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O Spotify anunciou uma série de iniciativas de benefícios para compra de ingressos de shows a um grande acordo de licenciamento de músicas com inteligência artificial que segundo a empresa sueca de streaming de áudio, vão impulsionar o crescimento nos próximos quatro anos.
No primeiro investor day conduzido pelos novos co-CEOs Gustav Söderström e Alex Norström, o Spotify apresentou uma visão centrada em ferramentas de personalização da experiência de escuta, seja para música, podcasts, audiolivros ou treinos. Os investidores gostaram do que ouviram: as ações da empresa subiram até 18% durante a apresentação.
Um dos anúncios mais aguardados foi um acordo de licenciamento com a Universal Music Group, que responde a uma das maiores preocupações de Wall Street em relação à inteligência artificial.
O contrato permitirá ao Spotify lançar uma ferramenta para que fãs criem versões e regravações das músicas de seus artistas favoritos desde que esses artistas e compositores optem por participar. Movida por IA generativa, a ferramenta será oferecida como um complemento pago para assinantes do Spotify Premium, abrindo novas fontes de receita tanto para a plataforma quanto para artistas e compositores, além do que já ganham com o streaming.
O Spotify vinha trabalhando com a indústria musical em formas de aproveitar o potencial da IA sem violar os direitos dos artistas. Em outubro do ano passado, a empresa havia anunciado um acordo com as maiores gravadoras para o uso “responsável” da tecnologia, mas sem detalhar como isso se traduziria na prática. O acordo com a Universal marca a entrada efetiva do Spotify na criação de música com IA.
“Não existe um player de mídia para a era generativa”, disse o co-CEO Gustav Söderström. “Acreditamos que o Spotify se tornará esse player.”
“Esta era da criação não precisa ameaçar o futuro da música”, disse Charlie Hellman, chefe de música do Spotify. “Como construímos o sistema de forma legal, confiável e alinhada, podemos garantir que o valor retorne às pessoas que o criaram.”
Fila furada
Outro anúncio de destaque foi uma parceria multianual com a Live Nation, maior promotora e vendedora de ingressos do mundo, para oferecer aos maiores fãs de cada artista a chance de comprar dois ingressos antes que entrem em venda para o público geral. O benefício, chamado de “Reserved“, será lançado primeiro nos Estados Unidos neste verão, com planos de expansão para outros mercados.
Mas não basta ser assinante Premium: os fãs serão selecionados com base em critérios como volume de streams e compartilhamentos do artista dentro do aplicativo. Quem for contemplado terá cerca de um dia para efetuar a compra. A disponibilidade de ingressos varia por artista, turnê e localidade.
A iniciativa mira um problema crônico enfrentado pelos fãs: a dificuldade de comprar ingressos pelo preço de face antes que revendedores e bots esgotem o estoque. Quem tenta garantir ingressos por meio de pré-vendas para membros de fã-clubes frequentemente enfrenta filas longas para um número limitado de lugares.
“Sem correr contra bots, sem ficar caçando códigos de pré-venda. Apenas dois ingressos reservados para você”, disse Rene Volker, diretora sênior de música ao vivo do Spotify. “Por quê? Porque você os mereceu.”
Metas e contexto
As apresentações desta quinta-feira foram desenhadas para reconquistar a confiança dos investidores e demonstrar que o Spotify ainda tem capacidade de inovar. Wall Street vinha cética quanto à capacidade da empresa de controlar custos e se manter à frente dos concorrentes — especialmente no campo da IA. Essas preocupações pesaram sobre as ações, que acumulavam queda de 25% até o fechamento de quarta-feira.
Para o período até 2030, o Spotify projetou crescimento anual composto em torno dos dois dígitos médios, margem bruta entre 35% e 40% e margem operacional acima de 20%. A empresa reafirmou também suas metas de longo prazo: 1 bilhão de assinantes, US$ 100 bilhões em receita e margem bruta acima de 40%.
O Spotify reforçou que vê podcasts e audiolivros como complementares à música — e que a combinação dos três formatos tem ajudado a converter ouvintes gratuitos em assinantes pagos. Hoje, mais de 500 milhões de pessoas já assistiram a um podcast em vídeo na plataforma, alta de quase 50% em um ano. Em poucos anos, o Spotify já capturou cerca de 20% do mercado de audiolivros nos Estados Unidos.
Usuários que consomem os três formatos — música, podcasts e audiolivros — acessam o Spotify quase todos os dias do mês. É o perfil que os executivos chamaram de “usuário do dia todo.”
Entre as novidades está o Personal Podcasts, que permite ao usuário escrever um prompt no aplicativo e receber um episódio curto e personalizado em resposta — como, por exemplo: “Me dê as novidades da minha cidade e fale sobre shows de artistas que eu amo.” “Vemos isso muito mais como um resumo diário e um motor de recomendações do que algo que substituiria seus podcasts favoritos”, disse Söderström.
O negócio de podcasts já é lucrativo há dois anos, segundo a empresa. Já o Audiobook+, plano que oferece horas extras de audiolivros por uma taxa adicional, já tem 1 milhão de assinantes e deve gerar US$ 100 milhões em receita anualizada.

O anel que quer destronar o smartwatch: Oura Health pede IPO nos Estados Unidos
A Oura Health, fabricante de anéis inteligentes voltados ao monitoramento de saúde, condicionamento físico e sono, entrou com pedido confidencial para realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO) nos Estados Unidos, buscando aproveitar a crescente popularidade dos dispositivos vestíveis.
A empresa informou nesta quinta-feira (21) que apresentou os documentos do IPO à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, a SEC, confirmando uma reportagem da Bloomberg News. O número de ações e a faixa de preço da oferta ainda não foram definidos, informou a Oura.
Segundo uma pessoa familiarizada com o assunto, a companhia trabalha com Goldman Sachs, Morgan Stanley, JPMorgan Chase, Allen & Co. e Jefferies Financial na operação. A expectativa é que a empresa estreie na bolsa ainda este ano. Um porta-voz se recusou a comentar.
A Oura faz parte da retomada das ofertas de ações de empresas de tecnologia em 2026. A SpaceX, de Elon Musk, protocolou um prospecto de IPO na quarta-feira, enquanto a OpenAI, criadora do ChatGPT, prepara documentação semelhante para as próximas semanas, segundo a Bloomberg News.
Competição com relógios
A Oura ganhou popularidade nos últimos anos entre consumidores interessados em monitorar indicadores de saúde por meio de um dispositivo menos volumoso que um relógio. A empresa passou a competir com gigantes como Apple e Samsung Electronics, que também avançam no segmento de vestíveis. A Samsung lançou um anel inteligente há dois anos, enquanto a Apple trabalha em uma nova linha de dispositivos vestíveis com inteligência artificial.
Com escritórios principais em San Francisco e na Finlândia, a Oura foi fundada em 2013. Em setembro do ano passado, a empresa alcançou valuation de US$ 11 bilhões após uma rodada Série E que levantou US$ 875 milhões, segundo a Bloomberg News.
O CEO da companhia, Tom Hale, afirmou em setembro que a empresa já havia vendido 5,5 milhões de anéis, ante 2,5 milhões até junho de 2024. A expectativa é que a receita alcance US$ 1,5 bilhão em 2026, triplicando os US$ 500 milhões registrados em 2024.
Os anéis da empresa sincronizam com aplicativos para smartphones em iPhones e aparelhos Android. Em comparação aos smartwatches, os anéis inteligentes ainda representam uma fatia pequena do mercado global de dispositivos vestíveis, mas vêm ganhando popularidade rapidamente.
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InvestNews
- Justiça francesa condena Airbus e Air France por homicídio culposo em queda do voo Rio-Paris
Justiça francesa condena Airbus e Air France por homicídio culposo em queda do voo Rio-Paris
A Airbus e a Air France foram consideradas culpadas por homicídio culposo no acidente aéreo do voo AF447, que caiu no trajeto entre o Brasil e Paris há 17 anos, após um tribunal de apelação francês reverter uma decisão anterior.
Segundo a Corte de Apelação de Paris, as empresas foram as únicas responsáveis pelo acidente que matou as 228 pessoas a bordo do Airbus A330. As companhias também foram condenadas ao pagamento de multa de 225 mil euros — o valor máximo previsto pela legislação.
A fabricante europeia de aeronaves e a unidade francesa da Air France-KLM haviam sido absolvidas em abril de 2023, depois de um tribunal de primeira instância concluir que houve erros de “imprudência”, mas sem um “vínculo causal incontestável” com o acidente. O Ministério Público de Paris recorreu da decisão.
A Airbus informou que recorrerá da nova sentença perante a Corte de Cassação da França. Em comunicado, a empresa afirmou que a decisão contradiz tanto as manifestações do Ministério Público quanto a absolvição de 2023.
A Air France não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.
O voo Acidente do voo Air France 447 caiu 38 mil pés — cerca de 11,5 mil metros — em apenas três minutos no Oceano Atlântico, em 1º de junho de 2009, no acidente mais fatal da história da companhia aérea.
Após a tragédia, as investigações se concentraram em três sensores responsáveis por medir a velocidade da aeronave, que congelaram devido à formação de gelo quando os pilotos já estavam havia cerca de quatro horas em voo.

Energisa vende cinco ativos de transmissão em operação de R$ 2,3 bilhões
A Energisa, grupo do setor elétrico com atuação em distribuição, transmissão, geração e comercialização de energia, anunciou a venda integral de cinco ativos de transmissão de energia, em uma operação avaliada em R$ 2,293 bilhões considerando o valor da empresa (enterprise value).
Segundo comunicado divulgado pela companhia, a medida faz parte da estratégia de otimização da estrutura de capital e reciclagem de investimentos.
A operação envolve a alienação de 100% das ações de transmissoras localizadas no Tocantins, Pará e Goiás, atualmente controladas pela Energisa e por sua subsidiária Energisa Transmissão e Energia.
Os ativos incluídos na transação são a Energisa Tocantins Transmissora de Energia I, Energisa Tocantins Transmissora de Energia II, Energisa Pará Transmissora de Energia I, Energisa Pará Transmissora de Energia II e Energisa Goiás Transmissora de Energia I.
O contrato considera como data-base 31 de dezembro de 2025. Descontada a dívida líquida dos ativos, estimada em R$ 748 milhões, o valor patrimonial (equity value) da operação chega a R$ 1,545 bilhão. O montante ainda será corrigido pelo CDI até a conclusão do fechamento do negócio.
A conclusão da operação depende de aprovações regulatórias, incluindo aval da Agência Nacional de Energia Elétrica e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica.
Após o fechamento, a Energisa afirmou que continuará operando uma plataforma relevante no segmento de transmissão, com receita anual permitida de R$ 777 milhões, considerando cinco ativos operacionais e três em construção.
Segundo a companhia, os recursos obtidos com a venda serão destinados ao processo de desalavancagem, com foco na maximização de valor para os acionistas.

Equatorial avalia participar do processo de privatização da Copasa
A Equatorial avaliar participar do processo de privatização da Copasa, empresa brasileira de saneamento básico pertencente ao governo de Minas Gerais, mesmo após a desistência da Sabesp, que era sua parceira no consórcio, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
O conglomerado de serviços públicos Equatorial planejava apresentar uma proposta conjunta com a Sabesp para se tornar um investidor estratégico na Copasa, disseram as pessoas.
Agora que a Sabesp desistiu, a Equatorial ainda avalia se apresentará uma proposta com outros parceiros ou mesmo sozinha, afirmaram as pessoas. As empresas têm até 25 de maio para apresentar suas propostas, de acordo com o cronograma oficial da privatização.
O Valor Econômico noticiou na quarta-feira (20) que a Sabesp desistiu de participar do processo de privatização da Copasa.
A Sabesp não quis comentar. A Equatorial, que detém participação na Sabesp, não respondeu a um pedido de comentário.
A Aegea Saneamento e Participações SA também está demonstrando interesse na aquisição da Copasa, disseram fontes familiarizadas com o assunto anteriormente.
De acordo com o plano de privatização, o controle da Copasa será vendido em uma oferta pública na qual o estado de Minas Gerais poderá reter no máximo 5% da empresa, conforme comunicado da companhia. Atualmente, o estado detém 50,03%, segundo o site da empresa. Somente o estado venderá ações na oferta, podendo reter uma chamada “Golden Share”, que concede ao seu titular alguns direitos de veto.
Um “investidor de referência/estratégico” poderá adquirir 30% da empresa antes da oferta pública, com a possibilidade de o mesmo investidor adquirir mais ações no mercado durante a oferta pública, com um máximo de 45% dos direitos de voto, de acordo com o comunicado.

A Zara quer ser premium. Para isso, lançou uma nova coleção com o Bad Bunny
A Zara lançou uma nova coleção em parceria com o cantor Bad Bunny, em mais um movimento da varejista de moda para ampliar o posicionamento de sua marca e se aproximar do segmento premium.
A coleção, batizada de “Benito Antonio” — nome de batismo do artista — conta com 150 peças e estará disponível no e-commerce e em lojas selecionadas ao redor do mundo, informou a controladora Inditex em comunicado divulgado na quarta-feira (20). O conjunto inclui calças, camisetas, bonés, bolsas e outros itens.
Desde que assumiu a presidência da Inditex, Marta Ortega, filha do fundador Amancio Ortega, tem liderado uma estratégia para reposicionar a Zara além do mercado de fast fashion tradicional, associando a marca a designers renomados, ícones da moda e celebridades, principalmente por meio de coleções limitadas.
Entre as parcerias recentes estão os designers Stefano Pilati e John Galliano, com quem a empresa anunciou uma colaboração de dois anos no início deste ano.
Esta não é a primeira colaboração entre a Zara e Bad Bunny, um dos artistas mais populares do mundo. O cantor porto-riquenho já usou uma camiseta da marca durante sua apresentação no Super Bowl e, neste mês, apareceu no Met Gala vestindo um smoking preto personalizado, desenhado por ele em parceria com a Zara.
A estratégia de reposicionamento da marca também inclui a reformulação de lojas flagship, com investimentos para torná-las maiores, mais produtivas e com estética mais sofisticada do que o varejo tradicional.
A família Ortega, por meio de Marta Ortega, segue controlando a maior parte da companhia. As ações da Inditex acumulam queda de 11,5% no ano.

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InvestNews
- Stellantis se volta para marcas com foco regional para atrair consumidor ante avanço chinês
Stellantis se volta para marcas com foco regional para atrair consumidor ante avanço chinês
Formada a partir da fusão da Fiat Chrysler com o PSA Group, a Stellantis nasceu como um dos maiores grupos automotivos do mundo em janeiro de 2021 e a ambição de promover um portfólio com 14 marcas, como Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën, Chrysler e Opel, em um momento de transformação da indústria, rumo a então novas tecnologias como a eletrificação e a direção autônoma.
Pouco mais de cinco anos depois, o cenário é muito distinto. Carros elétricos ainda ganham relevância, mas a sua adoção perdeu o ímpeto de outrora, especialmente diante da retirada de incentivos em diferentes mercados desenvolvidos e dos efeitos da guerra comercial de Donald Trump.
O mundo de juros perto de zero cedeu espaço para uma era de volta da inflação e de taxas mais altas, o que se traduz em aumento do custo de capital e de fornecedores e desafio à demanda de consumidores. E, de forma impactante para o setor, o avanço de empresas chinesas – notadamente a BYD mas não só ela – alterou o cenário competitivo da indústria global.
Nessa nova configuração de mercado de um dos setores mais tradicionais da economia e de encruzilhada de marcas tradicionais, a Stellantis decidiu adotar um novo plano estratégico para os próximos cinco anos para tentar retomar o apelo junto ao consumidor, que hoje conta com muitas mais alternativas do que no começo da década, ao mesmo tempo em que fortalece a rentabilidade e acelera o crescimento.
Os pilares passam por uma nova estratégia de marcas e de produtos que inclui foco regional, investimentos que devem superar € 60 bilhões – US$ 70 bilhões – em novas plataformas de veículos, motores e tecnologias que incluem IA (inteligência artificial) e parcerias com outras companhias, como as chinesas Leapmotor e Dongfeng, além da Tata e da JLR (Jaguar Land Rover).
Serão mais de 60 novos modelos e 50 atualizações, a maior parte em elétricos puros e híbridos: alguns spoilers foram dados (ou confirmados) no evento, como o novo Argo, da Fiat (nome para o Grande Panda vendido na Europa) e o Peugeot 3008 híbrido no Brasil; a volta da picape Dodge Dakota nos Estados Unidos; novos modelos da Cherokee e da Grand Cherokee, da Jeep; e um novo E-208 da Peugeot, além de lançamentos na divisão de veículos comerciais para entregas.
O equivalente a 60% do total será destinado a marcas e desenvolvimento de novos modelos, enquanto os demais 40% terão como alvo plataformas globais, tecnologias e usos comuns.
O plano foi apresentado nesta manhã de quinta-feira (21) no Investor Day realizado em sua sede em Auburn Hills, próximo a Detroit, berço da indústria automotiva americana, sob a liderança do CEO global, Antonio Filosa.
O executivo italiano, que completa um ano à frente da Stellantis em junho, sucedeu justamente um dos arquitetos da formação da holding, o português Carlos Tavares, que deixou o cargo no fim de 2024 diante da piora dos resultados operacionais e financeiros – e do esgotamento de seu receituário que priorizava a eficiência da operação em detrimento da estratégia ao consumidor.
Trata-se justamente da mudança mais evidente de abordagem explicitada no novo plano.
O desafio passa por reconquistar a confiança de investidores: desde o pico em março de 2024, as ações negociadas na Euronext Paris e na NYSE (Bolsa de Nova York) perderam cerca de 70% do valor, o que derrubou o market cap do grupo para pouco mais de US$ 21 bilhões.
Filosa, por sua vez, chegou credenciado em parte justamente pelo seu trabalho à frente da América do Sul, inicialmente na Fiat Chrysler e, depois, na Stellantis, entre 2018 e 2023, período em que alçou a Fiat à liderança no Brasil, o maior mercado dessa região. Depois ele comandou a Jeep globalmente e a operação na América do Norte.

A apresentação do plano denominado FaSTLAne 2030, em alusão ao ticker da Stellantis na NYSE, acontece no primeiro encontro dedicado a investidores e analistas em dois anos.
Depois de operarem em queda de até 6% na abertura, as ações passaram a subir no meio da tarde (15h30 de Nova York), com queda perto de 30% tanto no acumulado de 2026 como em 12 meses.
Stellantis: marcas multirregionais
“Passamos do foco global para multirregional”, disse o presidente do conselho, John Elkann, no começo da apresentação do Investor Day a uma plateia tomada de investidores, analistas de bancos e jornalistas, em referência a um dos principais pilares do novo plano.
Quatro marcas globais – Jeep, Ram, Peugeot e Fiat, além da divisão de veículos comerciais Pro One – vão receber 70% dos investimentos destinados a produtos nos próximos cinco anos, diante do que o grupo identifica como maior potencial.
Outras cinco marcas regionais foram destacadas no plano estratégico: Chrysler, Dodge, Citroën, Opel e Alfa Romeo.
E a Maserati será explorada como marca de alto luxo, com o lançamento de dois novos modelos no segmento de elétricos, acompanhando uma das tendências do segmento.
Na América do Norte, que hoje responde por cerca de 40% das receitas da Stellantis, o lançamento de novos modelos deve estender a cobertura de mercado dos atuais 60% para 90%, o que vai se traduzir em dispor de ofertas que alcancem quase a totalidade dos consumidores.
Na América do Sul, a meta passa por manter a liderança no principal mercado, o Brasil, e também na Argentina, com uma estratégia corrente que passa pela “localização” de modelos, parcerias com a chinesa Leapmotor e novos lançamentos da Fiat, da Jeep, da Ram e da Peugeot, segundo o presidente e COO (Chief Operating Officer) para a região, Herlander Zola.
Outra meta para a região é crescer 10% em receitas até 2030 e chegar a 8% a 10% de margem do resultado operacional ajustado no mesmo período.

