estabelece um novo valor e as condições de pagamento da dívida.
A proposta será exibida na própria plataforma. Na hora de selecionar a forma de pagamento o usuário deve selecionar “Abatimento com FGTS”.
O banco consulta automaticamente o saldo e o valor permitido será movimentado dentro das regulações do programa.
Após a confirmação do usuário e do banco, o valor será transferido diretamente para a quitação do débito negociado.
Caso o valor não cubra o total da dívida, é possível completar com dinheiro da conta do devedor.
Condições
Quem aderir ao resgate do FGTS para amortizar suas dívidas terá o CPF monitorado e será impedido de realizar transferências para plataformas de apostas online (bets) por um período de até um ano.
Outro ponto de atenção é que o trabalhador que usar o FGTS para amortização de dívidas em atraso não terá acesso ao saque-aniversário até recuperar o valor utilizado na quitação.
O Governo Federal anunciou nesta terça-feira (12) o fim da cobrança do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada “taxa das blusinhas”.
De acordo com Rogério Ceron, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, a mudança passa a valer a partir desta quarta-feira (13), quando compras internacionais de até US$ 50 deixarão de pagar imposto de importação.
“Nós comunicamos que depois de três anos em que nós conseguimos praticamente eliminar, conseguimos combater o contrabando, regularizar o setor, nós podemos dar um passo adiante”, anunciou Ceron.
A alteração foi feita por meio de uma Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e será publicada no Diário Oficial da União.
Apesar do corte no tributo federal, ainda segue em vigor a taxação de 17% do imposto estadual ICMS sobre esses produtos.
‘Taxa das blusinhas’
A chamada “taxa das blusinhas” estava em vigor desde 2024, quando o governo aprovou a cobrança de um imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50.
Apesar do nome, a taxa valia para os mais diversos produtos, desde roupas e acessórios até produtos eletrônicos de lojas online.
Em ano eleitoral, o governo vinha sendo pressionado para reverter essa taxação agora.
A possibilidade da suspensão da taxa das blusinhas chegou a impactar varejistas nacionais na Bolsa em alguns momentos, com investidores prevendo uma maior pressão concorrencial no setor que já tem competição elevada.
De acordo com o ministro do Planejamento e Orçamento (MPO), Bruno Moretti, tanto a Medida Provisória, quanto a portaria do Ministério da Fazenda que zera as taxas federais seguem para publicação no Diário Oficial ainda nesta terça.
“O que importa mesmo é que são produtos de consumo popular. Os números mostram que a maior parte das compras é de pequeno valor. Então, o que o senhor [presidente Lula] está fazendo é retirar impostos federais do consumo popular, do consumo das pessoas mais pobres”, destacou Moretti.
A nova regra do setor de produção de alimentos é clara: todos os produtos da indústria de chocolates comercializados no Brasil deverão apresentar claramente na embalagem o percentual mínimo de cacau em sua composição.
A medida abrange todos os produtos que contêm cacau, independentemente de serem nacionais ou importados.
A Lei nº 15.404/2026 estabeleceu o prazo de um ano para a indústria se adaptar às novas exigências. Como a medida acaba de ser publicada no Diário Oficial da União, ela passará a vigorar plenamente a partir de maio de 2027.
A legislação também obriga que o informe da porcentagem da fruta deve seguir um formato específico. A informação deverá aparecer na parte da frente da embalagem, ocupando no mínimo 15% da área, com destaque suficiente para facilitar a leitura.
Pela nova lei, a figura do chocolate “meio amargo” deixa de existir. Apesar de ser vendido como um produto diferente do chocolate ao leite, ambos costumam ter a mesma proporção de cacau em sua composição.
Na prática, o objetivo da norma é evitar que o consumidor compre gato por lebre — ou “alimento sabor chocolate” no lugar de chocolate.
Isso porque, no decorrer dos últimos anos, diversas marcas passaram a anunciar que seus produtos eram feitos de cacau, mas, na realidade, eram majoritariamente compostos por outros ingredientes. A rotulagem como “sabor” chocolate também é outra estratégia considerada ludibriante.
O novo formato
A porcentagem do cacau deverá ser apresentada no formato “Contém X% de cacau”, de acordo com os seguintes percentuais:
Cacau em pó: mínimo de 10% de manteiga de cacau;
Chocolate em pó: mínimo de 32% de sólidos totais de cacau;
Chocolate ao leite: no mínimo 25% de sólidos totais de cacau e 14% de sólidos totais de leite ou derivados;
Chocolate branco: no mínimo 20% de manteiga de cacau e 14% de sólidos totais de leite.
Achocolatado ou cobertura: mínimo de 15% de sólidos de cacau ou 15% de manteiga de cacau.
Todas as composições diferentes dessas explicitadas na lei não poderão ser consideradas chocolate.
A lei também proíbe artimanhas que possam induzir o consumidor ao erro, como utilizar imagens, cores ou expressões — o famoso “sabor chocolate” — em produtos que não seguem aos critérios para serem considerados chocolates.
O que é chocolate?
Para entender o sentido dessa nova regulamentação, é preciso saber mais sobre a lógica por trás da composição dos chocolates e como o cacau é produzido.
Após a colheita do cacau, a fruta passa por um processo industrial de separação entre a massa e a manteiga. É nesse momento também que o cacau em pó é produzido.
Com isso esclarecido, para um produto ser de fato chocolate, a lei obriga que ele deve conter no mínimo 35% de cacau (massa e manteiga). Dessa porcentagem, no mínimo 18% devem ser da manteiga de cacau e no máximo 5% de outras gorduras vegetais.
Antes na norma, além de que não possuía regras específicas para cada tipo de produto, era preciso o mínimo de 25% de cacau para ser considerado chocolate.
Ela também cria a nomenclatura de chocolate doce, abrangendo chocolates ao leite, branco e achocolatado. O critério é possuir 25% de cacau, sendo pelo menos 18% de manteiga.
Marcas que tiverem produtos com percentual de cacau menor do que os exigidos terão que mudar as comunicações para chamá-los de achocolatados, chocolates fantasia, chocolates compostos, coberturas sabor chocolate ou coberturas sabor chocolate branco.
Ainda assim, há a exigência de pelo menos 15% de cacau nesses produtos, seja com massa ou manteiga.
O banco digital PagBank (PAGS34) teve lucro líquido recorrente de R$ 575 milhões no primeiro trimestre, avanço de 4% na comparação com o mesmo período de 2025, segundo balanço divulgado nesta terça-feira.
Analistas, em média, esperavam lucro líquido de R$580 milhões para o banco do grupo UOL, segundo dados da LSEG.
A receita líquida somou R$ 3,3 bilhões no primeiro trimestre, representando um ganho de 6% na comparação anual, tendo como impulso a aceleração da plataforma de banking, disse a empresa.
Já o indicador de rentabilidade ROAE do PagBank avançou para 15,8%, subindo 80 pontos básicos em relação ao ano anterior.
O banco encerrou o trimestre com uma base de 34 milhões de clientes, número 6% maior que o visto ano passado. Por conta disso, o volume de cash-in, que soma as entradas de recursos nas contas digitais em adição ao volume na adquirência, totalizou R$ 81 bilhões no período, alta de 11% no ano.
Os depósitos somaram R$ 42 bilhões, avanço de 23% na base anual. A carteira de crédito ficou em R$ 5 bilhões, o que representa um aumento de 36% ano a ano, informou a instituição financeira. O aumento percentual supera levemente o guidance de expansão da carteira que a companhia tinha projetado para o ano, de 25% a 35%.
“Sabemos navegar em ambientes com alto grau de instabilidade e incerteza”, disse Gustavo Sechin, diretor financeiro do PagBank, em entrevista coletiva com jornalistas, comentando os números da instituição em meio ao atual cenário macroeconômico doméstico.
Nesse contexto, o banco elevou sua perspectiva para o nível em que a taxa Selic estará no final do ano. “Estamos olhando para um número provavelmente mais próximo de 13,50%”, disse Carlos Maud, CEO do PagBank.
Desenrola
Ainda avaliando o cenário macroeconômico, a instituição financeira vê como positivo o Novo Desenrola lançado pelo governo federal para renegociação de dívidas, mas não enxerga grandes impactos positivos ou negativos na empresa.
“Vemos com bons olhos, até porque estamos com quase toda a população economicamente ativa com algum tipo de apontamento negativo de crédito, e o crédito para o Brasil é muito relevante para impulsionar o consumo. Mas, para nós, ele (Desenrola) tem baixa relevância, até porque o nosso portfólio é pequeno”, destacou o CEO. “O Desenrola 1 pegou um pedaço maior que o Desenrola 2 para a gente.”
No início do mês, o governo lançou o Novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas para famílias, micro e pequenas empresas e agricultores familiares, prevendo utilizar até R$ 15 bilhões em garantias da União para viabilizar juros mais baixos aos devedores, com um impacto fiscal de até R$ 5 bilhões.
O PagBank também vê pouco impacto das altas taxas da inadimplência no país em seu negócio.
“Esses grandes movimentos de inadimplência são menos importantes para gente porque ainda estamos muito no começo da nossa jornada aqui. O elemento macroeconômico ainda não tem poder de pressionar o nosso portfólio, dado que a gente tem R$5 bilhões de carteira de crédito”, destacou o CEO.
Em fevereiro, o Banco Central informou que a taxa de inadimplência em recursos livres aumentou para 5,5%, de 5,3% em janeiro, marcando o nível mais alto desde agosto de 2017. Em 12 meses, o indicador subiu 1,0 ponto percentual.
A JBS (JBSS32), maior produtora global de carnes, relatou nesta terça-feira (12) uma queda de 55,8% no lucro líquido para US$ 221 milhões, com a força das operações brasileiras não sendo suficientes para compensar margens negativas da unidade norte-americana de proteína bovina, a maior do grupo.
Os destaques positivos ficaram por conta da JBS Brasil, apoiada pela forte demanda global por carne bovina, e da unidade brasileira Seara, de processados e carnes suína e de aves, que teve desempenho consistente nos mercados locais e internacionais, disse a empresa.
O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado somou US$1,13 bilhão, queda de 26% ante o mesmo período do ano passado, enquanto a receita líquida avançou 11% na mesma comparação, para US$21,61 bilhões.
A unidade de carne bovina da América do Norte, que respondeu por cerca de um terço da receita da companhia no período, registrou Ebitda ajustado negativo em US$267 milhões, uma piora em relação ao mesmo período do ano passado (US$100 milhões negativos), enquanto as margens foram negativas em 3,7%.
Ainda na América do Norte, uma parada programada de cerca de duas semanas em três fábricas da Pilgrim’s Pride, para obras de ampliação e mudança de “mix” de produtos de frango, afetou o resultado da unidade, segundo a companhia.
Para um pequeno escritório de arquitetura ou engenharia, a lógica de contratação de mão de obra parece óbvia. Em empresas que tocam projetos com começo, meio e fim, a ideia de ter o mínimo possível de funcionários CLT e contratar profissionais PJ conforme a demanda parece a opção mais vantajosa.
Mas a conta não fica só no custo operacional. Para empresas enquadradas no Simples Nacional, a escolha entre contratar CLTs, fechar parcerias com outras PJs ou recrutar freelancers afeta diretamente a carga tributária, a margem de lucro e os riscos jurídicos do negócio.
Afinal, o que é melhor: contar com funcionários CLT ou contratar outras pessoas jurídicas na hora de executar os projetos? A verdade é que cada caso exige fazer contas – mas, do ponto de vista tributário, ter uma folha fixa mais alta pode não ser um problema.
Via de regra, escritórios de arquitetura e engenharia têm a tributação mais cara do Simples. Eles são enquadrados no chamado Anexo V, com alíquota inicial de 15,5% sobre o faturamento.
Isso vale para quem tem receita pequena, de até R$ 180 mil por ano.
Quando o faturamento aumenta, as alíquotas crescem também – e rápido. Se seu escritório fatura R$ 200 mil por ano, já entra na faixa de 18%. E assim vai até o teto, de 30,5%, para aqueles com receita de R$ 3,6 milhões a R$ 4,8 milhões.
A boa notícia é que a legislação abre uma brecha para que esse tipo de empresa migre para o Anexo III do Simples, em que as alíquotas começam em 6% – bem mais palatáveis. Isso é possível quando o gasto com a folha de pagamento é alto em comparação com o faturamento da empresa.
Mas alto quanto? Entra aí o “Fator R”, um indicador que mede essa relação. Pela fórmula, basta dividir o valor da folha da empresa nos últimos 12 meses pela receita bruta no mesmo período. Já explicamos o funcionamento do indicador em detalhes nesta reportagem do Descomplica PJ.
Na folha entram os salários dos funcionários CLT, o pró-labore dos sócios e os encargos trabalhistas, como FGTS e INSS. Se o “Fator R” der 0,28 (28%) ou mais, o escritório pode migrar para o Anexo III e pagar um imposto mais baixo. Se ficar abaixo, precisa permanecer no Anexo V, com tributação mais alta.
Pagamentos a PJs ou freelancers não entram na conta. Portanto, se sua empresa só contrata dessa forma, o gasto com a folha fica baixo e ela não pode pleitear uma tributação menor.
Há também o risco jurídico, considerado grave. Se a contratação da PJ mascarar uma relação de emprego – em que existe subordinação, exigência de pessoalidade e dependência econômica -, o escritório fica exposto a potenciais processos trabalhistas.
Em resumo sobre as diferentes modalidades:
Funcionário CLT: Embora gere mais custos diretos de contratação (com FGTS, férias, 13º salário, entre outros), essa despesa compõe a massa salarial. Na prática, ter funcionários no regime CLT ajuda a estabilizar o Fator R em 28%, e isso permite migrar para alíquotas mais baixas no Simples.
PJ parceira: Esse regime não influencia o “Fator R”, pois os pagamentos são considerados serviços prestados por terceiros e entram apenas como despesa operacional da empresa, não gasto com folha.
Freelancer pessoa física: Neste caso, além de não contar para o “Fator R”, o escritório ainda é obrigado a recolher 20% de INSS patronal sobre o valor pago ao profissional.
A diferença de custo em um exemplo
Nada melhor que um exemplo para entender o impacto real do “Fator R”. Imagine um escritório de arquitetura ou engenharia com faturamento mensal de R$ 50 mil (R$ 600 mil ano) , com custo fixo de R$ 14 mil por mês com equipe.
No primeiro cenário, o escritório só contrata PJs para executar os projetos – ou seja, os R$ 14 mil mensais entram como despesas operacionais e não compõem a folha de pagamento. Como o “Fator R” não alcança 28%, o escritório se mantém no Anexo V.
Com isso, a empresa cairia na alíquota de 19,5% do Simples. Descontando deduções possíveis, seu gasto com impostos seria de R$ 8.925 por mês.
No segundo cenário, o escritório contrata funcionários no regime CLT e gasta os mesmos R$ 14 mil por mês com a folha de salários. Nesse caso, o “Fator R” atingiria exatamente 28% e a empresa poderia migrar para o Anexo III, com tributação menor. A alíquota do Simples seria de 13,5% e o gasto com impostos, depois de deduções, cairia para R$ 5.280 por mês.
A diferença entre fazer 100% das contratações no regime PJ e 100% no regime CLT geraria, nesse caso, uma economia de R$ 3.645 por mês no imposto do Simples. “Portanto, antes de fechar uma contratação, o cálculo na ponta do lápis deve envolver não só o RH mas também o planejamento tributário”, diz Milton Fontes, sócio do Peixoto & Cury Advogados.
Um ponto de atenção
A comparação ajuda a entender o contexto tributário, mas exige cautela. Os mesmos R$ 14 mil mensais permitem montar estruturas diferentes dependendo do modelo de contratação. E, embora a comparação tributária favoreça o regime CLT, esse modelo e o PJ não são equivalentes em custos, disponibilidade da equipe, flexibilidade operacional e risco jurídico.
No regime CLT, o valor total engloba o salário do profissional mas também encargos como FGTS, férias, 13º salário, INSS patronal e outros custos trabalhistas. O valor líquido recebido pelo funcionário é bem menor do que o desembolso total da empresa.
Já na contratação por PJ, os R$ 14 mil chegariam de forma muito mais direta ao prestador de serviço – e, por isso, talvez fosse possível contratar dois no lugar de um, por exemplo. Em compensação, a dinâmica da relação também muda: o escritório não pode exigir a subordinação típica de um vínculo de emprego, como controle de horário, exclusividade ou dedicação contínua.
Como melhorar o “Fator R” sem inchar a equipe?
Essa dinâmica tributária não é exclusividade de escritórios de arquitetura ou engenharia. Ela se aplica a muitas outras atividades sujeitas ao “Fator R” e descritas na resolução do Simples. Confira a lista completa aqui.
Segundo Fontes, para melhorar o “Fator R” e garantir o enquadramento em uma alíquota mais baixa, sem necessariamente inchar a equipe de funcionários, uma estratégia legítima é aumentar o pró-labore dos sócios, pois esse valor também entra na folha de pagamento.
Mas Fontes alerta que é preciso fazer contas: deve-se calcular o peso da contribuição ao INSS e do Imposto de Renda sobre o novo valor do pró-labore para garantir que o gasto com esses tributos na pessoa física seja menor do que a economia gerada no imposto da empresa.
O cenário que costuma fazer mais sentido, equilibrando imposto, margem e risco jurídico, segundo Fontes, é a adoção de um modelo híbrido. “O escritório deve manter a contratação CLT e o pró-labore suficientes para garantir o Fator R acima de 28%, utilizando profissionais PJ apenas para projetos específicos e parcerias técnicas genuínas”, afirma.
No Descomplica PJ, cobertura do InvestNews voltada para esclarecer dúvidas de empreendedores, você tem informação rápida e objetiva para tomar decisões com mais segurança e evitar erros que podem custar caro. Se é dono ou dona de empresa e tem dúvidas sobre tributação, envie sua pergunta para redacao@investnews.com.br.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira, 12, que a alta da inflação no país será de “curto prazo”, alegando que suas políticas estão funcionando mesmo em meio à guerra com o Irã.
“Eu não penso na situação financeira dos americanos”, afirmou, fora da Casa Branca, antes de partir para sua viagem à China. “Eu não penso nisso. Eu penso em uma coisa: não podemos deixar o Irã ter uma arma nuclear.”
O republicano enfatizou que a inflação durante seu mandato está menor do que na época do ex-presidente Joe Biden e frisou que os preços do petróleo vão cair e ações subirão ainda mais com o fim do conflito.
“O mais importante, independentemente de o nosso mercado de ações – que, aliás, está em alta histórica – subir ou descer um pouco é que o Irã não pode ter uma arma nuclear” disse.
Ainda sobre a política externa, o presidente dos EUA comentou que garantirá a libertação de todos os presos políticos na Venezuela e que falará sobre Cuba “na hora certa”, chamando a ilha caribenha de “falida”.
Trump também confirmou que Dr. Marty Makary está fora do cargo de comissário da Agência de Controle de Alimentos e Medicamentos (FDA, em inglês).
Seu mandato, segundo a CNBC, foi marcado por disfunções internas e turbulências na liderança, juntamente com uma crescente reação negativa de fabricantes de medicamentos, médicos e grupos de pacientes sobre decisões regulatórias.
A presidente da Petrobras (PETR3, PETR4), Magda Chambriard, afirmou nesta terça-feira (12) que a atual administração da companhia mantém uma política contrária à anterior, que vendeu inúmeros ativos.
Segundo a executiva, a estatal deve não só manter participações em ativos e empresas, como a Braskem, mas também fazer novas aquisições.
“Esta administração da Petrobras não gosta de vender, só de comprar”, disse a jornalistas nesta tarde.
