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É o fim das ondas de calor? Anvisa aprova medicamento não hormonal inédito para menopausa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na segunda-feira (22) um novo tratamento para os sintomas da menopausa que não utiliza hormônios.

A agência aprovou a chegada do fezolinetanto ao país através do Veoza, medicamento desenvolvido pela Astellas Farma.

O tratamento acontece por meio do consumo diário de um comprimido e é voltado para mulheres que não podem ou preferem não recorrer a terapia com reposição hormonal.

Como funciona o tratamento da menopausa sem hormônio?

As ondas de calor e os suores noturnos são dois dos grandes sintomas que o fezolinetanto busca tratar.

A substância bloqueia o receptor específico no qual a neurocinina B se encaixa nos neurônios. Sem a conexão, o hipotálamo regula a temperatura corpórea de maneira mais estável.

Ao invés de repor o estrogênio, hormônio usado nos demais tratamentos, o remédio ajuda a equilibrar o controle de temperatura do cérebro. Assim, a intercorrência e a intensidade dos sintomas são reduzidos.

A importância do remédio vai além do tratamento dos sintomas da menopausa. Quando as ondas de calor e os suores noturnos não são tratados, há o aumento do risco cardiovascular e de doenças neurodegenerativas, como a demência.

O fezolinetanto funciona?

A aprovação da Anvisa acontece após os resultados de três ensaios clínicos de Fase 3. Os testes incluíram mais de 3 mil pessoas na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá.

Segundo os dados, o fezolinetanto mostrou eficácia e segurança de curto e longo prazos. Além disso, o tratamento mostrou melhora na frequência e na intensidade dos sintomas.

Os resultados foram percebidos no primeiro dia de uso do remédio.

Ainda não foi divulgada uma data de lançamento no mercado brasileiro nem o preço recomendado do medicamento. Isso ainda será definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.

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Economista-chefe do BCE diz que inflação pode ficar acima da meta de 2% até 2027

O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, disse nesta terça-feira (23) que a inflação na zona do euro pode permanecer acima da meta oficial de 2% por um período prolongado, mesmo que se consolide uma trégua no Oriente Médio.

No último dia 11, o BCE elevou as taxas de juros em 25 pontos-base – o primeiro aumento desde 2023 – em uma decisão considerada “preventiva”, para evitar que a alta dos preços de energia contaminasse as expectativas de inflação no longo prazo.

Em discurso a parlamentares europeus em Bruxelas, Lane afirmou que a inflação pode seguir bem acima da meta até a primeira metade de 2027, após ter ultrapassado 3% no mês passado.

“Embora o progresso recente em direção a uma resolução do conflito no Oriente Médio seja bem-vindo, a incerteza permanece elevada e há riscos contínuos de a inflação ficar acima da nossa meta de 2% no médio prazo por um período considerável”, disse ele.

Lane acrescentou que a inflação elevada e a energia cara devem pesar sobre a atividade econômica, mas avaliou que o impacto tende a ser limitado, diante de um mercado de trabalho ainda sólido, de investimentos robustos em inteligência artificial e de gastos públicos com defesa e infraestrutura.

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Em concessão histórica, EUA permitem que Irã venda petróleo em dólar

O governo dos Estados Unidos suspendeu temporariamente as sanções que impediam o Irã de vender petróleo em dólar, em um movimento que reverte uma das peças centrais da estratégia americana de pressão sobre o regime iraniano nas últimas décadas.

Isso significa que, pela primeira vez em quase 40 anos, refinarias americanas terão a opção legal de comprar petróleo bruto do Irã. A decisão veio acompanhada do anúncio, pelo vice-presidente JD Vance, de que o Irã teria concordado em receber de volta os inspetores nucleares da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O Departamento do Tesouro americano emitiu nesta segunda-feira (22) um waiver com validade de 60 dias, autorizando a venda de petróleo iraniano em dólar enquanto avançam as negociações para reabrir o Estreito de Ormuz, lidar com o programa nuclear iraniano e discutir alívios adicionais de sanções.

A liberação se aplica a transações em dólar, incluindo para compradores americanos. Por anos, o Irã foi obrigado a usar uma rede oculta de petroleiros sob sanções para vender seu petróleo, majoritariamente para refinarias chinesas. 

Agora, bancos iranianos podem receber pagamentos diretamente do exterior, o que permite ao regime repatriar suas receitas de petróleo com mais facilidade. A medida vai além do waiver temporário emitido pelo Tesouro em março, que permitiu ao Irã vender o petróleo já embarcado mas mantinha as restrições sobre transações em dólar.

O alívio histórico

A liberação representa “uma ruptura fundamental com a arquitetura de sanções ao Irã construída pelo Congresso ao longo das últimas duas décadas”, segundo Miad Maleki, ex-funcionário sênior do Tesouro americano que hoje trabalha na Foundation for Defense of Democracies. 

O waiver também isenta entidades iranianas, incluindo o Banco Central do país, das sanções voltadas a atividades de terrorismo, não apenas das relacionadas ao programa nuclear.

As relações entre Estados Unidos e Irã estão tensionadas desde a crise dos reféns de 1979, quando 52 cidadãos americanos foram mantidos reféns na embaixada dos EUA em Teerã. Em 1995, o presidente Bill Clinton determinou o embargo total ao petróleo iraniano. 

Os volumes que tinham chegado a 850 mil barris por dia em 1977 caíram a zero poucos meses depois da ascensão do aiatolá Ruhollah Khomeini ao poder. Chevron e Marathon Petroleum estavam entre as últimas refinarias americanas a importarem petróleo iraniano, em 1991.

Operadores europeus já procuraram comprar petróleo iraniano após o anúncio, segundo Hamid Hosseini, porta-voz da União de Exportadores de Petróleo de Teerã. Mas, segundo Hosseini, nenhuma empresa americana entrou em contato até agora.

Normalização

A trégua interina alcançada na semana passada inclui a reabertura do Estreito de Ormuz, ponto crítico por onde flui até 20% do petróleo mundial. 

O tráfego marítimo na região aparentou acelerar ao longo do fim de semana, contrariando o anúncio iraniano de que teria fechado o estreito novamente. Mesmo assim, o número de navios passando diariamente ainda é fração do nível pré-guerra.

Em maio, o governo americano impôs um bloqueio aos portos iranianos, asfixiando a economia do regime, dependente das exportações. Com o acordo, o bloqueio foi retirado, e a venda de petróleo foi autorizada.

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Milei autoriza nova dívida de até US$ 5 bilhões para reforçar o caixa da Argentina

O governo da Argentina autorizou a contratação de até US$ 5 bilhões em novas dívidas denominadas em dólares, enquanto busca garantir financiamento com respaldo de instituições multilaterais antes dos próximos vencimentos de sua dívida.

O decreto, assinado pelo presidente Javier Milei e membros do gabinete, estabelece a estrutura legal para futuras operações de financiamento, com contratos regidos pela legislação de Nova York e sujeitos à jurisdição dos tribunais dos Estados Unidos.

A medida define o tamanho máximo da operação de dívida que a Argentina pretende obter com o apoio de organismos multilaterais, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Segundo o texto, o objetivo é “reduzir os custos de financiamento do Tesouro Nacional” por meio de empréstimos em dólares concedidos por instituições financeiras internacionalmente reconhecidas e respaldados por garantias parciais de organismos multilaterais.

Garantir financiamento é crucial para a Argentina, que enfrenta pagamentos significativos de dívida nos próximos anos. O compromisso mais imediato é um desembolso de quase US$ 4,5 bilhões já no próximo mês. A partir de 2027, o serviço da dívida externa do país deverá superar US$ 20 bilhões por ano.

“A prioridade é minimizar os custos de financiamento”, afirmou Daniel Chodos, sócio da Dhalmore Capital. Segundo ele, ao estruturar empréstimos por meio de bancos internacionais com garantias parciais de instituições multilaterais, o governo consegue captar recursos a taxas significativamente menores do que as disponíveis no mercado.

O governo Milei tem evitado emitir títulos nos mercados internacionais, considerando que os custos ainda são elevados e não refletem a melhora dos indicadores macroeconômicos da Argentina.

A obtenção de fontes alternativas e mais baratas de financiamento tem sido uma das prioridades do ministro da Economia, Luis Caputo. Até agora, o governo tem recorrido a alternativas como títulos locais denominados em dólares, compras de moeda estrangeira pelo banco central e a futura operação de financiamento respaldada por organismos multilaterais.

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Como a falta de pressa dos produtores brasileiros tem pressionado o mercado global de café

Os comerciantes de café apostam que a safra recorde do Brasil aliviará a escassez global de oferta, mas os cafeicultores do maior produtor mundial não têm pressa em vender os grãos, o que pressiona o abastecimento nos países consumidores.

A expectativa é de que o Brasil colha um recorde de 75,3 milhões de sacas de café na safra atual, mas os estoques nos armazéns das bolsas americanas e europeias ainda estão no nível mais baixo desde março de 2024. Essa dinâmica tem alimentado a volatilidade no mercado futuro, à medida que as empresas conciliam as expectativas de uma safra recorde, estoques mundiais ainda baixos, e vendas do grão mais lentas do que o esperado.

Os cafeicultores geralmente negociam parte da safra futura para ajudar a cobrir os custos de produção e também para se protegerem de oscilações negativas de preços. Mas eles não precisam vender muito antecipadamente este ano, já que lucraram com as recentes altas do mercado.

Os contratos futuros de arábica vinham subindo constantemente desde meados de 2023 e atingiram, duas vezes, picos históricos acima de US$ 4 por libra no ano passado. Os preços já caíram cerca de 40% em relação a esses patamares, o que é um desincentivo para vender.

“O vento está soprando a favor dos agricultores”, disse Simão Pedro de Lima, diretor-presidente executivo da Expocacer, uma cooperativa do Cerrado Mineiro.  Neste momento, eles “não se sentem pressionados” a começar a comercializar a produção.

Pouco mais de 20% dos grãos de arábica que se espera colher na safra atual tinham sido negociados até 11 de junho, enquanto as vendas de conilon, o robusta brasileiro, estavam em 14%, de acordo com uma pesquisa mensal da Safras & Mercado. Em condições normais, os produtores vendem entre 30% e 40% da nova safra de arábica no início da temporada, disse Lima, referindo-se à variedade que o Brasil mais exporta.

Já as vendas dos novos grãos de conilon no estado do Espírito Santo também estavam abaixo do esperado, em 10%, um terço dos níveis da safra passada e um quarto da média histórica, afirmou Edimilson Calegari, gerente corporativo de comercialização da cooperativa Cooabriel, que compra café de cerca de 10.000 produtores e vende sua produção principalmente no mercado interno.

O conilon é da espécie Coffea canephora, a mesma do robusta, variedade que é principalmente produzida no Vietnam.  

Nos últimos dias, o mercado também começou a reagir às preocupações com os estoques reduzidos nas bolsas e com o fenômeno climático El Niño, que teve início no começo deste ano. O contrato de arábica mais negociado atingiu a maior cotação em cerca de três semanas na última quinta-feira, antes de zerar os ganhos.

Um El Niño forte pode reduzir ou diminuir as chuvas durante o período de floração do café, que para o conilon ocorre tipicamente entre julho e setembro. Pior ainda, também pode afetar as chuvas durante o enchimento dos grãos em novembro, dezembro e janeiro, o que ocorreu entre 2023 e 2024 e causou perdas significativas, disse Calegari.

O padrão climático, além das recentes chuvas intensas no cinturão de arábica do Brasil, têm dado suporte aos preços, afirmou Carlos Mera, chefe de pesquisa de mercado de commodities agrícolas do Rabobank. As janelas de entrega de julho e setembro “provavelmente trarão muita volatilidade” para o mercado futuro, acrescentou.

A relutância dos produtores em fechar negócios, mesmo com a colheita em andamento, “atrasou os fluxos de grandes volumes que o mercado esperava já estar observando a esta altura”, disse Leonardo Rossetti, analista do StoneX Group. E não é só o Brasil, acrescenta.

Agricultores do Vietnã, o maior produtor mundial de robusta, e da Indonésia também têm adiado as vendas em meio à queda dos preços do café. Mas isso representa riscos, já que a chegada da safra recorde brasileira em julho e agosto provavelmente pressionará os preços para baixo, afirmou.

“O café existe… mas talvez demore um pouco mais para navegar”, disse Marcelo Moreira, analista da Archer Consulting, sobre as safras do Brasil e de outros países produtores importantes. “Não há motivo para pânico.”

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EUA e Irã mantêm negociações na Suíça mesmo após declarações de Trump ameaçarem acordo

Os Estados Unidos e o Irã deram início neste domingo (21) as negociações na Suíça para tentar fechar um acordo de paz sobre o programa nuclear iraniano e garantir a reabertura permanente do Estreito de Ormuz. As conversações chegaram a ficar ameaçadas após o presidente americano Donald Trump ter voltado a ameaçar com novos ataques, caso o Hezbollah não cesse suas ofensivas contra Israel no Líbano.

O início das tratativas foi marcado por confusão: a mídia iraniana chegou a noticiar que Teerã havia suspendido as negociações após a mais recente ameaça de Trump. Porém outras fontes a par do assunto garantiram que as conversas continuam.

As primeiras reuniões de alto nível reuniram representantes dos EUA, Irã, Catar e Paquistão no resort suíço de Bürgenstock. Entre os presentes estavam o vice-presidente americano JD Vance e o chanceler iraniano Abbas Araghchi.

Já com as reuniões em curso, Trump publicou em suas redes sociais que atacaria o Irã novamente caso o país não “cessasse imediatamente suas PROXIES bem pagas no Líbano de causar problemas”, em menção ao Hezbollah. Depois, em entrevista à Fox News, o presidente afirmou ter dito diretamente às lideranças iranianas que, se fecharem Ormuz, “vocês nem vão conseguir voltar” ao Irã.

Negociação longa pela frente

Vance foi cuidadoso ao calibrar as expectativas. “O que hoje representa é o início de uma negociação técnica que não vai resolver todos os desacordos”, disse o vice-presidente a jornalistas, ao lado dos mediadores do Catar e do Paquistão. Os negociadores globais de Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff, já vinham conduzindo conversas técnicas preparatórias.

Segundo fonte familiarizada com as discussões, que pediu anonimato por se tratar de informações sensíveis, uma resolução para o conflito no Líbano será determinante para o sucesso das negociações — o que, na prática, faz o desfecho depender também do aval de Israel, país que não participou dos entendimentos que levaram ao acordo interino.

Entre os temas prioritários estão o Estreito de Ormuz, as sanções americanas e a devolução de ativos iranianos congelados no exterior. As conversações em formato quadripartite tiveram início às 14h45 (horário local) e se estenderam pela noite de domingo.

Ormuz no centro das tensões

No sábado, Teerã acusou Israel de violar o cessar-fogo no Líbano e anunciou que fecharia novamente o Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo e gás negociado no mundo. Apesar do anúncio, os dados de rastreamento de navios mostraram que milhões de barris continuaram a fluir normalmente pelo canal.

O Comando Central dos EUA informou que o tráfego de embarcações comerciais aumentou no sábado, com 55 navios mercantes em trânsito transportando mais de 17 milhões de barris de petróleo. O secretário de Energia, Chris Wright, afirmou que os EUA seguem escoltando navios e “demonstrando que conseguem cruzar o estreito com ou sem” o consentimento iraniano.

Pelo memorando de entendimento assinado por Trump na quarta-feira, as partes têm 60 dias para negociar — com possibilidade de prorrogação. O acordo já levou Washington a suspender o bloqueio naval aos portos iranianos e a prometer flexibilização das sanções sobre o petróleo do país. Em contrapartida, o Irã se comprometeu a reabrir Ormuz, embora tenha avisado que passará a exigir autorização prévia e seguro obrigatório para o trânsito de navios — condição rejeitada pelos EUA, Europa e países árabes do Golfo.

Israel complica o cenário

Israel, parceiro dos EUA na guerra contra o Irã iniciada em 28 de fevereiro, trava simultaneamente uma campanha contra o Hezbollah no Líbano — conflito que já matou milhares de pessoas e deslocou mais de 1 milhão de libaneses. Teerã insiste em vincular essa frente às negociações mais amplas com Washington.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, foi taxativo: “Não há e não haverá nenhuma restrição aos soldados das FDI no Líbano para agir contra ameaças”, afirmou, reiterando que Israel não retirará suas tropas da chamada Linha Amarela.

Trump já demonstrou frustração com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu por ataques anteriores que, na sua avaliação, arriscam comprometer as negociações com o Irã. Vance tentou equilibrar o discurso: “Israel tem o direito de se defender. Mas, fundamentalmente, os israelenses, assim como todos os demais, precisam respeitar este processo de paz, que é bom para eles e para toda a região.”

Ao final do dia, Vance se mostrou otimista: “As partes já fizeram grande progresso nas últimas horas. Espero que avanços adicionais sejam feitos nas próximas.”

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Irã suspende negociações com os EUA após Trump ameaçar novos ataques

O Irã interrompeu as negociações com os Estados Unidos depois que o presidente Donald Trump ameaçou realizar novos ataques ao país em razão das ações do Hezbollah no Líbano. A informação foi divulgada pela agência de notícias semioficial iraniana Fars.

Segundo a Fars, as conversas realizadas na Suíça estão em situação de incerteza, de acordo com fonte anônima. Outra agência semioficial iraniana, a Tasnim, informou que a delegação iraniana deixou o local das negociações, em território suíço.

No início deste domingo, enquanto as reuniões ainda estavam em andamento, Trump publicou nas redes sociais que voltaria a atacar o Irã caso o país não “interrompesse imediatamente seus PROXIES no Líbano de causar problemas”.

O presidente americano também ameaçou que os EUA poderiam passar a cobrar pedágios pelo estreito de Ormuz caso não haja acordo. Em entrevista à Fox News neste domingo, Trump afirmou ter dito diretamente às lideranças iranianas que, se fecharem Ormuz, “vocês nem vão conseguir voltar” ao Irã — usando um palavrão.

As primeiras reuniões de alto nível entre representantes dos EUA, Irã, Catar e Paquistão haviam começado neste domingo na estância suíça de Bürgenstock, com a presença do vice-presidente americano JD Vance e do ministro das Relações Exteriores iraniano Abbas Araghchi.

Segundo um oficial familiarizado com as discussões, que pediu anonimato por tratar de informações sensíveis, uma resolução para o conflito no Líbano será decisiva para o êxito das negociações entre EUA e Irã na Suíça.

A guerra no país vizinho se tornou o principal obstáculo das conversações, ao lado de outros temas como o Estreito de Ormuz, as sanções americanas e os ativos iranianos congelados.

As conversas quadripartites haviam começado às 14h45 no horário local e deveriam continuar ao longo da noite de domingo. Os suíços mantêm o local disponível até a manhã de segunda-feira, permitindo que as negociações se estendam até então, se necessário.

Israel, aliado de Washington na guerra contra o Irã iniciada em 28 de fevereiro, conduz uma campanha paralela contra o Hezbollah no Líbano.

O Irã tem insistido consistentemente em vincular o conflito libanês — que já matou milhares de pessoas e deslocou mais de 1 milhão de libaneses — às negociações mais amplas com os americanos.

Israel afirma que manterá tropas em suas fronteiras até ter certeza de que o Hezbollah, classificado como organização terrorista pelos EUA, não representa mais uma ameaça.

As forças de defesa de Israel informaram que suas operações recentes têm como alvo uma rede de bunkers subterrâneos onde combatentes do Hezbollah estariam se abrigando.

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EUA e Irã se reúnem na Suíça e iniciam negociações de paz

Os Estados Unidos e o Irã deram início a negociações para um acordo de paz permanente. O objetivo é resolver o impasse em torno do programa nuclear da República Islâmica e garantir a reabertura definitiva do Estreito de Ormuz.

O Catar, que atua como mediador nas conversas, confirmou em uma publicação no X (antigo Twitter) neste domingo (21) que a primeira reunião de alto escalão entre representantes americanos, iranianos, catarianos e paquistaneses já começou no complexo de Bürgenstock, na Suíça.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, desembarcou em solo suíço nas primeiras horas de domingo. Embora o suado acordo preliminar assinado na semana passada tenha sinalizado o fim das hostilidades, o encontro atual deve ser apenas o ponto de partida para um longo e complexo embate diplomático, que terá a capacidade nuclear do Irã como um dos temas centrais.

Segundo a mídia estatal iraniana, esta rodada de discussões terá a duração de um dia. A agência de notícias Mehr, citando um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, informou que a comitiva de Teerã se reunirá primeiro com autoridades do Catar e do Paquistão. O encontro direto entre os delegados americanos e iranianos, com a presença dos mediadores, está previsto para o período da tarde.

As tensões são elevadas. Os combates recentes entre Israel — que não faz parte do acordo provisório — e o Hezbollah (grupo militante libanês financiado pelo Irã) ameaçam descarrilar os esforços diplomáticos.

Um correspondente da emissora estatal iraniana IRIB News, em transmissão ao vivo direto da Suíça, afirmou que um dos tópicos centrais das discussões será o primeiro artigo do acordo preliminar, que prevê o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano.

No sábado, Teerã acusou Israel de violar o cessar-fogo no Líbano e anunciou que o Estreito de Ormuz — rota marítima vital para o abastecimento global de petróleo — seria fechado novamente. Ainda não está claro, no entanto, se o Irã de fato chegou a bloquear a via.

Pelos termos do memorando de entendimento assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na última quarta-feira, Washington e Teerã têm um prazo de 60 dias para negociar, embora o pacto preveja a possibilidade de prorrogação.

“Só poderei ficar por um ou dois dias”, disse Vance aos jornalistas antes de deixar Washington. “Espero que consigamos avançar na questão nuclear e no cessar-fogo no Líbano.”

A delegação iraniana conta com figuras de peso, incluindo o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e o presidente do Banco Central, Abdolnaser Hemmati, segundo a IRIB News.

Vance explicou que a meta imediata é estabelecer “a estrutura real da negociação”, dando continuidade às discussões técnicas lideradas na Suíça por Jared Kushner e Steve Witkoff, os dois negociadores globais de Trump.

O fator Ormuz e o mercado de petróleo

Embora as ameaças do Irã sobre o Estreito de Ormuz tenham pairado como uma sombra sobre a cúpula, o impacto real no tráfego de navios ainda é incerto. Mesmo antes do cessar-fogo recente, milhões de barris de petróleo continuavam circulando diariamente pela região de forma discreta.

Dados de rastreamento de navios compilados pela Bloomberg indicam que três superpetroleiros ligados à Índia, totalmente carregados, reapareceram no Golfo de Omã neste domingo, após sinalizarem na sexta-feira a intenção de cruzar o estreito.

As embarcações transportam juntas quase 6 milhões de barris de petróleo do Iraque e do Kuwait. O deslocamento em direção à ilha de Qeshm sugere que os navios podem ter utilizado uma rota autorizada por Teerã.

O Comando Central dos EUA informou que o tráfego de navios comerciais no estreito aumentou no sábado, com a passagem de 55 embarcações mercantes e mais de 17 milhões de barris de petróleo.

O front paralelo no Líbano

Israel, aliado de Washington na guerra contra o Irã iniciada em 28 de fevereiro, mantém um conflito paralelo contra o Hezbollah no vizinho Líbano. O governo iraniano tem tentado vincular a guerra no território libanês — que já deixou milhares de mortos e mais de 1 milhão de desalojados — às negociações mais amplas com os EUA.

Teerã atribui aos EUA “responsabilidade direta” pela situação no Líbano e pelas ações militares israelenses, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, à agência de notícias IRNA.

Por outro lado, Israel insiste que manterá suas tropas na fronteira até ter garantias de que o Hezbollah (classificado como organização terrorista pelos EUA) não represente mais uma ameaça. As Forças de Defesa de Israel (FDI) afirmaram que suas operações recentes miram uma rede de bunkers subterrâneos usada como abrigo pelos combatentes do grupo.

O presidente Donald Trump já manifestou frustração com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por conta de ataques anteriores, sugerindo que tais ações colocavam em risco as conversas entre EUA e Irã.

“Israel tem o direito de se defender”, disse Vance na quinta-feira. “Mas, fundamentalmente, os israelenses, assim como todos os outros, precisam respeitar este processo de paz, que é essencialmente benéfico para eles e para toda a região.”

O memorando de entendimento entre EUA e Irã levou Washington a suspender o bloqueio naval aos portos iranianos e a prometer a isenção de sanções que barravam a venda do petróleo bruto do país. Em contrapartida, o Irã prometeu reabrir Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás do mundo.

Teerã, contudo, alertou que exigirá autorização prévia e seguros obrigatórios para que os navios façam a travessia. Os EUA, a Europa e as monarquias do Golfo rechaçaram a imposição de taxas por parte do Irã.

Na sexta-feira, Trump afirmou que ambos os lados têm tempo para costurar um acordo definitivo, mas não deixou de enviar um aviso velado a Teerã: “Caso contrário, faremos coisas que não vão deixá-los felizes. Mas não acho que chegaremos a esse ponto. Acho que o resultado será muito positivo”.

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Depois da Superquarta: o corte veio, mas a credibilidade aguenta?

A Superquarta veio e foi embora, mas deixou uma conclusão mais importante do que a simples fotografia das decisões de juros: o mundo ainda não voltou ao conforto monetário que muitos investidores gostariam de enxergar.

]O acordo provisório entre Estados Unidos e Irã reduziu o risco de uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz, ajudou a aliviar parte do prêmio do petróleo e retirou dos mercados um risco extremo. Isso é positivo. Mas positivo não significa suficiente.

A crise no Oriente Médio já havia feito seu trabalho. Energia mais cara, seguros de navegação mais elevados, cadeias logísticas tensionadas e expectativas de inflação mais sensíveis não desaparecem no dia seguinte a um memorando diplomático.

Mesmo que a rota energética volte gradualmente à normalidade, o choque já contaminou a discussão dos bancos centrais. É por isso que a Superquarta deve ser lida menos como um ponto de virada benigno e mais como um teste de credibilidade para as autoridades monetárias.

Nos Estados Unidos, nasceu um Fed menos previsível

Nos Estados Unidos, a decisão do Federal Reserve não surpreendeu: os juros foram mantidos no intervalo entre 3,50% e 3,75%. A surpresa esteve no tom. Sob Kevin Warsh, em sua primeira reunião à frente da autoridade monetária, o Fed sinalizou uma mudança importante de postura.

O comitê ficou mais preocupado com a persistência da inflação, revisou projeções para cima e mostrou que o espaço para cortes ficou muito mais estreito.

O ponto mais relevante foi a mudança no regime de comunicação. O Fed retirou a inclinação implícita a cortes, reduziu o forward guidance e passou a depender ainda mais dos dados.

Para o investidor pessoa física, isso significa o seguinte: o banco central americano está dizendo que não quer mais prometer o caminho dos juros com tanta antecedência. Em vez disso, prefere preservar flexibilidade para reagir à inflação, ao mercado de trabalho e às condições financeiras.

Essa mudança importa porque os mercados vinham operando com a expectativa de que a próxima etapa natural seria a retomada dos cortes.

Depois da reunião, essa hipótese ficou bem menos confortável. Com inflação ainda acima da meta, atividade resiliente e investimentos fortes, especialmente em tecnologia e infraestrutura, o Fed não tem pressa para aliviar. Pior: parte do mercado passou a tratar novas altas de juros como um cenário possível, ainda que não necessariamente provável.

O Copom cortou, mas a comunicação ficou no meio do caminho

No Brasil, o Copom entregou o corte de 25 pontos-base e levou a Selic para 14,25% ao ano. A decisão, em si, estava dentro do radar. O debate começa na comunicação.

O Banco Central reconheceu um ambiente mais difícil: atividade acima do esperado, mercado de trabalho resiliente, expectativas de inflação deterioradas, projeções mais altas e quadro fiscal mais desafiador. Em tese, esse diagnóstico recomendaria uma postura claramente mais restritiva.

Ainda assim, o comunicado não fechou completamente a porta para novos cortes. O comitê elevou a régua para novas reduções, mas preservou flexibilidade.

Essa escolha pode ser defensável se a inflação ceder, se o câmbio ajudar e se o fiscal não piorar. O problema é que, hoje, o conjunto da obra ainda é desconfortável. A inflação segue acima da meta, as expectativas continuam frágeis e o fiscal permanece como principal fonte de incerteza doméstica.

Em outras palavras, o corte veio. A dúvida é se a credibilidade aguenta uma comunicação que, ao mesmo tempo, reconhece a piora dos fundamentos e deixa a porta entreaberta para novos estímulos.

O risco é o mercado interpretar essa flexibilidade como tolerância maior com a inflação. Se isso acontecer, o custo aparecerá rapidamente no câmbio, nos juros longos e nos ativos mais sensíveis à queda da Selic.

Paz ajuda o humor, mas política monetária manda no ciclo

O acordo entre Estados Unidos e Irã melhora o ambiente externo, mas não muda a principal conclusão da semana: a política monetária voltou a comandar o preço dos ativos.

A paz reduz o risco de cauda, derruba parte do prêmio do petróleo e favorece uma recomposição de apetite por risco. Mas, se os bancos centrais mantêm uma postura dura, o rali tende a ser mais seletivo e menos linear.

Essa diferença é crucial. Quando os juros caem de forma previsível, o mercado costuma antecipar melhora para quase tudo: bolsa, crédito, small caps, fundos imobiliários e ativos de maior duration. Quando os juros ficam altos por mais tempo, a seleção volta a importar. Empresas com balanço forte, geração de caixa, poder de preço e menor dependência de financiamento tendem a atravessar melhor o ambiente. Já teses que dependem de corte rápido de juros sofrem mais.

No Brasil, isso é especialmente importante. A curva de juros ainda carrega prêmio fiscal elevado, a inflação segue distante da meta e a eleição começa a entrar no radar dos investidores.

O real pode se beneficiar do alívio geopolítico, mas precisa de credibilidade doméstica para sustentar ganhos.

A bolsa pode reagir a um petróleo mais baixo e a algum alívio externo, mas continuará separando qualidade de fragilidade. Não basta a notícia boa lá fora; é preciso que a política econômica aqui dentro ajude.

No final, a Superquarta confirmou que o pior risco geopolítico pode ter ficado para trás, mas também mostrou que o mundo não voltou ao regime de dinheiro fácil. O Fed iniciou a era Warsh com menos promessas e mais ênfase em estabilidade de preços.

O Copom cortou, mas deixou uma mensagem que ainda precisará ser testada pelos dados e pela reação do mercado. No fundo, a paz no Oriente Médio reduz o choque, mas não apaga a inflação; e a queda pontual do petróleo ajuda, mas não substitui credibilidade.

Para o investidor, a mensagem é de disciplina. O ambiente continua oferecendo oportunidades, mas exige mais seletividade. Não é um cenário para abandonar risco indiscriminadamente, nem para comprar qualquer ativo apenas porque os juros podem cair um dia.

É um mercado em que qualidade, previsibilidade, balanço sólido e geração de caixa voltam a valer mais. A Superquarta passou; agora começa a parte mais difícil: provar que a inflação pode convergir sem que os bancos centrais precisem apertar ainda mais o torniquete monetário.

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BC retira teto de R$ 500 para Pix por aproximação; instituições devem se adaptar até outubro

O Banco Central alterou as regras do Pix e retirou o teto fixo de R$ 500 que limitava os pagamentos na modalidade por aproximação. As instituições terão até 1º de outubro para adaptar sistemas e implementar a mudança.

Com a alteração, as transações por aproximação e as iniciadas por meio da jornada sem redirecionamento, no Open Finance, passam a seguir a mesma lógica que os demais pagamentos via Pix: o usuário poderá solicitar ao banco o aumento ou a redução do limite diário e do limite por transação, de acordo com a ferramenta de gestão de limites que deve ser disponibilizada por todos os bancos em seus aplicativos

“Ao permitir que o usuário ajuste o limite do Pix por aproximação dentro dos canais da sua instituição, a nova regra torna a experiência mais aderente às necessidades do dia a dia, sem perder de vista os mecanismos de segurança já incorporados ao ecossistema do Pix”, afirma o chefe adjunto do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro (Decem) do BC, Breno Lobo, em nota publicada no site da autoridade monetária.

A atualização também alcança pagamentos iniciados sem redirecionamento no Open Finance, como transações feitas em carteiras digitais compatíveis.

Segundo o BC, o objetivo é unificar as diretrizes e reduzir diferenças regulatórias entre as jornadas.

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Cuba aprova mudanças pró-mercado após pressão de Trump

A liderança de Cuba aprovou uma ampla lista de 176 medidas de liberalização econômica que abrangem 23 áreas centrais, enquanto o país caribenho tenta resgatar uma economia estagnada que sofre com as sanções dos EUA.

O comitê central do Partido Comunista aprovou as medidas no fim da quarta-feira (17), segundo o jornal estatal Granma. A Assembleia Nacional foi convocada para uma sessão extraordinária nesta quinta-feira para ratificá-las.

O presidente Miguel Díaz-Canel havia sinalizado as reformas pela primeira vez na semana passada. Elas atingem praticamente todos os setores da economia, incluindo energia, agricultura e comércio exterior. Ainda não está claro, porém, se serão suficientes para satisfazer o presidente dos EUA, Donald Trump, que impôs à ilha um bloqueio de fato ao abastecimento de combustíveis e vem ampliando agressivamente as sanções na tentativa de pôr fim a quase sete décadas de governo de partido único.

Entre as medidas destacadas pelo governo cubano estão:

  • Estabelecer “regras jurídicas uniformes” para empresas estatais e privadas, bem como para investidores estrangeiros e nacionais;
  • Permitir a participação do setor privado em mais áreas da economia;
  • Eliminar a maior parte dos controles de preços, que o governo reconheceu terem fracassado no combate à inflação e provocado distorções econômicas;
  • Iniciar um processo de renegociação para trocar dívida pública por ativos domésticos;
  • Criar um “marco estável” para promover investimentos, transferência de tecnologia e doações de cubanos que vivem no exterior;
  • Autorizar investimento estrangeiro direto no setor privado, com regras claras sobre propriedade, resolução de disputas e distribuição de lucros;
  • Garantir aos agricultores acesso a moeda estrangeira e o direito de importar suas próprias matérias-primas sem intermediários estatais;
  • Conceder maior autonomia a empresas estatais e municípios;
  • Fundir instituições estatais e governamentais para eliminar funções duplicadas;
  • Eliminar impostos e tarifas sobre tecnologias de energia solar e permitir que empresas estrangeiras forneçam diretamente ao mercado painéis, baterias e inversores;
  • Reduzir o déficit fiscal por meio do aumento de impostos e do corte de gastos considerados desnecessários.

