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Câmara: governo retira urgência do fim da escala 6X1 e destrava pauta

Por:Sul 21
16 de Junho de 2026, 18:07

Da Agência Brasil

O governo federal retirou o regime de urgência do Projeto de Lei (PL) 1838/26 que acaba com a escala de trabalho 6X1. A proposta é um dos temas da reunião de líderes realizada na tarde desta terça-feira (16), na Câmara dos Deputados. Por ter sido encaminhado em regime de urgência, o projeto vinha trancando a pauta do plenário da Casa. Com a retirada da urgência, a Câmara fica liberada para votar outras matérias.

Durante a reunião, os deputados também debateram o PL 896/23, que equipara a misoginia ao crime de racismo, o que a torna inafiançável e imprescritível. Havia a expectativa que o texto pudesse ser analisado na sessão desta terça-feira. Mas os líderes acordaram em pautar a matéria para a última semana de junho.

Na última quarta-feira (10), a coordenadora do grupo de trabalho que debate a proposta, deputada Tabata Amaral (PSB-SP), apresentou uma nova versão do texto, que já foi aprovado no Senado.

No seu relatório, a deputada destacou haver uma convergência central sobre “a íntima relação entre o discurso de ódio e inferiorização das mulheres e a prática de crimes graves”, evidenciando que o feminicídio é muitas vezes uma “morte anunciada” precedida por violência verbal e simbólica.

Entre os pontos levantados na proposta está proporcionar atendimento policial especializado às vítimas, considerando sua situação de vulnerabilidade e o risco de revitimização.

“As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams) desempenham um papel fundamental na rede de proteção à mulher e, podem, portanto, oferecer um espaço de acolhimento qualificado e humanizado para aquelas que enfrentam a violência decorrente de misoginia”, afirmou a deputada.

A proposta também modifica o Artigo 8º da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) para acrescentar medidas de prevenção da violência doméstica e familiar contra a mulher com foco na identificação precoce de fatores de risco, na avaliação periódica de impacto das ações governamentais e não governamentais, na promoção de programas de fortalecimento dos vínculos familiares e de suportes econômicos e sociais que mitiguem a dependência financeira que mantém vítimas mulheres presas ao ciclo de abusos.

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Calçadas da Cidade Baixa ganham as cores do Brasil: ‘resgate dos nossos símbolos nacionais’

Por:Sul 21
13 de Junho de 2026, 18:03

Em dia de estreia do Brasil na Copa do Mundo, calçadas da Cidade Baixa foram pintadas de verde e amarelo neste sábado (13). Junto às cores do Brasil, foram escritas frases como “o futuro é agora” e “escala 5×2 já!”. A iniciativa é da União da Juventude Socialista, em parceria com a Casa da Juventude, Barbearia Confraria Barber Club e a Casa de Manu.

A ação também inclui a transmissão ao vivo da partida contra a seleção de Marrocos na Rua Sarmento Leite (esquina com a José do Patrocínio), com telão a partir das 19h.

“O verde e amarelo é do povo brasileiro. A Copa do Mundo é uma grande oportunidade para defender a nossa soberania, o sentimento de ser brasileiro resgatar o nossos símbolos nacionais. A nossa iniciativa também é para trazer mais vida à Porto Alegre e para as ruas da Cidade Baixa” afirma Fabiola Loguercio, presidenta da UJS no Rio Grande do Sul e idealizadora da pintura.

 

Foto: Divulgação

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Saiba como pressionar senadores para votar o fim da escala 6×1

9 de Junho de 2026, 17:23

Participe da pressão popular para que os deputados votem o fim da escala 6×1. Saiba como assinar a mobilização popular com a TVT News.

Mobilização pressiona senadores pelo fim da escala 6×1

A pressão deu certo na primeira luta pelo fim da escala 6×1. Depois da vitória na Câmara dos Deputados, a campanha “Brasil Quer Mais Tempo” intensificou a pressão sobre parlamentares para acelerar a votação das propostas que tratam do fim da escala 6×1.

A mobilização reúne trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais em defesa da redução da jornada semanal sem redução salarial.

Clique aqui para participar da Campanha Brasil Quer Mais Tempo

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Parlamentares que defendem o fim da escala 6×1 na Comissão Especial da Câmara dos Deputados. Foto: Lula Marques /Agência Brasil.

O que é a campanha Brasil Quer Mais Tempo

A iniciativa funciona como uma força-tarefa digital e presencial para pressionar os senadores a apoiarem a PEC 221/2019 e outras propostas relacionadas à redução da jornada de trabalho. A campanha incentiva trabalhadores a enviarem mensagens aos parlamentares e acompanharem o posicionamento de cada bancada.

Aponte o celular para o QR Code e faça parte da campanha pelo fim da escala 6×1

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TVT e a Rede de Mobilização Fim da 6×1 Já! te convidam para essa ação urgente

Como votar na plataforma da campanha pelo fim da escala 6×1

  1. Acesse o site oficial da campanha Brasil Quer Mais Tempo – https://brasilquermaistempo.com.br/
  2. Clique na opção para participar da mobilização.
  3. Informe seus dados básicos, como nome e estado.

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Depois da vitória na Câmara, a pressão agora é no Senado pelo fim da escala 6×1. Imagem: Campanha O Brasil Quer Mais Tempo

Como funciona a votação da PEC do fim da escala 6×1

O fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salário foram aprovados em dois turnos na Câmara dos Deputados, com votações expressivas (472 votos a favor no 1° turno e 469 no 2° turno).

O próximo passo é a tramitação no Senado, onde a PEC deverá passar pelo mesmo ritual: ser apreciada em comissão e depois votada em plenário.

Para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) no Senado Federal, são necessários 49 votos favoráveis, o equivalente a \(3/5\) do total de 81 senadores.

Além desse quórum qualificado, a tramitação exige a aprovaçaõ em dois turnos.

O que está em debate no Congresso

A discussão envolve a PEC 221/2019, a PEC 8/2025 e o PL 1838/2026. As propostas tratam da redução da jornada semanal e da reorganização das escalas de trabalho.

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Fim da escala 6×1 em debate na Câmara dos Deputados. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Disputa política no Senado pode atrasar votação

O debate enfrenta resistência de setores do Centrão e da direita, que apresentaram emendas e regras de transição para adiar mudanças na jornada de trabalho

Fim da escala 6×1 é possível: tire suas dúvidas sobre o tema

tomando conta do Brasil.

O que é o fim da escala 6×1?

O debate sobre o fim da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para folgar apenas um — está no centro da discussão nacional.

A proposta é uma bandeira histórica da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e demais centrais sindicais, que apontam ganhos concretos:

  • Melhoria na qualidade de vida
  • Redução do adoecimento e do absenteísmo
  • Aumento da produtividade
  • Estímulo ao consumo
  • Possível geração de novos empregos

Levantamento da Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, mostra que 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, desde que não haja redução salarial. Ou seja: a sociedade entende que trabalhar para viver é diferente de viver para trabalhar.

Quais os impactos do fim da escala 6×1?

De acordo com nota técnica do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), o impacto econômico do fima da escala 6×1 é mínimo:

  • Na indústria e no comércio, o custo operacional adicional seria inferior a 1%.
  • redução da jornada para 40 horas semanais elevaria o custo do trabalho celetista em média 7,84%, mas, considerando o peso da mão de obra no custo total dos setores, o impacto se dilui.
  • Mesmo em setores com alta dependência de mão de obra, como vigilância e limpeza, o impacto é administrável e pode ser enfrentado com políticas de transição.

O próprio Ipea destaca que aumento de custo do trabalho não significa automaticamente queda na produção ou aumento do desemprego.

Um estudo do Dieese, encomendado pela Contraf-CUT, aponta que a implementação da jornada de quatro dias, entre os bancários que hoje realizam a jornada média de 37 horas semanais, teria o potencial de criar mais de 108 mil vagas no setor, ou 25% do total de vagas que existem atualmente.

“O fim da escala 6×1 pode gerar mais empregos e garantir ao trabalhador tempo para estudar, cuidar da saúde e ter lazer”, afirmou o secretário-geral da CUT, Renato Zulato

Para ele, reduzir jornadas exaustivas é uma medida concreta para abrir vagas e permitir que trabalhadores tenham tempo para qualificação e convivência familiar. “Não se trata apenas de tecnologia, mas de qualidade de vida”, afirmou, ao defender mudanças estruturais.

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Argumentos contra o fim da escala 6×1 lembram a retórica das elites escravocratas contra a abolição. Foto: Letycia Bond/Agência Brasil

Já um estudo divulgado em 2024 pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou que a Inteligência Artificial (IA) afetará 60% dos empregos em todo o mundo: metade de forma positiva e metade de forma negativa, ou seja, eliminando a participação humana em vários setores.

Renato Zulato também alertou para os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho. Segundo ele, a transformação digital já altera rotinas produtivas e pode ampliar desigualdades se não houver políticas públicas de qualificação.

“Estamos vivendo a era da inteligência artificial. Se não houver reflexão e políticas de inclusão, parte da população será excluída dos novos processos produtivos e sociais”, disse o secretário geral da CUT.

É possível acabar com a escala 6×1?

Pesquisa da Unicamp corrobora visão do governo Lula, que defende modernização das relações de trabalho como parte da agenda de desenvolvimento social e econômico.

Fim da escala 6×1: estudo aponta que redução da jornada pode gerar 4,5 milhões de empregos

Um levantamento da economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostra que a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas, com o fim da escala 6×1, tem potencial de gerar até 4,5 milhões de novos empregos no Brasil e elevar em cerca de 4% os níveis de produtividade no país.

O estudo faz parte do Dossiê 6×1, documento elaborado por 63 autores — entre professores, pesquisadores, auditores fiscais do Trabalho e representantes sindicais — que reúne 37 artigos sobre os impactos econômicos e sociais da medida.

A conclusão central do dossiê é direta: o Brasil está pronto para trabalhar menos. O diagnóstico contraria projeções pessimistas do mercado e derruba o argumento de que a mudança poderia provocar queda no PIB ou agravar a insolvência das empresas.

“Não vai ser agora, com avanços tecnológicos, num contexto de pleno emprego, com crescimento econômico e o nível de tecnologia que temos, que não vai ser possível no Brasil reduzir para 40 horas”, afirma Marilane Teixeira.

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Marcha dos Trabalhadores com Centrais Sindicais em Brasília pede fim da escala 6×1 nesta quarta (15) – Foto: Ricardo Weber/TVT

O que os dados mostram sobre o fim da escala 6×1

Com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE, o dossiê revela que aproximadamente 21 milhões de trabalhadores brasileiros cumprem jornada superior às 44 horas previstas na CLT. Outros 76,3% das pessoas ocupadas no país trabalham mais de 40 horas por semana — o que derruba a narrativa de que o brasileiro trabalha pouco.

