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Trump diz que inflação é ‘de curto prazo’ e que não pensa na situação financeira dos americanos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira, 12, que a alta da inflação no país será de “curto prazo”, alegando que suas políticas estão funcionando mesmo em meio à guerra com o Irã.

“Eu não penso na situação financeira dos americanos”, afirmou, fora da Casa Branca, antes de partir para sua viagem à China. “Eu não penso nisso. Eu penso em uma coisa: não podemos deixar o Irã ter uma arma nuclear.”

O republicano enfatizou que a inflação durante seu mandato está menor do que na época do ex-presidente Joe Biden e frisou que os preços do petróleo vão cair e ações subirão ainda mais com o fim do conflito.

“O mais importante, independentemente de o nosso mercado de ações – que, aliás, está em alta histórica – subir ou descer um pouco é que o Irã não pode ter uma arma nuclear” disse.

Ainda sobre a política externa, o presidente dos EUA comentou que garantirá a libertação de todos os presos políticos na Venezuela e que falará sobre Cuba “na hora certa”, chamando a ilha caribenha de “falida”.

Trump também confirmou que Dr. Marty Makary está fora do cargo de comissário da Agência de Controle de Alimentos e Medicamentos (FDA, em inglês).

Seu mandato, segundo a CNBC, foi marcado por disfunções internas e turbulências na liderança, juntamente com uma crescente reação negativa de fabricantes de medicamentos, médicos e grupos de pacientes sobre decisões regulatórias.

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Justiça dos EUA barra proibição imposta por Trump para solicitar asilo na fronteira

Nesta sexta-feira, 24, um tribunal de apelação bloqueou o decreto do presidente americano, Donald Trump, que suspendia o acesso ao asilo na fronteira sul dos Estados Unidos, um pilar fundamental do plano do presidente republicano para reprimir a imigração.

Um painel de três juízes do Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para o Distrito de Columbia concluiu que as leis de imigração conferem às pessoas o direito de solicitar asilo na fronteira, e que o presidente não pode contornar essa disposição.

A decisão do tribunal decorre de uma medida tomada por Trump no dia da posse em 2025, quando ele declarou que a situação na fronteira sul constituía uma invasão dos Estados Unidos e que estava “suspendo a entrada física” de migrantes e sua capacidade de solicitar asilo até que ele decidisse que a situação havia terminado.

O tribunal concluiu que a Lei de Imigração e Nacionalidade não autoriza o presidente a remover os requerentes por meio de “procedimentos de sua própria autoria”, nem lhe permite suspender o direito dos requerentes de solicitar asilo ou restringir os procedimentos para julgar suas alegações contra a tortura.

“O poder, por meio de proclamação, de suspender temporariamente a entrada de estrangeiros específicos nos Estados Unidos não inclui autoridade implícita para se sobrepor ao processo obrigatório previsto na Lei de Imigração e Nacionalidade (INA) para a remoção sumária de estrangeiros”, escreveu a juíza J. Michelle Childs.

“Concluímos que o texto, a estrutura e a história da INA deixam claro que, ao conceder o poder de suspender a entrada por meio de proclamação presidencial, o Congresso não teve a intenção de conceder ao Executivo a ampla autoridade de remoção que este alega ter”, afirmou o parecer.

O governo pode solicitar que o tribunal de apelações, em sua composição completa, reconsidere a decisão ou recorrer à Suprema Corte. A ordem não entra formalmente em vigor até que o tribunal analise qualquer pedido de reconsideração.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, em entrevista ao canal de TV Fox News, disse que não tinha visto a decisão, mas a considerou “previsível”, culpando juízes com motivações políticas. “Eles não estão agindo como verdadeiros defensores da lei. Estão analisando esses casos sob uma ótica política”, disse ela. Leavitt afirmou que Trump estava tomando medidas que estão “totalmente dentro de seus poderes como comandante-chefe”.

Outra porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, afirmou que o Departamento de Justiça irá recorrer da decisão. “Estamos certos de que seremos absolvidos”, escreveu ela em comunicado enviado por e-mail.

O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) declarou discordar veementemente da decisão. “A principal prioridade do presidente Trump continua sendo a triagem e a verificação de todos os estrangeiros que pretendem entrar, morar ou trabalhar nos Estados Unidos”, afirmou o DHS em comunicado.

Defensores acolhem a decisão

Aaron Reichlin-Melnick, pesquisador sênior do Conselho Americano de Imigração, disse que ações judiciais anteriores já haviam suspendido a proibição de asilo, e que a decisão não mudará muito na prática. A decisão, no entanto, representa mais uma derrota jurídica para uma das principais políticas do presidente.

“Isso confirma que o presidente Trump não pode, por conta própria, impedir que as pessoas busquem asilo; que foi o Congresso que determinou que os requerentes de asilo têm o direito de solicitar asilo, e que o presidente não pode simplesmente invocar sua autoridade para sustentar essa medida”, disse Reichlin-Melnick.

Defensores afirmam que o direito de solicitar asilo está consagrado na legislação de imigração do país e que negar esse direito aos migrantes coloca em grave perigo as pessoas que fogem da guerra ou da perseguição.

Lee Gelernt, advogado da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), que defendeu o caso, afirmou em comunicado que a decisão do tribunal de apelação é “essencial para aqueles que fogem do perigo e aos quais foi negada até mesmo uma audiência para apresentar pedidos de asilo, em virtude do decreto ilegal e desumano do governo Trump”.

O Las Americas Immigrant Advocacy Center, um dos demandantes no processo, saudou a decisão do tribunal como uma vitória para seus clientes. “A decisão de hoje do Circuito de DC afirma que ações caprichosas do presidente não podem suplantar o Estado de Direito nos Estados Unidos”, disse Nicolas Palazzo, diretor de defesa e serviços jurídicos do Las Americas.

O juiz Justin Walker, indicado por Trump, redigiu um voto divergente parcial. Ele afirmou que a lei oferece proteção aos imigrantes contra a deportação para países onde seriam perseguidos, mas que o governo pode emitir recusas generalizadas de pedidos de asilo.

Walker, no entanto, concordou com a maioria ao afirmar que o presidente não pode deportar migrantes para países onde serão perseguidos nem privá-los dos procedimentos obrigatórios que os protegem contra a expulsão.

No decreto presidencial, Trump argumentou que a Lei de Imigração e Nacionalidade confere aos presidentes a autoridade para suspender a entrada de qualquer grupo que considerem “prejudicial aos interesses dos Estados Unidos”.

A ordem de Trump foi mais um golpe contra o acesso ao asilo nos EUA, que foi severamente restringido sob o governo Biden, embora sob Biden, algumas vias de proteção para um número limitado de requerentes de asilo na fronteira sul tenham continuado.

Para Josué Martínez, psicólogo que trabalha em um pequeno abrigo para migrantes no sul do México, a decisão representou uma possível “luz no fim do túnel” para muitos migrantes que antes esperavam pedir asilo nos EUA, mas acabaram presos em condições precárias no México.

“Espero que haja algo mais concreto, porque já ouvimos esse tipo de notícia antes: um juiz distrital entra com um recurso, há uma suspensão temporária, mas é apenas temporária e depois acaba”, disse ele.

Enquanto isso, migrantes do Haiti, de Cuba, da Venezuela e de outros países têm lutado para sobreviver enquanto tentam buscar refúgio no sistema de asilo do México, que está praticamente colapsado sob o peso de novas pressões e cortes nos fundos internacionais.

Esta semana, centenas de migrantes, em sua maioria migrantes do Haiti que ficaram retidos, deixaram a cidade de Tapachula, no sul do México, a pé, em busca de melhores condições de vida em outras partes do país. 

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Irã fará oferta para atender às exigências dos EUA, diz Trump

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse à Reuters nesta sexta-feira que o Irã planeja fazer uma oferta para atender às exigências norte-americanas, em meio à expectativa de retomada das negociações no Paquistão.

“Eles estão fazendo uma oferta e teremos que ver o que acontece”, disse Trump durante uma entrevista por telefone, acrescentando desconhecer qual seria a oferta.

Questionado sobre quem seriam os interlocutores dos EUA nas negociações, Trump disse: “Não quero dizer isso, mas estamos lidando com as pessoas que estão no comando agora.”

Trump planeja escalar os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner para conversas com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, em Islamabad, e a dupla partirá na manhã de sábado, disse a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, a jornalistas nesta sexta-feira.

A Reuters havia informado anteriormente que Araqchi era esperado na capital paquistanesa, Islamabad, nesta sexta-feira, para discutir propostas para a retomada das negociações de paz com os Estados Unidos.

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Wall Street fecha sem direção única; Nasdaq e S&P 500 batem novos recordes

Os índices de Wall Street fecharam sem direção única nesta sexta-feira (24) à espera das negociações entre Estados Unidos e Irã no Paquistão. Mesmo assim, o Nasdaq e o S&P 500 bateram novos recordes, impulsionados pelas ações de tecnologia.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: -0,16%, aos 49.229,48 pontos;
  • S&P 500: +0,80%, aos 7.165,08 pontos – no maior nível nominal histórico;
  • Nasdaq: +1,63%, aos 24.836,59 pontos – no maior nível nominal histórico.

Na semana, os números também são mistos: o Dow Jones recuou 0,4%, enquanto S&P 500 subiu cerca de 0,6% e Nasdaq avançou 1,5%.

No fechamento, o VIX (CBOE Volatility Index), considerado um termômetro de risco dos mercados atrelado ao S&P 500, operava em queda de 3,57%, aos 18,62 pontos – o que é considerado como um “ambiente normal” no mercado.

Wall Street acompanha balanços e guerra

Os investidores acompanharam os desdobramentos da guerra entre Estados Unidos e Irã, com sinais de nova rodada de negociações neste fim de semana, e os balanços corporativos.

Durante a tarde, a Casa Branca anunciou a ida de Steve Witkoff e Jared Kushner ao Paquistão para negociações com o Irã trouxe certo alívio para os mercados. A operação dos EUA no país persa passou para a “fase diplomática”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.

Mais cedo, a agência de notícias Associated Press informou, segundo dois funcionários paquistaneses, que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, viaja para o Paquistão para negociações neste final de semana e deve chegar ainda nesta sexta-feira.

À Reuters, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o Irã planeja fazer uma oferta para atender às exigências norte-americanas, em meio à expectativa de retomada das negociações no Paquistão.

“Eles estão fazendo uma oferta e teremos que ver o que acontece”, disse Trump durante entrevista por telefone, acrescentando desconhecer qual seria a oferta.

O presidente dos EUA afirmou ainda “não querer dizer” quais são os interlocutores dos EUA nas negociações, mas que estão “lidando com pessoas que estão no comando agora”.

Apesar dos acenos diplomáticos, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou novas sanções contra o Irã, incluindo o congelamento de US$ 344 milhões em criptomoedas.

Em publicação no X, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que “continuará a degradar sistematicamente a capacidade de Teerã de gerar, movimentar e repatriar recursos”.

O S&P 500 subiu impulsionado pela disparada de 23% das ações da Intel, após balanço trimestral melhor do que o esperado pelo mercado.

Dados econômicos

No front econômico, a confiança do consumidor dos EUA caiu em abril para o menor nível da série, conforme a guerra com o Irã alimentou temores de inflação, mostrou uma pesquisa nesta sexta-feira.

A Pesquisa do Consumidor da Universidade de Michigan mostrou que seu Índice de Opinião do Consumidor caiu para uma leitura final de 49,8 neste mês, nível mais baixo já registrado para o dado mensal fechado.

Os economistas consultados pela Reuters haviam previsto o índice em 48,0. Ele estava em 53,3 em março.

*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo

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“Não faz diferença”, diz Trump sobre resultado das negociações sobre a guerra

O presidente Donald Trump afirmou, neste sábado (11), que o resultado das negociações em curso no Paquistão é irrelevante para os Estados Unidos. Em conversa com a imprensa na Casa Branca, o republicano demonstrou indiferença quanto à possibilidade de um acordo com o governo iraniano, alegando que os EUA já alcançaram seus objetivos por meio da força.

Para o líder americano, o país já pode ser considerado vitorioso no conflito. Trump justificou sua posição repetindo que as capacidades militares do Irã (incluindo sua marinha, força aérea e comando central) foram desmanteladas pelas ações dos EUA. “Não faz diferença”, declarou ao ser questionado sobre o diálogo que ocorre em Islamabad.

“Independentemente do que aconteça, nós vencemos”, afirmou. “Derrotamos completamente aquele país.”

Além de subestimar as negociações diplomáticas, Trump reiterou que os esforços atuais de Washington são especificamente para manter o Estreito de Ormuz liberado. 

Segundo ele, essa operação de segurança marítima beneficia nações que ele classificou como incapazes de agir por conta própria, chamando-as de “fracas” ou “medrosas”.

O presidente também aproveitou a oportunidade para disparar críticas contra os aliados tradicionais. 

Ele afirmou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) não prestou o auxílio esperado aos Estados Unidos durante o enfrentamento, reforçando sua postura de distanciamento em relação à aliança militar.

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Wall Street fecha sem direção única com expectativa de um cessar-fogo no Oriente Médio

Os índices de Wall Street encerraram o pregão desta terça-feira (7) com a expectativa de um cessar-fogo no Oriente Médio após o Paquistão, mediador das negociações entre EUA e Irã, pedir o prolongamento do prazo de Trump.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: -0,18%, aos 46.584,46 pontos;
  • S&P 500: +0,08%, aos 6.616,85 pontos;
  • Nasdaq: +0,10%, aos 22.017,84 pontos.

O VIX (CBOE Volatility Index), considerado um termômetro de risco dos mercados atrelado ao S&P 500, encerrou aos 25,74 pontos (+6,41%). O número na faixa de 25 a 30 pontos indica “turbulência” no mercado.

Novas ameaças de Trump ao Irã

Hoje pela manhã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom e disse que “toda a civilização morrerá hoje à noite” se um acordo com o Irã não for firmado, em publicação na rede social Truth.

Apesar do tom, a pressão para um acordo com o Irã já havia se intensificado nos últimos dias. No domingo (5), Trump emitiu uma ameaça repleto de palavrões, alertando o Irã de que estaria “vivendo no inferno” se o Estreito de Ormuz não fosse reaberto até esta terça-feira às 21h (horário de Brasília).

Também nesta terça-feira, o vice-presidente norte-americano, JD Vance, afirmou que a guerra com o Irã será concluída “muito em breve” e indicou que Washington ainda espera avanços diplomáticos até o prazo final imposto pelo presidente Donald Trump, às 21h (de Brasília).

No início da tarde, o New York Times noticiou que o Irã suspendeu as negociações com os EUA e também informou ao Paquistão, mediador das tratativas entre os dois países, que não participará de mais conversas sobre um cessar-fogo.

Já na reta final do pregão, o Pasquistão pediu para Trump estender o prazo de tratativas por duas semanas.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, disse que os “os esforços diplomáticos para uma resolução pacífica da guerra em curso no Oriente Médio estão progredindo de forma constante, firme e eficaz, com potencial para alcançar resultados substanciais em um futuro próximo”, em publicação na rede social X.

Sharif ainda sugeriu que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz “como um gesto de boa vontade” nessas duas semanas, como parte do cumprimento de um cessar-fogo entre os dois países nesse intervalo.

*Com informações de Reuters

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“Se Trump vacilar, as coisas vão piorar muito”, diz Roubini sobre guerra dos EUA com Irã

O mundo – e os mercados – torcem para que a guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã termine o quanto antes, para colocar fim à pressão sobre o preço do petróleo. Mas o economista Nouriel Roubini avalia que a situação ainda vai piorar antes de melhorar. Com a ameaça de Donald Trump […]

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Trump reitera ameaça de destruir o Irã. ‘Uma civilização inteira morrerá esta noite’

O presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou seu ultimato para que o Irã aceite um acordo de cessar-fogo ou enfrente uma grande escalada militar, enquanto ambos os lados mantêm ataques na sexta semana de guerra.

Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser recuperada. Não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá”, disse Trump em uma postagem nas redes sociais na terça-feira (7). “Talvez algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE? Vamos descobrir esta noite.”

Os comentários vieram enquanto os EUA e Israel mantinham bombardeios contra o Irã — incluindo ataques ao polo exportador de petróleo da Ilha de Kharg — enquanto a República Islâmica disparava mísseis através do Golfo Pérsico. Trump ameaçou destruir usinas de energia, pontes e outras infraestruturas iranianas caso não haja acordo até as 20h (horário do leste dos EUA).

Falando em Budapeste, o vice-presidente JD Vance disse estar confiante de que o Irã dará uma resposta até lá.

Crime de guerra

As Nações Unidas alertaram que ataques indiscriminados a infraestrutura civil podem constituir crime de guerra. Trump afirmou não estar “nem um pouco” preocupado com essa possibilidade.

O mais recente ultimato marca um momento crítico no conflito, que já matou mais de 5.200 pessoas — a maioria no Irã e no Líbano — e atingiu instalações de energia em toda a região. O presidente começou a impor prazos em 21 de março para forçar o Irã a reabrir o estratégico Estreito de Ormuz, tendo prorrogado o prazo diversas vezes, mas disse na segunda-feira que é “altamente improvável” que volte a fazê-lo.

A liberdade de navegação pelo estreito deve fazer parte de qualquer acordo, afirmou Trump.

A agência semioficial iraniana Mehr informou que explosões foram ouvidas na Ilha de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do país.

A Fox News relatou que os EUA atingiram bunkers, uma estação de radar e depósitos de munição, além de um impacto não intencional nos cais da ilha. Duas pessoas morreram em um ataque EUA-Israel a uma ponte ferroviária próxima à cidade iraniana de Kashan, segundo a agência estatal Nour News.

Israel se prepara para a possibilidade de que os combates continuem por várias semanas e, na terça-feira, alertou iranianos a não utilizarem a rede ferroviária até as 21h no horário local — um tipo de aviso que costuma anteceder ataques a áreas civis.

Petróleo

O petróleo reduziu ganhos à medida que investidores hesitam diante do prazo imposto por Trump, com o risco de escalada sendo parcialmente compensado por sinais de cessar-fogo. O Brent era negociado ligeiramente acima de US$ 110 por barril em Londres.

Trump afirmou na segunda-feira que as negociações com o Irã estão “indo bem” e que a reabertura do estreito é “uma prioridade muito grande”.

“Precisamos de um acordo aceitável para mim, e parte disso será garantir o livre fluxo de petróleo e de tudo mais”, disse.

O militar norte-americano poderia destruir “todas as pontes do Irã”, acrescentou. Usinas seriam deixadas “em chamas, explodindo e sem nunca mais poderem ser usadas”.

O Irã alertou que responderia a uma escalada desse tipo intensificando seus próprios ataques à infraestrutura energética no Golfo — o que poderia agravar a crise global de combustíveis e ampliar os danos à economia mundial.

A República Islâmica lançou sete mísseis balísticos e vários drones contra a Arábia Saudita durante a madrugada de terça-feira, e destroços de interceptações caíram nas proximidades de instalações energéticas, segundo o reino. Uma ponte importante que liga Bahrein e Arábia Saudita foi temporariamente fechada como precaução.

As Forças de Defesa de Israel relataram três ondas de mísseis iranianos desde a meia-noite, mirando diversos pontos em Tel Aviv e cidades vizinhas.

Israel aprovou novas missões contra o Irã para as próximas três semanas, se necessário, segundo um porta-voz militar. O país também trava uma guerra paralela no Líbano contra o grupo Hezbollah, apoiado por Teerã, e atacou alvos em Beirute na segunda-feira.

O principal diplomata de Singapura alertou que o impacto econômico do conflito pode piorar e que os investidores ainda não ajustaram totalmente suas expectativas. “Tenho certeza de que os mercados não estão precificando completamente o pior cenário”, disse o chanceler Vivian Balakrishnan à Bloomberg Television.

Trump tem enfrentado dificuldades para encontrar uma saída para o conflito, que se torna cada vez mais impopular entre os americanos, com o preço médio da gasolina acima de US$ 4 por galão. Ele afirmou que JD Vance participa das negociações de cessar-fogo, junto com o enviado especial Steve Witkoff, embora Teerã tenha rejeitado uma proposta na segunda-feira.

“Posso dizer que temos um participante ativo e disposto do outro lado”, disse Trump. “Eles estão negociando, acreditamos, de boa-fé — vamos descobrir.”

O Irã pediu o fim permanente da guerra, esforços de reconstrução e o levantamento de sanções, além de protocolos para garantir a navegação segura pelo Estreito de Ormuz, segundo a agência estatal IRNA.

A ofensiva iraniana contra EUA e Israel não será afetada pelas ameaças de Trump, disse um porta-voz militar, citado pela mídia estatal.

Teerã afirmou que só permitirá a normalização do tráfego no estreito após ser compensado pelos danos da guerra.

A República Islâmica reduziu quase a zero o fluxo pelo Estreito de Ormuz — por onde normalmente passa cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito.

Dois navios carregados com GNL do Catar chegaram a deixar o Golfo Pérsico na segunda-feira, mas fizeram retorno poucas horas depois após terem a passagem negada por autoridades iranianas, segundo traders.

Teerã tem permitido apenas um fluxo limitado de embarcações na via marítima, que também utiliza para suas próprias exportações de petróleo.

Trump lamentou que gostaria de utilizar o petróleo iraniano para os EUA, mas afirmou que a opinião pública americana pressiona pelo fim do conflito.

“Sou um homem de negócios antes de tudo”, disse. “E já disse: por que não usamos isso? Ao vencedor, os despojos? Mas não temos isso.”

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Trump vai assinar o dólar e encerrar 165 anos de tradição nas cédulas mais famosas do mundo

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (26) que a assinatura do presidente Donald Trump passará a figurar nas cédulas de dólar, um feito inédito para um presidente americano em exercício.

As primeiras notas de US$ 100 com o nome de Trump e do secretário do Tesouro, Scott Bessent, serão impressas em junho. As cédulas de outros valores virão nos meses seguintes.

A decisão rompe uma convenção tão antiga quanto o próprio papel-moeda americano.

Desde 1861, quando o governo federal começou a emitir suas próprias cédulas, o dinheiro dos Estados Unidos carrega duas assinaturas: a do secretário do Tesouro e a do tesoureiro nacional. São dois cargos técnicos, não políticos. No Brasil, a lógica é semelhante: assinam as cédulas do real o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central.

Ao manter o presidente fora das cédulas, os Estados Unidos estabeleceram uma separação simbólica entre o chefe de Estado e o dinheiro que circula em seu nome. A legislação que rege a impressão das cédulas permite retratos apenas de indivíduos falecidos, e as assinaturas sempre pertenceram a funcionários do Tesouro, nunca ao ocupante da Casa Branca.

Trump rompe uma tradição de 34 ocupantes do cargo que assinaram cédulas ao longo de 165 anos. O Tesouro justificou a mudança como homenagem ao 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, celebrado neste 4 de Julho.

Personificação

O gesto se insere num padrão mais amplo do novo governo Trump. A troca de assinaturas é a mais recente de uma série de iniciativas do presidente para estampar o nome do presidente em edifícios, instituições, programas governamentais, navios de guerra e moedas, como lembrou o The Wall Street Journal.

O Kennedy Center, um dos principais espaços culturais de Washington, criado como memorial ao presidente assassinado John F. Kennedy, passou a carregar também o nome de Trump. O Instituto da Paz dos Estados Unidos foi renomeado.

Um painel federal aprovou o desenho de uma moeda de ouro comemorativa com o rosto do presidente, algo que, por tradição, só ocorre após a morte do homenageado. A exceção mais próxima é Calvin Coolidge, que apareceu numa moeda em 1926, no 150º aniversário do país.

Em seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, Trump já havia testado o recurso: assinou pessoalmente os cheques de auxílio emergencial distribuídos aos americanos durante a pandemia de covid-19. A diferença agora é de escala e permanência.

Uma cédula de dólar circula, em média, por anos, dentro e fora dos Estados Unidos, e carrega consigo o peso simbólico da maior economia do mundo.

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Trump diz que reunião dos EUA com o Irã para negociar acordo será sexta à noite

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira, 26, que uma reunião do seu governo com o Irã para negociar um acordo de cessar-fogo acontecerá sexta à noite, em entrevista à Fox News, sem dar mais detalhes. Ele também reiterou que a prorrogação do prazo para o início das tratativas foi feita a pedido do país persa.

“O Irã veio até mim pedindo sete dias, e eu os dei 10 dias porque eles nos deram navios de petróleo”, disse Trump, em referência aos “presentes” que ele havia citado na quarta. “Militarmente, nós vencemos a guerra contra o Irã”, acrescentou.

Ao ser questionado, Trump ressaltou que a diferença desta guerra para outros conflitos travados por presidentes americanos é que seu governo garantiu a autossuficiência em energia, com uma forte produção doméstica e agora com a “parceria” de importações da Venezuela.

Segundo ele, neste cenário, os EUA não necessariamente precisam do Estreito de Ormuz liberado para consumo energético interno. “Estamos lá pelos nossos aliados. Os EUA hoje produzem mais petróleo do que Rússia e Arábia Saudita combinados”, disse.

O presidente americano disse que a ausência de protestos contra o regime no Irã se deve à forte repressão promovida pelo governo. Conforme Trump, a população estaria intimidada para ir às ruas após a onda de assassinatos, atribuída por ele ao regime violento, no contexto das manifestações contra o aumento do custo de vida e por mais liberdades civis.

Perguntado, o republicano comentou rumores de que o novo líder supremo do Irã, o aiatolá Motjaba Khamenei, seria gay. “A CIA me disse isso, e isso o colocaria em um péssimo começo nesse país. Lá eles matam os gays e matam as mulheres se não usarem certas vestes”, afirmou.

Sobre a falta de apoio do grupo MAGA, Trump disse ter 100% de apoio dos republicanos nos EUA. “Acredito que o MAGA esteja incluso dentro dessa classificação”, disse. “As pessoas do MAGA adoraram o que fizemos na Venezuela quando voltamos com 100 milhões de barris de petróleo”.

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Trump planeja visita à China em maio para conversar com Xi após atraso devido à guerra no Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve se reunir em maio com o presidente chinês, Xi Jinping, durante sua primeira visita à China em mais de oito anos, viagem já adiada devido à guerra em curso no Irã.

O esforço de Trump para reagendar a viagem refletiu o desejo do presidente republicano de passar a ideia de que está confiante em meio a uma guerra desafiadora no Oriente Médio e, simultaneamente, administrar um relacionamento tenso entre as maiores economias do mundo.

Inicialmente prevista para a próxima semana, a visita de Trump a Pequim ocorrerá nos dias 14 e 15 de maio, disse o presidente norte-americano em um post no Truth Social nesta quarta-feira. Trump acrescentou que receberá Xi para uma visita recíproca em Washington no final deste ano.

“Nossos representantes estão finalizando os preparativos para essas visitas históricas”, disse Trump.

“Estou muito ansioso para passar um tempo com o presidente Xi no que será, tenho certeza, um evento monumental.”

