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Received today — 19 de Maio de 2026Notícias - Brasil

Andrey Lopes apresenta recital gratuito no Centro Cultural da UFRGS 

Por:Sul 21
18 de Maio de 2026, 17:53

Em maio, o projeto Solo Piano do Centro Cultural da UFRGS recebe Andrey Lopes. O recital acontece na próxima segunda-feira (25), às 12h30, e tem entrada franca.

Natural de Goiânia, Andrey é mestrando em Práticas Interpretativas pelo Programa de Pós-graduação em Música da UFRGS. Ele já se apresentou em palcos de Portugal e Espanha. No Centro Cultural, o instrumentista interpreta obras do brasileiro Camargo Guarnieri (1907-1993), do francês Maurice Ravel (1875-1937) e dos russos Serguei Rachmaninoff (1873-1943) e Serguei Prokofiev (1891-1953).

O projeto Solo Piano é uma parceria entre o Centro Cultural da UFRGS e o Programa de Pós-Graduação em Música do Instituto de Artes (PPGMUS), com curadoria do professor Ney Fialkow. Consiste em recitais mensais e gratuitos, que acontecem sempre na última segunda-feira do mês.

O Centro Cultural está localizado no Campus Centro da UFRGS, com entrada mais próxima pela Rua Eng. Luiz Englert, 333.

Programa

Maurice Ravel (1875-1937)

Pavana pour une infante défunte

Camargo Guarnieri (1907-1993)

Dança negra

Dança brasileira

Dança selvagem

Serguei Rachmaninoff  (1873-1943)

Elegia Op. 3 n° 1

Prelúdio Op. 32 n° 10

Serguei Prokofiev (1891-1953)

Sonata 1 Op. 1 em fá menor

Serviço:

Solo Piano recebe Andrey Lopes

Quando: Dia 25 de maio, segunda-feira, às 12h30

Onde: Centro Cultural da UFRGS – Espaço Figueira  – Rua Eng. Luiz Englert, 333 – campus centro (acesso pelo andar térreo)

Entrada franca

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Festival Alvo reúne hip-hop, skate, arte e feira independente em Porto Alegre neste domingo (24)

Por:Sul 21
18 de Maio de 2026, 17:14

No dia 24 de maio, Porto Alegre recebe o Festival Alvo, iniciativa da Alvo Associação Cultural que propõe uma experiência integrada entre música, arte urbana e manifestações de rua. Com programação gratuita das 14h às 21h, o evento acontece na Alvo Cultural (Av. Baltazar de Oliveira Garcia, 2132 – Bairro Rubem Berta) e reúne artistas relevantes da cena local e nacional.

Na véspera, em 23 de maio, o projeto Orin Itan promove um aquecimento para o Festival Alvo, unindo música, bate-papo e gastronomia inspirada na cultura africana como forma de conectar oralidade ancestral às narrativas contemporâneas. O evento começa às 18h.

Estruturado em quatro pilares – música hip hop, skate, arte urbana e feira de marcas independentes – o Festival Alvo tem a programação musical como um de seus principais atrativos. Entre os destaques, está o pocket show de Coruja BC1, consagrado nome do rap nacional. Outros nomes também estarão presentes, como a rapper Lady Black; a artista e produtora cultural MC Leti; o rapper e comunicador Seguidor F; o rapper e produtor musical W. Negro; e o artista Gui Arterima. Os DJs Edinho DK e Luizza são responsáveis por conduzir a atmosfera sonora do início ao encerramento do evento. O line-up traz ainda a presença de Cristal, artista multifacetada que começou a carreira aos 15 anos e representou o Rio Grande do Sul no Slam BR.

Para Jean Andrade, fundador da Alvo Associação Cultural, o festival nasce com o propósito de fortalecer a cena local, criar conexões duradouras e posicionar Porto Alegre no circuito de eventos urbanos contemporâneos do país. “A iniciativa funciona como uma plataforma de valorização da cultura urbana. A proposta é ampliar a visibilidade dos artistas, democratizar o acesso à cultura e proporcionar uma experiência autêntica, onde música, arte e rua se conectam de forma orgânica”, destaca.

Além dos shows, o festival também conta com uma série de atividades que estimulam a vivência da cultura de rua em diferentes linguagens, com batalhas de breaking com crews convidadas, intervenções ao vivo em batalha de graffiti e a realização de um best trick de skate. Também está prevista a feira cultural de marcas independentes, “A Flor da Pele”, que pretende reunir expositores, produtos autorais e iniciativas criativas, além de espaços de convivência, alimentação e integração.

Programação completa

23/05 – Orin Itan
18h00 – Abertura
18h15 – DJ Laiz Regina
18h45 – Experiência gastronômica
19h00 – Homenageados Alvo
19h30 – Bate-papo com Coruja
20h00 – Paulo Dionísio
20h30 – DJ Laiz Regina

24/05 – Festival Alvo
14h00 – DJ Luizza
14h30 – DJ Edinho
15h00 – Batalha de breaking
15h30 – Show: Lady Black
16h10 – Artistas Alvo: Seguidor F, W. Negro e Guiarterima
17h15 – Show: Mc Leti
18h10 – Show: Cristal
19h10 – Show: Coruja BC1
20h00 – DJs de encerramento

Serviço

Festival Alvo 2026 e Orin Itan
Data: dias 23 e 24 de maio
Horário: no dia 23, das 18h às 21h. No dia 24, das 14h às 21h
Local: Alvo Cultural (Av. Baltazar de Oliveira Garcia, 2132 – Área 8 do Centro Vida, bairro Rubem Berta.
Ingressos gratuitos em Festival Alvo e Orin Itan.

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Zoravia Bettiol recebe apoio para tratamento de saúde em vaquinha

Por:Sul 21
18 de Maio de 2026, 16:01

Conhecida pelo talento artístico e pelo ativismo a causas sociais e ambientais, a artista Zoravia Bettiol está mobilizando a solidariedade de apoiadores para uma vaquinha virtual em prol da própria saúde. Qualquer pessoa pode aderir ao financiamento coletivo, que tem como objetivo custear parte da recuperação da artista depois de uma cirurgia.

Em março, Zoravia, que tem 90 anos, sofreu um acidente doméstico em casa. Em função do incidente, teve uma fratura e precisou colocar uma prótese no fêmur. Ela foi atendida no Hospital Santa Clara, em Porto Alegre, e a cirurgia foi conduzida pelo médico Carlos Roberto Schwartsmann. A operação foi bem sucedida e ela está se recuperando em casa.

No entanto, o tratamento do pós-operatório da artista exigiu a contratação de cuidadoras e de serviços de fisioterapia. A vaquinha criada pelo Racum Estúdio visa a cobrir esses custos e será toda convertida para a artista. A campanha foi divulgada, nas redes, pelo Instituto Zoravia Bettiol, que preserva a obra e difunde cultura e arte em suas diferentes manifestações artísticas.

É possível aderir com diversos valores, a partir de R$ 50 reais. As recompensas incluem cartões-postais, obras para imprimir e exemplares do livro “Inventário da Inundação” – escrito em parceria com Nora Prado. A vaquinha segue até 14 de junho no portal Catarse.

Reprodução de cartaz divulgado pelo Instituto Zoravia Bettiol

Zoravia Bettiol nasceu em Porto Alegre, em 1935. É artista plástica, designer e arte-educadora. Participou de 156 exposições individuais e mais de 350 coletivas, em Bienais, Trienais e exposiçõe internacionais em países da América Latinal, Europa, além de nos EUA e Japão. Em 2016, recebeu uma mostra retrospectiva no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs), intitulada Zoravia Bettiol – O Lírico e o Onírico.

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Com goteiras no palco, Teatro Renascença tem programação cancelada e volta a fechar

27 de Abril de 2026, 19:29

O Teatro Renascença teve a sua programação cancelada entre os dias 24 de abril e 1º de maio em decorrência de uma infiltração no telhado do edifício, que provocou goteiras no interior do prédio. A denúncia foi feita pela produtora Casa Salto, que entraria em cartaz na sexta-feira passada (24) com o espetáculo “Oceânica”.

Ainda pela manhã do dia em que o espetáculo estrearia, a equipe da Casa Salto recebeu um telefonema do coordenador de artes cênicas da Secretaria Municipal da Cultura (SMC), Breno Ketzer, informando que havia uma goteira no palco, fato que alarmou a produção. Quando chegaram lá, por volta das 3h da tarde, o cenário era muito mais preocupante: os oito baldes disponíveis não davam mais conta de frear a chuva, que já encharcava todo o palco do teatro.

A situação do telhado foi a gota d’água para o cancelamento do espetáculo, que já havia passado por algumas dificuldades no processo de montagem. A indisponibilidade de luzes refletoras para iluminação do palco foi um dos problemas apontados por Flávio Antunes Aquino, produtor da Casa Salto. A carência do equipamento, indispensável para a realização do espetáculo, onerou a produtora, que foi obrigada a investir parte do financiamento conquistado através de edital no aluguel de 20 refletores Par Led.

“A gente foi conversando com os técnicos e foram aparecendo mais coisas. A reforma do teatro foi entregue agora e algumas coisas foram melhoradas, mas os camarins da parte de cima estão mofados”, afirma Flávio.

A reforma a que Flávio se refere foi realizada em consequência da enchente de maio de 2024, que atingiu o Teatro Renascença. Localizado dentro do Centro Municipal de Cultura (Av. Érico Veríssimo, 307), o espaço permaneceu interditado por nove meses para reparos, reabrindo em julho de 2025. Apesar do investimento de R$ 3,6 milhões, parte das obras não foram eficientes, apontam técnicos operacionais que atuaram na produção do “Oceânica”. “Foi reformado no sentido de trocar uma ou outra madeira, onde tocou a água”, diz Flávio. “Mesmo assim, os técnicos apontaram que embaixo do palco estava cheio de cupim”, complementa.

No momento em que encontraram o teatro encharcado, Breno Ketzer informou à Casa Salto que a SMC buscaria uma nova data para a realização do espetáculo, mas que havia somente disponibilidade para o segundo semestre do ano. O prejuízo tampouco tem expectativa imediata de solução: foram entre R$ 10 mil e R$ 15 mil perdidos com o cancelamento do calendário do “Oceânica”, distribuídos entre uma equipe de mais de 20 profissionais do circuito criativo, técnicos responsáveis pela instalação dos equipamentos locados, tráfego pago para a promoção do evento, entre outros custos.

“São custos que a gente vai ter de novo. O técnico de luz foi lá e montou a luz, ele fez o serviço dele. A figurinista fez o trabalho dela, e vai ter que fazer de novo”, explica Flávio, que destaca que a produtora contava com o retorno imediato das três noites de espetáculo, em 24, 25 e 26 de abril, para ressarcir os custos da produção. “É lamentável o nosso maior teatro municipal estar assim, sucateado, com camarins mofados, sem equipamento de luz suficiente”, lastima a produção da Casa Salto em vídeo publicado neste domingo (26) nas redes sociais.

Em nota, a SMC lamentou o ocorrido, informando que o problema se deu “nas calhas do telhado que não suportaram o volume de água da chuva”. A entrega do Prêmio Açorianos de Literatura, que ocorreria no Teatro Renascença nesta segunda-feira (27), também foi adiada, ainda sem nova data ou local anunciados. Em uma segunda manifestação, a pasta comunicou que seria realizado um reparo emergencial com início nesta terça-feira (28), ainda sem data prevista para a conclusão. A obra será executada pela empresa Idea, contratada pela Prefeitura.

“Na tarde desta segunda-feira, 27, uma equipe técnica da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura, em conjunto com a empresa (Idea), realizou vistoria no local e constatou a quebra da calha. Será necessária a substituição de cerca de 10 metros quadrados por material galvanizado”, diz a nota. “Na sequência, a Secretaria Municipal da Cultura irá avaliar a substituição das calhas antigas de todo o telhado do Centro Municipal de Cultura Lupicínio Rodrigues, que possui 631 metros quadrados e já ultrapassou sua vida útil, por novas estruturas galvanizadas”, finaliza a SMC.

Apesar da secretaria apontar que o adiamento do espetáculo “Oceânica” já está sendo discutido com a Casa Salto, Flávio indica o oposto. “Ninguém ainda nos procurou pra dar qualquer tipo de solução, nem em relação a novas datas, nem sobre prejuízo, nem para se solidarizar com a produção. Ainda estamos no aguardo”, diz ele, que garante que o único contato realizado pela prefeitura com a produtora se deu através do coordenador de artes cênicas, ainda na sexta-feira.

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Oficina de roteiro e inclusão no audiovisual exclusiva para surdos chega à CCMQ

Por:Sul 21
7 de Abril de 2026, 16:45

O diretor e roteirista Bruno Costa estará em Porto Alegre nesta sexta-feira (10) para ministrar uma oficina de cinema exclusivamente para a comunidade surda. “Nem Toda História de Amor Acaba em Morte”, um roteiro a muitas mãos – O processo de escrita para um filme bilíngue vai trazer fundamentos de roteiro e falar de inclusão e diversidade no audiovisual.

As inscrições podem ser feitas sem custos pelo e-mail filmesdaroma@gmail.com. São 30 vagas disponíveis por ordem de inscrição. A oficina acontecerá na sala Sergio Napp 2 da Casa de Cultura Mario Quintana e contará com tradução em libras durante toda a sua duração.

A oficina é uma iniciativa da Romã Filmes, produtora responsável pelo projeto “Iggy”. Com roteiro de Talita Prestes, “Iggy” acompanha a história de uma jovem que enfrenta a descoberta da perda gradual de sua audição, uma condição que a obriga a se preparar para um futuro de silêncio e, consequentemente, a aprender a escutar a ela mesma. O evento como ação afirmativa do projeto “Iggy”, que recebe apoio da Lei Paulo Gustavo (LPG).

“Nem Toda História de Amor Acaba em Morte” é o primeiro filme do cinema brasileiro com uma protagonista surda. O longa-metragem conta a história da professora de educação infantil Sol (Chiris Gomes) e Lola (Gabriela Grigolom), mãe solo de uma de suas alunas. Tratando com delicadeza dessa relação e das consequências dela na vida e no universo das protagonistas, o filme é bilíngue –português e libras – e foi 100% realizado em Curitiba. Recentemente, recebeu os prêmios de Melhor Filme na escolha do público e de Melhor Ator no Cine-PE.

Diretor e roteirista, Bruno Costa também escreveu e dirigiu os longas “Cinematoso”, “Circular” e “Mirador”. Diretor de alguns episódios da série “Cidade de Deus”, da HBO, no momento, está trabalhando na pré-produção de um documentário sobre a cantora Janine Mathias.

Serviço

O quê: Oficina “Nem Toda História de Amor Acaba em Morte”, um roteiro a muitas mãos – O processo de escrita para um filme bilíngue;

Quando: 10/04 (Sexta-feira), 10h às 16h;

Onde: Casa de Cultura Mário Quintana, sala Sergio Napp 2;

Endereço: Rua dos Andradas. 736 – Centro Histórico, Porto Alegre/RS.

Inscrições: pelo e-mail filmesdaroma@gmail.com;

30 vagas, gratuitas, por ordem de inscrição.

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Vereador Ramiro Rosário é condenado por desinformação contra cooperativas do MST

Por:Sul 21
7 de Abril de 2026, 15:19

O vereador de Porto Alegre Ramiro Rosário (Novo), junto ao advogado e ex-secretário de Meio Ambiente do município Maurício Fernandes da Silva Stuart, foram condenados por disseminar informações falsas a respeito do arroz ecológico produzido por duas cooperativas agrárias ligadas aos Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Cooperativa Dos Trabalhadores Assentados Da Região De Porto Alegre (COOTAP) e a Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita (Coopan).

Em abril de 2023, Ramiro utilizou as próprias redes sociais para veicular informações inverídicas que afirmavam que o arroz produzido e comercializado pela COOTAP continha agrotóxicos, fundamentando-se em um laudo produzido pelo Laboratório de Análise de Resíduos de Pesticidas (LARP) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que atestava justamente a ausência de tais resíduos nos grãos.

Posteriormente, Maurício Fernandes repercutiu a desinformação em duas plataformas nas quais atua como coordenador, direitoagrario.com e direitoambiental.com. Um terceiro réu, o vereador de Nova Santa Rita Silvio Roberto Flores de Almeida, foi absolvido.

A 6ª Vara Cível do Foro Central da Comarca de Porto Alegre condenou os réus ao pagamento de R$ 10 mil em danos morais a cada uma das cooperativas, junto de retratação pública nos sites de Maurício Fernandes e nas redes de Ramiro Rosário dentro do prazo de 15 dias após o trânsito em julgado. As publicações devem permanecer no ar por 60 dias ininterruptos, sob pena de R$ 1 mil diários em caso de descumprimento, limitados a R$ 60 mil.

“A liberdade de expressão e de informação, embora pilares do Estado Democrático de Direito, não constituem um salvo-conduto para a disseminação de inverdades factuais que atentem contra a honra e a imagem de terceiros”, atesta a sentença proferida pela 6ª Vara Cível do Foro Central da Comarca de Porto Alegre.

Em nota divulgada à imprensa, o MST manifestou apoio à decisão judicial, alegando que se trata de uma “vitória não apenas jurídica, mas política e social”.

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Crise do petróleo aumenta pressão por reestatização da BR Distribuidora

26 de Março de 2026, 19:43

As consequências dos ataques ao Irã por Estados Unidos e Israel trouxeram à tona o papel regulador que a BR Distribuidora cumpria no país. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a Vibra – novo nome da distribuidora, privatizada em 2019 – aumentou o custo do diesel 35 vezes mais que o impacto real nos preços do combustível de fevereiro para março. “Isso evidencia o que a gente sempre dizia, quando fazia a luta contra a privatização, que não ter uma distribuidora estatal não aumenta a concorrência, pelo contrário, ela piora a concorrência porque, quando a gente tinha a BR Distribuidora estatal, existia uma regulação de mercado via concorrência da distribuidora estatal”, afirma Miriam Cabreira, presidenta do Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Sul (Sindipetro-RS).

Denúncias como essa aumentam a pressão da sociedade civil e de parlamentares por uma reestatização da BR Distribuidora. Há, no entanto, cláusulas no contrato da Vibra com a Petrobras que dificultam a operação. “Uma das cláusulas é que a Petrobras não poderia entrar como concorrente na distribuição, isso dificulta a Petrobras de comprar outra distribuidora. A Ipiranga está à venda. Se a Petrobras quisesse comprar a Ipiranga teria que ir para a disputa judicial ou passar alguma lei no Congresso”, relata a presidenta do Sindipetro-RS.

Outro ponto do contrato determina que, caso a Petrobras queira comprar ações da própria Vibra, isso deve ser feito por um instrumento chamado oferta pública de ações. De acordo com Miriam Cabreira, essa oferta pública tornaria muito mais caro o valor de recompra do que o que a Petrobras obteve com a venda. Ainda assim, a sindicalista afirma que existem alternativas. “É possível a gente fazer disputa sobre projetos de lei para poder contornar esses problemas criados na privatização, que, inclusive, a gente considera criminosos, porque estão trazendo prejuízos para a população”, aponta.

Pensando nessas cláusulas, a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) protocolou um projeto de lei que institui o Regime Emergencial de Reestatização e Garantia da Soberania Energética. “O Regime Emergencial enfrenta exatamente essa distorção. O projeto estabelece que cláusulas contratuais que bloqueiem a atuação da União ou de suas empresas deixam de produzir efeitos quando entram em conflito com a segurança energética e o abastecimento nacional”, afirma Melchionna.

A parlamentar explica que o projeto estabelece instrumentos objetivos para a reestatização imediata, como a imissão provisória na posse, o que permitiria ao Estado assumir imediatamente a operação, enquanto o valor da indenização é discutido na Justiça. “Contrato privado não pode funcionar como cadeado que impede o Estado de garantir o abastecimento de combustível de um país inteiro”, defende. Além da iniciativa de Melchionna, o líder do Governo na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), recolhe assinaturas para criar a Frente Parlamentar pela Reestatização da BR Distribuidora.

Em paralelo a isso, aumentos acima dos praticados pela Petrobras têm ocorrido também antes da distribuição, nas refinarias que foram privatizadas. “A Petrobras, hoje, é responsável por cerca de 70% do mercado porque foram privatizadas três refinarias no Governo Bolsonaro. Então, a Petrobras consegue fazer uma política de estabilidade dos preços, mas não consegue mais fazer uma política de blindagem dos preços”, relata Miriam Cabreira.

Enquanto a Petrobras elevou em 11,6% o diesel em março, a refinaria privada de Mataripe, na Bahia, subiu o combustível em 71,3%. Na última terça-feira (24), a Petrobras reafirmou o interesse em recomprar a refinaria, privatizada em 2021, durante o governo Jair Bolsonaro. A confirmação foi feita por meio de um ofício à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

‘Indícios de desabastecimento forçado precisam ser investigados’

De acordo com a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), 166 municípios relatavam desabastecimento de diesel até esta quarta-feira (25). No entanto, a produção do combustível na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) aumentou desde o início do conflito no Oriente Médio. “Todo o volume contratado das distribuidoras com a Petrobras foi vendido pelo preço combinado, pelo preço de antes. Inclusive, a Refap ainda teve condições de elevar a carga da refinaria e fazer um leilão de 20 mil m³ de diesel s-500. A Petrobras em nenhum momento descumpriu contrato. Então, como é que de repente falta? Como é que do nada eles sobem os preços? Não tem como saber, porque a gente não tem os dados. A gente não sabe o que aconteceu com as distribuidoras. Então, isso as distribuidoras têm que responder”.

A deputada Fernanda Melchionna cobra investigação sobre os fatos. “Os trabalhadores da Refap relatam que a refinaria segue produzindo normalmente e até aumentou a produção nos últimos dias. “Alguém no meio da cadeia está segurando esse combustível ou manipulando a logística para pressionar preços ou criar escassez artificial. O que está acontecendo com o diesel no Rio Grande do Sul é grave: há indícios de desabastecimento forçado e especulação de preços. Isso precisa ser investigado com rigor. Combustível não pode virar refém de quem lucra com o caos”.

Em audiência pública solicitada pelo deputado estadual Miguel Rossetto (PT) e realizada nesta quarta, na Comissão de Economia da Assembleia Legislativa, o Sindicato Intermunicipal de Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do RS (Sulpetro) relatou as dificuldades que os postos têm tido de obter o combustível. De acordo com o assessor jurídico da entidade, as distribuidoras estariam carregando quantidades menores de combustíveis a cada frete e limitando a entrega aos postos com os quais já tinham contrato e, portanto, obrigação de fornecer produto. Tudo isto em um período do ano em que o agronegócio tem maior demanda por combustível.

