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Cristiano Ronaldo compra participação na LiveModeTV, dona da CazéTV

14 de Maio de 2026, 08:30

Cristiano Ronaldo, o primeiro jogador de futebol bilionário do mundo, comprou uma participação na LiveModeTV, canal internacional de streaming ligado à CazéTV, do Brasil, ampliando sua aposta em mídia digital antes da próxima Copa do Mundo.

“A missão é levar o esporte para todos, de uma maneira totalmente nova e inspiradora”, afirmou Ronaldo em comunicado enviado por e-mail à Bloomberg News. O objetivo é ampliar alcance e engajamento “por meio de transmissões no YouTube e conteúdo distribuído em todas as plataformas de redes sociais”, acrescentou.

A LiveModeTV é o braço internacional da LiveMode, empresa por trás da plataforma CazéTV, fundada pelo influenciador Casimiro Miguel, e faz parte da expansão da companhia para além do Brasil. A LiveModeTV foi lançada recentemente em Portugal para oferecer cobertura gratuita e digital da Copa do Mundo da FIFA de 2026.

Ronaldo, que é português, não revelou quanto investirá para adquirir uma “participação relevante” na recém-criada empresa de transmissões esportivas digitais fora do Brasil.

O movimento marca o mais recente negócio do jogador de 41 anos, cuja fortuna é estimada em cerca de US$ 1,4 bilhão.

Empresas de streaming vêm ampliando seus portfólios esportivos em busca de novas frentes de crescimento.

A CazéTV e a LiveMode criaram um novo modelo, exibindo principalmente conteúdos esportivos premium gratuitamente no YouTube e dependendo de receitas de publicidade e patrocínios em vez de assinaturas.

No Brasil, a CazéTV registrou 3,7 bilhões de visualizações em 2025 apenas no YouTube. A LiveMode espera ganhar escala internacional ao se associar a Ronaldo, que possui seu próprio canal no YouTube e é a pessoa mais popular do mundo no Instagram, com mais de 660 milhões de seguidores.

“O que ligas e competições esportivas ganham com canais como a CazéTV é uma nova audiência”, disse Minal Modha, da consultoria de mídia Ampere Analysis. “Muitas competições esportivas estão tendo dificuldade para engajar fãs jovens, e esses canais têm acesso a esse público.”

Embora Ronaldo tenha construído um amplo portfólio de negócios — incluindo sua marca CR7, hotéis, academias e um grupo de mídia — esses empreendimentos não são suas principais fontes de riqueza. A maior parte de sua fortuna vem dos ganhos da carreira, incluindo seu atual contrato com o Al-Nassr, um dos clubes de futebol mais populares e bem-sucedidos da Arábia Saudita.

Um dos jogadores profissionais mais longevos ainda em atividade, Ronaldo afirmou que pretende ser dono de vários clubes de futebol após se aposentar.

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O sonho do gigante da moda brasileira está ruindo — e o Azzas 2154 tem futuro incerto

14 de Maio de 2026, 06:00

Alexandre Birman tinha o sonho de erguer o maior grupo de moda do Brasil. A fusão entre Arezzo e Grupo Soma, formalizada em agosto de 2024, era a peça central da ambição: um conglomerado com mais de 30 marcas, do calçado ao vestuário, capaz de competir em escala com players globais.

Menos de dois anos depois, o sonho está se desfazendo, e uma reconciliação entre os dois sócios controladores, Birman e Roberto Jatahy, parece cada vez menos provável.

As ações do Azzas 2154 acumulam queda da ordem de 50% em 12 meses. A empresa vale hoje R$ 3,8 bilhões, menos da metade do que atingiu no auge.

No mais recente capítulo, Jatahy obteve na Justiça do Rio de Janeiro uma medida cautelar contra decisões do sócio, em uma batalha que, segundo algumas pessoas com conhecimento da situação, tem como desfecho provável a cisão do grupo (Birman entrou com um agravo de instrumento para suspender a cautelar e aponta que o foro de qualquer questão deveria ser a Justiça de São Paulo, como determina o estatuto da companhia).

Mas esse não será um desfecho trivial. Primeiro, porque o tema da separação dos negócios não está na mesa de discussões, segundo fontes próximas a Birman.

E também porque a questão é saber até que ponto cada lado está disposto a ceder e a abrir mão de (muito) dinheiro: o acordo de acionistas celebrado na fusão prevê um lock-up (proibição de venda) de 10 anos para as ações no bloco de controle.

Alexandre Birman e Roberto Jatahy, controladores da Azzas 2154
Alexandre Birman (esq.) e Roberto Jatahy, sócios do Azzas 2154, no anúncio da fusão (Divulgação)

O desafio não é exatamente da saúde das marcas: Farm Rio, Reserva e Animale seguem bem. Hering patina, mas dá sinais de melhora gradual com um plano de turnaround – e segue com um nome forte. O desafio é de governança.

Dois fundadores acostumados a mandar sozinhos, com culturas de gestão opostas, tentaram dividir o controle de um grupo com mais de 30 marcas. Não funcionou até aqui.

Segundo pessoas próximas a Jatahy, ele sempre deu autonomia às operações, formou lideranças internas e manteve cada marca quase como uma empresa independente. Birman, por sua vez, operaria no estilo “comando e controle”, um modelo que funcionou bem na Arezzo, mas que se mostrou inadequado para a complexidade do Azzas.

A percepção sobre Birman era a de um executivo duro, trabalhador, com uma narrativa sólida de quem construiu a Arezzo com as próprias mãos, o “sapateiro” que vendia resultados ao mercado com consistência. Parecia complementar o perfil criativo e descentralizado de Jatahy.

A realidade, segundo essas fontes, foi diferente. A dificuldade de lidar com divergências, segundo quem conviveu com Birman, teria afastado sucessivamente executivos que poderiam ter ajudado a estabilizar o grupo. Mais de 30 diretores não executivos deixaram o Azzas desde a fusão, muitos com acordos de confidencialidade que os impedem de falar publicamente. Birman costuma negar essa versão.

“São dois founders que tinham muita autonomia nas suas empresas antes da fusão”, diz uma pessoa que compôs o alto escalão da empresa. “No dia 2 do casamento, isso virou uma divisão de poder, e os dois se viram em papéis com os quais não estavam satisfeitos.”

A fusão também pecou pelo que deixou de fora.

Pessoas com conhecimento do processo dizem que o negócio foi pensado principalmente em termos de sinergias de receita, em como as marcas cresceriam juntas. As sinergias de custo, até mais relevantes para a rentabilidade, ficaram em segundo plano.

O estopim

O padrão de desgaste com executivos começou antes mesmo de a fusão ser concluída.

Rony Meisler, fundador da Reserva, deixou o grupo em agosto de 2024, poucos dias após o fechamento do negócio. O distanciamento vinha de antes. A Arezzo havia comprado a Reserva em 2020 por R$ 715 milhões, parte em ações com lock-up gradual.

Nas duas primeiras janelas, em 2022 e 2023, Meisler vendeu praticamente toda a sua fatia, um movimento que não agradou Birman. O estilo centralizador do CEO também bateu de frente com a personalidade do fundador, que se sentia cada vez menos consultado.

E, apesar de tentativas do alto comando do Azzas, nada convenceu Meisler a seguir no grupo.

Depois desse momento, os dois sócios controladores negociaram um armistício.

Jatahy cedeu mais, fosse na composição do conselho, nos acordos de acionistas, na escolha de executivos. Sempre com o objetivo declarado, segundo pessoas próximas a ele, de preservar a companhia e evitar um conflito aberto.

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Após a saída de seis executivos do alto escalão do Azzas 2154, o grupo anunciou o retorno de Roberto Jatahy à liderança do negócio de moda. #azzas #moda #negócios

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O ponto de equilíbrio encontrado no meio de 2025 tinha um nome: Ruy Kameyama. O executivo, que atuava como conselheiro de Jatahy, voltou para a gestão para ser a interface entre as operações de moda no Rio de Janeiro, provenientes em geral do Soma, e a holding.

Por algum tempo, funcionou. Kameyama conduziu um processo de integração que durou dez meses, com consultoria contratada, que mapeou sinergias entre R$ 80 milhões e R$ 116 milhões de Ebitda anuais para a unidade carioca.

Foi um trabalho com custo financeiro e humano relevante, com demissões, reestruturações e meses de reuniões. O resultado estava incorporado ao orçamento de 2026.

Foi nesse momento que Birman passou a interferir na Reserva, área que estava sob o guarda-chuva de Kameyama. Em uma ligação, segundo relatos de pessoas que acompanharam a situação, Birman disse ao executivo que ele estava “cruzando a linha” ao se envolver em questões societárias. Kameyama pediu demissão no dia seguinte.

Com Kameyama fora, Birman anunciou que a Reserva seria transferida para o comando de David Python, executivo de sua confiança à frente das unidades Basic (Hering) e Shoes & Bags e que tem ganhado espaço no grupo.

