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Received yesterday — 19 de Maio de 2026Negócios

Após visitar Bolsonaro, Carlos diz que PL apoiará Alfredo Gaspar e Arthur Lira em AL

18 de Maio de 2026, 22:47
O deputado Arthur Lira, líder do "centrão", faz selfie com o presidente Jair Bolsonaro

O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) informou neste domingo, 17, que em sua última visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na prisão domiciliar o pai definiu que irá apoiar os nomes de Alfredo Gaspar (PL) e Arthur Lira (PP) como os candidatos ao Senado Federal por Alagoas. Eles disputarão as duas vagas abertas para o Estado nas eleições deste ano.

“Em Alagoas, o presidente Jair Bolsonaro, toda a família Bolsonaro e todo o agrupamento de direita e centro-direita já têm definidos seus nomes para o Senado: Arthur Lira e Alfredo Gaspar de Mendonça. São nomes preparados, experientes e comprometidos com os valores que defendemos para o Brasil”, disse Carlos Bolsonaro para jornalistas durante o evento “Acorda Brasil” em Maceió.

O deputado federal e ex-presidente da Câmara, Arthur Lira, já lançou sua pré-candidatura ao Senado Federal em março deste ano, em um evento com lideranças políticas em Maceió. Há uma movimentação para que ele se filie ao Partido Liberal (PL), de Jair Bolsonaro, mas atualmente ele está definido como pré-candidato pelo Partido Progressistas (PP).

Já o deputado federal Alfredo Gaspar lançou sua pré-candidatura pelas redes sociais, em abril deste ano, pela sigla de Bolsonaro. Ele se filiou ao PL em março deste ano, deixando o União Brasil. Ao ingressar no partido, ele assumiu a presidência estadual da sigla, substituindo o ex-prefeito de Maceió, JHC.

Em Alagoas, duas vagas ao Senado estarão em disputa em outubro. Os mandatos do senador Renan Calheiros (MDB) e do senador Fernando Farias (MDB) se encerram em janeiro de 2027.

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‘Se o dado não é usado, gera custo’: como especialista fala sobre IA e dados transformarem decisões

18 de Maio de 2026, 19:00

Sabrina Nazario, Chief Data Officer e líder de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) na Schneider Electric para a América do Sul, percorreu uma trajetória marcada por diversidade de experiências e países. 

Leia mais em: https://exame.com/carreira/se-o-dado-nao-e-usado-gera-custo-como-especialista-fala-sobre-ia-e-dados-transformarem-decisoes/

Brasil sai do “inverno das startups” com empresas mais fortes e capital mais seletivo

18 de Maio de 2026, 17:42
Thiago Maceira Itaú BBA

Nova York – Se o inverno das startups foi o período marcado pela escassez de capital, o momento atual é o início de um novo ciclo de investimentos, marcado por empresas que amadureceram, aprenderam a gerir caixa, buscar rentabilidade e manter o crescimento mesmo com escassez de recursos. “Hoje temos muitas empresas maduras, em estágio […]

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Mantiqueira amplia sua “cesta” e estreia em bebidas funcionais

18 de Maio de 2026, 07:54

Maior granja da América do Sul, com uma produção de mais de 4 bilhões de ovos por ano, a Mantiqueira ganhou ainda mais fôlego em 2025, ano em que a JBS comprou metade da sua operação e desembarcou nos Estados Unidos, a partir da aquisição da Hickman’s Egg Ranch. Sua expansão da companhia não se […]

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Governo adia medida que barra empréstimos rurais a áreas desmatadas

12 de Maio de 2026, 19:26

O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu, em reunião extraordinária nesta terça-feira (12), adiar a implementação de uma norma que proíbe a concessão de empréstimos rurais subsidiados a solicitantes com áreas desmatadas após julho de 2019.

Segundo a norma, os bancos seriam responsáveis ​​por verificar o cumprimento da exigência por meio de imagens de satélite, se estão de acordo com a legislação ambiental.

A norma havia entrado em vigor em abril para propriedades rurais com mais de quatro módulos fiscais. Agora, o prazo foi adiado para janeiro de 2027 para propriedades com mais de 15 módulos fiscais.

Para áreas entre quatro e 15 módulos fiscais, a exigência de verificação só entrará em vigor em julho do ano que vem, enquanto para propriedades menores, de até quatro módulos fiscais, a norma passará a vigorar em janeiro de 2028, em vez do prazo anterior de janeiro de 2027.

O adiamento aconteceu após o ministro da Agricultura, André de Paula, ter dito que prometera a produtores que trabalharia dentro do governo para que eles não fossem prejudicados injustamente, sem o direito de defesa, em caso de o sistema de verificação apontar algum falso positivo.

A postergação dos prazos acontece ainda pouco antes do anúncio do Plano Safra, o principal programa governamental de oferta de crédito, que inclui recursos com juros subsidiados pelo Tesouro.

Natura corre contra o tempo para provar que o novo plano funciona e que o pior já passou

12 de Maio de 2026, 16:51

A Natura encerrou o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 445 milhões e reconhece que o período foi exatamente tão difícil quanto esperava. Apesar do tamanho do tombo, a gestão argumenta que a crise está controlada e que o pior ficou para trás.

“Um trimestre que aparece bastante misturado”, reconheceu o CEO João Paulo Ferreira em entrevista coletiva com jornalistas nesta terça-feira (12). “Algumas notícias mais negativas que merecem maior atenção e correção de rota, e outros já bastante mais promissoras.”

A receita líquida caiu 7,7% frente ao mesmo período de 2025, para R$ 4,7 bilhões. O Ebitda despencou 55,7% em base recorrente, para R$ 346 milhões — com margem de 7,3%, ante 15,2% um ano antes.

Parte relevante da queda veio de despesas não recorrentes com rescisões da reorganização em curso: R$ 221 milhões, o equivalente a 4,7 pontos percentuais de margem. Excluído esse efeito, a margem teria ficado perto de 12%.

Três feridas abertas ao mesmo tempo

O resultado negativo reflete problemas simultâneos que a Natura precisou gerir no trimestre.

O primeiro é a desaceleração do consumo no Brasil. O mercado de beleza esfriou, com impacto especialmente pronunciado no Nordeste, onde a penetração da venda direta é maior e a Natura tem exposição acima da média. Com famílias endividadas e juros elevados, o sell-in (venda para o varejo e consultoras) da marca Natura no Brasil caiu 3% no período.

O segundo é a Avon. A marca passou boa parte do trimestre com portfólio de inovação esvaziado, consequência deliberada do reposicionamento que antecedeu seu relançamento. Esse relançamento só ocorreu em meados de março, já no final do período.

Os primeiros produtos chegaram com vendas acima das expectativas, mas com representatividade ainda pequena dentro do total, segundo os executivos. A receita da Avon no Brasil caiu 13,8%.

O terceiro é a Argentina, onde a integração das operações de Natura e Avon — concluída no terceiro trimestre de 2025 — reduziu significativamente a base de consultoras e o canal de venda direta. A recuperação está sendo mais lenta do que a empresa planejou, e os desafios macroeconômicos e cambiais do país agravam o quadro. Na região hispana como um todo, a receita caiu 10,5%.

Reorganização e impacto no caixa

Enquanto administrava esse cenário adverso de receita, a Natura também acelerou sua própria reestruturação interna, anunciada em dezembro de 2025, com previsão de corte de 25% nos cargos administrativos. No primeiro trimestre, aproximadamente 75% dessas demissões já foram executadas, gerando despesas com rescisões de R$ 240 milhões.

Os efeitos aparecem no balanço. A dívida líquida subiu R$ 565 milhões, para R$ 4 bilhões, levando o índice de alavancagem a 2,11 vezes o Ebitda, acima da faixa de 1x a 1,5x que a empresa considera ideal. Além das rescisões, pesaram o pagamento de R$ 367 milhões referente ao acordo judicial Chapman e gastos remanescentes do processo de simplificação da antiga holding.

A CFO Silvia Vilas Boas enquadrou o movimento como normal para o período. “No nosso negócio, o primeiro semestre normalmente consome caixa e o segundo semestre gera caixa. Isso não compromete nosso compromisso de terminar o ano dentro da estrutura de capital ótima”, disse.

A justificativa central da gestão para o otimismo está no novo modelo operacional — uma estrutura mais enxuta, descentralizada e orientada a dados, construída para permitir reações mais rápidas às mudanças de mercado. Na prática, já teria permitido ajustes nos incentivos comerciais para consultoras no Brasil e mudanças no canal na Argentina.

O problema é que as economias ainda não apareceram nos números. As demissões foram feitas, mas os ganhos de eficiência começarão a ser capturados de forma expressiva apenas a partir do segundo trimestre. Para o segundo semestre, a promessa é de captura plena.

“Com as despesas agora sob controle, nosso foco está voltado ao crescimento sustentável das receitas”, disse Ferreira. Os compromissos públicos para 2026 incluem margem Ebitda superior aos 14,1% registrados no ano passado e geração de caixa acima do nível de 2025.

Sinais que sustentam o otimismo

Apesar do resultado negativo, há indicadores que a empresa usa para defender a narrativa de virada. No Brasil, o sell-out da Natura (as vendas ao consumidor final, medidas por instituto externo) cresceu acima do mercado no primeiro trimestre e mostrou recuperação sequencial no final do período, o que em tese antecede uma melhora no sell-in. O número de consultoras também voltou a crescer após queda de 4,2% no período.

A Avon trouxe sinais considerados encorajadores desde o relançamento: os indicadores de saúde de marca melhoraram e as primeiras linhas lançadas — perfumaria, batom e maquiagem temática — vieram acima das expectativas de vendas. Na região Hispana, excluindo a Argentina, os resultados foram positivos, com destaque para o México. O canal digital cresceu 23,6% no Brasil.

Para 2026, a Natura precisa demonstrar que consegue recuperar receita no Brasil e na Argentina enquanto colhe os ganhos da reorganização. O segundo trimestre será, nas palavras do próprio CEO, “um período de transição, com recuperação gradual da receita e riscos de execução ainda relevantes”.

A empresa promete que, a partir do segundo semestre, estará mais leve e pronta para crescer. Por enquanto, o mercado precisará confiar na palavra da gestão.

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Bolsas da Europa fecham em alta com alívio do petróleo e decisões de juros no radar

30 de Abril de 2026, 14:57

As bolsas da Europa fecharam em alta nesta quinta-feira (30), à medida que os investidores ponderam as decisões de manutenção dos juros pelo Banco da Inglaterra (BoE) e pelo Banco Central Europeu (BCE) em meio ao ambiente de incertezas decorrente do conflito no Oriente Médio e dos preços elevados de energia.

Em Londres, o FTSE 100 fechou em alta de 1,62%, a 10.378,82 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 1,33%, a 24.272,32 pontos. Em Paris, o CAC 40 ganhou 0,53%, a 8.114,84 pontos. Em Milão, o FTSE MIB avançou 0,94%, a 48.246,12 pontos. Em Madri, o Ibex 35 subiu 0,62%, a 17.752,00 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 teve alta de 1,47%, a 9.344,96 pontos. As cotações são preliminares.

O presidente do BoE, Andrew Bailey, indicou que a resposta de política monetária ao choque de energia pode vir mais pela manutenção de juros elevados do que por novas altas imediatas, mas alertou que a política não evita o impacto do choque de energia.

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Já a presidente do BCE, Christine Lagarde, se recusou a cravar a trajetória dos juros pela instituição, mas ressaltou que a guerra iniciada pelos EUA e Israel contra o Irã – que mantém os custos de energia em alta – tornam os riscos para perspectiva de inflação inclinados para cima, enquanto os de crescimento ficam para baixo. “Não vou indicar se estamos mais próximos de algum cenário específico”, disse.

Além da macroeconomia, a alta nos preços de energia tem sido foco no setor corporativo. Em balanço, a Air France-KLM projetou um avanço nos gastos com energia e reduziu as previsões de capacidade para este ano. A ação fechou em alta de 3,6%.

Também em repercussão aos desempenhos trimestrais, a Stellantis tombou 6,33% a Magnum Ice Cream Company disparou 11% e os bancos BNP Paribas e Société Générale fecharam em alta de cerca de 1% e 3%, respectivamente. Hoje, investidores foram às compras nas praças europeias com o alívio dos preços do petróleo, que oscilam entre altas e baixas.

A nova obsessão da Faria Lima: CEOs disputam quem dorme mais e melhor

26 de Abril de 2026, 16:30

Se antes, nos bastidores dos eventos corporativos na Faria Lima, os CEOs se conectavam falando de performance no esporte – pace na corrida, ritmo no triatlo, carga no treino -, agora o assunto é o desempenho na cama. Mas não é isso que você imaginou… O descanso entrou no centro da pesquisa de alto desempenho […]

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A jornalista que expôs Hollywood agora tenta orientar jovens perdidos no mercado

26 de Abril de 2026, 09:25

Nova York – Há um ano, a jornalista nova-iorquina Jodi Kantor foi convidada por estudantes da Universidade de Columbia, em Manhattan, sua alma máter, para ser a oradora da cerimônia de formatura. Repórter investigativa do New York Times desde 2003, em 2018 ela foi premiada com o Pulitzer Prize, ao lado da colega Megan Twohey, […]

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Agrishow: Tendências de mercado para a maior feira do agronegócio da América Latina

25 de Abril de 2026, 10:00

A Agrishow começa no próximo domingo (26) e segue até o feriado de 1º de maio, trazendo, como de costume, os holofotes do setor para a capital brasileira do agronegócio: Ribeirão Preto.

A edição deste ano deve ser maior, com cerca de 100 novas empresas expositoras. A área do evento também foi ampliada em 12 mil metros quadrados, segundo a organização.

No campo, o cenário combina mais uma supersafra com desafios relevantes: crédito mais restrito, margens pressionadas, aumento de custos fiscais e maior incerteza nos mercados. Diante disso, analisamos a seguir alguns eixos temáticos que devem pautar o evento.

Ano eleitoral reforça presença política

Em 2026, o Brasil terá eleições gerais, e a Agrishow tradicionalmente se torna palco de intensa movimentação política nesses períodos. A expectativa é de presença de pré-candidatos à Presidência, além de governadores, parlamentares e outras lideranças.

O governador de São Paulo, embora ainda não colocado como candidato à Presidência, deve aproveitar o evento para anunciar programas voltados ao agronegócio paulista. Outros governadores e representantes políticos também devem marcar presença, ampliando o caráter institucional da feira.

Crise do petróleo pode impulsionar biocombustíveis

O atual contexto de elevação de custos — influenciado pela reforma tributária, alta nos fertilizantes e pressão sobre o diesel em meio às tensões geopolíticas — tende a aumentar a atratividade dos biocombustíveis.

Além de funcionarem como alternativa em um ambiente de maior volatilidade, esses produtos seguem alinhados à agenda de sustentabilidade, ainda em evidência após a COP-30 realizada em Belém no ano passado. O cenário pode favorecer especialmente os produtores de cana-de-açúcar e os agentes ligados ao setor.

Dólar mais fraco pode destravar investimentos na Agrishow

Por outro lado, a recente desvalorização do dólar frente ao real, mesmo em um ambiente de crédito mais restrito, pode estimular investimentos em máquinas, equipamentos e tecnologia — segmentos que são destaque na feira.

Com uma visão de possível recuperação de preços, margens e crédito a partir da safra 2027/28, produtores que tiverem acesso a financiamento podem antecipar investimentos para ganho de eficiência.

Fundamentos estruturais seguem positivos e novas tecnologias mantêm protagonismo

A expectativa de uma nova supersafra em 2026/27 pode contribuir para alguma recomposição de preços e volumes. Apesar das dificuldades no crédito — pressionado por inadimplência e maior aversão ao risco — o setor segue robusto.

Segundo o Ministério da Agricultura, o crédito ao agronegócio movimenta cerca de R$ 1,4 trilhão ao ano. Além disso, instrumentos privados como Fiagros e títulos do agronegócio ampliam a oferta de financiamento.

A demanda do mercado de capitais por esses ativos permanece firme, impulsionada também pela entrada de investidores estrangeiros em meio à realocação global de portfólios.

No comércio exterior, a demanda por produtos agropecuários brasileiros segue aquecida, com destaque para negociações diretas com países como China, Turquia, Vietnã e Japão, além da possível retomada de fluxos com o Irã.

Ademais, novas tecnologias, programas de sucessão no campo, empreendedorismo feminino, além de seminários, debates e milhares de visitantes, devem garantir o sucesso da feira, que é uma ode ao empreendedorismo no campo, sempre trazendo novas tecnologias, muitas novidades e injeção de ânimo ao setor que, frise-se, precisa cada vez mais de marcos regulatórios estáveis e políticas públicas efetivas para continuar a contribuir decisivamente com o desenvolvimento da economia brasileira.

Uma nova geografia do vinho: os terroirs nordestinos começam a ganhar espaço

25 de Abril de 2026, 09:30

Muito se fala sobre o boom vitivinícola no Sudeste, mas pouco se ouve sobre os vinhos do Nordeste. Embora as primeiras experiências tenham acontecido nos anos 1970 no Vale do São Francisco, a região não ficou presa ao passado. Uma nova onda de expansão avança pelos estados nordestinos para além das margens do rio. “Tratam […]

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EUA e Irã confirmam nova rodada de negociações indiretas no Paquistão

25 de Abril de 2026, 08:58

EUA e Irã concordaram em retomar as negociações de paz no Paquistão, mas de forma indireta.

Os dois representantes norte-americanos, Steve Witkoff, enviado de Donald Trump, e Jared Kushner, genro do presidente norte-americano, embarcam neste sábado (25) para Islamabad. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, chegou nesta sexta-feira (24), na capital paquistanesa.

Ontem, autoridades iranianas haviam afirmado que Araghchi planejava se encontrar com os dois americanos, mas a imprensa oficial e o porta-voz da chancelaria, Esmail Baqaei, negaram.

Nas redes sociais, Baqaei afirmou que “nenhum encontro está previsto entre representantes de Irã e EUA”.

“As observações iranianas serão transmitidas ao Paquistão”, disse o porta-voz.

O governo paquistanês, como mediador do diálogo, se reuniria em seguida com Kushner e Witkoff. Duas fontes do regime iraniano, citadas pelo portal Axios, disseram que o encontro entre os enviados de Trump e Araghchi, se houver, pode ocorrer na segunda-feira (27).

A previsão é que o chanceler iraniano viaje de Islamabad para Muscat, em Omã, e depois para Moscou. Araghchi se reuniu ontem com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, com o ministro das Relações Exteriores, Ishaq Dar, e com o marechal Asim Munir, comandante do exército do Paquistão.

Segundo dois funcionários do alto escalão do governo iraniano, que falaram sob condição de anonimato ao New York Times, Araghchi deve apresentar uma resposta por escrito à proposta dos EUA para um acordo.

Casa Branca otimista, mas cautelosa

Publicamente, a Casa Branca não escondeu o otimismo com a retomada do diálogo em Islamabad. “Os iranianos querem negociar. Steve e Jared vão ao Paquistão para ouvi-los”, disse Karoline Leavitt, secretária de imprensa de Trump.

“Esperamos que haja progresso. O presidente (Trump), o vice-presidente (J.D. Vance) e o secretário de Estado (Marco Rubio) estarão aguardando atualizações aqui nos EUA.”

Em privado, no entanto, a posição do governo norte-americano é de cautela. O fato de Vance, vice de Trump, que liderou a equipe dos EUA na primeira rodada de negociação, em meados de abril, não ter viajado mostra que a missão de Kushner e Witkoff é mais prospectiva.

Divergências entre EUA e Irã

A notícia de uma nova reunião no Paquistão veio depois que o secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, afirmou que o bloqueio naval dos EUA a navios e portos iranianos continuaria “pelo tempo que for necessário”, para que o Irã aceitasse um acordo.

Os iranianos, no entanto, condicionaram a retomada das negociações ao levantamento do cerco.

Muitos pontos de atrito ainda persistem entre os dois lados, principalmente o controle do Estreito de Ormuz e o futuro do estoque de urânio enriquecido iraniano.

Outra questão sem solução é a exigência americana de que o regime abandone suas milícias aliadas no exterior: Hezbollah (Líbano), houthis (Iêmen), Hamas (Faixa de Gaza) e os grupos armados xiitas no Iraque.

EUA não renovarão isenções petrolíferas para Irã e Rússia

25 de Abril de 2026, 08:37

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta sexta-feira (24) que o país não planeja renovar uma isenção que permite a compra, sem sanções, de petróleo e derivados russos atualmente em trânsito marítimo.

Ele acrescentou que a renovação da isenção para o petróleo iraniano também está totalmente descartada.

“Não para os iranianos”, disse Bessent à Associated Press. “Temos o bloqueio, o petróleo não está saindo do Golfo Pérsico e acreditamos que, nos próximos dois ou três dias, eles terão que começar a fechar a produção, o que será muito ruim para seus poços de petróleo.”

Os Estados Unidos emitiram originalmente uma isenção para as vendas de petróleo e derivados russos em março, com o objetivo de estabilizar os mercados globais de energia após os preços do petróleo ultrapassarem os US$ 100 por barril.

O Departamento do Tesouro renovou a isenção dois dias depois de Bessent ter afirmado na Casa Branca que não pretendia estender o alívio de sanções. Bessent explicou sua mudança de posição anterior e descartou a possibilidade de renovar isenções de sanções tanto para a Rússia quanto para o Irã.

“Não imagino que haja outra prorrogação. Acho que o petróleo russo que está no mar já foi amplamente absorvido”, disse ele.

Nikolas chama Jair Renan de “toupeira cega” e amplia atrito com a família Bolsonaro

24 de Abril de 2026, 19:06
Nikolas Ferreira (PL-MG) foi o deputado federal mais votado do Brasil em 2022 (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

Após trocar críticas públicas com o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nas últimas semanas, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou a subir o tom contra os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro e chamou o vereador Jair Renan Bolsonaro (PL) de “toupeira cega” em meio a uma nova troca de ataques nas redes sociais.

A troca de farpas começou após o influenciador bolsonarista Junior Japa, seguido por Carlos Bolsonaro, ironizar Nikolas por um vídeo em que aparece divulgando ações em Minas Gerais com uma camiseta branca, diferente da preta que marcou seus conteúdos de oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva. Na publicação, ele sugeriu que o deputado teria “sentido” críticas e insinuou que estaria trocando apoio político por emendas, além de não se engajar na pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Nikolas reagiu afirmando que enviaria “emenda para internar” os críticos em um hospício. Após resposta irônica de Jair Renan — que usou um meme para insinuar que o deputado havia se incomodado —, o parlamentar publicou um print da conversa e escreveu que, “se juntar a capacidade cognitiva dessa dupla”, em referência ao vereador e ao influenciador, “não alcança a de uma toupeira cega”.

O episódio é mais um capítulo do desgaste entre Nikolas e o entorno da família Bolsonaro, que vem desde o início da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Nas últimas semanas, Eduardo Bolsonaro passou a criticá-lo publicamente pela falta de engajamento direto na campanha e de usar seu algoritmo contra a família.

O incômodo cresceu após aliados passarem a monitorar as redes do deputado e apontarem que ele cita pouco o nome de Flávio. A avaliação nesse grupo é que Nikolas evita colar sua imagem à candidatura para não dividir protagonismo dentro da direita.

Do lado do deputado, a leitura é outra. Ele tem dito que sua estratégia é falar para além da base bolsonarista e não apenas reforçar quem já está convencido. Em entrevista ao GLOBO, afirmou que sofre “ataques unilaterais” e criticou aliados que, segundo ele, “se acham mais Bolsonaro do que o próprio Bolsonaro”.

— Eu nunca fomentei nenhuma briga. A pergunta que tem que ser colocada é: o que eu já fiz? Porque uma briga são dois. Isso não é uma briga, é um ataque unilateral. Qual post meu eu tenho atacando filho, esposa ou o próprio Bolsonaro? Pelo contrário, eu sou extremamente leal às ideias que o Bolsonaro carrega. Ele mesmo, na última vez que nos encontramos, falou: “Fique em paz, estou contigo”. Mas infelizmente tem alguns que se acham mais Bolsonaro do que o próprio Bolsonaro.

Também disse que há gente que virou “expert em afastar pessoas” e defendeu que cada um tem um papel na campanha. Segundo ele, o seu é de “atacante”, tentando ampliar o alcance do discurso, enquanto outros ficam mais na mobilização da base.

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Além do Matte: como a Leão, aos 125 anos forma 100% dos líderes 'em casa' e zera custos de saúde

24 de Abril de 2026, 18:10

Poucas empresas no Brasil podem se dar ao luxo de dizer que atravessaram três séculos. A Leão, que celebra 125 anos em 2026, é uma dessas raras exceções. Mas, para Danielli Regina Correa Bortolamedi, Head de Desenvolvimento Organizacional, o segredo da longevidade não está apenas nas folhas de chá, mas no cuidado cirúrgico com quem as colhe e as embala.

