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IG4 diz que pode comprar toda a dívida da Raízen à vista para assumir o controle

23 de Junho de 2026, 08:52

A gestora de private equity IG4 Capital afirmou ter capital suficiente para comprar toda a dívida da Raízen à vista, se necessário, enquanto busca adquirir volume suficiente das obrigações da produtora de açúcar e etanol em dificuldades para acabar com uma participação acionária de 50,1%.

No início deste mês, a Raízen obteve aprovação dos credores para reestruturar cerca de 65 bilhões de reais (US$ 12,8 bilhões) em dívida, no maior processo de reestruturação extrajudicial da história do Brasil.

A companhia, controlada em conjunto pela Shell e pela Cosan, tem enfrentado dificuldades após uma série de apostas estratégicas malsucedidas, juros elevados e safras fracas. Pelo plano aprovado, a Raízen converterá 45% de sua dívida em cerca de 80% do capital.

“Não é um rumor de mercado, nossa proposta está na mesa, estamos negociando e podemos oferecer uma saída agora para quem quiser”, afirmou o sócio-fundador Paulo Mattos em entrevista.

A IG4 tem até março do próximo ano para comprar a dívida e respeitará o plano de reestruturação já aprovado, disse Mattos. A empresa não pretende adotar uma abordagem hostil em relação a credores ou acionistas, e todos os termos, incluindo preço, serão negociados. Ele acrescentou que os preços de aquisição provavelmente ficarão abaixo dos valores de mercado.

Equipe de reestruturação

Mattos disse que a IG4 quer assumir o controle da Raízen e instalar uma equipe de reestruturação, e não apenas oferecer serviços de consultoria ou estruturas de fundos aos credores. Segundo ele, a base de credores é muito fragmentada e conflituosa para que a reestruturação funcione sem um investidor líder.

A IG4 planeja colocar quaisquer ações obtidas por meio da compra de dívida em um fundo de investimento, dando aos credores a opção de receber dinheiro, cotas do fundo ou derivativos atrelados a uma venda futura, disse ele.

“As conversas estão mais avançadas com alguns bancos individualmente, e uma parte relevante deles quer ações do fundo, enquanto outros estão pedindo derivativos”, disse o CEO da IG4, Hélio Novaes. “Já estamos discutindo preço e volume com esses bancos”, afirmou.

A IG4 já manteve conversas informais com a FTI Consulting, que assessora bancos; com a Moelis & Co., que assessora detentores globais de títulos; e com a Journey Capital, que assessora detentores locais de títulos, segundo Novaes. A partir de quarta-feira, a empresa pretende se reunir individualmente com esses representantes para discutir detalhes, entender o que desejam e preparar uma proposta para cada um. As conversas estão apenas começando, e a IG4 ainda não sabe se conseguirá adquirir dívida suficiente para fechar um acordo.

“Parece que uma grande parte dos detentores locais e globais de títulos prefere receber em dinheiro”, disse Novaes.

Alguns credores demonstraram ceticismo e confusão em relação à oferta, em parte porque a IG4 já está conduzindo uma reestruturação complexa na petroquímica Braskem e porque não sabem exatamente quais serão os termos oferecidos.

Mattos afirmou que a IG4 é independente do Banco BTG Pactual, reagindo à confusão do mercado sobre a relação entre ambos. O BTG, assim como Bradesco e Santander, é um dos credores e investidores da IG4, mas não tem poder de decisão e não receberá tratamento especial, disse ele. “Somos um gestor de ativos completamente independente”, afirmou.

A Raízen tem 32 usinas, das quais 24 estão ativas, disse Novaes. “Teremos de fazer um estudo detalhado para ver quais devem receber investimentos e quais não”, afirmou, acrescentando que os níveis de produtividade da empresa estão bem abaixo dos concorrentes e poderiam ser melhorados para aumentar o valor.

A ideia também é negociar um plano com a Shell, que continuará sendo acionista relevante e aportará 3,5 bilhões de reais, disse ele. A Cosan não fará aporte e será fortemente diluída.

Pelo plano de reestruturação aprovado, a Raízen será dividida em duas: a produtora de açúcar e etanol e a distribuidora de combustíveis. Ainda não há definição sobre quanto da dívida será alocado para cada empresa ou quanto cada negócio valerá. A operação de distribuição será vendida, segundo o plano.

O valor de mercado da Raízen é atualmente de 4,35 bilhões de reais, o que significa que 80% da empresa valem 3,48 bilhões de reais. Esse seria o valor recebido pelos credores que detêm pouco mais de 29 bilhões de reais em dívida caso seus créditos já tivessem sido convertidos em ações e vendidos a preços de mercado.

*por Cristiane Lucchesi, repórter da Bloomberg.

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Heineken nomeia brasileiro Rafael Oliveira como primeiro CEO externo de sua história

23 de Junho de 2026, 08:26

A Heineken nomeou Rafael Oliveira como seu novo diretor-presidente (CEO), enquanto a cervejaria holandesa rompe com sua tradição ao contratar um executivo de fora da empresa para tentar reverter a queda na demanda.

Oliveira, de 51 anos, deixará o cargo de CEO da empresa de café JDE Peet’s NV para assumir a liderança da Heineken em 1º de outubro, segundo comunicado divulgado nesta terça-feira. Ele deixa a companhia após menos de dois anos no comando e em meio aos planos da Keurig Dr Pepper Inc., que concluiu a aquisição da JDE Peet’s em abril, de separar o negócio de café como uma empresa independente até o início de 2027.

As ações da Heineken chegaram a subir 3,2% em Amsterdã. Nos 12 meses encerrados no fechamento de segunda-feira, os papéis acumulavam queda de 5,4%.

A mudança na gestão da Heineken ocorre após a saída do ex-CEO Dolf van den Brink no fim de maio, depois de seis anos à frente da companhia e mais de 28 anos de carreira dentro da cervejaria. Controlada por uma família, a empresa nunca havia nomeado um executivo externo para o cargo de CEO. No entanto, enfrenta vendas fracas à medida que consumidores reduzem o consumo de álcool e apertam os gastos diante das restrições orçamentárias.

Em abril, a companhia informou queda no volume de cerveja vendido no primeiro trimestre, com recuo da demanda em mercados estratégicos da Europa e das Américas. A empresa ficou atrás de concorrentes como a Anheuser-Busch InBev e a Carlsberg na recuperação dos negócios após a desaceleração observada no período pós-pandemia.

Redução de custos

A Heineken está no meio de um programa de redução de custos que inclui o corte de cerca de 7% de sua força de trabalho global. A companhia já afirmou estar otimista em relação à demanda por cerveja em mercados emergentes, como Vietnã e África do Sul, onde populações jovens e o aumento da renda vêm impulsionando as vendas.

Antes da JDE Peet’s, Oliveira passou uma década na Kraft Heinz, chegando ao cargo de presidente dos mercados internacionais. Nessa função, supervisionou um portfólio superior a US$ 7 bilhões distribuído entre Europa, África, Ásia-Pacífico e América Latina.

Oliveira também trabalhou durante dez anos no Goldman Sachs, como diretor executivo da divisão de títulos no Reino Unido e da unidade de mercados emergentes em Hong Kong. Iniciou sua carreira no Brasil, atuando no Banco Icatu e no Banco BBA-Creditanstalt. Possui MBA pela University of Chicago.

Ele tem um histórico de “transformar estratégia em resultados financeiros mensuráveis”, escreveram os analistas Edward Mundy e Sebastian Hickman, da Jefferies, em relatório. Segundo eles, a nomeação deve reforçar uma cultura de alto desempenho na Heineken, com foco em simplificação, alocação mais eficiente de recursos e na implementação do plano da empresa para gerar até € 500 milhões em economias anuais de produtividade.

Separadamente, a Keurig Dr Pepper informou que iniciou a busca por um novo CEO para sua divisão de café. A presidente do conselho da companhia, Pamela Patsley, também presidente do comitê de nomeação e governança, liderará o processo de seleção.

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Satya Nadella, da Microsoft: Não podemos deixar que os gigantes da IA ‘engulam’ a economia

23 de Junho de 2026, 06:12

Satya Nadella ajudou a impulsionar o boom da IA. Agora, ele tem uma mensagem dura para as empresas que lideram essa corrida.

O CEO da Microsoft está se juntando a um esforço crescente para enfrentar os gigantes da inteligência artificial OpenAI e Anthropic, descrevendo em entrevista sua visão para a próxima fase do boom da IA — que envolve modelos mais baratos, mais controle para usuários e uma estratégia política capaz de conquistar a confiança do público.

Nadella fez uma crítica contundente sobre como a corrida pela supremacia em IA tomou forma, com um pequeno grupo de empresas capturando o valor de uma tecnologia transformadora, enquanto fazem previsões alarmistas sobre riscos de segurança e perda de empregos, insistindo que precisam de recursos massivos para expansão ilimitada.

“Você não pode dizer: ‘todos os empregos de colarinho branco vão desaparecer e isso pode até ser uma arma, e vamos usar todo o poder para construir data centers’”, disse Nadella ao The Wall Street Journal. Segundo ele, o público não toleraria apenas algumas empresas e modelos “fazendo todo o aprendizado do mundo”.

Embora não tenha citado diretamente OpenAI, Anthropic ou o Google da Alphabet — as três empresas que desenvolvem os modelos proprietários mais avançados — ele deixou claro que a Microsoft quer direcionar a corrida da IA para longe de um futuro dominado pelos criadores dos modelos de fronteira.

Em poucas semanas, a Microsoft lançou uma série de modelos de baixo custo para reduzir os preços para clientes pressionados pelo aumento das contas de IA. A empresa também lançou o Copilot Cowork, um “agente” autônomo de IA que permite aos usuários escolher diferentes modelos — incluindo opções mais baratas — para tarefas de longa duração.

A Microsoft estuda hospedar uma versão da DeepSeek, uma fornecedora chinesa de IA de baixo custo que OpenAI e Anthropic acusam de “destilar” (ou copiar) seus modelos mais avançados. Essa medida poderia aumentar significativamente o uso do modelo chinês, potencialmente em detrimento da OpenAI e da Anthropic, que enfrentam a perspectiva de uma guerra prolongada de preços.

A movimentação é significativa para Nadella, que há muito tempo atua como uma espécie de estadista na corrida trilionária da IA, agora se alinhando a um esforço para deslocar a competição do desenvolvimento de modelos cada vez mais avançados.

OpenAI

A Microsoft é uma das parceiras mais antigas da OpenAI e já investiu bilhões na empresa. Após anos de tensões, as duas companhias firmaram recentemente um acordo que permitiu à OpenAI ampliar suas parcerias com outras big techs. A Microsoft também fechou um acordo multibilionário com a Anthropic no ano passado.

Nadella afirmou que há espaço para todas as empresas prosperarem e que surgirão novas companhias de grande sucesso. Um porta-voz da Microsoft disse que a empresa continuará fortalecendo parcerias com OpenAI e Anthropic e que a visão de Nadella não é um jogo de soma zero.

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, tem feito alertas frequentes sobre possíveis perdas de empregos causadas pela IA, incluindo a previsão de que metade dos empregos de entrada pode desaparecer até 2029. O CEO da OpenAI, Sam Altman, também já projetou impactos relevantes no emprego, embora recentemente tenha dito estar “satisfeito” por ter errado algumas previsões.

A OpenAI publicou propostas de políticas para tentar mitigar os impactos da IA. Ambos os líderes também alertam para riscos de segurança, e a Anthropic se envolveu em atritos com a Casa Branca sobre possíveis ameaças de novos modelos avançados.

A Microsoft ficou atrás de seus concorrentes no desenvolvimento de modelos próprios. Na segunda metade de 2025, assinantes do Copilot passaram a preferir alternativas como o Gemini, do Google, segundo a consultoria Recon Analytics.

Sem um modelo de fronteira competitivo, a Microsoft decidiu usar seu poder financeiro para entrar na disputa de transformar modelos em commodities.

Nadella apresentou sua visão em um artigo publicado em 14 de junho, no qual descreve como serão as empresas “AI-first”.

O novo modelo de implantação de IA será mais democratizado, com benefícios amplamente distribuídos e menor dependência de poucos modelos dominantes, afirmou na entrevista.

Ele criticou executivos que tratam a IA apenas como ferramenta de redução de custos via demissões. “Não, e se a gente pensar em reorganizar os empregos?”, disse. Para ele, as empresas precisam combinar “capital de tokens” (capacidade de IA) e capital humano.

Nadella descreveu a IA como um motor de conhecimento que ajuda empresas a usar melhor seus funcionários e seus dados, combinando modelos com diferentes preços e capacidades. Esses modelos seriam “todos subindo a mesma montanha dentro de uma máquina que você controla”.

Na visão dele, o caráter das empresas será definido pelo “conhecimento tácito” que carregam — humano e artificial. No futuro, empresas serão sistemas de aprendizado contínuo de inteligência humana e IA. Proteger propriedade intelectual será essencial para evitar a comoditização.

Corrigir os problemas da corrida da IA exigirá mais do que narrativa, disse ele.

“Não basta narrativa, porque neste ponto precisamos agir”, afirmou Nadella. “Agora temos de fazer o trabalho duro de conquistar a permissão da sociedade.”

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Milei autoriza nova dívida de até US$ 5 bilhões para reforçar o caixa da Argentina

22 de Junho de 2026, 13:29

O governo da Argentina autorizou a contratação de até US$ 5 bilhões em novas dívidas denominadas em dólares, enquanto busca garantir financiamento com respaldo de instituições multilaterais antes dos próximos vencimentos de sua dívida.

O decreto, assinado pelo presidente Javier Milei e membros do gabinete, estabelece a estrutura legal para futuras operações de financiamento, com contratos regidos pela legislação de Nova York e sujeitos à jurisdição dos tribunais dos Estados Unidos.

A medida define o tamanho máximo da operação de dívida que a Argentina pretende obter com o apoio de organismos multilaterais, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Segundo o texto, o objetivo é “reduzir os custos de financiamento do Tesouro Nacional” por meio de empréstimos em dólares concedidos por instituições financeiras internacionalmente reconhecidas e respaldados por garantias parciais de organismos multilaterais.

Garantir financiamento é crucial para a Argentina, que enfrenta pagamentos significativos de dívida nos próximos anos. O compromisso mais imediato é um desembolso de quase US$ 4,5 bilhões já no próximo mês. A partir de 2027, o serviço da dívida externa do país deverá superar US$ 20 bilhões por ano.

“A prioridade é minimizar os custos de financiamento”, afirmou Daniel Chodos, sócio da Dhalmore Capital. Segundo ele, ao estruturar empréstimos por meio de bancos internacionais com garantias parciais de instituições multilaterais, o governo consegue captar recursos a taxas significativamente menores do que as disponíveis no mercado.

O governo Milei tem evitado emitir títulos nos mercados internacionais, considerando que os custos ainda são elevados e não refletem a melhora dos indicadores macroeconômicos da Argentina.

A obtenção de fontes alternativas e mais baratas de financiamento tem sido uma das prioridades do ministro da Economia, Luis Caputo. Até agora, o governo tem recorrido a alternativas como títulos locais denominados em dólares, compras de moeda estrangeira pelo banco central e a futura operação de financiamento respaldada por organismos multilaterais.

Como a falta de pressa dos produtores brasileiros tem pressionado o mercado global de café

22 de Junho de 2026, 10:12

Os comerciantes de café apostam que a safra recorde do Brasil aliviará a escassez global de oferta, mas os cafeicultores do maior produtor mundial não têm pressa em vender os grãos, o que pressiona o abastecimento nos países consumidores.

A expectativa é de que o Brasil colha um recorde de 75,3 milhões de sacas de café na safra atual, mas os estoques nos armazéns das bolsas americanas e europeias ainda estão no nível mais baixo desde março de 2024. Essa dinâmica tem alimentado a volatilidade no mercado futuro, à medida que as empresas conciliam as expectativas de uma safra recorde, estoques mundiais ainda baixos, e vendas do grão mais lentas do que o esperado.

Os cafeicultores geralmente negociam parte da safra futura para ajudar a cobrir os custos de produção e também para se protegerem de oscilações negativas de preços. Mas eles não precisam vender muito antecipadamente este ano, já que lucraram com as recentes altas do mercado.

Os contratos futuros de arábica vinham subindo constantemente desde meados de 2023 e atingiram, duas vezes, picos históricos acima de US$ 4 por libra no ano passado. Os preços já caíram cerca de 40% em relação a esses patamares, o que é um desincentivo para vender.

“O vento está soprando a favor dos agricultores”, disse Simão Pedro de Lima, diretor-presidente executivo da Expocacer, uma cooperativa do Cerrado Mineiro.  Neste momento, eles “não se sentem pressionados” a começar a comercializar a produção.

Pouco mais de 20% dos grãos de arábica que se espera colher na safra atual tinham sido negociados até 11 de junho, enquanto as vendas de conilon, o robusta brasileiro, estavam em 14%, de acordo com uma pesquisa mensal da Safras & Mercado. Em condições normais, os produtores vendem entre 30% e 40% da nova safra de arábica no início da temporada, disse Lima, referindo-se à variedade que o Brasil mais exporta.

Já as vendas dos novos grãos de conilon no estado do Espírito Santo também estavam abaixo do esperado, em 10%, um terço dos níveis da safra passada e um quarto da média histórica, afirmou Edimilson Calegari, gerente corporativo de comercialização da cooperativa Cooabriel, que compra café de cerca de 10.000 produtores e vende sua produção principalmente no mercado interno.

O conilon é da espécie Coffea canephora, a mesma do robusta, variedade que é principalmente produzida no Vietnam.  

Nos últimos dias, o mercado também começou a reagir às preocupações com os estoques reduzidos nas bolsas e com o fenômeno climático El Niño, que teve início no começo deste ano. O contrato de arábica mais negociado atingiu a maior cotação em cerca de três semanas na última quinta-feira, antes de zerar os ganhos.

Um El Niño forte pode reduzir ou diminuir as chuvas durante o período de floração do café, que para o conilon ocorre tipicamente entre julho e setembro. Pior ainda, também pode afetar as chuvas durante o enchimento dos grãos em novembro, dezembro e janeiro, o que ocorreu entre 2023 e 2024 e causou perdas significativas, disse Calegari.

O padrão climático, além das recentes chuvas intensas no cinturão de arábica do Brasil, têm dado suporte aos preços, afirmou Carlos Mera, chefe de pesquisa de mercado de commodities agrícolas do Rabobank. As janelas de entrega de julho e setembro “provavelmente trarão muita volatilidade” para o mercado futuro, acrescentou.

A relutância dos produtores em fechar negócios, mesmo com a colheita em andamento, “atrasou os fluxos de grandes volumes que o mercado esperava já estar observando a esta altura”, disse Leonardo Rossetti, analista do StoneX Group. E não é só o Brasil, acrescenta.

Agricultores do Vietnã, o maior produtor mundial de robusta, e da Indonésia também têm adiado as vendas em meio à queda dos preços do café. Mas isso representa riscos, já que a chegada da safra recorde brasileira em julho e agosto provavelmente pressionará os preços para baixo, afirmou.

“O café existe… mas talvez demore um pouco mais para navegar”, disse Marcelo Moreira, analista da Archer Consulting, sobre as safras do Brasil e de outros países produtores importantes. “Não há motivo para pânico.”

A batalha da Coca-Cola contra a Receita Federal dos EUA

22 de Junho de 2026, 09:26

A Coca-Cola trava uma batalha corporativa de alto risco, com mais de US$ 20 bilhões em jogo — e o adversário não é a Pepsi nem a Dr Pepper, mas o Internal Revenue Service (IRS), a Receita Federal dos EUA.

O conflito entre a fabricante de bebidas e o fisco americano chega nesta semana a um tribunal federal de apelações em Miami. As questões jurídicas são complexas, mas a pergunta central é simples: a Coca-Cola declara lucros demais no exterior e de menos nos Estados Unidos?

Uma vitória da empresa eliminaria um passivo potencial que pesa sobre suas contas há uma década e daria segurança a multinacionais submetidas a auditorias semelhantes. Isso é especialmente relevante nos setores de tecnologia e farmacêutico, onde empresas podem transferir propriedade intelectual entre países e concentrar ganhos no exterior, beneficiando acionistas e reduzindo a arrecadação do Tesouro dos EUA.

Se perder, porém, a Coca-Cola enfrentará uma conta de impostos atrasados e juros superior ao seu lucro líquido de 2025 — além de um aumento na alíquota efetiva daqui para frente.

O IRS venceu a primeira fase do caso no Tribunal Tributário dos EUA em 2020, uma rara vitória contra grandes corporações e seus grandes escritórios de advocacia. Outra vitória reforçaria a postura do governo em investigar estruturas internacionais de multinacionais.

“Este é um caso-chave porque foi a única vitória 100% do IRS”, disse Reuven Avi-Yonah. Segundo ele, uma derrota do governo seria um golpe significativo na atuação da Receita contra multinacionais.

O processo se arrasta há anos, passando por três CEOs da Coca-Cola e 12 chefes do IRS, atravessando administrações democratas e republicanas. Em 2026, as partes ainda discutem declarações fiscais de 2007 a 2009, com foco em um acordo de 1996 entre Coca-Cola e IRS sobre transações internacionais internas da empresa.

“O IRS provavelmente insiste no caso porque os fatos apontam claramente para evasão fiscal”, afirmou Matt Gardner. “Se não for para combater esse tipo de evasão, quando será?”

Em documentos regulatórios, a Coca-Cola demonstra confiança e diz discordar fortemente do IRS. O diretor financeiro John Murphy afirmou que a empresa administrará seu balanço com cautela antes da decisão.

Três juízes da 11ª Corte de Apelações dos EUA vão julgar o caso em 25 de junho, com defesa da empresa feita por Gregory Garre. A decisão pode levar meses e ainda cabe recurso à Suprema Corte.

Grandes riscos

O impacto potencial de US$ 20 bilhões vem crescendo há anos. Após perder em 2020, a Coca-Cola pagou cerca de US$ 6 bilhões em impostos e juros.

Se vencer agora, recupera esse valor com correção. Se perder totalmente, além dos anos de 2007 a 2009, pode ter de pagar mais US$ 14 bilhões referentes ao período de 2010 a 2025.

Isso incluiria ainda um aumento de 3,8 pontos percentuais na alíquota efetiva já neste ano, o que, segundo a empresa, custaria US$ 450 milhões apenas no primeiro trimestre.

O valor de US$ 14 bilhões supera o caixa da companhia, o que pode levá-la a recorrer a financiamento.

Mesmo assim, analistas não demonstram grande preocupação com o caso. Nas teleconferências mais recentes, o foco esteve em novos sabores, marketing da Copa do Mundo e crescimento na Ásia.

“Isso vai levar a cortes de investimento em marca? Não. Em inovação? Não”, disse Carlos Laboy.

A empresa contabilizou apenas US$ 520 milhões do risco total de US$ 20 bilhões, apostando em vitória.

A disputa sobre lucros no exterior

O ponto central é onde a Coca-Cola gera seus lucros.

Embora produza bens físicos, a tributação depende de onde o lucro é gerado — e isso está ligado aos ativos mais valiosos da companhia.

Na prática, a Coca-Cola é uma empresa baseada em propriedade intelectual. Marcas, receitas e direitos podem ser licenciados entre subsidiárias globais.

Essas transações internas influenciam diretamente os lucros de cada unidade. Como não há comparáveis claros de mercado, disputas com o fisco são frequentes.

Empresas têm incentivo para concentrar lucros em países com baixa tributação — tendência que persistiu mesmo após mudanças na alíquota corporativa dos EUA.

O método da Coca-Cola remonta a um acordo de 1996 com o IRS, conhecido como “10-50-50”. Nele, unidades de produção em países como Brasil, Costa Rica, Irlanda e México ficam com 10% das vendas brutas e 50% do lucro restante.

Um juiz do Tribunal Tributário concluiu que o modelo favorece excessivamente operações estrangeiras.

“O IRS afirma que o acordo de 1996 não se aplica aos anos posteriores e não garante imunidade tributária”, diz o texto.

Já a Coca-Cola argumenta que o IRS mudou sua interpretação e que a estrutura foi aprovada anteriormente pelo próprio governo.

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Conselho da Vale resiste à pressão da Previ por troca no comando do conselho

22 de Junho de 2026, 09:02

Membros do conselho de administração de Vale, a maior produtora mundial de minério de ferro, se posicionaram contra o pedido da Previ, um dos maiores acionistas da empresa, para remover Daniel André Stieler da presidência do colegiado, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Embora a proposta ainda precise ser submetida à votação dos acionistas, a decisão do conselho poderá influenciar as recomendações das empresas de consultoria de voto e dos investidores institucionais que participarão do processo. O mandato do chairman do conselho expira em abril de 2027, caso ele não seja destituído antes desse prazo.

A Previ, que detém uma participação de 7% na Vale, solicitou em 11 de junho a realização de uma assembleia extraordinária para votar a destituição de Stieler, que ocupa o cargo desde abril de 2023. O pedido ocorreu após uma mudança na liderança do maior fundo de pensão do Brasil, responsável pela gestão da aposentadoria dos funcionários do Banco do Brasil.

A maioria dos diretores considerou insuficientes as razões apresentadas pela Previ para a destituição, disseram duas pessoas familiarizadas com o assunto, que pediram para não serem identificadas por se tratar de informação confidencial.

Vale recusou-se a comentar.

A assembleia extraordinária de acionistas está marcada para 22 de julho. A aprovação da proposta de remoção de Stieler abriria caminho para votações separadas para eleger um novo membro do conselho para o restante do mandato, que termina em 2027, e um novo presidente do conselho. Esse cenário desencadearia uma disputa entre os candidatos de Previ e nomes alternativos apoiados pela maioria do conselho atual.

A Previ agora apoia a eleição do conselheiro independente Manuel Lino Oliveira para a presidência do conselho, segundo comunicado. Conhecido como Ollie, ele tem mais de 45 anos de experiência em finanças corporativas e estratégia no setor de mineração, principalmente em empresas como Anglo American Plc e De Beers Consolidated Mines Ltd.

Ao nomerar um candidato externo, em vez de alguém de seus próprios quadros para presidir o conselho da mineradora a Previ afirmou que “reforça seu compromisso com o contínuo aprimoramento da governança corporativa da Companhia e com a geração de valor sustentável no longo prazo.”. Paralelamente, o fundo de pensão também nomeou José Maurício Pereira Coelho, ex-CEO da Previ, que anteriormente havia sido chairman do conselho da Vale de 2019 a 2021, para assumir uma vaga no conselho da empresa.

A maioria do conselho da Vale indicará a ex-executiva da BP Plc. Ieda Gomes Yell para concorrer a uma vaga contra Coelho, disseram as fontes. O atual vice-presidente do conselho da Vale, Marcelo Gasparino, concorrerá como alternativa a Oliveira para ser o novo presidente do conselho da mineradora. O advogado também é membro do conselho da Petrobras. Outros candidatos, além dos indicados pela Previ e pelo conselho da Vale, ainda podem surgir antes da votação.

Stieler presidiu a Previ por dois anos durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele foi eleito para o conselho da Vale em 2021 e posteriormente assumiu a presidência do colegiado da mineradora mesmo após deixar seu cargo na Previ.

No ano passado, o então presidente da Previ, João Fukunaga, deixou o comando do fundo após ser alvo de questionamentos do Tribunal de Contas da União. Ele também deixou o conselho da Vale em fevereiro, o que enfraqueceu o apoio a Stieler dentro do fundo, o jornal O Globo informou em 13 de junho.

Entre os demais grandes acionistas da Vale estão a Mitsui, a Blackrock e a Capital World Investors.

*por Mariana Durão – repórter da Bloomberg

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Danone compra fabricante australiana de iogurtes e bebidas por US$ 1,4 bilhão

22 de Junho de 2026, 08:35

A Danone deu mais um passo para fortalecer seu portfólio de produtos ricos em proteína e ampliar sua presença na Ásia ao adquirir a Made Group, fabricante australiana de bebidas e laticínios, da gestora de private equity TPG Capital.

O negócio pela Made, que comercializa produtos populares de saúde como a água de coco Cocobella e os shakes proteicos Rokeby, foi avaliado em cerca de 2 bilhões de dólares australianos (US$ 1,4 bilhão), segundo reportagem publicada no domingo pelo jornal australiano Financial Review. A Danone não divulgou os detalhes financeiros da operação em comunicado divulgado nesta segunda-feira.

A empresa francesa também anunciou a compra dos 49% restantes de sua joint venture com a Saputo Dairy Australia. Ambas as transações devem ser concluídas no segundo semestre deste ano.

A Danone está entre as poucas grandes companhias do setor alimentício que vêm se beneficiando do forte crescimento da demanda por alimentos mais saudáveis. Fabricante das marcas Activia e Actimel, a empresa vem ampliando rapidamente sua linha de produtos, especialmente os iogurtes ricos em proteína, que registram vendas tão fortes que a companhia tem enfrentado dificuldades para atender à demanda.

Juergen Esser, diretor-geral adjunto da Danone, descreveu a Made como uma “mini Danone”, em referência à combinação de iogurtes ricos em proteína, produtos à base de plantas e bebidas funcionais da companhia australiana.

Segundo Esser, a aquisição dará à Danone uma posição mais forte no Sudeste Asiático, onde atualmente, em muitos países, a empresa comercializa apenas fórmulas infantis e produtos de nutrição médica. Ele destacou o “enorme potencial” da região.

A Danone também pretende acelerar a expansão dos produtos da Made na Austrália e na Nova Zelândia por meio de inovação baseada em pesquisa científica, afirmou Esser. A CEO da Made, Amanda Butler, permanecerá no cargo.

Esser acrescentou que a Danone ainda tem espaço para realizar novas aquisições sem comprometer a solidez de seu balanço financeiro.

No início deste ano, a empresa anunciou um acordo para adquirir a marca britânica de substitutos de refeições Huel, apoiada por celebridades. A transação ainda aguarda aprovação regulatória.

“Sempre permaneceremos muito próximos da nossa missão e propósito, que são saúde, proteínas, saúde intestinal, nutrição e nutrição médica”, disse Esser.

A Made foi criada no início dos anos 2000 por um grupo de amigos que queria oferecer alternativas às bebidas açucaradas. Sua primeira marca, NutrientWater, foi a primeira água enriquecida com vitaminas lançada no país.

A empresa expandiu seus negócios em 2010 com a marca de água de coco Cocobella. Depois vieram a Rokeby Farms, com iogurtes probióticos e smoothies, e mais tarde os sucos prensados a frio da marca Impressed.

A Coca-Cola adquiriu uma participação minoritária na empresa em 2018, mas posteriormente abriu mão da fatia após a TPG Capital comprar 60% da companhia em 2021.

As ações da Danone registravam pouca variação nas negociações em Paris nesta segunda-feira. Os papéis acumulam queda superior a 15% neste ano, acompanhando a desvalorização mais ampla das ações de empresas de bens de consumo.

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Home office? Para a Copa do Mundo, até o JPMorgan diz sim

22 de Junho de 2026, 08:25

A Copa do Mundo está oferecendo a alguns trabalhadores de escritório um benefício inesperado: permissão para ficar em casa.

Empregadores nas cidades-sede estão incentivando funcionários a trabalhar remotamente nos dias de jogo para evitar os congestionamentos e atrasos esperados, interrompendo temporariamente o esforço de anos das empresas americanas para trazer as pessoas de volta aos escritórios.

Banqueiros de Wall Street, profissionais de relações públicas, servidores públicos e professores estão entre os trabalhadores que estão se conectando de casa em várias partes do continente. Até mesmo Jamie Dimon, um dos críticos mais duros e vocais do trabalho remoto, está concedendo alguma flexibilidade aos funcionários do JPMorgan Chase nos dias de partida, segundo o Financial Times.

Agências federais também estão adotando medidas mais flexíveis. Cidades como Nova York, Seattle, Los Angeles, Toronto e Cidade do México alertaram para congestionamentos severos à medida que dezenas de milhares de torcedores lotam estradas e sistemas de transporte público para assistir aos jogos.

Por mais que alguns CEOs queiram decretar o fim do trabalho remoto, ele simplesmente não desaparece. Os trabalhadores americanos passam mais de um quarto dos dias de trabalho remunerados em casa, segundo uma pesquisa mensal realizada por economistas da ITAM Business School e da Universidade Stanford. A pandemia pode não ter provocado uma revolução definitiva do home office, mas preparou trabalhadores e empresas para adotá-lo quando necessário.

“Evitar o trânsito da Copa do Mundo é um caso de uso perfeito para o trabalho remoto”, disse Emma Harrington, economista da Universidade da Virgínia que estuda o tema. “Ficar preso em congestionamentos não é uma boa utilização do tempo de ninguém.”

A S&P Global informou aos funcionários de sua sede em Nova York que planejem trabalhar de casa nos cinco dias úteis em que haverá partidas no estádio NYNJ, em East Rutherford, Nova Jersey, de acordo com um memorando obtido pela Bloomberg. A empresa está suspendendo temporariamente a exigência de dois dias presenciais por semana “para ajudá-lo a evitar um deslocamento difícil”, afirmou em um e-mail aos funcionários.

Instituições financeiras de Wall Street, incluindo o Goldman Sachs, também estão flexibilizando temporariamente suas políticas de presença, informou o Financial Times. A S&P Global recusou comentar; Goldman Sachs e JPMorgan não responderam aos pedidos de comentário.

O Departamento de Transporte da Cidade de Nova York afirmou esperar “congestionamento severo” nos dias de jogo. A cidade está fechando várias ruas na região central de Manhattan para criar corredores exclusivos para ônibus que transportarão torcedores até o estádio.

Nem todos os empregadores disseram aos funcionários para ficarem em casa. A Amazon enviou e-mails orientando os trabalhadores a saírem de casa mais cedo nos dias de partida para chegar ao escritório no horário e destacou opções de transporte para evitar congestionamentos.

Megaeventos esportivos são conhecidos por complicar deslocamentos e atrapalhar a rotina de trabalho. Londres adotou três semanas de trabalho remoto durante os Jogos Olímpicos de 2012. Mas o impacto da Copa do Mundo provavelmente será mais limitado porque as partidas estão distribuídas por 16 cidades, incluindo Boston, Dallas, Houston, Miami e Vancouver, disse Nicholas Bloom, economista de Stanford especializado em trabalho remoto e deslocamentos. Além disso, nenhuma cidade receberá mais de nove partidas.

“Isso é muito parecido com eventos climáticos — tempestades de neve, tempestades ou tornados” que podem exigir trabalho remoto, disse Bloom.

A agência de comunicação Talk Shop Media suspendeu temporariamente sua política de três dias presenciais por semana em seus escritórios de Toronto, Vancouver e Los Angeles, todas cidades-sede da Copa do Mundo.

“Para Los Angeles, isso é um bom ensaio para as próximas Olimpíadas”, afirmou a cofundadora da agência, Katie Dunsworth-Reiach.

Na Cidade do México, a presidente Claudia Sheinbaum anunciou medidas especiais antes da partida de abertura da Copa do Mundo, em 11 de junho, incluindo a adoção obrigatória do trabalho remoto para servidores federais e a suspensão das aulas na capital naquele dia, enquanto as autoridades se preparavam para os congestionamentos provocados pelos eventos ligados ao torneio e por protestos programados.

O governo mexicano também determinou trabalho remoto para servidores públicos em 17 e 24 de junho na Cidade do México e em 18 de junho em Guadalajara, onde partidas serão realizadas, além de recomendar que empregadores privados adotem medidas semelhantes. As escolas públicas também tiveram aulas suspensas nesses dias.

As medidas foram adotadas em meio a manifestações de grupos como o sindicato dos professores CNT e coletivos que representam famílias de pessoas desaparecidas, que afetaram a mobilidade na cidade. Alguns desses grupos afirmaram que continuarão realizando marchas antes dos próximos jogos.

Outras cidades-sede tomaram medidas semelhantes. Guadalajara recomendou ensino remoto e trabalho em casa nos dias de partidas. Já Monterrey evitou grandes transtornos até o momento e não anunciou restrições comparáveis, embora a associação industrial Caintra tenha informado que 53% de seus membros estão promovendo temporariamente o home office para funções administrativas.

Ainda assim, muitos trabalhadores da linha de frente em setores como hospitalidade, saúde e manufatura não têm escolha a não ser continuar se deslocando para o trabalho. Apenas metade dos trabalhadores americanos ocupa cargos que podem ser desempenhados remotamente, segundo pesquisas da Gallup.

Teneshia Murray, proprietária da rede de restaurantes T’s Brunch Bar, inspirada na culinária do sul dos Estados Unidos e sediada em Atlanta, começou a contratar funcionários extras em abril para manter suas quatro unidades abertas duas horas além do horário habitual nos dias de jogo. Murray disse que ela e sua equipe se prepararam para ver seus deslocamentos triplicarem quando Atlanta recebeu a primeira de oito partidas na semana passada.

Mas, com tantos profissionais de escritório trabalhando de casa, as estradas estavam surpreendentemente livres.

