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Caso Larissa: nova perícia tenta esclarecer dinâmica da morte de jovem baleada em casa

A Polícia Científica deve realizar nesta sexta-feira (11) uma nova perícia na casa onde Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, morreu após ser atingida por um tiro na cabeça, em Embu das Artes, na Grande São Paulo. O imóvel era onde ela vivia com o marido, o policial militar Vinicius Costa Silva, preso temporariamente sob suspeita de envolvimento na morte. Mais informações em TVT News.

A nova análise deve utilizar scanner 3D e luminol para tentar reconstruir a dinâmica do disparo e identificar possíveis vestígios no local. A investigação ocorre após a divulgação do laudo necroscópico produzido pelo Instituto Médico-Legal.

Além de Vinicius, a irmã dele, Thamires Matias, de 19 anos, também é investigada por fraude processual. — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

O documento aponta diversas equimoses pelo corpo de Larissa, que são manchas, como roxos na pele, geralmente causadas por pancadas, contusões ou quedas. Foram identificadas marcas na mão esquerda, mão direita, pés, joelhos, perna esquerda e quadril esquerdo. O exame também encontrou escoriações na região anterior esquerda do pescoço e no joelho esquerdo.

O laudo, no entanto, não determina quando nem de que forma essas lesões foram provocadas. Portanto, o documento não permite afirmar que as marcas tenham sido resultado de agressões.

Outro elemento que pode ser investigado é a presença de muitos fios de cabelo soltos grudados na calça de Larissa. De acordo com o IML, esses fios não apresentavam sangue e foram coletados para análise. O documento ressalta que os cabelos da própria vítima estavam cobertos de sangue, mas não identifica a quem pertencem os fios encontrados na roupa.

O exame também descreve a coleta das extremidades das unhas das mãos para eventual análise de material subungueal, procedimento que pode auxiliar na identificação de vestígios.

O que o laudo revela sobre o disparo

A necropsia identificou um único disparo de arma de fogo. O projétil entrou pela região temporal esquerda da cabeça e saiu pelo lado direito. De acordo com a perícia, considerando o corpo em posição ereta, a trajetória foi “de trás para frente e da esquerda para direita”.

O orifício de entrada foi localizado cerca de três centímetros atrás da borda superior da orelha esquerda. O laudo descreve ainda uma área de contusão e chamuscamento no ferimento. A saída do projétil ocorreu na região direita da cabeça, provocando múltiplas fraturas no crânio.

A causa da morte foi definida como traumatismo cranioencefálico decorrente de ferimento por projétil de arma de fogo. O próprio laudo ressalta, porém, que a natureza jurídica da morte — ou seja, a definição sobre as circunstâncias em que ela ocorreu — ainda deverá ser esclarecida pela autoridade responsável pela investigação.

Vinicius Costa Silva foi preso temporariamente na última segunda-feira (7) , durante o velório da esposa, e teve a prisão mantida pela Justiça após audiência de custódia. Ele está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital paulista.

A nova perícia no imóvel pode ser decisiva para confrontar os vestígios encontrados na casa com as informações do exame necroscópico e ajudar a investigação a identificar as circunstâncias do disparo.

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A perícia criminal é fundamental para solucionar diversos tipos de crimes. Por isso, é preciso que esse trabalho esteja pautado na imparcialidade e na defesa dos direitos humanos. É justamente sobre esse tema um relatório produzido pelo Instituto Vladimir Herzog.

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Instituto Vladimir Herzog lança relatório sobre perícia criminal do Brasil

Rede TVT 3 de agosto de 2020 23:25

O que é notícia acontece aqui!<br /> Acesse TVT News em https://tvtnews.com.br" data-video-title="Colombianos transformam plásticos das praias em moeda de troca" data-channel-id="UCmQTY7b5w61WlmBbJ5a8XrQ" data-views="491 visualizações" data-published-date="1737254479" data-formatted-published-date="18 de janeiro de 2025 23:41" data-comment-count="2"> A Bahia Málaga, no Pacífico colombiano, é um destino turístico paradisíaco. Apesar da exuberância, este paraíso que não dispõe de um sistema adequado de coleta de lixo, enfrenta a poluição para tentar preservar a natureza exuberante. Desde 2019, a Fundação Plástico Precioso Uramba recolheu cerca de 16 toneladas de lixo na Bahia Málaga. Em troca das tampinhas que coletam, recebem moedas fictícias, também de plástico, que usam para trocar por roupas, material escolar, brinquedos, livros ou pipoca para comer enquanto assistem filmes. O material coletado é derretido em uma prensa térmica, que Pardo construiu com base em um esboço que encontrou online. O resultado final é uma pesada placa do material que vai servir para a construção de carteiras, que serão doadas à principal escola como recompensa às salas de aula que mais reciclam. Dezenas de crianças já estudam com cadeiras feitas com o que antes era lixo. O processo ajuda a sensibilizar os jovens. De acordo com a ONU, todos os anos cerca de oito milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos. A Organização estima que até 2040 vão existir cerca de 50 kg de plástico por metro de litoral em todo o mundo. Na Bahia Málaga já começaram a trabalhar para ter um futuro mais limpo.

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A Bahia Málaga, no Pacífico colombiano, é um destino turístico paradisíaco. Apesar da exuberância, este paraíso que não dispõe de um sistema adequado de coleta de lixo, enfrenta a poluição para tentar preservar a natureza exuberante. Desde 2019, a Fundação Plástico Precioso Uramba recolheu cerca de 16 toneladas de lixo na Bahia Málaga. Em troca das tampinhas que coletam, recebem moedas fictícias, também de plástico, que usam para trocar por roupas, material escolar, brinquedos, livros ou pipoca para comer enquanto assistem filmes. O material coletado é derretido em uma prensa térmica, que Pardo construiu com base em um esboço que encontrou online. O resultado final é uma pesada placa do material que vai servir para a construção de carteiras, que serão doadas à principal escola como recompensa às salas de aula que mais reciclam. Dezenas de crianças já estudam com cadeiras feitas com o que antes era lixo. O processo ajuda a sensibilizar os jovens. De acordo com a ONU, todos os anos cerca de oito milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos. A Organização estima que até 2040 vão existir cerca de 50 kg de plástico por metro de litoral em todo o mundo. Na Bahia Málaga já começaram a trabalhar para ter um futuro mais limpo.

