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Bets superam juros e crédito e viram principal motor do endividamento das famílias

26 de Março de 2026, 22:38

As apostas esportivas online passaram a pesar mais sobre o endividamento das famílias brasileiras do que fatores tradicionalmente associados à alta da dívida, como juros ao consumidor e expansão do crédito. A conclusão é de um estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (IBEVAR), em parceria com a FIA Business School.

O levantamento analisou o período entre dezembro de 2011 e dezembro de 2025 e concluiu que, após a popularização das bets no Brasil, esse mercado passou a exercer o maior impacto individual sobre a aceleração da dívida das famílias. Segundo os pesquisadores, o efeito das apostas foi mais forte do que o dos juros e do crédito, inclusive quando os dois fatores tradicionais são considerados juntos.

O estudo mostra que a entrada das bets na rotina do brasileiro virou um novo fator de pressão sobre o orçamento doméstico. Até então, o endividamento era explicado principalmente pelo custo do dinheiro e pelo aumento da oferta de crédito. Com a expansão das apostas, porém, esse quadro mudou.

Os autores do estudo afirmam que, ao longo da série histórica, havia uma leve tendência de desaceleração no crescimento da dívida das famílias. Esse movimento, no entanto, perdeu força com a disseminação das apostas esportivas online a partir de 2019, após a legalização do setor em 2018 e antes mesmo da regulamentação definitiva, que só veio em 2023.

Para chegar a essa conclusão, o estudo cruzou dados do Banco Central e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com métricas de interesse por apostas obtidas a partir de processamento de linguagem natural em redes sociais. O modelo foi construído para separar o peso de cada variável e identificar o que realmente passou a impulsionar o endividamento.

Além dos dados brasileiros, o trabalho cita evidências dos Estados Unidos para reforçar o alerta. Após a liberação das apostas esportivas no país, pesquisas apontaram aumento persistente no volume apostado, redução da poupança e queda nos investimentos financeiros. Em média, cada dólar gasto em apostas retirou quase o mesmo valor de aplicações no mercado, além de provocar redução de cerca de 14% nos aportes líquidos em corretoras.

Segundo o estudo, os efeitos negativos tendem a se concentrar nas famílias mais vulneráveis. Entre os sinais observados estão a alta do endividamento no cartão de crédito, redução do crédito disponível, piora no pagamento de faturas e maior uso do cheque especial. Para os autores, o padrão sugere que parte dos recursos antes destinados à poupança ou ao consumo está sendo desviada para uma atividade de retorno esperado negativo.

Na avaliação do IBEVAR e da FIA, juros altos e crédito continuam relevantes para explicar a dinâmica da dívida das famílias, mas as bets passaram a funcionar como um novo vetor estrutural de pressão financeira. Além disso, a expansão acelerada desse mercado deixou de ser apenas uma questão regulatória e passou a ter implicações macroeconômicas, com potencial de ampliar a fragilidade financeira das famílias no médio e no longo prazo.

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Transformação, escala e autonomia marcam o 2º dia do Congresso da Indústria em São Paulo

26 de Março de 2026, 21:01

Diversificar a indústria, transformar pesquisa em escala e ampliar a capacidade de resposta do país a desafios estratégicos foram alguns dos temas que marcaram o segundo dia do Congresso de Inovação da Indústria, realizado nesta quinta-feira (26), em São Paulo.

Promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Sebrae, o encontro reuniu empresários, pesquisadores e executivos de grandes companhias para discutir como o Brasil pode ganhar competitividade em um cenário de mudanças tecnológicas aceleradas, pressão por eficiência e busca por novos modelos de crescimento.

Um dos pontos centrais do debate foi a necessidade de ampliar o horizonte da indústria brasileira para além de seus setores mais consolidados. Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o vice-presidente da Firjan, Antonio Carlos Vilela, afirmou que o Rio de Janeiro precisa transformar seu potencial industrial em uma estratégia efetiva de crescimento, sem ficar restrito à força do petróleo e do gás. “Nós não somos só óleo e gás”, disse Vilela.

Leia também: CNI e Sebrae reúnem líderes empresariais, governo e especialistas para discutir inovação e competitividade no futuro da indústria brasileira

Segundo ele, o estado reúne oportunidades em áreas como indústria criativa, energia, baixo carbono, metalmecânica e complexo da saúde, mas esse potencial precisa ser convertido em ação coordenada entre setor produtivo, universidades e poder público.

“Não existe desenvolvimento sem todos os atores estarem comprometidos com aquilo. A gente quer se juntar força com os outros atores”, afirmou.

A vice-presidente de Sustentabilidade da Natura, Ana Costa, levou ao evento a visão de que inovação e competitividade passam, cada vez mais, por um olhar integrado entre modelo de negócio, colaboração e sustentabilidade. Segundo ela, esse movimento já está incorporado à cultura da empresa e aparece em frentes como bioeconomia, economia circular e parcerias com outras companhias. “A inovação, quando é coletiva, é muito mais potente”, disse.

Para Ana, a sustentabilidade não deve ser tratada como custo adicional, mas como uma alavanca de resiliência e geração de valor. “Eu não vejo isso como custo, eu vejo isso, sim, como investimento”, defendeu. “Esse é o tipo de coisa que não tem patente, que deve ser de interesse público.”

Autonomia, tecnologia e aplicação prática

A agenda da inovação também apareceu associada à capacidade de resposta do país em áreas estratégicas. A pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcomo afirmou que a experiência da pandemia da Covid-19 reforçou a importância de fortalecer a produção nacional e reduzir a dependência externa em momentos críticos.

“É preciso que nós consigamos alcançar autonomia”, disse. 

Na avaliação dela, esse esforço exige uma indústria mais conectada às necessidades reais do país, especialmente em contextos de emergência. “A autonomia exige da indústria grande sensibilidade para nos ouvir o que é necessário ter, o que a indústria deve produzir e o que ela deve ter em situações contingenciais de emergência”, afirmou.

Na área de logística, a gerente de inovação da Wilson Sons, Simone Prado, apresentou um exemplo de transformação digital aplicada a uma operação tradicionalmente pesada. Segundo ela, a companhia desenvolveu uma ferramenta para monitorar rebocadores em todo o país e apoiar, em tempo real, a segurança das embarcações e das manobras.

“A gente consegue monitorar 80 rebocadores ao longo do Brasil inteiro com 26 antenas proprietárias que a gente tem”, disse.

Simone afirmou que a solução já vem trazendo ganhos concretos para a empresa, inclusive em áreas como eficiência operacional e descarbonização. “A gente já vê muitos resultados.”

Leia também: CNI e Sebrae apontam inovação e empreendedorismo como resistência aos juros altos

Além da executiva, a sócia-proprietária da Nilo By Lysis, Ana Maria da Silva, mostrou como uma inovação nascida da pesquisa científica pode ganhar escala industrial e impacto social. A empresa desenvolveu uma proteína a partir de vísceras de peixe e frango, usada em um sorvete de alto valor nutricional voltado a pacientes oncológicos, crianças e idosos.

Segundo Ana Maria, o próximo passo é buscar grandes parceiros da indústria para ampliar a produção e distribuir o produto em maior escala. “Para aumentar a nossa produção, nós estamos buscando parceiros, grandes indústrias que trabalham com sorvete”, afirmou.

Ela disse ainda que a ambição da empresa é levar o produto a um público mais amplo, inclusive fora do país.“A gente tem essa ambição também de exportar para que esse produto chegue para todo paciente oncológico que precisa.”

Ao longo do segundo dia do congresso, as falas convergiram para a mensagem de que inovação deixou de ser um diferencial periférico e passou a ocupar o centro da disputa por competitividade, crescimento e capacidade de resposta da indústria brasileira.

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Shell Select deve ser afetada pela crise da Raízen? Entenda

26 de Março de 2026, 20:11

Nesta semana, a crise financeira da Raízen voltou ao centro das atenções após novos desdobramentos envolvendo sua reestruturação.

A empresa, que atua no setor de energia e combustíveis em todo o Brasil, enfrenta um processo de recuperação extrajudicial para reorganizar uma dívida bilionária.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica autorizou o Grupo Gera a adquirir a totalidade das ações da Raízen GD, unidade voltada à geração de energia solar fotovoltaica.

Leia também: Crise da Raízen: veja a linha do tempo completa e entenda o que aconteceu

A operação envolve ativos que pertenciam à Bioenergia Barra LTDA e à Raízen Energia.

No processo, o Grupo Gera é descrito como uma companhia focada em soluções energéticas para clientes corporativos. Entre suas frentes de atuação estão geração e comercialização de energia, além de serviços ligados à eficiência energética, gestão e tecnologia.

A Raízen já contava com a adesão de credores que representam mais de 47% das dívidas financeiras

Entenda a crise da Raízen

A Raízen acumulou cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas e optou pela recuperação extrajudicial como forma de negociar diretamente com credores.

O mecanismo permite manter as atividades em funcionamento enquanto busca novos prazos e condições de pagamento.

Leia também: GPA e Raízen em recuperação extrajudicial e fora do Ibovespa: veja como isso afeta investidores

Esse tipo de recuperação exige a adesão da maioria dos credores, conforme a Lei nº 11.101/2005. O plano da companhia já foi homologado pela Justiça de São Paulo, segundo informações do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

A estratégia também conta com apoio de controladores importantes, como a Shell e o grupo Cosan, além do empresário Rubens Ometto, que devem contribuir financeiramente para a reestruturação.

Shell Select pode ser afetada pela crise Raízen?

Apesar do cenário delicado, a própria Raízen afirma que a operação da rede Shell Select não deve sofrer impactos.

Atualmente, cerca de 1.300 unidades da marca seguem sob gestão da companhia e continuam funcionando normalmente.

As lojas fazem parte da estratégia comercial da empresa junto aos postos de combustíveis e são consideradas essenciais para a proposta de valor oferecida aos revendedores.

Leia também: O que é recuperação extrajudicial e como funciona o processo usado pela Raízen

De acordo com a empresa, manter esse funcionamento é uma prioridade, o que reduz o risco de interrupções mesmo durante o processo de renegociação de dívidas.

O caso da Oxxo é diferente

Diferentemente da Shell Select, a situação da rede Oxxo é diferente, já que não pertence mais à estrutura da Raízen.

A parceria com a varejista mexicana FEMSA foi encerrada em setembro de 2025; desde então, a operação no Brasil passou a ser controlada integralmente pela companhia mexicana.

Leia também: Raízen protocola pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 65 bilhões em dívidas

Com isso, a crise atual da Raízen de fato não tem impacto direto sobre a Oxxo, já que não há mais vínculo societário entre as empresas.

Movimentos para reorganização

Paralelamente à reestruturação financeira, a Raízen segue ajustando seus negócios. Um dos exemplos recentes foi a autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica para que o Grupo Gera adquira a Raízen GD, braço voltado à geração distribuída de energia solar.

A operação indica uma tentativa de reorganizar ativos e reforçar o foco em áreas estratégicas, ao mesmo tempo em que a companhia busca equilíbrio financeiro.

Manutenção das atividades

Mesmo diante da crise, a avaliação atual é que a rede Shell Select deve continuar operando sem mudanças relevantes no curto prazo.

Leia também: O que é recuperação extrajudicial e como funciona o processo usado pela Raízen

A manutenção das atividades é vista como parte fundamental do plano da empresa para preservar receitas e sustentar a operação enquanto negocia suas dívidas. Porém, sem interferência da crise relacionada à Raízen.

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Sem sigilo: o que os documentos do TCU sobre o Master podem revelar

25 de Março de 2026, 20:44

Em meio ao ápice das investigações envolvendo o Banco Master, do ex-proprietário Daniel Vorcaro, o presidente da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, Renan Calheiros, optou pela derrubada do sigilo dos documentos recebidos pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

A decisão foi anunciada durante reunião do colegiado e atende a cobranças de parlamentares que defendiam maior acesso às informações do caso. Com isso, os documentos passam a poder ser consultados publicamente, com exceção de dados protegidos por lei.

Leia também: Caso Master: BRB cobra dívidas de quase R$ 2 milhões de ex-CEO; Justiça determina penhora de bens

Caso Master

O Banco Master, do ex-proprietário Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal, foi liquidado pelo Banco Central após ser apontada uma grave crise de liquidez, inconsistências nas funcionalidades da instituição e irregularidades em uma tentativa de venda.

A liquidação extrajudicial do Master também encaminhou o mesmo destino a outras instituições financeiras do mesmo conglomerado, como o Will Bank e Banco Pleno.

Após o encerramento das atividades dos bancos, a PF iniciou as investigações que resultaram na segunda prisão de Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel.

Além disso, a Polícia Federal, na terceira fase da Operação Compliance Zero, determinou o bloqueio de bens de alto valor relacionados ao caso.

Durante a ação, além das prisões realizadas, um dos envolvidos ligado a Vorcaro, conhecido como “sicário”, morreu após a chegada na prisão, como noticiado pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

O que os documentos do TCU podem revelar sobre o caso do Banco Master?

Segundo informações do Senado, a retirada do sigilo tem como objetivo garantir maior transparência sobre o caso.

A liberação inclui auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) que analisam a condução do Banco Central no processo envolvendo o Banco Master.

Na prática, os documentos do TCU sobre o Master podem revelar detalhes sobre o uso de recursos públicos, incluindo contratos, repasses e possíveis irregularidades na aplicação do dinheiro. Também podem apontar falhas de gestão, descumprimento de normas e eventuais prejuízos aos cofres públicos.

Além disso, os dados podem indicar a responsabilização de envolvidos e trazer recomendações do TCU, como ajustes, multas ou abertura de novas investigações. O conteúdo ajuda a dimensionar riscos fiscais e o impacto do caso na administração pública.

Ainda de acordo com Renan Calheiros, em nota do Senado, apenas informações sensíveis, como dados pessoais, bancários ou protegidos por legislação específica, continuarão sob sigilo. O restante do conteúdo ficará disponível para consulta pública.

Leia também: TCU suspende processo que investiga atuação do BC no caso Master

Pressão por transparência

A decisão de acabar com o sigilo também foi defendida pelo senador Eduardo Braga, que argumentou que o relatório deveria ser acessível por contribuir com os trabalhos do Congresso e esclarecer a atuação dos órgãos de fiscalização.

Para os senadores, não caberia ao TCU impor restrições de acesso ao Legislativo, especialmente em um caso de grande repercussão no sistema financeiro.

Leia também: Senadores vão entrar com mandado de segurança no STF para garantir abertura da CPI do Master

Medidas impostas para evitar novas fraudes

Além da divulgação dos documentos do TCU, o grupo de trabalho da CAE já apresentou propostas para reforçar a regulação do sistema financeiro e evitar novos casos semelhantes. Entre as iniciativas estão mudanças na fiscalização, maior proteção aos investidores e endurecimento das punições para crimes financeiros.

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Lemann Collaborative é lançada no Brasil para impulsionar políticas públicas; projeto será liderado por vencedores do Nobel

25 de Março de 2026, 20:11

A Fundação Lemann lançou nesta quarta-feira (25), na Pinacoteca de São Paulo, o Lemann Collaborative, parceria internacional que traz ao Brasil a participação dos vencedores do Prêmio Nobel de Economia de 2019, Esther Duflo e Abhijit Banerjee, com foco no uso de evidências para aprimorar políticas públicas e enfrentar desafios estruturais do país.

A iniciativa reúne a fundação, a Universidade de Zurique e o J-PAL em uma estrutura voltada à produção de conhecimento, formação de lideranças e conexão entre pesquisa acadêmica e formulação de políticas públicas. O projeto se soma à rede internacional de parcerias acadêmicas da fundação e marca mais um passo da estratégia de aproximar o Brasil de centros globais de excelência.

O lançamento marcou a apresentação pública de uma iniciativa que pretende fortalecer a ponte entre pesquisa, formação e desenho de soluções para áreas como educação, desenvolvimento e gestão pública.

Jorge Paulo Lemann, fundador da Fundação Lemann, participou da inauguração da parceria, que nasce sob o guarda-chuva da estratégia internacional da instituição de conectar o Brasil a universidades e centros de pesquisa de ponta.

No evento, o empresário afirmou que a experiência de formação no exterior influenciou a estratégia da fundação de aproximar o Brasil de centros internacionais de excelência.

“Eu tive a oportunidade de estudar no exterior e de conhecer outros mundos e outras formas de pensar. Por isso nosso esforço para melhorar a educação no Brasil inclui incentivos para que outras pessoas possam ter acesso à informação que vem de fora”, disse.

Lemann também relacionou essa visão à construção de uma rede internacional de formação de brasileiros em universidades de referência.

“Nossos centros de estudos em universidades como Stanford, Harvard, Columbia e Oxford formam muitos brasileiros. Esperamos que eles possam voltar ao Brasil para formar novos talentos, compartilhar conhecimento e ajudar na busca de soluções para os problemas nacionais”, afirmou.

Ao comentar o avanço tecnológico em outros países, o empresário também ressaltou a importância de buscar aprendizado em polos globais de inovação. “Não tenho nenhuma formação técnica. Sinto uma falta enorme nesse mundo em que a tecnologia vai ser um fator muito importante”, disse. “Se eu fosse mais jovem, eu ia passar um ano no Vale do Silício ou em Israel ou qualquer lugar que está bem avançado tecnologicamente.”

