O senador e presidente da CPI do INSS, Carlos Viana (Podemos-MG), falou a jornalistas nesta quinta-feira (26), logo após o Supremo Tribunal Federal formar maioria contra a continuidade do trabalho da CPMI do INSS. Ele lamentou a decisão dos juízes e disse esperar que a CPI do caso Master seja aprovada e dê continuidade aos trabalhos.
“Nós estamos sendo tirados de nossas prerrogativas a cada decisão”, afirmou. Como solução, ele defendeu a criação de uma nova lei que regule o funcionamento destas investigações.
“Nós temos que votar uma nova lei para CPMIs, para que possamos investigar quem quer que seja. Para que não dependamos dos Habeas Corpus do STF para fazer oitiva com pessoas investigadas”, afirmou.
Viana também disse concordar com as críticas do ministro Gilmar Mendes sobre o vazamento de dados obtidos com quebras de sigilo na CPMI, como foi o caso de diálogos íntimos do banqueiro Daniel Vorcaro.
“A questão é que precisa apontar quem vazou. Uma coisa eu posso dizer, da CPMI, da minha parte como presidência, nunca saiu uma informação incorreta. É uma crítica vaga, mas se precisa apontar os culpados”, afirmou o senador.
O senador afirmou que o relatório será lido na próxima sexta-feira (27), e que a votação também pode ocorrer na mesma sessão. Ele afirmou que está buscando consenso com a base do governo.
“Infelizmente, tivemos uma base do governo que blindou e com muita força conseguiu os votos para impediu que as investigações avançassem sobre as pessoas importantes da república, sobre parlamentares. Não foi nossa responsabilidade. Nós denunciamos e deixamos claro para o Brasil. Agora, é esperar que a Justiça seja feita”, concluiu.
Após o STF negar um pedido da CPMI para estender os trabalhos por mais 120 dias diante da inércia do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a Comissão encerra os trabalhos no sábado (28).
O vereador bolsonarista Adrilles Jorge. Foto: Reprodução
A aprovação do Projeto de Lei (PL) que visa criminalizar o discurso de ódio contra mulheres, conhecido como “PL da Misoginia”, no Senado, provocou reações histéricas de políticos de direita. Um desses casos aconteceu na Câmara Municipal de São Paulo, onde o vereador bolsonarista Adrilles Jorge (União) usou o plenário para promover um espetáculo de misoginia e transfobia, em protesto contra a aprovação do projeto.
Durante a sessão, Adrilles Jorge, indignado com o avanço do projeto no Senado, fez uma performance polêmica. O vereador copiou uma ação do deputado Nikolas Ferreira e colocou uma peruca, em uma tentativa de atacar o “PL da misoginia” de maneira provocativa.
Ele afirmou que a lei, por não definir claramente o que é uma mulher, permitiria que qualquer homem se julgasse mulher e, consequentemente, promova discurso de ódio contra as mulheres.
“Eu posso me julgar mulher porque a lei é tão esdrúxula, que ela não define o que é uma mulher, então, eu, enquanto homem, posso contestar as senhoras, eu posso agredir verbalmente as senhoras, porque aos homens […] as mulheres se colocam como vítimas preferenciais […] essa lei não resolve nada […] então, eu, como mulher, agora como Geórgia, posso falar como mulher porque a lei me permite assim”, disse o vereador durante a sessão.
TRANSFOBIA NA CÂMARA DE SP!
O vereador Adrilles Jorge, em mais um episódio de desrespeito, reproduz o mesmo comportamento de Nikolas Ferreira ao usar uma peruca no plenário para ridicularizar pessoas trans.
Enquanto isso, o PL da Misoginia continua a tramitar na Câmara dos Deputados, onde será discutido por parlamentares e, se aprovado, seguirá para a sanção do presidente Lula. A proposta aprovada no Senado no dia 25 de abril define a misoginia como crime, equiparando-a ao racismo na legislação brasileira.
A medida visa punir comportamentos que manifestem ódio ou aversão às mulheres, fundamentados na crença da supremacia masculina. A nova lei inclui manifestações verbais, como injúrias e discursos de ódio, bem como ofensas que atentem contra a dignidade feminina.
Isso inclui também as agressões no ambiente digital, como em redes sociais e fóruns, onde muitos discursos misóginos têm sido proliferados. O projeto prevê penas de prisão que variam de dois a cinco anos, além de multas, para os envolvidos em práticas misóginas.
Em casos de incitação ou indução à misoginia, as penas podem ser de um a três anos, com a mesma penalidade de multa. A medida é vista como um avanço no combate a atitudes discriminatórias contra as mulheres, especialmente no cenário atual, onde os ataques à dignidade feminina têm aumentado na sociedade, principalmente pela internet.
Embora o projeto tenha sido aprovado por unanimidade no Senado, com 67 votos favoráveis, a reação de políticos de extrema-direita tem sido polarizada. O ato de Adrilles Jorge é apenas um exemplo das tentativas de impedir a implementação da proposta, com alegações de que a lei poderia ser mal interpretada ou abrir brechas para abusos.
O “PL da Misoginia” foi apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) e teve a relatoria de Soraya Thronicke (Podemos-MS), que destacou a importância da medida no enfrentamento de discursos de ódio. A senadora afirmou que a proposta visa combater não apenas agressões físicas, mas também discursos misóginos que têm ganhado força nas redes sociais.
Thronicke defendeu que o projeto é essencial para coibir a propagação de ideias que sustentam a superioridade masculina, especialmente em tempos de crescente radicalização política e social. “O ódio às mulheres não é abstrato: é estruturado, crescente e ceifa vidas todos os dias”, afirmou ao defender o projeto.
A nova pesquisa Atlas deve ser lida com a serenidade que o momento político exige — e, sobretudo, com atenção aos seus recortes internos. O dado mais chamativo, a desaprovação de 54% ao presidente, ganha contornos mais claros quando se observa a composição desse número.
Entre os eleitores de Bolsonaro, a rejeição a Lula é praticamente unânime (98,5%), o que pouco acrescenta em termos analíticos: trata-se de um eleitorado já consolidado na oposição. O mesmo padrão, ainda que menos intenso, aparece entre os que votaram em branco (76,5%) e entre os que não votaram (81,8%). Ou seja, a desaprovação cresce justamente nos segmentos menos engajados ou mais voláteis — um sinal mais relevante do que a simples rejeição entre adversários históricos.
Na avaliação do governo, o desenho se repete com pequenas variações. Entre os bolsonaristas, 94,5% classificam a gestão como péssima — novamente, um dado esperado. Já entre brancos (69,6%) e abstencionistas (68%), a crítica permanece alta, indicando que o governo enfrenta dificuldades para conquistar ou reter apoio fora de sua base tradicional.
Quando se passa à intenção de voto para o primeiro turno, o padrão de polarização se mantém. Flávio Bolsonaro herda de forma expressiva o eleitorado do pai (80,7%), mas mostra fragilidade fora desse núcleo: tem desempenho baixo entre votos brancos (13,9%) e recuperação apenas parcial entre os que não votaram (30,2%). É, portanto, um candidato competitivo dentro da bolha bolsonarista, mas ainda limitado na expansão.
O cenário que se desenha, por ora, é de repetição de 2022. Lula, como incumbente, carrega a vantagem estrutural da máquina e da visibilidade, mas enfrenta o desgaste acumulado de um ciclo longo do PT no poder — uma espécie de “fadiga de material”. Já o herdeiro político de Bolsonaro tem no sobrenome tanto um ativo quanto um passivo: mobiliza sua base, mas encontra resistência fora dela.
Nesse contexto, a eleição de 2026 tende a ser decidida menos pela conversão de adversários e mais pela capacidade de mobilização. Em teoria, o fator decisivo continua sendo o mesmo desde 2002: ativar o contingente de eleitores que se abstêm, votam em branco ou anulam. Quem conseguir engajar esse grupo pode abrir uma vantagem relevante.
Mais de R$ 5,6 bilhões já foram pagos a poupadores prejudicados pelos planos econômicos das décadas de 1980 e 1990, mas cerca de 292 mil pessoas elegíveis ainda não aderiram ao Acordo Coletivo e correm o risco de perder o direito ao ressarcimento.
O alerta é da Frente Brasileira pelos Poupadores, a Febrapo, com base em balanço atualizado até 31 de dezembro de 2025.
O prazo para adesão termina em 3 de junho de 2027. Quem deixar passar a data não apenas perde o valor a receber, mas pode ser obrigado a arcar com sucumbência, honorários advocatícios e custas processuais.
Em junho do ano passado, o Supremo Tribunal Federal reconheceu por unanimidade o direito dos poupadores prejudicados pelos planos Bresser, Verão, Collor I e Collor II, editados entre 1986 e 1991. Com a decisão, os ministros determinaram que o Acordo Coletivo firmado em 2017 passa a ser a regra para o encerramento de todos os processos relacionados aos expurgos inflacionários.
Até o fim de 2025, mais de 352 mil acordos já haviam sido firmados. Ainda assim, quase 300 mil poupadores elegíveis seguem sem receber valores que estão disponíveis para pagamento nos bancos.
Dinheiro parado enquanto o prazo corre
Para a diretora executiva da Febrapo, a advogada e mediadora Ana Seleme, a inércia tem custo concreto. “Quem deixa de fazer o Acordo agora está, na prática, correndo riscos e perdendo dinheiro, já que poderia aplicar os recursos recebidos, quitar dívidas ou usar este pagamento para atender necessidades imediatas“, afirma.
Após a adesão, o pagamento é feito em até 15 dias úteis, por meio de um processo simplificado com segurança jurídica.
