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Preocupação com ‘excessos’ em data centers cresce e alguns títulos já são enquadrados como junk bonds

A CleanSpark captou cerca de US$ 2,28 bilhões por meio de sua primeira emissão de títulos conhecidos no mercado como junk bonds, de alto risco e que precisam pagar mais juros para atrair investidores, para financiar data centers para inteligência artificial vinculados à Meta Platforms.

A precificação dos títulos com vencimento em cinco anos indicou um rendimento de cerca de 8,25%, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Isso representa perto de 2 pontos percentuais a mais do que a média da dívida emitida por empresas com classificação BB acompanhada pela Bloomberg, à medida que os investidores têm exigido prêmios mais altos em financiamentos para novos data centers.

investidores têm exigido prêmios mais altos para financiamentos de data centers em meio ao aumento dessas ofertas e à crescente preocupação com gastos excessivos de capital, elevando os custos de financiamento da expansão da infraestrutura de inteligência artificial.

Financiamentos semelhantes, respaldados por locatários com grau de investimento, foram vendidos a rendimentos inferiores a 6% no início deste ano.

Investidores apresentaram pedidos equivalentes, aproximadamente, a quatro vezes o tamanho total da emissão lançada na quinta-feira (17), disseram as pessoas, sob condição de anonimato, pois não estão autorizadas a falar publicamente.

A captação ajudará a financiar a construção de um data center em Sandersville, no estado americano da Geórgia, segundo um documento regulatório. O Morgan Stanley lidera a emissão, disse outra pessoa.

A instalação foi totalmente alugada pela Anviran, subsidiária da Meta, por meio de um contrato de US$ 6,6 bilhões com duração de 20 anos, de acordo com uma apresentação da CleanSpark.

Data centers: fluxo de receitas

A previsão é que o data center comece a operar no quarto trimestre de 2027, e a Meta garantirá o pagamento do aluguel e das despesas operacionais, informou a empresa.

Trata-se da primeira emissão de junk bonds vinculada a data centers da Meta, segundo dados compilados pela Bloomberg.

O compromisso da Meta com a CleanSpark oferece à empresa tomadora, classificada como de grau especulativo, um fluxo de receita previsível para sustentar o financiamento de um projeto caro.

Desenvolvedores de data centers venderam cerca de US$ 39 bilhões em títulos classificados como high yield – de alto rendimento e risco elevado – até agora neste ano, a maioria respaldada por contratos de locação de longo prazo com empresas de computação em nuvem em hyperscalers, incluindo Oracle e Amazon, segundo dados compilados pela Bloomberg.

A CleanSpark e o Morgan Stanley não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. A Meta se recusou a comentar.

Sediada em Las Vegas, a CleanSpark está entre o número crescente de empresas abertas de mineração de bitcoin que estão se tornando operadoras de data centers para dar suporte a aplicações de inteligência artificial. A companhia tem valor de mercado de aproximadamente US$ 3,29 bilhões.

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Desaceleração da economia ameaça reeleição de Milei na Argentina

A um ano da tentativa de reeleição do presidente argentino Javier Milei, a recuperação econômica que sustentou a popularidade do governo está perdendo força.

O Produto Interno Bruto encolheu 0,6% no segundo trimestre ante os três meses anteriores, a primeira contração em dois anos e um revés para um governo que conta com uma aceleração do crescimento antes da eleição de outubro de 2027.

Os argentinos elegeram o libertário que vinha de fora da política tradicional em 2023 na esperança de que a austeridade e mercados mais livres pudessem conter a inflação e estabilizar uma economia marcada por crises recorrentes.

A “terapia de choque” de Milei conseguiu reduzir fortemente o ritmo de alta dos preços, mas pesquisas mostram que os eleitores estão cada vez mais preocupados com a fraqueza do mercado de trabalho.

A atividade cresceu 2% em relação ao ano anterior, sustentada pelo forte avanço das exportações de energia e produtos agrícolas, enquanto as importações recuaram. Em uma publicação no X, o ministro da Economia, Luis Caputo, destacou que 13 dos 16 setores cresceram no primeiro semestre do ano.

Ainda assim, os dados mais recentes do PIB “estão longe de ser convincentes o suficiente para dissipar as preocupações políticas — a principal variável que pesa sobre os mercados argentinos”, afirmou Jimena Zuniga, economista para a Argentina da Bloomberg Economics.

Investidores em títulos soberanos do país temem que o enfraquecimento do apoio ao programa de Milei aumente as chances de reversão das reformas fiscais e de mercado após a eleição de 2027.

Adversários de esquerda de Milei tentam transformar o aumento do desemprego e a fragilidade da renda das famílias nos temas centrais da eleição de outubro de 2027.

Perspectiva desoladora

Fernando Marull, sócio da consultoria FM&A, vê a possibilidade de uma segunda contração consecutiva no terceiro trimestre, o que colocaria tecnicamente a Argentina em recessão.

Mesmo que a economia escape de uma recessão, a perspectiva para as famílias continua sombria, afirmou Carlos Melconian, diretor da MacroView SA.

“Independentemente de haver ou não dois trimestres negativos, vai ser extremamente apertado”, afirmou Melconian. “Os componentes que as pessoas realmente sentem já estão sendo duramente atingidos.”

A inflação anual desacelerou para 34% no mês passado, ante mais de 200% quando Milei assumiu o cargo. Uma pesquisa da AtlasIntel realizada no mês passado mostrou que corrupção e desemprego superaram a inflação entre as principais preocupações dos eleitores.

Milei, no entanto, continua concentrado em consolidar a vitória sobre a inflação, que pretende levar para menos de 1% ao mês.

Peso forte

Isso o levou a apoiar uma política de peso forte, ela esteja pesando sobre o crescimento. A moeda enfraqueceu apenas 3,7% em relação ao dólar no acumulado do ano até agosto, enquanto os preços ao consumidor subiram 21%.

Essa valorização em termos reais foi reforçada nas últimas semanas pela intervenção oficial nos mercados de títulos e futuros, enquanto permanecem em vigor controles cambiais para empresas.

Os adversários de Milei têm concentrado cada vez mais atenção nesse ponto. Em um evento no início deste mês, o nome mais claramente colocado na disputa, o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, classificou a abordagem do governo como uma “política criminosa e suicida de desindustrialização do país”.

Parlamentares da oposição também levaram o argumento ao Congresso e recentemente conseguiram convocar uma sessão sobre o aumento do endividamento das famílias e da inadimplência em empréstimos, embora nenhuma das propostas de alívio tenha avançado até agora.

Milei apresenta uma narrativa diferente e aponta para o forte crescimento da agricultura, energia e mineração como evidência de uma economia que deixou para trás a pior fase.

Ao mesmo tempo, varejo, construção e indústria, que empregam muito mais pessoas, estão cortando postos de trabalho, enquanto a inadimplência no crédito ao consumidor dispara.

O consumo encolheu 2,4% no segundo trimestre, com o baixo crescimento dos salários e o crédito restrito pressionando as finanças das famílias.

Esses setores em dificuldades respondem por cerca de metade do emprego assalariado privado formal da Argentina, enquanto as indústrias que impulsionam exportações e investimentos representam apenas cerca de um quinto.

No total, o emprego assalariado privado formal diminuiu em cerca de 246.300 postos desde pouco antes de Milei assumir o cargo, enquanto o número de empresas caiu em mais de 30 mil.

Índice de aprovação

Esse cenário deixa Milei vulnerável na corrida eleitoral. A aprovação do presidente estava em 38% na pesquisa mais recente da AtlasIntel, enquanto 58% desaprovavam sua gestão e 70% classificavam o mercado de trabalho como ruim.

Nesta semana, o governo reduziu a projeção de crescimento para 2026 de 5% para 3%, enquanto economistas consultados pelo banco central esperam algo mais próximo de 2%.

Osvaldo Giordano, presidente do instituto econômico IERAL, da Fundación Mediterránea, espera que a economia evite uma recessão, com a atividade praticamente estável neste trimestre. Mas a distância entre o crescimento modesto e o que os argentinos esperam após anos de turbulência econômica representa um risco para Milei, afirmou.

“A tolerância de uma sociedade não é a mesma quando há apenas um ano ruim”, afirmou Giordano. “Aqui, é uma sucessão de anos muito ruins. Por isso, a paciência é menor.”

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Volkswagen reduz previsão de lucro com crise na China

A Volkswagen reduziu sua projeção de lucro, citando uma forte retração na China, custos de reestruturação e uma baixa contábil de € 6 bilhões (US$ 6,9 bilhões) relacionada à fabricante de carros esportivos Porsche. As ações da companhia registraram a maior queda em um ano.

A montadora alemã agora espera uma margem operacional de no máximo 1%, ante uma previsão anterior de pelo menos 4%, informou a empresa nesta sexta-feira (18). A Volkswagen disse que efeitos negativos de cerca de € 10 bilhões (US$ 11,6 bilhões) afetarão os resultados deste ano, a maior parte deles no terceiro trimestre.

Excluindo esses itens extraordinários, a companhia estima uma margem operacional de cerca de 4%.

As ações da Volkswagen chegaram a cair 7,5%, em um movimento que também atingiu outras montadoras, como BMW, Mercedes-Benz e Ford Motor.

O alerta amplia os desafios para o CEO Oliver Blume, que tenta reestruturar a maior montadora da Europa enquanto seus antigos motores de crescimento perdem força.

No início deste mês, a Volkswagen chegou a um acordo difícil com representantes dos trabalhadores que pode dobrar os cortes de empregos previstos para 100 mil postos no mundo. A administração também sofre pressão para reduzir o excesso de capacidade das fábricas e os custos na Alemanha.

A China se tornou um problema cada vez mais grave. O lucro no país, que por muito tempo foi o maior mercado da Volkswagen e uma importante fonte de resultados, despencou à medida que fabricantes locais conquistam participação de mercado e a economia chinesa permanece fraca.

A Porsche prepara uma apresentação a investidores e analistas para 7 de outubro, quando deve apresentar metas financeiras de médio prazo e atualizar sua estratégia. A Volkswagen afirmou que a baixa contábil ocorreu após uma revisão do planejamento de longo prazo e das premissas utilizadas na avaliação da Porsche, indicando que o ajuste está relacionado a esse processo.

Entre os outros fatores que levaram ao alerta de lucro desta sexta-feira, a Volkswagen afirmou que o crescimento mais rápido que o esperado das vendas de veículos elétricos na Europa está pressionando a rentabilidade, especialmente das marcas Volkswagen e Audi.

Os modelos elétricos geralmente têm margens menores que veículos equivalentes com motores a combustão. Com isso, a mudança mais rápida na composição das vendas reduz os ganhos, mesmo com o aumento da demanda por veículos elétricos.

A Volkswagen também espera custos relacionados à venda planejada da fábrica de Osnabrück, onde a produção de veículos deve terminar em 2027. A Volkswagen, o estado da Baixa Saxônia e a Aurelius Capital chegaram neste mês a um acordo potencial para transformar a fábrica em um polo de produção voltado aos setores de segurança e defesa, com a Rafael Advanced Defense Systems escolhida para um projeto inicial de sistemas de defesa aérea.

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CSN recebe ofertas de R$ 11 bi pela unidade de cimento: Votorantim, Huaxin e Polimix estão na disputa

Os títulos de dívida da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) estão entre os que mais se valorizaram nos mercados emergentes desde a nomeação do novo CEO da companhia. Investidores avaliam que o programa de venda de ativos pode finalmente avançar e ajudar a siderúrgica a reduzir o alto endividamento.

Ex-presidente da Vale, Fabio Schvartsman foi anunciado como novo CEO da CSN em 2 de setembro. A mudança é vista por investidores e bancos credores como o início de uma nova fase para a companhia, que é comandada por Benjamin Steinbruch há duas décadas.

A escolha de um executivo de fora da família controladora foi interpretada como um sinal positivo, ao colocar à frente da empresa alguém com experiência para concluir negociações que se arrastam há anos.

“É uma mudança simbólica positiva”, disse Nicolas Giannone, analista da Balanz. Segundo ele, embora Steinbruch continue como presidente do conselho de administração, a chegada de Schvartsman “coloca um novo rosto em uma ‘nova’ CSN e reafirma a intenção da companhia de reduzir a alavancagem e simplificar os negócios”.

Os títulos da CSN acumulam retorno médio de cerca de 5% desde o anúncio, enquanto um índice mais amplo de dívida corporativa de mercados emergentes registra perda de 0,5% no período.

Venda da CSN Cimentos

A venda da unidade de cimento está em estágio mais avançado, e um acordo pode ser anunciado nas próximas semanas, segundo pessoas com conhecimento das negociações ouvidas pela Bloomberg sob condição de anonimato.

Huaxin, Votorantim e Polimix fizeram propostas vinculantes de cerca de R$ 11 bilhões cada, segundo as fontes. O valor está abaixo dos R$ 15 bilhões pretendidos pela CSN, mas a companhia pode aceitar uma oferta menor, disseram.

A unidade de cimento foi dada como garantia a bancos em um empréstimo de pelo menos US$ 1,2 bilhão concedido em março, segundo pessoas familiarizadas com o assunto haviam informado anteriormente.

A CSN também negocia a venda da Stahlwerk Thuringen (SWT), siderúrgica na Alemanha comprada pela companhia em 2012 por US$ 634 milhões, segundo as fontes.

A companhia também recebe ofertas por alguns ativos de infraestrutura e pode optar por vendê-los separadamente, em vez de negociar uma participação minoritária no negócio de infraestrutura como um todo, como pretendia inicialmente.

CSN Mineração

Acionistas da CSN Mineração avaliam aumentar suas participações na companhia, aproveitando os preços considerados baixos, por meio da compra de ações adicionais da holding controladora, segundo as fontes.

A Itochu Corporation é a segunda maior acionista da CSN Mineração, com participação de 10,85% adquirida em 2024 por R$ 4,42 bilhões. A Japão Brasil Minério de Ferro Participações Ltda. é a terceira maior acionista, com 9,35%, segundo a companhia. A Japão Brasil é uma subsidiária da Itochu.

A Votorantim não quis comentar. CSN, CSN Mineração, Embu S.A., a unidade brasileira da Huaxin e Polimix não responderam aos pedidos de comentário. A Itochu também não respondeu.

Mudança no comando

Steinbruch é considerado um negociador duro em processos de venda de ativos e costuma buscar condições mais favoráveis para a CSN. A última venda de controle de um negócio da companhia ocorreu em 2018, quando a empresa recebeu US$ 400 milhões pela operação siderúrgica americana CSN LLC.

Investidores avaliam que Schvartsman tem experiência para avançar com o programa de desinvestimentos da CSN. O executivo passou por algumas das maiores empresas brasileiras dos setores industrial e de recursos naturais, como Vale e Klabin.

Cesar Fernandez, sócio da Alpha Credit Advisors, disse que o novo CEO pode acelerar o programa de venda de ativos da CSN e interromper “uma trajetória de alavancagem que vem tomando o caminho errado há anos”.

A expectativa é que Schvartsman apresente resultados rapidamente. Mesmo após a alta recente, os títulos da CSN em dólar acumulam perda média de cerca de 11,2% em 2026.

No início do ano, investidores venderam os títulos da siderúrgica diante do temor de que a CSN pudesse enfrentar dificuldades financeiras em meio às taxas de juros de dois dígitos no Brasil.

A situação financeira da companhia continua pressionada. No último trimestre, a CSN registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 773 milhões (US$ 151,7 milhões), no décimo trimestre consecutivo de resultado negativo. O prejuízo foi seis vezes maior que o registrado um ano antes.

A CSN acumulou dívidas para financiar investimentos em suas diferentes unidades de negócios. Os juros elevados e a concorrência estrangeira, que pressionaram o crescimento, também afetaram o balanço da companhia.

A dívida líquida chegou a R$ 42,1 bilhões em 30 de junho, elevando a relação entre dívida líquida e Ebitda para 3,5 vezes.

A experiência de Schvartsman também pode ajudar nas negociações com credores, segundo Daniel Sasson, analista do Itaú BBA. Ele destacou, entre outros pontos, a aprovação do projeto Puma 1 na Klabin, que dobrou o Ebitda da companhia.

“O novo executivo tem um histórico forte e também passou por períodos de incerteza quando estava na Klabin e na Vale”, disse Manuel Mondia, gestor de portfólio da Aquila Asset Management. “A notícia sobre a mudança no comando fez os títulos se recuperarem das mínimas, e uma valorização adicional agora depende da execução dos planos da companhia.”

*Giovanna Bellotti Azevedo, Rachel Gamarski and Mariana Durão

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On contrata Mbappé para entrar no mercado de futebol e desafiar Nike e Adidas

A On contratou o astro francês Kylian Mbappé como parceiro no desenvolvimento de produtos para futebol e como representante da marca, em um movimento ousado para desafiar o domínio de Nike e Adidas no esporte.

A empresa suíça equipará Mbappé, atacante de 27 anos que já é o maior artilheiro da história das Copas do Mundo, com chuteiras desenvolvidas especialmente para ele, enquanto amplia o uso de sua tecnologia de fabricação de calçados LightSpray, segundo comunicado. Mbappé, principal estrela do Real Madrid, já foi patrocinado pela Nike.

As ações da On chegaram a subir 7,4% no pré-mercado nos Estados Unidos após a notícia. As ações da Nike recuavam 0,6%, enquanto as da Adidas tinham queda semelhante em Frankfurt.

A On também contratou Thierry Henry, ex-astro da seleção francesa e do Arsenal, da Premier League inglesa, como diretor de futebol. Os valores financeiros das parcerias não foram divulgados.

A empresa, que tem Roger Federer como investidor, cresceu rapidamente desde sua fundação, em 2010. Começou com calçados para corrida e depois expandiu para tênis, treinamento e esportes ao ar livre.

A On também busca aumentar sua receita com vestuário, tanto para esportes quanto para produtos de estilo de vida. A companhia realizará na terça-feira um evento com investidores, no qual deve apresentar metas financeiras para os próximos anos.

Embora o futebol seja há muito tempo o esporte mais popular do mundo, nos últimos anos ele também ganhou espaço como fonte de produtos ligados a estilo de vida e moda para concorrentes como Adidas, Nike e Puma. As marcas registraram aumento nas vendas neste verão com camisas de seleções e clubes patrocinados por elas na Copa do Mundo.

O futebol sofreu menos mudanças provocadas por marcas desafiantes nos últimos anos do que o mercado de corrida, no qual empresas como On e Hoka conquistaram participação de mercado com produtos inovadores. New Balance e Skechers também avançaram no futebol, sendo que a segunda patrocina o astro inglês Harry Kane, que também joga pelo Bayern de Munique.

A On pretende “repensar os produtos para atender às exigências do jogo e, ao mesmo tempo, levar uma nova energia à cultura que o cerca”, segundo o comunicado.

Mbappé trabalhará em estreita colaboração com a equipe da On para desenvolver e testar chuteiras e roupas esportivas, além de representar a marca fora dos campos, informou a empresa. Além de ser um dos principais talentos do futebol, Mbappé também conquistou fãs por seu estilo de moda e participou de campanhas da Dior.

“O que me atraiu na On foi a oportunidade de construir algo totalmente novo juntos, que ajudará a moldar o futebol de amanhã”, disse Mbappé no comunicado.

A On acredita que sua tecnologia LightSpray — na qual robôs aplicam a parte superior do calçado a partir de um filamento em questão de minutos — será uma vantagem no futebol. O objetivo é criar produtos “excepcionalmente leves, precisos e próximos do atleta como uma segunda pele”, segundo a empresa.

A On apresentou a tecnologia em 2024 e ampliou seu uso, passando de tênis de maratona de alto padrão para produtos voltados a um mercado mais amplo. A empresa inaugurou uma fábrica dedicada à LightSpray na Coreia do Sul no início deste ano e planeja iniciar em breve outra unidade no Vietnã. Futuros locais de produção poderão ser instalados nos Estados Unidos e na Europa, disse Caspar Coppetti, co-CEO da companhia, em entrevista em junho.

A primeira incursão da On no futebol ocorreu em dezembro, quando a empresa contratou a jovem estrela suíça Sydney Schertenleib, que joga no time feminino do Barcelona, para colaborar no desenvolvimento de produtos voltados a treinamento e estilo de vida. Agora, ela também representará a marca no futebol e ajudará a desenvolver produtos destinados ao futebol feminino.

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Rússia liga tomada de ativos da Nestlé à ajuda europeia à Ucrânia

O Kremlin relacionou a tomada de ativos na Rússia pertencentes à gigante suíça de alimentos Nestlé e à rede francesa de supermercados Auchan ao apoio militar europeu à Ucrânia.

“Estamos falando de empresas, empresas europeias de países hostis”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a jornalistas na sexta-feira (18). “Um dos fatores levados em consideração ao tomar essa decisão foi que este é um país hostil e que este é um país hostil que atualmente está mais ativamente envolvido em ações militares contra nosso país.”

O presidente Vladimir Putin publicou um decreto na noite de quinta-feira (17) determinando que participações nos negócios da Nestlé e da Auchan na Rússia fossem colocadas sob administração temporária de uma empresa chamada AO L.E.V. Menedzhment.

É a maior tomada de ativos corporativos estrangeiros na Rússia desde pelo menos 2024. A medida ocorre em meio às tensões com a Europa, que impôs amplas sanções à Rússia e está enviando dezenas de bilhões de dólares em armas e ajuda financeira para apoiar a defesa da Ucrânia contra a invasão em larga escala ordenada por Putin em fevereiro de 2022.

A AO L.E.V. Menedzhment foi registrada em Moscou em 2024, com capital social de apenas 15 mil rublos (US$ 177) e um único funcionário, segundo dados do registro russo. A empresa tinha pouca exposição pública antes do decreto.

As ações da Nestlé caíram até 1,9% nas negociações iniciais de sexta-feira (18), atingindo o menor nível em três meses antes de reduzir parte da queda.

A medida do Kremlin evidencia o ambiente empresarial cada vez mais difícil enfrentado pelas empresas internacionais que permanecem na Rússia. Mais de mil empresas deixaram o país depois do início da guerra e da imposição de várias rodadas de sanções internacionais contra Moscou.

Ainda assim, grandes empresas como PepsiCo, Mondelez International e Raiffeisen Bank International continuam operando na Rússia sob restrições crescentes, embora tenham reduzido suas operações.

A Rússia aprovou uma lista de países que considera “hostis” pouco depois do início da invasão. Além de todos os países da União Europeia e dos Estados Unidos, vários outros países, incluindo a Suíça, estão na lista. Transações financeiras e comerciais envolvendo empresas desses países estão sujeitas a restrições adicionais e exigências regulatórias na Rússia.

A Nestlé afirmou em comunicado na sexta-feira (18) que tomou conhecimento do decreto de Putin e estava avaliando a situação e suas opções.

“A Nestlé está empenhada em tomar todas as medidas necessárias para proteger seus direitos e garantir a continuidade das operações comerciais no interesse de todas as partes interessadas, especialmente seus funcionários”, afirmou.

O governo suíço deve se pronunciar sobre o caso ainda nesta sexta-feira (18).

A Suíça adotou sanções semelhantes às da União Europeia contra a Rússia por causa da guerra na Ucrânia, rompendo com sua abordagem anterior de neutralidade. A medida deu origem a uma iniciativa para impor uma interpretação mais rígida da tradicional doutrina de neutralidade do país, e os eleitores decidirão sobre a proposta em 27 de setembro.

A Rússia se manifestou publicamente sobre a campanha a favor de uma neutralidade mais rígida. Se aprovada, a proposta impediria a Suíça de impor sanções a países em conflito sem respaldo da ONU, o que significaria que o país não poderia mais manter as atuais medidas contra a Rússia com base no mesmo fundamento.

A Auchan Retail Russia afirmou ter solicitado esclarecimentos sobre o decreto e que apresentaria uma resposta mais detalhada depois de receber as informações pertinentes, informou a empresa à agência estatal Tass.

A Rússia assumiu o controle de dezenas de ativos internacionais desde 2023, quando alterou a legislação para criar um mecanismo de administração temporária que permite ao Estado assumir o controle de participações pertencentes a empresas de países “hostis”.

Entre os casos estão as unidades locais da empresa finlandesa de serviços públicos Fortum, da fabricante francesa de iogurtes Danone e da cervejaria dinamarquesa Carlsberg.

As ordens de administração temporária muitas vezes foram seguidas pela transferência dos ativos para compradores russos aprovados pelas autoridades, muitos deles com ligações com o Kremlin. Danone e Carlsberg tiveram seus ativos brevemente devolvidos, mas depois foram obrigadas a vendê-los a empresas russas com grandes descontos.

Ativos estrangeiros sob controle russo

O Kremlin também tornou cada vez mais difícil para empresas estrangeiras deixarem a Rússia. Transações envolvendo investidores de países “hostis” exigem que os vendedores aceitem um desconto de pelo menos 60%, além de um imposto especial de saída.

Em agosto, Putin sancionou uma lei que permite aos tribunais russos impedir que investidores estrangeiros que deixaram o país depois da invasão da Ucrânia em 2022 recomprassem os ativos que haviam vendido. Ele afirmou repetidamente que será difícil voltar ao mercado russo.

Ainda assim, o decreto sobre a Nestlé e a Auchan, publicado na noite de quinta-feira (17), foi inesperado. O Kremlin não havia usado o mecanismo contra ativos de valor comparável desde pelo menos 2024, quando fábricas pertencentes à AB InBev Efes, uma joint venture entre a cervejaria belga AB InBev e a turca Anadolu Efes, foram colocadas sob administração temporária.

Nestlé na Rússia

A Nestlé opera na Rússia desde os anos 1990, mas reduziu seus negócios após 2022, suspendendo algumas marcas e interrompendo importações e exportações não essenciais, além de publicidade e investimentos de capital. A gigante suíça possui seis fábricas na Rússia, que empregam mais de 7 mil pessoas e onde continuou a produzir o que descreve como alimentos essenciais e de consumo cotidiano.

A Rússia responde por cerca de 2% das vendas globais da Nestlé, o equivalente a aproximadamente 2 bilhões de francos suíços (US$ 2,5 bilhões) por ano.

A perda do controle sobre os ativos russos poderia representar uma baixa contábil de cerca de 1 bilhão de francos suíços, segundo analistas liderados por David Hayes, do Jefferies.

A resposta da Nestlé à ordem de Putin tem sido “pouco comprometedora” até agora, embora os precedentes de Danone e Carlsberg não sejam animadores, disse Warren Ackerman, analista do Barclays.

“Interpretamos o decreto como um passo em direção a uma possível mudança de propriedade, embora o momento, o processo e a compensação sejam desconhecidos”, acrescentou.

A Auchan esteve entre a primeira onda de grandes empresas ocidentais de bens de consumo a expandir suas operações na Rússia, ao abrir sua primeira loja no país em 2002. A empresa construiu uma ampla rede de lojas e atualmente opera 230 supermercados e hipermercados em todo o país, segundo seu site.

No início deste ano, uma empresa pouco conhecida chamada KS Logistics pediu a Putin que colocasse as entidades locais da Nestlé sob administração temporária, informou o jornal Kommersant. Na época, a Nestlé disse ao veículo que não havia recebido nenhuma solicitação das autoridades russas e que seus escritórios e fábricas continuavam funcionando.

Não está claro se a KS Logistics tem alguma relação com a L.E.V. Menedzhment. Esta última nomeou Andrey Krayushkin como seu novo diretor-presidente apenas na semana passada, segundo dados do registro russo.

Krayushkin atuou até pelo menos 2020 como primeiro vice-chefe do departamento de migração do Ministério do Interior e tinha a patente de major-general, informou na quinta-feira (17) o veículo de oposição russo Novaya Gazeta Europe, citando bancos de dados que, segundo o veículo, estavam em sua posse. A Bloomberg não conseguiu verificar a informação de forma independente.

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Warren Buffett deixa presidência do conselho da Berkshire: ‘o tempo sempre vence’

O fundador da Berkshire Hathaway, Warren Buffett, está deixando o cargo de presidente do conselho de administração da companhia e será substituído pelo filho, Howard, no mais recente passo do processo de sucessão de um dos mais conhecidos conglomerados de investimentos do mundo.

O bilionário passará a ser presidente emérito da companhia, título honorário concedido a ex-presidentes, com efeito imediato, segundo comunicado divulgado nesta sexta-feira (18). Buffett continuará como membro do conselho de administração, enquanto seu filho, que integra o conselho da empresa desde 1993, assumirá a presidência.

“Warren teve um impacto sobre a Berkshire e seus acionistas sem paralelo na história dos negócios americanos”, disse Greg Abel, que substituiu Buffett no início deste ano como CEO da companhia. “A cultura que Warren construiu e os valores que defendeu continuarão no centro da Berkshire, e Howard será seu guardião.”

Aos 96 anos, Buffett deixa a presidência do conselho após mais de seis décadas à frente da companhia sediada em Omaha, Nebraska. A empresa era originalmente uma decadente fábrica têxtil e foi transformada pelo lendário investidor em um conglomerado avaliado em mais de US$ 1 trilhão.

Em uma carta aos acionistas, Buffett afirmou que decidiu deixar o cargo depois que Abel superou suas expectativas “altíssimas” como CEO. “Ele já vem tomando as decisões que importam há algum tempo, e eu não precisei pensar duas vezes sobre nenhuma delas”, escreveu Buffett. “Portanto, o momento é adequado para concluir a transição.”

Buffett disse que continuará no conselho e que Abel ficará responsável pela gestão da Berkshire, enquanto Howard terá como função preservar a cultura e os valores da companhia.

“Greg administra a empresa; Howard protegerá sua cultura e seus valores — ambos valem mais do que qualquer coisa em nosso balanço”, escreveu Buffett.

Filho de Buffett

Howard Buffett, de 71 anos, integra o conselho da Berkshire há 33 anos. Desde 1999, ele é presidente e CEO da Howard G. Buffett Foundation, organização filantrópica voltada à segurança alimentar global e à redução de conflitos.

Ele também integrou os conselhos de diversas empresas públicas e privadas, incluindo Agro Tech, Archer Daniels Midland, ConAgra Foods, Coca-Cola, Coca-Cola Enterprises, FirsTier Financial e Lindsay Corporation, tendo ocupado a presidência de alguns deles.

Howard Buffett, novo presidente do conselho da Berkshire (Chris J. Ratcliffe/Bloomberg)

O comunicado informou ainda que Susan Decker continuará como diretora independente líder do conselho da Berkshire.

Abel já começou a utilizar o enorme caixa da companhia, inclusive para recomprar ações. O preço das ações da Berkshire Hathaway permaneceu praticamente estável neste ano.

Em sua carta, Buffett também afirmou que continua confiante no futuro da companhia e pretende permanecer como acionista.

“A empresa está em excelentes mãos, e espero continuar sendo acionista ao lado de vocês”, escreveu.

Buffett assumiu o comando da Berkshire em 1965 e, desde então, transformou a antiga fabricante têxtil em um conglomerado com negócios em seguros e resseguros, energia, ferrovias, indústria, serviços e varejo.

“Ser seu presidente foi o privilégio de uma vida, e nunca dei como garantida a confiança de vocês”, escreveu Buffett. “O tempo sempre vence. Mas foi generoso comigo.”

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Braskem: credores rejeitam plano de dívida e cobram aporte da Petrobras

Bondholders internacionais (investidores que compram títulos de dívida de empresas) da Braskem resistem à proposta de reestruturação apresentada pela petroquímica e aumentam a pressão sobre a Petrobras para aportar capital novo no negócio, segundo pessoas a par do assunto.

As tensões nas negociações para reformular uma dívida de US$ 11 bilhões se intensificaram depois que os controladores da Braskem, a Petrobras e a IG4 Capital, suavizaram o texto sobre um aporte de capital, disseram as fontes, que pediram anonimato por discutir informações não públicas.

Pela proposta mais recente da Braskem, apresentada no fim de agosto, os credores forneceriam cerca de US$ 2 bilhões em recursos novos, segundo parte das fontes ouvidas.

Cerca de US$ 1,25 bilhão seria usado para recomprar dívida existente por até 50% do valor de face, enquanto os US$ 750 milhões restantes iriam para capital de giro.

Credores da Braskem querem compromisso vinculante

Os termos representam uma mudança em relação às discussões iniciais, que não previam deságio da dívida.

Os credores também exigem compromisso vinculante (que representa obrigação legal) dos acionistas, e parte deles deixou claro que não há acordo sem aporte de capital.

A Petrobras se envolveu cada vez mais nas negociações. Embora queira evitar que a Braskem entre com pedido de recuperação judicial, a estatal até agora resistiu a oferecer o tipo de compromisso vinculante de capital exigido pelos credores.

Os dois lados seguem tão distantes que parte dos credores cogita não apresentar contraproposta alguma. A possibilidade de um pedido de recuperação judicial voltou a ganhar espaço nas discussões diante da distância entre as partes.

Braskem e IG4 não comentaram. A Petrobras não respondeu de imediato a pedido de posicionamento.

O Valor Econômico havia noticiado na quarta-feira (16) que a Braskem apresentou uma proposta aos credores, sem detalhar os termos.

Reestruturação após atrasos de pagamentos

Maior produtora de petroquímicos da América Latina, a Braskem enfrenta anos de turbulência, com o caixa reduzido após o desastre ambiental em uma de suas minas de sal e um longo período de preços deprimidos no setor petroquímico.

Sucessivas tentativas fracassadas da Novonor (ex-Odebrecht), conglomerado empresarial em graves dificuldades financeiras, de vender sua participação de controle agravaram a situação.

A petroquímica pediu proteção emergencial contra credores em junho, ganhando tempo para reunir apoio suficiente à renegociação extrajudicial.

Em agosto, tornou-se a mais recente empresa brasileira a ser forçada a reestruturar dívidas após atrasar pagamentos.

Cerca de US$ 7 bilhões do total incluído na renegociação são devidos a detentores de títulos, segundo pessoas a par do assunto na época.

O plano inicial apresentado pela Braskem previa a entrada de capital novo após o chamado “Período de Alívio”, intervalo em que a empresa buscaria recuperar as operações e equacionar as necessidades de capital e liquidez, mostram documentos. Isso poderia ocorrer por meio de uma oferta pública de ações sem direito a voto, segundo pessoas ouvidas à época.

Agora, parte dos credores não considera uma oferta subsequente suficiente.

As partes têm até 9 de outubro para fechar um term sheet, prazo especialmente sensível por cair entre o primeiro e o segundo turno das eleições e por poder definir se as negociações continuam ou se a empresa se aproxima de um processo de recuperação judicial, tema delicado com a Petrobras como acionista estatal.

A empresa tem até o fim de novembro para apresentar um plano final com apoio de mais da metade dos credores e evitar o pedido de recuperação judicial.

Os rendimentos dos títulos da Braskem em dólar com vencimento em 2030 subiram para cerca de 26%, patamar típico de dívida em situação de estresse.

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Putin coloca ativos da Nestlé sob controle temporário na Rússia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, determinou que participações em empresas locais pertencentes à suíça Nestlé sejam transferidas para administração temporária.

Putin também determinou a transferência dos ativos da Auchan, rede francesa de supermercados, na Rússia, segundo um decreto presidencial publicado nesta quinta-feira no portal oficial de legislação do país.

A Rússia utiliza o mecanismo de administração temporária desde 2023 para assumir o controle de ativos pertencentes a empresas de países que considera “hostis”.

As autoridades russas já haviam colocado sob administração temporária ativos de empresas estrangeiras, incluindo a Danone e a Carlsberg. Algumas dessas operações foram posteriormente transferidas para proprietários russos.

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Volvo lançará 13 modelos em maior ofensiva da história para recuperar crescimento

A Volvo Car está lançando sua maior ofensiva de produtos da história, com 13 novos modelos até o fim da década, em uma tentativa de dobrar sua participação no mercado de veículos elétricos e híbridos plug-in.

A fabricante sueca lançará sete novos carros para os mercados ocidentais e seis para a China, incluindo modelos totalmente elétricos e uma nova geração de híbridos, informou a empresa nesta quinta-feira (17), antes de uma atualização de estratégia para investidores em Estocolmo. A meta é dobrar sua fatia das vendas globais de veículos elétricos e híbridos, atualmente em cerca de 1,7%.

“Nosso showroom terá uma aparência muito diferente em 2030”, disse o CEO Håkan Samuelsson. As ações chegaram a subir 4,2% em Estocolmo, reduzindo a queda acumulada desde o início do ano.

Samuelsson tenta recuperar o crescimento da Volvo após um período difícil e está adaptando a estratégia da empresa à transição para veículos totalmente elétricos, que ocorre em um ritmo mais lento do que o esperado.

A montadora está dando um papel maior aos híbridos, ao mesmo tempo em que adota uma abordagem mais regional para sua linha de produtos e aprofunda a cooperação com a controladora chinesa Zhejiang Geely Holding Group.

A Volvo afirmou que a ofensiva de produtos pretende ajudar a atingir a meta de longo prazo de elevar a margem operacional para mais de 8%. A empresa não informou um prazo para alcançar esse nível de rentabilidade.

A Volvo vendeu pouco mais de 710 mil veículos no ano passado, cerca de 1% da participação do mercado mundial, segundo dados da S&P Global Mobility. Em comparação, a Volkswagen, maior montadora da Europa, respondeu por cerca de 10% das vendas de carros de passeio no mesmo período.

A Volvo trabalhará com a Geely em plataformas compartilhadas, uma estrutura tecnológica dedicada à China e uma cadeia de peças e fornecedores compartilhada, enquanto as duas empresas desenvolvem novos carros eletrificados para o mercado chinês. A Volvo também afirmou que os investimentos em tecnologia e manufatura cairão em relação aos níveis atuais.

Na terça-feira, a Volvo anunciou que lançará na Europa e nos Estados Unidos versões híbridas de longo alcance dos populares XC60 e XC90, apostando na continuidade da demanda por carros que combinam motores a combustão com baterias maiores ao longo da próxima década.

Na China, a Volvo já testou essa estratégia. O XC70 híbrido plug-in de autonomia estendida, lançado no ano passado, tornou-se o modelo mais vendido da marca no país. O carro ajudou a amenizar uma queda mais ampla no maior mercado automotivo do mundo.

A Volvo abandonou em 2024 a meta de vender apenas carros totalmente elétricos a partir de 2030, depois que a transição se mostrou mais lenta do que o esperado. A empresa ainda pretende se tornar totalmente elétrica no futuro, mas não estabeleceu mais um prazo.

A reformulação ocorre antes de uma nova mudança na liderança. Samuelsson, que voltou ao cargo de CEO em abril de 2025 para um mandato de dois anos, deve deixar a posição na próxima primavera. O conselho da Volvo ainda não anunciou seu sucessor.

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Após 8 anos, Huawei vai a julgamento nos EUA por fraude e roubo de tecnologia

A Huawei finalmente está sendo julgada em Nova York em um processo criminal aberto durante o primeiro governo de Donald Trump e que está entre as ações mais ambiciosas já movidas pelo governo dos Estados Unidos contra uma empresa chinesa.

O julgamento começou nesta quarta-feira (9), com as alegações iniciais das partes, e deve se estender por meses em um tribunal federal no Brooklyn, em Nova York.

O processo chega à fase de julgamento oito anos depois de o Departamento de Justiça dos EUA apresentar as primeiras acusações contra a maior fabricante mundial de equipamentos de telecomunicações.

Durante a maior parte desse período, a empresa ficou praticamente excluída do mercado americano devido a medidas comerciais impostas pelos governos Trump e Joe Biden em nome da segurança nacional.

No processo criminal, a Huawei é acusada de fraudar bancos internacionais, incluindo HSBC e Citigroup, em operações relacionadas a supostas violações das sanções comerciais dos EUA contra Irã e Coreia do Norte.

A empresa também responde, com base em uma lei federal frequentemente usada contra organizações criminosas, por supostamente conspirar para roubar propriedade intelectual de seis empresas americanas de tecnologia, além de lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça.

O processo é incomum porque a própria Huawei está sendo julgada criminalmente, sem que nenhum de seus funcionários responda ao processo.

Taylor Stout, advogado do Departamento de Justiça, disse aos jurados que “o crime era uma estratégia empresarial importante” para a companhia.

“Roubo, mentiras, corrupção, por 20 anos. Foi assim que a Huawei — uma enorme empresa chinesa de telecomunicações — prejudicou empresas americanas e abusou do sistema financeiro dos EUA, tudo em uma tentativa de dominar o setor de telecomunicações em todo o mundo”, afirmou Stout.

Segundo os promotores, a Huawei teria mantido uma operação para obter segredos comerciais de concorrentes americanos. Funcionários que conseguissem informações consideradas valiosas receberiam bônus.

Em um dos episódios citados pela acusação, um funcionário teria fotografado equipamentos de empresas rivais durante uma feira de tecnologia.

Em outro, a Huawei teria pago um professor universitário para se passar por pesquisador interessado em chips de uma empresa americana, quando o objetivo seria obter um componente para copiá-lo.

A Huawei é uma das principais empresas da indústria de tecnologia da China e é considerada peça central nas ambições de Pequim no campo da inteligência artificial, enquanto a segunda maior economia do mundo busca reduzir sua dependência de equipamentos desenvolvidos nos Estados Unidos.

Hoje, a companhia fabrica desde roteadores e equipamentos de telecomunicações até smartphones e chips de inteligência artificial. Apesar das sanções americanas, a Huawei ampliou seus negócios, aumentou a lucratividade e reduziu a dependência de fornecedores dos EUA.

A empresa também se tornou uma das principais fabricantes de chips de inteligência artificial da China, em um momento em que Pequim busca reduzir a dependência de tecnologia americana.

O advogado da Huawei, Brian Heberlig, afirmou que o processo do governo americano é baseado em acusações “selecionadas” que os advogados da empresa vão contestar ao longo do julgamento. Segundo ele, o caso dos EUA se concentra em “alguns episódios isolados ao longo de 20 anos”.

Heberlig afirmou ainda que os bancos sabiam que a Huawei mantinha negócios com o Irã e chegaram a disputar contratos com a empresa. “Não há um plano para o crime, apenas uma estratégia de negócios”, disse.

Cúpula em Washington

O julgamento começa enquanto se aproxima uma cúpula, em 24 de setembro, em Washington, entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping.

Os dois se encontraram em Pequim no início deste ano, e a trégua comercial entre os países está prevista para expirar em novembro. A embaixada chinesa em Washington não respondeu aos pedidos de comentário.

O julgamento é uma herança do primeiro governo Trump, quando os EUA passaram a usar tarifas e sanções econômicas de forma mais agressiva para limitar o avanço tecnológico e militar da China e punir violações de propriedade intelectual.

Embora o processo dificilmente impeça a reunião entre Trump e Xi, especialistas avaliam que a decisão de levá-lo adiante, em vez de buscar um acordo, mostra que ainda existe dentro do governo americano uma corrente favorável a uma postura mais dura em relação à China.

Os promotores disseram, em um documento apresentado na semana passada, que, para “agilizar” o julgamento, não levarão adiante duas das quatro acusações relacionadas a supostas violações de sanções comerciais.

Ainda assim, os advogados disseram na terça-feira (8), durante a seleção do júri, que o julgamento — com um total de 12 acusações em análise — pode se estender até dezembro.

Uma condenação seria mais um golpe para a imagem pública da Huawei, mas não está claro quanto o processo afetaria os resultados financeiros da companhia. A empresa registrou lucro líquido de 23,81 bilhões de yuans (US$ 3,54 bilhões) no primeiro semestre deste ano.

Penalidades previstas

Os EUA não especificaram quais penalidades pretendem buscar. A Lei de Organizações Influenciadas e Corruptas (RICO, na sigla em inglês) prevê multas máximas de US$ 500 mil por violação para empresas, mas também permite que os promotores peçam o equivalente ao dobro dos valores obtidos ilegalmente em um esquema criminoso.

Além das possíveis multas, uma condenação criminal pode dificultar os negócios da Huawei com bancos e clientes em outros países.

“É mais difícil fazer negócios com empresas condenadas por crimes”, disse Matthew Axelrod, sócio do escritório Gibson Dunn especializado em aplicação de sanções. “Isso é algo significativo.”

“A Huawei é uma empresa extraordinariamente bem financiada atualmente”, disse Jonathan Liebenau, professor da London School of Economics que estudou a companhia. “A multa teria de ser muito alta para causar impacto.”

Trump há anos mantém uma ofensiva retórica contra a Huawei e outras empresas chinesas.

O processo criminal foi apresentado publicamente no início de 2019, durante o governo Trump, no âmbito da chamada China Initiative, um programa do Departamento de Justiça voltado ao combate à espionagem e à influência chinesa nos EUA.

Desde então, os promotores obtiveram diversas condenações contra cidadãos chineses, mas enfrentaram dificuldades em processos contra grandes empresas chinesas em território americano.

Desde o início, o caso da Huawei elevou as tensões entre Washington e Pequim, enquanto as duas maiores economias do mundo estavam envolvidas em uma guerra comercial.

Meses depois, autoridades do governo Trump classificaram a empresa, sediada em Shenzhen, como uma ameaça à segurança nacional, alegando que seus equipamentos de telecomunicações poderiam ser usados pelo Partido Comunista Chinês para espionagem.

Lista de restrições dos EUA

A Huawei negou as acusações, mas continua em uma lista de restrições dos EUA que impede empresas americanas de vender produtos à companhia sem uma autorização especial do governo.

Quando as acusações foram apresentadas, a Huawei tinha presença relativamente pequena no mercado americano, mas era uma grande compradora de semicondutores e componentes de telecomunicações dos EUA. A companhia também mantinha no país um laboratório de pesquisa e desenvolvimento, a Futurewei Technologies.

As sanções reduziram drasticamente o acesso da Huawei à tecnologia americana. Ainda assim, a empresa conseguiu ampliar seus negócios e encontrar formas de reduzir a dependência de fornecedores dos EUA.

A acusação criminal inicial provocou uma crise diplomática quando Meng Wanzhou, diretora financeira da Huawei e filha do fundador da empresa, foi presa a pedido dos EUA enquanto passava pelo Canadá. Ela era acusada de fraude financeira.

Quase três anos depois de permanecer em prisão domiciliar em Vancouver, Meng chegou a um acordo com o governo Biden que permitiu seu retorno à China em 2021.

Em junho, a juíza federal Ann Donnelly decidiu que os promotores poderiam informar aos jurados que Meng havia declarado, em um acordo de suspensão do processo, que a empresa conduzia negócios ilegalmente no Irã e mentia ao HSBC sobre o cumprimento das sanções.

HSBC e Citigroup não são acusados de irregularidades no caso e não quiseram comentar.

Bancos internacionais, incluindo HSBC e Standard Chartered, haviam aumentado a preocupação com os negócios da Huawei diante das sanções contra o Irã e romperam relações com a companhia. Os EUA alegam que os bancos processaram milhões de dólares em transações da Huawei que poderiam ter violado as sanções internacionais.

Meng foi acusada de enganar um dos bancos, identificado anteriormente como HSBC, sobre o controle de uma subsidiária que mantinha negócios no Irã. Em setembro de 2021, ela admitiu a conduta como parte de um acordo com o Departamento de Justiça dos EUA e pôde retornar à China.

A Huawei, por sua vez, atribuiu no passado a funcionários episódios isolados de tentativa de obtenção de tecnologia de outras empresas, segundo documentos do processo.

Os EUA deram mais força ao processo ao recorrer à RICO. Às vezes chamada por especialistas em direito de “conspiração com esteroides”, a lei permite ao governo apresentar um volume maior de provas e dá mais margem para pedir o confisco de ativos caso o júri considere a empresa culpada.

A acusação baseada na RICO, incluída no processo em 2020, afirma que a Huawei adotou um padrão de apropriação indevida de propriedade intelectual de empresas americanas de tecnologia para obter vantagem competitiva e expandir seus negócios.

Julgamento adiado

O processo levou anos para chegar à fase de julgamento também por causa da pandemia de Covid-19, que dificultou as viagens de advogados e testemunhas.

O caso também teve episódios de espionagem. Em 2022, dois agentes da inteligência chinesa foram acusados de tentar subornar um agente americano com US$ 61 mil em bitcoins para roubar provas e obter informações internas sobre o processo contra a Huawei no Brooklyn.

Na época, os EUA disseram acreditar que os dois homens estavam na China e agiam em nome do governo chinês — acusação negada por autoridades chinesas.

A prisão de Meng em 2019 também agravou as relações entre EUA e China e envolveu o Canadá na disputa entre as duas maiores economias do mundo.

Na China, Meng foi apresentada como vítima da crescente pressão americana contra Pequim, enquanto a Huawei consolidou sua posição como uma das principais empresas de tecnologia do país.

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Vale pode emitir ‘Panda Bonds’ na China ainda em 2026

A Vale avalia fazer sua estreia no mercado de títulos de dívida da China ainda neste ano, potencialmente seguindo o governo brasileiro, que também pretende captar recursos junto a investidores chineses.

A China é o principal mercado consumidor do minério de ferro da Vale e responde por cerca de 50% da receita da companhia. Por isso, seria “natural” para a empresa acessar o mercado financeiro chinês, afirmou o diretor financeiro da Vale, Marcelo Bacci.