A embaixada da China disse que não tinha informações sobre o anúncio da visita. Pequim normalmente não detalha a agenda de Xi com mais de alguns dias de antecedência.

Há muito programada, a viagem — e o esforço mais amplo de Washington para redefinir as relações na região da Ásia-Pacífico — foi repetidamente atropelada por eventos.

Em fevereiro, a Suprema Corte reduziu o poder do presidente dos EUA de impor tarifas, uma fonte de influência para Trump nas negociações com o terceiro maior parceiro comercial dos EUA. No final daquele mês, operação militar conjunta de Trump com Israel contra o Irã introduziu um novo ponto de tensão com Pequim, principal comprador de petróleo de Teerã.

A última viagem de Trump à China, em 2017, foi a mais recente de um presidente dos EUA. A visita em maio será a primeira conversa pessoal entre os líderes desde uma reunião em outubro na Coreia do Sul, onde eles concordaram com uma trégua comercial.

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Governo oferece R$ 15 bilhões a empresas afetadas por tarifas e Guerra no Oriente Médio

O Brasil lançou um novo programa para oferecer financiamento a empresas que enfrentam dificuldades devido ao impacto das tarifas dos Estados Unidos e da guerra no Oriente Médio.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou nesta quarta-feira uma medida provisória que oferece R$ 15 bilhões em crédito para ajudar empresas afetadas por razões geopolíticas e instabilidade internacional, como a guerra no Oriente Médio e medidas tarifárias impostas pelo governo do Estados Unidos.

Uma ampla gama de empresas pode se qualificar, desde exportadores do setor industrial atingidos por tarifas até produtores de fertilizantes, considerados essenciais para reduzir a dependência do Brasil em relação às importações, interrompidas pela guerra.

A medida, noticiada inicialmente pelo jornal O Globo, marca uma nova fase do programa Brasil Soberano, lançado no ano passado após o presidente americano Donald Trump ter imposto tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras para os EUA.

Na época, o programa fazia parte de uma resposta mais ampla de Lula que ajudou a impulsionar sua popularidade. Agora, o líder de esquerda está lutando para conter o aumento dos custos dos combustíveis e as interrupções na oferta de fertilizantes, que ameaçam elevar a inflação e gerar insatisfação entre caminhoneiros, agricultores e empresários.

Os recursos serão direcionados para capital de giro, aquisição de bens de capital e investimentos voltados à adaptação da produção, ampliação da capacidade produtiva e investimentos em inovação tecnológica. Os recursos virão de superávits financeiros do Tesouro, do fundo garantidor de exportações e de outras fontes orçamentárias. 

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Alta da gasolina e guerra no Irã levam aprovação de Trump a nível mais baixo desde retorno à Casa Branca

O índice de aprovação do presidente norte-americano, Donald Trump, caiu nos últimos dias para o seu ponto mais baixo desde que ele retornou à Casa Branca, atingido por um aumento nos preços dos combustíveis e pela desaprovação generalizada da guerra que ele lançou contra o Irã, segundo uma pesquisa Reuters/Ipsos.

A pesquisa de quatro dias, encerrada na segunda-feira (23), mostrou que 36% dos norte-americanos aprovam o desempenho de Trump no trabalho, abaixo dos 40% de uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada na semana passada.

A opinião dos norte-americanos sobre Trump piorou significativamente em relação à sua administração sobre o custo de vida, já que os preços da gasolina subiram desde que os EUA e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irã em 28 de fevereiro.

Apenas 25% dos entrevistados aprovavam a maneira como Trump tem lidado com o custo de vida, uma questão que esteve no centro de sua campanha para a eleição presidencial de 2024.

A posição de Trump dentro do Partido Republicano continua majoritariamente forte. Apenas cerca de um em cada cinco republicanos disse desaprovar seu desempenho geral na Casa Branca, em comparação com cerca de um em cada sete na semana passada.

Mas a parcela de republicanos que desaprovam a maneira como ele lida com o custo de vida aumentou de 27%, na semana passada, para 34%.

O índice de aprovação de Trump era de 47% nos primeiros dias de seu mandato, e, desde o verão passado, vinha se mantendo em torno de 40%.

Preocupações com a guerra

A guerra contra o Irã pode estar mudando isso para um presidente que assumiu o cargo prometendo evitar “guerras estúpidas”.

A pesquisa revelou que 35% dos norte-americanos aprovam os ataques dos EUA ao Irã, abaixo dos 37% de uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada na semana passada. Cerca de 61% desaprovaram os ataques, em comparação com 59% na semana passada.

As pesquisas anteriores Reuters/Ipsos foram realizadas logo após os primeiros ataques norte-americanos e israelenses, quando muitos norte-americanos ainda estavam se informando sobre a situação, e os entrevistados tinham a opção de dizer que não tinham certeza de suas opiniões.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos de 28 de fevereiro a 1º de março revelou que 27% aprovavam os ataques, 43% desaprovavam e 29% não tinham certeza.

As pesquisas mais recentes não dão a opção de não ter certeza, embora 5% dos entrevistados da última pesquisa tenham se recusado a responder à pergunta sobre sua opinião a respeito da guerra.

Houve poucos sinais de que o declínio da popularidade de Trump também estivesse prejudicando seus aliados republicanos que buscam manter o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato em novembro.

Cerca de 38% dos eleitores registrados na pesquisa Reuters/Ipsos disseram que os republicanos são os melhores administradores da economia dos EUA, em comparação com 34% que escolheram os democratas para essa questão.

A pesquisa, que foi realizada on-line e em todo o país, reuniu respostas de 1.272 adultos norte-americanos e tem uma margem de erro de 3 pontos percentuais.

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Governo Trump libera TotalEnergies de investir US$ 1 bilhão em energia eólica

O governo Donald Trump liberou a TotalEnergies e seus parceiros de contratos de cerca de US$ 1 bilhão em projetos de energia eólica offshore, permitindo que a gigante francesa redirecione esses recursos para investimentos em petróleo e gás natural nos Estados Unidos.

Pelo acordo, a empresa não está mais comprometida a desenvolver parques eólicos nas costas de Nova York, Nova Jersey e Carolina do Norte, disse o secretário do Interior, Doug Burgum, durante a conferência CERAWeek, em Houston.

Reverter políticas climáticas

Em troca dos novos investimentos em combustíveis fósseis, os EUA vão reembolsar a TotalEnergies “dólar por dólar” até o valor pago originalmente pelos contratos, segundo comunicado do Departamento do Interior.

A ofensiva do presidente Donald Trump contra a energia eólica offshore faz parte de um esforço mais amplo para reverter políticas climáticas da era Biden e reforçar o apoio aos combustíveis fósseis. Tentativas de barrar a construção de cinco parques eólicos no mar, porém, têm enfrentado reveses na Justiça nos últimos meses.

O CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanne, afirmou que a empresa vai “acelerar” os investimentos em gás natural liquefeito (GNL) nos EUA. Segundo ele, o acordo não altera o compromisso da companhia com a energia eólica em outros países.

A empresa disse ainda que estudos indicam que projetos de eólica offshore nos EUA — ao contrário da Europa — são caros e podem encarecer a energia para os consumidores.

A TotalEnergies, já a maior exportadora de GNL dos EUA, pretende reinvestir os valores reembolsados para financiar o projeto Rio Grande LNG, no Texas, e outras atividades de petróleo e gás no país.

“Esses investimentos vão ajudar a fornecer GNL necessário para a Europa e gás para o desenvolvimento de data centers nos EUA”, disse Pouyanne.

A unidade Attentive Energy, da TotalEnergies, havia obtido licença para desenvolver mais de 3 gigawatts de energia eólica offshore entre Nova York e Nova Jersey — suficiente para abastecer mais de 1 milhão de residências. O contrato, concedido em 2022, custou US$ 795 milhões.

Posteriormente, a empresa vendeu uma participação de 44% no projeto por US$ 420 milhões para investidores, incluindo a Macquarie Group. A Total também havia obtido outro contrato, de 1 gigawatt, na costa da Carolina do Norte, por US$ 160 milhões.

As discussões sobre a desistência dos contratos foram noticiadas anteriormente pelo New York Times.

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Trump dá ultimato ao Irã e ameaça bombardear usinas se Hormuz não reabrir

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu ao Irã um prazo de dois dias para reabrir o Estreito de Hormuz ou ver suas usinas de energia serem bombardeadas, elevando o tom de uma guerra que, já em sua quarta semana, não mostra sinais de desescalada.

Trump, num indicativo da pressão que enfrenta para conter a disparada dos preços do petróleo, disse que o Irã precisa “abrir totalmente, sem ameaças” a via marítima vital para o fluxo global de energia. Ele deu ao país 48 horas “a partir deste exato momento”, em uma postagem na Truth Social publicada no fim da noite de sábado (21).

Os militares iranianos responderam dizendo que vão mirar “toda a infraestrutura de energia, tecnologia da informação e dessalinização pertencente aos EUA e ao regime israelense na região” caso a infraestrutura de combustíveis e energia do Irã seja atacada, segundo a agência semioficial Tasnim. A TV estatal iraniana publicou relatos semelhantes.

A retórica indica que nenhum dos lados está disposto a recuar. A guerra — iniciada com ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã em 28 de fevereiro — já desencadeou uma crise inédita no fornecimento de petróleo e gás. As ameaças mais recentes vieram depois de uma semana de ataques pesados contra infraestrutura energética crucial no Oriente Médio, aprofundando o risco de efeitos mais duradouros sobre a economia global.

Os fluxos de petróleo e gás provavelmente levarão tempo para voltar ao normal mesmo depois da reabertura do Estreito de Hormuz, já que muitos locais de produção foram danificados. Os bloqueios também estão provocando escassez de fertilizantes e nutrientes agrícolas, o que eleva a perspectiva de disrupções graves na produção de alimentos.

Estados Unidos e Israel continuaram, no domingo, a atacar alvos no Irã, que por sua vez segue lançando mísseis e drones contra Israel e países árabes do Golfo.

Mais de 4 mil pessoas morreram em toda a região, segundo governos e organizações não governamentais, sendo mais de três quartos das vítimas no Irã. No Líbano, onde Israel intensificou a ofensiva contra militantes do Hezbollah apoiados por Teerã, o número de mortos já supera 1 mil. Dezenas de pessoas morreram em Israel e em países árabes.

Os ataques com mísseis iranianos contra Israel se intensificaram nos últimos dias. No sábado, cerca de 115 pessoas ficaram feridas nas cidades de Arad e Dimona, no sul do país — esta última conhecida por dar nome a uma instalação de pesquisa nuclear nas proximidades. A mídia iraniana afirmou que o ataque foi uma retaliação a uma ofensiva contra a instalação nuclear de Natanz.

“Esta é uma noite muito difícil na luta pelo nosso futuro”, disse o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acrescentando que estava reforçando as equipes de resgate nas áreas atingidas.

Donald Trump está com terno escuro e gravata vermelha, e aponta para à esquerda

Falando no domingo, Netanyahu pediu que líderes de outros países se juntem à guerra e afirmou que alguns já começam a dar sinais nessa direção. “Fico feliz em dizer que consigo ver alguns deles começando a se mover nessa direção”, afirmou.

A nova ameaça de Trump ao Irã veio um dia depois de ele dizer que estava pensando em “reduzir” as operações militares e que a responsabilidade por vigiar Hormuz caberia a outros países. Isso exemplifica os sinais contraditórios enviados pelo presidente ao longo da guerra, deixando governos e mercados correndo para acompanhar os desdobramentos.

O tráfego por Hormuz — por onde normalmente passa cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e gás natural liquefeito — praticamente parou desde o início da guerra. O barril do Brent disparou para mais de US$ 112, o maior nível em quase quatro anos. Também subiram os preços da gasolina nos Estados Unidos, dos fertilizantes e de vários metais transportados por Hormuz.

Autoridades iranianas relutam até mesmo em discutir a reabertura do estreito, enquanto concentram esforços em sobreviver à ofensiva de EUA e Israel, segundo uma pessoa envolvida em contatos diretos e de alto nível com Teerã.

Alguns países, no entanto, vêm encontrando formas de fazer cargas atravessarem o corredor. A Marinha iraniana escoltou um navio-tanque indiano de gás natural liquefeito pelo estreito após articulação diplomática de Nova Déli. O Irã afirmou que a passagem está aberta a todos, exceto embarcações ligadas a países inimigos.

Até agora, Estados Unidos e Israel evitaram em grande parte atacar usinas de energia e instalações de água do Irã. Israel chegou a bombardear depósitos de combustível em Teerã duas semanas atrás, provocando nuvens de chuva ácida e atraindo críticas veladas dos Estados Unidos, que avaliaram a ação como um erro estratégico capaz de voltar a população iraniana contra a ofensiva.

Israel e Estados Unidos falaram em mudança de regime nos primeiros dias da guerra, mas agora enfatizam objetivos mais limitados, como destruir as capacidades nuclear e de mísseis do Irã. O regime iraniano não parece perto de colapsar, e autoridades vêm se reagrupando em torno das lideranças remanescentes, segundo avaliações de inteligência ocidentais e pessoas familiarizadas com o assunto.

O Irã tem cerca de 100 usinas termelétricas a gás natural em operação, segundo dados compilados pela Bloomberg. Entre as maiores estão a usina de Damavand, perto de Teerã; a de Ramin, ao norte de Ahvaz, no oeste do país; e a de Kerman, em Chatroud, no sudeste.

Os ativos energéticos do Oriente Médio vêm entrando cada vez mais no centro do conflito à medida que os ataques se ampliam. Israel bombardeou o campo de gás de South Pars na quarta-feira passada, e o Irã retaliou com ataques contra a maior instalação de gás natural liquefeito do mundo, no Catar, além de outros ativos energéticos no Golfo.

Os preços do petróleo em Londres subiram mais de 50% desde o início da guerra, reacendendo temores de inflação global. A disparada dos preços — especialmente da gasolina — traz riscos políticos para Trump dentro dos Estados Unidos, faltando apenas oito meses para as eleições legislativas de meio de mandato.

Os Estados Unidos estão produzindo volumes recordes de petróleo e gás no mercado doméstico, mas regiões como Europa, China e Japão dependem mais dos recursos energéticos do Oriente Médio.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou no sábado que a campanha conjunta será intensificada de forma significativa, um dia depois de Teerã lançar mísseis balísticos contra a base militar conjunta de EUA e Reino Unido em Diego Garcia — a quase 4 mil quilômetros do Irã.

A base não sofreu danos, segundo uma pessoa a par do assunto que falou sob condição de anonimato. Ainda assim, o ataque demonstrou uma capacidade que vai além do que se sabia até então sobre o arsenal iraniano.

Os esforços de Trump para mobilizar aliados dos Estados Unidos na reabertura do estreito ao tráfego comercial em larga escala têm sido, em grande medida, rejeitados. Em resposta, o presidente americano atacou verbalmente membros da Otan, chamando-os de “covardes” por não aderirem à operação.

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Trump minimiza reação dos preços de petróleo e mercados acionários a guerra contra o Irã

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou esperar uma alta “maior” e “pior” dos preços do petróleo do que a escalada observada nas últimas semanas, em comentários para repórteres nesta tarde. Trump também minimizou o recente comportamento dos mercados acionários, apontando que seguem em níveis elevados depois de baterem máximas históricas que levaram o S&P 500 aos 7 mil pontos.

Nesta sexta-feira, 20, contudo, as bolsas de Nova York fecharam em queda e registraram perdas semanais, com o S&P 500 na casa dos 6,5 mil pontos.

Ao ser questionado, o presidente americano disse que vê “muito suporte público” a ofensiva dos EUA e de Israel contra o Irã no Oriente Médio. O republicano, no entanto, se recusou a comentar sobre o envio de tropas americanas para a região. “Não posso dizer o que faríamos”, afirmou.

Trump voltou a repetir que os EUA estão próximos de resolver a situação no Irã e estão “muito adiantados” no cronograma para encerrar o conflito, embora ainda sem estimar um prazo.

Também presente, o secretário de Estado, Marco Rubio, igualmente evitou dar um prazo ou comentar detalhes sobre a possibilidade de os EUA tomarem controle de Cuba. Ao ser questionado, ele se limitou a dizer que os cubanos “já sofreram por muitos anos”.

Trump comentou brevemente sobre as eleições de meio de mandato, reiterando críticas a resistência do Partido Democrata em aprovar a identificação de eleitores. “Não querem aprovar porque são trapaceiros”, acusou.

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Líderes europeus reagem à pressão de Trump por ajuda em Ormuz

Líderes europeus reagiram ao apelo do presidente Donald Trump para formar uma coalizão internacional destinada a garantir a segurança do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo e atualmente bloqueada pelo Irã. No sábado, 14, Trump afirmou que pretendia reunir países como China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido para proteger a passagem.

“É lógico que aqueles que se beneficiam dessa rota ajudem a garantir que nada de ruim aconteça lá”, declarou Trump ao Financial Times. O republicano advertiu que a ausência de resposta ou uma recusa ao pedido seria “muito ruim para o futuro da Otan” e ameaçou adiar uma cúpula com o presidente chinês, Xi Jinping, caso Pequim não colabore na reabertura do estreito.

O Reino Unido afirmou que trabalha com aliados em um plano para restabelecer a navegação, mas “não se deixará arrastar para uma guerra mais ampla”, afirmou o primeiro-ministro Keir Starmer. Segundo ele, o país busca “um plano coletivo viável” e a operação não seria conduzida pela Otan. Londres avalia, por exemplo, o uso de drones de detecção de minas já posicionados na região, o que poderia não envolver envio de navios de guerra britânicos.

Em conversa telefônica com Starmer no domingo, 15, Trump reiterou a “a importância de reabrir o estreito de Ormuz”, informou Downing Street.

A Alemanha também rejeitou a ideia de uma mobilização da Aliança Atlântica. Segundo o porta-voz do governo, Stefan Kornelius, a guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã não está relacionada à Otan. “A Otan é uma aliança para a defesa do território” de seus membros e, na situação atual, “não existe mandato para mobilizar a Otan”, afirmou Kornelius, em coletiva de imprensa.

O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, disse que o país não oferecerá “nenhuma participação militar”, embora possa “garantir, por via diplomática, a segurança do tráfego pelo Estreito de Ormuz”. “Esta guerra começou sem qualquer consulta prévia”, enfatizou.

Na Itália, o chanceler Antonio Tajani manifestou apoio ao reforço de missões navais da União Europeia no Mar Vermelho, mas considerou improvável estender essas operações ao Estreito de Ormuz. “Não creio que essas missões possam ser ampliadas para incluir o Estreito de Ormuz, especialmente porque se trata de missões de combate à pirataria e de defesa”, afirmou Tajani.

Em Bruxelas, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, disse que o bloco discute possíveis medidas para manter a rota aberta, mas vários ministros pediram tempo antes de alterar o mandato da missão naval Aspides.

“Temos interesse em manter aberto o Estreito de Ormuz e, por isso, estamos discutindo o que podemos fazer a esse respeito do lado europeu”, disse Kallas, antes do início da reunião em Bruxelas nesta segunda-feira, 16.

Outros países também se mostraram reticentes. O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, afirmou ao Parlamento que o país não considera ordenar uma missão desse tipo “na atual situação do Irã”.

A primeira-ministra, Sanae Takaichi, declarou não ter recebido um pedido formal de Trump e ressaltou que o envio de forças ao exterior é politicamente sensível e juridicamente complexo em um país cuja Constituição renuncia à guerra.

“A questão é o que o Japão deve fazer por iniciativa própria e o que é possível dentro de nosso marco legal, em vez do que é solicitado pelos Estados Unidos”, disse ela ao parlamento. “Solicitamos a diversos setores de vários ministérios que discutam isso”, afirmou.(Com agências internacionais)

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$TRUMP: após queda de 96%, especialista revela novo grupo de criptomoedas que podem multiplicar até 300 vezes

Não é novidade que o presidente dos EUA, Donald Trump, é um entusiasta do mercado de criptomoedas. Antes mesmo de assumir a presidência, em 2025, o republicano já tinha uma moeda inspirada nele: a Official Trump ($TRUMP).

Desde então, a moeda passa por oscilações, reagindo tanto a acontecimentos políticos quanto à repercussão das decisões do presidente no mercado. Na última terça-feira (10), por exemplo, a criptomoeda atingiu seu menor nível histórico de cerca de US$ 2, acumulando uma queda de cerca de 96%, em relação ao pico.

Especialistas do criptomercado atribuem o movimento recente ao aumento das avaliações negativas da postura de Trump ao conflito entre Estados Unidos e Irã.

Apesar de passar por uma “maré baixa”, já houve outros períodos em que a $TRUMP ocupou as manchetes. Por exemplo, quando foi lançada, em 17 de janeiro de 2025, a moeda chegou a subir 754% (US$ 53,92) em três dias com a posse do presidente.

Assim como a moeda associada ao presidente norte-americano, outras tantas já trouxeram lucros expressivos para quem soube comprar e vender na hora certa.

Entretanto, identificar esses momentos não é uma tarefa simples. Além do mais, é compreensível que um investidor comum não tenha todo o conhecimento técnico, nem o tempo disponível, para fazer um monitoramento atento do mercado e antecipar movimentos para buscar os melhores lucros.

É pensando nisso que a Empiricus está fazendo um novo lançamento do Memebot One Million. O robô é criado para monitorar e realizar operações automatizadas nesse mercado altamente volátil.

No dia 23 de março, o projeto retorna com um objetivo ambicioso: buscar transformar investimentos iniciais de cerca de R$ 3,5 mil em até R$ 1 milhão – o que equivale a uma multiplicação de até 300 vezes. E essa meta tem como ponto de partida as oportunidades com potencial explosivo no universo das memecoins.

De R$ 3,5 mil a R$ 1,0 milhão: conheça a estratégia do Memebot One Million

O projeto do Memebot foi idealizado pelo especialista em criptomoedas da Empiricus Research, Valter Rebelo, com o foco de investir em memecoins. Para quem não está familiarizado com o termo, esses ativos se inspiram em fenômenos culturais da internet, como memes, celebridades ou acontecimentos populares.

As memecoins se diferenciam dos tokens tradicionais porque sua oscilação de preços está muito mais por atrelada à narrativa e a popularidade. É exatamente isso que faz com que elas sejam tão atrativas.

Por outro lado, em um mercado tão volátil, um mesmo impulso que gera valorizações explosivas também pode provocar quedas que podem ser tão rápidas quanto. Por isso, vale sempre lembrar que este se trata de um investimento arriscado e retornos passados não são garantia de lucros futuros.

É por essa razão que ter orientações de quem entende na hora de comprar e vender os ativos é fundamental para aumentar suas chances de obter resultados sólidos e relevantes. É aí que entra a proposta do Memebot One Million.

O robô foi desenvolvido para monitorar, analisar dados e tendências e executar operações com ativos que possam oferecer assimetrias interessantes de retorno. Com o valor disponível, a partir de R$ 3,5 mil, o robô vai operar em busca das oportunidades milionárias.

Novo lançamento do Memebot One Million traz mais uma novidade; confira a seguir como participar do evento gratuito e online

Cada vez buscando aprimorar os sistemas do Memebot, o lançamento está entrando em uma nova fase. Isso porque a equipe de especialistas da Empiricus agora conta com o apoio de Heloisa Mendonça.

A especialista vai integrar o projeto ao lado de Valter Rebelo e traz toda a sua expertise de mais de 6 anos trabalhando com portfólios milionários no mercado cripto.

Se você ficou interessado em conhecer mais do Memebot, a boa notícia é que o seu novo lançamento está bem próximo.

No evento de 23 de março, você vai poder entender como as operações são realizadas pelo robô. Assim, saberá com detalhes como ele pretende “cuidar” do seu portfólio de memecoins, em busca de trazer lucros que podem chegar ao patamar milionário.

Além disso, você também pode conhecer de perto uma tecnologia que executa o que seria praticamente impossível para humanos: um acompanhamento de 24 horas do mercado, a fim de identificar movimentos antes que eles se tornem consenso.

Juntos, Valter e Heloisa estão estudando a fundo o mercado de ativos digitais para selecionar as melhores oportunidades de investimento e vão te mostrar mais sobre isso no dia 23 de março.

Para se inscrever e participar do evento de forma totalmente gratuita e online, é só clicar no botão abaixo:

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Na expectativa de novo encontro entre Trump e Xi, EUA e China começam negociações comerciai

Representantes de Pequim e Washington iniciaram negociações econômicas e comerciais neste domingo (15), em Paris, informou a agência estatal chinesa Xinhua.

As reuniões, lideradas pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e pelo vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng, devem abrir caminho para a visita de Estado do presidente norte-americano, Donald Trump, a Pequim para se reunir com o líder chinês Xi Jinping dentro de cerca de duas semanas.

A Casa Branca afirmou que Trump viajará à China de 31 de março a 2 de abril, embora Pequim ainda não tenha confirmado oficialmente.

Bessent disse na quinta-feira (12) que sua equipe continuará a apresentar resultados que coloquem os agricultores, trabalhadores e empresas dos Estados Unidos em primeiro lugar. O Ministério do Comércio da China afirmou na sexta-feira que os dois lados discutirão “questões comerciais e econômicas de interesse mútuo”.

A visita de Trump à China será a primeira de um presidente americano desde que ele esteve no país em seu primeiro mandato, em 2017. Ela ocorrerá cinco meses depois de os dois líderes se reunirem na cidade sul-coreana de Busan e concordarem com uma trégua de um ano na guerra comercial, que havia levado tarifas retaliatórias de ambos os lados a subir temporariamente para três dígitos antes de serem reduzidas.

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Wall Street fecha em queda com petróleo acima dos US$ 100; S&P 500 atinge nova mínima do ano

Os índices de Wall Street encerraram a sessão desta sexta-feira (13) em queda, diante da alta do petróleo acima dos US$ 100. Os dados de inflação e mercado de trabalho ficaram em segundo plano.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: -0,26%, aos 46.558,47 pontos;
  • S&P 500: -0,61%, aos 6.632,19 pontos; 
  • Nasdaq: -0,93%, aos 22.105,35 pontos.

O S&P 500 atingiu uma nova mínima para 2026 no pregão de hoje e, na semana, acumulou queda de 1,6%. Com isso, o índice iniciou a primeira sequência de três semanas de perdas em cerca de um ano.

O Dow Jones caiu cerca de 2%, enquanto o Nasdaq recuou 1,3% no acumulado.

O que mexeu com Wall Street hoje?

O conflito no Irã, em seu 14º dia de combates, não mostrou sinais de arrefecimento. Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que cabe à ele decidir sobre o término da guerra. Trump prometeu que os EUA atingirão “com muita força na próxima semana” o Irã.

Os Estados Unidos ainda emitiram uma isenção de 30 dias para que os países comprem produtos petrolíferos russos sancionados que estão atualmente no mar, na esperança de aliviar os preços do petróleo e do gás impulsionados pela guerra que EUA e Israel estão travando contra o Irã.