“Surpreendentemente, não havia trânsito”, disse Murray. “Todo mundo estava preocupado, e no fim não aconteceu nada. Na segunda-feira, as estradas estavam mais livres do que nunca.”

A mulher que rompeu o domínio da China sobre as terras raras

22 de Junho de 2026, 06:12

Quando Amanda Lacaze assumiu o cargo de CEO da mineradora australiana de terras raras Lynas, em 2014, poucos no setor acreditavam que ela teria sucesso.

Seu antecessor havia permanecido apenas 14 meses no cargo. As ações da empresa tinham despencado mais de 90% nos anos anteriores. A experiência de Lacaze era em marketing, não em mineração.

E, de alguma forma, ela precisava desafiar o domínio quase absoluto da China sobre as terras raras — uma tarefa estrategicamente importante, mas comercialmente ingrata.

Lacaze lembra de ter dito ao marido que, se não conseguisse recuperar a empresa, provavelmente nunca mais trabalharia.

“Na Austrália, somos menos tolerantes com o fracasso”, afirmou.

Ela conseguiu reverter a situação. Após 12 anos à frente da empresa, Lacaze, de 66 anos, deixará a companhia no fim de junho, depois de transformá-la em uma potência ocidental do setor de terras raras.

Em março, a Lynas anunciou um acordo preliminar para vender terras raras ao Pentágono, incluindo as escassas terras raras pesadas, que Pequim utilizou ao longo do último ano como instrumento de pressão sobre a indústria global.

O valor das ações da companhia é hoje cerca de 15 vezes maior do que quando ela assumiu o comando. A receita alcançou aproximadamente US$ 470 milhões nos nove meses encerrados em março, um aumento de 70% em relação ao mesmo período do ano anterior.

“Existe um motivo pelo qual não somos muito populares na China”, disse Lacaze após uma visita recente às instalações em expansão da empresa na Malásia, onde são processados os minerais extraídos da mina da companhia na Austrália.

Apesar da trégua comercial entre Estados Unidos e China, o acesso às terras raras dominadas pelos chineses continua sendo uma questão urgente para empresas em todo o mundo.

Os ímãs produzidos com esses minerais são componentes essenciais para as indústrias de eletrônicos, automóveis e defesa. A demanda cresce rapidamente com a expansão dos veículos elétricos, drones e outras tecnologias avançadas.

O cenário desencadeou uma espécie de corrida do ouro das terras raras, com governos ao redor do mundo investindo recursos em novas minas, unidades de processamento e fábricas de ímãs para reduzir a dependência da China.

Um relatório divulgado neste mês pelo Conselho Empresarial EUA-China concluiu que as restrições chinesas às exportações tornaram algumas terras raras praticamente impossíveis de obter. Quase metade das empresas consultadas afirmou estar procurando fornecedores viáveis fora da China, mas ainda não encontrou alternativas.

A Lynas tornou-se uma válvula de escape crucial. Junto com a americana MP Materials, é uma das poucas empresas alinhadas ao Ocidente capazes de separar elementos de terras raras em escala industrial — uma das razões pelas quais a China processa cerca de 90% desses minerais no mundo, e não 100%.

Quando Lacaze assumiu o cargo em 2014, a empresa tinha um grande trunfo: sua mina Mount Weld, localizada em um antigo vulcão erodido no oeste da Austrália, com uma concentração excepcionalmente alta de terras raras.

As ações da Lynas haviam disparado em 2010, quando restrições chinesas às exportações desses minerais obrigaram o resto do mundo a buscar fornecedores alternativos.

Mas a China retomou as exportações em larga escala poucos anos depois e os preços despencaram. A Molycorp, que pretendia ser a campeã americana das terras raras, declarou falência em 2015.

Muitos acreditavam que a Lynas seria a próxima.

Sua unidade de processamento em Kuantan, na Malásia, enfrentava dificuldades para separar quimicamente os diferentes elementos de terras raras.

“Tínhamos ativos que não funcionavam. Não estávamos gerando caixa”, disse Lacaze. “Senti que eles precisavam de alguém para lutar por eles. Para tentar de verdade.”

Ela cortou cargos em uma estrutura executiva inchada — herança do breve período em que a empresa figurou entre as 100 maiores da bolsa australiana — e fechou escritórios em Sydney e em outras localidades.

Em 2014, ela e a equipe executiva reduzida mudaram-se para Kuantan.

As dívidas pressionavam e Lacaze precisava reconquistar a confiança dos credores, que se sentiam enganados sobre a real situação da empresa.

Ela recorda viagens com orçamento apertado, incluindo uma estadia em um pequeno quarto do Holiday Inn Express, em Hong Kong, onde ficava um dos credores. O espaço era tão apertado que ela mal conseguia abrir a mala.

Lacaze escreveu uma carta a um credor apoiado pelo governo japonês, a Japan Australia Rare Earths, avisando que estaria em Tóquio. Apostou que a tradicional cortesia japonesa garantiria uma reunião.

O momento era decisivo: se os japoneses não aceitassem adiar os vencimentos da dívida, a Lynas seria esmagada.

No encontro, os representantes aceitaram, em linhas gerais, sua proposta de reestruturação. Foi um avanço fundamental que deu fôlego financeiro à companhia.

Os japoneses tinham motivos para serem flexíveis. Precisavam de uma fonte alternativa de terras raras para evitar que a China pudesse colocar suas indústrias eletrônica e automobilística em situação de dependência.

Enquanto negociava com os credores, a equipe de produção resolvia os problemas da fábrica na Malásia.

Cinco meses após assumir o cargo, Lacaze anunciou que 99% da produção de terras raras já atendia aos padrões de qualidade, contra apenas 48% pouco tempo antes.

“A Lynas veio para ficar”, declarou.

Ela atribui sua determinação à infância simples em Brisbane, na Austrália, onde era a quarta de cinco irmãos e precisava disputar comida com três irmãos mais velhos.

Após concluir uma pós-graduação em marketing na Australian Graduate School of Management, ocupou cargos de liderança em empresas australianas de telecomunicações, incluindo a Telstra.

Quando ingressou na Lynas, era novata no setor de terras raras, mas tinha confiança para fazer perguntas básicas.

“Eu sabia que não era burra e sabia que as pessoas perceberiam isso”, afirmou.

A partir de 2018, sucessivos governos da Malásia ameaçaram restringir as operações da Lynas devido a preocupações ambientais.

Lacaze afirma que a empresa sempre cumpriu integralmente as regulamentações e acabou autorizada a continuar operando.

Como plano de contingência, também construiu uma instalação paralela na Austrália para realizar uma etapa ambientalmente sensível do processamento, conhecida como “cracking and leaching”, concluída em 2024.

A persistência da empresa fez com que, em 2025, quando a China restringiu fortemente as exportações globais de determinadas terras raras e ímãs em resposta às medidas comerciais dos Estados Unidos, a Lynas estivesse pronta para ajudar a preencher a lacuna de oferta.

Desde então, a companhia captou cerca de US$ 600 milhões junto a investidores para expandir a produção e anunciou uma parceria com a Noveon, fabricante de ímãs de terras raras sediada no Texas.

Nem todos os projetos, porém, deram certo.

Em 2023, a Lynas anunciou um contrato de US$ 258 milhões com o Pentágono para construir uma unidade de processamento de terras raras no Texas. Após anos de negociações, a empresa abandonou o projeto em 2025.

Segundo Lacaze, a fábrica dificilmente alcançaria a mesma eficiência de custos das operações na Malásia.

Em vez disso, a rival MP Materials está construindo uma instalação de separação de terras raras pesadas na Califórnia com apoio do governo americano, cuja operação deve começar ainda este ano.

Para Lacaze, muitos governos abordam o problema da maneira errada.

Na sua avaliação, os recursos que países aliados do Ocidente estão investindo em novas plantas de terras raras seriam melhor empregados subsidiando clientes para escolher fabricantes ocidentais de ímãs em vez dos concorrentes chineses.

Caso contrário, há o risco de que os novos fornecedores ocidentais continuem sendo pressionados pelos preços mais baixos das empresas chinesas.

Após deixar a Lynas, Lacaze assumirá a liderança do Conselho de Minerais da Austrália, associação que representa o setor.

O comunicado da empresa sobre sua saída afirmou que ela estava se aposentando, mas ela não gosta desse termo.

“Acho que seria errado dizer que estou realmente me aposentando. Isso seria loucura”, disse.

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Estes são os principais CEOs dos EUA. Eles souberam aproveitar o momento — da pizza à tecnologia

19 de Junho de 2026, 15:25

Se o retorno das ações fosse a única medida da excelência de um CEO, estaríamos distribuindo prêmios este ano como brindes em feiras de negócios. Cerca de 37 empresas do S&P 500 dobraram o dinheiro dos acionistas nos últimos 12 meses. Outras 51 entregaram ganhos de pelo menos 50%.

Mas não é tão simples.

Um boom histórico na construção de data centers impulsionou fabricantes de chips, memória e infraestrutura digital. A questão é: quais empresas demonstraram mais habilidade em aproveitar o momento atual enquanto se preparavam para o futuro? Esse foi um dos principais critérios na seleção dos 25 nomes da lista anual dos melhores CEOs.

Houve outros fatores também.

As tarifas comerciais forçaram mudanças nas cadeias de suprimentos. A disparada do petróleo pressionou os orçamentos familiares, mas ampliou oportunidades para petroleiras. As ameaças cibernéticas cresceram. Os juros elevados favoreceram instituições financeiras ágeis. No setor farmacêutico, a pressão do governo por preços menores coincidiu com a revolução dos medicamentos contra a obesidade. No varejo, as empresas precisaram equilibrar a força do consumo de alta renda com a retração nas faixas mais baixas.

E há também um fator menos econômico: a vitória do New York Knicks. Seu principal nome entrou na lista — e não apenas porque o time conquistou seu primeiro título da NBA em 53 anos.

O processo de seleção não é um exercício de escolha de ações, embora preços elevados dos papéis sejam um sinal de trabalho bem executado. As empresas comandadas pelos vencedores do ano passado ficaram ligeiramente abaixo do mercado nos últimos 12 meses, mas continuam à frente quando o horizonte é de três anos.

Bons gestores fazem diferença.

A ideia é analisar quais estratégias funcionam para ajudar investidores a tomar melhores decisões no futuro.

A elite dos chips

A lista começa onde está a ação: os semicondutores.

Jensen Huang, da Nvidia, acelerou o ritmo de lançamento de produtos para manter a liderança no mercado de processadores para inteligência artificial. A empresa caminha para registrar um dos maiores lucros corporativos da história.

Para as gigantes da IA que preferem chips personalizados em vez de componentes genéricos, Hock Tan, da Broadcom, lidera o mercado em expansão dos ASICs (circuitos integrados de aplicação específica).

Os retornos acumulados das ações impressionam: cerca de 68.000% para a Nvidia sob Huang e 34.000% para a Broadcom sob Tan em duas décadas.

Já Lisa Su, que assumiu a AMD em 2014, ultrapassou a Intel em participação nos data centers. As ações da empresa avançaram aproximadamente 10.000% em dez anos.

Todos esses chips precisam estar conectados. E é aí que entra a Corning.

Wendell Weeks reinventou os produtos da companhia e ampliou significativamente a capacidade de fibras ópticas.

“Reinventamos todo o nosso portfólio. Hoje conseguimos oferecer cerca de quatro vezes mais fibra e conectividade no mesmo espaço”, afirmou.

Os vencedores da infraestrutura

Vinte e cinco anos após os famosos comerciais da Dell, Michael Dell agora vende plataformas completas de IA para empresas.

Sanjay Mehrotra, da Micron Technology, tem superado concorrentes para atender à demanda explosiva por memória de alto desempenho.

Nos últimos três anos, as ações da Corning subiram quase 400%, as da Dell Technologies avançaram cerca de 700% e as da Micron acumularam alta de 1.400%.

Mineração, energia e aviação

No setor de mineração, James Litinsky, da MP Materials, está ajudando os EUA a reduzir a dependência da China na produção de ímãs de terras raras.

Na energia, Darren Woods, da Exxon Mobil, ampliou a produção de forma eficiente e levou as ações da companhia a níveis recordes.

Já Larry Culp, da GE Aerospace, trabalhou junto aos fornecedores para aumentar a produção e destravar a fabricação de motores aeronáuticos altamente demandados.

Uma companhia aérea para investidores

Na Delta Air Lines, Ed Bastian criou um modelo raro no setor: uma companhia aérea vista como investimento de longo prazo.

“As pessoas decidiram que este produto — pelo menos o da Delta — deixou de ser uma commodity”, disse à Barron’s.

Mesmo com a alta do combustível de aviação, a geração de caixa segue forte. Em três anos, as ações da Delta dobraram o capital dos investidores, superando o mercado em 22 pontos percentuais.

Na FedEx, Raj Subramaniam integrou operações aéreas e terrestres, separou o negócio de cargas e entregou retornos expressivos.

Varejo: luxo e pizza

No varejo, Joanne Crevoiserat, da Tapestry (dona das marcas Coach e Kate Spade), implementou a estratégia Amplify, baseada em redes sociais, submarcas e novas categorias de produtos.

Darren Rebelez transformou a Casey’s General Stores de uma rede de postos de gasolina em uma das maiores redes de pizzarias dos EUA — atualmente a quinta maior do país.

Ambas acumularam retornos próximos de 300% em três anos.

A TJX, dona de redes como TJ Maxx e Marshalls, também brilhou sob o comando de Ernie Herrman, atraindo consumidores de renda mais alta em busca de descontos.

Bancos em transformação

No setor financeiro, Jamie Dimon, do JPMorgan Chase, reforçou equipes de ciência de dados para automatizar processos de gestão de risco e administração de ativos.

David Solomon, do Goldman Sachs, abandonou a aposta no banco de varejo e passou a focar no financiamento de empresas de inteligência artificial.

O Citigroup vive uma reestruturação liderada por Jane Fraser, que reduziu burocracias e diminuiu a presença em operações internacionais de varejo para focar em serviços institucionais mais rentáveis.

Na seguradora Chubb, Evan Greenberg substituiu cortes de pessoal por investimentos em aprendizado de máquina para aprimorar a subscrição de seguros, inclusive para data centers.

A corrida da inteligência artificial

Tim Cook, da Apple, manteve o crescimento dos negócios de hardware e serviços e ganhou tempo para a Siri ao firmar parceria com a OpenAI. Ele deixará o cargo em setembro, passando o comando para John Ternus.

Na Amazon, Andy Jassy reacelerou o crescimento da computação em nuvem impulsionada pela IA.

Sundar Pichai transformou a Alphabet de uma empresa centrada em buscas para uma potência comercial da inteligência artificial.

Satya Nadella, da Microsoft, reposicionou a estratégia da companhia, focando menos em chatbots e mais em automação integrada aos fluxos de trabalho corporativos.

Já George Kurtz, da CrowdStrike, recuperou a reputação da empresa após a falha global de software de dois anos atrás e lançou agentes de IA capazes de detectar e conter ataques cibernéticos mais rapidamente que analistas humanos.

CEOEmpresaDestaque
Jensen HuangNvidiaLiderança absoluta em chips para inteligência artificial
Hock TanBroadcomExpansão dos chips personalizados para IA (ASICs)
Lisa SuAMDAvanço da AMD sobre a Intel em data centers
Wendell WeeksCorningExpansão da infraestrutura de fibra óptica
Michael DellDell TechnologiesPlataformas de IA voltadas para empresas
Sanjay MehrotraMicron TechnologyAtende à explosão da demanda por memória para IA
James LitinskyMP MaterialsRedução da dependência americana de terras raras chinesas
Darren WoodsExxon MobilCrescimento eficiente da produção de petróleo
Larry CulpGE AerospaceAumento da produção de motores aeronáuticos
Ed BastianDelta Air LinesTransformação da companhia aérea em investimento de longo prazo
Raj SubramaniamFedExReestruturação e integração das operações
Joanne CrevoiseratTapestryExpansão das marcas Coach e Kate Spade
Darren RebelezCasey’sTransformou postos de gasolina em uma potência da pizza
Ernie HerrmanTJX CompaniesCrescimento do varejo de descontos
Jamie DimonJPMorgan ChaseAutomação e fortalecimento dos mercados de capitais
David SolomonGoldman SachsFoco em assessoria e financiamento para empresas de IA
Jane FraserCitigroupReestruturação e simplificação do banco
Evan GreenbergChubbUso de IA para melhorar subscrição de seguros
Tim CookAppleExpansão de serviços e estratégia de IA
Andy JassyAmazonRetomada do crescimento da computação em nuvem
Sundar PichaiAlphabetTransformação do Google em potência de IA
Satya NadellaMicrosoftIA integrada aos processos corporativos
George KurtzCrowdStrikeSegurança cibernética impulsionada por IA
Dave RicksEli LillyEscala global dos medicamentos contra obesidade
James DolanMadison Square Garden SportsValorização dos ativos esportivos e de entretenimento

O remédio para obesidade e o título dos Knicks

No setor farmacêutico, Dave Ricks, da Eli Lilly, conseguiu manter o fornecimento constante de um dos mais bem-sucedidos medicamentos contra a obesidade do mercado — um feito tanto industrial quanto científico.

Por fim, há o caso de James Dolan, controlador da Madison Square Garden Sports, dona do New York Knicks e do New York Rangers.

Embora o herói esportivo da cidade seja Jalen Brunson, que liderou a conquista do primeiro título da NBA dos Knicks em 53 anos, os negócios de Dolan também estão prosperando.

Sua empresa Sphere Entertainment, responsável pela gigantesca arena esférica de Las Vegas, acumulou valorização próxima de 300% em apenas um ano.

Um desempenho digno de um tricampeonato — ou, como diriam os fãs dos Knicks, de uma atuação à altura de Brunson.

Copa do Mundo: ingressos para os jogos mais disputados já passam de US$ 4 mil

19 de Junho de 2026, 09:43

Antes do início da Copa do Mundo, os torcedores reclamavam dos preços dos ingressos — os mais altos já registrados na história do torneio. Críticos questionavam se os valores despencariam antes do pontapé inicial e se grandes áreas vazias nos estádios acabariam constrangendo a estratégia de precificação da FIFA.

Após a primeira semana de jogos, porém, a demanda por ingressos se manteve firme nas plataformas de revenda. Os preços permaneceram estáveis e, em alguns casos, até aumentaram. Os estádios também estão próximos da lotação máxima, enquanto os ingressos para as partidas mais aguardadas da fase inicial chegaram a superar US$ 4 mil.

A FIFA, entidade máxima do futebol mundial, adotou estratégias de venda mais agressivas do que em edições anteriores, incluindo preços dinâmicos, liberações escalonadas de ingressos e a promoção de sua própria plataforma de revenda. O torneio deve gerar US$ 11 bilhões em receitas, o maior valor da história da competição. Isso levou alguns torcedores a acusarem a organização de priorizar os lucros em detrimento de uma experiência acessível e agradável para fãs do mundo todo.

“Isso gerou certa confusão e frustração entre os torcedores que queriam assistir às partidas”, disse Michael Johnson, analista da S&P Global. “Muitos esperavam que os preços caíssem após o início do torneio, mas isso realmente não aconteceu.”

A Copa do Mundo deste ano está sendo disputada na América do Norte, com jogos em 16 cidades dos Estados Unidos, Canadá e México. Nos dias que antecederam o torneio e em algumas das primeiras partidas, surgiram relatos de assentos vazios e ingressos ainda disponíveis no site oficial da FIFA. Isso sugeria que os torcedores estavam rejeitando os preços elevados dos ingressos ou dos custos de transporte.

Mas, apesar da repercussão negativa, a procura por ingressos premium continua forte e a oferta permanece limitada, segundo Kevin Near, analista da Bloomberg Intelligence. Isso tem ajudado as vendas primárias, embora ele espere um aquecimento ainda maior do mercado de revenda conforme o torneio avance. A primeira rodada da fase de grupos também foi bastante empolgante, impulsionando a demanda, com uma das maiores zebras da história das Copas e atuações brilhantes de grandes estrelas do futebol, incluindo um hat-trick de Lionel Messi pela Argentina.

Chris Leyden, diretor sênior de marketing da SeatGeek Inc., afirmou que a FIFA provavelmente definiu preços semelhantes aos cobrados em grandes eventos esportivos nos Estados Unidos. Em 12 de junho, o preço médio de um ingresso para a fase de grupos da Copa na plataforma era de US$ 750, valor comparável ao de uma partida dos playoffs da NFL. Nos cinco dias seguintes, 84% dos jogos registraram aumento de preços na plataforma.

“O que vimos no mercado de revenda é que muitos jogos da Copa acabaram ficando com preços muito próximos daqueles estabelecidos pela FIFA”, afirmou.

Os preços e a disponibilidade variam bastante dependendo das seleções envolvidas e dos resultados obtidos. Após a seleção dos Estados Unidos conquistar uma vitória recorde sobre o Paraguai na estreia, por exemplo, o preço médio dos ingressos para a partida de 19 de junho contra a Austrália, em Seattle, disparou 68%, chegando a US$ 2.314, segundo dados compilados pelo agregador Ticket Data. Já os ingressos para o confronto contra a Turquia, em Los Angeles, no dia 25 de junho, subiram 105% nos últimos dias, para US$ 2.150.

Enquanto isso, partidas como México x Coreia do Sul ou Colômbia x Portugal registraram aumentos de apenas 15%, mas os preços já eram extremamente elevados. O duelo entre Colômbia e Portugal, equipe do astro Cristiano Ronaldo, em Miami, custa em média US$ 2.573, segundo Leyden.

A imprevisibilidade dos resultados também significa que alguns torcedores — inclusive aqueles que compraram ingressos antes da definição dos grupos, em dezembro — podem acabar tendo prejuízo ao revendê-los por um valor inferior ao pago originalmente.

Atualmente, o jogo mais barato na SeatGeek é o confronto da fase de grupos entre Cabo Verde e Arábia Saudita, em Houston, no dia 26 de junho, com preço médio de US$ 236, informou Leyden.

Taylor Swift

Mesmo assim, os ingressos da Copa ainda são, em média, mais baratos do que os vendidos para a turnê Eras Tour de Taylor Swift, afirmou o executivo. Ele espera, porém, que os valores se aproximem conforme o torneio se aproxima da reta final. A turnê mundial da cantora, realizada ao longo de quase dois anos em 51 cidades de 21 países, gerou um recorde de US$ 2,2 bilhões em receitas. O preço médio de revenda na América do Norte foi estimado em US$ 3.801.

A FIFA também vem promovendo sua própria plataforma de revenda, o que pode dificultar que os torcedores encontrem opções mais acessíveis. A entidade cobra uma taxa de transação de 15% tanto do comprador quanto do vendedor. Segundo Leyden, essa taxa é “consideravelmente alta” em comparação com outras plataformas, embora ele tenha se recusado a revelar a estrutura de tarifas da SeatGeek.

Também há especulações de que a FIFA esteja transferindo ingressos não vendidos para mercados secundários, segundo Johnson, da S&P Global.

“Isso cria uma sensação de escassez artificial, incentivando os torcedores a pagar preços mais altos tanto no mercado primário quanto no secundário”, afirmou. A FIFA não respondeu aos pedidos de comentário.

Alex Bird, editor do blog Ticket-Compare.com, que monitora preços de ingressos para partidas de futebol em plataformas de revenda, afirmou que parte da razão para os preços elevados foi justamente desencorajar a revenda. Segundo ele, o sistema de liberações escalonadas também contribuiu para inflacionar os preços ao limitar a oferta disponível.

Essas estratégias prejudicam principalmente os torcedores locais, que são justamente os mais propensos a comprar ingressos de última hora no mercado secundário. Quem viaja de outras cidades ou países geralmente adquire os ingressos com antecedência para organizar passagens e hospedagem.

“Não é algo que você vai deixar para resolver no mercado de revenda na última hora”, disse. “Isso é coisa para quem mora na cidade.”

Algumas sedes também não tiveram sorte na distribuição das partidas. Um estudo da Ticket-Compare apontou que San Francisco e Atlanta são as duas cidades mais baratas dos Estados Unidos para comprar ingressos, em parte porque recebem seleções de menor apelo, como Jordânia, Argélia e República Tcheca. Mas a combinação de preços ainda elevados e equipes menos atraentes pode resultar em arquibancadas esvaziadas.

“Observando a situação agora, é possível concluir que haverá um número significativo de assentos vazios nesses estádios”, afirmou Bird.

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Com que rapidez o Estreito de Ormuz pode voltar a operar normalmente?

19 de Junho de 2026, 06:07

Os preços do petróleo estão sendo negociados abaixo de US$ 80 por barril após o presidente Donald Trump assinar um acordo para encerrar a guerra com o Irã, movimento que os investidores esperam que alivie uma das maiores interrupções de oferta das últimas décadas.

Mas traders e executivos do setor energético afirmam que o mercado de petróleo e de outras matérias-primas essenciais para a economia global continuará apertado por semanas, possivelmente meses. Navios precisam ser reposicionados, infraestruturas danificadas precisam ser reparadas e estoques esgotados terão de ser reconstruídos.

Isso significa que o memorando de entendimento — que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã após os EUA suspenderem sanções sobre as vendas de petróleo iraniano — deve funcionar mais como a abertura gradual de uma válvula de alívio do que como a liberação imediata de um fluxo intenso.

Pelo acordo, o Irã já deveria ter suspendido seu bloqueio ao estreito e iniciado os preparativos para garantir a passagem segura de embarcações comerciais. Até agora, porém, o avanço parece lento.

Os navios já estão voltando a navegar no Golfo Pérsico?

Até a manhã de quinta-feira, o tráfego próximo ao Estreito de Ormuz permanecia reduzido, segundo marítimos e empresas de rastreamento de embarcações.

Ainda assim, alguns navios — incluindo três petroleiros transportando petróleo saudita e um navio de gás natural liquefeito (GNL) com bandeira francesa — cruzaram a hidrovia, de acordo com a empresa de dados Kpler.

Outras embarcações estão se preparando para a travessia. Tripulações relataram que estão limpando os cascos, reabastecendo combustível e embarcando suprimentos para cruzar o estreito nos próximos dias.

Marítimos ancorados perto de Dubai disseram ter observado superpetroleiros se deslocando em direção à entrada do estreito.

Até o momento, a Marinha iraniana não informou oficialmente, por rádio, que a passagem foi reaberta.

Em uma gravação obtida pelo The Wall Street Journal, a Marinha Sepah — unidade especial subordinada à Guarda Revolucionária Islâmica — informou na quinta-feira que a travessia continua proibida. Segundo a corporação, a passagem ainda depende de autorização e escolta militar.

A Kpler registrou apenas seis travessias verificadas em 17 de junho. A maioria utilizou a rota costeira iraniana e uma embarcação navegou sem transmitir sinal de localização.

Em junho, cerca de dez navios por dia atravessaram o estreito, muito abaixo dos mais de cem registrados diariamente antes da guerra.

Quanto tempo levará para o Estreito de Ormuz voltar ao normal?

O acúmulo de embarcações paradas, a necessidade de troca de tripulações e períodos de descanso indicam que o tráfego não voltará ao normal por várias semanas, talvez meses.

Analistas da Kpler estimam que o movimento possa atingir cerca de 50% dos níveis pré-guerra — aproximadamente 50 a 60 embarcações por dia — dentro de um mês, desde que não ocorram novos contratempos.

A normalização completa pode levar meses, afirmou Sheila Cameron, diretora-executiva da associação Lloyd’s Market Association, que representa seguradoras ligadas ao mercado de Londres.

Segundo ela, os armadores precisam de garantias sobre a remoção de minas marítimas, a reabertura integral da infraestrutura portuária e regras claras para pagamento de tarifas.

A principal preocupação continua sendo a presença de minas navais. Por isso, os navios devem permanecer próximos às costas do Irã e de Omã até que a rota central do estreito seja considerada segura, limitando o número diário de travessias.

O acordo firmado na quarta-feira prevê que o Irã discuta a futura administração do estreito com Omã e outros países do Golfo.

O bloqueio naval dos EUA já foi suspenso?

O processo já começou.

Pelo acordo de paz, os EUA devem iniciar imediatamente a retirada do bloqueio naval e concluí-la em até 30 dias.

Sinais de flexibilização surgiram antes mesmo da assinatura do pacto. Três petroleiros transportando mais de 5 milhões de barris de petróleo iraniano deixaram o porto de Chabahar e cruzaram a linha do bloqueio americano na terça-feira.

Outras embarcações com bandeira iraniana fizeram o mesmo na quarta e na quinta-feira, segundo empresas de monitoramento marítimo.

Quando petróleo, GNL e fertilizantes retidos no Golfo chegarão ao mercado?

Produtores de petróleo e gás provavelmente não retomarão totalmente as operações interrompidas até que os petroleiros retornem ao Golfo Pérsico.

Mesmo após a retomada do tráfego, serão necessárias semanas para que o petróleo alcance compradores em mercados distantes.

Segundo Michael Haigh, chefe de pesquisa de commodities do Société Générale, se o estreito reabrir no fim de junho, o alívio na oferta só será percebido no final de agosto, enquanto uma normalização mais consistente não deve ocorrer antes de setembro.

Até lá, consumidores continuarão consumindo estoques em julho e agosto, ampliando a pressão sobre reservas já reduzidas.

Quando a produção de petróleo voltará aos níveis anteriores à guerra?

Produtores do Oriente Médio reduziram a produção em mais de 11 milhões de barris por dia em maio em comparação com os níveis pré-guerra, segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA.

A retomada envolve obstáculos logísticos e desafios de engenharia significativos.

De acordo com Francis Osborne, chefe de análise de petróleo da Argus Media, restaurar a produção regional aos níveis anteriores à crise pode levar entre quatro e seis meses.

A International Energy Agency estima que metade dos campos petrolíferos do Golfo possa voltar à produção normal em até duas semanas e cerca de 80% em seis semanas.

Os 20% restantes, concentrados principalmente no Iraque e no Kuwait, representam os maiores desafios. Alguns podem nunca recuperar totalmente os níveis anteriores à guerra.

No Iraque, a saída de trabalhadores estrangeiros e danos à infraestrutura dificultaram a avaliação das condições dos campos. Em alguns poços, substâncias semelhantes à parafina e ao asfalto podem ter obstruído a produção.

A consultoria Wood Mackenzie estima que os campos do sul do Iraque precisarão de cerca de nove meses para recuperar 85% da produção pré-guerra.

Já a Rystad Energy calcula que os reparos na infraestrutura energética danificada custarão pelo menos US$ 58 bilhões.

Qual será o impacto da recomposição dos estoques?

Os estoques globais de petróleo caíram cerca de 350 milhões de barris entre março e maio, segundo dados da IEA — volume equivalente a aproximadamente três dias e meio do consumo mundial.

Nos EUA, executivos do setor afirmam que serão necessários meses para recompor as reservas estratégicas mesmo após a reabertura do estreito.

Desde o fim de março, mais de 70 milhões de barris foram retirados da Reserva Estratégica de Petróleo americana, de um total de 172 milhões autorizados pelo governo Trump.

Mantido o ritmo atual, esse limite poderá ser atingido no início de setembro, deixando a reserva em cerca de 243 milhões de barris — muito abaixo do pico superior a 700 milhões de barris registrado em 2009.

Escreva para Rebecca Feng em rebecca.feng@wsj.com e para Georgi Kantchev em georgi.kantchev@wsj.com.

Cuba aprova mudanças pró-mercado após pressão de Trump

18 de Junho de 2026, 15:02

A liderança de Cuba aprovou uma ampla lista de 176 medidas de liberalização econômica que abrangem 23 áreas centrais, enquanto o país caribenho tenta resgatar uma economia estagnada que sofre com as sanções dos EUA.

O comitê central do Partido Comunista aprovou as medidas no fim da quarta-feira (17), segundo o jornal estatal Granma. A Assembleia Nacional foi convocada para uma sessão extraordinária nesta quinta-feira para ratificá-las.

O presidente Miguel Díaz-Canel havia sinalizado as reformas pela primeira vez na semana passada. Elas atingem praticamente todos os setores da economia, incluindo energia, agricultura e comércio exterior. Ainda não está claro, porém, se serão suficientes para satisfazer o presidente dos EUA, Donald Trump, que impôs à ilha um bloqueio de fato ao abastecimento de combustíveis e vem ampliando agressivamente as sanções na tentativa de pôr fim a quase sete décadas de governo de partido único.

Entre as medidas destacadas pelo governo cubano estão:

  • Estabelecer “regras jurídicas uniformes” para empresas estatais e privadas, bem como para investidores estrangeiros e nacionais;
  • Permitir a participação do setor privado em mais áreas da economia;
  • Eliminar a maior parte dos controles de preços, que o governo reconheceu terem fracassado no combate à inflação e provocado distorções econômicas;
  • Iniciar um processo de renegociação para trocar dívida pública por ativos domésticos;
  • Criar um “marco estável” para promover investimentos, transferência de tecnologia e doações de cubanos que vivem no exterior;
  • Autorizar investimento estrangeiro direto no setor privado, com regras claras sobre propriedade, resolução de disputas e distribuição de lucros;
  • Garantir aos agricultores acesso a moeda estrangeira e o direito de importar suas próprias matérias-primas sem intermediários estatais;
  • Conceder maior autonomia a empresas estatais e municípios;
  • Fundir instituições estatais e governamentais para eliminar funções duplicadas;
  • Eliminar impostos e tarifas sobre tecnologias de energia solar e permitir que empresas estrangeiras forneçam diretamente ao mercado painéis, baterias e inversores;
  • Reduzir o déficit fiscal por meio do aumento de impostos e do corte de gastos considerados desnecessários.

Além da abertura econômica, Trump e o secretário de Estado Marco Rubio exigem reformas políticas e uma mudança na liderança do país. O cerco cada vez mais rígido imposto pelos EUA agravou os apagões e comprometeu os sistemas de saúde pública e transporte. A Organização das Nações Unidas teme uma crise humanitária em formação, apontando, entre outros indicadores, o aumento da mortalidade infantil.

Ao falar após a reunião do comitê central na quarta-feira, Díaz-Canel atribuiu as dificuldades de Cuba ao embargo econômico dos EUA e ao amplo conjunto de sanções que afastou empresas estrangeiras.

“A realidade nos impõe mudanças urgentes e necessárias”, disse. “E quando a vida do povo se torna tão difícil, o primeiro dever do Partido Comunista e do governo revolucionário não é explicar melhor a crise, mas mudar o que precisa ser mudado para sair dela.”

O presidente cubano também afirmou que as reformas econômicas contam com o aval de Raúl Castro, o líder revolucionário de 95 anos que ainda exerce influência simbólica sobre o país. Em maio, o Departamento de Justiça dos EUA tornou pública uma acusação contra Castro por homicídio relacionada à derrubada, em 1996, de duas aeronaves civis.

Volkswagen sob pressão: investidores cobram avanço da reestruturação diante da ofensiva chinesa em elétricos

18 de Junho de 2026, 10:53

O CEO da Volkswagen, Oliver Blume, enfrenta pressão crescente dos acionistas para demonstrar que sua reestruturação avança com rapidez suficiente, enquanto o corte profundo nas projeções da BMW amplia as preocupações sobre as perspectivas da indústria automotiva alemã.

Na assembleia anual da VW, realizada nesta quinta-feira (18), investidores questionam se os esforços dos últimos três anos sob a liderança de Blume são suficientes diante da reorganização do setor impulsionada pelos campeões de veículos elétricos da China. Em jogo está a capacidade da maior montadora da Europa de financiar seu futuro e manter o pagamento de dividendos que sustenta sua atratividade para investidores.

“Sem uma reestruturação decisiva, a Volkswagen corre o risco de um declínio gradual”, afirmou Tanja Bauer, especialista em sustentabilidade e governança corporativa da Deka Investment, uma das maiores gestoras de fundos da Alemanha. Os acionistas precisam de “um modelo de negócios que volte a gerar retornos de forma confiável”.

Embora Blume possa apontar avanços, como a redução dos custos de desenvolvimento e a liderança em vendas de veículos elétricos na Europa, as mudanças têm gerado atritos com trabalhadores e também dentro da própria governança da empresa. A ex-CEO da Renk, Susanne Wiegand, anunciou nesta quinta-feira que deixará o conselho de supervisão menos de um ano após assumir o cargo.

A saída ocorre em um momento sensível, no qual o conselho avalia a venda de uma unidade de motores marítimos que pode ser avaliada em €8 bilhões (cerca de US$ 8,7 bilhões) ou mais. A decisão também reduz a presença de vozes industriais externas em um momento em que a montadora lida com preocupações de investidores sobre governança e estratégia.

Além das disputas internas, a VW ainda enfrenta tarifas dos EUA, fraqueza persistente na China e sua própria complexidade estrutural, levando Blume a buscar novos cortes e simplificações.

A projeção da Volkswagen — que atualmente prevê margem operacional de pelo menos 4% neste ano — está sob pressão após a BMW reduzir fortemente suas expectativas de rentabilidade, para até 1%. A rival de luxo da Porsche e da Audi atribuiu o corte à queda na China e à demanda mais fraca em outros mercados, em meio às tensões no Oriente Médio.

