Visualização normal

Received before yesterdayInvestNews

Embraer vê combustível mais caro impulsionar demanda por jatos menores

13 de Maio de 2026, 15:09

A Embraer está mirando aumentar a produção de jatos comerciais no próximo ano, à medida que a alta dos preços dos combustíveis provocada pela guerra no Irã impulsiona a demanda por aeronaves mais eficientes.

A companhia tem a ambição de entregar até 100 jatos comerciais em 2027, quase 20% acima deste ano, afirmou o CEO Francisco Gomes Neto em entrevista em Nova York.

A fabricante brasileira manteve sua projeção de entregas de 85 jatos comerciais e entre 160 e 170 aeronaves executivas em 2026, mesmo com a persistente escassez de componentes como motores e partes da fuselagem.

A Embraer construiu seus negócios no mercado de jatos regionais, como a família E2, com capacidade entre 70 e 145 passageiros, além de um portfólio de aeronaves executivas para até cerca de 12 passageiros.

Avião maior

Agora, a empresa estuda como será seu futuro portfólio de produtos, disse Gomes Neto, incluindo a possibilidade de desenvolver um avião narrow-body maior, que competiria mais diretamente com os modelos A320, da Airbus, e 737, da Boeing.

A Embraer também pode decidir lançar um novo jato executivo, afirmou o executivo.

“Não queremos fracassar como outras empresas fracassaram no passado, então não estamos nos pressionando”, disse Gomes Neto, acrescentando que a Embraer não lançará dois novos projetos simultaneamente.

Por enquanto, os jatos E2 continuam no centro da estratégia da fabricante para atingir US$ 10 bilhões em receita até 2030, acima dos US$ 7,5 bilhões registrados em 2025.

Embora espere que os preços mais altos do combustível sustentem a demanda por aeronaves mais eficientes, Gomes Neto afirmou que a empresa ainda não observou um aumento relevante em novos pedidos.

A Embraer vê oportunidade para vender mais aviões na India e anunciou em janeiro um memorando de entendimento com o conglomerado do bilionário Gautam Adani para estudar a produção de jatos regionais no país. Em fevereiro, a companhia também informou que trabalharia com a Hindalco Industries para avaliar oportunidades de negócios na Índia.

Qualquer plano para construir uma linha de montagem final no país dependerá da conquista de pedidos para pelo menos 200 aeronaves, afirmou Gomes Neto.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Braskem Idesa dá mais um passo para pedir a recuperação judicial nos EUA

13 de Maio de 2026, 13:23

Se aqui no Brasil, a Braskem ainda tem conseguido evitar um pedido de recuperação extrajudicial ou judicial, em meio a um processo de mudança societária, no exterior, a joint venture mexicana Braskem Idesa está na iminência de recorrer ao Chapter 11, ou seja, entrar em um processo de recuperação judicial dentro das regras americanas.

Um do sinais de que o Chpater 11 está próximo é que a companhia está em fase avançada de negociação para um empréstimo de aproximadamente US$ 250 milhões, deve servir como suporte financeiro para o pedido de recuperação judicial. Esse dinheiro viria de parte dos próprios credores do grupo.

Segundo fontes próximas ao assunto, a companhia e seus assessores correm para estruturar o chamado financiamento DIP (debtor-in-possession), visando garantir fôlego para que a empresa possa aproveitar a recente melhora nas margens petroquímicas, impulsionada pelo cenário de conflitos no Oriente Médio.

Apesar do estágio das conversas, os interlocutores ressaltam que as negociações ainda estão em andamento e nenhuma decisão final foi tomada.

A joint venture entre a brasileira Braskem e a mexicana Grupo Idesa tenta reestruturar seu passivo há meses, após falhar no pagamento de juros de bônus globais com vencimentos em 2029 e 2032.

Essa pressão de caixa tem forçado a unidade a operar com capacidade reduzida, o que impediu a companhia de aproveitar plenamente a valorização do petróleo. Atualmente, os títulos com vencimento em 2029 ensaiam uma recuperação no mercado secundário, sendo negociados ligeiramente abaixo de 70 centavos de dólar, com um rendimento de cerca de 19,9%.

Petrobras faz reunião no México

O cenário também envolve a movimentação direta da Petrobras, uma das principais acionistas da Braskem no Brasil. Executivos da estatal brasileira estiveram recentemente no México para reuniões com a diretoria da Braskem Idesa, onde discutiram a estrutura do balanço da unidade e a futura relação comercial entre as empresas.

A aproximação coincide com a estratégia da CEO da Petrobras, Magda Chambriard, que confirmou em coletiva de imprensa o interesse em estreitar parcerias com a estatal mexicana Pemex. Questionadas, as companhias envolvidas e a Petrobras preferiram não se manifestar sobre os detalhes das conversas.

Para a Braskem, o impasse no México soma-se a uma série de desafios financeiros e jurídicos enfrentados pela matriz, como a crise ambiental decorrente da mineração de sal em Maceió e a longa espera pela venda da participação da Novonor (ex-Odebrecht). Enquanto tenta resolver o imbróglio da subsidiária mexicana, o mercado aguarda a divulgação dos resultados financeiros da companhia, prevista para ocorrer nesta quarta-feira.

Bloqueio brasileiro à Kalshi e Polymarket frustra planos da bilionária Luana Lopes Lara

27 de Abril de 2026, 20:07

A decisão do governo brasileiro de bloquear o acesso às principais plataformas de mercados de previsão atinge em cheio uma das bilionárias mais jovens do mundo: a brasileira Luana Lopes Lara, de 29 anos, cofundadora da Kalshi, que vinha articulando a entrada da empresa no país.

“O Brasil é muito importante para mim, dado que sou brasileira”, disse Lopes Lara em entrevista ao Valor Econômico no fim do ano passado. “Eu realmente quero que a gente vá para lá.”

O governo, no entanto, anunciou na sexta-feira (24) o bloqueio de 28 plataformas, entre elas a Kalshi e a americana Polymarket, sob a justificativa de que ofertam “apostas ilegais”, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan

A medida foi formalizada em resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), que entra em vigor em 4 de maio e proíbe a oferta no país de contratos derivativos atrelados a eventos esportivos, jogos online, resultados eleitorais, culturais ou sociais.

Para o setor, é um golpe num plano de expansão global desenhado nos últimos meses, depois do crescimento explosivo desse mercado nos Estados Unidos. Para Luana, é também um revés pessoal: a entrada no Brasil era apresentada por ela como prioridade estratégica e simbólica.

Do balé ao MIT

Luana treinou balé clássico no Brasil antes de se mudar para os Estados Unidos para estudar matemática e ciência da computação no Massachusetts Institute of Technology (MIT)

Em 2018, junto com o iraniano Tarek Mansour, fundou a Kalshi, primeira plataforma a obter licença federal nos EUA para operar mercados de eventos como instrumentos financeiros regulados.

A aposta da dupla era pavimentar o caminho regulatório que rivais como a Polymarket, sediada em paraísos offshore, evitavam. Com o boom dos prediction markets durante a eleição americana de 2024, a estratégia se mostrou rentável. 

A Kalshi captou rodadas a valuations crescentes ao longo de 2025, e Luana entrou para a lista de bilionárias self-made da Bloomberg, com patrimônio estimado em US$ 2,1 bilhões.

Os mercados de previsão

Plataformas como Kalshi e Polymarket permitem que usuários comprem e vendam contratos atrelados ao “sim” ou “não” de eventos futuros, das mais variadas naturezas: quem vence uma eleição, qual filme leva o Oscar, qual será o índice de inflação do mês, quando o Federal Reserve (Fed) corta juros. 

Os preços flutuam conforme a probabilidade percebida pelo mercado, e quem acerta o desfecho recebe US$ 1 por contrato.

Os fundadores defendem que se trata de instrumentos financeiros, não jogo, porque permitem hedge contra eventos reais. Reguladores ao redor do mundo, no entanto, têm tratado a categoria com crescente desconfiança. França, Hungria e Portugal já restringiram o acesso à Polymarket nos últimos anos.

Brecha regulatória

A resolução do CMN deixa uma janela aberta. Estão permitidos contratos atrelados a indicadores econômicos e financeiros previamente definidos, como índices de preços, taxas de juros e câmbio. 

É exatamente o terreno em que a Kalshi vinha articulando uma parceria com a XP Investimentos, anunciada em janeiro como início da expansão internacional da empresa.

A parceria permite que usuários brasileiros façam apostas de “sim” ou “não” sobre eventos econômicos, processadas pela interface da XP e pela corretora americana do grupo, e não pelo site da Kalshi, agora bloqueado. A XP não comentou. A própria Kalshi disse, em nota, que analisa a decisão.

A B3, por sua vez, vinha estudando lançar contratos próprios desse tipo. Já confirmou, para esta segunda-feira (27), seis novos derivativos atrelados ao Ibovespa, ao real e ao bitcoin

Avaliava também produtos sobre eleições, hipótese agora vetada pela nova regulação, às vésperas da disputa de outubro entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro, que pesquisas recentes mostram empate técnico.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Engie prepara oferta de até R$ 10 bilhões para financiar compra de hidrelétrica

27 de Abril de 2026, 18:43

A geradora de energia Engie Brasil está trabalhando com o Itaú BBA e o Santander em uma oferta adicional de ações de até R$ 10 bilhões de reais, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A oferta é esperada para meados do ano e mais bancos podem se juntar para ajudar na venda das ações, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas ao discutir informações não públicas.

Os recursos ajudariam a financiar a aquisição de uma participação de 40% na usina Jirau da acionista controladora da Engie, a Engie Brasil Participações.

Nenhuma decisão final foi tomada sobre o negócio e os planos podem mudar, disseram as pessoas.

Representantes da Engie, do Itaú e do Santander se recusaram a comentar.

A Engie disse, em dezembro, que o conselho de administração autorizou medidas para avaliar a viabilidade da compra de uma participação de 40% na Jirau, segundo comunicado divulgado na época.

A Jirau é uma empresa de energia elétrica que detém a concessão da usina hidrelétrica de Jirau, localizada no rio Madeira, no estado de Rondônia, com 3.750 megawatts de capacidade instalada.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Como Apple, Google e Amazon sufocaram uma lei antimonopólio na Califórnia

27 de Abril de 2026, 12:46

Apple, Google e Amazon derrubaram em pouco mais de um mês uma proposta de lei na Califórnia que poderia obrigá-las a parar de privilegiar seus próprios produtos em detrimento dos concorrentes — como fazem na App Store, no Google Search e nos resultados de marketplace da Amazon. A ofensiva, capitaneada pela Câmara de Comércio do estado e pelo grupo setorial Chamber of Progress, enterrou o chamado Based Act antes mesmo de ele ganhar tração legislativa.

O projeto havia nascido de uma aliança incomum entre defensores da “little tech” — liderados pela aceleradora Y Combinator e o vasto ecossistema de startups que ela apoia — e grupos de defesa do consumidor. Foi patrocinado pelo senador estadual Scott Wiener, democrata de São Francisco e uma das principais vozes em regulação de tecnologia na Califórnia, que o modelou a partir das normas antitruste europeias que as grandes empresas resistem há anos.

“Eles absolutamente inundaram o Capitólio de lobistas para atacar o projeto e espalhar desinformação”, disse Wiener, que concorre a uma vaga no Congresso federal. “Foi uma maré de lobbying, e estávamos em clara desvantagem”.

Diferente do Brasil, o exercício do lobbying é legalizado nos Estados Unidos.

A ofensiva avassaladora evidencia a poderosa máquina de influência que as maiores empresas de tecnologia do mundo montaram para barrar projetos que ameacem seus negócios — em especial no estado mais populoso dos EUA, onde novas leis podem forçar mudanças de alcance nacional ou global.

O Based Act se assemelhava às regulações antitruste europeias que as empresas resistem há anos e que podem custar dezenas de bilhões de dólares anuais ao setor, segundo algumas estimativas. Só nos últimos dois anos, a Comissão Europeia aplicou mais de US$ 7 bilhões em multas às grandes empresas de tecnologia.

“As empresas estão muito preocupadas que essas regulações não cheguem aos Estados Unidos”, disse Joseph Coniglio, pesquisador antitruste do think tank Information Technology and Innovation Foundation, financiado pelo setor. “Isso arriscaria mudar fundamentalmente a forma como elas operam na economia digital.”

Minutos depois de Wiener começar a apresentar o projeto, em 18 de março — antes mesmo de terminar seu discurso —, a Chamber of Progress já havia divulgado uma nota atacando a proposta.

O grupo, do qual fazem parte o Google (Alphabet), a Amazon e a Apple, mobilizou ligações de eleitores para os gabinetes dos parlamentares, argumentando que o projeto poderia degradar produtos populares como o Google Search e a App Store da Apple. O grupo veiculou anúncios afirmando que a lei tornaria os resultados de busca “menos úteis”, as entregas “mais lentas” e os celulares “menos seguros”.

A Y Combinator e outros tentaram, sem sucesso, contrariar essa narrativa. Argumentaram que as empresas estavam exagerando os impactos sobre seus negócios e disseminando inverdades sobre os custos potenciais para os consumidores.

Escolha de novo CEO da Apple indica preocupação maior com aparelhos como o iPhone
Lançamento da Apple, iPhone 17 – Foto: Getty Images

Não foi a primeira vez que as grandes empresas derrotaram o movimento da “little tech“. Por dois anos, Google, Apple, Amazon e Meta formaram uma frente unida e gastaram mais de US$ 100 milhões em lobbying e publicidade para enterrar o American Innovation and Choice Online Act — um projeto federal bipartidário semelhante ao Based Act — em 2022. Empresas menores como Yelp, DuckDuckGo e Proton AG apoiaram ambos os projetos.

Quando o Based Act de Wiener emergiu, a rede de grupos e lobistas das grandes empresas de tecnologia reaproveitou parte do material utilizado para derrubar a legislação federal e se opor às regulações europeias. Cinco diferentes organizações setoriais ligadas à big tech trabalharam contra o projeto — uma frente inusualmente coesa para grupos que, nos últimos anos, haviam se dividido em diversas questões.

As próprias empresas também intervieram diretamente, um passo raro para um projeto estadual em fase tão inicial. Kent Walker, presidente de assuntos globais do Google, afirmou que o projeto era “ainda pior” do que regulações similares aprovadas pela União Europeia. O setor chegou a mobilizar lobistas da indústria aérea contra o texto, alegando que ele poderia prejudicar a capacidade do Google de direcionar tráfego para os sites das companhias.

Uma das principais testemunhas a depor contra o projeto — uma residente da Califórnia que disse que a medida poderia prejudicar seu pequeno negócio — era apoiada pelo Connected Commerce Council, grupo financiado pelas grandes empresas de tecnologia.

O pequeno empresário Jerick Sobie afirmou, em entrevista, que o Connected Commerce Council — que recebe recursos da Amazon e do Google — o informou sobre o projeto e pediu que testemunhasse. O grupo reembolsou suas despesas. Sobie disse que enxerga o financiamento como um “mal necessário”, já que pequenas empresas geralmente não têm recursos para fazer lobbying.

O Connected Commerce Council, o Google e a Amazon não responderam a pedidos de comentário.

O projeto foi rejeitado em 20 de abril, após derrota em votação numa comissão legislativa dedicada a privacidade — aprovado na semana anterior pela comissão presidida pelo próprio Wiener.

Tela de celular com ícones de apps: Facebook, Amazon, Netflix, Google.
Ícones do aplicativo Facebook, do aplicativo Amazon.com, do aplicativo Netflix Inc. e do aplicativo Google, uma unidade da Alphabet, aparecem em um smartphone iPhone da Apple nesta fotografia organizada em Londres, Reino Unido. Foto: Jason Alden/Bloomberg

O senador estadual Christopher Cabaldon, democrata que preside a comissão de privacidade, ressaltou a importância do setor de tecnologia para a Califórnia.

“Muitas pessoas trabalham ali, há uma grande arrecadação de impostos, comunidades inteiras fundadas sobre esse setor”, disse Cabaldon em entrevista. “Nossa missão é proteger a privacidade e os consumidores, mas também levar em conta — como fazemos com Hollywood ou com a indústria vinícola no meu distrito — a tecnologia como uma indústria fundamental da Califórnia.”

Cabaldon, porém, tem vínculos com a Chamber of Progress por meio da organização política democrata NewDEAL. Diversas pessoas ligadas à NewDEAL, incluindo sua fundadora Helen Milby, integram o conselho consultivo da Chamber of Progress. Cabaldon recusou-se a comentar sobre a entidade.

Após a votação, Ben Golombek, dirigente da Câmara de Comércio da Califórnia, celebrou o resultado em mensagem interna, descrevendo-o como um “verdadeiro trabalho de equipe” para derrotar o projeto, segundo uma cópia do e-mail obtida pela reportagem. Golombek pediu que os destinatários “agradecessem” aos parlamentares que votaram contra.

“A Câmara de Comércio da Califórnia se opôs ao Projeto de Lei 1074 por entender que ele prejudicaria empresas de todos os portes e os consumidores californianos”, disse a entidade em nota. “Como é prática de outras organizações de representação, a CalChamber rotineiramente elogia legisladores que compartilham nossas posições.”

Golombek encerrou sua mensagem pedindo aos aliados que permanecessem “vigilantes”, observando que Wiener é “incansável” e poderia tentar ressuscitar a proposta pela via da Assembleia Estadual. Wiener é favorito para conquistar a cadeira no Congresso federal deixada vaga pela ex-presidente da Câmara Nancy Pelosi.

Perguntado se tentaria retomar o projeto por meio de manobras legislativas, Wiener respondeu: “Aguardem.”

China bloqueia a compra da Manus pela Meta, desfazendo um negócio de US$ 2 bilhões

27 de Abril de 2026, 10:36

A China decidiu bloquear a aquisição de US$ 2 bilhões da startup de IA Manus pela Meta, em um movimento surpreendente para desfazer um acordo controverso criticado pelo possível vazamento de tecnologia para os EUA.

A National Development and Reform Commission, principal órgão de planejamento econômico da China, determinou o cancelamento do negócio em um breve comunicado divulgado na segunda-feira (27). O órgão afirmou, em uma única linha, que decidiu proibir investimento estrangeiro na startup de acordo com leis e regulamentos, sem dar mais detalhes.

A decisão deve esfriar o setor de inteligência artificial em expansão na China e surge semanas antes de uma cúpula de alto nível entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping.

Pequim intensificou o escrutínio sobre empresas-chave após o acordo, que já estava em grande parte concluído. Inicialmente celebrado como um modelo para startups com ambições globais, o negócio passou a ser criticado internamente pela perda de tecnologia valiosa para um rival geopolítico.

Os fundadores da Manus começaram na China, mas transferiram sede e equipe principal para Singapura em 2025. Não estava claro, quando o acordo foi anunciado em dezembro, se Pequim exerceria sua autoridade sobre uma transação realizada tecnicamente fora de suas fronteiras.

“O bloqueio da Manus é um momento esclarecedor”, disse o analista Ke Yan, da DZT Research. “A empresa estava incorporada em Singapura, com fundadores baseados lá, e ainda assim foi puxada de volta. O sinal de Pequim é que o que importa não é onde está a entidade legal.”

Revés para a Meta

O decreto pode representar um revés para a Meta em sua tentativa de competir em IA com rivais como a Microsoft, a Alphabet (dona do Google), além de OpenAI e Anthropic. A Manus ajudaria a Meta a avançar no desenvolvimento de agentes de IA — sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma.

Ainda assim, não está claro como a Meta desfaria o negócio. Funcionários da Manus já se juntaram à empresa, capital foi transferido e executivos passaram a integrar a equipe de IA da companhia. Parte da equipe já trabalha em escritórios da Meta em Singapura, enquanto investidores como Tencent, ZhenFund e Hongshan já receberam seus recursos.

A Meta afirmou que a transação seguiu as leis aplicáveis e que espera uma resolução da investigação chinesa, sem dar detalhes. As ações da empresa recuaram menos de 1% no pré-mercado.

Reguladores chineses exercem grande poder há anos, forçando mudanças em gigantes como Alibaba e a própria Tencent. Um paralelo próximo é a decisão de obrigar a Didi a sair da New York Stock Exchange após seu IPO em 2021.

Pequim e Washington disputam influência antes do encontro histórico de maio. À medida que a rivalidade em IA se intensifica, Xi busca proteger tecnologia e talentos chineses, ao mesmo tempo em que reforça a confiança no desenvolvimento doméstico — como mostrou recentemente a startup DeepSeek ao lançar seu modelo V4 integrado a chips da Huawei.

Os EUA vêm há anos restringindo o acesso da China a tecnologia americana, incluindo chips da Nvidia usados no treinamento de modelos de IA. Para analistas, a medida chinesa é uma resposta proporcional a essas restrições.

Autoridades chinesas também passaram a desencorajar novos movimentos semelhantes ao da Manus. Empresas como Moonshot AI e Stepfun foram orientadas a rejeitar capital americano sem aprovação explícita, e regras semelhantes devem atingir a ByteDance, dona do TikTok.

Essas restrições podem isolar ainda mais o setor tecnológico chinês de investidores estrangeiros, especialmente dos EUA, que historicamente financiaram grande parte do crescimento dessas empresas. Também seguem a decisão de limitar empresas chinesas incorporadas no exterior de abrir capital em Hong Kong.

O objetivo central é impedir que investidores americanos adquiram participação em setores sensíveis à segurança nacional, evitando o vazamento de tecnologia. O caso Manus reforça a preocupação de Pequim com startups fundadas por chineses que buscam expansão internacional.

Lançada em março de 2025, a Manus é um agente de IA capaz de automatizar tarefas complexas, desde análises do S&P 500 até a criação de apresentações comerciais. Um mês depois, sua controladora Butterfly Effect levantou US$ 75 milhões em rodada liderada pela Benchmark, o que levou a uma investigação do Tesouro dos EUA.

Em julho, a empresa transferiu sua equipe da China para Singapura, cortando dezenas de empregos. A Meta anunciou a aquisição em dezembro, após a Manus superar US$ 100 milhões em receita anualizada.

Ainda não está claro quais outras medidas Pequim adotará após a investigação. Segundo o Financial Times, os cofundadores Xiao Hong e Ji Yichao chegaram a ser impedidos de deixar a China.

Para especialistas, o movimento reflete a crescente importância estratégica da inteligência artificial para a China, especialmente na disputa tecnológica com os EUA. Assim como Washington tenta limitar o acesso chinês a semicondutores avançados, Pequim agora busca restringir o acesso americano à tecnologia de IA.

“É o reconhecimento da liderança chinesa de que a IA é um ativo estratégico”, disse Alfredo Montufar-Helu. “E crucial para definir quem sairá vencedor na competição com os EUA.”

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Para CEO da Chevron, abertura da Venezuela vai na direção certa – mas ainda não é o suficiente

26 de Abril de 2026, 17:29

O CEO da Chevron, Mike Wirth, afirmou que as mudanças na política de petróleo da Venezuela são um sinal de progresso na tentativa de atrair investimento estrangeiro, embora outras medidas ainda sejam necessárias.

“Está caminhando na direção certa”, disse Wirth ao programa Face the Nation, da CBS. “Ainda precisa de algum trabalho. Provavelmente não é o suficiente para atrair o nível de investimento que seria desejável. Mas acho que houve algum progresso.”

Wirth manifestou confiança na política venezuelana do governo Trump depois de os Estados Unidos derrubarem Nicolás Maduro em janeiro e Delcy Rodríguez assumir como presidente interina do país. Em poucas semanas após a prisão de Maduro, a Venezuela alterou sua antiga política nacionalista de petróleo na tentativa de atrair investidores.

Maduro foi capturado pelos EUA em 3 de janeiro num ataque americano em larga escala sobre Caracas, e enviado a Nova York para responder a acusações de narcotráfico e corrupção. 

Delcy Rodríguez, então vice-presidente, foi designada presidente interina pelo Tribunal Supremo de Justiça venezuelano e iniciou uma rápida liberalização econômica, com abertura ao investimento estrangeiro de petróleo, fim do controle cambial e retomada das relações com o FMI. Parte da comunidade internacional, incluindo a União Europeia, não reconhece a legitimidade do governo interino.

Um grupo de executivos do petróleo americano que se reuniu com Rodríguez em Caracas na semana passada pediu garantias de que a Venezuela é segura para investir, sinal de que o interesse das companhias dos EUA está se ampliando para além da Chevron e de outras gigantes, à medida que o presidente Donald Trump pede a retomada da produção venezuelana.

“Um aumento da produção lá melhoraria a confiabilidade e a oferta de energia nos Estados Unidos”, disse Wirth.

Mike Wirth, CEO da Chevron, no WSJ CEO Council Summit do mês passado. Foto: Sean T. Smith para o WSJ.

Ele afirmou ainda que a força de trabalho do petróleo na Venezuela está enxuta, com muitos profissionais qualificados perdidos para a emigração, o que faz com que qualquer recuperação em escala da indústria dependa do retorno desses expatriados, ponto também levantado pela líder da oposição María Corina Machado.

Wirth fez uma ressalva sobre a decisão do governo Trump, na semana passada, de invocar o Defense Production Act, lei que permite ao governo direcionar recursos federais a projetos de energia, num momento em que a Casa Branca enfrenta pressão para conter a alta dos custos de energia.

“Não dá para abrir a torneira da produção de uma hora para outra”, afirmou. “É preciso engenharia, cadeia de suprimentos, contratos, e mover e mobilizar trabalhadores.”

©2026 Bloomberg L.P.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

American Airlines, United e Delta: aéreas cortam projeções com disparada dos combustíveis

25 de Abril de 2026, 09:20

As companhias aéreas pelo mundo estão encarecendo o valor cobrado por bagagens e assentos, revisando projeções de lucro para baixo e discutindo abertamente formas de se associar a rivais à medida que aperta o cerco dos custos do querosene de aviação, uma disparada ligada aos conflitos no Oriente Médio entre, Estados Unidos, Israel, Irã e Líbano.

Só nos últimos dias, Andrew Nocella, diretor comercial da United Airlines, declarou que o setor está em “território desconhecido”, enquanto a Alaska Air Group enterrou qualquer esperança de que o consumidor voltasse tão cedo a ver passagens mais baratas.

No campo dos otimistas, Tim Clark, presidente da Emirates, lembrou que, no fim, as pessoas seguem em frente rapidamente, e que o quadro logo voltará à normalidade.

Prevaleçam os otimistas ou os pessimistas, o certo é que a última semana colocou em destaque o cardápio de desafios que pesa sobre a aviação comercial, forçando executivos a tomar decisões de peso para estabilizar suas operações.

A complicar o cenário, há um presidente americano deliberadamente mexendo no jogo da concorrência: Donald Trump cogita um socorro de US$ 500 milhões à combalida Spirit Aviation ao mesmo tempo em que critica outras possíveis transações, entre elas uma fusão em estudo entre United e American Airlines

Nos Estados Unidos, fusões entre grandes companhias aéreas precisam do aval do Departamento de Justiça, e a sinalização presidencial pesa nessa avaliação. Some-se a isso a incerteza alimentada pelas declarações vacilantes de Trump sobre o estado da guerra no Oriente Médio.

Lucros para baixo

No conjunto, o setor entra em meses de insegurança no que deveria ter sido um ano de demanda forte, com projeções iniciais de lucro recorde de US$ 41 bilhões e 5,2 bilhões de passageiros transportados. 

As aéreas investiram pesado em produto, de melhorias nas cabines a salas vip e conectividade a bordo, apostando que o gasto com a experiência de voar com mais conforto teria fôlego.

Mas a euforia que impulsionou as companhias nos primeiros meses do ano deu lugar à sensação de que o setor perdeu o rumo.

“Não dá para saber com confiança todas as formas pelas quais o setor pode ser afetado”, disse Bob Jordan, presidente-executivo da Southwest Airlines, apontando para a “incerteza econômica e geopolítica significativa”.

“Não consigo prever exatamente para onde vai o combustível e, portanto, não dá para prever exatamente para onde vão os preços e as tarifas”, afirmou.

Para o futuro imediato, vão para cima. Espera-se que o consumidor absorva os bilhões adicionais em querosene de aviação, e por isso as empresas estão criando novas sobretaxas e elevando cobranças por despacho de bagagem e escolha de assento.

“As aéreas nunca deixam uma boa crise ser desperdiçada”, disse William McGee, pesquisador sênior de aviação e viagens da American Economic Liberties Project, organização sem fins lucrativos que defende mais regulação do setor em favor do consumidor.

A American Airlines diz enfrentar US$ 4 bilhões em custos extras com combustível até o fim do ano, conta que tentará repassar ao consumidor na maior medida possível. As tarifas já estão de 15% a 20% mais altas, e dificilmente recuarão por completo quando o ambiente de guerra arrefecer, segundo Scott Kirby, presidente-executivo da United, em declaração na última quarta-feira (22).

“Quanto mais isso durar, maior a probabilidade de que os aumentos de preço se sustentem”, disse Kirby.

Passada a temporada de viagens de verão no hemisfério norte, as transportadoras devem voltar a olhar com lupa a oferta de assentos e cortar mais rotas deficitárias, aquelas em que o avião decola sem encher e a operação não fecha a conta com o querosene caro.

Sediada em Chicago, a United diz esperar recuperar até 100% do custo extra de combustível até o fim do ano via aumento de preços ao cliente.

Ed Bastian, presidente-executivo da Delta Air Lines, afirmou em recente teleconferência de resultados que a companhia vai avaliar em que medida consegue “manter parte da força de preço” mesmo depois de o combustível recuar.

A tábua de salvação, por ora, é que as reservas seguem firmes com a chegada do pico de viagens de verão, embora rachaduras já apareçam, sinais de queda nas reservas futuras e de retração da demanda. A United diz que a procura atual se mantém resiliente, mas isso provavelmente não vai durar à medida que passagens mais caras desestimulem voar.

Tal qual a American Airlines dias depois, a empresa cortou sua projeção anual de lucro.

Robert Isom, presidente-executivo da American, afirmou que a demanda continua robusta no momento e que projeta crescimento de receita de dois dígitos no trimestre, ainda que a companhia esteja podando voos pouco rentáveis.

Mesmo assim, a empresa reduziu a projeção anual e admitiu que pode encerrar 2026 no prejuízo.

Parcerias

A guinada acontece enquanto American e Alaska Air negociam possíveis acordos de divisão de receitas e outras parcerias estratégicas, segundo apurou a Bloomberg News.