Leia também: BRASIL 2030: Saúde e Consumo – Tendências, Inovação e Futuro do Setor

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, a vencedora do Nobel Esther Duflo afirmou que o objetivo da iniciativa é elevar o nível da formulação de políticas públicas no país e ampliar o acesso de pesquisadores e gestores brasileiros a ferramentas, métodos e experiências de referência internacional.

“O objetivo é realmente a excelência na formulação de políticas e, para isso, precisamos contar com grandes profissionais que tenham acesso às melhores ferramentas”, disse a economista.

Segundo Esther, o Brasil já conta com quadros qualificados na academia e no setor público, mas pode avançar ainda mais ao se conectar com pesquisas, programas e iniciativas testadas em outros contextos. “Você tem ótimas pessoas no governo e na academia. E eles precisam ser expostos a ideias de pesquisa de outros lugares, resultados de programas e iniciativas que funcionaram em outros países ou de fato no Brasil”, afirmou.

A economista também indicou que a proposta não nasce restrita a um único tema, embora tenha afinidade natural com agendas ligadas à pobreza, à educação e ao meio ambiente. Entre os exemplos estão a educação infantil e projetos ligados à Amazônia e aos impactos das mudanças climáticas.

Abhijit Banerjee afirmou que o novo centro pretende dar um passo além da produção acadêmica e ajudar a formar uma nova geração de pesquisadores e formuladores de políticas públicas mais conectados às evidências.

“A cooperação Lemann, como nós a visualizamos, tem a intenção de ser um novo avanço nesta batalha contra a pobreza mundial”, disse o economista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo Banerjee, a proposta não é apenas produzir pesquisa, mas colocá-la em posição mais central dentro da formação de jovens estudiosos e decisores. “Uma coisa é dizer que nós fazemos pesquisa, outra coisa é dizer que agora nós vamos criar uma nova turma de formuladores de políticas, pesquisadores e jovens estudiosos que trabalham em conjunto”, afirmou.

Na avaliação dele, a iniciativa também pode ampliar a capacidade de o Brasil transformar conhecimento global em ferramenta prática para a tomada de decisão. “O que nós estamos tentando fazer é trazer a visão global, o corpo global de conhecimento, e transformá-lo em uma ferramenta para os tomadores de decisões”, disse. “Treinar os decisores a usar as evidências, mas também treinar a nós para sermos responsivos a eles.”

O CEO da Fundação Lemann, Denis Mizne, afirmou que a parceria reforça uma estratégia de longo prazo voltada à construção de capacidade institucional no país. “O papel de uma fundação sem fins lucrativos tem que ser pensar ao longo prazo e construir capacidade, ajudar o Brasil a ter mais e mais capacidade de enfrentar seus problemas”, disse.

Segundo Mizne, a iniciativa acelera pontes acadêmicas e amplia as possibilidades de formação de brasileiros em contato com centros internacionais de excelência. “Ao fazer parcerias com algumas das melhores universidades do mundo, colocando o Brasil no centro, a gente acelera essas pontes acadêmicas, a gente dá oportunidade de formar brasileiros, de levar brasileiros para lá, de trazer conhecimento de ponta para cá.”

Leia também: SXSW: qual o impacto do evento de inovação no mundo?

A vice-presidente de Relações Institucionais da Fundação Lemann, Daniela Caldeirinha, afirmou que o lançamento reforça a missão da instituição de conectar produção de conhecimento e melhoria das políticas públicas. “É muito importante que a gente tenha parcerias como essa em que centros de excelência, de produção de pesquisa, de conhecimento, de evidências estejam a serviço de políticas públicas que sejam pautadas por essas evidências e que, portanto, possam melhorar a qualidade de vida das nossas pessoas.”

O Lemann Collaborative nasce em um momento em que a discussão sobre políticas públicas baseadas em evidências ganha espaço tanto no meio acadêmico quanto entre gestores e formuladores de políticas.

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Quem é Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro que triplicou patrimônio em 4 anos

24 de Março de 2026, 16:18

Após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro, as investigações continuam ganhando novos capítulos. Entre os envolvidos, Fabiano Zattel, cunhado de Vorcaro, voltou à prisão pela segunda vez, junto com o próprio empresário, na última detenção registrada no início de março.

Leia também: Martha Graeff: quem é a influenciadora ligada a Daniel Vorcaro

Quem é Fabiano Zettel?

Fabiano Zettel, de 50 anos, é empresário, pastor e cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro. Zattel ganhou notoriedade ao se tornar um dos alvos da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras no sistema bancário.

Zettel já havia sido preso temporariamente em fases anteriores da investigação, inclusive ao tentar embarcar para o Bahrein, no Oriente Médio, e aparece como figura relevante nas apurações sobre movimentações financeiras e estrutura societária investigada.

Envolvimento financeiro de Fabiano Zettel

De acordo com as análises da PF, Fabiano Zettel recebeu R$ 190,2 milhões em dividendos e lucros do Fundo de Investimento em Participações (FIP) Kairós entre 2023 e 2024.

Ainda segundo a Polícia Federal, o fundo é apontado como parte de uma estrutura de lavagem de dinheiro ligada à organização criminosa associada ao Banco Master. Os valores foram declarados por Zettel à Receita Federal e obtidos pela CPI do Crime Organizado.

Patrimônio triplicado

Assim como divulgado nesta matéria do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, as declarações de Imposto de Renda de Zettel dos últimos três anos, obtidas pelo portal de notícias g1, mostram que seu patrimônio saltou de R$ 67,5 milhões em 2021 para R$ 204,3 milhões em 2024, um crescimento de cerca de R$ 137 milhões em quatro anos. No mesmo período, ele acumulou dívidas de R$ 12 milhões.

Entre os bens declarados, R$ 50,9 milhões estão registrados em joias e relógios. A coleção cresceu aproximadamente R$ 42,2 milhões entre 2021 e 2024.

Em 2023, referente ao ano-base 2022, Zettel havia declarado R$ 139 milhões em dividendos de seu escritório de advocacia, a Fabiano Zettel Sociedade de Advogados.

Atuação como diretor em empresa suspeita

A Super Empreendimentos também é citada nas investigações como empresa utilizada para realizar pagamentos a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que morreu após ser preso em 6 de março.

Segundo as apurações, ele atuava no monitoramento de alvos, na obtenção ilegal de dados sigilosos e em ações de intimidação física e moral dentro da organização criminosa.

De acordo com sua declaração de Imposto de Renda, Zettel realizou um aporte de R$ 48,5 milhões na Super Empreendimentos em 2022.

Leia também: Daniel Vorcaro é algemado e transferido de helicóptero para Superintendência da PF

Caso Master

Após realizar a prisão de Daniel Vorcaro, Fabiano Zattel e outros membros envolvidos no caso, o andamento do processo envolvendo o Banco Master e as movimentações ilegais parece estar longe de acabar.

Na última semana, o ex-proprietário do Master realizou a troca dos advogados, o que pode ser um indício de uma possível delação premiada.

Até o momento ainda não existem confirmações de que a delação vá acontecer, mas é esperado que novas informações por parte de Vorcaro e até sobre outros envolvimentos de Fabiano Zattel sejam reveladas.

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OpenAI lança nova experiência de compras no ChatGPT

24 de Março de 2026, 15:52

A OpenAI está lançando uma nova experiência de compras dentro do ChatGPT para facilitar que os usuários encontrem e comparem produtos, depois que seu recurso Instant Checkout não conseguiu ganhar tração.

A empresa disse na terça-feira que os consumidores poderão encontrar produtos que procuram enviando imagens ou descrevendo itens e incluindo critérios como seu orçamento, preferências e outras restrições. O ChatGPT oferecerá resultados mais visuais que as pessoas poderão usar para comparar diferentes ofertas de produtos.

“Sob o capô, melhoramos a velocidade, a relevância e a cobertura de produtos, então os resultados estão mais atualizados e mais úteis”, disse a OpenAI em uma publicação no blog.

A atualização vem após a OpenAI ter abandonado o Instant Checkout, que permitia aos usuários comprar itens selecionados de varejistas como Etsy, Walmart e Shopify diretamente dentro do ChatGPT. A OpenAI anunciou esse recurso no ano passado e inicialmente o apresentou como o “próximo passo” no comércio habilitado por IA.

Analistas disseram anteriormente à CNBC que a OpenAI subestimou o quão difícil seria habilitar transações. A empresa teve dificuldades para integrar lojistas, mostrar dados precisos sobre produtos e introduzir carrinhos com múltiplos itens ou conectar programas de fidelidade.

Leia mais:
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“Descobrimos que a versão inicial do Instant Checkout não oferecia o nível de flexibilidade que buscamos fornecer, então estamos permitindo que os lojistas usem suas próprias experiências de checkout enquanto focamos nossos esforços na descoberta de produtos”, disse a OpenAI na publicação mais recente.

A OpenAI afirmou que os lojistas agora podem compartilhar seus catálogos de produtos e promoções com a empresa, o que significa que seus produtos estão “totalmente representados” dentro do ChatGPT. Varejistas como Target, Sephora e Nordstrom já oferecem suporte à nova experiência de descoberta de produtos da OpenAI.

Lojistas interessados em integrações mais profundas também podem continuar desenvolvendo aplicativos personalizados dentro do ChatGPT, disse a OpenAI. A empresa apresentou essa funcionalidade em sua conferência anual de desenvolvedores em outubro e começou a adicionar aplicativos de varejo dedicados de empresas como Instacart, Target e outras no ano passado.

Acionar um aplicativo dentro do chatbot ajudará a dar a essas empresas mais controle sobre a experiência do cliente e o processo de transação. A Walmart lançou um serviço ChatGPT dentro do aplicativo na terça-feira que oferece suporte a vinculação, programas de fidelidade e pagamentos da própria Walmart, segundo a OpenAI.

Junto com o anúncio da OpenAI, a Shopify também disse na terça-feira que está “atualizando a experiência de compras” no ChatGPT. Isso permitirá que lojistas da Shopify conectem suas lojas ao catálogo da plataforma e “concluam compras por meio de um navegador dentro do aplicativo”.

A Shopify também está lançando um novo serviço chamado Agentic Plan que permite que lojistas que não têm uma loja na plataforma exibam seus produtos por meio das ferramentas da própria Shopify no ChatGPT, no Google Gemini e em outros lugares.

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Finnair fecha maior encomenda de sua história com a Embraer por até 46 aeronaves

23 de Março de 2026, 07:11

A Embraer anunciou nesta segunda-feira (23) um acordo com a Finnair para o fornecimento de até 46 aeronaves comerciais do modelo E195-E2, em um dos maiores investimentos dos 102 anos de história da companhia aérea finlandesa. O contrato, que já entra no backlog da Embraer no primeiro trimestre de 2026, inclui 18 pedidos firmes, 16 opções e 12 direitos de compra.

O negócio consolida a posição da fabricante brasileira no mercado de jatos comerciais de até 150 assentos, segmento em que a Embraer é líder mundial. Para a Finnair, a encomenda representa a aposta mais ambiciosa da empresa em décadas, com entregas programadas para começar no segundo semestre de 2027.

Nenhuma das duas empresas comentou os valores do negócio, que pode variar de acordo com a negociação, pacote de serviços incluídos, manutenção e configuração das aeronaves, mas, de acordo com negociações anteriores, o Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC estima que o negócio pode chegar a US$ 4,2 bilhões (R$ 22,3 bilhões).

Leia também: Claro compra 73,01% da Desktop por R$ 2,4 bilhões

Maior aposta em mais de um século

O CEO da Finnair, Turkka Kuusisto, classificou o acordo como um passo determinante para os planos da companhia. “Este é um dos maiores investimentos da história de 102 anos da Finnair”, afirmou o executivo, destacando que os novos jatos vão permitir à empresa fortalecer sua malha europeia e aproveitar oportunidades de crescimento no mercado.

As aeronaves serão configuradas com 134 assentos e substituirão modelos mais antigos da frota da Finnair, incluindo os E190s de geração anterior operados pela companhia.

Embraer reforça backlog global

Do lado brasileiro, o presidente da divisão de aviação comercial da Embraer, Arjan Meijer, ressaltou o valor econômico do acordo. “A combinação de eficiência, conforto e confiabilidade do E195-E2 gera valor concreto”, disse o executivo, citando menor consumo de combustível e economia operacional como diferenciais do modelo.

O pedido será registrado no backlog referente ao primeiro trimestre de 2026, reforçando os números da fabricante sediada em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Fundada em 1969, a Embraer já entregou mais de 9 mil aeronaves e é a maior exportadora de bens de alto valor agregado do Brasil.

E195-E2 lidera segmento regional

O E195-E2 é o jato corredor único mais silencioso disponível no mercado e consome até 35% menos combustível do que os E190s de geração anterior. A aeronave, que não possui assentos centrais, reforça a competitividade da Embraer frente a concorrentes no segmento de aviação regional de médio porte.

A Finnair, membro da aliança oneworld e eleita 15 vezes seguidas a melhor companhia aérea do Norte da Europa no prêmio Skytrax, opera rotas entre a Ásia, América do Norte e Europa com base em Helsinque.

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Estatal italiana Poste lança oferta de R$ 66 bilhões pela dona da TIM

23 de Março de 2026, 06:50

A Poste Italiane anunciou o lançamento de uma oferta pública de aquisição e troca (Opas) sobre a Telecom Italia (TIM), em uma operação avaliada em cerca de 10,8 bilhões de euros (R$ 66 bilhões). O movimento, aprovado pelo conselho da companhia, tem como objetivo unificar as duas empresas sob um único grupo com controle público.

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A proposta prevê que acionistas da TIM recebam 0,0218 ação da Poste para cada papel detido, além de €0,167 em dinheiro por ação. O prêmio em relação ao último fechamento da operadora é ligeiramente superior a 9%. Para que a oferta seja considerada válida, a adesão precisa permitir que a Poste alcance 66,67% do capital.

A TIM informou que iniciará a análise da proposta em reunião extraordinária. Caso a operação seja concluída, o que a Poste projeta até o fim do ano, a intenção é retirar a empresa de telecomunicações da Bolsa. O Estado italiano, que já detém 65% da Poste via Tesouro e Cassa Depositi e Prestiti, permaneceria com mais de 50% da nova estrutura.

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Salesforce emite R$ 131,5 bilhões em dívida para recomprar ações e levanta questionamentos

22 de Março de 2026, 11:49

A Salesforce anunciou nesta semana que iniciou os primeiros passos de seu plano de recompra acelerada de ações de US$ 25 bilhões (R$ 131,5 bilhões), parte de um programa maior de US$ 50 bilhões (R$ 263 bilhões) aprovado em fevereiro. A decisão de emitir dívida para financiar a recompra dos papéis gerou questionamentos no mercado.

Levantar recursos via dívida para recomprar ações é uma estratégia que exige cautela, já que ações não geram obrigações legais diretas, enquanto a dívida impõe compromissos financeiros e riscos jurídicos em caso de inadimplência. Ou seja, o movimento aumenta a pressão sobre o balanço da companhia.

A própria empresa já indicou o motivo da recompra: a gestão acredita que a forte queda recente das ações, causada por temores relacionados à inteligência artificial, tornou o papel atrativo. “Estamos muito confiantes no futuro da Salesforce”, afirmou o CEO Marc Benioff. Além disso, executivos também estão comprando ações — Laura Alber e David Kirk adquiriram cerca de US$ 500 mil cada (R$ 2,63 milhões).

Custo de capital explica estratégia

Uma das razões para a emissão de dívida pode ser a preservação de caixa, mas o principal fator é a comparação entre o custo de capital próprio (equity) e o custo da dívida. No mercado, empresas costumam buscar a estrutura mais eficiente, baseada no chamado custo médio ponderado de capital (WACC).

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Esse indicador representa a média entre os custos de financiamento por dívida e por ações, ponderados pela participação de cada um na estrutura da empresa. Quanto menor o WACC, maior o valor presente dos fluxos de caixa futuros, o que favorece a avaliação da companhia.

Custo da dívida é menor

No caso da Salesforce, o custo da dívida é relativamente baixo. Para títulos com vencimento em 2066, o custo antes de impostos é de cerca de 6,7%, enquanto o custo após impostos pode cair para algo próximo de 5,3%, considerando uma alíquota corporativa de 22%.

Isso ocorre porque juros pagos sobre dívida são dedutíveis de impostos, reduzindo o custo efetivo desse tipo de financiamento.

Custo do equity é mais elevado

Já o custo de capital próprio foi estimado em cerca de 9,27%, utilizando o modelo CAPM, com base em um beta de 1,21, taxa livre de risco de 4,24% e retorno esperado de mercado de 8%.

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Como o custo do equity é significativamente maior que o da dívida, a substituição de ações por dívida tende a reduzir o WACC, tornando a estrutura de capital mais eficiente.

