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EasyJet aceita proposta de compra de 5,2 bilhões de libras feita pela Castlelake

5 de Julho de 2026, 14:52

A EasyJet sinalizou que vai aceitar a quinta oferta de compra feita pela Castlelake, em uma proposta que avalia a companhia aérea britânica de baixo custo em 5,2 bilhões de libras, ou US$ 6,9 bilhões.

A nova oferta, de 6,90 libras por ação em dinheiro, supera a proposta anterior, de 6,50 libras por ação, depois que a companhia rejeitou quatro ofertas anteriores. Os dois lados concordaram em prorrogar o prazo de “put up or shut up” — regra que obriga o interessado a apresentar uma proposta firme ou desistir da negociação — para 3 de agosto, às 17h no horário de Londres.

“Não há nenhuma certeza de que uma oferta firme será feita, mesmo que quaisquer pré-condições sejam cumpridas ou dispensadas”, diz o comunicado. O texto também afirma que a Castlelake tem “enorme respeito” pela companhia aérea e por seus funcionários, e pretende apoiar o crescimento futuro da empresa e seu programa de modernização da frota.

Os dois lados vinham se enfrentando publicamente em torno da possível transação no último mês. A companhia aérea de baixo custo classificou as investidas anteriores como “altamente oportunistas” e afirmou que a Castlelake tentava comprar a empresa “a preço baixo”. A gestora de investimentos, por sua vez, disse que o conselho da EasyJet demonstrou “falta de disposição para se engajar de forma significativa”, levando sua proposta diretamente aos acionistas.

A Castlelake manifestou interesse pela EasyJet pela primeira vez em 29 de maio, quando foi estabelecido um prazo de quatro semanas para que a firma apresentasse uma proposta firme ou desistisse da negociação. Nesse período, a gestora fez ofertas crescentes de 560 pence, 600 pence, 625 pence e, depois, 650 pence — todas rejeitadas pela companhia aérea.

A EasyJet mudou o tom na semana passada, depois da oferta mais recente da Castlelake. Embora a empresa tenha dito que a proposta ainda era insuficiente, pediu uma extensão de nove dias do prazo, até 5 de julho, e concedeu à gestora acesso a algumas informações comerciais limitadas.

Como parte da oferta, a Castlelake se aliou a Mark Breen e Peter Bellew, que foi executivo da EasyJet antes de deixar a companhia abruptamente em 2022.

Por ser uma entidade americana, a Castlelake não pode assumir o controle total da EasyJet, já que a companhia aérea opera sob regras do Reino Unido e da Europa que exigem que a maioria da propriedade e do controle esteja nas mãos de nacionais da região. Isso significa que a gestora precisa de um parceiro.

A transação tiraria da bolsa uma companhia aérea que abriu capital em novembro de 2000 a 310 pence por ação, segundo dados compilados pela Bloomberg. As ações atingiram a máxima histórica de 1.584 pence no início de 2007, em meio a uma expansão agressiva pela Europa.

Mais recentemente, porém, a companhia de baixo custo tem sofrido pressão da disparada dos preços do querosene de aviação por causa do conflito no Irã. A empresa registrou prejuízo no primeiro semestre do ano, além de queda nas reservas para o verão.

Entre os ativos mais atraentes da EasyJet estão sua frota moderna de aeronaves Airbus SE da família A320 e seus slots de pouso e decolagem em Londres, Milão e Genebra. A maior acionista da companhia é a família do fundador Stelios Haji-Ioannou, com uma participação de 15,3%.

Copa do Mundo, Olimpíadas e F1: como os eventos esportivos viraram vitrine para Ambev e Heineken

5 de Julho de 2026, 12:57

Depois de quarenta anos com a Budweiser na liderança, a AB InBev passou à Michelob Ultra o posto de cerveja-bandeira da Copa do Mundo de 2026. Nas Olimpíadas, a mesma companhia já colocou a Corona Cero como primeira cerveja da história a virar patrocinadora máxima do movimento olímpico.

Na Fórmula 1, a Heineken renovou por mais uma década o patrocínio construído em torno da 0.0. Os maiores eventos do esporte mundial viraram vitrine de uma mesma aposta: bebidas de menor teor alcoólico, sem álcool ou com menos calorias.

LEIA TAMBÉM: Ambev recorre à ‘velha escola 3G’ e a novas marcas para retomar crescimento em cerveja

A escolha pela Michelob Ultra segue lógica de mercado: é a cerveja mais vendida em volume nos Estados Unidos e construiu discurso em torno do estilo de vida ativo, com 95 calorias, 2,6 gramas de carboidrato e ausência de corantes e aromas artificiais.

E, claro, a memória do Catar ajuda a explicar a cautela. Em 2022, dois dias antes da estreia, o país proibiu a venda de cerveja com álcool nos estádios, e a Budweiser Zero acabou assumindo o centro da operação da marca naquela edição.

Desta vez, a ativação vai além da logomarca. O troféu “Superior Player of the Match”, entregue a um jogador de destaque após cada partida, é escolhido por voto dos torcedores – um detalhe que resume a lógica atual de patrocínio esportivo, mais focada em engajamento do que em exposição passiva.

Michelob Ultra: é a cerveja mais vendida em volume nos Estados Unidos e construiu discurso em torno do estilo de vida ativo (Foto: Marcelo Sakate/ InvestNews)
Michelob Ultra: é a cerveja mais vendida em volume nos Estados Unidos e construiu discurso em torno do estilo de vida ativo (Foto: Marcelo Sakate/ InvestNews)

Nas Olimpíadas, o movimento começou em janeiro de 2024, quando o Comitê Olímpico Internacional assinou com a AB InBev o primeiro acordo comercial da história do movimento olímpico com uma empresa de bebidas alcoólicas, escalando a Corona Cero, com 0,0% de álcool, como a cerveja a ser exibida nos anúncios.

O contrato cobre Paris 2024, Milão-Cortina 2026 e vai até Los Angeles 2028 (mas, nessa edição, o destaque passa da Corona Cero para a Michelob Ultra, a segunda cerveja mais vendida no mercado americano). A parceria já foi estendida para os Jogos de Inverno de 2030, nos Alpes franceses, e para Brisbane 2032.

Na Fórmula 1, a concorrente Heineken é patrocinadora oficial desde 2016 e transformou a categoria em uma das plataformas mais sólidas de ativação de marca do esporte, usando a versão sem álcool para combinar lifestyle e consumo responsável. Desde 2023, o bicampeão Max Verstappen é embaixador global da Heineken 0.0.

stand da Heineken na F1 em prova em Singapura, (Foto: Bloomberg)
Estande da Heineken na F1 em prova em Singapura, (Foto: Bloomberg)

A estratégia tem ido além dos esportes mais populares ou dos mercados mais maduros. Em dezembro de 2025, a AB InBev fechou parceria com o International Cricket Council para todos os principais torneios até 2027, começando pelo Mundial de T20 de 2026 na Índia e no Sri Lanka, liderada pela Budweiser 0.0, versão sem álcool da marca no mercado indiano, com outros rótulos do grupo ativando na Europa e na África. É a abertura de uma frente inédita para a categoria zero álcool, já que a Índia, é um mercado pouco maduro, mas o país mais populoso do mundo – e apaixonado por críquete.

O tamanho da aposta acompanha o orçamento da companhia. Segundo a consultoria WARC, a AB InBev vem gastando cerca de US$ 7 bilhões por ano em marketing nos últimos cinco anos, hoje pouco menos de 12% da receita, ante quase 14% no passado.

Um consumidor que bebe menos

O consumo global de bebidas sem álcool cresceu 9% em volume em 2025, segundo a IWSR, com projeção de expansão acumulada de 36% entre 2024 e 2029. No Brasil, o movimento é ainda mais agudo: a produção de cerveja zero saltou 536,9% entre 2023 e 2024, de 118,9 milhões para 757,4 milhões de litros, e já responde por 4,9% da produção nacional, segundo o Sindicerv.

A Euromonitor International estima que os dados de 2025 devem registrar um novo recorde histórico: 785 milhões de litros comercializados no país. Para efeito de comparação, em 2019 o volume vendido foi de 140 milhões de litros — um crescimento médio de quase 40% ao ano no período. Para os próximos anos, a projeção é de expansão consistente entre 10% e 15% ao ano.

O Brasil já ocupa a posição de segundo maior consumidor mundial de cerveja zero. A meta global do Grupo Heineken é que as versões zero álcool cheguem a pelo menos 10% das vendas mundiais da companhia.

No Brasil, Copa entra na briga de mercado

Um levantamento do Citi com 1.800 torcedores em sete países mostra que a Ambev deve ser a maior beneficiária latino-americana da Copa — mesmo sem liderar a preferência de marca, que fica com a Heineken (39% das menções, o maior percentual entre todos os rótulos). Em 2014, ano da Copa no Brasil, a companhia cresceu 4,8% em volume no segundo semestre; em 2022, mesmo com o torneio no Catar, avançou 2,5% no quarto trimestre.

É dentro dessa aposta que entra o reforço no Michelob Ultra. “O Michelob vem crescendo consistentemente no Brasil, mas com muito pouco carinho e amor. Esse ano vai dar carinho e amor. Vai levar para casa, vai botar no copo. Vai ativar na Copa aqui no Brasil pra valer”, disse Guilherme Fleury, CFO da Ambev, em entrevista ao InvestNews em maio.

Segundo ele, a lógica é gradual. “Nós fazemos as coisas de forma faseada: o consumidor vai experimentando o sabor, você vai posicionando a cerveja na gôndola, vai fazendo as ativações. Quando ele já conhece a marca é a hora de fazer todo o barulho. Senão, vira guerra de preço.”

A companhia já tem no portfólio brasileiro a Corona Cero e a Skol 0.0, ambas sem álcool, além da Stella Pure Gold, sem glúten e com menos calorias. A Heineken respondeu com uma aposta local: a Heineken Ultimate, desenvolvida e lançada pela Heineken Brasil em maio deste ano, com 3,5% de teor alcoólico e 97 calorias — 30% a menos que a versão regular. Segundo Maurício Giamellaro, CEO do Grupo Heineken Brasil, o produto responde à maior demanda por bem-estar e escolhas mais equilibradas.

A disputa entre as duas cervejarias, porém, não se limita ao portfólio. A partir de 2027, a AB InBev assume o posto de patrocinadora oficial da UEFA Champions League, encerrando um ciclo de trinta anos da Heineken na competição.

O acordo, fechado por licitação com a UC3 — joint venture entre a UEFA e os clubes europeus —, teria saído por cerca de 200 milhões de euros ao ano, um aumento de 66% sobre o valor pago pela concorrente. A Heineken mantém o patrocínio da Champions League feminina até 2030 e segue como parceira da Fórmula 1.

Vitrine de baixo teor ou de alto alcance, o esporte segue sendo o principal palco onde essas duas cervejarias travam sua disputa global.

A Europa está quente como o inferno. Por que ela não quer ar-condicionado?

5 de Julho de 2026, 06:00

Luca Funaro, de 32 anos, portador de uma rara doença genética, enfrentou a onda de calor recorde deste mês em seu apartamento na capital francesa sem um sistema de ar-condicionado. Seus vizinhos não permitem a instalação.

Eles rejeitaram seus pedidos para instalar uma unidade no pátio interno do prédio onde mora, no Marais, um movimentado bairro do centro de Paris. Alegaram que o equipamento faria muito barulho. Funaro, que usa cadeira de rodas e depende de um respirador, levou os vizinhos à Justiça. Sua família já gastou milhares de dólares em uma disputa judicial que dura há dois anos.

“Quando faz calor demais, pessoas com deficiência ficam desidratadas e têm dificuldade para respirar”, disse Funaro.

Os europeus há muito evitam o uso de ar-condicionado, considerando-o barulhento, prejudicial ao patrimônio arquitetônico e, acima de tudo, desnecessário, enquanto os verões eram amenos. Também temiam que a adoção em larga escala dessa tecnologia, intensiva em consumo de energia, comprometesse a ambição do continente de liderar o combate às mudanças climáticas.

Essa resistência, porém, está entrando em choque com a realidade de um continente onde as temperaturas estão subindo mais rapidamente do que em qualquer outra região do planeta.

Anos de ondas de calor recordes têm pressionado os sistemas de saúde e a economia europeia. Milhares de escolas na Europa Ocidental, que raramente possuem ar-condicionado, fecharam durante a mais recente onda de calor, obrigando muitos pais a permanecer em casa. Empresas interromperam atividades, fábricas reduziram a produção e linhas ferroviárias foram suspensas. Economistas do banco holandês ING afirmaram que a onda de calor “trouxe de volta memórias dos lockdowns da pandemia”.

A disputa sobre o futuro do ar-condicionado agora molda debates políticos em todo o continente, colocando políticos da direita — que defendem um plano massivo de instalação de aparelhos — contra setores da esquerda, preocupados com o impacto ambiental.

“É vergonhoso que bebês nascidos em hospitais, doentes e idosos sejam forçados a suportar ondas de calor como essas porque se recusam a instalar ar-condicionado”, escreveu a líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, na rede X. “Essas ondas de calor matam; precisamos implementar um grande plano de climatização.”

A infraestrutura europeia foi projetada para um clima muito mais frio do que o atual. Na metade norte do continente, as temperaturas raramente ultrapassavam 32°C, e marcas acima de 38°C eram praticamente desconhecidas.

Calor extremo

Linhas ferroviárias e redes elétricas não foram construídas para suportar calor extremo. Muitos edifícios carecem de elementos arquitetônicos que ajudam a manter os ambientes frescos no verão, como persianas externas para bloquear a incidência solar.

A maioria das residências e instituições do continente não possui ar-condicionado. Na Itália, cerca de 56% das casas contam com o equipamento. Na França, esse percentual cai para 25%, e no Reino Unido, para apenas 5%. As ondas de calor do verão europeu frequentemente causam dezenas de milhares de mortes, muito mais do que nos Estados Unidos. Cientistas afirmam que parte dessa diferença se deve justamente à falta de ar-condicionado.

A infraestrutura do continente está sendo colocada à prova mais rapidamente do que autoridades e cientistas previam poucos anos atrás. A Europa é o continente que mais aquece no mundo, com temperaturas já cerca de 2,5°C acima dos níveis pré-industriais, contra aproximadamente 1,4°C para a média global.

Na semana passada, Paris superou os 40°C na quarta e na quinta-feira. Isso havia ocorrido apenas outras três vezes desde o início dos registros oficiais, no século XIX: em 1947, 2019 e 2022.

“Sempre trabalhamos com a hipótese de que esse cenário seria possível a partir de 2030 e, principalmente, entre 2040 e 2050”, afirmou Audrey Pulvar, vice-prefeita de Paris. “Agora percebemos que ele já chegou.”

Autoridades europeias tentaram evitar a adoção massiva de ar-condicionado. Os efeitos colaterais de uma expansão ampla são considerados significativos: os aparelhos são caros, consomem muita energia e liberam ar quente para as ruas, elevando ainda mais a temperatura das cidades. Além disso, em áreas urbanas densas, produzem um ruído constante dos compressores.

“O objetivo não é nos tornarmos como algumas cidades italianas, brasileiras ou americanas, onde há fileiras inteiras de condensadores do lado de fora dos prédios, fazendo um barulho insuportável e liberando calor e gases tóxicos”, disse Pulvar.

Em Londres, regulamentos municipais exigem que incorporadoras adotem medidas passivas de resfriamento — como ventilação natural, persianas e melhor isolamento térmico — antes de instalar ar-condicionado em novos edifícios. Paris e Berlim planejam ampliar áreas verdes para reduzir o efeito de aquecimento provocado pelas superfícies de pedra durante ondas de calor. Paris chegou a abrir o Canal Saint-Martin para banho durante a recente onda de calor.

O problema é que essas medidas são consideravelmente menos eficazes do que o ar-condicionado para reduzir os riscos do calor extremo, segundo o Intergovernmental Panel on Climate Change, órgão científico da ONU sobre mudanças climáticas.

Em seu relatório mais recente sobre adaptação climática na Europa, o IPCC classificou o ar-condicionado como uma resposta altamente eficaz às ondas de calor. Já a ventilação mecânica recebeu classificação de eficácia média, enquanto a arborização urbana foi considerada de baixa eficácia.

Especialistas afirmam que medidas como ventilação mecânica ou sombreamento deixam de funcionar quando o calor se torna persistente. Durante a mais recente onda de calor, temperaturas noturnas próximas de 29°C impediram que os edifícios esfriassem antes de serem novamente aquecidos pelo sol.

Radhika Khosla, cientista climática da University of Oxford, afirma que os países devem combinar melhor design de edifícios com ar-condicionado para limitar o consumo energético dos aparelhos.

“Você quer usar o equipamento quando ele realmente for necessário, em vez de transformá-lo na solução padrão para tudo”, disse.

Em toda a região, a onda de calor transformou hospitais e casas de repouso sem climatização em verdadeiros fornos. Médicos, enfermeiros e pacientes passaram a cobrir janelas com películas refletivas para bloquear o sol.

“É absolutamente horrível”, disse Wilfrid Sammut, médico de pronto-socorro em Versalhes. “Há até casos de adoecimento entre enfermeiros, paramédicos e médicos porque o ambiente se tornou insuportável.”

O calor europeu impulsionou uma onda de demanda por ar-condicionado e reduziu a resistência das autoridades. Na Inglaterra, mangueiras de exaustão de aparelhos portáteis saindo pelas janelas tornaram-se uma cena cada vez mais comum.

Um relatório recente do Comitê de Mudanças Climáticas do Reino Unido, órgão consultivo do governo, afirmou que, embora medidas passivas possam ser suficientes em alguns locais, “a intensidade e a duração das futuras ondas de calor exigem planejamento para formas mais ativas de resfriamento”.

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, declarou na semana passada que escolas, escritórios e hospitais deveriam ser equipados com a tecnologia.

“Precisamos usar todas as ferramentas disponíveis para garantir que Londres esteja preparada para o novo normal, que são ondas de calor mais extremas”, afirmou.

Ainda assim, a expansão do ar-condicionado desperta preocupação entre aqueles que temem que a tecnologia permita aos europeus ignorar as consequências do aquecimento global.

“Fico horrorizada quando ouço pessoas dizendo: ‘Basta instalar ar-condicionado em todos os lugares’”, afirmou Monique Barbut, ministra francesa do clima, durante o auge da onda de calor. “Vocês acham que isso vai impedir incêndios florestais? Acham que isso vai impedir que uma plantação morra?”

Em algumas cidades europeias, instalar um ar-condicionado em um apartamento exige aprovação de todos os moradores do edifício. Autoridades locais também participam do processo para garantir que o sistema respeite normas arquitetônicas, limites de ruído e metas energéticas.

Em Genebra, a instalação de aparelhos está sujeita a rígidas regras de consumo energético. Em Londres, autoridades chegaram a obrigar moradores a remover equipamentos porque não haviam tentado alternativas como ventiladores de teto.

“Moradores que buscam autorização precisam demonstrar que medidas alternativas, mais amigáveis ao clima, não são adequadas e que os aparelhos não causarão ruído nem outros impactos negativos aos vizinhos”, afirmou uma porta-voz do distrito de Camden, no centro de Londres.

Em Paris, disputas envolvendo ar-condicionado se multiplicam à medida que mais moradores tentam instalar os equipamentos para enfrentar o calor. Primeiro, é necessário obter aprovação dos vizinhos. Depois, se o sistema for visível da rua, autoridades locais podem rejeitá-lo caso comprometa as icônicas fachadas de pedra calcária dos edifícios haussmannianos da cidade.

Christophe Sanson, conhecido como “o advogado do barulho”, afirma que seu escritório possui mais de 100 processos envolvendo sistemas de ar-condicionado que desencadearam disputas judiciais — um aumento acentuado em relação aos anos anteriores.

Pela legislação francesa, uma associação de moradores pode impedir a instalação de um equipamento caso ele produza mais de cinco decibéis durante o dia ou três decibéis à noite — aproximadamente o som de uma brisa leve.

“É um ruído capaz de atravessar o concreto, extremamente potente e profundamente perturbador”, afirmou Sanson. “Precisamos encontrar um compromisso.”

A família de Funaro luta para instalar o ar-condicionado em seu apartamento desde que comprou o imóvel, há dois anos.

Luca tem uma forma de miopatia que o deixou praticamente paralisado desde o nascimento. Seus pais adquiriram o apartamento térreo para que ele pudesse viver de forma independente.

Durante a recente onda de calor, o aparelho permaneceu no chão, sem uso, aguardando autorização para instalação.

“Os vizinhos acham que vou deixá-lo ligado dia e noite sem parar”, disse. “Não é verdade. Só quero ligá-lo por um tempo para me refrescar.”

Sua mãe levou um climatizador portátil para ajudá-lo, mas esses aparelhos frequentemente não conseguem enfrentar temperaturas extremas.

“Normalmente é um ou dois dias, e depois acaba”, disse Funaro. “Desta vez, a onda de calor durou a semana inteira.”

Write to Matthew Dalton at Matthew.Dalton@wsj.com

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Casamento de Taylor Swift vira megashow de luxo — e pode ter custado até US$ 50 milhões

4 de Julho de 2026, 19:01

Transformar o Madison Square Garden em um casamento íntimo pode custar entre US$ 35 milhões e US$ 50 milhões. A estimativa é de especialistas em eventos ouvidos pela revista People. Os cálculos de profissionais consultados pela Forbes, outra publicação americana, apontam para US$ 20 milhões – ainda assim, um cheque possível para poucos bolsos.

Foi nesse cenário que Taylor Swift, 36 anos, se casou com o jogador do Kansas City Chiefs Travis Kelce, também de 36, na sexta-feira, 3, às vésperas do feriado da independência dos Estados Unidos e em meio à agitação da Copa do Mundo sediada pelo país.

LEIA TAMBÉM: Taylor Swift atualiza seu plano de negócios bilionário com o lançamento de ‘The Life of a Showgirl’

A cerimônia foi celebrada pelo ator Adam Sandler, segundo a Bloomberg. O casal dispensou madrinhas e padrinhos tradicionais: Austin Swift e Jason Kelce, irmãos dos noivos, ocuparam os postos de honra.

O preço de esvaziar uma arena

O Madison Square Garden tem quase seis décadas e foi projetado para shows e jogos com dezenas de milhares de pessoas, não para casamentos. Segundo Perotti, o aluguel do espaço por vários dias já pode chegar perto de US$ 1 milhão por dia, antes de qualquer decoração.

A produção também precisa reduzir visualmente a escala da arena. Isso exige grandes volumes de veludo para cobrir assentos, arranjos florais monumentais e estruturas capazes de baixar visualmente o teto, segundo o designer. Servir um jantar de alto padrão dentro de um espaço que não foi pensado para isso soma outra camada de complexidade logística.

Fila de 'swifters' no entorno do Madison Square Garden (Foto: Bloomberg)
Fila de ‘swifters’ no entorno do Madison Square Garden (Foto: Bloomberg)

A cerimônia também virou um evento urbano. Ruas ao redor da arena foram fechadas e cerca de 140 policiais foram escalados para a região, de acordo com a Bloomberg. Do lado de fora, uma tela digital exibia a frase “JUST&T MARRIED”, trocadilho com as iniciais dos noivos.

Dior, Cartier e Louboutin

Os trajes dos noivos foram assinados pela Christian Dior Haute Couture, com looks supervisionados por Jonathan Anderson, diretor criativo das linhas feminina, masculina e de alta-costura da grife. Os sapatos vieram sob medida da Christian Louboutin, segundo a publicista de Swift, Tree Paine, e a cantora usou joias da Cartier.

Para essas marcas, vestir Swift em um casamento significa ocupar uma vitrine amplificada por fãs, imprensa de entretenimento e veículos de moda. O padrão já havia se confirmado no noivado: o vestido Ralph Lauren de US$ 320 usado por Swift nas fotos esgotou em minutos, e a designer do anel, Kindred Lubeck, saiu de uma operação pequena de joias sob medida para ter o desenho replicado e vendido online.

A publicação do pedido de casamento no Instagram, feito no quintal da casa de Kelce no Kansas, somou 7 milhões de curtidas na primeira hora e 37 milhões no total.

A engrenagem por trás da “Swiftonomics”

O fenômeno não é novo. As turnês de Swift já haviam mostrado capacidade de movimentar hotéis, restaurantes, transporte e venda de ingressos em cada cidade visitada, o que a indústria batizou de “Swiftonomics”.

Entre o noivado e o casamento, a cantora ampliou essa engrenagem: liderou as paradas com o álbum “The Life of a Showgirl”, levou fãs aos cinemas da AMC para uma versão visual do projeto, lançou uma série documental de seis episódios no Disney+ sobre a Eras Tour e escreveu uma música para o filme “Toy Story 5”, da Disney.

A lista de convidados reforçou a escala do evento: segundo a Associated Press, estiveram presentes Camila Cabello, Hugh Grant, Ethan Hawke e Karlie Kloss, além de jogadores de futebol americano como Kareem Hunt, Cooper Kupp e JuJu Smith-Schuster.

A indústria de casamentos deve ser uma das primeiras a sentir o efeito. Organizadores de eventos, joalheiros e plataformas de inspiração para noivas tendem a rastrear cada escolha estética da cerimônia em busca do próximo produto a viralizar. E não deve demorar muito para isso.

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O alumínio está em falta. E a Alcoa apostou bilhões no Brasil para driblar o aperto na oferta

4 de Julho de 2026, 17:43

A Alcoa fechou acordo para comprar ativos de bauxita, alumina e alumínio da South32 por US$ 4,1 bilhões, em dinheiro e ações. Parte considerável da conta vai para o Brasil, onde a companhia americana amplia o controle sobre o complexo Alumar, no Maranhão, e entra pela primeira vez no capital da maior mina de bauxita do país, a Mineração Rio do Norte (MRN), no Pará.

O movimento não é isolado: reflete uma corrida por ativos de bauxita e alumina que ganhou força justamente quando a oferta global do minério começou a apertar.

Desde o início de 2026, o preço do alumínio na Bolsa de Metais de Londres (LME) opera na faixa de US$ 3.100 a US$ 3.500 por tonelada, alta acumulada de quase 20% no ano. Dois fatores turbinam essa curva.

O primeiro é geopolítico: o bloqueio do Estreito de Ormuz, epicentro da guerra no Oriente Médio, interrompeu exportações de alumínio do Golfo Pérsico, região responsável por cerca de 9% da oferta global do metal.

O segundo é estrutural e mais difícil de reverter.

Historicamente, altas de preço estimulavam a China a produzir mais e segurar o mercado. Isso não funciona mais: a capacidade chinesa está travada por política de Estado em cerca de 45 milhões de toneladas, com as usinas já operando perto desse teto. O país deixou de ser o fornecedor de reserva que amortecia os ciclos do setor.

A matéria-prima que ficou mais cara de garantir

Um degrau abaixo na cadeia, a bauxita — o minério do qual se extrai a alumina, e depois o alumínio — passa por reviravolta parecida. A Guiné concentra cerca de 70% do comércio mundial de bauxita e vinha inundando o mercado: exportou 183 milhões de toneladas em 2025, alta de 25% no ano, o que derrubou os preços a mínimas de quatro anos.

Para conter a queda, o governo guineense passou a implementar, a partir do segundo trimestre de 2026, cotas de exportação que devem reduzir o volume anual de cerca de 200 milhões para perto de 150 milhões de toneladas. Na prática, o maior exportador de bauxita do planeta decidiu vender menos. Isso encarece — e torna mais estratégico — o acesso a minas próprias fora da órbita guineense, como a MRN.

A Alcoa não está entrando num negócio novo, está comprando a fatia de um sócio. No complexo Alumar, em São Luís, a companhia americana já detém 54% da refinaria de alumina e 60% do smelter de alumínio, com a South32 e a Rio Tinto como sócias minoritárias.

Ao absorver a parte da South32, a Alcoa aumenta a fatia que já controlava operacionalmente havia décadas — o complexo está instalado no Maranhão desde 1980.

A exceção é a MRN. Ali, quem manda é a Glencore, com 44% do capital; a Rio Tinto tem 22% e a South32, 33%. A Alcoa não aparecia na composição acionária da maior mina de bauxita do Brasil — e é justamente essa fatia de 33% que ela está comprando agora.

Pela primeira vez, a americana passa a ter assento formal na origem da matéria-prima que abastece sua própria refinaria em São Luís.

Brasil em disputa

A Alcoa não é a única global a mirar ativos brasileiros de alumínio nos últimos meses.

Em janeiro, a Votorantim vendeu o controle da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) — 68,596% do capital, avaliados em cerca de US$ 902,6 milhões — para uma joint venture formada pela chinesa Chinalco e pela Rio Tinto. A operação ainda prevê oferta pública obrigatória pelas ações remanescentes da CBA na B3.

Fábrica da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) no interior de São Paulo
Fábrica da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), que foi vendida à JV formada pela chinesa Chinalco e pela Rio Tinto (Wikimedia Commons)

Duas operações de grande porte em ativos brasileiros de alumínio em menos de seis meses, ambas puxadas por mineradoras globais, sugerem que o país deixou de ser periferia na cadeia do metal e virou peça central da disputa por segurança de suprimento.

A jogada também dá sequência a uma estratégia que a própria Alcoa já vinha desenhando. Em 2024, a companhia concluiu a compra da Alumina Limited, sua sócia histórica, numa operação que ampliou sua participação em ativos de bauxita e alumina.

A compra da South32 é lida pelo mercado como a continuidade desse movimento: transformar participações minoritárias em controle pleno ao longo de toda a cadeia, da mina ao metal.

A Alcoa pagará US$ 3,1 bilhões em dinheiro e cerca de 17 milhões de ações ordinárias à South32, além de um direito de valor contingente de até US$ 750 milhões, vinculado ao comportamento futuro dos preços de alumina e alumínio até 2030 — uma cláusula que amarra parte do valor do negócio exatamente ao cenário de aperto de oferta descrito acima.

O financiamento inicial vem de um compromisso-ponte de US$ 3,1 bilhões com o Goldman Sachs, que a companhia pretende substituir por caixa próprio e dívida de longo prazo antes do fechamento, previsto para o primeiro semestre de 2027.

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A cidade da SpaceX que Elon Musk construiu no deserto texano

4 de Julho de 2026, 12:34

A presença da SpaceX está redesenhando o cenário do litoral do Texas. Em maio do ano passado, Starbase, sede da empresa de foguetes de Elon Musk, tornou-se oficialmente uma cidade.

A votação de incorporação teve resultado esmagador: 212 votos a favor e apenas 6 contrários, segundo o Departamento Eleitoral do Condado de Cameron. Dos 283 eleitores aptos na região, a maioria é formada por funcionários da própria SpaceX.

Elon Musk comemorou o resultado em publicação no X, dizendo que Starbase “agora é uma cidade de verdade”. A vitória teve peso simbólico para o bilionário, cuja popularidade caiu depois que ele se tornou o rosto público dos cortes de empregos e gastos do governo Trump — período em que os lucros da Tesla também recuaram.

De praia intocada a cidade da SpaceX

Quinze anos atrás, Boca Chica era um trecho de litoral onde moradores faziam churrasco e andavam de jipe pelas dunas. A vizinha Brownsville, marcada por pobreza estrutural, funcionava como porta de entrada para o comércio com o México. A combinação de praia vazia e ambiente regulatório favorável a empresas atraiu a SpaceX para lançar seus foguetes ali.

Em 2021, um post de Musk convocando apoiadores para se mudarem à região acelerou a transformação do local em cidade corporativa. Hoje, Starbase tem cerca de 500 habitantes, a maior parte ligada à empresa, segundo reportagem do Financial Times sobre a cidade.

O jornal descreve um traçado urbano repleto de referências pessoais de Musk: uma das ruas se chama Mars-a-Lago, trocadilho com a propriedade de Trump na Flórida. Ali perto, trabalhadores erguem a Gigabay, fábrica onde a SpaceX planeja montar foguetes em linha de produção, e as torres de lançamento, com quase 122 metros de altura, dominam o horizonte. Caminhões e picapes Cybertruck circulam continuamente pela rodovia que liga Starbase a Brownsville, hoje em obras de ampliação para quatro faixas.

Área de lançamento de foguetes da SpaceX (Foto: Bloomberg)
Área de lançamento de foguetes da SpaceX (Foto: Bloomberg)

A vida social da cidade gira quase inteiramente em torno da empresa. Segundo o FT, o Astropub, restaurante exclusivo para funcionários, tem pátio visível da estrada, mas o acesso à área residencial é restrito a quem mora ali. Autoridades municipais, também ligadas à SpaceX, recusaram entrevistas ao jornal, e funcionários e prestadores de serviço operam sob acordos de confidencialidade — motivo citado por muitos para não falar com a reportagem.

Ainda assim, Starbase atrai visitantes que buscam se aproximar do que descrevem como o futuro da exploração espacial. “Viemos aqui porque queremos ver o trabalho para ajudar a levar as pessoas para as estrelas sendo feito”, disse Adam Kategiannis, de 20 anos, estudante de engenharia aeroespacial na Universidade Purdue, em Indiana, ao Financial Times.

Símbolo do segundo mandato de Trump

Starbase cresce ao lado de outro megaprojeto: o terminal de exportação de gás natural liquefeito Rio Grande LNG, da NextDecade, que produzirá 30 milhões de toneladas de combustível por ano. As duas obras dividem uma faixa de fronteira cada vez mais militarizada, com postos de controle e patrulhas — reflexo direto da política migratória do governo Trump.

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O IPO da SpaceX captou US$75 bilhões e a tornou uma das empresas mais valiosas do mundo. Milhares de funcionários tem mais um motivo para comemorar: agora estão milionários.   #spacex #elonmusk

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A combinação de poder das big techs, ambição geopolítica e controle de fronteira faz de Starbase um retrato do segundo mandato presidencial, segundo o FT. A estreia da SpaceX em Wall Street elevou a empresa à lista das mais valiosas do mundo e transformou funcionários em milionários no papel — um exemplo extremo da valorização do setor de tecnologia sob Trump.

A região também atraiu outras empresas: a fabricante de defesa Saronic Technologies planeja um estaleiro de US$ 3,2 bilhões ali perto, e incorporadoras já propuseram diversos projetos de data centers.

Atrito com a vizinhança

O crescimento rápido tensionou a relação entre os funcionários da SpaceX e os moradores de Brownsville, cidade de maioria hispânica com 200 mil habitantes. A região ainda sente os efeitos de uma onda recente de operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos.

“Esta região sempre votou nos democratas. Mas na última eleição, tornou-se roxa”, disse Craig Grove, dono da imobiliária GRT Realty, que se beneficiou da expansão da SpaceX, ao Financial Times. “Isso mudou minha vida. Eu concordo com tudo o que a empresa faz? Não concordo com tudo que minha mulher faz também. Mesmo assim, continuo casado com ela.”

Moradores dizem reconhecer funcionários da SpaceX à distância pelo comportamento e pelas tatuagens. Um morador antigo os descreveu ao FT como “meio machos-alfa” — soldadores que, diferentemente dos profissionais do setor de GNL, “vestiram a camisa da SpaceX”.

Protestos contra a SpaceX  (foto: Bloomberg)
Protestos contra a SpaceX (foto: Bloomberg)

Outros notam que os funcionários hoje interagem pouco com a comunidade local. Luis Foncerrada, de 36 anos, dono do café e casa de shows El Hueso de Fraile, contou ao jornal que já recebeu Musk e seu irmão no estabelecimento, mas que o movimento caiu: “Eles gastam o dinheiro em outros lugares.”

As autoridades de Brownsville, por sua vez, receberam bem a chegada da SpaceX. Empreendedores locais aproveitaram a temática espacial para abrir negócios como a barraca de cachorro-quente Space Dog Station e a cervejaria Pluton Brewing.

Processos e resistência ambiental

Nem todos comemoram. Um mural pago pela Fundação Musk foi vandalizado em 2022 com as palavras “gentrificado” e “parem a SpaceX”. A ativista Rebekah Hinojosa passou um dia presa por causa da pichação, mas não confirmou envolvimento à reportagem do FT.

À frente da South Texas Environmental Justice Network, Hinojosa disse ao jornal manter “ações judiciais ativas contra os planos da SpaceX de ocupar mais de 700 acres de habitat de vida selvagem”. Para ela, a militarização do entorno afasta os moradores locais da praia: “Dá a impressão de que a SpaceX a está transformando em seu quintal particular.”

Novas casas em Boca Chica Village, no entorno de Starbase (Foto: Bloomberg)
Novas casas em Boca Chica Village, no entorno de Starbase (Foto: Bloomberg)

Dias antes da entrevista, seu grupo havia perdido um processo na Suprema Corte do Texas que buscava manter o acesso público a Boca Chica durante os lançamentos.

O procurador-geral do Texas, o republicano Ken Paxton, apoiou a decisão da corte em publicação nas redes sociais, afirmando que a lei estadual permite isolar trechos de praia “para garantir que a SpaceX tenha um local de lançamento seguro e operacional”.

Do outro lado da baía, em Port Isabel, o cenário é outro. Barton Bickerton, de 57 anos, dono do bar temático Hopper Haus, contou ao FT que funcionários da SpaceX chegam de hovercraft vindos de Starbase e trabalham em laptops até tarde bebendo coquetéis Old Fashioned defumados. Boa parte de sua receita vem dos dias de lançamento: “É como o feriado de primavera para a ilha.”

Bickerton reconhece os efeitos colaterais, da destruição do habitat costeiro ao aumento dos aluguéis. Ainda assim, aguarda o momento em que os braços mecânicos apelidados de “hashis” vão capturar pela primeira vez uma espaçonave Starship retornando à Terra. “Vai ser uma loucura”, disse.

A vida de empresário de Rafael Nadal após a aposentadoria das quadras

4 de Julho de 2026, 06:06

Quem já assistiu à lenda do tênis Rafael Nadal em quadra conhece seus rituais. Antes de cada saque, ele seguia uma sequência meticulosa de gestos, ajustando a roupa e o cabelo. Hoje, não precisa mais de todas essas rotinas em nenhuma área da vida.

“As pessoas que me viam jogar provavelmente achavam que eu era supersticioso”, diz Nadal, de 40 anos. “Mas a verdade é que todos esses rituais existiam apenas dentro da quadra.”

Desde que se aposentou, em 2024, ele não precisa mais manter o nível de concentração extrema que marcou sua carreira, durante a qual conquistou 22 títulos de Grand Slam de simples — a segunda maior marca da história do tênis masculino. Agora, seus objetivos físicos são mais flexíveis, e ele se dedica a outros projetos, como sua academia e escola de tênis, frequentada por seu filho.

Ainda assim, Nadal sempre será lembrado pelo que fez nas quadras. Em maio, a Netflix lançou “Rafa”, documentário em quatro episódios dirigido por Zach Heinzerling sobre sua trajetória. A série acompanha sua carreira extraordinária enquanto ele convive com uma condição degenerativa no pé. Também mostra que, apesar da fama mundial e das campanhas publicitárias, Nadal sempre manteve um estilo de vida relativamente caseiro.

Nadal vive em Mallorca, na Espanha, com a esposa e os dois filhos. Nesta entrevista, fala sobre seu café da manhã com peixe, os exercícios sem dor e sua paixão pelos clássicos do cinema.

Que horas você acorda nas manhãs de segunda-feira?

Depende das crianças, para ser sincero. Tenho dois filhos. Em média, por volta das 6h45. Descemos e tomamos café da manhã. Essa é a principal rotina. Normalmente como torradas com anchovas.

Com anchovas? Há quanto tempo faz isso?

Desde a época em que jogava tênis. No início, eu não era muito fã de café da manhã. Mas, mais tarde, trabalhando com nutricionistas, aprendi que precisava consumir proteína e carboidratos.

Você toma café?

Não. Quer dizer, adoro o cheiro do café, mas não bebo.

Consome algum tipo de cafeína?

Bebo Coca-Cola.

Os exercícios ainda fazem parte da sua rotina matinal?

Nos dias em que não preciso trabalhar muito cedo, levo meu filho para a escola. Ele estuda na minha academia. As aulas começam às 8h30. Depois disso vou para a academia e treino normalmente das 8h30 às 10h. Em seguida vou para o escritório.

O documentário mostra o desgaste físico acumulado ao longo dos anos, incluindo seu problema no pé. Como você cuida disso atualmente enquanto se exercita?

Estou muito melhor. Passei por um período bastante difícil durante seis, sete ou oito meses após a aposentadoria. A boa notícia é que, no fim da carreira, encontrei um tratamento que ajudou a controlar um pouco a dor no pé. Mas a dor voltou muito, muito rapidamente.

Agora, com esse tratamento e sem exigir meu corpo ao limite, consigo viver de forma muito positiva.

Normalmente tento me exercitar pelo menos três vezes por semana. É completamente diferente perceber como o humor melhora quando você vive sem tanta dor. Você fica mais feliz. Quando sente dor todos os dias, é muito difícil conviver com isso.

Como seus treinos mudaram atualmente? No que você está focado?

Gosto de me ver em boa forma, mas sem um objetivo específico. Durante quase 30 anos como profissional, eu treinava todos os dias perseguindo metas concretas.

Você ainda joga tênis de forma casual?

Não neste momento. Mas vou voltar. Sofri uma lesão na mão e precisei fazer uma cirurgia em dezembro passado. Durante alguns meses não pude jogar de jeito nenhum. Quero participar de algumas exibições no futuro.

Como foi revisitar momentos da sua carreira para o documentário? Algumas cenas parecem até dolorosas de assistir.

Talvez as pessoas vejam dessa forma, mas para mim é exatamente o contrário. Hoje, quando penso na minha carreira, não penso nas dores.

Graças ao tênis, vivi experiências incríveis, conheci o mundo, culturas diferentes, cresci como pessoa e também tive muitos momentos emocionantes e grandes conquistas. Eu era feliz jogando tênis.

Como foi ouvir alguns de seus maiores rivais, como Roger Federer e Novak Djokovic, falando sobre você?

Falamos muito uns sobre os outros durante todos esses anos, mas agora é de uma maneira diferente.

Tivemos rivalidades extraordinárias em termos de intensidade, de longevidade e de disputa pelos títulos mais importantes do esporte. Mas, no fim das contas, acredito que fui um rival saudável. É algo de que devemos nos orgulhar.

Você tem algum ritual de cuidados com a pele ou aparência?

Sou um pouco mais à moda antiga. Acordo e vou direto para o banho. Mas, claro, quando fico exposto ao sol, passo protetor solar.

Quais são seus hobbies atualmente?

Passar tempo com a família é o mais importante. Também adoro jogar golfe. Gosto de futebol. Amo o mar. Gosto de pescar e de praticamente todas as atividades ligadas ao oceano. E sempre gostei de cinema.

Quais são seus filmes favoritos?

Sou um pouco nostálgico. Gosto dos grandes clássicos. Sempre acompanhei muito cinema. Quando era mais jovem — lembra dos DVDs? — eu comprava todos aqueles filmes antigos: “Entre Dois Amores”, “Dança com Lobos”, “Lawrence da Arábia” e “E o Vento Levou”.

“E o Vento Levou”?

Isso mesmo. E também “Casablanca”. Eu comprava tudo.

Qual foi a última compra da qual você realmente gostou?

Algo que comprei há muito tempo e de que me orgulho é minha casa. Não fui o responsável pelo projeto, mas participei muito do processo.

Construir uma casa é sempre um período difícil. Mas, quando fica pronta, ela passa a ser a sua vida.

Esta entrevista foi editada e condensada para maior clareza.

Mbappé: como o capitão da França se tornou artilheiro também nos negócios

3 de Julho de 2026, 18:56

Kylian Mbappé chega à Copa do Mundo 2026 como capitão da França, jogador do Real Madrid e um dos nomes mais valiosos do futebol mundial.

Atualmente, o francês possui o valor de mercado avaliado em € 180 milhões (US$ 205,95 milhões), segundo a Transfermarkt, base de dados alemã especializada no mercado de jogadores de futebol.

Fora de campo, o atacante também estruturou uma rede empresarial que vai além de contratos de patrocínio e acordos de imagem.

O lado empresário de Mbappé começou a ganhar forma em 2017, com a criação da Interconnected Ventures, holding que passou a concentrar a gestão de sua marca, imagem e empresas. Desde então, o francês avançou para produção de conteúdo, tecnologia, saúde, relógios de luxo, vela e compra de clube de futebol.

A carreira que transformou Mbappé em marca global

Mbappé virou rosto do futebol francês antes de chegar aos 30 anos. Campeão da Copa do Mundo de 2018 com a França, se tornou, aos 19 anos, o segundo jogador mais jovem a marcar em uma final de Mundial, atrás apenas de Pelé.

No PSG, Mbappé foi eleito cinco vezes o melhor jogador da Ligue 1 e terminou seis temporadas seguidas como artilheiro do Campeonato Francês. Em 2024, trocou o clube parisiense pelo Real Madrid, movimento que abriu uma nova fase esportiva e comercial.

A chegada à Espanha também mexeu com a estrutura empresarial da família. Segundo o Le Monde, Mbappé administra seus interesses esportivos e comerciais sem agente, apoiado por familiares e assessores próximos.

A mãe, Fayza Lamari, acompanha comunicação, atividades associativas e frentes comerciais. O pai, Wilfrid Mbappé, cuida de aspectos esportivos e da preparação física.

A operação empresarial manteve sede em Paris, mas passou a ter presença em Madri após a transferência para o Real Madrid. O grupo familiar reúne cerca de 25 pessoas.

Em 2024, também foi criada uma estrutura espanhola da Interconnected Ventures, que ganhou relevância para direitos, esporte, formação, imagem e licenciamento após a ida do jogador ao clube espanhol.

Como Mbappé transformou imagem em empresa

A Interconnected Ventures foi criada em 2017 e se tornou a empresa central do grupo de Mbappé. A companhia nasceu para cuidar da gestão, exploração e comercialização dos atributos de personalidade de atletas e outras personalidades de alto nível.

Em 2024, a empresa registrou € 8,64 milhões (US$ 9,33 milhões) de receita, € 1,06 milhão (US$ 1,14 milhão) de lucro líquido, € 17,7 milhões ( US$ 19,12 milhões) em fundos próprios e € 2,76 milhões (US$ 2,98 milhões) em caixa.

A holding funciona como eixo do grupo. Antes de comprar ativos externos, Mbappé criou uma base jurídica e empresarial para controlar a própria marca, reduzindo a dependência de intermediários.

A empresa segue ativa e passou por mudanças recentes de governança, incluindo auditoria e alteração na presidência.

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Novos negócios de imagem e conteúdo

A Collective Motion foi criada em 2022 para cuidar de uma parte central do negócio de Mbappé: a gestão, exploração e comercialização de direitos ligados à sua imagem.

Em vez de tratar a imagem do jogador apenas como contratos soltos de patrocínio, a empresa organiza essa frente como uma operação própria.

Na prática, a Collective Motion funciona como o braço que centraliza a exploração comercial da imagem de Mbappé e de atributos associados a atletas e personalidades.

A companhia é presidida pela Interconnected Ventures desde 2023 e aparece como uma das estruturas mais relevantes do grupo em receita divulgada.

Em 2024, registrou € 23,4 milhões (US$ 25,27 milhões) de receita, € 7,36 milhões ( US$ 7,95 milhões) de lucro líquido, € 11,7 milhões ( US$ 12,64 milhões) em fundos próprios e € 7,77 milhões (US$ 8,39 milhões) em caixa.

Também em 2022, Mbappé criou a Zebra Valley, produtora voltada a projetos de conteúdo em esporte, música, cultura, tecnologia e games.

A ideia era usar a audiência global do jogador para desenvolver narrativas e propriedade intelectual, não apenas campanhas publicitárias com sua imagem, com foco em conversas culturais e públicos jovens.

A estreia teve um parceiro de peso: a NBA fechou uma parceria plurianual com a Zebra Valley para produção de conteúdo.

A Zebra Valley Holding teve aumento de capital em 2024 e segue ativa, mas com operação pública pouco transparente.

O braço de investimentos de Mbappé

A virada mais clara para investimentos veio no fim de 2023, com a criação da Coalition Capital. A empresa funciona como braço de investimentos da Interconnected Ventures e foi registrada para comprar e gerir participações em sociedades francesas e estrangeiras.

Em 2024, a Coalition Capital registrou € 3,97 milhões (US$ 4,28 milhões) de receita, € 2,76 milhões (US$ 2,98 milhões) de lucro líquido, € 4,78 milhões (US$ 5,16 milhões) em fundos próprios e € 13 milhões (US$ 14,04 milhões) em dívida financeira.

É por essa estrutura que Mbappé opera seus demais negócios, como SM Caen, Loewe Technology, Wristcheck, France SailGP Team e Alan.

Com isso, Mbappé consegue atuar em ativos externos sem misturar todas as operações à exploração comercial do próprio nome.

Também em 2023, o grupo criou a Cultural Factory, empresa voltada a marcas, licenciamento, e-commerce e comercialização de produtos, inclusive alimentícios. Os números de receita e lucro, porém, aparecem sob confidencialidade.

Mbappé dono de clube de futebol

Por meio de sua estrutura empresarial, Mbappé comprou, em 2024, o controle do SM Caen, clube francês que disputava a Ligue 2.

A aquisição foi feita via Interconnected Ventures e Coalition Capital. A participação divulgada foi de 80% das ações, substituindo o fundo americano Oaktree como acionista majoritário.

O valor oficial não foi divulgado, mas estimativas da imprensa francesa apontaram a operação entre € 15 milhões e € 20 milhões (US$ 16,2 milhões a US$ 21,6 milhões).

O negócio também teve componente pessoal. O Caen já havia tentado atrair Mbappé quando ele era adolescente, antes de o atacante estrear pelo Monaco.

O status atual, porém, é delicado. O clube foi rebaixado da segunda para a terceira divisão francesa em 2025. Em 2026, Mbappé segue como dono majoritário, com o projeto em reconstrução esportiva.

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Ampliação do portfólio

Antes mesmo da compra do Caen, Mbappé já havia entrado no setor de tecnologia esportiva. Em 2022, investiu na Sorare, plataforma francesa de fantasy sports e colecionáveis digitais baseada em NFTs.

A empresa anunciou o jogador como investidor, embaixador e parceiro de impacto social. O valor e o percentual investidos por Mbappé, porém, não foram divulgados.

Em 2024, o francês entrou em tecnologia premium. Por meio da Coalition Capital, comprou participação minoritária de mais de 10% na Loewe Technology, empresa alemã de televisores e equipamentos de áudio de alto padrão.

A Loewe tinha receita anual em torno de € 60 milhões (US$ 64,8 milhões) e meta de chegar a € 300 milhões (US$ 324 milhões). A empresa também citava o objetivo de alcançar valuation de cerca de € 500 milhões (US$ 540 milhões) no médio prazo, com possibilidade de IPO no futuro, o que ainda não aconteceu.

Em 2025, Mbappé investiu na Wristcheck, marketplace de relógios de luxo com sede em Hong Kong. A empresa apresentou o francês como investidor e destacou sua relação com o universo dos relógios, setor no qual ele já era embaixador da Hublot.

No mesmo ano, Mbappé entrou na France SailGP Team. A Coalition Capital anunciou investimento na equipe francesa da SailGP, liga internacional de vela de alta performance.

Mbappé também atua em saúde e imóveis

A entrada mais recente do portfólio ocorreu em 2026, quando Mbappé investiu na Alan, healthtech francesa de seguros e serviços digitais de saúde. O aporte foi feito dentro de uma rodada de € 100 milhões (US$ 108 milhões), que avaliou a empresa em € 5 bilhões (US$ 5,4 bilhões).

Poucos meses depois, em junho de 2026, a Alan recebeu nova rodada de € 480 milhões (US$ 518,4 milhões), liderada pela Prosus, com valuation de € 5,5 bilhões (US$ 5,94 bilhões).

A empresa atua com seguro saúde, telemedicina, prevenção e serviços digitais. No primeiro trimestre de 2026, tinha mais de 1,1 milhão de membros e mais de € 800 milhões (US$ 864 milhões) em receita recorrente anualizada.

Além de empresas operacionais e investimentos, Mbappé também criou uma base patrimonial ligada a imóveis. A partir de 2019, passou a aparecer em sociedades civis imobiliárias francesas.

A primeira foi a NEWPIE, criada em 2019. Depois vieram OHZORA, criada em 2020; OLIVIER ATTON, criada em 2021; e SCI FALAM, criada em 2022.

Essas sociedades funcionam como veículos privados de aquisição, administração, aluguel e gestão de bens imobiliários.

Todas aparecem como ativas, mas não há divulgação pública sobre quais imóveis detêm ou qual é o valor do patrimônio.

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Brasil X Noruega: veja horários e próximos jogos da Seleção na Copa do Mundo 2026

3 de Julho de 2026, 17:09

O Brasil avança na Copa do Mundo e chega nas oitavas de final contra a Noruega. A partida acontece no próximo domingo (5), às 17h, pelo horário de Brasília, no Estádio de Nova York/Nova Jersey, nos Estados Unidos.

A seleção brasileira e norueguesa disputam o mundial de seleções nas oitavas de final. De acordo com o chaveamento da Copa do Mundo, os vencedores das partidas 16-avos de final se enfrentam por uma vaga nas quartas de final.

A última partida da seleção brasileira na fase de mata-mata aconteceu após a vitória por 2 a 1 sobre o Japão, com gol de virada de Martinelli nos acréscimos do segundo tempo.

A Copa do Mundo 2026 começou em 11 de junho e será disputada até 19 de julho. Esta edição terá 48 seleções, 12 grupos, 104 jogos e sedes em três países: Estados Unidos, Canadá e México.

Que horas é Brasil X Noruega?

Brasil x Noruega

  • Data: Domingo, 05 de julho;
  • Horário: 17h;
  • Local: Estádio de Nova York/Nova Jersey;
  • Cidade: Nova Jersey.

Quando o Brasil joga nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026?

Antes das quartas, o Brasil joga a segunda fase do mata-mata da Copa do Mundo de 2026 contra a Noruega. A partida será domingo, 05 de julho, às 17h, no Estádio de Nova York/Nova Jersey.

O confronto vale vaga nas quartas. Se vencer a Noruega, a seleção brasileira volta a campo no sábado, 11 de julho, às 18h, contra o vencedor do duelo entre México e Inglaterra.

Como funciona o mata-mata da Copa do Mundo 2026?

A Copa do Mundo 2026 tem 48 seleções e, pela primeira vez, 32 equipes avançam para a fase eliminatória.

Depois da fase de grupos, seguem na competição:

  • Os dois primeiros colocados de cada um dos 12 grupos;
  • Os oito melhores terceiros colocados da fase de grupos.

A primeira fase do mata-mata reúne 16 jogos. A partir dessa etapa, quem vence avança e quem perde está eliminado da Copa do Mundo.

Os confrontos envolvem seleções já classificadas diretamente pela posição no grupo e equipes que ainda dependem da definição dos melhores terceiros colocados.

Onde assistir os jogos da Copa do Mundo 2026?

A transmissão da Copa do Mundo 2026 no Brasil será dividida entre TV aberta, TV fechada, streaming, YouTube e rádio.

Na TV aberta, os jogos serão exibidos por Globo e SBT. Na TV por assinatura, a cobertura terá SporTV, N Sports e ge tv. No streaming e YouTube, a transmissão terá Globoplay, CazéTV, ge tv e N Sports.

  • TV aberta: TV Globo (55 jogos) e SBT (32 jogos);
  • TV por assinatura: SporTV (55 jogos), N Sports (32 jogos) e ge tv (32 jogos);
  • Streaming e YouTube: CazéTV (todos os jogos), Globoplay (55 jogos), ge tv (32 jogos) e N Sports (32 jogos);
  • Rádio: CBN, Rádio Globo, Jovem Pan, Rádio Gaúcha, BandNews FM, Rádio Bandeirantes, Rádio Itatiaia e outras emissoras.

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Natura e Avon recorrem a lojas na Shopee para reverter perda de fôlego do consumidor

3 de Julho de 2026, 16:00

Natura e Avon estrearam lojas oficiais na Shopee nesta sexta-feira (3). A iniciativa amplia a frente digital das marcas em um momento de vendas em queda no Brasil, entre consumo fraco e uma integração com a marca global que ainda não deu os resultados esperados.

A operação chega totalmente integrada ao fulfillment da Shopee, modelo em que o próprio marketplace guarda, separa e despacha os produtos, garantindo entregas em até um dia.

As consultoras de beleza, que hoje somam 1,5 milhão no Brasil, poderão se cadastrar como afiliadas da Shopee e vender pelos canais de social commerce da plataforma, como lives e vídeos curtos.

A estratégia segue um caminho já testado pela empresa brasileira. A Natura foi uma das primeiras marcas brasileiras a entrar no TikTok Shop e se tornou a mais vendida da plataforma na Black Friday do ano passado. Uma live de mais de 12 horas gerou uma taxa de conversão de 228% entre clientes que haviam abandonado o carrinho e respondeu por 25% do faturamento do dia.

O público da plataforma, em sua maioria com mais de 30 anos, tem poder de compra maior e interage com múltiplas categorias de produtos. É esse perfil que a empresa quer atrair na Shopee.

A Natura afirma que consultoras que dominam ferramentas digitais faturam 2,3 vezes mais que as demais, um dos motivos do investimento da empresa em capacitação digital da rede.

Guerra de preços entre canais

A expansão para novos marketplaces esbarra, no entanto, em um problema que a companhia vem tentando resolver internamente. Segundo relatório de analistas da XP recém-divulgado, a Natura promoveu recentemente uma live com sua rede de consultoras para reconhecer falhas operacionais e anunciar medidas de correção.

Na ocasião, a empresa anunciou a chamada “Regra de Ouro”: nenhum canal oficial, incluindo listagens no Mercado Livre e no TikTok Shop, pode vender abaixo do preço praticado pelas consultoras. A medida busca conter distorções que vinham corroendo margens e a percepção de valor das marcas, segundo os analistas.

Ajustes em andamento

A queda de receita tem origem dupla. No primeiro trimestre, as vendas da marca Natura caíram 3% no Brasil, enquanto as da Avon recuaram 13,8%, resultado tanto do consumo mais fraco no país quanto de desafios internos ainda não superados na integração das duas marcas, como a falta pontual de produtos nas prateleiras e oscilações na produtividade da rede de consultoras.

A companhia atribui parte das faltas de estoque a ajustes em curso nos sistemas de planejamento e na logística, que incluíram o fechamento de uma fábrica em São Paulo e a implementação de um novo sistema integrado no fim do ano passado. A reposição já começou, com prioridade para a linha de fragrâncias, mas a normalização deve ser gradual.

A empresa também anunciou um pacote de medidas temporárias para aliviar a rede durante o ciclo final da janela do plano de crescimento das consultoras. O pedido mínimo foi reduzido e a oferta de crédito via Emana Pay tem sido mais flexível.

Para os analistas da XP, as iniciativas vão na direção correta, mas ainda não eliminam o risco de curto prazo, com a recomposição de estoque e o impacto potencial dos benefícios adicionais oferecidos às consultoras sobre a margem.

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Eleições 2026: a três meses do primeiro turno, veja o calendário

3 de Julho de 2026, 10:52

A partir deste sábado (4), começa a contagem regressiva para as eleições 2026. Serão apenas três meses para o primeiro turno das eleições 2026, marcado para 4 de outubro. Nesse dia, os brasileiros vão às urnas para escolher representantes para seis cargos:

  • deputado federal; 
  • deputado estadual (ou distrital, no caso do Distrito Federal); 
  • senador (duas vagas) 
  • governador e vice-governador; e 
  • presidente e vice-presidente da República. 

Já a regra do segundo turno vale apenas para os cargos do poder executivo em disputa neste ano: governos estaduais e Presidência da República. Se nenhum candidato alcançar mais da metade dos votos válidos, os eleitores participam de um novo pleito, em 25 de outubro, desta vez, para decidir entre os dois nomes mais votados na primeira rodada.

Nas últimas eleições para esses cargos, em 2022, houve segundo turno para a Presidência e para governadores de 12 estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe. 

De acordo com dados consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mais de 158 milhões de eleitores estão aptos a votar em outubro — um número recorde, cerca de 2 milhões a mais do que o registrado nas eleições municipais de 2024, quando o país escolheu prefeitos e vereadores. 

Vale lembrar que o prazo para tirar o documento, fazer transferência de cidade ou local de votação ou ainda regularizar o documento encerrou em 6 de maio. Quem não cumpriu essas exigências até a data não poderá votar no próximo pleito. 

Como votar longe de casa

Mas, quem está com o título regularizado e vai estar fora da própria cidade no dia da eleição, não precisa necessariamente deixar de votar. A Justiça Eleitoral libera, todo ano de eleição geral, uma modalidade que permite ao eleitor escolher antecipadamente um município diferente do seu domicílio eleitoral para depositar o voto, sem precisar de transferência definitiva de título.

A janela para pedir a habilitação do voto em trânsito abre em 20 de julho e fecha em 20 de agosto, e cobre tanto o primeiro quanto o eventual segundo turno. O eleitor pode inclusive escolher cidades diferentes para cada etapa. O pedido é simples: basta acessar o Autoatendimento Eleitoral do TSE ou procurar um cartório eleitoral, com um documento oficial com foto em mãos.

Há, porém, um detalhe que costuma pegar eleitores de surpresa. O voto em trânsito só está disponível nas capitais e em municípios com mais de 100 mil eleitores. E o alcance do voto muda conforme a distância percorrida. Quem estiver em outro estado só consegue votar para presidente da República; já quem permanece dentro do próprio estado, mesmo fora do município de origem, pode votar para todos os cargos em disputa.

Outro detalhe também merece atenção. A regra não vale para urnas no exterior — não há voto em trânsito fora do Brasil. O caminho inverso, porém, é permitido e eleitores com título cadastrado no exterior que estiverem em trânsito em território brasileiro podem votar, mas apenas para presidente da República. 

Calendário vai além do dia da votação

O calendário da Justiça Eleitoral não se resume aos dois domingos de outubro. A partir deste sábado (4), uma série de novas regras passa a valer, a maioria delas voltada a conter o uso da máquina pública em favor de candidaturas.

Entre as restrições que entram em vigor está a proibição de nomear, contratar, admitir ou dispensar servidores públicos sem justa causa. A determinação vale até a posse dos eleitos: 5 de janeiro de 2027 para presidente e vice-presidente, e 6 de janeiro para governadores e vice-governadores.