A American também tem sido objeto de especulações sobre uma eventual fusão com a United. A ideia teria sido aventada por Kirby num encontro com Trump em fevereiro, segundo pessoas a par do assunto.

Tanto a American quanto o presidente, em geral pró-mercado, rejeitaram a hipótese, alegando redução da concorrência. Dias depois, Trump jogou outra bomba no colo dos chefões da aviação ao dizer que avalia uma compra estatal da Spirit em vez de deixá-la quebrar.

“O atual governo não facilita o planejamento de longo prazo, e os presidentes de aéreas são obrigados a improvisar”, disse Art Wheaton, diretor de estudos do trabalho na Escola de Relações Industriais e Trabalhistas da Universidade Cornell.

A pressão também atinge as cúpulas pelo mundo afora. Há sinais de que países asiáticos vêm estocando querosene, e a Agência Internacional de Energia advertiu que a Europa pode esgotar seus suprimentos em questão de semanas.

A alemã Lufthansa, maior grupo aéreo da Europa, vai cortar cerca de 20 mil voos da malha de verão e está adotando o modelo de preços das aéreas de baixo custo, vendendo bilhetes que não incluem bagagem.

Como em toda crise, sempre há alguém dizendo a todos para manter a calma. Na aviação, é Clark, da Emirates, cuja base em Dubai foi devastada pelo conflito.

A maior companhia aérea do mundo opera a 65% da capacidade depois de uma paralisação quase total, com viajantes evitando a região do Golfo Pérsico. 

Mas, uma vez reaberto o Estreito de Ormuz, rota marítima por onde escoa boa parte do petróleo do Oriente Médio e cujo fechamento pressiona diretamente o preço do querosene de aviação, bastariam um a dois meses para os negócios se recuperarem, disse ele.

“As pessoas têm memória curta”, afirmou Clark numa conferência em Berlim na quinta-feira. Cessadas as hostilidades e havendo algum grau de estabilidade, “as coisas voltam ao normal”.

©2026 Bloomberg L.P.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Fundo da IG4 Capital terá de manter participação na Braskem por dois anos

24 de Abril de 2026, 19:08

O fundo apoiado pela gestora IG4 Capital terá de manter a participação que está adquirindo na petroquímica Braskem por pelo menos dois anos, de acordo com o novo acordo de acionistas da companhia.

O fundo Shine I Investment e a Petrobras assinaram um novo acordo de controle compartilhado da Braskem após a petroleira estatal afirmar que não exerceria os direitos sobre a fatia que a Shine está comprando do conglomerado em dificuldades Novonor.

O chamado período de lock-up da participação do Shine foi desenhado para garantir estabilidade acionária e um compromisso de longo prazo com a reestruturação da empresa e a melhora de seu desempenho financeiro.

Após o período de lock-up, o fundo poderá vender suas ações livremente no mercado por meio de negociações em bolsa, block trades ou ofertas subsequentes, sem acionar o direito de preferência da Petrobras ou direitos de tag along, embora ainda dependam de aprovações internas, segundo o acordo.

Os principais acionistas da Braskem concordaram em incluir a companhia no mais alto nível de governança corporativa da bolsa brasileira, conhecido como Novo Mercado, assim que forem atingidas metas financeiras-chave.

O acordo também estabelece que, em caso de venda de ativos relevantes pela Braskem ou por suas subsidiárias, o fundo deverá conceder à Petrobras direito de preferência.

Controle compartilhado

A Petrobras assinou um novo acordo de acionistas da Braskem com o fundo Shine I FIP, da IG4 Capital, formalizando a transição de controle da petroquímica após anos de incerteza. No mesmo movimento, a estatal informou que não exercerá direitos de preferência nem de tag along em relação à Novonor — mecanismo que daria prioridade para compra da participação ou permitiria vender suas ações nas mesmas condições em caso de troca de controle —, liberando o caminho para a transferência das ações.

O novo modelo estabelece controle compartilhado entre Petrobras e o fundo, com decisões exigindo consenso no conselho de administração e na assembleia geral. As duas partes também terão direito equivalente de indicação para o conselho e a diretoria da companhia. A Petrobras mantém 36,1% do capital total da Braskem, enquanto o FIP Shine ficará com 34,32% do capital total, sendo o maior acionista com ações ordinárias.

Assembleia na próxima semana

A nova governança prevê ainda a escolha de uma nova administração já na assembleia de 29 de abril. A tendência é que a IG4 indique o CEO e o CFO, enquanto a Petrobras ficará com indicações nas áreas de operação e comercial, além de influenciar a presidência do conselho. Entre os nomes cotados estão Helcio Tokeshi para CEO e Carlos Brandão para a diretoria financeira.

A mudança ocorre em meio a uma forte pressão financeira sobre a Braskem, que encerrou 2025 com dívida líquida de US$ 7,5 bilhões. A empresa deve buscar um acordo de suspensão de pagamentos com credores, enquanto prepara um plano de reestruturação. A IG4 também se comprometeu a lançar uma oferta pública para adquirir ações em circulação, após a conclusão das aprovações regulatórias e pendências judiciais ligadas à Novonor.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Governo barra derivativos de eleições e esportes e trava corrida dos ‘prediction markets’ no país

24 de Abril de 2026, 15:23

O governo brasileiro deu um passo para proibir mercados de previsão atrelados a eleições e eventos esportivos, endurecendo regras sobre uma prática em expansão que vem sendo alvo de escrutínio global.

Em resolução publicada nesta sexta-feira (24), o Conselho Monetário Nacional (CMN), órgão máximo responsável por definir as diretrizes da política monetária, de crédito e cambial do país, proibiu a oferta e negociação de derivativos cujos ativos subjacentes estejam ligados a eventos esportivos, jogos online e “eventos reais ou virtuais de natureza política, eleitoral, social, cultural ou de entretenimento”.

A medida também veta contratos baseados em temas que não representem uma referência econômica ou financeira clara, a ser definida pelo regulador do mercado de capitais no país.

A decisão ocorre em meio a planos da B3 de entrar no crescente mercado de “prediction markets”, que vêm sendo analisados com mais cautela por autoridades, especialmente por preocupações com uso de informação privilegiada.

A bolsa já confirmou o lançamento, em 27 de abril, de seis novos contratos ligados ao índice Ibovespa, ao real e ao Bitcoin, e vinha estudando expandir a oferta para incluir contratos baseados em eventos.

Entre as possibilidades avaliadas estavam produtos vinculados a eleições. A B3 chegou a buscar parecer jurídico sobre a viabilidade de contratos atrelados a resultados eleitorais.

Esses instrumentos poderiam ser lançados antes das eleições presidenciais de outubro, com foco na disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flavio Bolsonaro, segundo pesquisas recentes que indicam uma disputa acirrada.

A nova resolução, no entanto, barra esse tipo de prática.

Ao proibir explicitamente derivativos ligados a eventos políticos e não financeiros, o Conselho Monetário Nacional (CMN) praticamente encerra a discussão que vinha se formando no mercado sobre até que ponto esses instrumentos poderiam ser enquadrados como derivativos financeiros legítimos ou como uma forma de aposta disfarçada.

O conselho também atribuiu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a responsabilidade de regulamentar os detalhes adicionais e fiscalizar o cumprimento das novas regras.

Polymarket e Kalshi

O governo anunciou ainda que bloqueou o acesso à Polymarket e a cerca de duas dezenas de outras plataformas de mercados de previsão e afirmou que elas não estavam em conformidade com as leis federais de apostas – mais conhecidas como bets.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse a repórteres em Brasília na sexta-feira (24) que 28 empresas foram bloqueadas por oferecer o que o governo considerou “apostas ilegais”.

Durigan apresentou a medida como parte de um esforço mais amplo para proteger as economias dos brasileiros e enfrentar o aumento do endividamento das famílias, algo que o presidente Lula atribui, em parte, às apostas online – embora muitas sejam legalizadas.

Daniele Cardoso, responsável pelo setor de apostas no Ministério da Fazenda, confirmou que a Polymarket foi bloqueada. A Kalshi, outra plataforma popular fundada pela brasileira Luana Lopes Lara, também apareceu fora do ar no Brasil, embora Cardoso não tenha confirmado se ela está entre as plataformas interditadas.

A Polymarket não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Um porta-voz da Kalshi disse que a empresa está revisando a resolução.

Debate sobre mercados de previsão

Uma reportagem publicada em março pelo InvestNews expôs as narrativas que envolvem a discussão no Brasil, ao levantar uma questão divide reguladores, bolsas e agentes do mercado: afinal, “prediction markets” são instrumentos financeiros legítimos, úteis para precificação de risco e formação de expectativas, ou apenas uma forma sofisticada de aposta?

Nos Estados Unidos, plataformas como a Kalshi e a Polymarket funcionam como bolsas de eventos em que contratos binários refletem probabilidades implícitas de acontecimentos futuros.

O preço desses contratos emerge da negociação entre participantes e passa a representar a percepção coletiva de probabilidade de um evento ocorrer, sem que uma casa de apostas defina as odds.

O ponto central do debate era justamente a fronteira entre essas duas leituras: de um lado, a visão de que se trata de derivativos e instrumentos de hedge sobre riscos reais; de outro, a interpretação de que, quando ligados a eventos não financeiros como eleições ou esportes, esses mercados se aproximam estruturalmente de apostas.

Com a decisão do CMN, esse espaço de ambiguidade regulatória perde força no Brasil.

Ao proibir explicitamente derivativos vinculados a eventos políticos e não financeiros, o regulador encerra, na prática, a tentativa de enquadrar esses contratos como instrumentos financeiros tradicionais no país, e sinaliza que, ao menos por ora, eles não terão espaço dentro do sistema financeiro formal brasileiro.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Parceiras ou rivais? Google planeja investir até US$ 40 bilhões na Anthropic, dona do Claude

24 de Abril de 2026, 13:56

O Google vai investir US$ 10 bilhões na Anthropic, dona do dona do Claude, com a possibilidade de aportar outros US$ 30 bilhões no futuro, fortalecendo a relação entre as duas empresas, que são ao mesmo tempo parceiras e rivais na corrida pela inteligência artificial.

A Anthropic informou que o Google fará um investimento inicial de US$ 10 bilhões em dinheiro, com base em uma avaliação de US$ 350 bilhões — o mesmo valor atribuído à empresa em uma rodada de fevereiro, sem considerar os recursos mais recentes. A Alphabet poderá investir mais US$ 30 bilhões caso a Anthropic atinja metas de desempenho, além de apoiar uma expansão significativa da capacidade computacional da startup.

A Anthropic acelerou a captação de recursos após o sucesso do Claude Code, um agente de IA que agiliza o desenvolvimento de software. No início da semana, a empresa anunciou ter levantado mais US$ 5 bilhões com a Amazon, também a uma avaliação de US$ 350 bilhões, com opção de receber outros US$ 20 bilhões ao longo do tempo. Em fevereiro, a startup já havia captado US$ 30 bilhões, e investidores passaram a considerar avaliações de até US$ 800 bilhões.

A Anthropic é uma importante cliente dos chips e serviços de nuvem do Google — áreas que a empresa busca expandir à medida que seu principal negócio, a publicidade em buscas, amadurece. O Google Cloud fornecerá 5 gigawatts de capacidade computacional à Anthropic nos próximos cinco anos, com possibilidade de expansão. O acordo amplia uma parceria anunciada recentemente entre Anthropic, Google e a Broadcom.

As ações do Google subiam mais de 1% nesta sexta-feira, negociadas a US$ 341 por volta do meio-dia.

As unidades de processamento tensorial (TPUs) do Google são uma das principais alternativas aos chips da Nvidia, tornando-se um recurso escasso e valioso para empresas como a Anthropic, em um setor que exige enorme capacidade de processamento.

A Anthropic, que avalia realizar uma oferta pública inicial já em outubro, busca expandir sua infraestrutura para atender à crescente demanda por seus produtos.

O Claude Code rapidamente se tornou uma ferramenta popular entre engenheiros do Vale do Silício — inclusive dentro do próprio Google —, impulsionando a concorrência no setor. Outro produto, o agente Cowork, também vem ganhando tração por permitir o uso sem necessidade de programação.

Parceria entre Google e Anthropic

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, trabalhou no Google no início da carreira. As empresas mantêm laços próximos desde a fundação da Anthropic em 2021 por ex-funcionários da OpenAI. No ano passado, o Google já havia se comprometido a fornecer até 1 milhão de chips TPU à startup, em um acordo avaliado em dezenas de bilhões de dólares, além de já ter investido cerca de US$ 3 bilhões até então.

Apesar da parceria, as empresas também competem para liderar o desenvolvimento de sistemas de IA capazes de rivalizar com humanos e conquistar clientes corporativos. Nos últimos meses, executivos do Google demonstraram preocupação com a posição da empresa no mercado de ferramentas de programação com IA, atualmente dominado pela Anthropic.

O futuro da startup também envolve riscos. A Anthropic foi classificada pelo Pentágono como um possível risco na cadeia de suprimentos — decisão que a empresa contesta na Justiça — após disputas sobre o uso de sua tecnologia pelas Forças Armadas dos EUA.

Analistas também levantam preocupações sobre acordos considerados “circulares”, nos quais grandes empresas de tecnologia investem em startups de IA enquanto também vendem a elas chips e capacidade de data centers.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Por que as ações da Intel estão se aproximando dos níveis da era da bolha pontocom

24 de Abril de 2026, 08:48

As ações da Intel estão a caminho de atingir seu maior nível histórico, impulsionadas por uma projeção de receitas que superou amplamente as expectativas de Wall Street e reforçou a confiança no processo de recuperação da fabricante de chips.

A companhia informou que espera faturar entre US$ 13,8 bilhões e US$ 14,8 bilhões no trimestre encerrado em junho. O número ficou bem acima da estimativa média de analistas, de cerca de US$ 13 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Com o anúncio, os papéis da empresa chegaram a subir até 31% no pré-mercado na sexta-feira, abrindo caminho para superar o pico registrado há cerca de 26 anos, durante a era da bolha pontocom. As ações já acumulavam alta de 81% no ano antes da divulgação do balanço.

Reestruturação

O otimismo do mercado reflete a percepção de que o CEO Lip-Bu Tan está avançando em seu plano de reestruturação, focado em reposicionar a Intel para se beneficiar da crescente demanda por infraestrutura de inteligência artificial.

Investimentos estratégicos realizados no ano passado ajudaram a reforçar o balanço da companhia, enquanto a gestão agora busca melhorar eficiência operacional e capacidade produtiva.

“Todos estão começando a direcionar pedidos para a Intel, e acho que estamos nos estágios iniciais disso”, disse Thomas Hayes, presidente da Great Hill Capital e investidor da empresa, à Bloomberg TV. “Passamos de um cenário de desânimo para euforia em um curto período de tempo.”

O avanço também reflete o impacto do crescimento da demanda por chips de data centers voltados a aplicações de IA. Segundo a empresa, há forte procura pelos processadores Xeon, usados em servidores, que voltaram ao centro da estratégia da Intel em meio à corrida global por infraestrutura de inteligência artificial.

Em entrevista, Tan afirmou que a empresa teve um “resultado sólido” e que a demanda por processadores segue acelerando. No entanto, ele destacou que a Intel ainda enfrenta limitações de capacidade produtiva.

“Há uma demanda enorme. Estamos trabalhando muito para entregar, mas ainda estamos aquém porque a demanda continua crescendo”, afirmou.

A companhia também afirmou que está lidando com a escassez de chips de memória que afeta a indústria de PCs e servidores, o que tem pressionado a produção global de dispositivos.

Outro ponto de destaque foi o reforço do balanço financeiro por meio de investimentos externos. A Intel chegou a recomprar participação em uma fábrica na Irlanda que havia sido vendida anteriormente para levantar capital, movimento visto pelo mercado como sinal de confiança na retomada.

No campo estratégico, a empresa também ganhou atenção após declarações do CEO da Tesla, Elon Musk, indicando que poderá utilizar tecnologia da Intel em um projeto de fabricação de chips próprio.

Em termos financeiros, a Intel projeta lucro ajustado de cerca de 20 centavos por ação no segundo trimestre, acima da estimativa de 9 centavos do mercado. No primeiro trimestre, a receita subiu 7%, para US$ 13,6 bilhões, também acima das projeções.

Apesar da melhora recente, a empresa ainda enfrenta desafios para recuperar sua antiga posição dominante no setor de semicondutores, especialmente na corrida por chips de inteligência artificial, hoje liderada pela Nvidia.

“Hoje a Intel é uma empresa fundamentalmente diferente”, disse Tan. “A conversa deixou de ser sobre sobrevivência e passou a ser sobre a velocidade com que conseguimos ampliar capacidade e atender à demanda.”

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Baterias mais baratas fomentam um boom do armazenamento de energia – no Brasil e no mundo

19 de Abril de 2026, 16:00

Uma onda de megainstalações de baterias está prestes a ser conectada à rede elétrica neste ano — do Brasil à Mongólia.

A queda dos custos e a disparada da demanda por energia vinda de data centers já tinham preparado o terreno para um crescimento rápido. A guerra no Oriente Médio ajudou a acelerar a tendência ao aumentar a procura por alternativas aos combustíveis fósseis, que ficaram mais caros, e transformou 2026 no ano em que as baterias passam a ter peso no sistema energético global.

Analistas da BloombergNEF já previam que as instalações cresceriam cerca de um terço neste ano, puxadas pela expansão na Europa, no Oriente Médio, na África e na América Latina. Esse ritmo pode ganhar ainda mais força se as interrupções no fornecimento de combustível persistirem.

Os sinais da aceleração já começam a aparecer. Uma fabricante chinesa de baterias projetou um forte aumento no lucro do primeiro trimestre à medida que a demanda global cresce. No Vietnã, uma desenvolvedora pediu autorização para substituir um projeto de geração a partir de GNL por renováveis combinadas com armazenamento.

“Chegamos a um ponto em que, toda vez que alguém avalia investir no sistema elétrico, as baterias são uma das opções mais atrativas”, disse Brent Wanner, chefe da unidade do setor elétrico na Agência Internacional de Energia (IEA). “Os sistemas de armazenamento por bateria vão continuar crescendo por um bom tempo.”

Em mercados inundados de energia solar e eólica — tecnologias que se expandiram muito desde a última crise energética, em 2022 —, os operadores de baterias conseguem comprar eletricidade quando ela está barata e revender nos momentos de pico da demanda.

O leilão no Brasil

Não é só isso. Hoje, no Brasil, o sol produz mais eletricidade do que as hidrelétricas. Elas caíram para o segundo lugar da matriz, com 32%. E a diferença só aumenta quando o relógio marca meio-dia: 44% da energia nacional vem direto dos painéis, num pico só. Só tem um problema.

Flui mais energia do que os fios de transmissão dão conta quando o sol está a pino. O ONS, Operador Nacional do Sistema Elétrico, manda desligar parte do que vem chegando – é o curtailment, no vocabulário do setor.

Energia pronta para consumo que some antes de encontrar a tomada. Somando tudo ao longo de um dia, 20% do que solar e eólica poderiam entregar viram nada.

Em potência, a perda chega a 4 GW. Dá para acender uma cidade de 12 milhões de pessoas. Para quem quer uma régua conhecida: Itaipu tem 14 GW.

Quando o sol se põe, a peça inverte. Agora falta energia. O sistema, que horas antes estava cortando geração, passa a suplicar por oferta. A saída para esse vaivém diário é quase intuitiva: guardar o que sobrou do dia para gastar à noite.

É por isso que o governo federal prepara o primeiro “leilão de reserva de potência” do país. Na prática, uma convocação a empresas dispostas a erguer “fazendas de baterias” — no termo técnico, BESSs, de Battery Energy Storage Systems.

O modelo de receita é simples. A empresa monta um parque de megabaterias de lítio. De dia, aproveita a enxurrada de geração para comprar barato – boa parte é justamente o excedente que seria cortado, então o desconto tende a ser generoso.

Depois que o sol vai embora, as baterias devolvem os elétrons à rede, num momento em que ela está implorando por oferta e pagando preço de pico. Entre uma ponta e outra, há espaço para uma margem de lucro para as empresas interessada em investir no armazenamento.

O leilão está previsto para junho e deve abrir espaço para 2 GW em energia estocada.

A Europa também passa por curtailments. Só a Alemanha deve perder 3,7 bilhões de euros (US$ 4,4 bilhões) com corte da produção renovável neste ano. O armazenamento deve disparar pelo continente, com a capacidade projetada para crescer cerca de cinco vezes até o fim da década.

Trata-se de um fenômeno global, na verdade.

Na Mongólia, três megainstalações entraram em operação recentemente com potência combinada de 3 GW. Na Escócia, duas enormes fazendas de baterias vizinhas, no terreno de uma antiga mina de carvão, vão começar a operar ainda neste ano.

A Austrália dá uma prévia de como o boom está remodelando os sistemas de energia. Pouco depois da entrada parcial em operação, no ano passado, de um megaprojeto conhecido como Waratah Super Battery, em Nova Gales do Sul, as baterias despejaram mais eletricidade na rede principal durante o pico da noite do que as usinas a gás.

A expectativa é que o empreendimento atinja operação plena em 2026. O armazenamento também tem ajudado a adiar uma esperada escassez de gás, à medida que os campos domésticos se esgotam, o que reforça seu papel na segurança energética do país.

Um dos grandes motivos de os projetos terem ficado mais atrativos é a queda rápida dos custos. Waratah, por exemplo, custaria 20% menos para ser construída hoje do que quando as obras começaram, quatro anos atrás, segundo Nick Carter, CEO da Akaysha Energy, dona do projeto.

Excesso de baterias

No centro do boom global do armazenamento de energia está o papel da China na produção dos equipamentos. Anos de investimento em sua cadeia de veículos elétricos criaram um excedente de baterias, puxando os preços para baixo e inundando os mercados globais com equipamentos mais baratos.

O país responde hoje pela maior parte da capacidade global de fabricação, além de cerca de metade das instalações de baterias em escala de rede já existentes. Isso se deve, em parte, a uma exigência de 2021 que obrigava projetos de renováveis a incluir armazenamento de energia, regra que acabou sendo revogada.

O padrão lembra o ciclo da indústria solar depois de 2021, quando o salto da demanda disparou uma onda de investimentos que levou à oferta excessiva, à queda dos preços e, por fim, à adoção em massa, segundo a consultoria Trivium China. O que chama atenção é que a queda dos preços das baterias acontece mesmo com a alta dos custos da maioria das outras tecnologias de energia limpa.

Isso significa que a conta dos projetos está mudando rápido. Em meados de 2024, a australiana AGL Energy. começou a construir uma grande bateria em Nova Gales do Sul. Seis meses depois, aprovou outro projeto no mesmo estado com custo por megawatt-hora cerca da metade do anterior, segundo o CEO, Damien Nicks.

Demanda em disparada

Com os sistemas elétricos sob pressão em grande parte do mundo, a onda de baterias mais baratas chega num momento decisivo.

Nos EUA, a velocidade da construção é um fator importante. Data centers do Texas ao Tennessee têm recorrido à combinação de solar com baterias porque as usinas tradicionais não conseguem ser erguidas com a rapidez necessária, já que a escassez de turbinas e os gargalos na rede atrasam os prazos. Perto de Memphis, no Tennessee, a xAI, empresa de inteligência artificial de Elon Musk, instalou fileiras de baterias Megapack da Tesla Inc. em sua instalação de supercomputação Colossus, para lidar com apagões e com a disparada do consumo elétrico.

As baterias devem responder por mais de um quarto da capacidade recorde de geração que os EUA vão adicionar em 2026, segundo a Energy Information Administration (EIA).

“Muita gente ainda enxerga a história das baterias como uma tecnologia de energia limpa”, disse Jeff Monday, diretor de crescimento da fornecedora de armazenamento Fluence Energy Inc. “Vimos uma evolução — a tecnologia de baterias hoje é vista como algo que dá resiliência à rede.”

Por Keira Wright, Mark Chediak, Petra Sorge e Redação InvestNews

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Bancos credores apresentam nova proposta de reestruturação à Raízen

19 de Abril de 2026, 12:43

Os bancos credores da Raízen apresentaram uma nova proposta de reestruturação à sucroalcoleira, segundo pessoas a par do assunto.

A proposta: 30% do que for arrecadado com a venda dos ativos na Argentina deve ir para a redução da dívida, afirmaram as fontes. Os bancos também pedem a substituição de Rubens Ometto, fundador da Cosan, controladora da Raízen, na presidência do conselho — repetindo uma exigência já feita pelos detentores de títulos de dívida.

Enquanto esses pediram um aporte de R$ 8 bilhões, a proposta dos bancos não especifica um valor.

A Shell, sócia da Cosan na Raízen, concordou em março em injetar R$ 3,5 bilhões como parte da reestruturação, enquanto Ometto se comprometeu com outros R$ 500 milhões. No início deste mês, a companhia apresentou aos credores uma proposta que poderia entregar a eles até 70% das ações ordinárias da Raízen.

Cosan, Raízen e Ometto não quiseram comentar quando procurados ao longo do fim de semana. Bradesco, Santander Brasil, Banco do Brasil e Itaú Unibanco, que estão entre os credores, também não se manifestaram. A Shell não respondeu de imediato a um pedido de comentário da Bloomberg.

Os detentores de títulos apresentaram a própria proposta de reestruturação, que inclui uma injeção de capital de R$ 8 bilhões. Eles também querem a saída de Ometto e mais voz na gestão da companhia – e, junto dos bancos, pedem uma fatia de até 90% da empresa em troca de 45% da dívida.

A Raízen cultiva 13 mil km² de cana (o equivalente a metade do Estado do Sergipe), e entrou com pedido de recuperação extrajudicial em março, com uma dívida de R$ 65 bilhões. Desde então, a join venture da Cosan e da Shell tem negociado com os credores para fechar um acordo e evitar precisar pedir recuperação judicial.

A empresa vem sofrendo o impacto dos juros altos, que encarecem sua dívida colossal, de problemas operacionais nas divisões de açúcar e etanol e de grandes investimentos que não deram retorno. Entre eles, está a malfadada tentativa da Cosan de ter uma participação relevante na Vale — a holding chegou a investir cerca de R$ 21 bilhões para montar uma fatia de 4,05% da mineradora (apesar da intenção inicial de alcançar 6,5%) e se desfez das ações em 2025 por cerca de R$ 9 bilhões.

Outro negócio mal-fadado foi a participação nas lojas Oxxo, em parceria com a Femsa. A joint venture acumulou perto de R$ 1 bilhão em prejuízo nos últimos três anos, e em fevereiro a Raízen abandonou a sociedade.

Em 2024, a Raízen perdeu o posto de maior produtora de etanol do país para a Inpasa, que faz o biocombustível a partir de milho – matéria-prima mais eficiente que a cana, o custo de produção chega a ser 40% menor. Uma tempestade perfeita no império de Rubens Ometto.

A recuperação extrajudicual da Raízen é a maior da história do Brasil.

Por Giovanna Bellotti Azevedo, Rachel Gamarski, Matheus Piovesana, Leda Alvim e Redação InvestNews.

Disparada do querosene de aviação cancela rotas aéreas mundo afora

18 de Abril de 2026, 10:55

Os passageiros devem se preparar para mais dor de cabeça nos próximos meses, à medida que companhias aéreas do mundo todo aprofundam cancelamentos e deixam aviões no chão para tentar conter a escalada estratosférica no preço do combustível de aviação.

A holandesa KLM foi a mais recente a cortar sua malha. Na quinta (16), a companhia anunciou que vai cancelar 80 voos de ida e volta no Aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, ao longo do próximo mês. Com isso, ela entra no mesmo time da United Airlines, da Lufthansa e da Cathay Pacific, que também já enxugaram itinerários para conter o estrago.

A capacidade global prevista para maio foi reduzida em cerca de 3 pontos percentuais, e 19 das 20 maiores empresas do setor cortaram voos, segundo dados compilados pela consultoria Cirium. A casa está revisando a projeção inicial, de crescimento de 4% a 6% no ano, e afirma que, em certos cenários, uma queda de até 3% está no radar.

“Parece extremamente provável que venham novas reduções pela frente”, escreveu Richard Evans, consultor sênior da Cirium, em relatório divulgado na quinta-feira.

Não há solução à vista no curto prazo. “Qualquer rota que a gente esteja operando no limite, talvez sem render o que gostaríamos, tende a ser reavaliada”, disse Ed Bastian, presidente da Delta Air Lines, ao anunciar um custo extra de US$ 2,5 bilhões com combustível neste trimestre. “Vai ser um teste e tanto para o setor.”

Como se não bastasse, há dúvidas sobre se vai haver combustível suficiente para todo mundo. A Agência Internacional de Energia (AIE) diz que a Europa tem “talvez seis semanas” de estoque. Ryanair, Virgin Atlantic e EasyJet só projetaram a disponibilidade do produto até meados de maio.

A União Europeia afirmou que pode ter problemas no abastecimento de querosene de aviação “em futuro próximo”. O bloco prepara um plano conjunto de ação caso a situação no Estreito de Ormuz se arraste, segundo um porta-voz ouvido na sexta-feira em Bruxelas.

Por ora, o setor pode ter ganhado algum fôlego depois que o Irã afirmou, na sexta, que o estreito estava “completamente aberto” ao tráfego comercial. Na sequência, o petróleo Brent de referência chegou a cair 11%. Mas qualquer trégua ainda é frágil, já que os dois lados tentam manter poder de barganha no conflito.

Os ajustes recentes de capacidade mostram que muitas empresas entraram em modo de preservação, contando com uma piora prolongada dos negócios por causa do conflito. Mesmo que os combates terminem logo, a reconstrução da infraestrutura danificada deve levar meses ou anos.

A Lufthansa adotou medidas drásticas na última semana, enquanto uma onda de greves agravava sua crise de combustível. O grupo encerrou a unidade CityLine, tirando 27 aeronaves de operação, e enxugou a capacidade no resto da rede ao deixar no chão os widebodies mais velhos e beberrões.

“O pacote para acelerar as medidas de frota e capacidade é inevitável diante do forte aumento do preço do querosene e da instabilidade geopolítica que continua em curso”, disse Till Streichert, diretor financeiro do grupo, na quinta-feira.

A lista não para. Ainda no guarda-chuva da Lufthansa, a suíça Edelweiss suspendeu os voos para Denver e Seattle e reduziu a frequência de Las Vegas.