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Colombianos transformam plásticos das praias em moeda de troca

Rede TVT 18 de janeiro de 2025 23:41

O que é notícia acontece aqui!<br /> Acesse TVT News em https://tvtnews.com.br" data-video-title="Ataque ao MST é fruto de discursos de ódio" data-channel-id="UCmQTY7b5w61WlmBbJ5a8XrQ" data-views="254 visualizações" data-published-date="1737254263" data-formatted-published-date="18 de janeiro de 2025 23:37" data-comment-count="1"> O ataque ao assentamento Olga Benário, em Tremembé, reflete uma onda de ódio que se consolidou ao longo dos anos contra o MST e outros movimentos populares.  Alceu Castilho, editor-chefe do observatório 'De olho nos ruralistas', o ataque é decorrência de discursos de ódio contra o MST, como os proferidos por Jair Bolsonaro.

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O ataque ao assentamento Olga Benário, em Tremembé, reflete uma onda de ódio que se consolidou ao longo dos anos contra o MST e outros movimentos populares. Alceu Castilho, editor-chefe do observatório 'De olho nos ruralistas', o ataque é decorrência de discursos de ódio contra o MST, como os proferidos por Jair Bolsonaro.

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Ataque ao MST é fruto de discursos de ódio

Rede TVT 18 de janeiro de 2025 23:37

O que é notícia acontece aqui!<br /> Acesse TVT News em https://tvtnews.com.br" data-video-title="Polícia reforça investigação do ataque ao MST em Tremembé" data-channel-id="UCmQTY7b5w61WlmBbJ5a8XrQ" data-views="368 visualizações" data-published-date="1737254120" data-formatted-published-date="18 de janeiro de 2025 23:35" data-comment-count="0"> A Polícia Civil montou uma força tarefa para investigar o ataque da semana passada que resultou em 2 mortos, no assentamento Olga Benário do MST em Tremembé, interior de São Paulo.

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A Polícia Civil montou uma força tarefa para investigar o ataque da semana passada que resultou em 2 mortos, no assentamento Olga Benário do MST em Tremembé, interior de São Paulo.

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Polícia reforça investigação do ataque ao MST em Tremembé

Rede TVT 18 de janeiro de 2025 23:35

O que é notícia acontece aqui!<br /> Acesse TVT News em https://tvtnews.com.br" data-video-title="OMS alerta que o mundo caminha para crise de saúde global" data-channel-id="UCmQTY7b5w61WlmBbJ5a8XrQ" data-views="23.6milhares visualizações" data-published-date="1737253841" data-formatted-published-date="18 de janeiro de 2025 23:30" data-comment-count="160"> A OMS lançou seu apelo de emergência em saúde para 2025. A agência afirma que o mundo está em um “ponto de inflexão”, marcado por conflitos, mudanças climáticas, epidemias e deslocamentos que convergem para criar uma “crise de saúde global sem precedentes”.

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A OMS lançou seu apelo de emergência em saúde para 2025. A agência afirma que o mundo está em um “ponto de inflexão”, marcado por conflitos, mudanças climáticas, epidemias e deslocamentos que convergem para criar uma “crise de saúde global sem precedentes”.

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OMS alerta que o mundo caminha para crise de saúde global

Rede TVT 18 de janeiro de 2025 23:30

O que é notícia acontece aqui!<br /> Acesse TVT News em https://tvtnews.com.br" data-video-title="Estudo mapeia risco de extinção das árvores no mundo" data-channel-id="UCmQTY7b5w61WlmBbJ5a8XrQ" data-views="295 visualizações" data-published-date="1737253553" data-formatted-published-date="18 de janeiro de 2025 23:25" data-comment-count="1"> O estudo traz uma atualização da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza, conhecida pela sigla U.I.C.N. Pela primeira vez, a maior parte das árvores do planeta foi incluída na lista vermelha desta organização civil, com pelo menos 16.425 espécies em risco de extinção das 47.282 identificadas. O estudo, um inventário global do estado de conservação de espécies vegetais e animais, mostra que do total de 166.061 espécies avaliadas, 46.337 estão ameaçadas de extinção e 10.235 em perigo crítico. Este primeiro panorama global do estado de conservação das árvores é resultado da mobilização de uma rede global de mais de 100 parceiros institucionais e mais de 1.000 especialistas. As espécies de árvores ameaçadas de extinção estão catalogadas em 192 países.

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O estudo traz uma atualização da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza, conhecida pela sigla U.I.C.N. Pela primeira vez, a maior parte das árvores do planeta foi incluída na lista vermelha desta organização civil, com pelo menos 16.425 espécies em risco de extinção das 47.282 identificadas. O estudo, um inventário global do estado de conservação de espécies vegetais e animais, mostra que do total de 166.061 espécies avaliadas, 46.337 estão ameaçadas de extinção e 10.235 em perigo crítico. Este primeiro panorama global do estado de conservação das árvores é resultado da mobilização de uma rede global de mais de 100 parceiros institucionais e mais de 1.000 especialistas. As espécies de árvores ameaçadas de extinção estão catalogadas em 192 países.