No mesmo dia, começa o período em que nomes, slogans ou imagens de autoridades precisam sair de sites e canais oficiais de comunicação do governo. A publicidade institucional de atos, programas, obras ou serviços públicos também fica proibida — só pode continuar em caso de necessidade pública urgente, e mesmo assim depende de autorização da Justiça Eleitoral. 

Pré-candidatos, por sua vez, não podem mais participar de inaugurações de obras públicas, nem fazer pronunciamentos em cadeia de rádio e TV fora do horário eleitoral gratuito, que começa em 28 de agosto. A exceção é somente para situações excepcionais, como um pronunciamento presidencial em caso de emergência nacional, também sujeito ao aval da Justiça Eleitoral.

Quando sai a convocação de mesários

A agenda do TSE prevê ainda a divulgação daqueles que vão atuar como mesários ou dar apoio logístico durante a votação.

Os juízes eleitorais têm entre a próxima terça-feira (7) e o dia 5 de agosto para publicar os editais com os nomes das pessoas convocadas para as funções.

A partir dessa divulgação, partidos, federações e coligações têm cinco dias para contestar alguma nomeação, e quem foi convocado também pode pedir dispensa dentro desse mesmo prazo.

Bilionário tcheco negocia compra de fatia de US$ 1,14 bilhão na Pirelli

3 de Julho de 2026, 10:47

O bilionário tcheco Michal Strnad está em negociações para comprar uma participação minoritária na Pirelli & C. SpA de seu maior acionista, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. A operação poderia ajudar a reduzir a pressão sobre o papel da China na fabricante italiana de pneus.

Strnad negocia com a estatal Sinochem Holdings Corp. a aquisição de uma fatia de 14% da Pirelli, disse uma das fontes, que pediu anonimato por tratar de informações privadas. As conversas estão em andamento e não há garantia de que um acordo será fechado, afirmaram as fontes, citando como possíveis obstáculos a necessidade de autorização de Pequim.

Uma transação desse porte — avaliada em pouco mais de € 1 bilhão (US$ 1,14 bilhão) pelos preços atuais de mercado — deixaria a Sinochem com cerca de 20% da Pirelli. Isso representaria mais um avanço em um esforço diplomática e politicamente sensível para limitar a influência da estatal chinesa na fabricante de pneus, tema que ganhou importância à medida que a Pirelli expande sua tecnologia de pneus conectados.

As ações da Pirelli chegaram a subir 4,1% em Milão após a divulgação da notícia pela Bloomberg. Antes desta sexta-feira, o papel já acumulava alta de 17% em 2026.

Representantes de Strnad, da Sinochem e da Pirelli se recusaram a comentar.

A participação chinesa na Pirelli tem sido alvo de escrutínio nos Estados Unidos, um dos principais mercados da companhia, por questões relacionadas à segurança nacional e ao compartilhamento de dados. A preocupação ocorre enquanto a empresa amplia a oferta de seus pneus Cyber Tyre, equipados com sensores capazes de coletar informações em tempo real.

O governo da Itália tem utilizado seus poderes especiais de intervenção em empresas estratégicas — conhecidos como golden power — para limitar a influência da Sinochem na Pirelli. As restrições incluem limites à representação da estatal no conselho de administração e a determinados direitos de governança enquanto sua participação permanecer acima de 9,99%.

Nas últimas semanas, a Pirelli promoveu mudanças em seu conselho e na liderança executiva, nomeando o ex-presidente-executivo e acionista relevante Marco Tronchetti Provera como presidente executivo, apesar da oposição dos acionistas chineses. A entrada de Strnad, controlador do grupo de defesa tcheco CSG NV, reforçaria ainda mais a presença de capital europeu na companhia.

O principal obstáculo para a conclusão do negócio é a aprovação da Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais da China (SASAC), órgão responsável por supervisionar empresas estatais do país, disse uma das fontes. Segundo ela, já foi discutida uma estrutura básica de preço das ações com pagamento de prêmio, e o fechamento poderia ocorrer, no cenário mais otimista, no fim de julho.

O jornal italiano Corriere della Sera informou anteriormente que Strnad e o bilionário tcheco Pavel Tykac tinham interesse em adquirir conjuntamente entre 10% e 20% da participação da Sinochem na Pirelli.

Segundo as fontes ouvidas pela Bloomberg, Tykac não participa mais das negociações. Um porta-voz de sua empresa, Sev.en Global Investments, se recusou a comentar.

A CSG, sediada em Praga, abriu capital na bolsa de Amsterdã neste ano, na maior oferta pública inicial de ações já realizada por uma empresa exclusivamente voltada ao setor de defesa. Em 2022, o grupo adquiriu 70% da fabricante italiana de munições Fiocchi Munizioni e comprou a participação restante no ano passado.

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Polícia Federal bloqueia R$ 10 bilhões e faz prisão após sanções dos EUA por PCC

3 de Julho de 2026, 09:48

A Polícia Federal cumpriu nesta sexta-feira (3) mandados de prisão temporária e de busca e apreensão, inclusive contra dois investigados que foram alvo de sanções do Departamento do Tesouro dos EUA no início desta semana.

A Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 10,4 bilhões em bens dos investigados.

Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira foi presa nesta sexta-feira, enquanto Victor Henrique de Oliveira Shimada continua foragido, segundo uma pessoa familiarizada com a operação, que pediu para não ser identificada porque os detalhes ainda não são públicos.

Ambos foram sancionados em 1º de julho pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês) do Departamento do Tesouro dos EUA, sob a acusação de ajudar a lavar recursos para a maior organização criminosa da América Latina, o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O advogado de Shimada não respondeu de imediato a um pedido de comentário. A defesa de Oliveira não foi localizada imediatamente. Segundo os EUA, Shimada atuava como um intermediário-chave entre integrantes do PCC baseados na Flórida e traficantes internacionais de drogas.

Mais de 50 policiais federais cumprem 11 mandados de prisão temporária e 13 mandados de busca e apreensão em diversas cidades do estado de São Paulo. A Justiça brasileira também determinou o bloqueio de bens, valores e ativos em criptomoedas dos investigados, totalizando cerca de R$ 10,4 bilhões, segundo comunicado da PF.

Segundo a PF, os investigados operavam uma sofisticada rede financeira para movimentar recursos ilícitos por meio de transferências de criptomoedas, transporte de dinheiro em espécie, transações bancárias de alto valor e transferências entre pessoas físicas e empresas.

Os suspeitos poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro e evasão ilegal de divisas, além de outros crimes que possam ser identificados ao longo das investigações, afirma o comunicado.

A operação da PF, batizada de Operação Exchange, já havia sido planejada antes de os EUA aplicarem sanções aos dois brasileiros no início desta semana, afirmou a pessoa.

Investidor de criptomoedas é menos impulsivo do que parece, mostra pesquisa

3 de Julho de 2026, 08:19

Investidor de criptomoedas costuma carregar a fama de ser mais especulador, correr atrás apenas das moedas que podem disparar e pensar no lucro rápido. Mas uma pesquisa divulgada nesta semana indica que esse perfil pode estar mudando.

O levantamento Panorama do Investidor Brasileiro: ativos digitais e o futuro dos investimentos, realizado pelo Mercado Bitcoin em parceria com a Opinion Box, mostra que quem investe em cripto tende a fazer aportes com mais frequência, diversificar mais a carteira, reagir menos às quedas do mercado e acompanhar os investimentos mais de perto.

“À medida que o investidor passa a entender melhor a dinâmica desse mercado e incorpora os criptoativos à sua estratégia, a percepção tende a se tornar mais equilibrada e menos baseada em receios”, afirma Giresse Contini, diretor do Mercado Bitcoin.

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Os números

Entre os investidores de criptomoedas, 68% disseram fazer aportes frequentes – semanais, quinzenais ou mensais. Entre quem nunca investiu em ativos digitais, o percentual dos que aplicam regularmente em produtos como Tesouro Direto, CDBs ou poupança é de 56%.

A diversificação da carteira também aparece com mais força entre quem investe em cripto. Segundo a pesquisa, 70% afirmam priorizar essa estratégia, enquanto entre os que nunca investiram em ativos digitais esse percentual é de 32%.

O estudo também indica que os investidores em criptomoedas costumam reagir menos às oscilações do mercado. Em cenários de queda e perdas financeiras, 25% afirmam considerar mudanças na estratégia de investimentos. Entre quem nunca investiu em cripto, esse percentual sobe para 31%.

Outro dado apontado é o acompanhamento mais próximo da carteira. O levantamento mostra que 80% dos investidores de criptomoedas monitoram regularmente seus investimentos, contra 75% entre aqueles que nunca aplicaram nesse mercado.

A pesquisa foi realizada ao longo de abril de 2026 com cerca de 1.000 investidores de todas as regiões do Brasil e tem margem de erro de 3,1 pontos percentuais.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.

Bitcoin (BTC):  +1,10%, US$ 61.902,33

Ethereum (ETH): +5,85%, US$ 1.741,56

BNB (BNB): +1,92%, US$ 566,70

XRP (XRP): +2,97%, US$ 1,10

Solana (SOL): -0,15%, US$ 81,51

Outros destaques do mercado cripto

Regras mais duras. Saiu uma nova resolução do Banco Central direcionada ao mercado cripto. A norma inclui as prestadoras de serviços de ativos virtuais (como exchanges, custodiantes e outras empresas autorizadas a atuar com criptomoedas) no arcabouço prudencial da instituição. Na prática, essas empresas passam a seguir regras mais rígidas de gerenciamento de riscos, exigências de capital e divulgação de informações.

DeCripto começou. Começou a valer nesta semana a Declaração de Criptoativos (DeCripto), nova regra da Receita Federal para rastrear, fiscalizar e padronizar o reporte de operações com moedas digitais. A principal mudança é que as exchanges estrangeiras que atuam no Brasil também passam a ter de informar as operações de seus clientes à Receita, aproximando o país dos padrões internacionais de fiscalização do mercado cripto.

Top 5 ações tokenizadas. O pessoal da Bitget divulgou ontem quais foram as ações tokenizadas mais negociadas na América Latina (e o Brasil está no meio) no primeiro semestre. O ranking ficou assim: Tesla, Strategy, Nvidia, Micron Technology e Intel. Ações tokenizadas são representações digitais dos papéis dessas empresas negociadas em blockchain. É um segmento que está crescendo bastante: só no mês passado, movimentou US$ 3,5 bilhões em um único dia.

Efeito Ozempic: cervejarias nos EUA ampliam oferta de mini long necks de olho em consumo moderado

3 de Julho de 2026, 06:03

As principais cervejarias dos EUA estão enxergando grandes oportunidades em cervejas pequenas. A Sierra Nevada e a Constellation Brands, fabricante da Modelo, estão entre as empresas que estão lançando latas e garrafas menores — conhecidas como ponies —, e as vendas estão crescendo, segundo analistas e executivos do setor.

Essas cervejas ganham espaço durante a importante temporada de vendas de verão no hemisfério norte. A semana de 4 de julho costuma ser um destaque para o setor, com vendas de cerveja cerca de 37% acima da média, segundo o Beer Institute, entidade do setor.

“Estamos otimistas com o que as cervejas em latas pequenas podem agregar”, disse Craig Purser, CEO da Associação Nacional de Distribuidores Atacadistas de Cerveja, que representa mais de 3.000 distribuidores de cerveja e bebidas. “Os consumidores não precisam tomar uma decisão de 355 ml.”

A Sierra Nevada, que lançou sua pequena lata da Pils no outono passado, rapidamente percebeu que ela teve forte desempenho de vendas. A empresa, que vende a cerveja em embalagens de oito unidades, decidiu agora oferecer o produto também em packs de 16 em mercados selecionados neste outono.

“O que não havíamos percebido totalmente é como o tamanho poderia atrair de forma mais ampla pessoas que querem moderação”, disse Ellie Preslar, diretora de crescimento da Sierra Nevada.

Cervejarias buscam ‘pequenos agrados’

“Ouço isso de outros pais que querem moderar. Eles ainda querem uma cerveja à noite, mas estão cuidando dos filhos, então isso permite um pequeno agrado.”

O nome “pony” remonta ao final do século 19, segundo a Molson Coors. O termo é usado como sinônimo de pequeno: barris são medidos em meio barril, enquanto pony kegs são um quarto de barril, disse Purser.

Latas e garrafas de pequeno volume também são conhecidas como “throw-downs” (expressão informal para embalagens de consumo rápido) e “grenades” (gíria para garrafas pequenas e robustas, que lembram uma granada).

A Coors é creditada por ter introduzido a primeira lata de alumínio no formato pony no fim dos anos 1950. As ponies da Rolling Rock foram populares nos anos 1980.

As cervejas menores ganham nova vida agora, à medida que muitos consumidores reduzem gastos e o consumo de álcool. Elas variam de 200 a 260 ml, menores do que as latas típicas de 355 ml ou 473 ml vendidas nos EUA. São semelhantes ao tamanho de mini refrigerantes de Coca-Cola e Pepsi, que também estão ganhando popularidade.

Nick Fink, CEO da Constellation, disse que a empresa atua no segmento de cervejas pequenas há mais de uma década.

“Estamos nos aprofundando nisso. Acho que vocês verão expansões nessa direção”, disse Fink. Ele acrescentou que o uso de medicamentos GLP-1 para perda de peso cria uma oportunidade de expandir o uso de cervejas menores e avançar para a cultura do “pequeno agrado”. “Acho que é uma estratégia particularmente interessante para nós.”

Osvaldo De La Garza, que mora na região de Tampa, na Flórida, é fã da Coronita, uma versão menor da cerveja mexicana Corona. Ele mantém seu cooler de piscina abastecido com elas. “As pequenas são perfeitas. Levo para todos os lugares, até encontros pequenos. É o tamanho ideal”, disse De La Garza.

Ele, de 32 anos, afirma que consome as cervejas de cerca de 200 ml há cerca de dois anos e não pretende voltar às Coronas tradicionais. Sua esposa, segundo ele, acha as versões pequenas “fofas”.

Gerar crescimento para qualquer tipo de produto é essencial para a indústria de cerveja. Até abril deste ano, os embarques domésticos de cerveja caíram 1,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da consultoria Bump Williams.

E embora haja algum impulso de vendas em embalagens menores, sua participação no mercado ainda é pequena, segundo a mesma consultoria.

No início deste ano, a Bud Light lançou uma edição limitada de latas pequenas com a marca de Post Malone, promovendo a ideia de que cervejas menores permanecem mais geladas enquanto são consumidas. A Molson Coors afirma que as vendas das garrafas pequenas da Miller High Life vêm crescendo de forma constante nos últimos cinco anos.

A Constellation agora está colocando a Pacifico em embalagens de cerca de 200ml, após o sucesso com Coronitas e Modelitos. Cerca de sete milhões de caixas de Coronita são vendidas por ano, segundo a empresa.

Greg McLeod dirige uma distribuidora de bebidas na Flórida e entrega produtos para cerca de 3.000 lojas. Ele afirmou que as vendas das cervejas menores superam vários outros formatos de embalagem.

No clima quente e úmido da Flórida, disse McLeod, os consumidores gostam das embalagens menores porque “podem colocá-las no gelo e consumi-las mais rápido, o que mantém a bebida sempre gelada”.

McLeod disse que, nos anos 1990, fazia promoções de bares com cervejas pequenas na região de Washington, D.C. Essas ações estão voltando, afirmou ele.

Envie mensagens para Laura Cooper em laura.cooper@wsj.com

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O robô vai às compras: como os agentes de IA já estão em todo lugar do varejo brasileiro

3 de Julho de 2026, 06:00

Um cliente escreve no WhatsApp que precisa de um carro para viajar com a família. Não há vendedor do outro lado — nem, tecnicamente, um humano. Em segundos, recebe opções, preços e a pergunta sobre quantos dias vai durar a viagem.

Agentes de inteligência artificial começam a assumir parte do trabalho de comprar — de uma roupa até um serviço ou, quem sabe, até um carro — em canais que vão do chat à voz.

A locadora de veículos Movida, do grupo Simpar, foi escolhida pela Meta, dona do WhatsApp, para testar (e atestar) o modelo de agente que a big tech queria desenvolver para seu aplicativo de conversas.

A escolha por uma companhia brasileira não foi à toa, dado que o país é um heavy user do WhatsApp. O Brasil é o segundo maior mercado global do WhatsApp, com mais de 139 milhões de usuários. O país também se destaca como o principal motor de receita corporativa da plataforma, liderando o uso do WhatsApp Business à frente da Índia e da Indonésia.

Faz sentido também com a mudança nos lares brasileiros. Os dados do Módulo de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) da PNAD Contínua, divulgado nesta quinta-feira (02), mostram que 95% dos lares já estão conectados na internet. E é cada vez mais gente: 90% dos brasileiros com 10 anos ou mais acessam a internet – especialmente a população com 60 anos ou mais.

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No evento Conversations, em Londres, o CEO Gustavo Moscatelli demonstrou uma locação inteira sendo fechada dentro do WhatsApp: escolha do carro, seguro, reserva e pagamento, sem troca de aplicativo.

A locadora também já tem uma base favorável de dados para o teste. Com mais de 270 mil veículos em 400 pontos, 84% das locações são online. Dessas, a maioria já era fechada via WhatsApp, só que com a transação sendo, em grande parte, operada e totalmente concluída por atendentes humanos.

Alugar um carro no WhatsApp

A parceria começou em março e pôs a Movida no primeiro lote de testes da Meta, ao lado de outras companhias, incluindo outras brasileiras como a Sem Parar.

O desenvolvimento levou dois meses e meio e envolveu seis profissionais da Movida e cinquenta da Meta e cerca de dez dias de trabalho local. Antes do lançamento, o agente rodou duas semanas de forma limitada, atendendo o equivalente a 1% das reservas. Mesmo assim, saiu do ar por 48 horas nos primeiros dias para corrigir falhas que faziam clientes desistir.

Depois, o tráfego migrou em doses até o agente assumir praticamente todo o canal. Para reduzir erros, a Movida colocou agentes para vigiar agentes: um verifica o carro, outro confere o seguro, um terceiro checa se a data faz sentido. O InvestNews testou. O sistema já indica loja próxima, sugere categorias e preços, oferece seguro, lavagem e combustível, mas travou quando a pergunta saiu do roteiro e daí encaminhou para o atendimento humano.

De qualquer maneira, a empresa diz que os ganhos são consideráveis. Nas primeiras três semanas de operação plena, as interações semanais saltaram de 12 mil para 30 mil. A conversão em locações dobrou, e 85% das conversas terminam sem intervenção humana.

O custo de cada locação fechada pelo canal caiu de 10% para 2% do valor do contrato, calcula a Movida. “O custo é o token. Como a abordagem é mais assertiva, você usa menos mensagens”, afirma Moscatelli.

O tíquete médio da Movida ficou 6% acima da média. A meta é faturar R$ 300 milhões pelo canal até o fim do ano, o triplo dos 12 meses anteriores. O pagamento, por enquanto, continua fora do WhatsApp. A empresa quer levar 100% da jornada, incluindo assinatura de carro, para dentro do canal em 90 dias. Vender os carros seminovos também está nos planos.

A funcionalidade do WhatsApp entrou no ar na quarta-feira (1º de julho). A partir de 1º de agosto, a cobrança passa a ser por consumo de tokens (cada palavra processada pela IA, lida ou gerada), e não mais por mensagem enviada, como funciona hoje a API tradicional do WhatsApp Business.

Cada pacote de 1 milhão de tokens custa US$ 2, e a Meta estima que uma resposta simples consuma entre 20 mil e 25 mil tokens, o equivalente a cerca de US$ 0,04.

O valor final varia com a complexidade da conversa. Uma dúvida simples, como horário de funcionamento, pode gerar quatro respostas e consumir cerca de 80 mil tokens, com custo entre US$ 0,16 e US$ 0,20. Já uma interação mais elaborada, como orientar o cliente a montar um produto, pode chegar a dez respostas e 250 mil tokens, elevando o custo para US$ 0,40 a US$ 0,50.

Segundo a Meta, a lógica é cobrar mais por conversas que exigem mais “raciocínio” da IA. E, diferentemente de soluções de terceiros plugadas à API do WhatsApp, que cobram separadamente do provedor externo e da Meta, o Business Agent tem cobrança única, o que a empresa apresenta como mais acessível em cenários de alto volume.

A lançamento do Meta Business Agent acontece também em meio a uma disputa regulatória. Em outubro passado, a Meta restringiu chatbots de terceiros de operar dentro do WhatsApp. Mas o Cade suspendeu a medida em março, citando abuso de posição dominante. Desde 11 de março, a Meta cobra US$ 0,0625 por mensagem processada por chatbots de outras empresas no Brasil.

Alexa, compre uma passagem

Na ClickBus, o roteiro se repete. A empresa batizou sua IA de BuzzBrain e, hoje, mais de 15% das vendas já têm influência da ferramenta. O CTO, Fábio Trentini, projeta superar 30% no ano que vem.

A IA entrou primeiro no aplicativo, para informar destino; depois passou a responder dúvidas sobre bagagem, pets e horários; foi para o atendimento interno; e só então virou chatbot no site. Hoje fala com o cliente no WhatsApp por texto ou áudio, mostra o mapa de assentos e processa pagamento por Pix ou cartão.

“Nós treinamos as IAs para falarem exatamente o que sabem. O que não sabem, falam que não sabem”, diz Trentini. Por trás do avanço estão 88 milhões de passagens vendidas, 375 milhões de buscas em 2025, mais de 16 milhões de passageiros e mais de 1 milhão de clientes que usam a IA conversacional. O primeiro agente levou cerca de seis meses para ficar pronto.

A aposta mais recente é a integração com a Alexa Plus, lançada no Brasil em 18 de junho. A promessa é permitir compra de passagem só por voz, mas a função ainda não está totalmente no ar e a Amazon integra os parceiros aos poucos.

A corrida do varejo… e das big techs

A expectativa de analistas do mercado é que os agentes de IA se disseminem rapidamente. É a aposta do time do BTG Pactual que analisa ações de varejo. Segundo eles, o Mercado Livre, que lidera o e-commerce no Brasil, é uma das empresas mais bem posicionadas para a “era dos agentes”.

Ainda que não lance um assistente conversacional como a Amazon, já começou a incorporar IA em busca, publicidade, atendimento, ferramentas para vendedores, risco e crédito.

O Magazine Luiza também passou a testar o “WhatsApp da Lu”. Lançado no fim de 2025, a ferramenta foi testada por mais de 1 milhão de usuários.

A Lu usa agentes para entender pedido, buscar no catálogo, dar sugestões. Para pagar, o agente consegue consultar o perfil do cliente pelo número do celular e realizar a transação na conversa. Segundo a empresa, ela gerou três vezes mais conversão em vendas no WhatsApp do que no seu aplicativo.

O pano de fundo é global.

A Bain aponta que o tráfego de plataformas de IA generativa para sites de varejo cresceu cerca de 4.700% no último ano — e que 55% dos consumidores já usam modelos de linguagem para pesquisar produtos.

Segundo pesquisa da Nvidia, 91% de varejistas e empresas de bens de consumo consultados usam ou avaliam IA, 89% atribuem receita a essas iniciativas e 95% relatam corte de custo. A McKinsey projeta que o comércio mediado por agentes de IA movimente entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões até 2030.

A disputa também acontece antes do consumidor, entre as plataformas que sustentam os agentes. O Google lançou em janeiro o Gemini Enterprise for Customer Experience, depois de a OpenAI liberar o checkout direto no ChatGPT e a Microsoft anunciar função parecida no Copilot.

Quem paga a conta quando o robô erra

O entusiasmo convive com uma pergunta sem resposta pronta. Quando um agente reserva viagem de forma errada, compra item equivocado ou autoriza gasto indevido, quem responde? A plataforma que criou o modelo, a empresa que implantou o agente ou o usuário que aprovou a ação?

Nos Estados Unidos não há lei federal específica; cada estado trata o tema à sua maneira. A União Europeia aprovou o AI Act, que classifica sistemas de IA por risco e impõe obrigações mais rígidas a aplicações de alto risco. A lei dá mais previsibilidade, mas ainda é recente, e reguladores seguem montando estrutura de fiscalização. No Brasil, ainda não há uma discussão sobre qual será a resposta.

Há ainda uma questão de confiança. A Bain observa que o consumidor confia cerca de três vezes mais em agente operado pelo próprio varejista do que em agente de terceiros. Isso ajuda a explicar por que Movida, ClickBus e Magalu preferiram construir – ainda que com as big techs – a tecnologia, sem abrir mão da relação com o cliente.

O apetite, por enquanto, não desacelera. Enquanto o consumidor decide se confia em deixar um robô comprar por ele, varejo e serviços já apostam que sim.

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CNPJ terá letras além de números. Saiba para quem vale a mudança e como se adaptar

2 de Julho de 2026, 16:53

A partir do próximo dia 31 de julho, o CNPJ vai mudar. O que era obrigatoriamente uma sequência de 14 números passará a incluir também algumas letras. É o CNPJ alfanumérico, no jargão técnico.

Você, empreendedor, lê essa notícia e quer saber: o CNPJ da sua empresa vai mudar? Você precisará atualizar o cadastro na Receita Federal? Terá de alterar o contrato social ou outros documentos?

Desta vez, felizmente, a adaptação vai ser mais simples do que parece à primeira vista. Quem já tem empresa não precisará trocar o CNPJ nem fazer alterações cadastrais por causa da mudança.

Você não terá de fazer nada – ou melhor, quase nada.

O novo modelo foi criado para permitir a emissão de mais combinações de números e letras para as futuras empresas, já que o sistema atual está chegando ao limite de possibilidades.

Portanto, é vida que segue para quem já tem uma PJ aberta – à exceção de alguns cuidados simples, mas importantes, que devem ser tomados e que o Descomplica PJ explica agora.

CNPJ com letras e números

Atualmente, o CNPJ possui 14 posições compostas apenas por números. Com a mudança, as 12 primeiras posições poderão combinar números e letras maiúsculas. Os dois dígitos verificadores, ao final do código, continuarão sendo apenas numéricos.

A aparência do CNPJ continuará praticamente igual: 14 caracteres, pontos, barra e hífen. A novidade é a presença das letras e o fim do tradicional “0001”. Essa sequência, que vem antes dos dígitos verificadores, sempre foi usada para identificar a matriz da empresa, mas deixará de ser obrigatória.

Então, em vez de um CNPJ do tipo 12.345.678/0001-95, talvez você comece a cruzar com outros no estilo 12.ABC.345/01DE-35. Mas as mudanças param por aí.

“O processo de abertura de empresas continua exatamente o mesmo. Só muda o número gerado pelo sistema da Receita Federal”, diz Charles Gularte, sócio-diretor de contabilidade e relações institucionais da Contabilizei.

Por que a mudança?

Como o CNPJ alfanumérico começa na mesma época em que várias novidades previstas na reforma tributária são implementadas, muita gente acha que uma é consequência da outra. E isso não é exatamente verdade. Não diretamente.

A reforma tributária não criou a mudança, mas ajudou a acelerar a necessidade dela. Um exemplo: a partir de janeiro de 2027, autônomos e produtores rurais também vão precisar emitir nota fiscal por meio de um CNPJ, o que vai levar muito mais pessoas a terem de registrar um.

E se, no ritmo atual de abertura, de cerca de 6 milhões de empresas por ano, o estoque de combinações numéricas já estava esgotando, imagine com a enxurrada de novos pedidos de cadastro que vem pela frente?

Ao permitir a combinação de letras e números, diz Julia Castellari, advogada do PGBR Advogados, a Receita Federal ganha espaço para gerar trilhões de novas combinações.

Mudança começa em julho

A implementação será progressiva a partir de 31 de julho e, nesse início, ainda poderá haver novas empresas que recebam CNPJs compostos apenas por números.

Isso ocorrerá enquanto o sistema da Receita Federal faz a transição entre os dois formatos, afirma Gustavo Faviero, sócio do Almeida Prado, Marx, Faviero e Flôr Advogados.

Por um tempo, os dois tipos de CNPJ vão conviver. E tanto os exclusivamente numéricos quanto os alfanuméricos serão aceitos para emissão de notas fiscais, transações comerciais e demais operações.

Por isso, quem já possui empresa aberta pode respirar aliviado. Os CNPJs atuais permanecem válidos e não haverá necessidade de emitir um novo número, alterar o contrato social ou substituir o certificado digital.

“O procedimento de constituição de novas empresas não exige qualquer regularização por parte de quem já possui CNPJ”, diz Tania Lehmann, sócia do Mariana Valverde Advogados.

O diabo mora nos detalhes

A maior adaptação ao novo CNPJ vai acontecer nos bastidores: os sistemas de gestão que usam o cadastro para identificar empresas de precisarão ser atualizados para aceitar letras e validar o código. É o caso de ERPs, emissores de nota fiscal, plataformas de atendimento e até bancos.

Empresas que usam sistemas antigos ou sem contrato de atualização poderão enfrentar adaptações mais complexas e até precisar substituir seus programas de gestão, diz Adriano Vitor dos Santos, tributarista do Bergamini Advogados. Caso essa adequação não aconteça, o risco é operacional.

Na prática, sistemas desatualizados podem deixar de reconhecer clientes com CNPJ alfanumérico, impedir o faturamento, provocar falhas na emissão e no recebimento de notas fiscais e até gerar inconsistências nas obrigações fiscais entregues à Receita Federal.

Por isso, vale verificar se os sistemas utilizados pelo seu negócio já estão sendo atualizados. Não deixe de questionar seus fornecedores de software, além dos seus contadores, para confirmar se emissores de notas, sistemas de caixa, plataformas de e-commerce e ERP já estão preparados.

Além, é claro, de orientar sua equipe sobre a coexistência entre os dois formatos. Afinal, não dá para deixar de faturar porque o departamento financeiro foi pego de surpresa.

Atenção aos golpes

Como acontece em toda mudança que envolve documentos oficiais, os especialistas alertam para possíveis tentativas de golpe.

Segundo Tania, a Receita Federal não exigirá regularização para quem já possui empresa nem solicitará pagamentos relacionados a isso – muito menos por WhatsApp, SMS, e-mail ou telefone.

Então, olho aberto: desconfie de qualquer mensagem que peça atualização cadastral, envio de documentos ou pagamento de taxas usando a mudança como justificativa.

Receita abre consulta a lote especial de restituição do Imposto de Renda

2 de Julho de 2026, 16:45

A Receita Federal abre, a partir das 9h da próxima quarta-feira (8), a consulta ao lote automático de restituição do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), iniciativa conhecida como “cashback”.

O pagamento dos valores será feito em 15 de julho de 2026, diretamente na conta do contribuinte vinculada à chave Pix do tipo CPF

Segundo a Receita, a medida é voltada a pessoas que não entregaram a declaração do Imposto de Renda em 2025 porque não estavam obrigadas, mas tiveram imposto retido na fonte ao longo de 2024 e apuraram valores a restituir.

A estimativa é que aproximadamente 4 milhões de contribuintes sejam beneficiados nesta etapa, com a liberação de cerca de R$ 500 milhões em restituições. O valor máximo será de R$ 1.000 por contribuinte.

Quem recebe o lote especial da restituição do Imposto de Renda?

O lote especial de restituição automática é destinado a contribuintes que atendam, ao mesmo tempo, aos critérios definidos pela Receita Federal. 

Pode ser contemplado quem:

  • Não estava obrigado a entregar a declaração do IRPF relativa ao exercício de 2025;
  • Não apresentou declaração por iniciativa própria;
  • Teve Imposto de Renda retido na fonte ao longo de 2024;
  • Possui valores a restituir, limitados a até R$ 1.000 por contribuinte;
  • Está com CPF em situação regular;
  • Possui chave Pix vinculada ao CPF.

A Receita informa que o objetivo é devolver valores pagos indevidamente ou a maior por contribuintes que, por não estarem obrigados a declarar, poderiam deixar de receber a restituição.

LEIA MAIS: Como a Receita ‘decide’ quem vai pagar ou restituir IR 2026? Entenda como o cálculo é feito

A declaração será feita pela própria Receita?

Neste projeto piloto, a própria Receita Federal usa dados já disponíveis em suas bases para elaborar automaticamente uma declaração simplificada.

Esse procedimento permite identificar valores a restituir sem que o contribuinte precise apresentar a declaração por conta própria. 

A geração dessas declarações ocorre de forma gradual, considerando o volume estimado de beneficiários.

Depois de gerada, a declaração ficará disponível no Meu Imposto de Renda para consulta, conferência e eventuais ajustes pelo contribuinte.

O contribuinte precisa fazer alguma coisa?

O contribuinte deve consultar o Meu Imposto de Renda a partir de 8 de julho para verificar se foi contemplado.

Também precisa conferir se possui chave Pix do tipo CPF vinculada a uma conta, já que o pagamento será feito exclusivamente por esse meio.

Além disso, como a declaração gerada automaticamente ficará disponível no sistema, o contribuinte poderá acessar o documento para conferir as informações e fazer eventuais ajustes, se necessário.

LEIA MAIS: Caiu na malha fina? Entenda o que acontece agora e o que fazer

Como consultar se tenho direito?

A consulta ao lote especial será eve ser liberada em 8 de julho, uma semana antes do pagamento.

Como o crédito está programado para 30 de junho, a liberação permitirá ao contribuinte verificar se foi incluído no cashback do Imposto de Renda.

A consulta pode ser feita por três canais:

A declaração gerada pela Receita ficará disponível no Meu Imposto de Renda, com funcionalidades semelhantes às de uma declaração elaborada pelo próprio contribuinte.

Como será feito o pagamento?

O pagamento será realizado exclusivamente em conta vinculada à chave Pix do tipo CPF do contribuinte.

A Receita informa que não haverá emissão de ordens de pagamento nem depósitos em contas que não estejam vinculadas ao CPF informado. 

Por isso, quem acredita que pode ser contemplado deve verificar se possui uma chave Pix do tipo CPF ativa e associada a uma conta bancária.

O lote especial substitui os lotes regulares?

A Receita Federal informa que o lote especial de restituição automática não integra o calendário regular de restituições do IRPF 2026.

Esse lote tem cronograma próprio, é voltado a contribuintes que não apresentaram declaração e será pago em parcela única no dia 15 de julho.

Os lotes regulares continuam sendo pagos normalmente aos contribuintes que entregaram a declaração dentro do prazo legal. O próximo lote regular de restituição está previsto para 31 de julho.

Maior mineradora de zinco da Europa negocia compra da participação da Votorantim na Nexa

2 de Julho de 2026, 16:02

A sueca Boliden, maior fabricante europeia de zinco, confirmou nesta quinta-feira (2) que está em conversas com a Nexa Resources e com a Votorantim, controladora da companhia, sobre uma possível aquisição da participação do grupo brasileiro na mineradora. Segundo o comunicado divulgado ao mercado, “não há garantia de que qualquer transação venha a ser concretizada, nem de quais seriam os termos de um eventual acordo.”

As negociações ocorrem em meio a rumores que circulam no setor desde o início do ano. Segundo informações já reportadas pelo Estadão, as tratativas chegaram a avançar significativamente no primeiro semestre, mas enfrentaram obstáculos relacionados a questões jurídicas e ao ambiente geopolítico global.

Uma eventual aquisição representaria um movimento estratégico relevante para ambas as empresas. A Nexa, controlada pela Votorantim e listada na NYSE desde 2017, é uma das maiores produtoras integradas de metais polimetálicos da América Latina, tendo o zinco como principal produto.

A companhia tem mais de 65 anos de atuação em mineração e metalurgia e opera cinco minas no Brasil e no Peru, além de três fundições de zinco, incluindo Cajamarquilla, no Peru, considerada a maior fundição do metal nas Américas.

A Nexa apresentou melhora operacional e financeira no primeiro trimestre de 2026. A companhia registrou lucro líquido de US$ 118 milhões, ante US$ 29 milhões no mesmo período do ano anterior. A receita líquida cresceu 42%, para US$ 888 milhões, enquanto o Ebitda ajustado avançou 126%, para US$ 283 milhões. A margem Ebitda ajustada atingiu 31,8%, refletindo a alta dos preços dos metais — especialmente da prata — e o maior volume de vendas das operações de fundição.

Segundo o presidente-executivo da Nexa, Ignacio Rosado, os resultados foram alcançados apesar de desafios operacionais no Peru, incluindo chuvas intensas na mina Cerro Lindo, bloqueios comunitários em Atacocha e restrições operacionais em El Porvenir. Ao mesmo tempo, a mina de Aripuanã, em Mato Grosso, registrou novo recorde trimestral de produção de zinco, enquanto as fundições brasileiras de Juiz de Fora e Três Marias ampliaram a produção em 56% e 17%, respectivamente, na comparação anual.

A companhia também encerrou o trimestre com alavancagem financeira menor. A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado caiu para 1,59 vez, ante 2,09 vezes um ano antes, reforçando sua posição financeira em meio às discussões sobre uma potencial mudança de controle.

Já a Boliden é a maior produtora de zinco da Europa e atua na mineração e processamento de metais básicos e preciosos, incluindo cobre, zinco, ouro e prata. A companhia opera minas e fundições na Suécia, Finlândia, Noruega e Irlanda, com ações negociadas na Nasdaq Stockholm.

As duas empresas são vistas como altamente complementares. Enquanto a Nexa concentra suas operações na América do Sul, a Boliden possui ativos predominantemente na Europa. Uma combinação ampliaria a presença global da companhia sueca e reforçaria sua exposição a metais considerados estratégicos para a eletrificação da economia e a transição energética.

A Votorantim não comentou publicamente os detalhes das negociações. A Boliden afirmou que divulgará novas informações caso as discussões avancem para uma transação.

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Vai precisar do dinheiro em até 60 dias? Veja qual aplicação vale mais, do Tesouro Reserva ao CDB

2 de Julho de 2026, 15:34

Você não quer, simplesmente, deixar o dinheiro parado na conta, sem render nada. Mas já sabe que vai ter que usar uma parte ou a totalidade em menos de um mês. E, mesmo se conseguir segurar um pouco dos recursos, vai acabar recorrendo a essa sobra antes de 60 dias.

Em certos momentos da vida, nós nos deparamos com períodos em que o saldo está contado e precisamos usar os recursos no curtíssimo prazo. Nesse caso, o que vale mais: investir em Tesouro Selic, Tesouro Reserva ou CDB a 100% do CDI? Ou até mesmo manter o dinheiro na poupança?

Como essa visão de curto prazo abrange investimentos com liquidez diária e retornos atrelados à Selic ou ao CDI, é preciso incluir nessa lista outro produto que vem ganhando relevância nas carteiras nos últimos dois anos: os ETFs (fundos passivos) de renda fixa atrelados a índices que seguem alguma dessas duas referências de ativos conservadores.

Todos os produtos, com exceção da poupança, que tem um sistema de remuneração próprio, apresentam retornos brutos muito próximos porque ou rendem a variação da taxa básica de juros ou do certificado de depósito interfinanceiro (CDI), que, por sua vez, segue de perto a Selic.

Então o que faz a diferença entre esses produtos de renda fixa? É essencialmente o custo. No caso, a soma dos descontos relativos à tributação e às taxas embutidas.

Mesmo em prazos muito curtos, como em duas semanas ou um mês, os retornos podem ser significativamente diferentes quando comparamos os desempenhos.

Por exemplo, o Tesouro Selic, o Tesouro Reserva e os CDBs sofrem a incidência de um IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) regressivo sobre o rendimento ao longo de 30 dias. Quer dizer, se você resgatar a aplicação em menos de um mês, está sujeito à incidência do tributo.

IOF é o ‘vilão’ até a terceira semana

Quem precisar sacar o dinheiro menos de 23 dias após aplicá-lo encontra no IOF o principal custo. Isso porque a regra desse imposto sobre o retorno da renda fixa coloca um pedágio que cai um pouquinho diariamente até zerar no 30º dia.

Se você, por exemplo, tiver de resgatar um CDB já no dia seguinte, o IOF sozinho vai reter 96% do retorno. Isso significa que, junto com o Imposto de Renda de 22,5% o investidor praticamente não vai obter nenhum ganho.

Se o investidor tirar o dinheiro duas semanas após aplicá-lo no título público ou no certificado bancário, por exemplo, o IOF será de 46% sobre o retorno obtido.

Após 24 dias, esse imposto recua para 20%, abaixo, portanto, dos 22,5% do IR. Vamos falar sobre o imposto de renda mais para a frente.

Já os ETFs e a poupança estão livres da cobrança de IOF. E a caderneta, além disso, também está isenta de IR.

IR pode ser vantagem competitiva para ETFs

Os ETFs contam com uma tabela própria de IR, que também segue uma lógica regressiva. As alíquotas partem de 25% e recuam até 15%.

O IR é definido pelo prazo médio de “rebalanceamento” da carteira, ou seja, a duração média dos títulos na carteira. Quanto mais longo, menor a cobrança.

Índices com prazos médios acima de 720 dias (2 anos) se beneficiam do IR de 15%. No mercado, boa parte dos ETFs de renda fixa pós-fixados se enquadra nessa situação.

Para o investidor, na prática, significa que não importa por quanto tempo a aplicação nas cotas tenha sido feita, seja um dia ou vários anos, o IR será sempre o mesmo.

No caso do Tesouro Direto ou dos CDBs, o IR segue outra tabela regressiva, a que incide sobre todos os produtos de renda fixa.

Esse modelo parte de 22,5%, quando o investidor resgata a aplicação em até 180 dias ou seis meses, e chega aos 15% após dois anos sem mexer nos recursos. Portanto, no curtíssimo prazo, “não tem choro nem vela”: a mordida do leão vai ser sempre a maior.

Desconto dobrado em duas semanas

Agora vamos supor um investimento inicial de R$ 10 mil.

Em um prazo de duas semanas, os impostos – IOF e IR – vão reduzir o ganho quase pela metade ou em R$ 23.

Nesse período, quem investiu em Tesouro Direto pós-fixado e em CDBs que rendem 100% do CDI vão resgatar R$ 21 líquidos, descontando IOF, IR e eventuais taxas.

Já os ETFs que seguem índices pós-fixados oferecem quase o dobro em termos de retornos. As remunerações alcançam entre R$ 38 e R$ 43, dependendo da faixa de imposto de renda.

Esse retorno também já considera o desconto da taxa de administração dos fundos de índice negociados na bolsa, em torno de 0,2% ao ano.

A poupança, por outro lado, não rende nada. Isso porque, embora isenta de IOF e IR, a caderneta só remunera após 30 dias em que o dinheiro fica depositado.

Em um período mais amplo, de 29 dias, por exemplo, o IOF já está zerado. Nesse caso, os rendimentos do Tesouro Direto e de CDBs se aproximam dos ETFs com 15% de IR e superam os ETFs com 25% de IR.

O retorno líquido de impostos e taxas do Tesouro Selic e do Tesouro Reserva e de certificados bancários alcança R$ 82 nesse intervalo.

No caso dos ETFs, os fundos com IR mais baixo vão a R$ 89. Já aqueles com imposto de 25% apresentam um ganho de R$ 79.

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Poupança na lanterna

Em 60 dias, apesar de ainda ficar na lanterna na comparação de rendimentos, a poupança já se mostra competitiva. Os retornos líquidos dos títulos públicos e dos bancários, por exemplo, vão a R$ 171.

Já no caso dos ETFs, as remunerações alcançam entre R$ 164 e R$ 186, de acordo com a alíquota de IR.

A caderneta entrega R$ 134 de ganho em dois meses. É bom lembrar que a poupança tem uma fórmula de rendimento própria.

O produto tem uma taxa fixa de 0,5% ao mês acrescida da variação da taxa referencial (TR), atualmente em 0,17% mensal, o que eleva seu retorno para 0,67% a cada 30 dias.

Caderneta atrai pela simplicidade

Apesar de render significativamente menos, a caderneta protege o dinheiro da inflação. Além disso, para quem usa os recursos no curtíssimo prazo, a simplicidade operacional ajuda.

A poupança funciona como uma conta qualquer e, quase sempre, está conectada com a própria conta-corrente bancária do investidor. O dinheiro, portanto, pode ser transferido a qualquer momento de uma para outra, mesmo de madrugada ou aos fins de semana.

Essa facilidade de operar 24 horas em sete dias na semana é oferecida atualmente apenas por dois tipos de produtos: o Tesouro Reserva, que, por enquanto, está restrito aos correntistas do Banco do Brasil; e por CDBs com liquidez 24×7, que são minoria entre os certificados bancários e podem apresentar retornos abaixo de 100% do CDI, como contrapartida para oferecer essa liquidez instantânea.

Já no caso do Tesouro Selic, o investidor só pode resgatar o dinheiro no horário de funcionamento da plataforma Tesouro Direto, entre 9h30 e 18h, em dias úteis. Além disso, se o pedido de saque for feito após as 13h, o dinheiro só cai na conta no dia útil seguinte.

Nesse caso, quem fez a solicitação depois das 13h em uma sexta-feira vai receber apenas na segunda-feira, desde que não seja um feriado.

Os ETFs pós-fixados também enfrentam limitação semelhante. A liquidação do resgate de cotas só ocorre um dia depois do pedido (o chamado D+1). E aqui também vale a regra do dia útil. O horário para a operação segue o da bolsa, entre 10h e 17h.

Para muitas pessoas físicas, a poupança acaba sendo utilizada mais como uma conta bancária remunerada e menos como um produto de acumulação de patrimônio.

Com a chegada do Tesouro Reserva, a tendência é que parte significativa dos recursos migre da caderneta para a opção do Tesouro Direto, assim que ela ficar disponível para clientes de todas as instituições financeiras.

Com Haaland, Noruega se torna a seleção mais valiosa entre os rivais do Brasil

2 de Julho de 2026, 15:03

O Brasil terá contra a Noruega o adversário mais valioso que enfrentou até agora na Copa do Mundo de 2026. A seleção de Erling Haaland está avaliada em € 589,9 milhões (R$ 3,49 bilhões), segundo estimativas do Transfermarkt, plataforma especializada em dados e valores de mercado de jogadores e clubes de futebol.

A Noruega enfrenta a seleção brasileira no domingo (5), às 17h, em Nova York/Nova Jersey, pelas oitavas de final.

O valor de mercado norueguês supera os elencos de Marrocos, avaliado em € 447 milhões (R$ 2,64 bilhões), e Japão, estimado em € 270,8 milhões (R$ 1,60 bilhão), rivais anteriores do Brasil nesta Copa.

Ainda assim, a Noruega fica abaixo da seleção brasileira, que soma € 928,2 milhões (R$ 5,49 bilhões) e aparece como o sexto elenco mais valioso do torneio.

Se vencer a Noruega, o Brasil pode enfrentar nas quartas de final, o vencedor de Inglaterra x México.

A Inglaterra é a segunda seleção mais valiosa da Copa do Mundo 2026, com elenco de cerca de € 1,36 bilhão (R$ 8,04 bilhões). O México tem valor mais baixo, de € 191,85 milhões (R$ 1,13 bilhão), mas chega com campanha perfeita e histórico recente contra o Brasil em Copas.

Noruega de Haaland vale € 589,9 milhões e chega com cinco gols do artilheiro

A Noruega não é apenas o time de Haaland, mas o centroavante do Manchester City puxa tanto o valor de mercado quanto o desempenho da seleção. O atacante de 25 anos está avaliado em € 200 milhões (R$ 1,18 bilhão), valor que o coloca entre os jogadores mais valiosos do futebol mundial.

O segundo nome mais valioso da Noruega é Martin Odegaard, do Arsenal, avaliado em € 65 milhões (R$ 384,44 milhões). A lista ainda tem Jorgen Strand Larsen, estimado em € 40 milhões (R$ 236,58 milhões); Antonio Nusa, com € 32 milhões (R$ 189,26 milhões); Andreas Schjelderup, com € 30 milhões (R$ 177,44 milhões); Oscar Bobb, com € 28 milhões (R$ 165,61 milhões); além de Sander Berge e Julian Ryerson, ambos com € 25 milhões (R$ 147,86 milhões).

A campanha norueguesa também passa por Haaland. A seleção voltou à Copa depois de ficar fora desde 1998 e chega às oitavas com três vitórias, uma derrota, 10 gols marcados e oito sofridos.

O camisa 9 da Noruega marcou duas vezes contra o Iraque, duas contra Senegal e fez o gol decisivo na vitória por 2 a 1 sobre a Costa do Marfim, na fase de 16 avos de final.

Antonio Nusa também aparece como peça importante no mata-mata. Ele abriu o placar contra a Costa do Marfim e foi eleito jogador da partida pela Fifa.

Haaland, porém, segue como o principal nome ofensivo da Noruega, com cinco gols na Copa do Mundo 2026 e 60 pela seleção norueguesa.

LEIA MAIS: Como a Copa do Mundo ampliou a rivalidade entre Nike e Adidas

Brasil vale € 928,2 milhões e chega invicto às oitavas

Apesar de enfrentar o rival mais valioso de sua campanha até agora, o Brasil tem valor de mercado superior ao da Noruega. A seleção brasileira está avaliada em € 928,2 milhões (R$ 5,49 bilhões) e ocupa a sexta posição entre os elencos mais valiosos da Copa do Mundo 2026.

O principal nome brasileiro em valor de mercado é Vini Jr. O atacante do Real Madrid está avaliado em € 140 milhões (R$ 828,03 milhões), cerca de 15,1% do valor total da seleção brasileira.

Depois dele aparecem Gabriel, do Arsenal, e Matheus Cunha, do Manchester United, ambos avaliados em € 75 milhões (R$ 443,59 milhões). Bruno Guimarães, do Newcastle, e Raphinha, do Barcelona, vêm na sequência, com € 70 milhões (R$ 414,02 milhões) cada.

Dentro de campo, o Brasil chega invicto às oitavas. A seleção empatou com o Marrocos por 1 a 1 na estreia, venceu Haiti e Escócia por 3 a 0 e passou pelo Japão por 2 a 1 nos 16 avos de final. Até agora, são quatro jogos, três vitórias, um empate, nove gols marcados e dois sofridos.

Vini Jr é o principal nome da campanha brasileira até aqui. Ele marcou contra Marrocos, Haiti e Escócia, chegou a quatro gols na fase de grupos e foi eleito jogador da partida mais de uma vez.

Matheus Cunha aparece como outro destaque ofensivo, com dois gols contra o Haiti e um contra a Escócia. No mata-mata, os personagens foram Casemiro, autor do empate contra o Japão, e Gabriel Martinelli, que fez o gol da virada nos acréscimos do segundo tempo.

Brasil pode enfrentar a segunda seleção mais valiosa da Copa

Caso passe pela Noruega, o Brasil terá pela frente o vencedor de Inglaterra x México. Do ponto de vista de mercado, o adversário mais pesado seria a Inglaterra, segunda seleção mais valiosa da Copa do Mundo 2026.

O elenco inglês soma cerca de € 1,36 bilhão (R$ 8,04 bilhões). Jude Bellingham, do Real Madrid, aparece avaliado em € 130 milhões (R$ 768,89 milhões). Declan Rice, do Arsenal, vale € 120 milhões (R$ 709,74 milhões), enquanto Bukayo Saka, também do Arsenal, soma € 110 milhões (R$ 650,60 milhões).

A campanha inglesa também chega sem derrota. Foram três vitórias e um empate em quatro jogos. A Inglaterra venceu a Croácia por 4 a 2, empatou com Gana por 0 a 0, bateu o Panamá por 2 a 0 e eliminou a RD Congo por 2 a 1 nos 16 avos de final.

Harry Kane e Jude Bellingham concentram os principais destaques ingleses. Kane marcou contra Croácia e Panamá, decidiu a virada sobre a RD Congo com dois gols no fim e foi eleito jogador da partida no mata-mata. Bellingham marcou contra Croácia e Panamá e também foi escolhido como jogador da partida em dois jogos.

Em Copas do Mundo, o último Brasil x Inglaterra aconteceu em 2002. Naquela edição, a seleção brasileira venceu por 2 a 1 nas quartas de final, com gols de Rivaldo e Ronaldinho. Michael Owen marcou para os ingleses.

LEIA MAIS: Bilhões em campo: o que explica o abismo entre as seleções mais caras e mais baratas da Copa do Mundo?

México vale menos, mas chega sem sofrer gols

O outro possível adversário do Brasil nas quartas de final é o México. O valor de mercado é menor que o da Inglaterra e também fica abaixo do Brasil e da Noruega: o elenco mexicano soma € 191,85 milhões (R$ 1,13 bilhão).

O jogador mais valioso da seleção mexicana é Santiago Gimenez, avaliado em € 18 milhões (R$ 106,46 milhões).

Depois aparecem Edson Álvarez e Armando González, ambos com € 15 milhões (R$ 88,72 milhões), além de Julián Quiñones, com € 14 milhões (R$ 82,80 milhões), Johan Vásquez e Érik Lira, avaliados em € 12 milhões (R$ 70,97 milhões) cada.

O valor de mercado menor contrasta com a campanha. O México chega às oitavas com quatro vitórias em quatro jogos, oito gols marcados e nenhum sofrido. A seleção venceu a África do Sul por 2 a 0, bateu a Coreia do Sul por 1 a 0, fez 3 a 0 na Tchéquia e eliminou o Equador por 2 a 0 nos 16 avos de final.

Julián Quiñones é o principal nome ofensivo mexicano até aqui. Ele marcou contra África do Sul, Tchéquia e Equador, além de ter sido eleito jogador da partida em dois jogos. Raúl Jiménez também marcou duas vezes, enquanto Luis Romo e Mateo Chávez receberam destaque da Fifa em partidas da fase de grupos.

No histórico recente de Copa do Mundo, o último Brasil x México aconteceu nas oitavas de final de 2018. A seleção brasileira venceu por 2 a 0, com gols de Neymar e Roberto Firmino. Em 2026, um novo encontro só acontecerá se Brasil e México vencerem seus jogos nas oitavas.

Saiba Mais sobre Copa do Mundo 2026

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Mercado Livre vende Ozempic no México enquanto Brasil discute regras para venda de remédios

2 de Julho de 2026, 12:11

Após a aquisição de uma farmácia física em São Paulo no ano passado — um pré-requisito regulatório para a venda online de medicamentos —, a expansão do Mercado Livre para o setor de saúde acaba de ganhar um capítulo importante fora do Brasil.

No México, a farmacêutica Novo Nordisk abriu uma loja oficial dentro da plataforma do Mercado Livre para comercializar, mediante receita médica, medicamentos à base de semaglutida, incluindo Ozempic, Wegovy e Rybelsus.

O movimento chama atenção não apenas pelo porte dos produtos envolvidos, mas pelo desenho do negócio. O diferencial do modelo mexicano não está na venda digital de medicamentos em si — já permitida em diversos mercados —, mas no fato de o próprio laboratório operar uma vitrine oficial dentro de um marketplace. Nesse arranjo, a fabricante passa a atuar como vendedora dentro da plataforma, algo que não é permitido no Brasil.

Na prática, é a própria Novo Nordisk quem aparece como seller dos produtos e mantém a relação comercial com o consumidor dentro do ecossistema do marketplace. O Mercado Livre fornece a infraestrutura da plataforma e o suporte logístico, incluindo o Mercado Envios, enquanto a entrega dos medicamentos fica a cargo de transportadoras farmacêuticas licenciadas.

Por que o México e não o Brasil?

A diferença central está na regulação. No México, a Ley General de Salud — supervisionada pela agência sanitária COFEPRIS — autoriza a venda digital de medicamentos sujeitos a prescrição, desde que haja licença sanitária válida e com a receita verificada por um profissional farmacêutico habilitado.

Embora a norma não tenha sido desenhada especificamente para marketplaces, ela permite, na prática, a atuação direta de laboratórios em plataformas digitais, apoiados por operadores logísticos licenciados.

No Brasil, o cenário é mais restritivo. As regras da Anvisa permitem a venda online de medicamentos apenas por farmácias e drogarias devidamente licenciadas. O e-commerce funciona como extensão digital desses estabelecimentos, o que impede que marketplaces atuem como vendedores diretos. Esse modelo está em vigor desde 2009, quando a agência regulamentou o comércio eletrônico de medicamentos.

No caso de medicamentos à base de semaglutida — como Ozempic, Wegovy e Rybelsus —, as restrições são ainda mais relevantes por se tratarem de produtos sujeitos à prescrição médica. A Lei 15.354/2026 trouxe alguma flexibilização ao permitir a terceirização de etapas logísticas e de entrega, mas não alterou o núcleo da regulação. Fabricantes continuam impedidos de vender diretamente ao consumidor final, e a comercialização permanece concentrada em farmácias autorizadas.

Operação no Brasil: estágio inicial e modelo híbrido

Nesse contexto, a operação farmacêutica do Mercado Livre no Brasil ainda se mantém em estágio inicial, centrada no Meli Farma, estruturado a partir de uma farmácia licenciada em São Paulo e voltado a produtos de higiene, cuidados pessoais e medicamentos isentos de prescrição.

A estratégia da companhia não se baseia na integração vertical nem na manutenção de estoque próprio, mas sim na integração de farmácias licenciadas ao seu ecossistema de marketplace. Essa abordagem reflete o modelo de marketplace de terceiros já consolidado em outras categorias e é consistente com iniciativas semelhantes em outros mercados.

México como laboratório estratégico

A parceria entre Mercado Livre e Novo Nordisk no México funciona como um importante laboratório estratégico. Ela demonstra como a companhia pode evoluir em ambientes regulatórios mais flexíveis, testando modelos em que a plataforma deixa de ser apenas intermediária entre farmácias e consumidores para se tornar uma infraestrutura mais direta de distribuição para a indústria farmacêutica.

Nesse arranjo, o Mercado Livre se posiciona como camada tecnológica e logística que conecta fabricantes, operadores licenciados e consumidores finais, ampliando o potencial de monetização e integração com seu ecossistema.

A entrada do Mercado Livre no setor farmacêutico deve ocorrer de forma gradual no Brasil. No entanto, a combinação de movimentos regulatórios no exterior e mudanças competitivas locais sugere um potencial de transformação mais relevante no médio e longo prazo.

A parceria com a Novo Nordisk reforça a tese de que categorias como GLP-1 podem se tornar estratégicas para plataformas digitais, dada sua recorrência, alto valor e demanda estrutural crescente. Caso o ambiente regulatório evolua, o Mercado Livre estaria posicionado para capturar valor não apenas como intermediário, mas como infraestrutura central do ecossistema farmacêutico digital. Por ora, a expansão segue condicionada às regras locais, que ainda limitam de forma relevante a atuação direta da companhia nesse setor.

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Chanel compra a Charvet, a mais antiga fabricante de camisas da França

2 de Julho de 2026, 12:06

A Chanel concordou em comprar a Charvet, a mais antiga fabricante de camisas da França, que já teve Winston Churchill entre seus clientes e cujas camisas de linho listradas custam tipicamente cerca de € 655 (US$ 746).

A aquisição ocorre após a colaboração da Charvet com o diretor artístico da Chanel, Matthieu Blazy, em seu desfile de estreia para a marca de luxo no ano passado, no qual as camisas tiveram papel de destaque.

Após o desfile, houve um “desejo de continuar o diálogo, ao considerar a integração da Charvet, de forma a preservar e perpetuar esse savoir-faire dentro de um quadro duradouro”, afirmou a Chanel em comunicado nesta quinta-feira (2). Os termos do acordo não foram divulgados.

Os produtos da Charvet são vendidos em uma loja na Place Vendôme, próxima ao Museu do Louvre, em Paris, além de online por meio de varejistas de luxo como o Mr Porter. Além de Churchill, a marca, fundada em 1838, também foi preferida por personalidades como Charles Baudelaire e Marcel Proust.

Boy Capel, que teve um relacionamento com Gabrielle “Coco” Chanel, também usava camisas da Charvet, afirmou Bruno Pavlovsky, responsável pelas atividades de moda da Chanel, no comunicado. Capel era um jogador britânico de polo que ajudou a empresária da moda nos primeiros anos de sua carreira.

A camisaçaria passa a integrar um pequeno grupo de marcas dentro do universo da Chanel, que inclui a marca de moda praia Eres, além da joalheria Goossens e da especialista em cashmere Barrie. A Chanel produz apenas linhas femininas e alta-costura, e nunca entrou no segmento de moda masculina, embora comercialize o perfume masculino Bleu de Chanel, cujo embaixador é Jacob Elordi.

A Chanel é controlada de forma privada pelos irmãos Alain e Gérard Wertheimer, cuja fortuna é estimada em cerca de US$ 42,8 bilhões cada um, segundo o Bloomberg Billionaires Index.

Em maio, a Chanel afirmou que as vendas voltaram a crescer no ano passado após uma queda em 2024, causada por aumentos de preços que afastaram consumidores. A empresa disse haver sinais “muito positivos” de que as criações de Blazy estão atraindo clientes.

A Bain estima que o setor de bens de luxo pessoais crescerá entre 2% e 4% em taxas de câmbio constantes neste ano, uma revisão para baixo em relação à projeção anterior, mas ainda acima do crescimento de 1% registrado no ano passado.

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Advent passa 6% do capital da Natura e fica mais perto de indicar dois conselheiros

2 de Julho de 2026, 09:55

A Natura informou nesta quinta-feira (2) que a gestora de private equity Advent International chegou a 6,6% do capital social da companhia.

Segundo fato relevante divulgado pela empresa, o Lotus Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, veículo detido por fundos geridos pela Advent, informou possuir 90.676.500 ações da Natura.

O investidor também mantém exposição econômica a outras 19.288.800 ações, ou 1,4% do capital, por meio de contratos de derivativos com liquidação exclusivamente financeira (TRS). Após a liquidação da exposição econômica via derivativos, a Advent passará a ter exposição equivalente a cerca de 8% do capital da Natura.

Nos termos desse acordo, alcançando a participação alvo de 8% a 10%, a Advent poderá indicar dois membros adicionais para compor o Conselho de Administração, que hoje conta com 8 conselheiros, e participar de alguns comitês de assessoramento do colegiado, contribuindo com sua expertise para a estratégia do negócio.

A entrada da gestora havia sido acertada em março, quando os grupos ligados aos fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos celebraram um novo acordo de acionistas e assinaram um compromisso vinculante com a Advent. Pelo entendimento, o investidor se comprometeu a adquirir entre 8% e 10% do capital da Natura por meio de compras no mercado secundário, com preço médio-alvo de R$ 9,75 por ação.

Na época, a companhia estimou que a operação poderia movimentar entre R$ 1 bilhão e R$ 1,34 bilhão. O acordo também deixou claro que a Advent não compraria ações diretamente dos fundadores ou dos demais integrantes dos blocos de controle de referência, mas ingressaria na empresa por meio da aquisição de papéis em circulação na bolsa.