Riscos e benefícios no longo prazo

Apesar da lógica financeira, a estratégia envolve riscos. A recompra financiada por dívida ocorre em um momento em que o mercado questiona o impacto da inteligência artificial sobre o modelo de negócios da Salesforce.

A operação também levou a uma redução na classificação de crédito pela S&P Global, refletindo o aumento da alavancagem financeira, o que pode encarecer futuras captações.

No fim, o sucesso da decisão dependerá da capacidade da empresa de gerar caixa suficiente para honrar a dívida. Se a Salesforce conseguir crescer e se beneficiar da IA, a estratégia pode fortalecer sua estrutura de capital. Caso contrário, a dívida pode se tornar um peso relevante no balanço, pressionando ainda mais as ações.

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Geely ultrapassa BYD e assume liderança de vendas em 2026

22 de Março de 2026, 10:36

A Geely abriu 2026 à frente da BYD e assumiu a liderança em vendas na terra natal. A montadora somou 476,3 mil veículos vendidos, contra 400,2 mil da rival — uma diferença superior a 76 mil unidades já nos primeiros meses do ano.

O movimento chama atenção não apenas pelo volume, mas pelo contexto. Enquanto a Geely avança com um portfólio diversificado, a BYD atravessa um período de retração. Em fevereiro, a fabricante de elétricos vendeu 190,1 mil veículos, uma queda de 41% na comparação anual e o sexto recuo consecutivo. Um sinal claro de perda de tração.

Há, contudo, uma diferença metodológica nos números: a Geely considera todo o seu portfólio de veículos de passeio, incluindo modelos a combustão, híbridos e elétricos. Já a BYD reporta apenas veículos de nova energia (NEVs), categoria que, na prática, representa quase toda a sua operação desde que abandonou os motores puramente a combustão em 2022.

Mesmo assim, a vantagem da BYD no segmento de eletrificados já não é confortável. A distância entre as chinesas encolheu rapidamente: em janeiro, chegou a apenas 0,3 ponto percentual. No acumulado de janeiro e fevereiro, a BYD liderou o varejo de NEVs com uma diferença de apenas 14,1 mil unidades em relação à Geely.

“One Geely”

Do lado da Geely, o avanço ocorreu em várias frentes. A companhia atribui o desempenho à estratégia “One Geely”, baseada em um portfólio mais amplo e integrado. Em janeiro, vendeu 124,2 mil veículos de nova energia, 134,4 mil veículos da linha a combustão, 28,8 mil unidades da Lynk & Co e 23,8 mil da Zeekr. No exterior, embarcou 60,5 mil veículos em janeiro e 60,8 mil em fevereiro. Ou seja, não foi um pico isolado, mas uma arrancada com escala e força também fora da China.

A virada, aliás, já vinha sendo construída desde 2025. No primeiro semestre do ano passado, a receita da Geely cresceu 27%, para 150,3 bilhões de yuans, enquanto as entregas avançaram 47%. Nesse período, a montadora reportou 1,409 milhão de veículos vendidos e mais de 725 mil NEVs.

Os números mais recentes da Geely mostram que essa pressão não só continuou como ficou mais desconfortável para a rival. A Geely fechou 2025 com pouco mais de 3 milhões de veículos vendidos, alta de 39%, e quase 1,7 milhão de NEVs, avanço de 90%. A BYD, por sua vez, encerrou o ano com 4,6 milhões de veículos vendidos — ainda em patamar superior, mas já mostrando perda de fôlego: o crescimento anual foi de 7,7%, o mais fraco em cinco anos.

Carros de passeio

E não para por aí. No varejo de veículos de passeio, a Geely emplacou 210 mil carros em janeiro, segundo dados da Associação de Carros de Passageiros da China (CPCA), e assumiu a liderança do mercado chinês. A BYD caiu para 94 mil unidades no mesmo recorte e ficou atrás da rival logo na largada do ano.

Em um mês em que as vendas no varejo do setor somaram 1,544 milhão de veículos — queda de 13,9% na comparação anual — a Geely foi o principal destaque.

No varejo, a BYD viu as vendas despencarem 53% em relação a janeiro do ano passado, para 94 mil unidades, segundo a CarNewsChina. No atacado, até conseguiu manter a vice-liderança, com 206 mil veículos repassados às concessionárias, mas ainda ficou bem atrás da Geely, que também liderou nesse recorte, com 270 mil unidades e leve alta anual de 1,3%.

A Geely entrou em 2026 com o discurso de crescimento já respaldado por escala— e já transforma a aproximação em ultrapassagem.

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Sergio All: regime especial para PMEs destrava caminho para abertura de capital

21 de Março de 2026, 22:39

A criação de um regime especial na bolsa brasileira para pequenas e médias empresas que faturam até R$ 500 milhões por ano promete desburocratizar o acesso ao mercado de capitais, analisou Sergio All, fundador da Conta Black e notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Ele destacou que o novo modelo reduz drasticamente o tempo de preparação para a listagem, tornando o sonho do IPO (abertura de capital) mais próximo para o médio empreendedor. “Imagina uma empresa que fatura R$ 500 milhões e sempre sonhou em lançar suas ações. Agora isso é possível com um regime muito mais desburocratizado; um processo que demoraria anos, hoje você consegue fazer em aproximadamente seis meses”, afirmou.

Para aderir ao programa, as empresas precisam cumprir requisitos de governança básica e contar com suporte especializado. “É necessário ter pelo menos três conselheiros e um contador especializado em CVM (Comissão de Valores Mobiliários). A assessoria para estruturar o processo custa entre US$ 9,4 mil a US$ 18,8 mil, permitindo captar recursos com investidores qualificados e family offices de forma legal”, explicou.

O consultor ressaltou que a listagem em bolsa pode ser uma alternativa estratégica ao endividamento bancário tradicional. “Estamos falando atualmente de juros de 14,75% ao ano e com a abertura de capital esse custo pode cair drasticamente para algo entre 8% e 12%. Isso facilita a captação de recursos, substitui dívidas caras e gera uma visibilidade mercadológica e uma confiança enormes para o negócio”, detalhou.

Apesar da facilidade, o notável alertou que os empresários devem analisar criteriosamente o setor antes de dar o passo definitivo. “Nem todo mundo conseguiria realizar esse sonho de imediato; vale a pena fazer uma pesquisa para entender quais segmentos estão mais aquecidos. Um exemplo é a empresa de alimentos e suplementos Mais Mu, que em um processo curto levantou R$ 20 milhões por atuar em um nicho de alimentos saudáveis que desperta interesse”.

Por fim, Sergio demonstrou otimismo com o fim da “seca” de IPOs no Brasil graças ao novo fôlego trazido pelas médias empresas. “Antes se esperava IPO apenas dos gigantes, agora podemos focar nos médios que possuem um bom histórico de faturamento. Acredito que isso abrirá um precedente positivo, aquecendo o mercado e atraindo investidores tanto no presente quanto no futuro próximo”, pontua o notável.

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Shopee lança programa para apoiar mulheres no e-commerce com prêmios de até R$ 7 mil; veja como participar

20 de Março de 2026, 19:30

As mulheres já representam 51% dos vendedores ativos na Shopee, plataforma de e-commerce presente no Brasil desde 2020. Para impulsionar esse número, a empresa lança, em parceria com a Rede Mulher Empreendedora (RME), a segunda edição do programa Mulher do Ano Shopee, iniciativa para reconhecer e apoiar empreendedoras brasileiras que utilizam a plataforma para desenvolver negócios com impacto econômico e social. As inscrições estão abertas até 10 de abril no site oficial do projeto.

“Queremos construir um ecossistema de apoio que ofereça recursos e visibilidade para que mais empreendedoras prosperem no ambiente digital”, afirma Leila Carcagnoli, Líder de Categoria da Shopee.

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Serão selecionadas dez finalistas, que receberão consultoria para o desenvolvimento de seus negócios e créditos de impulsionamento na plataforma. As três primeiras colocadas em cada categoria também receberão prêmios em dinheiro, com valores que vão de R$ 3 mil a R$ 7 mil, além de créditos adicionais em Shopee Ads.

  • 1º Lugar: R$7 mil e mais R$10 mil em créditos Shopee Ads
  • 2º Lugar: R$4 mil e mais R$8 mil em créditos Shopee Ads
  • 3º Lugar: R$3 mil e mais R$6 mil em créditos Shopee Ads
  • 4º Lugar: R$4 mil em créditos Shopee Ads
  • 5º Lugar: R$2 mil em créditos Shopee Ads

O programa avalia candidatas em duas categorias: “Servimos”, para empreendedoras que geram impacto social na comunidade; e “Vamos mais rápido”, voltada para crescimento e desempenho das lojas no último semestre.

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As avaliações vão acontecer em três fases, envolvendo especialistas da Shopee, da RME e uma banca de jurados do mercado. As vencedoras serão anunciadas em agosto em evento em São Paulo.

Para Ana Fontes, fundadora da RME, o objetivo é transformar visibilidade em faturamento e escalabilidade, “Mais do que ocupar o espaço digital, queremos que as mulheres desenvolvam negócios sólidos e rentáveis. Nosso papel é potencializar esse movimento com ferramentas, mentoria e investimento”, disse.

Investimento em capacitação de vendedores

Shopee pretende capacitar mais de 100 mil vendedores no Brasil ao longo de 2026 e vai quadruplicar os recursos destinados a programas de treinamento e incentivos comerciais no período. Segundo a empresa, a iniciativa tem foco em micro, pequenas e médias empresas que atuam na plataforma.

A estratégia faz parte da aposta de longo prazo da empresa no ecossistema local. Hoje, mais de 90% das vendas realizadas na Shopee no país vêm de empreendedores brasileiros.

“Ao investir em tecnologia, capacitação e benefícios, geramos mais oportunidades e fomentamos o ecossistema de e-commerce como um todo”, afirmou Felipe Lima, head de Desenvolvimento de Negócios da Shopee no Brasil, durante o anúncio. “Nosso foco é ajudar o lojista em todos os estágios de sua jornada, do início ao crescimento sustentável do negócio.”

Além disso, a empresa vai expandir programas presenciais e online, além de parcerias institucionais. Um dos principais programas é o “Shopee na Estrada”, iniciativa que leva treinamentos e mentorias a polos econômicos regionais. Para 2026, estão previstas mais de 50 edições do programa.

A Shopee também mantém acordos com instituições públicas e entidades de apoio ao empreendedorismo. Parcerias com o Ministério do Empreendedorismo e a ApexBrasil seguem em andamento, enquanto a colaboração com o Sebrae resultou em uma plataforma de ensino à distância que terá novas trilhas de conteúdo ainda este ano.

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Kalshi levanta US$ 1 bilhão, dobra valuation e avança apesar de pressões regulatórias

20 de Março de 2026, 08:37

A Kalshi captou mais de US$ 1 bilhão em uma nova rodada de financiamento que avaliou a empresa em US$ 22 bilhões, praticamente o dobro do valor registrado em dezembro, quando a companhia era avaliada em cerca de US$ 11 bilhões.

O aporte, liderado pela Coatue Management, segundo informações da Bloomberg, reforça o apetite de investidores por plataformas de prediction markets, que permitem negociar contratos atrelados a eventos do mundo real, mesmo diante de críticas crescentes de reguladores e políticos.

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Na rodada anterior, a empresa já havia atraído nomes como Sequoia Capital, Andreessen Horowitz, ARK Invest e Paradigm.

O que é a Kalshi

Criada para explorar um espaço ainda pouco desenvolvido no sistema financeiro global, a Kalshi opera no mercado de previsões reguladas, permitindo a negociação de contratos atrelados à probabilidade de eventos futuros, que vão desde de eleições a resultados esportivos e acontecimentos culturais.

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Fundada em 2018, a empresa estruturou sua proposta em torno de um ambiente legal e organizado para esse tipo de operação, historicamente restrita a análises internas de risco ou a plataformas sem supervisão.

Segundo a própria empresa, o período de testes foi decisivo para ajustar funcionamento, interface e regras internas, com foco no cumprimento das exigências necessárias para aprovação regulatória.

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Diferentemente de casas de apostas tradicionais, a Kalshi opera como uma bolsa financeira, sob supervisão da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), o que permite atuação em todo o território dos Estados Unidos sob regras federais.

Nos últimos meses, no entanto, a empresa passou a enfrentar questionamentos. Autoridades e legisladores apontam riscos de uso de informação privilegiada e manipulação nesses mercados. Nesta semana, o procurador-geral do Arizona apresentou acusações criminais contra a companhia, classificando a operação como “jogo ilegal”.

A Kalshi contesta as acusações e tem recebido respaldo do novo comando da CFTC, que sinaliza apoio ao modelo de negócios.

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Riachuelo suspende estudos sobre fazer nova oferta pública de ações

20 de Março de 2026, 08:35

A Riachuelo decidiu suspender os estudos a respeito da realização de oferta pública subsequente de distribuição primária de ações ordinárias (follow-on) diante da recente instabilidade do cenário geopolítico e consequente volatilidade do mercado de capitais.

Segundo a companhia, em fato relevante, a suspensão da potencial oferta não traz qualquer modificação no direcionamento de longo prazo da Riachuelo, que afirma permanecer focada na execução de suas prioridades estratégicas, considerando a sua sólida estrutura financeira atual.

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Coaf firma parceria com bancos para modernizar combate à lavagem de dinheiro

20 de Março de 2026, 08:15

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) assinou na quinta-feira (20) um acordo de cooperação com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Associação Brasileira de Bancos (ABBC) para modernizar os mecanismos de prevenção e combate à lavagem de dinheiro no país.

A parceria prevê o desenvolvimento de um novo sistema tecnológico para o órgão, com os bancos dispostos a colaborar financeiramente com o projeto.

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Sistemas obsoletos e volume crescente de notificações

O acordo parte de um diagnóstico compartilhado, as ferramentas que o Coaf utiliza hoje são ultrapassadas para processar o grande volume de notificações sobre movimentações atípicas de recursos e realizar os cruzamentos necessários para identificar suspeitas de ilícitos financeiros.

Desde que assumiu o comando do órgão, em julho do ano passado, Ricardo Saadi defende a atualização dos programas, inclusive com o uso de inteligência artificial. O avanço, no entanto, esbarrava em limitações orçamentárias – obstáculo que a parceria com o setor privado pretende contornar.

Bancos com papel consultivo e financeiro

Os bancos devem participar tanto do financiamento quanto da concepção do novo sistema. O programa será desenvolvido por uma consultoria contratada pelo Coaf, que vai comandar o processo, mas as instituições financeiras terão papel consultivo ao longo do trabalho.

O acordo também prevê o intercâmbio de profissionais do setor bancário para reforçar o efetivo do Coaf em atividades sem relação direta com dados sigilosos.

Excesso de notificações prejudica o próprio sistema

Para os bancos, a modernização traz ganhos operacionais diretos. Instituições financeiras e demais entidades reguladas pelo Banco Central são obrigadas a notificar o Coaf ao identificar movimentações suspeitas. Na prática, segundo executivos do setor, muitas instituições acabam “pecando pelo excesso” para evitar sanções, porque recebem pouco retorno sobre a qualidade ou utilidade das informações enviadas.

O volume excessivo de notificações, por sua vez, sobrecarrega o próprio Coaf. Uma troca de informações mais qualificada, respeitado o sigilo bancário, ajudaria as instituições a aperfeiçoarem seus mecanismos internos de prevenção.

Coaf amplia parceria para fintechs e criptoativos

O presidente da ABBC, Leandro Vilain, classificou o acordo como um exemplo de parceria público-privada. “Trata-se de uma iniciativa importante para reforçar a cooperação entre o setor público e o setor financeiro, contribuindo para o aprimoramento contínuo dos instrumentos de prevenção e combate a crimes financeiros no país”, acrescentou o diretor Jurídico e Legislativo da ABBC, Felipe Natale.

A nova gestão do Coaf vinha buscando uma aproximação com os bancos e estruturando um trabalho preventivo para aprimorar a identificação de contas vinculadas a ilícitos financeiros. Com o acordo, essa articulação passa a ter encontros regulares e um plano de trabalho formalizado. A iniciativa se estende também a bets, fintechs e empresas do mercado de criptoativos.

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Indústria reduz intenção de investir em 2026, aponta CNI; 23% não preveem aportes

17 de Março de 2026, 07:56

A intenção de investimento da indústria brasileira perdeu força para 2026. Levantamento “Investimentos na Indústria 2025-2026”, divulgado nesta terça-feira (17) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra que 56% das empresas pretendem investir no próximo ano, abaixo dos 72% que efetivamente realizaram aportes em 2025.

O recuo acontece em meio a um ambiente ainda considerado adverso. Segundo a pesquisa, 23% das empresas afirmam que não devem investir. Dentro desse grupo, 38% já adiaram ou cancelaram projetos que estavam em andamento.

Para Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, o dado é motivo de preocupação. “O percentual de empresas que não pretende investir é elevado e reflete o cenário adverso que a indústria herdou do ano passado, principalmente por conta dos juros altos. É um resultado que preocupa, uma vez que os investimentos são a base de um crescimento sustentável e a fonte do tão necessário aumento da produtividade da economia brasileira”, afirma.