“O que estamos fazendo é preparar a companhia para isso”, disse Bacci em entrevista ao programa “Bloomberg Open Interest”, da Bloomberg, na quarta-feira (9). Segundo ele, a emissão pode ocorrer “possivelmente ainda em 2026”.

A Vale avalia acessar o mercado chinês no mesmo momento em que o governo brasileiro trabalha para captar cerca de 10 bilhões de yuans (US$ 1,48 bilhão) em sua primeira emissão de “panda bonds”, títulos de dívida emitidos na China por empresas ou governos estrangeiros. A operação pode ocorrer ainda neste ano.

A iniciativa faz parte do esforço do Brasil para ampliar suas fontes de financiamento, reduzir a dependência de dívida denominada em dólar e estreitar os vínculos financeiros com Pequim durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Bacci, o mercado chinês de títulos de dívida ainda está em desenvolvimento para emissores internacionais. As emissões costumam ter valores menores, de cerca de US$ 400 milhões a US$ 500 milhões, e prazos mais curtos.

“Normalmente, as empresas acessam o mercado para prazos de dois, três ou cinco anos. Estamos avaliando se é possível ir além disso”, afirmou.

IPO de metais básicos

Bacci afirmou que uma oferta pública inicial de ações (IPO) da subsidiária de cobre e níquel da Vale não é uma prioridade para os próximos um a dois anos.

Embora o minério de ferro continue sendo o principal produto da companhia, a Vale busca ampliar a diversificação de seus negócios.

Os ativos de cobre têm ganhado espaço nos planos da empresa, impulsionados pela demanda relacionada à transição energética. A Vale vem acelerando projetos de expansão da produção no Brasil. O foco, neste momento, é aumentar a produção nos próximos anos, afirmou Bacci.

A avaliação de mercado da Vale permanece próxima da parte inferior entre as grandes mineradoras diversificadas, em parte devido à dependência da companhia brasileira do minério de ferro, segundo analistas da Bloomberg Intelligence em relatório divulgado nesta semana.

A Vale Base Metals, subsidiária de metais básicos da companhia, tem como meta dobrar a produção de cobre para 700 mil toneladas por ano até 2035.

O presidente-executivo da Vale Base Metals, Shaun Usmar, assumiu o comando da unidade em 2024 com a missão de recuperar o desempenho dos negócios de cobre e níquel e prepará-los para uma possível abertura de capital. Em março, ele afirmou que a unidade pretendia estar “pronta para um IPO” por volta de meados deste ano.

Bacci disse que a Vale tem capital suficiente para financiar o crescimento da área de metais básicos. Caso o mercado de cobre continue forte, porém, a companhia poderá voltar a considerar uma listagem em bolsa.

“Se o mercado continuar na trajetória atual, pode haver oportunidades de crescimento adicional, incluindo fusões e aquisições, que poderiam justificar um IPO no futuro”, afirmou.

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Na corrida do ‘agente de IA para chamar de seu’, Meta lança versão que pode custar até US$ 100 por mês

A Meta Platforms apresentou um novo agente de IA (inteligência artificial) projetado para executar tarefas em nome do usuário, em projeto que reflete a visão de Mark Zuckerberg de um futuro no qual cada pessoa terá um assistente de IA personalizado.

Chamado Muse, o novo agente compartilha o nome com a série de modelos que o laboratório de IA da Meta vem desenvolvendo e pode ajudar a automatizar uma variedade de tarefas.

A Meta oferecerá uma versão gratuita e outra paga do Muse.

O diretor de IA da Meta, Alexandr Wang, e David Singleton, que liderou a engenharia do agente pessoal, disseram esperar que a maioria das pessoas use a versão gratuita, mas usuários com necessidades mais intensivas poderão migrar para planos de US$ 20 ou US$ 100 mensais, que permitem utilizar maior capacidade de processamento.

A Meta afirmou que a ferramenta auxiliará em compras online, na aquisição de ingressos de cinema, no agendamento de compromissos como aulas de tênis e até no preenchimento de uma autorização para uma excursão escolar. O aplicativo será lançado para usuários nos Estados Unidos na próxima terça-feira (15).

Zuckerberg, cofundador do Facebook que transformou a Meta em uma gigante das redes sociais, fez uma distinção clara entre agentes empresariais e agentes pessoais voltados ao consumidor.

Ele disse enxergar a maior oportunidade para sua empresa no desenvolvimento desta última categoria.

Em um manifesto de 6.500 palavras publicado no mês passado, o CEO da big tech delineou sua visão para o avanço da tecnologia: “Todos terão um agente pessoal excepcionalmente capaz, que entende você, seus objetivos e tudo com que você se importa”, afirmou.

A Meta pretende, no futuro, oferecer o produto aos bilhões de pessoas que já usam seus aplicativos de redes sociais, incluindo Instagram, Facebook e WhatsApp.

“Esse é um dos princípios de design do produto: torná-lo muito fácil de usar e simples para o usuário cotidiano”, disse Wang em entrevista na terça-feira (8).

O agente pessoal de IA, desenvolvido ao longo de meses, foi projetado para funcionar em um computador virtual dedicado na nuvem. “Construímos uma arquitetura extremamente segura”, disse Wang.

Agente de IA consulta você, diz Meta

O Muse mantém um registro do que fez e do que planeja fazer, não compartilha dados com o sistema de publicidade da Meta e adota cautela na forma como recebe informações.

“O Muse consulta você constantemente antes de fazer qualquer coisa sensível ou importante”, acrescentou Wang.

Por exemplo, o Muse pede confirmação antes de realizar compras, segundo Wang, que usa seu próprio agente – batizado em homenagem a seu cachorro, Euler – para identificar e comprar móveis para decorar sua nova casa.

Em assuntos menos sensíveis, o Muse pode operar de forma autônoma, disse Wang. O agente ajuda o usuário a se organizar, sugere ideias de exercícios e auxilia no planejamento das refeições. “Eu realmente o uso como um segundo cérebro”, afirmou.

Assim como no caso do assistente pessoal de Wang, os usuários do Muse poderão dar um nome e um avatar ao agente, além de definir a forma como ele se comunica.

O agente poderá então se conectar a aplicativos, incluindo e-mail e rastreadores de atividades físicas, e continuar trabalhando em segundo plano para cumprir os objetivos definidos pelos usuários mesmo depois de eles fecharem o aplicativo.

A Meta vem promovendo uma ofensiva de contratações, recrutando alguns dos melhores profissionais de engenharia de IA do mundo para a unidade comandada por Wang, conhecida como Meta Superintelligence Labs, ou MSL.

No ano passado, a Meta contratou o principal executivo de modelos de IA da Apple, Ruoming Pang, e também recrutou importantes pesquisadores de IA da OpenAI.

Singleton, ex-diretor de tecnologia da Stripe e CEO da startup de IA Dreamer, entrou no MSL no início deste ano.

O Muse é alimentado pelo mais recente modelo de IA da Meta, o Muse Spark 1.3, e pode acessar de forma integrada outros aplicativos da companhia, como Instagram e WhatsApp.

Planos de até US$ 100

O Muse também está conectado ao Ticketmaster, à OpenTable e à suíte de serviços do Google, como Gmail, Google Calendar e Drive, entre outros.

Se o usuário tiver um serviço de que goste com uma API – interface de programação de aplicações –, “ele pode simplesmente pedir ao Muse que crie um conector personalizado para esse serviço”, disse Singleton.

“Mas, é claro, vamos continuar adicionando mais parcerias e serviços específicos.”

O Muse, da Meta, estará disponível para pessoas com 18 anos ou mais nos Estados Unidos, por meio do iOS, da Apple, ou do Android, do Google, além do site muse.ai e do aplicativo WhatsApp. No futuro, será integrado aos óculos de IA da Meta.

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Recompra de títulos dos EUA decepciona mercado e juros futuros voltam a subir

O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, ampliou o programa de recompra de dívida pública nesta quarta-feira, mas a medida não foi suficiente para conter a alta dos juros nos Treasuries, os títulos públicos americanos.

O Tesouro anunciou a compra de até US$ 6 bilhões em títulos de prazo mais longo, três vezes o valor definido no mês anterior. Ainda assim, o mercado de US$ 32 trilhões em dívida do governo americano seguiu pressionado, em um dia marcado também pela disparada do petróleo, que reacendeu temores de inflação persistente.

Os preços dos títulos de 10 anos, que já vinham em queda desde o início do pregão, recuaram ainda mais após o anúncio — movimento que levou o rendimento a subir até 4,85%. A taxa está no maior patamar desde 2023, mesmo com Bessent tentando reduzi-la desde que assumiu o cargo no ano passado.

Mercado queria mais

Operadores esperavam um valor ainda maior para a operação de recompra, depois que Bessent sinalizou publicamente a possibilidade de pagar acima de US$ 4 bilhões por emissão — bem acima do teto original de US$ 2 bilhões. Por isso, o anúncio de US$ 6 bilhões decepcionou.

Segundo Steven Zeng, estrategista do Deutsche Bank, faltou o “choque” que os investidores esperavam. “É como se o Tesouro tivesse criado um monstro que agora precisa alimentar”, disse Zeng.

Ontem, Bessent já havia reconhecido publicamente que não tem como alterar o preço de “equilíbrio” dos títulos americanos — o nível que reflete os fundamentos econômicos reais, e não uma intervenção pontual do governo. Seu objetivo, segundo ele, é desacelerar os movimentos bruscos e evitar que narrativas negativas ganhem força. O problema é que ele busca juros mais baixos justamente em um momento de inflação em alta, expectativa de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve e déficits orçamentários historicamente elevados.

Por ora, o Tesouro não deu sinais de que vá aumentar ainda mais as recompras. O órgão informou que as outras seis operações programadas para o trimestre fiscal atual terão valor máximo igual ou superior a US$ 4 bilhões — o mesmo patamar anunciado de forma surpresa em 19 de agosto, quando o Tesouro prometeu “pelo menos dobrar” o tamanho das operações, que antes eram de US$ 2 bilhões cada.

Para Elias Haddad, do Brown Brothers Harriman, o gesto ficou aquém do necessário: “o Tesouro levou um estilingue para uma batalha de tanques”, resumiu.

Depois do anúncio de 19 de agosto, os juros haviam recuado, mas voltaram a subir rapidamente. Bessent decidiu reforçar o programa depois que os títulos de 30 anos atingiram a maior taxa desde 2007. Em evento no Texas na terça-feira, ele atribuiu o movimento a uma preocupação que considera infundada, a de que os Estados Unidos não conseguiriam honrar sua dívida — algo que, segundo ele, “virou meio que a narrativa dominante”, apesar de “absurdo”.

Bessent também tem defendido as recompras como forma de melhorar a liquidez do mercado, permitindo que bancos e outras instituições se desfaçam de títulos mais difíceis de negociar e, com isso, participem mais ativamente dos leilões de nova dívida.

O tamanho do desafio ficou ainda mais evidente horas depois, quando o Tesouro vendeu US$ 39 bilhões em títulos de 10 anos a uma taxa de 4,834% em leilão — a maior desde 2007.

Vale um esclarecimento técnico: o teto de US$ 6 bilhões não significa que o Tesouro vá necessariamente comprar esse valor total. Mas, historicamente, quando o programa mira dívida nominal de prazo mais longo, o órgão costuma comprar o valor máximo anunciado — só não o fez em duas das 52 operações realizadas desde que o programa foi retomado em 2024. Também é possível que o volume final seja maior: segundo o próprio site do Tesouro, um “anúncio final de recompra” costuma ser divulgado às 11h do dia da operação, e esse anúncio final “substitui o preliminar”.

Investidores e analistas veem a intensificação das recompras como reflexo do desconforto do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, com a alta dos custos de financiamento de longo prazo, a poucas semanas das eleições legislativas de novembro. A alta dos rendimentos levou as taxas de hipotecas nos EUA ao maior nível em mais de um ano.

Bessent ‘intervencionista’

“Scott adotou, sem dúvida, um modelo muito intervencionista como secretário do Tesouro”, afirmou Krishna Guha, chefe de economia da Evercore ISI, antes do anúncio de hoje. “Ele é taticamente muito habilidoso para escolher quando e como surpreender e movimentar os mercados e teve algum sucesso no curto prazo.”

Bessent descreveu a iniciativa como um “Treasury twist” — referência às Operações Twist do Fed, que tinham como objetivo reduzir os custos de financiamento de prazo mais longo.

O que a recompra de títulos dos EUA significa para o Brasil

Os juros altos estão também do outro lado do Atlântico. Na França, mesmo cenário: 5% e patamar mais alto desde 2008. Do outro lado do Canal da Mancha, mais ainda. Os títulos de 30 anos do Reino Unido não pagavam tanto desde 1998: 5,9%.

E o que tudo isso tem a ver com quem investe em reais, aqui no Brasil? Tem tudo a ver. Com os títulos em dólar, libra e euro pagando taxas recordes, a concorrência para os daqui, em real, pesa.

O capital flui para onde o retorno é mais atraente e a moeda, mais segura. Isso obriga o Brasil a pagar mais juros para continuar competitivo — juros que já estão num patamar que não era visitado desde 2016. Uma análise do BTG Pactual mostra que 40% da força que mantém os juros longos brasileiros lá em cima vem do exterior, principalmente dos títulos americanos, concorrentes diretos dos papéis daqui.

A dinâmica que sustenta esses juros lá fora tem duas frentes: o crescimento acelerado da dívida pública e privada nos países desenvolvidos, e a corrida das big techs para financiar infraestrutura de inteligência artificial — soma que pode chegar a US$ 1,7 trilhão entre 2026 e 2027. Some a isso os sinais do Federal Reserve de que uma alta de juros ainda neste ano está sobre a mesa, e o quadro que pressiona os títulos brasileiros fica mais claro.

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Petróleo supera US$ 101 com escalada da guerra entre EUA e Irã. Navios-tanque são atacados

O petróleo Brent superou os US$ 101 por barril pela primeira vez desde julho, enquanto a intensificação dos ataques no Oriente Médio aumentou as preocupações com novas interrupções no fluxo de energia que sai da região, rica em petróleo.

O principal indicador global do petróleo fechou em alta de mais de 3% em Nova York, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) era negociado perto dos US$ 96.

A sessão foi marcada por explosões e alertas de emergência em diferentes pontos do Oriente Médio, enquanto o Irã afirmou estar preparado para uma guerra mais intensa e prometeu ampliar os ataques contra os Estados Unidos.

O conflito interrompeu o transporte marítimo pelo estratégico Estreito de Ormuz, embora milhões de barris por dia de petróleo continuem sendo transportados por navios-tanque que navegam sem serem detectados, ajudando a conter os preços. Ainda não está claro como a nova escalada poderá afetar esses embarques “ocultos”.

Os contratos futuros subiram mais cedo depois que os militares dos EUA disseram ter destruído cinco navios-tanque iranianos em resposta a tentativas de atingir um navio de guerra da Marinha americana com mísseis balísticos durante a noite.

A mídia iraniana afirmou que Teerã atacou dois navios de guerra dos EUA e oito navios-tanque de petróleo no Golfo Pérsico. Não houve confirmação imediata dos ataques, mas a troca de ofensivas aumentou as preocupações com uma redução da oferta de petróleo na região.

A escalada também ocorre enquanto militantes houthis apoiados pelo Irã, no Iêmen, atacam instalações de energia na Arábia Saudita. Alertas de “perigo potencial” foram emitidos no sul do país nesta quarta-feira, um dia depois de a região ser atacada. Os preços do gás natural na Europa atingiram o maior nível desde 2023, enquanto a guerra entre Irã e Israel eleva os custos de energia justamente com a aproximação da temporada de aquecimento no inverno.

A disparada dos preços da gasolina e do diesel nos EUA também representa um risco político para o Partido Republicano do presidente Donald Trump antes das eleições de meio de mandato. Trump previu nesta quarta-feira que a guerra no Irã só terminará depois da votação de novembro e que uma redução significativa nos preços dos combustíveis não virá antes disso.

Enquanto isso, as compras chinesas de petróleo bruto aumentaram neste mês. Uma pausa nas aquisições do maior importador mundial havia sido um dos principais fatores que ajudavam a limitar os preços, e a retomada das compras fez alguns dos principais indicadores do mercado atingirem os níveis mais altos em semanas.

“Embora o déficit de petróleo no mercado tenha diminuído com a estabilização de volumes maiores de fluxos ocultos, o mercado continua apertado de maneira geral”, disse Ryan McKay, estrategista sênior de commodities do TD Securities. “Uma oferta ainda mais restrita pode ocorrer diante desses novos ataques e à medida que aumentam os sinais de que a China está ficando mais ativa no mercado.”

O Brent acumula alta de cerca de 65% neste ano. Com exceção de um breve pico em julho, porém, os contratos futuros foram negociados abaixo dos US$ 100 por mais de três meses, enquanto os produtores do Golfo Pérsico conseguiram aumentar as exportações.

Fatores técnicos também ampliaram a alta do petróleo. Consultorias de negociação de commodities que seguem tendências aumentaram suas posições compradas, que passaram a representar 91% das posições em Brent e WTI, ante 45% e 36%, respectivamente, em 31 de agosto, segundo dados da Bridgeton Research Group, da Kpler. Esses operadores automatizados são conhecidos pela tendência de acentuar as oscilações dos preços.

Os derivados de petróleo, como o diesel, por outro lado, tiveram uma alta ainda mais forte, à medida que o conflito no Oriente Médio e a guerra entre Rússia e Ucrânia se combinam para restringir a oferta. As exportações russas de diesel caíram no mês passado ao menor nível em mais de uma década. Isso ameaça provocar uma nova rodada de pressão inflacionária sobre os bancos centrais de todo o mundo.

Os estoques de diesel dos EUA devem cair neste mês para o menor nível em mais de duas décadas, segundo a perspectiva de curto prazo para o setor de energia divulgada nesta quarta-feira pela Energy Information Administration (EIA). A agência também elevou em 14% sua previsão para o preço do diesel no varejo no último trimestre deste ano, para US$ 5,55 por galão.

“A perspectiva fundamental para os derivados continua positiva, com a deterioração dos estoques e das reservas globais”, disse Darrell Fletcher, diretor-gerente de commodities da Bannockburn Capital Markets.

Antes da guerra com o Irã, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo passava pelo Estreito de Ormuz com destino a clientes em diferentes países.

Apesar da continuidade do fluxo de navios-tanque com os transponders desligados, as embarcações continuam sob ameaça constante de ataques. A Kuwait Petroleum está enviando navios pelo estreito “sempre que é seguro”, afirmou um funcionário da empresa nesta quarta-feira.

A continuidade das interrupções fez os estoques seguirem em queda em diferentes partes do mundo. A empresa de análise Vortexa estima que a quantidade de petróleo transportada por navios no mar tenha diminuído em mais de 150 milhões de barris desde meados de julho.

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Por que o Google escolheu a Finlândia para seus data centers de IA

A Alphabet, controladora do Google, está investindo € 13 bilhões (US$ 15,1 bilhões) em infraestrutura de inteligência artificial na Finlândia, seu maior investimento na Europa.

O plano inclui a construção e ampliação de data centers, grandes instalações que concentram servidores e equipamentos responsáveis por armazenar e processar enormes volumes de dados. O clima frio e a energia livre de carbono do país nórdico o tornam um polo de atração para empresas que constroem essas estruturas.

Nos próximos dois anos, o Google construirá três novos data centers e ampliará uma instalação já existente na cidade de Hamina, no sudeste do país, informou a empresa em comunicado nesta quarta-feira. O anúncio fez as ações de empresas locais beneficiadas, como Fortum Oyj e Nokia Oyj, subirem e impulsionou uma alta no mercado acionário finlandês.

A iniciativa do Google faz parte de uma expansão em larga escala da capacidade de computação no país nórdico, somando-se a cerca de € 43 bilhões (US$ 50 bilhões) em projetos que estão sendo planejados ou executados.

A empresa tem 15 anos de experiência operando centros de servidores no país nórdico, onde os data centers geralmente funcionam de forma mais sustentável do que na maioria dos outros lugares do planeta.

Menos água e mais energia

Os data centers na Finlândia utilizam menos água e mais energia renovável do que em qualquer outro país da União Europeia e ficam em segundo lugar em eficiência no uso de energia e capacidade de reutilizá-la, segundo um relatório de 2025 encomendado pelo braço executivo do bloco que, pela primeira vez, mapeou a sustentabilidade do setor de data centers.

O investimento na Finlândia faz parte dos esforços da Alphabet para ampliar sua capacidade de computação voltada à IA. A gigante do Vale do Silício elevou em julho sua previsão de investimentos para até US$ 205 bilhões neste ano, em uma corrida com concorrentes pelo domínio do mercado de inteligência artificial.

Os projetos na Finlândia não provocaram uma reação pública tão intensa quanto alguns dos locais propostos nos Estados Unidos ou em outras partes da Europa, onde preocupações com o uso de terras e recursos naturais e com os custos de energia atrasaram ou levaram ao cancelamento de projetos. Nos EUA, a contribuição dos data centers para o aumento das contas de eletricidade está se tornando uma questão importante nas próximas eleições de meio de mandato.

Cerca de 96% da eletricidade gerada na Finlândia vem de fontes livres de carbono, principalmente uma combinação de energia nuclear e renovável. O clima do país também reduz a necessidade de refrigeração, e muitas vezes o próprio ar é suficiente para realizar o trabalho.

Muitos data centers são construídos com sistemas de circuito fechado, que reduzem o desperdício de água, enquanto a unidade do Google em Hamina utiliza água do mar para resfriamento.

Além disso, o calor gerado pelos servidores pode ser capturado para aquecer residências em áreas atendidas por sistemas de aquecimento urbano.

A Microsoft está construindo um projeto desse tipo na região metropolitana de Helsinque que, quando estiver concluído, deverá fornecer aquecimento para cerca de 40% das residências de Espoo, a segunda maior cidade da Finlândia. Isso equivale a aproximadamente 100 mil casas.

Para a Finlândia, o investimento do Google representa um importante impulso enquanto o país tenta recuperar o crescimento econômico. O membro mais setentrional da zona do euro enfrenta uma demanda fraca, o colapso do comércio com a vizinha Rússia e os efeitos do aperto fiscal destinado a colocar as contas públicas sob controle. A taxa de desemprego ultrapassou 10%, a maior da União Europeia.

O Google planeja ampliar seu data center existente em Hamina e construir novas instalações em Kajaani, Muhos e Vaala.

Outras empresas que estão construindo, operando ou planejando data centers na Finlândia incluem Nscale, AtNorth Holding AB, Pure Data Centres Group, Nebius Group, DayOne Data Centers e Polarnode. Há tantos projetos que o governo está planejando uma lei que exigiria que os operadores registrassem seus data centers, para que as autoridades consigam acompanhar todos eles.

O anúncio de quarta-feira impulsionou as empresas locais que serão beneficiadas pelo projeto. O índice OMX Helsinki chegou a subir 1,6%, enquanto o índice europeu Stoxx 600 recuava 1,5%.

O Google estima que os projetos vão empregar 16 mil trabalhadores da construção civil, impulsionando as ações de empresas de infraestrutura listadas na Nasdaq Helsinki.

As ações da Fortum, que venderá ao Google metade da produção de sua usina nuclear de Loviisa, subiram mais de 14%, maior alta em quase quatro anos. A Nokia, fornecedora de infraestrutura de redes, avançou até 6%, enquanto a operadora de telecomunicações Elisa Oyj subiu até 2,7%. As empresas serão responsáveis por fornecer conectividade para os novos data centers.

Investimentos em energia

Os novos data centers serão construídos em Kajaani, Muhos e Vaala, na região norte do país, onde o Google já havia adquirido terrenos. Segundo a empresa, os locais foram escolhidos para aproveitar a infraestrutura existente da rede elétrica.

“Esses locais, em pontos de conexão fortes da rede, ajudam todo o sistema elétrico e garantem um desenvolvimento mais econômico da rede”, disse Asta Sihvonen-Punkka, presidente-executiva da operadora do sistema de transmissão Fingrid Oyj, no comunicado.

O Google informou que está ampliando a infraestrutura de energia que dará suporte aos projetos, com novos contratos de energia eólica e um sistema de baterias de 94 megawatts na unidade de Kajaani para ajudar a equilibrar a rede elétrica. Os data centers contarão com estrutura preparada para recuperação de calor.

A Fortum também anunciou um contrato de compra de energia de 22 anos com o Google, cobrindo o período de extensão da operação da usina de Loviisa. Entre 2030 e 2049, o acordo abrangerá 50% da capacidade da usina, que possui dois reatores, informou a Fortum.

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Magnata dos games terá de pagar US$ 1,9 bilhão em divórcio recorde

Um tribunal da Coreia do Sul determinou que o bilionário Kwon Hyuk-bin, fundador da desenvolvedora de games Smilegate, pague 2,55 trilhões de wons (US$ 1,9 bilhão) à ex-mulher, Lee Hwa-jin, em um acordo de divórcio que pode se tornar o maior já registrado no país.

A decisão inclui a transferência de 35% da Smilegate, empresa responsável pelos jogos Crossfire e Lost Ark. Kwon atualmente é dono de 100% da companhia, fundada em 2002, um ano depois de seu casamento com Lee, que iniciou o processo de divórcio.

O Tribunal de Família de Seul determinou nesta quarta-feira (9) que Kwon entregue à ex-mulher a participação de 35% na empresa. A Justiça avaliou a fatia em cerca de 7,1 trilhões de wons. Além disso, Kwon deverá pagar outros 65 bilhões de wons em dinheiro.

Maior divórcio da Coreia do Sul

Se a decisão for mantida, o caso superará o atual recorde de maior acordo de divórcio da Coreia do Sul. Recentemente, o Tribunal Superior de Seul determinou que Chey Tae-won, presidente do grupo SK, pagasse 944 bilhões de wons (cerca de US$ 705 milhões) à ex-mulher.

Kwon e Lee também podem contestar a sentença desta quarta-feira.

O processo correu em sigilo, e os documentos apresentados pelas partes e o laudo usado para avaliar a participação na Smilegate não foram divulgados. O escritório de advocacia que representa Kwon não quis comentar. Os advogados de Lee não foram localizados imediatamente.

A decisão pode mudar a estrutura de controle de uma das maiores empresas privadas da Coreia do Sul. Antes do julgamento, o Bloomberg Billionaires Index estimava a fortuna de Kwon, de 52 anos, em US$ 3 bilhões.

O caso também chama atenção pela discussão sobre a contribuição de cada cônjuge para a construção do patrimônio durante o casamento.

“Este caso é significativo porque envolve a forma de avaliar a contribuição de um cônjuge para um negócio criado e desenvolvido durante o casamento”, disse Woongkyu Cho, sócio do escritório Barun Law, especializado em herança e sucessão empresarial.

Segundo Cho, a decisão pode ajudar a definir como os tribunais avaliam o trabalho doméstico e os cuidados com os filhos quando um dos cônjuges consegue se dedicar à construção de uma empresa e à formação de patrimônio.

Participação na Smilegate

Lee já ocupou cargos executivos na Smilegate, segundo um documento de registro oficial obtido pela Bloomberg. A empresa afirmou em comunicado divulgado no início deste ano que todo o capital inicial da Smilegate veio de Kwon. Apesar disso, Lee detinha 30% da companhia quando ela foi fundada.

Segundo a Smilegate, Lee não trabalhava no escritório e não tinha uma mesa na empresa.

Fundada em 2002, a Smilegate se tornou uma das principais desenvolvedoras de games da Coreia do Sul. Entre seus principais títulos estão Crossfire, jogo de tiro lançado em 2007, e Lost Ark, RPG lançado em 2019.

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Mercado Livre volta ao mercado de dívida pela 3ª vez. Veja o motivo

O Mercado Livre volta ao mercado internacional de dívida pela terceira vez, em um momento de aumento dos investimentos da companhia na América Latina.

A empresa, que atua em comércio eletrônico e serviços financeiros e está presente em 18 países, oferece títulos em dólares com vencimento em 2036.

A emissão tem um spread inicial de cerca de 160 pontos-base sobre títulos do Tesouro dos Estados Unidos com prazo semelhante, segundo uma pessoa familiarizada com a operação. O spread é a diferença entre o rendimento oferecido pelo título da empresa e o de um título considerado de baixo risco, como o Treasury americano.

Os recursos captados serão destinados a despesas corporativas gerais, segundo a fonte ouvida pela Bloomberg, que pediu anonimato porque os detalhes da operação ainda não são públicos.

Terceira emissão internacional

A operação será a primeira emissão de dívida do Mercado Livre desde dezembro e apenas a terceira oferta internacional de títulos da companhia desde sua estreia nesse mercado, em 2021.

Os títulos do Mercado Livre com vencimento em 2033 eram negociados na terça-feira com rendimento de cerca de 5,7%, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Allen & Company, BofA Securities, Citigroup, Goldman Sachs, JPMorgan, Morgan Stanley e Santander coordenam a operação.

Os novos títulos receberam nota de crédito BBB- da Fitch Ratings e da S&P Global Ratings e Baa3 da Moody’s Ratings. As três classificações estão no nível mais baixo da categoria considerada grau de investimento, que indica uma avaliação relativamente favorável da capacidade de uma empresa de honrar suas dívidas.

Mercado Livre amplia investimentos

O Mercado Livre vem aumentando os investimentos em logística e no Mercado Pago, sua operação de serviços financeiros na América Latina.

No segundo trimestre, a receita da companhia saltou 50% em relação ao mesmo período do ano anterior, para US$ 10,2 bilhões. Foi o 30º trimestre consecutivo em que as vendas cresceram mais de 30%.

Para a Moody’s, o desempenho operacional forte, a liderança do Mercado Livre no comércio eletrônico latino-americano e a sólida posição de liquidez sustentam o perfil de crédito da companhia.

Por outro lado, a agência de classificação de risco alertou para uma redução da rentabilidade à medida que a empresa amplia os investimentos em logística, conquista de clientes e negócios de crédito.

A Moody’s também apontou riscos relacionados à necessidade de financiamento e à qualidade dos ativos, especialmente diante do rápido crescimento da operação de serviços financeiros.

O movimento ocorre enquanto o Mercado Livre busca ampliar sua presença em diferentes segmentos da economia digital, combinando o negócio de comércio eletrônico com serviços financeiros e uma rede logística própria na região.

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Fed, banco central americano, avalia reduzir número de reuniões anuais

Pelo menos um terço de todos os dirigentes do Federal Reserve (Fed) afirmou que consideraria realizar reuniões com menor frequência para definir as taxas de juros, o que dá a Kevin Warsh uma oportunidade inicial para implementar uma das maiores mudanças estruturais que propôs como novo presidente do banco central.

Ainda não se sabe se a ideia poderá ser adotada em breve. O comitê de política monetária do Fed ainda não discutiu os detalhes. Alguns dirigentes abertos à proposta também afirmaram que querem uma análise mais aprofundada das possíveis vantagens e desvantagens, além de avaliar se a mudança viria acompanhada de outros possíveis ajustes na estratégia de comunicação do Fed.

Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, Jeffrey Schmid, de Kansas City, e Anna Paulson, da Filadélfia, estão entre um grupo de seis presidentes de unidades regionais do Fed que afirmaram recentemente estar abertos a reduzir o número de reuniões regulares do comitê que define as taxas de juros.

Na reunião de julho, Warsh sugeriu realizar seis encontros por ano para discutir e definir as taxas de juros, reservando outras duas reuniões para debater um tema econômico relevante, conforme noticiado anteriormente pela Bloomberg News.

Por lei, o banco central é obrigado a se reunir quatro vezes por ano, embora o número de encontros tenha variado ao longo das décadas. Desde 1981, os dirigentes programam oito reuniões anuais.

“O presidente observou que seis reuniões programadas por ano, realizadas aproximadamente a cada dois meses, permitiriam acumular mais informações entre os encontros do que na prática atual e dariam aos formuladores de política monetária e à equipe mais tempo para considerar questões estratégicas de política monetária”, mostraram as atas da reunião de julho.

A redução do número de reuniões representaria uma mudança significativa na forma de funcionamento do banco central dos EUA e o diferenciaria de seus principais pares no exterior. O Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão se reúnem oito vezes por ano.

Não está claro se os dirigentes discutirão em detalhes a proposta de Warsh na reunião de política monetária marcada para 15 e 16 de setembro. A inflação elevada e a possibilidade de elevar os juros pela primeira vez em três anos podem dominar o próximo encontro.

Embora vários dirigentes tenham afirmado estar abertos a reduzir o número de reuniões do Fed a cada ano, alguns disseram que querem primeiro analisar as possíveis implicações da mudança.

“É ótimo reavaliar a maneira como fazemos as coisas”, disse Paulson à CNBC no mês passado. “Assim como na política monetária, também estou de mente aberta nesse aspecto. Quero entender melhor as vantagens e desvantagens de seis em comparação com oito — como tudo isso funciona.”

Implicações para as projeções

Uma mudança na frequência das reuniões provavelmente teria implicações para os materiais divulgados pelo Fed em alguns de seus encontros. Atualmente, o Fed publica as projeções econômicas e para as taxas de juros dos formuladores de política monetária quatro vezes por ano — nas reuniões de março, junho, setembro e dezembro. A adoção de seis reuniões levantaria a questão de se essas projeções continuariam a ser divulgadas e com que frequência.

A própria divulgação dessas projeções está sendo examinada por um grupo de trabalho sobre comunicação — um dos cinco grupos desse tipo, formados por especialistas externos e criados por Warsh neste ano para analisar diferentes práticas do Fed. A expectativa é que os cinco grupos apresentem recomendações ao Comitê Federal de Mercado Aberto por volta do fim deste ano.

“Acho que é saudável”, disse Austan Goolsbee, presidente do Fed de Chicago, no podcast Odd Lots, da Bloomberg, no mês passado, ao ser questionado sobre a revisão da comunicação e a possibilidade de mudanças na frequência das reuniões, das projeções econômicas e das entrevistas coletivas realizadas após os encontros. “Vamos repensar tudo isso.

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Lionel Messi se aproxima de acordo para comprar outro clube na Espanha

Lionel Messi chegou a um acordo preliminar para comprar um clube da segunda divisão da Espanha, segundo informações da imprensa local.

O jogador argentino pretende adquirir uma participação majoritária no Eldense, mas o negócio ainda depende da conclusão de uma due diligence (processo de análise detalhada das contas, contratos e demais informações de uma empresa antes de uma aquisição). As informações são da agência espanhola EFE, que citou fontes próximas às negociações.

Um acordo definitivo deve ser fechado nos próximos dias, segundo a agência.

Segundo clube comprado por Messi na Espanha

Fundado há 105 anos, o Eldense tem sede em Elda, na região de Valência, no litoral espanhol. Se a operação for concluída, será o segundo clube adquirido por Messi na Espanha neste ano e o primeiro que disputa uma liga profissional.

Em abril, o argentino comprou o Unió Esportiva Cornellà, equipe da quinta divisão espanhola.

O Eldense passou a maior parte de sua história entre a segunda e a terceira divisões da Espanha, além de disputar campeonatos regionais. O clube chegou perto de encerrar as atividades na virada do século.

Atualmente, manda seus jogos em um estádio com capacidade para 5.776 torcedores.

Negócios de Messi vão além do futebol

A compra do Eldense ampliaria a participação de Messi no futebol e sua atuação no mundo dos negócios. A família do jogador fundou um clube na Argentina, chamado Los Leones. Messi também tem participação no Deportivo LSM, do Uruguai, ao lado do amigo e ex-companheiro de equipe Luis Suárez.

Além disso, o argentino tem uma opção para adquirir uma participação no Inter Miami, clube em que atua atualmente, depois que se aposentar.

Os negócios de Messi também incluem um fundo de investimento imobiliário listado na Espanha, um fundo de capital de risco com sede nos Estados Unidos e uma participação em uma rede de restaurantes argentina.

Um representante do jogador não quis comentar a negociação.

Messi entra para grupo de atletas bilionários

A expansão dos negócios ocorre em um momento em que Messi se aproxima do fim da carreira nos gramados. Aos 38 anos, o argentino passou a integrar o grupo restrito de atletas em atividade com patrimônio estimado em mais de US$ 1 bilhão, segundo o Bloomberg Billionaires Index.

Messi acumulou mais de US$ 700 milhões em salários e bônus desde 2007. A esse valor se somam receitas de patrocínios, investimentos e negócios construídos ao longo dos anos.

Ele se juntou ao português Cristiano Ronaldo, seu antigo rival nos gramados, entre os atletas mais ricos do esporte. Ronaldo foi o primeiro jogador de futebol a alcançar a marca de bilionário e também possui um clube na Espanha, o Almería.

A escolha de Messi pelo Inter Miami também abriu novas fontes de receita. O contrato do argentino inclui uma opção para adquirir participação no clube. A equipe se valorizou desde a chegada do jogador e, segundo a Sportico, estava avaliada em cerca de US$ 1,45 bilhão em fevereiro, tornando-se o clube de futebol mais valioso dos Estados Unidos.

O acordo com o Inter Miami também teria envolvido discussões sobre uma possível participação de Messi nas receitas geradas pelo pacote de transmissão da liga americana na Apple TV+. A Bloomberg não conseguiu verificar de forma independente os detalhes financeiros desse acordo.

Imóveis, bebidas e restaurantes

Fora do futebol, Messi vem diversificando seus negócios. Em dezembro de 2024, ele listou na Espanha um fundo imobiliário avaliado em cerca de US$ 232 milhões, que possui hotéis e outros imóveis comerciais.

O jogador também entrou no mercado de bebidas esportivas com a Más+ by Messi, lançada em parceria com a Mark Anthony International, grupo que também é responsável pela marca Mike’s Hard Lemonade. Na Argentina, tornou-se investidor da rede de restaurantes El Club de la Milanesa, especializada em pratos à base de carne empanada.

Messi sempre contou com o pai, Jorge, para administrar parte de seus negócios. Desde 2009, sua empresa privada de investimentos é administrada pelo banqueiro espanhol Alfonso Nebot Armisen.

A estratégia de diversificação também inclui a compra de clubes de futebol. Além do Eldense e do Cornellà, Messi mantém participação no Deportivo LSM, no Uruguai, ao lado de Luis Suárez. A família do jogador também administra o Los Leones, clube de divisões inferiores de Rosario, sua cidade natal.

Em um fórum empresarial em Miami no ano passado, Messi indicou que os negócios devem ganhar cada vez mais espaço após sua carreira como jogador. “O futebol tem prazo de validade. Os negócios são algo de que gosto e sobre o qual estou aprendendo”, afirmou.

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Bitcoin sobe 23% e se aproxima de US$ 80 mil com intervenção do Tesouro dos EUA

O bitcoin (BTC) caminha para registrar seu maior ganho semanal em mais de três anos, enquanto os investidores avaliam os efeitos de uma recente disparada nos juros dos títulos e de uma nova iniciativa dos Estados Unidos voltada à consolidação fiscal.

A criptomoeda chegou a subir 9,4% e era negociada em torno de US$ 77,5 mil no fim do pregão em Nova York. Na semana, acumula ganhos de cerca de 23%, movimento que, se mantido, representará a maior alta semanal desde março de 2023. A última vez que o bitcoin foi negociado a US$ 80 mil foi em maio.

O entusiasmo com as criptomoedas voltou ao mercado depois que o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou na quarta-feira (19) que o departamento ao menos dobraria o volume das recompras de títulos de longo prazo, o que provocou uma disparada e forçou investidores a zerar bilhões em posições vendidas.

No mesmo dia, o presidente Donald Trump se reuniu com líderes do setor de criptomoedas, aumentando ainda mais o otimismo. Enquanto isso, o ouro atingiu seu nível mais alto desde maio, em meio a temores dos investidores de que a intervenção no mercado de títulos possa pressionar o dólar.

Em publicação no LinkedIn nesta sexta-feira, Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, disse que investidores deveriam diversificar entre ativos e países com finanças sólidas. Segundo ele, reduzir a exposição a títulos e manter de 10% a 15% da carteira em ouro e “um pouco” de Bitcoin pode reduzir o risco e elevar os retornos.

“O verdadeiro gatilho foi o Tesouro dos EUA dobrar as recompras de títulos de longo prazo, o que derrubou os rendimentos de longo prazo e ampliou o apetite por risco de forma generalizada”, disse Rachael Lucas, analista da BTC Markets. “Nada mudou na tese de longo prazo do Bitcoin, mas nada mudou na volatilidade também.”

Segundo Adam Morgan McCarthy, pesquisador-chefe da LO:TECH, empresa londrina especializada em liquidez e dados de mercado de ativos digitais, o movimento repentino de curto prazo segue como um dos principais motores da alta do Bitcoin. Cerca de US$ 2,5 bilhões em apostas alavancadas contra o Bitcoin e US$ 4,5 bilhões em todo o mercado cripto foram liquidados nos últimos três dias, segundo dados da Coinglass.

As apostas vendidas no ETF IBIT, da BlackRock – o maior do mundo –, vinham crescendo de forma constante ao longo do ano. O interesse de venda a descoberto, como porcentagem do total de cotas em circulação do fundo de US$ 55 bilhões, subiu para cerca de 3%, de acordo com a S3.

“O ouro carrega o verdadeiro sinal macro desta semana. Sua alta foi expressiva depois que o Tesouro dobrou as recompras de títulos, sem nenhuma das compras forçadas que infl​aram o preço do Bitcoin”, disse McCarthy. “Se você quer saber onde os investidores estão de fato se protegendo do risco cambial e inflacionário nesta semana, o ouro mostra isso; o Bitcoin, não.”

A reunião de Trump, que reuniu executivos de empresas como Coinbase Global e Payward, foi lida como sinal positivo do compromisso do governo com as criptomoedas. Trump pressionou o Senado a aprovar o Clarity Act, um projeto de lei sobre a estrutura do mercado de criptomoedas que está paralisado devido a divergências sobre as disposições éticas. O projeto não chegou a ser votado antes do recesso do Senado em agosto.

As ações de empresas ligadas a cripto também seguiram em alta. A Coinbase, a maior plataforma de negociação digital dos EUA, subiu 8,2%. A Strategy, acumuladora de Bitcoin, avançou 6%, e a Circle Internet Group, emissora de stablecoins, teve alta de 5,2%.

Investidores institucionais voltaram ao mercado esta semana. Os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA caminham para o maior fluxo semanal de entradas desde janeiro. Os 13 fundos já somam mais de US$ 1 bilhão em captação na semana, alimentando ainda mais o otimismo com cripto.

“Pela primeira vez este ano, existe o risco de minha projeção para o fim do ano, de US$ 100 mil, estar subestimada”, escreveu Geoffrey Kendrick, chefe global de pesquisa em ativos digitais do Standard Chartered, em relatório a clientes.

“A reunião de Trump sobre cripto, o avanço do Clarity Act e os fluxos positivos dos ETFs alimentaram o otimismo, mas não explicam tudo”, disse Lucas.

Em mais um sinal de vitalidade, grandes detentores do token, as chamadas baleias do Bitcoin, voltaram a acumular, adicionando cerca de US$ 2,75 bilhões em tokens ao longo de 60 dias, segundo a CryptoQuant.

O Bitcoin segue bem abaixo do pico de mais de US$ 126.000, atingido em outubro passado, pouco antes de uma forte queda que o levou a US$ 58.642 no fim de junho.

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Lula pede a Trump retomada das negociações sobre tarifas contra o Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu a Donald Trump que retome as negociações sobre as tarifas americanas contra o Brasil durante um telefonema nesta sexta-feira, buscando amenizar as relações com Washington antes das eleições de outubro.

Lula rebateu as alegações americanas de práticas comerciais desleais que levaram à imposição de tarifas de 25% sobre muitos produtos brasileiros, chamando-as de “infundadas” durante uma ligação que durou mais de uma hora, informou o governo brasileiro em comunicado.

Trump propôs que autoridades de ambos os governos se reunissem o mais breve possível, segundo o Brasil. A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Esta é a primeira ligação entre os dois líderes desde que as relações se deterioraram em maio, quando os EUA classificaram dois grandes grupos criminosos brasileiros como organizações terroristas antes da imposição de tarifas, em julho.

As medidas contribuíram para mergulhar os EUA e o Brasil em uma disputa diplomática, depois que Lula acusou Washington de tentar interferir nas eleições brasileiras em favor de Flávio Bolsonaro.

No final de julho, o governo bloqueou vistos para dois funcionários do Departamento de Estado por suspeitar que eles planejassem questionar a integridade do sistema eleitoral do país. Em seguida, os EUA rebaixaram o status do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, embora ela continue autorizada a trabalhar no país, após alegarem que o governo Lula está atrasando o credenciamento de seu enviado diplomático a Brasília.

Lula e Trump entraram em atrito no ano passado depois que o líder americano impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros em uma tentativa malsucedida de ajudar o ex-presidente Jair Bolsonaro a escapar de acusações por tentativa de golpe. Trump posteriormente retirou as tarifas.

Lula também reiterou seu interesse em cooperar com os EUA no combate ao crime organizado, afirmando que o Brasil dispõe dos instrumentos necessários para enfrentar esses grupos sem uma classificação especial, segundo o comunicado.

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A estratégia do bilionário Ray Dalio para se proteger do risco de uma crise da dívida dos EUA

O bilionário Ray Dalio, considerado um dos maiores e mais bem-sucedidos investidores da história, deu a sua visão sobre o significado da intervenção do Tesouro dos Estados Unidos no mercado de títulos nesta semana.

Dalio afirmou que investidores deveriam reduzir suas posições em títulos de dívida americana e alocar até 15% de seu dinheiro em ouro. O objetivo? Se proteger contra o risco de uma crise da dívida dos Estados Unidos, que, segundo seu alerta, pode estar a apenas três anos de distância.

Manter uma exposição menor a títulos e cerca de 10% a 15% de uma carteira em ouro, além de “um pouco” de bitcoin, poderia tanto reduzir os riscos quanto aumentar os retornos, disse Dalio, que há muito tempo alerta para os perigos do crescimento da dívida pública.

Os comentários acontecem em um momento em que os rendimentos dos Treasuries de longo prazo subiram para máximas de vários anos e o Japão, maior credor estrangeiro dos EUA, vendeu títulos americanos para sustentar o iene.

Para conter a queda no mercado de títulos, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou nesta semana planos para aumentar as recompras de títulos de dívida de longo prazo — uma medida surpreendente que, até agora, proporcionou pouco mais do que um suporte de curto prazo.

Os acontecimentos mais recentes são consistentes com o modelo de ciclo da dívida que Dalio apresentou em seu livro How Countries Go Broke: The Big Cycle (em tradução livre: “Como os países quebram: o grande ciclo“), escreveu ele.

Segundo Dalio, o aumento dos custos do serviço da dívida acaba entrando em conflito com uma demanda insuficiente dos investidores, obrigando os governos a aceitar taxas de juros mais altas ou os bancos centrais a imprimir dinheiro para comprar a dívida. Isso enfraquece as moedas e alimenta a inflação ao longo do processo.

Dalio estima que a receita do governo americano será de cerca de US$ 5,5 trilhões neste ano, contra US$ 7,5 trilhões em gastos, deixando um déficit de US$ 2 trilhões. Somente os custos com juros deverão chegar a aproximadamente US$ 1 trilhão neste ano, enquanto cerca de US$ 10 trilhões em dívidas precisarão ser refinanciados.

Sem uma mudança de rumo, uma crise da dívida dos EUA poderia chegar “em três anos, para mais ou para menos dois”, afirmou Dalio.

Ele defende a redução do déficit orçamentário para 3% do Produto Interno Bruto (PIB), ante o nível atual de aproximadamente 6%, por meio de uma combinação de cortes de gastos, aumento da arrecadação tributária e redução das taxas de juros.

Dalio afirmou que pressões fiscais semelhantes estão afetando países como Reino Unido, China e Japão.

É por isso que “espero que moedas que não sejam produzidas pelos governos, como ouro e Bitcoin, tenham um desempenho relativamente bom”, escreveu ele.

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Trump anuncia alívio tarifário para reduzir preço da carne nos EUA. Medida pode beneficiar Brasil

O presidente Donald Trump disse que permitirá uma redução tarifária para algumas importações de carne bovina moída, em uma tentativa de baixar os preços para os consumidores americanos, uma preocupação importante antes das eleições legislativas de novembro.

“Hoje, concluí um acordo para reduzir substancialmente o preço da carne bovina moída para as famílias trabalhadoras americanas”, disse Trump em uma publicação nas redes sociais nesta sexta-feira.

O presidente afirmou que “nos próximos 90 dias, os Estados Unidos permitirão a importação de até 300 mil toneladas métricas de produtos destinados à carne bovina moída sem a aplicação da tarifa de importação fora da cota. Temos o compromisso de que essa carne será vendida a 25% abaixo dos preços atuais de mercado”.

Trump não forneceu mais detalhes sobre o acordo, incluindo a origem dessas importações. A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

A medida sobre as importações — que equivale a cerca de 2% do consumo doméstico anual dos EUA, de aproximadamente 13 milhões de toneladas — é a mais recente tentativa do presidente de conter os preços da carne bovina, que dispararam em meio a uma forte escassez de gado nos EUA. Custos de produção mais elevados e pastagens secas tornaram mais difícil para os pecuaristas criar os animais.