Também na audiência, o superintendente de Distribuição e Logística da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Diogo Valério, ressaltou que não há falta de produto e que o que gerou um pico de demanda foi a incerteza sobre o preço. Segundo ele, a ANP reforçou a fiscalização para coibir práticas abusivas.

Em nota conjunta divulgada na última segunda-feira (23), seis entidades dos setores de refino, importação e distribuição de combustíveis ressaltam que “parte relevante do abastecimento nacional também vem de refinarias privadas e de importadores, os quais, diferentemente da Petrobras, não atuam na extração de petróleo no Brasil e praticam preços (…) de acordo com as referências internacionais. As oscilações no valor do petróleo e dos derivados tendem, portanto, a se refletir em toda a cadeia, ainda que de forma não uniforme e como resultado não de um único fator, mas da combinação de diversas variáveis (e.g. econômicas, tributárias e logísticas)”, afirmam. As entidades, embora elogiem a medida do Governo Federal de reduzir a zero a alíquota de PIS/Cofins sobre o diesel, cobram “a adoção de providências, com a maior brevidade possível, de modo a evitar o agravamento dos riscos de desabastecimento nacional” e afirmam que estão “à disposição para contribuir, de forma institucional e técnica, com o diálogo junto às autoridades e à sociedade sobre medidas que preservem o abastecimento nacional, a segurança energética e o regular funcionamento do mercado”.

Com informações da Agência Brasil

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Encontro celebra os 25 anos do Fórum Social Mundial em Porto Alegre

Por:Sul 21
26 de Março de 2026, 18:10

“Outro Mundo é Possível: 25 anos do FSM e os desafios da resistência democrática” é o tema da roda de conversa que será realizada em Porto Alegre no próximo sábado (28), às 10h, no 3º andar do Centro Cultural da UFRGS.

“Este encontro é um convite a uma reflexão sobre a experiência do FSM, nestes 25 anos, e os desafios do presente, da resistência democrática frente ao surgimento de um novo fascismo, das guerras, do ódio, da violência política da extrema direita, do ataque aos direitos, do negacionismo ambiental e científico”, explica o deputado estadual Miguel Rossetto (PT), proponente do debate.

A atividade integra a programação da 1ª Conferência Internacional Antifascista, que ocorre entre os dias 26 e 29 de março na capital gaúcha, com foco no enfrentamento ao avanço global da extrema-direita e à escalada autoritária que ameaça direitos e a democracia.

Realizado pela primeira vez em 2001, em Porto Alegre, o Fórum Social Mundial reuniu movimentos sociais, organizações e lideranças de diferentes países em torno da defesa dos direitos humanos, da justiça social e da democracia participativa. Ao completar 25 anos, a proposta da mesa é revisitar esse percurso, refletir sobre seus impactos e discutir sua atualidade diante do cenário político contemporâneo.

O debate contará com as presenças de Olivio Dutra – Governador do RS 1999-2002; Raul Pont – Prefeito de Porto Alegre 1997-2000; Tarso Genro – Prefeito de Porto Alegre 2001; Tica Moreno – Marcha Mundial de Mulheres; Neuri Rossetto – MST; Sérgio Haddad – Abong; Oded Grajew – Idealizador do FSM; e Salete Valesan – representante do CLACSO no CI-FSM.

A coordenação do debate será do deputado Miguel Rossetto, realizador da primeira edição do FSM e, à época, vice-governador do estado. A mediação será conduzida pela secretária de organização do PT-RS, Íris de Carvalho.

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Banda Fresno apresenta show gratuito na Redenção em maio

Por:Sul 21
26 de Março de 2026, 17:44

A Fresno apresenta seu novo álbum, “Carta de Adeus”, em Porto Alegre no dia 16 de maio, às 20h, no Parque da Redenção. O show promete reunir grandes sucessos da banda, marcados pela nostalgia dos anos 2000, além das canções inéditas do novo trabalho.

Formada por Lucas Silveira (guitarra e vocal), Gustavo Mantovani (guitarra) e Thiago Guerra (bateria), a Fresno soma 27 anos de trajetória. Após o sucesso da turnê Eu Nunca Fui Embora (2024), a banda retorna à cidade onde foi formada para apresentar ao público seu novo projeto.

De acordo com Lucas Silveira, esta nova fase parte de um questionamento central: até quantas mãos é possível construir um projeto artístico e musical?

“Com a tecnologia, hoje em dia, isso pode ser feito inclusive sem a participação direta de pessoas. Mas o que nos levou a sermos quem somos, além da nossa amizade, é justamente a união de pessoas criativas ao nosso redor, que contribuem com nossas criações. Queremos valorizar e dar voz também a esses colaboradores”, explica o músico.

O retorno ao Parque da Redenção também carrega um significado especial: a Fresno pretende reviver a energia de um show histórico realizado no local em 2007. “Aquele momento marcou muitas das crenças que levamos adiante e influenciou diretamente trabalhos posteriores. Voltar ao parque, depois de tantos anos, com um show gratuito para um público tão fiel, é muito significativo para nós”, destaca a banda.

A apresentação integra a programação da Semana S, realizada pelo Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP na capital. Além da apresentação musical, a semana oferece uma programação gratuita e diversificada, com atividades nas áreas de cultura, educação, saúde, lazer e serviços à comunidade, ocupando o Parque Farroupilha com experiências abertas ao público.

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CineBancários tem estreia de ‘Aisha Não Pode Voar’ e pré-estreia de ‘Barba Ensopada de Sangue’

Por:Sul 21
26 de Março de 2026, 15:03

Primeiro longa-metragem dirigido pelo cineasta egípcio Morad Mostafa, “Aisha não pode esperar” chega ao CineBancários em 26 de março. Filme de abertura do Festival de Veneza 2025, “A Graça”, novo longa-metragem de Paolo Sorrentino, e “Narciso”, do premiado diretor Jeferson De, narrativa que transita entre a dureza da realidade e o realismo fantástico, seguem em cartaz na sala de cinema.

Na mesma semana, em 1º de abril, “Barba Ensopada de Sangue”, aguardado filme de Aly Muritiba inspirado no livro homônimo de Daniel Galera, recebe sessão especial de pré-estreia, com presença do autor e convidados.

“Aisha Não Pode Voar” teve sua estreia mundial na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes 2025, onde concorreu à Caméra d’Or, marcando o retorno do Egito à seção após anos de ausência.

A narrativa acompanha Aisha, uma jovem sudanesa que vive no Cairo, longe da família, trabalhando como cuidadora. Em seu cotidiano, ela enfrenta um ambiente marcado por tensões constantes entre migrantes africanos e grupos locais, onde a violência parece sempre à espreita. Nesse cenário instável, surgem laços ambíguos com jovens ligados a gangues rivais, trazendo à trama nuances de thriller.

O filme foi bastante elogiado após sua estreia em Cannes, e a revista Variety, por exemplo, classificou como “magnífica” a atuação da jovem Buliana Simon: “A talentosa atriz aprofunda e intensifica a atmosfera do filme, infundindo-a com uma qualidade assombrosa e perigosa”. A mesma publicação afirma, ainda, que o diretor Morad Mostafa “entrega um longa-metragem de estreia valioso e visualmente impressionante”.

Já Barba Ensopada de Sangue tem direção de Aly Muritiba e é baseado no romance homônimo do escritor brasileiro Daniel Galera, lançado em 2012 pela Companhia das Letras, traduzido em 11 línguas e publicado em 13 países diferentes, que se tornou um best-seller. Com roteiro de Jessica Candal e Aly Muritiba, o filme será distribuído pela O2 Play no Brasil.

Protagonizado por Gabriel Leone, ator do longa indicado ao Oscar “O Agente Secreto”, o filme acompanha um professor de natação que, após a morte do pai, retorna à antiga casa da família e passa a investigar o assassinato do avô, Gaudério (Ricardo Blat). O longa se passa no litoral Sul do país e aproveita a paisagem costeira como parte essencial da trama, que tem atmosfera densa e misteriosa.

Thainá Duarte é mais um grande nome de Barba Ensopada de Sangue. Com trabalhos na TV e no cinema, Duarte se destacou nas séries Aruanas (Globoplay) e Cangaço Novo (Prime Video).

Programação de 26 de março a 1º de abril

ESTREIA

“Aisha Não Pode Voar”

Egito/Drama/2025/120 min

Direção: Morad Mostafa

Sinopse: Aisha é uma cuidadora sudanesa que vive no centro do Cairo. Diariamente, ao sair para trabalhar, ela testemunha a tensão entre os outros imigrantes africanos e os membros das gangues egípcias locais. Aos 26 anos, ela se vê presa entre um relacionamento indefinido com um jovem egípcio e um novo emprego.

Elenco: Achai Ayom Buliana Simon Ziad Zaz

 

PRÉ-ESTREIA:

“Barba Ensopada de Sangue”

Brasil/Drama/2025/128 min

Direção: Aly Muritiba

Sinopse: Após a morte de seu pai, Gabriel parte para a praia da Armação em busca de suas origens. Lá, ele encontra uma trama complexa em torno da figura misteriosa de seu avô, um esqueleto de baleia e uma cidade que quer enterrar seu passado a qualquer custo.

Elenco: Gabriel Leone, Thainá Duarte, Ivo Müller, Roberto Birindelli

 

EM CARTAZ

“Narciso”

Brasil/Drama/2025/90 min.

Direção: Jeferson De

Sinopse: Narciso (11), um menino negro e órfão, mora na casa de Carmem e Joaquim, junto com outras crianças que aguardam adoção. Ele sonha em ter uma família, mas acaba enfrentando uma grande decepção. Para alegrá-lo, uma das crianças da casa lhe dá de presente uma bola de basquete velha e mágica e diz que, se ele acertar três cestas, um gênio aparecerá e realizará todos os seus desejos.

Elenco: Arthur Ferreira, Ju Colombo, Bukassa Kabengele e Seu Jorge


“A Graça”

Itália/Drama/2025/ 131 min.

Direção: Paolo Sorrentino

Sinopse: Do cineasta Paolo Sorrentino, vencedor do Oscar e do Bafta, “A Graça” é uma exploração abrangente do amor, do dever e da liberdade pessoal. Toni Servillo – vencedor do prêmio de Melhor Ator no Festival de Cinema de Veneza de 2025 – é o poderoso Mariano De Santis, que enfrenta dilemas morais e pessoais com a ajuda de sua filha confidente, Dorotea (Anna Ferzetti). Com a visão poética característica de Sorrentino e uma trilha sonora evocativa, esta obra-prima é uma meditação íntima sobre paternidade, consciência e a eterna questão: a quem pertence o nosso tempo?

Elenco: Toni Servillo, Anna Ferzetti, Orlando Cinque, Massimo Venturiello.

Horários

De 26 de março a 31 de março

Não há sessões na segunda

15h: “A Graça”

17h20: “Narciso”

19h20: “Aisha Não Pode Voar”

 

1º de abril

15h: “A Graça”

17h20: “Narciso”

19h20: Pré-estreia de “Barba Ensopada de Sangue”, seguida de debate após a sessão com a presença do autor Daniel Galera, Carolina Panta e Fabiano de Souza.

Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.

Endereço: 

CineBancários

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br

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ONU reconhece escravização de africanos como maior crime contra humanidade

Por:Sul 21
25 de Março de 2026, 19:07

Da Agência Brasil

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução nesta quarta-feira (25) que reconhece o tráfico transatlântico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade já cometido.

O texto aprovado pela maioria dos países estabelece que os Estados-Membros da ONU devem considerar a apresentação de desculpas pelo tráfico de escravizados e contribuir para um fundo destinado à reparação.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, defendeu ainda o enfrentamento dos legados duradouros da escravidão, como a desigualdade e o racismo.

“Precisamos remover as barreiras persistentes que impedem tantas pessoas de ascendência africana de exercer seus direitos e realizar seu potencial”, discursou.

Durante cerca de 400 anos, milhões de africanos foram sequestrados e vendidos como mercadorias em colônias de nações europeias, crime que continuou a ser cometido mesmo após a independência de algumas delas, como é o caso do Brasil e dos Estados Unidos.

O Brasil é considerado o último país do continente americano a abolir a escravidão, o que se deu apenas em 1888, e também foi o principal destino dos africanos escravizados, tendo recebido mais de 4 milhões de sequestrados.

Votação

A proposta foi apresentada pelo presidente de Gana, John Mahama, um dos países mais afetados pelo crime, e recebeu 123 votos a favor, incluindo o do Brasil.

“Hoje, nos reunimos em solene solidariedade para afirmar a verdade e buscar um caminho rumo à cura e à justiça reparatória”, disse Mahama.

Apenas três países votaram contra a resolução: Estados Unidos, Israel e Argentina.

Houve ainda 52 abstenções, sendo a maior parte de países europeus. Entre eles, estão nações que exploraram colônias no continente africano ou atuaram na consolidação do tráfico de escravizados, como Portugal, Espanha, Reino Unido, França, Países Baixos e Bélgica.

Outros países desenvolvidos como Japão, Canadá e Austrália também se abstiveram. Na América do Sul, além do voto contrário da Argentina, houve a abstenção do Paraguai.

Países do Brics votaram em peso a favor da resolução, como China, Índia, Rússia e África do Sul, além de outras nações americanas, asiáticas e africanas, o que permitiu a soma de 123 votos.

A presidente da Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock, defendeu que enfrentar essas injustiças é um imperativo moral, enraizado em uma responsabilidade coletiva de confrontar os erros do passado e moldar um futuro mais justo.

“O tráfico de escravizados e a escravidão figuram entre as mais graves violações de direitos humanos na história da humanidade – uma afronta aos próprios princípios consagrados na Carta da Organização das Nações Unidas e na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que, em parte, nasceram dessas injustiças do passado”, disse Annalena.

Já o representante dos Estados Unidos no Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas, Dan Negrea, classificou o texto como “altamente problemático” antes da votação e disse que o país “não reconhece um direito legal a reparações por injustiças históricas que não eram ilegais sob o direito internacional no momento em que ocorreram”.

Reparação

A declaração aprovada ressalta a importância de abordar injustiças históricas que afetam os africanos e as pessoas de ascendência africana, de uma maneira que sejam promovidos a justiça, os direitos humanos, a dignidade e a reparação.

O documento também enfatiza “que as reivindicações por reparações representam um passo concreto rumo à reparação das injustiças históricas contra os africanos e as pessoas de ascendência africana”.

Nesse sentido, a resolução também solicita que, de forma pronta e desimpedida, seja feita a restituição de bens culturais, objetos de arte, monumentos, peças de museu, artefatos, manuscritos e documentos, e arquivos nacionais.

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Setor audiovisual do RS lança protocolo de combate ao assédio em sets de filmagem

Por:Sul 21
25 de Março de 2026, 16:49

Nesta quinta-feira (26) às 12h, será assinado o termo de compromisso do Protocolo Anti-Assédio Objetivas para empresas produtoras ligadas às principais associações do cinema gaúcho em evento na Cinemateca Capitólio (R. Demétrio Ribeiro, 1085). Logo antes, acontece a mesa-redonda “Novas Relações de Trabalho no Audiovisual: Diálogo e Boas Práticas”, das 10h15min às 12h. O evento, que é aberto ao público, reúne representantes do setor para discutir caminhos de implementação.

Já na sexta (27), a partir das 14h, ocorre a entrega simbólica do protocolo ao Instituto Estadual de Cinema (Iecine) e à Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul no mesmo local, ampliando o diálogo com o poder público. A iniciativa é do Objetivas – Núcleo de Prevenção e Combate ao Assédio no Audiovisual do RS, organização vinculada à APTC/RS, Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos.

O documento estabelece diretrizes práticas para prevenir, identificar e enfrentar situações de assédio moral e sexual em produções audiovisuais. As normas buscam promover ambientes de trabalho mais seguros, especialmente para mulheres e pessoas transgênero, que são as principais vítimas deste tipo de violência no setor. Inspirado em convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o protocolo convoca empresas, produtoras e profissionais a assumirem responsabilidade direta na construção de ambientes seguros.

“A APTC está comprometida em zelar pelo bem-estar e pela dignidade dos profissionais do audiovisual gaúcho”, aponta o presidente da APTC, Edu Rabin. “Nesse sentido, é mais do que urgente enfrentarmos essas práticas nocivas com rigor, investindo também em educação e conscientização contínuas para prevenir o assédio. Este é um compromisso não apenas imediato, mas de médio e longo prazo, para a construção de um ambiente de trabalho cada vez mais seguro, ético e acolhedor”, destaca.

Entre as principais medidas previstas estão:

• criação de um núcleo anti-assédio em cada produção;

• realização de ações formativas e de conscientização com as equipes;

• inclusão de cláusulas contratuais específicas sobre assédio;

• afastamento imediato de pessoas denunciadas;

• implementação de fluxos de acolhimento e encaminhamento das vítimas.

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Filme sobre a Palestina será exibido durante a I Conferência Nacional Antifascista em Porto Alegre

Por:Sul 21
25 de Março de 2026, 16:46

O documentário “Notas Sobre um Desterro” (2025), dirigido por Gustavo Castro, terá uma sessão especial em Porto Alegre no sábado (28), às 10h15, na Sala Redenção. A exibição integra a programação da I Conferência Internacional Antifascista e será seguida de um debate com o diretor e com a participação de Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL). A conversa com o público terá mediação de Kelly Demo Christ, diretora de comunicação do Clube de Cinema de Porto Alegre, que participa da atividade como parceiro da sessão.

O documentário reúne registros realizados na Cisjordânia, imagens de arquivo e materiais produzidos pelos próprios palestinos durante a guerra em Gaza. As filmagens começaram em 2018, quando Castro e o fotógrafo Rafael de Oliveira viajaram à Cisjordânia com a intenção inicial de investigar histórias de convivência entre diferentes comunidades e religiões na região. Durante cerca de um mês, a equipe percorreu cidades e vilarejos palestinos, sendo acolhida por uma família palestino-brasileira no vilarejo de Kobar. Com a escalada da violência na região e os acontecimentos iniciados em outubro de 2023, o projeto foi revisitado e ganhou nova forma. O material original foi reeditado e combinado com registros históricos e vídeos compartilhados nas redes sociais por palestinos que documentam, em tempo real, os efeitos da guerra sobre a população civil.

A sessão na Sala Redenção, aberta à comunidade e gratuita, será uma oportunidade para que o público assista ao filme em sala de cinema e participe de um debate com o diretor Gustavo Castro e com Ualid Rabah sobre o processo de realização da obra, os desafios éticos envolvidos na utilização de imagens de guerra e o papel do audiovisual na construção de memória e reflexão política.

Serviço

O que: Sessão do filme “Notas Sobre um Desterro”(Gustavo Castro, 2025), seguida de bate-papo com o diretor e com Ualid Rabah (FEPAL). Parte da programação da I Conferência Nacional Antifascista em parceria com o Clube de Cinema de Porto Alegre.
Quando: 28 de março, às 10h15
Local: Sala Redenção – UFRGS (R. Eng. Luiz Englert, 333 – Farroupilha)
Entrada gratuita

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Noite dos Museus anuncia edição de 2026 para 28 de novembro e lança edital para músicos locais

Por:Sul 21
24 de Março de 2026, 12:09

Projeto que nasceu em 2016 para aproximar o público das instituições culturais de Porto Alegre, a Noite dos Museus chega à sua décima edição neste ano, já com data marcada: 28 de novembro, das 18h até até a meia-noite. Serão dezenas de centros culturais abertos para visitação e diversas apresentações artísticas realizadas em diferentes palcos espalhados pela cidade, tudo gratuitamente.

O evento já está com um edital público aberto para músicos locais se inscreverem para participar neste ano, com shows realizados nos diversos locais que farão parte da edição comemorativa. Podem se inscrever músicos profissionais, bandas, grupos ou coletivos independentes, assim como produtores musicais representantes, de projetos de música instrumental, erudita ou popular.

Para participar do edital, as apresentações musicais deverão ser integralmente autorais e é necessário que sejam pessoas jurídicas ou microempreendedores individuais que contemplem a atividade de produção musical em seu estatuto ou contrato social. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o dia 31 de maio pelo site noitedosmuseus.com.br/editais, onde também está disponível o regulamento completo.

A Noite dos Museus reuniu mais de 250 mil pessoas somente em 2025, ultrapassando a marca de 1 milhão de participantes nos últimos nove anos. Sobre a edição de 2026, o idealizador do evento Rodrigo Nascimento antecipa: “Será uma edição comemorativa, repleta de novidades que vão movimentar Porto Alegre não só na noite de 28 de novembro, mas em diversos outros momentos”.

O projeto conta com financiamento da Lei Rouanet – Incentivo a Projetos Culturais, planejamento e produção da Rompecabezas e realização do Instituto Noite dos Museus e do Ministério da Cultura, Governo Federal – Do Lado do Povo Brasileiro.

Serviço

10ª edição do Noite dos Museus
Dia 28 de novembro, sábado, das 18h até a meia-noite, com entrada franca

Edital público de programação musical
Aberto até 31 de maio, com inscrições gratuitas pelo site noitedosmuseus.com.br

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Papa Leão diz que guerra no Oriente Médio é um ‘escândalo’ para humanidade

Por:Sul 21
22 de Março de 2026, 15:34

Da Agência Ansa

O papa Leão XIV voltou a manifestar “consternação” pela guerra em curso no Oriente Médio. Segundo ele, o conflito “fere toda a humanidade”.

“Continuo a acompanhar com consternação a situação no Oriente Médio, assim como em outras regiões do mundo devastadas por confrontos [bélicos] e pela violência”, declarou Robert Prevost no Ângelus deste domingo (22).

Para o pontífice, é impossível “permanecer em silêncio diante do sofrimento de tantas pessoas, vítimas indefesas desses conflitos”. “O que as aflige, aflige toda a humanidade”, destacou o líder da Igreja Católica, renovando seu apelo pela paz.

As guerras “são um escândalo para toda a família humana. Que as hostilidades cessem e abram caminho para a paz”, exortou o Papa.

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Fevereiro teve registro de seca mais branda em quatro regiões do país

Por:Sul 21
22 de Março de 2026, 10:33

Da Agência Brasil

Em fevereiro, o clima seco ficou mais brando em quatro regiões do país, de acordo com a última atualização do Monitor de Secas, divulgada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Os dados mostram um abrandamento da seca, em relação a janeiro deste ano, nas regiões Centro-Oeste, Nordeste, Norte e Sudeste.