Além da abertura econômica, Trump e o secretário de Estado Marco Rubio exigem reformas políticas e uma mudança na liderança do país. O cerco cada vez mais rígido imposto pelos EUA agravou os apagões e comprometeu os sistemas de saúde pública e transporte. A Organização das Nações Unidas teme uma crise humanitária em formação, apontando, entre outros indicadores, o aumento da mortalidade infantil.

Ao falar após a reunião do comitê central na quarta-feira, Díaz-Canel atribuiu as dificuldades de Cuba ao embargo econômico dos EUA e ao amplo conjunto de sanções que afastou empresas estrangeiras.

“A realidade nos impõe mudanças urgentes e necessárias”, disse. “E quando a vida do povo se torna tão difícil, o primeiro dever do Partido Comunista e do governo revolucionário não é explicar melhor a crise, mas mudar o que precisa ser mudado para sair dela.”

O presidente cubano também afirmou que as reformas econômicas contam com o aval de Raúl Castro, o líder revolucionário de 95 anos que ainda exerce influência simbólica sobre o país. Em maio, o Departamento de Justiça dos EUA tornou pública uma acusação contra Castro por homicídio relacionada à derrubada, em 1996, de duas aeronaves civis.

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Suíça perde liderança e deixa de ser a economia mais competitiva do mundo

A Suíça perdeu sua posição como a economia mais competitiva do mundo para Singapura, caindo para o terceiro lugar no ranking, à medida que as elevadas tarifas comerciais dos Estados Unidos e a valorização do franco suíço prejudicaram os fluxos de investimento.

Embora tenha permanecido como o país europeu mais bem colocado, a Suíça também foi ultrapassada por Hong Kong no Ranking Mundial de Competitividade 2026 do IMD, divulgado nesta quinta-feira (18). A eficiência empresarial foi o principal fator para que Singapura retornasse ao primeiro lugar, posição que havia ocupado pela última vez em 2024.

O IMD afirmou que a queda da Suíça mostra como até mesmo as economias mais fortes do mundo permanecem vulneráveis às mudanças nos fluxos de capital e ao aumento das incertezas geopolíticas. O revés ocorre em um momento em que o país enfrenta concorrência crescente: segundo o Boston Consulting Group, Hong Kong recentemente ultrapassou a Suíça como o maior centro mundial de gestão de fortunas transfronteiriças.

“Com uma moeda cara, vemos claramente uma deterioração nos rankings de preços, o que prejudica a atração de capital”, afirmou Arturo Bris, diretor do Centro Mundial de Competitividade do IMD. “E observamos a maior queda justamente na atração de investimento estrangeiro; o desempenho da Suíça foi significativamente inferior.”

Os fluxos de investimento direto estrangeiro para a Suíça passaram para um saldo negativo de US$ 60,7 bilhões, colocando o país na última posição entre as 70 economias avaliadas pelo IMD nesse indicador. Segundo a instituição, o movimento pode refletir ajustes de avaliação de ativos e repatriação de capital, e não necessariamente uma mudança estrutural permanente.

Parte desses fluxos é volátil e reflete investimentos em instituições financeiras e empresas holdings, explicou Ivo Germann, diretor de Assuntos Econômicos Externos da Secretaria de Estado para Assuntos Econômicos da Suíça.

“A Suíça enfrenta desafios, como muitos outros países, em um ambiente geopolítico cada vez mais instável, que precisará enfrentar nos próximos anos”, disse Germann. “Diante das tendências protecionistas e do enfraquecimento do sistema multilateral de comércio, o país deve continuar melhorando e diversificando seu acesso aos mercados estrangeiros por meio da agenda de acordos de livre comércio, que foi muito bem-sucedida no passado.”

Nos últimos 12 meses, a reputação da Suíça como refúgio de estabilidade política e econômica teve de conviver com debates internos importantes, incluindo referendos sobre limitar a população do país a 10 milhões de habitantes e a proposta de um imposto de 50% sobre heranças para residentes super-ricos.

A pequena nação, sede de instituições financeiras como UBS Group AG e da gigante alimentícia Nestlé SA, também entrou na mira do governo do presidente americano Donald Trump devido ao seu elevado superávit comercial com os Estados Unidos. O país chegou a receber a maior tarifa entre as economias ocidentais durante certo período, o que prejudicou o sentimento em relação ao setor privado suíço, segundo Bris.

“As tarifas certamente afetam mais os países pequenos e relativamente isolados, e a Suíça é uma vítima disso”, afirmou.

O relatório também destacou desafios no mercado de trabalho e no ambiente empresarial suíço. A remuneração de profissionais altamente qualificados, a participação feminina em cargos de gestão e a atividade empreendedora em estágio inicial foram apontadas entre os indicadores de pior desempenho do país.

Apesar da queda no ranking geral, a Suíça manteve a liderança mundial em eficiência governamental e infraestrutura, enquanto a eficiência empresarial permaneceu na sexta posição.

O IMD ressaltou que seus indicadores estatísticos são baseados principalmente em dados macroeconômicos de 2025 e ainda não incorporam integralmente os impactos da guerra envolvendo o Irã.

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Porta se fechou e BC vai interromper corte da Selic em agosto, projeta Silvia Matos, da FGV

O ciclo de cortes de juros do Banco Central pode ter durado só três reuniões. Se o Comitê de Política Monetária (Copom) realmente alcançou o limite das reduções da Selic na reunião desta quarta-feira (17) terá sido o menor ciclo de diminuições desde junho de 2002, quando a autoridade fez apenas um recuo, pausou o ciclo e, depois, teve que subir a taxa básica.

A avaliação que começa a se tornar consensual no mercado é a de que a porta dos cortes se fechou mesmo com o acordo para encerrar a Guerra do Irã. Se a pausa ou, eventualmente, o próprio fim do ciclo de queda da Selic se concretizar, há um impacto significativo sobre os investimentos.

A coordenadora do boletim Macro da FGV/Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), Silvia Matos, acredita que o BC, na verdade, só tinha duas opções sobre a mesa: parar o ciclo agora ou cortar mais uma vez e interromper as quedas na próxima reunião, que foi a visão que prevaleceu.

Isso diante de um cenário que se deteriorou e que agora combina pressões crescentes de altas de preços, desancoragem acentuada das expectativas de inflação futura – ou seja, na média, boa parte do mercado já não acredita que a inflação vai ficar dentro da meta no futuro -, choques de oferta e alta demanda do consumo interno, aquecido pelas injeções de recursos em um ano eleitoral.

É um cenário que o próprio BC reconheceu no comunicado que acompanhou a decisão de juros, em que cortou a taxa básica em 0,25 ponto percentual para 14,25% ao ano.

“O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho”, pontuou a autoridade.

Pressão sobre a Selic

“E nem mesmo quando colocamos a perspectiva de crescimento do PIB para este ano o cenário é positivo para a política monetária. Isso porque esse avanço está apoiado em crescimento do consumo das famílias e do próprio governo, com peso maior para o setor de serviços. Ou seja, uma combinação desfavorável para a busca do equilíbrio de preços”, ressalta Silvia Matos, da FGV.

A economista avalia que o BC não tem mais espaço para cortar juros, “porque a política monetária está sendo pressionada pela política fiscal”. Para ela, o Copom vai interromper o ciclo de redução da Selic a partir de agosto.

A especialista ressalta que vários choques de oferta ainda vão ocorrer e que o nível atual dos juros no mercado, mesmo em nível elevado, não colocou no preço esses eventos.

“Nós sabemos que tem mais choque de oferta pela frente, não é só da guerra. Temos, por exemplo, os efeitos climáticos sobre alimentos e energia. E, como a economia ainda cresce, ainda tem espaço para repassar essa inflação vinda desses choques.”

Para Matos, outro fator que restringe o espaço para mais cortes vem das eleições. A coordenadora macro da FGV/Ibre diz ver os efeitos da votação em outubro ainda em seu início.

“O mercado ainda está começando a precificar as eleições e, neste ano, a corrida será especialmente competitiva”, avalia a especialista, em referência ao fato de que os gastos públicos aceleram nesses períodos.

Diante de um crescimento das despesas do governo, “o quadro fiscal vai continuar sendo uma questão importante no resto do ano, então as curvas de juros futuras vão continuar pressionadas mesmo se o cenário externo melhorar”.

O economista do ASA Leonardo Costa também enxerga a possibilidade de a decisão do BC na quarta ter representado uma pausa do ciclo de cortes. No entanto o especialista acredita que a autoridade deixou uma porta aberta para retomar as quedas – se o cenário melhorar até agosto.

Conforme Costa, “nossa projeção é de encerramento de ciclo nessa reunião, em 14,25%, contudo abriu-se uma possibilidade (grande) de o Banco Central seguir em seu ciclo de calibragem de juros, cortando novamente na reunião de agosto, esperando o desenrolar do cenário até lá”.

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Mesmo com Selic reduzida para 14,25% ao ano, pausa nos cortes de juros é ‘praticamente inevitável’, segundo analista

A semana que se encerra nesta sexta-feira (19) trouxe desdobramentos relevantes ao mercado. Além da Super Quarta (que combinou decisões de juros do Copom, no Brasil, e do Federal Reserve, nos Estados Unidos), a assinatura de um acordo preliminar entre EUA e Irã pode ser um dos primeiros passos rumo ao fim do conflito no Oriente Médio.

No Brasil, o Copom optou por reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando-a aos 14,25% ao ano. A princípio, a combinação de possível fim da guerra e cortes nos juros pode parecer um bom sinal – mas é preciso dar alguns passos para trás e entender que há mais em jogo.

Para Matheus Spiess, estrategista da Empiricus, os efeitos da guerra podem perdurar, e uma pausa no ciclo de cortes da taxa Selic eventualmente virá.  

“Do ponto de vista analítico, a pausa parece praticamente inevitável. A combinação entre inflação corrente elevada, expectativas desancoradas, fiscal mais ruidoso e bancos centrais globais mais duros reduz drasticamente o espaço para a continuidade do afrouxamento monetário.”

Cenário brasileiro: ‘fiscal mais ruidoso’ é protagonista das expectativas

Destrinchando os fatores trazidos pelo analista, o próprio cenário doméstico brasileiro contribui para que os cortes na Selic não perdurem.

O atual governo segue mantendo um histórico de contas públicas estouradas, que não ajuda em um contexto de inflação e juros altos por mais tempo.

Para Spiess, por mais que o acordo entre EUA e Irã ajude reduzir a pressão imediata sobre o petróleo e o câmbio, “o cenário segue desconfortável”, especialmente do ponto de vista fiscal, que “continua sendo o principal limitador de uma normalização monetária mais limpa”.

 “Como é ano eleitoral, ninguém vai falar isso, mas é um problema que tem piorado”, afirma. O que traz ainda mais à tona a necessidade de um pacote de ajustes fiscais que, em sua visão, devem vir “obrigatoriamente” em 2027.

Além disso, a comunicação do Copom nesta última reunião pode ter trazido mais incertezas em relação às próximas decisões. Na intepretação de Spiess, “o Comitê parece desejar preservar espaço para eventuais cortes adicionais, caso o cenário permita”. O que, paradoxalmente, pode ser custoso para o câmbio e os vértices mais longos dos juros.

“Embora o Comitê tenha elevado a exigência para novas reduções de juros, preservou uma flexibilidade em sua função de reação, evitando condicionar de forma clara os próximos passos. Para parte do mercado, essa abordagem pode ser interpretada como um sinal de maior tolerância à desancoragem inflacionária, o que levanta questionamentos sobre a credibilidade futura da política monetária”.

Segundo o último boletim Focus, publicado na segunda-feira (15), expectativas do mercado giram em torno de uma Selic terminal a 13,75% em 2026. Vale monitorar se haverá alguma mudança nas perspectivas nos próximos dias.

Cenário global: juros podem permanecer mais altos globalmente, mesmo com o possível fim da guerra

Além do cenário doméstico, Spiess reforça que a decisão do Copom vem em um período em que as principais economias globais possivelmente caminham na contramão: endurecendo o tom. Isso porque, por mais que o conflito no Oriente Médio acabe, ele “não devolve o mundo ao conforto monetário anterior à crise”, diz o analista.

O chamado “G4 dos bancos centrais” (EUA, Japão, Reino Unido e Zona do Euro) podem acabar por “validar um regime global de juros mais altos por mais tempo”, segundo o analista.

A Zona do Euro elevou seus juros pela primeira vez desde 2023 na quinta-feira passada (11) e, na última quarta-feira (17), o Federal Reserve (Fed) manteve a taxa de juros dos EUA no intervalo entre 3,50 e 3,75%, com parte dos membros do comitê prevendo pelo menos uma decisão pela elevação dos juros ainda em 2026.

“A paz reduz a probabilidade de um choque de oferta, mas não apaga o legado inflacionário. Energia mais cara se espalha pelo frete, pelos custos industriais, pela produção de alimentos, pelas tarifas de serviços e, sobretudo, pelas expectativas. Um choque desse tipo deixa de ser apenas um evento de mercado e passa a contaminar a formação de preços de maneira mais ampla. Por isso, o alívio em Ormuz não entrega, por si só, uma folga automática aos bancos centrais.”

Onde e como investir em um cenário global tão incerto?

Esse é um cenário que pede por mais cautela do que o usual na hora de escolher onde investir. Mas não significa que o investidor precisa, necessariamente, tomar decisões sozinho, sem orientação profissional.

Matheus Spiess é um dos responsáveis pela Empiricus Megatendências, carteira recomendada criada para em um mundo em constante transformação, que exige investimentos feitos de forma tática.

“A estratégia parte da identificação de principais mudanças em curso – sejam tecnológicas, geopolíticas e econômicas – para direcionar a alocação a setores, regiões e temas que tendem a se beneficiar dessas transformações”, afirma o analista. A atual seleção da Empiricus Megatendências traz ativos voltados para temas como:

  • Commodities;
  • Corrida aeroespacial;
  • Inteligência Artificial (IA);
  • Dentre outros.

Você está convidado a conhecer, na íntegra, o relatório completo com todas as indicações da carteira no momento. Ele está disponível no BTG Content, a plataforma de conteúdos do BTG Pactual.

Além disso, por meio da plataforma do banco, você também pode investir nos ativos recomendados de forma 100% automática.

Isso mesmo: você não precisa buscar os ativos “a dedo” em sua corretora. Com alguns cliques, o BTG faz o trabalho para você – inclusive de rebalanceamento e troca de ativos, quando necessário.

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DISCLAIMER: Este material não tem relação com objetivos específicos de investimentos, situação financeira ou necessidade particular de qualquer destinatário específico, não devendo servir como única fonte de informações no processo decisório do investidor que, antes de decidir, deverá realizar, preferencialmente com a ajuda de um profissional devidamente qualificado, uma avaliação minuciosa do produto e respectivos riscos face a seus objetivos pessoais e à sua tolerância a risco (Suitability).

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Ibovespa hoje: ‘ressaca’ pós-Copom, Fed e acordo preliminar entre EUA e Irã; o que esperar da quinta-feira (18)?

Os mercados globais continuam assimilando os desdobramentos da Super Quarta e do acordo provisório firmado entre Estados Unidos e Irã. A assinatura do memorando por Donald Trump, acelerando o processo de cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz, contribuiu para uma nova rodada de queda nos preços do petróleo e reforçou o alívio observado nos ativos de risco ao redor do mundo.

Na Ásia, bolsas como NikkeiKospi renovaram máximas históricas, impulsionadas pelo recuo das tensões geopolíticas e pelo bom desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial (IA), enquanto, na Europa, os mercados oscilaram entre o alívio proporcionado pelo acordo e a reprecificação de um ambiente de juros mais elevados por mais tempo. 

· 00:56 — O corte veio, mas a credibilidade aguenta? 

No Brasil, em uma decisão cuja divulgação acabou ocorrendo com atraso, o Copom entregou exatamente o movimento que vinha sendo esperado pelo mercado ao reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. Mais relevante do que a decisão em si, porém, foi a mudança observada na comunicação da autoridade monetária.

Diferentemente da reunião anterior, o Banco Central deixou de indicar de forma explícita que a continuidade do ciclo de cortes permanecia como o cenário mais provável. Em uma leitura superficial, isso poderia ser interpretado como um sinal mais duro.

No entanto, uma análise mais aprofundada do comunicado revela nuances importantes. Embora o Comitê tenha elevado a exigência para novas reduções de juros, preservou uma flexibilidade em sua função de reação, evitando condicionar de forma clara os próximos passos à melhora das expectativas ou à convergência das projeções inflacionárias. Em outras palavras, a porta para novos cortes segue aberta

A avaliação do cenário econômico, por sua vez, tornou-se significativamente mais cautelosa. O comunicado reconheceu que a atividade econômica avançou acima do esperado no primeiro trimestre, com maior participação de setores cíclicos e um mercado de trabalho ainda resiliente. Ao mesmo tempo, destacou a deterioração das expectativas de inflação, elevou a projeção inflacionária para o horizonte relevante de política monetária de 3,5% para 3,7%, e passou a enfatizar de forma mais explícita o risco de uma demanda crescendo acima da capacidade produtiva da economia.

Também chamou atenção o reconhecimento de um ambiente fiscal mais desafiador, fator que continua dificultando o processo de convergência da inflação. Sob a ótica dos fundamentos macroeconômicos, portanto, o diagnóstico foi claramente mais preocupante do que o observado nas reuniões anteriores, reforçando a percepção de que o ambiente para cortes adicionais deveria, em tese, ser mais restritivo

É justamente nesse ponto que surge o principal debate. Apesar de reconhecer uma inflação mais alta, expectativas mais deterioradas e um cenário econômico mais pressionado, o Copom introduziu uma justificativa que pode ser interpretada como relativamente complacente. O Comitê argumentou que uma política monetária excessivamente restritiva poderia levar a inflação para abaixo da meta no horizonte que passará a ser considerado nas próximas reuniões, sugerindo que o grau acumulado de aperto monetário já estaria próximo do necessário.

A questão é que o horizonte atualmente relevante (o quarto trimestre de 2027) continua exibindo inflação acima da meta e em trajetória de piora. Ainda assim, o Banco Central optou por direcionar parte de sua análise para o primeiro trimestre de 2028, um horizonte mais distante. Para parte do mercado, essa abordagem pode ser interpretada como um sinal de maior tolerância à desancoragem inflacionária, o que levanta questionamentos sobre a credibilidade futura da política monetária.  

Essa leitura ajuda a explicar por que o ciclo não foi formalmente encerrado, mesmo diante da deterioração dos fundamentos. Em última instância, o Comitê parece desejar preservar espaço para eventuais cortes adicionais, caso o cenário permita.

O problema é que essa postura pode impor custos relevantes, especialmente sobre o câmbio e os vértices mais longos da curva de juros, tornando o ambiente mais desafiador para os ativos domésticos.

A partir daqui, a continuidade da flexibilização dependerá da evolução das expectativas de inflação, da atividade econômica, da dinâmica fiscal, do comportamento do câmbio e das condições financeiras globais, especialmente em um contexto de postura firme ao redor do mundo. 

· 01:49 — Um novo Federal Reserve no horizonte 

A decisão do Federal Reserve (Fed) veio em linha com as expectativas do mercado, com o FOMC mantendo a taxa básica de juros dos Estados Unidos no intervalo entre 3,50% e 3,75%. A principal surpresa, porém, não esteve na decisão em si, mas na mudança significativa observada nas projeções dos membros do comitê.

Nove dos dezenove dirigentes passaram a prever ao menos uma elevação dos juros em 2026, ante apenas três na rodada anterior de projeções. Ao mesmo tempo, as estimativas para a inflação foram revisadas para cima, sugerindo um processo de convergência mais lento em direção à meta de 2%.

Na prática, o Fed deixou claro que o combate à inflação continua sendo sua prioridade e que o espaço para cortes de juros se tornou consideravelmente mais restrito, depois do embaraço das expectativas por conta da guerra. 

O comunicado também marcou uma inflexão relevante na forma de comunicação da instituição. Além da remoção do chamado easing bias, a inclinação implícita para futuras reduções de juros, o Federal Reserve eliminou integralmente o forward guidance, abandonando indicações mais explícitas sobre a trajetória futura da política monetária.

O texto (que ficou bem mais enxuto também) passou a enfatizar que a atividade econômica continua avançando em ritmo robusto, que o mercado de trabalho permanece resiliente, que os investimentos seguem fortes e que a inflação ainda opera acima da meta estabelecida. O resultado foi uma mensagem claramente mais cautelosa e restritiva (hawk), refletindo a preferência do comitê por preservar flexibilidade diante de um ambiente ainda cercado por incertezas. 

Na coletiva de imprensa, Kevin Warsh, agora chefe do Fed, procurou estabelecer desde o início uma identidade própria para sua gestão. O novo presidente reforçou repetidamente que a inflação permanece acima da meta há mais de cinco anos e que a estabilidade de preços continuará sendo o principal compromisso do banco central.

Paralelamente, apresentou uma ampla agenda de reformas internas, incluindo grupos de trabalho voltados à revisão dos mecanismos de comunicação do Fed, da qualidade das estatísticas econômicas utilizadas nas decisões de política monetária, do impacto da inteligência artificial sobre a economia, da estrutura do balanço patrimonial da instituição e dos modelos empregados para análise inflacionária. 

Warsh também deixou evidente sua intenção de reduzir o grau de orientação fornecido aos mercados, defendendo que os preços dos ativos devem refletir informações independentes e não apenas reproduzir as sinalizações emitidas pelo próprio banco central. 

Olhando adiante, a principal mensagem é que o Federal Reserve passa a operar sob um regime de maior incerteza e menor previsibilidade. Embora nenhuma elevação de juros tenha sido anunciada nesta reunião, o mercado passou a atribuir probabilidade crescente a um aperto monetário nos próximos meses, com parte dos investidores já considerando uma alta de juros como um cenário plausível até outubro.

Ainda assim, as divergências dentro do próprio comitê permanecem relevantes, o que torna os próximos dados de inflação, atividade econômica e mercado de trabalho ainda mais determinantes para a condução da política monetária. Em síntese, a era Warsh se inicia com um Fed menos comprometido com orientações antecipadas, mais focado em credibilidade institucional e com menor disposição para flexibilizar sua postura diante de sinais moderados de desaceleração econômica. 

· 02:37 — Um acordo apertado 

O acordo preliminar assinado ontem (17) entre Estados Unidos e Irã representou um importante passo na redução das tensões no Oriente Médio, e contribuiu para a forte correção recente dos preços do petróleo. Ainda assim, está longe de encerrar as incertezas que cercam a região.

O memorando estabelece o fim das hostilidades, a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, o relaxamento de parte das sanções e a abertura de um período de 60 dias de negociações para tratar dos temas mais sensíveis, incluindo o programa nuclear iraniano e os mecanismos de reconstrução econômica do país.

Apesar da melhora inicial no sentimento dos mercados, permanecem dúvidas relevantes sobre a velocidade da normalização do transporte marítimo, a sustentabilidade dos compromissos assumidos por Teerã e a capacidade política de Washington de implementar, na prática, o alívio das sanções previsto no entendimento.

Paralelamente, a questão nuclear continua sendo um dos principais pontos de divergência, dividindo aqueles que defendem restrições máximas ao enriquecimento de urânio e os que consideram mais viável um modelo baseado em supervisão internacional rigorosa e mecanismos permanentes de monitoramento. 

· 03:22 — “Donroe”

Os Estados Unidos parecem estar passando por uma reavaliação gradual de suas prioridades estratégicas diante de um ambiente internacional mais complexo, marcado por múltiplos focos de tensão e limitações crescentes de recursos políticos, fiscais e militares.

Em vez de buscar o mesmo grau de envolvimento simultâneo na Europa, no Oriente Médio e na Ásia, ganha espaço em Washington a visão de que a principal prioridade deve ser a consolidação da influência americana em seu entorno geográfico imediato, em linha com o que já conversamos neste espaço no passado.

Inspirada, em certa medida, nos princípios da histórica Doutrina Monroe, essa abordagem parte do entendimento de que a segurança e a projeção de poder dos Estados Unidos dependem, antes de tudo, do fortalecimento de sua posição no Hemisfério Ocidental, abrangendo áreas estratégicas como a Groenlândia, o Canal do Panamá, o Caribe, o Golfo do México e a América do Sul.

A mudança de regime na Venezuela e a postura mais assertiva em relação a países da região são frequentemente interpretadas como manifestações desse reposicionamento. Ainda assim, essa visão está longe de ser consensual dentro da própria elite política americana.

De um lado, os chamados primacistas defendem a preservação da liderança global dos Estados Unidos como objetivo central da política externa, mesmo que isso implique maior disposição para intervenções, confrontos geopolíticos e projeção de força em diferentes regiões do mundo. De outro, os defensores da contenção argumentam que o país deveria reduzir seu envolvimento em conflitos externos, transferir uma parcela maior das responsabilidades de defesa para seus aliados e direcionar recursos para a reconstrução da competitividade econômica, da infraestrutura e da base industrial doméstica.

O desfecho dos conflitos mais recentes, especialmente no Oriente Médio, poderá influenciar diretamente o equilíbrio entre essas correntes. Para os investidores, essa discussão é relevante, porque afeta decisões relacionadas a gastos militares, alianças estratégicas, segurança energética, cadeias globais de suprimentos e, em última instância, a configuração geopolítica que tende a moldar os mercados internacionais ao longo da próxima década. 

· 04:11 — Uma nova ordem mundial

Estamos assistindo à consolidação de uma ordem global cada vez mais tripolar, impulsionada por um volume sem precedentes de investimentos em três frentes estratégicas: inteligência artificial, defesa e transição energética.

Somados, os gastos públicos e privados nessas áreas já se aproximam de US$ 10 trilhões em 2026 e, segundo diversas estimativas, podem alcançar US$ 16 trilhões até o fim da década. Mais do que movimentos isolados, trata-se de uma transformação estrutural que mobiliza simultaneamente Ásia, Europa e Américas, dando forma ao que vem sendo descrito como um novo superciclo global de investimentos.

Nesse ambiente, a geopolítica deixa de atuar apenas como fonte de risco e passa a desempenhar um papel cada vez mais relevante como direcionadora dos fluxos de capital, estimulando investimentos em infraestrutura, tecnologia, energia e segurança nacional. 

Ao mesmo tempo, a mais recente cúpula do G7 evidencia os desafios de coordenação em um mundo progressivamente mais fragmentado. Criado para liderar a resposta das principais economias avançadas a crises globais, o grupo opera hoje em um contexto profundamente diferente daquele que marcou sua origem.

A ascensão da China, o crescimento da Índia e a maior relevância de outras economias emergentes reduziram o peso relativo das nações desenvolvidas na economia mundial, enquanto divergências internas tornaram mais complexa a construção de consensos.

Embora exista convergência em temas como a reabertura do Estreito de Ormuz e a não proliferação nuclear iraniana, persistem diferenças importantes em áreas como comércio internacional, regulação da inteligência artificial, governança da internet, apoio à Ucrânia e o próprio papel dos Estados Unidos na arquitetura global. 

O resultado é um ambiente em que a cooperação internacional continua sendo necessária, mas já não possui a mesma capacidade de coordenação observada nas décadas anteriores. Em vez de uma liderança global claramente definida, emerge uma estrutura mais descentralizada, na qual diferentes blocos econômicos e geopolíticos buscam defender seus próprios interesses, ainda que mantenham espaços pontuais de cooperação.

Para os investidores, essa mudança ajuda a explicar a crescente relevância de temas como defesa, segurança energética, inteligência artificial, infraestrutura estratégica e soberania tecnológica nas decisões de alocação de capital. Em um mundo mais multipolar, os fluxos de investimento tendem a responder não apenas aos fundamentos econômicos tradicionais, mas também às prioridades geopolíticas que moldarão a próxima fase do crescimento global. 

· 05:03 — O estado ‘belicoso’ das coisas 

A parceria entre General Motors e Lockheed Martin reflete uma preocupação crescente dos Estados Unidos com a necessidade de ampliar sua capacidade de produção militar em um cenário geopolítico cada vez mais complexo. A iniciativa busca unir a expertise da Lockheed Martin no desenvolvimento de sistemas de defesa à escala industrial e à eficiência logística da GM, fortalecendo cadeias de suprimentos, ampliando a produção de munições e reduzindo gargalos que há anos preocupam o Pentágono.

O movimento ocorre em meio aos esforços do governo Trump para acelerar a base industrial de defesa, incluindo incentivos à fabricação de mísseis, drones e outros equipamentos estratégicos, além do uso da Lei de Produção de Defesa para expandir a capacidade produtiva do setor. 

Essa preocupação ganhou ainda mais relevância após o conflito com o Irã, que evidenciou o elevado consumo de munições modernas e levantou questionamentos sobre a velocidade de reposição dos estoques americanos em um cenário de tensões prolongadas. Autoridades estimam que a recomposição de determinados sistemas, como mísseis Tomahawk e interceptadores de defesa aérea, pode levar vários anos.

Nesse contexto, cresce a percepção de que será necessário fortalecer a base industrial do país para garantir capacidade de resposta simultânea em diferentes frentes estratégicas, incluindo uma eventual crise envolvendo Taiwan.

Ainda assim, transformar essa ambição em realidade exigirá mais do que capacidade produtiva: dependerá também da aprovação de recursos pelo Congresso e da celebração de contratos de longo prazo que ofereçam previsibilidade suficiente para sustentar os investimentos necessários da indústria. 

Para o investidor, essa tendência continua criando oportunidades em empresas ligadas aos segmentos de defesa, aeroespacial e segurança nacional. ETFs temáticos como o Select STOXX Europe Aerospace & Defense (EUAD), o Global X Defense Tech (SHLD) e o First Trust Indxx Aerospace & Defense (MISL) oferecem formas eficientes de capturar esse movimento por meio de uma exposição diversificada a companhias que se beneficiam do aumento estrutural dos gastos militares.

No mercado brasileiro, alternativas como o BDR do iShares U.S. Aerospace & Defense ETF (BAER39) e o SHLD39 cumprem papel semelhante, permitindo acesso simplificado a essa temática. Ainda assim, como ocorre em qualquer tese setorial, a disciplina de alocação permanece essencial. Exposições individuais entre 1% e 2,5% da carteira, com limite agregado próximo de 5% para o tema, tendem a oferecer um equilíbrio adequado entre potencial de retorno, diversificação e controle de risco, respeitando tanto o caráter estrutural da tese quanto a volatilidade inerente ao setor. 

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IBC-Br: Prévia do PIB brasileiro sobe 0,5% em abril

O indicador mensal de atividade econômica (IBC-Br) registrou alta de 0,50% em abril, mostra dado divulgado pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira (17). O número ficou abaixo das projeções de avanço de 0,6%, medidas pela Reuters.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) teve alta de 0,9%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um ganho de 1,6%, de acordo com números não dessazonalizados.

O indicador de indústria avançou 0,4%, enquanto serviços e impostos subiram 0,3%, respectivamente. Já a agropecuária permaneceu estável no período.

Na edição anterior, de março, a prévia do PIB recuou 0,7% na comparação mensal, acumulando ganho de 1,8% no acumulado em 12 meses.

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Último dia! Prazo de pagamento da taxa de inscrição do Enem 2026 termina nesta quarta-feira (17)

O prazo para pagamento do boleto da taxa de inscrição do Enem 2026 se encerra nesta quarta-feira (17). O valor cobrado é de R$ 85, o mesmo do Enem do ano passado.

A Guia de Recolhimento da União (GRU Cobrança) para a quitação está disponível na Página do Participante no portal do Inep. Para acessar, é necessário usar a senha do portal de serviços digitais do governo federal, o Gov.br.

Em caso de necessidade de reimpressão, o participante deverá gerar novamente a GRU Cobrança na mesma página eletrônica.

Meios de pagamento do Enem 2026

O pagamento da taxa de inscrição do exame pode ser feito em qualquer banco, casa lotérica ou por meio de aplicativos bancários.

Não serão aceitos pagamentos de inscrições por meio de depósito em caixa eletrônico, via postal, transferência ou depósito em conta corrente, nem ordem de pagamento.

As opções de pagamento da GRU Cobrança são o Pix, cartão de crédito, débito em conta corrente ou poupança, dentre outros e pode variar de acordo com a instituição financeira do pagador.

Nos casos de pagamento via Pix, a GRU Cobrança traz o QR Code para o participante quitar a taxa de inscrição.

Muita atenção na hora de pagar a taxa de inscrição

O Inep informa que não há reembolso do valor referente ao pagamento da taxa de inscrição. A única exceção vale para um improvável cancelamento do Enem 2026.

Também não será devolvido o pagamento de taxa de inscrição realizado em duplicidade nem de valores diferentes de R$ 85.

O edital público do exame também proíbe a transferência do valor referente ao pagamento da taxa de inscrição do Enem para outro participante.

Confirmação da inscrição

A inscrição será confirmada somente após o processamento do pagamento da taxa de inscrição pelo Banco do Brasil.

Caso o valor do pagamento seja inferior a R$ 85, a inscrição não será confirmada.

Isenção da taxa de inscrição do Enem

O Inep concedeu gratuidade no Enem 2026 a candidatos dos seguintes perfis:

  • alunos matriculados no 3º ano do ensino médio em escola pública, em 2026;
  • alunos que cursaram todo o ensino médio em escola pública ou como bolsistas integrais em escola privada e que possuam renda familiar de até 1,5 salário-mínimo por pessoa;
  • estudantes participantes do programa Pé-de-Meia do Ministério da Educação (MEC).
  • pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica, pertencentes a famílias de baixa renda e com registro no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico);
  • participantes que informaram na inscrição que usarão os resultados das provas para solicitar o certificado de conclusão do ensino médio e têm registro no CadÚnico;

Enem

O Exame Nacional do Ensino Médio avalia o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica. A prova é a principal forma de entrada na educação superior no Brasil, por meio de programas federais como Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Programa Universidade para Todos (Prouni) e Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

As instituições de ensino públicas e privadas usam os resultados das provas para selecionar os estudantes.

Desde a edição de 2025, o Enem voltou a certificar a conclusão dessa etapa de ensino para os candidatos com 18 anos de idade completos e que também alcancem a pontuação mínima em cada área do conhecimento nas provas e na redação.

Os resultados individuais do exame também podem ser aproveitados em processos seletivos de instituições portuguesas que têm convênio com o Inep. Os acordos garantem acesso facilitado às notas dos estudantes brasileiros interessados em cursar a educação superior em Portugal.

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.

*Com informações da Agência Brasil.

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China anuncia medidas para estimular o uso do yuan globalmente; confira

Autoridades chinesas lançaram nesta quarta-feira (17) medidas para promover o uso do yuan globalmente, no mais recente esforço para construir uma infraestrutura financeira mais resiliente e proteger a economia do país de choques externos.