A pesquisadora também chama atenção para os custos humanos da sobrecarga: em 2024, o Brasil registrou meio milhão de afastamentos por doenças psicossociais decorrentes de condições desfavoráveis no trabalho — apenas no emprego formal.

A redução da jornada atingiria diretamente 76 milhões de trabalhadores caso a escala 4×3 seja adotada, e beneficiaria cerca de 45 milhões na hipótese de migração para a jornada de 40 horas semanais em escala 5×2. 

Ipea diz que é possível acabar com a escala 6×1

O estudo da Unicamp se soma a outras análises que sustentam tecnicamente a posição do governo. Uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicada em fevereiro de 2026, concluiu que os custos da redução da jornada para 40 horas seriam comparáveis aos de reajustes históricos do salário mínimo — medidas que não geraram desemprego. Nos grandes setores empregadores, como indústria e comércio, o impacto no custo operacional seria inferior a 1%.

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Mobilização pelo fim da escala 6×1. Fotos: Paulo Pinto/Agência Brasil e Tomaz Silva/Agência Brasil

Pesquisa Sebrae diz que 51% dos empreendedores acreditam que não haverá impacto com fim da 6×1

O estudo do Sebrae revela que 51% dos proprietários de micro e pequenas empresas, além de microempreendedores individuais (MEI), acreditam que fim da escala 6×1 não afetará seus negócios. Já 11% acreditam que a medida impactará positivamente seus negócios.

De acordo com a 12ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae, cresceu o número de empreendedores que avaliam que o fim da escala 6×1 não trará impactos negativos para o funcionamento de suas empresas.

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Empreendedores acreditam que fim da escala 6×1 não irá afetar seus negócios – Fonte: Sebrae

Este índice demonstra um avanço em relação ao levantamento anterior, feito em 2024, quando 47% dos entrevistados compartilhavam dessa visão. O levantamento atual foi realizado entre os dias 19 de fevereiro e 18 de março de 2026, contando com a participação de 8.273 respondentes de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal.

Menos empreendedores enxergam proposta de forma negativa

A pesquisa também aponta uma redução na resistência à proposta.

O grupo de empreendedores que visualiza um impacto negativo na mudança recuou de 32% em 2024 para 27% em 2026. Em contrapartida, a parcela que acredita em benefícios reais com o fim da escala 6×1 subiu de 9% para 11%.

Perfil de empreendedores ouvidos

Dentro dos segmentos específicos de atuação, a Economia Criativa lidera a percepção de ganhos com a nova jornada, com 24% de respostas positivas. Na sequência, aparecem os setores de Logística e Transporte (17%) e a Indústria Alimentícia (16%). Outros ramos como academias, beleza e agronegócio também figuram entre os que não preveem prejuízos em suas atividades operacionais.

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Eliziane vê força popular e prevê fim da escala 6×1 antes das eleições

9 de Junho de 2026, 16:02

A senadora Eliziane Gama (PT-MA) demonstrou confiança na aprovação da PEC que acaba com a escala 6×1 durante entrevista ao Jornal TVT News Primeira Edição. Integrante da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, ela afirmou que a forte mobilização popular em defesa da proposta tem alterado o ambiente político na Casa e reduzido o espaço para manobras que busquem retardar sua tramitação. Saiba mais na TVT News.

A entrevista ocorreu no mesmo momento em que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reúne líderes partidários para definir o rito da proposta aprovada pela Câmara dos Deputados. Nas últimas semanas, Alcolumbre tem sido alvo de críticas por defender uma tramitação mais lenta da matéria e por sinalizar a possibilidade de ampliar as etapas de análise antes da votação em plenário.

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Questionada sobre a percepção de que o presidente do Senado estaria tentando arrastar o processo o máximo possível, Eliziane preferiu destacar a mudança de clima político observada nos últimos dias.

“Eu acho que nós tivemos um grande avanço com a aprovação na Câmara dos Deputados e, ao mesmo tempo, criou-se um sentimento nacional muito grande em relação à redução dessa carga horária, que hoje é uma tendência mundial”, afirmou.

Segundo a senadora, o debate sobre a jornada de trabalho está diretamente relacionado às transformações tecnológicas e ao papel do Estado na proteção dos trabalhadores.

“Se a gente tem novas tecnologias, elas têm que ser usadas em defesa desse trabalhador e dessa trabalhadora”, declarou.

Lula em defesa do fim da escala 6×1

A parlamentar também atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva papel central na defesa da proposta. Para ela, Lula incorporou uma reivindicação histórica da classe trabalhadora ao apoiar a redução da jornada sem redução salarial.

Ao comentar a reação da oposição e do empresariado à PEC, Eliziane adotou tom duro. Segundo ela, os setores contrários à proposta sofreram uma derrota política na Câmara e agora tentam transferir a disputa para o Senado por meio de estratégias de adiamento.

“Houve um movimento da oposição no Brasil, um movimento vergonhoso de tentar derrubar essa proposta, que é uma proposta boa para os trabalhadores. Eles perderam essa guerra na Câmara dos Deputados e agora no Senado Federal também perderão”, afirmou.

Para a senadora, a principal dificuldade dos adversários da PEC é assumir publicamente uma posição contrária à redução da jornada.

“A gente percebe, na verdade, por parte dos senadores, uma certa vergonha de trazer para frente o sentimento de votar contra. Aqueles que querem votar contra, às vezes não querem defender o voto contra, mas defendem uma postergação da aprovação dessa proposta.”

Apesar das declarações recentes de Alcolumbre em defesa de um debate mais longo, Eliziane afirmou que as conversas internas realizadas nos últimos dias indicam uma disposição maior para permitir o avanço da matéria.

“O presidente Davi, nas conversas que nós tivemos aqui internamente, ele já demonstra essa sensibilidade que é a sensibilidade de tramitar na CCJ, passar no plenário e lá no plenário, se Deus quiser, nós conseguirmos a aprovação dessa proposta.”

A senadora atribui essa mudança à pressão popular exercida sobre o Congresso Nacional. Segundo ela, grandes conquistas sociais normalmente só avançam quando existe mobilização organizada da sociedade.

“Quando o povo brasileiro se une, eles conseguem vencer esse embate. O Congresso Nacional tem uma sensibilidade também da sociedade brasileira”, afirmou.

Como exemplo, ela citou a aprovação do piso nacional da enfermagem, que enfrentou forte resistência de setores econômicos e acabou avançando graças à mobilização da categoria.

Na avaliação da parlamentar, o mesmo fenômeno ocorre agora com a PEC do fim da escala 6×1.

“A PEC também será resultado desse levante popular, dessa manifestação popular”, disse.

Eliziane rejeitou ainda o argumento utilizado por setores empresariais de que não haveria tempo hábil para concluir a tramitação antes das eleições. Para ela, quando existe vontade política, o Congresso é capaz de acelerar processos em poucos dias.

“Quando se quer, propostas que têm interesse de ser tramitadas avançam de forma célere, de forma recorde e ultrapassam todos os trâmites regimentais. Então a questão de tempo não é justificativa.”

A senadora reconheceu a influência do lobby empresarial nos corredores do Congresso, mas avaliou que o peso da pressão social é hoje maior do que o das articulações patronais.

“O lobby empresarial tem um impacto muito grande no Congresso Nacional. Mas não é maior do que o sentimento popular. Isso tem a ver com todos os trabalhadores, isso tem a ver com a sociedade brasileira.”

Segundo ela, o debate sobre a escala 6×1 extrapolou o ambiente parlamentar e tornou-se assunto cotidiano da população.

“Você conversa na rua, na feira, chega num determinado lugar, está lá uma roda e o debate brasileiro hoje é a 6×1.”

Por isso, a parlamentar acredita que os empresários perderam capacidade de influenciar o destino da proposta.

“Por mais que a classe empresarial se mobilize para impedir a tramitação de uma pauta, esse levante popular ecoa mais forte aqui no Congresso Nacional. Eu até diria que, nas últimas 48 horas, o sentimento foi diferente.”

Ao final da entrevista, Eliziane demonstrou confiança de que a PEC será aprovada ainda antes do processo eleitoral e classificou a medida como uma conquista histórica da classe trabalhadora.

“Eu não tenho dúvida nenhuma. A proposta vai tramitar antes do processo eleitoral e nós vamos aprovar sim antes do processo eleitoral. Isso significa uma vitória de uma luta do presidente Lula, mas sobretudo uma vitória do povo brasileiro.”

A senadora também revelou que gostaria de relatar a matéria na CCJ, mas reconheceu que o nome mais cotado para a função é o do senador Rogério Carvalho. Segundo ela, caso seja escolhido, o parlamentar terá condições de conduzir o debate com compromisso com os trabalhadores.

Enquanto o Senado define o rito de tramitação, governistas intensificam a pressão para impedir que a proposta fique parada nas gavetas da Casa. A avaliação predominante entre defensores da PEC é que a disputa deixou de ser apenas legislativa: transformou-se em um embate entre a pressão das ruas e as tentativas de setores empresariais e da oposição de retardar uma mudança que pode beneficiar milhões de trabalhadores brasileiros.

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A Sexta Folga (por Henrique Morrone)

Por:Sul 21
31 de Maio de 2026, 13:35

Henrique Morrone (*)

Quando cogitaram o fim da escala 6×1, os profetas reapareceram.

Bastou cogitar.

Vieram falar em caos.

Colapso.

Quebra de empresas.

Fuga de investimentos.

Ruína da civilização.

Pareciam preocupados.

Não com os trabalhadores.

Com a economia.

A economia, nesse caso, era uma palavra elegante para designar outra coisa.

Lucros.

Os argumentos eram conhecidos.

Já haviam circulado quando ampliaram o direito ao voto.

Quando proibiram o trabalho infantil.

Quando limitaram jornadas.

Quando criaram férias.

Quando instituíram descanso semanal.

Quando aprovaram o décimo terceiro salário.

Quando ampliaram direitos previdenciários.

Em todas essas ocasiões, anunciaram catástrofes.

Em todas elas, a história continuou.

Albert Hirschman chamou isso de retórica da reação.

O repertório muda pouco.

Mudam apenas os figurinos.

No século XIX, diziam que reduzir jornadas destruiria a indústria.

No século XXI, dizem que destruirá a competitividade.

No fundo, a disputa nunca foi sobre produtividade.

Era sobre excedente.

Sempre foi.

Durante muito tempo, bastou prolongar o dia.

Uma hora.

Duas.

Mais algumas.

O trabalhador produzia o equivalente ao próprio salário.

Depois continuava.

A diferença acumulava-se em outro lugar.

O relógio transformado em máquina de transferência.

Mais tarde vieram máquinas, tecnologias e novas formas de organização.

O tempo necessário para reproduzir salários encolheu.

A parcela apropriada pelo capital cresceu.

A lógica permanecia.