“Tudo começa com produto […] nós movemos as pessoas com marcas e produtos que elas amam”, disse Filosa no evento ao destacar, a exemplo do chairman, um dos novos focos da Stellantis. Outros executivos ecoaram a mesma ênfase de priorização em produto e estratégia regional.
O foco em produto e na gestão de portfólio não atendeu, por outro lado, a expectativa de uma ala de analistas e investidores que esperavam uma redução no número de marcas da Stellantis, algo visto como um dos seus principais desafios para melhorar a eficiência de sua operação – e que o grupo apontou que espera resolver por meio de sinergias (veja mais abaixo).
China: concorrente e aliado
Não que o resultado operacional e financeiro e a alocação de capital fiquem em segundo plano, segundo o CEO global, que também destacou na apresentação a melhora das métricas ao longo do último ano: o lucro líquido ficou em € 390 milhões no primeiro trimestre, revertendo uma perda de € 371 milhões um ano antes.
O lucro operacional foi de € 688 milhões, depois de uma perda de € 316 milhões no mesmo período de 2025.
O novo plano inclui metas financeiras como alcançar fluxo de caixa positivo até 2027 e cortes de custos da ordem de € 6 bilhões ao ano (US$ 7 bilhões) até 2028.
Nesse sentido, a estratégia passa por novas plataformas globais de veículos desenhadas para tecnologias de eletrificação e de uso de IA e que sejam “escaláveis” para diferentes mercados e que, segundo se espera, vão permitir a redução dos custos de desenvolvimento: no caso da STLA One, nome de uma das plataformas, a queda é estimada em 20% versus o que é hoje adotado na Europa.
A frente de ganho de eficiência é considerada fundamental para a competitividade dos modelos da Stellantis – e de montadoras europeias, americanas e japonesas e coreanas em geral – diante de marcas chinesas, que ganham com apelo crescente em preços e também em tecnologia e design.
Outro pilar destacado inclui as citadas parcerias com as chinesas Leapmotor e Dongfeng em regiões como a Europa (para adaptação e produção) e a China: os objetivos passam por desenvolvimento de tecnologias – incluindo de eletrificação – e modelos complementares a determinados mercados, por meio de joint ventures em que a holding detém o controle com 51% do capital.
Segundo a Bloomberg, a parceria em tecnologias para carros elétricos será a mais profunda já adotada por uma montadora europeia com uma chinesa já acertada.
Outras parcerias incluem a Tata, para o mercado indiano, e a Jaguar Land Rover.
— Em atualização.

Contra a mediocridade, CEOs são implacáveis na avaliação do desempenho dos funcionários
A forma como o CEO da Unilever, Fernando Fernandez, inicia cada reunião na fabricante de bens de consumo diz muito sobre a mentalidade de executivos que acreditam que suas empresas perderam competitividade.
“Antes de dizer olá, eu digo: ‘Crescimento de volume, mix positivo, expansão consistente de margem para crescimento do lucro em moeda forte’”, afirmou o CEO a um analista do setor em uma entrevista gravada no ano passado.
Fernandez reconheceu que é uma forma estranha de cumprimentar as pessoas, mas disse que esse é o jeito de garantir que os funcionários entendam o que importa: ele quer resultados e está responsabilizando as equipes por isso.
Embora o discurso não seja novidade no mundo corporativo, a postura contrasta com a cultura empresarial da década passada, quando havia escassez de mão de obra e líderes tentavam demonstrar empatia e acolhimento enquanto desejavam, discretamente, que os funcionários trabalhassem mais.
Agora, com a ameaça crescente da inteligência artificial dando mais poder aos empregadores em um mercado de trabalho já enfraquecido para profissionais de escritório, um número crescente de CEOs em vários setores passou a verbalizar o que antes era dito apenas nos bastidores — frequentemente reforçando a mensagem com demissões.
“Seremos implacáveis na avaliação de nossos talentos, de nossas pessoas”, prometeu Philipp Navratil, da Nestlé, a investidores e analistas pouco depois de assumir o cargo no ano passado.
No Citigroup, a CEO Jane Fraser lembrou funcionários de que eles são avaliados por resultados, não por esforço. Já o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, aconselhou empregados em 2025 a “apertarem os cintos” para um ano “intenso”.
O CEO da 3M, Bill Brown, usa frequentemente a palavra “incansável” ao falar da cultura da empresa. Líderes de companhias como Novo Nordisk e HSBC Holdings também têm adotado tom semelhante.
Acabou a era da mediocridade
A mensagem implícita em todos os setores é clara: acabou a era de recompensar mediocridade com aumentos salariais, promoções e kombucha grátis no escritório — especialmente em empresas que perderam participação de mercado ou ficaram atrás de rivais em lucro e retorno aos acionistas.
O foco agora está em construir “culturas de performance”, nas quais as expectativas sobre trabalhadores aumentam, funcionários medianos correm risco de serem dispensados e executivos perdem a paciência com burocracias que reduzem eficiência.
“Queremos nos tornar uma empresa mais rápida, mais ágil e mais ousada nas decisões. E parte da cultura de performance é garantir que aqueles que entregam resultados sejam os que permanecem na empresa”, afirmou Navratil a investidores em outubro.
Cortes de empregos, 16 mil na Nestlé e 9 mil na Novo Nordisk, frequentemente fazem parte da estratégia, funcionando como aviso aos funcionários que permanecem.
Às vezes, a mensagem é explícita. Quando a Meta cortou 600 vagas de sua divisão de inteligência artificial em outubro, um dos executivos próximos a Zuckerberg disse que cada funcionário remanescente passaria a “suportar mais carga”. E haverá ainda mais responsabilidades na Meta, que no mês passado anunciou a demissão de 10% dos trabalhadores e decidiu deixar 6 mil vagas em aberto sem reposição.
Além de cortar empregos e prometer rigor contra funcionários considerados improdutivos, executivos aproveitam o momento para estabelecer metas financeiras mais ambiciosas.
Metas ambiciosas
Na Unilever, Fernandez criou novas metas de vendas e reformulou os bônus de executivos, tornando-os mais dependentes do desempenho de linhas específicas de negócios e menos sujeitos às oscilações cambiais, eliminando uma possível desculpa para resultados ruins.
Entre empresas do índice S&P 500, executivos usaram a expressão “cultura de performance” 633 vezes no ano passado em teleconferências de resultados e documentos corporativos, acima da média de cerca de 460 citações registrada nos quatro anos anteriores.
A mudança cultural costuma ser liderada por novos CEOs. Muitas vezes são executivos internos, como Georges Elhedery, do HSBC, que conhecem os problemas da companhia e têm clareza sobre onde há potencial de melhoria.
“Depois de 20 anos no banco, atuando em diferentes geografias, negócios e funções, construí muita experiência e uma grande rede de colegas que compartilharam suas preocupações e ideias”, disse Elhedery à Bloomberg em dezembro. “Fui definitivamente implacável em eliminar complexidades.”
Em alguns casos, a cultura de performance surge por pressão competitiva ou queda das ações. Em outros, o CEO simplesmente quer elevar o padrão de uma companhia que já vai bem.
No banco porto-riquenho Popular, o CEO Javier Ferrer afirmou que parte dos funcionários se surpreendeu com a busca por mais desempenho. “As pessoas dizem: ‘Estamos indo muito bem, então por que mudar?’”, contou Ferrer. “Mas eu prefiro pensar: ‘Estamos indo bem, mas não seria ótimo se pudéssemos fazer ainda melhor?’”

Brasil tenta, de novo, expandir as ferrovias. Mas ainda falta combinar com os chineses
O Brasil já foi uma potência ferroviária. E ainda carrega resquícios desse passado: hoje, são 30,5 mil quilômetros de ferrovias espalhadas pelo país – mais que na França ou no Japão, dois países completamente rabiscados de linhas férreas.
Só que, na vida real, esse número é bem menor. Dois terços da malha brasileira estão fora de serviço, inutilizáveis. Sobram, então, mais ou menos 10 mil quilômetros.
É basicamente que tínhamos no Brasil Império: quando Dom Pedro II deixou o trono, há 136 anos, o país somava 9,5 mil quilômetros de trilhos.
Agora, o governo federal tenta destravar um novo ciclo de expansão do setor. Ainda para 2026, o Ministério dos Transportes prevê oito leilões de ferrovias – três de linhas totalmente novas, as outras reciclando malhas já existentes.
Os projetos somam 9 mil quilômetros de extensão e devem exigir R$ 140 bilhões em investimentos. É virtualmente impossível esperar que esse dinheiro saia diretamente do setor privado. Vai ser preciso muito financiamento estatal – seja do Brasil, via BNDEs, seja de forma indireta: via China, através das estatais de lá. É o que vamos ver mais adiante.
Porque a matemática segue implacável: ferrovias são um negócio caro. Cada quilômetro de trilhos custa, na média, R$ 27 milhões – mais de três vezes o valor de uma rodovia, em torno de R$ 8 milhões por quilômetro. O retorno pode levar décadas, e nem sempre vem.
Mesmo em países ricos, fazer essa conta fechar exige boas doses de subsídio do Estado. Na China, a expansão ferroviária foi liderada pela estatal China State Railway. Na Europa, estatais como a Deutsche Bahn, na Alemanha, e a SNCF, na França, até hoje bancam parte da operação dos trens, especialmente os de passageiros.
No Brasil, onde a malha opera sob regimes de concessão, poucas empresas foram capazes de fazer o negócio valer.
Desde os anos 1990, o país já privatizou a antiga malha estatal, lançou projetos ferroviários via Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e criou um regime de autorizações para que empresas construíssem ferrovias próprias. Nada bastou para que a malha voltasse a crescer de forma consistente.
“Ao longo de décadas, houve um desenvolvimento enorme do setor rodoviário, novas estradas, aprimoramentos nas antigas, caminhões melhores. O transporte rodoviário no Brasil é muito barato”, diz David Goldberg, sócio-diretor da A&M Infra. “Por outro lado, as ferrovias ficaram estagnadas”.
A geografia dos trilhos brasileiros
Falar em ferrovias, no Brasil, é falar em cargas.
O país tem hoje só duas linhas interestaduais de passageiros: a Estrada Vitória-Minas, entre Minas Gerais e Espírito Santo, e a Estrada Carajás, entre Pará e Maranhão. Ambas são operadas pela Vale. Não porque levar gente dá dinheiro para a mineradora, mas por obrigação. Ela precisa de trens para levar suas cargas, pesadas demais para caminhões, e os contratos de concessão ferroviária exigem abrir alguj espaço para passageiros nos comboios.
Porque é isso. O grosso das ferrovias em operação por aqui transporta commodities. Em especial, minério de ferro. Em 2025, os trilhos brasileiros carregaram 406,6 milhões de toneladas de minério – 73% de tudo o que passou por nossas linhas férreas.
Boa parte desse volume opera num modelo verticalizado: a mesma empresa que extrai o minério controla também o caminho até os portos. Sozinha, a Vale movimentou 301 milhões de toneladas em suas ferrovias no ano passado.
“Quando a gente fala de mineração, o projeto perfeito é aquele que tem as três pontas: mina, ferrovia e porto”, diz Solange Costa, advogada do escritório Mello Torres e especializada no setor.
Fora da mineração, a gigante do setor é a Rumo, a empresa de logística da Cosan, holding do empresário Rubens Ometto. O foco ali é oferecer transporte para o agronegócio – em especial, grãos.
A companhia tem hoje a concessão de cinco malhas ferroviárias, mas devolverá ainda neste ano a Malha Oeste, cujo contrato vence em junho. O trecho já não transporta cargas desde novembro de 2025.
O motor do negócio na Rumo é outro: a Malha Norte, que liga o Mato Grosso ao Porto de Santos – e virou a principal rota de escoamento de soja e milho do Centro-Oeste.
Ainda assim, o agro ocupa um espaço relativamente pequeno nos trilhos brasileiros. Em 2025, as ferrovias transportaram 104,4 milhões de toneladas de itens agrícolas, 19% do que passou pelos trilhos.
Os novos leilões previstos para este ano tentam ampliar essa fatia. Em comum, elas têm o seguinte: buscam encurtar o caminho das commodities produzidas no interior do país até os portos no litoral.

Novos projetos
O projeto mais simbólico (e polêmico) dessa nova leva é a Ferrogrão. A linha foi pensada para ligar Sinop, grande produtora de grãos no norte de Mato Grosso, a Itaituba, hub hidroviário no Pará. De lá, as cargas seguiriam por hidrovias até portos do Norte do país.
A proposta entrou na agenda federal em 2014, mas desde então ficou presa em disputas ambientais e judiciais. Para abrir caminho à ferrovia, uma lei de 2017 reduziu a área de proteção ambiental no Parque Nacional do Jamanxim, no Pará. A mudança foi parar no STF, que ainda não deu a palavra final.
O projeto também é questionado por órgãos de controle, que cobram estudos mais completos sobre os impactos ambientais e sobre povos indígenas na região. Em março, o TCU manteve a análise da concessão suspensa.
Dentro do pacote pensado para este ano, há também o Corredor Leste-Oeste, planejado para ligar áreas produtoras do Centro-Oeste aos portos da Bahia. A proposta prevê conectar, ao longo de 1,7 mil km, duas ferrovias em construção: a Fico, no Centro-Oeste, e a Fiol, na Bahia.
Também tem a Extensão da Ferrovia Norte-Sul, a espinha dorsal ferroviária do país. No traçado atual, ela liga Açailândia, no Maranhão, a Estrela d’Oeste, no interior de São Paulo. O novo projeto prevê expandir para o norte: de Açailândia até Barcarena, no Pará, onde fica o Porto de Vila do Conde.

Show me the money
Para fazer esses projetos saírem do papel, algum apoio do Estado parece inevitável. Segundo o Valor Econômico, o governo negocia uma linha especial de financiamento no BNDES para as ferrovias. A ideia é oferecer prazos mais longos para pagar a dívida, até 60 anos, além de uma carência maior durante as obras, quando a ferrovia ainda não gera receita.
Outro caminho tem sido buscar capital internacional. Em especial, chinês. Em entrevista ao Brazil Journal, George Santoro, o atual Ministério dos Transportes, disse que cinco companhias chinesas estavam estudando projetos de ferrovias ou rodovias no país.
Por que China? Porque 70% da soja e do milho que eles importam vêm do Brasil. Arrumar a logística por aqui, então, é uma questão de segurança alimentar para o governo chinês. Para dar uma ideia: um dos maiores exportadores de soja brasileira para a China é a própria China, via Cofco, uma estatal que compra das fazendas daqui e manda para lá.
Do ponto de vista do governo chinês, faria sentido usar uma estatal de ferrovias para ampliar a malha daqui. Mesmo que a ferrovia em si não desse retorno, um transporte mais eficiente baixaria os custos do produto final para a grande enmpresa por trás de tudo: o governo XI Jinping.
George Santoro não citou nomes das companhias chinesas que podem ter interesse, mas algumas aparecem no radar.
A CCCC, estatal chinesa de infraestrutura, já fincou os pés no Brasil com participação no Porto São Luís, no Maranhão. Em 2025, representantes da empresa se reuniram com o Ministério dos Transportes e disseram acompanhar a carteira de leilões ferroviários, com interesse especial no corredor Fico-Fiol.
Outro nome forte é o da CRRC, maior fabricante de trens do mundo. A empresa também está no Brasil: é sócia do Grupo Comporte na concessão do Trem Intercidades, projeto de R$ 14 bilhões para criar um trem de passageiros entre São Paulo a Campinas.
Além disso, prepara uma fábrica em Araraquara, no interior paulista, com investimento inicial previsto de R$ 50 milhões. A unidade deve produzir trens para o Metrô de São Paulo e para o próprio Trem Intercidades a partir de 2026.

O interesse chinês em mais projetos, porém, ainda não se traduziu em propostas concretas. Pela agenda do governo, o primeiro leilão dessa leva de oito está previsto para setembro, mas o edital ainda não foi publicado.
No setor, a visão é que destravar esses investimentos, com ou sem os chineses, segue sendo um desafio e tanto. “Hoje, eu não vejo isso tendo uma demanda 100% privada. Não enxergo essa viabilidade”, diz uma fonte com experiência no setor.

GPA vende fatia na Stix à RD Saúde por R$ 23 milhões e deixa programa de fidelidade
O GPA, grupo dono das bandeiras Pão de Açúcar e Extra, anunciou nesta quarta-feira (20) que acertou a venda de sua participação de 66,7% na Stix, empresa de programa de fidelidade, para sua sócia no negócio, a RD Saúde, por R$ 23 milhões.
Com isso, a RD, dona das redes de farmácias Raia e Drogasil, passará a ter 100% do negócio. A conclusão da operação depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Após o fechamento, GPA e RD firmarão acordo para um período de transição, no qual o programa seguirá operando nas lojas do grupo nas mesmas condições atuais, incluindo o acúmulo e o resgate de pontos pelos clientes do GPA.
O valor do negócio chama atenção pelo desencontro com a ambição original da Stix. Anunciada em novembro de 2019, a empresa nasceu apresentada como a primeira coalizão de fidelidade de grandes varejistas no Brasil, com uma base inicial de 55 milhões de clientes somados entre Pão de Açúcar Mais, Clube Extra, Sua Raia e Drogasil e Você.
O plano era atrair grandes marcas de outras verticais, como vestuário e postos de combustível, para criar uma moeda única de pontos no varejo brasileiro, mirando concorrer com programas como Smiles e Livelo.

Cristiano Ronaldo compra participação na LiveModeTV, dona da CazéTV
Cristiano Ronaldo, o primeiro jogador de futebol bilionário do mundo, comprou uma participação na LiveModeTV, canal internacional de streaming ligado à CazéTV, do Brasil, ampliando sua aposta em mídia digital antes da próxima Copa do Mundo.
“A missão é levar o esporte para todos, de uma maneira totalmente nova e inspiradora”, afirmou Ronaldo em comunicado enviado por e-mail à Bloomberg News. O objetivo é ampliar alcance e engajamento “por meio de transmissões no YouTube e conteúdo distribuído em todas as plataformas de redes sociais”, acrescentou.
A LiveModeTV é o braço internacional da LiveMode, empresa por trás da plataforma CazéTV, fundada pelo influenciador Casimiro Miguel, e faz parte da expansão da companhia para além do Brasil. A LiveModeTV foi lançada recentemente em Portugal para oferecer cobertura gratuita e digital da Copa do Mundo da FIFA de 2026.
Ronaldo, que é português, não revelou quanto investirá para adquirir uma “participação relevante” na recém-criada empresa de transmissões esportivas digitais fora do Brasil.
O movimento marca o mais recente negócio do jogador de 41 anos, cuja fortuna é estimada em cerca de US$ 1,4 bilhão.
Empresas de streaming vêm ampliando seus portfólios esportivos em busca de novas frentes de crescimento.
A CazéTV e a LiveMode criaram um novo modelo, exibindo principalmente conteúdos esportivos premium gratuitamente no YouTube e dependendo de receitas de publicidade e patrocínios em vez de assinaturas.
No Brasil, a CazéTV registrou 3,7 bilhões de visualizações em 2025 apenas no YouTube. A LiveMode espera ganhar escala internacional ao se associar a Ronaldo, que possui seu próprio canal no YouTube e é a pessoa mais popular do mundo no Instagram, com mais de 660 milhões de seguidores.
“O que ligas e competições esportivas ganham com canais como a CazéTV é uma nova audiência”, disse Minal Modha, da consultoria de mídia Ampere Analysis. “Muitas competições esportivas estão tendo dificuldade para engajar fãs jovens, e esses canais têm acesso a esse público.”
Embora Ronaldo tenha construído um amplo portfólio de negócios — incluindo sua marca CR7, hotéis, academias e um grupo de mídia — esses empreendimentos não são suas principais fontes de riqueza. A maior parte de sua fortuna vem dos ganhos da carreira, incluindo seu atual contrato com o Al-Nassr, um dos clubes de futebol mais populares e bem-sucedidos da Arábia Saudita.
Um dos jogadores profissionais mais longevos ainda em atividade, Ronaldo afirmou que pretende ser dono de vários clubes de futebol após se aposentar.