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Estudo mapeia risco de extinção das árvores no mundo

Rede TVT 18 de janeiro de 2025 23:25

O que é notícia acontece aqui!<br /> Acesse TVT News em https://tvtnews.com.br" data-video-title="Governo Federal anuncia investimentos de R$ 1 bi no Rio Grande do Sul" data-channel-id="UCmQTY7b5w61WlmBbJ5a8XrQ" data-views="544 visualizações" data-published-date="1737253048" data-formatted-published-date="18 de janeiro de 2025 23:17" data-comment-count="2"> O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou no Rio Grande do Sul investimentos de R$ 1 bilhão na indústria química. A  maior parte dos recursos - quase R$ 800 milhões - será investida no Pólo Petroquímico de Triunfo.

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O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou no Rio Grande do Sul investimentos de R$ 1 bilhão na indústria química. A maior parte dos recursos – quase R$ 800 milhões – será investida no Pólo Petroquímico de Triunfo.

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Governo Federal anuncia investimentos de R$ 1 bi no Rio Grande do Sul

Rede TVT 18 de janeiro de 2025 23:17

O que é notícia acontece aqui!<br /> Acesse TVT News em https://tvtnews.com.br" data-video-title="Tendência é de barateamento dos preços dos alimentos" data-channel-id="UCmQTY7b5w61WlmBbJ5a8XrQ" data-views="717 visualizações" data-published-date="1737252806" data-formatted-published-date="18 de janeiro de 2025 23:13" data-comment-count="6"> O presidente Lula sancionou nesta semana a Lei da Reforma Tributária, que torna o sistema tributário mais simples e justo. O diretor técnico adjunto do Dieese, Victor Pagani, acredita que a tendência deste ano é o barateamento dos preços dos alimentos.

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O presidente Lula sancionou nesta semana a Lei da Reforma Tributária, que torna o sistema tributário mais simples e justo. O diretor técnico adjunto do Dieese, Victor Pagani, acredita que a tendência deste ano é o barateamento dos preços dos alimentos.

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Tendência é de barateamento dos preços dos alimentos

Rede TVT 18 de janeiro de 2025 23:13

O que é notícia acontece aqui!<br /> Acesse TVT News em https://tvtnews.com.br" data-video-title="Moraes manda governador de SC depor à PF após fala sobre Bolsonaro | SJ 17.01" data-channel-id="UCmQTY7b5w61WlmBbJ5a8XrQ" data-views="3.8milhares visualizações" data-published-date="1737153922" data-formatted-published-date="17 de janeiro de 2025 19:45" data-comment-count="26"> Seu Jornal está no ar com as principais notícias do dia!

- Polícia Civil monta força tarefa para investigar ataque a assentamento do MST;
- Alckmin anuncia investimentos de R$ 1 bilhão na indústria química do RS;
- Inscrições do Sisu 2025 começam.

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Moraes manda governador de SC depor à PF após fala sobre Bolsonaro | SJ 17.01

Rede TVT 17 de janeiro de 2025 19:45

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Violência sexual atinge 64 meninas por dia no país, aponta pesquisa

Da Agência Brasil

De 2011 a 2024, em média, 64 meninas foram vítimas de violência sexual, por dia, no Brasil. Neste período, 308.077 mil meninas até os 17 anos de idade sofreram esse tipo de violência no país.

Se considerado somente o ano de 2024, foram registrados 45.435 casos, uma média de 3,78 mil notificações por mês.

Os dados analisados pelo Mapa Nacional da Violência de Gênero foram levantados diretamente do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, e divulgados nesta segunda-feira (18) para marcar o Dia Nacional do Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

O Mapa Nacional da Violência de Gênero é uma parceria entre o Observatório da Mulher contra Violência (OMV) do Senado Federal; Instituto Natura e a Associação Gênero e Número.

Os números ainda não refletem a realidade brasileira, de acordo com a diretora executiva da associação Gênero e Número, Vitória Régia da Silva, porque a violência de gênero, incluindo a violência sexual, ainda é profundamente subnotificada.

Ela acrescenta que o país ainda enfrenta problemas relacionados à qualidade da informação, integração e padronização das bases de dados públicas.

“Isso limita não apenas a compreensão da violência, mas também a capacidade de formular respostas públicas mais eficazes”, avalia.

Violência crescente

A série histórica revela que o crescimento da violência sexual contra meninas até 17 anos na última década é considerado alarmante. Desde 2011, o aumento acumulado de casos chega a 29,35%.

A tendência de alta foi interrompida apenas em 2020. Naquele ano, houve uma queda de 13,76%, que os especialistas atribuem à provável subnotificação causada pela pandemia da covid-19.

Os números voltaram a subir (22,75%) no ano seguinte, em 2021. O pico dessa escalada ocorreu em 2023, com a maior taxa de crescimento da série (37,22%).

Em 2024, o índice continua em ascensão.

Para a coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal, Maria Teresa Prado, é urgente “fortalecer políticas públicas de prevenção, proteção e garantia de direitos para meninas e adolescentes no país”.

Meninas negras

O levantamento divulgado pelo Mapa Nacional da Violência de Gênero destaca que as meninas negras se encontram em maior vulnerabilidade. Ao longo da série histórica (2011 a 2024), elas foram vítimas de 56,5% dos casos.

Somente em 2024, as meninas negras (pardas e pretas) foram mais da metade das vítimas (52,3%) do total de 45.435 casos de violência sexual contra meninas.

No detalhamento do perfil racial das vítimas, no caso de meninas pardas, foram 22.553 ocorrências, em 2024. Quando somadas às notificações das vítimas crianças e adolescentes pretas (1.223 casos), o índice alcança 23.776 casos de violência sexual.

Há também as meninas brancas, com 16.771 registros; a população amarela, 769 casos; e crianças e adolescentes indígenas, 342 casos.

Outros 3.777 casos não trouxeram informações sobre raça/cor das vítimas.

