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Quase 300 mil pessoas podem perder direito ao ressarcimento de planos econômicos de Sarney e Collor; veja como aderir a acordo

24 de Março de 2026, 16:00

Mais de R$ 5,6 bilhões já foram pagos a poupadores prejudicados pelos planos econômicos das décadas de 1980 e 1990, mas cerca de 292 mil pessoas elegíveis ainda não aderiram ao Acordo Coletivo e correm o risco de perder o direito ao ressarcimento.

O alerta é da Frente Brasileira pelos Poupadores, a Febrapo, com base em balanço atualizado até 31 de dezembro de 2025.

O prazo para adesão termina em 3 de junho de 2027. Quem deixar passar a data não apenas perde o valor a receber, mas pode ser obrigado a arcar com sucumbência, honorários advocatícios e custas processuais.

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STF reconheceu direito por unanimidade

Em junho do ano passado, o Supremo Tribunal Federal reconheceu por unanimidade o direito dos poupadores prejudicados pelos planos Bresser, Verão, Collor I e Collor II, editados entre 1986 e 1991. Com a decisão, os ministros determinaram que o Acordo Coletivo firmado em 2017 passa a ser a regra para o encerramento de todos os processos relacionados aos expurgos inflacionários.

Até o fim de 2025, mais de 352 mil acordos já haviam sido firmados. Ainda assim, quase 300 mil poupadores elegíveis seguem sem receber valores que estão disponíveis para pagamento nos bancos.

Dinheiro parado enquanto o prazo corre

Para a diretora executiva da Febrapo, a advogada e mediadora Ana Seleme, a inércia tem custo concreto. “Quem deixa de fazer o Acordo agora está, na prática, correndo riscos e perdendo dinheiro, já que poderia aplicar os recursos recebidos, quitar dívidas ou usar este pagamento para atender necessidades imediatas“, afirma.

Após a adesão, o pagamento é feito em até 15 dias úteis, por meio de um processo simplificado com segurança jurídica.

Herdeiros também têm direito

Cerca de 30% dos elegíveis que ainda não aderiram são herdeiros de poupadores já falecidos. Filhos, cônjuges, pais e parentes colaterais até o 4º grau podem aderir ao Acordo em nome do titular original, desde que o processo judicial esteja ativo.

Para garantir o direito à indenização, é fundamental que o processo judicial esteja ativo“, reforça Ana Seleme.

Quem pode aderir

A adesão ao Acordo Coletivo é restrita a poupadores que possuem ações judiciais em andamento relacionadas aos planos econômicos. Não é possível ingressar no acordo sem um processo judicial em curso.

Para verificar a situação do processo e iniciar a adesão, o poupador ou seu herdeiro deve entrar em contato com o advogado responsável pela ação ou acessar o site da Febrapo.

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Chefe da AIE compara guerra no Irã às maiores crises energéticas da história em gravidade

23 de Março de 2026, 08:04

O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, afirmou nesta segunda-feira (23) que a guerra no Irã gerou a maior disrupção de oferta já registrada na história do mercado global de petróleo. Ao falar no National Press Club em Canberra, na Austrália, Birol disse que o impacto do conflito equivale às duas grandes crises do petróleo dos anos 1970 e à crise do gás de 2022 “somadas”.

Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, mais de 40 ativos energéticos em nove países do Oriente Médio foram “severa ou muito severamente” danificados, segundo o chefe da AIE. Campos de petróleo e gás, refinarias e oleodutos foram atingidos, e os reparos devem levar tempo considerável.

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Colapso no fornecimento de gás e petróleo

O fornecimento global de gás natural liquefeito (GNL) recuou cerca de 20% desde o início da guerra. O Estreito de Ormuz, corredor marítimo que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e por onde passa normalmente cerca de 20% do petróleo e gás mundiais, praticamente parou de operar desde o início do conflito.

Birol apontou a reabertura do Estreito de Ormuz como a solução “mais importante” para a crise energética global. A AIE já realizou uma liberação histórica de 400 milhões de barris de petróleo ao mercado em 11 de março e o diretor sinalizou que novas liberações de reservas estratégicas são possíveis. “Se for necessário, é claro que faremos”, afirmou.

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Impacto vai além do petróleo e do gás

Birol ampliou o diagnóstico do conflito para além dos combustíveis fósseis. “Algumas das artérias do comércio global, como petroquímicos, fertilizantes, enxofre e hélio, tiveram seu fluxo interrompido, o que terá consequências graves para a economia mundial”, afirmou o executivo.

A Ásia foi apontada por Birol como a região mais exposta ao choque energético provocado pela guerra no Irã.

Ameaças entre EUA e Irã elevam tensão

No sábado (21), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou “obliterar” as usinas de energia do Irã caso Teerã não reabrisse completamente o Estreito de Ormuz em 48 horas. Em resposta, o porta-voz do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, alertou que infraestruturas e instalações energéticas no Golfo poderiam ser “irreversivelmente destruídas” caso usinas iranianas fossem atacadas.

O conflito entra agora em sua quarta semana, com participantes do mercado monitorando de perto as ameaças cruzadas sobre instalações energéticas na região.

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Finnair fecha maior encomenda de sua história com a Embraer por até 46 aeronaves

23 de Março de 2026, 07:11

A Embraer anunciou nesta segunda-feira (23) um acordo com a Finnair para o fornecimento de até 46 aeronaves comerciais do modelo E195-E2, em um dos maiores investimentos dos 102 anos de história da companhia aérea finlandesa. O contrato, que já entra no backlog da Embraer no primeiro trimestre de 2026, inclui 18 pedidos firmes, 16 opções e 12 direitos de compra.

O negócio consolida a posição da fabricante brasileira no mercado de jatos comerciais de até 150 assentos, segmento em que a Embraer é líder mundial. Para a Finnair, a encomenda representa a aposta mais ambiciosa da empresa em décadas, com entregas programadas para começar no segundo semestre de 2027.

Nenhuma das duas empresas comentou os valores do negócio, que pode variar de acordo com a negociação, pacote de serviços incluídos, manutenção e configuração das aeronaves, mas, de acordo com negociações anteriores, o Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC estima que o negócio pode chegar a US$ 4,2 bilhões (R$ 22,3 bilhões).

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Maior aposta em mais de um século

O CEO da Finnair, Turkka Kuusisto, classificou o acordo como um passo determinante para os planos da companhia. “Este é um dos maiores investimentos da história de 102 anos da Finnair”, afirmou o executivo, destacando que os novos jatos vão permitir à empresa fortalecer sua malha europeia e aproveitar oportunidades de crescimento no mercado.

As aeronaves serão configuradas com 134 assentos e substituirão modelos mais antigos da frota da Finnair, incluindo os E190s de geração anterior operados pela companhia.

Embraer reforça backlog global

Do lado brasileiro, o presidente da divisão de aviação comercial da Embraer, Arjan Meijer, ressaltou o valor econômico do acordo. “A combinação de eficiência, conforto e confiabilidade do E195-E2 gera valor concreto”, disse o executivo, citando menor consumo de combustível e economia operacional como diferenciais do modelo.

O pedido será registrado no backlog referente ao primeiro trimestre de 2026, reforçando os números da fabricante sediada em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Fundada em 1969, a Embraer já entregou mais de 9 mil aeronaves e é a maior exportadora de bens de alto valor agregado do Brasil.

E195-E2 lidera segmento regional

O E195-E2 é o jato corredor único mais silencioso disponível no mercado e consome até 35% menos combustível do que os E190s de geração anterior. A aeronave, que não possui assentos centrais, reforça a competitividade da Embraer frente a concorrentes no segmento de aviação regional de médio porte.

A Finnair, membro da aliança oneworld e eleita 15 vezes seguidas a melhor companhia aérea do Norte da Europa no prêmio Skytrax, opera rotas entre a Ásia, América do Norte e Europa com base em Helsinque.

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Coaf firma parceria com bancos para modernizar combate à lavagem de dinheiro

20 de Março de 2026, 08:15

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) assinou na quinta-feira (20) um acordo de cooperação com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Associação Brasileira de Bancos (ABBC) para modernizar os mecanismos de prevenção e combate à lavagem de dinheiro no país.

A parceria prevê o desenvolvimento de um novo sistema tecnológico para o órgão, com os bancos dispostos a colaborar financeiramente com o projeto.

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Sistemas obsoletos e volume crescente de notificações

O acordo parte de um diagnóstico compartilhado, as ferramentas que o Coaf utiliza hoje são ultrapassadas para processar o grande volume de notificações sobre movimentações atípicas de recursos e realizar os cruzamentos necessários para identificar suspeitas de ilícitos financeiros.

Desde que assumiu o comando do órgão, em julho do ano passado, Ricardo Saadi defende a atualização dos programas, inclusive com o uso de inteligência artificial. O avanço, no entanto, esbarrava em limitações orçamentárias – obstáculo que a parceria com o setor privado pretende contornar.

Bancos com papel consultivo e financeiro

Os bancos devem participar tanto do financiamento quanto da concepção do novo sistema. O programa será desenvolvido por uma consultoria contratada pelo Coaf, que vai comandar o processo, mas as instituições financeiras terão papel consultivo ao longo do trabalho.

O acordo também prevê o intercâmbio de profissionais do setor bancário para reforçar o efetivo do Coaf em atividades sem relação direta com dados sigilosos.

Excesso de notificações prejudica o próprio sistema

Para os bancos, a modernização traz ganhos operacionais diretos. Instituições financeiras e demais entidades reguladas pelo Banco Central são obrigadas a notificar o Coaf ao identificar movimentações suspeitas. Na prática, segundo executivos do setor, muitas instituições acabam “pecando pelo excesso” para evitar sanções, porque recebem pouco retorno sobre a qualidade ou utilidade das informações enviadas.

O volume excessivo de notificações, por sua vez, sobrecarrega o próprio Coaf. Uma troca de informações mais qualificada, respeitado o sigilo bancário, ajudaria as instituições a aperfeiçoarem seus mecanismos internos de prevenção.

Coaf amplia parceria para fintechs e criptoativos

O presidente da ABBC, Leandro Vilain, classificou o acordo como um exemplo de parceria público-privada. “Trata-se de uma iniciativa importante para reforçar a cooperação entre o setor público e o setor financeiro, contribuindo para o aprimoramento contínuo dos instrumentos de prevenção e combate a crimes financeiros no país”, acrescentou o diretor Jurídico e Legislativo da ABBC, Felipe Natale.

A nova gestão do Coaf vinha buscando uma aproximação com os bancos e estruturando um trabalho preventivo para aprimorar a identificação de contas vinculadas a ilícitos financeiros. Com o acordo, essa articulação passa a ter encontros regulares e um plano de trabalho formalizado. A iniciativa se estende também a bets, fintechs e empresas do mercado de criptoativos.

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Petróleo de Dubai a US$ 166 o barril sinaliza onde preços globais podem chegar

20 de Março de 2026, 07:46

O petróleo negociado em Dubai ultrapassou US$ 166 o barril na quinta-feira (19), atingindo novo recorde, enquanto o Estreito de Ormuz permanece praticamente paralisado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã. Para analistas, o movimento nos mercados locais do Oriente Médio funciona hoje como um termômetro do que pode estar por vir para os benchmarks globais, caso a passagem não seja reaberta em breve.

Ormuz e o colapso do trânsito de petróleo

O Estreito de Ormuz é responsável pelo trânsito de cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo. Os registros de passagem diária despencaram para perto de zero, ante um pico acima de 120 observado no início do ano, segundo dados analisados pela Charles Schwab.

Com o bloqueio, o petróleo que normalmente saía do Oriente Médio com custo de transporte reduzido para destinos asiáticos passou a enfrentar escassez severa. É esse desequilíbrio que explica a disparada dos preços locais.

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Dubai como sinal para Brent e WTI

Os preços do petróleo de Dubai e de Omã refletem a gravidade da escassez no Golfo, segundo Natasha Kaneva, chefe de pesquisa de commodities do JPMorgan. Mas ela alerta que o mercado ocidental não está imune.

“Se o Estreito não reabrir, essa divergência dificilmente vai persistir”, afirmou Kaneva em nota a clientes. “O Brent e o WTI vão acabar se reprecificando para cima à medida que os estoques da bacia do Atlântico forem reduzidos e o mercado global for forçado a operar em um nível de oferta muito mais apertado.”

Desde o início da guerra, o contrato de maio do Brent acumula alta de mais de 48%, negociado ao redor de US$ 106 o barril. No acumulado do ano, a valorização supera 76%.

Mercado asiático dá a dimensão do choque

O petróleo de Dubai tem seu preço mais representativo no mercado de Cingapura, principal ponto de referência para o abastecimento asiático. A intensidade da disrupção, porém, tornou esse preço pouco confiável.

“É quase um preço fictício”, disse Susan Bell, vice-presidente sênior de mercados de commodities da Rystad Energy. Diante disso, a firma passou a monitorar o preço de Dubai no mercado de Londres ou a utilizar instrumentos de swap para obter referências mais realistas.

O petróleo de Omã, considerado de qualidade equivalente ao de Dubai e escoado fora do Estreito de Ormuz, viu a demanda disparar justamente por oferecer uma rota alternativa ao bloqueio.

Consumidor pode sentir o impacto nas bombas e nas prateleiras

Andy Harbourne, analista sênior de mercados de petróleo da Wood Mackenzie, resume o quadro atual: “Tudo depende de quanto tempo o fechamento de Ormuz vai durar. O mercado inteiro está atualizando suas premissas em tempo real.”

O cenário de prolongamento do bloqueio preocupa além dos mercados financeiros. Analistas alertam que o encarecimento do petróleo e do frete marítimo tende a se traduzir em preços mais altos nas bombas de combustível e, pela cadeia logística, em bens nas prateleiras dos supermercados.

“A diferença de preço entre o Ocidente e a Ásia está enviando sinais importantes para o mercado”, disse Harbourne. “Está dizendo ao Ocidente para mover petróleo para a Ásia.”

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Mercados europeus operam em alta tímida aguardando Fed, BCE e BoE em meio à guerra

17 de Março de 2026, 07:33

As bolsas europeias avançam com cautela na manhã desta terça-feira (17), em uma semana que combina decisões de juros dos principais bancos centrais do mundo com a continuidade do conflito armado no Oriente Médio.

Por volta das 6h25 (de Brasília), o índice pan-europeu Stoxx 600 subia 0,20%, a 599,67 pontos. O movimento reflete o clima de espera que domina os mercados do continente.

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Guerra limita apetite

O apetite por risco segue contido pelas incertezas do conflito entre EUA e Israel contra o Irã, que já se espalhou por diversas regiões do Oriente Médio. Nesta terça, o 18º dia de guerra, os dois lados voltaram a trocar bombardeios.

O petróleo, por sua vez, voltou a subir com força durante a madrugada, após recuar na véspera. O movimento reflete dúvidas sobre a capacidade dos EUA de montar uma coalizão para garantir o transporte de cargas no Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo negociado no mundo.

A volatilidade nos preços do petróleo complica as perspectivas globais de inflação e crescimento, e alimenta a cautela dos investidores.

Bancos centrais em foco

Além da guerra, o calendário da semana pesa sobre o humor dos mercados. O Federal Reserve (Fed) anuncia sua decisão de juros na quarta-feira (18). No dia seguinte, quinta-feira (19), é a vez do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra (BoE).