China

A China é a principal preocupação. As vendas de carros no país caíram mais de 20% em maio, com a demanda por veículos a combustão — ainda base das receitas da VW e da BMW — recuando quase 40%. A deterioração levou analistas a revisarem para baixo as projeções anuais de vendas.

Enquanto as montadoras alemãs lançam novos produtos e parcerias, a forte concorrência local e os descontos agressivos ameaçam deixá-las fora do maior mercado automotivo do mundo.

A BMW está sendo atingida pelas mesmas pressões que afetam Volkswagen e Mercedes-Benz, levantando dúvidas sobre o modelo de negócios do setor e sua viabilidade de longo prazo. As três empresas vêm cortando empregos e reduzindo capacidade produtiva.

O corte “radical” de lucros é um “alerta para a indústria automotiva”, afirmou o analista do JPMorgan José Asumendi.

Na Volkswagen, Blume promove mudanças relevantes, incluindo a tentativa de venda da unidade de motores marítimos Everllence e a saída de cerca de 28 mil trabalhadores. A empresa também reduziu sua capacidade de produção de 12 milhões para cerca de 9 milhões de veículos por ano.

No entanto, o mundo também mudou. Marcas como Audi e Porsche estão especialmente expostas às tarifas dos EUA, já que importam todos os veículos vendidos no país.

A meta de margem da VW — atualmente de 4% a 10% até 2030 — enfrenta dificuldades adicionais após o corte das projeções da BMW. Para alcançá-la, Blume precisa simplificar um grupo que reúne marcas de massa, luxo, serviços financeiros, software e caminhões, cuja escala antes era vantagem competitiva, mas agora se tornou um peso.

A complexidade também se reflete no portfólio: mais de 150 modelos de veículos, com sobreposição significativa entre marcas como VW, Skoda, Seat e Audi.

Apesar disso, há um cenário otimista. A Audi acelera sua reestruturação com novos modelos e avalia produção local nos EUA para contornar tarifas. A Porsche, sob nova liderança, promete cortes de custos e uma nova estratégia para recuperar margens.

Na China, a VW tenta recuperar espaço com desenvolvimento mais rápido, engenharia mais barata e parcerias com empresas locais como Xpeng e SAIC.

Ainda assim, investidores veem com ceticismo novas promessas de transformação desde a crise do diesel, diante da dificuldade de implementar mudanças profundas na estrutura do grupo.

A governança da Volkswagen, que envolve sindicatos, políticos e a família Porsche-Piëch, é vista como um dos principais obstáculos. Para analistas, essa estrutura torna cortes mais agressivos e mudanças rápidas extremamente difíceis de serem aprovadas.

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Braskem e IG4 Capital enfrentam resistência de credores em plano de reestruturação extrajudicial

18 de Junho de 2026, 10:31

A Braskem e sua nova acionista controladora, a IG4 Capital, enfrentam dificuldades para obter apoio suficiente para avançar com uma proposta de reestruturação extrajudicial, em meio a divergências sobre tratamento desigual entre credores e falta de injeção de capital, segundo pessoas com conhecimento do assunto.

A petroquímica até agora não conseguiu assegurar o apoio de credores em número suficiente para cumprir o limite legal necessário à chamada recuperação extrajudicial, que planejava pedir até julho, disseram as pessoas, que pediram anonimato para tratar de conversas privadas. A falta de acordo aumentaria as chances de uma medida cautelar contra credores, acrescentaram.

Credores resistem aos planos apresentados pela Braskem porque resultariam em tratamento desigual ao longo da estrutura de capital, com detentores de títulos de prazo mais curto recebendo condições mais favoráveis — e, portanto, enfrentando um haircut implícito menor — do que credores de prazo mais longo, segundo as pessoas. Alguns credores também manifestaram preocupação com as garantias oferecidas e com a ausência de uma opção para converter dívida em ações, acrescentaram.

Detentores de dívida também reclamam que os acionistas da Braskem não estão aportando dinheiro novo na companhia, disseram as pessoas. A Petrobras detém uma participação minoritária significativa na Braskem, enquanto a IG4 assumiu recentemente a fatia de controle da Novonor SA. Tanto a Petrobras quanto a IG4 têm resistido a injetar mais capital, o que credores suspeitam ocorrer porque ambas temem medidas que poderiam diluir suas participações, disseram as pessoas.

Braskem e IG4 não quiseram comentar. A Petrobras não respondeu a pedidos de comentário.

O caixa da Braskem encolheu após um desastre ambiental em uma de suas minas de sal e vários anos difíceis de preços deprimidos no setor petroquímico. A companhia apresentou aos credores um potencial plano de reestruturação que inclui alongamento dos vencimentos da dívida, redução do pagamento de cupons e períodos de carência mais longos, disse uma pessoa familiarizada com o assunto no início deste mês. O plano não inclui injeção de capital nem conversão de dívida em ações, segundo a pessoa.

A gigante petroquímica brasileira precisa do apoio de um terço dos credores para iniciar um processo de recuperação extrajudicial.

*Giovanna Bellotti Azevedo e Rachel Gamarski da Bloomberg

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Suíça perde liderança e deixa de ser a economia mais competitiva do mundo

18 de Junho de 2026, 09:34

A Suíça perdeu sua posição como a economia mais competitiva do mundo para Singapura, caindo para o terceiro lugar no ranking, à medida que as elevadas tarifas comerciais dos Estados Unidos e a valorização do franco suíço prejudicaram os fluxos de investimento.

Embora tenha permanecido como o país europeu mais bem colocado, a Suíça também foi ultrapassada por Hong Kong no Ranking Mundial de Competitividade 2026 do IMD, divulgado nesta quinta-feira (18). A eficiência empresarial foi o principal fator para que Singapura retornasse ao primeiro lugar, posição que havia ocupado pela última vez em 2024.

O IMD afirmou que a queda da Suíça mostra como até mesmo as economias mais fortes do mundo permanecem vulneráveis às mudanças nos fluxos de capital e ao aumento das incertezas geopolíticas. O revés ocorre em um momento em que o país enfrenta concorrência crescente: segundo o Boston Consulting Group, Hong Kong recentemente ultrapassou a Suíça como o maior centro mundial de gestão de fortunas transfronteiriças.

“Com uma moeda cara, vemos claramente uma deterioração nos rankings de preços, o que prejudica a atração de capital”, afirmou Arturo Bris, diretor do Centro Mundial de Competitividade do IMD. “E observamos a maior queda justamente na atração de investimento estrangeiro; o desempenho da Suíça foi significativamente inferior.”

Os fluxos de investimento direto estrangeiro para a Suíça passaram para um saldo negativo de US$ 60,7 bilhões, colocando o país na última posição entre as 70 economias avaliadas pelo IMD nesse indicador. Segundo a instituição, o movimento pode refletir ajustes de avaliação de ativos e repatriação de capital, e não necessariamente uma mudança estrutural permanente.

Parte desses fluxos é volátil e reflete investimentos em instituições financeiras e empresas holdings, explicou Ivo Germann, diretor de Assuntos Econômicos Externos da Secretaria de Estado para Assuntos Econômicos da Suíça.

“A Suíça enfrenta desafios, como muitos outros países, em um ambiente geopolítico cada vez mais instável, que precisará enfrentar nos próximos anos”, disse Germann. “Diante das tendências protecionistas e do enfraquecimento do sistema multilateral de comércio, o país deve continuar melhorando e diversificando seu acesso aos mercados estrangeiros por meio da agenda de acordos de livre comércio, que foi muito bem-sucedida no passado.”

Nos últimos 12 meses, a reputação da Suíça como refúgio de estabilidade política e econômica teve de conviver com debates internos importantes, incluindo referendos sobre limitar a população do país a 10 milhões de habitantes e a proposta de um imposto de 50% sobre heranças para residentes super-ricos.

A pequena nação, sede de instituições financeiras como UBS Group AG e da gigante alimentícia Nestlé SA, também entrou na mira do governo do presidente americano Donald Trump devido ao seu elevado superávit comercial com os Estados Unidos. O país chegou a receber a maior tarifa entre as economias ocidentais durante certo período, o que prejudicou o sentimento em relação ao setor privado suíço, segundo Bris.

“As tarifas certamente afetam mais os países pequenos e relativamente isolados, e a Suíça é uma vítima disso”, afirmou.

O relatório também destacou desafios no mercado de trabalho e no ambiente empresarial suíço. A remuneração de profissionais altamente qualificados, a participação feminina em cargos de gestão e a atividade empreendedora em estágio inicial foram apontadas entre os indicadores de pior desempenho do país.

Apesar da queda no ranking geral, a Suíça manteve a liderança mundial em eficiência governamental e infraestrutura, enquanto a eficiência empresarial permaneceu na sexta posição.

O IMD ressaltou que seus indicadores estatísticos são baseados principalmente em dados macroeconômicos de 2025 e ainda não incorporam integralmente os impactos da guerra envolvendo o Irã.

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Exclusões de Palmer e Luna da Copa mostram riscos do marketing esportivo

18 de Junho de 2026, 09:08

Quando a Nike revelou um anúncio de seis minutos para a Copa do Mundo, a atenção se concentrou no elenco que reunia estrelas do futebol como Cristiano Ronaldo e Kylian Mbappé ao lado de celebridades como Kim Kardashian.

Mas uma participação em Rip the Script, vídeo que já acumulou 76 milhões de visualizações no YouTube, chamou atenção por outro motivo. Por volta dos quatro minutos de duração, Cole Palmer aparece driblando com a camisa da Inglaterra, apesar de não ter sido convocado para a seleção do país. Sua ausência evidencia os desafios do marketing esportivo.

“É um tiro no escuro”, disse Bob Dorfman, profissional de marketing esportivo da região da Baía de São Francisco.

As marcas gastam milhões de dólares criando campanhas para grandes eventos esportivos em torno de atletas. No entanto, como a produção é feita com muita antecedência, os profissionais de marketing precisam fazer apostas calculadas sobre quem chegará ao maior palco do esporte.

Ao longo dos anos, houve diversas apostas equivocadas. Talvez o caso mais famoso tenha ocorrido em 1992, quando a campanha olímpica “Dan and Dave”, amplamente promovida pela Reebok, foi prejudicada depois que o decatleta Dan O’Brien não conseguiu se classificar para os Jogos de Barcelona.

Os profissionais de marketing também apostaram no meio-campista Diego Luna para ter papel de destaque na seleção dos Estados Unidos, que disputa uma Copa do Mundo em casa pela primeira vez em três décadas. A Nike o colocou em evidência na apresentação do novo uniforme da seleção americana, e o Bank of America o destacou em um comercial antes do torneio.

Mas, assim como Palmer, Luna ficou fora da lista final de convocados, anunciada no fim do mês passado, em uma decisão que a revista Sports Illustrated classificou como “surpreendente”.

Luna vinha sendo preparado para ser um dos rostos da seleção americana nesta Copa do Mundo, mas acabou não integrando o elenco.

Em comunicado, um porta-voz da Nike não comentou especificamente os casos de Palmer e Luna, mas afirmou que a empresa acredita que o esporte pode inspirar as pessoas “não porque todos os atletas vencem, mas porque ousam tentar”.

O Bank of America não respondeu aos pedidos de comentário.

Os riscos para as marcas são especialmente elevados nesta Copa do Mundo porque o torneio está sendo realizado em conjunto pelos Estados Unidos, maior economia de consumo do mundo. Tanto a Nike quanto sua rival Adidas vêm enfrentando dificuldades nos últimos anos para retomar o crescimento, e a competição representa uma grande oportunidade para conquistar consumidores.

As grandes marcas tentam reduzir os riscos de um atleta não ser convocado, sofrer uma lesão ou decepcionar dentro de campo investindo em vários jogadores ao mesmo tempo.

Adidas

Assim como a Nike, a Adidas utiliza diversas estrelas em sua campanha para a Copa. O vídeo de cinco minutos Backyard Legends reúne o ator Timothée Chalamet e jogadores como Lionel Messi, Jude Bellingham e Trinity Rodman.

“Não vejo muitas grandes marcas colocando todos os ovos na mesma cesta”, afirmou Jim Andrews, consultor de patrocínios e fundador da A-Mark Partnership Strategies. “Seria arriscado demais, especialmente em uma Copa do Mundo, quando marcas globais tentam atingir uma audiência global.”

A diversificação não é a única estratégia para enfrentar a volatilidade do esporte. Muitos atletas são contratados por sua relevância cultural fora dos campos. No caso de Luna, ele também é um conhecido defensor da saúde mental, característica que pode torná-lo um parceiro atraente para marcas.

Além disso, muitos esportistas assinam contratos de patrocínio de longo prazo, que vão além de um único ciclo de torneios, ajudando a reduzir o impacto de eventuais decepções esportivas. Messi possui um acordo vitalício de marketing com a Adidas, enquanto Ronaldo mantém um contrato semelhante com a Nike.

Meses atrás, o técnico da seleção masculina dos Estados Unidos, Mauricio Pochettino, já havia alertado que as decisões de publicidade ligadas à Copa não eram um indicativo de quem seria convocado.

“Os jogadores que hoje estão na lista não podem pensar que estarão na convocação final”, afirmou Pochettino em março, antes de partidas preparatórias para a Copa. “Talvez tiremos algumas fotos e preparemos materiais de marketing porque esta é a última oportunidade para fazer esse tipo de trabalho.”

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Cosan vende parte de portfólio agrícola da Radar em negócio de R$ 1,85 bilhão

17 de Junho de 2026, 09:13

A Cosan anunciou a venda de parte das propriedades agrícolas do portfólio da Radar, em mais um movimento alinhado à estratégia da companhia de reduzir sua alavancagem financeira e simplificar sua estrutura de ativos.

Em fato relevante divulgado nesta quarta-feira (17), a empresa informou que o Grupo Radar celebrou, por meio de algumas de suas subsidiárias, um compromisso de compra e venda para a alienação de parte de suas propriedades rurais. Os ativos negociados correspondem a 12% do portfólio total de terras agrícolas administrado pela Radar.

As propriedades estão localizadas no Mato Grosso, somam 41.214 hectares e são destinadas ao cultivo de soja, milho e algodão. O valor total ofertado pelo comprador é de R$ 1,85 bilhão. Desse montante, cerca de R$ 586 milhões correspondem à participação econômica da Cosan nos ativos.

A conclusão da transação ainda depende do cumprimento de condições precedentes usuais para esse tipo de operação. “Este movimento está alinhado à estratégia de desinvestimentos, redução da alavancagem e simplificação de portfólio da Cosan”, afirmou a companhia no comunicado enviado ao mercado.

A Radar é uma plataforma especializada em gestão e investimentos em propriedades agrícolas. Segundo informações disponíveis no site da Cosan, a empresa administra cerca de 306 mil hectares distribuídos por oito estados brasileiros. A companhia atua na aquisição, gestão e valorização de terras agrícolas, um segmento que se consolidou como uma das frentes de investimento do grupo ao longo dos últimos anos.

A venda ocorre em um momento em que a Cosan tem buscado otimizar sua estrutura de capital por meio da reciclagem de ativos e da redução do endividamento, estratégia que vem sendo adotada pela holding desde o ano passado.

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O maior desafio da IG4 Capital: reestruturar dívidas de US$ 25 bilhões

17 de Junho de 2026, 08:41

A IG4 Capital construiu seu negócio discretamente, investindo em empresas naufragando, inadimplentes ou em recuperação judicial, as quais os grandes fundos de private equity preferem evitar. Agora, a gestora está no centro das atenções de forma dramática.

A IG4, fundada há 10 anos por uma equipe de quatro especialistas em reestruturação, está procurando reorganizar duas das maiores vítimas do brutal ciclo de crédito brasileiro: a petroquímica Braskem e a produtora de açúcar e etanol Raízen. Juntas, as duas empresas têm cerca de US$ 25 bilhões em dívidas.

No início deste ano, a IG4 adquiriu uma participação majoritária na Braskem, empresa que veio enfrentando dificuldades após um desastre ambiental em uma de suas minas de sal e vários anos de preços baixos. Agora, a Braskem precisa reestruturar sua dívida. No caso da Raízen, a IG4 propôs comprar dívida suficiente para obter uma participação majoritária em meio à maior recuperação extrajudicial da história do Brasil, disseram pessoas familiarizadas com o assunto na segunda-feira. Um acordo ainda não foi fechado.

Braskem

“Gostamos de problemas, e a Braskem é um dos maiores problemas que hoje a gente encontra”, disse Paulo Mattos, cofundador e chairman da IG4, de 51 anos, em entrevista. “Com ela, estamos nos globalizando, e esse sempre foi o meu sonho com a IG4.”

A empresa fundada por Mattos, que administra US$ 4,8 bilhões em capital e dívida, investe dinheiro para fundos de pensão, fundações, fundos de fundos, gestores de fortunas e family offices. A IG4 adquiriu o controle ou o controle compartilhado de empresas no Brasil, Chile e Peru. Tem 40 profissionais hoje.  

Mas nada disso se compara à escala das reestruturações da Braskem ou da Raízen. A IG4 começou a contatar os credores da Raízen esta semana, e sua participação na reestruturação financeira da empresa de açúcar e etanol dependerá de quantos deles eles conseguirão persuadir a aceitar sua oferta.

“Os participantes do mercado têm tentado entender melhor o que a IG4 realmente é — uma gestora de private equity com atuação direta, especializada em recuperação de empresas em dificuldades, ou mais uma empresa de engenharia financeira oportunista que opera nos bastidores, como vimos em mercados emergentes no passado”, disse Roger Horn, estrategista da Mariva Capital Markets.

Segundo Mattos, a IG4 adquiriu sua participação na Braskem do antigo acionista controlador da empresa, a Novonor, cujos bancos credores entraram em contato com a IG4 para tentar resolver o problema.

As ações da Braskem pertencentes à Novonor foram dadas como garantia para empréstimos no valor de R$ 21 bilhões concedidos por cinco bancos e que não foram pagos. Após seis anos de negociações contenciosas, os credores concordaram em vender os empréstimos problemáticos para um fundo administrado pela IG4. A gestora conquistou o apoio da Petrobras, a outra acionista controladora da Braskem, ao implementar medidas como a concessão à estatal da presidência do conselho.

“A gente tomou a decisão de estar sempre do lado dos credores”, disse Mattos. “Somos especializados em catalisar soluções para bancos e outros tipos de credores.”

O profissionalismo e a experiência técnica da equipe da IG4 foram fundamentais para conquistar a confiança da Petrobras, segundo Fernando Melgarejo, diretor financeiro da empresa, e William França, chefe da área de processos industriais. Ambos foram recentemente eleitos para o conselho de administração da Braskem.

A Petrobras se concentrará nas atividades operacionais da empresa, enquanto a IG4 cuidará das negociações externas com os credores, disseram os dois. Ao longo do processo de mudança de controle envolvendo a Braskem, os executivos da Petrobras e a IG4 estabeleceram uma linha direta de comunicação, realizando centenas de reuniões, disseram.

O relacionamento tem sido “altamente construtivo” e “focado em alcançar consenso em todas as questões-chave”, disse Melgarejo. “Estamos prestes a escrever um novo capítulo na história da Braskem.”

Mas a parte mais difícil ainda pode estar por vir. A IG4 e a Braskem estão buscando o apoio de um terço dos credores para iniciar um processo de recuperação extrajudicial antes dos pagamentos da dívida programados para julho. Não há garantia de que obterão apoio suficiente, e buscar proteção judicial por meio de uma chamada medida cautelar continua sendo uma possibilidade, conforme noticiado pela Bloomberg no início deste mês.

Com escritórios em Madri, Londres, Miami e São Paulo, a IG4 está avaliando a possibilidade de comprar, juntamente com outros investidores, ativos imobiliários em dificuldades e dívidas de produtores de energia solar na Espanha. A Thames Water, do Reino Unido, que está à beira do colapso, é outra situação que a IG4 “adoraria resolver”, disse Mattos.

A IG4 acaba de captar US$ 400 milhões para um terceiro fundo de investimento na América Latina, elevando o total captado até o momento para US$ 1,2 bilhão. Mattos disse que a empresa não investe em “empresas com poucos ativos”, como as do setor varejista, e sempre busca controlar as empresas ou compartilhar a propriedade delas.

Hélio Novaes, recém-nomeado CEO da IG4 no Brasil, disse que a gestora também compra ações no mercado.

“Tem muita gente que vai montando posição nas empresas para depois dar o bote – isso torna muito difícil uma congregação da turma para negociar”, disse Novaes em entrevista. “A gente não faz isso, a gente costura com todas as partes, não partimos para a hostilidade.”

A IG4 também conta agora com um responsável pelo negócio internacional, Octavio Lopes, que trabalha em Londres junto com Mattos. Felipe Fingerl, cofundador da IG4 com Mattos, é o novo diretor financeiro para o Brasil e também diretor de private equity para o país.

Mattos ajudou a fundar a IG4 logo após deixar a empresa de private equity GP Investimentos. Lá, ele viu uma oportunidade de comprar a companhia de saneamento CAB Ambiental. Mas quando a CAB entrou com pedido de recuperação judicial e a GP desistiu do negócio, Mattos deixou a gestora de private equity. Seu novo negócio comprou então a dívida da CAB junto aos bancos, que foi convertida em capital. A IG4 assumiu o controle da empresa e a reestruturou.

Na época do pedido de recuperação judicial, Mattos fazia visitas rotineiras aos prefeitos das cidades atendidas pela CAB para explicar o andamento dos negócios e as possibilidades, disse Ricardo Knoepfelmacher, fundador da boutique de consultoria financeira RK Partners, que trabalhou na reestruturação da empresa.

“Paulo tem resiliência, disciplina, é um trabalhador incansável com visão estratégica”, disse ele. “Ele também tem a capacidade de entregar resultados, de explicar, de entender os números, o que é incomum.”

A CAB acabou se tornando Iguá Saneamento, o que atraiu investidores como o Canada Pension Plan Investment Board. Ela também conseguiu expandir sua atuação.

Antes da reestruturação, a CAB atendia cidades menores como Cuiabá e Paranaguá, e depois disso conseguiu expandir para cidades maiores, como seu investimento no leilão de saneamento do Rio de Janeiro.

A IG4 inspirou-se na palavra “ig”, que significa “água” em tupi-guarani, língua nativa brasileira, para escolher seu nome. O número quatro representa a quantidade inicial de sócios na gestora.

O trabalho da IG4 na Iguá, bem como na Corredor Logística e Infraestrutura, conhecida como CLI, proporciona experiências positivas úteis para a nova gestão da Braskem, disse Horn.

Em 2020, a IG4 comprou a CLI, então em dificuldades financeiras, por US$ 240 milhões, incluindo dívidas, e a reestruturou. A Macquarie Asset Management adquiriu uma participação acionária em 2022. E, no início deste mês, as duas empresas fecharam um acordo para vender a CLI para o AD Ports Group, com sede em Abu Dhabi, em uma transação avaliada em US$ 835 milhões.

A IG4 tem se destacado por atuar em situações de dificuldades financeiras sem mobilizar muito capital e mantendo o foco na natureza estratégica dos ativos.

“Aparentemente, eles tiveram sucesso em casos anteriores, embora não tenhamos informações suficientes para avaliar seus retornos, mas, desta vez, parece que estão lidando com um desafio de proporções inéditas”, disse Manuel Mondia, gestor de portfólio da Aquila Asset Management.

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O segredo de engenharia da SpaceX? Um clube universitário de carros de corrida

17 de Junho de 2026, 06:03

Depois de celebrar a abertura de capital da SpaceX com colegas, Bill Riley planeja arrumar as malas para uma viagem a Brooklyn, Michigan.

Riley, um dos principais executivos de engenharia da empresa, será o juiz-chefe de design de uma corrida em Michigan International Speedway, segundo Chris Ciuca, vice-presidente da organização sem fins lucrativos que organiza o evento. A competição não envolve pilotos profissionais em alta velocidade na pista — ela contará com estudantes universitários competindo com carros estilo Fórmula 1 que eles projetaram e construíram ao longo de meses.

Os vínculos do executivo da SpaceX com a competição estão ligados ao seu tempo na equipe Formula SAE da Universidade Cornell no fim dos anos 1990. E ele não é o único na empresa de Elon Musk voltada a exploração espacial e inteligência artificial. Os executivos Mark Juncosa e Mike Nicolls também desenvolveram suas habilidades de engenharia construindo carros de corrida estudantis em Cornell no início dos anos 2000.

“Carros de corrida e foguetes não são tão diferentes assim”, disse Riley, 49 anos, em uma entrevista à revista da universidade da Ivy League.

A conexão com Cornell na SpaceX é marcante, mas também reflete o compromisso de longo prazo da empresa em contratar pessoas com habilidades práticas, e não apenas excelência acadêmica.

Executivos de recursos humanos da empresa já disseram que candidatos bem-sucedidos na SpaceX costumam ter experiência em projetos extracurriculares de engenharia ou projetos pessoais. Musk já citou vitórias em competições como a Formula SAE como evidência de habilidade excepcional em engenharia.

A SpaceX não respondeu a um pedido de comentário.

John Callister, atual orientador da equipe de Cornell e ex-engenheiro da General Motors, disse que o grupo busca estimular o pensamento independente. “Não temos aulas em todas as coisas que você precisa saber”, afirmou.

Isso se alinha à experiência que Juncosa, 44 anos, teve na organização de corridas de Cornell. O nativo do sul da Califórnia é conhecido como alguém que Musk envia para resolver problemas técnicos difíceis, segundo ex-funcionários.

Quando era estudante em Cornell, ele estudou economia. Mas Timothy Reissman, que conviveu com ele no clube de corrida, lembra de Juncosa como alguém disposto a dedicar tempo para desenvolver habilidades práticas por conta própria.

“Ele era o cara que se dedicava a esse trabalho, para conseguir melhorar algo ou aprender algo”, disse Reissman, hoje professor associado na Universidade de Dayton.

A fama da equipe de Cornell acabou se espalhando pela SpaceX, em parte por causa desse trio de executivos.

“Havia um certo mistério em torno disso — os alunos da SAE de Cornell, isso era uma espécie de grupo dentro da SpaceX”, disse Charlotte Kiang, ex-funcionária da empresa que fez mestrado em engenharia na universidade.

Ela lembrou que participantes da equipe de corrida de Cornell chegaram a formar seu próprio grupo social entre estagiários em determinado momento.

Reissman disse que Juncosa certa vez contou uma história sobre como a SpaceX havia contratado um soldador que não acreditava ser possível implementar um processo automatizado de soldagem envolvendo painéis finos de alumínio. Juncosa, que sabia soldar desde os tempos da equipe de Cornell, entrou para ajudar a resolver o problema.

“Esse é apenas um exemplo do que Mark faz”, disse Reissman.

Michael Jones, colega de equipe de Nicolls e Juncosa no clube, lembrou Nicolls como uma presença mais reservada, mas com habilidades únicas. Ele trabalhava com eletrônica, ajudando o grupo a desenvolver sua própria unidade de controle de motor.

Nicolls, 45 anos, hoje é vice-presidente sênior da SpaceX e passou anos trabalhando no negócio de internet via satélite Starlink.

Jones, professor no Canadá, disse que uma SpaceX sem Riley, Juncosa e Nicolls poderia ser muito diferente.

“Se você os tirasse todos de lá e eles fossem para outro lugar, o que teria acontecido?”, disse Jones. “Acho que houve uma combinação rara de pessoas que chegaram no momento certo e estabeleceram o padrão.”

Escreva para Micah Maidenberg em micah.maidenberg@wsj.com

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Jovens fundadores da Cursor viram multibilionários após venda para a SpaceX

16 de Junho de 2026, 18:19

Por volta da época em que o ChatGPT e o Copilot do GitHub levaram a inteligência artificial às massas, quatro colegas do MIT com formação em ciência da computação e finanças decidiram entrar nesse mercado. Eles só não sabiam exatamente como.

“Começou a partir de um lugar muito de ‘solução em busca de um problema’”, disse Michael Truell, cofundador e CEO da Cursor, empresa que eles criaram juntos, em uma participação em podcast em junho de 2025.

Quatro anos depois, a Cursor é uma das ferramentas de programação com IA mais populares do mercado — e a “solução” deles os transformou em bilionários.

A SpaceX concordou formalmente em comprar a Cursor na terça-feira (16), em um acordo integralmente em ações que avalia a empresa em US$ 60 bilhões. Cada um dos cofundadores detém cerca de 9% da Anysphere, sediada em São Francisco — nome formal da empresa —, participação avaliada em US$ 5,5 bilhões para cada um, segundo o Bloomberg Billionaires Index.

Quando o acordo for concluído — o que deve ocorrer no terceiro trimestre deste ano — eles receberão ações da SpaceX de valor equivalente.

Os quatro fundadores — todos na casa dos 20 e poucos anos — se juntam a uma lista crescente de bilionários criados pela Space Exploration Technologies Corp., de Elon Musk, desde sua abertura de capital na sexta-feira.

A história deles também simboliza a mudança no caminho para a riqueza de dez dígitos entre jovens fundadores: a euforia da IA e o aumento dos investimentos de capital de risco fazem com que novos bilionários surjam cada vez mais do setor de tecnologia, em vez das finanças.

Um porta-voz da Cursor não respondeu a um pedido de comentário.

Engenharia mecânica

Truell e seus futuros sócios — Sualeh Asif, Arvid Lunnemark e Aman Sanger — eram todos estudantes de graduação no Massachusetts Institute of Technology. Truell, natural de Nova York, estagiou no Google, enquanto Sanger, membro do time de squash do MIT, estagiou na Bridgewater Associates. Lunnemark, medalhista de ouro em olimpíada de matemática em seu país natal, a Suécia, trabalhou brevemente como trader quantitativo na Jane Street.

Os quatro fundaram a Cursor em 2022, inicialmente com foco na criação de um copiloto de IA para a indústria de engenharia mecânica. Isso apesar de nenhum deles ter formação formal em engenharia.

“Éramos bastante desconhecedores da área”, disse Truell em um podcast em maio de 2025. “Então havia um pouco daquele problema do ‘homem cego e o elefante’ desde o início.”

Após alguns meses, eles mudaram o foco para o desenvolvimento de um agente de codificação com IA mais alinhado ao histórico da equipe fundadora. Em 2023, o OpenAI Startup Fund apoiou a empresa iniciante em uma rodada seed que levantou US$ 8 milhões, segundo dados da Pitchbook.

No ano seguinte, a Anysphere levantou US$ 60 milhões em uma rodada Série A, avaliando a empresa em US$ 400 milhões. Entre os principais investidores estavam a Andreessen Horowitz, o Dorm Room Fund e o cofundador da Stripe, Patrick Collison.

Fotógrafa: Gabby Jones/Bloomberg

Em janeiro de 2025, a Cursor havia alcançado US$ 100 milhões em receita recorrente anual. Em dois meses, esse número dobrou, e a empresa chegou a um milhão de usuários diários.

Acordo com a SpaceX

Mesmo com grandes players como OpenAI e Anthropic lançando suas próprias ferramentas de programação com IA, a Cursor continuou expandindo sua base de usuários, especialmente entre clientes corporativos. A empresa afirma que seus produtos são usados por 64% das empresas da Fortune 500 e que suas ferramentas escrevem mais de 100 milhões de linhas de código por dia para clientes corporativos.

Em abril, a SpaceX anunciou que havia chegado a um acordo que lhe dava a opção de adquirir a Cursor por US$ 60 bilhões, mas decidiu adiar a aquisição formal até depois de seu IPO, para minimizar interrupções e evitar burocracia adicional.

O acordo representava um prêmio em relação à avaliação de US$ 50 bilhões que a Cursor vinha buscando recentemente em uma rodada de financiamento, segundo a Bloomberg. Também incluía uma taxa de rescisão de US$ 10 bilhões caso a compra não se concretizasse.

A gestão da SpaceX descreveu a aquisição como central para expandir suas capacidades em IA após a fusão, em fevereiro, com a startup de inteligência artificial de Musk, a xAI.

“Cursor tem seus próprios modelos, eu acho, e podemos aprender com eles”, disse Gwynne Shotwell, presidente da SpaceX, em entrevista à CNBC na sexta-feira. “Vamos colaborar de perto. Achamos que isso faz muito sentido.”

SpaceX compra Cursor para reduzir distância em relação à OpenAI e Anthropic

16 de Junho de 2026, 16:01

A SpaceX formalizou a aquisição da Cursor em um acordo que avalia a startup de programação baseada em inteligência artificial em US$ 60 bilhões, consolidando uma peça importante da estratégia de Elon Musk para alcançar rivais no mercado de ferramentas de codificação com IA.

Os investidores da Cursor terão o direito de receber ações da SpaceX com base no valor implícito de US$ 60 bilhões da startup, segundo um documento regulatório divulgado nesta terça-feira (16). A transação deve ser concluída no terceiro trimestre. A SpaceX já havia revelado em abril que garantiu o direito de comprar a Cursor ainda este ano, mas decidiu adiar o negócio por causa de seu IPO.

A compra reforça a ofensiva de Elon Musk na inteligência artificial. A Cursor é uma das ferramentas de programação assistida por IA mais populares do mercado, usada por desenvolvedores para escrever e corrigir códigos com o auxílio de inteligência artificial.

A aquisição também ajuda a SpaceX a reduzir a distância em relação a concorrentes como OpenAI e Anthropic em uma área considerada estratégica por Musk. O empresário já reconheceu que sua empresa está atrás dos rivais no segmento de ferramentas de codificação baseadas em IA.

A companhia avança com a aquisição poucos dias após concluir a maior oferta pública inicial da história. As ações dispararam mais de 40% nos dois primeiros pregões, refletindo a forte demanda dos investidores interessados no potencial de crescimento da empresa.

A valorização continuou nesta terça-feira. Por volta das 9h43 em Nova York, os papéis subiam 9,9%, elevando o valor de mercado da SpaceX para cerca de US$ 2,77 trilhões. Com isso, a empresa superou a Amazon em valor de mercado durante o pregão e se tornou a quinta companhia de capital aberto mais valiosa do mundo.

O braço de inteligência artificial da SpaceX, conhecido como SpaceXAI, está concentrado em fortalecer suas capacidades de programação assistida por IA. Musk já afirmou que a empresa está atrás dos concorrentes nesse segmento e recrutou engenheiros da Cursor para tentar alcançar empresas como OpenAI e Anthropic.

A divisão de IA enfrentou dezenas de saídas de profissionais tanto nas áreas de engenharia quanto de treinamento de dados e tem encontrado dificuldades para atrair talentos de ponta, que possuem outras oportunidades no mercado. Para reorganizar a operação, Musk colocou executivos da unidade Starlink em posições de liderança na empresa.

Segundo a Bloomberg, funcionários da SpaceX vêm trabalhando em conjunto com equipes da Cursor nas últimas semanas, colaborando em projetos de programação e infraestrutura computacional.

Lançado em 2023, o assistente de IA da Cursor foi criado para ajudar programadores a escrever e corrigir códigos com mais eficiência. A startup se tornou uma das empresas de tecnologia de crescimento mais rápido da história e ganhou destaque na chamada era do “vibe coding”, marcada pelo uso de ferramentas capazes de gerar software a partir de comandos enviados a chatbots.

Antes do anúncio da aquisição pela SpaceX, a Cursor negociava uma nova rodada de investimentos que avaliaria a empresa em mais de US$ 50 bilhões, segundo a Bloomberg.

As apostas de Musk em inteligência artificial têm sido caras para a SpaceX. A companhia registrou prejuízo líquido de US$ 4,94 bilhões no ano passado após incorporar retroativamente dívidas relacionadas aos investimentos da xAI. Os gastos de capital praticamente dobraram, chegando a US$ 20,7 bilhões em 2025, sendo a inteligência artificial a principal frente de investimento.

Embora a SpaceX tenha alugado capacidade de seus centros de dados para concorrentes como Anthropic, o diretor financeiro Bret Johnsen afirmou na semana passada que a empresa não pretende abandonar seus próprios produtos de IA, incluindo o chatbot Grok.

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Figurinha de Messi no álbum da Copa movimenta mercado paralelo na Argentina

16 de Junho de 2026, 14:14

Enquanto Lionel Messi se prepara para entrar em campo na terça-feira (16) para a primeira partida de sua sexta e última Copa do Mundo da FIFA, os argentinos correm atrás de outro prêmio: a rara figurinha dourada do craque.

Milhares de crianças e adultos se reúnem no Parque Rivadavia, um parque histórico no centro de Buenos Aires, onde colecionadores trocam selos, moedas e, agora, figurinhas da Panini, para completar álbuns com os rostos de todos os jogadores que representam as 48 seleções que disputam a Copa do Mundo.

Depois de conquistar o último torneio, em 2022, Messi é rei.

“Se eu conseguir, vou guardar pelo resto da vida. Vai dormir comigo”, disse Franco Logiurato, de 14 anos.

O álbum deste ano tem espaços para 980 figurinhas, e a fabricante italiana oferece outras 20 figurinhas raras colecionáveis com os jogadores mais populares, cada uma disponível nas versões roxa, bronze, prata e dourada. Uma figurinha colecionável extra aparece, em média, a cada 100 pacotes, disse a empresa à Bloomberg.