O presidente do Banco Popular da China (PBoC), Pan Gongsheng, anunciou o estabelecimento de um novo mecanismo de recompra para permitir que autoridades monetárias estrangeiras, incluindo fundos soberanos, obtenham liquidez em yuan do Banco Central chinês, usando títulos como garantia.

Pan também revelou que a China lançará um programa piloto para negociação de câmbio de yuan offshore na Zona de Livre Comércio de Xangai, ao discursar para executivos financeiros na cidade.

A iniciativa tem o objetivo de transformar Xangai em um centro global para alocação de ativos e gerenciamento de risco denominados em yuan.

Sobre o controle da política monetária chinesa pelo Banco Central, Pan disse que o PBoC tomará várias medidas para aprimorar o mecanismo de regulação das taxas de juros de curto prazo.

As iniciativas sugerem que as autoridades chinesas podem estar se voltando para o uso da taxa overnight do Banco Central como o principal referencial de política monetária, assim como a maioria dos países. O principal referencial do PBoC é atualmente a taxa de recompra reversa de sete dias.

Pan disse ainda que a autoridade monetária está formulando ferramentas para fornecer liquidez de emergência a instituições não bancárias durante crises.

O discurso do chefe do PBoC, porém, não sinalizou para a flexibilização da política monetária, embora tenha ocorrido após a divulgação de indicadores fracos da economia chinesa, na véspera.

Em maio, ocorreu a primeira queda nos gastos do consumidor chinês em mais de três anos e uma nova redução nos gastos com investimentos.

A China entrou em declínio estrutural? Veja, nesta coluna, como os novos dados reforçam a tese da “Grande Fratura”.

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Selic: gestores da Faria Lima cravam juros altos por mais tempo, aponta pesquisa; confira

As expectativas para as taxas de juros permanecem tão firmes quanto alguns goleiros desta Copa do Mundo. Essa opinião foi coletada pela pesquisa da série Os Melhores Fundos de Investimentos, da Empiricus Research.

A pesquisa buscou entender a visão de 30 gestores de multimercados sobre o nível da taxa Selic, para os próximos três anos e no longo prazo.

Leitura da Selic para 2026 e 2027 piora

As opiniões dos gestores, que somam mais de R$ 160 bilhões de patrimônio líquido em suas estratégias da classe, estão representadas em dot plot (gráfico de pontos), como é possível observar abaixo.

O modelo de gráfico em dot plot é tradicionalmente usado nos EUA para representar as projeções de cada membro do FOMC para a taxa básica de juros dos EUA.

Analisando a percepção do Brasil, o analista Alexandre Alvarenga comenta: “O dot plot veio mais duro ao longo de toda a curva para a taxa brasileira. A mediana para 2026 subiu de forma relevante e sugere menos espaço para cortes no curto prazo.”

O gráfico aponta que predomina entre os gestores a percepção de uma Selic entre 14,00% e 14,25% ao final do ano.

Além disso, Alvarenga também nota que houve uma piora na leitura para 2027 e no longo prazo, indicando que o mercado passou a embutir uma Selic estruturalmente alta por mais tempo, em linha com uma inflação ainda desconfortável e maior cautela com a convergência do juro real.

“O descolamento em relação ao Boletim Focus reforça a mensagem de prêmio de risco mais elevado na precificação dos juros. O movimento não é só de revisão no curto prazo, mas também no longo prazo”, reforça Alvarenga.

Na segunda-feira (15), o Focus elevou a estimativa para a taxa Selic ao fim do ano de 13,50% para 13,75%.

“No Brasil, pioraram de forma clara as leituras sobre inflação e fiscal. A combinação de inflação ainda pressionada, dúvidas sobre a trajetória das contas públicas e menor espaço para afrouxamento monetário manteve o ambiente mais difícil para ativos locais”, afirma o analista.

Além dos juros brasileiros, a pesquisa da Empiricus também se aprofundou na percepção dos gestores sobre os juros dos EUA e o pontos relevantes sobre o sentimento macroeconômico e a percepção do nível de risco.

“O dotplot americano ficou mais hawkish no médio prazo. A mediana para 2026 subiu de forma relevante, sugerindo menos cortes no horizonte próximo, enquanto 2027 e 2028 também avançaram, o que indica maior disposição do FOMC (Comitê de política monetária dos EUA) em manter a taxa acima do nível neutro por mais tempo”, comenta Alvarenga.

Diante dessa deterioração do quadro inflacionário, Alexandre Alvarenga e a equipe de analistas da Empiricus Research seguem diariamente se debruçando sobre os principais eventos e indicadores econômicos.

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Warsh quer que o Fed fale menos — e isso pode gerar mais surpresas para os mercados

O ex-presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, costumava dizer que a política monetária é 98% conversa e apenas 2% ação. Já Kevin Warsh quer mudar essa proporção.

O novo presidente do Fed, que comandará nesta semana sua primeira reunião de política monetária, prometeu reformular a comunicação da instituição. Sem entrar em muitos detalhes, ele deu sinais de que pretende reduzir a quantidade de mensagens emitidas pelo banco central.

Durante sua audiência de confirmação no Congresso, afirmou que o Fed se esforça demais para fornecer um roteiro detalhado de seus planos futuros. Também observou que os formuladores de política monetária “falam com bastante frequência”.

No entanto, o Fed e outros bancos centrais vêm ampliando sua comunicação com mercados e sociedade ao longo das últimas décadas, e seguir na direção oposta envolve riscos, segundo observadores veteranos da instituição.

“É preciso ter cuidado ao reduzir a comunicação”, disse William English, professor da Universidade Yale e ex-secretário do comitê responsável por definir os juros nos EUA. Fazer isso de forma muito brusca “prejudicaria a eficácia da política monetária e poderia gerar mais decisões inesperadas, provocando volatilidade nos mercados financeiros”.

Os defensores de uma comunicação frequente argumentam que a transparência ajuda investidores e o público a entender melhor o que está por vir e a se preparar para isso. Isso também facilita o trabalho dos banqueiros centrais ao influenciar os custos de financiamento de longo prazo.

Warsh vê a questão de forma diferente. Para ele, os bancos centrais precisam preservar flexibilidade e evitar a percepção de que estão presos a compromissos que podem deixar de fazer sentido diante de mudanças nas condições econômicas. Em uma palestra no International Monetary Fund no ano passado, afirmou que os formuladores de política monetária podem se tornar “prisioneiros de suas próprias palavras”.

Investidores do mercado de títulos estão tentando entender como exatamente o Fed de Warsh pretende mudar sua comunicação, inclusive se o tradicional Summary of Economic Projections (SEP) poderá ser simplificado. O documento reúne projeções para crescimento econômico, desemprego, inflação e juros, além do famoso “dot plot”, gráfico que mostra onde os dirigentes do Fed acreditam que as taxas de juros estarão no futuro.

Há outras possibilidades. Para Torsten Slok, da Apollo Global Management, os comunicados do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) podem ficar significativamente mais curtos. Já Cindy Beaulieu, diretora de investimentos para a América do Norte da gestora Conning, acredita que Warsh gostaria de realizar menos coletivas de imprensa após as reuniões e até eliminar o “dot plot”.

“Isso provavelmente tornará os juros mais voláteis”, afirmou Beaulieu. Segundo ela, uma redução na transparência pode levar os mercados a reagirem exageradamente a cada novo indicador econômico, tentando antecipar os próximos passos do Fed.

O debate sobre o “forward guidance”

O SEP existe desde 2007 e reúne projeções dos 19 participantes do FOMC para crescimento, desemprego, inflação e juros. Tornou-se uma das principais ferramentas de orientação ao mercado, embora alguns economistas questionem sua utilidade, já que as projeções podem rapidamente se tornar obsoletas. Ainda no ano passado, havia propostas para ampliar as informações divulgadas no documento, e não reduzi-las.

A discussão faz parte de um debate mais amplo sobre o chamado forward guidance, estratégia adotada pelo Fed após a crise financeira de 2008. Como os juros já estavam próximos de zero e não podiam cair muito mais, uma das alternativas para estimular a economia era sinalizar que permaneceriam baixos por um período prolongado.

Alguns economistas argumentam que esse tipo de orientação só funciona em circunstâncias excepcionais, como no período pós-crise. Em sua palestra no FMI, Warsh demonstrou simpatia por essa visão.

Além das discussões teóricas, Warsh assume o comando em meio a uma disputa concreta dentro do Fed sobre que tipo de orientação deve ser dada ao mercado. Na última reunião, o comitê manteve em seu comunicado a indicação de que o próximo movimento mais provável seria um corte de juros, embora vários membros defendessem a retirada dessa mensagem.

O episódio também revela uma limitação do forward guidance: investidores nem sempre acreditam no que o Fed está dizendo.

Em março, os mercados chegaram a apostar em aumentos de juros, mesmo quando dirigentes da instituição indicavam que o movimento mais provável seria uma redução. Agora, à medida que alguns dirigentes passaram a discutir publicamente cenários de alta dos juros, os investidores também elevaram suas apostas nessa direção.

Embora o mercado possa estar errado, uma orientação mais limitada é “provavelmente positiva”, afirmou Jack McIntyre, gestor da Brandywine Global Investment Management.

Menos discursos?

Outra forma direta de comunicação do Fed é por meio de discursos públicos. Dados da própria instituição mostram que seus dirigentes falam mais frequentemente hoje do que no passado. Em 2024 e 2025, os governadores realizaram cerca de 225 discursos, aproximadamente 20% a mais do que duas décadas antes.

Pesquisas indicam que comunicação excessiva ou mal coordenada pode prejudicar a capacidade de um banco central de orientar os mercados. Ainda assim, não está claro o que Warsh poderia mudar além de incentivar os dirigentes a falarem menos.

Uma ferramenta que ele controla diretamente é a coletiva de imprensa após as reuniões de política monetária. Quando esse formato foi criado, em 2011, havia apenas quatro coletivas por ano. Hoje são oito — uma após cada decisão sobre juros.

Essas entrevistas servem para explicar os argumentos discutidos pelos formuladores de política monetária e se comunicar diretamente com investidores e cidadãos. Durante sua audiência de confirmação, Warsh não se comprometeu a manter coletivas após todas as reuniões do FOMC.

Segundo Claudia Sahm, ex-economista do Fed, o estilo de comunicação que Warsh parece defender lembra a era de Alan Greenspan, quando o então presidente da instituição adotava deliberadamente uma linguagem vaga.

“Se eu parecer excessivamente claro para vocês”, disse Greenspan certa vez aos parlamentares, “então vocês devem ter entendido errado o que eu disse”.

Mesmo durante a gestão Greenspan, porém, o Fed iniciou um processo gradual de aumento da transparência. Episódios posteriores mostraram os riscos da comunicação aberta, como o chamado “taper tantrum” de 2013, quando Bernanke desencadeou uma forte venda de títulos do Tesouro americano ao sinalizar a retirada de estímulos monetários.

Ainda assim, esses episódios foram geralmente interpretados como evidência da necessidade de uma comunicação mais cuidadosa — e não menos comunicação. Hoje, a maioria dos observadores do Fed acredita compreender melhor como o banco central reage às mudanças na economia.

Por isso, economistas e investidores não esperam mudanças radicais de imediato. Qualquer alteração significativa no sistema atual provavelmente exigirá amplo debate interno.

“Quando você muda a forma de comunicação, é muito difícil voltar atrás”, afirmou Don Kohn, ex-vice-presidente do Fed. “Por isso existe a percepção de que é preciso haver amplo consenso antes de promover uma mudança desse tipo, porque será difícil recuar caso ela se revele um erro.”

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Liberação do Estreito de Ormuz não abre caminho para cortes de juros do Fed, diz economista do Citi

federal reserve taxa de juros

O acordo entre Estados Unidos e Irã para pôr fim à guerra abre caminho para a reabertura do Estreito de Ormuz, aliviando as pressões inflacionárias que o conflito trouxe para o mundo e para os Estados Unidos. Para Andrew Hollenhorst, economista-chefe para os Estados Unidos do Citi, o desenvolvimento não deve levar o Federal Reserve […]

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No país da picanha, a Copa terá mais frango na churrasqueira

A disparada dos preços no Brasil, maior produtor de carne bovina do mundo, significa que as famílias comprarão menos carne vermelha quando se reunirem para assistir ao primeiro jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo da FIFA neste sábado.

César Visini vai diversificar e incluir frango e linguiças na churrasqueira para um encontro de família neste fim de semana.

“É mais econômico”, disse o professor de 29 anos, que mora na cidade litorânea de Praia Grande. Ele se irrita com o fato de os açougues terem reduzido a qualidade dos produtos oferecidos para contornar os altos custos dos cortes mais nobres. “Às vezes o preço continua o mesmo, mas a qualidade cai. Isso acontece bastante.”

Tradicionalmente, reunir-se para fazer churrasco e torcer pela seleção é um ritual dos brasileiros. Mas os preços da carne bovina próximos de níveis recordes e a crise de endividamento das famílias ameaçam reduzir o apetite do país, que se prepara para semanas de futebol e churrasco. Nesta Copa, os brasileiros servirão frango e linguiça suína com mais frequência do que carne bovina, segundo projeções da Worldpanel by Numerator.

A queda no consumo de carne no Brasil amplia os desafios para o governo Lula às vésperas das eleições nacionais de outubro. Em um país que está entre os três maiores consumidores de carne bovina per capita do mundo, reduzir o consumo é mais um sinal de estresse econômico e pode prejudicar as chances de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que em campanhas anteriores defendeu uma plataforma associada a mais churrasco e cerveja na mesa dos brasileiros.

A oferta global restrita e a forte demanda externa estão impulsionando as exportações brasileiras a um recorde histórico e reduzindo a disponibilidade do produto no mercado doméstico. Isso aumenta a pressão sobre os brasileiros de baixa renda, já com orçamento apertado e dificuldades para lidar com os altos custos dos alimentos e o elevado endividamento.

Nos três primeiros meses do ano, os brasileiros já destinaram uma parcela menor do orçamento total à compra de proteínas. A queda foi provocada pela redução no volume de carne bovina adquirida, segundo Daniela Jakobovski, gerente de contas da Worldpanel.

Em São Paulo, cidade mais populosa do país, o preço da picanha — corte preferido dos brasileiros para o churrasco — superou R$ 90 por quilo em março, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA), órgão público de pesquisa. Um ano antes, o valor era de R$ 81.

A inflação elevou os preços de alguns cortes nobres de carne bovina em até 11% nos últimos 12 meses, de acordo com dados de maio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os preços da carne bovina no atacado atingiram recentemente o maior nível já registrado na série histórica de mais de 20 anos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo.

“Pessoas como eu, que costumavam comer carne bovina duas ou três vezes por semana, agora estão limitando o consumo a uma vez por semana”, disse Thiago Durões, vendedor de 37 anos que mora em Brasília. “Estamos migrando para cortes mais baratos e, em muitos casos, substituindo a carne bovina por frango, carne suína ou pela proteína que oferecer o melhor custo-benefício.”

Gado; carne
Frigoríficos: Foto: Adobe Stock Photo

A carne bovina é apenas uma das muitas preocupações no Brasil, onde um recorde de 82% das famílias possui dívidas em aberto, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Reduzir o endividamento dos brasileiros tornou-se uma questão central da campanha de Lula, que recentemente lançou um novo programa de renegociação de dívidas das famílias na tentativa de aumentar sua popularidade.

O setor chegou até a apontar as apostas online como parte do problema. Recentemente, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) pediram ao governo medidas para limitar os gastos dos consumidores em plataformas de apostas.

Ainda assim, os brasileiros já enfrentaram momentos mais difíceis. Em 2022, ano em que a Argentina conquistou a Copa do Mundo, os preços dos alimentos dispararam após a invasão da Ucrânia pela Rússia elevar os custos globais das commodities. As empresas do setor de carnes estão otimistas com a perspectiva de aumento das vendas durante o torneio, com propagandas na televisão destacando não apenas os tradicionais e caros cortes bovinos, mas também alternativas mais acessíveis, como hambúrgueres, nuggets de frango e salsichas.

“Acreditamos em um portfólio democrático, com opções de proteínas tanto sofisticadas quanto acessíveis”, disse Luiz Franco, diretor de marketing da MBRF Global Foods, uma das patrocinadoras da seleção brasileira de futebol.

Mas mesmo as proteínas mais baratas enfrentam desafios diante da sensibilidade dos consumidores brasileiros aos preços. A guerra no Irã elevou os custos dos fornecedores em itens que vão de embalagens plásticas ao transporte rodoviário, e os reajustes de preços não têm sido suficientes para acompanhar e compensar integralmente esse aumento de custos, segundo Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

O conflito em curso no Oriente Médio surgiu como um novo risco inflacionário para os formuladores de política econômica no Brasil. A alta dos preços do petróleo aumenta as preocupações com os custos dos fertilizantes, insumo essencial para o agronegócio brasileiro, ameaçando elevar os custos de produção em toda a cadeia agrícola.

“O choque na cotação internacional do petróleo, além de afetar os preços dos combustíveis, passou a pressionar insumos industriais e custos de transporte, com possíveis desdobramentos em itens da cadeia de alimentos”, escreveu o Ministério da Fazenda em boletim divulgado em maio. “Esse cenário é compatível com uma trajetória de inflação mais disseminada e persistente ao longo de 2026.”

No Olinda Bar e Restaurante, localizado no bairro Asa Sul, em Brasília, a carne de sol sempre foi um dos pratos preferidos dos clientes. Mas o choque de preços tem levado cada vez mais frequentadores a optar pela salada.

“A carne bovina ficou muito mais cara, e isso inevitavelmente elevou os preços do cardápio”, disse Jaqueline Rodrigues, gerente do restaurante. “Mais pessoas estão escolhendo proteínas mais baratas, e algumas estão deixando de consumir carne completamente.”

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Fundos imobiliários de papel lideram ranking de dividendos em 2026; veja os 10 primeiros colocados

Os fundos imobiliários de recebíveis, conhecidos no mercado como FIIs de papel, foram os que mais distribuíram proventos no acumulado de 2026 até agora, segundo levantamento da Grana Capital a que o Money Times teve acesso.

O estudo considera os rendimentos repassados entre janeiro e maio deste ano em relação ao preço das cotas ao fim do período. Por isso, os percentuais não correspondem ao dividend yield (DY) tradicional de 12 meses.

Na liderança, com um yield acumulado de 8,84% em 2026, está o Kilima Volkano Recebiveis (KIVO11), fundo imobiliário gerido pela Kilima e que reúne aproximadamente 7,3 mil cotistas na bolsa de valores (B3).

Embora tenha visto seus papéis recuarem de R$ 64,85, no final de 2025, para R$ 61,10, ao término do mês passado, o veículo distribuiu, nesse intervalo, aproximadamente R$ 5,40 por cota em proventos, o que o garantiu na primeira posição no ranking.

Quem é o líder?

Com patrimônio líquido estimado em cerca de R$ 187 milhões, o KIVO11 tem como principal estratégia investir em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), que são títulos de dívida ligados ao setor de imóveis.

Segundo relatório gerencial mais recente, cerca de 79% da carteira de CRIs do fundo está atrelada ao IPCA+, o que tende a favorecer o desempenho positivo em períodos de inflação mais elevada.

Outros 21% estão indexados ao CDI, característica que também beneficia a geração de rendimentos em um cenário de juros altos.

Outros fundos imobiliários

Na segunda posição do ranking de maiores dividend yields dos FIIs em 2026 está o Life Capital Partners (LIFE11), também do segmento de papel.

Com patrimônio líquido superior a R$ 358 milhões, o veículo distribuiu R$ 0,72 por cota nos últimos 5 meses, enquanto observou seus papéis caírem 1,56% no mesmo período.

Na sequência, em terceiro lugar, está o Habitat Pulverizados (HABT11), também do nicho de recebíveis, com patrimônio líquido maior, de aproximadamente R$ 775 milhões.

O FII acumulou yield de 7,79% no intervalo analisado, após pagamento acumulado de R$ 5,70 por cota aos investidores, mas viu seus papéis recuarem 3,72% na bolsa de valores.

Abaixo, confira o ranking dos FIIs com maiores dividend yields em 2026:

Fundo imobiliário(R$) valor da cota em 29/12/2025(R$) valor da cota em 29/05/2026Rentabilidade no períodoDividendo em R$DY
Kilima Volkano (KIVO11)64,8561,1-5,78%5,48,84%
Life Capital (LIFE11)8,338,2-1,56%0,728,78%
Habitat Recebíveis (HABT11)7673,17-3,72%5,77,79%
Fator Verita Multiestratégia (VRTM11)7,267,270,14%0,547,43%
Manati Capital Hedge (MANA11)9,269,260%0,677,24%
Tellus Properties (TEPP11)8,658,680,35%0,627,18%
Polo Crédito Imobiliário (PORD11)8,118,352,96%0,5967,14%
Cyrela Crédito (CYCR11)8,778,962,17%0.637,1%
RBR Premium (RPRI11)85,2180,49-5,54%5,697,08%
HSI Ativos Financeiros (HSAF11)77,99825,14%5,76,95%

Fonte: Grana Capital

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Energia nuclear: por que a transição energética vai precisar dela? Confira a resposta no Empiricus Podca$t deste sábado (13)

A energia nuclear não é um tema tão frequentemente discutido entre os brasileiros. A depender do contexto, o assunto pode ser até um pouco estigmatizado. Porém, essa discussão voltou ao radar global, em tempos de guerra no Oriente Médio.

Com os conflitos entre EUA e Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz, o mundo ficou exposto a uma vulnerabilidade: sua grande dependência dos insumos de energia gerados e exportados pela região.

Enquanto isso, a demanda global por eletricidade não para de crescer, principalmente com o avanço da inteligência artificial e dos veículos elétricos. Para atender essa alta demanda em um mundo conflituoso, a energia nuclear voltou a ser mencionada como uma alternativa viável.

Mas por que energia nuclear, especificamente? E o mais importante: o que isso significa para o investidor brasileiro, que já está mais acostumado com outras teses de energia, como o petróleo?

Esse é o tema do Empiricus Podca$t deste sábado (13), que já está no ar. Assista na íntegra:

Os três fatores que justificam o retorno energia nuclear ao radar global

Segundo Jean Miranda, analista de commodities do BTG Pactual, o mercado de energia nuclear vinha “relativamente estagnado” nas últimas três décadas. O resgate de sua relevância se dá por “três ondas de longo prazo e duração” que “tendem a impactar o mercado positivamente”:

  • Alta demanda por energia em meio à corrida pela IA;
  • Transição energética;
  • Segurança energética em um cenário geopolítico estressado.

Tratando-se de inteligência artificial (IA), os analistas reforçam que “a IA precisa de energia limpa”, mas a energia eólica, por exemplo, é intermitente demais para atender a demanda com maior eficiência.

Já no âmbito geopolítico, em um mundo conflituoso, com a oferta de petróleo posta em xeque, “segurança energética se torna o eixo estratégico mais relevante”, segundo Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, que conclui:

 “O mundo, por muito tempo, buscou eficiência, mas hoje está se reorganizando em torno de segurança. Alimentar, cibernética e energética”.

Energia nuclear também é parte essencial da transição para energia ‘verde’

“A energia nuclear é uma energia verde. Não é sustentável, por causa do urânio, mas é verde”, afirma Spiess. “Se você quiser migrar sua matriz econômica para energias verdes, vai precisar dela”.

Para o analista, a energia nuclear está no “mote de diversificação energética” global, e não pode ser ignorada. “É fundamental que você tenha mecanismos de farta geração de energia. Faz parte da corrida pela inteligência artificial. Ela entra justamente nessa dinâmica”.

Como o brasileiro pode se expor a uma tese aparentemente ‘distante’ do nosso mercado?

“Parece distante, mas há maneiras fáceis de aplicar esse dinheiro nessa temática”, afirma Spiess, que indica a facilidade de acesso ao mercado global atualmente.

É possível encontrar investimentos temáticos ligados ao urânio, principal matéria-prima da energia nuclear, por meio de contas internacionais disponibilizadas por bancos e corretoras brasileiras. Eventualmente, para os analistas, é um tema do qual o investidor não poderá fugir.

“Quando olhamos no longuíssimo prazo, é um assunto que o mundo não pode contornar. Vamos continuar vendo esses investimentos de forma crescente”, afirma Jean Miranda.

Para acompanhar a conversa na íntegra, e conhecer as recomendações de investimento dos analistas dentro do tema, clique no vídeo abaixo:

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O fator (oculto) que pressiona Trump por um acordo rápido com Irã

Mais de 100 dias após o início da guerra entre os Estados Unidos e o Irã, e em meio às expectativas frustradas diariamente por um acordo definitivo para pôr fim ao conflito, a aparente calma no mercado internacional de petróleo esconde uma realidade cada vez mais frágil. A estabilidade dos preços, abaixo da cotação de […]

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Equador vai reduzir preços da cerveja em 20% em gesto de apoio na Copa do Mundo

O Equador vai reduzir os preços da cerveja em mais de 20% por meio de um corte temporário de impostos para mobilizar “apoio extra” à seleção nacional durante a Copa do Mundo, afirmou o presidente do país Daniel Noboa.

O governo eliminará um imposto especial sobre a cerveja e outras bebidas de teor alcoólico moderado até 19 de julho, disse Noboa em declarações divulgadas pelo veículo El Universo.

A medida foi anunciada durante a inauguração de um projeto rodoviário na província de Guayas, uma das regiões costeiras do país afetadas por disputas entre gangues do narcotráfico. Vestindo a camisa da seleção, Noboa afirmou que “todos já estão mais focados no futebol do que em qualquer outra coisa” e disse esperar que o Equador “vá muito longe” no torneio.

A Copa do Mundo FIFA 2026 começou na quinta-feira (11), com uma partida entre México e África do Sul. A seleção do Equador estreia em 14 de junho contra a Costa do Marfim, na Filadélfia. Noboa deve viajar aos Estados Unidos ainda hoje e permanecer até a próxima segunda-feira, segundo um decreto executivo que não detalha sua agenda.

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Cripto em alta, previdência em baixa e boom das bets: a “dieta” financeira da geração Z

A geração apontada pelo Bank of America como a mais rica do mundo até 2035 já começa a redesenhar o mapa dos investimentos no Brasil. Mais digital, mais aberta a risco e menos dependente da poupança, a geração Z, na faixa de 16 a 29 anos, investe proporcionalmente mais em criptomoedas, ações, fundos e crédito […]

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Selic a 14% ao ano ‘ainda é lucro’, e IPCA + 8% nos títulos públicos reflete ‘risco de calote’, segundo analista

Os primeiros meses de 2026, no Brasil, foram marcados por otimismo com a Bolsa, vendo o Ibovespa atingir a máxima histórica de quase 200 mil pontos em abril, além do início de um ciclo de corte de juros amplamente esperado.

Porém, chegamos à metade de junho em um cenário totalmente diferente: o Ibovespa já caiu 15% desde o seu topo, e os cortes na taxa Selic, agora, é posto em xeque por grande parte do mercado.

A “culpa” dessa mudança de humor frequentemente recai sobre o conflito no Oriente Médio, que desencadeou pressão inflacionária e aversão ao risco ao redor do mundo. Mas para Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, não se pode descartar que, tratando-se de Brasil, o maior peso nas incertezas econômicas vem de dentro de casa.

“Não faz sentido o Brasil ter juros tão altos assim, e só os tem por conta de um fiscal desequilibrado“, afirma o analista, que discutiu o assunto em participação no programa Giro do Mercado, do Money Times, na última quarta-feira (10).

IPCA + 8% pode ser ‘risco de calote’?

Enquanto a inflação pressionada dá as caras, as expectativas de juros se deterioram, e a Bolsa é tomada por aversão ao risco, é possível encontrar títulos públicos negociados a uma taxa de IPCA + 8% ao ano de retorno – o que costuma chamar a atenção dos investidores em renda fixa.

Mas, antes que essas taxas sejam consideradas exclusivamente como oportunidades de alta atratividade, é preciso reforçar que, mais uma vez, há um “recado maior” nas entrelinhas, e ele não vem diretamente da guerra:

“O fato de termos títulos longos do governo brasileiro oferecendo IPCA + 8% ao ano não é sustentável, não é normal, não é saudável, e já começa a embutir um prêmio de risco de calote.”

O problema nas entrelinhas que ‘ninguém vai te contar’, segundo analista

“O Banco Central hoje, na falta de uma âncora fiscal que o governo fracassou em apresentar, faz um trabalho duplo, que tem um custo muito elevado para a economia real brasileira. Por conta da pressão inflacionária da guerra, mas por conta da irresponsabilidade fiscal doméstica também.”

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, que fica encarregado de conduzir os juros de acordo com os dados de inflação e riscos iminentes, pode acabar pausando o ciclo de cortes na Selic por um tempo.

Nos primeiros meses do ano, o mercado falava em uma Selic terminal de, possivelmente, 12% ao ano. Agora, novos cortes não estão descartados, mas podem ser de menor magnitude que as primeiras projeções.

Segundo dados do último Boletim Focus, da segunda-feira (8), as expectativas atualizadas projetam uma Selic terminal a 13,25% ao ano. “E eu ainda acho otimista”, afirma Spiess. “Se chegar a 14% na conjuntura atual, já é lucro”.

Diferentemente do final de 2024, por exemplo, quando o assunto estava mais em voga, a pauta do ajuste fiscal no Brasil acabou levemente ofuscada por temas como guerra e eleições. Porém, o atual governo segue mantendo um histórico de contas públicas estouradas, que não ajuda em um contexto de inflação e juros já em apuros.

“Continua sendo um problema gigantesco no Brasil”, afirma. “Como é ano eleitoral, ninguém vai falar isso, mas é um problema que tem piorado”. O que traz ainda mais à tona a necessidade de um pacote de ajustes fiscais.

Para o analista, o ajuste deve vir necessariamente em 2027, independentemente da manutenção do atual governo ou da eleição de um candidato de oposição.

E o Oriente Médio: saldo do conflito deve continuar ‘respingando’ nas economias?

“Devemos ver primeiro um vetor na inflação, que deve piorar enquanto não tivermos certeza de quão longo o conflito será. Depois, por conta de uma política monetária mais contracionista.”

Spiess acredita em uma normalização do conflito no Oriente Médio em breve, apesar da “confusão” das comunicações dos gabinetes de governo, tanto da parte dos Estados Unidos quanto do Irã.

Para o analista, as negociações mais recentes devem levar a um acordo “para inglês ver”, que sirva, pelo menos, para liberar o Estreito de Ormuz no curto prazo. Mas que não seria o suficiente para baratear o preço do barril de petróleo, que deve carregar um prêmio geopolítico, ainda, pelos próximos anos.

“Você já ‘disruptou’ a cadeia permanentemente, vai demorar anos para reconstruir a infraestrutura destruída”, afirma. O prêmio de risco deve ser carregado “até que haja uma maior diversificação geográfica e energética dos agentes econômicos, aos moldes do que aconteceu na década de 1970”.

Uma parte da oferta de petróleo do Oriente Médio já está sendo escoada por alternativas geográficas para o resto do mundo, mas uma parte deve seguir inevitavelmente dependente de Ormuz.

Diante de tudo isso, onde investir nesse cenário?

Mesmo com um cenário incerto, isso não significa que o investidor deve se preocupar além do necessário. Por meio das estratégias adequadas, é possível se posicionar em ativos que estejam preparados tanto para proteger sua carteira quanto para buscar lucros.

Matheus Spiess e os demais analistas da Empiricus, especialistas no assunto, estão atentos à conjuntura atual para trazer uma curadoria de recomendações de investimento preparadas sob medida para o momento de mercado.

E você pode conhecer todas elas por meio do Empiricus+, a modalidade de assinatura “streaming” da casa. No Empiricus+, você tem acesso às principais recomendações em:

  • Ações;
  • BDRs;
  • Fundos Imobiliários;
  • Estratégias de renda extra;
  • E muito mais.

Você, leitor deste texto, tem direito a testar a plataforma gratuitamente por 30 dias. Basta se cadastrar nesse link, ou clicar no botão abaixo, para liberar o benefício.

Essa é uma cortesia especial da Empiricus para você. É só seguir as instruções na tela:

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Novas vagas: saiba como se tornar sócio do M3 Club, ‘experiência definitiva’ do Market Makers para investidores

Se você deseja dar um passo além em sua jornada no mercado financeiro, seja como investidor ou na carreira profissional, está convidado a conhecer o M3 Club, comunidade exclusiva liderada pelo Market Makers. O clube, que aceita apenas uma quantidade restrita de membros, reabrirá vagas em caráter excepcional a partir do dia 22 de junho.

O Market Makers é um hub que oferece soluções financeiras, como cursos, pesquisas de mercado e produção de conteúdo: os podcasts da casa, por exemplo, alcançam cerca de 7 milhões de pessoas mensalmente. Muitos conhecem o Market Makers por meio dos conteúdos nas plataformas digitais, mas o M3 Club eleva essa experiência para além da internet.

Conheça vantagens exclusivas de quem é sócio do M3 Club

O coração da proposta do M3 Club está no networking – uma das principais forças motrizes do sucesso de qualquer pessoa no mercado financeiro.

Muitas vezes, um bom networking e acesso prioritário a certas ideias pode parecer se restringir a um círculo restrito de bankers e investidores na Faria Lima. O M3 Club vem para abrir esse acesso a outros investidores que, onde quer que estejam, desejam fazer parte desse grupo que “chega primeiro e bebe água limpa”.

Por meio de conteúdos e eventos exclusivos, os sócios do clube podem trocar experiências com grandes gestores e C-levels do mercado, discutindo negócios e recebendo ideias de investimento em primeira mão com quem entende do assunto.

“O M3 Club é a experiência definitiva e personalizada do Market Makers. Em vez de simplesmente assistir a um episódio e comentar, você pode interagir pessoalmente, mandar um WhatsApp e até mesmo almoçar ou fazer uma viagem com as mentes mais brilhantes do mercado financeiro”, afirma Murilo Ribeiro, diretor do M3 Club.

ENTRE NA LISTA DE ESPERA DO M3 CLUB

Ou seja, entenda o que o M3 Club traz para você:

  • Análises exclusivas de mercado e ativos;
  • Acesso a viagens internacionais de aprofundamento e negócios;
  • Contato direto com mais de 30 gestores do mercado financeiro;
  • Eventos presenciais, online e sob demanda;
  • Networking com outros investidores pessoa física de alto nível;
  • Recomendações exclusivas de investimento.
Membros do M3 Club em evento presencial (Imagens: Market Makers)

Quem são os nomes por trás do M3 Club?

Além de Murilo Ribeiro, diretor do M3 Club, os novos sócios também serão recebidos por Thiago Salomão e Matheus Soares, fundadores do Market Makers.