A expectativa dos analistas é que o quadro nebuloso imposto pelo conflito leve os três bancos centrais a manter suas taxas de juros inalteradas por ora.

Ainda nesta manhã, investidores aguardam a divulgação do índice ZEW de expectativas econômicas da Alemanha, que pode dar pistas sobre o humor do empresariado europeu.

Praças em alta

Às 6h40 (de Brasília), todas as principais praças europeias operavam no campo positivo. Londres subia 0,49%, Paris avançava 0,55% e Frankfurt ganhava 0,24%. Milão registrava alta de 0,57%, Madri subia 0,67% e Lisboa liderava o grupo, com avanço de 0,82%.

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Confisco da Poupança faz 36 anos; relembre o plano que traumatizou toda uma geração e jogou o país na hiperinflação

16 de Março de 2026, 14:12

Há exatamente 36 anos, na manhã de 16 de março, uma sexta-feira, o Brasil acordou sem acesso ao próprio dinheiro. Um dia após tomar posse (até 1990 a posse ocorria em 15 de março), o então presidente Fernando Collor de Mello anunciava o bloqueio de grande parte das aplicações financeiras do país, em uma medida que entraria para a história como o confisco da poupança e se tornaria um dos episódios mais traumáticos da economia brasileira.

A decisão determinou o congelamento de valores acima de 50 mil cruzados novos (R$ 5.000 nos dias de hoje, se a correção for baseada no dólar) em cadernetas de poupança e outras aplicações. O dinheiro que ultrapassasse esse limite seria retido pelo Banco Central por até 18 meses e devolvido de forma parcelada, corrigido por índices de inflação e acrescido de juros.

Estima-se que cerca de 80% dos recursos depositados em contas bancárias e aplicações financeiras foram bloqueados.

“Quem tinha ontem 50 mil cruzados novos pode ir hoje ao banco e sacar 50 mil cruzeiros. A parte excedente a esses 50 mil fica depositada no Banco Central”, disse a ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello durante o anúncio do plano.

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País à beira do colapso

Para entender o confisco, é preciso voltar ao Brasil que Collor encontrou ao assumir o cargo. Em março de 1990, o IPCA registrou variação mensal de 82,39%, a maior da série histórica do indicador, segundo o IBGE.

O país havia tentado, sem sucesso, uma sequência de planos de estabilização ao longo dos anos anteriores: o Plano Cruzado, o Plano Bresser e o Plano Verão haviam fracassado um após o outro no combate à inflação.

Collor havia vencido a eleição de 1989, a primeira direta para presidente após mais de duas décadas de regime militar, com a promessa de reformar a máquina pública e domar os preços. No segundo turno, derrotou Luiz Inácio Lula da Silva com um discurso de combate a privilégios no funcionalismo público e de reorganização da economia.

O dia em que o dinheiro sumiu

A partir de 19 de março de 1990, quando a medida entrou em vigor, correntistas puderam sacar apenas até 50 mil cruzados novos. O restante ficou retido. Famílias que haviam guardado economias por anos viram os recursos se tornarem temporariamente inacessíveis. Empresas perderam capital de giro e enfrentaram dificuldades para honrar compromissos.

Os relatos da imprensa da época descrevem cenas de tensão em agências bancárias e o desespero de parte da população diante da impossibilidade de acessar o próprio dinheiro. Aposentados, trabalhadores e pequenos empresários foram afetados de formas distintas, mas igualmente duras.

Além do bloqueio das aplicações, o pacote, oficialmente chamado de Plano Brasil Novo, incluiu congelamento de preços e salários, flexibilização do câmbio, abertura gradual da economia ao comércio internacional e a extinção de uma série de órgãos públicos.

Fracasso e recessão

Os resultados ficaram muito aquém do esperado. A economia mergulhou em forte recessão e a inflação seguiu elevada. Ao fechar 1990, o índice acumulado de preços chegou a 1.621%, deixando claro que o plano havia falhado em seu principal objetivo.

Diante da persistência da inflação, o governo lançou um segundo pacote em janeiro de 1991, o Plano Collor II, com novo congelamento de preços e salários. Entre as mudanças, estava a criação da Taxa Referencial (TR), indicador que permanece em uso até hoje em contratos financeiros. O efeito, mais uma vez, foi passageiro.

Impeachment e o caminho para o Real

A instabilidade econômica se somou à crise política. Em 1992, denúncias de corrupção abriram o processo de impeachment de Collor, que deixou o cargo em setembro daquele ano. Assumiu o vice-presidente Itamar Franco, em um país ainda sem solução para a inflação.

Nos anos seguintes, o governo promoveu mudanças graduais na política econômica. Em 1993, o cruzeiro foi substituído pelo cruzeiro real após o corte de três zeros na moeda, última alteração do padrão monetário antes da grande virada. Em 1994, o Plano Real finalmente estabilizou a inflação e abriu um novo capítulo na história econômica do Brasil.

Mais de três décadas depois, o confisco da poupança permanece na memória coletiva do país como símbolo de um período de incerteza, hiperinflação e soluções de choque que custaram caro a quem tinha pouco a perder.

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Greve em frigorífico da JBS no Colorado é a maior dos EUA em décadas

16 de Março de 2026, 13:22

Trabalhadores da planta de processamento de carne bovina da JBS em Greeley, no Colorado, iniciaram uma greve nesta segunda-feira (16), interrompendo a produção em uma das maiores unidades do setor nos Estados Unidos. A paralisação envolve cerca de 3.800 funcionários sindicalizados e é considerada a maior em um frigorífico americano em décadas, segundo reportagem do “The Wall Street Journal”.

A unidade tem capacidade para abater aproximadamente 6 mil cabeças de gado por dia e responde por cerca de 5% de toda a capacidade de processamento de carne bovina do país. O movimento ocorre em um momento em que os preços da proteína atingem níveis recordes e empresas do setor acumulam perdas bilionárias.

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Racha no sindicato

O United Food and Commercial Workers International Union (UFCW) fechou, no ano passado, um acordo trabalhista de longo prazo cobrindo cerca de 26 mil trabalhadores em mais de uma dúzia de unidades da JBS nos EUA.

A seção sindical de Greeley, porém, optou por não aderir ao acordo nacional.

O argumento dos trabalhadores é que o contrato não considera o custo de vida mais elevado no Colorado. Após meses de negociação sem avanço, o impasse resultou na paralisação.

Segundo o sindicato, a JBS se recusou a oferecer reajustes compatíveis com a inflação e manteve a cobrança de determinados equipamentos de proteção individual, como luvas usadas durante o trabalho.

“A JBS parece mais interessada em um conflito trabalhista na planta de Greeley do que em resolver essas questões”, afirmou Kim Cordova, presidente da seção sindical que representa os trabalhadores da unidade.

JBS transferiu produção antes da paralisação

Na semana anterior à greve, a empresa já havia começado a cancelar embarques de gado e interromper o abate em Greeley. A produção foi redirecionada para outras grandes unidades nos EUA, entre elas as plantas de Grand Island, no Nebraska, e de Cactus, no Texas.

A companhia afirmou que o objetivo é minimizar o impacto para clientes e para o mercado. Também comunicou que funcionários que não queiram aderir à greve podem continuar trabalhando normalmente.

“Não acreditamos que uma greve seja do melhor interesse de nossos funcionários ou de suas famílias”, disse uma porta-voz da empresa. “Mantemos a proposta apresentada, que é forte, justa e consistente com o histórico acordo nacional firmado em 2025.”

Prejuízos bilionários no setor

A greve acontece em um dos momentos mais difíceis para o setor de proteína animal nos EUA. O rebanho bovino americano está no menor nível em 75 anos, o que elevou o custo de compra do gado junto aos pecuaristas e pressionou as margens das processadoras.

A JBS, maior processadora de carne do mundo e principal produtora de carne bovina dos EUA em volume, registrou prejuízo operacional de US$ 566 milhões em seu negócio de carne bovina na América do Norte nos primeiros nove meses de 2025. No mesmo período de 2024, a perda havia sido de US$ 64 milhões. As ações da empresa negociadas nos EUA acumulam queda de cerca de 6% no último mês.

Concorrentes da JBS também sofrem

A rival Tyson Foods fechou uma de suas maiores plantas em Nebraska em janeiro e demitiu 3.200 trabalhadores em razão do aumento do custo do gado. No início de 2026, a companhia também reduziu pela metade a produção em uma grande unidade no Texas.

Para os consumidores, o cenário se traduz em preços recordes. O valor da carne moída subiu 15% em fevereiro ante o mesmo mês do ano anterior, segundo dados do Departamento do Trabalho dos EUA. Os contratos futuros de gado vivo caíram cerca de 4% no último mês diante da expectativa de greve, mas ainda acumulam alta superior a 13% nos últimos 12 meses.

O fechamento temporário da planta de Greeley retira um comprador relevante do mercado, o que deve pressionar os preços do gado vivo e tornar mais atrativo para os demais frigoríficos manter suas operações em plena capacidade para atender à demanda por proteína no país.

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Flávio Dino proíbe aposentadoria compulsória como punição a magistrados

16 de Março de 2026, 13:02

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), fixou nesta segunda-feira (16) que a aposentadoria compulsória não pode mais ser usada como punição a magistrados. A decisão, tomada no âmbito da Ação Originária 2870, anula uma deliberação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e determina que o caso seja reavaliado pelo órgão desde o início.

A tese estabelecida por Dino é direta: com a promulgação da Emenda Constitucional nº 103, de 2019, o fundamento constitucional da aposentadoria compulsória punitiva deixou de existir. Infrações graves de magistrados devem ser punidas com a perda do cargo.

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Reforma da Previdência mudou as regras

A Emenda Constitucional 103/2019, conhecida como Reforma da Previdência, alterou o artigo 40 da Constituição Federal e, com isso, eliminou a aposentadoria compulsória como sanção administrativa aplicável a magistrados. Antes da reforma, a Emenda Constitucional nº 45/2004 previa expressamente essa modalidade de punição. Com a mudança do texto constitucional, o fundamento jurídico da penalidade desapareceu.

Na decisão, Dino foi preciso ao delimitar o que sobrou no arsenal punitivo do sistema judiciário. “A aposentadoria é um benefício previdenciário que tem por finalidade garantir ao trabalhador condições dignas de vida quando não mais for possível o desenvolvimento de atividade laboral”, escreveu o ministro, deixando claro que a medida não pode ser ressignificada como instrumento disciplinar.

Caso concreto: juiz acusado de favorecer milícias

A decisão foi provocada por um recurso de um juiz afastado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Em agosto de 2024, ele acionou o STF para contestar sua aposentadoria compulsória, aplicada após uma inspeção da Corregedoria do TJRJ que identificou uma série de irregularidades na Comarca de Mangaratiba.

Entre as condutas apontadas estão: morosidade processual deliberada para favorecer grupos políticos locais; liberação de bens bloqueados sem manifestação do Ministério Público; direcionamento de ações à vara para concessão de liminares em benefício de policiais militares milicianos; irregularidades no julgamento de processos de PMs que buscavam reintegração à corporação; e anotação irregular da sigla “PM” nas capas de processos para identificá-los.

O TJRJ aplicou censura, remoção compulsória e duas aposentadorias compulsórias. A punição foi confirmada pelo CNJ. Agora, tudo vai ser reavaliado.

CNJ terá três caminhos

Ao devolver o caso ao CNJ, Dino estabeleceu três possibilidades para o órgão: absolver o magistrado; aplicar outra sanção administrativa que ainda seja válida; ou, se confirmar que as infrações são graves o suficiente para romper o vínculo com o Poder Judiciário, encaminhar os autos à Advocacia-Geral da União para que seja proposta, perante o próprio STF, uma ação judicial visando à perda do cargo por sentença transitada em julgado.

“Casos graves, à luz da Constituição, devem ser punidos com a perda do cargo, que, por conta da vitaliciedade, depende de ação judicial”, afirmou Dino na decisão.

Fachin será notificado

Por fim, o ministro determinou que o presidente do CNJ, Edson Fachin, seja oficialmente comunicado da decisão para que, se considerar necessário, revise o sistema de responsabilidade disciplinar do Poder Judiciário. O objetivo é adequar as regras ao novo texto constitucional e deixar claro que a perda do cargo passa a ser a punição mais severa aplicável a magistrados que cometem crimes ou infrações graves.

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Trump avalia bombardear hub de petróleo do Irã na ilha Kharg , diz embaixador Waltz na ONU

15 de Março de 2026, 16:04

O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, afirmou neste domingo que o presidente Donald Trump está avaliando um ataque à infraestrutura de petróleo da ilha de Kharg, principal hub de exportação do Irã.

“O presidente Trump não vai tirar nenhuma opção da mesa”, disse Waltz ao programa “State of the Union”, da CNN.

Kharg concentra cerca de 90% das exportações de petróleo iranianas e tem capacidade de carregamento de aproximadamente 7 milhões de barris por dia. Na sexta-feira, Trump confirmou ter ordenado um bombardeio contra alvos militares na ilha, deixando a infraestrutura de produção intacta.

“Ele deliberadamente atingiu apenas a infraestrutura militar, por enquanto”, afirmou Waltz. “Certamente acho que ele vai manter essa opção caso queira derrubar a infraestrutura energética do país.”

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Irã se posiciona

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, buscou um caminho diplomático em paralelo. Ele disse nas redes sociais que o país está pronto para formar um comitê com as nações da região para investigar os alvos atacados em Kharg.

Araghchi reafirmou que os ataques iranianos têm como alvo apenas bases e interesses americanos, e alertou que “ocupar a ilha de Kharg seria um erro maior do que atacá-la”.

Por outro lado, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, o IRGC, fez uma ameaça direta a Benjamin Netanyahu. A agência estatal IRNA publicou que a organização prometia perseguir e matar o primeiro-ministro israelense. O gabinete de Netanyahu desmentiu os rumores que circularam no fim de semana sobre sua suposta morte, classificando as informações como falsas.

Israel elimina cúpula de inteligência

As Forças de Defesa de Israel anunciaram ter “eliminado” dois altos funcionários de inteligência iraniana do Comando de Emergência “Khatam al-Anbiya”.

No sábado à noite, o exército israelense informou ter atacado o principal centro de pesquisa da Agência Espacial do Irã e uma fábrica de produção de sistemas de defesa aérea.

Serviços de emergência israelenses relataram uma “recente salva de mísseis” disparada contra o centro de Israel neste domingo. Não havia vítimas confirmadas até a última atualização.

Petróleo acima de US$ 100

O conflito praticamente paralisou o tráfego pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás consumidos no mundo.

O barril de Brent fechou acima de US$ 100 pelo segundo dia seguido na sexta-feira, acumulando alta superior a 40% desde o início da guerra entre EUA, Israel e Irã.

O secretário de Energia americano, Chris Wright, minimizou o impacto. Em entrevista à ABC, ele disse acreditar que o conflito chegará ao fim “nas próximas semanas, talvez antes”, com os preços recuando na sequência.

A Agência Internacional de Energia informou que estoques emergenciais de petróleo começarão a chegar aos mercados globais em breve. O volume foi revisado para quase 412 milhões de barris. Países asiáticos planejam liberar reservas de forma imediata, enquanto Europa e Américas devem fazê-lo a partir do final de março.