Logiurato já completou o álbum — o que custou um salário inteiro do pai — e agora está atrás da figurinha dourada de Messi.

“Pense bem”, disse ele. “É a última Copa do Mundo de Messi. É de ouro. Quer dizer, é a coisa mais valiosa que existe.”

A febre ajudou a alimentar a escassez e a elevar os preços. A Panini recomenda a venda de pacotes com sete figurinhas por cerca de US$ 1,40 (cerca de R$ 7,20), mas os quiosques — pequenas lojas de esquina que conseguem obter estoque — chegam a cobrar até US$ 2,10 (cerca de R$ 10,80), segundo Ernesto Acuña, presidente do sindicato dos quiosques.

Durante a última Copa do Mundo, o governo de esquerda da Argentina interveio diante da escassez. Sob o presidente libertário Javier Milei, Acuña disse que o sindicato não levou o tema adiante.

“É uma mini economia”, disse Tomás Mingrone, de 25 anos, que passa os fins de semana comprando, vendendo e trocando repetidas. Um adolescente havia acabado de se aproximar dele para oferecer uma figurinha comum de Messi. Mingrone ofereceu US$ 10,50 (cerca de R$ 54). O vendedor foi embora.

A popularidade dos álbuns de figurinhas da Panini ajudou a provocar escassez e a elevar os preços. Fotografia: Sarah Pabst/Bloomberg

“Tem garotos de 12 ou 13 anos aqui que ganham US$ 100 por dia (cerca de R$ 520). É incrível”, disse.

Os filhos do astro argentino também entraram na brincadeira, disse Messi em entrevista recente, e estão ocupados tentando completar a coleção de figurinhas dos álbuns.

“Uma batalha vencida”

Mingrone diz que sabe identificar pacotes que contêm figurinhas extras de colecionador e os vende, fechados, por US$ 17,49 (cerca de R$ 91) cada. Logiurato comprou dois, mas não encontrou a figurinha dourada de Messi. Mingrone estima que já abriu cerca de 20 mil pacotes e encontrou apenas duas versões douradas do cobiçado megastar argentino.

Santiago Arce, de 22 anos, foi um dos poucos sortudos a encontrar a figurinha dourada de Messi e a está oferecendo à venda por US$ 140 (cerca de R$ 730). Para consegui-la, Arce trocou quatro figurinhas extras cobiçadas — Cristiano Ronaldo, de Portugal, Kylian Mbappé, da França, Mohamed Salah, do Egito, e Jude Bellingham, da Inglaterra — além de 10 figurinhas brilhantes e 25 figurinhas comuns de jogadores.

“Cada extra tem a própria história. Cada uma é uma batalha vencida”, disse Arce.

Nem todos no parque estavam atrás da versão dourada.

Tahiel Cortez, de 11 anos, acabara de tirar uma figurinha comum de Messi de um pacote e sorria de orelha a orelha.

“Não acredito”, disse. “Consegui o Messi!”

Ele ainda precisa de 120 figurinhas para completar o álbum. Mas, por um momento, isso pareceu pouco importar.

A partir de 15 de julho, a Panini oferecerá figurinhas avulsas para completar os álbuns. As figurinhas colecionáveis extras não estarão disponíveis, disse a empresa.

Venda de unidade de cimento da CSN gera impasse entre acionistas

16 de Junho de 2026, 11:49

A proposta da Huaxin Cement para comprar a unidade de cimento da brasileira Companhia Siderúrgica Nacional enfrenta resistência de um dos principais acionistas da companhia chinesa, a Holcim, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A Holcim, que detém cerca de 42% da Huaxin e vendeu os mesmos ativos no Brasil para a CSN em 2021, indicou que não apoia a continuidade da participação da empresa no processo de venda, disseram as fontes, que pediram anonimato por se tratar de informações privadas. Ainda não há decisão final, e a Huaxin segue interessada no ativo, afirmou outra fonte.

Caso a Holcim mantenha sua posição, a participação da Huaxin no leilão pode se tornar mais difícil, o que potencialmente reduziria o número de compradores interessados em um dos maiores produtores de cimento do Brasil, disseram as fontes.

As ações da CSN subiam 2% às 11h07 desta terça-feira (16). No acumulado do ano até o fechamento de segunda-feira, os papéis caíam 32%.

A Huaxin vinha considerando uma oferta de cerca de R$ 12 bilhões (US$ 2,4 bilhões) pelo ativo na fase pré-leilão, segundo as fontes. A empresa chinesa entrou no Brasil no fim de 2024 ao adquirir a Embu S.A. Engenharia e Comércio por US$ 186 milhões, em uma operação que incluiu quatro pedreiras no estado de São Paulo.

CSN, Huaxin e Holcim não comentaram o assunto.

A CSN busca vender o controle de seu negócio de cimento como parte de uma estratégia mais ampla para reduzir alavancagem e reforçar o caixa. A companhia contratou o Morgan Stanley para assessorar a transação. Potenciais compradores estão em fase de diligência, e a CSN espera receber propostas vinculantes até o início de agosto, segundo as fontes.

A Huaxin está entre os interessados no ativo, junto com a Votorantim S.A., a Sinoma International e a Polimix Concreto Ltda., que podem participar de forma independente ou em consórcio. A Bloomberg já havia reportado o interesse da Votorantim.

Sinoma e Polimix não responderam aos pedidos de comentário.

A CSN, controlada pela família do bilionário Benjamin Steinbruch, também contratou o Citigroup e o Banco Bradesco para vender uma participação relevante em sua unidade de infraestrutura e logística, com fundos de pensão e o fundo soberano de Singapura GIC entre os potenciais investidores, segundo as fontes.

* Por Rachel Gamarski- repórter da Bloomberg

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Desafios do novo CEO da Nestlé vão do efeito Ozempic à inflação de alimentos

16 de Junho de 2026, 11:48

Willy Wonka ficaria impressionado com uma das máquinas de uma fábrica aqui — um equipamento que injeta sabores em cápsulas de café por meio de tubos giratórios rotulados como “avelã”, “caramelo” e “cheesecake de mirtilo”.

Esta não é uma das fábricas fictícias de chocolate de Roald Dahl, embora a dona do KitKat e do Nesquik, a Nestlé, tenha muitas delas. A estação de aromas fica em uma planta da Nespresso localizada a cerca de 30 minutos de carro da sede da empresa em Vevey, onde máquinas de envase de alta velocidade produzem mais de 1.000 cápsulas de café instantâneo por minuto. Até o saguão e os elevadores têm cheiro de café torrado, embora os funcionários digam que deixam de perceber após um tempo.

A maioria dos funcionários da Nestlé, independentemente da área, visita uma das 335 fábricas da empresa como parte da integração. A manufatura está no centro da estratégia da maior companhia de alimentos do mundo, que tenta recuperar suas ações após um período difícil. As ações listadas na Suíça caíram 41% desde o início de 2022, pressionadas por vendas fracas, aquisições mal avaliadas e alta rotatividade na liderança. O ponto mais baixo veio em setembro de 2025, quando o conglomerado de 160 anos contratou seu terceiro CEO em apenas 13 meses.

A Nestlé tenta sair dessa fase focando em recuperar participação de mercado e enxugar seu portfólio amplo demais. O desafio do CEO Philipp Navratil é reativar o crescimento, reduzir áreas fora do core e trazer estabilidade após anos de turbulência. Os primeiros sinais sugerem que o plano começa a funcionar, com foco renovado em cápsulas de café, ração para pets e barras de chocolate produzidas em fábricas como esta.

“Vender mais porções, mais xícaras, mais unidades todos os dias… vai resolver a maioria dos nossos problemas do passado”, disse Navratil ao Barron’s.

O “roubo” do KitKat

Em março, a Nestlé mostrou capacidade de transformar azar em oportunidade. Quando ladrões roubaram 12 toneladas métricas de KitKat durante transporte da Itália para a Polônia, a empresa aproveitou o episódio como publicidade gratuita para uma de suas marcas mais famosas.

Em vez de um comunicado formal, cinco funcionários criaram uma resposta bem-humorada dizendo que os criminosos haviam levado o slogan “have a break” (faça uma pausa) literalmente demais. A Nestlé ainda lançou um rastreador online dos KitKats roubados, transformando o caso em campanha viral que gerou cerca de US$ 231 milhões em mídia espontânea em 10 dias, para um produto avaliado em cerca de US$ 420 mil.

“Foi sobre aprender a correr riscos, ser rápido e se conectar com os consumidores”, disse Navratil. “Velocidade acima da perfeição, coragem acima do conforto… é um exemplo da nova Nestlé que estamos tentando construir.”

Ainda assim, mais do que marketing criativo será necessário para reverter o desempenho. As ações caíram 43% entre dezembro de 2021 e janeiro de 2025, eliminando cerca de US$ 177 bilhões em valor de mercado.

Pressão sobre preços e erros estratégicos

A crise começou com a guerra na Ucrânia, que elevou custos de matérias-primas como combustível e trigo. A empresa respondeu com aumentos de preços de 8,2% em 2022 e 7,5% em 2023. Mas ao proteger margens, perdeu participação para concorrentes como Mondelez (dona da Oreo e Cadbury) e Keurig Dr Pepper.

Com consumidores pressionados pela inflação, houve queda na demanda por itens básicos como café, chocolate e sorvete. O volume vendido ficou estagnado em 2022 e caiu em 2023.

Além disso, algumas aquisições fora do core se mostraram problemáticas, como a participação na Blue Bottle Coffee, a biotech Aimmune Therapeutics e o serviço de delivery Freshly, que acabou encerrado.

Mudança de liderança e novo foco

A empresa passou por troca de CEOs até chegar a Navratil, que assumiu após a demissão de seu antecessor em meio a investigações internas e escândalos corporativos.

Agora, a estratégia é focar em crescimento interno real (RIG), que mede aumento de volume em vez de preço. Esse indicador subiu 1,2% recentemente, com alta em quase todos os negócios, e as ações reagiram positivamente.

A nova direção inclui simplificação do portfólio em quatro áreas principais: café, snacks, nutrição e pet food. A Nestlé também avalia vender ativos como San Pellegrino e parte da participação na Häagen-Dazs.

Além disso, anunciou cortes de 16 mil empregos, cerca de 6% da força de trabalho, com expectativa de economizar 3 bilhões de francos suíços até 2027.

IA, mudanças de consumo e desafios futuros

A empresa também está investindo em inteligência artificial para digitalizar operações industriais e melhorar eficiência.

Apesar da melhora inicial, o mercado ainda observa três grandes riscos: o impacto de medicamentos para perda de peso como os GLP-1 na demanda por alimentos, incertezas geopolíticas que podem pressionar custos, e dúvidas sobre o futuro da participação da Nestlé na L’Oréal.

Mesmo assim, as ações ainda são vistas como baratas em relação ao histórico da empresa, negociadas a cerca de 18 vezes lucro futuro, abaixo da média dos últimos cinco anos.

Para o CEO, o foco continua simples:

“Precisamos voltar a entregar crescimento consistente”, disse Navratil. “Tudo isso já começou, mas ainda estamos longe de terminar.”

Envie um e-mail para George Glover em george.glover@dowjones.com

Pizza Hut muda de mãos globalmente por US$ 2,7 bilhões diante de vendas estagnadas

16 de Junho de 2026, 10:10

A Yum! Brands, dona das redes KFC, Taco Bell e Pizza Hut, anunciou nesta terça-feira (16) a venda da operação global da Pizza Hut por US$ 2,7 bilhões, encerrando uma revisão estratégica iniciada no ano passado para encontrar alternativas para a rede de pizzarias, que vem perdendo espaço no mercado.

Pelos termos do acordo, a gestora de private equity LongRange Capital comprará as operações da Pizza Hut fora da China continental por US$ 1,5 bilhão, enquanto a Yum China Holdings adquirirá os negócios da marca no mercado chinês por cerca de US$ 1,2 bilhão. A expectativa é que as transações sejam concluídas no terceiro trimestre.

As ações da Yum chegaram a subir cerca de 1% nas negociações de pré-mercado nos Estados Unidos. Até o fechamento de segunda-feira, os papéis acumulavam alta de 2,2% em 2026, desempenho inferior ao avanço de aproximadamente 10% do índice S&P 500 no mesmo período.

A Yum controla a Pizza Hut desde 1997, quando foi desmembrada da PepsiCo. A PepsiCo havia adquirido a rede de pizzarias em 1977 e comprou a Taco Bell no ano seguinte.

No Brasil, a Pizza Hut também faz parte da operação global da Yum, mas é administrada por franqueados locais por meio da IMC (International Meal Company). A mudança não deva afetar o funcionamento das lojas ou o relacionamento com os franqueados no curto prazo.

Concorrência crescente

A venda ocorre após anos de tentativas de revitalizar o desempenho da Pizza Hut, conhecida por suas pizzas de massa grossa e bordas amanteigadas.

A rede enfrentou dificuldades para acompanhar as mudanças no setor de alimentação e a crescente concorrência, tanto dentro do mercado de pizzas quanto no segmento de restaurantes como um todo.

Segundo Neil Saunders, diretor da GlobalData, a Domino’s Pizza conquistou vantagens importantes em áreas como inovação de cardápio, marketing, tecnologia de pedidos e infraestrutura de entrega.

Além disso, a Pizza Hut perdeu atratividade entre consumidores que preferem comer nos restaurantes, em busca de ambientes mais modernos e opções de menu mais amplas.

Os números refletem essa perda de relevância. A participação da Pizza Hut na receita da Yum! caiu todos os anos desde 2019, passando de mais de 18% para cerca de 12% em 2025, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Enquanto as vendas da Pizza Hut permaneceram pouco acima de US$ 1 bilhão ao longo dos últimos anos, a receita total da Yum! cresceu cerca de 47% no período, alcançando US$ 8,2 bilhões em 2025.

Recompra de ações

A companhia informou que espera levantar cerca de US$ 2,3 bilhões líquidos com a operação. Parte desses recursos deverá ser destinada aos acionistas: o conselho de administração aprovou uma autorização adicional de US$ 4 bilhões para recompra de ações.

A venda marca o fim de quase cinco décadas da Pizza Hut sob o guarda-chuva corporativo iniciado pela PepsiCo e representa uma das maiores mudanças estratégicas da Yum desde sua separação da gigante de bebidas e alimentos.

Warsh quer que o Fed fale menos — e isso pode gerar mais surpresas para os mercados

16 de Junho de 2026, 09:53

O ex-presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, costumava dizer que a política monetária é 98% conversa e apenas 2% ação. Já Kevin Warsh quer mudar essa proporção.

O novo presidente do Fed, que comandará nesta semana sua primeira reunião de política monetária, prometeu reformular a comunicação da instituição. Sem entrar em muitos detalhes, ele deu sinais de que pretende reduzir a quantidade de mensagens emitidas pelo banco central.

Durante sua audiência de confirmação no Congresso, afirmou que o Fed se esforça demais para fornecer um roteiro detalhado de seus planos futuros. Também observou que os formuladores de política monetária “falam com bastante frequência”.

No entanto, o Fed e outros bancos centrais vêm ampliando sua comunicação com mercados e sociedade ao longo das últimas décadas, e seguir na direção oposta envolve riscos, segundo observadores veteranos da instituição.

“É preciso ter cuidado ao reduzir a comunicação”, disse William English, professor da Universidade Yale e ex-secretário do comitê responsável por definir os juros nos EUA. Fazer isso de forma muito brusca “prejudicaria a eficácia da política monetária e poderia gerar mais decisões inesperadas, provocando volatilidade nos mercados financeiros”.

Os defensores de uma comunicação frequente argumentam que a transparência ajuda investidores e o público a entender melhor o que está por vir e a se preparar para isso. Isso também facilita o trabalho dos banqueiros centrais ao influenciar os custos de financiamento de longo prazo.

Warsh vê a questão de forma diferente. Para ele, os bancos centrais precisam preservar flexibilidade e evitar a percepção de que estão presos a compromissos que podem deixar de fazer sentido diante de mudanças nas condições econômicas. Em uma palestra no International Monetary Fund no ano passado, afirmou que os formuladores de política monetária podem se tornar “prisioneiros de suas próprias palavras”.

Investidores do mercado de títulos estão tentando entender como exatamente o Fed de Warsh pretende mudar sua comunicação, inclusive se o tradicional Summary of Economic Projections (SEP) poderá ser simplificado. O documento reúne projeções para crescimento econômico, desemprego, inflação e juros, além do famoso “dot plot”, gráfico que mostra onde os dirigentes do Fed acreditam que as taxas de juros estarão no futuro.

Há outras possibilidades. Para Torsten Slok, da Apollo Global Management, os comunicados do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) podem ficar significativamente mais curtos. Já Cindy Beaulieu, diretora de investimentos para a América do Norte da gestora Conning, acredita que Warsh gostaria de realizar menos coletivas de imprensa após as reuniões e até eliminar o “dot plot”.

“Isso provavelmente tornará os juros mais voláteis”, afirmou Beaulieu. Segundo ela, uma redução na transparência pode levar os mercados a reagirem exageradamente a cada novo indicador econômico, tentando antecipar os próximos passos do Fed.

O debate sobre o “forward guidance”

O SEP existe desde 2007 e reúne projeções dos 19 participantes do FOMC para crescimento, desemprego, inflação e juros. Tornou-se uma das principais ferramentas de orientação ao mercado, embora alguns economistas questionem sua utilidade, já que as projeções podem rapidamente se tornar obsoletas. Ainda no ano passado, havia propostas para ampliar as informações divulgadas no documento, e não reduzi-las.

A discussão faz parte de um debate mais amplo sobre o chamado forward guidance, estratégia adotada pelo Fed após a crise financeira de 2008. Como os juros já estavam próximos de zero e não podiam cair muito mais, uma das alternativas para estimular a economia era sinalizar que permaneceriam baixos por um período prolongado.

Alguns economistas argumentam que esse tipo de orientação só funciona em circunstâncias excepcionais, como no período pós-crise. Em sua palestra no FMI, Warsh demonstrou simpatia por essa visão.

Além das discussões teóricas, Warsh assume o comando em meio a uma disputa concreta dentro do Fed sobre que tipo de orientação deve ser dada ao mercado. Na última reunião, o comitê manteve em seu comunicado a indicação de que o próximo movimento mais provável seria um corte de juros, embora vários membros defendessem a retirada dessa mensagem.

O episódio também revela uma limitação do forward guidance: investidores nem sempre acreditam no que o Fed está dizendo.

Em março, os mercados chegaram a apostar em aumentos de juros, mesmo quando dirigentes da instituição indicavam que o movimento mais provável seria uma redução. Agora, à medida que alguns dirigentes passaram a discutir publicamente cenários de alta dos juros, os investidores também elevaram suas apostas nessa direção.

Embora o mercado possa estar errado, uma orientação mais limitada é “provavelmente positiva”, afirmou Jack McIntyre, gestor da Brandywine Global Investment Management.

Menos discursos?

Outra forma direta de comunicação do Fed é por meio de discursos públicos. Dados da própria instituição mostram que seus dirigentes falam mais frequentemente hoje do que no passado. Em 2024 e 2025, os governadores realizaram cerca de 225 discursos, aproximadamente 20% a mais do que duas décadas antes.

Pesquisas indicam que comunicação excessiva ou mal coordenada pode prejudicar a capacidade de um banco central de orientar os mercados. Ainda assim, não está claro o que Warsh poderia mudar além de incentivar os dirigentes a falarem menos.

Uma ferramenta que ele controla diretamente é a coletiva de imprensa após as reuniões de política monetária. Quando esse formato foi criado, em 2011, havia apenas quatro coletivas por ano. Hoje são oito — uma após cada decisão sobre juros.

Essas entrevistas servem para explicar os argumentos discutidos pelos formuladores de política monetária e se comunicar diretamente com investidores e cidadãos. Durante sua audiência de confirmação, Warsh não se comprometeu a manter coletivas após todas as reuniões do FOMC.

Segundo Claudia Sahm, ex-economista do Fed, o estilo de comunicação que Warsh parece defender lembra a era de Alan Greenspan, quando o então presidente da instituição adotava deliberadamente uma linguagem vaga.

“Se eu parecer excessivamente claro para vocês”, disse Greenspan certa vez aos parlamentares, “então vocês devem ter entendido errado o que eu disse”.

Mesmo durante a gestão Greenspan, porém, o Fed iniciou um processo gradual de aumento da transparência. Episódios posteriores mostraram os riscos da comunicação aberta, como o chamado “taper tantrum” de 2013, quando Bernanke desencadeou uma forte venda de títulos do Tesouro americano ao sinalizar a retirada de estímulos monetários.

Ainda assim, esses episódios foram geralmente interpretados como evidência da necessidade de uma comunicação mais cuidadosa — e não menos comunicação. Hoje, a maioria dos observadores do Fed acredita compreender melhor como o banco central reage às mudanças na economia.

Por isso, economistas e investidores não esperam mudanças radicais de imediato. Qualquer alteração significativa no sistema atual provavelmente exigirá amplo debate interno.

“Quando você muda a forma de comunicação, é muito difícil voltar atrás”, afirmou Don Kohn, ex-vice-presidente do Fed. “Por isso existe a percepção de que é preciso haver amplo consenso antes de promover uma mudança desse tipo, porque será difícil recuar caso ela se revele um erro.”

O casamento de 70 anos entre McDonald’s e Coca-Cola está em crise

16 de Junho de 2026, 06:03

Waddy Pratt, executivo da Coca-Cola, chegou a uma incipiente rede de hambúrgueres em Des Plaines, Illinois, onde um homem chamado Ray Kroc estava lavando o estacionamento com uma mangueira. O ambicioso empreendedor de refrigerantes acreditava que os restaurantes McDonald’s que Kroc imaginava expandir pelo país precisariam de uma bebida assinatura — e achava que a Coca-Cola poderia ser essa escolha.

O acordo informal firmado em 1955 selou a união entre duas marcas que, juntas, se tornaram ícones do capitalismo americano — e dos próprios Estados Unidos.

“Desde então, nossas marcas estão conectadas a cada gole”, disse a Coca-Cola em uma publicação no LinkedIn no ano passado, que celebrou os 70 anos da parceria.

Mas, como em muitos relacionamentos, há problemas. Não é que as duas empresas não estejam comprometidas uma com a outra, dizem executivos. É que o McDonald’s hoje já não está satisfeito em planejar tudo apenas em torno da Coca-Cola.

O McDonald’s está em busca de novos negócios. O crescimento nas vendas de hambúrgueres nos EUA desacelerou, enquanto Starbucks e Dunkin’ mostram que bebidas podem gerar bilhões por conta própria.

Red Bull ganha espaço

Nesta primavera no hemisfério norte, o McDonald’s lançou seus próprios refrigerantes personalizados e bebidas refrescantes. E se prepara para lançar uma linha de energéticos ancorada pela Red Bull — algo inédito para os Arcos Dourados, em referência ao seu logo universal.

Executivos e franqueados da rede dizem que há anos pedem mais opções à Coca-Cola. Algumas tentativas anteriores de inovação, como bebidas engarrafadas ou o sistema de máquinas “Freestyle”, que permitia aos clientes criar suas próprias misturas, não tiveram sucesso.

Enquanto isso, a popularidade dos refrigerantes tradicionais vem caindo, já que consumidores mais jovens buscam sabores exóticos e combinações com cores “prontas para o TikTok”.

“A Coca entende que queremos mais dela”, disse Jim Lewis, ex-franqueado do McDonald’s que trabalhou por 32 anos em parceria com a empresa.

Lewis, ex-presidente da cooperativa de franqueados da região de Nova York, viajou a Atlanta para reuniões com executivos da Coca na década de 2000, testou a máquina Freestyle em restaurantes no Queens no início dos anos 2010 e participou de comitês que estudavam bebidas engarrafadas no McDonald’s, incluindo o Vitaminwater da Coca.

Segundo ele, a máquina Freestyle exigia mais esforço do que trazia retorno, e os testes com Vitaminwater também fracassaram.

@wallstreetjournal

WSJ’s Heather Haddon visited McDonald’s global headquarters in Chicago to try new refreshers, dirty sodas and other cold beverages the chain is rolling out to U.S. restaurants in May. Host/Reporter: Heather Haddon Producer: Brian Patrick Byrne mcdonalds dirtysoda soda DrPepper Sprite wsj

♬ original sound – The Wall Street Journal – The Wall Street Journal

Trabalhar na conta do McDonald’s é um dos cargos mais prestigiados na sede da Coca em Atlanta. O presidente do grupo responde diretamente ao CEO da empresa e é um veterano com 34 anos de casa; um ex-líder do time era filho do antigo CEO Roberto C. Goizueta.

Henrique Braun, executivo brasileiro que assumiu como CEO da Coca-Cola em março, disse que a parceria com o McDonald’s continua “fantástica”. A Coca já participou da criação de novas bebidas do tipo “dirty soda” da rede, usando Sprite e xaropes para criar bebidas coloridas.

“Como fazemos com todos os nossos clientes, respeitamos suas decisões”, disse Braun ao comentar a inclusão da Red Bull pelo McDonald’s. “Mas sempre buscamos continuar sendo o principal fornecedor de bebidas para todos os consumidores — e isso não é diferente com o McDonald’s.”

O maior grupo de fast food do mundo, com receita anual de cerca de US$ 27 bilhões, afirmou estar comprometido com a parceria com a Coca, mas também quer ampliar sua rede de fornecedores para seus 45.700 restaurantes — incluindo 13.730 nos EUA.

“Somos guiados pelas preferências dos clientes e tendências emergentes”, disse uma porta-voz. “Seguimos profundamente comprometidos com nossa parceria de longa data com a Coca-Cola.”

Na feira anual da National Restaurant Association em Chicago no mês passado, a Coca exibiu uma variedade de bebidas em teste, incluindo uma bebida energética congelada em tons de arco-íris e bebidas rosadas voltadas ao público jovem.

Tradicionalmente, a Coca não apresentaria produtos ainda em desenvolvimento, disse Josh Gurley, chefe de transformação e crescimento estratégico da empresa.

Mas a gigante das bebidas, com receita anual de US$ 47,9 bilhões, sabe que restaurantes querem mais — e por isso distribuiu amostras de Strawberry Hot Honey Lemonade e Blueberry London Fog. Normalmente, a empresa só apresentaria novos produtos após contratos fechados.

“Isso é um pouco desconfortável para nós”, disse Gurley enquanto pessoas provavam drinks experimentais no estande.

Em 1955, quando Pratt e Kroc se encontraram, perceberam que padronizar os produtos do McDonald’s ajudaria a garantir qualidade uniforme e reduzir custos via escala de compras.

Pratt criou uma equipe que deu origem à McDonald’s Division (TMD). A Coca focou em vender Coca-Cola tradicional nas máquinas da rede, que também vendia outras bebidas próprias, como root beer e laranja.

A Coca passou a fornecer vendedores dedicados aos franqueados e expandiu o portfólio para incluir Sprite nos anos 1980, retirando a 7UP das máquinas do McDonald’s. Representantes da Coca no contrato se autodenominavam “guardians of the handshake” (“guardiões do aperto de mãos”), em referência ao acordo original.

Desde o início, o McDonald’s queria que a Coca servida em suas máquinas tivesse gosto mais fresco do que em qualquer outro lugar. Para isso, adotou medidas incomuns: sistemas de filtragem de água, controle de temperatura próximo ao congelamento para aumentar o gás, e calibração frequente das máquinas para garantir proporções corretas de xarope e gelo.

A Coca também realizava auditorias técnicas regulares, analisando temperatura e carbonatação, e entregava o xarope em tambores de aço inoxidável de 75 galões, enviados por caminhões e conectados diretamente às lojas.

A parceria gerou frutos. Nos anos 1980, executivos da Coca defenderam o conceito do “extra value meal”, combinando sanduíche, bebida e batata a preço reduzido — modelo que se tornaria padrão na indústria.

A Coca ajudou a financiar campanhas de marketing do McDonald’s, e seus refrigerantes se tornaram presença constante nas propagandas da rede.

Em 2002, o McDonald’s passou a adotar menus a la carte de US$ 1, o que reduziu a relevância dos combos com Coca. O período foi difícil para a empresa de bebidas, já que as vendas de refrigerantes caíam nos EUA.

Por volta de 2006, a Coca testou a venda de bebidas engarrafadas em lojas selecionadas do McDonald’s no Texas, incluindo marcas como Powerade, cafés gaseificados e energéticos.

Alguns franqueados passaram a vender produtos da PepsiCo, como Mountain Dew e Gatorade, em refrigeradores separados — algo inédito na história da rede.

As vendas de bebidas engarrafadas foram inferiores às de refrigerante de máquina, e os testes terminaram até 2009. Mas o episódio acendeu alertas na Coca sobre sua posição dominante no McDonald’s.

Mais tarde, o McDonald’s passou a dar espaço a outros refrigerantes em algumas máquinas, reduzindo a presença de marcas da Coca.

A rede passou a considerar novas parcerias após o sucesso da PepsiCo com o Taco Bell e o Mountain Dew Baja Blast, lançado em 2004 e que geraria mais de US$ 1 bilhão em vendas anuais.

O refrigerante também passou a enfrentar concorrência de Starbucks, que expandiu bebidas geladas e frappés e criou uma linha de refrescos frutados que se tornou um negócio de US$ 2 bilhões.

Em 2015, a Coca comprou participação na Monster, concorrente da Red Bull, e o McDonald’s testou a marca em algumas lojas — sem sucesso.

A rede decidiu, então, focar em seu café McCafé.

A Starbucks mostrou ao McDonald’s o grande mercado de bebidas especiais (Lanna Apisukh/WSJ)

Em 2015, o McDonald’s contratou Chris Kempczinski, ex-PepsiCo e Kraft Heinz, para liderar estratégia e inovação, com foco em bebidas.

Ele lançou em 2023 o conceito CosMc’s, voltado a bebidas como lattes e frappés, que acabou sendo encerrado cerca de 18 meses depois, mas serviu de base para novos testes.

Em 2025, a empresa colocou Charlie Newberger, ex-líder do CosMc’s, para liderar o desenvolvimento de bebidas.

“Precisamos de alguém que pense de forma exclusiva no que a oferta de bebidas do McDonald’s deve ser daqui a cinco anos”, disse Kempczinski.

Em um evento recente em Chicago, a empresa apresentou novos produtos para influenciadores digitais.

Segundo executivos, testes iniciais mostram que consumidores substituem bebidas tradicionais por novas opções, sem grande impacto direto nos refrigerantes clássicos.

Na feira de maio, a Coca apresentou novas máquinas para “dirty sodas” e bebidas com xaropes, que foram observadas por executivos do McDonald’s.

A rede também testou novas bebidas em Colorado e Wisconsin, incluindo Sprite com sabores especiais e até versões com bebidas energéticas. Em alguns casos, a Red Bull se destacou como a favorita dos consumidores.

“Meu Deus, acho que tenho uma nova obsessão. Isso é muito bom”, disse um cliente em vídeo no TikTok sobre o teste com Red Bull no McDonald’s.

Fox compra a Roku, empresa de tecnologia que transforma TVs em plataformas de streaming, por US$ 22 bilhões

15 de Junho de 2026, 11:08

A Fox concordou em adquirir a Roku em um acordo que avalia a empresa em cerca de US$ 22 bilhões, incluindo dívida, criando um novo gigante da televisão que controlará conteúdo e distribuição e permitirá competir de forma mais eficiente com grandes plataformas de streaming no mercado de publicidade.

O acordo combinará os canais de esportes, notícias e entretenimento da Fox incluindo o Tubi, gratuito e financiado por anúncios, com a plataforma da Roku, que conta com mais de 100 milhões de assinantes, segundo comunicado divulgado na segunda-feira (15).

A aquisição criará o terceiro maior player do mercado de TV dos EUA em participação de audiência, com distribuição que abrange TV aberta, TV a cabo, canais locais e streaming. A união do Tubi com a Roku cria uma potência em streaming gratuito suportado por publicidade, em um momento em que os espectadores migram cada vez mais para o consumo sob demanda.

“Essa combinação vai transformar o escopo da nossa empresa em verticais de alto crescimento e gerar uma mudança significativa no nosso perfil geral de crescimento”, disse Lachlan Murdoch, CEO da Fox, no comunicado.

Segundo os termos do acordo, a Fox pagará US$ 96 em dinheiro e 0,9693 ação Classe A da Fox por cada ação da Roku. A parcela em ações equivale a US$ 64 por ação da Roku, com base na média ponderada dos últimos 10 dias das ações da Fox até 10 de junho. As ações da Roku subiram 20% na sexta-feira após reportagem da Bloomberg sobre as negociações. Já na segunda-feira, os papéis da empresa avançavam cerca de 1% no pré-mercado, enquanto as ações da Fox caíam 13%.

Os dispositivos de streaming da Roku ajudaram a inaugurar a era do entretenimento doméstico digital, permitindo que usuários assistam conteúdos de aplicativos como Netflix e HBO Max diretamente na TV, transformando qualquer aparelho em uma smart TV. A empresa também vende TVs próprias, projetores e opera seu próprio canal de streaming. Seus dispositivos são usados por “mais da metade das residências com banda larga nos EUA”, segundo comunicado de abril.

A maior parte da receita da Roku vem de publicidade digital e distribuição de serviços de streaming, enquanto a venda de dispositivos representa uma fatia menor. O segmento de plataforma gerou US$ 4,1 bilhões, ou 87,5% da receita total no último ano.

A combinação com a Fox deve melhorar a capacidade de segmentação de campanhas publicitárias, à medida que os orçamentos continuam migrando da TV tradicional para o streaming. A Fox comprou o Tubi em 2020 para fortalecer seu negócio de streaming, que desde então se tornou um importante motor de crescimento.

O acordo deve ser concluído no primeiro semestre de 2027. A Fox recebeu US$ 12 bilhões em financiamento-ponte totalmente comprometido do Morgan Stanley Senior Funding para a transação.

Petróleo cai ao menor nível em três meses após acordo entre Estados Unidos e Irã

15 de Junho de 2026, 08:45

As ações e os títulos de renda fixa avançaram, enquanto o petróleo caiu para o menor nível em três meses após os Estados Unidos e o Irã concordarem em encerrar a guerra entre os dois países e reabrir o Estreito de Ormuz.

Os contratos futuros do Nasdaq 100 subiram 1,9%, enquanto os do S&P 500 avançaram 1,2%. As ações europeias ganharam 0,7% e superaram o recorde histórico registrado antes da guerra. O petróleo Brent caiu para cerca de US$ 83 por barril. Ouro e Bitcoin registraram fortes altas, enquanto o dólar perdeu terreno frente a todas as principais moedas. Os títulos europeus tiveram desempenho superior ao de seus pares globais.

O acordo entre Washington e Teerã sinaliza o fim de um conflito de três meses que custou milhares de vidas e abalou os mercados financeiros. A retomada dos fluxos de energia também ajudaria a eliminar o prêmio de risco incorporado aos preços do petróleo, trazendo alívio para formuladores de política monetária que lutam contra a inflação.

“A disposição para assumir riscos voltou, mas a questão é saber se o estreito será totalmente reaberto”, disse Christopher Dembik, gestor sênior de investimentos da Pictet Asset Management. “Trump não tem um histórico muito sólido de acordos duradouros no Oriente Médio, então existe o risco de as tensões voltarem a aumentar durante o verão.”

Entre as ações individuais, a SpaceX parecia pronta para ampliar os ganhos após sua estreia explosiva no mercado. Fabricantes de chips avançaram nas negociações pré-abertura, com a Nvidia subindo 2%. Mineradoras de ouro tiveram desempenho superior, enquanto as grandes petroleiras continuaram em queda.

A queda do petróleo também pressionou as ações de empresas do setor. No pré-mercado de Nova York, os ADRs (American Depositary Receipts) da Petrobras acompanhavam o movimento negativo das petroleiras globais. Às 7h55 (horário de Brasília), os papéis PBR, equivalentes aos PETR3, recuavam 4,16%, para US$ 17,61, enquanto os PBR-A, equivalentes aos PETR4, caíam 3,01%, para US$ 15,81, refletindo a forte baixa dos preços do petróleo após o anúncio do acordo entre Estados Unidos e Irã.

O Estreito de Ormuz será reaberto após a assinatura do acordo na sexta-feira, afirmou o presidente Donald Trump em uma rede social. O evento dará início a 60 dias de negociações sobre o programa nuclear iraniano. Trump disse ao The New York Times que, caso não haja um acordo nuclear, poderá retomar os ataques militares.

Por sua vez, o Irã permitirá a livre navegação pela via marítima por apenas 60 dias, informou a agência de notícias Fars, citando uma fonte familiarizada com o assunto.

“Não se trata de uma solução permanente, portanto um prêmio de risco relevante provavelmente continuará embutido nos mercados”, disse George Moran, estrategista macroeconômico para a Europa do RBC. “Mas, se o petróleo permanecer na faixa de US$ 80 a US$ 85, isso certamente reduz bastante a pressão sobre os bancos centrais.”