Thiago Salomão é analista de investimentos CNPI-P, tem MBA em Mercados Financeiros na Fipecafi e na UBS/B3. Antes de fundar o Market Makers, foi editor-chefe do InfoMoney, analista de ações na Rico Investimentos, e co-fundou o podcast Stock Pickers.

Matheus Soares é o analista responsável pela Carteira Market Makers de Ações. Antes de fundar o Market Makers, já tinha experiência com análise fundamentalista e cobertura de small caps. Também é certificado no curso de Value Investing da Columbia Business School.

Aqui, vale lembrar que as novas vagas para o M3 Club reabrem no dia 22 de junho, mas são limitadas. O clube, que já possui um número restrito de membros, distribuirá as vagas remanescentes somente a partir de uma lista de espera prévia, direcionada a quem estiver realmente comprometido a conhecer a proposta de perto.

Inscreva-se na lista prioritária para entrar no M3 Club; vagas serão disponibilizadas em 22 de junho

Caso você esteja interessado em participar do clube, precisa se registrar na lista de espera que mencionamos anteriormente.

Após registrar seu interesse, você receberá um convite para um evento online e gratuito no dia 22 de junho, a partir das 19h, no qual o M3 Club será apresentado oficialmente – e as vagas disponíveis serão liberadas.

Para acessar a lista de espera, basta clicar no botão abaixo e seguir as instruções na tela. O registro inicial na lista, e a participação no evento, são gratuitos.

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Ibovespa hoje (8): da euforia à cautela, mercados iniciam semana com inflação, guerra e inteligência artificial (IA) no radar

O início da semana foi marcado por uma mudança relevante de humor nos mercados globais. A combinação entre a intensificação das tensões no Oriente Médio, a correção das ações ligadas à inteligência artificial (IA) e a revisão das expectativas para a trajetória dos juros nos Estados Unidos levou investidores a adotar uma postura mais cautelosa.

Os confrontos entre Israel e Irã voltaram a ganhar intensidade, elevando os riscos para a estabilidade da região e impulsionando o petróleo para próximo de US$ 100 por barril. Ao mesmo tempo, o forte relatório de emprego dos EUA reforçou a percepção de que o Federal Reserve (Fed) poderá manter uma postura mais restritiva por mais tempo, pressionando os rendimentos dos títulos públicos americanos e reduzindo o apetite por ativos mais sensíveis ao custo de capital. 

O impacto foi particularmente visível no setor de tecnologia e inteligência artificial, principal motor dos mercados ao longo dos últimos meses. Após a queda superior a 4% do Nasdaq na sexta-feira (5), bolsas asiáticas com forte exposição à cadeia global de semicondutores registraram correções expressivas, com destaque para o Kospi sul-coreano, que recuou mais de 8%.

A combinação entre dados econômicos robustos, juros mais elevados, avaliações exigentes e uma realização natural de lucros após um rali expressivo ajudou a desencadear o movimento. Ainda assim, a recuperação parcial dos futuros americanos e as declarações construtivas de executivos como Jensen Huang, da Nvidia, sugerem que o mercado continua enxergando a inteligência artificial como uma tendência estrutural de longo prazo, embora agora inserida em um ambiente potencialmente mais seletivo e volátil. 

A agenda desta semana adiciona novos elementos a esse cenário. As atenções estarão voltadas para os dados de inflação, além da decisão de política monetária do Banco Central Europeu e dos desdobramentos no mercado de energia.  

· 00:58 — Semanas difíceis 

O mercado brasileiro encerrou mais uma semana sob pressão, refletindo a combinação de fatores externos e domésticos que continuam desafiando os ativos locais. O Ibovespa recuou 2,74% no período, registrando sua oitava semana consecutiva de queda, a sequência mais longa desde 1994, enquanto o dólar avançou para R$ 5,16, atingindo seu maior patamar no ano.

O principal catalisador do movimento veio dos Estados Unidos, onde o relatório de emprego (payroll) surpreendeu positivamente ao apontar a criação de 172 mil vagas em maio, mais que o dobro das expectativas do mercado. O resultado reforçou a percepção de que a economia americana segue resiliente, reduzindo as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve e impulsionando os rendimentos dos títulos públicos americanos. Como consequência, o dólar ganhou força globalmente, o fluxo de recursos para mercados emergentes enfraqueceu e os ativos brasileiros voltaram a sofrer pressão. 

No cenário doméstico, o ambiente permanece igualmente desafiador. A combinação entre inflação ainda resistente, atividade econômica mais forte do que o esperado e incertezas em relação ao quadro fiscal levou os investidores a revisarem suas expectativas para a política monetária. Com isso, a possibilidade de manutenção da Selic ganhou espaço, enquanto as apostas em novos cortes de juros se tornaram mais limitadas.

Esse movimento se refletiu diretamente na curva de juros, pressionando especialmente os ativos mais sensíveis ao custo de capital, como ações voltadas ao mercado interno e setores mais dependentes das condições financeiras. Nos próximos dias, as atenções estarão concentradas na divulgação do IPCA de maio, nos dados do setor de serviços e nas atualizações do Boletim Focus, indicadores que serão fundamentais para calibrar as expectativas sobre os próximos passos do Banco Central e a trajetória dos mercados brasileiros ao longo do restante do mês. 

· 01:41 — Semana de dados de inflação 

O foco dos mercados nesta semana estará concentrado nos dados de inflação dos Estados Unidos, especialmente no CPI de maio, que será divulgado na quarta-feira (10). A atenção é justificada porque o mercado de trabalho voltou a surpreender positivamente. O payroll mostrou criação de 172 mil vagas, praticamente o dobro do esperado, enquanto as revisões dos meses anteriores também vieram para cima, reforçando a percepção de uma economia que continua crescendo em ritmo saudável.

Embora a taxa de desemprego tenha permanecido em 4,3% e existam alguns sinais de moderação em segmentos específicos do mercado de trabalho, o conjunto dos dados sugere que a atividade econômica segue resiliente. Nesse contexto, os números de inflação ganham importância ainda maior, pois ajudarão a determinar se essa força da economia está ou não se traduzindo em novas pressões sobre os preços. 

As implicações para a política monetária são relevantes. Um CPI mais forte pode reforçar a visão de que o Federal Reserve precisará manter os juros elevados por mais tempo, ou até considerar novas altas em 2026, cenário que vem ganhando espaço entre algumas instituições financeiras. Isso tende a pressionar os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, elevando as taxas dos juros de mercado e reduzindo o apetite por ativos mais sensíveis ao custo de capital.

Foi justamente essa dinâmica que ajudou a provocar a recente realização de lucros em ações de tecnologia, após meses de forte valorização impulsionada pela inteligência artificial. Em outras palavras, os mercados entram na semana tentando responder a uma pergunta central: a economia americana continua forte o suficiente para sustentar os lucros corporativos sem reacender a inflação? A resposta terá impacto direto sobre a curva de juros, o dólar e o comportamento das bolsas globais

· 02:39 — Sinais de escalada 

A guerra entre Israel e Irã continua sendo um dos principais focos de atenção dos mercados globais. Apesar das tentativas de cessar-fogo e das negociações conduzidas pelos Estados Unidos, os confrontos seguem ocorrendo por meio de ataques diretos, ações de grupos aliados ao Irã e novas tensões em pontos estratégicos da região, como o Líbano e o Mar Vermelho.

Até aqui, o mercado de petróleo mostrou uma resiliência maior do que a esperada, com o Brent estabilizado próximo de US$ 100 por barril, bem abaixo dos cenários mais pessimistas que chegaram a projetar preços entre US$ 150 e US$ 200. Isso ocorreu graças à utilização de estoques estratégicos, ao aumento das exportações americanas, à manutenção de fluxos relevantes pelo Estreito de Ormuz e à desaceleração da demanda em países como a China. Ainda assim, os próximos meses podem ser mais desafiadores, especialmente se houver novas interrupções logísticas ou uma escalada do conflito. 

Ao mesmo tempo, o equilíbrio do mercado de energia permanece delicado. Estima-se que cada mês adicional de restrições no fluxo de petróleo pode pressionar ainda mais os preços, enquanto a OPEP+ continua elevando gradualmente sua produção para compensar parte dos riscos de oferta.

Nos Estados Unidos, Donald Trump mantém uma postura firme em relação ao Irã, condicionando qualquer flexibilização de sanções a avanços concretos nas negociações de paz. O resultado é um cenário em que os mercados seguem monitorando simultaneamente geopolítica, oferta de petróleo e decisões dos grandes produtores.

Embora o choque inicial tenha sido absorvido melhor do que muitos esperavam, a combinação entre conflito prolongado, riscos para rotas estratégicas de transporte e estoques globais mais apertados sugere que a energia continuará sendo uma das variáveis mais importantes para inflação, crescimento econômico e comportamento dos mercados nos próximos trimestres. 

· 03:23 — Debate aprofundado 

O debate sobre inteligência artificial ganhou novos contornos. A Anthropic, desenvolvedora do modelo Claude e uma das principais concorrentes da OpenAI, defendeu a possibilidade de uma desaceleração temporária no desenvolvimento dos sistemas mais avançados de IA. A empresa argumenta que o ritmo atual de evolução da tecnologia pode superar a capacidade de adaptação das instituições, da regulação e das pesquisas de segurança, sugerindo que uma eventual pausa só faria sentido se fosse adotada globalmente e acompanhada de mecanismos de verificação.

Ao mesmo tempo, o governo Donald Trump publicou uma nova ordem executiva sobre inteligência artificial, optando por uma abordagem mais leve do que a inicialmente cogitada. A proposta prevê que o governo tenha um prazo de 30 dias para analisar novos modelos de inteligência artificial antes de seu lançamento ao público. A proposta preserva algum grau de supervisão sobre novos modelos, mas evita medidas mais rígidas que poderiam reduzir a competitividade das empresas americanas frente à China. 

Enquanto isso, os efeitos da inteligência artificial já começam a aparecer de forma concreta no mercado de trabalho. As empresas de tecnologia dos EUA anunciaram mais de 38 mil demissões apenas em maio, o maior volume em quase dois anos, e os cortes acumulados em 2026 já superam 123 mil vagas. Em muitos casos, a própria IA passou a ser citada como motivo para a reestruturação das equipes. Ainda assim, o quadro não é inteiramente negativo. O setor também lidera as intenções de contratação para os próximos anos, refletindo uma transformação da demanda por trabalho, mais do que uma simples destruição de empregos.

Em outras palavras, a inteligência artificial continua avançando como uma das principais forças de mudança da economia global, gerando ganhos de produtividade e novas oportunidades, mas também exigindo adaptação de empresas, trabalhadores e governos a um mercado cada vez mais moldado pela tecnologia, que promete revolucionar a economia global. 

· 04:14 — Limite populacional? 

A Suíça se aproxima de um referendo com potencial para gerar impactos econômicos relevantes. A proposta, conhecida como “Não aos 10 milhões”, busca limitar a população do país a 10 milhões de habitantes, exigindo uma redução significativa do ritmo de imigração nas próximas décadas.

Os defensores argumentam que o país enfrenta pressões crescentes sobre infraestrutura, habitação, transporte e serviços públicos, enquanto os críticos alertam que a medida pode restringir a oferta de mão de obra em uma economia altamente dependente de profissionais qualificados vindos do exterior. Grandes empresas, especialmente dos setores de tecnologia e farmacêutico, demonstraram preocupação com possíveis dificuldades para atrair talentos internacionais, considerados essenciais para a competitividade do país. 

As implicações podem ir além do mercado de trabalho. Um limite rígido à imigração entraria em conflito com o princípio da livre circulação de pessoas, um dos pilares da relação entre a Suíça e a União Europeia. Isso abre espaço para tensões diplomáticas e comerciais com o principal parceiro econômico do país, responsável por grande parte de suas exportações e investimentos.

Em última instância, o debate reflete uma questão que vem ganhando força em diversas economias desenvolvidas: como equilibrar crescimento econômico, demanda por trabalhadores qualificados e pressões sociais associadas ao aumento da imigração em mercados desenvolvidos. 

· 05:06 — Um evento que chama a atenção 

Apple (Nasdaq: AAPL) inicia hoje sua tradicional Worldwide Developers Conference (WWDC), principal evento anual da companhia voltado a desenvolvedores, software e inovação. Embora historicamente a conferência seja utilizada para apresentar atualizações dos sistemas operacionais da empresa, a edição deste ano carrega uma relevância especial para investidores.

Após as críticas recebidas pela primeira geração do Apple Intelligence e os atrasos na implementação de recursos mais avançados de inteligência artificial, o mercado espera que a companhia apresente uma resposta mais robusta para a crescente competição com OpenAI, Google, Microsoft e outras líderes da corrida pela IA. Não por acaso, a WWDC é vista como uma oportunidade para a Apple demonstrar que possui uma estratégia para a grande onda tecnológica. 

O principal destaque esperado é uma profunda reformulação da Siri. Segundo as indicações, a assistente virtual deverá incorporar recursos de inteligência artificial generativa, utilizando modelos Gemini, do Google, além de ganhar maior capacidade de compreender contexto pessoal, interpretar informações exibidas na tela e executar tarefas mais complexas em diferentes aplicativos do ecossistema Apple.

Também existe expectativa para o lançamento de uma versão independente da Siri, em formato semelhante aos atuais chatbots de IA, potencialmente abrindo espaço para novas formas de monetização. Além disso, investidores acompanham possíveis atualizações dos sistemas operacionais da companhia, adaptações para novos formatos de hardware e avanços na integração entre dispositivos, elementos que podem reforçar a competitividade do ecossistema Apple nos próximos anos. 

Embora o mercado costume reagir de forma cautelosa aos anúncios da WWDC no curto prazo, o evento possui relevância para a tese de investimento. Mais do que apresentar novos produtos, a Apple precisa convencer investidores de que está preparada para ocupar um papel relevante na era da IA.

Em nossa visão, a empresa continua reunindo atributos difíceis de replicar, como uma base extremamente fiel de usuários, forte capacidade de geração de caixa, integração única entre hardware e software e uma das marcas mais valiosas do mundo. Caso a WWDC consiga demonstrar avanços concretos na estratégia de IA, o evento poderá representar um passo importante para reforçar a confiança dos investidores na capacidade da companhia de continuar gerando crescimento e valor para os acionistas ao longo da próxima década, incluindo os investidores brasileiros expostos às BDRs AAPL34

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Aeroportos da América Latina estão supercongestionados, diz entidade; veja quais são

Rio de Janeiro* - A infraestrutura nos aeroportos é um dos principais desafios para ampliar a oferta de voos no Brasil e na América Latina. Atualmente, 54% dos voos na região decolam ou pousam em terminais que enfrentam situação de congestionamento ou supercongestionamento, segundo dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata).

Leia mais em: https://exame.com/economia/aeroportos-da-america-latina-estao-supercongestionados-diz-entidade-veja-quais-sao/

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União Europeia oficializa veto à carne do Brasil e fixa bloqueio para 3 de setembro

A União Europeia formalizou o veto às importações de carne bovina, de frango e de outros produtos de origem animal do Brasil. O bloqueio começa em 3 de setembro e atinge também pescado, mel, ovos, equinos e tripas. 

O documento foi assinado na quinta-feira (4) e publicado na sexta pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, formalizando a decisão que o bloco havia anunciado em maio.

A medida exclui o Brasil da lista de países considerados aptos a cumprir as exigências europeias sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A legislação do bloco proíbe o uso de certas substâncias para acelerar o crescimento dos rebanhos ou aumentar a produtividade, além de vetar antibióticos reservados ao tratamento de infecções humanas. 

A justificativa europeia não aponta carne contaminada nem surto sanitário. A Comissão afirma não ter recebido informações que garantam que o Brasil aplicou as medidas necessárias para assegurar o cumprimento, até 3 de setembro de 2026, dos requisitos estabelecidos.

Os demais integrantes do Mercosul, Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem habilitados a exportar produtos de origem animal ao bloco, o que enfraquece o argumento de que a decisão teve como alvo o acordo comercial firmado recentemente entre Mercosul e UE. 

A Comissão cita nominalmente Armênia, Índia, Indonésia, Quênia, Nigéria, Sérvia, Tanzânia, Tunísia, Uganda e Uzbequistão entre os países que enviaram as comprovações e foram aceitos.

Resposta tardia

A lista de países habilitados foi instituída pelo Regulamento de Execução (UE) 2024/2598, de outubro de 2024, com vigência marcada desde então para 3 de setembro de 2026. Ou seja, o prazo é conhecido há mais de um ano e meio.

Uma reportagem recente da Folha de S.Paulo mostrou que o Ministério da Agricultura tinha, pelo menos 40 dias antes da decisão, um parecer técnico interno apontando a fragilidade do sistema brasileiro. 

O Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal do ministério concluiu que os controles eram insuficientes porque dependem de autodeclaração dos produtores e das empresas, sem fiscalização oficial e independente em granjas e propriedades. 

A resposta brasileira veio tarde e com brecha. Em abril, o Ministério da Agricultura publicou duas portarias vedando os medicamentos questionados, uma sobre antimicrobianos reservados à medicina humana, outra sobre promotores de crescimento. 

Mas abriu uma janela de 180 dias para que as empresas esgotem estoques até outubro, prazo que extrapola a própria data-limite europeia de setembro. 

Efeito para os frigoríficos

A UE é o segundo maior destino das carnes brasileiras em valor, atrás apenas da China, e responde por cerca de 5,8% das vendas externas de carne bovina. 

A estimativa do setor é de perda de quase US$ 2 bilhões por ano. Quando o bloco anunciou a decisão, em 12 de maio, as ações dos frigoríficos reagiram: JBS recuou 3,47%, MBRF cedeu 5,38% e Minerva caiu 1,16%.

Para reabrir o mercado, o Brasil vai precisa demonstrar fiscalização verificável sobre o uso de medicamentos no campo, ou garantir cadeias segregadas de animais que nunca receberam as substâncias proibidas, o que esbarra na rastreabilidade e nos ciclos de produção do rebanho.

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A herança de Pablo Escobar: o que são os “hipopótamos da cocaína” — e como esse herdeiro indiano bilionário quer salvá-los

Além das consequências do narcotráfico que ainda marcam a Colômbia, Pablo Escobar deixou uma herança inusitada para o país: uma população de hipopótamos que continua crescendo décadas após sua morte.

A história dos animais reúne ingredientes de uma novela: um narcotraficante bilionário, uma espécie invasora fora de controle, planos de abate e, agora, um herdeiro bilionário indiano disposto a salvar os mamíferos.

Anant Ambani, filho do empresário Mukesh Ambani, afirmou que poderia transferir dezenas de hipopótamos colombianos para um santuário de vida selvagem na Índia, evitando o sacrifício dos animais defendido por autoridades locais.

Hipopótamos: o legado inesperado de Escobar

Nos anos 1980, Pablo Escobar vivia o auge de seu poder como líder do Cartel de Medellín. Entre suas extravagâncias estava a criação de um zoológico particular na Fazenda Nápoles, propriedade localizada a cerca de 150 quilômetros de Medellín.

O local reunia animais exóticos vindos de diferentes partes do mundo, incluindo girafas, zebras, elefantes, rinocerontes, búfalos e hipopótamos.

Com a morte de Escobar, em 1993, a fazenda foi abandonada. Grande parte dos animais acabou transferida para zoológicos e reservas, mas os hipopótamos permaneceram no local.

Sem predadores naturais, com abundância de água e alimento, os animais se reproduziram rapidamente.

Hoje, essa população é considerada a única manada de hipopótamos vivendo em estado selvagem fora da África.

De atração turística a problema ambiental

O crescimento da população transformou os hipopótamos em uma preocupação ambiental.

Por serem uma espécie invasora, os animais alteram ecossistemas locais, competem com espécies nativas e podem modificar a qualidade da água dos rios.

Além dos impactos ambientais, autoridades registraram episódios de perseguição a moradores, ataques e relatos de pescadores que evitam determinadas áreas por medo dos animais.

Há mais de duas décadas, o governo colombiano busca alternativas para controlar a população, incluindo esterilização, transferência para outros países e programas de controle reprodutivo.

Mais recentemente, o debate sobre o abate de parte dos animais voltou à pauta diante do crescimento contínuo da manada.

O herdeiro bilionário que entrou na história

Enquanto a Colômbia procura uma solução para o problema, surgiu um interessado improvável.

Anant Ambani, filho de Mukesh Ambani — considerado o homem mais rico da Índia — afirmou que poderia receber cerca de 80 hipopótamos no Vantara, um dos maiores centros de conservação animal do mundo.

O santuário, localizado no estado indiano de Gujarat, afirma já ter acolhido mais de 1,5 milhão de animais de milhares de espécies.

A proposta prevê a transferência dos hipopótamos colombianos para a Índia, onde receberiam cuidados permanentes e seriam mantidos em áreas protegidas.

Por enquanto, porém, o governo colombiano ainda não respondeu oficialmente à oferta.

Caso o plano avance, os animais poderão ganhar um novo capítulo em uma história que começou há mais de 40 anos em um zoológico particular construído por Pablo Escobar e que, até hoje, continua produzindo consequências inesperadas.

*Sob supervisão de Renan Dantas.

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“Soma de todos os medos” pressiona o Ibovespa e não tem prazo para terminar

Após meses de forte alta, a bolsa de valores brasileira passa por um período de correção acentuada, levando muitos a reconsiderar o otimismo em relação a uma retomada do mercado de renda variável em 2026. Desde a máxima histórica registrada em abril, o Ibovespa recuou 14,26%, saindo do recorde de 198.657,33 pontos, apurado em 14 […]

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Índia aumenta em quatro vezes mistura de etanol na gasolina e pode impulsionar demanda de álcool e açúcar brasileiros

Em uma ofensiva para diversificar sua matriz energética e reduzir a forte dependência do petróleo importado, a Índia lançou oficialmente no mercado um novo combustível com altíssimo teor de etanol nesta sexta-feira (5).

Atualmente, a nação sul-asiática já comercializa em toda a sua rede varejista a gasolina com 20% de etanol, conhecida como E20. O novo combustível, batizado de E85, contará com cerca de 85% de etanol em sua composição e promete ser menos poluente que os concorrentes convencionais.

Além do apelo ecológico, o bolso do consumidor também deve sentir o reflexo: o E85 terá um preço 20 rúpias mais barato por litro do que a gasolina E20, ou uma economia de 20% para o bolso.

O anúncio foi feito pelo ministro do Petróleo, Hardeep Puri, que apresentou a novidade em um posto da Indian Oil Corp., na capital Nova Déli. Inicialmente, o produto começará a ser vendido em 50 postos de combustíveis espalhados pelo país.

De acordo com Puri, a Índia possui hoje uma capacidade instalada para produzir 19 bilhões de litros de etanol, sendo que o programa de mistura atual consome 11,5 bilhões de litros. A chegada do E85 ao mercado surge justamente como um motor para alavancar essa demanda pelo biocombustível.

Um crescimento acentuado na demanda pela nova mistura de combustível, no entanto, pode levar a Índia a buscar etanol no mercado externo. Essa necessidade coloca o Brasil, um dos maiores produtores do álcool combustível, em posição privilegiada.

O Brasil produziu em 2025 um pouco mais de 37 bilhões de litros.

Além da demanda por etanol, a novidade na Índia pode também trazer demanda extra para o açúcar do país. Isso porque como a Índia precisa desviar parte de sua safra de cana para garantir a mistura de etanol, a sua oferta global de açúcar diminui. Isso frequentemente exige que o mercado busque o Brasil (maior produtor mundial) para suprir essa lacuna.

Sem tração nos veículos elétricos

A estratégia da Índia ganha força diante do ritmo lento da transição para a mobilidade elétrica no país, travada pelos altos custos dos veículos e por uma infraestrutura de recarga ainda bastante limitada.

Nesse cenário, as autoridades indianas enxergam os veículos compatíveis com etanol como um caminho complementar e estratégico para cortar o consumo de petróleo, exigindo muito menos investimentos em infraestrutura do que a criação de uma rede nacional de carregamento para elétricos.

Esse movimento é crucial para o país, cuja demanda por gasolina — consumida majoritariamente por veículos de duas rodas — cresceu a uma média anual de 9% nos últimos cinco anos, inflando a conta de importação de petróleo.

Dando sinais claros do empenho do governo em estruturar um ecossistema de transporte que sustente esse maior uso do biocombustível, o ministro Puri apresentou novos modelos de motocicletas da Hero MotoCorp Ltd. e o hatch Wagon R, da Maruti Suzuki India Ltd., ambos já preparados para rodar com o E85.

O chefe da pasta do Petróleo revelou ainda que o governo estuda medidas políticas para acelerar a adoção de veículos híbridos e projetou que o novo combustível deverá estar disponível em até 500 postos até o final deste ano.

Apesar do otimismo do governo, o combustível chega às bombas em meio a discussões persistentes no mercado sobre o impacto de misturas tão ricas em etanol no rendimento por quilômetro e na durabilidade dos motores. Tentando mitigar os receios, o Ministério do Petróleo declarou no ano passado que a gasolina E20 já oferece melhor aceleração, maior suavidade na condução e menores emissões de carbono em comparação ao combustível convencional — benefícios que, segundo a pasta, tendem a ser amplificados com a chegada de misturas de etanol ainda mais concentradas.

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Empregos nos EUA superam previsões e pressionam Fed a subir juros até o fim do ano

O mercado de trabalho americano deu sinais de forte recuperação em maio: a geração de empregos superou todas as expectativas dos analistas, enquanto a taxa de desemprego se manteve estável em 4,3%.

Os postos de trabalho cresceram 172 mil no mês passado, após revisões para cima nos dois meses anteriores, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (5) pelo Bureau of Labor Statistics (BLS). O resultado representa o melhor avanço trimestral em mais de dois anos.

Os números do “payroll” devem aumentar a pressão sobre o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) para que considere novas altas nos juros como forma de conter a inflação.

O relatório sugere um aquecimento do mercado de trabalho em diversos setores, após um crescimento próximo de zero no ano passado — e apesar das preocupações recentes com a alta dos preços de energia, que derrubou a confiança do consumidor a mínimas históricas.

Os títulos do Tesouro americano passaram a enfrentar uma onda de vendas, elevando os rendimentos dos papéis de dois anos em cerca de 10 pontos-base, para 4,14%. Os mercados passaram a precificar integralmente um aumento de 0,25 ponto percentual nos juros até o fim do ano.

Kevin Warsh, o novo presidente do Fed, conduzirá sua primeira reunião de política monetária nos dias 16 e 17 de junho. A expectativa do mercado é de que os juros sejam mantidos, mas as apostas em uma alta na segunda metade do ano aumentaram após declarações de dirigentes do banco central favoráveis a sinalizar que um aperto monetário é tão provável quanto um corte.

Data centers e IA afetam resultados

O setor de lazer e hospitalidade liderou a criação de vagas, com 70 mil novos postos — o maior volume em mais de três anos. A área de saúde e assistência social, que vinha sendo o principal motor das contratações, manteve o ritmo firme.

A construção comercial registrou crescimento pelo sétimo mês consecutivo, impulsionada pela forte demanda ligada à expansão de data centers. Um relatório separado divulgado esta semana apontou que os gastos com construção desse tipo de infraestrutura superaram US$ 50 bilhões em abril pela primeira vez.

A indústria manufatureira também gerou empregos em maio, beneficiada pela demanda aquecida de data centers, produção de defesa e pela corrida dos clientes para estocar produtos antes de novos reajustes ligados a conflitos internacionais.

O relatório também evidenciou o impacto crescente da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho. O setor de tecnologia da informação — que inclui desenvolvedores de software, redes sociais e portais de busca — voltou a perder vagas em maio, acumulando quedas em 16 dos últimos 17 meses. Gigantes como Meta e Microsoft vêm reduzindo seus quadros, em parte para compensar os altos investimentos em IA.

Outros indicadores recentes enviaram sinais mistos sobre a saúde do mercado de trabalho. As vagas abertas subiram em abril ao nível mais alto desde 2024, embora o aumento tenha ficado concentrado em poucos setores. As demissões seguem em patamares historicamente baixos, mas os consumidores ainda demonstram certo pessimismo quanto às oportunidades de emprego, e pequenas empresas estão reduzindo os planos de contratação.

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Nos EUA, uma praga ameaça a oferta de gado – que já está no menor nível em 75 anos

Um parasita letal para o gado foi detectado nos Estados Unidos pela primeira vez em quase uma década, em um momento em que o rebanho do país já está no menor nível em 75 anos.

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) confirmou na noite de quarta-feira (3) que um caso suspeito no sul do Texas testou positivo para a mosca-da-bicheira-do-novo-mundo (New World screwworm).

O animal afetado é um bezerro de três semanas no condado de Zavala e, por enquanto, é o único caso monitorado pela agência, afirmou a secretária de Agricultura, Brooke Rollins.

Nova ameaça em meio à escassez de gado

Segundo Rollins, não há “razão para acreditar” que o parasita vá se estabelecer nos Estados Unidos.

Ainda assim, a confirmação do caso ocorre em um momento delicado para a pecuária americana. O tamanho reduzido do rebanho já levou os preços da carne bovina a níveis recordes.

As ações da Tyson Foods e da JBS avançavam no pré-mercado desta quinta-feira (4), depois de terem caído na véspera com as notícias sobre uma possível infecção, que ainda não havia sido confirmada. Já os contratos futuros de gado para reposição e de boi gordo negociados em Chicago recuaram na quarta-feira.

O principal risco, neste momento, é para os pecuaristas, não para frigoríficos ou consumidores, afirmou Corbitt Wall, analista de mercado da DV Auction. Segundo ele, a maior parte dos bezerros ainda está nos pastos nesta época do ano e não está sendo comercializada.

Wall disse que a presença da praga tende a sustentar os preços do gado, já que ameaça a oferta. Ao mesmo tempo, pode gerar receio nos consumidores na hora de comprar carne. “É sempre uma notícia negativa. Por isso o mercado está reagindo mal”, afirmou.

Os EUA tentam conter o avanço da praga, capaz de matar um animal em poucos dias, desde maio de 2025, quando casos registrados no México passaram a preocupar as autoridades. O USDA suspendeu as importações de gado vivo mexicano e construiu novas instalações para dispersar moscas estéreis.

Mesmo assim, o número de casos vem crescendo no México. Segundo o USDA, o foco mais próximo da fronteira americana foi identificado em uma cabra a cerca de 40 quilômetros dos Estados Unidos.

A presença da praga no México e a suspensão do comércio de gado vivo agravaram a escassez de animais para os frigoríficos americanos, que já enfrentavam dificuldades para manter suas operações diante da oferta reduzida e dos custos mais altos.

Essa restrição também levou os preços da carne bovina ao consumidor a máximas históricas, colocando pressão sobre a promessa de Donald Trump de reduzir o custo dos alimentos.

A volta da mosca-da-bicheira

A última vez que a mosca-da-bicheira foi detectada nos EUA foi em 2016, em cervos nas ilhas de Florida Keys. A praga foi erradicada no início de 2017. O último surto envolvendo bovinos infectados ocorreu em 1976 e causou prejuízos de até US$ 375 milhões para a economia do Texas, em valores da época, segundo o USDA.

Embora o risco para humanos seja baixo, os Estados Unidos registraram um caso da infecção em uma pessoa no ano passado, após uma viagem à América Central.

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Governos agora investigam se ‘efeito Ozempic’ se estende em estímulo ao mercado de trabalho

O novo governo da Dinamarca, país de origem da Novo Nordisk, do Ozempic, vai investigar se os medicamentos para perda de peso podem ajudar mais pessoas a entrarem no mercado de trabalho, adicionando uma nova dimensão econômica ao debate sobre os tratamentos para a obesidade.

A Novo, fabricante do Wegovy e do Ozempic, já transformou a economia dinamarquesa, com impulso a um crescimento significativo nos últimos anos, mesmo diante da concorrência crescente enfrentada pela gigante farmacêutica, como pela americana Eli Lilly.

O país nórdico agora investiga se os remédios também podem gerar benefícios econômicos ao aumentar a produtividade.

Em seu programa de governo divulgado nesta semana, a nova administração do país propôs um projeto-piloto para pessoas com obesidade grave, a fim de avaliar como medicamentos como o Wegovy afetam a economia além dos resultados de saúde, incluindo seu impacto na oferta de trabalho.

Não foram detalhadas as características do programa. A ideia reflete um interesse crescente entre formuladores de políticas públicas sobre os efeitos econômicos mais amplos dos tratamentos contra a obesidade, para além de efeitos mais evidentes no consumo de alimentos.

Estudo do ‘efeito Ozempic’ no Reino Unido

O governo britânico, no final de 2024, firmou parceria com a Eli Lilly para um ensaio de cinco anos destinado a analisar se os medicamentos para perda de peso podem ajudar mais pessoas a retornarem ao trabalho e aliviar a pressão sobre o sistema público de saúde.

Uma pesquisa apresentada no ano passado estimou que o princípio ativo por trás do Wegovy e do Ozempic da Novo poderia gerar mais de 4,5 bilhões de libras (6 bilhões de dólares) em ganhos anuais de produtividade no Reino Unido, segundo o jornal The Guardian.

A análise de 2.660 participantes com três ensaios clínicos concluiu que o medicamento adiciona o equivalente a cinco dias de trabalho e 12 dias de trabalho não remunerado por paciente a cada ano.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, que conquistou um terceiro mandato nesta semana, já declarou ser uma “grande fã” do Ozempic e do Wegovy, demonstrando apoio à empresa farmacêutica.

Frederiksen firmou um acordo de coalizão na segunda-feira (1), quase dez semanas após a eleição geral, reunindo Social-Democratas, Esquerda Verde, Liberais Sociais e Moderados em um governo minoritário apoiado por partidos de esquerda.

A Dinamarca foi um dos primeiros países onde a Novo lançou o Wegovy, no final de 2022, e quase 5% da população já utilizou o medicamento desde então, de acordo com dados do governo.

Cerca de 8% dos dinamarqueses preenchem os critérios para o tratamento, segundo uma análise divulgada no ano passado.

A crescente popularidade dos medicamentos para obesidade da Novo também pressionou as finanças públicas, levando a Dinamarca a reduzir os subsídios para o Ozempic em 2024 e a rejeitar os pedidos da empresa para reembolso público do Wegovy. 

É um mercado crescente que começa a ganhar ainda mais força em países em que a patente expirou, o que leva à venda de medicamentos genéricos, caso recente do Brasil.

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EUA vs. Pix? Entenda o que está por trás da polêmica e como isso pode mexer com seus investimentos

A discussão em torno do Pix voltou a ganhar relevância esta semana, após o sistema de pagamentos instantâneos ser citado em uma investigação comercial dos Estados Unidos.

Na visão do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), em pesquisa a pedido do presidente Donald Trump, o Pix pode representar uma vantagem “injusta” com capacidade de restringir o comércio americano.