Entre as empresas que ainda planejam investir, o foco está concentrado em ganhos de eficiência. A melhoria do processo produtivo é o principal objetivo, citado por 48% dos entrevistados.

Recursos próprios dominam financiamento

O padrão de financiamento segue concentrado no caixa das empresas. De acordo com o levantamento, 62% pretendem bancar os investimentos com recursos próprios, enquanto 28% devem recorrer a crédito de bancos ou outras instituições financeiras. Outros 11% não souberam informar.

Segundo Azevedo, a preferência pelo capital próprio reflete as dificuldades de acesso ao crédito. “O capital próprio é a principal fonte de financiamento dos investimentos da indústria há alguns anos e ganhou importância em meio às dificuldades das empresas para obterem crédito junto ao sistema financeiro, seja pelo alto custo desses recursos, seja por outros entraves, como a exigência de garantias”, diz.

Foco permanece no mercado interno

A maior parte dos investimentos segue direcionada ao mercado doméstico. Cerca de 67% das empresas afirmam que os aportes terão como principal destino a demanda interna. Outras 24% pretendem atender simultaneamente os mercados interno e externo, enquanto apenas 4% têm o exterior como foco principal.

Execução em 2025 ficou aquém do planejado

Apesar do percentual elevado de empresas que investiram em 2025, nem todos os planos saíram como previsto. Apenas 36% conseguiram executar os aportes conforme o planejamento inicial, enquanto 29% investiram parcialmente.

O levantamento também mostra que uma parcela das empresas precisou rever decisões: 4% adiaram investimentos para o ano seguinte, 3% postergaram sem previsão de retomada, 2% transferiram os aportes para o ano subsequente e outros 2% cancelaram projetos.

O quadro reforça a leitura de que, mesmo com alguma disposição para investir, a indústria ainda opera sob incerteza, com impacto direto sobre o ritmo e a execução dos projetos.

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Greve em frigorífico da JBS no Colorado é a maior dos EUA em décadas

16 de Março de 2026, 13:22

Trabalhadores da planta de processamento de carne bovina da JBS em Greeley, no Colorado, iniciaram uma greve nesta segunda-feira (16), interrompendo a produção em uma das maiores unidades do setor nos Estados Unidos. A paralisação envolve cerca de 3.800 funcionários sindicalizados e é considerada a maior em um frigorífico americano em décadas, segundo reportagem do “The Wall Street Journal”.

A unidade tem capacidade para abater aproximadamente 6 mil cabeças de gado por dia e responde por cerca de 5% de toda a capacidade de processamento de carne bovina do país. O movimento ocorre em um momento em que os preços da proteína atingem níveis recordes e empresas do setor acumulam perdas bilionárias.

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Racha no sindicato

O United Food and Commercial Workers International Union (UFCW) fechou, no ano passado, um acordo trabalhista de longo prazo cobrindo cerca de 26 mil trabalhadores em mais de uma dúzia de unidades da JBS nos EUA.

A seção sindical de Greeley, porém, optou por não aderir ao acordo nacional.

O argumento dos trabalhadores é que o contrato não considera o custo de vida mais elevado no Colorado. Após meses de negociação sem avanço, o impasse resultou na paralisação.

Segundo o sindicato, a JBS se recusou a oferecer reajustes compatíveis com a inflação e manteve a cobrança de determinados equipamentos de proteção individual, como luvas usadas durante o trabalho.

“A JBS parece mais interessada em um conflito trabalhista na planta de Greeley do que em resolver essas questões”, afirmou Kim Cordova, presidente da seção sindical que representa os trabalhadores da unidade.

JBS transferiu produção antes da paralisação

Na semana anterior à greve, a empresa já havia começado a cancelar embarques de gado e interromper o abate em Greeley. A produção foi redirecionada para outras grandes unidades nos EUA, entre elas as plantas de Grand Island, no Nebraska, e de Cactus, no Texas.

A companhia afirmou que o objetivo é minimizar o impacto para clientes e para o mercado. Também comunicou que funcionários que não queiram aderir à greve podem continuar trabalhando normalmente.

“Não acreditamos que uma greve seja do melhor interesse de nossos funcionários ou de suas famílias”, disse uma porta-voz da empresa. “Mantemos a proposta apresentada, que é forte, justa e consistente com o histórico acordo nacional firmado em 2025.”

Prejuízos bilionários no setor

A greve acontece em um dos momentos mais difíceis para o setor de proteína animal nos EUA. O rebanho bovino americano está no menor nível em 75 anos, o que elevou o custo de compra do gado junto aos pecuaristas e pressionou as margens das processadoras.

A JBS, maior processadora de carne do mundo e principal produtora de carne bovina dos EUA em volume, registrou prejuízo operacional de US$ 566 milhões em seu negócio de carne bovina na América do Norte nos primeiros nove meses de 2025. No mesmo período de 2024, a perda havia sido de US$ 64 milhões. As ações da empresa negociadas nos EUA acumulam queda de cerca de 6% no último mês.

Concorrentes da JBS também sofrem

A rival Tyson Foods fechou uma de suas maiores plantas em Nebraska em janeiro e demitiu 3.200 trabalhadores em razão do aumento do custo do gado. No início de 2026, a companhia também reduziu pela metade a produção em uma grande unidade no Texas.

Para os consumidores, o cenário se traduz em preços recordes. O valor da carne moída subiu 15% em fevereiro ante o mesmo mês do ano anterior, segundo dados do Departamento do Trabalho dos EUA. Os contratos futuros de gado vivo caíram cerca de 4% no último mês diante da expectativa de greve, mas ainda acumulam alta superior a 13% nos últimos 12 meses.

O fechamento temporário da planta de Greeley retira um comprador relevante do mercado, o que deve pressionar os preços do gado vivo e tornar mais atrativo para os demais frigoríficos manter suas operações em plena capacidade para atender à demanda por proteína no país.

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CPI do INSS: André Mendonça libera ex-presidente da Contag para não ir ou ficar em silêncio

15 de Março de 2026, 17:39

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou Aristides Veras dos Santos, ex-presidente da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares), para não ir à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS no Congresso Nacional.

O magistrado também deu a ele a opção de comparecer à CPI, mas ficar em silêncio.

O depoimento de Santos estava marcado para esta segunda-feira (16). Ele foi convocado na condução de investigado pela comissão. A Contag é uma das entidades investigadas por descontos ilegais em aposentadorias e pensões de beneficiários do INSS.

A confederação arrecadou aproximadamente R$ 2 bilhões em descontos associativos aplicados sobre benefícios do INSS. A Polícia Federal e o Ministério Público apontaram fraudes nas operações, e a CPI aprovou a convocação do ex-dirigente da entidade.

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Santos é acusado de ter solicitado o desbloqueio em massa de 34.487 descontos associativos para a Previdência Social. O INSS liberou os descontos em um único lote em novembro de 2023, contrariando parecer da Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS, órgão de assessoria jurídica do órgão.

Neste domingo (15), Mendonça afastou a obrigatoriedade de comparecimento do sindicalista na CPI, deixando a cargo dele a decisão de ir ou não ao colegiado para prestar depoimento. Se comparecer, ele poderá ficar em silêncio.

Segundo a decisão “há jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no sentido de que o direito de um investigado à não autoincriminação abrange a faculdade de comparecer ou não ao ato.”

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Presidente da Petrobras defende estratégia de preços após reajuste do diesel: ‘acionistas estão contentes’

13 de Março de 2026, 16:57

Em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (13), a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, detalhou o aumento de R$ 0,38 por litro do diesel vendido às distribuidoras. O movimento ocorre em um cenário de forte escalada do petróleo Brent, que saltou de US$ 60 (cerca de R$ 312, na cotação atual) para US$ 100 (R$ 520) devido a conflitos geopolíticos.

Chambriard enfatizou que, apesar do reajuste, a estatal mantém sua política de preços, que completa quase um ano sem alterações no diesel. “Nossa estratégia de formação de preços está funcionando. O pilar fundamental é não repassar a volatilidade internacional ao mercado doméstico”, afirmou a executiva.

A presidente da estatal destacou a “conjugação de esforços” com o governo federal para proteger o consumidor. Enquanto a Petrobras onera o produto em 38 centavos, a medida provisória do governo desonera 32 centavos via PIS/Cofins.

O resultado prático é que, na bomba, o impacto será mínimo. Chambriard foi enfática ao cobrar uma contrapartida das unidades federativas: “O governo federal fez sua parte. Zerou o PIS/Cofins do diesel e mitigou o aumento. Temos que aplaudir. Mas o grande tributo sobre o combustível é o ICMS”.

Atualmente, o tributo estadual representa cerca de 19% do valor final do diesel.

Investimentos e dividendos em alta

Sobre a nova taxação de 12% sobre a exportação de petróleo, a presidente tranquilizou os acionistas. Ela explicou que a valorização do barril no mercado global compensa amplamente o novo imposto temporário.

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“A cotação compensa o imposto em muito. O aumento do preço do petróleo é bom para os dividendos”, explicou. Segundo ela, mesmo com a alíquota, a receita por barril exportado (cerca de US$ 88R$ 457,60) é significativamente superior aos US$ 60 registrados anteriormente.

“Nossos acionistas estão contentes, sejam governamentais ou privados”, reiterou.

Relação com o mercado e abastecimento

A Petrobras também rebateu as queixas de importadores sobre uma suposta defasagem que impediria a entrada de produto no país. Para a companhia, não há motivos técnicos para falta de combustível, uma vez que a estatal adiou manutenções nas refinarias de Replan e Repar para garantir a oferta.

Chambriard levantou a suspeita de retenção especulativa por parte de terceiros: “Há reclamações de falta de diesel e supomos que existam agentes retendo estoques para ampliar margem. A Petrobras não está falhando em nada e não está retendo nada.”

O diretor de Logística, Cláudio Schlosser, complementou explicando que a empresa está operando em capacidade máxima (97%) e que qualquer déficit pontual deveria ter sido planejado pelos distribuidores ainda em janeiro.

Ele revelou que cargas de importação foram desviadas de maneira oportuna para outros países por agentes privados em busca de margens maiores, e reforçou que a obrigação de fiscalizar o abastecimento e coibir práticas abusivas cabe à ANP (Agência Nacional do Petróleo).

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Safras de soja e café terão volume recorde em 2026, estima IBGE

13 de Março de 2026, 09:44

A safra brasileira de soja deve atingir novo patamar recorde em 2026. O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado nesta sexta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), projeta uma colheita de 173,3 milhões de toneladas, volume 4,3% superior ao registrado em 2025 e o maior da série histórica da pesquisa.

O café também deve encerrar o ano com produção inédita. A estimativa aponta para 64,1 milhões de sacas de 60 kg, alta de 11,5% sobre 2025, igualmente um recorde desde o início da série, em 2002.

Soja impulsionada pelo clima e pelo Sul

A expansão da soja tem base em condições climáticas favoráveis na maior parte das regiões produtoras e na recuperação da safra gaúcha, prejudicada em 2025 pela falta de chuvas durante o ciclo da cultura.

A área cultivada deve crescer 0,8% e alcançar 48,2 milhões de hectares, com rendimento médio de 3.600 kg/ha, avanço de 3,5% sobre o ano anterior. O Mato Grosso segue como maior produtor nacional, com estimativa de 48,5 milhões de toneladas, apesar da queda de 3,3% em relação a 2025. O Paraná deve colher 22,3 milhões de toneladas, alta de 4,3%, enquanto o Rio Grande do Sul projeta 20,8 milhões de toneladas.

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Café arábica puxa produção a recorde

A produção de café arábica foi estimada em 43,9 milhões de sacas, alta de 5,6% em relação a janeiro. O avanço é explicado pelo comportamento natural da espécie, que tende a produzir mais nos anos pares, somado a preços compensadores nos últimos anos, que estimularam produtores a ampliar áreas de plantio e investimentos nas lavouras.

Minas Gerais, maior produtor nacional da espécie, revisou suas estimativas em fevereiro e projeta 31,9 milhões de sacas, crescimento de 24,7% sobre 2025, respondendo por 72,6% da produção nacional do arábica.

O café canephora foi estimado em 20,2 milhões de sacas, queda de 3,7% sobre 2025. O Espírito Santo lidera com 14,0 milhões de sacas projetadas, representando 69,4% da produção nacional da espécie.

Safra total recua puxada por milho e algodão

Apesar dos recordes de soja e café, a safra total de cereais, leguminosas e oleaginosas deve recuar 0,6% em relação a 2025, chegando a 344,1 milhões de toneladas. A estimativa de fevereiro ficou 0,4% acima da de janeiro, quando o IBGE projetava 342,7 milhões de toneladas.

O milho responde pela maior parte da queda. A produção foi estimada em 134,3 milhões de toneladas, redução de 5,3% sobre 2025. A segunda safra, que concentra o maior volume, deve recuar 9,1%, para 105,4 milhões de toneladas, com perdas de produtividade em todas as regiões.

O algodão herbáceo teve estimativa de 8,8 milhões de toneladas, queda de 10,5% sobre o ano anterior. A área a ser colhida da cultura recuou 5,8%.

Centro-Oeste lidera produção nacional

Entre as regiões, o Centro-Oeste mantém a liderança com 167,9 milhões de toneladas, o equivalente a 48,8% da produção nacional. O Sul aparece em segundo lugar com 95,2 milhões de toneladas (27,7%), seguido pelo Sudeste com 30,5 milhões (8,9%), Nordeste com 28,9 milhões (8,4%) e Norte com 21,5 milhões (6,2%).

O Mato Grosso segue como maior produtor entre os estados, com 30,2% de participação na safra nacional, seguido por Paraná (13,9%), Rio Grande do Sul (11,7%), Goiás (10,7%), Mato Grosso do Sul (7,6%) e Minas Gerais (5,5%).

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Brasil entra em lista dos EUA em investigação sobre trabalho forçado com risco de novas tarifas

13 de Março de 2026, 08:42

O Brasil foi incluído em uma investigação aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas comerciais ligadas ao trabalho forçado. O anúncio foi feito na quinta-feira (12) e coloca o país ao lado de outras 59 economias sob escrutínio do governo americano, com risco de novas tarifas.

A investigação tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento que permite aos EUA adotar medidas unilaterais contra países cujas práticas comerciais sejam consideradas desleais ou prejudiciais ao comércio americano.

Na prática, Donald Trump busca meios de poder impor unilateralmente novas tarifas de importação após ser derrotado pela Suprema Corte no mês passado.

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Agronegócio sob acusações de trabalho forçado

O setor que concentra o maior risco para o Brasil é o agronegócio. Setores agrícolas americanos já haviam acusado produtores brasileiros de utilizarem mão de obra em condições análogas à escravidão, o que representaria uma vantagem de custo artificial frente aos concorrentes dos EUA.

“Por muito tempo, trabalhadores e empresas americanas foram forçados a competir com produtores estrangeiros que podem ter uma vantagem de custo artificial obtida com o flagelo do trabalho forçado”, afirmou o representante comercial americano, Jamieson Greer.

Seção 301 usada como instrumento de pressão

A abertura das investigações se encaixa em uma sequência de movimentos da administração Trump para ampliar o alcance das medidas comerciais após uma derrota na Suprema Corte. Após a decisão, o governo impôs uma tarifa de 10% por 150 dias com base na Seção 122 da mesma lei.

Greer sinalizou que espera concluir as investigações, incluindo possíveis medidas de resposta, antes que as tarifas temporárias expirem em julho.

Ambassador Greer launched Section 301 investigations into acts, policies, and practices of 60 economies to determine whether foreign governments have taken sufficient steps to prohibit the importation of goods produced with forced labor.

Learn more: https://t.co/E8HBZYZcyV pic.twitter.com/Zzf8uQ2QBy

— United States Trade Representative (@USTradeRep) March 13, 2026

Brasil já havia sido alvo anterior

O Brasil não é novidade na lista de alvos comerciais de Washington. Após o anúncio de tarifas de 50% em julho do ano passado, temas como desmatamento, violação de direitos autorais e até o sistema de pagamentos Pix foram citados como pontos de atrito pela gestão Trump.

A nova investigação amplia o escopo das pressões sobre Brasília, desta vez com foco direto nas condições de trabalho na cadeia produtiva do agronegócio.

Lista inclui aliados dos EUA

A amplitude da medida chama atenção. Entre os 60 países investigados estão aliados históricos de Washington, como Canadá, Austrália, União Europeia, Reino Unido e Israel, além de China e Rússia.

Pequim reagiu nesta sexta-feira (13) e afirmou que se reserva o direito de tomar todas as medidas necessárias para defender seus interesses. O Ministério do Comércio da China contestou a legitimidade dos EUA de determinar unilateralmente se um parceiro comercial pratica excesso de capacidade produtiva e adotar restrições com base nessa avaliação.

As audiências públicas relacionadas às investigações estão previstas para 28 de abril. Comentários escritos e pedidos de participação devem ser submetidos até 15 de abril.