No mesmo período, a seca ficou estável na região Sul. Na comparação com os dois meses, o percentual de seca no país caiu de 63% para 54% do território nacional.

Entre janeiro e fevereiro deste ano, em termos de severidade da seca, houve um abrandamento do fenômeno em 17 unidades da Federação: Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

Amapá e Rondônia apresentaram o sentido inverso, com uma intensificação da seca em fevereiro. Nos estados do Amazonas, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia e Santa Catarina, o fenômeno ficou estável. Tanto o Distrito Federal quanto o Espírito Santo se juntaram ao Acre como estados livres de seca no último mês.

 

Monitor de secas | Foto: ANA/divulgação

Considerando todas as regiões, o Nordeste apresentou o quadro mais severo, sendo a única a registrar seca extrema, e o maior percentual de área com registro de seca: 95% da região. Na sequência vem o Sudeste, com 79% e o Centro-Oeste, onde o percentual foi de 66% de território com registro de seca.

O monitor registra que, no Sudeste, devido aos elevados acumulados de precipitação em fevereiro, especialmente em Minas Gerais e Rio de Janeiro, houve melhora da situação de seca nos quatro estados da região. Os destaques ficam para o recuo da seca grave em Minas Gerais e São Paulo, da seca moderada no Rio de Janeiro e o desaparecimento da seca no Espírito Santo.

O Centro-Oeste registrou melhora nos indicadores, com o recuo da seca fraca no norte do Mato Grosso e da seca grave no sul de Goiás e no nordeste do Mato Grosso do Sul. No Distrito Federal, as chuvas acima da média nos últimos meses foram determinantes para o desaparecimento da seca.

Já o Norte teve o menor percentual de área seca, com 29% do território e também a condição mais branda do fenômeno no último mês. Na Região, devido às anomalias no regime de chuvas, houve avanço da seca fraca no centro e norte do Amazonas e agravamento da seca, que passou de fraca para moderada o norte de Roraima e numa pequena porção entre o sul do Amapá e norte do Pará.

Por outro lado, com a melhora nos indicadores, a seca grave (S2) deixou de ser registrada no Tocantins e houve recuo da seca fraca (S0) em Rondônia, Pará e Tocantins, ampliando a área livre de seca.

No Sul, o monitor registrou 63% do território com seca. A seca fraca avançou no Rio Grande do Sul e no centro-oeste do Paraná, devido às chuvas abaixo da normalidade.

Na comparação entre janeiro e fevereiro, quatro estados registraram aumento da área com seca: Amazonas, Paraná, Rio Grande do Sul e Roraima. No sentido oposto, o Monitor identificou diminuição da área com seca em nove estados: Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro, Rondônia e Tocantins.

Nordeste

Na região Nordeste, sete unidades da Federação registraram seca em 100% do território em fevereiro deste ano: Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte. Nos demais estados com registro do fenômeno, os percentuais variaram de 8% a 94%.

O monitor aponta que, devido às chuvas acima da média em fevereiro, houve uma significativa diminuição das áreas com seca extrema, que deixou de ser registrada na Bahia e Piauí.

Na Bahia também houve recuo da seca grave. Já o Maranhão registrou seca moderada.

“Com base no território de cada unidade da Federação acompanhada, o Amazonas lidera a área total com seca de fevereiro, seguido por Mato Grosso, Bahia, Minas Gerais e Maranhão. No total, entre janeiro e fevereiro, a área com o fenômeno diminuiu de 5,4 para 4,5 milhões de km², o equivalente a 54% do território brasileiro”, informou a agência reguladora.

Monitor

Criando em 2014, o Monitor das Secas realiza o acompanhamento contínuo do grau de severidade das secas no Brasil com base em indicadores do fenômeno e nos impactos causados em curto prazo (seis meses), ou longo prazo (a partir de seis meses).

A metodologia do Monitor de Secas foi baseada no modelo de acompanhamento de secas dos Estados Unidos e do México.

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Ator e diretor teatral Juca de Oliveira morre, aos 91 anos, em SP

Por:Sul 21
21 de Março de 2026, 14:53

Da Agência Brasil

Morreu na madrugada deste sábado (21), em São Paulo, o ator, autor e diretor Juca de Oliveira, de 91 anos. Reconhecido como um dos grandes nomes das artes cênicas do país, Juca construiu uma trajetória sólida e admirada no teatro, na televisão e no cinema.

O ator estava internado desde o dia 13 deste mês, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) cardíaca do Hospital Sírio-Libanês, em decorrência de um quadro de pneumonia associado a uma condição cardiológica.

Carreira

Ao longo de sua carreira, participou de importantes produções teatrais, muitas delas de sua própria autoria, além de integrar elencos de novelas e programas televisivos de grande alcance nacional. Sua atuação sempre foi pautada pelo rigor artístico e pelo compromisso com a cultura brasileira. Ele também era membro da Academia Paulista de Letras.

Juca de Oliveira atuou no teatro em mais de 60 peças como ator. Fez na maioria das vezes o papel principal, que dá à linha mestra a história encenada e por isso os personagens mais pesados.

Televisão

Na televisão, deu vida a personagens célebres, como o misterioso João Gibão em Saramambaia, novela da TV Globo, eternizado pela cena emblemática de seu voo sobre a cidade de Bole Bole.

Em 2001, trabalhou em O Clone, também na TV Globo. Novela abordou o tema da clonagem. Ele interpretou o médico Doutor Augusto Albieri, considerado o personagem mais importante de sua carreira na televisão.

Em 2012, Juca ganhou destaque como o cruel vilão Santiago Moreira, na Avenida Brasil, novela de João Emanuel Carneiro. O personagem era o pai e mentor da vilã Carminha, interpretada pela atriz Adriana Esteves.

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No mês das mulheres, Câmara de Florianópolis aprova homenagem a advogado do caso Mari Ferrer

Por:Sul 21
21 de Março de 2026, 08:36

Raphael Sanz

Pouco mais de uma semana depois do Dia Internacional da Mulher e com um número alarmante de feminicídios em todo o país, a Câmara Municipal de Florianópolis aprovou na última terça-feira (17) uma homenagem pública ao advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho. Ele teve seu nome envolvido no Caso Mari Ferrer, que tomou proporção internacional entre 2018 e 2020.

À época, Rosa Filho defendia o empresário André de Camargo Aranha, acusado de dopar e violentar a jovem Mariana Ferrer durante uma festa em Jurerê Internacional, famosa praia de alto padrão da capital catarinense. O advogado foi acusado de ter intimidado e humilhado a vítima durante uma audiência. A jornalista que expôs o seu comportamento, levando a público a gravação da audiência em questão, acabou processada por ele por difamação. Algum tempo depois, ela ganhou o processo.

Cópia de trecho do projeto de lei 19886/2026. Foto: Reprodução.

A homenagem votada na última terça se trata da “Medalha e Diploma de Mérito Virgílio Várzea” e foi instituída pela Lei 9528/2014 em substituição a uma lei semelhante da década de 1960. De acordo com o Artigo 2º, a honraria “será concedida àqueles que, por serviços relevantes, tiverem concorrido de qualquer forma para o engrandecimento do Município e se fizerem dignos de tal distinção”.

O projeto de lei 19886/2026, de autoria da vereadora Priscila Fernandes (PSD), que concedeu a Medalha Virgílio Várzea ao advogado, detalha o currículo e histórico profissional e institucional do homenageado, mas não detalha quais teriam sido os serviços relevantes prestados para além de ser reconhecido como um profissional de excelência na sua área, o direito penal. A reportagem tentou contato com a vereadora, mas não obteve resposta até a publicação da notícia.

“É uma pauta que me atravessa”

Após duas rápidas votações e discursos positivos em relação ao homenageado proferidos pelos vereadores, a concessão da Medalha e do Diploma de Mérito Virgílio Várzea foram aprovados ao advogado Cláudio Gastão Rosa Filho. Dos 23 vereadores, 13 votaram a favor: Adrianinho (Rep), Bericó (PL), Bezerra (MDB), Diácono Ricardo (PSD), Dinho (UB), Gui Pereira (PSD), Jeferson Backer (MDB), João Cobalchini (MDB), João Padilha (PL), Pastor Gilliard Torquato (PL), Priscila Fernandes (PSD), Rafael de Lima (PSD) e Ricardo Pastrana (PSD).

Entre os outros 10, apenas Leonel Camasão (Psol) consta como contrário – os outros 9 vereadores aparecem como “voto não registrado” na ata publicada no site oficial da Casa. Entre esses vereadores “não registrados” está Ingrid Sateré Mawé, que apesar de não estar presente no momento do voto, usou seu tempo em plenário para fazer um discurso eloquente contrário à homenagem. Ela recebeu a reportagem do Sul21 no seu gabinete e explicou seu ponto de vista.

Ingrid Sateré Mawé. Créditos: Raphael Sanz

“Mais uma vez, o pacto dos homens se mostrou presente aqui nessa legislatura ao promover uma espécie de proteção a um homem que humilhou uma vítima que foi dopada numa festa e estuprada em seguida”, lamentou e vereadora, que diz sentir-se conectada a Mari Ferrer por também ser uma vítima de violência sexual.

“Essa é uma pauta que me atravessa. Infelizmente, 80% dos casos são realizados dentro de casa por gente de confiança: pais, avós, primos, companheiros. E eu estou dentro dessa estatística. Foi alguém muito próximo. Hoje eu falo abertamente, mas foram 26 anos até eu parar de me culpar e mais de 30 até que eu tive coragem de contar aos meus pais. É uma violência gigante, que infelizmente a maioria das mulheres já passou ou ainda vai passar alguma vez na vida. E o que fica nos nossos corpos é a vergonha, a culpa e a incredulidade em denunciar um crime como esse, porque a gente chega na delegacia e geralmente é atendida por homens, que não entendem essa realidade e acabam questionando nossas roupas ou o que fizemos para ‘merecer’ a violência”.

Conversa entre mulheres

Em 23 de março de 2024, a cidade de Florianópolis completava 351 anos e, como parte das celebrações, uma sessão solene na Câmara Municipal homenageou diversas figuras citadinas com os títulos de Cidadão Honorário e com as Medalhas Francisco Dias Velho. Na ocasião, o advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho também foi um dos homenageados. Na época, 16 parlamentares votaram a favor da homenagem.

“Não me surpreende homens colocarem essa pauta, o que me surpreendeu foi vir de uma vereadora que se coloca defensora dos direitos das mulheres, do combate à violência contra as meninas e mulheres, que já tinha subido naquela tribuna para falar da humilhação que muitas vezes as vítimas sofrem em tribunais. É recorrente, não foi só Mari Ferrer. O dela foi um caso que virou simbólico”.

Ingrid Sateré Mawé não esconde seu desconforto com o fato de tantas vereadoras terem votado a favor da homenagem a Rosa Filho em diferentes ocasiões. Ela relata que aproveitou a deixa para chamar as colegas para uma conversa.

“Estava propondo para a Pri Fernandes que ela pudesse refletir. Porque se uma mulher se coloca como defensora dos direitos das mulheres, essa defesa não pode ficar apenas em discursos bonitos ou em postagens de redes sociais. Naquele dia foi realmente exigida uma posição para que a vereadora repensasse as suas ações. Todas as mulheres que compõem essa Casa são pré-candidatas, estamos em ano de eleição, é importante que possamos conversar sobre isso”, diz a vereadora.

Durante a conversa entre mulheres vereadoras, ocorrida na última quarta-feira, Ingrid soube da homenagem anterior. Em 2024, ela ainda não era vereadora.

“Desde a conversa, eu estou muito angustiada. Fui olhar nos arquivos da Câmara e vi a homenagem para esse mesmo advogado. E todas as mulheres de esquerda votaram a favor. Não tem problema em errar. O problema é não se posicionar diante a sociedade”.

O Caso Mari Ferrer

Em 2018, a modelo e influenciadora Mariana Ferrer, então com 21 anos, denunciou um estupro sofrido dentro da boate Café La Musique na luxuosa praia de Jurerê Internacional, em Florianópolis. O homem apontado como autor, André de Camargo Aranha, é um empresário do setor de entretenimento.

A história ganhou a atenção dos meios de comunicação por conta do tratamento dispensado à vítima pela defesa do acusado, exercida por Rosa Filho, e pelo próprio juiz do caso. O acusado acabou absolvido em 2020 após uma bateria de questionamentos sobre a vida íntima de Mari Ferrer em plena audiência que a fez chorar e coloca-se de joelhos implorando por respeito. O juiz não interveio.

A repórter Schirlei Alves, hoje editora do ICL Notícias, cobria à época uma série de casos da Justiça catarinense. Ela expôs os comportamentos do juiz e do advogado de defesa em reportagem publicada no The Intercept Brasil, acompanhada por uma gravação da audiência em questão.

A jornalista acabou processada criminalmente tanto por Rosa Filho como pelo juiz Rudson Marcos. O advogado a acusou criminalmente de difamação, por conta do título da matéria, que dizia que ele teria “humilhado” a vítima. Ela ganhou. No caso do juiz, acabou condenada a 1 ano de prisão e multa de R$ 400 mil por ter ofendido a sua honra.

O Conselho Nacional de Justiça aprovou por unanimidade a aplicação de pena de advertência ao juiz Rudson Marcos por seu comportamento durante a audiência. A jornalista ainda responde aos processos.

Lei Mari Ferrer e Carta da ONU

Os desdobramentos positivos do caso se deram bem longe de Santa Catarina. A Lei 14245/2021, apelidada de Lei Mari Ferrer, é um deles. De autoria da deputada federal baiana Lídice da Mata (PSB), o texto proíbe o constrangimento e a humilhação de vítimas e testemunhas de crimes sexuais em audiências públicas.

Além disso, veda o uso de linguagem ou material que possa ofender a dignidade da vítima ou de testemunhas, com especial ênfase para casos de violência sexual e de gênero. Ficam proibidas perguntas ou comentários sobre roupas, vida sexual e comportamento. O descumprimento por parte de juízes, promotores e advogados pode gerar responsabilização civil, penal ou administrativa.

Em março de 2024, relatoras da ONU enviaram uma carta do Estado brasileiro pedindo providências na proteção física e jurídica a mulheres jornalistas que cobrem casos de crimes sexuais e de gênero. O texto citou a repórter Schirlei Alves e recomendou que os protestos movidos contra ela sejam anulados.

“Desejamos expressar nossa preocupação com o processo e a condenação da Sra. Alves sob a acusação de difamação criminosa em relação ao seu trabalho como jornalista investigativa e defensora dos direitos humanos. Tal ação parece ser uma tentativa de intimidá-la e silenciá-la por denunciar, criticar e expor a má conduta do judiciário”, diz trecho do texto.

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Tribunal decide que é inconstitucional realizar plebiscito sobre resíduos perigosos em Montenegro

Por:Sul 21
20 de Março de 2026, 17:52

O Órgão Especial do TJRS decidiu nesta quinta-feira (19) que é inconstitucional o artigo 207 da Lei Orgânica de Montenegro. O texto define que a população do Município deve ser consultada em plebiscito para implantação de atividades como “depósitos de lixo tóxico ou radioativo, bem como execução de barragens, diques, abertura de canais, drenagem, retificação de curso de água ou outras obras que alterem as características hídricas do rio Caí, no trecho em que este banha o Município”.

A decisão da Justiça ocorre no momento em que ambientalistas e moradores da comunidade do Pesqueiro se mobilizam para realizar plebiscito a respeito da instalação de um depósito de resíduos sólidos industriais perigosos na comunidade do Pesqueiro, próxima ao Rio Caí. A ação de inconstitucionalidade partiu do procurador-geral de Justiça, Alexandre Saltz, após representação da Fundação Proamb, companhia interessada na instalação do depósito.

O relator da ação, desembargador Luiz Felipe Brasil Santos, ressaltou que o licenciamento de depósitos de resíduos perigosos é de competência estadual. Assim, o artigo 207 da Lei Orgânica de Montenegro “interfere diretamente em um processo de licenciamento de competência estadual, criando um requisito não previsto na legislação e que, assim, usurpa a atribuição do ente federativo competente”. Argumentação semelhante o magistrado expõe a respeito do lixo radioativo. “A matéria, evidentemente, é de interesse nacional, envolvendo segurança, tecnologia e política externa, sendo vedado a qualquer outro ente federativo, inclusive o Município, criar embaraços ou condições para a sua execução”, afirma.

O magistrado também manifestou concordância com argumento da Fundação Proamb, de que o instrumento adequado para a participação popular em licenciamentos ambientais de significativo impacto é a audiência pública. “A audiência pública permite o debate qualificado, a apresentação de estudos técnicos e a manifestação da comunidade de forma a subsidiar a decisão do órgão licenciador. O plebiscito, ao contrário, reduz uma questão complexa a uma simples escolha dicotômica, desprovida da necessária análise técnica e desconsiderando o interesse regional e nacional envolvido”, afirmou Luiz Felipe Brasil Santos.

O empreendimento da Fundação Proamb, que está em processo de licenciamento na Fepam, é uma central de triagem, transbordo, reciclagem e destinação final de resíduos sólidos industriais. No local, podem ser despejados cerca de 10 mil toneladas mensais, durante 26 anos. A propriedade tem 46 hectares e foi escolhida, segundo a fundação, por ter abrigado uma pedreira entre 1986 e 2012 e ser, portanto, uma área já degradada. Também motivou a escolha a proximidade com outra unidade da companhia, em Nova Santa Rita, que transforma resíduos industriais em energia ou matéria-prima. A Proamb obteve a licença prévia em 2024, e ainda precisa das licenças de instalação e de operação.

A comunidade do Pesqueiro e ambientalistas temem a contaminação do Rio Caí, bem como a poluição do ar, e os impactos do tráfego frequente de caminhões. Um incêndio em uma unidade da Proamb, em Pinto Bandeira, ocorrido em 2020, também é citado como um dos fatores que causa temor, uma vez que a fumaça espalhou materiais provenientes de indústrias galvânicas, metalmecânicas, curtumes e fundição, e também de papeleira e de borracha.

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Casa de Cultura abre inscrições para Clube de Leitura dedicado à poesia de Mario Quintana

Por:Sul 21
20 de Março de 2026, 14:46

De março a junho, será realizada uma série de encontros dedicados à leitura e à discussão de obras do poeta que dá nome à Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), instituição da Secretaria da Cultura (Sedac). Intitulada “Clube de Leitura Mario Quintana”, a atividade é gratuita, ocorre em diferentes espaços da Casa e integra as ações comemorativas pelos 120 anos de nascimento do escritor, celebrados em 30 de julho. O primeiro encontro – programado para o dia 28 de março (sábado), às 15h – está com inscrições abertas, por meio deste link.

Promovida pelo Núcleo Educativo da CCMQ, a iniciativa propõe a leitura coletiva de quatro títulos de poesia do autor, publicados em diferentes momentos de sua trajetória literária. Os encontros serão conduzidos pelo poeta, tradutor e professor de literatura Diego Grando, doutor em Letras pela UFRGS e professor da Escola de Humanidades da PUCRS. A atividade é voltada ao público interessado na obra de Quintana, e recomenda-se a leitura prévia dos livros selecionados. O Clube tem vagas limitadas e requer inscrição prévia. Os links de inscrição para cada encontro serão divulgados neste link, sete dias antes da data da atividade (programação disponível abaixo).

Ao longo da programação do Clube, serão discutidas as obras “A rua dos cataventos” (1940), “Canções” (1946), “Apontamentos de história sobrenatural” (1976) e “Velório sem defunto” (1990), reunindo os integrantes em rodas de conversa sobre a poesia, o humor e os temas recorrentes na escrita do poeta. A proposta é a de ampliar o contato do público com a produção literária de Quintana e estimular a troca de leituras e interpretações em torno de sua obra. Participantes do Clube também terão 10% de desconto na compra desses títulos na livraria Taverna, localizada no térreo da CCMQ, mediante identificação como integrante da atividade.

Serviço

Clube de Leitura Mario Quintana
Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736, Centro Histórico, Porto Alegre)

“A rua dos cataventos” (1940)
Quando: 28 de março, às 15h
Onde: Biblioteca Erico Verissimo, no 3º andar
Inscrições: no link

“Canções” (1946)
Quando: 25 de abril, às 15h
Onde: Sala Multiuso, no 4º andar

“Apontamentos de história sobrenatural” (1976)
Quando: 30 de maio, às 15h
Onde: Biblioteca Erico Verissimo, no 3º andar

“Velório sem defunto” (1990)
Quando: 27 de junho, às 15h
Onde: Sérgio Napp 2, no 2º andar

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José Verá lança livro ‘Mbya Nhenhandu Reko – a essência da sabedoria guarani’ neste sábado (21)

Por:Sul 21
20 de Março de 2026, 14:45

Aos 75 anos, José Verá lança o livro “Mbya Nhenhandu Reko, a essência da sabedoria guarani”, em que conta um pouco da história de sua vida, de sua aldeia e de seu povo. A inauguração da campanha de lançamento do livro acontece neste sábado (21), na Feira de Agricultores Ecologistas (FAE), na Banca do Meio, primeira quadra da Rua José Bonifácio, Porto Alegre, às 9h. O evento conta com bate-papo com o artista e presença de intérprete em Libras. Os exemplares também podem ser adquiridos na livraria Via Sapiens (R. da República, 58).

Na conclusão do lançamento e circulação do livro “Nhemombaraete Reko RaꞋi” (2021), José Verá foi presenteado com um conjunto de papéis em alta gramatura e materiais de desenho com diversas cores e texturas. Na visita seguinte da equipe não indígena à aldeia Tekoa Yvyty Porã (Aldeia Campo Molhado, Terra Indígena Guarani Barra do Ouro), localizada em Maquiné (RS), os materiais já estavam todos cobertos de desenhos, grafismos, colagens e seres mitológicos. Passados cinco anos, um novo livro toma forma.

Em desenhos, José apresenta plantas, animais e divindades, compartilhando a cosmologia guarani com o leitor. Os contos foram transmitidos oralmente ao professor guarani Francisco Alves, que transcreveu em língua guarani e a traduziu para o português. Publicado pela editora Riacho, o livro foi produzido de forma colaborativa entre a comunidade guarani da Tekoa Yvyty Porã e a equipe não indígena.

A arte e sabedoria de José Verá vem repercutindo e ganhando espaço em exposições de arte e feiras de literatura. Recentemente, o MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul – adquiriu sete obras do artista para o seu acervo. Com abertura prevista para abril, o museu inaugura, no primeiro andar, uma exposição da arte de José Verá, a primeira montagem individual de um artista indígena que reside no Rio Grande do Sul.