Trump já havia buscado aumentar as importações de carne bovina, inclusive ampliando a quantidade que a Argentina poderia enviar com tarifas mais baixas. O Departamento de Agricultura dos EUA projetou, no início deste mês, que as importações representarão uma parcela recorde da oferta de carne bovina do país neste ano.

As próximas eleições, que definirão o controle do Congresso, provavelmente serão influenciadas pela percepção dos eleitores sobre a economia, com o aumento dos custos de alimentos, saúde, serviços públicos e moradia ocupando o centro das atenções. Os preços de produtos básicos, como carne bovina e ovos, além da gasolina, têm um peso especialmente grande na percepção dos consumidores sobre a inflação.

Pesquisas mostram que o Partido Republicano de Trump enfrenta uma batalha difícil para manter o controle do Congresso, com os eleitores insatisfeitos com a condução da economia pelo presidente e com a guerra contra o Irã, que elevou os preços nos postos de combustíveis.

Há sinais de que os americanos estão chegando ao limite em relação à alta dos preços da carne bovina. O volume de vendas de carne bovina nas 13 semanas encerradas em meados de julho — período importante que inclui tanto o Memorial Day quanto o feriado de 4 de julho — caiu 0,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a empresa de pesquisa Circana. Isso se compara a um crescimento de cerca de 5% nos dois anos anteriores.

Brasil pode ser beneficiado

As principais fontes das importações de carne bovina dos EUA no primeiro semestre do ano foram Austrália e Brasil, segundo o Departamento de Agricultura americano. Os EUA permitem que alguns países enviem determinada quantidade de carne bovina sem tarifas a cada ano. Os volumes que ultrapassam esse limite ficam sujeitos a tarifas mais elevadas.

Os embarques da Argentina, impulsionados por Trump no ano passado, mais que dobraram no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os produtos estrangeiros tendem a ser aparas de carne bovina mais magras, que são misturadas a produtos americanos com maior teor de gordura para atingir a proporção adequada entre gordura e carne magra na produção de carne moída.

Além de importar mais carne, os EUA também estão prestes a retomar as importações de gado vivo do México, que haviam sido amplamente interrompidas por mais de um ano devido à disseminação de um parasita que afeta o gado.

Os frigoríficos têm defendido esse comércio como uma medida importante e imediata para enfrentar os preços no curto prazo, potencialmente permitindo a entrada de mais de 1 milhão de cabeças de gado por ano nos EUA. Ainda assim, inicialmente, esses embarques deverão entrar por apenas um porto no Arizona, representando uma pequena parcela da oferta.

As medidas da Casa Branca ocorrem enquanto os primeiros sinais de reconstrução do rebanho americano ainda são insuficientes para proporcionar qualquer alívio imediato. Os processadores de carne bovina, pressionados pelo aumento do custo do gado, tiveram de fechar unidades para reduzir a competição por animais escassos, incluindo uma medida anunciada na semana passada pela Tyson Foods.

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Braskem busca acordo com credores para evitar recuperação judicial

A Braskem informou que as negociações com credores se intensificaram, mas ainda não resultaram em um acordo, enquanto o prazo da proteção judicial contra medidas de execução de dívidas termina em apenas três dias.

A gigante petroquímica brasileira disse ter recebido propostas indicativas e não vinculantes de grupos de credores para uma possível reestruturação, incluindo alternativas que preveem injeção de capital e a constituição de “garantias reais” sobre ativos como forma de assegurar as obrigações, segundo comunicado divulgado na noite de quinta-feira. As propostas ainda estão sendo analisadas, informou a empresa.

“A companhia avalia a adoção de possíveis medidas de proteção contra credores, considerando o término do período de suspensão das medidas de execução. Até a presente data, não foi tomada nenhuma decisão sobre os termos da reestruturação.”

A Braskem tem até 24 de agosto para chegar a um acordo de reestruturação extrajudicial e evitar a chamada recuperação judicial, equivalente no Brasil à proteção contra falência.

A participação da estatal Petrobras, que controla a empresa em conjunto com o grupo IG4 Capital, dá ao caso uma dimensão política adicional em um ano eleitoral, quando o governo provavelmente será pressionado sobre o futuro de empresas consideradas estratégicas.

A Braskem pediu proteção emergencial contra credores no fim de junho, depois que as negociações para uma solução extrajudicial para sua crescente dívida enfrentaram obstáculos. A medida suspendeu por 60 dias as ações de execução movidas pelos credores.

Sua unidade mexicana, Braskem Idesa, entrou nesta semana com um pedido de proteção contra falência nos Estados Unidos em um processo pré-negociado, enquanto o aumento das dificuldades financeiras e a piora da situação de liquidez pressionam a companhia.

A Braskem precisa do apoio de detentores de pelo menos um terço de sua dívida para chegar a uma reestruturação extrajudicial dentro do regime brasileiro. Se um acordo for alcançado, as partes terão mais 90 dias, segundo a legislação brasileira, para concluir os termos da reestruturação.

Um grupo de credores, incluindo Elliott Investment Management LP e Contrarian Capital Management, vinha pressionando a Petrobras a assumir um compromisso financeiro, com alguns deles pedindo uma contribuição de capital, capital de giro ou dívida subordinada, segundo pessoas familiarizadas com o assunto disseram no início deste mês.

Enquanto isso, a Petrobras avalia se concederá condições de pagamento mais favoráveis à Braskem em alguns contratos, enquanto a petroquímica corre contra o tempo para encontrar uma solução para seus problemas de dívida, informou a Bloomberg nesta semana.

Os rendimentos dos títulos da Braskem denominados em dólar e com vencimento em 2031 dispararam para cerca de 23%, níveis normalmente associados a dívidas em situação de estresse financeiro.

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Bessent sinaliza que recompra de títulos pelo Tesouro pode superar US$ 4 bilhões

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta quinta-feira (20) que o governo pode ampliar as recompras de títulos da dívida americana para mais de US$ 4 bilhões por emissão, em uma tentativa de melhorar as condições do mercado de títulos de longo prazo.

“Pode ser mais de US$ 4 bilhões por emissão”, disse Bessent em entrevista à CNBC.

A declaração ocorre um dia depois de o Departamento do Tesouro anunciar que aumentaria em pelo menos o dobro o volume das recompras de títulos com vencimentos mais longos. O programa, que previa operações de até US$ 2 bilhões, passará a ter um limite de pelo menos US$ 4 bilhões por operação a partir de setembro.

O anúncio de quarta-feira provocou uma forte queda nos rendimentos dos Treasuries, mas o efeito perdeu força rapidamente. Nesta quinta-feira, o rendimento do título de 30 anos voltou a subir e era negociado em torno de 5,235%. O papel chegou a atingir níveis não vistos desde antes da crise financeira global de 2008.

Já o rendimento do Treasury de 10 anos avançava cerca de 5 pontos-base, para 4,704%. Um ponto-base equivale a 0,01 ponto percentual.

Bessent afirmou que o tamanho das futuras recompras dependerá das condições do mercado e evitou estabelecer um novo valor. Segundo ele, o objetivo é fazer com que os investidores se concentrem nos fundamentos econômicos, e não nas manchetes durante um período de baixa liquidez.

“Vamos ver quais são as condições e vamos analisá-las. Tudo o que estamos tentando fazer é levar as pessoas a se concentrarem nos fundamentos e não negociarem com base nas manchetes durante um período tranquilo, em um mercado com pouca liquidez”, disse.

O secretário do Tesouro também afirmou que o nível atual dos rendimentos não foi o fator determinante para a decisão de ampliar as recompras. Segundo Bessent, os rendimentos dos títulos de prazo mais longo não refletem os fundamentos da economia americana.

“Temos um grande conjunto de ferramentas, então vamos ver. Parte disso é sinalizar e mostrar que acreditamos que os rendimentos não refletem os fundamentos subjacentes”, afirmou.

Por que os juros estão subindo?

A alta dos rendimentos dos Treasuries ocorre em meio a uma combinação de fatores. Entre eles estão o aumento da dívida e dos déficits dos Estados Unidos, a concorrência com outros mercados de crédito — incluindo a forte emissão de dívida corporativa relacionada à inteligência artificial — e os juros mais elevados oferecidos por outros países, como o Japão.

Outro fator é o chamado prêmio de prazo, que representa o retorno adicional exigido pelos investidores para manter títulos do governo por períodos mais longos.

A liquidez do Treasury de 30 anos também preocupa. Bessent classificou o mercado desses títulos como “muito ruim”, o que aumenta o incentivo para que o Tesouro intervenha.

Dívida americana supera US$ 40 trilhões

A pressão sobre os juros ocorre em um momento de forte aumento da dívida pública americana. Dados divulgados pelo Tesouro na quarta-feira mostraram que a dívida nacional dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões pela primeira vez.

Bessent afirmou que o número, por si só, não é o principal problema e disse que o crescimento econômico pode ajudar o país a lidar com o elevado endividamento.

“Não há nada de mágico no número de US$ 40 trilhões, e podemos crescer para sair dessa situação”, disse.

O secretário também afirmou que se reunirá com Russell Vought, diretor do Escritório de Administração e Orçamento dos EUA, para discutir consolidação fiscal, em uma referência a medidas para melhorar as contas públicas.

“Nossa mensagem aos nossos aliados e parceiros comerciais é que o crescimento global é o caminho para lidar com essa montanha de dívida”, afirmou.

A alta dos rendimentos dos Treasuries é especialmente relevante para o governo americano porque juros maiores aumentam o custo para refinanciar a dívida e financiar novos déficits. Ao mesmo tempo, os rendimentos dos títulos de longo prazo funcionam como referência para outros custos de crédito na economia, como as taxas de financiamento imobiliário.

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Petrobras cancela contratos e derruba títulos de dívida da Oceânica

A decisão da Petrobras de cancelar os contratos de duas embarcações da Oceânica, empresa brasileira de serviços de inspeção e manutenção submarina, derrubou os títulos de dívida da companhia, em mais um revés para o já fragilizado mercado brasileiro de dívida corporativa.

A Petrobras é a maior cliente da Oceânica e respondeu por 95% de sua receita líquida no ano passado, o que ajuda a explicar a forte reação do mercado. Desde que a empresa revelou os cancelamentos na semana passada, seus títulos em dólar com vencimento em 2031 caíram 12 centavos, entregando perdas de 10,7% — o pior desempenho entre os títulos de mercados emergentes na última semana.

Os papéis foram emitidos há apenas três meses, em um refinanciamento para alongar o perfil da dívida. Na ocasião, a empresa ampliou a emissão de US$ 625 milhões para US$ 650 milhões. Agora, os títulos são negociados a 88 centavos de dólar, com rendimento de cerca de 14,9%, apesar de uma recuperação parcial após a forte queda de sexta-feira.

O mercado brasileiro de dívida corporativa vem sendo abalado por uma série de fortes quedas nos últimos meses, de Braskem a Raízen, que surpreenderam investidores pela rapidez e intensidade, atrapalhando novas emissões.

“A queda pode ter sido um pouco excessiva, mas não foi sem fundamento”, disse Nicolas Giannone, analista da Balanz UK, que encerrou na semana passada sua recomendação de overweight para a Oceânica, mantida por três meses. “Essas histórias são difíceis de acompanhar em tempo real e dependem muito da credibilidade da gestão e da execução operacional.”

Anteriormente, investidores receosos se desfizeram dos títulos da Aegea após a empresa adiar a divulgação de suas demonstrações financeiras. O episódio se somou a outras fortes quedas no mercado de dívida, envolvendo Raízen, Ambipar e Braskem. As perdas afastaram investidores dessa classe de ativos, mesmo que os casos tenham sido vistos como problemas específicos de cada empresa.

No centro da turbulência está uma questão recorrente entre os investidores: se as recentes quedas são casos isolados ou sinais de que mais problemas estão por vir.

“O mercado está extremamente sensível a qualquer surpresa de crédito no segmento de high yield brasileiro neste momento”, disse Roger Horn, estrategista sênior de mercados emergentes da Mariva Capital Markets.

Contratos cancelados

A Petrobras rescindiu os contratos das embarcações SUB XIII, em 19 de maio, e SUB XVIII, em 31 de julho, citando cláusulas contratuais relacionadas aos prazos de mobilização, segundo a Oceânica em seu balanço de 13 de agosto.

A Oceânica tem liquidez suficiente e espera que as duas embarcações voltem a operar para a Petrobras, realizando inspeções de casco em plataformas de produção, disse o diretor financeiro James Lynch em entrevista. Uma delas deve retomar as operações no fim do terceiro trimestre e a outra, no início do quarto, disse.

Lynch disse ter recebido várias ligações de investidores preocupados com uma possível ruptura com a Petrobras e com o risco de o problema se estender a outros contratos. “Nossa relação com a Petrobras, do ponto de vista técnico, continua muito boa”, afirmou. “Nada mudou nesse aspecto.”

A Petrobras disse em comunicado que a a empresa Oceânica mantém contrato de prestação de serviços de inspeção de cascos com a Petrobras. Nessa modalidade de contrato, a definição e a estratégia de utilização de embarcações para a execução dos serviços são de responsabilidade da contratada, observados os requisitos contratuais e a necessidade de aceitação prévia dos recursos pela Petrobras. Por esse motivo, não é possível afirmar, antecipadamente, qual embarcação será empregada na execução dos serviços.

A Petrobras mantém relacionamento técnico e contratual com seus fornecedores, sem distinção, conduzindo a execução de seus contratos conforme os instrumentos firmados e a legislação vigente, disse.

“Os investidores buscam mais informações sobre a situação, e alguns ainda não sabem o que fazer com o investimento”, disse Omar Zeolla, analista da Oppenheimer & Co. “Os fundamentos sustentam uma visão positiva, mas tudo depende de a relação com a Petrobras se manter sem novos contratempos.”

Para a Oceânica, os cancelamentos se somam a resultados abaixo do esperado, pressionados por custos maiores e aumento da alavancagem, deixando pouca margem para erros. O Ebitda ajustado caiu 23% no segundo trimestre ante um ano antes, enquanto a margem recuou para 35%, de 45%. A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado subiu para 4,9 vezes, ante 3,8 vezes no fim de 2025.

“O fluxo de caixa livre deve melhorar significativamente no segundo semestre”, disse Giannone, da Balanz. “Mas, após a fraqueza inesperada no segundo trimestre, os investidores parecem adotar uma postura mais cautelosa, à espera de resultados concretos.”

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O desafio da Petrobras e da Pemex na busca por petróleo em rochas de 160 milhões de anos

As duas maiores petroleiras da América Latina estão fazendo uma aposta de alto risco para tentar acessar uma vasta reserva de petróleo em rochas que não veem a luz do dia há 160 milhões de anos.

A Petrobras e a Pemex se uniram para investigar uma camada da crosta terrestre sob o Golfo do México que é mais antiga, mais profunda e potencialmente mais rica em petróleo do que os atuais megacampos do mundo.

Os riscos físicos, financeiros e ambientais são enormes, diante dos desafios de perfurar quilômetros abaixo do leito marinho, atravessando camadas instáveis de rocha submetidas a altas pressões.

O alvo é uma formação geológica na costa do estado mexicano de Campeche que a Pemex explorou sem sucesso em 2018. O local contrasta fortemente com os poços de alta produtividade do lado americano do Golfo, que extraem petróleo preso em rochas formadas há cerca de 20 milhões de anos.

Agora, Petrobras e Pemex tentam perfurar formações rochosas oito vezes mais antigas, de uma época em que dinossauros e moluscos ancestrais dominavam a terra e os mares.

Para a Pemex, trata-se de uma tentativa decisiva de revitalização, enquanto a empresa enfrenta uma pesada dívida, queda na produção de petróleo e uma reputação de ineficiência e riscos operacionais. Mas o esforço também é relevante para o mercado global de petróleo, já que a guerra no Irã e outras perturbações geopolíticas no Oriente Médio expuseram os riscos de concentrar uma parcela tão grande da oferta em uma única região.

O incentivo para perfurar essas formações mais antigas é que elas podem oferecer um retorno muito maior, pois são as chamadas rochas geradoras, onde matéria orgânica foi comprimida, aquecida e transformada em petróleo. Em contraste, as rochas mais jovens são apenas bolsões onde vazamentos provenientes das rochas geradoras ficaram presos ao longo do tempo.

Equipes das duas empresas começaram, nas últimas semanas, a analisar dados sísmicos e outras informações geológicas com o objetivo de realizar um feito que nunca foi alcançado fora do território brasileiro da Petrobras.

“A Petrobras está entrando em território desconhecido”, disse Pedro Zalan, geólogo que trabalhou em projetos de exploração durante 34 anos na empresa. A geologia do lado mexicano do Golfo “é particularmente favorável ao acúmulo de petróleo”.

A Petrobras tem experiência única na exploração de rochas geradoras em uma camada da crosta que os geólogos chamam de pré-sal. Uma série de gigantescas descobertas offshore na região do Rio de Janeiro, a partir de 2006, deu início a um ciclo de transformação na produção de petróleo do Brasil.

Tentativas posteriores de outras empresas de reproduzir esse sucesso em formações de pré-sal em Angola, Gabão e República do Congo fracassaram em grande parte.

“A Pemex, sozinha, não tem a tecnologia nem o capital necessários para esse tipo de projeto”, disse Mark Rowan, geólogo e consultor do Colorado especializado em descobertas em águas profundas no Golfo do México. “Mas o fato de ser de alto risco não significa que não haja hidrocarbonetos ali. As empresas estão dispostas a perfurar áreas muito arriscadas e a ser pioneiras porque as possíveis recompensas, se der certo, são enormes.”

Em 2018, a Pemex perfurou mais de 7.800 metros abaixo do leito marinho e atravessou a camada de sal de Campeche. Embora o poço exploratório tenha sido considerado improdutivo, na linguagem do setor isso não é necessariamente sinônimo de inútil. Os dados e conhecimentos obtidos com o poço podem fornecer pistas valiosas para os geólogos e engenheiros da Petrobras e da Pemex.

“Aparentemente, o que a Pemex encontrou não foi suficiente para fazê-la desistir”, disse Rowan. “Isso sugere que não havia nenhum fator que inviabilizasse completamente o projeto e, possivelmente, que havia algo que lhes deu uma razão concreta para continuar testando.”

Mesmo que haja petróleo sob a camada de sal, levá-lo à superfície será um desafio. Sob altas temperaturas e pressões em grandes profundidades, o sal se comporta mais como um líquido do que como um sólido, e atravessá-lo exige equipamentos e técnicas especializados.

Os poços também precisam se mostrar economicamente viáveis, e a perfuração em águas profundas pode facilmente custar centenas de milhões de dólares por poço.

Além de explorar a região do pré-sal, as empresas planejam procurar petróleo sob rochas sedimentares formadas por avalanches de lama e areia a quilômetros abaixo da superfície do mar, além de investigar formações de sal mais jovens e rasas, disse Sylvia Anjos, diretora de exploração e produção da Petrobras, durante uma entrevista coletiva em 7 de agosto.

Superpetroleiras como Chevron e Shell produzem petróleo de campos chamados de subsal há mais de 30 anos. Embora essas reservas estejam sob águas muito profundas e também apresentem uma série de riscos, perfurar os recursos de pré-sal muito mais antigos que Petrobras e Pemex estão buscando representa um nível ainda maior de complexidade e risco.

Uma descoberta comparável ao campo de Tupi, descoberto pela Petrobras em 2006, seria o desenvolvimento mais importante da história de 88 anos da Pemex. Isso ajudaria a concretizar o objetivo de sucessivos presidentes mexicanos e presidentes-executivos da Pemex de revitalizar a produção da empresa, que já foi a joia da economia do país.

No Brasil, a exploração das reservas do pré-sal provocou um salto na produção de petróleo e transformou uma economia amplamente dependente das exportações agrícolas em uma potência energética regional.

O campo de Tupi, sozinho, já produziu 4 bilhões de barris de petróleo desde que entrou em operação, em 2010. Isso representa mais de US$ 300 bilhões em valor econômico, considerando os preços médios internacionais do petróleo no período.

“Depende muito do que os dados do poço de pré-sal perfurado pela Pemex em 2018 realmente mostram, e a empresa manteve os resultados desse estudo sob sigilo”, disse Jon Blickwede, geólogo e proprietário da Teyra GeoConsulting, de Houston. “Se a Pemex encontrou qualquer indício de hidrocarbonetos, seja gás ou petróleo, sob a camada de sal, isso seria extremamente significativo.”

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Bessent se torna o secretário do Tesouro dos EUA mais intervencionista em décadas

Com uma série de movimentos inesperados neste ano, Scott Bessent emergiu como o secretário do Tesouro mais intervencionista nos mercados financeiros em décadas — colocando sua credibilidade em jogo em um esforço para conter uma alta potencialmente prejudicial nos custos de financiamento dos Estados Unidos.

A quarta-feira trouxe a mais recente surpresa. Apenas duas semanas depois de divulgar seu cronograma para recomprar títulos do Tesouro mais antigos, o Departamento do Tesouro anunciou que iria “pelo menos dobrar” as compras planejadas de títulos com vencimentos entre 10 e 30 anos.

A medida veio depois de o Tesouro, no início deste mês, abrir a possibilidade de reduzir a emissão de dívida de prazo mais longo. Em 31 de julho, Bessent supervisionou a primeira compra de ienes por autoridades americanas em três décadas, uma ação vista como uma forma de reduzir a necessidade de o Japão vender parte de seu estoque de Treasuries para financiar suas próprias compras de ienes.

E, no início deste ano, Bessent utilizou as chamadas rate checks — ligações de autoridades a bancos para pedir cotações sobre o iene — surpreendendo até mesmo um ex-funcionário japonês.

“Ele é intervencionista, sem dúvida”, disse Mark Sobel, ex-funcionário do Tesouro dos EUA e atualmente integrante do grupo de pesquisa OMFIF. “Isso remete à sua experiência em fundos de hedge.”

Quanto à motivação, “para mim, está claro que ele e o governo estão preocupados com a alta dos rendimentos dos títulos de longo prazo”, disse Sobel.

O Tesouro não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as medidas de Bessent no mercado.

Como responsáveis pela política econômica do país e por seus mercados financeiros, os secretários do Tesouro frequentemente são obrigados a intervir em momentos de crise.

Esse não é o caso agora, já que a liquidação de títulos tem ocorrido de forma ordenada e vem se desenrolando há meses. Mas a reação de Bessent depois que os rendimentos dos Treasuries de 10 anos — seu indicador financeiro de referência declarado — subiram acima do nível em que estavam antes do retorno de Trump à Casa Branca mostra que as preocupações em Washington estão aumentando.

A alta dos rendimentos, impulsionada por uma combinação de preocupações com a inflação, decisões do Federal Reserve e déficits fiscais elevados, manteve as taxas de hipotecas em níveis altos e representa um obstáculo ao crescimento econômico meses antes das eleições legislativas de novembro.

O que dizem os estrategistas

“Somada à disposição do governo de intervir em outras áreas, a mensagem do movimento de quarta-feira está ficando difícil de ignorar. Washington está cada vez mais desconfortável com o sinal vindo da ponta longa da curva. Agora os mercados sabem que esse desconforto existe, e pontos de tensão costumam voltar a ser testados.” — Brendan Fagan, estrategista do MLIV

Quando se trata da emissão de dívida, o Tesouro há muito segue o princípio de ser “regular e previsível”, evitando surpreender os investidores. É um conceito que o próprio Bessent endossou em um discurso principal em uma conferência sobre o mercado de Treasuries em novembro.

Mas, naquele mesmo discurso, ele também afirmou: “Meu trabalho é ser o principal vendedor de títulos do país. E os rendimentos dos Treasuries são um forte indicador para medir o sucesso nessa tarefa.” Ele também destacou a importância econômica de taxas mais baixas dos Treasuries.

“Isso vai contra o princípio de ‘regular e previsível’ — mas esse é o mundo em que vivemos”, disse Gregory Faranello, chefe de negociação e estratégia de juros dos EUA da AmeriVet Securities, sobre o anúncio de quarta-feira. “A mensagem é clara: parem a alta dos rendimentos.”

A antecessora de Bessent, Janet Yellen, também agiu para conter uma alta dos rendimentos em 2023. Bessent estava entre vários republicanos que criticaram a medida — implementada por meio do comunicado trimestral regular sobre emissão de dívida — sob o argumento de que tinha motivação política e buscava estimular a economia antes das eleições. Stephen Miran, ex-chefe dos economistas do presidente Donald Trump e ex-integrante do conselho do Fed, havia sido coautor, em julho de 2024, de um artigo que criticava a chamada “emissão ativista do Tesouro”, ou ATI (activist Treasury issuance).

“Temporada eleitoral”

“Quando um partido político começa a usar a ATI para estimular a economia durante a temporada eleitoral, ela pode ser usada repetidamente por todos os governos futuros”, escreveram Miran e o coautor Nouriel Roubini.

A movimentação do Tesouro ocorre poucas semanas depois de o presidente do Fed, Kevin Warsh, ter comemorado a possibilidade de os mercados financeiros ficarem livres da orientação futura (forward guidance). “Os participantes do mercado estão aprendendo a jogar a bola, e não o árbitro, e os preços de mercado continuarão a reagir na direção e na intensidade que considerarem adequadas.”

Bessent já havia compartilhado esse sentimento de Warsh. Em um artigo publicado no ano passado, escreveu que as compras de títulos pelo Fed haviam criado “distorções” nos mercados e “prejudicado uma fonte essencial de feedback”.

Como se vê, “este não é um governo que estabelece regras estáveis e depois deixa o mercado seguir seu curso”, disse Brad Setser, pesquisador sênior do Council on Foreign Relations.

No caso da recente iniciativa envolvendo o iene, Bessent recomendou que o Fed ampliasse uma de suas linhas de financiamento, em uma medida vista como destinada a conter vendas diretas de Treasuries pelo Japão.

Manobra dos velhos tempos

Bessent, de 63 anos, ficou conhecido por seu papel em operações de alto risco e grande retorno envolvendo a libra esterlina e o iene japonês durante seu trabalho para George Soros. E alguns participantes do mercado viram a ação de quarta-feira como uma extensão daquela experiência profissional.

“É como o truque de ‘comprar tudo o que está na tela’ dos velhos tempos”, disse Brad Golding, gestor de portfólio da Christofferson Robb & Co. A referência é a uma técnica de fundos de hedge que consiste em lançar simultaneamente grandes ordens contra os principais operadores do mercado para provocar uma forte movimentação nos preços.

Por serem os principais integrantes do governo responsáveis pela administração da maior economia do mundo, os secretários do Tesouro têm uma longa tradição de grandes intervenções em momentos de crise. O departamento desempenhou um papel importante durante a Covid, administrou o principal programa de socorro da crise financeira global e liderou diversos resgates de mercados emergentes na década de 1990.

Segundo alguns observadores, as movimentações de Bessent são diferentes porque não foram provocadas por uma crise ou por condições particularmente desordenadas nos mercados.

Comparação histórica

“Bessent está deixando claro para todos que sua abordagem é mais ativamente intervencionista, mesmo sem a presença do tipo de catalisador que poderia ter sido necessário nas últimas décadas”, disse Douglas Rediker, sócio-gerente da consultoria política International Capital Strategies, em Washington.

Sobel, que trabalhou no Tesouro do fim dos anos 1970 até 2015, disse que Bessent é, pelo menos, o secretário mais intervencionista desde o início dos anos 2000. Comparações históricas, como com James Baker — que ajudou a articular os Acordos do Plaza e do Louvre, na década de 1980, que tiveram forte influência sobre as taxas de câmbio na época — são difíceis devido às diferenças entre os contextos históricos, afirmou.

Muitos participantes do mercado e economistas destacaram que os fundamentos por trás dos rendimentos mais altos atualmente representam um desafio para o conjunto de ferramentas operacionais do Tesouro. Faltando dois meses para o fim do ano fiscal, o déficit acumulado em 2026 é de US$ 1,8 trilhão, 5% maior que no ano anterior. Os gastos são impulsionados pela Previdência Social, Medicare, Medicaid e pelos juros da dívida. Os gastos com defesa também devem aumentar, enquanto os republicanos estudam novos cortes de impostos.

“Embora o anúncio do Tesouro ofereça alívio no curto prazo aos mercados de títulos, os fatores estruturais” que pressionam as taxas para cima continuam presentes, escreveram estrategistas de juros do ABN Amro em uma nota divulgada na quinta-feira. “É difícil imaginar o Tesouro mantendo recompras cada vez maiores de forma sustentada, especialmente diante das necessidades de financiamento que continuam — e estão aumentando”, escreveram Larissa Fritz e seu colega Jaap Teerhuis.

Sinais para o mercado

Bessent, no entanto, já indicou acreditar no poder do governo de influenciar os mercados. No mês passado, ao falar sobre participações do governo Trump em várias empresas de tecnologia e recursos naturais, afirmou: “O que estamos tentando fazer é criar sinais para o mercado.” Em entrevista à Fox Business, disse: “Em essência, estamos tentando dizer aos investidores: ‘Ok, é aqui que a bola vai estar. Patinem rapidamente até lá’.”

Alguns investidores seguiram esse sinal na quarta-feira. Os rendimentos dos títulos de 10 anos fecharam em queda de cerca de 6 pontos-base, enquanto as taxas dos títulos de 30 anos recuaram 9 pontos-base. Na quinta-feira, os Treasuries devolviam parte desses movimentos.

“Isso só funciona por algum tempo”, disse Guy Miller, estrategista-chefe da Zurich Insurance. “Pode ser uma intervenção bastante poderosa quando o Tesouro diz que está realmente comprometido com isso. Mas, no fim das contas, a menos que você enfrente uma política fiscal excessivamente expansionista, isso não é sustentável indefinidamente.”

Quanto à operação de Bessent envolvendo o iene, a moeda japonesa devolveu neste mês parte da valorização provocada pela intervenção. A queda dos rendimentos dos Treasuries na quarta-feira também deu impulso ao iene. A redução das taxas chegou a levar o Bloomberg Dollar Spot Index ao menor nível em três meses.

“Ele está comprando briga com dois mercados gigantescos — Treasuries e câmbio”, disse Peter Boockvar, diretor de investimentos da Onepoint Bfg. “E essa é uma batalha muito difícil.”

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YouTube oferece milhões de dólares a criadores para barrar avanço da Netflix

O YouTube está oferecendo milhões de dólares a canais populares para que publiquem seus vídeos exclusivamente na plataforma por determinado período, em uma tentativa de conter o avanço da Netflix sobre suas maiores estrelas, segundo pessoas familiarizadas com as negociações.

O pagamento ocorreria de algumas formas diferentes. O YouTube discutiu o financiamento direto de alguns programas e também ofereceu destinar aos criadores uma parcela de grandes contratos com marcas.

Embora o YouTube ainda não tenha fechado acordos com nenhum criador, está perto de firmar contratos com vários parceiros, disseram as fontes, que pediram anonimato porque as negociações são sensíveis e ainda estão em andamento.

Segundo as fontes, o YouTube também avisou que criadores que fecharem acordos com a Netflix poderão sofrer consequências. A plataforma teria menos probabilidade de incluí-los em campanhas de marketing ou eventos caso publiquem vídeos na Netflix ao mesmo tempo. O YouTube também excluiria esses criadores da divisão de receitas de algumas grandes campanhas com marcas.

A Netflix vem negociando acordos com dezenas de YouTubers de destaque, pagando a criadores como Alan Chikin Chow e Nick DiGiovanni para publicar seus vídeos simultaneamente no YouTube e na Netflix. A empresa continua em conversas com dezenas de outros criadores, canais e programas, como Hot Ones, um talk show com celebridades.

Os acordos com a Netflix são atraentes para os criadores porque permitem receber milhões de dólares adicionais por vídeos que eles já produzem, além de expor seu conteúdo a novos espectadores. A Netflix tem mais de 325 milhões de assinantes.

Ainda assim, o YouTube disse aos criadores que publicar os mesmos vídeos em sua plataforma e na Netflix prejudica a audiência no YouTube e transmite a ideia de que os canais estão deixando de considerar a plataforma de vídeos como seu principal canal de distribuição.

Alguns criadores já decidiram não trabalhar com a Netflix. O serviço exige que eles entreguem os vídeos com dias de antecedência, algo que não faz parte da rotina de muitos criadores. A Netflix também pediu que alguns criadores retirassem determinados patrocínios de marcas de seus vídeos.

YouTube e Netflix são líderes no mercado de vídeos por streaming há 20 anos. Durante a maior parte desse período, foram concorrentes relativamente amigáveis, atuando em universos em grande parte separados.

A Netflix era a rainha do streaming por assinatura, concentrada em filmes e séries mais caros, produzidos nos moldes de Hollywood. O YouTube era o líder absoluto em conteúdo gerado por usuários, dando origem a uma nova geração de estrelas que o público acompanhava principalmente em dispositivos móveis.

As tentativas anteriores da plataforma de financiar produções originais não conseguiram gerar muitos sucessos. Um desses programas acabou se tornando um grande sucesso da Netflix.

Nos últimos anos, porém, a fronteira entre as duas plataformas ficou cada vez mais tênue. O YouTube priorizou fazer com que as pessoas assistissem a vídeos em televisores e agora responde por mais audiência nesses aparelhos do que qualquer outro serviço. A plataforma também passou a disputar verbas publicitárias da televisão e adquiriu os direitos de grandes eventos ao vivo, como o Oscar e a NFL.

A Netflix, que há muito tempo promove seus títulos no YouTube, licenciou os direitos de programas populares como CoComelon e outros conteúdos. A empresa vê as estrelas do YouTube como uma forma de atrair espectadores mais jovens e aumentar o tempo que os usuários passam na Netflix.

A competição se intensificou no último ano, à medida que a Netflix ampliou seus esforços para conquistar os canais mais populares do YouTube.

O YouTube avaliou se deveria reagir. O CEO Neal Mohan há muito tempo afirma que criadores que fecham acordos com concorrentes, como Instagram ou Amazon Prime Video, tendem a levar os espectadores de volta ao YouTube.

Poucos desses criadores estão deixando a plataforma, que continua sendo seu principal canal de distribuição. Financiar canais individualmente também pode desagradar milhares de outros canais que não recebem nenhum dinheiro.

O YouTube ainda não quer atuar como um estúdio para criadores, o que envolveria financiar produções e oferecer orientação criativa. Mas, nas últimas semanas, Mohan e sua equipe decidiram que o fluxo constante de criadores que passaram a publicar simultaneamente no YouTube e na Netflix era um problema que precisava ser enfrentado. Fica mais difícil convencer anunciantes sobre o apelo e o valor de um vídeo no YouTube se ele também estiver disponível na Netflix.

Essa não é a primeira vez que o YouTube reage dessa maneira a concorrentes. A plataforma ofereceu dinheiro a criadores que não fechassem acordos com a Vessel, uma startup cofundada e anteriormente comandada por Jason Kilar que tentava convencer criadores de redes sociais a publicar conteúdo em seu aplicativo antes do YouTube. A plataforma também criou um produto de vídeos curtos para competir com o TikTok.

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Fundador da Evergrande é condenado à prisão perpétua. Relembre o caso

O fundador do China Evergrande, Hui Ka Yan, foi condenado à prisão perpétua, encerrando uma das histórias de ascensão e queda mais dramáticas da história corporativa da China.

O magnata do setor imobiliário, que caiu em desgraça e já foi o segundo homem mais rico da Ásia, transformou a Evergrande em um símbolo dos excessos corporativos durante o longo boom imobiliário da China. Mas, depois que seu império desmoronou após um calote em 2021, ele foi alvo de uma série de investigações oficiais que acabaram levando à sua queda.

Hui, que apareceu visivelmente envelhecido no tribunal, com os cabelos grisalhos, foi condenado junto com outras 56 pessoas envolvidas com a Evergrande, entre elas seus filhos Xu Zhijian e Xu Tenghe. Seus ativos serão confiscados, e suas empresas foram multadas em um total de 15,82 bilhões de yuans (US$ 2,4 bilhões).

O que levou Hui Ka Yan à prisão?

A decisão encerra uma história que, durante anos, foi considerada um dos grandes casos de sucesso da China. Hui acumulou dívidas em ritmo acelerado durante a expansão da Evergrande, transformando a empresa na incorporadora mais endividada do mundo enquanto convertia a gigante imobiliária em um conglomerado diversificado.

Mas as autoridades chinesas concluíram que sua ascensão foi construída com base em fraudes. Segundo elas, Hui cometeu uma fraude financeira de grandes proporções, que incluiu a inflação de ativos e a ocultação de passivos.

Em abril, Hui se declarou culpado em um tribunal chinês de acusações que incluíam captação ilegal de depósitos públicos e fraude em captação de recursos.

“O montante envolvido no crime é excepcionalmente elevado, as circunstâncias são particularmente graves, foram causadas perdas econômicas excepcionalmente grandes e os danos à sociedade são extremamente graves”, escreveu a agência estatal de notícias Xinhua, acrescentando que a Evergrande e Hui “devem ser severamente punidos de acordo com a lei”.

A Evergrande e Hui também foram considerados culpados de emissão fraudulenta de valores mobiliários, violação das regras de divulgação de informações e suborno. O fundador também foi acusado de desviar ativos da empresa por meio de mecanismos de distribuição de dividendos.

A sentença não encerra as inúmeras disputas judiciais envolvendo a Evergrande. A empresa está agora em processo de liquidação, enquanto uma legião de credores dentro e fora da China analisa seus ativos na esperança de recuperar parte das pesadas perdas.

Da pobreza à riqueza

Hui, também conhecido como Xu Jiayin em mandarim, nasceu na província de Henan em 1958 e cresceu na pobreza. Incentivado pelas perspectivas do plano de reformas econômicas de Deng Xiaoping, o filho de um lenhador deixou seu emprego em uma empresa siderúrgica em 1992 e, mais tarde, começou a atuar no mercado imobiliário em Guangzhou, capital da província de Guangdong. Em 1996, fundou a Evergrande e surfou a onda do boom imobiliário sem precedentes da China.

A Evergrande, cujo nome significa “permanência e grandeza” em chinês, recorreu fortemente a empréstimos para financiar seu crescimento, tornando-se a maior tomadora de dívida em dólares entre suas concorrentes e, por um período, a maior incorporadora do país em vendas. Em seu auge, a empresa construiu mais de 1.300 projetos em 280 cidades. Impulsionada pela riqueza gerada pelo mercado imobiliário, também expandiu sua atuação para setores que iam de água engarrafada a futebol profissional e veículos elétricos.

Durante muito tempo, a Evergrande conseguiu contornar crises de liquidez recorrendo a magnatas da China e de Hong Kong para comprar ações e títulos da empresa. Hui também buscou apoio financeiro de seus próprios fornecedores e de investidores de varejo. Mas a repressão de Pequim ao setor imobiliário a partir de 2020 limitou sua capacidade de tomar empréstimos, na prática cortando o acesso de Hui aos mercados de crédito.

As acusações contra Hui seguem uma longa lista de medidas severas adotadas pelas autoridades chinesas contra grandes empresários.

Wu Xiaohui, ex-presidente da Anbang Group Holdings, foi condenado a 18 anos de prisão por fraude e apropriação indébita em 2018. Naquele mesmo ano, Lai Xiaomin, presidente da China Huarong Asset Management, foi preso em meio a um escândalo de corrupção e acabou executado em 2021 por acusações que incluíam suborno. Chen Feng, presidente do HNA Group, foi detido alguns meses depois, junto com o presidente-executivo Tan Xiangdong, por crimes não especificados.

A Evergrande deixou de pagar suas dívidas no fim de 2021. Após tentativas frustradas de reestruturação, a empresa recebeu uma ordem de liquidação em Hong Kong em 2024, marcando uma escalada significativa no desmoronamento do setor. Mais tarde naquele ano, um tribunal da China continental aceitou um pedido de liquidação contra uma de suas principais unidades domésticas.

Hui foi levado pela polícia chinesa em 2023 e mantido sob a chamada vigilância residencial — uma medida policial que não chega a configurar detenção ou prisão formal. Além de um comunicado da empresa confirmando que Hui estava sob controle das autoridades, os órgãos chineses permaneceram discretos sobre seu status desde então.

Em 2024, os reguladores chineses acusaram a principal unidade doméstica da Evergrande de inflar sua receita em mais de 560 bilhões de yuans ao reconhecer vendas antecipadamente. A suposta fraude supera em muito os casos da Luckin Coffee e da Enron. A China então suspendeu por seis meses as operações da PricewaterhouseCoopers, auditora de longa data da Evergrande, e aplicou multas.

Grande parte da riqueza conhecida de Hui vinha de sua participação de controle na Evergrande e dos dividendos em dinheiro que recebeu da empresa desde sua listagem em Hong Kong, em 2009. Segundo cálculos da Bloomberg, Hui embolsou mais de US$ 7 bilhões na última década graças aos generosos pagamentos da companhia.

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Lucro do Nubank sobe 49% no segundo trimestre, para US$ 1,06 bilhão

O Nubank, alcançou pela primeira vez na história a marca de US$ 1 bilhão em lucro neste segundo trimestre, com a queda dos custos de crédito em relação aos três meses anteriores e um avanço de 37% da carteira de crédito.

O lucro líquido foi de US$ 1,06 bilhão, alta de 49% em relação ao mesmo período do ano anterior, excluindo variações cambiais, e ficou acima de todas as estimativas dos analistas consultados pela Bloomberg. Os custos de crédito chegaram a US$ 1,7 bilhão, ante US$ 1,1 bilhão um ano antes.

“Estamos bastante confiantes de que conseguiremos manter a margem financeira líquida ajustada ao risco em um patamar semelhante ao atual, em torno de 12%”, disse Rob Livingston, novo diretor financeiro da fintech, em entrevista antes da divulgação dos resultados.

O Nubank atravessa uma piora do ciclo de crédito no Brasil enquanto acelera a expansão em produtos centrais, como cartões de crédito e empréstimos pessoais.

A companhia sempre concede crédito como se a economia estivesse prestes a entrar em recessão, disse Livingston, e vem usando modelos baseados em inteligência artificial para avaliar melhor a capacidade de pagamento de cada cliente.

No primeiro trimestre, essa fórmula produziu resultados que decepcionaram os investidores, e as ações caíram 5,7% depois que os números mostraram provisões mais elevadas.

Também pesou sobre o sentimento dos investidores o fato de alguns investimentos da empresa ainda não terem dado retorno, como a aposta em inteligência artificial e a expansão internacional.

Autorizado a operar como banco no México em julho, o Nubank agora poderá lançar mais tipos de produtos na segunda maior economia da América Latina, o que deve acelerar seu crescimento no país, disse o CFO, embora o lucro avance de forma mais gradual.

As despesas operacionais do segundo trimestre foram de US$ 806,2 milhões, ante US$ 548,1 milhões um ano antes, segundo a empresa. O índice de eficiência, que mede quanto um banco gasta para gerar receita, melhorou 1,8 ponto percentual em relação ao ano anterior, para 19,5%, mas piorou na comparação com o trimestre anterior devido aos gastos com marketing e à expansão internacional.

O Nubank afirmou que o indicador deve ficar próximo de 20% no ano, refletindo as políticas de retorno ao escritório iniciadas no começo de julho e sua expansão nos Estados Unidos.

A empresa havia dito anteriormente que essa expansão reduziria o índice de eficiência em menos de 100 pontos-base neste ano e no próximo.

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SpaceX supera teste de fim de restrição a vendas e ganha US$ 500 bilhões em valor

Desde que a SpaceX abriu o capital em junho, Wall Street vinha temendo o dia 6 de agosto, quando terminou o primeiro período de lockup, que impedia os primeiros investidores de vender as ações, e milhões de papéis poderiam chegar ao mercado.

Não havia motivo para tanta preocupação.

As ações da SpaceX dispararam desde o fim do lockup, com alta de 35% em apenas cinco pregões, acréscimo de cerca de US$ 500 bilhões em valor de mercado e retorno a um patamar acima dos US$ 135 da oferta pública inicial de ações. O avanço contrariou os temores de uma onda iminente de vendas e aumentou o otimismo dos investidores de que os próximos vencimentos não serão tão dolorosos quanto se temia.

“Superamos o grande obstáculo, que era o desconhecido”, disse Andrew Plum, sócio-gestor e chefe do comitê de investimentos da Loxahatchee Capital, que detém ações da SpaceX. “É como se o mercado precificasse um evento negativo, talvez até em excesso, enquanto espera que aquilo aconteça. E então, em geral, não é tão ruim quanto o que havia sido precificado ou esperado.”

As ações da SpaceX caíam 2,4% no início das negociações desta quinta-feira.

A empresa de Elon Musk que atua nos setores espacial, de satélites e inteligência artificial viveu uma trajetória turbulenta no mercado acionário desde que precificou, em 11 de junho, a oferta pública inicial recorde de US$ 86 bilhões.

As ações decolaram nos primeiros dias de negociação, mas depois inverteram a direção e perderam mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado até o início de agosto. O fim do lockup deveria representar outro risco, mas acabou sendo apenas um contratempo passageiro.

“Se a ação estivesse a US$ 225, eu diria que provavelmente teria sucumbido à tendência”, disse Gene Munster, sócio-gestor da Deepwater Asset Management, que detém ações da SpaceX. Ele afirmou que a gestora estava em “modo de preparação” antes do vencimento, à espera do que aconteceria.

O processo de liberação das ações da SpaceX é diferente do que normalmente ocorre após um IPO, quando insiders em geral ficam impedidos de vender por 180 dias. Diante do tamanho da companhia e do potencial de causar um choque no mercado, a administração e os bancos da SpaceX distribuíram os vencimentos em uma estrutura de nove etapas.

Este lockup foi o maior deles, com a liberação de 911,5 milhões de ações, número superior ao vendido no IPO.

O próximo vencimento ocorre em 20 de agosto, com a liberação de até 319 milhões de ações, ou 7% do total de papéis sujeitos a restrições de venda. Blocos semelhantes, também equivalentes a 7%, serão liberados nos próximos meses, antes que as 6,4 bilhões de ações de Musk sejam desbloqueadas em junho de 2027.

As ações da SpaceX despencaram 14% no dia anterior ao vencimento, mas o motivo parece ter sido, na verdade, o primeiro balanço da empresa — mais especificamente, os gastos de capital com inteligência artificial acima do esperado.

Os resultados, porém, também trouxeram algumas boas notícias, entre elas receita muito superior às projeções e prejuízo por ação menor que o previsto. Esses números provavelmente foram outro catalisador da alta das ações desde então.

“Quando os investidores perceberam, após aquele primeiro dia, que a ação não entraria em queda livre, entenderam que poderiam voltar e reavaliar o que aconteceu no trimestre e concluir que as coisas estavam avançando”, disse Munster.

Musk, como costuma fazer, também apresentou algumas projeções ousadas na teleconferência de resultados. Em particular, disse esperar que a receita da SpaceX alcance um ritmo anualizado superior a US$ 100 bilhões até o fim do ano e chegue a US$ 1 trilhão em 2030, ou possivelmente em 2029.

“O resultado surpreendeu bastante para cima, e acho que esse é o antídoto para a chegada de novas ações ao mercado”, disse Plum. “A empresa pode divulgar notícias financeiras muito positivas, capazes de atrair novos compradores nesses níveis, o que permitirá que essas ações sejam vendidas a um preço razoável sem exercer pressão excessiva sobre o papel.”

Alguns investidores não ficaram particularmente surpresos com o fato de as ações da SpaceX terem se comportado de maneira diferente de outros papéis após o fim do lockup. Embora esses eventos normalmente pressionem as ações envolvidas, a popularidade de Musk pode ter mudado a dinâmica.

“Eu presumiria que a base inicial de investidores pioneiros do setor espacial não é fiel aos fundamentos do mercado; é fiel a Elon e ao sonho dele”, disse David Wagner, gestor de portfólio da Aptus Capital Advisors, que possui ações da SpaceX. “Essa base de investidores pode ser mais resistente do que se imagina porque se trata de uma aposta em Elon, e não nos lucros fundamentais, na execução e na geração de fluxo de caixa livre em períodos curtos.”

Segundo Munster, o fato de a ação estar bem abaixo do preço do IPO antes do fim do lockup também pode ter ajudado. Ele prevê que um padrão semelhante de negociação poderá surgir em torno dos próximos vencimentos — com queda das ações antes da liberação e alta posteriormente — desde que os insiders não corram para vender as participações.

Para os investidores da SpaceX, a conclusão é que devem esperar fortes oscilações das ações conforme mais papéis cheguem ao mercado e a narrativa em torno da empresa evolua.

“Espero que esta ação seja volátil e oscile entre o medo de uma história promissora, mas cujo fluxo de caixa ainda está a vários anos de distância, e a ganância quando os investidores se entusiasmarem com a visão de Musk e seu extraordinário potencial”, disse Rhys Williams, estrategista-chefe da Wayve Capital Management. “Os otimistas podem sonhar. E os pessimistas vão se concentrar no volume impressionante de Capex.”

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Angola cobra compromisso do Brasil com projetos agrícolas ou pede que saia do caminho

O ministro da Agricultura de Angola disse que pode começar a buscar novos parceiros, à medida que sua paciência se esgota com empresas brasileiras que continuam mudando as condições para investir nas terras agrícolas do país, mesmo depois de grandes áreas terem sido identificadas para desenvolvimento.