Leia mais em: https://exame.com/carreira/alem-do-matte-como-a-leao-aos-125-anos-forma-100-dos-lideres-em-casa-e-zera-custos-de-saude/

Irã fará oferta para atender às exigências dos EUA, diz Trump

24 de Abril de 2026, 17:25

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse à Reuters nesta sexta-feira que o Irã planeja fazer uma oferta para atender às exigências norte-americanas, em meio à expectativa de retomada das negociações no Paquistão.

“Eles estão fazendo uma oferta e teremos que ver o que acontece”, disse Trump durante uma entrevista por telefone, acrescentando desconhecer qual seria a oferta.

Questionado sobre quem seriam os interlocutores dos EUA nas negociações, Trump disse: “Não quero dizer isso, mas estamos lidando com as pessoas que estão no comando agora.”

Trump planeja escalar os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner para conversas com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, em Islamabad, e a dupla partirá na manhã de sábado, disse a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, a jornalistas nesta sexta-feira.

A Reuters havia informado anteriormente que Araqchi era esperado na capital paquistanesa, Islamabad, nesta sexta-feira, para discutir propostas para a retomada das negociações de paz com os Estados Unidos.

Wall Street fecha sem direção única; Nasdaq e S&P 500 batem novos recordes

24 de Abril de 2026, 17:16

Os índices de Wall Street fecharam sem direção única nesta sexta-feira (24) à espera das negociações entre Estados Unidos e Irã no Paquistão. Mesmo assim, o Nasdaq e o S&P 500 bateram novos recordes, impulsionados pelas ações de tecnologia.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: -0,16%, aos 49.229,48 pontos;
  • S&P 500: +0,80%, aos 7.165,08 pontos – no maior nível nominal histórico;
  • Nasdaq: +1,63%, aos 24.836,59 pontos – no maior nível nominal histórico.

Na semana, os números também são mistos: o Dow Jones recuou 0,4%, enquanto S&P 500 subiu cerca de 0,6% e Nasdaq avançou 1,5%.

No fechamento, o VIX (CBOE Volatility Index), considerado um termômetro de risco dos mercados atrelado ao S&P 500, operava em queda de 3,57%, aos 18,62 pontos – o que é considerado como um “ambiente normal” no mercado.

Wall Street acompanha balanços e guerra

Os investidores acompanharam os desdobramentos da guerra entre Estados Unidos e Irã, com sinais de nova rodada de negociações neste fim de semana, e os balanços corporativos.

Durante a tarde, a Casa Branca anunciou a ida de Steve Witkoff e Jared Kushner ao Paquistão para negociações com o Irã trouxe certo alívio para os mercados. A operação dos EUA no país persa passou para a “fase diplomática”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.

Mais cedo, a agência de notícias Associated Press informou, segundo dois funcionários paquistaneses, que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, viaja para o Paquistão para negociações neste final de semana e deve chegar ainda nesta sexta-feira.

À Reuters, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o Irã planeja fazer uma oferta para atender às exigências norte-americanas, em meio à expectativa de retomada das negociações no Paquistão.

“Eles estão fazendo uma oferta e teremos que ver o que acontece”, disse Trump durante entrevista por telefone, acrescentando desconhecer qual seria a oferta.

O presidente dos EUA afirmou ainda “não querer dizer” quais são os interlocutores dos EUA nas negociações, mas que estão “lidando com pessoas que estão no comando agora”.

Apesar dos acenos diplomáticos, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou novas sanções contra o Irã, incluindo o congelamento de US$ 344 milhões em criptomoedas.

Em publicação no X, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que “continuará a degradar sistematicamente a capacidade de Teerã de gerar, movimentar e repatriar recursos”.

O S&P 500 subiu impulsionado pela disparada de 23% das ações da Intel, após balanço trimestral melhor do que o esperado pelo mercado.

Dados econômicos

No front econômico, a confiança do consumidor dos EUA caiu em abril para o menor nível da série, conforme a guerra com o Irã alimentou temores de inflação, mostrou uma pesquisa nesta sexta-feira.

A Pesquisa do Consumidor da Universidade de Michigan mostrou que seu Índice de Opinião do Consumidor caiu para uma leitura final de 49,8 neste mês, nível mais baixo já registrado para o dado mensal fechado.

Os economistas consultados pela Reuters haviam previsto o índice em 48,0. Ele estava em 53,3 em março.

*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo

Octaciano Neto: ‘A relação entre Faria Lima e o agronegócio não tem volta e vai dominar o financiamento’

22 de Abril de 2026, 12:38

A aproximação entre a Faria Lima e o agronegócio brasileiro ainda está nos primeiros passos, mas caminha para se tornar a principal via de financiamento do setor. Essa é a avaliação de Octaciano Neto, fundador da Zera.ag. e ex-diretor de agronegócio do Grupo Suno, que vê um processo de aprendizado mútuo entre investidores e produtores rurais — e sem retorno possível.

Segundo ele, o estágio atual ainda é inicial, com desafios relevantes dos dois lados. No campo, há uma clara necessidade de evolução em governança e gestão.

“Muitos produtores ainda operam com baixa disciplina financeira, misturando contas pessoais com as da fazenda ou adotando práticas pouco estruturadas” comenta, apesar de ressaltar que há um movimento consistente de amadurecimento em curso.

Do lado do mercado financeiro, o aprendizado também está longe de completo.

“A análise do agronegócio ainda é, muitas vezes, feita com as mesmas ferramentas utilizadas para setores tradicionais, como energia ou saneamento. O agro exige lentes próprias, capazes de capturar suas especificidades, riscos e dinâmicas produtivas”, completa.

As barreiras entre o campo e o mercado de capitais

Esse descompasso ajuda a explicar por que grandes gestoras ainda evitam o crédito direto ao produtor rural.

Seja por percepção de risco elevado ou pela falta de familiaridade com o setor, o fato é que o agro ainda não conta com um ecossistema financeiro tão completo quanto outros segmentos, como imobiliário e infraestrutura — onde já existem “one stop shops” capazes de atender diferentes perfis de risco e operações.

Além disso, há um desafio comercial: é mais simples para gestores captar recursos com teses padronizadas, focadas em empresas com balanços auditados e perfis mais previsíveis, do que apresentar ao investidor operações pulverizadas no campo, muitas vezes ligadas a culturas ou regiões específicas.

Ainda assim, Octaciano é categórico: a conexão está apenas começando, mas é irreversível. No longo prazo, ele não tem dúvidas de que o mercado de capitais será protagonista no financiamento da agricultura brasileira, consolidando uma ponte definitiva entre a Faria Lima e o campo.

O próximo desafio da construtora que entregou a “obra eterna” da Linha 17-Ouro do metrô

10 de Abril de 2026, 16:45

A Agis Construtora resolveu um problema de mobilidade urbana de mais de uma década em São Paulo: o fim da obra da Linha 17-Ouro, que faz conexão com o aeroporto de Congonhas. O primeiro prazo da obra era para a Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil. A construtora, que pertence ao empresário Eduardo […]

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Esse foi o aprendizado número 1 dessa executiva sobre IA: 'Sozinha, ela não faz nada'

7 de Abril de 2026, 17:46

Uma arquiteta de formação, com passagem por um dos maiores bancos do país, e uma inclinação para gestão de pessoas. A combinação, pouco usual, é o que guia a trajetória de Andrea Tiemi.

Leia mais em: https://exame.com/carreira/esse-foi-o-aprendizado-numero-1-dessa-executiva-sobre-ia-sozinha-ela-nao-faz-nada/

Wall Street fecha sem direção única com expectativa de um cessar-fogo no Oriente Médio

7 de Abril de 2026, 17:12

Os índices de Wall Street encerraram o pregão desta terça-feira (7) com a expectativa de um cessar-fogo no Oriente Médio após o Paquistão, mediador das negociações entre EUA e Irã, pedir o prolongamento do prazo de Trump.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: -0,18%, aos 46.584,46 pontos;
  • S&P 500: +0,08%, aos 6.616,85 pontos;
  • Nasdaq: +0,10%, aos 22.017,84 pontos.

O VIX (CBOE Volatility Index), considerado um termômetro de risco dos mercados atrelado ao S&P 500, encerrou aos 25,74 pontos (+6,41%). O número na faixa de 25 a 30 pontos indica “turbulência” no mercado.

Novas ameaças de Trump ao Irã

Hoje pela manhã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom e disse que “toda a civilização morrerá hoje à noite” se um acordo com o Irã não for firmado, em publicação na rede social Truth.

Apesar do tom, a pressão para um acordo com o Irã já havia se intensificado nos últimos dias. No domingo (5), Trump emitiu uma ameaça repleto de palavrões, alertando o Irã de que estaria “vivendo no inferno” se o Estreito de Ormuz não fosse reaberto até esta terça-feira às 21h (horário de Brasília).

Também nesta terça-feira, o vice-presidente norte-americano, JD Vance, afirmou que a guerra com o Irã será concluída “muito em breve” e indicou que Washington ainda espera avanços diplomáticos até o prazo final imposto pelo presidente Donald Trump, às 21h (de Brasília).

No início da tarde, o New York Times noticiou que o Irã suspendeu as negociações com os EUA e também informou ao Paquistão, mediador das tratativas entre os dois países, que não participará de mais conversas sobre um cessar-fogo.

Já na reta final do pregão, o Pasquistão pediu para Trump estender o prazo de tratativas por duas semanas.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, disse que os “os esforços diplomáticos para uma resolução pacífica da guerra em curso no Oriente Médio estão progredindo de forma constante, firme e eficaz, com potencial para alcançar resultados substanciais em um futuro próximo”, em publicação na rede social X.

Sharif ainda sugeriu que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz “como um gesto de boa vontade” nessas duas semanas, como parte do cumprimento de um cessar-fogo entre os dois países nesse intervalo.

*Com informações de Reuters

Guerra e eleição pesam e mercado revê inflação. Mas “gringos” colocam R$ 53 bilhões na B3

2 de Abril de 2026, 16:40

Anestesiado pelo ingresso de R$ 53,4 bilhões de investidores estrangeiros para aplicação em ações na B3 neste ano – melhor resultado trimestral desde 2022, quando, segundo a consultoria Elos Ayta, R$ 65,3 bilhões aportaram na bolsa – o mercado acompanha a estreia do Brasil em “novo” calendário, a partir de domingo, 5 de abril. No […]

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Trump diz que reunião dos EUA com o Irã para negociar acordo será sexta à noite

26 de Março de 2026, 19:59

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira, 26, que uma reunião do seu governo com o Irã para negociar um acordo de cessar-fogo acontecerá sexta à noite, em entrevista à Fox News, sem dar mais detalhes. Ele também reiterou que a prorrogação do prazo para o início das tratativas foi feita a pedido do país persa.

“O Irã veio até mim pedindo sete dias, e eu os dei 10 dias porque eles nos deram navios de petróleo”, disse Trump, em referência aos “presentes” que ele havia citado na quarta. “Militarmente, nós vencemos a guerra contra o Irã”, acrescentou.

Ao ser questionado, Trump ressaltou que a diferença desta guerra para outros conflitos travados por presidentes americanos é que seu governo garantiu a autossuficiência em energia, com uma forte produção doméstica e agora com a “parceria” de importações da Venezuela.

Segundo ele, neste cenário, os EUA não necessariamente precisam do Estreito de Ormuz liberado para consumo energético interno. “Estamos lá pelos nossos aliados. Os EUA hoje produzem mais petróleo do que Rússia e Arábia Saudita combinados”, disse.

O presidente americano disse que a ausência de protestos contra o regime no Irã se deve à forte repressão promovida pelo governo. Conforme Trump, a população estaria intimidada para ir às ruas após a onda de assassinatos, atribuída por ele ao regime violento, no contexto das manifestações contra o aumento do custo de vida e por mais liberdades civis.

Perguntado, o republicano comentou rumores de que o novo líder supremo do Irã, o aiatolá Motjaba Khamenei, seria gay. “A CIA me disse isso, e isso o colocaria em um péssimo começo nesse país. Lá eles matam os gays e matam as mulheres se não usarem certas vestes”, afirmou.

Sobre a falta de apoio do grupo MAGA, Trump disse ter 100% de apoio dos republicanos nos EUA. “Acredito que o MAGA esteja incluso dentro dessa classificação”, disse. “As pessoas do MAGA adoraram o que fizemos na Venezuela quando voltamos com 100 milhões de barris de petróleo”.

Hypera (HYPE3) aprova R$ 185 milhões em juros sobre capital próprio

26 de Março de 2026, 18:42

A Hypera (HYPE3) informou nesta quinta-feira (26) que o conselho de administração aprovou a distribuição de juros sobre capital próprio (JCP) de R$ 185 milhões, equivalente a R$ 0,26304 por ação, com retenção de imposto de renda na fonte.

Terão direito aos proventos os acionistas com posição em 31 de março de 2026, incluindo as ações emitidas no aumento de capital. A partir de 1º de abril de 2026, os papéis passam a ser negociados “ex-JCP”.

O valor líquido será imputado aos dividendos obrigatórios relativos ao exercício de 2026, a serem deliberados na assembleia geral de 2027. O pagamento ocorrerá até o fim de 2027, em data ainda a ser definida, sem atualização monetária.

A companhia também informou que foram subscritas todas as ações do aumento de capital aprovado anteriormente, somando R$ 1,5 bilhão. Com a homologação prevista para 31 de março de 2026, o capital social passará a R$ 11,2 bilhões, dividido em 704 milhões de ações ordinárias.

A farmacêutica teve lucro líquido de operações continuadas de cerca de R$ 450 milhões no quarto trimestre de 2025, ligeiramente acima do esperado pelo mercado, impulsionada por base de comparação mais fraca com um ano antes.

Sam Altman keeps changing the plan. The rest of us have to keep up.

26 de Março de 2026, 15:04
OpenAI CEO Sam Altman speaks at an event hosted by  BlackRock in Washington, DC, March 2026
OpenAI CEO Sam Altman has promised "a very high rate of change" at his company.

GIP

  • In October, Sam Altman said "erotica for adults" was coming to ChatGPT.
  • Now those plans are reportedly being mothballed.
  • It's fine for young startups and even mature companies to try out new ideas. But OpenAI and Altman are trying out a lot.

Last fall, Sam Altman told us he was about to bring spicy chat — "erotica for adults," in his words — to ChatGPT.

That never happened, and now it looks like it never will: Altman's OpenAI has put those plans on hold "indefinitely," per the Financial Times.

This is Altman's second big walkback in the last few days. Earlier this week, the company canned Sora, the briefly popular video app it rolled out last fall. I've asked the company for comment.

Both retreats are supposed to be part of a new push at OpenAI to focus the company's efforts on things that could make money today, as it preps for an IPO at the same time it faces real competition from the likes of Google and Anthropic.

So all this starting and stopping could be viewed as necessary growing pains at a fast-growing tech company — ones that won't mean anything in the long run, if it delivers on its world-changing ambitions.

Not only that, but Altman told us we should expect this sort of stuff. "Please expect a very high rate of change from us," he wrote last fall, after hearing from content owners who were outraged to find their stuff on Sora without their permission. "We will make some good decisions and some missteps, but we will take feedback and try to fix the missteps very quickly."

It's not that companies aren't allowed to make wrong turns and head up dead ends as they grow up, and even once they're fully mature. That kind of pivoting is celebrated in tech (and is why very few people are mad that Mark Zuckerberg has stopped telling us the metaverse is the future, or that Google once bought Motorola and decided that was a bad idea a couple years later.)

But "move fast and break things" lands differently when the company doing the moving and breaking isn't running a photo app or playing around with crypto.

Instead, OpenAI and its competitors say they're leading us into a world where everything — the way we live and work (or don't work) and fight wars and everything else — will change in fundamental ways.

And investors have bought this pitch, which means our economy now seems yoked to all this — which means all of us are yoked to it, even if we never touch a chatbot.

Which makes me slightly queasy to see Sam Altman promise dirty chats in October, and then walk away from the plan less than six months later.

Not because dirty chat is obviously absurd. Lots of people in AI think romantic or sexual chatbot conversations are a real use case and could be a real business.

But the reasons it might be a bad idea for OpenAI were pretty obvious from the start. It's a giant, heavily scrutinized company that wants to be treated as central and indispensable, and it's only going to get more scrutiny.

If those objections only became real after Altman floated the idea in public, that's not charming startup experimentation. It's a sign that OpenAI is still making itself up as it goes. And that would be easier to shrug off if the rest of us weren't already being told to build our lives, jobs, and businesses around what OpenAI says comes next.

Read the original article on Business Insider

Farewell, Sora. You were too beautiful and too stupid for this world.

25 de Março de 2026, 13:49
Sora app on Apple App Store
Sora was too good for this world. Now it's gone.

Samuel Boivin/NurPhoto via Getty Images

  • Goodbye, Sora!
  • I loved you at first — it was so much fun making silly videos of my friends.
  • After a few days, I got bored and moved on. Apparently so did everyone else.

Goodnight, sweet Sora. You were a wonderful tool for trolling my friends, but you burned too bright (and used too much compute) to stay around in this harsh world.

For a brief moment, I absolutely loved Sora. I loved making silly videos of my friends and me. I loved that I could use my friend's face to put them in ridiculous situations, like falling over while roller-skating at their desk, experiencing gastric distress, or singing in a ska band.

I was addicted to making these, churning them out, often starting a new one while waiting for the previous one to render, and sometimes hitting the hourly limit that OpenAI had to impose after some people (oops) were burning through all that free compute. I drained my phone battery by midday.

a video from sora of me and sam altman rollerskatong
A Sora-generated video of Sam Altman and me (in skinny jeans) rollerskating.

Sora 2

But a few days after its initial launch, the small handful of my friends and colleagues who had any interest in joining had already joined. None of my normal friends who didn't work in tech or media had any interest in this at all and found it fairly unpleasant.

Also, I couldn't help notice that on the feed of videos, there seemed to be very few women using the app, or at least allowing others to make videos featuring their likenesses. That makes sense; women's experience on the internet has rightfully informed them that it would be a very bad idea to allow strangers to make videos with your face. What I discovered was that Sora had a pervert problem: Although nudity or sexual content was banned, people were making non-nude fetish content like feet videos with random women's likenesses.

Now, OpenAI announced on Tuesday that it will be shutting down Sora, its stand-alone video generation app, and its deal with Disney is dead. An OpenAI spokesperson told Business Insider that the company is focusing its resources on other parts of the business. It seems that Sora was one of the "side quests" that was a distraction and a drain on compute.

Sora became a bore-a

Eventually, my friends all seemed to get bored with the app. As I do at most parties, I stuck around longer than everyone else, but eventually I, too, found that the novelty had worn off. I rarely opened the app after the second week.

This was, I imagine, a problem: making videos of yourself is fun, but watching videos that strangers make of themselves is not fun. The idea of a social feed of AI-generated videos is simply not something that people are interested in. Around the same time, Meta also tried this with an app of AI videos, and it was even more boring.

The last few years have taught us that humans — myself included — have a nearly endless capacity to watch an algorithmic feed of vertical short-form videos. However, it seems clear that this only applies to human-made content: videos of people putting on makeup, dancing in their kitchens, lip-syncing, debating, whatever. A social feed of AI video simply doesn't work.

I am not sure that OpenAI was truly trying to create a successful social video feed; it seems more likely that this was a small experimental effort that ran its course and they're moving on.

I'll miss Sora in the way I miss something like ChatRoulette or BeReal: It was really fun for a short time, and then not at all, and I have zero desire to ever revisit.

Rest in peace, Sora — and thanks for the stupid memories.

Read the original article on Business Insider

MCMV: novo teto de renda traz gás para Direcional (DIRR3) e outras ações do setor

25 de Março de 2026, 10:22

Nesta terça-feira, o Conselho do FGTS aprovou uma nova rodada de ajustes no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), com aumento dos limites de renda em todas as faixas, além da elevação do teto dos imóveis nas Faixas 3 e 4.

Em resumo, os limites de renda foram elevados para R$ 3.200 na Faixa 1 do Minha Casa Minha Vida (+12%), R$ 5.000 na Faixa 2 (+6%), R$ 9.600 na Faixa 3 (+12%) e R$ 13.000 na Faixa 4 (+8%). O valor máximo dos imóveis foi ampliado para até R$ 400 mil na Faixa 3 (+14%) e até R$ 600 mil na Faixa 4 (+20%).

Está previsto um aumento de R$ 500 milhões nos subsídios (para cerca de R$ 13 bilhões), além da possibilidade de uso mais amplo do Fundo Social, que poderá financiar também a Faixa 4 a partir do segundo semestre de 2026.

Como mudanças do Minha Casa, Minha Vida podem impactar as vendas de imóveis?

A expectativa é de impacto positivo nas vendas do setor. Com mais famílias elegíveis e maior capacidade de financiamento, a tendência é de continuidade da demanda por imóveis e, consequentemente, as construtoras podem dar andamento ao forte ritmo de lançamentos dos últimos períodos.

De modo geral, as mudanças já eram antecipadas pelo mercado, mas reforçam uma leitura positiva para o setor de habitação popular.

O cenário é favorável para construtoras com maior exposição ao segmento de baixa renda, que se beneficiam diretamente do aumento do público atendido, e para aquelas com atuação nas faixas intermediárias, onde o ganho de poder de compra foi relevante.

Entre as nossas preferências, destacamos o efeito positivo para a Direcional (DIRR3), que está bem posicionada nessas frentes e oferece ponto de entrada interessante após correção recente nas ações.

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Governo brasileiro destinará até R$ 70 milhões para apoiar produtores de arroz

24 de Março de 2026, 16:20

O governo brasileiro destinará até R$ 70 milhões para programas de subvenção visando apoiar produtores de arroz que lidam com preços baixos do cereal, de acordo com nota do Ministério da Agricultura.

A subvenção será operacionalizada por meio do pagamento do Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural ou sua Cooperativa (Pepro) e do Prêmio para o Escoamento de Produto (PEP), ofertados em leilões públicos a serem realizados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O Pepro visa complementar o valor recebido pela venda de um produto, de modo que ele atinja o valor do preço mínimo estabelecido pelo governo.

No caso do PEP, o comprador do arroz — uma usina de beneficiamento ou um comerciante de cereais — arremata o prêmio em leilão e paga o preço mínimo ao produtor rural.

Segundo publicação no Diário Oficial da União, o programa valerá para o arroz em casca da safra 2025/26.

Alta da gasolina e guerra no Irã levam aprovação de Trump a nível mais baixo desde retorno à Casa Branca

24 de Março de 2026, 15:28

O índice de aprovação do presidente norte-americano, Donald Trump, caiu nos últimos dias para o seu ponto mais baixo desde que ele retornou à Casa Branca, atingido por um aumento nos preços dos combustíveis e pela desaprovação generalizada da guerra que ele lançou contra o Irã, segundo uma pesquisa Reuters/Ipsos.

A pesquisa de quatro dias, encerrada na segunda-feira (23), mostrou que 36% dos norte-americanos aprovam o desempenho de Trump no trabalho, abaixo dos 40% de uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada na semana passada.

A opinião dos norte-americanos sobre Trump piorou significativamente em relação à sua administração sobre o custo de vida, já que os preços da gasolina subiram desde que os EUA e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irã em 28 de fevereiro.

Apenas 25% dos entrevistados aprovavam a maneira como Trump tem lidado com o custo de vida, uma questão que esteve no centro de sua campanha para a eleição presidencial de 2024.

A posição de Trump dentro do Partido Republicano continua majoritariamente forte. Apenas cerca de um em cada cinco republicanos disse desaprovar seu desempenho geral na Casa Branca, em comparação com cerca de um em cada sete na semana passada.

Mas a parcela de republicanos que desaprovam a maneira como ele lida com o custo de vida aumentou de 27%, na semana passada, para 34%.

O índice de aprovação de Trump era de 47% nos primeiros dias de seu mandato, e, desde o verão passado, vinha se mantendo em torno de 40%.

Preocupações com a guerra

A guerra contra o Irã pode estar mudando isso para um presidente que assumiu o cargo prometendo evitar “guerras estúpidas”.

A pesquisa revelou que 35% dos norte-americanos aprovam os ataques dos EUA ao Irã, abaixo dos 37% de uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada na semana passada. Cerca de 61% desaprovaram os ataques, em comparação com 59% na semana passada.

As pesquisas anteriores Reuters/Ipsos foram realizadas logo após os primeiros ataques norte-americanos e israelenses, quando muitos norte-americanos ainda estavam se informando sobre a situação, e os entrevistados tinham a opção de dizer que não tinham certeza de suas opiniões.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos de 28 de fevereiro a 1º de março revelou que 27% aprovavam os ataques, 43% desaprovavam e 29% não tinham certeza.

As pesquisas mais recentes não dão a opção de não ter certeza, embora 5% dos entrevistados da última pesquisa tenham se recusado a responder à pergunta sobre sua opinião a respeito da guerra.

Houve poucos sinais de que o declínio da popularidade de Trump também estivesse prejudicando seus aliados republicanos que buscam manter o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato em novembro.

Cerca de 38% dos eleitores registrados na pesquisa Reuters/Ipsos disseram que os republicanos são os melhores administradores da economia dos EUA, em comparação com 34% que escolheram os democratas para essa questão.