Serviço

Lançamento de “Mbya Nhenhandu Reko”, novo livro de José Verá

Quando: 21/03 (sábado), às 9h

Onde: na Banca do Meio da FAE – Feira dos Agricultores Ecologistas (Rua José Bonifácio, Porto Alegre)

Entrada franca

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Justiça derruba liminar que vedava qualquer aprovação de projeto no entorno do Museu Julio de Castilhos

Por:Sul 21
19 de Março de 2026, 19:34

O desembargador Leonel Pires Ohlweiler, do TJRS, derrubou nesta quinta-feira (19) liminar que impedia qualquer aprovação de projeto construtivo ou de reforma no entorno do Museu Julio de Castilhos. Na decisão, o magistrado enfatiza que não devem ser autorizados projetos que desobedeçam às normas de proteção relativas ao entorno do museu, “especialmente a limitação de altura máxima de 45 (quarenta e cinco) metros”.

No dia 4 de fevereiro, a juíza Patricia Antunes Laydner, da Vara Regional do Meio Ambiente do TJ-RS, havia proferido uma liminar impedindo a autorização de construções no entorno do espaço cultural, a pedido da Associação dos Amigos do Museu Julio De Castilhos (AJUC), em ação civil pública. A entidade ingressou com o pedido para que a Prefeitura retifique o Decreto Municipal nº 23.270/2025, que regulamenta a Lei Complementar nº 930/2021 (Programa de Reabilitação do Centro Histórico de Porto Alegre – PRCHPA).

No Anexo I da norma, em que lista áreas identificadas como de proteção ao patrimônio histórico e cultural, inclusive os entornos de bens tombados, o Município omitiu as proteções referentes ao Museu Julio de Castilhos. Para a magistrada, a falta de limitação ao entorno do Museu no texto do Anexo I “viola a legislação de proteção ao patrimônio histórico, induzindo empreendedores a erro e colocando em risco a integridade do bem tombado”.

Assim, a juíza decidiu que enquanto não incluída expressamente no Decreto Municipal nº 23.270, de 9 de maio de 2025, a limitação de altura máxima de 45 (quarenta e cinco) metros para edificações no entorno do Museu de História Julio de Castilhos, ficasse vedada qualquer aprovação de projeto construtivo ou de reforma no local.

O desembargador Leonel Pires Ohlweiler, no entanto, entendeu que não havia necessidade de paralisar toda e qualquer aprovação de projetos construtivos, apenas aqueles que, por ventura, desobedeçam a limitação de altura de 45 metros.

Para a Prefeitura, o entorno do museu está protegido mesmo sem a inclusão expresso no decreto municipal. “O próprio artigo 8º do Decreto Municipal nº 23.270/2025 assegura que toda e qualquer área de proteção, incluindo os entornos de bens tombados, demanda a anuência prévia dos órgãos responsáveis pela preservação do patrimônio histórico antes da concessão de quaisquer parâmetros construtivos”, afirma o procurador-chefe da Procuradoria de Urbanismo e Meio Ambiente da PGM, André Marino Alves.

Em agosto de 2023, o Sul21 revelou com exclusividade que a construtora Melnick, em parceria com a Companhia Zaffari, havia apresentado um projeto à Prefeitura para a construção de um prédio que teria 44 andares e 108,06 metros a contar da Duque de Caxias, ao lado do museu.

Em nota, a AJUC destacou que o objetivo da entidade é coibir a construção de prédios com altura superior a 15 andares ou 45 metros, conforme a portaria da Secretaria Estadual de Cultura (Sedac) que tombou o imóvel. “Nesse contexto, a esclarecimento, reafirmamos que não ingressamos com qualquer ação civil pública para inviabilizar a aprovação de projetos arquitetônicos no entorno do MHJC com altura inferior a 15 andares ou 45 metros, inclusive porque, até esta altura, é facultado pela legislação de regência (Portaria Sedac n.035/2002)”, diz a nota.

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Cinemateca Capitólio comemora 11º aniversário com exibição do clássico nacional ‘Um Céu de Estrelas’

Por:Sul 21
19 de Março de 2026, 18:33

Na próxima sexta-feira (27), data em que comemora o seu 11º aniversário, a Cinemateca Capitólio realiza a primeira exibição de um clássico do cinema brasileiro “Um Céu de Estrelas” (1996), recentemente restaurado em 4K. É o primeiro longa da diretora Tata Amaral, que também marcou a estreia no cinema da atriz gaúcha Leona Cavalli. A exibição será às 20h.

O filme conta a história de Dalva, jovem cabelereira que vive no bairro operário da Mooca, na Zona Sul da Grande São Paulo, junto com a mãe. Ela acaba de ganhar uma viagem para Miami num concurso de penteados e vê no prêmio a sua chance para mudar de vida. Dalva, no entanto, ainda não sabe como contar a novidade para a mãe.

Além de revelar os nomes da diretora Tata Amaral e da atriz Leona Cavalli, “Um Céu de Estrelas” ganhou notoriedade por marcar a chegada de uma nova geração de diretoras mulheres no cinema brasileiro, da qual Tata Amaral se tornaria uma das figuras mais importantes.

Instituição dedicada à preservação e difusão do cinema gaúcho, a Cinemateca Capitólio tem por costume celebrar o seu aniversário todos os anos exibindo em primeira mão no Rio Grande do Sul algum clássico do cinema brasileiro recentemente restaurado.

A atração escolhida para este ano é um dos títulos mais marcantes do Cinema da Retomada, “Um Céu de Estrelas”, que em 2026 comemora seu 30º aniversário de lançamento.

Serviço

O que: Sessão especial do filme “Um Céu de Estrelas” (1996), de Tata Amaral
Brasil, 1996, 80 minutos. Com Alleyona Cavalli, Paulo Vespúcio, Néa Simões e Lígia Cortez

Quando: Sexta-feira, 27 de março

Horário: 20h

Entrada franca (retirada de senhas 30 minutos antes da sessão)

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‘A Graça’ e ‘Narciso’ são as estreias da semana no CineBancários

Por:Sul 21
19 de Março de 2026, 16:38

A sala de cinema da Casa dos Bancários apresenta a estreia de dois longas na cinesemana dos dias 19 a 25 de março. São eles “Narciso”, produção nacional dirigida por Jeferson De, e “A Graça”, filme italiano do vencedor do Oscar e do Bafta Paolo Sorrentino. Além disso, segue em cartaz “Mother’s Baby”.

“Narciso” conta a história de um menino de onze anos de mesmo nome. Negro e órfão, mora na casa de Carmem e Joaquim junto com outras crianças que aguardam adoção. Ele sonha em ter uma família, mas acaba enfrentando uma grande decepção. Para alegrá-lo, uma das crianças da casa lhe dá de presente uma bola de basquete velha e mágica e diz que, se ele acertar três cestas, um gênio aparecerá e realizará todos os seus desejos.

Já “A Graça” apresenta Mariano De Santis (Toni Servillo), personagem que enfrenta dilemas morais e pessoais com a ajuda de sua filha confidente, Dorotea (Anna Ferzetti). Com a visão poética característica de Sorrentino e uma trilha sonora evocativa, a obra é uma meditação íntima sobre paternidade, consciência e a eterna questão: a quem pertence o nosso tempo?

Coprodução entre Áustria, Suíça e Alemanha, “Mother’s Baby” explora os medos de uma mãe que questiona a identidade do filho recém nascido. Julia, uma maestra de sucesso de 40 anos, engravida após um bem-sucedido tratamento em uma clínica de fertilidade. Quando a criança nasce, no entanto, ela entra em uma espiral psicológica que envolve depressão pós-parto e paranoia. “Trata-se do desafio de lidar com as expectativas da maternidade e de encontrar a si mesma. É uma história sobre o lado oculto da maternidade”, resume a realizadora, Johanna Moder.

Programação de 19 a 25 de março

“Narciso”
Brasil/Drama/2025/90 min.
Direção: Jeferson De
Sinopse: Narciso (11), um menino negro e órfão, mora na casa de Carmem e Joaquim, junto com outras crianças que aguardam adoção. Ele sonha em ter uma família, mas acaba enfrentando uma grande decepção. Para alegrá-lo, uma das crianças da casa lhe dá de presente uma bola de basquete velha e mágica e diz que, se ele acertar três cestas, um gênio aparecerá e realizará todos os seus desejos.
Elenco: Arthur Ferreira, Ju Colombo, Bukassa Kabengele e Seu Jorge

“A Graça”
Itália/Drama/2025/ 131min.
Direção: Paolo Sorrentino
Sinopse: Do cineasta Paolo Sorrentino, vencedor do Oscar e do Bafta, “A Graça” é uma exploração abrangente do amor, do dever e da liberdade pessoal. Toni Servillo – vencedor do prêmio de Melhor Ator no Festival de Cinema de Veneza de 2025 – é o poderoso Mariano De Santis, que enfrenta dilemas morais e pessoais com a ajuda de sua filha confidente, Dorotea (Anna Ferzetti). Com a visão poética característica de Sorrentino e uma trilha sonora evocativa, esta obra-prima é uma meditação íntima sobre paternidade, consciência e a eterna questão: a quem pertence o nosso tempo?
Elenco: Toni Servillo, Anna Ferzetti, Orlando Cinque, Massimo Venturiello.

“Mother’s Baby”
Áustria-Alemanha-Suíça/Drama/2025/108min.
Direção: Johanna Moder
Sinopse: Julia, uma maestrina de sucesso de 40 anos, e seu parceiro Georg anseiam por um filho quando o Dr. Vilfort lhes oferece uma esperança. Julia engravida após um tratamento bem-sucedido na clínica de fertilidade do médico. O parto não ocorre como planejado e o bebê é imediatamente retirado de seus braços, deixando Julia sem saber o que aconteceu. Quando finalmente se reencontra com a criança, Julia sente-se estranhamente distante. Ela começa a duvidar se é realmente seu filho.
Elenco: Marie Leuenberger, Hans Löw, Claes Bang e Julia Franz Richter

Horários de 19 a 25 de fevereiro

Não há sessões nas segundas

15h: “Mother’s Baby”

17h: “A Graça”

19h20: “Narciso”

Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.

Endereço: 

CineBancários

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br

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UFRGS anuncia novas leituras obrigatórias para edição de 2027 do vestibular

Por:Sul 21
16 de Março de 2026, 16:15

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) divulgou a lista de leituras obrigatórias para o vestibular de 2027 na manhã desta segunda-feira (16). As quatro novas leituras passam a integrar o corpo de 12 obras que compõem o caderno de literatura da prova de Linguagens e Códigos, aplicado no primeiro dia do exame.

Foram adicionados os títulos Ideias para adiar o fim do mundo, de Ailton Krenak; Macunaíma, de Mário de Andrade; A fúria, de Silvina Ocampo; e A teus pés, de Ana Cristina César. Eles substituem outras quatro obras que fizeram parte de edições anteriores do vestibular: A terra dos mil povos, de Kaká Werá; Água funda, de Ruth Guimarães; Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez; e Um útero é do tamanho de um punho, de Angélica Freitas.

A UFRGS promove a rotatividade anual de quatro títulos dentro do conteúdo programático da prova, que tem seu edital completo divulgado no segundo semestre de cada ano.

Confira a lista completa de leituras

1- Quincas Borba – Machado de Assis

2- O Demônio Familiar – José de Alencar

3- Mrs. Dalloway – Virginia Woolf

4- A Visão das Plantas – Djaimilia Pereira de Almeida

5- Niketche: uma história de poligamia – Paulina Chiziane

6- O avesso da pele – Jeferson Tenório

7- Mas em que mundo tu vive – José Falero

8- Seleta de Canções – Lupicínio Rodrigues

9- Ideias para adiar o fim do mundo – Ailton Krenak

10- Macunaíma – Mário de Andrade

11- A fúria – Silvina Ocampo

12- A teus pés – Ana Cristina César

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Paço Municipal recebe duas exposições a partir desta terça-feira (17)

Por:Sul 21
16 de Março de 2026, 15:08

O Museu de Arte do Paço (Praça Montevidéu, 10 – Centro Histórico) inaugura duas exposições nesta terça-feira (17), em evento das 18h às 20h. A primeira é “Desenhos de Água: Bia Dorfman encontra Luiz Maristany”, que reúne obras da artista visual Bia Dorfman (1957) com desenhos raramente exibidos do artista Luiz Maristany de Trias (1885–1964), provenientes do acervo da Pinacoteca Aldo Locatelli.

Com curadoria de Maria Helena Bernardes, a exposição propõe um encontro entre dois artistas que registraram a cidade de Porto Alegre com 80 anos de intervalo. Enquanto Maristany desenhou as paisagens urbanas da Capital na década de 1940, Bia Dorfman interpreta a cidade no presente, em trabalhos que também refletem as transformações da paisagem e da relação com o rio diante da emergência climática recente.

A mostra apresenta 36 desenhos em grafite sobre papel, duas pinturas e dois objetos de Bia Dorfman, acompanhados de 13 desenhos de paisagem de Luiz Maristany. O conjunto inclui ainda um vídeo com imagens da artista em processo de trabalho, com trilha musical composta por Ramiro Levy, músico brasileiro radicado em Milão. A exposição fica em cartaz até 27 de abril e pode ser visitada de segundas às sextas-feiras, das 9h às 17h.

Já a segunda exposição lançada nesta terça – “Porto Alegre: Olhares Efêmeros” – apresenta obras de 32 fotógrafos residentes em Porto Alegre, que refletem as paisagens urbanas da cidade. A ideia é mostrar as características da capital com olhar do cotidiano, registrando cenas e momentos que muitas vezes não se repetem. A visitação é aberta até o dia 15 de maio, sempre das segundas às sexta-feiras, das 9h às 17h.

Os fotógrafos participantes são: Alexandre Freitas, Andréa Steiner Barros, Andréia Kris, Andréa Seligman, Ayres Potthoff, Cynthia Feyh Jappur, Denise Giacomoni, Eduardo Scaravaglione, Elvira Forttuna, Fernando Pires, Fernando Zago, Gutemberg Ostemberg, Guto Monteiro, Heloiza Averbuck, João Henrique Ramos, José Roque Guimarães, Kathy H. Esposito, Leandro Selister, Leda Zimmermann, Luiz Filipe Varella, Margaret Rosa de Abreu, Maria Sallet Domingues, Nely Alves, Paulo Guerra, Paulo Paim, Rogerio Franco, Rogério Soares, Ruth Johnson-Greco, Selmar Medeiros, Silvia Pozza, Wanderlei Oliveira e Zulaine Santos.

Serviço

Desenhos de Água: Bia Dorfman encontra Luiz Maristany

Curadoria: Maria Helena Bernardes

Onde: Museu de Arte do Paço, Praça Montevidéu, 10, Centro Histórico

Abertura: dia 17 de março, terça-feira, das 18h às 20h

Visitação: Até 27 de abril de 2026, de segunda a sexta, das 9h às 17h

Entrada gratuita

 

Porto Alegre: Olhares Efêmeros

Onde:Museu de Arte do Paço, Praça Montevideu, 10, Centro Histórico

Abertura: dia 17 de março, terça-feira, das 18h às 20h

Visitação: até 15 de maio, de segunda a sexta, das 9h às 17h

Entrada gratuita

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Cinemateca Capitólio realiza mostra de clássicos franceses a partir desta terça (17)

Por:Sul 21
16 de Março de 2026, 09:45

A partir desta terça-feira (17), Cinemateca Capitólio realiza a mostra Clássicos Franceses, reunindo sete títulos de diferentes épocas, assinados por alguns dos mais importantes diretores do cinema francês, entre eles Alain Resnais, Claude Sautet, Marcel Carné e Georges Franju. A programação se estende até o dia 25 de março, com preços promocionais.

A mostra, realizada em parceria com a Cinemateca da Embaixada da França do Rio de Janeiro e o Institut Français, celebra o Dia Mundial da Francofonia, comemorado em 20 de março, e conta com o apoio da Aliança Francesa de Porto Alegre.

Os filmes selecionados para a mostra são:

“As Coisas da Vida”

França/Itália/1970/89 min./Direção de Claude Sautet – Classificação: 16 anos

Sinopse: Um grave acidente de carro interrompe a rotina do arquiteto Pierre (Michel Piccoli). Entre a vida e a morte, fragmentos de memória emergem: seu relacionamento com a amante Hélène (Romy Schneider), o distanciamento da ex-esposa e os gestos cotidianos que compõem sua existência. Nesse fluxo de lembranças e hesitações, o filme reconstrói as escolhas, afetos e ambiguidades que marcam uma vida comum.

“Os Olhos sem Rosto”

França/Itália/1960/ 90 min./Direção de Georges Franju – Classificação: 14 anos

Sinopse: O renomado cirurgião Dr. Génessier (Pierre Brasseur) vive obcecado em restaurar o rosto desfigurado de sua filha Christiane (Édith Scob) após um acidente. Com a ajuda de sua assistente Louise (Alida Valli), ele sequestra jovens mulheres para realizar experimentos de transplante facial em sua clínica isolada. Entre o horror e a poesia sombria, o filme acompanha a atmosfera de culpa, obsessão científica e sofrimento que envolve pai e filha, conduzindo a um desfecho inquietante.

“Desejos Proibidos”

França/1953/100 min./Diretor de Max Ophüls – Classificação: 16 anos

Sinopse: Para pagar suas dívidas, Madame de… vende um par de brincos que ganhou de presente do marido, o general de…, e finge tê-los perdido. O general, avisado pelo joalheiro, compra e dá de presente a uma amante, que os revende imediatamente. O barão Donati os compra e, ao se apaixonar por Madame de…, dá a ela de presente como prova do seu amor. A trajetória dessa joia terá consequências dramáticas. Suntuoso melodrama dirigido por Ophüls, conhecido pelo barroquismo de suas produções de época e por seu virtuosismo no uso do plano-sequência.

“A Tulipa Negra”

França/1964/115 min./Direção de Christian-Jaque – Classificação: 12 anos

Sinopse: Em 1789, com a Revolução Francesa em andamento, um bandido chamado Tulipa Negra ajuda os habitantes amedrontados dos arredores da cidade de Roussillon. Os pobres respeitam-no como um novo Robin Hood. Como Zorro, o Tulipa Negra é, na vida real, um membro na corte e, portanto, precisa esconder sua identidade para que possa lutar por justiça. Vibrante e colorido filme de aventura, que consolidou Alain Delon como grande astro do cinema francês. Com Alain Delon, Virna Lisi, Dawn Addams e Akim Tamiroff.

“Meu Tio da América”

França/1980/125 min./Direção de Alain Resnais – Classificação: 14 anos

Sinopse: Três destinos, o de um jornalista, diretor de informações num canal radiofônico, o de um filho de agricultor e o de uma filha de operário que se tornou estilista, se cruzam em contraponto a teorias formuladas pelo biólogo Henri Laborit, que analisa o comportamento de ratos e homens vivendo em sociedade. Um dos mais inventivos e espirituosos filmes de Resnais, vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes. Com Nicole Garcia, Gérard Depardieu, Marie Dubois e Roger Pierre.

“Águas Tempestuosas”

França/1941/97 min./Direção de Jean Grémillon – Classificação: 18 anos

Sinopse: O capitão do rebocador Le Cyclone, André Laurent (Jean Gabin), vive dividido entre o trabalho arriscado de resgate em alto-mar e a vida doméstica com sua esposa doente, Yvonne (Madeleine Renaud). Durante uma operação para socorrer um navio em perigo, ele conhece Catherine (Michèle Morgan), sobrevivente do desastre, e inicia com ela uma paixão intensa. Entre o dever, o mar e o desejo, o capitão vê seu destino se encaminhar para um desfecho trágico.

“O Boulevard do Crime”

França/1945/182 min./Direção de Marcel Carné – Classificação: 14 anos

Sinopse: Paris, 1828. No Boulevard do Crime, no meio da multidão, atores e saltimbancos, o mímico Baptiste, com seu testemunho mudo, salva Garance de um erro judiciário. É aqui que começam os amores contrariados de Garance, mulher livre e audaciosa, e Baptiste, que ela intimida e não ousa declarar seu amor. Mas também os de Nathalie, a filha do diretor do teatro, que ama Baptiste, e Frédérick, um jovem ator promissor, que começa uma relação com Garance, enquanto essa última também ama Baptiste em segredo. Épico ambientado nos bastidores do mundo teatral parisiense do século XIX, com mais de três horas de duração, é a obra máxima do realismo poético francês, com roteiro assinado pelo poeta Jacques Prévert. Com Maria Casarès, Jean-Louis Barrault e Arletty.

Programação de 17 a 25 de março

Terça-feira (17)

19h – “As Coisas da Vida” (R$ 10 e R$ 5) – 89 minutos

 

Quarta-feira (18)

19h – “Os Olhos sem Rosto” (R$ 10 e R$ 5) – 88 minutos

 

Quinta-feira (19)

15h – “Desejos Proibidos” (R$ 10 e R$ 5) – 100 minutos

17h – “A Tulipa Negra” (R$ 10 e R$ 5) – 115 minutos

19h – “Meu Tio da América” (R$ 10 e R$ 5) – 125 minutos

 

Sexta-feira (20)

15h – “A Tulipa Negra” (R$ 10 e R$ 5) – 115 minutos

17h – “Águas Tempestuosas” (R$ 10 e R$ 5) – 85 minutos

 

Sábado (21)

15h – “O Boulevard do Crime” (R$ 10 e R$ 5) – 182 minutos

 

Domingo (22)

15h – “As Coisas da Vida” (R$ 10 e R$ 5) – 89 minutos

17h – “A Tulipa Negra” (R$ 10 e R$ 5) – 115 minutos

19h – “Os Olhos sem Rosto” (R$ 10 e R$ 5) – 88 minutos

 

Terça-feira (24)

15h – “Os Olhos sem Rosto” (R$ 10 e R$ 5) – 88 minutos

17h – “Águas Tempestuosas” (R$ 10 e R$ 5) – 85 minutos

19h – “Desejos Proibidos” (R$ 10 e R$ 5) – 100 minutos

 

Quarta-feira (25)

15h – “Meu Tio da América” (R$ 10 e R$ 5) – 125 minutos

17h – “O Boulevard do Crime” (R$ 10 e R$ 5) – 182 minutos

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Papa Leão XIV pede cessar-fogo na guerra no Oriente Médio

Por:Sul 21
15 de Março de 2026, 17:56

Da Ansa Brasil

O papa Leão XIV voltou a pedir neste domingo (15), durante a tradicional celebração do Angelus, no Vaticano, o fim da guerra no Oriente Médio.