Herdeiros também têm direito
Cerca de 30% dos elegíveis que ainda não aderiram são herdeiros de poupadores já falecidos. Filhos, cônjuges, pais e parentes colaterais até o 4º grau podem aderir ao Acordo em nome do titular original, desde que o processo judicial esteja ativo.
“Para garantir o direito à indenização, é fundamental que o processo judicial esteja ativo“, reforça Ana Seleme.
Quem pode aderir
A adesão ao Acordo Coletivo é restrita a poupadores que possuem ações judiciais em andamento relacionadas aos planos econômicos. Não é possível ingressar no acordo sem um processo judicial em curso.
Para verificar a situação do processo e iniciar a adesão, o poupador ou seu herdeiro deve entrar em contato com o advogado responsável pela ação ou acessar o site da Febrapo.
Quando passei pela sala e vi rapidamente a tela da TV, me pareceu um programa de algum culto pentecostal que resolveu fazer o seu jornalzinho rápido para atacar o Lula. Mandaram alguém pegar uma cartolina cor da pele, colar algumas fotos e fazer linhas associando alhos com bugalhos, pão de queijo com fuzil, brincadeira de criança com tornozeleira eletrônica.
No meio, a foto com cara de rico de Vorcaro, bem debaixo dele a estrela do PT, como se ele fosse um petista, acima deles Lula, como se fosse o chefe de tudo. Numa órbita bem distante do centro, estavam Ciro Nogueira, Nikolas Ferreira, Antonio Rueda, João Doria, Hugo Motta e Davi Alcolumbre.
Acredito que a editoria que mandou fazer essa cartolina esqueceu vários nomes principais dessa história. Por exemplo, Roberto Campos Neto, o ex-presidente do Banco Central, foi na época dele que tudo começou; Tarcísio de Freitas, que recebeu 2 milhões de reais de Vorcaro; Jair Bolsonaro, que recebeu 3 milhões de reais de Vorcaro; Ibaneis Rocha, governador de Brasília, que quis comprar o Banco Master através do Banco de Brasília para salvar Vorcaro; Claudio Castro, governador do Rio, que investiu bilhões do fundo de previdência dos funcionários públicos do Rio em papéis podres do Master.
Talvez se isso tivesse sido exibido por uma TV rodoviária de alguma cidade pequena do interior, seria uma grande mentira, mas não um grande problema. Ser exibido pela emissora que um dia teve orgulho de dizer que tinha um padrão de qualidade é jogar na nossa cara, telespectadores, a falta de respeito que têm por nós. Esse episódio aceita vários nomes, menos o de jornalismo.
Dia da vergonha na Gnews. Os tios dos churrascos e as tias do zap também sabem fazer jornalismo desse jeito.
Na tarde de sexta-feira (20), a GloboNews exibiu um PowerPoint “explicativo” sobre o escândalo do Banco Master que causa espanto pela distorção dos fatos.
A apresentação, que tinha como figura central o banqueiro Daniel Vorcaro, tentou ligar o caso a figuras da esquerda e do governo, como Lula, Guido Mantega e o “PT da Bahia”, ignorando completamente os nomes de figuras chave que têm conexões diretas com o escândalo, como Jair Bolsonaro (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ciro Nogeira, Roberro Campos Neto, e outros nomes do centrão.
O PowerPoint da GloboNews omitiu o PL, o maior envolvido no escândalo, e deixou de mencionar figuras como Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e outros aliados do governo que receberam recursos de Fabiano Zettel, operador financeiro de Vorcaro.
Já o nome de Ciro Nogueira (PP-PI), um dos senadores mais próximos de Vorcaro, foi colocado na apresentação de maneira distorcida, sem mencionar seu partido e sua conhecida ligação com o banqueiro. Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central, foi incluído como “próximo” de Vorcaro, enquanto Roberto Campos Neto, seu antecessor e aliado de Bolsonaro, foi completamente ignorado.
O PowerPoint verdadeiro deveria ter incluído a própria Globo e seu envolvimento no escândalo. Daniel Vorcaro, que patrocinou um evento da Globo em Nova York e foi o principal orador, chamou figuras da emissora de “amigos”, incluindo o organizador Fred Kachar.
Esse vínculo crucial entre a Globo e o banqueiro foi convenientemente omitido da apresentação, evidentimente. A Globo, mais uma vez, reedita o lavajatismo de forma grotesca, distorcendo os fatos e manipulando a narrativa.
A emissora repete a estratégia de desviar a atenção e manipular a opinião pública. A tentativa de responsabilizar Lula e o PT pelo caso, enquanto apaga o próprio envolvimento da Globo e seus aliados, é um exemplo claro de como a mídia corporativa distorce informações para proteger seus próprios interesses e aliados políticos.
Horas após a assembleia realizada em Santos (SP) decidir não iniciar uma paralisação nacional e dar prazo de sete dias ao governo federal, entidades ligadas aos caminhoneiros divulgaram notas em apoio à Medida Provisória nº 1.343/2026 e afirmaram que o estado de greve está mantido até a conclusão das negociações sobre pontos da pauta da categoria ainda pendentes.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, confirmou que receberá representantes dos caminhoneiros na semana que vem, em mais uma etapa das tratativas abertas após a publicação da medida.
A decisão tomada na sede do Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista (Sindicam), em Santos, não encerrou o movimento mas transferiu para a próxima semana uma nova avaliação sobre eventual paralisação.
“Está mantido o estado de greve”, disse José Roberto Stringasci, presidente da Associação Nacional de Transporte no Brasil (ANTB). Segundo ele, a maioria dos participantes da assembleia queria parar, mas aceitou aguardar mais sete dias. “Se em sete dias o governo não resolver a situação e não der um sinal positivo para as pautas, eles vão parar”, afirmou.
Em nota divulgada à noite, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) afirmou que a paralisação nacional está, “por enquanto, suspensa” e atribuiu a decisão à publicação da MP nº 1.343/2026. O presidente da entidade, Paulo João Estausia, o Paulinho do Transporte, disse que os caminhoneiros agiram com “maturidade, responsabilidade e coerência” ao evitar a paralisação. A confederação informou ainda que continuará negociando com o governo outras pautas da categoria, que poderão ser apresentadas por meio de emendas à medida provisória.
A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) também informou, em nota, que a greve geral está suspensa até nova reunião com o governo na semana que vem. A entidade relacionou a decisão às medidas publicadas nos dias 12 e 19 de março sobre diesel, frete e fiscalização do piso mínimo. Segundo a associação, a suspensão do movimento está condicionada ao avanço das negociações e ao atendimento das reivindicações ainda pendentes.
O presidente do Sindicam, Luciano Santos de Carvalho, indicou durante a assembleia que a avaliação das lideranças foi a de manter a negociação aberta após a publicação da MP. “Para nós, o piso mínimo é dignidade e qualidade de vida para os caminhoneiros. Se subir o diesel, agora, com as regras dessa MP, o frete subirá também”, afirmou.
Publicada em edição extra do Diário Oficial da União, a MP nº 1.343/2026 torna obrigatório o registro de todas as operações de transporte pelo Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), o que permitirá à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) cruzar os valores pagos com o piso mínimo do frete rodoviário.
O texto prevê multas de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação para empresas que descumprirem a tabela. Em caso de reincidência, a empresa poderá ter o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) suspenso cautelarmente ou a autorização cancelada por até dois anos. O governo também publicou o Decreto nº 12.883/2026, com diretrizes para a definição do preço de referência do diesel.
Em Santa Catarina, onde caminhoneiros ligados à Associação Nacional dos Transportadores Autônomos de Carga (ANTC) haviam anunciado paralisação a partir do meio-dia de ontem, o presidente da entidade, Sérgio Pereira, informou no fim da tarde a desmobilização do movimento. Antes disso, a Justiça Federal proibiu bloqueios nas BRs 101 e 470 e nos acessos ao complexo portuário de Itajaí e Navegantes, com multa de R$ 10 mil por pessoa física e R$ 100 mil por pessoa jurídica em caso de descumprimento.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (19) que a oposição tenta “empurrar” o escândalo do Banco Master para o Partido dos Trabalhadores, mas atribuiu a origem do caso ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. A declaração foi feita em São Bernardo do Campo, durante evento que oficializou a pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo.
Ao comentar o cenário político, Lula criticou o nível dos debates e disse que há uma “promiscuidade generalizada” na política brasileira. O presidente citou tanto o caso do Banco Master quanto irregularidades no INSS como exemplos e defendeu que o governo atual foi responsável por revelar problemas.
“Quem descobriu toda a roubalheira na Previdência Social foi o nosso governo, foi a Controladoria Geral da União (CGU) e a Polícia Federal (PF). Eu era favorável a que o PT abrisse uma CPI. Mas aí eu pensava que o partido que está no governo não deveria abrir a CPI. Eles [oposição] abriram. Em vez de a gente estar indo para cima deles, eles estão indo para cima de nós, tá? (24:07) Então, é importante saber que, quando na política a gente vacila, a gente paga um preço muito alto. Esse Banco Master, vira e mexe, eles estão tentando empurrar nas costas do PT e do governo. Esse Banco Master é obra, é o ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos, ex-presidente do Banco Central”, afirmou.
Lula também relembrou que a transferência do Banco Master para o controle de Daniel Vorcaro foi autorizada em 2019, durante a gestão de Campos Neto no Banco Central. Segundo o presidente, é preciso atenção para evitar que a oposição associe o governo atual ao escândalo. Ele defendeu ainda uma postura mais firme da bancada petista diante das críticas.
“A bancada do PT tem que ter coragem de denunciar. A gente não pode se calar, temos que abrir a boca e ir para o enfrentamento. Não tem aquele negócio de Lulinha paz e amor. Também não quero ser o Lulinha paz e ódio. Eu quero ser Lulinha paz e amor, mas com amor mais duro, mais responsável, para não deixar nego [sic] colocar uma cagada no nosso pescoço”.