A pesquisa, que foi realizada on-line e em todo o país, reuniu respostas de 1.272 adultos norte-americanos e tem uma margem de erro de 3 pontos percentuais.

Por que o excesso de autopromoção no LinkedIn pode prejudicar a evolução profissional

24 de Março de 2026, 15:09

Abrir o LinkedIn é se deparar com uma vitrine profissional, anúncios de novas promoções, fotos de palestras lotadas e frases de efeito sobre alta performance. Nas redes, a 'embalagem' profissional parece valer mais do que o conteúdo e a pressão para parecer bem-sucedido antes mesmo de colher os primeiros resultados se tornou a norma.

Leia mais em: https://exame.com/carreira/por-que-o-excesso-de-autopromocao-no-linkedin-pode-prejudicar-a-evolucao-profissional/

Petróleo em alta testa ganhos de Vibra, Ipiranga e Raízen com repressão a combustível ilegal

24 de Março de 2026, 06:00

A disparada de mais de 30% no preço do petróleo desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã já começa a chegar com força ao Brasil – e voltou a colocar Vibra, Ipiranga e Raízen, as principais distribuidoras de combustíveis do país, sob pressão, após meses de relativa calmaria.

Desde o início da Guerra do Irã no fim de fevereiro, o preço médio do diesel subiu cerca de 19% no país, enquanto a gasolina avançou mais de 5%, segundo dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

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O movimento reacendeu temores de impacto na inflação e levou o governo federal a agir, com medidas como a zeragem de tributos sobre o diesel e o reforço na fiscalização para conter repasses considerados abusivos, com multas que podem chegar a R$ 500 milhões.

Mas, para além da pressão estatal sobre os preços, o setor vê um outro risco emergir: o de que soluções de emergência para garantir o abastecimento acabem reabrindo espaço para práticas ilegais na cadeia de combustíveis, como permitir o funcionamento de refinarias que operam sob ilegalidade.

Para as distribuidoras, o cenário representa uma reversão brusca após um período de melhora operacional – ainda que o setor chegue a esse momento com alguma “gordura” para absorver parte da pressão.

Em meio a esse ambiente mais adverso, Vibra, Ipiranga e Raízen passaram a capturar um ganho que por anos parecia fora de alcance: aumento simultâneo de margens, volumes e participação de mercado.

Segundo as próprias empresas, todas de capital aberto na bolsa brasileira, o motor dessa mudança não esteve na demanda, mas no ambiente competitivo, marcado pelo avanço do combate ao mercado ilegal na cadeia de combustíveis – simbolizado especialmente pela Operação Carbono Oculto, que revelou a ligação do crime organizado com a distribuição de combustíveis e o mercado financeiro quando deflagrada em agosto de 2025.

Esse é um movimento que agora passa a ser testado pela volatilidade das cotações do petróleo.

Margem melhorou

A melhora operacional, agora em risco, aparece no principal indicador do setor: a margem por metro cúbico. No caso da Vibra, responsável pelos postos com a marca Petrobras, o indicador subiu 73,4% no quarto trimestre de 2025 na comparação com igual período do ano anterior, para R$ 251 por metro cúbico.

A analistas de mercado, o CEO Ernesto Pousada disse que “2025 foi um ano de inflexão […] muito pelas ações que nós vimos da Carbono Oculto e de todas as ações contra as irregularidades”. Ao mesmo tempo, a Vibra voltou a crescer em volume, com alta de 5% no quarto trimestre, e ampliou sua participação de mercado para 24,5%.

Outro efeito do ambiente de combate à venda ilegal foi o recorde de embandeiramento de postos – quando estabelecimentos independentes passam a operar sob a bandeira de uma grande distribuidora. Com a força da marca Petrobras, a Vibra adicionou 404 novos postos no período, o que levou a rede para cerca de 7,5 mil unidades no país.

Agora, com a escalada dos preços de combustíveis, essa melhora operacional passa a ser colocada à prova. Em entrevista à CNN Brasil na semana passada, Pousada afirmou que o setor enfrenta um choque externo sem precedentes recentes, com impactos diretos sobre custos e abastecimento.

“Estamos à beira de uma crise energética global”, disse o executivo, ao comentar os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a cadeia de suprimento. Como o Brasil depende de importações para cerca de 30% do diesel consumido, a pressão acaba sendo inevitável.

Ao mesmo tempo, o aumento da importação em caráter emergencial eleva os custos logísticos, pois exige mais transporte, armazenamento e frete. “Você mobiliza toda uma cadeia que aumenta exponencialmente o seu custo”, afirmou.

Na prática, o choque de custos reduz o espaço de manobra das distribuidoras. Segundo o CEO da Vibra, o diesel importado já chega ao Brasil até R$ 2,50 por litro mais caro do que o produto doméstico, enquanto a subvenção anunciada pelo governo cubra apenas cerca de R$ 0,30 dessa diferença.

Com a distribuição representando apenas cerca de 5% do preço final dos combustíveis, ainda de acordo com Pousada, o espaço para absorver esses custos sem repasse é limitado – o que coloca à prova o patamar de margens conquistado nos últimos trimestres.

Efeito Carbono Oculto

Para o Instituto Combustível Legal (ICL), que representa as principais empresas do setor, a melhora recente dos resultados está diretamente ligada à redução de práticas históricas de fraude, como sonegação fiscal e comercialização irregular de combustíveis – alvo de operações como Carbono Oculto, Poço de Lobato e Tank.

“O que estamos vendo agora é um mercado mais equilibrado, em que o preço começa a refletir o custo real”, afirmou Emerson Kapaz, presidente do ICL, em entrevista ao InvestNews, em referência ao quadro sem levar em conta as pressões com o encarecimento do petróleo.

Essas distorções da venda irregular permitiam que parte dos agentes operasse com custos artificialmente mais baixos, o que pressiona toda a cadeia formal. “Quando você combate o ilegal, você devolve competitividade para quem paga imposto”, prossegue Kapaz.

Na Ultrapar, dona da Ipiranga, os efeitos também já aparecem nos números. A receita subiu 5% em 2025, para R$ 127,6 bilhões, enquanto a margem recorrente avançou 2%, para R$ 145 por metro cúbico.

O CEO do grupo, Rodrigo Pizzinatto, atribuiu o resultado “ao início da recuperação do mercado após a intensificação das medidas de combate às irregularidades” e afirmou que o setor voltou a operar com margens mais saudáveis.

Ao mesmo tempo, a melhora do ambiente competitivo começou a atrair o interesse de investidores estratégicos. A gigante americana Chevron negocia a compra de uma fatia de cerca de 30% da Ipiranga junto à Ultrapar. “O interesse de empresas como a Chevron ajuda a chancelar a melhora que o mercado vem passando”, afirmou Kapaz.

Até mesmo na Raízen, que atravessa um delicado processo de reestruturação financeira com cerca de R$ 65 bilhões em dívidas na maior recuperação extrajudicial da história do país, a melhora operacional foi uma das poucas notícias positivas recentes.

A joint venture entre Cosan e Shell informou que sua divisão de distribuição registrou crescimento de 50% no Ebitda no terceiro trimestre da safra 2025/26 na comparação anual, impulsionado por aumento simultâneo de volumes e margens. No período, a rentabilidade por metro cúbico cresceu 35,2%, para R$ 215, enquanto o volume vendido avançou 11,6%.

Apesar dos avanços, o próprio ICL alerta que o cenário atual de alta de preços e risco de desabastecimento pode reabrir espaço para a atuação de agentes irregulares.

Segundo o instituto, mecanismos criados pelo governo federal para ampliar a oferta de combustíveis podem ser utilizados de forma oportunista por sonegadores e devedores contumazes.

Esse risco já começa a aparecer no radar do mercado.

Com a possibilidade de escassez de diesel, a Refit, refinaria ligada ao empresário Ricardo Magro, estaria em fase de estudo para retomar suas operações no Rio de Janeiro, aproveitando instrumentos como a subvenção ao combustível, de acordo com Lauro Jardim, de O Globo.

Em outras oportunidades, a Refit alegou que seus débitos tributários etão sendo questionados na Justiça e que esses procedimentos são normais para qualquer empresa do setor. Também afirma sofrer perseguições de outros concorrentes.

Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL)
Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL) (Divulgação)

A unidade está atualmente interditada pela ANP, após apontamentos relacionados a irregularidades operacionais e riscos de segurança.

Para o ICL, a preocupação é que soluções emergenciais possam abrir brechas para a rearticulação de agentes que, no passado, já foram associados a distorções concorrenciais e práticas irregulares.

“Abrir espaço para agentes com histórico de irregularidades não é solução; é retrocesso”, afirmou Emerson Kapaz, do ICL, que defende fiscalização rigorosa e maior controle sobre a origem e a movimentação dos combustíveis.

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Petróleo em alta testa ganhos de Vibra, Ipiranga e Raízen com repressão a combustível ilegal

24 de Março de 2026, 06:00

A disparada de mais de 30% no preço do petróleo desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã já começa a chegar com força ao Brasil – e voltou a colocar Vibra, Ipiranga e Raízen, as principais distribuidoras de combustíveis do país, sob pressão, após meses de relativa calmaria.

Desde o início da Guerra do Irã no fim de fevereiro, o preço médio do diesel subiu cerca de 19% no país, enquanto a gasolina avançou mais de 5%, segundo dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

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O movimento reacendeu temores de impacto na inflação e levou o governo federal a agir, com medidas como a zeragem de tributos sobre o diesel e o reforço na fiscalização para conter repasses considerados abusivos, com multas que podem chegar a R$ 500 milhões.

Mas, para além da pressão estatal sobre os preços, o setor vê um outro risco emergir: o de que soluções de emergência para garantir o abastecimento acabem reabrindo espaço para práticas ilegais na cadeia de combustíveis, como permitir o funcionamento de refinarias que operam sob ilegalidade.

Para as distribuidoras, o cenário representa uma reversão brusca após um período de melhora operacional – ainda que o setor chegue a esse momento com alguma “gordura” para absorver parte da pressão.

Em meio a esse ambiente mais adverso, Vibra, Ipiranga e Raízen passaram a capturar um ganho que por anos parecia fora de alcance: aumento simultâneo de margens, volumes e participação de mercado.

Segundo as próprias empresas, todas de capital aberto na bolsa brasileira, o motor dessa mudança não esteve na demanda, mas no ambiente competitivo, marcado pelo avanço do combate ao mercado ilegal na cadeia de combustíveis – simbolizado especialmente pela Operação Carbono Oculto, que revelou a ligação do crime organizado com a distribuição de combustíveis e o mercado financeiro quando deflagrada em agosto de 2025.

Esse é um movimento que agora passa a ser testado pela volatilidade das cotações do petróleo.

Margem melhorou

A melhora operacional, agora em risco, aparece no principal indicador do setor: a margem por metro cúbico. No caso da Vibra, responsável pelos postos com a marca Petrobras, o indicador subiu 73,4% no quarto trimestre de 2025 na comparação com igual período do ano anterior, para R$ 251 por metro cúbico.

A analistas de mercado, o CEO Ernesto Pousada disse que “2025 foi um ano de inflexão […] muito pelas ações que nós vimos da Carbono Oculto e de todas as ações contra as irregularidades”. Ao mesmo tempo, a Vibra voltou a crescer em volume, com alta de 5% no quarto trimestre, e ampliou sua participação de mercado para 24,5%.

Outro efeito do ambiente de combate à venda ilegal foi o recorde de embandeiramento de postos – quando estabelecimentos independentes passam a operar sob a bandeira de uma grande distribuidora. Com a força da marca Petrobras, a Vibra adicionou 404 novos postos no período, o que levou a rede para cerca de 7,5 mil unidades no país.

Agora, com a escalada dos preços de combustíveis, essa melhora operacional passa a ser colocada à prova. Em entrevista à CNN Brasil na semana passada, Pousada afirmou que o setor enfrenta um choque externo sem precedentes recentes, com impactos diretos sobre custos e abastecimento.

“Estamos à beira de uma crise energética global”, disse o executivo, ao comentar os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a cadeia de suprimento. Como o Brasil depende de importações para cerca de 30% do diesel consumido, a pressão acaba sendo inevitável.

Ao mesmo tempo, o aumento da importação em caráter emergencial eleva os custos logísticos, pois exige mais transporte, armazenamento e frete. “Você mobiliza toda uma cadeia que aumenta exponencialmente o seu custo”, afirmou.

Na prática, o choque de custos reduz o espaço de manobra das distribuidoras. Segundo o CEO da Vibra, o diesel importado já chega ao Brasil até R$ 2,50 por litro mais caro do que o produto doméstico, enquanto a subvenção anunciada pelo governo cubra apenas cerca de R$ 0,30 dessa diferença.

Com a distribuição representando apenas cerca de 5% do preço final dos combustíveis, ainda de acordo com Pousada, o espaço para absorver esses custos sem repasse é limitado – o que coloca à prova o patamar de margens conquistado nos últimos trimestres.

Efeito Carbono Oculto

Para o Instituto Combustível Legal (ICL), que representa as principais empresas do setor, a melhora recente dos resultados está diretamente ligada à redução de práticas históricas de fraude, como sonegação fiscal e comercialização irregular de combustíveis – alvo de operações como Carbono Oculto, Poço de Lobato e Tank.

“O que estamos vendo agora é um mercado mais equilibrado, em que o preço começa a refletir o custo real”, afirmou Emerson Kapaz, presidente do ICL, em entrevista ao InvestNews, em referência ao quadro sem levar em conta as pressões com o encarecimento do petróleo.

Essas distorções da venda irregular permitiam que parte dos agentes operasse com custos artificialmente mais baixos, o que pressiona toda a cadeia formal. “Quando você combate o ilegal, você devolve competitividade para quem paga imposto”, prossegue Kapaz.

Na Ultrapar, dona da Ipiranga, os efeitos também já aparecem nos números. A receita subiu 5% em 2025, para R$ 127,6 bilhões, enquanto a margem recorrente avançou 2%, para R$ 145 por metro cúbico.

O CEO do grupo, Rodrigo Pizzinatto, atribuiu o resultado “ao início da recuperação do mercado após a intensificação das medidas de combate às irregularidades” e afirmou que o setor voltou a operar com margens mais saudáveis.

Ao mesmo tempo, a melhora do ambiente competitivo começou a atrair o interesse de investidores estratégicos. A gigante americana Chevron negocia a compra de uma fatia de cerca de 30% da Ipiranga junto à Ultrapar. “O interesse de empresas como a Chevron ajuda a chancelar a melhora que o mercado vem passando”, afirmou Kapaz.

Até mesmo na Raízen, que atravessa um delicado processo de reestruturação financeira com cerca de R$ 65 bilhões em dívidas na maior recuperação extrajudicial da história do país, a melhora operacional foi uma das poucas notícias positivas recentes.

A joint venture entre Cosan e Shell informou que sua divisão de distribuição registrou crescimento de 50% no Ebitda no terceiro trimestre da safra 2025/26 na comparação anual, impulsionado por aumento simultâneo de volumes e margens. No período, a rentabilidade por metro cúbico cresceu 35,2%, para R$ 215, enquanto o volume vendido avançou 11,6%.

Apesar dos avanços, o próprio ICL alerta que o cenário atual de alta de preços e risco de desabastecimento pode reabrir espaço para a atuação de agentes irregulares.

Segundo o instituto, mecanismos criados pelo governo federal para ampliar a oferta de combustíveis podem ser utilizados de forma oportunista por sonegadores e devedores contumazes.

Esse risco já começa a aparecer no radar do mercado.

Com a possibilidade de escassez de diesel, a Refit, refinaria ligada ao empresário Ricardo Magro, estaria em fase de estudo para retomar suas operações no Rio de Janeiro, aproveitando instrumentos como a subvenção ao combustível, de acordo com Lauro Jardim, de O Globo.

Em outras oportunidades, a Refit alegou que seus débitos tributários etão sendo questionados na Justiça e que esses procedimentos são normais para qualquer empresa do setor. Também afirma sofrer perseguições de outros concorrentes.

Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL)
Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL) (Divulgação)

A unidade está atualmente interditada pela ANP, após apontamentos relacionados a irregularidades operacionais e riscos de segurança.

Para o ICL, a preocupação é que soluções emergenciais possam abrir brechas para a rearticulação de agentes que, no passado, já foram associados a distorções concorrenciais e práticas irregulares.

“Abrir espaço para agentes com histórico de irregularidades não é solução; é retrocesso”, afirmou Emerson Kapaz, do ICL, que defende fiscalização rigorosa e maior controle sobre a origem e a movimentação dos combustíveis.

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Fluxo estrangeiro na Bolsa desacelera com guerra, mas não vai parar: ‘Mudança que veio para ficar’, diz UBS BB

23 de Março de 2026, 06:00

O conflito entre Estados Unidos e Israel e o Irã pode causar uma aversão a risco entre investidores estrangeiros, que poderia parar o forte fluxo na Bolsa brasileira. Embora ainda não seja isso o que está acontecendo, já é possível observar uma desaceleração: enquanto em janeiro houve a entrada de R$ 26 bilhões, em fevereiro foram R$ 16 bilhões e, em março até agora, R$ 4,6 bilhões.

Para Marcelo Okura, codiretor de mercados globais para a América Latina do UBS BB, o Brasil está muito bem posicionado para continuar a receber aportes de investidores estrangeiros por causa de características como ativos baratos, liquidez, governança e expectativa de juros mais baixos, que tende a valorizar a Bolsa de Valores. “O País é menos afetado em questões geopolíticas. Sigo cautelosamente otimista com o fluxo estrangeiro“, afirma.

No acumulado de 2026, o fluxo de capital externo está positivo em R$ 46,3 bilhões, algo que surpreendeu todo o mercado, diz Okura. Em 2025 inteiro foi registrada entrada de R$ 25 bilhões no mercado financeiro brasileiro. A expectativa de Okura para o final de 2026 é que o volume represente mais do que o dobro do ano passado.

Veja abaixo a entrevista completa do executivo para o E-Investidor.

E-Investidor – A guerra pode interromper o fluxo de capital estrangeiro para o país?

Marcelo Okura – Chegamos a março com fluxo meio de lado por conta da incerteza dos efeitos da guerra no Oriente Médio em toda a economia global, inclusive a brasileira. Os investidores analisam como o choque do petróleo tem impacto sobre tudo. Os juros caíram menos no Brasil por conta dessa falta de visibilidade e há uma desaceleração do movimento, mas não acredito que ele será interrompido a não ser que a guerra se prolongue por muito tempo.

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É um cenário que obviamente deixa os investidores globais mais cautelosos, mas é mais um slowdown do que uma reversão de pensamento. Por agora ele para de comprar até ter cenário mais claro em relação à guerra.

Temos de lembrar que somos um país exportador de petróleo, o que impacta a Petrobras (PETR3; PETR4) de forma positiva: ela poderá vender seu produto mais caro e distribuir mais dividendos. A inflação, que pode trazer problemas para a economia, está controlada no momento.

Por fim, estamos afastados do conflito geopolítico, inclusive geograficamente. Outros emergentes acabam tendo muito mais problemas com a guerra, como a China (o Irã era um exportador de petróleo para o país). Se houver um cessar fogo, a tendência é o mercado e o fluxo subirem rapidamente.

O fluxo estrangeiro ainda está mais forte neste ano do que em 2025. Esse movimento é tático ou estrutural, na visão do UBS BB?

O que motiva este fluxo? Há um movimento de rotação em curso: os principais fundos estrangeiros e investidores estão diminuindo sua posição nos Estados Unidos para realocar em emergentes. E o Brasil foi beneficiado por essa reorganização dos investimentos dos gringos.

O primeiro motivo para isso são as políticas malucas e intervenções sucessivas que criam muita instabilidade na economia norte-americana e enfraquecem o dólar. Neste cenário, o Brasil fica mais atrativo, pois os preços de seus ativos são considerados baratos em relação a bolsas de outras geografias.

O segundo motivo é que o Brasil é um país muito líquido dentro da América Latina. Se um investidor deseja se posicionar no continente, ele prefere o Brasil porque o mercado financeiro de outros lugares é muito pequeno. Na Argentina, por exemplo, o mercado é minúsculo.

Já do ponto de vista de governança o Brasil também é visto como um país funcional. Tivemos dois ex-presidentes que foram presos e isso ajuda a mostrar que as instituições funcionam até mesmo com ex-mandatários. É bem verdade que tivemos casos como o do Banco Master, mas mostramos que não há uma ruptura das instituições. Não existe o risco de impedir que o dinheiro estrangeiro saia do País, controle que pode ocorrer em outros países.

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Por fim, o último fator diz respeito à expectativa de juros decrescentes, que torna os ativos mais atrativos.

Por todas essas razões, mesmo com a eclosão do conflito, não acreditamos que esse dinheiro seja oportunista. É um fluxo que só deve se reverter se os EUA voltarem a ser encarados como um porto seguro, o que não parece que irá acontecer enquanto Donald Trump continuar na presidência dos EUA.

O estrangeiro já responde por mais de 60% do fluxo para a Bolsa no Brasil. Em 2021, era pouco mais de 40%. O gringo não pensa que irá comprar agora e daqui dois meses, se situação piorar, venderá tudo. Há realmente uma mudança na percepção de investimento que veio para ficar. Mas depende que não haja ruptura em nossas instituições. Sob condições normais, esse dinheiro fica.

Quem são esses investidores?

A grande maioria, cerca de 80%, são fundos passivos, o que os torna muito ligados ao momento macroeconômico. Se a alta do petróleo interromper a queda de juros, esse tipo de fundo pode reduzir sua posição. Mas o que irá mantê-lo por aqui será a rotação de investimentos para fora dos EUA. Também fazem parte do movimento alguns fundos long only (comprados) e até quantitativos, mas mais no final do ano passado do que em 2026. Ou seja, não são o principal motivo para o movimento neste ano.

Como os fundos gringos são muito grandes, qualquer movimento mínimo que faz tem um grande impacto na nossa Bolsa.

Quais setores da Bolsa brasileira hoje concentram a maior parte do interesse estrangeiro?

O maior volume vai para ações da Petrobras e da Vale (VALE3), seguida por Prio (PRIO3), Itaú (ITUB3; ITUB4) e Axia (AXIA3).

A eleição presidencial pode impactar o movimento de alguma forma?

O mercado vê essa eleição de uma forma binária: um candidato fará o ajuste fiscal e outro não. Mas os estrangeiros são mais pragmáticos, eles acreditam que se o governo se reeleger saberá como está e como será. É um olhar mais suave, que considera que será o quarto mandato de um governo que já sabem como funciona. Não é uma surpresa.

Porém, se for eleito um governo com compromisso fiscal mais responsável, pode ser que os preços dos ativos mudem de patamar. Se acha que estão baratos, vão lá e compram. Ou seja, se houver algum movimento, é do nível atual para cima.

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Ameaça de Trump sobre Irã deve gerar aversão a risco e favorecer dólar, diz Michael Brown

23 de Março de 2026, 05:35

Os mercados globais estão se preparando para um início de semana avesso ao risco, diz o estrategista sênior de Pesquisa da Pepperstone, Michael Brown.

Os traders enfrentam um evento de risco significativo com o prazo de 48 horas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para reabrir o Estreito de Ormuz, afirma ele.

Isso manterá os investidores em alerta, sustentando a demanda por refúgios como o dólar americano, diz Brown. O risco de retaliação do Irã também preocupa os traders.

É impossível precificar um caminho concreto sobre como tudo isso evoluirá, então a preservação de capital provavelmente será a prioridade, afirma Brown.

Bessent, do Tesouro, diz que EUA têm “dinheiro de sobra” para guerra contra Irã

23 de Março de 2026, 05:05

O governo dos Estados Unidos tem “dinheiro de sobra” para financiar a guerra contra o Irã, mas está solicitando financiamento suplementar do Congresso para garantir que as Forças Armadas estejam bem abastecidas no futuro, disse o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, neste domingo (22).

Bessent, falando no programa “Meet the Press” da NBC News, também descartou aumentar impostos para financiar a guerra.

O pedido das Forças Armadas dos EUA de US$ 200 bilhões em financiamento adicional para a guerra no Irã enfrenta forte oposição no Congresso, com democratas e até mesmo alguns republicanos questionando a necessidade após grandes verbas para defesa no ano passado.

Bessent defendeu o pedido sem confirmar o valor.

O presidente Donald Trump ainda não enviou uma solicitação para que Senado e Câmara dos Deputados aprovem a quantia e seu governo deixou claro que o número pode mudar.

“Temos dinheiro de sobra para financiar essa guerra”, afirmou Bessent. “Isso é suplementar. O presidente Trump fortaleceu as Forças Armadas, como fez em seu primeiro mandato, como está fazendo agora em seu segundo mandato, e quer garantir que as Forças Armadas estejam bem supridas no futuro.”

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse na semana passada que o dinheiro extra era necessário “para garantir que estejamos adequadamente financiados para o que foi feito e para o que talvez tenhamos que fazer no futuro”.