O debate aparenta se concentrar na infraestrutura da transferência. Sem intermediários e sem muitas etapas, um pagamento por Pix é feito de forma instantânea, pelo celular, 24 horas por dia e sem cobrança de taxas.

Segundo dados do Banco Central, mais de 170 milhões de pessoas físicas (cerca de 80% da população brasileira) usufruem da plataforma.

Desde o lançamento no final de 2020 até o final de 2025, estima-se que o Pix já movimentou R$ 85 trilhões em transações, mais de 7 vezes o PIB do Brasil em 2024, aponta a fintech Ebanx.

Pix pode ser o primeiro capítulo de uma disrupção financeira, segundo analista

Na visão do analista de macroeconomia da Empiricus Research, Matheus Spiess, “o sistema brasileiro demonstrou que pagamentos instantâneos podem substituir parte da intermediação tradicional do sistema bancário”.

O mercado global de pagamentos movimenta trilhões de dólares por ano e historicamente foi dominado por redes privadas que atuam como intermediárias das transações financeiras.

O que mobiliza o mercado agora é a perspectiva de que o Pix pode ser o passo inicial para uma transformação mais ampla da infraestrutura financeira.

“Muitos enxergam nessa evolução uma prévia do papel que as stablecoins poderão desempenhar em escala global. Em 2025, essas moedas digitais movimentaram cerca de US$ 33 trilhões em transações, superando o volume processado em conjunto por Visa e Mastercard (US$ 25 trilhões)”, compara o analista.

A tendência, segundo Spiess, aponta para um sistema financeiro cada vez mais rápido, eficiente, global e programável, em que o Pix pode ser apenas um dos primeiros capítulos.

Em cenários de transformação acelerada como esse, acompanhar os movimentos do mercado e entender seus possíveis desdobramentos torna-se um diferencial para quem busca tomar decisões de investimento mais bem fundamentadas.

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Pares exemplares

Em seus Insights Assimétricos, Matheus escreveu ontem no Seu Dinheiro sobre as lições que a eleição colombiana pode trazer para o contexto brasileiro.

A virada do pêndulo político na América do Sul rumo a governos mais disciplinados fiscalmente parece ter contagiado também a Colômbia, com prontas respostas via apreciação cambial e valorização dos ativos de risco.

Isso explica por que o MSCI Colombia (linha preta) descolou do EWZ (linha azul) no último mês, e pode continuar outperformando em caso de vitória de Abelardo de la Espriella sobre Iván Cepeda.

Embora especialmente valiosa por ser próxima e sintomática, a experiência colombiana não é a única a nos ensinar que não dependemos de milagres.

Dentro dos BRICS originais, o melhor momentum atual está com a África do Sul e sua exemplar conduta fiscal.

Rodando a um superávit primário de 1,1% do PIB – acima da expectativa de 0,9% – o governo sul-africano fez a dívida bruta se estabilizar rapidamente abaixo de 80% do PIB, e já apontando para uma nova convergência rumo aos 70%.

A “mágica” foi executada sem grandes sacrifícios, combinando algum aumento de arrecadação com cortes de despesas supérfluas. E deve se traduzir em menores taxas de juros, acompanhadas por uma futura obtenção do investment grade.

Analogamente, a Argentina chega forte para a Copa com sua nova combinação de superávits gêmeos na conta corrente e no fiscal, enquanto o Brasil ocupa, de longe, a pior posição do ranking.

Estamos falando de Argentina, Colômbia e África do Sul, não de Suíça. Os comparativos são próximos e factíveis, estão ao nosso alcance técnico, político e social.  

Sem exagero, o potencial de melhora desses ciclos virtuosos é avassalador. Basta não se iludir com os ímpares e copiar os pares exemplares.

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Petrobras (PETR4) reduz em 9,59% preço do diesel para distribuidoras

A Petrobras (PETR3;PETR4) anunciou neste domingo uma redução de 9,59% no litro do diesel A para as distribuidoras, o que levará o litro do combustível para R$3,30 ante os atuais R$3,65 a partir de segunda-feira.

Em nota, a estatal disse que a redução se deveu à subvenção ao diesel anunciada pelo governo federal. No sábado, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prorrogou medidas para tentar conter a alta dos preços dos combustíveis em meio à continuidade da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

Entre as medidas anunciadas no sábado estava uma subvenção de R$1,12 para o diesel rodoviário em substituição a duas outras subvenções que venceriam neste domingo.

Na nota em que anunciou a redução para as distribuidoras, a Petrobras disse que está avaliando os termos da nova subvenção.

“Qualquer decisão da companhia sobre esse tema será tempestivamente divulgada ao mercado nacional”, afirmou na nota.

Pouco após o início da guerra, deflagrada em 28 de fevereiro, a Petrobras elevou, em meados de março, o preço do diesel A em suas refinarias em 11,6%, ou R$0,38 o litro, para uma média de R$3,65 por litro, em movimento que atenuava a defasagem do valor da estatal em relação ao mercado internacional, após a disparada do preço do petróleo em função do conflito.

A guerra levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passava 20% do fluxo global de petróleo antes do conflito, gerando uma alta nos preços internacionais da commodity.

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Análise: Stablecoins dão e tiram poder dos bancos centrais ao mesmo tempo

Christopher Waller, um dos diretores do Fed, disse neste domingo (31) que a disseminação das stablecoins pelo mundo amplia a influência da política do banco central americano.

“Os países que adotam essas moedas entram em algo parecido com um regime de câmbio fixo”, ele disse, num evento em Dubrovnik, Croácia. “É uma forma de estender o alcance da política monetária americana aos países que usam mais stablecoins.”

Stablecoins são criptos que emulam o dólar. Os emissores, que são empresas comuns, prometem manter títulos do Tesouro americano num montante equivalente ao das criptos que produzem. Esse é o lastro que garante a estabilidade de moedas digitais como o USDC e o Theter. Há stables de outras moedas também, mas as que giram de fato pela economia global são as de dólar.

Na prática, elas funcionam como um “pix em dólar”. Você consegue fazer transferências internacionais em dólar de forma instantânea, via redes de blockchain, não importando em qual país você esteja. Isso não existe com o dinheiro convencional, que circula pelo sistema bancário. Se você faz um trabalho para uma empresa de fora, já é comum que o pagamento aconteça via transferência de alguma stable.

Ao afirmar que a disseminação das stables amplia o alcance da política econômica dos EUA, Weller está dizendo o seguinte: se o Fed reduz o juro para estimular a economia americana, isso acaba incentivando também a economia de países onde o uso de stable coins esteja disseminado.

Mas trata-se de uma via de mão dupla.

Stables também afetam bancos centrais

O lastro das stables são títulos públicos do governo americano, certo? O emissor compra os títulos, produz uma quantidade equivalente de cripto, e embolsa os juros. Por isso que produzir stable é um negócio – e por isso já existem tantas delas por aí.

E temos aí que a mera existência de stablecoins cria demanda para os títulos americanos. E quanto maior a demanda, menor o juro que o governo precisa pagar. Ou seja: se de um lado as stables ampliam a abrangência do BC americano, por outro elas influenciam nas taxas de juros dos títulos públicos – um componente central da política monetária. Quanto menor o juro, mais dinheiro circula, por exemplo.

Já autoridades europeias, incluindo Christine Lagarde, têm sido críticas das stablecoins. Em um discurso no início de maio, a presidente do banco central europeu disse que esse tipo de instrumento traz riscos à estabilidade financeira e à transmissão da política monetária.

Vale uma tradução aqui. Também existem stablecoins de euro, e é a elas que Lagarde se refere. BCs aumentam juros para tirar dinheiro de circulação e, assim, combater a inflação. Eles fazem isso vendendo títulos públicos em seu poder e estocando o dinheiro para que ele não gire pela economia. Com menos moeda na praça, os preços param de subir. “Política monetária” é isso.

Pois bem. Se alguém compra títulos públicos para usar como lastro de stablecoin, o dinheiro não fica parado. Segue circulando, na forma de stable. E alimenta a inflação que o banco central tenta combater.

O que Lagarde diz, portanto, não é uma opinião. É um fato. A existência dessa moedas, ao mesmo tempo em que amplia a influência do maior BC do mundo, também tira poder dos bancos centrais – incluindo o americano.

Eis o paradoxo.

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Agenda: Payroll dos EUA, PIB da zona do euro e feriado no Brasil mexem com a semana

A semana começa com foco em indicadores de atividade, especialmente industriais. Na segunda-feira (1), a divulgação de diversos PMIs ao redor do mundo, incluindo zona do euro, Reino Unido, Brasil e Estados Unidos, ajuda a medir o ritmo da economia global, além de dados como desemprego na Europa e o Relatório Focus no Brasil.

Na terça (2) e quarta-feira (3), a agenda ganha mais força com números de inflação, emprego e serviços. Destaque para o CPI da zona do euro, o Jolts nos EUA e, no dia seguinte, os PMIs de serviços, a produção industrial brasileira e o Livro Bege do Federal Reserve, que oferece um panorama da economia americana.

Na quinta-feira (4), a agenda é mais leve por conta do feriado no Brasil, com poucos indicadores no exterior. Já na sexta-feira (5), os destaques são o PIB da zona do euro e o payroll dos Estados Unidos, além da produção de veículos no Brasil, encerrando a semana com dados relevantes para o mercado.

Confira a agenda de indicadores da semana de 01 a 05 de junho de 2026

Brasil

Segunda-feira (01/06)
8h25 – Relatório Focus
10h – PMI industrial

Terça-feira (02/06)
06h – IPC-Fipe

Quarta-feira (03/06)
9h – Produção industrial
10h – PMI Composto e de Serviços
15h – Balança comercial

Quinta-feira (04/06)
Feriado

Sexta-feira (05/06)
11h – Produção de veículos

Estados Unidos

Segunda-feira (01/06)
10h45 – PMI industrial

Terça-feira (02/06)
11h – Jolts

Quarta-feira (03/06)
9h15 – ADP
10h45 – PMI Composto e de Serviços
15h – Livro Bege

Quinta-feira (04/06)
9h30 – Pedidos semanais de seguro-desemprego

Sexta-feira (05/06)
9h30 – Payroll

Reino Unido

Segunda-feira (01/06)
5h30 – PMI Industrial

Quarta-feira (03/06)
05h30 – PMI Composto e de Serviços

União Europeia

Segunda-feira (01/06)
05h – PMI Industrial
06h – Taxa de desemprego

Terça-feira (02/06)
06h – CPI

Quarta-feira (03/06)
05h – PMI Composto e de Serviços
06h – PPI

Quinta-feira (04/06)
6h – Vendas no varejo

Sexta-feira (05/06)
06h – PIB

China

Terça-feira (02/06)
22h45 – PMI do setor de serviços

Japão

Terça-feira (02/06)
21h30 – PMI do setor de serviços

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Governo prorroga por dois meses o pacote contra a alta dos combustíveis

O governo federal estendeu por mais dois meses o conjunto de medidas voltadas a conter o avanço dos preços dos combustíveis, pressionados pelo conflito no Oriente Médio.

“As ações dão continuidade às medidas emergenciais adotadas pelo governo diante da volatilidade do mercado mundial de petróleo”, informou o Palácio do Planalto em nota, acrescentando que o pacote, que se encerraria em 31 de maio, agora vai até 31 de julho.

No caso do diesel, a partir de 1º de junho será mantido o pagamento de uma subvenção de R$ 1,12 por litro a refinarias nacionais e importadores do combustível, mas os dois subsídios anunciados em abril serão consolidados em um só — um sistema “mais eficiente e ágil para garantir a estabilização dos preços”, segundo o governo.

Uma portaria do Ministério da Fazenda também anunciou subvenção, válida a partir de 1º de junho, a produtores e importadores de óleo diesel para compensar custos tributários ligados à comercialização do combustível. O pagamento substitui – e equivale, em valor – à desoneração de R$ 0,35 de PIS/Cofins sobre o diesel, diz a nota.

No gás liquefeito de petróleo (GLP), o subsídio a produtores e importadores foi prorrogado até 31 de julho, e os recursos federais destinados aos pagamentos passaram de R$ 330 milhões para R$ 660 milhões. A medida permite uma subvenção equivalente a R$ 11 por botijão de 13 quilos vendido no período.

Em outro decreto, o governo estendeu até 31 de julho a desoneração de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação e sobre o biodiesel usado na mistura obrigatória com o diesel rodoviário.

“Os preços dos combustíveis já começaram a cair, mas acreditamos ser necessário continuar atuando enquanto houver incerteza no mercado internacional”, afirmou o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, em nota divulgada neste sábado.

O comunicado deste sábado não traz estimativa atualizada do custo da prorrogação. Em abril, quando as primeiras medidas foram anunciadas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o impacto fiscal seria de R$ 10 bilhões — e disse que esse custo seria, em boa parte, compensado por tributos sobre exportações de petróleo e outras receitas correlatas, o que permitiria ao governo cumprir a meta fiscal de 2026.

“Mantemos o compromisso com a neutralidade fiscal e reforçamos os esforços das equipes de fiscalização no uso dos recursos públicos”, declarou Durigan na nota deste sábado.

Por Leonardo Lara

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Arrecadação federal cresce 7,82% em abril, a R$ 278,8 bi, e bate recorde para o mês

BRASÍLIA, 21 Mai (Reuters) – ⁠A arrecadação do governo federal ⁠teve alta real de 7,82% em abril sobre ‌o mesmo mês do ano anterior, somando R$278,823 bilhões, informou a Receita Federal nesta quinta-feira.

O resultado ‌é o melhor para meses de abril da série histórica da Receita Federal, iniciada em 1995, no oitavo recorde mensal consecutivo.

No acumulado de janeiro a abril, a arrecadação cresceu 5,41% acima da inflação ⁠em ‌comparação com o primeiro quadrimestre de 2025, ⁠a R$1,056 trilhão, patamar também recorde para o período.

No mês de abril, os recursos administrados pela Receita, que englobam a coleta de tributos de competência da União, cresceram 7,31% em termos ​reais frente a um ano antes, a R$258,779 bilhões.

O desempenho da receita administrada por outros ​órgãos, que tem peso relevante de royalties de petróleo, cresceu 14,89% no mês passado, a R$20,044 bilhões.

Teve papel importante no dado do mês uma alta de R$4,6 bilhões, equivalente a 7,7%, ‌nas receitas de Imposto de Renda ​de empresas e Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL).

Também houve aumento das contribuições previdenciárias, que cresceram R$2,9 bilhões, ou 4,8%, diante do ⁠aumento real ​da massa salarial ​e da redução da desoneração da folha de setores da economia.

A ⁠Receita ainda registrou ganhos ​de Imposto de Renda sobre ganhos de capital (+25,4%), PIS/Cofins (+5,3%) e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que teve alíquotas elevadas ​pelo governo e cresceu 30,3% na comparação com abril do ano passado.

No recorte por ​setores, a indústria ⁠de extração de petróleo e gás recolheu em abril R$11,4 bilhões, ⁠uma alta de 541% na comparação com abril do ano passado. A arrecadação foi de R$30,6 bilhões no caso das entidades financeiras (+20,4%) e de R$18,8 bilhões no comércio atacadista (+10,7%).

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Restituição do Imposto de Renda: R$ 16 bilhões serão pagos pela Receita em maio; veja quando

A Receita Federal informou nesta quinta-feira (21) que irá liberar em 29 de maio o pagamento do primeiro lote de restituições do imposto de renda de 2026, no valor recorde de R$ 16 bilhões, contemplando 8,75 milhões de contribuintes pessoas físicas.

Em nota, o fisco destacou que os pagamentos vão ampliar a circulação de recursos no país e “devem movimentar setores como comércio, serviços e pagamento de dívidas”.

A consulta ao lote estará disponível na sexta-feira (22).

O valor a ser pago este mês é 45% maior do que o primeiro lote de restituições de 2025, recorde anterior, desempenho que a Receita atribuiu à agilidade no processamento das declarações e ao avanço das ferramentas de automação do órgão.

Neste ano eleitoral, o pagamento das restituições será concentrado em quatro lotes, com a expectativa de finalização do processo em agosto. Em 2025, as restituições também começaram em maio, mas se estenderam até setembro.

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Arrecadação federal cresce 7,82% em abril e bate recorde para o mês

A arrecadação do governo federal teve alta real de 7,82% em abril sobre o mesmo mês do ano anterior, somando R$ 278,823 bilhões, informou a Receita Federal nesta quinta-feira (21).

O resultado é o melhor para meses de abril da série histórica da Receita Federal, iniciada em 1995, no oitavo recorde mensal consecutivo.

No acumulado de janeiro a abril, a arrecadação cresceu 5,41% acima da inflação em comparação com o primeiro quadrimestre de 2025, a R$ 1,056 trilhão, patamar também recorde para o período.

No mês de abril, os recursos administrados pela Receita, que englobam a coleta de tributos de competência da União, cresceram 7,31% em termos reais frente a um ano antes, a R$258,779 bilhões.

O desempenho da receita administrada por outros órgãos, que tem peso relevante de royalties de petróleo, cresceu 14,89% no mês passado, a R$ 20,044 bilhões.

Teve papel importante no dado do mês uma alta de R$ 4,6 bilhões, equivalente a 7,7%, nas receitas de Imposto de Renda de empresas e Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL).

Também houve aumento das contribuições previdenciárias, que cresceram R$ 2,9 bilhões, ou 4,8%, diante do aumento real da massa salarial e da redução da desoneração da folha de setores da economia.

A Receita ainda registrou ganhos de Imposto de Renda sobre ganhos de capital (+25,4%), PIS/Cofins (+5,3%) e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que teve alíquotas elevadas pelo governo e cresceu 30,3% na comparação com abril do ano passado.

No recorte por setores, a indústria de extração de petróleo e gás recolheu em abril R$11,4 bilhões, uma alta de 541% na comparação com abril do ano passado. A arrecadação foi de R$30,6 bilhões no caso das entidades financeiras (+20,4%) e de R$18,8 bilhões no comércio atacadista (+10,7%).

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Arrecadação bate recorde em abril e supera R$ 1 trilhão no acumulado do ano

A arrecadação do governo federal registrou crescimento real (após descontada a inflação) de 7,82% em abril na comparação com o mesmo mês de 2025 e chegou a R$ 278,8 bilhões, informou a Receita Federal nesta quinta-feira, 21.

Leia mais em: https://exame.com/economia/arrecadacao-bate-recorde-em-abril-e-supera-r-1-trilhao-no-acumulado-do-ano/

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Avanço de IA cria “fosso” entre empresas tech e consolida ameaça à era do software

O boom da inteligência artificial abriu um desnível inédito no setor de tecnologia, deslocando a criação de valor para a infraestrutura física que sustenta os modelos de IA e pressionando empresas de software — inclusive as de SaaS — a reavaliarem seus modelos de negócio. Esse fosso se reflete no desempenho no mercado acionário dos […]

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Guerra no Irã eleva custo dos fertilizantes e ameaça produção global de alimentos

A disparada dos custos de fertilizantes provocada pela guerra no Irã atinge os agricultores brasileiros no pior momento possível, e reforça como o conflito no Oriente Médio ameaça o abastecimento global de alimentos.

Os produtores brasileiros já enfrentavam preços mais baixos das commodities, acesso restrito ao crédito, endividamento elevado, câmbio desfavorável e custos crescentes para transportar mercadorias aos portos. Agora, a rápida alta dos fertilizantes leva a situação a um ponto crítico, e muitos agricultores passaram a rever investimentos em terras e insumos diante da próxima safra.

É o caso da soja, principal cultura agrícola do país. A área plantada deve crescer no ritmo mais lento em 20 anos na temporada que começa em setembro, segundo a empresa de inteligência de mercado Veeries. A consultoria Agroconsult apresentou recentemente uma projeção semelhante, enquanto estimativas de analistas da Datagro apontam para a menor expansão em uma década.

“Quem acompanhou o agronegócio nos últimos 10 anos sempre viu o setor como próspero e em crescimento”, afirmou Marcos Rubin, fundador da Veeries. “Esse não é o cenário hoje.”

A mudança tem potencial para provocar impactos em toda a agricultura global. A soja brasileira abundante e de baixo custo ajudou a elevar os estoques internacionais da oleaginosa usada na produção de óleo de cozinha e ração animal. O país é o principal fornecedor da China, maior compradora mundial de commodities agrícolas. Uma desaceleração no Brasil pode significar inflação adicional de alimentos na Ásia e em outras regiões, à medida que importadores disputam a oferta disponível.

No Brasil, o pessimismo no agronegócio se espalha. O índice de sentimento do produtor calculado pela Bloomberg Intelligence caiu ao menor nível em mais de um ano. A situação representa um desafio político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputará a reeleição. O agronegócio responde por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto brasileiro, segundo algumas métricas, e produtores pressionados financeiramente pedem mais crédito subsidiado e ampliação do seguro rural.

Embora a área de soja ainda deva avançar, o ritmo será muito mais lento. A situação tende a ser ainda mais delicada para outras culturas. As áreas plantadas de algodão, arroz e milho de verão devem encolher, segundo a Veeries. Essas lavouras dependem mais do fornecimento de certos tipos fertilizantes afetados diretamente pelo conflito com o Irã, que praticamente paralisou o Estreito de Hormuz.

“Não vamos ter aumento de área plantada, isso já está definido”, disse Thiago Facco, produtor de soja e milho no Tocantins e vice-presidente da Aprosoja.

A região de Facco esteve entre as que lideraram o recente boom agrícola brasileiro. Agora, segundo ele, o crédito restrito e os custos crescentes da produção vão limitar o crescimento. As margens dos produtores, que já estão apertadas, podem piorar ainda mais na próxima safra, acrescentou.

Menores investimentos

Além da área plantada, a produtividade também está em risco, já que os custos mais altos devem forçar produtores a reduzir gastos com insumos, sementes, máquinas e fertilizantes. Relatório do Rabobank divulgado em abril estimou queda de 3,9% no consumo de fertilizantes até o fim de 2026.

“Vai ter corte de investimento”, disse Daniel Jaeger da Silva, produtor de soja, milho e arroz no Rio Grande do Sul, terceiro maior estado agrícola do Brasil. Silva pretende adiar planos antigos de expandir os negócios para outra região agrícola e também postergar a compra de novas máquinas.

Ainda assim, o Brasil está longe de perder o status de potência agrícola global. Mesmo os modestos aumentos de área previstos para a próxima safra podem resultar em mais uma colheita recorde de soja, enquanto os preços mais competitivos em relação aos EUA devem continuar sustentando as exportações.

Mas o crescimento seguirá ameaçado em meio às dificuldades enfrentadas pelos produtores. As finanças do setor não estão tão sólidas quanto durante o último choque de preços dos fertilizantes, em 2022, afirmou Marcela Marini, analista do Rabobank Brasil. A valorização do real e os elevados custos do frete rodoviário reduzem a rentabilidade dos sojicultores brasileiros nas vendas da commodity cotada em dólar.

“Este é um momento em que os produtores podem revisar o modelo de negócios”, disse Marini, após anos de investimentos intensivos.

As vendas de tratores e outros equipamentos agrícolas também devem cair neste ano. A receita do setor pode recuar até 7%, segundo a Abimaq. A projeção pode ser revisada para baixo em breve, afirmou Pedro Estevão, presidente da câmara setorial de máquinas agrícolas da entidade.

Até mesmo em Mato Grosso, maior e mais rico estado produtor de soja do país, a área plantada deve ficar estagnada na próxima safra, informou o instituto de pesquisa IMEA. Condições mais restritivas de financiamento e juros elevados limitam a expansão para novas áreas, segundo o grupo.

“Hoje me mostraram as condições de preço do adubo, e deu vontade de chorar”, disse Endrigo Dalcin, produtor de soja em Mato Grosso, que espera redução na aplicação de fosfato nesta safra, além da suspensão da abertura de novas áreas para plantio. “É a tempestade perfeita.”

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PIB (real) do Japão cresce 0,5% no 1º trimestre e supera previsões

A economia do Japão continuou a se expandir durante o primeiro trimestre de 2026, reforçando o argumento para um novo aumento da taxa de juros, à medida que o conflito no Oriente Médio eleva os riscos de inflação.

O Produto Interno Bruto (PIB) real cresceu 0,5% no período de janeiro a março em relação ao trimestre anterior, mostraram nesta terça-feira, 19, dados preliminares do governo.

Isso se compara à expansão de 0,2% registrada no trimestre de outubro a dezembro e ao crescimento de 0,4% esperado em uma pesquisa com economistas realizada pela provedora de dados Quick.

A economia cresceu 2,1% em termos anualizados durante o primeiro trimestre.

Os resultados sólidos provavelmente aumentarão as expectativas de um aumento de juros em breve pelo Banco do Japão.

Muitos economistas e investidores esperam que o banco central eleve sua taxa básica para 1,0%, de 0,75%, em sua próxima reunião, apesar do risco de que as pressões de preços possam desestimular os gastos das famílias e comprimir as margens corporativas, desacelerando a atividade econômica.

Isso deixa o banco central em uma posição difícil. Manter as taxas de juros inalteradas para proteger a economia pode alimentar uma maior fraqueza da moeda e acelerar a inflação. Por outro lado, aumentar os juros de forma mais agressiva para controlar custos e proteger o iene traz o risco de sufocar o crescimento econômico.

Os dados de terça-feira mostraram que a recuperação da demanda interna permanece gradual e frágil. A incerteza geopolítica contínua e os custos mais altos de combustível podem, em breve, começar a pressionar as finanças e prejudicar o sentimento de famílias e empresas.

O consumo privado avançou 0,3% no primeiro trimestre, após ficar estável nos três meses anteriores. O investimento em capital cresceu 0,3%, bem abaixo da expansão de 1,4% no trimestre anterior.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast

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Governo anuncia fim da ‘taxa das blusinhas’; compras internacionais de até U$ 50 não pagarão imposto federal

O Governo Federal anunciou nesta terça-feira (12) o fim da cobrança do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada “taxa das blusinhas”.

De acordo com Rogério Ceron, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, a mudança passa a valer a partir desta quarta-feira (13), quando compras internacionais de até US$ 50 deixarão de pagar imposto de importação.

“Nós comunicamos que depois de três anos em que nós conseguimos praticamente eliminar, conseguimos combater o contrabando, regularizar o setor, nós podemos dar um passo adiante”, anunciou Ceron.

A alteração foi feita por meio de uma Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e será publicada no Diário Oficial da União.

Apesar do corte no tributo federal, ainda segue em vigor a taxação de 17% do imposto estadual ICMS sobre esses produtos.

‘Taxa das blusinhas’

A chamada “taxa das blusinhas” estava em vigor desde 2024, quando o governo aprovou a cobrança de um imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50.

Apesar do nome, a taxa valia para os mais diversos produtos, desde roupas e acessórios até produtos eletrônicos de lojas online.

Em ano eleitoral, o governo vinha sendo pressionado para reverter essa taxação agora.

A possibilidade da suspensão da taxa das blusinhas chegou a impactar varejistas nacionais na Bolsa em alguns momentos, com investidores prevendo uma maior pressão concorrencial no setor que já tem competição elevada.

De acordo com o ministro do Planejamento e Orçamento (MPO), Bruno Moretti, tanto a Medida Provisória, quanto a portaria do Ministério da Fazenda que zera as taxas federais seguem para publicação no Diário Oficial ainda nesta terça.

“O que importa mesmo é que são produtos de consumo popular. Os números mostram que a maior parte das compras é de pequeno valor. Então, o que o senhor [presidente Lula] está fazendo é retirar impostos federais do consumo popular, do consumo das pessoas mais pobres”, destacou Moretti.

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Fim do alimento sabor chocolate? Quando começa a valer a nova lei que obriga clareza sobre percentual de cacau nas embalagens

A nova regra do setor de produção de alimentos é clara: todos os produtos da indústria de chocolates comercializados no Brasil deverão apresentar claramente na embalagem o percentual mínimo de cacau em sua composição.

A medida abrange todos os produtos que contêm cacau, independentemente de serem nacionais ou importados.

A Lei nº 15.404/2026 estabeleceu o prazo de um ano para a indústria se adaptar às novas exigências. Como a medida acaba de ser publicada no Diário Oficial da União, ela passará a vigorar plenamente a partir de maio de 2027.

A legislação também obriga que o informe da porcentagem da fruta deve seguir um formato específico. A informação deverá aparecer na parte da frente da embalagem, ocupando no mínimo 15% da área, com destaque suficiente para facilitar a leitura.

Pela nova lei, a figura do chocolate “meio amargo” deixa de existir. Apesar de ser vendido como um produto diferente do chocolate ao leite, ambos costumam ter a mesma proporção de cacau em sua composição.

Na prática, o objetivo da norma é evitar que o consumidor compre gato por lebre — ou “alimento sabor chocolate” no lugar de chocolate.

Isso porque, no decorrer dos últimos anos, diversas marcas passaram a anunciar que seus produtos eram feitos de cacau, mas, na realidade, eram majoritariamente compostos por outros ingredientes. A rotulagem como “sabor” chocolate também é outra estratégia considerada ludibriante.

O novo formato

A porcentagem do cacau deverá ser apresentada no formato “Contém X% de cacau”, de acordo com os seguintes percentuais:

  • Cacau em pó: mínimo de 10% de manteiga de cacau;
  • Chocolate em pó: mínimo de 32% de sólidos totais de cacau;
  • Chocolate ao leite: no mínimo 25% de sólidos totais de cacau e 14% de sólidos totais de leite ou derivados;
  • Chocolate branco: no mínimo 20% de manteiga de cacau e 14% de sólidos totais de leite.
  • Achocolatado ou cobertura: mínimo de 15% de sólidos de cacau ou 15% de manteiga de cacau.

Todas as composições diferentes dessas explicitadas na lei não poderão ser consideradas chocolate.

A lei também proíbe artimanhas que possam induzir o consumidor ao erro, como utilizar imagens, cores ou expressões o famoso “sabor chocolate” em produtos que não seguem aos critérios para serem considerados chocolates.

O que é chocolate?

Para entender o sentido dessa nova regulamentação, é preciso saber mais sobre a lógica por trás da composição dos chocolates e como o cacau é produzido.

Após a colheita do cacau, a fruta passa por um processo industrial de separação entre a massa e a manteiga. É nesse momento também que o cacau em pó é produzido.

Com isso esclarecido, para um produto ser de fato chocolate, a lei obriga que ele deve conter no mínimo 35% de cacau (massa e manteiga). Dessa porcentagem, no mínimo 18% devem ser da manteiga de cacau e no máximo 5% de outras gorduras vegetais.

Antes na norma, além de que não possuía regras específicas para cada tipo de produto, era preciso o mínimo de 25% de cacau para ser considerado chocolate.

Ela também cria a nomenclatura de chocolate doce, abrangendo chocolates ao leite, branco e achocolatado. O critério é possuir 25% de cacau, sendo pelo menos 18% de manteiga.

Marcas que tiverem produtos com percentual de cacau menor do que os exigidos terão que mudar as comunicações para chamá-los de achocolatados, chocolates fantasia, chocolates compostos, coberturas sabor chocolate ou coberturas sabor chocolate branco.

Ainda assim, há a exigência de pelo menos 15% de cacau nesses produtos, seja com massa ou manteiga.

Leia também

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Brasil é excluído da lista da União Europeia para venda de carnes para o bloco

O Brasil não consta da lista de países autorizados a fornecer produtos de origem animal à União Europeia, o que representa um risco comercial para o maior exportador mundial de carne bovina.

A União Europeia publicou na terça-feira (12) uma versão atualizada da lista de países que cumprem suas normas contra o uso excessivo de antimicrobianos em animais destinados à produção de alimentos. O Brasil não foi incluído.

A lista destina-se atualmente a fins informativos e não tem efeitos legais. No entanto, será “formalmente adotada” nos próximos dias, afirmou a Comissão Europeia em comunicado em seu site, acrescentando que as regras sobre importações entrarão em vigor a partir de 3 de setembro.

“De acordo com as normas da UE, o uso de antimicrobianos em animais de criação para fins de crescimento ou produção não é permitido, nem os animais podem ser tratados com antimicrobianos reservados para infecções humanas”, afirmou a Comissão Europeia.

O Ministério da Agricultura do Brasil e a Comissão Europeia não responderam de imediato ao pedido de comentários.

A União Europeia e o Brasil são importantes parceiros comerciais. No entanto, as exportações de carne bovina para o bloco representaram apenas 4% do total das exportações brasileiras de carne bovina no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do Ministério da Agricultura.

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Governo pede suspensão de leilão de terminal em Santos

O Ministério de Portos e Aeroportos solicitou à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) a suspensão imediata do processo de arrendamento do Tecon Santos 10 (STS-10), no Porto de Santos (SP), destinado à movimentação e armazenagem de contêineres e carga geral.

A decisão ocorre após sucessivos adiamentos do processo.

Segundo o Ministério, o “aperfeiçoamento” do formato de competição do leilão ainda está em debate junto à Casa Civil. Por isso, a necessidade de interrupção do processo.

“Nesse sentido, em observância aos princípios da cautela administrativa, da boa governança, da transparência e da segurança do processo decisório, mostra-se recomendável solicitar a essa Antaq o sobrestamento do processo encaminhado por esta Secretaria”, afirmou o secretário Nacional de Portos, Alex Ávila, em ofício enviado à Antaq e obtido pelo Estadão/Broadcast.

A secretaria pediu que a agência interrompa a análise e devolva os autos ao Ministério, para permitir a reavaliação das premissas e dos parâmetros do arrendamento, antes de eventual retomada do cronograma licitatório.

Estratégico

Na prática, o pedido interrompe a tramitação na Antaq e tende a postergar o calendário do certame, já que a retomada dependerá de nova manifestação do poder concedente com as diretrizes revisadas e, eventualmente, a atualização de estudos e minutas.

O cronograma inicial previa que o leilão do Tecon10 acontecesse em janeiro, mas o prazo foi sendo estendido em meio a questionamentos sobre restrições a participantes na disputa.

O terminal é considerado estratégico, já que vai ampliar em 50% a capacidade de movimentação de contêineres do Porto de Santos, o maior da América Latina.

De um lado, empresas que defendem que o edital estabeleça restrições concorrenciais, impedindo, em uma primeira etapa, a participação de companhias já atuantes no Porto de Santos.

De outro, as operadoras que já atuam lá sustentam que o leilão não deve impor restrições à concorrência, mas sim exigir o desinvestimento da vencedora que já possua terminais no Porto, caso venha a arrematar o ativo.