Python é co-fundador da Cariuma, marca de calçados adquirida pelo Azzas no fim de 2025 justamente para trazê-lo, junto com outro executivo, Fernando Porto, para tocar o turnaround da Hering. Ele trabalhou anos em cargos de liderança na Arezzo e na Schutz antes do seu próprio negócio.

Para Jatahy, jogar fora R$ 116 milhões em Ebitda potencial, em uma empresa que já destruía valor, não tinha racionalidade econômica. A medida cautelar foi sua resposta.

O Azzas divulgou comunicado ao mercado dizendo ter sido “surpreendida” pelo pedido judicial, enquadrando a decisão sobre a Reserva, marca de moda masculina, como prerrogativa estatutária do CEO.

O custo nos negócios

Os resultados do Azzas no primeiro trimestre de 2026 mostraram em parte o custo da instabilidade na gestão. A receita líquida caiu 8% na comparação anual. A unidade de negócios Basic (Hering) respondeu pela maior parte da queda, com recuo de 19% no período.

O Citi apontou que o Ebitda reportado ficou 15% abaixo de sua estimativa e o lucro líquido veio quase 60% abaixo do projetado. O banco não descartou novas revisões para baixo nas projeções.

A deterioração do resultado da Hering é um exemplo dos riscos de integrações. A marca chegou a gerar R$ 240 milhões de Ebitda no fim dos anos 2010, antes da aquisição pelo Soma, e fechou 2025 com R$ 71 milhões, segundo pessoas com conhecimento da operação.

A piora culminou com a saída de Thiago Hering, da família fundadora. E levou à chegada de Python e Porto em outubro passado. O plano, que passa por uma nova lógica de operação – com redução dos estoques que demandavam desconto para dar saída -, se traduziu em queda das vendas, antes que elas – segundo se espera – voltem a crescer.

O vestuário feminino, que é a divisão herdada do Grupo Soma e segue sob influência de Jatahy, é hoje o ativo mais sólido do grupo. Cresceu 5% no primeiro trimestre, mesmo com desaceleração.

O futuro do Azzas 2154

Além da hipótese de cisão, há quem defenda uma terceira via: trazer um CEO externo, afastar os dois fundadores do dia a dia e tentar capturar parte das sinergias que motivaram o negócio.

“A empresa não conseguiu seus resultados, mas é uma questão de melhorar a governança”, diz uma pessoa que passou pelo alto escalão do grupo.

A questão é que o conselho atual não tem demonstrado capacidade de arbitrar o conflito, diz outra pessoa ouvida pela reportagem.

O caminho imediato é a arbitragem, resolvida a disputa de liminares e recursos.

Parte do mercado nutre a esperança de que o acirramento force uma composição e mais um armistício entre os dois sócios. Mas pessoas próximas aos bastidores do grupo são céticas. Birman, dizem, dificilmente dá um passo atrás, e Jatahy, após quase dois anos de concessões, chegou ao limite.

O Azzas foi construído sobre a tese de que marcas fortes ficam mais fortes juntas. Por ora, o que se vê é o oposto: marcas que funcionavam bem agora presas em uma sociedade que não funciona.

Procurado, o grupo Azzas 2154 preferiu não comentar e enviou os fatos relevantes recentes como resposta.

Americanas vende lojas do Hortifruti Natural da Terra em SP para o Oba por R$ 69 milhões

13 de Maio de 2026, 20:30

A Americanas fechou um acordo para vender ao Oba Hortifruti os ativos usados na operação de dez lojas deficitárias da Hortifruti Natural da Terra, todas localizadas no estado de São Paulo.

O negócio foi anunciado nesta quarta-feira (13) pela rede varejista, que segue em recuperação judicial desde janeiro de 2023, e envolve a subsidiária HNT Comércio de Hortifrutigranjeiros. O preço de aquisição foi definido em R$ 69,3 milhões, sujeito a ajustes previstos em contrato.

A operação ainda depende do cumprimento de condições precedentes, incluindo a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade. A transferência dos ativos será feita de forma gradual, conforme os termos acertados entre as empresas.

Pelo contrato, o Oba pagará R$ 10,4 milhões à vista na data de fechamento da transação. O restante será quitado em 24 parcelas mensais, iguais e sucessivas, corrigidas pela variação do CDI. A primeira parcela vence em até 30 dias após a conclusão da operação.

A venda não representa a saída completa da Americanas do negócio, mas reforça o movimento da companhia de rever ativos que estão em seu portfólio e reduzir operações deficitárias em meio ao processo de recuperação judicial.

No comunicado, a empresa afirma que a alienação foi feita no curso normal dos negócios e está autorizada pelo plano de recuperação.

A Hortifruti Natural da Terra entrou para o grupo Americanas em 2021, antes da revelação das inconsistências contábeis da ordem de mais de R$ 40 bilhões, muitas das quais sob suspeita de fraudes, que levaram a companhia à recuperação judicial.

Naquele momento pré-crise, a aquisição da Natural da Terra foi apresentada como parte de uma estratégia de expansão da Americanas para a categoria de alimentos frescos, um segmento com maior recorrência de compra e potencial de integração com o e-commerce.

A prioridade da Americanas, porém, mudou após a revelação do rombo bilionário e a entrada em recuperação judicial. A companhia passou a concentrar esforços na preservação de caixa, na renegociação com credores e na simplificação da estrutura operacional.

Para o Oba, o negócio amplia a sua presença em São Paulo, principal mercado do país e região em que redes de hortifruti e supermercados disputam consumidores de maior renda e tíquete médio mais alto.

O grupo já opera uma rede consolidada no segmento de frutas, legumes, verduras e produtos perecíveis, com posicionamento mais próximo do varejo alimentar especializado.

CSN começa a segunda fase da venda da CSN Cimentos; operação pode superar R$ 10 bilhões

13 de Maio de 2026, 17:37

A CSN deve dar início na próxima semana à segunda fase do processo de venda da CSN Cimentos, a segunda maior fabricante de cimento do Brasil. Nessa etapa, as interessadas enviam suas propostas formais. A informação foi confirmada ao InvestNews por uma fonte próxima à empresa.

A venda do controle da CSN Cimentos pode render mais de R$ 10 bilhões, segundo pessoas próximas à operação. Entre os interessados estão o Grupo Votorantim, a Polimix e as cimenteiras chinesas Anhui Conch, Huaxin Cement e Sinoma International.

A J&F, holding dos irmãos Batista, chegou a ser apontada como concorrente, mas teria desistido da disputa.

A Votorantim Cimentos, maior empresa de materiais de construção do Brasil e 7ª maior produtora de cimento do mundo em capacidade instalada, deve entrar no negócio por meio de um consórcio, segundo fonte familiarizada com o grupo. A estrutura contornaria eventuais restrições antitruste do Cade. Uma aquisição direta, dado o peso da empresa no setor, provavelmente seria barrada pelo regulador.

O Morgan Stanley atua como consultor financeiro da operação.

A venda da cimenteira é a mais relevante de um plano estruturado de alienação de ativos da CSN, que tem como meta levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões a partir de 2026.

O objetivo, segundo a empresa, é reduzir o endividamento do grupo, concentrar esforços nos segmentos de maior rentabilidade e, em até oito anos, atingir uma alavancagem sustentável em torno de 1 vez a relação dívida líquida/Ebitda — além de dobrar o Ebitda no período.

“Vamos resolver de uma vez por todas a alavancagem da CSN. Nunca nos comprometemos de maneira tão objetiva e pragmática para que isso ocorresse”, afirmou Benjamin Steinbruch, controlador e CEO da CSN, a investidores e analistas em janeiro, ao anunciar o plano.

Embraer vê combustível mais caro impulsionar demanda por jatos menores

13 de Maio de 2026, 15:09

A Embraer está mirando aumentar a produção de jatos comerciais no próximo ano, à medida que a alta dos preços dos combustíveis provocada pela guerra no Irã impulsiona a demanda por aeronaves mais eficientes.

A companhia tem a ambição de entregar até 100 jatos comerciais em 2027, quase 20% acima deste ano, afirmou o CEO Francisco Gomes Neto em entrevista em Nova York.

A fabricante brasileira manteve sua projeção de entregas de 85 jatos comerciais e entre 160 e 170 aeronaves executivas em 2026, mesmo com a persistente escassez de componentes como motores e partes da fuselagem.

A Embraer construiu seus negócios no mercado de jatos regionais, como a família E2, com capacidade entre 70 e 145 passageiros, além de um portfólio de aeronaves executivas para até cerca de 12 passageiros.

Avião maior

Agora, a empresa estuda como será seu futuro portfólio de produtos, disse Gomes Neto, incluindo a possibilidade de desenvolver um avião narrow-body maior, que competiria mais diretamente com os modelos A320, da Airbus, e 737, da Boeing.

A Embraer também pode decidir lançar um novo jato executivo, afirmou o executivo.

“Não queremos fracassar como outras empresas fracassaram no passado, então não estamos nos pressionando”, disse Gomes Neto, acrescentando que a Embraer não lançará dois novos projetos simultaneamente.

Por enquanto, os jatos E2 continuam no centro da estratégia da fabricante para atingir US$ 10 bilhões em receita até 2030, acima dos US$ 7,5 bilhões registrados em 2025.