Confira a lista completa

1. Argélia
2. Angola
3. Argentina
4. Austrália
5. Bahamas
6. Bahrein
7. Bangladesh
8. Brasil
9. Camboja
10. Canadá
11. Chile
12. China, República Popular da China
13. Colômbia
14. Costa Rica
15. República Dominicana
16. Equador
17. Egito
18. El Salvador
19. União Europeia
20. Guatemala
21. Guiana
22. Honduras
23. Hong Kong, China
24. Índia
25. Indonésia
26. Iraque
27. Israel
28. Japão
29. Jordânia
30. Cazaquistão
31. Kuwait
32. Líbia
33. Malásia
34. México
35. Marrocos
36. Nova Zelândia
37. Nicarágua
38. Nigéria
39. Noruega
40. Omã
41. Paquistão
42. Peru
43. Filipinas
44. Catar
45. Rússia
46. Arábia Saudita
47. Singapura
48. África do Sul
49. Coreia do Sul
50. Sri Lanka
51. Suíça
52. Taiwan
53. Tailândia
54. Trinidad e Tobago
55. Turquia
56. Emirados Árabes Unidos
57. Reino Unido
58. Uruguai
59. Venezuela
60. Vietnã

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Cofundadora do Nubank, Cristina Junqueira está na lista CNBC Changemakers das mulheres que mais impactaram o universo dos negócios

13 de Março de 2026, 08:29

Duas brasileiras estão entre as executivas selecionadas para a lista CNBC Changemakers 2026: Women Transforming Business, ranking que reúne mulheres responsáveis por mudanças relevantes em diferentes setores da economia. As escolhidas são Luana Lopes Lara, cofundadora da plataforma de previsões Kalshi, e Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank e CEO da futura operação da empresa nos Estados Unidos.

O Nubank mantém atualmente operações no Brasil, México e Colômbia. Em janeiro, a empresa recebeu aprovação condicional do Office of the Comptroller of the Currency (OCC), regulador do sistema bancário americano, etapa do processo de ampliação da presença da companhia no país.

Ao justificar a presença de Cristina na lista, a CNBC publicou um texto que ressalta a visão da executiva brasileira.

“Após observar a complexa burocracia e o mau atendimento que os clientes bancários enfrentavam diariamente, Junqueira cofundou o Nubank, que se tornou uma das maiores plataformas de serviços financeiros digitais do mundo, com mais de 127 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia”, cita a reportagem.

As homenageadas serão reconhecidas durante o CNBC Changemakers Summit, evento marcado para o dia 16 de abril de 2026, em Nova York (EUA).

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Trajetória de Cristina Junqueira

Cofundadora do Nubank, Cristina Junqueira construiu carreira no setor financeiro antes de participar da criação de uma das maiores fintechs da América Latina. Aos 43 anos, ela ocupa atualmente o cargo de CEO da nova operação da empresa nos Estados Unidos.

Junqueira fundou o Nubank em 2013 ao lado de David Vélez e Edward Wible, com a proposta de desafiar o modelo bancário tradicional. O primeiro produto da empresa foi um cartão de crédito internacional sem tarifas, totalmente gerenciado por aplicativo, uma proposta considerada inovadora no mercado financeiro naquele momento.

Antes de empreender, Junqueira iniciou a carreira no Unibanco, atuando na área de cartões e crédito ao consumidor. Depois, trabalhou como consultora na Boston Consulting Group, participando de projetos de reestruturação de operações bancárias.

Formada em Engenharia pela Universidade de São Paulo, ela também possui mestrado pela mesma instituição e MBA pela Kellogg School of Management, nos Estados Unidos.

Segundo estimativas da Forbes Brasil de 2026, o patrimônio de Junqueira é estimado em cerca de US$ 1,9 bilhão (aproximadamente R$ 9,9 bilhões).

CNBC Changemakers

Divulgada anualmente, a seleção da CNBC destaca 50 executivas cujas iniciativas tiveram impacto no setor público e privado e contribuíram para abrir espaço a novas lideranças femininas.

Para definir os nomes, a emissora analisa dados e avalia critérios como resultados financeiros, avanços nos negócios, novas soluções para problemas antigos e a capacidade de identificar oportunidades ainda pouco exploradas.

Apesar de avanços recentes, a presença feminina no topo das grandes empresas ainda é limitada. Hoje, mulheres comandam cerca de 11% das companhias da lista Fortune 500, o maior percentual já registrado, mas ainda distante de uma participação mais equilibrada nos cargos de liderança.

A lista chega à sua terceira edição reunindo mulheres que atuam em áreas como energia, serviços financeiros, saúde, tecnologia, mídia, varejo e esportes. As escolhidas lideram empresas de grande porte, avançam em setores historicamente dominados por homens e, em muitos casos, também se envolvem em iniciativas voltadas a questões sociais.

A edição deste ano inclui nomes ligados a companhias globais de diferentes setores, como Warner Bros. Motion Picture Group, Chevron e J.P. Morgan, e também ícones do universo do entretenimento que são empresárias de sucesso, como Selena Gomes e Kim Kardashian.

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Luana Lopes Lara

Outra brasileira presente na lista é Luana Lopes Lara, cofundadora da plataforma Kalshi. A executiva lidera as operações internas da empresa, supervisionando áreas como produto, operações, engenharia e design. A Kalshi é considerada uma das principais plataformas globais de mercado de previsões, modelo que permite negociar contratos baseados na probabilidade de eventos futuros.

Nos últimos anos, a empresa ganhou destaque com a expansão da plataforma e também com disputas regulatórias nos Estados Unidos relacionadas à negociação de contratos ligados a eventos eleitorais. E Luana entrou na lista mundial de jovens bilionários.

Lista completa 2026 CNBC Changemakers

  1. Pamela Abdy — Warner Bros. Motion Picture Group
  2. Val Ackerman — The Big East Conference
  3. Lisa Anderson — Paragonix Technologies
  4. Rachel Blank — Allara Health
  5. Eimear Bonner — Chevron
  6. Gail Boudreaux — Elevance Health
  7. Sarah Buchner — Trunk Tools
  8. Amy Butte — Navan
  9. Elyse Cohen — Rare Beauty / Rare Impact Fund
  10. Felicia Curcuru — Binti
  11. Allison Ellsworth — Poppi
  12. Hanneke Faber — Logitech
  13. Sophie Goldschmidt — U.S. Ski & Snowboard
  14. Elena Gomez — Toast
  15. Selena Gomez — Rare Beauty
  16. Natalie Gordon — Babylist
  17. Vinita Gupta — Lupin
  18. Mary Claire Haver — The ’Pause Life
  19. Jayna Hefford — Professional Women’s Hockey League
  20. Nicole Hockley — Sandy Hook Promise
  21. Amy Howe — FanDuel
  22. Pearlena Igbokwe — NBCUniversal
  23. Laura Ipsen — Ellucian
  24. Jenny Johnson — Franklin Templeton
  25. Cristina Junqueira — Nubank
  26. Lindsay Jurist-Rosner — Wellthy
  27. Kim Kardashian — Skims
  28. Francine Katsoudas — Cisco
  29. Reshema Kemps-Polanco — Novartis
  30. Kristin Lemkau — J.P. Morgan Wealth Management
  31. Luana Lopes Lara — Kalshi
  32. Gina Mastantuono — ServiceNow
  33. Tekedra Mawakana — Waymo
  34. Johanna Mercier — Gilead Sciences
  35. Mira Murati — Thinking Machines Lab
  36. Marie Myers — Hewlett Packard Enterprise (HPE)
  37. Kara Nortman — Monarch Collective
  38. Artemis Patrick — Sephora North America
  39. Asahi Pompey — Goldman Sachs
  40. Mary Powell — Sunrun
  41. Helen Sabzevari — Precigen
  42. Kristina Saffran — Equip
  43. Suchi Saria — Bayesian Health
  44. Amy Scheer — Professional Women’s Hockey League
  45. Kendra Scott — Kendra Scott
  46. Sukhinder Singh Cassidy — Xero Limited
  47. Minna Song — EliseAI
  48. Jane Sun — Trip.com Group
  49. Sherrie Westin — Sesame Workshop
  50. Susie Wolff — F1 Academy

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Petrobras adere a subvenção federal ao diesel e preserva política de preços

13 de Março de 2026, 07:34

O Conselho de Administração da Petrobras aprovou, nesta quinta-feira (12), a adesão da companhia à subvenção econômica à comercialização de óleo diesel de uso rodoviário no território nacional. A medida foi instituída pela Medida Provisória nº 1.340, assinada no mesmo dia pelo governo federal.

A decisão foi tomada com base no caráter facultativo do programa e no potencial benefício adicional que a adesão pode representar para a empresa. Segundo a companhia, a participação no mecanismo é compatível com seus interesses.

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Adesão condicionada à ANP

A assinatura efetiva do termo de adesão, no entanto, está condicionada à publicação e análise dos instrumentos regulatórios pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A regulamentação envolve especialmente a definição do preço de referência, item necessário para a operacionalização da subvenção. Enquanto a ANP não concluir esse processo, a adesão permanece pendente de formalização.

Política de preços preservada

A Petrobras reafirmou que mantém sua política comercial independente. A companhia leva em conta a participação no mercado, a otimização dos ativos de refino e a rentabilidade de forma sustentável — sem repassar aos preços internos a volatilidade das cotações internacionais e da taxa de câmbio.

A adesão ao programa de subvenção, segundo a empresa, preserva essa flexibilidade. A Petrobras afirmou seguir comprometida com uma atuação responsável, equilibrada e transparente na condução de sua política de preços.

Petrobras e mercado de diesel

O diesel de uso rodoviário ocupa posição de destaque na matriz de consumo de combustíveis do país, sendo o principal insumo do transporte de cargas. A subvenção econômica prevista na MP 1.340 busca criar um mecanismo de amortecimento entre as oscilações do mercado internacional e os preços praticados internamente.

Para a Petrobras, o programa representa uma janela de benefício adicional sem comprometer a autonomia na gestão de seus ativos de refino e na definição de sua rentabilidade.

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Por que a Raízen ainda enfrenta dificuldade para fechar acordo com credores

11 de Março de 2026, 17:10

A Raízen informou, nesta quarta-feira (11), que entrou com um pedido de recuperação extrajudicial (RE) na Justiça de São Paulo. Se aprovada, o mecanismo permitirá que a empresa renegocie R$ 65 bilhões de dívidas não operacionais diretamente com os credores. 

Até o momento, de acordo com o Fato Relevante, a produtora de etanol já conta com a adesão de 47% dos credores. Contudo, precisa de 50% + 1 para que a RE seja autorizada. Em geral, conforme noticiado anteriormente, alguns dos credores da Raízen são os bancos:

  • Itaú;
  • Santander;
  • Bradesco;
  • Banco do Brasil;
  • JP Morgan;
  • Moelis & Company;
  • Bank of America;
  • BNP Paribas;
  • Sumitomo;
  • e Credit Agricole. 

No entanto, um pedido RE implica em uma disputa mais ampla entre credores, acionistas e potenciais investidores interessados nos ativos da Raízen.

Isso porque o mecanismo de recuperação extrajudicial implica em uma série de medidas que reduziria o valor dos papéis da empresa e permitiria que a própria companhia escolhesse os credores com prioridade de pagamento.

Leia também: O que é recuperação extrajudicial e como funciona o processo usado pela Raízen

Raízen e os desafios com os credores

Além disso, a negociação tende a ser complexa porque a dívida da Raízen está distribuída entre diferentes grupos de credores, como bancos, investidores institucionais e detentores de bonds. Cada um deles pode ter interesses distintos sobre prazos, garantias e prioridade de pagamento.

Como a recuperação extrajudicial exige a adesão de mais de 50% dos credores para ser homologada pela Justiça, convencer esses diferentes grupos a aceitar as mesmas condições pode tornar o processo mais difícil.

Além dos valores em aberto com bancos, a produtora de etanol também deve para bondholders – ou seja, aqueles que detêm “bonds”, títulos de dívida emitidos pela própria Raízen. Nos últimos anos, a companhia esteve entre as grandes emissoras de títulos voltados ao investidor pessoa física no mercado de capitais.

Ademais, assim como noticiado anteriormente, esses detentores enfrentam riscos diante de uma recuperação extrajudicial. Isso porque o plano de RE prevê aumento de capital, venda de ativos e reorganização societária.

Ou seja, comprometem-se estratégias que seriam utilizadas para pagar os bondholders, como:

  • Venda de ativos – pode reduzir o patrimônio e a geração de caixa;
  • Captação de recursos – pode gerar dívidas que demandam uma nova ordem de prioridade de pagamentos;
  • Reorganização societária – pode transferir os ganhos da Raízen para outras empresas, deixando a companhia com menos recursos para pagar os bondholders.

Na prática, essas ações comprometem o valor dos papéis atuais.

Por outro lado, caso os bondholders e bancos sejam priorizados, credores locais podem sentir negativamente o efeito dessa decisão. De acordo com Artur Horta, sócio da The Link Investimentos, “os credores já não vão receber aquilo que era prometido quando compraram a dívida da empresa ou participaram das emissões”, afirma.

Consequentemente, a Raízen pode enfrentar desafios para acessar o mercado se seguir por esse caminho. Enquanto isso, os concorrentes podem se beneficiar de uma brecha no mercado para aumentar seu market share e atrair investimentos.

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Indústria de brinquedos está otimista com 2026 e celebra aprovação do PL do crédito à exportação

8 de Março de 2026, 11:30

O setor brasileiro de brinquedos fechou 2025 com R$ 10,39 bilhões em faturamento, crescimento de 1,86% sobre o ano anterior e 43.946 trabalhadores empregados, o maior número desde 2020. Os dados, do Anuário da Abrinq 2026, revelam crescimento mesmo diante de juros altos, queda na taxa de natalidade e concorrência internacional crescente.

Com a aprovação do PL 6.139/2023 pela Câmara dos Deputados, no último dia 2 de março, os fabricantes enxergam uma janela para avançar num terreno onde o Brasil ainda tem participação modesta: o mercado externo.

“Ao meu ver, o governo brasileiro finalmente compreendeu algo que já é prática consolidada nas principais economias do mundo, inclusive na China: exportação exige apoio estruturado do Estado”, comentou o presidente da Abrinq, Synésio da Costa, ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

“No setor de brinquedos, ainda temos uma participação modesta no comércio exterior, mas essa mudança tende a estimular o interesse das indústrias. Com crédito mais acessível, a tendência é que o segmento ganhe novo fôlego e avance de forma mais estruturada nas exportações”, completou.

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O que muda com o novo sistema de crédito à exportação

O PL 6.139/2023, aprovado pela Câmara e encaminhado à sanção presidencial, cria o Sistema Brasileiro de Apoio Oficial ao Crédito à Exportação. Na prática, define o financiamento e as garantias oficiais como atividades da política industrial e do comércio exterior, abre espaço para que seguradoras e financiadores privados operem em modalidades indiretas e reformula os fundos de garantia FGE e FGCE – com a União podendo honrar garantias caso o patrimônio dos fundos seja insuficiente.

Para o setor de brinquedos, o ponto mais relevante é a disciplina sobre o BNDES no financiamento de exportação de serviços, com exigência de transparência pública e prestação de contas anual ao Senado.

O texto também prioriza projetos de alta intensidade tecnológica ou ligados à descarbonização, e proíbe novas operações para países inadimplentes com o Brasil, exceto em casos de renegociação formal da dívida.

“Produtos destinados ao mercado externo não podem carregar o peso dos tributos internos e precisam de um ambiente financeiro favorável para viabilizar competitividade. No Brasil, isso sempre foi um obstáculo, especialmente em um cenário de juros elevados, que inviabilizava qualquer tomada de crédito. A atuação do BNDES, com a ampliação do apoio oficial à fabricação voltada à exportação, representa um passo importante nessa direção”, diz Synésio.

Brinquedos faturam alto, mas exportam pouco

O contraste entre o desempenho interno e a presença externa do setor é marcante. Enquanto o mercado mundial de brinquedos movimentou US$ 110,6 bilhões em 2025 – crescimento global de 7%, o Brasil exportou apenas US$ 10,3 milhões no mesmo período.

Os destinos seguem concentrados no Mercosul: o Paraguai absorve 44,2% dos embarques e a Argentina representa 17,3%, somando 61% do total exportado. São Paulo lidera as exportações, com 64,36% dos embarques, seguido pelo Amazonas, com 12,72%.

A concentração da produção é igualmente expressiva: 85,58% das unidades industriais do setor estão em São Paulo, que também responde por 34,9% do consumo nacional. Santa Catarina lidera as importações, com 50,12% do total desembarcado no país.

Recorde de lançamentos e segmentos em alta

Dentro do Brasil, o ritmo de inovação não para. Em 2025, o setor lançou 1.689 novos produtos. Para 2026, a projeção sobe para 1.740 lançamentos, sendo 64% de produtos próprios e 36% licenciados — sinal de que a indústria nacional vem ganhando espaço frente às marcas internacionais.

Os segmentos que mais cresceram em 2025 mostram uma mudança no perfil do consumidor: o chamado “mundo técnico” liderou com 19% das vendas, seguido por atividades físicas (16%) e criatividade (15,2%). Os blocos de construção avançaram 17%, impulsionados pela busca por brinquedos que estimulam raciocínio lógico.