Vínculo

Pais, mães, padrastos/madrastas e/ou irmãos aparecem de forma recorrente entre os autores da violência sexual contra meninas.

A análise técnica concluiu que a média do número de casos em que o agressor tem vínculo familiar com mãe, pai, irmão, irmã, padrasto e madrasta da vítima representa, entre 2011 e 2024, 31%, ou seja, cerca de um terço do total.

A líder de Políticas Públicas pelo Fim da Violência contra Mulheres do Instituto Natura, a antropóloga Beatriz Accioly, desconstrói a ideia de que a violência sexual é um crime cometido por estranhos e foca na realidade de que o perigo, muitas vezes, está dentro de casa.

“Falar de violência sexual contra crianças e adolescentes exige abandonar um fantasia confortável, a de que a infância está naturalmente protegida pela família. Os dados mostram outra coisa. Mostram que a casa também pode ser lugar de risco e que a proteção depende de adultos, instituições e serviços capazes de perceber o que muitas vezes não aparece como pedido explícito de ajuda”, afirma.

Para ela, o combate à violência sexual passa pela atenção dos profissionais da rede básica de saúde e da educação.

“Uma criança não vai sozinha à delegacia. Isso significa que a nossa linha de frente e porta de entrada para a denúncia não é a Segurança Pública, mas sim a educação e a saúde”, diz.

Faixa etária

O Mapa Nacional da Violência de Gênero aponta que crianças e adolescentes são o segundo grupo etário que mais sofre violência sexual no Brasil, depois de jovens dos 18 aos 29 anos.

Do cruzamento de dados do Sinesp Validador de Dados Estatísticos (VDE), que reúne dados oficiais sobre segurança pública, e a Base Nacional de Boletins de Ocorrência (BNBO), a análise sobre o primeiro trimestre de 2025 contabilizou 8.662 casos de violência sexual, sendo que 2.776 dessas vítimas eram crianças ou adolescentes.

Violência por sexo

A 19ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, lançado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que no caso específico do estupro de vulnerável, embora mais de 11 mil vítimas do sexo masculino tenham sido registradas ao longo do ano, o número de meninas vítimas desse crime chega quase a 56 mil, em 2024.

Isso significa que, para cada menino vítima de estupro de vulnerável em 2024, houve cinco meninas vitimadas.

Enquanto as meninas de 13 anos são as mais vitimizadas, as duas idades mais recorrentes entre os meninos são os 4 e os 13 anos.

Quando considerada as faixas etárias, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública observa que 33,9% dos casos envolvendo vítimas do sexo feminino ocorreram com meninas entre 10 e 13 anos.

O documento conclui que é possível que os números relacionados a estupros de vulnerável masculino estejam subdimensionados “considerando as barreiras sociais e simbólicas que dificultam a denúncia por meninos e homens” deste tipo de crime.

Disque 100

O Disque 100 (Disque Direitos Humanos), coordenado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), registrou mais de 32.742 violações sexuais contra crianças e adolescentes de janeiro a abril de 2026, um aumento de 49,48% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando houve 21.904 violações sexuais.

As 32,7 mil denúncias são parte do total de 116,8 mil denúncias registradas no Disque 100, no primeiro quadrimestre de 2026.

Como denunciar

Os casos de suspeita ou confirmação de violência sexual contra crianças e adolescentes devem ser denunciados no Disque 100.

O serviço é gratuito, funciona 24 horas por dia e permite atendimento anônimo.

Os casos são analisados individualmente e encaminhados, para o Conselho Tutelar, além de outros órgãos, como Ministério Público, delegacias especializadas e serviços de assistência social.

Discando gratuitamente para o número 100, o denunciante também pode receber orientações sobre seus direitos e outros serviços de atendimento próximos.

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Em depoimento, tenente-coronel que matou esposa disse ter “testosterona de jovem”

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, ao lado de sua esposa, Gisele Alves Santana
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto e a soldada e sua esposa, Gisele Alves Santana. Foto: Reprodução

O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, acusado de matar a mulher, a soldado Gisele Alves Santana, de 32, alegou em depoimento ter nível de testosterona equivalente ao de um jovem entre 16 e 21 anos. A declaração foi dada ao tratar da pressão por relações sexuais apontada no inquérito.

Segundo o relato, o oficial citou exames feitos no fim de janeiro que teriam indicado testosterona em 939. Ele afirmou que o índice foi alcançado “sem reposição hormonal”. O Metrópoles também informou que o militar falou em libido “altíssima” durante depoimento à Polícia Civil.

Mensagens extraídas do celular de Gisele mostram que Geraldo tratava a vida sexual do casal como contrapartida pelo fato de pagar despesas do apartamento onde os dois moravam, no Brás, em São Paulo. “Eu contribuo com o dinheiro, sou o provedor. Você contribui com carinho, atenção, amor e sexo”, escreveu ele em uma das conversas analisadas pela polícia.

Gisele rejeitou a cobrança e respondeu que não aceitava trocar sexo por moradia. “Por mim, separamos. Não vou trocar sexo por moradia. Ponto final”, afirmou em mensagem citada na investigação. Para a polícia, as conversas indicam desgaste no relacionamento e pressão do oficial contra a vítima.

A soldado morreu em 18 de fevereiro, dentro do apartamento do casal, com um tiro na cabeça. A primeira versão apresentada por Geraldo foi a de suicídio, mas a investigação mudou de rumo após perícias apontarem sinais incompatíveis com essa hipótese.

Laudos indicaram que a cena do crime foi alterada e que Gisele apresentava sinais de esganadura e luta corporal antes do disparo fatal. O laudo sexológico apontou indícios de relação sexual em período próximo à morte, contrariando a versão do tenente-coronel de que o casal não mantinha relação conjugal.