Apesar disso, os contratos mais líquidos do petróleo Brent para maio fecharam com avanço de 2,67%, a US$ 103,14 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. Na semana, a commodity acumulou alta de 11,27%.

Em segundo plano, o índice de preços de gastos com consumo (PCE, em inglês) registrou alta de 0,3% na passagem de dezembro para janeiro, ligeiramente abaixo do consenso do mercado, segundo a FactSet, de avanço de 0,4%.

A métrica é a mais utilizada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) ao olhar para a inflação.

Já o núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, aumentou 0,4%. No comparativo anual, o índice subiu 2,8% e o núcleo 3,1% — ambos acima da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve.

Além disso, o Departamento de Trabalho dos EUA informou que as vagas de emprego em aberto nos Estados Unidos aumentaram em 396.000 em janeiro, a 6,946 mihões no último dia de janeiro.

As contratações, em contrapartida, foram fracas, o que é consistente com um mercado de trabalho estável.

Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, as apostas para a retomada no corte de juros pelo Fed migraram para outubro, após os dados do PCE e do Jolts divulgados nesta manhã. Antes, o mercado via chance maior de reduções nos juros em dezembro.

*Com informações de Reuters e CNBC

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Wall Street fecha sem direção única após Trump reafirmar que guerra no Irã terminará ‘em breve’

Os índices de Wall Street encerraram a sessão desta quarta-feira (11) sem direção única com expectativa de fim próximo da guerra no Irã e nova valorização do petróleo no mercado internacional. Os dados de inflação ficaram em segundo plano.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: -0,61%, aos 47.417,27 pontos;
  • S&P 500: -0,08%, aos 6.775,80 pontos; 
  • Nasdaq: +0,08%, aos 22.716,13 pontos.

O que mexeu com Wall Street hoje?

O conflito no Irã entrou em seu 12º dia de combates com uma escalada nas tensões. Durante a madrugada, o comando militar iraniano atacou três navios no Golfo Pérsico.

O comando militar do país persa também afirmou que o mundo deve estar preparado para o petróleo atingir US$ 200 por barril. “Prepare-se para que o petróleo chegue a US$ 200 o barril porque o preço do petróleo depende da segurança regional que vocês desestabilizaram”, disse Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando militar do Irã, em comentários dirigidos aos Estados Unidos.

Até o momento, não houve nenhuma trégua em terra, nem qualquer sinal de que navios já podem navegar com segurança pelo Estreito de Ormuz – por onde 20% do petróleo do mundo é escoado em tempos de normalidade geopolítica – , na pior interrupção do fornecimento de energia desde os choques do petróleo da década de 1970.

Hoje, os contratos futuros do Brent, com vencimento em maio, fecharam com alta de 4,76%, a US$ 91,98 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.

Por outro lado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que as forças militares atingiram 28 minas no Irã, horas depóis de reafirmar que “praticamente não há mais nada” para atacar no Irã e que a guerra naquele país terminará “em breve”. “Pequenas coisas aqui e ali. Quando eu quiser que isso acabe, vai acabar”, declarou Trump em entrevista ao site Axios.

O presidente também disse que não está preocupado com ataques apoiados pelo Irã em solo norte-americano. A declaração foi feita a jornalistas na Casa Branca e após o FBI alertar para a possibilidade de drones iranianos atingirem a costa oeste dos EUA, segundo a ABC News.

Além disso, a Agência Internacional de Energia (AIE) liberou 400 milhões de barris de petróleo das reservas de 32 países-membros na tentativa de conter a alta nos preços de energia em meio a disparada recente dos preços do barril do óleo bruto.

Os dados macroeconômicos ficaram em segundo plano. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,3% no mês de fevereiro, segundo dados do Departamento do Trabalho do país. No acumulado de 12 meses, o CPI acumula alta de 2,4%.

Embora o dado não seja a referência inflacionária do Federal Reserve (Fed), o CPI ‘ajuda’ o mercado a calibrar as apostas sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos. Agora os traders veem a retomada de ciclo de corte nos juros apenas em setembro, ante a expectativa anterior de julho, em temor dos impactos inflacionários da guerra no Irã atráves dos preços de energia.

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Tarifas de Trump devem subir a 15% nesta semana, diz secretário do Tesouro dos EUA

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que o plano do presidente dos EUA, Donald Trump, de aumentar a alíquota da tarifa ampla de 10% para 15% será provavelmente concluído nesta semana.

“Isso provavelmente acontecerá em algum momento desta semana”, disse Bessent na quarta-feira à CNBC, em resposta a uma pergunta sobre quando o aumento para 15% seria implementado.

Os comentários de Bessent oferecem a indicação mais clara até agora sobre quando os EUA irão cumprir a promessa de Trump de elevar as tarifas. No mês passado, Trump impôs uma taxa universal de 10% depois que a Suprema Corte do país invalidou a maior parte de seu regime tarifário anterior, e logo em seguida ameaçou aumentar a alíquota para 15%.

O governo, no entanto, deixou a taxa de 10% entrar em vigor sem aumentá-la imediatamente. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, sugeriu na semana passada que a taxa mais alta não seria universal. A União Europeia espera não estar sujeita à tarifa de 15%, em virtude do seu pacto comercial-quadro com Washington, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Bessent, em entrevista à CNBC, não especificou a quais parceiros comerciais a tarifa mais alta se aplicaria. Ele observou que a autorização para as novas tarifas permite que elas permaneçam em vigor por apenas 150 dias sem a aprovação do Congresso. Durante esse período, ele afirmou que funcionários do governo usariam outros poderes legais para restabelecer o regime tarifário vigente antes da decisão da Suprema Corte.

“Acredito firmemente que as alíquotas das tarifas irão retornar aos seus níveis anteriores dentro de cinco meses”, disse Bessent. “Elas são de movimentação muito mais lenta, mas mais robustas”, afirmou, referindo-se às chamadas tarifas da Seção 301 e da Seção 232, que devem substituir as tarifas invalidadas implementadas sob uma lei de emergência.

Os futuros das bolsas em Nova York apagaram os ganhos após o comentário de Bessent sobre o aumento da tarifa, embora o S&P 500 tenha avançado após a abertura do pregão em Nova York.

Petróleo

O secretário do Tesouro americano também minimizou os riscos para o mercado de petróleo decorrentes da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, afirmando que há ampla oferta global da commodity e que o governo Trump irá tomar medidas para apoiar o setor.

“Eu encorajaria a todos a ignorar o ruído e ver para onde estamos caminhando depois disso em termos de mercados de petróleo bruto — os mercados de petróleo bruto estão muito bem abastecidos”, disse Bessent. “Há centenas de milhões de barris armazenados em alto-mar, longe do Golfo. Mas, mais importante ainda, temos uma série de anúncios que faremos.”

Ele mencionou o plano previamente anunciado para que o governo dos EUA oferecesse seguro para navios de carga de petróleo quando apropriado, e para que a marinha americana garantisse a travessia segura pelo Estreito de Ormuz.

Bessent destacou a vulnerabilidade da China a qualquer interrupção no fornecimento de petróleo do Golfo Pérsico, afirmando que mais de 50% da energia do país provém dessa região.

“Eles provavelmente estavam comprando 95% do petróleo bruto iraniano. Obviamente, isso está suspenso agora”, disse ele.

Questionado sobre o comentário de Trump na terça-feira, quando foi perguntado sobre a possibilidade de um embargo comercial à Espanha e se o secretário do Tesouro seria responsável por isso, Bessent disse que “seria um esforço conjunto”. Ele não comentou especificamente se tal sanção será implementada.

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O dinheiro que vai pra Cuba: sob pressão dos EUA, regime comunista amplia parcerias com setor privado

Cuba autorizou empresas privadas a fazerem parcerias com empresas estatais, um passo cauteloso para afrouxar seu controle sobre a economia, enquanto Havana luta para fornecer serviços básicos sob intensa pressão de Washington.

De acordo com novas regulamentações publicadas nesta terça-feira (3), o incipiente setor privado da ilha poderá fechar acordos com entidades estatais em “qualquer área legal”, exceto educação, saúde e defesa. No entanto, as regras permitem que os braços comerciais desses setores celebrem contratos, o que significa que as empresas poderão trabalhar com a GAESA, o poderoso conglomerado empresarial militar que controla grande parte da economia.

A nova lei também concede ampla liberdade às joint ventures para decidir quantos funcionários terão, definir salários e importar e exportar mercadorias diretamente. Esses arranjos são reconhecidos desde 2021, mas nunca foram regulamentados. Céticos, contudo, devem recomendar cautela até que fique claro que as regras estão funcionando e que o governo comece a aprovar propostas.

O governo de Cuba enfrenta uma crise existencial à medida que a administração de Donald Trump corta os suprimentos de combustível da ilha. Os EUA, na esperança de romper o controle do regime comunista sobre a política e a economia, também buscam encerrar as brigadas médicas estrangeiras do país — uma importante fonte de divisas.

Embora os EUA tenham emitido novas diretrizes permitindo que empresas privadas cubanas importem seu próprio combustível, os volumes envolvidos representam uma fração do que a ilha necessita. As usinas termelétricas do país requerem cerca de 100 mil barris de petróleo por dia para atender à demanda, e a produção doméstica responde por apenas dois quintos desse total.

No início desta semana, o presidente Miguel Díaz-Canel disse aos legisladores que mudanças “urgentes” eram necessárias na economia, incluindo dar ao setor privado e aos municípios individuais “mais autonomia” — o reconhecimento de que a economia controlada pelo Estado está falhando.

Cuba culpa as políticas de Washington por tê-la levado à beira do colapso. As Nações Unidas e outras entidades alertaram que a ilha de 10 milhões de habitantes está à beira de uma crise humanitária, à medida que serviços básicos — de eletricidade à coleta de lixo — entram em colapso.

O secretário de Estado Marco Rubio mantém conversas com representantes cubanos, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, enquanto o governo Trump avança para tornar a ilha mais dependente dos EUA para suprimentos.

Autoridades em Havana e Washington, no entanto, parecem estar cooperando na investigação de um tiroteio fatal — entre forças de segurança e um grupo de cubanos que viviam nos EUA — a bordo de uma lancha registrada na Flórida, na costa norte da ilha. Os seis sobreviventes do incidente foram acusados de terrorismo na terça-feira.

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Como a dona do Claude virou inimiga de Trump por não querer sua IA na guerra

Em sua primeira reunião presencial com o Secretário de Defesa Pete Hegseth, Dario Amodei apresentou seu argumento sobre os riscos das armas autônomas controladas por IA.

Hegseth não quis ouvir, mesmo de um CEO cuja empresa desenvolveu ferramentas de IA que se tornaram fundamentais para o exército.

“Nenhum CEO vai dizer aos nossos combatentes o que podem ou não fazer”, disse Hegseth, após interromper Amodei no meio da frase, na reunião de 24 de fevereiro, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A ruptura entre os dois homens, com personalidades e visões de mundo extremamente diferentes, nunca foi resolvida. Agora, a administração Trump, que defende a implementação rápida da IA como essencial para o crescimento econômico e a segurança nacional, se vê em conflito com uma gigante nacional do setor.

“Esta é uma disputa de personalidades disfarçada de conflito político”, disse Michael Horowitz, ex-funcionário do Departamento de Defesa que trabalhou com políticas de IA.

O conflito se resume a uma “quebra de confiança entre a Anthropic e o Pentágono, onde a Anthropic não confia que o Pentágono sabe o suficiente para usar sua tecnologia de forma responsável, e o Pentágono não confia que a Anthropic estará disposta a trabalhar nos casos de uso importantes que precisa”, afirmou.

Amodei, que mais de um ano antes havia garantido a funcionários ansiosos que o contrato da empresa com o exército dos EUA se resumia principalmente a burocracia, passou recentemente a enquadrar o conflito com o Pentágono como tendo graves implicações para o futuro da guerra moderna e até da sociedade.

Na sexta-feira, o presidente Trump ordenou que todas as agências federais deixassem de trabalhar com a Anthropic e atacou os executivos da empresa, chamando-os de “malucos de esquerda”.

Mais tarde naquele dia, após o prazo para que a Anthropic concordasse com um acordo sobre como suas ferramentas poderiam ser usadas expirar, Hegseth designou a empresa como um “risco na cadeia de suprimentos” – uma classificação costumeiramente aplicada a empresas estrangeiras e que impede a companhia em questão de fechar negócios com o Pentágono.

Raramente usado contra uma empresa dos EUA, o movimento — se resistir ao esperado desafio judicial da Anthropic — poderia prejudicar a sua capacidade da trabalhar com outros contratantes do governo, incluindo Lockheed Martin, Amazon e Microsoft, ameaçando relações comerciais que a tornaram uma das startups mais valiosas do mundo.

Em uma ironia, minutos antes de seu post, Trump autorizou ataques ao Irã — operações planejadas com a participação dos modelos Claude da Anthropic, segundo o Wall Street Journal.

Claude também desempenhou papel na operação militar de janeiro que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro e tem sido usado para simulações de guerra e planejamento de missões, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Por anos, a Anthropic tem sido a empresa de IA mais vocal na defesa de limites e salvaguardas para garantir o uso seguro da tecnologia. Essa postura às vezes frustrou oficiais da administração, que incorporaram amplamente as ferramentas da Anthropic no governo, mesmo sendo incomodados pelo desejo da empresa de controlar como eram usadas.

No início deste ano, a Anthropic baniu efetivamente o uso da palavra “patógeno” em prompts de modelos como parte de suas medidas para impedir que a IA criasse uma arma biológica em seus sistemas não classificados usados por muitas agências. O bloqueio dificultou que funcionários do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) utilizassem a ferramenta. Levou semanas para que os trabalhadores obtivessem permissão para contornar a proibição.

Emil Michael, subsecretário de Defesa para Pesquisa e Engenharia, na semana passada chamou Amodei de mentiroso por deturpar a oferta do Pentágono e o acusou de tentar “brincar de Deus”. Um funcionário da administração disse que outros CEOs de tecnologia, como Sundar Pichai (Google) ou Andy Jassy (Amazon), não ditariam ao governo como usar suas tecnologias e teriam encontrado um compromisso. Outro afirmou que ferramentas de IA do governo deveriam ser ideologicamente neutras.

Até segunda-feira, agências como o Departamento do Tesouro e o Departamento de Saúde e Serviços Humanos informaram aos funcionários que suas ferramentas de IA não funcionariam mais com Claude.

Para críticos, essas medidas são o mais recente exemplo da administração pressionando uma empresa privada por métodos mais comuns em economias estatais.

“A administração Trump está seguindo o manual chinês e coagindo uma empresa americana”, disse Navtej Dhillon, ex-subdiretor do Conselho Econômico Nacional durante a administração Biden.

No cerne do conflito está uma questão inédita: quem deve controlar, em última instância, como ferramentas de IA de ponta são usadas em conflitos e na sociedade?

Amodei e Hegseth abordam a questão de maneiras diferentes. Pesquisador de óculos que frequentemente enrola seus cabelos cacheados, Amodei escreve documentos longos filosofando sobre a importância da segurança em IA e é conhecido por seu método deliberado de resolver problemas. É vegetariano desde a infância.

Hegseth é ex-apresentador da Fox News, com várias tatuagens ligadas à sua fé cristã e serviço militar. Vídeos dele levantando pesos circulam frequentemente nas redes sociais. Ele também influenciou a decisão de Trump de renomear o Departamento de Defesa para “Department of War”.

Até segunda-feira, o Pentágono não havia emitido formalmente a designação contra a Anthropic, levantando a possibilidade de um acordo ser alcançado.

Nos últimos dias, com a intensificação do conflito com o Pentágono, a Anthropic perdeu seu status como a única empresa de IA aprovada para uso em ambientes classificados. xAI de Elon Musk recentemente conseguiu acordo para ser usada nesses ambientes, e no final de sexta-feira, a OpenAI também anunciou o mesmo.

O conflito da Anthropic nunca foi pessoal e sempre envolveu o desejo do Pentágono de usar suas ferramentas de IA para todos os fins legais, disse um funcionário do Pentágono.

Professor Panda

Amodei cofundou a Anthropic em 2021 após sair da OpenAI, porque sentia que a empresa priorizava objetivos comerciais em detrimento da segurança em IA. Alguns funcionários o conhecem como “Professor Panda”. Amodei e os cofundadores da Anthropic comprometeram-se a doar 80% de suas ações fundadoras para caridade — uma participação agora avaliada em bilhões de dólares.

Amodei optou por não lançar uma versão inicial do Claude no verão de 2022, temendo que isso desencadeasse uma corrida tecnológica perigosa. A OpenAI lançou o ChatGPT algumas semanas depois, forçando a Anthropic a correr atrás.

Enquanto Amodei consolidava sua reputação por sua abordagem metódica ao desenvolvimento de IA, Michael e Hegseth tornaram-se conhecidos por sua postura agressiva nos negócios e na guerra. Michael ajudou a construir o Uber como diretor de operações quando a empresa era famosa por enfrentar concorrentes e reguladores de forma agressiva. Depois, trabalhou com dezenas de startups e defendeu a integração de tecnologia nas operações do Pentágono.

Michael tinha uma longa relação com Sam Altman (OpenAI), ajudando-o a vender sua primeira startup em 2012. Eles também trabalharam no mesmo ecossistema de startups enquanto Altman liderava o incubador Y Combinator de 2014 a 2019.

Enquanto a OpenAI avançava no mercado de consumidores, a ferramenta Claude da Anthropic conquistou um grupo fiel de desenvolvedores. Obteve sucesso em contratos corporativos e levantou capital rapidamente. A startup foi avaliada em US$ 380 bilhões após sua rodada mais recente de investimentos.

Grandes investimentos da Amazon foram particularmente benéficos e abriram caminho para o Pentágono. Em novembro de 2024, nos últimos dias da administração Biden, a Anthropic e a empresa de mineração de dados Palantir anunciaram parceria com a Amazon, dando às agências de inteligência e defesa dos EUA acesso aos modelos Claude.

A parceria permitiu que a Anthropic fosse rapidamente usada em ambientes classificados por meio dos sistemas da Palantir, tornando-a o primeiro desenvolvedor de modelos disponível para as operações mais sensíveis do Pentágono.

Alguns funcionários da Anthropic questionaram como a tecnologia seria usada. Haveria mecanismos de responsabilidade? As ferramentas poderiam ser usadas em operações que resultassem em mortes?

Amodei tranquilizou a equipe, dizendo que o trabalho era mais rotineiro do que suas perguntas sugeriam. Em uma reunião geral no final de 2024, ele comparou à ajuda do governo para agilizar tarefas burocráticas.

Mesmo com o crescimento da Anthropic, isso irritava os oficiais da administração no início do segundo mandato de Trump.

Os alertas públicos de Amodei sobre os perigos da IA e críticas a empresas que enviavam chips avançados para a China o colocaram como um dos poucos executivos de IA fora do compasso com Trump. No final de maio, Amodei alertou que a IA poderia destruir cerca de metade de todos os empregos de nível inicial de colarinho branco.

O czar de IA de Trump, David Sacks, chamou a Anthropic de “esquerdistas comprometidos” em seu podcast, citando laços da empresa com doadores democratas. A Anthropic havia contratado vários funcionários da era Biden. Amodei chamou Trump de “senhor feudal da guerra” antes das eleições de 2024.

Ainda assim, em julho, a Anthropic anunciou um contrato de até US$ 200 milhões com o Pentágono. Também fechou acordo com a agência central de compras do governo para permitir que outras agências usassem Claude.

Na mesma época, Sacks e outros funcionários trabalharam em uma ordem executiva contra “IA woke”, amplamente vista como uma ação contra a Anthropic.

O trabalho da empresa com os militares era visto por alguns no setor como forma de refutar alegações de ser “woke”, que a empresa considerou infundadas.

A Anthropic promoveu seu trabalho com o Pentágono em um evento em setembro na Union Station de Washington. Mas Amodei criticou novamente a administração por permitir a exportação de chips para países que poderiam representar ameaças de segurança. Ele afirmou que havia oficiais do governo que “parecem não entender, que ainda pensam que isto é uma corrida econômica para difundir nossa tecnologia pelo mundo, e não uma tentativa de construir a tecnologia mais poderosa que o mundo já viu”.

No final do ano passado, o Pentágono começou a discutir mudanças em contratos com empresas de IA para permitir o uso da tecnologia em todos os casos legais. A hesitação da Anthropic em dar aprovação irrestrita e a manutenção de limites contra vigilância doméstica em massa e armas autônomas frustrou alguns funcionários da administração.

Altman e a OpenAI veem oportunidade

O conflito entre Anthropic e Pentágono se intensificou em janeiro, com relatos de que seu contrato poderia ser cancelado.

Após a operação na Venezuela, um funcionário da Anthropic perguntou a um colega da Palantir como Claude foi usado. Oficiais do Departamento de Defesa descobriram e ficaram irritados, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. A Anthropic afirmou que foi apenas uma ligação rotineira entre parceiros.

Em um discurso em 12 de janeiro na SpaceX de Musk, Hegseth disse que Grok se juntaria à plataforma de IA militar do Pentágono, fazendo indiretas à Anthropic: “Não empregaremos modelos de IA que não permitam que você lute guerras.”

O Departamento de Defesa estava negociando, mas a Anthropic manteve seus limites. Queria que as proibições fossem explícitas, apesar das garantias do Pentágono de que não conduziria essas operações nem violaria a lei.

Na mesma época, veículos de mídia relataram que quando Michael perguntou a Amodei hipoteticamente se o Pentágono poderia usar Claude para destruir mísseis que se aproximavam dos EUA, o CEO respondeu que os oficiais deveriam verificar com a empresa primeiro. A resposta teria irritado a administração Trump. A Anthropic negou que Amodei tenha dito isso.

Desconfiados de um impasse, oficiais do Pentágono aceleraram discussões com o principal rival da Anthropic. Michael contatou Joe Larson (OpenAI) para verificar se a empresa poderia começar o processo de certificação para ser implantada em sistemas classificados. Oficiais já trabalhavam para garantir esse status para o Grok de Musk.

À medida que o relacionamento da Anthropic com a administração atingiu níveis baixos, aliados tentaram intermediar um acordo. Shyam Sankar (Palantir) sugeriu soluções para que a Anthropic aceitasse os termos do Pentágono, mantendo salvaguardas, depois aceitas pela OpenAI rival. A Anthropic rejeitou o acordo.

Em 24 de fevereiro, em reunião no Pentágono, Hegseth elogiou a qualidade dos modelos da Anthropic, reiterando a ameaça de rotulá-la como risco na cadeia de suprimentos. Ele também lançou uma ameaça maior: invocar a Defense Production Act, lei da Guerra Fria que dá ao governo controle de indústrias-chave, para obrigar a Anthropic a cumprir suas exigências. O secretário deu a Amodei até 17h01 de sexta-feira para aceitar o direito do exército de usar a tecnologia em todos os casos legais.

Na noite de quarta-feira, o Departamento de Defesa enviou nova linguagem sugerida para o contrato.

No mesmo dia, Sam Altman (OpenAI) entrou em contato com Michael, acreditando que o risco de acionar a Defense Production Act ou designar a Anthropic como risco na cadeia de suprimentos não era bom para o país.

Mas ele também viu oportunidade para a OpenAI. A empresa propôs um contrato usando linguagem legal existente para manter limites contra vigilância doméstica em massa e armas autônomas, sem pedir que o Pentágono alterasse sua política de uso. O contrato da OpenAI incluía outras medidas, como o envio de pesquisadores com autorização de segurança para monitorar o uso dos sistemas.

A OpenAI tem perfil político diferente da Anthropic: elogiou a estratégia tecnológica de Trump e prometeu investimentos para construir data centers para treinar modelos de IA. O presidente da OpenAI, Greg Brockman, e sua esposa doaram US$ 25 milhões a um comitê político alinhado a Trump no ano passado.

Prazo perdido

Na quinta-feira, Amodei reiterou os limites da empresa: “Nova linguagem apresentada como compromisso vinha acompanhada de jargão legal que permitiria ignorar essas salvaguardas à vontade”, disse um porta-voz.

Alguns no Departamento de Defesa acharam que as partes estavam próximas de um acordo antes da declaração de Amodei. Senadores pediram a ambos que desescalassem a situação.

Naquele dia, Altman disse à equipe que a OpenAI estava trabalhando em um acordo que poderia resolver o impasse.

Com a aproximação do prazo de sexta-feira, Trump anunciou que estava direcionando agências federais a cessar trabalho com a Anthropic. Mas as negociações continuavam.

Às 17h01, Michael ligou para Amodei, que não atendeu. Michael então conversou com outro executivo da Anthropic oferecendo um acordo que, na visão da empresa, permitiria a coleta ou análise de grandes quantidades de dados de residentes dos EUA.

Alguns dentro da Anthropic acreditavam que o acordo estava quase fechado antes da proposta final, rejeitada. Funcionários da empresa haviam descoberto recentemente que estavam na fila para ganhar um contrato do Pentágono para usar IA em drones, mas ficaram de fora devido às negociações em andamento.

Michael contestou a forma como a empresa descreveu a oferta.

Momentos depois, Hegseth publicou nas redes sociais que estava designando a Anthropic como risco na cadeia de suprimentos.

O que acontecerá a seguir não está claro, mas o impasse parece ter aumentado a popularidade da Anthropic entre os consumidores. Até domingo, Claude superou o ChatGPT, tornando-se o aplicativo mais baixado na App Store da Apple.

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Efeito Trump? Disney fala em ‘ventos contrários’ para o turismo internacional em seus parques nos EUA

A Disney alertou nesta segunda-feira (2) que enfrenta “ventos contrários na visitação internacional” em seus parques temáticos americanos, e que isso deve limitar o crescimento do lucro operacional da divisão no trimestre atual.

O aviso foi dado durante a divulgação dos resultados do primeiro trimestre fiscal. O CFO Hugh Johnston não quis detalhar as razões da desaceleração, mas confirmou que a empresa já está reagindo: tanto a Disneyland, na Califórnia, quanto o Walt Disney World, na Flórida, estão redirecionando seus esforços de marketing para atrair visitantes domésticos em vez de estrangeiros.

O contexto ajuda a explicar a cautela da empresa. Tensões diplomáticas do governo Trump com aliados tradicionais, a imposição de tarifas comerciais e processos mais rigorosos de verificação de vistos têm levantado preocupações crescentes sobre a disposição de estrangeiros em visitar os Estados Unidos.

Apesar da sinalização de cautela para os próximos meses, os números do trimestre encerrado em 27 de dezembro ainda foram fortes. A divisão de experiências — que engloba parques temáticos, cruzeiros e produtos de consumo — registrou receita recorde de US$ 10 bilhões, alta de 6% na comparação anual. O lucro operacional também bateu recorde trimestral, chegando a US$ 3,3 bilhões, igualmente 6% acima do ano anterior.

desempenho foi puxado por uma combinação de fatores. A frequência nos parques americanos subiu 1%, enquanto o gasto médio por visitante cresceu 4%. A linha de cruzeiros também contribuiu, com mais reservas após a adição de um novo navio à frota.