Mudavam apenas os mecanismos.

A escala 6×1 sempre respondeu essa disputa com clareza.

Seis dias para vender a força de trabalho.

Um para recuperar o corpo.

Às vezes nem isso.

Os defensores da escala falam em produtividade.

Alguns progressistas respondem da mesma forma.

Talvez jornadas menores elevem a eficiência.

Talvez não.

A produtividade raramente obedece ao calendário.

Ela acompanha investimentos.

Tecnologias.

O ciclo econômico.

Além disso, quase nunca se pergunta se custos maiores estimularão novas inversões produtivas.

Como se o único ajuste possível fosse preservar jornadas longas.

Como se o tempo dos trabalhadores devesse permanecer disponível até que a última margem de lucro estivesse protegida.

No fundo, a questão independe dessas respostas.

A disputa continuaria existindo.

Quem fica com o excedente?

Quem fica com o tempo?

Talvez seja por isso que a reação pareça tão intensa.

Não se discute apenas uma escala.

Discute-se a fronteira entre trabalho e vida.

No dia seguinte ao fim da escala 6×1, o sol nascerá normalmente.

Os mercados produzirão relatórios.

Os especialistas concederão entrevistas.

Os profetas anunciarão novos desastres.

E os trabalhadores terão algo raro.

Não riqueza.

Não poder.

Apenas algumas horas devolvidas.

Justamente a mercadoria que, desde o início, esteve em disputa.

(*) Economista e professor da UFRGS.

§§§

As opiniões emitidas nos artigos publicados no espaço de opinião expressam a posição de seu autor e não necessariamente representam o pensamento editorial do Sul21.

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Rick Azevedo acredita que vitória contra 6×1 permitirá mais avanços

29 de Maio de 2026, 16:56

Catalisador do movimento nacional pelo fim da semana com seis dias de trabalho e um de folga, a escala 6×1, o vereador do Rio de Janeiro Rick Azevedo (Psol) comemorou a aprovação, pela Câmara dos Deputados, da proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca extinguir essa modalidade de trabalho. Saiba mais na TVT News.

“[A proposta] passar na Câmara como passou, com uma votação praticamente unânime [é sinal de que], com certeza, vamos conseguir passar no Senado”, avaliou Azevedo ao se referir, nas redes sociais, ao resultado da votação em dois turnos realizada nesta quinta-feira (28).

No segundo turno, a PEC recebeu 461 votos favoráveis e apenas 19 contrários. Apresentado pelo relator, Leo Prates (Republicanos-BA), o texto estabelece a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem perda salarial. A proposta ainda garante duas folgas semanais, sendo uma preferencialmente aos domingos. O texto agora vai ser analisado pelo Senado.

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Azevedo incentivou seus seguidores a continuarem pressionando a classe política, e principalmente os senadores, a aprovarem a proposta. E afirmou que entidades sindicais e movimentos sociais vão pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a agilizar o debate do tema na Casa.

“Vamos com tudo para cima do Alcolumbre. Não adianta quem quer que seja acreditar que vai conseguir enterrar nossa vitória na Câmara. Não vai!”, afirmou o vereador, manifestando confiança. “Tenho certeza de que esta vitória, esta luta, vai abrir portas para outras conquistas”.

Nascido em Tocantins, Rick Azevedo, de 32 anos, mudou-se para a capital fluminense há mais de uma década em busca de melhores condições de vida.

Trabalhou como auxiliar de serviços gerais, vendedor e frentista, mas foi como balconista de farmácia que sua vida deu uma guinada. Em setembro de 2023, Azevedo tornou-se nacionalmente conhecido após gravar um vídeo no qual desabafava sobre as consequências pessoais de um cenário comum à maioria dos trabalhadores brasileiros: jornadas longas e irregulares; baixos salários e falta de tempo para o lazer e o descanso.

“É uma escravidão moderna. Moderna não, ultrapassada”, argumentou o então balconista no vídeo, que viralizou e pautou intensos debates públicos sobre jornadas de trabalho, distribuição equitativa dos resultados obtidos com os avanços tecnológicos, a importância do tempo para o autocuidado e outros aspectos associados ao mundo laboral.

Brasília-DF – 15/04/2026 – Reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara para leitura do relatório do deputado Paulo Azi da proposta de emenda à Constituição (PEC 221/2019) que reduz a jornada de trabalho a 36 horas. A oposição pediu vistas.  ( Deputadas, Erika Hilton, Maria do rosário, deputado Reinaldo Lopes e o vereador, Rick Azevedo). Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.
Deputadas Erika Hilton e Maria do rosário, deputado Reinaldo Lopes e o vereador, Rick Azevedo. Foto: Lula Marques/Agência Brasil.

Movimento Vida Além do Trabalho

Do debate, surgiu o movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que recolheu mais de 3 milhões de assinaturas de apoio ao fim da escala 6×1. A ideia foi rapidamente encampada por políticos do campo progressista, como a deputada federal Erika Hilton (Psol-SP), e pelo governo federal.

Em abril de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Congresso Nacional, com urgência, o projeto de lei para reduzir o limite da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem perdas salariais.
 
Com a popularidade, em 2024, Azevedo elegeu-se vereador na cidade do Rio de Janeiro. Obteve 29.364 votos, tendo sido o candidato mais bem votado de seu partido.  

“Em 2023, me perguntei [no vídeo] quando a classe trabalhadora iria revolucionar esse país. Três anos depois, aqui estamos. Através de muita luta […] conquistamos na Câmara a aprovação do maior direito trabalhista desde 1988”, escreveu Azevedo, ontem, em suas redes sociais, pouco após a Câmara aprovar a PEC. 

Brasília (DF), 25/02//2025  - Deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), parlamentares aliados e signatários, juntamente com representantes do Movimento Vida Além do Trabalho, durante coletiva à imprensa após protocolarem a PEC contra a Escala 6x1 . Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), parlamentares aliados e signatários, juntamente com representantes do Movimento Vida Além do Trabalho, durante coletiva à imprensa após protocolarem a PEC contra a Escala 6×1 . Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

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Fim da Escala 6×1: PL quer usar projeto de Erika Hilton para constranger governo; entenda

26 de Maio de 2026, 23:27
Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), e a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) – Foto: Reprodução/ Paulo Sergio/Câmara dos Deputados

A bancada do PL na Câmara dos Deputados anunciou que irá pedir a votação da proposta da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) sobre o fim da escala 6×1 no lugar da PEC que está em discussão. A proposta de Erika prevê a redução da jornada de trabalho para a escala 4×3, com três dias de folga ao trabalhador. Já a PEC em debate estabelece a escala 5×2, com dois dias de folga. Com informações do Globo.

Nos bastidores, integrantes da bancada afirmam que o objetivo é constranger o governo, que teria que se opor a uma proposta mais vantajosa aos trabalhadores. Entre integrantes do governo Lula, a avaliação é que essa possibilidade poderá gerar tumulto na discussão e atrasar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

O tema da redução da jornada de trabalho é considerado prioritário para a gestão petista e potencial bandeira para ser explorada na campanha à reeleição de Lula neste ano, diante do alcance da medida. Desde que a votação foi anunciada na Câmara, parlamentares da oposição passaram a se manifestar contra a proposta do governo, afirmando se tratar de uma jogada eleitoreira.

O Palácio do Planalto tem pressa para que o tema tramite ainda neste semestre, já que a partir de agosto o Congresso deverá ficar esvaziado por conta do processo eleitoral. O recesso parlamentar começa oficialmente em 18 de julho, mas o calendário também inclui feriado e comemorações de São João. Além da aprovação na Câmara, o texto ainda precisará passar por análise no Senado.

Protesto pelo fim da Escala 6×1. Reprodução

Em fala na tribuna da Câmara nesta terça-feira (26), o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que o partido apresentará um destaque de preferência para votar a PEC de Erika Hilton. Segundo ele: “Nós, do PL, vamos defender sempre o liberalismo econômico e a relação livre, para que o trabalhador trabalhe quantas horas e quantos dias ele quiser. Na hora da votação em plenário, apresentaremos destaque de preferência para votar a escala 4 por 3, porque nós somos a favor de o trabalhador trabalhar menos, ficar em casa, descansar com a sua família, e não somos hipócritas e oportunistas como este governo”.

Lideranças do PL afirmam concordar com o texto apresentado por Maurício Marcon (PL-RS), que não foi apensado à PEC analisada. Diante disso, o partido apresentará uma questão de ordem questionando Hugo Motta (Republicanos-PB) sobre os motivos pelos quais a proposta de Marcon não foi incorporada à matéria. O texto permite ao trabalhador escolher entre o regime previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A estratégia já foi utilizada anteriormente pelo partido durante a tramitação da proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, quando o PL apresentou uma emenda para ampliar a faixa de isenção para quem recebe até R$ 10 mil. A medida não prosperou.

Setor produtivo leva a Alcolumbre pedido de adiamento da PEC 6×1

26 de Maio de 2026, 23:00

Entidades do setor produtivo pediram nesta terça-feira (26) ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o adiamento da votação da PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6×1, sugerindo que o tema seja analisado apenas após as eleições de outubro. Segundo representantes, a proposta vem sendo usada como “bandeira eleitoral” pelo governo e por parlamentares. A PEC deve avançar na Câmara ainda nesta semana e, em seguida, seguirá para análise no Senado.

O encontro reuniu entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Fiesp e a Abimaq.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, criticou a condução do texto e afirmou que a proposta foi construída sem diálogo amplo com o setor produtivo. Ele disse que mudanças na jornada de trabalho deveriam ser negociadas caso a caso entre empresas e trabalhadores, considerando as diferenças entre os cerca de 2 mil segmentos da economia. Também cobrou estudos técnicos sobre os impactos da medida e defendeu que o debate ocorra “sem pressa” no Senado.

“Da maneira que foi feita, ela PEC está fora da realidade brasileira, foi feita de forma irresponsável e só baseada em bandeira política. Não ouviu o setor nenhum … Foi tratada pelo governo brasileiro como bandeira eleitoral, em véspera da eleição, assim como o imposto da chamada blusinhas”, disse o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, em entrevista coletiva a jornalistas, após o encontro.

Skaf afirmou ainda ter pedido acesso aos estudos usados pela Câmara na construção do relatório e questionou a ausência de embasamento técnico. Segundo ele, Alcolumbre ouviu as preocupações do setor, mas não sinalizou decisão sobre o pedido de adiamento. Para o empresário, o debate poderia ser postergado por alguns meses sem prejuízo.

A CNI também manifestou preocupação com os impactos econômicos da proposta. O presidente da entidade, Ricardo Alban, afirmou que a mudança na jornada poderia gerar aumento de custos e repasse de preços ao consumidor, com impacto estimado entre 6% e 8% na indústria.