Aliados respondem com cautela

Trump vem pressionando outros países a enviarem navios de guerra para garantir a segurança do estreito. Num post no Truth Social, o presidente citou China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido.

As respostas foram cautelosas. Seul disse que vai “monitorar de perto e analisar com cuidado” a situação. Londres afirmou estar “intensamente” avaliando como contribuir. O secretário de Energia britânico, Ed Miliband, declarou à BBC que “qualquer opção que possa ajudar a reabrir o estreito está sendo analisada”.

No Japão, há especulações de que Trump pedirá o envio de navios de guerra quando a primeira-ministra Sanae Takaichi se reunir com ele na quinta-feira na Casa Branca.

Esportes no Golfo cancelados

A guerra chegou ao calendário esportivo. A Fórmula 1 anunciou o cancelamento dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita previstos para abril. “Embora alternativas tenham sido consideradas, nenhuma substituição será feita em abril”, informou a categoria.

A UEFA também cancelou a “Finalissima” entre Espanha e Argentina, programada para 27 de março em Doha, no Catar. O jogo seria disputado no Estádio Lusail e marcaria o duelo entre Lionel Messi e Lamine Yamal.

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PSD trata como “encaminhada” a escolha de Ratinho Júnior como candidato à presidência; anúncio sai até o fim do mês

15 de Março de 2026, 15:00

O PSD está próximo de anunciar o governador do Paraná, Ratinho Júnior, como seu candidato à Presidência da República. Lideranças da legenda tratam a decisão como “encaminhada” e o anúncio formal deve ocorrer até o fim de março, já que a ideia era fazer após a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao partido – o que ocorreu no  sábado (14), durante evento em Goiás para apresentação de candidaturas locais.

A escolha de Ratinho foi confirmada ao Estadão por integrantes da cúpula do PSD. O próprio partido, em nota oficial, confirmou que anunciará seu pré-candidato até o fim de março, sem revelar o nome.

Leia também: Caiado oficializa filiação ao PSD; confirmação acirra disputa por nome da sigla ao Planalto

Por que Ratinho

Dentro do PSD, o governador do Paraná é visto como o nome com maior maturidade política para encabeçar a candidatura. “Pelo espírito e clima e pela capacidade de crescimento, a escolha faz mais sentido”, afirmou uma liderança da legenda. Outro dirigente foi mais direto: Ratinho só não será o candidato se ele próprio não quiser.

O tabuleiro desenhado pelo partido reserva papéis diferentes para os outros dois pré-candidatos. Caiado e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, devem concorrer ao Senado, abrindo caminho para que Ratinho concentre as apostas presidenciais da legenda.

Procurado, Ratinho Júnior preferiu a cautela. “Continua cumprindo suas agendas normalmente no Paraná e espera com tranquilidade e muito respeito aos demais concorrentes, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite, que o partido oficialize no momento oportuno o candidato a presidente da legenda”, disse em nota. O governador acrescentou que prefere aguardar a definição oficial da direção do PSD antes de qualquer manifestação.

Leia também: Por que preço dos alimentos deve subir no Brasil por causa do Irã?

Pressão do PL

A decisão do PSD não está livre de turbulências. O PL pressiona Ratinho Júnior a desistir da candidatura presidencial para apoiar o senador Flávio Bolsonaro já no primeiro turno. Em troca, o partido de Bolsonaro garantiria apoio ao grupo político do governador no Paraná.

O entorno de Ratinho, porém, resiste. O argumento é que o bolsonarismo descumpriu um pacto em 2024, na disputa à Prefeitura de Curitiba. Na ocasião, o PL havia escolhido Paulo Martins para a vaga, mas Bolsonaro acabou apoiando a rival Cristina Graeml, então no PMB. O aliado de Ratinho venceu no segundo turno, mas o episódio deixou marcas na relação entre os dois campos.

Sem garantias de adesão de Ratinho, o PL avalia alternativas para construir palanque no Paraná. Uma delas é apoiar o senador Sergio Moro, que tenta viabilizar candidatura ao governo estadual. Graeml também tenta conquistar apoio e se reuniu com lideranças do PL no Senado nesta semana.

Um acordo mantido desde 2024 prevê que uma das vagas ao Senado apoiadas pelo PSD seria destinada ao PL, na figura do deputado federal Filipe Barros. Nos planos do PL, há ainda a opção de apoiar Guto Silva, candidato de Ratinho Júnior ao Senado pelo Paraná, o que agradaria ao partido de Gilberto Kassab e poderia aproximar os dois campos para além das tensões presidenciais.

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Netanyahu posta vídeo em cafeteria em Tel Aviv e diz que Israel ataca o Irã ‘com muita força’

15 de Março de 2026, 14:41

Benjamin Netanyahu reapareceu em público neste domingo (15) em uma cafeteria em Tel Aviv, em meio à escalada do conflito entre Israel e o Irã. A visita informal foi registrada em vídeo e circulou nas redes sociais, com o premiê israelense conversando com frequentadores do local e agradecendo o apoio da população.

A aparição pública tem peso político. Nos dias anteriores, especulações sobre o paradeiro de Netanyahu haviam se multiplicado, alimentadas por sua ausência das câmeras em momento de intensa escalada militar.

Leia também: “Perseguir e matar”: Guarda Revolucionária ameaça Netanyahu enquanto Israel ataca líderes do Irã

Mensagem de normalidade

Na cafeteria, Netanyahu cumprimentou os presentes e agradeceu o suporte dos cidadãos israelenses. “O apoio de vocês dá força ao governo e às forças de segurança do país”, disse o premiê, segundo relatos da visita.

A escolha de um estabelecimento público e cotidiano para a reaparição não parece casual. Em tempos de guerra, a imagem de um líder tomando café entre civis carrega uma mensagem deliberada de normalidade e controle da situação.

אומרים שאני מה? צפו >> pic.twitter.com/ijHPkM3ZHZ

— Benjamin Netanyahu – בנימין נתניהו (@netanyahu) March 15, 2026

Operações em curso no Irã e no Líbano

Netanyahu confirmou que Israel segue realizando operações militares contra o Irã e também no Líbano, mas recusou detalhar as ações. “Estamos fazendo coisas que não posso compartilhar neste momento, mas estamos atingindo o Irã com muita força, também hoje, e continuando no Líbano”, declarou.

O premiê aproveitou a ocasião para pedir que a população siga as orientações do Comando da Frente Interna e permaneça sempre próxima a abrigos protegidos. “Vocês me dizem para continuar. Eu estou dizendo a vocês: vocês também continuem”, afirmou.

Ao encerrar a visita, Netanyahu brincou com o café que lhe foi servido: “O café é excelente. Não sei sobre as calorias, parece muito perigoso para mim.”

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Leia a transcrição da fala de Netanyahu

Essa transcrição foi gerada por tradução automática de um vídeo original em hebraico. Há trechos sem sentido (“montanhas Rasha”, “sair para se apresentar”, “a coisa carrega”) que não correspondem a nenhuma fala coerente, que são erros de tradução, não de português.

“Obrigado pelo que você me perguntou. Acho que dizem on-line que você é uma bênção. Eu morro por café – mas você sabe que eu também morro pelo meu povo.”

“Eu ajo de forma fantástica. Você quer contar nos dedos? Você pode nos mostrar aqui? Ha, ha.”

“Aqui estava você. Muito bonito para a vida. Pensando na mensagem para as pessoas que saem de casa para se apresentar… mas sempre perto de um espaço protegido. E o tamanho do apoio de vocês é incrível. Me dá força. Dá força ao governo.”

“Nós fazemos coisas que não posso compartilhar neste momento. Mas estamos atingindo o Irã com muita força, mesmo hoje. E também no Líbano, continuamos. Vocês me dizem para continuar. Eu estou dizendo a vocês: vocês também continuem.”

“Continuem seguindo as instruções do Comando da Frente Interna. Respirem de acordo com as instruções. E estejam sempre perto de um espaço protegido. Vamos tornar isso mais fácil enquanto a situação avança.”

“E obrigado. O café é excelente. Não sei sobre as calorias – parece muito perigoso para mim.”

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Guerra no Irã leva UEFA a cancelar Finalíssima 2026 entre Espanha e Argentina

15 de Março de 2026, 14:40

A UEFA anunciou neste domingo (15) o cancelamento da Finalissima 2026, partida que colocaria frente a frente a campeã da Eurocopa 2024, a Espanha, e a campeã da Copa América 2024, a Argentina. O jogo estava previsto para 27 de março no Catar, mas a guerra no Irã tornou a realização do evento inviável na região.

A competição se soma a uma lista crescente de eventos esportivos derrubados pelo conflito. A Fórmula 1 já havia cancelado os Grandes Prêmios do Bahrein e da Arábia Saudita, previstos para abril.

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Argentina recusou todas as saídas

Diante da impossibilidade de manter o Catar como sede, a UEFA buscou alternativas. A primeira proposta foi transferir o jogo para o estádio Santiago Bernabéu, em Madri, na data original, com divisão igualitária de torcedores. A Argentina recusou.

A segunda opção previa um formato de ida e volta, com uma partida em Madri no dia 27 de março e outra em Buenos Aires em uma janela de datas futuras, antes das edições de 2028 da Eurocopa e da Copa América. Também foi rejeitada.

A UEFA chegou a pedir apenas uma confirmação de que, caso uma sede neutra na Europa fosse encontrada, o jogo poderia acontecer no dia 27 ou no dia 30 de março. A proposta foi igualmente recusada.

A Associação de Futebol Argentino fez uma contraproposta: jogar após a Copa do Mundo. A Espanha não tinha datas disponíveis para isso. Por fim, a Argentina declarou disponibilidade exclusiva para 31 de março, data que a UEFA considerou inviável.

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Reconhecimento ao Catar e ao Real Madrid

Na nota de cancelamento, a UEFA agradeceu ao Catar pelo empenho em tentar receber o jogo e ao Real Madrid pelo apoio na tentativa de viabilizar o Santiago Bernabéu como sede alternativa, ressaltando que o clube atuou “em prazo extremamente curto”. A entidade também elogiou a flexibilidade da Federação Espanhola de Futebol ao longo de todo o processo.

“É uma fonte de grande decepção que as circunstâncias e o momento tenham privado as equipes da chance de disputar esse prêmio de prestígio no Catar”, afirmou a UEFA no comunicado.

O peso do cancelamento

A Finalissima foi criada no âmbito da parceria entre UEFA e Conmebol para reunir os campeões europeu e sul-americano. A edição inaugural, em 2022, teve a Argentina vencendo a Itália por 3 a 0 no estádio de Wembley, em Londres. A Argentina é também a atual campeã mundial.

O cancelamento desta edição significa que Espanha e Argentina, dois dos maiores selecionados do mundo, seguirão sem o confronto direto que o torneio prometia.

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Irã diz que Estreito de Ormuz Está aberto, menos para EUA e Israel

15 de Março de 2026, 14:37

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse neste sábado que o Estreito de Ormuz está aberto para todos, menos para aliados dos Estados Unidos.

“O Estreito de Ormuz está aberto. Está apenas fechado para petroleiros e navios pertencentes aos nossos inimigos e seus aliados”, afirmou em entrevista ao programa de notícias americano MS Now.

Não está fechado, mas está fechado para navios americanos e israelenses”, completou.

O chanceler persa reforçou que embarcações de outros países estão livres para transitar pelo Estreito de Ormuz, local por onde passa cerca de 20% da produção global de petróleo. Ele reconheceu, porém, que muitos navios preferem não passar pela região devido às preocupações com a segurança, mas disse que isso não seria responsabilidade do Irã. “Isso não tem nada a ver conosco”, reiterou.

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Trump fala em bombardear ilha iraniana “só por diversão”

15 de Março de 2026, 12:50

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste sábado que as forças americanas “demoliram totalmente” a Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã, e acrescentou que pode bombardeá-la “mais algumas vezes só por diversão”. A declaração foi feita em entrevista telefônica de quase 30 minutos à NBC News.

O Comando Central dos EUA havia informado mais cedo que conduziu “ataques de precisão” contra 90 alvos militares, preservando a infraestrutura de petróleo. Trump contradisse a versão oficial.

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Trump diz que Irã quer acordo, ele não

O presidente descartou qualquer negociação com Teerã no momento. “O Irã quer fazer um acordo, e eu não quero fazê-lo porque os termos ainda não são bons o suficiente”, disse. Ele confirmou que o abandono total das ambições nucleares iranianas seria parte de qualquer entendimento, mas recusou detalhar outras exigências.

A declaração contraria relatos de que o governo Trump havia deixado de lado iniciativas para avançar nas negociações. Trump chegou a antecipar como o restante da operação militar pode se desenrolar, afirmando que, em dois dias, os mísseis e drones iranianos estarão “totalmente destruídos”.

Novo líder supremo: vivo ou morto?

Trump questionou abertamente se Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei morto nos ataques iniciais e agora novo líder supremo do Irã, está vivo. Khamenei não apareceu em câmera para fazer sua primeira declaração pública como líder, comunicando-se apenas por escrito.

“Não sei se ele está sequer vivo. Até agora, ninguém conseguiu mostrá-lo”, disse Trump. “Estou ouvindo que ele não está vivo, e se estiver, deveria fazer algo muito inteligente pelo seu país, que é se render.”

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou na sexta-feira que Khamenei estava “ferido e provavelmente desfigurado” e classificou o comunicado escrito como “fraco”.

Estreito de Ormuz e países aliados

Trump disse estar trabalhando com “inúmeros países afetados pela truculência do Irã” para garantir a segurança no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. Afirmou que vários países já se comprometeram a enviar navios de guerra, mas recusou identificá-los.

Em publicação no Truth Social, citou nominalmente China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido como nações que deveriam contribuir. Questionado sobre a possibilidade de a Marinha americana começar a escoltear navios pelo estreito, o presidente desconversou: “Não quero dizer nada sobre isso.”

Gasolina, Zelenski e a Rússia

Trump rejeitou preocupações com o aumento dos preços da gasolina nos EUA desde o início do conflito. No dia anterior ao início dos ataques americanos e israelenses ao Irã, o preço médio era de US$ 2,94 por galão. Neste sábado, chegou a US$ 3,66. “Acho que os preços vão cair mais do que antes”, disse, prometendo queda logo após o fim da guerra.

O presidente também voltou a atacar o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmando que ele é “muito mais difícil de negociar do que Putin”. Questionado sobre relatos de que a Rússia estaria compartilhando informações com o Irã sobre a localização de forças americanas, Trump respondeu: “A Rússia talvez esteja dando informações, talvez não.”

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Regulador dos EUA ameaça tirar licenças de emissoras que fizerem coberturas críticas à guerra no Irã

15 de Março de 2026, 12:39

O presidente da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos, Brendan Carr, ameaçou neste sábado revogar licenças de emissoras em razão de sua cobertura da guerra contra o Irã. A declaração representa mais um capítulo da campanha para eliminar o que ele e o governo Trump consideram viés liberal nas transmissões americanas.

“As emissoras devem operar no interesse público e perderão as suas licenças se não o fizerem”, escreveu Carr em publicação na rede social Truth Social. Ele acusou as emissoras de “divulgar boatos e distorções noticiosas” e as advertiu para que “corrigissem o rumo” antes da renovação de suas licenças.