“Apelo aos responsáveis por este conflito: cessar-fogo! Que os caminhos do diálogo sejam reabertos. A violência jamais conduzirá à justiça, à estabilidade e à paz que os povos anseiam”, declarou o pontífice americano.

Robert Francis Prevost também recordou que “os povos do Oriente Médio têm sofrido a atrocidade da violência da guerra”. Além disso, o líder religioso afirmou que “milhares de inocentes foram mortos e muitos outros foram forçados a fugir de suas casas”.

“Renovo minhas orações com todos aqueles que perderam entes queridos nos ataques que atingiram escolas, hospitais e áreas residenciais”, disse.

O líder da Igreja Católica também mencionou que a atual situação no Líbano “é motivo de grande preocupação”.

“Espero que se abram caminhos de diálogo que possam apoiar as autoridades do país na implementação de soluções duradouras para a grave crise em curso, para o bem comum de todos os libaneses”, concluiu.

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Oscar 2026: saiba onde assistir, filmes indicados e ordem da premiação

Por:Sul 21
15 de Março de 2026, 12:11

Da Agência Brasil

A cerimônia do Oscar 2026 ocorre neste domingo (15), em Los Angeles, e deve mobilizar cinéfilos em todo o Brasil. Em clima de final de Copa do Mundo, bares, restaurantes, cinemas e cineclubes organizam sessões especiais para acompanhar ao vivo a maior premiação do cinema mundial, que começa às 20h (horário de Brasília).

No Brasil, o público poderá assistir à cerimônia completa e na íntegra pelo canal TNT e pelo streaming Max. Além das transmissões oficiais, cinemas, bares e espaços culturais em diversas cidades do país também organizam exibições em telões, transformando a noite do Oscar em um grande encontro de fãs de cinema.

Além da disputa entre grandes produções internacionais, a edição deste ano chega com forte presença brasileira, com o filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, indicado em quatro categorias.

A expectativa é repetir o clima que tomou conta do país no ano passado, quando a vitória de Ainda Estou Aqui como Melhor Filme Internacional levou o público a acompanhar a cerimônia como um grande evento nacional.

O thriller político nacional é ambientado no Recife dos anos 1970 e concorre em quatro categorias:

  • Melhor Filme;
  • Melhor Filme Internacional;
  • Melhor Ator, para Wagner Moura; e
  • Melhor Direção de Elenco

Além das indicações, Wagner Moura também foi confirmado como um dos apresentadores da cerimônia, participando da entrega de uma das estatuetas durante a noite.

A indicação ao prêmio de Melhor Ator também marca um momento histórico: Wagner Moura se tornou o primeiro brasileiro indicado na categoria principal masculina de atuação.

O ator brasileiro concorre na categoria com atores de peso como: Timothée Chalamet (em Marty Supreme), Leonardo DiCaprio (em Uma Batalha Após a Outra), Michael B. Jordan (em Pecadores) e Ethan Hawke (Blue Moon).

Concorrentes

Na categoria Melhor Filme Internacional, em que O Agente Secreto disputa a estatueta, os indicados são:

  • Valor Sentimental (Noruega)
  • Foi Apenas um Acidente (Irã)
  • Sirat (Cazaquistão)
  • A Voz de Hindjab (Argélia)

Já na disputa de Melhor Filme, principal categoria da noite, os indicados são:

  • O Agente Secreto
  • Pecadores (Sinners)
  • Uma Batalha Após a Outra (One Battle After Another)
  • Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
  • Frankenstein
  • Valor Sentimental (Sentimental Value)
  • Sonhos de Trem (Train Dreams)
  • Bugonia
  • Marty Supreme

Embora a Academia não divulgue oficialmente a sequência completa das premiações antes da cerimônia, ela costuma seguir uma ordem semelhante todos os anos, começando pelas categorias de atuação coadjuvante e curtas e avançando para os prêmios técnicos e principais.

A sequência tradicional segue a seguinte ordem: Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Curta-Metragem Animado, Melhor Curta-Metragem Live Action, Melhor Documentário, Melhor Filme Internacional, Melhor Fotografia, Melhor Montagem, Melhor Direção de Elenco, Melhor Trilha Sonora, Melhor Canção Original, Melhor Design de Produção, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem e Cabelo, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Som, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Roteiro Original, Melhor Direção, Melhor Atriz, Melhor Ator e, por fim, Melhor Filme, que encerra a cerimônia.

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O sangue como ‘símbolo de autonomia e emancipação dos corpos’: Porto Alegre recebe festival de arte menstrual

Por:Sul 21
15 de Março de 2026, 11:01

Durante a próxima semana, espaços culturais de Porto Alegre sediarão o 1º Festival Latino-Americano de Artes e Menstruação (FLAM). Integrando performances, mostras artísticas, cine-debates, oficinas, palestras e ações educativas, o evento propõe colocar a menstruação no centro da criação artística e do debate público.

As inscrições para oficinas e palestras do festival estão abertas, e a programação completa está sendo divulgada no site www.flamfestival.com

O FLAM terá quatro dias de atividades, entre 25 e 29 de março, incluindo ações descentralizadas e apresentações em escolas. A proposta é reconhecer a arte menstrual como linguagem, campo de pesquisa e prática de transformação social, abordando temas relacionados ao corpo, ciclicidade, gênero, sexualidade, direitos das mulheres e dissidências de gênero, a partir de perspectivas decolonial, ecofeminista e antirracista.

Uma das idealizadoras do FLAM, Paola Mallmann explica que enquanto algumas obras participantes têm o próprio fluido menstrual como matéria prima, outras artistas usam diversos materiais para fazer essa associação. “A menstruação é uma experiência que passa pelo corpo, mas que também constrói sentidos sociais. A própria interpretação em performance pode ser usada para expressar, de forma artística, essa experiência. E não é só sobre o sangramento menstrual, mas todo o ciclo. Teremos um monólogo sobre a menopausa, por exemplo”, detalha.

 

Performance Portal – Vibra Mujer. Foto: Divulgação/Opará Cultural

Além de artistas, pesquisadoras, educadoras e ativistas de diversas regiões do Brasil, o festival também reúne trabalhos de pessoas da Colômbia, da Argentina e do Chile. Esta primeira edição do FLAM contou com a curadoria das idealizadoras e com um processo de seleção para receber propostas.

Uma das premissas da mostra é que a experiência menstrual sempre foi tangenciada pelo tempo, pela geografia, pela cultura, por questões étnicas e econômicas. “Se a menstruação antes era vista como algo sujo ou vergonhoso, esse tipo de crença vai mudando conforme o tempo passa. E o próprio ciclo da mulher, com os métodos contraceptivos, também mudou, assim como começou a surgir a própria arte menstrual como um símbolo de autonomia e emancipação dos nossos corpos”, destaca Paola. “Muitas vezes a menarca é vista como algo que envolve o início da vida sexual, mas também envolve o despertar da própria sexualidade e do poder feminino”.

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Meninas de escola na Lomba do Pinheiro rompem tabus ao discutir menstruação e violência sexual

“Normalmente a menstruação é condicionada a um espaço doméstico, íntimo. Mas, ainda mais nesse mês, em que vivenciamos tantas notícias nos anunciando que é preciso sempre discutir o direito à vida das mulheres e autonomia dos nossos corpos, o festival não é isolado das outras pautas. Não é um festival focado na saúde, mas sim no diálogo da arte com a educação”, acrescenta a organizadora. “Existem, no mundo todo, diversas artistas que trabalham a questão do sangue menstrual. Eu acho que quem cruzar com o festival pode achar irreverente ou se chocar, mas isso também é importante. O evento é pensado em fortalecer essas práticas”.

Entre as presenças confirmadas estão Carolina Ramírez, psicóloga social e psicoeducadora menstrual; Johanna G. Novarin, performer e diretora artística; Angela Dippe, atriz e escritora; Isa Graciano, artista visual e educadora menstrual; Maria Chantal, educadora corporal; Caroline Amanda (Yoni das Pretas), cientista social e psicanalista;  Garotas de Vermelho, desenvolvido pelo Coletivo Luisa Marques em escolas da periferia de Porto Alegre, com a Contação de Histórias sobre Menstruação, a performance Rubra Fluidez, de Camila Matzenauer, artista e também co-organizadora do evento, entre outras.

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Morre filósofo alemão Jürgen Habermas aos 96 anos

Por:Sul 21
14 de Março de 2026, 17:32

Da Agência Brasil

A filosofia contemporânea perde uma das vozes mais influentes na defesa do diálogo, da razão e da democracia. O filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas morreu neste sábado (14), aos 96 anos. A morte foi confirmada nas redes sociais da editora Suhrkamp, que citou informações da família do intelectual.

Considerado um dos pensadores mais influentes do século 20 e do início do século 21, Habermas faleceu em sua residência em Starnberg, nos arredores de Munique, na Alemanha. A causa da morte não foi divulgada.

Ao longo de mais de sete décadas de atuação intelectual, o filósofo se destacou por suas reflexões sobre democracia, linguagem e participação política, tornando-se uma referência central no debate público europeu.

Vida e formação

Nascido em 1929 na cidade de Düsseldorf, na Alemanha, Habermas cresceu durante o período do nazismo, experiência que marcaria profundamente sua obra. Ainda jovem, vivenciou o fim da Segunda Guerra Mundial e usou o legado do regime nazista como ponto de partida para refletir sobre democracia, memória histórica e responsabilidade política.

Entre 1949 e 1954, estudou filosofia, história, psicologia, literatura alemã e economia em universidades como Universidade de Bonn, Universidade de Göttingen e Universidade de Zurique. Antes de consolidar carreira acadêmica, também atuou como jornalista freelancer.

Escola de Frankfurt

Habermas tornou-se um dos principais representantes da segunda geração da Escola de Frankfurt, corrente de pensamento ligada à Teoria Crítica e marcada pela análise das estruturas sociais e culturais do capitalismo.

Ele foi influenciado por pensadores como Theodor W. Adorno e Max Horkheimer, que o convidaram a integrar o Instituto de Pesquisa Social da Universidade de Frankfurt.

Em 1964, assumiu a cátedra de Filosofia e Sociologia na Universidade de Frankfurt, sucedendo Horkheimer e consolidando sua posição como um dos principais intelectuais da Alemanha do pós-guerra.

Pensamento central

A democracia foi o eixo central da obra de Habermas. Para ele, a legitimidade política não deveria se basear na força ou apenas no mercado, mas no entendimento construído entre cidadãos livres e iguais.

Essa visão ficou particularmente conhecida em sua obra Teoria do Agir Comunicativo, publicada em 1981. Nela, o filósofo desenvolveu a ideia de que a linguagem e o diálogo são instrumentos fundamentais para a construção de consensos e para a organização da vida social.

Outro conceito central de sua filosofia é o de “esfera pública”, entendido como o espaço de debate e deliberação entre sociedade civil e instituições políticas.

Intelectual público

Além da produção acadêmica, Habermas foi uma figura ativa no debate político. Na década de 1980, protagonizou a chamada disputa historiográfica alemã ao contestar tentativas de relativizar os crimes do nazismo.

Em diferentes momentos, também se manifestou sobre temas internacionais. Defensor da integração europeia, criticou déficits democráticos da União Europeia e se posicionou contra políticas econômicas excessivamente austeras durante a crise do euro iniciada em 2009.

Mais recentemente, alertou para os riscos de uma escalada militar da guerra entre Rússia e Ucrânia, defendendo soluções diplomáticas.

Reconhecimento

Ao longo da carreira, Habermas recebeu diversos prêmios e distinções internacionais. Entre eles estão o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão, concedido em 2001, e o Prêmio Kyoto, recebido em 2004.

Sua obra gerou milhares de estudos acadêmicos e influenciou áreas como filosofia, sociologia, ciência política e direito. Para muitos estudiosos, ele ajudou a moldar o debate democrático na Alemanha e em outras partes do mundo.

Mesmo após se aposentar da docência em 1994, o filósofo continuou participando de discussões públicas e publicando livros e ensaios.

 

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Privatização da BR Distribuidora prejudica consumidor em momento de crise

Por:Sul 21
14 de Março de 2026, 17:06

Da Agência Brasil

Especialistas e entidades do setor de petróleo apontam que os aumentos abusivos nos preços dos combustíveis pelas distribuidoras – em São Paulo, há relatos de postos vendendo o litro de gasolina a R$ 9 – não se devem apenas à instabilidade no cenário internacional.

Para analistas, a privatização da BR Distribuidora eliminou o controle estratégico do Estado sobre a cadeia de fornecimento, deixando o mercado à mercê de reajustes abusivos que ignoram os valores praticados nas refinarias. Sem a estrutura verticalizada que ia “do poço ao posto”, o Brasil perdeu a ferramenta institucional necessária para frear a especulação em momentos de crise, avaliam especialistas ouvidos pela Agência Brasil.

O alerta da venda de gasolina a R$ 9 “mesmo sem reajustes equivalentes nas refinarias” partiu de Ticiana Alvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep). Segundo nota publicada pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), postos em São Paulo estão elevando preços de forma desproporcional, mesmo sem aumentos por parte da Petrobras.

Para a FUP, o conflito no Oriente Médio — intensificado no final de fevereiro — tem servido de pretexto para que distribuidoras e revendedoras apliquem margens de lucro excessivas.

“As distribuidoras e revendedoras aumentaram os preços dos combustíveis. [O valor] chega na bomba para o consumidor final com acréscimo em torno de 40%”, calcula o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, em entrevista à Agência Brasil.

Política de preços diferenciada

Segundo Bacelar, a majoração de preços – que prejudica os consumidores e pode impactar na inflação – ocorre porque foram privatizadas as subsidiárias da Petrobras que atuavam na distribuição de combustíveis (BR Distribuidora e a Liquigás).

“Nós tínhamos uma Petrobras que era bem mais integrada e verticalizada do que é hoje. Era a antiga empresa do poço ao posto,” afirmou o sindicalista.

“Uma companhia petrolífera que faz exploração e produção de petróleo, e também transporte, refino, distribuição e comercialização dos derivados desse petróleo, consegue praticar política de preços diferenciada”, compara Bacelar – favorável à verticalização na Petrobras de todas etapas de fornecimento de petróleo.

A análise é compartilhada pela academia. Para Geraldo de Souza Ferreira, professor de Engenharia de Petróleo da Universidade Federal Fluminense (UFF), a retirada de uma empresa pública de um setor tão vital retira do Estado suas “ferramentas institucionais” de intervenção. “Quando se retira uma empresa pública de determinado setor da cadeia produtiva, o Estado deixa de ter ferramentas institucionais para fazer algum tipo de intervenção.”

Para Souza Ferreira, a atuação estatal no setor de petróleo é estratégica.

“O petróleo e seus derivados são importantes para segurança energética do país e para manutenção de várias outras atividades. Esses produtos são fundamentais para a sociedade. Então, tem que ter um certo nível de controle.”

O especialista ainda assinala que “uma empresa pública é orientada por sua função social. Já as empresas privadas são orientadas para o lucro, para o retorno financeiro.”

Na última quarta-feira (11), a empresa Vibra Energia S.A que comprou a BR Distribuidora anunciou lucro líquido de R$ 679 milhões em 2024. “Nossos resultados financeiros e operacionais comprovam a robustez e a capacidade de execução da companhia. Tivemos crescimento consistente de margens a cada trimestre do ano”, destacou Ernesto Pousada, CEO da Vibra, em comunicado da empresa.

Sem consulta ao Congresso

A Petrobras perdeu o controle da BR Distribuidora em julho de 2019, quando iniciou a privatização da antiga subsidiária. A privatização total foi concluída dois anos depois. Naquele período, sob o governo do então presidente Jair Bolsonaro, a diretoria da Petrobras defendia que a empresa deveria focar na produção e exploração de óleo e gás, e abrir mão da distribuição de combustível.

A venda das empresas subsidiárias da Petrobras foi feita sem consulta ao Congresso Nacional, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 5624.

Conforme decisão da Corte, em caráter liminar de junho de 2019, “a alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedades de economia mista exige autorização legislativa e licitação”, mas “a exigência de autorização legislativa, todavia, não se aplica à alienação do controle de suas subsidiárias e controladas. Nesse caso, a operação pode ser realizada sem a necessidade de licitação, desde que siga procedimentos que observem os princípios da administração pública inscritos no Artigo 37 da Constituição, respeitada, sempre, a exigência de necessária competitividade.”

Corte de tributos e pagamento de subvenções

Para conter aumento no preço dos combustíveis, o governo zerou as alíquotas de Programa de Integração Social/Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins) sobre o diesel, e reduzindo o preço em cerca de R$ 0,32 por litro e editou a Medida Provisória nº 1.340 que autoriza a concessão de mais R$ 0,32 por litro como subvenção econômica para a comercialização de óleo diesel.

No total, são R$ 0,64 por litro cobrados a menos para diminuir o impacto no bolso do consumidor da variação do preço do petróleo no mercado.

O preço do diesel é formado pelo custo do produto junto à Petrobras (45,5% do preço médio na bomba do posto); tributo estadual (19%); custo de distribuição e revenda (17,2%); adição de biodiesel (13%). O peso da tributação da PIS/Cofins era de 5,2%.

Tendo em perspectiva o comportamento do mercado internacional de petróleo, o governo federal criou uma sala de monitoramento para acompanhar as condições do de comercialização de combustíveis fora e dentro do Brasil.

Na quinta-feira (12), o governo federal se reuniu com as empresas distribuidoras de combustível que sugeriram que a Petrobras amplie a importação de diesel para garantir abastecimento e estabilidade de preços no país.

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Após mobilização, Prefeitura deve ceder espaço para Casa Mirabal

Por:Sul 21
14 de Março de 2026, 16:20

Prefeitura e Casa de Referência Mulheres Mirabal assinaram neste sábado (14) um acordo para permissão de uso de um local do município para sediar o espaço de acolhimento de mulheres vítimas de violência. O acordo foi celebrado após o Movimento de Mulheres Olga Benário, responsável pela casa, ocupar um imóvel do Município no bairro Rio Branco, nesta madrugada. Depois da assinatura, o imóvel foi desocupado.

Leia mais:
– ‘Se fosse pelo governo, eu não estaria aqui’: A história da última abrigada da Casa Mirabal

No documento, ficou acordado que a Casa Mirabal irá protocolar um pedido de Termo de Permissão de Uso (TPU) não oneroso de próprio municipal. A Prefeitura se compromete a firmar o TPU, uma vez que haja consenso em relação ao imóvel escolhido.

O prazo de tramitação do pedido deverá ser de 45 dias. Durante este período, a Prefeitura garante a permanência da Casa Mirabal em espaço na Rua Souza Reis, no bairro São João, e a não movimentar um processo que visa a desocupação do imóvel.

A Mirabal atua no bairro São João desde 2018, em local que abrigou a antiga escola estadual Benjamin Constant. A Prefeitura era dona do terreno da escola e o Estado afirmou que cederia o prédio ao Município, contanto que a Prefeitura o destinasse ao atendimento de mulheres vítimas de violência. Com isso, a Mirabal deixou a sua primeira ocupação, na Duque de Caxias, e passou a atuar nesse espaço. Contudo, assim que houve a mudança, a Prefeitura iniciou um processo de reintegração de posse.

No ano passado, a Mirabal obteve da União uma sala em um prédio no Centro Histórico. Este imóvel também deve servir como espaço de acolhimento de mulheres vítimas de violência.

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‘Viva o Centro a Pé’ visita ruas que originaram Porto Alegre

Por:Sul 21
12 de Março de 2026, 19:01

O passeio “Viva o Centro a Pé – Cenários do Porto do Viamão” integra as comemorações do aniversário de 254 anos de Porto Alegre. A passeio, que acontece no dia 28 de março, sábado, fará uma caminhada por ruas do centro da Capital que formaram a povoação que originou a cidade. Inscrições podem ser feitas através do link da bio do Instagram do Viva o Centro a Pé.

O orientador da caminhada é Carlos Alberto Sant’Ana, arquiteto da Equipe de Patrimônio Histórico e Cultural (EPAHC). A atividade é coordenada pela Secretaria Municipal de Cultura, por meio da Diretoria de Patrimônio e Memória.

Serviço

O que: Viva o Centro a Pé – Cenários do Porto do Viamão
Quando: Sábado, 28 de março
Local do encontro: Museu do Trabalho – Rua dos Andradas, 230 – Centro Histórico
Horário: 9h

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Mesa literária celebra obra do escritor Caio Fernando Abreu

Por:Sul 21
12 de Março de 2026, 18:52

A Sala Álvaro Moreyra do Centro Municipal de Cultura recebe a mesa literária “Trinta anos sem Caio Fernando Abreu” na próxima terça-feira (17), às 18h30. O evento conta com a participação dos especialistas na obra do escritor: Amanda Costa, Flavia Cunha e Luciano Alabarse. A mediação será de Sergius Gonzaga, com entrada gratuita.

Amanda Costa é astróloga, escritora e professora, com Doutorado em Literatura, e psicanalista em formação. É autora dos livros “360 Graus: Inventário astrológico de Caio Fernando Abreu” e de “Astrologia: o cosmos e você”, que recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre. Organizou e editou o livro póstumo de sua professora de Astrologia, Emma de Mascheville, “O que o céu e os homens me ensinaram”.

Flávia Cunha é jornalista, produtora cultural e mestre em Literatura Comparada pela UFRGS. Sua dissertação analisa a trajetória jornalística de Caio Fernando Abreu em Zero Hora. Mais recentemente, de forma autodidata, ampliou sua pesquisa para a atuação de Caio na empresa jornalística Caldas Júnior, na década de 1970, nos jornais Correio do Povo, Folha da Tarde e Folha da Manhã.

Serviço

O quê: Mesa “Trinta anos sem Caio Fernando Abreu”
Quando: 17 março, às 18h30
Onde: Sala Álvaro Moreyra (av. Érico Veríssimo, 307 – Menino Deus)
Entrada gratuita

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Mauro Vieira: visita de assessor de Trump a Bolsonaro pode ser ingerência

Por:Sul 21
12 de Março de 2026, 17:54

Da Agência Brasil

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse nesta quinta-feira (12) que a visita de Darren Beattie, assessor do governo dos Estados Unidos, ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão pode configurar “indevida ingerência” em assuntos internos do Brasil.

A declaração consta em um ofício enviado pelo chanceler brasileiro ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator de um pedido para que Beattie, que é funcionário do governo do presidente Donald Trump, seja autorizado a se encontrar com Bolsonaro.