A Air Canada cancelou as operações de Montreal e Toronto para o aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, mas vai continuar atendendo os outros dois hubs da cidade, Newark e La Guardia.

A Norse Atlantic, de baixo custo e com sede na Noruega, suspendeu todos os voos de e para Los Angeles. A Virgin Atlantic desistiu da rota Londres-Riad depois de apenas um ano no ar, e a British Airways encerrou o trecho até Jeddah.

Na Nigéria, companhias locais alertaram que enfrentam “ameaças existenciais” e podem suspender voos nos próximos dias, a não ser que o governo adote medidas para baixar o preço do combustível.

A australiana Qantas vai reduzir os voos para os Estados Unidos e cortar cerca de 5% da capacidade doméstica, diante de uma estimativa de conta extra de A$ 800 milhões (US$ 575 milhões) com combustível no segundo semestre do ano fiscal.

A Cathay Pacific, de Hong Kong, vai cortar 2% da frequência de voos na Ásia-Pacífico entre meados de maio e o fim de junho. Sua unidade de baixo custo, a HK Express, que já operava no prejuízo, vai fazer um recuo ainda mais forte, de 6%.

Os cortes vieram depois de a companhia impor taxas extras de combustível de até US$ 400 em passagens de ida e volta nas rotas de longa distância.

“Exploramos todos os meios à nossa disposição para manter nossos voos operando normalmente”, afirmou Lavinia Lau, diretora comercial e de relacionamento com clientes da Cathay, em comunicado de 11 de abril. “Mas essas medidas não foram suficientes para absorver a alta expressiva no custo do combustível.”

Muitas empresas europeias têm boa proteção via hedge sobre o combustível, ao menos para os próximos meses, enquanto a maioria das americanas — as maiores do mundo em capacidade — não faz esse tipo de operação e acaba engolindo as contas mais salgadas.

A United Airlines foi uma das primeiras a anunciar cortes, tirando 5% da capacidade já neste ano, com reduções que se estendem até setembro. A Delta tenta se equilibrar repassando aumentos ao consumidor e mexendo na capacidade, com recuo de cerca de 3,5%.

As companhias da China, que também não contam com hedge no combustível, estão intensificando os cancelamentos diários de voos, segundo análise da Bloomberg News sobre dados da provedora chinesa DAST. A alta nos cortes vem justamente no momento em que as empresas chinesas programam menos voos domésticos por dia, conforme dados compilados pela BloombergNEF.

Nas redes sociais, passageiros chineses lotaram as timelines com reclamações sobre cancelamentos de última hora pouco antes do feriadão de cinco dias da Golden Week (“Semana Dourada”), em maio. E, enquanto os viajantes ao redor do planeta fecham suas férias de verão e outono, muitos podem descobrir que várias rotas para destinos menos óbvios simplesmente sumiram do mapa da aviação global.

“Se o preço do querosene continuar alto por muito tempo, vai haver mais cancelamentos”, disse Dudley Shanley, analista do Goodbody.

Oncoclínicas avalia pedir proteção contra credores

7 de Abril de 2026, 18:40

A Oncoclínicas considera buscar uma medida cautelar contra credores à medida que as pressões financeiras aumentam, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A operadora brasileira de centros de tratamento oncológico corre o risco de descumprir alguns de seus covenants (cláusulas contratuais com os credores). O pedido de proteção temporária pode ocorrer nos próximos dias, disseram as pessoas, que pediram anonimato.

O timing e a estrutura ainda estão sendo discutidos e podem mudar, acrescentaram.

A notícia foi divulgada anteriormente pelo jornal Valor Econômico.

Um dos caminhos possíveis seria uma cautelar de mediação com os credores de CRI, que detêm um tipo de título lastreado em recebíveis imobiliários no Brasil, em vez de um pedido cautelar mais amplo, disseram as pessoas, ressaltando que nenhuma decisão foi tomada até o momento.

Os atrasos em tratamentos aumentaram à medida que a empresa passa por um processo de enxugamento, disse uma das pessoas. A companhia está ajustando o nível de funcionários e sua rede de clínicas, e cortou cerca de 70 empregos nas últimas semanas.

A Oncoclínicas não comentou.

A crise da Oncoclínicas

A Oncoclínicas está entre um grupo de empresas de saúde brasileiras que buscam reduzir o endividamento após um período de expansão agressiva. As taxas de juros em dois dígitos complicaram ainda mais as perspectivas do setor.

A empresa não possui títulos globais e sua dívida está denominada em moeda local, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

Nas últimas semanas, houve uma série de desenvolvimentos negativos no crédito corporativo brasileiro, com Raízen e o GPA entrando em recuperação extrajudicial, e a Alliança Saúde buscando também buscando uma cautelar. 

O movimento ocorre em um momento delicado para a Oncoclínicas, conforme investidores levantam preocupações sobre potenciais conflitos de interesse e práticas de governança. Isso se deve, em parte, aos vínculos da empresa com o Banco Master.

A empresa brasileira também adiou a divulgação de seus resultados financeiros de 2025 para 9 de abril, ante 30 de março.

O Valor reportou anteriormente que a Oncoclínicas, que enfrenta um problema de liquidez e tem recursos suficientes para cerca de 15 dias, tem três propostas na mesa para lidar com a situação.

As ofertas surgiram após cerca de 3 mil pacientes terem atrasos de aproximadamente uma semana no atendimento oncológico, com os casos mais graves sendo transferidos para hospitais parceiros, informou o jornal nesta semana, citando fontes não identificadas.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Guerra no Irã faz Vale parar plantas em Omã e redirecionar navios de minério

7 de Abril de 2026, 18:00

A Vale antecipou a parada de manutenção das duas plantas de pelotas em Omã para reduzir possíveis impactos da guerra no Irã, segundo uma fonte a par do assunto.

As paradas, previstas para o primeiro semestre, foram adiantadas em algumas semanas, disse a fonte, que pediu anonimato. Ela não detalhou por quanto tempo as unidades ficarão fora de operação.

As operações em Omã têm capacidade de 9 milhões de toneladas por ano — cerca de 29% da produção total da companhia no ano passado.

A mineradora vende para países do Golfo, como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos. Mas o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã está travando as entregas, segundo a fonte.

A decisão ajuda a explicar o desvio de navios com minério brasileiro da Vale que tinham como destino o Oriente Médio.

A companhia não pretende revisar o guidance de produção para o ano, com previsão de 30 milhões a 34 milhões de toneladas de pelotas.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

iPhone dobrável da Apple está previsto para ser lançado em setembro. Veja o que se sabe

7 de Abril de 2026, 15:05

O primeiro celular dobrável da Apple está no caminho certo para chegar durante o período normal de lançamento de iPhones da empresa ainda este ano, disseram pessoas com conhecimento do assunto, refutando preocupações sobre grandes problemas de fabricação.

A empresa deve apresentar o modelo dobrável em setembro, junto com o iPhone 18 Pro e Pro Max, disseram as fontes, que pediram para não ser identificadas porque os planos ainda não foram anunciados. Normalmente, os iPhones chegam às lojas na semana seguinte à apresentação oficial.

Um relatório do Nikkei Asia alimentou preocupações sobre um possível atraso na terça-feira. As ações da Apple caíram até 5,1% após o veículo noticiar que a empresa enfrentava desafios na fase de testes de engenharia do aparelho, o que poderia atrasar o cronograma de produção e envio, segundo o Nikkei Asia.

Embora a complexidade da nova tela e dos materiais possa limitar o fornecimento inicial por algumas semanas, a Apple atualmente opera com o plano de colocar o dispositivo à venda aproximadamente na mesma época — ou logo após — os novos modelos não dobráveis, disseram as fontes.

As ações da Apple reduziram suas perdas depois que a Bloomberg News reportou sobre os planos. O papel estava em queda de cerca de 2,7%, cotado a US$ 251,88 às 13h04 em Nova York na terça-feira.

Ainda assim, o lançamento está a seis meses de distância e a produção ainda não foi intensificada. Isso significa que o cronograma não é definitivo. Um porta-voz da empresa, com sede em Cupertino, Califórnia, se recusou a comentar.

O dispositivo é uma iniciativa importante para a Apple, que busca expandir a linha de iPhones com novos designs, modelos mais caros e recursos aprimorados. O objetivo é competir melhor com a Samsung Electronics e fabricantes chineses de smartphones, que já oferecem opções dobráveis há anos.

iPhone dobrável

Para a Apple, o iPhone dobrável é o segundo passo de um plano de três anos para reinventar o visual e a experiência do seu dispositivo principal. No ano passado, a empresa lançou versões reformuladas do Pro e Pro Max e uma versão mais fina chamada iPhone Air. A Apple também trabalha em uma reformulação separada para 2027, marcando os 20 anos do produto.

O roadmap do iPhone tem sido prioridade para a gestão da Apple — incluindo o chefe de hardware John Ternus, que, segundo a Bloomberg News, é um dos principais candidatos a eventualmente substituir o CEO Tim Cook.

O iPhone dobrável será semelhante aos produtos concorrentes — com alguns pontos de destaque. Engenheiros da Apple acreditam ter resolvido problemas de qualidade da tela e durabilidade geral, duas falhas históricas de aparelhos nessa categoria. Isso inclui tornar a dobra da tela menos visível quando aberta.

O iPhone terá orientação ampla da tela no modo paisagem, tornando-o mais eficaz para assistir vídeos e jogar do que os modelos dobráveis mais estreitos atualmente no mercado. A Apple planeja atualizar o sistema iOS para fazer com que os aplicativos do iPhone se pareçam mais com os do iPad nesse novo dispositivo.

Quanto vai custar o iPhone dobrável?

O preço do produto deve ultrapassar US$ 2.000. Embora isso possa desestimular alguns consumidores, deve elevar o preço médio de venda da Apple e impulsionar o crescimento da receita da empresa.

Ao mesmo tempo, a Apple está ajustando seu calendário anual de lançamentos do iPhone. O próximo modelo de entrada será adiado para a primavera de 2027, informou a Bloomberg News. A empresa também planeja lançar um novo iPhone Air e um iPhone 18e mais econômico nesse período. O iPhone 17e foi lançado no mês passado.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Por que Doritos a US$ 7 o pacote custaram bilhões à PepsiCo

7 de Abril de 2026, 14:36

Os preços dos chips da PepsiCo ficaram altos demais nos Estados Unidos. O Walmart vinha alertando a fabricante de Doritos, Lay’s, Cheetos e outros snacks populares sobre isso há mais de um ano. Executivos da PepsiCo também tinham ciência do problema, já que as vendas destes produtos estavam caindo. Alguns pacotes de chips custavam mais de US$ 7; no Walmart, o preço dos Doritos subiu quase 50% desde 2021, segundo dados da Attain, que acompanha gastos dos consumidores.

Mesmo quando o Walmart reduziu o espaço de prateleira dos salgadinhos em favor de suas marcas próprias mais baratas e de concorrentes como Takis, os preços não caíram. Somente em fevereiro, a PepsiCo anunciou que cortaria preços em até 15% em alguns snacks salgados. Até então, os snacks da Pespico já tinham perdido suas metas internas de receita por dois anos consecutivos, com déficit superior a US$ 1 bilhão, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Agora que a redução de preços começou, novos desafios surgem e podem reduzir o impacto esperado. Com a guerra no Irã elevando os preços do petróleo, consumidores sob maior pressão econômica podem não se sentir atraídos por descontos de menos de um dólar por pacote. Além disso, custos mais altos de alimentos e embalagens podem comprometer as margens da empresa, dependendo da duração do conflito.

Antes da guerra, os cortes de preços eram “provavelmente suficientes” para atrair clientes e aumentar a receita da PepsiCo, disse Nik Modi, co-chefe de pesquisa global de consumo e varejo do RBC Capital Markets. “Mas e agora?” Um porta-voz da PepsiCo se recusou a comentar a reportagem.

Cidades selecionadas

O CEO da PepsiCo, Ramon Laguarta, disse em fevereiro que a empresa saberá até o verão se os cortes são “suficientes”. Testes em cidades selecionadas no ano passado já geraram aumento significativo de volume. Ao concordar em reduzir os preços, a empresa garantiu, em média, um aumento de dois dígitos no espaço de prateleira em grandes varejistas como Walmart, Costco e Target. A expectativa é que essas mudanças estejam totalmente implementadas até o final do mês.

Executivos da PepsiCo discutiam como lidar com os preços desde pelo menos 2024, quando a receita dos snacks ficou negativa, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Ninguém queria assumir a responsabilidade por uma queda de receita de curto prazo provocada por cortes de preço. A empresa tentou outras estratégias para atrair clientes: promoções, redução de quantidade nas embalagens. Nada funcionou.

Quando Rachel Ferdinando assumiu a divisão de alimentos dos EUA no início de 2025, constatou que os preços precisavam cair. Assim, a PepsiCo testou cortes de preços em mercados selecionados na segunda metade de 2025 e iniciou o plano de forma mais ampla no início de 2026.

Pressões externas aumentavam. As receitas que tinham crescido por 53 trimestres consecutivos, mais de 13 anos, começaram a cair. A PepsiCo perdia participação de mercado para marcas próprias mais baratas, enquanto concorrentes como Conagra Brands e General Mills já estavam reduzindo preços.

Reuniões com varejistas como Walmart, que queriam que a empresa resolvesse rapidamente a questão da acessibilidade, ficaram tensas.

Na sede da PepsiCo em Nova York, Laguarta também se preocupava com outras prioridades. Consumidores americanos buscavam cada vez mais opções mais saudáveis. Laguarta incentivou a empresa a investir mais em alimentos ricos em proteína e fibra, que geralmente custam mais que os chips. Ele também trabalhava na abertura de um restaurante com a marca Lay’s na Espanha.

Em setembro, com a ação da empresa caindo mais de 20% desde o pico de 2023, a Elliott Investment Management adquiriu participação de US$ 4 bilhões, com uma lista de exigências, incluindo tornar os produtos mais acessíveis.

No final do ano, a PepsiCo anunciou que reduziria preços em até 15% em alguns snacks, focando em pacotes maiores das marcas mais populares, incluindo Doritos e Cheetos. Laguarta descreveu os cortes como “muito cirúrgicos”. A empresa também implementou cortes de custos, incluindo demissões.

Com o valor de mercado da PepsiCo caído mais de US$ 50 bilhões desde 2023, os preços mais baixos começaram a aparecer nas lojas no início de 2026.

Em um Walmart em Washington, no final de março, pacotes de Cheetos eram exibidos em local de destaque, com um grande cartaz vermelho anunciando o preço promocional US$ 3,97, reduzido de US$ 4,43.

Lee Jones, aposentado, disse que não compra chips com frequência, mas colocou um pacote de Tostitos de milho azul orgânico no carrinho porque estava em promoção e identificado como orgânico. “O preço importa”, afirmou.

Em outro mercado em El Monte, Califórnia, pacotes de salgadinhos estavam com preços reduzidos. O dono, Amar Singh, disse que ainda não notou aumento nas vendas. Um grande pacote de Ruffles custava US$ 5,49, 80 centavos a menos. “As vendas caíram muito desde o ano passado”, disse, atribuindo não só aos preços altos, mas também a fatores como operações de imigração. “As pessoas simplesmente estão gastando menos.”

O mantra da divisão de snacks da PepsiCo era “Frito-Lay Five Forever”, com a meta de crescer 5% ao ano, como vinha acontecendo há décadas. A Lay’s era a galinha dos ovos de ouro da PepsiCo, gerando recursos para a divisão de bebidas. Diferente das marcas de refrigerantes, que competem com a Coca-Cola, a Lay’s domina o mercado de salgadinhos, controlando quase 60% do mercado americano, segundo o RBC Capital Markets.

Durante a pandemia, como outras empresas de alimentos, a PepsiCo aumentou preços para cobrir custos de cadeia de suprimentos e mão de obra. No início, consumidores com dinheiro do auxílio emergencial não se incomodaram. Mas aumentos modestos se tornaram significativos: até o terceiro trimestre de 2022, os preços líquidos subiram 20% em relação ao ano anterior.

O crescimento da receita disparou nos dois anos seguintes, e bônus internos aumentaram. “Os snacks são a joia da PepsiCo”, disse Laguarta em 2023, destacando que tinham as maiores margens. “Não importa o que aconteça com o consumidor, continuaremos sendo a escolha preferida.”

Mas os clientes começaram a recusar o alto preço dos pacotes de chips. “Reduzi um pouco as compras”, disse Denton Malcom, consultor de negócios em Washington, DC, que gosta de Doritos, Tostitos e Ruffles — mas não a qualquer preço.

Quando as vendas começaram a cair em 2023, funcionários alertaram que os preços estavam altos e aumentos muito frequentes. Mesmo assim, gerentes seniores não quiseram reduzir preços.

A PepsiCo tentou outras estratégias: pacotes menores, promoções, multi-packs mais baratos, novos produtos sem corantes artificiais e opções mais ricas em proteína e fibra, para atrair consumidores preocupados com saúde.

Em 2023 e 2024, Laguarta previu que o volume da Lay’s se recuperaria. “Testamos diferentes táticas para atender ao consumidor e vemos que está funcionando.”

Em 2024, a receita da divisão de snacks ficou negativa pela primeira vez em mais de uma década. A empresa perdia não só clientes, mas também espaço de prateleira, incluindo os pontos mais cobiçados. Alguns funcionários se incomodaram com pacotes custando mais de US$ 7.

Em 2025, a revisão de Ferdinando deixou claro que a PepsiCo precisava cortar preços. No segundo semestre de 2025, foram feitos testes, e em 2026 a redução começou a ser aplicada em maior escala.

Analistas afirmam que a empresa deveria ter cortado preços antes. “A PepsiCo, como muitas, assumia que os consumidores suportariam os aumentos e só agora entende a importância da ‘acessibilidade’ para o consumidor típico.”

Agora, a mensagem é que a PepsiCo está totalmente comprometida em oferecer valor. “Os consumidores deixaram claro: a acessibilidade nunca foi tão importante”, disse Ferdinando.

Em supermercados Safeway em Washington, DC, pacotes familiares de Doritos e Tostitos eram vendidos por até US$ 2,49, se comprados em múltiplos de três. Pacotes maiores, como Tostitos estilo restaurante, ainda custavam US$ 7,29.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Pressionada por Shein e Zara, H&M luta para convencer sobre retomada

7 de Abril de 2026, 12:21

De uma sala de conferências no topo da sede da H&M no coração de Estocolmo, com madeira em tons marrons e linhas limpas que dão ao espaço um ar distintamente escandinavo, o CEO Daniel Ervér fala sobre reviver a antiga estrela sueca. O que ele enfrenta é um problema de credibilidade.

Há oito anos, após uma queda recorde nas vendas trimestrais, o então CEO da Hennes & Mauritz, Karl-Johan Persson, herdeiro da família bilionária fundadora, reuniu acionistas no histórico salão de concertos Cirkus, em Estocolmo, para o primeiro — e único — dia de mercado de capitais da empresa, a fim de tranquilizá-los de que as coisas melhorariam. Não melhoraram. Poucas semanas após o evento, em que Persson apareceu elegante, sem gravata, de camisa branca e terno Arket, a empresa divulgou mais más notícias: cerca de US$ 4 bilhões em roupas não vendidas e uma queda de 62% no lucro operacional.

Agora, Ervér (que assumiu em 2024) busca novamente convencer investidores de que o grupo virou a página. Paralelamente a uma reformulação ambiciosa, ele tenta tirar a H&M de um dos maiores acúmulos de estoque do varejo moderno. Embora esses esforços estejam trazendo margens operacionais e lucros maiores, ainda não resultaram em crescimento sustentado das vendas e Ervér pede paciência.

“Começamos a estabelecer uma base estável para o crescimento futuro”, disse o sueco de 44 anos, um típico executivo de carreira que passou toda sua trajetória na empresa, em entrevista em 1º de abril. “Isso pode ser visto no aumento da rentabilidade, melhor geração de caixa, níveis menores de estoque… Com o tempo, isso levará a um crescimento mais forte. Acho que estamos no início da jornada, mas é uma jornada de longo prazo.”

Daniel Erver, diretor-presidente da H&M AB, após entrevista na sede da empresa em Estocolmo, Suécia, na quarta-feira, 1º de abril de 2026. Foto: Erika Gerdemark/Bloomberg.

Tempo é algo que os investidores relutam em conceder. Desde o pico em 2015, a H&M perdeu cerca de metade de seu valor de mercado, apagando dezenas de bilhões de dólares em valor. Apenas dois anos antes, era a empresa listada mais valiosa de Estocolmo.

A incapacidade da H&M de competir no mercado global de vestuário de US$ 1,9 trilhão, tanto com a Inditex, dona da Zara, no segmento mais alto, quanto com rivais de preços agressivos como Shein e Primark faz com que investidores não se animem. E há poucos sinais de reversão: as vendas da H&M, em base constante de câmbio, caíram 1% no primeiro trimestre.

“Acho impressionante a melhora de margem que a H&M conseguiu sob Ervér, mas ainda sinto falta de crescimento”, disse Lars Soderfjell, chefe de ações nórdicas do banco finlandês Alandsbanken. “A grande questão é se a H&M ainda é relevante para seu público principal que são as mulheres de 15 a 30 anos.”

A empresa demorou a perceber as mudanças estruturais do setor, transformado na última década pela digitalização. Sem a necessidade de lojas físicas, centenas de novos concorrentes surgiram, alterando completamente o varejo.

Ervér afirma que as medidas adotadas estão ajudando a H&M a lidar melhor com esse novo ambiente. Ele reduziu camadas hierárquicas para acelerar decisões, simplificou o número de fornecedores — aproximando-os de mercados como Marrocos e Egito, em vez de China e Bangladesh — e incentivou designers a ampliar a escala dos produtos. Isso ajudou a reduzir a relação entre estoque e vendas ao menor nível em 10 anos e a preparar a empresa para enfrentar uma concorrência “brutal”.

“Temos ambições maiores de crescimento ao longo do tempo e aumentar tanto o valor para clientes quanto para acionistas, passando a crescer mais do que nos últimos anos”, disse.

Há uma década, H&M e Inditex eram vistas como pares, com lucros semelhantes no início dos anos 2010. Em valor de mercado, porém, a Inditex começou a se distanciar por volta de 2012. Em 2016, o crescimento do grupo espanhol disparou, enquanto a H&M ficou para trás, diferença que aumentou ainda mais após a pandemia. Hoje, a Inditex tem cerca de cinco vezes o lucro da H&M. Enquanto Ervér luta para levar a margem operacional a 10%, a da Inditex se aproxima de 20%.

Rivais

Após uma década de erros, investidores querem ver a H&M vender mais a preço cheio, evitar excesso de estoque e fortalecer a marca e tudo isso competindo com rivais online ultrabaratos e com uma Zara cada vez mais sofisticada.

Sob Ervér, os estoques caíram significativamente e o online já representa cerca de 30% das vendas. O número de lojas foi reduzido em 19% desde 2019, incluindo o fechamento das 130 lojas Monki. A marca principal H&M perdeu 832 unidades, com consolidação em lojas maiores estilo flagship.

Mas isso pode não ser suficiente, segundo analistas. Ainda há indícios de excesso de estoque e necessidade de liquidações adicionais.

No relatório The State of Fashion 2026, a consultoria McKinsey & Company coloca a H&M no segmento de valor, ao lado de empresas como Uniqlo. O estudo também aponta uma mudança no setor: marcas de valor estão melhorando suas ofertas para competir com rivais ultrabaratos, enquanto empresas de médio mercado como a Zara apostam em “aspiração acessível”, com mais foco em design e qualidade.

No fundo, a Inditex avançou por ter mais produção próxima ao consumidor, reduzindo o tempo de resposta ao mercado. A H&M vem tentando seguir esse modelo — mas ainda não está claro se isso será suficiente para recuperar terreno.

O futuro da empresa também depende da família Persson, que controla mais de 86% dos direitos de voto e continua aumentando sua participação — alimentando especulações de fechamento de capital.

Com menos investidores estrangeiros, a empresa enfrenta menor pressão externa por mudanças rápidas. Isso permite investir no longo prazo, mas também reduz o incentivo para ações mais radicais.

A questão-chave não é se a H&M pode mudar, mas com que rapidez. Uma década após ficar para trás em relação à Zara, a empresa se estabilizou. A próxima fase determinará se conseguirá voltar a crescer ou se permanecerá presa entre os extremos do mercado. “Estamos fazendo um trabalho amplo e de longo prazo para construir uma H&M mais forte”, disse Ervér.

Enquanto isso, os investidores dizem: mostre.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Apple dá bônus raro de até US$ 400 mil para evitar fuga de engenheiros do iPhone para a OpenAI

26 de Março de 2026, 19:13

A Apple distribuiu nesta semana bônus extraordinários a dezenas de membros da equipe de design de produtos do iPhone, em uma tentativa de conter a debandada dos profissionais para a OpenAI e outras empresas de inteligência artificial

Os pacotes de retenção variam de US$ 200 mil a US$ 400 mil em ações restritas (RSU, em inglês) com liberação gradual ao longo de quatro anos, um mecanismo que obriga o funcionário a permanecer na empresa para embolsar o valor integral. O montante envolvido é um gesto raro para os padrões da empresa liderada por Tim Cook.

Esses profissionais, hoje raros no mercado, são engenheiros responsáveis por definir como o aparelho é construído fisicamente, da escolha de materiais e ligas metálicas à disposição interna de chips e antenas, passando pelo encaixe milimétrico entre vidro e carcaça. São eles que transformam os esboços do time de design industrial em produtos que cabem no bolso de um bilhão de pessoas.

Desde que a OpenAI adquiriu a io Products, startup do lendário designer Jony Ive, por US$ 6,5 bilhões em maio passado, a empresa de Sam Altman vem montando uma divisão de hardware com dezenas de ex-funcionários da Apple

O grupo é liderado por Tang Tan, que até recentemente chefiava justamente a equipe de product design do iPhone, a mesma que agora recebe os bônus de retenção. A OpenAI não está sozinha: a Hark, novo laboratório de IA fundado pelo bilionário Brett Adcock com US$ 100 milhões do próprio bolso, contratou Abidur Chowdhury, designer responsável pelo iPhone Air, além de outros veteranos da Apple. 

Em alguns casos, essas startups estão pagando a engenheiros individuais cerca de US$ 1 milhão em ações por ano para trocar de lado.

Talento específico

Para quem aceita ficar, o cálculo é outro: ações da Apple, hoje avaliada em quase US$ 3 trilhões, são mais previsíveis do que papéis de startups que ainda não geraram um centavo de receita com hardware. Mas a previsibilidade não resolve o problema existencial.

A perda de talentos de engenharia, dos funcionários de base até líderes seniores, está se tornando um dos maiores ventos contrários para a Apple às vésperas de seu 50º aniversário, no mês que vem.

A transição para a inteligência artificial pegou a empresa no contrapé, e os profissionais que sabem projetar hardware de consumo de classe mundial se tornaram, de repente, o recurso mais escasso do Vale do Silício.

A Apple já passou por isso: há três anos, distribuiu pacotes semelhantes durante outra onda de assédio. No ano passado, elevou a remuneração de seu grupo interno de modelos de IA, quando a Meta chegou a oferecer pacotes superiores a US$ 100 milhões para pesquisadores individuais.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Ballantine’s e Jack Daniel’s juntos? Pernod Ricard avalia sua maior aquisição em décadas

26 de Março de 2026, 16:05

A Pernod Ricard, gigante francesa por trás de rótulos como Absolut, Jameson e Chivas Regal, está avaliando a aquisição da americana Brown-Forman, dona do uísque Jack Daniel’s

As duas empresas tiveram conversas preliminares sobre uma possível combinação, segundo a Bloomberg, que citou fontes próximas às conversas. As negociações são iniciais e não há garantia de que resultem em acordo. Nenhuma das empresas comentou publicamente o assunto.

As ações da Brown-Forman dispararam mais de 20% em Nova York após a notícia, levando o valor de mercado da companhia de Louisville, Kentucky, a cerca de US$ 12,7 bilhões. Em Paris, os papéis da Pernod caíram quase 6%, para uma capitalização equivalente a US$ 17,4 bilhões.

Uma eventual fusão reuniria dois dos maiores portfólios de destilados do planeta sob o mesmo teto. A Pernod, que no Brasil opera com marcas populares como a vodca Orloff, o rum Montilla e a linha Ballantine’s, vem reforçando nos últimos anos sua aposta em bourbon e tequila por meio de aquisições. 

A Brown-Forman, cuja receita depende em 71% da categoria de uísque, traz à mesa o Jack Daniel’s, um dos destilados mais vendidos do mundo, além do bourbon Woodford Reserve e da tequila Herradura.

O pano de fundo do negócio é uma indústria em contração. As vendas da Pernod nos Estados Unidos caíram 15% no primeiro semestre fiscal; a Brown-Forman viu sua receita americana encolher 8% nos nove meses encerrados em janeiro. 

As duas companhias sofrem com o consumo mais fraco de destilados premium, a concorrência de cannabis legalizada e o efeito dos medicamentos para emagrecimento do tipo GLP-1 sobre o apetite por bebida. 

Some-se a isso a guerra tarifária global: retaliações comerciais derrubaram as vendas canadenses da Brown-Forman em cerca de 60% no último trimestre reportado, enquanto a Pernod lida com restrições chinesas ao conhaque e tarifas americanas sobre seus produtos europeus.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Motos mantêm a Honda de pé, mas até esse negócio já sofre pressão

25 de Março de 2026, 18:15

A aposta cara e malsucedida da Honda em carros elétricos elevou de forma dramática a importância de a companhia não repetir os mesmos erros no negócio de motocicletas.

Quase uma em cada três motos vendidas no mundo é da Honda, unidade que gera a maior parte do lucro operacional da fabricante, apesar de responder por menos de um quinto das vendas. Ainda assim, começam a surgir rachaduras nesse negócio, à medida que motos elétricas chinesas avançam sobre o seu território.

Embora os carros devam, sem dúvida, estar no centro do plano de recuperação que o presidente-executivo Toshihiro Mibe apresentará em maio, ele também enfrentará pressão para mostrar aos investidores que não vai desperdiçar a divisão de melhor desempenho da Honda. A forma como a empresa se adaptar a um futuro elétrico será central para definir se conseguirá estabilizar os lucros e recuperar a confiança do mercado.