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Bandeira amarela na tarifa de energia em maio contraria parte do mercado, mas não altera IPCA, diz Terra Investimentos

A equipe da Terra Investimentos informou que manteve suas projeções para a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) após o anúncio da bandeira amarela para as tarifas de energia, nesta sexta-feira (24)

“A decisão veio em linha com nossa premissa, mas contraria parte do mercado que contava com manutenção da bandeira verde em maio“, afirmam os economistas da instituição, que calculam impacto de 11 pontos-base no IPCA de maio, cuja estimativa é de 0,53%.

“Contamos com aumento da bandeira tarifária nos meses seguintes, com bandeira vermelha 2 em junho e vermelha 1 em dezembro”, observam.

A expectativa para o IPCA de abril é de 0,67%; para maio, de 0,53% e para junho, de 0,54%. Para o fim de 2026, a Terra Investimentos espera índice de 5,2% e para o fim de 2027, de 4,2%.

Mudança na tarifa de energia

Criado em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias indica aos consumidores os custos da geração de energia no País e visa atenuar os impactos nos orçamentos das distribuidoras de energia.

Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a decisão de acionar a bandeira amarela se relaciona ao volume de chuva abaixo da média nos reservatórios. Em consequência, os consumidores de energia elétrica terão custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

Como o Estadão/Broadcast mostrou, a possibilidade de El Niño no segundo semestre deste ano, com seu efeito no aumento das temperaturas e redução das chuvas no Norte e Nordeste do País, reforça essa perspectiva de bandeiras tarifárias mais caras ao longo do ano.

Além do risco hidrológico (GSF), gatilho para o acionamento das bandeiras mais caras, outro fator de peso é o aumento do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) – valor calculado para a energia a ser produzida em determinado período.

Desde janeiro, estava em vigor a bandeira tarifária verde.

*Com informações de Estadão Conteúdo

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Aneel anuncia bandeira amarela em maio, 1º mês com o adicional na conta de luz em 2026

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou, nesta sexta-feira, 24, bandeira tarifária amarela para o mês de maio, com cobrança de taxa adicional na conta de luz, pela primeira vez neste ano. Desde janeiro, estava em vigor a bandeira tarifária verde.

Conforme o órgão, a decisão de acionar a bandeira amarela se relaciona ao volume de chuva abaixo da média nos reservatórios. Em consequência, os consumidores de energia elétrica terão custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

Como o Estadão/Broadcast mostrou, a possibilidade de El Niño no segundo semestre deste ano, com seu efeito no aumento das temperaturas e redução das chuvas no Norte e Nordeste do País, reforça essa perspectiva de bandeiras tarifárias mais caras ao longo do ano.

Como é definida a bandeira tarifária

Além do risco hidrológico (GSF), gatilho para o acionamento das bandeiras mais caras, outro fator de peso é o aumento do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) – valor calculado para a energia a ser produzida em determinado período.

Criado em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias indica aos consumidores os custos da geração de energia no País e visa atenuar os impactos nos orçamentos das distribuidoras de energia.

Antes, o custo da energia em momentos de mais dificuldades para geração era repassado às tarifas apenas no reajuste anual de cada empresa, com incidência de juros. No modelo atual, os recursos são cobrados e transferidos às distribuidoras mensalmente por meio da “conta Bandeiras”.

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Brasil eleva mistura de etanol na gasolina para 32% para conter alta de preços

O Brasil está adotando medidas para aumentar o uso de etanol na gasolina em uma tentativa de conter os impactos da alta dos custos dos combustíveis, à medida que a guerra no Oriente Médio se prolonga.

O segundo maior produtor mundial de biocombustível está avançando com planos para uma nova exigência de mistura obrigatória de 32% de etanol na gasolina, segundo comunicado do Ministério de Minas e Energia nesta sexta-feira (24). O percentual atual é de 30%, e a ampla oferta de biocombustível, somada aos preços baixos, ajuda a aliviar a pressão sobre os combustíveis nos postos brasileiros.

“A medida tem potencial para reduzir a necessidade de importação de gasolina em aproximadamente 500 milhões de litros por mês”, afirmou o comunicado. “Com isso, o Brasil fortalece sua soberania energética e avança rumo à autossuficiência em gasolina, eliminando importações do combustível.”

A iniciativa faz parte de um conjunto de ações destinadas a proteger os consumidores dos impactos econômicos do conflito no Oriente Médio e ocorre enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca a reeleição em cerca de seis meses.

Imposto sobre combustível

Autoridades disseram na quinta-feira que o governo também pedirá ao Congresso autorização para usar receitas extraordinárias ligadas ao petróleo para reduzir impostos sobre combustíveis como gasolina, diesel, etanol e biodiesel. Isso ocorre após uma série de cortes de tributos e subsídios para diesel, gás de cozinha e combustível de aviação, além de linhas de crédito para companhias aéreas afetadas pelos custos mais altos.

O Brasil há muito tempo usa o etanol como instrumento em choques de preços de energia, com motores movidos exclusivamente a etanol produzidos desde o fim da década de 1970 ajudando a reduzir a dependência de importações de gasolina. Mais recentemente, uma lei de biocombustíveis sob o governo Lula estabeleceu a meta de atingir uma mistura de até 35% no futuro próximo, ainda dependendo de testes técnicos.

A implementação final da nova mistura ainda depende de aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que deve, em grande parte, seguir a recomendação do Ministério de Minas e Energia.

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Fatura da guerra no Irã vai chegar na conta de luz dos brasileiros

Além de todos os problemas causados no setor produtivo brasileiro e global, a alta recente nos preços internacionais do petróleo e do gás natural pode pressionar os custos de geração de energia no País, com efeitos que tendem a chegar ao bolso do consumidor. A advertência é da consultoria Thymos Energia, que divulgou um estudo […]

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De painéis solares a carros elétricos: como a China se beneficia da crise do petróleo com a guerra

Com a pressão da Guerra do Irã sobre o mercado de petróleo, diferentes indústrias e países passaram a buscar um plano B como fonte de energia. E um dos beneficiados tem sido o setor de painéis solares. As exportações da China, principal fornecedora global, dobraram em março.

Foram 68 gigawatts em capacidade de equipamentos para geração solar embarcados no mês, segundo dados de exportação analisados pelo think tank internacional Ember. Para comparar: em termos de escala, isso equivale a seis usinas hidrelétricas de Belo Monte, no Pará. Ou praticamente toda a capacidade solar instalada na Espanha.

Cinquenta países bateram seus recordes de importação de painéis chineses em março. E outros sessenta alcançaram o maior nível em pelo menos seis meses. 

Na Ásia, a Malásia ampliou as importações em 384%, e a Índia, em 141%. Na África, Nigéria, Quênia e Etiópia superaram pela primeira vez a marca do equivalente a 1 GW importado em um único mês. Ao mesmo tempo, países como Japão e Austrália, além da União Europeia, também registraram volumes recordes. 

Desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã no fim fevereiro, o fluxo de navios vem sendo limitado no Estreito de Ormuz, o que compromete o escoamento de petróleo do Golfo Pérsico. Por ali passam cerca de 20 milhões de barris por dia, algo como 25% do comércio marítimo global.

Estimativas de bancos e consultorias indicam que entre 13 milhões e 14,5 milhões de barris por dia ficaram fora do mercado em abril, seja por restrições logísticas ou por cortes preventivos de produção.

Diante de tantas limitações, o barril do tipo Brent já acumula alta superior a 20% desde fevereiro e voltou a ser negociado acima de US$ 100 por barril. 

Com a busca global por alternativas ao combustível, não foram apenas os painéis solares que ganharam tração nas exportações chinesas.

O país também ampliou os embarques de baterias e veículos elétricos, de marcas como a BYD. Juntos, as exportações desses três segmentos avançaram 70% em março na comparação anual e 38% frente a fevereiro. 

As baterias puxaram em valor: foram US$ 10 bilhões exportados em março, alta de 44% em relação a fevereiro, com demanda forte especialmente de União Europeia, Austrália e Índia.

No Brasil

Os dados da Ember não detalham o papel do Brasil nas exportações chinesas de painéis solares em março. Ainda assim, o movimento tem impacto direto no mercado local: mais de 90% dos módulos fotovoltaicos usados no país vêm da China.

Em 2025, esses produtos foram o quarto item chinês mais importado pelo Brasil, somando US$ 1,5 bilhão e 990 mil toneladas.

Na última década, a presença de painéis solares avançou de forma meteórica no sistema elétrico brasileiro. Hoje, o país tem quase 4 milhões de sistemas espalhados por telhados e fazendas. Em 2015, eram apenas 600.

A fonte já responde por cerca de 23% da capacidade instalada brasileira, ante pouco mais de 2% em 2019.

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Ana Paula Renault, vencedora do BBB26, embolsa o maior prêmio da história do reality graças a uma campanha de marketing

Ana Paula Renault, campeã do BBB 26, levará para casa R$ 5,7 milhões, maior prêmio da história do reality da Globo. Na última edição, o montante era R$ 2,7 milhões.

Essa valorização não se deu do dia para a noite — e nem pela inflação no Brasil, que apesar de subir, não dobrou nos últimos 365 dias.

Na realidade, o aumento no valor do prêmio foi devido a uma campanha de marketing do Mercado Pago, instituição financeira do Grupo Mercado Livre.

‘Tudo em DobBBro’ para Ana Paula

Inicialmente, o prêmio seria o mesmo de 2025. No entanto, logo na estreia do BBB 26, foi anunciado que o valor seria o dobro do ano anterior, ou seja, R$ 5,4 milhões.

A diferença para o valor final, R$ 5,7 milhões, é resultado de uma outra campanha de marketing da mesma instituição. Ele foi possível graças aos rendimentos gerados no Cofrinho Mercado Pago ao longo dos 100 dias de programa.

Pela maior parte do reality, o dinheiro rendia em 120% do CDI. Entre 3 de março e 3 de abril, o prêmio estava rendendo em 140% do CDI. No final, o montante incorporado foi de R$ 268.712,17.

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.

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Por que a China está apostando em pets, brinquedos e hobbies para reaquecer o consumo

A próxima ofensiva da China para estimular o consumo está ficando mais pessoal.

Durante anos, os esforços de Pequim para reaquecer os gastos se concentraram em categorias tradicionais de maior valor, como carros e eletrodomésticos. Agora, as autoridades estão sinalizando algo diferente. Um plano recente para impulsionar o consumo passou a promover gastos “baseados em interesses”, em categorias como pets, anime e brinquedos da moda.

Isso faz parte de uma mudança mais ampla para criar novos motores de demanda, num momento em que exportações e investimentos já não têm a mesma força de antes.

Isso importa porque sugere que a China não está apenas tentando fazer as famílias gastarem mais. O país está tentando direcionar esse gasto para categorias ligadas a estilo de vida, que geram consumo recorrente, têm apelo emocional e são mais fáceis de escalar por meio de marca, propriedade intelectual e experiências presenciais.

“O boom da economia emocional é um resultado inevitável do nosso tempo. Ele reflete uma mudança profunda na lógica do consumo, que deixa de ser centrada no produto para ser centrada nas pessoas, com os consumidores mais jovens se afastando das ‘necessidades práticas’ e se aproximando da ‘satisfação emocional’”, disse Yuan Shuai, diretor-adjunto do departamento de investimentos do Instituto de Pesquisa em Desenvolvimento Urbano da China.

Essa mudança já é grande o suficiente para aparecer em pesquisas de mercado. A chamada economia emocional da China atingiu cerca de 2,3 trilhões de yuans (US$ 335 bilhões) em 2025 e deve superar 4,5 trilhões de yuans até 2029, segundo a iiMedia Research. O mesmo relatório diz que os consumidores estão pagando cada vez mais não apenas pela função de um produto, mas também por ressonância emocional, identidade e conforto psicológico.

Não é que os consumidores chineses tenham, de repente, ficado obcecados por brinquedos fofos ou por pets supermimados. O ponto é que fandom, companhia, autoexpressão e experiências imersivas estão se tornando partes mais estruturadas da história do consumo.

Na prática, a China está tentando transformar os gastos com hobbies em uma indústria. Isso cria um novo tipo de vencedor no setor de consumo.

O exemplo mais óbvio é a Pop Mart International Group, cujos personagens colecionáveis ajudaram a transformar o gasto emocional em uma tese de investimento em bolsa. Mas a oportunidade é maior do que uma única empresa.

Negócios capazes de converter afeto em compras recorrentes — por meio de propriedade intelectual de personagens, licenciamento, eventos, assinaturas, acessórios e renovação constante de produtos — podem estar mais bem posicionados do que marcas ainda dependentes de transações pontuais.

Um relatório do governo divulgado em novembro sobre essa política destacou apoio oficial não apenas a pets e brinquedos, mas também ao desenvolvimento de produtos ligados às mudanças no estilo de vida dos consumidores.

Os pets talvez sejam um dos exemplos mais claros. Um cachorro ou um gato não é uma compra única. Ele gera uma longa cadeia de gastos com alimentação, banho e tosa, saúde, roupas, brinquedos, hospedagem e serviços. Do ponto de vista do consumo, isso significa demanda recorrente. Do ponto de vista do investidor, parece bem mais atraente do que apostar numa recuperação dos gastos discricionários de maior valor, ainda atrelados ao mercado imobiliário.

“Eu corto refeições em restaurantes antes de parar de comprar coisas para o meu gato”, disse Li Wen, uma trabalhadora de tecnologia de 29 anos, em Xangai. “Não parece um luxo. Parece uma forma de deixar a vida cotidiana um pouco melhor.”

A mesma lógica vale para produtos ligados a animação e brinquedos da moda. De fora, esses itens podem parecer supérfluos, mas fazem parte de um ecossistema mais amplo de vínculo afetivo que pode ser monetizado. Um personagem bem-sucedido pode vender bonecos, chaveiros, roupas, snacks, ingressos para eventos e produtos de marcas parceiras. Isso ajuda a explicar por que shoppings e áreas comerciais na China estão apostando cada vez mais em lojas temporárias, exposições e varejo temático para transformar entusiasmo online em fluxo de consumidores nas lojas físicas.

Há também uma razão estratégica mais profunda para que Pequim goste dessa tendência. O consumo baseado em interesses depende menos da riqueza gerada por imóveis financiados por dívida e é politicamente menos delicado do que o luxo ostensivo.

Ele combina com o humor atual da política econômica: apoiar a demanda doméstica, incentivar marcas locais, desenvolver serviços e cultivar novas categorias de consumo sem recorrer a mais um velho estímulo ao setor imobiliário.

A Reuters informou que as autoridades querem que o consumo represente uma parcela maior do PIB nos próximos cinco anos e que sua contribuição para o crescimento econômico aumente de forma constante até 2030.

Nada disso significa que toda tendência ligada a hobbies seja uma aposta segura. O consumo emocional pode ser volátil, passageiro e muito influenciado pelo hype das redes sociais. Reportagem do China Daily sobre a economia emocional também trouxe alertas de estudiosos e comentaristas de que o valor emocional é difícil de medir de forma consistente, o que abre espaço para distorções de preço, compras por impulso e excessos especulativos.

Por isso, os investidores deveriam se concentrar menos no item colecionável mais quente do momento e mais em quais empresas conseguem construir ecossistemas duradouros em torno do vínculo afetivo do consumidor. A questão central não é se os chineses vão continuar comprando coisas que os façam se sentir bem. As evidências indicam cada vez mais que sim. A pergunta é quais empresas conseguem transformar esse sentimento em receita recorrente.

A nova linguagem de consumo adotada por Pequim dá uma pista. O futuro do consumo na China pode não ser liderado apenas por geladeiras e sedãs. Ele também pode ser moldado por empresas que aprendam a vender identidade, conforto, fandom e diversão em escala.

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Mercado de petróleo está refém de uma corrida frenética por barris

Enquanto os investidores se concentraram no frágil cessar-fogo iraniano esta semana, uma busca desesperada por cargas tomou conta do mercado de petróleo, com negociantes e refinarias vasculhando o globo atrás de suprimentos disponíveis para entrega imediata.

No Mar do Norte, o mercado físico de petróleo mais importante do mundo, os traders apresentaram 40 lances de compra por cargas nesta semana, dos quais apenas quatro foram atendidos por ofertas de venda.

Cargas para entrega nas próximas semanas trocaram de mãos a preços sem precedentes, acima de US$ 140 o barril. Em outros lugares, as refinarias têm buscado suprimentos em regiões cada vez mais distantes, resultando em uma série de transações incomuns e prêmios exorbitantes para qualquer petróleo que esteja pronto para embarque agora.

Operadores afirmam que os movimentos de pânico nos principais mercados físicos globais demonstram a escala da escassez de óleo bruto que será sentida nas próximas semanas, à medida que a interrupção dos suprimentos do Oriente Médio deixa um vácuo crescente.

A disparada dos preços sinaliza que algumas refinarias europeias provavelmente precisarão seguir o exemplo das asiáticas e reduzir a produção — uma medida que pode ajudar a equilibrar o mercado de petróleo bruto, mas que agravaria a escassez de produtos vitais, como diesel e combustível de aviação.

“Há simplesmente uma falta de óleo bruto”, afirmou Neil Crosby, chefe de pesquisa da Sparta Commodities AS. “O Brent físico está um caos e subiu demais. Nesse ritmo, até as refinarias europeias terão que reduzir a utilização, talvez já no próximo mês.”

Contraste entre Papel e Realidade

O frenesi no comércio físico contrasta com o mercado de futuros, onde o petróleo para entrega em junho caiu 13% esta semana, fechando em cerca de US$ 95 o barril, impulsionado pelo otimismo em relação ao cessar-fogo.

Houve alguns sinais precoces de aumento da atividade no Estreito de Ormuz no fim de semana, com dois superpetroleiros chineses e um grego atravessando a via, mas o tráfego ainda permanece muito abaixo dos níveis anteriores à guerra. Mesmo que as negociações deste fim de semana levem à retomada dos fluxos normais pelo estreito, é improvável que o alívio chegue a tempo de evitar um colapso. O petróleo do Golfo leva semanas para chegar às refinarias na Ásia e na Europa.

“As últimas cargas que transitaram pelo Estreito de Ormuz antes do conflito estão chegando agora aos seus destinos. É aqui que o mercado de papel encontra a realidade física, e o hiato de 40 dias nos fluxos globais de energia fica verdadeiramente exposto”, disse Sultan al Jaber, CEO da Abu Dhabi National Oil, em uma postagem no LinkedIn na quinta-feira.

Prêmios Recordes

Esse vácuo pode ser visto no prêmio que as refinarias estão dispostas a pagar para garantir cargas disponíveis no curto prazo. Operadores de algumas refinarias asiáticas, falando sob condição de anonimato, disseram que não estão mais focados no preço, mas simplesmente buscando garantir barris onde quer que possam para assegurar a segurança energética.

O Dated Brent — a referência mais importante no mercado físico, usada para precificar milhões de barris por dia — atingiu o recorde de US$ 144 o barril antes do cessar-fogo desta semana, superando as máximas de 2008, mesmo com os futuros permanecendo bem abaixo de seus níveis recordes.

Até sexta-feira, o preço havia caído para US$ 126 o barril, ainda assim mais de US$ 30 acima dos futuros do Brent para entrega em junho. Enquanto isso, tradings como Trafigura Group e Gunvor Group ofereciam lances de mais de US$ 22 o barril acima do Dated Brent para cargas no Mar do Norte com entrega entre o final de abril e o início de maio. Suprimentos da Nigéria para carregamento no próximo mês chegaram a ser oferecidos com ágio de US$ 25 por barril sobre a referência, comparado a menos de US$ 3 antes do início da guerra com o Irã.

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Estreito de Ormuz: Superpetroleiros voltam a circular e sinalizam alívio no mercado global

Dois superpetroleiros chineses carregados com óleo bruto pareceram transitar pelo Estreito de Ormuz horas após um navio grego atravessar a via. O movimento sinaliza um aumento significativo no tráfego de petróleo dias após o anúncio de um frágil cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã.

Se os três navios completarem a travessia neste sábado (11) — uma jornada que leva cerca de oito horas —, este será o dia de maior saída de petróleo por Ormuz desde que a guerra paralisou quase todo o tráfego na região no início de março.

Nenhuma das embarcações transporta petróleo iraniano ou possui ligações diretas óbvias com o país. Desde o início do conflito, a vasta maioria do petróleo que deixou a região teve como origem a República Islâmica.

A reabertura de Ormuz é crítica para o comércio global de energia, pois seu fechamento resultou na perda de milhões de barris de oferta para os mercados mundiais. Uma retomada aliviaria a pressão sobre os mercados físicos, que estão cada vez mais apertados globalmente. EUA e Irã devem realizar negociações de paz em Islamabad nos próximos dias.

Os dois superpetroleiros chineses seriam os primeiros da nação asiática observados retirando barris da região — um benefício para Pequim, mas que ressalta como o país também foi pressionado pelo conflito.

Em termos de fluxo, as saídas são significativas, mas ainda estão longe dos níveis de tempos de paz. Juntos, os três navios têm capacidade de transporte de cerca de 6 milhões de barris. Somado a isso, o Irã exportou a uma taxa de 1,7 milhão de barris por dia no mês passado. Isso implicaria cerca de metade da taxa normal de embarques pela via — e apenas por um único dia.

Há também um terceiro navio chinês que não emitiu sinais neste sábado, mas que aguardava próximo aos outros dois antes de iniciarem a saída do Golfo Pérsico.

O navio grego sinalizava destino a Malaca, na Malásia, cujos meios de comunicação informaram na sexta-feira uma permissão para a partida dos cargueiros do país. Malaca também serve como ponto de passagem para navios que se dirigem a outras partes da Ásia. O Irã afirmou que as embarcações estão autorizadas a navegar pela via, mas que devem obter permissão para isso.

Os dois superpetroleiros chineses são o Cospearl Lake e o He Rong Hai. O grego é o Serifos. Chamadas para os operadores dos navios fora do horário comercial não foram atendidas ou retornadas de imediato. O Serifos e o He Rong Hai carregaram seus suprimentos na Arábia Saudita, enquanto o Cospearl Lake carregou no Iraque, mostram os dados de rastreamento.

Todos os três parecem ter seguido uma rota ao norte pelo estreito, conforme exigido por Teerã. Esse caminho passa por águas iranianas e ao longo das costas das ilhas Qeshm e Larak, afastando-se das rotas tradicionais de navegação de Ormuz que margeiam a costa sul da hidrovia.

Além deles, dois contratorpedeiros de mísseis guiados da Marinha dos EUA atravessaram o Estreito de Ormuz, de acordo com três funcionários americanos ouvidos pelo jornal Wall Street Journal, marcando a primeira vez que embarcações do país transitaram pela via desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.

Não foram relatados problemas, e a operação foi descrita como uma missão de navegação livre. Os navios não escoltavam embarcações comerciais, disseram as autoridades.

Quase todo o tráfego pela via, que normalmente movimenta cerca de um quinto do petróleo mundial e uma parcela semelhante de gás natural liquefeito (GNL), foi interrompido logo no primeiro dia da guerra.

Embora o rastreamento digital de navios possa estar sujeito a manipulações, os sinais das três embarcações parecem consistentes com movimentos reais de navegação.

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Renova dribla corte de energia renovável com aposta em data center de R$ 1 bi para minerar criptomoedas

Os cortes forçados da geração de energia solar e eólica centralizada por parte do Organizador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para não comprometer a rede, conhecidos pelo termo curtailment, estão obrigando as empresas de energia a buscarem alternativas para amenizar os prejuízos – que chegaram a R$ 6,5 bilhões no ano passado para as 1.500 […]

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Novo subsídio ao gás de cozinha não chegará aos consumidores, dizem revendedores

A nova iniciativa do governo federal para subsidiar o gás de cozinha (GLP) importado pelo Brasil, anunciada na véspera, não chegará aos consumidores e também não resolve os problemas que podem inviabilizar o programa Gás do Povo, que oferece botijões gratuitos para cerca de 50 milhões de pessoas, disse a associação de revendedores de GLP Abragás.

Os revendedores de gás liquefeito de petróleo (GLP) pedem que o governo faça de forma célere uma correção dos preços de referência para o pagamento do subsídio aos botijões do Gás do Povo, pois os valores estariam abaixo do necessário para remunerar as suas atividades. No programa subsidiado, o produto é entregue aos beneficiários sem custos.

O problema de defasagem do preço de referência do programa, que já era uma crítica recorrente nos últimos meses, foi agravado pelo aumento dos custos dos revendedores, principalmente pela disparada dos preços do próprio GLP e do diesel diante da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que restringiu a oferta global de petróleo e seus derivados.

O Brasil tem um histórico de subsídio ao gás de cozinha para os brasileiros mais pobres, mas o governo Lula expandiu o programa com o Gás do Povo, triplicando seu alcance para quase um quarto da população brasileira no fim de 2025.

“O Governo Federal parece não entender o recado das revendas, que estão pedindo reposicionamento urgente dos valores pagos às revendas pelo programa para efetuar a entrega do botijão de gás aos beneficiários, e já manifestaram o desejo de abandonar o Programa Gás do Povo”, afirmou a Abragás, que representa mais de 60 mil revendedores de GLP do país, em nota divulgada nesta terça-feira.

“O setor está fazendo um papel essencial para o sucesso do programa, mas com resultados negativos, não há lógica para continuar a parceria, enquanto apenas as distribuidoras colhem os resultados financeiros.”

Para a Abragás, a subvenção proposta na segunda-feira pelo governo federal para a importação de GLP “não será repassada às revendas e tampouco chegará aos consumidores como o governo espera”, pois poderá ficar represada em elos anteriores da cadeia.

O governo ainda não detalhou as regras do programa nem se ele poderá ter efeitos retroativos, uma vez que os impactos da guerra no Oriente Médio já chegaram ao mercado brasileiro.

A nova medida do governo prevê o pagamento de R$850 por tonelada de GLP importado, com dotação de R$330 milhões, com o objetivo de equalizar o preço do produto importado ao nacional e reduzir os efeitos da alta internacional, segundo informou em nota.

“Na prática, o subsídio pode representar cerca de 30% do valor do produto na saída das refinarias, contribuindo para preservar o acesso das famílias ao gás de cozinha”, disse o governo.

Procurado, o Ministério de Minas e Energia não respondeu imediatamente a pedidos de comentários.

O Brasil não é autossuficiente na produção de GLP e importa cerca de 20% do volume consumido atualmente. A Petrobras é a principal ofertante do produto no país, mas refinarias e unidades de processamento de gás natural (UPGNs) privadas também vendem o produto.

A Petrobras tem mantido seus preços em contratos tradicionais sem reajustes desde o fim de 2024 e, desde então, tem recorrido a leilões cada vez mais frequentes para completar a oferta, como forma de recuperar custos com a importação, segundo agentes do mercado e especialistas.

Mas o governo tentou cancelar a realização do último leilão da petroleira, em 31 de março, que negociou cerca de 70 mil toneladas de GLP, com fortes ágios, em sete polos de venda da companhia. Em um dos polos, na Refinaria Duque de Caxias (Reduc/RJ), a companhia chegou a registrar um ágio de mais de 100% na comercialização do produto, disse uma pessoa a par do leilão.

A realização do leilão acabou culminando na demissão do diretor-executivo de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Claudio Schlosser, na segunda-feira, e a reguladora ANP está investigando o certame por suspeitas de prática de preços com ágios elevados, possivelmente acima dos Preços de Paridade de Importação (PPI).

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Enel pode perder a concessão em São Paulo. Veja os próximos passos do processo do governo

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu, nesta terça-feira (7), instaurar um processo de caducidade contra a Enel SP, em um movimento que pode levar ao encerramento do contrato de concessão da distribuidora na Grande São Paulo.

A medida foi adotada após a Aneel identificar falhas recorrentes na prestação do serviço, com destaque para o desempenho da empresa em eventos climáticos extremos entre 2023 e 2025. Segundo a decisão, a concessionária não conseguiu atingir padrões considerados adequados, mantendo níveis elevados de interrupções prolongadas e tempo de resposta acima do esperado.

Com a abertura do processo, a Enel terá prazo para apresentar defesa antes que a Aneel conclua sua análise e decida se recomenda a caducidade ao Ministério de Minas e Energia (MME), responsável pela decisão final sobre o contrato.

Procurada pelo InvestNews, a Enel, em nota, afirmou que seguirá trabalhando para demonstrar, em todas as instâncias, que cumpre todos os indicadores previstos no contrato de concessão e no plano de recuperação apresentado em 2024 à Aneel.

Cronologia do caso

As reclamações em relação à Enel começaram em 2023, após uma série de apagões recorrentes na Grande São Paulo expor falhas no restabelecimento do serviço prestado.

  • Nov/2023: ventos fortes derrubam árvores e cabos e milhares de imóveis ficam dias sem luz após o temporal;
  • 2024 (ao longo do ano): novos apagões combinam impacto de chuvas com falhas na infraestrutura, incluindo problemas em rede subterrânea e interrupções prolongadas;
  • Out/2024: temporal derruba a rede em larga escala e milhões de imóveis ficam sem energia e normalização leva dias em parte da cidade;
  • No mesmo período, a Aneel intensifica fiscalização e aplica multas e cobra plano de recuperação após falhas no atendimento;
  • Dez/2024: novo temporal derruba árvores sobre a rede e deixa centenas de milhares de clientes sem luz;
  • Dez/2025: ventos fortes causam apagão que atinge mais de 4,4 milhões de imóveis e restabelecimento ocorre de forma gradual;
  • No mesmo período, o Governo Federal pede à Aneel abertura de processo para avaliar rompimento do contrato após sequência de falhas;
  • Fev/2026: área técnica da Aneel recomenda caducidade com base no histórico de interrupções e Enel contesta e atribui falhas à intensidade dos temporais;
  • Mar/2026: empresa recorre à Justiça e consegue suspender o processo e decisão posterior libera retomada da análise;
  • Abr/2026: Aneel abre processo de caducidade e concede 30 dias para defesa antes de possível decisão do governo.

Enel: o que é o processo de caducidade?

A caducidade é um instrumento jurídico que permite o encerramento antecipado de contratos de concessão quando há descumprimento de obrigações, de acordo com a lei Nº 8.987/1995.

No setor elétrico, isso ocorre quando a concessionária não atende aos padrões de qualidade e continuidade exigidos pela regulação e pelos órgãos competentes.

Com a instauração do processo administrativo, a Enel será avaliada pela Aneel após a empresa apresentar sua defesa. O processo poderá ser arquivado ou encaminhado para análise do MME.

Na prática, a pasta responsável decidirá se a Enel perderá o direito de exploração do serviço previsto no contrato de concessão.

Aneel x Enel: quais os próximos passos

Com a instauração do processo administrativo de caducidade, a Enel terá 30 dias para apresentar sua defesa.

Após esse prazo, a agência analisará os argumentos apresentados pela concessionária e decidirá se recomenda ou não o fim do contrato ao Ministério de Minas e Energia, que tem a competência para a decisão final.

O que muda para a Enel a partir de agora?

A Enel continua responsável pelo fornecimento de energia elétrica em São Paulo, mas passa a operar com o contrato sob avaliação.

A Aneel também determinou a suspensão da análise de renovação da concessão, o que impede a prorrogação do contrato enquanto o processo estiver em curso.

Além disso, a decisão reforça o acompanhamento regulatório sobre a operação da distribuidora, especialmente em relação ao cumprimento de metas de qualidade e atendimento.

O contrato da Enel será rescindido em São Paulo?

Não há rescisão automática no contrato de concessão da Enel. Mesmo em caso de caducidade, a saída não ocorreria de forma imediata.

  • A abertura do processo é uma etapa inicial que pode ou não resultar no encerramento da concessão.

Caso o entendimento seja de que houve descumprimento das obrigações contratuais, o contrato pode ser encerrado. Caso contrário, a concessão permanece vigente.

Por se trata de um serviço essencial, o fornecimento de energia precisa ser mantido durante a transição. O prazo para qualquer transição não é fixo, mas a continuidade do serviço é preservada até a definição de uma nova gestão.

Nesse caso, o governo federal pode assumir temporariamente a operação ou definir um novo operador.

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Roubini: Brasil pode sofrer mais com riscos internos do que com guerra no Oriente Médio

Em meio à escalada de tensões no Oriente Médio e aos temores de um novo choque global de energia, o economista Nouriel Roubini fez um alerta que desloca o foco do investidor brasileiro: o principal risco para o país pode não estar no cenário externo, mas dentro de casa.

Segundo Roubini, embora o conflito envolvendo o Irã tenha potencial para gerar inflação global e desaceleração econômica, os efeitos sobre o Brasil tendem a ser mais moderados quando comparados a outras regiões. Ainda assim, isso não significa imunidade.

“O que acontece dentro do Brasil pode ter mais impacto do que a própria guerra”, afirmou durante evento do Bradesco BBI, o 12º Brazil Investment Forum, realizado em São Paulo.

A fala vem em um contexto de análise mais ampla sobre os efeitos do choque energético global. Com a possibilidade de interrupções no fornecimento de petróleo no Golfo Pérsico, o economista vê um cenário típico de pressão inflacionária combinada com perda de crescimento, uma dinâmica que remete, ainda que com diferenças, aos episódios de estagflação do passado.

Ganhos externos, dores internas

No caso brasileiro, há um fator de amortecimento importante, já que o país é exportador líquido de energia. Em um cenário de petróleo mais caro, isso tende a favorecer a balança comercial e gerar ganhos de termos de troca.

No entanto, Roubini pondera que o encarecimento da energia se espalha por toda a economia, pressionando custos de produção e reduzindo o poder de compra das famílias. O resultado é um ambiente de inflação mais alta combinado com crescimento mais fraco, ainda que em menor intensidade do que em economias mais dependentes de importação de energia, como as asiáticas.

Em outras palavras, mesmo que o Brasil esteja entre os “beneficiados” pelo choque, há um custo macroeconômico inevitável.

O verdadeiro ponto de atenção

É nesse contexto que o economista desloca o debate para dentro do país. Para ele, os desdobramentos da política doméstica, especialmente em um ano eleitoral, tendem a ser mais determinantes para o rumo da economia brasileira do que o próprio conflito internacional.

“Seja Lula ou o filho do Bolsonaro, isso trará implicações para as políticas fiscais, para a forma como o país vai estruturar reformas e para o crescimento econômico”, explica.

Roubini destaca que o Brasil entra em um período sensível, com eleições presidenciais no horizonte e incertezas sobre a condução da política fiscal, reformas estruturais e estratégias de crescimento.

Embora reconheça a importância institucional do Banco Central independente, ele alerta para um risco conhecido em economias emergentes, a chamada dominância fiscal. Nesse cenário, pressões sobre as contas públicas podem acabar influenciando a política monetária, elevando o risco de inflação persistente ao longo do tempo.

“Pode haver uma situação em que, no futuro, haja uma dominância fiscal, em que o déficit fica tão alto que a tentação para monetizá-lo [com política monetária] cresce”, diz o economista.