Embora espere que os preços mais altos do combustível sustentem a demanda por aeronaves mais eficientes, Gomes Neto afirmou que a empresa ainda não observou um aumento relevante em novos pedidos.

A Embraer vê oportunidade para vender mais aviões na India e anunciou em janeiro um memorando de entendimento com o conglomerado do bilionário Gautam Adani para estudar a produção de jatos regionais no país. Em fevereiro, a companhia também informou que trabalharia com a Hindalco Industries para avaliar oportunidades de negócios na Índia.

Qualquer plano para construir uma linha de montagem final no país dependerá da conquista de pedidos para pelo menos 200 aeronaves, afirmou Gomes Neto.

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Braskem Idesa dá mais um passo para pedir a recuperação judicial nos EUA

13 de Maio de 2026, 13:23

Se aqui no Brasil, a Braskem ainda tem conseguido evitar um pedido de recuperação extrajudicial ou judicial, em meio a um processo de mudança societária, no exterior, a joint venture mexicana Braskem Idesa está na iminência de recorrer ao Chapter 11, ou seja, entrar em um processo de recuperação judicial dentro das regras americanas.

Um do sinais de que o Chpater 11 está próximo é que a companhia está em fase avançada de negociação para um empréstimo de aproximadamente US$ 250 milhões, deve servir como suporte financeiro para o pedido de recuperação judicial. Esse dinheiro viria de parte dos próprios credores do grupo.

Segundo fontes próximas ao assunto, a companhia e seus assessores correm para estruturar o chamado financiamento DIP (debtor-in-possession), visando garantir fôlego para que a empresa possa aproveitar a recente melhora nas margens petroquímicas, impulsionada pelo cenário de conflitos no Oriente Médio.

Apesar do estágio das conversas, os interlocutores ressaltam que as negociações ainda estão em andamento e nenhuma decisão final foi tomada.

A joint venture entre a brasileira Braskem e a mexicana Grupo Idesa tenta reestruturar seu passivo há meses, após falhar no pagamento de juros de bônus globais com vencimentos em 2029 e 2032.

Essa pressão de caixa tem forçado a unidade a operar com capacidade reduzida, o que impediu a companhia de aproveitar plenamente a valorização do petróleo. Atualmente, os títulos com vencimento em 2029 ensaiam uma recuperação no mercado secundário, sendo negociados ligeiramente abaixo de 70 centavos de dólar, com um rendimento de cerca de 19,9%.

Petrobras faz reunião no México

O cenário também envolve a movimentação direta da Petrobras, uma das principais acionistas da Braskem no Brasil. Executivos da estatal brasileira estiveram recentemente no México para reuniões com a diretoria da Braskem Idesa, onde discutiram a estrutura do balanço da unidade e a futura relação comercial entre as empresas.

A aproximação coincide com a estratégia da CEO da Petrobras, Magda Chambriard, que confirmou em coletiva de imprensa o interesse em estreitar parcerias com a estatal mexicana Pemex. Questionadas, as companhias envolvidas e a Petrobras preferiram não se manifestar sobre os detalhes das conversas.

Para a Braskem, o impasse no México soma-se a uma série de desafios financeiros e jurídicos enfrentados pela matriz, como a crise ambiental decorrente da mineração de sal em Maceió e a longa espera pela venda da participação da Novonor (ex-Odebrecht). Enquanto tenta resolver o imbróglio da subsidiária mexicana, o mercado aguarda a divulgação dos resultados financeiros da companhia, prevista para ocorrer nesta quarta-feira.

‘Taxa das blusinhas’: como o fim do imposto impacta varejistas brasileiras

13 de Maio de 2026, 12:51

A concorrência das plataformas chinesas deve pesar ainda mais sobre o varejo brasileiro após o governo eliminar o imposto sobre compras internacionais de baixo valor.

A medida, assinada na terça-feira (12), derruba a alíquota extra de 20% sobre remessas internacionais até US$ 50 – a chamada “taxa das blusinhas”, em vigor desde agosto de 2024. A isenção já começa a valer nesta quarta-feira (13).

O imposto havia sido implementado para reduzir a vantagem competitiva de plataformas asiáticas como Shein, Shopee e Temu, que cresceram de forma agressiva no Brasil nos últimos anos.

Em relatório, analistas do BTG Pactual afirmaram que a mudança “reabre o debate sobre a assimetria competitiva” entre empresas brasileiras e marketplaces internacionais, e afeta especialmente empresas voltadas às classes média e baixa.

Antes da criação do imposto, mais de 18 milhões de encomendas internacionais de baixo valor entravam no Brasil mensalmente. 

Após a taxação, o volume teria caído para 11 milhões mensais no fim de 2024, o que trouxe alívio num momento de queda de vendas das varejistas brasileiras. Mais recentemente, porém, as remessas já haviam voltado para uma faixa entre 15 milhões e 17 milhões por mês, com as plataformas absorvendo parte dos custos para manter os preços baixos.

Mesmo com o imposto, a Shein ainda operava com preços inferiores aos das varejistas brasileiras: 6% mais barata do que a Guararapes, dona da Riachuelo; 10% abaixo da Lojas Renner; e 13% abaixo da C&A.

Assimetria da ‘taxa das blusinhas’

A revogação da taxa foi recebida com críticas pelo varejo brasileiro. Em nota, o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) afirmou que a medida amplia a disparidade competitiva entre o produto importado e o fabricado no Brasil, que, segundo a entidade, paga hoje 92% de carga tributária. 

Para o instituto, mesmo a alíquota de 20% não era suficiente para equilibrar a competição com plataformas estrangeiras. Segundo o IDV, se as compras internacionais de até US$ 50 não pagarem o imposto extra, os produtos nacionais nessa mesma faixa também deveriam ficar isentos.

“A assimetria hoje existe. E existem forças que querem que a assimetria seja ainda maior”, disse André Farber, CEO da Riachuelo, em entrevista ao InvestNews

Varejo mais preparado

Apesar da avaliação negativa para o setor, o BTG afirma que o varejo brasileiro hoje está mais preparado para enfrentar a concorrência chinesa do que em 2023 e 2024, quando o avanço das plataformas asiáticas pegou as empresas locais de surpresa.

Segundo o relatório, varejistas brasileiras melhoraram a gestão de estoques, ficaram mais disciplinadas em promoções e remarcações, ajustaram cadeias de fornecimento e avançaram na integração entre lojas físicas e canais digitais.

LEIA MAIS: Consumidor endividado é desafio ao varejo. Na C&A, caminho vai de peças versáteis a agentes de IA

O banco também avalia que a disputa deixou de ser restrita ao vestuário. A competição das plataformas internacionais já avançou para categorias como produtos de beleza, acessórios eletrônicos, decoração e artigos esportivos.

Na visão dos analistas do BTG, o principal desafio agora será manter a melhora recente nas margens e na qualidade dos estoques sem perder participação de mercado em um ambiente novamente pressionado por preços baixos vindos do exterior.

Impacto fiscal

Segundo a Receita Federal, o governo arrecadou R$ 1,8 bilhão com impostos de importação sobre compras internacionais nos quatro primeiros meses de 2026. A equipe econômica estima uma perda fiscal de R$ 1,94 bilhão neste ano com a retirada da cobrança federal. 

O impacto deve subir para R$ 3,54 bilhões em 2027 e R$ 4,24 bilhões em 2028, de acordo com dados da Subsecretaria de Administração Aduaneira.

A redução vale apenas para o tributo federal. O ICMS estadual sobre compras internacionais continua sendo cobrado normalmente.

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McDonald’s dará nome ao novo estádio do Chicago Fire nos Estados Unidos

13 de Maio de 2026, 09:30

O McDonald’s vai dar nome ao novo estádio do Chicago Fire Football Club, em sua primeira parceria de naming rights com um grande estádio profissional nos Estados Unidos. A arena, batizada de McDonald’s Park, tem inauguração prevista para 2028 e está sendo construída na região do South Loop, às margens do Rio Chicago, ao sul do centro financeiro da cidade.

O projeto é financiado pelo proprietário do clube, Joe Mansueto, fundador da empresa de pesquisa de investimentos Morningstar, e fica próximo ao distrito financeiro da cidade e à sede global da McDonald’s. O estádio substituirá o atual uso do Soldier Field pelo Chicago Fire.

Com capacidade para mais de 22 mil torcedores em jogos de futebol e até 31 mil em shows e eventos especiais, o McDonald’s Park foi concebido como um espaço multiuso e de uso contínuo, com programação ao longo de todo o ano. Além das partidas do Chicago Fire na Major League Soccer (MLS), o local deve receber shows, eventos culturais, festivais, conferências e iniciativas comunitárias.

Diferentemente de um estádio tradicional, o projeto prevê integração direta com a marca McDonald’s, incluindo a instalação de um restaurante flagship dentro da arena e experiências gastronômicas e interativas ligadas ao universo da empresa. A companhia também terá participação ativa no desenho de experiências para torcedores, com ativações de marca, elementos criativos e ações durante os jogos.