Geraldo Leite Rosa Neto está preso preventivamente e responde por feminicídio e fraude processual. A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo abriu procedimento que pode levar à expulsão do oficial da corporação.

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“Vou tomar banho”: as frases inusitadas do tenente-coronel após a morte da esposa PM

Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto aparece sem camisa no corredor do apartamento. Foto: Divulgação

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de assassinar sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, foi preso após uma série de comportamentos considerados “atípicos” e “gélidos” durante a investigação de sua morte. A soldado foi encontrada baleada na cabeça em 18 de fevereiro, e o oficial, que inicialmente alegou suicídio, é agora suspeito de feminicídio e fraude processual. “Irmão, é tiro de .40”, disse Neto, com frieza, ao ser informado sobre o estado de saúde de Gisele, que ainda apresentava sinais vitais na ocasião. Com informações do Globo.

O comportamento de Neto, registrado por câmeras corporais da polícia, gerou desconfiança. O oficial insistiu em tomar banho, mesmo após ser alertado sobre o risco de destruir provas, como resíduos de pólvora nas mãos. “Eu sei o que estou falando… eu vou tomar banho, irmão!”, afirmou. Além disso, Neto demonstrou irritação quando percebeu que os policiais haviam alterado a disposição do quarto, questionando: “Quem foi que fez isso?”. Esse comportamento, somado à tentativa de alterar a cena, levou à prisão preventiva do tenente-coronel, que nega a acusação de homicídio.

A investigação da Polícia Civil e os laudos periciais apontam que Gisele foi abordada de forma deliberada. O tiro foi disparado com a arma encostada na têmpora da vítima, e os exames confirmaram que o disparo não foi compatível com um suicídio. A posição da arma, que estava na mão da vítima, e as manchas de sangue encontradas na bermuda de Neto também desmentem a versão inicial apresentada por ele. A perícia identificou ainda marcas de sangue no banheiro, contradizendo a narrativa de que Neto estava distante da cena do crime.

Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto e a soldado Gisele Alves. Foto: Reprodução

Relatos de colegas de trabalho de Gisele indicam que o relacionamento do casal era marcado por ciúmes e controle excessivo por parte de Neto. Ele frequentemente aparecia no ambiente de trabalho da esposa, utilizando sua posição hierárquica para desqualificar profissionalmente a soldado e monitorar suas atividades. O comportamento controlador de Neto gerou desconforto entre os colegas de Gisele, que relatam situações constrangedoras causadas pelo oficial.

A defesa de Neto, que insiste na tese do suicídio, entrou com um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para reverter a decisão de prisão preventiva. Os advogados alegam que houve uma descontextualização dos elementos utilizados para justificar a prisão e que aspectos da vida privada de Neto foram indevidamente expostos. A investigação continua, e a Polícia Civil segue trabalhando para esclarecer completamente os eventos que levaram à morte de Gisele.

O caso está gerando grande repercussão, com denúncias de abuso psicológico e de controle de Neto sobre sua esposa. A prisão do tenente-coronel reflete o avanço das investigações de feminicídio e a busca por justiça, enquanto o impacto emocional na família e colegas de Gisele continua sendo um tema central da discussão.

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VÍDEO: Câmeras corporais revelam atrito entre policiais e tenente-coronel que matou PM

Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto aparece sem camisa no corredor do apartamento. Foto: Divulgação

Gravações de câmeras corporais de policiais militares mostram a disputa de poder entre o tenente-coronel Geraldo Neto e um cabo da PM no apartamento onde sua esposa, a soldado Gisele Alves, foi baleada na cabeça. O caso, ocorrido no dia 18 de fevereiro, levanta suspeitas sobre a versão de suicídio defendida por Neto, que está preso preventivamente e é réu por feminicídio e fraude processual. Gisele foi socorrida, mas morreu no mesmo dia no hospital. As informações são do g1.

Nos vídeos, captados por uma câmera corporal do cabo, é possível ver o tenente-coronel insistindo para tomar banho, mesmo contra as ordens dos policiais que estavam preservando a cena do crime. “Eu vou tomar banho, irmão”, disse Neto, desobedecendo a orientação de que ele deveria apenas vestir uma camiseta e calça para seguir à delegacia. A tensão entre os PMs e o oficial de alta patente é evidente, e o comportamento de Neto levanta suspeitas de que ele tenha tentado alterar evidências da cena do crime.

Ao ser questionado, Neto afirmou que estava no banho quando ouviu o disparo e que não havia tomado banho completo. No entanto, o cabo, ciente da importância de preservar a cena, temia que Neto apagasse possíveis provas. “Se tomar banho vai perder tudo os baguio [vestígios] da mão”, comentou o cabo, evidenciando o receio de que resquícios de pólvora fossem apagados antes da perícia.

A insistência de Neto em tomar banho, apesar das advertências, foi um ponto-chave nas investigações. O exame de resíduos feito nas mãos do oficial após o banho não encontrou vestígios de pólvora, o que corrobora a hipótese de que ele não tenha disparado a arma. “Se fosse um paisano a gente já arrasta para perto”, disse o cabo, sugerindo que, se fosse uma pessoa comum, o tratamento seria diferente.

O caso ganhou contornos ainda mais complicados quando o tenente-coronel começou a circular pelo apartamento e a permitir que outros policiais entrassem e limpassem a cena. Segundo as gravações, Neto voltou ao imóvel diversas vezes, acompanhado de pessoas, e retirou itens do local, ações que aumentaram as dúvidas sobre a integridade da cena do crime.

A polícia agora investiga não apenas a versão de Neto, mas também o possível desvio de conduta de agentes que permitiram suas ações. Em coletiva de imprensa, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que “caso seja constatada irregularidade de qualquer agente, as medidas cabíveis serão adotadas.” A defesa de Neto ainda não se manifestou, mas já havia declarado anteriormente que o caso se tratava de um suicídio.