“Dois, três meses depois, após as eleições, os novos preços de repasse do custo vão estar nas prateleiras ou nos serviços. … Temos uma estimativa de que, para o setor industrial, isso pode representar um aumento de preço médio entre 6% e 8%”, disse.

Alban também criticou o período de transição previsto no texto, que estabelece redução gradual da jornada em até 14 meses, e questionou a capacidade de adaptação das empresas em prazos mais curtos.

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Os ‘inimigos do povo’ e a redução do trabalho laboral (por Heitor Scalambrini Costa) 

Por:Sul 21
21 de Maio de 2026, 11:06

Heitor Scalambrini Costa (*) 

“O velho mundo está morrendo. O novo demora a nascer. Nesse claro-escuro, surgem os monstros”
 Antonio Gramsci (político italiano, filósofo, escritor, jornalista, crítico literário, historiador)

O debate sobre os “inimigos do povo” no contexto atual tem se concentrado na resistência empresarial, de políticos de extrema-direita, e de corporações de comunicação, à redução da jornada de trabalho, especificamente o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho por um de descanso) em direção a uma escala 5×2 ou 4×3.

Movimentos sociais, sindicalistas, cidadãos, trabalhadores acusam parlamentares fisiológicos e clientelistas do Centrão (formado por membros dos partidos: PL, União Brasil, PSD, PMDB, PP, Republicanos, Solidariedade, Podemos e Avante) e da extrema-direita de agirem como “inimigos do povo” ao dificultarem aprovação de projetos que beneficiam os trabalhadores, os mais vulneráveis, no caso do fim da escala 6×1, e da redução da carga horária laboral, sem redução salarial. Além de apoiarem ao longo desta última legislatura, temas que mais interessam à extrema direita, ao capital e ao “mercado”, em detrimento das proposições que levem em conta a qualidade de vida dos trabalhadores, a valorização da classe trabalhadora.

Ao tomar a decisão histórica de propor a redução da carga horária semanal de trabalho, o presidente Lula encaminhou no dia 13 de abril uma mensagem presidencial ao Congresso Nacional com o Projeto de Lei 1838/2026, em regime de urgência, para acabar com a escala 6×1, reduzindo a carga horária máxima de 44 horas para 40 horas semanais, sem redução de salário. Assim, alterar diretamente a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e legislação específica, com aplicação imediata das mudanças sem regras de transição, logo após a sanção presidencial. Atendendo assim o clamor da maioria absoluta da população que apoia a jornada com dois dias de descanso remunerados.

Na disputa com o Planalto, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, decidiu ignorar o PL do governo. Como já existiam duas propostas de emenda à constituição (PEC) na Câmara para abolir a escala 6×1, foram “resgatadas” e colocadas em votação se estavam ou não de acordo com a Constituição, sua admissibilidade. Por unanimidade, foi aprovada no dia 22 de abril, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), as PEC 221/2019 e PEC 8/2025, associadas aos deputados Reginaldo Lopes (PT/MG) e a Erika Hilton (PSOL/SP).

Foi então criada pela presidência da Câmara uma Comissão Especial para analisar o mérito das propostas. Correndo contra o tempo, antes que vença o prazo regimental de votação do PL do governo federal, que ao ser encaminhado em regime de urgência obriga ser votado em dois turnos pela Câmara e 2 turnos pelo Senado, no prazo de 45 dias. Caso contrário bloqueia o funcionamento parcial e impede votações no plenário.

Audiências públicas estão ocorrendo na Comissão Especial recebendo integrantes das associações patronais, acadêmicos, pesquisadores, representantes dos sindicatos, e do governo, para discutir, ouvir, e apresentar proposições que atendam os segmentos interessados. É esperado que até o final do mês de maio a PEC seja votada.

Os arautos do apocalipse e do caos, empresários da indústria e suas entidades representativas, setores do comércio e serviços, parlamentares da extrema-direita criticam, e são contra a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, profetizando “quebradeira” geral do país, caso ocorra. O céu é o limite para as mentiras, fake news, propagandas enganosas, falaciosas, cujo objetivo é criar pânico, medo, dúvidas junto à população em geral.

Contrariamente ao que se propaga, o governo federal se alinhou a compromissos internacionais assumidos pelo Brasil no Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC), tratado da ONU de 1966, que entrou em vigor em 1976, ao reconhecer o direito a condições adequadas de trabalho, incluindo a limitação da jornada. Juntamente com o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (PIDCP) e a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) formam a base do direito internacional da Carta dos Direitos Humanos.

Essa é uma pauta central para a classe trabalhadora brasileira e de toda sociedade, cujos efeitos, caso implementada a proposta governamental, serão extremamente benéficas, em particular, para as mulheres, trabalhadores de baixa escolaridade, vulneráveis, além de possibilitar o acesso a outras dimensões da vida social.

Vale a pena deixar registrado algumas propostas ignóbeis encaminhadas pelas forças do atraso, da extrema-direita e de grande parcela do empresariado, permitindo conhecer o pensamento conservador, retrógrado e reacionário de uma parte da sociedade: 1) manter permanentemente as 44 horas semanais para serviços essenciais (saúde, segurança pública, mobilidade, abastecimento e a ordem pública), 2) prever para outras empresas prazo de transição de até 10 anos para que se adequem a esta nova situação, passando a valer de forma integral após este período, em todo território nacional, 3) para redução da carga de trabalho é necessário redução de salário, 4) contrapartida financeira e fiscal para as empresas, com flexibilizações e diminuição dos encargos trabalhistas e tributários (“bolsa patrão”), 5) criar brechas na legislação para jornadas de 52 horas semanais, 6) condicionar reduzir a carga de trabalho semanal  ao aumento da produtividade, 7) propostas de flexibilização das leis trabalhistas com a adoção da modalidade do trabalho intermitente (criado na reforma trabalhista de 2017), que permite que o empregado seja convocado apenas quando o empregador precisar, hora trabalhada, hora recebida.

Tais sugestões infames, caso aprovadas, desfiguram completamente a proposta do governo apoiada majoritariamente pelo mundo do trabalho, pela sociedade brasileira; modificando integralmente o PL 1838/2026, e contrariando os debates em curso na Comissão Especial.

Uma atitude inesperada do presidente Hugo Motta (Republicanos/PB) aconteceu no dia 13/5, ao anunciar que vai votar o PL 1838/2026 enviado pelo governo Lula sobre a redução da jornada de trabalho, junto com a proposta de emenda à Constituição (PEC) que tramita na Casa legislativa. Houve um acordo sobre os próximos encaminhamentos. O que resta saber é como será este parecer do relator, e a decisão final no plenário, precisando para aprovação de 3/5 dos 513 deputados federais, ou seja 308 do total.

Ao reconhecer o direito a condições adequadas de trabalho, incluindo a limitação da jornada, o governo se alinha a compromissos internacionais assumidos pelo Brasil no Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC), tratado da ONU de 1966, que entrou em vigor em 1976. Juntamente com o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (PIDCP) e a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) formam a base do direito internacional da Carta dos Direitos Humanos.

Essa é uma pauta central para a classe trabalhadora brasileira e a toda sociedade, cujas consequências dos efeitos serão extremamente benéficas, em particular, para as mulheres, as pessoas de baixa escolaridade, vulneráveis, além de possibilitar o acesso a outras dimensões da vida social. Deverão ocorrer mudanças na organização das empresas, com formatos de trabalho mais flexíveis.

A luta pela jornada de 40 horas semanais, ao eliminar jornadas exaustivas, é vista como uma demanda para a dignidade e saúde mental/física dos trabalhadores, mas que muitas vezes são obstruídas por interesses patronais. É no parlamento que os políticos de extrema-direita, representando os interesses patronais, votam contra os reais interesses da sociedade, da classe trabalhadora, que neste caso, é contrária na sua maioria à escala 6×1. Como não chamar estes parlamentares que se posicionam contra a redução da carga de trabalho semanal, sem redução salarial, como “inimigos do povo”? Foram eleitos com o voto popular e serão extirpados do Parlamento, também pelo voto popular.

A redução da jornada de trabalho deve ser compreendida como uma política de sustentabilidade econômica e social. O trabalhador saudável é ativo por mais tempo, podendo ser considerada como uma medida de proteção simultânea ao indivíduo e a saúde fiscal do Estado. Proteger a saúde do trabalhador é proteger a sustentabilidade do próprio Estado.

É hora de organizar, mobilizar, pressionar e conquistar. As eleições estão chegando e o voto é uma das armas dos trabalhadores. Vamos escolher melhor nossos representantes, e expulsar do Congresso Nacional os “inimigos do povo”.

(*) Professor associado aposentado da Universidade Federal de Pernambuco, graduado em Física pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP/SP), mestrado em Ciências e Tecnologias Nucleares na Universidade Federal de Pernambuco (DEN/UFPE) e doutorado em Energética, na Universidade de Marselha/Aix – Centro de Estudos de Cadarache/Comissariado de Energia Atômica (CEA)-França.

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As opiniões emitidas nos artigos publicados no espaço de opinião expressam a posição de seu autor e não necessariamente representam o pensamento editorial do Sul21.

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Do brigadeiro ao cinema lotado: curta sobre a escala 6×1 traz denúncia social

27 de Abril de 2026, 17:05

Um curta-metragem nascido fora dos grandes estúdios e viabilizado pela venda de brigadeiros transforma a dura realidade da escala de trabalho 6×1 em um relato comovente. Me desculpa, Nathan, originalmente concebido como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), ultrapassa o caráter acadêmico como um potente manifesto social dentro do cinema independente. Saiba os detalhes na TVT News.

A obra acompanha a rotina de Thamires, uma jovem mãe solo que enfrenta a exaustão de trabalhar seis dias por semana para garantir a sobrevivência da família. Com apenas um dia livre, insuficiente para suprir as demandas afetivas e domésticas, a personagem simboliza uma realidade comum a milhões de brasileiros. O título do filme, que remete a um pedido de desculpas ao filho, sintetiza o conflito central: a culpa individual diante de uma estrutura que limita o direito ao convívio familiar.

Potência criativa

Sem acesso a financiamentos tradicionais, a equipe optou por um modelo de produção baseado no chamado “cinema de guerrilha”. Rifas, contribuições informais e, principalmente, a venda de brigadeiros foram essenciais para tirar o projeto do papel. A estratégia, além de viabilizar o filme, reforçou a própria mensagem da história: a luta cotidiana pela sobrevivência.

A estética da produção acompanha essa proposta. Com fotografia marcada por enquadramentos fechados e iluminação que demonstra o desgaste físico e emocional da protagonista, o filme constrói uma atmosfera de sufocamento. Já a montagem acelera a percepção do tempo, destacando a repetição e o cansaço de uma rotina sem pausas.