Segundo o McDonald’s, a iniciativa busca conectar esporte, alimentação, cultura e comunidade, reforçando a ideia de que o estádio será um espaço de convivência urbana e não apenas de eventos esportivos. Em comunicado, o CEO da empresa, Chris Kempczinski, afirmou que o objetivo é “construir um lugar que sirva alegria, gere impacto e seja projetado para futuras gerações”.

O acordo também reforça a aposta da companhia no crescimento do futebol nos Estados Unidos e em sua cidade de origem, em um momento em que Chicago enfrenta desafios de atratividade econômica após a saída de grandes empresas e debates sobre segurança pública.

No campo social, a parceria prevê uma forte expansão de iniciativas comunitárias. A partir de 2027, a McDonald’s será parceira principal do programa P.L.A.Y.S. (Participate, Learn, Achieve, Youth, Soccer), voltado ao ensino de futebol em escolas públicas de Chicago. O projeto deve crescer de 70 escolas para cerca de 140 escolas até a abertura do estádio e pode alcançar mais de 280 escolas no longo prazo, com foco em comunidades de baixa renda.

Pazes com Chicago

O estádio ficará em uma área de desenvolvimento urbano que inclui praças públicas e novos empreendimentos residenciais e comerciais, com o objetivo de impulsionar a economia local e criar um novo polo de atividades no South Loop. O McDonald’s não divulgou os termos financeiros detalhados do acordo.

O jornal americano Wall Street Journal destacou que o contrato, válido até 2040, marca uma reaproximação da McDonald’s com sua cidade de origem após um período de tensões.

Nos últimos anos, a empresa expressou preocupações com os rumos de Chicago. Em 2022, o CEO Chris Kempczinski criticou a falta de liderança no enfrentamento da criminalidade na cidade. “Há uma percepção geral de que nossa cidade está em crise”, afirmou em discurso no Economic Club of Chicago.

No ano passado, a companhia também se opôs a uma proposta de imposto empresarial apoiada pelo prefeito Brandon Johnson. Em um artigo publicado no Chicago Tribune, um executivo sênior afirmou que, embora Illinois faça parte da história da empresa desde o início, “no fim das contas, as corporações têm escolha sobre onde se estabelecer”.

O texto alimentou especulações no setor de que a McDonald’s poderia deixar Chicago, como já fizeram outras empresas. O conselho da cidade acabou rejeitando a proposta de imposto.

A McDonald’s tem suas origens em um restaurante fundado em San Bernardino, na Califórnia, e cresceu globalmente sob a liderança de Ray Kroc, que abriu uma unidade em um subúrbio de Chicago em 1955. A empresa foi sediada na cidade entre 1955 e 1971, quando se mudou para um subúrbio, e retornou ao centro de Chicago em 2018.

Segundo a reportagem do WSJ, os acordos de naming rights em estádios da MLS variam de dezenas de milhões a mais de US$ 100 milhões.

O Chicago Fire iniciou a busca por um parceiro de naming rights há cerca de seis meses, avaliando centenas de potenciais patrocinadores. O McDonald’s apareceu no topo da lista por sua presença local e valores compartilhados, segundo o presidente de operações comerciais do clube, Dave Baldwin.

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Crise sanitária da Ypê testa marca familiar brasileira que concorre com gigantes globais

13 de Maio de 2026, 06:00

A Química Amparo, dona da Ypê, enfrenta uma das maiores crises de sua história de mais de 75 anos.

É uma crise que se instalou no dia 7 de maio, quando o grupo familiar recebeu uma determinação da Anvisa para recolher milhares de produtos de limpeza por causa de risco de contaminação bacteriana constatado na sua fábrica em Amparo, no interior de São Paulo.

A decisão chegou justamente no momento em que as categorias em que a empresa construiu liderança cresciam no ritmo mais acelerado dos últimos anos.

A Ypê é um caso raro para uma marca nacional: está presente em 95% dos lares brasileiros, segundo dados da consultoria Kantar. Em penetração de mercado, só perde para a Coca-Cola, absoluta no mercado de refrigerantes.

A história da Química Amparo remonta a 1950, ano de sua fundação na cidade a 129 quilômetros de São Paulo, na região conhecida como Circuito das Águas. Fundada por Waldyr Beira, a companhia atravessou três gerações da família até se tornar uma das maiores fabricantes nacionais de produtos de limpeza.

Fotos do início da operação da Ypê, que foi fundada em 1950 pela família Beira

Depois da morte do fundador, em 1998, os filhos assumiram o negócio. Waldir Beira Jr. ficou no comando executivo. Os irmãos Jorge Eduardo Beira, que é diretor de operações, e Antonio Ricardo, além da mãe, Ana Maria Veroneze Beira, integram o conselho de administração.

Em 2025, Eduardo Beira passou a fazer parte do conselho, representando a terceira geração da família no negócio.

A estrutura ainda carrega forte presença familiar, mas com sinais de profissionalização. O conselho tem cinco membros da família e quatro independentes. É presidido por Andrea Salgueiro Cruz Lima, ex-CEO da Whirlpool no Brasil.

Sob Waldir Jr., a Química Amparo entrou em um ciclo longo de expansão. Comprou a marca Atol e sua fábrica na Bahia, incorporou a Perfex e a Assolan com uma planta em Goiânia e montou uma rede fabril com sete unidades, em São Paulo, Bahia, Goiás, Minas Gerais e Pernambuco.

A aposta mais recente foi no Norte e no Nordeste. Em 2023, a empresa inaugurou uma fábrica em Itapissuma, em Pernambuco, com investimento de R$ 420 milhões. A unidade reforçou a estratégia de crescer em regiões em que algumas categorias de limpeza ainda têm menor penetração.

“É um mercado que estimamos que crescerá a taxas maiores do que as do Brasil, porque alguns produtos ainda não têm nível de penetração iguais ao do Sul e Sudeste. Vemos um potencial de mercado maior”, disse Waldir Jr. ao Valor em 2020.

Até 2019, a Química Amparo faturava cerca de R$ 4 bilhões. Hoje seu faturamento é estimado em R$ 10 bilhões por ano, em uma estrutura com mais de 7.300 funcionários e marcas que vão da Ypê à Assolan, do Tixan ao Banho a Banho.

Em Amparo, a presença da família vai além da fábrica.

A Química Amparo é uma das principais mantenedoras da Santa Casa local e de outras entidades assistenciais da cidade. Por meio do Instituto Ypê, coordena projetos socioambientais na região, incluindo iniciativas de reflorestamento com a árvore que dá nome à marca.

Briga com gigantes globais

A Ypê conseguiu se destacar em um setor dominado no Brasil por multinacionais. A Unilever, líder de mercado, é dona de marcas globais como Omo, Comfort e Cif. A P&G tem o Ariel e o Downy. A Reckitt é dona do Veja e do Vanish.

O Brasil é o quarto maior mercado mundial na categoria, segundo dados da Abipla, a associação do setor. Mas lida com um mercado paralelo relevante.

Entre 14% e 20% dos produtos de limpeza vendidos no país circulam fora do mercado formal, segundo estimativa da Abipla. É reflexo tanto da pressão financeira sobre o consumidor quanto da baixa barreira de entrada para fabricar produtos como detergente.

Nesse cenário, a Química Amparo ocupa uma posição singular. É uma fabricante brasileira de grande porte competindo com gigantes globais. Entre as empresas nacionais, concorrentes como Bombril, Flora – que faz parte da J&F, a holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista – e Limppano têm presença relevante, mas operam em escala menor.

A estratégia da Ypê foi construída com foco nas classes B e C, preço acessível e distribuição capilar. A marca chega ao pequeno mercado de bairro com a mesma eficiência com que abastece grandes redes de atacarejo.

No segmento de detergentes lava-louças, sua fatia é estimada em quase 40% do mercado nacional — mais que o dobro da segunda colocada, a Limpol, marca da Bombril, com 19%. Em sabão em barra, também lidera.

Um executivo do setor que já comandou uma grande concorrente da Química Amparo, e que conversou com o InvestNews em caráter reservado, resume a percepção do mercado: a Ypê sempre foi vista pelos rivais como um player com padrão alto de qualidade.

O momento favorável do setor

A crise chegou quando o vento soprava a favor das vendas do setor.

O mercado de detergentes lava-louças movimentou R$ 3,6 bilhões em 2025, ante R$ 2,9 bilhões em 2023 — crescimento de 25% em dois anos, segundo a Euromonitor. A projeção é que chegue a R$ 4,7 bilhões até 2028.

O sabão líquido para roupas também cresce. O mercado passou de R$ 2,5 bilhões para R$ 2,8 bilhões no mesmo período, com projeção de R$ 3,6 bilhões em 2028. É o reflexo de uma migração em curso do sabão em pó, categoria que encolheu de R$ 11,3 bilhões para R$ 9,3 bilhões em dois anos.

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A inspeção da Anvisa, em conjunto com as vigilâncias sanitárias estadual e municipal de Amparo, encontrou, segundo a agência, descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, incluindo falhas nos sistemas de garantia de qualidade e controle. O risco era de contaminação microbiológica.