Padrão de pressão sobre a mídia

A ameaça de Carr não é isolada. Desde que assumiu a presidência da FCC, no início do mandato de Trump, o regulador tem levantado repetidamente a possibilidade de revogar licenças por decisões de programação das principais redes de televisão, que dependem da agência para operar.

O programa “Jimmy Kimmel Live!” foi temporariamente retirado do ar após Carr contestar falas do apresentador da ABC. O regulador também sugeriu que a FCC deveria investigar o talk show “The View”, da mesma emissora, por seu conteúdo político. Em fevereiro, o apresentador Stephen Colbert denunciou que a CBS o impediu de transmitir uma entrevista com um candidato democrata por causa de novas orientações da FCC sobre igualdade de tempo de transmissão para candidatos.

Trump, Hegseth e o alvo comum

A narrativa de Carr se alinha à do presidente Donald Trump, que classificou como “intencionalmente enganador” o título de uma reportagem do The Wall Street Journal sobre aviões de reabastecimento americanos atingidos na Arábia Saudita. Trump acusou os meios de comunicação de quererem a derrota dos EUA na guerra. A Dow Jones & Co., que publica o jornal, não respondeu a pedidos de comentário.

Na mesma direção, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, fez uma longa queixa pública sobre a cobertura da CNN durante uma coletiva de imprensa na sexta-feira. Hegseth afirmou que aguardava ver a rede sob o comando do bilionário David Ellison, amigo de Trump e proprietário da Paramount Skydance, que negocia a aquisição da Warner Bros. Discovery por US$ 111 bilhões. Se a operação for concluída, a CNN passará para o controle de Ellison, que já reorganizou a liderança da CBS News com a nomeação de jornalistas mais conservadores.

Reação em defesa da Primeira Emenda

Legisladores democratas e entidades de defesa da liberdade de expressão reagiram com veemência. A senadora Elizabeth Warren, de Massachusetts, classificou a ameaça como “tirada diretamente do manual autoritário”. O senador Mark Kelly, do Arizona, afirmou que, quando a nação está em guerra, “é fundamental que a imprensa seja livre para reportar sem interferência governamental”.

A Fundação para os Direitos Individuais e a Expressão afirmou em comunicado que o mandato de Carr tem sido marcado pela disposição de intimidar e ameaçar a imprensa livre, classificando a mais recente publicação do regulador como “chocante” e “perigosa”.

Especialistas em regulamentação de mídia lembram que o processo de revogação de licenças é complexo e oneroso, e que a lei nacional de comunicações proíbe o governo de usar regulamentações para censurar. Ainda assim, a pressão sobre as emissoras segue se intensificando.

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EUA e China negociam em Paris com expectativas baixas antes de cúpula Trump-Xi no final de março

15 de Março de 2026, 12:20

Altos funcionários econômicos dos EUA e da China se reuniram neste domingo em Paris para uma nova rodada de negociações comerciais, com o objetivo de consolidar a trégua vigente e abrir caminho para o encontro entre o presidente Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping, previsto para o fim de março em Pequim.

As conversas têm lugar na sede da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico e são lideradas pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e pelo vice-premier chinês He Lifeng. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, também participa das discussões.

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Agenda carregada, avanços incertos

A pauta inclui a revisão das tarifas americanas sobre produtos chineses, o fluxo de minerais de terras-raras e ímãs produzidos na China para compradores americanos, os controles de exportação de tecnologia de ponta dos EUA e as compras chinesas de produtos agrícolas americanos.

Analistas, porém, trabalham com expectativas contidas. “Ambos os lados têm, creio eu, o objetivo mínimo de realizar uma reunião que mantenha as coisas unidas e evite uma ruptura e reescalada das tensões”, disse Scott Kennedy, especialista em economia chinesa do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais de Washington.

Kennedy avalia que há grande chance de uma cúpula que “superficialmente sugere progresso, mas que na prática deixa as coisas onde estavam nos últimos quatro meses”.

A trégua de Busan sob revisão

As negociações de Paris partem da trégua comercial firmada por Trump e Xi em outubro de 2025, em Busan, na Coreia do Sul. O acordo reduziu as tarifas americanas sobre importações chinesas, pausou por um ano os controles de exportação de terras-raras impostos pela China e suspendeu a expansão de uma lista negra americana de empresas chinesas impedidas de comprar tecnologia dos EUA.

A China também se comprometeu a comprar 12 milhões de toneladas métricas de soja americana na safra de 2025 e 25 milhões de toneladas na de 2026. Bessent afirmou que Pequim tem cumprido esses compromissos até agora.

O ponto de atrito mais visível está nas terras-raras. Enquanto alguns setores recebem exportações chinesas normalmente, empresas americanas de aeroespacial e semicondutores enfrentam escassez crescente de materiais como o ítrio, usado em revestimentos resistentes ao calor em motores a jato.

Guerra no Irã complica o cenário

O conflito entre EUA, Israel e Irã deve entrar na pauta de Paris, especialmente pela pressão que exerce sobre os preços do petróleo e pelo fechamento do Estreito de Ormuz. A China depende da rota para 45% de seu abastecimento de petróleo.

Na quinta-feira, Bessent anunciou uma isenção de 30 dias nas sanções para permitir a venda de petróleo russo retido em navios-tanque, medida destinada a ampliar a oferta global. Com a atenção de Washington voltada para o conflito no Oriente Médio, as perspectivas de um avanço comercial expressivo em Paris ou na cúpula de Pequim ficam ainda mais estreitas.

Novas investigações adicionam tensão

Greer e Bessent chegam a Paris carregando um novo irritante: investigações abertas sob a Seção 301 da legislação comercial americana contra a China e outros 15 parceiros comerciais, por alegadas práticas desleais ligadas ao excesso de capacidade industrial. As apurações podem resultar em nova rodada de tarifas em poucos meses.

A China reagiu na sexta-feira, denunciando as investigações e reservando-se o direito de tomar contramedidas. A agência estatal Xinhua classificou as negociações de Paris como “uma oportunidade e um teste” e afirmou que o avanço dependerá da disposição de Washington em adotar uma postura “racional e pragmática”.

Trump e Xi podem se encontrar outras três vezes ao longo do ano, incluindo a cúpula da APEC, em novembro, e o G20, em dezembro, eventos que analistas apontam como janelas com maior potencial para acordos concretos.

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Economia americana perde fôlego no fim de 2025 com PIB de 0,7% e inflação acima da meta

13 de Março de 2026, 16:45

A economia dos Estados Unidos cresceu apenas 0,7% no quarto trimestre de 2025, em taxa anual ajustada sazonalmente. O PIB, divulgado nesta sexta-feira (13) pelo Bureau of Economic Analysis (BEA), representa uma queda acentuada em relação ao avanço de 4,4% registrado no trimestre anterior e ficou bem abaixo da projeção de 1,5% do consenso do mercado.

A leitura é a segunda estimativa do BEA para o período e revisou para baixo o dado anterior de 1,4%, uma correção de 0,7 ponto percentual. No acumulado de 2025, o PIB americano cresceu 2,1%, um décimo de ponto percentual abaixo da estimativa prévia e inferior ao avanço de 2,8% registrado em 2024.

Evolução do PIB americano por trimestre, em percentuais; fonte: BEA

Revisão do PIB puxada por consumo e exportações

Segundo o BEA, a revisão para baixo refletiu ajustes negativos em gastos do consumidor, gastos do governo e exportações. A queda nas importações, que tecnicamente subtrai do cálculo do PIB, foi menor do que a estimativa anterior, contribuindo para atenuar parte da revisão.

O shutdown do governo federal entre outubro e novembro de 2025 também pesou no resultado. O BEA estima que a redução nos serviços prestados por funcionários federais subtraiu cerca de 1,0 ponto percentual do crescimento do PIB no trimestre.

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Inflação acima do conforto do Fed

Ao mesmo tempo em que o crescimento decepciona, os dados de inflação de janeiro de 2026 mostram pressão persistente sobre os preços. O índice PCE, principal termômetro do Federal Reserve para inflação, avançou 0,3% no mês, com taxa anual de 2,8%.

O núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia e é acompanhado de perto pelo Fed, subiu 0,4% em janeiro e acumulou alta de 3,1% em 12 meses, 0,1 ponto percentual acima de dezembro e acima da meta de 2% da autoridade monetária americana.

Tarifas e conflito no Oriente Médio ampliam incertezas

Os dados ainda não capturam os efeitos das tarifas impostas pelo governo Trump, posteriormente anuladas pela Suprema Corte sob as provisões da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. Economistas estimavam que as tarifas adicionavam cerca de meio ponto percentual ou mais às tendências de inflação.

O cenário ganhou novos elementos de pressão após os ataques lançados pelos EUA e por Israel contra o Irã no início de março. Os preços de energia dispararam nas duas semanas seguintes ao início do conflito, com o barril de petróleo Brent atingindo US$ 100 na quinta-feira (12).

Consumo ainda sustenta atividade no PIB

Apesar da desaceleração, o consumo das famílias e o investimento privado seguiram como os principais motores do crescimento no trimestre. As vendas finais reais a compradores domésticos privados, que somam gastos do consumidor e investimento fixo privado bruto, avançaram 1,9%, revisão de 0,5 ponto percentual abaixo da estimativa anterior.

A próxima leitura do PIB americano, com a terceira estimativa do quarto trimestre de 2025, está prevista para 9 de abril.

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Safras de soja e café terão volume recorde em 2026, estima IBGE

13 de Março de 2026, 09:44

A safra brasileira de soja deve atingir novo patamar recorde em 2026. O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado nesta sexta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), projeta uma colheita de 173,3 milhões de toneladas, volume 4,3% superior ao registrado em 2025 e o maior da série histórica da pesquisa.

O café também deve encerrar o ano com produção inédita. A estimativa aponta para 64,1 milhões de sacas de 60 kg, alta de 11,5% sobre 2025, igualmente um recorde desde o início da série, em 2002.

Soja impulsionada pelo clima e pelo Sul

A expansão da soja tem base em condições climáticas favoráveis na maior parte das regiões produtoras e na recuperação da safra gaúcha, prejudicada em 2025 pela falta de chuvas durante o ciclo da cultura.

A área cultivada deve crescer 0,8% e alcançar 48,2 milhões de hectares, com rendimento médio de 3.600 kg/ha, avanço de 3,5% sobre o ano anterior. O Mato Grosso segue como maior produtor nacional, com estimativa de 48,5 milhões de toneladas, apesar da queda de 3,3% em relação a 2025. O Paraná deve colher 22,3 milhões de toneladas, alta de 4,3%, enquanto o Rio Grande do Sul projeta 20,8 milhões de toneladas.

Leia também: Ações da Embraer caem no menor nível em quase oito meses; entenda o porquê

Café arábica puxa produção a recorde

A produção de café arábica foi estimada em 43,9 milhões de sacas, alta de 5,6% em relação a janeiro. O avanço é explicado pelo comportamento natural da espécie, que tende a produzir mais nos anos pares, somado a preços compensadores nos últimos anos, que estimularam produtores a ampliar áreas de plantio e investimentos nas lavouras.

Minas Gerais, maior produtor nacional da espécie, revisou suas estimativas em fevereiro e projeta 31,9 milhões de sacas, crescimento de 24,7% sobre 2025, respondendo por 72,6% da produção nacional do arábica.

O café canephora foi estimado em 20,2 milhões de sacas, queda de 3,7% sobre 2025. O Espírito Santo lidera com 14,0 milhões de sacas projetadas, representando 69,4% da produção nacional da espécie.

Safra total recua puxada por milho e algodão

Apesar dos recordes de soja e café, a safra total de cereais, leguminosas e oleaginosas deve recuar 0,6% em relação a 2025, chegando a 344,1 milhões de toneladas. A estimativa de fevereiro ficou 0,4% acima da de janeiro, quando o IBGE projetava 342,7 milhões de toneladas.

O milho responde pela maior parte da queda. A produção foi estimada em 134,3 milhões de toneladas, redução de 5,3% sobre 2025. A segunda safra, que concentra o maior volume, deve recuar 9,1%, para 105,4 milhões de toneladas, com perdas de produtividade em todas as regiões.

O algodão herbáceo teve estimativa de 8,8 milhões de toneladas, queda de 10,5% sobre o ano anterior. A área a ser colhida da cultura recuou 5,8%.

Centro-Oeste lidera produção nacional

Entre as regiões, o Centro-Oeste mantém a liderança com 167,9 milhões de toneladas, o equivalente a 48,8% da produção nacional. O Sul aparece em segundo lugar com 95,2 milhões de toneladas (27,7%), seguido pelo Sudeste com 30,5 milhões (8,9%), Nordeste com 28,9 milhões (8,4%) e Norte com 21,5 milhões (6,2%).

O Mato Grosso segue como maior produtor entre os estados, com 30,2% de participação na safra nacional, seguido por Paraná (13,9%), Rio Grande do Sul (11,7%), Goiás (10,7%), Mato Grosso do Sul (7,6%) e Minas Gerais (5,5%).

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Brasil entra em lista dos EUA em investigação sobre trabalho forçado com risco de novas tarifas

13 de Março de 2026, 08:42

O Brasil foi incluído em uma investigação aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas comerciais ligadas ao trabalho forçado. O anúncio foi feito na quinta-feira (12) e coloca o país ao lado de outras 59 economias sob escrutínio do governo americano, com risco de novas tarifas.

A investigação tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento que permite aos EUA adotar medidas unilaterais contra países cujas práticas comerciais sejam consideradas desleais ou prejudiciais ao comércio americano.

Na prática, Donald Trump busca meios de poder impor unilateralmente novas tarifas de importação após ser derrotado pela Suprema Corte no mês passado.

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Agronegócio sob acusações de trabalho forçado

O setor que concentra o maior risco para o Brasil é o agronegócio. Setores agrícolas americanos já haviam acusado produtores brasileiros de utilizarem mão de obra em condições análogas à escravidão, o que representaria uma vantagem de custo artificial frente aos concorrentes dos EUA.

“Por muito tempo, trabalhadores e empresas americanas foram forçados a competir com produtores estrangeiros que podem ter uma vantagem de custo artificial obtida com o flagelo do trabalho forçado”, afirmou o representante comercial americano, Jamieson Greer.

Seção 301 usada como instrumento de pressão

A abertura das investigações se encaixa em uma sequência de movimentos da administração Trump para ampliar o alcance das medidas comerciais após uma derrota na Suprema Corte. Após a decisão, o governo impôs uma tarifa de 10% por 150 dias com base na Seção 122 da mesma lei.

Greer sinalizou que espera concluir as investigações, incluindo possíveis medidas de resposta, antes que as tarifas temporárias expirem em julho.

Ambassador Greer launched Section 301 investigations into acts, policies, and practices of 60 economies to determine whether foreign governments have taken sufficient steps to prohibit the importation of goods produced with forced labor.

Learn more: https://t.co/E8HBZYZcyV pic.twitter.com/Zzf8uQ2QBy

— United States Trade Representative (@USTradeRep) March 13, 2026

Brasil já havia sido alvo anterior

O Brasil não é novidade na lista de alvos comerciais de Washington. Após o anúncio de tarifas de 50% em julho do ano passado, temas como desmatamento, violação de direitos autorais e até o sistema de pagamentos Pix foram citados como pontos de atrito pela gestão Trump.