Os investidores apostam que a reabertura do Estreito de Ormuz ajudaria a aliviar as pressões inflacionárias e reforçaria as expectativas de juros mais baixos. Operadores do mercado de swaps precificam cerca de 70% de chance de um aumento de 0,25 ponto percentual nos juros pelo Federal Reserve até dezembro, abaixo dos aproximadamente 80% registrados na sexta-feira.

O rendimento dos Treasuries de 10 anos caiu quatro pontos-base, para 4,44%. Segundo a corretora ACCM, ele pode recuar para a faixa de 4,20% à medida que as preocupações com a inflação diminuírem.

Além da geopolítica, o próximo grande evento para os mercados ocorrerá na quarta-feira, quando o Federal Reserve votará sobre os juros pela primeira vez sob a presidência de Kevin Warsh. Os investidores também aguardam uma série de decisões de outros bancos centrais ao longo da semana.

“A principal questão é saber se as recentes pressões sobre os preços serão temporárias ou se ficarão incorporadas à dinâmica mais ampla da inflação”, afirmou Laura Cooper, estrategista global de investimentos e chefe de crédito macro da Nuveen. “Uma redução das tensões pode diminuir as preocupações com um choque persistente nos preços da energia, mas dificilmente será suficiente, por si só, para alterar as orientações de política monetária.”

O que dizem os estrategistas da Bloomberg:

“Quando o entusiasmo inicial em torno do acordo diminuir, as ações podem continuar subindo graças ao crescimento resiliente dos lucros, ao otimismo com inteligência artificial e à tendência dos mercados de ignorar choques geopolíticos. Já para renda fixa e câmbio, a mudança no cenário macroeconômico tende a representar um obstáculo mais duradouro.”

— Skylar Montgomery Koning, estrategista macroeconômico.

Destaques corporativos

  • A decisão extraordinária dos Estados Unidos de restringir o acesso estrangeiro aos modelos de IA mais avançados da Anthropic destaca a crescente disposição do governo Trump de exercer controle sobre um setor considerado estratégico.
  • UniCredit e Commerzbank intensificaram o conflito corporativo, à medida que o banco italiano segue tentando adquirir a rival alemã.
  • O investidor ativista Elliott Investment Management adquiriu uma participação próxima de 5% na Bunzl, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, após um alerta de lucro emitido no ano passado provocar forte queda das ações da empresa.

Mercados

Ações

  • Índice Stoxx Europe 600: +0,7%
  • Futuros do S&P 500: +1,2%
  • Futuros do Nasdaq 100: +1,9%
  • Futuros do Dow Jones: +0,9%
  • MSCI Ásia-Pacífico: +3,0%
  • MSCI Mercados Emergentes: +2,8%

Moedas

  • Índice Bloomberg Dollar Spot: -0,3%
  • Euro: +0,4%, para US$ 1,1614
  • Iene japonês: estável em 160,09 por dólar
  • Yuan offshore: estável em 6,7579 por dólar
  • Libra esterlina: +0,2%, para US$ 1,3432

Criptomoedas

  • Bitcoin: +2,7%, para US$ 65.674,98
  • Ether: +3,3%, para US$ 1.725,18

Renda fixa

  • Treasury de 10 anos dos EUA: 4,44% (-4 pontos-base)
  • Título de 10 anos da Alemanha: 2,95% (-5 pontos-base)
  • Título de 10 anos do Reino Unido: 4,79% (-4 pontos-base)

Commodities

  • Petróleo Brent: -4,9%, para US$ 83,02 por barril
  • Ouro à vista: +2,8%, para US$ 4.337,48 por onça-troy.

Todo mundo ama carros chineses — menos os próprios chineses

14 de Junho de 2026, 06:02

O mundo está aplaudindo os mais recentes veículos chineses, e as vendas estão disparando em praticamente todos os lugares onde esses carros estão disponíveis. A única exceção: a própria China.

As vendas de carros novos na China, o maior mercado de veículos novos do mundo, caíram 22% em maio em relação ao mesmo mês do ano anterior, para cerca de 1,5 milhão de veículos. Foi o oitavo mês consecutivo de queda na comparação anual, segundo a Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros. No acumulado do ano, as vendas estão quase 20% abaixo do nível do ano passado, pressionando os lucros das principais montadoras do país.

Os problemas no mercado doméstico estão levando as montadoras chinesas — incluindo marcas estrangeiras que produzem no país — a uma expansão ainda mais agressiva no exterior. A indústria automotiva chinesa exportou 784 mil carros em maio, segundo a associação, 75% a mais do que no mesmo mês do ano passado.

Em janeiro, Pequim reduziu pela metade uma isenção fiscal para veículos plug-in e cortou subsídios para quem troca um carro antigo por um elétrico, afetando as vendas de EVs. Depois, em março, o aumento dos preços da gasolina em meio à guerra no Irã prejudicou as vendas de carros tradicionais.

Muitos consumidores já estavam cautelosos com grandes compras em uma economia afetada por deflação e alto desemprego entre jovens. As vendas no varejo na China cresceram apenas 0,2% em abril, o ritmo mais lento em mais de três anos.

“Precisamos fazer algo para realmente reconstruir a confiança do consumidor”, disse Stella Li, vice-presidente executiva da BYD, maior montadora da China.

No primeiro trimestre, muitas montadoras chinesas registraram seus piores resultados em anos. O lucro líquido da BYD caiu aproximadamente pela metade, para o equivalente a US$ 590 milhões, o menor nível desde meados de 2022. Empresas menores, como a fabricante de EVs XPeng, estão acumulando prejuízos em um mercado saturado por dezenas de concorrentes e centenas de modelos.

BYD

A BYD tentou revitalizar os negócios com anúncios de tecnologia, como carregamento ultrarrápido de cinco minutos, garantias longas de bateria e promessas de cobrir custos de acidentes causados por seu sistema de assistência ao motorista “God’s Eye”.

O foco em inovação marca uma mudança em relação aos cortes de preços que impulsionaram o crescimento espetacular da empresa em anos anteriores. O governo chinês no ano passado passou a reprimir o que considerava competição excessiva no setor de EVs, temendo que uma guerra de preços estivesse prejudicando fornecedores e alimentando um ambiente deflacionário.

Com sua proposta incomum de direção automatizada, a BYD quer “colocar dinheiro na mesa e dar confiança aos consumidores”, disse Li. “Estou mais focada em qualidade do que em quantidade.”

Enquanto o mercado local enfrenta dificuldades, as montadoras chinesas aceleram sua expansão para exportação. O fundador da BYD, Wang Chuanfu, disse na assembleia anual da empresa na terça-feira que pretende tornar a companhia a maior montadora do mundo em cinco anos, segundo um resumo da reunião.

Entre os poucos países que não estão recebendo uma enxurrada de carros chineses está os Estados Unidos, que impuseram tarifas elevadas e outras restrições para mantê-los fora.

Na segunda-feira, o Pentágono adicionou a BYD e a NIO, outra montadora chinesa, a uma lista de empresas consideradas ligadas ao exército chinês, medida que as impede de realizar trabalhos para o Departamento de Defesa. As empresas disseram não ter ligações militares e que foram incluídas indevidamente na lista.

Em outros mercados, o rápido crescimento das exportações de veículos chineses gerou alertas e levou a medidas de restrição comercial. As montadoras chinesas responderam construindo fábricas e joint ventures, especialmente na Europa.

“O ponto-chave é encontrar uma forma de realmente fazer parcerias e unir forças”, disse Brian Gu, vice-presidente da XPeng. “No fim das contas, precisamos investir mais.”

Escreva para Stephen Wilmot em stephen.wilmot@wsj.com e para Raffaele Huang em raffaele.huang@wsj.com

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O que o investimento da Berkshire Hathaway na Macy’s diz sobre o futuro do varejo

13 de Junho de 2026, 06:03

Warren Buffett e o falecido vice-presidente da Berkshire Hathaway, Charlie Munger, ficaram famosos por lamentar a decisão de comprar uma loja de departamentos no passado. Então, o que a Macy’s está fazendo na carteira da Berkshire?

As ações da Macy’s acumulam alta de cerca de 18% desde 15 de maio, quando a Berkshire Hathaway divulgou sua participação na companhia. Os papéis avançaram novamente na quarta-feira, mesmo em um mercado em queda, após a divulgação de resultados fortes.

A posição na Macy’s é pequena em comparação com as duas grandes aquisições anunciadas recentemente por Greg Abel, novo CEO da Berkshire. Ainda assim, a compra de cerca de US$ 55 milhões — com base no preço das ações na data do registro — representava aproximadamente 1% do valor de mercado reduzido da varejista.

A aposta da Berkshire parece estar baseada em dois fatores: um número cada vez menor de concorrentes e uma nova liderança confiante, focada em melhorar a experiência nas lojas.

Erros em investimentos

O histórico da Berkshire no varejo é misto. O próprio Buffett costuma citar erros em investimentos no setor, incluindo a compra de uma loja de departamentos em Baltimore em 1966, que ele considera um de seus maiores equívocos.

Apesar disso, o conglomerado nunca abandonou completamente o segmento. A Berkshire é a principal acionista da Kroger, com participação de 8%, segundo a FactSet. Entre os ativos privados do grupo estão a See’s Candies, redes de móveis para casa e cadeias de joalherias.

A Macy’s reúne várias características que costumam atrair a Berkshire. Trata-se de uma ação barata em um setor pressionado por todos os lados, desde varejistas de desconto até marcas de fast fashion e especialistas como Aritzia. Redes outrora icônicas, como Sears e J.C. Penney, desapareceram ou perderam relevância. Mais recentemente, a Saks Global entrou para a lista de empresas em dificuldades.

Dentro desse universo cada vez menor, a Macy’s continua sendo a maior rede, com mais de US$ 20 bilhões em receita anual. Quando a Berkshire revelou sua participação, as ações eram negociadas próximas ao valor patrimonial da empresa. Mesmo após a alta recente, os papéis continuam relativamente baratos, cotados a 1,2 vez o valor patrimonial e a 10 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses.

Embora a receita total não esteja crescendo rapidamente, o fluxo de caixa livre da companhia aumentou em dois dígitos nos últimos dois anos e deve avançar mais 11% neste ano, segundo analistas consultados pela Visible Alpha. O dividend yield de 3,4% também é considerado atrativo.

Lojas próprias

Outro fator importante é o patrimônio imobiliário da empresa. A Macy’s é proprietária integral ou detém contratos de arrendamento do terreno em quase metade de suas lojas. A CoStar, empresa americana especializada em dados e análises do mercado imobiliário comercial, estimou anteriormente que esses imóveis valem entre US$ 7,9 bilhões e US$ 10,5 bilhões, bem acima do atual valor de mercado da companhia, de cerca de US$ 5,7 bilhões.

O desafio é transformar esses ativos em caixa, algo que diversos investidores ativistas tentaram sem grande sucesso. Ainda assim, a empresa espera levantar recursos com a venda de lojas menos rentáveis e já arrecadou cerca de US$ 400 milhões dessa forma.

Mais importante para os investidores, porém, é a liderança de Tony Spring, que assumiu o comando da empresa em 2024. Ele promoveu mudanças no mix de produtos, reforçou o número de funcionários em áreas estratégicas, como calçados, bolsas e provadores, e ampliou a realização de eventos nas lojas.

Segundo Blake Anderson, analista da Jefferies, Spring está fortemente focado na experiência do consumidor e quer resgatar o modelo tradicional das lojas de departamento, baseado em atendimento ao cliente.

Os resultados sugerem que a estratégia está funcionando. A Macy’s registrou seu quarto trimestre consecutivo de crescimento nas vendas comparáveis, sinalizando estabilização do negócio. A divisão de luxo Bloomingdale’s tem sido um destaque especial, com crescimento de 10% nas vendas comparáveis nos dois últimos trimestres, mesmo em um cenário difícil para o mercado de luxo.

A rede também pode se beneficiar das dificuldades enfrentadas pela Saks, que está fechando cerca de 30% das lojas das bandeiras Saks Fifth Avenue e Neiman Marcus. Segundo a Jefferies, a Bloomingdale’s é a varejista de departamento com maior sobreposição geográfica com essas redes.

Geração Z

A principal vantagem competitiva da Macy’s pode estar justamente na experiência de compra física, que voltou a ganhar força. Shoppings e lojas presenciais têm atraído consumidores da Geração Z, que passaram parte da juventude em isolamento durante a pandemia.

Ao mesmo tempo, muitos varejistas reduziram equipes para cortar custos e direcionaram funcionários para atender pedidos online. Após a queda observada durante a pandemia, o número de trabalhadores no varejo americano ainda permanece abaixo dos níveis de 2019, segundo dados do Departamento do Trabalho. A Macy’s seguiu o caminho oposto: o número de funcionários por loja aumentou 14% desde que Tony Spring assumiu o comando.

Buffett já elogiou a capacidade da Costco — uma das empresas favoritas de Charlie Munger — de “surpreender e encantar” seus clientes. A nova gestão da Macy’s parece estar demonstrando que isso ainda é possível no segmento de lojas de departamento.

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Nubank investiga falso aviso de liquidação enviado a clientes

12 de Junho de 2026, 17:59

O Nubank está investigando o envio a alguns de seus clientes no Brasil de um falso alerta de liquidação extrajudicial pelo Banco Central, informação negada tanto pela empresa quanto pelo BC.

As operações continuam “com segurança e estabilidade”, afirmou o Nubank em comunicado divulgado nesta sexta-feira (12), acrescentando que todas as suas licenças seguem ativas. Em nota própria, o Banco Central também declarou que “a informação não procede”.

O aviso falso foi enviado mais cedo a um pequeno número de clientes por meio do aplicativo da fintech. O Nubank classificou o episódio como um “erro operacional pontual, já identificado e solucionado”. A causa da falha está sendo investigada, e os clientes que receberam o alerta falso foram informados de que o banco opera normalmente, segundo a companhia.

O erro provocou uma onda de comentários nas redes sociais, com usuários do aplicativo relatando dúvidas sobre a veracidade da mensagem. Eventuais liquidações de instituições financeiras normalmente são comunicadas primeiro pelo BC por meio de canais oficiais.

Liquidações bancárias tornaram-se um tema de grande repercussão no Brasil após o colapso do Banco Master, cuja liquidação foi decretada pelo Banco Central em novembro. A instituição estaria no centro de um esquema de fraude que, segundo as autoridades, pode ser o maior já registrado no país. Outras instituições menores também foram liquidadas posteriormente em razão de suas ligações com o Banco Master.

Em contraste com estes bancos, o Nubank acumula 13 trimestres consecutivos de lucro desde sua abertura de capital, em 2021, de acordo com suas demonstrações financeiras. As ações da empresa subiam 0,2% nesta sexta-feira em Nova York, mas acumulam queda de 27% no ano, à medida que investidores avaliam o potencial impacto da deterioração do ciclo de crédito no Brasil — um fator que também pressiona outras instituições financeiras brasileiras.

Como Elon Musk se tornou o primeiro trilionário do mundo

12 de Junho de 2026, 16:17

Em uma publicação na rede social que controla, Elon Musk lamentou recentemente: “Quem disse que dinheiro não compra felicidade realmente sabia do que estava falando.”

Agora, a pessoa mais rica do mundo poderá testar esse ditado em uma escala ainda maior ao adicionar um novo título ao currículo: o primeiro trilionário do mundo.

As ações da SpaceX abriram a US$ 150 cada, 11% acima do preço da oferta, após começarem a ser negociadas em Nova York na sexta-feira, avaliando a empresa de foguetes e inteligência artificial fundada por Musk em cerca de US$ 2 trilhões.

Sua fortuna agora alcança a cifra antes inimaginável de quase US$ 1,05 trilhão, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg. Isso representa mais de três vezes a riqueza da segunda pessoa mais rica do mundo, o cofundador do Google, Larry Page.

O mais rico do mundo

Há menos de dez anos, o índice de riqueza da Bloomberg registrou sua primeira fortuna superior a US$ 100 bilhões — uma marca que Musk ultrapassou com folga em 2020. Desde então, ele passou a dominar o ranking dos mais ricos do planeta, primeiro com a ascensão da Tesla como uma das ações de melhor desempenho da história e, mais tarde, com a corrida dos investidores para adquirir participação na SpaceX, hoje uma das empresas mais valiosas do mundo.

Uma fortuna de US$ 1 trilhão — aproximadamente equivalente ao Produto Interno Bruto da Switzerland — desafia a compreensão. Steve Cohen, que ganhou US$ 3,4 bilhões no ano passado como o gestor de hedge fund mais bem remunerado do mundo, precisaria repetir esse resultado por quase 300 anos para alcançar US$ 1 trilhão. Cada um dos 14 filhos de Musk figuraria na 29ª posição entre as pessoas mais ricas do planeta caso herdasse uma parcela igual de sua fortuna.

“Não estamos falando de riqueza geracional”, disse Dan Walter, consultor independente de remuneração. “Estamos falando de algo infinito.”

O marco representa um momento decisivo para Musk, de 54 anos, cuja riqueza já o transformou em uma das figuras mais poderosas e polarizadoras do mundo. Ele não hesitou em usar sua fortuna para promover sua visão de mundo: comprou o Twitter em 2022 para combater o que chamou de “vírus da mente woke”, financiou um chatbot de inteligência artificial alinhado às suas ideias e ajudou a impulsionar a eleição de Donald Trump para um segundo mandato na Casa Branca por meio de doações.

Os mais de US$ 291 milhões que Musk gastou na eleição federal de 2024 representam menos de 0,03% de seu patrimônio atual — o equivalente a uma doação de US$ 291 para alguém com patrimônio de US$ 1 milhão.

Um caminho turbulento

A trajetória de Musk de bilionário a trilionário não foi livre de obstáculos.

A compra do Twitter em 2022 levou-o a vender mais de US$ 15 bilhões em ações da Tesla, contribuindo para a queda dos papéis da montadora e alimentando críticas de que ele havia pago caro demais pela rede social. Seu pacote de remuneração de US$ 56 bilhões na Tesla, negociado em 2018, foi anulado por uma juíza de Delaware após ação movida por investidores. Além disso, sua participação no Departamento de Eficiência Governamental do governo Trump e seu apoio a movimentos políticos marginais afastaram milhões de consumidores, prejudicando as vendas de veículos da Tesla.

Ainda assim, Musk conseguiu superar esses desafios. O Twitter, rebatizado como X, viu o valor de seus dados disparar com a demanda por inteligência artificial e acabou sendo fundido à xAI, startup de IA criada pelo próprio empresário. A Tesla transferiu sua sede da Califórnia para o Texas e, no ano passado, venceu um recurso que permitiu a Musk manter seu pacote original de remuneração. A empresa também aprovou um novo plano que pode render ao executivo até US$ 1 trilhão, caso determinadas metas sejam alcançadas.

Enquanto isso, investidores da Tesla passaram a focar menos na queda das vendas de automóveis e mais em projetos futuros, como os robotáxis e os robôs humanoides Optimus.

SpaceX impulsiona a fortuna

Embora a ascensão de Musk ao posto de trilionário esteja fortemente ligada à SpaceX, foi a Tesla que inicialmente o levou ao topo da lista dos mais ricos do mundo. As ações da fabricante de veículos elétricos sediada em Austin — da qual Musk continua sendo o maior acionista — acumulam valorização de cerca de 35.000% desde a abertura de capital da companhia, em 2010.

Mas o domínio da SpaceX no mercado de lançamentos orbitais, aliado ao serviço de internet via satélite Starlink, lançado em 2019, atraiu atenção crescente dos investidores. Avaliada em cerca de US$ 100 bilhões em uma rodada de investimento em 2021, a companhia viu seu valor saltar para US$ 1 trilhão em fevereiro, após a fusão com a xAI e a rede social X.

O grupo combinado — que agora detém o recorde da maior oferta pública inicial da história, ao levantar US$ 75 bilhões — representa mais de 70% da fortuna de Musk.

Apesar dos números impressionantes, a maior parte da riqueza do empresário continua existindo apenas no papel. Segundo o índice da Bloomberg, ele possui poucos ativos relevantes fora de suas participações nas próprias empresas. Uma venda significativa de ações poderia pressionar as cotações e reduzir o valor de seu patrimônio.

Ainda assim, Tesla e SpaceX mantêm planos de remuneração que podem conceder a Musk participações adicionais caso as companhias atinjam metas financeiras e operacionais ambiciosas. Se todos os objetivos forem cumpridos, os dois pacotes combinados poderiam valer cerca de US$ 1,8 trilhão.

JBS fechará unidade de processamento de carne na Pensilvânia em meio à escassez de gado nos EUA

12 de Junho de 2026, 15:20

A JBS vai fechar uma unidade de processamento de carne bovina na Pensilvânia, no mais recente sinal das dificuldades enfrentadas pelos frigoríficos diante da severa escassez de gado nos Estados Unidos.

Além da planta de carne bovina em Souderton, na Pensilvânia, a maior fornecedora de carne do mundo também informou que encerrará as atividades de uma unidade em Memphis, no Tennessee, dedicada ao processamento e embalagem de proteínas com maior valor agregado. Os fechamentos ocorrem após a companhia informar, no mês passado, que enfrentou perdas crescentes em sua divisão de carne bovina nos EUA.

O rebanho bovino americano está no menor nível em 75 anos, já que pecuaristas afetados por secas e custos elevados de produção precisaram reduzir seus plantéis. A estiagem, que voltou a se intensificar, deve atrasar ainda mais o processo de recomposição dos rebanhos, afirmou Wesley Batista Filho, CEO da JBS USA, durante uma teleconferência realizada em maio.

O retorno da larva parasita conhecida como mosca-da-bicheira do Novo Mundo (New World screwworm) no Texas também aumenta as incertezas para os pecuaristas e pode afetar as perspectivas de recuperação da oferta de gado nos EUA. Analistas do Barclays afirmaram nesta semana que a recuperação dos lucros da carne bovina, inicialmente esperada para o segundo semestre de 2027, agora deve ocorrer apenas no ano fiscal de 2028.

Concorrentes

O fechamento anunciado pela JBS é mais um movimento do setor para aumentar a eficiência e reduzir a capacidade de processamento diante da menor oferta de animais. No fim do ano passado, a empresa já havia informado que encerraria uma unidade na Califórnia. Concorrentes como a Tyson Foods e a Cargill também fecharam plantas em Nebraska e Milwaukee, respectivamente. Enquanto isso, uma medida das margens de processamento de carne bovina calculada pela HedgersEdge permanece majoritariamente negativa há cerca de um ano e meio, mesmo com os preços recordes da carne ao consumidor atraindo o escrutínio das autoridades antitruste do governo de Donald Trump.

A JBS afirmou que as medidas anunciadas nesta sexta-feira fazem parte de uma estratégia mais ampla de modernização das operações. Segundo a empresa, os investimentos realizados em unidades de outros estados estão voltados para ampliar a produção de alimentos preparados e produtos de maior valor agregado, além de modernizar processos e melhorar o atendimento aos clientes.

A companhia informou que a produção das unidades afetadas será transferida para outras plantas. A fábrica de Souderton emprega mais de 1.700 pessoas e tem capacidade para abater cerca de 2 mil cabeças de gado por dia, sendo uma das maiores instalações do tipo na Costa Leste dos Estados Unidos.

As ações da JBS chegaram a subir 1,9% nesta sexta-feira, atingindo o maior nível em duas semanas.

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Equador vai reduzir preços da cerveja em 20% em gesto de apoio na Copa do Mundo

12 de Junho de 2026, 12:41

O Equador vai reduzir os preços da cerveja em mais de 20% por meio de um corte temporário de impostos para mobilizar “apoio extra” à seleção nacional durante a Copa do Mundo, afirmou o presidente do país Daniel Noboa.

O governo eliminará um imposto especial sobre a cerveja e outras bebidas de teor alcoólico moderado até 19 de julho, disse Noboa em declarações divulgadas pelo veículo El Universo.

A medida foi anunciada durante a inauguração de um projeto rodoviário na província de Guayas, uma das regiões costeiras do país afetadas por disputas entre gangues do narcotráfico. Vestindo a camisa da seleção, Noboa afirmou que “todos já estão mais focados no futebol do que em qualquer outra coisa” e disse esperar que o Equador “vá muito longe” no torneio.

A Copa do Mundo FIFA 2026 começou na quinta-feira (11), com uma partida entre México e África do Sul. A seleção do Equador estreia em 14 de junho contra a Costa do Marfim, na Filadélfia. Noboa deve viajar aos Estados Unidos ainda hoje e permanecer até a próxima segunda-feira, segundo um decreto executivo que não detalha sua agenda.

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Após IPO recorde, SpaceX enfrenta seu primeiro teste em Wall Street

12 de Junho de 2026, 09:26

A SpaceX entrou para a história com um IPO de US$ 75 bilhões que a transformou instantaneamente em uma das maiores empresas de capital aberto do mundo. Agora, ela precisa conquistar a confiança do mercado.

As negociações desta sexta-feira serão um teste crucial para a empresa de foguetes, satélites e inteligência artificial avaliada em US$ 1,8 trilhão e para seu fundador, Elon Musk. Mesmo após levantar o maior valor já arrecadado em uma oferta pública inicial de ações (IPO), a SpaceX ainda precisa obter a validação do mercado para sua ambição de dominar a inteligência artificial e levar seres humanos à Lua e a Marte, além de convencer investidores sobre seu controverso modelo de governança, que garante a Musk controle quase absoluto da companhia.

“Escalar é muito caro”, afirmou a presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell, à CNBC. “As coisas que estamos fazendo custam muito dinheiro.” Segundo ela, mesmo como empresa de capital aberto, a SpaceX continuará focada em horizontes de longo prazo, dando menos importância ao desempenho trimestral.

As indicações de onde as ações da SpaceX poderão abrir começaram a surgir após a abertura do mercado às 9h30 de Nova York. Mercados paralelos apontavam para uma estreia explosiva, sugerindo uma valorização de pelo menos 35% em relação ao preço de oferta de US$ 135 por ação.

O IPO foi mais de quatro vezes sobrescrito na quinta-feira, informou a Bloomberg News. A decisão incomum da empresa de definir previamente um preço e um volume fixos impediu os bancos de capturar a forte demanda adicional, deixando um grande grupo de investidores disputando as ações disponíveis e potencialmente preparando o terreno para uma disparada no primeiro dia de negociações.

Ainda assim, o tamanho sem precedentes da estreia da SpaceX torna a dinâmica do mercado mais complexa, e o receio de falhas inesperadas — como as que prejudicaram o IPO do Facebook em 2012 — certamente mantém executivos em alerta. O primeiro dia de negociações não apenas definirá o tom das próximas sessões, mas também influenciará as perspectivas de duas potenciais gigantes ofertas públicas iniciais de rivais da SpaceX na área de IA: Anthropic e OpenAI.

“Isso antecipa uma onda bastante significativa de IPOs”, afirmou John Waldron, durante entrevista à Bloomberg Television. “Os mercados de capitais estão dispostos a financiar essas empresas extraordinárias à medida que construímos a infraestrutura de IA.”

As negociações também devem determinar se Musk se tornará o primeiro trilionário do mundo, um título que atualmente está muito próximo de alcançar. Sua fortuna era estimada em cerca de US$ 970 bilhões na quinta-feira, segundo o Bloomberg Billionaires Index.

Índices e investidores de varejo podem impulsionar as ações

Entre os investidores que receberam menos ações do que desejavam estão os investidores de varejo. Esse grupo gerou mais de US$ 100 bilhões em demanda, grande parte provavelmente ainda não atendida. Outro fator favorável para o papel será a compra forçada por fundos que replicam índices, o que pode gerar até US$ 6 bilhões em demanda à medida que adquirem ações antes da esperada inclusão acelerada da SpaceX em índices de referência, segundo a Bloomberg Intelligence.

No entanto, um IPO gigantesco não garante uma estreia espetacular. O sentimento ainda frágil em relação a empresas recém-listadas faz com que algumas nunca se recuperem após negociarem abaixo do preço de oferta no primeiro dia. Mesmo companhias que disparam após seus IPOs nem sempre conseguem sustentar o ritmo.

Entre os IPOs americanos que captaram ao menos US$ 1 bilhão, o recorde de maior valorização no primeiro dia pertence à Figma, que subiu 250% em sua estreia em 2025. Posteriormente, devolveu todos esses ganhos e atualmente negocia cerca de 41% abaixo do preço do IPO.

Já a Circle Internet Group avançou 168% em seu primeiro dia de negociações em 2025 e continua sendo negociada aproximadamente nesse mesmo patamar acima do preço de oferta.

Empresas com prejuízo líquido tendem a apresentar desempenho mais de 10% inferior ao de concorrentes lucrativas nos primeiros 18 meses após a abertura de capital, segundo relatório da Trivariate Research publicado no ano passado. A SpaceX registrou prejuízo líquido de US$ 4,28 bilhões no primeiro trimestre de 2026.

Parte do comportamento das ações após o IPO também se explica pelo número relativamente pequeno de papéis disponíveis para negociação. A oferta da SpaceX é uma exceção mesmo para os padrões do mercado: apenas cerca de 4,2% das ações em circulação estarão disponíveis para negociação no primeiro dia.

Embora um free float reduzido possa aumentar a volatilidade do papel, alguns investidores estão mais preocupados com o que acontecerá quando os acionistas internos puderem vender mais ações após o vencimento dos chamados períodos de lock-up.

“A parte complicada, para mim, é entender como o mercado vai absorver esse aumento do free float ao longo do tempo”, disse Jeremiah Buckley.

“Não acho que absorver um IPO de US$ 75 bilhões tenha um impacto tão grande. Mas, se estivermos falando de absorver US$ 1 trilhão em ações disponíveis para negociação, esse dinheiro precisa vir de algum lugar, e isso me deixa mais preocupado”, afirmou.

A possibilidade de uma fusão com a Tesla

O desempenho inicial da SpaceX provavelmente terá um papel importante no que muitos investidores enxergam como o objetivo final de Musk: uma fusão com a Tesla, criando uma espécie de “Elon Inc.” que permitiria aos investidores comprar ações de uma única empresa reunindo todas as visões do executivo sobre robôs, carros autônomos, inteligência artificial e centros de dados espaciais.

“Não há dúvida de que existem sinergias entre Tesla e SpaceX para o nosso futuro”, afirmou Shotwell à CNBC. “Mas, neste momento, estou focada em manter as luzes acesas por aqui.”

Embora nada tenha sido anunciado oficialmente, investidores pressionaram a empresa a considerar uma fusão entre Tesla e SpaceX em janeiro, informou a Bloomberg News, antes da divulgação do acordo envolvendo a empresa de IA de Musk. Uma união após o IPO da SpaceX seria apenas uma questão de tempo, disse o investidor inicial Peter Diamandis à Bloomberg TV em maio.

Os negócios das duas empresas já estão interligados. Quase um em cada cinco veículos Cybertruck vendidos pela Tesla no quarto trimestre de 2025 foi comprado pela própria SpaceX ou por outras empresas de Musk. Alguns dos projetos mais ambiciosos do empresário — como o Terafab, iniciativa voltada à produção de semicondutores para IA — exigirão que Tesla e SpaceX comprometam dezenas de bilhões de dólares antes de se tornarem realidade.

Mesmo assim, uma fusão entre Tesla e SpaceX parece distante no médio prazo, segundo o analista da Bloomberg Intelligence Steve Man.

“Os benefícios do projeto de chips Terafab, do desenvolvimento de software Macrohard e de qualquer papel da Tesla na exploração espacial ainda estão a anos de distância”, afirmou.

Caso as ações da SpaceX recuem nas próximas semanas, isso poderia até tornar uma fusão mais aceitável para os acionistas da Tesla, segundo analistas da Morningstar.

“Com a avaliação da SpaceX disparando antes do IPO, duvidamos que os acionistas da Tesla quisessem comprar a SpaceX enquanto seus múltiplos de valuation forem muito superiores aos deles”, escreveram os analistas.

“Embora esperemos que alguns acionistas da Tesla também queiram possuir ações da SpaceX, os novos investidores da SpaceX provavelmente não aceitariam um desconto tão grande em relação ao preço do IPO, a menos que as ações recuassem para perto de nossa estimativa de valor justo de US$ 63 por ação.”

A operação foi liderada por Goldman Sachs, Morgan Stanley, Bank of America, Citigroup e JPMorgan Chase, com a participação de outros 18 bancos. A empresa formalmente conhecida como Space Exploration Technologies Corp. estreia na Nasdaq e na Nasdaq Texas sob o código SPCX.

Com Wall Street já atribuindo preços-alvo de até US$ 190 para as ações da SpaceX, o debate sobre o sonho de Musk de transformar a humanidade em uma espécie multiplanetária está prestes a começar.

Para Nirgunan Tiruchelvam, o IPO tem um significado simbólico semelhante ao da abertura de capital da Alibaba Group em 2014, que representou a ascensão da China e do comércio eletrônico.

“Neste caso, o IPO da SpaceX é um termômetro do estado do mercado”, afirmou Tiruchelvam. “A SpaceX representa o boom tecnológico impulsionado pela inteligência artificial e a ascensão da tecnologia espacial como uma das forças definidoras do nosso tempo.”

Equatorial fica com apenas 30% da Copasa em privatização

12 de Junho de 2026, 09:14

A Equatorial vai adquirir apenas 30% das ações da Copasa, como parte da privatização da concessionária brasileira de água e saneamento, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

O governo do estado de Minas Gerais arrecadou R$ 8,4 bilhões com a oferta pública de 171,1 milhões em ações da Cia. de Saneamento de Minas Gerais, nome oficial da Copasa, na quinta-feira, ao preço de R$ 49,03 por ação, de acordo com as pessoas.

A oferta recebeu propostas no valor de R$ 66 bilhões, sendo R$ 48 bilhões provenientes de investidores qualificados, disseram as pessoas.

O preço por ação é o mesmo que a Equatorial concordou em pagar por sua participação de 30% na concessionária na semana passada, na primeira fase do processo, tornando-se investidora de referência na oferta. A Equatorial também havia manifestado interesse em adquirir outras 48 milhões de ações pelo mesmo preço na oferta pública, mas, devido à alta demanda, a empresa não recebeu alocação adicional.

O processo de privatização da Copasa foi relançado no final de maio, após as propostas ficarem abaixo do preço mínimo exigido. A Equatorial, empresa do setor energético, foi a única a apresentar uma nova oferta, concordando em pagar R$ 5,6 bilhões pela participação de 30%, buscando consolidar sua posição no setor de saneamento básico no Brasil.

A transação representa mais um teste do apetite dos investidores por ativos de infraestrutura, à medida que os governos estaduais buscam atrair capital privado para os serviços básicos de saneamento. O setor tem despertado o interesse de investidores e operadores estratégicos após uma reforma regulatória que estabeleceu metas para expandir a cobertura de água e esgoto em todo o país.

A Equatorial cresceu por meio de aquisições nos últimos anos e também se tornou uma investidora de referência na Cia. de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, ou Sabesp, quando a concessionária de água que era controlada pelo estado de São Paulo foi privatizada em 2024.

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Como a Copa expõe para o mundo a violência dos cartéis no México

12 de Junho de 2026, 06:03

ZAPOPAN, México — Neste subúrbio sofisticado e arborizado de Guadalajara, onde gramados bem cuidados ficam próximos de centros comerciais de alto padrão, 89 sacos com restos humanos foram encontrados no último ano, abandonados em ravinas ou retirados de valas comuns sem identificação.

A poucos quilômetros dessas descobertas macabras, torcedores de futebol vão lotar o Estádio Akron, em formato de vulcão, nos arredores de Guadalajara, para a primeira de quatro partidas da Copa do Mundo que serão disputadas no local, a partir de quinta-feira.

Quatro meses após uma onda de violência de cartéis paralisar Guadalajara e o estado de Jalisco, autoridades mexicanas montam um esquema de segurança multimilionário para convencer o mundo de que o torneio é seguro. Guadalajara é particularmente sensível por estar no estado-sede do Cartel de Jalisco Nova Geração — um dos maiores e mais violentos grupos de crime organizado do país.

Ao redor do Estádio Akron, um amplo perímetro foi fortemente cercado. No alto, um helicóptero Black Hawk com atiradores patrulhará o céu, enquanto uma frota de Tesla Cybertrucks no solo ajudará a sustentar um escudo eletrônico antidrone sobre o estádio.

Cerca de 100 mil agentes de segurança serão mobilizados em todos os locais-sede do país, incluindo Cidade do México e Monterrey.

Os riscos são elevados tanto para o governo mexicano quanto para as economias subterrâneas que operam paralelamente ao Estado. Analistas de segurança afirmam que organizações criminosas no México, especialmente o cartel de Jalisco, com forte presença em Guadalajara, provavelmente irão impor uma trégua tática durante o torneio, aproveitando a oportunidade para lucrar com a venda de drogas e outros serviços ilícitos aos grandes fluxos de turistas.

Ao mesmo tempo, grupos ativistas trabalham para garantir que os visitantes não deixem de enxergar a violência que molda a vida em Guadalajara e em grande parte do país.