A combinação de incerteza política com fragilidade fiscal, portanto, pode amplificar os efeitos de qualquer choque externo, ou até superá-los.

A leitura de Roubini sugere uma inversão na forma de analisar riscos. Em vez de concentrar a atenção apenas na geopolítica global, investidores deveriam olhar com mais cuidado para o ambiente doméstico.

Isso porque, mesmo em um cenário de guerra prolongada e petróleo elevado, o Brasil parte de uma posição relativamente mais confortável do ponto de vista energético. Já os riscos internos, ligados à política econômica e à credibilidade fiscal, permanecem como variáveis abertas.

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Vitória de Pirro? Processo de “desligar a tomada” da Enel em São Paulo pode levar dois anos

Numa decisão histórica, a diretoria da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou, na terça-feira, 7 de abril, por unanimidade de seus cinco integrantes, recomendar ao Ministério das Minas e Energia (MME) a caducidade da concessão da Enel em São Paulo. Na prática, a agência reguladora recomendou ao MME romper o contrato de concessão da […]

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Governo avalia uso do FGTS para refinanciamento de dívidas, diz ministro da Fazenda

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta terça-feira, 7, que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) analisa a possibilidade de utilizar recursos do FGTS no refinanciamento de dívidas de famílias brasileiras.

Leia mais em: https://exame.com/economia/governo-avalia-uso-do-fgts-para-refinanciamento-de-dividas-diz-ministro-da-fazenda/

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“Se Trump vacilar, as coisas vão piorar muito”, diz Roubini sobre guerra dos EUA com Irã

O mundo – e os mercados – torcem para que a guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã termine o quanto antes, para colocar fim à pressão sobre o preço do petróleo. Mas o economista Nouriel Roubini avalia que a situação ainda vai piorar antes de melhorar. Com a ameaça de Donald Trump […]

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Trump reitera ameaça de destruir o Irã. ‘Uma civilização inteira morrerá esta noite’

O presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou seu ultimato para que o Irã aceite um acordo de cessar-fogo ou enfrente uma grande escalada militar, enquanto ambos os lados mantêm ataques na sexta semana de guerra.

Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser recuperada. Não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá”, disse Trump em uma postagem nas redes sociais na terça-feira (7). “Talvez algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE? Vamos descobrir esta noite.”

Os comentários vieram enquanto os EUA e Israel mantinham bombardeios contra o Irã — incluindo ataques ao polo exportador de petróleo da Ilha de Kharg — enquanto a República Islâmica disparava mísseis através do Golfo Pérsico. Trump ameaçou destruir usinas de energia, pontes e outras infraestruturas iranianas caso não haja acordo até as 20h (horário do leste dos EUA).

Falando em Budapeste, o vice-presidente JD Vance disse estar confiante de que o Irã dará uma resposta até lá.

Crime de guerra

As Nações Unidas alertaram que ataques indiscriminados a infraestrutura civil podem constituir crime de guerra. Trump afirmou não estar “nem um pouco” preocupado com essa possibilidade.

O mais recente ultimato marca um momento crítico no conflito, que já matou mais de 5.200 pessoas — a maioria no Irã e no Líbano — e atingiu instalações de energia em toda a região. O presidente começou a impor prazos em 21 de março para forçar o Irã a reabrir o estratégico Estreito de Ormuz, tendo prorrogado o prazo diversas vezes, mas disse na segunda-feira que é “altamente improvável” que volte a fazê-lo.

A liberdade de navegação pelo estreito deve fazer parte de qualquer acordo, afirmou Trump.

A agência semioficial iraniana Mehr informou que explosões foram ouvidas na Ilha de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do país.

A Fox News relatou que os EUA atingiram bunkers, uma estação de radar e depósitos de munição, além de um impacto não intencional nos cais da ilha. Duas pessoas morreram em um ataque EUA-Israel a uma ponte ferroviária próxima à cidade iraniana de Kashan, segundo a agência estatal Nour News.

Israel se prepara para a possibilidade de que os combates continuem por várias semanas e, na terça-feira, alertou iranianos a não utilizarem a rede ferroviária até as 21h no horário local — um tipo de aviso que costuma anteceder ataques a áreas civis.

Petróleo

O petróleo reduziu ganhos à medida que investidores hesitam diante do prazo imposto por Trump, com o risco de escalada sendo parcialmente compensado por sinais de cessar-fogo. O Brent era negociado ligeiramente acima de US$ 110 por barril em Londres.

Trump afirmou na segunda-feira que as negociações com o Irã estão “indo bem” e que a reabertura do estreito é “uma prioridade muito grande”.

“Precisamos de um acordo aceitável para mim, e parte disso será garantir o livre fluxo de petróleo e de tudo mais”, disse.

O militar norte-americano poderia destruir “todas as pontes do Irã”, acrescentou. Usinas seriam deixadas “em chamas, explodindo e sem nunca mais poderem ser usadas”.

O Irã alertou que responderia a uma escalada desse tipo intensificando seus próprios ataques à infraestrutura energética no Golfo — o que poderia agravar a crise global de combustíveis e ampliar os danos à economia mundial.

A República Islâmica lançou sete mísseis balísticos e vários drones contra a Arábia Saudita durante a madrugada de terça-feira, e destroços de interceptações caíram nas proximidades de instalações energéticas, segundo o reino. Uma ponte importante que liga Bahrein e Arábia Saudita foi temporariamente fechada como precaução.

As Forças de Defesa de Israel relataram três ondas de mísseis iranianos desde a meia-noite, mirando diversos pontos em Tel Aviv e cidades vizinhas.

Israel aprovou novas missões contra o Irã para as próximas três semanas, se necessário, segundo um porta-voz militar. O país também trava uma guerra paralela no Líbano contra o grupo Hezbollah, apoiado por Teerã, e atacou alvos em Beirute na segunda-feira.

O principal diplomata de Singapura alertou que o impacto econômico do conflito pode piorar e que os investidores ainda não ajustaram totalmente suas expectativas. “Tenho certeza de que os mercados não estão precificando completamente o pior cenário”, disse o chanceler Vivian Balakrishnan à Bloomberg Television.

Trump tem enfrentado dificuldades para encontrar uma saída para o conflito, que se torna cada vez mais impopular entre os americanos, com o preço médio da gasolina acima de US$ 4 por galão. Ele afirmou que JD Vance participa das negociações de cessar-fogo, junto com o enviado especial Steve Witkoff, embora Teerã tenha rejeitado uma proposta na segunda-feira.

“Posso dizer que temos um participante ativo e disposto do outro lado”, disse Trump. “Eles estão negociando, acreditamos, de boa-fé — vamos descobrir.”

O Irã pediu o fim permanente da guerra, esforços de reconstrução e o levantamento de sanções, além de protocolos para garantir a navegação segura pelo Estreito de Ormuz, segundo a agência estatal IRNA.

A ofensiva iraniana contra EUA e Israel não será afetada pelas ameaças de Trump, disse um porta-voz militar, citado pela mídia estatal.

Teerã afirmou que só permitirá a normalização do tráfego no estreito após ser compensado pelos danos da guerra.

A República Islâmica reduziu quase a zero o fluxo pelo Estreito de Ormuz — por onde normalmente passa cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito.

Dois navios carregados com GNL do Catar chegaram a deixar o Golfo Pérsico na segunda-feira, mas fizeram retorno poucas horas depois após terem a passagem negada por autoridades iranianas, segundo traders.

Teerã tem permitido apenas um fluxo limitado de embarcações na via marítima, que também utiliza para suas próprias exportações de petróleo.

Trump lamentou que gostaria de utilizar o petróleo iraniano para os EUA, mas afirmou que a opinião pública americana pressiona pelo fim do conflito.

“Sou um homem de negócios antes de tudo”, disse. “E já disse: por que não usamos isso? Ao vencedor, os despojos? Mas não temos isso.”

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Preço do botijão “explode”, ameaça programa Gás do Povo e abre crise política em Brasília

A exemplo do diesel, a volatilidade dos preços do gás liquefeito de petróleo (GLP) causada pela guerra no Oriente Médio abriu na quinta-feira, 2 de abril, uma crise política para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O episódio ameaça colocar em risco o fornecimento de gás de cozinha das distribuidoras e revendedoras à […]

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Governo faz reajustes em benefícios para servidores federais; veja os novos valores

O governo federal anunciou nesta quinta-feira, 26, o reajuste de benefícios destinados aos servidores públicos federais, incluindo auxílio alimentação, auxílio pré-escolar e assistência à saúde suplementar.

Leia mais em: https://exame.com/economia/governo-faz-reajustes-em-beneficios-para-servidores-federais-veja-os-novos-valores/

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Governo corta mais uma parte das tarifas de importação que haviam sido elevadas neste ano

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou uma nova rodada de cortes de Imposto de Importação nesta quinta-feira, revertendo, entre outros pontos, mais uma parte das elevações de tarifas promovidas mais cedo neste ano para bens de capital e de informática.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 970 bens de capital, informática e telecomunicações terão tarifas zeradas. Desse total, 779 tiveram concessão ou renovação do benefício em decisão que o MDIC classificou como rotineira.

O restante diz respeito ao aumento de tarifas promovido neste ano para mais de 1200 itens. Após reduzir a zero, em fevereiro, a cobrança sobre 105 desses produtos, o MDIC agora fez o corte para outros 191 itens. A decisão foi antecipada pela Reuters.

A concessão foi feita após pedido de empresas que alegam não haver produção nacional equivalente para os produtos afetados. As solicitações serão analisadas pelo governo em um prazo de até quatro meses, e o benefício poderá ser mantido após comprovação de ausência de equivalente no mercado doméstico.

O prazo para que as empresas façam pedidos fica aberto até 30 de março. Portanto, ainda há possibilidade de nova decisão do governo sobre outros itens.

Também na reunião do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) desta quinta-feira o MDIC disse que foram zeradas tarifas de medicamentos usados em tratamentos de diabetes, Alzheimer, Parkinson e esquizofrenia; fungicidas e inseticidas para controle de pragas na agricultura; insumos para indústria têxtil; lúpulo para fabricação de cerveja; e produtos usados em nutrição hospitalar.

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Governo reduz tarifa de importação de quase mil produtos, incluindo remédios e bens de informática

O Gecex-Camex (Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior) decidiu nesta quinta-feira, 26, reduzir a tarifa de importação de quase mil produtos diante da ausência de produção nacional ou da oferta insuficiente no mercado interno.

Leia mais em: https://exame.com/economia/governo-reduz-tarifa-de-importacao-de-quase-mil-produtos-incluindo-remedios-e-bens-de-informatica/

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Trump vai assinar o dólar e encerrar 165 anos de tradição nas cédulas mais famosas do mundo

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (26) que a assinatura do presidente Donald Trump passará a figurar nas cédulas de dólar, um feito inédito para um presidente americano em exercício.

As primeiras notas de US$ 100 com o nome de Trump e do secretário do Tesouro, Scott Bessent, serão impressas em junho. As cédulas de outros valores virão nos meses seguintes.

A decisão rompe uma convenção tão antiga quanto o próprio papel-moeda americano.

Desde 1861, quando o governo federal começou a emitir suas próprias cédulas, o dinheiro dos Estados Unidos carrega duas assinaturas: a do secretário do Tesouro e a do tesoureiro nacional. São dois cargos técnicos, não políticos. No Brasil, a lógica é semelhante: assinam as cédulas do real o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central.

Ao manter o presidente fora das cédulas, os Estados Unidos estabeleceram uma separação simbólica entre o chefe de Estado e o dinheiro que circula em seu nome. A legislação que rege a impressão das cédulas permite retratos apenas de indivíduos falecidos, e as assinaturas sempre pertenceram a funcionários do Tesouro, nunca ao ocupante da Casa Branca.

Trump rompe uma tradição de 34 ocupantes do cargo que assinaram cédulas ao longo de 165 anos. O Tesouro justificou a mudança como homenagem ao 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, celebrado neste 4 de Julho.

Personificação

O gesto se insere num padrão mais amplo do novo governo Trump. A troca de assinaturas é a mais recente de uma série de iniciativas do presidente para estampar o nome do presidente em edifícios, instituições, programas governamentais, navios de guerra e moedas, como lembrou o The Wall Street Journal.

O Kennedy Center, um dos principais espaços culturais de Washington, criado como memorial ao presidente assassinado John F. Kennedy, passou a carregar também o nome de Trump. O Instituto da Paz dos Estados Unidos foi renomeado.

Um painel federal aprovou o desenho de uma moeda de ouro comemorativa com o rosto do presidente, algo que, por tradição, só ocorre após a morte do homenageado. A exceção mais próxima é Calvin Coolidge, que apareceu numa moeda em 1926, no 150º aniversário do país.

Em seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, Trump já havia testado o recurso: assinou pessoalmente os cheques de auxílio emergencial distribuídos aos americanos durante a pandemia de covid-19. A diferença agora é de escala e permanência.

Uma cédula de dólar circula, em média, por anos, dentro e fora dos Estados Unidos, e carrega consigo o peso simbólico da maior economia do mundo.

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BC prevê uso de contas-salário em operações de Pix Automático a partir de julho

O Banco Central informou nesta quinta-feira, 26, que prevê que, a partir de julho, será possível usar também contas-salário para realizar operações de Pix Automático. Atualmente, somente contas correntes e de pagamento podem iniciar operações na modalidade.

A novidade foi um dos temas da 28ª reunião plenária do Fórum Pix, realizada quinta. O encontro técnico entre a autoridade monetária e os participantes do arranjo de pagamento instantâneo tem como objetivo discutir a agenda de trabalho em andamento, o planejamento para os próximos meses e as ações finalizadas.

Segundo o BC, o uso de conta-salário em operações de Pix Automático integra a agenda evolutiva do arranjo de pagamento a ser desenvolvida no primeiro semestre de 2026.

Em nota, a autarquia detalhou que, com a novidade, nos casos em que o usuário final recebedor dessas transações for pessoa jurídica ou entidade não autorizada a funcionar pelo BC, deverá ser observada exclusivamente a regulamentação específica que disciplina o Pix Automático. Essa determinação, porém, não se aplica a casos em que a autorização de débito e crédito envolva a mesma instituição, em conformidade com resoluções publicadas em setembro do ano passado.

O Fórum Pix desta quinta também debateu iniciativas em estudo para prevenir o mau uso de mensagens no envio de transações. Um grupo de trabalho foi formado para tratar dessa questão e deve apresentar uma proposta até 30 de junho. As sugestões serão avaliadas e, se aprovadas, serão regulamentadas pelo BC.

“Uma das prioridades para 2026 diz respeito ao campo descrição do serviço, onde o usuário do Pix deveria usar o espaço para registrar o que foi pago ou passar alguma informação objetiva para quem recebeu o valor”, afirma a autarquia. “A equipe técnica do BC tem observado que esse campo, em algumas ocasiões, vem sendo utilizado de maneira indevida pelos usuários. Foram identificadas mensagens ofensivas, intimidatórias e/ou ameaçadoras, em operações quase sempre de valores irrisórios.”

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Seleções campeãs do mundo: todos os vencedores da Copa até 2022

Você sabia que apenas oito países já venceram a Copa em 22 edições desde que ela foi criada? As seleções de futebol masculino campeãs do mundo representam somente dois continentes. O time vencedor da Copa no Catar, a Argentina, que derrotou a França nos pênaltis na final, pertence a um desses continentes.

A seguir, confira quem foram os vencedores da Copa até o momento e quais deles tiveram a oportunidade de ganhar mais de uma vez, como o Brasil. Se você ama futebol, é hora de refrescar a memória!


Confira:

Quais são as seleções campeãs do mundo?

Em países em que o futebol é um esporte popular, participar do torneio vira questão de honra. Nesse quesito, o Brasil fez a lição de casa, porque, além de estar entre os campeões da Copa do Mundo, é o único país que participou de todas as edições

As seleções campeãs do mundo são:

  • Uruguai 
  • Itália
  • Alemanha 
  • Brasil 
  • Inglaterra
  • Argentina 
  • França 
  • Espanha

Confira, agora, qual foi o placar das partidas que definiram os vencedores da Copa e algumas curiosidades:

1930

O Uruguai sediou a primeira Copa do  Mundo e as 18 partidas foram feitas somente na capital Montevidéu. O time uruguaio foi à final contra a Argentina e venceu os vizinhos por 4 a 2. No dia seguinte, foi feriado no país para celebrar a conquista do título no primeiro campeonato. 

1934 

A Itália sediou a segunda Copa do Mundo e também se tornou campeã em casa, vencendo a antiga Tchecoslováquia (atual República Tcheca e Eslováquia) na prorrogação por 2 a 1. Os jogos foram transmitidos ao vivo pelo rádio para 12 países. 

O campeão Uruguai não disputou a Copa em retaliação à Itália, por ter se recusado a viajar e participar da primeira edição.

1938

A Itália se tornou bicampeã ao vencer a Hungria por 4 a 2. O Brasil foi o terceiro colocado. Pela primeira vez, um país asiático participou da Copa: as Índias Orientais Holandesas (Indonésia).

1950

Depois de um intervalo com as copas de 1942 e 1946 canceladas por causa da Segunda Guerra Mundial, a retomada foi no Brasil.

Jogando em casa, a equipe brasileira conseguiu chegar até a final, que foi disputada no Maracanã, no Rio de Janeiro, considerado o maior estádio do mundo na época. No entanto, o Uruguai conseguiu virar o jogo e se tornou bicampeão por 2 a 1.

1954

A Copa de 1954 marca o retorno da Alemanha, dessa vez como Alemanha Ocidental, à Copa desde o final da Segunda Guerra. Mesmo não sendo a favorita, os alemães venceram a Hungria de virada, por 3 a 2, marcando o gol da vitória já no fim da partida.

1958

A Copa de 1958 tinha uma dupla invencível de atacantes: Pelé e Garrincha, que levaram o Brasil à final, que venceu a anfitriã dos jogos, a Suécia, por 5 a 2. O Brasil foi o primeiro país a conquistar o título em um continente diferente

1962

Mais uma vez na final, o Brasil venceu a Tchecoslováquia por 3 a 1 na Copa no Chile. Garrincha estava suspenso da partida por conta de um cartão vermelho na semifinal. Mas até o presidente do Chile, Jorge Alessandri, solicitou que o atacante brilhasse na final e o pedido foi aceito.

1966

A Inglaterra venceu a Alemanha Ocidental por 4 a 2 na prorrogação. A Rainha Elizabeth II estava no estádio em Wembley e presenciou o país conquistar seu primeiro e único título até o momento.

1970

O Brasil se tornou tricampeão, vencendo a Itália por 4 a 1. O time brasileiro se consagrou no futebol mundial com jogadores como Pelé, Rivelino, Tostão e Carlos Alberto.

1974

A Alemanha Ocidental venceu a Holanda em casa por 2 a 1. A Copa foi marcada pela atuação marcante do jogador holandês Johan Cruyff e do alemão Franz Beckenbauer. 

1978

Em sua segunda final consecutiva, a Holanda perdeu novamente, desta vez para a dona da casa, a Argentina. Passaram-se 48 anos desde a primeira Copa do Mundo até que os argentinos levassem o título por 3 a 1.

1982

Depois de  uma semifinal disputada nos pênaltis entre Alemanha Ocidental e França, a seleção alemã venceu, mas não conquistou a taça Jules Rimet. A Itália venceu os alemães por 3 a 1 e se igualou ao Brasil com o tricampeonato na Copa da Espanha.

1986

A Copa do México foi do argentino Diego Maradona, que estava no auge de sua carreira e contribuiu para vencer a Alemanha Ocidental. A Argentina conquistou o título pela segunda vez.

1990

Alemanha e Argentina se enfrentaram novamente em uma final, mas dessa vez os alemães levaram a melhor por 1 a 0. O gol decisivo foi de um pênalti faltando menos de cinco minutos para terminar a partida.

1994

A final clássica entre Brasil e Itália, decidida nos pênaltis. O chute para fora do gol do italiano Roberto Baggio entregou o título ao Brasil, que conquistou o primeiro tetracampeonato entre os vencedores da Copa.

1998

Depois de um tetra, a expectativa sobre a seleção brasileira caiu por terra. Apesar do Brasil chegar à final com a França, a vitória foi de 3 a 0 para os franceses.

2002

Realizada pela primeira vez na Ásia e em dois países ao mesmo tempo, a Copa da Coreia do Sul e do Japão marcou também a vitória do Brasil pela quinta vez. A seleção brasileira venceu a Alemanha por 2 a 0.

2006

Com semifinais e uma final composta apenas de países europeus, a Itália venceu a França nos pênaltis e se consagrou tetracampeã. 

2010

Pela primeira vez a ser realizada no continente africano, a Copa na África do Sul também teve um estreante entre as seleções campeãs do mundo. A Espanha, que até então nunca havia passado das quartas de final, venceu a Holanda por 1 a 0 na prorrogação.

2014

Na segunda Copa do Mundo no Brasil, a final ficou entre a Alemanha e a Argentina. A partida foi decidida só na prorrogação, que deu vitória aos alemães por 1 a 0, sendo a primeira seleção europeia a ganhar o torneio no continente americano. 

2018

A França conquistou o bicampeonato na final contra a Croácia, vencendo por 4 a 2. O francês Kylian Mbappe foi o segundo jogador mais novo a disputar uma final, com 19 anos. 

O mais novo, até o momento, continua a ser o brasileiro Pelé, que jogou a final de 1958, na Suécia, com apenas 17 anos.

2022

A Argentina levou o tricampeonato na Copa do Catar, encerrando um jejum de 36 anos sem título, ao derrotar a França nos pênaltis. A partida encerrou em 3 a 3, na prorrogação.

Países que mais venceram a Copa do Mundo

Entre as oito seleções campeãs do mundo, somente seis conquistaram o título mais de uma vez. O Brasil é o único pentacampeão até o momento, enquanto Alemanha e Itália somam quatro vitórias cada.

O ranking dos países vencedores da Copa são:

  • Brasil: 5 vitórias
  • Itália: 4 vitórias
  • Alemanha: 4 vitórias
  • Argentina: 3 vitórias
  • Uruguai: 2 vitórias
  • França: 2 vitórias
  • Inglaterra: 1 vitória
  • Espanha: 1 vitória

A Alemanha participou das Copas de 1934 e 1938 como uma única seleção. Depois da Segunda Guerra, o país voltou a disputar o torneio somente em 1954, porém como Alemanha Odicental

A Federação Internacional do Futebol (FIFA), que é o órgão responsável pela realização da Copa, atribuiu as vitórias da antiga Alemanha Ocidental à atual seleção alemã. 

De todos os campeões da Copa do Mundo, somente a Itália não vai disputar o torneio no Catar este ano. Esta será a segunda edição que a seleção italiana não se classifica para o campeonato.

Países que nunca participaram da Copa do Mundo

A FIFA reconhece mais de 200 nações que podem ou não disputar o torneio. Cabe a cada uma escolher se candidatar para participar das eliminatórias e tentar se classificar para o torneio principal.

Alguns dos países que mais tentaram participar, mas nunca conseguiram são Luxemburgo, Curaçao, Zâmbia, Malta, Síria e Venezuela. Todos eles já se inscreveram em mais de dez edições do torneio.

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Fundos imobiliários (FIIs) podem chegar a 30 milhões de investidores em até 15 anos, diz Sidney Angulo

A indústria de fundos imobiliários no Brasil deve continuar ampliando sua base de investidores ao longo de 2026. A estimativa é de entrada de 400 mil a 500 mil de novos cotistas neste ano.

Em uma perspectiva mais longa, de 10 a 15 anos, o número total pode alcançar a marca de 30 milhões de investidores, segundo projeção feita por Sidney Angulo, sócio do E-business Park e um dos maiores investidores de fundos imobiliários na pessoa física do país, durante participação no FIIs Experience 2026, evento realizado nesta quinta-feira (26), em São Paulo.

Atualmente, os fundos imobiliários possuem aproximadamente 3,07 milhões de cotistas na B3. Em janeiro de 2025, eram 2,78 milhões.

Além disso, o patrimônio total do setor sob custódia atingiu R$ 200 bilhões no início de 2026, um recorde para a indústria, de acordo com dados da bolsa de valores.

“Se eu fizer uma análise um pouquinho mais estrutural do que está acontecendo, R$ 200 bilhões e 3 milhões de investidores, para o tamanho do Brasil, é nada”, afirmou Angulo.

“Nós vamos chegar, em 10 a 15 anos, a 30 milhões. Este ano deve crescer de 400 mil a 500 mil. E eu acho mesmo”, prosseguiu.

“Imóvel é renda”

Durante sua participação, o executivo, que, atualmente, detém cerca de 300 mil metros quadrados (m²) em propriedades na capital paulista, destacou o caráter duradouro dos investimentos em imóveis, em contraste com eventos de curto prazo. “Guerra é notícia que acaba. Imóvel é renda. E é para sempre.”

Nesse sentido, comparou a estratégia adotada por grandes instituições financeiras, que, segundo ele mantêm parte relevante de seus ativos atrelada ao segmento imobiliário. “Os bancos constroem o patrimônio deles em imóveis. O investidor inteligente faz o mesmo.”

Democratização

Angulo também pontuou o avanço da democratização do acesso ao mercado imobiliário, pontuando que, hoje, pessoas físicas conseguem participar de grandes empreendimentos por meio dos FIIs — algo que não era viável para gerações anteriores.

“Antigamente, as cidades, os prédios, as propriedades eram de um único grande dono. Com o tempo, isso foi se dividindo, mas, até algumas décadas atrás, pouca gente podia ter acesso”, afirmou.

“Há 10 a 15 anos apareceram os fundos imobiliários. Essa figura de você pegar um prédio e poder ‘picar’ ele, isso é fantástico”, disse.

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Governo oferece R$ 15 bilhões a empresas afetadas por tarifas e Guerra no Oriente Médio

O Brasil lançou um novo programa para oferecer financiamento a empresas que enfrentam dificuldades devido ao impacto das tarifas dos Estados Unidos e da guerra no Oriente Médio.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou nesta quarta-feira uma medida provisória que oferece R$ 15 bilhões em crédito para ajudar empresas afetadas por razões geopolíticas e instabilidade internacional, como a guerra no Oriente Médio e medidas tarifárias impostas pelo governo do Estados Unidos.

Uma ampla gama de empresas pode se qualificar, desde exportadores do setor industrial atingidos por tarifas até produtores de fertilizantes, considerados essenciais para reduzir a dependência do Brasil em relação às importações, interrompidas pela guerra.

A medida, noticiada inicialmente pelo jornal O Globo, marca uma nova fase do programa Brasil Soberano, lançado no ano passado após o presidente americano Donald Trump ter imposto tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras para os EUA.

Na época, o programa fazia parte de uma resposta mais ampla de Lula que ajudou a impulsionar sua popularidade. Agora, o líder de esquerda está lutando para conter o aumento dos custos dos combustíveis e as interrupções na oferta de fertilizantes, que ameaçam elevar a inflação e gerar insatisfação entre caminhoneiros, agricultores e empresários.

Os recursos serão direcionados para capital de giro, aquisição de bens de capital e investimentos voltados à adaptação da produção, ampliação da capacidade produtiva e investimentos em inovação tecnológica. Os recursos virão de superávits financeiros do Tesouro, do fundo garantidor de exportações e de outras fontes orçamentárias. 

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Governo Trump libera TotalEnergies de investir US$ 1 bilhão em energia eólica

O governo Donald Trump liberou a TotalEnergies e seus parceiros de contratos de cerca de US$ 1 bilhão em projetos de energia eólica offshore, permitindo que a gigante francesa redirecione esses recursos para investimentos em petróleo e gás natural nos Estados Unidos.

Pelo acordo, a empresa não está mais comprometida a desenvolver parques eólicos nas costas de Nova York, Nova Jersey e Carolina do Norte, disse o secretário do Interior, Doug Burgum, durante a conferência CERAWeek, em Houston.

Reverter políticas climáticas

Em troca dos novos investimentos em combustíveis fósseis, os EUA vão reembolsar a TotalEnergies “dólar por dólar” até o valor pago originalmente pelos contratos, segundo comunicado do Departamento do Interior.

A ofensiva do presidente Donald Trump contra a energia eólica offshore faz parte de um esforço mais amplo para reverter políticas climáticas da era Biden e reforçar o apoio aos combustíveis fósseis. Tentativas de barrar a construção de cinco parques eólicos no mar, porém, têm enfrentado reveses na Justiça nos últimos meses.

O CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanne, afirmou que a empresa vai “acelerar” os investimentos em gás natural liquefeito (GNL) nos EUA. Segundo ele, o acordo não altera o compromisso da companhia com a energia eólica em outros países.

A empresa disse ainda que estudos indicam que projetos de eólica offshore nos EUA — ao contrário da Europa — são caros e podem encarecer a energia para os consumidores.

A TotalEnergies, já a maior exportadora de GNL dos EUA, pretende reinvestir os valores reembolsados para financiar o projeto Rio Grande LNG, no Texas, e outras atividades de petróleo e gás no país.

“Esses investimentos vão ajudar a fornecer GNL necessário para a Europa e gás para o desenvolvimento de data centers nos EUA”, disse Pouyanne.

A unidade Attentive Energy, da TotalEnergies, havia obtido licença para desenvolver mais de 3 gigawatts de energia eólica offshore entre Nova York e Nova Jersey — suficiente para abastecer mais de 1 milhão de residências. O contrato, concedido em 2022, custou US$ 795 milhões.

Posteriormente, a empresa vendeu uma participação de 44% no projeto por US$ 420 milhões para investidores, incluindo a Macquarie Group. A Total também havia obtido outro contrato, de 1 gigawatt, na costa da Carolina do Norte, por US$ 160 milhões.

As discussões sobre a desistência dos contratos foram noticiadas anteriormente pelo New York Times.

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Minha Casa Minha Vida passa a atender famílias com renda até R$ 13 mil mensais

O programa habitacional Minha Casa, Minha Vida ganhou novos teto salarial e valor máximo de imóvel que pode ser financiado dentro das taxas subsidiadas. Todas as quatro faixas foram reajustadas e o limite máximo de renda familiar mensal passou de R$ 12 mil para R$ 13 mil.

As mudanças foram aprovadas pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) nesta terça-feira (24).

Com as alterações, a Faixa 1 passa a atender famílias com renda mensal até R$ 3,5 mil. Na regra antiga, o teto era de R$ 2.850.

Já a Faixa 2 passou de R$ 4.700 para até R$ 5 mil, enquanto a Faixa 3 avançou de R$ 8,6 mil para R$ 9,6 mil.

O mesmo incremento foi aplicado ao teto da Faixa 4, voltada à classe média. O limite subiu R$ 1 mil para R$ 13 mil.

Os valores máximos de imóveis que podem ser financiados no programa também subiu. A Faixa 3 teve um incremento de R$ 50 mil. Esse segmento vai atender aquisições de residências de até R$ 400 mil.

Na Faixa 4, o limite subiu R$ 100 mil e agora as famílias poderão comprar imóveis com valor de até R$ 600 mil.

A última grande mudança do programa ocorreu em abril do ano passado. Foi justamente a criação da Faixa 4 para atender famílias de classe média, que acabaram excluídas do crédito imobiliário no atual cenário de juros altos.

As taxas dos empréstimos não mudaram. A Faixa 1 continua com juros de até 4,25% ao ano. Na Faixa 2, as taxas vão até 7%, enquanto na 3, os custos podem alcançar 8,16% anuais. A Faixa 4 tem taxas de até 10,5% ao ano.

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Lula sanciona lei que permite venda de medicamentos em áreas de farmácias em supermercados

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que autoriza a venda de medicamentos em farmácias e drogarias instaladas em supermercados. O texto foi publicado no Diário Oficial da União (DOU).

“É permitida a instalação de farmácia ou drogaria na área de venda de supermercados, desde que em ambiente físico delimitado, segregado e exclusivo para a atividade farmacêutica, independente dos demais setores do supermercado, operada diretamente, sob mesma identidade fiscal, ou mediante contrato com farmácia ou drogaria licenciada e registrada nos órgãos competentes, observadas as exigências legais, sanitárias e técnicas aplicáveis, inclusive quanto a dimensionamento físico, estrutura de consultórios farmacêuticos, recebimento, armazenamento, controle de temperatura, ventilação, iluminação e umidade, rastreabilidade, dispensação, assistência e cuidados farmacêutico”, diz a lei.

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Guerra do Irã estressa os mercados; Ibovespa em dólar cai hoje (23)

 Os mercados globais operam em queda nesta segunda-feira (23), pressionados pela escalada das tensões entre Irã e os Estados Unidos, em meio à troca de ameaças entre Teerã e o presidente Donald Trump.

O conflito na região entra em sua quarta semana em um cenário considerado crítico, à beira de uma escalada mais intensa. Durante o fim de semana, a crise se intensificou: no sábado, o presidente norte-americano declarou que, caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado por 48 horas, poderá ordenar ataques à infraestrutura energética iraniana.

Em resposta, Teerã lançou novos ataques, após prometer retaliação às ameaças de Washington, elevando ainda mais o nível de tensão entre as duas potências.

No mercado de commodities, os preços do petróleo seguem em alta, refletindo o risco de interrupções no fornecimento global. O movimento intensifica preocupações com um possível efeito cascata sobre a inflação global.

Mercado brasileiro

 Por aqui, os investidores aguardam a divulgação do Relatório Focus, o primeiro após o corte de 0,25 ponto percentual da Selic pelo Copom na última reunião. Na temporada de balanços do quarto trimestre, o destaque vai para os dados da Movida (MOVI3).

  • Ibovespa: No último pregão, o Ibovespa (IBOV) terminou as negociações com queda de 2,25%, aos 176.219,40 pontos. Na semana, o Ibovespa recuou 0,81%.
  • Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,3092, com alta de 1,79%. Apesar da forte valorização de hoje, o dólar acumulou queda de 0,13% ante o real na semana.
  •  O iShares MSCI Brazil (EWZ) — principal ETF brasileiro negociado em Nova York — sobe 0,05% no pré-market, cotado a US$ 36,52.

Mercados internacionais

 Na Ásia, as bolsas fecharam em baixa. Na Europa, os principais índices também operam no negativo, enquanto os futuros de Nova York indicam abertura em queda.

  • Petróleo: Os preços do petróleo avançam.
  • Criptomoedas: O mercado cripto está em baixa. O bitcoin (BTC) cai 0,6%, negociado em torno de US$ 68 mil. O ethereum (ETH) recua 1,9%, cotado a US$ 2 mil.