Intimidação – Gravações das câmeras corporais de policiais militares mostram a disputa de poder hierárquico entre um cabo _ que queria preservar o local onde a soldado Gisele Alves foi baleada na cabeça _, e a autoridade de um oficial de alta patente, o marido dela, o… pic.twitter.com/zdJNJB5cq5

— g1 (@g1) March 20, 2026

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Lula se reúne com mãe de vítima de feminicídio arrastada na Marginal Tietê

Lula com Lúcia Aparecida, mãe de Tainara Souza Santos. Imagem: reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu, na última quinta-feira (19), em São Paulo, com Lúcia Aparecida, mãe de Tainara Souza Santos, de 31 anos, vítima de feminicídio na capital paulista. O encontro ocorreu durante a 17ª Caravana Federativa, no Expo Center Norte, e contou com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes.

Tainara foi atropelada e arrastada por mais de 1 km pelo ex-companheiro, Douglas Alves da Silva, de 26 anos, em 29 de novembro. Ela ficou internada por quase um mês no Hospital das Clínicas, chegou a ter as duas pernas amputadas e morreu em decorrência de falência múltipla dos órgãos. O suspeito foi preso dias após o crime.

Douglas Alves da Silva, o suspeito de ter arrastado Tainara na Marginal Tietê.

A reunião aconteceu após discurso de Lula sobre o combate à violência contra a mulher, no qual o presidente fez um apelo por mudanças culturais e maior mobilização da sociedade contra o feminicídio. O caso gerou comoção e mobilizou atos públicos na capital paulista.

Em homenagem à vítima, foi inaugurado um mural de mais de 140 metros no Parque Novo Mundo, local onde o crime ocorreu. A obra foi feita por mais de 35 grafiteiras e reuniu movimentos sociais, moradores e autoridades, incluindo as ministras Marina Silva e Sonia Guajajara.

Durante o ato, a mãe de Tainara relatou a violência sofrida pela filha: “Foi atropelada, arrastada, presa embaixo de um carro, parecendo um saco de lixo”. Autoridades reforçaram a necessidade de combater o feminicídio, destacando que cerca de 1.500 mulheres são assassinadas por ano no Brasil.

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Estudo aponta uso de arma de fogo em 47% dos homicídios de mulheres no país

Grupo faz passeata pelas ruas da Lapa em defesa dos direitos das mulheres e contra a violência (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Quase metade dos homicídios de mulheres no Brasil em 2024 foi cometida com arma de fogo, segundo levantamento divulgado neste domingo (8) pelo Instituto Sou da Paz. O estudo mostra que 47% das mortes violentas de mulheres registradas no país naquele ano ocorreram com esse tipo de arma.

De acordo com a pesquisa “Pela Vida das Mulheres: o Papel da Arma de Fogo na Violência de Gênero”, o país registrou 3.642 homicídios de mulheres em 2024. Os dados são do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.

O total inclui todas as mortes classificadas como homicídio, como feminicídios, agressões letais e casos decorrentes de intervenção policial, conforme a metodologia adotada no estudo.

Entre 2020 e 2024, os homicídios de mulheres tiveram redução de 5%. No mesmo período, as mortes de homens caíram 15%. As mortes de mulheres por arma de fogo apresentaram queda de 12% nesse intervalo, embora o instrumento continue sendo o mais utilizado nesses crimes.

Segundo a pesquisadora em segurança pública do Instituto Sou da Paz, Malu Pinheiro, o alto poder letal das armas de fogo ajuda a explicar a predominância desse meio nas mortes de mulheres. “Nos casos de feminicídio em que foram utilizadas armas de fogo, há até 85% mais chances de a vítima morrer do que quando outros meios de agressão são utilizados”, afirmou.

INFOGRÁFICO – Homicídios de mulheres no Brasil – Foto: Arte/g1

O levantamento aponta que 1.492 homicídios de mulheres registrados em 2024 foram classificados como feminicídio, quando o crime ocorre em razão da condição de gênero da vítima. Esses casos representaram cerca de 40% das mortes de mulheres registradas no país.

Entre os feminicídios, o meio mais utilizado foi a arma branca, responsável por 48% dos casos, seguida pelas armas de fogo, presentes em 23% dos crimes.

Os dados também indicam que grande parte das mortes ocorre dentro de residências. Em 2024, 35% dos homicídios de mulheres foram registrados em casa e 29% em vias públicas. Quando são excluídos os casos sem informação sobre o local, 45% ocorreram em residências e 37% em espaços públicos.

O estudo também aponta o perfil das vítimas. Mulheres negras, considerando pretas e pardas, representaram 67,5% das vítimas de homicídio no país. A maioria das mortes ocorreu entre mulheres de 18 a 44 anos, faixa etária que concentra 68% dos casos.

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Deputado do MBL provoca tumulto em ato do Dia da Mulher na Avenida Paulista

Guto Zacarias em debate – Imagem: Fábio Vieira/Especial Metrópoles @fabiovieirafotorua

O deputado estadual Guto Zacarias (União Brasil), ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), provocou tumulto na Avenida Paulista na tarde deste domingo (8), durante uma manifestação organizada por grupos de esquerda no Dia Internacional da Mulher.

O parlamentar montou uma tenda no local da manifestação com um cartaz que dizia: “Pix de R$ 1 mil pra quem me convencer que Lula está fazendo um bom governo”. A ação ocorreu enquanto manifestantes participavam de um ato que tinha como pauta principal o combate ao feminicídio.

A presença do deputado e a mensagem exibida no cartaz provocaram reação de manifestantes. Um grupo se aproximou da tenda e iniciou uma discussão com Zacarias, pedindo em coro que ele recuasse do local.