As primeiras indicações sugerem que a guerra será a mais cara para os EUA desde os longos conflitos no Iraque e no Afeganistão. Autoridades do governo disseram aos parlamentares que os primeiros seis dias da guerra contra o Irã custaram mais de US$ 11 bilhões.

Lula afirma que Conselho de Segurança da ONU tem sido omisso na busca por soluções de conflitos

23 de Março de 2026, 04:48

Lula iniciou o discurso na sessão especial da 15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro (COP15) de Espécies Migratórias da ONU, em Campo Grande (MS), dizendo que o evento faz todos lembrarem que migrar é natural.

“A natureza não conhece limites entre Estados. A onça-pintada movimenta-se por quase todo o território preservado das Américas em busca de áreas para caçar e se reproduzir com segurança. Como ela, todos os anos, milhões de aves, mamíferos, répteis, peixes e até insetos atravessam continentes e oceanos”, exemplificou.

“Esta COP15 ocorre em um momento de grandes tensões geopolíticas. Ações unilaterais, atentados à soberania e execuções sumárias estão se tornando regra”, criticou, sem mencionar países.

Ele lembrou que, nos seus 80 anos, a ONU teve atuação importante nos processos de descolonização, na proibição de armas químicas e biológicas, na recomposição da camada de ozônio, na erradicação da varíola e na afirmação dos direitos humanos e no amparo aos refugiados e imigrantes.

“Mas o Conselho de Segurança tem sido omisso na busca por soluções de conflitos”, criticou.

O titular do Palácio do Planalto seguiu dizendo que “um mundo sem regras é um mundo inseguro, onde qualquer um pode ser a próxima vítima”. Por fim, ele defendeu, como vem fazendo em eventos internacionais, o multilateralismo.

“A história da humanidade também é uma história de migrações, deslocamentos, vínculos e conexões. No lugar de muros e discursos de ódio, precisamos de política de acolhimento e de um multilateralismo forte e renovado. Que esta COP 15 seja um espaço de avanços coletivos em defesa da natureza e da humanidade”, finalizou.

Este foi o segundo discurso do presidente da República neste fim de semana crítico à ONU. No sábado, 21, ao participar do Fórum Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac)-África, realizado em Bogotá, na Colômbia, Lula se disse “indignado com a passividade dos membros do Conselho de Segurança” da ONU por não serem capazes de acabar com as guerras.

“O que estamos assistindo no mundo da falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas. O Conselho de Segurança da ONU e seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz (nesse momento, Lula bateu na mesa). E são eles que estão fazendo as guerras! E quando é que vamos tomar atitudes para não permitir que países mais poderosos se achem donos dos países mais frágeis?”, questionou o presidente.

COP15

A 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS) é realizada pela primeira vez no Brasil, em Campo Grande (MS), de 23 a 29 de março de 2026. O Brasil exerce a presidência da conferência pela primeira vez.

Acompanharam o presidente na sessão de abertura os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira; de Minas e Energia, Alexandre Silveira; e as ministras do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva; e do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet. Também estava presente o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), além de outras autoridades locais.

Antes da sessão, Lula teve reunião bilateral com o presidente do Paraguai, Santiago Peña, que também participou na sessão. Diferente de Lula, Peña não teceu comentários sobre política internacional.

Passagens aéreas vão ficar mais caras em 2026 com a guerra no Irã? Veja se vale antecipar a compra

21 de Março de 2026, 05:30

O conflito no Oriente Médio, que já completa três semanas, abala os preços das passagens aéreas, diante da alta do custo do combustível de aviação. No centro das atenções, está o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

A commodity tem disparado desde o início da guerra. Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio chegou ao patamar de US$ 94,74 por barril na sexta-feira (20), atingindo uma valorização de 46,74% apenas em março. Já o Brent para o mesmo mês subiu alcançou o nível de US$ 112,19 por barril, na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), com alta de 53,67% em março.

“Quando o petróleo sobe, o preço do combustível de aviação avança quase que instantaneamente. Além disso, por causa dos conflitos, muitos aviões precisam mudar suas rotas para não passar por regiões perigosas. Isso faz com que a viagem fique mais longa, gastando ainda mais combustível”, explica Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP e especialista em investimentos.

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No território nacional, dados do buscador de voos Viajala registraram aumento de 15%, em média, no preço das passagens aéreas nos últimos 10 dias. A plataforma analisou cerca de 400 mil buscas de voos com origem nos principais aeroportos brasileiros entre 18 de fevereiro e 15 de março, com o objetivo de comparar as variações no preço médio antes e depois do início do conflito.

Entre 5 e 15 de março, as viagens de ida e volta para São Paulo passaram a apresentar preço médio de R$ 1.338, um aumento de 36% em relação ao intervalo de 18 de 28 de fevereiro (antes do conflito). Já as viagens de ida e volta para Recife estavam custando, em média, R$ 1.497, 22% a mais do que antes da guerra.

Os demais destinos mais buscados tiveram comportamento semelhante.

  • Rio de Janeiro (RJ): preço médio de R$ 1.232 na viagem de ida e volta, 11% mais alto que nos 10 dias anteriores à guerra;
  • Fortaleza (CE): preço médio de R$ 1.710 na viagem de ida e volta, 14% mais alto que nos 10 dias anteriores à guerra;
  • Salvador (BA): preço médio de R$ 1.338 na viagem de ida e volta, 14% mais alto que nos 10 dias anteriores à guerra.

Segundo Felipe Alarcón, diretor comercial do Viajala, o recente encarecimento das passagens demonstra um impacto claro do conflito. “Se você tem uma viagem planejada para os próximos meses, a recomendação é de pesquisar e comprar o quanto antes”, alerta.

Carlos Castro, planejador financeiro CFP pela Planejar, dá a mesma orientação, especialmente porque ainda não há um cenário claro de quando o conflito pode terminar. “Existe uma outra questão: quanto mais se aproxima a data do voo, maior é a demanda e, consequentemente, o preço. Então, trabalhar com antecedência é a chave para gastar menos com passagem aérea.”

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No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro já havia mostrado um crescimento de 11,4% no preço das passagens em relação a janeiro. Nos últimos 12 meses, o item acumula valorização de 24,61%.

Na próxima semana, com a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de março na quinta-feira (26), será possível mapear melhor os efeitos do conflito sobre os preços das passagens aéreas.

Como comprar passagens mais baratas?

Patzlaff, planejador financeiro, avalia que, mesmo um cenário de guerra, há estratégias para comprar passagens mais baratas. Um caminho é buscar horários alternativos, como voos de madrugada, que costumam ser mais baratos. Em alguns casos, voar para um aeroporto próximo e terminar o trajeto de ônibus ou de carro alugado também pode compensar financeiramente.

Na hora de comparar preços, ferramentas de monitoramento de voos ajudam, como Skyscanner e Kayak. O próprio Google oferece uma função desse tipo – o Google Flights –, que conta com opção de rastreamento de valores e envio de alertas por e-mail. Na plataforma, o usuário também consegue agora realizar buscas com ajuda de uma inteligência artificial (IA).

Patzlaff recomenda cuidado com taxas extras, cobradas para escolher um assento no avião ou para levar malas maiores, por exemplo. “Sempre calcule o preço final com tudo o que você vai precisar”, orienta.

Milhas podem ser aliadas

Wanderley Gonçalves, planejador financeiro CFP e MBA em Finanças pela B7 Business School, explica que emitir passagens usando milhas representa uma estratégia para economizar em viagens, especialmente em destinos internacionais e em períodos de alta demanda. “Hoje existem diversos cartões de crédito que oferecem boa pontuação, benefícios extras e pontos que não expiram. Concentrar gastos na função crédito ajuda a acumular pontos mais rapidamente”, destaca.

Além disso, ele lembra que as companhias aéreas realizam campanhas de transferência bonificada, em que os clientes enviam os pontos do cartão para o programa da companhia e recebem bônus que podem variar entre 20% e 150%. Há ainda promoções de compra de milhas, que permitem completar o saldo necessário para emitir a passagem desejada.

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Na hora de comprar as passagens aéreas, também vale monitorar os preços ofertados por empresas de viagens. A Decolar, por exemplo, está com uma oferta até o dia 22 de março para pacotes, hotéis e passagens com parcelamento em até 12 vezes sem juros. Na promoção, os consumidores encontram opções nacionais e internacionais com descontos de até 50%, por meio dos canais de venda da empresa.

Trump minimiza reação dos preços de petróleo e mercados acionários a guerra contra o Irã

20 de Março de 2026, 18:41

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou esperar uma alta “maior” e “pior” dos preços do petróleo do que a escalada observada nas últimas semanas, em comentários para repórteres nesta tarde. Trump também minimizou o recente comportamento dos mercados acionários, apontando que seguem em níveis elevados depois de baterem máximas históricas que levaram o S&P 500 aos 7 mil pontos.

Nesta sexta-feira, 20, contudo, as bolsas de Nova York fecharam em queda e registraram perdas semanais, com o S&P 500 na casa dos 6,5 mil pontos.

Ao ser questionado, o presidente americano disse que vê “muito suporte público” a ofensiva dos EUA e de Israel contra o Irã no Oriente Médio. O republicano, no entanto, se recusou a comentar sobre o envio de tropas americanas para a região. “Não posso dizer o que faríamos”, afirmou.

Trump voltou a repetir que os EUA estão próximos de resolver a situação no Irã e estão “muito adiantados” no cronograma para encerrar o conflito, embora ainda sem estimar um prazo.

Também presente, o secretário de Estado, Marco Rubio, igualmente evitou dar um prazo ou comentar detalhes sobre a possibilidade de os EUA tomarem controle de Cuba. Ao ser questionado, ele se limitou a dizer que os cubanos “já sofreram por muitos anos”.

Trump comentou brevemente sobre as eleições de meio de mandato, reiterando críticas a resistência do Partido Democrata em aprovar a identificação de eleitores. “Não querem aprovar porque são trapaceiros”, acusou.

Justiça cria novas regras para recuperação judicial entre produtores rurais; veja mudanças

16 de Março de 2026, 14:05

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou novas diretrizes para orientar a tramitação de processos de recuperação judicial e falência envolvendo produtores rurais em todo o país. As regras estão no Provimento nº 216 e passam a orientar juízes de primeira instância sobre como analisar pedidos apresentados por empresários rurais, pessoas físicas ou jurídicas.

A medida surge em meio ao aumento de recuperações judiciais no agronegócio e busca padronizar decisões judiciais, reforçar a segurança jurídica e evitar o uso indevido do mecanismo.

Entre as mudanças, o provimento estabelece critérios mais claros para comprovar a atividade rural, amplia mecanismos de fiscalização antes da aceitação do pedido e define com mais precisão quais dívidas podem ou não ser incluídas na recuperação judicial.

Comprovação da atividade rural

Uma das principais exigências é a comprovação de que o produtor exerce atividade rural há mais de dois anos — requisito já previsto na Lei nº 11.101/2005, que regula recuperações judiciais e falências.

No caso de produtores pessoa física, a comprovação deverá ser feita por meio de documentos como:

  • Livro Caixa Digital do Produtor Rural (LCDPR);
  • Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF);
  • balanço patrimonial elaborado por contador habilitado.

Quando se tratar de pessoa jurídica, a comprovação deverá ocorrer por meio da Escrituração Contábil Fiscal (ECF) ou outro registro contábil equivalente.

As informações financeiras deverão seguir padrões contábeis formais e regime de competência.

Perícia antes de aceitar o processo

O provimento também permite que o juiz determine uma constatação prévia antes de decidir se aceita o pedido de recuperação judicial.

Nesse procedimento, um profissional indicado pelo magistrado poderá avaliar:

  • se o produtor realmente exerce atividade rural;
  • se a comarca escolhida corresponde ao principal estabelecimento do devedor;
  • as condições operacionais da atividade;
  • a existência de garantias sobre safras ou animais;
  • a perspectiva de produção no ciclo agrícola em curso.

A análise poderá incluir visitas à propriedade, uso de fotografias, mapas e imagens de satélite.

Caso sejam identificados indícios de fraude ou inconsistências na documentação, o pedido pode ser indeferido.

Relatórios sobre a safra

Durante o processo de recuperação judicial, o administrador judicial deverá incluir nos relatórios mensais informações específicas sobre a atividade rural.

Entre os dados exigidos estão:

  • estágio do ciclo produtivo;
  • insumos utilizados;
  • cronograma das atividades;
  • riscos que possam afetar a produção.

Além disso, até 20 dias antes do início da colheita, poderá ser solicitado um laudo técnico com estimativas de produtividade, condições fitossanitárias e viabilidade de comercialização da safra.

Dívidas que não entram na recuperação judicial

O provimento também esclarece quais créditos não se submetem aos efeitos da recuperação judicial.

Entre eles estão:

  • operações vinculadas à Cédula de Produto Rural (CPR) com liquidação física, inclusive operações de barter com insumos;
  • financiamentos contraídos para compra de propriedade rural nos três anos anteriores ao pedido;
  • recursos de crédito rural controlado que tenham sido renegociados com instituições financeiras;
  • patrimônio rural em afetação vinculado a títulos como a Cédula Imobiliária Rural.

Também permanecem fora da recuperação judicial créditos garantidos por alienação fiduciária ou arrendamento mercantil, preservando os direitos de propriedade dos credores.

Plano especial para pequenos produtores

Produtores com dívidas de até R$ 4,8 milhões poderão utilizar o chamado plano especial de recuperação judicial, previsto na legislação, que simplifica o processo.

O provimento também permite o parcelamento das custas processuais, desde que solicitado pelo produtor na petição inicial.

Atuação do Ministério Público

Nos processos envolvendo produtores rurais, o Ministério Público deverá atuar como fiscal da ordem jurídica e ser ouvido antes da homologação de planos de recuperação judicial ou extrajudicial.

Segundo o CNJ, as novas diretrizes buscam orientar magistrados em um tema considerado complexo e com impacto relevante para o agronegócio e para o sistema de crédito rural.

Mastercard abre inscrições para vagas de Estágio e Trainee em São Paulo

16 de Março de 2026, 13:18

A Mastercard Brasil anuncia a abertura das inscrições para Estágio e Trainee voltadas para a divisão de Consultoria e Serviços, braço da companhia que auxilia clientes a gerarem impacto por meio de insights orientados por dados e tecnologia.

Leia mais em: https://exame.com/carreira/mastercard-abre-inscricoes-para-vagas-de-estagio-e-trainee-em-sao-paulo/

Calendário de balanços: o que esperar de Natura, Itaúsa e MBRF na semana

16 de Março de 2026, 07:13

A nova semana de resultados do quarto trimestre de 2025 terá a divulgação de grandes frigoríficos a companhias de infraestrutura.

Entre as gigantes que divulgam os números financeiros nos próximos dias estão Minerva e MBRF, do lado das proteínas animais, e Cemig e Taesa, entre as companhias de energia.

Saiba o que esperar dos principais nomes da semana de 16/03 a 20/03:

Segunda-feira (16 de março)

Natura (NTCO3)

A retração do consumo ao longo do ano é apontada como um dos riscos no curto prazo. O mercado de beleza no Brasil desacelerou, pressionado por juros altos e menor poder de compra. As vendas da Natura já vinham desacelerando em 2025, inclusive no seu principal mercado. Analistas veem demanda fraca no Brasil e em parte da América Latina como um obstáculo para a recuperação do crescimento após a reestruturação que terminou com a venda das operações da Avon fora da América Latina.

  • Estratégia: a Natura concluiu a venda da Avon Internacional no fim do ano passado, mas manteve a marca na América Latina sob seu guarda-chuva. O foco da companhia para este ano é o projeto “Onda 2”, que integra as forças de vendas da Natura e Avon AL para reduzir custos logísticos e de marketing.
  • Foco regional: após voltar atrás na ambição global, o grupo passou a concentrar os esforços na ampliação dos mercados no Brasil e América Latina, que respondem por cerca de 85% das vendas.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 18. Dividend yield em 2026 (consenso): sem consenso

Itaúsa (ITSA3 e ITSA4)

O principal desafio estrutural da holding continua sendo sua concentração no Itaú Unibanco. O banco representa mais de 90% do resultado econômico da Itaúsa. Isso significa que o desempenho da holding está quase totalmente ligado ao ciclo do banco.

  • Estratégia: tem concentrado esforços da gestão de passivos no alongamento de prazos. A holding foca em reduzir custos financeiros para liberar mais caixa para dividendos.
  • Ativos: estratégia da empresa tem sido manter o Itaú Unibanco como principal gerador de lucros, mas ampliando investimentos em empresas não financeiras. O portfólio da holding atual reúne participações na companhia de materiais de construção Dexco, na Alpargatas, que é dona da Havaianas, na companhia de infraestrutura Motiva (ex-CCR), na Aegea Saneamento, na Copa Energia e na NTS, especializada em gás natural.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 16 (ITSA4) e R$ 13,20 (ITSA3). Dividend yield em 2026 (consenso): 10%.

Terça-feira (17 de março)

Taesa (TAEE11)

Analistas apontam preocupação com o aumento da dívida da companhia. O nível de dívida chegou a mais de 4 vezes a métrica de dívida líquida/Ebitda em 2025, acima do nível considerado confortável para transmissoras de 2,5 vezes. Isso pode gerar percepção de risco de execução. A empresa precisa reduzir a alavancagem e aumentar a geração de caixa.

  • Alavancagem: a relação dívida líquida/Ebitda gira em torno de 3,8 vezes. Não precisa de capitalização, mas tem pouco espaço para aumento de investimentos e de custos.
  • Proventos: continua sendo uma das favoritas do mercado. Seus contratos são corrigidos pela inflação, garantindo um rendimento real constante.
  • Estratégia: o endividamento tem crescido justamente devido ao momento de investimento em novas concessões, que são feitos por meio de dívidas antes de começarem a gerar caixa.
  • O que monitorar: Precisa ser agressiva em novos leilões de transmissão para repor a receita de concessões que vencerão nos próximos anos.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 37,70. Dividend yield em 2026 (consenso): 8%

Quarta-feira (18 de março)

Minerva (BEEF3)

Analistas projetam que 2026 deve ser um período mais difícil para o ciclo da carne bovina, que pode ficar negativo na oferta e demanda, com margens pressionadas em parte da cadeia. A Minerva, por sua vez, é uma das empresas brasileiras mais expostas ao mercado externo. Mudanças nas cotas de importação da China podem impactar preços e demanda.

  • Alavancagem: saltou com a compra de ativos da Marfrig na Argentina por R$ 7,5 bilhões. O nível de endividamento medido pela relação entre dívida líquida e ebitda subiu para 2,5 vezes no terceiro trimestre de 2025, patamar que acende uma luz amarela.
  • Estratégias: reduzir despesas financeiras pesadas por meio geração de caixa operacional. Foco em vender estoque e integrar rapidamente as plantas adquiridas da Marfrig na Argentina para capturar margem.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 7,90. Dividend yield em 2026 (consenso): 3,80%.

MBRF (BRFS3)

O principal desafio é integrar as operações da Marfrig e da BRF, após a fusão que resultou na MBRF, concretizada em setembro de 2025. O sucesso da nova empresa depende em parte da captura de sinergias operacionais. Analistas estimam sinergias potenciais de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão por ano. A fusão criou uma companhia com maior complexidade operacional, mas presença global e forte atuação em todas as áreas de proteína animal.

  • Estratégia: Programa “BRF+”, focado em eficiência fabril e redução de desperdícios de grãos. Em termos de endividamento, a companhia vive uma situação confortável com o nível medido pela relação entre dívida líquida e Ebitda abaixo de 1 vez – o mercado enxerga como patamares saudáveis múltiplos abaixo de 2 vezes.
  • Mercados internacionais: a criação da Sadia Halal, no fim de 2025, é uma sociedade entre a MBRF e a Halal Products Development Company (HPDC), braço do PIF – o maior fundo soberano do mundo – estruturada para atender o mercado de alimentos halal da Arábia Saudita e do Golfo.
  • Ativos: Pode buscar aquisições pontuais no mercado de “pet food” ou produtos processados de maior valor agregado.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 24,80. Dividend yield em 2026 (consenso): 33%.

Quinta-feira (19 de março)

Cemig (CMIG3 e CMIG4)

Controlada pelo governo de Minas Gerais, a Cemig tem o risco político associado ao acionista como um fator relevante para o rating de crédito e a avaliação da empresa. A migração de consumidores para a geração distribuída e o mercado livre pode afetar o segmento de distribuição no médio e longo prazos. Além disso, a empresa planeja investir cerca de R$ 7 bilhões em 2026 para expansão e modernização.

  • Estratégia: foco atual está no investimento em distribuição para aumentar a base de ativos remunerados pela Aneel. Apesar disso, a empresa tem um perfil de dívida bem alongado e baixo custo.
  • Desinvestimentos: Estratégia de venda de ativos considerados como não essenciais, como participações em gasodutos ou usinas menores para concentrar capital na transmissão e distribuição.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 12 (CMIG4) e R$ 15,70 (CMIG3). Dividend yield em 2026 (consenso): 11% a 14%.

Agenda: Decisões de juros esquentam mercados enquanto conflito no Oriente Médio segue no radar; confira os indicadores desta semana

15 de Março de 2026, 12:00

A semana de 15 a 20 de março promete ser movimentada para os mercados globais – não que eles já não estejam. No centro das atenções está a chamada Super Quarta, quando Brasil e Estados Unidos divulgam suas decisões de política monetária, em um momento de elevada incerteza no cenário internacional.

Por aqui, a expectativa gira em torno do início do ciclo de afrouxamento monetário. A Taxa Selic permanece em 15% ao ano desde junho de 2025, nível considerado bastante restritivo, e após a última reunião do Banco Central o mercado passou a projetar que os primeiros cortes poderiam começar já em março.

Assim, nesta quarta-feira (18), os investidores acompanham de perto a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). O pano de fundo, no entanto, ganhou novos elementos de cautela: a escalada do conflito no Oriente Médio elevou os preços do petróleo e reacendeu dúvidas sobre possíveis pressões inflacionárias globais.

Além da decisão de juros, a agenda também traz dados relevantes. Na segunda-feira (16), será divulgado o IBC-Br de janeiro, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), que pode oferecer pistas sobre o ritmo de crescimento da economia no início do ano. Já na terça-feira (17), o mercado acompanha o IGP-10 de março, indicador que ajuda a antecipar movimentos de preços na economia.

Nos Estados Unidos, a Super Quarta também concentra as atenções com a decisão de juros do Federal Reserve. Mais do que a manutenção ou não da taxa, investidores estarão atentos ao tom do comunicado e às sinalizações sobre os próximos passos da política monetária, em um cenário de inflação ainda resiliente e com novas pressões vindas do petróleo.

Na Ásia, o destaque fica para o Banco do Japão (BoJ), que também anuncia sua decisão de política monetária ao longo da semana. O mercado acompanha de perto qualquer indicação sobre o processo de normalização da política monetária no país, após anos de estímulos e juros extremamente baixos.

Ainda na região, a China divulga uma bateria de indicadores de atividade referentes a fevereiro, incluindo produção industrial, vendas no varejo, investimento em ativos fixos e taxa de desemprego. Os dados são importantes para avaliar o ritmo de recuperação da segunda maior economia do mundo e seus possíveis impactos sobre o comércio e a demanda global por commodities.

Na Europa, a agenda também reserva indicadores relevantes. Na zona do euro, serão divulgados dados como o núcleo do índice de preços ao consumidor (CPI), além de números de atividade, como a produção na construção civil e a balança comercial.

Já no Reino Unido, investidores seguem atentos aos sinais da economia e ao cenário inflacionário, que continuam influenciando as expectativas para a trajetória da política monetária do país.

Confira a agenda de indicadores entre 15 e 20 de março (horário de Brasília):

Brasil

  • Segunda-feira (16)
    8h00 – IBC-Br – Atividade econômica (% m/m) – jan/26
    8h25 – Boletim Focus
  • Terça-feira (17)
    8h00 – IGP-10
  • Quarta-feira (18)
    18h30 – Decisão do Copom – Taxa Selic

Estados Unidos

  • Segunda-feira (16)
    10h15 – Produção Industrial
  • Quarta-feira (18)
    9h30 – Núcleo do PPI
    9h30 – Pedidos de Bens de Capitais
    15h00 – Decisão de juros do FOMC
  • Quinta-feira (19)
    11h00 – Vendas de Novas Casas
    11h00 – Concessões de Alvarás

Zona do Euro

  • Quarta-feira (18)
    7h00 – Núcleo do CPI
  • Quinta-feira (19)
    7h00 – Atividade na Construção Civil
    9h15 – Decisão de juros
  • Sexta-feira (20)
    7h00 – Conta Corrente
    7h00 – Balança Comercial

China 

  • Domingo (15)
    22h30 – Preços de Imóveis
    23h00 – Vendas no Varejo
    23h00 – Produção Industrial
    23h00 – Taxa de Desemprego
    23h00 – Investimento em Ativos Fixos
    23h00 – Coletiva de imprensa do Departamento Nacional de Estatísticas

Japão

  • Terça-feira (17)
    20h50 – Balança Comercial
  • Quarta-feira (18)
    23h30 – Declaração de Política Monetária do Banco do Japão
  • Quinta-feira (19)
    00h00 – Decisão de juros do Banco do Japão
    01h30 – Produção Industrial
    03h30 – Coletiva de imprensa do Banco do Japão
  • Sexta-feira (20)
    – Feriado: Equinócio da Primavera (mercados fechados)

Quem é Beatriz Lasmar, jovem que investiu aos 12 anos e hoje se destaca no empreendedorismo

13 de Março de 2026, 17:28

Desde cedo, Beatriz Abdala Lasmar demonstrou interesse pelo universo dos negócios. Natural de Goiânia, a jovem empreendedora iniciou sua trajetória ainda aos 12 anos, quando abriu duas franquias de extensão de cílios da Pink Lash em sua cidade natal.