“O que está acontecendo com os automóveis é o cenário mais provável para os veículos de duas rodas”, disse Hikaru Todoroki, principal consultor automotivo da KPMG. “A concorrência está se intensificando.”

Um porta-voz da Honda se recusou a comentar sobre eletrificação e motocicletas.

O negócio de motos da Honda já enfrenta concorrência crescente. A fabricante começou sua ofensiva global em motocicletas elétricas há três anos, com dois modelos na Indonésia e dois na Índia, mas a estreia no mercado sul-asiático teve dificuldades. Dos dois lançados na Índia, um dependia de troca de baterias sem possibilidade de recarga em casa, o que limitava a usabilidade, enquanto o outro combinava recarga rápida com um preço significativamente mais alto que o dos rivais.

Motos elétricas ocupam cada vez mais espaço no mercado (Foto: Bloomberg)
Motos elétricas ocupam cada vez mais espaço no mercado (Foto: Bloomberg)

A Índia, que responde por cerca de um terço do mercado global de motocicletas, atraiu uma onda de concorrentes correndo para lançar novos modelos, avançar em tecnologia e garantir suprimento de baterias amplamente controlado por China e Coreia do Sul.

Além da Yadea Group Holdings, maior fabricante mundial de motos elétricas em volume, novatas como a VinFast Auto, no Vietnã, a Gogoro, em Taiwan, e a Bajaj Auto, na Índia, também tentam ampliar sua presença.

“Fazer um esforço agressivo para abordar o mercado — não é isso que os japoneses estão fazendo”, disse Todoroki.

A Honda planeja investir ¥ 500 bilhões (US$ 3,1 bilhões) em motocicletas elétricas até 2030, com a ambição de lançar 30 modelos e alcançar vendas anuais de 4 milhões de unidades. No fim das contas, a meta é que veículos elétricos representem um quinto das vendas de duas rodas da companhia.

Atraídos pela conveniência semelhante à de um smartphone — plugar e usar — e pelos menores custos de manutenção, os consumidores devem impulsionar a adoção de motos e scooters elétricas nos próximos anos. A BloombergNEF projeta que 87% de todas as vendas de motocicletas serão elétricas até 2040.

A Honda também vem sendo desafiada em seu mercado doméstico, à medida que tenta ampliar a oferta de motos elétricas. A Yadea entrou no Japão em novembro com uma scooter elétrica na mesma faixa de preço de opções locais movidas a gasolina — e cerca de 30% mais barata que um modelo semelhante da Honda movido a bateria.

No mês passado, a Honda apresentou uma nova scooter elétrica, com preço de ¥ 220 mil e lançamento previsto para o fim de março. Com autonomia de 81 quilômetros, a empresa mira vendas anuais de 2.200 unidades do modelo, batizado de icon e.

No horizonte mais longo, a Honda quer conquistar 50% do mercado global, com crescimento concentrado no que chama de Sul Global — Índia, Indonésia e Filipinas, além do Brasil e outras partes da América Latina — onde as motos seguem sendo um meio de transporte essencial e acessível.

Mas são justamente esses mercados que concentram os maiores obstáculos. As motos elétricas normalmente oferecem menos de 100 quilômetros de autonomia, ante cerca de 300 quilômetros nas motos a gasolina, e ainda custam mais caro. As baterias seguem caras e limitadas em espaço, o que dificulta combinar desempenho e preço acessível.

“Basicamente, será preciso ter um desempenho capaz de competir com uma motocicleta a combustão”, disse Komal Kareer, analista da BloombergNEF. “E o que as montadoras têm achado difícil é oferecer isso sem cobrar um preço muito acima.”

A adoção provavelmente dependerá não apenas da tecnologia, mas também de subsídios e apoio de políticas públicas. O aumento do custo de vida já pressiona o consumidor, enquanto regulações mais rígidas em mercados importantes vêm redesenhando a demanda.

A Honda está ampliando seus planos de produção, com uma fábrica dedicada a motocicletas elétricas na Índia prevista para começar a operar até 2028. A produção no país deve subir para 8 milhões de unidades, ante 6,25 milhões atualmente.

A expansão da produção de motos pode ser uma faca de dois gumes. Mesmo que a Honda consiga elevar as vendas, isso pode diluir suas margens de lucro, segundo Julie Boote, analista da consultoria londrina Pelham Smithers Associates. “Você ainda pode ter a marca, mas agora é um jogo diferente, com outros jogadores.”

A nova era de concorrência em motos eletrificadas chega no momento em que a Honda lida com a perspectiva de registrar seu primeiro prejuízo anual da história. Em 12 de março, a companhia alertou investidores de que prevê até ¥ 2,5 trilhões em encargos relacionados a veículos elétricos no atual ano fiscal, que termina neste mês. Mibe atribuiu a fraqueza nas vendas de carros aos subsídios para EVs na América do Norte e à intensificação da concorrência na China.

Antes conhecida por design acessível, qualidade e motores ágeis, a Honda fez de Accord e Civic líderes de vendas dos anos 1980 até meados dos anos 2000, mas começou a perder espaço quando os compradores migraram para SUVs e crossovers, enquanto a empresa ficou atrás dos concorrentes em tecnologia e eletrificação. As motocicletas continuam populares graças à reputação de confiabilidade e bom desempenho por preços razoáveis.

Mibe prometeu apresentar em maio uma estratégia de negócios revisada, quando a empresa divulgará os resultados anuais completos, com uma nova visão para as divisões de carros e motos. Nesta semana, Honda e Sony desistiram dos planos de lançar o Afeela, carro elétrico desenvolvido em parceria, assim como seu sucessor.

“Por que eles ainda se dão ao trabalho de vender carros?”, disse Boote. “Mas o principal risco para eles no negócio de motocicletas é que já existe um movimento em direção à eletrificação na Ásia. Eles sabem que precisam enfrentar esse mercado.”

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Dolce & Gabbana se prepara para negociações com credores à medida que a pressão da dívida aumenta

25 de Março de 2026, 17:21

A Dolce & Gabbana iniciou novas negociações com credores após a fraca demanda global por produtos de luxo pressionar seus resultados e os termos de sua dívida, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A grife italiana está trabalhando com o Rothschild & Co. como assessor financeiro, segundo as fontes. A D&G tem cerca de €450 milhões (US$ 522 milhões) em dívida bancária, após um refinanciamento no ano passado que incluiu a captação adicional de €150 milhões (US$ 174 milhões) para financiar um plano de expansão voltado a manter a empresa independente. Na ocasião, a companhia obteve uma dispensa temporária de exigências da dívida, segundo seu relatório anual mais recente.

Os credores começaram a avaliar alternativas para dar mais fôlego à empresa em relação aos compromissos financeiros, disseram as pessoas, que pediram anonimato. As conversas ainda estão em estágio inicial e nenhum detalhe foi definido.

Conhecida por seus designs inspirados no Mediterrâneo, a empresa tem sido pressionada pela desaceleração do setor de luxo, agravada recentemente pelas incertezas decorrentes da guerra no Irã, acrescentaram as fontes. Representantes da Dolce & Gabbana e do Rothschild não quiseram comentar.

A Dolce & Gabbana não é a única casa de moda a recorrer a negociações com credores. No ano passado, após descumprir cláusulas de sua dívida, os donos da Valentino — Kering e Mayhoola — concordaram em injetar €100 milhões como parte de um acordo com bancos, segundo documentos.

A Dolce & Gabbana foi fundada em 1985 por Domenico Dolce e Stefano Gabbana, que seguem como líderes criativos. A marca, conhecida por estilos exuberantes inspirados no barroco do sul da Itália, tem apostado na expansão do negócio de beleza como forma de preservar sua independência em um setor em rápida transformação.

No ano passado, a empresa renegociou cerca de €300 milhões em dívida com vencimento até fevereiro de 2030. Como parte desse processo, obteve mais €150 milhões para sustentar sua expansão nas áreas de beleza e imóveis.

A retração no varejo de luxo continua, embora tenha dado sinais de melhora antes dos bombardeios de EUA e Israel contra o Irã no fim de fevereiro. Segundo relatório da Bain & Company e da associação Altagamma, as vendas do setor caíram 2% globalmente em 2025.

A guerra trouxe novas incertezas para essa recuperação, especialmente no Oriente Médio — região de alta concentração de riqueza e um dos principais motores da demanda por luxo.

A fabricante de supercarros Ferrari afirmou neste mês que suspendeu temporariamente entregas na região, enquanto a Ermenegildo Zegna disse que o conflito reduziu a visibilidade dos negócios.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

SpaceX, de Elon Musk, prepara maior IPO da história

25 de Março de 2026, 13:04

A SpaceX está avaliando uma meta de captação em sua oferta pública inicial (IPO) que pode superar com folga a maior estreia já registrada no mercado, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. A movimentação ocorre enquanto a fabricante de foguetes e satélites do bilionário Elon Musk avança em seus planos de abertura de capital.

A empresa trabalha com um valor estimado em torno de US$ 75 bilhões para o IPO, de acordo com uma das fontes, que pediu anonimato por se tratar de informações ainda não públicas. Em conversas com investidores potenciais, a SpaceX também discutiu a possibilidade de levantar mais de US$ 70 bilhões.

Qualquer uma dessas cifras mais que dobraria o recorde histórico de abertura de capital — os US$ 29 bilhões levantados pela petroleira Saudi Aramco, em 2019.

A expectativa é que a SpaceX estreie na bolsa em junho, embora o cronograma ainda possa sofrer alterações, segundo as fontes. A companhia pode protocolar sua documentação de forma confidencial já neste mês, conforme reportado pela Bloomberg News em fevereiro.

O site The Information já havia antecipado a estimativa mais elevada de captação. Os preparativos para o registro confidencial seguem em andamento, mas a empresa ainda pode rever seus planos. Procurada, a SpaceX não respondeu imediatamente.

Segundo fontes, a SpaceX pode buscar uma avaliação superior a US$ 1,75 trilhão em seu IPO. A companhia adquiriu recentemente a startup de inteligência artificial de Musk, a xAI, em um acordo que avaliou o grupo combinado em US$ 1,25 trilhão, de acordo com a Bloomberg News.

Se atingir esse valor de mercado, a SpaceX passaria a valer mais do que todas as empresas do índice S&P 500 Index, com exceção de apenas cinco gigantes: Nvidia, Apple, Alphabet, Microsoft e Amazon. Nessa métrica, a empresa também superaria a Meta Platforms e a própria Tesla, outra companhia de Musk.

Credores do GPA contratam Moelis como assessora financeira ante dívida de R$ 4,5 bilhões

24 de Março de 2026, 10:33

Detentores de títulos locais do GPA contrataram a Moelis como assessora financeira após a decisão da rede de supermercados brasileira de reestruturar sua dívida em uma recuperação extrajudicial, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A Cia. Brasileira de Distribuição, nome formal da empresa conhecida como Grupo Pão de Açúcar, anunciou um acordo para iniciar o processo para reestruturar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas no início deste mês.

Credores que representam 46% dos créditos afetados — ou R$ 2,1 bilhões — concordaram com a reestruturação, informou a empresa na ocasião. O GPA não possui títulos globais.

Os detentores de títulos da dívida no mercado local também estão próximo de contratar o Lefosse Advogados como assessor jurídico, disseram as pessoas. 

A Moelis não quis comentar. A Lefosse não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários.

O acordo ocorreu poucas semanas depois de a empresa ter levantado sérias dúvidas sobre sua capacidade de continuar operando após um balanço financeiro considerado desastroso.

O GPA, uma das redes de supermercados mais populares do Brasil, possui dívidas substanciais com vencimento este ano e tem enfrentado dificuldades para reativar seu principal negócio, o de alimentos, em meio a taxas de juros de dois dígitos.

A empresa, por sua vez, contratou o Munhoz Advogados, especializado em reestruturação de dívidas, segundo fontes familiarizadas com o assunto.

Em janeiro, já havia contratado a consultoria Alvarez & Marsal para auxiliá-la na implementação de seu plano de eficiência, de acordo com um documento apresentado na época.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Estée Lauder avalia comprar a Puig e criar gigante de US$ 20 bilhões com marcas Rabanne e Carolina Herrera

24 de Março de 2026, 09:08

A Estée Lauder anunciou que está em conversas para comprar a Puig Brands em um acordo que criaria um gigante de cosméticos com cerca de US$ 20 bilhões em vendas anuais.

As empresas não divulgaram detalhes sobre os termos. A Puig, com sede na Espanha, tem valor de mercado de cerca de €10 bilhões ( US$11,6 bilhões).

Uma aquisição da empresa espanhola daria à Estée Lauder marcas de perfumes e moda bem conhecidas, como Rabanne, Jean Paul Gaultier e Carolina Herrera, ajudando-a a competir melhor com a maior empresa de cosméticos do mundo, L’Oréal SA.

Para a Puig, que gerou cerca de €5 bilhões (US$5,8 bilhões) em vendas no ano passado, a movimentação ocorre após desaceleração do crescimento e revisões para baixo nas estimativas de lucros, o que derrubou suas ações desde a oferta pública inicial (IPO) em 2024.

As ações da Puig dispararam até 17% na terça-feira em Madri, registrando a maior alta da história. Já as ações da Estée Lauder caíram 7,7% no fechamento de segunda-feira em Nova York.

“O potencial aquisição da Puig desviaria a Estée Lauder de seu curso”, disseram analistas do Barclays liderados por Lauren R. Lieberman, afirmando que a empresa com sede em Barcelona não se encaixa na reorganização da Estée Lauder, incluindo seu plano de focar em fragrâncias de luxo e nicho, que representam apenas cerca de 15% do portfólio da Puig.

As ações da Estée Lauder subiram no último ano com otimismo em relação à estratégia de recuperação sob o comando do CEO Stephane de la Faverie. Ainda assim, a orientação mais recente da empresa decepcionou os investidores. De la Faverie reconheceu que “há mais trabalho a ser feito” durante uma teleconferência com analistas.

A Puig também passou por grandes mudanças, recentemente anunciando um novo CEO. Marc Puig, membro da família fundadora, deixou o cargo de CEO, mantendo-se como presidente executivo, com foco em fusões e aquisições.

A Puig ainda é controlada pela terceira geração da família que criou a empresa há mais de um século.

As ações da empresa estavam 37% abaixo do preço da IPO no fechamento de segunda-feira. Os papéis foram impactados por decepções iniciais em lucros e preocupações de investidores com a exposição a fragrâncias — que representam mais de dois terços da receita.

“Estamos surpresos que a família Puig abra mão da independência e do controle majoritário”, disse a analista do JPMorgan, Céline Pannuti, acrescentando que acredita que “interesse potencial de outros players da indústria poderia surgir”.

Segundo Regis Bégué, sócio da Zadig Asset Management, que detém cerca de 1% da empresa espanhola, os problemas da Puig vêm da falha em comunicar seus sucessos em um setor que tem sido fortemente impactado em toda a Europa.

Ainda assim, “uma combinação com a Estée Lauder seria um passo na direção que a empresa já estava seguindo”, disse ele. “Eles teriam participação na Estée Lauder, seja minoritária ou outra. Com o tempo, poderiam reduzir essa participação, facilitando o plano de sucessão da família.”

Riscos de Integração

A Estée Lauder possui um portfólio de cerca de duas dúzias de marcas de cosméticos, incluindo La Mer e The Ordinary. A adição da Puig, dona das marcas Byredo e Charlotte Tilbury, provavelmente levantaria questões de investidores e analistas sobre a capacidade da empresa de integrar efetivamente novas marcas, enquanto continua sua estratégia de recuperação.

“Com a Estée Lauder adicionando ainda mais marcas a um portfólio já grande, acreditamos que isso poderia gerar ainda mais complexidade para a organização, que vem tentando simplificar operações e portfólio”, disseram os analistas do Barclays liderados por Lieberman.

De la Faverie tem focado em transferir a venda das marcas para canais online de crescimento mais rápido, como a Amazon.com, que a empresa havia evitado por anos devido a preocupações de que isso prejudicaria sua imagem premium. A companhia também vem vendendo produtos de preço mais baixo, em parte para atrair uma geração mais jovem de consumidores.

Em função de uma experiência anterior, o CEO supervisionou a enorme divisão de fragrâncias da Estée Lauder, que teve bom desempenho em meio ao aumento da demanda pós-pandemia. O potencial acordo para adquirir a Puig provavelmente aposta na continuidade da força desses produtos.

O negócio também permitiria que a Estée Lauder enfrentasse a L’Oréal, que a superou nos EUA. A L’Oréal foi mais rápida em aproveitar o boom pós-pandemia de produtos dermatológicos, com marcas como CeraVe.

O Financial Times publicou informações sobre o potencial negócio na segunda-feira.

CEO da Stellantis, dona da Fiat e Jeep, diz que a empresa está mais forte após ‘ano de confronto’

24 de Março de 2026, 08:33

A Stellantis voltou a concentrar-se na melhoria de seus produtos após um período de cortes de custos dolorosos, colocando o fabricante em uma posição mais sólida, segundo o presidente da companhia, John Elkann.

A montadora está aprimorando a qualidade, oferecendo mais modelos híbridos e reconstruindo laços com concessionárias para reverter seus negócios — mudanças que já estão surtindo efeito, afirmou Elkann. A Stellantis busca uma recuperação depois de registrar €22,2 bilhões (US$ 25,7 bilhões) em encargos no mês passado, ligados ao desfazimento de apostas excessivamente ambiciosas em veículos elétricos.

“Estou confiante de que a Stellantis vai dar a volta por cima”, disse Elkann em carta aos acionistas da Exor, empresa de investimentos da família Agnelli, fundadora da Fiat, que controla a multinacional.

A virada para um prejuízo líquido no ano passado fez com que se tornasse “um ano de confronto”, durante o qual todas as áreas da Stellantis foram examinadas “para identificar pontos de melhoria e começar a corrigi-los de forma decisiva”, acrescentou.

A Exor, que também é proprietária da fabricante de carros de luxo Ferrari e do Juventus Football Club SpA, divulgou na segunda-feira à noite resultados que ficaram abaixo das projeções dos analistas. As ações caíram até 7,7%, registrando a maior queda intradiária desde outubro. As ações da Stellantis negociadas na Itália caíram cerca de 40% neste ano.

Em sua carta, Elkann prometeu mudanças estratégicas, afirmando que a empresa de investimentos vai simplificar seu portfólio e focar em um número menor de grandes empresas para melhorar a supervisão.

A Exor vendeu seu negócio de mídia Gedi Gruppo Editoriale para o Antenna Group neste mês, tendo previamente acertado a venda de sua participação na Iveco Group para a Tata Motors, junto com a venda da unidade de defesa da Iveco para a Leonardo, acelerando o redesenho de seu portfólio.

Mesmo assim, a Exor aumentou sua reserva de caixa para aquisições para mais de €3,5 bilhões (US$4,06 bilhões), permitindo buscar um acordo de escala similar ao investimento feito na Royal Philips, disse Elkann. Em 2023, a empresa comprou 15% do fabricante de equipamentos médicos por cerca de €2,6 bilhões (US$3,02 bilhões) e recentemente elevou sua participação para cerca de 19%.

Elkann foi escolhido por seu avô, Gianni Agnelli, na década de 1990, para liderar os interesses industriais da família. Ele comandou temporariamente a Stellantis antes de o atual CEO Antonio Filosa assumir em junho.

A Stellantis busca fortalecer sua competitividade e explora negócios com pares chineses, nos quais eles investiriam em suas operações europeias em dificuldade.

Elkann afirmou que 2026 continuará sendo um ano desafiador para a Exor. “Começou com incertezas geopolíticas e de mercado globais, então devemos permanecer prudentes”, disse aos acionistas.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

O impacto do Banco Master sobre a Mastercard

23 de Março de 2026, 16:45

A Mastercard foi onerada por uma fatura de milhões de dólares após a quebra do Banco Master obrigá-la a fazer pagamentos para comerciantes que processaram pagamentos feitos por clientes da fintech do banco.

A Mastercard foi envolvida pelo caso do Banco Master por ser a bandeira dos cartões emitidos pelo Will Bank, a fintech do banco, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto. A Mastercard agora busca o ressarcimento destes valores junto ao liquidante indicado pelo Banco Central, de acordo com as pessoas, que pediram para não serem identificadas porque não foram autorizadas a falar sobre o tema publicamente.

Os detentores de cartões do Will Bank tinham valores de até R$ 5 bilhões a pagar quando a fintech colapsou, de acordo com as pessoas. A Mastercard acabou pagando cerca de metade disso, ou o montante que vencia nos 30 primeiros dias após a liquidação do Will Bank, segundo duas das pessoas.

A Mastercard já antecipou o pagamento dos valores previstos em sua obrigação regulatória, a maior parte com recursos próprios, e agora aguarda a conclusão dos repasses devidos pelo liquidante, disse a empresa em comunicado, sem tratar das demais informações. Um representante do Banco Central, que indicou o liquidante do Will Bank, não retornou de imediato ao pedido de comentário.

O impacto para a Mastercard foi parte relativamente pequena dos desdobramentos do caso Master. Antes um agente de alto crescimento no setor financeiro do país, o Banco Master colapsou em novembro em meio a alegações de fraude, e seu então CEO e acionista, Daniel Vorcaro, fechou um acordo de cooperação com as autoridades brasileiras após ser preso duas vezes.

Para ajudar a reduzir os custos, a Mastercard pode recorrer a ativos que a fintech ofereceu como garantia, como ações do Banco de Brasília e da Westwing, duas empresas com relações com o Banco Master.

Algumas das ações do BRB que a Mastercard recebeu já foram vendidas, segundo uma pessoa familiarizada com o tema. A Mastercard ficou com cerca de 6,9% do capital do banco, que enfrenta questionamentos ao seu capital devido aos negócios que fez com o Master.

O Will Bank foi comprado pelo Banco Master em 2024, e tinha um negócio de cartões de crédito voltado a brasileiros de baixa renda. A fintech foi mantida em funcionamento quando o BC liquidou o Master, mas também acabou liquidada dois meses depois.

Nos meses que antecederam a liquidação, a Mastercard começou a reduzir os limites de atividade da fintech em sua rede, e acabou bloqueando o Will Bank em janeiro devido à falta de pagamento de garantias, de acordo com uma das pessoas familiarizadas. A fintech foi liquidada no dia seguinte.

Desde então, adquirentes brasileiras — as empresas que os comerciantes usam para processar pagamentos — argumentaram que a Mastercard deveria ser responsável por pagamentos para além dos 30 primeiros dias, de acordo com algumas das pessoas familiarizadas.

Uma nova regra do BC torna mais claro as entidades responsáveis por garantias que as redes de cartões oferecem em caso de calote por uma instituição. Mas executivos da Mastercard têm afirmado que a empresa ainda não deveria estar sujeita à nova regulação porque as empresas têm até maio para adotá-la, de acordo com uma das pessoas familiarizadas com o tema.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Sony negocia acordo de US$ 1 bilhão com a TCL e pode vender controle de negócio de TVs

23 de Março de 2026, 11:19

A Sony está próxima de fechar um acordo vinculante para vender uma participação majoritária em seu negócio de entretenimento doméstico para a rival chinesa TCL, em uma transação que pode ser avaliada em cerca de US$ 1 bilhão, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

As empresas avançaram nas negociações e buscam anunciar a operação já neste mês, disseram as fontes, que pediram anonimato por se tratar de informações privadas. Embora as conversas estejam em estágio avançado, nenhuma decisão final foi tomada.

Representantes da Sony e da TCL afirmaram que as companhias continuam discutindo um acordo definitivo e que um anúncio será feito assim que a transação for concluída.

Sony e TCL anunciaram em janeiro a intenção de criar uma joint venture para o negócio de entretenimento doméstico da empresa japonesa, incluindo a marca de televisores Bravia. Pelo memorando de entendimento, a Sony ficaria com 49% da nova empresa, enquanto a TCL teria 51%.

A nova joint venture deve iniciar operações em abril de 2027 e produzir televisores com as marcas Sony e Bravia, utilizando a tecnologia de telas da TCL, segundo o comunicado divulgado em janeiro.

A Sony tem focado na expansão de seu portfólio de propriedade intelectual — como anime, filmes, música e transmissões esportivas — enquanto reduz sua atuação em eletrônicos de consumo. Já a TCL, um dos maiores e mais antigos conglomerados de eletrônicos da China, tenta há anos expandir sua presença internacional.

As ações da Sony acumulam queda de 21% em Tóquio neste ano, levando o valor de mercado da empresa a US$ 123 bilhões. Já a TCL sobe cerca de 4% em Hong Kong no mesmo período, alcançando valor de mercado de US$ 3,5 bilhões.

Petrobras e Pemex podem formar parceria em exploração de petróleo

20 de Março de 2026, 16:17

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que conversou com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, sobre uma possível parceria de exploração entre as estatais de petróleo dos dois países no Golfo do México.

Falando em um evento nesta sexta-feira (20), ele disse que fez a ligação a pedido de Magda Chambriard, presidente da Petrobras, para sugerir que a companhia trabalhe com a Pemex (Petróleos Mexicanos).

“Você sabia que a Pemex poderia receber uma ajuda significativa da Petrobras para explorar petróleo em conjunto no Golfo do México, a uma profundidade de 2.500 metros?”, disse Lula que perguntou a Sheinbaum, sem dar mais detalhes sobre a conversa ou uma eventual parceria.

A Petrobras não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Especialista em operações em águas profundas e em busca de expandir sua atuação no exterior para aumentar a produção e recompor reservas de petróleo e gás, a empresa não tem operações atualmente no México.

O gabinete de Sheinbaum, a Pemex e o Ministério de Energia do México também não responderam de imediato.

A presidente mexicana vem buscando parceiros privados para ajudar a Pemex a elevar a produção e reverter a queda na extração de petróleo, que hoje está na metade do pico registrado há duas décadas. Poucas grandes empresas internacionais, além do Grupo Carso, do bilionário Carlos Slim, anunciaram projetos.

Reserca estratégica de petróleo

Durante o evento, Lula também sugeriu que o Brasil e a Petrobras avaliem a criação de uma reserva estratégica de petróleo, nos moldes das mantidas por Estados Unidos, China e outros países, para formar estoques de emergência e reduzir impactos de crises.

Os comentários ocorrem em meio à alta dos preços do petróleo, impulsionada pela guerra dos EUA no Irã, o que tem pressionado a Petrobras e o governo brasileiro.

“Não é algo rápido, leva tempo, mas é estratégico e a Petrobras e o governo precisam pensar nisso”, disse Lula. “Precisamos, ao longo do tempo, construir um estoque regulador para não sermos vítimas do que está acontecendo hoje.”

O presidente também afirmou que a Petrobras tentará recomprar uma refinaria na Bahia vendida à Mubadala Capital, braço de gestão de ativos do fundo soberano de Abu Dhabi, em 2021.

Lula tem sido crítico da venda da refinaria de Mataripe, realizada durante o governo de Jair Bolsonaro.

“Vamos recomprar”, disse Lula. “Pode demorar, mas vamos comprar de volta.”

@investnewsbr

Por anos, ter fábrica própria foi visto como um custo difícil de justificar no varejo. Mas em 2025, a Riachuelo provou o contrário: a produção nacional em Natal virou sua maior vantagem competitiva contra concorrentes como Shein, C&A e Renner. riachuelo vestuário fashion

♬ original sound – InvestNews BR – InvestNews BR

McCormick: a ‘rainha dos temperos’ que fez proposta pela divisão de alimentos da Unilever

20 de Março de 2026, 14:51

A McCormick & Co. é conhecida como a “rainha dos temperos”, mas com sua mais recente ofensiva de aquisições, busca ampliar esse título para incluir também condimentos.

A empresa, com sede em Hunt Valley, Maryland, está em negociações para comprar a divisão de alimentos da Unilever, o que lhe daria marcas globais como a maionese Hellmann’s, que se juntariam à mostarda French’s e ao molho Frank’s RedHot.

O acordo envolve riscos. O negócio de alimentos da Unilever gerou cerca de US$ 15 bilhões em vendas no último ano fiscal, o dobro do tamanho da McCormick. A transação pode avaliar a unidade em mais de US$ 30 bilhões, superando em muito a maior aquisição já realizada pela McCormick.

As ações da McCormick chegaram a cair até 2,6% na sexta-feira. O papel já recuou cerca de 20% neste ano, após quedas anuais em três dos últimos quatro anos, pressionado pela inflação elevada e pela concorrência de marcas próprias de supermercados.

A McCormick se recusou a comentar além de confirmar que está em negociações com a Unilever.

Com o negócio, a companhia poderá ampliar sua exposição ao mercado de molhos e condimentos, que hoje representa apenas 4% de suas vendas. Esse segmento é especialmente popular entre consumidores mais jovens, com americanos dessa faixa etária gastando mais com molhos picantes do que com ketchup, segundo a empresa.

A aquisição da Hellmann’s daria à McCormick a maior marca de maionese do mundo, reforçando um negócio no qual a empresa já atua com marcas menores. Recentemente, a companhia aumentou sua participação em uma joint venture no México que produz a Maionese McCormick, líder no mercado local.

A maior investida da McCormick em condimentos ocorreu há cerca de uma década, quando comprou a divisão de alimentos da Reckitt Benckiser por US$ 4,2 bilhões, sua maior aquisição até então, que lhe trouxe marcas como French’s e Frank’s RedHot.

Investidores tendem a ver com bons olhos a aquisição da Unilever, devido à escala e às eficiências que a nova empresa poderia alcançar, segundo Robert Moskow, analista da TD Cowen.

“A combinação do negócio de condimentos da McCormick com os ativos de alimentos da Unilever faz sentido para a maioria dos investidores há muito tempo”, escreveu o analista.

Embora a execução represente um risco, o Barclays destacou que a McCormick tem um “histórico sólido e experiência com grandes aquisições financiadas por capital”.

A empresa estaria adquirindo ativos com desempenho misto, já que consumidores, pressionados pela inflação, migraram para opções mais baratas de marcas próprias. No ano passado, as vendas orgânicas cresceram apenas 1,9%, o segundo ritmo mais lento desde 2020.

Multinacionais vêm se desfazendo de marcas de alimentos diante da perda de poder de compra dos consumidores e do avanço das marcas próprias. Além disso, o crescimento de medicamentos para perda de peso tem levado as pessoas a comer menos e optar por opções mais saudáveis. A Unilever já vendeu sua divisão de sorvetes, que inclui a marca Ben & Jerry’s.