Angola não vai mais “implorar” para que empresas brasileiras invistam em seus projetos agrícolas, afirmou Isaac dos Anjos. “Não estou mais disposto a me ajoelhar e pedir: venham”, disse ele durante um fórum sobre agronegócio Angola-Brasil, em Luanda, na quarta-feira. “Se vocês não querem vir, não precisam vir.”

No ano passado, o país do sudoeste da África identificou 800 mil hectares (2 milhões de acres) de terras para que empresas brasileiras realizassem estudos e desenvolvessem projetos. Desde então, os dois lados discutem uma estrutura de financiamento envolvendo instituições dos dois países, mas ainda não assumiram compromissos firmes, segundo Dos Anjos.

Os investidores brasileiros continuam levantando obstáculos, apesar de Angola ter atendido às condições que eles haviam estabelecido para investir, afirmou Dos Anjos.

“O que está faltando agora? O setor financeiro precisa dizer se está disponível” para apoiar os projetos, disse. “Se isso não avançar, tenho que procurar outros parceiros.”

Países em busca de segurança alimentar e de novos mercados, incluindo China, Emirados Árabes Unidos e Brasil, se comprometeram a investir no setor agrícola de Angola depois que o país implementou amplas reformas.

No ano passado, Angola abriu quase 2 milhões de hectares de terras agrícolas para investidores estrangeiros, oferecendo concessões sem impostos e permitindo que os investidores exportem 60% de sua produção.

Em julho de 2025, Angola assinou US$ 350 milhões em acordos agrícolas com empresas chinesas, incluindo a Citic Construction Co., para desenvolver 100 mil hectares de soja e milho, e a estatal de construção de hidrelétricas Sinohydro, para cultivar 30 mil hectares de grãos.

Katia Abreu, ex-ministra brasileira da Agricultura, que participou do mesmo evento, pediu paciência e afirmou que os produtores rurais precisam de tempo, segurança e apoio antes de se comprometerem com uma nova “fronteira agrícola” como Angola.

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Rio Tinto obtém US$ 1,8 bilhão para evitar fechamento da maior fundição de alumínio da Austrália

Os donos da maior fundição de alumínio da Austrália, entre eles a Rio Tinto, conseguiram um pacote de US$ 1,8 bilhão dos governos federal e estadual para manter a fábrica em operação diante da pressão dos altos custos de energia.

A Rio, acionista majoritária da fundição de Tomago, em New South Wales, e seus parceiros receberão o apoio em um acordo que prevê, em contrapartida, investimentos de cerca de US$ 790 milhões na unidade, segundo comunicado conjunto dos governos.

O plano também prevê mudanças para permitir que a fundição reduza o consumo de eletricidade nos momentos de maior demanda da rede. A preservação de Tomago tem peso relevante para a indústria australiana de alumínio.

A Austrália é um dos principais fornecedores mundiais das matérias-primas usadas na produção de alumínio e abriga uma cadeia integrada que vai da bauxita ao metal.

O país é o segundo maior produtor global de bauxita, com 22% da oferta mundial, e deve produzir cerca de 1,7 milhão de toneladas de alumínio primário por ano. Nesse contexto, Tomago sozinha responde por mais de um terço da produção australiana do metal.

Manter Tomago aberta significa preservar uma parcela relevante da produção de alumínio de um país que ocupa posição estratégica na cadeia global do metal, justamente num momento em que a oferta internacional está apertada e os preços seguem elevados.

A unidade produz cerca de 590 mil toneladas do metal por ano, o equivalente a 37% de toda a produção de alumínio primário do país. Cerca de 90% do volume produzido é destinado a mercados da Ásia-Pacífico, segundo a própria Tomago.

Oferta restrita

O socorro ocorre também em um momento de oferta mais apertada no mercado internacional. O governo australiano estima que a demanda elevada, impulsionada entre outros fatores pela transição energética, e as restrições de oferta mantenham os preços do alumínio em níveis altos.

A projeção oficial é de preço médio de US$ 3.425 por tonelada no segundo semestre de 2026. O problema central para a sobrevivência da unidade é a energia. A Rio já afirmou que a eletricidade representa mais de 40% dos custos operacionais de Tomago.

A planta consome cerca de 950 megawatts continuamente e responde por aproximadamente 12% da demanda elétrica de New South Wales, segundo a companhia.

Em dezembro, o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, havia prometido apoio financeiro depois que a Rio alertou que a escalada dos custos poderia obrigar a planta a fechar quando seu atual contrato de fornecimento de eletricidade expirar, no fim de 2028.

Os novos termos

O novo acordo também deverá sustentar quase 3 gigawatts de nova geração renovável, segundo o comunicado citado pela Bloomberg. Além disso, os donos da fábrica se comprometeram a destinar aproximadamente US$ 72 milhões à redução de emissões.

“Este acordo garante mais de 1.000 empregos em Tomago e milhares de outros que dependem da fundição”, afirmou o premiê de New South Wales, Chris Minns.

A Rio Tinto detém 51,55% da fundição, que opera desde 1983. A Gove Aluminium Finance possui 36,05% e a Hydro Aluminium, da Norsk Hydro, os 12,4% restantes.

O pacote para Tomago não é o primeiro concedido à Rio para preservar uma operação de alumínio intensiva em energia na Austrália. Em março, a empresa recebeu o equivalente a cerca de US$ 1,4 bilhão em apoio combinado dos governos federal e estadual para sua fundição de Boyne, em Queensland.

Outras companhias também receberam ajuda pública para manter ativos industriais de alto consumo energético no país.

No ano passado, Glencore obteve apoio para sua fundição de cobre de Mount Isa e uma refinaria associada, enquanto a Nyrstar Australia, subsidiária do Trafigura Group, recebeu recursos para a fundição de chumbo de Port Pirie e as operações de zinco de Hobart.

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Estados Unidos recolhem quase 14 toneladas de carne argentina sem inspeção

Quase 13,6 toneladas de carne bovina argentina que não foram completamente inspecionadas antes de serem distribuídas no Texas e na Flórida estão sendo recolhidas, informou o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

O Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar (FSIS) do USDA anunciou que a empresa Corte Argentino LLC, com sede na Flórida, estava recolhendo vários cortes de carne bovina que não passaram por uma etapa de “reinspeção” quando entraram nos EUA.

Nenhuma doença ou lesão foi associada às importações, mas o USDA está preocupado com a possibilidade de alguns dos cortes já estarem em geladeiras ou freezers e orientou os consumidores a descartá-los.

A carne foi produzida em maio e tem datas de validade para congelamento em setembro. O USDA não informou como o lote passou pelo processo de reinspeção das importações.

Os cortes de carne recolhidos estavam em caixas identificadas como Frigorifico Gorina SAIC, uma das maiores empresas frigoríficas da Argentina. A Gorina não respondeu imediatamente a um pedido de comentário fora do horário comercial na terça-feira.

O recolhimento ocorre pouco depois de os EUA ampliarem de 20 mil para 100 mil toneladas a cota anual de importação de carne bovina da Argentina sem tarifas, em uma tentativa de combater a inflação — parte de um acordo comercial mais amplo que ainda não foi totalmente ratificado.

O recolhimento representa uma fração muito pequena das exportações argentinas para os EUA, que vêm aumentando desde que a política foi implementada no início deste ano, reduzindo os embarques para a China, maior cliente da Argentina. Por sua vez, a China suspendeu em algumas ocasiões as importações de frigoríficos argentinos específicos, alegando diferentes problemas.

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El Niño ameaça Canal do Panamá e cria novo gargalo para o comércio global

O comércio global enfrenta um novo problema, além dos gargalos que há meses afetam os fluxos no Oriente Médio, com o Canal do Panamá restringindo parte das reservas para navios devido a desafios no abastecimento de água.

A Autoridade do Canal do Panamá suspenderá temporariamente parte do sistema de reservas para embarcações que pretendem utilizar a hidrovia que liga os oceanos Pacífico e Atlântico, segundo a agência marítima Norton Lilly. Entre os motivos está a possibilidade de ocorrência do fenômeno climático El Niño, que pode reduzir o fluxo de água essencial para a operação do canal, afirmou a empresa.

A restrição de acesso ao Canal do Panamá ocorre em um momento em que outros pontos críticos do comércio global enfrentam interrupções, desacelerando o comércio e elevando custos. No Oriente Médio, a guerra entre Irã e EUA levou o tráfego pelo Estreito de Ormuz a praticamente parar após ataques a embarcações. Em outra frente, o grupo militante Houthis, apoiado pelo Irã no Iêmen, ameaçou a navegação pelo estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho.

A Autoridade do Canal do Panamá não respondeu imediatamente a ligações e emails enviados fora do horário de expediente em busca de comentários.

Os leilões diários do chamado período três para as eclusas destinadas a navios da classe Panamax serão suspensos de 25 de julho até novo aviso, em razão dos níveis atuais e projetados de água no Lago Gatún, informou a Norton Lilly em comunicado publicado em seu site. Com isso, a capacidade diária de reservas será reduzida de 36 para 34 embarcações.

Segundo a empresa, citando a Autoridade do Canal do Panamá, a suspensão foi adotada com base nas atuais condições hidrológicas e na possibilidade de desenvolvimento de um padrão climático de El Niño. Episódios anteriores do fenômeno reduziram os níveis dos lagos de água doce que abastecem o canal, levando a autoridade a impor restrições ao número diário de travessias.

A suspensão no Canal do Panamá significará menos oportunidades para conseguir vagas, maior concorrência pelas reservas nos períodos um e dois e, potencialmente, “maiores desafios” para navios sem reservas confirmadas, afirmou a Norton Lilly.

O Lago Gatún, localizado acima da hidrovia e responsável por abastecer as eclusas abaixo, registra atualmente profundidade de 84,6 pés (25,8 metros), ligeiramente abaixo da média de 84,7 pés para o mês de julho nos últimos cinco anos, segundo a Autoridade do Canal do Panamá. A previsão é que o nível da água continue caindo nos próximos meses, chegando a 83,8 pés no fim de setembro, 1,4 pé abaixo da média de cinco anos.

Durante o último El Niño, entre 2023 e 2024, o tráfego mensal de embarcações pelo canal caiu de um pico pré-El Niño de 1.523 navios, em dezembro de 2022, para 1.054 em fevereiro de 2024, segundo dados fornecidos pela Weathernews Inc.

Nos últimos meses, meteorologistas alertaram que o El Niño deste ano pode ser particularmente severo, aumentando a possibilidade de interrupções significativas. No início deste mês, o Centro de Previsão Climática dos EUA afirmou que o fenômeno continuava se intensificando e provavelmente será um dos mais fortes em mais de 75 anos.

Os episódios de El Niño costumam provocar condições mais secas que o normal na América Central. O Panamá já registrou chuvas muito abaixo da média nas últimas sete semanas, segundo o Centro de Previsão Climática dos EUA.

A expectativa é que essa estiagem persista. As projeções sazonais mais recentes do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo indicam que há pelo menos 70% de probabilidade de a região do Canal do Panamá registrar índices de chuva entre o terço mais baixo da série histórica entre agosto e novembro.

Em junho, a Autoridade do Canal do Panamá afirmou que intensificava os preparativos para enfrentar os efeitos extremos do El Niño por meio da elaboração de um plano que evitasse impor o tipo de restrições a embarcações que prejudicou o transporte marítimo há três anos.

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Nike lamenta final da Copa e vê rival Adidas faturar com campeões. ‘O final não foi o que sonhamos’

A Nike gostaria de ter visto um final diferente para a Copa do Mundo.

A Espanha derrotou a Argentina na decisão disputada no domingo, com ambas as seleções vestindo uniformes da Adidas. As duas equipes haviam eliminado nas semifinais seleções patrocinadas pela Nike — França e Inglaterra.

Para uma empresa de artigos esportivos como a Nike, ficar fora da final significa perder a oportunidade de capturar a onda de vendas de produtos licenciados gerada pelo entusiasmo dos torcedores. As camisas de Lionel Messi e Lamine Yamal vistas nos Estados Unidos e em outros países durante o fim de semana representam receita adicional para sua principal rival.

“Sei que o final não foi o que sonhamos”, escreveu Camilo Andrade, vice-presidente e gerente-geral da divisão de futebol da Nike, em um memorando obtido pela Bloomberg News após o encerramento do torneio. Ainda assim, ele afirmou que, “independentemente do placar e de quem levantou a taça, fizemos o nosso trabalho”.

As ações da Nike caíram 0,7% na segunda-feira e acumulam desvalorização superior a 40% nos últimos 12 meses.

Sob a liderança do CEO Elliott Hill, a companhia vem reposicionando sua estratégia para dar maior destaque ao esporte e encarou a Copa do Mundo como uma oportunidade importante para ganhar espaço no futebol.

“Executamos o plano que queríamos; controlamos aquilo que estava ao nosso alcance”, afirmou Andrade no comunicado.

Ele também reconheceu que a empresa enfrentou obstáculos ao longo do caminho.

“Contra todas as probabilidades e diante de um número infinito de desafios, esta equipe de futebol não apenas escreveu a maior história de recuperação, como deu à Nike e ao mundo motivos para acreditar”, escreveu.

Antes do torneio, os uniformes da Nike foram alvo de críticas por apresentarem ondulações na região dos ombros. Além disso, atrasos na produção fizeram com que parte dos produtos relacionados à competição chegasse aos varejistas depois do prazo inicialmente previsto pela empresa.

Andrade destacou ainda que a Nike tem “uma oportunidade desproporcional de liderar e dominar o futebol feminino”. A próxima edição da Copa do Mundo Feminina da FIFA será realizada no Brasil no ano que vem.

A Nike forneceu uniformes para diversas seleções no Mundial, incluindo Estados Unidos, Canadá e Noruega. “Continuem avançando, continuem acreditando, continuem tentando. E a dominação virá”, afirmou Andrade.

Além do futebol, atletas patrocinados pela Adidas também conquistaram resultados expressivos nos últimos meses. Dois corredores da marca registraram tempos recordes na Maratona de Londres, rompendo a barreira das duas horas — um objetivo perseguido há anos pela Nike. Outro atleta, Josh Kerr, bateu o recorde mundial da milha masculina usando tênis da marca Brooks Running.

A Nike continua sob pressão para recuperar o ritmo de crescimento das vendas após um longo período de desaceleração. A empresa apresentou melhora nos resultados nos Estados Unidos e na categoria de corrida, mas ainda enfrenta fraqueza persistente no mercado chinês e na marca Converse.

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EUA vão cortar tarifa de alumínio pela metade para quem construir fábrica no país

O governo Trump anunciou um programa de incentivo pelo qual empresas que construírem, expandirem ou reformarem usinas de alumínio nos Estados Unidos vão receber desconto na tarifa cobrada sobre o metal que importarem de fora do país.

O plano, anunciado nesta segunda-feira (20), reduziria a tarifa sobre alumínio importado de 50% para cerca de 25% para as empresas que cumprirem os novos requisitos e forem aprovadas pelo governo americano.

O presidente Donald Trump havia imposto a tarifa de 50% como parte do esforço para aumentar a capacidade doméstica de produção do metal, usado desde a fabricação de automóveis até máquinas de lavar. O resultado, porém, foi modesto, e vários países pressionaram por uma redução da taxa.

Mais relevante: os Estados Unidos não têm capacidade própria suficiente de alumínio primário para atender à própria demanda, e dependem fortemente de importações, sobretudo do Canadá e do Oriente Médio.

Um projeto que se encaixa diretamente no perfil do incentivo é o consórcio entre a Emirates Global Aluminium (EGA), dos Emirados Árabes, e a americana Century Aluminum: as duas empresas planejam construir, em Inola, no Oklahoma, a primeira usina de alumínio primário erguida nos Estados Unidos desde 1980, com capacidade projetada de 750 mil toneladas por ano.

Gargalo crescente

O país tem hoje apenas quatro usinas de alumínio em operação, ante 23 no ano 2000. Cerca de metade de todo o alumínio consumido nos EUA vem do Canadá, onde as fábricas, que consomem muita energia, usam fontes mais baratas, como hidrelétricas. A conta de energia pesa tanto na equação que a última nova usina construída em solo americano tem mais de quatro décadas.

A tarifa de 50%, em vigor desde junho do ano passado, vem inflando o chamado “prêmio do Meio-Oeste americano” (“Midwest premium”), o valor adicional cobrado sobre a referência global de preço para entregar o metal àquela região dos EUA. Um choque adicional de oferta, ligado à guerra no Irã, ajudou a elevar esse prêmio regional em quase 100%.

O prêmio do Meio-Oeste funciona como referência do quanto fabricantes americanos pagam para produzir eletrodomésticos, latas de bebida e veículos. Na prática, essas empresas vêm pagando o preço de matéria-prima mais caro do mundo, e passaram a comprar alumínio sob demanda, só o suficiente para cobrir a produção imediata.

Os preços de alumínio na Bolsa de Metais de Londres (LME), a referência global, também subiram bastante neste ano, com o mercado pressionado pelo duplo choque (tarifa e guerra). Antes do anúncio da Casa Branca, o contrato fechou em queda de 0,3%, a US$ 3.140 por tonelada métrica.

©2026 Bloomberg L.P.

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Justiça dos EUA suspende fusão entre Paramount e Warner após ação de 12 Estados

A Justiça federal dos Estados Unidos suspendeu temporariamente a megafusão de US$ 110 bilhões entre a Paramount Skydance e a Warner Bros. Discovery, dizendo que o negócio “provavelmente” viola a lei antitruste americana.

A juíza federal Araceli Martínez-Olguín, em Oakland, determinou nesta segunda-feira (20) que as empresas segurem a conclusão do negócio por 14 dias. A decisão é o primeiro revés judicial concreto ao acordo desde que a Califórnia e outros 11 Estados entraram com ação para tentar bloqueá-lo, em 13 de julho.

Paramount e Warner Bros. esperavam fechar a operação já em 22 de julho. Uma audiência para decidir se a suspensão será prorrogada está marcada para 3 de agosto, quando a Justiça vai avaliar se segura o negócio até que um julgamento decida, em definitivo, se ele é ilegal.

Em nota, a Paramount disse que vai continuar defendendo o negócio “vigorosamente”, argumentando que os mercados considerados pelos procuradores-gerais estaduais não têm base na realidade atual do setor e que a fusão é legal, pró-competitiva e beneficia consumidores, criadores, trabalhadores e a indústria do entretenimento.

Já a juíza escreveu, em uma decisão de dez páginas, que os Estados apresentaram evidência convincente de que a empresa combinada teria participação de mercado substancial na distribuição de filmes com grande lançamento nos cinemas, e que isso, por si só, já é suficiente para presumir violação à lei antitruste.

Fusão em jogo

Segundo a ação movida pelos estados, a companhia resultante da fusão controlaria 27% do mercado de filmes de grande lançamento nos cinemas e mais de 30% dos chamados “blockbusters”, produções de orçamento elevado. 

Com a fusão, apenas quatro empresas (a nova Paramount-Warner, Disney, Universal e Sony Pictures) controlariam mais de 90% desse mercado.

O calendário também pressiona a Paramount. A partir de 30 de setembro, a empresa passa a dever à Warner Bros. uma taxa diária de US$ 7 milhões por cada dia de atraso na conclusão do negócio. 

Uma eventual derrota no processo pode inviabilizar o acordo por completo, obrigando a Paramount a pagar uma multa rescisória de US$ 7 bilhões, além dos US$ 2,8 bilhões que já desembolsou para a Netflix desistir de uma disputa concorrente pela Warner.

A Califórnia pediu que o julgamento de mérito ocorra só em abril de 2027. A Paramount, por sua vez, quer uma decisão sobre a liminar antes de 30 de setembro, data em que as taxas diárias começam a correr.

Por trás da pressa

O presidente-executivo da Paramount, David Ellison, vem construindo a tese de que a fusão fortalece o braço de streaming da empresa, unindo o Paramount+ ao HBO Max. 

Franquias de cinema da Warner, como Harry Potter, Batman e O Senhor dos Anéis, além de canais a cabo como CNN, HGTV e Discovery Channel, entrariam no pacote de conteúdo. 

A empresa já havia conseguido o aval do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, e reguladores europeus devem aprovar o negócio, com concessões pontuais, ainda nesta semana.

©2026 Bloomberg L.P.

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IG4 Capital tenta assumir controle da Oncoclínicas

O Grupo IG4 Capital busca tentar conseguir controle na prestadora de serviços médicos Oncoclínicas por meio da obtenção de mais de 50% dos direitos de voto, segundo pessoas a par do assunto; isso daria à gestora de ativos alternativos um papel no resgate de mais uma empresa brasileira de grande porte em dificuldades financeiras.

Pela proposta apresentada na semana passada, os acionistas cederiam ao IG4 o direito de exercício de voto, mantendo a titularidade econômica das ações — incluindo o direito de receber dividendos —, disseram as pessoas.

Na semana passada, a Oncoclínicas anunciou um acordo com parte de seus credores para uma recuperação extrajudicial de uma dívida de R$ 5,1 bilhões, tornando-se a mais recente de uma série de empresas brasileiras a buscar uma reestruturação em meio à pressão das taxas de juros de dois dígitos. A operadora de centros de tratamento de câncer, sediada em São Paulo, enfrentou dificuldades após uma série de aquisições elevarem seu endividamento.

O controle dos votos permitiria ao IG4 trabalhar na reestruturação da dívida da Oncoclínicas e, simultaneamente, gerir a empresa de forma a melhorar sua eficiência e focar nas clínicas, disseram as pessoas, que pediram para não ser identificadas ao discutir uma proposta que não é pública. O IG4 já desempenha um papel importante na recuperação da gigante petroquímica Braskem e busca participar da renegociação da dívida da produtora de açúcar e etanol Raízen.

Em sua oferta não vinculante, o IG4 informou aos acionistas que injetaria cerca de R$ 500 milhões de dinheiro novo na Oncoclínicas por meio de debêntures conversíveis em ações. A proposta só se tornaria vinculante se o conselho da Oncoclínicas concedesse um período de exclusividade de 60 dias ao IG4, dando à gestora tempo para realizar uma diligência detalhada, disseram as fontes. O valor dos títulos a serem emitidos poderá sofrer alterações após essa diligência, disseram.

As debêntures conversíveis teriam prioridade sobre outras dívidas — em moldes semelhantes ao financiamento conhecido como DIP (debtor-in-possession). Esse ponto precisaria ser negociado com credores como parte do atual processo de recuperação extrajudicial da empresa, segundo as pessoas. O aporte permitiria à Oncoclínicas manter suas operações e aliviar a escassez de medicamentos, disseram as pessoas.

A Oncoclínicas informou que seu plano de reestruturação pode envolver um aporte de capital pelos acionistas da empresa, a conversão de certos créditos em participação acionária ou em nova dívida, e um cronograma de amortização para esses créditos.

O IG4, fundado há 10 anos por uma equipe de quatro especialistas em reestruturação de empresas, diz enxergar as vítimas do severo ciclo de crédito brasileiro como uma oportunidade em potencial, dada a sua experiência em negociações complexas de dívidas. No caso da Braskem e da Raízen, a gestora busca participar de processos que envolvem um endividamento combinado de R$ 127 bilhões.

O IG4 possui experiência no setor de saúde. O grupo fundou e desenvolveu a Opy Health, empresa brasileira focada em infraestrutura e serviços para hospitais, a qual incorporou algumas unidades hospitalares em dificuldades adquiridas pelo IG4. Em agosto de 2023, o IG4 vendeu sua participação para um fundo estruturado pelo BTG Pactual. Apesar da mudança de controle acionário, o IG4 continua a gerir ativamente a Opy Health.

*Por Cristiane Lucchesi

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Brasil é excluído da lista da União Europeia para venda de carnes para o bloco

O Brasil não consta da lista de países autorizados a fornecer produtos de origem animal à União Europeia, o que representa um risco comercial para o maior exportador mundial de carne bovina.

A União Europeia publicou na terça-feira (12) uma versão atualizada da lista de países que cumprem suas normas contra o uso excessivo de antimicrobianos em animais destinados à produção de alimentos. O Brasil não foi incluído.

A lista destina-se atualmente a fins informativos e não tem efeitos legais. No entanto, será “formalmente adotada” nos próximos dias, afirmou a Comissão Europeia em comunicado em seu site, acrescentando que as regras sobre importações entrarão em vigor a partir de 3 de setembro.

“De acordo com as normas da UE, o uso de antimicrobianos em animais de criação para fins de crescimento ou produção não é permitido, nem os animais podem ser tratados com antimicrobianos reservados para infecções humanas”, afirmou a Comissão Europeia.

O Ministério da Agricultura do Brasil e a Comissão Europeia não responderam de imediato ao pedido de comentários.

A União Europeia e o Brasil são importantes parceiros comerciais. No entanto, as exportações de carne bovina para o bloco representaram apenas 4% do total das exportações brasileiras de carne bovina no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do Ministério da Agricultura.

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Petrobras conclui primeira fase de data center de R$ 2,3 bilhões

A Elea Data Centers concluiu a primeira fase de um projeto de 2,3 bilhões de reais (US$ 470 milhões) para a petroleira estatal brasileira Petrobras, em meio à expansão da computação em nuvem na maior economia da América Latina.

A Elea venceu em setembro passado um contrato de 17 anos para construir um data center de aproximadamente 30 megawatts, destinado a abrigar supercomputadores que processam dados científicos das operações de petróleo e gás da Petrobras, afirmou Alessandro Lombardi, fundador e presidente da companhia.

“Já está em operação”, disse Lombardi em entrevista, acrescentando que a Petrobras está entre os cinco maiores clientes da empresa.

A Petrobras está apostando em computação em nuvem e inteligência artificial para otimizar operações e aprimorar a exploração, utilizando ferramentas de dados mais robustas para melhorar a tomada de decisão em seus complexos campos offshore no Brasil.

O projeto da Petrobras faz parte de um movimento mais amplo de digitalização no país, à medida que empresas e o governo buscam maior controle sobre seus dados — muitos dos quais hoje são processados nos Estados Unidos. A malha elétrica interconectada do Brasil e sua matriz energética baseada em fontes renováveis tornam o país um local atrativo para data centers.

Lombardi afirmou que a capacidade de data centers no Brasil cresce cerca de 30% ao ano e pode avançar ainda mais rapidamente caso o governo aprove medidas para reduzir tarifas de importação de equipamentos de computação.

A gestora de infraestrutura Squared Capital Advisors anunciou no mês passado a aquisição de uma participação controladora na Elea, comprada da Goldman Sachs. Segundo a empresa, o pipeline de projetos da Elea no Brasil exigirá mais de US$ 10 bilhões em capital.

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Spotify abraça mundo fitness em parceria com a Peloton e amplia estratégia de diversificação

O Spotify começou a oferecer aulas de exercícios da Peloton Interactive para assinantes premium, na primeira grande incursão da pioneira em streaming de música no conteúdo fitness.

A nova parceria trará playlists selecionadas e acesso a um catálogo de mais de 1.400 conteúdos sob demanda, sem anúncios, de alguns dos instrutores de bem-estar mais populares da Peloton, segundo informou a Spotify em comunicado nesta segunda-feira (27).

“Por quase duas décadas, o Spotify tem sido a trilha sonora dos treinos do mundo”, disse Roman Wasenmüller, vice-presidente e chefe global de podcasts, no comunicado. “Hoje, estamos expandindo o Spotify para se tornar um verdadeiro companheiro diário de bem-estar.”

A entrada de vez no universo fitness marca mais um pilar na crescente seleção de conteúdo do Spotify, à medida que a empresa avança para ir muito além de seus primeiros dias como plataforma de streaming de música e busca se tornar um serviço multimídia abrangente.

A empresa sueca também oferece podcasts, audiolivros e recentemente vem investindo em vídeo.

Para a Peloton, por sua vez, o acordo ajudará a ampliar seu alcance global e expandir além de seu núcleo de equipamentos de fitness conectados para uso doméstico, como parte de uma estratégia mais ampla de recuperação.

A Peloton atualmente opera em apenas seis países, mas a parceria expandirá significativamente sua presença para a maioria dos mais de 180 mercados onde o Spotify está disponível.

Os investidores da Peloton comemoraram a notícia, fazendo as ações subirem até 11% nas negociações do pré-mercado em Nova York. As ações do Spotify permaneceram praticamente inalteradas.

O Spotify, que tem 290 milhões de assinantes pagos, aumentou o preço de suas assinaturas premium nos Estados Unidos para US$ 13 em fevereiro. No Brasil, esse preço no plano individual está em R$ 23,90 – e para R$ 40,90 no plano familiar.

A Bloomberg havia informado anteriormente que o Spotify buscava investir em conteúdo relacionado a fitness sob seus dois novos CEOs, Gustav Söderström e Alex Norström.

“Estamos vendo as pessoas fazerem exercícios com o Spotify de repente”, disse Söderström à Bloomberg no final do ano passado. As pessoas sempre criaram playlists para suas corridas, afirmou ele, mas “nunca assistiram ao Spotify fazendo yoga na frente delas, então isso acaba abrindo uma oportunidade muito grande e interessante para nós.”

A nova biblioteca de conteúdo contará com uma variedade de aulas da Peloton, incluindo treinamento de força, yoga, meditação, pilates e barre, disponíveis em inglês, espanhol e alemão.

Novos instrutores e categorias serão introduzidos ao longo do tempo, disse a Peloton em seu próprio comunicado.

A parceria faz parte de um esforço mais amplo da Peloton para alcançar novos segmentos de clientes. A empresa revelou recentemente uma nova bicicleta e uma esteira projetadas para academias comerciais e está desenvolvendo modelos de esteira mais baratos.

A Peloton também explora novas iniciativas de marketing, como direcionar pessoas que utilizam medicamentos para perda de peso da classe GLP-1 – como Ozempic e Mounjaro -, além de intensificar seus investimentos em treinamento de força.

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Bloqueio brasileiro à Kalshi e Polymarket frustra planos da bilionária Luana Lopes Lara

A decisão do governo brasileiro de bloquear o acesso às principais plataformas de mercados de previsão atinge em cheio uma das bilionárias mais jovens do mundo: a brasileira Luana Lopes Lara, de 29 anos, cofundadora da Kalshi, que vinha articulando a entrada da empresa no país.

“O Brasil é muito importante para mim, dado que sou brasileira”, disse Lopes Lara em entrevista ao Valor Econômico no fim do ano passado. “Eu realmente quero que a gente vá para lá.”

O governo, no entanto, anunciou na sexta-feira (24) o bloqueio de 28 plataformas, entre elas a Kalshi e a americana Polymarket, sob a justificativa de que ofertam “apostas ilegais”, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan. 

A medida foi formalizada em resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), que entra em vigor em 4 de maio e proíbe a oferta no país de contratos derivativos atrelados a eventos esportivos, jogos online, resultados eleitorais, culturais ou sociais.

Para o setor, é um golpe num plano de expansão global desenhado nos últimos meses, depois do crescimento explosivo desse mercado nos Estados Unidos. Para Luana, é também um revés pessoal: a entrada no Brasil era apresentada por ela como prioridade estratégica e simbólica.

Do balé ao MIT

Luana treinou balé clássico no Brasil antes de se mudar para os Estados Unidos para estudar matemática e ciência da computação no Massachusetts Institute of Technology (MIT). 

Em 2018, junto com o iraniano Tarek Mansour, fundou a Kalshi, primeira plataforma a obter licença federal nos EUA para operar mercados de eventos como instrumentos financeiros regulados.

A aposta da dupla era pavimentar o caminho regulatório que rivais como a Polymarket, sediada em paraísos offshore, evitavam. Com o boom dos prediction markets durante a eleição americana de 2024, a estratégia se mostrou rentável. 

A Kalshi captou rodadas a valuations crescentes ao longo de 2025, e Luana entrou para a lista de bilionárias self-made da Bloomberg, com patrimônio estimado em US$ 2,1 bilhões.

Os mercados de previsão

Plataformas como Kalshi e Polymarket permitem que usuários comprem e vendam contratos atrelados ao “sim” ou “não” de eventos futuros, das mais variadas naturezas: quem vence uma eleição, qual filme leva o Oscar, qual será o índice de inflação do mês, quando o Federal Reserve (Fed) corta juros. 

Os preços flutuam conforme a probabilidade percebida pelo mercado, e quem acerta o desfecho recebe US$ 1 por contrato.

Os fundadores defendem que se trata de instrumentos financeiros, não jogo, porque permitem hedge contra eventos reais. Reguladores ao redor do mundo, no entanto, têm tratado a categoria com crescente desconfiança. França, Hungria e Portugal já restringiram o acesso à Polymarket nos últimos anos.

Brecha regulatória

A resolução do CMN deixa uma janela aberta. Estão permitidos contratos atrelados a indicadores econômicos e financeiros previamente definidos, como índices de preços, taxas de juros e câmbio. 

É exatamente o terreno em que a Kalshi vinha articulando uma parceria com a XP Investimentos, anunciada em janeiro como início da expansão internacional da empresa.

A parceria permite que usuários brasileiros façam apostas de “sim” ou “não” sobre eventos econômicos, processadas pela interface da XP e pela corretora americana do grupo, e não pelo site da Kalshi, agora bloqueado. A XP não comentou. A própria Kalshi disse, em nota, que analisa a decisão.

A B3, por sua vez, vinha estudando lançar contratos próprios desse tipo. Já confirmou, para esta segunda-feira (27), seis novos derivativos atrelados ao Ibovespa, ao real e ao bitcoin. 

Avaliava também produtos sobre eleições, hipótese agora vetada pela nova regulação, às vésperas da disputa de outubro entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro, que pesquisas recentes mostram empate técnico.

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Engie prepara oferta de até R$ 10 bilhões para financiar compra de hidrelétrica

A geradora de energia Engie Brasil está trabalhando com o Itaú BBA e o Santander em uma oferta adicional de ações de até R$ 10 bilhões de reais, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A oferta é esperada para meados do ano e mais bancos podem se juntar para ajudar na venda das ações, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas ao discutir informações não públicas.

Os recursos ajudariam a financiar a aquisição de uma participação de 40% na usina Jirau da acionista controladora da Engie, a Engie Brasil Participações.

Nenhuma decisão final foi tomada sobre o negócio e os planos podem mudar, disseram as pessoas.

Representantes da Engie, do Itaú e do Santander se recusaram a comentar.

A Engie disse, em dezembro, que o conselho de administração autorizou medidas para avaliar a viabilidade da compra de uma participação de 40% na Jirau, segundo comunicado divulgado na época.

A Jirau é uma empresa de energia elétrica que detém a concessão da usina hidrelétrica de Jirau, localizada no rio Madeira, no estado de Rondônia, com 3.750 megawatts de capacidade instalada.

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Como Apple, Google e Amazon sufocaram uma lei antimonopólio na Califórnia

Apple, Google e Amazon derrubaram em pouco mais de um mês uma proposta de lei na Califórnia que poderia obrigá-las a parar de privilegiar seus próprios produtos em detrimento dos concorrentes — como fazem na App Store, no Google Search e nos resultados de marketplace da Amazon. A ofensiva, capitaneada pela Câmara de Comércio do estado e pelo grupo setorial Chamber of Progress, enterrou o chamado Based Act antes mesmo de ele ganhar tração legislativa.

O projeto havia nascido de uma aliança incomum entre defensores da “little tech” — liderados pela aceleradora Y Combinator e o vasto ecossistema de startups que ela apoia — e grupos de defesa do consumidor. Foi patrocinado pelo senador estadual Scott Wiener, democrata de São Francisco e uma das principais vozes em regulação de tecnologia na Califórnia, que o modelou a partir das normas antitruste europeias que as grandes empresas resistem há anos.

“Eles absolutamente inundaram o Capitólio de lobistas para atacar o projeto e espalhar desinformação”, disse Wiener, que concorre a uma vaga no Congresso federal. “Foi uma maré de lobbying, e estávamos em clara desvantagem”.

Diferente do Brasil, o exercício do lobbying é legalizado nos Estados Unidos.

A ofensiva avassaladora evidencia a poderosa máquina de influência que as maiores empresas de tecnologia do mundo montaram para barrar projetos que ameacem seus negócios — em especial no estado mais populoso dos EUA, onde novas leis podem forçar mudanças de alcance nacional ou global.

O Based Act se assemelhava às regulações antitruste europeias que as empresas resistem há anos e que podem custar dezenas de bilhões de dólares anuais ao setor, segundo algumas estimativas. Só nos últimos dois anos, a Comissão Europeia aplicou mais de US$ 7 bilhões em multas às grandes empresas de tecnologia.

“As empresas estão muito preocupadas que essas regulações não cheguem aos Estados Unidos”, disse Joseph Coniglio, pesquisador antitruste do think tank Information Technology and Innovation Foundation, financiado pelo setor. “Isso arriscaria mudar fundamentalmente a forma como elas operam na economia digital.”

Minutos depois de Wiener começar a apresentar o projeto, em 18 de março — antes mesmo de terminar seu discurso —, a Chamber of Progress já havia divulgado uma nota atacando a proposta.

O grupo, do qual fazem parte o Google (Alphabet), a Amazon e a Apple, mobilizou ligações de eleitores para os gabinetes dos parlamentares, argumentando que o projeto poderia degradar produtos populares como o Google Search e a App Store da Apple. O grupo veiculou anúncios afirmando que a lei tornaria os resultados de busca “menos úteis”, as entregas “mais lentas” e os celulares “menos seguros”.

A Y Combinator e outros tentaram, sem sucesso, contrariar essa narrativa. Argumentaram que as empresas estavam exagerando os impactos sobre seus negócios e disseminando inverdades sobre os custos potenciais para os consumidores.

Escolha de novo CEO da Apple indica preocupação maior com aparelhos como o iPhone
Lançamento da Apple, iPhone 17 – Foto: Getty Images

Não foi a primeira vez que as grandes empresas derrotaram o movimento da “little tech“. Por dois anos, Google, Apple, Amazon e Meta formaram uma frente unida e gastaram mais de US$ 100 milhões em lobbying e publicidade para enterrar o American Innovation and Choice Online Act — um projeto federal bipartidário semelhante ao Based Act — em 2022. Empresas menores como Yelp, DuckDuckGo e Proton AG apoiaram ambos os projetos.

Quando o Based Act de Wiener emergiu, a rede de grupos e lobistas das grandes empresas de tecnologia reaproveitou parte do material utilizado para derrubar a legislação federal e se opor às regulações europeias. Cinco diferentes organizações setoriais ligadas à big tech trabalharam contra o projeto — uma frente inusualmente coesa para grupos que, nos últimos anos, haviam se dividido em diversas questões.

As próprias empresas também intervieram diretamente, um passo raro para um projeto estadual em fase tão inicial. Kent Walker, presidente de assuntos globais do Google, afirmou que o projeto era “ainda pior” do que regulações similares aprovadas pela União Europeia. O setor chegou a mobilizar lobistas da indústria aérea contra o texto, alegando que ele poderia prejudicar a capacidade do Google de direcionar tráfego para os sites das companhias.

Uma das principais testemunhas a depor contra o projeto — uma residente da Califórnia que disse que a medida poderia prejudicar seu pequeno negócio — era apoiada pelo Connected Commerce Council, grupo financiado pelas grandes empresas de tecnologia.

O pequeno empresário Jerick Sobie afirmou, em entrevista, que o Connected Commerce Council — que recebe recursos da Amazon e do Google — o informou sobre o projeto e pediu que testemunhasse. O grupo reembolsou suas despesas. Sobie disse que enxerga o financiamento como um “mal necessário”, já que pequenas empresas geralmente não têm recursos para fazer lobbying.

O Connected Commerce Council, o Google e a Amazon não responderam a pedidos de comentário.

O projeto foi rejeitado em 20 de abril, após derrota em votação numa comissão legislativa dedicada a privacidade — aprovado na semana anterior pela comissão presidida pelo próprio Wiener.

Tela de celular com ícones de apps: Facebook, Amazon, Netflix, Google.
Ícones do aplicativo Facebook, do aplicativo Amazon.com, do aplicativo Netflix Inc. e do aplicativo Google, uma unidade da Alphabet, aparecem em um smartphone iPhone da Apple nesta fotografia organizada em Londres, Reino Unido. Foto: Jason Alden/Bloomberg

O senador estadual Christopher Cabaldon, democrata que preside a comissão de privacidade, ressaltou a importância do setor de tecnologia para a Califórnia.

“Muitas pessoas trabalham ali, há uma grande arrecadação de impostos, comunidades inteiras fundadas sobre esse setor”, disse Cabaldon em entrevista. “Nossa missão é proteger a privacidade e os consumidores, mas também levar em conta — como fazemos com Hollywood ou com a indústria vinícola no meu distrito — a tecnologia como uma indústria fundamental da Califórnia.”

Cabaldon, porém, tem vínculos com a Chamber of Progress por meio da organização política democrata NewDEAL. Diversas pessoas ligadas à NewDEAL, incluindo sua fundadora Helen Milby, integram o conselho consultivo da Chamber of Progress. Cabaldon recusou-se a comentar sobre a entidade.

Após a votação, Ben Golombek, dirigente da Câmara de Comércio da Califórnia, celebrou o resultado em mensagem interna, descrevendo-o como um “verdadeiro trabalho de equipe” para derrotar o projeto, segundo uma cópia do e-mail obtida pela reportagem. Golombek pediu que os destinatários “agradecessem” aos parlamentares que votaram contra.

“A Câmara de Comércio da Califórnia se opôs ao Projeto de Lei 1074 por entender que ele prejudicaria empresas de todos os portes e os consumidores californianos”, disse a entidade em nota. “Como é prática de outras organizações de representação, a CalChamber rotineiramente elogia legisladores que compartilham nossas posições.”

Golombek encerrou sua mensagem pedindo aos aliados que permanecessem “vigilantes”, observando que Wiener é “incansável” e poderia tentar ressuscitar a proposta pela via da Assembleia Estadual. Wiener é favorito para conquistar a cadeira no Congresso federal deixada vaga pela ex-presidente da Câmara Nancy Pelosi.

Perguntado se tentaria retomar o projeto por meio de manobras legislativas, Wiener respondeu: “Aguardem.”

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China bloqueia a compra da Manus pela Meta, desfazendo um negócio de US$ 2 bilhões

A China decidiu bloquear a aquisição de US$ 2 bilhões da startup de IA Manus pela Meta, em um movimento surpreendente para desfazer um acordo controverso criticado pelo possível vazamento de tecnologia para os EUA.

A National Development and Reform Commission, principal órgão de planejamento econômico da China, determinou o cancelamento do negócio em um breve comunicado divulgado na segunda-feira (27). O órgão afirmou, em uma única linha, que decidiu proibir investimento estrangeiro na startup de acordo com leis e regulamentos, sem dar mais detalhes.

A decisão deve esfriar o setor de inteligência artificial em expansão na China e surge semanas antes de uma cúpula de alto nível entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping.

Pequim intensificou o escrutínio sobre empresas-chave após o acordo, que já estava em grande parte concluído. Inicialmente celebrado como um modelo para startups com ambições globais, o negócio passou a ser criticado internamente pela perda de tecnologia valiosa para um rival geopolítico.

Os fundadores da Manus começaram na China, mas transferiram sede e equipe principal para Singapura em 2025. Não estava claro, quando o acordo foi anunciado em dezembro, se Pequim exerceria sua autoridade sobre uma transação realizada tecnicamente fora de suas fronteiras.

“O bloqueio da Manus é um momento esclarecedor”, disse o analista Ke Yan, da DZT Research. “A empresa estava incorporada em Singapura, com fundadores baseados lá, e ainda assim foi puxada de volta. O sinal de Pequim é que o que importa não é onde está a entidade legal.”

Revés para a Meta

O decreto pode representar um revés para a Meta em sua tentativa de competir em IA com rivais como a Microsoft, a Alphabet (dona do Google), além de OpenAI e Anthropic. A Manus ajudaria a Meta a avançar no desenvolvimento de agentes de IA — sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma.

Ainda assim, não está claro como a Meta desfaria o negócio. Funcionários da Manus já se juntaram à empresa, capital foi transferido e executivos passaram a integrar a equipe de IA da companhia. Parte da equipe já trabalha em escritórios da Meta em Singapura, enquanto investidores como Tencent, ZhenFund e Hongshan já receberam seus recursos.

A Meta afirmou que a transação seguiu as leis aplicáveis e que espera uma resolução da investigação chinesa, sem dar detalhes. As ações da empresa recuaram menos de 1% no pré-mercado.

Reguladores chineses exercem grande poder há anos, forçando mudanças em gigantes como Alibaba e a própria Tencent. Um paralelo próximo é a decisão de obrigar a Didi a sair da New York Stock Exchange após seu IPO em 2021.

Pequim e Washington disputam influência antes do encontro histórico de maio. À medida que a rivalidade em IA se intensifica, Xi busca proteger tecnologia e talentos chineses, ao mesmo tempo em que reforça a confiança no desenvolvimento doméstico — como mostrou recentemente a startup DeepSeek ao lançar seu modelo V4 integrado a chips da Huawei.

Os EUA vêm há anos restringindo o acesso da China a tecnologia americana, incluindo chips da Nvidia usados no treinamento de modelos de IA. Para analistas, a medida chinesa é uma resposta proporcional a essas restrições.

Autoridades chinesas também passaram a desencorajar novos movimentos semelhantes ao da Manus. Empresas como Moonshot AI e Stepfun foram orientadas a rejeitar capital americano sem aprovação explícita, e regras semelhantes devem atingir a ByteDance, dona do TikTok.

Essas restrições podem isolar ainda mais o setor tecnológico chinês de investidores estrangeiros, especialmente dos EUA, que historicamente financiaram grande parte do crescimento dessas empresas. Também seguem a decisão de limitar empresas chinesas incorporadas no exterior de abrir capital em Hong Kong.

O objetivo central é impedir que investidores americanos adquiram participação em setores sensíveis à segurança nacional, evitando o vazamento de tecnologia. O caso Manus reforça a preocupação de Pequim com startups fundadas por chineses que buscam expansão internacional.

Lançada em março de 2025, a Manus é um agente de IA capaz de automatizar tarefas complexas, desde análises do S&P 500 até a criação de apresentações comerciais. Um mês depois, sua controladora Butterfly Effect levantou US$ 75 milhões em rodada liderada pela Benchmark, o que levou a uma investigação do Tesouro dos EUA.

Em julho, a empresa transferiu sua equipe da China para Singapura, cortando dezenas de empregos. A Meta anunciou a aquisição em dezembro, após a Manus superar US$ 100 milhões em receita anualizada.

Ainda não está claro quais outras medidas Pequim adotará após a investigação. Segundo o Financial Times, os cofundadores Xiao Hong e Ji Yichao chegaram a ser impedidos de deixar a China.

Para especialistas, o movimento reflete a crescente importância estratégica da inteligência artificial para a China, especialmente na disputa tecnológica com os EUA. Assim como Washington tenta limitar o acesso chinês a semicondutores avançados, Pequim agora busca restringir o acesso americano à tecnologia de IA.

“É o reconhecimento da liderança chinesa de que a IA é um ativo estratégico”, disse Alfredo Montufar-Helu. “E crucial para definir quem sairá vencedor na competição com os EUA.”

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American Airlines, United e Delta: aéreas cortam projeções com disparada dos combustíveis

As companhias aéreas pelo mundo estão encarecendo o valor cobrado por bagagens e assentos, revisando projeções de lucro para baixo e discutindo abertamente formas de se associar a rivais à medida que aperta o cerco dos custos do querosene de aviação, uma disparada ligada aos conflitos no Oriente Médio entre, Estados Unidos, Israel, Irã e Líbano.

Só nos últimos dias, Andrew Nocella, diretor comercial da United Airlines, declarou que o setor está em “território desconhecido”, enquanto a Alaska Air Group enterrou qualquer esperança de que o consumidor voltasse tão cedo a ver passagens mais baratas.

No campo dos otimistas, Tim Clark, presidente da Emirates, lembrou que, no fim, as pessoas seguem em frente rapidamente, e que o quadro logo voltará à normalidade.

Prevaleçam os otimistas ou os pessimistas, o certo é que a última semana colocou em destaque o cardápio de desafios que pesa sobre a aviação comercial, forçando executivos a tomar decisões de peso para estabilizar suas operações.

A complicar o cenário, há um presidente americano deliberadamente mexendo no jogo da concorrência: Donald Trump cogita um socorro de US$ 500 milhões à combalida Spirit Aviation ao mesmo tempo em que critica outras possíveis transações, entre elas uma fusão em estudo entre United e American Airlines. 

Nos Estados Unidos, fusões entre grandes companhias aéreas precisam do aval do Departamento de Justiça, e a sinalização presidencial pesa nessa avaliação. Some-se a isso a incerteza alimentada pelas declarações vacilantes de Trump sobre o estado da guerra no Oriente Médio.

Lucros para baixo

No conjunto, o setor entra em meses de insegurança no que deveria ter sido um ano de demanda forte, com projeções iniciais de lucro recorde de US$ 41 bilhões e 5,2 bilhões de passageiros transportados. 

As aéreas investiram pesado em produto, de melhorias nas cabines a salas vip e conectividade a bordo, apostando que o gasto com a experiência de voar com mais conforto teria fôlego.