O Fantástico, da Globo, revelou imagens da inspeção com equipamentos com marcas de corrosão e restos de produtos sendo devolvidos às linhas de envase. Pessoas próximas à empresa, ouvidas pelo InvestNews, afirmam que as imagens mostram áreas fora de uso.

Não foi o primeiro problema do tipo. Em 2024, a Anvisa determinou recolhimento de lotes da Ypê por risco de contaminação microbiológica. Em novembro de 2025, a própria empresa fez um recolhimento voluntário ao identificar a bactéria Pseudomonas aeruginosa em lotes de lava-roupas.

Em 2026, segundo a Anvisa, o problema deixou de ser pontual. A agência afirma ter encontrado falhas nas Boas Práticas de Fabricação — o conjunto de normas mínimas exigidas de qualquer fábrica do setor.

A empresa contesta essa avaliação, diz ter laudos técnicos que atestam a segurança dos produtos e classificou a medida como arbitrária e desproporcional.

A Química Amparo recorreu e obteve efeito suspensivo, voltando a ter autorização para produzir e comercializar os produtos. Ainda assim, decidiu manter parada a produção da fábrica de líquidos.

A Anvisa manteve sua avaliação técnica e sua recomendação de não usar os produtos. A diretoria colegiada da agência deve julgar o recurso da empresa nesta quarta-feira (13).

Em reunião com a Anvisa na terça (12), a Ypê afirmou que suas equipes de Amparo intensificaram o trabalho para atender a 239 ações corretivas com o objetivo de cumprir as exigências da vigilância sanitária. As medidas consideram também inspeções realizadas em 2024 e 2025.

Da crise sanitária à disputa política

Mas a crise da Ypê não ficou circunscrita ao campo da análise técnica. Nas redes sociais, o caso ganhou conotação política. Isso porque, em 2022, três membros da família Beira doaram juntos R$ 1 milhão à campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Waldir Beira Jr., o CEO da Química Amparo
Waldir Beira Jr., CEO da Química Amparo: segunda geração da família (Divulgação)

A proximidade com Bolsonaro gerou reações de boicote à marca por parte de consumidores naquele período. Segundo pessoas próximas à companhia, a família decidiu se manter à margem da disputa eleitoral em 2026.

A crise sanitária, porém, arrastou a marca mais uma vez para os embates políticos nas redes sociais.

Figuras ligadas à direita enquadraram rapidamente o caso como suposta perseguição da Anvisa a uma empresa que apoiou Bolsonaro no passado, com vídeos de políticos lavando louça com o detergente da companhia.

Do outro lado, consumidores relatam nas redes casos de mau cheiro nos produtos e irritações nas mãos.

Para Felipe Carreirão, analista sênior da Euromonitor, essa sobreposição entre crise sanitária e disputa política cria um problema específico de comunicação. Fica difícil para o consumidor separar o que é avaliação técnica do que é narrativa ideológica.

O teste de fidelidade

Independentemente do caráter técnico e político do caso, há um desafio logístico imediato.

O que está nas gôndolas dos supermercados pode ser retirado pela empresa com relativa facilidade. O que já está na casa do consumidor… nem tanto. Esses são produtos de alto giro, que estão presentes em milhões de lares. E essa capilaridade torna o recolhimento caro e lento, relatam executivos do setor.

E aí vem o teste de fidelidade à marca. Carreirão, da Euromonitor, aponta que detergente lava-louças é exatamente uma categoria em que a lealdade de marca é mais frágil, por causa de suas características preço baixo, diferença mínima entre produtos e barreira de troca quase zero.

O consumidor forçado a experimentar outra marca pode não voltar. Nos últimos anos, marcas regionais vêm ganhando espaço no varejo brasileiro, impulsionadas pela pressão da inflação e por preços mais acessíveis — e estão bem posicionadas para capturar esse fluxo. A crise pode acelerar esse movimento.

Há, por outro lado, um contrapeso. Carreirão lembra que o brasileiro tem uma relação afetiva com o cheiro dos produtos de limpeza. O perfume do lava-louças, do lava-roupas e do desinfetante cria um vínculo que a lógica de preço não explica totalmente.

Quem trocou pode voltar simplesmente porque sentiu falta do cheiro de sempre. E, pondera o analista, a Ypê tem força de distribuição e penetração no varejo que poucos concorrentes conseguem igualar.

A Química Amparo não respondeu ao pedido de entrevista do InvestNews.

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Escritório de arquitetura ou engenharia: é melhor ter funcionários CLT ou contratar PJs?

12 de Maio de 2026, 18:18

Para um pequeno escritório de arquitetura ou engenharia, a lógica de contratação de mão de obra parece óbvia. Em empresas que tocam projetos com começo, meio e fim, a ideia de ter o mínimo possível de funcionários CLT e contratar profissionais PJ conforme a demanda parece a opção mais vantajosa.

Mas a conta não fica só no custo operacional. Para empresas enquadradas no Simples Nacional, a escolha entre contratar CLTs, fechar parcerias com outras PJs ou recrutar freelancers afeta diretamente a carga tributária, a margem de lucro e os riscos jurídicos do negócio.

Afinal, o que é melhor: contar com funcionários CLT ou contratar outras pessoas jurídicas na hora de executar os projetos? A verdade é que cada caso exige fazer contas – mas, do ponto de vista tributário, ter uma folha fixa mais alta pode não ser um problema.

O ‘lado bom’ de uma folha alta

Via de regra, escritórios de arquitetura e engenharia têm a tributação mais cara do Simples. Eles são enquadrados no chamado Anexo V, com alíquota inicial de 15,5% sobre o faturamento.

Isso vale para quem tem receita pequena, de até R$ 180 mil por ano.

Quando o faturamento aumenta, as alíquotas crescem também – e rápido. Se seu escritório fatura R$ 200 mil por ano, já entra na faixa de 18%. E assim vai até o teto, de 30,5%, para aqueles com receita de R$ 3,6 milhões a R$ 4,8 milhões.

A boa notícia é que a legislação abre uma brecha para que esse tipo de empresa migre para o Anexo III do Simples, em que as alíquotas começam em 6% – bem mais palatáveis. Isso é possível quando o gasto com a folha de pagamento é alto em comparação com o faturamento da empresa.

Mas alto quanto? Entra aí o “Fator R”, um indicador que mede essa relação. Pela fórmula, basta dividir o valor da folha da empresa nos últimos 12 meses pela receita bruta no mesmo período. Já explicamos o funcionamento do indicador em detalhes nesta reportagem do Descomplica PJ.

Na folha entram os salários dos funcionários CLT, o pró-labore dos sócios e os encargos trabalhistas, como FGTS e INSS. Se o “Fator R” der 0,28 (28%) ou mais, o escritório pode migrar para o Anexo III e pagar um imposto mais baixo. Se ficar abaixo, precisa permanecer no Anexo V, com tributação mais alta.

Pagamentos a PJs ou freelancers não entram na conta. Portanto, se sua empresa só contrata dessa forma, o gasto com a folha fica baixo e ela não pode pleitear uma tributação menor.

Há também o risco jurídico, considerado grave. Se a contratação da PJ mascarar uma relação de emprego – em que existe subordinação, exigência de pessoalidade e dependência econômica -, o escritório fica exposto a potenciais processos trabalhistas.

Em resumo sobre as diferentes modalidades:

  • Funcionário CLT: Embora gere mais custos diretos de contratação (com FGTS, férias, 13º salário, entre outros), essa despesa compõe a massa salarial. Na prática, ter funcionários no regime CLT ajuda a estabilizar o Fator R em 28%, e isso permite migrar para alíquotas mais baixas no Simples.
  • PJ parceira: Esse regime não influencia o “Fator R”, pois os pagamentos são considerados serviços prestados por terceiros e entram apenas como despesa operacional da empresa, não gasto com folha.
  • Freelancer pessoa física: Neste caso, além de não contar para o “Fator R”, o escritório ainda é obrigado a recolher 20% de INSS patronal sobre o valor pago ao profissional.

A diferença de custo em um exemplo

Nada melhor que um exemplo para entender o impacto real do “Fator R”. Imagine um escritório de arquitetura ou engenharia com faturamento mensal de R$ 50 mil (R$ 600 mil ano) , com custo fixo de R$ 14 mil por mês com equipe.

No primeiro cenário, o escritório só contrata PJs para executar os projetos – ou seja, os R$ 14 mil mensais entram como despesas operacionais e não compõem a folha de pagamento. Como o “Fator R” não alcança 28%, o escritório se mantém no Anexo V.

Com isso, a empresa cairia na alíquota de 19,5% do Simples. Descontando deduções possíveis, seu gasto com impostos seria de R$ 8.925 por mês.

No segundo cenário, o escritório contrata funcionários no regime CLT e gasta os mesmos R$ 14 mil por mês com a folha de salários. Nesse caso, o “Fator R” atingiria exatamente 28% e a empresa poderia migrar para o Anexo III, com tributação menor. A alíquota do Simples seria de 13,5% e o gasto com impostos, depois de deduções, cairia para R$ 5.280 por mês.