Segundo a executiva, a petroleira deixou “de lado” a Braskem nos últimos anos e agora o objetivo é retomar a atuação no setor petroquímico, amplamente relacionado à indústria de petróleo.
“Houve todo um esforço da nossa parte nos dois últimos anos para olhar essa parceria com outros olhos e para resolver um problema societário que se arrastava há muito tempo”, disse.
Ela reforçou, entretanto, que a Petrobras atuará tão somente como sócia da gigante petroquímica. “Temos 46% das ações com direito a voto da Braskem, uma participação acionária bastante relevante. Quanto ao resto, diz respeito à administração da própria Braskem.”
Mais cedo, Chambriard esclareceu que sua visita recente ao México tinha como objetivo principal conversar com a presidente do país, Claudia Sheinbaum, sobre a oportunidade de uma parceria com a petroleira Pemex para explorar a área mexicana do Golfo do México.
“Quando olhamos para o Golfo do México, a [área] americana é altamente desenvolvida, mas a porção mexicana ainda é pouco desenvolvida. Isso ocorre em um ambiente de águas profundas, que inclusive é o nicho de atuação da Petrobras.”
Ela acrescentou que a companhia brasileira busca novos mercados, incluindo África e “muito provavelmente Venezuela”.
“Estamos em busca de novas incorporações futuras de reservas de óleo e gás. Uma parceria com a Pemex seria vantajosa para nós avaliarmos futuras possibilidades de exploração”, destacou.
Sobre a atuação na Venezuela, Chambriard afirmou que as regras para atuar no país vizinho vêm mudando, e que neste momento a companhia está tentando entender a nova legislação.
“Há uma lista de empresas vetadas [para atuar na Venezuela], dentre as quais as brasileiras não se enquadram, então estamos estudando a área”, disse.
Ela observou que, por volta de 2023, a Petrobras estudou o país vizinho. “Temos um juízo de valor sobre os ativos venezuelanos. O próximo passo é entender essa legislação e de que forma poderíamos atuar no país de forma consistente, que seja bom para a Petrobras, o Brasil e a Venezuela.”
Conflito no Oriente Médio
Chambriard voltou a dizer que a governança da companhia evita repassar o “nervosismo” dos preços internacionais do petróleo, em meio à guerra no Irã, para o consumidor brasileiro, embora a estatal “siga a lógica do mercado e os preços do mercado internacional”.
Ela lembrou que em apenas 12 dias após o início da guerra, o governo federal lançou uma subvenção em relação ao preço do diesel, com expectativa próxima de subvenção para a importação inclusive de forma retroativa.
No caso da gasolina, a executiva ressaltou que, no Brasil, há uma competição com o etanol, inclusive com a queda dos preços do combustível da cana de açúcar nos últimos tempos.
“Estamos tratando [internamente] sobre o aumento da gasolina, mas sempre de olho no market share e na evolução do etanol”, explicou.
O diretor financeiro e de relacionamento com investidores da Petrobras, Fernando Melgarejo, disse que, para este ano, o alvo da companhia continua sendo US$ 59 para o preço de equilíbrio (breakeven) do petróleo bruto.
“No ano passado, rodamos na ordem de US$ 89 de breakeven. Até 2030, miramos US$ 48 a US$ 50, independentemente do que vier pela frente em questão de preço”, disse.
O Ibovespa (IBOV) encerrou a terça-feira (12) em queda, pela segunda sessão consecutiva, após os dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos
Os investidores acompanharam ainda o recuo da Petrobras após o balanço do primeiro trimestre de 2026 e a continuidade na escalada de tensões entre Irã e EUA.
Hoje, o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações em baixa de 0,86%, aos 180.342,33 pontos.
Por aqui, o mercado acompanhou os dados da inflação de abril, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que foi a maior para o mês desde 2022.
O IPCA registrou alta de 0,67%, o que representa desaceleração após avanço de 0,88% em março. O resultado veio em linha com a mediana da pesquisa Projeções Broadcast.
No acumulado em 12 meses, a inflação acelerou de 4,14% em março para 4,39% em abril, ficando próximo do teto da meta inflacionária de 4,5% do Banco Central (BC).
Na avaliação da economista Claudia Moreno, do C6 Bank, as medidas do governo – como subsídios e redução de impostos – devem mitigar parte dos efeitos da alta do petróleo sobre a inflação brasileira no curto prazo. Ainda assim, ela afirma que combustíveis e alimentos já podem estar sendo impactados pelo conflito no Oriente Médio.
Além disso, “o mercado de trabalho aquecido junto com a perspectiva de desvalorização do real deve fazer com que os preços voltem a acelerar no segundo semestre”, diz Moreno. A projeção do C6 para o IPCA de 2026 é de 4,8%, acima do intervalo de tolerância da meta, de 4,5%.
Altas e quedas do Ibovespa
No sentido contrário da véspera, a Petrobras (PETR3;PETR4) recuou após o balanço do primeiro trimestre e os dividendos virem abaixo do esperado pelo mercado, contrariando a alta do petróleo. PETR4 tombou 1,62% (R$ 45,68), enquanto PETR3 caiu 0,85% (R$ 50,38).
Segundo o time do Itaú BBA, liderado por Monique Martins Greco, o avanço do Brent ao longo de março “não foi totalmente refletido no trimestre”, já que existe uma defasagem entre o embarque do petróleo e o reconhecimento da receita na transferência de propriedade das cargas exportadas.
“Embora a frustração possa gerar pressão de curto prazo, a combinação de preços mais altos do petróleo e a realização das exportações em trânsito deve reverter esse efeito temporário, preparando um segundo trimestre mais forte”, escreveram os analistas.
Por outro lado, Vale (VALE3) conseguiu se recuperar no fim do pregão e subiu 0,37% (R$ 83,76), destoando da queda de 0,98% do minério de ferro, cotado a 812,5 yuans (US$ 119,57) a tonelada na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China. O avanço ocorreu após a mineradora divulgar suas projeções para 2026 e 2027.
Para o Safra, os números são positivos uma vez que o aumento na sensbilidade do fluxo de caixa livre das Soluções de Minério de Ferro não estava no cenário base do banco.
Adicionalmente, o banco avalia que isso ajuda a aliviar as preocupações do mercado em relação à perda de rentabilidade decorrente dos custos de caixa e do frete desde o início do conflito, algo que aparentemente pressionou as ações após o balanço do primeiro trimestre de 2026 (1T26).
A ponta negativa do índice foi encabeçada pela Natura (NATU3), que recuou 5,62%, a R$ 9,91, após o resultado do 1T26 ser considerado fraco pelos analistas do mercado.
Já a ponta positiva foi liderada pelaBraskem (BRKM5), que disparou 29,02%, a R$ 11,87, depois de o JP Morgan realizar dupla elevação do papel. A recomendação passou de neutro para compra e o banco também subiu o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 15, com potencial de valorização de 63% ante o fechamento anterior (11).
Segundo o JP, a elevação do papel reflete a melhora nos fundamentos de mercado, oferta mais restrita e fortalecimento da governança após a reestruturação.
No front econômico, o índice de preços ao consumidor (CPI, em inglês) dos EUA aumentou 0,6% em abril, depois de ter subido 0,9% em março, informou o Escritório de Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho nesta terça-feira. Economistas consultados pela Reuters previam alta de 0,6%, com as estimativas variando de 0,4% a 0,9%.
Mas nos 12 meses até abril, os preços ao consumidor avançaram 3,8%. Esse foi o maior aumento anual desde maio de 2023 e seguiu-se à alta de 3,3% em março, o que reforçou ainda mais as expectativas de que o Federal Reserve deve deixar a taxa de juros dos Estados Unidos inalterada por algum tempo.
Diante da recente escalada de tensões no Oriente Médio, o parlamentar iraniano Ebrahim Rezaei disse nesta terça-feira que o país pode enriquecer urânio a até 90% de pureza, um nível considerado grau de armamento, se o Irã for atacado novamente.
Na Ásia, os principais índices encerram majoritariamente negativos. O índice de Nikkei, do Japão, encerrou com avanço de 0,52%, 62.742,57 pontos. Já o índice Hang Seng, de Hong Kong, recuou 0,22%, aos 26.347,91 pontos.
O Brasil não consta da lista de países autorizados a fornecer produtos de origem animal à União Europeia, o que representa um risco comercial para o maior exportador mundial de carne bovina.
A União Europeia publicou na terça-feira (12) uma versão atualizada da lista de países que cumprem suas normas contra o uso excessivo de antimicrobianos em animais destinados à produção de alimentos. O Brasil não foi incluído.
A lista destina-se atualmente a fins informativos e não tem efeitos legais. No entanto, será “formalmente adotada” nos próximos dias, afirmou a Comissão Europeia em comunicado em seu site, acrescentando que as regras sobre importações entrarão em vigor a partir de 3 de setembro.
“De acordo com as normas da UE, o uso de antimicrobianos em animais de criação para fins de crescimento ou produção não é permitido, nem os animais podem ser tratados com antimicrobianos reservados para infecções humanas”, afirmou a Comissão Europeia.
O Ministério da Agricultura do Brasil e a Comissão Europeia não responderam de imediato ao pedido de comentários.
A União Europeia e o Brasil são importantes parceiros comerciais. No entanto, as exportações de carne bovina para o bloco representaram apenas 4% do total das exportações brasileiras de carne bovina no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do Ministério da Agricultura.
A inteligência artificial já não pode ser entendida como uma opção nem pode ser ignorada pelas empresas que querem não apenas avançar como permanecer relevantes em seus mercados.
Essa é a síntese do discurso de abertura de Matt Hicks, presidente e CEO da Red Hat, empresa adquirida pela IBM em 2019 por US$ 33 bilhões.
Especializada em soluções de software open source corporativo, com foco em infraestrutura de nuvem híbrida - como Azure, da Microsoft, AWS, Oracle, Google e IBM –, automação, virtualização e inteligência artificial, a Red Hat opera uma tecnologia “invisível”, no back office da transformação digital das companhias.
Em 2025, a empresa fechou com receita anual de US$ 7,3 bilhões, alta de 12,9% em relação ao ano de 2024.
No Brasil, a Red Hat é fornecedora de uma das soluções por trás do Pix que permite a transmissão de dados de forma distribuída e sem a necessidade de uma grande estrutura de gerenciamento.
“A IA não é opcional a esta altura, quer ela te traga energia, quer crie uma incerteza real. E eu acho que, para muitos de nós, é uma combinação, uma mistura de ambos. Ela não pode ser ignorada”, afirmou o executivo na abertura do Red Hat Summit, evento que acontece em Atlanta, nos Estados Unidos.
O executivo defendeu, porém, que não existe um único caminho e que é comum, num período de acelerada transformação, os diferentes estágios de adoção e também as dúvidas, entre o que é hype, o exagero do mercado, e o que pode gerar oportunidades de fato.
“O que recomendaria cautela são os extremos: ou mover-se tão lentamente que, quando você começar, nunca conseguirá alcançar os outros. Ou mover-se tão rápido e construir uma fundação sobre uma uma base que não permita que a companhia lide com o que virá”, disse. “Porque eu lhe garanto: algo novo virá a seguir neste ambiente de transformação.”
Para ir além do discurso, o CEO compartilhou a experiência interna da empresa. A companhia implementou a IA generativa no canal de suporte “Ask Red Hat”, evoluindo de chatbots para sistemas agênticos de pesquisa profunda e com economia de milhões de dólares por ano atualmente.
O CEO revelou que o projeto começou com os chamados “frontier models” (modelos proprietários de ponta) e avançou otimizando o sistema camada por camada.
Hoje, 85% das chamadas do sistema de pesquisa da Red Hat rodam em modelos de código aberto e pesos abertos (open weights) - como Nemotron Super, Nemotron Nano e IBM Granite) em infraestrutura própria.
“O que nos surpreendeu foi que os resultados ficaram melhores. Quando você é dono do modelo e da infraestrutura, você pode otimizar de uma forma que um modelo de propósito geral nunca conseguiria”, afirmou Hicks, que está ampliando o uso a tecnologia em todas as áreas da companhia.
Assim como outros gigantes de tecnologia, como o Google Cloud, a Red Hat adota um discurso nesta edição do evento de que a era de experimentação e de pilotos ficou para trás. Os agentes de IA passaram de um conceito e de uma promessa em 2025 para uma realidade este ano.
Entre os principais lançamentos da edição, estão o Red Hat AI 3.4 e novas capacidades de IA agêntica. Com o produto, a companhia procura diminuir o gap entre pilotos de IA e a implantação em produção para escalar a automação em ambientes híbridos.
Para Hicks, os profissionais não serão trocados por IA, mas o escopo do trabalho mudará drasticamente. Os desenvolvedores migrarão para a construção dos trilhos onde a IA corre, o que inclui a criação de novos sistemas de integração contínua e frameworks de teste capazes de manter a estabilidade em um ecossistema onde qualquer pessoa pode contribuir com código ou conhecimento.
A pressão por adaptação estende-se também aos gestores, que enfrentarão um teste rigoroso de sua capacidade de delegação.
Com os agentes de IA expandindo a capacidade das equipes, os líderes precisarão entender a tecnologia profundamente para decompor tarefas complexas e distribuí-las de forma eficiente entre humanos e máquinas. A eficácia dessa orquestração definirá quem terá sucesso no novo ambiente corporativo.
Além disso, a democratização do conhecimento atingiu um novo patamar, removendo barreiras para que colaboradores de áreas não técnicas, como jurídico, vendas e operações, contribuam diretamente com conteúdo e até código para sistemas agênticos.
“Quando unimos a IA e sua capacidade de ampliar o que podemos fazer com um sistema bem projetado, eu garanto que isso mudará o que vocês podem construir como empresa”, afirma o CEO.
A Naturaencerrou o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 445 milhões e reconhece que o período foi exatamente tão difícil quanto esperava. Apesar do tamanho do tombo, a gestão argumenta que a crise está controlada e que o pior ficou para trás.
“Um trimestre que aparece bastante misturado”, reconheceu o CEO João Paulo Ferreira em entrevista coletiva com jornalistas nesta terça-feira (12). “Algumas notícias mais negativas que merecem maior atenção e correção de rota, e outros já bastante mais promissoras.”
A receita líquida caiu 7,7% frente ao mesmo período de 2025, para R$ 4,7 bilhões. O Ebitda despencou 55,7% em base recorrente, para R$ 346 milhões — com margem de 7,3%, ante 15,2% um ano antes.
Parte relevante da queda veio de despesas não recorrentes com rescisões da reorganização em curso: R$ 221 milhões, o equivalente a 4,7 pontos percentuais de margem. Excluído esse efeito, a margem teria ficado perto de 12%.
Três feridas abertas ao mesmo tempo
O resultado negativo reflete problemas simultâneos que a Natura precisou gerir no trimestre.
O primeiro é a desaceleração do consumo no Brasil. O mercado de beleza esfriou, com impacto especialmente pronunciado no Nordeste, onde a penetração da venda direta é maior e a Natura tem exposição acima da média. Com famílias endividadas e juros elevados, o sell-in (venda para o varejo e consultoras) da marca Natura no Brasil caiu 3% no período.
O segundo é a Avon. A marca passou boa parte do trimestre com portfólio de inovação esvaziado, consequência deliberada do reposicionamento que antecedeu seu relançamento. Esse relançamento só ocorreu em meados de março, já no final do período.
Os primeiros produtos chegaram com vendas acima das expectativas, mas com representatividade ainda pequena dentro do total, segundo os executivos. A receita da Avon no Brasil caiu 13,8%.
O terceiro é a Argentina, onde a integração das operações de Natura e Avon — concluída no terceiro trimestre de 2025 — reduziu significativamente a base de consultoras e o canal de venda direta. A recuperação está sendo mais lenta do que a empresa planejou, e os desafios macroeconômicos e cambiais do país agravam o quadro. Na região hispana como um todo, a receita caiu 10,5%.
Reorganização e impacto no caixa
Enquanto administrava esse cenário adverso de receita, a Natura também acelerou sua própria reestruturação interna, anunciada em dezembro de 2025, com previsão de corte de 25% nos cargos administrativos. No primeiro trimestre, aproximadamente 75% dessas demissões já foram executadas, gerando despesas com rescisões de R$ 240 milhões.
Os efeitos aparecem no balanço. A dívida líquida subiu R$ 565 milhões, para R$ 4 bilhões, levando o índice de alavancagem a 2,11 vezes o Ebitda, acima da faixa de 1x a 1,5x que a empresa considera ideal. Além das rescisões, pesaram o pagamento de R$ 367 milhões referente ao acordo judicial Chapman e gastos remanescentes do processo de simplificação da antiga holding.
A CFO Silvia Vilas Boas enquadrou o movimento como normal para o período. “No nosso negócio, o primeiro semestre normalmente consome caixa e o segundo semestre gera caixa. Isso não compromete nosso compromisso de terminar o ano dentro da estrutura de capital ótima”, disse.
A justificativa central da gestão para o otimismo está no novo modelo operacional — uma estrutura mais enxuta, descentralizada e orientada a dados, construída para permitir reações mais rápidas às mudanças de mercado. Na prática, já teria permitido ajustes nos incentivos comerciais para consultoras no Brasil e mudanças no canal na Argentina.
O problema é que as economias ainda não apareceram nos números. As demissões foram feitas, mas os ganhos de eficiência começarão a ser capturados de forma expressiva apenas a partir do segundo trimestre. Para o segundo semestre, a promessa é de captura plena.
“Com as despesas agora sob controle, nosso foco está voltado ao crescimento sustentável das receitas”, disse Ferreira. Os compromissos públicos para 2026 incluem margem Ebitda superior aos 14,1% registrados no ano passado e geração de caixa acima do nível de 2025.
Sinais que sustentam o otimismo
Apesar do resultado negativo, há indicadores que a empresa usa para defender a narrativa de virada. No Brasil, o sell-out da Natura (as vendas ao consumidor final, medidas por instituto externo) cresceu acima do mercado no primeiro trimestre e mostrou recuperação sequencial no final do período, o que em tese antecede uma melhora no sell-in. O número de consultoras também voltou a crescer após queda de 4,2% no período.
A Avon trouxe sinais considerados encorajadores desde o relançamento: os indicadores de saúde de marca melhoraram e as primeiras linhas lançadas — perfumaria, batom e maquiagem temática — vieram acima das expectativas de vendas. Na região Hispana, excluindo a Argentina, os resultados foram positivos, com destaque para o México. O canal digital cresceu 23,6% no Brasil.
Para 2026, a Natura precisa demonstrar que consegue recuperar receita no Brasil e na Argentina enquanto colhe os ganhos da reorganização. O segundo trimestre será, nas palavras do próprio CEO, “um período de transição, com recuperação gradual da receita e riscos de execução ainda relevantes”.
A empresa promete que, a partir do segundo semestre, estará mais leve e pronta para crescer. Por enquanto, o mercado precisará confiar na palavra da gestão.
A Elea Data Centers concluiu a primeira fase de um projeto de 2,3 bilhões de reais (US$ 470 milhões) para a petroleira estatal brasileira Petrobras, em meio à expansão da computação em nuvem na maior economia da América Latina.
A Elea venceu em setembro passado um contrato de 17 anos para construir um data center de aproximadamente 30 megawatts, destinado a abrigar supercomputadores que processam dados científicos das operações de petróleo e gás da Petrobras, afirmou Alessandro Lombardi, fundador e presidente da companhia.
“Já está em operação”, disse Lombardi em entrevista, acrescentando que a Petrobras está entre os cinco maiores clientes da empresa.
A Petrobras está apostando em computação em nuvem e inteligência artificial para otimizar operações e aprimorar a exploração, utilizando ferramentas de dados mais robustas para melhorar a tomada de decisão em seus complexos campos offshore no Brasil.