O sonho do gigante da moda brasileira está ruindo — e o Azzas 2154 tem futuro incerto
Alexandre Birman tinha o sonho de erguer o maior grupo de moda do Brasil. A fusão entre Arezzo e Grupo Soma, formalizada em agosto de 2024, era a peça central da ambição: um conglomerado com mais de 30 marcas, do calçado ao vestuário, capaz de competir em escala com players globais.
Menos de dois anos depois, o sonho está se desfazendo, e uma reconciliação entre os dois sócios controladores, Birman e Roberto Jatahy, parece cada vez menos provável.
As ações do Azzas 2154 acumulam queda da ordem de 50% em 12 meses. A empresa vale hoje R$ 3,8 bilhões, menos da metade do que atingiu no auge.
No mais recente capítulo, Jatahy obteve na Justiça do Rio de Janeiro uma medida cautelar contra decisões do sócio, em uma batalha que, segundo algumas pessoas com conhecimento da situação, tem como desfecho provável a cisão do grupo (Birman entrou com um agravo de instrumento para suspender a cautelar e aponta que o foro de qualquer questão deveria ser a Justiça de São Paulo, como determina o estatuto da companhia).
Mas esse não será um desfecho trivial. Primeiro, porque o tema da separação dos negócios não está na mesa de discussões, segundo fontes próximas a Birman.
E também porque a questão é saber até que ponto cada lado está disposto a ceder e a abrir mão de (muito) dinheiro: o acordo de acionistas celebrado na fusão prevê um lock-up (proibição de venda) de 10 anos para as ações no bloco de controle.

O desafio não é exatamente da saúde das marcas: Farm Rio, Reserva e Animale seguem bem. Hering patina, mas dá sinais de melhora gradual com um plano de turnaround – e segue com um nome forte. O desafio é de governança.
Dois fundadores acostumados a mandar sozinhos, com culturas de gestão opostas, tentaram dividir o controle de um grupo com mais de 30 marcas. Não funcionou até aqui.
Segundo pessoas próximas a Jatahy, ele sempre deu autonomia às operações, formou lideranças internas e manteve cada marca quase como uma empresa independente. Birman, por sua vez, operaria no estilo “comando e controle”, um modelo que funcionou bem na Arezzo, mas que se mostrou inadequado para a complexidade do Azzas.
A percepção sobre Birman era a de um executivo duro, trabalhador, com uma narrativa sólida de quem construiu a Arezzo com as próprias mãos, o “sapateiro” que vendia resultados ao mercado com consistência. Parecia complementar o perfil criativo e descentralizado de Jatahy.
A realidade, segundo essas fontes, foi diferente. A dificuldade de lidar com divergências, segundo quem conviveu com Birman, teria afastado sucessivamente executivos que poderiam ter ajudado a estabilizar o grupo. Mais de 30 diretores não executivos deixaram o Azzas desde a fusão, muitos com acordos de confidencialidade que os impedem de falar publicamente. Birman costuma negar essa versão.
“São dois founders que tinham muita autonomia nas suas empresas antes da fusão”, diz uma pessoa que compôs o alto escalão da empresa. “No dia 2 do casamento, isso virou uma divisão de poder, e os dois se viram em papéis com os quais não estavam satisfeitos.”
A fusão também pecou pelo que deixou de fora.
Pessoas com conhecimento do processo dizem que o negócio foi pensado principalmente em termos de sinergias de receita, em como as marcas cresceriam juntas. As sinergias de custo, até mais relevantes para a rentabilidade, ficaram em segundo plano.
O estopim
O padrão de desgaste com executivos começou antes mesmo de a fusão ser concluída.
Rony Meisler, fundador da Reserva, deixou o grupo em agosto de 2024, poucos dias após o fechamento do negócio. O distanciamento vinha de antes. A Arezzo havia comprado a Reserva em 2020 por R$ 715 milhões, parte em ações com lock-up gradual.
Nas duas primeiras janelas, em 2022 e 2023, Meisler vendeu praticamente toda a sua fatia, um movimento que não agradou Birman. O estilo centralizador do CEO também bateu de frente com a personalidade do fundador, que se sentia cada vez menos consultado.
E, apesar de tentativas do alto comando do Azzas, nada convenceu Meisler a seguir no grupo.
Depois desse momento, os dois sócios controladores negociaram um armistício.
Jatahy cedeu mais, fosse na composição do conselho, nos acordos de acionistas, na escolha de executivos. Sempre com o objetivo declarado, segundo pessoas próximas a ele, de preservar a companhia e evitar um conflito aberto.
@investnewsbr Após a saída de seis executivos do alto escalão do Azzas 2154, o grupo anunciou o retorno de Roberto Jatahy à liderança do negócio de moda. #azzas #moda #negócios
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O ponto de equilíbrio encontrado no meio de 2025 tinha um nome: Ruy Kameyama. O executivo, que atuava como conselheiro de Jatahy, voltou para a gestão para ser a interface entre as operações de moda no Rio de Janeiro, provenientes em geral do Soma, e a holding.
Por algum tempo, funcionou. Kameyama conduziu um processo de integração que durou dez meses, com consultoria contratada, que mapeou sinergias entre R$ 80 milhões e R$ 116 milhões de Ebitda anuais para a unidade carioca.
Foi um trabalho com custo financeiro e humano relevante, com demissões, reestruturações e meses de reuniões. O resultado estava incorporado ao orçamento de 2026.
Foi nesse momento que Birman passou a interferir na Reserva, área que estava sob o guarda-chuva de Kameyama. Em uma ligação, segundo relatos de pessoas que acompanharam a situação, Birman disse ao executivo que ele estava “cruzando a linha” ao se envolver em questões societárias. Kameyama pediu demissão no dia seguinte.
Com Kameyama fora, Birman anunciou que a Reserva seria transferida para o comando de David Python, executivo de sua confiança à frente das unidades Basic (Hering) e Shoes & Bags e que tem ganhado espaço no grupo.
Python é co-fundador da Cariuma, marca de calçados adquirida pelo Azzas no fim de 2025 justamente para trazê-lo, junto com outro executivo, Fernando Porto, para tocar o turnaround da Hering. Ele trabalhou anos em cargos de liderança na Arezzo e na Schutz antes do seu próprio negócio.
Para Jatahy, jogar fora R$ 116 milhões em Ebitda potencial, em uma empresa que já destruía valor, não tinha racionalidade econômica. A medida cautelar foi sua resposta.
O Azzas divulgou comunicado ao mercado dizendo ter sido “surpreendida” pelo pedido judicial, enquadrando a decisão sobre a Reserva, marca de moda masculina, como prerrogativa estatutária do CEO.
O custo nos negócios
Os resultados do Azzas no primeiro trimestre de 2026 mostraram em parte o custo da instabilidade na gestão. A receita líquida caiu 8% na comparação anual. A unidade de negócios Basic (Hering) respondeu pela maior parte da queda, com recuo de 19% no período.
O Citi apontou que o Ebitda reportado ficou 15% abaixo de sua estimativa e o lucro líquido veio quase 60% abaixo do projetado. O banco não descartou novas revisões para baixo nas projeções.
A deterioração do resultado da Hering é um exemplo dos riscos de integrações. A marca chegou a gerar R$ 240 milhões de Ebitda no fim dos anos 2010, antes da aquisição pelo Soma, e fechou 2025 com R$ 71 milhões, segundo pessoas com conhecimento da operação.
A piora culminou com a saída de Thiago Hering, da família fundadora. E levou à chegada de Python e Porto em outubro passado. O plano, que passa por uma nova lógica de operação – com redução dos estoques que demandavam desconto para dar saída -, se traduziu em queda das vendas, antes que elas – segundo se espera – voltem a crescer.
O vestuário feminino, que é a divisão herdada do Grupo Soma e segue sob influência de Jatahy, é hoje o ativo mais sólido do grupo. Cresceu 5% no primeiro trimestre, mesmo com desaceleração.
O futuro do Azzas 2154
Além da hipótese de cisão, há quem defenda uma terceira via: trazer um CEO externo, afastar os dois fundadores do dia a dia e tentar capturar parte das sinergias que motivaram o negócio.
“A empresa não conseguiu seus resultados, mas é uma questão de melhorar a governança”, diz uma pessoa que passou pelo alto escalão do grupo.
A questão é que o conselho atual não tem demonstrado capacidade de arbitrar o conflito, diz outra pessoa ouvida pela reportagem.
O caminho imediato é a arbitragem, resolvida a disputa de liminares e recursos.
Parte do mercado nutre a esperança de que o acirramento force uma composição e mais um armistício entre os dois sócios. Mas pessoas próximas aos bastidores do grupo são céticas. Birman, dizem, dificilmente dá um passo atrás, e Jatahy, após quase dois anos de concessões, chegou ao limite.
O Azzas foi construído sobre a tese de que marcas fortes ficam mais fortes juntas. Por ora, o que se vê é o oposto: marcas que funcionavam bem agora presas em uma sociedade que não funciona.
Procurado, o grupo Azzas 2154 preferiu não comentar e enviou os fatos relevantes recentes como resposta.
Americanas vende lojas do Hortifruti Natural da Terra em SP para o Oba por R$ 69 milhões
A Americanas fechou um acordo para vender ao Oba Hortifruti os ativos usados na operação de dez lojas deficitárias da Hortifruti Natural da Terra, todas localizadas no estado de São Paulo.
O negócio foi anunciado nesta quarta-feira (13) pela rede varejista, que segue em recuperação judicial desde janeiro de 2023, e envolve a subsidiária HNT Comércio de Hortifrutigranjeiros. O preço de aquisição foi definido em R$ 69,3 milhões, sujeito a ajustes previstos em contrato.
A operação ainda depende do cumprimento de condições precedentes, incluindo a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade. A transferência dos ativos será feita de forma gradual, conforme os termos acertados entre as empresas.
Pelo contrato, o Oba pagará R$ 10,4 milhões à vista na data de fechamento da transação. O restante será quitado em 24 parcelas mensais, iguais e sucessivas, corrigidas pela variação do CDI. A primeira parcela vence em até 30 dias após a conclusão da operação.
A venda não representa a saída completa da Americanas do negócio, mas reforça o movimento da companhia de rever ativos que estão em seu portfólio e reduzir operações deficitárias em meio ao processo de recuperação judicial.
No comunicado, a empresa afirma que a alienação foi feita no curso normal dos negócios e está autorizada pelo plano de recuperação.
A Hortifruti Natural da Terra entrou para o grupo Americanas em 2021, antes da revelação das inconsistências contábeis da ordem de mais de R$ 40 bilhões, muitas das quais sob suspeita de fraudes, que levaram a companhia à recuperação judicial.
Naquele momento pré-crise, a aquisição da Natural da Terra foi apresentada como parte de uma estratégia de expansão da Americanas para a categoria de alimentos frescos, um segmento com maior recorrência de compra e potencial de integração com o e-commerce.
A prioridade da Americanas, porém, mudou após a revelação do rombo bilionário e a entrada em recuperação judicial. A companhia passou a concentrar esforços na preservação de caixa, na renegociação com credores e na simplificação da estrutura operacional.
Para o Oba, o negócio amplia a sua presença em São Paulo, principal mercado do país e região em que redes de hortifruti e supermercados disputam consumidores de maior renda e tíquete médio mais alto.
O grupo já opera uma rede consolidada no segmento de frutas, legumes, verduras e produtos perecíveis, com posicionamento mais próximo do varejo alimentar especializado.
CSN começa a segunda fase da venda da CSN Cimentos; operação pode superar R$ 10 bilhões
A CSN deve dar início na próxima semana à segunda fase do processo de venda da CSN Cimentos, a segunda maior fabricante de cimento do Brasil. Nessa etapa, as interessadas enviam suas propostas formais. A informação foi confirmada ao InvestNews por uma fonte próxima à empresa.
A venda do controle da CSN Cimentos pode render mais de R$ 10 bilhões, segundo pessoas próximas à operação. Entre os interessados estão o Grupo Votorantim, a Polimix e as cimenteiras chinesas Anhui Conch, Huaxin Cement e Sinoma International.
A J&F, holding dos irmãos Batista, chegou a ser apontada como concorrente, mas teria desistido da disputa.
A Votorantim Cimentos, maior empresa de materiais de construção do Brasil e 7ª maior produtora de cimento do mundo em capacidade instalada, deve entrar no negócio por meio de um consórcio, segundo fonte familiarizada com o grupo. A estrutura contornaria eventuais restrições antitruste do Cade. Uma aquisição direta, dado o peso da empresa no setor, provavelmente seria barrada pelo regulador.
O Morgan Stanley atua como consultor financeiro da operação.
A venda da cimenteira é a mais relevante de um plano estruturado de alienação de ativos da CSN, que tem como meta levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões a partir de 2026.
O objetivo, segundo a empresa, é reduzir o endividamento do grupo, concentrar esforços nos segmentos de maior rentabilidade e, em até oito anos, atingir uma alavancagem sustentável em torno de 1 vez a relação dívida líquida/Ebitda — além de dobrar o Ebitda no período.
“Vamos resolver de uma vez por todas a alavancagem da CSN. Nunca nos comprometemos de maneira tão objetiva e pragmática para que isso ocorresse”, afirmou Benjamin Steinbruch, controlador e CEO da CSN, a investidores e analistas em janeiro, ao anunciar o plano.
Embraer vê combustível mais caro impulsionar demanda por jatos menores
A Embraer está mirando aumentar a produção de jatos comerciais no próximo ano, à medida que a alta dos preços dos combustíveis provocada pela guerra no Irã impulsiona a demanda por aeronaves mais eficientes.
A companhia tem a ambição de entregar até 100 jatos comerciais em 2027, quase 20% acima deste ano, afirmou o CEO Francisco Gomes Neto em entrevista em Nova York.
A fabricante brasileira manteve sua projeção de entregas de 85 jatos comerciais e entre 160 e 170 aeronaves executivas em 2026, mesmo com a persistente escassez de componentes como motores e partes da fuselagem.
A Embraer construiu seus negócios no mercado de jatos regionais, como a família E2, com capacidade entre 70 e 145 passageiros, além de um portfólio de aeronaves executivas para até cerca de 12 passageiros.
Avião maior
Agora, a empresa estuda como será seu futuro portfólio de produtos, disse Gomes Neto, incluindo a possibilidade de desenvolver um avião narrow-body maior, que competiria mais diretamente com os modelos A320, da Airbus, e 737, da Boeing.
A Embraer também pode decidir lançar um novo jato executivo, afirmou o executivo.
“Não queremos fracassar como outras empresas fracassaram no passado, então não estamos nos pressionando”, disse Gomes Neto, acrescentando que a Embraer não lançará dois novos projetos simultaneamente.
Por enquanto, os jatos E2 continuam no centro da estratégia da fabricante para atingir US$ 10 bilhões em receita até 2030, acima dos US$ 7,5 bilhões registrados em 2025.
Embora espere que os preços mais altos do combustível sustentem a demanda por aeronaves mais eficientes, Gomes Neto afirmou que a empresa ainda não observou um aumento relevante em novos pedidos.
A Embraer vê oportunidade para vender mais aviões na India e anunciou em janeiro um memorando de entendimento com o conglomerado do bilionário Gautam Adani para estudar a produção de jatos regionais no país. Em fevereiro, a companhia também informou que trabalharia com a Hindalco Industries para avaliar oportunidades de negócios na Índia.
Qualquer plano para construir uma linha de montagem final no país dependerá da conquista de pedidos para pelo menos 200 aeronaves, afirmou Gomes Neto.

Braskem Idesa dá mais um passo para pedir a recuperação judicial nos EUA
Se aqui no Brasil, a Braskem ainda tem conseguido evitar um pedido de recuperação extrajudicial ou judicial, em meio a um processo de mudança societária, no exterior, a joint venture mexicana Braskem Idesa está na iminência de recorrer ao Chapter 11, ou seja, entrar em um processo de recuperação judicial dentro das regras americanas.
Um do sinais de que o Chpater 11 está próximo é que a companhia está em fase avançada de negociação para um empréstimo de aproximadamente US$ 250 milhões, deve servir como suporte financeiro para o pedido de recuperação judicial. Esse dinheiro viria de parte dos próprios credores do grupo.
Segundo fontes próximas ao assunto, a companhia e seus assessores correm para estruturar o chamado financiamento DIP (debtor-in-possession), visando garantir fôlego para que a empresa possa aproveitar a recente melhora nas margens petroquímicas, impulsionada pelo cenário de conflitos no Oriente Médio.
Apesar do estágio das conversas, os interlocutores ressaltam que as negociações ainda estão em andamento e nenhuma decisão final foi tomada.
A joint venture entre a brasileira Braskem e a mexicana Grupo Idesa tenta reestruturar seu passivo há meses, após falhar no pagamento de juros de bônus globais com vencimentos em 2029 e 2032.
Essa pressão de caixa tem forçado a unidade a operar com capacidade reduzida, o que impediu a companhia de aproveitar plenamente a valorização do petróleo. Atualmente, os títulos com vencimento em 2029 ensaiam uma recuperação no mercado secundário, sendo negociados ligeiramente abaixo de 70 centavos de dólar, com um rendimento de cerca de 19,9%.
Petrobras faz reunião no México
O cenário também envolve a movimentação direta da Petrobras, uma das principais acionistas da Braskem no Brasil. Executivos da estatal brasileira estiveram recentemente no México para reuniões com a diretoria da Braskem Idesa, onde discutiram a estrutura do balanço da unidade e a futura relação comercial entre as empresas.
A aproximação coincide com a estratégia da CEO da Petrobras, Magda Chambriard, que confirmou em coletiva de imprensa o interesse em estreitar parcerias com a estatal mexicana Pemex. Questionadas, as companhias envolvidas e a Petrobras preferiram não se manifestar sobre os detalhes das conversas.
Para a Braskem, o impasse no México soma-se a uma série de desafios financeiros e jurídicos enfrentados pela matriz, como a crise ambiental decorrente da mineração de sal em Maceió e a longa espera pela venda da participação da Novonor (ex-Odebrecht). Enquanto tenta resolver o imbróglio da subsidiária mexicana, o mercado aguarda a divulgação dos resultados financeiros da companhia, prevista para ocorrer nesta quarta-feira.
‘Taxa das blusinhas’: como o fim do imposto impacta varejistas brasileiras
A concorrência das plataformas chinesas deve pesar ainda mais sobre o varejo brasileiro após o governo eliminar o imposto sobre compras internacionais de baixo valor.
A medida, assinada na terça-feira (12), derruba a alíquota extra de 20% sobre remessas internacionais até US$ 50 – a chamada “taxa das blusinhas”, em vigor desde agosto de 2024. A isenção já começa a valer nesta quarta-feira (13).
O imposto havia sido implementado para reduzir a vantagem competitiva de plataformas asiáticas como Shein, Shopee e Temu, que cresceram de forma agressiva no Brasil nos últimos anos.
Em relatório, analistas do BTG Pactual afirmaram que a mudança “reabre o debate sobre a assimetria competitiva” entre empresas brasileiras e marketplaces internacionais, e afeta especialmente empresas voltadas às classes média e baixa.
Antes da criação do imposto, mais de 18 milhões de encomendas internacionais de baixo valor entravam no Brasil mensalmente.
Após a taxação, o volume teria caído para 11 milhões mensais no fim de 2024, o que trouxe alívio num momento de queda de vendas das varejistas brasileiras. Mais recentemente, porém, as remessas já haviam voltado para uma faixa entre 15 milhões e 17 milhões por mês, com as plataformas absorvendo parte dos custos para manter os preços baixos.
Mesmo com o imposto, a Shein ainda operava com preços inferiores aos das varejistas brasileiras: 6% mais barata do que a Guararapes, dona da Riachuelo; 10% abaixo da Lojas Renner; e 13% abaixo da C&A.
Assimetria da ‘taxa das blusinhas’
A revogação da taxa foi recebida com críticas pelo varejo brasileiro. Em nota, o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) afirmou que a medida amplia a disparidade competitiva entre o produto importado e o fabricado no Brasil, que, segundo a entidade, paga hoje 92% de carga tributária.
Para o instituto, mesmo a alíquota de 20% não era suficiente para equilibrar a competição com plataformas estrangeiras. Segundo o IDV, se as compras internacionais de até US$ 50 não pagarem o imposto extra, os produtos nacionais nessa mesma faixa também deveriam ficar isentos.
“A assimetria hoje existe. E existem forças que querem que a assimetria seja ainda maior”, disse André Farber, CEO da Riachuelo, em entrevista ao InvestNews.
Varejo mais preparado
Apesar da avaliação negativa para o setor, o BTG afirma que o varejo brasileiro hoje está mais preparado para enfrentar a concorrência chinesa do que em 2023 e 2024, quando o avanço das plataformas asiáticas pegou as empresas locais de surpresa.
Segundo o relatório, varejistas brasileiras melhoraram a gestão de estoques, ficaram mais disciplinadas em promoções e remarcações, ajustaram cadeias de fornecimento e avançaram na integração entre lojas físicas e canais digitais.
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O banco também avalia que a disputa deixou de ser restrita ao vestuário. A competição das plataformas internacionais já avançou para categorias como produtos de beleza, acessórios eletrônicos, decoração e artigos esportivos.
Na visão dos analistas do BTG, o principal desafio agora será manter a melhora recente nas margens e na qualidade dos estoques sem perder participação de mercado em um ambiente novamente pressionado por preços baixos vindos do exterior.
Impacto fiscal
Segundo a Receita Federal, o governo arrecadou R$ 1,8 bilhão com impostos de importação sobre compras internacionais nos quatro primeiros meses de 2026. A equipe econômica estima uma perda fiscal de R$ 1,94 bilhão neste ano com a retirada da cobrança federal.
O impacto deve subir para R$ 3,54 bilhões em 2027 e R$ 4,24 bilhões em 2028, de acordo com dados da Subsecretaria de Administração Aduaneira.
A redução vale apenas para o tributo federal. O ICMS estadual sobre compras internacionais continua sendo cobrado normalmente.