Leia mais em: https://exame.com/carreira/quem-e-beatriz-lasmar-jovem-que-investiu-aos-12-anos-e-hoje-se-destaca-no-empreendedorismo/

Hypera (HYPE3) tem salto no lucro líquido do 4º tri e supera expectativas de analistas

13 de Março de 2026, 06:48

A farmacêutica Hypera (HYPE3) teve lucro líquido de operações continuadas de cerca de R$ 450 milhões no quarto trimestre de 2025, ligeiramente acima do esperado pelo mercado, impulsionada por base de comparação mais fraca com um ano antes, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (12).

O resultado foi bem acima do lucro líquido de R$ 79 milhões obtido pela empresa no quarto trimestre de 2024 e ficou próximo dos 454 milhões do terceiro trimestre do ano passado. Analistas, em média, esperavam que a companhia apresentasse lucro de R$ 395 milhões, segundo dados da LSEG.

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A companhia também apurou um resultado operacional medido pelo Ebitda de operações continuadas de R$ 748,4 milhões de outubro ao final de dezembro, ante expectativa média do mercado de R$ 731 milhões, também de acordo com a LSEG.

O resultado do período foi apoiado em parte por um crescimento de 48% na receita líquida ante o quarto trimestre de 2024, para R$ 2,24 bilhões, em meio a uma expansão de 7,4% da venda ao consumidor final do varejo farmacêutico, algo que seguindo a Hypera foi 0,5 ponto percentual “superior ao avanço do mercado de atuação”.

Enquanto isso, as despesas com marketing ficaram relativamente estáveis, recuando 0,7% no período, a R$ 381 milhões. Já as despesas com vendas cresceram 6,8%, para R$ 260 milhões.

O grupo ainda reduziu as despesas gerais e administrativas em 11,6% no quarto trimestre sobre um ano antes, para R$ 88 milhões.

EUA emitem isenção de sanções por 30 dias para compra de petróleo russo retido no mar

13 de Março de 2026, 06:37

Os Estados Unidos emitiram uma isenção de 30 dias para que países comprem petróleo e derivados de petróleo da Rússia sancionados que atualmente estão retidos no mar, no que o secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse ser um passo para estabilizar os mercados globais de energia abalados pela guerra com o Irã.

Os preços do petróleo recuam na manhã desta sexta-feira (13) na Ásia após o anúncio da isenção pelos EUA, que, segundo o enviado presidencial russo Kirill Dmitriev, afetaria 100 milhões de barris de petróleo bruto russo, o equivalente a quase um dia da produção global.

A medida, o segundo recuo significativo das sanções dos EUA relacionadas à guerra na Ucrânia em pouco mais de uma semana, foi a mais recente tentativa do governo do presidente Donald Trump de conter os preços da energia após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã terem paralisado o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz.

A Agência Internacional de Energia (AIE), formada por 32 países, afirmou nesta quinta-feira (12) que a guerra no Oriente Médio estava criando a maior interrupção no fornecimento de petróleo da história.

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Isenção vai até 11 de abril

A licença emitida por Washington autoriza a entrega e a venda de petróleo bruto russo e derivados carregados em navios em ou antes de 12 de março e é válida até a meia-noite, no horário de Washington, de 11 de abril, segundo o texto da licença publicado no site do Departamento do Tesouro.

A medida reflete preocupações da Casa Branca de que o aumento dos preços do petróleo após quase duas semanas de ataques dos EUA e de Israel ao Irã prejudique empresas e consumidores americanos antes das eleições legislativas de novembro, quando os republicanos aliados de Trump esperam manter o controle do Congresso.

Bessent, em uma declaração publicada em rede social horas depois de os preços de referência do petróleo ultrapassarem US$ 100 por barril, disse que a medida foi “estritamente direcionada” e “de curto prazo” e não proporcionará benefício financeiro significativo ao governo russo.

“O aumento temporário dos preços do petróleo é uma interrupção de curto prazo e temporária que resultará em um benefício enorme para nossa nação e nossa economia no longo prazo”, disse Bessent na declaração, ecoando Trump.

Mesmo que a suspensão das sanções deva aumentar a oferta mundial de petróleo, ela também pode complicar os esforços do Ocidente para privar a Rússia de receitas para sua guerra na Ucrânia e colocar Washington em desacordo com seus aliados.

Europeus se opõem

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, após participar de uma ligação com líderes do G7 na quarta-feira (11) para discutir o impacto da guerra com o Irã nos mercados de petróleo e gás, disse que agora não é o momento de aliviar as sanções contra a Rússia.

O ministro do departamento de energia do Reino Unido, Michael Shanks, disse à rádio BBC nesta sexta-feira que o governo britânico não afrouxará suas sanções contra a Rússia de forma alguma, descrevendo o momento como um “ponto crítico na agressão russa contra a Ucrânia”.

O alívio das sanções ocorreu após uma ligação entre Trump e o presidente russo Vladimir Putin em 9 de março e uma visita subsequente de Dmitriev aos EUA para discutir a atual crise energética com uma delegação americana que incluía o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner.

“Diante da crescente crise energética, um maior relaxamento das restrições ao fornecimento de energia russo parece cada vez mais inevitável, apesar da resistência de alguns burocratas de Bruxelas”, escreveu Dmitriev em uma publicação no aplicativo de mensagens Telegram na sexta-feira.

Exceções vão aumentando

Após o anúncio do Tesouro, o vice-primeiro-ministro da Tailândia, Phipat Ratchakitprakarn, disse que seu país está pronto para comprar petróleo bruto russo e se prepara para negociações.

O Tesouro dos EUA já havia emitido uma isenção de 30 dias em 5 de março especificamente para a Índia, permitindo que Nova Délhi comprasse petróleo russo preso no mar.

A Rússia, cujas receitas de energia caíram pela metade nos dois primeiros meses do ano e cujo governo já vinha considerando um grande corte nos gastos do orçamento este ano, pode se beneficiar de preços mais altos do petróleo.

Trump também ordenou que a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA forneça seguro contra risco político e garantias financeiras para o comércio marítimo no Golfo e disse que a Marinha dos EUA poderia escoltar navios na região.

O governo Trump também está considerando suspender temporariamente uma regra de transporte conhecida como Lei Jones (Jones Act) para garantir que produtos energéticos e agrícolas possam circular livremente entre portos dos EUA, informou a Casa Branca.

“O presidente está tomando todas as medidas possíveis para reduzir os preços… e vocês verão cada vez mais ações nos próximos dias”, disse o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, ao programa “Primetime” da Fox News.

Navios devem se coordenar com marinha do Irã para passar pelo Estreito de Ormuz, diz ministério iraniano

13 de Março de 2026, 05:31

Navios devem se coordenar com a marinha do Irã para passar pelo Estreito de Ormuz, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país em comentários veiculados pela agência de notícias Mehr nesta quinta-feira (12).

O Irã continuará lutando e manterá o Estreito de Ormuz fechado como uma alavanca contra os Estados Unidos e Israel, disse o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, nesta quinta-feira, nos primeiros comentários desafiadores atribuídos a ele desde que sucedeu seu pai morto.

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“A segurança do Estreito de Ormuz é de importância vital para o Irã, porque a segurança do país está ligada à segurança da região. Com os litorais mais longos do Golfo Pérsico e do Mar de Omã, o Irã sempre arcou com os custos para proteger essa hidrovia estratégica”, disse Esmaeil Baghaei, o porta-voz.

Khamenei também pediu aos vizinhos do Irã que fechem as bases dos EUA em seus territórios e alertou que o Irã continuará a atacá-los.

“A insegurança criada na região pelos Estados Unidos e pelo regime sionista pode afetar o movimento de navios. No entanto, o Irã não quer que esse estreito se torne inseguro, e os navios devem se coordenar com a marinha iraniana ao passar por ele para que a segurança marítima seja mantida”, acrescentou Baghaei.

A perspectiva de que uma das mais graves perturbações já ocorridas no fornecimento global de energia possa se arrastar fez com que os preços do petróleo voltassem a subir acima de US$ 100 por barril, depois de terem caído anteriormente na semana devido à esperança de um fim rápido para o conflito.

O que vai acontecer com as debêntures e CRAs da Raízen com a recuperação extrajudicial?

11 de Março de 2026, 10:52

O pedido de recuperação extrajudicial da Raízen vai impactar R$ 11,4 bilhões em dívidas ainda vigentes detidas por investidores de debêntures e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA). Do total, há R$ 5,4 bilhões alocados em cada instrumento.

Para os investidores, o impacto mais direto recai sobre os CRAs, dado que entre 60% e 90% das emissões desses certificados pela produtora e distribuidora de etanol foram parar nas mãos de pessoas físicas, segundo levantamento exclusivo obtido pelo InvestNews, realizado pela plataforma de crédito privado Vitrify.

Já no caso das debêntures, a maior parte está nas mãos de bancos e fundos de crédito.

Trata-se, portanto, do maior evento de perdas em crédito privado no mercado brasileiro desde o caso Americanas, no primeiro semestre de 2023.

Mas, em termos de volume de títulos de dívida privada, a Raízen supera – em muito – a situação da rede varejista, que tinha, na época, um volume de R$ 5 bilhões em debêntures e quase nada em CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários).

O que investidor deve fazer?

E o que o investidor deve fazer a partir de agora? Um gestor de crédito, que falou com o InvestNews e pediu para não ser identificado, recomendou às pessoas físicas aguardarem as negociações entre a companhia e os principais credores.

Como se trata de uma recuperação extrajudicial (REJ), e não uma recuperação judicial (RJ), a tendência é que os descontos propostos pela Raízen sejam menores do que as perdas se os títulos forem vendidos no mercado secundário.

Na recuperação extrajudicial, diferentemente da versão judicial, os papéis de crédito ainda podem ser vendidos nesse ambiente de negociação de títulos “usados”, em que os ativos são repassados a outro interessado antes dos vencimentos.

No entanto, diante das incertezas sobre as negociações, o valor dos títulos deve despencar. Uma consulta às plataformas digitais na manhã desta quarta-feira (11) mostrava uma ausência de oferta de debêntures e certificados da Raízen.

Antes da recuperação extrajudicial, esses papéis chegaram ser vendidos no mercado secundário com descontos de até 70% em relação ao valor original.

Diante do agravamento da crise, esse mercado ficou praticamente inviável neste primeiro momento, porque, enquanto as negociações não avançarem, não há bases concretas de precificação.

Outro problema: lastro em debêntures

Os R$ 5,4 bilhões em CRAs da Raízen no mercado têm ainda outra característica considerada problemática. Embora sejam instrumentos com garantias, que, no caso de um evento de crédito, seriam passíveis de serem acionadas, todas as emissões de certificados da produtora tiveram como lastro debêntures emitidas por empresas do próprio grupo.

Na prática, isso significa que não há, no momento, garantias a serem acionadas. Nesse caso, o tamanho do estrago em termos de descontos no valor dos ativos e de aumento de prazos de recebimento vai depender das negociações feitas pelos debenturistas.

“Nesse caso, o investidor não é credor direto da empresa emissora das debêntures; o fluxo de pagamento do CRA depende do desempenho desses ativos”, explica a especialista Letícia Domingues, do escritório Zonenschein Advocacia.

De qualquer modo, o investidor que comprou tais certificados não se envolve diretamente nas negociações com a Raízen, porque a empresa de securitização que estruturou as emissões fica responsável por representar os detentores de CRAs.

O esperado para as negociações é que os detentores de títulos de dívida vão ter de amargar algum desconto dos valores a receber, bem como um alongamento de prazos. Em outros casos de recuperação extrajudicial, houve até troca de indexadores dos papéis.

Dívidas vão ter “moratória” de três meses

Os descontos (haircut) tendem a ser menos agressivos do que no caso de uma recuperação judicial, em que os cortes podem atingir até 80% do valor da dívida. Em casos recentes de recuperação extrajudicial, houve perdas mais suaves, de até 20% do valor original, com foco maior no alongamento de prazos.

No caso das debêntures, muitas propostas incluíram a conversão dos títulos em participação acionária.

De qualquer modo, ainda é cedo para saber quais serão as condições propostas e aprovadas nas assembleias de credores.

Outro custo para os investidores é que, durante o prazo de standstill (período em que os credores suspendem temporariamente as cobranças para permitir a negociação da dívida), que deve ser de 90 dias, os pagamentos ficam congelados. É uma espécie de moratória em que os detentores da dívida ficam sem receber, enquanto a companhia negocia as novas condições.

Capacidade de pagamento

Em termos de capacidade de pagamento, a situação é menos preocupante. A Raízen ainda teria R$ 20 bilhões em caixa, o que seria suficiente para honrar as dívidas que vencem em 2026 e 2027.

Ou seja, a pressão do custo da dívida, que drena R$ 7,5 bilhões por ano da companhia, é maior do que a dos vencimentos próximos.

A companhia tem um vencimento de R$ 600 milhões neste mês de março. E, depois, apenas outro de R$ 352 milhões, mas em junho de 2027.

Inpasa se tornou a líder do etanol de milho. E ganha dinheiro muito além do combustível

11 de Março de 2026, 06:00

Nas usinas da Inpasa, cada tonelada de milho se transforma em combustível, ração animal e óleo industrial. Foi essa lógica que fez a companhia fundada pelo empresário José Odvar Lopes, o “Seu Zé”, se tornar a maior produtora de etanol de milho da América Latina.

Com receita próxima de R$ 23 bilhões e capacidade de produzir 6,2 bilhões de litros de etanol por ano, a empresa familiar construiu ao longo da última década uma rede de oito biorrefinarias agrícolas, com duas no Paraguai e outras seis em alguns dos principais polos do agronegócio brasileiro. Ainda estão previstas mais duas plantas, em um programa de investimentos que passa dos R$ 5 bilhões.

A lógica por trás desse crescimento é simples: no etanol de milho, o dinheiro não está apenas no combustível. Está em tudo o que sai do grão.

Mas chegada até aqui não foi óbvia.

Na década passada, falar em etanol de milho no Brasil soava como aposta de alto risco. A cana-de-açúcar dominava, o setor era consolidado e ninguém apostaria que uma empresa de origem paraguaia, que começou do zero em uma única usina no país vizinho, superaria a líder histórica Raízen – das gigantes Shell e Cosan – e se tornaria a maior produtora de etanol do Brasil.

“Nós sempre recebemos umas perguntas de instituição financeira: qual é o breakeven do negócio, em que momento vale a pena transformar o milho em etanol?”, diz Fernando Alfini, CFO da companhia, ao InvestNews. “Eu brinco que nós estamos tentando descobrir esse brinquedo faz mais de 15 anos.”

Agora, o desafio mudou de natureza. Convencer o mercado já não está na pauta. O novo desafio da Inpasa é logístico: transportar esses quase 6 bilhões de litros anuais de etanol de regiões remotas do agronegócio até os mercados consumidores.

Tentativa e erro

Quando a Inpasa começou a produzir etanol de milho no Paraguai, em 2008, a eficiência do processo estava longe do considerado ideal: cada tonelada de milho gerava cerca de 220 litros de etanol.

“No início, nós não tínhamos tecnologia nenhuma. Foi tentativa e erro mesmo, por falta de recurso”, recorda Alfini.

A empresa ficou uma década nessa fase, operando uma única planta, com Seu Zé determinado a dominar a tecnologia antes de buscar o ganho de escala. O esforço valeu: hoje, as usinas da companhia extraem quase 450 litros por tonelada, praticamente o dobro do ponto de partida.

A referência e o método de produção vieram dos Estados Unidos, berço do etanol de milho. Visitas a feiras e o contato com o mercado americano abriram o caminho para a aquisição da tecnologia da Katzen, empresa americana do setor. Foi só então que a eficiência começou a avançar de forma consistente.

O negócio do etanol de milho opera inteiramente entre duas correntes de commodities: a empresa compra milho a preços de mercado e vende etanol também a preços de mercado. Não controla nenhuma das duas pontas. O diferencial está na eficiência operacional e, cada vez mais, na capacidade de extrair valor de tudo o que sai do grão além do combustível.

Em 2018, com a segunda planta paraguaia em fase final, Seu Zé tomou a decisão que mudaria o tamanho e o destino da empresa: vir para o Brasil. O plano foi abrir uma usina em Sinop, no norte de Mato Grosso, o principal Estado produtor de grãos do país.

A lógica era ao mesmo tempo geográfica e produtiva. O Paraguai, apesar das vantagens tributárias, tem produção de milho equivalente à de uma única região do Mato Grosso. Construir uma terceira usina no país vizinho desequilibraria toda a cadeia local de grãos. 

O Brasil, por outro lado, tinha matéria-prima em abundância e espaço para crescer – no ano-safra 2025/26, a expectativa é que o Brasil produza 131 milhões de toneladas do cereal, enquanto os paraguaios deverão colher 5,2 milhões de toneladas.

A primeira fase da planta de Sinop recebeu investimento de R$ 750 milhões e entrou em operação em agosto de 2019. A partir daí, o ritmo não parou. Vieram plantas em Nova Mutum, também em Mato Grosso, em Dourados e Sidrolândia, ambas em Mato Grosso do Sul, e em Balsas, no Maranhão. 

A unidade de Sinop foi ampliada duas vezes e se tornou, por um período, a maior usina de etanol independente de matéria-prima do mundo em uma única planta – consegue processar 6 milhões de litros por dia. O dinheiro para o início de tudo veio do Paraguai.

“Sem o Paraguai a gente não teria conseguido”, admite Alfini. “O país foi a nossa escola e o nosso banco.”

Expansão regional

O passo seguinte foi distribuir as usinas por diferentes regiões, formando uma rede de hubs industriais. Hoje a Inpasa está presente em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Maranhão, com novas unidades previstas em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, e em Rio Verde, em Goiás.

A lógica da presença no Nordeste, por exemplo, é específica: a região é deficitária em etanol e tem portos próximos para a exportação de coprodutos como DDGS (sigla em inglês para distillers dried grains with solubles, ou grãos secos de destilaria com solúveis) e óleo.

“Nós decidimos diversificar geograficamente. Eu poderia construir todas as fases em Mato Grosso, mas não foi essa a escolha”, explica Alfini.

Ao todo, a empresa prevê dez unidades em operação quando as plantas de Rio Verde e Rondonópolis, em Mato Grosso, entrarem em funcionamento. Esta última receberá investimento de cerca de R$ 3,5 bilhões e terá capacidade para produzir aproximadamente 1 bilhão de litros de etanol por ano.

José Odvar Lopes (à esquerda, sem boné), fundador da Inpasa
José Odvar Lopes (segundo à esquerda sem boné), fundador da Inpasa (Divulgação)

Para garantir a conexão entre os hubs produtivos, a Inpasa vem investindo de forma crescente em logística. Em 2023, a empresa deu um primeiro passo concreto no modal ferroviário: gastou cerca de R$ 100 milhões na aquisição de 50 vagões e duas locomotivas, operados pela Rumo no corredor entre Rondonópolis e Paulínia, no interior paulista.

O movimento equivale a retirar 17 mil viagens de caminhão das estradas por ano. Mas foi só o começo. Alfini diz que a empresa pretende chegar a quase 500 vagões e 32 locomotivas. “O nosso investimento tem que ser bastante pesado para sermos competitivos”, diz o CFO.

A capacidade de armazenagem também é parte da equação. A empresa acumulou mais de 5,6 milhões de toneladas de capacidade estática nos estados onde opera, o suficiente para garantir seis meses de produção sem depender do ritmo da colheita.

É uma vantagem que a cana-de-açúcar não tem: o grão pode esperar nos silos, enquanto a cana precisa ser moída em horas após o corte, além do fato de o etanol produzido a partir do milho ser cerca de 40% mais barato.

Essa “folga” também protege a empresa de oscilações sazonais de preço. “A hora em que começa a nova colheita é o momento em que os silos estão esvaziando”, explica Alfini. “Você consegue arbitrar os melhores momentos.”

Outros produtos do milho

Além da expansão geográfica, a Inpasa investiu para que suas usinas tivessem aproveitamento máximo do grão. Para cada tonelada de milho que entra, saem etanol, DDGS e óleo vegetal. Esses produtos têm mercado e preço próprios.

O DDGS é um farelo rico em proteína utilizado na alimentação animal e uma das principais apostas de agregação de valor da Inpasa. Junto com o óleo de milho, o DDGS já representa cerca de 15% da receita da empresa, algo próximo a R$ 4 bilhões por ano, e chega a cobrir entre 35% e 40% do custo de aquisição do milho.

A empresa produz cerca de 3,3 milhões de toneladas de DDGS por ano. A Inpasa reivindica um diferencial técnico no produto: não utiliza ácido sulfúrico nem antibiótico em seu processo industrial, o que reduz o risco de contaminação e abre portas em mercados mais exigentes.

Fernando Alfini, CFO da Inpasa
Fernando Alfini, CFO da Inpasa (Divulgação)

A empresa criou uma marca própria, a FortiPro, para o ingrediente para se diferenciar em um mercado que, segundo Alfini, aprendeu a pedir especificamente pelo produto da companhia.

A Inpasa já responde por mais de 95% das exportações brasileiras de DDGS. Em 2025, o Brasil vendeu cerca de 879 mil toneladas do produto para 25 países, com Turquia, Vietnã e Nova Zelândia entre os principais compradores. 

Em 2026, a China recebeu sua primeira carga brasileira da Insapa: um navio com cerca de 62 mil toneladas. O mercado deve crescer junto com a produção nacional: estimativas do setor apontam para 7 milhões de toneladas de DDGS até a safra 2029/30, ante um consumo interno de cerca de 2,4 milhões de toneladas.

Governança e próximos passos

Paralelamente à expansão industrial, a Inpasa passa por uma transformação de governança. O fundador José Odvar Lopes tornou-se chairman (presidente do conselho) e seu filho Éder assumiu a presidência executiva.

Além da sucessão familiar, a companhia começa a estruturar um conselho consultivo. “Depois desse crescimento que nós tivemos, tornou-se mais latente a necessidade de sofisticar a governança corporativa”, diz Alfini.

O primeiro passo foi a chegada de José Olympio Pereira, ex-CEO do banco J. Safra e um dos nomes mais respeitados do mercado financeiro brasileiro. A expectativa é que mais dois nomes do mesmo peso sejam anunciados como conselheiros independentes.

O movimento sinaliza o novo momento de uma empresa que começa a se preparar para um eventual próximo passo — seja no mercado de capitais, com uma oferta pública inicial de ações (IPO), seja com emissões de dívida no exterior.

Com a expansão praticamente financiada com capital prórpio, a Inpasa realizou até o momento quatro emissões de debêntures incentivadas pela Lei 12.431, captando cerca de R$ 1,5 bilhão no mercado, e o CFO não descarta outras estruturas. “Gostamos de dinheiro barato”, resume Alfini.

No mercado, circulou no ano passado a informação de que a Petrobras buscaria um sócio estratégico para a produção de etanol, com a Inpasa despontando como uma das favoritas.  Alfini nega qualquer negociação: “Nunca tivemos nenhuma conversa com a Petrobras.”

Sobre a Vibra Energia, cujo maior acionista individual é o próprio Seu Zé, com mais de 10% das ações da antiga BR Distribuidora, Alfini reconhece que existem sinergias óbvias entre as empresas, mas descarta qualquer discussão formal. “A Vibra é um investimento pessoal do Seu Zé e seguirá sendo tratada na Inpasa como mais um cliente”, conclui.

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Petróleo tomba 11% com expectativa de conflito de curta duração

10 de Março de 2026, 16:52

Após três sessões consecutivas de forte alta, o petróleo fechou em queda de 11% nesta terça-feira (10), diante das expectativas de um conflito de curta duração pelo mercado.

Na segunda-feira (9), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou que a guerra deve encerrar em breve e que o plano dos EUA está adiantado em relação ao cronograma inicial de quatro a cinco semanas de conflito.

O Brent para maio recuou 11,2%, a US$ 87,80 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE). Já o West Texas Intermediate (WTI) para abri caiu 11,9%, a US$ 83,45 o barril.

Em reunião hoje, os ministros de Energia do G7 não chegaram a um consenso quanto à liberação das reservas estratégicas de petróleo e, em vez disso, pediram à Agência Internacional de Energia (AIE) que avalie a situação antes de agir.

A AIE disse estar convocando uma reunião extraordinária de seus países membros nesta terça-feira.