O projeto da Petrobras faz parte de um movimento mais amplo de digitalização no país, à medida que empresas e o governo buscam maior controle sobre seus dados — muitos dos quais hoje são processados nos Estados Unidos. A malha elétrica interconectada do Brasil e sua matriz energética baseada em fontes renováveis tornam o país um local atrativo para data centers.
Lombardi afirmou que a capacidade de data centers no Brasil cresce cerca de 30% ao ano e pode avançar ainda mais rapidamente caso o governo aprove medidas para reduzir tarifas de importação de equipamentos de computação.
A gestora de infraestrutura Squared Capital Advisors anunciou no mês passado a aquisição de uma participação controladora na Elea, comprada da Goldman Sachs. Segundo a empresa, o pipeline de projetos da Elea no Brasil exigirá mais de US$ 10 bilhões em capital.
Depois de crises de grandes grupos como Raízen e GPA, que causaram perdas a investidores, fundos de crédito privado enfrentaram uma sangria de capital em abril.
Novos dados da Anbima – associação de entidades e empresas do mercado de capitais – confirmam o que dados prévios já mostravam: houve uma forte saída de recursos dos portfólios com títulos de renda fixa emitidos por empresas – CRIs, CRAs, debêntures.
Em uma das principais categorias, a de fundos com papéis com “duração livre”, ou seja, títulos de vencimentos variados, houve um resgate líquido de R$ 14,1 bilhões apenas em abril.
Em um recorte mais específico, a categoria de fundos com “duração livre grau de investimento”, que adquire apenas papéis com notas de crédito mais altas, registrou saídas de R$ 10,2 bilhões.
A saída líquida total foi de R$ 22,3 bilhões na soma das 8 categorias de fundos de crédito privado da Anbima – ou seja, os resgates ultrapassaram os depósitos.
Foi um movimento considerado natural dado o clima de perdas que se instaurou.
Não faltaram eventos que sacudiram o setor, afinal: as citadas recuperações extrajudiciais da Raízen, do GPA (Grupo Pão de Açúcar) e da Kora Saúde, mais o pedido de proteção contra credores na Justiça da Oncoclínicas e os sinais de uma esperada reestruturação de dívidas da Braskem.
Além das crises de crédito, o mercado enfrenta um movimento de reprecificação por causa dos efeitos da Guerra do Irã e da consequente escalada de preços do petróleo.
Com o aumento das pressões inflacionárias, os preços e as taxas de papéis de renda fixa prefixada e da atrelada à inflação têm passado por ajustes e enfrentado uma onda de vendas desde o início do conflito, no fim de fevereiro.
Retornos de menos da metade do CDI
Como os resgates dos fundos de crédito levam em torno de 30 dias para serem contabilizados no valor das cotas, os impactos desse movimento começaram a ser vistos em abril.
A queda no valor das cotas fica evidente na rentabilidade da categoria “Renda Fixa Crédito Livre e Duração Livre”, uma das classificações da Anbima com maior número de fundos de crédito privado. No mês passado, a média de retorno de portfólios desse tipo ficou em 45% do CDI.
Outra categoria, a “Renda Fixa Duração Alta Crédito Livre”, que concentra fundos com carteiras de crédito privado de longo prazo, amargou saídas liquidas de R$ 255,2 milhões em abril. O retorno médio também ficou significativamente abaixo do CDI, com rendimento por cota de 83% do referencial conservador.
Busca por posições conservadoras
Essa percepção de perda pode retroalimentar o movimento de saques.
Com isso, se fundos tiverem que vender mais ativos no mercado secundário para cobrir as saídas líquidas, podem ter de aceitar ainda mais descontos.
No mês passado, as duas únicas categorias de fundos de crédito privado que apresentaram captação líquida positiva foram a “Renda Fixa Duração Baixa Crédito Livre”, com entradas líquidas de R$ 8,2 bilhões, e a “Renda Fixa Duração Média Grau de Investimento”, com aportes de R$ 1,4 bilhão.
São fundos com características mais defensivas dentro da classe de crédito privado – títulos com vencimento mais curtos são menos voláteis.
Investidores precisam ter paciência
O momento de perdas em fundos de crédito privado pede resiliência ao investidor. No médio e no longo prazos, os efeitos da volatilidade se diluem. Desmontar a posição agora vai significar vender na baixa e tornar real o prejuízo que está no papel.
Com uma eventual melhora do quadro no futuro, o valor das cotas tende a se recompor e pode até superar o nível de preços em que o investidor entrou.
Quem tiver mais tolerância ao risco pode até aproveitar os momentos de quedas mais acentuadas para adquirir mais cotas, olhando para um horizonte de mais de um ano.
O carrego, ou seja, o ganho por manter os títulos na carteira no longo prazo, está favorável, com taxas de retorno historicamente altas.
Microempreendedores Individuais (MEIs) têm até 31 de maio para entregar a Declaração Anual Simplificada do Microempreendedor Individual (DASN-SIMEI), obrigação que informa à Receita Federal o faturamento bruto do CNPJ em 2025.
Apesar de ser uma declaração da empresa, a DASN-SIMEI também afeta o Imposto de Renda 2026 da pessoa física.
Isso porque os valores informados pelo MEI são utilizados pela Receita Federal no cruzamento de dados do IRPF do titular.
A obrigação da DASN-SIMEI vale para todo MEI que teve CNPJ ativo em qualquer período de 2025, inclusive sem faturamento ou com empresa encerrada ao longo do ano.
A declaração é realizada exclusivamente de forma eletrônica e pode ser transmitida pelo Portal do Simples Nacional ou pelo aplicativo oficial do MEI.
Na prática, o envio da DASN-SIMEI não substitui a declaração do Imposto de Renda da pessoa física.
O contribuinte ainda pode precisar entregar o IR 2026 caso se enquadre nas regras de obrigatoriedade da Receita Federal, como renda tributável acima do limite anual, posse de bens, investimentos ou outras fontes de renda.
A DASN-SIMEI é a declaração anual obrigatória do Microempreendedor Individual. Nela, o MEI informa:
Faturamento bruto obtido no ano-calendário anterior;
Existência de empregado contratado;
Movimentação da empresa no período.
O contribuinte que é MEI é obrigado a entregar a DASN-SIMEI mesmo quando:
Não houve faturamento;
O MEI ficou sem movimentação;
O CNPJ foi encerrado ao longo do ano.
Nesse caso, a declaração pode ser enviada zerada.
No caso de encerramento do MEI, a Receita Federal determina que a declaração seja transmitida até o último dia do mês de baixa do CNPJ.
O que acontece se o MEI perder o prazo?
A entrega da declaração anual do MEI fora do prazo gera multa automática. Segundo a Receita:
A multa é de 2% ao mês de atraso sobre os tributos declarados;
O percentual é limitado a 20% do total devido;
O valor mínimo da penalidade é de R$ 50.
A cobrança é emitida automaticamente após a transmissão da declaração em atraso.
Além da multa, a ausência de entrega pode gerar irregularidade no CNPJ e dificultar emissão de certidões, financiamentos e acesso a serviços vinculados ao Simples Nacional.
Quando quem tem MEI precisa declarar o IR em 2026
A declaração do Imposto de Renda 2026 é obrigatória quando, em 2025, o contribuinte teve rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00.
No caso do MEI, a obrigatoriedade do IRPF é definida pela situação da pessoa física, e não apenas pelo resultado do CNPJ.
Mesmo que o MEI não tenha apurado lucro, o contribuinte ainda precisa verificar se se enquadra em outras regras da Receita Federal.
O contribuinte que possui MEI pode continuar obrigado a declarar o IR 2026 se:
Tiver outros rendimentos tributáveis (salário, aluguel, etc.);
Possuir bens acima dos limites estabelecidos;
Se enquadrar em outras regras de obrigatoriedade.
Também existe uma obrigação que permanece independentemente de lucro: a entrega da DASN-SIMEI. Todo MEI com CNPJ ativo deve enviar essa declaração anual, mesmo sem faturamento, pois ela informa à Receita Federal a movimentação da empresa no período
O que é considerado Rendimento Tributável?
Rendimentos tributáveis são aqueles que entram na base de cálculo do Imposto de Renda da pessoa física. De forma geral, incluem:
No caso do MEI, apenas parte do lucro é considerado rendimento tributável. Isso acontece porque a legislação prevê uma parcela isenta, conforme a atividade exercida.
Como calcular o lucro do MEI para o IR 2026
Para saber se precisa declarar o Imposto de Renda 2026, o MEI deve calcular o lucro do negócio e identificar qual parte desse valor é considerada rendimento tributável.
O cálculo parte do faturamento bruto anual, passa pela dedução das despesas e considera a aplicação da parcela isenta conforme a atividade exercida.
A fórmula abaixo resume como a conta deve ser feita:
Rendimento Tributável = (Faturamento Bruto – Despesas) – (Faturamento Bruto X Percentual de Isenção)
Na prática, o processo segue estas etapas:
Somar todo o faturamento bruto do ano (Pix, cartão, dinheiro e notas fiscais);
Aplicar o percentual de isenção conforme a atividade;
Levantar todas as despesas do negócio;
Subtrair as despesas do faturamento para encontrar o lucro;
Descontar a parcela isenta para chegar ao rendimento tributável.
Os percentuais de isenção são:
8% da receita bruta: comércio, indústria e transporte de cargas;
16% da receita bruta: transporte de passageiros;
32% da receita bruta: prestação de serviços.
O valor final desse cálculo é o rendimento tributável que deve ser considerado no IRPF. É ele que define tanto a obrigatoriedade de declarar quanto a eventual incidência de imposto.
MEI que não teve lucro precisa declarar?
A obrigatoriedade de declarar o Imposto de Renda não depende apenas da existência de lucro no MEI.
Se, após os cálculos, o rendimento tributável ficar abaixo do limite de obrigatoriedade e não houver outras fontes de renda, o contribuinte pode ficar dispensado da entrega da declaração.
Por outro lado, se houver outros rendimentos tributáveis ou enquadramento em regras da Receita Federal, a entrega do IRPF pode continuar obrigatória.
Documentos necessários para declarar rendimento de MEI
Antes de enviar a declaração do Imposto de Renda 2026, é necessário reunir os principais documentos que comprovam receitas, despesas e patrimônio. Entre eles:
Dados pessoais e recibo da última declaração;
Informe de rendimentos (quando houver);
Registros de faturamento do MEI;
DASN-SIMEI;
Controle de despesas ou livro-caixa;
Comprovantes de despesas dedutíveis;
Extratos bancários;
Documentos de bens e direitos.
A organização dessas informações reduz inconsistências e facilita o preenchimento correto da declaração.
MEI e Imposto de Renda 2026: em qual campo da declaração entra o lucro
Na declaração do IRPF, o lucro do MEI deve ser informado em duas fichas diferentes:
Parcela isenta: “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, no item “Lucros e dividendos recebidos pelo titular”;
Parcela tributável: “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica”.
Os valores devem ser compatíveis com os dados informados na DASN-SIMEI, já que a Receita Federal realiza o cruzamento automático dessas informações.
A Natura (NATU3) reverteu lucro e registrou prejuízo de R$ 444,5 milhões no primeiro trimestre, para, em um cenário que a administração defendeu como “desafiador”.
Entre as razões para a baixa, está uma demora maior que a esperada em retomar o crescimento da marca Natura no Brasil. A marca enfrenta uma queda de consumo no país diante do aumento do endividamento das famílias.
“O consumo da categoria de beleza vinha de um momento muito exuberante há um ano atrás, e, como noticiamos em outras ocasiões, esse consumo freou e está crescendo muito pouco em volume. É algo que me preocupa”, afirmou João Paulo Ferreira, CEO da Natura, em coletiva com jornalistas nesta terça-feira (12) para comentar os resultados da varejista.
Sem crescimento de mercado garantido, a estratégia da Natura passa a depender de ganhos sobre os concorrentes.
“Se o mercado cresce pouco em volume, a gente precisa buscar espaços para ganhar mais da concorrência”, afirmou Ferreira, destacando que a companhia está mapeando categorias e regiões onde pode ser mais competitiva.
O Nordeste aparece como uma das prioridades depois de aparecer como região de maior vulnerabilidade no trimestre, com queda no tamanho e na produtividade da rede de consultoras na região.
“O Nordeste é uma região muito importante para nós e precisamos adaptar nosso sortimento de produtos ao perfil do consumidor nordestino”, disse.
Entre os produtos, Ferreira mencionou o body splash como um exemplo de onde a companhia pode ganhar espaço. “[É uma opção] que vem se destacando possivelmente como uma reação ao poder de consumo mais limitado e ao desejo de consumir perfumaria”, afirmou.
Do lado das despesas, a Natura está mais perto de finalizar os custos de seu processo de reestruturação após a companhia abandonar a ambição global e reforçar o foco na América Latina – incluindo a fusão de estruturas administrativas da Natura e da Avon na região.
O processo de reestruturação foi o principal detrator do resultado da empresa no trimestre. A rentabilidade ficou em 7,3%, mas a CFO Sílvia Vilas Boas ressaltou que as despesas não recorrentes de 4,7 pontos percentuais distorcem o número. Sem os efeitos associados à reestruturação, o indicador teria sido de 12%.
Com 75% da reorganização já concluída – e a maior parte das rescisões contabilizadas no primeiro trimestre –, a expectativa da companhia é que os benefícios da reestruturação apareçam de forma mais expressiva a partir do segundo trimestre, com uma curva significativamente menor de custos não recorrentes.
A Natura aposta também na implementação do novo modelo operacional como estratégia de eficiência. “Decidimos antecipar a implementação do novo modelo para que estivéssemos com a estrutura mais leve para enfrentar o cenário macroeconômico”, afirmou a CFO a jornalistas.
“O balanço que nós vamos ter durante o ano é de muito controle de despesa, capturando os benefícios da reorganização, mas sem deixar de investir em alavancas que vão suportar essa retomada do crescimento”, disse.
O Google está em negociações com a SpaceX para um acordo de lançamento de foguetes, enquanto amplia seus próprios esforços para levar data centers orbitais ao espaço, segundo pessoas familiarizadas com as conversas.
Um eventual acordo colocaria as duas empresas em parceria em meio à corrida para desenvolver data centers em órbita — uma tecnologia ainda não comprovada, que o CEO da SpaceX, Elon Musk, já descreveu como a próxima fronteira de sua companhia aeroespacial.
O Google também mantém conversas com outras empresas de lançamento de foguetes, segundo uma das fontes.
A tecnologia especulativa tem sido um dos principais temas da SpaceX em sua apresentação a investidores antes da planejada abertura de capital no verão, que pode se tornar a maior IPO da história.
No ano passado, o Google anunciou planos próprios para lançar satélites protótipos até 2027 dentro da iniciativa Project Suncatcher. A empresa trabalha com a Planet Labs no desenvolvimento desses satélites.
“Vamos enviar pequenos racks de máquinas em satélites, testá-los e então começar a escalar a partir disso”, afirmou o CEO do Google, Sundar Pichai, em entrevista à Fox News em novembro. “Não tenho dúvidas de que, em uma década, veremos isso como uma forma mais comum de construir data centers.”
O Google foi um dos primeiros investidores da SpaceX e detém cerca de 6,1% da empresa, segundo um documento regulatório. O executivo Don Harrison, do Google, integra o conselho da SpaceX.
Líder global em lançamentos comerciais, a SpaceX se tornou praticamente inevitável para qualquer empresa que queira colocar satélites em órbita.
Na semana passada, a companhia anunciou um acordo para vender capacidade computacional terrestre à empresa de IA Anthropic. Como parte do acordo, a Anthropic demonstrou interesse em trabalhar com a SpaceX em data centers orbitais. No início deste ano, a SpaceX entrou com pedido junto a um regulador federal para lançar até 1 milhão de satélites ligados à sua estratégia de computação em órbita.
Executivos do setor veem a computação espacial como uma solução para as limitações dos data centers terrestres, que exigem grandes áreas de terra e alto consumo de energia. No espaço, esses sistemas poderiam operar com energia solar, eliminando restrições energéticas e parte dos impactos ambientais. Ainda assim, especialistas apontam desafios de engenharia relevantes que levantam dúvidas sobre a viabilidade da tecnologia.
A SpaceX construiu sua posição como principal empresa privada de lançamentos do mundo, levando astronautas da NASA à Estação Espacial Internacional e lançando milhares de satélites da Starlink. A empresa também realiza lançamentos para clientes comerciais.
À medida que se prepara para abrir capital, a SpaceX tem fechado uma série de acordos estratégicos que ampliam sua atuação em infraestrutura de IA e computação, incluindo a aquisição da xAI em uma operação que avaliou a companhia combinada em US$ 1,25 trilhão. A empresa também firmou parceria com a startup de codificação Cursor, garantindo opção de compra futura avaliada em US$ 60 bilhões, além de anunciar bilhões em investimentos em infraestrutura.
Para o acordo com a Anthropic, a SpaceX deve fornecer 300 megawatts de nova capacidade computacional, usando mais de 220 mil GPUs da Nvidia, até o fim de maio.
A B3 (B3SA3) divulgou um forte resultado referente ao 1T26 com forte avanço de todas as vertentes no período.
Como já havia sido adiantado pelas prévias mensais, a B3 aproveitou o alto fluxo de investidores na Bolsa no período e mostrou um ótimo avanço no mercado de ações, com aumento de 46% no volume financeiro médio diário (ADTV), o que resultou em uma receita bruta de Mercados de R$ 2,2 bilhões, +20,8% vs 1T25.
Ainda que esse segmento continue sendo o mais representativo para o negócio, vale destacar também o salto anual de 28,5% na receita de Soluções para Mercado de Capitais, chegando a R$ 201 milhões. Para completar, a receita de Soluções Analíticas de Dados cresceu 23% (para R$ 317 milhões), enquanto Tecnologia e Plataformas aumentou 14,8% e chegou a R$ 527 milhões.
Mais detalhes do 1T26 da B3
O forte crescimento de todos os segmentos culminou em um top-line consolidado de R$ 3 bilhões, avanço de +20,5% na comparação anual.
Ajudado por um menor avanço das despesas ajustadas (+6,3% vs 1T25) por conta de um forte recuo de serviços de terceiros e benefícios da alavancagem operacional do negócio, o ebitda recorrente totalizou R$ 2,1 bilhões (+23,9%) com ganho de 2 p.p. de margem, que atingiu 71,6%.
O resultado financeiro foi beneficiado por maior rendimento do caixa indexado à Selic e marcação a mercado de alguns investimentos, o que permitiu à linha mostrar um resultado positivo de R$ 112 milhões vs R$ 15,6 milhões no 1T25.
Por fim, o lucro líquido recorrente da B3 reportado foi de R$ 1,5 bilhão com margem de 51,4%, altas de 33,5% e 5 p.p. respectivamente frente ao 1T25.
Vale a pena investir na B3?
Mesmo com expectativas já elevadas por conta das prévias mensais animadoras, a B3 conseguiu apresentar números acima do esperado, com forte avanço da receita e expansão de margens.
Com um valuation ainda atrativo e possibilidade de capturar em cheio a continuidade do fluxo positivo para os ativos brasileiros, as ações B3SA3 seguem na carteira.
O BTG Pactual (BPAC11) divulgou os números do primeiro trimestre de 2026 (1T26), marcando mais um trimestre sólido de elevados níveis de crescimento e rentabilidade, mesmo em um ambiente macroeconômico e geopolítico mais desafiador. O banco registrou receita total de R$ 9,97 bilhões e ROE de 26,6%, entre os maiores do setor.
Ainda que os três primeiros meses do ano marquem um período sazonalmente mais fraco para algumas linhas do negócio, o banco continuou expandindo receitas via ganho de market share, crescimento da base de clientes e expansão das plataformas de crédito, wealth e asset management.