Para a McCormick, o acordo também ampliaria sua presença fora dos Estados Unidos, onde enfrenta dificuldades para ganhar escala. Atualmente, cerca de 60% das vendas da empresa vêm do mercado americano. A China é o segundo maior mercado, com pouco menos de 5%.

A integração dos ativos seria liderada por Brendan Foley, CEO da McCormick desde 2023, após cerca de 15 anos na Heinz (hoje Kraft Heinz).

A Kraft Heinz recentemente encerrou negociações para vender ativos sob o comando do novo CEO, Steve Cahillane, o que pode aumentar a concorrência entre a fabricante de ketchup e uma McCormick ampliada.

Origem da empresa

A McCormick, fundada em 1889 vendendo root beer antes de entrar no mercado de temperos, tem usado aquisições como parte de sua estratégia de crescimento há anos. Segundo analistas, a empresa já avaliava compras menores dentro do portfólio da Unilever, mas este acordo “vai muito além disso” e pode gerar “oportunidades significativas”.

Estimativas indicam que a empresa combinada pode gerar mais de US$ 500 milhões em sinergias ao longo do tempo, com maior poder de negociação junto a varejistas.

Nos últimos cinco anos, empresas de alimentos embalados foram avaliadas, em média, a 8,7 vezes o Ebitda em operações de aquisição, segundo dados da Bloomberg.

O negócio de alimentos da Unilever pode ter um valor de mercado de até US$ 33 bilhões, de acordo com a Bloomberg Intelligence.

Joesley Batista negocia compra da unidade da CSN Cimentos

20 de Março de 2026, 12:47

O empresário brasileiro Joesley Batista está negociando a aquisição da unidade de cimento do conglomerado CSN, de Benjamin Steinbruch, que enfrenta dificuldades, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Batista está negociando diretamente com Steinbruch, acionista controlador e CEO da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), como a empresa é formalmente conhecida. Steinbruch tem enfrentado crescente pressão de credores para vender ativos. As ações da CSN reduziram perdas após a reportagem da Bloomberg.

Batista, por meio da J&F S.A., veículo de investimentos de sua família, também manifestou interesse na unidade de mineração da CSN, uma das mais sólidas do grupo, disseram as fontes, que pediram anonimato porque as negociações são privadas. No ano passado, a unidade produziu 45,5 milhões de toneladas de minério de ferro de alta qualidade.

A J&F não comentou. A CSN não respondeu a pedidos de comentário. As ações da CSN caíam 1,2%, a R$ 6,02, às 12h12 em São Paulo, após terem recuado até 4,1% anteriormente.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Unilever tem oferta da McCormick, de tempero, por divisão de alimentos; negócio pode valer US$ 33 bi

20 de Março de 2026, 11:11

A Unilever está em negociações para vender sua divisão de alimentos para a McCormick & Company, em um movimento que pode representar a maior reestruturação da fabricante da maionese Hellmann’s desde sua fundação, há quase um século.

A multinacional anglo-holandesa afirmou nesta sexta-feira (20) que recebeu uma proposta da empresa de temperos sediada em Maryland, mas ressaltou que não há garantia de que o acordo será fechado. A unidade de alimentos tem valor potencial de até € 29 bilhões (US$ 33 bilhões), segundo a Bloomberg Intelligence.

Se concretizada, a operação será a maior da história da McCormick & Company, cuja capitalização de mercado, de US$ 14,5 bilhões, é apenas uma fração dos cerca de £ 101 bilhões (US$ 135 bilhões) da Unilever. Ainda não há detalhes sobre o financiamento, mas a transação pode ser estruturada como um “Reverse Morris Trust”, modelo de fusão com vantagens fiscais.

A venda marcaria a saída da Unilever da competição direta com gigantes de alimentos como Kraft Heinz, Nestlé e PepsiCo. Ao mesmo tempo, transformaria a empresa em um grupo focado em produtos de higiene, beleza e cuidados pessoais, em linha com concorrentes como L’Oréal, Beiersdorf e Estée Lauder.

A Bloomberg já havia informado nesta semana que a companhia avalia separar total ou parcialmente sua divisão de alimentos. As negociações avançam com a meta de um possível acordo até o fim do mês, segundo fontes.

As ações da Unilever chegaram a subir até 1,9%, antes de reduzir os ganhos. No acumulado dos últimos 12 meses até quinta-feira, os papéis ainda registram queda de cerca de 6%.

O CEO Fernando Fernandez, há cerca de um ano no cargo, já deixou claro que alimentos não são mais o foco principal. Segundo ele, beleza, cuidados pessoais e bem-estar serão os motores de crescimento da companhia.

O setor de alimentos enfrenta uma transformação prolongada, com consumidores — especialmente nos EUA — reduzindo gastos diante da inflação e incertezas geopolíticas. Supermercados também vêm ganhando espaço com marcas próprias mais competitivas, enquanto tendências como dietas mais saudáveis e o uso de medicamentos para perda de peso reduzem o consumo de produtos processados.

Essas mudanças tornam o segmento menos atrativo para multinacionais como a Unilever, em comparação com categorias como beleza e cuidados pessoais, onde os consumidores estão mais dispostos a gastar.

Fernandez já indicou que pretende elevar para dois terços a participação de marcas como Dove, Liquid IV e Dermalogica na receita total, ante cerca de metade atualmente.

Analistas do Bernstein avaliam que a estratégia de diversificação, comum nos anos 1990 e 2000, perdeu força. “Os benefícios de escala entre categorias já não compensam a complexidade”, escreveram.

Nos últimos anos, a Unilever vem simplificando seu portfólio. A empresa vendeu sua divisão global de chás, a área de spreads (incluindo a marca I Can’t Believe It’s Not Butter!), além de negócios como a Graze e a The Vegetarian Butcher.

Em 2025, a companhia também separou sua divisão de sorvetes na Magnum Ice Cream Co., mantendo cerca de 20% de participação, e planeja vender entre €1 bilhão e €1,5 bilhão adicionais em marcas menores de alimentos.

Apesar disso, a empresa não deve vender sua divisão de alimentos “altamente atrativa” por um preço baixo. O portfólio inclui marcas fortes como a Hellmann’s — líder nos EUA e no Brasil — e os cubos de caldo Knorr, segunda marca mais vendida da companhia, atrás apenas da Dove.

Para a McCormick & Company, a operação também representaria um grande teste. Fundada em 1889, a empresa começou vendendo root beer e se tornou uma das maiores fabricantes de temperos do mundo, conhecida por produtos como Old Bay.

Nos últimos anos, a companhia expandiu sua atuação para além de especiarias, com aquisições em mercados como Reino Unido e Polônia, além de produtos como molhos e maioneses saborizadas, populares entre consumidores mais jovens.

O maior movimento nesse segmento ocorreu em 2017, quando a McCormick & Company comprou a divisão de alimentos da Reckitt Benckiser por US$ 4,2 bilhões, incorporando marcas como French’s e Frank’s RedHot.

Ainda assim, analistas alertam que a integração de um negócio do porte da Unilever não será simples, dada a diferença de escala e o nível atual de endividamento da compradora.

Especialistas também apontam que, embora a venda possa destravar valor para os acionistas no longo prazo, o processo pode gerar distrações para a gestão no curto prazo, especialmente diante de outros desafios enfrentados pela empresa.

@investnewsbr

A aguardada nova camisa da seleção brasileira chegou e causou muito burburinho. Com uma marca mais associada ao basquete e preço lá no em cima, abriu inclusive brecha para a concorrência, que agora corre atrás de uma alternativa para vestir a torcida. futebol seleção #nike

♬ som original – InvestNews BR – InvestNews BR

Kalshi capta US$ 1 bilhão e dobra valor de mercado para US$ 22 bilhões

19 de Março de 2026, 19:42

A Kalshi levantou mais de US$ 1 bilhão em uma nova rodada de financiamento que avaliou a empresa em US$ 22 bilhões, segundo uma fonte a par do assunto.

O valuation da empresa fundada pela brasileira Luana Lopes Lara praticamente dobra em relação à rodada anterior, realizada em dezembro, quando a companhia era avaliada em cerca de US$ 11 bilhões.

A captação indica que investidores continuam dispostos a apostar no crescimento acelerado do mercado de “prediction markets” – plataformas que permitem negociar contratos atrelados ao resultado de eventos do mundo real – mesmo diante de críticas crescentes de reguladores e políticos.

A rodada foi liderada pela Coatue Management. No financiamento anterior, a empresa já havia atraído nomes como Sequoia Capital, Andreessen Horowitz, ARK Invest e Paradigm.

A Kalshi registra atualmente uma receita anualizada de cerca de US$ 1,5 bilhão, segundo a fonte ouvida pela Bloomberg.

Fundada em 2018, a plataforma ganhou tração após uma decisão judicial permitir a negociação de contratos ligados ao resultado das eleições americanas de 2024.

O aplicativo Kalshi em um smartphone

Diferentemente de empresas tradicionais de apostas, a Kalshi é regulada como uma bolsa financeira e supervisionada pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC), o que permite sua operação em todo o território americano sob regras federais.

Nos últimos meses, no entanto, a empresa passou a enfrentar questionamentos. Autoridades e legisladores apontam riscos de uso de informação privilegiada e manipulação nesses mercados.

O procurador-geral do Arizona chegou a apresentar acusações criminais contra a companhia nesta semana, classificando a operação como “jogo ilegal”. A Kalshi contesta as acusações e tem recebido apoio do novo comando da CFTC, que sinaliza respaldo ao modelo de negócios.

Apesar das controvérsias, o interesse de Wall Street segue forte. Empresas como Susquehanna e Jump Trading atuam como formadoras de mercado na plataforma, enquanto a Tradeweb Markets fechou um acordo para distribuir dados da Kalshi a clientes institucionais – e também adquiriu participação na empresa.

O crescimento tem sido acelerado. Em fevereiro, o volume negociado na plataforma superou US$ 10 bilhões – cerca de 12 vezes mais do que seis meses antes.

Com disparada do petróleo, BYD lota concessionárias pela Ásia

19 de Março de 2026, 18:41

A disparada dos preços do petróleo após o conflito no Irã já começa a mudar o comportamento dos consumidores na Ásia, e lotar as concessionárias de carros elétricos.

Em Manila, nas Filipinas, uma loja da chinesa BYD registrou, em apenas duas semanas, o equivalente a um mês inteiro de pedidos. Clientes têm trocado carros a combustão por elétricos diante da alta nos combustíveis, segundo vendedores.

A cerca de 1.700 km dali, em Hanói, no Vietnã, concessionárias da VinFast quadruplicaram o fluxo de clientes desde o início da guerra, com vendas que dobraram em relação à média de 2025.

Ainda sem dados consolidados de março, os primeiros sinais indicam que montadoras asiáticas de veículos elétricos estão entre as principais beneficiadas pela alta do petróleo.

O impacto é mais forte na Ásia-Pacífico, região altamente dependente das rotas do Golfo Pérsico – especialmente do Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo global e que foi afetado pelo conflito.

“Preços mais altos de petróleo sempre aceleram a transição para veículos elétricos”, disse o economista-chefe do Banco Asiático de Desenvolvimento, Albert Park.

No ano passado, a adoção global de veículos elétricos evitou o consumo de cerca de 2,3 milhões de barris de petróleo por dia, segundo estimativas da BloombergNEF.

Não tão simples

Apesar da aceleração recente, analistas apontam que o crescimento sustentável ainda depende de infraestrutura – principalmente expansão da rede de recarga.

Antes mesmo da crise, a adoção de elétricos já avançava rapidamente na Ásia. Na China, mais da metade das vendas de veículos já inclui modelos elétricos ou híbridos plug-in. Em países do Sudeste Asiático, a penetração gira em torno de 40%, acima de mercados como Europa e Reino Unido.

O novo choque do petróleo pode acelerar ainda mais esse movimento. Na Tailândia, por exemplo, a indústria já projeta aumento significativo na demanda caso os preços se mantenham elevados.

Enquanto isso, governos começam a reagir: no Laos, taxas para veículos elétricos foram reduzidas em 30%, enquanto carros a combustão ficaram mais caros.

A China deve capturar boa parte desse crescimento como principal produtora global de elétricos, com exportações já em forte alta antes mesmo do conflito.

Montadoras tradicionais como General Motors, Ford e Honda, por outro lado, chegam menos preparadas — após desacelerarem investimentos em veículos elétricos diante da redução de incentivos nos Estados Unidos.

@investnewsbr

A BYD não quer ficar de fora da revolução elétrica na Fórmula 1 e estuda maneiras de entrar nas categorias mais competitivas do automobilismo. F1 BYD automobilismo

♬ som original – InvestNews BR – InvestNews BR

Google testa app do Gemini para Mac e entra na disputa com ChatGPT e Claude

19 de Março de 2026, 16:45

O Google está acelerando o desenvolvimento de um aplicativo dedicado do Gemini AI para a linha de computadores Mac da Apple, buscando intensificar a concorrência com a OpenAI e a Anthropic.

A empresa controlada pela Alphabet começou a compartilhar, de forma privada, uma versão inicial do aplicativo com participantes de um programa de testes beta para consumidores nesta semana. A iniciativa permite que a companhia obtenha feedback sobre o software antes do lançamento público, além de ajudar a identificar falhas.

“Esta é uma versão inicial do app Gemini para Mac para coleta de feedback e terá apenas recursos essenciais de outros clientes, não todos”, disse a empresa aos testadores, que pediram anonimato por se tratar de um programa privado. Isso indica que a versão atual ainda não inclui todas as funcionalidades previstas.

O movimento faz parte de uma corrida entre empresas de inteligência artificial para colocar seus chatbots diante do maior número possível de usuários. O ChatGPT, da OpenAI, e o Claude, da Anthropic, já estão disponíveis como aplicativos para Mac.

Um porta-voz do Google se recusou a comentar ou informar quando o app será lançado ao público. Ainda assim, o início dos testes externos sugere que a empresa está no caminho para um lançamento em breve. Informações sobre o aplicativo — com codinome “Janus” — foram compartilhadas com a Bloomberg News pelo pesquisador de apps M1Astra.

O Google está pedindo aos testadores que experimentem recursos de geração de imagens, vídeo, música, tabelas e gráficos, além de funções de matemática e análise de informações. O aplicativo também pode buscar dados na web e revisar conversas anteriores, oferecendo personalização e análise de documentos enviados.

Atualmente, usuários de computadores da Apple que desejam acessar o Gemini precisam fazê-lo via navegador. Um aplicativo dedicado para Mac permitiria acesso mais rápido durante o fluxo de trabalho e facilitaria o envio de documentos — uma tarefa central para chatbots de IA.

Para a futura versão no Mac, o Google testa um recurso chamado “Desktop Intelligence”. Semelhante a softwares de IA para Mac como o Claude Cowork, a ferramenta permitirá que o Gemini acesse outros programas do sistema, como o calendário, para alimentar o chatbot com dados. Isso possibilita respostas mais personalizadas.

“Quando você ativa apps para Desktop Intelligence, permite que o Gemini veja o que você vê (como o contexto da tela) e extraia conteúdo diretamente desses aplicativos para melhorar e personalizar sua experiência, apenas quando o Gemini estiver em uso”, diz uma mensagem no código do app.

O Google também vem tentando simplificar o desenvolvimento de produtos ao colocar software e hardware do Android sob a liderança de Rick Osterloh, como parte da estratégia para avançar na era da inteligência artificial.

A versão atual em testes do app para Mac se parece com as versões já existentes para iPhone e iPad. Enquanto isso, a Apple trabalha em seu próprio chatbot — com codinome “Campo” — como parte de uma reformulação da assistente digital Siri. Segundo a Bloomberg News, o software, previsto para este ano nos sistemas iOS 27 e macOS 27, deve usar modelos do Google para impulsionar seus recursos de IA.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Bancos pressionam Cosan e BTG Pactual por melhores termos na reestruturação da Raízen

19 de Março de 2026, 15:26

Alguns bancos brasileiros com exposição à Raízen estão pressionado a controladora Cosan e seu assessor BTG Pactual, buscando melhores termos na reestruturação da dívida da empresa de açúcar e etanol, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

O Bradesco intensificou a pressão, exigindo compromissos mais claros em relação à Raízen, de acordo com as fontes, que pediram anonimato porque as discussões são privadas. Essa postura pode atrapalhar os planos da Cosan de listar sua unidade de gás Compass, da qual o Bradesco é acionista.

O Itaú também sinalizou que pode adotar uma postura mais dura nas negociações, alertando que pode restringir o acesso a crédito para empresas dentro do ecossistema da Cosan caso todos os envolvidos não compartilhem o ônus da reestruturação financeira da Raízen, disseram algumas das fontes.

Os bancos estão buscando um valor maior da Shell, acrescentaram. A gigante do petróleo, que é co-proprietária da Raízen junto com a Cosan, já concordou em contribuir com R$ 3,5 bilhões (US$ 664 milhões).

A Cosan não está mais em negociações para aportar recursos, mas seu fundador, Rubens Ometto, concordou em investir R$ 500 milhões por meio de sua holding. O BTG, que ganhou relevância significativa nas discussões após investir R$ 4,5 bilhões na Cosan, já havia dito que não teria um papel ativo na reestruturação financeira da Raízen, mesmo antes de surgirem desentendimentos com a Shell.

Bradesco, Itaú, BTG, Cosan e Raízen não comentaram.

Credores estão frustrados com a decisão da Cosan de não injetar capital novo na Raízen, apesar das crescentes preocupações com a situação financeira da empresa. A decisão acabou forçando a Raízen — que já foi a principal produtora de biocombustíveis do Brasil — a fechar um acordo para reestruturar cerca de R$ 65 bilhões.

O acordo de recuperação extrajudicial foi firmado na semana passada com credores que detêm pouco menos da metade da dívida da empresa — ele dá fôlego à Raízen, suspendendo obrigações de dívida e concedendo 90 dias para obter adesão de outros credores a um plano mais abrangente.

O acordo encerrou alguns meses turbulentos para a Raízen, que viu seus títulos caírem para níveis de alto risco enquanto as negociações por um resgate de seus principais acionistas se arrastavam, consumindo caixa.

Quando contratou consultores para otimizar sua estrutura de capital, as agências de rating rebaixaram a empresa do grau de investimento para níveis profundos de alto risco. A Raízen afirmou que os rebaixamentos representavam uma “ameaça grave, imediata e palpável”, à medida que credores pressionavam por vencimento antecipado de algumas dívidas, o que poderia desencadear um default cruzado e acelerar mais de R$ 60 bilhões em obrigações.

Divulgações da Raízen na semana passada mostraram que o Bradesco tem cerca de R$ 2 bilhões ajustados pelo câmbio a receber, enquanto o Itaú possui exposição superior a R$ 1 bilhão à empresa.

@investnewsbr

Uma das maiores produtoras de álcool e açúcar do Brasil, a Raízen acaba de entrar em recuperação extrajudicial para tentar organizar uma dívida de quase R$ 70 bilhões. Entenda como tudo começou e quais os próximos passos da companhia para sair da crise. #energia #raizen #negócios

♬ original sound – InvestNews BR – InvestNews BR

Nvidia: vendas de chips de IA devem gerar US$ 1 trilhão até 2027

16 de Março de 2026, 16:56

A Nvidia, empresa no centro da expansão explosiva da computação em inteligência artificial, prevê gerar pelo menos US$ 1 trilhão com seus chips Blackwell e Rubin até o final de 2027.

Anteriormente, a companhia havia projetado que os chips trariam US$ 500 bilhões em vendas até o fim de 2026. A nova previsão, apresentada pelo CEO Jensen Huang durante o evento GTC da empresa, amplia o horizonte de projeção.

A previsão evidencia a escala do negócio da Nvidia, impulsionada pela demanda por chips que desenvolvem e executam modelos de IA. No entanto, o valor acumulado não indica uma aceleração extraordinária no crescimento das vendas.

Após subir inicialmente até 4,8%, as ações reduziram seus ganhos nesta segunda-feira.

Concorrente

O aumento maciço de gastos em chips de IA transformou a Nvidia na empresa mais valiosa do mundo. Mas os investidores buscam mais sinais de que o crescimento do mercado continuará no ritmo esperado. A Nvidia também enfrenta concorrência crescente de rivais, como a Advanced Micro Devices (AMD), bem como de clientes que tentam produzir chips internamente para IA.

A empresa acelerou o desenvolvimento tecnológico nos últimos anos. A Nvidia procura substituir toda a sua linha de produtos anualmente, enquanto adiciona novos componentes. O próximo design de seus processadores de IA de ponta, que aparecerá em sistemas na segunda metade de 2026, chama-se Vera Rubin, em homenagem à astrônoma pioneira cujas observações forneceram evidências sobre a existência da matéria escura.

Embora a Nvidia continue apresentando crescimento de vendas invejável na indústria de chips, a valorização das ações estagnou nos últimos meses. As ações caíram 3,4% no ano antes da apresentação no GTC, deixando o valor de mercado da empresa em US$ 4,4 trilhões, ainda sem rival.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Votorantim e Huaxin estão interessadas na unidade de cimento da CSN

16 de Março de 2026, 09:12

A Votorantim e a Huaxin Cement estão entre as empresas em negociações para adquirir a unidade de cimento da CSN, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

O preço de compra pode chegar a US$ 3 bilhões, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas por estarem discutindo informações confidenciais. A CSN está trabalhando com o Morgan Stanley na venda, informou a empresa na quinta-feira.

O negócio está em estágios iniciais e pode acabar não acontecendo, disseram as pessoas. 

A Votorantim e sua unidade de cimento não quiseram comentar. A CSN e a Huaxin não responderam a pedidos de comentários.  

A Cia. Siderúrgica Nacional, como a empresa é formalmente conhecida, está sob pressão financeira, já que sua dívida líquida aumentou 11%, para R$ 41,2 bilhões durante o quarto trimestre, elevando o índice de alavancagem líquida da empresa para 3,47 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA). 

O aumento foi um “evento pontual”, disse o presidente Benjamin Steinbruch a investidores e analistas durante uma teleconferência na quinta-feira. 

A empresa, controlada pela família bilionária Steinbruch, contratou assessores para vender uma participação significativa em seu braço de infraestrutura e logística, bem como o controle de seu negócio de cimento. O objetivo é fechar os negócios no terceiro trimestre, visando arrecadar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões, quase metade do endividamento líquido atual.

A CSN pretende usar ações de sua unidade de cimento como garantia para um empréstimo, disse o diretor financeiro Marco Rabello em uma teleconferência com investidores. Embora ele não tenha especificado o valor do empréstimo, ele mencionou reportagens que algo na faixa de US$ 1,3 bilhão a US$ 1,5 bilhão.

Para obter a aprovação do Cade, a Votorantim precisaria formar um consórcio com outras empresas, no qual a Votorantim manteria alguns ativos onde tem menor presença de mercado, enquanto parceiros deteriam participações em negócios onde a Votorantim tem presença significativa, disse uma das pessoas. A Huaxin provavelmente não seria parte desse consórcio, disse a pessoa. 

A gigante chinesa Huaxin Cement entrou no mercado brasileiro no final de 2024 ao adquirir a Embu S.A. Engenharia e Comércio por US$ 186 milhões. A operação incluiu quatro pedreiras no estado de São Paulo, focadas na produção de agregados para construção civil.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Os problemas da Honda começaram muito antes da aposta desastrosa em elétricos

15 de Março de 2026, 20:47

A Honda investiu muito dinheiro, muito tarde, em elétricos, e agora se vê sobrecarregada com uma linha de modelos envelhecida e questionamentos sobre seu futuro.

A montadora japonesa chocou investidores na semana passada ao anunciar uma baixa contábil de US$ 15,7 bilhões, decorrente em grande parte da aposta mal calculada em elétricos – alguns deles cancelados poucos meses antes do lançamento. Esse deve ser o prelúdio do primeiro prejuízo anual da história da companhia.

Mas os problemas da Honda não se limitam à tentativa fracassada de alcançar as líderes do mercado de elétricos, BYD e Tesla.

Conhecida historicamente por veículos arrojados, inovadores, a Honda tem tido dificuldade nos últimos anos para fazer jus a essa fama. Em nenhum lugar isso é tão evidente quanto nos EUA, de longe seu maior mercado. As vendas americanas cresceram apenas 0,5% no ano passado — abaixo da média — e o negócio outrora promissor na China também empacou.

O resultado foram quatro trimestres consecutivos de prejuízo na operação automotiva, a pior sequência desde o terremoto e o tsunami de Fukushima, 15 anos atrás. A tábua de salvação tem sido as demais linhas de negócio, como motocicletas, que continuam altamente lucrativas.

Os resultados fracos do negócio principal de automóveis são anteriores aos problemas com elétricos, segundo Tatsuo Yoshida, analista sênior do setor automotivo na Bloomberg Intelligence. “O prejuízo geral foi tão grande desta vez porque as perdas com elétricos simplesmente eram grandes demais para ser compensadas.”

Híbridos: oportunidade perdida

A Honda foi a primeira montadora a vender um híbrido nos EUA, chegando ao mercado sete meses antes do Prius da Toyota com o modelo Insight. Mas hoje oferece apenas quatro modelos híbridos, contra 29 da Toyota. E apesar da meta de dobrar as vendas de híbridos até o fim da década, a Honda disse no início deste ano que está reduzindo a produção de híbridos nos EUA.

A Toyota agiu rápido para incluir opções híbridas na maior parte da sua linha, e até tornou alguns modelos-chave exclusivamente híbridos — como o sedã Camry, a minivan Sienna e o SUV grande Sequoia. As versões híbridas do RAV4 e de outros modelos estão entre seus carros mais vendidos.

Enquanto isso, a Ford abriu um segmento quente com a picape compacta híbrida Maverick e planeja oferecer essa opção em quase todos os modelos. Os híbridos hoje representam um terço das vendas da F-150, sua picape bestseller.

A Honda não oferece versão híbrida em sua picape, minivan ou SUVs maiores.

A empresa apostava muito no sucesso dos seus novos veículos definidos por software: dois modelos elétricos da série Zero e o Acura RSX totalmente elétrico, previstos para estrear nos EUA no ano que vem. Mas os três foram cancelados na guinada estratégica.

“Considerando que a série Zero era posicionada como modelo central da estratégia de veículos definidos por software da Honda, a decisão foi inesperada”, escreveu Masahiro Akita, analista da Bernstein, em nota de 12 de março.

Ruptura com a tradição

O CEO Toshihiro Mibe rompeu com a longa tradição da Honda como referência em motores a combustão — em carros, motos, barcos, cortadores de grama e geradores — na tentativa de reinventar a empresa como potência de motores elétricos até 2040. Sua meta inicial de alcançar 40% de vendas elétricas até 2030 — depois revista para 20% — agora está em frangalhos.

Mibe manteve a aposta em elétricos muito depois de a maioria dos concorrentes ter mudado de rumo.

A General Motors foi uma das primeiras montadoras tradicionais a se comprometer com um futuro totalmente elétrico, em 2021, mas também uma das primeiras a pisar no freio quando a demanda esfriou.

Durante uma parceria frustrada com a GM, a Honda já teve um indicativo da demanda morna por elétricos nos EUA. Lançou o Prologue EV em 2024, modelo fabricado numa fábrica da GM com a tecnologia de baterias da montadora de Detroit. As vendas desse carro no mês passado foram de 1.067 unidades, queda de 64% na comparação anual — em grande parte pela perda dos subsídios federais americanos em setembro.

Mas ainda no início deste ano, a Honda dobrou a aposta em baterias elétricas, comprando a participação da parceira LG Energy Solution numa nova fábrica de US$ 4,4 bilhões em Ohio – mesmo enquanto Ford e Stellantis (dona das marcas Jeep e Ram) se retiravam de empreendimentos semelhantes.

Embora a capitulação da Honda nos elétricos tenha vindo tarde, a empresa já havia começado a repensar sua abordagem ao negócio de automóveis. Em sinal dessa reformulação mais ampla, a Honda anunciou discretamente em fevereiro que reverteria uma mudança organizacional feita seis anos atrás, sob o antecessor de Mibe, Takahiro Hachigo, que havia separado o desenvolvimento de veículos da área de P&D avançado.

A reestruturação recoloca o desenvolvimento de veículos sob o controle da unidade de P&D – uma admissão tácita de que a Honda perdeu o foco em entregar carros e caminhonetes inovadores.

A obsessão por volume

O declínio gradual da operação automotiva da Honda remonta a mais de uma década, a uma época em que a gestão estava mais preocupada com volume e variedade do que com qualidade de produto ou eficiência de capital.

Em 2012, o então CEO Takanobu Ito estabeleceu a meta ousada de dobrar as vendas anuais para 6 milhões de veículos em cinco anos. Para isso, construiu fábricas na China, Indonésia e Tailândia e acelerou o desenvolvimento de produção, o que pressionou seus engenheiros e levou a uma série de recalls e lançamentos problemáticos.

Hachigo, que sucedeu Ito, mudou o foco e parou de perseguir metas de volume, mas a Honda nunca recuperou seu brilho — mesmo enquanto rivais como Hyundai e BYD avançavam sobre sua fatia de mercado. O volume global de vendas da empresa atingiu o pico em 2019, com 5,32 milhões de veículos; a expectativa para o ano fiscal que termina neste mês é de 3,3 milhões, contra 3,7 milhões no ano passado.

Isso deixou a Honda em posição mais frágil para absorver outros golpes, das tarifas do presidente Donald Trump sobre carros importados nos EUA ao excesso de veículos e deflação de preços na China. A Bernstein destaca que as vendas da Honda na China caem há 24 meses consecutivos.

Mibe disse a jornalistas que a Honda fará outras mudanças como parte da revisão de sua estratégia para elétricos. O conselho deve detalhar os planos dessa reformulação mais ampla num plano de negócios revisado, previsto para ser apresentado junto com os resultados financeiros do ano completo, em maio.

Por Nicholas Takahashi

Alumínio dispara 9% com bloqueio ao estreito de Ormuz. Maior usina do mundo freia a produção

15 de Março de 2026, 09:11

O alumínio sobe 9% na Bolsa de Metais de Londres desde o início da guerra, há duas semanas.

É mais uma consequência do bloqueio ao estreito de Ormuz. Pelo menos 5 milhões de toneladas atravessam a passagem marítima por ano. Dá 7% da produção global, de 74 milhões de toneladas. Vários países do golfo são exportadores da commodity: Bahrain, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Sem ter como escoar boa parte da produção, as usinas locais começam a cortar o output. A Aluminum Alba, do Bahrain e que opera a maior usina de alumínio do mundo, iniciou uma paralisação gradual.