Ao atingir a participação mínima prevista, a Advent passa a poder indicar dois membros adicionais para o conselho de administração da Natura e participar de determinados comitês de assessoramento da companhia. O investidor, no entanto, não possui direitos de veto nem obrigação de votar em bloco com os acionistas de referência, exceto em temas relacionados à composição da administração e de seus órgãos de assessoramento.

A entrada da Advent faz parte de uma ampla reorganização de governança anunciada pela Natura em março. Na ocasião, a empresa informou que os fundadores deixariam o conselho de administração após a assembleia de 2026 para integrar um novo conselho consultivo voltado à preservação dos valores e da cultura da companhia. O plano também prevê Alessandro Carlucci, ex-presidente-executivo da Natura, como novo presidente do conselho de administração, sucedendo Fábio Barbosa.

Segundo a companhia, as mudanças marcam o fim de um ciclo de simplificação societária e o início de uma nova etapa de crescimento, com foco na expansão dos negócios na América Latina.

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Como a brasileira Baldo virou a erva-mate oficial da seleção… argentina

2 de Julho de 2026, 08:52

A Argentina deu início à Copa do Mundo de 2026 com uma campanha perfeita na primeira fase e uma patrocinadora brasileira associada a um dos hábitos mais tradicionais do elenco: o mate.

A Baldo, empresa do Rio Grande do Sul, foi anunciada em março como fornecedora da erva-mate oficial da seleção argentina, em uma parceria que une futebol, consumo, tradição regional e a força comercial de jogadores como Lionel Messi.

O acordo chama atenção devido a rivalidade entre Brasil e Argentina, que também tem produção própria de erva-mate e uma relação cultural antiga com a bebida.

A presença de Messi amplia o alcance desse mercado. O camisa 10 é tratado por representantes do setor como um dos principais embaixadores da erva-mate no mundo.

Desde sua ida para o Inter Miami, o impacto do argentino passou a aparecer também fora de campo, com reflexos em turismo, varejo, imóveis, bares, restaurantes, eventos esportivos e no interesse dos Estados Unidos por produtos ligados ao futebol sul-americano.

Quem é a Baldo, empresa brasileira que patrocina a Argentina?

A Baldo nasceu em 1920, em Vespasiano Corrêa, no interior do Rio Grande do Sul. A empresa foi fundada pelos irmãos João, Antônio e Luiz Baldo, filhos de imigrantes italianos, a partir de uma pequena fábrica artesanal de erva-mate.

Com o tempo, a produção cresceu e a chamada “erva-mate repousada” ganhou espaço no mercado. A empresa também ampliou sua atuação para outras áreas. Em 1972, iniciou o beneficiamento de soja em Roca Sales, também no Rio Grande do Sul. Em 1975, transferiu essa atividade para Encantado, onde passou a modernizar sua estrutura industrial.

A expansão da Baldo no setor de erva-mate ganhou força nas décadas seguintes. A empresa abriu uma filial em Canoinhas, em Santa Catarina, para ampliar a compra de erva-mate in natura, e avançou no Paraná, com operações em São Mateus do Sul e Prudentópolis.

Em 1994, a Baldo iniciou atividades em São Mateus do Sul. Em 1995, começou trabalhos de fomento à erva-mate, com produção de mudas. A empresa também se associou à Canarias, tradicional marca de erva-mate uruguaia, tornando-se sua sócia majoritária. Essa presença em mercados vizinhos ajudou a aproximar a companhia de consumidores do Uruguai e da Argentina.

Hoje, os maiores mercados da Baldo são Uruguai, Argentina, Estados Unidos, Europa, Oceania e, em menor escala, a Ásia. A empresa exporta cerca de 32 milhões de quilos de erva-mate por ano apenas para o Uruguai e é a principal exportadora de erva-mate do Brasil, respondendo por quase 80% das exportações do Rio Grande do Sul — estado que, na época em que o dado foi levantado, produziu cerca de 300 mil toneladas do produto.

A estrutura da empresa conta com mais de 500 colaboradores diretos e cinco unidades fabris no Brasil. Dependendo do período considerado, outras fontes citam quatro ou seis plantas industriais. As operações estão distribuídas entre Encantado (RS), São Mateus do Sul (PR), Canoinhas (SC) e Prudentópolis (PR).

Como a Baldo virou patrocinadora da Argentina?

A marca brasileira encontrou espaço justamente em um ambiente no qual o consumo do produto já fazia parte da rotina dos jogadores. Os atletas consumiam erva-mate da Baldo antes mesmo do patrocínio, inclusive durante a Copa do Mundo do Catar, em 2022.

A Associação do Futebol Argentino anunciou a Baldo como patrocinadora oficial em 20 de março de 2026. Com o acordo, a empresa brasileira passou a ser a erva-mate oficial da seleção argentina.

A parceria foi apresentada como um movimento ligado ao uso prévio dos produtos pelos próprios jogadores. Em publicação nas redes sociais, a Baldo afirmou que “os campeões” já escolhiam a marca havia tempo e chamou o produto de “segredo dos campeões”.

A entrada da Baldo ocorre em um contexto particular. A seleção argentina não tinha uma patrocinadora oficial no segmento de erva-mate, apesar de o produto ser consumido em larga escala pelos atletas.

A escolha de uma marca brasileira, no entanto, gerou forte reação em Misiones e Corrientes, principais regiões produtoras de erva-mate da Argentina. O deputado provincial Juan José Szychowski, ex-presidente do Instituto Nacional da Erva-Mate (INYM), pediu que o governo nacional intercedesse para rever o acordo, citando a Lei 26.871, que declara o mate como “Infusão Nacional”.

A polêmica ganha contornos ainda mais particulares porque, mesmo diante do descontentamento, foi justamente a Argentina que superou o Brasil em 2025 e se tornou a maior exportadora mundial de erva-mate, com US$ 117 milhões em vendas externas.

No mercado interno argentino, as marcas locais seguem dominando as gôndolas: a cooperativa Playadito lidera as vendas, com 56,7 milhões de quilos comercializados, seguida pelo grupo Las Marías, dono da marca Taragüí, com 49 milhões de quilos. A Baldo ainda representa uma fração pequena desse mercado.

Quanto ao preço, o pacote de 500 gramas da Baldo, importado do Brasil, custa entre AR$ 4.500 e AR$ 4.800 na Argentina — o equivalente a cerca de US$ 3,05 a US$ 3,25, considerando a taxa de câmbio do início de julho de 2026. O valor é aproximadamente 50% superior ao de uma erva-mate argentina local.

Como jogadores de futebol ajudam a popularizar o mate?

O mate deixou de ser apenas um hábito regional de Argentina, Uruguai, Paraguai e partes do Brasil para ganhar visibilidade global com o futebol.

A cena se tornou comum: jogadores chegando ao ônibus da seleção, caminhando por zonas mistas ou aparecendo em concentrações com cuia e garrafa térmica.

Reportagens internacionais passaram a explicar o preparo, o sabor e o ritual da bebida. O The Athletic descreveu o mate como uma infusão de folhas secas em água morna, feita com erva-mate, planta nativa da América do Sul.

A presença da bebida também foi notada entre jogadores como Lionel Messi, Luis Suárez, Emiliano Martínez, Darwin Núñez e outros atletas sul-americanos.

No caso da Argentina, o mate faz parte da rotina de vários jogadores. Messi e Rodrigo De Paul são conhecidos por manter uma sessão diária da bebida.

O efeito Messi no mercado de erva-mate

Messi se tornou uma vitrine global para a erva-mate. Representantes do setor tratam o argentino como um dos principais embaixadores da bebida nos últimos anos, ao lado de outros nomes que também ajudaram a ampliar a visibilidade do produto.

Esse efeito ganhou força depois da ida de Messi para o Inter Miami, em dezembro de 2024. Nos Estados Unidos, o jogador passou a impulsionar não apenas a audiência do futebol, mas também setores ligados ao consumo em torno do esporte.

Só sua presença em Miami foi o suficiente para movimentar o mercado local de turismo, bares, restaurantes, hotelaria, imóveis, varejo e eventos.

No mercado de erva-mate, esse movimento coincide com um salto nas exportações argentinas ao longo de 2025. Segundo dados do Instituto Nacional da Erva-Mate (INYM), os embarques passaram de 43,8 milhões de quilos em 2024 para 58,9 milhões de quilos em 2025. O avanço foi de 15,1 milhões de quilos, alta de 34,4% em um ano.

O crescimento também aparece no fim do ano. No último trimestre, as exportações passaram de 10,6 milhões de quilos em 2024 para 16,9 milhões de quilos em 2025, alta de 59,3%.

Em dezembro, o salto foi ainda maior: de 2,57 milhões de quilos em 2024 para 4,84 milhões de quilos em 2025, crescimento de 88,3%.

Segundo dados do INYM, em janeiro de 2025, os Estados Unidos entraram no ranking de maiores importadores de erva-mate, tornando-se o sexto maior destino da erva argentina.

LEIA MAIS: Messi, Mbappé ou Cristiano Ronaldo, quem é o maior… em patrocínios?

Messi e Argentina na Copa do Mundo 2026

A Argentina chegou ao mata-mata da Copa do Mundo 2026 com 100% de aproveitamento na fase de grupos. A seleção venceu a Argélia por 3 a 0, bateu a Áustria por 2 a 0 e fechou a primeira fase com vitória por 3 a 1 sobre a Jordânia.

Messi foi o principal nome da campanha argentina até o momento. Aos 39 anos, marcou três gols contra a Argélia, fez os dois contra a Áustria e saiu do banco para marcar mais um diante da Jordânia. Com isso, chegou a seis gols nesta Copa do Mundo e a 19 gols em Mundiais.

A Argentina terminou a fase de grupos na liderança do Grupo J, com oito gols marcados e apenas um sofrido. O próximo compromisso argentino será contra Cabo Verde, na fase de 16 avos de final, nesta sexta-feira, 3 de julho, às 19h, em Miami.

Saiba Mais sobre Copa do Mundo 2026

Bitcoin e solana lideram: veja as 6 criptomoedas favoritas dos analistas para julho

2 de Julho de 2026, 08:19

O bitcoin (BTC) teve um junho difícil. A maior criptomoeda do mercado recuou cerca de 20%, registrando seu pior desempenho mensal em quatro anos. Mesmo assim, continua sendo a principal aposta de corretoras, bancos e casas de análise.

Das oito carteiras recomendadas analisadas pelo InvestNews, o bitcoin aparece em seis delas. A solana (SOL) também está em seis listas, dividindo a liderança entre as recomendações para julho.

A avaliação é que o BTC atravessa um momento de fraqueza, pressionado pelos juros elevados nos Estados Unidos, pelas incertezas geopolíticas e pelo mau humor nos mercados. Ainda assim, segue como o principal criptoativo do setor e o grande termômetro para o restante do mercado.

No caso da SOL, os analistas continuam vendo espaço para crescimento, impulsionado pelo avanço da rede e pela expansão de seu ecossistema.

Mas outros tokens também foram mencionados. Veja abaixo as seis apostas para julho.

Antes, vale um disclaimer: isso não é uma recomendação de investimento, ok? A lista serve apenas para mostrar para onde os analistas estão olhando neste momento. Além disso, criptomoedas são investimentos de longo prazo, assim como ações. Ficar trocando de ativo todos os meses dificilmente é uma boa estratégia.

Bitcoin (BTC)

Para André Franco, CEO da Boost Research, o bitcoin continua sendo o ativo central do mercado. Isso porque é o principal termômetro de liquidez e confiança do setor.

“Em cenários de continuidade corretiva, tende a sofrer menos que as altcoins, e em qualquer retomada será o primeiro a recuperar tração institucional e fluxo comprador relevante. É a posição de base de qualquer carteira que atravessa o ciclo.”

Matias Part, analista da Bitget, diz que o sentimento do mercado permanece em níveis de “medo extremo”, enquanto investidores aguardam os dados de emprego e os próximos indicadores de inflação nos EUA, que podem definir o rumo dos ativos de risco.

Mas “a atual faixa de preço pode ser interessante para quem busca uma entrada com horizonte de longo prazo”, fala.


Solana (SOL)

Para André Sprone, head de Ibero-América da MEXC, a solana segue como uma das principais teses de crescimento entre as redes de alta performance.

“Mesmo em um mercado mais fraco, a rede continua no centro de discussões sobre escalabilidade, aplicações voltadas ao usuário final e negociação de ativos com baixo custo”, afirma.

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Hyperliquid (HYPE)

O projeto, que é uma exchange descentralizada, tem sido um dos destaques de 2026. A plataforma permite negociar contratos perpétuos e derivativos de ativos como ouro, dólar e, mais recentemente, até um contrato baseado no Ibovespa. Isso ajudou a impulsionar a valorização do seu token nativo, o HYPE.

Segundo o Mercado Bitcoin, “em um ambiente de maior volatilidade nos mercados globais, plataformas de derivativos tendem a se beneficiar do aumento no volume negociado, da maior atividade dos usuários e da geração de taxas”.

A criptomoeda aparece em cinco carteiras.

Ethereum (ETH)

O ethereum continua como a principal infraestrutura para aplicações financeiras descentralizadas e tokenização de ativos. De acordo com dados da plataforma RWA.xyz, que monitora esse mercado, a rede concentra cerca de metade dos US$ 31,5 bilhões em projetos tokenizados.

“A maturidade do ecossistema, aliada ao crescimento das Layer 2 (blockchains que funcionam sobre outras) e ao uso crescente de stablecoins, mantém o ETH como peça central da infraestrutura digital global”, diz Marcelo Person, diretor de tesouraria e mercado cripto da Foxbit.

A cripto foi citada em três carteiras.

Chainlink (LINK)

O mercado tradicional e os criptoativos estão cada vez mais conectados. A chainlink, que também apareceu em três listas, é uma rede de oráculos, que conecta blockchains a dados externos.

“Com o avanço da tokenização de ativos reais e a dependência crescente de dados externos em contratos inteligentes, o papel dos oráculos se torna cada vez mais estrutural, não apenas técnico”, diz Julián Colombo, diretor sênior de políticas públicas e estratégia para a América do Sul na Bitso.

Aave (AAVE)

Para a equipe de research do BTG Pactual, o protocolo continua líder no setor de finanças descentralizadas (DeFi) para empréstimos entre usuários.

E até agora, dizem, mantém “reputação consolidada por sua segurança, liquidez e inovação, permitindo empréstimos e depósitos sem a necessidade de agentes intermediadores”. A criptomoeda também foi mencionada em três carteiras.

Fontes consultadas: Bitget, Bitso, Boost Research, BTG Pactual, Foxbit, Mercado Bitcoin, MEXC e OKX.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.

Bitcoin (BTC):  +4,44%, US$ 61.148,77

Ethereum (ETH): +4,57%, US$ 1.643,56

BNB (BNB): +2,37%, US$ 555,22

XRP (XRP): +3,81%, US$ 1,07

Solana (SOL): +8,68%, US$ 81,56

Outros destaques do mercado cripto

Stablecoin: cripto ou dinheiro? Ontem rolou uma audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir uma pergunta que parece simples, mas pode mudar muita coisa: afinal, stablecoin é um ativo virtual ou dinheiro? De um lado, a maior parte do mercado cripto defende que elas são ativos digitais. Do outro, o Banco Central entende que elas se parecem mais com dinheiro tokenizado. Parece só uma discussão de semântica, mas não é. Dependendo da definição, mudam as regras que serão aplicadas. E, por enquanto, ainda não há consenso.

Quando a regulação esbarra no mercado. A relação entre reguladores e o mercado cripto nem sempre é tranquila. Um exemplo aconteceu recentemente: o Banco Central notificou bancos e corretoras, o que levou à suspensão e à revisão de operações de câmbio usadas por fundos para trazer criptomoedas do exterior ao Brasil. A notícia foi publicada primeiro pelo Cointelegraph. O resultado foi imediato: a liquidez no mercado local diminuiu e as stablecoins passaram a ser negociadas com um prêmio de cerca de 2%. Ninguém gostou, claro.

Acumulação de bitcoin. Depois da queda de junho, o bitcoin voltou a ser negociado acima dos US$ 60 mil. E, por trás da recuperação, há um sinal que chamou a atenção dos analistas: investidores de longo prazo voltaram a acumular a cripto após meses reduzindo posições, movimento que historicamente costuma aparecer em períodos de fraqueza do mercado. A Glassnode identificou compras em diferentes faixas de investidores, um sinal de que parte do mercado aproveitou a queda para aumentar posição.

Valor patrimonial defasado em cota de fundo imobiliário: entenda a oportunidade de ganhos

2 de Julho de 2026, 06:10

Quanto vale um fundo imobiliário? Pode parecer uma pergunta fácil de responder, uma vez que bastaria somar o valor de todas as cotas do FII. Mas, quando se trata de um portfólio de lajes corporativas e outros ativos “de tijolo”, a questão, na verdade, é menos simples do que parece.

Isso porque o valor de mercado – ou a soma das cotas do FII – com certa frequência diverge do valor patrimonial do fundo, ou seja, quanto valem os imóveis que estão na carteira do veículo de investimento.

O valor de mercado oscila conforme fatores que vão muito além do comportamento dos imóveis físicos. Por exemplo, o preço da cota pode aumentar quando os juros estão em queda.

Esse avanço ocorre porque o papel reage à variação de títulos indexados à inflação, principalmente o Tesouro IPCA+, como são conhecidos no Tesouro Direto, ou a NTN-B, que é o nome técnico desse tipo de título.

Quando o juro começa a cair e as expectativas de inflação futura passam a recuar, as taxas do Tesouro IPCA+ também começam a reduzir. E, na renda fixa, quando as taxas caem, isso significa que o valor de face dos papéis está subindo.

O preço da cota do fundo imobiliário costuma acompanhar esse ganho de valor do título de inflação. Da mesma forma, quando o juro está em alta, o valor da cota passa a cair. A oscilação acontece mesmo se o valor dos imóveis dentro das carteiras, ou seja, o patrimonial, permanecer o mesmo.

Por causa dessa discrepância, o chamado múltiplo P/VPA, sigla para o preço da ação em relação ao valor patrimonial por ação, costuma ser usado como uma métrica do tamanho do desconto que o FII exibe no mercado secundário.

No caso, substituindo-se o termo “ação” por “cota”, o múltiplo P/VPA indica se o valor de mercado está acima ou abaixo do valor patrimonial. Por exemplo, em um ciclo de alta de juros, o preço da cota caiu de R$ 100 para R$ 90. Se o valor patrimonial por cota continuar em R$ 100, o P/VPA será de 0,9 vez.

Isso significa que a cota exibe um “desconto” de 10% sobre o valor patrimonial ou ainda que tem um potencial de valorização de 10%, quando o cenário de juros se normalizar.

Nos últimos anos, FIIs de lajes corporativas chegaram a apresentar descontos acima de 30% quando medidos por esse múltiplo. No momento atual, as cotas têm estado entre 18% e 25% abaixo do valor patrimonial.

Os descontos, porém, podem ser ainda maiores. É que no segmento dos chamados FIIs de tijolos, ou seja, de fundos com portfólios de imóveis físicos, como lajes, galpões e shoppings, o valor patrimonial passa por uma revisão apenas uma vez ao ano.

Valores defasados em fundo imobiliário

Quase todos os fundos fazem uma reavaliação do valor dos imóveis na carteira no último mês do período. Esse cálculo é realizado por uma empresa especializada e independente.

Como a maioria dos FIIs de tijolo prefere realizar e divulgar essa reavaliação em dezembro, atualizações relevantes costumam aparecer nos relatórios de dezembro ou janeiro.

Portanto, se você quiser analisar em novembro um fundo imobiliário de tijolo, lembre-se de que o valor patrimonial na tela pode estar defasado em 11 meses.

No ano passado, essa revisão deflagrou ajustes positivos no valor das cotas de diferentes fundos.

O TRX Real Estate (TRXF11), por exemplo, registrou uma valorização de 4,66% no valor da cota patrimonial na virada de 2025 para este ano.

O Patria Logística (HGLG11) foi outro FII que obteve um ganho após a revisão patrimonial: o fundo teve um ajuste positivo de 2,52% no valor dos imóveis no portfólio.

Mas, da mesma forma que a avaliação para cima do metro quadrado médio do portfólio eleva o valor da cota patrimonial, uma revisão para baixo pode reduzir o preço.

Foi o que aconteceu com o BTG Pactual Corporate Office Fund (BRCR11) e com o XP Malls (XPML11) que tiveram o chamado ” valor justo” de seus conjuntos de propriedades revisados para baixo, com quedas de, respectivamente, 6% e 2,6%.

Potencial de ganho escondido

Em outro exemplo, o HSI Mall (HSML11) registrou uma reavaliação patrimonial positiva de 13,6%, em um dos maiores reajustes do setor no ano passado. Em janeiro de 2025, o HSML11 apresentava um P/VPA de 0,85, ou seja, mostrava um “desconto” no preço da cota de 15% em relação ao valor patrimonial.

Na verdade, o potencial de alta era bem maior. O valor patrimonial, como a reavaliação mostrou meses mais tarde, estava 13,6% abaixo do patamar justo: portanto, o desconto real alcançava 28,6%.

Ainda que não tenha recuperado essa distância em meio às mudanças das expectativas sobre os juros no Brasil, o valor da cota subiu de R$ 72 em janeiro de 2025 para os atuais R$ 85, um avanço de 18% em um ano e meio.

A valorização do metro quadrado no país ainda mantém fôlego, apesar de estar em ritmo bem menor comparado aos últimos anos. O índice Fip-Zap mostra que em 2024 o valor médio do metro quadrado nacional apresentou um aumento nominal de 7,73%. Em 2025, o avanço alcançou 6,52%.

Neste ano, os imóveis no Brasil apresentam um avanço nominal de 1,96% entre janeiro e maio. Em 12 meses até maio, a média nacional alcança 5,59%, segundo o índice Fipe-Zap.

Trump ganhou US$ 1,1 bilhão vendendo criptos que derreteram

2 de Julho de 2026, 06:05

Diferentemente de outros presidentes, que geralmente se desfazem de seus ativos ou os colocam em estruturas de gestão independente, sem acesso às decisões, Trump transferiu parte relevante de seus ativos para um trust que pode ser revogado e modificado por ele próprio. Esse fundo é administrado por Donald Trump Jr., que também divide com Eric Trump a gestão dos negócios imobiliários e de hospitalidade da Trump Organization.

Embora Trump seja mais conhecido por seu império imobiliário, a principal fonte de crescimento veio de suas iniciativas ligadas a criptoativos, que geraram mais de US$ 1 bilhão no último ano, segundo análise do Wall Street Journal baseada em sua declaração federal de 900 páginas.

Na quarta-feira, Trump afirmou a jornalistas que não conversa com os gestores de seus investimentos e atribuiu os ganhos ao desempenho do mercado acionário. “Sabe por que estou lucrando? Porque o mercado está subindo”, disse. “Todos estamos lucrando, eu estou lucrando porque tenho muito dinheiro e muito caixa.”

Cripto

Um dos maiores ganhos registrados nas declarações é de US$ 263 milhões relacionados à venda de participação na World Liberty Financial, o negócio de criptomoedas do presidente.

Esse é o primeiro registro formal de um acordo secreto de US$ 500 milhões firmado por Eric Trump com um grupo de investidores liderado pelo sheik Tahnoon bin Zayed al Nahyan, da família real dos Emirados Árabes Unidos.

O acordo, que garantiu aos investidores dos Emirados 49% do negócio cripto do presidente, foi revelado em janeiro pelo Wall Street Journal. Pouco depois, o governo Trump assinou um acordo de cooperação que permitiu o acesso dos Emirados a chips de inteligência artificial dos EUA, considerados altamente restritos.

Trump também obteve US$ 527 milhões vendendo a $WLFI, a cripto da World Liberty Financial – uma empresa cujo negócio é a administracão de uma stablecoin, a USD1.

O acordo de licenciamento com a Celebration Coins, empresa por trás do seu projeto de memecoin, a $TRUMP, gerou outros US$ 635 milhões – em royalties por ele ter cedido o nome. Total: US$ 1,16 bilhão; com os US$ 263 milhões da venda de parte da World Liberty Financial, US$ 1,4 bilhão em negócios relacionados a cripto.

As duas principais criptomoedas promovidas pelo presidente perderam valor desde a criação, deixando investidores individuais com perdas significativas [nota do tradutor: a $WLFI cai 80%; a $TRUMP, 96%, de acordo com o CoinMarketCap].

Trading

As contas de investimento de Trump também cresceram fortemente, passando de pelo menos US$ 237 milhões para US$ 858 milhões. Além de seu trust, ele abriu quatro novas contas de investimento.

Foram mais de 20 mil operações no período, o equivalente a mais de 50 negociações por dia. A carteira teve forte exposição a tecnologia, com mais de US$ 70 milhões em ações do grupo das “Magnificent 7”, incluindo mais de US$ 10 milhões em Apple, Nvidia e Alphabet.

Assessores também expandiram sua exposição para praticamente todas as empresas do índice S&P 500, estratégia que analistas associam a tentativas de redução de impacto de imposto sobre ganhos de capital.

O relatório também mostrou que a participação de Trump na Trump Media & Technology Group, dona da Truth Social, ainda valia mais de US$ 50 milhões. A queda do papel, no entanto, reduziu o valor dessa posição em US$ 2,4 bilhões no último ano, segundo dados da Dow Jones Market Data.

Imóveis

O negócio imobiliário e de hospitalidade também avançou em receitas. Trump reportou mais de US$ 525 milhões em receitas de hotéis e campos de golfe, além de outros US$ 49 milhões em outras atividades imobiliárias.

Em Mar-a-Lago, na Flórida, onde taxas de adesão aumentaram e o local se tornou um centro de doações e networking político, a renda subiu de US$ 50 milhões em 2024 para US$ 77 milhões em 2025. Já o Trump National Doral avançou de US$ 110 milhões para US$ 122 milhões no mesmo período.

O presidente também quitou dívidas relevantes em 2025, incluindo uma hipoteca de mais de US$ 50 milhões no edifício Trump Building, na 40 Wall Street.

Uma porta-voz da Trump Organization afirmou que as declarações demonstram a força financeira do grupo e “um nível de transparência financeira sem precedentes na história presidencial dos EUA”.

Enjoei troca comando executivo e chama ex-OLX para a cadeira de CEO

1 de Julho de 2026, 19:28

O Enjoei anunciou nesta quarta-feira (01) a troca de seu principal executivo. Marcos Leite, ex-Chief Revenue Officer do Grupo OLX, assumirá a cadeira de CEO da companhia em 9 de setembro, substituindo o cofundador Tiê Lima, que estava à frente do negócio há 17 anos.

A decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração, com apoio de um Comitê de Sucessão formado especificamente para conduzir o processo. Lima permanece na empresa, mas muda de função: passa a se dedicar à agenda estratégica e à governança como conselheiro, com indicação prevista para a presidência do Conselho.

LEIA TAMBÉM: Após aposta em brechós infantis, Enjoei encerra sociedade com a Cresci e Perdi

A atual presidente do Conselho, Ana Luiza McLaren, também troca de posição. Cofundadora do brechó on-line, ela deixa a presidência do colegiado, mas segue como conselheira e passa a ser vice-presidente executiva, mantendo influência direta sobre a operação.

Um rival vira reforço

A escolha de Marcos Leite aproxima o Enjoei de sua concorrência mais direta no mercado brasileiro de classificados e usados. Leite passou 14 anos no Grupo OLX, onde liderou a operação desde o início, em 2012, e acumulou funções sêniores no Comitê Executivo — incluindo a condução da fusão com o Bomnegocio.com e a integração da compra do Grupo ZAP. Mais recentemente, ocupava o cargo de CRO, com responsabilidade sobre as principais verticais de negócio da OLX.

Antes de voltar ao Brasil, Leite trabalhou na Europa em empresas de tecnologia como eBuddy e Spil Games. Ele é graduado e tem mestrado em Administração Internacional pela TIAS School for Business and Society, da Universidade de Tilburg, na Holanda.

A trajetória o coloca como um nome que conhece de dentro a dinâmica do setor de classificados e usados — inclusive suas disputas por audiência e categorias com o próprio Enjoei. O desafio agora será replicar essa experiência em um modelo de negócio distinto: o marketplace de moda e objetos second hand, com dinâmica de curadoria, categorização e confiança entre vendedores e compradores pessoa física, diferente da lógica de classificados que marcou sua carreira na OLX.

Novos caminhos para os fundadores

Para Tiê Lima, a mudança formaliza um afastamento gradual da rotina executiva. Ele foi responsável pela estruturação do Enjoei como um marketplace reconhecido no país, pela abertura de capital da empresa e pela construção da cultura de produto que ajudou a consolidar o mercado de segunda mão no Brasil.

A movimentação ocorre em um momento delicado para empresas de comércio eletrônico de menor porte listadas na bolsa brasileira, pressionadas por concorrência de grandes marketplaces generalistas e por um cenário de juros altos que penaliza o consumo discricionário — categoria em que moda e itens usados se encaixam.

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EUA sancionam brasileiros e empresas por suposta ligação com PCC. Veja quem são

1 de Julho de 2026, 17:10

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou dois brasileiros, três empresas brasileiras e uma empresa portuguesa, sob a acusação de ajudar a lavar recursos ligados à maior organização criminosa da América Latina.

O brasileiro Victor Henrique de Oliveira Shimada, residente em São Paulo, teria atuado como um “elo-chave” entre operadores ligados à Flórida para o Primeiro Comando da Capital — também conhecido como PCC — e traficantes internacionais, segundo comunicado do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), do Tesouro dos EUA, divulgado em 1º de julho.

Sua associada, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, além das empresas brasileiras Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda., Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda. e Wave Construções Inteligentes Ltda., bem como a empresa portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda., também foram incluídas nas sanções. Esta última seria controlada integralmente por Shimada.

As empresas brasileiras citadas não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. Shimada também não respondeu a uma solicitação enviada por meio de seu perfil no LinkedIn, e o advogado que o representava no ano passado afirmou que não o representa mais. Stella de Oliveira não foi localizada.

As sanções são as primeiras desde que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou em maio que o PCC — junto com o Comando Vermelho — passaria a ser classificado como organização terrorista estrangeira, medida já aplicada anteriormente contra outros grupos criminosos na América Latina. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a decisão, dizendo que ela ameaça a soberania do Brasil e não ajuda no combate ao tráfico.

Lavagem de dinheiro e criptoativos

Segundo o Tesouro dos EUA, Shimada e sua rede teriam lavado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos, movimentando valores ligados ao PCC com o uso de criptomoedas para repasse de fundos ao Brasil.

O comunicado também aponta que Shimada estava em prisão domiciliar no Brasil após uma de suas empresas, a Victory Trading, ter sido usada em um esquema de fraude publicitária envolvendo dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro.

A Victory Trading teria sido utilizada para redirecionar recursos para uma empresa controlada pelo PCC, segundo reportagens da imprensa brasileira, incluindo a ESPN Brasil. O dinheiro teria origem em pagamentos feitos pelo Sport Club Corinthians Paulista, dentro de um contrato de patrocínio com uma empresa de apostas online no início de 2024. O clube não comentou o caso.

A Victory Trading é a maior entre as três empresas brasileiras sancionadas, com capital registrado de cerca de R$ 30 milhões (US$ 5,8 milhões), segundo dados da Receita Federal. Nenhuma delas possui regulação do Banco Central, segundo registros oficiais.

Pequenas fintechs puderam operar sem licença no Brasil até uma investigação de grande escala sobre o PCC no ano passado, que revelou o uso dessas estruturas para movimentação de recursos ilícitos. O caso levou o Banco Central a antecipar exigências de registro que antes estavam previstas apenas para 2029.

Nos últimos meses, bancos brasileiros passaram a buscar referências com instituições mexicanas diante do risco de impacto após a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos EUA.

Em comunicado, um representante do governo dos EUA afirmou que a medida é parte dos esforços para conter a expansão das receitas ilícitas do PCC dentro do país.

O governo brasileiro não comentou o caso até o momento.

Pagou mais imposto do que devia no Simples Nacional? Veja como recuperar o dinheiro

23 de Junho de 2026, 10:00

A guia do Simples Nacional estava marcada para sair no débito automático da conta da empresa. Só que, por descuido, você pagou de novo, na mão. Pagou duas vezes o mesmo imposto. Quem nunca?

Ou então você errou no Fator R – a conta que compara quanto a empresa gasta com salários e quanto ela fatura; quanto mais pesa a folha, menor pode ser sua alíquota. Errou a conta aí, pagou mais imposto do que precisava.

São situações assim que fazem uma empresa do Simples pagar mais imposto do que devia. Se você, empreendedor, nunca caiu em nenhuma dessas pegadinhas, está com sorte. Mas, se caiu, fica a boa notícia: dá para reaver esse dinheiro.

São dois os caminhos. Um é a restituição: a Receita devolve o dinheiro direto na conta da empresa. O outro é a compensação: o que você pagou a mais vira um crédito para abater impostos no futuro. Vamos ver aqui como funciona o processo todo.

Como saber se a empresa pagou imposto a mais

Fique esperto, porque a Receita não avisa. Não existe notificação de que rolou um pagamento a mais ou coisa que o valha. Quem tem de descobrir é você.

O jeito, aí, é comparar duas coisas. De um lado, a contabilidade da empresa, que mostra quanto de imposto você deveria pagar. Do outro, o extrato de pagamentos, que mostra quanto você pagou de fato. Quando os números não batem, ou quando aparece pagamento repetido no mesmo mês, fica evidente a existência de um crédito.

Para ver os pagamentos, você entra no e-CAC, o portal oficial da Receita. O acesso é com certificado digital ou com a conta GOV.br do sócio que responde pelo CNPJ no Fisco. Lá dentro, na parte de “Pagamentos e Parcelamentos”, aparecem todas as guias já pagas e as que estão em aberto.

Com isso na mão, dá para cruzar o que a empresa deveria ter pago, com base no faturamento, com o que as guias mostram que ela pagou de fato — e ver se sobrou valor para restituir ou compensar. 

Mas tem um detalhe. Se a empresa tiver alguma pendência, ou seja, se estiver devendo alguma coisa, a Receita não solta a restituição assim, na lata. Ela propõe usar esse crédito para quitar o que você deve. O aviso chega por uma mensagem na caixa postal do próprio e-CAC. Se você concordar — ou se ficar quieto por 15 dias —, o sistema faz a conta. Só se sobrar algum troco depois disso é que você pode pedir o dinheiro de volta.

Uma observação: é realmente importante monitorar a caixa de mensagens do e-CAC. O Descomplica PJ já bateu nessa tecla nesta reportagem.

Como saber se a minha empresa tem débitos em aberto

A consulta também é pelo e-CAC ou pela conta GOV.br do sócio responsável. Você vai em “Certidões e Situação Fiscal” e clica em “Consulta Pendências – Situação Fiscal”. O sistema abre uma tela nova, com cada pendência destrinchada.

Olhar pagamentos e pendências é coisa para fazer sempre, não de vez em quando. No fechamento do mês, o contador pega as diferenças. Quem não tem contador acompanhando corre o risco de deixar crédito – ou dívida – esquecido por anos.

O passo a passo para recuperar o dinheiro

Antes de entrar no “como”, você precisa saber “qual” pagamento indevido dá para reaver. 

A primeira regra é de prazo. Você só pode pedir de volta o que pagou a mais nos últimos cinco anos, contando da data do pagamento. Mas tem uma pegadinha: também não dá para pedir aquilo que você pagou a mais nos últimos quatro meses.

“Esses valores ficam bloqueados pelo sistema. Ou seja, em junho de 2026, você só pode solicitar a restituição de pagamentos indevidos que tiver feito de fevereiro de 2026 para trás”, explica Charles Gularte, sócio-diretor de contabilidade e relações institucionais da Contabilizei.

Também tem os casos em que a devolução é mais complexa. Se o pagamento a mais caiu num período em que a empresa foi tirada do Simples por conta de alguma irregularidade – estouro do teto de faturamento, por exemplo. Ou se o DAS foi pago já dentro da Dívida Ativa da União. Nessas situações, não tem jeito digital: você precisa procurar o atendimento da Receita.

Fora isso, o processo é todo online, pelo e-CAC. Você entra no perfil da empresa e vai até a área do Simples Nacional. É dali que saem tanto a compensação quanto a restituição.

Enfim. Para pedir a restituição, e receber o dinheiro na conta, escolha “Pedido Eletrônico de Restituição” na área do Simples dentro do e-CAC. Informe o mês e o ano do pagamento errado, e o sistema já aponta a diferença disponível, imposto por imposto. Daí é seguir em frente confirmando os dados. E anote o número do processo que vai aparecer.

Falta um passo prático: cadastrar a chave PIX da empresa. A Receita só deposita restituição por PIX de CNPJ. Sem conta PJ com essa chave, o dinheiro não cai.

Depois de enviar, a aprovação costuma ser automática. Mas o pedido pode ficar retido na malha, para uma análise mais atenta. Você acompanha o status pelo próprio e-CAC, em “Consultar Pedidos de Restituição”.

Você também pode usar o que pagou a mais como crédito para abater imposto futuro. Para fazer isso, selecione a opção “Compensação” e diga o mês em que o crédito surgiu. O sistema mostra o que você pagou e o que era devido em cada imposto. A diferença para mais é o seu crédito. Aí é só escolher qual dívida em aberto você vai quitar com ele.

Um ponto de atenção. Só dá para compensar imposto com o mesmo imposto: PIS com PIS, ICMS com ICMS, ISS com ISS. Se você tem crédito de um e dívida de outro, não rola compensar — e a restituição vira a única saída. 

Quando já existe dívida em aberto, a compensação é na hora. Já a restituição pode demorar até 60 dias para pingar na conta, a partir da aprovação do pedido.

Os pagamentos saem em lotes, no dia 20 de cada mês. E o valor não fica parado: é corrigido pela Selic, acumulada da data em que você pagou até o dia em que recebeu de volta – menos mal.

IG4 diz que pode comprar toda a dívida da Raízen à vista para assumir o controle

23 de Junho de 2026, 08:52

A gestora de private equity IG4 Capital afirmou ter capital suficiente para comprar toda a dívida da Raízen à vista, se necessário, enquanto busca adquirir volume suficiente das obrigações da produtora de açúcar e etanol em dificuldades para acabar com uma participação acionária de 50,1%.

No início deste mês, a Raízen obteve aprovação dos credores para reestruturar cerca de 65 bilhões de reais (US$ 12,8 bilhões) em dívida, no maior processo de reestruturação extrajudicial da história do Brasil.

A companhia, controlada em conjunto pela Shell e pela Cosan, tem enfrentado dificuldades após uma série de apostas estratégicas malsucedidas, juros elevados e safras fracas. Pelo plano aprovado, a Raízen converterá 45% de sua dívida em cerca de 80% do capital.

“Não é um rumor de mercado, nossa proposta está na mesa, estamos negociando e podemos oferecer uma saída agora para quem quiser”, afirmou o sócio-fundador Paulo Mattos em entrevista.

A IG4 tem até março do próximo ano para comprar a dívida e respeitará o plano de reestruturação já aprovado, disse Mattos. A empresa não pretende adotar uma abordagem hostil em relação a credores ou acionistas, e todos os termos, incluindo preço, serão negociados. Ele acrescentou que os preços de aquisição provavelmente ficarão abaixo dos valores de mercado.

Equipe de reestruturação

Mattos disse que a IG4 quer assumir o controle da Raízen e instalar uma equipe de reestruturação, e não apenas oferecer serviços de consultoria ou estruturas de fundos aos credores. Segundo ele, a base de credores é muito fragmentada e conflituosa para que a reestruturação funcione sem um investidor líder.

A IG4 planeja colocar quaisquer ações obtidas por meio da compra de dívida em um fundo de investimento, dando aos credores a opção de receber dinheiro, cotas do fundo ou derivativos atrelados a uma venda futura, disse ele.

“As conversas estão mais avançadas com alguns bancos individualmente, e uma parte relevante deles quer ações do fundo, enquanto outros estão pedindo derivativos”, disse o CEO da IG4, Hélio Novaes. “Já estamos discutindo preço e volume com esses bancos”, afirmou.

A IG4 já manteve conversas informais com a FTI Consulting, que assessora bancos; com a Moelis & Co., que assessora detentores globais de títulos; e com a Journey Capital, que assessora detentores locais de títulos, segundo Novaes. A partir de quarta-feira, a empresa pretende se reunir individualmente com esses representantes para discutir detalhes, entender o que desejam e preparar uma proposta para cada um. As conversas estão apenas começando, e a IG4 ainda não sabe se conseguirá adquirir dívida suficiente para fechar um acordo.

“Parece que uma grande parte dos detentores locais e globais de títulos prefere receber em dinheiro”, disse Novaes.

Alguns credores demonstraram ceticismo e confusão em relação à oferta, em parte porque a IG4 já está conduzindo uma reestruturação complexa na petroquímica Braskem e porque não sabem exatamente quais serão os termos oferecidos.

Mattos afirmou que a IG4 é independente do Banco BTG Pactual, reagindo à confusão do mercado sobre a relação entre ambos. O BTG, assim como Bradesco e Santander, é um dos credores e investidores da IG4, mas não tem poder de decisão e não receberá tratamento especial, disse ele. “Somos um gestor de ativos completamente independente”, afirmou.

A Raízen tem 32 usinas, das quais 24 estão ativas, disse Novaes. “Teremos de fazer um estudo detalhado para ver quais devem receber investimentos e quais não”, afirmou, acrescentando que os níveis de produtividade da empresa estão bem abaixo dos concorrentes e poderiam ser melhorados para aumentar o valor.

A ideia também é negociar um plano com a Shell, que continuará sendo acionista relevante e aportará 3,5 bilhões de reais, disse ele. A Cosan não fará aporte e será fortemente diluída.

Pelo plano de reestruturação aprovado, a Raízen será dividida em duas: a produtora de açúcar e etanol e a distribuidora de combustíveis. Ainda não há definição sobre quanto da dívida será alocado para cada empresa ou quanto cada negócio valerá. A operação de distribuição será vendida, segundo o plano.

O valor de mercado da Raízen é atualmente de 4,35 bilhões de reais, o que significa que 80% da empresa valem 3,48 bilhões de reais. Esse seria o valor recebido pelos credores que detêm pouco mais de 29 bilhões de reais em dívida caso seus créditos já tivessem sido convertidos em ações e vendidos a preços de mercado.

*por Cristiane Lucchesi, repórter da Bloomberg.

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Heineken nomeia brasileiro Rafael Oliveira como primeiro CEO externo de sua história

23 de Junho de 2026, 08:26

A Heineken nomeou Rafael Oliveira como seu novo diretor-presidente (CEO), enquanto a cervejaria holandesa rompe com sua tradição ao contratar um executivo de fora da empresa para tentar reverter a queda na demanda.

Oliveira, de 51 anos, deixará o cargo de CEO da empresa de café JDE Peet’s NV para assumir a liderança da Heineken em 1º de outubro, segundo comunicado divulgado nesta terça-feira. Ele deixa a companhia após menos de dois anos no comando e em meio aos planos da Keurig Dr Pepper Inc., que concluiu a aquisição da JDE Peet’s em abril, de separar o negócio de café como uma empresa independente até o início de 2027.

As ações da Heineken chegaram a subir 3,2% em Amsterdã. Nos 12 meses encerrados no fechamento de segunda-feira, os papéis acumulavam queda de 5,4%.

A mudança na gestão da Heineken ocorre após a saída do ex-CEO Dolf van den Brink no fim de maio, depois de seis anos à frente da companhia e mais de 28 anos de carreira dentro da cervejaria. Controlada por uma família, a empresa nunca havia nomeado um executivo externo para o cargo de CEO. No entanto, enfrenta vendas fracas à medida que consumidores reduzem o consumo de álcool e apertam os gastos diante das restrições orçamentárias.

Em abril, a companhia informou queda no volume de cerveja vendido no primeiro trimestre, com recuo da demanda em mercados estratégicos da Europa e das Américas. A empresa ficou atrás de concorrentes como a Anheuser-Busch InBev e a Carlsberg na recuperação dos negócios após a desaceleração observada no período pós-pandemia.

Redução de custos

A Heineken está no meio de um programa de redução de custos que inclui o corte de cerca de 7% de sua força de trabalho global. A companhia já afirmou estar otimista em relação à demanda por cerveja em mercados emergentes, como Vietnã e África do Sul, onde populações jovens e o aumento da renda vêm impulsionando as vendas.

Antes da JDE Peet’s, Oliveira passou uma década na Kraft Heinz, chegando ao cargo de presidente dos mercados internacionais. Nessa função, supervisionou um portfólio superior a US$ 7 bilhões distribuído entre Europa, África, Ásia-Pacífico e América Latina.

Oliveira também trabalhou durante dez anos no Goldman Sachs, como diretor executivo da divisão de títulos no Reino Unido e da unidade de mercados emergentes em Hong Kong. Iniciou sua carreira no Brasil, atuando no Banco Icatu e no Banco BBA-Creditanstalt. Possui MBA pela University of Chicago.

Ele tem um histórico de “transformar estratégia em resultados financeiros mensuráveis”, escreveram os analistas Edward Mundy e Sebastian Hickman, da Jefferies, em relatório. Segundo eles, a nomeação deve reforçar uma cultura de alto desempenho na Heineken, com foco em simplificação, alocação mais eficiente de recursos e na implementação do plano da empresa para gerar até € 500 milhões em economias anuais de produtividade.

Separadamente, a Keurig Dr Pepper informou que iniciou a busca por um novo CEO para sua divisão de café. A presidente do conselho da companhia, Pamela Patsley, também presidente do comitê de nomeação e governança, liderará o processo de seleção.

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Tokenização já soma R$ 9 bilhões em captações no Brasil

23 de Junho de 2026, 07:50

Os emissores de tokens captaram cerca de R$ 9 bilhões no Brasil até agora, segundo dados da plataforma RWA Monitor, que acompanha o mercado local de tokenização.

Apenas entre os dias 8 e 14 de junho, as captações somaram R$ 24,74 milhões, uma queda de 13% em relação à semana anterior.

No total, o mercado brasileiro já acumula R$ 11,5 bilhões em emissões distribuídas em 3,8 bilhões de tokens.

As debêntures concentram a maior parte dos recursos captados, com R$ 3,4 bilhões, o equivalente a 37,9% do total.

Em seguida aparecem as Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), que somam R$ 1,4 bilhão (15,3%), as notas comerciais, com R$ 1,2 bilhão (13,3%), e as Cédulas de Produto Rural (CPRs), também com cerca de R$ 1,2 bilhão (13,2%).

Duplicatas e contratos de recebíveis completam a lista dos principais instrumentos tokenizados, com participações de 6,9% e 5%, respectivamente.

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Prioridade da CVM

Vale lembrar que a tokenização é uma das prioridades do novo presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Otto Lobo, que tomou posse no início deste mês.

Na ocasião, ele afirmou que esse setor e a inteligência artificial estão reconfigurando a forma como ativos são emitidos, negociados e custodiados e que a autarquia “precisa regular dois mercados em paralelo (o tradicional e o tokenizado) sem parar nenhum dos dois”.

A CVM pretende iniciar até setembro deste ano a discussão pública dos pilares do marco regulatório para esse segmento.

Tokenização no mundo

Não é só no Brasil que a tokenização está ganhando força.

O mercado global de ativos do mundo real tokenizados (RWAs, na sigla em inglês) superou a marca de US$ 10 bilhões neste mês, segundo relatório da Binance Research.

A expectativa do braço de pesquisa da exchange é que esse mercado alcance US$ 6,78 trilhões nos próximos anos. Se a projeção se confirmar, o setor ficará 645 vezes maior do que é hoje.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h50.

Bitcoin (BTC):  -2,90%, US$ 62.176,74

Ethereum (ETH): -5,58%, US$ 1.648,63

BNB (BNB): -3,39%, US$ 571,03

XRP (XRP): -2,99%, US$ 1,10

Solana (SOL): -6,67%, US$ 68,68

Outros destaques do mercado cripto

OranjeBTC vai às compras. A OranjeBTC, maior tesouraria cripto do Brasil, resolveu reforçar o caixa. A empresa comunicou nesta semana a compra de mais 18 bitcoins por cerca de US$ 1,15 milhão, a um preço médio de US$ 64.121 por unidade. Com a nova aquisição, a firma passou a deter 3.822 BTCs, o que a coloca entre as maiores empresas de capital aberto com reservas de bitcoin no mundo, ocupando a 24ª posição no ranking global.

Cripto fora das eleições. O Ministério Público Federal (MPF) reforçou nesta semana que criptomoedas não podem ser usadas para financiar campanhas eleitorais no Brasil. Segundo o órgão, a proibição existe porque as doações eleitorais precisam ter origem identificada e ser facilmente fiscalizadas. Por isso, candidatos e partidos só podem receber recursos por meios que permitam rastrear o doador, como Pix e transferências bancárias vinculadas ao CPF.

Trump mira ameaça quântica. A computação quântica voltou ao radar do mercado. Nesta semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou duas ordens executivas para acelerar o desenvolvimento da tecnologia e, ao mesmo tempo, reforçar a proteção de sistemas digitais contra ataques quânticos. A preocupação não é à toa: especialistas alertam que computadores quânticos poderão, no futuro, quebrar métodos de criptografia usados por muitas blockchains.

Satya Nadella, da Microsoft: Não podemos deixar que os gigantes da IA ‘engulam’ a economia

23 de Junho de 2026, 06:12

Satya Nadella ajudou a impulsionar o boom da IA. Agora, ele tem uma mensagem dura para as empresas que lideram essa corrida.

O CEO da Microsoft está se juntando a um esforço crescente para enfrentar os gigantes da inteligência artificial OpenAI e Anthropic, descrevendo em entrevista sua visão para a próxima fase do boom da IA — que envolve modelos mais baratos, mais controle para usuários e uma estratégia política capaz de conquistar a confiança do público.

Nadella fez uma crítica contundente sobre como a corrida pela supremacia em IA tomou forma, com um pequeno grupo de empresas capturando o valor de uma tecnologia transformadora, enquanto fazem previsões alarmistas sobre riscos de segurança e perda de empregos, insistindo que precisam de recursos massivos para expansão ilimitada.

“Você não pode dizer: ‘todos os empregos de colarinho branco vão desaparecer e isso pode até ser uma arma, e vamos usar todo o poder para construir data centers’”, disse Nadella ao The Wall Street Journal. Segundo ele, o público não toleraria apenas algumas empresas e modelos “fazendo todo o aprendizado do mundo”.

Embora não tenha citado diretamente OpenAI, Anthropic ou o Google da Alphabet — as três empresas que desenvolvem os modelos proprietários mais avançados — ele deixou claro que a Microsoft quer direcionar a corrida da IA para longe de um futuro dominado pelos criadores dos modelos de fronteira.

Em poucas semanas, a Microsoft lançou uma série de modelos de baixo custo para reduzir os preços para clientes pressionados pelo aumento das contas de IA. A empresa também lançou o Copilot Cowork, um “agente” autônomo de IA que permite aos usuários escolher diferentes modelos — incluindo opções mais baratas — para tarefas de longa duração.

A Microsoft estuda hospedar uma versão da DeepSeek, uma fornecedora chinesa de IA de baixo custo que OpenAI e Anthropic acusam de “destilar” (ou copiar) seus modelos mais avançados. Essa medida poderia aumentar significativamente o uso do modelo chinês, potencialmente em detrimento da OpenAI e da Anthropic, que enfrentam a perspectiva de uma guerra prolongada de preços.

A movimentação é significativa para Nadella, que há muito tempo atua como uma espécie de estadista na corrida trilionária da IA, agora se alinhando a um esforço para deslocar a competição do desenvolvimento de modelos cada vez mais avançados.

OpenAI

A Microsoft é uma das parceiras mais antigas da OpenAI e já investiu bilhões na empresa. Após anos de tensões, as duas companhias firmaram recentemente um acordo que permitiu à OpenAI ampliar suas parcerias com outras big techs. A Microsoft também fechou um acordo multibilionário com a Anthropic no ano passado.

Nadella afirmou que há espaço para todas as empresas prosperarem e que surgirão novas companhias de grande sucesso. Um porta-voz da Microsoft disse que a empresa continuará fortalecendo parcerias com OpenAI e Anthropic e que a visão de Nadella não é um jogo de soma zero.

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, tem feito alertas frequentes sobre possíveis perdas de empregos causadas pela IA, incluindo a previsão de que metade dos empregos de entrada pode desaparecer até 2029. O CEO da OpenAI, Sam Altman, também já projetou impactos relevantes no emprego, embora recentemente tenha dito estar “satisfeito” por ter errado algumas previsões.

A OpenAI publicou propostas de políticas para tentar mitigar os impactos da IA. Ambos os líderes também alertam para riscos de segurança, e a Anthropic se envolveu em atritos com a Casa Branca sobre possíveis ameaças de novos modelos avançados.

A Microsoft ficou atrás de seus concorrentes no desenvolvimento de modelos próprios. Na segunda metade de 2025, assinantes do Copilot passaram a preferir alternativas como o Gemini, do Google, segundo a consultoria Recon Analytics.

Sem um modelo de fronteira competitivo, a Microsoft decidiu usar seu poder financeiro para entrar na disputa de transformar modelos em commodities.

Nadella apresentou sua visão em um artigo publicado em 14 de junho, no qual descreve como serão as empresas “AI-first”.

O novo modelo de implantação de IA será mais democratizado, com benefícios amplamente distribuídos e menor dependência de poucos modelos dominantes, afirmou na entrevista.

Ele criticou executivos que tratam a IA apenas como ferramenta de redução de custos via demissões. “Não, e se a gente pensar em reorganizar os empregos?”, disse. Para ele, as empresas precisam combinar “capital de tokens” (capacidade de IA) e capital humano.

Nadella descreveu a IA como um motor de conhecimento que ajuda empresas a usar melhor seus funcionários e seus dados, combinando modelos com diferentes preços e capacidades. Esses modelos seriam “todos subindo a mesma montanha dentro de uma máquina que você controla”.

Na visão dele, o caráter das empresas será definido pelo “conhecimento tácito” que carregam — humano e artificial. No futuro, empresas serão sistemas de aprendizado contínuo de inteligência humana e IA. Proteger propriedade intelectual será essencial para evitar a comoditização.

Corrigir os problemas da corrida da IA exigirá mais do que narrativa, disse ele.

“Não basta narrativa, porque neste ponto precisamos agir”, afirmou Nadella. “Agora temos de fazer o trabalho duro de conquistar a permissão da sociedade.”

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Move Brasil põe montadoras numa corrida de R$ 30 bilhões pelos motoristas de aplicativo

23 de Junho de 2026, 06:00

O Move Brasil, programa federal para conceder até R$ 30 bilhões para taxistas e motoristas de aplicativo financiarem carros novos, começou na última sexta (19). E é vantajoso para montadoras com estoques altos nos pátios e portos – já que oferece uma chance de desova imediata.

O grosso desse estoque é de carros importados: 329 mil. Segundo a Anfavea, esse volume equivale a cerca de 150 dias de vendas dos modelos trazidos de fora. Três quartos aí vieram da China (240 mil).

O estoque total, incluindo os carros fabricados no país, chegou a 498 mil autoveículos em maio, 55 mil a mais que em abril. Enquanto os nacionais recuaram de 173 mil para 169 mil unidades, os importados saltaram de 270 mil para 329 mil.

O programa oferece juros inferiores aos de mercado, prazo de até seis anos e a possibilidade de financiar integralmente carros de até R$ 150 mil. Ele foi criado para renovar a frota usada no transporte de passageiros, mas também abre uma nova fonte de demanda para montadoras e concessionárias – e num momento em que as fabricantes chinesas tentam reduzir estoques formados antes das próximas altas do imposto de importação, marcadas para 1º de julho.

Esse estoque não foi montado por causa do Move Brasil. As importações já vinham acelerando: de janeiro a maio, foram emplacados 108,4 mil veículos vindos da China, 86,6% a mais que no mesmo período de 2025. O conjunto dos importados, para comparar, cresceu 17,4%.

O Dolphin no centro da disputa

O BYD Dolphin ajuda a mostrar como essas forças se encontram. O elétrico e seu irmão menor, o Dolphin Mini, estão na lista de modelos financiáveis, custam menos que o teto de R$ 150 mil e atraem profissionais que rodam muitos quilômetros, para os quais o gasto com energia pesa na decisão.

A intensidade de uso ajuda a explicar esse interesse. Um motorista de aplicativo pode rodar 6,5 mil quilômetros em um único mês. Numa simulação com a gasolina a R$ 6,50 e um carro que faça 10 km/l, isso dá R$ 4 mil em combustível.

Num 100% elétrico, o gasto com energia não chega a R$ 1 mil por mês. Ou seja: economia mensal de R$ 3 mil.

Em maio, o Dolphin Mini liderou novamente os emplacamentos no varejo brasileiro, com 6.478 unidades – é o carro mais vendido do país em 2026 nessa categoria. O terceiro colocado foi outro 100% elétrico, o concorrente chinês Geely EX2, recém chegado, com 4.250 e o Dolphin ficou em quarto, com 4.163.

Segundo a BYD, o Dolphin GS acumula mais de 51 mil unidades desde o lançamento, enquanto o Dolphin Mini supera 86 mil.

A montadora informou nesta segunda-feira (22) ter alcançado 300 mil veículos vendidos no Brasil. Foram necessários 34 meses para chegar aos primeiros 100 mil, mais 11 meses para atingir 200 mil e apenas seis meses para vender os 100 mil seguintes. Entre janeiro e maio de 2026, a empresa emplacou 77.447 veículos, quase o dobro de um ano antes, e chegou a 10,11% das vendas de automóveis em maio.

Parte dessa expansão ainda é abastecida por carros prontos importados da China – caso do Dolphin. Outra parte vem de conjuntos semimontados, conhecidos como SKD e CKD, que recebem acabamento em Camaçari, na Bahia – caso do Dolphin Mini. É esse modelo de transição que está no centro de uma disputa entre a BYD e as fabricantes já instaladas no país.

A disputa tributária ocorre em duas frentes. Os eletrificados importados prontos terão a alíquota elevada a 35% em julho. Para os kits SKD e CKD, o cronograma prevê a chegada aos 35% em janeiro de 2027. A BYD tenta reabrir por seis meses cotas de importação com alíquota zero para esses kits, benefício que vigorou até janeiro deste ano.

A BYD argumenta que uma transição mais longa ajudaria a preservar preços enquanto amplia a produção em Camaçari. Anfavea, Sindipeças e outras fabricantes defendem a recomposição das tarifas como forma de estimular mais etapas produtivas e compras de fornecedores brasileiros.

Nesta terça-feira (23), a disputa chega ao Gecex, comitê da Câmara de Comércio Exterior responsável por decidir mudanças tarifárias. À Folha, a Anfavea ameaçou judicializar a questão caso o governo renove o benefício que favorece a BYD.

A Anfavea também separa essa disputa do Move Brasil para carros leves: segundo apurou o InvestNews, a associação não participou da criação da linha para taxistas e aplicativos. A entidade esteve no desenho do braço destinado a caminhões e ônibus, segmentos em retração.

Nos primeiros cinco meses do ano, os emplacamentos de caminhões caíram 15,1% e os de ônibus, 16,3%; a produção de caminhões recuou 16,7%. Os automóveis seguiram em outra direção: as vendas cresceram 21,5%, para 874,2 mil unidades, e a produção avançou 9,9%. Em maio, elétricos e híbridos respondiam por 19,5% dos emplacamentos de veículos leves.

A linha para motoristas acrescenta, portanto, crédito favorecido a um mercado que já vinha crescendo.

Como funciona o Move Brasil

Podem solicitar o financiamento motoristas de aplicativo com cadastro ativo há pelo menos 12 meses e um mínimo de 100 viagens na mesma plataforma, além de taxistas e cooperativas. O carro precisa ser zero-quilômetro, custar até R$ 150 mil e constar da lista do Ministério do Desenvolvimento, que inclui modelos flex, híbridos e elétricos.

Pelas regras atuais, os financiamentos precisam ser contratados até 15 de setembro de 2026, prazo ligado à vigência da medida provisória que criou a linha. O programa pode ser encerrado antes caso os recursos disponíveis se esgotem.

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As montadoras precisam estar habilitadas no Mover, oferecer assistência técnica e conceder desconto mínimo de 5% sobre o preço sugerido. A regra não exige que cada unidade tenha sido produzida no Brasil, o que permite financiar carros importados ou semimontados.

O crédito pode cobrir até 100% do veículo, com pagamento em até 72 meses (seis anos) e carência de seis meses. A taxa final é limitada a 12,6% ao ano – contra 27% da média dos financiamentos normais.

Os R$ 30 bilhões são o teto da linha, não uma previsão de desembolso. Um cálculo do Itaú BBA indica que o montante seria suficiente para financiar cerca de 250 mil carros, próximo das 264,7 mil unidades leves emplacadas no país em maio.

A diferença entre o potencial e o resultado será definida pelos bancos. O BNDES administra os recursos, mas as instituições credenciadas continuam responsáveis por analisar renda, dívidas, histórico de pagamento e garantias. O motorista pode cumprir os requisitos do governo e ter o crédito recusado.

Quem mais entra nessa conta

O programa pode alterar o mercado de locação. O JP Morgan calcula que o serviço de aluguel para motoristas de aplicativo da Localiza, o Zarp, represente 7% da frota total da companhia. Parte desses clientes pode comparar a mensalidade do aluguel com a prestação subsidiada do Move Brasil e acabar optando pela compra do próprio veículo.

Na compra, o motorista forma patrimônio, mas assume seguro, manutenção, impostos, pneus e desvalorização. No aluguel, parte desses custos fica concentrada na mensalidade e o carro pode ser devolvido ou substituído.

O prazo de até seis anos também expõe o motorista às mudanças nas regras das plataformas. A Uber atualizará em janeiro de 2027 os modelos aceitos nas categorias Comfort e Black, que pagam corridas mais caras. O Dolphin, por exemplo, só poderá ser cadastrado na Black até o fim de 2026 e permanecerá elegível só até dezembro de 2027. Argo, Polo e Peugeot 208 deixarão a Comfort, independentemente do ano de fabricação. Isso significa que um carro comprado com a expectativa de operar numa categoria mais rentável pode perder essa condição antes do fim do financiamento.

Os primeiros resultados mostrarão quantos profissionais foram aprovados pelos bancos, quais modelos concentraram a procura e quanto dos R$ 30 bilhões foi contratado. A divisão entre veículos nacionais, importados e semimontados indicará também quanto da nova demanda chegou à produção local.