Mais de 130 mil pessoas estão desaparecidas no México, a maioria sequestrada ou morta por cartéis, em alguns casos com cooperação de autoridades policiais. Familiares colam cartazes com fotos dessas pessoas fora de locais da Copa, e também participam de protestos que ameaçam interromper o acesso ao Estádio Azteca, na Cidade do México, durante o jogo de abertura.

“Queremos que as pessoas saibam o que acontece no México”, disse Héctor Flores, cofundador do grupo Light of Hope, cujos voluntários encontraram um crânio humano em uma ravina em Zapopan na semana passada. “Pessoas desaparecem todos os dias aqui, e parece que ninguém se importa, exceto as famílias.”

Outros grupos também se juntam às manifestações. Nas últimas duas semanas, uma ala combativa do sindicato nacional de professores bloqueou grandes vias de transporte, derrubou estátuas de jogadores da Copa e vandalizou anúncios com grafites antigoverno. Outras organizações de esquerda também se mobilizam para os protestos de quinta-feira.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, busca projetar uma imagem de estabilidade e prometeu que o governo não reprimirá manifestações. Ela fechou escolas e determinou que servidores federais trabalhem de casa na quinta-feira para reduzir o potencial de caos na Cidade do México.

“Vamos ao mesmo tempo garantir que a celebração de abertura da Copa do Mundo ocorra bem, de forma pacífica e tranquila”, disse Sheinbaum na segunda-feira.

A tensão em torno do torneio atingiu o pico em fevereiro, quando forças de segurança mexicanas mataram o líder do Cartel de Jalisco, Nemesio “El Mencho” Oseguera, em um violento tiroteio. O cartel respondeu sequestrando e incendiando ônibus para bloquear estradas em todo o estado, queimando lojas de conveniência e matando mais de duas dezenas de membros da Guarda Nacional.

Gabriela Cuevas, representante do México na FIFA para a Copa do Mundo, minimizou o risco de uma nova escalada durante os jogos, afirmando que o estado estava “completamente normalizado” 72 horas após os confrontos de fevereiro. Ela destacou a longa experiência do México na realização de grandes eventos, incluindo uma apresentação oficial do troféu da FIFA em Guadalajara dias após os distúrbios.

Tequila e mariachi

O México segue sendo um dos principais destinos turísticos do mundo, impulsionado por produtos culturais globais de Jalisco, como tequila e mariachi.

O Departamento de Estado dos EUA recentemente alertou torcedores que irão aos jogos no México sobre risco de furtos e golpes, recomendando evitar táxis de rua. Ainda assim, a demanda permanece forte: Guadalajara, junto com Vancouver, tem uma das maiores taxas de ocupação hoteleira entre todas as cidades-sede do torneio.

Ex-autoridades de segurança mexicanas e americanas observam que, embora os confrontos de fevereiro tenham exposto o fraco controle do governo sobre partes de Jalisco, os cartéis entendem a lógica econômica do momento. Um ataque direto a turistas estrangeiros ou qualquer interrupção do torneio multibilionário provocaria uma resposta federal sem precedentes, possivelmente com apoio de inteligência e segurança dos EUA — um cenário que os cartéis querem evitar.

Em vez disso, o submundo do crime vê o torneio como uma oportunidade de lucro. Um estudo conjunto da Organização Mundial do Comércio e da FIFA projeta que cada torcedor gastará mais de US$ 400 por dia, criando fluxos de receita temporários altamente lucrativos.

“O crime organizado vai lucrar com a Copa do Mundo oferecendo todo tipo de coisa”, disse Eduardo Guerrero, analista de segurança na Cidade do México. “Drogas, prostituição, transporte clandestino. Os mercados ilegais vão se expandir rapidamente com o aumento da demanda.”

Diante dos desafios de conter protestos e redes criminosas, autoridades regionais estão optando por dissuasão em vez de confronto direto. Juan Pablo Hernández, chefe de segurança do estado de Jalisco, confirmou que o governo evitará operações agressivas contra cartéis durante o período do torneio.

“Não é viável realizar operações que possam gerar confrontos e colocar a população em risco, incluindo turistas”, disse Hernández. “Em vez disso, nossa estratégia é uma demonstração de força ampla e visível para manter a paz.”

Na semana passada, Hernández apresentou publicamente os recursos disponíveis para a Copa, com uma exposição de motocicletas, cães-robôs de desativação de bombas, Cybertrucks, drones de vigilância, jammers antidrone, veículos blindados, armas automáticas e especialistas em explosivos.

No total, o estado de Jalisco gastou cerca de US$ 11 milhões em equipamentos de alta tecnologia.

Para as famílias de desaparecidos no México, os milhões gastos em “escudos tecnológicos” para estádios são um insulto. Os desaparecimentos mais que dobraram na última década, segundo o think tank México Evalúa. O estado de Jalisco lidera o país, com mais de 16 mil casos sem solução.

Ativistas afirmam que órgãos responsáveis por localizar desaparecidos têm tão poucos recursos e funcionários que as buscas frequentemente levam meses para começar.

Para forçar visitantes internacionais a encarar essa realidade, grupos ativistas estão atuando na paisagem visual do torneio. Fora da zona oficial de fãs da FIFA em Guadalajara, o coletivo Light of Hope colou paredes com fotos de familiares desaparecidos, modificadas digitalmente para parecerem figurinhas oficiais da Copa do Mundo.

“Falta recurso e falta vontade”, disse Jaime Aguilar, voluntário dos Search Warriors of Jalisco, que buscam valas clandestinas no estado. “Os recursos existem. Com a Copa do Mundo, estamos vendo um enorme desperdício de dinheiro para cumprir exigências da FIFA.”

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IPO da SpaceX deve transformar mais de 4 mil funcionários em milionários

11 de Junho de 2026, 12:27

A abertura de capital da SpaceX deve transformar mais de 4 mil funcionários atuais e ex-funcionários em milionários, em um dos maiores eventos de criação de riqueza já vistos no setor de tecnologia. E, junto com essa perspectiva, vem um desafio clássico: como administrar um patrimônio concentrado em ações de uma única empresa.

Segundo uma análise da plataforma de investimentos Hill.com, divulgada pelo New York Times, mais de 4.400 funcionários atuais e antigos da SpaceX devem se tornar milionários com o IPO. Desses, cerca de 400 devem conquistar patrimônio superior a US$ 100 milhões (cerca de R$ 520 milhões).

A companhia é avaliada em aproximadamente US$ 1,77 trilhão (cerca de R$ 9,2 trilhões), cinco vezes o valor de mercado da General Electric, e os ganhos individuais podem chegar a dezenas de milhões de dólares por pessoa, dependendo do tempo de casa e do volume de ações acumuladas ao longo dos anos.

O movimento não se restringe à SpaceX. Anthropic e OpenAI também protocolaram pedidos de abertura de capital em 2025, e o mesmo fenômeno deve se repetir: funcionários que aceitaram parte relevante da remuneração em participação acionária, apostando no crescimento de longo prazo das empresas, verão esses papéis se transformarem em riqueza efetivamente realizável pela primeira vez.

Com a listagem, essas ações passam a ter preço de mercado e liquidez, abrindo espaço para decisões financeiras mais complexas. O dilema central é conhecido: vender parte das ações agora e transformar parte do ganho em dinheiro, ou manter a exposição, apostando em uma valorização adicional após a estreia na bolsa.

Orientação financeira

Diante da perspectiva de riqueza repentina, cresce a busca por orientação financeira. Muitos desses futuros milionários têm recorrido a consultores e programas de educação patrimonial — uma espécie de curso intensivo sobre como lidar com grandes fortunas, motivado pela necessidade urgente de tomar decisões sobre investimentos, impostos e diversificação. É o que mostrou uma reportagem do Wall Street Journal.

Consultores financeiros descrevem o período pós-IPO como um “frenesi emocional”. A recomendação predominante é criar um plano de diversificação antes da estreia na bolsa e se comprometer a segui-lo, independentemente do que aconteça com o papel nos primeiros dias de negociação. Vender ações pode permitir que o funcionário financie a educação dos filhos, quite a casa própria ou se aposente mais cedo. Mas transformar esse racional em ação concreta é mais difícil do que parece.

Em empresas de alto crescimento, funcionários tendem a desenvolver convicção profunda no negócio — e isso dificulta decisões de venda mesmo quando os valores no papel já são expressivos. Há também o medo de vender cedo demais: quem apostou na empresa por anos, muitas vezes abrindo mão de salários mais altos em outras companhias, não quer perder uma valorização adicional que pode ser ainda maior.

A isso se soma o risco de concentração patrimonial. Em muitos casos, uma parcela dominante da riqueza dessas famílias permanece atrelada quase exclusivamente às ações da empresa — o que aumenta a exposição às oscilações típicas do pós-IPO. Funcionários da SpaceX, por exemplo, estão sujeitos a um período de restrição de 180 dias após a listagem, embora possam vender parte das ações em janelas específicas antes disso.

Outro ponto importante é a complexidade tributária no sistema dos Estados Unidos. Funcionários de empresas de tecnologia costumam receber uma combinação de diferentes tipos de equity — opções de ações qualificadas e não qualificadas, unidades restritas de ações (Restricted Stock Units, ou RSUs) e ações adquiridas via programas de compra com desconto. Cada modalidade segue regras tributárias distintas no país, e uma decisão mal calibrada pode gerar uma conta inesperada com o fisco americano.

A orientação de consultores financeiros é vender as ações gradualmente, por exemplo, desfazer 20% da posição no IPO, reduzir mais 60% ao longo do tempo e manter os 20% restantes como sinal de confiança na empresa. Em IPOs de grande apelo tecnológico, é comum que funcionários inicialmente resistam a reduzir posições, antes de ajustarem gradualmente suas carteiras à medida que a liquidez aumenta e a volatilidade se torna mais evidente. A história do setor guarda exemplos de empresas que pareciam imbatíveis e viram suas ações desabar um lembrete de que convicção no negócio não elimina o risco de concentração.

Vale lembrar ainda que na maioria dos IPOs, apenas os fundadores chegam à casa dos bilhões. Ter centenas de pessoas ultrapassando a marca de US$ 100 milhões (cerca de R$ 520 milhões) é algo fora do comum — e revela a escala do evento que está prestes a acontecer.

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GM avança em baterias de sódio e entra no mercado de armazenamento de energia

11 de Junho de 2026, 10:06

A General Motors está avançando no mercado de armazenamento estacionário de energia — sistemas de baterias fixas usados para guardar eletricidade e devolvê-la à rede quando há maior demanda — por meio de uma parceria com a startup Peak Energy Technologies, em um movimento para surfar tanto a alta demanda impulsionada pela inteligência artificial quanto o crescente interesse de investidores no setor.

A General Motors e a Peak Energy planejam desenvolver baterias capazes de armazenar energia na rede elétrica durante períodos de baixa demanda, informou a montadora na terça-feira em um evento em São Francisco. A GM também está adotando medidas para permitir que mais de seus veículos elétricos já vendidos possam fornecer energia de volta à rede quando conectados em casa, o que pode ajudar concessionárias a lidar com a demanda de data centers de IA.

Tanto GM quanto Ford já investiram dezenas de bilhões de dólares no desenvolvimento de veículos elétricos, mas encontraram uma adoção mais lenta do que o esperado por parte dos consumidores americanos. Agora, assim como a Ford, a GM tenta “tirar proveito do prejuízo”, migrando parte da estratégia para o crescente mercado de armazenamento de energia impulsionado por data centers de IA, que estão pressionando as redes elétricas dos EUA.

“No passado, grandes mudanças tecnológicas eram limitadas por processadores lentos ou velocidades de internet. Hoje, o verdadeiro gargalo é a energia”, disse o diretor de produtos da GM, Sterling Anderson. “Estamos desenvolvendo baterias para sistemas de armazenamento em larga escala para concessionárias e grandes consumidores, ao mesmo tempo em que usamos nossos veículos elétricos conectados para devolver energia às redes locais residenciais.”

O anúncio da GM ocorre após as ações da Ford registrarem o maior ganho mensal em 17 anos, impulsionadas por expectativas de que seu novo negócio de armazenamento de energia possa se beneficiar do boom da inteligência artificial.

A Ford está investindo cerca de US$ 2 bilhões nesse segmento, incluindo a adaptação de uma fábrica de baterias de veículos elétricos para produzir células de grande escala com tecnologia licenciada da chinesa CATL. A demanda por baterias de rede nos EUA deve dobrar até 2030, ultrapassando 100 gigawatts-hora, segundo a BloombergNEF.

O investimento da GM é menor, mas pode crescer. O braço de venture capital da montadora está adquirindo participação na Peak Energy, cujo valor não foi divulgado.

Baterias de sódio

As duas empresas vão trabalhar juntas no desenvolvimento de baterias de íon-sódio, que são mais adequadas para armazenamento estacionário do que as baterias de íon-lítio usadas em muitos veículos elétricos.

Elas descarregam mais rapidamente, fornecendo picos curtos de energia. Seu principal insumo — o sódio — é abundante e barato. Além disso, não utilizam cobalto, cuja cadeia de produção é frequentemente associada a denúncias de trabalho infantil, e apresentam menor risco de incêndio.

A Peak Energy tem três anos de existência e deve registrar US$ 10 milhões em receita neste ano, com projeção de chegar a US$ 100 milhões em 2027.

A GM e a Peak estudam produzir as baterias em uma fábrica existente da montadora ou em uma unidade conjunta. A empresa também adiou a construção de uma fábrica em Indiana, que pode ser reaproveitada para esse fim.

A GM também fechou parceria com a Redwood Materials, fundada pelo cofundador da Tesla JB Straubel, para reaproveitar baterias antigas de veículos elétricos em sistemas de armazenamento.

Além disso, a GM e sua parceira sul-coreana LG Energy Solution afirmaram que vão converter parte da produção de uma fábrica no Tennessee para fabricar sistemas de armazenamento estacionário para redes elétricas e uso comercial.

O movimento da GM reflete a tentativa das montadoras de monetizar investimentos bilionários em veículos elétricos que tiveram adoção mais lenta do que o esperado nos Estados Unidos. A empresa havia planejado capacidade para produzir até 1 milhão de EVs em 2025, mas vendeu cerca de 170 mil unidades no país no ano passado.

Agora, a GM também busca ampliar o uso de tecnologia “vehicle-to-grid”, permitindo que carros elétricos devolvam energia à rede elétrica quando estacionados — embora isso exija investimentos adicionais dos consumidores em infraestrutura doméstica.

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Dissemos adeus a Messi e Cristiano Ronaldo (duas vezes). Desta vez, acabou mesmo

11 de Junho de 2026, 10:00

Você provavelmente já nos ouviu dizer isso.

Em 2018, previmos com confiança que os dois maiores jogadores de futebol de sua geração, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, estavam prestes a disputar sua última Copa do Mundo. Ambos já tinham mais de 30 anos, e a lógica esportiva indicava que o crepúsculo de suas carreiras se aproximava rapidamente. Então Ronaldo marcou um hat-trick em seu primeiro jogo.

Sem aprender absolutamente nada, repetimos a previsão quatro anos depois, em 2022. Naquela altura, ambos estavam na faixa dos 35 anos e já pareciam em plena turnê de despedida. Então Messi foi lá e conquistou a Copa do Mundo.

Mas nos escute: desta vez, sem dúvida, podemos afirmar categoricamente que este verão marcará a última dança de Messi e Ronaldo no maior torneio do esporte.

“Definitivamente, sim”, disse Ronaldo à CNN no ano passado. “Porque terei 41 anos.”

Veja só: até Cristiano concorda.

No momento em que entrar em campo por Portugal, ele será o jogador de linha mais velho da Copa do Mundo de 2026. Também estabelecerá um recorde ao disputar o torneio pela sexta vez. O único outro jogador a conseguir isso será, inevitavelmente, Messi, aos 38 anos.

É apropriado que ambos façam sua despedida da Copa juntos — ainda que estivéssemos convencidos de que isso aconteceria oito anos atrás. Nas últimas duas décadas, suas carreiras transcorreram em paralelo, e a grandeza de um sempre foi medida em comparação com a do outro. Ronaldo impulsionou Messi, e Messi impulsionou Ronaldo. Ambos já admitiram isso.

“As pessoas os admiram pela continuidade que tiveram”, diz o ex-atacante sueco Zlatan Ibrahimović. “Seu legado não é o que você fez no curto prazo, mas no longo prazo.”

O problema do longo prazo é que o tempo acaba alcançando todo mundo.

Embora Messi tenha marcado 12 gols em 14 partidas pelo Inter Miami CF nesta temporada, e Ronaldo tenha anotado 28 em 30 jogos pelo Al Nassr FC, não há dúvidas de que esses ídolos perderam um pouco do brilho físico de antes.

Ronaldo ainda parece saído de um filme da Marvel, mas sua queda de rendimento já o levou ao banco de reservas na Copa do Mundo de quatro anos atrás. Quanto a Messi, ele continua caminhando pelos jogos como se estivesse passeando por uma galeria de arte.

Mas não se engane: deixar Messi fora do time está completamente fora de cogitação.

“Não faz sentido dizer que sou eu quem está no comando”, afirmou recentemente o técnico da Argentina, Lionel Scaloni. “Sempre conversamos com Messi sobre todas as decisões que tomamos.”

Questionado se isso refletia sua relação com Ronaldo, o técnico de Portugal, Roberto Martínez, respondeu apenas: “Nós trabalhamos de maneira diferente.”

A questão agora é entender exatamente o que esse trabalho envolve — e jogar futebol é apenas parte da história.

Desde a última Copa do Mundo, no Catar, ambos deixaram a Europa e migraram para ligas onde podem aproveitar a reta final da carreira como superestrelas em seus últimos capítulos.

Ronaldo foi o primeiro, ao se mudar para Riad no fim de 2022. Graças aos recursos da liga saudita, ele recebe mais de US$ 200 milhões por temporada, tornando-se, com folga, o atleta mais bem pago do mundo.

Messi seguiu caminho semelhante em 2023, ao trocar o Paris Saint-Germain pela MLS. Além de receber um salário recorde de US$ 28,3 milhões por temporada no Inter Miami, ele fechou um acordo inédito de participação em receitas da liga com duas de suas maiores parceiras comerciais: Apple e Adidas.

Agora, ambos têm uma última oportunidade de transformar o evento esportivo mais popular do planeta em mais uma grande fonte de receitas.

Ronaldo atualmente estrela uma campanha da Nike ao lado de LeBron James. Messi lidera campanhas da Adidas, Michelob Ultra, Lay’s e Lowe’s.

Isso significa que eles estarão em todas as telas, independentemente do que acontecer dentro de campo.

Ainda assim, existe um espetáculo que eles nunca entregaram.

Toda a rivalidade entre Messi e Ronaldo se desenrolou sem um confronto em Copa do Mundo. Eles jamais se enfrentaram no torneio.

Mas este verão pode mudar isso.

Se Portugal e Argentina vencerem seus grupos, o chaveamento os colocará em rota de colisão nas quartas de final.

11 de julho, em Kansas City: Messi contra Ronaldo no que será, definitivamente, sua última Copa do Mundo como jogadores.

Desta vez, de verdade.

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Frasers, conglomerado britânico de varejo, oferece US$ 2,3 bilhões pela Hugo Boss

11 de Junho de 2026, 09:11

A Frasers Group, gigante britânica do varejo controlada pelo bilionário Mike Ashley e proprietária da rede Sports Direct, ofereceu cerca de € 2 bilhões (US$ 2,3 bilhões) para comprar o restante da Hugo Boss, em mais um movimento para ampliar seu portfólio de marcas de moda.

A oferta em dinheiro é de € 38 por ação (cerca de US$ 43,70) da grife alemã, conhecida por seus ternos premium, roupas casuais e roupas íntimas. O valor representa um prêmio de 4% sobre o preço de fechamento de quarta-feira. A Frasers já detém cerca de 26% de participação na Hugo Boss.

A notícia fez as ações da Hugo Boss subirem até 7% nesta quinta-feira (11), atingindo o maior nível intradiário desde dezembro.

A Hugo Boss informou que irá examinar “cuidadosamente” a oferta não solicitada da Frasers, cujas ações caíam quase 2% nas negociações da manhã em Londres.

Segundo o analista Charles Allen, da Bloomberg Intelligence, a proposta da Frasers, que avalia a Hugo Boss em cerca de € 2,7 bilhões (US$ 3,1 bilhões), parece oportunista, e é improvável que os acionistas a aceitem devido ao prêmio relativamente pequeno oferecido.

Allen acrescentou que não está claro quais medidas a Frasers poderia adotar para acelerar a recuperação da marca alemã, que tenta se reestruturar após enfrentar demanda fraca na China e persistente desempenho decepcionante na divisão feminina.

Ainda assim, propostas rivais dificilmente surgirão, avaliou o analista Felix Dennl, do Bankhaus Metzler.

O preço ofertado também está abaixo dos valores pagos pelo CEO da Hugo Boss, Daniel Grieder, quando comprou ações da companhia. Em janeiro de 2023, ele adquiriu papéis a um preço médio de € 56 por ação (cerca de US$ 64,40), e em janeiro de 2024 realizou outra compra por pouco menos de € 59 (aproximadamente US$ 67,90).

A Frasers, controlada majoritariamente por Ashley, vende produtos da Hugo Boss há anos em suas lojas físicas e online. No ano passado, o CEO da Frasers, Michael Murray — genro de Ashley — passou a integrar o conselho de supervisão da Hugo Boss.

A aquisição total daria à Frasers controle direto sobre estratégia e alocação de capital, após divergências entre as empresas nos últimos meses. No ano passado, a Frasers ameaçou votar contra o pagamento de dividendos aos acionistas da Hugo Boss, argumentando que os recursos deveriam ser direcionados ao crescimento de longo prazo. A empresa também havia retirado apoio ao presidente do conselho de supervisão, Stephan Sturm, posição que reverteu nesta semana.

Em comunicado divulgado na quarta-feira, a Frasers afirmou que continua apoiando tanto Sturm quanto Grieder.

A participação da Frasers na Hugo Boss é composta por ações detidas diretamente e opções que serão convertidas ao longo dos próximos dois anos. Analistas do Morgan Stanley sugerem que a empresa pode estar tentando ampliar sua fatia sem acionar uma oferta obrigatória de aquisição, traçando um paralelo com a estratégia utilizada pelo UniCredit em sua aproximação da Commerzbank.

A Frasers, que também controla a tradicional alfaiataria londrina Gieves & Hawkes e marcas esportivas como Slazenger, é conhecida por adquirir participações relevantes em varejistas e usar essa influência para pressionar mudanças estratégicas. Recentemente, também demonstrou interesse na fabricante alemã de artigos esportivos Puma.

Na Hugo Boss, Grieder promoveu uma racionalização do portfólio de produtos e reforçou o controle de custos. Trata-se de sua segunda tentativa de reestruturação desde que assumiu o comando da companhia em 2021. A Frasers não comentou além das informações divulgadas em seu comunicado oficial.

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A fortuna de Elon Musk em números: 3% do PIB dos EUA e US$ 3,6 milhões por hora

6 de Junho de 2026, 06:02

A oferta pública inicial da SpaceX pode transformar Elon Musk no primeiro trilionário do mundo. Mas quão rico é, de fato, o fundador de tecnologia? Sua fortuna está hoje em cerca de US$ 970 bilhões, majoritariamente em ações, segundo uma análise do Wall Street Journal.

Acumular esse valor ao longo da carreira equivale, em média, a cerca de US$ 992 por segundo.

A riqueza de Musk inclui cerca de US$ 538 bilhões referentes à sua participação pré-IPO na SpaceX, US$ 167 bilhões na Tesla, além de cerca de US$ 150 bilhões em opções de ações dessas empresas que ele poderia exercer praticamente a qualquer momento, segundo a análise.

Há ainda cerca de US$ 5 bilhões em cada uma das empresas The Boring Company, que escava túneis, e Neuralink, além de aproximadamente US$ 104 bilhões em imóveis, aeronaves e outros ativos e investimentos, segundo estimativas da empresa de inteligência patrimonial Altrata.

Ele ganhou cerca de US$ 3,6 milhões por hora ao longo de 31 anos.

Musk tem 54 anos e cofundou sua primeira empresa de tecnologia e engenharia nos EUA em 1995, há 31 anos. Para atingir US$ 970 bilhões nesse período, isso equivale a uma acumulação de cerca de:

Uma família americana com renda mediana (US$ 83.730 em 2024) precisaria trabalhar mais de 11 milhões de anos para atingir esse patrimônio.

Vale lembrar que o sucesso da Tesla e da SpaceX também gerou bilhões para investidores e tornou milionários funcionários que receberam participação acionária.

A filósofa e economista Ingrid Robeyns escreveu que a riqueza dos mais ricos do mundo se tornou tão grande que é praticamente incompreensível para a maioria das pessoas. Ela estimou recentemente que Musk ganharia cerca de US$ 4,2 milhões por hora ao longo da carreira, caso trabalhasse 70 horas por semana sem férias até os 75 anos.

Musk, por sua vez, é conhecido por dormir em fábricas e raramente tirar férias. Após comprar o Twitter, ele afirmou que sua carga de trabalho aumentou para mais de 120 horas semanais, ante cerca de 80 horas antes.

Comprar 2,4 milhões de casas nos EUA ou 10 mil jatos particulares

A maior parte da fortuna de Musk está vinculada às suas empresas. Ele chegou a dizer em 2020 que “não teria nenhuma casa” e vendeu vários imóveis na Califórnia, embora depois tenha comprado propriedades no Texas.

Musk pode tomar empréstimos bilionários usando suas participações na SpaceX e na Tesla como garantia, mas grande parte de sua riqueza está no papel — não em dinheiro disponível para gasto imediato.

Aqui estão algumas coisas que uma pessoa com US$ 970 bilhões poderia fazer com esse valor:

US$ 970 bilhões é maior do que a produção anual da maioria dos países

O patrimônio de Musk supera a atividade econômica anual de mais de 125 países, incluindo Noruega, Tailândia, Argentina e África do Sul.


Sua fortuna “self-made”, construída com veículos elétricos, foguetes e ambições de inteligência artificial, equivale a cerca de 3% do PIB dos Estados Unidos hoje. Nesse critério, ele supera facilmente John D. Rockefeller, considerado o americano mais rico da história antes de Musk.

Há um século, Rockefeller cresceu impulsionado pela industrialização, transformando a Standard Oil em um império e exercendo influência sobre ferrovias e oleodutos. O monopólio acabou sendo desmembrado pelo governo dos EUA.

Rockefeller acumulou cerca de US$ 1,4 bilhão até 1937 — aproximadamente 1,5% do PIB americano da época.

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Berkshire, de Buffett, está convencida de que o sonho da casa própria continuará vivo

5 de Junho de 2026, 06:01

O acordo de US$ 6,8 bilhões da Berkshire Hathaway para adquirir uma grande construtora de casas reflete a convicção de que o mercado imobiliário vai superar sua prolongada queda e se recuperar como sempre fez.

Com um acordo totalmente em dinheiro firmado no domingo para a Taylor Morrison Home, o conglomerado de Omaha, Nebraska, está prestes a se tornar uma das cinco maiores construtoras dos EUA, ampliando seu crescente portfólio de empresas ligadas ao setor imobiliário.

O movimento é um sinal de que um investidor de grande porte acredita que a crise do mercado imobiliário acabará passando — e quer se posicionar para aproveitar uma eventual virada. Mais de 75% dos jovens inquilinos ainda acreditam que um dia vão comprar uma casa, segundo pesquisa da John Burns Research & Consulting.

“Esse investimento é baseado em uma convicção de longo prazo na força do mercado imobiliário americano e em seus fundamentos subjacentes, que consideramos duradouros ao longo do tempo”, disse o CEO da Berkshire, Greg Abel.

Ainda assim, a Berkshire está aumentando sua exposição a um mercado que já acumula quatro anos de vendas fracas.

As taxas hipotecárias elevadas, a incerteza no mercado de trabalho e o aumento do custo de vida mantêm muitos compradores fora do mercado. Construtoras foram obrigadas a oferecer incentivos, como pagar parte das hipotecas dos clientes, apenas para escoar estoques.

A confiança das construtoras segue baixa. O início da construção de casas unifamiliares caiu 9% em abril, a maior queda desde agosto, segundo dados do Census. Um terço das construtoras afirmou ter reduzido preços no mês passado, de acordo com o índice NAHB/Wells Fargo.

Construção de calçada em nova casa
Foto: Bloomberg

Além disso, muitos americanos passaram a considerar a compra de uma casa fora do orçamento. Mais pessoas estão alugando por mais tempo ou aplicando suas economias no mercado de ações em vez de investir em imóveis.

Por outro lado, analistas apontam que o déficit habitacional nos EUA, de mais de quatro milhões de unidades, indica a necessidade de novas construções. Eles esperam que compradores retornem ao mercado quando as taxas hipotecárias — que recentemente atingiram o maior nível em nove meses — caírem e liberem demanda reprimida.

A Berkshire concordou em pagar um prêmio de 24% sobre o preço de fechamento das ações da Taylor Morrison, de US$ 58,50 na sexta-feira. Analistas veem o valor como atrativo, já que o preço de mercado estaria abaixo do valor real do portfólio da construtora.

“Isso é uma barganha incrível”, disse Tony Avila, CEO da Builder Advisor Group.

As ações da Taylor Morrison subiram 22% na segunda-feira, para US$ 71,55, o maior ganho diário desde 2020. As ações Classe A da Berkshire ficaram estáveis. A Berkshire pagará US$ 72,50 por ação pela incorporadora, sediada em Scottsdale, Arizona. O negócio deve ser concluído ainda este ano.

Estratégia no setor de habitação

A aquisição dá continuidade à estratégia de décadas da Berkshire no setor de habitação. O conglomerado possui empresas em toda a cadeia imobiliária, da Clayton Homes à corretora HomeServices of America. Nos últimos anos, também manteve participações em grandes construtoras listadas, como D.R. Horton e Lennar.

“Eles montaram um ecossistema completo de fornecedores e construtoras”, disse Rick Palacios, da John Burns Research & Consulting.

O negócio é um dos primeiros sob o comando de Greg Abel, que sucedeu Warren Buffett em janeiro. A CEO da Taylor Morrison, Sheryl Palmer, disse à CNBC que iniciou negociações com Abel semanas antes do acordo. Buffett afirmou que não participou da aquisição e elogiou a capacidade de execução do novo CEO.

“Ele começou”, disse Buffett.

Na segunda-feira, a Berkshire anunciou outro movimento: a compra de US$ 10 bilhões em ações da Alphabet, controladora do Google.

A Taylor Morrison reúne características típicas de investimentos da Berkshire: uma empresa americana barata, em um setor fora de favor, pressionado por juros altos, preços elevados e expectativas de inflação maior. Seu múltiplo preço/valor patrimonial futuro era de 0,9, abaixo do pico de 2,1 em 2013.

A construtora é considerada uma aposta mais segura dentro de um mercado ainda difícil, com foco em compradores de maior renda e no segmento de “upgrade” de moradia, em vez de compradores de primeira casa.

Além disso, a empresa atua no segmento de “build-to-rent”, com casas construídas exclusivamente para aluguel.

O negócio também reflete a consolidação do setor de construção residencial, com outras fusões recentes e maior apetite de compradores internacionais. Analistas esperam mais movimentos do tipo.

“Isso pressiona outros a encontrarem um parceiro”, disse Alan Ratner, da Zelman & Associates.

Escreva para Rebecca Picciotto em rebecca.picciotto@wsj.com e para Krystal Hur em krystal.hur@wsj.com.

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Nostalgia que vende: camisas retrô impulsionam mercado esportivo em ano de Copa

4 de Junho de 2026, 06:57

As golas largas voltaram. Os escudos antigos, também. Em vez de tecidos ultratecnológicos e campanhas focadas apenas em performance, marcas esportivas têm apostado em algo muito mais poderoso: a nostalgia.

À medida que o clima de Copa do Mundo começa a tomar conta do futebol e das redes sociais, camisas retrô se tornam protagonistas de uma estratégia que mistura moda, cultura pop e consumo emocional. Mais do que vender um produto, as marcas passaram a comercializar símbolos culturais carregados de memória e identificação geracional.

Nas vitrines e nos feeds das redes sociais, reaparecem referências às décadas de 1980, 1990 e ao início dos anos 2000: modelagens amplas, logos clássicos, cores desbotadas, coleções inspiradas em seleções históricas e relançamentos de uniformes que remetem a torneios passados. O futebol deixa de ocupar apenas o campo esportivo e se consolida também como linguagem de moda e comportamento.

A memória como estratégia de venda

Existe uma lógica afetiva poderosa por trás das coleções retrô. Ao recuperar referências de Copas históricas ou temporadas marcantes, as marcas ativam lembranças que já carregam significado emocional para o consumidor.

Uma camisa inspirada na seleção brasileira de 1998 ou na Argentina dos anos 1980 não vende apenas design. Ela evoca infância, videogame, álbum de figurinhas, transmissões de TV e ídolos do futebol. Para consumidores mais velhos, funciona como reconexão afetiva. Para os mais jovens, vira objeto de autenticidade e estilo.

Em um mercado saturado de lançamentos, o retrô oferece algo raro: uma história pronta. A camisa inspirada em um período histórico já nasce associada a referências culturais compartilhadas — o que ajuda a explicar o engajamento acima da média nas redes sociais, especialmente em ano de Copa.

O retrô também virou negócio premium

A nostalgia não apenas vende. Ela vende caro. Camisas inspiradas em modelos históricos costumam ocupar faixas de preço mais altas do que peças esportivas básicas, aparecendo frequentemente em coleções limitadas ou colaborações especiais.

A coleção Bringback Remixe, da Adidas, recriou designs clássicos de camisas de seleções, como México e Japão. A Nike trouxe de volta a Total 90, uma reedição que faz referência a jogadores de futebol renomados, como Ronaldinho. Ou seja, as marcas estão oferecendo uma nova perspectiva de seus próprios acervos.

Em alguns casos, as linhas retrô ultrapassam a faixa dos R$ 1.000. As camisas Bringback Remixe são oferecidas no site da Adidas por R$ 1.499,99, enquanto versões da Copa do Mundo de 2026 são anunciadas por R$ 399,99. A Total 90 do Ronaldinho — esgotada no site da Nike — foi vendida por R$ 899,99, enquanto a atual da seleção brasileira está, em média, R$ 500,00.

Parte do apelo está na sensação de raridade e pertencimento cultural. Não se trata apenas de comprar uma camisa: trata-se de participar de uma estética específica. Esse movimento acompanha uma transformação mais ampla da indústria: o sportswear deixou de ser um segmento funcional para se tornar parte central da moda global.

O futebol virou moda e saiu do estádio

Durante décadas, a camisa de futebol foi tratada principalmente como item de torcida. Hoje, ela ocupa outro território: o da moda cotidiana. Celebridades, influenciadores e marcas de streetwear ajudaram a transformar jerseys esportivas em peças fashion.

Nomes como Travis Scott e Rosalía ajudaram a popularizar o uso de camisas clássicas de futebol fora do ambiente esportivo, consolidando o uniforme como item desejado muito além das arquibancadas.

A tendência ganhou força especialmente com o blokecore, estética inspirada na cultura britânica dos anos 1990 que mistura camisas de futebol, jeans largos e tênis retrô. O movimento saiu rapidamente dos nichos para o consumo de massa como em festivais, aeroportos e semanas de moda, camisas esportivas aparecem combinadas com alfaiataria, saias ou peças vintage.

O uniforme deixou de ser apenas representação de um clube ou seleção. Virou símbolo cultural.

Em ano de Copa, o consumidor compra pertencimento

Poucos eventos movimentam tanto o imaginário coletivo quanto uma Copa do Mundo. Mesmo quem acompanha pouco futebol tende a se conectar com o torneio, que domina redes sociais, publicidade e conversas cotidianas. Para as marcas, isso cria um ambiente ideal para produtos guiados por identificação cultural e nostalgia.

As camisas retrô ocupam um espaço particularmente estratégico nesse contexto. Enquanto o uniforme da temporada está sujeito a críticas e oscilações de desempenho, o modelo vintage se apoia em uma memória já consolidada, associada a glórias do passado e protegida pelo tempo. Isso reduz riscos para as marcas e aumenta o valor simbólico da peça.

Por que a Adidas lidera esse movimento

Embora Nike, Puma e outras gigantes também tenham ampliado suas linhas vintage, a Adidas carrega uma vantagem difícil de replicar: seu arquivo histórico. E os números mostram que essa aposta tem dado resultado. Em 2025, a marca registrou receita recorde de 24,8 bilhões de euros (cerca de US$ 28,8 bilhões), enquanto o lucro operacional cresceu 54%, para 2 bilhões de euros (US$ 2,3 bilhões).

O desempenho foi considerado pela própria empresa melhor do que o planejado. Parte relevante desse avanço veio justamente dos produtos de estilo de vida: itens como o Adidas Samba e o Adidas Gazelle, modelos retrô que receberam atualizações em cores e materiais, sustentaram crescimento de 10% nas vendas da divisão lifestyle.