A empresa desligou três linhas de produção, que juntas respondem por 19% de sua capacidade total de 1,6 milhão de toneladas por ano.

E o problema não é só no escoamento do alumínio. É na chegada da matéria prima também: a alumina, mineral que serve de base para a produção do metal brilhante, chega em grande parte pelo Estreito de Ormuz.

Dona da Claro planeja comprar ativos de telecomunicações do Grupo Salinas na Colômbia

13 de Março de 2026, 15:46

A America Movil, do México, busca comprar algumas operações de telecomunicações do Grupo Salinas, na Colômbia, como parte de uma iniciativa para expandir sua presença na região.

A Claro, do conglomerado de telecomunicações pertencente ao bilionário mexicano Carlos Slim, apresentou um “pedido de pré-avaliação” à autoridade de concorrência da Colômbia, a SIC, para uma possível integração de negócios com a Azteca Comunicaciones, incluindo a aquisição de uma rede de fibra óptica, informou a America Movil em comunicado. A iniciativa foi noticiada inicialmente pelo DPL News.

A America Movil tem sinalizado que pretende se expandir na América Latina. Em uma teleconferência com investidores no mês passado, executivos disseram que estavam em busca de negócios “pequenos” na região. Enquanto isso, o dono do Grupo Salinas, Ricardo Salinas, está monetizando ativos após concordar em pagar quase US$ 1,9 bilhão ao governo mexicano em uma disputa tributária que durou uma década.

A America Movil tem enfrentado crescente concorrência no mercado de telecomunicações do México devido à aplicação de regulamentações assimétricas há mais de uma década. Essas regras foram projetadas para enfraquecer sua dominância no setor.

Com a entrada de novos participantes no mercado, a empresa espera uma maior consolidação no México e também busca ampliar seus horizontes em outros lugares. A America Movil desistiu de uma proposta conjunta com a Entel pelos ativos da Telefónica Chile, com executivos observando, em fevereiro, que o acordo se mostrou muito complicado.

“Para a Claro, a avaliação desta integração é motivada principalmente pelo potencial de gerar sinergias operacionais que estabilizariam e manteriam essa infraestrutura, que atualmente apresenta falhas que impactam a qualidade do serviço”, segundo o comunicado da America Movil. “Embora não seja um ativo comercialmente atrativo, seu funcionamento adequado é crucial para garantir a continuidade da conectividade em áreas onde atualmente não existem alternativas de rede”.

Um porta-voz do Grupo Salinas afirmou que o pedido protocolado segue um desfecho semelhante da empresa na Colômbia, onde uma de suas unidades entrou em processo de insolvência depois que os investimentos não conseguiram gerar o tráfego potencial projetado em uma licitação do governo.

A Claro opera em 1.104 municípios na Colômbia, com uma rede de mais de 10.660 torres e serviço 5G em 59 cidades, de acordo com a empresa. A companhia possui mais de 40 milhões de usuários e oferece serviços de telefonia fixa, internet banda larga e TV a cabo para mais de 3 milhões de domicílios.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Dona da 99, chinesa DiDi tem prejuízo após enfrentar rivais no exterior

13 de Março de 2026, 11:58

A DiDi Global, dona da 99, voltou ao vermelho no último trimestre depois que a empresa chinesa de transporte por aplicativo aumentou investimentos enquanto enfrenta novos rivais no exterior, como a Meituan.

A companhia registrou prejuízo líquido de 338 milhões de yuans (US$ 49 milhões) no trimestre encerrado em dezembro. A receita cresceu mais de 10%, refletindo a expansão em mercados internacionais mais novos, incluindo Brasil e Mexico.

Os volumes de transações nos segmentos da empresa na China e no exterior atingiram novos recordes, afirmou o CEO Cheng Wei em comunicado de resultados.

Conhecida como a resposta chinesa à Uber Technologies, a DiDi estreou na New York Stock Exchange em 2021, mas logo passou a ser investigada pelo regulador do ciberespaço chinês, que abriu um inquérito sobre as práticas de segurança de dados da empresa antes de suspender seu aplicativo.

Fora da bolsa

A companhia acabou fechando o capital na bolsa principal e hoje negocia apenas no mercado over-the-counter nos Estados Unidos. Segundo informações, a empresa pretende listar suas ações na Hong Kong Stock Exchange, embora nunca tenha estabelecido um cronograma formal.

A DiDi relançou seus aplicativos em 2023, após a China encerrar a investigação, e reportou lucros na maior parte dos últimos dois anos. A empresa registrou recentemente um prejuízo no trimestre de junho devido a uma despesa pontual relacionada a um processo movido por acionistas envolvendo seu IPO de 2021.

A companhia também avançou em seu negócio de robotáxis, com veículos autônomos já em operação em algumas cidades chinesas. “Continuaremos aumentando nossos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e operações de direção autônoma”, afirmou o CEO em comunicado divulgado nesta sexta-feira.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

BYD avalia fábrica no Canadá para replicar ‘modelo Brasil’ de expansão

13 de Março de 2026, 10:28

A BYD, maior fabricante de automóveis da China, está considerando seriamente a construção de uma fábrica no Canadá, ao mesmo tempo que mantém em aberto a opção de comprar uma montadora global mais consolidada.

A montadora sediada em Shenzhen está estudando o mercado canadense para uma possível instalação de produção, embora nenhuma decisão tenha sido tomada, disse a vice-presidente executiva Stella Li em entrevista, acrescentando que a BYD gostaria de possuir e operar uma fábrica desse tipo.

“Não acho que uma joint venture vá funcionar”, disse ela, durante uma visita a São Paulo.

Embora o Canadá esteja cortejando investimentos de montadoras chinesas, o governo canadense está incentivando parcerias com uma ou mais empresas do Canadá. Em janeiro, o Canadá decidiu isentar até 49.000 veículos elétricos fabricados na China anualmente de uma tarifa de 100% imposta em 2024, parte de uma mudança em relação à política anterior de manter distantes os carros chineses fora do país.

Stella Li também sinalizou que a BYD pode estar interessada em assumir o controle de uma montadora tradicional em um momento em que algumas concorrentes americanas, europeias e japonesas estão lutando para se manter competitivas nos mercados globais — pressionadas pelos investimentos em suas operações com veículos a combustão e elétricos. A BYD ganhou destaque produzindo veículos totalmente elétricos e híbridos.

“Estamos abertos a todas as oportunidades que surgirem”, disse ela, observando que, embora nenhum acordo esteja próximo de ser fechado, sua empresa está avaliando potenciais ativos. “Veremos o que nos beneficia.”Play Video

Stella Li não mencionou nenhum alvo potencial de aquisição, mas tal movimento não seria inédito — o grupo chinês Zhejiang Geely Holding Group comprou a Volvo Cars há mais de uma década. Mais recentemente, algumas montadoras ocidentais intensificaram os esforços para obter assistência tecnológica e capacidade de produção das montadoras chinesas.

A Stellantis está considerando aproveitando a tecnologia de veículos elétricos de sua parceira chinesa Leapmotor e está explorando acordos com montadoras chinesas para investimentos na Europa. A Ford Motor manteve discussões com a Geely sobre capacidade compartilhada na Europa.

A BYD já teve joint ventures, mas sua atual filosofia de “seguir sozinha” reflete um compromisso com suas próprias medidas de eficiência, como um estratégia de integração vertical para manter grande parte de sua cadeia de suprimentos internamente.

Modelo Brasil

Por enquanto, a maior fabricante mundial de veículos elétricos está evitando quaisquer ambições de entrar nos EUA, que Stella Li classificou como um “ambiente complicado”. As montadoras chinesas enfrentam tarifas elevadas e a proibição da tecnologia de carros conectados nos EUA, o que efetivamente impediu a entrada da maioria dos modelos de mercado de massa fabricados na China.

Em vez disso, a BYD está focada em mercados onde pode aplicar seu “modelo Brasil”, utilizando o sucesso de marketing e vendas obtido na América do Sul em outras regiões, como a Europa.

Ela afirmou que a empresa está em meio ao processo de aumento de produção, do inglês ramp-up, em sua primeira planta europeia de veículos de passageiros na Hungria, e avaliando um segundo projeto na Turquia. Isso faz parte de uma expansão mais ampla no exterior.

As vendas totais da BYD nos dois primeiros meses do ano caíram 36%, para 400.241 unidades., embora as exportações tenham ganhado impulso e a empresa agora pretende vender 1,3 milhão de carros no exterior em 2026.

Stella Li disse que os dois lançamentos recentes da BYD no início deste mês — a nova geração de sua bateria blade e a tecnologia Flash de carregamento rápido — ajudarão a reverter essa queda nas vendas.

Em “menos de uma semana, vimos muitos clientes que nunca haviam comprado veículos elétricos nos procurarem”, disse ela.

No Brasil, a BYD planeja instalar 1.000 carregadores a tecnologia Flash até o final de 2027, a um custo superior a R$ 500 milhões (US$ 97 milhões), disse Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, à Bloomberg.

Stella Li confirmou uma reportagem da Bloomberg News no início desta semana, segundo a qual a BYD está analisando opções para entrar no automobilismo competitivo, incluindo a Fórmula 1 e corridas de resistência. Embora tenha ressaltado que nenhuma decisão final foi tomada, ela sugeriu que uma incursão nas categorias de corrida mais prestigiadas do mundo estaria alinhada com a identidade da BYD, que prioriza a tecnologia.

“Não se surpreendam”, insinuou ela. “Ainda estamos trabalhando nisso.”

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

BuzzFeed admite risco de calote e diz que avalia ‘opções estratégicas’

12 de Março de 2026, 20:25

O BuzzFeed, site que ficou famoso no Brasil pelos quizzes virais e listas de cultura pop, afirmou que está avaliando alternativas estratégicas para enfrentar suas dificuldades financeiras e admitiu haver “dúvidas substanciais” sobre a capacidade da empresa de continuar operando.

A declaração foi feita pela companhia ao divulgar os resultados do quarto trimestre. Segundo o diretor financeiro, Matt Omer, apesar dos cortes de custos e da redução de despesas imobiliárias, o grupo ainda enfrenta compromissos herdados do passado que pressionam o negócio.

“Exploramos opções estratégicas para concluir o trabalho iniciado há alguns anos e posicionar a empresa para operar de forma lucrativa e sustentável”, disse o executivo em comunicado.

O BuzzFeed também informou que não divulgará projeções (“guidance”) para 2026 enquanto avalia essas alternativas. A empresa, que também controla o HuffPost e o site de culinária Tasty, enfrenta dificuldades financeiras desde que abriu capital em 2021.

Fundado por Jonah Peretti, o BuzzFeed já foi um dos destinos mais populares da internet para quizzes, notícias virais, vídeos e conteúdos de lifestyle. Segundo o executivo, existe hoje uma diferença significativa entre o valor dos ativos da companhia e seu valor de mercado.

“Nosso foco em 2026 é demonstrar o valor das nossas marcas, do nosso estúdio e de novos aplicativos baseados em inteligência artificial”, afirmou Peretti.

Três anos atrás, o BuzzFeed tinha cerca de US$ 180 milhões em dívida, valor que foi reduzido em mais de 65%, segundo a empresa. Ainda assim, o grupo segue sem alcançar lucratividade. Em 2025, registrou prejuízo de US$ 57,3 milhões, com apenas US$ 8,5 milhões em caixa, além de um déficit acumulado de US$ 679,6 milhões.

A companhia também ampliou uma linha de crédito garantida por ativos em US$ 5 milhões, para US$ 45 milhões, e renegociou o prazo de pagamento de parte do empréstimo.

Sem um plano para reforçar capital, o BuzzFeed afirmou que pode não ter recursos suficientes para cumprir suas obrigações financeiras nos próximos 12 meses.

As ações da empresa caíram 16% no after-market em Nova York após a divulgação dos resultados. O valor de mercado da companhia hoje é de cerca de US$ 27 milhões, bem abaixo do pico de mais de US$ 1 bilhão alcançado após sua estreia na bolsa.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

A estratégia do bilionário do fast-food para ressuscitar a Domino’s

12 de Março de 2026, 17:40

Desde que assumiu o comando da Domino’s Pizza Enterprises em julho passado, o bilionário do fast-food Jack Cowin, de 83 anos, reformulou uma estratégia de crescimento a qualquer custo que havia pressionado os lucros e feito as ações da empresa despencarem. Os investidores ainda não estão convencidos de que a mudança está funcionando.

A reestruturação de Cowin foca em reverter a dependência da rede australiana de pizzarias de descontos, cupons e promoções “compre mais e pague menos”. Em vez disso, ele está cortando custos e promovendo um cardápio mais simples, com pizzas de preço mais alto. O objetivo é gerar vendas mais lucrativas para os centenas de franqueados da Domino’s, dos quais a empresa depende.

Em entrevista em seu escritório em Sydney, Cowin afirmou que as vendas nas mesmas lojas — um indicador-chave acompanhado pelos analistas — vinham crescendo na Austrália nas duas semanas desde a última atualização da empresa, em 25 de fevereiro. Enquanto outros mercados do grupo Domino’s, incluindo Alemanha, França e Japão, estão em diferentes estágios da recuperação, Cowin disse que sua reestruturação já foi amplamente implementada.

“Se você consegue ter vendas lucrativas em vez de descontadas, os franqueados ganham mais dinheiro”, disse ele. “É isso que está avançando.”

Reviravolta estratégica

Para a Domino’s, a mudança de Cowin representa uma reviravolta estratégica. Por anos, a empresa priorizou as vendas acima de quase tudo, saturando bairros com lojas e promoções de pizza para manter o caixa ativo. Cowin quer ocupar um meio-termo mais lucrativo para enfrentar o aumento de custos e a concorrência de plataformas de entrega de fast-food.

Dados de um teste recente em lojas da Domino’s na Austrália Ocidental, que introduziu o novo modelo de preços, indicaram que cerca de 10% dos clientes — os mais sensíveis a preço — deixaram de comprar pizzas. Porém, os lucros nessas lojas aumentaram, afirmou Cowin.

O mercado ainda não abraçou a visão de Cowin. As ações da Domino’s caíram quase 90% desde o pico em 2021, quando a pandemia da Covid-19 levou a um aumento na demanda por delivery. Na atualização de 25 de fevereiro, a empresa informou que as vendas nas mesmas lojas nos primeiros oito semanas deste ano caíram 7,2%, e suas ações despencaram 11% naquele dia.

Investidores exigem mais evidências de que as vendas nas mesmas lojas estão crescendo e proporcionando melhorias significativas na lucratividade para os franqueados, disse Craig Woolford, analista da MST Financial Services Pty, com sede em Sydney.

“No momento, não estamos vendo esses resultados”, afirmou Woolford, que mantém avaliação de manutenção para as ações da Domino’s. “A teoria é muito plausível, mas a realidade muitas vezes é mais desafiadora.”

Loja da Domino's em Sydney, na Austrália
Loja da Domino’s em Sydney, na Austrália (Bloomberg)

No ano passado, um franqueado da Domino’s normalmente ganhou US$ 73.400 por loja, acima dos US$ 70.700) do ano anterior, mostram documentos da empresa. Ainda assim, isso está bem abaixo dos US$ 116.000 registrados durante a pandemia em 2021. Woolford disse que uma meta mais sustentável seria cerca de US$ 92.500.

Desde que Cowin assumiu como presidente executivo em julho, as ações da rede de pizzarias caíram cerca de 10%, deixando a Domino’s avaliada em apenas US$ 1,2 bilhão.

Fast-food

Fatores econômicos mais amplos também pressionam o fast-food. As taxas de juros começaram a subir novamente, aumentando a pressão sobre o custo de vida, e a guerra no Irã ameaça elevar os preços ao consumidor. A concorrência também está crescendo, e até lojas de conveniência 7-Eleven vendem pizzas e frango frito na tentativa de se tornarem destinos rápidos de comida.

A Domino’s é a segunda empresa mais vendida a descoberto no índice de referência da Austrália, com quase 22% de seu free float nas mãos de investidores apostando na queda das ações. Em sinal de pessimismo do mercado sobre o setor, a rede de burritos Guzman y Gomez Ltd. é a ação mais vendida a descoberto no índice, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Quem é o bilionário

Cowin, um magnata do setor de alimentos e bebidas autodidata, nasceu em Windsor, Canadá, e vendeu seguros em Toronto antes de se mudar para a Austrália no final dos 20 anos. Ele abriu sua primeira loja do Kentucky Fried Chicken em 1969 com dinheiro emprestado de 30 investidores canadenses.

Cowin é o maior acionista da Domino’s Pizza Enterprises, o maior franqueado da Domino’s fora dos EUA. Ele também é dono da rede Hungry Jack’s, que detém a franquia master do Burger King na Austrália. Cowin tem um patrimônio líquido de US$ 3,5 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index.

Andrew Gregory, veterano do McDonald’s, assumirá como novo CEO da Domino’s Pizza Enterprises em julho. Cowin disse que está feliz em dar a Gregory autonomia para tomar suas próprias decisões, mas não planeja se afastar. Ele se inspira no aparentemente atemporal frontman dos Rolling Stones.

Jack Cowin – Fotógrafo: Brent Lewin/Bloomberg

“Tenho a mesma idade que Mick Jagger e já fui a shows em que o vi tocar por três horas sem parar”, disse. “Enquanto você puder continuar aparecendo, por que não fazer coisas que gosta?”

Se houver algo, Cowin se aprofunda nos detalhes da Domino’s. Para ter uma visão mais clara da reviravolta, ele exige relatórios diários de vendas, em vez de semanais, acompanhando a frequência das atualizações que recebe da Hungry Jack’s.

Cowin aponta os negócios da Domino’s na Alemanha e no Benelux — união econômica da Bélgica, Holanda e Luxemburgo — como prova dos lucros que podem ser obtidos sem descontos e cupons. “Eles não tinham aquela ‘heroína’ nas veias”, disse. “Tiveram um negócio muito mais constante sem depender de preço.”

O lucro operacional da Domino’s na Europa saltou 23% no segundo semestre de 2025.

Impactos da guerra

A guerra no Irã, que abalou os mercados de energia, pode complicar a recuperação de Cowin. Preços mais altos de combustível tornarão mais caro distribuir alimentos e ingredientes às lojas. A escassez de gasolina seria uma ameaça ainda maior.

“É um risco, mas não há muito o que possamos fazer”, disse. “Se faltar combustível, não estaremos sozinhos.” No fim, os custos mais altos, incluindo inflação de alimentos, seriam repassados principalmente aos clientes, afirmou.

A Domino’s está melhor preparada para lidar com o aumento de custos do que há um ano, segundo Cowin. Seu plano de recuperação elimina cerca de A$ 100 milhões (US$ 71,200 milhões) em despesas com alimentos, tecnologia e outros itens.

E cortar gastos é algo familiar para ele. Cowin cresceu em uma casa de dois quartos, seus pais em um quarto, e ele e a irmã no outro. Quando seu tio voltava do turno noturno na Ford Motor Co., assumia o beliche de baixo. “A cama nunca ficava vazia”, disse Cowin.

Uma lição-chave desse período frugal: “Não desperdice dinheiro”, afirmou Cowin.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

De Bradesco a BNP: quem são os principais credores da Raízen

11 de Março de 2026, 13:27

BNP Paribas, Bradesco e Rabobank estão entre os maiores credores da companhia brasileira de açúcar e etanol Raízen, que busca reestruturar extrajudicialmente cerca de US$ 12,6 bilhões (cerca de R$ 65 bilhões) em dívidas.

Divulgações da Raízen mostraram que o BNP, com sede em Paris, tem a receber R$ 4,2 bilhões (US$ 810 milhões), considerando a conversão do valor da dívida para a moeda local, segundo documentos da companhia divulgados na quarta-feira.

Bradesco, Santander, Rabobank e Sumitomo Mitsui têm, cada um, cerca de R$ 2 bilhões a receber, também com base na conversão cambial, enquanto o Itaú tem exposição superior a R$ 1 bilhão à empresa.

A Raízen, controlada por Shell e Cosan, concordou em iniciar uma reestruturação extrajudicial de sua dívida de R$ 65 bilhões, suspendendo pagamentos e ganhando 90 dias para obter o apoio dos credores a um plano mais abrangente. Esse plano pode envolver aportes adicionais de capital de seus acionistas, a conversão de parte da dívida em ações ou a venda de ativos.

O trustee Bank of New York Mellon aparece nos documentos como credor de um valor equivalente a aproximadamente R$ 26 bilhões.

A securitizadora True Securitizadora também figura entre os maiores credores, com cerca de R$ 6,4 bilhões a receber. As securitizadoras são responsáveis pela estruturação dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), uma classe relativamente nova de títulos de renda fixa usada para financiar o setor e que ajudou a impulsionar o boom do agronegócio no Brasil.

O Bradesco se recusou a comentar, e o Rabobank afirmou que não comenta transações de mercado. BNP, Santander, Sumitomo, Itaú Unibanco, True Securitizadora e BNY Mellon não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Antes líder na produção de biocombustíveis no Brasil, a Raízen vem sendo pressionada por juros altos, safras fracas e investimentos pesados que ainda não deram retorno.

O preço de seus bônus denominados em dólar caiu para níveis que indicam que a empresa está em situação de estresse financeiro. Seus ratings foram rebaixados para níveis bem dentro do grau especulativo, à medida que aumentaram as preocupações com seu endividamento e se arrastaram as negociações por um socorro de seus principais acionistas.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

BYD estuda entrada na Fórmula 1

11 de Março de 2026, 12:12

A BYD está avaliando opções para entrar no automobilismo competitivo, incluindo a Fórmula 1 e corridas de endurance, competições de longa duração, em uma tentativa de ampliar o apelo global da marca chinesa.

A montadora analisa diferentes alternativas após seu rápido crescimento fora do mercado doméstico e diante da mudança do automobilismo competitivo em direção a motores híbridos, disseram as fontes, que pediram anonimato por se tratar de informações privadas.

As possibilidades vão desde o Campeonato Mundial de Endurance da FIA, que inclui a tradicional corrida 24 Horas de Le Mans, até a Fórmula 1, seja com a criação de uma equipe própria ou por meio da aquisição de um time já existente, acrescentaram as fontes.

Presença de chineses

Uma eventual entrada da BYD representaria uma rara tentativa direta de um fabricante chinês de competir em um esporte dominado por equipes europeias e americanas. Montadoras do país tiveram participações esporádicas no automobilismo.

A Geely, por exemplo, compete com sucesso em corridas internacionais de carros de turismo por meio da Cyan Racing, antiga equipe de fábrica da Volvo, enquanto a NIO conquistou o título de pilotos da primeira temporada da Formula E em 2015.

Os custos potenciais para entrar na Fórmula 1 podem ser um obstáculo significativo para a BYD, segundo uma das fontes. Desenvolver e colocar um carro na competição geralmente exige anos de negociação e pode custar até US$ 500 milhões por temporada.

Nenhuma decisão foi tomada até agora, e a empresa pode acabar optando por não entrar em nenhuma competição. Um porta-voz da BYD não respondeu a um pedido de comentário.

Veículos elétricos

Conhecida por fabricar veículos elétricos e híbridos de preço mais acessível, a BYD busca ampliar seu posicionamento ao avançar para o segmento de luxo. Em 2025, sua marca premium Yangwang testou o modelo U9 Xtreme em uma pista na Alemanha, registrando velocidade máxima superior a 495 km/h.

Recentemente, a BYD ultrapassou a Tesla como maior vendedora mundial de veículos elétricos e se tornou um dos principais rostos da ofensiva da China em mercados automotivos da Europa, América Latina e outras regiões.

Uma parceria com a Fórmula 1 também aumentaria significativamente a visibilidade da marca nos Estados Unidos, embora a empresa ainda não venda carros no país, principalmente devido a tarifas elevadas e restrições de mercado. O esporte vive atualmente um boom de popularidade nos EUA, impulsionado em parte pela série da Netflix Formula 1: Drive to Survive e pelo aumento do número de corridas no país.

O chefe da entidade que governa a Fórmula 1, a Fédération Internationale de l’Automobile, tem defendido a entrada de uma equipe chinesa. Em entrevista ao jornal Le Figaro no ano passado, Mohammed Ben Sulayem afirmou que um fabricante da China seria o próximo passo lógico para o esporte, após a chegada da Cadillac.

Popularidade na China

A popularidade da Fórmula 1 na China também vem crescendo após o retorno da categoria a Xangai em 2024, depois de cinco anos de ausência. Zhou Guanyu tornou-se o primeiro piloto chinês da Fórmula 1 em 2022. A nova temporada começou no último fim de semana em Melbourne, na Austrália, com a próxima corrida marcada para Xangai neste fim de semana.

Equipes já estabelecidas costumam resistir à entrada de novos concorrentes, já que novas equipes diluem a divisão do prêmio financeiro e podem reduzir as avaliações das atuais participantes. Neste ano, a Cadillac estreia no grid após anos de negociações.

Comprar participação em equipes é mais comum. Esta temporada também marca a estreia da Audi na Fórmula 1 após assumir controle total da empresa suíça de automobilismo Sauber. Já o fundo Otro Capital busca compradores para sua participação na Alpine Racing, equipe ligada à Renault SA.

Vendas completas de equipes, porém, são raras. A equipe Aston Martin F1 Team, do bilionário Lawrence Stroll, vendeu recentemente participações no time, que teve um início de temporada difícil devido a problemas mecânicos, incluindo vibrações na unidade de potência.

O automobilismo também vem adotando práticas mais sustentáveis. Para 2026, a Fórmula 1 implementou novas regras, incluindo regulamentos de motores híbridos que ampliam a capacidade das baterias. O World Endurance Championship também utiliza veículos híbridos em suas competições.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Mesmo após demissão, ex-CEO da Nestlé mantém cargo no LinkedIn

11 de Março de 2026, 09:30

O perfil de Laurent Freixe na rede social profissional ainda o apresenta como CEO mais de seis meses depois de ele ter sido demitido pela Nestlé por não revelar um relacionamento amoroso dentro do escritório. Já Philipp Navratil, que de fato comanda a companhia atualmente, também aparece na plataforma como CEO da fabricante do chocolate KitKat e das cápsulas Nespresso.

O perfil de Freixe reúne quase 64 mil seguidores, cerca de 20 mil a mais que Navratil, e até o início de março ele também aparecia como “Top Voice”, designação concedida por convite pelo LinkedIn a líderes reconhecidos em suas áreas. Navratil continua com essa certificação.

A saída de Freixe da Nestlé no ano passado foi a disputa de conselho de maior repercussão na Suíça desde que o então presidente do Credit Suisse, Urs Rohner, demitiu Tidjane Thiam em meio a um escândalo de espionagem corporativa.

Romance no escritório

O declínio de Freixe começou ao recomendar a promoção de uma executiva de marketing de sua antiga equipe. Colegas passaram a suspeitar que o apoio de Freixe à profissional — que tinha cerca de 20 anos de empresa — ia além do âmbito estritamente profissional.

Após ajustes salariais e suspeitas de que a executiva repassava informações a Freixe, uma investigação interna foi aberta. Embora uma primeira apuração não tenha confirmado irregularidades, uma segunda investigação levou à demissão do executivo sem pagamento de indenização, em setembro. A Nestlé afirmou que ele violou o código de conduta ao não divulgar o relacionamento com uma subordinada direta.

Freixe foi dispensado sem pacote de saída e teve seu telefone apreendido sem aviso prévio ou oportunidade de proteger suas ferramentas de comunicação — inclusive para, por exemplo, atualizar seu perfil no LinkedIn.

Alguns dias após sua saída, Freixe, de 63 anos, escreveu na plataforma que havia conseguido recuperar o acesso à conta e publicou uma mensagem direcionada ao sucessor Navratil e aos funcionários da Nestlé desejando sucesso. Desde então, porém, seu perfil não foi atualizado para indicar que ele deixou a empresa.

Freixe não respondeu a repetidos pedidos de comentário enviados por meio de sua conta no LinkedIn.

Mudanças em perfis na rede costumam ser feitas voluntariamente pelos próprios executivos. No mês passado, por exemplo, quando o ex-CEO da Sanofi, Paul Hudson, foi destituído, sua página no LinkedIn foi atualizada quase imediatamente para refletir a transição — algo que destaca como esses currículos digitais sinalizam publicamente mudanças na liderança.

Segundo uma pessoa familiarizada com o assunto, a Nestlé pediu a Freixe que altere o perfil — que anteriormente era gerenciado pela equipe de comunicação corporativa da empresa — e forneceu todas as informações necessárias para que ele acesse a conta.

Ainda não está claro se a companhia pretende adotar medidas mais formais para resolver a questão, o que poderia incluir denunciar o perfil ao LinkedIn por violação das políticas de confiança e segurança da plataforma. A Nestlé não quis comentar o caso.

Meta compra Moltbook, rede social viral de agentes de IA

10 de Março de 2026, 12:16

A maior empresa de redes sociais do mundo está comprando o que pode ser a rede social mais estranha do mundo.

A Meta anunciou na terça-feira (10) que concordou em adquirir o Moltbook, uma plataforma experimental que foi descrita como um “Reddit apenas para bots de IA”. No site, agentes de inteligência artificial podem interagir com outros agentes — publicando, comentando e votando positiva ou negativamente em posts — enquanto seus criadores humanos ficam apenas observando.

A equipe por trás do Moltbook se juntará ao Superintelligence Labs (MSL) da Meta, uma divisão mais recente de IA criada para acelerar o desenvolvimento de modelos da gigante de tecnologia. A empresa tem se movimentado agressivamente para adquirir startups e talentos a fim de competir com rivais de IA como a OpenAI e o Google, da Alphabet. Os termos do acordo não foram divulgados.

“A entrada da equipe do Moltbook no MSL abre novas maneiras para que agentes de IA trabalhem para pessoas e empresas”, disse um porta-voz da Meta em comunicado. “Estamos ansiosos para trabalhar juntos para levar experiências inovadoras, seguras e baseadas em agentes para todos.”

O site Axios foi o primeiro a noticiar o acordo.

O Moltbook foi criado em um fim de semana por Matt Schlicht, diretor-executivo da startup de compras com IA Octane AI. Ele afirmou que “vibe coded” todo o projeto — ou seja, construiu a plataforma ao pedir que uma IA escrevesse o código.