Jogos de tabuleiro e cartas cresceram 16%, refletindo a valorização do entretenimento offline e das experiências compartilhadas – tendência que o mercado chama de “kidult”, o público jovem e adulto que consome brinquedos.

“Superar R$ 10 bilhões em faturamento e manter uma trajetória consistente de crescimento é resultado de um longo trabalho de investimento contínuo em inovação, qualidade e desenvolvimento de produtos que acompanham as novas formas de brincar”, afirmou Synésio.

E-commerce avança

O canal digital consolidou sua posição. Em 2017, as vendas online representavam 22% do total. Em 2025, chegaram a 38% – a maior participação da série histórica. A transformação no varejo é um dos fatores que o próprio presidente da Abrinq aponta como desafio estrutural, ao lado das mudanças demográficas provocadas pela queda na taxa de natalidade.

No emprego, o setor saiu de 35.832 trabalhadores em 2020 para 43.946 em 2025 – acréscimo de cerca de 8 mil vagas em cinco anos. O pico foi em 2024, com 44.092 empregos diretos e terceirizados.

“O setor tem mostrado capacidade de adaptação e seguirá trabalhando para ampliar mercados, fortalecer a produção nacional e gerar cada vez mais empregos”, defende Synésio.

Fabricantes de brinquedos otimistas para 2026

A expectativa dos fabricantes para o ano é positiva. Segundo a Abrinq, 46% esperam vendas “boas” em 2026 e 39% apostam em vendas “ótimas”. Na rentabilidade, 50% projetam resultado “bom” e 40% esperam desempenho “regular”.

O sentimento majoritário é de crescimento e estabilidade — e agora, com um novo marco para o crédito à exportação em vias de ser sancionado, parte do setor começa a olhar para além das fronteiras do Mercosul.

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‘Compliance Zero’: relembre as etapas da operação que terminou na prisão de Daniel Vorcaro

7 de Março de 2026, 10:00

O caso Master ganhou novos desdobramentos na última quarta-feira (4), com a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e outros cúmplices. A ação era parte do início da terceira fase da Operação Compliance Zero

A seguir, relembre o que a Polícia Federal (PF) fez em cada fase da Operação Compliance Zero.

Leia também: Por que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, voltou a ser preso?

1ª fase da Compliance Zero

A primeira fase da Operação Compliance Zero começou no dia 18 de novembro de 2025. Na data, a Polícia Federal divulgou que tinha como objetivo “combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional”.

Na prática, investigavam-se crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, entre outros. Sendo assim, os policiais saíram naquele dia para cumprir:

  • 5 mandados de prisão preventiva;
  • 2 mandados de prisão temporária;
  • 25 mandados de busca e apreensão;
  • Diversas medidas cautelares da prisão, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal.

Naquela época, Daniel Vorcaro foi preso durante dez dias. Posteriormente, ele foi solto, mas mediante o uso de uma tornozeleira eletrônica.

Ademais, as investigações começaram em 2024, por solicitação do Ministério Público Federal, que desconfiava de uma possível “fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira”.

Junto a isso, a suspeita era de que esses títulos tivessem sido vendidos a outro banco e, “após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada”, relatou a PF.

2ª fase da Compliance Zero

Já a segunda fase da Operação Compliance Zero começou no dia 14 de janeiro de 2026. Dessa vez, Vorcaro não foi preso, mas teve bens bloqueados. Além disso, as autoridades realizaram buscas em diversos endereços ligados ao banqueiro.

Naquela época, a PF descreveu que os objetivos da operação eram “apurar a prática dos crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais”. 

Por isso, cumpriram 42 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. 

No que se refere às medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores, o montante ultrapassou os R$ 5,7 bilhões. Já os recursos judiciais visavam interromper a prática criminosa, além de garantir a recuperação de ativos e dar continuidade às investigações.

Posteriormente, o relator do caso no Supremo Tribunal Federal também precisou mudar. As investigações detectaram possível proximidade entre o ministro Dias Toffoli e Daniel Vorcaro. Por isso, o ministro André Mendonça assumiu o caso.

Leia também: Caso Master: PF cumpre mandados em 5 estados; entenda por que esses locais foram alvos

3ª fase da Compliance Zero

Por fim, a Operação Compliance Zero começou a sua terceira fase na manhã da última quarta-feira (4). Agora, a prioridade da PF é cumprir 4 mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão.

Como descrito pela Polícia Federal, o objetivo nessa fase é “investigar a possível prática dos crimes de ameaça, de corrupção, de lavagem de dinheiro e de invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”. 

Outros cúmplices do caso Master, participantes do grupo “A Turma”, também foram alvos de mandados de prisão preventiva. Entre eles, estão Fabiano Zettel, Marilson Roseno da Silva e Luiz Phillipi Mourão. 

Atualmente, Daniel Vorcaro voltou à prisão e Luiz Phillipi Mourão atentou contra a própria vida e morreu – enquanto estava sob custódia da instituição na Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais. Enquanto isso, Fabiano Zettel segue não localizado.

Ainda nessa terceira fase da Operação Compliance Zero, o STF afastou Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, dois funcionários do Banco Central. A dupla cumprirá medidas específicas, incluindo uso de tornozeleira eletrônica. Ademais, o sequestro e bloqueio de bens podem chegar a R$ 22 bilhões.

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Caso Banco Master: relembre a crise que levou Daniel Vorcaro e aliados ao centro da investigação

7 de Março de 2026, 07:30

A crise envolvendo o Banco Master se transformou em um dos casos mais complexos já enfrentados pelo sistema financeiro brasileiro nos últimos anos.

A investigação reúne suspeitas de fraudes bilionárias, corrupção, manipulação de ativos, participação de servidores públicos e o colapso de um conglomerado que deixou milhões de clientes e milhares de trabalhadores afetados.

Leia também: Dólar fecha em forte alta com tensão no Estreito de Ormuz e crise no Banco Master

Prisão de Daniel Vorcaro e avanço da Operação Compliance Zero

Na noite de 17 de novembro de 2025, o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

A detenção ocorreu durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga a emissão de certificados de crédito falsificados por instituições do sistema financeiro.

Daniel Vorcaro sombrio

Segundo os investigadores, o esquema envolvia a criação e venda de carteiras de crédito consideradas insubsistentes. A suspeita é que esses ativos eram estruturados sem lastro técnico adequado e posteriormente vendidos a outras instituições financeiras.

Vorcaro chegou a ser solto e colocado em prisão domiciliar, mas voltou a ser preso preventivamente na terceira fase da operação, realizada em março de 2026.

Leia também: Quem é quem no caso Master: conheça os integrantes da ‘Turma’ de Daniel Vorcaro

Nessa etapa, a Polícia Federal cumpriu sete mandados de prisão e 25 mandados de busca e apreensão em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal.

As acusações incluem fraude bilionária, lavagem de dinheiro, corrupção, manipulação de ativos, invasão de dispositivos informáticos e atuação de organização criminosa.

Liquidação do Banco Master pelo BC

Um dia após a primeira prisão de Vorcaro, em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de outras instituições ligadas ao conglomerado.

A decisão ocorreu após o órgão identificar uma grave crise de liquidez e violações às normas que regem o funcionamento das instituições financeiras do Sistema Financeiro Nacional.

Entre as instituições afetadas inicialmente estavam:

  • Banco Master S.A.
  • Banco Master de Investimento S.A.
  • Banco Letsbank S.A.
  • Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários

Posteriormente, outras entidades ligadas ao grupo também tiveram liquidação decretada. Ao todo, oito instituições financeiras acabaram atingidas pelas investigações e pela crise.

Entre elas estão:

  • Will Bank
  • CBSF DTVM
  • Banco Pleno
  • Pleno DTVM

O Banco Central afirmou que as decisões foram motivadas por insolvência, deterioração da liquidez e descumprimento de normas do setor financeiro.

Impacto para clientes e atuação do Fundo Garantidor de Crédito

A quebra do conglomerado afetou aproximadamente 1,6 milhão de clientes que mantinham contas ou investimentos nas instituições ligadas ao Banco Master.

Entre as empresas envolvidas estavam o Banco Master de Investimento, o Banco Letsbank e a Master Corretora de Câmbio.

Com a liquidação, o Fundo Garantidor de Crédito passou a ser responsável pelo ressarcimento dos valores. Pelas regras do fundo, cada cliente pode receber até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. O limite máximo de cobertura pode chegar a R$ 1 milhão a cada quatro anos.

Banco Master

Leia também: “Tem muita coisa a vir à tona”, diz Girão ao pedir CPMI sobre caso Banco Master

A estimativa é que cerca de R$ 41 bilhões sejam necessários para cobrir os valores devidos aos clientes. O FGC informou possuir aproximadamente R$ 120 bilhões em liquidez, o que significa que o pagamento aos clientes do Banco Master deve consumir cerca de um terço dos recursos disponíveis no fundo.

A instituição também alertou que não há intermediários autorizados para o recebimento dos valores e que nenhum tipo de taxa é cobrada para a restituição.

Investigação revela rede extensa de empresas e fundos

À medida que as investigações avançaram, a Polícia Federal descobriu uma estrutura ampla de empresas e fundos ligados ao esquema.

Leia também: Caso Master: Vorcaro e cunhado são transferidos para o interior de SP

Desde novembro de 2025, o sigilo bancário de pelo menos 101 pessoas físicas e jurídicas foi quebrado. Também foram abertas 14 investigações paralelas para identificar todos os envolvidos.

Até o momento, os investigadores apontam a participação de cerca de:

  • 30 fundos de investimento
  • 60 empresas ligadas ao esquema

Entre elas aparecem empresas de fachada, consultorias e prestadores de serviço.

No caso específico de Daniel Vorcaro, as investigações identificaram vínculos com cerca de 2,5 mil CNPJs.

Principais nomes ligados ao caso

Além de Vorcaro, diversos empresários e executivos do mercado financeiro passaram a ser investigados.

Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master, é apontado como responsável pelo braço de investimentos de risco da instituição. Ele controlava a Trustee DTVM e é investigado por suposta manipulação de ativos e operações com precatórios.

Augusto Lima, ex-CEO do banco até 2024, também é investigado. As suspeitas envolvem a criação de carteiras de crédito falsas e a transferência de ativos para o Banco Pleno.

Outros nomes citados nas investigações incluem:

  • João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, apontado como operador de aquisições e estruturação de ativos inflacionados.
  • Nelson Tanure, investidor com participação em empresas relacionadas ao Master e à WNT Capital, investigado por possível atuação como controlador de fato do banco.
  • Rafael Gois, CEO do Grupo Fictor, que havia anunciado um investimento de R$ 3 bilhões para comprar o Banco Master pouco antes da liquidação.

Ex-integrantes do Banco Central também são investigados. As investigações também alcançaram servidores ligados ao Banco Central.

  • Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do BC, é suspeito de ter mantido relações informais com Vorcaro. Segundo a Polícia Federal, ele teria orientado o banqueiro sobre documentos e processos relacionados à fiscalização da instituição.

Leia também: Caso Master: quem é quem na organização criminosa de Daniel Vorcaro

A investigação aponta que ele teria recebido vantagens indevidas por meio de contratos fictícios.

  • Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, também é investigado por manter comunicações diretas com Vorcaro e revisar documentos do banco antes do envio ao órgão regulador.

Os dois foram alvo de medidas cautelares, incluindo afastamento de funções, uso de tornozeleira eletrônica e restrições de contato.

Grupo de operadores e estrutura paralela

Outro ponto revelado pelas investigações envolve a atuação de um grupo conhecido como “A Turma”, que funcionava como núcleo operacional da organização.

  • Entre os integrantes está Luiz Phillipi Mourão, apelidado de Sicário. Ele teve prisão preventiva decretada e é acusado de chefiar o grupo, que recebia cerca de R$ 1 milhão por mês.

Segundo a Polícia Federal, Mourão teria coordenado invasões de sistemas da Polícia Federal, do Ministério Público Federal, da Interpol e do FBI.

Ele também é suspeito de monitorar adversários e intimidar jornalistas.

  • Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado, também foi preso. Ele seria responsável por obter dados sigilosos e auxiliar nas ações de intimidação.
  • Outro investigado é Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e pastor da Igreja Lagoinha. Ele é apontado como operador financeiro do grupo, responsável por repasses ilegais e pagamentos mensais à estrutura comandada por Mourão.

Tensão institucional e desdobramentos no STF

O caso também chegou ao Supremo Tribunal Federal e provocou tensão institucional. Durante as investigações, a Polícia Federal encontrou mensagens e registros financeiros envolvendo Daniel Vorcaro e o ministro Dias Toffoli.

Os investigadores citaram pagamentos relacionados à venda do resort Tayayá, empreendimento do qual o ministro era sócio por meio de uma empresa familiar.

Após a divulgação das informações, Toffoli decidiu deixar a relatoria dos processos ligados ao caso.

Leia também: Caso Master: quem é quem na organização criminosa de Daniel Vorcaro

O Supremo informou, em nota, que não há elementos que comprovem suspeição do ministro e que todos os atos praticados por ele permanecem válidos.

O impacto no mercado de trabalho

Além dos efeitos no sistema financeiro, a crise também gerou impacto no mercado de trabalho.

Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, mais de 1,4 mil trabalhadores foram afetados pela liquidação das instituições ligadas ao Banco Master. A estimativa inclui:

  • cerca de 515 funcionários do Banco Master
  • aproximadamente 750 do Will Bank
  • cerca de 160 do Banco Pleno

A entidade sindical informou que acompanha o processo e cobra transparência sobre o pagamento de salários e direitos trabalhistas.

Origem e expansão do Banco Master

A história do Banco Master começou em 1974, quando a instituição foi criada com o nome Máxima Corretora de Valores. Em 1990, passou a se chamar Banco Máxima.

O controle da instituição mudou em 2018, quando Daniel Vorcaro assumiu o comando e promoveu uma reestruturação societária. Na ocasião, foram injetados cerca de R$ 400 milhões no negócio.

Leia também: Caso Master ou guerra no Irã: o que realmente está movendo o mercado?

Em 2021, o banco passou a se chamar oficialmente Banco Master. Nos anos seguintes, a instituição buscou ampliar sua base de clientes e investidores, oferecendo produtos com rentabilidade elevada. Alguns investimentos chegavam a prometer até 140% do CDI.

Segundo as investigações, o porte financeiro do banco não comportava essas ofertas, o que levantou suspeitas sobre a sustentabilidade das operações.

Leia também: Caso Master: ‘Foi uma guinada de 180 graus’, diz advogado sobre nova fase da investigação

A partir de 2025, a situação financeira da instituição entrou em colapso, dando origem à crise do Banco Master que culminou na liquidação do conglomerado e em uma das maiores investigações financeiras do país.

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‘Crescer tem de ser consequência, não a meta’, diz CEO do Andbank, que triplicou o tamanho do banco

5 de Março de 2026, 10:50

“O Andbank não dobrou de tamanho nos últimos dois anos, triplicou”. O número, revelado pelo CEO no Brasil, Rodolfo Pousa, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, surpreende até quem acompanha o mercado de private banking (gestão de investimento de ricaços) de perto. 

Desde que assumiu o comando, em setembro de 2023, a área de private banking registrou crescimento de 80%, com 19% só no último ano – período em que 48 novos grupos familiares abriram contas offshore com o banco.

Mas, para Pousa, a explicação é menos sobre crescimento e mais sobre uma mudança de filosofia. “Crescer tem de ser consequência, não uma meta”, diz. “Com muito pé no chão, muita humildade, os frutos desse crescimento vêm como consequência de abraçar o cliente como um todo.”

O modelo que triplicou o Andbank

O Andbank tem 95 anos de história, nasceu em Andorra e hoje é controlado pela terceira geração de duas famílias com tradição em private banking. Opera em 11 países, tem mais de mil funcionários e R$ 370 bilhões sob gestão ao redor do mundo.

No Brasil, a operação foi redesenhada por Pousa em torno de uma estrutura que ele define como uma holding de serviços financeiros integrados, com banco, gestora de patrimônio, multi-family office, boutique de mercado de capitais, plataforma offshore, planejamento patrimonial, corretora de seguros e plataforma digital proprietária, tudo sob o mesmo teto.

São sete diretorias que trabalham de forma integrada em torno de cada cliente, cobrindo desde a mesa de distribuição de ativos tradicionais até fusões e aquisições, emissões de dívida e club deals. O câmbio e o investment banking são próprios, o que, segundo Pousa, garante independência na hora de estruturar soluções. 

“Não dependemos de ninguém para conseguir fazer as estruturações e colocar as soluções de pé para os nossos clientes”, afirma.

A Pirineus, family office do grupo, ganhou uma diretoria independente para preservar a autonomia dos clientes que optam pelo modelo multicustódia. Para quem prefere concentrar tudo no Andbank, a proposta é uma plataforma aberta com curadoria proprietária e presença local, nacional e internacional. 

“Se ele optar por só transacionar conosco, vai ter uma plataforma totalmente independente e um serviço de curadoria em que vou prestar muito serviço, vou entender as necessidades daquele núcleo familiar e vou conseguir fazer de fato que todas essas áreas trabalhem em prol daquela família”, explica Pousa.