Veja o resultado do BTG Pactual por segmento
Na área de Investment Banking, a receita somou R$ 628 milhões, (65,1% a/a e -9,3% t/t). A desaceleração sequencial se dá pelo contexto de maior volatilidade nos mercados ao longo do trimestre e um 4T25 extremamente forte.
Ainda assim, o banco manteve desempenho robusto em DCM e M&A, enquanto ECM se beneficiou de uma retomada parcial da atividade de mercado no início do trimestre. O BTG terminou o período como líder em ECM no Brasil em número de transações e volume financeiro.
Em Corporate Lending & Business Banking, o grupo renovou novamente os recordes de receita, que atingiu R$ 2,33 bilhões (+4,2% t/t e +20,7% a/a). O desempenho segue sendo sustentado pela expansão disciplinada da carteira de crédito, que alcançou R$ 281 bilhões (+21,9% a/a), além de uma menor pressão competitiva no mercado de capitais e da diversificação entre geografias e segmentos de clientes, preservando spreads saudáveis mesmo em um cenário de juros elevados.
A divisão de Sales & Trading voltou a apresentar números bastante fortes, com receita de R$ 1,88 bilhão, crescimento de 43,1% a/a, ainda que abaixo do recorde observado no 4T25. O resultado reflete principalmente a expansão da base de clientes, maiores níveis de atividade recorrente e uma alocação de capital mais eficiente nas mesas de trading. O banco reduziu o Value at Risk (VaR) médio diário para 0,32% do patrimônio líquido, contra 0,38% no trimestre anterior, indicando manutenção de uma postura confortável de risco e elevada flexibilidade operacional.
No segmento de Asset Management, as receitas totalizaram R$ 783 milhões, alta de 6,5% a/a. Na comparação trimestral houve queda de 8,9%, explicada principalmente pela base forte de performance fees do 4T25 e pelo menor número de dias úteis no trimestre. Ainda assim, os ativos sob gestão e administração alcançaram R$ 1,31 trilhão, impulsionados por forte captação líquida de R$ 47,9 bilhões, refletindo ganho contínuo de market share tanto em fundos quanto em asset servicing.
Já em Wealth Management & Personal Banking, o BTG voltou a entregar receitas recordes, que atingiram R$ 1,51 bilhão (+10,7% t/t e +44,6% a/a). O crescimento foi sustentado pela forte expansão do Wealth under Management, que alcançou R$ 1,28 trilhão (+28% a/a), além de maiores níveis de atividade dos clientes. A captação líquida somou R$ 34,9 bilhões no trimestre, impulsionada pelo crescimento orgânico e pelo contínuo ganho de participação tanto no segmento private quanto no varejo de alta renda.
Em Consumer Finance & Banking, linha que passou a consolidar integralmente o Banco Pan após o fechamento de capital da companhia, as receitas somaram R$ 1,13 bilhão (+20,4% t/t e +40,1% a/a). O avanço refletiu principalmente a expansão da carteira de crédito, que atingiu R$ 73,6 bilhões (+51,1% a/a), com destaque para o crescimento do consignado. A Too Seguros também contribuiu positivamente, com crescimento de 44,2% t/t, beneficiada por efeitos não recorrentes ligados à transição regulatória do setor.
Lucro líquido do BTG Pactual foi de R$ 4,8 bilhões no 1T26, alta de 42,3%
As despesas operacionais ajustadas somaram R$ 4,23 bilhões (+25% a/a), crescimento explicado principalmente pela expansão dos negócios e pela consolidação integral do Banco Pan. As despesas com salários e benefícios cresceram 10,6% a/a, refletindo reajustes salariais, promoções e incorporação integral da força de trabalho do PAN.
Ainda assim, o índice de eficiência permaneceu em 38,1%, praticamente estável em relação ao 4T25 e substancialmente melhor que os 41,3% do 1T25, reforçando a elevada alavancagem operacional do banco mesmo em um contexto de forte expansão.
Olucro líquido ajustado atingiu R$ 4,8 bilhões (+42,3% a/a e +4,3% t/t), enquanto o patrimônio líquido avançou para R$ 74,5 bilhões. O banco encerrou outro trimestre com o ROE entre os maiores do setor, em 26,6%.
BPAC11: recomendação de compra
Em nossa visão, o trimestre reforça uma característica cada vez mais evidente no BTG: a capacidade de continuar crescendo de forma consistente mesmo em cenários mais difíceis, sustentado por um modelo de negócios extremamente diversificado. O banco segue ganhando escala em praticamente todas as frentes, mantendo rentabilidade muito acima da média do setor com elevada disciplina de capital.
Por cerca de 3,2x seu valor patrimonial e aproximadamente 11,5x lucros estimados para 2026, BPAC11 segue entre as recomendações da casa.
Obs: O Grupo Empiricus é controlado pelo BTG Pactual.
Os bancos e instituições financeiras têm até esta terça-feira (12) para transferir ao Fundo Garantidor de Operações (FGO) o dinheiro esquecido em contas bancárias. A medida está prevista nas regras do Novo Desenrola Brasil, conhecido como Desenrola 2.0.
A transferência dos valores foi regulamentada pela portaria normativa MF nº 1.243/2026, publicada pelo Ministério da Fazenda que criou a nova fase do programa de renegociação de dívidas.
Dados mais recentes do Banco Central mostram que ainda existem R$ 10,57 bilhões em valores a receber esquecidos em instituições financeiras. Desse total, R$ 8,13 bilhões pertencem a pessoas físicas e R$ 2,43 bilhões a pessoas jurídicas.
Segundo o governo federal, entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões em dinheiro esquecido podem ser direcionados ao programa de renegociação de dívidas.
O que muda com a transferência do dinheiro esquecido?
As instituições financeiras devem realizar a transferência dos valores ao FGO em até cinco dias úteis após a publicação da regulamentação. Como a norma foi publicada em 5 de maio, o prazo termina nesta terça-feira (12).
Após a transferência, o Ministério da Fazenda deverá publicar um edital com informações sobre os valores enviados por cada instituição financeira.
O sistema permitirá que titulares consultem:
Instituição responsável;
Agência;
Número da conta;
Montante transferido ao FGO.
Quem ainda tem dinheiro esquecido perde o direito ao valor?
A regulamentação prevê um prazo de 30 dias corridos para que titulares contestem a transferência dos recursos ao fundo garantidor e solicitem a devolução do dinheiro esquecido.
Atenção: o prazo só começará a contar apenas após a publicação do edital do Ministério da Fazenda com as informações das transferências realizadas pelas instituições financeiras.
Nesse período, o dono da conta com valores a receber poderá apresentar documentação para reivindicar os valores transferidos.
Caso haja solicitação dentro do prazo, o FGO deverá devolver os recursos às instituições financeiras em até 15 dias úteis para realização do ressarcimento ao cliente.
Os valores devolvidos ainda terão correção pelo IPCA-15 desde a data da transferência até o mês anterior ao pagamento.
Após o encerramento do prazo de contestação, os recursos não reclamados passam a integrar de forma definitiva o patrimônio do FGO.
Como consultar dinheiro esquecido em bancos?
A consulta do dinheiro esquecido pode ser feita pelo Sistema Valores a Receber (SVR), do Banco Central. Basta:
Informar CPF e data de nascimento, ou CNPJ e data de abertura da empresa;
Verificar se existem valores disponíveis para resgate;
Fazer login com conta Gov.br nível prata ou ouro;
Consultar a instituição financeira responsável pelo valor;
Informar uma chave Pix para recebimento, quando disponível;
Acompanhar a solicitação diretamente pelo sistema.
O Banco Central também orienta que o contribuinte confira se há valores vinculados a contas encerradas, tarifas cobradas indevidamente, consórcios, cooperativas e outras instituições financeiras.
Como o dinheiro esquecido será usado no Desenrola 2.0?
Os recursos vão compor o Fundo Garantidor de Operações (FGO), estrutura usada para dar garantia às renegociações do Desenrola 2.0. A portaria estabelece que:
10% do valor transferido ficará reservado para possíveis devoluções aos titulares;
Pelo menos R$ 5 bilhões serão destinados à cobertura de risco das operações renegociadas;
O fundo poderá ser usado para reduzir inadimplência e ampliar a oferta de crédito renegociado.
Quais dívidas poderão entrar no Desenrola 2.0?
O Desenrola 2.0 contempla principalmente:
Cartão de crédito;
Cheque especial;
Crédito pessoal;
Crédito rotativo;
Dívidas do Fies.
A regulamentação também definiu descontos mínimos obrigatórios para os bancos, dependendo do tipo da dívida e do tempo de atraso.
No caso de cartão de crédito rotativo e cheque especial, os descontos podem chegar a 90% para débitos com atraso entre 361 e 720 dias.
Já em crédito pessoal e cartão parcelado, os abatimentos podem atingir 80% nas faixas mais longas de inadimplência.
O Desenrola 2.0 também permitirá o uso do FGTS para quitar dívidas pessoais. Pelas regras divulgadas pelo governo:
Trabalhadores poderão usar até 20% do saldo do FGTS ou R$ 1 mil, o que for maior;
As dívidas precisam ter atraso entre 90 dias e dois anos;
O programa vale para pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos;
Os juros das renegociações terão teto de 1,99% ao mês;
A Porto (PSSA3) apresentou resultados bastante sólidos referentes ao 1T26, mostrando avanços nas frentes mais relevantes e atingindo um ROE consolidado de 29,0%, ainda que com a ajuda de uma menor alíquota de impostos.
Resultado trimestral da Porto por segmento
Começando pela vertical Seguro, a receita cresceu 5,5%, para R$ 5,7 bilhões, ajudada principalmente pela expansão nos seguros de Vida de Patrimonial, que mais do que compensaram o crescimento fraco, porém esperado, em Auto (+2,9% a/a). Isso somado a uma melhora de sinistralidade em todas as frentes proporcionou um aumento expressivo de 49% no lucro líquido de seguros, para R$ 467 milhões e um ROE de 33,8%.
Na vertical Saúde a receita cresceu 15,1%, com contribuições positivas tanto em seguro saúde como em odontológico, com altas de +22,3% e +17,4%, respectivamente, no número de beneficiários. Além disso, o segmento apresentou melhora de -0,9 p.p. na sinistralidade, reflexo de ações de combate a fraudes, novos produtos e parcerias. Com esse bom desempenho, o lucro líquido da vertical cresceu 20,1%, para R$ 215 milhões, com ROE de 36,5%.
Na PortoBank, o lucro líquido saltou 10,1%, para R$ 211,5 milhões e ROE de 24,8%, puxado principalmente pelo crescimento forte nas receitas de consórcio (+32% a/a) e soluções para locação e garantia (+13%). Sobre as operações de crédito o desempenho foi misto, com crescimento interessante de carteira (+13%) e da margem financeira líquida (+24%), mas com piora nos indicadores de atrasos.
Na vertical Serviços, o lucro ficou praticamente estável, em R$ R$ 53 milhões, com o ligeiro aumento da receita sendo compensado por maiores custos no período.
Linhas gerais do 1T26 da Porto
Por sua vez, o Resultado Financeiro mostrou uma piora de 19,8%, caindo de R$ 382,6 milhões no 1T25 para R$ 306,8 milhões no 1T26, impactado principalmente pela rolagem de títulos a taxas mais atrativas e que trazem recompensas positivas nos próximos trimestres.
No consolidado, a Porto apresentou um lucro líquido de R$ 1,1 bilhão no trimestre, 36,3% acima do ano anterior, com ROE de 29% (alta de 5,1 p.p.), refletindo os melhores resultados das verticais e uma menor alíquota de imposto, parcialmente compensado por um resultado financeiro pior.
Os números apenas reforçam a nossa visão de que a companhia está bem-posicionada, e deve continuar capturando oportunidades de crescimento em suas verticais. Porto segue na carteira.
A Alpargatas (ALPA4) apresentou mais um resultado forte no 1T26, com ebitda recorde, expansão de margens boa diluição de despesas.
Na Havaianas Brasil, a receita cresceu 13,2% para R$ 909,1 milhões, ajudada pelo aumento do volume de pares (+7,5%) e pelo aumento da receita/par (de R$ 15,8 no 1T25 para R$ 16,6 no 1T26), refletindo melhor mix de canais, ou seja, mais vendas em franquias e canais especializados. Vale destacar que o sell-out cresceu em ritmo menor, refletindo a estratégia da companhia de abastecer os lojistas antes da virada de coleção para evitar rupturas – uma estratégia que trouxe resultados positivos em 2025.
Produção da Havaianas ficou mais barata no trimestre
Com ganhos de eficiência e diluição de custos fixos, a Havaianas Brasil também apresentou uma redução de 1% no custo por par, o que permitiu um aumento de 15,4% no lucro bruto e margem bruta recorde (49%) para um primeiro tri.
Por fim, menores despesas com marketing proporcionaram à divisão brasileira mostrar um crescimento de 36,5% do ebitda, que chegou a R$ 237 milhões, com expansão de 4 p.p. de margem.
Negócios da Alpargatas no exterior
Na Havaianas Internacional os números seguem mostrando evolução. A receita aumentou 10,2% para R$ 307,5 milhões, com o aumento de volume de pares (+14,8%) mais do que compensando a redução de R$ 1,9 de receita por par, refletindo variações cambiais.
Enquanto a Europa mostrou crescimento (+15% na receita) pelo sexto trimestre consecutivo, mostrando assertividade da estratégia e reconhecimento da marca pelos lojistas/clientes, nos Estados Unidos o aumento de 22% reflete a continuidade da estocagem de sandálias após o início das operações com o novo parceiro. O único segmento que mostrou recuo foi o de Mercados Distribuidores (queda de 17,4% na receita), afetado pela interrupção de pedidos em alguns países afetados pelo conflito no Oriente Médio.
Apesar do forte crescimento da receita internacional, o lucro bruto cresceu menos (5,2%), com margem bruta recuando 3p.p. no período. Isso é explicado principalmente pelo avanço da nova estratégia nos EUA, que tem menores margens por conta da intermediação do distribuidor, mas que também deve resultar em maiores volumes e menores despesas, à medida que a operação ganha relevância.
Mesmo assim, o ebitda da Havaianas Internacional cresceu 88,6%, para R$ 62,2 milhões, evidenciando que a companhia está caminhando na direção correta.
Por fim, a Rothy’s voltou a mostrar dificuldades no 1T26, com ebitda negativo de US$ 2,2 milhões (ante +US$ 0,8 milhão no 1T25), afetado pelas tarifas impostas pelos EUA sobre a China e fechamento temporário de algumas lojas por conta de condições climáticas severas.
Consolidado ALPA4 no 1T26
Na visão consolidada, a companhia apresentou um ebitda de R$ 299,5 milhões, alta anual de 45,4%, com ganho de 5,5p.p. de margem. D mesma forma, o lucro líquido saltou 44,8%, para R$ 162 milhões, fletindo a forte melhora operacional.
A alavancagem terminou o 1T26 em 0,5x dívida líquida/ebitda, mesmo após a distribuição de cerca de R$ 1 bilhão nos últimos trimestres na forma de JCP e redução de capital, o que evidencia a capacidade de geração de caixa da companhia.
Com bom potencial de crescimento tanto no Brasil como no mercado internacional, a ALPA4 segue na carteira.
A inteligência artificial (IA) pode alavancar a produtividade de muitas formas. Seja no trabalho, acelerando a produção de textos, imagens ou vídeos, ou ajudando no direcionamento de pesquisas, coleta e estudos de dados, entre outras funções.
O que muita gente não sabe é que a IA também pode dar boas orientações quando o assunto é finanças — e uma nova tecnologia em desenvolvimento foca justamente na geração de renda.
É o caso do Memecoin GPT. A tecnologia que chega ao mercado oficialmente na segunda-feira (18) tem o objetivo de multiplicar cada real investido em até 300 vezes, de forma totalmente automatizada.
Como funciona o Memecoin GPT?
Unindo automação, análise e estratégia para tentar capturar as próximas valorizações exponenciais, a meta é clara: buscar até R$ 1 milhão, partindo de um aporte inicial de R$ 3,5 mil, em um período de 12 meses.
Para isso, a inteligência artificial da Empiricus vasculha memecoins em tempo real. Mas não se engane pelo nome, a ferramenta aqui não tem relação com a IA de nome similar. GPT neste caso significa “Generate Profitable Trades” (em português, “Gerar trades lucrativos”).
Desenvolvida pelos especialistas no setor da Empiricus Research, no Memecoin GPT, os investidores terão uma nova oportunidade de lucrar até 30.000%, com o alvo final de até R$ 1 milhão acumulados. Ou seja, uma multiplicação de 300 vezes sobre o capital investido.
Conforme explica a especialista Heloísa Mendonça, que está liderando a equipe nesta ferramenta, a estratégia pretende negociar todos os dias com compras e vendasde memecoins.
“Então todo dia o investidor tem uma nova chance, sem precisa ficar acompanhando o mercado ou ter algum conhecimento aprofundado sobre ativos digitais. É totalmente automatizado”, detalha Mendonça.
A oportunidade ainda por cima chega ao mercado em um momento especial — e a seguir é possível entender por quê.
Memecoin com potencial milionário está na lista do Memecoin GPT
A verdade é que lucros em uma escala exponencial não são tão raros no mercado de criptomoedas, especialmente das memecoins. Foi o caso de alguns dos ativos observados durante o período de backtest no Memebot em uma versão anterior, com valores atualizados em abril de 2026:
A memecoin POPCAT alcançou uma valorização de 950% em 43 dias;
Já a TOSHI subiu 1.113% em 78 dias;
A MOG, 1.224% em 57 dias;
A GIGACHAD subiu 2.244% em apenas 28 dias, menos de um mês;
Por fim, a BONK viu o valor disparar 3.878% em 73 dias.
Sabemos que retornos passados não garantem um retorno futuro e que investimentos com ativos digitais têm riscos elevados. Por isso, não é recomendado aplicar nesses casos com uma quantia que fará falta para a sua qualidade de vida.
O que esses números refletem, de fato, são multiplicações de até 39 vezes sobre o capital em menos de 3 meses — com um detalhe relevante: foram capturados pela Inteligência Artificial desenvolvida especialmente para encontrá-las.
A proposta em desenvolvimento com o Memecoin GPT é usar essa mesma IA para buscar até R$ 1 milhão nos próximos 12 meses.
Para começar, os desenvolvedores já têm uma moeda na mira. É uma memecoinque está entre as top 5 para comprar agora, com um potencial de alavancar o portfólio rumo ao próximo milhão.
Para saber qual é essa moeda e ainda tirar as dúvidas sobre como funciona o Memecoin GPT, os investidores estão convidados para participar de um evento gratuito e online. A seguir, veja mais informações.
Inscrições abertas: conheça o Memecoin GPT e saiba como ativá-lo a partir de 18 de maio
Para quem ficou interessado, no dia 18 de maio, investidores poderão ter acesso a essa ferramenta inovadora que pode gerar ganhos de até 30.000%.
Na data, às 19h, o time da Empiricus terá um evento online e gratuito, no qual a ferramenta será apresentada com mais detalhes sobre sistema que já entregou lucros para milhares de brasileiros.
Se você está ouvindo falar da ferramenta pela primeira vez, já pode colocar seu nome na lista prioritária para os acessos que serão liberados a partir do dia do evento.
É só clicar no botão abaixo e seguir as instruções:
Após mais de 30 anos no comando da gestão executiva, Liliana Aufiero deixará a presidência da Lupo em 1º de junho de 2026, em um movimento que marca mudanças na estrutura de liderança da companhia.
A Lupo informou alterações em sua estrutura de liderança, com mudanças nos cargos de Diretor-Presidente (CEO) e de Diretor de Relações com Investidores, no contexto de um processo de transição planejado.