O evento também marcou a oficialização da pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo paulista. O anúncio foi feito por dirigentes do PT e contou com a presença de ministros do governo. “O Fernando é o objetivo da nossa vinda aqui no sindicato, por conta da missão que ele vai assumir no nosso projeto aqui para frente (em São Paulo)”, afirmou Edinho Silva.
Mais cedo, Haddad já havia comunicado sua saída do Ministério da Fazenda. “Hoje pra mim é um dia especial, um dia que estou deixando o Ministério da Fazenda”, declarou. Lula confirmou que o atual secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, assumirá o comando do ministério a partir desta sexta-feira (20).
Integrantes do governo federal avaliam a possibilidade de o banqueiro Daniel Vorcaro firmar um acordo de delação premiada no caso Banco Master e envolver nomes do Executivo. Nos bastidores, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) consideram que o empresário pode adotar uma estratégia agressiva, já que, na visão de interlocutores, ele não teria mais nada a perder e poderia ampliar o alcance político das investigações, ampliando ao máximo o número de investigados.
Vorcaro foi transferido na última quinta-feira (19) de um presídio federal no Distrito Federal para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
A mudança ocorreu após a assinatura de um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR), etapa inicial para um possível acordo de colaboração premiada. De acordo com informações do Globo, a movimentação elevou o estado de alerta dentro do governo, que monitora os desdobramentos do caso.
Auxiliares do Planalto também questionam a necessidade de uma eventual delação. Segundo esse grupo, a Polícia Federal já possui acesso a dados bancários e conteúdos de aparelhos celulares do banqueiro, o que, na avaliação interna, seria suficiente para sustentar as investigações sem depender do depoimento do próprio investigado.
Desse modo, o olhar da PF ficaria sobre os políticos do centrão e da direita, como, por exemplo, os presidentes do PP, Ciro Nogueira, do União Brasil, Antônio Rueda, e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que tinha o contato salvo no celular de Vorcaro e usou um avião do banqueiro em diversas oportunidades. Nas redes sociais, apoiadores chegaram a apelidar o caso de “Bolsomaster”.
Nikolas Ferreira durante viagem em avião de Vorcaro. Foto: reprodução
No caso de Ciro Nogueira, documentos obtidos pela imprensa mostram que o senador aparece em mensagens atribuídas a Vorcaro como “um dos meus grandes amigos de vida”. Os registros também indicam encontros entre os dois e citam uma reunião na casa do banqueiro com a participação de Hugo Motta.
Antônio Rueda, presidente do União Brasil, também aparece em documentos ligados à apuração. Um e-mail incluído na quebra de sigilo de Vorcaro registra a reserva de um voo de helicóptero com o nome de “Antonio Rueda e 07 convidados”, em deslocamento entre Interlagos e Congonhas.
Já Nikolas Ferreira entrou no radar por causa do uso de uma aeronave ligada a Vorcaro durante a campanha do segundo turno de 2022. Segundo reportagens sobre o conteúdo dos registros apreendidos, o deputado do PL utilizou o avião em deslocamentos de apoio à campanha de Jair Bolsonaro, passando por capitais do Nordeste e cidades do interior de Minas Gerais.
Alckmin e Lula em evento na UFABC nesta quinta. Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (19) que a vaga de vice em sua chapa está “aberta” ao atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), mas indicou que o aliado pode avaliar uma candidatura ao Senado por São Paulo. A declaração foi feita durante evento que marcou a pré-candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo paulista, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo.
Ao comentar o futuro político de seu companheiro de chapa em 2022, Lula revelou conversas recentes e destacou a relação de confiança entre os dois. “Conversei com o Alckmin essa semana. ‘O que você quer ser?’ Pedi para ele conversar com o Haddad. Ficarei imensamente feliz em ter ele como vice outra vez. É um companheiro que aprendi a gostar, é de muita lealdade, só me ajuda. Mas tem que conversar com o Haddad para saber onde a gente pode colher mais frutos dele. Se ser candidato ao Senado não ajuda mais. Eles não têm senador para disputar conosco”.
Lula reforçou que a definição dependerá de articulações políticas em São Paulo, especialmente com Haddad. “Se ele for meu vice, estou tranquilo, mas o Haddad precisa de uma chapa para ganhar. E eles não tem candidato para ganhar da gente. Não sei se o Geraldo vai ser candidato ao Senado. A vaga de vice está aberta para ele”, afirmou.
No mesmo evento, Alckmin sinalizou apoio à candidatura de Haddad e prometeu participação ativa na campanha. “Escrevam aí: o Haddad vai ganhar essa eleição. E conte conosco, Haddad, pra gente percorrer a geografia de São Paulo, desde o litoral até as barrancas do Rio Paraná; desde o Rio Grande até o Rio Paranapiacaba. Ouvindo o povo, as críticas , sugestões, propostas, porque o Haddad vai apresentar a melhor plataforma, o melhor programa pra gente sair dessa inércia de São Paulo para um grande projeto de desenvolvimento, humanista, com alma, com sentimento, em benefício da nossa população”.
Fernando Haddad, por sua vez, confirmou a pré-candidatura ao Palácio dos Bandeirantes e afastou a ideia de que disputaria apenas para cumprir papel político. “Quando vejo dizerem que o Haddad está indo para o sacrifício, é porque essa pessoa nunca tomou um chope comigo”, afirmou. Em seguida, completou: “Eu disputo a eleição para ganhar”.
Tarcísio de Freitas e Alexandre de Moraes. Foto: reprodução
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), esteve no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (19) para reuniões com cinco ministros da Corte, incluindo o presidente Edson Fachin e o vice-presidente Alexandre de Moraes. Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o governador levou à Corte um pedido para que o antigo mandatário passe a cumprir pena em prisão domiciliar, em meio ao agravamento de seu quadro de saúde.
Segundo o Globo, interlocutores afirmaram que Moraes foi o único ministro com quem Tarcísio tratou diretamente da possibilidade de mudança de regime.
Essa não foi a primeira articulação nesse sentido. Em visita anterior ao STF, o governador já havia feito uma ofensiva semelhante. Na última terça-feira (17), o senador Flávio Bolsonaro (PL) também se reuniu com Moraes e apresentou pedido para que o pai deixe a prisão e cumpra pena em casa.
De acordo com relatos feitos ao Globo, Tarcísio argumentou sobre as condições de saúde de Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado. O ex-presidente está preso desde 15 de janeiro no 19º Batalhão da Polícia Militar, em Brasília, conhecido como Papudinha.
Bolsonaro no DF Star em foto publicada por Carluxo. Foto: reprodução
No entanto, ele foi internado no dia 13 de março no hospital DFStar após diagnóstico de pneumonia bacteriana, chegando a ser encaminhado para uma UTI.
A defesa de Bolsonaro protocolou um novo pedido de prisão domiciliar, alegando necessidade de cuidados médicos contínuos. Segundo a petição, relatórios indicam histórico de doenças respiratórias, apneia do sono e outras comorbidades que exigiriam monitoramento constante e resposta rápida em caso de intercorrências clínicas.
Nos bastidores do STF, ministros avaliam que a eventual concessão de prisão domiciliar pode funcionar como uma forma de proteção institucional da própria Corte, diante do agravamento do estado de saúde do ex-presidente e dos possíveis impactos políticos da decisão.
Integrantes do governo federal e do PT também consideram, sob reserva, que a piora clínica pode justificar a transferência para o regime domiciliar.
Relatório técnico da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) apontou suspeitas de que a mudança de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para o exterior poderia ter como objetivo evitar o avanço das investigações sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A defesa nega essa intenção e afirma que a mudança foi planejada antes da deflagração da Operação Sem Desconto.
O documento, mantido sob sigilo, foi encaminhado ao STF em dezembro, no contexto do pedido de quebra de sigilo bancário de Lulinha, autorizado pelo ministro André Mendonça.
Segundo o Estadão, a análise trata da relação entre o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, preso sob suspeita de liderar um esquema de desvio de aposentadorias.
Segundo o relatório, a viagem de Lulinha ao exterior, sem previsão de retorno, poderia indicar “possível evasão do País”, considerando sua associação com o que a PF descreve como o principal operador das fraudes.
Em petição apresentada ao STF na segunda-feira (16), Lulinha afirmou que mantinha com Antunes uma relação “esporádica e de natureza social”. Ele reconheceu que o empresário custeou uma viagem a Portugal, em novembro de 2024, para conhecer um projeto de produção de canabidiol medicinal. De acordo com a PF, o empresário pretendia investir no setor por meio da empresa World Cannabis.
A confissão de Lulinha havia sido antecipada pelo Estadão, mas é a primeira vez que sua defesa apresenta formalmente explicações ao ministro André Mendonça sobre sua relação com o empresário. A petição foi apresentada depois das notícias da quebra do sigilo bancário do empresário e diante do receio de que ele seja alvo de novas medidas da Polícia Federal.
Lulinha diz que foi apresentado ao Careca do INSS por meio de sua amiga Roberta Luchsinger em 2024 “como um bem-sucedido empresário do mercado farmacêutico”. Lulinha afirma que não tinha conhecimento, na ocasião, da atuação dele junto ao INSS.
A investigação aponta que o empreendimento poderia ser financiado com recursos oriundos do esquema de desvio de aposentadorias, configurando uma etapa de lavagem de dinheiro. Durante a viagem, eles visitaram um terreno onde seria instalada uma fábrica.