A nova investigação amplia o escopo das pressões sobre Brasília, desta vez com foco direto nas condições de trabalho na cadeia produtiva do agronegócio.

Lista inclui aliados dos EUA

A amplitude da medida chama atenção. Entre os 60 países investigados estão aliados históricos de Washington, como Canadá, Austrália, União Europeia, Reino Unido e Israel, além de China e Rússia.

Pequim reagiu nesta sexta-feira (13) e afirmou que se reserva o direito de tomar todas as medidas necessárias para defender seus interesses. O Ministério do Comércio da China contestou a legitimidade dos EUA de determinar unilateralmente se um parceiro comercial pratica excesso de capacidade produtiva e adotar restrições com base nessa avaliação.

As audiências públicas relacionadas às investigações estão previstas para 28 de abril. Comentários escritos e pedidos de participação devem ser submetidos até 15 de abril.

Confira a lista completa

1. Argélia
2. Angola
3. Argentina
4. Austrália
5. Bahamas
6. Bahrein
7. Bangladesh
8. Brasil
9. Camboja
10. Canadá
11. Chile
12. China, República Popular da China
13. Colômbia
14. Costa Rica
15. República Dominicana
16. Equador
17. Egito
18. El Salvador
19. União Europeia
20. Guatemala
21. Guiana
22. Honduras
23. Hong Kong, China
24. Índia
25. Indonésia
26. Iraque
27. Israel
28. Japão
29. Jordânia
30. Cazaquistão
31. Kuwait
32. Líbia
33. Malásia
34. México
35. Marrocos
36. Nova Zelândia
37. Nicarágua
38. Nigéria
39. Noruega
40. Omã
41. Paquistão
42. Peru
43. Filipinas
44. Catar
45. Rússia
46. Arábia Saudita
47. Singapura
48. África do Sul
49. Coreia do Sul
50. Sri Lanka
51. Suíça
52. Taiwan
53. Tailândia
54. Trinidad e Tobago
55. Turquia
56. Emirados Árabes Unidos
57. Reino Unido
58. Uruguai
59. Venezuela
60. Vietnã

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Petrobras adere a subvenção federal ao diesel e preserva política de preços

13 de Março de 2026, 07:34

O Conselho de Administração da Petrobras aprovou, nesta quinta-feira (12), a adesão da companhia à subvenção econômica à comercialização de óleo diesel de uso rodoviário no território nacional. A medida foi instituída pela Medida Provisória nº 1.340, assinada no mesmo dia pelo governo federal.

A decisão foi tomada com base no caráter facultativo do programa e no potencial benefício adicional que a adesão pode representar para a empresa. Segundo a companhia, a participação no mecanismo é compatível com seus interesses.

Leia também: Petrobras tem sua governança e o governo respeita, afirma Silveira

Adesão condicionada à ANP

A assinatura efetiva do termo de adesão, no entanto, está condicionada à publicação e análise dos instrumentos regulatórios pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A regulamentação envolve especialmente a definição do preço de referência, item necessário para a operacionalização da subvenção. Enquanto a ANP não concluir esse processo, a adesão permanece pendente de formalização.

Política de preços preservada

A Petrobras reafirmou que mantém sua política comercial independente. A companhia leva em conta a participação no mercado, a otimização dos ativos de refino e a rentabilidade de forma sustentável — sem repassar aos preços internos a volatilidade das cotações internacionais e da taxa de câmbio.

A adesão ao programa de subvenção, segundo a empresa, preserva essa flexibilidade. A Petrobras afirmou seguir comprometida com uma atuação responsável, equilibrada e transparente na condução de sua política de preços.

Petrobras e mercado de diesel

O diesel de uso rodoviário ocupa posição de destaque na matriz de consumo de combustíveis do país, sendo o principal insumo do transporte de cargas. A subvenção econômica prevista na MP 1.340 busca criar um mecanismo de amortecimento entre as oscilações do mercado internacional e os preços praticados internamente.

Para a Petrobras, o programa representa uma janela de benefício adicional sem comprometer a autonomia na gestão de seus ativos de refino e na definição de sua rentabilidade.

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Indústria de brinquedos está otimista com 2026 e celebra aprovação do PL do crédito à exportação

8 de Março de 2026, 11:30

O setor brasileiro de brinquedos fechou 2025 com R$ 10,39 bilhões em faturamento, crescimento de 1,86% sobre o ano anterior e 43.946 trabalhadores empregados, o maior número desde 2020. Os dados, do Anuário da Abrinq 2026, revelam crescimento mesmo diante de juros altos, queda na taxa de natalidade e concorrência internacional crescente.

Com a aprovação do PL 6.139/2023 pela Câmara dos Deputados, no último dia 2 de março, os fabricantes enxergam uma janela para avançar num terreno onde o Brasil ainda tem participação modesta: o mercado externo.

“Ao meu ver, o governo brasileiro finalmente compreendeu algo que já é prática consolidada nas principais economias do mundo, inclusive na China: exportação exige apoio estruturado do Estado”, comentou o presidente da Abrinq, Synésio da Costa, ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

“No setor de brinquedos, ainda temos uma participação modesta no comércio exterior, mas essa mudança tende a estimular o interesse das indústrias. Com crédito mais acessível, a tendência é que o segmento ganhe novo fôlego e avance de forma mais estruturada nas exportações”, completou.

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O que muda com o novo sistema de crédito à exportação

O PL 6.139/2023, aprovado pela Câmara e encaminhado à sanção presidencial, cria o Sistema Brasileiro de Apoio Oficial ao Crédito à Exportação. Na prática, define o financiamento e as garantias oficiais como atividades da política industrial e do comércio exterior, abre espaço para que seguradoras e financiadores privados operem em modalidades indiretas e reformula os fundos de garantia FGE e FGCE – com a União podendo honrar garantias caso o patrimônio dos fundos seja insuficiente.

Para o setor de brinquedos, o ponto mais relevante é a disciplina sobre o BNDES no financiamento de exportação de serviços, com exigência de transparência pública e prestação de contas anual ao Senado.

O texto também prioriza projetos de alta intensidade tecnológica ou ligados à descarbonização, e proíbe novas operações para países inadimplentes com o Brasil, exceto em casos de renegociação formal da dívida.

“Produtos destinados ao mercado externo não podem carregar o peso dos tributos internos e precisam de um ambiente financeiro favorável para viabilizar competitividade. No Brasil, isso sempre foi um obstáculo, especialmente em um cenário de juros elevados, que inviabilizava qualquer tomada de crédito. A atuação do BNDES, com a ampliação do apoio oficial à fabricação voltada à exportação, representa um passo importante nessa direção”, diz Synésio.

Brinquedos faturam alto, mas exportam pouco

O contraste entre o desempenho interno e a presença externa do setor é marcante. Enquanto o mercado mundial de brinquedos movimentou US$ 110,6 bilhões em 2025 – crescimento global de 7%, o Brasil exportou apenas US$ 10,3 milhões no mesmo período.

Os destinos seguem concentrados no Mercosul: o Paraguai absorve 44,2% dos embarques e a Argentina representa 17,3%, somando 61% do total exportado. São Paulo lidera as exportações, com 64,36% dos embarques, seguido pelo Amazonas, com 12,72%.

A concentração da produção é igualmente expressiva: 85,58% das unidades industriais do setor estão em São Paulo, que também responde por 34,9% do consumo nacional. Santa Catarina lidera as importações, com 50,12% do total desembarcado no país.

Recorde de lançamentos e segmentos em alta

Dentro do Brasil, o ritmo de inovação não para. Em 2025, o setor lançou 1.689 novos produtos. Para 2026, a projeção sobe para 1.740 lançamentos, sendo 64% de produtos próprios e 36% licenciados — sinal de que a indústria nacional vem ganhando espaço frente às marcas internacionais.

Os segmentos que mais cresceram em 2025 mostram uma mudança no perfil do consumidor: o chamado “mundo técnico” liderou com 19% das vendas, seguido por atividades físicas (16%) e criatividade (15,2%). Os blocos de construção avançaram 17%, impulsionados pela busca por brinquedos que estimulam raciocínio lógico.

Jogos de tabuleiro e cartas cresceram 16%, refletindo a valorização do entretenimento offline e das experiências compartilhadas – tendência que o mercado chama de “kidult”, o público jovem e adulto que consome brinquedos.

“Superar R$ 10 bilhões em faturamento e manter uma trajetória consistente de crescimento é resultado de um longo trabalho de investimento contínuo em inovação, qualidade e desenvolvimento de produtos que acompanham as novas formas de brincar”, afirmou Synésio.

E-commerce avança

O canal digital consolidou sua posição. Em 2017, as vendas online representavam 22% do total. Em 2025, chegaram a 38% – a maior participação da série histórica. A transformação no varejo é um dos fatores que o próprio presidente da Abrinq aponta como desafio estrutural, ao lado das mudanças demográficas provocadas pela queda na taxa de natalidade.

No emprego, o setor saiu de 35.832 trabalhadores em 2020 para 43.946 em 2025 – acréscimo de cerca de 8 mil vagas em cinco anos. O pico foi em 2024, com 44.092 empregos diretos e terceirizados.

“O setor tem mostrado capacidade de adaptação e seguirá trabalhando para ampliar mercados, fortalecer a produção nacional e gerar cada vez mais empregos”, defende Synésio.

Fabricantes de brinquedos otimistas para 2026

A expectativa dos fabricantes para o ano é positiva. Segundo a Abrinq, 46% esperam vendas “boas” em 2026 e 39% apostam em vendas “ótimas”. Na rentabilidade, 50% projetam resultado “bom” e 40% esperam desempenho “regular”.

O sentimento majoritário é de crescimento e estabilidade — e agora, com um novo marco para o crédito à exportação em vias de ser sancionado, parte do setor começa a olhar para além das fronteiras do Mercosul.

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‘Crescer tem de ser consequência, não a meta’, diz CEO do Andbank, que triplicou o tamanho do banco

5 de Março de 2026, 10:50

“O Andbank não dobrou de tamanho nos últimos dois anos, triplicou”. O número, revelado pelo CEO no Brasil, Rodolfo Pousa, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, surpreende até quem acompanha o mercado de private banking (gestão de investimento de ricaços) de perto. 

Desde que assumiu o comando, em setembro de 2023, a área de private banking registrou crescimento de 80%, com 19% só no último ano – período em que 48 novos grupos familiares abriram contas offshore com o banco.

Mas, para Pousa, a explicação é menos sobre crescimento e mais sobre uma mudança de filosofia. “Crescer tem de ser consequência, não uma meta”, diz. “Com muito pé no chão, muita humildade, os frutos desse crescimento vêm como consequência de abraçar o cliente como um todo.”

O modelo que triplicou o Andbank

O Andbank tem 95 anos de história, nasceu em Andorra e hoje é controlado pela terceira geração de duas famílias com tradição em private banking. Opera em 11 países, tem mais de mil funcionários e R$ 370 bilhões sob gestão ao redor do mundo.

No Brasil, a operação foi redesenhada por Pousa em torno de uma estrutura que ele define como uma holding de serviços financeiros integrados, com banco, gestora de patrimônio, multi-family office, boutique de mercado de capitais, plataforma offshore, planejamento patrimonial, corretora de seguros e plataforma digital proprietária, tudo sob o mesmo teto.

São sete diretorias que trabalham de forma integrada em torno de cada cliente, cobrindo desde a mesa de distribuição de ativos tradicionais até fusões e aquisições, emissões de dívida e club deals. O câmbio e o investment banking são próprios, o que, segundo Pousa, garante independência na hora de estruturar soluções. 

“Não dependemos de ninguém para conseguir fazer as estruturações e colocar as soluções de pé para os nossos clientes”, afirma.

A Pirineus, family office do grupo, ganhou uma diretoria independente para preservar a autonomia dos clientes que optam pelo modelo multicustódia. Para quem prefere concentrar tudo no Andbank, a proposta é uma plataforma aberta com curadoria proprietária e presença local, nacional e internacional. 

“Se ele optar por só transacionar conosco, vai ter uma plataforma totalmente independente e um serviço de curadoria em que vou prestar muito serviço, vou entender as necessidades daquele núcleo familiar e vou conseguir fazer de fato que todas essas áreas trabalhem em prol daquela família”, explica Pousa.

Multi-Family Office

Um dos movimentos mais recentes do banco foi o lançamento do Multi-Family Office, que mira famílias com necessidades mais complexas, aquelas que buscam uma estrutura sofisticada para organizar patrimônio, sucessão e decisões de investimento de forma integrada, com uma camada adicional de governança patrimonial.

“Temos uma diretoria independente para tocar o nosso family office do grupo, a Pirineus, com toda a independência, para fazer a gestão dos nossos clientes multicustódia”, explica o CEO. 

A iniciativa reflete uma tendência crescente no segmento de alta renda e reforça o posicionamento do banco como um interlocutor que vai além da alocação financeira. Para Pousa, o cliente não precisa ter volumes absurdos de recursos espalhados em várias casas para ter acesso a esse serviço. 

“Ele pode ter, e também conseguimos operar multicustódia para o cliente, mas se ele optar por só transacionar conosco, ele vai ter uma plataforma totalmente independente e totalmente aberta.”

Virada internacional

A busca por diversificação no exterior deixou de ser exclusividade de uma parcela muito restrita dos super-ricos brasileiros. Pousa observa que o acesso à informação e às plataformas internacionais transformou o comportamento do investidor de alta renda de forma consistente, e que parte do trabalho do banco se tornou educacional.

“O que antes parecia complexo hoje está muito mais disponível. Nosso trabalho muitas vezes é quebrar preconceitos e formar capital intelectual junto ao cliente, para que ele entenda a dinâmica internacional e esteja preparado para essa transição”, explica.

Os números confirmam o movimento o qual só no último ano, 48 novos grupos familiares abriram contas offshore com o Andbank. Com mais de 11 jurisdições disponíveis no grupo e cinco licenças bancárias ao redor do mundo, o banco oferece um leque de opções para quem quer ancorar parte do patrimônio em dólar ou euro sem depender de intermediários.

“Fora do Brasil, acessa-se um oceano de oportunidades, enquanto o mercado local representa uma parcela muito menor em termos de alternativas e diversificação”, diz Pousa.

Na construção dos portfólios, o executivo defende uma divisão por objetivos, sendo uma parte do patrimônio voltada para liquidez, outra para previsibilidade e outra para retorno. Os ativos ilíquidos, boas fontes de retorno mas ruins em liquidez e previsibilidade, entram como um dos pilares, mas não o único. “Quando olhamos o portfólio de maneira estruturada, fica muito mais fácil tomar esse tipo de decisão”, afirma.

As dores que não mudam

Pousa tem uma frase que resume sua leitura sobre as famílias que chegam ao banco: “Mudam-se os CPFs e os CNPJs, mas as dores são as mesmas.” Concentração de patrimônio num único ativo, falta de planejamento sucessório, exposição cambial não gerida e riscos tributários que o cliente simplesmente não enxerga porque está absorvido pelo próprio negócio, esse é o diagnóstico mais recorrente.