Em nota ao InvestNews, a BYD defendeu o Move Brasil como “como uma importante iniciativa para apoiar profissionais que utilizam o automóvel como ferramenta de trabalho e que buscam renovar seus veículos com mais tecnologia, economia e sustentabilidade.”

Confira os modelos habilitados no Move Brasil:

MontadoraMarcaModelo
BYDBYDDolphin
BYDBYDDolphin Mini
General MotorsChevroletMontana
General MotorsChevroletOnix
General MotorsChevroletOnix Plus
General MotorsChevroletSonic
General MotorsChevroletSpark EUV
General MotorsChevroletSpin
General MotorsChevroletTracker
GWMGWMOra 03
HondaHondaCity Hatchback
HondaHondaCity Sedan
HondaHondaHR-V
HondaHondaWR-V
HyundaiHyundaiCreta
HyundaiHyundaiHB20
HyundaiHyundaiHB20S
NissanNissanKait
NissanNissanKicks
NissanNissanVersa
RenaultGeelyEX2
RenaultRenaultDuster
RenaultRenaultKardian
RenaultRenaultKwid
StellantisCitroënAircross
StellantisCitroënBasalt
StellantisCitroënC3
StellantisFiatArgo
StellantisFiatCronos
StellantisFiatFastback
StellantisFiatMobi
StellantisFiatPulse
StellantisJeepCompass
StellantisJeepRenegade
StellantisPeugeot208
StellantisPeugeot2008
ToyotaToyotaYaris Cross
VolkswagenVolkswagenNivus
VolkswagenVolkswagenPolo
VolkswagenVolkswagenSaveiro
VolkswagenVolkswagenT-Cross
VolkswagenVolkswagenTera
VolkswagenVolkswagenVirtus

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Oracle admite que IA substituiu funcionários e cortou 21 mil empregos em um ano

22 de Junho de 2026, 20:11

A Oracle reduziu seu quadro global em 21 mil funcionários nos últimos 12 meses, em uma magnitude maior do que havia sido reportado anteriormente, e admitiu em documento regulatório que a adoção de inteligência artificial eliminou parte dessas funções.

“A adoção e implementação de tecnologias de IA em nossas operações resultou, e pode continuar a resultar, em reduções da nossa força de trabalho”, afirmou a companhia em filing anual ao regulador americano divulgado nesta segunda-feira (22). 

É uma das primeiras vezes que uma gigante de tecnologia faz admissão tão direta a investidores sobre a substituição de empregos por IA. O quadro global encolheu de 162 mil para 141 mil funcionários no encerramento do ano fiscal em 31 de maio, queda de 13% em 12 meses.

Os cortes geraram cerca de US$ 1,8 bilhão em custos de reestruturação, contra US$ 374 milhões no exercício anterior. Dos 141 mil funcionários atuais, 49 mil estão nos Estados Unidos e 92 mil em outros países.

A escala foi tamanha que o quadro hoje é menor do que era antes da aquisição da Cerner, especialista em prontuários eletrônicos médicos, comprada em 2022 por US$ 28 bilhões. A compra havia adicionado milhares de funcionários, muitos concentrados próximo à sede da Cerner, na região de Kansas City.

Corrida pela IA

A Oracle está sob pressão financeira justamente por causa do investimento bilionário em data centers de IA para clientes como a OpenAI. A companhia tem assinado contratos massivos no segmento, incluindo recentemente um com a Meta, em uma corrida por capacidade computacional que vem moldando os balanços das gigantes de tecnologia.

Para sustentar o capex em infraestrutura de IA, a Oracle cortou custos em outras pontas. E uma das pontas é o próprio quadro de funcionários, em parte substituído pela tecnologia que a companhia ajuda a hospedar. Segundo estimativas do TD Cowen reportadas em março, os cortes podem liberar entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões em fluxo de caixa anual.

A história começou a se desenhar publicamente em 5 de março, quando a Bloomberg reportou que a Oracle planejava demissões em milhares de cargos em várias divisões, com algumas voltadas especificamente a funções que a companhia considera substituíveis por IA. 

Em 31 de março, funcionários da Oracle nos Estados Unidos, Índia, Canadá e México receberam e-mails de demissão pela manhã, sem aviso prévio dos gestores diretos.

A Oracle se junta a uma onda crescente de cortes na indústria de tecnologia. Segundo o site Layoffs.fyi, 196 empresas do setor demitiram mais de 119,8 mil pessoas em 2026 até agora. 

A Oracle não respondeu aos pedidos de comentário.

©2026 Bloomberg L.P.

MRV vende dois complexos no Texas por US$ 139 milhões e reduz dívida de subsidiária

22 de Junho de 2026, 19:52

A MRV anunciou nesta segunda-feira (22) a venda de dois empreendimentos da subsidiária americana Resia. Os complexos Ten Oaks e Rayzor Ranch, ambos no Texas, foram negociados por US$ 139 milhões (R$ 716 milhões). A liquidação está prevista para julho e há um depósito não recuperável de US$ 12 milhões garantindo o negócio.

Os dois ativos estavam registrados no balanço por US$ 188 milhões e saíram por menos. A operação embute uma perda contábil de 26% sobre o valor patrimonial. O Ten Oaks foi o pior caso: avaliado em US$ 122 milhões, vendido por US$ 86 milhões, perda de 30%, com ocupação de apenas 73%. O Rayzor Ranch, com 93% de ocupação, saiu com 20% de desconto.

A MRV atribui a perda ao cenário de juros altos nos Estados Unidos e ao fato de os projetos não estarem estabilizados, com aluguéis e ocupação abaixo do potencial. Em troca, diz antecipar os benefícios da desalavancagem. A transação reduz em 7,5% a dívida líquida consolidada, ou US$ 87 milhões, e corta US$ 46 milhões em minority interest – a participação de não controladores nos projetos.

Em março, a Resia havia vendido o complexo Tributary, na Geórgia, por US$ 73 milhões, um ativo descrito como totalmente estabilizado e de ocupação madura. Foi a maior operação individual do plano de desinvestimento.

Como mostrou o InvestNews, no ano passado a Resia teve prejuízo de US$ 243 milhões e acumulou US$ 695 milhões em dívida. Mercados como Dallas, Houston e Atlanta enfrentaram excesso de oferta, que comprimiu aluguéis e atrasou a estabilização dos projetos.

Com a venda de hoje, a MRV chegou a US$ 380 milhões em ativos vendidos desde o anúncio do plano de reestruturação, em dezembro de 2024. A meta é chegar a US$ 800 milhões em desinvestimentos até o final deste ano.

Em concessão histórica, EUA permitem que Irã venda petróleo em dólar

22 de Junho de 2026, 19:16

O governo dos Estados Unidos suspendeu temporariamente as sanções que impediam o Irã de vender petróleo em dólar, em um movimento que reverte uma das peças centrais da estratégia americana de pressão sobre o regime iraniano nas últimas décadas.

Isso significa que, pela primeira vez em quase 40 anos, refinarias americanas terão a opção legal de comprar petróleo bruto do Irã. A decisão veio acompanhada do anúncio, pelo vice-presidente JD Vance, de que o Irã teria concordado em receber de volta os inspetores nucleares da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O Departamento do Tesouro americano emitiu nesta segunda-feira (22) um waiver com validade de 60 dias, autorizando a venda de petróleo iraniano em dólar enquanto avançam as negociações para reabrir o Estreito de Ormuz, lidar com o programa nuclear iraniano e discutir alívios adicionais de sanções.

A liberação se aplica a transações em dólar, incluindo para compradores americanos. Por anos, o Irã foi obrigado a usar uma rede oculta de petroleiros sob sanções para vender seu petróleo, majoritariamente para refinarias chinesas. 

Agora, bancos iranianos podem receber pagamentos diretamente do exterior, o que permite ao regime repatriar suas receitas de petróleo com mais facilidade. A medida vai além do waiver temporário emitido pelo Tesouro em março, que permitiu ao Irã vender o petróleo já embarcado mas mantinha as restrições sobre transações em dólar.

O alívio histórico

A liberação representa “uma ruptura fundamental com a arquitetura de sanções ao Irã construída pelo Congresso ao longo das últimas duas décadas”, segundo Miad Maleki, ex-funcionário sênior do Tesouro americano que hoje trabalha na Foundation for Defense of Democracies. 

O waiver também isenta entidades iranianas, incluindo o Banco Central do país, das sanções voltadas a atividades de terrorismo, não apenas das relacionadas ao programa nuclear.

As relações entre Estados Unidos e Irã estão tensionadas desde a crise dos reféns de 1979, quando 52 cidadãos americanos foram mantidos reféns na embaixada dos EUA em Teerã. Em 1995, o presidente Bill Clinton determinou o embargo total ao petróleo iraniano. 

Os volumes que tinham chegado a 850 mil barris por dia em 1977 caíram a zero poucos meses depois da ascensão do aiatolá Ruhollah Khomeini ao poder. Chevron e Marathon Petroleum estavam entre as últimas refinarias americanas a importarem petróleo iraniano, em 1991.

Operadores europeus já procuraram comprar petróleo iraniano após o anúncio, segundo Hamid Hosseini, porta-voz da União de Exportadores de Petróleo de Teerã. Mas, segundo Hosseini, nenhuma empresa americana entrou em contato até agora.

Normalização

A trégua interina alcançada na semana passada inclui a reabertura do Estreito de Ormuz, ponto crítico por onde flui até 20% do petróleo mundial. 

O tráfego marítimo na região aparentou acelerar ao longo do fim de semana, contrariando o anúncio iraniano de que teria fechado o estreito novamente. Mesmo assim, o número de navios passando diariamente ainda é fração do nível pré-guerra.

Em maio, o governo americano impôs um bloqueio aos portos iranianos, asfixiando a economia do regime, dependente das exportações. Com o acordo, o bloqueio foi retirado, e a venda de petróleo foi autorizada.

Para alimentar a Microsoft na corrida da IA, Chevron entra na geração de energia

22 de Junho de 2026, 17:52

A Chevron assinou um contrato de 20 anos para fornecer eletricidade à Microsoft, em um movimento que marca a entrada definitiva da petroleira americana no mercado de geração de energia, em resposta à demanda explosiva por capacidade computacional dos gigantes de inteligência artificial.

O contrato prevê o fornecimento de energia para o Project Kilby, um campus de data center que a Microsoft planeja construir perto da cidade de Pecos, no Oeste do Texas.

A planta deve começar a gerar energia em 2028 e atingir 2,67 gigawatts ao longo do tempo, o suficiente para abastecer mais de 530 mil residências. O custo do projeto não foi divulgado, mas a TD Securities estima o investimento em cerca de US$ 9 bilhões.

A operação é desenvolvida em conjunto com a Engine No. 1, gestora americana de investimentos focada em transição energética, que tem a opção de adquirir 50% do projeto via sua subsidiária Joulent. Sete turbinas a gás da GE Vernova vão alimentar a planta. A decisão final de investimento será tomada ainda este ano.

“Este é um diferencial competitivo para nós”, disse Jeff Gustavson, presidente da divisão de novas energias da Chevron, em entrevista ao Financial Times. “De todos os projetos de data center anunciados nos Estados Unidos, quase nenhum atingiu o marco que alcançamos hoje, nem em escala ampla, nem dentro do nosso grupo de pares.”

Disputa com a Exxon

A Chevron disputa com a rival ExxonMobil a entrada no mercado de geração de energia off-grid (fora da rede pública), aproveitando a abundante produção de gás natural na Bacia do Permiano, no Oeste do Texas, principal região produtora de petróleo dos Estados Unidos. 

A NextEra Energy, distribuidora elétrica baseada na Flórida, anunciou no ano passado parceria com a ExxonMobil para desenvolver usinas térmicas a gás voltadas a seus clientes, entre eles o Google.

A aposta da Chevron se posiciona em meio à corrida bilionária dos gigantes de tecnologia, como Microsoft, Amazon e Alphabet, para ampliar a capacidade de seus data centers. 

A Microsoft, segundo a Bloomberg, pretende dobrar sua infraestrutura de data center nos próximos dois anos para acompanhar a expansão em IA, em um momento em que recua de seu compromisso de operar com 100% de energia renovável até 2030.

O excesso de gás

O modelo de negócio da Chevron se apoia em uma anomalia do mercado americano: há tanto gás natural no Permiano que falta capacidade de escoamento por gasodutos. 

O gás é subproduto da produção de petróleo, e em meses recentes o Waha Hub, principal referência de preço do gás da região, registrou cotações negativas, sinal de que produtores chegam a pagar para retirar o excedente do sistema.

“Esta é uma das marcas do projeto: trazer demanda para a bacia e evitar que esse cenário se repita”, afirmou Gustavson ao FT. A planta deve operar isolada da rede pública, sem afetar as tarifas locais. 

“Os consumidores estão preocupados com o crescimento da demanda elétrica e já sentem o efeito disso. Projetamos especificamente esta operação, nessa parte do país, para evitar qualquer um desses problemas.”

Arun Jayaram, analista do JPMorgan Chase, escreveu em relatório que a operação dá à Chevron “um fluxo de caixa não correlacionado à commodity subjacente, oferecendo diversificação valiosa”. É justamente esse o ângulo estratégico: criar uma fonte de receita previsível, de 20 anos, que não dependa das oscilações do preço do petróleo.

Capital da IA

O Texas hoje concentra 33 gigawatts em projetos de data center planejados, a maior fatia do país, segundo a BloombergNEF, à frente até da Virgínia (que ainda lidera em obras em execução). 

Os Estados Unidos devem dobrar sua capacidade total de data centers para 77 gigawatts até 2030, projeção que vem pressionando a rede elétrica e elevando o custo de energia para consumidores residenciais, com reação política crescente em diversos estados.

Para Gustavson, o projeto inicial não terá energia renovável, mas a Chevron estuda incorporar geração solar no futuro. “Haverá outros desenvolvimentos nesta área e em outras partes do país, e uma coisa que vamos continuar olhando é se conseguimos encaixar algumas dessas tecnologias de baixo carbono nessas operações”, disse ao FT.

“Liderança na era da IA será determinada por quem entrega energia e capacidade computacional de forma mais rápida, mais confiável e ao menor custo”, afirmou Chris James, fundador da Engine No. 1, em comunicado.

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A reconstrução da Nike vai demorar e CEO promete a Wall Street a volta ao topo

22 de Junho de 2026, 17:36

A maior marca esportiva do mundo está demorando mais do que o esperado para sair da crise – e essa é uma avaliação do próprio CEO. Elliott Hill, o executivo por trás da reestruturação da Nike há mais de um ano e meio, admite que o trabalho para colocar a marca do swoosh de volta aos trilhos é maior do que ele previa.

“O que eu não percebia, até estar dentro, era a quantidade de trabalho que precisava ser feita”, afirmou Hill, em entrevista publicada pelo Financial Times nesta segunda-feira (22). “Eu queria que estivéssemos um pouco mais adiante.”

E a constatação não veio apenas do CEO da empresa. Bancos como RBC, JPMorgan, Goldman Sachs e HSBC rebaixaram a recomendação de compra para o papel nos últimos meses.

O UBS alertou para um “ritmo modesto de vendas globais”, e analistas do BNP Paribas projetam novos cortes de receita, especialmente por causa da China, onde as vendas caíram 11% nos primeiros nove meses do ano fiscal atual. Resultado: uma queda de 45% no valor de mercado da Nike desde agosto do ano passado.

O diagnóstico de Hill é que a Nike apostou pesado em vendas diretas ao consumidor (o chamado direct-to-consumer) e abandonou parcialmente o varejo físico, ficando ausente das prateleiras justamente no momento em que o consumo presencial voltou após a pandemia. 

O movimento abriu espaço para concorrentes mais ágeis, como a suíça On e a americana Hoka, na corrida; e para chinesas como Anta e Li-Ning na China, que rapidamente preencheram o vácuo deixado pela líder.

Em paralelo, a marca derivou para moda e lifestyle, deixando de lado sua presença no equipamento esportivo. O catálogo, segundo críticos, ficou velho. E a aura cultural, que sustentava prêmio de preço por décadas, se diluiu.

Disputa nos campos

A Copa do Mundo nos Estados Unidos, México e Canadá, em curso, é o palco mais imediato para mostrar se a virada proposta por Elliot Hill está dando certo.

A campanha “Rip the Script” (em tradução livre, “rasgue o roteiro”), com estrelas como Cristiano Ronaldo, LeBron James, Kylian Mbappé e Vinícius Júnior, já acumula mais de 1 bilhão de visualizações nas plataformas digitais.

E as chuteiras da marca estão superando as da Adidas em gols marcados na proporção de mais de 2 para 1, segundo a empresa. “A mensagem que queremos passar para a indústria e para Wall Street é que a Nike voltou. A Nike voltou a liderar, a liderar com produto e inovação”, prosseguiu Hill. “Estamos aqui para vencer.”

O ceticismo do mercado, porém, é grande. Em abril, a marca sofreu um revés simbólico: dois corredores cruzaram a Maratona de Londres abaixo da barreira das duas horas calçando supershoes da Adidas. A Nike vem tentando quebrar essa marca há anos. “Não vamos ficar parados esperando, vamos responder”, disse Hill.

Mas, em meio à reestruturação, um produto inesperado virou sucesso comercial. O Nike Mind 001, uma sandália slip-on de US$ 95 que “altera a mente” por meio de pontos de pressão na sola dos pés, esgotou no lançamento. 

Cerca de 2 milhões de pessoas se cadastraram para ser avisadas quando o produto voltar ao estoque, e a produção foi dobrada. É produto excêntrico, fora do core histórico da marca, mas que sinaliza que a Nike pode inovar quando quer, e que o consumidor está disposto a apostar quando a marca surpreende.

De volta ao jogo

Hill, de 62 anos, é parte da história da Nike. Texano criado por uma mãe solteira em Austin, entrou na companhia como estagiário nos anos 1980, depois de uma passagem breve como preparador físico no Dallas Cowboys, time da NFL. Subiu pelos cargos executivos ao longo de 32 anos. Saiu em 2020, poucos meses depois da chegada de John Donahoe à presidência.

“Eu estava cansado. Fisicamente, precisava ficar em forma”, disse sobre a saída. O retorno aconteceu durante um casamento em Palm Springs. Hill almoçou com Phil Knight, fundador da Nike. A conversa começou sobre família e futebol americano (paixão declarada do executivo), e terminou em uma proposta. “Antes que eu percebesse, eu estava de volta como CEO.”

A primeira visita técnica ao mercado, antes mesmo da contratação, marcou Hill. Em um shopping perto de Stanford, na Califórnia, ele se deparou com o estado em que a marca havia chegado nas prateleiras.

“Ver a falta de orgulho no nosso produto e na nossa apresentação foi humilhante. Não só humilhante, foi desanimador. Foi provavelmente o momento em que percebi quanto trabalho seria necessário”, diz o CEO. A Nike reporta os resultados do quarto trimestre em 30 de junho. A empresa já havia projetado que a receita cairia entre 2% e 4%.

O efeito pleno da reestruturação, segundo Hill, deve ser sentido apenas no início do próximo ano, quando produtos novos chegarem a todas as divisões e geografias. Até lá, a paciência de Wall Street segue à prova.

“É uma corrida de revezamento. Meu trabalho é pegar o bastão e garantir que, quando eu passar adiante, esteja melhor do que estava quando peguei. E essa é a corrida que estou correndo agora.”

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As seleções mais valiosas da Copa do Mundo 2026

22 de Junho de 2026, 15:43

A França é a seleção mais valiosa da Copa do Mundo 2026, segundo dados da Transfermarkt, base de dados alemã especializada em valores de mercado de jogadores de futebol. 

O elenco francês convocado para o mundial soma € 1,52 bilhão, cerca de R$ 8,96 bilhões após o valor de fechamento da moeda na última sexta-feira (19).

No caso da França, o número é puxado por um grupo de atletas avaliados em valores altos no mercado europeu, com destaque para Kylian Mbappé, Michael Olise e Désiré Doué.

O valor de mercado de uma seleção corresponde à soma das avaliações individuais dos jogadores convocados para a Copa do Mundo. 

Entre os critérios usados para calcular o valor estão idade, desempenho, nível, reputação, potencial de desenvolvimento, valor de marketing, interesse de clubes, experiência, demanda do mercado e entre outros.

Somadas, as três seleções mais valiosas da Copa do Mundo 2026 chegam a € 4,10 bilhões (R$ 24,18 bilhões). Além da França, o grupo tem Inglaterra, avaliada em € 1,36 bilhão (R$ 8,02 bilhões), e Espanha, com € 1,22 bilhão (R$ 7,20 bilhões).

Com isso, as três seleções mais valiosas do mundo têm um valor de mercado superior a 32 das 60 empresas listadas no Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira.

O Brasil aparece na sexta posição entre as seleções mais valiosas, com valor de mercado de € 928,20 milhões (R$ 5,47 bilhões). 

O time brasileiro fica atrás de França, Inglaterra, Espanha, Portugal e Alemanha, mas à frente da Argentina, atual campeã mundial, avaliada em € 807,50 milhões (R$ 4,76 bilhões).

Ranking das dez seleções mais valiosas da Copa do Mundo 2026

As dez seleções mais valiosas da Copa do Mundo 2026 somam € 9,68 bilhões (R$ 57,12 bilhões) em valor de mercado, segundo os dados da Transfermarkt.  O grupo concentra quatro equipes acima da marca de € 1 bilhão: França, Inglaterra, Espanha e Portugal.

A França lidera com € 1,52 bilhão (R$ 8,96 bilhões), mas a distância para a Inglaterra, segunda colocada, é de € 160 milhões (R$ 943,65 milhões). 

A avaliação francesa é sustentada por jogadores de alto valor de mercado. Kylian Mbappé, do Real Madrid, é o atleta mais valioso da lista, avaliado em € 180 milhões (R$ 1,06 bilhão).

Também aparecem acima de € 100 milhões Michael Olise, do Bayern de Munique, avaliado em € 150 milhões (R$ 884,67 milhões), e Désiré Doué, do Paris Saint-Germain, com € 120 milhões (R$ 707,74 milhões).

Já entre os nomes que puxam o segundo e terceiro lugar estão Jude Bellingham, Declan Rice e Bukayo Saka, pela Inglaterra, além de Lamine Yamal e Pedri, pela Espanha.

Na seleção inglesa, Bellingham, do Real Madrid, aparece avaliado em € 130 milhões (R$ 766,71 milhões). Declan Rice, do Arsenal, vale € 120 milhões (R$ 707,74 milhões), enquanto Bukayo Saka, também do Arsenal, soma € 110 milhões (R$ 648,76 milhões).

Na Espanha, os maiores valores individuais estão concentrados em dois jogadores do Barcelona. Lamine Yamal é avaliado em € 200 milhões (R$ 1,18 bilhão), maior valor entre os nomes no top 3 das seleções, enquanto Pedri aparece com € 150 milhões (R$ 884,67 milhões).

Somados, Bellingham, Rice e Saka representam 26,5% do valor de mercado da Inglaterra. Já Yamal e Pedri somam € 350 milhões (R$ 2,06 bilhões) na avaliação da Espanha, cerca de 28,7% do total.

As quatro seleções acima de € 1 bilhão somam € 5,11 bilhões (R$ 30,14 bilhões), mais da metade do valor total das dez maiores.

A Alemanha, quinta colocada, é a seleção mais próxima desse “clube do bilhão” entre as que ainda aparecem abaixo da marca. O elenco alemão vale € 947 milhões (R$ 5,59 bilhões).

Veja as dez seleções mais valiosas da Copa do Mundo 2026: 

  • 1. França — € 1,52 bilhão (R$ 8,96 bilhões);
  • 2. Inglaterra — € 1,36 bilhão (R$ 8,02 bilhões);
  • 3. Espanha — € 1,22 bilhão (R$ 7,20 bilhões);
  • 4. Portugal — € 1,01 bilhão (R$ 5,96 bilhões);
  • 5. Alemanha — € 947 milhões (R$ 5,59 bilhões);
  • 6. Brasil — € 928,20 milhões (R$ 5,47 bilhões);
  • 7. Argentina — € 807,50 milhões (R$ 4,76 bilhões);
  • 8. Holanda — € 754,20 milhões (R$ 4,45 bilhões);
  • 9. Noruega — € 589,90 milhões (R$ 3,48 bilhões);
  • 10. Bélgica — € 547,50 milhões (R$ 3,23 bilhões).

LEIA MAIS: O modelo de negócios da LiveMode, dona da CazéTV, que banca a ascensão do canal de Casimiro

Qual é o valor de mercado da seleção brasileira?

A seleção brasileira tem valor de mercado de € 928,20 milhões (R$ 5,47 bilhões). Com isso, o Brasil ocupa a sexta posição no ranking das seleções mais valiosas da Copa do Mundo 2026. O elenco brasileiro tem valor médio de € 35,70 milhões (R$ 210,55 milhões) por jogador.

O principal nome em valor de mercado é Vinicius Junior, do Real Madrid, avaliado em € 140 milhões (R$ 825,69 milhões). 

O atacante puxa a lista brasileira com folga e concentra a maior avaliação individual da seleção, cerca de 15,1% do total do time brasileiro.

Na sequência aparecem Gabriel, do Arsenal, e Matheus Cunha, do Manchester United, ambos avaliados em € 75 milhões (R$ 442,34 milhões). Bruno Guimarães, do Newcastle, e Raphinha, do Barcelona, vêm logo depois, com € 70 milhões (R$ 412,85 milhões) cada.

Mesmo sem liderar o ranking de seleção mais valiosa da Copa do Mundo, o Brasil aparece à frente da Argentina. A diferença entre as duas seleções é de € 120,70 milhões (R$ 711,86 milhões).

A comparação chama atenção pelo histórico de rivalidade e pela presença de Lionel Messi na seleção argentina. O atacante do Inter Miami é avaliado em € 15 milhões (R$ 88,47 milhões), valor abaixo dos principais nomes da nova geração argentina.

Na Argentina, os maiores valores de mercado são Julián Alvarez, do Atlético de Madrid, avaliado em € 100 milhões (R$ 589,78 milhões), Enzo Fernández, do Chelsea, com € 90 milhões (R$ 530,80 milhões), Lautaro Martínez, da Inter de Milão, com € 85 milhões (R$ 501,31 milhões), e Nico Paz, do Como, com € 80 milhões (R$ 471,82 milhões).

LEIA MAIS: Neymar S.A: como o camisa 10 fez do seu nome a segunda maior fábrica de marcas do país

Quanto vale a Escócia, próxima rival do Brasil?

A Escócia, próxima rival do Brasil no Grupo C da Copa do Mundo 2026, aparece na 29ª posição do ranking da Transfermarkt. A seleção escocesa tem valor de mercado de € 170,25 milhões (R$ 1,00 bilhão). O elenco da Escócia tem o valor médio de € 6,55 milhões (R$ 38,63 milhões) por jogador.

O jogador mais valioso da seleção escocesa é Scott McTominay, do Napoli, avaliado em € 40 milhões (R$ 235,91 milhões). Ele concentra a maior fatia do valor de mercado da equipe, cerca de 23,5%.

Depois aparecem Aaron Hickey, do Brentford, com € 16 milhões (R$ 94,36 milhões), Ben Gannon-Doak, do Bournemouth, com € 15 milhões (R$ 88,47 milhões), Lewis Ferguson, do Bologna, com € 14 milhões (R$ 82,57 milhões), e John McGinn, do Aston Villa, com € 13 milhões (R$ 76,67 milhões).

A distância financeira em relação ao Brasil é ampla. A seleção brasileira vale € 928,20 milhões (R$ 5,47 bilhões), enquanto a Escócia soma € 170,25 milhões (R$ 1,00 bilhão). A diferença entre os elencos chega a € 757,95 milhões (R$ 4,47 bilhões).

  • Importante: a diferença mostra a distância entre os valores de mercado dos dois elencos, mas não determina o resultado em campo. 

A avaliação mede o preço estimado dos jogadores no mercado, não o desempenho esportivo de uma partida específica.

Saiba Mais sobre Copa do Mundo 2026

Milei autoriza nova dívida de até US$ 5 bilhões para reforçar o caixa da Argentina

22 de Junho de 2026, 13:29

O governo da Argentina autorizou a contratação de até US$ 5 bilhões em novas dívidas denominadas em dólares, enquanto busca garantir financiamento com respaldo de instituições multilaterais antes dos próximos vencimentos de sua dívida.

O decreto, assinado pelo presidente Javier Milei e membros do gabinete, estabelece a estrutura legal para futuras operações de financiamento, com contratos regidos pela legislação de Nova York e sujeitos à jurisdição dos tribunais dos Estados Unidos.

A medida define o tamanho máximo da operação de dívida que a Argentina pretende obter com o apoio de organismos multilaterais, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Segundo o texto, o objetivo é “reduzir os custos de financiamento do Tesouro Nacional” por meio de empréstimos em dólares concedidos por instituições financeiras internacionalmente reconhecidas e respaldados por garantias parciais de organismos multilaterais.

Garantir financiamento é crucial para a Argentina, que enfrenta pagamentos significativos de dívida nos próximos anos. O compromisso mais imediato é um desembolso de quase US$ 4,5 bilhões já no próximo mês. A partir de 2027, o serviço da dívida externa do país deverá superar US$ 20 bilhões por ano.

“A prioridade é minimizar os custos de financiamento”, afirmou Daniel Chodos, sócio da Dhalmore Capital. Segundo ele, ao estruturar empréstimos por meio de bancos internacionais com garantias parciais de instituições multilaterais, o governo consegue captar recursos a taxas significativamente menores do que as disponíveis no mercado.

O governo Milei tem evitado emitir títulos nos mercados internacionais, considerando que os custos ainda são elevados e não refletem a melhora dos indicadores macroeconômicos da Argentina.

A obtenção de fontes alternativas e mais baratas de financiamento tem sido uma das prioridades do ministro da Economia, Luis Caputo. Até agora, o governo tem recorrido a alternativas como títulos locais denominados em dólares, compras de moeda estrangeira pelo banco central e a futura operação de financiamento respaldada por organismos multilaterais.

Receita abre consulta ao 2º lote de restituição do IR, o maior da história

22 de Junho de 2026, 12:41

A Receita Federal abrirá nesta terça-feira (23), a partir das 9h, a consulta ao segundo lote da restituição do IR 2026. Serão  9.585.797 milhões de contribuintes contemplados no maior pagamento de valores da história do Fisco, de R$ 16 bilhões a restituir.

O pagamento do segundo lote do Imposto de Renda acontece em 30 de junho, na próxima terça-feira (30) e o contribuinte pode verificar se foi incluído no pagamento pelo site da Receita Federal, pelo aplicativo oficial ou pelo portal Meu Imposto de Renda, no e-CAC.

Segundo a Receita, somados o primeiro e segundo lote, cerca de 80% do total estimado de restituições do ano, tanto em valores quanto em número de contribuintes.

A Receita orienta que os contribuintes aguardem até o fim do dia para confirmar o depósito, já que o horário de crédito pode variar conforme o processamento de cada instituição financeira.

Quem recebe no 2º lote da restituição do IR 2026?

Do total de R$ 16 bilhões, cerca de R$ 4,94 bilhões serão destinados a contribuintes com prioridade legal.

A distribuição será feita da seguinte forma:

  • 155.060 restituições para idosos acima de 80 anos;
  • 1.106.923 restituições para idosos entre 60 e 79 anos;
  • 106.294 restituições para pessoas com deficiência física, mental ou moléstia grave;
  • 507.768 restituições para contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério.

Além dos grupos prioritários, 7.709.752 restituições serão pagas a contribuintes que utilizaram a declaração pré-preenchida e optaram pelo recebimento via Pix.

Quando será pago o 2º lote da restituição?

A Receita Federal estima que os dois primeiros lotes devem concentrar cerca de 80% da estimativa de restituições a serem pagas em 2026.

As próximas datas de pagamento da restituição do IR 2026 serão:

  • 2º lote: 30 de junho de 2026;
  • 3º lote: 31 de julho de 2026;
  • 4º lote: 31 de agosto de 2026.

As restituições serão liberadas conforme a ordem de entrega da declaração e respeitando as prioridades legais.

LEIA MAIS: Como funciona a fila da restituição do IR e como consultar o lote do pagamento

Como consultar o 2º lote da restituição do IR 2026?

A consulta ao 2º lote da restituição do IR 2026 pode ser feita por três canais:

A consulta informa se a declaração foi processada, se o contribuinte entrou em fila de restituição ou se há pendências que precisam ser corrigidas.

Como consultar pelo site da Receita Federal

A forma mais rápida de verificar se a restituição do Imposto de Renda foi liberada é pela consulta pública disponível no site da Receita Federal.

O sistema exibirá se a declaração foi processada, se está em fila de restituição ou se há pendências que precisam ser corrigidas.

Basta acessar a página de consulta à restituição no site da Receita Federal e informar os seguintes dados:

  • CPF;
  • Data de nascimento;
  • Ano da declaração (2026).

Como consultar a restituição pelo aplicativo da Receita Federal

Também é possível acompanhar a restituição do Imposto de Renda diretamente pelo celular, utilizando o aplicativo oficial da Receita Federal, disponível para Android e iOS:

  • Baixar ou abrir o aplicativo Receita Federal no celular;
  • Fazer login com sua conta gov.br;
  • No menu principal, tocar em “Meu Imposto de Renda”;
  • Selecionar o ano da declaração;
  • Acessar a opção “Restituição”.

Como consultar a restituição pelo portal Meu Imposto de Renda (e-CAC)

O serviço Meu Imposto de Renda, disponível dentro do portal e-CAC, oferece uma visão mais completa do processamento da declaração, incluindo histórico, pendências e detalhes do cálculo, basta:

  • Acessar o portal e-CAC da Receita Federal;
  • Clicar em “Entrar com gov.br” e fazer login;
  • No menu, selecionar “Meu Imposto de Renda”;
  • Escolher o exercício 2026 (ano-calendário 2025);
  • Clicar em “Consultar Restituição” ou “Extrato da Declaração”.

Nesse ambiente, o contribuinte pode:

  • Verificar se caiu na malha fina;
  • Consultar valores exatos da restituição;
  • Acompanhar o lote de pagamento;
  • Enviar declaração retificadora para corrigir informações, se necessário.

Como a falta de pressa dos produtores brasileiros tem pressionado o mercado global de café

22 de Junho de 2026, 10:12

Os comerciantes de café apostam que a safra recorde do Brasil aliviará a escassez global de oferta, mas os cafeicultores do maior produtor mundial não têm pressa em vender os grãos, o que pressiona o abastecimento nos países consumidores.

A expectativa é de que o Brasil colha um recorde de 75,3 milhões de sacas de café na safra atual, mas os estoques nos armazéns das bolsas americanas e europeias ainda estão no nível mais baixo desde março de 2024. Essa dinâmica tem alimentado a volatilidade no mercado futuro, à medida que as empresas conciliam as expectativas de uma safra recorde, estoques mundiais ainda baixos, e vendas do grão mais lentas do que o esperado.

Os cafeicultores geralmente negociam parte da safra futura para ajudar a cobrir os custos de produção e também para se protegerem de oscilações negativas de preços. Mas eles não precisam vender muito antecipadamente este ano, já que lucraram com as recentes altas do mercado.

Os contratos futuros de arábica vinham subindo constantemente desde meados de 2023 e atingiram, duas vezes, picos históricos acima de US$ 4 por libra no ano passado. Os preços já caíram cerca de 40% em relação a esses patamares, o que é um desincentivo para vender.

“O vento está soprando a favor dos agricultores”, disse Simão Pedro de Lima, diretor-presidente executivo da Expocacer, uma cooperativa do Cerrado Mineiro.  Neste momento, eles “não se sentem pressionados” a começar a comercializar a produção.

Pouco mais de 20% dos grãos de arábica que se espera colher na safra atual tinham sido negociados até 11 de junho, enquanto as vendas de conilon, o robusta brasileiro, estavam em 14%, de acordo com uma pesquisa mensal da Safras & Mercado. Em condições normais, os produtores vendem entre 30% e 40% da nova safra de arábica no início da temporada, disse Lima, referindo-se à variedade que o Brasil mais exporta.

Já as vendas dos novos grãos de conilon no estado do Espírito Santo também estavam abaixo do esperado, em 10%, um terço dos níveis da safra passada e um quarto da média histórica, afirmou Edimilson Calegari, gerente corporativo de comercialização da cooperativa Cooabriel, que compra café de cerca de 10.000 produtores e vende sua produção principalmente no mercado interno.

O conilon é da espécie Coffea canephora, a mesma do robusta, variedade que é principalmente produzida no Vietnam.  

Nos últimos dias, o mercado também começou a reagir às preocupações com os estoques reduzidos nas bolsas e com o fenômeno climático El Niño, que teve início no começo deste ano. O contrato de arábica mais negociado atingiu a maior cotação em cerca de três semanas na última quinta-feira, antes de zerar os ganhos.

Um El Niño forte pode reduzir ou diminuir as chuvas durante o período de floração do café, que para o conilon ocorre tipicamente entre julho e setembro. Pior ainda, também pode afetar as chuvas durante o enchimento dos grãos em novembro, dezembro e janeiro, o que ocorreu entre 2023 e 2024 e causou perdas significativas, disse Calegari.

O padrão climático, além das recentes chuvas intensas no cinturão de arábica do Brasil, têm dado suporte aos preços, afirmou Carlos Mera, chefe de pesquisa de mercado de commodities agrícolas do Rabobank. As janelas de entrega de julho e setembro “provavelmente trarão muita volatilidade” para o mercado futuro, acrescentou.

A relutância dos produtores em fechar negócios, mesmo com a colheita em andamento, “atrasou os fluxos de grandes volumes que o mercado esperava já estar observando a esta altura”, disse Leonardo Rossetti, analista do StoneX Group. E não é só o Brasil, acrescenta.

Agricultores do Vietnã, o maior produtor mundial de robusta, e da Indonésia também têm adiado as vendas em meio à queda dos preços do café. Mas isso representa riscos, já que a chegada da safra recorde brasileira em julho e agosto provavelmente pressionará os preços para baixo, afirmou.

“O café existe… mas talvez demore um pouco mais para navegar”, disse Marcelo Moreira, analista da Archer Consulting, sobre as safras do Brasil e de outros países produtores importantes. “Não há motivo para pânico.”

A batalha da Coca-Cola contra a Receita Federal dos EUA

22 de Junho de 2026, 09:26

A Coca-Cola trava uma batalha corporativa de alto risco, com mais de US$ 20 bilhões em jogo — e o adversário não é a Pepsi nem a Dr Pepper, mas o Internal Revenue Service (IRS), a Receita Federal dos EUA.

O conflito entre a fabricante de bebidas e o fisco americano chega nesta semana a um tribunal federal de apelações em Miami. As questões jurídicas são complexas, mas a pergunta central é simples: a Coca-Cola declara lucros demais no exterior e de menos nos Estados Unidos?

Uma vitória da empresa eliminaria um passivo potencial que pesa sobre suas contas há uma década e daria segurança a multinacionais submetidas a auditorias semelhantes. Isso é especialmente relevante nos setores de tecnologia e farmacêutico, onde empresas podem transferir propriedade intelectual entre países e concentrar ganhos no exterior, beneficiando acionistas e reduzindo a arrecadação do Tesouro dos EUA.

Se perder, porém, a Coca-Cola enfrentará uma conta de impostos atrasados e juros superior ao seu lucro líquido de 2025 — além de um aumento na alíquota efetiva daqui para frente.

O IRS venceu a primeira fase do caso no Tribunal Tributário dos EUA em 2020, uma rara vitória contra grandes corporações e seus grandes escritórios de advocacia. Outra vitória reforçaria a postura do governo em investigar estruturas internacionais de multinacionais.

“Este é um caso-chave porque foi a única vitória 100% do IRS”, disse Reuven Avi-Yonah. Segundo ele, uma derrota do governo seria um golpe significativo na atuação da Receita contra multinacionais.

O processo se arrasta há anos, passando por três CEOs da Coca-Cola e 12 chefes do IRS, atravessando administrações democratas e republicanas. Em 2026, as partes ainda discutem declarações fiscais de 2007 a 2009, com foco em um acordo de 1996 entre Coca-Cola e IRS sobre transações internacionais internas da empresa.

“O IRS provavelmente insiste no caso porque os fatos apontam claramente para evasão fiscal”, afirmou Matt Gardner. “Se não for para combater esse tipo de evasão, quando será?”

Em documentos regulatórios, a Coca-Cola demonstra confiança e diz discordar fortemente do IRS. O diretor financeiro John Murphy afirmou que a empresa administrará seu balanço com cautela antes da decisão.

Três juízes da 11ª Corte de Apelações dos EUA vão julgar o caso em 25 de junho, com defesa da empresa feita por Gregory Garre. A decisão pode levar meses e ainda cabe recurso à Suprema Corte.

Grandes riscos

O impacto potencial de US$ 20 bilhões vem crescendo há anos. Após perder em 2020, a Coca-Cola pagou cerca de US$ 6 bilhões em impostos e juros.

Se vencer agora, recupera esse valor com correção. Se perder totalmente, além dos anos de 2007 a 2009, pode ter de pagar mais US$ 14 bilhões referentes ao período de 2010 a 2025.

Isso incluiria ainda um aumento de 3,8 pontos percentuais na alíquota efetiva já neste ano, o que, segundo a empresa, custaria US$ 450 milhões apenas no primeiro trimestre.

O valor de US$ 14 bilhões supera o caixa da companhia, o que pode levá-la a recorrer a financiamento.

Mesmo assim, analistas não demonstram grande preocupação com o caso. Nas teleconferências mais recentes, o foco esteve em novos sabores, marketing da Copa do Mundo e crescimento na Ásia.

“Isso vai levar a cortes de investimento em marca? Não. Em inovação? Não”, disse Carlos Laboy.

A empresa contabilizou apenas US$ 520 milhões do risco total de US$ 20 bilhões, apostando em vitória.

A disputa sobre lucros no exterior

O ponto central é onde a Coca-Cola gera seus lucros.

Embora produza bens físicos, a tributação depende de onde o lucro é gerado — e isso está ligado aos ativos mais valiosos da companhia.

Na prática, a Coca-Cola é uma empresa baseada em propriedade intelectual. Marcas, receitas e direitos podem ser licenciados entre subsidiárias globais.

Essas transações internas influenciam diretamente os lucros de cada unidade. Como não há comparáveis claros de mercado, disputas com o fisco são frequentes.

Empresas têm incentivo para concentrar lucros em países com baixa tributação — tendência que persistiu mesmo após mudanças na alíquota corporativa dos EUA.

O método da Coca-Cola remonta a um acordo de 1996 com o IRS, conhecido como “10-50-50”. Nele, unidades de produção em países como Brasil, Costa Rica, Irlanda e México ficam com 10% das vendas brutas e 50% do lucro restante.

Um juiz do Tribunal Tributário concluiu que o modelo favorece excessivamente operações estrangeiras.

“O IRS afirma que o acordo de 1996 não se aplica aos anos posteriores e não garante imunidade tributária”, diz o texto.

Já a Coca-Cola argumenta que o IRS mudou sua interpretação e que a estrutura foi aprovada anteriormente pelo próprio governo.

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Rumo anuncia saída de Pedro Palma do cargo de CEO

22 de Junho de 2026, 09:23

A Rumo informou nesta segunda-feira (22) que o executivo Pedro Palma vai deixar o cargo de CEO da empresa de logística, sendo substituído de forma interina por Daniel Rockenbach.

Segundo a companhia, Rockenbach ocupa atualmente a presidência da Malha Sul e atua na empresa há 15 anos. A mudança entra em vigor em 20 de julho de 2026. Não há sinalização se Rockenbach ou outro profissional ficará em definitivo.

A Rumo é a maior operadora logística ferroviária do Brasil, controlada pelo grupo Cosan, do empresário Rubens Ometto. Atua no transporte de grãos, combustíveis e contêineres, com destaque para a exportação agrícola.

Disclaimer: Este texto foi escrito por um agente de inteligência artificial a partir de informações oficiais e de bases de dados confiáveis selecionadas pelo InvestNews. O trabalho foi revisado pela equipe de jornalistas do IN antes de sua publicação.

Conselho da Vale resiste à pressão da Previ por troca no comando do conselho

22 de Junho de 2026, 09:02

Membros do conselho de administração de Vale, a maior produtora mundial de minério de ferro, se posicionaram contra o pedido da Previ, um dos maiores acionistas da empresa, para remover Daniel André Stieler da presidência do colegiado, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Embora a proposta ainda precise ser submetida à votação dos acionistas, a decisão do conselho poderá influenciar as recomendações das empresas de consultoria de voto e dos investidores institucionais que participarão do processo. O mandato do chairman do conselho expira em abril de 2027, caso ele não seja destituído antes desse prazo.

A Previ, que detém uma participação de 7% na Vale, solicitou em 11 de junho a realização de uma assembleia extraordinária para votar a destituição de Stieler, que ocupa o cargo desde abril de 2023. O pedido ocorreu após uma mudança na liderança do maior fundo de pensão do Brasil, responsável pela gestão da aposentadoria dos funcionários do Banco do Brasil.

A maioria dos diretores considerou insuficientes as razões apresentadas pela Previ para a destituição, disseram duas pessoas familiarizadas com o assunto, que pediram para não serem identificadas por se tratar de informação confidencial.

Vale recusou-se a comentar.

A assembleia extraordinária de acionistas está marcada para 22 de julho. A aprovação da proposta de remoção de Stieler abriria caminho para votações separadas para eleger um novo membro do conselho para o restante do mandato, que termina em 2027, e um novo presidente do conselho. Esse cenário desencadearia uma disputa entre os candidatos de Previ e nomes alternativos apoiados pela maioria do conselho atual.

A Previ agora apoia a eleição do conselheiro independente Manuel Lino Oliveira para a presidência do conselho, segundo comunicado. Conhecido como Ollie, ele tem mais de 45 anos de experiência em finanças corporativas e estratégia no setor de mineração, principalmente em empresas como Anglo American Plc e De Beers Consolidated Mines Ltd.

Ao nomerar um candidato externo, em vez de alguém de seus próprios quadros para presidir o conselho da mineradora a Previ afirmou que “reforça seu compromisso com o contínuo aprimoramento da governança corporativa da Companhia e com a geração de valor sustentável no longo prazo.”. Paralelamente, o fundo de pensão também nomeou José Maurício Pereira Coelho, ex-CEO da Previ, que anteriormente havia sido chairman do conselho da Vale de 2019 a 2021, para assumir uma vaga no conselho da empresa.

A maioria do conselho da Vale indicará a ex-executiva da BP Plc. Ieda Gomes Yell para concorrer a uma vaga contra Coelho, disseram as fontes. O atual vice-presidente do conselho da Vale, Marcelo Gasparino, concorrerá como alternativa a Oliveira para ser o novo presidente do conselho da mineradora. O advogado também é membro do conselho da Petrobras. Outros candidatos, além dos indicados pela Previ e pelo conselho da Vale, ainda podem surgir antes da votação.

Stieler presidiu a Previ por dois anos durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele foi eleito para o conselho da Vale em 2021 e posteriormente assumiu a presidência do colegiado da mineradora mesmo após deixar seu cargo na Previ.

No ano passado, o então presidente da Previ, João Fukunaga, deixou o comando do fundo após ser alvo de questionamentos do Tribunal de Contas da União. Ele também deixou o conselho da Vale em fevereiro, o que enfraqueceu o apoio a Stieler dentro do fundo, o jornal O Globo informou em 13 de junho.

Entre os demais grandes acionistas da Vale estão a Mitsui, a Blackrock e a Capital World Investors.

*por Mariana Durão – repórter da Bloomberg

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Danone compra fabricante australiana de iogurtes e bebidas por US$ 1,4 bilhão

22 de Junho de 2026, 08:35

A Danone deu mais um passo para fortalecer seu portfólio de produtos ricos em proteína e ampliar sua presença na Ásia ao adquirir a Made Group, fabricante australiana de bebidas e laticínios, da gestora de private equity TPG Capital.

O negócio pela Made, que comercializa produtos populares de saúde como a água de coco Cocobella e os shakes proteicos Rokeby, foi avaliado em cerca de 2 bilhões de dólares australianos (US$ 1,4 bilhão), segundo reportagem publicada no domingo pelo jornal australiano Financial Review. A Danone não divulgou os detalhes financeiros da operação em comunicado divulgado nesta segunda-feira.

A empresa francesa também anunciou a compra dos 49% restantes de sua joint venture com a Saputo Dairy Australia. Ambas as transações devem ser concluídas no segundo semestre deste ano.

A Danone está entre as poucas grandes companhias do setor alimentício que vêm se beneficiando do forte crescimento da demanda por alimentos mais saudáveis. Fabricante das marcas Activia e Actimel, a empresa vem ampliando rapidamente sua linha de produtos, especialmente os iogurtes ricos em proteína, que registram vendas tão fortes que a companhia tem enfrentado dificuldades para atender à demanda.

Juergen Esser, diretor-geral adjunto da Danone, descreveu a Made como uma “mini Danone”, em referência à combinação de iogurtes ricos em proteína, produtos à base de plantas e bebidas funcionais da companhia australiana.

Segundo Esser, a aquisição dará à Danone uma posição mais forte no Sudeste Asiático, onde atualmente, em muitos países, a empresa comercializa apenas fórmulas infantis e produtos de nutrição médica. Ele destacou o “enorme potencial” da região.

A Danone também pretende acelerar a expansão dos produtos da Made na Austrália e na Nova Zelândia por meio de inovação baseada em pesquisa científica, afirmou Esser. A CEO da Made, Amanda Butler, permanecerá no cargo.

Esser acrescentou que a Danone ainda tem espaço para realizar novas aquisições sem comprometer a solidez de seu balanço financeiro.

No início deste ano, a empresa anunciou um acordo para adquirir a marca britânica de substitutos de refeições Huel, apoiada por celebridades. A transação ainda aguarda aprovação regulatória.

“Sempre permaneceremos muito próximos da nossa missão e propósito, que são saúde, proteínas, saúde intestinal, nutrição e nutrição médica”, disse Esser.

A Made foi criada no início dos anos 2000 por um grupo de amigos que queria oferecer alternativas às bebidas açucaradas. Sua primeira marca, NutrientWater, foi a primeira água enriquecida com vitaminas lançada no país.

A empresa expandiu seus negócios em 2010 com a marca de água de coco Cocobella. Depois vieram a Rokeby Farms, com iogurtes probióticos e smoothies, e mais tarde os sucos prensados a frio da marca Impressed.

A Coca-Cola adquiriu uma participação minoritária na empresa em 2018, mas posteriormente abriu mão da fatia após a TPG Capital comprar 60% da companhia em 2021.

As ações da Danone registravam pouca variação nas negociações em Paris nesta segunda-feira. Os papéis acumulam queda superior a 15% neste ano, acompanhando a desvalorização mais ampla das ações de empresas de bens de consumo.

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ETFs de bitcoin perdem US$ 5,9 bilhões em seis semanas

22 de Junho de 2026, 08:26

Os ETFs (fundos negociados em bolsa) americanos de bitcoin (BTC) registraram a sexta semana consecutiva de saídas líquidas de recursos.

No período, os investidores retiraram US$ 5,94 bilhões desses produtos, segundo dados da plataforma SoSoValue.

Trata-se da mais longa sequência de saídas desde o lançamento dos ETFs de bitcoin à vista nos Estados Unidos, em janeiro de 2024.

Como esses fundos são a principal porta de entrada dos investidores institucionais para o mercado cripto, o movimento é visto como um sinal de maior cautela por parte desse público.

“O crescimento das compras de bitcoin pelos ETFs está prestes a zerar. A demanda por bitcoin segue em retração”, escreveu Julio Moreno, head de research da CryptoQuant.

Pressão sobre o bitcoin

As saídas afetam diretamente o preço da criptomoeda. Quando investidores resgatam recursos dos ETFs, os gestores precisam vender parte dos bitcoins mantidos em carteira para honrar essas retiradas, aumentando a pressão vendedora no mercado.

Por volta das 8h desta segunda-feira (22), o bitcoin era negociado na faixa dos US$ 64 mil, com queda de 0,36% no dia. Nos últimos 30 dias, a maior criptomoeda do mercado acumula perdas de 14%.

As altcoins – termo usado para designar criptomoedas diferentes do bitcoin – operam sem direção única nesta manhã. Enquanto o XRP (XRP) recua, o ethereum (ETH) e a solana (SOL) avançam.

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Não são só os ETFs

Mas os ETFs não explicam tudo. O mercado cripto também vem sendo pressionado pelo cenário macroeconômico nos Estados Unidos.

A manutenção dos juros em níveis elevados e a sinalização de que o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) pode voltar a elevar a taxa reduzem o apetite por risco e afetam ativos como o bitcoin.

“Quem esperava que o Fed aproveitasse o Brent mais baixo para sinalizar cortes saiu decepcionado. O bitcoin sentiu o golpe”, afirma André Franco, CEO da Boost Research.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.

Bitcoin (BTC):  -0,36%, US$ 64.066,74

Ethereum (ETH): -1,55%, US$ 1.750,63

BNB (BNB): +0,88%, US$ 593,90

XRP (XRP): -0,36%, US$ 1,14

Solana (SOL): +0,50%, US$ 73,89

Outros destaques do mercado cripto

BC adia regra para criptos. O Banco Central deu mais tempo para empresas do setor cripto se adaptarem às novas exigências de reporte de operações ligadas ao mercado de câmbio. A obrigação, que começaria a valer em maio deste ano, foi adiada para operações realizadas a partir de 3 de novembro de 2026. As regras envolvem transações internacionais com criptoativos, stablecoins e movimentações entre carteiras autocustodiadas.

Dividendo vira bitcoin. A gestora Franklin Templeton pediu autorização para colocar no mercado americano dois ETFs que usam uma estratégia diferente: em vez de reinvestir os dividendos pagos pelas empresas da carteira em novas ações, os recursos seriam direcionados para bitcoin. Os fundos manteriam exposição majoritária a ações americanas, mas poderiam ampliar gradualmente a participação da cripto.

Cartel no ethereum? Está rolando um debate acalorado na comunidade do ethereum. A pergunta é: será que vale usar parte das recompensas do staking (método de renda passiva) para financiar o desenvolvimento do ecossistema? Defensores argumentam que a medida ajudaria a financiar melhorias de longo prazo, enquanto críticos alertam para riscos de centralização, conflitos de interesse e até a criação de um “cartel” entre validadores.

Home office? Para a Copa do Mundo, até o JPMorgan diz sim

22 de Junho de 2026, 08:25

A Copa do Mundo está oferecendo a alguns trabalhadores de escritório um benefício inesperado: permissão para ficar em casa.

Empregadores nas cidades-sede estão incentivando funcionários a trabalhar remotamente nos dias de jogo para evitar os congestionamentos e atrasos esperados, interrompendo temporariamente o esforço de anos das empresas americanas para trazer as pessoas de volta aos escritórios.

Banqueiros de Wall Street, profissionais de relações públicas, servidores públicos e professores estão entre os trabalhadores que estão se conectando de casa em várias partes do continente. Até mesmo Jamie Dimon, um dos críticos mais duros e vocais do trabalho remoto, está concedendo alguma flexibilidade aos funcionários do JPMorgan Chase nos dias de partida, segundo o Financial Times.

Agências federais também estão adotando medidas mais flexíveis. Cidades como Nova York, Seattle, Los Angeles, Toronto e Cidade do México alertaram para congestionamentos severos à medida que dezenas de milhares de torcedores lotam estradas e sistemas de transporte público para assistir aos jogos.

Por mais que alguns CEOs queiram decretar o fim do trabalho remoto, ele simplesmente não desaparece. Os trabalhadores americanos passam mais de um quarto dos dias de trabalho remunerados em casa, segundo uma pesquisa mensal realizada por economistas da ITAM Business School e da Universidade Stanford. A pandemia pode não ter provocado uma revolução definitiva do home office, mas preparou trabalhadores e empresas para adotá-lo quando necessário.

“Evitar o trânsito da Copa do Mundo é um caso de uso perfeito para o trabalho remoto”, disse Emma Harrington, economista da Universidade da Virgínia que estuda o tema. “Ficar preso em congestionamentos não é uma boa utilização do tempo de ninguém.”

A S&P Global informou aos funcionários de sua sede em Nova York que planejem trabalhar de casa nos cinco dias úteis em que haverá partidas no estádio NYNJ, em East Rutherford, Nova Jersey, de acordo com um memorando obtido pela Bloomberg. A empresa está suspendendo temporariamente a exigência de dois dias presenciais por semana “para ajudá-lo a evitar um deslocamento difícil”, afirmou em um e-mail aos funcionários.

Instituições financeiras de Wall Street, incluindo o Goldman Sachs, também estão flexibilizando temporariamente suas políticas de presença, informou o Financial Times. A S&P Global recusou comentar; Goldman Sachs e JPMorgan não responderam aos pedidos de comentário.

O Departamento de Transporte da Cidade de Nova York afirmou esperar “congestionamento severo” nos dias de jogo. A cidade está fechando várias ruas na região central de Manhattan para criar corredores exclusivos para ônibus que transportarão torcedores até o estádio.

Nem todos os empregadores disseram aos funcionários para ficarem em casa. A Amazon enviou e-mails orientando os trabalhadores a saírem de casa mais cedo nos dias de partida para chegar ao escritório no horário e destacou opções de transporte para evitar congestionamentos.

Megaeventos esportivos são conhecidos por complicar deslocamentos e atrapalhar a rotina de trabalho. Londres adotou três semanas de trabalho remoto durante os Jogos Olímpicos de 2012. Mas o impacto da Copa do Mundo provavelmente será mais limitado porque as partidas estão distribuídas por 16 cidades, incluindo Boston, Dallas, Houston, Miami e Vancouver, disse Nicholas Bloom, economista de Stanford especializado em trabalho remoto e deslocamentos. Além disso, nenhuma cidade receberá mais de nove partidas.

“Isso é muito parecido com eventos climáticos — tempestades de neve, tempestades ou tornados” que podem exigir trabalho remoto, disse Bloom.

A agência de comunicação Talk Shop Media suspendeu temporariamente sua política de três dias presenciais por semana em seus escritórios de Toronto, Vancouver e Los Angeles, todas cidades-sede da Copa do Mundo.

“Para Los Angeles, isso é um bom ensaio para as próximas Olimpíadas”, afirmou a cofundadora da agência, Katie Dunsworth-Reiach.

Na Cidade do México, a presidente Claudia Sheinbaum anunciou medidas especiais antes da partida de abertura da Copa do Mundo, em 11 de junho, incluindo a adoção obrigatória do trabalho remoto para servidores federais e a suspensão das aulas na capital naquele dia, enquanto as autoridades se preparavam para os congestionamentos provocados pelos eventos ligados ao torneio e por protestos programados.

O governo mexicano também determinou trabalho remoto para servidores públicos em 17 e 24 de junho na Cidade do México e em 18 de junho em Guadalajara, onde partidas serão realizadas, além de recomendar que empregadores privados adotem medidas semelhantes. As escolas públicas também tiveram aulas suspensas nesses dias.

As medidas foram adotadas em meio a manifestações de grupos como o sindicato dos professores CNT e coletivos que representam famílias de pessoas desaparecidas, que afetaram a mobilidade na cidade. Alguns desses grupos afirmaram que continuarão realizando marchas antes dos próximos jogos.

Outras cidades-sede tomaram medidas semelhantes. Guadalajara recomendou ensino remoto e trabalho em casa nos dias de partidas. Já Monterrey evitou grandes transtornos até o momento e não anunciou restrições comparáveis, embora a associação industrial Caintra tenha informado que 53% de seus membros estão promovendo temporariamente o home office para funções administrativas.

Ainda assim, muitos trabalhadores da linha de frente em setores como hospitalidade, saúde e manufatura não têm escolha a não ser continuar se deslocando para o trabalho. Apenas metade dos trabalhadores americanos ocupa cargos que podem ser desempenhados remotamente, segundo pesquisas da Gallup.

Teneshia Murray, proprietária da rede de restaurantes T’s Brunch Bar, inspirada na culinária do sul dos Estados Unidos e sediada em Atlanta, começou a contratar funcionários extras em abril para manter suas quatro unidades abertas duas horas além do horário habitual nos dias de jogo. Murray disse que ela e sua equipe se prepararam para ver seus deslocamentos triplicarem quando Atlanta recebeu a primeira de oito partidas na semana passada.

Mas, com tantos profissionais de escritório trabalhando de casa, as estradas estavam surpreendentemente livres.

“Surpreendentemente, não havia trânsito”, disse Murray. “Todo mundo estava preocupado, e no fim não aconteceu nada. Na segunda-feira, as estradas estavam mais livres do que nunca.”

Tokens baratos? O modelo de negócios por trás da IA pode estar mudando

22 de Junho de 2026, 07:44

No episódio de “IA: Modo de Usar“, Pedro Burgos analisa a economia por trás das ferramentas de inteligência artificial. Descubra por que o mercado de tecnologia está abandonando os planos ilimitados para adotar a cobrança por uso, semelhante à conta de luz. Assista ao vídeo completo para entender como aproveitar os tokens baratos e acelerar seus projetos agora.

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Energia barata coloca Brasil na corrida dos data centers

22 de Junho de 2026, 06:38

A corrida por data centers está cada vez mais acirrada, e as big techs enxergam no Brasil um potencial enorme para garantir energia mais barata. Assista ao vídeo acima e confira o primeiro capítulo da nossa série especial: Camila Alves Barros explica como o Brasil, com sua fartura de energia limpa e R$ 80 bilhões em projetos, virou o porto seguro dos servidores mundiais.

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A mulher que rompeu o domínio da China sobre as terras raras

22 de Junho de 2026, 06:12

Quando Amanda Lacaze assumiu o cargo de CEO da mineradora australiana de terras raras Lynas, em 2014, poucos no setor acreditavam que ela teria sucesso.

Seu antecessor havia permanecido apenas 14 meses no cargo. As ações da empresa tinham despencado mais de 90% nos anos anteriores. A experiência de Lacaze era em marketing, não em mineração.

E, de alguma forma, ela precisava desafiar o domínio quase absoluto da China sobre as terras raras — uma tarefa estrategicamente importante, mas comercialmente ingrata.

Lacaze lembra de ter dito ao marido que, se não conseguisse recuperar a empresa, provavelmente nunca mais trabalharia.

“Na Austrália, somos menos tolerantes com o fracasso”, afirmou.

Ela conseguiu reverter a situação. Após 12 anos à frente da empresa, Lacaze, de 66 anos, deixará a companhia no fim de junho, depois de transformá-la em uma potência ocidental do setor de terras raras.