Liliana Aufiero, 81 anos e neta do fundador da Lupo, ingressou na companhia em 1986 e assumiu o comando em 1993, sucedendo o tio, Élvio Lupo, acumulando mais de três décadas à frente da gestão executiva.
A partir dessa data, Liliana passa a ocupar a presidência do Grupo Lupo, uma função de caráter institucional e não executivo, voltada à preservação da cultura, dos valores e dos relacionamentos do grupo. Na prática, ela deixa a condução do dia a dia da operação.
Quem assume como Diretor-Presidente Executivo (CEO) é Carlos Alberto Mazzeu, 62 anos, atual vice-presidente e diretor de relações com investidores. Ele já vinha sendo preparado para a transição e será o primeiro não integrante da família a ocupar o cargo de CEO na história da Lupo, fundada em 1921 pelo imigrante italiano Henrique Lupo.
Também a partir de 1º de junho, João Daniel Buoro assume como Diretor de Relações com Investidores, em substituição a Mazzeu. O período entre 11 e 31 de maio será dedicado à transição de funções, com foco em continuidade da gestão e estabilidade operacional.
A companhia destacou o reconhecimento à trajetória de Liliana Aufiero, ressaltando sua contribuição para o desenvolvimento e fortalecimento institucional da Lupo, além de agradecer a atuação de Mazzeu na área de relações com investidores.
Em 2025, o Grupo Lupo registrou receita líquida de R$ 1,6 bilhão, alta de 2,8% em relação ao ano anterior. O desempenho foi impulsionado pela marca Lupo Sport, cuja receita avançou 34,7% na comparação anual, alcançando R$ 371,5 milhões.
O EBITDA ajustado somou R$ 187 milhões, com margem de 11,8%. Já o lucro líquido ajustado foi de R$ 158,7 milhões, queda de 9,3% na comparação com 2024, com margem líquida ajustada de 10,0%, recuo de 1,3 ponto percentual no período. A geração de caixa livre ficou em R$ 85,2 milhões.
A companhia destacou 2025 como um ano de reorganização industrial e avanço de eficiência produtiva. Entre as principais iniciativas, transferiu a produção de colantes de Araraquara (SP) para Itabuna (BA), ampliou a produção de itens sem costura na unidade de Araraquara — que também passará a concentrar o setor de malharia transferido de Maracanaú (CE) — e inaugurou sua primeira fábrica no exterior, no Paraguai.
A unidade paraguaia é voltada à produção de meias básicas e faz parte da estratégia de ganho de competitividade e redução de custos em um ambiente de maior concorrência global. No período, a empresa também entrou no segmento de calçados com o lançamento do modelo Origem, voltado a conforto, bem-estar e lifestyle.
A Track&Field (TFCO4) divulgou um resultado sólido referente ao primeiro trimestre de 2026 (1T26), ainda que as margens tenham retraído pelo mix de vendas de canais.
A abertura de lojas (+39) e boa aceitação da nova coleção ajudaram o sell out atingir R$ 442,9 milhões, crescimento de +16,4% frente ao 1T25. Além disso, a estratégia de reforma das lojas continua se provando acertada e impulsionando as receitas: no período as unidades revitalizadas mostraram uma alta de +26,4% das receitas, acima do Same Store Sale (SSS) consolidado de +12,1%.
Assim, a receita líquida marcou R$ 251,2 milhões, crescimento de +18% na comparação anual, com o avanço de venda de mercadorias (+29,7%) e rede própria (+16,8%).
Com o aumento das vendas, o lucro bruto atingiu R$ 150,2 milhões (+15,7%), mas a maior representatividade de venda para franquias, que possui menor margem, acabou pressionando a margem bruta, que caiu –1,2 p.p., para 59,8%. Vale ressaltar que essa venda tende a se traduzir em royalties nos próximos trimestres, o que deve aliviar essa pressão.
Com despesas em linha na comparação anual, o ebitda ajustado somou R$ 61,6 milhões (+12,6%) e margem de 24,5%, com os mesmos efeitos de retração da margem bruta.
Já o resultado financeiro apresentou uma piora de 35,8%, com o aumento das despesas de arrendamento mercantil e redução das receitas financeiras.
O aumento do top-line com os efeitos mencionados de custos e financeiro, resultou em um lucro líquido de R$ 41,5 milhões com margem de 16,5% (+6,3% e –1,8 p.p. respectivamente vs 1T25).
Por fim, a companhia apresentou uma geração de caixa de R$ 28,4 milhões vs R$ 27 milhões no 1T25, aumento explicado pela ausência do programa de recompra no período, que compensou o aumento de impostos pagos e aumento de capital de giro.
TFCO4: recomendação de compra
Apesar dos desafios macro, a Track&Field segue mostrando crescimento consistente, o que reforça seu posicionamento de marca.
Ainda que o trimestre tenha mostrado pressão de margem, entendemos que esses são efeitos pontuais. Por 10x ev/ebitda e caixa livre, TFCO4 está presente na carteira SmallCaps.
A Azzas 2154 informou nesta terça-feira (12) que foi surpreendida por um pedido judicial apresentado por Roberto Jatahy, acionista da companhia e responsável pela unidade de moda feminina do grupo.
Segundo a empresa, a ação diz respeito à gestão da unidade de moda masculina da companhia – área comandada pelo CEO Alexandre Birman.
A companhia não deu detalhes sobre o conteúdo do pedido judicial, mas afirmou que não espera impactos sobre a operação da companhia e que buscará acesso às informações da ação para avaliar as medidas cabíveis.
Segundo o jornal O Globo, Jatahy tenta barrar uma reorganização interna que tiraria a Reserva da estrutura sob sua influência dentro da Azzas.
Trata-se de um novo capítulo na relação conturbada entre Birman e Jatahy, que convivem com disputas internas sobre o poder na companhia.
A Azzas 2154 foi criada em 2024, a partir da fusão entre a Arezzo&Co, de Birman, e o Grupo Soma, de Jatahy, formando uma das maiores holdings de moda do país.
No ano passado, poucos meses após a conclusão da fusão, a companhia precisou lidar com especulações sobre um possível “divórcio” societário entre seus principais acionistas.
Em junho de 2025, os dois chegaram a um acordo e a empresa reestruturou sua governança.
O mercado norte-americano atravessa um período de forte tensão geopolítica sem perder o fôlego nas bolsas, que seguem sustentadas próximas das máximas. Em meio às incertezas provocadas pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, investidores continuam apostando nas gigantes de tecnologia conhecidas como as “7 magníficas”.
Estamos falando de empresas como Amazon (AMZO34), Meta (M1TA34), Microsoft (MSFT34) e Nvidia (NVDC34). Com negócios principalmente vinculados à inteligência artificial, as companhias têm conseguido descolar seu desempenho da incerteza do conflito geopolítico entre Estados Unidos e Irã.
Apesar das idas e vindas nas notícias do Oriente Médico, o analista de mercado internacional da Empiricus Research, Enzo Pacheco, comenta que os principais índices americanos fecharam o mês de abril atingindo novas máximas (exceto o Dow Jones).
“(Abril foi) o melhor mês desde 2020 tanto para o S&P 500 como para o Nasdaq, e isso aconteceu graças à boa performance das empresas de tecnologia”, afirma Pacheco.
Big techs: quais ações comprar para a carteira internacional?
Diante desses números, qual é a melhor estratégia para o investidor navegar este momento?
Na perspectiva de Pacheco, esse caminho de valorização deve predominar ainda pelos próximos 2 a 3 anos.
“Para oinvestidor que quer começar a investir em ações internacionais agora, eu começaria com as big techs e modularia a exposição”, introduz o analista à sua tese para as companhias.
Para começar, Pacheco indica uma posição maior nas empresas que estão com valuation mais atrativo, “mesmo com eventuais riscos”. Estas são: Meta, Microsoft e Amazon.
Em seguida, ocupando uma fatia média da carteira, o analista indica as ações da Nvidia, que estão com uma tese interessante atualmente. Por fim, Pacheco recomenda ter as ações da Apple e Alphabet, ainda que em posições menores.
A única das “sete magníficas” que ficou fora das recomendações do analista é a Tesla, de Elon Musk.
“Para o investidor que não tem nada de portfólio no exterior, pode começar com essas teses. Lembrando que a volatilidade sempre estará no jogo e por isso ele deve ter uma composição completa do portfólio. Não pode ter só esses ativos, é importante ter uma parcela de renda fixa e de ações no Brasil”, ressalta o analista.
Uma empresa na lupa: conheça a tese de Microsoft
Entre as ações citadas por Enzo Pacheco, está a Microsoft (MSFT34). No início do ano, os papéis sofreram uma queda diante do temor ainda presente de que a IA possa tornar softwares tradicionais obsoletos (evento apelidado de “SaaSpocalipse”).
O pânico repercutiu no mercado, guiado por elevados investimentos em capacidade de processamento para serviços de IA, que intensificaram essa reação. “Mesmo que a companhia tenha recuperado parte das perdas em abril, o aumento das projeções de investimentos divulgado nos resultados do 1T26 fez com que os papéis da companhia recuassem pontualmente”, contextualiza o analista.
Entretanto, Pacheco ainda enxerga que a Microsoft está tomando medidas para reverter esse cenário e deve continuar entregando bons resultados ainda nos próximos anos.
Nessa ótica, o analista destaca que o múltiplo P/L projetado está próximo das mínimas dos últimos cinco anos e por isso aponta a ação em um momento de entrada atrativo.
Tanto é que na última atualização da carteira de ações internacionais, o analista aumentou o peso de Microsoft de 10% do portfólio para 15%.
Assim como a Microsoft, você pode conhecer mais teses de investimentos e até mesmo a carteira internacional completa montada pelo analista.
10 ações para a carteira internacional: Microsoft e mais quem? Confira
Junto com a Microsoft, Pacheco reuniu mais nove companhias em seu portfólio de ações internacionais, uma oportunidade de diversificar geograficamente seus investimentos sem se limitar aos riscos dos ativos nacionais.
As 10 companhias indicadas pela Empiricus Research para aplicar de olho no cenário internacional estão disponíveis neste relatório gratuito [clique aqui].
O documento traz:
Análise aprofundada do mercado internacional;
Comentários exclusivos do analista sobre as mudanças mais recentes de investimentos;
Carteira com as ações que têm maior potencial de valorização no contexto atual.
Além disso, para investir nas recomendações, não é preciso ter uma conta em corretora internacional. Todas elas têm BDRs, certificados que representam ações de empresas estrangeiras, mas negociadas diretamente na bolsa brasileira.
Libere seu acesso ao relatório e conheça as 10 BDRs para investirno mercado internacional que estão chamando mais atenção dos analistas e reforce seus investimentos com ações mundiais.
A Frigol, quarto maior frigorífico do país,projeta superar R$ 7,5 bilhões em receita a partir de 2027, apoiada em uma estratégia que combina expansão das exportações e diversificação dos mercados compradores da carne bovina brasileira diante das restrições impostas pela China, principal destino das vendas externas da companhia.
No consolidado do ano passado, a empresa atingiu R$ 4,5 bilhões em receita bruta.
Em entrevista à Bloomberg Línea, o CEO da companhia, Luciano Pascon, disse que a Frigol revisou seu planejamento estratégico depois de firmar parcerias em Rondônia e de recalibrar o cenário para a China.
“Terminamos agora em abril um novo orçamento aprovado pelo conselho de administração, justamente contemplando esses novos cenários”, disse Pascon. Segundo ele, a companhia trabalha com a meta de atingir a receita de R$ 6,5 bilhões neste ano e espera ficar “acima de R$ 7,5 bilhões” no ano que vem.
Em balanço financeiro divulgado nesta terça-feira (12), a empresa somou R$ 999,2 milhões em receita líquida no primeiro trimestre do ano, alta de 2,8% em relação ao mesmo período de 2025.
O lucro líquido do período somou R$ 11,1 milhões, crescimento de 11 vezes ante R$ 1 milhão um ano antes.
O Ebitda foi de R$ 33,3 milhões, com margem de 3,3%.
A melhora do resultado, sobretudo do lucro líquido, ocorreu apesar da queda de 5,3% no abate da companhia em relação ao mesmo trimestre do ano passado, que atingiu cerca de 150 mil bovinos, reflexo da menor oferta de gado e da pressão sobre o preço da arroba.
Sem as novas parcerias em Rondônia, que resultaram no início das exportações para os EUA, a redução dos abates teria sido de 14,2%, segundo a companhia.
De volta para casa
Pascon, que havia sido CEO da companhia entre 2016 e 2020, reassumiu o comando da Frigol em janeiro de 2025.
Ele disse que a primeira coisa que decidiu fazer ao assumir o comando do grupo foi “olhar para dentro de casa”, ou seja, reavaliar o trabalho que vinha sendo feito, das pessoas aos processos industriais e as decisões comerciais.
“Tem muita variável, mas as variáveis normalmente dentro do processo produtivo são as mesmas. É a questão de identificarmos aquelas que são as prioridades, aquelas que são maiores alavancas para o resultado”, disse.
Segundo o executivo, pequenos ganhos operacionais têm impacto relevante quando aplicados a uma indústria de grande volume. Ele cita o aproveitamento do tempo de produção e a gestão dos insumos.
“Muitas vezes a gente deixa alguns centavos na mesa e, na hora que multiplica por alguns milhões de quilos, tanto no mês e depois no ano, vê o quanto isso está impactando os resultados da companhia”, disse.
A partir desse diagnóstico, a Frigol concentrou os esforços em três frentes, conta o executivo: eficiência, pessoas e comercial, “no sentido de procurar os melhores mercados e os melhores valores agregados para os nossos produtos.”
Exportações e China
Esse olhar da companhia para a frente comercial se traduziu no aumento da exposição ao mercado externo.
Segundo Pascon, a Frigol chegou a obter 65% da receita mensal com vendas externas em 2025 e encerrou o ano com uma fatia próxima de 54%. A China continuou como principal destino, mas a companhia também ampliou vendas para outros mercados, como Indonésia, Canadá, Filipinas e Europa.
Apesar da relevância do mercado externo na estratégia do grupo, no primeiro trimestre deste ano, as exportações representaram 46% da receita bruta da empresa, abaixo dos 51% registrados um ano antes.
A China continuou como principal destino, com 64,8% das receitas externas, seguida por Israel, Hong Kong e Europa. A fatia de outros mercados subiu para 17,4%, ante 13% no primeiro trimestre de 2025 e 6% em 2024.
A companhia também registrou aumento da demanda de países do Sudeste Asiático, como Indonésia e Filipinas, com alta de 255% no volume exportado na comparação anual.
A maior diversificação das exportações ocorre em um momento em que a China limitou as compras de carne bovina brasileira com a implementação de cotas - Brasil já atingiu metade da cota e analistas indicam que deve completá-la até o meio do ano.
O CEO da Frigol disse que não espera uma mudança rápida da política chinesa. Para ele, eventuais ajustes poderiam ocorrer apenas depois de uma avaliação das cotas ao fim do ano, caso alguns países não consigam cumprir os volumes autorizados.
“O boi China me traz pelo menos uns 30% a mais [do que a venda para o mercado interno]”, disse o executivo.
O executivo explica que a Frigol busca ter o maior número possível de habilitações, mesmo que a decisão de vender para cada mercado dependa de preço e rentabilidade.
“A decisão se eu vendo ou não vendo é outro passo. Por questões estratégicas, por questões de resultado, eu vou decidir o que vou fazer, mas eu quero ter a opção hoje. Essa é a nossa política de ampliarmos para todos os mercados”, disse.
Rondônia no centro da estratégia
A operação das novas três plantas em Rondônia funcionam por meio de contratos de industrialização firmados com a RioBeef e a DistriBoi.
Nesse modelo, a Frigol não é proprietária dessas plantas, mas controla a compra do gado, a estratégia comercial e a venda da carne, enquanto as parceiras executam o abate, a desossa e o processamento industrial.
O formato permitiu à companhia ampliar rapidamente a presença em Rondônia sem a necessidade de construir novas unidades próprias. Também acelerou o acesso a mercados estratégicos, como os Estados Unidos, ao aproveitar habilitações sanitárias já existentes nas plantas parceiras.
Ao todo, a empresa tem três plantas próprias de abate: em Lençóis Paulista (SP), Água Azul do Norte (PA) e São Félix do Xingu (PA).
No balanço financeiro divulgado nesta semana, a Frigol afirma que as novas parcerias em Rondônia estão alinhadas à estratégia de expansão geográfica do grupo.
Segundo Pascon, Rondônia dá à Frigol acesso ao mercado americano e também ao Canadá, por causa das condições sanitárias do estado. A região também pode posicionar a empresa em uma eventual próxima etapa de abertura do Japão à carne brasileira.
“Rondônia também nos coloca no radar talvez no próximo movimento do Japão”, disse.
A companhia fez seu primeiro embarque aos Estados Unidos em abril, via planta de Rolim de Moura.
O mercado americano é visto por Pascon como um vetor estrutural de demanda para a carne brasileira, em razão da redução do rebanho dos EUA e da necessidade de importação de carne industrial, usada em produtos como hambúrgueres e carne moída.
Para o CEO, o Brasil se consolida como um fornecedor confiável em volume, preço e regularidade.
Ele também disse que a Frigol já trabalha em novas habilitações para exportar aos EUA por outra planta em Rondônia e pela unidade de Lençóis Paulista, com a expectativa de começar 2027 com três fábricas habilitadas para o mercado americano.
A execução, no entanto, ainda enfrenta gargalos. Pascon afirmou que a captura integral da receita potencial de Rondônia em 2026 foi parcialmente limitada por dificuldades no ramp-up das operações.
O mercado doméstico também segue no coração da estratégia da empresa.
No primeiro trimestre, o Brasil respondeu por 54% da receita bruta, ante 49% um ano antes. A empresa tem reforçado linhas de maior valor agregado e ampliado a presença em grandes atacarejos com o projeto Açougue Completo.
No giro pelos fundos imobiliários da semana, FIIs como HGLG11, KNCR11, PMLL11 e VILG11 trouxeram novidades aos cotistas. Confira:
Pátria Logística (HGLG11)
O fundo celebrou acordo para adquirir os 10% remanescentes dos galpões G100 e G200 do empreendimento logístico Simões Filho (BA), por R$ 79,2 milhões. O pagamento ocorrerá de forma proporcional após a conclusão de cada galpão e início dos respectivos contratos de locação.
A operação também inclui a aquisição, sem custo específico, de áreas complementares destinadas ao acesso do empreendimento e à compensação ambiental. A gestão estima incremento de cerca de R$ 0,01/cota para o G100, com cap rate de 12,0% a.a., e mais R$ 0,01/cota após a entrega do G200, com cap rate de 10,4% a.a.
Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11)
O fundo imobiliário realizou investimentos de R$ 70,5 milhões em novas operações de CRI, com taxa média de CDI + 1,74% a.a. Entre os destaques, estão operações ligadas a ativos logísticos AAA em Santana de Parnaíba (SP) e Araucária (PR), este último locado ao Mercado Livre em contrato BTS. As operações contam com garantias envolvendo alienação fiduciária dos imóveis, cessão fiduciária de recebíveis, cotas das SPEs e fundo de reserva.
Kinea Índices de Preços (KNIP11)
O fundo realizou investimentos de R$ 124,3 milhões em novas operações de CRI, com taxa média de IPCA + 8,86% a.a. Entre os destaques, estão as operações Creditas 151 Sênior (IPCA + 9,57%) e Galleria 140 Sênior (IPCA + 9,00%), ambas lastreadas em carteiras de Home Equity com baixo LTV. Além disso, o fundo investiu R$ 50,1 milhões em CRI lastreado no Shopping Jaraguá do Sul (SC), à taxa de IPCA + 8,15%, com garantias envolvendo alienação fiduciária do ativo, cessão fiduciária de recebíveis e fiança corporativa da Partage.