McDonald’s dará nome ao novo estádio do Chicago Fire nos Estados Unidos
O McDonald’s vai dar nome ao novo estádio do Chicago Fire Football Club, em sua primeira parceria de naming rights com um grande estádio profissional nos Estados Unidos. A arena, batizada de McDonald’s Park, tem inauguração prevista para 2028 e está sendo construída na região do South Loop, às margens do Rio Chicago, ao sul do centro financeiro da cidade.
O projeto é financiado pelo proprietário do clube, Joe Mansueto, fundador da empresa de pesquisa de investimentos Morningstar, e fica próximo ao distrito financeiro da cidade e à sede global da McDonald’s. O estádio substituirá o atual uso do Soldier Field pelo Chicago Fire.
Com capacidade para mais de 22 mil torcedores em jogos de futebol e até 31 mil em shows e eventos especiais, o McDonald’s Park foi concebido como um espaço multiuso e de uso contínuo, com programação ao longo de todo o ano. Além das partidas do Chicago Fire na Major League Soccer (MLS), o local deve receber shows, eventos culturais, festivais, conferências e iniciativas comunitárias.
Diferentemente de um estádio tradicional, o projeto prevê integração direta com a marca McDonald’s, incluindo a instalação de um restaurante flagship dentro da arena e experiências gastronômicas e interativas ligadas ao universo da empresa. A companhia também terá participação ativa no desenho de experiências para torcedores, com ativações de marca, elementos criativos e ações durante os jogos.
Segundo o McDonald’s, a iniciativa busca conectar esporte, alimentação, cultura e comunidade, reforçando a ideia de que o estádio será um espaço de convivência urbana e não apenas de eventos esportivos. Em comunicado, o CEO da empresa, Chris Kempczinski, afirmou que o objetivo é “construir um lugar que sirva alegria, gere impacto e seja projetado para futuras gerações”.
O acordo também reforça a aposta da companhia no crescimento do futebol nos Estados Unidos e em sua cidade de origem, em um momento em que Chicago enfrenta desafios de atratividade econômica após a saída de grandes empresas e debates sobre segurança pública.
No campo social, a parceria prevê uma forte expansão de iniciativas comunitárias. A partir de 2027, a McDonald’s será parceira principal do programa P.L.A.Y.S. (Participate, Learn, Achieve, Youth, Soccer), voltado ao ensino de futebol em escolas públicas de Chicago. O projeto deve crescer de 70 escolas para cerca de 140 escolas até a abertura do estádio e pode alcançar mais de 280 escolas no longo prazo, com foco em comunidades de baixa renda.
Pazes com Chicago
O estádio ficará em uma área de desenvolvimento urbano que inclui praças públicas e novos empreendimentos residenciais e comerciais, com o objetivo de impulsionar a economia local e criar um novo polo de atividades no South Loop. O McDonald’s não divulgou os termos financeiros detalhados do acordo.
O jornal americano Wall Street Journal destacou que o contrato, válido até 2040, marca uma reaproximação da McDonald’s com sua cidade de origem após um período de tensões.
Nos últimos anos, a empresa expressou preocupações com os rumos de Chicago. Em 2022, o CEO Chris Kempczinski criticou a falta de liderança no enfrentamento da criminalidade na cidade. “Há uma percepção geral de que nossa cidade está em crise”, afirmou em discurso no Economic Club of Chicago.
No ano passado, a companhia também se opôs a uma proposta de imposto empresarial apoiada pelo prefeito Brandon Johnson. Em um artigo publicado no Chicago Tribune, um executivo sênior afirmou que, embora Illinois faça parte da história da empresa desde o início, “no fim das contas, as corporações têm escolha sobre onde se estabelecer”.
O texto alimentou especulações no setor de que a McDonald’s poderia deixar Chicago, como já fizeram outras empresas. O conselho da cidade acabou rejeitando a proposta de imposto.
A McDonald’s tem suas origens em um restaurante fundado em San Bernardino, na Califórnia, e cresceu globalmente sob a liderança de Ray Kroc, que abriu uma unidade em um subúrbio de Chicago em 1955. A empresa foi sediada na cidade entre 1955 e 1971, quando se mudou para um subúrbio, e retornou ao centro de Chicago em 2018.
Segundo a reportagem do WSJ, os acordos de naming rights em estádios da MLS variam de dezenas de milhões a mais de US$ 100 milhões.
O Chicago Fire iniciou a busca por um parceiro de naming rights há cerca de seis meses, avaliando centenas de potenciais patrocinadores. O McDonald’s apareceu no topo da lista por sua presença local e valores compartilhados, segundo o presidente de operações comerciais do clube, Dave Baldwin.

Crise sanitária da Ypê testa marca familiar brasileira que concorre com gigantes globais
A Química Amparo, dona da Ypê, enfrenta uma das maiores crises de sua história de mais de 75 anos.
É uma crise que se instalou no dia 7 de maio, quando o grupo familiar recebeu uma determinação da Anvisa para recolher milhares de produtos de limpeza por causa de risco de contaminação bacteriana constatado na sua fábrica em Amparo, no interior de São Paulo.
A decisão chegou justamente no momento em que as categorias em que a empresa construiu liderança cresciam no ritmo mais acelerado dos últimos anos.
A Ypê é um caso raro para uma marca nacional: está presente em 95% dos lares brasileiros, segundo dados da consultoria Kantar. Em penetração de mercado, só perde para a Coca-Cola, absoluta no mercado de refrigerantes.
A história da Química Amparo remonta a 1950, ano de sua fundação na cidade a 129 quilômetros de São Paulo, na região conhecida como Circuito das Águas. Fundada por Waldyr Beira, a companhia atravessou três gerações da família até se tornar uma das maiores fabricantes nacionais de produtos de limpeza.

Depois da morte do fundador, em 1998, os filhos assumiram o negócio. Waldir Beira Jr. ficou no comando executivo. Os irmãos Jorge Eduardo Beira, que é diretor de operações, e Antonio Ricardo, além da mãe, Ana Maria Veroneze Beira, integram o conselho de administração.
Em 2025, Eduardo Beira passou a fazer parte do conselho, representando a terceira geração da família no negócio.
A estrutura ainda carrega forte presença familiar, mas com sinais de profissionalização. O conselho tem cinco membros da família e quatro independentes. É presidido por Andrea Salgueiro Cruz Lima, ex-CEO da Whirlpool no Brasil.
Sob Waldir Jr., a Química Amparo entrou em um ciclo longo de expansão. Comprou a marca Atol e sua fábrica na Bahia, incorporou a Perfex e a Assolan com uma planta em Goiânia e montou uma rede fabril com sete unidades, em São Paulo, Bahia, Goiás, Minas Gerais e Pernambuco.
A aposta mais recente foi no Norte e no Nordeste. Em 2023, a empresa inaugurou uma fábrica em Itapissuma, em Pernambuco, com investimento de R$ 420 milhões. A unidade reforçou a estratégia de crescer em regiões em que algumas categorias de limpeza ainda têm menor penetração.
“É um mercado que estimamos que crescerá a taxas maiores do que as do Brasil, porque alguns produtos ainda não têm nível de penetração iguais ao do Sul e Sudeste. Vemos um potencial de mercado maior”, disse Waldir Jr. ao Valor em 2020.
Até 2019, a Química Amparo faturava cerca de R$ 4 bilhões. Hoje seu faturamento é estimado em R$ 10 bilhões por ano, em uma estrutura com mais de 7.300 funcionários e marcas que vão da Ypê à Assolan, do Tixan ao Banho a Banho.
Em Amparo, a presença da família vai além da fábrica.
A Química Amparo é uma das principais mantenedoras da Santa Casa local e de outras entidades assistenciais da cidade. Por meio do Instituto Ypê, coordena projetos socioambientais na região, incluindo iniciativas de reflorestamento com a árvore que dá nome à marca.
Briga com gigantes globais
A Ypê conseguiu se destacar em um setor dominado no Brasil por multinacionais. A Unilever, líder de mercado, é dona de marcas globais como Omo, Comfort e Cif. A P&G tem o Ariel e o Downy. A Reckitt é dona do Veja e do Vanish.
O Brasil é o quarto maior mercado mundial na categoria, segundo dados da Abipla, a associação do setor. Mas lida com um mercado paralelo relevante.
Entre 14% e 20% dos produtos de limpeza vendidos no país circulam fora do mercado formal, segundo estimativa da Abipla. É reflexo tanto da pressão financeira sobre o consumidor quanto da baixa barreira de entrada para fabricar produtos como detergente.
Nesse cenário, a Química Amparo ocupa uma posição singular. É uma fabricante brasileira de grande porte competindo com gigantes globais. Entre as empresas nacionais, concorrentes como Bombril, Flora – que faz parte da J&F, a holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista – e Limppano têm presença relevante, mas operam em escala menor.
A estratégia da Ypê foi construída com foco nas classes B e C, preço acessível e distribuição capilar. A marca chega ao pequeno mercado de bairro com a mesma eficiência com que abastece grandes redes de atacarejo.
No segmento de detergentes lava-louças, sua fatia é estimada em quase 40% do mercado nacional — mais que o dobro da segunda colocada, a Limpol, marca da Bombril, com 19%. Em sabão em barra, também lidera.
Um executivo do setor que já comandou uma grande concorrente da Química Amparo, e que conversou com o InvestNews em caráter reservado, resume a percepção do mercado: a Ypê sempre foi vista pelos rivais como um player com padrão alto de qualidade.
O momento favorável do setor
A crise chegou quando o vento soprava a favor das vendas do setor.
O mercado de detergentes lava-louças movimentou R$ 3,6 bilhões em 2025, ante R$ 2,9 bilhões em 2023 — crescimento de 25% em dois anos, segundo a Euromonitor. A projeção é que chegue a R$ 4,7 bilhões até 2028.
O sabão líquido para roupas também cresce. O mercado passou de R$ 2,5 bilhões para R$ 2,8 bilhões no mesmo período, com projeção de R$ 3,6 bilhões em 2028. É o reflexo de uma migração em curso do sabão em pó, categoria que encolheu de R$ 11,3 bilhões para R$ 9,3 bilhões em dois anos.
A inspeção da Anvisa, em conjunto com as vigilâncias sanitárias estadual e municipal de Amparo, encontrou, segundo a agência, descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, incluindo falhas nos sistemas de garantia de qualidade e controle. O risco era de contaminação microbiológica.
O Fantástico, da Globo, revelou imagens da inspeção com equipamentos com marcas de corrosão e restos de produtos sendo devolvidos às linhas de envase. Pessoas próximas à empresa, ouvidas pelo InvestNews, afirmam que as imagens mostram áreas fora de uso.
Não foi o primeiro problema do tipo. Em 2024, a Anvisa determinou recolhimento de lotes da Ypê por risco de contaminação microbiológica. Em novembro de 2025, a própria empresa fez um recolhimento voluntário ao identificar a bactéria Pseudomonas aeruginosa em lotes de lava-roupas.
Em 2026, segundo a Anvisa, o problema deixou de ser pontual. A agência afirma ter encontrado falhas nas Boas Práticas de Fabricação — o conjunto de normas mínimas exigidas de qualquer fábrica do setor.
A empresa contesta essa avaliação, diz ter laudos técnicos que atestam a segurança dos produtos e classificou a medida como arbitrária e desproporcional.
A Química Amparo recorreu e obteve efeito suspensivo, voltando a ter autorização para produzir e comercializar os produtos. Ainda assim, decidiu manter parada a produção da fábrica de líquidos.
A Anvisa manteve sua avaliação técnica e sua recomendação de não usar os produtos. A diretoria colegiada da agência deve julgar o recurso da empresa nesta quarta-feira (13).
Em reunião com a Anvisa na terça (12), a Ypê afirmou que suas equipes de Amparo intensificaram o trabalho para atender a 239 ações corretivas com o objetivo de cumprir as exigências da vigilância sanitária. As medidas consideram também inspeções realizadas em 2024 e 2025.
Da crise sanitária à disputa política
Mas a crise da Ypê não ficou circunscrita ao campo da análise técnica. Nas redes sociais, o caso ganhou conotação política. Isso porque, em 2022, três membros da família Beira doaram juntos R$ 1 milhão à campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A proximidade com Bolsonaro gerou reações de boicote à marca por parte de consumidores naquele período. Segundo pessoas próximas à companhia, a família decidiu se manter à margem da disputa eleitoral em 2026.
A crise sanitária, porém, arrastou a marca mais uma vez para os embates políticos nas redes sociais.
Figuras ligadas à direita enquadraram rapidamente o caso como suposta perseguição da Anvisa a uma empresa que apoiou Bolsonaro no passado, com vídeos de políticos lavando louça com o detergente da companhia.
Do outro lado, consumidores relatam nas redes casos de mau cheiro nos produtos e irritações nas mãos.
Para Felipe Carreirão, analista sênior da Euromonitor, essa sobreposição entre crise sanitária e disputa política cria um problema específico de comunicação. Fica difícil para o consumidor separar o que é avaliação técnica do que é narrativa ideológica.
O teste de fidelidade
Independentemente do caráter técnico e político do caso, há um desafio logístico imediato.
O que está nas gôndolas dos supermercados pode ser retirado pela empresa com relativa facilidade. O que já está na casa do consumidor… nem tanto. Esses são produtos de alto giro, que estão presentes em milhões de lares. E essa capilaridade torna o recolhimento caro e lento, relatam executivos do setor.
E aí vem o teste de fidelidade à marca. Carreirão, da Euromonitor, aponta que detergente lava-louças é exatamente uma categoria em que a lealdade de marca é mais frágil, por causa de suas características preço baixo, diferença mínima entre produtos e barreira de troca quase zero.
O consumidor forçado a experimentar outra marca pode não voltar. Nos últimos anos, marcas regionais vêm ganhando espaço no varejo brasileiro, impulsionadas pela pressão da inflação e por preços mais acessíveis — e estão bem posicionadas para capturar esse fluxo. A crise pode acelerar esse movimento.
Há, por outro lado, um contrapeso. Carreirão lembra que o brasileiro tem uma relação afetiva com o cheiro dos produtos de limpeza. O perfume do lava-louças, do lava-roupas e do desinfetante cria um vínculo que a lógica de preço não explica totalmente.
Quem trocou pode voltar simplesmente porque sentiu falta do cheiro de sempre. E, pondera o analista, a Ypê tem força de distribuição e penetração no varejo que poucos concorrentes conseguem igualar.
A Química Amparo não respondeu ao pedido de entrevista do InvestNews.