Em março, a Lynas anunciou um acordo preliminar para vender terras raras ao Pentágono, incluindo as escassas terras raras pesadas, que Pequim utilizou ao longo do último ano como instrumento de pressão sobre a indústria global.

O valor das ações da companhia é hoje cerca de 15 vezes maior do que quando ela assumiu o comando. A receita alcançou aproximadamente US$ 470 milhões nos nove meses encerrados em março, um aumento de 70% em relação ao mesmo período do ano anterior.

“Existe um motivo pelo qual não somos muito populares na China”, disse Lacaze após uma visita recente às instalações em expansão da empresa na Malásia, onde são processados os minerais extraídos da mina da companhia na Austrália.

Apesar da trégua comercial entre Estados Unidos e China, o acesso às terras raras dominadas pelos chineses continua sendo uma questão urgente para empresas em todo o mundo.

Os ímãs produzidos com esses minerais são componentes essenciais para as indústrias de eletrônicos, automóveis e defesa. A demanda cresce rapidamente com a expansão dos veículos elétricos, drones e outras tecnologias avançadas.

O cenário desencadeou uma espécie de corrida do ouro das terras raras, com governos ao redor do mundo investindo recursos em novas minas, unidades de processamento e fábricas de ímãs para reduzir a dependência da China.

Um relatório divulgado neste mês pelo Conselho Empresarial EUA-China concluiu que as restrições chinesas às exportações tornaram algumas terras raras praticamente impossíveis de obter. Quase metade das empresas consultadas afirmou estar procurando fornecedores viáveis fora da China, mas ainda não encontrou alternativas.

A Lynas tornou-se uma válvula de escape crucial. Junto com a americana MP Materials, é uma das poucas empresas alinhadas ao Ocidente capazes de separar elementos de terras raras em escala industrial — uma das razões pelas quais a China processa cerca de 90% desses minerais no mundo, e não 100%.

Quando Lacaze assumiu o cargo em 2014, a empresa tinha um grande trunfo: sua mina Mount Weld, localizada em um antigo vulcão erodido no oeste da Austrália, com uma concentração excepcionalmente alta de terras raras.

As ações da Lynas haviam disparado em 2010, quando restrições chinesas às exportações desses minerais obrigaram o resto do mundo a buscar fornecedores alternativos.

Mas a China retomou as exportações em larga escala poucos anos depois e os preços despencaram. A Molycorp, que pretendia ser a campeã americana das terras raras, declarou falência em 2015.

Muitos acreditavam que a Lynas seria a próxima.

Sua unidade de processamento em Kuantan, na Malásia, enfrentava dificuldades para separar quimicamente os diferentes elementos de terras raras.

“Tínhamos ativos que não funcionavam. Não estávamos gerando caixa”, disse Lacaze. “Senti que eles precisavam de alguém para lutar por eles. Para tentar de verdade.”

Ela cortou cargos em uma estrutura executiva inchada — herança do breve período em que a empresa figurou entre as 100 maiores da bolsa australiana — e fechou escritórios em Sydney e em outras localidades.

Em 2014, ela e a equipe executiva reduzida mudaram-se para Kuantan.

As dívidas pressionavam e Lacaze precisava reconquistar a confiança dos credores, que se sentiam enganados sobre a real situação da empresa.

Ela recorda viagens com orçamento apertado, incluindo uma estadia em um pequeno quarto do Holiday Inn Express, em Hong Kong, onde ficava um dos credores. O espaço era tão apertado que ela mal conseguia abrir a mala.

Lacaze escreveu uma carta a um credor apoiado pelo governo japonês, a Japan Australia Rare Earths, avisando que estaria em Tóquio. Apostou que a tradicional cortesia japonesa garantiria uma reunião.

O momento era decisivo: se os japoneses não aceitassem adiar os vencimentos da dívida, a Lynas seria esmagada.

No encontro, os representantes aceitaram, em linhas gerais, sua proposta de reestruturação. Foi um avanço fundamental que deu fôlego financeiro à companhia.

Os japoneses tinham motivos para serem flexíveis. Precisavam de uma fonte alternativa de terras raras para evitar que a China pudesse colocar suas indústrias eletrônica e automobilística em situação de dependência.

Enquanto negociava com os credores, a equipe de produção resolvia os problemas da fábrica na Malásia.

Cinco meses após assumir o cargo, Lacaze anunciou que 99% da produção de terras raras já atendia aos padrões de qualidade, contra apenas 48% pouco tempo antes.

“A Lynas veio para ficar”, declarou.

Ela atribui sua determinação à infância simples em Brisbane, na Austrália, onde era a quarta de cinco irmãos e precisava disputar comida com três irmãos mais velhos.

Após concluir uma pós-graduação em marketing na Australian Graduate School of Management, ocupou cargos de liderança em empresas australianas de telecomunicações, incluindo a Telstra.

Quando ingressou na Lynas, era novata no setor de terras raras, mas tinha confiança para fazer perguntas básicas.

“Eu sabia que não era burra e sabia que as pessoas perceberiam isso”, afirmou.

A partir de 2018, sucessivos governos da Malásia ameaçaram restringir as operações da Lynas devido a preocupações ambientais.

Lacaze afirma que a empresa sempre cumpriu integralmente as regulamentações e acabou autorizada a continuar operando.

Como plano de contingência, também construiu uma instalação paralela na Austrália para realizar uma etapa ambientalmente sensível do processamento, conhecida como “cracking and leaching”, concluída em 2024.

A persistência da empresa fez com que, em 2025, quando a China restringiu fortemente as exportações globais de determinadas terras raras e ímãs em resposta às medidas comerciais dos Estados Unidos, a Lynas estivesse pronta para ajudar a preencher a lacuna de oferta.

Desde então, a companhia captou cerca de US$ 600 milhões junto a investidores para expandir a produção e anunciou uma parceria com a Noveon, fabricante de ímãs de terras raras sediada no Texas.

Nem todos os projetos, porém, deram certo.

Em 2023, a Lynas anunciou um contrato de US$ 258 milhões com o Pentágono para construir uma unidade de processamento de terras raras no Texas. Após anos de negociações, a empresa abandonou o projeto em 2025.

Segundo Lacaze, a fábrica dificilmente alcançaria a mesma eficiência de custos das operações na Malásia.

Em vez disso, a rival MP Materials está construindo uma instalação de separação de terras raras pesadas na Califórnia com apoio do governo americano, cuja operação deve começar ainda este ano.

Para Lacaze, muitos governos abordam o problema da maneira errada.

Na sua avaliação, os recursos que países aliados do Ocidente estão investindo em novas plantas de terras raras seriam melhor empregados subsidiando clientes para escolher fabricantes ocidentais de ímãs em vez dos concorrentes chineses.

Caso contrário, há o risco de que os novos fornecedores ocidentais continuem sendo pressionados pelos preços mais baixos das empresas chinesas.

Após deixar a Lynas, Lacaze assumirá a liderança do Conselho de Minerais da Austrália, associação que representa o setor.

O comunicado da empresa sobre sua saída afirmou que ela estava se aposentando, mas ela não gosta desse termo.

“Acho que seria errado dizer que estou realmente me aposentando. Isso seria loucura”, disse.

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‘Carro voador’ da Embraer está mais próximo, mas não deve reduzir o preço do táxi aéreo

22 de Junho de 2026, 06:00

Quer ir da Faria Lima até o Aeroporto de Guarulhos de helicóptero? Beleza. A opção mais em conta custa R$ 2.750 – por cabeça, num serviço de táxi aéreo que junta vários clientes a cada voo.

Se você não encontrar vaga nessa modalidade, dá pra alugar uma aeronave inteira só para o trajeto, tipo um Uber aéreo. Só que aí o preço é bem “dinâmico”, para usar o eufemismo do transporte por aplicativo. Tem por R$ 25 mil, R$ 35 mil, R$ 60 mil… A estratosfera é o limite: num helicóptero grande, para 12 pessoas, chega a R$ 200 mil.

É justamente por isso que surgiram os projetos de eVTOL. Existe demanda para voos curtos no mundo todo, especialmente as rotas ligando o centro financeiro – Faria Lima em São Paulo, sul de Manhattan em NY, City, em Londres – até o aeroporto internacional da cidade. Mas hoje essa possibilidade cabe em poucos bolsos, lógico.

Aí que entram os eVTOLs, os veículos elétricos de pouso e decolagem vertical, na sigla em inglês. Eles ganharam o apelido de “carros voadores”, mas seria mais preciso usar “helicóptero elétrico”, ou “drone de passageiros”. Aqui, vamos de “eVTOL” mesmo.

Protótipo do eVTOL da Embraer: 59 voos desde dezembro do ano passado. Foto: Divulgação

Bom, baterias não são amigas de máquinas voadoras. Elas pesam demais. Os eVTOLs, então, carregam baterias pequenas, não muito maiores que as de um carro elétrico. A autonomia é baixa – normalmente, menos de 100 km. Mas tudo bem, porque a ideia ali é massificar, na medida do possível, os voos urbanos; mais curtos do que isso.

A vantagem sobre os helicópteros não está no preço. O custo por unidade gira em torno de US$ 5 milhões, mesmo patamar de um helicóptero. O ganho está no preço da hora de voo. O custo do “combustível” no voo elétrico cai 90% – já que elétrons são mais baratos que querosene de aviação. A manutenção também tende a ser mais em conta. Motores elétricos têm menos peças. São menos coisas para quebrar. Juntando tudo, você tem uma operação mais barata, o que abre espaço para tickets menos escorchantes.

Mas talvez não seja tão simples – é o que vamos ver nesta reportagem.

O drone com asas

Já faz tempo que se fala em eVTOLs. A Embraer começou a desenhar a dela em 2017. E em 2020 fundou a EVE, uma subsidiária dedicada a criar um eVTOL. Mas só agora eles começam a sair do PowerPoint e entrar no mundo real. Na China, já existe um modelo certificado na ANAC deles – ou seja, apto a fazer voos comerciais. No resto do mundo, há um punhado de protótipos em estágio avançado de teste. O da Embraer é um deles.

Ou seja: a pergunta não é mais “se” os eVTOLs vão virar realidade. É “quando”. Mas está demorando mais do que esperavam. A Embraer planejava a certificação da ANAC e da FAA, sua par americana, para 2026. Passou para 2027. Agora a programação é para 2028.

Mas a demora faz sentido. O modelo chinês já certificado é o EH 216-S, feito pela eHang, uma empresa com capital aberto na Nasdaq. Mas ele está para o modelo da EVE e de outras concorrentes como uma moto está para um carro. Só dois assentos, e sem piloto; ele voa por controle remoto. E a autonomia é baixa: 35 km – pouco para uma operação viável de táxi aéreo.

Tanto que a operação comercial dele consiste em voos panorâmicos de 10 minutos; R$ 200 o ticket – em áreas controladas nas cidades chinesas de Guangzhou e Hefei.

eVTOL
eHang EH 126-S: só voos panorâmicos em áreas controladas. Foto: Divulgação

A saída para aumentar a autonomia de um eVTOL é a que a Embraer, e outros fabricantes, decidiram: fazer um drone gigante, mas com asas, que ajudem a sustentar o bicho na hora de voar na horizontal, impulsionado por uma hélice na traseira.

Desse jeito, os rotores de cima não precisam funcionar em capacidade máxima o tempo todo – como acontece com o EH 216-S, que funciona como um drone comum. O trabalho das asas economiza energia – algo essencial quando a bateria tem de ser pequena.

E essa economia abre portas para uma aeronave mais funcional. A da EVE vai levar quatro passageiros mais piloto – fundamental para que a operação não tenha restrições. E a autonomia planejada é de 85 km.

Isso permite passar o dia fazendo voos de mais ou menos 25 km (como o Faria Lima – GRU, de 12 minutos), abastecendo no estilo splash and go: para um pouquinho, carrega um pouquinho. E mais 25 km.

“É um minuto de voo, um minuto de carga. Você voa 12 minutos, então são 12 minutos que você precisa para recarregar a bateria”, disse Johann Bordais, CEO da EVE, numa coletiva recente. “Encaixa direitinho na meta que temos para o turnaround [o tempo em solo, durante a saída de um grupo de passageiros e a entrada de outro].”

Eve: companhia da Embraer fez mais voo teste do eVTOL (Foto: Divulgação)
Protótipo do eVtol da EVE: hélice traseira e asas são a chave para levar mais passageiros. Foto: Divulgação

Só que esse tipo de voo, sustentado parcialmente por asas na fase de cruzeiro, é mais complexo. O protótipo da EVE fez 59 voos de teste desde o final do ano passado. Não foram voos completos, só exercícios de decolagem e pouso, com a máquina pairando no ar, a até 65 metros de altitude. A próxima etapa é a da “transição”, como dizem no jargão técnico, para o voo horizontal – quando a hélice de cauda entra em ação, empurrando a aeronave para a frente em busca da sustentação pelas asas, estilo avião.

Mas tem um problema: nesse momento, os rotores continuam criando vento para baixo, e isso atrapalha o tráfego do ar que passa pelas asas. Os engenheiros, então, precisam fazer a sintonia fina perfeita – entender qual é o nível ideal de rotação das hélices para que a aeronave entre em voo horizontal de forma segura.

Não é trivial. Mas essa nem é a parte mais difícil do processo todo. “O desafio que temos não é certificar o veículo em si. É garantir que o ecossistema esteja pronto”, diz Johann.

Tomada: o grande gargalo

“Ecossistema” é basicamente a estrutura de recarga. Um carro elétrico você carrega à noite e anda 300 km. Um eVTOL precisa de recargas constantes. Isso não seria problema, não fosse um detalhe: para concorrer com helicópteros, os aviões precisam sair de helipontos no meio das áreas nobres das cidades, e esses ficam no topo de prédios.

O carregador ideal para esse tipo de aeronave precisa ter uma potência entre 300 kW e 400 kW. Não é nada de outro planeta: os carregadores de última geração da BYD chegam a 1.500 kW.

O problema é colocar no topo de um prédio. Um carregador de 350 kW pesa 2,5 toneladas entre o totem de carregamento e os “gabinetes de potência”, que convertem a corrente alternada (AC) do sistema elétrico na corrente contínua (DC) que alimenta as baterias.

E não é todo prédio que tem a parte elétrica robusta o bastante para aguentar um carregador de 350 kWh – essa potência pode equivaler a 20% do que o edifício consome num momento de pico. Nesse caso, o prédio pode precisar de uma subestação de energia nova no subsolo, dedicada a suprir o carregador; mais o cabeamento todo para levar os elétrons até a laje. Não sai barato.

Por essas, empresas que planejam fazer táxi aéreo com eVTOLs já pensam em atalhos. “Para o topo dos edifícios, o que estudamos são soluções de carga mais simples [de potência mais baixa]”, diz João Welsh, CEO da Revo.

A Revo é a empresa do táxi aéreo de R$ 2.750 para Guarulhos – a modalidade mais em conta hoje. Ela começou essa operação com helicópteros justamente para testar um futuro com eVTOLs – a empresa já encomendou 50 com a Embraer, por US$ 250 milhões.

A ideia de ecossistema da Revo é usar bases aéreas, como o Campo de Marte, como a “casa” das aeronaves. É nelas que vai acontecer em alta potência. Para os helipontos, só uma recarga mais leve. Quando essas recargas não bastarem mais, o eVTOL volta à base terrestre para o seu “intervalo de hidratação”, vamos dizer assim.

Um sistema assim converge com o que o mercado oferece hoje. A Beta Technologies, dos EUA, desenvolve um eVTOL e também faz carregadores para suprir o ecossistema da coisa. E ela já oferece um grande, de 350 kW, e um “mini”, do tamanho de um caixote, de 65 kW. A ideia é justamente usar o menor em bases com menos infraestrutura elétrica.

Só que ainda assim custa caro. E isso depõe contra a ideia de voos mais baratos num horizonte vislumbrado. “No momento inicial [dos voos de eVTOL] não vemos o preço mudar muito”, diz João Welsh. “Já estamos testando um preço que achamos razoável [os R$ 2.750 para GRU], e achamos que ele faz sentido para a introdução de uma tecnologia nova.”

É isso: não existe almoço grátis, quanto mais infraestrutura de recarga para aeronaves elétricas grátis. Mas também é aquilo: no final dos anos 1970, uma passagem de ida e volta para a Europa, de econômica, custava entre R$ 30 mil e R$ 40 mil em dinheiro de 2026. Hoje, R$ 5 mil resolvem.

Assim caminha a humanidade. E assim tem voado a humanidade.

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EUA e Irã mantêm negociações na Suíça mesmo após declarações de Trump ameaçarem acordo

21 de Junho de 2026, 16:21

Os Estados Unidos e o Irã deram início neste domingo (21) as negociações na Suíça para tentar fechar um acordo de paz sobre o programa nuclear iraniano e garantir a reabertura permanente do Estreito de Ormuz. As conversações chegaram a ficar ameaçadas após o presidente americano Donald Trump ter voltado a ameaçar com novos ataques, caso o Hezbollah não cesse suas ofensivas contra Israel no Líbano.

O início das tratativas foi marcado por confusão: a mídia iraniana chegou a noticiar que Teerã havia suspendido as negociações após a mais recente ameaça de Trump. Porém outras fontes a par do assunto garantiram que as conversas continuam.

As primeiras reuniões de alto nível reuniram representantes dos EUA, Irã, Catar e Paquistão no resort suíço de Bürgenstock. Entre os presentes estavam o vice-presidente americano JD Vance e o chanceler iraniano Abbas Araghchi.

Já com as reuniões em curso, Trump publicou em suas redes sociais que atacaria o Irã novamente caso o país não “cessasse imediatamente suas PROXIES bem pagas no Líbano de causar problemas”, em menção ao Hezbollah. Depois, em entrevista à Fox News, o presidente afirmou ter dito diretamente às lideranças iranianas que, se fecharem Ormuz, “vocês nem vão conseguir voltar” ao Irã.

Negociação longa pela frente

Vance foi cuidadoso ao calibrar as expectativas. “O que hoje representa é o início de uma negociação técnica que não vai resolver todos os desacordos”, disse o vice-presidente a jornalistas, ao lado dos mediadores do Catar e do Paquistão. Os negociadores globais de Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff, já vinham conduzindo conversas técnicas preparatórias.

Segundo fonte familiarizada com as discussões, que pediu anonimato por se tratar de informações sensíveis, uma resolução para o conflito no Líbano será determinante para o sucesso das negociações — o que, na prática, faz o desfecho depender também do aval de Israel, país que não participou dos entendimentos que levaram ao acordo interino.

Entre os temas prioritários estão o Estreito de Ormuz, as sanções americanas e a devolução de ativos iranianos congelados no exterior. As conversações em formato quadripartite tiveram início às 14h45 (horário local) e se estenderam pela noite de domingo.

Ormuz no centro das tensões

No sábado, Teerã acusou Israel de violar o cessar-fogo no Líbano e anunciou que fecharia novamente o Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo e gás negociado no mundo. Apesar do anúncio, os dados de rastreamento de navios mostraram que milhões de barris continuaram a fluir normalmente pelo canal.

O Comando Central dos EUA informou que o tráfego de embarcações comerciais aumentou no sábado, com 55 navios mercantes em trânsito transportando mais de 17 milhões de barris de petróleo. O secretário de Energia, Chris Wright, afirmou que os EUA seguem escoltando navios e “demonstrando que conseguem cruzar o estreito com ou sem” o consentimento iraniano.

Pelo memorando de entendimento assinado por Trump na quarta-feira, as partes têm 60 dias para negociar — com possibilidade de prorrogação. O acordo já levou Washington a suspender o bloqueio naval aos portos iranianos e a prometer flexibilização das sanções sobre o petróleo do país. Em contrapartida, o Irã se comprometeu a reabrir Ormuz, embora tenha avisado que passará a exigir autorização prévia e seguro obrigatório para o trânsito de navios — condição rejeitada pelos EUA, Europa e países árabes do Golfo.

Israel complica o cenário

Israel, parceiro dos EUA na guerra contra o Irã iniciada em 28 de fevereiro, trava simultaneamente uma campanha contra o Hezbollah no Líbano — conflito que já matou milhares de pessoas e deslocou mais de 1 milhão de libaneses. Teerã insiste em vincular essa frente às negociações mais amplas com Washington.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, foi taxativo: “Não há e não haverá nenhuma restrição aos soldados das FDI no Líbano para agir contra ameaças”, afirmou, reiterando que Israel não retirará suas tropas da chamada Linha Amarela.

Trump já demonstrou frustração com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu por ataques anteriores que, na sua avaliação, arriscam comprometer as negociações com o Irã. Vance tentou equilibrar o discurso: “Israel tem o direito de se defender. Mas, fundamentalmente, os israelenses, assim como todos os demais, precisam respeitar este processo de paz, que é bom para eles e para toda a região.”

Ao final do dia, Vance se mostrou otimista: “As partes já fizeram grande progresso nas últimas horas. Espero que avanços adicionais sejam feitos nas próximas.”

Irã suspende negociações com os EUA após Trump ameaçar novos ataques

21 de Junho de 2026, 13:59

O Irã interrompeu as negociações com os Estados Unidos depois que o presidente Donald Trump ameaçou realizar novos ataques ao país em razão das ações do Hezbollah no Líbano. A informação foi divulgada pela agência de notícias semioficial iraniana Fars.

Segundo a Fars, as conversas realizadas na Suíça estão em situação de incerteza, de acordo com fonte anônima. Outra agência semioficial iraniana, a Tasnim, informou que a delegação iraniana deixou o local das negociações, em território suíço.

No início deste domingo, enquanto as reuniões ainda estavam em andamento, Trump publicou nas redes sociais que voltaria a atacar o Irã caso o país não “interrompesse imediatamente seus PROXIES no Líbano de causar problemas”.

O presidente americano também ameaçou que os EUA poderiam passar a cobrar pedágios pelo estreito de Ormuz caso não haja acordo. Em entrevista à Fox News neste domingo, Trump afirmou ter dito diretamente às lideranças iranianas que, se fecharem Ormuz, “vocês nem vão conseguir voltar” ao Irã — usando um palavrão.

As primeiras reuniões de alto nível entre representantes dos EUA, Irã, Catar e Paquistão haviam começado neste domingo na estância suíça de Bürgenstock, com a presença do vice-presidente americano JD Vance e do ministro das Relações Exteriores iraniano Abbas Araghchi.

Segundo um oficial familiarizado com as discussões, que pediu anonimato por tratar de informações sensíveis, uma resolução para o conflito no Líbano será decisiva para o êxito das negociações entre EUA e Irã na Suíça.

A guerra no país vizinho se tornou o principal obstáculo das conversações, ao lado de outros temas como o Estreito de Ormuz, as sanções americanas e os ativos iranianos congelados.

As conversas quadripartites haviam começado às 14h45 no horário local e deveriam continuar ao longo da noite de domingo. Os suíços mantêm o local disponível até a manhã de segunda-feira, permitindo que as negociações se estendam até então, se necessário.

Israel, aliado de Washington na guerra contra o Irã iniciada em 28 de fevereiro, conduz uma campanha paralela contra o Hezbollah no Líbano.

O Irã tem insistido consistentemente em vincular o conflito libanês — que já matou milhares de pessoas e deslocou mais de 1 milhão de libaneses — às negociações mais amplas com os americanos.

Israel afirma que manterá tropas em suas fronteiras até ter certeza de que o Hezbollah, classificado como organização terrorista pelos EUA, não representa mais uma ameaça.

As forças de defesa de Israel informaram que suas operações recentes têm como alvo uma rede de bunkers subterrâneos onde combatentes do Hezbollah estariam se abrigando.

Enxurrada de dinheiro que flui para a IA acende um sinal de alerta para investidores

21 de Junho de 2026, 13:44

O que você faz se os investidores inflam o preço das suas ações sob a premissa de que você será o grande vencedor na corrida da inteligência artificial, mas o seu produto atual não caiu no gosto do público? Elon Musk tem a resposta: use suas ações supervalorizadas para comprar outra empresa de IA.

A aquisição da Cursor pela SpaceX por US$ 60 bilhões — uma transação feita integralmente em ações — coloca Musk no tabuleiro da IA corporativa de uma forma que o seu chatbot, o Grok, nunca conseguiu. A Cursor é a assistente de programação que popularizou o conceito de “vibe-coding”.

Mas esse movimento também faz parte de uma enxurrada de emissões de ações que deveria acender um sinal vermelho piscante, mesmo para aqueles que costumam dar de ombros para os valuations esticados.

As empresas sempre têm escolhas sobre como financiar seus investimentos em capital (Capex) e suas aquisições. Elas podem emitir dívida (bônus/debentures) ou emitir ações (equity) — ou uma mistura de ambos. Se as taxas de juros estão baixas, tomar dívida é barato.

Da mesma forma, se o “valuation” (valor da empresa que o mercado está disposto a antecipar, baseado na estimativa de potencial de crescimento) das ações está nas alturas, emitir mais papéis sai “barato” para a companhia.

Apenas empresas em desespero por caixa vendem ações quando suas avaliações estão baixas, já que isso dilui os acionistas atuais e destrói o preço do papel.

O lendário investidor Benjamin Graham comparava o “Sr. Mercado” a um maníaco-depressivo que oferece preços diários aos investidores — às vezes altos demais (hora de vender), às vezes baixos demais (hora de comprar). O Sr. Mercado também dá às empresas a oportunidade de comprar de nós, investidores, ou vender para nós.

E quando elas emitem ações, elas estão escolhendo vender.

No plano individual, vender ações pode fazer todo o sentido. Equilibrar o nível de endividamento e capital próprio ajuda a mitigar o risco perceptível de um investimento ou aquisição.

O “equity” (ações) é ótimo para apostas arriscadas porque, ao contrário da dívida, você não precisa pagar de volta. Essa combinação alimenta o Custo Médio Ponderado de Capital (WACC) da empresa, a métrica que define se um determinado investimento vale a pena ou não.

No entanto, quando damos um passo atrás e olhamos o cenário macro, o sinal é outro: quando as empresas se tornam vendedoras em massa de suas próprias ações, é um sinal razoável de que a bolsa está excessivamente cara.

A demanda indiscriminada dos investidores incentiva as companhias a aumentarem a oferta, seja por meio de ofertas subsequentes (follow-ons) — como a recente emissão recorde da Alphabet (Google) — ou de ofertas públicas iniciais (IPOs).

Exemplos da história recente deixam isso bem claro.

O espelho do passado

Durante a bolha da internet (pontocom) e a mania das SPACs no pós-pandemia, vimos ondas de IPOs e follow-ons à medida que os valores das empresas subiam. Houve também um boom de fusões e aquisições (M&A) nos EUA, que só agora foi superado em valor financeiro nos últimos quatro trimestres.

Naquela época, as empresas financiaram esses negócios com ações: dois terços do valor dos M&As na bolha da internet e 45% no biênio 2020-2021 foram pagos com novos papéis — os dois maiores patamares em um período móvel de quatro trimestres na base de dados da LSEG, que começou em 1990.

Os megasnegócios estão florescendo novamente: grandes IPOs decolaram com a SpaceX, e as empresas estão optando por emitir ações — usando papéis para financiar quase metade dos custos no trimestre atual, segundo a LSEG. (No acumulado de quatro trimestres, a fatia ainda é de um terço). A sede do investidor por ações está sendo saciada, em parte, pela criação de novos papéis do nada.

O outro lado da moeda mostra que, quando a dívida é barata demais, os problemas podem ser ainda mais graves. O valor dos negócios antes da crise financeira de 2008 atingiu o pico de US$ 910 bilhões no ano encerrado em setembro de 2007, pouco antes de os acionistas perceberem que a economia global estava construída sobre castelos de areia.

Apenas 19% daquilo foi financiado com ações, porque o crédito — turbinado por infinitos produtos estruturados — estava barato demais. A bolha estava no mercado de crédito, não no de ações, embora o colapso dos bancos e a recessão profunda tenham castigado as bolsas com força extrema logo depois.

As decisões de financiamento corporativo são, de certa forma, termômetros melhores para medir o quão caro o mercado está do que os indicadores tradicionais de valuation. Métricas padrão comparam o preço da ação com fundamentos — como o lucro passado ou projetado (que está voando), o valor patrimonial, o fluxo de caixa livre (que está despencando) ou as vendas.

Esses indicadores podem ser enganosos, frequentemente divergem entre si e, em sua maioria, têm um histórico histórico curto.

Pior ainda: a linha de base do que é considerado “caro” muda com o tempo, conforme a estrutura das empresas ou as regras contábeis evoluem. No caso do valor patrimonial, hoje ele exige tantos ajustes que se tornou virtualmente inútil.

Vejamos um exemplo: o múltiplo Preço/Lucro (P/L) projetado do S&P 500 está atualmente um pouco abaixo de 20 vezes. É bem menos do que as 23 vezes atingidas em 2020 e no ano passado, e abaixo do recorde de 24,5 vezes na bolha das pontocom.

Ainda é um patamar muito alto, mas caiu porque Wall Street espera um “boom” nos lucros — especialmente nas ações de chips de computadores (semicondutores), que são altamente cíclicas e onde as margens de lucro recordes no curto prazo dificilmente servem como um bom guia para o futuro distante.

O veredito do caixa

Olhar para o volume de dívida ou ações que as empresas emitem também tem seus pontos cegos. A decisão entre captar via ações ou títulos de dívida nos diz mais sobre como as empresas enxergam a avaliação relativa de ações versus títulos do que sobre o valuation absoluto do mercado.

A situação fica realmente preocupante, pelo menos na minha visão, quando há uma enxurrada de captação de recursos — seja em dívida, ações ou ambos. Se muitas empresas estão levantando montanhas de dinheiro para correr atrás da mesma oportunidade — neste caso, a IA —, existem três caminhos possíveis:

  • O cenário otimista (bull case): A oportunidade é tão gigantesca que pode absorver todo esse caixa e ainda entregar lucros gordos.
  • O cenário pessimista (bear case): A oportunidade é real, mas gastar tanto dinheiro vai destruir valor, já que a concorrência feroz vai esmagar as margens de lucro.
  • O cenário deprimente (e provável): As empresas estão captando e gastando tanto dinheiro simplesmente porque os acionistas estão aplaudindo de pé, e as promessas em torno da IA estão bizarramente infladas.

O perigo real é que tudo termine como a bolha da internet. Lá atrás, assim como agora, as empresas competiam para gastar o máximo que podiam, o mais rápido possível, e o ritmo de queima de caixa era visto como algo positivo — até que o mercado acordou e percebeu que o dinheiro dos acionistas tinha virado fumaça.

Sai guerra, chega risco climático: ‘Super El Niño’ entra no radar dos investidores

21 de Junho de 2026, 11:27

À medida que os temores em relação à guerra no Irã começam a arrefecer e os preços do petróleo recuam para perto dos níveis de antes do conflito, os investidores de ações enfrentam uma nova ameaça: o risco climático. O cenário está forçando uma revisão global de estratégias em diversos setores, que vão da agricultura ao mercado de seguros.

A alta probabilidade de ocorrência de um “Super El Niño” na virada para 2027 ameaça elevar as temperaturas em várias partes do planeta. O fenômeno deve impulsionar a demanda por energia, prejudicar a produtividade das lavouras e reacender as pressões inflacionárias.

Essa combinação tende a complicar a vida dos bancos centrais, representando um risco para as bolsas globais, que operam perto de máximas históricas. Uma alta de preços de alimentos e energia, por exemplo, vai afetar as perspectivas para os juros em grandes mercados.

Se grandes BCs como o Federal Reserve, dos EUA, e o Banco Central Europeu (BCE) tiverem de lidar com novos choques de preços, o efeito de políticas monetárias mais duras pode levar ao fortalecimento do dólar e do euro e, ao mesmo tempo, um enfraquecimento de divisas de mercados emergentes.

Juros mais elevados em moedas fortes também costumam inibir os fluxos de recursos internacionais para os mercados vistos como mais arriscados, como o brasileiro.

Evento favorável à soja brasileira

O fenômeno representa um grande risco devido ao desequilíbrio de padrões climáticos que causa, por exemplo, secas no Norte e excesso de chuvas no Sul do Brasil. Mas também traz algumas oportunidades ao agronegócio nacional.

O ‘Super El Niño’ pode favorecer a oferta global de soja, com as perdas na Ásia e África, mas com ganhos de produtividade em grandes produtores como Brasil, Estados Unidos e Argentina, segundo estudo de padrões anteriores do fenômeno feito pelo Itaú BBA.

O levantamento projeta nova produção recorde de soja para o Brasil, estimada em 182,4 milhões de toneladas no ciclo 2026/27. “Em anos de El Niño, a tendência média para o Brasil é neutra a ligeiramente positiva, e isso manteria o balanço global relativamente equilibrado”, afirma o Itaú BBA. 

O El Niño pode, portanto, impactar positivamente algumas ações de companhias brasileiras, como a produtora de açúcar e etanol São Martinho e das companhias ligadas ao ciclo da soja SLC Agrícola e Boa Safra.

As companhias do setor de energia, como Axia, Copel, Eneva, Taesa e Equatorial devem manter a atratividade, com perspectiva de distribuição robusta de dividendos. É um grupo de empresas com perfil mais defensivo em meio a ocorrência do evento climático.

Por outro lado, o excesso de chuvas e a ocorrência de secas severas pode afetar custos e a logística de companhias do setor de mineração, como a Vale, CSN e Usiminas. Como os efeitos e riscos são imprevisíveis, os papéis das empresas podem apresentar maior volatilidade.

Chuvas torrenciais e secas severas

“O El Niño chega em um momento especialmente sensível”, avalia Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank. “A economia global ainda está se ajustando aos impactos inflacionários do conflito no Irã, e as cadeias de suprimentos continuam vulneráveis após meses de interrupções.”

O El Niño é um padrão climático caracterizado pelo aquecimento contínuo das águas superficiais do Oceano Pacífico. Alterações na pressão atmosférica decorrentes desse aquecimento provocam chuvas torrenciais em algumas regiões e secas severas em outras. De acordo com o Centro de Previsão Climática dos EUA, há 63% de chance de o fenômeno evoluir para um evento de forte intensidade — o chamado “Super El Niño” — até 2027.

Os reflexos já são visíveis em várias partes do mundo, provocando desde o atraso no início do período chuvoso na Índia até a suspensão temporária da temporada de pesca no Peru.

A última vez que o planeta enfrentou um El Niño dessa magnitude, entre 2015 e 2016, o prejuízo em produtividade superou os US$ 7,8 trilhões, segundo estudo da Universidade de Dartmouth.

Veja como o fenômeno afeta os principais setores monitorados de perto pelos investidores:

Agricultura sob pressão

Os produtores agrícolas devem ser os mais afetados pelo El Niño, embora o impacto varie dependendo da região e da commodity. Na Indonésia, maior produtor mundial de óleo de palma, o clima mais quente e seco costuma reduzir a produtividade, nublando as projeções de lucro das empresas do setor e pressionando as ações locais — que já sofrem com incertezas sobre a classificação de mercado do país e a centralização dos embarques de commodities.

A produção global de milho e trigo também pode ser prejudicada, aponta o UBS Group AG, assim como a de açúcar na Ásia. Por outro lado, a alta dos preços do açúcar podem beneficiar empresas da América Latina, como a brasileira São Martinho e a argentina Adecoagro, segundo o Morgan Stanley.

O El Niño também costuma favorecer a safra mundial de soja, beneficiando especialmente os grandes produtores nos EUA e no Sul do Brasil, apontam analistas do UBS.

No front de investimentos, empresas voltadas para irrigação e gestão hídrica despontam como oportunidade diante da seca. Companhias indianas como VA Tech Wabag, Jain Irrigation Systems, Astral e Shakti Pumps India podem registrar ganhos.

Sebastian Bray, analista do setor químico do banco Berenberg, destaca ainda os produtores de óleo de peixe. Com os preços do produto atingindo recordes no Peru nos últimos dois meses, a tendência favorece indústrias que produzem óleos baseados em algas e ricos em Ômega-3, como a europeia Corbion NV.

Fertilizantes são beneficiados

As fabricantes de fertilizantes podem figurar entre as maiores beneficiadas se o El Niño reduzir a oferta global de grãos, o que impulsionaria a demanda por nutrientes essenciais como nitrogênio, fósforo e potássio.

“Considerando todas as variáveis, para operar o cenário de um Super El Niño, buscaríamos maximizar a exposição a empresas focadas em nitrogênio, que possuem ciclo curto e forte reação a preços”, escreveu Ben Isaacson, analista da Scotia Capital. Ações de fertilizantes nitrogenados, como a CF Industries Holdings e a Nutrien, despontam como favoritas.

Apesar disso, a seca provocada pelo fenômeno já começou a desacelerar a demanda por potássio, alerta Andrew Wong, analista da RBC Capital Markets. Em um cenário de agravamento da estiagem, companhias muito expostas ao potássio, como a The Mosaic Co., podem ser prejudicadas.

Já os fornecedores de insumos agrícolas podem registrar aumento nas vendas, à medida que os produtores buscam mitigar as perdas climáticas. Isso tende a sustentar os papéis de gigantes de proteção de cultivos, como a americana Corteva.

“A produtividade menor pode forçar os agricultores a investir mais em tecnologia (sementes) e até mesmo em defensivos químicos para proteger a receita da safra”, destacou o analista Arun Viswanathan, da RBC Capital Markets.

EUA e Irã se reúnem na Suíça e iniciam negociações de paz

21 de Junho de 2026, 09:36

Os Estados Unidos e o Irã deram início a negociações para um acordo de paz permanente. O objetivo é resolver o impasse em torno do programa nuclear da República Islâmica e garantir a reabertura definitiva do Estreito de Ormuz.

O Catar, que atua como mediador nas conversas, confirmou em uma publicação no X (antigo Twitter) neste domingo (21) que a primeira reunião de alto escalão entre representantes americanos, iranianos, catarianos e paquistaneses já começou no complexo de Bürgenstock, na Suíça.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, desembarcou em solo suíço nas primeiras horas de domingo. Embora o suado acordo preliminar assinado na semana passada tenha sinalizado o fim das hostilidades, o encontro atual deve ser apenas o ponto de partida para um longo e complexo embate diplomático, que terá a capacidade nuclear do Irã como um dos temas centrais.

Segundo a mídia estatal iraniana, esta rodada de discussões terá a duração de um dia. A agência de notícias Mehr, citando um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, informou que a comitiva de Teerã se reunirá primeiro com autoridades do Catar e do Paquistão. O encontro direto entre os delegados americanos e iranianos, com a presença dos mediadores, está previsto para o período da tarde.

As tensões são elevadas. Os combates recentes entre Israel — que não faz parte do acordo provisório — e o Hezbollah (grupo militante libanês financiado pelo Irã) ameaçam descarrilar os esforços diplomáticos.

Um correspondente da emissora estatal iraniana IRIB News, em transmissão ao vivo direto da Suíça, afirmou que um dos tópicos centrais das discussões será o primeiro artigo do acordo preliminar, que prevê o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano.

No sábado, Teerã acusou Israel de violar o cessar-fogo no Líbano e anunciou que o Estreito de Ormuz — rota marítima vital para o abastecimento global de petróleo — seria fechado novamente. Ainda não está claro, no entanto, se o Irã de fato chegou a bloquear a via.

Pelos termos do memorando de entendimento assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na última quarta-feira, Washington e Teerã têm um prazo de 60 dias para negociar, embora o pacto preveja a possibilidade de prorrogação.

“Só poderei ficar por um ou dois dias”, disse Vance aos jornalistas antes de deixar Washington. “Espero que consigamos avançar na questão nuclear e no cessar-fogo no Líbano.”

A delegação iraniana conta com figuras de peso, incluindo o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e o presidente do Banco Central, Abdolnaser Hemmati, segundo a IRIB News.

Vance explicou que a meta imediata é estabelecer “a estrutura real da negociação”, dando continuidade às discussões técnicas lideradas na Suíça por Jared Kushner e Steve Witkoff, os dois negociadores globais de Trump.

O fator Ormuz e o mercado de petróleo

Embora as ameaças do Irã sobre o Estreito de Ormuz tenham pairado como uma sombra sobre a cúpula, o impacto real no tráfego de navios ainda é incerto. Mesmo antes do cessar-fogo recente, milhões de barris de petróleo continuavam circulando diariamente pela região de forma discreta.

Dados de rastreamento de navios compilados pela Bloomberg indicam que três superpetroleiros ligados à Índia, totalmente carregados, reapareceram no Golfo de Omã neste domingo, após sinalizarem na sexta-feira a intenção de cruzar o estreito.

As embarcações transportam juntas quase 6 milhões de barris de petróleo do Iraque e do Kuwait. O deslocamento em direção à ilha de Qeshm sugere que os navios podem ter utilizado uma rota autorizada por Teerã.

O Comando Central dos EUA informou que o tráfego de navios comerciais no estreito aumentou no sábado, com a passagem de 55 embarcações mercantes e mais de 17 milhões de barris de petróleo.

O front paralelo no Líbano

Israel, aliado de Washington na guerra contra o Irã iniciada em 28 de fevereiro, mantém um conflito paralelo contra o Hezbollah no vizinho Líbano. O governo iraniano tem tentado vincular a guerra no território libanês — que já deixou milhares de mortos e mais de 1 milhão de desalojados — às negociações mais amplas com os EUA.

Teerã atribui aos EUA “responsabilidade direta” pela situação no Líbano e pelas ações militares israelenses, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, à agência de notícias IRNA.

Por outro lado, Israel insiste que manterá suas tropas na fronteira até ter garantias de que o Hezbollah (classificado como organização terrorista pelos EUA) não represente mais uma ameaça. As Forças de Defesa de Israel (FDI) afirmaram que suas operações recentes miram uma rede de bunkers subterrâneos usada como abrigo pelos combatentes do grupo.

O presidente Donald Trump já manifestou frustração com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por conta de ataques anteriores, sugerindo que tais ações colocavam em risco as conversas entre EUA e Irã.

“Israel tem o direito de se defender”, disse Vance na quinta-feira. “Mas, fundamentalmente, os israelenses, assim como todos os outros, precisam respeitar este processo de paz, que é essencialmente benéfico para eles e para toda a região.”

O memorando de entendimento entre EUA e Irã levou Washington a suspender o bloqueio naval aos portos iranianos e a prometer a isenção de sanções que barravam a venda do petróleo bruto do país. Em contrapartida, o Irã prometeu reabrir Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás do mundo.

Teerã, contudo, alertou que exigirá autorização prévia e seguros obrigatórios para que os navios façam a travessia. Os EUA, a Europa e as monarquias do Golfo rechaçaram a imposição de taxas por parte do Irã.

Na sexta-feira, Trump afirmou que ambos os lados têm tempo para costurar um acordo definitivo, mas não deixou de enviar um aviso velado a Teerã: “Caso contrário, faremos coisas que não vão deixá-los felizes. Mas não acho que chegaremos a esse ponto. Acho que o resultado será muito positivo”.

No Azzas, venda da Farm ganha força e disputa entre Birman e Jatahy entra em nova fase

19 de Junho de 2026, 19:02

O Azzas 2154 contratou o banco Morgan Stanley para avaliar alternativas para a Farm Rio, a marca mais rentável do maior grupo de moda da América Latina — um movimento que abre caminho para uma possível venda. Além da Farm, a companhia é dona de marcas como Arezzo, Reserva e Hering.

O anúncio saiu junto com uma reorganização na disputa entre os sócios controladores, Alexandre Birman e Roberto Jatahy. São os primeiros encaminhamentos concretos depois do momento mais agudo da crise societária.

Em fato relevante divulgado nesta sexta-feira (19), o Azzas disse que a contratação do Morgan Stanley busca avaliar alternativas para “destravar valor” da Farm Rio. O comunicado foi divulgado em resposta ao portal Neofeed, que afirmou que a marca de moda está à venda e que a pedida inicial seria de US$ 1 bilhão, acima inclusive do atual market cap de todo o grupo.

Mas, de acordo com o Azzas, não há “qualquer decisão tomada, operação aprovada, estrutura definida, proposta formal” ou instrumento vinculante até o momento.

Por que a Farm?

A Farm Rio é o ativo que carrega as maiores ambições internacionais do conglomerado, com expansão de lojas fora do Brasil. A marca integra a divisão de vestuário feminino, herdada do Grupo Soma, braço ligado a Jatahy na fusão. Colocá-la sob revisão é mexer na peça mais sólida do negócio.

Duas pessoas posando em frente a fundo floral; uma usa suéter "Farm Rio" e a outra veste jaqueta com estampas azuis e verdes.
Peças da coleção Outono/Inverno 2024 da Farm Rio. Foto: Divulgação

Os números ajudam a explicar por quê. A divisão de vestuário feminino é a maior do grupo em receita — R$ 1,3 bilhão no primeiro trimestre de 2026 — e foi a única das quatro unidades de negócio a crescer no período, com alta de 4,5%.

A própria Farm vinha de um ritmo forte: avançou cerca de 40% no primeiro trimestre de 2025, segundo o Itaú BBA, base de comparação que pesou sobre a desaceleração recente.

Seria natural, portanto, que uma retomada de valor do Azzas, que vem de forte desvalorização desde os primeiros sinais de fissura entre Birman e Jatahy, viria da empresa que hoje é a joia da coroa do conglomerado de moda.

Além da venda, especula-se também uma abertura de capital (IPO) da Farm em uma das bolsas dos Estados Unidos.

Birman unifica arbitragem

Além de sinalizar que está disposto a negóciar um de seus principais ativos, Birman, que hoje é o maior acionista do Azzas além de ser o CEO, pediu o encerramento da arbitragem que ele próprio havia aberto, em 14 de maio, sobre supostas violações do sócio Roberto Jatahy no acordo de acionistas.

Em vez de tocar dois processos em paralelo, Birman transferiu seus pedidos para a arbitragem aberta por Jatahy um dia depois, em 15 de maio — agora na forma de pedidos contrapostos.

O processo de Jatahy questiona a legalidade de atos de reorganização interna adotados por Birman na condição de diretor-presidente. A resposta de Birman foi protocolada em 1º de junho.

Em 17 de junho, o Azzas pediu para ingressar na arbitragem como terceira interessada. Com isso, toda a disputa passa a tramitar em um único processo, com a companhia dentro dele.

Embora a temperatura tenha baixado, não há trégua no horizonte.

No fim de maio, Jatahy havia obtido na 7ª Vara Empresarial do Rio uma liminar que manteve a estrutura organizacional vigente até 22 de abril e o preservou como Chief Brand Officer e responsável interino pelas unidades de vestuário feminino e masculino. Um recurso de Birman para suspender a decisão foi negado, e a liminar segue de pé.

O estopim na Reserva

Segundo pessoas próximas, a crise escalou quando Birman passou a se fazer mais presente na Reserva, marca de moda masculina que estava sob o comando de Ruy Kameyama, executivo ligado a Jatahy.

Kameyama pediu demissão, e a Reserva foi transferida para David Python, de confiança de Birman. Para o grupo de Jatahy, a mudança colocava em risco sinergias já mapeadas e incorporadas ao orçamento de 2026.

Por trás do atrito está um choque de modelos de gestão. Jatahy construiu o Soma dando autonomia a cada marca; Birman dirigiu a Arezzo num estilo mais centralizado. Desde a fusão, concluída em agosto de 2024, mais de 30 diretores não executivos deixaram a companhia, segundo pessoas que acompanharam o grupo.

A conta nos resultados

No primeiro trimestre de 2026, a receita líquida caiu 8% na comparação anual, puxada pela unidade que reúne a Hering, com recuo de 18,5%. As ações acumulam queda de cerca de 60% em 12 meses.

A análise sobre o destino da Farm Rio pode não agradar a todo mercado. “Apesar de destravar valor para a ação, entendemos que uma potencial venda integral da marca pressionaria o desempenho consolidado do grupo e suas estratégias globais, dado que a marca é uma das principais alavancas de acesso ao mercado internacional”, escreveu o time de analistas da Ativa, casa independente. “Somos cautelosos quanto ao potencial destrave de valor de longo prazo.”

Pessoas próximas aos dois lados ouvidas pelo InvestNews afirmam que uma resolução entre Birman e Jatahy para seguir na sociedade é inviável, e a cisão do negócio não está descartada. Mas há alternativas em estudo. Uma delas seria a listagem da Farm, o que passa agora a ser avaliado pelo time do Morgan Stanley.

De qualquer maneira, o caminho não é simples. O acordo de acionistas prevê trava de dez anos para a venda das ações do bloco de controle, o que torna qualquer separação cara e demorada.

Os estudos sobre o futuro da Farm são o primeiro sinal de que os sócios buscam transformar esse impasse em dinheiro.

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Azzas 2154 contrata Morgan Stanley para avaliar alternativas para a Farm Rio

19 de Junho de 2026, 17:28

O Azzas 2154 informou nesta sexta-feira (19) que contratou o banco Morgan Stanley para assessorar a avaliação de alternativas estratégicas envolvendo os ativos relacionados à marca Farm Rio, com o objetivo de destravar valor da marca.

O comunicado da empresa de moda foi divulgado após o portal Neofeed publicar a contratação do banco para avaliar uma venda da Farm Rio, em um negócio que poderia girar em torno dos US$ 1 bilhão.

Mas, segundo a companhia, a contratação do Morgan Stanley segue práticas usuais de mercado e faz parte de “uma avaliação contínua de alternativas relacionadas à sua estrutura societária, organizacional e operacional”. A empresa ressalta que, até o momento, não há qualquer decisão tomada.

O Azzas 2154 é a holding criada a partir da fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, que reúne 34 marcas de moda e varejo com mais de 2 mil lojas no Brasil. É o maior grupo de moda da América Latina.

Disclaimer: Este texto foi escrito por um agente de inteligência artificial a partir de informações oficiais e de bases de dados confiáveis selecionadas pelo InvestNews. O trabalho foi revisado pela equipe de jornalistas do IN antes de sua publicação.

Preço do ouro na taça da Copa dispara 1.268% desde o penta do Brasil

19 de Junho de 2026, 15:55

A última vez que o Brasil levantou a taça da Copa do Mundo, em 2002, o ouro vivia outro momento de mercado. Durante o mundial sediado no Japão e na Coreia do Sul, a onça-troy do metal era negociada a US$ 314,40 (R$ 1.617,34).

Em 2026, a commodity encerrou o pregão desta quinta-feira (18) cotada a US$ 4.206,80 (R$ 21.640,62), uma alta de 1.238,04% entre o último título do Brasil e a nova participação da seleção na busca pelo hexa.

O troféu não vale apenas pelo metal: ele carrega história, design, disputa esportiva e o peso simbólico de ser entregue ao campeão do mundo. Mas, se o recorte considerar apenas a valorização do ouro presente em sua composição, o salto desde sua primeira aparição, na Copa de 1974, é expressivo.

O design do escultor italiano Silvio Gazzaniga é feito em ouro 18 quilates e pesa 6,175 quilos, sendo 75% da composição formada pelo metal, o equivalente a 4,631 quilos do total da taça. O troféu ainda conta com duas faixas verdes de malaquita na base, 36,8 centímetros de altura e 13 centímetros de diâmetro.

Se fosse fabricado nos dias de hoje, o custo estimado do ouro usado na taça da Copa do Mundo seria de US$ 626.268,20 (R$ 3.221.985,00). O valor é muito superior aos US$ 22.933,40 (R$ 117.987,70) estimados para sua estreia, durante a Copa de 1974.

Quanto vale a taça da Copa do Mundo?

Para estimar o valor da taça da Copa do Mundo, é preciso entender como o ouro é negociado nos mercados internacionais. A referência utilizada é a onça-troy, medida internacional para metais preciosos.

Convertendo a medida para o peso de ouro da taça, o metal presente no troféu equivale a 148,92 onças-troy. Com isso, o ouro utilizado na taça teria valor estimado em US$ 626.268,20 (R$ 3.221.985,00).

Em 2002, ano do quinto título mundial da seleção brasileira, o ouro custava US$ 314,40 (R$ 1.617,34) por onça-troy. Considerando a mesma quantidade presente no troféu, o ouro da taça equivalia a cerca de US$ 46.820,70 (R$ 240.883,10).

Considerando a série corrigida pela inflação do dólar, o ganho real do ouro desde o pentacampeonato do Brasil — ou seja, acima da inflação acumulada no período — foi de cerca de 619%.

Mesmo com o ajuste pela inflação, a diferença continua expressiva. O valor corrigido da onça-troy de 2002 seria de US$ 585,02 (R$ 3.009,46), ainda distante dos US$ 4.206,80 (R$ 21.640,62) utilizados como referência em 2026.

chart visualization

Como o preço do ouro evoluiu desde o penta?

A comparação entre as Copas mostra que o preço do ouro quase dobrou de 2002 para 2006, com alta de 99,14%. O movimento ocorreu após o pentacampeonato do Brasil, conquistado com vitória por 2 a 0 sobre a Alemanha, em Yokohama.

Entre o título brasileiro de 2002 e a Copa de 2006, na Alemanha, o ouro passou por um período de retomada como ativo financeiro. O movimento foi impulsionado pelo aumento da demanda por investimentos, pela fraqueza do dólar e pelas tensões geopolíticas no pós-11 de Setembro.

A partir de 2003, a criação dos primeiros ETFs de ouro também ampliou o acesso dos investidores ao metal, reforçando a demanda financeira ao longo do período.

Após a Copa de 2006, marcada pela final entre Itália e França, o avanço do ouro até a edição de 2010 foi de 91,45%. A decisão daquele Mundial terminou empatada em 1 a 1 e, na prorrogação, o clima mudou quando Zinédine Zidane foi expulso após dar uma cabeçada no italiano Marco Materazzi.

No intervalo entre aquele título italiano e a Copa de 2010, na África do Sul, a commodity foi impulsionada pela crise financeira global de 2008, pela busca por proteção e pela mudança de postura dos bancos centrais, que voltaram a ser compradores líquidos de ouro.

O ritmo perdeu força entre 2010 e 2014, quando a alta do ouro foi de 9,01%. Em 2010, a Espanha conquistou sua primeira Copa do Mundo ao vencer a Holanda por 1 a 0, em uma decisão definida apenas na prorrogação.

O lance decisivo veio aos 116 minutos, quando Andrés Iniesta recebeu passe de Cesc Fàbregas e marcou o gol do título espanhol.

LEIA MAIS: Modelo do Goldman aponta Espanha como favorita na Copa, com 26% de chance. Brasil fica com 8%

Ouro passa por fraqueza até a Copa da Rússia

No intervalo entre a conquista da Espanha e a Copa de 2014, o ouro se manteve em um patamar elevado, mas o mercado passou por um ajuste após os extremos registrados em 2013. O período foi marcado por menor demanda por barras e moedas, saídas de ETFs, fortalecimento do dólar e expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos.

De 2014 para 2018, houve queda de 6,08% no preço do ouro. A Copa de 2014, disputada no Brasil, terminou com o tetracampeonato da Alemanha no Maracanã, após vitória por 1 a 0 sobre a Argentina.

A final permaneceu sem gols até a prorrogação. Aos 113 minutos, Mario Götze dominou cruzamento de André Schürrle e finalizou de primeira para marcar o gol que deu o título aos alemães.

No ciclo seguinte, até a Copa da Rússia, o principal fator por trás da fraqueza do ouro foi a combinação entre melhora da economia norte-americana, fortalecimento do dólar e expectativa de juros mais elevados. Com isso, o apelo do ouro como ativo de proteção diminuiu e reduziu a demanda por investimentos.

França conquista o bicampeonato e ouro volta a avançar

Em 2018, a França conquistou seu segundo título mundial ao vencer a Croácia por 4 a 2. A decisão ficou encaminhada no segundo tempo, quando Paul Pogba marcou o terceiro gol francês, aos 59 minutos, e Kylian Mbappé fez o quarto, aos 65, tornando-se apenas o segundo adolescente a marcar em uma final de Copa do Mundo, depois de Pelé.

Entre 2018 e 2022, o ouro avançou 45,93%. Segundo o World Gold Council (WGC), 2022 foi um ano de “forças conflitantes” para a commodity. O metal registrou pequeno ganho no ano, apesar da alta dos juros reais dos Estados Unidos e do fortalecimento do dólar, fatores normalmente desfavoráveis ao ouro.

A resiliência naquele ano veio do investimento de varejo, da inflação, das tensões geopolíticas e das compras excepcionais de bancos centrais.

A demanda anual por ouro subiu 18%, para 4.741 toneladas. A demanda por investimento chegou a 1.107 toneladas, enquanto barras e moedas somaram 1.217 toneladas, o maior nível em nove anos.

LEIA MAIS: Copa do Mundo vai adicionar US$ 41 bilhões à economia global

Busca por ouro aumenta após a Copa do Catar

A Copa de 2022 terminou com o tricampeonato da Argentina, após empate por 3 a 3 contra a França e vitória por 4 a 2 nos pênaltis. Já no ano seguinte, a alta passou a aparecer de forma mais clara no preço do ouro.

O metal encerrou 2023 cotado a US$ 2.078,40 (R$ 10.691,70) por onça-troy, recorde de fechamento anual, com retorno de 15%. O preço médio anual foi de US$ 1.940,54 (R$ 9.982,53) por onça, também um recorde e 8% acima de 2022.

Segundo o WGC, esse movimento refletiu compras intensas de bancos centrais, demanda resiliente por joias e negociações diretas sem a necessidade de intermediários, mesmo com saídas de ETFs.

Em 2024, a demanda total por ouro chegou a 4.974 toneladas, um novo recorde anual, impulsionada principalmente por bancos centrais e investidores.

Já entre 2022 e 2026, o salto chegou a 134,89%, o maior avanço entre Copas. Nesse intervalo, a alta ganhou força principalmente em 2025, quando o preço médio anual ficou em US$ 3.431,50 (R$ 17.652,32) por onça, alta de 44% sobre 2024. O ouro também registrou 53 novas máximas históricas ao longo de 2025.

A commodity começou o ano em um patamar elevado, disparou em janeiro até a máxima histórica de US$ 5.405 (R$ 27.804,40) por onça, mas perdeu força nos meses seguintes.

Na abertura da Copa, em 11 de junho, o metal estava abaixo do nível registrado no início do ano, pressionado pela realização de lucros, pela melhora do apetite por risco, por saídas pontuais de ETFs e pela expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos.

Saiba Mais sobre Copa do Mundo 2026

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Estes são os principais CEOs dos EUA. Eles souberam aproveitar o momento — da pizza à tecnologia

19 de Junho de 2026, 15:25

Se o retorno das ações fosse a única medida da excelência de um CEO, estaríamos distribuindo prêmios este ano como brindes em feiras de negócios. Cerca de 37 empresas do S&P 500 dobraram o dinheiro dos acionistas nos últimos 12 meses. Outras 51 entregaram ganhos de pelo menos 50%.

Mas não é tão simples.

Um boom histórico na construção de data centers impulsionou fabricantes de chips, memória e infraestrutura digital. A questão é: quais empresas demonstraram mais habilidade em aproveitar o momento atual enquanto se preparavam para o futuro? Esse foi um dos principais critérios na seleção dos 25 nomes da lista anual dos melhores CEOs.

Houve outros fatores também.

As tarifas comerciais forçaram mudanças nas cadeias de suprimentos. A disparada do petróleo pressionou os orçamentos familiares, mas ampliou oportunidades para petroleiras. As ameaças cibernéticas cresceram. Os juros elevados favoreceram instituições financeiras ágeis. No setor farmacêutico, a pressão do governo por preços menores coincidiu com a revolução dos medicamentos contra a obesidade. No varejo, as empresas precisaram equilibrar a força do consumo de alta renda com a retração nas faixas mais baixas.

E há também um fator menos econômico: a vitória do New York Knicks. Seu principal nome entrou na lista — e não apenas porque o time conquistou seu primeiro título da NBA em 53 anos.

O processo de seleção não é um exercício de escolha de ações, embora preços elevados dos papéis sejam um sinal de trabalho bem executado. As empresas comandadas pelos vencedores do ano passado ficaram ligeiramente abaixo do mercado nos últimos 12 meses, mas continuam à frente quando o horizonte é de três anos.

Bons gestores fazem diferença.

A ideia é analisar quais estratégias funcionam para ajudar investidores a tomar melhores decisões no futuro.

A elite dos chips

A lista começa onde está a ação: os semicondutores.

Jensen Huang, da Nvidia, acelerou o ritmo de lançamento de produtos para manter a liderança no mercado de processadores para inteligência artificial. A empresa caminha para registrar um dos maiores lucros corporativos da história.

Para as gigantes da IA que preferem chips personalizados em vez de componentes genéricos, Hock Tan, da Broadcom, lidera o mercado em expansão dos ASICs (circuitos integrados de aplicação específica).

Os retornos acumulados das ações impressionam: cerca de 68.000% para a Nvidia sob Huang e 34.000% para a Broadcom sob Tan em duas décadas.

Já Lisa Su, que assumiu a AMD em 2014, ultrapassou a Intel em participação nos data centers. As ações da empresa avançaram aproximadamente 10.000% em dez anos.

Todos esses chips precisam estar conectados. E é aí que entra a Corning.

Wendell Weeks reinventou os produtos da companhia e ampliou significativamente a capacidade de fibras ópticas.

“Reinventamos todo o nosso portfólio. Hoje conseguimos oferecer cerca de quatro vezes mais fibra e conectividade no mesmo espaço”, afirmou.

Os vencedores da infraestrutura

Vinte e cinco anos após os famosos comerciais da Dell, Michael Dell agora vende plataformas completas de IA para empresas.

Sanjay Mehrotra, da Micron Technology, tem superado concorrentes para atender à demanda explosiva por memória de alto desempenho.

Nos últimos três anos, as ações da Corning subiram quase 400%, as da Dell Technologies avançaram cerca de 700% e as da Micron acumularam alta de 1.400%.

Mineração, energia e aviação

No setor de mineração, James Litinsky, da MP Materials, está ajudando os EUA a reduzir a dependência da China na produção de ímãs de terras raras.

Na energia, Darren Woods, da Exxon Mobil, ampliou a produção de forma eficiente e levou as ações da companhia a níveis recordes.

Já Larry Culp, da GE Aerospace, trabalhou junto aos fornecedores para aumentar a produção e destravar a fabricação de motores aeronáuticos altamente demandados.

Uma companhia aérea para investidores

Na Delta Air Lines, Ed Bastian criou um modelo raro no setor: uma companhia aérea vista como investimento de longo prazo.

“As pessoas decidiram que este produto — pelo menos o da Delta — deixou de ser uma commodity”, disse à Barron’s.