Pátria Malls (PMLL11)
O fundo imobiliário assinou intenção de compra de 13,3% do Shopping Curitiba (PR), ativo com 22,4 mil m², por aproximadamente R$ 54,1 milhões (R$ 18,2 mil por m²). O pagamento será realizado no fechamento, em caixa ou, a critério do fundo, via compensação com créditos decorrentes da subscrição de novas cotas. O preço será ajustado para refletir cap rate médio de 9,5% sobre o NOI caixa dos 12 meses anteriores ao fechamento.
Real Investor FII (RINV11)
O fundo comunicou o encerramento do período de exercício do direito de preferência de sua oferta de cotas. Foram subscritas 392,9 mil cotas, totalizando aproximadamente R$ 41,9 milhões.
Vinci Logística (VILG11)
O fundo imobiliário formalizou o recebimento de R$ 2,6 milhões referentes à rescisão no processo de reposicionamento do Extrema Business Park – Bloco I, equivalente a R$ 0,18/cota. O valor será pago em 6 parcelas mensais entre jul/26 e dez/26, corrigidas a 1% ao mês.
Além disso, o fundo concluiu a entrega de um novo pátio de carretas no Alianza Park Belém, locado à Transbuiatte em contrato BTS atípico de 84 meses. O investimento foi de R$ 3,03 milhões, com yield on cost de 14,35% a.a. e impacto positivo estimado de R$ 0,002/cota/mês a partir de jul/26.
A Petrobras (PETR4) divulgou resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26)abaixo das expectativas do mercado, impactados pelo atraso na precificação do petróleo exportado (mais sobre isso abaixo), efeito que deve ser normalizado já no próximo trimestre.
No segmento de Exploração & Produção (E&P), o ebitda atingiu US$ 10,3 bilhões, alta de 8,9%frente ao 4T25, ajudado tanto pelo aumento da produção como também pelas cotações mais elevadas do petróleo – brent médio de US$ 80,6/barril no 1T26 ante US$ 63,9 no trimestre anterior, parcialmente compensados por um custo de extração (lifting cost) ligeiramente maior.
Apesar da melhora trimestral, o brent médio e consequentemente o ebitda ficaram abaixo das expectativas do mercado. Segundo a companhia, costuma haver um atraso entre os preços de referência e o preço negociado com clientes, de modo que a alta do brent costuma se traduzir em preços maiores de venda apenas semanas mais tarde, dependendo de cada negociação.
Ou seja, a alta do petróleo por conta do conflito que se iniciou no fim do 1T26 pouco influenciou os resultados deste trimestre, e terá efeitos bem mais claros no 2T26.
O segmento de Refino apresentou forte crescimento de 108% do ebitda frente ao 4T25, que chegou a US$ 3,8 bilhões, com margem de 17% (+9 p.p. vs 4T25). Esse número foi impactado positivamente por US$ 1,3 bilhão em função do efeito de valorização dos estoques, por conta da alta dos preços do petróleo e derivados no período. Mesmo sem esse efeito, o ebitda ainda teria mostrado expansão (+12%), refletindo maior produtividade do parque de refino.
Por fim, o ebitda do segmento de Gás e Energia recuou 21,4%, para US$ 334 milhões, com o reconhecimento de receitas contratuais no 4T25 afetando a base de comparação.
Ebitda da Petrobras cresceu 27% no 1T26
No consolidado, o ebitda cresceu 27% t/t, para US$ 11,9 bilhões, ajudado pelos maiores preços de brent em E&P, efeito positivo de valorização de estoques no segmento de Refino e menores impairments na comparação com o 4T25. No entanto, o número ficou abaixo das estimativas, especialmente pelo atraso na precificação mencionado acima.
Impactado por esses efeitos e por um maior consumo de capital de giro, o fluxo de caixa livre atingiu US$ 3,9 bilhões, abaixo das expectativas, mas crescendo 7,5%, ajudado por um menor capex no período (US$ 5,1 bi no 1T26 vs US$ 6,3 bi no 4T25).
Dividendos da Petrobras também vieram abaixo das expectativas
Essa geração de caixa permitiu à companhia anunciar o pagamento de R$ 9 bilhões em dividendos (yield de 1,3%), abaixo das expectativas por conta dos impactos mencionados.
Excluindo eventos não recorrentes, o lucro líquido recuou 4,5% vs 4T25 para US$ 4,5 bilhões, mas esse número deve melhorar nos próximos trimestres à medida que a companhia captura integralmente a alta do petróleo.
A Petrobras fechou o trimestre com endividamento líquido de US$ 62 bilhões, e uma relação dívida/líquida de 1,4x, que deve se comprimir com a melhora de resultados esperada.
PETR4: recomendação de compra
Apesar de um trimestre com números abaixo do esperado, vemos a Petrobras bem-posicionada para se aproveitar de preços de petróleo estruturalmente mais elevados.
Por menos de 3x valor da firma/ebitda e um dividend yield próximo a 10% esperado para 2026, Petrobras segue com recomendação de compra pela Empiricus Research.
A Direcional (DIRR3) iniciou 2026 mantendo a forte dinâmica operacional observada nos últimos trimestres, combinando crescimento de vendas e margens elevadas.
Conforme antecipado na prévia operacional, os lançamentos totalizaram R$ 1,0 bilhão em valor geral de vendas (VGV) no 1T26 (R$ 0,86 bi no % companhia), crescimento de 12% em relação ao 1T25. Do total lançado, aproximadamente 70% estiveram concentrados na marca Direcional e 30% na Riva.
A velocidade de vendas (VSO) permaneceu elevada, na casa de 24%, avanço de 250 bps em relação ao 4T25 e o maior nível histórico para um primeiro trimestre. A administração destacou que a melhora foi observada em ambas as marcas, reforçando o equilíbrio operacional da companhia.
Na parte financeira, a receita líquida alcançou R$ 1,16 bilhão no trimestre, crescimento de 30% frente ao 1T25. Considerando também as SPEs não consolidadas, a receita líquida total atingiu R$ 1,44 bilhão, avanço de 25% na comparação anual.
Rentabilidade da Direcional é destaque no 1T26
A rentabilidade voltou a ser um dos principais destaques do trimestre. A margem bruta ajustada atingiu novo recorde histórico de 42,9%, expansão de 130 bps em relação ao 1T25 e de 10 bps frente ao trimestre anterior.
Segundo a companhia, o desempenho reflete disciplina comercial, controle de custos e política conservadora de precificação, mesmo diante das recentes pressões inflacionárias. Conforme esperado, a margem REF encerrou o trimestre na casa de 44,4%, com leve retração em relação aos períodos anteriores.
O Ebitda totalizou R$ 315 milhões no trimestre, crescimento de 47% na comparação anual, com margem Ebitda de 27,1%. Ajustando efeitos não recorrentes e juros capitalizados, o Ebitda ajustado atingiu R$ 328 milhões, avanço de 40% frente ao 1T25.
Na última linha, olucro líquido operacional somou R$ 200 milhões, crescimento de 27% na comparação anual, enquanto o ROE anualizado alcançou 38%, reforçando o elevado nível de rentabilidade da companhia.
Em relação à estrutura de capital, a Direcional encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 613 milhões, equivalente a 24% do patrimônio líquido, patamar considerado administrável diante do atual ritmo de crescimento operacional — espera-se uma redução gradual dessa linha ao longo do ano.
A companhia registrou geração de caixa operacional de R$ 35 milhões no período, embora o fluxo contábil tenha sido impactado por amortizações relacionadas à cessão de recebíveis.
DIRR3: recomendação de compra
De forma geral, os resultados do 1T26 reforçam a consistência operacional da Direcional, sustentada pela forte demanda no segmento econômico, elevada eficiência operacional e disciplina na gestão de custos e preços.
Negociando a aproximadamente 7 vezes os lucros projetados para 2026, a companhia segue entre as preferências da Empiricus, com janela de entrada favorável na precificação atual.
A Multiplan (MULT3) comunicou ao mercado, após o fechamento de ontem (11), a assinatura de um Memorando de Entendimentos para a venda de 9,33% de participação no Park Shopping Barigüi. O valor total foi de R$ 250,0 milhões, equivalente a R$ 40,4 mil/m².
Assim, o pagamento será em duas parcelas iguais:
50% no fechamento da operação, no valor de R$ 125,0 milhões; e
Os 50% restantes 18 meses após o closing, também no valor de R$ 125,0 milhões.
Ambos os montantes serão corrigidos pelo IPCA a partir da assinatura dos documentos definitivos. A conclusão da transação ainda está sujeita ao cumprimento de condições precedentes usuais a operações dessa natureza.
Confira mais detalhes da venda de ativo no portfólio da Multiplan (MULT3)
Localizado em Curitiba (PR), o Park Shopping Barigüi é um dos principais ativos do portfólio da Multiplan. Voltado majoritariamente ao público das classes A e B, o empreendimento se destaca como um dos centros de compras mais modernos do país, concebido dentro de um conceito multiuso. Ou seja, permite o desenvolvimento de edifícios comerciais e residenciais no entorno. Contudo, é importante destacar que a operação envolve apenas a venda parcial da participação no ativo, sem que a companhia renuncie ao controle operacional do shopping.
Considerando o NOI do empreendimento nos últimos 12 meses, a transação teve um cap rate de 7%. Nesse patamar avaliamos como bastante atrativo para uma venda parcial de um ativo maduro e de elevada qualidade.
Ainda sem mais detalhes sobre o comprador, nossa impressão inicial sobre a operação é positiva para a tese de MULT3. A venda parcial do ParkShoppingBarigüi, nos valores anunciados, reforça a capacidade da companhia de reciclar portfólio em condições favoráveis, destravando valor para o acionista sem comprometer sua exposição operacional a um ativo estratégico. Vale citar que a companhia entregou recentemente (3T24) a expansão do imóvel, que adicionou cerca de 15 mil metros quadrados de ABL a um custo de R$ 28 mil/m².
Além disso, os R$ 250,0 milhões fortalecem a posição de caixa da companhia e ampliam sua flexibilidade financeira, seja para financiar as expansões em curso, administrar o endividamento — na ordem de 2x dívida líquida/EBITDA — ou, eventualmente, elevar a distribuição de dividendos. Vai depender da avaliação da administração sobre o cenário macroeconômico, em linha com a mensagem transmitida no Investor Day.
As ações da Multiplan (MULT3) permanecem entre as recomendações da Empiricus.
Os mercados globais operam em queda nesta terça-feira após Donald Trumpendurecer o discurso em relação ao Irã, classificando a proposta de cessar-fogo como “lixo” e afirmando que o acordo está em “estado crítico”, reacendendo os temores de escalada militar no Oriente Médio e elevando a aversão ao risco.
O petróleo voltou a avançar de forma significativa, com o Brent acima de US$ 107 por barril, enquanto futuros de Wall Street e bolsas europeias recuam diante da maior incerteza geopolítica. Os Estados Unidos anunciaram novas sanções contra indivíduos e empresas acusados de facilitar exportações iranianas à China, movimento que antecede o encontro entre Trump e Xi Jinping, no qual Washington deve pressionar Pequim sobre o impasse diplomático e a reabertura do Estreito de Ormuz.
Nesse contexto, cresce a sensibilidade dos investidores aos dados de inflação divulgados hoje (IPCA no Brasil e CPI nos Estados Unidos), ambos impactados pela alta do petróleo e pela pressão sobre combustíveis, energia e expectativas de juros.
00:52 — Inflação qualitativamente ruim
No Brasil, a semana começa com nova queda do Ibovespa. O índice voltou a perder o patamar dos 182 mil pontos, mesmo com o dólar ainda abaixo de R$ 4,90. A moeda brasileira segue beneficiada pelo bom posicionamento do país em um cenário de petróleo mais alto. Esse fator que melhora os termos de troca e sustenta o fluxo cambial, ainda que o ambiente externo permaneça desafiador para ativos de risco.
Na agenda doméstica, o mercado digere o dado de inflação de abril. No período o IPCA desacelerou na comparação mensal de 0,80% em março para 0,67%, resultado abaixo das expectativas.
No entanto, o número aparentemente mais benigno na margem não deve ser interpretado de forma excessivamente otimista. Assim como ocorreu na prévia inflacionária, a composição do índice foi qualitativamente desfavorável.
Em termos acumulados em 12 meses, a inflação acelerou de 4,14% para 4,39%, aproximando-se do teto da meta estabelecida para este ano. Além disso, houve surpresa altista na média dos cinco núcleos e nos serviços subjacentes, indicadores que costumam refletir a dinâmica mais estrutural da inflação.
Esse conjunto reforça a percepção de expectativas ainda pressionadas e dificulta a atuação do Banco Central, cujo espaço para cortes de juros permanece limitado no horizonte relevante. Nesse contexto, a tendência de abertura na curva de juros tende a pressionar o mercado de ações. Em contrapartida, que pode sustentar o real por conta do diferencial de juros elevado.
Além da inflação, o mercado acompanha os desdobramentos do resultado da Petrobras. A companhia reportou lucro líquido de R$ 32,66 bilhões no trimestre, queda de 7,2% na comparação anual, e aprovou a distribuição de R$ 9,03 bilhões em dividendos. O desempenho ficou abaixo das expectativas do mercado. O impacto mais positivo da alta recente do petróleo deve se refletir com maior intensidade apenas no segundo trimestre.
A teleconferência da empresa será observada com atenção, pois pode ajudar a calibrar as expectativas dos investidores, especialmente considerando o peso relevante das ações da estatal na composição do Ibovespa e sua influência sobre o humor geral do mercado brasileiro.
01:41 — Ritmo acelerado
Wall Street iniciou a semana em ritmo moderado, mas suficiente para renovar máximas históricas. O S&P 500 e o Nasdaq voltaram a registrar recordes em 2026, sustentados sobretudo pelo otimismo persistente em torno da inteligência artificial e pela resiliência dos resultados corporativos, mesmo com a temporada de balanços já próxima do encerramento.
O mercado tem demonstrado relativa indiferença ao conflito no Oriente Médio e ao impasse envolvendo o Estreito de Ormuz, apesar dos reflexos sobre o petróleo, cujo avanço levou o setor de energia a liderar os ganhos do dia. A leitura predominante entre investidores é de que a demanda estrutural por infraestrutura de IA permanece robusta, especialmente diante das restrições de oferta enfrentadas pelas grandes empresas de tecnologia e computação em nuvem. Esse movimento é o que sustenta projeções favoráveis para receitas e investimentos no segmento.
Na agenda do dia, o principal destaque é a divulgação do CPI de abril, que confirmou uma nova aceleração inflacionária, impulsionada principalmente pela alta da gasolina em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio. Caso esse movimento se consolide, reforçará o receio de um ambiente mais próximo de estagflação. Trata-se da combinação de inflação persistente com perda de fôlego da atividade, cenário que tende a manter o Federal Reserve em postura cautelosa por mais tempo.
02:37 — Janela de oportunidade para o Brasil
Donald Trump passou a demonstrar de forma mais explícita sua preocupação com a crise de acessibilidade (preço acessível), adotando medidas voltadas à contenção dos preços de itens especialmente sensíveis ao consumidor, como carne bovina e combustíveis.
Nesse contexto, o governo avalia suspender temporariamente as tarifas sobre importações de carne de países como Brasil e Austrália. Essa seria uma tentativa de aliviar a inflação de alimentos em um momento no qual os preços da carne bovina acumulam alta superior a 16% desde janeiro de 2025 e permanecem próximos de máximas históricas.
A pressão decorre de um problema estrutural: o rebanho americano está no menor nível em 75 anos. Após um período prolongado de seca e condições desfavoráveis de pastagem, analistas estimam que uma recuperação mais significativa só deva ocorrer em 2028. A eventual remoção das tarifas poderia ampliar a oferta e reduzir custos no curto prazo. Por outro lado, impõe risco político a Trump, ao contrariar pecuaristas americanos, um grupo relevante dentro de sua base de apoio, e ao reacender críticas do setor em relação aos padrões sanitários da carne bovina brasileira. Seja como for, se trata de uma oportunidade para o Brasil.
03:24 — O estado do cessar-fogo
O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã atravessa um momento de grande fragilidade, depois de Donald Trump afirmar que o acordo está em “estado crítico”, rejeitar a resposta mais recente de Teerã à proposta de paz apresentada pelos EUA e classificá-la como “lixo”. Embora o presidente ainda preserve a possibilidade de uma solução diplomática, o impasse ampliou a incerteza em torno das negociações. Também elevou a tensão regional e também passou a repercutir na sua agenda internacional, que inclui um encontro previsto com Xi Jinping em Pequim.
Ao mesmo tempo, o mercado acompanha com atenção crescente o risco de novos ataques militares, os relatos de ofensivas na região e a mobilização iraniana no Golfo Pérsico, em um cenário no qual o Estreito de Ormuz segue parcialmente bloqueado e continua pressionando o fluxo global de energia. Nesse ambiente, o petróleo voltou a encontrar sustentação, com o Brent superando US$ 105 no início do pregão asiático, ao mesmo tempo em que a pressão sobre os combustíveis nos Estados Unidos se intensificou.
04:11 — O destaque sul-coreano
A Coreia do Sul se consolidou como um dos retratos mais expressivos do boom global da inteligência artificial, impulsionada principalmente pela Samsung Electronics. Líder mundial no fornecimento de chips de memória, a companhia registrou um salto de 755% no lucro no trimestre encerrado em março. Além disso, viu seu valor de mercado ultrapassar US$ 1 trilhão e contribuiu para que o principal índice acionário do país acumulasse alta de 81% no ano, o melhor desempenho entre os mercados globais.
Esse movimento, porém, também ampliou o debate em torno da distribuição dos ganhos gerados pela IA. Propostas para destinar à população parte da arrecadação adicional associada ao setor, na forma de um “dividendo”, somadas à pressão de sindicatos para que os funcionários recebam uma parcela maior dos lucros, indicam que a dimensão social desse avanço ganhou relevância. Diante da expectativa de que Samsung e SK Hynix sigam expandindo seus resultados, a tendência é de aumento da pressão sobre empresas e governo para compartilhar essa nova riqueza.
05:06 — Infraestrutura a todo vapor
A demanda por infraestrutura física voltada à inteligência artificial segue muito forte, a ponto de o principal gargalo ter deixado de ser a oferta de chips e passado a ser a capacidade de construir e energizar data centers. Para companhias como a Microsoft (MSFT34), esse contexto reforça a percepção de que a empresa continua engajada em um ciclo robusto de investimentos para ampliar sua oferta em nuvem e em IA, sustentando a tese de crescimento de longo prazo do Azure e dos serviços associados à inteligência artificial.
Mesmo com atrasos pontuais em alguns projetos e com o aumento do poder de barganha de construtoras e empresas de engenharia, o quadro de fundo permanece positivo, já que a urgência em colocar novas instalações em operação indica que a demanda final continua aquecida.
Se a construção dos chamados “shells” (a estrutura física dos data centers) passou a representar um gargalo, o ritmo de monetização da IA pode depender não apenas da capacidade tecnológica da Microsoft, mas também da execução das obras, da disponibilidade de energia e da implantação dos sistemas de suporte. Para MSFT34, isso pode se traduzir em pressão de curto prazo sobre prazos e custos de expansão, sem necessariamente comprometer a narrativa estrutural de crescimento.
Em termos práticos, o mercado pode interpretar esse cenário mais como um sinal de demanda reprimida do que de fragilidade operacional: se a Microsoft hoje enfrenta limites físicos para acelerar ainda mais sua expansão, isso sugere que a oportunidade comercial permanece ampla, desde que a companhia consiga conduzir esse ciclo de investimentos com disciplina e eficiência.