Escritório de arquitetura ou engenharia: é melhor ter funcionários CLT ou contratar PJs?
Para um pequeno escritório de arquitetura ou engenharia, a lógica de contratação de mão de obra parece óbvia. Em empresas que tocam projetos com começo, meio e fim, a ideia de ter o mínimo possível de funcionários CLT e contratar profissionais PJ conforme a demanda parece a opção mais vantajosa.
Mas a conta não fica só no custo operacional. Para empresas enquadradas no Simples Nacional, a escolha entre contratar CLTs, fechar parcerias com outras PJs ou recrutar freelancers afeta diretamente a carga tributária, a margem de lucro e os riscos jurídicos do negócio.
Afinal, o que é melhor: contar com funcionários CLT ou contratar outras pessoas jurídicas na hora de executar os projetos? A verdade é que cada caso exige fazer contas – mas, do ponto de vista tributário, ter uma folha fixa mais alta pode não ser um problema.
O ‘lado bom’ de uma folha alta
Via de regra, escritórios de arquitetura e engenharia têm a tributação mais cara do Simples. Eles são enquadrados no chamado Anexo V, com alíquota inicial de 15,5% sobre o faturamento.
Isso vale para quem tem receita pequena, de até R$ 180 mil por ano.
Quando o faturamento aumenta, as alíquotas crescem também – e rápido. Se seu escritório fatura R$ 200 mil por ano, já entra na faixa de 18%. E assim vai até o teto, de 30,5%, para aqueles com receita de R$ 3,6 milhões a R$ 4,8 milhões.
A boa notícia é que a legislação abre uma brecha para que esse tipo de empresa migre para o Anexo III do Simples, em que as alíquotas começam em 6% – bem mais palatáveis. Isso é possível quando o gasto com a folha de pagamento é alto em comparação com o faturamento da empresa.
Mas alto quanto? Entra aí o “Fator R”, um indicador que mede essa relação. Pela fórmula, basta dividir o valor da folha da empresa nos últimos 12 meses pela receita bruta no mesmo período. Já explicamos o funcionamento do indicador em detalhes nesta reportagem do Descomplica PJ.
Na folha entram os salários dos funcionários CLT, o pró-labore dos sócios e os encargos trabalhistas, como FGTS e INSS. Se o “Fator R” der 0,28 (28%) ou mais, o escritório pode migrar para o Anexo III e pagar um imposto mais baixo. Se ficar abaixo, precisa permanecer no Anexo V, com tributação mais alta.
Pagamentos a PJs ou freelancers não entram na conta. Portanto, se sua empresa só contrata dessa forma, o gasto com a folha fica baixo e ela não pode pleitear uma tributação menor.
Há também o risco jurídico, considerado grave. Se a contratação da PJ mascarar uma relação de emprego – em que existe subordinação, exigência de pessoalidade e dependência econômica -, o escritório fica exposto a potenciais processos trabalhistas.
Em resumo sobre as diferentes modalidades:
- Funcionário CLT: Embora gere mais custos diretos de contratação (com FGTS, férias, 13º salário, entre outros), essa despesa compõe a massa salarial. Na prática, ter funcionários no regime CLT ajuda a estabilizar o Fator R em 28%, e isso permite migrar para alíquotas mais baixas no Simples.
- PJ parceira: Esse regime não influencia o “Fator R”, pois os pagamentos são considerados serviços prestados por terceiros e entram apenas como despesa operacional da empresa, não gasto com folha.
- Freelancer pessoa física: Neste caso, além de não contar para o “Fator R”, o escritório ainda é obrigado a recolher 20% de INSS patronal sobre o valor pago ao profissional.
A diferença de custo em um exemplo
Nada melhor que um exemplo para entender o impacto real do “Fator R”. Imagine um escritório de arquitetura ou engenharia com faturamento mensal de R$ 50 mil (R$ 600 mil ano) , com custo fixo de R$ 14 mil por mês com equipe.
No primeiro cenário, o escritório só contrata PJs para executar os projetos – ou seja, os R$ 14 mil mensais entram como despesas operacionais e não compõem a folha de pagamento. Como o “Fator R” não alcança 28%, o escritório se mantém no Anexo V.
Com isso, a empresa cairia na alíquota de 19,5% do Simples. Descontando deduções possíveis, seu gasto com impostos seria de R$ 8.925 por mês.
No segundo cenário, o escritório contrata funcionários no regime CLT e gasta os mesmos R$ 14 mil por mês com a folha de salários. Nesse caso, o “Fator R” atingiria exatamente 28% e a empresa poderia migrar para o Anexo III, com tributação menor. A alíquota do Simples seria de 13,5% e o gasto com impostos, depois de deduções, cairia para R$ 5.280 por mês.
A diferença entre fazer 100% das contratações no regime PJ e 100% no regime CLT geraria, nesse caso, uma economia de R$ 3.645 por mês no imposto do Simples. “Portanto, antes de fechar uma contratação, o cálculo na ponta do lápis deve envolver não só o RH mas também o planejamento tributário”, diz Milton Fontes, sócio do Peixoto & Cury Advogados.
Um ponto de atenção
A comparação ajuda a entender o contexto tributário, mas exige cautela. Os mesmos R$ 14 mil mensais permitem montar estruturas diferentes dependendo do modelo de contratação. E, embora a comparação tributária favoreça o regime CLT, esse modelo e o PJ não são equivalentes em custos, disponibilidade da equipe, flexibilidade operacional e risco jurídico.
No regime CLT, o valor total engloba o salário do profissional mas também encargos como FGTS, férias, 13º salário, INSS patronal e outros custos trabalhistas. O valor líquido recebido pelo funcionário é bem menor do que o desembolso total da empresa.
Já na contratação por PJ, os R$ 14 mil chegariam de forma muito mais direta ao prestador de serviço – e, por isso, talvez fosse possível contratar dois no lugar de um, por exemplo. Em compensação, a dinâmica da relação também muda: o escritório não pode exigir a subordinação típica de um vínculo de emprego, como controle de horário, exclusividade ou dedicação contínua.
Como melhorar o “Fator R” sem inchar a equipe?
Essa dinâmica tributária não é exclusividade de escritórios de arquitetura ou engenharia. Ela se aplica a muitas outras atividades sujeitas ao “Fator R” e descritas na resolução do Simples. Confira a lista completa aqui.
Segundo Fontes, para melhorar o “Fator R” e garantir o enquadramento em uma alíquota mais baixa, sem necessariamente inchar a equipe de funcionários, uma estratégia legítima é aumentar o pró-labore dos sócios, pois esse valor também entra na folha de pagamento.
Mas Fontes alerta que é preciso fazer contas: deve-se calcular o peso da contribuição ao INSS e do Imposto de Renda sobre o novo valor do pró-labore para garantir que o gasto com esses tributos na pessoa física seja menor do que a economia gerada no imposto da empresa.
O cenário que costuma fazer mais sentido, equilibrando imposto, margem e risco jurídico, segundo Fontes, é a adoção de um modelo híbrido. “O escritório deve manter a contratação CLT e o pró-labore suficientes para garantir o Fator R acima de 28%, utilizando profissionais PJ apenas para projetos específicos e parcerias técnicas genuínas”, afirma.
No Descomplica PJ, cobertura do InvestNews voltada para esclarecer dúvidas de empreendedores, você tem informação rápida e objetiva para tomar decisões com mais segurança e evitar erros que podem custar caro. Se é dono ou dona de empresa e tem dúvidas sobre tributação, envie sua pergunta para redacao@investnews.com.br.
Bloqueio brasileiro à Kalshi e Polymarket frustra planos da bilionária Luana Lopes Lara
A decisão do governo brasileiro de bloquear o acesso às principais plataformas de mercados de previsão atinge em cheio uma das bilionárias mais jovens do mundo: a brasileira Luana Lopes Lara, de 29 anos, cofundadora da Kalshi, que vinha articulando a entrada da empresa no país.
“O Brasil é muito importante para mim, dado que sou brasileira”, disse Lopes Lara em entrevista ao Valor Econômico no fim do ano passado. “Eu realmente quero que a gente vá para lá.”
O governo, no entanto, anunciou na sexta-feira (24) o bloqueio de 28 plataformas, entre elas a Kalshi e a americana Polymarket, sob a justificativa de que ofertam “apostas ilegais”, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
A medida foi formalizada em resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), que entra em vigor em 4 de maio e proíbe a oferta no país de contratos derivativos atrelados a eventos esportivos, jogos online, resultados eleitorais, culturais ou sociais.
Para o setor, é um golpe num plano de expansão global desenhado nos últimos meses, depois do crescimento explosivo desse mercado nos Estados Unidos. Para Luana, é também um revés pessoal: a entrada no Brasil era apresentada por ela como prioridade estratégica e simbólica.
Do balé ao MIT
Luana treinou balé clássico no Brasil antes de se mudar para os Estados Unidos para estudar matemática e ciência da computação no Massachusetts Institute of Technology (MIT).
Em 2018, junto com o iraniano Tarek Mansour, fundou a Kalshi, primeira plataforma a obter licença federal nos EUA para operar mercados de eventos como instrumentos financeiros regulados.
A aposta da dupla era pavimentar o caminho regulatório que rivais como a Polymarket, sediada em paraísos offshore, evitavam. Com o boom dos prediction markets durante a eleição americana de 2024, a estratégia se mostrou rentável.
A Kalshi captou rodadas a valuations crescentes ao longo de 2025, e Luana entrou para a lista de bilionárias self-made da Bloomberg, com patrimônio estimado em US$ 2,1 bilhões.
Os mercados de previsão
Plataformas como Kalshi e Polymarket permitem que usuários comprem e vendam contratos atrelados ao “sim” ou “não” de eventos futuros, das mais variadas naturezas: quem vence uma eleição, qual filme leva o Oscar, qual será o índice de inflação do mês, quando o Federal Reserve (Fed) corta juros.
Os preços flutuam conforme a probabilidade percebida pelo mercado, e quem acerta o desfecho recebe US$ 1 por contrato.
Os fundadores defendem que se trata de instrumentos financeiros, não jogo, porque permitem hedge contra eventos reais. Reguladores ao redor do mundo, no entanto, têm tratado a categoria com crescente desconfiança. França, Hungria e Portugal já restringiram o acesso à Polymarket nos últimos anos.
Brecha regulatória
A resolução do CMN deixa uma janela aberta. Estão permitidos contratos atrelados a indicadores econômicos e financeiros previamente definidos, como índices de preços, taxas de juros e câmbio.
É exatamente o terreno em que a Kalshi vinha articulando uma parceria com a XP Investimentos, anunciada em janeiro como início da expansão internacional da empresa.
A parceria permite que usuários brasileiros façam apostas de “sim” ou “não” sobre eventos econômicos, processadas pela interface da XP e pela corretora americana do grupo, e não pelo site da Kalshi, agora bloqueado. A XP não comentou. A própria Kalshi disse, em nota, que analisa a decisão.
A B3, por sua vez, vinha estudando lançar contratos próprios desse tipo. Já confirmou, para esta segunda-feira (27), seis novos derivativos atrelados ao Ibovespa, ao real e ao bitcoin.
Avaliava também produtos sobre eleições, hipótese agora vetada pela nova regulação, às vésperas da disputa de outubro entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro, que pesquisas recentes mostram empate técnico.

Engie prepara oferta de até R$ 10 bilhões para financiar compra de hidrelétrica
A geradora de energia Engie Brasil está trabalhando com o Itaú BBA e o Santander em uma oferta adicional de ações de até R$ 10 bilhões de reais, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
A oferta é esperada para meados do ano e mais bancos podem se juntar para ajudar na venda das ações, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas ao discutir informações não públicas.
Os recursos ajudariam a financiar a aquisição de uma participação de 40% na usina Jirau da acionista controladora da Engie, a Engie Brasil Participações.
Nenhuma decisão final foi tomada sobre o negócio e os planos podem mudar, disseram as pessoas.
Representantes da Engie, do Itaú e do Santander se recusaram a comentar.
A Engie disse, em dezembro, que o conselho de administração autorizou medidas para avaliar a viabilidade da compra de uma participação de 40% na Jirau, segundo comunicado divulgado na época.
A Jirau é uma empresa de energia elétrica que detém a concessão da usina hidrelétrica de Jirau, localizada no rio Madeira, no estado de Rondônia, com 3.750 megawatts de capacidade instalada.

JHSF compra terminal de aviação executiva em Miami e reforça expansão internacional
A JHSF anunciou, nesta segunda-feira (27), a aquisição do FBO (Fixed Base Operator) Embassair, um ativo de infraestrutura voltado ao atendimento de clientes de aviação executiva localizado no Opa-Locka Executive Airport, em Miami, nos Estados Unidos.
A operação, cujo valor não foi divulgado, foi realizada por meio do JHSF Capital FBOs Fund LP, fundo internacional recém-constituído e gerido pela JHSF Capital, que tem a própria companhia como investidora majoritária.
30 minutos de Miami
O terminal já está em operação e oferece uma plataforma integrada de serviços ininterruptos, com funcionamento 24 horas, incluindo abastecimento de combustíveis, serviços aeronáuticos e atendimento a passageiros, além de infraestrutura de hangares com potencial de expansão futura.
Localizado a cerca de 30 minutos do centro de Miami, o aeroporto foi escolhido por sua relevância no mercado de aviação executiva e por sua conexão com rotas internacionais frequentes a partir do São Paulo Catarina Aeroporto Executivo, o que pode gerar sinergias operacionais para a companhia.
Há ainda a previsão de implementação de controle migratório no próprio terminal, por meio do U.S. Customs and Border Protection (CBP), órgão responsável pela imigração e alfândega nos Estados Unidos, o que deve elevar o nível de conveniência para voos internacionais ao permitir que passageiros realizem todo o processo no próprio local.
A aquisição está alinhada à estratégia da JHSF de ampliar sua presença internacional e fortalecer sua atuação em ativos de alto padrão com geração de receita recorrente. Nesse contexto, a operação em Miami representa mais um passo no processo de internacionalização da companhia.
Fasano no exterior
No começo deste mês, a JHSF anunciou no começo deste mês um acordo para adquirir 100% da Baluma, dona do complexo Enjoy Punta del Este, no Uruguai. O plano é transformar o ativo em um projeto multiuso de alto padrão, com shopping, hotel Fasano, cassino e unidades residenciais, aprofundando a presença do grupo no país, onde já atua há mais de 15 anos. A transação ainda depende de aprovações regulatórias e antitruste.

O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla de crescimento da marca Fasano no exterior. Atualmente, a companhia tem dois hotéis fora do Brasil — em Punta del Este e Nova York — e outros projetos em desenvolvimento em destinos como Londres, Miami, Portugal, Itália (Sardenha) e novamente no Uruguai. Em fevereiro, a empresa também anunciou a compra de um edifício histórico em Milão para conversão em hotel.
Com um portfólio que inclui ainda shoppings, aeroporto executivo e empreendimentos residenciais e de lazer, a JHSF vem ampliando sua diversificação de receitas. No quarto trimestre de 2025, a área de Hospitalidade e Gastronomia respondeu por 17,8% do resultado operacional recorrente, enquanto shoppings lideraram com 40,1%, seguidos pelo aeroporto (21,4%) e pelos segmentos de residências e clubes (20,7%).

Como Apple, Google e Amazon sufocaram uma lei antimonopólio na Califórnia
Apple, Google e Amazon derrubaram em pouco mais de um mês uma proposta de lei na Califórnia que poderia obrigá-las a parar de privilegiar seus próprios produtos em detrimento dos concorrentes — como fazem na App Store, no Google Search e nos resultados de marketplace da Amazon. A ofensiva, capitaneada pela Câmara de Comércio do estado e pelo grupo setorial Chamber of Progress, enterrou o chamado Based Act antes mesmo de ele ganhar tração legislativa.
O projeto havia nascido de uma aliança incomum entre defensores da “little tech” — liderados pela aceleradora Y Combinator e o vasto ecossistema de startups que ela apoia — e grupos de defesa do consumidor. Foi patrocinado pelo senador estadual Scott Wiener, democrata de São Francisco e uma das principais vozes em regulação de tecnologia na Califórnia, que o modelou a partir das normas antitruste europeias que as grandes empresas resistem há anos.
“Eles absolutamente inundaram o Capitólio de lobistas para atacar o projeto e espalhar desinformação”, disse Wiener, que concorre a uma vaga no Congresso federal. “Foi uma maré de lobbying, e estávamos em clara desvantagem”.
Diferente do Brasil, o exercício do lobbying é legalizado nos Estados Unidos.
A ofensiva avassaladora evidencia a poderosa máquina de influência que as maiores empresas de tecnologia do mundo montaram para barrar projetos que ameacem seus negócios — em especial no estado mais populoso dos EUA, onde novas leis podem forçar mudanças de alcance nacional ou global.
O Based Act se assemelhava às regulações antitruste europeias que as empresas resistem há anos e que podem custar dezenas de bilhões de dólares anuais ao setor, segundo algumas estimativas. Só nos últimos dois anos, a Comissão Europeia aplicou mais de US$ 7 bilhões em multas às grandes empresas de tecnologia.
“As empresas estão muito preocupadas que essas regulações não cheguem aos Estados Unidos”, disse Joseph Coniglio, pesquisador antitruste do think tank Information Technology and Innovation Foundation, financiado pelo setor. “Isso arriscaria mudar fundamentalmente a forma como elas operam na economia digital.”
Minutos depois de Wiener começar a apresentar o projeto, em 18 de março — antes mesmo de terminar seu discurso —, a Chamber of Progress já havia divulgado uma nota atacando a proposta.
O grupo, do qual fazem parte o Google (Alphabet), a Amazon e a Apple, mobilizou ligações de eleitores para os gabinetes dos parlamentares, argumentando que o projeto poderia degradar produtos populares como o Google Search e a App Store da Apple. O grupo veiculou anúncios afirmando que a lei tornaria os resultados de busca “menos úteis”, as entregas “mais lentas” e os celulares “menos seguros”.
A Y Combinator e outros tentaram, sem sucesso, contrariar essa narrativa. Argumentaram que as empresas estavam exagerando os impactos sobre seus negócios e disseminando inverdades sobre os custos potenciais para os consumidores.

Não foi a primeira vez que as grandes empresas derrotaram o movimento da “little tech“. Por dois anos, Google, Apple, Amazon e Meta formaram uma frente unida e gastaram mais de US$ 100 milhões em lobbying e publicidade para enterrar o American Innovation and Choice Online Act — um projeto federal bipartidário semelhante ao Based Act — em 2022. Empresas menores como Yelp, DuckDuckGo e Proton AG apoiaram ambos os projetos.
Quando o Based Act de Wiener emergiu, a rede de grupos e lobistas das grandes empresas de tecnologia reaproveitou parte do material utilizado para derrubar a legislação federal e se opor às regulações europeias. Cinco diferentes organizações setoriais ligadas à big tech trabalharam contra o projeto — uma frente inusualmente coesa para grupos que, nos últimos anos, haviam se dividido em diversas questões.
As próprias empresas também intervieram diretamente, um passo raro para um projeto estadual em fase tão inicial. Kent Walker, presidente de assuntos globais do Google, afirmou que o projeto era “ainda pior” do que regulações similares aprovadas pela União Europeia. O setor chegou a mobilizar lobistas da indústria aérea contra o texto, alegando que ele poderia prejudicar a capacidade do Google de direcionar tráfego para os sites das companhias.
Uma das principais testemunhas a depor contra o projeto — uma residente da Califórnia que disse que a medida poderia prejudicar seu pequeno negócio — era apoiada pelo Connected Commerce Council, grupo financiado pelas grandes empresas de tecnologia.
O pequeno empresário Jerick Sobie afirmou, em entrevista, que o Connected Commerce Council — que recebe recursos da Amazon e do Google — o informou sobre o projeto e pediu que testemunhasse. O grupo reembolsou suas despesas. Sobie disse que enxerga o financiamento como um “mal necessário”, já que pequenas empresas geralmente não têm recursos para fazer lobbying.
O Connected Commerce Council, o Google e a Amazon não responderam a pedidos de comentário.
O projeto foi rejeitado em 20 de abril, após derrota em votação numa comissão legislativa dedicada a privacidade — aprovado na semana anterior pela comissão presidida pelo próprio Wiener.