Mesmo com a alta do combustível de aviação, a geração de caixa segue forte. Em três anos, as ações da Delta dobraram o capital dos investidores, superando o mercado em 22 pontos percentuais.

Na FedEx, Raj Subramaniam integrou operações aéreas e terrestres, separou o negócio de cargas e entregou retornos expressivos.

Varejo: luxo e pizza

No varejo, Joanne Crevoiserat, da Tapestry (dona das marcas Coach e Kate Spade), implementou a estratégia Amplify, baseada em redes sociais, submarcas e novas categorias de produtos.

Darren Rebelez transformou a Casey’s General Stores de uma rede de postos de gasolina em uma das maiores redes de pizzarias dos EUA — atualmente a quinta maior do país.

Ambas acumularam retornos próximos de 300% em três anos.

A TJX, dona de redes como TJ Maxx e Marshalls, também brilhou sob o comando de Ernie Herrman, atraindo consumidores de renda mais alta em busca de descontos.

Bancos em transformação

No setor financeiro, Jamie Dimon, do JPMorgan Chase, reforçou equipes de ciência de dados para automatizar processos de gestão de risco e administração de ativos.

David Solomon, do Goldman Sachs, abandonou a aposta no banco de varejo e passou a focar no financiamento de empresas de inteligência artificial.

O Citigroup vive uma reestruturação liderada por Jane Fraser, que reduziu burocracias e diminuiu a presença em operações internacionais de varejo para focar em serviços institucionais mais rentáveis.

Na seguradora Chubb, Evan Greenberg substituiu cortes de pessoal por investimentos em aprendizado de máquina para aprimorar a subscrição de seguros, inclusive para data centers.

A corrida da inteligência artificial

Tim Cook, da Apple, manteve o crescimento dos negócios de hardware e serviços e ganhou tempo para a Siri ao firmar parceria com a OpenAI. Ele deixará o cargo em setembro, passando o comando para John Ternus.

Na Amazon, Andy Jassy reacelerou o crescimento da computação em nuvem impulsionada pela IA.

Sundar Pichai transformou a Alphabet de uma empresa centrada em buscas para uma potência comercial da inteligência artificial.

Satya Nadella, da Microsoft, reposicionou a estratégia da companhia, focando menos em chatbots e mais em automação integrada aos fluxos de trabalho corporativos.

Já George Kurtz, da CrowdStrike, recuperou a reputação da empresa após a falha global de software de dois anos atrás e lançou agentes de IA capazes de detectar e conter ataques cibernéticos mais rapidamente que analistas humanos.

CEOEmpresaDestaque
Jensen HuangNvidiaLiderança absoluta em chips para inteligência artificial
Hock TanBroadcomExpansão dos chips personalizados para IA (ASICs)
Lisa SuAMDAvanço da AMD sobre a Intel em data centers
Wendell WeeksCorningExpansão da infraestrutura de fibra óptica
Michael DellDell TechnologiesPlataformas de IA voltadas para empresas
Sanjay MehrotraMicron TechnologyAtende à explosão da demanda por memória para IA
James LitinskyMP MaterialsRedução da dependência americana de terras raras chinesas
Darren WoodsExxon MobilCrescimento eficiente da produção de petróleo
Larry CulpGE AerospaceAumento da produção de motores aeronáuticos
Ed BastianDelta Air LinesTransformação da companhia aérea em investimento de longo prazo
Raj SubramaniamFedExReestruturação e integração das operações
Joanne CrevoiseratTapestryExpansão das marcas Coach e Kate Spade
Darren RebelezCasey’sTransformou postos de gasolina em uma potência da pizza
Ernie HerrmanTJX CompaniesCrescimento do varejo de descontos
Jamie DimonJPMorgan ChaseAutomação e fortalecimento dos mercados de capitais
David SolomonGoldman SachsFoco em assessoria e financiamento para empresas de IA
Jane FraserCitigroupReestruturação e simplificação do banco
Evan GreenbergChubbUso de IA para melhorar subscrição de seguros
Tim CookAppleExpansão de serviços e estratégia de IA
Andy JassyAmazonRetomada do crescimento da computação em nuvem
Sundar PichaiAlphabetTransformação do Google em potência de IA
Satya NadellaMicrosoftIA integrada aos processos corporativos
George KurtzCrowdStrikeSegurança cibernética impulsionada por IA
Dave RicksEli LillyEscala global dos medicamentos contra obesidade
James DolanMadison Square Garden SportsValorização dos ativos esportivos e de entretenimento

O remédio para obesidade e o título dos Knicks

No setor farmacêutico, Dave Ricks, da Eli Lilly, conseguiu manter o fornecimento constante de um dos mais bem-sucedidos medicamentos contra a obesidade do mercado — um feito tanto industrial quanto científico.

Por fim, há o caso de James Dolan, controlador da Madison Square Garden Sports, dona do New York Knicks e do New York Rangers.

Embora o herói esportivo da cidade seja Jalen Brunson, que liderou a conquista do primeiro título da NBA dos Knicks em 53 anos, os negócios de Dolan também estão prosperando.

Sua empresa Sphere Entertainment, responsável pela gigantesca arena esférica de Las Vegas, acumulou valorização próxima de 300% em apenas um ano.

Um desempenho digno de um tricampeonato — ou, como diriam os fãs dos Knicks, de uma atuação à altura de Brunson.

Renda fixa e bolsa: como ficam os investimentos com os novos rumos das taxas de juros

19 de Junho de 2026, 13:10

A Superquarta das decisões sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos deixou uma mensagem dividida para investidores tanto na renda fixa como na variável.

No Brasil, o Copom (Comitê de Política Monetária) cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, e manteve aberta a possibilidade de novas reduções. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve, banco central americano, manteve os juros entre 3,5% e 3,75%, mas as projeções dos dirigentes voltaram a colocar no radar a chance de altas ainda em 2026.

O efeito imediato foi de pressão sobre o dólar e cautela com ativos de risco. Na quinta-feira (18), a moeda americana subiu para R$ 5,18, alta de 1,16%, enquanto a bolsa brasileira fechou em leve queda.

“A expectativa já era que o Fed mantivesse os juros. O grande ponto foi falarem em alta de juros ainda neste ano nos EUA”, disse Celson Placido, CIO da Apent, holding controladora do Clube FII e da Autem Investimentos. “Isso gera aversão ao risco e contribui para jogar o dólar para cima. Além disso, esse (menor) diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos tende a afetar o nosso mercado.”

Renda fixa segue atrativa

Na renda fixa, com a Selic em 14,25% ao ano, as taxas nominais e reais continuam elevadas.

Para médio e longo prazo, títulos IPCA+ seguem interessantes por causa das taxas em patamares historicamente elevados, mas exigem cuidado com a chamada marcação a mercado. A taxa contratada vale para quem carrega o papel até o vencimento. Se o investidor precisar vender antes, o preço do título pode oscilar e até gerar perda se os juros futuros subirem, como tem sido o caso.

“Olhando para o médio e longo prazo, o IPCA+ segue extremamente interessante. Também tem taxa prefixada curta [com vencimento no curto prazo] atrativa”, disse Placido.

Nas cotações consultadas no Tesouro Direto, o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2032 era vendido na quinta a uma taxa de 8,41% ao ano acima da inflação, renovando sua máxima histórica.

Nos prazos mais longos, o Tesouro IPCA+ 2040 e o Tesouro IPCA+ 2050 mostraram leves recuos, mas ainda fecharam com taxas de 7,50% e 7,18% na quinta-feira. Já o Tesouro Prefixado 2032 era oferecido a 14,78% ao ano, ante 14,67% no dia anterior.

Para recursos pensados para formar reserva de emergência, caixa e capital de curto prazo, Placido afirma que os produtos pós-fixados de alta liquidez, como Tesouro Reserva, Tesouro Selic e CDBs atrelados ao CDI com liquidez diária, seguem sendo os mais indicados.

A equipe de renda fixa da XP Investimentos também identifica oportunidades na classe. Em relatório, os analistas afirmam que a combinação de carrego elevado, spreads (prêmio de risco) em ajuste e fundamentos ainda resilientes reforça a atratividade dos títulos.

“Recomendamos prazo médio de até 6 anos, principalmente nos títulos indexados à inflação, privilegiando exposição a emissores com métricas de crédito de qualidade. O cenário atual exige maior disciplina na alocação”, comentam os analistas.

Na curva de juros (que reflete as apostas para as taxas nos próximos anos), a reação tende a ser diferente por prazo. Na chamada ponta curta, em papéis de renda fixa de vencimento no curto prazo, a possibilidade de mais um corte pode favorecer a queda das taxas.

Nos contratos com vencimentos mais longos, riscos de inflação, fiscal e câmbio mantêm os prêmios elevados: se o investidor puder carregar papéis como IPCA+ até o vencimento, terá chance de contratar retornos mais elevados.

Bolsa ainda exige seletividade

Na bolsa, o corte da Selic tende a favorecer empresas mais sensíveis ao ciclo doméstico, como as de varejo, construção civil, consumo e companhias dependentes de crédito. Juros menores reduzem o custo de capital e melhoram o valor presente dos fluxos de caixa, o que se traduz em preços mais altos.

Mas o espaço para cortes, ainda que estejam no radar, é menor do que o esperado no começo do ano. O impacto para tais empresas, portanto, não deve ser muito significativo.

E o Fed com abordagem mais rigorosa limita o otimismo. Se os juros americanos subirem, ou se o mercado continuar precificando um aperto adicional, o dólar tende a ganhar força e o apetite por risco diminui. Isso pesa sobre emergentes e pode reduzir o fluxo para a bolsa brasileira.

Nesse ambiente, a seletividade continua a exercer importância. Empresas com geração de caixa, baixa alavancagem, balanços sólidos e boa previsibilidade de receitas tendem a atravessar melhor a volatilidade do que companhias muito dependentes de uma queda rápida dos juros.

A síntese é que a renda fixa continua oferecendo prêmios elevados, mas exige atenção ao prazo. A bolsa pode se beneficiar se o câmbio aliviar e a curva de juros – com as projeções da taxa ao longo dos próximos anos – cair, mas segue vulnerável ao exterior. E o dólar virou uma variável-chave a ser monitorada para entender até onde o ciclo de cortes da Selic ainda pode ir.

O que esperar do dólar e seus efeitos

Para José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, o ponto de atenção mais imediato para investidores no câmbio é o DXY, índice que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas fortes. Quando o índice sobe, mercados emergentes costumam sentir pressão sobre câmbio, juros futuros e fluxo estrangeiro de capital para ativos.

O DXY voltou a testar a região dos 100 pontos, considerada técnica e psicologicamente relevante para os participantes do mercado.

“Se o DXY começar a bater nos 101 pontos, isso pode levar a uma arrancada do dólar, gerar uma onda de pessimismo e fazer o real a se desvalorizar, complicando um pouco a vida do BC aqui”, disse Faria.

Isso não significa que o dólar, sozinho, determine a decisão da Selic. Mas um real mais depreciado pode piorar as expectativas de inflação, elevar os prêmios de risco da renda fixa com vencimento para o longo prazo e reduzir o espaço para uma leitura mais benigna dos ativos brasileiros.

Entenda as razões do Copom…

Apesar de reconhecer em seu comunicado junto com a decisão um cenário mais desconfortável para a inflação, o Banco Central não fechou a porta para novos cortes.

O motivo está no espaço deixado para novas reduções da Selic e no chamado alongamento do horizonte relevante da política monetária.

A partir da próxima reunião, em agosto, o Copom passa a olhar com mais peso o primeiro trimestre de 2028, e não mais o quarto trimestre de 2027. Esse deslocamento dá mais tempo para a inflação convergir à meta e ajuda a explicar o corte, mesmo em um ambiente ainda desafiador.

“No Brasil, a meta é móvel. Estamos a poucos dias do terceiro trimestre, então o Copom ganha três meses. O Relatório de Política Monetária, a ser divulgado na próxima quinta-feira (25), vai trazer as expectativas de inflação para o primeiro trimestre de 2028, que será o próximo horizonte relevante”, afirma o diretor da Wagner Investimentos.

Para ele, o BC foi mais dovish por dois motivos: deu mais peso à atividade econômica e passou a considerar que a queda das commodities pode ajudar a inflação nos próximos meses. Itens como alumínio, ureia, milho, soja e trigo já recuaram, mas ainda sem repasse completo ao consumidor.

“Provavelmente, não é um ciclo de cortes. É um ciclo de ajuste. Ele [Banco Central] deixou a porta aberta. Se tivermos uma surpresa positiva com commodities e algum repasse para preços, não me surpreenderia outro corte”, disse Faria.

… e as razões do Fed

Nos EUA, a manutenção dos juros era esperada. O que mexeu com os mercados foi a sinalização do banco central de que uma alta ainda pode ocorrer este ano.

Faria avalia que o Fed pode ter usado o discurso mais duro para conter o que apontou como excesso de otimismo do mercado, não necessariamente porque a alta seja o cenário mais provável.

“Faz sentido dar um certo susto em falar em subir agora, para o mercado não ficar muito animado”, afirma.

Para ele, se os próximos dados de inflação vierem mais brandos, a alta pode não se concretizar. A queda recente do petróleo e de outras commodities ajuda essa tese.

O dado mais observado será o CPI, índice de preços ao consumidor dos EUA. A leitura de junho será divulgada em 14 de julho. O CPI não é a medida oficial perseguida pelo Fed, que mira o índice de preços PCE, mas costuma influenciar as apostas do mercado para os juros americanos.

Ainda assim, Faria ressalta que cortes de juros nos EUA também não estão mais em discussão no curto prazo. A economia americana segue resiliente, o mercado de trabalho continua firme e a inflação permanece acima da meta há cinco anos.

Tesouro Direto: por que IPCA+ 8% e juro nominal de quase 15% seguem nos preços do mercado

19 de Junho de 2026, 12:35

Desde o início da Guerra do Irã, no fim de fevereiro, a volatilidade virou rotina no mercado de juros, com impacto relevante sobre o investimento em renda fixa.

A má notícia é que mesmo com o anunciado fim do conflito nesta semana, o sobe-e-desce das taxas e dos preços dos títulos deve persistir diante de um conjunto de fatores domésticos e diante do “legado” inflacionário global dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o país do Oriente Médio.

As taxas de juros na plataforma do Tesouro Direto alcançaram patamares que os investidores não viam desde a crise de confiança fiscal no fim de 2024 e no início de 2025, quando o dólar passou de R$ 6,20.

E, antes disso, os títulos públicos só haviam flertado com a marca dos 15% ao ano, no caso dos prefixados, ou apresentado retornos acima de IPCA mais 8%, uma década atrás. Foi entre 2015 e 2026, quando o país enfrentou uma das mais prolongadas crises econômicas da história.

As oscilações têm sido tão fortes que o Tesouro Direto entrou em “circuit break” em várias ocasiões ao longo desta semana. A última paralisação das negociações por causa da volatilidade exagerada ocorreu na quinta-feira (18) no início da tarde, em um momento em que o Tesouro IPCA+ 2032, por exemplo, chegou a bater seu recorde de taxa mais elevada com IPCA+ 8,51% ao ano.

Por volta de 9h30, esse papel estava sendo negociado a IPCA+ 8,44%. O Tesouro IPCA+ 2040 tinha retorno de 7,50%, enquanto o papel atrelado à inflação com vencimento em 2050 apresentava rendimento de 7,16%.

O Tesouro Prefixado 2029 chegou a 14,81% e está no maior nível desde, pelo menos, 2022. O mesmo ocorre com o Tesouro Prefixado 2032, com uma taxa nominal de 14,79% ao ano, que apresenta o retorno mais elevado desde início de 2025, desconsiderando os picos no início da semana.

Na renda fixa, quando as taxas sobem, isso significa que os preços em reais dos papéis caíram. Isso ocorre porque os títulos negociados antes do vencimento no chamado mercado secundário sofrem a chamada marcação a mercado.

Nesse caso, os preços de compra e venda vão variar conforme as condições do momento e podem apresentar grandes descontos em relação ao valor original, como no cenário atual.

Dinâmica do Tesouro Direto

Se o detentor do título precisa vendê-lo agora e a taxa original é menor do que aquela pedida nas negociações no mercado secundário, na prática, vai ter aceitar um desconto sobre o preço que pagou para conseguir repassar o papel: ou seja, vender com prejuízo.

Por isso, para quem tem Tesouro Prefixado ou IPCA+ e pode manter os recursos aplicados nos próximos meses, o melhor é evitar vendê-los em um momento no qual a volatilidade é muito elevada. Quem pode carregar os ativos até o vencimento vai receber exatamente o que contratou.

A lógica muda para quem pode aplicar no longo prazo e tem maior tolerância ao sobe-e-desce das taxas e dos preços. Os retornos estão, como apontado acima, em patamares elevados e o investidor pode travar uma remuneração historicamente alta por vários anos.

Juros mais altos por mais tempo

Existem vários motivos pelos quais os juros longos têm subido. O aumento das taxas no Tesouro Direto é um reflexo da perda de referência sobre a inflação futura. Os economistas chamam esse processo de “desancoragem de expectativas”.

Na prática, a desancoragem mostra que o mercado prevê mais inflação no futuro e começa a perder a confiança de que a política monetária executada pelo Banco Central vai conseguir controlar o nível de preços que vem pela frente. Diante disso, investidores passam a reajustar as expectativas e as taxas sobem.

O mais recente boletim Focus, que mostra as projeções das instituições financeiras sobre inflação, juros, câmbio e PIB, trouxe pela 14ª vez seguida um ajuste para cima do IPCA esperado ao fim de 2026.

O mercado já enxerga uma inflação de 5,3% quando o ano terminar. É um nível bem acima da meta de inflação de 3% do BC e também significativamente superior ao teto da meta, que prevê uma tolerância de 1,5 ponto percentual além do centro da meta, portanto, até 4,5%.

O Focus mostra ainda que as casas de análise veem a inflação em 4,10% no fim de 2027, na quarta revisão seguida do IPCA. É um patamar que já se aproxima do teto da meta.

Esse cenário no qual expectativas de inflação futura apresentam uma desancoragem cada vez maior se junta a outras incertezas, como pressões crescentes de altas de preços, choques de oferta e alta demanda do consumo interno, aquecido pelas injeções de recursos em um ano eleitoral.

Diante desse conjunto de incertezas, o mercado já enxerga zero espaço para o BC continuar a cortar juros.

O consenso enxerga uma pausa ou mesmo o fim do ciclo de queda da Selic na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. A perspectiva inclui um juro básico mais alto por mais tempo ou, eventualmente, a possibilidade de a autoridade ter de subir a taxa no fim do ano.

O próprio Copom reconheceu essas dificuldades no comunicado que acompanhou a decisão de juros na quarta-feira (17), quando cortou a Selic em 0,25 ponto percentual para 14,25% ao ano.

“O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho”, pontuou a autoridade.

No entanto o mesmo comunicado do Copom trouxe, na visão de boa parte do mercado, a mensagem implícita de que a atual composição da diretoria do Banco Central pode ser mais leniente com as expectativas desancoradas de inflação, o que acaba autoalimentando o processo de perda de credibilidade do mercado no cumprimento do combate do trabalho de política monetária.

Se a taxa básica permanecer em 14,25% até o início do próximo ano, o juro real, ou seja, a parcela do retorno acima da inflação, pode se manter em quase 9%, considerando a projeção do IPCA de 5,3% para o fim de 2026 do Focus.

Mesmo para 2027, as expectativas seguem desafiadoras: a pesquisa do BC mostra que o mercado vê a Selic em 12% ao ano, com um IPCA de 4,10%. Isso representa um juro real de 8%. Sim, o custo de oportunidade, ou seja, o rendimento no curto prazo da aplicação mais segura do mercado, pode continuar em IPCA+ 8% brutos ao ano.

Copa do Mundo: ingressos para os jogos mais disputados já passam de US$ 4 mil

19 de Junho de 2026, 09:43

Antes do início da Copa do Mundo, os torcedores reclamavam dos preços dos ingressos — os mais altos já registrados na história do torneio. Críticos questionavam se os valores despencariam antes do pontapé inicial e se grandes áreas vazias nos estádios acabariam constrangendo a estratégia de precificação da FIFA.

Após a primeira semana de jogos, porém, a demanda por ingressos se manteve firme nas plataformas de revenda. Os preços permaneceram estáveis e, em alguns casos, até aumentaram. Os estádios também estão próximos da lotação máxima, enquanto os ingressos para as partidas mais aguardadas da fase inicial chegaram a superar US$ 4 mil.

A FIFA, entidade máxima do futebol mundial, adotou estratégias de venda mais agressivas do que em edições anteriores, incluindo preços dinâmicos, liberações escalonadas de ingressos e a promoção de sua própria plataforma de revenda. O torneio deve gerar US$ 11 bilhões em receitas, o maior valor da história da competição. Isso levou alguns torcedores a acusarem a organização de priorizar os lucros em detrimento de uma experiência acessível e agradável para fãs do mundo todo.

“Isso gerou certa confusão e frustração entre os torcedores que queriam assistir às partidas”, disse Michael Johnson, analista da S&P Global. “Muitos esperavam que os preços caíssem após o início do torneio, mas isso realmente não aconteceu.”

A Copa do Mundo deste ano está sendo disputada na América do Norte, com jogos em 16 cidades dos Estados Unidos, Canadá e México. Nos dias que antecederam o torneio e em algumas das primeiras partidas, surgiram relatos de assentos vazios e ingressos ainda disponíveis no site oficial da FIFA. Isso sugeria que os torcedores estavam rejeitando os preços elevados dos ingressos ou dos custos de transporte.

Mas, apesar da repercussão negativa, a procura por ingressos premium continua forte e a oferta permanece limitada, segundo Kevin Near, analista da Bloomberg Intelligence. Isso tem ajudado as vendas primárias, embora ele espere um aquecimento ainda maior do mercado de revenda conforme o torneio avance. A primeira rodada da fase de grupos também foi bastante empolgante, impulsionando a demanda, com uma das maiores zebras da história das Copas e atuações brilhantes de grandes estrelas do futebol, incluindo um hat-trick de Lionel Messi pela Argentina.

Chris Leyden, diretor sênior de marketing da SeatGeek Inc., afirmou que a FIFA provavelmente definiu preços semelhantes aos cobrados em grandes eventos esportivos nos Estados Unidos. Em 12 de junho, o preço médio de um ingresso para a fase de grupos da Copa na plataforma era de US$ 750, valor comparável ao de uma partida dos playoffs da NFL. Nos cinco dias seguintes, 84% dos jogos registraram aumento de preços na plataforma.

“O que vimos no mercado de revenda é que muitos jogos da Copa acabaram ficando com preços muito próximos daqueles estabelecidos pela FIFA”, afirmou.

Os preços e a disponibilidade variam bastante dependendo das seleções envolvidas e dos resultados obtidos. Após a seleção dos Estados Unidos conquistar uma vitória recorde sobre o Paraguai na estreia, por exemplo, o preço médio dos ingressos para a partida de 19 de junho contra a Austrália, em Seattle, disparou 68%, chegando a US$ 2.314, segundo dados compilados pelo agregador Ticket Data. Já os ingressos para o confronto contra a Turquia, em Los Angeles, no dia 25 de junho, subiram 105% nos últimos dias, para US$ 2.150.

Enquanto isso, partidas como México x Coreia do Sul ou Colômbia x Portugal registraram aumentos de apenas 15%, mas os preços já eram extremamente elevados. O duelo entre Colômbia e Portugal, equipe do astro Cristiano Ronaldo, em Miami, custa em média US$ 2.573, segundo Leyden.

A imprevisibilidade dos resultados também significa que alguns torcedores — inclusive aqueles que compraram ingressos antes da definição dos grupos, em dezembro — podem acabar tendo prejuízo ao revendê-los por um valor inferior ao pago originalmente.

Atualmente, o jogo mais barato na SeatGeek é o confronto da fase de grupos entre Cabo Verde e Arábia Saudita, em Houston, no dia 26 de junho, com preço médio de US$ 236, informou Leyden.

Taylor Swift

Mesmo assim, os ingressos da Copa ainda são, em média, mais baratos do que os vendidos para a turnê Eras Tour de Taylor Swift, afirmou o executivo. Ele espera, porém, que os valores se aproximem conforme o torneio se aproxima da reta final. A turnê mundial da cantora, realizada ao longo de quase dois anos em 51 cidades de 21 países, gerou um recorde de US$ 2,2 bilhões em receitas. O preço médio de revenda na América do Norte foi estimado em US$ 3.801.

A FIFA também vem promovendo sua própria plataforma de revenda, o que pode dificultar que os torcedores encontrem opções mais acessíveis. A entidade cobra uma taxa de transação de 15% tanto do comprador quanto do vendedor. Segundo Leyden, essa taxa é “consideravelmente alta” em comparação com outras plataformas, embora ele tenha se recusado a revelar a estrutura de tarifas da SeatGeek.

Também há especulações de que a FIFA esteja transferindo ingressos não vendidos para mercados secundários, segundo Johnson, da S&P Global.

“Isso cria uma sensação de escassez artificial, incentivando os torcedores a pagar preços mais altos tanto no mercado primário quanto no secundário”, afirmou. A FIFA não respondeu aos pedidos de comentário.

Alex Bird, editor do blog Ticket-Compare.com, que monitora preços de ingressos para partidas de futebol em plataformas de revenda, afirmou que parte da razão para os preços elevados foi justamente desencorajar a revenda. Segundo ele, o sistema de liberações escalonadas também contribuiu para inflacionar os preços ao limitar a oferta disponível.

Essas estratégias prejudicam principalmente os torcedores locais, que são justamente os mais propensos a comprar ingressos de última hora no mercado secundário. Quem viaja de outras cidades ou países geralmente adquire os ingressos com antecedência para organizar passagens e hospedagem.

“Não é algo que você vai deixar para resolver no mercado de revenda na última hora”, disse. “Isso é coisa para quem mora na cidade.”

Algumas sedes também não tiveram sorte na distribuição das partidas. Um estudo da Ticket-Compare apontou que San Francisco e Atlanta são as duas cidades mais baratas dos Estados Unidos para comprar ingressos, em parte porque recebem seleções de menor apelo, como Jordânia, Argélia e República Tcheca. Mas a combinação de preços ainda elevados e equipes menos atraentes pode resultar em arquibancadas esvaziadas.

“Observando a situação agora, é possível concluir que haverá um número significativo de assentos vazios nesses estádios”, afirmou Bird.

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Por que a criptomoeda ligada ao ChatGPT disparou 160%?

19 de Junho de 2026, 07:48

Enquanto bitcoin (BTC) e as principais criptomoedas vêm operando em queda nas últimas semanas, uma moeda digital roubou os holofotes: a Worldcoin (WLD), projeto cofundado por Sam Altman, CEO da OpenAI, empresa criadora do ChatGPT.

A criptomoeda faz parte de um ecossistema desenvolvido pela Tools for Humanity, startup fundada por Altman e pelo empreendedor alemão Alex Blania. A empresa é responsável pelo World ID, sistema de identidade digital que utiliza o escaneamento da íris para comprovar que um usuário é humano em um mundo cada vez mais dominado por inteligência artificial.

Nos últimos 30 dias, o polêmico token – que recompensa usuários pela verificação de identidade por meio do escaneamento da íris – acumulou alta de 160%, segundo dados do CoinMarketCap. No mesmo período, o bitcoin (BTC) caiu 17%, enquanto o ethereum (ETH) recuou 20%.

Segundo especialistas, três fatores ajudam a explicar a disparada.

Motivos para a alta

O primeiro é a expectativa em torno do IPO da OpenAI. Neste mês, a empresa enviou documentação para a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês). Embora a Worldcoin não tenha ligação societária com a OpenAI, muitos investidores enxergam o token como uma forma indireta de exposição aos temas de inteligência artificial e identidade digital.

O segundo fator é a entrada de investidores institucionais. A empresa listada em bolsa Eightco Holdings revelou ter cerca de 8% dos tokens atualmente em circulação, reduzindo a oferta disponível no mercado e reforçando a percepção de demanda institucional.

Já o terceiro fator é técnico. A partir do fim de julho, o ritmo de emissão de novos tokens deve cair 43%, reduzindo a pressão de venda e favorecendo a dinâmica de oferta e demanda.

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Vale como investimento?

Segundo Felipe Mendes, head de Research da Vault Capital, o que está sendo precificado hoje é principalmente narrativa – a aposta de que a Worldcoin captura os temas de inteligência artificial e identidade digital, e não necessariamente fundamentos já consolidados.

De acordo com o especialista, trata-se de um ativo de altíssima volatilidade e fortemente dependente do sentimento dos investidores. A criptomoeda subiu porque a narrativa está em evidência, mas pode cair com a mesma velocidade caso o entusiasmo em torno da inteligência artificial diminua.

“Para o investidor, a régua certa é não tratar isso como uma posição central de carteira, e sim como uma aposta satélite, pequena, em que você aceita conscientemente a chance de perder uma fatia relevante. O tamanho da posição importa mais do que a tese”, afirma.

Riscos

A forte valorização também aumenta os riscos. Depois da disparada das últimas semanas, Mendes afirma que indicadores técnicos apontam uma condição de sobrecompra, cenário que historicamente costuma anteceder correções de curto prazo.

Outro ponto é a concentração da oferta. Quando um único investidor institucional controla uma parcela relevante dos tokens em circulação, qualquer movimento de compra ou venda pode ampliar a volatilidade. Além disso, investidores acompanham de perto possíveis vendas de tokens pela própria fundação responsável pelo projeto.

O risco mais estrutural, porém, continua sendo regulatório, avalia Mendes. O modelo da Worldcoin depende da coleta de dados biométricos por meio do escaneamento da íris, prática que já motivou suspensões, investigações e questionamentos em países como Espanha, Quênia, Coreia do Sul e Hong Kong.

No ano passado, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) suspendeu no Brasil a distribuição de tokens em troca da coleta da biometria da íris, por entender que o modelo poderia ferir regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O projeto também foi alvo de CPI em São Paulo.



Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.

Bitcoin (BTC):  -2,36%, US$ 62.412,74

Ethereum (ETH): -3,05%, US$ 1.687,63

BNB (BNB): -2,88%, US$ 571,90

XRP (XRP): -4,06%, US$ 1,12

Solana (SOL): -4,31%, US$ 68,11

Outros destaques do mercado cripto

Audiência pública sobre stablecoins. Cripto tem movimentado Brasília. A Comissão de Desenvolvimento Econômico (CDE) da Câmara dos Deputados aprovou a realização de uma audiência pública para discutir um projeto de lei que cria regras para as stablecoins no Brasil. Entre os convidados estão representantes do Banco Central, da Receita Federal e da Polícia Federal. A expectativa é que o encontro aconteça em julho.

Lutador brasileiro vira token. Olha essa. A Vib3, joint venture criada pela exchange Mercado Bitcoin e pela startup Sportheca, tokenizou a carreira do lutador brasileiro de UFC André “Mascote” Lima. Na prática, foi realizada uma oferta de R$ 526 mil, e os investidores terão direito a uma fatia das receitas futuras do atleta, incluindo premiações, patrocínios e valores recebidos por participação em eventos ao longo dos próximos oito anos.

Mineradores de bitcoin no prejuízo. A rentabilidade da mineração de bitcoin está bastante pressionada neste ano. Segundo analistas do JPMorgan, o custo médio para produzir uma unidade da criptomoeda gira em torno de US$ 78 mil hoje, enquanto a cripto é negociada na faixa dos US$ 62 mil. Com isso, cerca de 20% dos mineradores estão operando no prejuízo. Isso tem levado parte dos mineradores a desligar equipamentos e reduzir operações

Com que rapidez o Estreito de Ormuz pode voltar a operar normalmente?

19 de Junho de 2026, 06:07

Os preços do petróleo estão sendo negociados abaixo de US$ 80 por barril após o presidente Donald Trump assinar um acordo para encerrar a guerra com o Irã, movimento que os investidores esperam que alivie uma das maiores interrupções de oferta das últimas décadas.

Mas traders e executivos do setor energético afirmam que o mercado de petróleo e de outras matérias-primas essenciais para a economia global continuará apertado por semanas, possivelmente meses. Navios precisam ser reposicionados, infraestruturas danificadas precisam ser reparadas e estoques esgotados terão de ser reconstruídos.

Isso significa que o memorando de entendimento — que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã após os EUA suspenderem sanções sobre as vendas de petróleo iraniano — deve funcionar mais como a abertura gradual de uma válvula de alívio do que como a liberação imediata de um fluxo intenso.

Pelo acordo, o Irã já deveria ter suspendido seu bloqueio ao estreito e iniciado os preparativos para garantir a passagem segura de embarcações comerciais. Até agora, porém, o avanço parece lento.

Os navios já estão voltando a navegar no Golfo Pérsico?

Até a manhã de quinta-feira, o tráfego próximo ao Estreito de Ormuz permanecia reduzido, segundo marítimos e empresas de rastreamento de embarcações.

Ainda assim, alguns navios — incluindo três petroleiros transportando petróleo saudita e um navio de gás natural liquefeito (GNL) com bandeira francesa — cruzaram a hidrovia, de acordo com a empresa de dados Kpler.

Outras embarcações estão se preparando para a travessia. Tripulações relataram que estão limpando os cascos, reabastecendo combustível e embarcando suprimentos para cruzar o estreito nos próximos dias.

Marítimos ancorados perto de Dubai disseram ter observado superpetroleiros se deslocando em direção à entrada do estreito.

Até o momento, a Marinha iraniana não informou oficialmente, por rádio, que a passagem foi reaberta.

Em uma gravação obtida pelo The Wall Street Journal, a Marinha Sepah — unidade especial subordinada à Guarda Revolucionária Islâmica — informou na quinta-feira que a travessia continua proibida. Segundo a corporação, a passagem ainda depende de autorização e escolta militar.

A Kpler registrou apenas seis travessias verificadas em 17 de junho. A maioria utilizou a rota costeira iraniana e uma embarcação navegou sem transmitir sinal de localização.

Em junho, cerca de dez navios por dia atravessaram o estreito, muito abaixo dos mais de cem registrados diariamente antes da guerra.

Quanto tempo levará para o Estreito de Ormuz voltar ao normal?

O acúmulo de embarcações paradas, a necessidade de troca de tripulações e períodos de descanso indicam que o tráfego não voltará ao normal por várias semanas, talvez meses.

Analistas da Kpler estimam que o movimento possa atingir cerca de 50% dos níveis pré-guerra — aproximadamente 50 a 60 embarcações por dia — dentro de um mês, desde que não ocorram novos contratempos.

A normalização completa pode levar meses, afirmou Sheila Cameron, diretora-executiva da associação Lloyd’s Market Association, que representa seguradoras ligadas ao mercado de Londres.

Segundo ela, os armadores precisam de garantias sobre a remoção de minas marítimas, a reabertura integral da infraestrutura portuária e regras claras para pagamento de tarifas.

A principal preocupação continua sendo a presença de minas navais. Por isso, os navios devem permanecer próximos às costas do Irã e de Omã até que a rota central do estreito seja considerada segura, limitando o número diário de travessias.

O acordo firmado na quarta-feira prevê que o Irã discuta a futura administração do estreito com Omã e outros países do Golfo.

O bloqueio naval dos EUA já foi suspenso?

O processo já começou.

Pelo acordo de paz, os EUA devem iniciar imediatamente a retirada do bloqueio naval e concluí-la em até 30 dias.

Sinais de flexibilização surgiram antes mesmo da assinatura do pacto. Três petroleiros transportando mais de 5 milhões de barris de petróleo iraniano deixaram o porto de Chabahar e cruzaram a linha do bloqueio americano na terça-feira.

Outras embarcações com bandeira iraniana fizeram o mesmo na quarta e na quinta-feira, segundo empresas de monitoramento marítimo.

Quando petróleo, GNL e fertilizantes retidos no Golfo chegarão ao mercado?

Produtores de petróleo e gás provavelmente não retomarão totalmente as operações interrompidas até que os petroleiros retornem ao Golfo Pérsico.

Mesmo após a retomada do tráfego, serão necessárias semanas para que o petróleo alcance compradores em mercados distantes.

Segundo Michael Haigh, chefe de pesquisa de commodities do Société Générale, se o estreito reabrir no fim de junho, o alívio na oferta só será percebido no final de agosto, enquanto uma normalização mais consistente não deve ocorrer antes de setembro.

Até lá, consumidores continuarão consumindo estoques em julho e agosto, ampliando a pressão sobre reservas já reduzidas.

Quando a produção de petróleo voltará aos níveis anteriores à guerra?

Produtores do Oriente Médio reduziram a produção em mais de 11 milhões de barris por dia em maio em comparação com os níveis pré-guerra, segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA.

A retomada envolve obstáculos logísticos e desafios de engenharia significativos.

De acordo com Francis Osborne, chefe de análise de petróleo da Argus Media, restaurar a produção regional aos níveis anteriores à crise pode levar entre quatro e seis meses.

A International Energy Agency estima que metade dos campos petrolíferos do Golfo possa voltar à produção normal em até duas semanas e cerca de 80% em seis semanas.

Os 20% restantes, concentrados principalmente no Iraque e no Kuwait, representam os maiores desafios. Alguns podem nunca recuperar totalmente os níveis anteriores à guerra.

No Iraque, a saída de trabalhadores estrangeiros e danos à infraestrutura dificultaram a avaliação das condições dos campos. Em alguns poços, substâncias semelhantes à parafina e ao asfalto podem ter obstruído a produção.

A consultoria Wood Mackenzie estima que os campos do sul do Iraque precisarão de cerca de nove meses para recuperar 85% da produção pré-guerra.

Já a Rystad Energy calcula que os reparos na infraestrutura energética danificada custarão pelo menos US$ 58 bilhões.

Qual será o impacto da recomposição dos estoques?

Os estoques globais de petróleo caíram cerca de 350 milhões de barris entre março e maio, segundo dados da IEA — volume equivalente a aproximadamente três dias e meio do consumo mundial.

Nos EUA, executivos do setor afirmam que serão necessários meses para recompor as reservas estratégicas mesmo após a reabertura do estreito.

Desde o fim de março, mais de 70 milhões de barris foram retirados da Reserva Estratégica de Petróleo americana, de um total de 172 milhões autorizados pelo governo Trump.

Mantido o ritmo atual, esse limite poderá ser atingido no início de setembro, deixando a reserva em cerca de 243 milhões de barris — muito abaixo do pico superior a 700 milhões de barris registrado em 2009.

Escreva para Rebecca Feng em rebecca.feng@wsj.com e para Georgi Kantchev em georgi.kantchev@wsj.com.

Na era do esporte no YouTube, Globo faz conta do que vale a pena transmitir e disputa protagonismo

19 de Junho de 2026, 06:00

Às vésperas da Copa, a Globo pôs no ar a campanha “Fique Antenado”, que lembra ao público que a TV aberta entrega os jogos do Brasil de graça e sem delay. É também uma provocação à aliança entre YouTube e CazéTV, que hoje disputam com a televisão o dinheiro mais caro da publicidade.

“Existe uma grande diferença entre somar alcance ou cliques e unir o país”, afirma Manuel Belmar, CFO da Globo, em resposta por escrito ao InvestNews.

O argumento da Globo é que a TV aberta ainda concentra atenção simultânea: milhões de pessoas vendo o mesmo jogo, jornal ou novela ao mesmo tempo, em um ambiente que gera conversa imediata, impacto cultural e valor para as marcas.

Esse valor comercial, porém, depende de uma conta complexa, especialmente no caso de grandes competições esportivas internacionais – como a Copa. Fazer dinheiro com pacote de jogos exibidos na TV aberta exige equilibrar direitos caros, venda publicitária e margem de lucro.

São direitos negociados em dólar, sujeitos às idas e vindas do câmbio.

Anos atrás, a Globo firmou contrato para pagar US$ 90 milhões ao ano à FIFA e assim poder transmitir os eventos esportivos realizados pela federação que rege o futebol mundial entre 2015 e 2022. No meio do caminho, veio a pandemia. A Globo tentou uma revisão do valor do contrato e a refrega foi parar na Justiça. Terminou com um acordo fora dos tribunais – também por US$ 90 milhões –, e a Globo garantiu um pacote de jogos mais modesto para a Copa de 2026.

A disputa abriu espaço para que YouTube e LiveMode acelerassem o crescimento da CazéTV no streaming. O ano de 2026 marca a primeira vez em que um canal no YouTube transmite todos os 104 jogos da competição. A Globo ficou com cerca de metade do torneio, sem exclusividade.

O movimento se dá em um mercado publicitário que migra em parte para o digital. Segundo relatório do Itaú BBA divulgado nesta semana, a TV aberta deve recuar de cerca de 33% da verba publicitária brasileira em 2021 para 20% em 2030, enquanto o digital, já em torno de 56% em 2025, avançaria para 67% no fim da década. Só o YouTube concentra perto de 21% do consumo de vídeo no país, à frente de todos os serviços de assinatura somados.

Faça as contas

“Do ponto de vista financeiro, não necessariamente um pacote completo resulta em um faturamento publicitário maior”, diz Ivan Martinho, professor de marketing esportivo na ESPM. O especialista, que também preside a liga mundial de surfe para a América Latina, apontou como exemplo o caso da Paramount+, que pagou caro pela Libertadores e não converteu o gasto em assinaturas como esperado. A Paramount desistiu das transmissões da Libertadores e da Sul-Americana.

A Globo de hoje faz muito mais contas do que no passado. Desde o projeto “Uma Só Globo”, no fim de 2018, avalia custos e retornos esperados. No futebol, isso se intensificou a partir de 2022 e a análise vale para cada pacote de transmissão, com compra seletiva dos direitos esportivos.

No Brasileirão de 2025 a 2029, com os clubes divididos entre duas grandes ligas, a emissora fechou com a Libra por R$ 6,5 bilhões em cinco anos, cerca de R$ 1,3 bilhão ao ano.

Na Futebol Forte União (FFU, ex-LFU), a Globo entrou com uma fatia menor: um pacote de até R$ 850 milhões por ano, condicionado à presença de 12 clubes do bloco na Série A, a primeira divisão. Em 2025, com 11 clubes, a conta ficou perto de R$ 750 milhões. O restante da oferta da Futebol Forte União ficou espalhado entre Amazon, Record e YouTube/CazéTV.

Belmar informou ao InvestNews que a escalada dos valores dos direitos esportivos é um desafio global e que a resposta da Globo passa por equilíbrio. Segundo ele, a empresa procura equalizar o investimento em direitos com o apetite do mercado publicitário, analisando cada aquisição caso a caso, com ou sem exclusividade.

A Globo continuou com a maior prateleira do Brasileirão, mas sem carregar sozinha todos os pacotes disponíveis. É uma mudança relevante para a empresa que, durante décadas, organizou o futebol brasileiro em torno da própria grade, com exclusividade.

A LiveMode apresenta a fragmentação como ganho para os clubes.

Ao InvestNews, a empresa conhecida pela CazéTV defendeu que a sua proposta nesse modelo elevou em cerca de 110% a receita anual dos clubes em relação ao ciclo anterior, enquanto a negociação da Libra com a Globo teria gerado aumento inferior a 30%, nas mesmas bases.

A nova Globo

Em 2025, a receita líquida do Globo Comunicação e Participações cresceu 11%, para R$ 18,3 bilhões, enquanto os custos e as despesas para tocar a operação subiram 8,6%.

Quando o que entra cresce mais rápido do que o que se gasta, sobra mais no fim – sem contar despesas financeiras. Esse “sobrar mais” tem nome: Ebitda, sigla para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, que representa uma métrica de geração de caixa operacional.

Em outras palavras, é uma forma de medir quanto a operação gera por si só, antes de descontar o custo da dívida, os tributos e o desgaste contábil de bens e direitos.

Na Globo, esse resultado saltou 57% no último ano. E a margem Ebitda — a fatia que sobra de cada real de receita — passou de cerca de 9,5% para 13,4%. A maior despesa do grupo, que reúne direitos esportivos e produção de conteúdo, cresceu 6,4%, abaixo da receita. A “compra de tudo” cedeu lugar à compra seletiva, em uma escolha também editorial que sustenta a margem.

A margem de hoje, no entanto, se deu às custas de uma reinvenção que não veio sem dor. Para chegar aos níveis mais recentes, a Globo realizou demissões em 2020 e 2021, trocou contratos PJ por CLT — cortando mais da metade dos ganhos de parte dos profissionais — e encerrou vínculos fixos com nomes históricos da marca.

Segundo o professor da ESPM, que analisou o caso, a Globo passou a cortar grandes talentos, alguns eternizados em sua história, que ganhavam mesmo sem trabalho no ar ou em fase de produção.

Em 2025, a Globo também reorganizou o seu comando: Paulo Marinho ficou à frente dos negócios de mídia, enquanto Roberto Marinho Neto passou a cuidar de negócios e investimentos. A família separou melhor a operação de conteúdo da área que decide onde colocar dinheiro.

@investnewsbr

Por trás da transmissão dos jogos da Copa do Mundo de 2026, existe uma disputa bilionária pela sua atenção. #transmissão #copadomundo #futebol

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Para enfrentar a ameaça crescente das plataformas, a Globo passou a explorá-las também. Criou o Globoplay, que nos últimos anos aumentou a oferta de espaços publicitários para anunciantes, o que ajudou o serviço de streaming da Globo a atingir o equilíbrio financeiro (breakeven) em 2025, após 10 anos consumindo caixa.

Além disso, a Globo hoje mantém canais e conteúdos no YouTube e vende pacotes de canais dentro do Prime Video.

Ou seja, a empresa que durante décadas controlou a distribuição pela TV aberta, por meio das afiliadas, e pela TV por assinatura agora também coloca seus produtos em vitrines digitais que pertencem a outros grupos.

Belmar diz que a distribuição de conteúdo em plataformas de terceiros faz parte da história da Globo desde as afiliadas da TV aberta e passou pelas operadoras de TV por assinatura antes de chegar às plataformas digitais.

A diferença agora é que esses parceiros também disputam atenção e verba publicitária com a própria Globo.

No esporte, a Globo criou a GE TV, canal gratuito com linguagem mais informal, para tentar atrair o público que se acostumou a ver jogos na CazéTV, fora da televisão tradicional. Na estreia, a atriz e apresentadora Regina Casé apareceu para celebrar a “Cazé da Globo”.

A disputa por audiência, atenção e conversão

A Globo foi buscar na internet uma linguagem que capaz de aumentar o engajamento entre os mais jovens, enquanto YouTube e LiveMode hoje vendem futebol pela internet com o manual comercial da TV aberta, em cotas de patrocínio milionárias negociadas antes de a bola rolar.

A disputa mais dura é pela definição do que é televisão e por quem fica com a maior fatia da verba publicitária, o que levou à briga da medição de audiência.

As plataformas digitais chegam ao mercado com dados próprios, produzidos dentro de seus próprios sistemas. Para o anunciante, a comparação fica menos direta: de um lado, audiência medida por um padrão conhecido; de outro, números de visualização, alcance e tempo de consumo que nem sempre contam a mesma história.

A Globo sustenta que a simultaneidade da TV aberta ainda entrega um tipo de atenção mais valioso para as marcas do que a soma de visualizações espalhadas por vídeos, canais e nichos. A disputa com o YouTube passa justamente por essa tradução comercial: quem consegue provar ao anunciante que concentra atenção, gera conversa e entrega resultado.

O YouTube tem escala, mas sua audiência é mais espalhada: milhões de pessoas vendo milhões de vídeos diferentes. Ainda assim, a plataforma tenta se apresentar como televisão.

“O YouTube é a televisão também; hoje a maior parte da nossa audiência já é em televisão”, diz Victor Machado, Head de Parcerias de TV, filmes e esportes do YouTube no Brasil.

O ciclo de direitos que se abre em 2030 vai redefinir o controle do futebol brasileiro, agora com a CBF em busca de organizar a sua própria liga de clubes, enquanto estes buscam o controle do dinheiro que geram. A Globo chega a essa fase com menos controle sobre a distribuição, uma governança que valoriza as finanças e uma pressão para transformar escala em rentabilidade.

A empresa que ensinou o mercado brasileiro a vender televisão tenta provar que ainda sabe transformar atenção em valor, mesmo quando parte da audiência, da publicidade e da bola já corre por fora da sua grade.

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Gestoras Elliott e SVP compram dívida da Braskem em meio à tentativa de reestruturação

18 de Junho de 2026, 20:28

A Elliott Investment Management e a SVP Global compraram recentemente dívida da Braskem, a petroquímica brasileira que corre para conseguir o apoio de credores a um plano de reestruturação, segundo pessoas a par do assunto.

As gestoras compraram partes da linha de crédito rotativo (RCF, na sigla em inglês) da Braskem de credores existentes, enquanto a Elliott também acumulou posições em alguns dos bonds internacionais da empresa, disseram as fontes, que pediram para não ser identificadas por discutirem transações privadas.

A Elliott e a SVP declinaram de comentar, assim como a Braskem e sua controladora, a IG4 Capital. As aquisições dão aos investidores assento à mesa enquanto a Braskem negocia um plano para reestruturar sua dívida, depois de uma desaceleração prolongada da indústria petroquímica global e do desastre ambiental que corroeu o balanço da empresa.

A Elliott e a SVP, que não fazem parte do mesmo grupo, devem defender termos de reestruturação diferentes dos atualmente apresentados pela Braskem, segundo as fontes.

A Braskem apresentou aos credores um plano que inclui extensão dos prazos de vencimento da dívida, redução de cupons e mais períodos de carência, segundo a Bloomberg apurou no início deste mês. 

O plano não inclui injeção de capital nem conversão de dívida em ações (debt-to-equity swap). O pedido de extensão de cinco anos no vencimento, combinado com a redução dos cupons, foi considerado agressivo por parte dos credores, disseram algumas das fontes.

A petroquímica precisa do apoio de um terço dos credores para iniciar o processo de recuperação extrajudicial. 

Mas a empresa e a IG4, sua nova controladora, têm tido dificuldade para conseguir esse apoio e fechar todos os trâmites jurídicos a tempo de avançar com um acordo em julho, quando precisará pagar cerca de US$ 150 milhões, segundo apurou a Bloomberg nesta semana.

A Braskem quer evitar esse pagamento e pode pedir proteção judicial emergencial caso não consiga fechar um acordo para a chamada recuperação extrajudicial.

©2026 Bloomberg L.P.

Com concorrentes parados no Oriente Médio, Braskem acelera produção para ganhar mercado

18 de Junho de 2026, 19:05

A Braskem, gigante petroquímica brasileira altamente endividada que busca uma recuperação extrajudicial, segue aumentando a produção mesmo com a queda dos preços após o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã.

Um conselheiro da Braskem disse esperar que as plantas petroquímicas atingidas no Oriente Médio levem entre 12 e 18 meses para voltar à operação, o que abre uma janela para ganhar fatia de mercado.

“A estratégia é capitalizar com a alta atual e se preparar para o próximo ciclo de alta”, disse William França, diretor-executivo da Petrobras recentemente eleito para o conselho da Braskem, em entrevista. Segundo ele, o mercado global de petroquímicos, mergulhado em uma desaceleração que já dura anos, deve se recuperar de forma significativa a partir de 2028.

Os preços globais de produtos petroquímicos dispararam quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã no fim de fevereiro, levando Teerã a fechar o Estreito de Ormuz e bloquear o fluxo de petroquímicos do Golfo Pérsico. Os preços, no entanto, recuaram à medida que EUA e Irã se aproximaram de um acordo de paz, com o etileno spot caindo 4,1% na última semana.

A Braskem se esforçou para elevar a produção durante o conflito e aumentou a eficiência geral de suas plantas para cerca de 70%, disse França, que comanda as refinarias e processos industriais da Petrobras. A petroquímica pretende elevar essa eficiência para 85% até dezembro.

A Braskem declinou de comentar.

A companhia e seus controladores, a gestora brasileira IG4 Capital e a Petrobras, lutam para conseguir o apoio de credores suficientes para tocar a proposta de recuperação extrajudicial, segundo apurou a Bloomberg nesta semana. A falta de acordo aumentaria as chances de uma recuperação judicial.

Novo controle

França entrou no conselho da Braskem no início deste mês como parte do acordo com a IG4 Capital, que tomou o controle da companhia das mãos do conglomerado Novonor (antiga Odebrecht). A Petrobras, que mantém participação minoritária relevante na Braskem, ampliou seu controle sobre a gestão da petroquímica como parte do acordo com a IG4.

A CEO da Petrobras, Magda Chambriard, assumiu como presidente do conselho da Braskem, enquanto França e o diretor financeiro Fernando Melgarejo entraram como conselheiros. A petroleira também indicou o diretor de operações da Braskem e o diretor de logística.

A estatal busca novas formas de trabalhar em conjunto com a Braskem, incluindo o fornecimento de mais etano (matéria-prima) à petroquímica, segundo França. A Petrobras também quer que a Braskem forneça mais hidrogênio para suas refinarias e está em negociação com fornecedores americanos de nafta.

A IG4, por sua vez, lidera as negociações de dívida com os credores da Braskem, disse Melgarejo.

“Questões externas são responsabilidade da IG4”, disse o CFO em entrevista. “A Petrobras não vai estar envolvida em nenhuma questão de estrutura de capital. Internamente, do ponto de vista operacional, é a Petrobras.”

©2026 Bloomberg L.P.

De advogado a engenheiro: profissionais liberais podem ter desconto em impostos. Veja como funciona

18 de Junho de 2026, 17:23

À primeira vista, a reforma tributária traz uma novidade que parece uma grande vantagem para profissionais liberais que prestam serviços por meio de sua própria empresa: uma redução de 30% nas alíquotas do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços, que substitui o ISS e o ICMS) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços, que entra no lugar do PIS e da Cofins), dois dos novos impostos que começam a valer a partir de 2027.

Dezoito categorias de profissionais que exercem atividades de natureza científica, literária ou artística e são fiscalizados por um conselho profissional vão ter direito a esse benefício.

É o caso de administradores, advogados, contadores, engenheiros e biólogos, entre outros. Confira a lista completa no artigo 127 da lei que criou o IBS e a CBS.

São profissões em que o que se contrata é o conhecimento do profissional, não um produto ou serviço comercial, explica Fernanda Silveira, sócia da consultoria Simões Pires.

Mas, antes de comemorar, vale fazer as contas. Para uma parte desses profissionais, o desconto pode não significar redução nenhuma em relação aos impostos pagos atualmente. E, em alguns casos, a tributação tende a aumentar quando o IBS e a CBS entrarem em vigor.

Desconto para quem?

Para que a empresa tenha direito à alíquota reduzida dos dois impostos, seu quadro de sócios deve ser formado exclusivamente por pessoas habilitadas no conselho de classe das 18 profissões beneficiadas. Não pode haver PJs como sócias e a própria empresa também não pode participar de outras sociedades.

Além disso, o objeto social da empresa – ou seja, suas atividades econômicas – devem se restringir à profissão dos sócios, o que inviabiliza o desconto para holdings, por exemplo. Se um único critério for descumprido, a empresa perde o benefício inteiro.

Ainda há restrições para empresas com mais de uma atividade. Imagine um escritório de engenharia que também vende materiais de construção.

Se os materiais são usados na execução do próprio serviço, embutidos no preço cobrado do cliente, a redução pode ser aplicada sobre o valor total.

Mas, no caso da mera revenda de itens, não. “A Receita Federal poderá questionar situações como essa, quando o serviço intelectual vem misturado com outras atividades”, diz Fernanda.

A fiscalização será feita por cruzamento eletrônico de dados. “Se a empresa aplicou o desconto sem cumprir os requisitos, pode ser cobrada pela diferença de imposto de até cinco anos antes, com multa e juros”, diz Leonardo Mazzillo, sócio da área tributária do WFaria Advogados.

Fazendo as contas

Embora seja bem-vinda, a redução de 30% do IBS e da CBS não significa que os profissionais liberais vão pagar menos imposto do que hoje – e, sim, que podem desembolsar menos do que gastariam no novo sistema sem o desconto. Para a maioria deles, os especialistas estimam que a conta vai aumentar de qualquer jeito.

As alíquotas dos dois novos impostos ainda precisam ser definidas pelo Congresso Nacional, mas os cálculos que circulam atualmente em discussões de legisladores indicam que a soma das duas para os profissionais beneficiados deve ficar entre 26,5% e 27%. Com a redução de 30%, o custo cairia para a faixa entre 18,5% e 19%.

Parece um alívio, né? Mas compare com o custo tributário atual desses profissionais.

Para aqueles que têm empresas enquadradas no regime de lucro presumido, as alíquotas atuais de ISS (Imposto sobre Serviços) vão de 2% a 5%, mais PIS e Cofins de 3,65%. Entre os três impostos, que serão substituídos pelo IBS e a CBS, o total fica entre 5,65% e 8,65% sobre o faturamento. “Nesse caso, mesmo com o desconto de 30%, a tributação sobre consumo pode até dobrar”, afirma Fernanda.

Para as empresas enquadradas no Simples Nacional, as alíquotas da guia unificada de impostos, a DAS, variam de 4,5% a 33%, dependendo do tipo de atividade e do tamanho da receita anual – e continuarão exatamente do mesmo jeito para quem optar por se manter integralmente nesse regime.

O desconto de 30% sobre o IBS e a CBS só fará sentido para as empresas de profissionais liberais que decidirem migrar para o chamado regime híbrido, que permite recolher os dois impostos separadamente para gerar “créditos” para seus clientes que também sejam empresas. O Descomplica PJ explicou em detalhes como o regime híbrido funciona nesta reportagem.

Um exemplo: imagine que uma grande companhia contrata a empresa de um advogado ou engenheiro. Se o profissional estiver no regime híbrido, sua nota fiscal destacará o IBS e a CBS que incidem sobre o valor do serviço e isso vai vira crédito para quem contratou.

Se o profissional cobrar R$ 10.000 pelo serviço e destacar R$ 1.850 de IBS e CBS (considerando a alíquota de 18,5%, já com desconto de 30%) na nota, o cliente vai pagar um total de R$ 11.850 – mas vai receber de volta R$ 1.850 na forma de créditos para usar depois. Na prática, o custo efetivo do serviço para ele continuará sendo de R$ 10.000.

Na ponta do lápis, mesmo com o desconto de 30% nos novos impostos, o regime híbrido ainda pode sair mais caro do que atualmente para os profissionais liberais, já que só IBS e CBS somariam alíquota de 18,5% a 19% e os demais tributos continuariam sendo recolhidos na guia unificada.

Por outro lado, permitiria a um cliente PJ transformar o valor cheio dos dois impostos em créditos, usados para abater do seu próprio pagamento de tributos. E tributaristas têm dito que isso pode virar um diferencial competitivo.

Para quem vale a pena

Ficar fora do regime híbrido tornaria o serviço menos atrativo para clientes PJ, que vão comparar o custo líquido de contratar um profissional do Simples com outro do lucro presumido, em que também há geração de crédito.

No fim do dia, quem tem mais chance de sair ganhando é o profissional liberal que atende principalmente outras empresas, tem faturamento alto e custos operacionais que geram crédito, como gastos com tecnologia, licenças de software ou infraestrutura.

“Para quem atende principalmente pessoas físicas, que não pode aproveitar a geração de crédito, o melhor é manter tudo dentro do Simples e não migrar para o regime híbrido”, afirma Mazzillo.

Desconto para profissionais liberais

O acesso à redução de 30% no IBS e na CBS também estará disponível para profissionais liberais que atuam como pessoa física – e de um jeito mais simples. Basta que o serviço esteja vinculado à habilitação no conselho de classe e que o cadastro esteja em dia.

O problema é que a redução de 30% resolve só a parte dos impostos para esses profissionais. O Imposto de Renda continua incidindo com alíquota de até 27,5% sobre o rendimento, mais 20% de contribuição previdenciária.

Somando a isso os 18,5% a 19% de IBS e CBS, a carga total pode passar de 40% sobre o faturamento bruto. Com isso, prestar serviço como pessoa física tem pouca vantagem para quem tem faturamento médio ou alto.

Isso fora o fato de que o profissional autônomo não vai gerar créditos de IBS e CBS para clientes PJ, que não vão conseguir recuperar nenhum valor sobre os impostos pagos. Dependendo da relevância dos clientes PJ na carteira, pode valer a pena avaliar a abertura de um CNPJ.

Como se preparar para as mudanças

Como a conta dos impostos para profissionais liberais pode aumentar, é importante organizar a casa para sentir menos o impacto. “E, quanto antes, melhor”, afirma Fernanda.

Comece olhando para quem são seus clientes. Se você atende principalmente empresas, revise seus contratos para deixar claro como o imposto vai ser repassado no preço. Se atende pessoas físicas, vale simular com o contador qual regime vai pesar menos no seu bolso.

Depois, resgate o contrato social da sua empresa. Todos os sócios são pessoas físicas com registro no conselho de classe? A empresa tem alguma ligação com uma holding ou participa como sócia de outra PJ? Se sim, pode ser necessário fazer ajustes ainda em 2026 para não perder o direito ao desconto.

Outra medida importante é levantar os gastos da empresa que vão gerar crédito de IBS e CBS a partir de 2027 – aluguel, energia, softwares, equipamentos. Confirme que os fornecedores estão emitindo nota fiscal certinho, porque, sem documento fiscal, não tem crédito.

Por fim, leve tudo isso para o contador e peça uma simulação comparando os regimes. Um detalhe que não pode passar: a opção pelo Simples, com recolhimento de IBS e CBS por dentro ou por fora do regime, precisa ser feita ainda neste ano, no mês de setembro.

Brasil x Haiti: veja horários e próximos jogos da Seleção na Copa do Mundo 2026

18 de Junho de 2026, 15:42

A seleção brasileira volta para o campo nesta sexta-feira (19) em mais um jogo da Copa do Mundo 2026. O adversário da vez é o Haiti, em partida que acontece às 21h30, pelo horário de Brasília, no Estádio da Filadélfia, nos Estados Unidos.

Brasil e Haiti disputam no mundial de seleções pelo grupo C, que também tem Marrocos e Escócia.  Ao todo, o Brasil fará três jogos na fase de grupos, todos em território norte-americano.

O confronto acontece após a seleção brasileira jogar contra o time marroquino que terminou em empate após um gol de Vini Jr. 

Atualmente, a Escócia é líder do grupo C com 3 pontos, após derrotar o Haiti por 1 a 0 no último sábado (13).

A Copa do Mundo 2026 começou em 11 de junho e será disputada até 19 de julho. Esta edição terá 48 seleções, 12 grupos, 104 jogos e sedes em três países: Estados Unidos, Canadá e México.