A iniciativa do parlamentar ocorreu de forma semelhante à de outros políticos de direita presentes na Avenida Paulista. O vereador de São Paulo Lucas Pavanato (PL) também participou de ações durante os atos realizados na data.

A manifestação organizada por movimentos de esquerda reuniu participantes que levaram às ruas pautas relacionadas ao enfrentamento da violência contra mulheres. Entre as reivindicações estavam o combate aos feminicídios e melhorias nas condições de trabalho.

Outras demandas apresentadas durante o ato incluíam o fim da escala de trabalho 6×1, críticas à violência policial contra populações negras e periféricas e a retomada do serviço de aborto legal no Hospital Vila Nova Cachoeirinha.

Pela manhã, a Avenida Paulista também recebeu uma caminhada convocada por lideranças políticas de direita. Entre elas estava a vereadora Ana Carolina Oliveira (Podemos), mãe de Isabella Nardoni, morta em 2008 aos 5 anos de idade.

Durante discurso no evento, a vereadora afirmou: “Eu sou uma vítima que ficou”. Ela também declarou: “Quem fala sobre quem ficou? Precisamos falar sobre os filhos do feminicídio, as famílias do entorno, porque muitas dessas mulheres são mães. Eu sou uma vítima secundária, então a gente precisa falar também sobre os cuidados com quem está fica.”

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Quem é essa mulher? Conheça as políticas públicas de combate ao feminicídio do governo Lula

O enfrentamento ao feminicídio é uma prioridade da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia federal do combate à violência contra a mulher é organizada em programas e marcos legais que combinam endurecimento penal, articulação institucional, ampliação da rede de proteção e promoção da autonomia econômica feminina.

Em 2025, o Brasil registrou 1.470 casos de feminicídio. Embora parte do aumento seja atribuída à melhoria na tipificação e à redução da subnotificação, o governo reconhece que o desafio estrutural permanece.

Conheça a seguir, na TVT News, os principais programas e políticas públicas que compõem essa estratégia:

Pacote Antifeminicídio (Lei nº 14.994/2024)

Sancionada em outubro de 2024, a lei criou o novo marco legal de enfrentamento à violência letal contra mulheres.

Principais mudanças:

  • Feminicídio passa a ser crime autônomo, e não mais apenas homicídio qualificado.
  • Pena ampliada para 20 a 40 anos de reclusão, a mais alta prevista no Código Penal.
  • Aumento de pena quando o crime ocorre:
    • Durante a gestação ou até três meses após o parto;
    • Contra menores de 14 anos, maiores de 60 ou pessoas com deficiência;
    • Na presença de filhos ou pais da vítima;
    • Em descumprimento de medida protetiva.

Restrições ao condenado:

  • Progressão de regime apenas após cumprimento mínimo de 55% da pena;
  • Perda automática do poder familiar;
  • Proibição de visitas íntimas;
  • Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica em saídas temporárias;
  • Impedimento para ocupar cargos públicos até o cumprimento total da pena.

Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios

Instituído em 2023, o pacto articula 11 ministérios e prevê investimento de R$ 2,5 bilhões em 73 ações.

Objetivos centrais:

  • Intervenção precoce em situações de risco.
  • Mudança cultural para enfrentamento do machismo estrutural.
  • Integração de políticas de saúde, educação, assistência social e segurança pública.
  • Priorização orçamentária para políticas de proteção às mulheres.

A estratégia do governo é alcançar a meta de Feminicídio Zero.

Pacto Brasil entre os Três Poderes (2026)

Firmado em fevereiro de 2026, o acordo reúne Executivo, Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.

Compromissos assumidos:

  • Celeridade no julgamento de casos de violência contra a mulher;
  • Cumprimento mais rápido de medidas protetivas de urgência;
  • Responsabilização efetiva de agressores;
  • Combate à violência de gênero também em ambientes digitais.

A iniciativa busca alinhar decisões judiciais, produção legislativa e execução administrativa.

Programa Mulher Viver sem Violência

Retomado em 2023, o programa coordena ações integradas de acolhimento e proteção.

Ele reúne serviços de:

  • Saúde;
  • Segurança pública;
  • Justiça;
  • Assistência social.

O foco é evitar que a vítima precise percorrer diferentes órgãos para buscar atendimento.

Casa da Mulher Brasileira (CMB)

A Casa da Mulher Brasileira é um dos principais equipamentos da política federal. As instituições possuem atendimento 24 horas, delegacia especializada, juizado, acesso ao Ministério Público e Defensoria, apoio psicossocial e acolhimento temporário.

Até 2025, 11 unidades estavam em funcionamento e 31 em implementação. O governo investiu R$ 373 milhões para novos serviços especializados, incluindo Centros de Referência no interior.

Modernização do Ligue 180

O Ligue 180 passou por reformulação tecnológica e operacional. As novidades incluem atendimento 24 horas por dia e também por canais digitais, incluindo Whatsapp; além de atendimento em Libras, com uma equipe especializada em múltiplos idiomas.

Em 2025, o serviço registrou cerca de um milhão de atendimentos, funcionando como porta de entrada para a rede de proteção.

Auxílio-Aluguel como Medida Protetiva

Mulheres em situação de vulnerabilidade passaram a poder receber auxílio-moradia por até seis meses, sendo necessário a determinação de um juiz.

A medida busca garantir afastamento imediato do agressor e romper ciclos de dependência financeira.

Lei da Igualdade Salarial (Lei nº 14.611/2023)

Embora não seja exclusivamente voltada à violência, a política é considerada eixo preventivo.

A lei tornou obrigatória a equiparação salarial entre homens e mulheres que exercem funções idênticas.

Regras principais:

  • Empresas com 100 ou mais empregados devem publicar relatórios semestrais de transparência salarial;
  • Multa de 3% da folha de pagamentos (limitada a 100 salários-mínimos) em caso de descumprimento;
  • Empresas têm 90 dias para apresentar plano de ação caso seja identificada desigualdade.