Procurada pelo Estadão, a defesa sustenta que o negócio não avançou e que Lulinha não recebeu recursos do empresário nem participou de negociações. Também afirma que ele desconhecia qualquer irregularidade envolvendo Antunes à época.
Além da viagem, a PF apreendeu anotações atribuídas ao empresário que indicariam encontros com Lulinha em Brasília e apura se houve pagamentos. Ainda de acordo com o jornal, um ex-funcionário de Antunes afirmou ter ouvido que o empresário pagava uma mesada de R$ 300 mil ao filho do presidente. A quebra de sigilo bancário, no entanto, não identificou transferências desse tipo para as contas de Lulinha.
Os advogados afirmam que a mudança para Madri começou a ser planejada em 2024, com medidas práticas adotadas apenas em 2025, incluindo contato com instituições de ensino na Espanha para matrícula dos filhos. A Operação Sem Desconto foi deflagrada em abril de 2025, quando já havia reportagens sobre suspeitas envolvendo o empresário.
A defesa também argumenta que Lulinha foi apresentado a Antunes por uma amiga em 2024, como empresário do setor farmacêutico, e que não tinha conhecimento de sua atuação junto ao INSS. Segundo os advogados, mesmo que tivesse havido eventual relação comercial, isso não configuraria crime, uma vez que o projeto era considerado lícito à época.
Jair Bolsonaro recebendo atendimento médico. Crédito: X de Carlos Bolsonaro
O ex-vereador Carlos Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (16) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) segue com quadro de saúde “muito delicado” durante internação no Hospital DF Star, em Brasília. Em publicação nas redes sociais, ele relatou que Bolsonaro foi transferido para uma unidade semi-intensiva, mas ainda apresenta sintomas associados à broncopneumonia bacteriana.
No texto, postado em suas redes sociais, Carluxo descreveu as condições clínicas do ex-presidente: “Saio do DF Star após visitar o Presidente @jairbolsonaro. Ele foi transferido para uma unidade semi-intensiva, mas sua pneumonia bacteriana persiste, mantendo sua respiração muito debilitada. Isso também tem afetado sua voz, equilíbrio e a condição de seus pulmões, que seguem sob observação permanente.”
O filho também mencionou dificuldades na comunicação e outros sintomas. “Seu estado continua muito delicado e está sendo monitorado constantemente para evitar qualquer nova piora no quadro. Consegui conversar um pouco com ele, mas a dificuldade para falar ainda é grande, assim como os soluços que permanecem. Todo o processo de observação segue sensível e necessário.”
Na mesma publicação, Carlos afirmou que a família segue acompanhando a situação. “Seguimos preocupados, mas tenho certeza de que as boas energias e orações enviadas por todos ajudam e o fazem se sentir mais forte.” Ele também agradeceu manifestações de apoio: “Meu muito obrigado a todos pelo carinho. Amanhã volto para lhe dar um abraço.”
Bolsonaro está internado desde sexta-feira (13), após passar mal durante a madrugada e ser diagnosticado com broncopneumonia bacteriana bilateral. Exames indicaram maior comprometimento do pulmão esquerdo, e o tratamento foi iniciado com antibióticos intravenosos.
Há exatamente 36 anos, na manhã de 16 de março, uma sexta-feira, o Brasil acordou sem acesso ao próprio dinheiro. Um dia após tomar posse (até 1990 a posse ocorria em 15 de março), o então presidente Fernando Collor de Mello anunciava o bloqueio de grande parte das aplicações financeiras do país, em uma medida que entraria para a história como o confisco da poupança e se tornaria um dos episódios mais traumáticos da economia brasileira.
A decisão determinou o congelamento de valores acima de 50 mil cruzados novos (R$ 5.000 nos dias de hoje, se a correção for baseada no dólar) em cadernetas de poupança e outras aplicações. O dinheiro que ultrapassasse esse limite seria retido pelo Banco Central por até 18 meses e devolvido de forma parcelada, corrigido por índices de inflação e acrescido de juros.
Estima-se que cerca de 80% dos recursos depositados em contas bancárias e aplicações financeiras foram bloqueados.
“Quem tinha ontem 50 mil cruzados novos pode ir hoje ao banco e sacar 50 mil cruzeiros. A parte excedente a esses 50 mil fica depositada no Banco Central”, disse a ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mellodurante o anúncio do plano.
Para entender o confisco, é preciso voltar ao Brasil que Collor encontrou ao assumir o cargo. Em março de 1990, o IPCA registrou variação mensal de 82,39%, a maior da série histórica do indicador, segundo o IBGE.
O país havia tentado, sem sucesso, uma sequência de planos de estabilização ao longo dos anos anteriores: o Plano Cruzado, o Plano Bresser e o Plano Verão haviam fracassado um após o outro no combate à inflação.
Collor havia vencido a eleição de 1989, a primeira direta para presidente após mais de duas décadas de regime militar, com a promessa de reformar a máquina pública e domar os preços. No segundo turno, derrotou Luiz Inácio Lula da Silva com um discurso de combate a privilégios no funcionalismo público e de reorganização da economia.
O dia em que o dinheiro sumiu
A partir de 19 de março de 1990, quando a medida entrou em vigor, correntistas puderam sacar apenas até 50 mil cruzados novos. O restante ficou retido. Famílias que haviam guardado economias por anos viram os recursos se tornarem temporariamente inacessíveis. Empresas perderam capital de giro e enfrentaram dificuldades para honrar compromissos.
Os relatos da imprensa da época descrevem cenas de tensão em agências bancárias e o desespero de parte da população diante da impossibilidade de acessar o próprio dinheiro. Aposentados, trabalhadores e pequenos empresários foram afetados de formas distintas, mas igualmente duras.
Além do bloqueio das aplicações, o pacote, oficialmente chamado de Plano Brasil Novo, incluiu congelamento de preços e salários, flexibilização do câmbio, abertura gradual da economia ao comércio internacional e a extinção de uma série de órgãos públicos.
Fracasso e recessão
Os resultados ficaram muito aquém do esperado. A economia mergulhou em forte recessão e a inflação seguiu elevada. Ao fechar 1990, o índice acumulado de preços chegou a 1.621%, deixando claro que o plano havia falhado em seu principal objetivo.
Diante da persistência da inflação, o governo lançou um segundo pacote em janeiro de 1991, o Plano Collor II, com novo congelamento de preços e salários. Entre as mudanças, estava a criação da Taxa Referencial (TR), indicador que permanece em uso até hoje em contratos financeiros. O efeito, mais uma vez, foi passageiro.
Impeachment e o caminho para o Real
A instabilidade econômica se somou à crise política. Em 1992, denúncias de corrupção abriram o processo de impeachment de Collor, que deixou o cargo em setembro daquele ano. Assumiu o vice-presidente Itamar Franco, em um país ainda sem solução para a inflação.
Nos anos seguintes, o governo promoveu mudanças graduais na política econômica. Em 1993, o cruzeiro foi substituído pelo cruzeiro real após o corte de três zeros na moeda, última alteração do padrão monetário antes da grande virada. Em 1994, o Plano Real finalmente estabilizou a inflação e abriu um novo capítulo na história econômica do Brasil.
Mais de três décadas depois, o confisco da poupança permanece na memória coletiva do país como símbolo de um período de incerteza, hiperinflação e soluções de choque que custaram caro a quem tinha pouco a perder.
O PSD está próximo de anunciar o governador do Paraná, Ratinho Júnior, como seu candidato à Presidência da República. Lideranças da legenda tratam a decisão como “encaminhada” e o anúncio formal deve ocorrer até o fim de março, já que a ideia era fazer após a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao partido – o que ocorreu no sábado (14), durante evento em Goiás para apresentação de candidaturas locais.
A escolha de Ratinho foi confirmada ao Estadão por integrantes da cúpula do PSD. O próprio partido, em nota oficial, confirmou que anunciará seu pré-candidato até o fim de março, sem revelar o nome.
Dentro do PSD, o governador do Paraná é visto como o nome com maior maturidade política para encabeçar a candidatura. “Pelo espírito e clima e pela capacidade de crescimento, a escolha faz mais sentido”, afirmou uma liderança da legenda. Outro dirigente foi mais direto: Ratinho só não será o candidato se ele próprio não quiser.
O tabuleiro desenhado pelo partido reserva papéis diferentes para os outros dois pré-candidatos. Caiado e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, devem concorrer ao Senado, abrindo caminho para que Ratinho concentre as apostas presidenciais da legenda.
Procurado, Ratinho Júnior preferiu a cautela. “Continua cumprindo suas agendas normalmente no Paraná e espera com tranquilidade e muito respeito aos demais concorrentes, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite, que o partido oficialize no momento oportuno o candidato a presidente da legenda”, disse em nota. O governador acrescentou que prefere aguardar a definição oficial da direção do PSD antes de qualquer manifestação.
A decisão do PSD não está livre de turbulências. O PL pressiona Ratinho Júnior a desistir da candidatura presidencial para apoiar o senador Flávio Bolsonaro já no primeiro turno. Em troca, o partido de Bolsonaro garantiria apoio ao grupo político do governador no Paraná.
O entorno de Ratinho, porém, resiste. O argumento é que o bolsonarismo descumpriu um pacto em 2024, na disputa à Prefeitura de Curitiba. Na ocasião, o PL havia escolhido Paulo Martins para a vaga, mas Bolsonaro acabou apoiando a rival Cristina Graeml, então no PMB. O aliado de Ratinho venceu no segundo turno, mas o episódio deixou marcas na relação entre os dois campos.
Sem garantias de adesão de Ratinho, o PL avalia alternativas para construir palanque no Paraná. Uma delas é apoiar o senador Sergio Moro, que tenta viabilizar candidatura ao governo estadual. Graeml também tenta conquistar apoio e se reuniu com lideranças do PL no Senado nesta semana.