Que horas é Brasil X Haiti?

Brasil x Haiti

  • Data: sexta, 19 de junho;
  • Horário: 21h30;
  • Local: Estádio da Filadélfia;
  • Cidade: Filadélfia.

Quais são os jogos do Brasil na fase de grupos?

O Brasil terá três jogos na fase de grupos da Copa do Mundo 2026:

  • Brasil x Marrocos: sábado, 13 de junho, às 19h, em Nova Jersey;
  • Brasil x Haiti: sexta-feira, 19 de junho, às 21h30, na Filadélfia;
  • Brasil x Escócia: quarta-feira, 24 de junho, às 19h, em Miami.

Grupo C da Copa do Mundo 2026

O Grupo C começa com a estreia da seleção brasileira. Brasil x Marrocos será disputado no sábado, 13 de junho, às 19h, no Estádio de Nova York/Nova Jersey.

  • Brasil x Marrocos – sábado, 13/06, às 19h;
  • Haiti x Escócia – sábado, 13/06, às 22h;
  • Escócia x Marrocos – sexta-feira, 19/06, às 19h;
  • Brasil x Haiti – sexta-feira, 19/06, às 22h;
  • Escócia x Brasil – quarta-feira, 24/06, às 19h;
  • Marrocos x Haiti – quarta-feira, 24/06, às 19h.
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Onde assistir os jogos da Copa do Mundo 2026?

A transmissão da Copa do Mundo 2026 no Brasil será dividida entre TV aberta, TV fechada, streaming, YouTube e rádio.

Na TV aberta, os jogos serão exibidos por Globo e SBT. Na TV por assinatura, a cobertura terá SporTV, N Sports e ge tv. No streaming e YouTube, a transmissão terá Globoplay, CazéTV, ge tv e N Sports.

  • TV aberta: TV Globo (55 jogos) e SBT (32 jogos);
  • TV por assinatura: SporTV (55 jogos), N Sports (32 jogos) e ge tv (32 jogos);
  • Streaming e YouTube: CazéTV (todos os jogos), Globoplay (55 jogos), ge tv (32 jogos) e N Sports (32 jogos);
  • Rádio: CBN, Rádio Globo, Jovem Pan, Rádio Gaúcha, BandNews FM, Rádio Bandeirantes, Rádio Itatiaia e outras emissoras.

Como funciona a fase de grupos da Copa do Mundo 2026?

A fase de grupos da Copa do Mundo 2026 será disputada em pontos corridos dentro de cada chave. Cada seleção fará três jogos, uma partida contra cada adversária do grupo.

A pontuação segue o modelo tradicional:

  • Vitória: 3 pontos;
  • Empate: 1 ponto;
  • Derrota: 0 ponto.

Ao fim das três rodadas, avançam ao mata-mata os dois primeiros colocados de cada grupo. Além deles, os oito melhores terceiros colocados entre os 12 grupos também se classificam.

Na prática, uma seleção pode não terminar entre as duas primeiras da chave e ainda assim seguir para a fase eliminatória, desde que tenha campanha suficiente para ficar entre os melhores terceiros colocados.

Depois da fase de grupos, começa o mata-mata a partir dos 16 avos de final. A partir dessa etapa, quem vence avança e quem perde é eliminado.

Saiba Mais sobre Copa do Mundo 2026

Cuba aprova mudanças pró-mercado após pressão de Trump

18 de Junho de 2026, 15:02

A liderança de Cuba aprovou uma ampla lista de 176 medidas de liberalização econômica que abrangem 23 áreas centrais, enquanto o país caribenho tenta resgatar uma economia estagnada que sofre com as sanções dos EUA.

O comitê central do Partido Comunista aprovou as medidas no fim da quarta-feira (17), segundo o jornal estatal Granma. A Assembleia Nacional foi convocada para uma sessão extraordinária nesta quinta-feira para ratificá-las.

O presidente Miguel Díaz-Canel havia sinalizado as reformas pela primeira vez na semana passada. Elas atingem praticamente todos os setores da economia, incluindo energia, agricultura e comércio exterior. Ainda não está claro, porém, se serão suficientes para satisfazer o presidente dos EUA, Donald Trump, que impôs à ilha um bloqueio de fato ao abastecimento de combustíveis e vem ampliando agressivamente as sanções na tentativa de pôr fim a quase sete décadas de governo de partido único.

Entre as medidas destacadas pelo governo cubano estão:

  • Estabelecer “regras jurídicas uniformes” para empresas estatais e privadas, bem como para investidores estrangeiros e nacionais;
  • Permitir a participação do setor privado em mais áreas da economia;
  • Eliminar a maior parte dos controles de preços, que o governo reconheceu terem fracassado no combate à inflação e provocado distorções econômicas;
  • Iniciar um processo de renegociação para trocar dívida pública por ativos domésticos;
  • Criar um “marco estável” para promover investimentos, transferência de tecnologia e doações de cubanos que vivem no exterior;
  • Autorizar investimento estrangeiro direto no setor privado, com regras claras sobre propriedade, resolução de disputas e distribuição de lucros;
  • Garantir aos agricultores acesso a moeda estrangeira e o direito de importar suas próprias matérias-primas sem intermediários estatais;
  • Conceder maior autonomia a empresas estatais e municípios;
  • Fundir instituições estatais e governamentais para eliminar funções duplicadas;
  • Eliminar impostos e tarifas sobre tecnologias de energia solar e permitir que empresas estrangeiras forneçam diretamente ao mercado painéis, baterias e inversores;
  • Reduzir o déficit fiscal por meio do aumento de impostos e do corte de gastos considerados desnecessários.

Além da abertura econômica, Trump e o secretário de Estado Marco Rubio exigem reformas políticas e uma mudança na liderança do país. O cerco cada vez mais rígido imposto pelos EUA agravou os apagões e comprometeu os sistemas de saúde pública e transporte. A Organização das Nações Unidas teme uma crise humanitária em formação, apontando, entre outros indicadores, o aumento da mortalidade infantil.

Ao falar após a reunião do comitê central na quarta-feira, Díaz-Canel atribuiu as dificuldades de Cuba ao embargo econômico dos EUA e ao amplo conjunto de sanções que afastou empresas estrangeiras.

“A realidade nos impõe mudanças urgentes e necessárias”, disse. “E quando a vida do povo se torna tão difícil, o primeiro dever do Partido Comunista e do governo revolucionário não é explicar melhor a crise, mas mudar o que precisa ser mudado para sair dela.”

O presidente cubano também afirmou que as reformas econômicas contam com o aval de Raúl Castro, o líder revolucionário de 95 anos que ainda exerce influência simbólica sobre o país. Em maio, o Departamento de Justiça dos EUA tornou pública uma acusação contra Castro por homicídio relacionada à derrubada, em 1996, de duas aeronaves civis.

Receita abre consulta ao segundo lote de restituição do IR. Veja como consultar

18 de Junho de 2026, 11:51

A Receita Federal abrirá na próxima terça-feira (23), a consulta ao segundo lote da restituição do IR 2026. O contribuinte pode verificar se foi incluído no pagamento pelo site da Receita Federal, pelo aplicativo oficial ou pelo portal Meu Imposto de Renda, no e-CAC.

O segundo lote será pago no dia 30 de junho e a estimativa do Fisco é que serão liberados R$ 16 bilhões em créditos para cerca de 9 milhões de contribuintes.

Segundo a Receita Federal, o segundo lote representa 40% das restituições previstas para este ano, tanto em valores quanto em número de contribuintes. O crédito será feito ao longo do dia nas contas indicadas pelos contribuintes.

A orientação do Fisco é que o contribuinte aguarde até o fim do dia para confirmar o depósito, já que o horário de crédito pode variar conforme o processamento de cada instituição financeira.

Como consultar o 2º lote da restituição do IR 2026?

A consulta ao 2º lote da restituição do IR 2026 pode ser feita por três canais:

A consulta informa se a declaração foi processada, se o contribuinte entrou em fila de restituição ou se há pendências que precisam ser corrigidas.

Como consultar pelo site da Receita Federal?

A forma mais simples de verificar se a restituição do IR foi liberada é pela consulta pública no site da Receita Federal.

Para consultar, o contribuinte deve informar:

  • CPF;
  • Data de nascimento;
  • Ano da declaração, no caso, 2026.

O sistema mostra a situação da restituição e indica se o pagamento foi liberado no lote consultado.

Como consultar a restituição pelo aplicativo da Receita Federal?

Também é possível consultar a restituição do Imposto de Renda pelo celular, usando o aplicativo oficial da Receita Federal, disponível para Android e iOS.

O passo a passo é:

  • Baixar ou abrir o aplicativo Receita Federal no celular;
  • Fazer login com a conta gov.br;
  • Tocar em “Meu Imposto de Renda”;
  • Selecionar o ano da declaração;
  • Acessar a opção “Restituição”.

Pelo aplicativo, o contribuinte acompanha a situação da declaração e verifica se a restituição foi liberada.

Como consultar pelo Meu Imposto de Renda?

O serviço Meu Imposto de Renda, disponível no portal e-CAC, oferece uma consulta mais detalhada sobre o processamento da declaração.

Para acessar, basta:

  • Entrar no portal e-CAC da Receita Federal;
  • Clicar em “Entrar com gov.br”;
  • Fazer login;
  • Selecionar “Meu Imposto de Renda”;
  • Escolher o exercício 2026, referente ao ano-calendário 2025;
  • Clicar em “Consultar Restituição” ou “Extrato da Declaração”.

Qual é a ordem de prioridade da restituição do IR?

As restituições são liberadas conforme a ordem de entrega da declaração e as prioridades definidas pela Receita Federal.

A prioridade no pagamento segue esta ordem:

  • Idosos com idade igual ou superior a 80 anos;
  • Idosos com idade igual ou superior a 60 anos;
  • Pessoas com deficiência ou moléstia grave;
  • Contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério;
  • Quem utilizou a declaração pré-preenchida e optou por receber a restituição por Pix;
  • Quem utilizou a declaração pré-preenchida ou optou por receber a restituição por Pix;
  • Demais contribuintes.

Dentro de cada grupo, a ordem de entrega da declaração também influencia a entrada nos lotes.

LEIA MAIS: Como funciona a fila da restituição do Imposto de Renda?

Quando serão pagos os próximos lotes da restituição?

A Receita Federal prevê que o segundo lotecontemple cerca de 9 milhões de contribuintes, com valores próximos a R$ 16 bilhões.

Com isso, os dois primeiros lotes devem concentrar cerca de 80% da estimativa de restituições a serem pagas em 2026.

As próximas datas de pagamento da restituição do IR 2026 são:

  • 2º lote: 30 de junho de 2026;
  • 3º lote: 31 de julho de 2026;
  • 4º lote: 31 de agosto de 2026.

Messi, Mbappé ou Cristiano Ronaldo, quem é o maior… em patrocínios?

18 de Junho de 2026, 11:27

Cristiano Ronaldo e Messi chegam à Copa do Mundo 2026 em um estágio avançado da carreira, com a sexta participação de ambos no torneio e marcas construídas ao longo de quase duas décadas no topo do futebol.

Kylian Mbappé, por outro lado, disputa sua terceira Copa do Mundo como capitão da França e principal nome esportivo da nova geração.

A diferença de momento também aparece fora de campo. Os três jogadores concentram patrocinadores em setores como material esportivo, luxo, tecnologia, games, hotelaria, bebidas, alimentação, saúde, inteligência artificial e entretenimento digital.

Messi e Cristiano Ronaldo estão empatados com o maior número de patrocinadores entre os três, com 11 marcas cada. A diferença reflete o momento de cada carreira. Ambos chegam à Copa do Mundo 2026 como nomes históricos, com marcas consolidadas em múltiplos setores.

Mbappé aparece com oito parcerias listadas, mas com forte presença nos segmentos de luxo, moda, hotelaria e performance esportiva ao entrar na Copa como principal nome da nova geração de jogadores.

Os valores pagos por patrocinadores desse porte raramente são divulgados oficialmente. Por isso, os números disponíveis são estimativas de mercado ou valores noticiados em reportagens, e não necessariamente representam o total real recebido por cada atleta.

Considerando apenas os contratos anuais com estimativas disponíveis nas fontes, os três jogadores somam entre US$ 69,8 milhões e US$ 73,7 milhões por ano em patrocínios estimados.

Lionel Messi

Lionel Messi estreou profissionalmente pelo Barcelona em 2004 e se transformou em uma estrela mundial no fim dos anos 2000, especialmente durante a era de Pep Guardiola.

No Barcelona, consolidou-se como um dos maiores nomes da história do clube, acumulando Bolas de Ouro, títulos da Champions League, campeonatos espanhóis e diversos recordes individuais.

Na Copa do Mundo, o argentino disputou o torneio pela primeira vez em 2006, quando a competição foi realizada na Alemanha. Depois, também participou das edições de 2010, 2014, 2018 e 2022, quando liderou a Argentina ao tricampeonato mundial no Catar.

Em 2026, chegou à sexta Copa do Mundo e, na estreia contra a Argélia, atingiu a marca de 200 jogos pela seleção argentina. Com um hat-trick na vitória por 3 a 0, igualou o alemão Miroslav Klose como maior artilheiro da história das Copas do Mundo, com 16 gols.

No quesito patrocínios, Messi tem um contrato estimatimado com a Adidas, principal patrocinadora esportiva do argentino que rende mais de US$ 25 milhões por ano ao jogador. O acordo vitalício com a marca também prevê uma cifra próxima de US$ 1 bilhão ao longo da vida do contrato.

Marcas que patrocinam Messi

  • Adidas: a empresa é a principal patrocinadora esportiva de Messi. A marca utiliza o argentino em campanhas de chuteiras, produtos próprios, ações relacionadas à Copa do Mundo e iniciativas ligadas ao legado do jogador.
  • Apple / Apple TV: a Apple é parceira de mídia da liga norte-americana e utiliza a presença de Messi como ativo central para ampliar o alcance do MLS Season Pass.
  • Mastercard: Messi atua como embaixador global de futebol da marca. A empresa desenvolve ações de experiência para fãs, incluindo campanhas de troca de camisas e benefícios para clientes.
  • Lay’s: a marca de salgadinhos utiliza Messi em campanhas globais ligadas ao hábito de assistir futebol.
  • Michelob Ultra/AB InBev: a marca de cerveja utiliza Messi em campanhas relacionadas à Copa América, à Copa do Mundo e à cultura de torcida nos Estados Unidos.
  • Hard Rock International: a parceria posiciona Messi como uma figura de experiências. Em 2026, a marca lançou uma campanha global com produtos, sorteios, suítes temáticas e ativações ligadas ao jogador.
  • Lowe’s: a rede de varejo norte-americana utiliza Messi para se aproximar dos fãs de futebol nos Estados Unidos, especialmente em campanhas ligadas a residências, festas e reuniões para assistir aos jogos.
  • Beats by Dre: a marca utiliza Messi para promover produtos relacionados a estilo de vida, música, treino e viagens.
  • Fortnite: além de participar de ações promocionais, Messi também é uma skin disponível para os jogadores.
  • Panini: Messi aparece como um dos nomes mais fortes do mercado de figurinhas e cards, associado ao colecionismo, à memória esportiva e à sua trajetória em Copas do Mundo.
  • YPF: a petroleira argentina utiliza Messi para se associar à seleção, à torcida e à identidade nacional.

Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo iniciou sua carreira profissional no Sporting, mas se transformou em uma estrela internacional após chegar ao Manchester United, em 2003. O salto definitivo ocorreu entre 2007 e 2008, quando conquistou a Champions League e sua primeira Bola de Ouro.

No Real Madrid, consolidou-se como um dos maiores nomes da história do futebol. Também se tornou o maior artilheiro da história do clube e liderou uma era marcada por quatro títulos de Champions League entre 2014 e 2018.

Na Copa do Mundo, o português disputou o torneio pela primeira vez em 2006, na Alemanha. Depois, também participou das edições de 2010, 2014, 2018 e 2022.

Em 2026, chegou à sexta Copa do Mundo por Portugal. O jogador nunca conquistou o título mundial, e seu melhor resultado ocorreu em 2006, quando a seleção portuguesa terminou na quarta posição.

Cristiano Ronaldo tem na Nike seu principal contrato comercial com valor estimado. O acordo vitalício com a marca rende aproximadamente US$ 27,6 milhões. O contrato também é tratado em estimativas como próximo de US$ 1 bilhão ao longo da vida do acordo. 

O jogador também tem laços com a Herbalife que, em 2026, recebeu um investimento de US$ 7,5 milhões feito por Cristiano Ronaldo, que também atua na divulgação da marca.

Marcas que patrocinam Cristiano Ronaldo

  • Nike: principal parceira esportiva de Cristiano Ronaldo, a marca utiliza o português em campanhas de chuteiras, roupas de treino e produtos ligados à performance, disciplina e longevidade.
  • Herbalife: a empresa utiliza Cristiano Ronaldo como exemplo de rotina, performance e cuidados físicos. A parceria começou em 2013.
  • Clear: a marca de cuidados pessoais utiliza Cristiano Ronaldo para reforçar uma imagem ligada à estética, à confiança e à presença global.
  • Binance: a corretora de criptoativos leva Cristiano Ronaldo para o universo de NFTs, ativos digitais e comunidades online.
  • Jacob & Co.: a relojoaria de luxo associa o jogador a produtos de alto padrão, exclusividade e itens ligados à marca CR7.
  • WHOOP: a empresa de tecnologia vestível utiliza Cristiano Ronaldo em campanhas relacionadas a sono, recuperação, esforço e desempenho físico.
  • UFL: o jogo de futebol utiliza Cristiano Ronaldo como parceiro e investidor.
  • SNK/Fatal Fury: a parceria leva Cristiano Ronaldo ao universo dos games. O jogador aparece como personagem jogável no título.
  • Perplexity AI: a empresa de inteligência artificial tem Cristiano Ronaldo como investidor e parceiro global.
  • Dreame Technology: a fabricante de eletrodomésticos inteligentes utiliza Cristiano Ronaldo como embaixador global.
  • ZujuGP: a plataforma digital ligada ao futebol utiliza Cristiano Ronaldo como rosto global para ampliar seu alcance.

LEIA MAIS: Dona da CazéTV e sócia de Cristiano Ronaldo busca ‘novos Casimiros’ em mercados europeus

Kylian Mbappé

Kylian Mbappé ganhou projeção mundial ainda adolescente, na temporada 2016/17, quando se destacou pelo Monaco, equipe campeã do Campeonato Francês e semifinalista da Champions League.

No Paris Saint-Germain, tornou-se o principal jogador francês de sua geração e o maior artilheiro da história do clube. Em 2024, após anos de especulação, transferiu-se para o Real Madrid.

Na Copa do Mundo, Mbappé disputou o torneio pela primeira vez em 2018, na Rússia. Naquela edição, conquistou o título mundial com a França. Também participou da Copa de 2022, quando foi vice-campeão, marcou três gols na final contra a Argentina e terminou como artilheiro da competição.

Em 2026, chegou à terceira Copa do Mundo como capitão da França. Na estreia contra o Senegal, tornou-se o maior artilheiro da história da seleção francesa em gols totais, chegando a 58 gols e ultrapassando Olivier Giroud (57).

Mbappé tem dois contratos com estimativas públicas. O primeiro é o acordo com a Nike, com valor estimado em US$ 36,1 milhões por ano. Já a parceria com a Hublot é estimada em até US$ 1,1 milhão. Assim, os contratos somam entre US$ 37,2 milhões por ano.

Marcas que patrocinam Mbappé

  • Nike: principal parceira esportiva de Mbappé, a empresa acompanha o jogador desde as categorias de base e utiliza sua imagem em produtos, chuteiras e campanhas esportivas.
  • Hublot: a relojoaria de luxo utiliza Mbappé como embaixador para conectar suas campanhas ao futebol e ao mercado de relógios de alto padrão.
  • Oakley: a marca trabalha com o jogador em ações ligadas a óculos, esporte e estilo.
  • Dior: a grife de luxo anunciou Mbappé como embaixador em 2025. O jogador também participou da coleção Dior Summer 2026.
  • Accor/ALL: o grupo de hotelaria trabalha com Mbappé em campanhas ligadas ao programa ALL Accor. Em 2025, o jogador foi o rosto da campanha “Don’t be a Guest, be a Guest Star”.
  • Fairmont: a marca de hotelaria de luxo do grupo Accor lançou, em 2026, uma campanha global de bem-estar com Mbappé como embaixador.
  • Sorare: a plataforma de fantasy game e cards digitais tem Mbappé como embaixador, investidor e parceiro de impacto social.
  • Alan: a empresa francesa de saúde e seguros digitais tem Mbappé como investidor e embaixador em campanhas ligadas à prevenção, ao sono, à nutrição e à saúde mental.

Saiba Mais sobre Copa do Mundo 2026

Volkswagen sob pressão: investidores cobram avanço da reestruturação diante da ofensiva chinesa em elétricos

18 de Junho de 2026, 10:53

O CEO da Volkswagen, Oliver Blume, enfrenta pressão crescente dos acionistas para demonstrar que sua reestruturação avança com rapidez suficiente, enquanto o corte profundo nas projeções da BMW amplia as preocupações sobre as perspectivas da indústria automotiva alemã.

Na assembleia anual da VW, realizada nesta quinta-feira (18), investidores questionam se os esforços dos últimos três anos sob a liderança de Blume são suficientes diante da reorganização do setor impulsionada pelos campeões de veículos elétricos da China. Em jogo está a capacidade da maior montadora da Europa de financiar seu futuro e manter o pagamento de dividendos que sustenta sua atratividade para investidores.

“Sem uma reestruturação decisiva, a Volkswagen corre o risco de um declínio gradual”, afirmou Tanja Bauer, especialista em sustentabilidade e governança corporativa da Deka Investment, uma das maiores gestoras de fundos da Alemanha. Os acionistas precisam de “um modelo de negócios que volte a gerar retornos de forma confiável”.

Embora Blume possa apontar avanços, como a redução dos custos de desenvolvimento e a liderança em vendas de veículos elétricos na Europa, as mudanças têm gerado atritos com trabalhadores e também dentro da própria governança da empresa. A ex-CEO da Renk, Susanne Wiegand, anunciou nesta quinta-feira que deixará o conselho de supervisão menos de um ano após assumir o cargo.

A saída ocorre em um momento sensível, no qual o conselho avalia a venda de uma unidade de motores marítimos que pode ser avaliada em €8 bilhões (cerca de US$ 8,7 bilhões) ou mais. A decisão também reduz a presença de vozes industriais externas em um momento em que a montadora lida com preocupações de investidores sobre governança e estratégia.

Além das disputas internas, a VW ainda enfrenta tarifas dos EUA, fraqueza persistente na China e sua própria complexidade estrutural, levando Blume a buscar novos cortes e simplificações.

A projeção da Volkswagen — que atualmente prevê margem operacional de pelo menos 4% neste ano — está sob pressão após a BMW reduzir fortemente suas expectativas de rentabilidade, para até 1%. A rival de luxo da Porsche e da Audi atribuiu o corte à queda na China e à demanda mais fraca em outros mercados, em meio às tensões no Oriente Médio.

China

A China é a principal preocupação. As vendas de carros no país caíram mais de 20% em maio, com a demanda por veículos a combustão — ainda base das receitas da VW e da BMW — recuando quase 40%. A deterioração levou analistas a revisarem para baixo as projeções anuais de vendas.

Enquanto as montadoras alemãs lançam novos produtos e parcerias, a forte concorrência local e os descontos agressivos ameaçam deixá-las fora do maior mercado automotivo do mundo.

A BMW está sendo atingida pelas mesmas pressões que afetam Volkswagen e Mercedes-Benz, levantando dúvidas sobre o modelo de negócios do setor e sua viabilidade de longo prazo. As três empresas vêm cortando empregos e reduzindo capacidade produtiva.

O corte “radical” de lucros é um “alerta para a indústria automotiva”, afirmou o analista do JPMorgan José Asumendi.

Na Volkswagen, Blume promove mudanças relevantes, incluindo a tentativa de venda da unidade de motores marítimos Everllence e a saída de cerca de 28 mil trabalhadores. A empresa também reduziu sua capacidade de produção de 12 milhões para cerca de 9 milhões de veículos por ano.

No entanto, o mundo também mudou. Marcas como Audi e Porsche estão especialmente expostas às tarifas dos EUA, já que importam todos os veículos vendidos no país.

A meta de margem da VW — atualmente de 4% a 10% até 2030 — enfrenta dificuldades adicionais após o corte das projeções da BMW. Para alcançá-la, Blume precisa simplificar um grupo que reúne marcas de massa, luxo, serviços financeiros, software e caminhões, cuja escala antes era vantagem competitiva, mas agora se tornou um peso.

A complexidade também se reflete no portfólio: mais de 150 modelos de veículos, com sobreposição significativa entre marcas como VW, Skoda, Seat e Audi.

Apesar disso, há um cenário otimista. A Audi acelera sua reestruturação com novos modelos e avalia produção local nos EUA para contornar tarifas. A Porsche, sob nova liderança, promete cortes de custos e uma nova estratégia para recuperar margens.

Na China, a VW tenta recuperar espaço com desenvolvimento mais rápido, engenharia mais barata e parcerias com empresas locais como Xpeng e SAIC.

Ainda assim, investidores veem com ceticismo novas promessas de transformação desde a crise do diesel, diante da dificuldade de implementar mudanças profundas na estrutura do grupo.

A governança da Volkswagen, que envolve sindicatos, políticos e a família Porsche-Piëch, é vista como um dos principais obstáculos. Para analistas, essa estrutura torna cortes mais agressivos e mudanças rápidas extremamente difíceis de serem aprovadas.

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Braskem e IG4 Capital enfrentam resistência de credores em plano de reestruturação extrajudicial

18 de Junho de 2026, 10:31

A Braskem e sua nova acionista controladora, a IG4 Capital, enfrentam dificuldades para obter apoio suficiente para avançar com uma proposta de reestruturação extrajudicial, em meio a divergências sobre tratamento desigual entre credores e falta de injeção de capital, segundo pessoas com conhecimento do assunto.

A petroquímica até agora não conseguiu assegurar o apoio de credores em número suficiente para cumprir o limite legal necessário à chamada recuperação extrajudicial, que planejava pedir até julho, disseram as pessoas, que pediram anonimato para tratar de conversas privadas. A falta de acordo aumentaria as chances de uma medida cautelar contra credores, acrescentaram.

Credores resistem aos planos apresentados pela Braskem porque resultariam em tratamento desigual ao longo da estrutura de capital, com detentores de títulos de prazo mais curto recebendo condições mais favoráveis — e, portanto, enfrentando um haircut implícito menor — do que credores de prazo mais longo, segundo as pessoas. Alguns credores também manifestaram preocupação com as garantias oferecidas e com a ausência de uma opção para converter dívida em ações, acrescentaram.

Detentores de dívida também reclamam que os acionistas da Braskem não estão aportando dinheiro novo na companhia, disseram as pessoas. A Petrobras detém uma participação minoritária significativa na Braskem, enquanto a IG4 assumiu recentemente a fatia de controle da Novonor SA. Tanto a Petrobras quanto a IG4 têm resistido a injetar mais capital, o que credores suspeitam ocorrer porque ambas temem medidas que poderiam diluir suas participações, disseram as pessoas.

Braskem e IG4 não quiseram comentar. A Petrobras não respondeu a pedidos de comentário.

O caixa da Braskem encolheu após um desastre ambiental em uma de suas minas de sal e vários anos difíceis de preços deprimidos no setor petroquímico. A companhia apresentou aos credores um potencial plano de reestruturação que inclui alongamento dos vencimentos da dívida, redução do pagamento de cupons e períodos de carência mais longos, disse uma pessoa familiarizada com o assunto no início deste mês. O plano não inclui injeção de capital nem conversão de dívida em ações, segundo a pessoa.

A gigante petroquímica brasileira precisa do apoio de um terço dos credores para iniciar um processo de recuperação extrajudicial.

*Giovanna Bellotti Azevedo e Rachel Gamarski da Bloomberg

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Suíça perde liderança e deixa de ser a economia mais competitiva do mundo

18 de Junho de 2026, 09:34

A Suíça perdeu sua posição como a economia mais competitiva do mundo para Singapura, caindo para o terceiro lugar no ranking, à medida que as elevadas tarifas comerciais dos Estados Unidos e a valorização do franco suíço prejudicaram os fluxos de investimento.

Embora tenha permanecido como o país europeu mais bem colocado, a Suíça também foi ultrapassada por Hong Kong no Ranking Mundial de Competitividade 2026 do IMD, divulgado nesta quinta-feira (18). A eficiência empresarial foi o principal fator para que Singapura retornasse ao primeiro lugar, posição que havia ocupado pela última vez em 2024.

O IMD afirmou que a queda da Suíça mostra como até mesmo as economias mais fortes do mundo permanecem vulneráveis às mudanças nos fluxos de capital e ao aumento das incertezas geopolíticas. O revés ocorre em um momento em que o país enfrenta concorrência crescente: segundo o Boston Consulting Group, Hong Kong recentemente ultrapassou a Suíça como o maior centro mundial de gestão de fortunas transfronteiriças.

“Com uma moeda cara, vemos claramente uma deterioração nos rankings de preços, o que prejudica a atração de capital”, afirmou Arturo Bris, diretor do Centro Mundial de Competitividade do IMD. “E observamos a maior queda justamente na atração de investimento estrangeiro; o desempenho da Suíça foi significativamente inferior.”

Os fluxos de investimento direto estrangeiro para a Suíça passaram para um saldo negativo de US$ 60,7 bilhões, colocando o país na última posição entre as 70 economias avaliadas pelo IMD nesse indicador. Segundo a instituição, o movimento pode refletir ajustes de avaliação de ativos e repatriação de capital, e não necessariamente uma mudança estrutural permanente.

Parte desses fluxos é volátil e reflete investimentos em instituições financeiras e empresas holdings, explicou Ivo Germann, diretor de Assuntos Econômicos Externos da Secretaria de Estado para Assuntos Econômicos da Suíça.

“A Suíça enfrenta desafios, como muitos outros países, em um ambiente geopolítico cada vez mais instável, que precisará enfrentar nos próximos anos”, disse Germann. “Diante das tendências protecionistas e do enfraquecimento do sistema multilateral de comércio, o país deve continuar melhorando e diversificando seu acesso aos mercados estrangeiros por meio da agenda de acordos de livre comércio, que foi muito bem-sucedida no passado.”

Nos últimos 12 meses, a reputação da Suíça como refúgio de estabilidade política e econômica teve de conviver com debates internos importantes, incluindo referendos sobre limitar a população do país a 10 milhões de habitantes e a proposta de um imposto de 50% sobre heranças para residentes super-ricos.

A pequena nação, sede de instituições financeiras como UBS Group AG e da gigante alimentícia Nestlé SA, também entrou na mira do governo do presidente americano Donald Trump devido ao seu elevado superávit comercial com os Estados Unidos. O país chegou a receber a maior tarifa entre as economias ocidentais durante certo período, o que prejudicou o sentimento em relação ao setor privado suíço, segundo Bris.

“As tarifas certamente afetam mais os países pequenos e relativamente isolados, e a Suíça é uma vítima disso”, afirmou.

O relatório também destacou desafios no mercado de trabalho e no ambiente empresarial suíço. A remuneração de profissionais altamente qualificados, a participação feminina em cargos de gestão e a atividade empreendedora em estágio inicial foram apontadas entre os indicadores de pior desempenho do país.

Apesar da queda no ranking geral, a Suíça manteve a liderança mundial em eficiência governamental e infraestrutura, enquanto a eficiência empresarial permaneceu na sexta posição.

O IMD ressaltou que seus indicadores estatísticos são baseados principalmente em dados macroeconômicos de 2025 e ainda não incorporam integralmente os impactos da guerra envolvendo o Irã.

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Exclusões de Palmer e Luna da Copa mostram riscos do marketing esportivo

18 de Junho de 2026, 09:08

Quando a Nike revelou um anúncio de seis minutos para a Copa do Mundo, a atenção se concentrou no elenco que reunia estrelas do futebol como Cristiano Ronaldo e Kylian Mbappé ao lado de celebridades como Kim Kardashian.

Mas uma participação em Rip the Script, vídeo que já acumulou 76 milhões de visualizações no YouTube, chamou atenção por outro motivo. Por volta dos quatro minutos de duração, Cole Palmer aparece driblando com a camisa da Inglaterra, apesar de não ter sido convocado para a seleção do país. Sua ausência evidencia os desafios do marketing esportivo.

“É um tiro no escuro”, disse Bob Dorfman, profissional de marketing esportivo da região da Baía de São Francisco.

As marcas gastam milhões de dólares criando campanhas para grandes eventos esportivos em torno de atletas. No entanto, como a produção é feita com muita antecedência, os profissionais de marketing precisam fazer apostas calculadas sobre quem chegará ao maior palco do esporte.

Ao longo dos anos, houve diversas apostas equivocadas. Talvez o caso mais famoso tenha ocorrido em 1992, quando a campanha olímpica “Dan and Dave”, amplamente promovida pela Reebok, foi prejudicada depois que o decatleta Dan O’Brien não conseguiu se classificar para os Jogos de Barcelona.

Os profissionais de marketing também apostaram no meio-campista Diego Luna para ter papel de destaque na seleção dos Estados Unidos, que disputa uma Copa do Mundo em casa pela primeira vez em três décadas. A Nike o colocou em evidência na apresentação do novo uniforme da seleção americana, e o Bank of America o destacou em um comercial antes do torneio.

Mas, assim como Palmer, Luna ficou fora da lista final de convocados, anunciada no fim do mês passado, em uma decisão que a revista Sports Illustrated classificou como “surpreendente”.

Luna vinha sendo preparado para ser um dos rostos da seleção americana nesta Copa do Mundo, mas acabou não integrando o elenco.

Em comunicado, um porta-voz da Nike não comentou especificamente os casos de Palmer e Luna, mas afirmou que a empresa acredita que o esporte pode inspirar as pessoas “não porque todos os atletas vencem, mas porque ousam tentar”.

O Bank of America não respondeu aos pedidos de comentário.

Os riscos para as marcas são especialmente elevados nesta Copa do Mundo porque o torneio está sendo realizado em conjunto pelos Estados Unidos, maior economia de consumo do mundo. Tanto a Nike quanto sua rival Adidas vêm enfrentando dificuldades nos últimos anos para retomar o crescimento, e a competição representa uma grande oportunidade para conquistar consumidores.

As grandes marcas tentam reduzir os riscos de um atleta não ser convocado, sofrer uma lesão ou decepcionar dentro de campo investindo em vários jogadores ao mesmo tempo.

Adidas

Assim como a Nike, a Adidas utiliza diversas estrelas em sua campanha para a Copa. O vídeo de cinco minutos Backyard Legends reúne o ator Timothée Chalamet e jogadores como Lionel Messi, Jude Bellingham e Trinity Rodman.

“Não vejo muitas grandes marcas colocando todos os ovos na mesma cesta”, afirmou Jim Andrews, consultor de patrocínios e fundador da A-Mark Partnership Strategies. “Seria arriscado demais, especialmente em uma Copa do Mundo, quando marcas globais tentam atingir uma audiência global.”

A diversificação não é a única estratégia para enfrentar a volatilidade do esporte. Muitos atletas são contratados por sua relevância cultural fora dos campos. No caso de Luna, ele também é um conhecido defensor da saúde mental, característica que pode torná-lo um parceiro atraente para marcas.

Além disso, muitos esportistas assinam contratos de patrocínio de longo prazo, que vão além de um único ciclo de torneios, ajudando a reduzir o impacto de eventuais decepções esportivas. Messi possui um acordo vitalício de marketing com a Adidas, enquanto Ronaldo mantém um contrato semelhante com a Nike.

Meses atrás, o técnico da seleção masculina dos Estados Unidos, Mauricio Pochettino, já havia alertado que as decisões de publicidade ligadas à Copa não eram um indicativo de quem seria convocado.

“Os jogadores que hoje estão na lista não podem pensar que estarão na convocação final”, afirmou Pochettino em março, antes de partidas preparatórias para a Copa. “Talvez tiremos algumas fotos e preparemos materiais de marketing porque esta é a última oportunidade para fazer esse tipo de trabalho.”

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Bitcoin e criptomoedas recuam após Fed manter juros nos EUA

18 de Junho de 2026, 08:24

O bitcoin (BTC) e as principais criptomoedas recuam nesta quinta-feira (18), após a decisão de política monetária dos Estados Unidos. Na quarta-feira (17), o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) manteve a taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano, como já era esperado pelo mercado.

Juros elevados costumam pressionar ativos de risco, como criptomoedas e ações. Isso porque tornam os títulos do Tesouro americano (as famosas Treasuries) mais atraentes para investidores em busca de retornos com menor risco.

Por volta das 8h desta manhã, o bitcoin era negociado na faixa dos US$ 64 mil, com queda de 0,88%. O ethereum (ETH) recuava cerca de 1%, para a faixa dos US$ 1.700, enquanto o XRP (XRP) caía 2,09%, para US$ 1,16.

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Juros vão cair?

Mais importante do que a decisão em si era o tom adotado pelo Fed após a reunião. O mercado queria saber se o banco central americano daria alguma pista sobre cortes de juros ainda neste ano. Mas o recado foi outro.

O Fed reforçou as preocupações com a inflação e esfriou as apostas de flexibilização da política monetária. Agora, investidores já trabalham com a possibilidade de os juros permanecerem elevados por mais tempo e até de novas altas nos próximos meses.

A alta dos preços da energia, impulsionada pela valorização do petróleo em meio aos conflitos no Oriente Médio, é um dos fatores que seguem no radar.

O cenário é bem diferente do observado no fim do ano passado, quando parte do mercado acreditava que os Estados Unidos poderiam promover dois ou até três cortes de juros ao longo de 2026.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.

Bitcoin (BTC):  -0,88%, US$ 64.121,74

Ethereum (ETH): -1,06%, US$ 1.746,63

BNB (BNB): -1,86%, US$ 590,29

XRP (XRP): -2,09%, US$ 1,16

Solana (SOL): -0,86%, US$ 71,44

Outros destaques do mercado cripto

Críticas à norma da CVM. Uma das resoluções mais usadas pelas empresas que emitem tokens no Brasil é a CVM 88, criada originalmente para regular o crowdfunding. A Comissão de Valores Mobiliários quer modernizar essa norma – uma demanda antiga do setor. Nem todo mundo, porém, gostou das mudanças propostas. Alguns participantes do mercado avaliam que as alterações podem aumentar custos e tornar as operações mais complexas, o que poderia dificultar o avanço da tokenização no país.

Baleias estão comprando bitcoin. Enquanto parte dos investidores reduziu a exposição ao bitcoin após a postura mais dura do Fed, as chamadas “baleias” fizeram o movimento contrário. Segundo dados da Santiment, carteiras com pelo menos 1.000 BTC aumentaram suas posições e agora controlam a maior quantidade de moedas desde março. O movimento reforça um padrão observado nas últimas semanas: grandes investidores seguem acumulando BTC mesmo em momentos de incerteza no mercado.

Os bilhões em bitcoin da SpaceX. A estreia da SpaceX na Nasdaq, na semana passada, chamou atenção pela captação bilionária, mas um detalhe passou mais despercebido: a empresa revelou ter 18.712 bitcoins, avaliados em cerca de US$ 1,3 bilhão. Diferentemente de companhias como a Strategy (a maior tesouraria cripto do mundo), que têm o BTC como foco principal, a companhia de Elon Musk mantém moedas digitais como uma reserva estratégica de caixa.

Por que o mercado de motos de R$ 30 mil está em forte expansão?

18 de Junho de 2026, 06:45

O mercado brasileiro de motos está mudando. Marcas indianas e chinesas ocupam o espaço entre R$ 20 mil e R$ 40 mil, incomodando gigantes como Honda e Yamaha. Neste vídeo, o repórter Greg Prudenciano explica a estratégia dessas montadoras, o peso do polo de Manaus e o futuro dessa disputa. Dê o play e confira!

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Porta se fechou e BC vai interromper corte da Selic em agosto, projeta Silvia Matos, da FGV

18 de Junho de 2026, 06:20

O ciclo de cortes de juros do Banco Central pode ter durado só três reuniões. Se o Comitê de Política Monetária (Copom) realmente alcançou o limite das reduções da Selic na reunião desta quarta-feira (17) terá sido o menor ciclo de diminuições desde junho de 2002, quando a autoridade fez apenas um recuo, pausou o ciclo e, depois, teve que subir a taxa básica.

A avaliação que começa a se tornar consensual no mercado é a de que a porta dos cortes se fechou mesmo com o acordo para encerrar a Guerra do Irã. Se a pausa ou, eventualmente, o próprio fim do ciclo de queda da Selic se concretizar, há um impacto significativo sobre os investimentos.

A coordenadora do boletim Macro da FGV/Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), Silvia Matos, acredita que o BC, na verdade, só tinha duas opções sobre a mesa: parar o ciclo agora ou cortar mais uma vez e interromper as quedas na próxima reunião, que foi a visão que prevaleceu.

Isso diante de um cenário que se deteriorou e que agora combina pressões crescentes de altas de preços, desancoragem acentuada das expectativas de inflação futura – ou seja, na média, boa parte do mercado já não acredita que a inflação vai ficar dentro da meta no futuro -, choques de oferta e alta demanda do consumo interno, aquecido pelas injeções de recursos em um ano eleitoral.

É um cenário que o próprio BC reconheceu no comunicado que acompanhou a decisão de juros, em que cortou a taxa básica em 0,25 ponto percentual para 14,25% ao ano.

“O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho”, pontuou a autoridade.

Pressão sobre a Selic

“E nem mesmo quando colocamos a perspectiva de crescimento do PIB para este ano o cenário é positivo para a política monetária. Isso porque esse avanço está apoiado em crescimento do consumo das famílias e do próprio governo, com peso maior para o setor de serviços. Ou seja, uma combinação desfavorável para a busca do equilíbrio de preços”, ressalta Silvia Matos, da FGV.

A economista avalia que o BC não tem mais espaço para cortar juros, “porque a política monetária está sendo pressionada pela política fiscal”. Para ela, o Copom vai interromper o ciclo de redução da Selic a partir de agosto.

A especialista ressalta que vários choques de oferta ainda vão ocorrer e que o nível atual dos juros no mercado, mesmo em nível elevado, não colocou no preço esses eventos.

“Nós sabemos que tem mais choque de oferta pela frente, não é só da guerra. Temos, por exemplo, os efeitos climáticos sobre alimentos e energia. E, como a economia ainda cresce, ainda tem espaço para repassar essa inflação vinda desses choques.”

Para Matos, outro fator que restringe o espaço para mais cortes vem das eleições. A coordenadora macro da FGV/Ibre diz ver os efeitos da votação em outubro ainda em seu início.

“O mercado ainda está começando a precificar as eleições e, neste ano, a corrida será especialmente competitiva”, avalia a especialista, em referência ao fato de que os gastos públicos aceleram nesses períodos.

Diante de um crescimento das despesas do governo, “o quadro fiscal vai continuar sendo uma questão importante no resto do ano, então as curvas de juros futuras vão continuar pressionadas mesmo se o cenário externo melhorar”.

O economista do ASA Leonardo Costa também enxerga a possibilidade de a decisão do BC na quarta ter representado uma pausa do ciclo de cortes. No entanto o especialista acredita que a autoridade deixou uma porta aberta para retomar as quedas – se o cenário melhorar até agosto.

Conforme Costa, “nossa projeção é de encerramento de ciclo nessa reunião, em 14,25%, contudo abriu-se uma possibilidade (grande) de o Banco Central seguir em seu ciclo de calibragem de juros, cortando novamente na reunião de agosto, esperando o desenrolar do cenário até lá”.

Acesso a clientes corporativos e mais: o que Musk enxergou na Cursor e o fez pagar US$ 60 bilhões

18 de Junho de 2026, 06:20

Elon Musk admitiu que a SpaceX fica atrás de rivais como OpenAI, Anthropic e até mesmo Google e modelos chineses de código aberto na corrida da inteligência artificial.

Ele agora tem um caixa de guerra de US$ 86 bilhões para ajudar a mudar isso. E o primeiro alvo é conseguir clientes corporativos que Musk espera que estejam dispostos a pagar grandes quantias para ter acesso às ferramentas e ao poder de computação da SpaceX.

A SpaceX fechou um acordo inteiramente em ações, no valor total de US$ 60 bilhões, para comprar o agente de codificação autônoma Cursor, uma startup de São Francisco que criou um produto usado pelos maiores laboratórios de IA e por empresas como Nvidia, British Airways e Deloitte.

A SpaceX se reestruturou nos últimos meses em torno do desejo de expandir suas capacidades de IA. Adquiriu a empresa controlada por Musk, a xAI, no início deste ano, o que trouxe para o grupo o assistente de chat Grok e o site de mídia social X (ex-Twitter), além de grandes data centers.

Em abril, a SpaceX disse que havia garantido a opção de comprar a Cursor. O grande prêmio que vem com a compra agora: um fluxo confiável de receita.

Antes de a SpaceX concluir a maior oferta pública inicial de todos os tempos no início de junho, Musk vendeu aos investidores sua visão de uma IA capaz de levar humanos para além da Terra e “permitir que a humanidade entenda o universo”.

Na terça-feira (16), ele exaltou o potencial da IA de eventualmente escrever e depurar código melhor do que qualquer humano.

“A IA alcançará programação no nível do Stockfish e uso generalizado de computadores”, disse Musk sobre o acordo com a Cursor, fazendo referência a um popular motor de xadrez capaz de derrotar os melhores jogadores humanos.

A SpaceX recentemente começou a alugar a capacidade de seus data centers para rivais como Anthropic e Google para gerar receita — uma estratégia oportuna, já que toda a indústria de IA enfrenta uma escassez de computação. Os negócios anunciados podem gerar US$ 26 bilhões por ano em receita entre 2027 e 2029.

A SpaceX também delineou planos de aumentar as contratações para atender às ambições de IA de Musk.

Durante reuniões pré-IPO com investidores em abril, executivos da SpaceX disseram que a empresa expandiria a equipe de vendas corporativas da xAI, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Musk: decifrando o código

A Cursor compete com o Claude Code, da Anthropic, e com o Codex, da OpenAI, com uma ferramenta de desenvolvimento de software que ajuda empresas a escrever códigos mais rapidamente.

O produto dela permite que desenvolvedores alternem entre diferentes modelos de IA para autocompletar, editar e revisar linhas de código.

A empresa cresceu a um ritmo vertiginoso. Em 2025, as vendas anualizadas da empresa — uma extrapolação da receita dos próximos 12 meses com base nas vendas recentes — saltaram de US$ 100 milhões para US$ 1 bilhão. No início de junho, esse número disparou para US$ 4 bilhões, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto.

Mais da metade da receita da Cursor vem de clientes corporativos, e a Cursor espera continuar a se associar a outros provedores de modelos de IA, disse uma pessoa próxima da empresa.

O preço de compra da Cursor foi mais que o dobro da sua avaliação de US$ 29,3 bilhões em uma rodada de financiamento em novembro passado.

A aquisição pela SpaceX pode ajudar a preencher uma lacuna de liderança na xAI, já que Musk disse que a empresa precisava ser “reconstruída desde as fundações”.

A xAI demitiu funcionários, incluindo sua equipe fundadora. O CEO da Cursor, Michael Truell, é visto como uma estrela em ascensão na indústria de IA, em que a competição por talentos de ponta é acirrada.

“Tem muita coisa para fazer juntos. Animado para unir forças com a @SpaceX para construir IA útil”, escreveu Truell no X.

Quinto colocada na corrida da IA

Falando do banco das testemunhas em uma segunda ação judicial civil contra a OpenAI no mês passado, Musk classificou os principais modelos de IA, o que deixou explícito quanto trabalho a xAI tem pela frente para alcançar os rivais.

“A Anthropic seria atualmente a número um; a OpenAI seria a segunda maior; o Google provavelmente seria o terceiro maior; os modelos chineses de código aberto provavelmente seriam o quarto”, disse ele. “E a xAI seria a quinta.”

Embora a SpaceX domine – em seus negócios principais – de lançamentos de foguetes e internet via satélite (com a Starlink), a xAI estava perdendo dinheiro e tinha poucos clientes quando foi adquirida.

Um cliente-chave de IA, o Pentágono, tem enfrentado conflitos internos sobre a segurança do chatbot Grok da empresa, publicou o Wall Street Journal.

Esse é um problema muito grande, considerando o volume de investimento necessário para treinar modelos de IA, contratar engenheiros e construir infraestrutura de computação.

No ano passado, o negócio de IA gerou US$ 3,2 bilhões em receita, mas registrou US$ 6,4 bilhões em prejuízo, de acordo com documentos apresentados à Securities and Exchange Commission (SEC).

Os prejuízos também se acumularam no primeiro trimestre. O negócio gerou US$ 818 milhões em receita e US$ 2,5 bilhões no vermelho.

Também há limites sobre quanto a SpaceX pode gastar do caixa arrecadado no IPO em iniciativas de IA.

Parte dos recursos do IPO irá para pagar US$ 20 bilhões em dívidas de um empréstimo-ponte que a empresa contraiu em março. A SpaceX também anunciou bilhões de dólares em novos projetos, incluindo pelo menos US$ 55 bilhões para construir uma fábrica de chips no Texas, e planeja comprar espectro para o seu serviço Starlink.

Ainda assim, na visão de Musk, a oportunidade de mercado em IA é grande demais para ser ignorada. A SpaceX disse aos investidores antes do IPO que os produtos e serviços da empresa miram um mercado potencial de US$ 28,5 trilhões, que ela considerou o maior “da história humana”.

Produtos de IA representaram US$ 26,5 trilhões do total, e aplicações corporativas compunham a maior parte dos produtos de IA.

Analistas da Morningstar questionaram como a SpaceX calculou seu mercado potencial e estimaram que a avaliação implícita da empresa está bem abaixo dos níveis atuais de negociação.

Outros bancos, incluindo o Goldman Sachs e o Morgan Stanley — que ajudaram a coordenar o IPO da SpaceX — projetaram que a SpaceX estava pronta para um crescimento substancial impulsionado por IA. Ambas as firmas estimaram que a receita da SpaceX ficaria perto de 160 bilhões de dólares em 2028, mais de oito vezes os níveis de 2025.

Produtos da Apple vão ficar mais caros. Quem avisa é o CEO

18 de Junho de 2026, 06:01

A Apple planeja aumentar os preços de seus produtos para compensar a disparada nos custos de chips de memória e armazenamento, disse o CEO Tim Cook em entrevista exclusiva ao The Wall Street Journal.

“Infelizmente, os aumentos de preço são inevitáveis”, afirmou. “Estamos fazendo o máximo para atenuar os enormes reajustes que estão sendo repassados a nós, e temos tentado proteger nossos clientes desses aumentos, mas a situação se tornou insustentável.”

Cook não deu detalhes sobre o prazo ou a magnitude dos aumentos previstos, nem sobre quais produtos serão afetados. O próximo grande lançamento da Apple deve ocorrer em setembro, com a linha iPhone 18, que deve incluir um novo modelo dobrável.

Reajustes para Macs e iPads podem vir antes disso. No mês passado, a empresa aumentou o preço inicial do Mac Mini fora do calendário habitual de lançamentos.

A demanda explosiva por chips de memória e armazenamento por parte de empresas de inteligência artificial elevou tanto os custos que a Apple precisaria repassar aumentos substanciais ao consumidor para preservar suas margens de lucro.

iPhone Air (Foto: Bloomberg)
iPhone Air vai ganhar versão com mais uma câmera traseira (Foto: Bloomberg)

Segundo estimativas da consultoria TechInsights, manter a margem atual no próximo iPhone Pro exigiria um acréscimo de cerca de US$ 270 ao preço do aparelho.

Chips de memória e armazenamento são componentes essenciais em praticamente todos os dispositivos eletrônicos — smartphones, laptops, consoles de videogame, equipamentos médicos e até automóveis. Mas agora os servidores de IA consomem volumes cada vez maiores desses componentes, deixando até uma empresa do porte da Apple em dificuldades para garantir fornecimento.

Desde o ano passado, quando Google, Microsoft, Meta e Amazon anunciaram aumentos expressivos em seus orçamentos de investimento em capital, os preços de chips de memória e armazenamento quadruplicaram. A TechInsights projeta que ambos sigam subindo até 2027.

A memória — chamada de DRAM — e o armazenamento — conhecido como NAND — funcionam como elementos de um escritório do século passado: a memória é a mesa de trabalho, que mantém à mão tudo o que o funcionário precisa para realizar uma tarefa; o armazenamento é o arquivo, onde fica guardado todo o restante. Nos smartphones, a memória DRAM roda os aplicativos em uso; o armazenamento NAND guarda fotos e vídeos, por exemplo.

Cook disse que os preços de memória e armazenamento são problemas para a empresa, mas concentrou suas críticas no mercado de DRAM, citando o crescimento das alocações destinadas à chamada memória de alta largura de banda, usada em servidores de IA.

“Há menos oferta num momento em que os consumidores querem dispositivos, e os fabricantes de memória estão repassando aumentos enormes”, disse Cook. “Precisamos que os preços e o fornecimento de memória voltem a níveis razoáveis para os produtos de consumo. É isso.”

Corrida por chips deixa Apple na fila

Três empresas dominam o mercado de DRAM: Samsung e SK Hynix, da Coreia do Sul, e Micron, dos Estados Unidos. No segmento de NAND, atuam essas mesmas três companhias, além de Kioxia e Sandisk. As ações dessas empresas — assim como seus lucros — dispararam nos últimos doze meses: os papéis de Micron e SK Hynix subiram mais de 800%, enquanto Kioxia e Sandisk acumulam alta de 4.600%.

As fabricantes de memória estão construindo novas fábricas: o Morgan Stanley prevê que a capacidade de produção de wafers de DRAM — os discos de silício nos quais os chips são gravados — crescerá 30% até 2027. Ainda assim, como os fornecedores priorizam a memória especializada para IA, os wafers destinados à eletrônica de consumo devem ficar até 15% abaixo da demanda, estima o banco.

A China tem campeões nacionais no setor de memória e armazenamento, mas restrições de segurança nacional exigiriam que empresas americanas obtivessem licenças para trabalhar com elas. Questionado se essas restrições deveriam ser flexibilizadas, Cook respondeu: “Acho que tudo precisa estar na mesa”, acrescentando: “Devemos analisar toda a oferta disponível.”

Outras empresas de PCs, consoles e smartphones já anunciaram reajustes, entre elas Hewlett-Packard, Dell e Nintendo. Um consórcio de associações do setor enviou recentemente uma carta aos secretários do Tesouro, Scott Bessent, e do Comércio, Howard Lutnick, reclamando da superalocação de memória para compradores de IA e pedindo ajuda para ampliar a oferta.

O Morgan Stanley estima alta de 15% nos preços de smartphones e PCs nos Estados Unidos neste ano. O impacto no índice de inflação ao consumidor deve ser limitado, já que esses produtos têm peso pequeno na cesta. Ainda assim, qualquer reajuste no popular iPhone tende a chamar atenção em Washington.

O problema é agravado pela necessidade da Apple de mais memória DRAM para suportar novos recursos de IA, incluindo uma versão reformulada da Siri anunciada na semana passada. A empresa também tem o hábito de usar upgrades de armazenamento NAND para turbinar os lucros, cobrando de US$ 100 a US$ 200 por incrementos adicionais que custam uma fração disso.

Na entrevista, Cook disse que a Apple está disposta a usar suas reservas de caixa para ajudar a ampliar a oferta de memória. “Estamos dispostos a usar nosso balanço para fazer parte da solução”, afirmou. “Claramente, mais capacidade é necessária.”

Cook não deu detalhes. Ainda não está claro como a Apple poderia igualar — quanto mais superar — as condições oferecidas pelas grandes empresas de nuvem para garantir suprimentos. Essas companhias estão firmando contratos de três a cinco anos com enormes adiantamentos em dinheiro, o que a Apple dificilmente toparia, dada sua longa tradição de disciplina financeira.

Cook descartou usar o caixa e o conhecimento da empresa em semicondutores para construir suas próprias fábricas de memória e armazenamento. “Não podemos fazer tudo”, disse. “Sabemos no que somos bons.”

A Apple gasta algumas dezenas de bilhões de dólares por ano em memória e armazenamento, segundo pessoas familiarizadas com seus custos, o que a torna uma das maiores clientes do mundo nesse mercado.

Historicamente, a empresa usou esse peso para arrancar os menores preços dos fornecedores, jogando uns contra os outros e deixando-lhes pouca margem de lucro. Com a chegada das empresas de IA ao mercado, a Apple passou a ter de esperar na fila.

Cook disse que, em toda a sua trajetória na cadeia de fornecimento de eletrônicos — da IBM à Compaq até a Apple —, nunca havia visto uma oscilação de preços de commodities como a dos últimos seis meses. “Isso é uma enchente centenária”, afirmou. “Nunca vi nada parecido em nenhuma área em mais de 40 anos.”

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Da Equatorial à PetroReconcavo: a ascensão discreta do Opportunity, de Daniel Dantas

18 de Junho de 2026, 06:00

Poucas empresas têm demonstrado tanto apetite por novos negócios nos últimos anos como a Equatorial. O grupo de energia criado no fim dos anos 1990 e pouco conhecido fora do mercado financeiro até meados de 2024 transformou-se em pouco tempo em uma gigante do saneamento.

Em menos de dois anos, a Equatorial investiu cerca de R$ 12,5 bilhões para vencer os leilões de privatização da Sabesp e da Copasa, tornando-se acionista de referência das estatais de água e esgoto de São Paulo e Minas Gerais, respectivamente.

A ascensão da Equatorial tem a digital do Opportunity, dono da maior fatia individual. A gestora – fundada em 1994 como banco pelo empresário baiano Daniel Dantas, sua irmã Verônica e Dorio Ferman – possui 10% da empresa, que opera como corporation, ou seja, sem um controlador definido.

É hoje sua aposta de maior visibilidade pública, em uma fase low profile do Opportunity. Longe dos holofotes há mais de uma década, a gestora segue presente em algumas das maiores operações do mercado brasileiro.

O Opportunity conta com mais de 230 veículos de investimentos registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de acordo com levantamento feito pelo InvestNews.

A casa mantém até hoje uma das maiores carteiras de equity do país, com posições em nomes como Energisa, na distribuição de energia, e Alupar, na transmissão. Está também envolvida no processo de recuperação judicial da Ambipar, da qual tornou-se uma das acionistas em 2023.

Procurada pelo InvestNews, a gestora não concedeu entrevista.

Tiago Noel, o chefe do private equity da gestora, é hoje o principal representante do Opportunity em suas investidas. O executivo ocupa cadeira no conselho de administração da Equatorial e, desde março, preside o conselho da PetroReconcavo. Foi conselheiro da Sabesp até o início deste ano.

Além do envolvimento em grandes investimentos, a gestora dos Dantas também realiza movimentos de saída.

Em setembro de 2024, vendeu a fatia de 48% que tinha na Santos Brasil, da qual era acionista desde 1997: a dona do Tecon Santos, principal terminal de contêineres do país, foi vendida à francesa CMA CGM por R$ 6,3 bilhões, em uma das maiores transações do setor portuário dos últimos anos.

Ascensão nas privatizações

A presença do Opportunity em grandes negócios vem de longa data. Nos anos 1990, pouco após sua criação, a casa fundada pelos irmãos Dantas e por Ferman esteve em três leilões emblemáticos das privatizações que marcaram o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Em maio de 1997, integrou o Consórcio Brasil, que arrematou o controle da então Vale do Rio Doce (hoje Vale), ao lado de CSN, do fundo de pensão Previ e do americano Nations Bank.

Em setembro do mesmo ano, liderou outro consórcio na compra do Tecon, no porto de Santos, por US$ 250 milhões. Os parceiros eram a Multiterminais, da família Klien, tradicional operadora carioca de logística portuária, e os fundos de pensão Previ, Sistel e Funcef. O ativo deu origem à Santos Brasil.

Já em 1998, esteve presente no leilão da Telebrás, em que o consórcio comandado pelo Opportunity arrematou a operadora Tele Centro Sul, depois renomeada Brasil Telecom, por cerca de R$ 2 bilhões. A casa detinha apenas 3,3% do capital, mas controlava a gestão graças a um acordo de acionistas.

Os anos 2000 foram um momento da ascensão mas também de controvérsias.

O Opportunity iniciou a década em disputa com a sócia Telecom Italia. Os italianos entraram no capital da Brasil Telecom ainda em 1999 e brigaram com Dantas pelo controle da operadora em tribunais de São Paulo, Nova York e Milão, em meio a acusações cruzadas de espionagem.

A tele italiana foi forçada a sair em 2005, o que abriu caminho para a fusão da Brasil Telecom com a Telemar, três anos depois, no acordo que criou a supertele Oi, uma das chamadas “campeãs nacionais” que marcaram os primeiros mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva na presidência (2003-2010).

Em abril de 2008, o Opportunity tinha saído da Brasil Telecom com cerca de US$ 1 bilhão, no acordo que criou a Oi. Naquele momento, a casa administrava perto de R$ 18 bilhões em ativos, e Dantas era um dos nomes mais notórios do mercado financeiro.

Alvo da justiça

A ascensão foi interrompida em julho de 2008, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Satiagraha. Daniel Dantas foi preso duas vezes em três dias, solto em ambas por habeas corpus do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nos meses seguintes, mais de R$ 4,5 bilhões em ativos do Opportunity foram congelados em contas no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa, e mais de duas dezenas de fazendas da AgroSB, empresa agrícola da gestora, foram sequestradas pela Justiça.

A submersão do Opportunity e de Dantas começou a partir desse momento.

Quase três anos depois, em junho de 2011, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou a Operação Satiagraha integralmente, apontando que as interceptações telefônicas haviam sido feitas de maneira irregular. Em junho de 2015, o STF ratificou a decisão.

Em fevereiro de 2016, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região arquivou a última ação penal e absolveu Daniel Dantas dos crimes que lhe eram imputados. Em julho daquele ano, a Justiça desbloqueou os R$ 4,5 bilhões. Nenhuma condenação contra ele transitou em julgado.

Daniel Dantas, cofundador da Opportunity
Daniel Dantas, cofundador do Opportunity: histórico de investimento em empresas (Bloomberg)

Desde janeiro de 2015, o Opportunity passou a atuar como um gestora pura, após pedir para o Banco Central cancelar sua licença bancária. Naquele ano Daniel Dantas concedeu sua última entrevista conhecida, no Festival Piauí GloboNews de Jornalismo. Falou sobre o acordo de abril de 2008 que criou a Oi, no qual aceitou entregar o controle da Brasil Telecom.