Agenda: Veja a programação para hoje

Indicadores

  • 7h – Zona do euro – Balança comercial

Lula

  • O presidente não tem compromissos agendados para hoje

Dario Durigan

  • A agenda do ministro não foi divulgada

Gabriel Galípolo

  • 11h – ​Reunião com Luiz Antonio Guariente, Auditor do Instituto dos Auditores Internos do Brasil (IIA Brasil)
  • 15h30 – ​Reunião com Deputado Federal Rodrigo Rollemberg (PSB/DF)

Confira os mercados nesta manhã

Bolsas asiáticas

  • Tóquio/Nikkei: -3,68%
  • Hong Kong/Hang Seng: -3,54%
  • China/Xangai: -3,63%

Bolsas europeias (mercado aberto)

  • Londres/FTSE100: -2,13%
  • Frankfurt/DAX: -2,06%
  • Paris/CAC 40: -1,91%

Wall Street (mercado futuro)

  • Nasdaq: -0,70%
  • S&P 500: -0,63%
  • Dow Jones: -0,49%

Commodities

  • Petróleo/Brent: +2,33%, a US$ 108,87 barril
  • Petróleo/WTI: +1,18%, a US$ 99,37 barril
  • Ouro:  -6,92%, a US$ 4.292,90 por onça-troy

Criptomoedas

  • Bitcoin (BTC): -0,6%, a US$ 68.309,24
  • Ethereum (ETH): -1,9%, a US$ 2.044,57
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Agenda: Ata do Copom e prévia da inflação podem redefinir apostas para a Selic; confira os indicadores desta semana

A semana deve funcionar como um teste direto para o cenário traçado pelo Banco Central após o corte da taxa Selic, com a agenda doméstica concentrando os principais gatilhos para o mercado.

O destaque absoluto fica para a quinta-feira (26), quando serão divulgados o IPCA-15 e o Relatório Trimestral de Inflação (RTI). A prévia da inflação é vista como o principal termômetro da semana e pode reforçar (ou colocar em dúvida) a continuidade do ciclo de cortes de juros. Já o RTI deve trazer mais detalhes sobre as projeções e o balanço de riscos da autoridade monetária.

Antes disso, na terça-feira (24), a ata do Copom ajuda a calibrar as expectativas ao detalhar o racional da decisão recente e sinalizar os próximos passos da política monetária.

A semana começa com o Boletim Focus na segunda-feira (23), importante para medir eventuais mudanças nas projeções do mercado, enquanto a sexta-feira (27) traz a taxa de desemprego, indicador relevante para avaliar o ritmo da atividade econômica.

No exterior, a agenda também traz pontos relevantes, especialmente nos Estados Unidos. Os dados de atividade, como os PMIs de indústria e serviços, ajudam a medir o fôlego da economia, enquanto os números do mercado de trabalho seguem no radar por sua influência nas decisões do Federal Reserve.

Além disso, indicadores como a confiança do consumidor e as expectativas de inflação da Universidade de Michigan devem oferecer pistas sobre o comportamento das famílias e a ancoragem inflacionária. Discursos de dirigentes do Fed ao longo da semana também podem ajustar as apostas do mercado para os juros.

Na Europa, os PMIs e a inflação do Reino Unido ajudam a mapear o ritmo de atividade em meio a um cenário ainda frágil, enquanto falas de autoridades do Banco Central Europeu podem sinalizar os próximos passos da política monetária na região.

Mesmo assim, em um ambiente de incertezas globais, a dinâmica doméstica, especialmente a inflação, tende a seguir como principal vetor para os mercados locais.

Confira a agenda de indicadores entre 23 e 29 de março (horário de Brasília):

Brasil

  • Segunda-feira (23)
    8h25 – Boletim Focus
  • Terça-feira (24)
    8h00 – Ata do Copom
  • Quarta-feira (25)
    8h00 – Confiança do Consumidor FGV
    14h30 – Fluxo Cambial Estrangeiro
  • Quinta-feira (26)
    8h00 – Relatório Trimestral de Inflação
    9h00 – IPCA-15
    9h00 – Reunião do CMN
  • Sexta-feira (27)
    8h30 – Investimento Estrangeiro Direto
    8h30 – Transações Correntes
    9h00 – Taxa de Desemprego

Estados Unidos

  • Segunda-feira (23)
    11h00 – Gastos com Construção
  • Terça-feira (24)
    9h15 – Relatório ADP
    10h45 – PMI Industrial
    10h45 – PMI de Serviços
    10h45 – PMI Composto
    19h30 – Discurso de Michael Barr (Fed)
  • Quinta-feira (26)
    9h30 – Pedidos iniciais de seguro-desemprego
    9h30 – Pedidos contínuos de seguro-desemprego
    17h30 – Balanço do Federal Reserve
    20h10 – Discurso de Michael Barr (Fed)
  • Sexta-feira (27)
    9h30 – Estoques do Varejo
    11h00 – Confiança do Consumidor
    11h00 – Expectativas de inflação
    12h30 – Discurso de Mary Daly (Fed)

Zona do Euro

  • Terça-feira (24)
    6h00 – PMI Industrial
    6h00 – PMI de Serviços
    6h00 – PMI Composto
  • Quarta-feira (25)
    5h45 – Discurso de Christine Lagarde (BCE)

Reino Unido

  • Terça-feira (24)
    6h30 – PMI de Serviços
    6h30 – PMI Composto
  • Quarta-feira (25)
    4h00 – CPI
    4h00 – PPI
  • Sexta-feira (27)
    4h00 – Vendas no Varejo
    4h00 – Núcleo de Varejo

Japão

  • Segunda-feira (23)
    8h00 – Relatório Mensal do BoJ
    20h30 – CPI
    21h30 – PMI de Serviços
  • Terça-feira (24)
    20h50 – Ata de Política Monetária
  • Quinta-feira (26)
    2h00 – CPI
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IR 2026: Período para declaração começa amanhã (23); veja prazo e datas de restituição

A época de prestar contas à Receita Federal chegou. Na segunda-feira (23), às 8h, começa o período de declarações do Imposto de Renda 2026, com um período mais curto do que em anos anteriores. O prazo para declarar encerra em 29 de maio, às 23h59.

A expectativa da Receita é receber cerca de 44 milhões de declarações neste ano. Vale destacar que o Programa Gerador da Declaração (PGD) já está disponível para download desde o dia 20 de março.

O PGD pode ser baixado neste link. Além disso, o contribuinte pode preencher a declaração pela internet, pelo site Meu Imposto de Renda, ou pelo celular e tablet, usando o aplicativo da Receita Federal, disponível para sistemas Android e iOS.

A declaração pré-preenchida do Imposto de Renda Pessoa Física 2026, referente ao ano-base 2025, pode ser acessada desde o início do período de entrega.

Quem precisa declarar o IR 2026

  • Quem recebeu, em 2025, rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual acima de R$ 35.584, como salários, pró-labore, aluguéis, aposentadorias e pensões;
  • Quem recebeu, em 2025, rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 200 mil, incluindo aplicações financeiras, doações, heranças, partilha de divórcio, meações, indenizações, pensões alimentícias, dividendos e juros sobre capital próprio;
  • Quem obteve, em 2025, receita bruta anual da atividade rural superior a R$ 177.920;
  • Quem possuía, em 31 de dezembro de 2025, bens e direitos, inclusive terra nua, com valor total acima de R$ 800 mil;
  • Quem teve, em qualquer mês de 2025, ganho de capital na venda de bens ou direitos, sujeito à incidência de imposto, como na venda de imóveis ou criptomoedas;
  • Quem realizou, em 2025, operações de alienação de ativos negociados em bolsa, com valor total acima de R$ 40 mil ou que tenham gerado ganho líquido sujeito a imposto;
  • Quem obteve lucro na venda de imóveis residenciais em 2025, mas se enquadrou em situações de isenção total ou parcial de imposto sobre ganho de capital;
  • Quem pretende compensar prejuízos da atividade rural ou de operações em bolsa;
  • Quem optou por declarar bens, direitos e obrigações de entidades controladas no exterior como se fossem de propriedade direta (offshore transparente);
  • Quem era titular, em 31 de dezembro, de trusts ou contratos semelhantes regidos por leis estrangeiras;
  • Quem recebeu do exterior, em 2025, rendimentos de aplicações financeiras, lucros e dividendos;
  • Quem pretende compensar prejuízos de aplicações financeiras no exterior;
  • Quem se tornou residente no Brasil em qualquer mês de 2025 e estava nessa condição em 31 de dezembro, mesmo que não se enquadre em outros critérios de obrigatoriedade.

Restituição do Imposto de Renda

Uma das mudanças no Imposto de Renda em 2026 é a redução no número de lotes de restituição, que passaram de cinco para apenas quatro parcelas mensais, pagas entre maio e agosto.

Calendário de Restituição 2026:

  • 1º Lote: 29 de maio (Prioridades legais).
  • 2º Lote: 30 de junho.
  • 3º Lote: 31 de julho.
  • 4º Lote: 31 de agosto.

*Com Seu Dinheiro

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O sucesso industrial da China virou um problema diplomático. E Pequim sabe disso

O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, prometeu responder às preocupações de parceiros comerciais com o grande superávit da China, num sinal de que Pequim teme que o tema prejudique suas relações com mais países durante a trégua com os Estados Unidos na disputa tarifária.

“Levamos a sério as preocupações de nossos parceiros comerciais e estamos prontos para trabalhar com todas as partes para promover um desenvolvimento saudável e equilibrado do comércio”, disse Li em um discurso de abertura no Fórum de Desenvolvimento da China, em Pequim, no domingo (22).

“Também vamos ampliar ainda mais o acesso ao mercado no setor de serviços e aumentar as importações de produtos médicos e de saúde, tecnologias digitais e serviços de baixo carbono, para oferecer mais oportunidades de negócios a empresas estrangeiras”, acrescentou.

A China registrou no ano passado um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão, e as exportações seguiram em forte alta nos dois primeiros meses deste ano, ampliando a preocupação em vários países com o futuro de suas próprias indústrias.

Estados Unidos e China travaram uma grande guerra comercial em 2025, que foi colocada em pausa com uma trégua de um ano acertada pelo presidente Donald Trump e pelo líder chinês Xi Jinping em outubro. Em dezembro, o presidente francês, Emmanuel Macron, alertou que a União Europeia poderia ser forçada a adotar “medidas fortes” contra a China, incluindo possíveis tarifas, se Pequim não enfrentar o desequilíbrio comercial crescente com o bloco.

As autoridades chinesas já tomaram algumas medidas para aliviar as tensões comerciais, entre elas a redução de incentivos tributários à exportação para centenas de produtos, como células solares e baterias.

Essa força industrial, porém, convive com uma economia fragilizada pelo consumo doméstico fraco. Setores como o de energia solar também sofrem com excesso de capacidade e concorrência acirrada nos preços.

Li afirmou que, “nos últimos anos, fizemos progressos positivos no enfrentamento da competição de estilo involutivo”.

Falando no mesmo fórum, o presidente do Banco do Povo da China, Pan Gongsheng, defendeu o superávit em conta corrente do país, dizendo que ele “é alocado entre diferentes regiões e setores do mundo por meio do investimento externo de empresas chinesas e dos bancos”.

Li Qiang, o premiê Chinês. Foto: Bloomberg

Segundo ele, esse superávit “tem sustentado o crescimento econômico global e a estabilidade financeira”.

O Fórum de Desenvolvimento da China foi criado em 2000 com apoio do então premiê Zhu Rongji. O evento costuma ocorrer logo após o encerramento das duas principais reuniões políticas anuais do país e atrai CEOs de grandes corporações, que conversam com autoridades sobre as prioridades econômicas e de política pública de Pequim.

No domingo, o CEO da Apple, Tim Cook, elogiou as inovações de desenvolvedores chineses e a automação das fábricas no país. Os comentários vieram dias depois de o principal jornal do Partido Comunista criticar a fabricante do iPhone por práticas monopolistas.

Neste ano, nenhum executivo japonês apareceu na lista oficial de participantes. As relações entre Pequim e Tóquio se deterioraram depois que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sugeriu que as Forças Armadas do país poderiam ser mobilizadas no caso de uma invasão chinesa de Taiwan.

O número 2 do Fundo Monetário Internacional, Dan Katz, afirmou no fórum que Pequim “pode fazer mais para estimular o consumo e a demanda doméstica — especialmente por serviços — elevando a renda das famílias e reduzindo os incentivos à poupança por precaução”.

Isso exigiria, segundo ele, “deslocar recursos hoje destinados a subsídios industriais e infraestrutura para programas de proteção social e para a estabilização do setor imobiliário, de modo a dar aos cidadãos confiança para gastar mais e poupar menos”.

Também significaria transferir parte da carga tributária das famílias de classe média para as mais ricas e reduzir isenções concedidas a empresas, acrescentou Katz.

A guerra no Irã também amplia os riscos para a economia chinesa. Custos mais altos de combustíveis e matérias-primas podem pressionar ainda mais as margens de lucro da indústria.

Li não mencionou diretamente o conflito, mas disse que “o desenvolvimento de alguns focos de tensão é profundamente preocupante”.

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Trump dá ultimato ao Irã e ameaça bombardear usinas se Hormuz não reabrir

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu ao Irã um prazo de dois dias para reabrir o Estreito de Hormuz ou ver suas usinas de energia serem bombardeadas, elevando o tom de uma guerra que, já em sua quarta semana, não mostra sinais de desescalada.

Trump, num indicativo da pressão que enfrenta para conter a disparada dos preços do petróleo, disse que o Irã precisa “abrir totalmente, sem ameaças” a via marítima vital para o fluxo global de energia. Ele deu ao país 48 horas “a partir deste exato momento”, em uma postagem na Truth Social publicada no fim da noite de sábado (21).

Os militares iranianos responderam dizendo que vão mirar “toda a infraestrutura de energia, tecnologia da informação e dessalinização pertencente aos EUA e ao regime israelense na região” caso a infraestrutura de combustíveis e energia do Irã seja atacada, segundo a agência semioficial Tasnim. A TV estatal iraniana publicou relatos semelhantes.

A retórica indica que nenhum dos lados está disposto a recuar. A guerra — iniciada com ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã em 28 de fevereiro — já desencadeou uma crise inédita no fornecimento de petróleo e gás. As ameaças mais recentes vieram depois de uma semana de ataques pesados contra infraestrutura energética crucial no Oriente Médio, aprofundando o risco de efeitos mais duradouros sobre a economia global.

Os fluxos de petróleo e gás provavelmente levarão tempo para voltar ao normal mesmo depois da reabertura do Estreito de Hormuz, já que muitos locais de produção foram danificados. Os bloqueios também estão provocando escassez de fertilizantes e nutrientes agrícolas, o que eleva a perspectiva de disrupções graves na produção de alimentos.

Estados Unidos e Israel continuaram, no domingo, a atacar alvos no Irã, que por sua vez segue lançando mísseis e drones contra Israel e países árabes do Golfo.

Mais de 4 mil pessoas morreram em toda a região, segundo governos e organizações não governamentais, sendo mais de três quartos das vítimas no Irã. No Líbano, onde Israel intensificou a ofensiva contra militantes do Hezbollah apoiados por Teerã, o número de mortos já supera 1 mil. Dezenas de pessoas morreram em Israel e em países árabes.

Os ataques com mísseis iranianos contra Israel se intensificaram nos últimos dias. No sábado, cerca de 115 pessoas ficaram feridas nas cidades de Arad e Dimona, no sul do país — esta última conhecida por dar nome a uma instalação de pesquisa nuclear nas proximidades. A mídia iraniana afirmou que o ataque foi uma retaliação a uma ofensiva contra a instalação nuclear de Natanz.

“Esta é uma noite muito difícil na luta pelo nosso futuro”, disse o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acrescentando que estava reforçando as equipes de resgate nas áreas atingidas.

Donald Trump está com terno escuro e gravata vermelha, e aponta para à esquerda

Falando no domingo, Netanyahu pediu que líderes de outros países se juntem à guerra e afirmou que alguns já começam a dar sinais nessa direção. “Fico feliz em dizer que consigo ver alguns deles começando a se mover nessa direção”, afirmou.

A nova ameaça de Trump ao Irã veio um dia depois de ele dizer que estava pensando em “reduzir” as operações militares e que a responsabilidade por vigiar Hormuz caberia a outros países. Isso exemplifica os sinais contraditórios enviados pelo presidente ao longo da guerra, deixando governos e mercados correndo para acompanhar os desdobramentos.

O tráfego por Hormuz — por onde normalmente passa cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e gás natural liquefeito — praticamente parou desde o início da guerra. O barril do Brent disparou para mais de US$ 112, o maior nível em quase quatro anos. Também subiram os preços da gasolina nos Estados Unidos, dos fertilizantes e de vários metais transportados por Hormuz.

Autoridades iranianas relutam até mesmo em discutir a reabertura do estreito, enquanto concentram esforços em sobreviver à ofensiva de EUA e Israel, segundo uma pessoa envolvida em contatos diretos e de alto nível com Teerã.

Alguns países, no entanto, vêm encontrando formas de fazer cargas atravessarem o corredor. A Marinha iraniana escoltou um navio-tanque indiano de gás natural liquefeito pelo estreito após articulação diplomática de Nova Déli. O Irã afirmou que a passagem está aberta a todos, exceto embarcações ligadas a países inimigos.

Até agora, Estados Unidos e Israel evitaram em grande parte atacar usinas de energia e instalações de água do Irã. Israel chegou a bombardear depósitos de combustível em Teerã duas semanas atrás, provocando nuvens de chuva ácida e atraindo críticas veladas dos Estados Unidos, que avaliaram a ação como um erro estratégico capaz de voltar a população iraniana contra a ofensiva.

Israel e Estados Unidos falaram em mudança de regime nos primeiros dias da guerra, mas agora enfatizam objetivos mais limitados, como destruir as capacidades nuclear e de mísseis do Irã. O regime iraniano não parece perto de colapsar, e autoridades vêm se reagrupando em torno das lideranças remanescentes, segundo avaliações de inteligência ocidentais e pessoas familiarizadas com o assunto.

O Irã tem cerca de 100 usinas termelétricas a gás natural em operação, segundo dados compilados pela Bloomberg. Entre as maiores estão a usina de Damavand, perto de Teerã; a de Ramin, ao norte de Ahvaz, no oeste do país; e a de Kerman, em Chatroud, no sudeste.

Os ativos energéticos do Oriente Médio vêm entrando cada vez mais no centro do conflito à medida que os ataques se ampliam. Israel bombardeou o campo de gás de South Pars na quarta-feira passada, e o Irã retaliou com ataques contra a maior instalação de gás natural liquefeito do mundo, no Catar, além de outros ativos energéticos no Golfo.

Os preços do petróleo em Londres subiram mais de 50% desde o início da guerra, reacendendo temores de inflação global. A disparada dos preços — especialmente da gasolina — traz riscos políticos para Trump dentro dos Estados Unidos, faltando apenas oito meses para as eleições legislativas de meio de mandato.

Os Estados Unidos estão produzindo volumes recordes de petróleo e gás no mercado doméstico, mas regiões como Europa, China e Japão dependem mais dos recursos energéticos do Oriente Médio.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou no sábado que a campanha conjunta será intensificada de forma significativa, um dia depois de Teerã lançar mísseis balísticos contra a base militar conjunta de EUA e Reino Unido em Diego Garcia — a quase 4 mil quilômetros do Irã.

A base não sofreu danos, segundo uma pessoa a par do assunto que falou sob condição de anonimato. Ainda assim, o ataque demonstrou uma capacidade que vai além do que se sabia até então sobre o arsenal iraniano.

Os esforços de Trump para mobilizar aliados dos Estados Unidos na reabertura do estreito ao tráfego comercial em larga escala têm sido, em grande medida, rejeitados. Em resposta, o presidente americano atacou verbalmente membros da Otan, chamando-os de “covardes” por não aderirem à operação.

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Guerra no Oriente Médio ameaça fertilizantes usados na soja

A guerra no Oriente Médio provocou grandes disrupções na oferta global de nutrientes agrícolas à base de nitrogênio. Agora, uma ameaça potencialmente maior começa a surgir em outra frente importante do mercado de fertilizantes.

Desde o início do conflito, o foco tem estado na ureia, um fertilizante nitrogenado fundamental para culturas como o milho. Os preços do insumo dispararam à medida que a guerra bloqueia embarques pelo Estreito de Hormuz, levando produtores rurais a correr atrás de abastecimento. O que tem passado mais despercebido em meio ao caos é o risco para os fertilizantes fosfatados — essenciais para lavouras como a soja, uma das bases da produção mundial de alimentos.

O Oriente Médio responde por apenas cerca de um quinto do comércio global de três produtos-chave de fosfato, segundo o The Fertilizer Institute. Mas quase metade da oferta mundial de enxofre — que é transformado em ácido sulfúrico, insumo usado no processamento de fertilizantes fosfatados — vem de países do Oriente Médio vulneráveis a interrupções no Estreito de Hormuz.

Os efeitos ao longo da cadeia podem começar a se tornar “exponenciais” se o conflito durar muito mais tempo, à medida que os produtores consumirem seus estoques já existentes de enxofre e ácido sulfúrico, disse Andy Hemphill, analista do mercado de ácido sulfúrico na plataforma de preços de commodities ICIS.

Isso é uma má notícia para a oferta global de alimentos, que depende do fosfato para sustentar o crescimento de tudo, de soja a batata. O conflito já alimenta preocupações com inflação e segurança alimentar. Também representa uma nova ameaça aos agricultores americanos, que já vinham enfrentando anos de custos de produção elevados. Quase 80% do fósforo usado nos Estados Unidos é aplicado em lavouras de soja e milho, que depois são transformadas tanto em ração animal quanto em combustível.

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Fertilizantes: a estratégia da Petrobras para reduzir a dependência externa do agro. petrobras fertilizantes agro

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Mesmo antes da guerra, a oferta tanto de fosfato quanto de enxofre já estava apertada. Os preços do enxofre haviam disparado para níveis recordes, impulsionados em parte pela demanda da indústria de mineração, que usa ácido sulfúrico para extrair metais como cobre e níquel. As exportações russas foram limitadas pela guerra na Ucrânia e por uma proibição de exportações, enquanto a China reduziu os embarques de fosfato para priorizar o consumo doméstico.

A política comercial dos Estados Unidos adicionou mais pressão. Tarifas impostas em 2023 sobre o fosfato do Marrocos — ainda em vigor — e tarifas mais amplas implementadas no ano passado pelo presidente Donald Trump limitaram as importações.

“O fosfato já tinha problemas de sobra antes mesmo de a guerra começar. A guerra apenas piorou uma situação que já era ruim”, disse Josh Linville, vice-presidente da área de fertilizantes da corretora StoneX Group. “Eu diria até que ele está quase em situação pior do que a ureia e os nitrogenados hoje.”

Houve esforços para recompor estoques, especialmente de fosfato, depois que fertilizantes foram poupados de algumas tarifas no fim do ano passado, disse Veronica Nigh, economista-chefe do The Fertilizer Institute. Mas, segundo ela, o verdadeiro desafio está na oferta de enxofre. O conflito em Israel já havia elevado tanto os preços do insumo que parte da produção de fosfato acabou sendo paralisada.

Ilustração: João Brito

“O enxofre é usado em muitas coisas e, se estivermos num cenário de oferta restrita, fertilizantes podem não ser o primeiro destino desse enxofre”, disse Nigh. “Pode ser um problema mais prolongado.”

Os contratos de enxofre em Tampa — uma referência importante nos EUA, com liquidação trimestral — atingiram preço recorde no fim de janeiro, segundo dados da Bloomberg Green Markets desde 2012. Já os preços em Nova Orleans do fosfato diamônico, o fertilizante fosfatado mais usado do mundo, estão no maior nível em quase quatro meses.

Os produtores de fertilizantes tendem a ficar pressionados, já que compradores concorrentes, especialmente mineradoras, conseguem pagar mais, disse Faraz Ahmed, diretor da trading Montage Commodities, sediada nos Emirados Árabes Unidos. O impacto sobre os preços dos fertilizantes fosfatados pode aparecer já em abril, quando a Índia costuma aumentar as compras para sua produção doméstica — um movimento que pode empurrar o mercado para um “modo de pânico”, afirmou.

A situação reforça, nos Estados Unidos, os apelos por mais estabilidade nesse mercado. Os agricultores dependem de três grandes famílias de fertilizantes: nitrogenados, fosfatados e potássicos. Apenas esta última, majoritariamente abastecida pelo Canadá e aplicada junto com fosfato em lavouras de soja, está relativamente protegida do atual choque global de oferta.

Entidades do setor agrícola pressionam o governo americano a suspender as tarifas sobre fertilizantes do Marrocos, país que detém as maiores reservas mundiais de rocha fosfática. O argumento é que os preços elevados e os riscos geopolíticos já reduziram a necessidade de medidas protecionistas.

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Essas tarifas — impostas em 2021, depois que a Mosaic, da Flórida, pediu ao Departamento de Comércio uma investigação — estão atualmente em revisão. A American Farm Bureau Federation pediu a Trump a suspensão temporária dessas taxas, enquanto uma coalizão com alguns dos maiores grupos agrícolas dos EUA solicitou na semana passada que a Mosaic e a JR Simplot retirassem seu apoio à manutenção das tarifas. Em 17 de março, as empresas enviaram cartas ao Departamento de Comércio informando que pretendem participar da revisão conduzida pelo órgão.

Enquanto isso, o problema de acessibilidade já reduz a demanda. David Delaney, CEO da produtora de fosfato Itafos, afirmou esperar uma queda de cerca de 20% no uso de fosfato nos Estados Unidos nos 12 meses encerrados em junho. As restrições de oferta podem aprofundar esse recuo — especialmente se os agricultores plantarem mais soja no lugar de milho, para escapar dos altos custos dos fertilizantes nitrogenados.

“Vai continuar apertado na primavera, no verão e no outono”, disse Delaney. “Com um corte de 20%, talvez haja produto suficiente para atravessar a primavera. Mas a gente termina a temporada com os estoques completamente zerados.”

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Solução para restrição de oferta de combustíveis é reajuste da Petrobras, dizem fontes do setor

A solução para a atual crise de restrição de oferta de combustíveis no Brasil seria um reajuste de preços pela Petrobras (PETR4), para que se abra novamente uma janela de importação e mais agentes tenham segurança de trazer o produto do exterior e remunerar suas atividades, afirmaram fontes diversas do setor de distribuição à Reuters.

“Enquanto a Petrobras não equalizar seus preços aos dos importados e mantiver a prática de não atender pedidos adicionais e suspender leilões — mesmo que estes cheguem a negociar produtos, em alguns casos, a até R$2,50 por litro acima do preço de lista — a situação tende a se agravar”, disse uma fonte do setor, na condição de anonimato.

Com sua produção, a Petrobras responde por mais de 50% do consumo de diesel no país, com aproximadamente 20% vindo das refinarias privadas e o restante da importação, realizada por uma série de players, entre grandes e pequenos — e pela própria estatal.

Por isso a importância de equiparar as cotações do país, que estão defasadas em mais de 70% em relação ao produto no exterior, para viabilizar as compras externas, e a retomada dos leilões, que incluem o produto importado pela Petrobras, disseram as fontes.

Na véspera, a agência reguladora ANP pediu que a Petrobras retome leilões de combustíveis, que foram interrompidos repentinamente no início da semana, após o sindicato Sindicom, que representa as distribuidoras nacionais Raízen, Vibra e Ipiranga, apontar riscos ao abastecimento em carta enviada à autarquia e ao governo. A associação Brasilcom, que representa mais de 40 distribuidoras regionais, também manifestou preocupação com o abastecimento, fazendo coro contra a ausência de paridade com o diesel importado.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, justificou a jornalistas na semana passada que a parada foi para reavaliar estoques, sem dar detalhes, e a companhia ainda não indicou se as concorrências serão retomadas.

Questionada sobre o pedido da ANP, a Petrobras afirmou que analisaria o assunto, mas destacou que continua entregando ao mercado todo o volume de combustíveis produzidos em suas refinarias, que estão operando em carga máxima. A petroleira relatou também que tem ampliado e antecipado entregas às distribuidoras, fornecendo volumes cerca de 15% superiores aos montantes acordados no início do mês.

A paralisação das ofertas extras de diesel pela petroleira em leilões, que estavam sendo negociadas entre R$1,80 e R$2,00 por litro acima do preço de referência das refinarias da própria companhia, segundo entidades do setor, ocorre enquanto o governo busca meios para evitar o impacto ao consumidor, em meio a um ano importante de eleições.

O governo cortou tributos federais sobre os combustíveis e lançou um programa de subsídio ao diesel. Agora, tem feito pressão sobre os Estados, para que eles reduzam o ICMS sobre os combustíveis, enquanto tem conseguido evitar uma greve de caminhoneiros.

“Se o governo quer salvar os caminhoneiros, pode reativar o cartão do caminhoneiro, ao invés de pressionar Estados a perder ICMS, ameaçar agentes privados com tabela de preços”, disse uma outra fonte de uma distribuidora. “Tabelar fretes mais altos como estão fazendo vira preço no final… vai impactar até o diesel, a gasolina, o etanol.”

As medidas do governo, segundo fontes e especialistas, buscam endereçar impactos ao consumidor, mas não atenuam as restrições à oferta, já sentidas pelo mercado, e muito menos os riscos ao desabastecimento nacional.

Procurada para comentar as afirmações das pessoas integrantes do mercado de combustíveis, a Petrobras não comentou o assunto imediatamente.

Inexorável

Mas, segundo fontes do mercado, o impacto da disparada recente dos preços do petróleo no mercado externo chega ao consumidor brasileiro de qualquer forma, mesmo que atenuado por algumas medidas do governo, uma vez que o Brasil não é autossuficiente na produção de combustíveis.

Além disso, regras do mercado impedem que empresas comprem produtos no exterior e vendam com prejuízo em benefício do governo federal e da sociedade, sem serem remuneradas por isso. Até mesmo a Petrobras, uma empresa de capital misto, não pode tomar prejuízo para abastecer o mercado, pois há regras que a impedem em seu estatuto e por ter ações negociadas na Bolsa de Nova York, sob risco dos membros de sua diretoria serem acionados na Justiça.

Prova disso, segundo agentes do mercado, é que a Petrobras reduziu a oferta de diesel dentro do permitido em contratos e por preços bem abaixo da paridade de importação, e estava vendendo os volumes excedentes nos leilões, a valores mais altos.

“A pauta do governo é o preço, e o governo vai ter que entender que existe a mão do mercado internacional que ele não consegue controlar. O preço é o que o mercado internacional fala, o preço é o que a Petrobras ganha quando ela vende no leilão”, disse a fonte de uma outra distribuidora, na condição de anonimato.

“O que resolve esse problema é a Petrobras praticar a paridade de preço internacional”, acrescentou, pontuando que só assim empresas que trabalham no mercado spot no Brasil poderão voltar a trazer cargas do exterior.

Segundo as fontes, as grandes distribuidoras nacionais, que têm contratos e compromissos com rede embandeirada, têm condições e importarão volumes adicionais, garantindo o abastecimento de seus clientes, inclusive sob pena de multa, apesar de forte risco nessas operações.

“Porque, se no meio do caminho de trazer esses navios (do exterior), o Trump abraçar o aiatolá, acabar a guerra, liberar o Estreito de Ormuz e o barril voltar para US$60, a gente vai tomar um prejuízo de hedge na cabeça”, disse a pessoa.

Entretanto, os fornecedores menores, que atuam apenas quando a janela de importação está aberta, ficam sem opção para atender ao mercado, em uma situação que tem causado restrição de oferta pelo Brasil, principalmente em regiões que dependem de produto importado.

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Preço do diesel sobe 20,6% entre final de fevereiro e 2ª semana de março, aponta ANP

O preço do diesel subiu 20,6% na segunda semana de março comparada à semana de 22 a 28 de fevereiro, para R$ 7,65 o litro, segundo levantamento nos postos de abastecimento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), divulgado em novo horário nesta sexta-feira, 20, em meio a um cenário de preços elevados dos derivados de petróleo por causa do conflito no Oriente Médio. Normalmente, a divulgação ocorre na sexta-feira, às 18h.

Somente na semana após o reajuste da Petrobras, de 15 a 21 de março, o combustível que depende de importações subiu 6,6% ante a semana anterior.

A gasolina teve menor pressão, fechando a segunda semana de março em alta de 5,89% contra o final de fevereiro e de 2,9% contra a primeira semana do mês, a R$ 6,65 por litro.

Já o gás de cozinha ficou praticamente estável em todas as comparações, fechando a segunda semana de março ao preço de R$ 109,91 o botijão de 13 quilos de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), ante R$ 109,87 o botijão no final de fevereiro e R$ 109,89 na semana passada.

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Fundo imobiliário aprova compra de R$ 339 milhões em galpões logísticos; veja detalhes

O fundo imobiliário Invista Brazilian Business Park (IBBP11) informou que seus cotistas aprovaram a compra de cinco imóveis logísticos pertencentes ao XP Industrial (XPIN11), em uma operação de aproximadamente R$ 339,1 milhões.

A decisão foi tomada em assembleia geral extraordinária encerrada na última terça-feira (17), com participação de cerca de 55% das cotas emitidas pelo FII. Das manifestações recebidas, 54,6% foram favoráveis às matérias da ordem do dia.

Os empreendimentos que serão adquiridos estão localizados nos estados de São Paulo e Minas Gerais, em cidades como Atibaia (SP), Jarinu (SP) e Extrema (MG), e somam dezenas de milhares de metros quadrados (m²) de área bruta locável (ABL).

O valor individual dos imóveis varia entre aproximadamente R$ 36,9 milhões a R$ 90,7 milhões. Confira:

Imóvel Localização ABL (m²) Valor (R$)
Condomínio Barão de Mauá Atibaia (SP) 17.907,61 36.936.785,34
Brazilian Business Park – Gaia Air Jarinu (SP) 31.719,44 90.698.570,53
Brazilian Business Park – Gaia Terra Jarinu (SP) 34.507,60 89.323.432,98
Centro Empresarial Atibaia Atibaia (SP) 21.453,63 66.695.792,15
Condomínio Extrema Extrema (MG) 35.749,64 55.464.237,14
Total 141.337,92 ≈ 339,1 milhões

Um ponto relevante da operação é a existência de conflito de interesses, já que os dois fundos imobiliários envolvidos, IBBP11 e XPIN11, possuem a mesma administradora, a Vórtx Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. Por esse motivo, a transação precisou ser submetida à aprovação.

Novas emissões

Além da aquisição dos imóveis, os cotistas do Invista Brazilian Business Park também deram aval para a realização de novas captações.

Uma delas será a quinta emissão de cotas ordinárias, que será destinada exclusivamente a investidores profissionais e sem direito de preferência.

Já a outra será a segunda emissão de papéis seniores, voltada ao mesmo público, que poderão ser emitidos com deságio de 15% sobre o valor unitário da cota sênior.

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