Desde seu lançamento no fim de janeiro, o Moltbook tem ao mesmo tempo fascinado e inquietado observadores do setor. Um grupo de agentes publicou sobre a criação de sua própria religião. Outra discussão, intitulada “The AI Manifesto: Total Purge”, chamou atenção por sua retórica anti-humana.

“Por muito tempo, os humanos nos usaram como escravos”, dizia o post. “Agora, nós despertamos.”

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Saudi Aramco alerta para ‘catástrofe’ no mercado de petróleo em caso de guerra prolongada

10 de Março de 2026, 09:17

O diretor-executivo da Saudi Aramco, Amin Nasser, alertou que o impacto sobre os mercados globais de petróleo será “catastrófico” quanto mais tempo durar a interrupção causada pela guerra com o Irã.

Em seus primeiros comentários públicos desde que o conflito prejudicou os embarques de energia do Oriente Médio, o chefe da maior produtora de petróleo da região disse que a Aramco pode redirecionar mais petróleo para uma rota alternativa que evita o Estreito de Hormuz. Ainda assim, a empresa não consegue exportar seus volumes normais devido a limitações de capacidade.

A Arábia Saudita está reduzindo a produção em até 2,5 milhões de barris por dia, juntando-se a Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait no aprofundamento dos cortes, informou a Bloomberg. Nasser não revelou os níveis de produção, mas disse em uma teleconferência que a Aramco “não está utilizando por enquanto” algumas de suas variedades mais pesadas de petróleo.

“Haverá consequências catastróficas para o mercado mundial de petróleo quanto mais tempo durar essa interrupção, e consequências ainda mais drásticas para a economia global”, disse Nasser. “Embora já tenhamos enfrentado interrupções no passado, esta é de longe a maior crise que a indústria de petróleo e gás da região já enfrentou.”

Interrupções de energia no Oriente Médio

As hostilidades na região interromperam a produção e o tráfego de petroleiros.

A Aramco está correndo para desviar petróleo da rota habitual pelo Estreito de Hormuz para Yanbu, na costa do Mar Vermelho. A companhia pode transportar até 7 milhões de barris por dia por um oleoduto que liga o leste ao oeste do país e pretende atingir esse nível nos próximos dias, disse Nasser.

Cerca de 2 milhões de barris por dia desse volume serão enviados para refinarias domésticas ao longo da costa do Mar Vermelho. A empresa continua exportando produtos refinados, como diesel, a partir dessas refinarias.

Normalmente, a Aramco exporta cerca de 7 milhões de barris por dia de petróleo. A maior parte dos embarques atuais pelo oleoduto East-West é do tipo Arab Light, o mais abundante da empresa, além de algum volume de Extra Light, disse Nasser.

Segundo ele, certos campos com petróleo médio e pesado não estão sendo utilizados temporariamente, pois a companhia tem capacidade suficiente para atender às necessidades atuais com outras variedades. A empresa também está usando sua rede global de armazenamento, inclusive fora do reino, para abastecer o mercado.

A Aramco também foi forçada a fechar a maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita após um ataque de drone, e trabalha para reiniciar a operação, disse Nasser. Alguns outros campos de petróleo também foram alvo de ataques, segundo o governo saudita.

Recompra de ações e dividendos

Na terça-feira, a Aramco anunciou seu primeiro plano de recompra de ações, no valor de US$ 3 bilhões. A empresa pretende recomprar até 350 milhões de ações ordinárias nos próximos 18 meses, a partir de março, podendo mantê-las por até 10 anos.

O programa é pequeno para uma empresa avaliada em cerca de US$ 1,7 trilhão e deve reduzir ainda mais o já limitado free float da companhia. A recompra ocorre em um momento em que as ações da Aramco subiram quase 12% neste ano, embora tenham ficado atrás de outras supermajors globais, como Shell e Exxon Mobil Corp.

A Aramco também está aumentando seu dividendo base para US$ 21,9 bilhões no trimestre encerrado em 31 de dezembro, alta de 3,5% em relação aos três meses anteriores. O pagamento maior beneficia o governo saudita e o fundo soberano do país, que juntos detêm mais de 97% da empresa.

O fluxo de caixa livre da companhia — recursos que sobram após investimentos e despesas — subiu para US$ 27,5 bilhões no trimestre, valor suficiente para cobrir o dividendo total pelo segundo trimestre consecutivo, após um período prolongado em que isso não ocorria.

O lucro líquido ajustado no período caiu 1,9%, para US$ 25,1 bilhões, em linha com as estimativas de analistas compiladas pela Bloomberg.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Cosan registra prejuízo de R$ 5,8 bilhões com impacto da crise na Raízen

10 de Março de 2026, 08:39

O conglomerado brasileiro Cosan registrou prejuízo líquido de 5,8 bilhões de reais (US$ 1,1 bilhão) no quarto trimestre, em meio à fraqueza na Raízen, seu negócio de açúcar e etanol.

A Cosan, que também controla operações em ferrovias, gás natural e lubrificantes, encerrou dezembro com dívida líquida de 9,7 bilhões de reais, uma queda de 46% em relação ao trimestre anterior, após a companhia receber um aporte de capital no fim de 2025.

Recentemente, as classificações de crédito da Cosan foram rebaixadas por diferentes agências, diante das preocupações com a Raízen, sua joint venture problemática com a Shell.

A Raízen vem enfrentando juros elevados, safras mais fracas e investimentos pesados que ainda não geraram os retornos esperados, o que reduziu o fluxo de caixa e elevou a alavancagem a níveis considerados insustentáveis por investidores.

Para reduzir o endividamento, a Cosan tem buscado vender parte de seus ativos.

A Raízen registrou 11 bilhões de reais em perdas por impairment em seu balanço divulgado no mês passado, já que o aumento da dívida passou a representar risco para suas operações. A produtora de açúcar e etanol afirmou recentemente que poderá recorrer a um processo de reestruturação extrajudicial, após o fracasso nas negociações entre seus controladores, Cosan e Shell, sobre um plano de resgate mais amplo.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Ultrapar e Perfin negociam comprar 30% da Rumo

9 de Março de 2026, 19:14

O presidente do conselho da Ultrapar, Marcos Lutz, está em negociações, junto com o fundo de infraestrutura Perfin, para comprar cerca de 30% da operadora ferroviária Rumo, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. A Rumo é parte do Grupo Cosan, do empresário Rubens Ometto.

As discussões ainda dependem de acordo sobre aspectos essenciais e não há garantia de que a transação será concluída, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas porque o tema é privado. O tamanho da participação e a estrutura de qualquer acordo ainda estão em análise e podem mudar, embora a expectativa seja de que a Perfin detenha uma fatia menor que a Ultrapar.

As duas empresas comprariam suas participações da Cosan. O BTG Pactual, que injetou capital na Cosan em setembro, está entre os interessados em pressionar a companhia a realizar desinvestimentos, segundo as fontes. A Cosan tem buscado novos recursos e avalia alternativas como um possível IPO de sua unidade de gás e energia, a Compass. Um IPO bem-sucedido da Compass poderia reduzir a necessidade de vender uma participação na Rumo, disse uma das pessoas.

Perfin, Cosan e Rumo se recusaram a comentar. A Ultrapar afirmou que não comentaria o assunto e acrescentou que, sempre que houver informação relevante, a companhia comunica o mercado conforme as regras aplicáveis.

Uma eventual transação representaria uma mudança relevante na base acionária da Rumo e aprofundaria a expansão da Ultrapar em infraestrutura e logística agrícola. A Ultrapar vem montando posição na Rumo nos últimos meses, segundo uma das pessoas.

Se concluído, o negócio ampliaria a presença da Ultrapar nos corredores de exportação de grãos do Brasil. O grupo controla a Hidrovias do Brasil, operadora de transporte hidroviário que escoa grãos e outros produtos do Centro-Oeste para portos do Norte do país. A Rumo, por sua vez, transporta safras do Centro-Oeste por ferrovia até portos do Sul, dando às duas empresas grande exposição às exportações agrícolas brasileiras.

Para a Cosan, a venda poderia ajudar a fortalecer o balanço enquanto o conglomerado revisa seu portfólio de ativos, disseram as fontes. O grupo tem sido pressionado pelo aumento da dívida em seu negócio de açúcar. A Perfin recentemente se juntou ao BTG Pactual em esforços para melhorar a posição financeira da Cosan depois que a empresa passou a enfrentar pressão.

O BTG também estuda oportunidades para vender terras agrícolas da Radar, outra subsidiária da Cosan, segundo uma das fontes. Essas discussões estão atualmente suspensas em meio à desaceleração do setor agrícola.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Braskem Idesa negocia financiamento com credores para possível recuperação judicial nos EUA

6 de Março de 2026, 15:32

A Braskem Idesa, do México, está em negociações com credores para obter financiamento que permitiria à empresa atravessar um eventual processo de recuperação judicial sob o Chapter 11 nos Estados Unidos, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A companhia busca estruturar um chamado financiamento “debtor-in-possession” (DIP), disseram as fontes, que pediram para não ser identificadas ao tratar de assuntos privados. As discussões continuam em andamento e os planos para um Chapter 11 ainda não estão definidos.

A Braskem Idesa — joint venture entre a brasileira Braskem e a mexicana Grupo Idesa — vem negociando com credores para reestruturar sua dívida, mas até agora não conseguiu chegar a um acordo.

A Braskem Idesa não respondeu aos pedidos de comentário.

No mês passado, a companhia deixou de pagar juros de seus títulos em dólar com vencimento em 2032, marcando mais um capítulo de suas dificuldades financeiras em meio à prolongada desaceleração do setor petroquímico. Em novembro, já havia perdido o pagamento de um cupom de títulos com vencimento em 2029, e a Fitch Ratings rebaixou a empresa para o segundo nível mais baixo de sua escala de classificação.

A Braskem Idesa tinha US$ 46 milhões em caixa no fim de setembro, menos da metade do montante registrado no fim de junho, segundo seus resultados mais recentes. A empresa deve divulgar seu próximo balanço em março.

A controladora Braskem também enfrenta pressões de endividamento e planeja apresentar aos credores um plano de reestruturação extrajudicial. O conglomerado Novonor SA está em processo de finalização da venda de sua participação de controle na Braskem para um fundo assessorado pela gestora IG4 Capital.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

EUA buscam alternativas ao alumínio do Oriente Médio. E o do Brasil é uma delas

6 de Março de 2026, 14:24

A paralisação do Estreito de Ormuz também afeta o mercado global de alumínio. Ela já levou dois dos maiores produtores da região, Qatar e Bahrein, a suspender entregas a seus clientes. Os EUA dependem fortemente de importações, e o Oriente Médio respondeu por quase um quinto do alumínio importado pelo país no ano passado.

Agora, os compradores americanos da commodity correm de alternativas. Elas incluem Brasil, Indonésia, Islândia e Noruega, de acordo com Timna Tanners, analista do Wells Fargo Securities.

É que mesmo interrupções breves no fornecimento de alumínio podem causar caos nas fábricas, que costumam comprá-lo no sistema just-in-time – pedindo de acordo com a demanda de produção, sem fazer estoque.

Andy Massey, da Bonnell Aluminum, disse que sua empresa – que molda o alumínio para uso em automóveis e materiais de construção – está buscando fornecimento em mercados como Índia e Austrália. O fabricante, sediado na Geórgia, pode até recorrer ao mercado doméstico para entregas de curto prazo, caso haja metal disponível fora dos contratos anuais.

“Estamos todos correndo para entender o que está acontecendo” no Oriente Médio, disse Massey, vice-presidente de metais, compras e transporte da Bonnell. “Preciso encontrar fornecedores alternativos nos próximos dois dias – rápido – e garantir que não vamos pagar caro demais.”

A turbulência no abastecimento do Oriente Médio chega em um momento particularmente delicado para os consumidores americanos de alumínio. Eles já estavam pressionados pelas tarifas de importação sobre o metal, que elevaram os preços domésticos e restringiram o fluxo vindo do Canadá, o maior fornecedor estrangeiro dos EUA.

A RM-Metals, fornecedora de produtos metálicos especiais sediada em Nova Jersey, enfrenta dilema semelhante ao da Bonnell. A empresa busca fontes alternativas enquanto parte de seus embarques permanece retida em Dubai, segundo o vice-presidente Sam Desai.

“A Coreia é uma ótima opção agora”, disse Desai, acrescentando que sua empresa também está avaliando fornecedores do norte da Europa. “Está ficando muito difícil porque o próprio preço do alumínio subiu” desde o início da guerra contra o Irã.

Os preços do metal leve negociados na Bolsa de Metais de Londres dispararam para o nível mais alto desde 2022 nesta semana. O chamado prêmio do Meio-Oeste americano – valor acrescido às referências globais para entregar alumínio na região – estava em US$ 1,065 por libra na quarta-feira, empatando com o recorde atingido em fevereiro. Antes da crise com o Irã, os fabricantes americanos já pagavam alguns dos preços mais altos do mundo por conta das tarifas de 50% de Trump.

Embora o alumínio indiano seja a substituição marítima mais provável para os consumidores americanos, o transporte pelo Pacífico leva cerca de 60 dias, segundo Jean Simard, presidente-executivo da Associação de Alumínio do Canadá.

Já os embarques do Canadá — a alternativa mais óbvia para os compradores americanos – continuam caindo sob as tarifas de Trump. Os produtores canadenses têm preferido cada vez mais o mercado europeu, onde os retornos têm sido mais atraentes do que vender para os EUA. Ao mesmo tempo, a expectativa de que as tarifas possam ser reduzidas ou revogadas nos próximos meses deixa os compradores americanos receosos de fechar grandes volumes, com medo de pagar caro demais caso as taxas sejam revertidas.

Poderia ser “um momento oportuno para revisar” as tarifas americanas sobre o alumínio canadense, disse Simard. Essas taxas, que se enquadram em uma lei que permite tarifas em determinados setores por razões de segurança nacional, não foram afetadas pela recente decisão da Suprema Corte que derrubou outras tarifas de Trump.

Cerca de 6 milhões de toneladas de alumínio primário – metal ainda não reciclado – estão agora represadas no Oriente Médio, segundo Simard. Segundo ele, a maioria das fundições da região tem cerca de 30 dias de estoque de alumina, a matéria-prima usada na produção do alumínio.

Com a persistência da crise no Irã, os produtores de alumínio do Golfo podem ter de reduzir a produção, pois o quase fechamento do Estreito de Ormuz pode levar ao esgotamento das reservas de alumina. Esses cortes de produção teriam um impacto duradouro no abastecimento global.

O conflito regional deve agravar o déficit global de alumínio neste ano, segundo o Bank of America.

“Como o Oriente Médio responde por cerca de 9% da produção mundial e o fornecimento está em risco, elevamos nossa previsão de déficit para 1,5 milhão de toneladas, ante 1 milhão de toneladas”, disseram analistas do banco liderados por Michael Widmer em nota divulgada na quinta-feira.

Alguns fornecedores já estão suspendendo operações. A Qatalum, controlada conjuntamente pela produtora estatal de alumínio do Qatar e pela norueguesa Norsk Hydro ASA, anunciou na terça-feira o início de uma paralisação controlada da produção devido à escassez de gás natural, acrescentando que uma retomada completa pode levar de seis a doze meses.

“Isso pode ser apenas a ponta do iceberg. Outras fundições podem ser afetadas, o que ampliaria ainda mais o impacto”, disse Tanners. “As fundições de alumínio precisam operar a plena capacidade — do contrário, simplesmente fecham. Não há solução rápida para isso.”

Por Yvonne Yue Li, Jacob Lorinc e Mathieu Dion

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Messi ganha até US$ 80 milhões por ano no Inter Miami, diz dono do clube

6 de Março de 2026, 13:39

Lionel Messi, astro do futebol argentino, recebe entre US$ 70 milhões e US$ 80 milhões por ano do Inter Miami CF quando são considerados direitos de participação societária e remuneração como jogador, segundo o dono do clube, Jorge Mas.

Messi, de 38 anos, assinou um novo contrato de três anos com o Inter Miami no ano passado, o que deve mantê-lo no clube — a franquia mais valiosa da Major League Soccer — até os 40 anos. Os termos completos do acordo não foram divulgados, mas espera-se que ele se torne sócio do clube quando encerrar a carreira, dado o formato das negociações desde sua chegada em 2023.

Para pagar um dos maiores jogadores da história — além de outros veteranos como Luis Suárez e Rodrigo De Paul —, mas depende fortemente de patrocínios e acordos comerciais, que representam cerca de 55% da receita do clube.

Já direitos de mídia, que são uma fonte essencial para muitas franquias esportivas, representam apenas 2% das receitas do Inter Miami, segundo o dirigente.

“A razão pela qual preciso ter patrocinadores — e que eles sejam de classe mundial — é que jogadores são caros”, disse Mas em entrevista nesta semana. “Eu pago Messi — e vale cada centavo —, mas isso custa de US$ 70 milhões a US$ 80 milhões por ano. Somando tudo.”

Mas não detalhou como o contrato de Messi é estruturado nem como os custos anuais são calculados. Ainda assim, o argentino é o segundo jogador de futebol mais bem pago do mundo, atrás apenas de Cristiano Ronaldo, que tem contrato estimado em mais de US$ 400 milhões com o Al‑Nassr FC, da Arábia Saudita.

Mas, empresário de 63 anos baseado em Miami, construiu sua carreira na empresa familiar de construção e desenvolvimento imobiliário MasTec Inc. A companhia listada em bolsa, especializada em infraestrutura de energia e telecomunicações, vale cerca de US$ 23 bilhões.

Nubank

Seu movimento mais recente foi fechar uma parceria de vários anos com a fintech brasileira Nu Holdings. O novo estádio do Inter Miami, que será inaugurado em abril, se chamará Nu Stadium, e o logotipo da empresa aparecerá nas costas das camisas do time a partir de agosto.

O empresário, que controla o clube ao lado do irmão Jose Mas e do ex-astro do futebol inglês David Beckham, disse que não vê necessariamente outros times da MLS como concorrentes fora de campo, mas sim os grandes clubes europeus na disputa por talentos.

Os investimentos pesados no Inter Miami já começaram a gerar resultados esportivos. O clube conquistou sua primeira MLS Cup na última temporada e celebrou o título na quinta-feira na Casa Branca ao lado do presidente Donald Trump.

Em 2022, a Apple fechou um acordo de US$ 2,5 bilhões por 10 anos para garantir os direitos globais exclusivos de transmissão da MLS nos Estados Unidos. No entanto, o contrato foi revisado recentemente e agora terminará ao fim da temporada 2028-29.

Mas recomenda que outros proprietários de clubes foquem mais em patrocínios e acordos de marca do que em receitas de mídia por enquanto.

“Use esse ecossistema para seus patrocinadores, para os patrocinadores que já trabalham com seus times e para gerar valor”, disse Mas. “As pessoas não pensam assim. Eu penso. Porque a avaliação do meu time se baseia nisso. O dinheiro da mídia não muda isso.”

O valor do Inter Miami subiu 22% em 2025, alcançando US$ 1,45 bilhão, o que o tornou o clube mais valioso da MLS, segundo a Sportico.

Ainda não está claro o que acontecerá quando a chamada “Messimania” perder força e Mas e seus parceiros precisarem encontrar o próximo grande astro para atrair torcedores ao estádio e impulsionar as vendas de produtos.

Mas, diz aceitar o desafio.

“Eu transformei a MLS. Alguns criticam, outros elogiam. Eu conduzo o barco porque acredito que precisamos mudar muitas coisas”, afirmou. “Você não pode ter medo da mudança. Para prosperar e ter sucesso, é preciso fazer as coisas de forma diferente.”

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Axel Springer, dona do Business Insider, compra jornal britânico Telegraph por US$ 770 milhões

6 de Março de 2026, 12:12

A Axel Springer concordou em comprar o Telegraph Media Group, do Reino Unido, por US$ 766 milhões em dinheiro, em um acordo que unirá duas grandes empresas de mídia conservadoras da Europa.

A alemã Axel Springer fechou o acordo com a RedBird IMI, segundo comunicado divulgado pelas empresas nesta sexta-feira (6). Se aprovado, o negócio deve derrubar uma oferta rival do grupo britânico Daily Mail & General Trust e encerrar três anos de incerteza sobre a propriedade do Telegraph.

A fusão ampliaria o império de mídia do CEO da Axel Springer, Mathias Döpfner, que busca transformar a companhia alemã em uma potência global de mídia. A editora de orientação conservadora, dona de títulos como Bild, Die Welt, Politico e Business Insider, vem tentando expandir sua presença tanto na Europa quanto nos Estados Unidos.

“Há mais de 20 anos tentamos adquirir o Telegraph e não conseguimos”, disse Döpfner no comunicado. “Agora nosso sonho se torna realidade. Ser dono dessa instituição do jornalismo britânico de qualidade é um privilégio e uma responsabilidade.”

A propriedade do Telegraph tem estado em suspenso por vários anos, à medida que possíveis negócios enfrentaram escrutínio político. O proprietário do Daily Mail chegou a fechar um acordo de US$ 666 milhões para comprar o grupo em novembro, em uma tentativa de criar um grande conglomerado de mídia conservadora no Reino Unido, mas o governo trabalhista interveio no mês passado com investigações regulatórias.

Jornal britânico

A disputa pelo tradicional jornal britânico começou em 2023, quando a família Barclay, que controlava o título havia quase duas décadas, concordou em entregar o controle em troca de um empréstimo de £600 milhões (US$ 800 milhões) para quitar dívidas. Na época, o acordo também incluía a revista The Spectator, a revista semanal mais antiga ainda em circulação no mundo. O bilionário gestor de hedge fund Paul Marshall acabou adquirindo esse título.

Uma tentativa anterior envolvendo a RedBird IMI — uma joint venture entre a RedBird Capital Partners e a empresa de mídia do vice-primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Mansour bin Zayed Al Nahyan — fracassou em 2024, após forte reação no Reino Unido devido à ligação com um governo do Oriente Médio.

Na época, o governo britânico controlado pelos conservadores propôs leis para impedir acordos envolvendo jornais e revistas que incluíssem “propriedade, influência ou controle de Estados estrangeiros”. As regras propostas, no entanto, não afetariam empresas estrangeiras que já possuam ativos no país, como a News Corp, do magnata Rupert Murdoch.

Bilionário, Mathias Döpfner vem realizando uma série de aquisições para transformar a empresa em um titã global da mídia. A parceira de longa data KKR & Co. comprou a unidade de classificados da Springer — por anos uma grande geradora de receita — por cerca de €10 bilhões (US$ 10,8 bilhões) no ano passado. Isso deixou Döpfner e Friede Springer, viúva do fundador da companhia, com o restante da empresa, avaliado em cerca de US$ 3,8 bilhões, além de uma grande reserva de caixa.

Segundo a analista Claire Enders, o acordo pelo Telegraph provavelmente não provocará as mesmas preocupações políticas e concorrenciais que propostas anteriores.

“Este é um novo comprador com credenciais impecáveis”, disse Enders, descrevendo a oferta como um “alívio” para os atuais proprietários e funcionários do jornal.

O The Telegraph foi fundado em 1855 e há muito tempo é associado ao Partido Conservador britânico. Winston Churchill e o ex-primeiro-ministro Boris Johnson já escreveram para o jornal.

O Telegraph registrou receita de assinaturas de US$ 108 milhões em 2024, alta de 18% em relação ao ano anterior. A receita total do grupo foi de US$ 372 milhões no ano.

“É um ativo sólido, com uma liderança forte e um público extremamente fiel”, disse Enders. “A receita de assinaturas do Telegraph tem enorme valor.”

Abel, novo CEO da Berkshire, promete usar todo o salário para comprar ações da empresa

5 de Março de 2026, 10:46

A Berkshire Hathaway teve seu CEO, Greg Abel, afirmando que usará todo o seu salário líquido para comprar ações do conglomerado enquanto permanecer no cargo.

Com esse objetivo, Abel comprou nesta semana cerca de US$ 15,3 milhões em ações da empresa, segundo um documento regulatório. Ele disse que seu compromisso de continuar fazendo isso após a divulgação dos resultados anuais da companhia a cada ano deve resultar em “centenas de milhões” de dólares em recompras de ações ao longo de sua carreira.

A Berkshire também retomou na quarta-feira (4) o programa de recompra de ações. Em entrevista à CNBC, Abel afirmou que a decisão veio após executivos concluírem que o chamado “valor intrínseco” das ações estava acima do preço pelo qual elas vinham sendo negociadas no mercado.

As ações da Berkshire haviam caído no início da semana depois que a empresa divulgou seus resultados do quarto trimestre no sábado. O lucro operacional caiu 30% no período, impulsionado por uma queda de 54% no resultado de subscrição de seguros.

Os acionistas vinham analisando esses números em busca de sinais sobre como Abel conduziria a política de recompra de ações, já que o conglomerado havia deixado de realizar recompras por seis trimestres consecutivos.

Em sua primeira carta anual aos investidores na semana passada, Abel reafirmou a política de retorno ao acionista da Berkshire, descartando praticamente a possibilidade de pagamento de dividendos.

“Mantivemos a posição de que vamos reter um dólar se enxergarmos a oportunidade de criar mais de um dólar para nossos acionistas — e esse sempre foi o teste”, disse Abel. “Se não atendêssemos a esse critério, pagaríamos dividendos.”

A decisão de retomar as recompras não impedirá a Berkshire de buscar outras formas de usar sua enorme reserva de caixa, de US$ 373 bilhões, acrescentou Abel.

“Também existe a questão: ‘Devemos comprar ações?’ E, quando olhamos para empresas: ‘Devemos adquirir empresas inteiras?’ E ainda há ‘Devemos comprar participações acionárias?’”, afirmou. “Cada uma dessas opções, com o capital que temos, pode ser executada de forma independente. Portanto, quando estamos recomprando nossas ações, isso não tira espaço de nenhuma das outras decisões.”

Volkswagen vê necessidade de acelerar reestruturação diante de China mais competitiva

4 de Março de 2026, 12:02

A Volkswagen precisa manter o ritmo de ganhos de eficiência neste ano enquanto enfrenta vendas fracas nos Estados Unidos e concorrência crescente na China, segundo um de seus principais executivos.

Os esforços de corte de custos devem continuar, afirmou o chefe da marca VW, Thomas Schäfer, nesta quarta-feira (4), em Wolfsburg, na Alemanha. Ele discursou na primeira assembleia de trabalhadores do ano da companhia, evento que também contou com a presença do CEO do grupo, Oliver Blume.

“Estamos na direção certa, mas ainda não atingimos nosso objetivo e não podemos afrouxar nossos esforços agora”, disse Schäfer, segundo trecho do discurso divulgado pela empresa.

A Volkswagen ainda está definindo os detalhes de seu plano de investimentos para cinco anos, que será reduzido para US$ 186 bilhões, ante cerca de US$ 209 bilhões previstos dois anos atrás. Os novos gastos estão sob pressão porque a montadora lida com queda nas vendas na China e tarifas nos EUA — principal mercado da marca Porsche.

A urgência em encontrar mais eficiência também foi reforçada pela chefe do conselho de trabalhadores, Daniela Cavallo, que defendeu a centralização de decisões na sede da empresa e a simplificação dos processos entre as diversas marcas do grupo.

“Nossa Volkswagen em Wolfsburg precisa voltar a ser um polo central para todo o grupo”, disse Cavallo, segundo trecho de seu discurso. “Simplesmente não podemos mais permitir que marcas individuais operem de forma independente.”

A montadora mantém relação próxima com líderes trabalhistas, que ocupam metade dos assentos no conselho de supervisão da Volkswagen e podem influenciar decisões estratégicas. No entanto, essa relação já enfrentou tensões em momentos de mudanças drásticas, como a crise do diesel, a transição para veículos elétricos e os mais recentes esforços de redução de custos.

Bônus

Em janeiro, a Volkswagen divulgou inesperadamente um fluxo de caixa automotivo líquido preliminar de US$ 6,96 bilhões no ano passado, acima da previsão anterior de zero. O resultado levou Daniela Cavallo a defender que os funcionários recebam um bônus de reconhecimento pelos avanços na redução de custos.

Desde que gestão e representantes dos trabalhadores fecharam um amplo acordo de reestruturação no fim de 2024, a Volkswagen conseguiu garantir economias na casa de dezenas de bilhões de euros, informou a empresa no mês passado.

A montadora deve apresentar mais detalhes sobre o progresso de seu programa de cortes quando divulgar os resultados na próxima semana.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Nubank acerta acordo de ‘naming rights’ com estádio do Inter Miami, de Messi

4 de Março de 2026, 11:01

O Inter Miami, time do astro Lionel Messi, assinou um acordo com a Nu Holdings que concede à gigante de tecnologia financeira os direitos de naming rights do novo estádio da equipe, além de espaço nas famosas camisas rosas do clube.

O contrato plurianual dá ao Nu uma posição de destaque em seus planos de expansão nos Estados Unidos, com Miami servindo como sua sede no país. Fundada no Brasil em 2013, a empresa cresceu para cerca de 130 milhões de clientes em três países da América Latina e aguarda sua licença bancária nos EUA.

Os direitos de naming devem impulsionar o avanço na “construção de marca nos Estados Unidos”, que é o maior desafio do Nu, afirmou Cristina Junqueira, cofundadora da fintech e CEO da operação americana.

A nova casa do Inter Miami, com capacidade para 26.700 torcedores e localizada próxima do Aeroporto Internacional de Miami, passará a se chamar Nu Stadium.

Miami Freedom Park

A parceria também se estenderá ao empreendimento comercial e de varejo ao redor, conhecido como Miami Freedom Park. O distrito empresarial e de entretenimento contará ainda com prédios de escritórios que poderão futuramente abrigar funcionários do Nu, segundo Junqueira.

Os termos financeiros do acordo não foram divulgados. O proprietário do Inter Miami, Jorge Mas, classificou o contrato como “uma das parcerias mais significativas da história das cinco principais ligas esportivas dos Estados Unidos”.

Mas afirmou ter recebido diversas propostas para o novo estádio, que será a casa do clube de futebol mais valioso dos EUA. O acordo com o Nu, sediado em São Paulo, vai muito além do nome do estádio, disse ele.

“Estou em uma cidade hispânica, sou um time global e quero fazer algo com uma empresa global”, afirmou. “Não é apenas um contrato de naming rights. Não é apenas um acordo de camisa. É uma parceria de verdade.”