Multi-Family Office

Um dos movimentos mais recentes do banco foi o lançamento do Multi-Family Office, que mira famílias com necessidades mais complexas, aquelas que buscam uma estrutura sofisticada para organizar patrimônio, sucessão e decisões de investimento de forma integrada, com uma camada adicional de governança patrimonial.

“Temos uma diretoria independente para tocar o nosso family office do grupo, a Pirineus, com toda a independência, para fazer a gestão dos nossos clientes multicustódia”, explica o CEO. 

A iniciativa reflete uma tendência crescente no segmento de alta renda e reforça o posicionamento do banco como um interlocutor que vai além da alocação financeira. Para Pousa, o cliente não precisa ter volumes absurdos de recursos espalhados em várias casas para ter acesso a esse serviço. 

“Ele pode ter, e também conseguimos operar multicustódia para o cliente, mas se ele optar por só transacionar conosco, ele vai ter uma plataforma totalmente independente e totalmente aberta.”

Virada internacional

A busca por diversificação no exterior deixou de ser exclusividade de uma parcela muito restrita dos super-ricos brasileiros. Pousa observa que o acesso à informação e às plataformas internacionais transformou o comportamento do investidor de alta renda de forma consistente, e que parte do trabalho do banco se tornou educacional.

“O que antes parecia complexo hoje está muito mais disponível. Nosso trabalho muitas vezes é quebrar preconceitos e formar capital intelectual junto ao cliente, para que ele entenda a dinâmica internacional e esteja preparado para essa transição”, explica.

Os números confirmam o movimento o qual só no último ano, 48 novos grupos familiares abriram contas offshore com o Andbank. Com mais de 11 jurisdições disponíveis no grupo e cinco licenças bancárias ao redor do mundo, o banco oferece um leque de opções para quem quer ancorar parte do patrimônio em dólar ou euro sem depender de intermediários.

“Fora do Brasil, acessa-se um oceano de oportunidades, enquanto o mercado local representa uma parcela muito menor em termos de alternativas e diversificação”, diz Pousa.

Na construção dos portfólios, o executivo defende uma divisão por objetivos, sendo uma parte do patrimônio voltada para liquidez, outra para previsibilidade e outra para retorno. Os ativos ilíquidos, boas fontes de retorno mas ruins em liquidez e previsibilidade, entram como um dos pilares, mas não o único. “Quando olhamos o portfólio de maneira estruturada, fica muito mais fácil tomar esse tipo de decisão”, afirma.

As dores que não mudam

Pousa tem uma frase que resume sua leitura sobre as famílias que chegam ao banco: “Mudam-se os CPFs e os CNPJs, mas as dores são as mesmas.” Concentração de patrimônio num único ativo, falta de planejamento sucessório, exposição cambial não gerida e riscos tributários que o cliente simplesmente não enxerga porque está absorvido pelo próprio negócio, esse é o diagnóstico mais recorrente.

“Onde mais conseguimos agregar valor é justamente nos riscos que não estão mapeados”, disse. Um dos exemplos que ele cita é o da capitalização: um cliente querendo se capitalizar pode encontrar, dentro da própria base do banco, outro interessado em adquirir participação num negócio. A solução não passa necessariamente por vender a empresa ou contrair dívida. “Pode haver um cliente querendo se capitalizar e outro interessado em adquirir participação em um negócio. Isso não significa necessariamente vender integralmente a companhia ou se endividar no banco.”

Na questão da sucessão, Pousa vai mais longe. Defende que o planejamento precisa começar antes do óbvio, ou seja, antes do envelhecimento, antes dos filhos, às vezes antes do casamento

“Muitos passam a reconhecer a necessidade da sucessão quando avançam em idade, o que consideramos um contrassenso.” O banco faz esse trabalho com clientes que ainda não têm herdeiros, estruturando desde cedo a perpetuação do legado.

Governança familiar vale tanto quanto a escolha dos ativos

Num mercado onde a conversa sobre proteção patrimonial tende a começar e terminar na alocação dos investimentos, Pousa defende uma visão diferente. Para ele, o asset allocation – a escolha final dos ativos – é a última decisão de um processo que começa muito antes, na estrutura da família, na governança, nos veículos patrimoniais e no grau de preparo das próximas gerações.

“O micro, o ativo final que será investido, não é menos importante, mas é consequência. Ele depende de uma organização prévia que vem muito antes”, afirma. “Primeiro inicia-se a conversa pela estrutura, pela governança e pelos veículos patrimoniais. Depois vem o asset, que tem importância igual, apenas em momento diferente do processo. Um otimiza o outro.”

Essa leitura ganhou ainda mais peso após as mudanças legislativas de 2023, que reformaram os fundos fechados e as estruturas offshore. Segundo Pousa, até 2022, a maioria das famílias seguia praticamente o mesmo roteiro de planejamento. Hoje esse modelo deixou de existir. “Não existe mais receita de bolo. Não há uma estrutura que resolva a maioria dos casos de forma automática”, conclui.

Conexão com grandes fortunas

Fora dos números, Pousa construiu uma estratégia de relacionamento que passa pelo esporte. Desde que chegou ao banco, o Andbank firmou parceria com Tota Magalhães, ciclista brasileira de 24 anos que já fez história no Tour de France Femmes, no Giro d’Italia e nas Olimpíadas de Paris 2024. Pousa também é apaixonado por ciclismo, e não esconde que essa afinidade ajuda na liderança e na conexão com clientes.

O banco também patrocinou a inauguração do Miracle Social Fund na Rocinha, no Rio de Janeiro, no Dia das Crianças, novo braço de ações sociais do Projeto Por Mim, com atividades culturais, oficinas e alimentação para crianças da comunidade. A iniciativa foi idealizada pelas influenciadoras Malu Borges e Bia Ben. Para o executivo, o fio condutor dessas parcerias é a alta performance, disciplina e resiliência, valores que ele quer que definam também a cultura do banco.

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Ultrapar tem queda anual de 71% no lucro líquido no quarto trimestre

4 de Março de 2026, 22:28

A Ultrapar apresentou lucro líquido de R$ 256 milhões no quarto trimestre, uma queda de 71% sobre o que foi visto no mesmo período anterior. Segundo a companhia, o número de agora inclui o efeito negativo de R$ 183 milhões da baixa de ativos, principalmente da navegação costeira, que teve a venda concluída em novembro.

Ao mesmo tempo, o resultado de um ano antes inclui o efeito positivo de R$ 711 milhões de créditos fiscais extraordinários e um efeito pontual negativo de R$ 124 milhões de imposto de renda diferido. “Excluindo-se os efeitos extraordinários mencionados, o lucro líquido teria sido R$ 439 milhões, crescimento de 49%, refletindo o resultado operacional recorde do período, apesar da maior depreciação e amortização e do pior resultado financeiro”, afirma a companhia.

O Ebitda Ajustado recorrente foi de R$ 1,745 bilhões, com alta de 36% sobre o mesmo período anterior, com destaque para os melhores resultados da Ipiranga e da Ultragaz e consolidação do resultado da Hidrovias. Já o Ebitda ajustado, sem o ajuste de recorrência, foi de R$ 1,562 bilhão, com queda de 34%. A Receita Líquida de R$ 37,973 bilhões, por sua vez, teve alta de 7% ante o visto um ano antes. A companhia avalia que o montante reflete principalmente o maior faturamento da Ipiranga e a consolidação da Hidrovias.

A Ultrapar encerrou o quarto trimestre com dívida líquida de R$ 12,148 bilhões e alavancagem 1,7 vez, praticamente estável em relação aos R$ 12,043 bilhões registrados no trimestre anterior. No mesmo período anterior, a dívida líquida era de R$ 7,756 bilhões, com alavancagem de 1,4 vez.

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“A manutenção da alavancagem e do patamar de dívida líquida em relação ao terceiro trimestre ocorreu mesmo após o pagamento antecipado de R$ 1,087 bilhão em dividendos em dezembro. Excluindo esse efeito, a alavancagem teria sido 1,5 vez“, diz a companhia.

O resultado financeiro, por sua vez, teve despesa de R$ 556 milhões, R$ 221 milhões superior ao visto no quarto trimestre anterior. A companhia avalia que a despesa é explicada principalmente pela maior dívida líquida em função da consolidação da Hidrovias; maior CDI e efeito pontual negativo de marcação a mercado de -R$ 164 milhões no quarto trimestre. Em 2025, a despesa financeira totalizou R$ 1,168 bilhão, R$ 236 milhões superior frente ao ano anterior.

A empresa somou investimentos de R$ 826 milhões no quarto trimestre, com alta de 6% sobre o mesmo período do ano anterior. Em 2025, a Ultrapar investiu R$ 2,5 bilhões, sendo 50% destinados à expansão de seus negócios e 50% à manutenção e outros investimentos.

“O total de investimentos realizados em 2025 permaneceu em linha com o plano previamente divulgado, mesmo após inclusão dos investimentos da Hidrovias, que não estava prevista e acrescentou R$ 235 milhões no realizado em 2025. Desconsiderando esse efeito, os investimentos totais de 2025 seriam de R$ 2,307 bilhões, ante R$ 2,542 bilhões do plano, resultado dos esforços contínuos de priorização e otimização, bem como faseamento de alguns projetos, principalmente relacionados aos terminais da Ultracargo e investimentos em tecnologia na Ipiranga“, afirma a Ultrapar.

Anual

A Ultrapar apresentou lucro líquido de R$ 2,542 bilhões em 2025, 1% acima do registrado anteriormente. O Ebitda ajustado foi de R$ 6,767 bilhões, avanço de 2% na mesma base de comparação, enquanto a receita líquida somou de R$ 142,478 bilhões, alta de 7% sobre o ano anterior.

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Caixa Econômica lucra R$ 2,8 bilhões no 4º trimestre, com tombo de quase 40%

4 de Março de 2026, 22:20

A Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido recorrente de R$ 2,8 bilhões no quarto trimestre do ano passado, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (4). O montante representa uma queda de 39,6% na comparação com o mesmo período de 2024 e de 26,5% ante o terceiro trimestre de 2025.

Em 2025, o lucro foi de R$ 15,5 bilhões, alta de 10,4% ante 2024. A margem financeira, que reflete os ganhos com operações que rendem juros, somou R$ 17,543 bilhões no quarto trimestre, 7,4% maior que em igual intervalo do ano passado.

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O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) recorrente da Caixa ficou em 10,67%, 0,24 ponto porcentual maior do que o observado no quarto trimestre de 2024.

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Petrobras recebe indicações para Conselho de Administração pela União

4 de Março de 2026, 21:01

A Petrobras confirmou nesta quarta (4) que recebeu as indicações da União para o Conselho de Administração da empresa. O mandato dos membros vence em abril. A União manteve cinco dos seis membros atuais, mas indicou Fabio Henrique Bittes Terra para substituir Rafael Dubeux, representante do Ministério da Fazenda.

Terra é assessor especial da Secretaria-Executiva do Ministério da Fazenda e foi indicado com mais dois nomes – Benjamin Alves Rabello Filho e Ricardo Baldin. Segundo fontes, porém, o nome de Terra seria o escolhido. A eleição vai ocorrer no dia 16 de abril, na Assembleia Geral Ordinária (AGO) da Petrobras.

Além das indicações da União, a Petrobras informou que os acionistas minoritários indicaram para o Conselho, no caso de voto múltiplo, os nomes do atual conselheiro José João Abdalla Filho; e dos ex-conselheiros, Marcelo Gasparino e Mauro Cunha.

A representante dos empregados no Conselho, Rozângela Buzanelli, foi reeleita para o mandato 2026-2028.

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CEO da Nvidia diz que aporte de US$ 30 bi na OpenAI pode ser o último antes de IPO

4 de Março de 2026, 16:21

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, disse que o recente investimento de $30 bilhões (aproximadamente R$ 156,6 bilhões) da empresa na OpenAI “pode ser a última vez” que ela investe na startup de inteligência artificial antes de ela possivelmente abrir capital no fim do ano.

Huang afirmou que a oportunidade de investir $100 bilhões (R$ 522 bilhões) na OpenAI (valor que as duas empresas divulgaram como parte de um acordo de infraestrutura em setembro) provavelmente “não está nos planos”.

“O motivo é que eles vão abrir capital”, disse Huang durante a conferência Morgan Stanley Technology, Media & Telecom na quarta-feira.

Huang também mencionou que o investimento de $10 bilhões (R$ 52,2 bilhões) da Nvidia na rival da OpenAI, Anthropic, provavelmente será o último.

O investimento de $30 bilhões (R$ 156,6 bilhões) da Nvidia na OpenAI foi anunciado como parte de uma rodada de financiamento de $110 bilhões (R$ 574,2 bilhões) que a startup divulgou na sexta-feira. A rodada também incluiu um compromisso de $50 bilhões (R$ 261 bilhões) da Amazon e um compromisso de $30 bilhões (R$ 156,6 bilhões) da SoftBank.

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O anúncio de setembro, que abalou o setor de tecnologia e desencadeou uma série de acordos subsequentes de infraestrutura, descreveu uma estrutura na qual a Nvidia investiria na OpenAI ao longo de vários anos, à medida que novas instalações de supercomputação fossem colocadas em operação. O investimento de $30 bilhões (R$ 156,6 bilhões), por outro lado, não está vinculado a marcos de implantação.

As dúvidas sobre o alcance da relação da Nvidia com a OpenAI começaram a surgir em novembro, quando a fabricante de chips revelou em um relatório trimestral que o acordo previamente anunciado de $100 bilhões (R$ 522 bilhões) pode não se concretizar.

A Nvidia incluiu linguagem semelhante em seu relatório trimestral de fevereiro, observando que “não há garantia de que firmaremos um acordo de investimento e parceria com a OpenAI ou de que uma transação será concluída”.

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Quem é Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor do Banco Central preso no caso Master

4 de Março de 2026, 16:10

O caso Master ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (4). Isso porque a Polícia Federal (PF) iniciou os mandados de prisão preventiva da 3ª fase da Operação Compliance Zero. 

Sendo assim, são alvos dos mandados, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master; seu cunhado Fabiano Zettel; o policial aposentado Marilson Silva; e Luiz Phillipi Mourão.

No entanto, há ainda outros dois nomes que devem ganhar tornozeleiras eletrônicas: Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor do Banco Central (BC), e Bellini Santana, chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC.

A seguir, conheça o perfil de Paulo Sérgio Neves de Souza.

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Quem é Paulo Sérgio Neves de Souza?

Assim como noticiado anteriormente, Paulo Sérgio Neves de Souza é economista. Formado pela PUC de São Paulo, tem também MBA em risco pela Fipecafi. Esse currículo permitiu que ele entrasse no Banco Central em 1998. 

Desde então, Paulo Sérgio esteve na liderança de diversas áreas durante mais de 20 anos, até conquistar o cargo de Diretor de Fiscalização, no qual esteve de 2019 a 2023. Na época, o órgão financeiro era gerido por Roberto Campos Neto. 

Ainda naquele período, Vorcaro conseguiu autorização para comprar o Banco Máxima, aquisição que deu origem ao Banco Master. Confira sua experiência profissional:

  • Banco Central do Brasil (desde 1998)
    • Chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) – desde 08/2015
    • Chefe do Departamento de Gestão Estratégica, Integração e Suporte da Fiscalização (Degef) – 04/2013 a 08/2015
    • Consultor – 07/2012 a 04/2013
    • Chefe de Divisão (Desup) – 07/2011 a 07/2012
    • Gerente Técnico – 05/2009 a 07/2011
    • Supervisor – 11/2005 a 05/2009
    • Inspetor – 02/1998 a 11/2005
  • Banco do Brasil (1985–1998)
    • Superintendência Estadual de São Paulo (1992 a 02/1998): atuação nas áreas de concessão e acompanhamento de crédito e gestão de risco
    • Agência Praça da Árvore – São Paulo (07/1985 a 02/1992): menor-aprendiz de serviços gerais e escriturário

O ex-diretor do Banco Central e seu papel no caso Master

Dessa vez, conforme o STF, o ex-diretor do BC era uma espécie de consultor informal de Daniel Vorcaro. Dentro do Banco Central, Paulo Sérgio realizava atividades como:

  • Revisar minutas de documentos do Master antes de serem protocolados no Banco Central;
  • Orientar o banqueiro sobre como se comportar em reuniões com o presidente do BC; 
  • Alertar sobre movimentações identificadas pelos sistemas de monitoramento da instituição. 

Em troca, o banqueiro mineiro oferecia vantagens garantidas por contratos fictícios, como um guia turístico para uma viagem de Paulo Sérgio à Disney, em Orlando (EUA). 

Leia também: Triplex milionário liga o “Rei do ovo” ao banqueiro Daniel Vorcaro

3ª fase da Operação Compliance Zero

Por isso, Paulo Sérgio Neves de Souza viu sua casa ser alvo de busca e apreensão nesta quarta-feira (4). Até então, em uma decisão administrativa, ele estava afastado do cargo no BC. Agora, o afastamento é baseado também em uma decisão judicial, publicada no Diário Oficial da União.