A divisão de experiências é o motor de lucro da Disney — e por isso mesmo será uma das principais responsabilidades do próximo CEO da companhia. Segundo o Wall Street Journal, o conselho de administração se reúne esta semana na sede em Burbank, na Califórnia, e deve votar o sucessor de Bob Iger.

De acordo com o jornal, a disputa está entre dois executivos da casa: Josh D’Amaro, atual presidente da divisão de experiências, e Dana Walden, copresidente da divisão de entretenimento. A especulação sobre quem ficará com o cargo — e qual será o destino do preterido — tem consumido funcionários da Disney e boa parte de Hollywood nos últimos meses, segundo a publicação.

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Trump anuncia novo presidente do Fed na semana que vem; quatro na disputa

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse que o presidente americano Donald Trump pode anunciar sua escolha para o próximo presidente do Federal Reserve já na próxima semana, em meio à intensa expectativa em torno da busca da Casa Branca por um novo chefe do banco central.

“Temos quatro candidatos fantásticos — a decisão caberá ao presidente, e imagino que ele fará um anúncio talvez já na próxima semana”, disse Bessent em entrevista coletiva de imprensa nesta terça-feira em Davos, onde participa do Fórum Econômico Mundial.

O processo de escolha de um sucessor para o atual presidente do Fed, Jerome Powell, é vista como uma corrida entre quatro pessoas, com Rick Rieder, da BlackRock, Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, Christopher Waller, diretor do Fed, e Kevin Warsh, ex-diretor do Fed, como finalistas após uma longa busca liderada por Bessent.

Mas a dinâmica da disputa parece ter mudado nas últimas semanas. Hassett já foi visto como o favorito, mas Trump expressou, na semana passada, relutância em nomeá-lo, manifestando preocupação de que isso privaria o governo de um de seus porta-vozes mais influentes em assuntos sobre a economia.

“Na verdade, quero te manter onde está, se quer saber a verdade”, disse Trump a Hassett durante um evento na Casa Branca. Não ficou claro, porém, se esses comentários sinalizavam uma mudança nas deliberações internas ou se foram apenas uma observação casual do presidente.

A decisão de intimar o Fed em uma investigação sobre a condução de uma reforma e os comentários feitos por Powell ao Congresso sobre a obra também colocaram incerteza no processo. Essa medida provocou uma reação negativa em Washington, inclusive do senador republicano Thom Tillis, que integra o Comitê Bancário do Senado e que ameaçou se opor a qualquer nomeação para o Fed até que o caso seja resolvido.

Rieder, diretor de investimentos em renda fixa global da BlackRock, tem ganhado ímpeto, de acordo com algumas pessoas familiarizadas com o assunto, que afirmam que ele é visto como potencialmente mais fácil de ser confirmado.

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EUA suspendem emissão de vistos do Brasil e de mais 74 países

O Departamento de Estado dos Estados Unidos congelou a emissão de vistos para 75 países, incluindo o Brasil, de forma temporária. Ainda não se sabe se os vistos para turistas serão afetados pela medida.

A medida foi noticiada primeiramente pela rede de TV Fox News, mas confirmada posteriormente pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, que compartilhou a informação em suas redes sociais.

A suspensão dos vistos terá início em 21 de janeiro e permanecerá em vigor por tempo indeterminado, enquanto o Departamento de Estado revisa seus critérios para a concessão de vistos a estrangeiros solicitantes. Além do Brasil, estão na lista países como Somália, Rússia, Afeganistão, Irã, Iraque, Egito, Nigéria, Tailândia e Iêmen.

A nova diretriz visa, sobretudo, atingir candidatos considerados dependentes de benefícios públicos, levando em conta fatores como saúde, idade, proficiência em inglês, situação financeira e necessidades médicas de longo prazo. Em novembro, a agência de notícias Associated Press afirmou que o governo de Donald Trump considerava uma nova diretriz para restringir a entrada de pessoas obesas no país.

“O Departamento usará sua autoridade de longa data para determinar se potenciais imigrantes são inelegíveis, evitando que estrangeiros venham receber assistência pública nos Estados Unidos”, afirmou Tommy Piggott, porta-voz do Departamento de Estado.

Desde que Donald Trump assumiu a presidência, no ano passado, o Departamento de Estado já revogou mais de 100 mil vistos, incluindo cerca de 8 mil vistos de estudante e 2.500 vistos especializados, concedidos a indivíduos que tiveram envolvimento com a polícia dos EUA por atividades criminosas.

Medidas mais duras

Desde junho do ano passado, o governo de Trump adicionou uma nova exigência à concessão de vistos de estudantes no país: agora, todos os candidatos devem desbloquear seus perfis em redes sociais para análise dos EUA. A medida tem o intuito de identificar conteúdos considerados hostis ao país, seu governo, cultura, instituições ou princípios fundadores.

Embora os Estados Unidos ainda não tenham confirmado oficialmente as restrições de visto, a nova estratégia de defesa e política externa dos EUA, publicada pelo governo de Donald Trump em dezembro de 2025, previa o aumento de restrições de entrada de imigrantes.

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O executivo que pode abrir caminho para os irmãos Batista no petróleo da Venezuela

O geólogo Ricardo Savini, CEO da Fluxus, empresa que pertence ao grupo J&F, é visto por seus pares no mercado de óleo e gás como uma figura-chave para destravar os investimentos dos irmãos Batista na “nova Venezuela” que deve emergir após a retirada de Nicolás Maduro do poder.

Figura respeitada no setor, Savini viveu no país entre meados dos anos 1990 e 2000, período em que atuou nas operações da Petrobras e da argentina Pérez Companc, chegando a comandar a unidade de negócios da empresa na Venezuela. O histórico lhe deu um conhecimento profundo — e raro — do mapa de ativos de petróleo no território venezuelano.

Após as passagens por Petrobras e Pérez Companc, Savini foi um dos fundadores da 3R Petroleum, hoje Brava Energia, antes de criar a Fluxus em 2023. “O Savini conhece bem a Venezuela. Imagino que esse seja um dos motivos para a J&F tê-lo mantido à frente da operação após a compra [da Fluxus]”, diz uma fonte do setor ouvida pelo InvestNews.

Ricardo Savini, CEO da Fluxus (Foto: Divulgação)

Em declarações públicas recentes, o CEO da Fluxus já deixou escapar que a empresa firmou contrato com um escritório de advocacia no país e que estava prospectando possíveis negócios na Venezuela. As oportunidades seriam, sobretudo, em campos de petróleo onshore (em terra).

Mas os movimentos por lá são calculados, bem ao estilo dos Batista de fazer negócio. “Com a Fluxus, o Savini pode fazer basicamente o que fazia quando foi sócio da 3R Petroleum: comprar campos de petróleo defasados para recuperá-los”, prossegue uma das fontes.

Em 2024, Savini já traçava os planos do grupo da família Batista para a Venezuela. “Nós já estamos lá. A gente já tem escritório, está prospectando, mas nada que possamos divulgar. Temos gente trabalhando. As oportunidades existem, mas somente no médio prazo. As reservas são gigantescas, tem muito óleo. Eles precisam do apoio da iniciativa privada”, disse o executivo, no Fórum de Energia Rio, evento promovido pela S&P Global, em agosto daquele ano.

Oportunidade

Com a ofensiva liderada pelo presidente Donald Trump que resultou na remoção de Nicolás Maduro do poder, agentes econômicos passaram a trabalhar com o cenário de uma reabertura gradual da economia venezuelana ao capital internacional.

No centro dessa leitura está o setor de óleo e gás, diante das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo — e da sinalização explícita de Trump de que empresas americanas devem ter protagonismo na retomada da produção local.

Ainda assim, o tamanho das reservas sugere espaço para outros operadores. Entre eles está a Fluxus, cujos controladores mantêm boa interlocução com o entorno do governo Trump. 

Além de terem doado US$ 5 milhões para a cerimônia de posse do presidente americano, os irmãos Batista tiveram papel ativo no ano passado ao facilitar a abertura de um canal direto de diálogo com Donald Trump, que posteriormente se reuniu com Luiz Inácio Lula da Silva, nas negociações que resultaram na retirada de tarifas sobre produtos brasileiros.

O potencial, porém, vem acompanhado de obstáculos relevantes. Especialistas ouvidos pela reportagem apontaram que a retomada da produção venezuelana exigirá volumes elevados de capital, além de tempo e estabilidade regulatória, para que os campos voltem a operar de forma eficiente e rentável.

“O óleo venezuelano é muito pesado e exige uma série de processos adicionais para se tornar comercializável”, afirma um especialista do setor. “O petróleo da Petrobras do pré-sal, por exemplo, costuma ser negociado a preço de Brent e, em alguns momentos, até com prêmio, por ser mais leve e ter baixo teor de enxofre. Já o petróleo venezuelano é vendido com desconto significativo, que pode chegar a até US$ 20 por barril em relação ao Brent.”

Família Batista na Venezuela

Há tempos circulam no mercado rumores de que a Fluxus já mantém ativos na Venezuela — algo que é oficialmente negado pela J&F.

A desconfiança ganhou força após o jornal O Globo revelar que o Ministério das Relações Exteriores impôs sigilo de cinco anos sobre telegramas diplomáticos trocados entre o Itamaraty e a embaixada do Brasil na Venezuela, que tratariam de interesses e movimentações empresariais dos irmãos Joesley Batista e Wesley Batista no país.

Entre os temas cobertos pelo sigilo está o registro de uma visita da dupla ao então ministro do Petróleo e presidente da estatal PDVSA (Petróleos de Venezuela), Pedro Tellechea, em 27 de fevereiro de 2024.

Mas, seja sob Donald Trump ou Nicolás Maduro, os Batista se mantêm em posição estratégica.

Além de ser um empresário com portas abertas na Casa Branca, Joesley Batista construiu uma relação direta com Nicolás Maduro, o que lhe garantiu acesso ao núcleo do poder em Caracas. Segundo apuração da Bloomberg, essa interlocução chegou ao ponto de viabilizar uma conversa sobre uma eventual renúncia do ditador, em meio à crise política e econômica do país.

Aposta no óleo e gás

A Fluxus é, junto com a geradora Âmbar, uma das apostas recentes da J&F no setor de energia. A companhia nasceu após Ricardo Savini deixar o cargo de CEO da 3R Petroleum no início de 2023, quando decidiu montar um novo negócio ao lado de outros dois ex-diretores da 3R: Jorge Lorenzón e Vitor Abreu. Em novembro daquele ano, o trio negociou 100% das ações da empresa recém-criada com o grupo dos irmãos Batista.

Alguns meses se passaram e os empresários Joesley e Wesley Batista lançaram a primeira investida no comando da Fluxus: a aquisição da Pluspetrol Bolívia, que detém três campos de gás. Para ampliar a produção no país, a companhia anunciou um investimento de US$ 100 milhões até 2028. Com a operação, a Fluxus passou a ser uma fornecedora de gás natural para as termelétricas da Âmbar.

A Fluxus já mantém operações de exploração e produção na Argentina, com ativos localizados principalmente na província de Neuquén, no entorno da formação de Vaca Muerta, uma das maiores fronteiras de petróleo e gás não convencional do mundo. Além dos países já citados, o Peru é um potencial mercado para a empresa. A empresa não possui ativos no Brasil.

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Chevron: a petroleira dos EUA que pode ganhar bilhões se Trump derrubar Maduro na Venezuela

Por quase duas décadas, a teimosa insistência da gigante do petróleo Chevron na Venezuela parecia uma tolice: investimentos de bilhões de dólares constantemente ameaçados pelo cabo de guerra entre Caracas e Washington.

Agora, porém, essa estratégia colocou o maior prêmio do petróleo mundial ao alcance da Chevron.

Enquanto as tensões aumentam entre Venezuela e Estados Unidos, a Chevron segue como a única grande petroleira global com acesso às imensas reservas de petróleo bruto do país — as maiores já conhecidas.

Se o presidente americano Donald Trump, que deslocou uma frota de navios de guerra para a costa venezuelana, atacar e derrubar o governo, nenhuma empresa estaria em melhor posição para ajudar a reconstruir a indústria petrolífera devastada do país. Se Trump e o presidente venezuelano Nicolás Maduro chegarem a um acordo, a Venezuela precisará exportar o máximo possível de petróleo para gerar caixa — novamente beneficiando a Chevron.

A posição única da empresa de Houston traz riscos enormes — inclusive para seus funcionários — se as hostilidades se intensificarem. A Chevron ainda pode acabar expulsa do país tanto por Maduro quanto por Trump, um destino que já atingiu várias petroleiras estrangeiras na Venezuela ao longo dos anos.

Mas tanto Trump quanto Maduro têm motivos para ver a Chevron como uma aliada útil, e nenhum dos lados se moveu para interromper as operações da companhia no atual impasse. Até quinta-feira (17), a Chevron se preparava para exportar 1 milhão de barris de petróleo venezuelano, segundo dados de rastreamento de navios da Bloomberg — um dia depois de Trump classificar o governo do país como uma “organização terrorista estrangeira”. A Chevron produz cerca de 200 mil barris por dia em diversas joint ventures com a estatal venezuelana PDVSA e exporta sua parte da produção para refinarias americanas na Costa do Golfo.

“São águas muito difíceis de navegar”, disse Francisco Monaldi, diretor de política energética da América Latina na Universidade Rice, em Houston. “Mas a Chevron é uma parceira muito atraente para a Venezuela e para o governo dos EUA. Ela está em uma posição estratégica muito forte em praticamente qualquer cenário possível.”

Os escritórios da Chevron Corp. em Caracas, Venezuela, em 1º de dezembro de 2022. Fotógrafo: Matias Delacroix/Bloomberg

A situação para a maior parte da indústria petrolífera venezuelana é sombria.

O bloqueio de Trump no sul do Caribe significa que a estatal PDVSA não consegue mais exportar petróleo por meio de sua frota paralela de “navios fantasmas” para a China e pode ter de começar a fechar poços em até dez dias. Um ataque cibernético atingiu o principal terminal de exportação do país em dezembro, enquanto as viagens aéreas de e para a Venezuela praticamente cessaram após interferências em sinais e alertas dos EUA sobre aumento da atividade militar.

Governos americanos sucessivos impuseram sanções à Venezuela à medida que Maduro apertava seu controle sobre o poder. Mas a Chevron, que começou a explorar petróleo no país em 1923, obteve licenças especiais para contornar as sanções. E, embora o governo venezuelano tenha prendido (e depois libertado) dois funcionários da Chevron em uma investigação de suposta corrupção em 2018, Maduro frequentemente elogia a empresa, dizendo que quer que ela fique por “outros 100 anos”.

Um arranjo único

É um arranjo incomum que acumula inimigos tanto em Caracas quanto em Washington. Críticos americanos, que em alguns momentos incluíram o secretário de Estado Marco Rubio, acusam a empresa de canalizar bilhões de dólares para um regime brutal e corrupto. Alguns setores mais duros dentro do partido governista venezuelano, por sua vez, veem a Chevron como símbolo do imperialismo americano e querem acabar com a influência estrangeira sobre a maior indústria do país.

A empresa, por sua parte, afirma que suas operações na Venezuela ajudam a estabilizar a economia local e toda a região, ao mesmo tempo em que cumprem todas as sanções e leis dos EUA. Pessoas a par das discussões internas dizem que os executivos da Chevron não gostam da exposição pública adicional que a posição na Venezuela traz, mas acreditam que a estratégia de permanecer é correta diante do potencial ganho extraordinário. Isso também envia uma mensagem a outros governos ricos em petróleo ao redor do mundo de que a Chevron é uma parceira de longo prazo — mesmo em circunstâncias difíceis, dizem.

“Estivemos lá nos altos e baixos, e como em muitos lugares do mundo, temos de adotar uma visão de longo prazo sobre nossa presença em países como este”, disse o CEO Mike Wirth neste mês à Bloomberg TV.

As reservas gigantes da Venezuela sempre atraíram empresas internacionais de petróleo. Isso mudou depois que Hugo Chávez, protegido do revolucionário cubano Fidel Castro, venceu a eleição presidencial em 1998. O paraquedista de personalidade grandiosa que virou ícone socialista aprovou leis exigindo que o Estado tivesse 51% de qualquer joint venture com empresas estrangeiras — na prática, nacionalizando a indústria. A ConocoPhillips, então maior investidora estrangeira no país, recusou os novos termos e saiu no início dos anos 2000. A Exxon Mobil fez o mesmo.

Nicolás Maduro de terno escuro e gravata vermelha caminha, com pintura de Simón Bolívar ao fundo.
Nicolas Maduro, presidente da Venezuela, durante coletiva de imprensa no Palácio Miraflores em Caracas, Venezuela, em 2024. Fotógrafo: Gaby Oraa/Bloomberg

A Chevron decidiu ficar. Ali Moshiri, então chefe da empresa para a América Latina, tinha uma relação próxima com Chávez e buscou construir uma parceria em vez de sair. Em um evento da indústria em meados dos anos 2000, Chávez percebeu que Moshiri não tinha cadeira e, em tom de brincadeira, ofereceu a sua. Moshiri aceitou após um abraço e alguns tapinhas nas costas.

“Você não pode ter uma atitude de ‘entra e sai’”, disse Moshiri à Bloomberg News em 2005. “Temos de ir aonde o petróleo está.”

A aposta deu certo, ao menos no início. Os preços do petróleo subiram de US$ 25 o barril em 1999 para o recorde de US$ 146 em 2008, o que significava que Chevron e Venezuela dividiam um bolo muito maior, ainda que a fatia da empresa americana fosse menor. A relação continuou sob Maduro após a morte de Chávez, em 2013.

As relações entre Maduro e o governo dos EUA, porém, se deterioraram de forma constante. Trump, em seu primeiro mandato, impôs sanções à indústria petrolífera venezuelana, e o presidente Joe Biden as manteve, desencadeando um período de intenso lobby da Chevron em Washington. A empresa argumentava que o petróleo venezuelano era crítico para a segurança energética dos EUA, porque as refinarias da Costa do Golfo foram projetadas para processar o petróleo pesado que a Venezuela produz. Deixar o país apenas entregaria mais ativos a Maduro e criaria um vazio que empresas russas e chinesas poderiam explorar, disseram pessoas familiarizadas com o lobby à época.

Diante de uma disparada nos preços da gasolina em 2022 após a invasão da Ucrânia pela Rússia, Biden afrouxou as sanções, permitindo que a Chevron aumentasse a produção. Para preservar a imagem diante de um regime com histórico deteriorado de direitos humanos, o governo Biden determinou publicamente que a Chevron não poderia pagar impostos ou royalties a estatais venezuelanas. Uma licença secreta, no entanto, revelada pela Bloomberg News em março, permitia esses pagamentos.

O petróleo da Venezuela continuou fluindo — ajudando a baixar os preços da gasolina nos EUA — enquanto as operações da Chevron permaneciam dentro da lei. O episódio mostrou o quanto os EUA ainda se beneficiam da presença da Chevron no país, mesmo enquanto tentam aumentar a pressão sobre Maduro.

O jogo de longo prazo

A Venezuela não é o primeiro país em que a Chevron aplica sua estratégia de “ficar onde está o petróleo”.

Como Standard Oil of California, fez a primeira descoberta comercial na Arábia Saudita em 1938 e manteve presença produtiva ali por sete décadas, mesmo com a maior parte da produção hoje nas mãos da estatal Saudi Aramco. A Chevron foi a primeira grande petroleira no Cazaquistão após o fim da União Soviética e enfrentou desafios técnicos e políticos ao elevar a produção para mais de 1 milhão de barris por dia ao longo de três décadas.

Mas a estratégia não vem sem custos. Ela expõe a Chevron a interrupções provocadas por conflitos ao redor do mundo. Ao mesmo tempo, críticos atacam a empresa por fazer parcerias com governos antidemocráticos que usam o dinheiro do petróleo para reprimir direitos humanos — incluindo a Venezuela.

“Empresas como a Chevron estão, na prática, colocando bilhões de dólares nos cofres do regime”, disse Rubio em janeiro. “E o regime não cumpriu nenhuma das promessas que fez.”

Embora Trump e Rubio evitem dizer que querem derrubar Maduro, eles vêm aumentando gradualmente a pressão. E os preços fracos do petróleo, agora perto do menor nível em quatro anos, deram espaço para uma postura mais agressiva dos EUA, segundo Carlos Bellorin, vice-presidente executivo da Welligence Energy Analytics.

Diversas bombas de petróleo operam em área de terra batida, ao lado de campos verdes. Colinas e céu nublado ao fundo.
Campo de exploração de petróleo da Chevron, em San Ardo, Califórnia (David Paul Morris/Bloomberg)

Trump “pode se dar ao luxo de interromper os fluxos venezuelanos com muito menos risco de uma disparada de preços, especialmente algo que afete a gasolina nos EUA”, disse ele. Bloquear petroleiros sancionados no sul do Caribe ajuda Trump a eliminar uma fonte-chave de receita de Maduro, cujo governo se tornou especialista em usar uma “frota escura” de navios que desligam ou adulteram seus sinais para exportar petróleo apesar das sanções.

Se houvesse uma mudança de regime na Venezuela, é improvável que a Chevron fosse a única grande petroleira interessada. A Exxon olharia qualquer oportunidade potencial, mas com cautela, já que seus ativos no país foram expropriados no passado, disse o CEO Darren Woods em entrevista no mês passado.

“Eu não colocaria na lista nem tiraria da lista”, disse Woods. “Teríamos de ver quais seriam as circunstâncias no momento.”

Wirth, CEO da Chevron, em contraste, segue firme na convicção de que a empresa vai permanecer, apesar das dificuldades.

“Nós não escolhemos onde está o recurso”, disse ele na cúpula de CEOs do Wall Street Journal no início deste mês. “Se saíssemos toda vez que discordamos de um governo, acabaríamos saindo de todos os lugares — inclusive deste país.”

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Ford anuncia US$ 19,5 bilhões em encargos por reestruturação no setor de carros elétricos

A Ford registrará encargos de US$ 19,5 bilhões relacionados a uma ampla reformulação de seu negócio de veículos elétricos, após anos de dificuldades para torná-lo lucrativo.

A maior parte dos custos será contabilizada no quarto trimestre, afirmou a montadora em comunicado nesta segunda-feira (15). Como parte da mudança estratégica, a montadora está cancelando a picape elétrica da Série F, redirecionando a produção para veículos movidos a combustão e híbridos e adaptando uma fábrica de baterias para veículos elétricos.

A Ford também converterá sua icônica picape elétrica F-150 Lightning em um veículo híbrido de alcance estendido.

A magnitude das perdas e baixas contábeis de ativos é uma prova tanto da dificuldade que a Ford tem enfrentado para construir e vender veículos elétricos de forma lucrativa, quanto da extensão em que as mudanças nas políticas do presidente dos EUA, Donald Trump, apenas agravarão esses desafios.

A Ford reconhece que construiu uma capacidade de produção de baterias excessiva e que estava trilhando um caminho sem saída com veículos elétricos de grande porte, que estavam fadados a gerar ainda mais prejuízo.

As medidas tornarão as operações de veículos elétricos da Ford lucrativas até 2029, disse Andrew Frick, chefe da unidade, a jornalistas em uma coletiva de imprensa. A divisão teve um prejuízo de US$ 5,1 bilhões no ano passado e a empresa espera que as perdas sejam ainda maiores este ano.

“Não fazia sentido continuar investindo bilhões em produtos que sabíamos que não dariam lucro”, disse Jim Farley, CEO global da Ford, em entrevista à Bloomberg TV. “Tivemos que tomar essa decisão.”

A montadora elevou sua previsão de receita para 2025 para US$ 7 bilhões antes de juros e impostos, acima da estimativa anterior de US$ 6 bilhões a US$ 6,5 bilhões . Farley atribuiu o aumento ao progresso que a Ford fez na redução de custos e à sua transição para “veículos mais lucrativos”.

As ações da Ford subiram 1% no pregão estendido de Nova York às 17h06. Os papéis acumulam alta de 38% neste ano.

Uma nova aposta em baterias

Farley previu que a demanda do consumidor por veículos elétricos cairá pela metade depois que Trump revogou a maior parte da plataforma política de Joe Biden. Agora, as empresas estão tentando encontrar maneiras de limitar os danos financeiros causados ​​pela paralisação das fábricas. Em outubro, a General Motors registrou baixas contábeis de US$ 1,6 bilhão em ativos de veículos elétricos.

Uma das opções mais promissoras é a conversão de fábricas de baterias para veículos elétricos na produção de células para armazenamento estacionário, cuja demanda está em plena expansão graças ao crescimento de data centers de inteligência artificial e às necessárias atualizações na rede elétrica. O armazenamento de energia em baterias em escala de serviços públicos aumentou 50% nos primeiros 10 meses deste ano, atingindo quase 39,3 gigawatts em relação ao final de 2024, segundo dados preliminares da Administração de Informação Energética dos EUA. Reproduzir vídeo

As células de armazenamento podem extrair mais energia da rede elétrica existente, pois não é possível construir novas e grandes usinas de energia com rapidez suficiente para atender aos complexos de dados que consomem tanta energia quanto as cidades.  

Mas, para obter lucro no negócio de fabricação de células, que exige muito capital e é tecnicamente complexo, os fabricantes argumentam que os créditos fiscais para a indústria são essenciais para tornar as fábricas economicamente viáveis.

A Ford está interrompendo a produção em sua fábrica de baterias para veículos elétricos em Glendale, Kentucky, que passará por uma conversão de US$ 2 bilhões para produzir células de armazenamento de energia para abastecer a rede elétrica. Os 1.600 funcionários da fábrica serão demitidos durante a conversão, mas a Ford planeja contratar 2.100 pessoas para dar suporte ao seu negócio de armazenamento de energia quando a unidade for reaberta em 2027.

A montadora está assumindo o controle de duas fábricas de baterias lado a lado em Glendale, Kentucky, após o rompimento, na semana passada, de uma joint venture com a fabricante sul-coreana de baterias SK On. Apenas uma dessas fábricas está em operação, e a Ford converterá sua produção para células de fosfato de ferro-lítio de menor custo, utilizando um acordo de licenciamento que possui com a fabricante chinesa de baterias Contemporary Amperex Technology Co. Ltd. Essas baterias serão vendidas exclusivamente para armazenamento de energia.

Sua fábrica em Marshall, Michigan, também produzirá células LFP para armazenamento de energia, além de uma nova linha de veículos elétricos pequenos e de baixo custo, com lançamento previsto para 2027.

Investindo em veículos a gasolina e híbridos

Farley insistiu que a Ford ainda será capaz de competir com fabricantes chineses de veículos elétricos de baixo custo, como a BYD Inc., com esses veículos, que terão preços iniciais em torno de US$ 30.000.

“Não vamos ceder nosso futuro aos chineses”, disse Farley, acrescentando que a nova linha de veículos elétricos de baixo custo da Ford será lucrativa.