O Grupo Almaviva encerrou 2025 com receita de R$ 11,1 bilhões e Ebitda de R$ 2,2 bilhões, com margem de 19,6%, considerando a consolidação da Tivit ao longo de todo o ano.
O resultado do faturamento anual representa crescimento de 25% em relação ao ano anterior, de acordo com comunicado divulgado pelo grupo italiano do setor de tecnologia nesta terça-feira (12).
O desempenho marca o primeiro ciclo completo da empresa após a aquisição da Tivit, concluída em agosto de 2025. O acordo havia sido anunciado em junho do mesmo ano com os fundos assessorados pela Apax Partners, controladora da Tivit desde 2010.
Na América Latina, o grupo registrou R$ 4,5 bilhões em receita, somando as operações da Tivit, Almaviva Solutions, Almawave e Almaviva Experience. O grupo afirma ser o segundo maior provedor de soluções de tecnologia no Brasil.
Mais de 50% da receita da Almaviva é gerada fora da Itália. Além da Tivit, o grupo realizou a aquisição da Iteris nos Estados Unidos em 2024, ampliando sua presença para 21 países.
Após a integração, a Almaviva diz ter equacionado a posição de endividamento da Tivit. Ao encerrar 2024, último exercício antes da aquisição, a dívida líquida consolidada da empresa brasileira era de R$ 533 milhões, com alavancagem de 1,7 vez o Ebitda.
“Estamos testemunhando uma mudança estrutural no setor. A tecnologia deixou de ser apenas uma função de suporte — ela está se tornando um fator determinante para a competitividade dos nossos clientes. Nosso papel está evoluindo de acordo com essa transformação”, afirmou Marco Tripi, CEO global do Grupo Almaviva, em comunicado.
A estratégia do grupo inclui reduzir a dependência de modelos tradicionais de integração de sistemas e avançar no desenvolvimento de plataformas proprietárias com inteligência artificial e capacidades de dados. Entre as soluções citadas estão Moova e Velvet, desenvolvidas na Europa e que passam a ser ofertadas na América Latina.
A Tivit chegou à aquisição pela Almaviva após uma reestruturação que incluiu o desmembramento de suas divisões de data center, sob a marca Takoda, e de terceirização de processos de negócios, a Neobpo.
Em 2024, último exercício antes da aquisição, a empresa registrou receita bruta de R$ 2,1 bilhões, crescimento de 12,2% ante o ano anterior, Ebitda ajustado de R$ 336 milhões com margem de 17,1% e lucro líquido de R$ 24 milhões, ante R$ 6 milhões em 2023.
Já em 2025, primeiro ano sob o guarda-chuva da Almaviva, a Tivit registrou receita bruta de R$ 2,4 bilhões e receita líquida de R$ 2,2 bilhões, crescimento de 12% ante o ano anterior. A unidade de cibersegurança avançou 52% e a de nuvem, 25%, de acordo com as demonstrações financeiras divulgadas separadamente pela companhia em abril.
No comando da Tivit Brasil está Valdinei Cornatione, nomeado CEO em outubro de 2025. Cornatione trabalha na empresa há 28 anos e atuava como Chief Commercial Officer desde 2023.
“A integração com o Grupo Almaviva eleva claramente o nosso posicionamento. Passamos a competir com maior diferenciação tecnológica, maior profundidade de conhecimento setorial e maior relevância nas decisões estratégicas dos nossos clientes”, disse o CEO, em comunicado.
-- Reportagem atualizada para incluir dados da demonstração financeira da Tivit de 2025.
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
A MRV Incorporação, principal negócio do conglomerado MRV&Co, registrou um lucro líquido ajustado de R$ 132,8 milhões no primeiro trimestre de 2026 — resultado 7,4 vezes maior na comparação anual.
No entanto, a margem bruta – um dos indicadores mais acompanhados pelo mercado por sinalizar a rentabilidade futura da companhia e seu ritmo de recuperação – ficou estável em 31% na comparação trimestral, apesar da melhora de 3,7 pontos percentuais na comparação anual.
Esta foi a primeira interrupção do ciclo de alta da margem desde o segundo trimestre de 2022. O indicador é observado como termômetro central da tese de recuperação da MRV, que passou por um processo de turnaround após a explosão dos custos de construção no pós-pandemia.
Ricardo Paixão, CFO da MRV, reforçou que o cenário atual não é uma virada na tendência de bons resultados da companhia.
O que segurou a expansão de margem foi a deterioração das expectativas com a inflação de custos, causada pela guerra entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.
“Foi um ponto fora da curva”, afirmou em entrevista à Bloomberg Línea. “Olhando para frente, não vejo porque não possamos ter uma melhora similar ao ritmo anterior.”
As ações globais operam em queda nesta terça-feira (12), em um movimento de correção das empresas de tecnologia, enquanto investidores aguardam os dados de inflação dos Estados Unidos.
- Caso Master pressiona o BC.As restrições orçamentárias do Banco Central ampliam preocupações sobre a capacidade do órgão de monitorar o sistema financeiro. Para pessoas próximas ouvidas pela Bloomberg News, o caso Master expôs brechas de supervisão.
- Tarifas sobre carne bovina. O governo dos EUA suspendeu temporariamente um plano para flexibilizar tarifas sobre importações de carne bovina após pressão de pecuaristas e republicanos, segundo o Wall Street Journal. Se aprovada, a medida tenderia a beneficiar o Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo.
- IA acelera demanda da Siemens Energy. A companhia alemã prevê que o avanço da inteligência artificial e a expansão de data centers impulsionem a demanda por turbinas a gás e equipamentos de rede até 2030, segundo disse a CFO do grupo, Maria Ferraro, em entrevista à Bloomberg Television.
A MRV Incorporação, principal negócio do conglomerado MRV&Co, registrou um lucro líquido ajustado de R$ 132,8 milhões no primeiro trimestre de 2026 — resultado 7,4 vezes maior na comparação anual.
No entanto, a margem bruta – um dos indicadores mais acompanhados pelo mercado por sinalizar a rentabilidade futura da companhia e seu ritmo de recuperação – ficou estável em 31% na comparação trimestral, apesar da melhora de 3,7 pontos percentuais na comparação anual.
Esta foi a primeira interrupção do ciclo de alta da margem desde o segundo trimestre de 2022. O indicador é observado como termômetro central da tese de recuperação da MRV, que passou por um processo de turnaround após a explosão dos custos de construção no pós-pandemia.
Ricardo Paixão, CFO da MRV, reforçou que o cenário atual não é uma virada na tendência de bons resultados da companhia.
“Foi um ponto fora da curva”, afirmou em entrevista à Bloomberg Línea. “Olhando para frente, não vejo porque não possamos ter uma melhora similar ao ritmo anterior.”
O que segurou a expansão de margem foi a deterioração das expectativas com a inflação de custos, causada pela guerra entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.
Com a alta dos preços do petróleo e insumos do setor de construção, a MRV decidiu revisar de forma conservadora suas projeções de inflação, elevando em dois pontos percentuais a estimativa de custo sobre os empreendimentos já lançados. O efeito prático é um aumento no custo ainda a incorrer nas obras em andamento.
O CFO afirmou ainda que o efeito da inflação deve ser parcialmente compensado pelas mudanças recentes no programa Minha Casa Minha Vida. No final de abril, o governo promoveu uma correção nas faixas de renda e nos parâmetros do programa, ampliando a capacidade de pagamento dos clientes em todas as faixas — da 1 à 4.
A atualização eleva o poder de compra dos usuários do programa e abre espaço para reajuste de preços por parte das incorporadoras, funcionando como uma válvula de alívio para a pressão de custos.
Segundo Paixão, a medida deve aparecer melhor nos resultados do segundo trimestre. “Os novos parâmetros do MCMV nos permitem tentar compensar, em parte, esse aumento potencial de inflação. Mas ainda não vimos efetivamente essa inflação acontecer, são projeções”, afirmou.
Prejuízo no consolidado da MRV&Co
Já a MRV&Co, grupo que reúne a MRV, Urba, Luggo e Resia, encerrou o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido ajustado de R$ 14,4 milhões.
O balanço do conglomerado segue impactado negativamente pela subsidiária americana Resia que, sozinha, registrou um prejuízo de R$ 120 milhões. O resultado reverteu lucro de R$ 116,5 milhões no quarto trimestre de 2025 e também ficou 94,5% abaixo do montante alcançado no mesmo período do ano anterior.
A subsidiária norte-americana registrou a venda de um ativo por valor inferior ao contabilizado no balanço, ampliando o prejuízo da operação.
O plano de desinvestimento, no entanto, segue em curso: a companhia projeta concluir vendas relevantes de propriedades até o fim de 2026, o que deve reduzir progressivamente a alavancagem e a despesa financeira da unidade.
Apesar da pressão já esperada da Resia, a MRV também teve os resultados afetados por outro fator: o descasamento entre produção e repasses no trimestre. A MRV produziu em média 3.200 unidades por mês contra apenas 2.700 repassadas – um gap de 1.500 unidades que pressionou a geração de caixa e o reconhecimento de receita.
O CFO destacou que mais de 40% das vendas do primeiro trimestre se concentraram em março, impedindo que essas unidades fossem reconhecidas a tempo no resultado do primeiro trimestre. A expectativa é que o descompasso beneficie os resultados do próximo trimestre.
“Certamente no segundo trimestre teremos crescimento maior de receitas e de vendas. Vamos voltar pra aquela trajetória de resultado ainda mais forte”, disse.
A receita líquida consolidada da companhia somou R$ 2,776 bilhões no período, alta de 21,6% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. As despesas operacionais consolidadas, por sua vez, totalizaram R$ 444,5 milhões, avanço de 6,5% na comparação anual.
MRV Incorporação, principal negócio do conglomerado MRV&Co, registrou um lucro líquido ajustado de R$ 132,8 milhões no primeiro trimestre de 2026. (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
A Petrobras (PETR3, PETR4) registrou um lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre do ano, queda de 7,3% em relação ao mesmo período do ano passado, informou a companhia nesta segunda-feira (11).
No critério sem eventos exclusivos, o indicador marcou R$ 23,8 bilhões, alta de 0,8% na mesma base de comparação.
Segundo a companhia, o resultado no trimestre foi influenciado pelo ganho com a variação cambial da ordem de R$ 12,3 bilhões e a reversão do impairment (baixa contábil).
“Entregamos resultados financeiros consistentes no primeiro trimestre de 2026, mantendo a forte geração de caixa, sustentada pela excelente performance dos nossos ativos e por recordes de produção de óleo e gás”, disse em comunicado o diretor financeiro e de relacionamento com investidores, Fernando Melgarejo.
Ainda nesta segunda-feira, a companhia informou que o conselho de administração aprovou o pagamento de remuneração aos acionistas no valor de R$ 9 bilhões, equivalente a R$ 0,7009 por ação ordinária e preferencial.
No primeiro trimestre do ano, a companhia destacou o aumento da produção total própria e o incremento dos volumes produzidos e de venda de derivados.
No entanto, a petroleira disse em comunicado que os efeitos dos aumentos de preços do petróleo recentes “ainda não foram percebidos devido à lógica de precificação de exportações” e que a alta do barril após o início do conflito no Oriente Médio “estará refletida nas exportações do segundo trimestre de 2026.”
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado (sem eventos exclusivos) de janeiro a março foi de R$ 61,7 bilhões, queda de 1% na comparação anual.
De acordo com a Petrobras, o resultado foi impulsionado pelo aumento nas vendas de derivados produzidos e menores despesas operacionais, em especial a redução dos custos exploratórios.
Por outro lado, as exportações reduzidas de petróleo no período atenuaram parcialmente os resultados.
No trimestre, a receita de vendas atingiu R$ 123,6 bilhões, alta de 0,4% sobre um ano antes.
Dívida e capex
A dívida líquida da estatal atingiu US$ 62 bilhões no primeiro trimestre, ante US$ 56 bilhões um ano antes.
De janeiro a março, os investimentos totalizaram US$ 5,1 bilhões, alta de 25,6% na comparação anual. No período, o segmento de exploração e produção se destacou, concentrando 87,4% do capex.
Na visão do analista da Suno Research, João Daronco, o resultado do trimestre não decepcionou estruturalmente, mas frustrou na margem.
“A operação está entregando, mas o problema é que o timing do reconhecimento de receita ‘comeu’ o efeito do Brent, o capital de giro pesou no fluxo de caixa operacional e os dividendos vieram apenas razoáveis em um trimestre que, pelo cenário de preços, prometia mais”, disse o analista em nota.
Daronco acrescentou que os aspectos de longo prazo seguem intactos, com a Petrobras mantendo um dos custos de produção (“lifting cost”) mais baixos do mundo, além de um cronograma de novos sistemas de produção até 2030, geração de caixa estrutural relevante e endividamento confortável.
Em sua avaliação, o maior risco para a companhia é a governança estatal e a política dos preços e do capital.
O Google Cloud apresentou um documento em resposta ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), detalhando o que classifica como práticas abusivas da Microsoft para supostamente favorecer sua plataforma de nuvem, a Azure, em um novo capítulo da disputa regulatória no setor de tecnologia.
No documento, o Google alega que as restrições de licenciamento da gigante de Redmond criariam um cenário de “fechamento de mercado” que prejudicaria empresas brasileiras e órgãos governamentais.
Em janeiro, o Cade abriu um inquérito para apurar infrações à ordem econômica relacionadas à atuação da Microsoft nos mercados de software corporativo e computação em nuvem.
A superintendência do órgão acolheu uma recomendação da área técnica, baseada em relatório da CMA (Autoridade de Concorrência e Mercados) do Reino Unido, publicado no ano passado, que identificou efeitos adversos à concorrência decorrentes das políticas de licenciamento de softwares da empresa fundada por Bill Gates naquele país.
Para dar seguimento, o Cade solicitou o posicionamento de concorrentes e de grandes companhias sobre a atuação de mercado da Microsoft.
O cerne da questão reside no modelo Bring Your Own License (BYOL). Segundo o Google, a Microsoft teria se utilizado de sua dominância histórica em softwares corporativos, como o Windows Server e o SQL Server, para supostamente elevar artificialmente os custos de migração para nuvens concorrentes.
Procurada, a Microsoft não respondeu aos pedidos de comentários até a publicação da reportagem.
De acordo com os dados apresentados, desde outubro de 2019 a Microsoft teria impedido que clientes com novas licenças do Windows Server utilizassem o benefício BYOL em “Provedores Listados” — categoria que inclui Google Cloud, AWS e Alibaba.
Na prática, um cliente que já possui licenças on-premises (instalações físicas locais) e deseja migrar para o Google Cloud seria forçado a adquirir uma nova licença por meio de um contrato de revenda (SPLA), gerando uma “dupla cobrança”, de acordo com o Google.
O documento menciona que a Microsoft se incluiu como Provedor Listado, mas criou o Azure Hybrid Benefit (AHB) para, na prática, supostamente se isentar das restrições que impôs aos rivais, na visão do Google.
“Um cliente que adquira serviços de nuvem de um concorrente da Microsoft acabará pagando um acréscimo de 400% sobre o valor dos serviços de nuvem de que efetivamente necessita”, afirma o documento.
A empresa sustenta que, para igualar o preço da Microsoft, um concorrente teria que oferecer sua infraestrutura gratuitamente e ainda pagar ao cliente um montante equivalente a 300% do valor do serviço.
Em um exemplo enviado ao Cade, o Google cita dados da Microsoft apontando que utilizar o Windows Server e o SQL Server na AWS poderia custar até cinco vezes mais do que na Azure, devido à impossibilidade de aplicar os mesmos descontos de licenciamento em nuvens rivais.
Poder de mercado e ‘lock-in’
O Google rebateu a tese da Microsoft de que softwares de código aberto (como Linux) seriam substitutos próximos de seus produtos proprietários. Citando investigações da autoridade britânica (CMA) e decisões anteriores do próprio Cade, o Google aponta que a Microsoft detém entre 70% e 80% do mercado global de sistemas operacionais para servidores.
A dependência tecnológica é o principal fator de lock-in. Para muitas empresas tradicionais, a migração para a nuvem ocorre via lift and shift (transferência direta sem alteração de código).
Como o Windows Server é frequentemente necessário para que outras aplicações funcionem, a impossibilidade de reutilizar licenças tornaria a Azure a “única opção economicamente racional”, na visão do Google.
O Google também listou produtos “essenciais” que a Microsoft supostamente não disponibiliza para revenda no Google Cloud, como o Microsoft 365, o Windows Desktop e assinaturas do Visual Studio.
Justificativas ‘infundadas’
A defesa da Microsoft ao Cade baseou-se na diferenciação entre os grandes provedores (hyperscalers) e provedores menores. A Microsoft alega que as restrições aos grandes protegem a concorrência dos pequenos.
O Google classifica essa distinção como “artificial” e “discriminatória”, argumentando que empresas como Oracle e IBM possuem capacidades técnicas de escala similares e que não cabe à Microsoft “moldar a dinâmica concorrencial”.
Sobre o argumento de proteção de propriedade intelectual, o Google afirma que a Microsoft já é remunerada pelas licenças e pelo Software Assurance e que a política de licenciamento da companhia não diz respeito à proteção de propriedade intelectual, e sim à promoção de fechamento de mercado direcionado contra seus concorrentes mais eficazes.
Os advogados do Google Cloud alertam que a continuidade dessas práticas aumentaria o “aprisionamento” tecnológico de órgãos públicos e grandes empresas brasileiras em processo de transformação digital.
Sem uma intervenção do Cade, o Google prevê uma redução da resiliência do mercado e uma elevação dos custos totais para a economia nacional, além de prejuízos à competição no setor.
Onde ficam os clientes
Em paralelo aos concorrentes diretos, como Google Cloud e AWS, o Cade também tem recebido as respostas das companhias. Entre mais de 10 posicionamentos consultados pela Bloomberg Línea, as empresas reconhecem que a política da Microsoft tem um peso na decisão entre os provedores de serviços de nuvem.
Em resposta ao órgão antitruste local, a Gol, por exemplo, disse reconhecer que a migração entre provedores de nuvem apresenta grau elevado de dificuldade, com impactos advindos de diferenças na arquitetura, custos de transferência de dados, impactos contratuais e modelos de licenciamento.
A companhia aérea afirmou ainda que “as condições de licenciamento de software Microsoft têm o potencial de influenciar as decisões de alocação de workloads entre provedores de computação em nuvem, na medida em que impactam o custo total de operação e condicionam a viabilidade de determinadas arquiteturas”.
O Bradesco, que começou o seu processo de migração de on-premises para nuvem em 2022, disse que o modelo BYOL ajudou na redução dos custos iniciais da operação e que as licenças contribuem ao propiciar melhores condições comerciais e benefícios específicos.
“É um fator relevante, especialmente para workloads dependentes de software Microsoft, pois pode impactar no custo total de propriedade, além da complexidade operacional e flexibilização das migrações”, escreveu o porta-voz da companhia no documento ao Cade.
Para a Claro, o modelo BYOL facilita a migração para a nuvem ao reaproveitar as licenças, acelerando o cenário de lift and shift e trazendo um benefício especialmente na redução de custos iniciais.
A empresa informou, contudo, que não percebe que as condições de licenciamento podem favorecer ou dificultar a concorrência: “Considerando o modelo atual de licenciamento disponibilizado para a Claro, não percebemos esse tipo de impacto”, afirmou a companhia no documento.
Em janeiro, o Cade abriu um inquérito para apurar infrações à ordem econômica relacionadas à atuação da Microsoft nos mercados de software corporativo e computação em nuvem. (Foto: Adam Gray/Bloomberg)
Mais uma vez os fundos imobiliários superaram o Ibovespa. Em abril, o Ifix — índice que reúne os principais FIIs do mercado brasileiro — entregou um retorno de + 1,53% enquanto o IBOV ficou no “zero a zero”. Parte desse desempenho se deve a inquilinos como Mercado Livre, Shein, Amazon e Shopee.