Um acordo mantido desde 2024 prevê que uma das vagas ao Senado apoiadas pelo PSD seria destinada ao PL, na figura do deputado federal Filipe Barros. Nos planos do PL, há ainda a opção de apoiar Guto Silva, candidato de Ratinho Júnior ao Senado pelo Paraná, o que agradaria ao partido de Gilberto Kassab e poderia aproximar os dois campos para além das tensões presidenciais.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi levado a um hospital em Brasília na manhã desta sexta-feira (13) após passar mal durante a madrugada. A informação foi divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em publicação nas redes sociais. Segundo o parlamentar, Bolsonaro está sendo atendido no Hospital DF Star, na capital federal.
De acordo com o primogênito, o ex-presidente apresentou sintomas logo ao acordar e precisou ser encaminhado para atendimento médico. “Acabo de receber a notícia de que meu pai está a caminho do hospital, mais uma vez”, escreveu o senador ao informar sobre a situação de saúde.
Segundo relatos iniciais, Bolsonaro teria acordado com calafrios e episódios intensos de vômito. Familiares foram informados de que houve também queda na saturação de oxigênio, o que levou à decisão de removê-lo da unidade prisional onde está custodiado para avaliação médica em um hospital da rede privada.
Segundo informações do Metrópoles, o cardiologista de Bolsonaro, Brasil Caiado, foi acionado às pressas para acompanhar o caso. O ex-presidente teria passado a noite inteira tossindo de forma contínua, em episódios intensos que quase provocaram novos vômitos. Ele foi levado ao hospital em uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), com apoio do helicóptero do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal durante a transferência.
A transferência ocorreu após avaliação de que as instalações médicas da Papudinha não seriam suficientes para atender o ex-presidente naquele momento. A unidade prisional fica no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal.
Na mesma publicação, Flávio Bolsonaro pediu apoio de apoiadores e disse esperar que o quadro não seja grave. “Peço orações para que não seja nada grave”, afirmou o senador.
Acabo de receber a notícia de que meu pai @jairbolsonaro está a caminho do hospital, mais uma vez…
Informações preliminares de que acordou com calafrios e vomitou bastante.
Em nota oficial, a Polícia Militar do Distrito Federal, responsável pela custódia na Papudinha, confirmou a saída de Bolsonaro da unidade prisional. Segundo a corporação, o ex-presidente foi encaminhado para “atendimento médico” e novas informações deverão ser divulgadas posteriormente pela equipe responsável pelo tratamento.
Bolsonaro enfrenta desde 2018 uma série de problemas de saúde relacionados ao atentado a faca sofrido durante a campanha presidencial daquele ano. Desde então, ele passou por diversas internações e procedimentos médicos para tratar complicações decorrentes do ferimento abdominal.
No início deste mês, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou um novo pedido da defesa para que o ex-presidente fosse transferido para prisão domiciliar. Na decisão, Moraes afirmou que a unidade prisional apresenta estrutura adequada para o cumprimento da pena.
O ministro também destacou a movimentação política do ex-presidente dentro da unidade. Segundo ele, a “grande quantidade de visitas” de deputados, senadores, governadores e outras figuras públicas indicaria a manutenção de “intensa atividade política”, além de evidenciar a “boa condição de saúde física e mental” de Bolsonaro.
O senador Flávio Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira (13) que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi encaminhado a um hospital após apresentar mal-estar.
Em publicação nas redes sociais, o parlamentar disse ter recebido a informação de que o pai acordou com calafrios e episódios de vômito. “Peço orações para que não seja nada grave”, escreveu.
Acabo de receber a notícia de que meu pai @jairbolsonaro está a caminho do hospital, mais uma vez…
Informações preliminares de que acordou com calafrios e vomitou bastante.
Bolsonaro enfrenta problemas de saúde desde 2018, relacionados ao atentado a faca sofrido durante a campanha presidencial daquele ano. O ex-presidente já passou por internações e procedimentos médicos para tratar complicações decorrentes do ferimento abdominal.
O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão na ação penal que apurou a trama golpista e cumpre pena no 19º Batalhão da Polícia Militar, dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O espaço, conhecido como Papudinha, é destinado a presos especiais, como policiais, advogados e juízes.
Na decisão, Moraes afirmou que a visita não foi comunicada previamente à diplomacia brasileira e não faz parte da agenda oficial do assessor no país. Segundo o ministro, a realização do encontro “não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro”.
Erika Hilton e o apresentador Ratinho. Foto: reprodução
O Ministério das Comunicações do Brasil informou que vai analisar um pedido apresentado pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para suspender por 30 dias o Programa do Ratinho, exibido pelo SBT. A solicitação foi feita após o ataque à parlamentar do apresentador Carlos Massa, o Ratinho, durante a edição de quarta-feira (11) da atração.
Na ocasião, Ratinho comentou a eleição de Erika Hilton para presidir a Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados e afirmou: “Ela é trans. Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias. Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher”.
Em nota enviada à imprensa, o Ministério das Comunicações confirmou que recebeu a representação administrativa protocolada pela parlamentar. Segundo a pasta, o caso será examinado pela área responsável pela regulação da radiodifusão.
“O Ministério das Comunicações informa que recebeu a representação administrativa encaminhada pela deputada federal Erika Hilton. A manifestação será analisada pela equipe técnica da Secretaria de Radiodifusão (Serad), que fará a avaliação dos pontos apresentados, seguindo os trâmites administrativos e legais cabíveis. O Ministério das Comunicações reafirma seu compromisso com a transparência, o diálogo institucional e o cumprimento rigoroso da legislação vigente”.
Erika Hilton pede que MPSP investigue apresentador Ratinho por transfobia:
“Ela não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans […] Mulher pra ser mulher tem que ter útero, tem que menstruar”pic.twitter.com/JbVzXs309S
Após a repercussão do episódio, o SBT também divulgou um comunicado público. A emissora afirmou que as declarações feitas pelo apresentador não refletem a posição institucional da empresa.
“O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores”, informou a emissora.
Além do pedido de suspensão do programa, Erika Hilton também ingressou com uma ação judicial contra o apresentador. Nas redes sociais, a deputada afirmou: “Sim, estou processando o apresentador Ratinho. Sei que, pela audiência irrisória de seu programa, que até onde sei não agrada nem suas chefes no SBT, lhe resta apelar à violência”.
Na mesma publicação, ela afirmou que as declarações do apresentador configuram um ataque contra diferentes grupos de mulheres. “Porque o que o apresentador cometeu foi uma violência, um ataque, e não foi só contra mim. Ratinho interrompeu seu programa para dizer que mulheres trans não são mulheres, que mulheres que não menstruam não são mulheres, que mulheres que não têm útero não são mulheres e que mulheres que não têm filhos não são mulheres”.
A deputada também declarou que a ação judicial buscará responsabilização civil e criminal pelo episódio. “Ele e o SBT pagarão pelos seus atos, na esfera cível e criminal. E eles não pagarão a mim, mas a todas as mulheres vítimas de violência, trans e cis”.
O Conselho de Administração da Petrobras aprovou, nesta quinta-feira (12), a adesão da companhia à subvenção econômica à comercialização de óleo diesel de uso rodoviário no território nacional. A medida foi instituída pela Medida Provisória nº 1.340, assinada no mesmo dia pelo governo federal.
A decisão foi tomada com base no caráter facultativo do programa e no potencial benefício adicional que a adesão pode representar para a empresa. Segundo a companhia, a participação no mecanismo é compatível com seus interesses.
A assinatura efetiva do termo de adesão, no entanto, está condicionada à publicação e análise dos instrumentos regulatórios pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A regulamentação envolve especialmente a definição do preço de referência, item necessário para a operacionalização da subvenção. Enquanto a ANP não concluir esse processo, a adesão permanece pendente de formalização.
Política de preços preservada
A Petrobras reafirmou que mantém sua política comercial independente. A companhia leva em conta a participação no mercado, a otimização dos ativos de refino e a rentabilidade de forma sustentável — sem repassar aos preços internos a volatilidade das cotações internacionais e da taxa de câmbio.
A adesão ao programa de subvenção, segundo a empresa, preserva essa flexibilidade. A Petrobras afirmou seguir comprometida com uma atuação responsável, equilibrada e transparente na condução de sua política de preços.
Petrobras e mercado de diesel
O diesel de uso rodoviário ocupa posição de destaque na matriz de consumo de combustíveis do país, sendo o principal insumo do transporte de cargas. A subvenção econômica prevista na MP 1.340 busca criar um mecanismo de amortecimento entre as oscilações do mercado internacional e os preços praticados internamente.
Para a Petrobras, o programa representa uma janela de benefício adicional sem comprometer a autonomia na gestão de seus ativos de refino e na definição de sua rentabilidade.
Daniel Vorcaro em entrada na prisão. Foto: reprodução
O julgamento da prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, começou a ser analisado nesta sexta-feira (13) pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) em meio a forte pressão do Centrão nos bastidores. O colegiado avalia a decisão do ministro André Mendonça que determinou a prisão preventiva do empresário no início de março.
O julgamento ocorre no plenário virtual da Corte e deve durar uma semana. Nesse formato, os ministros registram seus votos no sistema eletrônico sem debate presencial. A votação será feita por apenas quatro integrantes da Segunda Turma, já que Dias Toffoli se declarou suspeito e não participará da análise do caso.
Nos bastidores do STF e do Congresso Nacional, o destino de Vorcaro é acompanhado com preocupação por parlamentares do Centrão e da direita, incluindo membros do bolsonarismo, segundo o g1. Deputados e senadores temem os efeitos de uma eventual delação premiada do banqueiro, especialmente após mensagens extraídas de seu celular indicarem conexões políticas com integrantes dos Três Poderes.