A Ford planeja converter uma fábrica em construção em Stanton, Tennessee — sua primeira nova planta de montagem em meio século — para produzir caminhonetes a gasolina em vez de picapes totalmente elétricas. A fábrica de caminhonetes do Tennessee produzirá um novo modelo que não faz parte da linha atual de picapes pequenas, médias e grandes da montadora, informou a empresa. A Ford adiou o início das operações dessa fábrica para 2029, em vez de 2028 — data que já havia sido adiada anteriormente.

A empresa informou que a maior parte dos US$ 19,5 bilhões em itens especiais será reconhecida em seus resultados do quarto trimestre, e o restante em 2026 e no ano seguinte. A empresa espera um impacto de caixa de aproximadamente US$ 5,5 bilhões decorrente dessas despesas, pagos principalmente no próximo ano.

Embora baixas contábeis dessa magnitude sejam raras no mundo corporativo americano, elas não são inéditas. Em março, a principal acionista da Volkswagen registrou baixas de cerca de € 20 bilhões (US$ 21,7 bilhões) para o ano fiscal de 2024 devido à deterioração de seus investimentos. A Exxon Mobil Corp. incorreu em sua maior baixa contábil da história moderna em 2020 — perdas de até US$ 20 bilhões — ao ser afetada pelo colapso dos preços da energia.

A Ford afirmou que, até 2030, espera que metade do seu volume de vendas global venha de veículos híbridos, veículos elétricos de autonomia estendida e veículos totalmente elétricos, um aumento em relação aos 17% atuais.

“São decisões importantes que acreditamos que trarão benefícios por muitos anos”, disse Frick. “Em vez de gastar bilhões a mais em grandes veículos elétricos que agora não têm perspectiva de serem lucrativos, estamos alocando esse dinheiro em áreas de maior retorno.”

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Donald Trump diz que anunciará novo presidente do Fed no início de 2026

O presidente americano Donald Trump afirmou que pretende anunciar sua escolha para liderar o Federal Reserve (banco central americano) no início de 2026, alimentando ainda mais especulações sobre o próximo chefe do banco central dos EUA.

“Vamos anunciar alguém, provavelmente no início do próximo ano, para o novo presidente do Fed”, disse Trump na terça-feira (2) durante uma reunião do Gabinete na Casa Branca.

Os comentários de Trump oferecem um cronograma mais claro para o anúncio. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, que supervisiona o processo de seleção, havia dito anteriormente que a escolha poderia ser revelada por volta do Natal.

O presidente afirmou que considerou cerca de 10 candidatos para o cargo, em consulta com Bessent e o secretário de Comércio Howard Lutnick, mas agora “reduzimos para um”.

Kevin Hassett

O diretor do Conselho Nacional Econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, é visto como o provável escolhido para suceder Jerome Powell, segundo pessoas familiarizadas com o assunto relataram à Bloomberg na semana passada.

Ainda assim, Trump é conhecido por tomar decisões-surpresa de pessoal e políticas, o que significa que a nomeação não é definitiva até ser tornada pública. Outros finalistas incluíram os governadores do Fed Christopher Waller e Michelle Bowman, o ex-governador do Fed Kevin Warsh e Rick Rieder, da BlackRock.

Trump pressionou o Fed por meses para reduzir as taxas de juros, e nomear um sucessor de Jerome Powell, cujo mandato como presidente do Fed expira em maio, daria ao presidente sua maior oportunidade até agora de remodelar a instituição. Trump criticou Powell por ser “lento e tímido” ao implementar cortes e sinalizou que espera que seu substituto aja de forma mais enérgica para reduzir as taxas.

Trump repetiu essas críticas na terça-feira, chamando Powell de “boi teimoso, que provavelmente não gosta do seu presidente”. Embora o mandato de Powell como presidente termine no próximo ano, ele poderia permanecer no conselho por mais dois anos como governador.

Em setembro, Trump destacou Hassett, Warsh e Waller como seus três principais candidatos. Trump também afirma regularmente que gostaria de Bessent como presidente, embora o secretário do Tesouro tenha rejeitado a ideia repetidamente.

As escolhas para presidente e governadores do Fed representam normalmente a forma mais direta de os presidentes influenciarem o banco central. Mas Trump tem criticado publicamente o Fed por agir lentamente para reduzir os custos de empréstimos e pelos caros projetos de renovação de sua sede. A Casa Branca também está envolvida em litígio sobre a tentativa de Trump de demitir a governadora do Fed, Lisa Cook.

Quem quer que Trump escolha precisará de confirmação do Senado como presidente. Se o selecionado for um outsider, ele provavelmente receberá um mandato de 14 anos como governador do Fed, com início em 1º de fevereiro.

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Trump anuncia o fechamento do espaço aéreo na Venezuela

Donald Trump disse que as companhias aéreas devem considerar o espaço aéreo sobre e ao redor da Venezuela como fechado, em uma publicação na sua plataforma Truth Social neste sábado.

“Para todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas, por favor considerem O ESPAÇO AÉREO ACIMA E AO REDOR DA VENEZUELA COMO FECHADO EM SUA TOTALIDADE”, escreveu Trump a partir de sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida.

O alerta ocorre enquanto forças americanas se concentram na região e Trump avalia uma possível ação contra o governo do presidente Nicolás Maduro. Também vem às vésperas de um período de pico de viagens para o Caribe.

A Casa Branca não respondeu de imediato a um pedido de comentários.

Trump evitou dizer se, e quando, os EUA iniciariam ataques contra a Venezuela, mas sugeriu, nos últimos dias, que o país poderá em breve ampliar sua série de ataques a barcos supostamente carregando entorpecentes para operações em terra, sem dar mais detalhes.

Nos últimos meses, os EUA vêm intensificando a pressão sobre Caracas, como parte de uma operação antidrogas voltada ao combate ao tráfico, que o governo Trump afirma ser liderado pelo regime de Maduro.

O governo Trump designou formalmente o Cartel dos Sóis, da Venezuela, como organização terrorista estrangeira — classificação que os EUA apontam como base legal para certas operações, e que a Venezuela alega ser uma falsidade para justificar uma intervenção.

A campanha levou os EUA a reforçar sua presença militar na região, incluindo um porta-aviões e navios de guerra, além de altos oficiais militares americanos se reunirem com líderes no Caribe.

Trump conversou com Maduro na semana passada e os dois discutiram um possível encontro, embora ainda não tenham marcado nada, informou o New York Times na sexta-feira.

Companhias aéreas começaram a cancelar voos de e para a Venezuela após um comunicado da Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) dos EUA, em 22 de novembro, recomendando que operadores “ajam com cautela” em meio ao impasse crescente entre os dois países.

A agência também afirmou que aumentaram a interferência em sistemas de navegação no espaço aéreo do país e os exercícios militares venezuelanos.

Por Angela Cullen e Josh Wingrove

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Alívio para os EUA: retirada da tarifa sobre café e carne do Brasil reduz pressão sobre alimentos

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar uma sobretaxa de 40% sobre as importações de café e carne bovina brasileiros deve trazer algum alívio para os mercados e para consumidores americanos, que vinham sofrendo com a disparada dos preços desses itens básicos.

O Brasil é o maior fornecedor global tanto de café quanto de carne bovina, e a tarifa adicional de 40%, anunciada em julho, fez os embarques para os EUA despencarem. A queda da oferta agravou uma escalada de preços enfrentada pelos americanos em meio à maior inflação de alimentos em décadas.

A nova ordem executiva assinada por Trump na quinta-feira (20) deve reduzir essa pressão. Na semana passada, o governo já havia cortado uma tarifa separada de 10% que incidia sobre os mesmos produtos.

“Dois terços dos adultos americanos tomam café todos os dias, e cada xícara vai ficar mais barata graças à decisão do presidente Trump”, disse a National Coffee Association, que representa a indústria de café nos EUA.

Inflação

A mudança, que inclui um conjunto de commodities, reflete a necessidade de conter os preços dos alimentos, em um momento em que os americanos seguem frustrados com o custo da cesta básica e atribuem ao presidente notas cada vez piores em relação ao desempenho econômico.

O índice de confiança do consumidor caiu em novembro a um dos níveis mais baixos já registrados, com piora na percepção sobre as finanças pessoais. Os contratos futuros do café arábica caíram até 6,6% na sexta-feira (21) em Nova York, atingindo a mínima de quase dois meses, antes de reduzir parte das perdas.

Os preços haviam alcançado recorde em outubro, quando as tarifas agravaram um cenário de oferta apertada após colheitas fracas ao redor do mundo. Um índice de inflação para café torrado atingiu máxima histórica em agosto, segundo o Bureau of Labor Statistics.

“Esperamos que as exportações sejam retomadas”, disse Fernando Maximiliano, analista da StoneX. Temores de escassez no mercado americano vinham pressionando os futuros para cima, mas agora há expectativa de alívio, afirmou.

Lula e Trump em reunião
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião com presidente dos EUA, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia 26/10/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein

A carne bovina, por sua vez, tem sido um dos pontos mais sensíveis para a administração Trump, já que os preços ao consumidor atingiram recordes em meio à retração do rebanho nos EUA.

O país tem recorrido cada vez mais às importações para preencher a lacuna, o que derrubou os preços do gado vivo diante da expectativa de maior entrada de produto estrangeiro. Mas os embarques brasileiros caíram fortemente após as ameaças tarifárias.

Os futuros de gado vivo chegaram a recuar até 3,4%, menor nível desde junho, antes de suavizar as perdas. Mesmo assim, o custo menor para frigoríficos e varejistas ainda não se traduziu em carne mais barata para o consumidor, já que a demanda continua elevada.

Não está claro se a remoção da tarifa será suficiente para provocar “um aumento dramático” nas importações vindas do Brasil, segundo analistas da Steiner Consulting Group. Isso porque a baixa disponibilidade de gado no próprio Brasil e a forte demanda da China — maior compradora mundial — seguem como obstáculos.

Ainda assim, o relatório aponta que um cenário de mais importações e menos exportações americanas poderia “moderar a inflação da carne bovina” nos EUA em 2026.

Para o Brasil, o efeito das tarifas foi relativamente limitado: mesmo com a queda para os EUA, o país conseguiu aumentar as exportações totais de carne bovina em 2025, compensando com vendas maiores para México, Oriente Médio e, sobretudo, China.

“Quem acabou sofrendo mais com essa tarifa foram os produtores e consumidores americanos”, disse Marcos Jank, professor sênior do Insper. A oferta apertada em outras regiões do mundo permitiu que o Brasil encontrasse mercados alternativos com relativa facilidade, completou.

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A guerra comercial de Trump vai romper o vício dos EUA em produtos baratinhos?

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que crianças americanas deveriam se contentar com duas bonecas em vez de 30. Mas o hábito de consumo do país foi construído ao longo de décadas de importações abundantes da Ásia.

Quando estava no ensino médio, nos anos 1950, Kay Washburn trabalhou 50 horas como babá para conseguir comprar o vestido dos seus sonhos, que custava US$ 25. Depois de ver o modelo verde-musgo, na altura do joelho, com um bolero combinando, na vitrine da loja JJ Newberry’s, ela passou um mês e meio pagando em prestações e o usou por anos, até quase se desfazer.

Nas décadas seguintes, conforme os americanos deixaram de ser principalmente fabricantes de coisas e se tornaram compradores, o consumo de Washburn disparou. Ela não junta mais moedas para comprar roupas e acostumou-se a adquirir o que quer, quando quer.

Hoje com 89 anos, ela recentemente clicou em “comprar” da própria cama para adquirir uma calça capri leve por US$ 5,95 na Shein, a varejista chinesa de fast-fashion. O preço é menor do que o que paga por um hambúrguer com batatas no In-N-Out, sua rede de fast-food favorita. Ela planeja usar a calça só por uma ou duas temporadas.

Grande parte das roupas, utensílios domésticos, ferramentas e brinquedos comprados pelos americanos é tão barata que pode ser adquirida quase sem pensar. Isso alimentou um vício em produtos baratos. Não importa quão rápido seja o frete: a sensação que nossos cases personalizados e pijamas combinando provocam dura pouco. Muitos desses itens são jogados fora depois de poucos usos, e o ciclo recomeça. Com a aproximação da Black Friday, a manifestação mais visível da compulsão americana por compras está chegando.

As tarifas impostas pelo presidente Trump e sua visão de restaurar os EUA como potência manufatureira desafiam essa mentalidade do “compre agora, preocupe-se depois”.

Segundo a Tax Foundation, Trump elevou a tarifa efetiva média sobre todos os bens importados de 2,5% em 2022 para 13% atualmente — o maior nível desde 1941.

No verão, o governo fechou uma brecha que permitia que alguns produtos baratos, como a capri de Washburn, entrassem no país sem tarifa. EUA e China chegaram a um acordo preliminar que reduz tarifas que chegaram a 135% na primavera, segundo o Peterson Institute for International Economics, mas ainda deixa muitos produtos chineses sujeitos a uma tarifa média estimada em 48%.

A Suprema Corte está avaliando se o governo Trump tem autoridade para impor muitas dessas novas tarifas.

Respondendo a críticas de que as tarifas tornam os produtos mais caros, Trump sugeriu que os americanos simplesmente deveriam comprar menos. “Talvez as crianças tenham duas bonecas em vez de 30”, disse ele nesta primavera. Isso representaria uma mudança radical no rumo do país — embora nem todos se oponham a comprar menos coisas.

“Eu penso: ‘Eu quero isso, vou comprar’, e não: ‘Isso vale 50 horas de babá?’”, disse Washburn, aposentada e moradora de Rohnert Park, Califórnia. “Tem que existir um meio-termo.” Ela diz que quer mudar seus hábitos tanto pelo país — que acredita estar excessivamente dependente de produtos baratos importados — quanto por sua própria saúde financeira.

Produtos mais caros

O valor de algumas categorias de produtos baratos exportados para os EUA por China e Vietnã, dois dos maiores fornecedores de itens de baixo custo, aumentou 36% entre 2015 e 2025, chegando a US$ 176 bilhões.

Eles representam aproximadamente 61% dos artigos domésticos, 55% dos móveis, 69% dos calçados e 50% das roupas e têxteis comprados pelos americanos em 2024, segundo a consultoria AlixPartners.

Essas participações caíram levemente nos últimos anos com a expansão da manufatura em outros países, mas o volume total de importações aumentou e abrange uma gama muito maior de produtos. “O consumo de produtos baratos explodiu”, disse Nitin Jain, diretor-gerente de varejo da AlixPartners.

Esse consumo também é o principal motor da economia americana. O gasto do consumidor respondeu por 68,2% do PIB dos EUA no segundo trimestre de 2025, segundo o Bureau of Economic Analysis — um pouco acima da média histórica.

Pode haver um limite para os aumentos de preços que o consumidor americano está disposto a aceitar. As empresas sabem disso e dizem que, até agora, escolheram não repassar totalmente o impacto das tarifas. Mas poucos economistas acreditam que isso vá durar.

A inflação já começa a subir, e os eleitores voltaram a se irritar com o custo de vida, elegendo recentemente democratas que fizeram da acessibilidade seu principal foco na Virgínia, em Nova Jersey e em Nova York.

Ainda assim, psicólogos e especialistas em comportamento do consumidor afirmam que será preciso um longo período de preços mais altos e menor disponibilidade, além de uma mudança geral na mentalidade coletiva, para que os hábitos de compra mudem de forma duradoura.

“O fato de ser gostoso comprar coisas não vai desaparecer”, disse Stephanie Preston, professora de psicologia da Universidade de Michigan que pesquisa consumismo. “As pessoas ainda têm a expectativa de poder comprar essas coisas. Elas só vão ficar cada vez mais irritadas com o preço.”

Recompensa imediata

O cérebro humano é programado para recompensar prazer imediato em vez de metas de longo prazo, diz Preston. Cada vez que compramos algo que achamos que vai tornar nossa vida um pouco mais simples, prazerosa ou estilosa, sentimos uma descarga de dopamina. “É um prazer imediato que faz você esquecer o que quer que estivesse preocupando você”, disse ela.

O problema é a rapidez com que esses sentimentos positivos desaparecem — e como ficou fácil obter outra dose com um único clique. Parar exige ignorar esse impulso e ir contra uma sociedade que historicamente reforçou, em vez de condenar, a acumulação constante de itens, afirma Preston.

Houve alguma reação, especialmente entre jovens, ao impacto ambiental da fast-fashion e do consumo excessivo, mas os gastos do consumidor continuam crescendo.

Consumidores ao redor do mundo devem comprar cerca de 40% mais peças de roupa em 2025, em média, do que em 2005, segundo a McKinsey. Nos EUA, esse aumento provavelmente é bem maior. As pessoas agora vestem uma peça apenas sete vezes, em média, antes de doá-la ou jogá-la fora.

Entre 2019 e 2024, o número médio anual de compras de artigos para casa e jardim feito por famílias americanas aumentou 16%, de 95 para 110 por domicílio.

As compras de brinquedos — majoritariamente importados da China — subiram 15%, de 33 para 38. Roupas femininas, também amplamente importadas da China e de outros países asiáticos, cresceram 27%, de 15 para 19 peças por domicílio, segundo a AlixPartners.

Pandemia

O amor do país por produtos baratos se transformou em vício completo durante a pandemia, quando os americanos ficaram presos em casa enquanto a tecnologia avançava e tornava as compras online mais fáceis que nunca.

Kanwal Haq foi uma dessas pessoas que intensificou seu consumo digital, comprando pijamas, itens de decoração, materiais de artesanato e jogos. E, como muitos outros, não parou quando a quarentena terminou.

Em 2024, ela fez 144 pedidos na Amazon — de um suporte frágil para toalhas a um pacote multicor com oito pulseiras para Apple Watch que precisou cortar para caber no pulso. Ela comprou máscaras faciais hidratantes recomendadas por influenciadores no TikTok (que a fizeram ter alergia). E pediu uma dúzia de roupas de viagem mal ajustadas da Shein.

O hábito começou até a prejudicar seu casamento. “Eu percebi que algo tinha que mudar quando comecei a tentar chegar antes do meu marido na sala de correspondência para esconder o que tinha comprado”, disse Haq, diretora de uma ONG de saúde feminina em Troy, Nova York.

Filha de imigrantes da classe trabalhadora, Haq se deixou levar por como cada compra individual parecia barata. Mas depois de fazer uma resolução de Ano-Novo para registrar cada gasto no cartão, percebeu que uma parcela significativa de sua renda estava indo para “tralhas”.

Ela cancelou e-mails de marketing das marcas favoritas, encerrou a assinatura da Amazon e está tentando comprar apenas o que precisa — priorizando negócios pequenos e liderados por mulheres. Ainda escorrega às vezes. Mas quando o marido perguntou, há alguns meses, quantos dos pacotes abarrotando a sala de entregas eram dela, ela se orgulhou de responder, honestamente: “nenhum”.

O consumo se tornou fundamental para a economia americana desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando indústrias voltadas ao esforço de guerra passaram a produzir bens de consumo e precisaram criar mercados para eles.

Anúncios da época diziam aos americanos que comprar carros e máquinas de lavar não apenas atenderia seus desejos e necessidades, mas também — após a Grande Depressão — ajudaria a impulsionar uma economia próspera no pós-guerra, explicou Lizabeth Cohen, historiadora de Harvard e autora de A Consumers’ Republic: The Politics of Mass Consumption in Postwar America.

Uma reportagem de duas páginas da revista Life em 1947 incentivava famílias a “comprar mais para si mesmas para melhorar a vida dos outros”. Argumentos semelhantes foram retomados após os atentados de 11 de setembro.

Nos anos 1970, fabricantes passaram a transferir produção para países com mão de obra barata e não sindicalizada, em busca de maiores margens, disse Cohen. Nos anos 1990, a China despontou como líder em produção de baixo custo, com varejistas como Zara e Forever 21 dependendo amplamente de fabricantes chineses. Isso marcou o início de uma mudança cultural ampla em direção a ciclos mais curtos de moda e decoração — e a jogar coisas fora em vez de consertá-las.

Chip Colwell, antropólogo e autor de So Much Stuff, uma história do consumismo, acredita que tarifas farão as pessoas comprarem menos no curto prazo. “Mas assim que puderem comprar mais, vão comprar.” As interrupções temporárias na cadeia de suprimentos durante a pandemia, explicou ele, não diminuíram a demanda de longo prazo.

Alterar nossos hábitos de compra de forma permanente exigiria “uma mudança muito fundamental na nossa relação com os objetos”, afirma Colwell. “O valor que eles trazem, a forma como às vezes prejudicam o meio ambiente e até a nós mesmos.”

Uma mudança real, acredita ele, exigiria um longo período de dificuldade econômica semelhante à Grande Depressão. Mas mesmo nesse cenário, pessoas que não podem comprar casa, trocar de carro ou fazer férias podem continuar comprando produtos baratos.

“Se as pessoas vão continuar comprando tanta coisa, é muito difícil prever”, disse Devashish Mitra, professor de economia da Universidade de Syracuse. “Produtos chineses ainda podem continuar relativamente mais baratos do que as alternativas.”

As tarifas podem oferecer aos americanos a chance de criar novos padrões de consumo. As pessoas podem descobrir que preferem comprar de segunda mão ou de artesãos locais se forem obrigadas a isso — especialmente se os produtos durarem mais e tiverem melhor qualidade do que aqueles vindos do exterior.

“Todos esses itens estão se tornando mais acessíveis por causa do preço mais baixo, mas a qualidade é inferior, então precisam ser substituídos com mais frequência”, disse Kimberly Reuter, CEO da consultoria de cadeia de suprimentos CSG Consulting. “Nos tornamos viciados no ciclo de comprar algo novo, usá-lo até o fim da sua vida útil sem manutenção, descartá-lo e comprar outro.”

Em alguns cantos da internet, comprar menos — ou “subconsumo” — já começa a ganhar força. Defensores citam benefícios ambientais, financeiros e psicológicos.

Em Rohnert Park, Califórnia, Kay Washburn assinou um aplicativo de meditação que abre toda vez que sente vontade de entrar no Temu para fazer compras. “Estou tentando me treinar para esquecer essa opção e ajudar a nos levar de volta para onde precisamos estar como país”, disse Washburn. “Mas é uma aula de disciplina, pode acreditar.”

As tarifas fizeram a influenciadora Ava Vancour, caloura universitária, repensar o conteúdo que produz. “Abrir pacotes é literalmente a melhor sensação do mundo”, disse ela — e era o que a tornava conhecida. Sua compra de volta às aulas no último ano do ensino médio teve 6,8 milhões de visualizações, enquanto seguidores buscavam inspiração para seus próprios guarda-roupas.

Este ano, porém, seus vídeos de compras para o dormitório e roupas receberam menos de 100 mil visualizações. Ela suspeita que isso se deve ao fato de as pessoas hesitarem em comprar itens que, apesar de ainda baratos, começaram a subir de preço.

Então, ela está mudando o foco para vídeos de rotina, mostrando como se arruma para o dia com roupas que já tem. Também vem participando do Project Pan, que exige terminar um produto de maquiagem — “atingir o fundo” — antes de comprar outro. “Eu não preciso comprar um milhão de coisas”, disse Vancour. “Se não é algo com que meus seguidores se identificam.”

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Como a soja virou protagonista na guerra comercial entre EUA e China

Depois de anos sendo sacudido por disputas globais, o fazendeiro de Illinois Dean Buchholz achava que já tinha visto de tudo. Mas até ele se surpreendeu quando sua safra de soja acabou envolvida numa crise financeira sul-americana.

Dias depois de o governo Trump prometer um empréstimo de US$ 20 bilhões para reforçar as finanças da Argentina, sob o presidente libertário Javier Milei, a China comprou bilhões de dólares em soja argentina. O megacontrato agrícola repercutiu nos mercados internacionais, pressionando os preços da soja americana e dando impulso à moeda argentina.

Em meio a uma guerra comercial entre Pequim e Washington, China e Argentina uniram forças para mostrar que o mundo pode viver sem a soja dos Estados Unidos. Alguns produtores americanos viram isso como uma traição. “A gente usou dinheiro de impostos para ajudar um país estrangeiro”, disse Buchholz, “e eles basicamente cortaram nossa garganta.”

Acordo e desconfiança

Na semana passada, o presidente Trump e o líder chinês Xi Jinping concordaram em reduzir as tensões comerciais após uma reunião na Coreia do Sul. Trump disse que cortaria tarifas sobre produtos chineses se Pequim limitasse as exportações de insumos usados na produção do opioide fentanil. Segundo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a China prometeu comprar 12 milhões de toneladas de soja americana nesta safra e 25 milhões de toneladas por ano nos próximos três anos.

“Nossos grandes produtores de soja, que os chineses usaram como peões políticos — isso acabou. Eles vão prosperar nos próximos anos”, disse Bessent.

Mas muitos agricultores ainda se sentem como peões. A manobra chinesa destacou os riscos de depender de uma potência capaz de abalar fortunas ao fechar a torneira do comércio.
Os termos do acordo não foram divulgados. Pelo que se sabe, a China concordou em comprar menos soja dos EUA neste ano do que no anterior. Na última década, o país importou em média 29 milhões de toneladas por ano.

“Acho que todo mundo nos usa como peões”, disse David Isermann, que cultiva cerca de 1 mil hectares (10 km²) no condado de LaSalle, em Illinois. Como muitos produtores, ele espera para ver se a China realmente cumprirá a promessa. Boa parte do interior agrícola apoia Trump, diz Isermann, mas “ele irritou os produtores de soja”.

Os preços pagos aos agricultores subiram desde o anúncio do acordo, mas, no terminal de grãos de Walsh, no nordeste de Dakota do Norte, o preço recente — abaixo de US$ 10 por bushel (medida equivalente a 27,2 kg de soja) — ainda torna a oleaginosa um negócio deficitário para a maioria.
Marvin Yoder, que cultiva mais de 2 mil hectares (20 km²) de milho e soja em Jacksonville, Illinois, dirigiu cerca de 130 quilômetros até a região de St. Louis para vender a colheita.

Foto: Adobe Stock

O porto no rio Mississippi paga cerca de 40 a 45 centavos a mais por bushel que o armazém local. Yoder diz que o acordo pode ajudar as finanças dos produtores no curto prazo, mas não resolve o problema maior: o Brasil.

“Os EUA dominaram as exportações agrícolas globais, mas o resto do mundo alcançou”, afirmou. “O Brasil cresce todo ano — tem terra barata, mão de obra barata e produtores muito competentes também.”

A incerteza do mercado chega em má hora para os produtores americanos de soja. A safra deste ano foi projetada como uma das maiores da história, deixando os agricultores com mais grãos do que destinos para vendê-los.

Os custos estão subindo e os preços, baixos. Alguns que já venderam parte da colheita enfrentam prejuízos. Trump prometeu um pacote de resgate multibilionário para manter as fazendas de pé. Mike Dahman, que cultiva cerca de 8 mil hectares (80 km²) em Winchester, Illinois, diz que a soja foi um mau negócio neste ano. Somando o custo do arrendamento e das operações, calcula que perderá cerca de US$ 100 por hectare colhido.