A força da estratégia está em um diferencial que poucas companhias conseguem reproduzir: uma identidade visual construída ao longo de décadas e imediatamente reconhecível. O trefoil clássico, as três listras e as camisas de seleções icônicas transformaram a marca alemã em referência estética muito além do esporte.

Nos últimos anos, a Adidas passou a explorar esse patrimônio de forma mais deliberada, com relançamentos, coleções inspiradas em campeonatos históricos e a expansão da linha Originals. Na prática, a companhia vem deslocando parte de sua comunicação da performance esportiva para a herança cultural e o apelo nostálgico.

Para este ano, a Adidas projeta crescimento adicional de cerca de 2 bilhões de euros em vendas — aproximadamente US$ 2,3 bilhões — impulsionado, sobretudo, pela Copa do Mundo. O resultado é um produto que conversa simultaneamente com torcedores, consumidores de moda e colecionadores — uma convergência que ajuda a explicar por que camisas retrô costumam se esgotar em pouco tempo, mesmo com preços elevados.

O passado nunca esteve tão atual

Em um cenário dominado por tendências aceleradas e excesso de informação, a nostalgia oferece algo valioso: familiaridade. As camisas retrô funcionam porque unem memória afetiva, autenticidade e estilo em um único produto. Ao apostar no passado, marcas esportivas encontraram uma maneira eficiente de continuar parecendo contemporâneas. O futebol, afinal, deixou de ser apenas um jogo transmitido na televisão. Virou linguagem estética, ativo cultural e ferramenta de posicionamento.

E poucas empresas entenderam isso tão bem quanto a Adidas, que transformou décadas de história esportiva em uma das estratégias mais bem-sucedidas da indústria esportiva e da moda contemporânea.

A Nike perdeu seu superpoder? Por que a retomada com novo CEO ainda não engrenou

4 de Junho de 2026, 06:00

O plano de recuperação dos negócios da Nike não tem sido uma mudança rápida de direção — para usar um termo do basquete. Tem se parecido mais com um escorregão instável em uma quadra empoeirada.

As ações atingiram o preço de mais de US$ 170 no fim de 2021. Caíram para US$ 79 em outubro de 2024, quando o veterano da empresa Elliott Hill saiu da aposentadoria para reassumir o comando. Agora, o papel vale cerca de US$ 46 — praticamente o mesmo preço de quase 12 anos atrás.

Existem outros dois problemas.

Primeiro: embora as ações estejam mais baratas, elas não parecem uma pechincha óbvia. O mercado avalia a Nike em cerca de 24 vezes os lucros projetados para o ano fiscal encerrado em maio de 2027.

Segundo: Hill já está fazendo exatamente o que os investidores pediam. Ele recolocou o foco em calçados de performance, após anos de aposta em modelos casuais, e tenta reconstruir relações com varejistas que haviam sido enfraquecidas pela estratégia agressiva de vendas diretas pela internet.

Existem sinais positivos, como uma modesta recuperação das vendas na América do Norte no trimestre mais recente. Mas isso ainda não foi suficiente.

O fascínio de comprar uma gigante em queda

É tentador comprar ações de uma das maiores histórias de crescimento da bolsa depois de uma queda tão grande.

Além disso, a Nike oferece um dividend yield de 3,6%.

Mas os investidores precisam considerar a possibilidade de que os problemas da companhia sejam mais profundos do que parecem.

A queda da demanda na China é uma preocupação importante, mas também surgem dúvidas sobre se a Nike perdeu sua vantagem em marketing justamente em um momento em que o fenômeno que impulsionou sua ascensão — a idolatria das estrelas do basquete — parece estar mudando.

O efeito Michael Jordan

Quem comprou ações da Nike desde o IPO não tem motivos para reclamar.

Os papéis foram lançados em 1980 por apenas US$ 0,18 (ajustados por desdobramentos).

Mas em outubro de 1984 a ação havia caído para US$ 0,12.

Foi então que a Nike apostou US$ 2,5 milhões em um contrato de cinco anos com um jovem jogador universitário chamado Michael Jordan, que ainda nem havia estreado na NBA.

O acordo transformou a empresa.

Jordan conquistou seis títulos com o Chicago Bulls e se tornou um fenômeno global.

Nos anos 1990, ele era conhecido e admirado praticamente em todo o mundo. Sua popularidade ajudou a transformar a Nike na principal marca esportiva do planeta.

Hoje, a marca Jordan ainda responde por cerca de US$ 7,3 bilhões em vendas anuais, equivalentes a 15% da receita da empresa.

Mas esse número caiu 16% em relação ao ano anterior.

Onde a Nike errou

Durante anos, a Nike gerou enorme desejo por seus produtos por meio de lançamentos limitados e modelos retrô que esgotavam rapidamente.

Na pandemia, porém, a empresa inundou o mercado com produtos.

As vendas cresceram rapidamente, mas o excesso de oferta acabou destruindo parte da exclusividade que tornava os tênis tão desejados.

Ao mesmo tempo, a empresa cometeu outro erro estratégico.

Sob o comando do ex-CEO John Donahoe, a Nike reduziu sua presença em varejistas tradicionais e priorizou as vendas diretas online.

Enquanto isso, o gosto dos consumidores mudou.

Os tênis inspirados no basquete perderam espaço para modelos de corrida e para a tendência dos chamados “dad shoes”.

Marcas como New Balance, Hoka e On aproveitaram a oportunidade.

Os varejistas que haviam sido desprezados pela Nike passaram a dar destaque a essas concorrentes.

A grande dúvida: a Nike perdeu seu “superpoder”?

Para alguns analistas, o principal indicador do enfraquecimento da empresa é a margem operacional.

Ela ficou em torno de 13% ao longo da década encerrada em 2024.

Agora, a projeção é que fique abaixo de 6%.

Parte dessa queda é consequência das medidas necessárias para reorganizar o negócio.

Mas o analista Jay Sole, do UBS, questiona se a Nike perdeu aquilo que chama de seu “superpoder”: a capacidade de ser relevante para praticamente todos os públicos.

Durante anos, pesquisas mostravam que até 95% dos consumidores se identificavam com a marca.

Homens, mulheres, jovens, idosos, moradores de áreas urbanas ou suburbanas — todos compravam Nike.

Hoje, o mercado está muito mais fragmentado.

Marcas especializadas dominam nichos específicos.

Além disso, o basquete já não produz fenômenos culturais como Michael Jordan.

Jogadores como LeBron James continuam famosos, mas estão no fim da carreira.

Outras estrelas, como Shai Gilgeous-Alexander, Nikola Jokic e Victor Wembanyama, são admiradas pelos fãs do esporte, mas ainda não alcançaram o mesmo impacto cultural e comercial.

Enquanto isso, a nova promessa do basquete americano, Cooper Flagg, tem contrato com a New Balance.

Ainda há quem acredite

Nem todos estão pessimistas.

Christopher Rossbach, da gestora J. Stern, afirma que a Nike está tomando as medidas corretas.

No último trimestre:

  • Os estoques diminuíram;
  • As vendas na América do Norte cresceram 3%;
  • O segmento de calçados voltou a apresentar crescimento.

Segundo ele, o principal problema continua sendo a China, onde as vendas ainda estão fracas.

Rossbach acredita que a empresa precisa principalmente de produtos mais inovadores e atraentes.

Ele também vê possíveis catalisadores para uma recuperação, como a Copa do Mundo sediada na América do Norte e o impacto menor das tarifas comerciais nas comparações futuras.

A visão dos fãs de tênis

Entre os consumidores mais apaixonados, o diagnóstico é semelhante.

Sean Go, influenciador especializado em tênis, afirma que muitos jovens já não possuem a mesma ligação emocional com Michael Jordan.

Além disso, corredores têm migrado para marcas como Saucony, Hoka, Asics e New Balance.

No basquete, ele destaca o sucesso recente da Adidas com a linha do jogador Anthony Edwards.

Outro fenômeno é a ascensão das marcas chinesas.

Segundo especialistas do setor, empresas como Li-Ning e Anta Sports deixaram de ser apenas fabricantes de baixo custo e passaram a competir em inovação e qualidade.

Para muitos consumidores, os tênis dessas marcas já rivalizam com os melhores produtos do mercado.

A questão para os investidores é simples: a Nike está apenas atravessando uma fase difícil ou perdeu a capacidade única de ditar tendências globais e dominar praticamente todos os segmentos do mercado esportivo? É essa resposta que determinará se a queda das ações representa uma oportunidade ou um sinal de uma mudança mais profunda.

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Fender Stratocaster: a disputa em torno da guitarra mais popular do mundo

31 de Maio de 2026, 06:08

O caso de amor de Phillip McKnight com guitarras Stratocaster começou aos 15 anos, quando ele comprou uma versão falsificada do ícone da Fender – junto com um amplificador – por US$ 120. Hoje, o instrumento favorito do ex-dono de loja de guitarras também se parece com uma Strat, mas foi feito por outro fabricante.

“Minha Fender favorita não é uma Fender”, disse McKnight, que hoje comanda um canal de YouTube sobre guitarras e equipamentos.

A Fender Musical Instruments quer mudar isso e reivindicar controle sobre o formato icônico.

No início deste mês, a Fender enviou notificações extrajudiciais a outras fabricantes de guitarras, exigindo que parem de produzir modelos com formato semelhante ao da Stratocaster e que recolham e destruam esses instrumentos. Os alvos vão de pequenas fabricantes da Califórnia a marcas conhecidas como PRS Guitars.

Fortalecida por uma recente decisão judicial na Europa, a Fender tenta assumir controle sobre o formato de guitarra elétrica mais popular do mundo mais de sete décadas após seu lançamento. O design curvilíneo ajudou a definir o instrumento, usado por artistas famosos como Jimi Hendrix e Stevie Ray Vaughan. Ao longo dos anos, outras empresas criaram suas próprias versões — algumas como cópias baratas, outras como instrumentos customizados disputados que custam milhares de dólares.

As vendas de guitarras elétricas nos EUA esfriaram após o boom registrado durante a pandemia de Covid-19, quando muitos consumidores decidiram aprender a tocar. O número de guitarras elétricas e baixos vendidos caiu cerca de 4% no ano passado no país, segundo dados da publicação especializada Music Trades.

O CEO da Fender, Edward Cole, afirmou que a empresa respeita fabricantes independentes e a comunidade de guitarristas, mas que a Fender “tem a responsabilidade de proteger os designs icônicos e a identidade de marca associados aos seus instrumentos ao redor do mundo”.

“Acreditamos que competição e inovação são saudáveis para a indústria, e incentivamos a criação de designs novos e distintos que impulsionem a inovação em guitarras, em vez de depender de cópias diretas do trabalho pioneiro de Leo Fender”, disse Cole.

Pequenos fabricantes, que há muito consideravam estar legalmente protegidos para vender guitarras no formato Strat, afirmam que as ações da Fender podem colocar seus negócios em risco.

A fabricante familiar LSL Instruments, da região de Los Angeles, publicou uma campanha no GoFundMe pedindo doações para custear honorários advocatícios. Caso a demanda da Fender seja bem-sucedida, “isso criaria um monopólio, limitando vendas e restringindo opções para músicos em todos os lugares”, escreveu online a proprietária Lisa Lerman.

Registro de marca

A Fender perdeu, em 2009, uma tentativa de registrar como marca os formatos das guitarras elétricas Stratocaster e Telecaster e do baixo Precision. Mais de uma dúzia de empresas contestaram o pedido, argumentando que o formato havia se tornado genérico após décadas de uso disseminado. O Conselho de Julgamento e Recursos de Marcas dos EUA concordou com o argumento.

Mas, neste ano, o Tribunal Regional de Düsseldorf, na Alemanha, decidiu em favor da Fender em um processo de direitos autorais contra uma fabricante chinesa de instrumentos musicais, que sequer respondeu à ação. O tribunal emitiu decisão à revelia e afirmou que a Stratocaster é uma obra de arte protegida por direitos autorais.

A Fender afirmou que a decisão garante à companhia direitos aplicáveis contra quaisquer guitarras que usem o formato do corpo da Stratocaster e sejam fabricadas, vendidas ou distribuídas na Alemanha e na União Europeia, “independentemente de onde essas guitarras sejam produzidas”.

A PRS Guitars, marca usada por músicos como John Mayer e Carlos Santana, confirmou estar entre as empresas que receberam a carta. A companhia afirmou discordar da avaliação da Fender e não quis comentar além disso.

Na terça-feira, a Fender afirmou que, no momento, não está exigindo que as empresas recolham ou destruam produtos. “Em vez disso, a Fender está trabalhando com os fabricantes para redesenhar os formatos, enquanto eles liquidam os estoques existentes não autorizados”, disse a companhia.

Na Alemanha, a Fender argumentou que Leo Fender, fundador da empresa em 1946, desenhou artisticamente a Stratocaster para refletir as curvas do corpo feminino. Advogados das fabricantes de guitarras dizem que o instrumento, na verdade, foi criado por várias pessoas, que chegaram ao formato contornado por questões de conforto.

Na semana passada, um advogado representando algumas fabricantes enviou sua própria carta em resposta às alegações da Fender, apontando para a decisão de 2009 e argumentando que a história da origem da Stratocaster contada pela Fender foi inventada.

O uso “sem oposição” do formato Strat ao longo de décadas “demonstra que a Fender não tem base para alegar que é, ou tem o direito de ser, a fabricante exclusiva de guitarras com o corpo no formato Strat”, afirma a carta de 21 de maio.

McKnight, que visitou fábricas de guitarras ao redor do mundo para entender melhor como diferentes modelos são produzidos para seu canal no YouTube, disse acreditar que as ações da Fender estão prejudicando a marca, especialmente entre músicos.

“Acho que muitas empresas vão parar de fazer cópias porque a Fender está tornando a Strat dela algo sem graça”, afirmou McKnight.

Escreva para Katherine Sayre em katherine.sayre@wsj.com.

Por dentro da busca de US$ 26 bilhões de Putin pela longevidade

31 de Maio de 2026, 06:04

Quando Vladimir Putin foi flagrado por um microfone aberto dizendo a Xi Jinping que humanos poderiam alcançar a imortalidade substituindo órgãos, alguns descartaram a conversa como um papo excêntrico entre autocratas envelhecidos. Na realidade, durante a conversa em um desfile militar em Pequim, em setembro passado, Putin parecia descrever uma iniciativa de longevidade apoiada pelo Kremlin que se tornou um dos principais projetos científicos da Russia.

Assim como bilionários do Vale do Silício, incluindo Jeff Bezos, Sam Altman e Peter Thiel, Putin há muito demonstra fascínio por pesquisas antienvelhecimento. Mas, na Rússia, sua tentativa de evitar o declínio físico se transformou em prioridade de Estado, recorrendo a métodos tão variados quanto impressão de órgãos, criação de mini-porcos e exposição a temperaturas ultrabaixas.

No mês passado, o governo russo anunciou que cientistas estão desenvolvendo uma terapia genética destinada a desacelerar o envelhecimento celular como parte das “Novas Tecnologias de Preservação da Saúde”, iniciativa de longevidade de US$ 26 bilhões lançada por Putin.

O medicamento “representa uma das vias mais promissoras no combate ao envelhecimento”, afirmou o vice-ministro da Ciência, Denis Sekirinsky, em 23 de abril.

Outra frente considerada promissora? Criar órgãos humanos em laboratório para transplante — uma das inovações de extensão da vida mencionadas por Putin em Pequim. Todos esses esforços fazem parte da iniciativa nacional de longevidade apresentada em 2024, que promete salvar 175 mil vidas até o fim da década. Críticos observaram na época que o número ecoava desconfortavelmente estimativas independentes das perdas militares russas na invasão da Ukraine.

Cientistas estatais nomeados por Putin concentraram esforços em duas tecnologias principais: bioimpressão — impressão 3D de tecidos vivos — e xenotransplante, que consiste em cultivar órgãos humanos dentro de mini-porcos, raça considerada geneticamente compatível com humanos. Pesquisadores russos trabalhando com órgãos do governo afirmam já ter bioimpresso tecido de cartilagem humana e uma glândula tireoide de rato, com a meta de alcançar substituição de órgãos humanos até 2030. Cronograma semelhante foi estabelecido para o cultivo de órgãos em porcos.

“Na Federação Russa, estão em andamento diversos programas científicos nessa área”, informou o serviço de imprensa do Kremlin por e-mail. “Esses projetos recebem apoio estatal, e muitas instituições científicas e de pesquisa participam deles.”

A iniciativa de longevidade da Rússia é liderada por duas figuras próximas de Putin: sua filha Maria Vorontsova, endocrinologista responsável por programas estatais de genética, e o físico Mikhail Kovalchuk, chefe do Instituto Kurchatov, centro soviético de pesquisa nuclear.

Kovalchuk — irmão de Yuri Kovalchuk, aliado próximo de Putin e investidor dos setores bancário e de mídia — tornou-se o principal arquiteto intelectual da agenda de longevidade do Kremlin. Ele argumenta que a ciência em breve permitirá reparar e substituir partes do corpo humano indefinidamente.

“É difícil discutir imortalidade, mas a capacidade de reparar o ser humano sem dúvida aumentará”, disse Kovalchuk à imprensa russa.

Diferentemente de pesquisas semelhantes financiadas por Bezos, Altman ou Thiel, o trabalho promovido pelo círculo de Putin produziu pouca pesquisa revisada por pares em grandes revistas científicas internacionais.

“Se não há publicações, então não há resultados reais, e provavelmente as declarações deles devem ser vistas como aspirações — para não dizer sonhos”, afirmou Alexander Ostrovskiy, pioneiro da bioimpressão na Rússia.

Ostrovskiy deixou a Rússia após a invasão em larga escala da Ucrânia e vendeu sua empresa, que hoje colabora com o governo.

“É impossível fazer ciência isoladamente”, disse ele, referindo-se às sanções que afastaram a pesquisa russa do Ocidente. “Provavelmente estão dizendo a Putin o que ele quer ouvir para garantir financiamento.”

Kovalchuk também associou a ciência da longevidade à visão mais ampla do Kremlin sobre uma disputa civilizacional com o Ocidente. Em um discurso notório de 2015, alertou que o Ocidente caminhava para a criação de “humanos servis” — pessoas controláveis, com consciência limitada e reprodução manipulada. Também sugeriu que os EUA estariam por trás da pandemia de Covid-19.

Putin há muito demonstra simpatia por temas semelhantes. Kovalchuk elogiou publicamente o filme soviético “Dead Season”, de 1968, no qual a CIA conspira com ex-médicos nazistas para controlar a humanidade. Putin já afirmou que o longa o inspirou a entrar para a KGB.

Outra influência importante foi Vladimir Khavinson, chamado pela mídia russa de “gerontologista de Putin”, que promovia terapias antienvelhecimento à base de peptídeos derivados de tecidos de bezerros.

Peptídeos — pequenas cadeias de aminoácidos promovidas para recuperação física, crescimento muscular e antienvelhecimento — ganharam popularidade entre figuras do bem-estar nos EUA, incluindo Robert F. Kennedy Jr. e Joe Rogan, apesar das evidências limitadas sobre muitos dos benefícios alegados.

Khavinson, que recebeu uma das mais altas honrarias estatais russas das mãos de Putin por contribuições à medicina, afirmou em entrevistas que buscava prolongar a vida de um líder cuja saída mergulharia a Rússia em crise. Também defendia que seres humanos foram feitos para viver até 120 anos, citando passagens bíblicas.

Khavinson morreu em 2024, aos 77 anos.

Embora pouco ortodoxos, Khavinson e Kovalchuk possuem credenciais científicas relevantes. Putin, porém, também demonstrou abertura a abordagens bem menos convencionais.

Durante uma reunião no Kremlin em 2018, Putin aconselhou o então chanceler austríaco Sebastian Kurz a experimentar uma câmara de crioterapia — uma espécie de sauna invertida na qual o corpo é exposto a temperaturas de até menos 112°C. Kurz recordou depois sua surpresa ao ouvir Putin explicar entusiasmado os benefícios de permanecer nu regularmente na câmara congelante.

Idade de Putin

Putin, hoje com 73 anos, passou décadas cultivando uma imagem de vigor físico por meio de demonstrações encenadas de masculinidade — caçando sem camisa, jogando hóquei e pilotando motocicletas Harley-Davidson com roupas pretas apertadas para transmitir a resistência de um líder aparentemente sem idade.

Mas, por trás da virilidade cuidadosamente construída, está um governante incomumente preocupado com o declínio físico. Durante a pandemia de Covid-19, Putin impôs rígidos protocolos de quarentena, incluindo túneis de desinfecção e longos períodos de isolamento para visitantes. Suas famosas mesas gigantes tornaram-se símbolos tanto de distanciamento político quanto de germofobia.

A mídia russa e ocidental também especulou sobre possíveis procedimentos estéticos à medida que sua aparência ficou visivelmente mais lisa com o envelhecimento.

A maioria dos aliados e assessores mais próximos de Putin também está na faixa dos 70 anos, incluindo os irmãos Kovalchuk e figuras centrais do Estado como Yuri Ushakov, Sergei Chemezov e Nikolai Patrushev. A tentativa de Putin de escapar do declínio físico — e sua abertura a ciências pouco convencionais — refletem uma tradição antiga entre autocratas russos.

Na década de 1920, experimentos de rejuvenescimento com transfusões de sangue conduzidos pelo intelectual soviético Alexander Bogdanov chamaram atenção do Kremlin — antes que ele morresse, aos 55 anos, em consequência dos próprios tratamentos.

Uma década depois, o médico Oleksandr Bogomolets organizou a primeira conferência mundial sobre longevidade e recebeu elogios de Joseph Stalin por pesquisas que alegavam que humanos poderiam viver até 150 anos. Bogomolets morreu aos 65.

A Rússia continua marcada por algumas das taxas de mortalidade mais severas do mundo desenvolvido. A expectativa média de vida masculina no país hoje é de cerca de 68 anos, segundo estatísticas oficiais, contra aproximadamente 76 nos EUA e mais de 80 em grande parte da Europa Ocidental.

A morte, ao contrário das eleições, continua difícil de controlar — mesmo para o Kremlin.

Escreva para Bojan Pancevski em bojan.pancevski@wsj.com.

Spotify vai permitir que usuários furem a fila na compra de ingressos de shows

21 de Maio de 2026, 15:26

O Spotify anunciou uma série de iniciativas de benefícios para compra de ingressos de shows a um grande acordo de licenciamento de músicas com inteligência artificial que segundo a empresa sueca de streaming de áudio, vão impulsionar o crescimento nos próximos quatro anos.

No primeiro investor day conduzido pelos novos co-CEOs Gustav Söderström e Alex Norström, o Spotify apresentou uma visão centrada em ferramentas de personalização da experiência de escuta, seja para música, podcasts, audiolivros ou treinos. Os investidores gostaram do que ouviram: as ações da empresa subiram até 18% durante a apresentação.

Um dos anúncios mais aguardados foi um acordo de licenciamento com a Universal Music Group, que responde a uma das maiores preocupações de Wall Street em relação à inteligência artificial.

O contrato permitirá ao Spotify lançar uma ferramenta para que fãs criem versões e regravações das músicas de seus artistas favoritos desde que esses artistas e compositores optem por participar. Movida por IA generativa, a ferramenta será oferecida como um complemento pago para assinantes do Spotify Premium, abrindo novas fontes de receita tanto para a plataforma quanto para artistas e compositores, além do que já ganham com o streaming.

O Spotify vinha trabalhando com a indústria musical em formas de aproveitar o potencial da IA sem violar os direitos dos artistas. Em outubro do ano passado, a empresa havia anunciado um acordo com as maiores gravadoras para o uso “responsável” da tecnologia, mas sem detalhar como isso se traduziria na prática. O acordo com a Universal marca a entrada efetiva do Spotify na criação de música com IA.

“Não existe um player de mídia para a era generativa”, disse o co-CEO Gustav Söderström. “Acreditamos que o Spotify se tornará esse player.”

“Esta era da criação não precisa ameaçar o futuro da música”, disse Charlie Hellman, chefe de música do Spotify. “Como construímos o sistema de forma legal, confiável e alinhada, podemos garantir que o valor retorne às pessoas que o criaram.”

Fila furada

Outro anúncio de destaque foi uma parceria multianual com a Live Nation, maior promotora e vendedora de ingressos do mundo, para oferecer aos maiores fãs de cada artista a chance de comprar dois ingressos antes que entrem em venda para o público geral. O benefício, chamado de “Reserved“, será lançado primeiro nos Estados Unidos neste verão, com planos de expansão para outros mercados.

Mas não basta ser assinante Premium: os fãs serão selecionados com base em critérios como volume de streams e compartilhamentos do artista dentro do aplicativo. Quem for contemplado terá cerca de um dia para efetuar a compra. A disponibilidade de ingressos varia por artista, turnê e localidade.

A iniciativa mira um problema crônico enfrentado pelos fãs: a dificuldade de comprar ingressos pelo preço de face antes que revendedores e bots esgotem o estoque. Quem tenta garantir ingressos por meio de pré-vendas para membros de fã-clubes frequentemente enfrenta filas longas para um número limitado de lugares.

“Sem correr contra bots, sem ficar caçando códigos de pré-venda. Apenas dois ingressos reservados para você”, disse Rene Volker, diretora sênior de música ao vivo do Spotify. “Por quê? Porque você os mereceu.”

Metas e contexto

As apresentações desta quinta-feira foram desenhadas para reconquistar a confiança dos investidores e demonstrar que o Spotify ainda tem capacidade de inovar. Wall Street vinha cética quanto à capacidade da empresa de controlar custos e se manter à frente dos concorrentes — especialmente no campo da IA. Essas preocupações pesaram sobre as ações, que acumulavam queda de 25% até o fechamento de quarta-feira.

Para o período até 2030, o Spotify projetou crescimento anual composto em torno dos dois dígitos médios, margem bruta entre 35% e 40% e margem operacional acima de 20%. A empresa reafirmou também suas metas de longo prazo: 1 bilhão de assinantes, US$ 100 bilhões em receita e margem bruta acima de 40%.

O Spotify reforçou que vê podcasts e audiolivros como complementares à música — e que a combinação dos três formatos tem ajudado a converter ouvintes gratuitos em assinantes pagos. Hoje, mais de 500 milhões de pessoas já assistiram a um podcast em vídeo na plataforma, alta de quase 50% em um ano. Em poucos anos, o Spotify já capturou cerca de 20% do mercado de audiolivros nos Estados Unidos.

Usuários que consomem os três formatos — música, podcasts e audiolivros — acessam o Spotify quase todos os dias do mês. É o perfil que os executivos chamaram de “usuário do dia todo.”

Entre as novidades está o Personal Podcasts, que permite ao usuário escrever um prompt no aplicativo e receber um episódio curto e personalizado em resposta — como, por exemplo: “Me dê as novidades da minha cidade e fale sobre shows de artistas que eu amo.” “Vemos isso muito mais como um resumo diário e um motor de recomendações do que algo que substituiria seus podcasts favoritos”, disse Söderström.

O negócio de podcasts já é lucrativo há dois anos, segundo a empresa. Já o Audiobook+, plano que oferece horas extras de audiolivros por uma taxa adicional, já tem 1 milhão de assinantes e deve gerar US$ 100 milhões em receita anualizada.

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O anel que quer destronar o smartwatch: Oura Health pede IPO nos Estados Unidos

21 de Maio de 2026, 14:44

A Oura Health, fabricante de anéis inteligentes voltados ao monitoramento de saúde, condicionamento físico e sono, entrou com pedido confidencial para realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO) nos Estados Unidos, buscando aproveitar a crescente popularidade dos dispositivos vestíveis.

A empresa informou nesta quinta-feira (21) que apresentou os documentos do IPO à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, a SEC, confirmando uma reportagem da Bloomberg News. O número de ações e a faixa de preço da oferta ainda não foram definidos, informou a Oura.

Segundo uma pessoa familiarizada com o assunto, a companhia trabalha com Goldman Sachs, Morgan Stanley, JPMorgan Chase, Allen & Co. e Jefferies Financial na operação. A expectativa é que a empresa estreie na bolsa ainda este ano. Um porta-voz se recusou a comentar.

A Oura faz parte da retomada das ofertas de ações de empresas de tecnologia em 2026. A SpaceX, de Elon Musk, protocolou um prospecto de IPO na quarta-feira, enquanto a OpenAI, criadora do ChatGPT, prepara documentação semelhante para as próximas semanas, segundo a Bloomberg News.

Competição com relógios

A Oura ganhou popularidade nos últimos anos entre consumidores interessados em monitorar indicadores de saúde por meio de um dispositivo menos volumoso que um relógio. A empresa passou a competir com gigantes como Apple e Samsung Electronics, que também avançam no segmento de vestíveis. A Samsung lançou um anel inteligente há dois anos, enquanto a Apple trabalha em uma nova linha de dispositivos vestíveis com inteligência artificial.

Com escritórios principais em San Francisco e na Finlândia, a Oura foi fundada em 2013. Em setembro do ano passado, a empresa alcançou valuation de US$ 11 bilhões após uma rodada Série E que levantou US$ 875 milhões, segundo a Bloomberg News.

O CEO da companhia, Tom Hale, afirmou em setembro que a empresa já havia vendido 5,5 milhões de anéis, ante 2,5 milhões até junho de 2024. A expectativa é que a receita alcance US$ 1,5 bilhão em 2026, triplicando os US$ 500 milhões registrados em 2024.

Os anéis da empresa sincronizam com aplicativos para smartphones em iPhones e aparelhos Android. Em comparação aos smartwatches, os anéis inteligentes ainda representam uma fatia pequena do mercado global de dispositivos vestíveis, mas vêm ganhando popularidade rapidamente.

Justiça francesa condena Airbus e Air France por homicídio culposo em queda do voo Rio-Paris

21 de Maio de 2026, 11:40

A Airbus e a Air France foram consideradas culpadas por homicídio culposo no acidente aéreo do voo AF447, que caiu no trajeto entre o Brasil e Paris há 17 anos, após um tribunal de apelação francês reverter uma decisão anterior.

Segundo a Corte de Apelação de Paris, as empresas foram as únicas responsáveis pelo acidente que matou as 228 pessoas a bordo do Airbus A330. As companhias também foram condenadas ao pagamento de multa de 225 mil euros — o valor máximo previsto pela legislação.

A fabricante europeia de aeronaves e a unidade francesa da Air France-KLM haviam sido absolvidas em abril de 2023, depois de um tribunal de primeira instância concluir que houve erros de “imprudência”, mas sem um “vínculo causal incontestável” com o acidente. O Ministério Público de Paris recorreu da decisão.

A Airbus informou que recorrerá da nova sentença perante a Corte de Cassação da França. Em comunicado, a empresa afirmou que a decisão contradiz tanto as manifestações do Ministério Público quanto a absolvição de 2023.

A Air France não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.

O voo Acidente do voo Air France 447 caiu 38 mil pés — cerca de 11,5 mil metros — em apenas três minutos no Oceano Atlântico, em 1º de junho de 2009, no acidente mais fatal da história da companhia aérea.

Após a tragédia, as investigações se concentraram em três sensores responsáveis por medir a velocidade da aeronave, que congelaram devido à formação de gelo quando os pilotos já estavam havia cerca de quatro horas em voo.

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Guerra no Irã eleva custo dos fertilizantes e ameaça produção global de alimentos

21 de Maio de 2026, 11:22

A disparada dos custos de fertilizantes provocada pela guerra no Irã atinge os agricultores brasileiros no pior momento possível, e reforça como o conflito no Oriente Médio ameaça o abastecimento global de alimentos.

Os produtores brasileiros já enfrentavam preços mais baixos das commodities, acesso restrito ao crédito, endividamento elevado, câmbio desfavorável e custos crescentes para transportar mercadorias aos portos. Agora, a rápida alta dos fertilizantes leva a situação a um ponto crítico, e muitos agricultores passaram a rever investimentos em terras e insumos diante da próxima safra.

É o caso da soja, principal cultura agrícola do país. A área plantada deve crescer no ritmo mais lento em 20 anos na temporada que começa em setembro, segundo a empresa de inteligência de mercado Veeries. A consultoria Agroconsult apresentou recentemente uma projeção semelhante, enquanto estimativas de analistas da Datagro apontam para a menor expansão em uma década.

“Quem acompanhou o agronegócio nos últimos 10 anos sempre viu o setor como próspero e em crescimento”, afirmou Marcos Rubin, fundador da Veeries. “Esse não é o cenário hoje.”

A mudança tem potencial para provocar impactos em toda a agricultura global. A soja brasileira abundante e de baixo custo ajudou a elevar os estoques internacionais da oleaginosa usada na produção de óleo de cozinha e ração animal. O país é o principal fornecedor da China, maior compradora mundial de commodities agrícolas. Uma desaceleração no Brasil pode significar inflação adicional de alimentos na Ásia e em outras regiões, à medida que importadores disputam a oferta disponível.

No Brasil, o pessimismo no agronegócio se espalha. O índice de sentimento do produtor calculado pela Bloomberg Intelligence caiu ao menor nível em mais de um ano. A situação representa um desafio político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputará a reeleição. O agronegócio responde por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto brasileiro, segundo algumas métricas, e produtores pressionados financeiramente pedem mais crédito subsidiado e ampliação do seguro rural.

Embora a área de soja ainda deva avançar, o ritmo será muito mais lento. A situação tende a ser ainda mais delicada para outras culturas. As áreas plantadas de algodão, arroz e milho de verão devem encolher, segundo a Veeries. Essas lavouras dependem mais do fornecimento de certos tipos fertilizantes afetados diretamente pelo conflito com o Irã, que praticamente paralisou o Estreito de Hormuz.

“Não vamos ter aumento de área plantada, isso já está definido”, disse Thiago Facco, produtor de soja e milho no Tocantins e vice-presidente da Aprosoja.

A região de Facco esteve entre as que lideraram o recente boom agrícola brasileiro. Agora, segundo ele, o crédito restrito e os custos crescentes da produção vão limitar o crescimento. As margens dos produtores, que já estão apertadas, podem piorar ainda mais na próxima safra, acrescentou.

Menores investimentos

Além da área plantada, a produtividade também está em risco, já que os custos mais altos devem forçar produtores a reduzir gastos com insumos, sementes, máquinas e fertilizantes. Relatório do Rabobank divulgado em abril estimou queda de 3,9% no consumo de fertilizantes até o fim de 2026.

“Vai ter corte de investimento”, disse Daniel Jaeger da Silva, produtor de soja, milho e arroz no Rio Grande do Sul, terceiro maior estado agrícola do Brasil. Silva pretende adiar planos antigos de expandir os negócios para outra região agrícola e também postergar a compra de novas máquinas.

Ainda assim, o Brasil está longe de perder o status de potência agrícola global. Mesmo os modestos aumentos de área previstos para a próxima safra podem resultar em mais uma colheita recorde de soja, enquanto os preços mais competitivos em relação aos EUA devem continuar sustentando as exportações.

Mas o crescimento seguirá ameaçado em meio às dificuldades enfrentadas pelos produtores. As finanças do setor não estão tão sólidas quanto durante o último choque de preços dos fertilizantes, em 2022, afirmou Marcela Marini, analista do Rabobank Brasil. A valorização do real e os elevados custos do frete rodoviário reduzem a rentabilidade dos sojicultores brasileiros nas vendas da commodity cotada em dólar.

“Este é um momento em que os produtores podem revisar o modelo de negócios”, disse Marini, após anos de investimentos intensivos.

As vendas de tratores e outros equipamentos agrícolas também devem cair neste ano. A receita do setor pode recuar até 7%, segundo a Abimaq. A projeção pode ser revisada para baixo em breve, afirmou Pedro Estevão, presidente da câmara setorial de máquinas agrícolas da entidade.

Até mesmo em Mato Grosso, maior e mais rico estado produtor de soja do país, a área plantada deve ficar estagnada na próxima safra, informou o instituto de pesquisa IMEA. Condições mais restritivas de financiamento e juros elevados limitam a expansão para novas áreas, segundo o grupo.

“Hoje me mostraram as condições de preço do adubo, e deu vontade de chorar”, disse Endrigo Dalcin, produtor de soja em Mato Grosso, que espera redução na aplicação de fosfato nesta safra, além da suspensão da abertura de novas áreas para plantio. “É a tempestade perfeita.”

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Energisa vende cinco ativos de transmissão em operação de R$ 2,3 bilhões

21 de Maio de 2026, 09:28

A Energisa, grupo do setor elétrico com atuação em distribuição, transmissão, geração e comercialização de energia, anunciou a venda integral de cinco ativos de transmissão de energia, em uma operação avaliada em R$ 2,293 bilhões considerando o valor da empresa (enterprise value).

Segundo comunicado divulgado pela companhia, a medida faz parte da estratégia de otimização da estrutura de capital e reciclagem de investimentos.

A operação envolve a alienação de 100% das ações de transmissoras localizadas no Tocantins, Pará e Goiás, atualmente controladas pela Energisa e por sua subsidiária Energisa Transmissão e Energia.

Os ativos incluídos na transação são a Energisa Tocantins Transmissora de Energia I, Energisa Tocantins Transmissora de Energia II, Energisa Pará Transmissora de Energia I, Energisa Pará Transmissora de Energia II e Energisa Goiás Transmissora de Energia I.