A diferença entre fazer 100% das contratações no regime PJ e 100% no regime CLT geraria, nesse caso, uma economia de R$ 3.645 por mês no imposto do Simples. “Portanto, antes de fechar uma contratação, o cálculo na ponta do lápis deve envolver não só o RH mas também o planejamento tributário”, diz Milton Fontes, sócio do Peixoto & Cury Advogados.

Um ponto de atenção

A comparação ajuda a entender o contexto tributário, mas exige cautela. Os mesmos R$ 14 mil mensais permitem montar estruturas diferentes dependendo do modelo de contratação. E, embora a comparação tributária favoreça o regime CLT, esse modelo e o PJ não são equivalentes em custos, disponibilidade da equipe, flexibilidade operacional e risco jurídico.

No regime CLT, o valor total engloba o salário do profissional mas também encargos como FGTS, férias, 13º salário, INSS patronal e outros custos trabalhistas. O valor líquido recebido pelo funcionário é bem menor do que o desembolso total da empresa.

Já na contratação por PJ, os R$ 14 mil chegariam de forma muito mais direta ao prestador de serviço – e, por isso, talvez fosse possível contratar dois no lugar de um, por exemplo. Em compensação, a dinâmica da relação também muda: o escritório não pode exigir a subordinação típica de um vínculo de emprego, como controle de horário, exclusividade ou dedicação contínua.

Como melhorar o “Fator R” sem inchar a equipe?

Essa dinâmica tributária não é exclusividade de escritórios de arquitetura ou engenharia. Ela se aplica a muitas outras atividades sujeitas ao “Fator R” e descritas na resolução do Simples. Confira a lista completa aqui.

Segundo Fontes, para melhorar o “Fator R” e garantir o enquadramento em uma alíquota mais baixa, sem necessariamente inchar a equipe de funcionários, uma estratégia legítima é aumentar o pró-labore dos sócios, pois esse valor também entra na folha de pagamento.

Mas Fontes alerta que é preciso fazer contas: deve-se calcular o peso da contribuição ao INSS e do Imposto de Renda sobre o novo valor do pró-labore para garantir que o gasto com esses tributos na pessoa física seja menor do que a economia gerada no imposto da empresa.

O cenário que costuma fazer mais sentido, equilibrando imposto, margem e risco jurídico, segundo Fontes, é a adoção de um modelo híbrido. “O escritório deve manter a contratação CLT e o pró-labore suficientes para garantir o Fator R acima de 28%, utilizando profissionais PJ apenas para projetos específicos e parcerias técnicas genuínas”, afirma.

No Descomplica PJ, cobertura do InvestNews voltada para esclarecer dúvidas de empreendedores, você tem informação rápida e objetiva para tomar decisões com mais segurança e evitar erros que podem custar caro. Se é dono ou dona de empresa e tem dúvidas sobre tributação, envie sua pergunta para redacao@investnews.com.br.

BNDES tem lucro de R$ 3,1 bilhões no 1º trimestre, alta de 17%

12 de Maio de 2026, 20:23

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) teve lucro líquido 17% maior no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, a R$3,1 bilhões, afirmou a instituição de fomento nesta terça-feira.

O banco encerrou o período de janeiro a março com R$995 bilhões em ativos totais, com uma carteira de crédito 14% maior, a R$678,2 bilhões, segundo a instituição.

Enquanto isso, as participações societárias do banco somaram R$110,3 bilhões, crescimento de 27,7% “pela valorização dos investimentos em empresas não coligadas” sobre o final do ano passado, disse o banco.

Petrobras, JBS, Axia Energia e Copel seguem como principais empresas investidas pelo BNDES.

O banco afirmou que as aprovações de crédito somaram R$45,7 bilhões nos três primeiros meses do ano, aumento de 37% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Já os desembolsos do banco atingiram R$36,2 bilhões no trimestre, aumento de 44%.

Enquanto isso, as consultas de interessados em créditos do BNDES corresponderam a um volume de R$84,4 bilhões, uma expansão de 65% sobre o primeiro trimestre do ano passado.

O banco afirmou que para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) as aprovações de crédito no período somaram R$29 bilhões, o que representa um aumento de 120% em relação a um ano antes.

“O BNDES tem uma estratégia muito clara, que vem sendo implementada desde 2023, voltada para o crescimento regional, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, para que a gente possa diminuir a assimetria que ainda existe”, disse a diretora Maria Fernanda Coelho, durante entrevista a jornalistas.

Minerais críticos

Na entrevista, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, disse que o banco já recebeu 56 pedidos de financiamento a projetos de terras raras, no Brasil, perfazendo uma demanda total de R$50 bilhões.

Os projetos estão em análise pelo banco, que avalia a qualidade dos projetos, consistências e garantias, afirmou, no momento em que o banco está renovando sua carteira de participações societárias, deixando setores mais tradicionais para financiar áreas inovadoras e estratégicas.

“Se queremos negociar terras raras, ter parcerias e ter soberania, temos que ter capacidade de investimento e impulsionar esse segmento”, afirmou Mercadante, apontando que o Brasil tem a segunda maior reserva mundial desses minerais, atrás apenas da China.

Um projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e, agora, será apreciado pelo Senado. A proposta prevê incentivos para exploração, processamento e reciclagem de terras raras e outros minerais usados em tecnologias, baterias e equipamentos eletrônicos. O texto cria um fundo garantidor de R$ 2 bilhões e incentivos fiscais de até R$ 5 bilhões para o setor.

Cury (CURY3) apresenta lucro líquido de R$ 302,9 milhões no 1T26, alta de 42%

12 de Maio de 2026, 19:35

A Cury (CURY3), uma das maiores construtoras do Minha Casa Minha Vida, apresentou lucro líquido de R$ 302,9 milhões no primeiro trimestre de 2026, montante 41,9% maior do que no mesmo período de 2025.

A melhora no lucro decorre principalmente do ciclo de mais lançamentos e vendas de imóveis, com subida de preços e manutenção de custos sob controle. Essa equação ajudou a aumentar a receita e diluir despesas. No começo deste ano, os apartamentos foram vendidos a R$ 325,4 mil, em média, 5% mais na comparação com um ano antes.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 411,4 milhões, aumento de 42,9% na comparação anual. A margem Ebitda foi a 25,5%, subida de 1,8 de ponto porcentual (p.p.).

A receita operacional líquida somou R$ 1,613 bilhão, crescimento de 32,6%, e recorde para a empresa.

A linha de equivalência patrimonial (que apura os resultados oriundos de empreendimentos feitos em sociedade) gerou um ganho de R$ 2,3 milhões, o triplo na comparação anual.

A margem bruta atingiu a marca de 39,0%, estável na comparação anual. A margem bruta ajustada foi a 39,3%, aumento de 0,1 p.p. Já a margem que estima o resultado dos exercícios futuros foi a 42,9%, queda de 0,4 p.p.

As despesas gerais e administrativas somaram R$ 64,9 milhões, alta de 28,8%. Por sua vez, as despesas comerciais foram de R$ 119,1 milhões, avanço de 12,1%.

A Cury reportou ainda uma despesa de R$ 44,8 milhões na linha de ‘outros’, que foi 12,8% maior na comparação anual.

O resultado financeiro (saldo entre receitas e despesas de natureza financeiras) gerou despesa de R$ 10,7 milhões, valor 26,2% menor.

A companhia reportou geração de caixa de R$ 93,4 milhões, completando 28 trimestres consecutivos de geração de caixa operacional.

Assim, encerrou o trimestre com caixa líquido de R$ 406,9 milhões, 28,8% a mais que no último trimestre do ano passado.

Em sua apresentação de resultados, a direção da Cury afirmou que o começo do ano foi impulsionado pela demanda aquecida por imóveis combinada com a eficiência da empresa na produção das moradias. Como resultado, as vendas líquidas totalizaram 2,3 bilhões, volume recorde.

A construtora destacou que o segundo trimestre começou forte em vendas, já considerando os ajustes recentes no Minha Casa Minha Vida (MCMV), que aumentaram o poder de compra da população, bem como o público identificável pelo programa.

Governo adia medida que barra empréstimos rurais a áreas desmatadas

12 de Maio de 2026, 19:26

O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu, em reunião extraordinária nesta terça-feira (12), adiar a implementação de uma norma que proíbe a concessão de empréstimos rurais subsidiados a solicitantes com áreas desmatadas após julho de 2019.

Segundo a norma, os bancos seriam responsáveis ​​por verificar o cumprimento da exigência por meio de imagens de satélite, se estão de acordo com a legislação ambiental.

A norma havia entrado em vigor em abril para propriedades rurais com mais de quatro módulos fiscais. Agora, o prazo foi adiado para janeiro de 2027 para propriedades com mais de 15 módulos fiscais.

Para áreas entre quatro e 15 módulos fiscais, a exigência de verificação só entrará em vigor em julho do ano que vem, enquanto para propriedades menores, de até quatro módulos fiscais, a norma passará a vigorar em janeiro de 2028, em vez do prazo anterior de janeiro de 2027.