No entanto, Paulo Sérgio ainda não encara uma prisão preventiva. Na verdade, no caso dele, o STF aplicou medidas cautelares, como: 

  • proibição de contato com testemunhas e investigados;
  • proibição de acessar as dependências do Banco Central; 
  • proibição de sair do município de residência e do país – com entrega do passaporte à PF em 48 horas; 
  • suspensão do exercício da função pública no BC; 
  • e uso de tornozeleira eletrônica.

O caso do Banco Master

No dia 18 de novembro de 2025, o Banco Central liquidou o Banco Master. Um dia antes, o dono da instituição financeira, Daniel Vorcaro, foi preso pela primeira vez durante a 1ª fase da Operação Compliance Zero, cujo objetivo principal consistia em apurar a concessão de créditos falsos.

Ainda naquele período, investigava-se também a tentativa do Banco Regional de Brasília (BRB) – banco público – de comprar o Banco Master.

Entretanto, Vorcaro é investigado desde 2024, quando o Ministério Público Federal suspeitava da fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por parte de uma instituição financeira. Sendo assim, Daniel Vorcaro e outros associados do Banco Master passaram a ser investigados por:

  • Fraudes de gestão;
  • Organização criminosa;
  • Gestão temerária;
  • E outros.

Nesse contexto, a desembargadora do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, Solange Salgado da Silva, detalhou os achados da primeira fase: “a investigação revelou um esquema de cessão irregular de carteiras de crédito entre o Banco Master e o Banco de Brasília, envolvendo a quantia vultosa de aproximadamente R$ 17 bilhões. Há indícios de manipulação de ativos, criação de falsas narrativas para órgãos reguladores e utilização de empresas de prateleira para simular a origem de créditos inexistentes ou podres”.

Atualmente, a Operação Compliance Zero está em sua 3ª fase. De acordo com a Agência Brasil, a Polícia Federal (PF) prendeu Daniel Vorcaro pela segunda vez devido à possível prática de crimes de: ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados pela organização criminosa envolvida no caso Master como um todo.

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Shell pode assumir controle da Raízen após fracasso de negociações com a Cosan

4 de Março de 2026, 15:53

A Shell pode assumir um papel mais relevante na Raízen após o fracasso das negociações com a Cosan para uma capitalização conjunta da empresa, segundo fontes ouvidas pela Reuters.

A petroleira britânica está em contato com bancos e credores para discutir alternativas de recapitalização da companhia de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis, que enfrenta aumento da dívida e resultados pressionados nos últimos trimestres.

O CEO da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa, afirmou nesta terça-feira (3) que a companhia está comprometida em investir R$ 3,5 bilhões na Raízen. O aporte faz parte de um esforço para fortalecer a estrutura financeira da empresa após investimentos elevados e impactos climáticos negativos sobre as safras.

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A Raízen alertou em fevereiro para a existência de “incerteza significativa” sobre sua capacidade de continuar operando, diante do nível de endividamento e da sequência recente de prejuízos.

As negociações entre Shell e Cosan sobre um aporte conjunto vinham ocorrendo há meses, mas foram interrompidas nesta semana, segundo quatro pessoas familiarizadas com o tema.

Caso a capitalização ocorra apenas com recursos da Shell, a participação da Cosan na joint venture poderá ser diluída. O grau dessa diluição dependerá do volume de dívida que eventualmente será convertido em ações nas negociações com credores.

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Câmara Legislativa aprova uso de imóveis públicos para socorrer BRB

4 de Março de 2026, 07:13

Por 14 votos favoráveis e 10 contrários, a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou nesta terça-feira (3) o projeto que autoriza o Governo do Distrito Federal (GDF) a fazer um aporte no Banco de Brasília (BRB) para cobrir prejuízos relacionados às operações com o Banco Master. 

Encaminhado pelo governador Ibaneis Rocha, o texto autoriza o DF a capitalizar o banco e a contratar empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou com outras instituições financeiras.

Leia também: BC aponta falha patrimonial no BRB durante crise envolvendo o Banco Master; entenda

Além disso, o projeto permite oferecer nove imóveis públicos para venda, transferência ao banco ou estruturação em fundo imobiliário.  Os imóveis podem ainda servir como garantia nas operações de crédito, cobrindo eventuais inadimplências do BRB.

Pressão e negociação

A votação foi precedida de intensa articulação política. Na véspera, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, reuniu-se por quase 12 horas com deputados distritais.

Em discurso, afirmou que, sem a aprovação do projeto, o banco poderia “deixar de existir” e interromper operações como pagamento de servidores, programas sociais, transporte público e linhas de crédito.

O tema dividiu a Casa. Deputados da base governista defenderam a proposta como única alternativa para preservar o controle do banco pelo DF. “Não vamos deixar o BRB ir para o fundo do poço”, afirmou o líder do governo, Hermeto (MDB).

Leia também: BRB contesta rumores sobre venda de subsidiária por R$ 1,1 bilhão

Parlamentares de oposição classificaram o texto como um “cheque em branco”. A deputada Paula Belmonte (PSDB) exibiu uma réplica simbólica de um cheque durante a sessão, criticando a falta de laudos detalhados de avaliação dos imóveis.

O deputado Chico Vigilante (PT) afirmou que a proposta permite a alienação de bens públicos sem comprovação adequada de interesse público e anunciou que a oposição estuda ingressar na Justiça para tentar barrar a futura lei.

Um estudo técnico da Consultoria da própria CLDF havia recomendado a rejeição do projeto, por riscos jurídicos e fiscais. Entre os problemas, está a possível afronta à Lei de Responsabilidade Fiscal e impactos no orçamento do DF.

A votação foi tensa, com funcionários do BRB ocupando as galerias do plenário e a entrada da Câmara Legislativa. Por diversos momentos, eles bateram boca com deputados da oposição, que acusaram os bancários de serem usados como massa de manobra pelo governador Ibaneis.

Leia também: Deputados aprovam aporte no BRB para cobrir rombo do Master; oposição vai recorrer

Mudanças incluídas

Durante a tramitação, deputados incluíram alterações no texto:

  • Obrigação de relatórios trimestrais do BRB com detalhamento das operações;
  • Previsão de reversão ao DF de valores excedentes ao necessário para recompor o capital do banco;
  • Compensação, com imóveis equivalentes, à Companhia Energética de Brasília (CEB), à Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) e à Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), caso seus terrenos sejam utilizados;
  • Destinação de 20% do valor arrecadado ao Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF), que poderá converter o montante em ações do banco;
  • Criação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) em modelo de condomínio fechado, com o DF como cotista inicial e o BRB responsável pela estruturação.

Próximos passos

O BRB pediu aos acionistas autorização para aporte de até R$ 8,86 bilhões, e uma assembleia está marcada para o dia 18 de março. A instituição pretende apresentar solução até 31 de março, quando divulgará o balanço de 2025. A votação em segundo turno deve ocorrer nos próximos dias.

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Economistas reconhecem PIB forte, mas alertam para desaceleração e riscos com o conflito no Irã

4 de Março de 2026, 06:38

O crescimento de 2,3% do PIB brasileiro em 2025 foi recebido com cautela pelo mercado. Economistas consultados pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC reconhecem a solidez do resultado – que levou o país a R$ 12,7 trilhões, mas são unânimes em apontar que a composição do crescimento esconde fragilidades importantes, como a desaceleração do consumo, investimento abaixo do necessário e um cenário geopolítico que pode segurar os juros altos por mais tempo do que o esperado.

O conflito entre EUA e Irã apareceu nas análises como o principal novo risco ao crescimento em 2026.

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Agro e extração mineral sustentam PIB

Pelo lado da oferta, os três grandes setores avançaram: a agropecuária liderou com alta de 11,7%, seguida pelos serviços (1,8%) e pela indústria (1,4%). Dentro da indústria, a extração de petróleo e gás se destacou, elevando o agregado industrial a 8,6% na variação anual.

“A agropecuária subiu 11,7% no ano passado, com o impacto da safra recorde no país, sobretudo durante o primeiro trimestre. Na indústria, o grande destaque foi a extração de petróleo e gás”, avalia o economista Maycon Rodrigues. Para ele, o resultado consolida “a visão de uma economia em dois trilhos ao longo do ano, com crescimento mais notável em setores ligados às commodities e dificuldades em atividades sensíveis às condições financeiras.”

João Kepler, CEO da Equity Group, reforça a leitura: “O 4º trimestre veio praticamente parado, alta de 0,1% contra o trimestre anterior. Esse mix importa para negócios, porque agro subiu 11,7% e puxou o resultado, enquanto serviços cresceram 1,8% e a indústria ficou em 1,4%, com transformação caindo 0,2%.”

Fábio Murad, economista e CEO da Super-ETF Educação, reforça a mesma leitura: “O PIB foi um bom número, mas ele não autoriza euforia quando olhamos a composição: agro acelerou 11,7%, enquanto a indústria ficou em 1,4% e a transformação terminou no negativo, 0,2%.”

Taxa de investimento segue abaixo do mínimo necessário

Um dos pontos mais críticos levantados pelos especialistas é o nível da taxa de investimento. Pelo lado da demanda, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceu 2,9% no ano, mas a relação investimento/PIB permanece em apenas 16,8%.

“Deveríamos estar investindo pelo menos 20% do PIB, mas dado o patamar de juros isso ainda não será possível num horizonte de médio prazo”, alertou André Perfeito, economista da Garantia Capital. Ele também destaca que a Indústria de Extração subiu fortemente, “o que é particularmente importante num momento de guerra generalizada no Oriente Médio e poderá nos dar certa salvaguarda durante o período tumultuado que iremos viver.”

Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, confirma a preocupação com os dados de capital: “A formação bruta de capital fixo está variando negativamente na variação ano contra ano. Isso mostra mais um setor, dos mais sensíveis ao ciclo, com arrefecimento.”

Pedro Ros, CEO da Referência Capital, sintetiza o momento: “O 4º trimestre mostrou estabilidade, evidência de que juros e incerteza pesaram nas decisões. A busca por estratégias que organizem fluxo de caixa e reduzam a dependência de financiamento tradicional ganha relevância.”

Consumo das famílias desacelera sob efeito dos juros

O consumo das famílias cresceu 1,3% em 2025, resultado expressivamente inferior ao avanço de 5,1% registrado em 2024. A desaceleração é lida pelo mercado como reflexo direto da política monetária contracionista.

“O consumo das famílias subiu 1,3%, bem abaixo de 2024, e o 4º trimestre mostrou estabilidade, evidência de que juros e incerteza pesaram nas decisões”, observa Pedro Ros. Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, aponta que “a economia cresceu, mas terminou o ano com menos tração em decisões de capital e mais sensibilidade ao custo do dinheiro.”

Para Antonio Ricciardi, “o consumo das famílias ficou estável, mas com variações no year-over-year desacelerando claramente dos quase 4% no começo do ano para 1% agora. É possível perceber que a política monetária tem sentido efeito nos itens em que ela tem maior sensibilidade.”

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, acrescenta que “o ambiente geopolítico adiciona um vetor de risco que pode limitar o ritmo de crescimento ao longo de 2026”, mesmo diante de uma economia que “segue expandindo de forma moderada, sustentada principalmente pelo consumo e por algum dinamismo nos investimentos.”

Conflito entre EUA e Irã ameaça inflação, juros e PIB em 2026

O pano de fundo geopolítico foi amplamente citado pelos especialistas como o principal risco ao crescimento do PIB neste ano. O conflito entre EUA e Irã, com ameaças ao Estreito de Ormuz e pressão sobre o petróleo, pode alimentar a inflação global e segurar os cortes de juros ao redor do mundo.

“O conflito entre EUA e Irã pode influenciar o PIB indiretamente, via petróleo e custos logísticos, que pressionam preços e elevam a incerteza. Se esse choque mantém inflação mais resistente, o Brasil corre o risco de conviver com juros altos por mais tempo”, alerta Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.

André Matos, CEO da MA7 Negócios, vai além: “Com o IPCA-15 vindo em 0,84%, a maior surpresa de alta em 2 décadas, o risco inflacionário disparou. Isso deve manter a Selic em 15% por muito mais tempo do que o mercado esperava, o que inevitavelmente encarece o crédito e inibe o consumo das famílias. Não há como autorizar grandes aportes enquanto o conflito no Irã e a volatilidade no Estreito de Ormuz ameaçarem nossos custos logísticos e a estabilidade econômica.”

Peterson Rizzo, gerente de R.I. da Multiplike, detalha o mecanismo de transmissão: “A principal influência ocorre por meio da alta do petróleo, que encarece combustíveis, energia e transporte, pressionando a inflação. Com a inflação mais elevada, o Banco Central tende a manter os juros altos por mais tempo, dificultando a retomada da atividade econômica. Embora o Brasil possa se beneficiar parcialmente como exportador de petróleo, os efeitos inflacionários e financeiros do conflito tendem a limitar o crescimento do PIB no curto e médio prazo.”

Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue, resume bem o dilema: “O petróleo caro costuma se traduzir em inflação mais persistente e juros globais mais altos por mais tempo. Se o mundo posterga cortes, o Brasil tende a carregar juros elevados por mais tempo para ancorar expectativas, o que afeta consumo e reduz projetos de expansão, especialmente em companhias com margens apertadas.”

Projeções para 2026 divergem, mas sinalizam desaceleração

As projeções dos economistas para o PIB de 2026 variam, mas apontam majoritariamente para um ritmo de crescimento inferior ao de 2025.

Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, é o mais cauteloso: “Para 2026, enxergamos o PIB desacelerando um pouco mais, com um crescimento de 1,5% no agregado do ano.” Ele destacou que “a desaceleração do setor de serviços e da indústria foram mais visíveis no PIB do 4º trimestre” e que o resultado “contribui para a ancoragem das expectativas inflacionárias, sendo um resultado importante para o fechamento do hiato do produto.”

Maycon Rodrigues projeta crescimento de 2,0% em 2026, “à medida que o governo implementar mais estímulos no primeiro semestre.” Ricciardi, do Daycoval, aponta que mudanças devem ocorrer já no primeiro trimestre: “Para 2026, esse movimento tende a mudar. A safra de agro deve ser parecida com a de 2025, então a variação ano contra ano não deve ser tão relevante. E terão também algumas medidas do governo, principalmente a isenção do IRPF, que deve impulsionar o consumo.”

Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest, ressalta que o cenário de choque externo pode, paradoxalmente, abrir espaço para a tecnologia: “Em momentos de choque externo, produtividade vira o argumento central, e é justamente aí que tecnologia bem aplicada costuma ganhar espaço.”

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Aegea: Polícia Civil confirma parte das acusações de propinas pagas no Mato Grosso do Sul

22 de Fevereiro de 2026, 12:15

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul confirmou parte das acusações de pagamento de propina envolvendo empresas do grupo Aegea no Estado. Relatório da Delegacia de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) aponta repasses que somam R$ 30 milhões entre 2011 e 2015, ligados a contratos considerados fictícios.

Segundo o documento, executivos de empresa de água e esgoto teriam confessado pagamentos irregulares a políticos em seis Estados. Parte significativa dos recursos teria sido direcionada a campanhas eleitorais em 2012. As informações foram apuradas e divulgadas pelo portal UOL.

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Aegea e contratos sob suspeita

De acordo com o relatório, a Águas de Guariroba, controlada pela Aegea, realizou pagamentos à empresa Proteco, ligada ao empresário João Amorim, sob justificativa de locação de máquinas e equipamentos.

Os investigadores afirmam que não foram encontrados documentos que comprovassem a prestação efetiva dos serviços, como registros de uso de maquinário ou relatórios operacionais. A polícia sustenta que os contratos teriam sido utilizados como mecanismo para justificar transferências financeiras.

O primeiro negócio analisado envolve a compra de uma estação de tratamento de esgoto em Dourados (MS), em 2012, por R$ 4,5 milhões. Segundo a apuração, não foi possível localizar a estrutura nem comprovar sua existência.

Destino dos recursos ligados à Aegea

A investigação indica que parte dos valores pagos por empresas do grupo Aegea teria sido destinada a campanhas eleitorais. Um trecho do relatório menciona que R$ 1,4 milhão foi direcionado ao MDB nas eleições de 2012.

Outro montante teria sido repassado a funcionário que realizou saques fracionados em espécie. A conta pessoal de João Amorim também teria recebido R$ 1,2 milhão por meio de cheques.

A Polícia Civil afirmou que não há indícios concretos de envolvimento do hoje senador Nelsinho Trad no esquema, afastando suspeita de corrupção passiva.

Ministério Público e próximos passos

Em 2025, a Polícia Civil concluiu a investigação da Operação Lama Asfáltica e encaminhou o relatório ao Ministério Público, que deve decidir se oferece denúncia.

Procurada, a Aegea não respondeu diretamente às perguntas da reportagem à época. Em comunicado divulgado na bolsa de valores, a companhia afirmou que aderiu a Termo de Acordo como garantidora e que fortaleceu seus mecanismos de integridade corporativa.

A apuração segue em análise pelo Ministério Público, que avaliará os elementos reunidos pela Polícia Civil antes de eventual denúncia formal.

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