O senador estadual Christopher Cabaldon, democrata que preside a comissão de privacidade, ressaltou a importância do setor de tecnologia para a Califórnia.
“Muitas pessoas trabalham ali, há uma grande arrecadação de impostos, comunidades inteiras fundadas sobre esse setor”, disse Cabaldon em entrevista. “Nossa missão é proteger a privacidade e os consumidores, mas também levar em conta — como fazemos com Hollywood ou com a indústria vinícola no meu distrito — a tecnologia como uma indústria fundamental da Califórnia.”
Cabaldon, porém, tem vínculos com a Chamber of Progress por meio da organização política democrata NewDEAL. Diversas pessoas ligadas à NewDEAL, incluindo sua fundadora Helen Milby, integram o conselho consultivo da Chamber of Progress. Cabaldon recusou-se a comentar sobre a entidade.
Após a votação, Ben Golombek, dirigente da Câmara de Comércio da Califórnia, celebrou o resultado em mensagem interna, descrevendo-o como um “verdadeiro trabalho de equipe” para derrotar o projeto, segundo uma cópia do e-mail obtida pela reportagem. Golombek pediu que os destinatários “agradecessem” aos parlamentares que votaram contra.
“A Câmara de Comércio da Califórnia se opôs ao Projeto de Lei 1074 por entender que ele prejudicaria empresas de todos os portes e os consumidores californianos”, disse a entidade em nota. “Como é prática de outras organizações de representação, a CalChamber rotineiramente elogia legisladores que compartilham nossas posições.”
Golombek encerrou sua mensagem pedindo aos aliados que permanecessem “vigilantes”, observando que Wiener é “incansável” e poderia tentar ressuscitar a proposta pela via da Assembleia Estadual. Wiener é favorito para conquistar a cadeira no Congresso federal deixada vaga pela ex-presidente da Câmara Nancy Pelosi.
Perguntado se tentaria retomar o projeto por meio de manobras legislativas, Wiener respondeu: “Aguardem.”
Sócia da Raízen, Shell paga US$ 16,4 bilhões por petroleira canadense
A Shell, sócia da Cosan na Raízen, anunciou nesta segunda-feira (27) a compra da canadense ARC Resources num negócio avaliado em US$ 16,4 bilhões, incluindo a assunção de US$ 2,8 bilhões em dívida líquida.
É a maior aquisição da petroleira britânica desde 2016, quando comprou a BG Group, e marca uma virada estratégica do grupo em direção ao Canadá, num momento em que a guerra entre Estados Unidos e Irã encareceu os ativos do Oriente Médio.
Pelos termos do acordo, os acionistas da ARC, sediada em Calgary, receberão CAD 32,80 por ação, sendo 75% em ações da Shell e 25% em dinheiro. O preço representa prêmio de 27% sobre o fechamento da ARC na bolsa de Toronto na sexta-feira (24) anterior à divulgação. O valor patrimonial da ARC ficou em US$ 13,6 bilhões.
A operação adiciona ao portfólio da Shell cerca de 370 mil barris de óleo equivalente por dia, dois bilhões de barris em reservas provadas e prováveis e 1,5 milhão de acres na bacia de Montney, formação de xisto que ocupa parte da Columbia Britânica e de Alberta.
Combinada aos 440 mil acres que a Shell já operava na região, a aquisição transforma a empresa em um dos maiores produtores de gás natural e líquidos da Montney. “Isto estabelece o Canadá como um heartland para a Shell”, disse o presidente-executivo Wael Sawan em comunicado, em referência aos núcleos operacionais estratégicos da empresa.
A produção total da Shell deve passar de uma taxa de crescimento anual de 1% para 4% até 2030 com a incorporação dos ativos.
Virada de chave
A movimentação representa uma virada da própria Shell em relação ao Canadá. Em 2017, a empresa havia se desfeito de boa parte de sua posição no país, vendendo ativos nas areias betuminosas de Alberta.
Agora, faz o caminho inverso, sob a justificativa de que os recursos da Montney são “de baixa intensidade de carbono”, o que ajuda a empresa a reconciliar o crescimento da produção com seus compromissos de transição energética.
A integração com o LNG Canada, projeto de gás natural liquefeito da Columbia Britânica do qual a Shell é principal acionista, é peça central do racional do negócio. Os contratos da ARC já vinculam parte de sua produção de gás aos preços internacionais de LNG, o que cria sinergia direta com a infraestrutura existente da Shell.
A empresa estima sinergias anuais de US$ 250 milhões em até um ano após o fechamento, previsto para o segundo semestre de 2026.
Analistas avaliam que a aquisição pode ser apenas o primeiro movimento de uma onda de M&A no setor de petróleo e gás. Os preços altos sustentados pela guerra elevaram o valor dos ativos e criaram janela para que companhias menores aceitem ser vendidas por valuations que antes pareciam inatingíveis.
“Acho que está na mesa para este ano”, disse Tim Rezvan, analista do KeyBanc Capital Markets, em entrevista à Barron’s na semana passada. Segundo ele, o que define o preço dos negócios é a curva de futuros de petróleo nos próximos meses, e essa curva subiu o suficiente para destravar o apetite vendedor.
No Brasil, outra conta
A operação contrasta com o cenário enfrentado pela Shell no Brasil, onde a empresa é sócia da Cosan na Raízen, maior produtora de biocombustíveis do país e que negocia neste momento a reestruturação de R$ 65 bilhões em dívidas.
No fim de semana, a companhia apresentou aos credores uma contraproposta para captar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões em capital novo, em cima dos R$ 4 bilhões já comprometidos por Shell e pelo bilionário Rubens Ometto, controlador da Cosan.
Os credores pediam aporte de R$ 8 bilhões dos atuais sócios para fechar o acordo.
China bloqueia a compra da Manus pela Meta, desfazendo um negócio de US$ 2 bilhões
A China decidiu bloquear a aquisição de US$ 2 bilhões da startup de IA Manus pela Meta, em um movimento surpreendente para desfazer um acordo controverso criticado pelo possível vazamento de tecnologia para os EUA.
A National Development and Reform Commission, principal órgão de planejamento econômico da China, determinou o cancelamento do negócio em um breve comunicado divulgado na segunda-feira (27). O órgão afirmou, em uma única linha, que decidiu proibir investimento estrangeiro na startup de acordo com leis e regulamentos, sem dar mais detalhes.
A decisão deve esfriar o setor de inteligência artificial em expansão na China e surge semanas antes de uma cúpula de alto nível entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping.
Pequim intensificou o escrutínio sobre empresas-chave após o acordo, que já estava em grande parte concluído. Inicialmente celebrado como um modelo para startups com ambições globais, o negócio passou a ser criticado internamente pela perda de tecnologia valiosa para um rival geopolítico.
Os fundadores da Manus começaram na China, mas transferiram sede e equipe principal para Singapura em 2025. Não estava claro, quando o acordo foi anunciado em dezembro, se Pequim exerceria sua autoridade sobre uma transação realizada tecnicamente fora de suas fronteiras.
“O bloqueio da Manus é um momento esclarecedor”, disse o analista Ke Yan, da DZT Research. “A empresa estava incorporada em Singapura, com fundadores baseados lá, e ainda assim foi puxada de volta. O sinal de Pequim é que o que importa não é onde está a entidade legal.”
Revés para a Meta
O decreto pode representar um revés para a Meta em sua tentativa de competir em IA com rivais como a Microsoft, a Alphabet (dona do Google), além de OpenAI e Anthropic. A Manus ajudaria a Meta a avançar no desenvolvimento de agentes de IA — sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma.
Ainda assim, não está claro como a Meta desfaria o negócio. Funcionários da Manus já se juntaram à empresa, capital foi transferido e executivos passaram a integrar a equipe de IA da companhia. Parte da equipe já trabalha em escritórios da Meta em Singapura, enquanto investidores como Tencent, ZhenFund e Hongshan já receberam seus recursos.
A Meta afirmou que a transação seguiu as leis aplicáveis e que espera uma resolução da investigação chinesa, sem dar detalhes. As ações da empresa recuaram menos de 1% no pré-mercado.
Reguladores chineses exercem grande poder há anos, forçando mudanças em gigantes como Alibaba e a própria Tencent. Um paralelo próximo é a decisão de obrigar a Didi a sair da New York Stock Exchange após seu IPO em 2021.
Pequim e Washington disputam influência antes do encontro histórico de maio. À medida que a rivalidade em IA se intensifica, Xi busca proteger tecnologia e talentos chineses, ao mesmo tempo em que reforça a confiança no desenvolvimento doméstico — como mostrou recentemente a startup DeepSeek ao lançar seu modelo V4 integrado a chips da Huawei.
Os EUA vêm há anos restringindo o acesso da China a tecnologia americana, incluindo chips da Nvidia usados no treinamento de modelos de IA. Para analistas, a medida chinesa é uma resposta proporcional a essas restrições.
Autoridades chinesas também passaram a desencorajar novos movimentos semelhantes ao da Manus. Empresas como Moonshot AI e Stepfun foram orientadas a rejeitar capital americano sem aprovação explícita, e regras semelhantes devem atingir a ByteDance, dona do TikTok.
Essas restrições podem isolar ainda mais o setor tecnológico chinês de investidores estrangeiros, especialmente dos EUA, que historicamente financiaram grande parte do crescimento dessas empresas. Também seguem a decisão de limitar empresas chinesas incorporadas no exterior de abrir capital em Hong Kong.
O objetivo central é impedir que investidores americanos adquiram participação em setores sensíveis à segurança nacional, evitando o vazamento de tecnologia. O caso Manus reforça a preocupação de Pequim com startups fundadas por chineses que buscam expansão internacional.
Lançada em março de 2025, a Manus é um agente de IA capaz de automatizar tarefas complexas, desde análises do S&P 500 até a criação de apresentações comerciais. Um mês depois, sua controladora Butterfly Effect levantou US$ 75 milhões em rodada liderada pela Benchmark, o que levou a uma investigação do Tesouro dos EUA.
Em julho, a empresa transferiu sua equipe da China para Singapura, cortando dezenas de empregos. A Meta anunciou a aquisição em dezembro, após a Manus superar US$ 100 milhões em receita anualizada.
Ainda não está claro quais outras medidas Pequim adotará após a investigação. Segundo o Financial Times, os cofundadores Xiao Hong e Ji Yichao chegaram a ser impedidos de deixar a China.
Para especialistas, o movimento reflete a crescente importância estratégica da inteligência artificial para a China, especialmente na disputa tecnológica com os EUA. Assim como Washington tenta limitar o acesso chinês a semicondutores avançados, Pequim agora busca restringir o acesso americano à tecnologia de IA.
“É o reconhecimento da liderança chinesa de que a IA é um ativo estratégico”, disse Alfredo Montufar-Helu. “E crucial para definir quem sairá vencedor na competição com os EUA.”

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InvestNews
- No maior empregador privado do país, o fim da escala 6×1 entrou no radar. E não é má notícia
No maior empregador privado do país, o fim da escala 6×1 entrou no radar. E não é má notícia
O Grupo GPS cresceu oferecendo uma solução que se tornou cada vez mais atraente para grandes empresas brasileiras: assumir a gestão de atividades como limpeza, segurança e alimentação e, não menos importante, encargos trabalhistas e processos que a relação de emprego costuma deixar pelo caminho. Tornou-se assim o maior empregador privado do Brasil.
Com origem em Salvador, a empresa pouco conhecida do público mas com presença nacional por meio dos cerca de 5 mil clientes corporativos começou a ganhar corpo nas mãos de Carlos Nascimento Pedreira e José Caetano de Lacerda, ex-executivos da Odebrecht, e se especializou em atender e carregar nas contas o que outras preferem terceirizar.
A reforma trabalhista de 2017, que ampliou o escopo legal da terceirização no Brasil, deu combustível ao modelo. Hoje, o GPS conta com mais de 185 mil funcionários, faturamento líquido de R$ 17,3 bilhões e operações que vão das plataformas da Petrobras em alto-mar à limpeza e à segurança da B3, que opera a principal bolsa de valores do Brasil. É o maior grupo em terceirização do país.
Agora, uma nova mudança trabalhista entra no radar da companhia: o fim da escala 6×1, que permite uma jornada com seis dias seguidos de trabalho antes de uma folga.
A Câmara dos Deputados criou uma comissão especial para debater o mérito das propostas de lei que acabam com a escala, e o governo Lula enviou ao Congresso um projeto de lei com urgência constitucional para fixar a jornada em 40 horas semanais, em vez das 44 horas atuais.
A Confederação Nacional da Indústria estima que o teto pode elevar a folha das empresas brasileiras em 50%, de R$ 178,2 bilhões para R$ 267,2 bilhões por ano, com peso maior sobre setores intensivos de mão de obra e de margem de lucro estreita.
Os segmentos com maior dependência do regime 6×1 estão no varejo: supermercados, redes de farmácias e shoppings, que operam com turnos rotativos e horários estendidos.
Projeções de entidades de classe à parte, o maior empregador privado do país tem uma experiência de muitos anos de operações e de gestão financeira sobre como empresas de diferentes setores reagem ao aumento do custo do trabalho e do impacto de diferentes escalas.
E já dimensiona o potencial impacto. Segundo o vice-presidente de operações do GPS, Gustavo Otto, perto de 9 mil colaboradores — cerca de 5% do total — trabalham na escala 6×1, concentrados em limpeza de aeroportos e estações ferroviárias.
A receita direta do varejo, por sua vez, representa cerca de 6% do faturamento. São clientes que devem passar por uma revisão mais intensa de sua estrutura de pessoal com o fim da escala 6×1 — o que pode influenciar o volume e o formato dos serviços terceirizados que contratam.
Para analistas do BTG Pactual que acompanham o GPS, a mudança deve ser encarada menos como disrupção estrutural e mais como um evento extraordinário de renegociação, pois os contratos já contêm cláusulas que permitem repasse automático de custos em caso de mudança nas leis.
É o mesmo mecanismo que a empresa usa todo ano para repassar os reajustes das convenções coletivas, conta a diretora de Relações com Investidores do GPS, Marita Bernhoeft, em entrevista ao InvestNews. Quando a periculosidade foi incluída nos contratos de vigilância, por exemplo, o custo subiu cerca de 30%. E o GPS conseguiu repassar aos clientes.
O principal risco de curto prazo, segundo os analistas, não é compressão de margem, mas ajuste de escopo: ao receber uma fatura mais alta, clientes podem decidir reduzir a frequência do serviço ou o número de funcionários alocados.
Há um segundo risco menos discutido no mercado: a escassez de mão de obra.
Se clientes corporativos precisarem contratar mais trabalhadores para compensar a redução de jornada — mantendo o mesmo nível de serviço com equipes maiores —, o mercado pode enfrentar um aumento súbito de demanda por perfis operacionais em um curto intervalo de tempo.
Escassez de mão de obra já é um risco monitorado no setor, especialmente em funções de baixa qualificação. Uma redução estrutural na jornada por funcionário pode intensificar esse quadro, elevar os custos de contratação e dificultar a mobilização de novos contratos.

Uma das respostas possíveis é automação. Diante de mão de obra mais cara e menos disponível, tanto clientes quanto prestadores tendem a acelerar investimentos em equipamentos mais eficientes, sistemas digitais de gestão de equipes e ferramentas de supervisão com suporte tecnológico.
Para operadores com escala e capacidade de investimento, como o GPS, isso representa uma vantagem relativa sobre concorrentes menores e menos capitalizados.
Ferramentas de IA têm sido usadas em treinamento e para avaliação de um quadro que cresceu em cinco anos de 50 mil para os citados mais de 185 mil funcionários.
Outro exemplo e caso de uso nessa frente é o uso de IA para fazer a gestão de riscos de passivo trabalhista.
A empresa recebe cerca de 1.200 novas ações trabalhistas por mês. E desenvolveu um sistema que cruza os dados de cada novo processo com o histórico do colaborador e aciona um modelo de linguagem que resume o caso, sugere defesa e analisa os pleitos à luz da convenção coletiva.
O foco é reduzir o estoque de ações em fase de execução — as mais caras têm ticket médio até dez vezes maior que acordos em estágios iniciais. Em 2025, o estoque caiu de 2.200 para 1.200 casos.
Compensação em produtividade
A administração do grupo também acredita que a mudança nas regras trabalhistas pode até surtir efeito positivo em termos de produtividade.
Em razão do desgaste físico causado, a escala 6×1 gera índices altos de absenteísmo (ausências, atrasos etc.) e de rotatividade, além de falhas no cumprimento de níveis de serviço, o que resulta em glosas – descontos aplicados pelo cliente quando as metas não são atingidas.
Essas observações foram feitas em recente teleconferência de resultados do grupo.
O racional nesse caso é que uma escala mais equilibrada tende a melhorar a qualidade da entrega — e, na margem, a rentabilidade desses contratos.
Dados do Caged (cadastro do governo sobre o emprego formal no país) compilados pela Fecomercio reforçam a tese sobre a rotatividade elevada de mão de obra no setor de serviços. Hoje, um funcionário fica 6,8 meses a menos no mesmo emprego do que há cinco anos.
Os analistas do BTG também enxergam a potencial mudança regulatória como um fator estrutural que pode estimular ainda mais a terceirização. Isso porque a maior complexidade trabalhista e os custos de conformidade com a lei mais altos tendem justamente a levar mais empresas a delegar a gestão de mão de obra — e os riscos envolvidos — para grupos especializados.
Consolidação como estratégia
O Grupo GPS surgiu em 1962, em Salvador, como Predial Higienização. Nos anos 1990, Carlos Nascimento Pedreira, um executivo da Odebrecht, assumiu a gestão e convidou o colega José Caetano de Lacerda como sócio. A dupla expandiu o negócio para segurança privada e outras capitais.
Hoje, a base de acionistas inclui Marcelo Hampshire, fundador da Ecopolo (uma das primeiras aquisições do grupo, em 2003); o CEO, Luis Martinez; e as gestoras Sharp, Squadra e Valora. No total, os acionistas mais relevantes detêm 52,36%. O restante está em negociação no mercado.
O diferencial não é o serviço em si, que acaba sendo padronizado, mas o modelo de gestão, segundo investidores ouvidos pelo InvestNews.
O GPS opera o que chama de “empresariamento”: cada gerente de contrato tem autonomia e é responsabilizado pelo resultado de sua operação. “Ajuda no engajamento”, diz Bernhoeft.
A capacidade de replicar a gestão tornou possível ao GPS se tornar um “comprador em série”. Já são 56 aquisições, a maioria após o IPO na B3 em abril de 2021.
Apesar de tantas aquisições, o mercado de terceirização ainda é muito pulverizado no Brasil.
O GPS estima que sua fatia de mercado passou de 5%. Os cinco maiores players somam perto de 10%. Mais de 100 mil empresas dividem os 90% restantes — regionais, familiares, sem sistemas. É um cenário ideal para a tese de consolidação em um mercado que movimenta R$ 328 bilhões por ano.
As mudanças provocadas pelo fim da escala 6×1, caso ela seja de fato aprovada no Congresso, tendem a acelerar esse processo de consolidação, segundo especialistas no setor.
O maior negócio do GPS se deu em 2024: a aquisição da GRSA, com R$ 3,3 bilhões em receita bruta e 24 mil funcionários. O negócio demandou o ano de 2025 para integração e readequação das métricas de endividamento. Agora, com isso endereçado, o GPS decidiu retomar as compras.
A meta para 2026 é adquirir empresas que tragam de R$ 1,5 bilhão a R$ 2,5 bilhões em receita bruta — distribuída em várias de pequeno e médio porte. Há dez alvos em fase final de negociação, com receita combinada de R$ 2 bilhões, concentrados em limpeza e segurança.

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InvestNews
- Na Oncoclínicas, sócio da Latache deixa diretoria e indicado da Mak assume comando do conselho
Na Oncoclínicas, sócio da Latache deixa diretoria e indicado da Mak assume comando do conselho
A Oncoclínicas anunciou na noite deste domingo (26) a renúncia de Marcel Cecchi Vieira aos cargos de vice-presidente executivo, diretor financeiro e diretor de relações com investidores.
Cecchi é sócio da gestora Latache, maior acionista da rede de tratamento oncológico, e ocupava as funções havia pouco mais de um mês.
Em paralelo, o conselho de administração nomeou Marcos Grodetzky como novo presidente do colegiado, num movimento que altera a correlação de forças dentro da companhia a quatro dias de uma assembleia decisiva.
A movimentação ocorre em meio à crise financeira que levou a Oncoclínicas a admitir, no balanço anual divulgado em 9 de abril, “incerteza relevante” sobre sua continuidade operacional.
A empresa fechou 2025 com prejuízo de R$ 3,6 bilhões, 80% acima das perdas de 2024, e tenta há semanas obter waivers de cinco emissões de debêntures para evitar o vencimento antecipado de uma dívida de mais de R$ 4 bilhões.
Carlos Gil Moreira Ferreira, atual presidente e diretor médico da companhia, acumulará o cargo de vice-presidente executivo até a assembleia de 30 de abril. Isaac Quintino, diretor financeiro não estatutário, assume interinamente as funções de Cecchi.
Cecchi assumiu o comando financeiro em meados de março, em meio à renúncia surpresa de Camille Loyo Faria, ex-Americanas e ex-Oi, que durou pouco mais de um mês no cargo.
Faria deixou o posto 48 horas depois da divulgação de um acordo não vinculante com Porto Seguro e Fleury para a venda parcial da Oncoclínicas. A operação acabou sendo abandonada por Porto e Fleury em 14 de abril, deixando a empresa em busca de uma nova alternativa para destravar sua dívida.
Marcos Grodetzky, ex-CFO da Cielo, é conselheiro independente da Oncoclínicas desde janeiro, quando foi indicado pelo Goldman Sachs, que já foi o principal acionista individual da companhia. Ele ganhou destaque nas últimas semanas ao votar contra o acordo com Porto e Fleury, ao lado do também independente Raul Rosenthal Ladeira de Matos.
A virada faz de Grodetzky figura alinhada à agenda da Mak Capital, hedge fund americano que detém 6,3% da empresa e que vem pressionando por uma reestruturação completa da governança.
A gestora indicou Grodetzky e Rosenthal como dois dos quatro nomes que pretende eleger ao novo conselho na quinta-feira, ao lado de Mateus Bandeira, ex-CEO da Oi, e Ademar Vidal Neto.
A Mak, com US$ 1,7 bilhão sob gestão, ofereceu até R$ 500 milhões em capital novo desde março, mas condiciona o aporte à destituição do conselho atual.

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InvestNews
- Para CEO da Chevron, abertura da Venezuela vai na direção certa – mas ainda não é o suficiente
Para CEO da Chevron, abertura da Venezuela vai na direção certa – mas ainda não é o suficiente
O CEO da Chevron, Mike Wirth, afirmou que as mudanças na política de petróleo da Venezuela são um sinal de progresso na tentativa de atrair investimento estrangeiro, embora outras medidas ainda sejam necessárias.
“Está caminhando na direção certa”, disse Wirth ao programa Face the Nation, da CBS. “Ainda precisa de algum trabalho. Provavelmente não é o suficiente para atrair o nível de investimento que seria desejável. Mas acho que houve algum progresso.”
Wirth manifestou confiança na política venezuelana do governo Trump depois de os Estados Unidos derrubarem Nicolás Maduro em janeiro e Delcy Rodríguez assumir como presidente interina do país. Em poucas semanas após a prisão de Maduro, a Venezuela alterou sua antiga política nacionalista de petróleo na tentativa de atrair investidores.
Maduro foi capturado pelos EUA em 3 de janeiro num ataque americano em larga escala sobre Caracas, e enviado a Nova York para responder a acusações de narcotráfico e corrupção.
Delcy Rodríguez, então vice-presidente, foi designada presidente interina pelo Tribunal Supremo de Justiça venezuelano e iniciou uma rápida liberalização econômica, com abertura ao investimento estrangeiro de petróleo, fim do controle cambial e retomada das relações com o FMI. Parte da comunidade internacional, incluindo a União Europeia, não reconhece a legitimidade do governo interino.
Um grupo de executivos do petróleo americano que se reuniu com Rodríguez em Caracas na semana passada pediu garantias de que a Venezuela é segura para investir, sinal de que o interesse das companhias dos EUA está se ampliando para além da Chevron e de outras gigantes, à medida que o presidente Donald Trump pede a retomada da produção venezuelana.
“Um aumento da produção lá melhoraria a confiabilidade e a oferta de energia nos Estados Unidos”, disse Wirth.