“A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, afirmou.

Mais cedo, Moraes pediu que o Itamaraty informasse se o norte-americano terá agenda diplomática no país e há solicitação para visitar Bolsonaro.

Segundo Vieira, a embaixada dos Estados Unidos no Brasil informou ao governo brasileiro que Darren Beattie vem ao Brasil para participar do Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, que será realizado em São Paulo, na próxima quarta-feira (18).

O ministro acrescentou ainda que a representação norte-americana não mencionou eventuais visitas fora da agenda oficial.

“O pedido de visita ao ex‑presidente não se enquadra nos objetivos oficialmente comunicados pelo Departamento de Estado”, completou o chanceler.

Além disso, Vieira informou que uma reunião entre Beattie e o secretário de Europa e América do Norte do Itamaraty foi solicitada para terça-feira (17), mas ainda não está confirmada.

Entenda

No início desta semana, a defesa de Bolsonaro pediu que a visita seja realizada na próxima segunda-feira (16), no período da manhã, ou na terça-feira (17), datas em que o assessor estará em visita oficial ao Brasil. A entrada de um tradutor na prisão também foi solicitada.

Moraes já autorizou a visitação, mas determinou que o encontro deverá ocorrer na quarta-feira (18).

Após a designação da data, a defesa de Bolsonaro voltou a pedir que a liberação da visita ocorra nas datas sugeridas.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses prisão na ação penal da trama golpista e cumpre pena no 19° Batalhão da Polícia Militar, localizado dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

O local é conhecido como Papudinha e é destinado a presos especiais, como policiais, advogados e juízes.

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Mother’s Baby e A Vida Secreta de Meus Três Homens estreiam no CineBancários

Por:Sul 21
12 de Março de 2026, 14:57

A cinesemana que se inicia nesta quinta-feira (12) no CineBancários conta com as estreias de “Mother’s Baby”, thriller psicológico sobre o lado sombrio da maternidade, e de A Vida Secreta de Meus Três Homens”, fábula histórica que interroga a identidade do Brasil a partir de sua história e herança de violência. O longa de Oliver Laxe, “Sirât”, completa a programação da semana que vai até o dia 18 de março.

Coprodução entre Áustria, Suíça e Alemanha, “Mother’s Baby” explora os medos de uma mãe que questiona a identidade do filho recém nascido. Julia, uma maestra de sucesso de 40 anos, engravida após um bem-sucedido tratamento em uma clínica de fertilidade. Quando a criança nasce, no entanto, ela entra em uma espiral psicológica que envolve depressão pós-parto e paranoia. “Trata-se do desafio de lidar com as expectativas da maternidade e de encontrar a si mesma. É uma história sobre o lado oculto da maternidade”, resume a realizadora, Johanna Moder.

O longa teve sua première no 75º Festival Internacional de Cinema de Berlim, onde concorreu ao Urso de Ouro. O elenco traz Marie Leuenberger (“Mulheres Divinas”), Hans Löw (“Toni Erdmann”) e Claes Bang (“Bom Dia, Tristeza”). A distribuição é da Autoral Filmes.

A diretora Letícia Simões volta a mexer no baú de memórias de sua família em “A Vida Secreta de Meus Três Homens”, fábula histórica que interroga a identidade do Brasil a partir de sua história e herança de violência. O longa-metragem, com distribuição da Embaúba Filmes, promove o encontro de três fantasmas — inspirados nas figuras do avô, do pai e do tio da cineasta — reunidos em torno de uma pergunta fundamental: como chegamos ao Brasil de hoje?

O filme teve sua première na Mostra Tiradentes em 2025 e percorreu uma série de festivais no Brasil e no exterior, como o Hot Docs e o RIDM – Montreal International Documentary Festival, no Canadá; além do CineBH. A “narradora”, personagem vivida por Nash Laila, é quem conduz o encontro com os fantasmas de Fernando, boêmio pai de família e colaborador da ditadura militar;

Já “Sirât” – longa produzido pela El Deseo, dos irmãos Pedro e Agustín Almodóvar – segue em cartaz na Casa dos Bancários pela terceira semana. O filme acompanha a angustiante viagem de um pai, ao lado do filho caçula, pelo deserto do Marrocos. Os dois buscam a filha e irmã, que desapareceu em uma das raves realizadas nas montanhas. À medida que avançam por um cenário escaldante, a jornada os obriga a confrontar os próprios limites.

Programação de 12 a 18 de março

“Mothers Baby”

Áustria Alemanha-Suíça/Drama/2025/108min.

Direção: Johanna Moder

Sinopse: Julia, uma maestrina de sucesso de 40 anos, e seu parceiro Georg anseiam por um filho quando o Dr. Vilfort lhes oferece uma esperança. Julia engravida após um tratamento bem-sucedido na clínica de fertilidade do médico. O parto não ocorre como planejado e o bebê é imediatamente retirado de seus braços, deixando Julia sem saber o que aconteceu. Quando finalmente se reencontra com a criança, Julia sente-se estranhamente distante. Ela começa a duvidar se é realmente seu filho.

Elenco: Marie Leuenberger, Hans Löw, Claes Bang e Julia Franz Richter

 

“A Vida Secreta de Meus Três Homens”

Brasil/Drama/2025/ 75 min

Direção: Leticia Simões

Sinopse: Três homens vindos do passado atravessam o presente para revelar as marcas invisíveis da história do Brasil. Entre memória, fantasia e poesia, A Vida Secreta de Meus Três Homens propõe um acerto de contas com a violência que nos formou e a possibilidade de outro futuro.

Elenco: Nash Laila | narradora, Guga Patriota | Arnaud, Giordano Castro | Fernando Murilo Sampaio: | Sebastião


“Sirât”

Espanha-França/2025/ Drama/115min.

Direção: Oliver Laxe

Sinopse: Pai e filho chegam a uma rave nas montanhas do sul do Marrocos. Ambos estão em busca de Mar — filha e irmã —, que desapareceu meses antes em uma dessas festas intermináveis. Cercados por música eletrônica e por uma sensação crua e desconhecida de liberdade, eles distribuem a foto da jovem repetidas vezes. A esperança vai se apagando, mas os dois persistem e seguem um grupo de frequentadores rumo a uma última festa no deserto. Conforme avançam por esse cenário escaldante, a jornada os obriga a confrontar seus próprios limites.

Elenco: Sergi López, Bruno Núñez Arjona, Richard Bellamy.

Horários de 12 a 18 de março

Não há sessões nas segundas

15h: “Sirât”

17h: “A Vida Secreta de Meus Três Homens”

19h: “Mother’s Baby”

Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.

Endereço:

CineBancários
Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre
Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br

 

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Cinemateca Capitólio terá sessão especial com transmissão ao vivo do Oscar 2026

Por:Sul 21
11 de Março de 2026, 16:01

No próximo domingo (15), às 21h, a Cinemateca Capitólio realiza uma sessão especial com transmissão ao vivo da cerimônia do Oscar, a principal premiação da indústria cinematográfica mundial. A entrada é gratuita e os ingressos serão distribuídos no local no mesmo dia.

A edição deste ano conta com forte presença brasileira na premiação. O filme “O Agente Secreto” recebeu quatro indicações: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Elenco. Além disso, o brasileiro Adolpho Veloso concorre ao prêmio de Melhor Fotografia pelo filme “Sonhos de Trem”. A retirada de ingressos (um por pessoa) ocorre a partir das 19h30 do dia 15.

No ano passado, a Cinemateca Capitólio também transmitiu a cerimônia do Oscar. O representante brasileiro “Ainda Estou Aqui” levou a estatueta de melhor filme internacional e também foi indicado nas categorias de Melhor Filme e Melhor Atriz (com Fernanda Torres).

Com informações da PMPA.

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Frente contra abuso de emendas parlamentares é lançada em Porto Alegre

Por:Sul 21
10 de Março de 2026, 11:28

Entidades da sociedade civil lançaram nesta segunda-feira (9) a Frente em Defesa do Orçamento Público, iniciativa que reúne 25 organizações com o objetivo de debater e incidir sobre o modelo atual de emendas parlamentares e seus impactos sobre as políticas públicas. O lançamento ocorreu durante o evento “Emendas Parlamentares: A quem compete o orçamento Público?”, atividade realizada no Centro Cultural da UFRGS, reunindo juristas, parlamentares, lideranças sociais, representantes de entidades e público interessado no tema.

Na abertura do evento, o presidente da Associação Mães e Pais pela Democracia, Júlio Sá, leu o manifesto de criação da Frente e informou que novas entidades podem aderir ao movimento, que pretende organizar uma agenda permanente de debates e mobilizações sobre o orçamento público.

O procurador do Estado aposentado Jacques Alfonsin, um dos palestrantes, criticou duramente o modelo atual de emendas parlamentares. “As emendas são um roubo — este é o nome. Senadores e deputados tornam-se agenciadores de verba pública. É preciso gerar uma indignação ética para mudar isso”, afirmou. Segundo ele, recursos de políticas sociais, como o SUS e o Bolsa Família, têm sido deslocados para atender emendas parlamentares, comprometendo deveres constitucionais do Estado.

Nos últimos dez anos, as emendas parlamentares passaram de instrumento complementar do orçamento para um mecanismo que movimenta mais de R$ 50 bilhões por ano, ampliando significativamente a participação do Congresso na execução de políticas públicas.

A advogada e jurista Soraia Mendes também criticou o modelo. “O Legislativo não deveria gerir recurso público. Isso é uma distorção”, afirmou. Para ela, o sistema de emendas alimenta estruturas clientelistas dentro dos partidos e dificulta a renovação política, reduzindo o espaço para novas candidaturas e para a ampliação da representação de mulheres e minorias.

O ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro avaliou que as emendas parlamentares configuram uma mudança estrutural no sistema político brasileiro. “As emendas são uma forma inovadora e complexa de imposição de um sistema parlamentarista atípico e perverso”, afirmou. Para ele, o debate sobre a revisão desse modelo precisa caminhar junto com a defesa da participação popular na gestão do orçamento público.

“Nenhum país no mundo destina cerca 25% do orçamento às emendas, ainda mais sem transparência, muitas vezes sem critérios técnicos claros, levando a desvios de dinheiro público, e reduzindo recursos para programas sociais”, evidencia a professora de Economia, Rosa Chieza, integrante do Instituto Justiça Fiscal, uma das entidades integrantes da Frente. Ela informou ainda da formação permanente realizada gratuitamente há 10 anos por meio do Projeto de Extensão “Curso de Educação Fiscal e Cidadania” dirigido a escolas públicas.

Agressão ao Estado de Direito

Para o ex-governador Olívio Dutra, o atual sistema de emendas não pode ser naturalizado. “É uma agressão ao Estado de Direito republicano e à Constituição brasileira”, afirmou. Dutra reconheceu que o mecanismo pode ser aperfeiçoado, desde que submetido a controle público. “O dinheiro público deve servir ao interesse público, não ao interesse privado.”

Na mesma linha, o ex-prefeito de Porto Alegre Raul Pont afirmou que o modelo atual contribui para o enfraquecimento do sistema partidário. “As emendas destroem os partidos políticos e os transformam em instrumentos de clientelismo.”

 

Ex-governador Olívio Dutra fala durante o evento | Foto: Rafa Dotti

Durante o debate, participantes também destacaram o risco de cooptação de movimentos sociais na disputa por recursos de emendas parlamentares. Para a deputada federal Maria do Rosário, o mecanismo faz parte de um processo mais amplo de desestruturação das funções públicas do Estado.

O coordenador do Comitê Popular Esperançar, Vinícius Galeazzi, afirmou que a Frente surge para enfrentar o que chamou de “sequestro do orçamento público” pelo sistema de emendas. Já o desembargador federal do trabalho aposentado Felipe Ledur destacou que a iniciativa representa uma reação da sociedade civil. “Esta frente é uma iniciativa cidadã que surge em um momento grave de apropriação privada do que é público”, afirmou.

Valores bilionários

O crescimento das emendas parlamentares foi um dos pontos centrais do debate. O Orçamento da União de 2026 aprovado pelo Congresso prevê cerca de R$ 61 bilhões em emendas parlamentares, somando emendas individuais, de bancada e de comissão. Desse total, aproximadamente R$ 37,8 bilhões são emendas impositivas, cujo pagamento é obrigatório pelo governo federal.

No Orçamento de 2025, o volume total de emendas ficou em torno de R$ 50 bilhões, consolidando a expansão desse instrumento nos últimos anos. Em 2024, os recursos movimentados por emendas chegaram a R$ 45,8 bilhões, após uma expansão de 321% desde 2014, segundo estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O crescimento mais acelerado ocorreu entre 2020 e 2023, período marcado pela criação das emendas de relator (RP9), conhecidas como “orçamento secreto”, quando o valor médio anual saltou para R$ 35,5 bilhões.

Ação no STF

Durante o encontro, a Associação Juízas e Juízes para a Democracia anunciou que ingressou como amicus curiae na ADI 7697, ação protocolada no Supremo Tribunal Federal pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) em agosto de 2024, que questiona a constitucionalidade do modelo atual de emendas parlamentares.

O ministro Flávio Dino, relator do caso, tem adotado medidas para ampliar a transparência e o controle sobre esses recursos. Entre as decisões recentes estão a proibição de saques em dinheiro de recursos de emendas, a exigência de rastreabilidade das transferências, o bloqueio de mais de 1.200 emendas com irregularidades e a determinação de investigação pela Polícia Federal sobre cerca de R$ 4,2 bilhões em emendas de comissão.

As medidas buscam combater a opacidade na execução das emendas e garantir que os recursos públicos respeitem os princípios de transparência, moralidade administrativa e controle do gasto público.

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Autonomia financeira é prioridade para mulheres, aponta pesquisa

Por:Sul 21
7 de Março de 2026, 18:52

De Agência Brasil

Ter autonomia financeira para decidir sobre a própria vida está no topo das prioridades das mulheres ouvidas pela pesquisa Mulheres e Mercado de Trabalho, divulgada neste sábado (7).

O levantamento confirma que o mundo do trabalho permanece desigual e traz a percepção delas sobre práticas discriminatórias e violentas no ambiente profissional.

Realizada pela Consultoria Maya, com base no cadastro da plataforma de educação corporativa Koru, a pesquisa investigou a visão de 180 mulheres sobre trabalho e vida pessoal. Para isso, entrevistou diferentes perfis etários e etnorraciais, com exceção de indígenas.

Ao falar sobre ambições, a independência financeira foi apontada como prioridade por 37,3% delas. Em segundo lugar, estava a saúde mental e física (31%) e, em seguida, a realização profissional. Ter uma relação amorosa não é a meta nem de uma em cada dez mulheres consultadas.

“Estamos falando de ter um salário, de ter rendimento, de ter poder de decisão, não é de poder de compra”, explicou a diretora da Consultoria Maya, Paola Carvalho. A autonomia, destacou, permite à mulher sair de um relacionamento abusivo ou oferecer melhor condição de vida para a sua família.

“Autonomia financeira é condição para liberdade de escolha”, frisou.

Violência e discriminação

Para muitas mulheres, o caminho para a autonomia passa pelo trabalho remunerado. No entanto, permanecem várias barreiras culturais ao acesso e à ascensão delas no mercado, apesar de terem melhor formação e currículo, segundo a visão das próprias. Entre os problemas, estão a discriminação e a violência.

Dentre as entrevistadas, 2,3% relatam ter sido preteridas em promoções, em geral, por conta da maternidade.

“Primeiro [vêm] os homens, claro, depois, mulheres sem filhos e, por último, mulheres com filhos”, contou uma das mulheres ouvidas na pesquisa, que não foi identificada. “Vejo predileção em promover mulheres que não têm filhos em vez de mães”, avaliou.

A violência psicológica também tem impacto na carreira. Mais de sete entre dez entrevistadas relataram ter sofrido com o problema.

Os casos incluem comentários sexistas ─ que desvalorizam aptidões pelo fato de ser mulher ─, incluindo ofensas sobre a aparência delas, além de interrupções frequentes em reuniões, apropriações de ideias e questionamentos sobre a capacidade técnica.

“Meu coordenador me ofereceu um cargo acima do que eu estava e, quando aceitei, por três vezes, ele me chamou para conversar e questionar se eu achava que conseguiria”, relatou uma das mulheres ouvidas.

“Em uma das vezes, ele teve a audácia de me pedir para conversar com o meu esposo sobre a minha decisão”, completou outra entrevistada.

A violência no local de trabalho fez com que muitas pensassem em abrir mão do trabalho e, mesmo que muitas não tenham desistido, o problema mostra que a permanência delas no trabalho “ocorre apesar das adversidades, e não pelas condições plenamente equitativas”, diz o texto.

A distribuição de cargos nas empresas evidencia o topo do problema. Segundo o levantamento, a maior parte das entrevistadas atua em posições operacionais e intermediárias, como coordenadora e gerente. Apenas 5,6% chegaram a postos na diretoria ou cargos chamados de “C-levels”, que são os mais altos executivos.

“A presença feminina diminui drasticamente à medida que os cargos se tornam mais estratégicos, revelando uma estrutura sexista por trás desse resultado”, avaliou Paola.

Para mudar o quadro, a consultora sugere comprometimento, do estagiário ao CEO, com uma nova visão e atitudes profissionais no dia a dia.

“É preciso ter um olhar diferente para essas questões. Isso parte de ações individuais e institucionais”, sugeriu. “Em 2026, ter esses resultados é chocante”, concluiu Paola.

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Sonho compartilhado: Justo e Café Mal Assombrado se preparam para assumir Viaduto da Borges

7 de Março de 2026, 09:31

Ao lado dos arcos do Viaduto Otávio Rocha, separada da via por tapumes, a equipe do Café Mal Assombrado subia a Avenida Borges de Medeiros numa noite de dezembro passado. Eles voltavam de um jantar no Centro Histórico de Porto Alegre que comemorava o terceiro ano completo de funcionamento da casa, aberta em outubro de 2022, um mês antes do início das obras no viaduto. O caminho não é inédito, já que o tour “Porto Alegre Mal Assombrada”, promovido desde 2019 pelo artista e pesquisador André Hernandes, um dos sócio proprietários do café, passa por ali. Mas, dessa vez, ao invés das lendas urbanas e histórias macabras de crimes ocorridos na Porto Alegre do século XIX, Hernandes contava à equipe os seus sonhos: “meu sonho é ver isso aqui funcionando e a gente poder viver isso até altas horas da noite”.

Hernandes não era o único que sonhava com a ocupação do viaduto. Pouco antes da virada do ano, no dia 29 daquele mês, Adelino Bilhalva, um dos sócios do Justo, bar que ocupa a passarela verão do Otávio Rocha desde 2017, fez um telefonema para o pessoal do Café Mal Assombrado. Convidou-os para uma aposta arriscada. A Prefeitura de Porto Alegre buscava um permissionário para fazer a gestão dos 32 espaços existentes no sopé do viaduto, na Av. Borges de Medeiros, e Adelino acreditava que empreendimentos do centro deveriam formar uma parceria para apresentar uma proposta. Dentre os convidados, o Café Mal Assombrado foi o único que topou.

“A gente sempre acreditou muito no Centro Histórico, que algum dia ele seria revitalizado e que não fosse um local só de passagem”, comenta Marcello Lima, também sócio do Justo. O paraense de 39 anos veio a Porto Alegre há mais de uma década e confessa o amor pelo centro. “É o lugar mais bonito da cidade, então quando a gente soube dessa licitação, fez todo sentido para a gente. Foi uma confluência de fatores que fizeram a gente entrar nessa”.

Poucos meses antes, Marcello não falava do viaduto com tanto ânimo, no entanto. O prolongamento das obras, que tinham como prazo inicial para sua conclusão maio de 2024 – justamente o mês das enchentes – também simbolizou a extensão de uma luta constante pela sobrevivência do empreendimento. A cidade mal superara as restrições de público impostas pela pandemia de covid-19 quando os acessos às passarelas foram dificultados. Por cerca de meio ano, entre janeiro e julho de 2024, a entrada superior da escadaria verão, pela Rua Duque de Caxias, ficou interditada.

Quem quisesse tomar uma cerveja ou participar de uma das rodas de conversa promovidas no espaço precisava subir pelo acesso da esquina da Jerônimo Coelho com a Borges de Medeiros.

Além disso, durante todo o período de obras, transitar pelas escadarias poderia ser um verdadeiro desafio: com a substituição do revestimento em cirex, a instalação de corrimões e a troca dos azulejos hidráulicos do piso em duas oportunidades – a primeira instalação apresentou problemas, com peças mal colocadas e rachadas – o caminho era dificultado por tapumes pretos e por degraus sem calçamento. Junto das promoções de pizza frequentes para tentar fomentar os ganhos da casa, que teve de solicitar um empréstimo para não fechar as portas com a redução drástica de público, as redes do Justo divulgavam vídeos que indicavam como chegar no bar através do canteiro de obras. Nas postagens, as críticas aos atrasos e à falta de diálogo com a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi), responsável pela fiscalização do projeto da Concrejato, empresa de engenharia de São Paulo contratada para a execução das obras, não eram poupadas.

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Depois da realização do pregão eletrônico que sagrou o consórcio vitorioso, no último 22 de janeiro, a comunicação com a Prefeitura melhorou, garante Marcello. “A Prefeitura tem ajudado muito, tem sido muito parceira, até porque é um interesse muito grande deles fazer com que isso aqui aconteça”. O edital, lançado em 22 de dezembro do ano passado, integra o projeto Centro+, plano de revitalização do Centro Histórico. Proposto pela primeira gestão do prefeito Sebastião Melo, em 2021, este era um dos sete programas prioritários no Plano Plurianual de 2022-2025. Desde o início, o projeto deixava clara a estratégia visada pelo executivo municipal: o das parcerias com o setor privado.

Anteriormente, as 32 salas debaixo do viaduto eram equipamentos públicos e os permissionários e ocupantes pagavam à Prefeitura pelo uso comercial dos espaços. Com a falta de fiscalização acerca das permissões, no entanto, somou-se uma dívida entre os comerciantes calculada em cerca de R$ 1,8 milhão em setembro de 2019. Junto a isso, a sublocação das salas para terceiros e a desocupação dificultavam a devida cobrança. Quando os últimos permissionários públicos foram desalojados para o início da revitalização, em dezembro de 2022, apenas três não estavam inadimplentes.