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Denúncia social e identificação do público

Mais do que uma história individual, Me desculpa, Nathan é um retrato coletivo da precarização do trabalho. A escala 6×1 é apresentada não apenas como uma jornada laboral, mas como um sistema que impacta diretamente os vínculos afetivos, especialmente em contextos de vulnerabilidade social.

A recepção calorosa, que reuniu cerca de 100 pessoas em uma única sessão de estreia, mostrou que o filme dialoga com experiências reais e urgentes, que ampliam o debate sobre condições de trabalho no país.

Cinema como ferramenta de mobilização

O curta evidencia não só a importância da luta pelo fim da escala 6×1, mas o papel do cinema independente como espaço de resistência e visibilidade. Ao humanizar estatísticas e dar rosto a uma questão estrutural, a produção enfatiza a força narrativa de histórias que nascem à margem da indústria.

Assista ao curta-metragem

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Motta cria comissão especial para discutir fim da escala 6×1

24 de Abril de 2026, 17:53
Protesto contra a escala 6×1. Foto: Reprodução

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), assinou nesta sexta (24) a criação de uma comissão especial para analisar o mérito da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que propõe o fim da escala de trabalho 6×1. A medida marca o avanço da proposta dentro da Casa após a etapa inicial de admissibilidade.

De acordo com o despacho, o colegiado será formado por 37 membros titulares e 37 suplentes, respeitando a proporcionalidade entre os partidos. Ainda não foram definidos os nomes que vão ocupar a presidência e a relatoria da comissão, cargos considerados estratégicos no andamento da proposta.

O documento também detalha a composição do grupo e prevê a inclusão de um titular e um suplente adicionais para atender ao sistema de rodízio entre bancadas não contempladas.

“A Comissão será composta de 37 (trinta e sete) membros titulares e de igual número de suplentes, mais um titular e um suplente, atendendo ao rodízio entre as bancadas não contempladas, designados de acordo com os §§ 1º e 2º do art. 33 do Regimento Interno”, diz o despacho.

Hugo Motta, presidente da Câmara. Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

A definição da relatoria tem gerado disputa entre parlamentares interessados nos cargos de liderança. Segundo Motta, o número elevado de pedidos tem atrasado o anúncio oficial dos nomes. “Muita gente querendo, e eu estou administrando”, afirmou o presidente da Câmara.

Segundo a coluna de Igor Gadelha no Metrópoles, entre os nomes citados para a relatoria está o deputado Paulo Azi (União-BA), que já atuou na análise da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ele é defendido por lideranças como Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Reginaldo Lopes (PT-MG).

Os parlamentares argumentam que Azi deve continuar na função por ser um “bom nome” e pelo trabalho realizado anteriormente. A atuação dele na CCJ foi destacada após a aprovação da admissibilidade da proposta na quarta (22).

Motta cria comissão para analisar PEC da redução da escala 6X1

24 de Abril de 2026, 17:28

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), publicou nesta sexta-feira (24) ato criando a comissão especial para analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19 que trata da redução da jornada de trabalho no país. O texto teve a admissibilidade aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na quarta-feira (22). Saiba mais na TVT News.

A CCJ só analisa se os textos estão aderentes à Constituição Federal. O mérito caberá à comissão especial.

A comissão será composta de 37 membros titulares e de igual número de suplentes. Pelo regimento, o colegiado terá o prazo de até 40 sessões para proferir seu parecer.

Os membros analisarão duas propostas de redução na jornada de trabalho. A primeira, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 36 horas semanais. A transição se daria ao longo de dez anos.

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A outra proposta apensada (PEC 8/25), da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), prevê uma escala de quatro dias de trabalho por semana, com limite de 36 horas no período.

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Fim da escala 6×1 é uma das principais pautas da classe trabalhadora. Foto: Dino Santos

Na prática, as PECs acabam com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1). Se aprovadas na comissão especial, irão depois para votação no plenário.

As duas propostas ganharam força com o movimento “Vida Além do Trabalho”, que busca o fim da escala 6×1 para melhorar a saúde mental e a qualidade de vida dos trabalhadores. A admissão das propostas foi aprovada por unanimidade em votação simbólica.

Quando a PEC for à votação no plenário, será exigido um quórum de três quintos dos votos dos deputados, o que corresponde a 308 parlamentares, em dois turnos.

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Comissão vai analisar duas propostas de redução na jornada de trabalho. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Proposta do governo

Como essa tramitação pode se estender por meses e diante da tentativa da oposição de barrar a PEC, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, enviou ao Congresso, na semana passada, um projeto de lei (PL) com urgência constitucional para acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais.

O PL com urgência precisa ser votado em até 45 dias ou tranca a pauta do plenário da Câmara.

Luciano Nascimento – Repórter da Agência Brasil

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Defensora do fim da escala 6×1, Ana Paula vence BBB

22 de Abril de 2026, 10:48

Nesta terça, a TV Globo exibiu a última edição do BBB 2026, coroando, enfim, Ana Paula Renault como a vencedora tão esperada do programa. Durante os dias de confinamento, a mineira defendeu uma série de pautas do campo progressista como o fim da escala 6×1, as cotas raciais como reparação histórica e o programa do governo Lula Minha Casa Minha Vida levando o debate para dentro do reality. Leia em TVT News.

Mesmo evitando abordar candidatos ou partidos por causa das regras do programa, Ana Paula conseguiu mobilizar a disucssão política com temas importantes em conversas com aliados e adversários. Nas suas redes sociais, antes de entrar na casa, a mineira se manifestava com frequência políticamente, expressando ser contrária ao governo Bolsonaro e alinhada a pautas de esquerda.

Um evento em específico ganhou repercussão na internet. Em 2023, Ana Paula gravou um vídeo discutindo com o deputado federal Nikolas Ferreira, que sentava ao seu lado durante voo comercial. Nikolas, naquele mês, havia discursado de peruca no dia internacional da mulher alegando “lugar de fala”. Ana Paula chegou até mesmo a compartilhar um baixo-assinado online pedindo sua cassação por transfobia e falta de decoro parlamentar.

Ontem, em Belo Horizonte, durante a transmissão da TV Globo, vimos que fãs carregavam cartazes com seu nome, mas também havia bandeira vermelha com o nome de Lula.

Os primeiros adversários de Ana Paula no jogo foram pessoas que a perseguiram dentro da casa por conta do seu posicionamento político, como Matheus e Brigido. Matheus, que teve fala racista sobre Tia Milena ter patroa dentro do programa, manifestou seu incômodo sobre a veterana e suas pautas políticas em vários momentos do programa. Em um deles, chegou a reclamar sobre a defesa da escala 5×2.

“E aí isso que me irritou muito (…). Teve um momento que eu tava conversando com ela e eu tava falando sobred a Milena, que eu tenho boa parte da minha família de empregada doméstica, e em vez dela estar normal na conversa ela ficava falando de política: ‘por isso que sou a favor da 5×2, por isso que tem que acabar a 6×1′, disse Matheus em conversa com a veterana Sol Veiga.

Matheus achou ruim porque Ana Paula defendeu o fim da escala 6X1.
Ele é bancário e certamente trabalha 5X2 e 30h semanais. É muito egoísmo e falta de consciência de classe. #bbb26 pic.twitter.com/basvZCYawJ

— Rick Azevedo (@rickazzevedo) January 22, 2026

Veja momentos em que Ana Paula defendeu fim da escala 6×1

A primeira vez que o tema da escala 6×1 no programa foi ainda em janeiro, em uma conversa na beira da piscina com Cowboy, Babu e Tia Milena. Babu estava conversando sobre a abolição da escravidão que ajudou o movimento republicano ganhar força e proclamar a República, já que a monarquia havia perdido credibilidade entre a elite escravocrata. Ana Paula pegou o gancho para falar sobre outras reformas na história do Brasil que a elite empresarial disse que quebraria a economia do país, como o direito à férias, décimo terceiro e agora o fim da jornada 6×1.

Ana Paula e Babu demonstrando conhecimento histórico e consciência de classe:

"Eles diziam que o fim da escravidão iria quebrar o país, assim como falavam que o 13º salário iria quebrar o país, que as férias iriam quebrar o país e que, agora, o fim da escala 6×1 vai quebrar o… pic.twitter.com/aKu8qRN4DT

— Pragmatismo Politico (@Pragmatismo_) January 30, 2026

Em outro momento marcante, Ana Paula e Tia Milena compartilhavam um dos castigos do monstro mais difíceis dessa edição. O desafio era ficar em pé apertando um botão que mantinha uma luz acesa. A luz, no entanto, deveria ficar o tempo todo acesa até que a produção anunciasse o fim do desafio. As duas deveriam revezar durante o castigo, mas ele durou mais de 12 horas.

A situação despertou um debate sobre direitos trabalhistas e jornadas abusivas de trabalho. Milena, que trabalha como recreadora infantil e emprega doméstica, disse que o governo poderia dar dois dias para descanso. Então Ana Paula a lembrou que tem um projeto para ser votado, que é a PEC do fim da Escala 6X1 que, inclusive, será votada nesta quarta (22) na Câmara.

Tem um projeto sobre isso, da escala“, disse Ana Paula

Você acha que esses vagabundos vão votar, vão nada. Eles gostam de ter funcionário 24 horas lambendo o rabo deles“, disse Milena

Por isso que a gente tem que fazer passeata, ir para as ruas e pressionar. Tia Milena, antigamente não tinha férias, não tinha décimo terceiro e toda vez que iam sancionar algum direito para os trabalhadores falava que o Brasil ia quebrar“, disse Ana Paula

Ana Paula defendeu o fim da escala 6×1 pela 4ª vez no BBB. Milena, que votou Bolsonaro em 22, concordou.

No Datafolha, 53% dos eleitores de Bolsonaro querem o fim da escala 6×1.

A agenda trabalhista é uma das principais formas de levar o povo para a esquerda! pic.twitter.com/LXEXBf663o

— Análise Política (@analise2025) March 28, 2026

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Câmara debate fim da escala 6×1

7 de Abril de 2026, 18:18

 A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados realiza hoje às 14h uma audiência para debater a PEC (Proposta de emenda à Constituição) pelo fim da escala 6×1, que tramita no congresso desde 2025. Esse modelo de jornada em que o trabalhador tem apenas um dia de folga vem sendo amplamente criticado e debatido. Leia em TVT News.

Motta diz que fim da escala 6×1 será debatida por meio de PEC

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse nesta terça-feira (7) que o governo não vai mais encaminhar um projeto de lei com urgência para tratar do fim da escala de trabalho 6X1. Segundo ele, o debate ocorrerá por meio de uma proposta de Emenda à Constituição (PEC) que, atualmente, está em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

“O governo não mais enviará, segundo o líder do governo [deputado José Guimarães], o projeto de lei com urgência, pactuando assim o entendimento já feito e determinado por essa presidência de que nos iremos analisar a matéria por Projeto de Emenda à Constituição”, disse Motta após reunião de líderes na residência oficial.