Ele afirmou ainda que a força de trabalho do petróleo na Venezuela está enxuta, com muitos profissionais qualificados perdidos para a emigração, o que faz com que qualquer recuperação em escala da indústria dependa do retorno desses expatriados, ponto também levantado pela líder da oposição María Corina Machado.
Wirth fez uma ressalva sobre a decisão do governo Trump, na semana passada, de invocar o Defense Production Act, lei que permite ao governo direcionar recursos federais a projetos de energia, num momento em que a Casa Branca enfrenta pressão para conter a alta dos custos de energia.
“Não dá para abrir a torneira da produção de uma hora para outra”, afirmou. “É preciso engenharia, cadeia de suprimentos, contratos, e mover e mobilizar trabalhadores.”
©2026 Bloomberg L.P.

Raízen aumenta oferta a credores, mas exige manutenção de Ometto no comando do conselho
A Raízen, empresa fundada por Rubens Ometto e controlada por Shell e Cosan, apresentou uma contraproposta a seus credores para avançar com seu plano de recuperação extrajudicial de R$ 65 bilhões. A oferta prevê mais recursos para um aumento de capital da empresa de açúcar e etanol.
A companhia, que tem até o início de junho para ter aval da maioria dos detentores de sua dívida, não abre mão de manter Ometto na presidência do conselho de administração.
Na proposta apresentada na noite de sábado (25), a Raízen disse aos credores que está em conversas para captar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões em capital novo, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg.
Embora o detalhe seja bem-vindo aos detentores de dívida, que haviam proposto que os atuais acionistas injetassem R$ 8 bilhões, a companhia rejeitou outras mudanças pedidas pelos credores, incluindo a perda do controle do conselho de administração.
O capital incluído na nova proposta da Raízen seria adicional aos R$ 4 bilhões que a Shell e o bilionário Rubens Ometto já se comprometeram a aportar na empresa de bioenergia, segundo as fontes, que pediram para não ser identificadas por se tratar de discussão privada.
Não ficou claro de onde viria o dinheiro novo. A Cosan, conglomerado fundado por Ometto e que divide o controle da Raízen com a Shell, não está injetando recursos na empresa de combustíveis.
O BTG Pactual e a gestora Perfin, que hoje são sócios de Ometto na Cosan, não querem se envolver.
A Raízen está resistindo a exigências dos credores de que os acionistas abram mão da maioria das cadeiras no conselho, ou de que executivos sejam responsabilizados por eventuais passivos que possam se materializar no futuro, segundo as fontes.
Comitê de credores
A Raízen teria, no entanto, aceitado o pedido de criar um comitê de credores para acompanhar mais de perto a governança, segundo uma das pessoas.
Ometto ainda quer permanecer como presidente do conselho da Raízen, embora a empresa esteja ciente de que esse será um ponto de tensão com os detentores de dívida, segundo as fontes.
Bancos credores e bondholders já haviam pedido, em propostas anteriores noticiadas pela Bloomberg, a saída do empresário do comando do colegiado. Raízen, Cosan e Ometto não quiseram comentar. A Shell não respondeu a pedido de comentário fora do horário comercial.
A companhia reiterou sua proposta de oferecer aos credores fatia de 70% num eventual debt-to-equity swap, mecanismo de troca de dívida por ações. A nova oferta, no entanto, não incorpora a sugestão dos bancos credores de que 30% dos recursos da venda dos ativos argentinos sejam destinados ao abatimento da dívida.
A Raízen vem negociando com os credores um acordo que evite a necessidade de pedir recuperação judicial, depois de protocolar pedido de recuperação extrajudicial em março. As partes correm contra um prazo legal: têm até 6 de junho para chegar a um acordo extrajudicial com adesão suficiente de bondholders e credores bancários.
Outrora a maior produtora de biocombustíveis do Brasil, a Raízen foi atingida pelos juros altos, por uma rodada pesada de investimentos que ainda não gerou retorno e por desafios operacionais nas divisões de açúcar e etanol, o que resultou numa sequência de balanços abaixo do esperado.
Os tropeços corroeram o caixa e fizeram a dívida disparar. À medida que as conversas entre os acionistas para um socorro se arrastavam, os bonds da empresa despencaram para território de “distressed“.
Quando a Raízen contratou assessores para reorganizar a estrutura de capital, as agências de rating tiraram a companhia do grau de investimento e a jogaram bem para dentro do território especulativo, aprofundando a queda dos papéis.
©2026 Bloomberg L.P.

Após Tanure, Sabesp lança operação para incorporar Emae e tirar empresa da B3
A Sabesp informou na noite de sexta-feira (24) uma operação para incorporar a Emae e tirar da Bolsa a antiga estatal paulista, dona das represas Billings e Guarapiranga e de um conjunto de hidrelétricas no interior de São Paulo, que até ano passado era controlada pelo empresário Nelson Tanure.
O movimento se dará em duas etapas: primeiro uma oferta em dinheiro aos minoritários, a R$ 61,83 por ação, e depois a incorporação dos acionistas remanescentes, que trocarão suas ações da Emae por papéis da Sabesp.
- Leia também: O ‘inferno astral’ de Nelson Tanure
A operação é o ato de encerramento da passagem de Tanure pelo controle da Emae, capítulo que durou pouco mais de um ano e meio e terminou com a empresa sendo tomada por credores e vendida na sequência para a Sabesp por cerca de R$ 1 bilhão.
A oferta
Quando uma empresa troca de dono na bolsa, a lei manda que o novo controlador faça uma oferta para comprar também as ações de quem é minoritário, dando a esses acionistas a chance de sair pelo mesmo preço de quem vendeu o controle.
No caso da Emae, a Sabesp teria de fazer duas dessas ofertas em paralelo, por motivos diferentes previstos em lei. Para evitar duplicar trabalho, pediu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para juntar tudo numa única oferta.
O preço será de R$ 61,83 por ação, o mesmo que a Sabesp pagou pelo bloco controlador, corrigido pela Selic desde 21 de janeiro deste ano, data do fechamento da compra. Os minoritários têm 15 dias para, se quiserem, convocar uma assembleia e pedir um laudo de avaliação independente sobre o preço.
O passo seguinte
Em comunicado separado, Sabesp e Emae informaram que estudam um segundo movimento. As administrações das duas empresas vão avaliar uma operação em que a Emae deixaria de existir como companhia aberta e seria absorvida pela Sabesp.
Os acionistas que ainda restassem na Emae depois da oferta pública de aquisição (OPA) em dinheiro receberiam, em troca de seus papéis, ações da própria Sabesp, em proporção a ser calculada por comitês independentes.
Ao fim do processo, a Emae não terá mais ações negociadas em Bolsa.
Privatização
A Emae foi privatizada em abril de 2024, num leilão em que o Fundo Phoenix, que tem Tanure como beneficiário final e foi montado em parceria com Tércio Borlenghi Júnior, controlador da Ambipar, arrematou o controle por cerca de R$ 1 bilhão, com ágio de 33,68% sobre o preço mínimo.
O financiamento combinou empréstimo da XP e emissão de R$ 520 milhões em debêntures, lastreadas em garantias pessoais dos empresários e em ações da Ambipar. Mas a crise vivida pelo grupo de Borlenghi Júnior, resultado em recuperação judicial, fez as garantias originais perderem valor.
Com as garantias minguando e a inadimplência no pagamento da dívida, os credores tomaram a Emae e negociaram com a Sabesp em outubro do ano passado. Em março, a Sabesp comprou ainda os 9,22% que estavam no fundo Oceania (depois rebatizado de Arys), ligado a Borlenghi, por R$ 171,6 milhões.
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InvestNews
- Na Rossi Residencial, família fundadora e Silvio Tini selam paz e encerram disputa societária
Na Rossi Residencial, família fundadora e Silvio Tini selam paz e encerram disputa societária
A Rossi Residencial anunciou na noite de sexta-feira (24) que a família fundadora e o investidor Silvio Tini firmaram um acordo para para encerrar todos as disputas societárias em curso na Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM-B3), pondo fim a uma disputa que já dura quase dois anos.
A briga entre os Rossi e o dono da Bonsucex mobilizou sete arbitragens, o que travou a governança da construtora, será arquivada se uma assembleia marcada para a próxima segunda-feira (28) aprovar sem ressalvas as contas da administração de 2024.
Pelos termos do acordo, a Rossi Residencial desiste da ação de responsabilidade que movia contra ex-administradores ligados a Tini, com base no artigo 159 da Lei das S.A. Em troca, esses ex-administradores abrem mão de eventual ressarcimento futuro à companhia até o máximo de R$ 12 milhões.
As partes envolvidas nos cinco processos arbitrais sobre a oferta pública obrigatória (OPA estatutária) também renunciam mutuamente às pretensões, mantendo a versão atual do estatuto social, aprovada em uma assembleia de novembro de 2024.
A pacificação chega em momento delicado para a incorporadora, em recuperação judicial desde 2022 com mais de R$ 1 bilhão em dívidas.
Em fato relevante, a administração argumenta que o acordo “permitirá uma economia substancial de recursos financeiros e humanos” e criará “ambiente societário e institucional mais favorável” à retomada dos negócios.
Início da briga
A disputa começou em meados de 2024, quando os irmãos João Paulo e Renata Rossi Cuppoloni, herdeiros da família fundadora, acusaram Tini e veículos a ele relacionados, entre eles a Lagro Participações, de terem ultrapassado em conjunto a fatia de 25% do capital da companhia, patamar que aciona a poison pill prevista no estatuto e obrigaria à realização de uma OPA aos demais acionistas.
Os Rossi também questionaram a independência de três conselheiros que, segundo eles, atuariam em favor de Tini, e pediram a destituição do trio.
A briga azedou. Renata Rossi foi destituída da diretoria em outubro de 2024. Em assembleia no mesmo mês, os acionistas rejeitaram a proposta de suspender os direitos políticos de Tini e da Lagro.
Em dezembro, num movimento então inédito, a CAM-B3 chegou a suspender cautelarmente os direitos políticos de Tini e de quatro acionistas ligados a ele, decisão posteriormente revertida na esfera societária. O conselho ficou dividido entre dois representantes da família e três conselheiros associados ao investidor.
Tini, que comanda o Grupo Bonsucex, com participações em Alpargatas, GPA, Gerdau e Terra Santa, foi condenado pela CVM em processo de uso de informação privilegiada e está proibido por cinco anos de exercer cargo de administrador ou de conselheiro fiscal em companhias abertas.
O que falta
A homologação dos acordos depende de três condições: a manutenção da aprovação das contas de 2022 e 2023, a aprovação sem ressalvas das contas de 2024 e 2025 em assembleia, e o aval do conselho de administração ao acordo do artigo 159 em até dez dias.
As ações ordinárias da Rossi (RSID3) acumulam queda relevante desde o estouro da crise, e a expectativa do mercado é de que o desfecho da assembleia defina se a construtora consegue, enfim, deslocar o foco de seu conselho do tribunal arbitral para o plano de recuperação.
A Rossi foi uma das primeiras incorporadoras brasileiras a abrir capital, em 1997, antes mesmo da onda de IPOs do setor, ocorrida entre 2006 e 2007, quando Cyrela, Gafisa, MRV, PDG e outras foram listadas. Foi também uma das mais castigadas pela crise do setor no início da década passada, o que a levou à recuperação judicial em 2022.

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InvestNews
- American Airlines, United e Delta: aéreas cortam projeções com disparada dos combustíveis
American Airlines, United e Delta: aéreas cortam projeções com disparada dos combustíveis
As companhias aéreas pelo mundo estão encarecendo o valor cobrado por bagagens e assentos, revisando projeções de lucro para baixo e discutindo abertamente formas de se associar a rivais à medida que aperta o cerco dos custos do querosene de aviação, uma disparada ligada aos conflitos no Oriente Médio entre, Estados Unidos, Israel, Irã e Líbano.
Só nos últimos dias, Andrew Nocella, diretor comercial da United Airlines, declarou que o setor está em “território desconhecido”, enquanto a Alaska Air Group enterrou qualquer esperança de que o consumidor voltasse tão cedo a ver passagens mais baratas.
No campo dos otimistas, Tim Clark, presidente da Emirates, lembrou que, no fim, as pessoas seguem em frente rapidamente, e que o quadro logo voltará à normalidade.
Prevaleçam os otimistas ou os pessimistas, o certo é que a última semana colocou em destaque o cardápio de desafios que pesa sobre a aviação comercial, forçando executivos a tomar decisões de peso para estabilizar suas operações.
A complicar o cenário, há um presidente americano deliberadamente mexendo no jogo da concorrência: Donald Trump cogita um socorro de US$ 500 milhões à combalida Spirit Aviation ao mesmo tempo em que critica outras possíveis transações, entre elas uma fusão em estudo entre United e American Airlines.
Nos Estados Unidos, fusões entre grandes companhias aéreas precisam do aval do Departamento de Justiça, e a sinalização presidencial pesa nessa avaliação. Some-se a isso a incerteza alimentada pelas declarações vacilantes de Trump sobre o estado da guerra no Oriente Médio.
Lucros para baixo
No conjunto, o setor entra em meses de insegurança no que deveria ter sido um ano de demanda forte, com projeções iniciais de lucro recorde de US$ 41 bilhões e 5,2 bilhões de passageiros transportados.
As aéreas investiram pesado em produto, de melhorias nas cabines a salas vip e conectividade a bordo, apostando que o gasto com a experiência de voar com mais conforto teria fôlego.
Mas a euforia que impulsionou as companhias nos primeiros meses do ano deu lugar à sensação de que o setor perdeu o rumo.
“Não dá para saber com confiança todas as formas pelas quais o setor pode ser afetado”, disse Bob Jordan, presidente-executivo da Southwest Airlines, apontando para a “incerteza econômica e geopolítica significativa”.
“Não consigo prever exatamente para onde vai o combustível e, portanto, não dá para prever exatamente para onde vão os preços e as tarifas”, afirmou.
Para o futuro imediato, vão para cima. Espera-se que o consumidor absorva os bilhões adicionais em querosene de aviação, e por isso as empresas estão criando novas sobretaxas e elevando cobranças por despacho de bagagem e escolha de assento.
“As aéreas nunca deixam uma boa crise ser desperdiçada”, disse William McGee, pesquisador sênior de aviação e viagens da American Economic Liberties Project, organização sem fins lucrativos que defende mais regulação do setor em favor do consumidor.
A American Airlines diz enfrentar US$ 4 bilhões em custos extras com combustível até o fim do ano, conta que tentará repassar ao consumidor na maior medida possível. As tarifas já estão de 15% a 20% mais altas, e dificilmente recuarão por completo quando o ambiente de guerra arrefecer, segundo Scott Kirby, presidente-executivo da United, em declaração na última quarta-feira (22).
“Quanto mais isso durar, maior a probabilidade de que os aumentos de preço se sustentem”, disse Kirby.
Passada a temporada de viagens de verão no hemisfério norte, as transportadoras devem voltar a olhar com lupa a oferta de assentos e cortar mais rotas deficitárias, aquelas em que o avião decola sem encher e a operação não fecha a conta com o querosene caro.
Sediada em Chicago, a United diz esperar recuperar até 100% do custo extra de combustível até o fim do ano via aumento de preços ao cliente.
Ed Bastian, presidente-executivo da Delta Air Lines, afirmou em recente teleconferência de resultados que a companhia vai avaliar em que medida consegue “manter parte da força de preço” mesmo depois de o combustível recuar.
A tábua de salvação, por ora, é que as reservas seguem firmes com a chegada do pico de viagens de verão, embora rachaduras já apareçam, sinais de queda nas reservas futuras e de retração da demanda. A United diz que a procura atual se mantém resiliente, mas isso provavelmente não vai durar à medida que passagens mais caras desestimulem voar.
Tal qual a American Airlines dias depois, a empresa cortou sua projeção anual de lucro.
Robert Isom, presidente-executivo da American, afirmou que a demanda continua robusta no momento e que projeta crescimento de receita de dois dígitos no trimestre, ainda que a companhia esteja podando voos pouco rentáveis.
Mesmo assim, a empresa reduziu a projeção anual e admitiu que pode encerrar 2026 no prejuízo.
Parcerias
A guinada acontece enquanto American e Alaska Air negociam possíveis acordos de divisão de receitas e outras parcerias estratégicas, segundo apurou a Bloomberg News.
A American também tem sido objeto de especulações sobre uma eventual fusão com a United. A ideia teria sido aventada por Kirby num encontro com Trump em fevereiro, segundo pessoas a par do assunto.
Tanto a American quanto o presidente, em geral pró-mercado, rejeitaram a hipótese, alegando redução da concorrência. Dias depois, Trump jogou outra bomba no colo dos chefões da aviação ao dizer que avalia uma compra estatal da Spirit em vez de deixá-la quebrar.
“O atual governo não facilita o planejamento de longo prazo, e os presidentes de aéreas são obrigados a improvisar”, disse Art Wheaton, diretor de estudos do trabalho na Escola de Relações Industriais e Trabalhistas da Universidade Cornell.
A pressão também atinge as cúpulas pelo mundo afora. Há sinais de que países asiáticos vêm estocando querosene, e a Agência Internacional de Energia advertiu que a Europa pode esgotar seus suprimentos em questão de semanas.
A alemã Lufthansa, maior grupo aéreo da Europa, vai cortar cerca de 20 mil voos da malha de verão e está adotando o modelo de preços das aéreas de baixo custo, vendendo bilhetes que não incluem bagagem.
Como em toda crise, sempre há alguém dizendo a todos para manter a calma. Na aviação, é Clark, da Emirates, cuja base em Dubai foi devastada pelo conflito.
A maior companhia aérea do mundo opera a 65% da capacidade depois de uma paralisação quase total, com viajantes evitando a região do Golfo Pérsico.
Mas, uma vez reaberto o Estreito de Ormuz, rota marítima por onde escoa boa parte do petróleo do Oriente Médio e cujo fechamento pressiona diretamente o preço do querosene de aviação, bastariam um a dois meses para os negócios se recuperarem, disse ele.
“As pessoas têm memória curta”, afirmou Clark numa conferência em Berlim na quinta-feira. Cessadas as hostilidades e havendo algum grau de estabilidade, “as coisas voltam ao normal”.
©2026 Bloomberg L.P.

Fundo da IG4 Capital terá de manter participação na Braskem por dois anos
O fundo apoiado pela gestora IG4 Capital terá de manter a participação que está adquirindo na petroquímica Braskem por pelo menos dois anos, de acordo com o novo acordo de acionistas da companhia.
O fundo Shine I Investment e a Petrobras assinaram um novo acordo de controle compartilhado da Braskem após a petroleira estatal afirmar que não exerceria os direitos sobre a fatia que a Shine está comprando do conglomerado em dificuldades Novonor.
O chamado período de lock-up da participação do Shine foi desenhado para garantir estabilidade acionária e um compromisso de longo prazo com a reestruturação da empresa e a melhora de seu desempenho financeiro.
Após o período de lock-up, o fundo poderá vender suas ações livremente no mercado por meio de negociações em bolsa, block trades ou ofertas subsequentes, sem acionar o direito de preferência da Petrobras ou direitos de tag along, embora ainda dependam de aprovações internas, segundo o acordo.
Os principais acionistas da Braskem concordaram em incluir a companhia no mais alto nível de governança corporativa da bolsa brasileira, conhecido como Novo Mercado, assim que forem atingidas metas financeiras-chave.
O acordo também estabelece que, em caso de venda de ativos relevantes pela Braskem ou por suas subsidiárias, o fundo deverá conceder à Petrobras direito de preferência.
Controle compartilhado
A Petrobras assinou um novo acordo de acionistas da Braskem com o fundo Shine I FIP, da IG4 Capital, formalizando a transição de controle da petroquímica após anos de incerteza. No mesmo movimento, a estatal informou que não exercerá direitos de preferência nem de tag along em relação à Novonor — mecanismo que daria prioridade para compra da participação ou permitiria vender suas ações nas mesmas condições em caso de troca de controle —, liberando o caminho para a transferência das ações.
O novo modelo estabelece controle compartilhado entre Petrobras e o fundo, com decisões exigindo consenso no conselho de administração e na assembleia geral. As duas partes também terão direito equivalente de indicação para o conselho e a diretoria da companhia. A Petrobras mantém 36,1% do capital total da Braskem, enquanto o FIP Shine ficará com 34,32% do capital total, sendo o maior acionista com ações ordinárias.
Assembleia na próxima semana
A nova governança prevê ainda a escolha de uma nova administração já na assembleia de 29 de abril. A tendência é que a IG4 indique o CEO e o CFO, enquanto a Petrobras ficará com indicações nas áreas de operação e comercial, além de influenciar a presidência do conselho. Entre os nomes cotados estão Helcio Tokeshi para CEO e Carlos Brandão para a diretoria financeira.
A mudança ocorre em meio a uma forte pressão financeira sobre a Braskem, que encerrou 2025 com dívida líquida de US$ 7,5 bilhões. A empresa deve buscar um acordo de suspensão de pagamentos com credores, enquanto prepara um plano de reestruturação. A IG4 também se comprometeu a lançar uma oferta pública para adquirir ações em circulação, após a conclusão das aprovações regulatórias e pendências judiciais ligadas à Novonor.