Aliados do empresário defendem alternativas à prisão preventiva, como a substituição por medidas cautelares ou prisão domiciliar. Entre os ministros da Segunda Turma, há expectativa de divisão.
Integrantes da Corte avaliam que Luiz Fux deve acompanhar o entendimento de Mendonça pela manutenção da prisão, enquanto Kássio Nunes Marques e Gilmar Mendes estariam mais inclinados a analisar alternativas propostas pela defesa.
O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. Foto: Carlos Moura/SCO/STF
Caso haja empate na votação, prevalecerá a decisão mais favorável ao investigado, o que pode abrir caminho para a substituição da prisão preventiva por medidas como monitoramento eletrônico ou prisão domiciliar.
A prisão de Vorcaro foi decretada em 4 de março com base em investigação da Polícia Federal que apontou indícios de tentativa de interferência nas apurações. Segundo os investigadores, os envolvidos teriam formado um grupo para acessar informações sigilosas e intimidar jornalistas e adversários.
Na decisão, Mendonça citou suspeitas de acesso indevido a sistemas restritos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais, como a Interpol. O ministro também criticou a posição da Procuradoria-Geral da República (PGR), que informou não identificar risco imediato às investigações.
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) – Reprodução
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) afirmou, nesta quarta-feira (12), que a região Sudeste terá papel central na disputa presidencial de 2026. Em entrevista ao programa “CNN 360°”, ele declarou que o resultado da eleição dependerá do desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos quatro estados da região. “A eleição se decide aqui no Sudeste”, disse.
Dirceu afirmou que o partido não considera a reeleição como garantida e classificou a disputa como aberta. Segundo ele, eleições recentes no Brasil tiveram resultados equilibrados, citando os pleitos de 2014 e 2022. “Nós nunca tivemos ilusão que essa eleição seria uma eleição ganha ou o presidente Lula estaria reeleito. Não existe isso no Brasil”, afirmou.
Ao tratar das articulações em São Paulo, Dirceu disse considerar definida a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo estadual e a de Simone Tebet (MDB) ao Senado. Para a composição da chapa ao governo e a segunda vaga ao Senado, mencionou os nomes de Marina Silva (Rede) e Márcio França (PSB). Ele também defendeu a permanência do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na chapa presidencial e sua atuação na campanha paulista.
Dirceu afirmou que uma aliança envolvendo Haddad, Tebet, Marina Silva, Márcio França ou outro nome do interior paulista, com apoio de Alckmin, pode disputar o governo do estado com o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O ex-ministro também classificou a aliança entre Lula e Alckmin como “um contrato, um pacto que nós fizemos com a maioria da sociedade brasileira para eleger o Lula”.
Em relação a Minas Gerais, ele mencionou negociações com o senador Rodrigo Pacheco (PSD), a prefeita de Contagem Marília Campos (PT) e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT). No Rio de Janeiro, apontou a aliança com o prefeito Eduardo Paes (PSD) e a deputada federal Benedita da Silva (PT) para o Senado como base da campanha presidencial no estado.
Dirceu também comentou o cenário em outras regiões do país. No Sul, afirmou que o PT pode ampliar sua presença eleitoral, enquanto no Centro-Oeste e no Norte avaliou que a disputa tende a ser mais difícil. Ele disse que o partido possui estrutura e base eleitoral para competir nacionalmente e declarou que a oposição não deve conquistar maioria no Senado. O ex-ministro também comentou temas da política econômica e afirmou que os nomes citados em investigações relacionadas ao Banco Master não têm ligação com o PT.
Reunião da CPMI do INSS sobre normas de funcionamento e plano de trabalho. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS decidiu armazenar em uma sala-cofre os documentos extraídos pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A medida foi determinada pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), segundo comunicado enviado aos parlamentares nesta quinta-feira (12).
O espaço terá monitoramento 24 horas e acesso restrito aos integrantes da comissão. Deputados e senadores poderão entrar acompanhados de um assessor cada. A partir desta sexta-feira (13), os arquivos digitalizados poderão ser consultados em sete computadores disponíveis no local.
O acesso ocorrerá das 9h às 21h durante os dias úteis. Aos sábados, a sala funcionará das 9h às 17h. Nesses casos, assessores indicados pelos parlamentares poderão consultar os documentos mesmo sem a presença dos congressistas, desde que sigam as normas de segurança estabelecidas.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução
Para entrar no local, será obrigatório passar por um pórtico de detecção de metais. O objetivo é impedir a entrada de celulares ou outros dispositivos eletrônicos que possam ser usados para registrar imagens dos documentos.
Segundo o comunicado assinado por Carlos Viana, “a entrada é permitida somente com papel e caneta. Dispositivos que forem levados, como celulares, serão colocados em envelope lacrado e retirados ao término do acesso à sala”. O senador também determinou que todos devem cumprir as regras de segurança.
O texto afirma ainda que “todos devem passar por detector de metais, inclusive os parlamentares, sem exceção”. A adoção da sala-cofre ocorre após registros de vazamento de informações relacionadas a Vorcaro durante os trabalhos da CPMI. A comissão tem previsão de encerrar suas atividades no dia 28.
O ministro aposentado do STF Luís Roberto Barroso. Foto: Divulgação
O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, falou sobre a crise envolvendo o Banco Master em uma entrevista ao canal GloboNews na última terça-feira (11). Em meio ao escândalo financeiro, o ex-magistrado afirmou que a corte está passando por um “momento difícil”.
Ele revelou que “nunca tinha ouvido falar” de Daniel Vorcaro, dono do banco liquidado, e que prefere aguardar o andamento das investigações para formar sua opinião sobre o caso.
🚨URGENTE – Barroso, ex-ministro do STF, reaparece e diz em entrevista que nunca havia ouvido falar no nome de Daniel Vorcaro pic.twitter.com/8tJ7oWwh5l
O escândalo financeiro afetou diretamente dois ex-colegas de Barroso, os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Na semana passada, vieram à tona mensagens trocadas entre o magistrado e Vorcaro, no dia em que o empresário foi preso pela primeira vez.
O ministro negou ter recebido essas mensagens. Toffoli, por sua vez, deixou a relatoria do caso após revelar que é sócio de uma empresa que vendeu participação em um resort no Paraná a fundos ligados ao ex-dono do Master.
Barroso falou sobre a opinião do público em relação ao caso. “Há uma percepção crítica real. Eu leio jornal, eu vou à farmácia, eu tenho amigos. Portanto, é um momento difícil. Mas, como eu disse, acho que a gente não deve fazer juízos precipitados”, declarou.
CRISE NO STF? Luís Roberto Barroso, disse que a Corte vive um “momento difícil” após escândalo do Banco Master
Segundo ele, há investigação em curso e não se deve fazer julgamento precipitado, e um fato não conta a história da instituição
Apesar da tensão, o ex-presidente do STF elogiou a postura do presidente da corte, Edson Fachin, e do relator do caso, André Mendonça, e disse que pode haver algo “criticável”, mas não fará pré-julgamentos. Durante a entrevista, o entrevistador Roberto D’Ávila perguntou de maneira descontraída se o ministro aposentado apagava mensagens.
Barroso, em tom sério, respondeu: “Não percebi a maldade da sua pergunta”, negando qualquer envolvimento nesse tipo de comportamento. O ex-presidente do STF também comentou sobre a criação de um código de ética na corte, uma ideia defendida por Fachin, mas reconheceu que o “timing” pode não ser o mais adequado.
O ministro aposentado, que foi presidente do STF por 12 anos, explicou que chegou a considerar a criação de um código de ética durante sua gestão, mas não avançou com a ideia devido a divisões internas na corte. “Não vejo problema em sistematizar isso em um código”, afirmou.
Em relação aos penduricalhos pagos no Judiciário, que estão sendo investigados por ministros como Flávio Dino e Gilmar Mendes, ele reconheceu que “há coisas erradas” que precisam ser enfrentadas. No entanto, também afirmou que alguns pagamentos acima do teto constitucional são “legítimos”, como os reconhecimentos administrativos de atrasados.
Barroso também falou sobre sua saída do STF, explicando que um dos motivos foi a “exposição pública insuportável” que acompanha o cargo. Em sua avaliação, os mandatos fixos, como os adotados em outros países, seriam uma boa alternativa para o Brasil.
Ele também comentou a decisão do governo Donald Trump de revogar os vistos dos magistrados do STF. “É uma chateação” ter o visto suspenso, declarou, lamentando a medida, mas expressou a esperança de que o impasse seja resolvido em breve.
Por fim, Barroso falou sobre a indicação de Jorge Messias, atual ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), para sua vaga no STF. Apesar de ainda não ter sido sabatinado pelo Senado, Barroso afirmou que Messias possui “as qualidades necessárias” para ocupar o cargo e expressou confiança em sua aprovação.
🚨URGENTE – Barroso diz que não vai ser orgulhoso e admite que a retirada do seu visto pelos EUA atrapalhou a sua vida
“É uma chateação (…) me faz falta, eu lamento! Eu não me faço de orgulhoso não” pic.twitter.com/GdAy6A6QqF
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante inauguração do Túnel Moacyr Sreder Bastos, em Campo Grande. Rio de Janeiro – RJ. Foto: Ricardo Stuckert / PR
“Político, sou caçador de nuvens”, disse Ulysses Guimarães ao encerrar o discurso de promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988, diante do plenário lotado, após nove mil horas de trabalho constituinte, resumindo numa confissão poética o que separa estadistas de gestores de rotina.