Dados oficiais indicam que mulheres recebem, em média, cerca de 20% a menos que homens em cargos semelhantes. Entre mulheres negras, a diferença chega a 39,2%. A dependência econômica é um dos principais fatores que dificultam a ruptura com relações abusivas.

Desafios estruturais

Apesar do arcabouço legal mais rigoroso da história brasileira, o país ainda enfrenta altos índices de violência de gênero. Mulheres dedicam quase o dobro do tempo dos homens ao trabalho doméstico, e menos de um quarto das empresas oferecem auxílio-creche.

O desafio do governo, agora, é garantir que delegacias especializadas funcionem 24 horas em todo o território nacional e que as políticas cheguem aos municípios menores, fortalecendo uma rede capaz de prevenir, proteger e punir com efetividade.

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Feminicídio aumenta 96% no estado de SP, em quatro anos

O número de vítimas de feminicídio no estado de São Paulo aumentou 96,4% em 2025, na comparação com 2021. No ano passado foram 270 mulheres mortas, ante 136 vítimas em 2021. Leia em TVT News.

Considerando os estados da Região Sudeste, 41% das mortes aconteceram em São Paulo. O levantamento é do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e foi divulgado nesta quarta-feira (4).

“O caso de São Paulo chama mais atenção pelo fato de ser um número muito grande em termos quantitativos, de 136 feminicídios para 270. Praticamente duplicou em 4 anos o número de feminicídios aqui no estado. E é um estado que já tinha uma consistência em relação à qualidade do registro da informação [no período analisado]”, disse Samira Bueno, diretora executiva do FBSP.

Diante disso, Samira afirma que há uma preocupação em relação à violência contra a mulher no estado. “Tem vários casos recentes [que ganharam visibilidade nos últimos meses], o que a gente está vendo na imprensa é, de algum modo, o que está se traduzindo nas estatísticas”, acrescentou.

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Brasil

Em todo o país, no mesmo período de comparação, houve um crescimento de 14,5% nos registros de vítimas de feminicídios. Só em 2025, foram 1.568 mulheres vítimas de feminicídio no Brasil.

Em 2022, na comparação com 2021, a alta foi de 7,6%. Na sequência, em 2023 e em 2024, na comparação com o ano imediatamente anterior, o crescimento ficou na ordem de 1% ao ano. No entanto, em 2025, observou-se um novo salto, dessa vez de 4,7% em um ano.

O FBSP avalia que essa inflexão mais recente rompe a estabilidade relativa – ainda que em patamar elevado – que perdurou nos anos de 2022, 2023 e 2024 e sinaliza um agravamento que não pode ser atribuído apenas ao aprimoramento dos registros desse tipo de crime.

feminicídio
Em 2025, novo salto de 4,7% em um ano em casos de feminicídio. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Violência urbana X violência doméstica

Segundo a entidade, a evolução das taxas de outros crimes contra mulheres, como ameaça, perseguição, violência psicológica, lesão corporal, estupro e tentativa de feminicídio, também vêm aumentando de forma consistente nos últimos anos, em todo país.

Os dados mostram que a redução das mortes de mulheres em contextos típicos da violência urbana (como conflitos armados, disputas em contexto de tráfico de drogas e vitimização difusa) ocorre em paralelo ao aumento da letalidade em contextos domésticos, familiares e afetivos.

“O crescimento dos feminicídios revela a persistência, e em certa medida o recrudescimento, da violência baseada em gênero no espaço privado”, diz a análise.

O fórum de segurança pública explica que, diferentemente da violência urbana, mais sensível a políticas de segurança pública tradicionais, a violência doméstica é fortemente influenciada por fatores estruturais como desigualdades de gênero, padrões culturais de dominação masculina, controle coercitivo e fragilidades na rede de proteção.

“O aumento da letalidade nesse contexto sugere dificuldades em interromper trajetórias de violência já conhecidas pelas instituições e aponta para limites na capacidade de prevenção, proteção e resposta do Estado antes que a violência alcance seu desfecho fatal”, avalia a entidade.

Medidas protetivas

Dos casos sobre os quais havia informação, 148 mulheres (13,1%) tinham Medida Protetiva de Urgência quando foram mortas. A análise desse elemento contempla 1.127 feminicídios em 16 unidades da federação.

Na avaliação do FBSP, o contingente expressivo de mulheres assassinadas mesmo após ter pedido socorro ao sistema de Justiça, mostra que a medida é insuficiente. 

“A concessão da medida protetiva, embora fundamental, não tem sido suficiente para impedir a letalidade em parcela relevante dos casos, o que impõe reflexão sobre monitoramento, fiscalização e integração da rede de proteção.”

A diretora executiva do fórum destaca que o Brasil tem uma das melhores legislações de proteção à mulher do mundo e, atualmente, a maior pena do Código Penal é para o feminicídio.

No entanto, Samira avalia que a solução não passa por mudar a legislação, mas fazer com que as leis sejam implementadas. 

“As forças de segurança falharam em proteger essas mulheres [que tinham medida protetiva] nesses casos. Então o problema não é a lei, o problema é que a gente muitas vezes não tem os recursos necessários para que as forças de segurança façam esse trabalho.”

A fiscalização da medida protetiva de urgência, explica Samira, é uma tarefa dos executivos – seja com guardas municipais, seja com polícias militares –, a quem cabe garantir que as mulheres sejam protegidas após decisão judicial que estabeleça alguma medida protetiva, como o impedimento de aproximação do agressor.

Em 2026 a Lei Maria da Penha completa 20 anos. Desde que foi implementada, o Brasil consolidou avanços no plano normativo de enfrentamento à violência de gênero, avalia o Fórum.

Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil

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