“Onde mais conseguimos agregar valor é justamente nos riscos que não estão mapeados”, disse. Um dos exemplos que ele cita é o da capitalização: um cliente querendo se capitalizar pode encontrar, dentro da própria base do banco, outro interessado em adquirir participação num negócio. A solução não passa necessariamente por vender a empresa ou contrair dívida. “Pode haver um cliente querendo se capitalizar e outro interessado em adquirir participação em um negócio. Isso não significa necessariamente vender integralmente a companhia ou se endividar no banco.”

Na questão da sucessão, Pousa vai mais longe. Defende que o planejamento precisa começar antes do óbvio, ou seja, antes do envelhecimento, antes dos filhos, às vezes antes do casamento

“Muitos passam a reconhecer a necessidade da sucessão quando avançam em idade, o que consideramos um contrassenso.” O banco faz esse trabalho com clientes que ainda não têm herdeiros, estruturando desde cedo a perpetuação do legado.

Governança familiar vale tanto quanto a escolha dos ativos

Num mercado onde a conversa sobre proteção patrimonial tende a começar e terminar na alocação dos investimentos, Pousa defende uma visão diferente. Para ele, o asset allocation – a escolha final dos ativos – é a última decisão de um processo que começa muito antes, na estrutura da família, na governança, nos veículos patrimoniais e no grau de preparo das próximas gerações.

“O micro, o ativo final que será investido, não é menos importante, mas é consequência. Ele depende de uma organização prévia que vem muito antes”, afirma. “Primeiro inicia-se a conversa pela estrutura, pela governança e pelos veículos patrimoniais. Depois vem o asset, que tem importância igual, apenas em momento diferente do processo. Um otimiza o outro.”

Essa leitura ganhou ainda mais peso após as mudanças legislativas de 2023, que reformaram os fundos fechados e as estruturas offshore. Segundo Pousa, até 2022, a maioria das famílias seguia praticamente o mesmo roteiro de planejamento. Hoje esse modelo deixou de existir. “Não existe mais receita de bolo. Não há uma estrutura que resolva a maioria dos casos de forma automática”, conclui.

Conexão com grandes fortunas

Fora dos números, Pousa construiu uma estratégia de relacionamento que passa pelo esporte. Desde que chegou ao banco, o Andbank firmou parceria com Tota Magalhães, ciclista brasileira de 24 anos que já fez história no Tour de France Femmes, no Giro d’Italia e nas Olimpíadas de Paris 2024. Pousa também é apaixonado por ciclismo, e não esconde que essa afinidade ajuda na liderança e na conexão com clientes.

O banco também patrocinou a inauguração do Miracle Social Fund na Rocinha, no Rio de Janeiro, no Dia das Crianças, novo braço de ações sociais do Projeto Por Mim, com atividades culturais, oficinas e alimentação para crianças da comunidade. A iniciativa foi idealizada pelas influenciadoras Malu Borges e Bia Ben. Para o executivo, o fio condutor dessas parcerias é a alta performance, disciplina e resiliência, valores que ele quer que definam também a cultura do banco.

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Sessão da CPMI do INSS sobre sigilo de Lulinha é cancelada por questão de saúde do relator

5 de Março de 2026, 10:43

A sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS prevista para esta quinta-feira (5) foi cancelada após o relator do colegiado, deputado Alfredo Gaspar, apresentar problemas de saúde.

Segundo comunicado divulgado pela assessoria do parlamentar, Gaspar enfrenta um quadro de sinusite desde a última terça-feira (3). Durante a madrugada desta quinta, o relator teve febre, dores na garganta e ficou afônico, condição que o impede de conduzir as oitivas programadas.

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Diante da situação, o relator conversou com o presidente da comissão, senador Carlos Viana, que avaliou ser mais adequado cancelar a sessão prevista para hoje.

A reunião ocorreria em meio às discussões da CPMI sobre a possível quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.

De acordo com a assessoria de Gaspar, apesar do quadro de sinusite, o estado de saúde do relator é considerado estável e ele segue em acompanhamento médico.

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Operação Dataleaks da PF avança sobre venda ilegal de dados pessoais de ministros do STF

5 de Março de 2026, 10:14

A Operação Dataleaks foi deflagrada nesta quinta-feira (5) pela Polícia Federal para investigar a obtenção e a comercialização ilegal de dados pessoais e sensíveis, incluindo informações de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a PF, a Dataleaks mira uma organização criminosa suspeita de acessar sistemas públicos e privados de forma indevida para montar uma base de dados paralela com informações sigilosas.

As investigações começaram após a identificação de um banco de dados não oficial que reunia registros pessoais de autoridades, abastecido por meio de acessos irregulares a bases governamentais.

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Base clandestina de dados

De acordo com os investigadores, a base utilizada pelo grupo reunia dados pessoais e sensíveis extraídos de diferentes sistemas públicos e privados.

A Operação Dataleaks busca esclarecer como essas informações foram coletadas, adulteradas e posteriormente comercializadas ou disseminadas.

Entre os dados identificados estavam informações relacionadas a ministros do STF, o que levou o caso a ser conduzido sob supervisão da própria Corte.

Mandados em três estados

A operação cumpre quatro mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão temporária.

As medidas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal e estão sendo executadas nos estados de São Paulo, Tocantins e Alagoas.

A PF também realiza a coleta de equipamentos e registros digitais que podem indicar a origem dos acessos indevidos e o destino das informações obtidas.

Crimes investigados na Operação Dataleaks

Os investigados na Dataleaks poderão responder por diversos crimes previstos na legislação brasileira.

Entre eles estão organização criminosa, invasão de dispositivo informático, furto qualificado mediante fraude, corrupção de dados e lavagem de dinheiro.

A Polícia Federal também apura a possível existência de compradores das informações e se houve uso comercial ou político do material obtido de forma irregular.

Operação Dataleaks; divulgação Polícia Federal

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Preso hoje, Fabiano Zettel era o operador financeiro de Vorcaro, pastor, doador de campanha e quem pagava a milícia e os corruptos do BC

4 de Março de 2026, 15:15

Preso após se entregar espontaneamente à Superintendência da Polícia Federal em São Paulo por volta das 9h30 desta quarta-feira (4), Fabiano Campos Zettel é apontado pelos investigadores como o operador financeiro da organização criminosa montada em torno do Banco Master.

Ele é pastor da Igreja Lagoinha, empresário e casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a decisão do ministro do STF André Mendonça, era Zettel quem garantia que o dinheiro chegasse a cada integrante do esquema – da milícia privada que intimidava jornalistas aos servidores corruptos do Banco Central.

No momento em que se entregou à polícia, a defesa afirmou que, “apesar de não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades.” As mensagens de WhatsApp citadas na decisão de Mendonça contam uma história diferente.

Leia também: Quem são os alvos da Compliance Zero: Vorcaro, cunhado pastor, ex-diretor e servidor do BC

Despacho do ministro André Mendonça, página 8; Arte: Duda Basso, Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC

O que Zettel fazia

Vorcaro ordenava. Mourão executava. Zettel pagava. Era ele quem mantinha a estrutura funcionando. Todo mês, R$ 1 milhão saía das empresas do grupo e chegava à conta da King Empreendimentos Imobiliários, controlada por Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”. Quando o dinheiro atrasava, Mourão cobrava diretamente Vorcaro.

“Bom dia. O Fabiano não mandou este mês e a turma está perguntando. Dá uma olhada com ele por favor.”

Com esse dinheiro, Mourão pagava os integrantes de “A Turma” – R$ 75 mil mensais para cada um dos “meninos”, mais a sua própria remuneração e bônus esporádicos autorizados por Vorcaro. O grupo usava esses recursos para espionar jornalistas, acessar ilegalmente sistemas da PF, do MPF, da Interpol e do FBI e intimidar quem cruzasse o caminho do banqueiro.

A funcionária Ana Claudia Queiroz de Paiva confirmava cada pagamento antes de transferir. A troca era sempre a mesma:

Ana Claudia: “Vai ser 1 mm como normalmente?” Vorcaro: “Sim.”

Em seguida, ela fazia a transferência e juntava o comprovante de R$ 1 milhão na conta indicada por Mourão.

Leia também: Sicários de Vorcaro presos pela PF formavam ‘milícia privada’ e recebiam R$ 1 milhão mensais por monitoramentos, intimidações e ameaças

Despacho do ministro André Mendonça, página 9; Arte: Duda Basso, Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC

A propina aos servidores do Banco Central

Zettel também era o responsável por remunerar Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana, os dois servidores do Banco Central que entre 2019 e 2023 atuavam como consultores informais de Vorcaro dentro da própria autarquia que deviam fiscalizar.

Para isso, a organização criou um contrato fictício entre a empresa Varajo Consultoria Empresarial e Bellini Santana, descrevendo uma suposta participação em estudo técnico sobre inserção de jovens no mercado financeiro. O estudo nunca existiu, segundo o despacho de Mendonça.

As mensagens trocadas também documentam o esquema sem deixar margem para interpretação:

Zettel: “Hoje tem que pagar a primeira do Belline, ok?” Vorcaro: “OK.”

Preocupado com rastreamento, Vorcaro orienta em seguida:

Vorcaro: “Mas veja se Leo pode pagar. E reembolsamos dia seguinte. Bem importante isso.” Zettel: “Na verdade ia pagar Léo e Léo pagar ele. Mas peço ele pra pagar primeiro.”

O objetivo era interpor uma terceira pessoa entre o pagamento e o servidor, usando mais uma camada para dificultar o rastreamento da propina.

Zettel: “Belline cobrando. Paga?” Vorcaro: “Claro.”

Os crimes e as penas

Os crimes imputados a Zettel por Mendonça são corrupção ativa – artigo 333 do Código Penal, com pena de 2 a 12 anos, participação em organização criminosa – Lei 12.850/2013, com pena de 3 a 8 anos, e lavagem de dinheiro, Lei 9.613/1998, com pena de 3 a 10 anos.

Somadas, as penas podem ultrapassar três décadas em caso de condenação por múltiplos crimes.

Mendonça decretou sua prisão preventiva por três razões: o papel relevante de Zettel na estrutura financeira da organização, a continuidade do esquema mesmo após a primeira prisão de Vorcaro em novembro de 2025 – período em que Zettel seguiu operando – e o risco de fuga, reforçado pelo fato de ele não ter sido encontrado em casa no momento do cumprimento do mandado.

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Ex-diretor do Banco Central é alvo de operação da PF que prendeu Vorcaro nesta quarta (4)

4 de Março de 2026, 08:41

A Polícia Federal prendeu um ex-diretor do Banco Central entre os alvos da terceira fase da Operação Compliance Zero que, nesta quarta-feira (4), também prendeu o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na casa de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do BC, e do servidor Bellini Santana — ambos investigados por suposto envolvimento nas fraudes que teriam sido praticadas pela instituição financeira.

Leia também: Polícia Federal prende Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em nova fase da Operação Compliance Zero

EM ATUALIZAÇÃO

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Irã corre para eleger sucessor de Khamenei; Israel promete matar novo líder

4 de Março de 2026, 08:11

O Irã declarou nesta quarta-feira (4) estar fazendo “o máximo possível” para eleger um novo líder supremo após a morte do aiatolá Ali Khamenei em ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra Teerã. A corrida pela sucessão, porém, enfrenta uma ameaça sem precedentes: Israel já avisou que vai matar qualquer líder escolhido pelo regime.

Ahmad Khatami, membro da Assembleia dos Especialistas – órgão constitucionalmente responsável por eleger o sucessor de Khamenei, afirmou à televisão estatal iraniana que a nomeação deve ocorrer “o mais rápido possível”. “Estamos próximos de uma decisão, mas a situação é de guerra”, disse, sinalizando que o processo pode levar mais tempo do que o desejado pelo regime.

Acompanhe a cobertura em tempo real da Guerra no Oriente Médio

Israel promete matar quem for escolhido

Assim que o Irã anunciar um nome, Israel já deixou claro o que fará. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, publicou ameaça direta: “Qualquer líder selecionado pelo regime terrorista iraniano para continuar liderando o plano de destruição de Israel, ameaçando os Estados Unidos, o mundo livre e os países da região, será um alvo certo de assassinato, independentemente de seu nome ou de onde se esconda.”

Como Khamenei morreu

A morte de Khamenei marca uma ruptura histórica no Oriente Médio. O aiatolá governou o Irã por mais de três décadas, sendo o principal arquiteto do apoio iraniano a grupos como Hamas e Hezbollah. Sua morte em ataque conjunto de Washington e Tel Aviv representa a maior escalada do conflito regional em anos.

O que vem agora

A Assembleia dos Especialistas, composta por clérigos eleitos, tem autoridade constitucional para nomear o novo guia. O processo, sob ameaça de guerra e com Israel monitorando cada passo do regime, coloca o Irã diante de um dilema histórico: eleger um sucessor de Khamenei que já nasce como alvo declarado do Estado judeu.

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Polícia Federal prende Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em nova fase da Operação Compliance Zero

4 de Março de 2026, 07:24

A Polícia Federal prendeu novamente, nesta quarta-feira (4), o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em São Paulo. Ao todo, estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, nos estados de São Paulo e de Minas Gerais.

A prisão de Vorcaro é parte da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos.

A ação foi autorizada pelo ministro do STF André Mendonça, novo relator do inquérito.

Segundo nota oficial da Polícia Federal, a nova fase da operação apura a possível prática de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos por parte de uma organização criminosa.

A defesa de Vorcaro ainda não se manifestou.

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Mais alvos na mira da PF

Além de Vorcaro, que já foi conduzido à Superintendência da PF em São Paulo, há um segundo alvo de prisão na capital paulista – cujo nome não foi divulgado porque ainda não havia sido localizado pelos agentes. A Justiça também determinou medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, contra outros investigados.

R$ 22 bilhões em bens bloqueados

O STF também determinou ordens de afastamento de cargos públicos, além de sequestro e bloqueio de bens no valor de até R$ 22 bilhões. O objetivo, segundo a PF, é interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente ligados às práticas ilícitas apuradas.

Vorcaro já havia sido preso antes

Esta não é a primeira vez que Vorcaro é detido no âmbito desta investigação. Em novembro do ano passado, o banqueiro ficou 11 dias preso durante a primeira fase da operação, deflagrada por ordem da Justiça Federal de Brasília. Após a soltura, sua defesa conseguiu deslocar a investigação para o Supremo Tribunal Federal.

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A saída de Toffoli e a entrada de Mendonça

No STF, o inquérito caiu inicialmente sob relatoria do ministro Dias Toffoli, período marcado por atritos constantes com a Polícia Federal. O cenário mudou no mês passado: a PF entregou ao Supremo um relatório contendo menções ao nome de Toffoli e registros de conversas dele com o próprio Vorcaro.

O caso foi então redistribuído ao ministro André Mendonça, que estudou o inquérito e autorizou a deflagração desta nova fase.

EM ATUALIZAÇÃO

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Economistas reconhecem PIB forte, mas alertam para desaceleração e riscos com o conflito no Irã

4 de Março de 2026, 06:38

O crescimento de 2,3% do PIB brasileiro em 2025 foi recebido com cautela pelo mercado. Economistas consultados pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC reconhecem a solidez do resultado – que levou o país a R$ 12,7 trilhões, mas são unânimes em apontar que a composição do crescimento esconde fragilidades importantes, como a desaceleração do consumo, investimento abaixo do necessário e um cenário geopolítico que pode segurar os juros altos por mais tempo do que o esperado.