Quase quatro décadas depois, Lula enfrenta o dilema que Ulysses sintetizou. Ou inova, ou compromete não apenas a própria reeleição, mas o futuro de gerações que dependem de um Brasil estável e soberano.
O momento geopolítico é dramático. As sombras da guerra ameaçam a vida e o bem-estar de toda a humanidade, para enriquecer um punhado de bilionários, obcecados por armas, violência e dominação. A regressão política do maior país da América Latina representaria um golpe para bilhões de pessoas no Sul Global que enxergam no Brasil uma referência na luta pela soberania dos povos.
A pesquisa Datafolha divulgada neste sábado traz Lula com 38% das intenções de voto contra 32% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de seis pontos que, com margem de erro de dois pontos percentuais, configura corrida competitiva.
No segundo turno, a situação é mais apertada. Lula marca 46% contra 43% de Flávio Bolsonaro, empate técnico. Em dezembro, a vantagem do presidente sobre Flávio era de 15 pontos. Agora caiu para três.
A aritmética por trás desses percentuais impõe um desafio adicional. Os principais nomes alternativos testados, como Ratinho Junior (7%), Romeu Zema (4%) e Ronaldo Caiado (4%), vêm da direita, com perfis e bases eleitorais próximas do bolsonarismo, o que significa que, numa eventual consolidação, seus votos tendem a migrar para o candidato do PL.
Diferentemente de 2022, quando os candidatos fora da polarização somaram apenas 6,3% do eleitorado total, os nomes alternativos agora alcançam cerca de 16%. É um contingente mais que dobrado de eleitores em jogo, e a maioria deles está à direita.
Nesse terreno mais fragmentado, quem atrair novos votos primeiro terá vantagem decisiva.
A ausência de um projeto de futuro se torna o principal problema estratégico do presidente. Para crescer, Lula precisaria apresentar propostas que mudem o cotidiano das pessoas de forma estrutural. Programas como Bolsa Família, Pé-de-Meia, entre outros, sustentam a base social, mas não a expandem.
Um caminho evidente é a democratização da energia solar residencial. Instalar painéis fotovoltaicos numa casa reduz a conta de luz em 70% a 90%. Um domicílio que paga R$ 200 por mês passaria a desembolsar entre R$ 20 e R$ 60, economia anual próxima de R$ 2 mil por família.
Ao cortar o custo da eletricidade, a energia solar amplia diretamente o poder de compra das famílias e funciona simultaneamente como política de renda, transição energética e desenvolvimento tecnológico. Para que ganhe escala, porém, seria necessário crédito barato para instalação, programas de financiamento popular e formação de engenheiros e pesquisadores, através de parcerias muito mais ambiciosas com a China.
Pesquisa de intenção de voto em 2026 e 2022, com Lula e Bolsonaro
O Ministério da Fazenda, comandado por Fernando Haddad, caminhou na direção oposta ao impor aumento de impostos sobre painéis fotovoltaicos importados, protegendo, na prática, um pequeno grupo de montadoras que simplesmente montam peças vindas de fora, não uma indústria solar brasileira, que ainda não existe de fato.
O caminho deveria ser acelerar a difusão da tecnologia e investir em ciência e inovação, não encarecê-la.
Outro eixo capaz de redesenhar o cotidiano de milhões de brasileiros é o transporte urbano sobre trilhos. Metrôs, trens e VLTs transformariam os deslocamentos degradantes que hoje consomem horas diárias da população das grandes cidades, além de gerar emprego, indústria e planejamento urbano moderno.
No mundo inteiro, as metrópoles voltaram a investir em transporte ferroviário. No Brasil, o tema permanece à margem do debate.
Voltemos à pesquisa. A estabilidade da base eleitoral de Lula, apesar da fragilidade da vantagem, oferece um alicerce que não deve ser subestimado.
Como o cientista político Antônio Lavareda costuma ressaltar, para dimensionar de fato o peso de um candidato é preciso medir sua intenção de voto sobre o conjunto do eleitorado, incluindo abstenções, brancos e nulos, não apenas sobre os votos válidos.
Em 2022, o eleitorado apto somava 156,4 milhões de pessoas. Lula obteve 57,2 milhões de votos no primeiro turno, o equivalente a 36,6% do total de eleitores registrados. Jair Bolsonaro recebeu 51,1 milhões, ou 32,6%.
Agora, a pesquisa Datafolha atribui a Lula 38% das intenções de voto e a Flávio Bolsonaro 32%. Como essas pesquisas captam o universo completo dos eleitores, incluindo quem declara voto em branco, nulo ou indecisão, os percentuais são comparáveis ao cálculo sobre o eleitorado total. Aplicando-os aos 155,4 milhões de eleitores registrados hoje pelo TSE, Lula teria, segundo o Datafolha, cerca de 59 milhões de votos contra 49,7 milhões de Flávio Bolsonaro, uma diferença de aproximadamente 9,3 milhões.
A base de Lula permanece estável em relação a 2022, mas a vantagem percentual estreita ganha outra dimensão quando traduzida em milhões de votos.
Lula permanece como favorito. Mas, para transformar essa vantagem em vitória, precisará apresentar ao país propostas que projetem um horizonte novo, o tipo de imaginação política que dá sentido ao voto e transforma eleição numa escolha definidora do nosso destino.
Ulysses dizia caçar nuvens para reconstruir a nossa democracia. Lula, para preservá-la, precisará mobilizar o sonho.
Uma nova pesquisa do instituto Datafolha sobre a disputa pela Presidência da República será divulgada neste sábado (7). O levantamento apresenta dados sobre intenção de voto, rejeição e grau de conhecimento dos pré-candidatos na corrida eleitoral.
O estudo também inclui cenários simulados de segundo turno entre os principais nomes que já se movimentam para a eleição de 2026. A pesquisa mostra a posição dos candidatos no momento em que os entrevistados foram consultados.
No levantamento anterior, divulgado em dezembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecia com 51% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que registrava 36%.
Em outro cenário testado pelo instituto, Lula tinha 47% das intenções de voto em uma disputa contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que marcava 42%.
Os governadores Eduardo Leite (RS), Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Jr. (PR), e o presidente do PSD, Gilberto Kassab. Foto: Reprodução
Além desses nomes, governadores também aparecem entre os possíveis candidatos ao Palácio do Planalto. Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, Ratinho Junior, do Paraná, e Ronaldo Caiado, de Goiás, buscam a indicação do PSD.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, é pré-candidato pelo partido Novo. Outros nomes também anunciaram intenção de disputar a Presidência.
Entre eles estão o ex-ministro Aldo Rebelo, da Democracia Cristã, e Renan Santos, do partido Missão. Ambos declararam publicamente a intenção de concorrer ao cargo.
Segundo o Datafolha, pesquisas eleitorais registram a opinião dos entrevistados no período em que o levantamento é realizado. O resultado corresponde a um retrato do momento da coleta de dados.
Os dados divulgados neste sábado (7) devem atualizar o cenário da corrida presidencial e apresentar novos indicadores sobre intenção de voto e rejeição entre os possíveis candidatos ao Palácio do Planalto.
Preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem dividido suas visitas entre encontros políticos e pessoais enquanto cumpre pena após condenação por tentativa de golpe de Estado. No local, segundo relatos de aliados que o visitaram nas últimas semanas, Bolsonaro aproveita os encontros para desabafar sobre sua situação e discutir estratégias eleitorais para este ano.
De acordo com a Folha, pessoas próximas dizem que o ex-presidente tem pesadelos frequentes e se lamenta de se alimentar pouco para evitar crises de soluço. Também relata preocupação com a segurança do filho, o senador Flávio Bolsonaro, temendo que ele possa sofrer um atentado durante a corrida eleitoral, como ocorreu com ele próprio nas eleições de 2018.
O ex-secretário de Assuntos Fundiários Nabhan Garcia esteve com Bolsonaro no sábado de Carnaval e afirmou que o ex-presidente pediu que transmitisse um recado ao filho para que tome cuidado durante a campanha.
Segundo o aliado, Bolsonaro se emocionou ao falar do assunto. Em um ato bolsonarista realizado em São Paulo no domingo (1º), Flávio chegou a usar um colete à prova de balas por baixo da camisa verde e amarela.
O temor também foi relatado em conversa com o bispo Robson Rodovalho, líder da igreja Sara Nossa Terra, que presta assistência religiosa ao ex-presidente com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). “Acho que Bolsonaro é um homem traumatizado. Ele teme por várias coisas e se sente injustiçado, impotente para se defender e defender os seus”, afirmou o bispo.
Vista aérea da Papudinha, onde Bolsonaro está preso. Foto: Google Maps
Bolsonaro também expressa preocupação com a própria saúde. Após uma cirurgia realizada em dezembro, ele disse a aliados que chegou a pensar que poderia morrer. Rodovalho afirmou que tem realizado orações durante as visitas para tentar tranquilizá-lo. “Eu trabalhei com ele a esperança, a fé no futuro. O corpo dele pode estar lá [na Papudinha], mas a mente tem que sair”, declarou.
Apesar de receber refeições enviadas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o ex-presidente tem demonstrado receio em relação à alimentação. “Ele não se alimenta muito. Fica com medo, receio de se alimentar e desencadear o soluço”, disse Rodovalho.
Mesmo detido, Bolsonaro continua participando de discussões políticas. Aliados afirmam que pré-candidatos têm visitado o ex-presidente em busca de apoio eleitoral e orientação para campanhas regionais. Segundo interlocutores, ele também acompanha de dentro da prisão a pré-campanha de Flávio Bolsonaro e articulações para formação de palanques nos estados.
A sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS prevista para esta quinta-feira (5) foi cancelada após o relator do colegiado, deputado Alfredo Gaspar, apresentar problemas de saúde.