No decreto Nº 21.740, que realocou os antigos comerciantes a outros equipamentos municipais, assinado em novembro de 2022, não havia qualquer disposição a respeito do retorno dos lojistas ao viaduto. A Associação Representativa e Cultural dos Comerciantes do Viaduto Otávio Rocha (Arccov) tentou, durante as reuniões com a Prefeitura que precederam as realocações, garantir o direito de retorno daqueles que estavam com as contas em dia com o poder público, mas não obteve sucesso. Hoje, o novo edital nada apresenta sobre a situação permissional anterior, e tanto o Justo quanto o Café Mal Assombrado afirmam que a Prefeitura garantiu total autonomia para que o consórcio selecione os ocupantes.

Trecho em que os novos corrimões foram retirados. Foto: Bettina Gehm/Sul21

 

Ladrilhos da escadaria empilhados. Foto: Bettina Gehm/Sul21

“Muito provavelmente a gente vai trabalhar com uma imobiliária”, diz Marcello a respeito da gestão das 29 salas comerciais e três depósitos leiloados. “Toda a responsabilidade de contrato e pesquisa dessas pessoas, desses CNPJs que vão entrar, vai ser responsabilidade dessa imobiliária. Toda essa parte burocrática que envolve o aluguel de uma sala comercial”. A decisão de trabalhar com uma imobiliária não é condição do edital, assim como não demove do consórcio a seleção do perfil dos sublocatários. Martina Mombelli, sócia-proprietária do Café Mal Assombrado, indica que a escolha será realizada através de um formulário digital. “É um formulário para pessoas interessadas em colocar um negócio lá. Tem todas as perguntas: se é matriz, se é filial, qual o Instagram, qual a empresa, de onde vem, qual o projeto”, comenta.

Além da seleção e gestão dos permissionários, compete ao consórcio repassar à Prefeitura uma outorga de R$ 33,9 mil mensais, com isenção de 270 dias a partir da assinatura do contrato, ainda não efetuada. A contar da mesma data, 85% da ocupação dos espaços deve ser garantida dentro de 90 dias. Ademais, o consórcio fica responsável pela limpeza das áreas de consumo e dos banheiros; pela segurança interna, realizada por parceiro privado; e pela realização de, ao menos, quatro eventos culturais ao ano. “A nossa vontade é de fazer muito mais”, conta a dona do Café Mal Assombrado, que promove uma extensa agenda cultural no Teatro dos Vampiros – segundo andar do casarão em que fica localizado o café, na Rua Fernando Machado. O consórcio indica que tais eventos devem ser realizados na própria Av. Borges de Medeiros, com o fechamento parcial do trânsito em eventuais finais de semana.

Apesar da possibilidade de explorar o caráter cultural do viaduto – a Prefeitura aponta no termo de referência que precedeu o pregão a possibilidade de instalação de galerias de arte, exposições, museus, comércio de artesanato e sebos e livrarias – Marcello menciona que o Município tem demonstrado especial interesse em fazer do viaduto um corredor gastronômico. “A maioria das lojas vão ser bares, restaurantes, cafés, mas a gente também tem a ideia de trazer outras coisas, como livraria, floricultura, mercearia, espaços culturais”, comenta.

As negociações para a ocupação do viaduto vêm na esteira da ampliação do programa Centro+, hoje denominado Centro+4D em razão da inclusão do Quarto Distrito no mesmo balaio de investimentos públicos. O esforço para a revitalização passou a contar, a partir de novembro de 2025, com o financiamento estrangeiro da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) em parceria com o Banco Mundial, totalizando 162 milhões de euros. A missão francesa realizou um estudo técnico do potencial turístico da capital gaúcha e seguirá atuando até meados de 2027 para elaborar projetos-piloto de expansão do turismo local. “Tenho certeza que aquele lugar vai atrair ainda mais turistas, mas que também a população, os moradores de Porto Alegre, consigam aproveitar a sua cidade”, diz Martina.

Em 22 de janeiro, data do pregão eletrônico, os empreendedores por detrás do Justo e do Café Mal Assombrado estavam ansiosos. Entraram na sala de leilão virtual logo que foi aberta, às 10h, e logo se depararam com uma aposta que chegava perto do teto combinado entre as duas partes. Fizeram outra aposta, ainda abaixo do limite estipulado, com a adição de um valor simbólico, totalizando R$ 79,1 mil. Durante os próximos dez minutos, janela em que outra aposta poderia ser realizada antes que fosse consagrado o vencedor, todos ficaram atônitos. “A gente pensou, ‘bom, se ultrapassar nosso limite não é pra gente’. Porque também tu tem que arriscar, tem que dar um passo grande, sempre sou a favor de tu correr alguns riscos. Mas eles têm que ser responsáveis, né?”, relembra Martina.

No entanto, antes mesmo de encerrar-se o tempo, Martina recebeu uma ligação da mãe, que não sabia da participação do Café Mal Assombrado no leilão. À beira de um desmaio, exclamou: “O que vocês fizeram? Vocês são loucos!”. A notícia já circulava na imprensa, e o consórcio já era considerado vencedor. “No mesmo dia, à tarde, a gente já tava dando entrevista, sem nem acreditar no que tava acontecendo. Foi bem maluco”, comenta Martina. Mais tarde naquele dia, a equipe do Café Mal Assombrado subiu novamente a Borges de Medeiros, agora até o alto do Viaduto Otávio Rocha, no Justo, para comemorar a realização do sonho proclamado um mês antes por Hernandes.

O sonho de reocupar o Centro Histórico é coletivo, partilhado por novos e antigos comerciantes, gestores públicos e enviados franceses. A aposta do município parece ser a de que os variados interesses se alinhem nas mesas redondas dos novos bares e restaurantes debaixo dos históricos arcos do Viaduto Otávio Rocha, erguidos há quase cem anos. Para isso, aguardam a retirada dos tapumes, erguidos há 40 meses.

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Homem é indiciado após chamar a polícia por causa de aula sobre orixás

Por:Sul 21
6 de Março de 2026, 17:50

Da Agência Brasil

A Polícia Civil de São Paulo indiciou por intolerância religiosa o pai de uma aluna que acionou a Polícia Militar (PM) em razão de a filha ter participado de uma atividade de aprendizado sobre os orixás – divindades da religião Iorubá. O caso ocorreu em novembro de 2025 na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Antônio Bento, em São Paulo.

O indiciamento do pai foi feito pelo 34º Distrito Policial da Vila Sônia, zona Sul da capital paulista. O inquérito foi concluído e relatado ao Poder Judiciário em fevereiro.

Policiais investigados

Após o chamado do pai, quatro policiais militares entraram na escola armados para averiguar a queixa. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, a ação dos policiais está sendo investigada por meio de Inquérito Policial Militar (IPM), que se encontra em fase de instrução.

“No âmbito do procedimento, são analisadas as imagens das câmeras corporais e colhidos os depoimentos dos envolvidos”, disse a pasta em nota.

De acordo com o Ministério da Igualdade Racial, a atividade de apresentação de orixás está em consonância com as leis Nº 10.639, de 2003, e Nº 11.645, de 2008, que determinam o ensino da história e cultura africana, afro-brasileira e indígena nas escolas.

Segundo o ministério, o conteúdo amplia as possibilidades pedagógicas para o reconhecimento, a valorização e o fortalecimento das identidades negras, quilombolas, indígenas e afro-brasileiras no ambiente educacional.

“Esse conhecimento é essencial para a compreensão da nossa identidade brasileira, enquanto povo que se construiu a partir da cultura negra, afro-brasileira e indígena”, disse o ministério em nota, divulgada em novembro do ano passado.

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Cinemateca Capitólio oferece programação especial gratuita pelo Dia Internacional da Mulher

Por:Sul 21
5 de Março de 2026, 11:30

A Cinemateca Capitólio (rua Demétrio Ribeiro, 1085 – Centro Histórico) preparou uma programação especial em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado todo 8 de março. As atividades começam no sábado (7) e seguem até o próximo domingo (15) com exibições de filmes, debates com realizadoras e a abertura de uma mostra dedicada a cineastas gaúchas. Todas as sessões são abertas ao público e têm entrada franca.

A programação se inicia no sábado às 17h, com a exibição seguida de debate do premiado longa brasileiro “Manas” (2025), dirigido por Mariana Brennand. A obra acompanha a história de Marcielle, uma adolescente que decide enfrentar a engrenagem violenta que rege sua família e as mulheres da comunidade onde vive.

“Manas”, que foi filmado na Região Amazônica, contou com o apoio de cineastas internacionais renomados: Walter Salles, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional por “Ainda Estou Aqui”, e os irmãos Jean Pierre e Luc Dardenne, vencedores de duas Palmas de Ouro em Cannes. Os três atuaram como produtores associados e acompanharam projeto desde a fase de escrita do roteiro.

No domingo (8), às 19h, a Cinemateca recebe a cineasta costa-riquenha Sofia Quirós, que apresenta o curta” Selva” (2016) e o longa “Terra das Cinzas” (2019), em sessão comentada pela própria diretora.

Outro destaque da programação é a mostra “A leoa vai à caça”, projeto desenvolvido por Betânia Furtado e Renata de Lélis que destaca a produção de cineastas mulheres no Rio Grande do Sul. A sessão inaugural na quinta-feira (12), às 19h, apresenta duas raridades: o curta “O brinco” (1989), de Flávia Moraes, e o longa “In Vino Veritas” (1981), de Ítala Nandi.

A mostra segue até domingo (15), reunindo obras de diferentes gerações de diretoras, como Ana Luiza Azevedo, Marta Biavaschi, Flávia Seligman, Liliana Sulzbach, Adalgisa Luz, Lisiane Cohen, Mirela Kruel, Cristiane Oliveira, Mariani Ferreira, Camila de Moraes, Juliana Balhego, Britney Fiderline e Patrícia Ferreira Yxapy.

Programação da Cinemateca

Sábado (7)

17h – “Manas”, sessão seguida de debate

Domingo (8)

19h – “Selva” + “Terra das Cinzas”, sessão seguida de debate com Sofia Quirós

Quinta-feira (12)

19h – Abertura da mostra A Leoa Vai à Caça: “O Brinco” + “In Vino Veritas”

Sexta-feira (13)

17h – “Bola de Fogo” + “O Último Poema”

19h – “LÉO” + “Mulher do Pai”

Sábado (14)

17h – “Hoje Tem Felicidade” + “A Noite do Sr. Lanari” + “A Invenção da Infância” + “As Bicicletas de Nhanderu”

19h – “Quero Ir para Los Angeles” + “Antes que o Mundo Acabe”

Domingo (15)

17h – “Logos” + mesa de debate “Políticas Públicas para Mulheres no Audiovisual”

19h – “Café Paris” + “O Caso do Homem Errado”

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Grezz celebra o Dia Internacional da Mulher com shows e inauguração de galeria de artes visuais

Por:Sul 21
4 de Março de 2026, 18:29

No dia 8 de março, o Grezz realiza uma programação especial e gratuita em celebração ao Dia Internacional da Mulher. A partir das 18h, a casa recebe o público para uma noite que reúne dois espetáculos musicais e a inauguração oficial de seu novo espaço expositivo, a Galeria Grezz de Artes Visuais. Os ingressos gratuitos devem ser retirados antecipadamente pela plataforma Sympla.

A programação inclui o show “Rainhas”, com Izzy Gordon, que revisita repertórios de artistas que marcaram a história da música, como Elza Soares, Rita Lee, Nina Simone e Aretha Franklin. O espetáculo percorre diferentes estilos e destaca trajetórias femininas que atravessaram gerações.

Também integra a noite o concerto “Vozes Latino-Americanas”, com Indira Castro. A apresentação propõe um percurso pela canção latino-americana em versões que preservam a essência das obras e evidenciam a identidade interpretativa da artista.

A data marca ainda a inauguração da Galeria Grezz de Artes Visuais, espaço localizado no segundo andar da casa e dedicado exclusivamente a exposições. A mostra coletiva “Mulheres Artistas”, com curadoria de Lúcio Vargas, reúne obras de Bea Balen, Dani Stuani, Lara Fuke, Luanda, Ondian Pozoco, Sandra Kravetz, Tita Schames e Vanessa Annunciata, apresentando a produção de artistas contemporâneas.

A iniciativa integra música e artes visuais em uma mesma programação, destacando a presença feminina na cultura.

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Projeto que pode trazer segurança a servidores de fundações extintas aguarda sinal positivo do Governo Leite

4 de Março de 2026, 15:39

Centenas de servidores de fundações estaduais extintas vivem há quase dez anos uma situação de instabilidade que afeta seus planos, expectativas e a segurança de que seguirão trabalhando. Eles se mantêm no emprego por um acordo judicial em que sindicatos e Governo do Estado acertaram uma trégua até que transite em julgado uma ação que versa sobre a estabilidade dos servidores celetistas destas fundações. Enquanto o impasse judicial segue, um projeto do deputado estadual Miguel Rossetto (PT) visa trazer mais garantias a estes trabalhadores.

A proposta já passou pelas comissões da Assembleia Legislativa e está pronta para ser votada desde outubro do ano passado. O petista negocia com o Governo do Estado para garantir a aprovação da matéria. “Minha expectativa é positiva, de que nós possamos, talvez, já na próxima semana chegar a um bom acordo”, projeta.

A proposta de Rossetto muda apenas uma palavra de uma lei aprovada pelo Parlamento gaúcho em dezembro de 2016. O projeto, de iniciativa do então governador José Ivo Sartori (MDB), extinguiu seis fundações estaduais e obrigava o Executivo a demitir os servidores destes órgãos. A alteração pleiteada por Rossetto retira a obrigação de demissão e diz que os servidores “poderão ter seus contratos rescindidos”, em vez de “terão seus contratos rescindidos”.

No entendimento de Rossetto, essa alteração significaria que estes trabalhadores só poderiam ser demitidos com processo disciplinar, como qualquer outro servidor público. “O Governo poderá afastar aqueles que não trabalham, que têm mau desempenho, com processo regular de demissão. Vai contra os interesses do setor público essa obrigatoriedade de demitir quem presta um bom serviço”, defende.

O petista afirma que a Procuradoria-Geral do Estado tem alegado que o projeto poderia interferir em outros processos existentes na administração pública. “Acho que é um exagero de cautela”, pontua, mas ressalta que há “sinalizações positivas” por parte do Executivo.

“Enquanto não tiver um entendimento sobre o texto do projeto e aquilo que é possível ser votado, não tem como votar”, afirma o líder do Gòverno na Assembleia, Frederico Antunes (PP), que diz que são detalhes técnicos que travam a votação. “As equipes técnicas têm que se reunir. O Governo e Rossetto já conversaram várias vezes”, destaca.

Para o delegado do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul na TVE e FM Cultura, Alexandre Leboutte, a simplicidade do projeto não justifica levar meses em negociações. “O que a gente está vendo é que, desde sempre, o Governo não quer votar esse projeto. Eles não entenderam até agora que só muda um termo? Não tem nada difícil para entender”, avalia.

“Nós não entendemos por que o Governo tem tanta resistência em dar o ok”, corrobora Mara Feltes, integrante da diretoria do Sindicato dos Empregados em Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas e de Fundações Estaduais do Rio Grande Do Sul (Semapi), que destaca que o projeto passou pelas comissões com o aval dos deputados governistas.

Leboutte ressalta que entre os funcionários das emissoras de comunicação paira dúvidas se a simples mudança de uma palavra na lei impediria as demissões, mas que, ainda assim, o projeto é positivo. “Hoje, mesmo se vier um Governo que entende que a comunicação pública tem que ser feita com empregados públicos concursados, da forma como está a lei, ele vai ser obrigado a demitir todo mundo, quando houver trânsito em julgado, se a decisão for contrária a nós. Então, o projeto é melhor do que o que a gente tem hoje”.

Além da antiga Fundação Piratini, que abrigava a TVE e a FM Cultura, a proposta beneficiaria servidores das antigas Fundação de Economia e Estatística (FEE), Fundação Zoobotânica (FZB), Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec), Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (FDRH) e Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan). Hoje, parte destes servidores trabalha nas mesmas funções, mas sob o guarda-chuva de secretarias não mais na administração indireta – caso de grande parte dos funcionários da TVE e FM Cultura, já que os veículos seguem no ar, mas estão vinculados à Secretaria de Comunicação. Há também muitos funcionários que foram deslocados para outros postos de trabalho dentro da administração pública.

Mara Feltes conta que muitos servidores, mesmo sendo deslocados, seguem ocupando cargos fundamentais para o Estado. “O pessoal do Instituto Geral de Perícias (IGP) está encantado com os trabalhadores da Cientec que estão nos seus laboratórios, isso fez uma diferença no IGP. E a Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG) iria quebrar sem o pessoal que era da FDRH”, exemplifica.

A diretora do Semapi ressalta ainda que os trabalhadores são celetistas e precisariam ser indenizados pelo Estado, em caso de demissão. A maioria trabalha há muitas décadas e receberia valores significativos. “O Governo vai perder financeiramente, com todas essas indenizações, e vai ter que ter alguém para botar no lugar, porque eles estão trabalhando, não estão em casa vagabundeando. O projeto de extinção não trouxe nenhuma vantagem para o Governo”, avalia.

Nestes dez anos de impasse, além dos que mudaram de função ou seguem atuando para o cargo que foram contratados, muitos trabalhadores também já deixaram o Governo do Estado por iniciativa própria dada a situação de insegurança a que estão submetidos. Além disso, houve também servidores não cobertos pelas ações judiciais que acabaram sendo dispensados logo após a aprovação da extinção, há dez anos.

Entre os que ficaram, existe o temor de que matem aos poucos os órgãos públicos que ainda resistem, para repassar a gestão para entidades privadas, sobretudo após a aprovação, em dezembro do ano passado, de um projeto que permite ao Estado qualificar como organizações sociais (OSs) pessoas jurídicas privadas atuantes em 15 áreas: saúde, educação, saneamento, gestão ambiental, habitação, urbanismo, trabalho, assistência social, cultura, turismo, ciência e tecnologia, agricultura, organização agrária, desporto e lazer. “Faleceram alguns servidores, outros se aposentaram, outros pediram demissão. Há cada vez menos servidores. Eles querem fazer com que as pessoas percam o interesse, saiam, para entregar a uma associação privada”, lamenta Alexandre Leboutte.

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Irã sinaliza levar guerra ‘ao limite’ após míssil chegar à Turquia

Por:Sul 21
4 de Março de 2026, 14:41

Da Agência Brasil

O míssil procedente do Irã abatido pela Turquia, nesta quarta-feira (4), sinaliza que Teerã pode levar a guerra “ao limite” para mostrar aos adversários que o conflito poderia sair do controle, impondo perda a toda a região, aos Estados Unidos (EUA) e a Israel.

Essa é a avaliação do professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas, Danny Zahreddine. Por ser um país da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o envolvimento da Turquia poderia arrastar mais países para a guerra.

Para Zahreddine, que também é oficial de artilharia da reserva do Exército brasileiro, o Irã adotou a estratégia de “brinkmanship”, que é levar uma situação à “beira do abismo”.

“É a estratégia de ‘bailar à beira de um abismo pedregoso’. É mostrar aos inimigos que, em um determinado ponto, a guerra pode sair do controle. E, ao sair do controle, todos vão perder muito, inclusive quem ataca” avalia Danny, professor brasileiro de origem libanesa que se especializou em conflitos no Oriente Médio.

Ele argumenta que, ao atacar bases dos EUA em 12 países do Golfo e lançar um míssil sobre a Turquia, que vinha apoiando os esforços de Teerã para barrar a guerra, o governo iraniano sinaliza que está disposto a “cair no abismo”.

“Isso mostra o tamanho do custo que o Irã está disposto a assumir. E quando você convence o seu oponente que está disposto a morrer junto com você, isso aumenta muito o custo da ação”, completou.

Turquia: país da Otan

Em nota oficial, o Ministério da Defesa da Turquia informou que um míssil procedente do Irã foi abatido após cruzar os espaços aéreos do Iraque e da Síria, tendo sido interceptado por baterias antiaéreas da Otan, sem vítimas ou feridos.

“Lembramos que nos reservamos o direito de responder a qualquer atitude hostil contra o nosso país. Instamos todas as partes a se absterem de ações que possam agravar ainda mais o conflito na região, diz comunicado de Ancara.

Nesse contexto, acrescenta o documento, “continuaremos a consultar a Otan e nossos demais aliados”.

O Irã ainda não comentou oficialmente o caso. A Turquia, vizinha a oeste do Irã, é um dos países que condenou a agressão militar de Israel e EUA contra Teerã.

O presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, disse se tratar de uma violação do direito internacional e “uma clara violação da soberania do Irã, mas também visa a paz e o bem-estar do povo amigo e irmão do Irã”.

Curdos do Irã incomodam Turquia

A imprensa dos EUA tem publicado, com base em fontes anônimas, que a CIA [Agência Central de Inteligência] estaria tentando armar grupos separatistas curdos no Irã para lutarem contra o governo de Teerã.

Espalhado por países como Turquia, Irã, Iraque e Síria, o povo curdo forma uma etnia própria que, em alguns casos, luta pela formação de um estado nacional, que seria o Curdiquistão.

O governo de Ancara é um dos adversários da autodeterminação nacional dos curdos, uma vez que o futuro Estado tomaria parte do território atual da Turquia. No Irã, há grupos curdos considerados separatistas e terroristas pelo governo local.

O analista militar e de geopolítica Robinson Farinazzo, oficial da reserva da Marinha do Brasil, alerta que a suposta estratégia de armar os curdos do Irã pode irritar Erdogan, aliado dos EUA na Otan.

“O Curdiquistão independente não é uma coisa que os turcos querem. Com isso, temos uma incógnita bastante grande. Se começarem a apoiar os curdos contra o Irã, será que a Turquia vai gostar disso? A grande incógnita é como a Turquia vai agir nessa situação porque agora os interesses dela estão em risco”, disse à Agência Brasil.

Plano B dos EUA e Israel

O professor da PUC de Minas Danny Zahreddine argumenta que o “plano B” de Washington e Tel Aviv para derrubar o regime de Teerã é justamente o apoio aos grupos separatistas curdos. Porém, ele ressalta que não há unidade entre a comunidade curda iraniana.

“Há uma parte disposta a tentar se colocar contra o governo e outra que não está disposta. Esse é um projeto muito perigoso para os curdos. A história já revelou que toda vez que os curdos são armados para se colocar contra um governo em favor dos EUA, em determinado momento eles são abandonados”, disse.

O especialista em Oriente Médio lembrou que o Irã atacou, nos últimos dias, posições de grupos curdos no norte do Iraque e dentro do próprio Irã, “para tentar demovê-los de qualquer ideia de entrar nesse tipo de ação”.