Explico: dentre os segmentos, os fundos logísticos foram destaque da alta em abril e no primeiro trimestre. Esses FIIs tem como principais locatários grandes empresas de varejo, mais especificamente de e-commerce.
De acordo com Caio Araujo, analista de fundos imobiliários, essas empresas devem continuar favorecendo o segmento logístico. Assim, os FIIs mais preparados podem surfar esse momento positivo. Nesse contexto, ele apontou 3 ativosque vale a pena investir agora.
Escalada do e-commerce ‘desequilibrou’ o setor logístico e abriu espaço para oportunidades
Em 2025, o faturamento do e-commerce no Brasil ultrapassou os R$ 235 bilhões. De acordo com dados da Abiacom as expectativas são de um crescimento de 33% no faturamento até 2028.
Do ponto de vista logístico, essa informação já seria suficiente para imaginar que os fundos deste segmento podem continuar se destacando mediante uma necessidade de galpões com boa infraestrutura, próximo a regiões estratégicas.
Contudo, Caio Araujo aponta que há um desequilíbrio neste mercado que pode aumentar ainda mais a atratividade de alguns fundos específicos. Em umrelatório especial, publicado recentemente, o analista explicou que há uma oferta restritiva de galpões que atendam as necessidades das grandes empresas com Amazon, Mercado Livre, Shein e Shopee.
O índice de vacância desse tipo de imóvel chegou aos 6,7% no primeiro trimestre, ao passo que a procura por galpões continua alta. Para completar, o ambiente de juros elevados aumentou o custo de desenvolvimento de novos projetos, reduzindo a atividade construtiva.
Assim, “quem tem o galpão pronto, de qualidade, triple A, pode ‘surfar’ essa onda”, afirma Araujo. A onda que o analista se refere é justamente a possibilidade de reajustes no valor dos contratos de aluguel mediante a alta demanda e baixa oferta de imóveis com essas características.
Avaliando o preço dos imóveis em um raio de 90 quilômetros de distância da cidade de São Paulo, o analista aponta que o descasamento entre oferta e demanda pode significar uma necessidade de ajuste de até 40% no aluguel médio.
Nesse contexto, o analista recomenda 3 fundos imobiliários para os investidores que desejam “surfar” as oportunidades do setor logístico.
3 FIIs para investir no setor logístico
Em um relatório especialCaio Araujo apresentou com mais detalhes a sua tese de investimentos no setor logístico. Ele ainda indicou três ativos para investir no segmento. Entre as recomendações estão:
Um FII cujas operações geraram um retorno acumulado de R$ 4,68 por cota e que ainda pode valorizar 9,6%;
Fundo imobiliário que se destaca pela qualidade técnica dos imóveis, além de uma geração de renda estimada em 9,6% para os próximos 12 meses;
FII logístico que negocia com um desconto de 10% em relação ao valor patrimonial (P/VP) e pode entregar um ganho de capital de 9,6%, mais um dividend yield de 10,5% nos próximos 12 meses.
A boa notícia é que você pode ter acesso a este conteúdo de forma gratuita. Para liberar o seu acesso é muito simples, basta clicar no botão abaixo e seguir as instruções:
A carteira automatizada de dividendos da Empiricus teve apenas uma alteração para maio: a entrada da Vale (VALE3) no lugar da SLC Agrícola (SLCE3). Até o fechamento de abril, o portfólio já valorizou 28,7% em 2026, contra 16,3% do Ibovespa no mesmo período.
Segundo Ruy Hungria, analista responsável pela carteira, a saída da SLC se deu pela piora nas perspectivas de custo da companhia por conta do conflito no Oriente Médio, que mantém sob pressão o Estreito de Ormuz, local por onde passam insumos agrícolas.
Já a entrada da Vale tem a ver com a evolução consistente de resultados da companhia, especialmente em sua divisão de metais básicos, a qual o analista chama de “joia da coroa”.
Lucro líquido da Vale saltou 29% no primeiro tri
No balanço do primeiro trimestre do ano, divulgado em 28 de abril, a Vale (VALE3) registrou lucro líquido de R$ 1,9 bilhão, alta de 29% em relação ao mesmo período de 2025.
Se no segmento de minério de ferro o crescimento do Ebitda foi de 1% ano contra ano, para R$ 2,4 bilhões, na divisão de metais básicos a alta foi muito mais representativa — embora a base de comparação fosse mais “fácil” de superar.
O Ebitda do segmento de cobre saltou 57%, para US$ 949 milhões, enquanto a mesma linha da operação de níquel saltou 575%, indo de US$ 41 milhões no 1T25 para US$ 277 milhões no último trimestre.
O fluxo de caixa livre chegou a US$ 813 milhões, alta anual de 61%, número que, segundo Hungria, “tende a melhorar nos próximos trimestres por conta da sazonalidade”.
Apesar de todo esse crescimento, os números divulgados pela Vale ficaram abaixo das expectativas do mercado. Mas, para o analista da Empiricus, a companhia “está no caminho certo e deve continuar como boa fonte de dividendos para os acionistas”.
A boa perspectiva do analista para as ações VALE3 vem de quatro pilares principais:
Minério de ferro resiliente;
Previsibilidade operacional;
Forte geração de caixa e retorno ao acionista; e
Potencial em metais básicos.
Em primeiro lugar, os preços do minério de ferro, principal segmento da companhia, têm se mostrado mais resilientes do que o esperado, “sustentado por dinâmica de oferta mais restrita, elevada depleção global e demanda ainda sólida, com maior diversificação geográfica”, afirma Ruy Hungria.
O analista destaca ainda que a Vale está entre os produtores de menor custo, o que “traz mais segurança à tese”.
Em relação à previsibilidade operacional, Hungria avalia que os investimentos em melhorias operacionais feitos pela mineradora nos últimos anos já se traduziram em menos paradas, aumento de produção e consequente diluição de custos.
O terceiro ponto é a elevada geração de caixa da Vale, que dá ao acionista um potencial de retorno próximo de dois dígitos sustentado por dividendos recorrentes e eventuais distribuições adicionais.
Por fim, está a “joia da coroa”Vale Base Metals que, segundo Ruy Hungria, “vem ganhando relevância e pode destravar valor ao longo do tempo, em um movimento ainda pouco refletido no valuation atual”.
Conheça as outras 7 ações que compõem a carteira de dividendos da Empiricus
Isso porque a carteira completa está disponível como uma cortesia da Empiricus. E para acessar é simples, basta fazer seu login na área logada da casa de análise.
Caso não tenha cadastro, o processo é gratuito e rápido. Ao preencher seus dados, você será redirecionado à área logada da Empiricus e poderá conferir esta e as outras carteiras automatizadas, sem ser cobrado em nenhum momento por isso. Para conferir a carteira de dividendos, basta clicar neste link ou no botão abaixo:
Os mercados globais iniciam a semana novamente sob forte tensão geopolítica após Donald Trump rejeitar a mais recente resposta do Irã à proposta americana de cessar-fogo, classificando-a como “totalmente inaceitável”.
A reação voltou a pressionar os preços do petróleo diante da percepção de que o Estreito de Ormuz pode permanecer fechado por mais tempo. O Irã havia proposto concentrar as negociações inicialmente apenas em um cessar-fogo imediato, deixando a discussão sobre o programa nuclear para uma etapa posterior, proposta prontamente descartada por Washington.
Apesar da escalada geopolítica, as bolsas globais operam de forma mista, enquanto investidores acompanham uma agenda econômica particularmente relevante nesta semana, marcada por dados de inflação no Brasil, nos Estados Unidos e na China.
· 00:56 — Dólar abaixo de R$ 4,90 e petróleo acima de US$ 100: bem-vindo ao Brasil
No Brasil, a agenda da semana segue bastante carregada, tanto do lado microeconômico, com uma temporada de resultados intensa, quanto do lado macro, com destaque para a divulgação da inflação oficial de abril, prevista para amanhã.
As projeções apontam para uma desaceleração na margem, mas o mercado teme uma composição qualitativamente mais deteriorada, semelhante ao observado na prévia inflacionária recente, ainda pressionada principalmente pelos preços da gasolina e dos alimentos. Além disso, os investidores acompanharão os dados de vendas no varejo, na quarta-feira, e o volume de serviços, na sexta, indicadores importantes para medir o ritmo de atividade da economia brasileira.
Entre os ativos, o Ibovespa conseguiu se manter acima dos 184 mil pontos na última sexta-feira, embora a piora do ambiente geopolítico internacional possa voltar a gerar pressão sobre o fluxo estrangeiro para mercados emergentes.
Enquanto isso, o dólar encerrou abaixo de R$ 4,90 pela primeira vez desde janeiro de 2024, cotado a R$ 4,89, beneficiado tanto pela fraqueza global da moeda americana quanto pela alta do petróleo, fator historicamente positivo para os termos de troca brasileiros.
E, por falar em petróleo, os investidores aguardam com atenção o resultado da Petrobras, que será divulgado hoje após o fechamento do mercado. As expectativas apontam para um crescimento superior a 40% no lucro líquido ajustado, além da distribuição de aproximadamente US$ 2,4 bilhões em dividendos, sustentados pela forte geração de caixa da companhia. Pelo peso relevante da Petrobras no índice, o resultado da estatal tende a ter impacto mais amplo sobre o comportamento do mercado brasileiro.
· 01:44 — Wall Street entre o CPI e o Oriente Médio
Lá fora, a semana será dominada pelos dados de inflação nos Estados Unidos, também na terça-feira, em um ambiente no qual o mercado tenta medir os efeitos da guerra envolvendo o Irã sobre preços, atividade econômica e política monetária.
A expectativa é de aceleração dos preços, pressionados pela recente alta do petróleo e da gasolina, que já supera US$ 4,50 por galão, o maior patamar desde 2022. Ainda assim, os indicadores mais recentes de atividade continuam apontando para uma economia relativamente resiliente.
O payroll divulgado na última semana, por exemplo, mostrou criação de empregos acima das expectativas, enquanto a taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3%, reforçando a percepção de que o Federal Reserve ainda possui espaço para manter os juros elevados por um período mais prolongado.
Ao mesmo tempo, os indicadores de confiança do consumidor seguem deteriorados, refletindo o desconforto crescente das famílias americanas com o aumento do custo de vida e os impactos da inflação sobre o orçamento doméstico.
Mesmo diante de um ambiente mais desafiador, Wall Street continua renovando máximas históricas, impulsionada principalmente pelo forte desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial. O setor de tecnologia segue liderando os ganhos do mercado, sustentado por resultados corporativos robustos e pelo crescimento expressivo dos lucros das empresas do S&P 500. Contudo, já surge novamente receio de exagero por conta da concentração do movimento.
· 02:33 — Aparentemente inaceitável
A guerra entre Estados Unidos e Irã entra em sua 11ª semana ainda sem avanços concretos, mantendo os mercados globais presos ao mesmo impasse que vem pressionando o petróleo, a inflação e as expectativas de crescimento ao redor do mundo.
A rejeição de Donald Trump à nova proposta de paz apresentada por Teerã reacendeu os temores de prolongamento do conflito e provocou reação imediata nos ativos globais (disse que a resposta iraniana era totalmente inaceitável), com alta do petróleo, fortalecimento do dólar e recuo dos futuros das bolsas americanas.
O Brent voltou a superar os US$ 100 por barril diante da percepção de que o Estreito de Ormuz pode permanecer fechado por mais tempo, enquanto o Irã segue exigindo suspensão de sanções, liberação de ativos congelados, controle sobre Ormuz e reparações de guerra. Ao mesmo tempo, Israel reforçou que “a guerra não acabou”, enquanto grandes bancos alertam para riscos crescentes de escassez global de combustíveis caso o bloqueio persista, afetando os níveis globais de preços e atividade.
· 03:29 — O encontro da semana
Donald Trump desembarca em Pequim nos dias 14 e 15 de maio para a primeira visita presidencial americana à China desde 2017, em um encontro com Xi Jinping que deve concentrar as atenções em três frentes principais: guerra no Oriente Médio, comércio e tecnologia.
O conflito envolvendo o Irã tende a ocupar parte relevante das conversas, diante de seus impactos crescentes sobre energia, inflação e cadeias globais de suprimento. Nesse contexto, Washington deve pressionar Pequim sobre sua relação econômica com Teerã e sobre possíveis caminhos diplomáticos para reduzir as tensões.
Ao mesmo tempo, os dois países devem discutir a extensão da trégua comercial firmada em Busan no ano passado, além de temas estratégicos como semicondutores, inteligência artificial, Taiwan e fornecimento de terras raras.
A agenda econômica também será ampla, com negociações envolvendo possíveis compras chinesas de soja, carne bovina, energia e aeronaves da Boeing, além da criação de um Conselho de Comércio EUA-China e de um Conselho de Investimentos bilateral.
A visita deve contar ainda com a presença de importantes executivos americanos, refletindo o esforço de reposicionamento das relações econômicas entre as duas maiores potências do mundo. Apesar do tom diplomático mais construtivo, o encontro ocorre em um momento sensível, marcado pela fragilidade do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã e pela persistência das disputas tecnológicas.
· 04:12 — Chega de deflação
E por falar na China, o país registrou uma saída do quadro deflacionário que vinha marcando sua economia desde o fim de 2022, principalmente por conta da alta dos preços de energia e commodities em meio à guerra envolvendo o Irã.
Os preços ao produtor avançaram 2,8% em relação ao ano anterior, o maior aumento desde julho de 2022 e acima das expectativas do mercado, enquanto a inflação ao consumidor surpreendeu ao subir para 1,2%. O movimento reflete tanto uma recuperação parcial da demanda quanto o impacto da forte valorização do petróleo e dos metais industriais, interrompendo um período prolongado de excesso de produção e intensas guerras de preços na indústria chinesa.
A mudança de cenário também fortaleceu o yuan, que atingiu o maior patamar em mais de três anos, levando o mercado a projetar uma valorização adicional da moeda chinesa nos próximos meses.
· 05:06 — Nova edição do Arquivo X
A divulgação de milhares de páginas de arquivos do Pentágono sobre Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs, na sigla em inglês) reacendeu o interesse do mercado em torno de possíveis avanços tecnológicos militares e de seus impactos sobre a indústria global de defesa.
Entre os relatos divulgados, chamaram atenção episódios envolvendo objetos realizando manobras consideradas incomuns para os padrões tecnológicos atualmente conhecidos, incluindo curvas abruptas em alta velocidade, movimentações submersas sem aparente perda de velocidade e sistemas invisíveis a olho nu, mas detectáveis por radar. Embora o tema continue cercado por especulações, o material reforçou o foco em segmentos ligados a aeronaves avançadas, tecnologia furtiva, guerra eletrônica e sistemas autônomos de defesa.
Do ponto de vista do mercado, os documentos acabaram fortalecendo narrativas já presentes no setor aeroespacial e militar, beneficiando companhias como Lockheed Martin, GE Aerospace, Northrop Grumman, RTX e L3Harris Technologies. Os relatos envolvendo interferência em sistemas de armas, tecnologias de camuflagem e detecção por radar aumentaram a atenção sobre programas militares classificados e projetos de próxima geração.
Nesse contexto, programas confidenciais da divisão aeronáutica da Lockheed Martin podem movimentar entre US$ 500 milhões e US$ 700 milhões em 2026, reforçando a percepção de que o novo ciclo global de investimentos em defesa, segurança e tecnologias estratégicas segue ganhando força.
Nesse contexto, ETFs temáticos focados em aeroespacial e defesa, como o Select STOXX Europe Aerospace & Defense (EUAD), o Global X Defense Tech (SHLD) e o First Trust Indxx Aerospace & Defense (MISL), seguem surgindo como instrumentos eficientes para capturar essa tendência por meio de uma exposição diversificada.
No Brasil, o iShares U.S. Aerospace & Defense ETF (BDR: BAER39) cumpre papel semelhante, oferecendo acesso a esse tema de forma simples e acessível. Ainda assim, a disciplina na alocação permanece fundamental: posições individuais entre 1% e 2,5% da carteira, com limite agregado próximo a 5% para o tema, ajudam a equilibrar o potencial de retorno com uma gestão de risco adequada, respeitando tanto o caráter estrutural da tese quanto a volatilidade inerente ao setor.
A partir das 19h desta segunda-feira (11), a Empiricus Research vai liberar acessos para os interessadosem conhecer o Delta IA, software que busca lucros no mercado de criptomoedas de forma 100% automatizada.
Os investidores que registrarem seu interesse com antecedência poderão receber os acessos em breve. Se você chegou neste texto antes do lançamento da ferramenta, aproveite a chance de deixar seu nome na lista prévia e já ficar ligado nos próximos passos:
Como o Delta IA opera em busca de lucros semanais?
O Delta IA chega ao mercado como a primeira inteligência artificial automatizada do Brasil voltada para operações de long & short em criptomoedas. Na prática, isso significa que a tecnologia atua em compra e venda de ativos digitais, buscando oportunidades de retorno em diferentes cenários do mercado.
A proposta da ferramenta é permitir que o investidor possa buscar ganhos explorando justamente a diferença entre essas posições. De acordo com resultados de backtests da estratégia:
Em períodos de queda do mercado, a projeção foi de até R$ 1.960 por semana;
Já em cenários de alta, a projeção alcançou até R$ 1.420 por sexta-feira.
Os resultados têm como base testes realizados nos últimos seis anos, com os desempenhos em destaque relativos a junho de 2020 (+50,6%) e outubro de 2021 (+35,3%), respectivamente.
O diferencial desta ferramenta está na execução automatizada das operações”, explica Valter Rebelo, especialista em ativos digitais da Empiricus Research e responsável pelo desenvolvimento da estratégia do Delta IA.
“Enquanto outras inteligências artificiais apenas fornecem análises ou sugestões, o Delta IA opera o mercado de forma ativa. O investidor pode simplesmente acompanhar e copiar as operações realizadas pela estratégia”, afirma.
Ademais, o analista també ressalta: “O mercado de criptomoedas tem riscos, mas sem arriscar todo o seu patrimônio, acredito que você ainda se expõe a esse potencial”. Por isso, é sempre bom lembrar que rentabilidade passada não representa garantia de ganhos futuros e todo investimento envolve riscos e pode gerar perdas.
Para apresentar o funcionamento da tecnologia, esclarecer dúvidas e detalhar a metodologia utilizada, Rebelo e a equipe de especialistas em criptomoedas da Empiricus irão promover um evento online gratuito na próxima semana.
Outro ponto que chama atenção na estratégia é a dinâmica semanal das operações –especialmente às sextas-feiras.
É nesse dia que o robô realiza o rebalanceamento automatizado da carteira, selecionando:
10 ativos com maior potencial de valorização para operações compradas;
10 ativos com mais chance de queda para operações vendidas.
“Vão ter semanas de euforia no mercado e as criptomoedas podem disparar. Em outras, o pessimismo pode pesar e o mercado, despencar”, descreve Rebelo.
Com etapas simples, a ferramenta desenvolvida por experts no mercado permite que até mesmo usuários com pouca experiência possam ir em busca da conquista de uma renda extra. A boa notícia é que a oportunidade para conhecer o Delta IA de perto está próxima. Veja como, a seguir.
Última chamada: Ainda dá tempo de reservar seu acesso ao Delta IA
Como falamos anteriormente, se você estiver lendo este texto antes da noite de segunda-feira, ainda pode registrar seu nome na lista de pré-reserva para acessar o Delta IA.
Para isso, é só clicar no botão ao final da matéria. Após a inscrição, você receberá mais detalhes sobre a ferramenta e como acessá-la.