O adiamento aconteceu após o ministro da Agricultura, André de Paula, ter dito que prometera a produtores que trabalharia dentro do governo para que eles não fossem prejudicados injustamente, sem o direito de defesa, em caso de o sistema de verificação apontar algum falso positivo.

A postergação dos prazos acontece ainda pouco antes do anúncio do Plano Safra, o principal programa governamental de oferta de crédito, que inclui recursos com juros subsidiados pelo Tesouro.

Desenrola 2.0: como usar o FGTS no programa de amortização de dívidas lançado pelo governo

12 de Maio de 2026, 19:12

O Novo Desenrola Brasil chegou com o objetivo de ajudar o brasileiro a limpar o nome. Um dos principais diferenciais do programa é a oportunidade de utilizar o saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para saldar dívidas.

Para isso, no entanto, algumas regras precisam ser seguidas.

Podem participar do programa, também chamado de Desenrola 2.0, brasileiros com renda de até cinco salários-mínimos (R$ 8.105).

O uso do dinheiro é permitido para dívidas renegociadas a partir do Desenrola, contratadas até 31 de janeiro de 2026 e com atraso entre 90 dias e dois anos.

Por sua vez, O saldo pode estar disponível tanto em uma conta ativa como inativa do FGTS. O trabalhador pode usufruir de 20% do saldo total ou até R$ 1.000, prevalecendo o maior valor.

Como realizar o resgate do FGTS

Antes de tudo o usuário deve acessar o aplicativo oficial do FGTS e verificar se tem saldo disponível.

No próprio aplicativo é preciso autorizar a consulta de dados pelas instituições participantes do Novo Desenrola Brasil.

No canal digital do banco escolhido, acesse a área de negociação.

O programa oferece descontos que variam de 30% a 90% sobre o valor total da dívida.

A taxa de juros é limitada a 1,99% ao mês.

O perfil do devedor vai ser analisado pelo banco, que estabelece um novo valor e as condições de pagamento da dívida.

A proposta será exibida na própria plataforma. Na hora de selecionar a forma de pagamento o usuário deve selecionar “Abatimento com FGTS”.

O banco consulta automaticamente o saldo e o valor permitido será movimentado dentro das regulações do programa.

Após a confirmação do usuário e do banco, o valor será transferido diretamente para a quitação do débito negociado.

Caso o valor não cubra o total da dívida, é possível completar com dinheiro da conta do devedor.

Condições

Quem aderir ao resgate do FGTS para amortizar suas dívidas terá o CPF monitorado e será impedido de realizar transferências para plataformas de apostas online (bets) por um período de até um ano.

Outro ponto de atenção é que o trabalhador que usar o FGTS para amortização de dívidas em atraso não terá acesso ao saque-aniversário até recuperar o valor utilizado na quitação.

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi

Governo anuncia fim da ‘taxa das blusinhas’; compras internacionais de até U$ 50 não pagarão imposto federal

12 de Maio de 2026, 19:11

O Governo Federal anunciou nesta terça-feira (12) o fim da cobrança do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada “taxa das blusinhas”.

De acordo com Rogério Ceron, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, a mudança passa a valer a partir desta quarta-feira (13), quando compras internacionais de até US$ 50 deixarão de pagar imposto de importação.

“Nós comunicamos que depois de três anos em que nós conseguimos praticamente eliminar, conseguimos combater o contrabando, regularizar o setor, nós podemos dar um passo adiante”, anunciou Ceron.

A alteração foi feita por meio de uma Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e será publicada no Diário Oficial da União.

Apesar do corte no tributo federal, ainda segue em vigor a taxação de 17% do imposto estadual ICMS sobre esses produtos.

‘Taxa das blusinhas’

A chamada “taxa das blusinhas” estava em vigor desde 2024, quando o governo aprovou a cobrança de um imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50.

Apesar do nome, a taxa valia para os mais diversos produtos, desde roupas e acessórios até produtos eletrônicos de lojas online.

Em ano eleitoral, o governo vinha sendo pressionado para reverter essa taxação agora.

A possibilidade da suspensão da taxa das blusinhas chegou a impactar varejistas nacionais na Bolsa em alguns momentos, com investidores prevendo uma maior pressão concorrencial no setor que já tem competição elevada.

De acordo com o ministro do Planejamento e Orçamento (MPO), Bruno Moretti, tanto a Medida Provisória, quanto a portaria do Ministério da Fazenda que zera as taxas federais seguem para publicação no Diário Oficial ainda nesta terça.

“O que importa mesmo é que são produtos de consumo popular. Os números mostram que a maior parte das compras é de pequeno valor. Então, o que o senhor [presidente Lula] está fazendo é retirar impostos federais do consumo popular, do consumo das pessoas mais pobres”, destacou Moretti.

Fim do alimento sabor chocolate? Quando começa a valer a nova lei que obriga clareza sobre percentual de cacau nas embalagens

12 de Maio de 2026, 18:41

A nova regra do setor de produção de alimentos é clara: todos os produtos da indústria de chocolates comercializados no Brasil deverão apresentar claramente na embalagem o percentual mínimo de cacau em sua composição.

A medida abrange todos os produtos que contêm cacau, independentemente de serem nacionais ou importados.

A Lei nº 15.404/2026 estabeleceu o prazo de um ano para a indústria se adaptar às novas exigências. Como a medida acaba de ser publicada no Diário Oficial da União, ela passará a vigorar plenamente a partir de maio de 2027.

A legislação também obriga que o informe da porcentagem da fruta deve seguir um formato específico. A informação deverá aparecer na parte da frente da embalagem, ocupando no mínimo 15% da área, com destaque suficiente para facilitar a leitura.

Pela nova lei, a figura do chocolate “meio amargo” deixa de existir. Apesar de ser vendido como um produto diferente do chocolate ao leite, ambos costumam ter a mesma proporção de cacau em sua composição.

Na prática, o objetivo da norma é evitar que o consumidor compre gato por lebre — ou “alimento sabor chocolate” no lugar de chocolate.

Isso porque, no decorrer dos últimos anos, diversas marcas passaram a anunciar que seus produtos eram feitos de cacau, mas, na realidade, eram majoritariamente compostos por outros ingredientes. A rotulagem como “sabor” chocolate também é outra estratégia considerada ludibriante.

O novo formato

A porcentagem do cacau deverá ser apresentada no formato “Contém X% de cacau”, de acordo com os seguintes percentuais:

  • Cacau em pó: mínimo de 10% de manteiga de cacau;
  • Chocolate em pó: mínimo de 32% de sólidos totais de cacau;
  • Chocolate ao leite: no mínimo 25% de sólidos totais de cacau e 14% de sólidos totais de leite ou derivados;
  • Chocolate branco: no mínimo 20% de manteiga de cacau e 14% de sólidos totais de leite.
  • Achocolatado ou cobertura: mínimo de 15% de sólidos de cacau ou 15% de manteiga de cacau.

Todas as composições diferentes dessas explicitadas na lei não poderão ser consideradas chocolate.

A lei também proíbe artimanhas que possam induzir o consumidor ao erro, como utilizar imagens, cores ou expressões o famoso “sabor chocolate” em produtos que não seguem aos critérios para serem considerados chocolates.

O que é chocolate?

Para entender o sentido dessa nova regulamentação, é preciso saber mais sobre a lógica por trás da composição dos chocolates e como o cacau é produzido.

Após a colheita do cacau, a fruta passa por um processo industrial de separação entre a massa e a manteiga. É nesse momento também que o cacau em pó é produzido.

Com isso esclarecido, para um produto ser de fato chocolate, a lei obriga que ele deve conter no mínimo 35% de cacau (massa e manteiga). Dessa porcentagem, no mínimo 18% devem ser da manteiga de cacau e no máximo 5% de outras gorduras vegetais.

Antes na norma, além de que não possuía regras específicas para cada tipo de produto, era preciso o mínimo de 25% de cacau para ser considerado chocolate.

Ela também cria a nomenclatura de chocolate doce, abrangendo chocolates ao leite, branco e achocolatado. O critério é possuir 25% de cacau, sendo pelo menos 18% de manteiga.

Marcas que tiverem produtos com percentual de cacau menor do que os exigidos terão que mudar as comunicações para chamá-los de achocolatados, chocolates fantasia, chocolates compostos, coberturas sabor chocolate ou coberturas sabor chocolate branco.

Ainda assim, há a exigência de pelo menos 15% de cacau nesses produtos, seja com massa ou manteiga.

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PagBank (PAGS34): Lucro sobe 4% e chega a R$ 575 mi no 1T26, abaixo do esperado

12 de Maio de 2026, 18:34

O banco digital PagBank (PAGS34) teve lucro líquido recorrente de R$ 575 milhões no primeiro trimestre, avanço de 4% na comparação com o mesmo período de 2025, segundo balanço divulgado nesta terça-feira.

Analistas, em média, esperavam lucro líquido de R$580 milhões para o banco do grupo UOL, segundo dados da LSEG.

A receita líquida somou R$ 3,3 bilhões no primeiro trimestre, representando um ganho de 6% na comparação anual, tendo como impulso a aceleração da plataforma de banking, disse a empresa.