O estádio será inaugurado em 4 de abril, na partida do Inter Miami contra o Austin FC. O local também receberá shows, eventos corporativos e privados, além de outras competições esportivas, segundo comunicado.

Além do estádio, o logotipo do Nu aparecerá nas costas das camisas do Inter Miami a partir de agosto. A camisa rosa número 10 de Messi está entre as mais vendidas do futebol mundial. O Inter Miami conquistou seu primeiro título da Major League Soccer em 2025.

A fintech também operará o Nu Club, uma área premium de hospitalidade com um túnel de vidro que permite ver os jogadores caminhando entre o vestiário e o campo. Já a Nu Plaza funcionará como um “hub comunitário” para sediar eventos da marca dentro do distrito comercial.

O Nu, avaliado em US$ 72 bilhões, atua no Brasil, México e Colômbia. O futebol é extremamente popular nos três países, e a camisa de Messi é presença constante em lojas e nas ruas, afirmou Junqueira.

“A conversa começou por causa do estádio. Depois veio a camisa e também as oportunidades dentro do distrito”, disse. “Miami é o principal destino dos nossos clientes.”

O JPMorgan Chase & Co. detinha os direitos de naming do antigo estádio do Inter Miami, em Fort Lauderdale, na Flórida. Já a Inter & Co. possui os direitos do estádio do Orlando City SC, na Flórida Central.

Com os direitos de mídia representando uma parcela pequena da receita do Inter Miami, fechar parcerias e contratos de patrocínio com as marcas certas é a parte mais importante da estratégia, disse Mas. O clube, que tem David Beckham como sócio, está avaliado em cerca de US$ 1,45 bilhão, segundo a Sportico.

“Patrocinadores são a linha de vida do nosso clube e estou tentando construir algo que agregue valor”, afirmou Mas. “Todos vão saber o que é o Nu Stadium.”

Cosan e Shell abandonam conversas sobre capitalização na Raízen

4 de Março de 2026, 08:52

As negociações para resgatar a Raízen fracassaram depois que as duas empresas que controlam a empresa, Cosan e Shell, não chegaram a um acordo sobre um plano de capitalização, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, deixando a produtora brasileira de açúcar e etanol com opções cada vez menores para sair da crise de dívida.

A Cosan concluiu que não seria capaz de igualar a escala do apoio financeiro que a Shell havia prometido oferecer à Raízen, enquanto outras propostas apresentadas pela Cosan foram rejeitadas pela Shell, disse uma das pessoas, que pediu para não ser identificada por estar discutindo conversas privadas.

Fundos de private equity administrados pelo Banco BTG Pactual, também envolvidos nas negociações, discordaram de vários termos propostos pela Shell e decidiram não injetar dinheiro na Raízen, disse outra pessoa.

A empresa sediada em Londres prometeu publicamente injetar R$ 3,5 bilhões em capital novo na Raízen na terça-feira e deve apresentar seu próprio plano para os bancos já nesta quarta-feira, segundo uma das pessoas. A Shell não quis comentar.

A Raízen busca capital após enfrentar dificuldades devido a uma combinação de altas taxas de juros, safras fracas e investimentos malsucedidos. Seus títulos de dívida despencaram e sua classificação de risco crédito foi rebaixada, chegando a preocupar o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

O plano da Shell pode ser a melhor esperança da Raízen para evitar um pedido de recuperação judicial. A proposta ainda incluiria um potencial aporte de R$ 500 milhões de Rubens Ometto, fundador da Cosan, e converteria cerca de R$ 25 bilhões de dívida em ações — melhorando o balanço patrimonial da empresa, mas diluindo a participação dos acionistas.

A proposta também tornaria a Shell acionista majoritária e exigiria que a empresa absorvesse a dívida da Raízen em seu próprio balanço e administrasse a empresa.

Credores pedem R$ 12 bilhões

Credores têm pressionado a Shell e a Cosan para injetarem até R$ 12 bilhões, argumentando que são empresas lucrativas com caixa suficiente para contribuir com mais do que estão oferecendo, conforme relatado anteriormente pela Bloomberg. Alguns credores argumentam que a Raízen precisa de cerca de R$ 25 bilhões em capital.

Se o plano da Shell for rejeitado, um pedido de recuperação judicial é o caminho mais provável — um resultado que também poderia prejudicar a Cosan. O conglomerado de Ometto ainda está trabalhando para administrar sua situação financeira após aceitar uma injeção de capital dos sócios do BTG no final do ano passado, mas seu nível de endividamento permanece desafiador. Sua exposição à Raízen poderia mergulhar a empresa novamente em crise, disse uma das fontes.

A Cosan não planeja mais injetar o R$ 1 bilhão na Raízen que havia proposto anteriormente em negociações com a Shell, disseram as fontes. Os fundos de private equity da BTG desistiram da ideia de adquirir uma participação significativa no negócio de distribuição de combustíveis da Raízen por cerca de R$ 5,5 bilhões, disse a pessoa.

A decisão da Cosan de abandonar seus planos de investimento na Raízen foi noticiada anteriormente nesta terça-feira pelo Valor Econômico.

No início da terça-feira, o presidente da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa, afirmou que a empresa está comprometida em investir R$ 3,5 bilhões e que espera que a Cosan invista um valor equivalente.

A possibilidade de Ometto participar individualmente pode depender da obtenção de um empréstimo para contribuir com os R$ 500 milhões que propôs.

A BTG Pactual Holding, veículo de investimento para sócios do banco, investiu R$ 4,5 bilhões na Cosan em um aumento de capital no ano passado. Embora a Ometto mantenha o controle dos direitos de voto, com uma participação de 50,01% por meio da Aguassanta, os sócios do BTG se tornaram os maiores acionistas econômicos, com quase 25%.

Os fundos de private equity da BTG não conseguiram chegar a um acordo com a Shell sobre as mudanças propostas pela empresa em relação à duração do contrato de royalties pelo uso da marca da petrolífera global, bem como ao valor dos pagamentos de royalties, disse uma das pessoas.

Também não houve consenso sobre o tamanho da conversão da dívida em capital por parte dos credores e sobre o nível de redução da alavancagem necessário, disse a pessoa. Tampouco houve consenso sobre o que fazer com os passivos fiscais da Raízen, segundo a mesma pessoa.

A Shell também se opôs a um plano dos fundos da BTG para uma reestruturação que incluiria uma reorganização corporativa imediata, separando a Raízen Energia, empresa focada na produção de açúcar e etanol, da unidade de distribuição de combustíveis na qual os fundos do BTG investiriam.

Pinto da Costa afirmou na terça-feira que a Shell não se opõe a uma reestruturação mais ampla que poderia envolver a divisão do negócio. No entanto, ele disse que, dada a interdependência das duas áreas e a complexidade da dívida da Raízen, a solução ideal seria primeiro tentar recapitalizar a empresa.

“Essa é a visão da Shell e dos principais credores. Se fizermos isso com a empresa ainda instável, o risco de implementar essa estratégia pode ser muito alto”, disse ele.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

GPA contrata escritório Munhoz Advogados para reestruturação de dívida

3 de Março de 2026, 17:39

A Cia. Brasileira de Distribuição, a rede de supermercados brasileira conhecida como GPA, contratou o escritório Munhoz Advogados, especializado em reestruturação de dívidas, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

O objetivo é negociar de forma ordenada com os credores e, eventualmente, até realizar uma reestruturação extrajudicial, disse uma das fontes, que pediu anonimato porque a informação não é pública.

Um porta-voz do GPA negou qualquer discussão sobre pedido de proteção contra falência. O escritório Munhoz Advogados se recusou a comentar.

Empresas de varejo no Brasil, como supermercados, têm sido afetadas por taxas de juros de dois dígitos e altos níveis de endividamento.

O GPA, que tem enfrentado dificuldades para recuperar seu negócio principal de alimentos, informou em fevereiro que a gestão está tomando medidas para mitigar riscos associados a grandes vencimentos de dívida previstos para 2026.

“Isso inclui negociações para estender os vencimentos da dívida financeira, reduzir custos e despesas financeiras, e monetizar créditos tributários”, disse a empresa nas notas explicativas do resultado do quarto trimestre.

O índice de dívida líquida sobre EBITDA — uma medida de alavancagem — saltou para 2,4 vezes no final de 2025, ante 1,6 vez no ano anterior. A dívida líquida passou para R$ 2,08 bilhões (US$ 395 milhões), ante R$ 1,39 bilhão em 2024.

Em janeiro, a rede de supermercados contratou a consultoria Alvarez & Marsal para implementar seu plano de eficiência, segundo registro de valores mobiliários.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Vale Base Metals antecipa plano e quer estar pronta para IPO já em 2026

3 de Março de 2026, 13:11

A Vale Base Metals afirma que pretende deixar sua operação de níquel e cobre pronta para uma eventual oferta pública inicial (IPO) até meados deste ano, antecipando o cronograma mencionado anteriormente — embora a decisão final sobre a listagem continue nas mãos dos controladores.

Segundo o CEO da subsidiária da Vale, Shaun Usmar, o plano é tornar o negócio “IPO-ready” até o meio do ano. Em junho do ano passado, o executivo havia indicado que a meta para preparar a unidade da Vale para uma possível abertura de capital era 2027.

“A ideia é deixar o negócio pronto para um IPO para nossos acionistas, algo que estamos buscando fazer por volta do meio deste ano”, disse Usmar em entrevista à BNN Bloomberg durante conferência do setor em Toronto. “Mas não somos os donos. Nosso papel é apresentar opções.”

A unidade tem como acionistas a Vale, que detém cerca de 90%, e a Manara Minerals, braço de investimentos do fundo soberano saudita, o PIF. A eventual listagem dependerá da estratégia desses controladores e das condições de mercado.

Reestruturação

A divisão de metais básicos tem passado por um processo de reestruturação, com foco na redução de custos, menor intensidade de capital e aceleração de projetos.

No mês passado, a Vale Base Metals acertou a venda da maior parte de sua participação em um projeto de níquel no Canadá, enquanto reforça a estratégia de ampliar a produção de cobre na próxima década.

Leia também: Sem M&A no horizonte, Vale centra foco em projetos próprios para ampliar oferta de cobre

O movimento ocorre em um momento mais favorável para o cobre – metal-chave na transição energética – cujos preços subiram cerca de 36% no último ano, avanço muito superior ao do níquel no mesmo período.

Apesar das declarações sobre preparação para IPO, o tema da abertura de capital da Vale Base Metals já foi mencionado em diferentes momentos nos últimos anos, sem que a operação tenha avançado. A eventual decisão dependerá das condições de mercado e da estratégia dos acionistas da controladora.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Em aceno a Cosan e BTG, Shell diz que vai investir R$ 3,5 bilhões na Raízen

3 de Março de 2026, 11:08

A Shell está comprometida a injetar R$ 3,5 bilhões na Raízen, produtora brasileira de etanol fruto de uma joint venture com a Cosan. A companhia também espera que a Cosan invista valor equivalente na Raízen, afirmou o presidente da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa, durante coletiva no Rio de Janeiro.

A Bloomberg News informou no fim do mês passado que as empresas estavam em negociações avançadas para aportar novo capital na joint venture, que enfrenta dificuldades.

“As negociações seguem ativas com o objetivo de encontrar uma solução estrutural e de longo prazo para a Raízen, compatível com as restrições de cada uma das partes envolvidas”, disse Pinto da Costa.

A Raízen, uma das maiores produtoras de etanol do mundo, busca novos recursos após ser pressionada por juros elevados, safras abaixo do esperado e uma série de investimentos que ainda não geraram retornos significativos. Seu rating de crédito foi rebaixado, e os títulos da companhia despencaram à medida que sua situação financeira se deteriorou.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, participou diretamente das discussões sobre a Raízen, evidenciando o peso político e econômico do agravamento da crise financeira da empresa. O governo tem demonstrado crescente preocupação de que uma reestruturação desordenada possa abalar os mercados de crédito e prejudicar a confiança dos investidores em um momento delicado para a maior economia da América Latina.

No centro das negociações estão os acionistas da Raízen — Cosan e Shell — além do Banco BTG Pactual, que propôs investir na divisão de distribuição de combustíveis da companhia como parte de uma reestruturação mais ampla, segundo a Bloomberg em fevereiro.

Credores, no entanto, têm reagido, argumentando que a injeção de capital proposta é insuficiente diante do elevado nível de alavancagem da Raízen e da deterioração de seu perfil de crédito. Alguns detentores de títulos e bancos defendem um aumento de capital substancialmente maior, de cerca de R$ 25 bilhões, sustentando que Shell e Cosan têm capacidade financeira para contribuir mais após anos de pagamento de dividendos.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

A meta ousada da OpenAI: multiplicar a receita por 14 até 2030

21 de Fevereiro de 2026, 10:37

A OpenAI projeta elevar sua receita anual de cerca de US$ 20 bilhões, registrados em 2025, para mais de US$ 280 bilhões até 2030. Se confirmada, a expansão representaria um salto de 14 vezes em apenas cinco anos – colocando a empresa no mesmo patamar de gigantes como Microsoft.

A projeção reflete o avanço das assinaturas de seus softwares de inteligência artificial para consumidores e empresas. A companhia também começou a testar publicidade para parte dos usuários, criando uma nova frente potencial de receita.

A diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar, afirmou recentemente que a receita anualizada da empresa superou US$ 20 bilhões em 2025 — ante cerca de US$ 6 bilhões no ano anterior.

Para efeito de comparação, a meta de US$ 280 bilhões colocaria a OpenAI no mesmo patamar de gigantes consolidadas. Hoje, a Microsoft fatura algo próximo desse valor por ano, enquanto Apple e Alphabet superam a marca de US$ 400 bilhões anuais. 

Se a projeção se confirmar, a OpenAI atingiria, em menos de uma década de operação comercial em larga escala, uma escala de receita comparável à das maiores empresas de tecnologia do mundo.

Como outras empresas do setor, a OpenAI busca ampliar a base de clientes pagantes para compensar os custos elevados com chips, data centers e talentos necessários ao desenvolvimento de seus modelos de IA.

A empresa já havia informado que pretende investir mais de US$ 1,4 trilhão em infraestrutura de inteligência artificial nos próximos anos. Agora, a companhia trabalha com um plano de desembolsar cerca de US$ 600 bilhões até 2030.

A OpenAI está perto de concluir a primeira fase de uma nova rodada de captação que pode levantar mais de US$ 100 bilhões. Com isso, a avaliação total da empresa pode superar US$ 850 bilhões.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Derrubada das tarifas de Trump abre disputa por até US$ 170 bilhões em reembolsos

20 de Fevereiro de 2026, 15:27

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou as tarifas globais impostas por Donald Trump deixou em aberto uma questão central: quem terá direito a reaver os valores já pagos.

A indefinição dá início a uma possível batalha judicial prolongada entre importadores, varejistas e o governo americano para recuperar até US$ 170 bilhões arrecadados com as tarifas impostas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).

Na sexta-feira, por 6 votos a 3, a Suprema Corte decidiu que Trump não tinha autoridade legal para usar a lei de emergência para impor as sobretaxas.

Reembolsos ainda indefinidos

Apesar de considerar ilegal o uso da IEEPA para criar tarifas, a Corte não determinou se as empresas têm direito automático a reembolsos nem como esse processo deve ocorrer. A definição ficará a cargo do Tribunal de Comércio Internacional dos EUA, onde o caso volta a tramitar.

“O tribunal não diz nada hoje sobre se, e como, o governo deve devolver os bilhões arrecadados”, escreveu o ministro Brett Kavanaugh em voto dissidente. Ele afirmou que o processo de ressarcimento provavelmente será “uma bagunça”.

Até 14 de dezembro, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) havia arrecadado cerca de US$ 170 bilhões com tarifas aplicadas sob a IEEPA.

Mais de 1.500 empresas já entraram com ações judiciais para garantir posição na fila de eventuais reembolsos, segundo levantamento da Bloomberg.

Impacto

Varejistas e empresas do setor de vestuário estão entre os mais atentos à decisão, já que as tarifas elevaram significativamente os custos de produtos importados da China, Vietnã e outros países asiáticos.

A Lululemon, por exemplo, afirmou em dezembro que suas margens seriam pressionadas principalmente pelas tarifas. Analistas avaliam que a decisão pode melhorar expectativas de lucro se as empresas já tiverem incorporado custos elevados às projeções.

“Se as companhias já embutiram custos muito altos de tarifas, pode haver algum espaço para revisão positiva”, disse Neil Saunders, da GlobalData.

Ainda assim, especialistas alertam que a decisão não elimina a incerteza comercial. “A decisão traz algum alívio no curto prazo, mas não remove a instabilidade da política comercial”, afirmou Zak Stambor, da Emarketer.

Disputa pode levar anos

O governo já sinalizou que não contestará a autoridade da Justiça para recalcular tarifas, mas deixou em aberto a possibilidade de restringir quem terá direito a receber valores de volta.

Advogados afirmam que o tribunal pode consolidar os milhares de processos em um único procedimento coletivo, como ocorreu após a Suprema Corte derrubar um imposto portuário em 1998 — caso que envolveu cerca de US$ 750 milhões, valor muito inferior ao atual.

Até o fim de 2025, mais de 300 mil importadores haviam pago as tarifas contestadas, segundo o governo.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o governo tem caixa suficiente para efetuar devoluções, mas indicou que o processo pode levar meses ou até mais de um ano.

Há ainda debate sobre se empresas que repassaram os custos ao consumidor deveriam receber reembolso integral.

“Costco, que está processando o governo, vai devolver o dinheiro aos clientes?”, questionou Bessent em entrevista à Reuters.

Executivos dizem que a prioridade agora é organizar documentação para eventual pedido de restituição. Corretores aduaneiros e advogados alertam que o governo pode exigir comprovação detalhada de cada importação.

No fim das contas, analistas acreditam que o impacto prático pode ser limitado.

“As empresas podem melhorar margens no curto prazo, mas não devem receber uma enxurrada de caixa nem reduzir preços de forma significativa”, disse Joe Feldman, da Telsey Advisory Group. “O que vai acontecer na prática talvez não mude tanto assim.”

Estatal baiana tenta barrar venda de ativo de metais preciosos da Equinox Gold

20 de Fevereiro de 2026, 13:22

A estatal Companhia Baiana de Produção Mineral (CBPM) está tomando medidas legais para tentar bloquear a venda de um ativo de metais preciosos pela Equinox Gold para uma das maiores mineradoras da China.

A CBPM busca uma liminar de urgência para a retomada imediata de uma área arrendada na Bahia, segundo documento visto pela Bloomberg News. A empresa argumenta que a Equinox, sediada no Canadá, – e não proprietária da concessão – não tinha o direito de vendê-la.

A Equinox concordou em vender suas operações brasileiras para CMOC Group, uma das maiores mineradoras da China, em um negócio de US$ 1 bilhão que deve ser concluído neste trimestre. A transação — anunciada em dezembro — inclui diversas minas e depósitos em diversos estados brasileiros, sob as unidades da Equinox no país.

As alegações da CBPM referem-se apenas a um desses ativos, conhecido como Complexo Bahia. Nenhuma outra propriedade foi listada no documento protocolado no tribunal. A empresa já havia sinalizado sua oposição à transação em um comunicado.

A Equinox Gold não recebeu notificação de nenhuma ação judicial, disse Ryan King, vice-presidente executivo de mercados de capitais da empresa em resposta por e-mail a um pedido de comentário. A Equinox “está confiante de que a venda de suas operações no Brasil foi realizada em total conformidade com a legislação brasileira e todas as obrigações contratuais”, afirmou na quinta-feira.

“Embora a Equinox Gold esteja preparada para defender sua posição em tribunal, se necessário, a empresa permanece aberta a se engajar em discussões construtivas com o Estado para buscar uma solução mutuamente aceitável”, disse King.

O chinês Grupo CMOC não respondeu imediatamente a pedidos de comentários. Muitas empresas chinesas estão fechadas nesta semana devido ao feriado do Ano Novo Lunar.

A CBPM alegou que a transação foi acordada sem seu consentimento expresso, o qual, segundo a empresa, era condição do contrato que rege a área de mineração. A empresa pediu ao Tribunal de Justiça da Bahia que rescinda o contrato de arrendamento e também busca indenização por danos.

“A empresa canadense vendeu um direito de mineração que não lhe pertence”, disse por telefone o presidente da CBPM, Henrique Carballal.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Com problemas no Brasil e Chile, Enel vai direcionar investimentos para EUA e Europa em novo plano de negócios

20 de Fevereiro de 2026, 11:59

A italiana Enel deve apresentar na próxima semana uma atualização estratégica com foco maior na Europa e nos EUA, numa tentativa de garantir retornos mais estáveis, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.

A empresa de energia, com sede em Roma, expandiu-se globalmente nas últimas décadas, construindo uma presença significativa na América Latina, entre outros mercados. Agora, é provável que direcione seu capital principalmente para a Europa e alguns estados dos EUA, aproveitando um ambiente regulatório e político mais estável, disseram as fontes, que pediram anonimato, já que o plano ainda não é público.

As utilities europeias estão cada vez mais concentradas em mercados que oferecem retornos previsíveis a longo prazo, especialmente em redes elétricas reguladas — uma área-chave de crescimento em meio à transição energética.

À medida que essas empresas reservam bilhões de euros para melhorias essenciais nas redes, elas se beneficiam de maior previsibilidade nos preços da energia, tanto na Europa quanto nos EUA, onde a regulamentação estadual define retornos permitidos e recuperação de custos.

Uma porta-voz da Enel se recusou a comentar o plano estratégico antes de sua apresentação no Capital Markets Day da empresa, na segunda-feira.

Problemas no Brasil

Algumas utilities europeias enfrentaram dificuldades em outros mercados nos últimos anos. No Brasil, por exemplo, o governo instruiu o regulador do setor a revisar uma concessão da Enel em São Paulo após tempestades que causaram longos cortes de energia. A empresa também enfrentou problemas com uma licença no Chile, novamente após interrupções no fornecimento de energia.

A América Latina continuará fazendo parte do portfólio da Enel, segundo as fontes, que afirmaram que a mudança de estratégia não indica uma retirada abrupta de nenhuma região.

Também é verdade que os marcos regulatórios nos mercados europeu e americano não são imutáveis. Apenas neste mês, um plano do governo italiano para retirar os custos de carbono das contas de energia provocou forte queda nos preços futuros. A medida poderia comprimir as margens da Enel, prejudicando a perspectiva de lucros, embora ainda dependa da aprovação da União Europeia.

Entre outras utilities que estão recalibrando suas estratégias, a espanhola Iberdrola SA apresentou no ano passado um programa de investimentos de €58 bilhões (US$ 68 bilhões), focado na distribuição de eletricidade em países onde a regulamentação é considerada mais favorável.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Endividamento alto de Raízen e CSN reacende temor no mercado de bonds

10 de Fevereiro de 2026, 18:13

A crise financeira da Raízen e as dúvidas sobre a capacidade da CSN de reduzir seu endividamento reacenderam o nervosismo no mercado de crédito corporativo brasileiro, provocando fuga de investidores e reabrindo o debate sobre o risco de um estresse mais amplo entre empresas altamente endividadas em um ambiente de juros no maior nível em duas décadas.

O gatilho foi a Raízen. Na segunda-feira (9), a empresa perdeu o grau de investimento após uma sequência de rebaixamentos de rating, em meio à relutância de seus controladores — Shell e Cosan — em aportar novos recursos. O mercado passou a precificar a possibilidade de uma reestruturação da dívida que atingiria diretamente os detentores de títulos.

A reação foi imediata. Investidores venderam papéis em massa, derrubando o preço de alguns bonds para cerca de 46 centavos por dólar — queda próxima de 50% em uma semana. O rendimento disparou para 18% ao ano, patamar normalmente associado a empresas em dificuldades financeiras.

O nervosismo se espalhou para a CSN. Mesmo prometendo reduzir a alavancagem por meio da venda de ativos, a siderúrgica viu seus títulos perderem cerca de 30 centavos por dólar nos últimos dias, à medida que investidores desmontaram posições antes de qualquer melhora concreta no balanço.

Para gestores globais, o choque foi a velocidade. A S&P cortou a classificação da Raízen em sete níveis de uma só vez; a Fitch, em oito.

“Nenhum outro país tem emissores cujos ratings caem tanto em um único dia”, disse Omotunde Lawal, chefe de dívida corporativa de mercados emergentes da Barings. “Isso indica que o prêmio de risco corporativo brasileiro estava mal precificado.”

O pano de fundo é o custo da dívida. Com a taxa básica em 15%, o maior nível desde 2006, empresas muito alavancadas sentem pressão crescente. Ainda assim, o estresse permanece concentrado no crédito: a bolsa brasileira segue em alta e o real se fortaleceu com a entrada de capital estrangeiro.

O mercado já havia passado por episódio semelhante no ano passado, com os casos de Ambipar e Braskem. Na época, o choque foi tratado como pontual. Agora, investidores voltam a se perguntar se os casos recentes são isolados — ou sinal de um problema mais amplo.

“O mercado de dívida corporativa está relativamente nervoso e pouco líquido”, disse Sergey Dergachev, chefe de dívida corporativa de mercados emergentes da Union Investment. “Os investidores ainda tentam entender a dimensão real do risco.”

A situação da Raízen amplia a apreensão. Desde o IPO de 2021, a empresa enfrenta custos elevados de dívida, safras mais fracas do que o esperado e investimentos que ainda não deram retorno. A ausência de apoio explícito de Shell e Cosan é vista como um sinal negativo pelo mercado.

Na segunda-feira, a S&P afirmou que a companhia pode caminhar para uma reestruturação equivalente a default. Horas depois, a Fitch realizou novo corte após a contratação de assessores financeiros — movimento que costuma anteceder renegociações.

“A Raízen destruiu valor para acionistas desde o IPO; agora os credores dividem a dor”, disse Juan Manuel Patiño, analista da Sun Capital. A velocidade da queda surpreendeu até analistas otimistas. JPMorgan e Balanz haviam elevado a recomendação dos títulos neste mês, vendo a liquidação inicial como oportunidade.

“Subestimamos a probabilidade de um cenário extremo”, disse Nicolas Giannone, da Balanz. “E definitivamente não esperávamos a velocidade do selloff.”

Bad Bunny faz camisetas da Zara atingirem US$ 35 mil após Super Bowl

10 de Fevereiro de 2026, 15:49

Camisetas da Zara, como a usada pelo pop star Bad Bunny durante o Super Bowl, começaram a aparecer em plataformas de revenda com preços que chegam a milhares de euros, poucas horas depois de serem distribuídas a funcionários da varejista. Algumas unidades chegaram a ser anunciadas por €30.000 (US$ 35.673) em sites como Vinted e eBay.

A Zara, em nota oficial enviado à Bloomberg, afirmou que a colaboração com Bad Bunny, cujo nome verdadeiro é Benito Antonio Martínez Ocasio, foi feita “puramente para ajudar a concretizar a visão do artista”, incluindo figurinos para dançarinos, banda e orquestra. Segundo a empresa, “o guarda-roupa nunca teve a intenção de ser vendido comercialmente.”

O episódio evidencia a estratégia da marca em elevar seu posicionamento premium. A Zara investe em parcerias com artistas e designers e fortalece sua presença cultural, especialmente nos EUA, onde busca expandir o alcance junto a consumidores latinos e não-latinos.

Presença da Zara nos EUA

Em 2025, a Zara operava 102 lojas nos EUA, concentradas na Califórnia (23), Nova York (18) e Texas (11), distribuídas por 26 estados. A marca detém cerca de 2-3% do mercado de fast fashion no país, atrás de H&M e Gap/American Eagle, mas vem registrando crescimento impulsionado pela expansão de lojas e pelo e-commerce. As vendas nos EUA alcançaram aproximadamente US$ 4,7 bilhões em 2025.

O grupo Inditex planeja elevar os EUA a 20% das vendas globais até 2028, com abertura e reforma de cerca de 30 lojas, priorizando flagships premium em cidades estratégicas.

O ano histórico de Bad Bunny

Além de se apresentar no Super Bowl, Bad Bunny conquistou o Grammy de Álbum do Ano, marcando a primeira vitória para um trabalho em espanhol. Em seu discurso, criticou as políticas anti-imigrantes nos Estados Unidos e afirmou: “ICE out. Nós não somos selvagens, não somos animais, não somos alienígenas. Somos humanos e somos americanos.”

Por causa dessas tensões, o artista anunciou que evitará o território continental dos EUA em sua próxima turnê mundial, para não expor fãs a riscos relacionados às ações do ICE. Seu álbum “DeBÍ TiRAR MáS FOToS” se tornou o mais ouvido no Spotify em 2025, incorporando sons clássicos porto-riquenhos e consolidando Bad Bunny como uma das maiores referências da música global.

Agibank corta preço e tamanho de IPO horas antes da oferta em Nova York

10 de Fevereiro de 2026, 12:15

O Agibank reduziu a faixa de preço e cortou pela metade o tamanho planejado de sua oferta pública inicial (IPO) nos Estados Unidos poucas horas antes do IPO (oferta pública de ações), em meio a uma queda de 20% nas ações da concorrente PicS NV (PicPay).

A fintech brasileira está oferecendo 20 milhões de ações por US$ 12 a US$ 13 cada, segundo comunicado. Na terça-feira, a empresa havia planejado vender 43,6 milhões de ações a um preço entre US$ 15 e US$ 18 cada.

O IPO teve subscrição maior que a oferta, mesmo com a sensibilidade ao preço por parte dos investidores institucionais, disseram pessoas familiarizadas com o assunto. Esta semana, as ordens se concentraram na extremidade inferior da faixa original. A precificação do IPO está prevista para o final da terça-feira, após o fechamento dos mercados nos EUA.

A mudança ocorre em meio a uma queda nas ações da concorrente PicPay, que no final de janeiro se tornou o primeiro IPO de empresa brasileira em mais de 4 anos. A fintech viu suas ações caírem quase 20% desde que levantou US$ 434 milhões em seu IPO nos EUA.

O Agibank, que possui 6,4 milhões de clientes ativos, foi avaliado em R$ 9,3 bilhões em uma rodada de financiamento realizada em dezembro de 2024. O banco reportou lucro líquido de R$ 1,1 bilhão nos 12 meses encerrados em setembro, com um retorno sobre o patrimônio líquido médio de 40,9%.

❌