Mas a euforia que impulsionou as companhias nos primeiros meses do ano deu lugar à sensação de que o setor perdeu o rumo.

“Não dá para saber com confiança todas as formas pelas quais o setor pode ser afetado”, disse Bob Jordan, presidente-executivo da Southwest Airlines, apontando para a “incerteza econômica e geopolítica significativa”.

“Não consigo prever exatamente para onde vai o combustível e, portanto, não dá para prever exatamente para onde vão os preços e as tarifas”, afirmou.

Para o futuro imediato, vão para cima. Espera-se que o consumidor absorva os bilhões adicionais em querosene de aviação, e por isso as empresas estão criando novas sobretaxas e elevando cobranças por despacho de bagagem e escolha de assento.

“As aéreas nunca deixam uma boa crise ser desperdiçada”, disse William McGee, pesquisador sênior de aviação e viagens da American Economic Liberties Project, organização sem fins lucrativos que defende mais regulação do setor em favor do consumidor.

A American Airlines diz enfrentar US$ 4 bilhões em custos extras com combustível até o fim do ano, conta que tentará repassar ao consumidor na maior medida possível. As tarifas já estão de 15% a 20% mais altas, e dificilmente recuarão por completo quando o ambiente de guerra arrefecer, segundo Scott Kirby, presidente-executivo da United, em declaração na última quarta-feira (22).

“Quanto mais isso durar, maior a probabilidade de que os aumentos de preço se sustentem”, disse Kirby.

Passada a temporada de viagens de verão no hemisfério norte, as transportadoras devem voltar a olhar com lupa a oferta de assentos e cortar mais rotas deficitárias, aquelas em que o avião decola sem encher e a operação não fecha a conta com o querosene caro.

Sediada em Chicago, a United diz esperar recuperar até 100% do custo extra de combustível até o fim do ano via aumento de preços ao cliente.

Ed Bastian, presidente-executivo da Delta Air Lines, afirmou em recente teleconferência de resultados que a companhia vai avaliar em que medida consegue “manter parte da força de preço” mesmo depois de o combustível recuar.

A tábua de salvação, por ora, é que as reservas seguem firmes com a chegada do pico de viagens de verão, embora rachaduras já apareçam, sinais de queda nas reservas futuras e de retração da demanda. A United diz que a procura atual se mantém resiliente, mas isso provavelmente não vai durar à medida que passagens mais caras desestimulem voar.

Tal qual a American Airlines dias depois, a empresa cortou sua projeção anual de lucro.

Robert Isom, presidente-executivo da American, afirmou que a demanda continua robusta no momento e que projeta crescimento de receita de dois dígitos no trimestre, ainda que a companhia esteja podando voos pouco rentáveis.

Mesmo assim, a empresa reduziu a projeção anual e admitiu que pode encerrar 2026 no prejuízo.

Parcerias

A guinada acontece enquanto American e Alaska Air negociam possíveis acordos de divisão de receitas e outras parcerias estratégicas, segundo apurou a Bloomberg News.

A American também tem sido objeto de especulações sobre uma eventual fusão com a United. A ideia teria sido aventada por Kirby num encontro com Trump em fevereiro, segundo pessoas a par do assunto.

Tanto a American quanto o presidente, em geral pró-mercado, rejeitaram a hipótese, alegando redução da concorrência. Dias depois, Trump jogou outra bomba no colo dos chefões da aviação ao dizer que avalia uma compra estatal da Spirit em vez de deixá-la quebrar.

“O atual governo não facilita o planejamento de longo prazo, e os presidentes de aéreas são obrigados a improvisar”, disse Art Wheaton, diretor de estudos do trabalho na Escola de Relações Industriais e Trabalhistas da Universidade Cornell.

A pressão também atinge as cúpulas pelo mundo afora. Há sinais de que países asiáticos vêm estocando querosene, e a Agência Internacional de Energia advertiu que a Europa pode esgotar seus suprimentos em questão de semanas.

A alemã Lufthansa, maior grupo aéreo da Europa, vai cortar cerca de 20 mil voos da malha de verão e está adotando o modelo de preços das aéreas de baixo custo, vendendo bilhetes que não incluem bagagem.

Como em toda crise, sempre há alguém dizendo a todos para manter a calma. Na aviação, é Clark, da Emirates, cuja base em Dubai foi devastada pelo conflito.

A maior companhia aérea do mundo opera a 65% da capacidade depois de uma paralisação quase total, com viajantes evitando a região do Golfo Pérsico. 

Mas, uma vez reaberto o Estreito de Ormuz, rota marítima por onde escoa boa parte do petróleo do Oriente Médio e cujo fechamento pressiona diretamente o preço do querosene de aviação, bastariam um a dois meses para os negócios se recuperarem, disse ele.

“As pessoas têm memória curta”, afirmou Clark numa conferência em Berlim na quinta-feira. Cessadas as hostilidades e havendo algum grau de estabilidade, “as coisas voltam ao normal”.

©2026 Bloomberg L.P.

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Fundo da IG4 Capital terá de manter participação na Braskem por dois anos

O fundo apoiado pela gestora IG4 Capital terá de manter a participação que está adquirindo na petroquímica Braskem por pelo menos dois anos, de acordo com o novo acordo de acionistas da companhia.

O fundo Shine I Investment e a Petrobras assinaram um novo acordo de controle compartilhado da Braskem após a petroleira estatal afirmar que não exerceria os direitos sobre a fatia que a Shine está comprando do conglomerado em dificuldades Novonor.

O chamado período de lock-up da participação do Shine foi desenhado para garantir estabilidade acionária e um compromisso de longo prazo com a reestruturação da empresa e a melhora de seu desempenho financeiro.

Após o período de lock-up, o fundo poderá vender suas ações livremente no mercado por meio de negociações em bolsa, block trades ou ofertas subsequentes, sem acionar o direito de preferência da Petrobras ou direitos de tag along, embora ainda dependam de aprovações internas, segundo o acordo.

Os principais acionistas da Braskem concordaram em incluir a companhia no mais alto nível de governança corporativa da bolsa brasileira, conhecido como Novo Mercado, assim que forem atingidas metas financeiras-chave.

O acordo também estabelece que, em caso de venda de ativos relevantes pela Braskem ou por suas subsidiárias, o fundo deverá conceder à Petrobras direito de preferência.

Controle compartilhado

A Petrobras assinou um novo acordo de acionistas da Braskem com o fundo Shine I FIP, da IG4 Capital, formalizando a transição de controle da petroquímica após anos de incerteza. No mesmo movimento, a estatal informou que não exercerá direitos de preferência nem de tag along em relação à Novonor — mecanismo que daria prioridade para compra da participação ou permitiria vender suas ações nas mesmas condições em caso de troca de controle —, liberando o caminho para a transferência das ações.

O novo modelo estabelece controle compartilhado entre Petrobras e o fundo, com decisões exigindo consenso no conselho de administração e na assembleia geral. As duas partes também terão direito equivalente de indicação para o conselho e a diretoria da companhia. A Petrobras mantém 36,1% do capital total da Braskem, enquanto o FIP Shine ficará com 34,32% do capital total, sendo o maior acionista com ações ordinárias.

Assembleia na próxima semana

A nova governança prevê ainda a escolha de uma nova administração já na assembleia de 29 de abril. A tendência é que a IG4 indique o CEO e o CFO, enquanto a Petrobras ficará com indicações nas áreas de operação e comercial, além de influenciar a presidência do conselho. Entre os nomes cotados estão Helcio Tokeshi para CEO e Carlos Brandão para a diretoria financeira.

A mudança ocorre em meio a uma forte pressão financeira sobre a Braskem, que encerrou 2025 com dívida líquida de US$ 7,5 bilhões. A empresa deve buscar um acordo de suspensão de pagamentos com credores, enquanto prepara um plano de reestruturação. A IG4 também se comprometeu a lançar uma oferta pública para adquirir ações em circulação, após a conclusão das aprovações regulatórias e pendências judiciais ligadas à Novonor.

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Brasil eleva mistura de etanol na gasolina para 32% para conter alta de preços

O Brasil está adotando medidas para aumentar o uso de etanol na gasolina em uma tentativa de conter os impactos da alta dos custos dos combustíveis, à medida que a guerra no Oriente Médio se prolonga.

O segundo maior produtor mundial de biocombustível está avançando com planos para uma nova exigência de mistura obrigatória de 32% de etanol na gasolina, segundo comunicado do Ministério de Minas e Energia nesta sexta-feira (24). O percentual atual é de 30%, e a ampla oferta de biocombustível, somada aos preços baixos, ajuda a aliviar a pressão sobre os combustíveis nos postos brasileiros.

“A medida tem potencial para reduzir a necessidade de importação de gasolina em aproximadamente 500 milhões de litros por mês”, afirmou o comunicado. “Com isso, o Brasil fortalece sua soberania energética e avança rumo à autossuficiência em gasolina, eliminando importações do combustível.”

A iniciativa faz parte de um conjunto de ações destinadas a proteger os consumidores dos impactos econômicos do conflito no Oriente Médio e ocorre enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca a reeleição em cerca de seis meses.

Imposto sobre combustível

Autoridades disseram na quinta-feira que o governo também pedirá ao Congresso autorização para usar receitas extraordinárias ligadas ao petróleo para reduzir impostos sobre combustíveis como gasolina, diesel, etanol e biodiesel. Isso ocorre após uma série de cortes de tributos e subsídios para diesel, gás de cozinha e combustível de aviação, além de linhas de crédito para companhias aéreas afetadas pelos custos mais altos.

O Brasil há muito tempo usa o etanol como instrumento em choques de preços de energia, com motores movidos exclusivamente a etanol produzidos desde o fim da década de 1970 ajudando a reduzir a dependência de importações de gasolina. Mais recentemente, uma lei de biocombustíveis sob o governo Lula estabeleceu a meta de atingir uma mistura de até 35% no futuro próximo, ainda dependendo de testes técnicos.

A implementação final da nova mistura ainda depende de aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que deve, em grande parte, seguir a recomendação do Ministério de Minas e Energia.

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Governo barra derivativos de eleições e esportes e trava corrida dos ‘prediction markets’ no país

O governo brasileiro deu um passo para proibir mercados de previsão atrelados a eleições e eventos esportivos, endurecendo regras sobre uma prática em expansão que vem sendo alvo de escrutínio global.

Em resolução publicada nesta sexta-feira (24), o Conselho Monetário Nacional (CMN), órgão máximo responsável por definir as diretrizes da política monetária, de crédito e cambial do país, proibiu a oferta e negociação de derivativos cujos ativos subjacentes estejam ligados a eventos esportivos, jogos online e “eventos reais ou virtuais de natureza política, eleitoral, social, cultural ou de entretenimento”.

A medida também veta contratos baseados em temas que não representem uma referência econômica ou financeira clara, a ser definida pelo regulador do mercado de capitais no país.

A decisão ocorre em meio a planos da B3 de entrar no crescente mercado de “prediction markets”, que vêm sendo analisados com mais cautela por autoridades, especialmente por preocupações com uso de informação privilegiada.

A bolsa já confirmou o lançamento, em 27 de abril, de seis novos contratos ligados ao índice Ibovespa, ao real e ao Bitcoin, e vinha estudando expandir a oferta para incluir contratos baseados em eventos.

Entre as possibilidades avaliadas estavam produtos vinculados a eleições. A B3 chegou a buscar parecer jurídico sobre a viabilidade de contratos atrelados a resultados eleitorais.

Esses instrumentos poderiam ser lançados antes das eleições presidenciais de outubro, com foco na disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flavio Bolsonaro, segundo pesquisas recentes que indicam uma disputa acirrada.

A nova resolução, no entanto, barra esse tipo de prática.

Ao proibir explicitamente derivativos ligados a eventos políticos e não financeiros, o Conselho Monetário Nacional (CMN) praticamente encerra a discussão que vinha se formando no mercado sobre até que ponto esses instrumentos poderiam ser enquadrados como derivativos financeiros legítimos ou como uma forma de aposta disfarçada.

O conselho também atribuiu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a responsabilidade de regulamentar os detalhes adicionais e fiscalizar o cumprimento das novas regras.

Polymarket e Kalshi

O governo anunciou ainda que bloqueou o acesso à Polymarket e a cerca de duas dezenas de outras plataformas de mercados de previsão e afirmou que elas não estavam em conformidade com as leis federais de apostas – mais conhecidas como bets.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse a repórteres em Brasília na sexta-feira (24) que 28 empresas foram bloqueadas por oferecer o que o governo considerou “apostas ilegais”.

Durigan apresentou a medida como parte de um esforço mais amplo para proteger as economias dos brasileiros e enfrentar o aumento do endividamento das famílias, algo que o presidente Lula atribui, em parte, às apostas online – embora muitas sejam legalizadas.

Daniele Cardoso, responsável pelo setor de apostas no Ministério da Fazenda, confirmou que a Polymarket foi bloqueada. A Kalshi, outra plataforma popular fundada pela brasileira Luana Lopes Lara, também apareceu fora do ar no Brasil, embora Cardoso não tenha confirmado se ela está entre as plataformas interditadas.

A Polymarket não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Um porta-voz da Kalshi disse que a empresa está revisando a resolução.

Debate sobre mercados de previsão

Uma reportagem publicada em março pelo InvestNews expôs as narrativas que envolvem a discussão no Brasil, ao levantar uma questão divide reguladores, bolsas e agentes do mercado: afinal, “prediction markets” são instrumentos financeiros legítimos, úteis para precificação de risco e formação de expectativas, ou apenas uma forma sofisticada de aposta?

Nos Estados Unidos, plataformas como a Kalshi e a Polymarket funcionam como bolsas de eventos em que contratos binários refletem probabilidades implícitas de acontecimentos futuros.

O preço desses contratos emerge da negociação entre participantes e passa a representar a percepção coletiva de probabilidade de um evento ocorrer, sem que uma casa de apostas defina as odds.

O ponto central do debate era justamente a fronteira entre essas duas leituras: de um lado, a visão de que se trata de derivativos e instrumentos de hedge sobre riscos reais; de outro, a interpretação de que, quando ligados a eventos não financeiros como eleições ou esportes, esses mercados se aproximam estruturalmente de apostas.

Com a decisão do CMN, esse espaço de ambiguidade regulatória perde força no Brasil.

Ao proibir explicitamente derivativos vinculados a eventos políticos e não financeiros, o regulador encerra, na prática, a tentativa de enquadrar esses contratos como instrumentos financeiros tradicionais no país, e sinaliza que, ao menos por ora, eles não terão espaço dentro do sistema financeiro formal brasileiro.

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Parceiras ou rivais? Google planeja investir até US$ 40 bilhões na Anthropic, dona do Claude

O Google vai investir US$ 10 bilhões na Anthropic, dona do dona do Claude, com a possibilidade de aportar outros US$ 30 bilhões no futuro, fortalecendo a relação entre as duas empresas, que são ao mesmo tempo parceiras e rivais na corrida pela inteligência artificial.

A Anthropic informou que o Google fará um investimento inicial de US$ 10 bilhões em dinheiro, com base em uma avaliação de US$ 350 bilhões — o mesmo valor atribuído à empresa em uma rodada de fevereiro, sem considerar os recursos mais recentes. A Alphabet poderá investir mais US$ 30 bilhões caso a Anthropic atinja metas de desempenho, além de apoiar uma expansão significativa da capacidade computacional da startup.

A Anthropic acelerou a captação de recursos após o sucesso do Claude Code, um agente de IA que agiliza o desenvolvimento de software. No início da semana, a empresa anunciou ter levantado mais US$ 5 bilhões com a Amazon, também a uma avaliação de US$ 350 bilhões, com opção de receber outros US$ 20 bilhões ao longo do tempo. Em fevereiro, a startup já havia captado US$ 30 bilhões, e investidores passaram a considerar avaliações de até US$ 800 bilhões.

A Anthropic é uma importante cliente dos chips e serviços de nuvem do Google — áreas que a empresa busca expandir à medida que seu principal negócio, a publicidade em buscas, amadurece. O Google Cloud fornecerá 5 gigawatts de capacidade computacional à Anthropic nos próximos cinco anos, com possibilidade de expansão. O acordo amplia uma parceria anunciada recentemente entre Anthropic, Google e a Broadcom.

As ações do Google subiam mais de 1% nesta sexta-feira, negociadas a US$ 341 por volta do meio-dia.

As unidades de processamento tensorial (TPUs) do Google são uma das principais alternativas aos chips da Nvidia, tornando-se um recurso escasso e valioso para empresas como a Anthropic, em um setor que exige enorme capacidade de processamento.

A Anthropic, que avalia realizar uma oferta pública inicial já em outubro, busca expandir sua infraestrutura para atender à crescente demanda por seus produtos.

O Claude Code rapidamente se tornou uma ferramenta popular entre engenheiros do Vale do Silício — inclusive dentro do próprio Google —, impulsionando a concorrência no setor. Outro produto, o agente Cowork, também vem ganhando tração por permitir o uso sem necessidade de programação.

Parceria entre Google e Anthropic

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, trabalhou no Google no início da carreira. As empresas mantêm laços próximos desde a fundação da Anthropic em 2021 por ex-funcionários da OpenAI. No ano passado, o Google já havia se comprometido a fornecer até 1 milhão de chips TPU à startup, em um acordo avaliado em dezenas de bilhões de dólares, além de já ter investido cerca de US$ 3 bilhões até então.

Apesar da parceria, as empresas também competem para liderar o desenvolvimento de sistemas de IA capazes de rivalizar com humanos e conquistar clientes corporativos. Nos últimos meses, executivos do Google demonstraram preocupação com a posição da empresa no mercado de ferramentas de programação com IA, atualmente dominado pela Anthropic.

O futuro da startup também envolve riscos. A Anthropic foi classificada pelo Pentágono como um possível risco na cadeia de suprimentos — decisão que a empresa contesta na Justiça — após disputas sobre o uso de sua tecnologia pelas Forças Armadas dos EUA.

Analistas também levantam preocupações sobre acordos considerados “circulares”, nos quais grandes empresas de tecnologia investem em startups de IA enquanto também vendem a elas chips e capacidade de data centers.

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Mercado de petróleo está refém de uma corrida frenética por barris

Enquanto os investidores se concentraram no frágil cessar-fogo iraniano esta semana, uma busca desesperada por cargas tomou conta do mercado de petróleo, com negociantes e refinarias vasculhando o globo atrás de suprimentos disponíveis para entrega imediata.

No Mar do Norte, o mercado físico de petróleo mais importante do mundo, os traders apresentaram 40 lances de compra por cargas nesta semana, dos quais apenas quatro foram atendidos por ofertas de venda.

Cargas para entrega nas próximas semanas trocaram de mãos a preços sem precedentes, acima de US$ 140 o barril. Em outros lugares, as refinarias têm buscado suprimentos em regiões cada vez mais distantes, resultando em uma série de transações incomuns e prêmios exorbitantes para qualquer petróleo que esteja pronto para embarque agora.

Operadores afirmam que os movimentos de pânico nos principais mercados físicos globais demonstram a escala da escassez de óleo bruto que será sentida nas próximas semanas, à medida que a interrupção dos suprimentos do Oriente Médio deixa um vácuo crescente.

A disparada dos preços sinaliza que algumas refinarias europeias provavelmente precisarão seguir o exemplo das asiáticas e reduzir a produção — uma medida que pode ajudar a equilibrar o mercado de petróleo bruto, mas que agravaria a escassez de produtos vitais, como diesel e combustível de aviação.

“Há simplesmente uma falta de óleo bruto”, afirmou Neil Crosby, chefe de pesquisa da Sparta Commodities AS. “O Brent físico está um caos e subiu demais. Nesse ritmo, até as refinarias europeias terão que reduzir a utilização, talvez já no próximo mês.”

Contraste entre Papel e Realidade

O frenesi no comércio físico contrasta com o mercado de futuros, onde o petróleo para entrega em junho caiu 13% esta semana, fechando em cerca de US$ 95 o barril, impulsionado pelo otimismo em relação ao cessar-fogo.

Houve alguns sinais precoces de aumento da atividade no Estreito de Ormuz no fim de semana, com dois superpetroleiros chineses e um grego atravessando a via, mas o tráfego ainda permanece muito abaixo dos níveis anteriores à guerra. Mesmo que as negociações deste fim de semana levem à retomada dos fluxos normais pelo estreito, é improvável que o alívio chegue a tempo de evitar um colapso. O petróleo do Golfo leva semanas para chegar às refinarias na Ásia e na Europa.

“As últimas cargas que transitaram pelo Estreito de Ormuz antes do conflito estão chegando agora aos seus destinos. É aqui que o mercado de papel encontra a realidade física, e o hiato de 40 dias nos fluxos globais de energia fica verdadeiramente exposto”, disse Sultan al Jaber, CEO da Abu Dhabi National Oil, em uma postagem no LinkedIn na quinta-feira.

Prêmios Recordes

Esse vácuo pode ser visto no prêmio que as refinarias estão dispostas a pagar para garantir cargas disponíveis no curto prazo. Operadores de algumas refinarias asiáticas, falando sob condição de anonimato, disseram que não estão mais focados no preço, mas simplesmente buscando garantir barris onde quer que possam para assegurar a segurança energética.

O Dated Brent — a referência mais importante no mercado físico, usada para precificar milhões de barris por dia — atingiu o recorde de US$ 144 o barril antes do cessar-fogo desta semana, superando as máximas de 2008, mesmo com os futuros permanecendo bem abaixo de seus níveis recordes.

Até sexta-feira, o preço havia caído para US$ 126 o barril, ainda assim mais de US$ 30 acima dos futuros do Brent para entrega em junho. Enquanto isso, tradings como Trafigura Group e Gunvor Group ofereciam lances de mais de US$ 22 o barril acima do Dated Brent para cargas no Mar do Norte com entrega entre o final de abril e o início de maio. Suprimentos da Nigéria para carregamento no próximo mês chegaram a ser oferecidos com ágio de US$ 25 por barril sobre a referência, comparado a menos de US$ 3 antes do início da guerra com o Irã.

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Estreito de Ormuz: Superpetroleiros voltam a circular e sinalizam alívio no mercado global

Dois superpetroleiros chineses carregados com óleo bruto pareceram transitar pelo Estreito de Ormuz horas após um navio grego atravessar a via. O movimento sinaliza um aumento significativo no tráfego de petróleo dias após o anúncio de um frágil cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã.

Se os três navios completarem a travessia neste sábado (11) — uma jornada que leva cerca de oito horas —, este será o dia de maior saída de petróleo por Ormuz desde que a guerra paralisou quase todo o tráfego na região no início de março.

Nenhuma das embarcações transporta petróleo iraniano ou possui ligações diretas óbvias com o país. Desde o início do conflito, a vasta maioria do petróleo que deixou a região teve como origem a República Islâmica.

A reabertura de Ormuz é crítica para o comércio global de energia, pois seu fechamento resultou na perda de milhões de barris de oferta para os mercados mundiais. Uma retomada aliviaria a pressão sobre os mercados físicos, que estão cada vez mais apertados globalmente. EUA e Irã devem realizar negociações de paz em Islamabad nos próximos dias.

Os dois superpetroleiros chineses seriam os primeiros da nação asiática observados retirando barris da região — um benefício para Pequim, mas que ressalta como o país também foi pressionado pelo conflito.

Em termos de fluxo, as saídas são significativas, mas ainda estão longe dos níveis de tempos de paz. Juntos, os três navios têm capacidade de transporte de cerca de 6 milhões de barris. Somado a isso, o Irã exportou a uma taxa de 1,7 milhão de barris por dia no mês passado. Isso implicaria cerca de metade da taxa normal de embarques pela via — e apenas por um único dia.

Há também um terceiro navio chinês que não emitiu sinais neste sábado, mas que aguardava próximo aos outros dois antes de iniciarem a saída do Golfo Pérsico.

O navio grego sinalizava destino a Malaca, na Malásia, cujos meios de comunicação informaram na sexta-feira uma permissão para a partida dos cargueiros do país. Malaca também serve como ponto de passagem para navios que se dirigem a outras partes da Ásia. O Irã afirmou que as embarcações estão autorizadas a navegar pela via, mas que devem obter permissão para isso.

Os dois superpetroleiros chineses são o Cospearl Lake e o He Rong Hai. O grego é o Serifos. Chamadas para os operadores dos navios fora do horário comercial não foram atendidas ou retornadas de imediato. O Serifos e o He Rong Hai carregaram seus suprimentos na Arábia Saudita, enquanto o Cospearl Lake carregou no Iraque, mostram os dados de rastreamento.

Todos os três parecem ter seguido uma rota ao norte pelo estreito, conforme exigido por Teerã. Esse caminho passa por águas iranianas e ao longo das costas das ilhas Qeshm e Larak, afastando-se das rotas tradicionais de navegação de Ormuz que margeiam a costa sul da hidrovia.

Além deles, dois contratorpedeiros de mísseis guiados da Marinha dos EUA atravessaram o Estreito de Ormuz, de acordo com três funcionários americanos ouvidos pelo jornal Wall Street Journal, marcando a primeira vez que embarcações do país transitaram pela via desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.

Não foram relatados problemas, e a operação foi descrita como uma missão de navegação livre. Os navios não escoltavam embarcações comerciais, disseram as autoridades.

Quase todo o tráfego pela via, que normalmente movimenta cerca de um quinto do petróleo mundial e uma parcela semelhante de gás natural liquefeito (GNL), foi interrompido logo no primeiro dia da guerra.

Embora o rastreamento digital de navios possa estar sujeito a manipulações, os sinais das três embarcações parecem consistentes com movimentos reais de navegação.

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Boeing leva foguete ao espaço, mas futuro na NASA de Trump é incerto

A NASA acaba de usar o foguete da Boeing para levar astronautas mais longe no espaço do que nunca. Ainda assim, o governo Trump já procura concorrentes para substituí-lo.

Cerca de uma semana antes de o Space Launch System (SLS), avaliado em US$ 24 bilhões, levar os quatro tripulantes da missão Artemis II ao redor da Lua, a NASA consultou empresas rivais para saber que alternativas poderiam oferecer ao ambicioso plano da agência para futuras viagens lunares.

Esse movimento, reforçado quase de imediato pelo pedido de orçamento da Casa Branca, lançou uma grande incerteza sobre o futuro do problemático foguete da Boeing, depois de cerca de uma década de desenvolvimento.

O foguete Space Launch System da missão Artemis II e a espaçonave Orion decolam da plataforma 39B, no Centro Espacial Kennedy, em 1º de abril.

O destino do programa — que pode movimentar dezenas de bilhões de dólares nos próximos anos — se tornou um teste importante para Jared Isaacman, o bilionário do setor de tecnologia financeira escolhido pelo presidente Donald Trump no ano passado para comandar a NASA, em sua tentativa de tornar a agência espacial mais rápida e eficiente. Ele aposta em novas empresas comerciais, como a SpaceX, para oferecer alternativas mais baratas aos sistemas caros desenvolvidos por nomes tradicionais como Boeing e Lockheed Martin.

“Como esse programa carrega tanta história, envolve contratadas, centenas de subcontratadas e dezenas de milhares de pessoas, ele é caro”, disse Isaacman em fevereiro. “Não é o veículo que você vai usar para ir e voltar da Lua algumas vezes por ano enquanto constrói uma base lunar, como o presidente quer.”

Essa rede de apoio — o programa Artemis tem fornecedores nos 50 estados americanos — ajudou o projeto a sobreviver a tentativas de encerrá-lo após anos de atrasos e estouros de orçamento. A tentativa do governo, no pedido orçamentário do ano passado, de começar a retirar de cena o SLS e a cápsula tripulada Orion, fabricada pela Lockheed, encontrou forte resistência no Congresso, onde parlamentares conseguiram barrar os cortes. Na semana passada, a Casa Branca indicou que tentará novamente buscar substitutos comerciais.

O futuro do foguete lunar da Boeing em xeque

Com o prazo de 2028 se aproximando para colocar astronautas na Lua antes de Trump deixar o cargo, e com a China planejando sua própria missão até o fim da década, Isaacman está sob pressão para entregar resultados. Embora fornecedores tradicionais como a Boeing tenham enfrentado dificuldades para cumprir prazos no passado, suas tecnologias já foram testadas. Já novos concorrentes, como SpaceX e Blue Origin, ainda não demonstraram que seus foguetes conseguem chegar à Lua.

Isaacman vem elevando a pressão.

Em fevereiro, anunciou que a NASA cancelaria o contrato bilionário da Boeing para uma versão mais potente do estágio superior do foguete SLS, apesar de anos de desenvolvimento. Em março, anunciou uma pausa no Gateway, a estação espacial planejada para orbitar a Lua, deixando parceiros internacionais e empresas envolvidas correndo para se adaptar. No lugar, apresentou planos para uma base na superfície lunar e uma agenda acelerada de missões para construí-la.

“Ele realmente está tentando depender fortemente do setor espacial comercial e da concorrência”, disse Dave Cavossa, presidente da Commercial Space Federation, que representa empresas como SpaceX e Blue Origin. “Acho que é o governo mais pró-comercial e mais favorável a mudanças que já vimos.”

O Artemis foi criado no primeiro governo Trump a partir dos restos de um programa da NASA que havia sido cancelado por seu antecessor, mas que conseguiu seguir adiante de forma limitada graças à continuidade do financiamento pelo Congresso. Quando Trump voltou à Casa Branca no ano passado, os atrasos e os custos já haviam aumentado.

Um dos focos das críticas é o foguete SLS, que levou as missões Artemis à órbita a um custo de cerca de US$ 4 bilhões por voo — quatro vezes mais que as estimativas iniciais e com anos de atraso em relação ao cronograma.

“Não vamos ficar parados enquanto os cronogramas escorregam ou os orçamentos são estourados”, disse Isaacman em 24 de março. “Esperem medidas desconfortáveis se isso for necessário, porque o público investiu mais de 100 bilhões de dólares e foi muito paciente em relação ao retorno dos Estados Unidos à Lua.”

Um porta-voz da Boeing disse que a empresa tem orgulho de ser parceira da missão Artemis. Tony Byers, diretor de serviços e transformação da exploração Orion, da Lockheed Martin, afirmou que a cápsula Orion é o único veículo tripulado para o espaço profundo já testado em voo e que a empresa continuará evoluindo a cápsula para acompanhar o aumento planejado da cadência de missões da NASA. A NASA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Quando a Casa Branca propôs, no pedido de orçamento enviado ao Congresso em maio do ano passado, encerrar o SLS e a espaçonave Orion depois de apenas três voos, lobistas de contratadas como Boeing e Lockheed Martin inundaram o Capitólio. Eles concentraram esforços no senador texano Ted Cruz e no deputado Brian Babin, cujos redutos eleitorais dependem fortemente desses programas para manter empregos.

Em julho, Cruz liderou uma articulação para restaurar cerca de US$ 6,7 bilhões e manter o programa financiado, mesmo quando os republicanos já estavam se alinhando à maior parte das demais prioridades de Trump.

“Isso mostra a força que o programa tem junto a alguns membros importantes do Congresso e, depois, esses membros agindo de fato para demonstrar essa força”, disse Mike French, fundador da consultoria Space Policy Group.

Neste ano, a proposta de orçamento do governo não traz um prazo rígido para descontinuar o SLS e a Orion, mas sim um pedido mais vago para buscar alternativas comerciais. A NASA também afirmou que está avaliando outras opções para as missões Artemis previstas para depois de 2028.

Por enquanto, o SLS é o único foguete disponível no mercado capaz de fazer o que a NASA precisa.

A falta de outras opções permitiu que os parlamentares adotassem uma posição de equilíbrio entre apoiar uma alternativa comercial e, ao mesmo tempo, defender por ora a estrutura atual.

“Acho que precisamos usar o que temos”, disse Babin, apontando para o foguete SLS atrás dele, no Centro Espacial Kennedy, em 1º de abril, pouco antes do lançamento da Artemis II. “Quando tivermos uma alternativa, acho que será ótimo contar com um foguete comercial ou com um foguete do governo, seja o que for necessário.”

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NASA conclui viagem histórica à Lua com promessa de que “há mais por vir”

A tripulação da missão Artemis da NASA, composta por quatro astronautas, retornou à Terra e amerissou no Oceano Pacífico na sexta-feira (10), encerrando o primeiro retorno da humanidade à Lua em mais de 50 anos.

A cápsula tripulada Orion, construída pela Lockheed Martin, completou uma descida em chamas pela atmosfera terrestre antes de pousar sob paraquedas na costa da Califórnia, pouco depois das 17h no horário local. A NASA informou que a tripulação estava em bom estado de saúde.

“Um amerissagem perfeita, bem no alvo, para a Integrity”, disse Rob Navias, porta-voz de operações de missão do Centro Espacial Johnson da NASA.

“Das páginas de Júlio Verne a uma missão moderna à Lua, um novo capítulo da exploração do nosso vizinho celeste está completo”, afirmou.

A conclusão de uma jornada de 694.481 milhas (1,1 milhão de quilômetros) desde o lançamento representa o último grande teste da missão Artemis II, que durou dez dias, enviou os astronautas ao redor da Lua, quebrou recordes de distância em voos espaciais tripulados e capturou imagens de tirar o fôlego.

LEIA MAIS: Em missão histórica, NASA avança e reforça corrida bilionária pela exploração da Lua

Embarcações da Marinha dos EUA puderam ser vistas em uma transmissão ao vivo cercando a cápsula Orion, que balançava na água após a amerissagem. A equipe de resgate abriu uma grande balsa inflável conhecida como “front porch” e retirou com sucesso os quatro astronautas da cápsula cerca de uma hora e meia após o pouso. Eles seguiriam para um navio de recuperação para exames médicos antes de embarcarem na viagem de volta para suas famílias.

“A viagem inteira foi espetacular, o pouso foi perfeito e, como presidente dos Estados Unidos, eu não poderia estar mais orgulhoso!”, disse Donald Trump em uma publicação nas redes sociais. “Estou ansioso para ver todos vocês na Casa Branca em breve. Vamos fazer isso de novo e, depois, próximo passo: Marte!”

Apesar de um retorno quase perfeito, a tripulação enfrentou alguns problemas com as comunicações via telefone satelital entre eles e a equipe de resgate enquanto estavam na água.

“Esta foi uma reentrada exemplar e uma amerissagem exemplar para a Integrity. Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen estão de volta à Terra após uma jornada ao redor da Lua”, disse Navias.

Imagem da Artemis II (Foto: Nasa/ Divulgação)
Imagem da Artemis II (Foto: Nasa/ Divulgação)

A expectativa da Nasa

A missão cativou audiências ao redor do mundo desde o momento em que a cápsula decolou no foguete Space Launch System, construído pela Boeing, em 1º de abril. Espectadores acompanharam o cotidiano da tripulação — desde rituais banais como se barbear e resolver problemas com um vaso sanitário quebrado, até a captura de imagens de um eclipse durante a viagem espacial tripulada mais distante da história.

“Sinceramente, ainda me faltam palavras”, disse o administrador da NASA, Jared Isaacman, cercado por espectadores entusiasmados, em uma transmissão ao vivo a bordo do navio de recuperação.

“Eu simplesmente não poderia estar mais orgulhoso de toda a força de trabalho — os anos, o esforço, as noites viradas, todo o trabalho duro de todo o país que contribuiu para este momento incrível agora”, afirmou.

Durante a descida de aproximadamente 13 minutos de volta à Terra, plasma se acumulou do lado de fora da Orion e as temperaturas chegaram a quase 5.000°F (2.760°C). A Orion reentrou na atmosfera terrestre a cerca de 25.000 milhas por hora.

Todas as atenções estavam voltadas para o desempenho do escudo térmico da Orion, uma barreira protetora no exterior da espaçonave projetada para proteger a cápsula das temperaturas extremas que se acumulam durante a descida pela atmosfera.

Antes desta missão, críticos como o ex-astronauta da NASA Charles Camarda levantaram preocupações sobre o escudo térmico, argumentando que ele não era seguro o suficiente para proteger a tripulação.

Durante a missão Artemis I, em 2022, pedaços maiores do que o esperado do escudo térmico se desprenderam durante a descida da cápsula não tripulada.

A NASA decidiu voar a Artemis II com o mesmo design de escudo térmico, mas alterou a trajetória da Orion pela atmosfera para minimizar o tempo que a cápsula passou em temperaturas extremas. Para as próximas missões Artemis, a nave receberá um novo escudo térmico.

Embora a missão Artemis II tenha sido considerada um sucesso, a viagem não transcorreu sem problemas técnicos. A NASA descobriu um problema no sistema de propulsão do módulo de serviço cilíndrico da Orion e na forma como ele mantém a pressurização. Esse sistema provavelmente precisará de um “redesenho extensivo” para futuras missões, segundo Amit Kshatriya, administrador associado da NASA.

“Essa é uma descoberta nova. Certamente vamos investigar isso”, disse Howard Hu, gerente do programa Orion da NASA, em uma coletiva de imprensa após a amerissagem. “Vamos analisar e seguir em frente, e garantir que façamos mudanças, se necessário.”

Com a missão encerrada, a NASA aplicará as lições aprendidas com a Artemis II enquanto a agência busca pousar humanos na superfície lunar já em 2028.

“Esta é a primeira missão — nossa primeira missão — à Lua de muitas mais por vir”, disse Lori Glaze, administradora associada interina da NASA para desenvolvimento de sistemas de exploração, a repórteres. “E mal podemos esperar.”

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Como a Epic Games precisa da Disney para tentar reverter a fase difícil do ‘Fortnite’

A Epic Games está apostando em sua parceria com a The Walt Disney Company como principal motor de retomada do crescimento do Fortnite, após uma série de lançamentos abaixo do esperado e demissões recentes na companhia.

No mês passado, a empresa cortou cerca de 1.000 funcionários em um esforço de redução de custos estimado em US$ 500 milhões e reconheceu internamente que diversos novos jogos e atualizações do Fortnite não tiveram boa recepção. Entre eles, modos como o “Ballistic” e o “Festival Battle Stage” serão descontinuados, enquanto o “Rocket Racing” será encerrado em outubro.

Em comunicado interno, o CEO da Epic, Tim Sweeney, afirmou que, apesar de o Fortnite seguir como um dos jogos mais bem-sucedidos do mundo, a empresa tem enfrentado dificuldades para manter consistência nas atualizações e no engajamento do público.

De Marvel a Pixar

A nova aposta da companhia está centrada em uma série de jogos desenvolvidos em parceria com a Disney, que investiu US$ 1,5 bilhão na Epic há dois anos. O primeiro título dessa colaboração deve ser lançado em novembro e terá formato de jogo de tiro com personagens das propriedades da Disney, incluindo Marvel, Star Wars e Pixar.

Segundo fontes internas, o projeto é visto como estratégico para revitalizar o Fortnite e ampliar seu alcance global, embora algumas versões iniciais tenham recebido avaliações internas consideradas “medianas”.

A parceria também prevê pelo menos mais dois jogos adicionais, mas parte dos recursos já foi redirecionada após preocupações com o cronograma de desenvolvimento.

Apesar disso, a Disney afirmou que mantém confiança na colaboração e que o projeto segue dentro de sua estratégia de longo prazo para construir um ecossistema integrado de jogos e entretenimento.

A Epic Games afirmou que sua abordagem de desenvolvimento é baseada em lançamentos rápidos e melhorias contínuas, ainda que isso tenha levado, segundo funcionários, a produtos lançados em estágios iniciais de maturação.

A companhia foi fundada em Cary, na Carolina do Norte, e ganhou destaque global em 2017 com o sucesso do Fortnite no modo battle royale, que rapidamente se tornou um fenômeno global e gerou bilhões de dólares em receita nos anos seguintes.

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Oncoclínicas avalia pedir proteção contra credores

A Oncoclínicas considera buscar uma medida cautelar contra credores à medida que as pressões financeiras aumentam, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A operadora brasileira de centros de tratamento oncológico corre o risco de descumprir alguns de seus covenants (cláusulas contratuais com os credores). O pedido de proteção temporária pode ocorrer nos próximos dias, disseram as pessoas, que pediram anonimato.

O timing e a estrutura ainda estão sendo discutidos e podem mudar, acrescentaram.

A notícia foi divulgada anteriormente pelo jornal Valor Econômico.

Um dos caminhos possíveis seria uma cautelar de mediação com os credores de CRI, que detêm um tipo de título lastreado em recebíveis imobiliários no Brasil, em vez de um pedido cautelar mais amplo, disseram as pessoas, ressaltando que nenhuma decisão foi tomada até o momento.

Os atrasos em tratamentos aumentaram à medida que a empresa passa por um processo de enxugamento, disse uma das pessoas. A companhia está ajustando o nível de funcionários e sua rede de clínicas, e cortou cerca de 70 empregos nas últimas semanas.

A Oncoclínicas não comentou.

A crise da Oncoclínicas

A Oncoclínicas está entre um grupo de empresas de saúde brasileiras que buscam reduzir o endividamento após um período de expansão agressiva. As taxas de juros em dois dígitos complicaram ainda mais as perspectivas do setor.

A empresa não possui títulos globais e sua dívida está denominada em moeda local, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

Nas últimas semanas, houve uma série de desenvolvimentos negativos no crédito corporativo brasileiro, com Raízen e o GPA entrando em recuperação extrajudicial, e a Alliança Saúde buscando também buscando uma cautelar. 

O movimento ocorre em um momento delicado para a Oncoclínicas, conforme investidores levantam preocupações sobre potenciais conflitos de interesse e práticas de governança. Isso se deve, em parte, aos vínculos da empresa com o Banco Master.

A empresa brasileira também adiou a divulgação de seus resultados financeiros de 2025 para 9 de abril, ante 30 de março.

O Valor reportou anteriormente que a Oncoclínicas, que enfrenta um problema de liquidez e tem recursos suficientes para cerca de 15 dias, tem três propostas na mesa para lidar com a situação.

As ofertas surgiram após cerca de 3 mil pacientes terem atrasos de aproximadamente uma semana no atendimento oncológico, com os casos mais graves sendo transferidos para hospitais parceiros, informou o jornal nesta semana, citando fontes não identificadas.

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Guerra no Irã faz Vale parar plantas em Omã e redirecionar navios de minério

A Vale antecipou a parada de manutenção das duas plantas de pelotas em Omã para reduzir possíveis impactos da guerra no Irã, segundo uma fonte a par do assunto.

As paradas, previstas para o primeiro semestre, foram adiantadas em algumas semanas, disse a fonte, que pediu anonimato. Ela não detalhou por quanto tempo as unidades ficarão fora de operação.

As operações em Omã têm capacidade de 9 milhões de toneladas por ano — cerca de 29% da produção total da companhia no ano passado.

A mineradora vende para países do Golfo, como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos. Mas o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã está travando as entregas, segundo a fonte.

A decisão ajuda a explicar o desvio de navios com minério brasileiro da Vale que tinham como destino o Oriente Médio.

A companhia não pretende revisar o guidance de produção para o ano, com previsão de 30 milhões a 34 milhões de toneladas de pelotas.

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iPhone dobrável da Apple está previsto para ser lançado em setembro. Veja o que se sabe

O primeiro celular dobrável da Apple está no caminho certo para chegar durante o período normal de lançamento de iPhones da empresa ainda este ano, disseram pessoas com conhecimento do assunto, refutando preocupações sobre grandes problemas de fabricação.

A empresa deve apresentar o modelo dobrável em setembro, junto com o iPhone 18 Pro e Pro Max, disseram as fontes, que pediram para não ser identificadas porque os planos ainda não foram anunciados. Normalmente, os iPhones chegam às lojas na semana seguinte à apresentação oficial.

Um relatório do Nikkei Asia alimentou preocupações sobre um possível atraso na terça-feira. As ações da Apple caíram até 5,1% após o veículo noticiar que a empresa enfrentava desafios na fase de testes de engenharia do aparelho, o que poderia atrasar o cronograma de produção e envio, segundo o Nikkei Asia.

Embora a complexidade da nova tela e dos materiais possa limitar o fornecimento inicial por algumas semanas, a Apple atualmente opera com o plano de colocar o dispositivo à venda aproximadamente na mesma época — ou logo após — os novos modelos não dobráveis, disseram as fontes.

As ações da Apple reduziram suas perdas depois que a Bloomberg News reportou sobre os planos. O papel estava em queda de cerca de 2,7%, cotado a US$ 251,88 às 13h04 em Nova York na terça-feira.

Ainda assim, o lançamento está a seis meses de distância e a produção ainda não foi intensificada. Isso significa que o cronograma não é definitivo. Um porta-voz da empresa, com sede em Cupertino, Califórnia, se recusou a comentar.

O dispositivo é uma iniciativa importante para a Apple, que busca expandir a linha de iPhones com novos designs, modelos mais caros e recursos aprimorados. O objetivo é competir melhor com a Samsung Electronics e fabricantes chineses de smartphones, que já oferecem opções dobráveis há anos.

iPhone dobrável

Para a Apple, o iPhone dobrável é o segundo passo de um plano de três anos para reinventar o visual e a experiência do seu dispositivo principal. No ano passado, a empresa lançou versões reformuladas do Pro e Pro Max e uma versão mais fina chamada iPhone Air. A Apple também trabalha em uma reformulação separada para 2027, marcando os 20 anos do produto.

O roadmap do iPhone tem sido prioridade para a gestão da Apple — incluindo o chefe de hardware John Ternus, que, segundo a Bloomberg News, é um dos principais candidatos a eventualmente substituir o CEO Tim Cook.

O iPhone dobrável será semelhante aos produtos concorrentes — com alguns pontos de destaque. Engenheiros da Apple acreditam ter resolvido problemas de qualidade da tela e durabilidade geral, duas falhas históricas de aparelhos nessa categoria. Isso inclui tornar a dobra da tela menos visível quando aberta.

O iPhone terá orientação ampla da tela no modo paisagem, tornando-o mais eficaz para assistir vídeos e jogar do que os modelos dobráveis mais estreitos atualmente no mercado. A Apple planeja atualizar o sistema iOS para fazer com que os aplicativos do iPhone se pareçam mais com os do iPad nesse novo dispositivo.

Quanto vai custar o iPhone dobrável?

O preço do produto deve ultrapassar US$ 2.000. Embora isso possa desestimular alguns consumidores, deve elevar o preço médio de venda da Apple e impulsionar o crescimento da receita da empresa.

Ao mesmo tempo, a Apple está ajustando seu calendário anual de lançamentos do iPhone. O próximo modelo de entrada será adiado para a primavera de 2027, informou a Bloomberg News. A empresa também planeja lançar um novo iPhone Air e um iPhone 18e mais econômico nesse período. O iPhone 17e foi lançado no mês passado.

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Por que Doritos a US$ 7 o pacote custaram bilhões à PepsiCo

Os preços dos chips da PepsiCo ficaram altos demais nos Estados Unidos. O Walmart vinha alertando a fabricante de Doritos, Lay’s, Cheetos e outros snacks populares sobre isso há mais de um ano. Executivos da PepsiCo também tinham ciência do problema, já que as vendas destes produtos estavam caindo. Alguns pacotes de chips custavam mais de US$ 7; no Walmart, o preço dos Doritos subiu quase 50% desde 2021, segundo dados da Attain, que acompanha gastos dos consumidores.

Mesmo quando o Walmart reduziu o espaço de prateleira dos salgadinhos em favor de suas marcas próprias mais baratas e de concorrentes como Takis, os preços não caíram. Somente em fevereiro, a PepsiCo anunciou que cortaria preços em até 15% em alguns snacks salgados. Até então, os snacks da Pespico já tinham perdido suas metas internas de receita por dois anos consecutivos, com déficit superior a US$ 1 bilhão, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Agora que a redução de preços começou, novos desafios surgem e podem reduzir o impacto esperado. Com a guerra no Irã elevando os preços do petróleo, consumidores sob maior pressão econômica podem não se sentir atraídos por descontos de menos de um dólar por pacote. Além disso, custos mais altos de alimentos e embalagens podem comprometer as margens da empresa, dependendo da duração do conflito.

Antes da guerra, os cortes de preços eram “provavelmente suficientes” para atrair clientes e aumentar a receita da PepsiCo, disse Nik Modi, co-chefe de pesquisa global de consumo e varejo do RBC Capital Markets. “Mas e agora?” Um porta-voz da PepsiCo se recusou a comentar a reportagem.

Cidades selecionadas

O CEO da PepsiCo, Ramon Laguarta, disse em fevereiro que a empresa saberá até o verão se os cortes são “suficientes”. Testes em cidades selecionadas no ano passado já geraram aumento significativo de volume. Ao concordar em reduzir os preços, a empresa garantiu, em média, um aumento de dois dígitos no espaço de prateleira em grandes varejistas como Walmart, Costco e Target. A expectativa é que essas mudanças estejam totalmente implementadas até o final do mês.

Executivos da PepsiCo discutiam como lidar com os preços desde pelo menos 2024, quando a receita dos snacks ficou negativa, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Ninguém queria assumir a responsabilidade por uma queda de receita de curto prazo provocada por cortes de preço. A empresa tentou outras estratégias para atrair clientes: promoções, redução de quantidade nas embalagens. Nada funcionou.