Para Zahreddine, não há, neste momento, outros grupos opositores com capacidade ou condições de enfrentar Teerã, como gostariam Israel e EUA, devido aos custos que esses grupos enfrentariam em meio a uma guerra de agressão estrangeira contra o Irã.

“Mesmo que tivesse uma posição doméstica contra o governo, eles estão vivendo 40 dias de luto pela morte do Khamenei e existe um aparato de segurança que é completamente fiel ainda ao regime”, completou.

O tempo a favor do Irã

Apesar dos números de poderio militar serem favoráveis aos EUA e a Israel, que contam com mais recursos que os iranianos, o tempo estaria a favor de Teerã, na avaliação do oficial da reserva da Marinha brasileira, Robinson Farinazzo.

“Se o Irã resistir e essa guerra se prolongar mesmo, prolongar indefinidamente, isso vai ser o maior problema da história deles, desde a guerra do Vietnã. Aí vira um vietnã mesmo. Você vai ter muito questionamento na sociedade americana”, comentou.

Zahreddine avalia que é “surpreendente” como o Irã tem conseguido resistir, o que mostraria um bom preparo após a guerra de 12 dias, em junho de 2025.

“Hoje eles produzem por volta de 150 drones por dia. Imagina os milhares de drones que são produzidos nesses nove meses para cá. Tem a produção também dos mísseis balísticos. Eles têm um arsenal para uma guerra longa. Agora, a questão é o quanto eles resistem aos intensos ataques dos EUA e Israel”, avaliou.

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Irã resiste a ataques e desafia Estados Unidos em nova fase da guerra

Por:Sul 21
3 de Março de 2026, 19:33

Da Agência Brasil

Com a manutenção do regime de governo e o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, o Irã mostra capacidade de resistência após ataque dos Estados Unidos (EUA) e passa a ter a “iniciativa de guerra”. É a avaliação do major-general português Agostinho Costa, especialista em segurança e geopolítica, e ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal.

Para o general, o conflito está sendo prolongado por vontade iraniana.

“Neste momento, parece-nos que a iniciativa é mais do Irã, do que propriamente dos EUA e de Israel”, comentou o militar à Agência Brasil.

O governo iraniano, por meio dos bombardeiros de bases dos EUA no Oriente Médio, além do fechamento parcial do Estreito de Ormuz, que ameaça a economia global, teria colocado a pressão maior sobre Washington em relação ao futuro da guerra.

Para o general, não houve uma degradação da capacidade dos mísseis iranianos como inicialmente era esperado, indicando má avaliação e precipitação dos EUA em deflagrar o conflito. Agostinho destaca que o objetivo estadunidense de derrubar o regime iraniano em poucos dias não foi alcançado.

“Porque o pressuposto era que os iranianos estariam, neste momento, em um ponto de fraqueza, numa fase de debilidade e de incapacidade, e que iriam ruir como um castelo de cartas. Não é isso que estamos a ver”, enfatizou.

O militar Agostinho Costa analisa que o Irã se preparou para essa guerra, tendo dispersado equipamentos balísticos por todo o território de 1,6 milhão de quilômetros quadrados, área maior que o estado do Amazonas.

Satélites Chineses

Além disso, a estratégia de desgastar o sistema de defesa aéreo de Israel e de colocar as bases dos EUA na região sob fogo estaria dando resultado positivo para Teerã.

“Temos visto que as bases americanas têm sido atacadas cirurgicamente, o que comprova as informações de que os chineses garantiram aos iranianos o acesso à constelação de satélites chineses BeiDu, que permitem uma percepção situacional em tempo real e imagens do dispositivo adversário”, disse Agostinho Costa.

O major-general afirma que os EUA não têm um antídoto contra o sistema de satélites chinês.

“Não conseguem neutralizar a rede de satélites chineses. É isso que justifica a precisão dos ataques iranianos”, completou.

Para o especialista em defesa, não é possível prever por quanto tempo o Irã conseguirá manter a pressão militar sobre os EUA e Israel. Porém, ele avalia que é difícil para os EUA sustentarem essa guerra por muito tempo devido a condições militares, econômicas e políticas.

“Quatro semanas é, precisamente, o tempo que Trump teoricamente aceitaria continuar este conflito, mas há aqui uma grande interrogação. Qual é a capacidade que um e outra parte tem para manter esta campanha com o ritmo que estamos a assistir?”, questionou

Estratégia iraniana

O Irã teria duas estratégias principais, de acordo com o especialista: atacar as bases dos EUA no Oriente Médio, no sentido de expulsar os estadunidenses do Golfo, além de desgastar a defesa aérea israelense “para impor a Israel uma derrota estratégica que retire deles as condições de voltar a incomodar o Irã nos próximos tempos”.

Ainda segundo o militar português, os ataques às bases dos EUA “mostram aos países árabes da região que ter aquelas bases todas não serve para nada, porque os americanos, a primeira coisa que fizeram, foi abandonar as bases”.

Ao mesmo tempo, Israel e EUA não teriam conseguido estabelecer uma superioridade aérea sob o território iraniano. O ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal, Agostinho Costa, rejeita a afirmação de Israel de que eles teriam conseguido abrir um corredor aéreo sobre o Irã onde poderiam transitar livremente.

“Não vimos isso até agora. Antes, pelo contrário, o que vemos é que aquilo que Israel e os EUA conseguem pôr sobre o Irã são, fundamentalmente, drones e temos visto imagens de drones sendo abatidos”, disse.

Bases dos EUA no Golfo Pérsico

Costa acrescentou que, com a inutilização de bases dos EUA no Oriente Médio, os caças israelenses e estadunidenses precisam viajar longas distâncias, o que dificulta as operações.

“A constelação de bases dos EUA na região está, na sua maioria, inoperante. Portanto, os EUA estão a operar a partir dos dois porta-aviões, certamente a partir das bases em Israel e, muito provavelmente, do Chipre”, explicou.

Os ataques contra bases militares dos EUA em, pelo menos, 12 países do Golfo Pérsico teriam conseguido deixar Washington sem parte de seu apoio logístico.

“Ao decolar de um porta aviões, os caças saem com menos mísseis, e tem que ser reabastecidos. Para isso, devem estar, no mínimo, a uma distância de 700 km. É uma manobra operacional, em termos logísticos e de coordenação, muito complicada”, explicou.

Estreito do Ormuz

O fechamento parcial pela Guarda Revolucionária do Irã do Estreito de Omuz, por onde passa boa parte do petróleo comercializado no mundo, coloca ainda um peso econômico e de crise energética que deve perturbar os mercados, pressionando as elites ocidentais, em especial, a Casa Branca.

Em relação à Marinha iraniana, que Trump afirma ter destruído, o general Agostinho Costa lembra que Teerã construiu lanchas rápidas com lança-mísseis difíceis de eliminar.

“Os EUA e Israel já eliminaram os navios maiores da Marinha Iraniana. Só que os iranianos foram criativos ao manterem as pequenas lanchas rápidas. E é com essas lanchas que eles controlam o Golfo Pérsico e controlam o Estreito de Ormuz”, explicou.

Ataques contra Israel

Os ataques com mísseis e drones contra Israel não teriam conseguido impor perdas substanciais ao governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que tem conseguido interceptar a maioria dos projéteis.

Por outro lado, o major-general português diz que o Irã usou contra Israel, em sua maioria, mísseis mais antigos, de primeira e segunda geração. Portanto, Teerã teria ainda os mísseis mais potentes, como os hipersônicos, que ultrapassam a velocidade do som e são mais difíceis de interceptar pelas defesas israelenses.

“A prioridade em relação a Israel é desgastar o sistema de defesa aéreo. Isto é, utilizar um volume de grandes mísseis e drones que leve Israel a esvaziar os depósitos de mísseis de defesa aérea. É esse o objetivo iraniano”, ponderou.

Negociações suspensas

Agostinho sugere que, ainda no sábado (28), Trump teria indicado a disposição de reabrir a negociação com Teerã após o assassinato de Ali Khamenei, segundo fonte ouvida pelo jornal israelense Yedioth Arnoth.

Nesta terça-feira (3), Trump foi às redes dizer que a defesa e a força aéreas, a Marinha, e as lideranças do Irã “acabaram” e que Teerã teria proposto voltar as negociações. “Tarde demais”, disse o chefe da Casa Branca.

A informação foi logo desmentida pelo presidente do Conselho de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani. “Não negociaremos com os EUA”, afirmou a autoridade iraniana.

Para o general português ouvido pela Agência Brasil, os discursos de Washington são contraditórios e o anúncio de Trump de que os EUA têm munição “ilimitada” que pode sustentar uma guerra “para sempre” pode não passar de “bravata”.

Isso porque importantes jornais dos EUA – como The Washington Post e Wall Street Journal – afirmam que acessaram documentos do general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, onde ele alertava para risco de “falta de munição” em uma guerra prolongada contra o Irã.

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Nikolas Ferreira viajou em jato de Vorcaro na campanha de 2022

Por:Sul 21
3 de Março de 2026, 18:49

Da Agência Brasil

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o pastor e influencer Guilherme Batista, da Igreja Batista da Lagoinha, usaram, em outubro de 2022, um jato (prefixo PT-PVH) que pertenceria ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. 

Nikolas e o pastor viajaram na aeronave na caravana Juventude pelo Brasil, que apoiava o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante 10 dias no mês de outubro (20 a 28 de outubro) daquele ano, antes do segundo turno das eleições.

Eles utilizaram a aeronave modelo Embraer 505 Phenom 300 com o objetivo de chegar a todas as capitais do Nordeste, além de Brasília e cidades mineiras.

A informação foi revelada pelo jornal O Globo, nesta terça (3). Além dos voos para o Nordeste, o avião pousou também em Brasília.

Segundo o veículo, os percursos foram confirmados a partir da análise dos sinais emitidos pelo transponder da aeronave, monitorados por ferramentas específicas disponíveis online. O histórico de navegação coincidiria com o trajeto da campanha “Juventude pelo Brasil”.

Outra evidência foi uma foto publicada no Instagram da influenciadora cristã Jey Reis, em que Nikolas Ferreira e o pastor estão em frente à aeronave.

Em novembro de 2025, Vorcaro e outros acusados foram alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para investigar a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público ligado ao governo do Distrito Federal.  De acordo com as investigações preliminares, as fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões.

Desconhecimento

Em nota à imprensa, o deputado Nikolas Ferreira disse que utilizou a aeronave para o evento político sem saber que o proprietário do avião era Daniel Vorcaro. Ele afirma que tomou ciência apenas “posteriormente”.

“Minha presença no voo se deu exclusivamente em razão do convite para a agenda de campanha, sem qualquer vínculo pessoal, comercial ou institucional com o dono da aeronave, que posteriormente se soube tratar-se de Daniel Vocaro”.

Nikolas argumentou que, em 2022, o nome citado não era de conhecimento público “nem havia qualquer informação que levantasse qualquer tipo de alerta”.

O parlamentar considerou que, mesmo que houvesse a tentativa de identificar o proprietário da aeronave naquele momento, “não existia qualquer elemento que indicasse situação irregular ou que justificasse questionamento”.

Operadora nega que seja de Vorcaro

Por outro lado, também em nota, a empresa Prime You, operadora da aeronave Embraer 505 Phenom 300, prefixo PT-PVH, contradisse a versão e garantiu que Daniel Vorcaro não era e não é proprietário do jatinho.

“A aeronave citada opera — e já operava em outubro de 2022 — sob o regime regular de táxi aéreo, com voos fretados realizados nos moldes tradicionais do mercado. Trata-se, portanto, de operação de fretamento, sem qualquer vínculo societário ou patrimonial entre usuários do serviço e a aeronave”.

A assessoria de comunicação da Prime You explicou à Agência Brasil que não divulga informações relativas a clientes, passageiros ou destinos em vista das regras de confidencialidade para as operações de táxi aéreo.

A empresa acrescentou que Daniel Vorcaro deixou de ser sócio em setembro de 2025, e tinha participação minoritária.

Segundo a assessoria, não procede a informação de que Daniel Vorcaro estaria vinculado à estrutura societária atual da companhia.

A Agência Brasil não conseguiu contato com a assessoria da Igreja Lagoinha sobre a presença do pastor e influencer Guilherme Batista no voo.

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Mostra na Cinemateca Capitólio destaca obra de Gonzalo Suárez

Por:Sul 21
3 de Março de 2026, 14:27

A Cinemateca Capitólio, em parceria com o Instituto Cervantes, realiza a partir desta quinta-feira (5) a 11 de março uma mostra com quatro dos mais importantes filmes do cineasta espanhol Gonzalo Suárez. Pouco conhecido no Brasil, Suárez recebeu no sábado, 28 de fevereiro, o Goya de Honra da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas da Espanha, na 40ª edição dos Prêmios Goya deste ano, principal premiação do cinema espanhol. A mostra tem entrada franca, com distribuição de ingressos meia hora antes de cada sessão.

A obra de Gonzalo Suárez (Oviedo, 1934), jornalista, romancista e cineasta, transita entre a fantasia, a reflexão metacinematográfica e o humor irônico, desafiando as convenções narrativas e estéticas do cinema contemporâneo. Sua filmografía, de Ditirambo (1967) à A Verdadeira História de Frankenstein (1988) e além, demonstra um empenho constante em explorar a imaginação como motor criativo, sem se submeter a modas, correntes ou gêneros pré-estabelecidos. Seu cinema é um espaço de jogo e reflexão, um labirinto de referências literárias e culturais, no qual o humor convive com a melancolia, e o olhar crítico se manifesta com sutileza.

Suárez tem sido celebrado tanto na Espanha quanto internacionalmente. Sua filmografia reúne mais de 20 longas, nos quais a experimentação e o interesse pelo cinema narrativo caminham juntos. Seu legado é o de um artista livre, que concebeu o cinema como um ato de invenção constante e uma exploração dos limites da percepção e da narrativa.

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Porto Alegre: Arte urbana transforma espaços e percepções no Centro Histórico

Por:Sul 21
22 de Fevereiro de 2026, 10:00

Não é incomum circular por Porto Alegre e encontrar pessoas admiradas com os murais artísticos que ocupam muros e fachadas de prédios pela cidade. As obras de arte urbana chamam a atenção pelas cores e têm transformado esses espaços em pontos de encontro entre moradores e visitantes. No Centro Histórico, ao menos três locais se destacam nesse movimento: a Travessa Passarinho, a rua Sete de Setembro e a rua General João Manoel.

Moradora da Zona Norte, a auxiliar de limpeza Adriana Dutra aproveita os intervalos do trabalho para descansar na Travessa Passarinho. Além dos grafites, o espaço conta com bancos e uma estrutura que torna o ambiente mais propício para momentos de pausa. “Sempre que venho aqui vejo muita gente tirando foto, aproveitando o espaço. Isso mostra que a arte chama a atenção e cria uma relação com a cidade. Muda a cara de Porto Alegre”, destaca.

A percepção positiva se repete entre quem circula pelo Centro Histórico. A vendedora Lauren Chaves também defende esse tipo de intervenção artística e, em uma vinda da Zona Norte à região central, encontrou na Travessa Passarinho um local para aguardar uma carona. “Não sou a favor da pichação ou do vandalismo, e quando temos desenhos mais artísticos, percebo que as pessoas respeitam mais. Isso evita depredação e torna o ambiente mais bonito”, afirma.

Espaços como a Travessa Passarinho, a rua Sete de Setembro e a rua General João Manoel foram escolhidos pela prefeitura, por meio do programa Centro+ da Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão, para receber intervenções de artistas muralistas, em parceria com a BS Project.

Olhar de quem cria

Para os artistas muralistas envolvidos nos projetos de arte urbana, ações como essa representam a oportunidade de contribuir para uma cidade mais acolhedora e bonita. Um dos nomes que integram esse movimento é Maick Lima da Silva, conhecido como Maick Sei Lá. O artista assina um mural na Travessa Passarinho e outro na rua General João Manoel.

Maick Sei Lá assina dois trabalhos de grafite no Centro Histórico. Foto: Cesar Lopes/PMPA

Na avaliação de Maick, a arte tem o poder de humanizar a cidade, criar identidade, provocar reflexões e transformar espaços em locais de convivência. “Ver um mural meu no Centro Histórico é a realização de um caminho construído ao longo de muitos anos: é um lugar por onde passam milhares de pessoas todos os dias, com histórias, rotinas e olhares diferentes. Fico muito feliz em saber que a obra faz parte desse fluxo e pode tocar alguém”, comemora.

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Conselho de fiscalização é aposta da União e de representantes da cultura para garantir uso da Usina por artistas locais 

10 de Fevereiro de 2026, 18:38

O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, e a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, assinaram na tarde desta terça-feira (10) a cessão da Usina do Gasômetro para o Município por 21 anos. O gesto foi simbólico, ainda faltam pequenos detalhes jurídicos para o contrato oficial. No entanto, representantes do Governo Federal e da classe artística detalham que será criado um conselho de fiscalização para garantir que a futura parceria público-privada do espaço cultural cumpra com as contrapartidas definidas em edital. A medida é fruto de um diálogo que se estabeleceu desde que a União ingressou com uma ação, em agosto do ano passado, para suspender edital de PPP da Usina do Gasômetro proposto pela Prefeitura.

O conselho deverá ter representantes da União, de órgãos como Ministério da Cultura (Minc) e Secretaria do Patrimônio da União (SPU); da Prefeitura e do Conselho Municipal de Cultura (CMC). “Uma das coisas que a Prefeitura topou, e para a gente foi importante, é essa fiscalização compartilhada. Não só os governos federal e municipal juntos, mas também a sociedade civil. Ajuda muito a ter um olhar da população, representada pelos movimentos de cultura. É uma cessão onerosa, não financeiramente, mas com encargos, e esse é um dos encargos que têm que ser cumpridos pela Prefeitura”, afirma a ministra Esther Dweck.

A presidente do CMC, Márcia Cavalcante, considera a criação do conselho o “grande diferencial” do processo de diálogo provocado pelo Movimento Gasômetro do Povo e diz que o acordo envolvendo União, Município e representantes da classe artística “trouxe um alento”. “Não é o ideal, mas tem muitos avanços, entre eles a gestão compartilhada. Nós do Conselho Municipal de Cultura vamos acompanhar de perto. Nosso primeiro passo, a partir de amanhã, é já convocar uma reunião para implementação desse conselho”, afirma.

Para Cavalcante, o conselho de fiscalização será fundamental para garantir que os demais pontos do acordo sejam cumpridos, como o retorno do Usina das Artes e demais editais de ocupação. Três espaços da casa deverão ser cedidos para o Usina das Artes, projeto em que grupos culturais podem desenvolver uma ação continuada, com oficinas, ensaios e apresentações. Além disto, haverá datas para ocupação artística nos demais espaços da Usina. Estão previstas 180 datas anuais para uso da nave da Usina, 80 datas para o cinema e 56 datas para o Teatro Elis Regina. Tanto estas datas, quanto o Usina das Artes, deverão selecionar os ocupantes por editais.

Outro ponto destacado pela União e pelo CMC é que a gestão da Usina deverá ficar a cargo da Secretaria Municipal de Cultura. O parceiro privado não deverá atuar como uma espécie de dono do espaço, como ocorre em outros espaços culturais. Recentemente, o Sul21 mostrou que a produtora concessionária do Teatro Túlio Piva derrubou a venda de ingressos de um espetáculo que havia sido contemplado em edital. O fato vinha ocorrendo reiteradamente, e, de acordo com a presidente do CMC, foi sanado pela Prefeitura após demanda do Conselho.

No caso do Auditório Araújo Vianna, um levantamento feito pela Matinal mostrou que, entre 2022 e 2024, foram realizados apenas quatro eventos culturais no Auditório Araújo Vianna pela Prefeitura, de um total de 90 datas disponíveis. Questionado se na Usina do Gasômetro pode ocorrer algo semelhante, Melo destacou que a reforma do Teatro Túlio Piva foi viabilizada pela concessão do Araújo Vianna. “Acho que a primeira coisa a destacar é que, se hoje temos a obra do Túlio Piva, é contrapartida [pela concessão do Araújo Vianna], e ali mais de 50% dos espaços são públicos. Quem vai comandar aqui é a Secretaria da Cultura. Se o parceiro não cumprir o edital, rompe-se o contrato”, garantiu.

O prefeito Sebastião Melo afirmou que o edital de PPP deverá ser semelhante ao lançado anteriormente, feitas apenas algumas “adaptações” após o diálogo com o Governo Federal, como o retorno do Usina das Artes ao espaço, e mais datas para a cultura local. Melo destacou que a parceria deixa mais “leve” a gestão do espaço, mas garantiu a gestão de eventos culturais pela Secretaria de Cultura. “Em em um espaço de 13, 14 mil metros quadrados, fica mais leve ter uma parceria. É uma PPP patrocinada, que tem mais recursos públicos do que privados. Vai ter bar, vai ter café e uma pequena loja de souvenirs. Agora, a questão cultural vai ser comandado pela Cultura, inclusive com uma comissão que vai acompanhar tanto do Governo municipal quanto federal”.

Tom amistoso

Declarações destacando o respeito e o diálogo entre Prefeitura e União marcaram a cerimônia de assinatura da cessão da Usina do Gasômetro, ainda que de um lado estivessem bolsonaristas e, do outro, lulistas. Acompanhado por políticos do PL, como a vice-prefeita Betina Worm e o vereador Jessé Sangalli, além de integrantes do secretariado e do presidente da Câmara dos Vereadores, Moisés Barboza (PSDB), Melo levou a petista Esther Dweck para uma visita às instalações da Usina do Gasômetro, chegando até o terraço, onde a comitiva posou para fotografias.

Na cerimônia de assinatura, o prefeito fez elogios à articulação de dois deputados federais do PT, Maria do Rosário e Paulo Pimenta. Ele destacou a boa relação com o Governo Federal e as cerca de dez mil moradias viabilizadas pelo programa de compra assistida para atingidos pela enchente de maio de 2024. A ministra, por sua vez, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre orienta os ministros a manter boas relações com os prefeitos, independentemente do partido, uma vez que o povo brasileiro é beneficiado por essa boa relação.

Edital provisório

Enquanto o edital de parceria público-privada não é relançado, a Secretaria Municipal de Cultura vai lançar um edital para ocupação artística da nave da Usina do Gasômetro e do Teatro Elis Regina. De acordo com a secretária de Cultura, Liliana Cardoso, o edital deve ser lançado em cerca de 15 dias. Ao todo, serão 280 datas a serem ocupadas imediatamente após o final do certame.

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