Dahman tem armazenado a maior parte da safra em vez de vendê-la. No mês passado, levou um caminhão de grãos recém-colhidos até um silo da Cargill em Florence, Illinois, mas foi recusado enquanto o local carregava uma barcaça. Vendeu a um armazém vizinho por um preço um pouco menor. “Se você está plantando soja, provavelmente vai perder dinheiro”, disse.

A história da China

A China, de longe o maior importador mundial de soja, ajudou a transformar a oleaginosa na segunda cultura mais plantada dos EUA. O Conselho de Exportação de Soja dos Estados Unidos abriu um escritório em Pequim em 1982 para promover o grão rico em proteína usado na engorda de suínos e aves.

Nos anos 1990, com a ascensão da classe média chinesa e o aumento do consumo de carne, a demanda por soja disparou. Em resposta, agricultores americanos converteram milhões de hectares antes dedicados ao trigo, especialmente nas Grandes Planícies.

Cerca de metade da soja americana é exportada a cada ano. O restante é processado em óleo para culinária e biocombustíveis, como o diesel, e em farelo para ração animal. Avanços tecnológicos das maiores empresas de sementes e defensivos devem elevar a produtividade nos próximos anos.
Uma cadeia logística inteira se formou em torno da soja e das exportações para a China — plantas de processamento, ferrovias e melhorias em portos da Costa Oeste. Por décadas, a oleaginosa sustentou milhares de produtores e economias rurais dependentes das vendas a Pequim.

Tudo mudou no primeiro mandato de Trump, quando ele impôs tarifas à China, desencadeando uma guerra comercial. As importações chinesas de soja americana despencaram, e o governo teve de compensar as perdas com cerca de US$ 23 bilhões em subsídios entre 2018 e 2019.

As exportações depois se recuperaram, mas a China gastou dezenas de bilhões de dólares fortalecendo a cadeia agrícola da América do Sul — especialmente no Brasil. A estatal chinesa Cofco, uma grande trader agrícola, desenvolve um grande terminal no Porto de Santos para exportar soja e milho.

O fator Brasil e a Argentina

O Brasil ultrapassou os EUA como maior exportador mundial há mais de uma década, impulsionado por investimentos e uma vasta área agrícola. No ano passado, respondeu por 70% das importações chinesas, o dobro da fatia de 15 anos atrás.

O país é criticado por desmatar para expandir a produção. Em uma conferência neste ano, o vice-secretário de Agricultura dos EUA, Stephen Vaden, chamou o desmatamento brasileiro de “prática comercial desleal” que dá vantagem aos produtores locais.

Trump voltou a elevar as tensões com a China após reassumir a presidência. O governo acreditava que Pequim precisava da soja americana, e o confronto evoluiu para uma disputa de barreiras comerciais. A China reagiu.

Em setembro, a Argentina suspendeu sua taxa de exportação de 26% sobre produtos agrícolas até atingir US$ 7 bilhões em vendas. Dias depois, vendeu praticamente todo esse volume à China, incluindo dezenas de carregamentos de soja.

Autoridades argentinas disseram que a medida visava fortalecer o peso, segundo uma publicação nas redes sociais do então porta-voz presidencial. Mas, em meio a um pacote de resgate financeiro de US$ 20 bilhões articulado pelo Tesouro americano, muitos produtores nos EUA sentiram-se traídos.

O secretário do Tesouro, Bessent, estava na 80ª Assembleia-Geral da ONU em setembro quando recebeu uma mensagem de texto da secretária de Agricultura, Brooke Rollins: “Os preços da soja estão caindo ainda mais por causa disso. Isso dá mais poder de barganha à China.”

Gigantes do agronegócio como a Cargill — maior empresa privada dos EUA — e a Archer Daniels Midland foram as responsáveis por levar a soja argentina até a China. É parte da lógica global das tradings, que lucram com operações externas mesmo enquanto os produtores americanos sofrem com a queda nas exportações.

Segundo Brian Sikes, CEO da Cargill, países como o Brasil devem ajudar a expandir a produção agrícola global para alimentar a população crescente. “Vemos a América do Sul como um investimento, com certeza”, disse. A Cargill, com sede em Minnesota, investiu cerca de US$ 1,5 bilhão no Brasil nos últimos cinco anos, incluindo em unidades de processamento de soja.

Entidades do setor agrícola americano celebraram o novo acordo com a China. “Expandir mercados e retomar as compras chinesas vai trazer previsibilidade para produtores que estão lutando para se manter”, disse Zippy Duvall, presidente da American Farm Bureau Federation. Ainda assim, analistas alertam que as tensões entre China e EUA podem voltar a piorar. “Há um sentimento cauteloso de otimismo”, disse Arlan Suderman, economista-chefe de commodities da StoneX.

“Mas também a consciência de que os dois países ainda estão longe de resolver suas diferenças.” O CEO da Archer Daniels Midland, Juan Luciano, afirmou nesta semana que os benefícios do acordo recente com a China ainda são incertos. “Precisamos de clareza sobre o acordo”, disse. “À primeira vista, parece positivo, mas ainda não vimos um documento conjunto com os detalhes.”

Entre setembro e o início de outubro, as exportações americanas — excluindo a China — subiram cerca de 45% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo Jim Sutter, diretor do Conselho de Exportação de Soja.

Tailândia, Bangladesh, Paquistão e países europeus ampliaram suas compras. No norte da África, Egito e Marrocos despontam como oportunidades de crescimento, diz Sutter. Mas nada substitui a China. As grandes compras semanais do país durante a colheita americana trazem previsibilidade; já os pedidos de outros mercados são irregulares, elevando custos de armazenagem e incerteza.

Greg Amundson, que cultiva cerca de 3 mil hectares (30 km²) no nordeste de Dakota do Norte, diz que, em um ano normal, toda a sua soja iria para a China. Neste ano, levou a produção a uma planta de esmagamento — onde os grãos são transformados em óleo e farelo para ração —, mas se diz frustrado com os preços baixos. Centavos por bushel podem determinar a diferença entre lucro e prejuízo. Sinais de dificuldade já vinham aparecendo na economia rural antes mesmo de Trump reassumir o cargo.

O excesso de milho e soja após várias safras recordes derrubou os preços. Os fertilizantes de Amundson custam cerca de US$ 100 por saco a mais que no ano passado. As sementes subiram entre 10% e 20%.
“O acordo com a China pode trazer alguma estabilidade”, disse. “Mas tem soja demais no mundo — é por isso que os preços estão tão baixos.”

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EUA investem R$ 2,5 bilhões na produção de terras raras da Serra Verde, em Goiás

A Serra Verde, produtora brasileira de terras raras, garantiu um financiamento de até US$ 465 milhões – cerca de R$ 2,5 bilhões – da Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (DFC). O investimento tem como pano de fundo a busca pelas nações ocidentais da redução da dependência da China em relação a minerais essenciais.

O financiamento busca ajudar a cobrir as melhorias na mina Pela Ema da empresa, no estado do Goiás, de acordo com um documento de 15 de agosto do site do DFC. A agência federal foi criada durante o primeiro mandato do presidente dos EUA, Donald Trump, para oferecer financiamento e garantias a projetos em países em desenvolvimento que tenham ligação com os objetivos de política externa dos Estados Unidos.

O governo Trump recorre ao Brasil — o país com as maiores reservas de terras raras fora da China — por seus esforços na construção de cadeias de suprimentos alternativas para elementos-chave usados em equipamentos militares, veículos elétricos e turbinas eólicas.

O depósito de Pela Ema contém terras raras leves e pesadas – principalmente neodímio, praseodímio, térbio e disprósio – que são essenciais para a transição energética. A Serra Verde, apoiada pela Denham Capital, Vision Blue Resources e Energy and Minerals Group, é a primeira produtora de terras raras em larga escala do país.

O DFC afirmou que o fundo se destina a financiar melhorias na mina Pela Ema, bem como despesas operacionais e o refinanciamento da dívida existente dos acionistas. O financiamento foi divulgado anteriormente pelo Financial Times.

A Serra Verde iniciou a produção comercial em sua mina e planta de processamento em 2024. A empresa pretende aumentar a produção para entre 4.800 e 6.500 toneladas métricas de óxidos de terras raras até o início de 2027.

“Este projeto ainda está passando por diversas etapas e revisões antes de ser concluído”, disse um porta-voz da empresa sobre seus planos. “Como esses detalhes ainda não foram finalizados, preferimos aguardar para comentar até que a transação esteja totalmente concluída e possamos fornecer informações precisas.”

Em setembro, a Aclara Resources garantiu financiamento do DFC para um projeto de terras raras no Centro-Oeste, em um acordo que poderá ser convertido em participação acionária no futuro.

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Trump manda investigar frigoríficos e culpa empresas estrangeiras por alta da carne

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou que o Departamento de Justiça (DoJ) abra uma investigação federal sobre a indústria de processamento de carne. O mandatário acusa os grandes frigoríficos — em sua maioria de capital estrangeiro e incluem as brasileiras JBS e a Marfrig — de manipular preços e praticar cartel.

Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que as empresas do setor estão “criminalmente lucrando às custas do povo americano” e pediu que o governo aja com rapidez.

“Estou pedindo ao Departamento de Justiça que aja de forma imediata. É preciso proteger os consumidores, combater monopólios ilegais e garantir que essas corporações não estejam se aproveitando do povo americano”, escreveu.

As declarações provocaram forte reação no mercado. As ações da JBS, maior empresa de carne do mundo e de origem brasileira, chegaram a cair 6,2% nas negociações pós-fechamento em Nova York na sexta-feira (7).

Preço da carne em alta e pressão política

Os preços da carne bovina no atacado nos EUA subiram 16% em 2025, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). A disparada ocorre em meio à redução do rebanho americano, hoje no menor nível em sete décadas, resultado de secas prolongadas e custos crescentes de produção.

De acordo com Julie Anna Potts, presidente do Meat Institute, associação que representa os frigoríficos, as empresas estão operando com prejuízo, tendência que deve continuar em 2026.

“Os processadores de carne dos Estados Unidos estão abertos a um debate baseado em fatos sobre o preço da carne e como atender melhor os consumidores americanos, que são nossos principais interessados”, declarou.

A escalada do custo de vida tem sido o tema dominante nas recentes eleições americanas e contribuiu para vitórias democratas sobre os republicanos de Trump em disputas locais. Pesquisas apontam que os eleitores avaliam mal o desempenho do presidente na economia, levando seus assessores a prometer foco maior na redução de preços.

Setor de carnes vira novo alvo da guerra contra a inflação

O setor de carnes é o novo foco da ofensiva de Trump contra a inflação dos alimentos, que já elevou o preço da carne moída a níveis recordes nos supermercados. Apesar disso, especialistas afirmam que a recomposição do rebanho americano pode levar anos, o que indica que os preços devem continuar altos no médio prazo.

Trump direcionou as críticas às empresas estrangeiras, o que derrubou ainda mais as ações da JBS. A subsidiária de frango da companhia, a Pilgrim’s Pride, chegou a doar US$ 5 milhões à cerimônia de posse de Trump em 2017.

Outros frigoríficos, como a Smithfield Foods (controlada pelo grupo chinês WH Group) e a Tyson Foods, também registraram queda nas ações após o anúncio. Nenhuma das empresas comentou o caso.

Histórico de investigações e disputa comercial

Não é a primeira vez que Trump mira o setor. No fim de seu primeiro mandato, o Departamento de Justiça já havia aberto uma investigação antitruste sobre os frigoríficos, posteriormente mantida por Joe Biden, mas sem resultar em processo judicial.

Em 2022, Biden lançou um programa para permitir que produtores denunciassem práticas comerciais desleais da indústria.

Os frigoríficos vêm sendo criticados há anos pela alta concentração de mercado e já pagaram centenas de milhões de dólares em acordos por acusações de manipulação de preços.

Gail Slater, chefe da divisão antitruste do DoJ, respondeu ao anúncio de Trump com ironia:

“Encerrando a semana com uma nova missão. Obrigada por sua atenção a este assunto, senhor”, escreveu nas redes sociais.

Pressão dos estados rurais e impacto no mercado

A decisão também gerou reação entre aliados de Trump em estados agrícolas, que alertam que seu plano de permitir mais importações de carne argentina sem tarifa pode prejudicar os pecuaristas americanos.

Trump, no entanto, insiste que há algo de errado:

“Enquanto o preço do gado caiu, o da carne embalada subiu. Então, há algo ‘suspeito’ acontecendo”, afirmou.

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Onda de otimismo anima bolsas globais e empurra Ibovespa para novo recorde

Um “alinhamento dos astros” nesta segunda-feira (27) sustentou o ânimo de quase todos os mercados globais – e o Brasil não ficou de fora. Com expectativas positivas rodando o cenário econômico, político e monetário, as bolsas ao redor do mundo tiveram um dia positivo e o Ibovespa, na mesma toada, renovou a sua máxima histórica.

O principal índice da bolsa brasileira terminou a sessão em um novo recorde de 146.991 pontos, com alta de 0,56%. No desempenho intradiário (dentro de uma sessão), o indicador também quebrou o recorde ao alcançar 147.976 pontos na parte da manhã.

Em linha com o enfraquecimento ante outras moedas globais, o dólar à vista fechou em baixa de 0,42%, aos R$ 5,3706. No ano, a divisa acumula queda de 13,08%.

A principal força para o mercado veio da sinalização de um potencial final feliz para o embate tarifário entre os Estados Unidos e a China. No domingo (26), os principais negociadores comerciais das duas economias disseram ter chegado a um entendimento preliminar sobre uma série de pontos delicados. Isso pavimenta o terreno para que os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, da China, finalizem um acordo em uma reunião marcada para a quinta-feira (30).

Caso os dois líderes consigam um passo concreto, sairá de cena o principal fator que tem abalado os mercados globais nos últimos meses. Na última escalada das tensões comerciais, em 10 de outubro, Trump anunciou um aumento de tarifas para 100% sobre todos os produtos chineses.

E outros fatores se somaram para explicar o bom humor dos investidores, como a perspectiva de mais um corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) já na quarta-feira (29).

O mercado já trabalha majoritariamente com um corte de 0,25 ponto percentual nos juros americanos. A ferramenta CME FedWatch, que acompanha as apostas de investidores nos rumos da política monetária, coloca essa possibilidade em 97,8%. A potencial redução alimenta o interesse dos investidores para buscar aplicações mais arriscadas, mas com maior potencial de retorno – o que traz um fluxo grande para mercados em desenvolvimento.

Aqui no Brasil, o mercado também se apoiou no clima amistoso entre Lula e Trump em encontro realizado no domingo (26). A reunião, que durou 45 minutos, foi considerada pelos dois lados como produtiva. Agora, a expectativa é por movimentos concretos de costura de acordos em novas reuniões entre representantes dos países. Esse foi o primeiro evento com participação dos dois governantes após o mandatário americano decidir aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, no fim de julho.

Até os dados macroeconômicos deram uma força ao desempenho positivo da bolsa no dia. O boletim Focus, que traz as estimativas de economistas para alguns indicadores, continuou mostrando mais quedas das expectativas sobre a inflação. Esse processo de “ancoragem” ou seja, de convergência das projeções para a meta estabelecida pelo Banco Central, é sempre citado pela autoridade como um dos principais fatores para o início do ciclo de cortes da Selic.

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No embalo do otimismo global, Ibovespa marca novo recorde

O Ibovespa renovou o recorde de pontos dentro da sessão desta segunda-feira (27). Após a sinalização de que começa a ser encaminhado um acordo comercial entre os Estados Unidos e a China, os investidores voltaram a deixar uma parte do conservadorismo de lado e a buscar mais retornos em mercados considerados mais arriscados, como o Brasil.

A melhora nos conflitos comerciais é positiva porque retira incertezas do horizonte e abre perspectivas mais otimistas para a economia global. Com isso em vista, o Ibovespa renovou o recorde intradiário (dentro da sessão) em 147.976 pontos.

Perto das 14h50, o principal índice da B3 subia 0,50%, aos 146.904 pontos. Se fechar nesse nível, o indicador quebrará o recorde de fechamento pela oitava vez em 2025.

O movimento de alta se espalha pelas bolsas de todo o mundo. Os mercados emergentes, no geral, são os que mais têm se beneficiado da trégua nas inúmeras frentes da guerra de tarifas promovida pelo governo americano. O índice MSCI Emerging Markets, que acompanha a variação de um portfólio com 1,2 mil empresas de 24 países emergentes, tem avanço de 1,35%.

Em outras praças, o desempenho também é positivo. O S&P/BMV IPC, do México, sobe 1,17%, enquanto S&P CLX IPSA, do Chile, avança 0,36%. Na Ásia, o mercado também já antecipava o movimento positivo pelo mundo – o Hang Seng, de Hong Kong, por exemplo, subiu 1,05%.

No domingo (26), os principais negociadores comerciais das superpotências econômicas disseram ter chegado a um entendimento preliminar sobre uma série de pontos delicados. Isso prepara o terreno para que os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, da China, finalizem um acordo em uma reunião marcada para a quinta-feira (30).

Caso os dois líderes consigam um entendimento concreto, sairá de cena o principal fator que tem abalado os mercados globais nos últimos meses. Na última escalada das tensões comerciais, em 10 de outubro, Trump anunciou um aumento de tarifas para 100% sobre todos os produtos chineses.

Entre as economias latino-americanas, a Argentina vive nesta segunda-feira uma situação particular. A vitória quase inesperada do partido do presidente Javier Milei nas eleições legislativas de meio de mandato no domingo (26) deu ao mandatário um novo impulso em sua busca de reformas.

A vitória tirou do radar dos investidores uma das maiores incertezas políticas recentes no país: a de que a agenda liberal do governo fosse barrada por um Congresso de maioria oposicionista. Como resultado, o S&P Merval, principal índice da bolsa argentina, dispara 20,50%. O peso argentino sobe 4,62% em relação ao dólar, para 1.412,45 pesos por unidade da moeda americana – movimento de destaque entre as divisas globais.

No Brasil, os investidores também se apoiam na avaliação positiva sobre o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em Kuala Lumpur, na Malásia, durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).

A conversa marcou a primeira reunião oficial entre os dois governantes desde o início da atual crise diplomática. A reunião, que durou 45 minutos, foi considerada pelos dois lados como produtiva. Agora, a expectativa é por movimentos concretos de costura de acordos em novas reuniões entre representantes dos países.

No mercado de câmbio, o dólar vive um dia de fraqueza frente a outras divisas. O Índice Dólar (DXY), que acompanha a variação da moeda americana na comparação com as seis principais moedas do comércio internacional, recua 0,07%, para 98,88 pontos. Frente ao real, a queda é de 0,27%, cotada a R$ 5,3720; ante o peso mexicano, a baixa é de 0,23% e, contra o yuan, o recuo é de 0,15%.

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Vitória legislativa dá uma segunda chance para Milei reformar a economia argentina

Uma vitória retumbante do partido de Javier Milei nas eleições de meio de mandato no domingo (27) — com uma tábua de salvação dos EUA — deu ao presidente libertário um novo impulso em sua busca para reformar a Argentina e quebrar o ciclo de dívidas, inadimplência e crises do país.

Agora, Milei enfrenta a difícil tarefa de aproveitar a segunda chance que acabou de ganhar. Para capitalizar, ele terá de provar que consegue forjar alianças políticas fortes e evitar as armadilhas que condenaram líderes reformistas anteriores — e que quase o destruíram antes da votação.

No mês passado, os eleitores da província de Buenos Aires infligiram um revés devastador a Milei , garantindo uma vitória esmagadora à oposição peronista em uma eleição local. Os investidores interpretaram isso como um sinal de que o alívio proporcionado pela capacidade de Milei de controlar a inflação, que havia caído de seu pico próximo a 300%, havia dado lugar à frustração com a economia em baixa, com salários estagnados e escassez de empregos.

Uma série de escândalos de corrupção agravou os problemas, e o então líder de seu partido desistiu da disputa de domingo devido a ligações com um traficante de drogas. O peso argentino sofreu uma forte desvalorização, mesmo depois que Donald Trump e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, o ajudaram, com investidores e famílias apostando que uma desvalorização pós-eleitoral era iminente. A aprovação de Milei caiu para o nível mais baixo de seu mandato.

Mas, diante da escolha entre Milei e os peronistas que presidiram o colapso mais recente do país, os argentinos preconizaram a manutenção ao atual presidente. Por enquanto, pelo menos, estão dispostos a deixar Milei concretizar seu projeto de desmantelar a máquina estagnada do Estado, cortando seu orçamento com sua motosserra e promovendo reformas agressivas de livre mercado.

Segundo suas próprias estimativas, o partido de Milei e seus aliados terão mais de 100 cadeiras na Câmara dos Deputados, muito mais do que os 15% que ele tem atualmente e além do um terço necessário para proteger seus poderes de veto. Ele terá 20 das 72 cadeiras do Senado.

“Os argentinos demonstraram que não querem retornar ao modelo do fracasso”, declarou Milei. “Nos próximos dois anos, precisamos fortalecer o caminho reformista que iniciamos para mudar a história da Argentina de uma vez por todas.”

Os mercados argentinos subiram na manhã de segunda-feira, com o peso subindo 10%, os títulos subindo em geral e seu índice de ações ganhando 20% no início do pregão, enquanto os investidores assimilavam a mão repentinamente forte de Milei para buscar reformas.  

Backstop de Bessent

Não há dúvidas de que as intervenções dos EUA — na forma de um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões, compras estimadas de mais de US$ 1 bilhão em pesos e promessas de obter outros US$ 20 bilhões em financiamento de bancos privados — impulsionaram Milei, mesmo com Bessent enfrentando críticas em casa por cumprir suas promessas.

“O resgate de Trump foi consequente”, disse Benjamin Gedan, pesquisador sênior e diretor do Programa para a América Latina do Stimson Center, em Washington. “É difícil imaginar que Milei teria um desempenho tão bom em meio a uma valorização acelerada do peso, com o banco central ficando sem moeda forte.”

Uma grande questão que se coloca a Milei é se a vitória inspirará alguma correção de rumo em casa. Há dois anos, ele assumiu a presidência prometendo derrotar a “casta” que culpava por transformar a Argentina em uma economia tão propensa a crises. Desde então, ele tem tratado regularmente aliados, incluindo o ex-presidente Mauricio Macri, como parte desse grupo, rotulando-os, assim como os peronistas, como “traidores”. 

Milei precisará de aliados tanto no Congresso quanto nos principais governos para obter aprovação para as reformas tributária, trabalhista e previdenciária que os investidores há muito dizem que a Argentina precisa para finalmente entrar em um caminho sustentável para o crescimento e para gerar empregos e prosperidade econômica que tornarão a reeleição em 2027 muito mais fácil. 

“A eleição deve marcar o início de uma nova fase política”, disse Pilar Tavella, chefe de estratégia macro e soberana da Balanz Capital Valores SA. Após uma estratégia de confronto anterior, na noite de domingo, “Milei contatou a oposição moderada, e os governadores em particular, para aprovar reformas no Congresso, destacando que eles acreditam que podem trabalhar juntos”.

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Mercados hoje: acerto entre China e EUA e encontro entre Lula e Trump animam investidores

Bom Dia!
A semana abre em modo “inclinação ao risco ligado”. O fim de semana trouxe notícias para animar os investidores: sinais de entendimento entre EUA e China tiram pressão de tarifas e animam a pré-abertura lá fora. Aqui, o encontro Lula–Trump trouxe uma luz no fim do túnel das tarifas. Por outro lado… a expectativa para o encontro do Fed entre terça-feira e quarta-feira pode inspirar cautela ao longo do dia.
A seguir: giro global, os destaques do dia, pílulas e a agenda, com balanço de Neoenergia.


Enquanto Você Dormia…

  • Clima mais leve: investidores precificam avanço num acordo EUA–China e aguardam Big Techs + Fed.
  • Futuros de NY: S&P 500 +0,74% e Nasdaq +1,10% (por volta de 08h50).
  • Europa e Ásia: STOXX 600 perto de máximas históricas; Japão/Coreia/Taiwan bateram recordes com o alívio tarifário no radar.
  • Dólar DXY estável perto de 98,9; Petróleo Brent em US$ 66,4; Treasury 10 anos ao redor de 4,04%

Destaques do dia

  • EUA–China afinam um caminho para um futuro acordo:
  • Washington e Pequim indicaram um esboço para evitar novas tarifas dos EUA e adiar controles chineses a exportações (terras-raras), com encontro de líderes. Futuros saltam na esteira do noticiário.
  • E o que isso importa? Se o desarme tarifário avançar, melhora o humor em commodities e cíclicas ligadas à China (Vale, CSN e Gerdau) e tira pressão de dólar/juros globais; soja e cadeias industriais sensíveis a insumos asiáticos também entram no radar.

Giro pelo mundo

  • Big Tech na semana: Microsoft, Apple, Alphabet, Amazon e Meta puxam a temporada e testam o “trade” de IA. (Triggers: pré/pós-fechamento ao longo da semana)
  • Futuros de NY sobem com expectativa de corte de 25 pb na quarta (Fed) e reunião Trump–Xi.
  • Argentina: Milei sai fortalecido nas eleições de meio de mandato, reforçando agenda pró-mercado e laços com os EUA. Partido do presidente argentino conquistou 67 de 127 cadeiras na Câmara dos Deputados.

Giro pelo Brasil

  • Lula–Trump: reunião de 45 minutos em Kuala Lumpur ensaia trégua tarifária; times técnicos começam a negociar “solução rápida”. (Próximo passo: agenda de encontros entre Tesouro/Trade Reps)
  • Focus: sai entre 8h25–8h30 com novas projeções de IPCA/Selic/câmbio; baliza a curva logo cedo.

Giro Corporativo

  • Energia: Neoenergia (NEOE3) divulga 3T25 hoje; teleconferência amanhã de manhã. (Olho em alavancagem, CAPEX e fluxo de caixa)
  • Temporada local: resultados ganham tração nesta e nas próximas semanas, com blue chips na fila.

A Agenda de hoje

  • ⏰ 08:25: Relatório Focus — Banco Central do Brasil. Termômetro das expectativas para IPCA/Selic/câmbio.
  • ⏰ 12:30 (ET 10:30): Dallas Fed Manufacturing — EUA. Sinal de atividade/preços no Texas.
  • ⏰ Após o fechamento: Neoenergia (NEOE3) — 3T25. Divulgação dos números; call amanhã às 09:00 (BRT).
  • ⏰ Durante o pregão: Prévias/expectativas de balanços nos EUA; foco em Big Tech ao longo da semana.
  • ⏰ Amanhã: Início da reunião do Fed (27–29/10); decisão na quarta-feira, 14h (ET).

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Argentina vai às urnas em votação que definirá o fôlego político de Milei

A Argentina vota neste domingo (26) em uma eleição de meio de mandato que servirá como um referendo crucial sobre as políticas de austeridade do presidente Javier Milei — e, possivelmente, sobre o pacote de resgate de US$ 40 bilhões oferecido pelo governo de Donald Trump.