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InvestNews
- Governo barra derivativos de eleições e esportes e trava corrida dos ‘prediction markets’ no país
Governo barra derivativos de eleições e esportes e trava corrida dos ‘prediction markets’ no país
O governo brasileiro deu um passo para proibir mercados de previsão atrelados a eleições e eventos esportivos, endurecendo regras sobre uma prática em expansão que vem sendo alvo de escrutínio global.
Em resolução publicada nesta sexta-feira (24), o Conselho Monetário Nacional (CMN), órgão máximo responsável por definir as diretrizes da política monetária, de crédito e cambial do país, proibiu a oferta e negociação de derivativos cujos ativos subjacentes estejam ligados a eventos esportivos, jogos online e “eventos reais ou virtuais de natureza política, eleitoral, social, cultural ou de entretenimento”.
A medida também veta contratos baseados em temas que não representem uma referência econômica ou financeira clara, a ser definida pelo regulador do mercado de capitais no país.
A decisão ocorre em meio a planos da B3 de entrar no crescente mercado de “prediction markets”, que vêm sendo analisados com mais cautela por autoridades, especialmente por preocupações com uso de informação privilegiada.
A bolsa já confirmou o lançamento, em 27 de abril, de seis novos contratos ligados ao índice Ibovespa, ao real e ao Bitcoin, e vinha estudando expandir a oferta para incluir contratos baseados em eventos.
Entre as possibilidades avaliadas estavam produtos vinculados a eleições. A B3 chegou a buscar parecer jurídico sobre a viabilidade de contratos atrelados a resultados eleitorais.
Esses instrumentos poderiam ser lançados antes das eleições presidenciais de outubro, com foco na disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flavio Bolsonaro, segundo pesquisas recentes que indicam uma disputa acirrada.
A nova resolução, no entanto, barra esse tipo de prática.
Ao proibir explicitamente derivativos ligados a eventos políticos e não financeiros, o Conselho Monetário Nacional (CMN) praticamente encerra a discussão que vinha se formando no mercado sobre até que ponto esses instrumentos poderiam ser enquadrados como derivativos financeiros legítimos ou como uma forma de aposta disfarçada.
O conselho também atribuiu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a responsabilidade de regulamentar os detalhes adicionais e fiscalizar o cumprimento das novas regras.
Polymarket e Kalshi
O governo anunciou ainda que bloqueou o acesso à Polymarket e a cerca de duas dezenas de outras plataformas de mercados de previsão e afirmou que elas não estavam em conformidade com as leis federais de apostas – mais conhecidas como bets.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse a repórteres em Brasília na sexta-feira (24) que 28 empresas foram bloqueadas por oferecer o que o governo considerou “apostas ilegais”.
Durigan apresentou a medida como parte de um esforço mais amplo para proteger as economias dos brasileiros e enfrentar o aumento do endividamento das famílias, algo que o presidente Lula atribui, em parte, às apostas online – embora muitas sejam legalizadas.
Daniele Cardoso, responsável pelo setor de apostas no Ministério da Fazenda, confirmou que a Polymarket foi bloqueada. A Kalshi, outra plataforma popular fundada pela brasileira Luana Lopes Lara, também apareceu fora do ar no Brasil, embora Cardoso não tenha confirmado se ela está entre as plataformas interditadas.
A Polymarket não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Um porta-voz da Kalshi disse que a empresa está revisando a resolução.
Debate sobre mercados de previsão
Uma reportagem publicada em março pelo InvestNews expôs as narrativas que envolvem a discussão no Brasil, ao levantar uma questão divide reguladores, bolsas e agentes do mercado: afinal, “prediction markets” são instrumentos financeiros legítimos, úteis para precificação de risco e formação de expectativas, ou apenas uma forma sofisticada de aposta?
Nos Estados Unidos, plataformas como a Kalshi e a Polymarket funcionam como bolsas de eventos em que contratos binários refletem probabilidades implícitas de acontecimentos futuros.
O preço desses contratos emerge da negociação entre participantes e passa a representar a percepção coletiva de probabilidade de um evento ocorrer, sem que uma casa de apostas defina as odds.
O ponto central do debate era justamente a fronteira entre essas duas leituras: de um lado, a visão de que se trata de derivativos e instrumentos de hedge sobre riscos reais; de outro, a interpretação de que, quando ligados a eventos não financeiros como eleições ou esportes, esses mercados se aproximam estruturalmente de apostas.
Com a decisão do CMN, esse espaço de ambiguidade regulatória perde força no Brasil.
Ao proibir explicitamente derivativos vinculados a eventos políticos e não financeiros, o regulador encerra, na prática, a tentativa de enquadrar esses contratos como instrumentos financeiros tradicionais no país, e sinaliza que, ao menos por ora, eles não terão espaço dentro do sistema financeiro formal brasileiro.

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InvestNews
- Parceiras ou rivais? Google planeja investir até US$ 40 bilhões na Anthropic, dona do Claude
Parceiras ou rivais? Google planeja investir até US$ 40 bilhões na Anthropic, dona do Claude
O Google vai investir US$ 10 bilhões na Anthropic, dona do dona do Claude, com a possibilidade de aportar outros US$ 30 bilhões no futuro, fortalecendo a relação entre as duas empresas, que são ao mesmo tempo parceiras e rivais na corrida pela inteligência artificial.
A Anthropic informou que o Google fará um investimento inicial de US$ 10 bilhões em dinheiro, com base em uma avaliação de US$ 350 bilhões — o mesmo valor atribuído à empresa em uma rodada de fevereiro, sem considerar os recursos mais recentes. A Alphabet poderá investir mais US$ 30 bilhões caso a Anthropic atinja metas de desempenho, além de apoiar uma expansão significativa da capacidade computacional da startup.
A Anthropic acelerou a captação de recursos após o sucesso do Claude Code, um agente de IA que agiliza o desenvolvimento de software. No início da semana, a empresa anunciou ter levantado mais US$ 5 bilhões com a Amazon, também a uma avaliação de US$ 350 bilhões, com opção de receber outros US$ 20 bilhões ao longo do tempo. Em fevereiro, a startup já havia captado US$ 30 bilhões, e investidores passaram a considerar avaliações de até US$ 800 bilhões.
A Anthropic é uma importante cliente dos chips e serviços de nuvem do Google — áreas que a empresa busca expandir à medida que seu principal negócio, a publicidade em buscas, amadurece. O Google Cloud fornecerá 5 gigawatts de capacidade computacional à Anthropic nos próximos cinco anos, com possibilidade de expansão. O acordo amplia uma parceria anunciada recentemente entre Anthropic, Google e a Broadcom.
As ações do Google subiam mais de 1% nesta sexta-feira, negociadas a US$ 341 por volta do meio-dia.
As unidades de processamento tensorial (TPUs) do Google são uma das principais alternativas aos chips da Nvidia, tornando-se um recurso escasso e valioso para empresas como a Anthropic, em um setor que exige enorme capacidade de processamento.
A Anthropic, que avalia realizar uma oferta pública inicial já em outubro, busca expandir sua infraestrutura para atender à crescente demanda por seus produtos.
O Claude Code rapidamente se tornou uma ferramenta popular entre engenheiros do Vale do Silício — inclusive dentro do próprio Google —, impulsionando a concorrência no setor. Outro produto, o agente Cowork, também vem ganhando tração por permitir o uso sem necessidade de programação.
Parceria entre Google e Anthropic
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, trabalhou no Google no início da carreira. As empresas mantêm laços próximos desde a fundação da Anthropic em 2021 por ex-funcionários da OpenAI. No ano passado, o Google já havia se comprometido a fornecer até 1 milhão de chips TPU à startup, em um acordo avaliado em dezenas de bilhões de dólares, além de já ter investido cerca de US$ 3 bilhões até então.
Apesar da parceria, as empresas também competem para liderar o desenvolvimento de sistemas de IA capazes de rivalizar com humanos e conquistar clientes corporativos. Nos últimos meses, executivos do Google demonstraram preocupação com a posição da empresa no mercado de ferramentas de programação com IA, atualmente dominado pela Anthropic.
O futuro da startup também envolve riscos. A Anthropic foi classificada pelo Pentágono como um possível risco na cadeia de suprimentos — decisão que a empresa contesta na Justiça — após disputas sobre o uso de sua tecnologia pelas Forças Armadas dos EUA.
Analistas também levantam preocupações sobre acordos considerados “circulares”, nos quais grandes empresas de tecnologia investem em startups de IA enquanto também vendem a elas chips e capacidade de data centers.

Agora com sócio chinês, Patria reorganiza participação em usina bilionária no Rio
O Patria Investimentos está captando R$ 500 milhões em debêntures para reorganizar seu investimento na termelétrica Marlim Azul Energia, localizada no norte do Rio de Janeiro.
A operação envolve dois fundos da gestora: na ponta compradora, está o Patria Infra Core FIP, dono da holding Infraestrutura Brasil XVIII, criada em 2022 para gerir ativos maduros com fluxo de caixa previsível. Já do lado vendedor está o Patria Infraestrutura III, veículo montado há mais de uma década.
A transação trata apenas da compra de 50,1% das ações da Marlim, já que os outros 49,9% pertencem ao fundo chinês Claifund, que se tornou sócio do Patria em janeiro deste ano.
Caso a totalidade da captação de R$ 500 milhões seja alocada para a aquisição da Marlim Azul, isso indicaria um valor de mercado para o ativo de R$ 1 bilhão para a usina inteira, o equivalente à receita da termelétrica em 2024.
O cálculo se refere ao valor do equity: a Marlim carrega ainda a dívida de projeto contraída na fase de construção, o que pode elevar o valor total do empreendimento.
O ativo
A Marlim é uma termelétrica a gás natural de 565 MW, cerca de metade da capacidade de uma usina nuclear como Angra 1, localizada em Macaé. A usina, a primeira a utilizar gás-natural do pré-sal, arrematou um contrato de fornecimento de energia em 2019 e tem sua disponibilidade vendida até 2044.
Em janeiro, o fundo chinês China-LAC Industrial Cooperation Investment Fund (Claifund) comprou a fatia de Shell e Mitsubishi Power no projeto.
Além do investimento na usina termelétrica, o Claifund anunciou nesta semana que se tornou sócio do Patria no projeto de um data center do TikTok no Ceará, que deverá demandar R$ 200 bilhões de investimentos em dez anos.
CEO da Alliança renuncia ao cargo em meio à reestruturação da companhia
A Alliança Saúde anunciou mudanças relevantes em sua liderança após a renúncia do CEO, CFO interino e membro do conselho, Ricardo de Magalhães Sartim, que deixou todos os cargos por motivos pessoais.
A saída foi comunicada ao mercado nesta sexta-feira (24). A companhia informou que já iniciou o processo de sucessão para as posições ocupadas pelo executivo, que vinha concentrando funções no comando financeiro e estratégico da empresa.
Sartim também integrava o Conselho de Administração. Em comunicado, a Alliança agradeceu sua atuação e destacou as contribuições prestadas durante o período em que esteve à frente da gestão.
Na mesma data, o Conselho de Administração aprovou a eleição de João de Saint Brisson Paes de Carvalho como novo membro independente do colegiado. O mandato vai até a primeira assembleia geral a ser realizada após 19 de março de 2026. Segundo a companhia, o executivo possui experiência em administração, finanças e governança corporativa, com passagem por conselhos de administração e fiscais de diversas empresas.
Com as mudanças, o Conselho de Administração passa a ser composto por José Luiz Mendes Ramos Júnior (presidente), Thalis Leon de Ávila Saint Yves e João de Saint Brisson Paes de Carvalho, ambos conselheiros independentes.
O que está acontecendo com a empresa?
As mudanças ocorrem em meio a um momento delicado para a companhia. Recentemente, a Alliança informou ao mercado que ajuizou uma ação cautelar em caráter antecedente na Comarca de São Paulo, suspendendo cobranças e execuções, ao mesmo tempo em que iniciou um procedimento de mediação com credores.
As medidas fazem parte de um esforço para reorganizar a estrutura financeira e criar condições mais estáveis para negociações. A dívida líquida da empresa somava cerca de R$ 500 milhões ao fim de setembro, segundo o último resultado divulgado.
De acordo com a companhia, a ação tem caráter transitório e busca garantir um ambiente de negociação equilibrado, sem impacto na continuidade das operações. Esse tipo de instrumento jurídico permite proteção temporária enquanto a empresa negocia suas obrigações, com respaldo na Lei de Recuperação Judicial e no Código de Processo Civil.
Apesar do cenário financeiro, a Alliança afirma que suas operações seguem normalmente, com funcionamento regular de clínicas e canais digitais.
O movimento ocorre após uma série de mudanças no controle da empresa. No início de março, o fundo Tessai, ligado à Geribá Investimentos, assumiu o controle da companhia com 59,84% do capital, após execução de garantias relacionadas a participações anteriormente ligadas ao empresário Nelson Tanure.
A troca de controle abriu espaço para mudanças na governança. Poucos dias depois, Isabella Corrêa renunciou à presidência do conselho de administração, intensificando o processo de reestruturação.
A Fitch Ratings rebaixou o rating da Alliança para CCC+, citando preocupações com vencimentos de cerca de R$ 155 milhões em 2026 e um nível de caixa considerado insuficiente para cobrir obrigações de curto prazo.
A companhia afirma que segue implementando medidas para fortalecer sua estrutura financeira e operacional, com foco em eficiência, ajuste de capital e sustentabilidade no médio e longo prazo, e que continuará informando o mercado sobre novos desdobramentos.

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InvestNews
- Família Pinheiro, controladora da Hapvida, amplia participação antes de eleição do conselho
Família Pinheiro, controladora da Hapvida, amplia participação antes de eleição do conselho
A família Pinheiro, controladora da Hapvida, voltou a aumentar sua participação na companhia de planos de saúde. Segundo comunicado divulgado na manhã desta sexta-feira (24), o grupo passou a deter 55,4% do capital social – ou 58,6% ao desconsiderar as ações em tesouraria.
O movimento envolve não só ações compradas diretamente mas também posições via empréstimo de ações, derivativos e direitos sobre papéis.
No próximo dia 30, a empresa realiza assembleia de acionistas para eleger a composição do conselho de administração – e a gestora Squadra, com perto de 7% do capital, tenta emplacar três nomes.
O avanço consolida a posição da família em um momento de pressão sobre a companhia, com resultados mais fracos e crescente desconfiança do mercado.
A família tem ampliado recorrentemente sua fatia na empresa nas últimas semanas. No início de abril, os controladores já haviam elevado sua fatia para cerca de 50% do capital. Até o fim de março, esse percentual girava em torno de 40%.
Considerando apenas as ações com direito a voto, a participação atual é menor, de 47,3%, já que parte da exposição está em instrumentos financeiros que não dão poder de voto.
Família Pinheiro
Entre os acionistas que comunicaram o aumento de participação estão Jorge Pinheiro Koren de Lima, atual CEO da Hapvida, além de outros membros da família e holdings ligadas ao grupo controlador.
Jorge Pinheiro está em processo de transição no comando da Hapvida: após 27 anos como CEO, ele deixará o cargo em 30 de abril e assumirá a presidência do conselho.
As mudanças acontecem em meio à tentativa de reverter a forte queda de valor da companhia nos últimos anos.
Após a fusão com a NotreDame Intermédica, em 2021, a companhia cresceu, mas não conseguiu recuperar margens e lucratividade no ritmo esperado. No 4º trimestre de 2025, o lucro líquido ajustado caiu 64,9%, para R$ 180,6 milhões.
Desde 2021, no auge, as ações da companhia cederam mais de 95%.
No início de março, a gestora Squadra, uma acionista relevante da companhia, com cerca de 7% do capital votante, enviou uma carta cobrando mudanças no conselho e na condução da empresa.
A gestora critica problemas de governança, alocação de capital e execução. E defende que a Hapvida avalie vender operações no Sul e Sudeste, em boa parte ativos herdados da NotreDame Intermédica.
Como mostrou o InvestNews, a crise financeira e de governança já afeta as operações da companhia. Médicos em São Paulo relatam que passaram a reduzir a carga horária por medo de calote – no último mês, já houve atrasos nos pagamentos.

Por que as ações da Intel estão se aproximando dos níveis da era da bolha pontocom
As ações da Intel estão a caminho de atingir seu maior nível histórico, impulsionadas por uma projeção de receitas que superou amplamente as expectativas de Wall Street e reforçou a confiança no processo de recuperação da fabricante de chips.
A companhia informou que espera faturar entre US$ 13,8 bilhões e US$ 14,8 bilhões no trimestre encerrado em junho. O número ficou bem acima da estimativa média de analistas, de cerca de US$ 13 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Com o anúncio, os papéis da empresa chegaram a subir até 31% no pré-mercado na sexta-feira, abrindo caminho para superar o pico registrado há cerca de 26 anos, durante a era da bolha pontocom. As ações já acumulavam alta de 81% no ano antes da divulgação do balanço.
Reestruturação
O otimismo do mercado reflete a percepção de que o CEO Lip-Bu Tan está avançando em seu plano de reestruturação, focado em reposicionar a Intel para se beneficiar da crescente demanda por infraestrutura de inteligência artificial.
Investimentos estratégicos realizados no ano passado ajudaram a reforçar o balanço da companhia, enquanto a gestão agora busca melhorar eficiência operacional e capacidade produtiva.
“Todos estão começando a direcionar pedidos para a Intel, e acho que estamos nos estágios iniciais disso”, disse Thomas Hayes, presidente da Great Hill Capital e investidor da empresa, à Bloomberg TV. “Passamos de um cenário de desânimo para euforia em um curto período de tempo.”
O avanço também reflete o impacto do crescimento da demanda por chips de data centers voltados a aplicações de IA. Segundo a empresa, há forte procura pelos processadores Xeon, usados em servidores, que voltaram ao centro da estratégia da Intel em meio à corrida global por infraestrutura de inteligência artificial.
Em entrevista, Tan afirmou que a empresa teve um “resultado sólido” e que a demanda por processadores segue acelerando. No entanto, ele destacou que a Intel ainda enfrenta limitações de capacidade produtiva.
“Há uma demanda enorme. Estamos trabalhando muito para entregar, mas ainda estamos aquém porque a demanda continua crescendo”, afirmou.
A companhia também afirmou que está lidando com a escassez de chips de memória que afeta a indústria de PCs e servidores, o que tem pressionado a produção global de dispositivos.
Outro ponto de destaque foi o reforço do balanço financeiro por meio de investimentos externos. A Intel chegou a recomprar participação em uma fábrica na Irlanda que havia sido vendida anteriormente para levantar capital, movimento visto pelo mercado como sinal de confiança na retomada.
No campo estratégico, a empresa também ganhou atenção após declarações do CEO da Tesla, Elon Musk, indicando que poderá utilizar tecnologia da Intel em um projeto de fabricação de chips próprio.
Em termos financeiros, a Intel projeta lucro ajustado de cerca de 20 centavos por ação no segundo trimestre, acima da estimativa de 9 centavos do mercado. No primeiro trimestre, a receita subiu 7%, para US$ 13,6 bilhões, também acima das projeções.
Apesar da melhora recente, a empresa ainda enfrenta desafios para recuperar sua antiga posição dominante no setor de semicondutores, especialmente na corrida por chips de inteligência artificial, hoje liderada pela Nvidia.
“Hoje a Intel é uma empresa fundamentalmente diferente”, disse Tan. “A conversa deixou de ser sobre sobrevivência e passou a ser sobre a velocidade com que conseguimos ampliar capacidade e atender à demanda.”