Os integrantes devem “avaliar a segurança atual do fornecimento e as condições do mercado para orientar uma decisão subsequente sobre disponibilizar ou não os estoques de emergência dos países da AIE para o mercado”, afirmou o diretor executivo da AIE, Fatih Birol.

O petróleo chegou a aprofundar as quedas após as falas de Birol, diante da expectativa de que a entidade discuta a liberação de petróleo com países que integram a AIE.

Na avaliação do Scotiabank, a bola da vez para acabar com a guerra está nas mãos de Trump, visto que a negociação diplomática seria uma forma de finalizar o conflito e potencialmente estabilizar os mercados de energia.

O banco aponta ainda que, ao considerar a infraestrutura energética do Golfo, que não sofreu danos graves, é esperada uma rápida moderação nos preços da commodity.

*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo

Porto de Santos: o cabo de guerra que trava um dos maiores leilões da história

10 de Março de 2026, 06:00

Um terço do comércio exterior brasileiro passa pelo Porto de Santos. Quando se olha só para a movimentação de contêineres, o peso é ainda maior: 40%.

Só que o maior porto da América Latina está no limite. A capacidade instalada dá conta de embarcar 5,9 milhões de contêineres por ano. Em 2023, foram 4,7 milhões. Em 2024, 5,4 milhões. Em 2025… justamente 5,9 milhões. Estrangulou. E agora?

A solução está na mesa do governo federal desde janeiro do ano passado: leiloar uma área subutilizada do porto para a construção de um novo terminal de contêineres, com capacidade para lidar com 3 milhões deles por ano; ou seja, o bastante para ampliar a capacidade atual em um terço.

Sempre vale lembrar: o terreno do porto pertence à União. O poder público decide o que fazer com cada área – se ela deve virar um terminal de grãos, de combustíveis, de contêineres… – e determina o investimento necessário para as obras. Aí leiloa a concessão e a empresa que pagar mais leva.

Terminal de contêineres
Terminal de contêineres. Foto: John Lamb/Getty Images

Nos planos, o futuro terminal para “caixotes gigantes” ganhou o nome de Tecon 10, e o governo estipulou um investimento obrigatório de R$ 6,5 bilhões. Trata-se do maior leilão portuário da história – e um dos maiores do setor de infraestrutura em geral. O lance mínimo para levar a concessão, por 25 anos, é de R$ 500 milhões. Ainda assim, não faltam interessados.

Mas o leilão travou, porque há um cabo de guerra na definição das regras. E não são pendengas meramente burocráticas. O que acontece ali reflete uma disputa global. Vamos aos detalhes.       

A ‘verticalização’ dos armadores

Dois agentes disputam o mercado de terminais de contêineres mundo afora. De um lado, estão os “armadores”; do outro, as operadoras de terminais.

Armadores são as grandes companhias de navegação, que operam navios de carga. Os logos delas estão visíveis o tempo todo na traseira dos caminhões, quando os contêineres pegam a estrada, ou quando se passa perto de portos: Maersk, MSC, CMA, Hamburg Süd (que hoje é parte da Maersk).

Essas companhias são o sistema circulatório do comércio mundial. Se um empresário tem uma fábrica de sapatos e precisa mandar 10 mil pares para a Europa, não vale a pena fretar um navio para isso. Isso é carga para dois contêineres, só.

O responsável pela entrega vai ligar para uma armadora. E eles vão dizer: “Olha, toda quarta-feira, às 10h, tenho um navio saindo de Santos para o Porto de Antuérpia. Você precisa deixar a carga no terminal até segunda”. 

Os armadores, no fim das contas, servem como linhas de ônibus para cargas. Os barcos vão encostando de porto em porto, e os contêineres sobem e descem, como passageiros de transporte público.

Só que os armadores têm ampliado seus tentáculos para além desse papel. Cada vez mais, têm operado as “rodoviárias” desse sistema. No caso, os terminais de contêineres.

Essas companhias têm deixado de ser só clientes dos portos para administrar os terminais em que seus navios atracam. Trata-se de um processo de “verticalização”, no jargão corporativo – justamente o mesmo que acontece quando uma companhia de ônibus compra uma rodoviária ou uma companhia aérea se torna dona de aeroporto. No fim do dia, isso reduz custos do negócio principal.

No mundo, quatro armadores já estão entre os dez maiores operadores de terminais de contêineres: Maersk, MSC, CMA e Cosco. Seus terminais nos portos mundo afora movimentam, juntos, 154 milhões de contêineres. Ou 18% do total.

Em Santos, a presença dos armadores é ainda mais marcante. Dos três terminais de contêineres, dois estão com as armadoras. O maior é o Tecon Santos, com capacidade para 2,5 milhões de contêineres. Ele pertence à terceira maior companhia de navegação do mundo, a francesa CMA.

Depois vem o BTP (Brasil Terminal Portuário), com 2 milhões. Trata-se de uma joint venture entre a MSC, da Suíça, e a Maersk, da Dinamarca – as duas maiores armadoras do planeta, nessa ordem.   

Juntas, eles comandam 75% da operação de contêineres no Porto de Santos.

Só o menor dos terminais, com capacidade para 1,4 milhão de contêineres por ano, fica com uma operadora “bandeira branca”, que não tem uma companhia de navegação por trás. Esse fica a cargo da Dubai Ports World, dos Emirados Árabes Unidos.

Ao elaborar o leilão do Tecon 10, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) quis aproveitar a oportunidade para reduzir a concentração de armadores – e aumentar a concorrência. Como? Dizendo que abriria o edital apenas para empresas que não operam hoje no porto de Santos. 

A Maersk não gostou.

Em junho de 2025, processou a Antaq e pediu mudanças nas regras. A dinamarquesa alegou que as condições eram injustas por natureza, já que elas restringiriam a concorrência dentro do próprio leilão. A MSC cogitou fazer o mesmo. No fim, a Justiça negou o pedido, mas o clima de insegurança jurídica ficou.

O próprio fato de Maersk e MSC dividirem um terminal em Santos, o BTP, mostra o quanto a operação no porto é importante para cada uma. “Essa é uma situação rara. Armadores tão grandes não gostam de dividir terminal. Eles dividiram porque havia restrição de capacidade”, disse ao InvestNews uma fonte próxima ao assunto. “Certamente o sonho de cada uma era estar sozinha no BTP.”

Com o Tecon 10, o sonho do terminal 100% próprio estaria mais perto, não fosse a restrição a empresas que já operassem em Santos. 

Mas isso mudaria mais tarde – não exatamente da forma que os armadores desejavam. Em dezembro, ficou aprovado que o leilão acontecerá em duas fases. 

Na primeira, entram só operadores bandeira branca. Caso não saia nenhum vitorioso, aí sim, os armadores podem entrar.

Golias X Golias

Nada disso significa que os operadores bandeira branca sejam companhias mais modestas que os armadores. A China Merchants, uma das interessadas no Tecon 10, movimenta, em 26 países, 150 milhões de contêineres por ano – quase o mesmo número dos quatro maiores armadores juntos. 

A própria Dubai Ports, que está no Porto de Santos, não fica muito atrás: são 90 milhões de contêineres por ano.

Outros “mamutes” que, segundo a Antaq, estão de olho no leilão são a PSA International, de Singapura (100 milhões de contêineres), e a Hutchison Port Holdings, de Hong Kong (87 milhões).

Não se trata, portanto, de uma briga de Davi versus Golias. Todos são Golias. Mas a intenção de tirar os armadores da primeira fase faz sentido de qualquer forma, porque a própria concentração deles é severa no Brasil.

O trio que está em Santos – Maersk, MSC e CMA – tem de 85% a 90% do mercado no Brasil. Note bem: não o de terminais de contêineres, o de navegação mesmo, seu negócio principal.

Isso deixa o nosso mercado menos acessível para as concorrentes globais delas – a Cosco, da China; a Evergreen, de Taiwan; a One, do Japão, para citar algumas. E menos concorrência pode produzir de tudo. Só não produz fretes mais baratos.

“Liberar” o Tecon 10 para outro armador, mesmo que seja um dos concorrentes de fora, seria menos eficaz para aumentar a concorrência do que ver o novo terminal nas mãos de um operador bandeira branca.

Isso não significa, porém, que o fenômeno da verticalização esteja restrito aos armadores. A JBS, por exemplo, é uma grande usuária de transporte via contêiner – na versão refrigerada, para levar carne. E desde 2024 opera o Porto de Itajaí (SC), que movimentou 387 mil contêineres no ano passado; boa parte deles com frangos e suínos. De vários clientes, mas dela própria também.

 A JBS Terminals – nome desse braço logístico dos irmãos Batista – também tem interesse no Tecon 10. E tal como as outras operadoras aguarda a versão derradeira do edital. 

Mas isso talvez esteja longe. Quando definiu o leilão em duas fases, em dezembro, o discurso do governo era o de que o edital sairia em março. Mas o desenho ali continua em discussão – basicamente, a cláusula que impede os armadores. Em 23 de fevereiro, o ministro dos Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho (Republicanos), admitiu que ainda não há um cronograma para o leilão.

Na última sexta (6), a entidade que representa os 20 maiores armadores do mundo no Brasil publicou um anúncio no jornal Valor Econômico defendendo que o leilão aconteça em fase única, sem restrições. A novela continua.

A fonte ouvida pelo InvestNews resume a situação: “Tem gente mais pessimista, tanto no governo quanto na iniciativa privada. E tem gente ainda esperançosa – não sei se otimista, mas esperançosa.”

Petróleo dispara 15% e supera US$ 106 com nomeação de novo líder do Irã

8 de Março de 2026, 20:10

Os preços do petróleo dispararam neste domingo (8) e ultrapassaram US$ 106 por barril, em meio à escalada da guerra envolvendo o Irã e temores de impactos sobre a produção e o transporte da commodity.

O movimento ganhou novo fôlego após a mídia estatal iraniana informar que Mojtaba Khamenei foi nomeado novo líder supremo do país, sucedendo seu pai, Ali Khamenei.

Esta é a primeira vez em quatro anos que o barril é negociado acima de US$ 100.

Por volta das 19h30 (horário de Brasília), o petróleo West Texas Intermediate crude oil (WTI) para abril avançava 17,47%, a US$ 106,60 o barril, enquanto o Brent crude oil para maio subia 14,86%, a US$ 106,34.

Segundo a mídia estatal iraniana, Mojtaba, de 56 anos, vinha sendo apontado desde as primeiras horas do dia como possível sucessor. Considerado um nome de linha-dura, ele ganhou influência após ajudar a organizar a repressão aos protestos da chamada “Onda Verde”, em 2009, ligados às eleições contestadas que mantiveram Mahmoud Ahmadinejad no poder.

O presidente Donald Trump afirmou ao canal ABC News que poderia haver novas retaliações caso o nome escolhido não tivesse aprovação prévia de Washington. “Se não tiver nossa aprovação, não vai durar muito tempo”, disse. Questionado se aprovaria alguém com ligações ao antigo regime, Trump respondeu que poderia apoiar “um bom líder”.

Israel já afirmou que qualquer novo líder iraniano poderá se tornar alvo militar.

*Com Estadão Conteúdo

O que tem feito os lucros do S&P 500 crescerem e como a guerra no Irã pode impactar esse movimento

8 de Março de 2026, 14:00

O ponto central da temporada de resultados do S&P 500 é simples: o índice entregou mais um trimestre muito bom de lucros, e o número agregado continua forte o suficiente para sustentar a narrativa de resiliência do índice.

Com quase todas as empresas já tendo divulgado os seus números, 73% bateram o mercado, e o lucro consolidado cresceu 13% a/a, bem acima dos 7% esperados no início da temporada.

A conclusão aqui é que a barra de resultados estava baixa demais, e o índice voltou a surpreender para cima.

Os resultados do S&P 500 estão crescendo de maneira consistente há mais de 1 ano

Esse resultado ganha ainda mais peso porque não foi um evento isolado: o 4T25 marca também o quinto trimestre consecutivo de crescimento de lucros acima de dois dígitos no S&P 500.

Em ciclos normais, cinco trimestres seguidos nessa faixa costumam vir acompanhados de uma narrativa de expansão de qualidade, difusão e confiança no crescimento da maioria das empresas.

A leitura prática, porém, é que o ciclo está forte, mas mais “seletivo” do que parece quando olhamos só as notícias mais recentes.

Como foi a performance das empresas em geral (excluindo as 7 Magníficas)

O principal alerta da temporada está na baixa difusão do crescimento de lucros, que não avançou, movimento que está oposto à performance de mercado do S&P 500 no ano, com mais de 300 empresas com uma performance acima do índice.

Quando excluímos as 7 Magníficas (Apple, Nvidia, Meta, Microsoft, Amazon, Alphabet e Tesla), o ritmo de crescimento do LPA (lucro por ação) das outras 493 empresas desacelerou para 9,8% a/a no 4T25, versus 12,2% no 3T25.

Ou seja: o S&P 500 continua crescendo bem, mas o crescimento não está sendo difundido entre as companhias.

E a rentabilidade das companhias aumentou

Do lado de rentabilidade, o trimestre trouxe um reforço positivo: a margem líquida do S&P 500 subiu 20 bps, de 13,1% para 13,3% nesse trimestre.

Isso sugere eficiência operacional, mas também uma composição cada vez mais favorável, dado o peso cada vez maior de tecnologia e comunicação no consolidado e as maiores taxas de crescimento desses setores versus o índice (excluindo as 7 Magníficas).

Uma nova América está nascendo: setor industrial foi melhor do que tecnologia

O dado setorial mais interessante do 4T25 foi o desempenho das empresas industriais, com surpresa de LPA de 28,6% versus o consenso, cerca de 3 vezes acima da surpresa de tecnologia (8%).

Em paralelo, saúde, consumo discricionário, materiais básicos, financeiro e consumo não discricionário ficaram essencialmente em linha (até 5% de surpresa), e serviços básicos foi o único setor com surpresa negativa (-1,6%).

Ou seja, o mercado pode estar concentrado em poucas narrativas, mas estamos observando cada vez mais a expansão dos investimentos nos EUA e a recuperação dos EUA como potência industrial e manufatureira após anos de baixos investimentos.

Por que as principais empresas do mundo de tecnologia estão performando mal em 2026?

O mercado parece ter olhado menos para a qualidade do trimestre e mais para dois pontos: investimentos maiores e menor clareza de monetização imediata dos investimentos em IA.

Em outras palavras, a temporada mostrou crescimento ainda sólido das principais companhias de tecnologia do mundo, mas com o investidor exigindo mais “prova de retorno” e menos disposto a pagar apenas por narrativa.

A conclusão é que, hoje, bater o consenso não é suficiente; o mercado quer entender a trajetória de fluxo de caixa e os retornos dos investimentos dessas companhias.

Em 2026 o mercado está mais cético com novos investimentos em IA, após 3 anos exuberantes de performance

Nos hyperscalers (Meta, Microsoft, Amazon e Alphabet), isso ficou explícito na revisão positiva de US$ 120 bilhões no capex para 2026 versus as estimativas iniciais do consenso.

Esse tipo de revisão costuma ser ótima notícia para a cadeia de infraestrutura de IA, mas tende a ser uma notícia ambígua para as próprias ações no curtíssimo prazo, porque aumenta a sensibilidade a qualquer frustração de monetização.

A conclusão é que o mercado está tratando capex como “risco de execução”, não como “garantia de crescimento”, pelo menos por enquanto.

A Meta foi a exceção e, por isso, virou o melhor exemplo do que o mercado quer ver, subindo 10%. O motivo foi a combinação de aceleração dos negócios tradicionais em anúncios com sinais mais claros de monetização de IA (anúncios, Reels e recomendação) — isto é, investimento alto, mas com retornos.

Por que a Nivida caiu mesmo após um resultado positivo?

A Nvidia também ilustra bem essa fase do ciclo de mercado. Os números foram fortes e acima do consenso, com receita de US$ 68,1 bilhões, mas a ação caiu 4% após o resultado.

A interpretação mais provável é que o mercado está precificando a hipótese de “pico de lucros” e que deveriam, no longo prazo, mostrar uma desaceleração devido aos menores investimentos em infraestrutura de inteligência artificial.

A nossa leitura é que esse ceticismo parece prematuro diante da elevada demanda estrutural por capacidade computacional e novas aplicações de IA artificial que ainda estão apenas começando, com destaque para a IA física.

E como a guerra atual no Oriente Médio influencia os meus investimentos?

Apesar da incerteza quanto à duração da guerra no Oriente Médio e aos seus impactos negativos sobre a inflação e o crescimento global, historicamente, conflitos geopolíticos tendem a não dominar a narrativa do mercado financeiro no médio prazo. Ou seja, os fundamentos econômicos tendem a prevalecer sobre as notícias.

Em outras palavras, em períodos de medo e incerteza, os retornos em ações podem ser maiores, justamente porque a aversão ao risco aumenta e os ativos são precificados com desconto.

É importante lembrar também que, em última instância, são os fundamentos econômicos que determinam a economia e os mercados.

E, quando olhamos para os EUA, os dados reforçam esse ponto: o Federal Reserve informou que os balanços patrimoniais das famílias estão sólidos, não apenas no agregado ou entre as famílias de maior renda, mas em todas as faixas de renda.

Para ilustrar, a dívida como percentual do patrimônio líquido das famílias mais pobres do país está atualmente em 16,1%, após recuar gradualmente de 20% no início da década e, tecnicamente, atingir agora o menor nível desde 1999.

E vale sempre lembrar o que, no fim do dia, move o S&P 500: o consumidor americano. O consumo nos EUA representa mais de dois terços do PIB do país (cerca de US$ 20 trilhões) e, se fosse uma economia separada, teria escala comparável à da China. Até aqui, essa força segue positiva, em expansão e com baixa alavancagem.

Concluindo…

Em conclusão, o cenário para o S&P 500 em 2026 revela um mercado de fortes fundamentos, mas que exige maior seletividade do investidor. Embora a resiliência dos lucros seja evidente, com o quinto trimestre consecutivo de crescimento de dois dígitos, o otimismo agora é temperado pelo ceticismo quanto ao retorno imediato dos investimentos em IA e pelas incertezas geopolíticas no Oriente Médio.

No entanto, o surgimento de uma “Nova América” industrial, a resiliência do consumidor americano e a eficiência operacional das companhias sugerem que, apesar do ruído das manchetes de guerra, os fundamentos econômicos tendem a prevalecer no médio prazo. O investidor que focar em empresas com capacidade real de monetização e fluxo de caixa sólido estará melhor posicionado para transformar o prêmio de risco atual em retornos consistentes.

Irã já tem sucessor de Khamenei; nome está sob sigilo

8 de Março de 2026, 11:35

O Irã já tem um novo sucessor do líder supremo após a morte Aiatolá Ali Khamenei em um ataque conjunto entre Estados Unidos e Israel, segundo a mídia iraniana.

Apesar disso, um entrave burocrático impede um anúncio oficial: o grupo teve uma pequena divergência sobre se precisariam se reunir pessoalmente para emitir sua decisão final ou se deveriam ignorar essa formalidade.

Seja como for, é provável que o nome tenha rejeição dos Estados Unidos, algo que o próprio Khamenei já deixou claro. O filho de Khamenei, Mojtaba Khamenei, é um dos principais cotados.

“Até o Grande Satã (EUA) mencionou o nome dele”, disse o clérigo sênior sobre o sucessor escolhido, dias depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter dito que Khamenei era uma escolha “inaceitável” para ele.

Trump afirmou na quinta-feira que o filho mais novo de Khamenei, um clérigo linha-dura de escalão médio, era o sucessor mais provável, mas alertou que rejeitaria tal opção e que deveria se envolver pessoalmente na escolha do próximo líder do Irã.

Outro membro do conselho, o aiatolá Mohsen Heidari Alekasir, disse em vídeo que um candidato havia sido selecionado com base na orientação de Khamenei de que o líder máximo do Irã deveria ser “odiado pelo inimigo”.

Escolha rápida

Em meio à guerra, clérigos da linha dura pediram a escolha rápida de um novo líder supremo para ajudar a guiar o Irã.

Os apelos sugerem que alguns membros do establishment clerical podem não se sentir confortáveis em deixar o poder nas mãos do conselho de três homens encarregado temporariamente após a morte do líder supremo.

O grande aiatolá Naser Makarem Shirazi, cujo título significa que ele tem um grande número de seguidores para suas decisões religiosas, disse que uma nomeação era necessária rapidamente para “ajudar a organizar melhor os assuntos do país”, informou a mídia estatal.

Na semana passada, duas autoridades religiosas xiitas de alto escalão também emitiram fatwas, ou decretos religiosos, conclamando os muçulmanos de todo o mundo a vingar o assassinato de Khamenei. Makarem Shirazi disse que esse era um dever religioso dos muçulmanos “até que o mal desses criminosos seja erradicado do mundo”.

A constituição estabelece que um líder supremo deve ser escolhido dentro de três meses.

Com Reuters

Bitcoin (BTC) recua e perde US$ 68 mil com renovação de ameaças de Trump ao Irã

7 de Março de 2026, 11:01

O Bitcoin (BTC) opera em leve queda na manhã deste sábado (7) após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, renovar as ameaças ao Irã, apesar do anúncio da suspensão de ataques iraniano contra países vizinhos, exceto se facilitarem ataques dos EUA e de Israel contra o Irã.

O ativo, que operava acima dos US$ 68.000, perdeu força ao longo da manhã, diante dos sinais de incerteza quanto à continuidade do conflito no Oriente Médio. Trump disse que o Irã será “duramente atacado hoje”.

Segundo o presidente dos EUA, “áreas e grupos de pessoas” no Irã estão “sob séria consideração para destruição completa e morte certa”, citando o que ele chamou de “mau comportamento do Irã”.

Por volta das 10h40 (horário de Brasília), a criptomoeda caía 0,11%, a US$ 67,985.71. Na mínima, o ativo chegou a operar a US$ 67,440,80.

Em momentos de choque geopolítico, os investidores tendem a procurar ativos seguros e reduzir a exposição aos considerados mais voláteis, como as criptomoedas.

Na véspera, os investidores ainda digeriam o payroll mais fraco de fevereiro, que apontou para a destruição líquida de 92.ooo postos de emprego, diante de uma expectativa de criação de 55.000 vagas, segundo o Projeções Broadcast.

Os dados mais fracos do mercado de trabalho trouxeram dúvidas quanto à robustez da economia em um contexto de preços elevados, o que ressuscitou o fantasma da estagflação nos EUA.

Irã anuncia suspensão de ataques a países vizinhos; Trump renova ameaças por “mau comportamento do Irã”

7 de Março de 2026, 09:57

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse neste sábado (7) que o conselho de liderança temporário aprovou a suspensão de ataques contra países vizinhos, exceto se esses países facilitarem ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

O anúncio ocorreu enquanto o Irã continuava atacando a região, como resposta às ações dos Estados Unidos e de Israel, informou a Reuters.

O assessor Moghadam Far da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou que o Irã não recuará diante dos Estados Unidos ou de Israel.

“Os países que não permitiram que seus territórios ou instalações fossem usados ​​pelos Estados Unidos ou pelo regime sionista não foram e não serão alvos”, disse Far em um comunicado.

“Todas as bases que foram usadas como pontos de partida para ataques contra o Irã foram atingidas”, acrescentou.

Nesta manhã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em publicação na rede Truth Social que “áreas e grupos de pessoas” no Irã estão “sob séria consideração para destruição completa e morte certa”, citando o que ele chamou de “mau comportamento do Irã”.

Trump também respondeu ao anúncio de Pezeshkian e disse que o Irã “pediu desculpas e se rendeu” aos seus vizinhos, acrescentando: “essa promessa só foi feita por causa do ataque implacável dos EUA e de Israel. Eles queriam dominar e governar o Oriente Médio.”

Além disso, o presidente norte-americano escreveu que “O Irã não é mais o ‘valentão do Oriente Médio’, mas sim ‘O PERDEDOR DO ORIENTE MÉDIO”, destacando que esse cenário seguirá por muitas décadas até que se renda ou entre em “colapso total”.

*Com informações de Reuters e CNBC

Tombo do Ibovespa, conflito no Irã e dividendos da Petrobras (PETR4): o que bombou na semana

7 de Março de 2026, 09:28

O derretimento de 5% do Ibovespa na semana com a aversão a risco, diante do conflito no Oriente Médio, e o anúncio do pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) de R$ 8,1 bilhões pela Petrobras (PETR4) foram o centro das atenções entre os leitores.

Entre os temas mais lidos aqui no Money Times, estão também a ação que pode ser beneficiada pelo conflito no Irã, segundo o BTG Pactual, e a data de divulgação das regras para o Imposto de Renda (IR) de 2026. Confira o que mais ganhou destaque nos últimos dias:

Ibovespa tomba 5% na semana

Diante do sentimento de aversão a risco, com a escalada de tensão no conflito dos Estados Unidos e Israel com o Irã, o Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira, caiu 5% nesta semana.