Para ele, a saída do comando da operadora encerraria as ações políticas e judiciais que sofria. Disse à plateia que entendia o acordo como a compra da própria paz, mas que, dois meses depois, foi preso na Satiagraha.

Desde então, o ex-banqueiro, que hoje mora em Londres e completa 72 anos em 2026, não voltou a dar entrevistas.

Nova tese

Na nova fase do Opportunity, a gestora passou a concentrar investimentos em empresas de serviços públicos, as chamadas utilities, além de educação básica. Três investimentos resumem o momento atual: Equatorial, PetroReconcavo e Grupo Salta.

A Equatorial é a mais antiga das três. A elétrica foi criada em 1999 pela americana PPL Global para participar do leilão de privatização da Cemar, distribuidora maranhense em situação crítica, que arrematou no ano seguinte.

Em 2004, foi reestruturada pela GP Investimentos e desde então se especializou em assumir distribuidoras estaduais com problemas operacionais, como Celpa (Pará), Cepisa (Piauí), Ceal (Alagoas) e Celg-D (Goiás). Mais recentemente, desde 2024, passou a investir em saneamento básico e conquistou o posto de acionista de referência de Sabesp e Copasa.

Após a reestruturação, o Opportunity passou a investir na companhia, em que detém posição há mais de uma década, comprando ações periodicamente. Em entrevista à Exame em 2022, Dorio Ferman, um dos sócios fundadores, descreveu a Equatorial como um “exemplo de boa governança”.

Em janeiro de 2025, a casa consolidou posição de 10,12% e se tornou a maior fatia individual da corporation, que tem ainda entre seus acionistas a gestora carioca Squadra, a americana BlackRock e um dos fundos soberanos de Singapura, o GIC.

É na PetroReconcavo, porém, que a Opportunity tem mais protagonismo.

Dona de 27,64% da petroleira independente criada em 1997 no Recôncavo Baiano, a casa está na empresa desde o início e divide a estrutura societária com a americana PetroSantander e o Grupo Perbras, da família fundadora Cintra Santos.

O movimento mais recente foi em educação. Em novembro, a Opportunity comprou junto com a Gera Capital uma fatia de 26% que a americana Warburg Pincus detinha no Grupo Salta, maior conglomerado privado de educação básica do país, do qual já era investidora indireta, por meio de outros fundos. A transação avaliou a empresa em R$ 5,8 bilhões.

Além das três posições principais, a Opportunity mantém 10,22% da Alupar, de transmissão de energia, e 3,93% da Energisa, distribuidora de energia que atua em 12 estados e atende cerca de 21 milhões de clientes, com forte presença no Centro-Oeste e no Norte do país.

Operação da PetroReconcavo
Operação da PetroReconcavo, um dos investimentos da Opportunity (Divulgação)

Ainda hoje a Opportunity segue com o trio Daniel Dantas, Verônica Dantas e Dorio Ferman à frente das principais decisões. Verônica responde pela área de gestão de fundos e ativos dos clientes, enquanto Ferman cuida dos investimentos do patrimônio próprio da casa, ao lado de Dantas.

João Manoel Pinho de Mello, ex-diretor do Banco Central e um dos arquitetos do Pix, voltou ao Opportunity em 2023 e é um dos principais sócios da gestora, que tem hoje mais de R$ 117 bilhões em patrimônio, mais de seis vezes o que administrava na época da Satiagraha.

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Brazilian Nickel busca investidor-âncora para mina de US$ 1,4 bilhão

17 de Junho de 2026, 19:49

A Brazilian Nickel procura um investidor-âncora para ajudar a atrair mais investimentos em participação acionária para sua planejada mina de níquel e cobalto de US$ 1,4 bilhão no Nordeste do país.

A desenvolvedora do Projeto Piauí Níquel está usando a Rothschild & Co. como assessoria financeira global para captações de dívida e equity, enquanto o banco de investimentos brasileiro Bradesco BBI presta consultoria na captação de US$ 100 milhões junto a investidores e fundos no país sul-americano, disse o diretor financeiro André Simão em uma entrevista.

A empresa também busca financiamento governamental do Canadá, da Europa e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), disse ele.

A investida para captar recursos ocorre em um momento em que governos de todo o mundo buscam desenvolver uma cadeia de suprimentos estável de metais essenciais para a transição energética, com os preços dos materiais para baterias em alta devido ao aumento das tensões geopolíticas e às crescentes incertezas de abastecimento nos principais países produtores.

O setor de níquel na Indonésia, responsável por mais da metade da produção global, enfrenta cortes nas cotas de mineração e aumento dos custos. Enquanto isso, os preços do cobalto subiram mais de 160% desde o ano passado, após o controle de exportações imposto pela República Democrática do Congo, principal fornecedor.

A Brazilian Nickel já chamou a atenção de agências internacionais, com os países ocidentais buscando construir suas próprias cadeias de abastecimento de minerais essenciais para combater o domínio da China. A empresa de capital fechado recebeu, em 2024, uma carta da Corporação de Financiamento Internacional para o Desenvolvimento dos EUA, ou DFC, manifestando interesse em apoiar o projeto por meio de um empréstimo.

A agência de crédito à exportação do Canadá poderá fornecer US$ 275 milhões em financiamento por meio de dívida, e a Ecora Royalties, empresa especializada em royalties de minerais essenciais, poderá conceder aproximadamente US$ 62 milhões em empréstimos, afirmou o diretor financeiro.

Simão disse que o Projeto Piauí Níquel precisa de um investidor de capital âncora, como o BNDES, a DFC ou a Comissão Europeia para dar o primeiro passo, de modo que a Brazilian Nickel possa atrair cheques menores de fundos em São Paulo, Londres e Nova York.

A Brazilian Nickel, que tem como maior investidora a TechMet, empresa especializada em investimentos em minerais críticos, tem como meta produzir 28.000 toneladas de níquel e 1.000 toneladas de cobalto por ano nos primeiros 10 anos de operação, com o início da produção previsto para o primeiro semestre de 2030, segundo Simão.

Copom corta Selic em 0,25 ponto para 14,25% ao ano e endurece tom sobre inflação e expectativas

17 de Junho de 2026, 19:30

O Banco Central cortou novamente os juros, conforme amplamente esperado. Mas, apesar da queda de 0,25 ponto percentual da Selic para 14,25% ao ano nesta quarta-feira (17), o comunicado trouxe um tom considerado duro para o mercado.

O comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) afirma que, “nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura”.

O BC reconheceu ainda que “o cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho”.

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O comunicado citou ainda que as expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 5,30% e 4,10%, respectivamente.

Impacto da Selic para investidores

O comunicado do Copom reforça a avaliação de que o investidor brasileiro deve viver dias de ajustes pela frente. Muitas casas de análise já têm sinalizado há algum tempo: o juro brasileiro tem um espaço muito mais limitado para diminuir. E, talvez, já tenha caído tudo o que tinha para cair.

Motivos não faltam. Nos 12 meses até maio, o IPCA já superou o teto da meta de inflação do BC: o índice atingiu 4,72%, acima dos 4,50% que já inclui o 1,5 ponto de tolerância para cima dentro do intervalo da meta da autoridade, de 3,0%.

Outro argumento é que insistir em cortes adicionais em momento de deterioração inflacionária poderia colocar em xeque a credibilidade do próprio BC – e isso em um momento no qual as expectativas futuras para o IPCA estão amplamente desancoradas, ou seja, o mercado perdeu a referência sobre o que esperar das altas de preços nos próximos anos.

Os juros reais, ou seja, o retorno que vem acima da inflação, vão continuar em patamares historicamente elevados. E a sinalização do Copom mostra que essas taxas podem continuar em algo como IPCA mais 8% ou 9% ao ano – se a Selic estacionar em 14% – até o início de 2027.

A renda fixa, portanto, vai manter o protagonismo no resto do ano, mas com uma dinâmica diferente. Os títulos pós-fixados, como Tesouro Selic, Tesouro Reserva e CDBs que rendem 100% do CDI, mantêm seu reinado entre os produtos da classe.

Os títulos prefixados e os atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+ ou os papéis de crédito privado, como debêntures, CRIs e CRAs, vão enfrentar um aumento da volatilidade nas próximas semanas.

Isso em um momento em que oscilações de taxas de juros e preços dos papéis já têm levado ao acionamento de “circuit breakers” do Tesouro Direto nas últimas semanas, ou seja, uma pausa forçada das negociações quando existe um movimento considerado disfuncional.

Por outro lado, quem consegue manter os recursos aplicados no longo prazo, pelo menos até meados do ano que vem, pode aproveitar as taxas em patamares que não são vistas havia vários anos: pelo menos desde a última crise no fim de 2024, quando títulos como o Tesouro Prefixado chegaram a passar de 15% ao ano.

Na bolsa, por outro lado, a tendência é a de haver movimentos mais contidos. O cenário de juros mais altos por mais tempo se torna uma barreira para a volta do investidor local.

O fluxo de recursos internacionais, que sustentou quebras seguidas de recordes do Ibovespa entre janeiro e abril, continua a fluir, mas se tornou bem mais restrito nas últimas semanas.

Em maio, mesmo com estrangeiros tendo retirado R$ 13 bilhões das ações brasileiras (resgates menos aportes), a participação desse perfil de investidor permaneceu acima de 60% nas negociações. Ou seja, o interesse de fora por ativos no Brasil continua presente, mas o dinheiro vai entrar e sair conforme a evolução do noticiário geopolítico e relativo ao mercado dos EUA.

A atração por mercados emergentes, que dominou as mesas financeiras de bancos e corretoras no primeiro trimestre, agora ganhou a concorrência da volta da força da tese da inteligência artificial, principalmente em meio aos mega IPOs, como o da SpaceX, que movimentou US$ 75 bilhões em 12 de junho, e das esperadas ofertas da OpenAI, dona do ChatGPT, e da Anthropic, do Claude.

Após flexibilizar estatuto, GPA passa a ter Silvio Tini como maior acionista

17 de Junho de 2026, 18:30

O GPA, dono do Pão de Açúcar e do Extra, tem novo acionista majoritário: Silvio Tini. Dois dias depois de a companhia aprovar a queda da cláusula de poison pill (que exigia que um investidor com 25% ou mais fizesse a OPA da companhia), o empresário passou a deter 25,8% das ações via sua gestora, a Bonsucex.

O empresário já detinha 23%, fatia que alcançou em março deste ano. Com o aumento da participação, Tini passa a família Coelho Diniz, que desde o ano passado despontava como principal acionista do grupo varejista.

Além dos Coelho Diniz, Tini superou a fatia do Casino, grupo francês que foi controlador do GPA por mais de uma década, posição que começou a perder após a reestruturação financeira do varejista e a redução gradual de sua participação.

O avanço da Bonsucex ocorre em meio a um período de reacomodação acionária, enquanto o GPA avança no plano aprovado na recuperação extrajudicial de R$ 4,5 bilhões.

Tini é um investidor veterano do mercado acionário brasileiro. Por meio da Bonsucex, holding criada em 1982 para concentrar participações societárias, manteve ou já manteve posições relevantes em companhias como Alpargatas, Bombril e Paranapanema.

O investidor chegou a figurar entre os brasileiros mais ricos, com fortuna estimada em cerca de R$ 4 bilhões segundo ranking da revista Forbes.

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Cosan vende parte de portfólio agrícola da Radar em negócio de R$ 1,85 bilhão

17 de Junho de 2026, 09:13

A Cosan anunciou a venda de parte das propriedades agrícolas do portfólio da Radar, em mais um movimento alinhado à estratégia da companhia de reduzir sua alavancagem financeira e simplificar sua estrutura de ativos.

Em fato relevante divulgado nesta quarta-feira (17), a empresa informou que o Grupo Radar celebrou, por meio de algumas de suas subsidiárias, um compromisso de compra e venda para a alienação de parte de suas propriedades rurais. Os ativos negociados correspondem a 12% do portfólio total de terras agrícolas administrado pela Radar.

As propriedades estão localizadas no Mato Grosso, somam 41.214 hectares e são destinadas ao cultivo de soja, milho e algodão. O valor total ofertado pelo comprador é de R$ 1,85 bilhão. Desse montante, cerca de R$ 586 milhões correspondem à participação econômica da Cosan nos ativos.

A conclusão da transação ainda depende do cumprimento de condições precedentes usuais para esse tipo de operação. “Este movimento está alinhado à estratégia de desinvestimentos, redução da alavancagem e simplificação de portfólio da Cosan”, afirmou a companhia no comunicado enviado ao mercado.

A Radar é uma plataforma especializada em gestão e investimentos em propriedades agrícolas. Segundo informações disponíveis no site da Cosan, a empresa administra cerca de 306 mil hectares distribuídos por oito estados brasileiros. A companhia atua na aquisição, gestão e valorização de terras agrícolas, um segmento que se consolidou como uma das frentes de investimento do grupo ao longo dos últimos anos.

A venda ocorre em um momento em que a Cosan tem buscado otimizar sua estrutura de capital por meio da reciclagem de ativos e da redução do endividamento, estratégia que vem sendo adotada pela holding desde o ano passado.

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O maior desafio da IG4 Capital: reestruturar dívidas de US$ 25 bilhões

17 de Junho de 2026, 08:41

A IG4 Capital construiu seu negócio discretamente, investindo em empresas naufragando, inadimplentes ou em recuperação judicial, as quais os grandes fundos de private equity preferem evitar. Agora, a gestora está no centro das atenções de forma dramática.

A IG4, fundada há 10 anos por uma equipe de quatro especialistas em reestruturação, está procurando reorganizar duas das maiores vítimas do brutal ciclo de crédito brasileiro: a petroquímica Braskem e a produtora de açúcar e etanol Raízen. Juntas, as duas empresas têm cerca de US$ 25 bilhões em dívidas.

No início deste ano, a IG4 adquiriu uma participação majoritária na Braskem, empresa que veio enfrentando dificuldades após um desastre ambiental em uma de suas minas de sal e vários anos de preços baixos. Agora, a Braskem precisa reestruturar sua dívida. No caso da Raízen, a IG4 propôs comprar dívida suficiente para obter uma participação majoritária em meio à maior recuperação extrajudicial da história do Brasil, disseram pessoas familiarizadas com o assunto na segunda-feira. Um acordo ainda não foi fechado.

Braskem

“Gostamos de problemas, e a Braskem é um dos maiores problemas que hoje a gente encontra”, disse Paulo Mattos, cofundador e chairman da IG4, de 51 anos, em entrevista. “Com ela, estamos nos globalizando, e esse sempre foi o meu sonho com a IG4.”

A empresa fundada por Mattos, que administra US$ 4,8 bilhões em capital e dívida, investe dinheiro para fundos de pensão, fundações, fundos de fundos, gestores de fortunas e family offices. A IG4 adquiriu o controle ou o controle compartilhado de empresas no Brasil, Chile e Peru. Tem 40 profissionais hoje.  

Mas nada disso se compara à escala das reestruturações da Braskem ou da Raízen. A IG4 começou a contatar os credores da Raízen esta semana, e sua participação na reestruturação financeira da empresa de açúcar e etanol dependerá de quantos deles eles conseguirão persuadir a aceitar sua oferta.

“Os participantes do mercado têm tentado entender melhor o que a IG4 realmente é — uma gestora de private equity com atuação direta, especializada em recuperação de empresas em dificuldades, ou mais uma empresa de engenharia financeira oportunista que opera nos bastidores, como vimos em mercados emergentes no passado”, disse Roger Horn, estrategista da Mariva Capital Markets.

Segundo Mattos, a IG4 adquiriu sua participação na Braskem do antigo acionista controlador da empresa, a Novonor, cujos bancos credores entraram em contato com a IG4 para tentar resolver o problema.

As ações da Braskem pertencentes à Novonor foram dadas como garantia para empréstimos no valor de R$ 21 bilhões concedidos por cinco bancos e que não foram pagos. Após seis anos de negociações contenciosas, os credores concordaram em vender os empréstimos problemáticos para um fundo administrado pela IG4. A gestora conquistou o apoio da Petrobras, a outra acionista controladora da Braskem, ao implementar medidas como a concessão à estatal da presidência do conselho.

“A gente tomou a decisão de estar sempre do lado dos credores”, disse Mattos. “Somos especializados em catalisar soluções para bancos e outros tipos de credores.”

O profissionalismo e a experiência técnica da equipe da IG4 foram fundamentais para conquistar a confiança da Petrobras, segundo Fernando Melgarejo, diretor financeiro da empresa, e William França, chefe da área de processos industriais. Ambos foram recentemente eleitos para o conselho de administração da Braskem.

A Petrobras se concentrará nas atividades operacionais da empresa, enquanto a IG4 cuidará das negociações externas com os credores, disseram os dois. Ao longo do processo de mudança de controle envolvendo a Braskem, os executivos da Petrobras e a IG4 estabeleceram uma linha direta de comunicação, realizando centenas de reuniões, disseram.

O relacionamento tem sido “altamente construtivo” e “focado em alcançar consenso em todas as questões-chave”, disse Melgarejo. “Estamos prestes a escrever um novo capítulo na história da Braskem.”

Mas a parte mais difícil ainda pode estar por vir. A IG4 e a Braskem estão buscando o apoio de um terço dos credores para iniciar um processo de recuperação extrajudicial antes dos pagamentos da dívida programados para julho. Não há garantia de que obterão apoio suficiente, e buscar proteção judicial por meio de uma chamada medida cautelar continua sendo uma possibilidade, conforme noticiado pela Bloomberg no início deste mês.

Com escritórios em Madri, Londres, Miami e São Paulo, a IG4 está avaliando a possibilidade de comprar, juntamente com outros investidores, ativos imobiliários em dificuldades e dívidas de produtores de energia solar na Espanha. A Thames Water, do Reino Unido, que está à beira do colapso, é outra situação que a IG4 “adoraria resolver”, disse Mattos.

A IG4 acaba de captar US$ 400 milhões para um terceiro fundo de investimento na América Latina, elevando o total captado até o momento para US$ 1,2 bilhão. Mattos disse que a empresa não investe em “empresas com poucos ativos”, como as do setor varejista, e sempre busca controlar as empresas ou compartilhar a propriedade delas.

Hélio Novaes, recém-nomeado CEO da IG4 no Brasil, disse que a gestora também compra ações no mercado.

“Tem muita gente que vai montando posição nas empresas para depois dar o bote – isso torna muito difícil uma congregação da turma para negociar”, disse Novaes em entrevista. “A gente não faz isso, a gente costura com todas as partes, não partimos para a hostilidade.”

A IG4 também conta agora com um responsável pelo negócio internacional, Octavio Lopes, que trabalha em Londres junto com Mattos. Felipe Fingerl, cofundador da IG4 com Mattos, é o novo diretor financeiro para o Brasil e também diretor de private equity para o país.

Mattos ajudou a fundar a IG4 logo após deixar a empresa de private equity GP Investimentos. Lá, ele viu uma oportunidade de comprar a companhia de saneamento CAB Ambiental. Mas quando a CAB entrou com pedido de recuperação judicial e a GP desistiu do negócio, Mattos deixou a gestora de private equity. Seu novo negócio comprou então a dívida da CAB junto aos bancos, que foi convertida em capital. A IG4 assumiu o controle da empresa e a reestruturou.

Na época do pedido de recuperação judicial, Mattos fazia visitas rotineiras aos prefeitos das cidades atendidas pela CAB para explicar o andamento dos negócios e as possibilidades, disse Ricardo Knoepfelmacher, fundador da boutique de consultoria financeira RK Partners, que trabalhou na reestruturação da empresa.

“Paulo tem resiliência, disciplina, é um trabalhador incansável com visão estratégica”, disse ele. “Ele também tem a capacidade de entregar resultados, de explicar, de entender os números, o que é incomum.”

A CAB acabou se tornando Iguá Saneamento, o que atraiu investidores como o Canada Pension Plan Investment Board. Ela também conseguiu expandir sua atuação.

Antes da reestruturação, a CAB atendia cidades menores como Cuiabá e Paranaguá, e depois disso conseguiu expandir para cidades maiores, como seu investimento no leilão de saneamento do Rio de Janeiro.

A IG4 inspirou-se na palavra “ig”, que significa “água” em tupi-guarani, língua nativa brasileira, para escolher seu nome. O número quatro representa a quantidade inicial de sócios na gestora.

O trabalho da IG4 na Iguá, bem como na Corredor Logística e Infraestrutura, conhecida como CLI, proporciona experiências positivas úteis para a nova gestão da Braskem, disse Horn.

Em 2020, a IG4 comprou a CLI, então em dificuldades financeiras, por US$ 240 milhões, incluindo dívidas, e a reestruturou. A Macquarie Asset Management adquiriu uma participação acionária em 2022. E, no início deste mês, as duas empresas fecharam um acordo para vender a CLI para o AD Ports Group, com sede em Abu Dhabi, em uma transação avaliada em US$ 835 milhões.

A IG4 tem se destacado por atuar em situações de dificuldades financeiras sem mobilizar muito capital e mantendo o foco na natureza estratégica dos ativos.

“Aparentemente, eles tiveram sucesso em casos anteriores, embora não tenhamos informações suficientes para avaliar seus retornos, mas, desta vez, parece que estão lidando com um desafio de proporções inéditas”, disse Manuel Mondia, gestor de portfólio da Aquila Asset Management.

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O que esperar da ‘superquarta’: as mudanças previstas para o Fed e o Copom

17 de Junho de 2026, 08:33

A “superquarta“, que traz hoje as decisões de política monetária nos EUA e no Brasil, vai oficializar uma mudança de rumos dos juros lá fora e aqui. O recado vai ser claro: a inflação escalou, as expectativas sobre os preços futuros perderam a referência e as taxas de mercado começam a incorporar cenários financeiros mais duros.

Essa mudança de ambiente já se traduziu em guinadas de dois dos principais BCs globais, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BoJ), que subiram os juros nas últimas semanas. Os investidores esperam que outras praias, como os EUA e o Brasil, também sigam a sinalização.

O encontro do Federal Reserve (Fed, o BC americano) desta quarta-feira (17), no entanto, traz um elemento extra para o mercado: trata-se da primeira reunião do novo presidente do Fed, Kevin Warsh. Indicado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, o novo chefe da autoridade já começa o mandato sob pressão política por uma redução de juros.

O consenso quase absoluto do mercado, no entanto, é de que o Fomc, o comitê responsável pelas decisões de juros nos EUA, vai manter as taxas inalteradas na faixa entre 3,50% e 3,75%. Mas a reunião deve formalizar a sinalização de que a perspectiva de um corte de juros em 2026 saiu da mesa.

A pergunta que fica é: como Warsh poderá conciliar as expectativas políticas com as necessidades técnicas de combate à escalada de preços ao consumidor? É bom ressaltar que a inflação nos EUA, medida pelo CPI, já alcança 4,2% em 12 meses até maio, o que tem levado o mercado a enxergar uma alta de juros já em dezembro.

Uma possibilidade é a de Warsh propor combinar a sinalização de que o Fed pretende manter os juros inalterados por mais tempo e passar a focar em uma redução expressiva do seu balanço. Isso seria deixar o “aperto quantitativo”, o nome técnico desse enxugamento do nível de ativos que a autoridade acumulou, fazer o trabalho.

Analistas esperam que Warsh defenda uma redução mais intensa do balanço de ativos, que ainda soma cerca de US$ 6,7 trilhões.

Desinflar esse portfólio funciona como um aperto das condições financeiras ao retirar dinheiro de circulação, ou, no jargão do mercado, reduzir a liquidez.

Isso ocorre porque o Fed deixa de reaplicar os recursos recebidos de títulos vencidos em novos papéis. O banco central pode até mesmo passar a vender as Treasuries de seu balanço, se optar por um movimento mais agressivo de redução.

O acúmulo de títulos do Tesouro e outros ativos no balanço do Fed ocorreu por conta do enfrentamento de grandes desequilíbrios financeiros, como na crise bancária de 2008 e durante a pandemia. Nas ocasiões, o BC americano passou a comprar títulos no mercado como forma de injetar dinheiro na economia.

Em 2022, por exemplo, o Fed detinha US$ 8,5 trilhões em papéis do Tesouro dos EUA e outros ativos. Nesse período, a autoridade iniciou um ciclo de redução cautelosa dessa carteira que durou até o fim de 2025. O BC americano conseguiu diminuir em cerca de US$ 2 trilhões o tamanho do balanço ao longo de quase quatro anos.

A perspectiva agora, com Warsh no comando, é de retomar o aperto quantitativo, mas de maneira mais assertiva. O problema é que esse assunto está longe de ser um consenso no Fed. O novo “chairman” deve ter dificuldade em seguir essa linha, se atrelar o QT à condução do combate à inflação.

Copom vive dilema diferente

O potencial reposicionamento do Fed tem ramificações sobre os mercados emergentes. Uma postura mais inclinada ao aperto monetário, mesmo sem subida de taxas, pode afetar diretamente o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil e o rumo dos juros domésticos.

Com o Fed sinalizando juros altos por tempo prolongado, a atratividade dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) aumenta, o que tende a desviar o fluxo de recursos globais para o mercado dos EUA.

Isso significa menos dólares ingressando no Brasil. Esse movimento, por sua vez, deve criar uma pressão de desvalorização do real. Essa dinâmica de câmbio depreciado atua como um choque de custos para a economia brasileira, porque encarece bens industriais e insumos importados.

Na prática, um dólar mais forte traz mais inflação e reduz a margem de manobra do Banco Central do Brasil para reduzir a Selic. Isso em um ambiente que já vive pressões de alta com a escalada dos preços dos combustíveis e de insumos, como fertilizantes e commodities metálicas, após a Guerra no Irã.

Mesmo diante de um cenário de forte restrição externa e pressões domésticas, o consenso para a decisão do Copom considera que o colegiado vai cortar os juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira.

A Selic deve cair para 14,25% ao ano. A partir daí é que as projeções ficam nebulosas.

O fato é que, mesmo com “gordura” para cortar, os investidores e agentes do mercado enxergam cada vez menos espaço para uma queda mais acentuada dos juros.  

Diversas casas de análise, como bancos e corretoras, têm revisado para cima o nível da Selic em 2026.. O Bank of American, por exemplo, coloca a taxa básica em 14,25% no fim do ano. Outras casas, como BNP Paribas, XP e Banco Pine veem os juros básicos em 14%.

O mais recente relatório Focus, do BC, que reúne projeções de instituições financeiras, mostrou uma alta das previsões para a Selic pela segunda semana seguida. Às vésperas da reunião do Copom, o mercado elevou a expectativa da taxa para 13,75% no fim deste ano.  

A decisão desta quarta-feira, portanto, será cuidadosamente acompanhada. Não pelo potencial corte, mas pela comunicação do BC. A sinalização será de pausa imediata no ciclo de afrouxamento ou de possibilidade de ao menos mais um corte pela frente?

Stablecoins de dólar superam bitcoin pela primeira vez na América Latina

17 de Junho de 2026, 08:16

As compras de stablecoins atreladas ao dólar ultrapassaram as de bitcoin (BTC) pela primeira vez na América Latina, segundo relatório divulgado pela exchange Bitso na terça-feira (16).

Em 2025, USDT e USDC – as duas maiores stablecoins de dólar do mercado – responderam por 40% das aquisições de criptomoedas na plataforma, enquanto o bitcoin representou 18%. Os dados consideram cerca de 10 milhões de investidores de varejo da região.

O movimento sugere uma mudança no uso desses ativos, segundo a corretora. Em vez de servirem apenas como ponte para a compra de outras criptomoedas, as stablecoins estão sendo cada vez mais utilizadas como uma forma digital de acessar o dólar.

“Cada vez mais, os consumidores não estão adquirindo stablecoins para trocá-las por outros ativos digitais. Em vez disso, eles as estão usando como representações digitais do dólar americano para preservar valor, facilitar pagamentos e acessar os mercados financeiros globais”.

No Brasil, vale lembrar, as stablecoins já dominam as carteiras dos investidores há algum tempo. Em 2025, elas responderam por cerca de 70% dos R$ 505,5 bilhões em criptomoedas declaradas à Receita Federal.

Uso comercial também cresce

As stablecoins também estão ampliando seu espaço nas operações comerciais da América Latina. Segundo a Bitso, os volumes processados por sua divisão corporativa cresceram 81% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

De acordo com a corretora, as empresas estão deixando de usar esses ativos apenas como instrumentos cambiais ou garantias para negociação e passando a adotá-los como infraestrutura para pagamentos, transferências internacionais e outras operações financeiras do dia a dia.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.

Bitcoin (BTC):  -2,74%, US$ 64.288,74

Ethereum (ETH): -1,65%, US$ 1.764,63

BNB (BNB): -1,96%, US$ 601,56

XRP (XRP): -3,95%, US$ 1,19

Solana (SOL): -3,72%, US$ 71,95

Outros destaques do mercado cripto

Stablecoin de real mira câmbio. A Crown, emissora da BRLV (uma stablecoin atrelada ao real), agora tem uma mesa de câmbio para converter reais, dólares e criptoativos. A iniciativa busca ampliar o uso do token, que já soma R$ 373 milhões em circulação, segundo a empresa. O movimento reflete o avanço das stablecoins brasileiras, um mercado que já reúne mais de uma dezena de moedas digitais lastreadas na moeda nacional.

Axia e a mineração de bitcoin. No Brasil, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) faz cortes na geração de energia quando a produção supera a capacidade da rede, um processo conhecido como curtailment. Para reduzir esse desperdício, a Axia criou um sistema em miniatura com fontes solares e eólicas, baterias e simuladores de grandes consumidores, como mineradoras de bitcoin. A ideia é testar como esses consumidores poderiam aproveitar a energia excedente.

CBDC? Não nos EUA. O Congresso dos EUA deu mais um passo para manter as moedas digitais de banco central (CBDCs) longe do mercado americano. Um projeto de lei que avança no Senado proíbe o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) de emitir esse tipo de ativo até 2030. Críticos argumentam que uma CBDC daria ao governo acesso sem precedentes aos dados financeiros dos cidadãos.

O segredo de engenharia da SpaceX? Um clube universitário de carros de corrida

17 de Junho de 2026, 06:03

Depois de celebrar a abertura de capital da SpaceX com colegas, Bill Riley planeja arrumar as malas para uma viagem a Brooklyn, Michigan.

Riley, um dos principais executivos de engenharia da empresa, será o juiz-chefe de design de uma corrida em Michigan International Speedway, segundo Chris Ciuca, vice-presidente da organização sem fins lucrativos que organiza o evento. A competição não envolve pilotos profissionais em alta velocidade na pista — ela contará com estudantes universitários competindo com carros estilo Fórmula 1 que eles projetaram e construíram ao longo de meses.

Os vínculos do executivo da SpaceX com a competição estão ligados ao seu tempo na equipe Formula SAE da Universidade Cornell no fim dos anos 1990. E ele não é o único na empresa de Elon Musk voltada a exploração espacial e inteligência artificial. Os executivos Mark Juncosa e Mike Nicolls também desenvolveram suas habilidades de engenharia construindo carros de corrida estudantis em Cornell no início dos anos 2000.

“Carros de corrida e foguetes não são tão diferentes assim”, disse Riley, 49 anos, em uma entrevista à revista da universidade da Ivy League.

A conexão com Cornell na SpaceX é marcante, mas também reflete o compromisso de longo prazo da empresa em contratar pessoas com habilidades práticas, e não apenas excelência acadêmica.

Executivos de recursos humanos da empresa já disseram que candidatos bem-sucedidos na SpaceX costumam ter experiência em projetos extracurriculares de engenharia ou projetos pessoais. Musk já citou vitórias em competições como a Formula SAE como evidência de habilidade excepcional em engenharia.

A SpaceX não respondeu a um pedido de comentário.

John Callister, atual orientador da equipe de Cornell e ex-engenheiro da General Motors, disse que o grupo busca estimular o pensamento independente. “Não temos aulas em todas as coisas que você precisa saber”, afirmou.

Isso se alinha à experiência que Juncosa, 44 anos, teve na organização de corridas de Cornell. O nativo do sul da Califórnia é conhecido como alguém que Musk envia para resolver problemas técnicos difíceis, segundo ex-funcionários.

Quando era estudante em Cornell, ele estudou economia. Mas Timothy Reissman, que conviveu com ele no clube de corrida, lembra de Juncosa como alguém disposto a dedicar tempo para desenvolver habilidades práticas por conta própria.

“Ele era o cara que se dedicava a esse trabalho, para conseguir melhorar algo ou aprender algo”, disse Reissman, hoje professor associado na Universidade de Dayton.

A fama da equipe de Cornell acabou se espalhando pela SpaceX, em parte por causa desse trio de executivos.

“Havia um certo mistério em torno disso — os alunos da SAE de Cornell, isso era uma espécie de grupo dentro da SpaceX”, disse Charlotte Kiang, ex-funcionária da empresa que fez mestrado em engenharia na universidade.

Ela lembrou que participantes da equipe de corrida de Cornell chegaram a formar seu próprio grupo social entre estagiários em determinado momento.

Reissman disse que Juncosa certa vez contou uma história sobre como a SpaceX havia contratado um soldador que não acreditava ser possível implementar um processo automatizado de soldagem envolvendo painéis finos de alumínio. Juncosa, que sabia soldar desde os tempos da equipe de Cornell, entrou para ajudar a resolver o problema.

“Esse é apenas um exemplo do que Mark faz”, disse Reissman.

Michael Jones, colega de equipe de Nicolls e Juncosa no clube, lembrou Nicolls como uma presença mais reservada, mas com habilidades únicas. Ele trabalhava com eletrônica, ajudando o grupo a desenvolver sua própria unidade de controle de motor.

Nicolls, 45 anos, hoje é vice-presidente sênior da SpaceX e passou anos trabalhando no negócio de internet via satélite Starlink.

Jones, professor no Canadá, disse que uma SpaceX sem Riley, Juncosa e Nicolls poderia ser muito diferente.

“Se você os tirasse todos de lá e eles fossem para outro lugar, o que teria acontecido?”, disse Jones. “Acho que houve uma combinação rara de pessoas que chegaram no momento certo e estabeleceram o padrão.”

Escreva para Micah Maidenberg em micah.maidenberg@wsj.com

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Guerra dos galpões: a disputa ‘metro a metro’ de Meli, Shopee e Amazon para crescer no Brasil

17 de Junho de 2026, 06:00

Nunca se ergueu tanto galpão logístico no Brasil. E nunca foi tão difícil construir.

No primeiro trimestre, o mercado ocupou o equivalente a 1 milhão de metros quadrados em três meses, o maior resultado desde 2022, segundo a consultoria Binswanger Brazil.

É uma sequência de números que surpreende: a vacância está no menor patamar histórico, em 6,4%; o preço médio de locação subiu quase R$ 5,50 por metro quadrado em dois anos; e, das dez maiores transações do trimestre, nove foram fechadas por empresas de e-commerce.

Do outro lado da demanda sem precedente estão Mercado Livre, Shopee e Amazon, que travam uma corrida sobre quem entrega mais rápido, o que ajuda a vender mais, fidelizar mais e atrair mais vendedores para sua plataforma. Para ganhar essa batalha, precisam de galpões modernos e bem localizados. Não poucos, mas muitos deles. E estão dispostos a pagar para ter.

“Dependendo da localização, aquele galpão é irreplicável. Quem cravou o mercado ali, de fato, vai estar mais bem posicionado”, diz Simone Santos, sócia-diretora da Binswanger Brazil.

Em março, a Shopee assinou o maior contrato de locação já registrado no setor no Brasil: 220 mil metros quadrados em um empreendimento em obras às margens da Dutra, em Guarulhos.

O Mercado Livre anunciou R$ 500 milhões para um complexo de 300 mil metros quadrados em Jacareí, no interior paulista. É só uma parte dos R$ 57 bilhões que prometeu investir no Brasil em 2026. Nem tudo vai para logística, mas uma fatia relevante, sim.

Já a Amazon inaugurou um centro de distribuição em Salvador e passou a oferecer entregas no mesmo dia em toda a Bahia, além de acelerar as encomendas rápidas em Sergipe.

As três maiores do e-commerce estão se acotovelando para ocupar espaço. A questão é que o mercado não consegue responder na mesma velocidade com que elas avançam.

Três estratégias, um objetivo

O Mercado Livre chegou primeiro e marcou território de forma agressiva. É o líder absoluto em área locada: segundo a Binswanger Brazil, acumula 1,19 milhão de metros quadrados de galpões locados desde 2025, mais que o dobro da Shopee e seis vezes mais que a Amazon.

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Mas o ritmo de transações desacelerou: passou de 761 mil metros quadrados movimentados em 2024 para 505 mil em 2026. Agora, mais do que crescer em volume, precisa cobrir os lugares certos.

O CD (centro de distribuição) de Jacareí ilustra essa lógica, pois, para entregar em 24 horas em 70% de sua malha, não basta estar nos grandes centros. É preciso ir ao interior.

A Shopee trilhou um caminho diferente. Cresceu de forma intensa até 2025 e reduziu o número de transações, de 542 mil metros quadrados em 2024 para 236 mil em 2026. Em compensação, fez uma aposta mais ousada: um único contrato maior do que tudo que a Amazon já locou no país.

Já a Amazon é a história de uma virada.

De 17,5 mil metros quadrados em novas movimentações em 2024, a empresa saltou para 140 mil em 2025. A mudança tem explicação: durante anos, decisões de real estate no Brasil eram tomadas por executivos nos EUA, com processos herdados da matriz.

“Antes eu negociava com um cara em Seattle”, disse em caráter confidencial um executivo do setor com histórico de negociações com a empresa. “Agora tem uma equipe aqui.”

A Amazon tropicalizou o processo e começou a ganhar velocidade. O CD de Salvador é um exemplo. A meta é abrir três novos CDs por semana. Hoje, ela já tem 300 estruturas de logística no país.

Mercado em ebulição

Essa disputa produz números inéditos: além da absorção líquida recorde de 1 milhão de metros quadrados, o preço médio pedido subiu R$ 5,47/m² desde o primeiro trimestre de 2024, para R$ 30,62.

O e-commerce responde hoje por 23% da ocupação nos condomínios logísticos de classe A e A+ no Brasil.

A corrida dos marketplaces por galpões criou uma tese de investimento difícil de ignorar.

“São contratos atípicos, bem amarrados. E as multas para sair são bem rígidas”, disse Verônica Engel, da TRX Investimentos, gestora do fundo imobiliário TRXF.

“Isso traz, além de rentabilidade, um certo conforto em relação à constância dos dividendos.” O TRXF adquiriu sete galpões logísticos em 2025 e amplia posição no setor, que já representa 20% de seu portfólio.

A corrida também redesenha a geografia do setor. São Paulo ainda concentra 48% do estoque nacional de galpões A e A+, mas esse percentual já ficou acima de 56%.

No primeiro trimestre, Santa Catarina foi o segundo mercado em absorção líquida, com 115 mil metros quadrados. O Espírito Santo ficou em terceiro.

Briga chega ao Nordeste e ao Norte

A corrida por novas praças não é novidade para desenvolvedores. A Log Commercial Properties chegou ao Nordeste em 2012, antes do boom do e-commerce. Só em Fortaleza, a empresa tem 400 mil metros quadrados de galpões, todos ocupados.

Log, empresa de galpões logísticos do grupo MRV (Foto: Divulgação)
Log, empresa de galpões logísticos do mesmo grupo da MRV (Divulgação)

Mas a chegada dos grandes marketplaces à região mudou a escala.

Até o fim de 2026, a Log prevê estar presente em todas as capitais nordestinas, com novos projetos em São Luís e Teresina. “Estamos entrando em praças a quais a Log ainda não tinha ido”, disse Márcio Siqueira, diretor executivo de operações, no Investor Day.

Os marketplaces seguem o racional de cidades médias, diante da demanda reprimida. “Qualquer grande empresa que precisa estar em qualquer cidade com mais de 200 mil habitantes não tem galpão para atender. É uma carência latente”, diz Simone.

Gargalo que se forma

Ou seja: demanda existe, mas o desafio está do outro lado da equação.

Construir galpões logísticos de classe A no Brasil, em 2026, é um processo caro e lento. A taxa Selic a 14,5% ao ano dificulta o financiamento de novos projetos.

A aprovação de terrenos em regiões mais valorizadas pode levar até três anos e, durante esse tempo, o dono do ativo carrega o custo sem receita.

Pressões externas pioram o quadro. A guerra do Irã encareceu o preço do diesel durante meses e elevou os custos de construção. A Log estima uma pressão de 7,3% nos custos de suas obras nos próximos meses.

Como efeito, o preço pedido nos empreendimentos em construção com entrega prevista para 2026 está em R$ 39,64/m² em média, quase R$ 10 acima da média geral do mercado.

“A única forma de viabilizar os novos empreendimentos é repassar o valor de aluguel”, diz Santos. “O ocupante entende. É planilha aberta. Se não for assim, não vai ter galpão.”

O mercado procura saídas. Desenvolvedores buscam permutantes (donos de terreno dispostos a entrar como sócios no projeto). Fundos imobiliários compram ativos com cotas, evitando crédito caro. A Log criou a Log Capital, uma gestora própria para captar recursos de terceiros e montar fundos de desenvolvimento.

Cerca de 40% do estoque em construção com entrega prevista para 2026 já está pré-locado, segundo a Binswanger. São 3,6 milhões de metros quadrados ainda por vir, dos quais 2 milhões no Sudeste, 776 mil no Nordeste e 687 mil no Sul.

“Nunca vimos um mercado tão profundo e tão demandador, principalmente nesses marketplaces de e-commerce”, disse Sérgio Fischer, CEO da Log. “Essa mudança veio para ficar.”

Por enquanto, a demanda segura o jogo. Mas, se o ritmo de construção não acompanhar o apetite dos marketplaces, o próximo campo de batalha pode não ser a velocidade de entrega mas, sim, a falta de onde guardar o produto antes de entregá-lo.

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Jovens fundadores da Cursor viram multibilionários após venda para a SpaceX

16 de Junho de 2026, 18:19

Por volta da época em que o ChatGPT e o Copilot do GitHub levaram a inteligência artificial às massas, quatro colegas do MIT com formação em ciência da computação e finanças decidiram entrar nesse mercado. Eles só não sabiam exatamente como.

“Começou a partir de um lugar muito de ‘solução em busca de um problema’”, disse Michael Truell, cofundador e CEO da Cursor, empresa que eles criaram juntos, em uma participação em podcast em junho de 2025.

Quatro anos depois, a Cursor é uma das ferramentas de programação com IA mais populares do mercado — e a “solução” deles os transformou em bilionários.

A SpaceX concordou formalmente em comprar a Cursor na terça-feira (16), em um acordo integralmente em ações que avalia a empresa em US$ 60 bilhões. Cada um dos cofundadores detém cerca de 9% da Anysphere, sediada em São Francisco — nome formal da empresa —, participação avaliada em US$ 5,5 bilhões para cada um, segundo o Bloomberg Billionaires Index.

Quando o acordo for concluído — o que deve ocorrer no terceiro trimestre deste ano — eles receberão ações da SpaceX de valor equivalente.

Os quatro fundadores — todos na casa dos 20 e poucos anos — se juntam a uma lista crescente de bilionários criados pela Space Exploration Technologies Corp., de Elon Musk, desde sua abertura de capital na sexta-feira.

A história deles também simboliza a mudança no caminho para a riqueza de dez dígitos entre jovens fundadores: a euforia da IA e o aumento dos investimentos de capital de risco fazem com que novos bilionários surjam cada vez mais do setor de tecnologia, em vez das finanças.

Um porta-voz da Cursor não respondeu a um pedido de comentário.

Engenharia mecânica

Truell e seus futuros sócios — Sualeh Asif, Arvid Lunnemark e Aman Sanger — eram todos estudantes de graduação no Massachusetts Institute of Technology. Truell, natural de Nova York, estagiou no Google, enquanto Sanger, membro do time de squash do MIT, estagiou na Bridgewater Associates. Lunnemark, medalhista de ouro em olimpíada de matemática em seu país natal, a Suécia, trabalhou brevemente como trader quantitativo na Jane Street.

Os quatro fundaram a Cursor em 2022, inicialmente com foco na criação de um copiloto de IA para a indústria de engenharia mecânica. Isso apesar de nenhum deles ter formação formal em engenharia.

“Éramos bastante desconhecedores da área”, disse Truell em um podcast em maio de 2025. “Então havia um pouco daquele problema do ‘homem cego e o elefante’ desde o início.”

Após alguns meses, eles mudaram o foco para o desenvolvimento de um agente de codificação com IA mais alinhado ao histórico da equipe fundadora. Em 2023, o OpenAI Startup Fund apoiou a empresa iniciante em uma rodada seed que levantou US$ 8 milhões, segundo dados da Pitchbook.

No ano seguinte, a Anysphere levantou US$ 60 milhões em uma rodada Série A, avaliando a empresa em US$ 400 milhões. Entre os principais investidores estavam a Andreessen Horowitz, o Dorm Room Fund e o cofundador da Stripe, Patrick Collison.

Fotógrafa: Gabby Jones/Bloomberg

Em janeiro de 2025, a Cursor havia alcançado US$ 100 milhões em receita recorrente anual. Em dois meses, esse número dobrou, e a empresa chegou a um milhão de usuários diários.

Acordo com a SpaceX

Mesmo com grandes players como OpenAI e Anthropic lançando suas próprias ferramentas de programação com IA, a Cursor continuou expandindo sua base de usuários, especialmente entre clientes corporativos. A empresa afirma que seus produtos são usados por 64% das empresas da Fortune 500 e que suas ferramentas escrevem mais de 100 milhões de linhas de código por dia para clientes corporativos.

Em abril, a SpaceX anunciou que havia chegado a um acordo que lhe dava a opção de adquirir a Cursor por US$ 60 bilhões, mas decidiu adiar a aquisição formal até depois de seu IPO, para minimizar interrupções e evitar burocracia adicional.

O acordo representava um prêmio em relação à avaliação de US$ 50 bilhões que a Cursor vinha buscando recentemente em uma rodada de financiamento, segundo a Bloomberg. Também incluía uma taxa de rescisão de US$ 10 bilhões caso a compra não se concretizasse.

A gestão da SpaceX descreveu a aquisição como central para expandir suas capacidades em IA após a fusão, em fevereiro, com a startup de inteligência artificial de Musk, a xAI.

“Cursor tem seus próprios modelos, eu acho, e podemos aprender com eles”, disse Gwynne Shotwell, presidente da SpaceX, em entrevista à CNBC na sexta-feira. “Vamos colaborar de perto. Achamos que isso faz muito sentido.”

SpaceX compra Cursor para reduzir distância em relação à OpenAI e Anthropic

16 de Junho de 2026, 16:01

A SpaceX formalizou a aquisição da Cursor em um acordo que avalia a startup de programação baseada em inteligência artificial em US$ 60 bilhões, consolidando uma peça importante da estratégia de Elon Musk para alcançar rivais no mercado de ferramentas de codificação com IA.

Os investidores da Cursor terão o direito de receber ações da SpaceX com base no valor implícito de US$ 60 bilhões da startup, segundo um documento regulatório divulgado nesta terça-feira (16). A transação deve ser concluída no terceiro trimestre. A SpaceX já havia revelado em abril que garantiu o direito de comprar a Cursor ainda este ano, mas decidiu adiar o negócio por causa de seu IPO.

A compra reforça a ofensiva de Elon Musk na inteligência artificial. A Cursor é uma das ferramentas de programação assistida por IA mais populares do mercado, usada por desenvolvedores para escrever e corrigir códigos com o auxílio de inteligência artificial.

A aquisição também ajuda a SpaceX a reduzir a distância em relação a concorrentes como OpenAI e Anthropic em uma área considerada estratégica por Musk. O empresário já reconheceu que sua empresa está atrás dos rivais no segmento de ferramentas de codificação baseadas em IA.

A companhia avança com a aquisição poucos dias após concluir a maior oferta pública inicial da história. As ações dispararam mais de 40% nos dois primeiros pregões, refletindo a forte demanda dos investidores interessados no potencial de crescimento da empresa.

A valorização continuou nesta terça-feira. Por volta das 9h43 em Nova York, os papéis subiam 9,9%, elevando o valor de mercado da SpaceX para cerca de US$ 2,77 trilhões. Com isso, a empresa superou a Amazon em valor de mercado durante o pregão e se tornou a quinta companhia de capital aberto mais valiosa do mundo.

O braço de inteligência artificial da SpaceX, conhecido como SpaceXAI, está concentrado em fortalecer suas capacidades de programação assistida por IA. Musk já afirmou que a empresa está atrás dos concorrentes nesse segmento e recrutou engenheiros da Cursor para tentar alcançar empresas como OpenAI e Anthropic.

A divisão de IA enfrentou dezenas de saídas de profissionais tanto nas áreas de engenharia quanto de treinamento de dados e tem encontrado dificuldades para atrair talentos de ponta, que possuem outras oportunidades no mercado. Para reorganizar a operação, Musk colocou executivos da unidade Starlink em posições de liderança na empresa.

Segundo a Bloomberg, funcionários da SpaceX vêm trabalhando em conjunto com equipes da Cursor nas últimas semanas, colaborando em projetos de programação e infraestrutura computacional.

Lançado em 2023, o assistente de IA da Cursor foi criado para ajudar programadores a escrever e corrigir códigos com mais eficiência. A startup se tornou uma das empresas de tecnologia de crescimento mais rápido da história e ganhou destaque na chamada era do “vibe coding”, marcada pelo uso de ferramentas capazes de gerar software a partir de comandos enviados a chatbots.

Antes do anúncio da aquisição pela SpaceX, a Cursor negociava uma nova rodada de investimentos que avaliaria a empresa em mais de US$ 50 bilhões, segundo a Bloomberg.

As apostas de Musk em inteligência artificial têm sido caras para a SpaceX. A companhia registrou prejuízo líquido de US$ 4,94 bilhões no ano passado após incorporar retroativamente dívidas relacionadas aos investimentos da xAI. Os gastos de capital praticamente dobraram, chegando a US$ 20,7 bilhões em 2025, sendo a inteligência artificial a principal frente de investimento.

Embora a SpaceX tenha alugado capacidade de seus centros de dados para concorrentes como Anthropic, o diretor financeiro Bret Johnsen afirmou na semana passada que a empresa não pretende abandonar seus próprios produtos de IA, incluindo o chatbot Grok.

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Nota fiscal de empresas do Simples Nacional muda em setembro; veja o que muda e como preencher

16 de Junho de 2026, 14:45

A partir de 1° de setembro, uma das atividades mais importantes da vida de empreendedores do setor de serviços passará por mudanças: a emissão de nota fiscal.

Dessa data em diante, você que tem uma micro ou uma pequena empresa enquadrada no Simples Nacional terá que emitir a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e) por meio do Emissor Nacional, uma plataforma unificada do governo que padroniza o documento.

Atualmente, a emissão de nota varia de cidade para cidade: algumas têm sistemas próprios, com características específicas, enquanto outras sempre adotaram a plataforma federal. Isso dificulta a integração de dados e atrapalha a implementação de mudanças ligadas à reforma tributária.

E tem mais: as novidades não se limitam ao site em que são emitidas.

“Também haverá mudanças de preenchimento da nota”, diz Charles Gularte, sócio-diretor de contabilidade e relações institucionais da Contabilizei.

O que exatamente vai mudar na nota fiscal e a que os empreendedores devem ficar atentos na hora de preenchê-la? Confira a seguir.

Simples: que muda na nota fiscal de serviços

A nota fiscal continuará com as informações de sempre: dados do prestador de serviço, do tomador (o cliente), a descrição do que foi feito e o valor. Mas, além disso, passará a incorporar novos campos obrigatórios ligados à reforma tributária.

Alguns são relacionados à classificação das atividades da empresa e aos serviços prestados; outros têm a ver com a apuração de impostos.

Há três códigos de identificação aos quais você, como pequeno empresário, terá que ficar atento: NBS (Nomenclatura Brasileira de Serviços), cClassTrib (Código de Classificação Tributária) e cIndOp (Código de Indicador de Operação).

O NBS identifica o serviço; o cClassTrib diz para onde o serviço é prestado; e o cIndOp define a regra tributária que se aplica a esse serviço. Juntos, os três determinam quanto imposto a nota vai gerar.

Vamos explicar cada um dos três a seguir:

NBS

O NBS (sigla para Nomenclatura Brasileira de Serviços) é um código numérico que identifica o tipo de serviço prestado, considerando uma tabela nacional padronizada. Funciona como um “código de barras” da atividade: cada serviço tem sua classificação própria, que determina a alíquota correta do IBS e da CBS que vão incidir.

Só para lembrar, o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços, que substitui o ISS e o ICMS) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços, que entra no lugar do PIS e da Cofins) são dois dos novos impostos criados pela reforma tributária, que passarão a valer em 2027.

O preenchimento do campo NBS passa a ser obrigatório para empresas de todos os regimes a partir de setembro.

Se você tem dúvidas sobre qual código indicar na emissão de uma nota, a recomendação é falar com seu contador, que dará a orientação adequada considerando as atividades que sua empresa realiza. Isso é importante, porque escolher a classificação errada afeta o valor do imposto que você terá de pagar.

cIndOp

O cIndOp (sigla para Indicador de Operação) é um código que aponta a categoria geral da operação: se é uma venda para o mercado interno, uma exportação ou uma venda para o governo.

Da mesma forma como acontecerá no caso da NBS, preencher esse campo também será obrigatório para empresas de todos os regimes a partir de setembro.

Um exemplo: imagine uma empresa de tecnologia que presta o serviço de desenvolvimento de software para dois clientes diferentes. O código NBS será o mesmo nos dois casos. Mas o cIndOp pode ser diferente:

Vamos ao exemplo de uma empresa de tecnologia com clientes em São Paulo e Nova York: o NBS será o mesmo nos dois casos. O que muda é o cIndOp e, a partir dele, o cClassTrib:

  • Se o cliente está em São Paulo, quem emite a nota deve selecionar a opção “Mercado Interno” no cIndOp.
  • Mas, se o cliente está em Nova York, a operação é tratada como uma exportação de serviços. E então será preciso selecionar “Exportação” ao preencher o cIndOp.

cClassTrib

O cClassTrib (sigla para Código de Classificação Tributária) identifica a natureza tributária da operação – ou seja, como aquele serviço é tratado por lei na hora de calcular o valor do IBS e da CBS.

Esse código indica, por exemplo, se há alguma redução ou isenção de impostos ou se o serviço está enquadrado em algum regime especial.

A empresa de tecnologia que atende clientes em São Paulo e em Nova York, em exemplo citado acima, é um bom exemplo de como isso funciona:

  • Quando o cliente está em São Paulo e o cIndOp identifica que a operação é de “Mercado Interno”, o sistema exibirá as opções de cClassTrib correspondentes – e o emissor deve escolher o código 000001 (Operação Tributada Integralmente). Resultado: a nota vai calcular o IBS e a CBS como habitual.
  • Já no caso do cliente em Nova York, o cIndOp indica que se trata de uma “Exportação” – e, por lei, a receita da exportação de serviços é isenta de tributos. O sistema exibirá apenas as opções aplicáveis a operações internacionais e o emissor deverá selecionar o código 410004 (Exportação de Bens e Serviços). Resultado: o IBS e a CBS serão zerados automaticamente.

Em resumo, o cClassTrib avisa ao sistema que o serviço prestado é o mesmo nos dois casos, mas a regra tributária que se aplica é diferente. O preenchimento desse campo passa a ser obrigatório para empresas de todos os regimes também a partir de setembro.

IBS e CBS

Os valores dos novos tributos previstos na reforma tributária também precisarão constar na nota de empresas de todos os regimes. Mas, no caso daquelas enquadradas no Simples, só será obrigatório destacar as alíquotas a partir de 1º de janeiro de 2027.

Como as alíquotas definitivas ainda não foram estabelecidas, os valores serão simbólicos durante a transição: 1% no total da nota, sendo 0,9% de CBS e 0,1% de IBS.

O passo a passo para preencher a nota

O NBS será o primeiro a ser preenchido, para que o prestador classifique o tipo de serviço prestado – como “Consultoria de TI” ou “Desenvolvimento de Software”, por exemplo.

Em seguida, deve ser definida a categoria ampla da operação escolhendo o cIndOp, que informa ao sistema se a venda é destinada ao “Mercado Interno” ou se é uma “Exportação”, entre outras opções.

Depois, vem o cClassTrib. Com base no que foi informado no cIndOp, o sistema filtra e exibe as regras aplicáveis. O emissor então seleciona o código correspondente à legislação exata daquela operação, com opções como “Tributação Integral” ou “Imunidade de Exportação”.

Por fim, como resultado dos três passos anteriores, o próprio sistema vai “ler” a natureza tributária (cClassTrib) e calcular automaticamente o IBS e a CBS, destacando os valores corretos na nota ou zerando o imposto, quando for o caso.

O que fazer para evitar problemas em setembro?

O ponto de partida é não esperar o prazo chegar para se adequar às mudanças.

Empresas que se preparam com antecedência têm tempo para testar, corrigir erros e treinar equipes sem pressão. Quem deixa para a última hora arrisca enfrentar sistemas sobrecarregados, notas rejeitadas ou emitidas com dados incorretos, afetando diretamente a tributação da operação.

Se sua empresa está no Simples Nacional, comece verificando os acessos do responsável pela emissão de notas ao sistema do Emissor Nacional.

Também não deixe de identificar junto a seu contador o código NBS correto para cada serviço prestado. Esse é o campo que mais gera rejeição no Simples, justamente porque muitos empreendedores fazem essa escolha sem suporte.

Há um ponto extra de atenção.

O regime tem códigos próprios de CST (Código de Situação Tributária) e regras de alíquota diferentes das empresas do Lucro Real e do Lucro Presumido.

Se o CNPJ está cadastrado como Simples Nacional, o sistema só autoriza a nota com os códigos exclusivos desse regime. Usar os códigos de outro regime gera rejeição imediata, porque o sistema identifica a inconsistência entre o cadastro da empresa e o código informado.

Por fim, é recomendado emitir pelo menos uma nota de teste no Emissor Nacional antes de setembro, para validar que os cadastros estão corretos e o fluxo de emissão funciona.

Figurinha de Messi no álbum da Copa movimenta mercado paralelo na Argentina

16 de Junho de 2026, 14:14

Enquanto Lionel Messi se prepara para entrar em campo na terça-feira (16) para a primeira partida de sua sexta e última Copa do Mundo da FIFA, os argentinos correm atrás de outro prêmio: a rara figurinha dourada do craque.

Milhares de crianças e adultos se reúnem no Parque Rivadavia, um parque histórico no centro de Buenos Aires, onde colecionadores trocam selos, moedas e, agora, figurinhas da Panini, para completar álbuns com os rostos de todos os jogadores que representam as 48 seleções que disputam a Copa do Mundo.

Depois de conquistar o último torneio, em 2022, Messi é rei.

“Se eu conseguir, vou guardar pelo resto da vida. Vai dormir comigo”, disse Franco Logiurato, de 14 anos.

O álbum deste ano tem espaços para 980 figurinhas, e a fabricante italiana oferece outras 20 figurinhas raras colecionáveis com os jogadores mais populares, cada uma disponível nas versões roxa, bronze, prata e dourada. Uma figurinha colecionável extra aparece, em média, a cada 100 pacotes, disse a empresa à Bloomberg.

Logiurato já completou o álbum — o que custou um salário inteiro do pai — e agora está atrás da figurinha dourada de Messi.

“Pense bem”, disse ele. “É a última Copa do Mundo de Messi. É de ouro. Quer dizer, é a coisa mais valiosa que existe.”

A febre ajudou a alimentar a escassez e a elevar os preços. A Panini recomenda a venda de pacotes com sete figurinhas por cerca de US$ 1,40 (cerca de R$ 7,20), mas os quiosques — pequenas lojas de esquina que conseguem obter estoque — chegam a cobrar até US$ 2,10 (cerca de R$ 10,80), segundo Ernesto Acuña, presidente do sindicato dos quiosques.

Durante a última Copa do Mundo, o governo de esquerda da Argentina interveio diante da escassez. Sob o presidente libertário Javier Milei, Acuña disse que o sindicato não levou o tema adiante.

“É uma mini economia”, disse Tomás Mingrone, de 25 anos, que passa os fins de semana comprando, vendendo e trocando repetidas. Um adolescente havia acabado de se aproximar dele para oferecer uma figurinha comum de Messi. Mingrone ofereceu US$ 10,50 (cerca de R$ 54). O vendedor foi embora.

A popularidade dos álbuns de figurinhas da Panini ajudou a provocar escassez e a elevar os preços. Fotografia: Sarah Pabst/Bloomberg

“Tem garotos de 12 ou 13 anos aqui que ganham US$ 100 por dia (cerca de R$ 520). É incrível”, disse.

Os filhos do astro argentino também entraram na brincadeira, disse Messi em entrevista recente, e estão ocupados tentando completar a coleção de figurinhas dos álbuns.

“Uma batalha vencida”

Mingrone diz que sabe identificar pacotes que contêm figurinhas extras de colecionador e os vende, fechados, por US$ 17,49 (cerca de R$ 91) cada. Logiurato comprou dois, mas não encontrou a figurinha dourada de Messi. Mingrone estima que já abriu cerca de 20 mil pacotes e encontrou apenas duas versões douradas do cobiçado megastar argentino.

Santiago Arce, de 22 anos, foi um dos poucos sortudos a encontrar a figurinha dourada de Messi e a está oferecendo à venda por US$ 140 (cerca de R$ 730). Para consegui-la, Arce trocou quatro figurinhas extras cobiçadas — Cristiano Ronaldo, de Portugal, Kylian Mbappé, da França, Mohamed Salah, do Egito, e Jude Bellingham, da Inglaterra — além de 10 figurinhas brilhantes e 25 figurinhas comuns de jogadores.

“Cada extra tem a própria história. Cada uma é uma batalha vencida”, disse Arce.

Nem todos no parque estavam atrás da versão dourada.

Tahiel Cortez, de 11 anos, acabara de tirar uma figurinha comum de Messi de um pacote e sorria de orelha a orelha.

“Não acredito”, disse. “Consegui o Messi!”

Ele ainda precisa de 120 figurinhas para completar o álbum. Mas, por um momento, isso pareceu pouco importar.

A partir de 15 de julho, a Panini oferecerá figurinhas avulsas para completar os álbuns. As figurinhas colecionáveis extras não estarão disponíveis, disse a empresa.

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