As urnas fecham às 18h, e os resultados são esperados para a noite deste domingo. Os argentinos elegem representantes para metade das cadeiras da Câmara dos Deputados — 127 no total — e 24 dos 72 assentos do Senado. Os resultados oficiais serão divulgados por província, e não como um único resultado nacional.

Dois anos após chegar à presidência com uma vitória expressiva, Milei e seu partido agora enfrentam dificuldades. O líder libertário conseguiu reduzir a inflação e conter a pobreza, mas a recuperação econômica do país perdeu fôlego: os salários não acompanham o aumento do custo de vida, e o desemprego está mais alto do que quando ele assumiu o cargo.

Três escândalos de corrupção também abalaram a imagem de Milei como um político antissistema e enfraqueceram sua popularidade. Sua taxa de reprovação está no nível mais alto desde o início do mandato.

Uma derrota expressiva para o partido A Liberdade Avança (La Libertad Avanza, ou LLA) em eleições locais realizadas em setembro aumentou a pressão. As perdas na província de Buenos Aires — que concentra mais de um terço da população argentina — provocaram temores entre investidores sobre a força política de Milei antes das eleições legislativas, o que levou a uma queda do peso argentino e à desvalorização dos títulos soberanos.

Duas semanas depois, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, interveio para conter a desvalorização da moeda, mas o peso continuou enfraquecendo.

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Os EUA querem salvar a Argentina (e o governo Javier Milei), por meio da venda e empréstimo de dólares. #argentina #EUA #dolar #peso

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Agora, investidores observam se Milei — cujo partido controla cerca de 15% das cadeiras no Congresso — conseguirá garantir ao menos um terço dos assentos, suficiente para manter o poder de veto. Nos últimos meses, a oposição derrubou diversos vetos presidenciais, o que o governo classificou como ataques às políticas fiscais que resultaram em superávit orçamentário.

“Precisamos de um terço em uma das Casas para bloquear esses ataques, e vamos conseguir isso, ganhando por cinco pontos ou perdendo por sete”, disse o ministro da Economia, Luis Caputo, em evento do Atlantic Council em Washington. “Mas precisamos de maioria simples em ambas as Casas para aprovar todas as reformas que queremos, e isso não teremos mesmo se vencermos por 15 pontos.”

Segundo analistas da Bloomberg Economics, a disputa pode permitir que ambos os lados reivindiquem vitória.

“Salvo cenários extremos, acreditamos que cada lado conseguirá moldar a narrativa a seu favor. Em grande parte dos cenários, o partido de Milei deve obter um resultado compatível com dois objetivos principais: garantir o apoio dos EUA e a governabilidade mínima”, disse Jimena Zuniga, economista para a América Latina.

Caputo tem negado que o resultado eleitoral vá provocar mudanças na política econômica — independentemente de vitória ou derrota. Na teoria, o peso argentino flutua em uma faixa de variação que se amplia a cada dia; na prática, tanto os governos de Milei quanto o de Trump têm intervindo para sustentar a moeda, vista por investidores como supervalorizada.

Há especulações no mercado de que o pacote de resgate dos EUA esteja condicionado a algum ajuste na política cambial, embora Bessent tenha expressado apoio ao modelo atual. Outro ponto-chave é se o Banco Central da Argentina voltará a acumular reservas internacionais, após não cumprir uma meta estabelecida no acordo de US$ 20 bilhões com o FMI.

Além das compras diretas de pesos, o apoio americano inclui uma linha de swap de US$ 20 bilhões e uma promessa adicional de financiamento de US$ 20 bilhões de bancos de Wall Street, ainda em negociação.

As tensões se intensificaram desde o encontro entre Milei e Trump na Casa Branca, em 14 de outubro.

“Se ele vencer, continuaremos com ele; se não vencer, saímos”, disse Trump durante a reunião.

Donald Trump e Javier Milei se reuniram na Casa Branca
Donald Trump e Javier Milei se reuniram na Casa Branca (Divulgação)

Independentemente do resultado, Milei tentará avançar com suas reformas econômicas e tributárias assim que o novo Congresso assumir em 10 de dezembro. Por ora, sua equipe tenta minimizar o tom de “tudo ou nada” que domina o pleito, reconhecendo que será preciso negociar com outros partidos para aprovar leis que reflitam sua força política.

“Essas eleições de meio de mandato estão recebendo mais atenção do que deveriam”, disse Caputo. “Ganhando ou perdendo, o governo terá muito trabalho para construir as coalizões necessárias entre governadores, deputados e senadores, para aprovar as leis de que o país precisa.”

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Em reunião de 45 minutos, Lula e Trump ensaiam fim da disputa tarifária

Brasil e Estados Unidos iniciaram neste domingo (26) um processo de negociação para tentar encerrar as tarifas comerciais impostas por Washington a produtos brasileiros. O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano, Donald Trump, ocorreu em Kuala Lumpur, durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), e marcou a primeira reunião oficial entre os dois desde o início da atual crise diplomática.

Segundo o chanceler Mauro Vieira, a conversa, que durou cerca de 45 minutos, foi “muito positiva e produtiva”. Lula pediu que as tarifas sejam suspensas durante as negociações, enquanto Trump afirmou acreditar que os dois países poderão chegar a “bons acordos” em breve.

Lula pubicou sobre o encontro com Trump em suas redes socias. “Tive uma ótima reunião com o presidente Trump na tarde deste domingo, na Malásia. Discutimos de forma franca e construtiva a agenda comercial e econômica bilateral. Acertamos que nossas equipes vão se reunir imediatamente para avançar na busca de soluções para as tarifas e as sanções contra as autoridades brasileiras”, escreveu.

O líder norte-americano disse que os secretários do Tesouro, Scott Bessent, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, conduzirão as tratativas com o Brasil e previu uma “conclusão rápida” das discussões. Já Lula declarou estar otimista e afirmou que não há “razão para qualquer desavença” entre os dois países.

Lula e Trump em reunião
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião com presidente dos EUA, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia 26/10/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein

O encontro simboliza a retomada de um diálogo de alto nível após meses de tensão. As relações haviam se deteriorado desde que Trump impôs tarifas de até 50% sobre exportações brasileiras de café e carne, além de sanções e restrições de visto a autoridades. O gesto também vem depois de uma breve aproximação entre os líderes na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que abriu caminho para a retomada das conversas.

Nos bastidores, o governo brasileiro tenta aproveitar o momento para discutir não apenas as barreiras comerciais, mas também temas mais amplos, como regulação de redes sociais de empresas americanas, políticas para o etanol e oportunidades ligadas a minerais críticos — área em que o Brasil, que tem a segunda maior reserva de terras-raras do mundo, vê espaço para estreitar parcerias estratégicas com os Estados Unidos.

Lula ainda se ofereceu para atuar como interlocutor nas relações com a Venezuela. Nos últimos meses, os Estados Unidos derrubaram diversas embarcações que, segundo o governo americano, transportavam drogas a partir da Venezuela, o que gerou especulações de que o país possa estar se preparando para atacar o território venezuelano. Embora o Brasil tenha evitado qualquer envolvimento direto, Lula já havia dito a Trump, em uma ligação anterior, que um conflito militar na América do Sul seria devastador para a região.

*Com informações de Reuters e Bloomberg

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Em Kuala Lumpur, Lula e Trump testam terreno para uma trégua comercial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (25), em Kuala Lumpur, que espera se reunir com Donald Trump durante a viagem do norte-americano à Ásia e que busca uma solução para o impasse comercial entre os dois países.

“Espero realmente que o encontro aconteça”, disse Lula a jornalistas na capital da Malásia, antes da chegada de Trump. “Vim aqui com a intenção de que possamos encontrar uma solução.”

“Tudo depende da conversa”, acrescentou. “Não há exigências dele, nem minhas, até agora. Vamos colocar os temas na mesa e tentar encontrar uma saída.”

O presidente brasileiro tenta convencer Trump a suspender as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos do Brasil, além das sanções aplicadas a ministros do Supremo Tribunal Federal, autoridades e familiares.

Trump, por sua vez, disse que espera se reunir com Lula durante sua viagem e que está aberto a reduzir as tarifas aplicadas sobre o Brasil. “Nas circunstâncias certas, claro”, afirmou o presidente americano a repórteres na sexta-feira (24), a bordo do Air Force One.

O governo brasileiro tem trabalhado para organizar o encontro às margens da cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que acontece neste fim de semana na Malásia.

Segundo a Folha de S.Paulo, negociadores dos dois países vêm mantendo conversas informais sobre um possível acordo que siga o modelo adotado por China e México — com suspensão temporária das tarifas enquanto se negociam novos termos comerciais.

A reportagem também informa que os Estados Unidos pretendem colocar em pauta o acesso ao mercado brasileiro de etanol e a regulação das big techs, enquanto o Brasil busca garantir a reversão de sanções contra autoridades nacionais.

Lula in a suit pointing his finger
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista no Palácio da Alvorada. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Trump disse acreditar que os dois líderes já têm uma reunião programada durante o evento. Lula deixou sua agenda livre no fim da tarde de domingo para um possível encontro. A agenda de Trump também prevê um intervalo sem compromissos oficiais no mesmo período.

“Estou muito interessado em ter essa reunião”, disse Lula a repórteres na sexta-feira, na Indonésia, antes de embarcar para a Malásia. “Estou totalmente preparado para defender os interesses do Brasil e mostrar que as tarifas impostas ao país foram um erro.”

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EUA já gastaram mais de US$ 1 bilhão para segurar o peso argentino e viabilizar Milei

Os Estados Unidos gastaram uma quantia bem superior a US$ 1 bilhão neste mês adquirindo pesos argentinos, de acordo com estimativas de mercado, à medida que o esforço de apoio do Secretário do Tesouro, Scott Bessent, se intensificou antes da votação de meio de mandato em 26 de outubro.

O número ainda não foi confirmado, mas um operador que pediu para não ser identificado estimou o valor em US$ 1,4 bilhão, enquanto uma consultoria local informou a clientes que o valor estava mais próximo de US$ 1,7 bilhão. O Departamento do Tesouro dos EUA, o Ministério da Economia e o Banco Central da Argentina ainda não divulgaram números oficiais. Porta-vozes do Tesouro não responderam a um pedido de comentário.

O presidente argentino Javier Milei e Bessent buscaram evitar uma corrida pré-eleitoral contra a moeda. O peso argentino, que o governo permite que seja negociado livremente dentro de uma faixa específica, já se desvalorizou 21% nos últimos quatro meses. Ele foi negociado no limite mais fraco da faixa por vários dias, levando o banco central a intervir pela primeira vez em cerca de um mês. 

“Foi um passo importante para evitar uma deterioração mais profunda nas avaliações dos ativos argentinos”, disse Fernando Losada, economista da Oppenheimer. “Ainda assim, o fato de a taxa de câmbio ter sido negociada perto do topo da banda — apesar dos anúncios de Bessent e das compras de pesos pelo Tesouro dos EUA — sugere que, mesmo com o Tesouro no mercado, os investidores continuam cautelosos com o risco político em torno das eleições.”

O Tesouro dos EUA vendeu sua maior quantidade de dólares em 22 de outubro, quando o peso encerrou uma sequência de cinco dias de perdas. O JPMorgan Chase e o Citigroup foram os dois principais negociadores de dólares em nome do Tesouro naquele dia, com operadores estimando vendas entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões.

O banco central da Argentina relatou vendas adicionais de dólares de US$ 45,5 milhões em 21 de outubro, no final da sessão.

O governo enfrenta eleições de meio de mandato cruciais neste domingo, que avaliarão o apoio público e determinarão quanto espaço ele tem para levar adiante as reformas que diz serem necessárias.

Bessent também organizou uma linha de swap cambial de US$ 20 bilhões para a Argentina neste mês para fornecer mais acesso a dólares, um acordo que ele descreveu como uma “ponte para um futuro econômico melhor” para o país sul-americano.

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Ponto de partida: Petróleo sobe após sanções de Trump a gigantes do setor da Rússia

Bom Dia!
Quinta, 23 de outubro de 2025. Lá fora, a manhã começa morna, com futuros de NY levemente positivos e o dólar um pouco mais forte. Ontem a Tesla deu o pontapé inicial aos resultados das sete magníficas. Mas os resultados vieram mais fracos que o esperado. Petróleo sobe com sanções do governo dos EUA a gigantes do setor na Rússia, o que pode reduzir a oferta da commodity. Na sequência: giro global, ouro em correção, política externa e um radar corporativo mais apimentado.

Enquanto Você Dormia…

  • Futuros de NY: S&P 500 +0,08% 📈 e Nasdaq 100 +0,11%.
  • Europa e Ásia: Ásia cedeu com cautela (tecnologia e tensões comerciais no foco); Europa abre de lado a levemente positiva, puxada por energia.
  • Dólar DXY em alta leve (99 pontos); Petróleo WTI +5% e Brent +5%; Treasury UST10y perto de 4,0%.


Destaques do dia

  • BCB sinaliza “paciência” com Selic em 15%. O diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, reforçou que cortes de juros não estão no radar imediato.
  • E o que isso pega? Juros altos por mais tempo tendem a manter pressão em crédito, construção e varejo; dólar e curva longa seguem sensíveis a fiscal e a dados de inflação.


Giro pelo mundo

  • Ouro em correção: o metal fechou –1,06% na quarta (US$ 4.065/oz) após realização de lucros recente; volatilidade do ouro subiu em outubro.
  • Trump x Lula: Casa Branca discute encontro no domingo na Malásia; status ainda não confirmado oficialmente. Radar para tarifas e comércio.
  • Os preços do petróleo sobem mais de 5%, após o governo Trump impor novas sanções às duas maiores empresas de petróleo da Rússia, Rosneft e Lukoil.
  • Dólar um pouco mais forte: investidores esperam dados de inflação dos EUA que ficou para a sexta-feira; iene recua.

Giro pelo Brasil 

  • Juros: BC reitera que 15% “deve ser suficiente”, mas pede convergência sustentável dos dados antes de discutir afrouxamento.
  • Inflação/expectativas: meta contínua em 3% segue referência do Copom.

Giro Corporativo 

  • Troca no GPA (PCAR3): o CEO Marcelo Pimentel renunciou após atritos no conselho; o CFO Rafael Russowsky assume interinamente. Ação fica sensível a próximos passos do board.

O que vem por aí 🗓️
09:00: Unilever ADR (UL) — antes da abertura (ET). 3T25, foco em pricing x volumes.
09:00: Dow (DOW) — antes da abertura (ET). Ciclo de químicos e spreads.
17:15: Intel (INTC) — após o fechamento (ET). Guia para data center/PCs e capex.
17:15: Ford Motor (F) — após o fechamento (ET). Margens na linha “autos” e EVs.
10:30: Estoques de petróleo — EUA. Sensível a WTI/Brent no intradiário.
Ao longo do dia: falas de dirigentes do Fed; seguro-desemprego nos EUA — leitura de inflação/emprego.

Ótima quinta-feira e bons negócios!

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Protestos anti-Trump espalham-se pelos 50 Estados americanos. Veja imagens

Protestos em Washington, DC. Foto: Bloomberg

Foram 2,7 mil manifestações contra a agenda política de Donald Trump, em atos batizados como “No Kings”, que espalharam-se pelos 50 Estados americanos, de acordo com os organizadores.

Manifestação em Chicago. Foto: Bloomberg

As manifestações em massa seguem protestos semelhantes realizados em 14 de junho, também chamados “No Kings”, organizados para coincidir com o desfile militar promovido por Trump em Washington naquele dia – em comemoração ao 250º aniversário do Exército dos EUA e ao aniversário do próprio presidente. Os organizadores estimaram que entre 4 e 6 milhões de pessoas participaram das manifestações de junho.

Marcha ‘No Kings’ em Nova York. Foto: Bloomberg

Também estão previstos protestos na Europa

O governo dos EUA está paralisado há 18 dias, enquanto democratas e republicanos no Senado continuam em impasse sobre a extensão dos subsídios de saúde — ponto de bloqueio de um projeto de gastos que permitiria reabrir o governo.

Os manifestantes buscam demonstrar oposição pública à tentativa de Trump de enviar tropas da Guarda Nacional para cidades americanas, às suas operações de imigração e aos cortes em ajuda externa e programas domésticos apoiados pelos democratas.

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China joga duro com Donald Trump e ataca seu calcanhar de Aquiles: o mercado de ações dos EUA

Em seu impasse comercial com Washington, a China acredita ter encontrado o calcanhar de Aquiles dos Estados Unidos: a fixação do presidente Donald Trump pelo mercado de ações.

O líder chinês, Xi Jinping, aposta que a economia dos EUA não conseguirá absorver um conflito comercial prolongado com a segunda maior economia do mundo, segundo pessoas próximas ao núcleo duro de Pequim.

A China mantém uma linha firme devido à sua convicção, disseram as fontes, de que uma guerra comercial crescente afundará os mercados, como aconteceu em abril, depois que Trump anunciou suas tarifas do Dia da Libertação, levando Pequim a reagir.

A China espera que a perspectiva de outro colapso do mercado force Trump a negociar em uma cúpula prevista para o final deste mês, disseram as pessoas.

Pequim continuou jogando duro esta semana, intensificando a disputa comercial nesta segunda-feira (13) ao sancionar as unidades americanas da empresa de navegação sul-coreana Hanwha Ocean. A medida abalou os mercados americanos na última terça-feira (14), desencadeando uma forte liquidação no início da semana, com a esperança de alívio das tensões diminuindo, antes que os principais índices se recuperassem parcialmente e se estabilizassem à tarde.

Na semana passada, a China impôs restrições à exportação de minerais de terras raras, vitais para a indústria eletrônica de consumo e a tecnologia. Trump então ameaçou impor tarifas adicionais de 100% ao país asiático a partir de 1º de novembro.

China acusa EUA de “dois pesos e duas medidas”

Ambos os lados têm oscilado entre o discurso duro e a distensão nos últimos dias, mas a retórica tomou um rumo mais duro na terça-feira. O Ministério do Comércio da China acusou os EUA de “dois pesos e duas medidas” em relação às ameaças tarifárias e prometeu que a China “lutaria até o fim” na disputa comercial.

Em sua plataforma Truth Social, Trump disse que os EUA estão considerando “encerrar negócios” com a China sobre óleo de cozinha e outros “elementos de comércio”, devido à recusa da China em comprar soja dos EUA — uma decisão que Pequim disse ser uma retaliação às próprias tarifas de Trump.

O mercado de ações continua sendo um dos poucos controles sobre um presidente que exerceu o poder executivo agressivamente.

Trump frequentemente utiliza o mercado como um barômetro em tempo real de sua gestão econômica. Ele recorreu às redes sociais para alardear recordes de mercado, creditando-os às políticas de seu governo, como desregulamentação e cortes de impostos. Por outro lado, quando o mercado vacilou, especialmente em resposta às suas políticas comerciais agressivas, ele tendeu a recuar ou a aventar a perspectiva de novos acordos.

Enquanto Trump elogia a força da economia americana, as autoridades chinesas veem fraquezas que se agravariam durante uma guerra comercial. Com a desaceleração das contratações, a contração da indústria e a alta dos preços, muitos economistas afirmam que os EUA não estão posicionados para absorver outra grande disputa comercial com a China. A forte reação negativa do mercado na última sexta-feira às novas restrições chinesas ao fornecimento de terras raras e à potencial retaliação dos EUA serviram como um lembrete da vulnerabilidade econômica que Pequim busca explorar.

A economia chinesa está em crise prolongada, pressionada por um mercado imobiliário em colapso, dívidas crescentes e confiança do consumidor em declínio. No entanto, Xi está muito menos sujeito a quedas do mercado, mesmo com a economia chinesa enfrentando uma perspectiva precária.

Em declarações a repórteres na Casa Branca na terça-feira, Trump projetou uma mistura de sua habitual afinidade pessoal declarada com Xi e confronto aberto ao abordar a disputa comercial com a China. Trump enquadrou o conflito por meio de seu relacionamento com o líder chinês, a quem chamava de amigo.

“Tenho um ótimo relacionamento com Xi”, disse Trump, antes de acrescentar rapidamente: “Mas às vezes ele fica irritado”.

Reconhecendo a gravidade das recentes ações chinesas, desde seus novos controles de exportação de terras raras até as últimas sanções relacionadas ao transporte marítimo, Trump disse: “Estamos recebendo muitos golpes”.

Em seguida, ele defendeu sua estratégia econômica contra os temores de uma retração do mercado, retratando os EUA como imunes à pressão. “Somos o país mais bem-sucedido que já tivemos”, disse Trump.

Pequim suavizou seu tom no domingo depois que Trump reagiu furiosamente às restrições às terras raras, mas sua redução pareceu ser uma pausa tática.

Segundo pessoas próximas ao processo decisório de Pequim, a estratégia linha-dura de Xi baseia-se na crença de que Trump acabará cedendo e oferecendo concessões, em vez de recorrer à influência significativa de Washington. Essa confiança foi alimentada, segundo as fontes, pela trégua comercial firmada entre EUA e China em maio. Trump havia imposto tarifas de mais de 100% sobre produtos chineses, mas cedeu depois que Pequim usou sua influência como o maior exportador mundial de ímãs de terras raras.

“É precisamente a crença da China de que Trump irá se dobrar — como ele pareceu fazer com os ímãs no início deste ano — que os levou a uma escalada massiva”, disse Rush Doshi , um acadêmico da Universidade de Georgetown e do Conselho de Relações Exteriores que anteriormente serviu no governo Biden.

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse à CNBC na terça-feira que altos funcionários em Washington e Pequim mantiveram discussões sobre as últimas tensões comerciais na segunda-feira, dizendo que ambos os lados “serão capazes de resolver isso”.

Pessoas familiarizadas com o assunto disseram que o embaixador dos EUA na China, David Perdue, vem tentando marcar uma ligação telefônica entre o secretário do Tesouro, Scott Bessent , que lidera a equipe de negociação dos EUA, e seu homólogo chinês, o vice-primeiro-ministro He Lifeng .

A atenção agora se volta para a esperada cúpula entre Trump e Xi, quando ambos participarão de uma reunião de líderes da Ásia-Pacífico na Coreia do Sul no final deste mês.

“A reunião será a mensagem. Não haverá grandes avanços”, disse Ryan Hass , diretor do centro para a China no think tank Brookings Institution e ex-funcionário do alto escalão da segurança nacional. “Xi vai querer usar a reunião para projetar maior estabilidade e previsibilidade. Trump pode buscar garantias sobre os fluxos de elementos de terras raras. Eles podem anunciar uma extensão da trégua comercial que limita a escalada tarifária.”

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Trump escala guerra comercial com a China: agora o alvo é o óleo de cozinha

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que pode suspender o comércio de óleo de cozinha com a China, reacendendo as tensões entre as duas maiores economias do planeta.

Trump apresentou a possível medida como retaliação à decisão de Pequim de interromper a compra de soja americana, o que ele classificou como um “ato economicamente hostil” que estaria “causando dificuldades aos nossos produtores de soja”.

“Estamos considerando encerrar os negócios com a China envolvendo óleo de cozinha e outros elementos do comércio, como forma de retaliação. Podemos facilmente produzir nosso próprio óleo de cozinha; não precisamos comprá-lo da China”, escreveu Trump em rede social.

As declarações levaram o índice S&P 500 a virar para o campo negativo, anulando ganhos anteriores, e reacenderam o temor de uma nova escalada comercial com a China. Horas antes, tanto o presidente quanto o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, haviam sinalizado confiança de que as tensões seriam amenizadas com as negociações em andamento.

As ações das tradings agrícolas Archer-Daniels-Midland (ADM) e Bunge Global subiram após o anúncio, revertendo perdas do início do pregão.

Impacto

Cortar o comércio de óleo de cozinha com a China poderia ter efeitos amplos sobre o agronegócio americano e sobre o mercado de energia. O óleo usado — assim como a soja — é uma das matérias-primas para a produção de biocombustíveis, como o diesel renovável.

O governo Trump já vinha reduzindo incentivos à importação de óleo usado estrangeiro, especialmente da China, cujas exportações para os EUA atingiram um recorde histórico em 2024, segundo o Departamento de Agricultura americano.

Retaliações

Os eventos desta terça-feira reforçam o vai e vem diplomático que tem marcado a relação entre Washington e Pequim desde o retorno de Trump à Casa Branca — um movimento que mantém investidores em alerta quanto ao risco de uma nova guerra comercial.

Mais cedo, o representante comercial Jamieson Greer havia dito que as conversas tarifárias continuavam abertas, e que autoridades de alto escalão dos dois países se reuniram na segunda-feira. Ele confirmou que Trump e o presidente chinês Xi Jinping ainda têm uma “reunião programada” para o fim do mês.

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Enquanto o Brasil vive um dos períodos mais fortes das exportações de soja, os EUA estão colhendo uma safra recorde, mas sem o principal cliente: a China. #China #EUA #soja

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Trump também demonstrou cauteloso otimismo: “Temos uma relação justa com a China e acho que ficará tudo bem. E, se não ficar, tudo bem também”, afirmou a jornalistas na Casa Branca. “Estamos trocando muitos golpes, e temos sido muito bem-sucedidos.”

Essas falas ajudaram a acalmar parte do mercado, que havia reagido negativamente após Pequim sancionar filiais americanas de um grupo naval sul-coreano e ameaçar novas medidas contra o setor — o mais recente episódio da retaliação mútua entre os dois países.

Commodities no centro

Tanto os EUA quanto a China vêm buscando ganhar vantagem nas negociações impondo restrições a exportações de minérios de terras-raras e semicondutores — insumos centrais na disputa tecnológica e comercial entre as duas potências.

Em resposta às novas medidas chinesas, Trump ameaçou aplicar uma tarifa adicional de 100% sobre produtos chineses até 1º de novembro, e também levantou a possibilidade de cancelar o encontro com Xi Jinping durante a cúpula da APEC, marcada para acontecer na Coreia do Sul.

“Se essa reunião vai acontecer ou não, não quero me comprometer nem da nossa parte nem da parte deles. Mas acho que faz sentido manter o diálogo quando possível”, disse Greer.

O representante comercial acrescentou que a decisão de impor a tarifa de 100% “depende muito do que a China fizer”.
Mais cedo neste ano, os dois países haviam estabelecido uma trégua tarifária, após os impostos americanos sobre produtos chineses chegarem a até 145%. O acordo, contudo, expira em 10 de novembro.

“Nosso acordo era: manteremos tarifas baixas se vocês continuarem enviando terras-raras. Agora eles dizem que vão restringir mais esses materiais e seus derivados. Então, faz sentido que possamos aumentar as tarifas também”, afirmou Greer.

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Trump condiciona socorro bilionário à vitória de Milei na Argentina: ‘Se ele perder, estamos fora’

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (14) que o pacote de US$ 20 bilhões que seu governo prepara para socorrer a Argentina está vinculado à vitória do presidente Javier Milei nas eleições legislativas marcadas para o fim do mês.

“Se ele perder, não seremos generosos com a Argentina. Se não vencer, estamos fora”, disse Trump, em reunião com Milei na Casa Branca, em tom que reforçou a aliança política entre os dois líderes.