Quando Rachel Ferdinando assumiu a divisão de alimentos dos EUA no início de 2025, constatou que os preços precisavam cair. Assim, a PepsiCo testou cortes de preços em mercados selecionados na segunda metade de 2025 e iniciou o plano de forma mais ampla no início de 2026.

Pressões externas aumentavam. As receitas que tinham crescido por 53 trimestres consecutivos, mais de 13 anos, começaram a cair. A PepsiCo perdia participação de mercado para marcas próprias mais baratas, enquanto concorrentes como Conagra Brands e General Mills já estavam reduzindo preços.

Reuniões com varejistas como Walmart, que queriam que a empresa resolvesse rapidamente a questão da acessibilidade, ficaram tensas.

Na sede da PepsiCo em Nova York, Laguarta também se preocupava com outras prioridades. Consumidores americanos buscavam cada vez mais opções mais saudáveis. Laguarta incentivou a empresa a investir mais em alimentos ricos em proteína e fibra, que geralmente custam mais que os chips. Ele também trabalhava na abertura de um restaurante com a marca Lay’s na Espanha.

Em setembro, com a ação da empresa caindo mais de 20% desde o pico de 2023, a Elliott Investment Management adquiriu participação de US$ 4 bilhões, com uma lista de exigências, incluindo tornar os produtos mais acessíveis.

No final do ano, a PepsiCo anunciou que reduziria preços em até 15% em alguns snacks, focando em pacotes maiores das marcas mais populares, incluindo Doritos e Cheetos. Laguarta descreveu os cortes como “muito cirúrgicos”. A empresa também implementou cortes de custos, incluindo demissões.

Com o valor de mercado da PepsiCo caído mais de US$ 50 bilhões desde 2023, os preços mais baixos começaram a aparecer nas lojas no início de 2026.

Em um Walmart em Washington, no final de março, pacotes de Cheetos eram exibidos em local de destaque, com um grande cartaz vermelho anunciando o preço promocional US$ 3,97, reduzido de US$ 4,43.

Lee Jones, aposentado, disse que não compra chips com frequência, mas colocou um pacote de Tostitos de milho azul orgânico no carrinho porque estava em promoção e identificado como orgânico. “O preço importa”, afirmou.

Em outro mercado em El Monte, Califórnia, pacotes de salgadinhos estavam com preços reduzidos. O dono, Amar Singh, disse que ainda não notou aumento nas vendas. Um grande pacote de Ruffles custava US$ 5,49, 80 centavos a menos. “As vendas caíram muito desde o ano passado”, disse, atribuindo não só aos preços altos, mas também a fatores como operações de imigração. “As pessoas simplesmente estão gastando menos.”

O mantra da divisão de snacks da PepsiCo era “Frito-Lay Five Forever”, com a meta de crescer 5% ao ano, como vinha acontecendo há décadas. A Lay’s era a galinha dos ovos de ouro da PepsiCo, gerando recursos para a divisão de bebidas. Diferente das marcas de refrigerantes, que competem com a Coca-Cola, a Lay’s domina o mercado de salgadinhos, controlando quase 60% do mercado americano, segundo o RBC Capital Markets.

Durante a pandemia, como outras empresas de alimentos, a PepsiCo aumentou preços para cobrir custos de cadeia de suprimentos e mão de obra. No início, consumidores com dinheiro do auxílio emergencial não se incomodaram. Mas aumentos modestos se tornaram significativos: até o terceiro trimestre de 2022, os preços líquidos subiram 20% em relação ao ano anterior.

O crescimento da receita disparou nos dois anos seguintes, e bônus internos aumentaram. “Os snacks são a joia da PepsiCo”, disse Laguarta em 2023, destacando que tinham as maiores margens. “Não importa o que aconteça com o consumidor, continuaremos sendo a escolha preferida.”

Mas os clientes começaram a recusar o alto preço dos pacotes de chips. “Reduzi um pouco as compras”, disse Denton Malcom, consultor de negócios em Washington, DC, que gosta de Doritos, Tostitos e Ruffles — mas não a qualquer preço.

Quando as vendas começaram a cair em 2023, funcionários alertaram que os preços estavam altos e aumentos muito frequentes. Mesmo assim, gerentes seniores não quiseram reduzir preços.

A PepsiCo tentou outras estratégias: pacotes menores, promoções, multi-packs mais baratos, novos produtos sem corantes artificiais e opções mais ricas em proteína e fibra, para atrair consumidores preocupados com saúde.

Em 2023 e 2024, Laguarta previu que o volume da Lay’s se recuperaria. “Testamos diferentes táticas para atender ao consumidor e vemos que está funcionando.”

Em 2024, a receita da divisão de snacks ficou negativa pela primeira vez em mais de uma década. A empresa perdia não só clientes, mas também espaço de prateleira, incluindo os pontos mais cobiçados. Alguns funcionários se incomodaram com pacotes custando mais de US$ 7.

Em 2025, a revisão de Ferdinando deixou claro que a PepsiCo precisava cortar preços. No segundo semestre de 2025, foram feitos testes, e em 2026 a redução começou a ser aplicada em maior escala.

Analistas afirmam que a empresa deveria ter cortado preços antes. “A PepsiCo, como muitas, assumia que os consumidores suportariam os aumentos e só agora entende a importância da ‘acessibilidade’ para o consumidor típico.”

Agora, a mensagem é que a PepsiCo está totalmente comprometida em oferecer valor. “Os consumidores deixaram claro: a acessibilidade nunca foi tão importante”, disse Ferdinando.

Em supermercados Safeway em Washington, DC, pacotes familiares de Doritos e Tostitos eram vendidos por até US$ 2,49, se comprados em múltiplos de três. Pacotes maiores, como Tostitos estilo restaurante, ainda custavam US$ 7,29.

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Pressionada por Shein e Zara, H&M luta para convencer sobre retomada

De uma sala de conferências no topo da sede da H&M no coração de Estocolmo, com madeira em tons marrons e linhas limpas que dão ao espaço um ar distintamente escandinavo, o CEO Daniel Ervér fala sobre reviver a antiga estrela sueca. O que ele enfrenta é um problema de credibilidade.

Há oito anos, após uma queda recorde nas vendas trimestrais, o então CEO da Hennes & Mauritz, Karl-Johan Persson, herdeiro da família bilionária fundadora, reuniu acionistas no histórico salão de concertos Cirkus, em Estocolmo, para o primeiro — e único — dia de mercado de capitais da empresa, a fim de tranquilizá-los de que as coisas melhorariam. Não melhoraram. Poucas semanas após o evento, em que Persson apareceu elegante, sem gravata, de camisa branca e terno Arket, a empresa divulgou mais más notícias: cerca de US$ 4 bilhões em roupas não vendidas e uma queda de 62% no lucro operacional.

Agora, Ervér (que assumiu em 2024) busca novamente convencer investidores de que o grupo virou a página. Paralelamente a uma reformulação ambiciosa, ele tenta tirar a H&M de um dos maiores acúmulos de estoque do varejo moderno. Embora esses esforços estejam trazendo margens operacionais e lucros maiores, ainda não resultaram em crescimento sustentado das vendas e Ervér pede paciência.

“Começamos a estabelecer uma base estável para o crescimento futuro”, disse o sueco de 44 anos, um típico executivo de carreira que passou toda sua trajetória na empresa, em entrevista em 1º de abril. “Isso pode ser visto no aumento da rentabilidade, melhor geração de caixa, níveis menores de estoque… Com o tempo, isso levará a um crescimento mais forte. Acho que estamos no início da jornada, mas é uma jornada de longo prazo.”

Daniel Erver, diretor-presidente da H&M AB, após entrevista na sede da empresa em Estocolmo, Suécia, na quarta-feira, 1º de abril de 2026. Foto: Erika Gerdemark/Bloomberg.

Tempo é algo que os investidores relutam em conceder. Desde o pico em 2015, a H&M perdeu cerca de metade de seu valor de mercado, apagando dezenas de bilhões de dólares em valor. Apenas dois anos antes, era a empresa listada mais valiosa de Estocolmo.

A incapacidade da H&M de competir no mercado global de vestuário de US$ 1,9 trilhão, tanto com a Inditex, dona da Zara, no segmento mais alto, quanto com rivais de preços agressivos como Shein e Primark faz com que investidores não se animem. E há poucos sinais de reversão: as vendas da H&M, em base constante de câmbio, caíram 1% no primeiro trimestre.

“Acho impressionante a melhora de margem que a H&M conseguiu sob Ervér, mas ainda sinto falta de crescimento”, disse Lars Soderfjell, chefe de ações nórdicas do banco finlandês Alandsbanken. “A grande questão é se a H&M ainda é relevante para seu público principal que são as mulheres de 15 a 30 anos.”

A empresa demorou a perceber as mudanças estruturais do setor, transformado na última década pela digitalização. Sem a necessidade de lojas físicas, centenas de novos concorrentes surgiram, alterando completamente o varejo.

Ervér afirma que as medidas adotadas estão ajudando a H&M a lidar melhor com esse novo ambiente. Ele reduziu camadas hierárquicas para acelerar decisões, simplificou o número de fornecedores — aproximando-os de mercados como Marrocos e Egito, em vez de China e Bangladesh — e incentivou designers a ampliar a escala dos produtos. Isso ajudou a reduzir a relação entre estoque e vendas ao menor nível em 10 anos e a preparar a empresa para enfrentar uma concorrência “brutal”.

“Temos ambições maiores de crescimento ao longo do tempo e aumentar tanto o valor para clientes quanto para acionistas, passando a crescer mais do que nos últimos anos”, disse.

Há uma década, H&M e Inditex eram vistas como pares, com lucros semelhantes no início dos anos 2010. Em valor de mercado, porém, a Inditex começou a se distanciar por volta de 2012. Em 2016, o crescimento do grupo espanhol disparou, enquanto a H&M ficou para trás, diferença que aumentou ainda mais após a pandemia. Hoje, a Inditex tem cerca de cinco vezes o lucro da H&M. Enquanto Ervér luta para levar a margem operacional a 10%, a da Inditex se aproxima de 20%.

Rivais

Após uma década de erros, investidores querem ver a H&M vender mais a preço cheio, evitar excesso de estoque e fortalecer a marca e tudo isso competindo com rivais online ultrabaratos e com uma Zara cada vez mais sofisticada.

Sob Ervér, os estoques caíram significativamente e o online já representa cerca de 30% das vendas. O número de lojas foi reduzido em 19% desde 2019, incluindo o fechamento das 130 lojas Monki. A marca principal H&M perdeu 832 unidades, com consolidação em lojas maiores estilo flagship.

Mas isso pode não ser suficiente, segundo analistas. Ainda há indícios de excesso de estoque e necessidade de liquidações adicionais.

No relatório The State of Fashion 2026, a consultoria McKinsey & Company coloca a H&M no segmento de valor, ao lado de empresas como Uniqlo. O estudo também aponta uma mudança no setor: marcas de valor estão melhorando suas ofertas para competir com rivais ultrabaratos, enquanto empresas de médio mercado como a Zara apostam em “aspiração acessível”, com mais foco em design e qualidade.

No fundo, a Inditex avançou por ter mais produção próxima ao consumidor, reduzindo o tempo de resposta ao mercado. A H&M vem tentando seguir esse modelo — mas ainda não está claro se isso será suficiente para recuperar terreno.

O futuro da empresa também depende da família Persson, que controla mais de 86% dos direitos de voto e continua aumentando sua participação — alimentando especulações de fechamento de capital.

Com menos investidores estrangeiros, a empresa enfrenta menor pressão externa por mudanças rápidas. Isso permite investir no longo prazo, mas também reduz o incentivo para ações mais radicais.

A questão-chave não é se a H&M pode mudar, mas com que rapidez. Uma década após ficar para trás em relação à Zara, a empresa se estabilizou. A próxima fase determinará se conseguirá voltar a crescer ou se permanecerá presa entre os extremos do mercado. “Estamos fazendo um trabalho amplo e de longo prazo para construir uma H&M mais forte”, disse Ervér.

Enquanto isso, os investidores dizem: mostre.

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Trump reitera ameaça de destruir o Irã. ‘Uma civilização inteira morrerá esta noite’

O presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou seu ultimato para que o Irã aceite um acordo de cessar-fogo ou enfrente uma grande escalada militar, enquanto ambos os lados mantêm ataques na sexta semana de guerra.

“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser recuperada. Não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá”, disse Trump em uma postagem nas redes sociais na terça-feira (7). “Talvez algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE? Vamos descobrir esta noite.”

Os comentários vieram enquanto os EUA e Israel mantinham bombardeios contra o Irã — incluindo ataques ao polo exportador de petróleo da Ilha de Kharg — enquanto a República Islâmica disparava mísseis através do Golfo Pérsico. Trump ameaçou destruir usinas de energia, pontes e outras infraestruturas iranianas caso não haja acordo até as 20h (horário do leste dos EUA).

Falando em Budapeste, o vice-presidente JD Vance disse estar confiante de que o Irã dará uma resposta até lá.

Crime de guerra

As Nações Unidas alertaram que ataques indiscriminados a infraestrutura civil podem constituir crime de guerra. Trump afirmou não estar “nem um pouco” preocupado com essa possibilidade.

O mais recente ultimato marca um momento crítico no conflito, que já matou mais de 5.200 pessoas — a maioria no Irã e no Líbano — e atingiu instalações de energia em toda a região. O presidente começou a impor prazos em 21 de março para forçar o Irã a reabrir o estratégico Estreito de Ormuz, tendo prorrogado o prazo diversas vezes, mas disse na segunda-feira que é “altamente improvável” que volte a fazê-lo.

A liberdade de navegação pelo estreito deve fazer parte de qualquer acordo, afirmou Trump.

A agência semioficial iraniana Mehr informou que explosões foram ouvidas na Ilha de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do país.

A Fox News relatou que os EUA atingiram bunkers, uma estação de radar e depósitos de munição, além de um impacto não intencional nos cais da ilha. Duas pessoas morreram em um ataque EUA-Israel a uma ponte ferroviária próxima à cidade iraniana de Kashan, segundo a agência estatal Nour News.

Israel se prepara para a possibilidade de que os combates continuem por várias semanas e, na terça-feira, alertou iranianos a não utilizarem a rede ferroviária até as 21h no horário local — um tipo de aviso que costuma anteceder ataques a áreas civis.

Petróleo

O petróleo reduziu ganhos à medida que investidores hesitam diante do prazo imposto por Trump, com o risco de escalada sendo parcialmente compensado por sinais de cessar-fogo. O Brent era negociado ligeiramente acima de US$ 110 por barril em Londres.

Trump afirmou na segunda-feira que as negociações com o Irã estão “indo bem” e que a reabertura do estreito é “uma prioridade muito grande”.

“Precisamos de um acordo aceitável para mim, e parte disso será garantir o livre fluxo de petróleo e de tudo mais”, disse.

O militar norte-americano poderia destruir “todas as pontes do Irã”, acrescentou. Usinas seriam deixadas “em chamas, explodindo e sem nunca mais poderem ser usadas”.

O Irã alertou que responderia a uma escalada desse tipo intensificando seus próprios ataques à infraestrutura energética no Golfo — o que poderia agravar a crise global de combustíveis e ampliar os danos à economia mundial.

A República Islâmica lançou sete mísseis balísticos e vários drones contra a Arábia Saudita durante a madrugada de terça-feira, e destroços de interceptações caíram nas proximidades de instalações energéticas, segundo o reino. Uma ponte importante que liga Bahrein e Arábia Saudita foi temporariamente fechada como precaução.

As Forças de Defesa de Israel relataram três ondas de mísseis iranianos desde a meia-noite, mirando diversos pontos em Tel Aviv e cidades vizinhas.

Israel aprovou novas missões contra o Irã para as próximas três semanas, se necessário, segundo um porta-voz militar. O país também trava uma guerra paralela no Líbano contra o grupo Hezbollah, apoiado por Teerã, e atacou alvos em Beirute na segunda-feira.

O principal diplomata de Singapura alertou que o impacto econômico do conflito pode piorar e que os investidores ainda não ajustaram totalmente suas expectativas. “Tenho certeza de que os mercados não estão precificando completamente o pior cenário”, disse o chanceler Vivian Balakrishnan à Bloomberg Television.

Trump tem enfrentado dificuldades para encontrar uma saída para o conflito, que se torna cada vez mais impopular entre os americanos, com o preço médio da gasolina acima de US$ 4 por galão. Ele afirmou que JD Vance participa das negociações de cessar-fogo, junto com o enviado especial Steve Witkoff, embora Teerã tenha rejeitado uma proposta na segunda-feira.

“Posso dizer que temos um participante ativo e disposto do outro lado”, disse Trump. “Eles estão negociando, acreditamos, de boa-fé — vamos descobrir.”

O Irã pediu o fim permanente da guerra, esforços de reconstrução e o levantamento de sanções, além de protocolos para garantir a navegação segura pelo Estreito de Ormuz, segundo a agência estatal IRNA.

A ofensiva iraniana contra EUA e Israel não será afetada pelas ameaças de Trump, disse um porta-voz militar, citado pela mídia estatal.

Teerã afirmou que só permitirá a normalização do tráfego no estreito após ser compensado pelos danos da guerra.

A República Islâmica reduziu quase a zero o fluxo pelo Estreito de Ormuz — por onde normalmente passa cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito.

Dois navios carregados com GNL do Catar chegaram a deixar o Golfo Pérsico na segunda-feira, mas fizeram retorno poucas horas depois após terem a passagem negada por autoridades iranianas, segundo traders.

Teerã tem permitido apenas um fluxo limitado de embarcações na via marítima, que também utiliza para suas próprias exportações de petróleo.

Trump lamentou que gostaria de utilizar o petróleo iraniano para os EUA, mas afirmou que a opinião pública americana pressiona pelo fim do conflito.

“Sou um homem de negócios antes de tudo”, disse. “E já disse: por que não usamos isso? Ao vencedor, os despojos? Mas não temos isso.”

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Apple dá bônus raro de até US$ 400 mil para evitar fuga de engenheiros do iPhone para a OpenAI

A Apple distribuiu nesta semana bônus extraordinários a dezenas de membros da equipe de design de produtos do iPhone, em uma tentativa de conter a debandada dos profissionais para a OpenAI e outras empresas de inteligência artificial. 

Os pacotes de retenção variam de US$ 200 mil a US$ 400 mil em ações restritas (RSU, em inglês) com liberação gradual ao longo de quatro anos, um mecanismo que obriga o funcionário a permanecer na empresa para embolsar o valor integral. O montante envolvido é um gesto raro para os padrões da empresa liderada por Tim Cook.

Esses profissionais, hoje raros no mercado, são engenheiros responsáveis por definir como o aparelho é construído fisicamente, da escolha de materiais e ligas metálicas à disposição interna de chips e antenas, passando pelo encaixe milimétrico entre vidro e carcaça. São eles que transformam os esboços do time de design industrial em produtos que cabem no bolso de um bilhão de pessoas.

Desde que a OpenAI adquiriu a io Products, startup do lendário designer Jony Ive, por US$ 6,5 bilhões em maio passado, a empresa de Sam Altman vem montando uma divisão de hardware com dezenas de ex-funcionários da Apple. 

O grupo é liderado por Tang Tan, que até recentemente chefiava justamente a equipe de product design do iPhone, a mesma que agora recebe os bônus de retenção. A OpenAI não está sozinha: a Hark, novo laboratório de IA fundado pelo bilionário Brett Adcock com US$ 100 milhões do próprio bolso, contratou Abidur Chowdhury, designer responsável pelo iPhone Air, além de outros veteranos da Apple. 

Em alguns casos, essas startups estão pagando a engenheiros individuais cerca de US$ 1 milhão em ações por ano para trocar de lado.

Talento específico

Para quem aceita ficar, o cálculo é outro: ações da Apple, hoje avaliada em quase US$ 3 trilhões, são mais previsíveis do que papéis de startups que ainda não geraram um centavo de receita com hardware. Mas a previsibilidade não resolve o problema existencial.

A perda de talentos de engenharia, dos funcionários de base até líderes seniores, está se tornando um dos maiores ventos contrários para a Apple às vésperas de seu 50º aniversário, no mês que vem.

A transição para a inteligência artificial pegou a empresa no contrapé, e os profissionais que sabem projetar hardware de consumo de classe mundial se tornaram, de repente, o recurso mais escasso do Vale do Silício.

A Apple já passou por isso: há três anos, distribuiu pacotes semelhantes durante outra onda de assédio. No ano passado, elevou a remuneração de seu grupo interno de modelos de IA, quando a Meta chegou a oferecer pacotes superiores a US$ 100 milhões para pesquisadores individuais.

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Ballantine’s e Jack Daniel’s juntos? Pernod Ricard avalia sua maior aquisição em décadas

A Pernod Ricard, gigante francesa por trás de rótulos como Absolut, Jameson e Chivas Regal, está avaliando a aquisição da americana Brown-Forman, dona do uísque Jack Daniel’s. 

As duas empresas tiveram conversas preliminares sobre uma possível combinação, segundo a Bloomberg, que citou fontes próximas às conversas. As negociações são iniciais e não há garantia de que resultem em acordo. Nenhuma das empresas comentou publicamente o assunto.

As ações da Brown-Forman dispararam mais de 20% em Nova York após a notícia, levando o valor de mercado da companhia de Louisville, Kentucky, a cerca de US$ 12,7 bilhões. Em Paris, os papéis da Pernod caíram quase 6%, para uma capitalização equivalente a US$ 17,4 bilhões.

Uma eventual fusão reuniria dois dos maiores portfólios de destilados do planeta sob o mesmo teto. A Pernod, que no Brasil opera com marcas populares como a vodca Orloff, o rum Montilla e a linha Ballantine’s, vem reforçando nos últimos anos sua aposta em bourbon e tequila por meio de aquisições. 

A Brown-Forman, cuja receita depende em 71% da categoria de uísque, traz à mesa o Jack Daniel’s, um dos destilados mais vendidos do mundo, além do bourbon Woodford Reserve e da tequila Herradura.

O pano de fundo do negócio é uma indústria em contração. As vendas da Pernod nos Estados Unidos caíram 15% no primeiro semestre fiscal; a Brown-Forman viu sua receita americana encolher 8% nos nove meses encerrados em janeiro. 

As duas companhias sofrem com o consumo mais fraco de destilados premium, a concorrência de cannabis legalizada e o efeito dos medicamentos para emagrecimento do tipo GLP-1 sobre o apetite por bebida. 

Some-se a isso a guerra tarifária global: retaliações comerciais derrubaram as vendas canadenses da Brown-Forman em cerca de 60% no último trimestre reportado, enquanto a Pernod lida com restrições chinesas ao conhaque e tarifas americanas sobre seus produtos europeus.

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Motos mantêm a Honda de pé, mas até esse negócio já sofre pressão

A aposta cara e malsucedida da Honda em carros elétricos elevou de forma dramática a importância de a companhia não repetir os mesmos erros no negócio de motocicletas.

Quase uma em cada três motos vendidas no mundo é da Honda, unidade que gera a maior parte do lucro operacional da fabricante, apesar de responder por menos de um quinto das vendas. Ainda assim, começam a surgir rachaduras nesse negócio, à medida que motos elétricas chinesas avançam sobre o seu território.

Embora os carros devam, sem dúvida, estar no centro do plano de recuperação que o presidente-executivo Toshihiro Mibe apresentará em maio, ele também enfrentará pressão para mostrar aos investidores que não vai desperdiçar a divisão de melhor desempenho da Honda. A forma como a empresa se adaptar a um futuro elétrico será central para definir se conseguirá estabilizar os lucros e recuperar a confiança do mercado.

“O que está acontecendo com os automóveis é o cenário mais provável para os veículos de duas rodas”, disse Hikaru Todoroki, principal consultor automotivo da KPMG. “A concorrência está se intensificando.”

Um porta-voz da Honda se recusou a comentar sobre eletrificação e motocicletas.

O negócio de motos da Honda já enfrenta concorrência crescente. A fabricante começou sua ofensiva global em motocicletas elétricas há três anos, com dois modelos na Indonésia e dois na Índia, mas a estreia no mercado sul-asiático teve dificuldades. Dos dois lançados na Índia, um dependia de troca de baterias sem possibilidade de recarga em casa, o que limitava a usabilidade, enquanto o outro combinava recarga rápida com um preço significativamente mais alto que o dos rivais.

Motos elétricas ocupam cada vez mais espaço no mercado (Foto: Bloomberg)
Motos elétricas ocupam cada vez mais espaço no mercado (Foto: Bloomberg)

A Índia, que responde por cerca de um terço do mercado global de motocicletas, atraiu uma onda de concorrentes correndo para lançar novos modelos, avançar em tecnologia e garantir suprimento de baterias amplamente controlado por China e Coreia do Sul.

Além da Yadea Group Holdings, maior fabricante mundial de motos elétricas em volume, novatas como a VinFast Auto, no Vietnã, a Gogoro, em Taiwan, e a Bajaj Auto, na Índia, também tentam ampliar sua presença.

“Fazer um esforço agressivo para abordar o mercado — não é isso que os japoneses estão fazendo”, disse Todoroki.

A Honda planeja investir ¥ 500 bilhões (US$ 3,1 bilhões) em motocicletas elétricas até 2030, com a ambição de lançar 30 modelos e alcançar vendas anuais de 4 milhões de unidades. No fim das contas, a meta é que veículos elétricos representem um quinto das vendas de duas rodas da companhia.

Atraídos pela conveniência semelhante à de um smartphone — plugar e usar — e pelos menores custos de manutenção, os consumidores devem impulsionar a adoção de motos e scooters elétricas nos próximos anos. A BloombergNEF projeta que 87% de todas as vendas de motocicletas serão elétricas até 2040.

A Honda também vem sendo desafiada em seu mercado doméstico, à medida que tenta ampliar a oferta de motos elétricas. A Yadea entrou no Japão em novembro com uma scooter elétrica na mesma faixa de preço de opções locais movidas a gasolina — e cerca de 30% mais barata que um modelo semelhante da Honda movido a bateria.

No mês passado, a Honda apresentou uma nova scooter elétrica, com preço de ¥ 220 mil e lançamento previsto para o fim de março. Com autonomia de 81 quilômetros, a empresa mira vendas anuais de 2.200 unidades do modelo, batizado de icon e.

No horizonte mais longo, a Honda quer conquistar 50% do mercado global, com crescimento concentrado no que chama de Sul Global — Índia, Indonésia e Filipinas, além do Brasil e outras partes da América Latina — onde as motos seguem sendo um meio de transporte essencial e acessível.

Mas são justamente esses mercados que concentram os maiores obstáculos. As motos elétricas normalmente oferecem menos de 100 quilômetros de autonomia, ante cerca de 300 quilômetros nas motos a gasolina, e ainda custam mais caro. As baterias seguem caras e limitadas em espaço, o que dificulta combinar desempenho e preço acessível.

“Basicamente, será preciso ter um desempenho capaz de competir com uma motocicleta a combustão”, disse Komal Kareer, analista da BloombergNEF. “E o que as montadoras têm achado difícil é oferecer isso sem cobrar um preço muito acima.”

A adoção provavelmente dependerá não apenas da tecnologia, mas também de subsídios e apoio de políticas públicas. O aumento do custo de vida já pressiona o consumidor, enquanto regulações mais rígidas em mercados importantes vêm redesenhando a demanda.

A Honda está ampliando seus planos de produção, com uma fábrica dedicada a motocicletas elétricas na Índia prevista para começar a operar até 2028. A produção no país deve subir para 8 milhões de unidades, ante 6,25 milhões atualmente.

A expansão da produção de motos pode ser uma faca de dois gumes. Mesmo que a Honda consiga elevar as vendas, isso pode diluir suas margens de lucro, segundo Julie Boote, analista da consultoria londrina Pelham Smithers Associates. “Você ainda pode ter a marca, mas agora é um jogo diferente, com outros jogadores.”

A nova era de concorrência em motos eletrificadas chega no momento em que a Honda lida com a perspectiva de registrar seu primeiro prejuízo anual da história. Em 12 de março, a companhia alertou investidores de que prevê até ¥ 2,5 trilhões em encargos relacionados a veículos elétricos no atual ano fiscal, que termina neste mês. Mibe atribuiu a fraqueza nas vendas de carros aos subsídios para EVs na América do Norte e à intensificação da concorrência na China.

Antes conhecida por design acessível, qualidade e motores ágeis, a Honda fez de Accord e Civic líderes de vendas dos anos 1980 até meados dos anos 2000, mas começou a perder espaço quando os compradores migraram para SUVs e crossovers, enquanto a empresa ficou atrás dos concorrentes em tecnologia e eletrificação. As motocicletas continuam populares graças à reputação de confiabilidade e bom desempenho por preços razoáveis.

Mibe prometeu apresentar em maio uma estratégia de negócios revisada, quando a empresa divulgará os resultados anuais completos, com uma nova visão para as divisões de carros e motos. Nesta semana, Honda e Sony desistiram dos planos de lançar o Afeela, carro elétrico desenvolvido em parceria, assim como seu sucessor.

“Por que eles ainda se dão ao trabalho de vender carros?”, disse Boote. “Mas o principal risco para eles no negócio de motocicletas é que já existe um movimento em direção à eletrificação na Ásia. Eles sabem que precisam enfrentar esse mercado.”

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Dolce & Gabbana se prepara para negociações com credores à medida que a pressão da dívida aumenta

A Dolce & Gabbana iniciou novas negociações com credores após a fraca demanda global por produtos de luxo pressionar seus resultados e os termos de sua dívida, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A grife italiana está trabalhando com o Rothschild & Co. como assessor financeiro, segundo as fontes. A D&G tem cerca de €450 milhões (US$ 522 milhões) em dívida bancária, após um refinanciamento no ano passado que incluiu a captação adicional de €150 milhões (US$ 174 milhões) para financiar um plano de expansão voltado a manter a empresa independente. Na ocasião, a companhia obteve uma dispensa temporária de exigências da dívida, segundo seu relatório anual mais recente.

Os credores começaram a avaliar alternativas para dar mais fôlego à empresa em relação aos compromissos financeiros, disseram as pessoas, que pediram anonimato. As conversas ainda estão em estágio inicial e nenhum detalhe foi definido.

Conhecida por seus designs inspirados no Mediterrâneo, a empresa tem sido pressionada pela desaceleração do setor de luxo, agravada recentemente pelas incertezas decorrentes da guerra no Irã, acrescentaram as fontes. Representantes da Dolce & Gabbana e do Rothschild não quiseram comentar.

A Dolce & Gabbana não é a única casa de moda a recorrer a negociações com credores. No ano passado, após descumprir cláusulas de sua dívida, os donos da Valentino — Kering e Mayhoola — concordaram em injetar €100 milhões como parte de um acordo com bancos, segundo documentos.

A Dolce & Gabbana foi fundada em 1985 por Domenico Dolce e Stefano Gabbana, que seguem como líderes criativos. A marca, conhecida por estilos exuberantes inspirados no barroco do sul da Itália, tem apostado na expansão do negócio de beleza como forma de preservar sua independência em um setor em rápida transformação.

No ano passado, a empresa renegociou cerca de €300 milhões em dívida com vencimento até fevereiro de 2030. Como parte desse processo, obteve mais €150 milhões para sustentar sua expansão nas áreas de beleza e imóveis.

A retração no varejo de luxo continua, embora tenha dado sinais de melhora antes dos bombardeios de EUA e Israel contra o Irã no fim de fevereiro. Segundo relatório da Bain & Company e da associação Altagamma, as vendas do setor caíram 2% globalmente em 2025.

A guerra trouxe novas incertezas para essa recuperação, especialmente no Oriente Médio — região de alta concentração de riqueza e um dos principais motores da demanda por luxo.

A fabricante de supercarros Ferrari afirmou neste mês que suspendeu temporariamente entregas na região, enquanto a Ermenegildo Zegna disse que o conflito reduziu a visibilidade dos negócios.

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Governo oferece R$ 15 bilhões a empresas afetadas por tarifas e Guerra no Oriente Médio

O Brasil lançou um novo programa para oferecer financiamento a empresas que enfrentam dificuldades devido ao impacto das tarifas dos Estados Unidos e da guerra no Oriente Médio.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou nesta quarta-feira uma medida provisória que oferece R$ 15 bilhões em crédito para ajudar empresas afetadas por razões geopolíticas e instabilidade internacional, como a guerra no Oriente Médio e medidas tarifárias impostas pelo governo do Estados Unidos.

Uma ampla gama de empresas pode se qualificar, desde exportadores do setor industrial atingidos por tarifas até produtores de fertilizantes, considerados essenciais para reduzir a dependência do Brasil em relação às importações, interrompidas pela guerra.

A medida, noticiada inicialmente pelo jornal O Globo, marca uma nova fase do programa Brasil Soberano, lançado no ano passado após o presidente americano Donald Trump ter imposto tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras para os EUA.

Na época, o programa fazia parte de uma resposta mais ampla de Lula que ajudou a impulsionar sua popularidade. Agora, o líder de esquerda está lutando para conter o aumento dos custos dos combustíveis e as interrupções na oferta de fertilizantes, que ameaçam elevar a inflação e gerar insatisfação entre caminhoneiros, agricultores e empresários.

Os recursos serão direcionados para capital de giro, aquisição de bens de capital e investimentos voltados à adaptação da produção, ampliação da capacidade produtiva e investimentos em inovação tecnológica. Os recursos virão de superávits financeiros do Tesouro, do fundo garantidor de exportações e de outras fontes orçamentárias. 

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Banco suíço fecha sob acusação de lavagem de dinheiro iraniano, russo e venezuelano

Sempre que conseguia uma comissão de seis dígitos para seu pequeno banco suíço, Paul-Michel von Merey era conhecido por gritar pelo escritório em plano aberto, perto do Lago de Zurique, tocando ruidosamente um sino de vaca em celebração.

O barulho constante refletia uma fonte lucrativa que sua empresa explorava. O MBaer Merchant Bank, cofundado por von Merey em 2018, às vezes cobrava dos clientes até dez vezes a taxa de mercado para processar pagamentos, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, principalmente em transações que outros bancos não aceitavam.

Mas, mesmo após o banco ter sido apontado como um dos “mais prósperos” bancos privados suíços, no ano passado, em um evento local de gestão de fortunas, seu fim estava próximo. A suposta facilitação de lavagem de dinheiro chamou a atenção do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, que, às vésperas da guerra contra o Irã no final do mês passado, praticamente o forçou a fechar as portas.

“O MBAer canalizou mais de cem milhões de dólares por meio do sistema financeiro dos EUA em nome de agentes ilícitos ligados ao Irã e à Rússia”, disse Bessent em comunicado. A ameaça de cortar o acesso do banco ao sistema financeiro americano foi suficiente para superar os desafios legais da ordem anterior da autoridade reguladora suíça Finma de liquidar o banco.

A seguir está um relato de como o MBaer conseguiu operar sem ser detectado, enquanto, segundo autoridades dos EUA, em alguns casos, era “provavelmente cúmplice das atividades de lavagem de dinheiro de seus clientes”. Seu fim desonroso compromete os esforços de longa data da Suíça para sanear o sistema financeiro e provar que Zurique e Genebra não oferecem mais um refúgio fácil para dinheiro ligado ao crime.

Um porta-voz do MBaer não quis comentar sobre esta reportagem. A Finma também não se manifestou.

Banco foi fundado por herdeiro do Julius Baer

O MBaer foi fundado como um banco de investimentos concebido para atender tanto aos interesses empresariais dos clientes — como o financiamento do comércio — quanto ao seu patrimônio pessoal. Seu cofundador homônimo e primeiro diretor-executivo do banco, Mike Baer, ​​passou 12 anos no Julius Baer Group, banco fundado por seu bisavô. Durante esse período, ele ocupou diversos cargos sêniores, incluindo a chefia das áreas de banking, trading e TI, de acordo com seu perfil no LinkedIn. No Julius Baer, ​​ele também conheceu muitos clientes em potencial e alguns dos outros sócios do MBaer.

Mike Baer e Paul von Merey não quiseram comentar para esta reportagem.

No início de 2005, Mike Baer deixou o banco da família e, nos anos seguintes, ocupou vários cargos em conselhos de administração, de acordo com seu perfil no LinkedIn, incluindo na Odey Asset Management e no Falcon Private Bank, ambos com problemas regulatórios não relacionados nos últimos anos.

Corredor entusiasta, que completou maratonas nos polos Norte e Sul, Baer utilizou fortemente o nome da família. “A herança do MBaer Merchant Bank remonta a 1890, quando Julius Bär lançou as bases para uma longa tradição bancária em Zurique”, afirmou o banco em seu site.

Expansão acelerada a partir de 2023

Ao longo dos anos, o banco expandiu-se rapidamente, em particular, vivenciando um salto nos ativos em 2023. No final de 2025, detinha ativos de clientes no valor de cerca de 4,9 bilhões de francos suíços (US$ 6,2 bilhões), e contava com cerca de 700 clientes e 60 funcionários. Seu tamanho o enquadrava inicialmente na categoria mais baixa de supervisão da autoridade reguladora suíça Finma — destinada a pequenos participantes no mercado, ou de “baixo risco”.

Fontes internas descreveram a cultura do banco como uma reminiscência dos tempos mais liberais das finanças suíças — antes do confronto com os EUA sobre a evasão fiscal nos anos 2000, que levou a tentativas de “limpeza” e ao fim do sigilo bancário absoluto.

Segundo investigadores da unidade de crimes financeiros do Tesouro dos EUA, a FinCEN, o banco começou a atrair atenção por possíveis atividades de lavagem de dinheiro ligadas à Venezuela por volta de 2020. O banco teria então facilitado o financiamento da máquina de guerra russa e ajudado a canalizar fundos petrolíferos iranianos de volta ao regime — incluindo para o Corpo da Guarda Revolucionária.

Lavagem de dinheiro e apoio ao terrorismo

“O MBaer também proporcionou acesso ao sistema financeiro dos EUA a pessoas que oferecem apoio material a esforços de lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo relacionados ao Irã, incluindo apoio a organizações terroristas iranianas”, afirmou a FinCEN em um documento publicado em 2 de março.

As autoridades acusaram o MBaer de facilitar pagamentos em conexão com um esquema internacional de contrabando de petróleo e lavagem de dinheiro conduzido pela Força Quds, da Guarda Revolucionária. Os EUA consideram a Força Quds, que opera fora do país, como uma organização terrorista estrangeira.

Clientes do MBaer transferiram cerca de US$ 37 milhões em conexão com uma empresa sancionada, chamada Turkoca Import Export Transit Co. Ltd., em grandes pagamentos arredondados em dólares, que normalmente levantariam suspeitas de lavagem de dinheiro, declara a FinCEN. A Turkoca era uma “entidade intermediária” usada por afiliados da Força Quds para lavar fundos para o Irã, disse a FinCEN.

Cultura de medo

O MBaer supostamente tinha diversos métodos para conduzir negócios sem chamar atenção. Funcionários permitiam pagamentos em francos suíços ou euros para clientes de alto risco, em uma tentativa de contornar controles mais rigorosos sobre transações em dólares, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.

Alguns funcionários de fato geraram alarmes sobre deficiências operacionais. Muitos enfrentaram obstáculos internos significativos após expressarem suas preocupações ou acabaram deixando a empresa. Isso criou uma cultura de medo entre os funcionários e uma relutância em denunciar irregularidades percebidas, afirmaram as fontes.

Em 2023, autoridades dos EUA e a Finma começaram a investigar o banco mais de perto.

Por volta da mesma época, o MBaer rompeu com a empresa que atuava como seu banco correspondente nos EUA — o agora extinto Credit Suisse, de acordo com pessoas familiarizadas com o tema. O JPMorgan passou a prestar esse serviço posteriormente, disseram as pessoas a par do assunto, juntamente com diversas outras instituições financeiras.

O JPMorgan não quis comentar sobre seu relacionamento com o MBAer.

Em 2024, Bignia Vieli, então membro do conselho administrativo, contratou o escritório de advocacia do qual era sócia para realizar uma revisão da infraestrutura operacional do banco, que identificou riscos sistêmicos generalizados. O relatório chegou a sugerir que o banco deveria se autoreportar à Finma.

Fontes de ‘alto risco’

Apesar das preocupações com lavagem de dinheiro, aparentemente nenhuma medida corretiva significativa foi tomada após o relatório, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, que afirmaram que a administração continuou recebendo seus bônus integrais. Vieli não respondeu a um pedido de comentário.

A Finma iniciou formalmente procedimentos de execução contra o MBaer em 2024. Posteriormente, informou que 98% dos ativos recentes de clientes do banco vinham de fontes de “alto risco”, segundo um comunicado. O banco havia sistematicamente falhado em investigar o histórico dos relacionamentos de seus clientes e auxiliado ativamente clientes a contornar o congelamento de ativos, afirmou a Finma.

Contudo, no sistema regulatório suíço, um processo sancionador pode se arrastar por anos, e os bancos podem continuar a operar enquanto contestam judicialmente as ordens da Finma. No início de 2026, uma ordem da Finma para fechar o MBaer estava travada nos tribunais — até a intervenção do Tesouro dos EUA.

Liquidação forçada

Na segunda-feira, 9 de fevereiro, Annett Viehweg, CEO do MBaer desde janeiro de 2025, tentou tranquilizar os funcionários do banco, segundo uma pessoa presente na reunião. O MBaer se defenderia na justiça, Viehweg teria afirmado, de acordo com a pessoa.

O banco acabou negociando com a Finma os termos de sua autoliquidação, segundo fontes a par do assunto. As duas partes estavam em desacordo sobre se a lavagem de dinheiro seria mencionada especificamente no comunicado que anunciava o fechamento, até que o Tesouro dos EUA as forçou a agir, disseram as fontes. Posteriormente, o MBaer retirou seu recurso, o que significa que a ordem de liquidação entrou em vigor em 27 de fevereiro.

Von Merey e Mike Baer deixaram o banco, e ambos têm mantido um perfil discreto. O perfil de Von Merey no LinkedIn minimiza sua função no MBaer. No mês passado, a Finma também informou ter aberto processos contra quatro indivíduos não identificados associados ao MBaer. Esses procedimentos se concentram em pessoas que já deixaram o banco, afirmou uma fonte familiarizada com o assunto. Os funcionários foram informados de que até 25 pessoas seriam demitidas em março e abril.

A carteira de clientes de “alto risco” do MBaer agora enfrenta uma espera por uma resolução que pode levar anos, com poucos ou nenhum outro banco na Suíça dispostos a aceitá-los.

Para um banco acusado de lavagem de dinheiro para venezuelanos, russos e iranianos, o fim do MBaer demorou surpreendentemente a chegar. O país está em processo de reformulação da regulamentação financeira, incluindo medidas para ampliar os poderes da agência reguladora Finma. As lições da crise do Credit Suisse, em 2023, estão sendo incorporadas à legislação em tramitação no Parlamento suíço.

Por ora, a aparente incapacidade da Finma de fazer cumprir sua decisão inicial destaca a fragilidade da Suíça no combate eficaz aos crimes do setor financeiro, segundo Mark Pieth, advogado especializado na área e membro fundador do Grupo de Ação Financeira, radicado em Basileia, na Suíça.

“Os americanos tiveram que intervir novamente e apontar uma arma para o peito deles”, disse Pieth. “Em termos de sistema jurídico, a Suíça ainda é um centro offshore, onde os casos se arrastam por anos sob o pretexto do devido processo legal”.

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SpaceX, de Elon Musk, prepara maior IPO da história

A SpaceX está avaliando uma meta de captação em sua oferta pública inicial (IPO) que pode superar com folga a maior estreia já registrada no mercado, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. A movimentação ocorre enquanto a fabricante de foguetes e satélites do bilionário Elon Musk avança em seus planos de abertura de capital.

A empresa trabalha com um valor estimado em torno de US$ 75 bilhões para o IPO, de acordo com uma das fontes, que pediu anonimato por se tratar de informações ainda não públicas. Em conversas com investidores potenciais, a SpaceX também discutiu a possibilidade de levantar mais de US$ 70 bilhões.

Qualquer uma dessas cifras mais que dobraria o recorde histórico de abertura de capital — os US$ 29 bilhões levantados pela petroleira Saudi Aramco, em 2019.

A expectativa é que a SpaceX estreie na bolsa em junho, embora o cronograma ainda possa sofrer alterações, segundo as fontes. A companhia pode protocolar sua documentação de forma confidencial já neste mês, conforme reportado pela Bloomberg News em fevereiro.

O site The Information já havia antecipado a estimativa mais elevada de captação. Os preparativos para o registro confidencial seguem em andamento, mas a empresa ainda pode rever seus planos. Procurada, a SpaceX não respondeu imediatamente.

Segundo fontes, a SpaceX pode buscar uma avaliação superior a US$ 1,75 trilhão em seu IPO. A companhia adquiriu recentemente a startup de inteligência artificial de Musk, a xAI, em um acordo que avaliou o grupo combinado em US$ 1,25 trilhão, de acordo com a Bloomberg News.

Se atingir esse valor de mercado, a SpaceX passaria a valer mais do que todas as empresas do índice S&P 500 Index, com exceção de apenas cinco gigantes: Nvidia, Apple, Alphabet, Microsoft e Amazon. Nessa métrica, a empresa também superaria a Meta Platforms e a própria Tesla, outra companhia de Musk.

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Governo Trump libera TotalEnergies de investir US$ 1 bilhão em energia eólica

O governo Donald Trump liberou a TotalEnergies e seus parceiros de contratos de cerca de US$ 1 bilhão em projetos de energia eólica offshore, permitindo que a gigante francesa redirecione esses recursos para investimentos em petróleo e gás natural nos Estados Unidos.

Pelo acordo, a empresa não está mais comprometida a desenvolver parques eólicos nas costas de Nova York, Nova Jersey e Carolina do Norte, disse o secretário do Interior, Doug Burgum, durante a conferência CERAWeek, em Houston.

Reverter políticas climáticas

Em troca dos novos investimentos em combustíveis fósseis, os EUA vão reembolsar a TotalEnergies “dólar por dólar” até o valor pago originalmente pelos contratos, segundo comunicado do Departamento do Interior.

A ofensiva do presidente Donald Trump contra a energia eólica offshore faz parte de um esforço mais amplo para reverter políticas climáticas da era Biden e reforçar o apoio aos combustíveis fósseis. Tentativas de barrar a construção de cinco parques eólicos no mar, porém, têm enfrentado reveses na Justiça nos últimos meses.

O CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanne, afirmou que a empresa vai “acelerar” os investimentos em gás natural liquefeito (GNL) nos EUA. Segundo ele, o acordo não altera o compromisso da companhia com a energia eólica em outros países.

A empresa disse ainda que estudos indicam que projetos de eólica offshore nos EUA — ao contrário da Europa — são caros e podem encarecer a energia para os consumidores.

A TotalEnergies, já a maior exportadora de GNL dos EUA, pretende reinvestir os valores reembolsados para financiar o projeto Rio Grande LNG, no Texas, e outras atividades de petróleo e gás no país.

“Esses investimentos vão ajudar a fornecer GNL necessário para a Europa e gás para o desenvolvimento de data centers nos EUA”, disse Pouyanne.

A unidade Attentive Energy, da TotalEnergies, havia obtido licença para desenvolver mais de 3 gigawatts de energia eólica offshore entre Nova York e Nova Jersey — suficiente para abastecer mais de 1 milhão de residências. O contrato, concedido em 2022, custou US$ 795 milhões.

Posteriormente, a empresa vendeu uma participação de 44% no projeto por US$ 420 milhões para investidores, incluindo a Macquarie Group. A Total também havia obtido outro contrato, de 1 gigawatt, na costa da Carolina do Norte, por US$ 160 milhões.

As discussões sobre a desistência dos contratos foram noticiadas anteriormente pelo New York Times.

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Credores do GPA contratam Moelis como assessora financeira ante dívida de R$ 4,5 bilhões

Detentores de títulos locais do GPA contrataram a Moelis como assessora financeira após a decisão da rede de supermercados brasileira de reestruturar sua dívida em uma recuperação extrajudicial, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A Cia. Brasileira de Distribuição, nome formal da empresa conhecida como Grupo Pão de Açúcar, anunciou um acordo para iniciar o processo para reestruturar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas no início deste mês.

Credores que representam 46% dos créditos afetados — ou R$ 2,1 bilhões — concordaram com a reestruturação, informou a empresa na ocasião. O GPA não possui títulos globais.

Os detentores de títulos da dívida no mercado local também estão próximo de contratar o Lefosse Advogados como assessor jurídico, disseram as pessoas. 

A Moelis não quis comentar. A Lefosse não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários.

O acordo ocorreu poucas semanas depois de a empresa ter levantado sérias dúvidas sobre sua capacidade de continuar operando após um balanço financeiro considerado desastroso.

O GPA, uma das redes de supermercados mais populares do Brasil, possui dívidas substanciais com vencimento este ano e tem enfrentado dificuldades para reativar seu principal negócio, o de alimentos, em meio a taxas de juros de dois dígitos.

A empresa, por sua vez, contratou o Munhoz Advogados, especializado em reestruturação de dívidas, segundo fontes familiarizadas com o assunto.