Um dos destaques positivos na bolsa, porém, foi a Petrobras (PETR4), com as ações ordinárias e preferenciais fechando em alta de 5% nesta sexta-feira (6), entre as maiores altas do índice, em reação ao balanço do quarto trimestre (4T25), ao anúncio de dividendos e à disparada do petróleo.

Petrobras (PETR4) paga R$ 8,1 bilhões de JCP

Na quinta-feira (5), a Petrobras (PETR4) informou que seu conselho de administração aprovou o encaminhamento à assembleia de acionistas da proposta de distribuição de R$ 8,1 bilhões em remuneração aos acionistas, referentes ao quarto trimestre de 2025.

A proposta será analisada na Assembleia Geral Ordinária (AGO) marcada para 16 de abril de 2026.

Caso a proposta seja aprovada, os proventos serão pagos em duas parcelas, ambas na forma de juros sobre capital próprio: R$ 0,31311454 por ação em 20 de maio de 2026; R$ 0,31311454 por ação em 22 de junho de 2026.

Disparada do Brent pode beneficiar uma ação, segundo o BTG

Na semana, o petróleo Brent acumulou alta de 27%, superando os US$ 90 com o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas de transporte de petróleo bruto.

Nesse contexto, o BTG Pactual, recomenda a compra e preço-alvo de R$ 56 para a Prio (PRIO3), considerada a principal escolha do banco no setor. Segundo os analistas, apesar das discussões recentes sobre o grau de captura da alta do petróleo pela companhia, o papel tende a acompanhar o movimento do Brent.

O resultado do quarto trimestre de 2025 e o início da produção em Wahoo reforçam a tese, que ganha ainda mais força com preços mais elevados da commodity — ao menos nos mercados futuros.

Receita Federal anuncia regras em 16 de março

Receita Federal comunicou que a divulgação das normas para a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda 2026 ocorrerá no dia 16 de março, às 10 horas, durante coletiva de imprensa.

O anúncio, que habitualmente acontece na primeira quinzena do mês, foi postergado para o início da segunda quinzena, o que deve resultar em um período menor para o envio do documento pelos contribuintes em comparação a anos anteriores.

Como o dia 15 de março cai em um domingo e a divulgação das regras está agendada para o dia 16 (segunda-feira), a expectativa é que o início das transmissões das declarações ocorra apenas a partir do dia 17 de março.

O encerramento do prazo de entrega está previsto para o dia 29 de maio, uma vez que os dias 30 e 31 de maio coincidem com o final de semana,. Essa configuração resultará em menos tempo para preencher e transmitir a declaração do que o registrado em 2025.

XP aumenta projeção do Ibovespa

XP Investimentos revisou o preço-alvo do Ibovespa para 196 mil pontos, aumentando a projeção anterior de 190 mil, ao levar em conta o início do ciclo de cortes de juros e revisões positivas de preço-alvo de ações pelos analistas.

Durante o mês de fevereiro, o fluxo de capital estrangeiro para fora dos Estados Unidos se manteve. Além das tensões geopolíticas que envolveram o presidente dos EUA, Donald Trump, a insegurança sobre uma bolha de IA criou um cenário favorável aos mercados emergentes, incluindo o Brasil.

Ao longo do mês o Ibovespa atingiu máximas históricas, com um forte rali, que a XP acredita que pode “persistir no curto prazo”. Ainda assim, os analistas ressaltam a possibilidade de que os investidores migrem para um “trade de convergência, buscando nomes e setores que ficaram para trás”.

EMS vence disputa pela Medley e compra marca de genéricos por US$ 600 milhões

6 de Março de 2026, 10:22

A EMS, farmacêutica controlada pela família Sanchez, fechou a compra da Medley, marca de medicamentos genéricos da francesa Sanofi no Brasil, em uma operação avaliada em cerca de US$ 600 milhões, aproximadamente R$ 3,2 bilhões na conversão de hoje.

O acordo foi assinado nesta sexta-feira (6) e ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A transação encerra um processo competitivo que envolveu outros interessados, como Aché, Hypera, Biolab e a indiana Sun Pharma, como noticiaram os colegas do Neofeed.

Com a aquisição, a EMS reforça sua posição como uma das maiores fabricantes de medicamentos genéricos do país após uma tentativa frustrada de fusão com a concorrente Hypera. A Medley registrou faturamento de cerca de R$ 1,3 bilhão em 2025, com resultado operacional (Ebitda) próximo de R$ 200 milhões.

O processo de venda da Medley havia sido antecipado pelo InvestNews em dezembro de 2024, quando a Sanofi iniciou a busca por um comprador, em meio a uma reorganização global de portfólio. À época, a pedida era de US$ 1,5 bilhão, mas o negócio acabou saindo por menos da metade.

Em comunicado conjunto divulgado nesta sexta-feira, as empresas afirmaram que a operação abre um novo capítulo para a Medley ao combinar a marca consolidada da companhia no mercado brasileiro com a escala industrial da EMS.

“A Medley representa um ativo estratégico complementar às operações do grupo. A empresa construiu uma marca muito sólida e respeitada no mercado brasileiro”, afirmou, em nota, Carlos Sanchez, presidente do conselho de administração da EMS.

Carlos Sanchez, fundador e controlador da EMS
Carlos Sanchez, fundador e controlador da EMS (Fiesc/Divulgação)

A Sanofi, por sua vez, disse que a venda está alinhada à estratégia global da companhia de concentrar investimentos em medicamentos biofarmacêuticos, produtos OTCs (como antigripais e outros remédios sem necessidade de prescrição por meio da Opella) e vacinas.

Segundo as empresas, a Medley continuará operando normalmente até a conclusão da transação e será mantida como uma marca independente dentro da estrutura da EMS. A Medley foi comprada da família Negrão pela Sanofi em 2009 por R$ 1,5 bilhão.

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Safra atualiza Axia (AXIA3;AXIA6) e calcula dividendos; veja se vale a pena

5 de Março de 2026, 12:09

A Axia (AXIA3; AXIA6) é uma das grandes vencedoras da bolsa. Após uma série de contratempos, como problemas com o governo, a empresa deu um salto na bolsa e não para de subir. Nos últimos 12 meses, a disparada foi de 97%. No ano, acumula alta de 19%. Para o Banco Safra, a ação pode subir ainda mais.

Os analistas atualizaram o preço-alvo do papel ordinário (AXIA3) para R$ 73,10 e o das ações preferenciais classe B (AXIA6) para R$ 79,70, potencial de alta de 23%. Para chegar a esses valores, o Safra incorporou no modelo os resultados do quarto trimestre e novas estimativas para a curva de preços de energia.

Após isso, o banco vê uma taxa interna de retorno ainda atrativa de 11,5% (acima dos pares).

O retorno de dividendos, um dos grandes chamarizes da empresa, deverá ser de 9% entre 2026 e 2028. A tendência, segundo o Safra, é que a alta dos preços continue. Por outro lado, a empresa aumentará os investimentos em transmissão.

“Acreditamos também que a companhia continuará crescendo com novas oportunidades (leilões de reserva de capacidade, transmissão, reforços etc.)”.

Mais dividendos?

Apontada como uma potencial máquina de dividendos da bolsa, o Safra diz que os preços mais elevados sustentarão os gordos proventos.

Nos cálculos dos analistas, a Axia está positivamente exposta a esse movimento, já que, em média, 17%–33% de seu balanço energético estará disponível para trading em 2026–27.

“Como a maior parte da capacidade é hídrica, a energia está sendo despachada em horários de alto preço spot, suprindo demanda de pico e compensando a queda da solar no fim da tarde. A expectativa de preços spot maiores em 2026 (média de R$ 350/MWh) deve elevar a geração de caixa”.

Além disso, a alavancagem-alvo de 3,0x–4,25x dívida líquida/EBITDA, junto à maior geração de caixa, deve implicar dividendos maiores.

Como foram os resultados da Axia?

A Axia Energia reportou  lucro líquido ajustado de R$ 1,25 bilhão, alta de 141% sobre o mesmo período de 2024, em meio a menor volume de provisões e menor despesa de IR/CS.

A dinâmica mais do que compensou a menor contribuição da geração após a venda de térmicas, de acordo com o balanço divulgado pela antiga Eletrobras.

Apesar do crescimento expressivo na comparação anual da última linha, o resultado — sobretudo em receita e Ebitda frente ao consenso — ficou abaixo das estimativas de parte do mercado.

O principal fator foi o volume de energia vendida menor do que o modelado pelas casas.

Para o UBS BB, “o número ficou abaixo do esperado principalmente decorrente de um volume de energia vendida inferior às nossas estimativas”. Ainda assim, o time liderado por Giuliano Ajeje ponderou que “o crescimento sequencial continua sólido”, indicando que o desvio foi mais pontual do que estrutural.

Membro do Fed vê risco inflacionário em guerra com Irã, mas impacto econômico segue indefinido

5 de Março de 2026, 12:09

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Richmond, Tom Barkin, afirmou que ainda não tem clareza sobre os impactos econômicos da guerra envolvendo o Irã, mas destacou que choques nos preços de energia podem afetar a inflação e o comportamento do consumidor nos Estados Unidos.

Em entrevista à Bloomberg TV nesta quinta-feira (5) Barkin disse que aumentos nos preços da gasolina continuam sendo um fator relevante para o sentimento das famílias e podem reduzir outros gastos. “Os preços da gasolina ainda importam para o sentimento e podem deslocar outros tipos de consumo”, afirmou.

Barkin ressaltou que, em tese, choques de curto prazo nos preços de energia tendem a ser temporários. “Os manuais diriam para olhar além de choques de curto prazo”, disse. Ainda assim, destacou que o Fed acompanhará a evolução desses efeitos antes de definir qualquer resposta. “O Fed seguirá decidindo juros reunião a reunião. Se os preços da gasolina estiverem mais altos, isso é inflacionário e teremos de decidir por quanto tempo isso vai durar.”

O dirigente também avaliou que os dados recentes de inflação trouxeram alguma incerteza sobre o progresso do processo desinflacionário.

Ele argumentou que os números recentes “levantam dúvidas sobre se o Fed já terminou sua luta contra a inflação”.

Por outro lado, Barkin apontou sinais positivos na economia. Segundo ele, empresas têm ampliado investimentos em produtividade, o que ajuda a sustentar margens corporativas mesmo diante de pressões como tarifas. “Estamos vendo empresas investirem em produtividade”, disse, observando que um crescimento de produtividade de 2,8% “ainda é um número bastante bom”.

Barkin reiterou que a política monetária segue em território modestamente restritivo, embora a demanda permaneça sólida. O dirigente também defendeu que o banco central tenha “uma presença menor nos mercados”.

Conflito no Oriente Médio traz dúvidas ao BC e exige ‘serenidade’, segundo Nilton David

5 de Março de 2026, 11:44

O diretor de política monetária do Banco Central do Brasil, Nilton David, afirmou nesta quinta-feira (5) que a autoridade monetária deve agir com cautela diante do aumento das incertezas globais, especialmente após a escalada das tensões no Oriente Médio.

Segundo ele, a postura do BC exige “serenidade”, mas isso não significa falta de ação. “Serenidade não significa inação, significa tirar emoção do tratamento dos dados”, afirmou durante participação na Latam Macro Conference 2026, evento organizado pelo Goldman Sachs, em São Paulo.

Nilton destacou que o conflito no Oriente Médio traz dúvidas relevantes para o cenário econômico, principalmente por causa dos possíveis impactos do petróleo sobre a inflação. “É natural pensar que quando o petróleo sobe há pressão inflacionária, mas por quanto tempo? Não sabemos a duração”, disse.

Para o diretor, caso o choque geopolítico tivesse ocorrido há alguns meses, o ambiente seria mais complexo para a condução da política monetária.

No momento, ele avalia que já é possível observar uma inflexão da atividade econômica, com o nível de atividade retornando ao seu potencial. Ainda assim, o cenário exige cautela na interpretação dos dados e no ritmo das decisões, disse.

Nilton também relembrou que, após a queda da volatilidade do real e dos juros em dezembro, houve questionamentos sobre a comunicação do BC. Em janeiro, porém, segundo ele, os dados passaram a evoluir de forma mais próxima do esperado, reforçando a percepção de que o próximo movimento da autoridade monetária seria apenas de “calibração”.

“É um processo de calibração, não é um processo de afrouxamento da política monetária. A busca aqui não é a taxa de juro neutro”, afirmou. “Esse processo de calibração passa por terminar em ponto restritivo.”

Segundo ele, o próprio BC entende que o ambiente de mercado deve ficar mais volátil ao longo deste ano por causa das eleições presidenciais, o que tende a reduzir a eficácia da política monetária. Nesse contexto, a “camada extra de juros” aplicada até agora pela autoridade monetária deve ajudar a lidar com esse cenário.

“Com tudo isso posto, o Comitê decidiu que o processo de calibração deve começar na próxima reunião, e por isso que é uma calibração, a gente está vendo até onde a gente pode ir”, disse.

Em janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15% ao ano, mas sinalizou a intenção de iniciar o processo de corte dos juros neste mês.

No mercado, a principal dúvida agora é o tamanho desse corte. Com o aumento das incertezas globais após o início da guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, investidores reduziram as apostas em uma queda de 0,50 pontos percentuais e passaram a elevar as posições em um corte menor, de 0,25 p.p.

Durante sua fala, David afirmou que não pode antecipar a decisão do Copom, acrescentando que os acontecimentos envolvendo o Irã são relevantes, mas cercados de incertezas

*Com informações da Broadcast

Comerc, da Vibra Energia, deixa projeto de usina solar flutuante em SP

4 de Março de 2026, 12:48

A Comerc Energia, comercializadora de energia da Vibra, está vendendo a totalidade da participação que detinha na KWP Comerc SPE, empresa criada para desenvolver um projeto de usinas solares flutuantes na represa Billings, na Grande São Paulo.

Com a operação, KWP Energia – que já era sócia no empreendimento – passará a deter 100% do capital da sociedade, assumindo o controle integral do projeto. Antes da transação, Comerc e KWP dividiam a empresa em partes iguais.

A sociedade de propósito específico (SPE) foi estruturada para viabilizar a instalação de até 80 megawatts de geração solar flutuante no reservatório, em parceria com a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae). O valor da operação não foi divulgado.

O projeto tem origem em chamadas públicas realizadas pela Emae entre 2020 e 2021 para o desenvolvimento de usinas solares sobre a lâmina d’água do reservatório. A KWP foi selecionada como desenvolvedora e, posteriormente, estruturou a sociedade com a entrada da Comerc como sócia, em meados de 2024.

A iniciativa está enquadrada no modelo de geração distribuída, no qual a energia é produzida próxima ao consumo e conectada à rede de distribuição. Mesmo se atingir os 80 MW planejados, o projeto representaria uma fração pequena do mercado brasileiro de geração distribuída, que soma cerca de 45 GW instalados.

Comerc, da Vibra Energia, deixa projeto de usina solar flutuante em SP

4 de Março de 2026, 12:48

A Comerc Energia, comercializadora de energia da Vibra, está vendendo a totalidade da participação que detinha na KWP Comerc SPE, empresa criada para desenvolver um projeto de usinas solares flutuantes na represa Billings, na Grande São Paulo.

Com a operação, KWP Energia – que já era sócia no empreendimento – passará a deter 100% do capital da sociedade, assumindo o controle integral do projeto. Antes da transação, Comerc e KWP dividiam a empresa em partes iguais.

A sociedade de propósito específico (SPE) foi estruturada para viabilizar a instalação de até 80 megawatts de geração solar flutuante no reservatório, em parceria com a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae). O valor da operação não foi divulgado.

O projeto tem origem em chamadas públicas realizadas pela Emae entre 2020 e 2021 para o desenvolvimento de usinas solares sobre a lâmina d’água do reservatório. A KWP foi selecionada como desenvolvedora e, posteriormente, estruturou a sociedade com a entrada da Comerc como sócia, em meados de 2024.

A iniciativa está enquadrada no modelo de geração distribuída, no qual a energia é produzida próxima ao consumo e conectada à rede de distribuição. Mesmo se atingir os 80 MW planejados, o projeto representaria uma fração pequena do mercado brasileiro de geração distribuída, que soma cerca de 45 GW instalados.

A conta chegou: executivos de marketing já preveem demissões, pressionados por economia com IA

24 de Dezembro de 2025, 06:00

Após três anos de debates sobre as possibilidades e os riscos da inteligência artificial no marketing, alguns executivos dizem que a cobrança pelas economias prometidas está prestes a se tornar concreta.

Trinta e seis por cento dos diretores de marketing esperam reduzir o quadro de funcionários nos próximos 12 a 24 meses “por meio do uso de IA ou da eliminação de redundâncias”, de acordo com uma nova pesquisa da consultoria de recrutamento executivo Spencer Stuart, baseada em entrevistas realizadas em novembro com cerca de 90 CMOs e outros líderes de marketing.

Nas empresas de maior porte, o cenário é ainda mais negativo. Quarenta e sete por cento dos entrevistados em companhias com receita de US$ 20 bilhões ou mais afirmaram que esperam cortar pessoal nos próximos 12 a 24 meses, e 32% já o fizeram neste ano, segundo o levantamento.

O principal fator é a crescente pressão para demonstrar retorno sobre os investimentos significativos em IA, afirmou Richard Sanderson, responsável pela prática de executivos de marketing, vendas e comunicações da Spencer Stuart.

“Estamos ouvindo, especialmente das empresas maiores, que elas precisam entregar resultados — e isso pode ter de acontecer pela força bruta da redução de pessoal”, disse Sanderson.

Trinta e sete por cento dos profissionais de marketing em empresas com receita acima de US$ 20 bilhões disseram que seus CEOs e diretores financeiros esperam cortes de pelo menos 20% nos custos nos próximos dois anos, de acordo com a pesquisa.

Outra pesquisa recente, porém, foi direto ao ponto: a maioria dos CEOs ainda não viu os retornos ou as economias desejadas com os gastos em IA, segundo uma enquete com mais de 350 executivos-chefes de empresas abertas realizada pela consultoria Teneo.

Muitos profissionais de marketing ainda estão experimentando formas de otimizar suas operações, disse Jessica Serrano, CMO da Bagel Brands, dona de marcas como a Einstein Bros. Bagels. A empresa usou IA para criar locuções para anúncios e para pesquisar consumidores que se voluntariaram a testar um novo produto. Essas iniciativas economizaram recursos que teriam sido destinados à contratação de locutores humanos e de uma empresa tradicional de pesquisa de mercado, afirmou Serrano.

Ao mesmo tempo, porém, a companhia recuou na busca por um fornecedor de IA criativa, porque nenhum conseguiu comprovar suas promessas de produzir conteúdo de alta qualidade em grande escala, segundo Serrano, que comparou o processo de avaliação de novas ferramentas ao namoro.

“Não sou a única a sentir que ainda estou muito na fase de avaliação”, disse.

Os profissionais de marketing que não promoveram cortes de pessoal buscaram reduzir custos de outras formas: diminuindo o uso de agências de publicidade, dispensando freelancers ou eliminando completamente funções criativas como redator, especialista em e-mail marketing e produtor de vídeo, de acordo com a pesquisa da Spencer Stuart.

A turbulência não pode ser atribuída apenas à IA, afirmou Tim Derdenger, professor associado de marketing e estratégia da Tepper School of Business, da Universidade Carnegie Mellon. Uma economia em desaceleração, além de uma correção nas contratações excessivas do período da pandemia, também tiveram papel relevante, disse ele.

“Você tem essas duas ondas se aproximando lentamente uma da outra, e elas vão colidir”, afirmou Derdenger, referindo-se à IA e ao cenário econômico mais amplo.

Outro levantamento, no entanto, desenhou um quadro ainda mais enxuto. Segundo o site de empregos Indeed, as vagas em marketing estão em 81% dos níveis pré-pandemia. Esse percentual pode cair ainda mais: após a recente conclusão da aquisição do grupo publicitário Interpublic Group pela Omnicom, a empresa informou que planeja eliminar 4.000 postos de trabalho nas duas companhias.

Apesar do cenário negativo, a pesquisa da Spencer Stuart também apontou a criação de novos cargos. Alguns CMOs disseram ter criado funções especializadas, como engenheiro de prompts, tecnólogo de dados, especialista em busca com IA e analista de operações de IA. Ainda assim, pouquíssimos entrevistados — apenas 4% — contrataram novos funcionários no último ano.

O foco em economia faz sentido do ponto de vista de um CEO, mas alguns profissionais de marketing de grandes marcas veem a aquisição de clientes como um indicador mais confiável do sucesso da IA, segundo Jessica Jensen, diretora de marketing e estratégia do LinkedIn.

“A maior parte da minha conversa com nosso CEO e CFO hoje gira em torno do cálculo do crescimento, não do cálculo da economia”, disse Jensen.

É verdade que o LinkedIn, por ser uma empresa da Microsoft, tem maior acesso a novas tecnologias e depende menos de fornecedores externos do que a maioria das companhias. Recentemente, por exemplo, desenvolveu uma ferramenta de IA criativa chamada LinkedIn on LinkedIn, ou LOL, para ajudar a produzir e monitorar campanhas de marketing executadas em sua própria plataforma, afirmou Jensen.

O LinkedIn estima que a ferramenta possa economizar 10 mil horas de trabalho neste ano, embora tenha se recusado a atribuir um valor financeiro a essa economia.

Independentemente das preocupações orçamentárias, o maior desafio para os profissionais de marketing segue sendo a integração das ferramentas de IA, segundo Serrano, da Bagel Brands. Os entrevistados da pesquisa da Spencer Stuart concordaram: apenas 3% disseram que a IA já desempenha algum papel em todos os aspectos de suas operações de marketing.

E o número de empresas que descreveram sua equipe como uma “organização de marketing totalmente transformada e nativa em IA”? Zero.

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Fundador da Inpasa pede ao Cade autorização para seguir investindo na Vibra

19 de Novembro de 2025, 12:01

A produtora de etanol Inpasa está se aproximando, ainda que de forma indireta, da Vibra Energia, a maior distribuidora de combustíveis do Brasil. É que o fundador da companhia com sede em Mato Grosso, José Odvar Lopes, pediu autorização ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para manter o investimento feito por meio de seu veículo pessoal, o Fundo Infiniti JL, na Vibra.

A operação precisa ser notificada porque envolve empresas do mesmo setor econômico. O Seu Zé, como Lopes é conhecido, inclusive, mantém uma pequena rede de postos, a Rodobrás, com presença limitada no Centro-Oeste. De toda forma, o investidor só poderá exercer direitos políticos na Vibra somente após o aval do órgão.

Embora apresentado como um investimento financeiro, o Infiniti JL é também o veículo controlador da Inpasa, maior produtora de etanol de milho do país e integrante do mesmo grupo econômico sob o comando de Seu Zé.

A presença simultânea na produção (Inpasa) com participação relevante na distribuição (Vibra) colocou o caso sob atenção do Cade. A Vibra tem a rede de postos de combustíveis com a bandeira Petrobras, a maior do Brasil.

Avanço na Vibra

Pessoas próximas ao negócio relataram ao InvestNews que Seu Zé estaria aguardando o aval do Cade para formalizar a indicação de seu nome ao conselho de administração da Vibra. Atualmente, o Infiniti JL detém 10,14% da distribuidora, percentual que lhe daria condições de obter um assento.

O estatuto social da Vibra não impõe vedações específicas para a eleição de conselheiros por investidores que atuem no setor de combustíveis e prevê apenas que o candidato não pode incorrer em “conflito de interesses”, sem especificar o que caracterizaria isso.

A autorização do órgão também poderia abrir espaço para que o empresário compre mais ações da companhia. Por outro lado, uma negativa do Cade poderia obrigar Lopes a reduzir sua participação na Vibra para menos de 5%, deixando assim a condição de acionista relevante.

O principal limitador acionário é a poison pill. Qualquer acionista que atingir 25% do capital é obrigado a lançar uma oferta pública para adquirir 100% das ações da companhia, por um preço no mínimo igual à maior cotação dos últimos 18 meses, atualizada pela taxa DI e acrescida de um prêmio de 15%, além dos ajustes por proventos e eventos societários. É um mecanismo desenhado para tornar economicamente proibitiva qualquer tomada de controle não negociada.

Hoje, a Vibra é uma corporação, ou seja, sem um acionista controlador. Seu Zé tem hoje a maior posição da empresa, seguido pela gestora Dynamo (9,99%) e pelo investidor Ronaldo Cezar Coelho, por meio do fundo Samambaia, com 8,3%. BlackRock e Lazard completam o cap table, com cerca de 5% dos papéis cada.

Olho do Cade

Nos últimos dias, o Cade decidiu aprofundar a instrução e enviou dois ofícios ao investidor. O órgão antitruste quer saber quais mecanismos serão adotados para evitar o compartilhamento de informações concorrencialmente sensíveis entre o grupo de Lopes e a Vibra, em especial dados de preços, volumes, planejamento comercial e negociações com distribuidoras e varejistas.

O regulador também pediu documentos adicionais sobre governança e eventuais barreiras informacionais. Nos documentos enviados ao Cade, o Fundo Infiniti JL sustenta que sua entrada na Vibra tem caráter “puramente financeiro” e que a participação não confere qualquer influência na gestão da companhia.