Segundo comunicado divulgado pela assessoria do parlamentar, Gaspar enfrenta um quadro de sinusite desde a última terça-feira (3). Durante a madrugada desta quinta, o relator teve febre, dores na garganta e ficou afônico, condição que o impede de conduzir as oitivas programadas.
Diante da situação, o relator conversou com o presidente da comissão, senador Carlos Viana, que avaliou ser mais adequado cancelar a sessão prevista para hoje.
A reunião ocorreria em meio às discussões da CPMI sobre a possível quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
De acordo com a assessoria de Gaspar, apesar do quadro de sinusite, o estado de saúde do relator é considerado estável e ele segue em acompanhamento médico.
Preso após se entregar espontaneamente à Superintendência da Polícia Federal em São Paulo por volta das 9h30 desta quarta-feira (4), Fabiano Campos Zettel é apontado pelos investigadores como o operador financeiro da organização criminosa montada em torno do Banco Master.
Ele é pastor da Igreja Lagoinha, empresário e casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a decisão do ministro do STF André Mendonça, era Zettel quem garantia que o dinheiro chegasse a cada integrante do esquema – da milícia privada que intimidava jornalistas aos servidorescorruptos do Banco Central.
No momento em que se entregou à polícia, a defesa afirmou que, “apesar de não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades.” As mensagens de WhatsApp citadas na decisão de Mendonça contam uma história diferente.
Despacho do ministro André Mendonça, página 8; Arte: Duda Basso, Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC
O que Zettel fazia
Vorcaro ordenava. Mourão executava. Zettel pagava. Era ele quem mantinha a estrutura funcionando. Todo mês, R$ 1 milhão saía das empresas do grupo e chegava à conta da King Empreendimentos Imobiliários, controlada por Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”. Quando o dinheiro atrasava, Mourão cobrava diretamente Vorcaro.
“Bom dia. O Fabiano não mandou este mês e a turma está perguntando. Dá uma olhada com ele por favor.”
Com esse dinheiro, Mourão pagava os integrantes de “A Turma” – R$ 75 mil mensais para cada um dos “meninos”, mais a sua própria remuneração e bônus esporádicos autorizados por Vorcaro. O grupo usava esses recursos para espionar jornalistas, acessar ilegalmente sistemas da PF, do MPF, da Interpol e do FBI e intimidar quem cruzasse o caminho do banqueiro.
A funcionária Ana Claudia Queiroz de Paiva confirmava cada pagamento antes de transferir. A troca era sempre a mesma:
Ana Claudia: “Vai ser 1 mm como normalmente?”Vorcaro: “Sim.”
Em seguida, ela fazia a transferência e juntava o comprovante de R$ 1 milhão na conta indicada por Mourão.
Despacho do ministro André Mendonça, página 9; Arte: Duda Basso, Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC
A propina aos servidores do Banco Central
Zettel também era o responsável por remunerar Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana, os dois servidores do Banco Central que entre 2019 e 2023 atuavam como consultores informais de Vorcaro dentro da própria autarquia que deviam fiscalizar.
Para isso, a organização criou um contrato fictício entre a empresa Varajo Consultoria Empresarial e Bellini Santana, descrevendo uma suposta participação em estudo técnico sobre inserção de jovens no mercado financeiro. O estudo nunca existiu, segundo o despacho de Mendonça.
As mensagens trocadas também documentam o esquema sem deixar margem para interpretação:
Zettel: “Hoje tem que pagar a primeira do Belline, ok?”Vorcaro: “OK.”
Preocupado com rastreamento, Vorcaro orienta em seguida:
Vorcaro: “Mas veja se Leo pode pagar. E reembolsamos dia seguinte. Bem importante isso.”Zettel: “Na verdade ia pagar Léo e Léo pagar ele. Mas peço ele pra pagar primeiro.”
O objetivo era interpor uma terceira pessoa entre o pagamento e o servidor, usando mais uma camada para dificultar o rastreamento da propina.
Os crimes imputados a Zettel por Mendonça são corrupção ativa – artigo 333 do Código Penal, com pena de 2 a 12 anos, participação em organização criminosa – Lei 12.850/2013, com pena de 3 a 8 anos, e lavagem de dinheiro, Lei 9.613/1998, com pena de 3 a 10 anos.
Somadas, as penas podem ultrapassar três décadas em caso de condenação por múltiplos crimes.
Mendonça decretou sua prisão preventiva por três razões: o papel relevante de Zettel na estrutura financeira da organização, a continuidade do esquema mesmo após a primeira prisão de Vorcaro em novembro de 2025 – período em que Zettel seguiu operando – e o risco de fuga, reforçado pelo fato de ele não ter sido encontrado em casa no momento do cumprimento do mandado.
A Polícia Federal prendeu novamente, nesta quarta-feira (4), o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em São Paulo. Ao todo, estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, nos estados de São Paulo e de Minas Gerais.
A prisão de Vorcaro é parte da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos.
A ação foi autorizada pelo ministro do STF André Mendonça, novo relator do inquérito.
Segundo nota oficial da Polícia Federal, a nova fase da operação apura a possível prática de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos por parte de uma organização criminosa.
Além de Vorcaro, que já foi conduzido à Superintendência da PF em São Paulo, há um segundo alvo de prisão na capital paulista – cujo nome não foi divulgado porque ainda não havia sido localizado pelos agentes. A Justiça também determinou medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, contra outros investigados.
R$ 22 bilhões em bens bloqueados
O STF também determinou ordens de afastamento de cargos públicos, além de sequestro e bloqueio de bens no valor de até R$ 22 bilhões. O objetivo, segundo a PF, é interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente ligados às práticas ilícitas apuradas.
Vorcaro já havia sido preso antes
Esta não é a primeira vez que Vorcaro é detido no âmbito desta investigação. Em novembro do ano passado, o banqueiro ficou 11 dias preso durante a primeira fase da operação, deflagrada por ordem da Justiça Federal de Brasília. Após a soltura, sua defesa conseguiu deslocar a investigação para o Supremo Tribunal Federal.
No STF, o inquérito caiu inicialmente sob relatoria do ministro Dias Toffoli, período marcado por atritos constantes com a Polícia Federal. O cenário mudou no mês passado: a PF entregou ao Supremo um relatório contendo menções ao nome de Toffoli e registros de conversas dele com o próprio Vorcaro.
O caso foi então redistribuído ao ministro André Mendonça, que estudou o inquérito e autorizou a deflagração desta nova fase.
O ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar. Foto: AFP
Visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na Papudinha, em Brasília, exige um procedimento que vai além de um simples agendamento. O acesso depende, primeiro, do aval do próprio Bolsonaro, que cumpre pena no complexo da Papuda, e depois de autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Com informações do PlatöBR.
O processo começa com a inclusão do interessado em uma lista administrada pelos advogados do ex-presidente. Não há prazo definido para resposta nem critério público de ordem de chegada. A triagem inicial é feita pelo próprio Bolsonaro, que decide quem deseja ou não receber.
Somente após essa anuência prévia é que o nome do visitante é submetido ao STF. A partir daí, cabe a Alexandre de Moraes analisar e autorizar formalmente a entrada no presídio. Sem essa etapa judicial, a visita não ocorre.
Na prática, a fila funciona como um filtro político e pessoal. Aliados relatam que a espera pode ser longa, e a autorização depende tanto da vontade do ex-presidente quanto da decisão do ministro relator.
Tarcísio de Freitas ao lado de Carlos Bolsonaro após visita a Jair na Papudinha. Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo
Recentemente, Moraes autorizou visitas de nomes como Anderson Luis de Moraes, Bia Kicis (PL-DF), José Vicente Santini, Marco Feliciano (PL-SP) e Rogério Marinho (PL-RN). Em liberações anteriores, também foram autorizados Bruno Bonetti, Carlos Portinho (PL-RJ) e Guilherme Derrite (PL-SP).
Outros aliados ainda aguardam resposta, entre eles Alberto Fraga (PL-DF) e Izalci Lucas (PL-DF). A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também manifestou intenção de visitar Bolsonaro. O controle rigoroso das visitas mantém a lista sob acompanhamento constante e reforça o caráter seletivo do processo.
Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) passaram a difundir nos bastidores a hipótese de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possa desistir da reeleição. A movimentação ocorre após a divulgação de nova pesquisa Quaest que indicou avanço do parlamentar sobre o atual presidente. Com informações do Globo.
Segundo interlocutores ligados a Flávio, a eventual retirada da candidatura poderia ocorrer em julho, caso avaliações internas apontem risco elevado de derrota. A tese vem sendo comentada em conversas reservadas no meio político.
A leitura do grupo bolsonarista é que o cenário eleitoral se tornou mais competitivo. A pesquisa mencionada teria servido como sinal de alerta para o entorno do Palácio do Planalto.
No levantamento mais recente, Lula ainda aparece na liderança, mas com redução de margem em relação ao adversário. O dado foi interpretado por aliados de Flávio como indicativo de crescimento consistente do senador.
Presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro
Integrantes do campo governista não confirmam qualquer discussão sobre desistência. Até o momento, Lula mantém publicamente a disposição de disputar a reeleição.
Nos bastidores, a circulação da hipótese também é vista como estratégia política. A avaliação é que a narrativa pode gerar instabilidade ou influenciar percepções dentro do eleitorado e entre aliados.
A movimentação ocorre em meio a articulações para consolidação de palanques estaduais e alianças partidárias. A definição de apoios será decisiva para o desenho final da disputa presidencial.
Com o calendário eleitoral avançando, a consolidação das candidaturas e o impacto de novas pesquisas devem influenciar os próximos passos tanto do grupo de Lula quanto do de Flávio Bolsonaro.