Em janeiro, já havia contratado a consultoria Alvarez & Marsal para auxiliá-la na implementação de seu plano de eficiência, de acordo com um documento apresentado na época.

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Estée Lauder avalia comprar a Puig e criar gigante de US$ 20 bilhões com marcas Rabanne e Carolina Herrera

A Estée Lauder anunciou que está em conversas para comprar a Puig Brands em um acordo que criaria um gigante de cosméticos com cerca de US$ 20 bilhões em vendas anuais.

As empresas não divulgaram detalhes sobre os termos. A Puig, com sede na Espanha, tem valor de mercado de cerca de €10 bilhões ( US$11,6 bilhões).

Uma aquisição da empresa espanhola daria à Estée Lauder marcas de perfumes e moda bem conhecidas, como Rabanne, Jean Paul Gaultier e Carolina Herrera, ajudando-a a competir melhor com a maior empresa de cosméticos do mundo, L’Oréal SA.

Para a Puig, que gerou cerca de €5 bilhões (US$5,8 bilhões) em vendas no ano passado, a movimentação ocorre após desaceleração do crescimento e revisões para baixo nas estimativas de lucros, o que derrubou suas ações desde a oferta pública inicial (IPO) em 2024.

As ações da Puig dispararam até 17% na terça-feira em Madri, registrando a maior alta da história. Já as ações da Estée Lauder caíram 7,7% no fechamento de segunda-feira em Nova York.

“O potencial aquisição da Puig desviaria a Estée Lauder de seu curso”, disseram analistas do Barclays liderados por Lauren R. Lieberman, afirmando que a empresa com sede em Barcelona não se encaixa na reorganização da Estée Lauder, incluindo seu plano de focar em fragrâncias de luxo e nicho, que representam apenas cerca de 15% do portfólio da Puig.

As ações da Estée Lauder subiram no último ano com otimismo em relação à estratégia de recuperação sob o comando do CEO Stephane de la Faverie. Ainda assim, a orientação mais recente da empresa decepcionou os investidores. De la Faverie reconheceu que “há mais trabalho a ser feito” durante uma teleconferência com analistas.

A Puig também passou por grandes mudanças, recentemente anunciando um novo CEO. Marc Puig, membro da família fundadora, deixou o cargo de CEO, mantendo-se como presidente executivo, com foco em fusões e aquisições.

A Puig ainda é controlada pela terceira geração da família que criou a empresa há mais de um século.

As ações da empresa estavam 37% abaixo do preço da IPO no fechamento de segunda-feira. Os papéis foram impactados por decepções iniciais em lucros e preocupações de investidores com a exposição a fragrâncias — que representam mais de dois terços da receita.

“Estamos surpresos que a família Puig abra mão da independência e do controle majoritário”, disse a analista do JPMorgan, Céline Pannuti, acrescentando que acredita que “interesse potencial de outros players da indústria poderia surgir”.

Segundo Regis Bégué, sócio da Zadig Asset Management, que detém cerca de 1% da empresa espanhola, os problemas da Puig vêm da falha em comunicar seus sucessos em um setor que tem sido fortemente impactado em toda a Europa.

Ainda assim, “uma combinação com a Estée Lauder seria um passo na direção que a empresa já estava seguindo”, disse ele. “Eles teriam participação na Estée Lauder, seja minoritária ou outra. Com o tempo, poderiam reduzir essa participação, facilitando o plano de sucessão da família.”

Riscos de Integração

A Estée Lauder possui um portfólio de cerca de duas dúzias de marcas de cosméticos, incluindo La Mer e The Ordinary. A adição da Puig, dona das marcas Byredo e Charlotte Tilbury, provavelmente levantaria questões de investidores e analistas sobre a capacidade da empresa de integrar efetivamente novas marcas, enquanto continua sua estratégia de recuperação.

“Com a Estée Lauder adicionando ainda mais marcas a um portfólio já grande, acreditamos que isso poderia gerar ainda mais complexidade para a organização, que vem tentando simplificar operações e portfólio”, disseram os analistas do Barclays liderados por Lieberman.

De la Faverie tem focado em transferir a venda das marcas para canais online de crescimento mais rápido, como a Amazon.com, que a empresa havia evitado por anos devido a preocupações de que isso prejudicaria sua imagem premium. A companhia também vem vendendo produtos de preço mais baixo, em parte para atrair uma geração mais jovem de consumidores.

Em função de uma experiência anterior, o CEO supervisionou a enorme divisão de fragrâncias da Estée Lauder, que teve bom desempenho em meio ao aumento da demanda pós-pandemia. O potencial acordo para adquirir a Puig provavelmente aposta na continuidade da força desses produtos.

O negócio também permitiria que a Estée Lauder enfrentasse a L’Oréal, que a superou nos EUA. A L’Oréal foi mais rápida em aproveitar o boom pós-pandemia de produtos dermatológicos, com marcas como CeraVe.

O Financial Times publicou informações sobre o potencial negócio na segunda-feira.

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CEO da Stellantis, dona da Fiat e Jeep, diz que a empresa está mais forte após ‘ano de confronto’

A Stellantis voltou a concentrar-se na melhoria de seus produtos após um período de cortes de custos dolorosos, colocando o fabricante em uma posição mais sólida, segundo o presidente da companhia, John Elkann.

A montadora está aprimorando a qualidade, oferecendo mais modelos híbridos e reconstruindo laços com concessionárias para reverter seus negócios — mudanças que já estão surtindo efeito, afirmou Elkann. A Stellantis busca uma recuperação depois de registrar €22,2 bilhões (US$ 25,7 bilhões) em encargos no mês passado, ligados ao desfazimento de apostas excessivamente ambiciosas em veículos elétricos.

“Estou confiante de que a Stellantis vai dar a volta por cima”, disse Elkann em carta aos acionistas da Exor, empresa de investimentos da família Agnelli, fundadora da Fiat, que controla a multinacional.

A virada para um prejuízo líquido no ano passado fez com que se tornasse “um ano de confronto”, durante o qual todas as áreas da Stellantis foram examinadas “para identificar pontos de melhoria e começar a corrigi-los de forma decisiva”, acrescentou.

A Exor, que também é proprietária da fabricante de carros de luxo Ferrari e do Juventus Football Club SpA, divulgou na segunda-feira à noite resultados que ficaram abaixo das projeções dos analistas. As ações caíram até 7,7%, registrando a maior queda intradiária desde outubro. As ações da Stellantis negociadas na Itália caíram cerca de 40% neste ano.

Em sua carta, Elkann prometeu mudanças estratégicas, afirmando que a empresa de investimentos vai simplificar seu portfólio e focar em um número menor de grandes empresas para melhorar a supervisão.

A Exor vendeu seu negócio de mídia Gedi Gruppo Editoriale para o Antenna Group neste mês, tendo previamente acertado a venda de sua participação na Iveco Group para a Tata Motors, junto com a venda da unidade de defesa da Iveco para a Leonardo, acelerando o redesenho de seu portfólio.

Mesmo assim, a Exor aumentou sua reserva de caixa para aquisições para mais de €3,5 bilhões (US$4,06 bilhões), permitindo buscar um acordo de escala similar ao investimento feito na Royal Philips, disse Elkann. Em 2023, a empresa comprou 15% do fabricante de equipamentos médicos por cerca de €2,6 bilhões (US$3,02 bilhões) e recentemente elevou sua participação para cerca de 19%.

Elkann foi escolhido por seu avô, Gianni Agnelli, na década de 1990, para liderar os interesses industriais da família. Ele comandou temporariamente a Stellantis antes de o atual CEO Antonio Filosa assumir em junho.

A Stellantis busca fortalecer sua competitividade e explora negócios com pares chineses, nos quais eles investiriam em suas operações europeias em dificuldade.

Elkann afirmou que 2026 continuará sendo um ano desafiador para a Exor. “Começou com incertezas geopolíticas e de mercado globais, então devemos permanecer prudentes”, disse aos acionistas.

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Bitcoin cai 20% desde o início da guerra e abala tese de porto seguro

Bitcoin e outras criptomoedas voltaram a cair enquanto EUA, Israel e Irã trocavam novas ameaças e ataques.

A maior criptomoeda recuou até 3,3% no domingo (22), sendo negociada a cerca de US$ 68.150 — o menor nível desde o início de março. A queda foi ainda mais intensa entre outros tokens: o Ether perdeu quase 5% em determinado momento, chegando a US$ 2.050, e Solana, XRP e Cardano também registraram perdas expressivas.

O Bitcoin acumula queda de cerca de 20% desde que EUA e Israel iniciaram os ataques ao Irã no fim de fevereiro. O tombo escancarou os limites de um argumento recorrente no mundo cripto: o de que o Bitcoin funcionaria como um porto seguro em tempos de crise.

Mas outros fatores também pesam, segundo Peter Tchir, responsável pela estratégia macro da Academy Securities. O Bitcoin foi arrastado por uma onda de aversão ao risco que derrubou também ações e outros ativos. O encarecimento da energia, provocado pelo conflito, pode estar pressionando adicionalmente o setor — já que torna mais caro o processo de mineração.

“Boa parte dos ganhos recentes parecia apostar em novas leis favoráveis ao setor, algo que ficou mais difícil de acontecer — Washington está focada na guerra, e as novas regulações não têm gerado o entusiasmo de novos investidores que a comunidade cripto esperava”, disse Tchir no domingo. “O risco parece estar aumentando de novo.”

Durante o conflito, o mercado cripto — que opera 24 horas por dia, sete dias por semana — tem funcionado como uma janela antecipada do humor dos mercados tradicionais nos fins de semana.

Contratos futuros negociados na Hyperliquid, plataforma que se tornou uma das maiores para derivativos contínuos, mostravam por volta das 17h (horário de Brasília) de domingo contratos ligados ao petróleo subindo mais de 4%, a mais de US$ 99 o barril. Já os contratos atrelados ao Nasdaq 100 e ao S&P 500 recuavam mais de 1% cada.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que bombardearia as usinas de energia do Irã caso o país não reabrisse o Estreito de Ormuz — passagem estratégica para o comércio global de petróleo, efetivamente fechada há semanas. A ameaça impulsionou o preço do petróleo e de outras commodities. O Irã respondeu com suas próprias advertências, dizendo que atacaria bases americanas e israelenses no Oriente Médio se sua infraestrutura de energia fosse alvo. Enquanto isso, os ataques iranianos contra Israel se intensificaram.

A queda recente se soma a um ciclo de baixa que começou no início de outubro, quando o Bitcoin era negociado acima de US$ 120.000. A derrocada inicial foi suficiente para deteriorar o sentimento do mercado e impedir que qualquer tentativa de recuperação ganhasse força suficiente para tirar a moeda do buraco.

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O sucesso industrial da China virou um problema diplomático. E Pequim sabe disso

O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, prometeu responder às preocupações de parceiros comerciais com o grande superávit da China, num sinal de que Pequim teme que o tema prejudique suas relações com mais países durante a trégua com os Estados Unidos na disputa tarifária.

“Levamos a sério as preocupações de nossos parceiros comerciais e estamos prontos para trabalhar com todas as partes para promover um desenvolvimento saudável e equilibrado do comércio”, disse Li em um discurso de abertura no Fórum de Desenvolvimento da China, em Pequim, no domingo (22).

“Também vamos ampliar ainda mais o acesso ao mercado no setor de serviços e aumentar as importações de produtos médicos e de saúde, tecnologias digitais e serviços de baixo carbono, para oferecer mais oportunidades de negócios a empresas estrangeiras”, acrescentou.

A China registrou no ano passado um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão, e as exportações seguiram em forte alta nos dois primeiros meses deste ano, ampliando a preocupação em vários países com o futuro de suas próprias indústrias.

Estados Unidos e China travaram uma grande guerra comercial em 2025, que foi colocada em pausa com uma trégua de um ano acertada pelo presidente Donald Trump e pelo líder chinês Xi Jinping em outubro. Em dezembro, o presidente francês, Emmanuel Macron, alertou que a União Europeia poderia ser forçada a adotar “medidas fortes” contra a China, incluindo possíveis tarifas, se Pequim não enfrentar o desequilíbrio comercial crescente com o bloco.

As autoridades chinesas já tomaram algumas medidas para aliviar as tensões comerciais, entre elas a redução de incentivos tributários à exportação para centenas de produtos, como células solares e baterias.

Essa força industrial, porém, convive com uma economia fragilizada pelo consumo doméstico fraco. Setores como o de energia solar também sofrem com excesso de capacidade e concorrência acirrada nos preços.

Li afirmou que, “nos últimos anos, fizemos progressos positivos no enfrentamento da competição de estilo involutivo”.

Falando no mesmo fórum, o presidente do Banco do Povo da China, Pan Gongsheng, defendeu o superávit em conta corrente do país, dizendo que ele “é alocado entre diferentes regiões e setores do mundo por meio do investimento externo de empresas chinesas e dos bancos”.

Li Qiang, o premiê Chinês. Foto: Bloomberg

Segundo ele, esse superávit “tem sustentado o crescimento econômico global e a estabilidade financeira”.

O Fórum de Desenvolvimento da China foi criado em 2000 com apoio do então premiê Zhu Rongji. O evento costuma ocorrer logo após o encerramento das duas principais reuniões políticas anuais do país e atrai CEOs de grandes corporações, que conversam com autoridades sobre as prioridades econômicas e de política pública de Pequim.

No domingo, o CEO da Apple, Tim Cook, elogiou as inovações de desenvolvedores chineses e a automação das fábricas no país. Os comentários vieram dias depois de o principal jornal do Partido Comunista criticar a fabricante do iPhone por práticas monopolistas.

Neste ano, nenhum executivo japonês apareceu na lista oficial de participantes. As relações entre Pequim e Tóquio se deterioraram depois que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sugeriu que as Forças Armadas do país poderiam ser mobilizadas no caso de uma invasão chinesa de Taiwan.

O número 2 do Fundo Monetário Internacional, Dan Katz, afirmou no fórum que Pequim “pode fazer mais para estimular o consumo e a demanda doméstica — especialmente por serviços — elevando a renda das famílias e reduzindo os incentivos à poupança por precaução”.

Isso exigiria, segundo ele, “deslocar recursos hoje destinados a subsídios industriais e infraestrutura para programas de proteção social e para a estabilização do setor imobiliário, de modo a dar aos cidadãos confiança para gastar mais e poupar menos”.

Também significaria transferir parte da carga tributária das famílias de classe média para as mais ricas e reduzir isenções concedidas a empresas, acrescentou Katz.

A guerra no Irã também amplia os riscos para a economia chinesa. Custos mais altos de combustíveis e matérias-primas podem pressionar ainda mais as margens de lucro da indústria.

Li não mencionou diretamente o conflito, mas disse que “o desenvolvimento de alguns focos de tensão é profundamente preocupante”.

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Trump dá ultimato ao Irã e ameaça bombardear usinas se Hormuz não reabrir

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu ao Irã um prazo de dois dias para reabrir o Estreito de Hormuz ou ver suas usinas de energia serem bombardeadas, elevando o tom de uma guerra que, já em sua quarta semana, não mostra sinais de desescalada.

Trump, num indicativo da pressão que enfrenta para conter a disparada dos preços do petróleo, disse que o Irã precisa “abrir totalmente, sem ameaças” a via marítima vital para o fluxo global de energia. Ele deu ao país 48 horas “a partir deste exato momento”, em uma postagem na Truth Social publicada no fim da noite de sábado (21).

Os militares iranianos responderam dizendo que vão mirar “toda a infraestrutura de energia, tecnologia da informação e dessalinização pertencente aos EUA e ao regime israelense na região” caso a infraestrutura de combustíveis e energia do Irã seja atacada, segundo a agência semioficial Tasnim. A TV estatal iraniana publicou relatos semelhantes.

A retórica indica que nenhum dos lados está disposto a recuar. A guerra — iniciada com ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã em 28 de fevereiro — já desencadeou uma crise inédita no fornecimento de petróleo e gás. As ameaças mais recentes vieram depois de uma semana de ataques pesados contra infraestrutura energética crucial no Oriente Médio, aprofundando o risco de efeitos mais duradouros sobre a economia global.

Os fluxos de petróleo e gás provavelmente levarão tempo para voltar ao normal mesmo depois da reabertura do Estreito de Hormuz, já que muitos locais de produção foram danificados. Os bloqueios também estão provocando escassez de fertilizantes e nutrientes agrícolas, o que eleva a perspectiva de disrupções graves na produção de alimentos.

Estados Unidos e Israel continuaram, no domingo, a atacar alvos no Irã, que por sua vez segue lançando mísseis e drones contra Israel e países árabes do Golfo.

Mais de 4 mil pessoas morreram em toda a região, segundo governos e organizações não governamentais, sendo mais de três quartos das vítimas no Irã. No Líbano, onde Israel intensificou a ofensiva contra militantes do Hezbollah apoiados por Teerã, o número de mortos já supera 1 mil. Dezenas de pessoas morreram em Israel e em países árabes.

Os ataques com mísseis iranianos contra Israel se intensificaram nos últimos dias. No sábado, cerca de 115 pessoas ficaram feridas nas cidades de Arad e Dimona, no sul do país — esta última conhecida por dar nome a uma instalação de pesquisa nuclear nas proximidades. A mídia iraniana afirmou que o ataque foi uma retaliação a uma ofensiva contra a instalação nuclear de Natanz.

“Esta é uma noite muito difícil na luta pelo nosso futuro”, disse o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acrescentando que estava reforçando as equipes de resgate nas áreas atingidas.

Donald Trump está com terno escuro e gravata vermelha, e aponta para à esquerda

Falando no domingo, Netanyahu pediu que líderes de outros países se juntem à guerra e afirmou que alguns já começam a dar sinais nessa direção. “Fico feliz em dizer que consigo ver alguns deles começando a se mover nessa direção”, afirmou.

A nova ameaça de Trump ao Irã veio um dia depois de ele dizer que estava pensando em “reduzir” as operações militares e que a responsabilidade por vigiar Hormuz caberia a outros países. Isso exemplifica os sinais contraditórios enviados pelo presidente ao longo da guerra, deixando governos e mercados correndo para acompanhar os desdobramentos.

O tráfego por Hormuz — por onde normalmente passa cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e gás natural liquefeito — praticamente parou desde o início da guerra. O barril do Brent disparou para mais de US$ 112, o maior nível em quase quatro anos. Também subiram os preços da gasolina nos Estados Unidos, dos fertilizantes e de vários metais transportados por Hormuz.

Autoridades iranianas relutam até mesmo em discutir a reabertura do estreito, enquanto concentram esforços em sobreviver à ofensiva de EUA e Israel, segundo uma pessoa envolvida em contatos diretos e de alto nível com Teerã.

Alguns países, no entanto, vêm encontrando formas de fazer cargas atravessarem o corredor. A Marinha iraniana escoltou um navio-tanque indiano de gás natural liquefeito pelo estreito após articulação diplomática de Nova Déli. O Irã afirmou que a passagem está aberta a todos, exceto embarcações ligadas a países inimigos.

Até agora, Estados Unidos e Israel evitaram em grande parte atacar usinas de energia e instalações de água do Irã. Israel chegou a bombardear depósitos de combustível em Teerã duas semanas atrás, provocando nuvens de chuva ácida e atraindo críticas veladas dos Estados Unidos, que avaliaram a ação como um erro estratégico capaz de voltar a população iraniana contra a ofensiva.

Israel e Estados Unidos falaram em mudança de regime nos primeiros dias da guerra, mas agora enfatizam objetivos mais limitados, como destruir as capacidades nuclear e de mísseis do Irã. O regime iraniano não parece perto de colapsar, e autoridades vêm se reagrupando em torno das lideranças remanescentes, segundo avaliações de inteligência ocidentais e pessoas familiarizadas com o assunto.

O Irã tem cerca de 100 usinas termelétricas a gás natural em operação, segundo dados compilados pela Bloomberg. Entre as maiores estão a usina de Damavand, perto de Teerã; a de Ramin, ao norte de Ahvaz, no oeste do país; e a de Kerman, em Chatroud, no sudeste.

Os ativos energéticos do Oriente Médio vêm entrando cada vez mais no centro do conflito à medida que os ataques se ampliam. Israel bombardeou o campo de gás de South Pars na quarta-feira passada, e o Irã retaliou com ataques contra a maior instalação de gás natural liquefeito do mundo, no Catar, além de outros ativos energéticos no Golfo.

Os preços do petróleo em Londres subiram mais de 50% desde o início da guerra, reacendendo temores de inflação global. A disparada dos preços — especialmente da gasolina — traz riscos políticos para Trump dentro dos Estados Unidos, faltando apenas oito meses para as eleições legislativas de meio de mandato.

Os Estados Unidos estão produzindo volumes recordes de petróleo e gás no mercado doméstico, mas regiões como Europa, China e Japão dependem mais dos recursos energéticos do Oriente Médio.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou no sábado que a campanha conjunta será intensificada de forma significativa, um dia depois de Teerã lançar mísseis balísticos contra a base militar conjunta de EUA e Reino Unido em Diego Garcia — a quase 4 mil quilômetros do Irã.

A base não sofreu danos, segundo uma pessoa a par do assunto que falou sob condição de anonimato. Ainda assim, o ataque demonstrou uma capacidade que vai além do que se sabia até então sobre o arsenal iraniano.

Os esforços de Trump para mobilizar aliados dos Estados Unidos na reabertura do estreito ao tráfego comercial em larga escala têm sido, em grande medida, rejeitados. Em resposta, o presidente americano atacou verbalmente membros da Otan, chamando-os de “covardes” por não aderirem à operação.

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Guerra no Oriente Médio ameaça fertilizantes usados na soja

A guerra no Oriente Médio provocou grandes disrupções na oferta global de nutrientes agrícolas à base de nitrogênio. Agora, uma ameaça potencialmente maior começa a surgir em outra frente importante do mercado de fertilizantes.

Desde o início do conflito, o foco tem estado na ureia, um fertilizante nitrogenado fundamental para culturas como o milho. Os preços do insumo dispararam à medida que a guerra bloqueia embarques pelo Estreito de Hormuz, levando produtores rurais a correr atrás de abastecimento. O que tem passado mais despercebido em meio ao caos é o risco para os fertilizantes fosfatados — essenciais para lavouras como a soja, uma das bases da produção mundial de alimentos.

O Oriente Médio responde por apenas cerca de um quinto do comércio global de três produtos-chave de fosfato, segundo o The Fertilizer Institute. Mas quase metade da oferta mundial de enxofre — que é transformado em ácido sulfúrico, insumo usado no processamento de fertilizantes fosfatados — vem de países do Oriente Médio vulneráveis a interrupções no Estreito de Hormuz.

Os efeitos ao longo da cadeia podem começar a se tornar “exponenciais” se o conflito durar muito mais tempo, à medida que os produtores consumirem seus estoques já existentes de enxofre e ácido sulfúrico, disse Andy Hemphill, analista do mercado de ácido sulfúrico na plataforma de preços de commodities ICIS.

Isso é uma má notícia para a oferta global de alimentos, que depende do fosfato para sustentar o crescimento de tudo, de soja a batata. O conflito já alimenta preocupações com inflação e segurança alimentar. Também representa uma nova ameaça aos agricultores americanos, que já vinham enfrentando anos de custos de produção elevados. Quase 80% do fósforo usado nos Estados Unidos é aplicado em lavouras de soja e milho, que depois são transformadas tanto em ração animal quanto em combustível.

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Fertilizantes: a estratégia da Petrobras para reduzir a dependência externa do agro. petrobras fertilizantes agro

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Mesmo antes da guerra, a oferta tanto de fosfato quanto de enxofre já estava apertada. Os preços do enxofre haviam disparado para níveis recordes, impulsionados em parte pela demanda da indústria de mineração, que usa ácido sulfúrico para extrair metais como cobre e níquel. As exportações russas foram limitadas pela guerra na Ucrânia e por uma proibição de exportações, enquanto a China reduziu os embarques de fosfato para priorizar o consumo doméstico.

A política comercial dos Estados Unidos adicionou mais pressão. Tarifas impostas em 2023 sobre o fosfato do Marrocos — ainda em vigor — e tarifas mais amplas implementadas no ano passado pelo presidente Donald Trump limitaram as importações.

“O fosfato já tinha problemas de sobra antes mesmo de a guerra começar. A guerra apenas piorou uma situação que já era ruim”, disse Josh Linville, vice-presidente da área de fertilizantes da corretora StoneX Group. “Eu diria até que ele está quase em situação pior do que a ureia e os nitrogenados hoje.”

Houve esforços para recompor estoques, especialmente de fosfato, depois que fertilizantes foram poupados de algumas tarifas no fim do ano passado, disse Veronica Nigh, economista-chefe do The Fertilizer Institute. Mas, segundo ela, o verdadeiro desafio está na oferta de enxofre. O conflito em Israel já havia elevado tanto os preços do insumo que parte da produção de fosfato acabou sendo paralisada.

Ilustração: João Brito

“O enxofre é usado em muitas coisas e, se estivermos num cenário de oferta restrita, fertilizantes podem não ser o primeiro destino desse enxofre”, disse Nigh. “Pode ser um problema mais prolongado.”

Os contratos de enxofre em Tampa — uma referência importante nos EUA, com liquidação trimestral — atingiram preço recorde no fim de janeiro, segundo dados da Bloomberg Green Markets desde 2012. Já os preços em Nova Orleans do fosfato diamônico, o fertilizante fosfatado mais usado do mundo, estão no maior nível em quase quatro meses.

Os produtores de fertilizantes tendem a ficar pressionados, já que compradores concorrentes, especialmente mineradoras, conseguem pagar mais, disse Faraz Ahmed, diretor da trading Montage Commodities, sediada nos Emirados Árabes Unidos. O impacto sobre os preços dos fertilizantes fosfatados pode aparecer já em abril, quando a Índia costuma aumentar as compras para sua produção doméstica — um movimento que pode empurrar o mercado para um “modo de pânico”, afirmou.

A situação reforça, nos Estados Unidos, os apelos por mais estabilidade nesse mercado. Os agricultores dependem de três grandes famílias de fertilizantes: nitrogenados, fosfatados e potássicos. Apenas esta última, majoritariamente abastecida pelo Canadá e aplicada junto com fosfato em lavouras de soja, está relativamente protegida do atual choque global de oferta.

Entidades do setor agrícola pressionam o governo americano a suspender as tarifas sobre fertilizantes do Marrocos, país que detém as maiores reservas mundiais de rocha fosfática. O argumento é que os preços elevados e os riscos geopolíticos já reduziram a necessidade de medidas protecionistas.

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Essas tarifas — impostas em 2021, depois que a Mosaic, da Flórida, pediu ao Departamento de Comércio uma investigação — estão atualmente em revisão. A American Farm Bureau Federation pediu a Trump a suspensão temporária dessas taxas, enquanto uma coalizão com alguns dos maiores grupos agrícolas dos EUA solicitou na semana passada que a Mosaic e a JR Simplot retirassem seu apoio à manutenção das tarifas. Em 17 de março, as empresas enviaram cartas ao Departamento de Comércio informando que pretendem participar da revisão conduzida pelo órgão.

Enquanto isso, o problema de acessibilidade já reduz a demanda. David Delaney, CEO da produtora de fosfato Itafos, afirmou esperar uma queda de cerca de 20% no uso de fosfato nos Estados Unidos nos 12 meses encerrados em junho. As restrições de oferta podem aprofundar esse recuo — especialmente se os agricultores plantarem mais soja no lugar de milho, para escapar dos altos custos dos fertilizantes nitrogenados.

“Vai continuar apertado na primavera, no verão e no outono”, disse Delaney. “Com um corte de 20%, talvez haja produto suficiente para atravessar a primavera. Mas a gente termina a temporada com os estoques completamente zerados.”

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Petrobras e Pemex podem formar parceria em exploração de petróleo

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que conversou com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, sobre uma possível parceria de exploração entre as estatais de petróleo dos dois países no Golfo do México.

Falando em um evento nesta sexta-feira (20), ele disse que fez a ligação a pedido de Magda Chambriard, presidente da Petrobras, para sugerir que a companhia trabalhe com a Pemex (Petróleos Mexicanos).

“Você sabia que a Pemex poderia receber uma ajuda significativa da Petrobras para explorar petróleo em conjunto no Golfo do México, a uma profundidade de 2.500 metros?”, disse Lula que perguntou a Sheinbaum, sem dar mais detalhes sobre a conversa ou uma eventual parceria.

A Petrobras não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Especialista em operações em águas profundas e em busca de expandir sua atuação no exterior para aumentar a produção e recompor reservas de petróleo e gás, a empresa não tem operações atualmente no México.

O gabinete de Sheinbaum, a Pemex e o Ministério de Energia do México também não responderam de imediato.

A presidente mexicana vem buscando parceiros privados para ajudar a Pemex a elevar a produção e reverter a queda na extração de petróleo, que hoje está na metade do pico registrado há duas décadas. Poucas grandes empresas internacionais, além do Grupo Carso, do bilionário Carlos Slim, anunciaram projetos.

Reserca estratégica de petróleo

Durante o evento, Lula também sugeriu que o Brasil e a Petrobras avaliem a criação de uma reserva estratégica de petróleo, nos moldes das mantidas por Estados Unidos, China e outros países, para formar estoques de emergência e reduzir impactos de crises.

Os comentários ocorrem em meio à alta dos preços do petróleo, impulsionada pela guerra dos EUA no Irã, o que tem pressionado a Petrobras e o governo brasileiro.

“Não é algo rápido, leva tempo, mas é estratégico e a Petrobras e o governo precisam pensar nisso”, disse Lula. “Precisamos, ao longo do tempo, construir um estoque regulador para não sermos vítimas do que está acontecendo hoje.”

O presidente também afirmou que a Petrobras tentará recomprar uma refinaria na Bahia vendida à Mubadala Capital, braço de gestão de ativos do fundo soberano de Abu Dhabi, em 2021.

Lula tem sido crítico da venda da refinaria de Mataripe, realizada durante o governo de Jair Bolsonaro.

“Vamos recomprar”, disse Lula. “Pode demorar, mas vamos comprar de volta.”

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McCormick: a ‘rainha dos temperos’ que fez proposta pela divisão de alimentos da Unilever

A McCormick & Co. é conhecida como a “rainha dos temperos”, mas com sua mais recente ofensiva de aquisições, busca ampliar esse título para incluir também condimentos.

A empresa, com sede em Hunt Valley, Maryland, está em negociações para comprar a divisão de alimentos da Unilever, o que lhe daria marcas globais como a maionese Hellmann’s, que se juntariam à mostarda French’s e ao molho Frank’s RedHot.

O acordo envolve riscos. O negócio de alimentos da Unilever gerou cerca de US$ 15 bilhões em vendas no último ano fiscal, o dobro do tamanho da McCormick. A transação pode avaliar a unidade em mais de US$ 30 bilhões, superando em muito a maior aquisição já realizada pela McCormick.

As ações da McCormick chegaram a cair até 2,6% na sexta-feira. O papel já recuou cerca de 20% neste ano, após quedas anuais em três dos últimos quatro anos, pressionado pela inflação elevada e pela concorrência de marcas próprias de supermercados.

A McCormick se recusou a comentar além de confirmar que está em negociações com a Unilever.

Com o negócio, a companhia poderá ampliar sua exposição ao mercado de molhos e condimentos, que hoje representa apenas 4% de suas vendas. Esse segmento é especialmente popular entre consumidores mais jovens, com americanos dessa faixa etária gastando mais com molhos picantes do que com ketchup, segundo a empresa.

A aquisição da Hellmann’s daria à McCormick a maior marca de maionese do mundo, reforçando um negócio no qual a empresa já atua com marcas menores. Recentemente, a companhia aumentou sua participação em uma joint venture no México que produz a Maionese McCormick, líder no mercado local.

A maior investida da McCormick em condimentos ocorreu há cerca de uma década, quando comprou a divisão de alimentos da Reckitt Benckiser por US$ 4,2 bilhões, sua maior aquisição até então, que lhe trouxe marcas como French’s e Frank’s RedHot.

Investidores tendem a ver com bons olhos a aquisição da Unilever, devido à escala e às eficiências que a nova empresa poderia alcançar, segundo Robert Moskow, analista da TD Cowen.

“A combinação do negócio de condimentos da McCormick com os ativos de alimentos da Unilever faz sentido para a maioria dos investidores há muito tempo”, escreveu o analista.

Embora a execução represente um risco, o Barclays destacou que a McCormick tem um “histórico sólido e experiência com grandes aquisições financiadas por capital”.

A empresa estaria adquirindo ativos com desempenho misto, já que consumidores, pressionados pela inflação, migraram para opções mais baratas de marcas próprias. No ano passado, as vendas orgânicas cresceram apenas 1,9%, o segundo ritmo mais lento desde 2020.

Multinacionais vêm se desfazendo de marcas de alimentos diante da perda de poder de compra dos consumidores e do avanço das marcas próprias. Além disso, o crescimento de medicamentos para perda de peso tem levado as pessoas a comer menos e optar por opções mais saudáveis. A Unilever já vendeu sua divisão de sorvetes, que inclui a marca Ben & Jerry’s.

Para a McCormick, o acordo também ampliaria sua presença fora dos Estados Unidos, onde enfrenta dificuldades para ganhar escala. Atualmente, cerca de 60% das vendas da empresa vêm do mercado americano. A China é o segundo maior mercado, com pouco menos de 5%.

A integração dos ativos seria liderada por Brendan Foley, CEO da McCormick desde 2023, após cerca de 15 anos na Heinz (hoje Kraft Heinz).

A Kraft Heinz recentemente encerrou negociações para vender ativos sob o comando do novo CEO, Steve Cahillane, o que pode aumentar a concorrência entre a fabricante de ketchup e uma McCormick ampliada.

Origem da empresa

A McCormick, fundada em 1889 vendendo root beer antes de entrar no mercado de temperos, tem usado aquisições como parte de sua estratégia de crescimento há anos. Segundo analistas, a empresa já avaliava compras menores dentro do portfólio da Unilever, mas este acordo “vai muito além disso” e pode gerar “oportunidades significativas”.

Estimativas indicam que a empresa combinada pode gerar mais de US$ 500 milhões em sinergias ao longo do tempo, com maior poder de negociação junto a varejistas.

Nos últimos cinco anos, empresas de alimentos embalados foram avaliadas, em média, a 8,7 vezes o Ebitda em operações de aquisição, segundo dados da Bloomberg.

O negócio de alimentos da Unilever pode ter um valor de mercado de até US$ 33 bilhões, de acordo com a Bloomberg Intelligence.

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Joesley Batista negocia compra da unidade da CSN Cimentos

O empresário brasileiro Joesley Batista está negociando a aquisição da unidade de cimento do conglomerado CSN, de Benjamin Steinbruch, que enfrenta dificuldades, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Batista está negociando diretamente com Steinbruch, acionista controlador e CEO da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), como a empresa é formalmente conhecida. Steinbruch tem enfrentado crescente pressão de credores para vender ativos. As ações da CSN reduziram perdas após a reportagem da Bloomberg.

Batista, por meio da J&F S.A., veículo de investimentos de sua família, também manifestou interesse na unidade de mineração da CSN, uma das mais sólidas do grupo, disseram as fontes, que pediram anonimato porque as negociações são privadas. No ano passado, a unidade produziu 45,5 milhões de toneladas de minério de ferro de alta qualidade.

A J&F não comentou. A CSN não respondeu a pedidos de comentário. As ações da CSN caíam 1,2%, a R$ 6,02, às 12h12 em São Paulo, após terem recuado até 4,1% anteriormente.

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Unilever tem oferta da McCormick, de tempero, por divisão de alimentos; negócio pode valer US$ 33 bi

A Unilever está em negociações para vender sua divisão de alimentos para a McCormick & Company, em um movimento que pode representar a maior reestruturação da fabricante da maionese Hellmann’s desde sua fundação, há quase um século.

A multinacional anglo-holandesa afirmou nesta sexta-feira (20) que recebeu uma proposta da empresa de temperos sediada em Maryland, mas ressaltou que não há garantia de que o acordo será fechado. A unidade de alimentos tem valor potencial de até € 29 bilhões (US$ 33 bilhões), segundo a Bloomberg Intelligence.

Se concretizada, a operação será a maior da história da McCormick & Company, cuja capitalização de mercado, de US$ 14,5 bilhões, é apenas uma fração dos cerca de £ 101 bilhões (US$ 135 bilhões) da Unilever. Ainda não há detalhes sobre o financiamento, mas a transação pode ser estruturada como um “Reverse Morris Trust”, modelo de fusão com vantagens fiscais.

A venda marcaria a saída da Unilever da competição direta com gigantes de alimentos como Kraft Heinz, Nestlé e PepsiCo. Ao mesmo tempo, transformaria a empresa em um grupo focado em produtos de higiene, beleza e cuidados pessoais, em linha com concorrentes como L’Oréal, Beiersdorf e Estée Lauder.

A Bloomberg já havia informado nesta semana que a companhia avalia separar total ou parcialmente sua divisão de alimentos. As negociações avançam com a meta de um possível acordo até o fim do mês, segundo fontes.

As ações da Unilever chegaram a subir até 1,9%, antes de reduzir os ganhos. No acumulado dos últimos 12 meses até quinta-feira, os papéis ainda registram queda de cerca de 6%.

O CEO Fernando Fernandez, há cerca de um ano no cargo, já deixou claro que alimentos não são mais o foco principal. Segundo ele, beleza, cuidados pessoais e bem-estar serão os motores de crescimento da companhia.

O setor de alimentos enfrenta uma transformação prolongada, com consumidores — especialmente nos EUA — reduzindo gastos diante da inflação e incertezas geopolíticas. Supermercados também vêm ganhando espaço com marcas próprias mais competitivas, enquanto tendências como dietas mais saudáveis e o uso de medicamentos para perda de peso reduzem o consumo de produtos processados.

Essas mudanças tornam o segmento menos atrativo para multinacionais como a Unilever, em comparação com categorias como beleza e cuidados pessoais, onde os consumidores estão mais dispostos a gastar.

Fernandez já indicou que pretende elevar para dois terços a participação de marcas como Dove, Liquid IV e Dermalogica na receita total, ante cerca de metade atualmente.

Analistas do Bernstein avaliam que a estratégia de diversificação, comum nos anos 1990 e 2000, perdeu força. “Os benefícios de escala entre categorias já não compensam a complexidade”, escreveram.

Nos últimos anos, a Unilever vem simplificando seu portfólio. A empresa vendeu sua divisão global de chás, a área de spreads (incluindo a marca I Can’t Believe It’s Not Butter!), além de negócios como a Graze e a The Vegetarian Butcher.

Em 2025, a companhia também separou sua divisão de sorvetes na Magnum Ice Cream Co., mantendo cerca de 20% de participação, e planeja vender entre €1 bilhão e €1,5 bilhão adicionais em marcas menores de alimentos.

Apesar disso, a empresa não deve vender sua divisão de alimentos “altamente atrativa” por um preço baixo. O portfólio inclui marcas fortes como a Hellmann’s — líder nos EUA e no Brasil — e os cubos de caldo Knorr, segunda marca mais vendida da companhia, atrás apenas da Dove.

Para a McCormick & Company, a operação também representaria um grande teste. Fundada em 1889, a empresa começou vendendo root beer e se tornou uma das maiores fabricantes de temperos do mundo, conhecida por produtos como Old Bay.

Nos últimos anos, a companhia expandiu sua atuação para além de especiarias, com aquisições em mercados como Reino Unido e Polônia, além de produtos como molhos e maioneses saborizadas, populares entre consumidores mais jovens.

O maior movimento nesse segmento ocorreu em 2017, quando a McCormick & Company comprou a divisão de alimentos da Reckitt Benckiser por US$ 4,2 bilhões, incorporando marcas como French’s e Frank’s RedHot.

Ainda assim, analistas alertam que a integração de um negócio do porte da Unilever não será simples, dada a diferença de escala e o nível atual de endividamento da compradora.

Especialistas também apontam que, embora a venda possa destravar valor para os acionistas no longo prazo, o processo pode gerar distrações para a gestão no curto prazo, especialmente diante de outros desafios enfrentados pela empresa.

@investnewsbr

A aguardada nova camisa da seleção brasileira chegou e causou muito burburinho. Com uma marca mais associada ao basquete e preço lá no em cima, abriu inclusive brecha para a concorrência, que agora corre atrás de uma alternativa para vestir a torcida. futebol seleção #nike

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Kalshi capta US$ 1 bilhão e dobra valor de mercado para US$ 22 bilhões

A Kalshi levantou mais de US$ 1 bilhão em uma nova rodada de financiamento que avaliou a empresa em US$ 22 bilhões, segundo uma fonte a par do assunto.

O valuation da empresa fundada pela brasileira Luana Lopes Lara praticamente dobra em relação à rodada anterior, realizada em dezembro, quando a companhia era avaliada em cerca de US$ 11 bilhões.

A captação indica que investidores continuam dispostos a apostar no crescimento acelerado do mercado de “prediction markets” – plataformas que permitem negociar contratos atrelados ao resultado de eventos do mundo real – mesmo diante de críticas crescentes de reguladores e políticos.

A rodada foi liderada pela Coatue Management. No financiamento anterior, a empresa já havia atraído nomes como Sequoia Capital, Andreessen Horowitz, ARK Invest e Paradigm.

A Kalshi registra atualmente uma receita anualizada de cerca de US$ 1,5 bilhão, segundo a fonte ouvida pela Bloomberg.

Fundada em 2018, a plataforma ganhou tração após uma decisão judicial permitir a negociação de contratos ligados ao resultado das eleições americanas de 2024.

O aplicativo Kalshi em um smartphone

Diferentemente de empresas tradicionais de apostas, a Kalshi é regulada como uma bolsa financeira e supervisionada pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC), o que permite sua operação em todo o território americano sob regras federais.

Nos últimos meses, no entanto, a empresa passou a enfrentar questionamentos. Autoridades e legisladores apontam riscos de uso de informação privilegiada e manipulação nesses mercados.

O procurador-geral do Arizona chegou a apresentar acusações criminais contra a companhia nesta semana, classificando a operação como “jogo ilegal”. A Kalshi contesta as acusações e tem recebido apoio do novo comando da CFTC, que sinaliza respaldo ao modelo de negócios.

Apesar das controvérsias, o interesse de Wall Street segue forte. Empresas como Susquehanna e Jump Trading atuam como formadoras de mercado na plataforma, enquanto a Tradeweb Markets fechou um acordo para distribuir dados da Kalshi a clientes institucionais – e também adquiriu participação na empresa.

O crescimento tem sido acelerado. Em fevereiro, o volume negociado na plataforma superou US$ 10 bilhões – cerca de 12 vezes mais do que seis meses antes.

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Com disparada do petróleo, BYD lota concessionárias pela Ásia

A disparada dos preços do petróleo após o conflito no Irã já começa a mudar o comportamento dos consumidores na Ásia, e lotar as concessionárias de carros elétricos.

Em Manila, nas Filipinas, uma loja da chinesa BYD registrou, em apenas duas semanas, o equivalente a um mês inteiro de pedidos. Clientes têm trocado carros a combustão por elétricos diante da alta nos combustíveis, segundo vendedores.

A cerca de 1.700 km dali, em Hanói, no Vietnã, concessionárias da VinFast quadruplicaram o fluxo de clientes desde o início da guerra, com vendas que dobraram em relação à média de 2025.

Ainda sem dados consolidados de março, os primeiros sinais indicam que montadoras asiáticas de veículos elétricos estão entre as principais beneficiadas pela alta do petróleo.

O impacto é mais forte na Ásia-Pacífico, região altamente dependente das rotas do Golfo Pérsico – especialmente do Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo global e que foi afetado pelo conflito.

“Preços mais altos de petróleo sempre aceleram a transição para veículos elétricos”, disse o economista-chefe do Banco Asiático de Desenvolvimento, Albert Park.

No ano passado, a adoção global de veículos elétricos evitou o consumo de cerca de 2,3 milhões de barris de petróleo por dia, segundo estimativas da BloombergNEF.

Não tão simples

Apesar da aceleração recente, analistas apontam que o crescimento sustentável ainda depende de infraestrutura – principalmente expansão da rede de recarga.

Antes mesmo da crise, a adoção de elétricos já avançava rapidamente na Ásia. Na China, mais da metade das vendas de veículos já inclui modelos elétricos ou híbridos plug-in. Em países do Sudeste Asiático, a penetração gira em torno de 40%, acima de mercados como Europa e Reino Unido.

O novo choque do petróleo pode acelerar ainda mais esse movimento. Na Tailândia, por exemplo, a indústria já projeta aumento significativo na demanda caso os preços se mantenham elevados.

Enquanto isso, governos começam a reagir: no Laos, taxas para veículos elétricos foram reduzidas em 30%, enquanto carros a combustão ficaram mais caros.

A China deve capturar boa parte desse crescimento como principal produtora global de elétricos, com exportações já em forte alta antes mesmo do conflito.

Montadoras tradicionais como General Motors, Ford e Honda, por outro lado, chegam menos preparadas — após desacelerarem investimentos em veículos elétricos diante da redução de incentivos nos Estados Unidos.

@investnewsbr

A BYD não quer ficar de fora da revolução elétrica na Fórmula 1 e estuda maneiras de entrar nas categorias mais competitivas do automobilismo. F1 BYD automobilismo

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Alta do diesel já afeta exportações de soja do Brasil

A alta de preços de combustível gerada pela guerra no Oriente Médio tem prejudicado os exportadores do Brasil, que depende fortemente de caminhões movidos a diesel para o transporte de produtos. 

O Brasil está no no pico das exportações de soja, seu principal produto agrícola de exportação. O incremento nos preços do diesel está elevando o custo de transporte da soja até os terminais de exportação, além de aumentar as pressões inflacionárias de forma mais ampla.

Diversas empresas de comércio de commodities agrícolas paralisaram ofertas de compra de soja no mercado local na última semana em meio a medo de uma alta acentuada nos custos de frete, segundo analistas e corretores. O diesel representa uma parcela importante do custo de comercialização de soja, e a ausência de instrumentos de hedge que protejam contra elevações bruscas pode expor os traders a prejuízos.

Algumas das maiores companhias de comercialização de soja estiveram menos ativas no mercado brasileiro recentemente, uma vez que os riscos de frete se somaram a preocupações sanitárias que atingiram exportações para a China, disse João Henrique Teodoro, consultor de mercado na Patria Agronegócios. 

Os problemas ocorrem em um período particularmente sensível para a agricultura brasileira, uma vez que o país é o principal fornecedor de soja para a China nessa época do ano. Uma guerra prolongada, e contínua volatilidade nos fretes, poderia criar gargalos logísticos, eventualmente levando importadores a buscar outros fornecedores como os Estados Unidos ou a Argentina. 

“As companhias precisam de uma forma de planejamento, e dependendo de quanto tempo isso levar, podemos ver complicações na logística,” disse Adriano Gomes, analista de mercado da AgRural. 

Agora, empresas de transporte podem começar a cobrar taxas de emergência por conta da guerra, disse Silvio Kasnodzei, presidente de um sindicato que representa transportadoras no estado do Paraná. O governo brasileiro anunciou uma redução em impostos federais pra proteger consumidores da alta do petróleo, mas as transportadoras acreditam que o movimento foi insuficiente pra aliviar a incerteza, disse Kasnodzei.

Enquanto nos Estados Unidos as barcaças tem um papel significativo no transporte de longa distância da soja para exportação, no Brasil um estudo da Universidade de São Paulo apontou que 55% da soja depende de caminhões para chegar aos portos. Volumes movimentados por estrada tiveram um crescimento em anos recentes, uma vez que investimentos em ferrovias ou hidrovias não acompanharam o ritmo de crescimento da produção agrícola. 

Ao firmarem negócios de compra pra soja no Brasil, traders que compram cargas para serem entregues nos próximos meses ficam expostos à flutuações no custo de frete, disse Rodrigo Gonçalves, diretor-executivo da empresa de soluções logísticas goFlux. Se uma empresa negociando soja para maio for confrontada com aumentos no custo de frete, aquilo que antes seria uma transação lucrativa termina se transformando em prejuízo, disse ele.

Mão com bico de combustível amarelo abastecendo carro vermelho.

Isso ocorre num momento de custos já elevados para o frete de commodities agrícolas, devido a alta demanda nessa época do ano. Os custos de transporte por caminhão chegaram a um pico por conta de chuvas que forçaram os produtores rurais a acelerarem a colheita, fazendo o setor movimentar volumes grandes em um curto período de tempo. Más condições nas estradas também levaram a prazos mais longos do que o usual em algumas rotas durante o mês de fevereiro.

Embora os preços de combustível no Brasil sejam influenciados pela política da Petrobras, os caminhoneiros viram preços se elevarem no interior do país antes mesmo de a empresa implementar um aumento oficialmente.

Nos primeiros oito dias de março, o preço do diesel vendido pelas distribuidoras a postos de combustivel subiu cerca de 8%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). O preço da Petrobras não havia sido alterado no período, mas a companhia anunciou na última sexta-feira que iria elevar o custo aos distribuidores.

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Nvidia: vendas de chips de IA devem gerar US$ 1 trilhão até 2027

A Nvidia, empresa no centro da expansão explosiva da computação em inteligência artificial, prevê gerar pelo menos US$ 1 trilhão com seus chips Blackwell e Rubin até o final de 2027.