Atualmente, a Constituição estabelece que a carga de trabalho será de até oito horas diárias e até 44 horas semanais. A CCJ analisa os textos das PECs apresentadas pela deputada Érika Hilton (PSOL-SP) e pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). A expectativa é que o colegiado análise a admissibilidade da matéria na próxima semana.

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Mudança terá impacto imediato na qualidade de vida dos trabalhadores. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O primeiro acaba com a escala 6×1, de seis dias de trabalho e um de descanso e limita a duração do trabalho normal a 36 horas semanais. O texto ainda faculta a compensação de horas e a redução de jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. Pela proposta, a nova jornada entra em vigor 360 dias após a data da sua publicação.

O segundo projeto também reduz a jornada de trabalho para 36 horas semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, nos mesmos termos da proposta anterior. A matéria, entretanto, prevê que a nova jornada entre em vigor 10 anos após a data de sua publicação.

Acompanhe o debate sobre o fim da escala 6×1 na CCJ da Câmara

Desde a semana passada, havia uma expectativa de envio de projeto de lei elaborado pelo governo Lula sobre o tema que, caso fosse enviado, teria que ser votado com urgência, mas esse texto não foi ainda recebido. O que se discute agora é a PEC que já estava em debate sobre a jornada.

A comissão da Câmara realizará o debate com representantes de confederações do setor produtivo da indústria, agronegócio, comércio e transportes, já que no mês passado foram escutados representantes de sindicatos e o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que é favorável ao fim da escala 6×1.

“Jornadas longas contribuem para o desgaste físico e mental, causam mais acidentes e aumentam o absenteísmo. Nós precisamos de gente na rua, curtindo mais cultura, música e educação. Não precisamos dessa insanidade de trabalhar todos os sábados, domingos e feriados”, afirmou o Ministro em uma audiência pública em março.

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Entenda o que a Câmara discutirá hoje

A CCJ analisa duas principais propostas sobre o tema:

  1. Apresentada pela deputada do Erika Hilton (Psol-SP) e outros parlamentares, a primeira é a PEC 8/2025, que propõe uma jornada 4×3, isto é, 4 dias trabalhados e 3 dias de desncaso, com limite de 36 horas semanais.
  2. De autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), a PEC 221 também reduz de 44 para 36 horas a jornada semanal, mas ao longo de dez anos.

Qual a diferença entre as duas propostas?

A PEC 8 é a proposta que, de fato, pretende acabar com a escala 6×1 e implementar a 4×3. Já a PEC 221 aposta numa redução da jornada ao longo dos anos, sem extinguir com a escala de seis dias de trabalho.

Em fevereiro de 2026, a proposta de Erika Hilton foi anexada à de Reginaldo Lopes, que é o texto base.

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Brasília-DF – 18/03 /2026 Deputada Erika Hilton durante a primeira reunião da comissão de Defesa dos direitos da Mulher. Erika Hilton apresentou um dos projetos de emenda sobre a escala 6×1 que será discutido hoje. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil. da Esh Capital, Vladimir Timerman.

Projeto com urgência constitucional sobre escala 6×1 ainda deve ser enviado pelo governo

Ministros do governo Lula, como Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, havia indicado sobre o envio de PL com urgência.

Além disso, já fazia semanas que outros ministros como Guilherme Boulos e Sidônio Palmeira orientavam que Lula enviasse o texto, que deve ser encaminhado nesta semana.

Já tramitam na Casa outros projetos sobre o assunto, mas uma nova matéria com urgência constitucional transformaria o debate.

Entenda o que mudaria com a PL

Até então a discussão sobre a escala 6X1 se estendia lentamente na Câmara.

Como de praxe, uma PEC exige a análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que é o que ocorrerá nesta terça, além de uma comissão especial antes de ser analisada em plenário.

Por outro lado, caso Lula encamine o projeto de lei com urgência, parlamentares são obrigados a votarem o texto em até 45 dias.

Esse novo caminho tomado pelo governo Lula também garante ao presidente o veredito final sobre a nova regra trabalhista, permitindo que o presidente vete ou não trechos aprovados pelos deputados.

E se o prazo não for respeitado… Quais são as consequências?

Caso a Câmara ou Senado não cumprirem o prazo fixado, a pauta de votações da Casa fica travada.

Como seria o texto enviado pelo governo?

Mesmo que o texto ainda não esteja fechado, a previsão é que o governo defenderá alguns pontos:

  • Dois dias de folga
  • Jornada máxima de 40 horas semanais
  • Jornada 5×2 sem redução salarial

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Brasil quer o fim da escala 6×1, mostra Datafolha

15 de Março de 2026, 16:57

Pesquisa Datafolha divulgada em 14 de março diz que apoio ao fim da escala 6×1 cresce e chega a 71% dos brasileiros. Em novembro de 2024, 64% eram a favor da redução da jornada. Leia em TVT News.

O que diz a pesquisa Datafolha sobre apoio ao fim da escala 6×1

  • 71% dos brasileiros apoiam a redução da jornada de trabalho
  • Mulheres e jovens são os maiores apoiadores do fim da escala 6×1
  • Jovens de 16 a 24 anos compõem o grupo com maior índice de aprovação (83%)
  • Fim da escala 6×1 tem 55% de apoio entre os idosos com 60 anos ou mais.

Fim da escala 6×1 tem apoio de 71% dos brasileiros, mostra pesquisa Datafolha

Levantamento aponta crescimento do apoio popular ao fim da escala 6×1 e indica que maioria da população defende mudanças na jornada de trabalho

Uma pesquisa do instituto Datafolha aponta crescimento no apoio ao fim da escala 6×1 no Brasil. Segundo o levantamento, 71% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, modelo de jornada em que o trabalhador atua seis dias seguidos e tem apenas um dia de descanso semanal.

O índice representa avanço em relação ao levantamento anterior do Datafolha, realizado em dezembro de 2024, quando 64% dos entrevistados defendiam o fim da escala 6×1. A nova pesquisa indica que a pauta da redução da jornada de trabalho vem ganhando força no debate público.

Entre os entrevistados, 27% disseram ser contra o fim da escala 6×1, enquanto 3% afirmaram não saber opinar sobre o tema.

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Protesto pelo fim da escala 6×1. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A pesquisa foi realizada entre 3 e 5 de março, com 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Fim da escala 6×1 ganha apoio entre brasileiros

Os dados do levantamento mostram que sete em cada dez brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, indicando que a discussão sobre mudanças na jornada de trabalho tem ampliado adesão na sociedade.

A escala 6×1 é comum em setores como comércio, serviços e parte da indústria. Nesse modelo, trabalhadores cumprem seis dias consecutivos de trabalho antes de ter um dia de descanso.

O debate sobre o fim da escala 6×1 também aparece em propostas que discutem a redução da jornada semanal de trabalho no país. Atualmente, a Constituição estabelece limite de 44 horas semanais, mas projetos em discussão sugerem diminuir esse teto para 40 horas ou menos, sem redução de salário.

Fim da escala 6×1 divide opiniões sobre impactos econômicos

Apesar do apoio majoritário ao fim da escala 6×1, o levantamento aponta que os brasileiros têm opiniões divididas sobre possíveis efeitos da mudança na economia.

Quando questionados sobre o impacto da redução da jornada para empresas e atividade econômica, 39% afirmam que os efeitos seriam positivos, enquanto outros 39% acreditam que o impacto poderia ser negativo.

Há ainda uma parcela da população que avalia que a mudança teria pouco efeito na economia ou não soube responder.

Especialistas apontam que a redução da jornada de trabalho é tema presente em debates internacionais sobre produtividade, organização do trabalho e qualidade de vida.

Fim da escala 6×1 é visto como avanço para qualidade de vida

A pesquisa também investigou como os brasileiros avaliam os possíveis efeitos do fim da escala 6×1 na vida cotidiana dos trabalhadores.

Segundo o levantamento, 76% dos entrevistados acreditam que a redução da jornada teria efeito positivo na qualidade de vida. A percepção está relacionada ao aumento do tempo disponível para descanso, convivência familiar e atividades pessoais.

Quando a pergunta trata do impacto direto na própria vida, 68% afirmam que o fim da escala 6×1 seria positivo para sua rotina.

O levantamento ainda mostra que parte da população relata dificuldade para equilibrar trabalho e descanso. Entre os entrevistados que trabalham seis ou sete dias por semana, 59% afirmam não ter tempo suficiente para descansar.

Fim da escala 6×1 tem maior apoio entre jovens e mulheres

Os resultados também indicam diferenças de opinião entre grupos da população. O apoio ao fim da escala 6×1 é mais elevado entre mulheres, com 77% favoráveis, enquanto entre os homens o índice é de 64%.

Entre os jovens de 16 a 24 anos, o apoio chega a 83%, um dos percentuais mais altos registrados pela pesquisa. Já entre pessoas com 60 anos ou mais, o índice de apoio é menor, mas ainda majoritário.

O levantamento também aponta diferenças conforme posição política dos entrevistados. Entre pessoas que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, 82% apoiam o fim da escala 6×1. Entre eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro, o índice de apoio é de 55%.

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Pesquisa mostra que mulheres são as mais favoráveis ao fim da escala 6×1. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Fim da escala 6×1 está em debate no Congresso

O tema do fim da escala 6×1 ganhou visibilidade nos últimos anos com mobilizações de trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais que defendem mudanças na jornada semanal.

No Congresso Nacional, parlamentares discutem propostas que tratam da reorganização do tempo de trabalho no Brasil. Entre as ideias apresentadas estão projetos que sugerem redução da jornada semanal para 40 horas ou menos, mantendo os salários.

A pesquisa Datafolha indica que a discussão sobre o fim da escala 6×1 tende a permanecer presente no debate público, diante do crescimento do apoio popular à mudança no modelo de jornada.

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Erika Hilton e o presidente do Sindcato dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges. Fim da escala 6×1 é demanda histórica da classe trabalhadora. Foto: Adonis Guerra

Fim da escala 6×1 é possível: tire suas dúvidas sobre o tema

O que é o fim da escala 6×1?

O debate sobre o fim da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para folgar apenas um — está no centro da discussão nacional.

A proposta é uma bandeira histórica da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e demais centrais sindicais, que apontam ganhos concretos:

  • Melhoria na qualidade de vida
  • Redução do adoecimento e do absenteísmo
  • Aumento da produtividade
  • Estímulo ao consumo
  • Possível geração de novos empregos

Levantamento da Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, mostra que 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, desde que não haja redução salarial. Ou seja: a sociedade entende que trabalhar para viver é diferente de viver para trabalhar.

Quais os impactos do fim da escala 6×1?