O encontro aconteceu poucos dias depois de Washington anunciar a compra de pesos argentinos e o fechamento do acordo de swap cambial — uma linha de liquidez emergencial com o Banco Central da Argentina —, destinada a estabilizar o mercado e evitar uma nova crise cambial no país.

As eleições parlamentares de 26 de outubro são vistas como um plebiscito sobre a política de choque liberal de Milei, que tenta ampliar sua base no Congresso, onde seu partido A Liberdade Avança detém menos de 15% das cadeiras.

Mercado cético 

Após as declarações, as taxas de juros de curto prazo do peso voltaram à casa dos três dígitos, refletindo a ausência de intervenção cambial tanto dos EUA quanto da Argentina pelo segundo dia consecutivo. A taxa de recompra overnight colateralizada — conhecida como caución — saltou de 77,5% para 115%, enquanto o peso argentino caiu quase 1%, para 1.360 por dólar.

Os títulos soberanos recuaram ao longo de toda a curva, com os bonds em dólar com vencimento em 2035 perdendo 2,4 centavos por dólar, negociados a US$ 0,57 — a maior queda desde 30 de setembro.

Para analistas, a ofensiva americana pouco ajudou Milei junto ao eleitorado. “Condicionar o apoio do governo dos EUA a uma vitória de Milei de forma explícita pode, na verdade, ser um golpe político para a campanha dos libertários”, avaliou Ramiro Blázquez, estrategista da StoneX, em Buenos Aires.

A avaliação dominante no mercado é que o desempenho do partido A Liberdade Avança será o verdadeiro termômetro do risco argentino. Uma votação entre 35% e 40% nas eleições legislativas seria vista como vitória simbólica e daria fôlego ao governo.

Mas qualquer resultado abaixo de 30%, alertam operadores, deve provocar uma nova onda de vendas nos ativos argentinos.

Alinhamento político

Trump exaltou Milei como um “líder MAGA de verdade” — em referência ao slogan Make America Great Again — e disse que o pacote “serve para apoiar uma boa filosofia econômica, onde a Argentina possa voltar a ser bem-sucedida”.

Fontes da Casa Branca disseram que o apoio americano não é apenas financeiro, mas também estratégico: uma tentativa de reforçar laços ideológicos na região e contrabalançar a influência da China na América do Sul.

“É melhor construir pontes econômicas com aliados do que ter de atirar em barcos de traficantes”, ironizou o secretário do Tesouro, Scott Bessent, em referência a recentes operações militares contra embarcações venezuelanas.

A fala veio no mesmo dia em que o governo americano anunciou a quinta operação naval contra supostos barcos de narcotráfico na região do Caribe.

Suspense

Para Milei, o acordo já ajudou a conter a queda do peso e a interromper uma corrida cambial que ameaçava se transformar em nova crise. O pacote — um dos maiores acordos bilaterais entre EUA e Argentina desde os anos 1990 — também ocorre no momento em que Milei tenta consolidar sua imagem de aliado incondicional de Trump.

O pacote americano inclui swap cambial, linhas de crédito e liquidez direta para o Banco Central argentino, totalizando US$ 20 bilhões, e vem sendo negociado há meses entre o ministro da Economia Luis Caputo e o Tesouro americano.

A iniciativa também é vista como um teste da influência de Washington na região, diante da crescente presença econômica da China e de bancos asiáticos em operações de resgate financeiro na América do Sul.

(Com informações da Bloomberg e do The Wall Street Journal)

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Alívio à vista: expectativa de encontro entre EUA e China anima mercado e dólar cai

Depois de elevar a temperatura do mercado na sexta-feira (10) com um anúncio de uma nova taxa de 100% sobre produtos chineses, o próprio presidente americano Donald Trump jogou água na fervura ao amenizar o tom em relação ao rival asiático. O resultado foi que o mercado buscou um meio termo nesta segunda-feira (13).

O dólar, que tinha subido 2,39% frente ao real na sexta-feira, agora compensou parte da alta e fechou em queda de 0,75% a R$ 5,4617. O movimento de baixa da moeda americana também se repetiu frente outras moedas emergentes ao longo do dia.

Na bolsa, a melhora nos ânimos também prevaleceu e o Ibovespa terminou o dia em alta de 0,78% aos 141.783 pontos.

A moeda americana, porém, avançou na comparação com pares de países desenvolvidos. O índice dólar (DXY), que acompanha a variação da divisa frente a uma cesta com as seis principais moedas do comércio internacional, subiu 0,30% a 99,27.

O último pregão da semana passada foi conturbado. Trump anunciou uma tarifa de 100% sobre os produtos comprados da China pelos EUA, além da imposição de controles de exportação sobre softwares críticos ao país asiático.

O presidente americano justificou a decisão como uma resposta aos controles criados pelo governo chinês, no dia anterior, sobre as exportações de terras raras, que são essenciais para vários setores da indústria, em especial aqueles ligados à tecnologia.

No fim de semana, porém, Trump adotou um tom mais conciliador. Afirmou que os EUA querem ajudar a China e não prejudicá-la. Além disso, a Casa Branca confirmou o encontro entre os presidentes dos Estados Unidos e da China, Xi Jinping, marcado para ocorrer em Seul, na Coreia do Sul.

Nesta segunda-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reforçou o tom mais conciliador ao afirmar que houve comunicações substanciais entre americanos e chineses no fim de semana.

“Houve uma desescalada significativa da situação”, disse Bessent em entrevista à Fox Business Network. “O presidente Trump disse que as tarifas não entrarão em vigor até 1º de novembro. Ele se reunirá com o presidente do Partido, Xi, na Coreia”, acrescentou.

Outro reforço para uma redução da volatilidade do dólar globalmente veio pelo discurso da nova presidente do Federal Reserve da Filadélfia, Anna Paulson. Em sua primeira fala no cargo, a dirigente defendeu mais cortes de juros pelo Fed. A redução das taxas seria necessária para dar suporte ao mercado de trabalho dos Estados Unidos.

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Trump anuncia tarifas adicionais de 100% para importações chinesas em novembro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o país vai impor uma tarifa adicional de 100% sobre as exportações chinesas para “todo e qualquer software crítico” a partir de 1º de novembro, horas após ameaçar cancelar uma reunião futura com o líder do país, Xi Jinping.

“Algumas coisas muito estranhas estão acontecendo na China! Eles estão se tornando muito hostis e enviando cartas a países em todo o mundo, dizendo que querem impor controles de exportação sobre todos os elementos de produção relacionados a terras raras e praticamente qualquer outra coisa que possam imaginar, mesmo que não seja fabricada na China.”

A declaração veio logo após Trump ameaçar impor ações comerciais contra a China, citando os controles “hostis” de exportação introduzidos por Pequim a minerais de terras raras. Trump também disse que parecia não haver “nenhuma razão” para prosseguir com a reunião planejada com Xi à margem da cúpula da APEC na Coreia do Sul no final deste mês, embora o momento das tarifas recém-anunciadas ainda deixe espaço para que essa reunião ocorra antes de entrarem em vigor.

As tarifas planejadas por Trump aumentariam os impostos de importação sobre produtos chineses para 130%. Isso seria um pouco abaixo do nível de 145% imposto no início deste ano, antes de ambos os países reduzirem as taxas em uma trégua para avançar nas negociações comerciais.

Os mercados reagiram negativamente aos comentários iniciais do presidente, que prenunciavam novas tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo. O S&P 500 caiu mais de 1,5%. O Nasdaq 100 chegou a recuar 2,4%, a maior queda desde 30 de abril. Os contratos futuros de soja em Chicago recuaram 1,9%, para US$ 10,0275 o bushel, atingindo as mínimas da sessão após a publicação. A queda intradiária é a maior desde 7 de julho.

Antes da reunião planejada, tanto os EUA quanto a China agiram para potencialmente restringir os fluxos de tecnologia e materiais entre os países — o que era visto como uma forma de ganhar vantagem nas negociações.

Na ação mais recente, a China aplicou novas taxas portuárias a navios dos EUA e iniciou uma investigação antitruste contra a Qualcomm — após novos esforços para restringir o fluxo de minerais de terras raras necessários para fabricar diversos produtos de consumo, incluindo motores, semicondutores e jatos de combate.

O anúncio coloca em dúvida não apenas a agenda da viagem planejada por Trump à Ásia, que incluía uma reunião com Xi no final deste mês na cúpula de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, mas também o futuro das negociações sobre a recusa da China em comprar soja dos EUA, o que prejudicou os agricultores americanos.

“Esse vai e vem indica a fragilidade do relacionamento bilateral”, disse Wendy Cutler, ex-negociadora comercial dos EUA. “Não há nenhuma certeza de que a calma prevalecerá, levando a uma redução da tensão a tempo” da reunião planejada entre os líderes.

Trump x Xi: a guerra comercial

Materiais de terras raras têm estado no centro das disputas comerciais entre Washington e Pequim. Depois que Trump aumentou as tarifas sobre as importações chinesas no início deste ano, o governo chinês respondeu cortando as exportações de minerais para empresas americanas. Autoridades de ambos os lados concordaram com uma trégua na primavera, sob a qual Trump reduziu as tarifas e as autoridades de Xi concordaram em retomar o fluxo dos minerais.

Mas na quinta-feira, a China exigiu que exportadores estrangeiros de itens que utilizam traços de certas terras raras obtenham uma licença de exportação, de acordo com o Ministério do Comércio, alegando preocupações com a segurança nacional. Alguns equipamentos e tecnologias para processamento de terras raras e fabricação de ímãs também estarão sujeitos a controles, informou o ministério em um comunicado separado.

Sem detalhar os próximos passos dos EUA, Trump disse que seria “forçado” a “combater financeiramente” a iniciativa, descrita no que ele disse serem cartas da China para outros parceiros comerciais. “Para cada Elemento que eles conseguiram monopolizar, temos dois”, publicou Trump.

Os comentários de Trump marcam uma mudança abrupta de tom, mesmo em relação à quinta-feira, quando ele expressou otimismo de que poderia convencer Xi a acabar com a moratória da China sobre as compras de soja dos EUA e disse sobre o líder chinês: “ele tem coisas que quer discutir comigo, e eu tenho coisas que quero discutir com ele”.

As tensões entre os EUA e a China oscilam há meses, enquanto os dois lados disputam poder em uma série de questões em negociação, incluindo tarifas, combate ao fluxo de fentanil, soja, controles de exportação e o destino das operações americanas da gigante chinesa de mídia social TikTok. A mais recente trégua comercial entre as economias suspendeu as elevadas tarifas americanas sobre a China até novembro.

“Nossa relação com a China nos últimos seis meses tem sido muito boa, o que torna esta mudança no comércio ainda mais surpreendente”, disse Trump em sua publicação na Truth Social nesta sexta-feira. “Sempre achei que eles estavam à espreita, e agora, como sempre, estou certo!”

Trump afirmou ter ouvido de outros parceiros comerciais globais que, segundo ele, receberam cartas semelhantes e estavam “extremamente irritados com essa grande hostilidade comercial” da China.

O presidente também expressou aborrecimento com o momento das cartas chinesas, que chegam enquanto ele planeja visitar o Oriente Médio para anunciar um acordo de paz que ele ajudou a intermediar entre Israel e o Hamas.

“As cartas chinesas foram especialmente inapropriadas porque este foi o dia em que, após três mil anos de confusão e luta, houve PAZ NO ORIENTE MÉDIO”, escreveu Trump.

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Trump transfere para 2026 a promessa de recuperação econômica e tenta conter o pessimismo

Os assessores do presidente Trump estão aconselhando-o a refinar sua mensagem econômica com um apelo aos eleitores voltado a aliviar a ansiedade com o fraco crescimento do emprego e a inflação persistente.

O novo mantra: espere até o ano que vem.

Em conversas privadas com o presidente, os assessores de Trump, em vez de se deterem em dados econômicos instáveis, pintaram um cenário otimista, insistindo que os indicadores começarão a melhorar no primeiro trimestre de 2026, segundo pessoas a par do assunto, incluindo altos funcionários do governo.

Após um relatório que mostrou apenas 22 mil novos postos de trabalho em agosto, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse a Trump que acredita que os números de emprego começarão a subir quando as políticas de sua lei “Big Beautiful” de impostos e gastos estiverem totalmente implementadas, rumo ao próximo ano, de acordo com uma pessoa próxima a Bessent.

Antes, em uma reunião a portas fechadas no Salão Oval, outros assessores disseram a Trump que cabia a ele decidir como abordar publicamente os dados fracos de empregos e que ele poderia simplesmente passar por cima das informações apontando para o futuro, segundo um alto funcionário do governo. Eles garantiram que os indicadores econômicos mostrarão melhorias à medida que 2025 se aproxima do fim, disse o funcionário.

O próprio Trump mudou o tom. Embora a economia tenha sido fundamental em sua bem-sucedida campanha de reeleição, agora ele parece preferir focar em imigração, crime e acertos de contas com inimigos que considera ter.

Durante um evento recente sobre autismo, o presidente desconversou sobre perguntas de repórteres a respeito da economia. “Prefiro não falar de algumas bobagens sobre a economia. Dito isso: a economia é inacreditável”, afirmou na ocasião.

Em comunicado, o porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, disse que o governo “está focado em impulsionar reformas do lado da oferta, garantir trilhões em investimentos manufatureiros e implementar acordos comerciais históricos que irão reviver a dominância industrial dos EUA”.

Homem de terno e óculos, mão no queixo, observa Donald Trump desfocado em primeiro plano, que fala.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent e o presidente Donald Trump. Foto: Getty Images

Quando fala da economia, Trump costuma se referir ao mercado de ações e apontar para o ano que vem, no mínimo, quando os eleitores começarão a sentir suas políticas. “Nosso grande ano na realidade não será o próximo — será o seguinte”, disse ele recentemente a repórteres.

Isso representa uma mudança acentuada na mensagem de Trump desde as primeiras semanas no cargo, quando a economia era o centro de sua comunicação.

As primeiras ações econômicas de Trump estão entre as mais disruptivas em gerações. Ele impôs tarifas abrangentes sobre quase todas as importações — com mais por vir —, reduziu a imigração a quase zero enquanto ampliou deportações e pressionou empresas a firmarem acordos com seu governo.

O presidente inicialmente previu que essas medidas inaugurariam uma idade de ouro. Isso ainda não aconteceu, embora Trump continue a vangloriar-se de uma economia forte. Alguns indicadores são positivos. O PIB cresceu a uma taxa anualizada de 3,8% no segundo trimestre e caminha para um ritmo semelhante no terceiro trimestre, encerrado nesta semana.

Mas alguns dados econômicos importantes ainda estão atrasados.

O crescimento mensal do emprego diminuiu. Mesmo que as tarifas não tenham elevado os preços tanto quanto economistas esperavam inicialmente, a inflação continua a frustrar consumidores, já que os preços dos bens seguem em alta. Casas continuam sendo vistas como inacessíveis em todo o país.

A opinião pública sobre a liderança de Trump na economia tornou-se mais negativa nos últimos meses. Apenas 37% dos adultos ouvidos em setembro aprovaram a condução da economia por Trump, segundo pesquisa AP-NORC, enquanto 62% desaprovaram. Em uma pesquisa recente do New York Times, 45% dos eleitores disseram que Trump piorou a economia desde que assumiu, enquanto 32% disseram que ele a melhorou.

mercado de ações EUA Nova York

O presidente e seu partido estão sob enorme pressão para melhorar o sentimento público sobre a economia. Trump e os republicanos caminham para eleições legislativas de meio de mandato em 2026 consideradas difíceis, em que os democratas têm chance de conquistar a maioria tanto na Câmara quanto no Senado. Um prolongado fechamento do governo poderia azedar ainda mais o humor dos eleitores com os republicanos, especialmente se subsídios de saúde não forem renovados, elevando custos para muitos americanos.

Alguns assessores do presidente tentam lapidar as falas republicanas para enfatizar os esforços do partido em ajudar a classe média.

Durante um jantar em agosto em Jackson Hole, Wyoming, com doadores republicanos, o pesquisador Tony Fabrizio e o veterano consultor político Chris LaCivita disseram aos presentes que haviam informado o presidente sobre levantamentos internos mostrando que o apelido “One Big Beautiful Bill” não agradava aos eleitores. A legislação emblemática de Trump talvez precisasse de uma nova marca, disseram, segundo uma pessoa presente. Em vez disso, os republicanos deveriam passar a se referir à lei como um corte de impostos para famílias trabalhadoras. Desde então, os republicanos adotaram essa formulação.

Economistas independentes dizem que muitas políticas de Trump, especialmente sobre imigração e tarifas, tendem a pesar sobre o crescimento e elevar custos, ao menos no curto prazo. Muitos desses economistas esperam melhora no ano que vem, à medida que a incerteza em torno das tarifas diminui e o Fed reduz os juros.

Para autoridades do governo, mudar de rumo não é opção. Em seu primeiro mandato, Trump se irritava com auxiliares que tentavam conter seus impulsos. Gary Cohn, seu primeiro diretor do Conselho Econômico Nacional, por exemplo, retirava cartas e memorandos relacionados a comércio da mesa de Trump antes que o presidente pudesse assiná-los, disseram autoridades à época.

Em contraste, Stephen Miran, um dos principais assessores econômicos de Trump que recentemente ingressou no conselho de governadores do Fed, às vezes parece minimizar indicadores negativos. Neste verão, após um relatório fraco de empregos, Miran reduziu a importância dos números em entrevistas na TV a cabo e a repórteres. Os dados eram resultado de fatores técnicos, disse, acrescentando que o emprego voltaria a crescer nos próximos meses.

Conselheiros externos também escolhem suas batalhas. Art Laffer, economista pró-livre-comércio que assessorou o presidente Ronald Reagan, não critica as ideias de Trump durante as reuniões.

Laffer diz ter conversado com Trump sobre como a Lei Tarifária Smoot-Hawley, de 1930, elevou tarifas de importação sobre milhares de produtos, levando à retaliação e a uma depressão mais profunda, para sustentar seu argumento de que tarifas podem voltar a prejudicar a economia dos EUA — tudo isso sem dizer diretamente que o presidente não deveria adotá-las. “Uma das coisas que você precisa fazer como funcionário é respaldar as decisões do presidente”, disse Laffer.

O presidente dos EUA, Donald Trump, painel grande exibindo uma tabela de tarifas recíprocas. A tabela lista as tarifas cobradas por vários países nos Estados Unidos e as tarifas aplicadas pelos EUA em retorno. Os países mencionados são China, União Europeia, Vietnã, Taiwan, Japão, Índia, Coreia do Sul, Tailândia, Suíça, Indonésia, Malásia, Camboja, Reino Unido, África do Sul, Brasil, Bangladesh, Singapura, Israel e Filipinas. A tabela contém números percentuais das tarifas de ambos os lados. Ao fundo, há uma bandeira com um padrão vermelho e branco.
Presidente dos EUA, Donald Trump, segura um cartaz de tarifas recíprocas durante um anúncio no Jardim das Rosas da Casa Branca em Washington, DC. Foto: Bloomberg/Kent Nishimura

A confiança de Trump em seus instintos traz riscos políticos e econômicos.

“O risco é que, em algum momento, a recusa em considerar toda a gama de indicadores econômicos válidos na formulação de políticas leve o governo a um erro colossal”, disse Russell Riley, copresidente do programa de história oral presidencial da Universidade da Virgínia.

Por ora, porém, grande parte do retorno que Trump tem recebido é positivo.

O secretário de Comércio, Howard Lutnick, em uma reunião com o presidente, comparou Trump a um comandante da Marinha dos EUA do século XIX chamado Matthew Perry, que pressionou o Japão a abrir mais seus mercados ao Ocidente, segundo autoridades do governo. Para isso, Perry liderou uma frota de navios de guerra até o Japão e exigiu que abrissem seus portos aos navios americanos.

Lutnick disse a Trump que Perry parou antes de abrir totalmente os mercados japoneses, segundo um dos funcionários. Ao firmar um acordo comercial com o Japão, argumentou Lutnick, Trump conseguiu onde Perry falhara.

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China não comprou um grão sequer da nova safra de soja dos EUA — e Trump vai correr atrás do prejuízo

Para os agricultores dos Estados Unidos, chuvas abundantes que garantem uma supersafra normalmente seriam boas notícias. Mas isso não fará diferença em 2025 se a China — maior compradora de soja do mundo — não levar um único grão.

Em meio à guerra comercial reaberta pelo governo Trump, os EUA devem perder ainda mais participação de mercado para a América do Sul, especialmente para o Brasil — talvez de forma permanente.

“Essa teoria de dor de curto prazo para ganho lá na frente não está funcionando, e não vai funcionar”, disse Ed Hodgson, agricultor de 1.500 acres no Kansas, que planta soja desde 1967.

Quando Donald Trump anunciou em abril tarifas sobre a maioria dos países — com foco em parceiros como China, México e Canadá — Hodgson viu como um “desastre” para o campo. E não acreditou na promessa de preços melhores.

Nos últimos cinco anos, a China respondeu por 52% das compras de soja dos EUA, lembrou o produtor. Em 2025, não comprou nada por causa das tarifas e da guerra comercial. “Nosso mercado de exportação à China foi dizimado e o preço despencou”, disse.

Segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), até agora a China não adquiriu soja da safra 2025/26. No mesmo período do ano passado, já havia comprado 6,8 milhões de toneladas — o que equivale a cerca de 250 milhões de bushels (a unidade padrão de negociação na Bolsa de Chicago, cada bushel equivale a 27,2 quilos de soja).

Tarifa pesa, Brasil avança

A combinação de tarifas retaliatórias de 20%, impostos de valor agregado e taxas de nação mais favorecida elevaram a carga sobre a soja americana para 34% em 2025, segundo a Associação Americana de Soja. Resultado: a soja dos EUA ficou “proibitiva” frente à oferta mais barata de Brasil e Argentina.

“É um mercado que perdemos e provavelmente nunca vamos recuperar”, resumiu Hodgson.

De fato, a mudança estrutural já dura 15 anos, com a China migrando para a soja brasileira, segundo Arlan Suderman, economista-chefe de commodities da StoneX. 

A desvalorização do real impulsionou a produção no Brasil, barateando o grão. Além disso, Pequim investiu bilhões em infraestrutura agrícola no país, para garantir abastecimento rápido e constante.

Bioenergia pode ajudar — mas não resolve

Uma saída parcial para os EUA pode vir do programa de biocombustíveis, que aumenta a demanda doméstica por óleo de soja usado em biodiesel. A produção americana de diesel renovável subiu de 1,47 bilhão de galões em 2013 para 4,29 bilhões em 2023, segundo a Associação Americana de Soja.

Ainda assim, a capacidade de processamento doméstico não chega perto de substituir o que antes ia para a China. “Não dá para simplesmente apertar o botão. Levará anos para construir a infraestrutura necessária”, disse Suderman.

Armazéns lotados e preços baixos

Sem a China, os EUA enfrentam excesso de oferta e preços em queda. No mercado futuro de Chicago, a soja para novembro foi negociada a US$ 10,13 por bushel. Mas produtores como Hodgson dizem que na prática recebem cerca de US$ 9 — bem abaixo dos US$ 14 a US$ 15 que seriam sustentáveis, sobretudo diante da alta de fertilizantes, sementes e máquinas.

“Todo mundo quer comida barata, mas isso não é porque o agricultor está ganhando dinheiro”, disse Hodgson.

Enquanto isso, Trump prometeu discutir o tema diretamente com o presidente chinês Xi Jinping nas próximas semanas e acena com um pacote de US$ 10 bilhões em ajuda aos fazendeiros, possivelmente financiado com receitas de tarifas. Até lá, os armazéns do Meio-Oeste seguem cheios de soja que ninguém parece querer.

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Como a paralisação do governo americano pode atrapalhar a vida de quem planeja aproveitar o outono nos EUA

Viajantes que adiaram as férias de verão para aproveitar custos mais baixos e menos multidões neste outono podem ter uma surpresa desagradável se a paralisação do governo começar esta semana. É que a falta de acordo entre Democratas e Republicanos no parlamento promete paralisar o funcionalismo público do país em outubro – o chamado shutdown. E isso pode prejudicar diretamente quem está com viagem marcada para os Estados Unidos ou dentro do país.

O que está em jogo é que o ano fiscal americano começa no dia 1º de outubro. É nesta data que o governo anuncia o orçamento que as agências federais americanas terão à disposição pelos próximos 12 meses. Se o orçamento não for aprovado, então os pagamentos dos serviços públicos simplesmente deixam de ser feitos. E isso pode simplesmente paralisar as atividades do governo.

Justamente nessa data é que muitos viajantes costumam desembarcar nos aeroportos americanos, aproveitando-se do início da baixa temporada – e dos descontos nas passagens.

Embora controladores de tráfego aéreo e agentes de segurança de aeroportos sejam considerados trabalhadores essenciais – e por isso sejam obrigados a continuar trabalhando durante a paralisação –, nenhum dos grupos recebe pagamento até que o financiamento seja restabelecido. Isso pode resultar em filas de segurança mais longas ou até mesmo voos cancelados se a paralisação durar mais do que algumas semanas.

Durante a paralisação de 35 dias entre 2018 e 2019, houve um aumento no número de controladores que ligaram dizendo que estavam doentes, o que causou atrasos em voos de diversos aeroportos, incluindo La Guardia, Newark e Filadélfia, em Nova York, pouco antes do financiamento ser restaurado no final de janeiro.

Enquanto isso, o absenteísmo entre os agentes de segurança do aeroporto aumentou de 3% para 10%, o que resultou em filas mais longas para os viajantes.

Provavelmente, essa é a pior situação para os viajantes após uma paralisação. Os passaportes continuarão sendo processados, já que isso é pago por taxas. As inspeções de segurança continuarão, assim como a manutenção e a operação dos auxílios à navegação usados ​​por controladores e pilotos.

Outros impactos serão mais indiretos, como o potencial agravamento da escassez de controladores de tráfego aéreo a longo prazo. Embora o treinamento inicial para novos recrutas nas instalações da agência em Oklahoma City continue, o treinamento de campo adicional nos centros de controle será suspenso até que o financiamento seja retomado. As contratações também serão suspensas.

Se a paralisação terminar rapidamente, esses atrasos podem não ter um impacto de longo prazo no número de controladores de tráfego aéreo. Mas, com poucos sinais de comprometimento, as chances de uma paralisação estão atualmente em 73% no site de apostas Polymarket.

Analistas do Bank of America escreveram na semana passada que esperam que a paralisação não dure mais do que duas semanas “porque achamos que os democratas não estarão dispostos a incorrer no custo político de uma longa paralisação antes das eleições de meio de mandato do ano que vem”.

Outros preveem que a medida se arrastará por muito mais tempo, já que não há um prazo final para se chegar a um acordo. Isso poderia resultar em até 40% dos mais de dois milhões de funcionários públicos federais afastados, e em um sofrimento muito mais generalizado do que longas filas no aeroporto.

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