O conflito entre EUA e Irã apareceu nas análises como o principal novo risco ao crescimento em 2026.

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Agro e extração mineral sustentam PIB

Pelo lado da oferta, os três grandes setores avançaram: a agropecuária liderou com alta de 11,7%, seguida pelos serviços (1,8%) e pela indústria (1,4%). Dentro da indústria, a extração de petróleo e gás se destacou, elevando o agregado industrial a 8,6% na variação anual.

“A agropecuária subiu 11,7% no ano passado, com o impacto da safra recorde no país, sobretudo durante o primeiro trimestre. Na indústria, o grande destaque foi a extração de petróleo e gás”, avalia o economista Maycon Rodrigues. Para ele, o resultado consolida “a visão de uma economia em dois trilhos ao longo do ano, com crescimento mais notável em setores ligados às commodities e dificuldades em atividades sensíveis às condições financeiras.”

João Kepler, CEO da Equity Group, reforça a leitura: “O 4º trimestre veio praticamente parado, alta de 0,1% contra o trimestre anterior. Esse mix importa para negócios, porque agro subiu 11,7% e puxou o resultado, enquanto serviços cresceram 1,8% e a indústria ficou em 1,4%, com transformação caindo 0,2%.”

Fábio Murad, economista e CEO da Super-ETF Educação, reforça a mesma leitura: “O PIB foi um bom número, mas ele não autoriza euforia quando olhamos a composição: agro acelerou 11,7%, enquanto a indústria ficou em 1,4% e a transformação terminou no negativo, 0,2%.”

Taxa de investimento segue abaixo do mínimo necessário

Um dos pontos mais críticos levantados pelos especialistas é o nível da taxa de investimento. Pelo lado da demanda, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceu 2,9% no ano, mas a relação investimento/PIB permanece em apenas 16,8%.

“Deveríamos estar investindo pelo menos 20% do PIB, mas dado o patamar de juros isso ainda não será possível num horizonte de médio prazo”, alertou André Perfeito, economista da Garantia Capital. Ele também destaca que a Indústria de Extração subiu fortemente, “o que é particularmente importante num momento de guerra generalizada no Oriente Médio e poderá nos dar certa salvaguarda durante o período tumultuado que iremos viver.”

Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, confirma a preocupação com os dados de capital: “A formação bruta de capital fixo está variando negativamente na variação ano contra ano. Isso mostra mais um setor, dos mais sensíveis ao ciclo, com arrefecimento.”

Pedro Ros, CEO da Referência Capital, sintetiza o momento: “O 4º trimestre mostrou estabilidade, evidência de que juros e incerteza pesaram nas decisões. A busca por estratégias que organizem fluxo de caixa e reduzam a dependência de financiamento tradicional ganha relevância.”

Consumo das famílias desacelera sob efeito dos juros

O consumo das famílias cresceu 1,3% em 2025, resultado expressivamente inferior ao avanço de 5,1% registrado em 2024. A desaceleração é lida pelo mercado como reflexo direto da política monetária contracionista.

“O consumo das famílias subiu 1,3%, bem abaixo de 2024, e o 4º trimestre mostrou estabilidade, evidência de que juros e incerteza pesaram nas decisões”, observa Pedro Ros. Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, aponta que “a economia cresceu, mas terminou o ano com menos tração em decisões de capital e mais sensibilidade ao custo do dinheiro.”

Para Antonio Ricciardi, “o consumo das famílias ficou estável, mas com variações no year-over-year desacelerando claramente dos quase 4% no começo do ano para 1% agora. É possível perceber que a política monetária tem sentido efeito nos itens em que ela tem maior sensibilidade.”

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, acrescenta que “o ambiente geopolítico adiciona um vetor de risco que pode limitar o ritmo de crescimento ao longo de 2026”, mesmo diante de uma economia que “segue expandindo de forma moderada, sustentada principalmente pelo consumo e por algum dinamismo nos investimentos.”

Conflito entre EUA e Irã ameaça inflação, juros e PIB em 2026

O pano de fundo geopolítico foi amplamente citado pelos especialistas como o principal risco ao crescimento do PIB neste ano. O conflito entre EUA e Irã, com ameaças ao Estreito de Ormuz e pressão sobre o petróleo, pode alimentar a inflação global e segurar os cortes de juros ao redor do mundo.

“O conflito entre EUA e Irã pode influenciar o PIB indiretamente, via petróleo e custos logísticos, que pressionam preços e elevam a incerteza. Se esse choque mantém inflação mais resistente, o Brasil corre o risco de conviver com juros altos por mais tempo”, alerta Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.

André Matos, CEO da MA7 Negócios, vai além: “Com o IPCA-15 vindo em 0,84%, a maior surpresa de alta em 2 décadas, o risco inflacionário disparou. Isso deve manter a Selic em 15% por muito mais tempo do que o mercado esperava, o que inevitavelmente encarece o crédito e inibe o consumo das famílias. Não há como autorizar grandes aportes enquanto o conflito no Irã e a volatilidade no Estreito de Ormuz ameaçarem nossos custos logísticos e a estabilidade econômica.”

Peterson Rizzo, gerente de R.I. da Multiplike, detalha o mecanismo de transmissão: “A principal influência ocorre por meio da alta do petróleo, que encarece combustíveis, energia e transporte, pressionando a inflação. Com a inflação mais elevada, o Banco Central tende a manter os juros altos por mais tempo, dificultando a retomada da atividade econômica. Embora o Brasil possa se beneficiar parcialmente como exportador de petróleo, os efeitos inflacionários e financeiros do conflito tendem a limitar o crescimento do PIB no curto e médio prazo.”

Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue, resume bem o dilema: “O petróleo caro costuma se traduzir em inflação mais persistente e juros globais mais altos por mais tempo. Se o mundo posterga cortes, o Brasil tende a carregar juros elevados por mais tempo para ancorar expectativas, o que afeta consumo e reduz projetos de expansão, especialmente em companhias com margens apertadas.”

Projeções para 2026 divergem, mas sinalizam desaceleração

As projeções dos economistas para o PIB de 2026 variam, mas apontam majoritariamente para um ritmo de crescimento inferior ao de 2025.

Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, é o mais cauteloso: “Para 2026, enxergamos o PIB desacelerando um pouco mais, com um crescimento de 1,5% no agregado do ano.” Ele destacou que “a desaceleração do setor de serviços e da indústria foram mais visíveis no PIB do 4º trimestre” e que o resultado “contribui para a ancoragem das expectativas inflacionárias, sendo um resultado importante para o fechamento do hiato do produto.”

Maycon Rodrigues projeta crescimento de 2,0% em 2026, “à medida que o governo implementar mais estímulos no primeiro semestre.” Ricciardi, do Daycoval, aponta que mudanças devem ocorrer já no primeiro trimestre: “Para 2026, esse movimento tende a mudar. A safra de agro deve ser parecida com a de 2025, então a variação ano contra ano não deve ser tão relevante. E terão também algumas medidas do governo, principalmente a isenção do IRPF, que deve impulsionar o consumo.”

Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest, ressalta que o cenário de choque externo pode, paradoxalmente, abrir espaço para a tecnologia: “Em momentos de choque externo, produtividade vira o argumento central, e é justamente aí que tecnologia bem aplicada costuma ganhar espaço.”

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JPMorgan admite que fechou contas de Trump após ataques ao Capitólio em janeiro de 2021

22 de Fevereiro de 2026, 13:29

O JPMorgan Chase admitiu pela primeira vez que fechou contas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de empresas ligadas a ele após os ataques de 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio. O reconhecimento consta em documento judicial apresentado nesta semana no processo movido por Trump contra o banco.

No texto assinado pelo ex-diretor administrativo Dan Wilkening, o JPMorgan afirma que, em fevereiro de 2021, comunicou o encerramento de determinadas contas mantidas nos segmentos de banco privado e banco comercial. Até então, o banco não havia confirmado formalmente o fechamento relacionado aos eventos de 6 de janeiro.

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JPMorgan e acusação de “desbancarização”

Trump processa o JPMorgan e seu CEO, Jamie Dimon, pedindo US$ 5 bilhões em indenização. O presidente alega que o fechamento das contas teve motivação política e prejudicou suas operações comerciais.

A ação foi inicialmente protocolada na Flórida, onde Trump mantém residência principal. O JPMorgan tenta transferir o caso para a Justiça federal e para o Estado de Nova York, onde as contas estavam registradas e onde o ex-presidente concentrava grande parte de seus negócios.

Segundo a defesa de Trump, o banco teria incluído o presidente e suas empresas em uma lista de restrição reputacional, o que dificultaria a abertura de contas em outras instituições financeiras.

Histórico de disputas com bancos

O JPMorgan já declarou anteriormente que o processo não tem mérito. A instituição afirma que segue regras regulatórias e políticas internas ao encerrar contas, mas evita comentar detalhes por questões de sigilo bancário.

Este não é o único caso em que Trump acusa instituições financeiras de “desbancarização”. Em março de 2025, a Organização Trump entrou com ação contra a Capital One com alegações semelhantes. O processo segue em andamento.

O caso adiciona novo capítulo à disputa entre Trump e grandes bancos dos Estados Unidos, em meio a debates sobre liberdade econômica, risco reputacional e critérios de compliance adotados por instituições financeiras.

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Hungria ameaça bloquear novas sanções da UE por disputa sobre petróleo russo

22 de Fevereiro de 2026, 13:21

A Hungria ameaçou bloquear um novo pacote de sanções da União Europeia contra a Rússia e atrasar medidas de apoio à Ucrânia até que as entregas de petróleo russo ao país sejam retomadas.

Os ministros das Relações Exteriores da UE devem se reunir em Bruxelas na segunda-feira para discutir o 20º pacote de sanções contra Moscou. A expectativa é aprovar o conjunto de medidas antes do quarto aniversário da invasão russa da Ucrânia, que ocorre na terça-feira.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o chanceler húngaro, Péter Szijjártó, afirmou que vetará o pacote enquanto o fluxo de petróleo pelo oleoduto Druzhba não for restabelecido. Segundo ele, a Ucrânia estaria retendo deliberadamente as remessas.

“Não consentiremos com a adoção do 20º pacote de sanções, porque já deixamos claro anteriormente que, até que os ucranianos retomem as remessas de petróleo para a Hungria, não permitiremos que decisões importantes para eles sejam aprovadas”, declarou.

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Oleoduto Druzhba no centro da tensão

As entregas de petróleo russo para Hungria e Eslováquia foram interrompidas em 27 de janeiro. Autoridades ucranianas atribuíram a paralisação a danos causados por ataques de drones russos ao oleoduto Druzhba, que atravessa o território ucraniano rumo à Europa Central.

A interrupção elevou as tensões entre Budapeste e Kiev. Para que novas sanções sejam aprovadas, os 27 países do bloco precisam chegar a um consenso unânime, o que amplia o poder de veto da Hungria.

Desde o início da guerra, em 24 de fevereiro de 2022, a maioria dos países europeus reduziu ou encerrou as importações de energia russa. Hungria e Eslováquia, integrantes da UE e da Otan, mantiveram as compras e obtiveram isenção temporária da proibição europeia sobre o petróleo russo.

A posição húngara adiciona incerteza às negociações em Bruxelas e pode atrasar a adoção do novo pacote de medidas contra Moscou.

Oleoduto Druzhba

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Aegea: Polícia Civil confirma parte das acusações de propinas pagas no Mato Grosso do Sul

22 de Fevereiro de 2026, 12:15

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul confirmou parte das acusações de pagamento de propina envolvendo empresas do grupo Aegea no Estado. Relatório da Delegacia de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) aponta repasses que somam R$ 30 milhões entre 2011 e 2015, ligados a contratos considerados fictícios.

Segundo o documento, executivos de empresa de água e esgoto teriam confessado pagamentos irregulares a políticos em seis Estados. Parte significativa dos recursos teria sido direcionada a campanhas eleitorais em 2012. As informações foram apuradas e divulgadas pelo portal UOL.

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Aegea e contratos sob suspeita

De acordo com o relatório, a Águas de Guariroba, controlada pela Aegea, realizou pagamentos à empresa Proteco, ligada ao empresário João Amorim, sob justificativa de locação de máquinas e equipamentos.

Os investigadores afirmam que não foram encontrados documentos que comprovassem a prestação efetiva dos serviços, como registros de uso de maquinário ou relatórios operacionais. A polícia sustenta que os contratos teriam sido utilizados como mecanismo para justificar transferências financeiras.

O primeiro negócio analisado envolve a compra de uma estação de tratamento de esgoto em Dourados (MS), em 2012, por R$ 4,5 milhões. Segundo a apuração, não foi possível localizar a estrutura nem comprovar sua existência.

Destino dos recursos ligados à Aegea

A investigação indica que parte dos valores pagos por empresas do grupo Aegea teria sido destinada a campanhas eleitorais. Um trecho do relatório menciona que R$ 1,4 milhão foi direcionado ao MDB nas eleições de 2012.

Outro montante teria sido repassado a funcionário que realizou saques fracionados em espécie. A conta pessoal de João Amorim também teria recebido R$ 1,2 milhão por meio de cheques.

A Polícia Civil afirmou que não há indícios concretos de envolvimento do hoje senador Nelsinho Trad no esquema, afastando suspeita de corrupção passiva.

Ministério Público e próximos passos

Em 2025, a Polícia Civil concluiu a investigação da Operação Lama Asfáltica e encaminhou o relatório ao Ministério Público, que deve decidir se oferece denúncia.

Procurada, a Aegea não respondeu diretamente às perguntas da reportagem à época. Em comunicado divulgado na bolsa de valores, a companhia afirmou que aderiu a Termo de Acordo como garantidora e que fortaleceu seus mecanismos de integridade corporativa.

A apuração segue em análise pelo Ministério Público, que avaliará os elementos reunidos pela Polícia Civil antes de eventual denúncia formal.

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Índia adia visita comercial a Washington após mudança na tarifa dos EUA, diz fonte à CNBC

22 de Fevereiro de 2026, 12:05

A Índia decidiu adiar a visita de seus negociadores comerciais a Washington, prevista para esta semana, após a mudança na política de tarifa dos Estados Unidos. A informação foi confirmada à CNBC por uma fonte com conhecimento do assunto.

O movimento ocorre depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos considerou ilegais as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump com base em outra legislação. Horas depois da decisão, Trump invocou a Seção 122 do Trade Act de 1974 para impor uma tarifa global de 10%, posteriormente elevada para 15%.

Segundo a fonte, a reunião “será remarcada em data mutuamente conveniente”. Índia e EUA avaliam que o encontro deve ocorrer após ambos os lados analisarem os desdobramentos e seus impactos.

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Tarifa de 25% poderia cair para 18%

O principal negociador indiano, Darpan Jain, e sua equipe iniciariam uma rodada de três dias de conversas com autoridades americanas, incluindo o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.

Antes da decisão da Suprema Corte, a Índia enfrentava uma tarifa recíproca de 25%, que seria reduzida para 18% após um acordo interino firmado no início do mês. O comunicado conjunto de 6 de fevereiro previa a possibilidade de revisão de compromissos caso qualquer das partes alterasse suas tarifas.