José Odvar Lopes, o Seu Zé, fundador da Inpasa
José Odvar Lopes, o Seu Zé, fundador da Inpasa (Assembleia Legislativa de MT)

O veículo afirma que a Vibra é uma empresa de “capital pulverizado, sem acordo de acionistas ou bloco de controle” e que o fundo não dispõe de “direito de veto, quórum qualificado ou qualquer prerrogativa que gere presunção de controle”.

Em resposta aos questionamentos do órgão, o Infiniti JL também frisou que não terá acesso a informações estratégicas da distribuidora e que sua posição representa “apenas uma participação minoritária, sem qualquer aquisição de controle, seja unitário ou compartilhado”.

Em ascensão

A Inpasa é hoje a maior produtora de etanol de milho do Brasil, mas sua história começa fora do país. Criada em 2007 no Paraguai – o nome é acrônimo de Industria Paraguaya de Alcoholes S.A. –, a companhia inaugurou só em 2019 sua primeira usina no Brasil, em Sinop (MT). Em 2024, registrou R$ 13,6 bilhões de receita, um avanço de 23% sobre o ano anterior; a Moody’s estima margem líquida de 18%, o que aponta para um lucro superior a R$ 2 bilhões.

O tamanho e a rentabilidade colocaram a empresa no centro das movimentações da indústria, inclusive das tratativas da Petrobras, que decidiu voltar ao mercado de etanol após mais de uma década fora. A estatal já afirmou que pretende retomar o modelo de joint ventures, com participações minoritárias, e, segundo a Bloomberg, existem negociações avançadas justamente com Inpasa e FS, as duas gigantes do etanol de milho.

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Motiva, ex-CCR, vende 20 aeroportos para mexicana Asur em negócio de R$ 11,5 bilhões

18 de Novembro de 2025, 20:09

A Motiva, antiga CCR, firmou um acordo para a venda de 100% da sua plataforma de aeroportos para a Aeropuerto de Cancún, S.A. de C.V., uma subsidiária do Grupo Aeroportuario del Sureste (ASUR), que opera nove aeroportos no México e outros sete na América Latina.

A transação, no valor total de R$ 11,5 bilhões, será composta em R$ 5 bilhões em equity pelas participações acionárias da companhia nos ativos aeroportuários, e R$ 6,5 bilhões em dívidas líquidas, se refere à alienação de 100% das ações detidas pela Motiva na CPC Holding, veículo que consolida as cotas da Companhia nos seus 20 aeroportos.

A transação ainda depende de aprovações de autoridades governamentais no Brasil e do exterior. Segundo a empresa, a decisão da venda dos ativos tem a ver com a estratégia do grupo de consolidar sua operação nos segmentos de rodovias e trilhos no Brasil.

A previsão é que a conclusão do processo se dê em 2026. Até o fechamento do deal, a Motiva deve seguir tocando a operação, mantendo o quadro atual de colaboradores e assegurando o cumprimento integral dos contratos vigentes e investimentos previstos.

Com a conclusão do negócio, a alavancagem consolidada, que considera as controladas em conjunto com a Motiva, cairia de 3,5 vezes para menos de 3 vezes, melhorando a estrutura de capital e o perfil de risco do portfólio.

Ativos vendidos

A Motiva Aeroportos, agora integralmente vendida à Asur, reúne 20 operações aeroportuárias na América Latina, sendo 17 no Brasil e três em outros países da região, com movimento anual de cerca de 45 milhões de passageiros e mais de 200 rotas regulares.

Estes números colocam a operação como a terceira maior do Brasil, com ativos estratégicos, como os aeroportos de Curitiba, Belo Horizonte e Goiânia.

Nos 12 meses encerrados no terceiro trimestre de 2025, a receita líquida do negócio de aeroportos da empresa totalizou R$ 2,96 bilhões e o Ebitda alcançou R$ 1,52 bilhão, com margem de 51%, além de 524 mil toneladas de carga movimentadas.

A mega rede de infraestrutura que as estatais chinesas costuram no Brasil

17 de Novembro de 2025, 06:00

Um dos maiores exportadores de soja brasileira para a China é a própria China, de certa forma. O grosso das exportações acontece via traders agrícolas: Cargill, Bunge, Louis Dreyfus… Elas compram das fazendas e vendem para os clientes de fora, cuidando da parte logística no meio do caminho. 

Acontece que, hoje, a segunda maior trader de grãos do mundo é a Cofco, uma estatal chinesa, que só fica atrás da americana Cargill. A China é o grande destino da soja brasileira, lógico – perto de 80% das nossas exportações embarcam para lá. E das 72,5 milhões de toneladas que o Brasil vendeu para China em 2024, 6,65 milhões foram transportadas da lavoura para o mar pela Cofco. 9% do total

Soja sendo carregada em um navio cargueiro
Terminal de grãos. Foto: Wirestock/Getty Images

Não é apenas soja, nem só para a China. A Cofco é a maior exportadora de produtos agrícolas no Brasil. Foram 17 milhões de toneladas no ano passado – principalmente soja, milho e açúcar. Para dezenas de países.

E essa capacidade está aumentando. A estatal operava dois terminais no Porto de Santos (além de alugar instalações de outras empresas). Em março deste ano, inaugurou parcialmente seu terceiro, o TEC (Terminal Exportador Cofco), também conhecido pelo nome técnico da área que ele ocupa no maior porto da América Latina: STS11

O TEC entra em operação plena no ano que vem. Quando isso acontecer, a capacidade da empresa no Porto de Santos vai saltar de 4,5 milhões de toneladas por ano para 14 milhões. Será o maior terminal da Cofco fora da China. 

table visualization

Não significa que vão exportar exatamente 9,5 milhões de toneladas extras. Boa parte será realocada dos terminais de terceiros para o STS11. O ponto é que isso diminui os custos de exportação para a empresa. 

Essa não foi a única medida na linha de “verticalizar” a logística, ou seja, de controlar mais fases do ecossistema de exportação. A Cofco também comprou 23 locomotivas e 979 vagões de carga, por R$ 1,2 bilhão. Os trens, operados pela Rumo, vão levar quatro milhões de toneladas de grãos e açúcar por ano das regiões produtoras até o Porto de Santos, a partir de 2026. 

As peças de Lego

A fauna de terminais portuários de carga é vasta, mas se divide basicamente em dois reinos. 

Um é o dos terminais de granéis – caso do STS11. Vai tudo solto, sem embalagem individual. Em vez de sacas de soja empilhadas, o navio recebe um rio de grãos caindo pela correia.

O outro reino portuário é o dos terminais de contêineres. iPhones, blusinhas, peças de avião, remédios… Tudo vai nesses caixotes de tamanho padrão. É como se o comércio global fosse feito de Lego: o mesmo contêiner que está empilhado em um navio vira um vagão de trem ou a traseira de um caminhão, e segue viagem sem ninguém ter de abrir a porta para desempacotar tudo. 

Por essas, os contêineres padronizados são uma invenção não muito menos importante do que a roda.

Terminal de contêineres
Terminal de contêineres. Foto: John Lamb/Getty Images

Pois bem. 11% dos 14 milhões de contêineres que se movimentam pelo Brasil (para importação, exportação ou cabotagem) passam pelo TCP – o Terminal de Contêineres de Paranaguá (PR).

E desde 2018 o TCP é parte do portfólio de outra estatal do país de Xi Jinping, a China Merchants Port Holdings (CMPorts). Trata-se da maior operadora de contêineres da China. E agora uma das maiores daqui também. Mais precisamente, a número três: em volume de contêineres (1,6 milhão/ano) só fica atrás da Santos Brasil (2,3 milhões) e da BTP, um consórcio de empresas europeias de logística (1,8 milhão).

Talvez ela até suba uma posição nesse ranking. A CMPorts assinou no início de novembro um acordo com o governo se comprometendo a investir R$ 1,5 bilhão na ampliação do terminal.

E esse não é o único investimento dela no Brasil. Vamos agora para o outro.

O ‘porto do Eike’

Lembra do Eike Batista? Então. No começo do século, ele queria montar um complexo de mega empresas que se retroalimentassem. Começava com mineradora (a MMX) e petroleira (OGX). Para fornecer energia às instalações, criou uma companhia de termelétricas (MPX). O combustível das plantas viria de sua mina de carvão (CCX). Projetou também um estaleiro (OSX) e o Porto do Açu (LLX), no Estado do Rio de Janeiro, que teria terminais de granéis para escoar o petróleo da OGX e o minério de ferro da MMX.

O tempo passou, as coisas mudaram, mas o porto vingou. O fundo americano EIG comprou o controle de Eike em 2013 e criou a Prumo Logística, que desenvolveria o Porto do Açu. Hoje ele tem 11 terminais, e o de petróleo responde por 30% das exportações brasileiras da commodity – o porto recebe embarcações vindas das plataformas marítimas e transfere o líquido preto para os petroleiros que fazem a exportação.

O que nos leva de volta à CMPorts.

Petroleiros atracados em um porto
Petroleiros atracados em um terminal. Foto: Luciana Floriano/Getty Images

Em fevereiro de 2025, a estatal chinesa assinou um acordo para a compra de 70% do terminal de petróleo – com os 30% restantes permanecendo com a Prumo. O negócio não está concluído. Precisa da aprovação dos órgãos reguladores e do cumprimento de certas exigências contratuais.

Caso o negócio feche, de qualquer forma, a CMPorts responderia pela parte logística de 21% das exportações brasileiras de petróleo (ou seja, 70% do que está hoje nas mãos da Prumo). 

Ainda assim, um dos maiores investimentos recentes da China no Brasil na área de infraestrutura não tem a ver com exportação de commodities. Mas com o transporte de gente: um trem de passageiros entre São Paulo e Campinas.

O trem São Paulo-Campinas

A ideia de ligar São Paulo e Campinas por trem é tão antiga quanto os trens. E foi concretizada há mais de 150 anos. A primeira ferrovia entre a capital do Estado e a maior cidade do interior paulista começou a operar em 1872. No fim do século 20, porém, o serviço ainda era lento, precário. E deixou de existir em 1999.

Mas o sonho de um trem moderno ligando as cidades nunca deixou de existir, claro. Passou pelo nunca concretizado trem bala Rio-SP-Campinas. Mas deve sair do papel, finalmente, com o Trem Intercidades – uma concessão leiloada pelo poder público em 2024.

E quem arrematou? 60% ficou com a família Constantino (via Grupo Comporte, a holding de transportes terrestres deles) e 40% com outra estatal chinesa, a CRRC. Trata-se da maior fabricante de trens do mundo, e que tem 90% do mercado na China.

A previsão é que o Trem Intercidades consuma R$ 14 bilhões em investimentos. R$ 8,98 bilhões ficarão com o governo do Estado. Considerando que a CRRC cuidará de 40% do restante, estamos falando em R$ 2 bilhões. A inauguração está planejada para 2031.

Trem intermunicipal de passageiros
Trem intermunicipal de passageiros. Foto: Den Belitsky/Getty Images

É fácil imaginar a motivação do governo chinês, o controlador das estatais, em algo como o suprimento de petróleo e de soja, ou a movimentação de contêineres em Paranaguá – é dentro deles que boa parte dos importados chineses entram no Brasil, afinal. Mas qual é a estratégia da China com o Trem Intercidades? A receita ali, afinal, virá da venda de passagens para brasileiros, algo distante dos interesses de Pequim.      

Mas não é só na bilhetagem que está o faturamento ali. “Sob a perspectiva do governo chinês, há retornos maiores. Quando você entra numa concessão como essa, também ganha fornecendo os trens, colocando uma construtora chinesa…”,  diz Juan Landeira, diretor para Infraestrutura na consultoria Alvarez & Marsal. “Você vende tecnologia. Você vende know-how.” 

De fato. A CRRC vai construir os trens do Intercidades. E não só eles. A estatal venceu neste ano uma concorrência para fabricar 44 trens para o Metrô de São Paulo, batendo a francesa Alstom, tradicional fornecedora do governo paulista. O contrato é de R$ 3,1 bilhões.

Para montar as composições, a CRRC passou a operar uma fábrica em Araraquara. Ela pertencia à sul-coreana Hyundai Rotem (que fez os trens da Linha Amarela de São Paulo). A ocupação da planta foi agora em outubro, e é de lá que vão sair também os trens do Intercidades.

As interconexões vão mais longe. A energia elétrica que alimenta os projetos da China aqui vem, em parte, da própria China. A State Grid, do governo de lá, controla a CPFL, responsável por 15% da distribuição aqui. A China Three Gorges (CTG) cuida de 3,5% da geração brasileira. E as duas compram painéis solares da China, que responde por 80% da produção global. Com o petróleo é a mesma coisa. Parte do que chega ao Porto do Açu, alvo da CMPorts, vem da CNOOC, da CNPC e da Sinopec – petroleiras da China que atuam nas águas brasileiras

Enfim. É a mesma lógica que Eike Batista sonhava para si: um ecossistema de empresas gigantes, no qual uma alimenta a outra, multiplicando a receita do controlador por trás de todas. Só tem duas diferenças. Com o governo chinês nesse papel, a escala é monumental. E está dando certo.

Vibra lucra R$ 407 milhões no 3º trimestre, queda de 90% em um ano

5 de Novembro de 2025, 20:51

A Vibra Energia registrou um lucro líquido de R$ 407 milhões no terceiro trimestre, contra R$ 4,2 bilhões no mesmo período de 2024 – uma queda de 90%, informou a companhia dona da rede de postos de combustíveis BR nesta quarta-feira (5).

O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda, em inglês) ajustado somou R$ 1,8 bilhão entre julho e setembro, queda de 9,1% ante o mesmo período do ano passado. A receita líquida ajustada somou R$ 48,6 bilhões, uma alta de 4,6% frente igual intervalo em 2024.

Segundo a empresa, o desempenho do trimestre foi afetado principalmente por efeitos não recorrentes de recuperações tributárias, venda de imóveis e despesas operacionais extraordinárias.

A companhia reportou um volume de vendas de 9,3 milhões de metros cúbicos, queda de 1,4% em relação ao terceiro trimestre do ano anterior, enquanto a margem bruta por metro cúbico ficou em R$ 264.

A companhia informou também que as despesas operacionais ajustadas totalizaram R$ 822 milhões no intervalo de julho a setembro, aumento de 22% em relação ao mesmo período um ano antes. O valor já exclui itens não recorrentes, como recuperações tributárias de R$ 78 milhões e venda de imóveis no montante de R$ 83 milhões.

Em comunicado que acompanha o balanço, o presidente da empresa, Ernesto Pousada, afirma que as medidas de combate ao crime organizado a partir da Operação Carbono Oculto da Polícia Federal já abrangem 18 distribuidoras, ou 4% do mercado nacional.

Com trimestre positivo, Hypera se prepara para o fim da patente do Ozempic: ‘oportunidade da década’

29 de Outubro de 2025, 13:57

Após apresentar resultados acima das expectativas no terceiro trimestre, a Hypera reforçou seus planos para disputar o mercado das canetas de emagrecimento — aquela que o CEO Breno Oliveira descreveu como “a maior oportunidade do mercado farmacêutico brasileiro em uma década”.

Oliveira afirmou que a companhia pretende lançar sua própria versão da semaglutida — molécula do Ozempic e do Wegovy — logo após o vencimento da patente, previsto para março de 2026. Segundo o executivo, o mercado de medicamentos à base de GLP-1 (semaglutida e equivalentes) já movimenta cerca de R$ 10 bilhões por ano no país. A semaglutida é responsável por metade desse valor.

“Nosso produto não será licenciado. Será uma marca nossa, com registro nosso. Não pretendemos jogar no mercado de genéricos”, disse Oliveira em teleconferência com analistas.

A titular da patente, a dinamarquesa Novo Nordisk, tenta prorrogar a exclusividade no Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas o caso ainda não teve decisão final. O interesse da Hypera se dá em meio a uma corrida nacional pelos medicamentos à base de GLP-1. A EMS já estreou nesse mercado com as canetinhas Olire e Lirux — versões nacionais da liraglutida, princípio ativo do Saxenda, de geração anterior à semaglutida.

A empresa de Carlos Sanchez, que investiu mais de R$ 1 bilhão em uma fábrica de peptídeos em Hortolândia (SP) e planeja produzir 750 mil canetas, já confirmou que pretende lançar sua própria semaglutida assim que o monopólio da Novo Nordisk terminar.

Outros laboratórios — Cimed, Biomm, Eurofarma e Prati-Donaduzzi — também anunciaram planos para produzir versões genéricas da molécula a partir de 2026.

Além da semaglutida, o CEO da Hypera afirmou que a empresa prepara lançamentos em outras moléculas prestes a perder exclusividade, como a dapagliflozina — que tem efeitos semelhantes aos medicamentos GLP-1 e é usada no tratamento de diabetes tipo 2 e de insuficiência cardíaca.

Esses medicamentos ajudam o corpo a eliminar o excesso de glicose pela urina e reduzem o risco de complicações cardiovasculares — um dos segmentos que mais crescem globalmente e cuja patente da AstraZeneca também se aproxima do vencimento. “Há um conjunto de produtos com queda de patente no curto prazo, e estamos prontos para entrar nesses mercados”, acrescentou Oliveira.

Além do chamado patent cliff, a Hypera aposta em novas categorias, como probióticos, vitaminas — entre elas a B12 — e o lançamento de produtos oncológicos.

Trimestre positivo

No trimestre encerrado em setembro, a Hypera registrou receita líquida de R$ 2,23 bilhões, alta de 16,3% em relação ao mesmo período de 2024, e lucro líquido de R$ 453,9 milhões, avanço de 22,6%.

O lucro operacional (Ebitda) foi de R$ 756 milhões, crescimento de 35% na comparação anual, com margem de 34%. A dívida líquida ficou em R$ 7,3 bilhões, o equivalente a uma alavancagem de 2,4 vezes o Ebitda anualizado.

O Itaú BBA classificou o resultado como “positivo e acima das expectativas” e manteve preço-alvo de R$ 35, enquanto o BTG Pactual reiterou recomendação neutra, com target de R$ 28, elogiando o trimestre, mas alertando que “a consistência ainda precisa ser provada”.

As ações da Hypera (HYPE3) subiam mais de 4% nesta quarta-feira (29), liderando as altas do Ibovespa, em meio ao otimismo do mercado com o novo ciclo de crescimento baseado em inovação e prescrição.

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Stellantis adia para 2026 a apresentação da estratégia do novo CEO

13 de Outubro de 2025, 10:52

A Stellantis adiou o lançamento de seu plano estratégico para o segundo trimestre de 2026, para dar ao novo presidente-executivo Antonio Filosa mais tempo de preparo.

O adiamento dará à montadora a chance de levar melhor em consideração “fatores exógenos críticos”, como as tarifas dos EUA e “o forte envolvimento de nossa indústria com os formuladores de políticas na Europa”, segundo transcrição de uma teleconferência realizada na sexta-feira à noite entre Ed Ditmire, diretor global de relações com investidores da Stellantis, e analistas.

“Esperamos tomar as decisões finais sobre o cronograma relativamente em breve e comunicá-las prontamente nesse momento”, disse Ditmire.

A Stellantis deve divulgar uma atualização sobre entregas e receitas em 30 de outubro.

O Barclays informou em uma nota nesta segunda-feira (13) que houve “um forte aumento no interesse dos investidores na Stellantis”, apontando para elementos positivos recentes, como a participação de mercado nos EUA em setembro e comentários sobre o ritmo dos pedidos.

No entanto, o Barclays também fez uma advertência.

“Achamos que ainda parece prematuro voltar a investir totalmente, enquanto a visibilidade do lucro operacional ajustado e do fluxo de caixa livre permanece limitada e a nova equipe de gestão está realizando uma mudança estratégica significativa”, disse a corretora.  

Pausa tarifária na Argentina faz exportação agrícola bater recorde — mas causa revolta entre produtores locais

3 de Outubro de 2025, 11:40

A suspensão das tarifas de exportação para produtos agrícolas na Argentina foi implementada para fortalecer as finanças do país.

A estratégia do presidente Javier Milei era aumentar a oferta de dólares no mercado. Deu certo: a suspensão atraiu rapidamente cerca de US$ 7 bilhões em embarques, com exportadores — incluindo as gigantes Bunge, Cargill e Louis Dreyfus — aproveitando a oportunidade.

Em 48 horas, as tarifas voltaram a vigorar, incluindo alíquotas de cerca de 25% sobre os embarques de soja e cerca de 10% sobre milho e trigo.

Embora não tenha sido a primeira vez que oscilações na política argentina desencadearam uma corrida desenfreada para as exportações, a escala do frenesi comercial da semana passada deixou o setor agrícola do país abalado.

Foram quase 20 milhões de toneladas embarcadas, maior volume registrado, segundo dados do Departamento de Agricultura desde 2011.

“Nunca vi nada parecido”, disse Gustavo Passerini, consultor veterano de mercados de grãos em Rosário, centro comercial da Argentina. “O único outro momento na história recente que pode se comparar foi quando o país aumentou as tarifas de exportação em 2007”, disse ele.

Críticas à medida argentina

A corrida pelas exportações não está causando surpresa apenas na Argentina. Os produtores de soja dos EUA estão atualmente excluídos do mercado chinês, em benefício dos produtores argentinos e brasileiros, com todos os olhos voltados para as próximas negociações de Donald Trump com Xi Jinping sobre o assunto.

Mas os produtores de todo o Pampa argentino também estão frustrados, suspeitando que os comerciantes possam capturar a maior parte dos ganhos.

“Estamos com a pulga atrás da orelha porque o governo Milei deixou os exportadores se beneficiarem mais com essa medida”, disse Santiago Fernandez de Maussion, agricultor de Jesús María, província de Córdoba. “Agora eles conseguem negociar preços com vantagem, enquanto eu estou lutando para ter algum lucro.”

Os comerciantes também podem estar em apuros. Eles prometeram 12,4 milhões de toneladas de soja entre outubro e março do ano que vem, antes da próxima colheita. E, no entanto, os estoques nos Pampas estão reduzidos. Com isso, os produtores têm mais poder de barganha.

“O programa especial desencadeou uma onda de vendas de safras”, informou Ciara-Cec, principal grupo exportador e de esmagamento da Argentina, que inclui todas as principais tradings como membros, em uma publicação no X. “As tradings continuam operando nos mercados de grãos para cumprir todos os contratos de exportação, como de costume.”

Até 24 de setembro, os produtores haviam vendido mais de 35 milhões de toneladas, ou 62% do estoque total estimado de 57 milhões.

“Os produtores com grãos que sobraram são os que têm poder de barganha para mantê-los em silos, então eles têm alavancagem”, disse Javier Preciado Patiño, consultor que atuou como chefe de mercados agrícolas da Argentina de 2019 a 2022.

Soja mais cara

Eles já estão ganhando no cabo de guerra. As ofertas de soja giram em torno de US$ 350 a tonelada, em comparação com menos de US$ 300 antes do alívio tarifário, de acordo com a Junta Comercial de Rosário. Isso significa que os comerciantes estão repassando cerca de 60% do benefício enquanto lutam para cobrir os compromissos, de acordo com a analista de mercado Lorena D’Angelo.

O próprio Milei apontou os preços mais altos como prova de que os agricultores estão colhendo uma parte dos lucros inesperados.

Ainda assim, os produtores — um bastião de apoio ao presidente Milei — continuam chateados com a inclinação da balança a favor dos grandes traders.

Isso aumenta a frustração em relação a Milei, por não ter cumprido a promessa de liberar a agricultura. A produção argentina tem sido prejudicada há duas décadas por intervenções governamentais e está ficando cada vez mais atrás do Brasil.

“Assumimos o maior risco e, no entanto, carregamos o fardo novamente”, disse Augusto McCarthy, agricultor de Navarro, província de Buenos Aires. “Os exportadores não deveriam ficar com nada do que é nosso por direito.”

Brasil e China se unem para criar fundo de investimento de US$ 1 bilhão

3 de Outubro de 2025, 10:59

O BNDES e o Banco de Exportação e Importação da China (CEXIM) concordaram em criar um fundo de US$ 1 bilhão que investirá em setores como transição energética, infraestrutura, mineração, agricultura e inteligência artificial.

O banco brasileiro fornecerá US$ 400 milhões e o CEXIM, US$ 600 milhões, de acordo com comunicado. O novo fundo, que começará a operar em 2026, investirá em títulos de dívida e participações acionárias no Brasil.

O BNDES e a CEXIM já assinaram um termo de compromisso e uma declaração de intenções para cooperar na estruturação do fundo.

Primeiro fundo bilateral dos bancos

Segundo o diretor de Planejamento do BNDES, Nelson Barbosa, a iniciativa é o primeiro fundo bilateral entre uma instituição brasileira e uma chinesa, operando principalmente por meio de investimentos em reais.

“Esta parceria entre as duas instituições fortalecerá o relacionamento comercial e econômico entre Brasil e China”, disse ele durante a cerimônia de anúncio do fundo, que aconteceu no Rio de Janeiro.

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