De acordo com nota técnica do Institto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), o impacto econômico do fima da escala 6×1 é mínimo:

  • Na indústria e no comércio, o custo operacional adicional seria inferior a 1%.
  • redução da jornada para 40 horas semanais elevaria o custo do trabalho celetista em média 7,84%, mas, considerando o peso da mão de obra no custo total dos setores, o impacto se dilui.
  • Mesmo em setores com alta dependência de mão de obra, como vigilância e limpeza, o impacto é administrável e pode ser enfrentado com políticas de transição.

O próprio Ipea destaca que aumento de custo do trabalho não significa automaticamente queda na produção ou aumento do desemprego.

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Um estudo do Dieese, encomendado pela Contraf-CUT, aponta que a implementação da jornada de quatro dias, entre os bancários que hoje realizam a jornada média de 37 horas semanais, teria o potencial de criar mais de 108 mil vagas no setor, ou 25% do total de vagas que existem atualmente.

“O fim da escala 6×1 pode gerar mais empregos e garantir ao trabalhador tempo para estudar, cuidar da saúde e ter lazer”, afirmou o secretário-geral da CUT, Renato Zulato

Para ele, reduzir jornadas exaustivas é uma medida concreta para abrir vagas e permitir que trabalhadores tenham tempo para qualificação e convivência familiar. “Não se trata apenas de tecnologia, mas de qualidade de vida”, afirmou, ao defender mudanças estruturais.

Já um estudo divulgado em 2024 pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou que a Inteligência Artificial (IA) afetará 60% dos empregos em todo o mundo: metade de forma positiva e metade de forma negativa, ou seja, eliminando a participação humana em vários setores.

Renato Zulato também alertou para os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho. Segundo ele, a transformação digital já altera rotinas produtivas e pode ampliar desigualdades se não houver políticas públicas de qualificação.

“Estamos vivendo a era da inteligência artificial. Se não houver reflexão e políticas de inclusão, parte da população será excluída dos novos processos produtivos e sociais”, disse o secretário geral da CUT.

É possível acabar com a escala 6×1?

Pesquisa da Unicamp corrobora visão do governo Lula, que defende modernização das relações de trabalho como parte da agenda de desenvolvimento social e econômico.

Fim da escala 6×1: estudo aponta que redução da jornada pode gerar 4,5 milhões de empregos

Um levantamento da economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostra que a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas, com o fim da escala 6×1, tem potencial de gerar até 4,5 milhões de novos empregos no Brasil e elevar em cerca de 4% os níveis de produtividade no país. S

O estudo faz parte do Dossiê 6×1, documento elaborado por 63 autores — entre professores, pesquisadores, auditores fiscais do Trabalho e representantes sindicais — que reúne 37 artigos sobre os impactos econômicos e sociais da medida.

A conclusão central do dossiê é direta: o Brasil está pronto para trabalhar menos. O diagnóstico contraria projeções pessimistas do mercado e derruba o argumento de que a mudança poderia provocar queda no PIB ou agravar a insolvência das empresas.

“Não vai ser agora, com avanços tecnológicos, num contexto de pleno emprego, com crescimento econômico e o nível de tecnologia que temos, que não vai ser possível no Brasil reduzir para 40 horas”, afirma Marilane Teixeira.

O que os dados mostram sobre o fim da escala 6×1

Com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE, o dossiê revela que aproximadamente 21 milhões de trabalhadores brasileiros cumprem jornada superior às 44 horas previstas na CLT. Outros 76,3% das pessoas ocupadas no país trabalham mais de 40 horas por semana — o que derruba a narrativa de que o brasileiro trabalha pouco.

A pesquisadora também chama atenção para os custos humanos da sobrecarga: em 2024, o Brasil registrou meio milhão de afastamentos por doenças psicossociais decorrentes de condições desfavoráveis no trabalho — apenas no emprego formal.

A redução da jornada atingiria diretamente 76 milhões de trabalhadores caso a escala 4×3 seja adotada, e beneficiaria cerca de 45 milhões na hipótese de migração para a jornada de 40 horas semanais em escala 5×2. 

Ipea diz que é possível acabar com a escala 6×1

O estudo da Unicamp se soma a outras análises que sustentam tecnicamente a posição do governo.

Uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicada em fevereiro de 2026, concluiu que os custos da redução da jornada para 40 horas seriam comparáveis aos de reajustes históricos do salário mínimo — medidas que não geraram desemprego. Nos grandes setores empregadores, como indústria e comércio, o impacto no custo operacional seria inferior a 1%.

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Fim da escala 6×1 pode melhorar qualidade de vida e produtividade, diz dirigente metalúrgico

10 de Março de 2026, 15:47

O debate sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho sem redução de salário ganhou força no Congresso Nacional e passou a mobilizar sindicatos e movimentos sociais em todo o país. Em entrevista ao Jornal TVT News Primeira Edição, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal), Leandro Cândido Soares, defendeu a proposta como uma medida necessária para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e enfrentar o adoecimento provocado pelo excesso de trabalho. Leia em TVT News.

O fim da escala 6×1, que tramita como uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), começa a ser discutida no Congresso com a realização de audiências públicas. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou apoio à pauta, considerada estratégica para a agenda trabalhista. A expectativa é que a Câmara dos Deputados avance na análise do tema nos próximos meses.

Para Soares, a redução da jornada de trabalho é uma tendência internacional e responde a uma realidade cada vez mais visível no mundo do trabalho: o aumento dos problemas de saúde mental entre trabalhadores.

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“Essa é uma pauta prioritária da classe trabalhadora. O próprio governo encampou essa ideia porque os dados mostram o adoecimento causado pelo excesso de trabalho. Hoje vemos muitos afastamentos por doenças mentais, muito estresse no ambiente de trabalho”, afirmou, sobre o fim da escala 6×1.

Segundo o dirigente do SMetal, o impacto da jornada excessiva é ainda maior entre as mulheres, que enfrentam dupla ou tripla jornada ao conciliar emprego, tarefas domésticas e cuidados familiares. Ele citou estudos que apontam que as mulheres trabalham, em média, até 21 horas a mais por semana quando se considera o trabalho não remunerado.

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“Trabalhadores precisam produzir, mas também precisam de descanso”. diz Leandro. Foto: Reprodução

“Isso tem impactos significativos na saúde e na qualidade de vida. Os trabalhadores precisam produzir, gerar riqueza para o país, mas também precisam de descanso, de tempo com a família, de tempo para se qualificar”, destacou.

Para o líder do SMetal, o fim da escala 6×1 — em que o trabalhador atua seis dias seguidos e descansa apenas um — é um passo fundamental nesse processo. Ele argumenta que jornadas menores podem, inclusive, aumentar a produtividade.

Soares citou o exemplo do setor metalúrgico em Sorocaba, onde negociações coletivas já reduziram a jornada em parte das empresas.

Escala 6×1 é improdutiva

“Na nossa base, cerca de 60% dos trabalhadores já têm jornadas abaixo de 42 horas semanais. E a produção aumenta. Quando o trabalhador descansa mais, volta ao trabalho com a mente mais tranquila e produz com mais qualidade e segurança”, afirmou.

O dirigente também lembrou que várias montadoras já operam com jornadas de 40 horas semanais e mantêm altos níveis de produção.

“Há 20 anos se produzia menos do que hoje, mesmo com jornadas menores. Isso mostra que é possível avançar. Em alguns lugares já se discute até modelos como escala 4×3 ou 4×2. Então esse debate não é nenhum absurdo”, disse.

Para ele, argumentos de que a redução da jornada poderia prejudicar a economia repetem discursos usados historicamente contra direitos trabalhistas.

“Foi assim quando se criou o 13º salário, foi assim em várias outras conquistas. Sempre dizem que vai quebrar a economia, mas acontece justamente o contrário: melhora a qualidade de vida e aumenta a produtividade.”

Além da discussão institucional no Congresso, Soares considera que a mobilização popular será decisiva para o avanço da proposta. Segundo ele, a pressão social foi fundamental em outras pautas recentes, como o debate sobre justiça tributária.

“Se não houver mobilização, as coisas não avançam. É no asfalto que mostramos o poder da classe trabalhadora”, afirmou.

Nesse contexto, sindicatos e movimentos sociais articulam uma mobilização nacional para o dia 20 de março, com o objetivo de pressionar parlamentares a apoiar a proposta.

“O recado das ruas será muito importante. Nós estamos organizando assembleias, dialogando com as categorias e preparando essa mobilização para mostrar a importância dessa pauta.”

Soares também afirmou que o debate sobre a jornada de trabalho deve ganhar centralidade no cenário político e eleitoral nos próximos anos. Para ele, a composição do Congresso terá impacto direto na possibilidade de aprovação de propostas que ampliem direitos trabalhistas.

“O que está em jogo é a defesa dos direitos dos trabalhadores e da própria democracia. Hoje temos um Congresso que muitas vezes não representa os interesses da classe trabalhadora”, disse.

Segundo o dirigente, a comparação entre políticas adotadas em diferentes períodos recentes da política brasileira pode influenciar o debate público e as escolhas eleitorais.

“É só olhar os dados e fazer comparações. O que está em disputa é justamente o modelo de país: um país que amplie direitos e reduza desigualdades ou um país que retire conquistas da classe trabalhadora.”

Para Soares, o avanço da proposta de redução da jornada de trabalho representa uma oportunidade histórica de atualizar a legislação trabalhista brasileira diante das transformações no mundo do trabalho.

“O trabalhador precisa de dignidade e qualidade de vida. Produzir é importante, mas viver também é”, concluiu.

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Mobilização no Congresso pressiona por avanço do fim da escala 6×1

10 de Março de 2026, 14:43

Na manhã desta terça-feira (10), mobilizadores da ONG Nossas realizaram uma ação em frente ao Congresso Nacional, na Alameda dos Estados, para pressionar pelo avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de trabalho 6×1. A medida está em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados e será pauta de audiência pública com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, nesta tarde. Leia em TVT News.

Durante a intervenção, os ativistas exibiram uma réplica ampliada de uma Carteira de Trabalho, utilizada como símbolo do pedido popular por uma atualização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A proposta defendida pelos movimentos prevê a redução da jornada semanal para 36 horas e a garantia de dois dias de descanso.

A mobilização também tem como foco pressionar o relator da matéria na CCJ, deputado Paulo Azi (União-BA), para que apresente parecer favorável à proposta. Segundo os organizadores, a campanha busca dar visibilidade à demanda de trabalhadores por melhores condições de trabalho e mais equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

Fim da 6×1 é urgente

“O fim da escala 6×1 é um clamor da classe trabalhadora contra a exploração que essa jornada representa. Viemos para a frente do Congresso Nacional e do Ministério do Trabalho porque é urgente que a PEC, com redução da jornada para 36 horas semanais, seja aprovada. Sabemos que há lideranças tentando enterrar a tramitação ou piorar o projeto. Não vamos retroceder. Hoje, o ministro do Trabalho estará na CCJ em uma audiência pública sobre o projeto, e estaremos pressionando o Legislativo e o Executivo para que trabalhadores vivam a realidade da PEC”, afirma Lucas Louback, gestor de advocacy do Nossas.