Com a nova tarifa global de 15%, o cenário mudou. Na prática, a Índia, assim como outros países, deve enfrentar o adicional de 15% somado às tarifas de nação mais favorecida, que costumam variar entre 2% e 3%, segundo analistas.

Estratégia sob revisão

Desde o anúncio do acordo interino, os dois países vinham realizando reuniões virtuais para definir os próximos passos. O encontro presencial desta semana era visto como etapa anterior à finalização do texto legal do acordo.

O ministro do Comércio da Índia, Piyush Goyal, havia indicado que o acordo interino poderia ser assinado em março e implementado em abril.

Analistas afirmam que a base das negociações que levariam à tarifa de 18% estava ancorada em premissas que deixaram de existir após a mudança na política americana. Com isso, ambos os lados terão de revisar suas estratégias diante do novo quadro tarifário.

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Serviço Secreto dos EUA mata a tiros homem que invadiu resort de Trump em Mar-a-Lago

22 de Fevereiro de 2026, 11:53

O Serviço Secreto dos Estados Unidos informou neste domingo (22) que agentes da corporação mataram a tiros um homem supostamente armado que entrou ilegalmente no perímetro de segurança da propriedade Mar-a-Lago, do presidente Donald Trump, na Flórida.

De acordo com comunicado oficial divulgado pela agência, o incidente ocorreu por volta da 1h30 da madrugada. O suspeito, descrito como um homem na faixa dos 20 anos, teria sido visto próximo ao portão norte da propriedade carregando o que aparentava ser uma espingarda e um galão de combustível. Ele entrou na área restrita, acionando o protocolo de segurança.

Agentes do Serviço Secreto e um policial do escritório do xerife do condado de Palm Beach confrontaram o homem, e disparos foram efetuados pelas forças de segurança durante a abordagem. O suspeito foi declarado morto no local. Nenhum agente ficou ferido.

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Segundo o porta-voz Anthony Guglielmi, não havia autoridades sob proteção do Serviço Secreto na residência no momento do ocorrido. Trump não estava em Mar-a-Lago quando o episódio aconteceu.

O caso está sendo investigado pelo Federal Bureau of Investigation, pelo próprio Serviço Secreto e pelo escritório do xerife de Palm Beach. A identidade do suspeito não foi divulgada, aguardando a notificação de familiares. Conforme a política da agência, os agentes envolvidos serão colocados em licença administrativa até a conclusão das apurações.

An armed man was shot & killed by U.S. Secret Service agents & @PBCountySheriff after unlawfully entering the secure perimeter at Mar-a-Lago early this morning. A press briefing with additional details will be held at 9:00 a.m with @FBI and Palm Beach County. pic.twitter.com/jAXhdb1xEL

— Anthony Guglielmi (@AJGuglielmi) February 22, 2026

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Tarifa global de 15% imposta por Trump começa a vigorar na terça-feira; veja como fica

22 de Fevereiro de 2026, 11:17

A tarifa global de 15% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começa a vigorar na terça-feira (24) e terá validade inicial de 150 dias. A medida foi formalizada por meio de proclamação presidencial e substitui parte do tarifaço anterior, derrubado pela Suprema Corte dos Estados Unidos.

A nova tarifa se apoia na seção 122 do Trade Act de 1974, que autoriza o presidente a impor sobretaxa temporária de até 15% para enfrentar problemas considerados graves no balanço de pagamentos. No texto oficial, a Casa Branca afirma que os EUA enfrentam déficit elevado e persistente em transações externas, além de deterioração na posição internacional de investimentos.

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O que a Suprema Corte derrubou

Na sexta-feira (20), a Suprema Corte decidiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não autorizava o presidente a instituir tarifas amplas de forma unilateral. Com isso, caíram as chamadas tarifas “recíprocas” de 10% e sobretaxas adicionais aplicadas a países específicos, incluindo o Brasil.

No mesmo dia, Trump anunciou o uso da seção 122 para impor nova tarifa global temporária, inicialmente de 10%. Horas depois, elevou o percentual para 15%, dentro do teto permitido pela lei.

O próprio decreto presidencial afirma que a sobretaxa será tratada como direito aduaneiro regular e poderá ser suspensa, modificada ou encerrada antes do prazo, a depender da avaliação do governo sobre o quadro externo.

Como ficam as exportações brasileiras

Com a nova regra, os produtos brasileiros passam a pagar a tarifa normal já prevista na tabela dos EUA, acrescida do adicional global de 15%, quando aplicável.

Na prática, deixam de valer as sobretaxas específicas que haviam sido impostas com base na IEEPA, inclusive a alíquota adicional de 40% que elevava o total para 50% em diversos itens brasileiros. A mudança reduz a assimetria que colocava o Brasil em desvantagem frente a concorrentes.

Por outro lado, a nova tarifa global amplia o custo de entrada de praticamente todos os países. Para o Brasil, isso significa perda de margem em setores industriais, agrícolas e de bens intermediários que não estejam nas listas de exceção.

Aço e alumínio seguem com alíquotas de 50%, pois estão enquadrados na seção 232 do Trade Expansion Act de 1962, instrumento distinto e não afetado pela decisão da Suprema Corte.

Exceções previstas na nova tarifa global

A proclamação lista uma série de exceções à nova tarifa. Entre os itens excluídos estão:

  • minerais considerados críticos;
  • metais usados em moeda e bullion;
  • energia e derivados;
  • recursos naturais e fertilizantes sem oferta doméstica suficiente;
  • determinados produtos agrícolas, como carne bovina, tomate e laranja;
  • medicamentos e insumos farmacêuticos;
  • alguns eletrônicos;
  • veículos e peças específicas;
  • produtos aeroespaciais;
  • materiais informativos e bagagens acompanhadas.

Também ficam fora da sobretaxa artigos já sujeitos a restrições adicionais sob a seção 232 e mercadorias beneficiadas por acordos comerciais específicos, como o firmado entre EUA, México e Canadá.

O texto ainda define regra para cargas em trânsito antes da entrada em vigor. Produtos embarcados antes da meia-noite de 24 de fevereiro poderão ser internalizados sem a nova cobrança, desde que cumpram prazo determinado para desembaraço.

Argumento do governo dos EUA para impor a tarifa global

Na justificativa oficial, Trump afirma que os Estados Unidos enfrentam “déficits grandes e persistentes” na balança de bens e serviços, além de deterioração na posição internacional de investimentos.

O documento cita déficit comercial de US$ 1,2 trilhão em 2024 e manutenção desse patamar em 2025. Também menciona que o saldo da conta corrente alcançou 4% do PIB, maior nível desde 2008, e que a posição internacional líquida dos EUA atingiu patamar negativo equivalente a 90% do PIB.

Segundo o governo, a tarifa é necessária para corrigir desequilíbrios e proteger interesses econômicos e de segurança nacional.

Efeitos econômicos e incerteza

A seção 122 limita a duração da medida a 150 dias, salvo prorrogação aprovada pelo Congresso. Isso confere caráter temporário à nova tarifa, mas amplia a incerteza para empresas exportadoras e importadoras.

Para companhias brasileiras, o impacto imediato pode aparecer na renegociação de contratos, ajustes de preços e reavaliação de mix de produtos destinados ao mercado americano.

A depender da evolução das negociações bilaterais e do ambiente político nos EUA, o adicional de 15% pode ser reduzido, ampliado ou substituído por outro instrumento. Até lá, a nova tarifa redefine as regras do comércio exterior com os Estados Unidos a partir da próxima terça-feira.

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Estudantes protestam no Irã sob ameaça militar dos EUA

22 de Fevereiro de 2026, 10:40

Estudantes voltaram às ruas no Irã neste sábado (21) com gritos contra o governo e confrontos em universidades de Teerã, em meio ao aumento da pressão militar dos Estados Unidos sobre o país por causa do programa nuclear.

Imagens geolocalizadas pela AFP mostram tumultos na Universidade Sharif de Tecnologia, uma das principais instituições de engenharia do Irã. Em vídeos divulgados nas redes sociais, manifestantes gritam “bi sharaf”, expressão em persa que significa “vergonhoso”, enquanto grupos com bandeiras da República Islâmica enfrentam estudantes mascarados.

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Irã vive nova onda de protestos

Os atos universitários ocorrem após uma onda de manifestações que explodiu em dezembro por causa da crise econômica e se transformou em protestos contra o governo clerical. A repressão deixou milhares de mortos.

As autoridades do Irã reconhecem mais de 3 mil mortes e atribuem a violência a “atos terroristas” estimulados por inimigos externos. Já a organização Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos EUA, contabiliza mais de 7 mil mortes, a maioria de manifestantes.

Segundo a agência Fars, o ato deste sábado seria uma vigília silenciosa em memória das vítimas, mas acabou marcado por slogans como “morte ao ditador”, em referência ao líder supremo do Irã.

EUA ampliam pressão militar sobre o Irã

Os protestos ocorrem enquanto os Estados Unidos reforçam sua presença militar no Oriente Médio. O presidente Donald Trump enviou o porta-aviões USS Abraham Lincoln à região, e o USS Gerald R. Ford segue pelo Mediterrâneo. Washington também deslocou caças e sistemas de defesa aérea.

O reforço militar acompanha negociações mediadas por Omã para um possível acordo nuclear com o Irã. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã apresentará nos próximos dias uma proposta formal de entendimento.

Araghchi declarou que os EUA não exigiram “enriquecimento zero” de urânio, contradizendo declarações de autoridades americanas. A imprensa dos EUA informou que Washington poderia aceitar um modelo de enriquecimento limitado.

Irã promete não ceder

O presidente Masoud Pezeshkian afirmou que o Irã “não cederá a nenhuma prova, mesmo que as potências do mundo se levantem contra nós”. Ele disse que o país defenderá seus interesses caso enfrente novos ataques.

O temor de conflito levou países como Suécia, Sérvia, Polônia e Austrália a recomendar que seus cidadãos deixem o Irã enquanto ainda há voos comerciais disponíveis.

A escalada ocorre após rodada anterior de diplomacia nuclear ter sido interrompida por bombardeios israelenses contra alvos iranianos, seguidos por ataques dos EUA a instalações nucleares antes de um cessar-fogo.

Com protestos internos e pressão externa, o Irã enfrenta um dos momentos mais delicados desde o retorno do confronto aberto com o Ocidente.

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Trabalhos por aplicativos sustentam renda e podem atrasar queda da inflação ao centro da meta

22 de Fevereiro de 2026, 10:28

A expansão do trabalho por aplicativos pode dificultar a convergência da inflação à meta de 3% ao ano, mesmo com juros elevados e sinais de desaceleração da economia. A avaliação é de economistas, que veem uma mudança estrutural no mercado de trabalho capaz de sustentar a renda das famílias.

Em 2025, o saldo do Caged foi de 1,27 milhão de vagas formais, o menor desde 2020. Ainda assim, a taxa média de desemprego ficou em 5,6%, a menor da série histórica da Pnad Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O rendimento médio real avançou 5,7%, para R$ 3.560, e a massa de rendimentos subiu 6,4% no último trimestre do ano.

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Aplicativos e renda resistente

Para o economista André Perfeito, a dinâmica atual reflete novos arranjos de trabalho impulsionados por tecnologia e pelo crescimento dos aplicativos. Segundo ele, a Selic pode ter efeito limitado sobre o mercado de trabalho.

Estudo do IBGE divulgado em 2024 mostrou que trabalhadores de aplicativos tinham rendimento médio de R$ 2.996, acima dos R$ 2.875 observados entre os que não atuam por plataformas. Em contrapartida, a jornada média era maior: 44,8 horas semanais ante 39,3 horas.

Entre 2022 e 2024, o número de trabalhadores vinculados a aplicativos cresceu cerca de 25%, alcançando 1,7 milhão de pessoas em atividades como transporte e entregas.

Aplicativos e taxa de desemprego

O pesquisador Daniel Duque, do Fundação Getulio Vargas, avalia que parte do desemprego em mínimas históricas está ligada à expansão dos aplicativos. Segundo ele, a taxa poderia estar até 1 ponto porcentual mais alta sem essa alternativa de ocupação.

Duque afirma que os aplicativos funcionam como um colchão de renda, suavizando perdas em momentos de crise. Para grupos mais propensos a ingressar nesse segmento, o ganho adicional pode chegar a R$ 300 em relação a outros trabalhadores.

Inflação e composição do emprego

Apesar do argumento de absorção pela informalidade, há divergências. Henrique Danyi, do Santander Brasil, afirma que o emprego formal tem mostrado maior resiliência. Segundo ele, a taxa de formalidade está em nível recorde.

No BTG Pactual, o economista-chefe Mansueto Almeida projeta taxa de desemprego de 6% ao fim de 2026, acima dos 5,1% registrados em 2025, mas ainda em patamar historicamente baixo.

O avanço dos aplicativos altera a composição do mercado de trabalho e pode manter a massa de rendimentos elevada, mesmo com desaceleração do PIB. Esse fator tende a sustentar a demanda e prolongar o processo de desinflação, dificultando a convergência da inflação à meta definida pelo Banco Central.

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Bombardeios do Paquistão no Afeganistão deixam ao menos 18 mortos

22 de Fevereiro de 2026, 09:55

Os bombardeios realizados pelo Paquistão no leste do Afeganistão deixaram ao menos 18 mortos neste domingo, segundo autoridades locais. De acordo com a polícia afegã, todas as vítimas estavam na mesma residência atingida pelos ataques.

O porta-voz da polícia, Sayed Tayeeb Hammad, afirmou que 23 membros de uma mesma família ficaram sob os escombros. Dezoito morreram e cinco foram resgatados com vida. “A casa foi completamente destruída”, disse à agência AFP um agricultor de 35 anos identificado como Bezakat, que relatou ter perdido o pai e os filhos.

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Bombardeios e justificativa do Paquistão

Em comunicado, o governo do Paquistão informou que realizou “operações seletivas” contra sete acampamentos e esconderijos de combatentes ligados ao Talibã. O ministro da Informação, Attaullah Tarar, declarou em publicação na rede X que também houve ataque contra um grupo afiliado ao Estado Islâmico.

Islamabad afirmou que os bombardeios ocorreram em resposta a um atentado suicida em uma mesquita xiita na capital, ocorrido duas semanas atrás, além de outros ataques recentes no noroeste do país.

Afeganistão promete resposta

O Ministério da Defesa do Afeganistão declarou que “dezenas de civis inocentes, incluindo mulheres e crianças, foram mortos ou feridos” nos bombardeios que atingiram uma madrasa e residências nas províncias de Nangarhar e Paktika.

O governo afegão advertiu que dará uma resposta “adequada e calculada no momento apropriado”.

Um jornalista da AFP no distrito de Bihsud, em Nangarhar, relatou que moradores de áreas montanhosas próximas se deslocaram para ajudar equipes de resgate na busca por corpos sob os escombros.

Tensão na fronteira

Os bombardeios marcam a ação de maior envergadura desde os confrontos fronteiriços de outubro, que deixaram mais de 70 mortos e centenas de feridos nos dois lados da fronteira.

As relações entre Paquistão e Afeganistão vêm se deteriorando desde que o Talibã retomou o controle de Cabul em 2021. O grupo Estado Islâmico reivindicou o atentado em Islamabad que matou ao menos 31 pessoas e feriu cerca de 170, episódio citado por Islamabad como justificativa para a ofensiva.

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