O contrato considera como data-base 31 de dezembro de 2025. Descontada a dívida líquida dos ativos, estimada em R$ 748 milhões, o valor patrimonial (equity value) da operação chega a R$ 1,545 bilhão. O montante ainda será corrigido pelo CDI até a conclusão do fechamento do negócio.

A conclusão da operação depende de aprovações regulatórias, incluindo aval da Agência Nacional de Energia Elétrica e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

Após o fechamento, a Energisa afirmou que continuará operando uma plataforma relevante no segmento de transmissão, com receita anual permitida de R$ 777 milhões, considerando cinco ativos operacionais e três em construção.

Segundo a companhia, os recursos obtidos com a venda serão destinados ao processo de desalavancagem, com foco na maximização de valor para os acionistas.

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Lupo troca CEO e passa a ter liderança executiva fora da família

12 de Maio de 2026, 13:43

Após mais de 30 anos no comando da gestão executiva, Liliana Aufiero deixará a presidência da Lupo em 1º de junho de 2026, em um movimento que marca mudanças na estrutura de liderança da companhia.

A Lupo informou alterações em sua estrutura de liderança, com mudanças nos cargos de Diretor-Presidente (CEO) e de Diretor de Relações com Investidores, no contexto de um processo de transição planejado.

Liliana Aufiero, 81 anos e neta do fundador da Lupo, ingressou na companhia em 1986 e assumiu o comando em 1993, sucedendo o tio, Élvio Lupo, acumulando mais de três décadas à frente da gestão executiva.

A partir dessa data, Liliana passa a ocupar a presidência do Grupo Lupo, uma função de caráter institucional e não executivo, voltada à preservação da cultura, dos valores e dos relacionamentos do grupo. Na prática, ela deixa a condução do dia a dia da operação.

Quem assume como Diretor-Presidente Executivo (CEO) é Carlos Alberto Mazzeu, 62 anos, atual vice-presidente e diretor de relações com investidores. Ele já vinha sendo preparado para a transição e será o primeiro não integrante da família a ocupar o cargo de CEO na história da Lupo, fundada em 1921 pelo imigrante italiano Henrique Lupo.

Também a partir de 1º de junho, João Daniel Buoro assume como Diretor de Relações com Investidores, em substituição a Mazzeu. O período entre 11 e 31 de maio será dedicado à transição de funções, com foco em continuidade da gestão e estabilidade operacional.

A companhia destacou o reconhecimento à trajetória de Liliana Aufiero, ressaltando sua contribuição para o desenvolvimento e fortalecimento institucional da Lupo, além de agradecer a atuação de Mazzeu na área de relações com investidores.

Em 2025, o Grupo Lupo registrou receita líquida de R$ 1,6 bilhão, alta de 2,8% em relação ao ano anterior. O desempenho foi impulsionado pela marca Lupo Sport, cuja receita avançou 34,7% na comparação anual, alcançando R$ 371,5 milhões.

O EBITDA ajustado somou R$ 187 milhões, com margem de 11,8%. Já o lucro líquido ajustado foi de R$ 158,7 milhões, queda de 9,3% na comparação com 2024, com margem líquida ajustada de 10,0%, recuo de 1,3 ponto percentual no período. A geração de caixa livre ficou em R$ 85,2 milhões.

A companhia destacou 2025 como um ano de reorganização industrial e avanço de eficiência produtiva. Entre as principais iniciativas, transferiu a produção de colantes de Araraquara (SP) para Itabuna (BA), ampliou a produção de itens sem costura na unidade de Araraquara — que também passará a concentrar o setor de malharia transferido de Maracanaú (CE) — e inaugurou sua primeira fábrica no exterior, no Paraguai.

A unidade paraguaia é voltada à produção de meias básicas e faz parte da estratégia de ganho de competitividade e redução de custos em um ambiente de maior concorrência global. No período, a empresa também entrou no segmento de calçados com o lançamento do modelo Origem, voltado a conforto, bem-estar e lifestyle.

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CEO da Alliança renuncia ao cargo em meio à reestruturação da companhia

24 de Abril de 2026, 10:12

A Alliança Saúde anunciou mudanças relevantes em sua liderança após a renúncia do CEO, CFO interino e membro do conselho, Ricardo de Magalhães Sartim, que deixou todos os cargos por motivos pessoais.

A saída foi comunicada ao mercado nesta sexta-feira (24). A companhia informou que já iniciou o processo de sucessão para as posições ocupadas pelo executivo, que vinha concentrando funções no comando financeiro e estratégico da empresa.

Sartim também integrava o Conselho de Administração. Em comunicado, a Alliança agradeceu sua atuação e destacou as contribuições prestadas durante o período em que esteve à frente da gestão.

Na mesma data, o Conselho de Administração aprovou a eleição de João de Saint Brisson Paes de Carvalho como novo membro independente do colegiado. O mandato vai até a primeira assembleia geral a ser realizada após 19 de março de 2026. Segundo a companhia, o executivo possui experiência em administração, finanças e governança corporativa, com passagem por conselhos de administração e fiscais de diversas empresas.

Com as mudanças, o Conselho de Administração passa a ser composto por José Luiz Mendes Ramos Júnior (presidente), Thalis Leon de Ávila Saint Yves e João de Saint Brisson Paes de Carvalho, ambos conselheiros independentes.

O que está acontecendo com a empresa?

As mudanças ocorrem em meio a um momento delicado para a companhia. Recentemente, a Alliança informou ao mercado que ajuizou uma ação cautelar em caráter antecedente na Comarca de São Paulo, suspendendo cobranças e execuções, ao mesmo tempo em que iniciou um procedimento de mediação com credores.

As medidas fazem parte de um esforço para reorganizar a estrutura financeira e criar condições mais estáveis para negociações. A dívida líquida da empresa somava cerca de R$ 500 milhões ao fim de setembro, segundo o último resultado divulgado.

De acordo com a companhia, a ação tem caráter transitório e busca garantir um ambiente de negociação equilibrado, sem impacto na continuidade das operações. Esse tipo de instrumento jurídico permite proteção temporária enquanto a empresa negocia suas obrigações, com respaldo na Lei de Recuperação Judicial e no Código de Processo Civil.

Apesar do cenário financeiro, a Alliança afirma que suas operações seguem normalmente, com funcionamento regular de clínicas e canais digitais.

O movimento ocorre após uma série de mudanças no controle da empresa. No início de março, o fundo Tessai, ligado à Geribá Investimentos, assumiu o controle da companhia com 59,84% do capital, após execução de garantias relacionadas a participações anteriormente ligadas ao empresário Nelson Tanure.

A troca de controle abriu espaço para mudanças na governança. Poucos dias depois, Isabella Corrêa renunciou à presidência do conselho de administração, intensificando o processo de reestruturação.

A Fitch Ratings rebaixou o rating da Alliança para CCC+, citando preocupações com vencimentos de cerca de R$ 155 milhões em 2026 e um nível de caixa considerado insuficiente para cobrir obrigações de curto prazo.

A companhia afirma que segue implementando medidas para fortalecer sua estrutura financeira e operacional, com foco em eficiência, ajuste de capital e sustentabilidade no médio e longo prazo, e que continuará informando o mercado sobre novos desdobramentos.

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H&M tem vendas fracas no 1º trimestre, melhora rentabilidade e reforça presença no Brasil

26 de Março de 2026, 11:10

A varejista sueca de fast fashion H&M registrou vendas abaixo do esperado no primeiro trimestre, em um período marcado por consumo fraco e fortes efeitos cambiais, mas conseguiu melhorar a rentabilidade com controle de custos.

As vendas líquidas em moedas locais caíram 1%, para 49,6 bilhões de coroas suecas (US$ 5,3 bilhões), abaixo da expectativa de 50,46 bilhões de coroas suecas (US$ 5,4 bilhões). Ainda assim, o controle de custos ajudou a companhia a superar as estimativas de lucro operacional, que somou 1,51 bilhão de coroas suecas (US$ 162 milhões), acima do esperado pelo mercado.

A empresa também projeta crescimento de 1% nas vendas em março, na comparação anual. As ações chegaram a cair até 6,6% em Estocolmo, na maior queda intradiária desde setembro de 2024.

O CEO da varejista, Daniel Erver, que assumiu em 2024, tem priorizado a estabilização das operações após anos de dificuldades. Medidas para reduzir estoques e ampliar vendas a preço cheio impulsionaram a rentabilidade, com a margem operacional avançando de cerca de 3% em 2022 para 8% em 2025 — e atingindo 8,4% nos últimos 12 meses.

Apesar disso, analistas veem uma recuperação ainda desigual. “A H&M tomou medidas para melhorar sua oferta, mas muitas variáveis precisam avançar juntas.” A H&M segue pressionada por concorrentes, como Shein e Primark, e por rivais mais ágeis, como a Inditex, dona da Zara, cujas vendas cresceram até 9% no início do ano.

Estratégia: omnichannel e eficiência

A H&M informou que continua investindo na integração entre lojas físicas, e-commerce, marketplaces e redes sociais, buscando ampliar conveniência e engajamento do consumidor.

A empresa também avançou na eficiência de estoques, historicamente um desafio, e destacou que os níveis atuais estão em “boa forma”. Decisões mais rápidas e maior integração com fornecedores têm permitido ajustar melhor a oferta e aumentar a relevância das coleções.

Expansão com foco no Brasil

A companhia planeja abrir cerca de 80 lojas e fechar aproximadamente 160 em 2026, como parte da otimização de sua rede global, que hoje soma 4.050 unidades. Na América Latina, o Brasil se tornou peça central da estratégia. A H&M elevou para 11 o número de lojas previstas no país, reforçando a aposta no maior mercado da região.

A operação brasileira começou em 2025, com a estreia em São Paulo, e já inclui unidades na capital paulista e em Campinas. Para este ano, estão previstas sete novas lojas, incluindo duas no Rio de Janeiro, duas no Rio Grande do Sul e uma em Sorocaba (SP).

No médio prazo, a empresa pretende estar presente em todos os estados brasileiros até 2028, com expansão de até nove lojas por ano. A estratégia inclui preços mais competitivos e maior uso de produção local.

Riscos no radar

A H&M alertou para riscos crescentes ligados ao conflito no Oriente Médio. Segundo o presidente da companhia, o impacto direto nas operações ainda foi limitado, mas um cenário prolongado pode gerar efeitos indiretos relevantes.

O principal risco está na alta dos preços de energia e nos custos de transporte, que tendem a pressionar toda a cadeia global de suprimentos. O executivo também mencionou a possibilidade de efeitos em cascata — conhecidos como “efeito chicote” — em que pequenas disrupções iniciais acabam amplificadas ao longo da cadeia, tornando difícil prever o impacto final.

Além disso, o aumento de custos pode chegar ao consumidor em um momento em que os orçamentos já estão pressionados, especialmente em meio à inflação persistente de alimentos no Reino Unido e em partes da Europa.

“Se o conflito se prolongar e houver novas disrupções, podemos ver impactos significativos no comportamento do consumidor”, afirmou o CEO.

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Fundos católicos, tese agnóstica: a carteira de investimentos apoiada pelo Vaticano

10 de Fevereiro de 2026, 17:15

O Banco do Vaticano lançou, em parceria com a gestora Morningstar, dois índices de ações baseados em princípios católicos: o Índice de Princípios Católicos do Banco do Vaticano para a Zona do Euro e o Índice de Princípios Católicos do Banco do Vaticano para os Estados Unidos.

Cada índice reúne 50 empresas de médio e grande porte nos setores de tecnologia, financeiro e telecomunicações, selecionadas por critérios éticos e morais.

São excluídas companhias envolvidas com aborto, contraceptivos, pesquisa com embriões, pornografia e armamentos controversos. Entre elas estão Johnson & Johnson, Pfizer, Disney e fabricantes de armamento nuclear, além de multinacionais como LVMH e Schneider Electric, consideradas fora dos princípios definidos pelo Vaticano.

No índice norte-americano, Meta e Amazon têm os principais pesos, enquanto na Europa lideram ASML Holding, Deutsche Telekom e SAP. Além das exclusões, os índices priorizam empresas que “promovem o bem comum, a justiça social e a ecologia integral”, segundo a Doutrina Social da Igreja.

A Morningstar aplica filtros quantitativos e qualitativos para assegurar que as empresas selecionadas estejam alinhadas à doutrina católica.

Embora siga princípios éticos, a carteira do Banco do Vaticano adota uma tese de investimento que também considera desempenho financeiro e qualidade dos ativos, independentemente da fé do investidor. A “agnosticidade percebida” é relativa.

Os critérios éticos permanecem válidos, mas empresas como Nvidia e Meta entram na carteira com base em sua performance: a Nvidia representava cerca de 8% do ETF Global X CATH em fevereiro de 2026, enquanto a Meta acumulou valorização de mais de 200% desde 2016.

Outros fundos

Fundos como o ETF Global X S&P 500 Catholic Values Index (Índice de Valores Católicos) e os Ave Maria Mutual Funds (Fundos Mútuos Ave Maria) mostram que a abordagem de investimentos guiada por princípios católicos pode gerar retorno financeiro ao longo do tempo. Os Ave Maria Mutual Funds, criados em 2001, acumulam US$ 3,8 bilhões em ativos sob gestão até 2025.

Já o ETF Global X CATH, listado na Nasdaq em 18 de abril de 2016, rastreia o S&P 500 Catholic Values Index (criado em 2015) e registra valorização acumulada de mais de 214% desde seu lançamento, incluindo ganho de 16% em 2025. Entre suas principais posições estão Nvidia, Microsoft, Apple, Alphabet (Google) e Amazon.

Reputação e escândalo

Para o Banco do Vaticano, a iniciativa também tem objetivo estratégico de reorganizar seus investimentos após décadas de escândalos financeiros, incluindo casos de lavagem de dinheiro e perdas de US$ 200 milhões em 2022.

Em outubro de 2025, o Papa Leão XIV aprovou regras que diversificam os investimentos do Vaticano entre a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica e outras instituições, aumentando transparência e ativos líquidos do banco para US$ 7 bilhões.

Analistas projetam que ETFs rastreando o Índice de Princípios Católicos do Banco do Vaticano para a Zona do Euro e o Índice de Princípios Católicos do Banco do Vaticano para os Estados Unidos poderão surgir até o fim de 2026, com US$ 500 milhões iniciais em ativos nos Estados Unidos e na Europa.

Desde a sua criação em 1942, o Banco do Vaticano desempenha funções financeiras ligadas à Igreja Católica, administrando recursos destinados a obras religiosas e sociais. Apesar de não atuar como um banco comercial, mantém operações internacionais e desenvolve índices e fundos com critérios éticos, combinando gestão financeira e princípios religiosos.

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A conta não fechou: teto de preços da Aneel frustra estratégia da Eneva

10 de Fevereiro de 2026, 15:23

A aprovação do edital do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) pela Aneel trouxe frustração a agentes do setor e aumentou as incertezas em torno dos planos da Eneva, uma das principais interessadas no certame.

Este leilão de 2026 é estratégico para a Eneva porque abre a oportunidade de renovar contratos de cerca de 2 gigawatts (GW) de usinas termelétricas a gás natural já em operação, cujos acordos vencem entre 2026 e 2031.

Mas os preços que a Aneel aprovou ficaram bem abaixo do concenso de mercado. A Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou preços-teto de até R$ 1,4 milhão por megawatt (MW) ano para usinas termelétricas a gás natural e carvão, além de valores de até R$ 1,6 milhão/MW.ano para novos empreendimentos. Os patamares ficaram bem abaixo da expectativa de mercado, que girava em torno de R$ 3 milhões/MW.ano.

Os preços-teto equivalem a R$ 182 por megawatt-hora (MWh) para novos projetos termelétricos e R$ 128/MWh para usinas existentes. Abaixo do consenso de mercado – que apontava para valores entre R$ 220/MWh e R$ 300/MWh. Em relatório, o UBS BB afirmou que, se confirmados, os números são “muito negativos” para a Eneva.

Na avaliação do Citi, o impacto vai além dos preços definidos no leilão. O banco destacou mudanças recentes nas regras do sistema de transporte de gás como um fator adicional de pressão sobre o modelo de negócios da companhia. Na semana passada, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) anunciou um desconto de 15% na tarifa de transporte da capacidade de saída para contratos firmes com prazo igual ou superior a dez anos.

A medida ocorreu após outra alteração regulatória que passou a exigir que as usinas elegíveis ao leilão contratem capacidade firme de gás equivalente a pelo menos 70% da capacidade da usina. Para o Citi, o esforço do governo em reduzir os preços da energia tende a dificultar a viabilização econômica de projetos termelétricos, especialmente os de maior porte.

Com esses novos parâmetros, o Citi também apontou risco de revisão para baixo do preço-alvo da Eneva e avaliou que, com os preços atuais, pode ser difícil para o governo recontratar nova capacidade nos volumes planejados.

Sistema elétrico brasileiro

O LRCAP tem como objetivo reforçar a segurança do sistema elétrico diante do aumento da participação de fontes renováveis intermitentes na matriz. O governo pretende contratar mais de 2 GW de capacidade nos leilões previstos para março em 18 de março, para usinas a gás, carvão e hidrelétricas, e em 20 de março, para térmicas a diesel e óleo combustível.

Além da Eneva, o leilão é acompanhado por outros grandes geradores termelétricos, como a Âmbar, do grupo J&F, e a Petrobras, além de empresas do setor hidrelétrico interessadas em expansões de usinas existentes. Na tarde desta terça-feira, as ações da Eneva operavam em forte queda na bolsa, de cerca de 15%, refletindo a leitura negativa do mercado sobre os parâmetros do certame. Na mínima, os papéis da companhia desabaram 19%.

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Femsa assume controle total das lojas Oxxo no Brasil

2 de Fevereiro de 2026, 11:14

A empresa mexicana Femsa anunciou nesta segunda-feira (2) a conclusão da operação pela qual a Raízen vendeu sua participação no Grupo Nós, joint venture responsável pela administração das lojas da rede Oxxo no Brasil. Com isso, a Femsa passa a deter o controle integral das operações da marca no país. A transação havia sido anunciada em setembro do ano passado.

O Grupo Nós foi criado como uma joint venture para operar o negócio de lojas de conveniência no mercado brasileiro. A sociedade reunia a Femsa e a Raízen, empresa que mantém parceria com a Shell e a Cosan no Brasil. Com o fim do acordo, os ativos e passivos do Grupo Nós foram redistribuídos entre as duas companhias de acordo com a natureza de seus negócios.

Como resultado da separação, a Femsa manteve a rede de lojas Oxxo no Brasil, além do centro de distribuição localizado em Cajamar, no Estado de São Paulo, estrutura considerada estratégica para o abastecimento e a expansão da operação no país. Já a Raízen ficou com a totalidade das lojas Shell Select, alinhando o negócio de conveniência à sua rede de postos de combustíveis.

A Femsa é conhecida por ser a maior engarrafadora da Coca-Cola no mundo e entrou no segmento de conveniência no Brasil em 2019, quando adquiriu por R$ 561 milhões metade da divisão de conveniência da Raízen, responsável pelas lojas Select. A parceria viabilizou a entrada da marca Oxxo no mercado brasileiro e acelerou sua expansão nos últimos anos.

Segundo a companhia mexicana, a decisão de encerrar a joint venture reflete a estratégia das duas empresas de reforçar o foco em áreas em que possuem maior vantagem operacional e competitiva. Com o controle total da Oxxo no Brasil, a Femsa pretende concentrar esforços na expansão da marca e no fortalecimento da operação logística.

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Pedro Franceschi e Henrique Dubugras: os brasileiros que venderam a startup Brex por US$ 5 bilhões

23 de Janeiro de 2026, 14:34

Dois brasileiros estão no centro do noticiário de negócios nesta sexta-feira (23) após o anúncio de que o Capital One Financial, um dos maiores bancos dos Estados Unidos, comprou a Brex por US$ 5,15 bilhões (cerca de R$ 27,3 bilhões). A fintech, especializada em gestão de despesas corporativas, cartões de crédito empresariais e soluções de tesouraria, foi fundada pelos brasileiros Pedro Franceschi e Henrique Dubugras.

Fundada em 2017, no Vale do Silício, a Brex rapidamente se tornou uma das startups mais bem-sucedidas do setor financeiro nos Estados Unidos. Avaliações elevadas em rodadas de investimento transformaram Franceschi e Dubugras em integrantes de uma seleta lista de jovens bilionários globais. Eles ganharam projeção internacional ao entrar para o ranking da Forbes de bilionários com menos de 30 anos.

Segundo a revista, em 2023, a fortuna de Henrique Dubugras era estimada em US$ 1,5 bilhão. Hoje, Dubugras tem 29 anos, enquanto Pedro Franceschi tem 28 e a fortuna estimada em US$ 3,3 bilhões cada um. Ambos iniciaram a graduação em ciência da computação na Universidade de Stanford, na Califórnia, mas abandonaram o curso para se dedicar integralmente aos negócios.

O espírito empreendedor da dupla começou cedo. Ainda aos 16 anos, eles criaram a Pagar.me, plataforma de pagamentos online que foi vendida cerca de três anos depois para a Stone. Na sequência, mudaram-se para os Estados Unidos, onde fundaram a Brex. Em apenas dois anos de operação, a empresa lançou um negócio de contas bancárias corporativas que atraiu mais de US$ 1 bilhão em capital de risco, com investidores como Tiger Global Management, Peter Thiel e Max Levchin, fundador da Affirm.

No ano passado, a Brex também avançou em sua estratégia de internacionalização. A empresa obteve recentemente uma licença de instituição de pagamentos na União Europeia, concedida na Holanda, o que abre caminho para uma operação em larga escala no bloco. Com a autorização, a fintech passa a ter acesso direto aos sistemas locais de pagamentos e poderá emitir cartões corporativos na região.

“Já investimos bastante nas capacidades globais da plataforma, mas empresas europeias não conseguiam se beneficiar disso porque não podíamos atendê-las diretamente até agora”, afirmou Pedro Franceschi, CEO da Brex, em entrevista à Bloomberg na época. “É um passo importante e aprofunda nossa vantagem global.”

Atualmente, a Brex atende cerca de 30 mil empresas, incluindo nomes como Robinhood Markets e a startup de inteligência artificial Anthropic. Aproximadamente 1.500 clientes têm operações na União Europeia, e cerca de metade da base atua em mais de um país. A empresa planeja estar plenamente operacional na Europa até o início de 2026, com escritórios já estabelecidos em Amsterdã.

Após a venda para o Capital One Financial, Pedro Franceschi, CEO da fintech, continuará à frente do negócio. A Brex atingiu uma avaliação máxima de US$ 12,3 bilhões (R$ 65,2 bilhões) em janeiro de 2022 e chegou a considerar uma oferta pública inicial (IPO) no ano passado.

Derrota para Tanure: Cade aprova aquisição da Emae pela Sabesp

20 de Janeiro de 2026, 15:06

A aquisição da geradora de energia Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) pela companhia de saneamento Sabesp recebeu aprovações nesta terça-feira (20) do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A decisão é uma derrota para o fundo Phoenix, do empresário Nelson Tanure, que tentava barrar a operação e ainda a contesta judicialmente.

A Sabesp anunciou em outubro do ano passado que havia assinado o acordo para assumir o controle acionário da Emae, mas sem envolvimento direto do Phoenix, que comprou a geradora em leilão em 2024.

O negócio foi fechado com o Vórtx, agente fiduciário que passou a deter as ações da Emae após o vencimento antecipado de debêntures emitidas pelo Phoenix, cujas ações haviam sido dadas em garantia pelo fundo. O Phoenix entrou na Justiça para tentar suspender a operação, além de abrir contestações em órgãos regulatórios e no âmbito concorrencial.

No Cade, a aprovação foi confirmada sem restrições após o órgão negar, por unanimidade, um recurso do Phoenix. Os conselheiros entenderam que a empresa não detém legitimidade para recorrer, uma vez que teve indeferido seu pedido de habilitação como terceira interessada no processo.

Também nesta terça-feira, a diretoria da Aneel deu anuência prévia à operação, julgando improcedentes os argumentos apresentados pelo Phoenix. O tema começou a ser discutido pela agência em dezembro, mas a decisão foi adiada devido a pedido de vista do diretor Gentil Nogueira, que solicitou mais tempo para analisar alegações de “ilegalidades e inconformidades” apresentadas pelo fundo.

Em seu voto, Nogueira considerou improcedentes os pedidos do Phoenix, destacando que todos os interessados tiveram oportunidade de contraditório e ampla defesa. Ele ressaltou ainda que a Aneel possui autonomia para decidir sobre a competência técnica da Sabesp para assumir a Emae, sem precisar aguardar o trânsito em julgado da ação judicial que contesta a operação.

Um fato relevante divulgado pela Sabesp na noite desta terça-feira (20) destacou que a consumação da transferência do controle societário da Emae para a companhia de saneamento depende de “formalidades adicionais previstas nos respectivos contratos de compra e venda celebrados com Vórtx e Axia Energia”.

A Emae opera um sistema hidráulico e gerador de energia elétrica na Região Metropolitana de São Paulo, incluindo os reservatórios Guarapiranga e Billings, que abastecem parte da água fornecida pela Sabesp. Com a aquisição, a companhia estima aumentar em 52% a capacidade de armazenamento de água para consumo humano e usos múltiplos na região metropolitana, com integração total do sistema Billings prevista até 2029.

Plano contra crise dos Correios prevê venda de imóveis, PDV e fechamento de mil agências

29 de Dezembro de 2025, 14:07

Os Correios detalharam nesta segunda-feira (29) um amplo plano de reestruturação para tentar reverter 12 trimestres consecutivos de prejuízos, que combina captação de crédito, corte de gastos com pessoal, venda de ativos e redução da rede de atendimento. A principal âncora do plano é a tomada de um empréstimo de R$ 12 bilhões, considerada essencial para aliviar a crise de caixa e viabilizar a reorganização da estatal.

O anúncio foi feito pelo presidente da empresa, Emmanoel Rondon, durante entrevista coletiva. Segundo ele, o modelo econômico-financeiro dos Correios “deixou de ser viável” e exige ajustes imediatos para evitar um cenário ainda mais adverso nos próximos anos.

O contrato de financiamento foi publicado no Diário Oficial da União no último sábado (27) e envolve um consórcio formado por Banco do Brasil, Caixa e Bradesco, com aportes de R$ 3 bilhões cada, além de Itaú e Santander, que vão emprestar R$ 1,5 bilhão cada.

Do total contratado, R$ 10 bilhões entram no caixa da empresa até quarta-feira (31), enquanto o restante deve ser liberado em janeiro de 2026. O acordo tem validade até 2040, conta com garantia da União, prazo de carência de três anos e prevê pagamentos mensais a partir de dezembro de 2029.

O empréstimo foi autorizado pelo Tesouro Nacional e reduz o risco para os bancos, já que o governo federal se compromete a honrar as parcelas caso a estatal se torne inadimplente.

Durante a coletiva de imprensa, Rondon não descartou a possibilidade de novas captações, afirmando que o plano original previa até R$ 20 bilhões em crédito, mas que parte da operação foi barrada pelo Tesouro devido às taxas de juros consideradas elevadas.

Corte de pessoal e fechamento de agências

No eixo de redução de despesas, os Correios planejam cortar R$ 2,1 bilhões por ano em gastos com pessoal, por meio da implementação de um Programa de Demissão Voluntária (PDV). A expectativa é reduzir em até 15 mil o número de funcionários em dois anos, o equivalente a 18% da folha de pagamentos.

Além disso, o plano prevê o fechamento de cerca de mil agências deficitárias, dentro de uma rede que hoje soma aproximadamente 5 mil unidades em todo o país.

A estatal também pretende levantar R$ 1,5 bilhão com a venda de imóveis não operacionais, após revisão completa de sua carteira imobiliária, como forma de gerar caixa extraordinário e reduzir custos de manutenção.

Outro ponto sensível é a reformulação do plano de saúde dos funcionários, o Postal Saúde, que, segundo Rondon, precisa ser revisto devido ao alto custo. A expectativa é reduzir as despesas em cerca de R$ 500 milhões por ano.

A Postal Saúde enfrenta dificuldades financeiras e apontou, em suas demonstrações de 2024, risco à continuidade operacional. A operadora depende diretamente dos repasses dos Correios e foi afetada por uma perda de liquidez após a devolução de R$ 221 milhões à estatal, decorrente de uma transação frustrada.

Queda de receitas e impacto do Remessa Conforme

No lado das receitas, os Correios vêm sofrendo com um ambiente mais competitivo e com mudanças regulatórias. Até setembro de 2025, a empresa registrou uma queda de quase R$ 2 bilhões na receita, na comparação com o mesmo período de 2024.

Um dos principais fatores foi a implementação do programa Remessa Conforme, que instituiu imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 — medida que ficou conhecida como “taxa das blusinhas”. Com a nova regra, empresas privadas passaram a poder distribuir encomendas internacionais no Brasil, reduzindo a exclusividade operacional dos Correios.

A estatal fechou 2024 com receita de R$ 18,9 bilhões, abaixo dos R$ 19,2 bilhões em 2023 e dos R$ 19,8 bilhões em 2022. Para 2027, o plano projeta uma recuperação para R$ 21 bilhões, sustentada por novas estratégias comerciais e operacionais.

Apesar do foco imediato em ajuste fiscal e estabilização, os Correios planejam investir R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, com recursos do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB/Brics). Os investimentos serão direcionados à automação de centros de tratamento, renovação e descarbonização da frota, modernização da infraestrutura de TI e redesenho da malha logística.

Segundo a empresa, o objetivo é recuperar a saúde financeira em 2026 e voltar a registrar lucro de forma sustentável a partir de 2027.

“Se a rota não for ajustada rapidamente, o prejuízo pode chegar a R$ 23 bilhões em 2026”, disse Rondon. “Não haverá mudança substancial em 2025, e ainda esperamos uma leve piora em 2026. A virada vem depois.”

Em meio à cisão, Kraft Heinz anuncia troca de presidente

16 de Dezembro de 2025, 10:28

A Kraft Heinz, gigante do setor de alimentos, anunciou nesta terça-feira, 16, uma mudança em sua liderança. A companhia nomeou Steve Cahillane como novo presidente-executivo, no lugar de Carlos Abrams-Rivera.

Abrams-Rivera, que assumiu a presidência-executiva no início de 2024, deixará a função em 1º de janeiro e seguirá como assessor da empresa até 6 de março de 2026.

O novo presidente, Steve Cahillane, é um veterano do setor de alimentos e bebidas, com mais de 30 anos de experiência. Ele atuou mais recentemente como presidente da Kellanova (antiga Kellogg Company) até a venda da empresa para a Mars, concluída em dezembro de 2025. Antes disso, ocupou cargos de liderança na Coca-Cola Company e na AB InBev.

Além de assumir o comando da Kraft Heinz, Cahillane passará a integrar o conselho de administração e será presidente da Global Taste Elevation, companhia que surgirá após a cisão planejada do grupo. Essa empresa reunirá marcas globais de molhos, temperos e produtos de maior valor agregado, como ketchup Heinz, cream cheese Philadelphia e Kraft Mac & Cheese.

A Kraft Heinz também iniciará a busca por um presidente para liderar a futura North American Grocery, que concentrará marcas como Oscar Mayer, Kraft Singles, Lunchables e Capri Sun. Em setembro deste ano, a Kraft Heinz anunciou planos para dividir suas operações em duas companhias independentes. A cisão deve ser concluída até o segundo semestre de 2026.

A mudança de liderança ocorre em um momento delicado para a Kraft Heinz e para o setor como um todo. A empresa enfrenta queda na demanda por alguns de seus principais produtos, pressão de consumidores mais sensíveis a preços, maior escrutínio sobre alimentos ultraprocessados e o impacto do avanço de medicamentos para perda de peso. Em outubro, a companhia registrou queda de 2,3% nas vendas do terceiro trimestre e reduziu sua projeção para o ano, citando a piora do sentimento do consumidor.

No acumulado dos nove primeiros meses de 2025, a companhia contabilizou prejuízo líquido de cerca de US$ 6,5 bilhões, ante lucro de US$ 614 milhões no mesmo intervalo de 2024, impactada principalmente por ajustes contábeis e desvalorizações de ativos.

Petrobras e Axia aceleram distribuição de dividendos antes de o novo imposto entrar em vigor

7 de Novembro de 2025, 12:04

A votação no Senado que institui a tributação sobre dividendos a partir de 2026 fez com que algumas empresas antecipassem o pagamento de dividendos aos acionistas. Isso porque os dividendos declarados em 2025, com base nos lucros obtidos neste ano e em anos anteriores — ou seja, incluindo lucros acumulados e reservas de lucros — continuam sob a regra anterior. Não estão sujeitos, portanto, ao imposto de até 10% para quem tira mais de R$ 600 mil por ano (ele varia de 1% daí até 660 mil/ano e chega a 10% para ganhos de mais de 1,2 milhão/ano).

Entre as empresas que já declararam o pagamento de dividendos estão a Axia (ex-Eletrobras) e a Petrobras. A estatal anunciou o pagamento de dividendos no valor de R$ 12,16 bilhões. Os proventos serão pagos como antecipação da remuneração aos acionistas relativa ao exercício de 2025, declarada com base no balanço de 30 de setembro, em duas parcelas nos meses de fevereiro e março de 2026.

Já a Axia distribuirá R$ 4,3 bilhões, sob a forma de dividendos, utilizando parte do saldo da reserva estatutária. Em ambos os casos, o anúncio foi de pagamento de dividendos intercalares, ou seja, antes do encerramento do exercício fiscal, com base em lucros já apurados.

A expectativa é que mais empresas anunciem antecipação de dividendos devido à tributação. Na teleconferência de resultados da Minerva, o CFO da empresa, Edison Ticle, disse que o frigorífico estuda essa possibilidade.

A Vulcabras também acelerou a distribuição de dividendos, justamente de olho na mudança de tributação e na necessidade de não carregar “caixa ocioso” dentro da empresa.

Depois de dois anos operando com caixa líquido, a gestão decidiu devolver ao acionista o excedente, mantendo apenas o necessário para operar, investir e sustentar o ROE elevado. No segundo semestre, a companhia pagou R$ 300 milhões em dividendos e agora anunciou mais R$ 597 milhões, combinando o movimento com um aumento de capital que permite ao investidor reinvestir o dividendo e, ao mesmo tempo, otimizar a base tributária ao elevar o custo de aquisição das ações.

De acordo com Wagner Dantas, CFO da Vulcabras, a empresa pretende seguir avaliando novas distribuições à luz da tributação, mas sem comprometer o balanço nem se expor demais a um 2026 potencialmente mais volátil.

A lista de empresas que devem anunciar o pagamento de dividendos devido à mudança tributária deve aumentar. Um relatório divulgado pelo BTG Pactual estima 20 empresas com maior probabilidade de fazer grandes pagamentos. A lista inclui Metalúrgica Gerdau, Unifique, Blau, Marcopolo, Eztec, Copel, Intelbras, Isa Energia, Energisa, C&A, PetroReconcavo e Usiminas, entre outras. Segundo o banco, algumas dessas empresas podem anunciar pagamentos de dividendos extraordinários que podem render retornos entre 15% e 20%.

Lucros acumulados em 2025

Os lucros apurados até 31 de dezembro de 2025 permanecem isentos do IR sobre dividendos, desde que:

  • a distribuição seja deliberada até 31/12/2025;
  • o pagamento siga os prazos legais, mesmo que realizado em 2026;
  • o lucro esteja formalmente apurado antes da virada do exercício.

Essa regra cria uma janela de planejamento tributário até o fim de 2025 para empresas e sócios que desejem antecipar a distribuição de lucros sob o regime antigo, livre da nova tributação.

Planejamento tributário

Essa estrutura levantou questões sobre possíveis estratégias de planejamento tributário, especialmente se os investidores poderiam evitar o novo imposto mantendo ações por meio de fundos de investimento nacionais, que continuariam recebendo dividendos isentos de impostos. No entanto, os benefícios dessa abordagem são limitados.

Para as empresas que já distribuem dividendos por meio de estruturas de fundos, a reforma não altera o tratamento tributário atual: os pagamentos de dividendos continuam isentos, mas, no resgate ou amortização, as cotas do fundo estão sujeitas ao imposto sobre ganhos de capital. De acordo com as regras existentes, isso geralmente resulta em 15% de imposto sobre os ganhos totais acumulados em todos os ativos da carteira. Como esse tratamento permanece inalterado, a reforma não cria incentivos para as empresas usarem fundos para distribuir lucros.

Para as empresas que atualmente distribuem dividendos diretamente aos seus proprietários, transferir ativos para uma estrutura de fundos acionaria o imposto sobre ganhos de capital sobre a diferença entre o custo de aquisição e o valor de mercado atual — um custo inicial potencialmente significativo.

Portanto, o incentivo para aproveitar a janela de isenção fiscal parece mais relevante para empresas estrangeiras que remetem dividendos para o exterior e para empresas nacionais que distribuem diretamente aos seus proprietários.

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