A pauta do fim da escala 6×1 tem ganhado espaço no debate público e nas redes sociais, impulsionada por relatos de trabalhadores que enfrentam jornadas longas e apenas um dia de descanso semanal. A proposta pretende modernizar as regras da jornada de trabalho no país e ampliar o tempo de descanso da classe trabalhadora.

A ação faz parte de uma campanha nacional articulada pela ONG Nossas, pelo Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), e pelos gabinetes da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e do vereador Rick Azevedo (PSOL-RJ). A população pode apoiar por meio do site www.fimdaescala6x1.com.

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Fim da escala 6×1: Lula propõe negociação entre patrões, empregados e governo

4 de Março de 2026, 12:36

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs, na noite desta terça-feira (3), que a proposta de lei para o fim da escala 6×1 seja construída, em conjunto, por empregados, patrões e o governo. Leia em TVT News.

A declaração de Lula ocorreu na abertura da Segunda Conferência do Trabalho, que ocorre na capital paulista até o próximo dia 5, no Anhembi.

Segundo o presidente, para os trabalhadores, será mais vantajoso realizar um acordo com a classe empresarial antes de o Congresso apreciar o fim da escala 6×1.

“É melhor vocês construírem negociando do que vocês terem que engolir uma coisa aberta [vinda do Congresso], e depois ter de recorrer à Justiça do Trabalho”, disse.

“Tanto será melhor para nós se o que sair for o resultado de um acordo pelo fim da escala 6×1 entre os empresários, os trabalhadores e o governo”, acrescentou.

O presidente disse ainda que o governo não irá “pender para um lado” nas discussões.

“Não iremos prejudicar os trabalhadores. E também não queremos contribuir com o prejuízo da economia brasileira. Nós queremos contribuir para, de forma bem pensada, bem harmonizada, encontrar uma solução”, disse.

O encontro, no Anhembi, visa, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, estabelecer diretrizes para a promoção do trabalho decente no Brasil e fortalecer o diálogo social e a construção coletiva de políticas públicas.

Bruno Bocchini – Repórter da Agência Brasil

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Sakamoto – Fim da 6×1: Maioria dos empreendedores não vê impacto negativo, diz Sebrae

22 de Fevereiro de 2026, 12:33
Manifestantes protestam pelo fim da escala 6×1 na Avenida Paulista

Por Leonardo Sakamoto

Dos responsáveis por pequenos negócios, 47% afirmam que o fim da escala 6×1 não trará impacto para suas empresas. Outros 9% veem possibilidade de impacto positivo, 32% estimam impacto negativo e 12% não souberam opinar. Ou seja, predomina a percepção de que a garantia de dois dias de descanso não irá afetar a maioria dos empreendedores.

Os dados estão em pesquisa interna do Sebrae, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, sobre o assunto, coletada no final de 2024 junto a empresas de pequeno porte, microempresas e microempreendedores individuais, e que não havia sido divulgada à imprensa. A margem de erro é de um ponto em relação ao universo dos pequenos negócios no Brasil e o intervalo de confiança é de 95%.

O Congresso Nacional está discutindo propostas que podem levar ao fim da escala 6×1 de trabalho, reduzindo a jornada para 40 ou 36 horas semanais. Pesquisa Genial/Quaest, divulgada em dezembro, aponta que 72% da população apoiam o fim da escala 6×1, contra 24% que se posicionam de forma contrária à mudança.

Entre os microempreendedores individuais (MEI), 53% afirmam que a alteração não afetará seus negócios. Nesse grupo, 11% projetam impacto positivo, 23% acreditam em impacto negativo e 13% não sabem. Já entre as micro e pequenas empresas (MPE), 40% avaliam que não haverá impacto, enquanto 7% enxergam impacto positivo, 44% estimam impacto negativo e 9% não souberam responder.

Quando analisados apenas os responsáveis por microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), a percepção de impacto varia conforme o segmento econômico. No total geral desse recorte, 44% projetam impacto negativo e 47% afirmam que não haverá impacto ou ele será positivo.

Manifestantes protestam pelo fim da escala 6×1 na Avenida Paulista, com bandeira do movimento VAT – Vida além do trabalho

Serviços de alimentação, pet shops e veterinária, indústria alimentícia, comércio varejista, energia, turismo e oficinas e peças de automóveis são os setores nos quais mais empreendedores avaliam que haverá mais impactos negativos do que neutros e positivos.

No setor de serviços de alimentação, 64% estimam efeito adverso, enquanto 24% avaliam que não haverá impacto ou o ele será positivo. Em pet shops e serviços veterinários, 59% apontam impacto negativo, 26% não preveem alterações ou que elas serão boas. Na indústria alimentícia, 58% a 32%, respectivamente; no comércio varejista, 57% a 36%; na moda, 55% a 31%; energia, 51% a 43%; turismo, 51% a 47%; e oficinas e peças de automóveis, 50% a 35%.

Por outro lado, há segmentos em que predomina a percepção de que o fim da escala 6×1 será neutra ou positiva. Ou seja, que não veem prejuízo com a mudança.

Em academias e atividades físicas, 75% afirmam que a mudança não deverá impactar suas atividades ou projetam impacto positivo enquanto 11% dizem que ele será negativo. É seguido de logística e transporte (62% a 19%, respectivamente), artesanato (45% a 30%), economia criativa (66% a 31%), beleza (63% a 32%), serviços empresariais (56% a 34%), educação (60% a 35%), saúde (52% a 36%), serviços pessoais (58% a 38%), agronegócio (51% a 41%), indústria de base tecnológica (54% a 43%) e outras atividades industriais (51% a 42%).

“Entendemos que as mudanças na jornada devem ser feitas com diálogo e a partir de uma negociação com amplos setores da sociedade, garantindo segurança jurídica e sustentabilidade para empresas e trabalhadores”, afirma o presidente do Sebrae, Décio Lima. “Acreditamos que o fim da escala 6×1, além de melhorar a qualidade de vida da população, pode proporcionar um aumento da oferta de emprego e avanços em produtividade”, acrescenta.

Para ele, em vez de focar na simples compensação de horas, as empresas devem ser estimuladas a investir em tecnologias e métodos de trabalho que aumentem a produtividade.

Publicado originalmente no Uol

Motta quer votar PEC do fim da escala 6×1 até maio

10 de Fevereiro de 2026, 14:30

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta terça-feira (10) que pretende incluir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 — regime em que o trabalhador cumpre seis dias trabalhados e apenas um de descanso — na pauta de votações ainda nos próximos meses, com expectativa de votação em plenário até maio de 2026. Leia em TVT News.

A declaração reforça a movimentação recente do Legislativo para destravar uma das principais pautas trabalhistas em tramitação no Congresso Nacional. Na segunda-feira (9), Motta encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara uma versão unificada da PEC que trata do fim da escala, consolidando duas propostas originárias de parlamentares de diferentes espectros políticos — a PEC 8/25, de iniciativa da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), e a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).

Em suas redes sociais, Motta destacou a abertura de um “debate amplo” sobre o tema, que tem gerado intensas discussões entre trabalhadores, empregadores e representantes sindicais. “Vamos ouvir todos os setores com equilíbrio e responsabilidade para entregar a melhor lei para os brasileiros”, escreveu o presidente da Câmara, enfatizando a importância de amadurecer a proposta antes da votação.

Participei, agora pela manhã, do evento CEO Conference, organizado pelo @BTGPactual. Na ocasião, reforcei as prioridades da Câmara dos Deputados para 2026. A PEC da redução da jornada de trabalho 6×1 é uma destas agendas.

A tramitação via Proposta de Emenda Constitucional é, ao…

— Hugo Motta (@HugoMottaPB) February 10, 2026

Tramitação do fim da escala 6×1

Com o envio à CCJ, a PEC do fim da escala 6×1 entra na fase de análise de admissibilidade constitucional — etapa em que os deputados da comissão verificam se a proposta atende aos requisitos formais e pode seguir para os demais trâmites legislativos. Caso a CCJ a aprove, o texto ainda precisa passar por uma comissão especial, onde ocorrerá o debate mais detalhado e possíveis ajustes, antes de ir a votação em dois turnos no Plenário da Câmara. Só depois disso a proposta segue para apreciação no Senado.

Motta afirmou, em declarações à imprensa, que a previsão de votação no plenário até maio é um marco temporal desejado pelo Legislativo para apresentar uma posição do Parlamento sobre o tema antes de comprometer a agenda legislativa do segundo semestre e o calendário eleitoral. “Temos a consciência de que, com o avanço tecnológico e com tudo que temos hoje como ferramenta de trabalho, a discussão sobre redução de jornada se tornou inadiável”, declarou o presidente da Câmara ao comentar o cronograma.

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“Vamos ouvir todos os setores e entregar a melhor lei para os brasileiros”, disse Motta. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A pauta do fim da escala 6×1 ganhou relevância no início de 2026 também após o envio da mensagem presidencial ao Congresso Nacional, na qual o governo federal sinalizou a prioridade de avançar na redução da jornada de trabalho sem redução de salários — uma bandeira defendida pela base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A medida tem sido defendida como uma resposta às demandas por qualidade de vida e condições de trabalho mais dignas, especialmente por organizações sindicais e movimentos sociais, que vêm organizado campanhas públicas e mobilizações nas redes sociais em favor da PEC. Por outro lado, representantes do setor empresarial e de alguns sindicatos patronais alertam para potenciais impactos econômicos e operacionais, principalmente para pequenos e médios negócios que operam com escalas de trabalho contínuas.

A tramitação de uma PEC exige maioria qualificada (três quintos dos votos) em dois turnos nas duas casas do Congresso, um patamar mais elevado que o de projetos de lei ordinários, o que torna o consenso político um elemento crucial para o êxito da proposta. Além disso, diversas versões da proposta e propostas alternativas, incluindo modelos que preveem transição mais gradual ou flexibilização por setor econômico, seguem em debate entre parlamentares e especialistas em direito do trabalho.

Críticos da tramitação observam que, apesar da movimentação recente, a agenda legislativa é extensa e há desafios logísticos e políticos para garantir o cumprimento da meta de votação em maio — uma pressão que se soma à necessidade de articulação entre lideranças partidárias para assegurar os votos suficientes nas etapas seguintes.

Enquanto a CCJ não fixa data para análise da admissibilidade, a proposta segue como um dos temas centrais no início do ano legislativo no Congresso. A expectativa oficial é de que o debate seja ampliado nas próximas semanas, com audiências públicas, consultas setoriais e manifestações de entidades representativas, num processo que visa construir um texto final que contemple diferentes interesses sem comprometer direitos fundamentais dos trabalhadores.

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