Anteriormente, a companhia havia projetado que os chips trariam US$ 500 bilhões em vendas até o fim de 2026. A nova previsão, apresentada pelo CEO Jensen Huang durante o evento GTC da empresa, amplia o horizonte de projeção.

A previsão evidencia a escala do negócio da Nvidia, impulsionada pela demanda por chips que desenvolvem e executam modelos de IA. No entanto, o valor acumulado não indica uma aceleração extraordinária no crescimento das vendas.

Após subir inicialmente até 4,8%, as ações reduziram seus ganhos nesta segunda-feira.

Concorrente

O aumento maciço de gastos em chips de IA transformou a Nvidia na empresa mais valiosa do mundo. Mas os investidores buscam mais sinais de que o crescimento do mercado continuará no ritmo esperado. A Nvidia também enfrenta concorrência crescente de rivais, como a Advanced Micro Devices (AMD), bem como de clientes que tentam produzir chips internamente para IA.

A empresa acelerou o desenvolvimento tecnológico nos últimos anos. A Nvidia procura substituir toda a sua linha de produtos anualmente, enquanto adiciona novos componentes. O próximo design de seus processadores de IA de ponta, que aparecerá em sistemas na segunda metade de 2026, chama-se Vera Rubin, em homenagem à astrônoma pioneira cujas observações forneceram evidências sobre a existência da matéria escura.

Embora a Nvidia continue apresentando crescimento de vendas invejável na indústria de chips, a valorização das ações estagnou nos últimos meses. As ações caíram 3,4% no ano antes da apresentação no GTC, deixando o valor de mercado da empresa em US$ 4,4 trilhões, ainda sem rival.

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Custos de seguro para navios cruzarem o Estreito de Ormuz disparam após ataques a embarcações

Ainda é possível contratar seguro para navios que navegam pelo Estreito de Ormuz, embora a um custo muito elevado, segundo pessoas envolvidas nesse mercado.

O custo da cobertura saltou para cerca de 5% do valor da embarcação, aproximadamente cinco vezes o nível observado nos primeiros dias da guerra com o Irã — e muito acima das frações de ponto percentual típicas de períodos com pouca tensão. As fontes pediram anonimato por se tratar de informações privadas. Isso significa que segurar um petroleiro avaliado em US$ 100 milhões pode custar cerca de US$ 5 milhões.

Embora as tarifas sejam altas, o fato de ainda haver seguro disponível indica que a cobertura continua sendo oferecida para o pequeno número de embarcações que tenta cruzar essa via marítima crucial, responsável normalmente por cerca de um quinto dos embarques globais de petróleo e gás natural liquefeito. A grande questão é se os armadores estarão dispostos a correr o risco, diante das preocupações com segurança.

Questionado sobre por que os Estados Unidos não poderiam reabrir imediatamente o Estreito de Ormuz caso os navios iranianos responsáveis pela colocação de minas fossem destruídos, o presidente Donald Trump afirmou na segunda-feira que é necessário que as embarcações estejam dispostas a atravessar a rota para que as operações normais sejam retomadas.

Os detalhes de um plano para que a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos ajude a garantir o seguro de petroleiros ainda não estão claros. Os EUA anunciaram um programa de resseguro de US$ 20 bilhões para ajudar a restabelecer o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz. Seguradoras demonstraram interesse em colaborar com a agência para oferecer esse resseguro, disse um funcionário da instituição na semana passada. A tentativa do presidente Donald Trump de convencer aliados a ajudar na segurança da rota, porém, tem encontrado resistência

Até agora, a maioria das cotações de seguro tem sido oferecida para navios com ligações com China, India ou Pakistan, disse uma das fontes. Seguradoras do mercado de London insistem que a cobertura continua disponível para embarcações no Oriente Médio e que isso não é um fator que impeça o comércio de entrada e saída da região.

O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido estima que ao menos 20 navios estiveram envolvidos em incidentes de segurança desde 1º de março no Golfo Pérsico e áreas próximas. O caso mais recente ocorreu em 12 de março, quando um navio porta-contêineres foi atingido, provocando um incêndio.


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Votorantim e Huaxin estão interessadas na unidade de cimento da CSN

A Votorantim e a Huaxin Cement estão entre as empresas em negociações para adquirir a unidade de cimento da CSN, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

O preço de compra pode chegar a US$ 3 bilhões, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas por estarem discutindo informações confidenciais. A CSN está trabalhando com o Morgan Stanley na venda, informou a empresa na quinta-feira.

O negócio está em estágios iniciais e pode acabar não acontecendo, disseram as pessoas. 

A Votorantim e sua unidade de cimento não quiseram comentar. A CSN e a Huaxin não responderam a pedidos de comentários.  

A Cia. Siderúrgica Nacional, como a empresa é formalmente conhecida, está sob pressão financeira, já que sua dívida líquida aumentou 11%, para R$ 41,2 bilhões durante o quarto trimestre, elevando o índice de alavancagem líquida da empresa para 3,47 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA). 

O aumento foi um “evento pontual”, disse o presidente Benjamin Steinbruch a investidores e analistas durante uma teleconferência na quinta-feira. 

A empresa, controlada pela família bilionária Steinbruch, contratou assessores para vender uma participação significativa em seu braço de infraestrutura e logística, bem como o controle de seu negócio de cimento. O objetivo é fechar os negócios no terceiro trimestre, visando arrecadar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões, quase metade do endividamento líquido atual.

A CSN pretende usar ações de sua unidade de cimento como garantia para um empréstimo, disse o diretor financeiro Marco Rabello em uma teleconferência com investidores. Embora ele não tenha especificado o valor do empréstimo, ele mencionou reportagens que algo na faixa de US$ 1,3 bilhão a US$ 1,5 bilhão.

Para obter a aprovação do Cade, a Votorantim precisaria formar um consórcio com outras empresas, no qual a Votorantim manteria alguns ativos onde tem menor presença de mercado, enquanto parceiros deteriam participações em negócios onde a Votorantim tem presença significativa, disse uma das pessoas. A Huaxin provavelmente não seria parte desse consórcio, disse a pessoa. 

A gigante chinesa Huaxin Cement entrou no mercado brasileiro no final de 2024 ao adquirir a Embu S.A. Engenharia e Comércio por US$ 186 milhões. A operação incluiu quatro pedreiras no estado de São Paulo, focadas na produção de agregados para construção civil.

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Barril a US$ 120? Analistas esperam mais altas no petróleo após ataques à ilha de Kharg

A semana do petróleo começa às 20h deste domingo – com a abertura das negociações do Brent, às 23h de Londres. Será a primeira sessão após o ataque americano ao principal hub de exportação iraniano, que vem operando apesar do conflito. Na sexta (13), o barril fechou a US$ 103.

Forças americanas atingiram alvos militares na estratégica Ilha de Kharg e ameaçou estender os ataques à infraestrutura de energia caso Teerã continue bloqueando o Estreito de Ormuz – a estreita passagem que liga o Golfo Pérsico ao resto do mundo.

Kharg é uma ilha a 25 km da costa iraniana. Ela serve como um hub de exportação porque o mar profundo ao redor da massa de terra é bom para receber superpetroleiros, que não navegam em águas rasas. O petróleo chega do continente via oleodutos e daí flui para os berços de atracação do lugar.

E mesmo com a guerra em andamento o Irã continua exportando petróleo, principalmente para a China – navios chineses e, claro, iranianos, têm passagem liberada pelo estreito de Ormuz. Seguem, portanto, indo e voltando à ilha de Kharg. Também foram identificados recentemente dois navios com destino à Índia, carregados de gás liquefeito de petróleo (GLP), e um petroleiro grego.

Caso esse fluxo pare também, o suprimento global de petróleo sofrerá mais uma baixa. Até agora, cortes nos países árabes já reduziram o output global em 10%.

O Irã afirmou que ataques à infraestrutura de petróleo em Kharg provocarão retaliação contra instalações de energia ligadas aos EUA na região.

Nos Emirados Árabes, as operações de carregamento no porto de Fujairah – outro hub estratégico – foram interrompidas após um ataque de drone nas primeiras horas de sábado (14), bloqueando os embarques pela única rota de exportação do país que não passa por Ormuz (fica de cara para o Oceano Índico, fora do Golfo). As atividades foram retomadas no domingo (15).

“Não acho que os mercados vão reagir bem aos últimos desdobramentos”, disse Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade. “Espero mais um início de semana tenso, com o destino da Ilha de Kharg ainda incerto, dada sua importância para o fornecimento global de energia.”

O Brent subiu 11% na semana passada, chegando a bater US$ 119,50 o barril, antes de fechar um pouco acima de US$ 103. Foi a semana mais volátil para o marcador europeu desde que os contratos futuros começaram a ser negociados, em 1988.

“Seguimos em disparada na rodovia, na faixa da esquerda, sem nenhum sinal de quando vamos conseguir pegar a saída”, disse Stephen Schork, fundador da Schork Group, com sede em Radnor, Pensilvânia, acrescentando que não ficaria surpreso de ver o petróleo abrir acima de US$ 117 o barril — “ou até além disso.”

Giovanni Staunovo, analista de commodities do UBS, concorda: “Com o fluxo de petróleo por Ormuz ainda restrito, o caminho de menor resistência para os preços do petróleo segue sendo o de alta”.

Para o Brasil, duas consequências diretas. De um lado, somos grandes exportadores de petróleo – e, obviamente, nenhum cliente que compra daqui precisa passar pelo Estreito de Ormuz.

Petrobras sobe 13% desde o início do conflito. Prio, 10%. Petroreconcavo vem mais atrás, com 5%. A exceção é a Brava Energia, que cai 4% no mesmo intervalo – ela vinha subindo também, mas entregou os pontos após divulgar um balanço mal visto pelo mercado na quinta (12).

Por outro lado, o país sofre com a alta nos preços internacionais do diesel, já que 25% do consumo nacional depende de importações.

O gargalo

O mercado global de petróleo foi jogado ao caos. A Agência Internacional de Energia alertou que a interrupção no abastecimento é sem precedentes, e os países-membros concordaram na semana passada em liberar 400 milhões de barris de reservas de emergência para tentar conter a alta dos preços.

O número pode impressionar, mas equivale a apenas quatro dias do consumo global.

Com o fechamento efetivo de Ormuz cortando as exportações marítimas dos demais países do Golfo, os tanques de armazenamento da região foram enchendo, forçando alguns produtores a reduzir a extração. A Arábia Saudita, o peso-pesado da região, vem aumentando o fluxo por um oleoduto que cruza o país até o litoral do Mar Vermelho, o que pode permitir exportações de cerca de 5 milhões de barris por dia.

A Ilha de Kharg é uma instalação vital para Teerã, pois por ela passa a maior parte das exportações de petróleo bruto do país. Ao anunciar o ataque, Trump disse que as instalações militares do local foram “destruídas por completo”. A agência de notícias estatal iraniana Fars informou que as exportações seguem normalmente após o ataque.

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Alumínio dispara 9% com bloqueio ao estreito de Ormuz. Maior usina do mundo freia a produção

O alumínio sobe 9% na Bolsa de Metais de Londres desde o início da guerra, há duas semanas.

É mais uma consequência do bloqueio ao estreito de Ormuz. Pelo menos 5 milhões de toneladas atravessam a passagem marítima por ano. Dá 7% da produção global, de 74 milhões de toneladas. Vários países do golfo são exportadores da commodity: Bahrain, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Sem ter como escoar boa parte da produção, as usinas locais começam a cortar o output. A Aluminum Alba, do Bahrain e que opera a maior usina de alumínio do mundo, iniciou uma paralisação gradual.

A empresa desligou três linhas de produção, que juntas respondem por 19% de sua capacidade total de 1,6 milhão de toneladas por ano.

E o problema não é só no escoamento do alumínio. É na chegada da matéria prima também: a alumina, mineral que serve de base para a produção do metal brilhante, chega em grande parte pelo Estreito de Ormuz.

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Trump pede que outros países enviem navios de guerra para reabrir o Estreito de Ormuz

Donald Trump, intensificou os apelos para a reabertura do vital Estreito de Ormuz, afirmando “ter esperança” de que que navios de guerra de outros países também serão enviados à região para garantir a passagem de petroleiros.

Seus comentários, no Truth Social, vieram horas depois de ele ordenar ataques a instalações militares na Ilha de Kharg, de onde o Irã exporta quase todo o seu petróleo, escalando um conflito no Oriente Médio que dura duas semanas e não dá sinais de arrefecimento.

O presidente afirmou que as instalações militares na ilha do Golfo Pérsico foram “destruídas por completo”, acrescentando que optou por não atacar a infraestrutura petrolífera “por uma questão de decência”. Ele ameaçou fazer exatamente isso caso o Irã “tome qualquer atitude para interferir na passagem livre e segura de navios pelo Estreito de Ormuz.”

“Muitos países, especialmente os afetados pela tentativa do Irã de fechar o Estreito de Ormuz, enviarão navios de guerra em conjunto com os Estados Unidos da América para manter o Estreito aberto e seguro”, escreveu em sua publicação mais recente. Ele deu poucos detalhes além de expressar a esperança de que China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido também enviem navios de guerra.

Trump declarou que, embora as forças militares do Irã estivessem “já 100% destruídas”, era “fácil” para Teerã continuar ameaçando navios com drones, minas e mísseis de curto alcance. Os EUA, disse ele, irão “bombardear pesado” o litoral iraniano para tentar conter essas ameaças.

Quase ao mesmo tempo, o chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou que o estreito — por onde normalmente passa cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo — estava fechado apenas para navios de “países inimigos”.

Durante a noite e ao longo do sábado, Israel e os EUA continuaram atacando o Irã, que por sua vez seguiu bombardeando países árabes do Golfo.

O Irã, claramente inferior em poderio militar frente aos EUA e a Israel, está atacando países vizinhos, além de rotas marítimas e instalações de energia, numa tentativa de semear o caos na região e nos mercados de petróleo e gás — esperando pressionar Trump a encerrar os combates. O presidente americano enfrenta críticas internas à medida que os preços da gasolina disparam, com muitos opositores alegando que ele subestimou a resposta e a resiliência do Irã.

A incerteza sobre a duração da guerra cresce diante dos sinais contraditórios de Trump e da contínua resistência iraniana. Na sexta-feira, o presidente disse que os EUA manteriam sua campanha “pelo tempo que for necessário” e sinalizou que a Marinha americana começaria em breve a escortar navios pelo Estreito de Ormuz — uma mudança de tom em relação a declarações anteriores de que os objetivos militares americanos estavam “praticamente cumpridos.”

No sábado, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, elogiou o ataque a Kharg e afirmou que a guerra está entrando em sua “fase de vitória”, acrescentando que os combates durarão “o tempo que for preciso.”

Ataque nos Emirados

Nos Emirados Árabes Unidos, as operações no estratégico porto petrolífero de Fujairah, no Golfo de Omã, foram suspensas após um ataque de drone e um incêndio na manhã de sábado, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

O carregamento de petróleo bruto e derivados em Fujairah, localizado logo fora do Estreito de Ormuz, foi interrompido por precaução enquanto os danos são avaliados, de acordo com as fontes, que pediram anonimato por não estarem autorizadas a falar com a imprensa.

Fujairah é um importante hub de exportação tanto de petróleo bruto quanto de combustíveis, e ganhou relevância ainda maior para os Emirados e para os mercados globais por ser um dos poucos pontos de escoamento de petróleo do Golfo que contorna Ormuz.

O barril de petróleo fechou a US$ 103 na sexta-feira (13), atingindo seu nível mais alto desde 2022. Arábia Saudita, Iraque, EAU e Kuwait tiveram de reduzir a produção de petróleo bruto em razão do fechamento de fato de Ormuz, enquanto o Catar suspendeu as operações de gás natural liquefeito — sendo um dos três maiores fornecedores mundiais do combustível.

Dois petroleiros estavam atracados na Ilha de Kharg horas após o ataque americano às instalações militares, segundo o Tankertrackers.com, empresa especializada em monitoramento de embarcações. A mídia estatal iraniana afirmou que as exportações continuam normalmente.

Ainda assim, o Irã advertiu que atacará instalações de petróleo e energia ligadas aos EUA no Oriente Médio caso sua própria infraestrutura petroleira seja atingida. A mídia iraniana informou que todos os trabalhadores da indústria do petróleo na ilha — situada a cerca de 25 quilômetros do continente — estão sãos e salvos.

“Todas as instalações de petróleo, econômicas e energéticas pertencentes a empresas petrolíferas na região que sejam parcialmente de propriedade dos Estados Unidos ou que cooperem com os Estados Unidos serão imediatamente destruídas e reduzidas a cinzas” caso os ativos energéticos e econômicos do Irã sejam atacados, noticiou a agência Fars News, citando o comando central militar do país.

O veículo informou que mais de 15 explosões sacudiram a Ilha de Kharg, com alvos incluindo sistemas de defesa antiaérea, uma base naval, a torre de controle do aeroporto e um hangar de helicópteros — sem especificar a extensão dos danos.

Os militares americanos afirmaram ter destruído infraestruturas de armazenamento de mísseis e minas navais.

Nos dias anteriores aos ataques americano-israelenses, o Irã acelerou as exportações a partir de Kharg para níveis próximos ao recorde, acima de 3 milhões de barris por dia — quase o triplo do ritmo habitual —, segundo analistas do JPMorgan Chase, incluindo Natasha Kaneva, em nota de pesquisa.

Um ataque às instalações petrolíferas de Kharg “interromperia imediatamente a maior parte das exportações de petróleo bruto do Irã, provavelmente desencadeando uma retaliação severa no Estreito de Ormuz ou contra a infraestrutura energética regional”, avaliaram os analistas do JPMorgan.

Por Arsalan Shahla

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iPhone 17e: uma boa alternativa ao bem mais caro iPhone 17

Depois de atualizar o iPhone tradicional com uma série de melhorias relevantes, a Apple elevou a barra bem alta na linha de entrada, a “e”.

Há diferenças importantes entre o iPhone 17e e o modelo mais caro da linha, e dá para argumentar que vale a pena gastar R$ 1 mil a mais para ter um aparelho mais completo. Ainda assim, o novo modelo de entrada traz avanços suficientes para fazer mais sentido para quem quer gastar o mínimo possível sem abrir mão de um aparelho confiável.

É um celular para quem prioriza preço, e não a melhor câmera do mercado ou os recursos mais chamativos. Mas muita gente simplesmente quer um iPhone. Qualquer iPhone. E, para esse público, eu me sinto bem mais à vontade para recomendar o 17e do que o antecessor, que dizia pouco a que veio.

iPhone 17e, o modelo de entrada da Apple. Foto: Bloomberg

A Apple equipou o 17e com o chip A19 e 256 GB de armazenamento já na versão básica — o que deve garantir vida longa ao aparelho, sem travamentos e sem aperto de espaço para fotos, vídeos e músicas. O modelo também passou a trazer ímãs integrados, o que o torna compatível com a ampla linha de acessórios MagSafe e com bases de carregamento.

As concessões feitas para chegar ao preço na casa dos R$ 5 mil vão saltar aos olhos de quem acompanha tecnologia de perto. Mas, para o público a que o 17e se destina, a maioria delas não deve pesar tanto.

Os pontos fracos do iPhone 17e

Como já acontecia com o antecessor, a tela do 17e continua limitada a 60 hertz, enquanto o 17, o 17 Pro e o iPhone Air oferecem 120 hertz, o que deixa a navegação e os jogos mais fluidos. Algumas pessoas — eu, inclusive — percebem a diferença. Mas muita gente não vai ligar para isso.

A tela também continua com o entalhe tradicional da Apple para abrigar os sensores do Face ID e a câmera frontal. Nos outros iPhones, esses componentes ficam no recorte menor e mais interativo da Dynamic Island.

Também não há modo de tela sempre ativa, que mostra hora e notificações quando o celular está longe das mãos — sobre a mesa ou numa base de carregamento, por exemplo.

Mas a concessão mais evidente está no conjunto de câmeras. A câmera principal de 48 megapixels fica abaixo do nível do que entregam os modelos mais caros da família.

O aparelho não traz lente ultrawide para fotos com enquadramento mais aberto. Sem ela, o usuário também perde o modo macro.

Na parte da frente, a câmera não conta com o sensor quadrado presente no 17, no 17 Pro e no Air, que permite alternar rapidamente entre retrato e paisagem sem precisar girar o aparelho.

Quem comprar o iPhone 17e também fica sem os estilos fotográficos mais recentes da Apple, que oferecem mais flexibilidade e uma variedade maior de filtros para editar imagens. Isso só deve incomodar quem leva fotografia mais a sério. Também aqui, é difícil imaginar que a maioria das pessoas vá sentir falta.

O aparelho grava vídeo em 4K e com alto alcance dinâmico, mas não traz recursos extras como o Action Mode, para estabilização mais eficiente, ou o modo Cinematic, que desfoca o fundo atrás do assunto filmado.

Mas ele também melhorou. Mesmo que a tela mantenha o mesmo brilho e a mesma resolução do 16e, o vidro que a protege está mais resistente, já que usa o mesmo Ceramic Shield dos modelos mais caros.

Na prática, isso significa resistência a riscos três vezes maior que a do 16e, o que reduz a necessidade de usar película. (No meu 17 Pro Max, eu já abandonei esse hábito.) Agora o vidro também tem revestimento antirreflexo, que ajuda a diminuir reflexos. Faz diferença, embora não seja algo transformador.

E, embora a câmera desse iPhone de US$ 599 seja muito parecida com a do 16e, ela ainda representa um salto para quem vem de um iPhone mais antigo. As fotos que fiz até agora saíram nítidas e com boas cores. Quem tira dezenas de fotos por dia talvez ache melhor juntar mais dinheiro e ir de iPhone 17 convencional, que tem lentes superiores. Mas, para registros do dia a dia, o que se vê aqui dá conta do recado.

Para muita gente, os 256 GB de armazenamento da versão básica serão mais do que suficientes. Para mim já bastam — e eu sou do tipo que gosta de tecnologia. O chip A19 também faz o iPhone 17e parecer rápido e responsivo ao navegar pelo iOS 26 e pela interface Liquid Glass. Essa versão do processador tem menos núcleos gráficos — quatro, contra cinco no iPhone 17 e no iPhone Air. Ainda assim, não tive problema para rodar jogos com gráficos pesados.

Mesmo assim, para quem gosta de jogar fora de casa ou usa o celular com frequência para ver vídeos, as telas maiores e os alto-falantes melhores dos modelos superiores podem ser tentadores.

Pagar mais traz, de fato, bastante coisa junto — e a receita recorde da Apple no trimestre passado mostra que muita gente está disposta a isso. Ainda assim, com desempenho mais rápido, tela mais resistente e carregamento MagSafe — além de vários anos de suporte de software pela frente —, o iPhone 17e parece bem menos um modelo de “mínimo necessário” do que o 16e parecia.

Por Chris Welch

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Dona da Claro planeja comprar ativos de telecomunicações do Grupo Salinas na Colômbia

A America Movil, do México, busca comprar algumas operações de telecomunicações do Grupo Salinas, na Colômbia, como parte de uma iniciativa para expandir sua presença na região.

A Claro, do conglomerado de telecomunicações pertencente ao bilionário mexicano Carlos Slim, apresentou um “pedido de pré-avaliação” à autoridade de concorrência da Colômbia, a SIC, para uma possível integração de negócios com a Azteca Comunicaciones, incluindo a aquisição de uma rede de fibra óptica, informou a America Movil em comunicado. A iniciativa foi noticiada inicialmente pelo DPL News.

A America Movil tem sinalizado que pretende se expandir na América Latina. Em uma teleconferência com investidores no mês passado, executivos disseram que estavam em busca de negócios “pequenos” na região. Enquanto isso, o dono do Grupo Salinas, Ricardo Salinas, está monetizando ativos após concordar em pagar quase US$ 1,9 bilhão ao governo mexicano em uma disputa tributária que durou uma década.

A America Movil tem enfrentado crescente concorrência no mercado de telecomunicações do México devido à aplicação de regulamentações assimétricas há mais de uma década. Essas regras foram projetadas para enfraquecer sua dominância no setor.

Com a entrada de novos participantes no mercado, a empresa espera uma maior consolidação no México e também busca ampliar seus horizontes em outros lugares. A America Movil desistiu de uma proposta conjunta com a Entel pelos ativos da Telefónica Chile, com executivos observando, em fevereiro, que o acordo se mostrou muito complicado.

“Para a Claro, a avaliação desta integração é motivada principalmente pelo potencial de gerar sinergias operacionais que estabilizariam e manteriam essa infraestrutura, que atualmente apresenta falhas que impactam a qualidade do serviço”, segundo o comunicado da America Movil. “Embora não seja um ativo comercialmente atrativo, seu funcionamento adequado é crucial para garantir a continuidade da conectividade em áreas onde atualmente não existem alternativas de rede”.

Um porta-voz do Grupo Salinas afirmou que o pedido protocolado segue um desfecho semelhante da empresa na Colômbia, onde uma de suas unidades entrou em processo de insolvência depois que os investimentos não conseguiram gerar o tráfego potencial projetado em uma licitação do governo.

A Claro opera em 1.104 municípios na Colômbia, com uma rede de mais de 10.660 torres e serviço 5G em 59 cidades, de acordo com a empresa. A companhia possui mais de 40 milhões de usuários e oferece serviços de telefonia fixa, internet banda larga e TV a cabo para mais de 3 milhões de domicílios.

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Guerreiras do K-Pop: animação da Netflix impulsiona nova onda de turismo na Coreia do Sul

A moradora de Honolulu Christine Kim foi uma das primeiras a entrar na tendência de viagens inspiradas por Guerreiras do K-Pop. Para ser justo, sua viagem para Seoul com o marido e os filhos já estava planejada antes mesmo de o filme da Netflix estrear, em junho de 2025.

O plano, pelo menos inicialmente, era visitar os avós. Mas então Rumi, Zoey e Mira, protagonistas do longa, viraram ídolos da filha de 5 anos de Kim — e o roteiro da viagem foi reescrito em tempo real. Quando visitaram um jimjilbang, ou spa coreano, e a N Seoul Tower — cenário do show final dos rivais Saja Boys no filme — a viagem da família virou motivo de orgulho.

“Minha filha parecia totalmente chocada ao descobrir que os lugares do filme eram reais”, disse Kim por mensagem. “Ela ficou tão animada que ficou sem palavras.”

Não foi só a filha que entrou no clima cultural. “Comprei para meu filho um hanbok preto e um gat [roupa tradicional e chapéu] para ele se vestir como um Saja Boy no Halloween”, lembra Kim. “E quando fomos à Nike Store Myeongdong, minha filha fez uma camiseta com um pássaro pega por causa de um personagem de Guerreiras do K-Pop.”

No fim de 2025, Guerreiras do K-Pop continuava sendo o filme original mais assistido da história da Netflix, com mais de 500 milhões de visualizações. Caso você não tenha crianças pequenas ou de alguma forma tenha escapado do fenômeno, o musical de ação animado produzido pela Sony Pictures Animation acompanha Huntrix, um grupo feminino de K-pop cujos sucessos nas paradas ajudam a derrotar demônios que ameaçam a humanidade.

Se foi um sucesso crítico e comercial que ninguém esperava, como a animadora coreano-canadense Maggie Kang disse recentemente em entrevista à Bloomberg, agora também está se tornando um catalisador inesperado para o turismo.

De acordo com dados da Trip.com, nos três meses após o lançamento do filme, as reservas globais de voos para a Coreia do Sul aumentaram 25% em relação ao mesmo período do ano anterior. (As estatísticas não identificam exatamente os motivos das viagens.

Onda coreana

Afinal, a Coreia do Sul já vinha se consolidando como destino turístico entre viajantes internacionais. Ainda assim, há razões para acreditar que Guerreiras do K-Pop tenha contribuído para esse aumento. O fenômeno cultural conhecido como Hallyu, ou onda coreana, vem impulsionando a popularidade global da cultura do país e sua ligação com o turismo.

O grupo BTS tem sido um dos principais símbolos da Hallyu desde 2018, atraindo centenas de milhares de fãs para Seul em seus shows. O filme Parasite, vencedor do Oscar, e a série Squid Game também ajudaram após seus lançamentos, em 2019 e 2021. O grupo Blackpink teve sucesso internacional semelhante. A popularidade de vídeos sobre cuidados com a pele coreanos — consumidos principalmente no TikTok pela Geração Z — também inspirou muitas viagens de longa distância. A influência de Guerreiras do K-Pop se soma a tudo isso.

Em julho de 2025, mês seguinte ao lançamento da música Golden no Spotify, 1,36 milhão de viajantes internacionais visitaram Seul, segundo o governo da cidade — 23,1% a mais que no ano anterior. O aumento imediato foi atribuído a turistas da China, Japan, Taiwan e dos United States, com autoridades dizendo que as viagens foram “impulsionadas pela febre de Guerreiras do K-Pop”, possivelmente refletindo como o filme primeiro se tornou popular na região antes de ganhar projeção global.

A tendência continuou nos meses seguintes, ajudando a Coreia do Sul a registrar um recorde de 18,9 milhões de turistas estrangeiros em 2025, segundo dados do órgão de turismo do país.

Esse aumento pode durar além do pico inicial de popularidade do filme, já que a temporada de premiações mantém o longa em evidência. Em 11 de janeiro, Guerreiras do K-Pop venceu o Golden Globe Awards nas categorias de melhor animação e melhor canção original. Também ganhou melhor música escrita para mídia visual no Grammy Awards de 2026 e dominou o Annie Awards, conquistando todos os 10 prêmios possíveis. Agora é apontado como favorito para ganhar dois troféus no Academy Awards em 15 de março. Em 12 de março, a Netflix confirmou que uma sequência está em desenvolvimento.

Como viagens internacionais costumam levar tempo para serem planejadas e estatísticas de turismo geralmente são divulgadas trimestralmente ou semestralmente, os efeitos de Guerreiras do K-Pop sobre o turismo ainda estão apenas começando a aparecer.

Neil Hassall, que administra o grupo do Facebook South Korea Travel Tips and Planning, diz que os fãs do filme impulsionaram a popularidade da comunidade de uma forma que ele não via desde Round 6. Em junho de 2025, o grupo tinha 65 mil membros; em janeiro de 2026, esse número quase dobrou para 120 mil.

Em Seul, o Bukchon Hanok Village — bairro de casas tradicionais onde os personagens Rumi e Jinu se encontram pela primeira vez — tornou-se um destino obrigatório para fãs, além de entusiastas de arquitetura e história. O local virou cenário de um dos passeios mais populares da cidade no Trip.com. As buscas pelo Museu Nacional da Coreia também cresceram 34% desde o lançamento do filme, já que fãs visitam a loja do museu para comprar produtos relacionados.

A plataforma de turismo coreana Creatrip, que ajuda visitantes estrangeiros a reservar restaurantes, serviços de beleza coreanos e aluguel de hanbok, também se beneficiou da popularidade de Guerreiras do K-Pop. As reservas para jimjilbangs e serviços de esfoliação tradicional vistos no filme aumentaram 115% no verão após o lançamento, em comparação com a primavera anterior. No mesmo período do ano anterior, o crescimento havia sido de apenas 17%.

Clínicas médicas focadas em acupuntura, ventosaterapia e medicina herbal chamada hanyak — que a personagem Rumi tenta usar para curar sua voz — registraram aumento de 409% nas reservas em 2025, segundo a Creatrip.

Dados do site de reservas de excursões GetYourGuide mostram crescimento semelhante. Reservas de passeios para locais mostrados no filme — como o Gyeongbokgung Palace, o Lotte World Tower, a N Seoul Tower e o Bukchon Hanok Village — cresceram mais de 350% em 2025 em relação ao ano anterior.

Cafés pop-up, encontros com personagens no bairro de Seongsu-dong e outras experiências ligadas ao filme começaram a surgir para aproveitar o momento. A médica Irina Ishak, baseada em Kuala Lumpur, levou a família a um desses eventos em dezembro e considera a visita um dos pontos altos da viagem.

“As crianças conhecem todos os personagens e momentos do filme”, disse. “O pop-up tinha três andares com cenários e recortes dos personagens para tirar fotos em cada canto. Havia até áreas interativas, como procurar a pegada de um gato Derpy que brilha no escuro usando uma lanterna. As crianças adoraram.”

Para Haemin Yim, CEO da Creatrip, o entusiasmo em torno de Guerreiras do K-Pop é diferente de qualquer outra onda turística ligada à Hallyu. No passado, quem viajava por causa do K-pop queria assistir a shows, visitar agências de artistas e ir a cafés ligados ao fandom. O apelo do filme entre públicos de língua inglesa — como turistas dos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália — ampliou muito o alcance global e o interesse por aspectos da cultura coreana que vão além da música.

“Cada grande elemento cultural mostrado no filme — hanbok, jimjilbang, gimbap, samgyetang, dança K-pop e medicina tradicional — é algo que um turista pode reservar e experimentar diretamente na Coreia. O filme funciona basicamente como uma vitrine de 90 minutos da vida cotidiana coreana, vista por 500 milhões de pessoas”, diz.

O fenômeno faz parte da tendência conhecida como set-jetting, quando pessoas planejam viagens para lugares que viram em filmes ou séries. A vila de Hallstatt, na Austria, tornou-se símbolo de turismo excessivo depois que visitantes descobriram que inspirou o reino de Arendelle no filme Frozen. Já Encanto impulsionou o turismo para a região cafeeira da Colombia.

Em Seul, porém, o fenômeno de Guerreiras do K-Pop ainda não gerou preocupações com turismo excessivo — e talvez nem venha a gerar. Diferentemente de outros casos, os fãs do filme têm muitas maneiras de viver a experiência, visitando diferentes lugares e atividades culturais.

Para Christine Kim, a mãe de Honolulu, o filme também representa algo mais amplo.

“A arte é linda, a música é ótima e ele preencheu um vazio”, diz. “Não existem muitos filmes com super-heroínas.”

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Dona da 99, chinesa DiDi tem prejuízo após enfrentar rivais no exterior

A DiDi Global, dona da 99, voltou ao vermelho no último trimestre depois que a empresa chinesa de transporte por aplicativo aumentou investimentos enquanto enfrenta novos rivais no exterior, como a Meituan.

A companhia registrou prejuízo líquido de 338 milhões de yuans (US$ 49 milhões) no trimestre encerrado em dezembro. A receita cresceu mais de 10%, refletindo a expansão em mercados internacionais mais novos, incluindo Brasil e Mexico.

Os volumes de transações nos segmentos da empresa na China e no exterior atingiram novos recordes, afirmou o CEO Cheng Wei em comunicado de resultados.

Conhecida como a resposta chinesa à Uber Technologies, a DiDi estreou na New York Stock Exchange em 2021, mas logo passou a ser investigada pelo regulador do ciberespaço chinês, que abriu um inquérito sobre as práticas de segurança de dados da empresa antes de suspender seu aplicativo.

Fora da bolsa

A companhia acabou fechando o capital na bolsa principal e hoje negocia apenas no mercado over-the-counter nos Estados Unidos. Segundo informações, a empresa pretende listar suas ações na Hong Kong Stock Exchange, embora nunca tenha estabelecido um cronograma formal.

A DiDi relançou seus aplicativos em 2023, após a China encerrar a investigação, e reportou lucros na maior parte dos últimos dois anos. A empresa registrou recentemente um prejuízo no trimestre de junho devido a uma despesa pontual relacionada a um processo movido por acionistas envolvendo seu IPO de 2021.

A companhia também avançou em seu negócio de robotáxis, com veículos autônomos já em operação em algumas cidades chinesas. “Continuaremos aumentando nossos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e operações de direção autônoma”, afirmou o CEO em comunicado divulgado nesta sexta-feira.

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BYD avalia fábrica no Canadá para replicar ‘modelo Brasil’ de expansão

A BYD, maior fabricante de automóveis da China, está considerando seriamente a construção de uma fábrica no Canadá, ao mesmo tempo que mantém em aberto a opção de comprar uma montadora global mais consolidada.

A montadora sediada em Shenzhen está estudando o mercado canadense para uma possível instalação de produção, embora nenhuma decisão tenha sido tomada, disse a vice-presidente executiva Stella Li em entrevista, acrescentando que a BYD gostaria de possuir e operar uma fábrica desse tipo.

“Não acho que uma joint venture vá funcionar”, disse ela, durante uma visita a São Paulo.

Embora o Canadá esteja cortejando investimentos de montadoras chinesas, o governo canadense está incentivando parcerias com uma ou mais empresas do Canadá. Em janeiro, o Canadá decidiu isentar até 49.000 veículos elétricos fabricados na China anualmente de uma tarifa de 100% imposta em 2024, parte de uma mudança em relação à política anterior de manter distantes os carros chineses fora do país.

Stella Li também sinalizou que a BYD pode estar interessada em assumir o controle de uma montadora tradicional em um momento em que algumas concorrentes americanas, europeias e japonesas estão lutando para se manter competitivas nos mercados globais — pressionadas pelos investimentos em suas operações com veículos a combustão e elétricos. A BYD ganhou destaque produzindo veículos totalmente elétricos e híbridos.

“Estamos abertos a todas as oportunidades que surgirem”, disse ela, observando que, embora nenhum acordo esteja próximo de ser fechado, sua empresa está avaliando potenciais ativos. “Veremos o que nos beneficia.”Play Video

Stella Li não mencionou nenhum alvo potencial de aquisição, mas tal movimento não seria inédito — o grupo chinês Zhejiang Geely Holding Group comprou a Volvo Cars há mais de uma década. Mais recentemente, algumas montadoras ocidentais intensificaram os esforços para obter assistência tecnológica e capacidade de produção das montadoras chinesas.

A Stellantis está considerando aproveitando a tecnologia de veículos elétricos de sua parceira chinesa Leapmotor e está explorando acordos com montadoras chinesas para investimentos na Europa. A Ford Motor manteve discussões com a Geely sobre capacidade compartilhada na Europa.

A BYD já teve joint ventures, mas sua atual filosofia de “seguir sozinha” reflete um compromisso com suas próprias medidas de eficiência, como um estratégia de integração vertical para manter grande parte de sua cadeia de suprimentos internamente.

Modelo Brasil

Por enquanto, a maior fabricante mundial de veículos elétricos está evitando quaisquer ambições de entrar nos EUA, que Stella Li classificou como um “ambiente complicado”. As montadoras chinesas enfrentam tarifas elevadas e a proibição da tecnologia de carros conectados nos EUA, o que efetivamente impediu a entrada da maioria dos modelos de mercado de massa fabricados na China.

Em vez disso, a BYD está focada em mercados onde pode aplicar seu “modelo Brasil”, utilizando o sucesso de marketing e vendas obtido na América do Sul em outras regiões, como a Europa.

Ela afirmou que a empresa está em meio ao processo de aumento de produção, do inglês ramp-up, em sua primeira planta europeia de veículos de passageiros na Hungria, e avaliando um segundo projeto na Turquia. Isso faz parte de uma expansão mais ampla no exterior.

As vendas totais da BYD nos dois primeiros meses do ano caíram 36%, para 400.241 unidades., embora as exportações tenham ganhado impulso e a empresa agora pretende vender 1,3 milhão de carros no exterior em 2026.

Stella Li disse que os dois lançamentos recentes da BYD no início deste mês — a nova geração de sua bateria blade e a tecnologia Flash de carregamento rápido — ajudarão a reverter essa queda nas vendas.

Em “menos de uma semana, vimos muitos clientes que nunca haviam comprado veículos elétricos nos procurarem”, disse ela.

No Brasil, a BYD planeja instalar 1.000 carregadores a tecnologia Flash até o final de 2027, a um custo superior a R$ 500 milhões (US$ 97 milhões), disse Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, à Bloomberg.

Stella Li confirmou uma reportagem da Bloomberg News no início desta semana, segundo a qual a BYD está analisando opções para entrar no automobilismo competitivo, incluindo a Fórmula 1 e corridas de resistência. Embora tenha ressaltado que nenhuma decisão final foi tomada, ela sugeriu que uma incursão nas categorias de corrida mais prestigiadas do mundo estaria alinhada com a identidade da BYD, que prioriza a tecnologia.

“Não se surpreendam”, insinuou ela. “Ainda estamos trabalhando nisso.”

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BuzzFeed admite risco de calote e diz que avalia ‘opções estratégicas’

O BuzzFeed, site que ficou famoso no Brasil pelos quizzes virais e listas de cultura pop, afirmou que está avaliando alternativas estratégicas para enfrentar suas dificuldades financeiras e admitiu haver “dúvidas substanciais” sobre a capacidade da empresa de continuar operando.

A declaração foi feita pela companhia ao divulgar os resultados do quarto trimestre. Segundo o diretor financeiro, Matt Omer, apesar dos cortes de custos e da redução de despesas imobiliárias, o grupo ainda enfrenta compromissos herdados do passado que pressionam o negócio.

“Exploramos opções estratégicas para concluir o trabalho iniciado há alguns anos e posicionar a empresa para operar de forma lucrativa e sustentável”, disse o executivo em comunicado.

O BuzzFeed também informou que não divulgará projeções (“guidance”) para 2026 enquanto avalia essas alternativas. A empresa, que também controla o HuffPost e o site de culinária Tasty, enfrenta dificuldades financeiras desde que abriu capital em 2021.

Fundado por Jonah Peretti, o BuzzFeed já foi um dos destinos mais populares da internet para quizzes, notícias virais, vídeos e conteúdos de lifestyle. Segundo o executivo, existe hoje uma diferença significativa entre o valor dos ativos da companhia e seu valor de mercado.

“Nosso foco em 2026 é demonstrar o valor das nossas marcas, do nosso estúdio e de novos aplicativos baseados em inteligência artificial”, afirmou Peretti.

Três anos atrás, o BuzzFeed tinha cerca de US$ 180 milhões em dívida, valor que foi reduzido em mais de 65%, segundo a empresa. Ainda assim, o grupo segue sem alcançar lucratividade. Em 2025, registrou prejuízo de US$ 57,3 milhões, com apenas US$ 8,5 milhões em caixa, além de um déficit acumulado de US$ 679,6 milhões.

A companhia também ampliou uma linha de crédito garantida por ativos em US$ 5 milhões, para US$ 45 milhões, e renegociou o prazo de pagamento de parte do empréstimo.

Sem um plano para reforçar capital, o BuzzFeed afirmou que pode não ter recursos suficientes para cumprir suas obrigações financeiras nos próximos 12 meses.

As ações da empresa caíram 16% no after-market em Nova York após a divulgação dos resultados. O valor de mercado da companhia hoje é de cerca de US$ 27 milhões, bem abaixo do pico de mais de US$ 1 bilhão alcançado após sua estreia na bolsa.

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De Bradesco a BNP: quem são os principais credores da Raízen

BNP Paribas, Bradesco e Rabobank estão entre os maiores credores da companhia brasileira de açúcar e etanol Raízen, que busca reestruturar extrajudicialmente cerca de US$ 12,6 bilhões (cerca de R$ 65 bilhões) em dívidas.

Divulgações da Raízen mostraram que o BNP, com sede em Paris, tem a receber R$ 4,2 bilhões (US$ 810 milhões), considerando a conversão do valor da dívida para a moeda local, segundo documentos da companhia divulgados na quarta-feira.

Bradesco, Santander, Rabobank e Sumitomo Mitsui têm, cada um, cerca de R$ 2 bilhões a receber, também com base na conversão cambial, enquanto o Itaú tem exposição superior a R$ 1 bilhão à empresa.

A Raízen, controlada por Shell e Cosan, concordou em iniciar uma reestruturação extrajudicial de sua dívida de R$ 65 bilhões, suspendendo pagamentos e ganhando 90 dias para obter o apoio dos credores a um plano mais abrangente. Esse plano pode envolver aportes adicionais de capital de seus acionistas, a conversão de parte da dívida em ações ou a venda de ativos.

O trustee Bank of New York Mellon aparece nos documentos como credor de um valor equivalente a aproximadamente R$ 26 bilhões.

A securitizadora True Securitizadora também figura entre os maiores credores, com cerca de R$ 6,4 bilhões a receber. As securitizadoras são responsáveis pela estruturação dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), uma classe relativamente nova de títulos de renda fixa usada para financiar o setor e que ajudou a impulsionar o boom do agronegócio no Brasil.

O Bradesco se recusou a comentar, e o Rabobank afirmou que não comenta transações de mercado. BNP, Santander, Sumitomo, Itaú Unibanco, True Securitizadora e BNY Mellon não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Antes líder na produção de biocombustíveis no Brasil, a Raízen vem sendo pressionada por juros altos, safras fracas e investimentos pesados que ainda não deram retorno.

O preço de seus bônus denominados em dólar caiu para níveis que indicam que a empresa está em situação de estresse financeiro. Seus ratings foram rebaixados para níveis bem dentro do grau especulativo, à medida que aumentaram as preocupações com seu endividamento e se arrastaram as negociações por um socorro de seus principais acionistas.

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BYD estuda entrada na Fórmula 1

A BYD está avaliando opções para entrar no automobilismo competitivo, incluindo a Fórmula 1 e corridas de endurance, competições de longa duração, em uma tentativa de ampliar o apelo global da marca chinesa.

A montadora analisa diferentes alternativas após seu rápido crescimento fora do mercado doméstico e diante da mudança do automobilismo competitivo em direção a motores híbridos, disseram as fontes, que pediram anonimato por se tratar de informações privadas.

As possibilidades vão desde o Campeonato Mundial de Endurance da FIA, que inclui a tradicional corrida 24 Horas de Le Mans, até a Fórmula 1, seja com a criação de uma equipe própria ou por meio da aquisição de um time já existente, acrescentaram as fontes.

Presença de chineses

Uma eventual entrada da BYD representaria uma rara tentativa direta de um fabricante chinês de competir em um esporte dominado por equipes europeias e americanas. Montadoras do país tiveram participações esporádicas no automobilismo.

A Geely, por exemplo, compete com sucesso em corridas internacionais de carros de turismo por meio da Cyan Racing, antiga equipe de fábrica da Volvo, enquanto a NIO conquistou o título de pilotos da primeira temporada da Formula E em 2015.

Os custos potenciais para entrar na Fórmula 1 podem ser um obstáculo significativo para a BYD, segundo uma das fontes. Desenvolver e colocar um carro na competição geralmente exige anos de negociação e pode custar até US$ 500 milhões por temporada.

Nenhuma decisão foi tomada até agora, e a empresa pode acabar optando por não entrar em nenhuma competição. Um porta-voz da BYD não respondeu a um pedido de comentário.

Veículos elétricos

Conhecida por fabricar veículos elétricos e híbridos de preço mais acessível, a BYD busca ampliar seu posicionamento ao avançar para o segmento de luxo. Em 2025, sua marca premium Yangwang testou o modelo U9 Xtreme em uma pista na Alemanha, registrando velocidade máxima superior a 495 km/h.

Recentemente, a BYD ultrapassou a Tesla como maior vendedora mundial de veículos elétricos e se tornou um dos principais rostos da ofensiva da China em mercados automotivos da Europa, América Latina e outras regiões.

Uma parceria com a Fórmula 1 também aumentaria significativamente a visibilidade da marca nos Estados Unidos, embora a empresa ainda não venda carros no país, principalmente devido a tarifas elevadas e restrições de mercado. O esporte vive atualmente um boom de popularidade nos EUA, impulsionado em parte pela série da Netflix Formula 1: Drive to Survive e pelo aumento do número de corridas no país.

O chefe da entidade que governa a Fórmula 1, a Fédération Internationale de l’Automobile, tem defendido a entrada de uma equipe chinesa. Em entrevista ao jornal Le Figaro no ano passado, Mohammed Ben Sulayem afirmou que um fabricante da China seria o próximo passo lógico para o esporte, após a chegada da Cadillac.

Popularidade na China

A popularidade da Fórmula 1 na China também vem crescendo após o retorno da categoria a Xangai em 2024, depois de cinco anos de ausência. Zhou Guanyu tornou-se o primeiro piloto chinês da Fórmula 1 em 2022. A nova temporada começou no último fim de semana em Melbourne, na Austrália, com a próxima corrida marcada para Xangai neste fim de semana.

Equipes já estabelecidas costumam resistir à entrada de novos concorrentes, já que novas equipes diluem a divisão do prêmio financeiro e podem reduzir as avaliações das atuais participantes. Neste ano, a Cadillac estreia no grid após anos de negociações.

Comprar participação em equipes é mais comum. Esta temporada também marca a estreia da Audi na Fórmula 1 após assumir controle total da empresa suíça de automobilismo Sauber. Já o fundo Otro Capital busca compradores para sua participação na Alpine Racing, equipe ligada à Renault SA.

Vendas completas de equipes, porém, são raras. A equipe Aston Martin F1 Team, do bilionário Lawrence Stroll, vendeu recentemente participações no time, que teve um início de temporada difícil devido a problemas mecânicos, incluindo vibrações na unidade de potência.

O automobilismo também vem adotando práticas mais sustentáveis. Para 2026, a Fórmula 1 implementou novas regras, incluindo regulamentos de motores híbridos que ampliam a capacidade das baterias. O World Endurance Championship também utiliza veículos híbridos em suas competições.

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