Já o indicador de rentabilidade ROAE do PagBank avançou para 15,8%, subindo 80 pontos básicos em relação ao ano anterior.

O banco encerrou o trimestre com uma base de 34 milhões de clientes, número 6% maior que o visto ano passado. Por conta disso, o volume de cash-in, que soma as entradas de recursos nas contas digitais em adição ao volume na adquirência, totalizou R$ 81 bilhões no período, alta de 11% no ano.

Os depósitos somaram R$ 42 bilhões, avanço de 23% na base anual. A carteira de crédito ficou em R$ 5 bilhões, o que representa um aumento de 36% ano a ano, informou a instituição financeira. O aumento percentual supera levemente o guidance de expansão da carteira que a companhia tinha projetado para o ano, de 25% a 35%.

“Sabemos navegar em ambientes com alto grau de instabilidade e incerteza”, disse Gustavo Sechin, diretor financeiro do PagBank, em entrevista coletiva com jornalistas, comentando os números da instituição em meio ao atual cenário macroeconômico doméstico.

Nesse contexto, o banco elevou sua perspectiva para o nível em que a taxa Selic estará no final do ano. “Estamos olhando para um número provavelmente mais próximo de 13,50%”, disse Carlos Maud, CEO do PagBank.

Desenrola

Ainda avaliando o cenário macroeconômico, a instituição financeira vê como positivo o Novo Desenrola lançado pelo governo federal para renegociação de dívidas, mas não enxerga grandes impactos positivos ou negativos na empresa.

“Vemos com bons olhos, até porque estamos com quase toda a população economicamente ativa com algum tipo de apontamento negativo de crédito, e o crédito para o Brasil é muito relevante para impulsionar o consumo. Mas, para nós, ele (Desenrola) tem baixa relevância, até porque o nosso portfólio é pequeno”, destacou o CEO. “O Desenrola 1 pegou um pedaço maior que o Desenrola 2 para a gente.”

No início do mês, o governo lançou o Novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas para famílias, micro e pequenas empresas e agricultores familiares, prevendo utilizar até R$ 15 bilhões em garantias da União para viabilizar juros mais baixos aos devedores, com um impacto fiscal de até R$ 5 bilhões.

O PagBank também vê pouco impacto das altas taxas da inadimplência no país em seu negócio.

“Esses grandes movimentos de inadimplência são menos importantes para gente porque ainda estamos muito no começo da nossa jornada aqui. O elemento macroeconômico ainda não tem poder de pressionar o nosso portfólio, dado que a gente tem R$5 bilhões de carteira de crédito”, destacou o CEO.

Em fevereiro, o Banco Central informou que a taxa de inadimplência em recursos livres aumentou para 5,5%, de 5,3% em janeiro, marcando o nível mais alto desde agosto de 2017. Em 12 meses, o indicador subiu 1,0 ponto percentual.

JBS (JBSS32): Lucro cai 55,8% no 1T26 com desafios nos EUA apesar de avanço em bovinos no Brasil

12 de Maio de 2026, 18:31

A JBS (JBSS32), maior produtora global de carnes, relatou nesta terça-feira (12) uma queda de 55,8% no lucro líquido para US$ 221 milhões, com a força das operações brasileiras não sendo suficientes para compensar margens negativas da unidade norte-americana de proteína bovina, a maior do grupo.

Os destaques positivos ficaram por conta da JBS Brasil, apoiada pela forte demanda global por carne bovina, e da unidade brasileira Seara, de processados e carnes suína e de aves, que teve desempenho consistente nos mercados locais e internacionais, disse a empresa.

O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado somou US$1,13 bilhão, queda de 26% ante o mesmo período do ano passado, enquanto a receita líquida avançou 11% na mesma comparação, para US$21,61 bilhões.

A unidade de carne bovina da América do Norte, que respondeu por cerca de um terço da receita da companhia no período, registrou Ebitda ajustado negativo em US$267 milhões, uma piora em relação ao mesmo período do ano passado (US$100 milhões negativos), enquanto as margens foram negativas em 3,7%.

Ainda na América do Norte, uma parada programada de cerca de duas semanas em três fábricas da Pilgrim’s Pride, para obras de ampliação e mudança de “mix” de produtos de frango, afetou o resultado da unidade, segundo a companhia.

Escritório de arquitetura ou engenharia: é melhor ter funcionários CLT ou contratar PJs?

12 de Maio de 2026, 18:18

Para um pequeno escritório de arquitetura ou engenharia, a lógica de contratação de mão de obra parece óbvia. Em empresas que tocam projetos com começo, meio e fim, a ideia de ter o mínimo possível de funcionários CLT e contratar profissionais PJ conforme a demanda parece a opção mais vantajosa.

Mas a conta não fica só no custo operacional. Para empresas enquadradas no Simples Nacional, a escolha entre contratar CLTs, fechar parcerias com outras PJs ou recrutar freelancers afeta diretamente a carga tributária, a margem de lucro e os riscos jurídicos do negócio.

Afinal, o que é melhor: contar com funcionários CLT ou contratar outras pessoas jurídicas na hora de executar os projetos? A verdade é que cada caso exige fazer contas – mas, do ponto de vista tributário, ter uma folha fixa mais alta pode não ser um problema.

O ‘lado bom’ de uma folha alta

Via de regra, escritórios de arquitetura e engenharia têm a tributação mais cara do Simples. Eles são enquadrados no chamado Anexo V, com alíquota inicial de 15,5% sobre o faturamento.

Isso vale para quem tem receita pequena, de até R$ 180 mil por ano.

Quando o faturamento aumenta, as alíquotas crescem também – e rápido. Se seu escritório fatura R$ 200 mil por ano, já entra na faixa de 18%. E assim vai até o teto, de 30,5%, para aqueles com receita de R$ 3,6 milhões a R$ 4,8 milhões.

A boa notícia é que a legislação abre uma brecha para que esse tipo de empresa migre para o Anexo III do Simples, em que as alíquotas começam em 6% – bem mais palatáveis. Isso é possível quando o gasto com a folha de pagamento é alto em comparação com o faturamento da empresa.

Mas alto quanto? Entra aí o “Fator R”, um indicador que mede essa relação. Pela fórmula, basta dividir o valor da folha da empresa nos últimos 12 meses pela receita bruta no mesmo período. Já explicamos o funcionamento do indicador em detalhes nesta reportagem do Descomplica PJ.

Na folha entram os salários dos funcionários CLT, o pró-labore dos sócios e os encargos trabalhistas, como FGTS e INSS. Se o “Fator R” der 0,28 (28%) ou mais, o escritório pode migrar para o Anexo III e pagar um imposto mais baixo. Se ficar abaixo, precisa permanecer no Anexo V, com tributação mais alta.

Pagamentos a PJs ou freelancers não entram na conta. Portanto, se sua empresa só contrata dessa forma, o gasto com a folha fica baixo e ela não pode pleitear uma tributação menor.

Há também o risco jurídico, considerado grave. Se a contratação da PJ mascarar uma relação de emprego – em que existe subordinação, exigência de pessoalidade e dependência econômica -, o escritório fica exposto a potenciais processos trabalhistas.

Em resumo sobre as diferentes modalidades:

  • Funcionário CLT: Embora gere mais custos diretos de contratação (com FGTS, férias, 13º salário, entre outros), essa despesa compõe a massa salarial. Na prática, ter funcionários no regime CLT ajuda a estabilizar o Fator R em 28%, e isso permite migrar para alíquotas mais baixas no Simples.
  • PJ parceira: Esse regime não influencia o “Fator R”, pois os pagamentos são considerados serviços prestados por terceiros e entram apenas como despesa operacional da empresa, não gasto com folha.
  • Freelancer pessoa física: Neste caso, além de não contar para o “Fator R”, o escritório ainda é obrigado a recolher 20% de INSS patronal sobre o valor pago ao profissional.

A diferença de custo em um exemplo

Nada melhor que um exemplo para entender o impacto real do “Fator R”. Imagine um escritório de arquitetura ou engenharia com faturamento mensal de R$ 50 mil (R$ 600 mil ano) , com custo fixo de R$ 14 mil por mês com equipe.

No primeiro cenário, o escritório só contrata PJs para executar os projetos – ou seja, os R$ 14 mil mensais entram como despesas operacionais e não compõem a folha de pagamento. Como o “Fator R” não alcança 28%, o escritório se mantém no Anexo V.

Com isso, a empresa cairia na alíquota de 19,5% do Simples. Descontando deduções possíveis, seu gasto com impostos seria de R$ 8.925 por mês.

No segundo cenário, o escritório contrata funcionários no regime CLT e gasta os mesmos R$ 14 mil por mês com a folha de salários. Nesse caso, o “Fator R” atingiria exatamente 28% e a empresa poderia migrar para o Anexo III, com tributação menor. A alíquota do Simples seria de 13,5% e o gasto com impostos, depois de deduções, cairia para R$ 5.280 por mês.

A diferença entre fazer 100% das contratações no regime PJ e 100% no regime CLT geraria, nesse caso, uma economia de R$ 3.645 por mês no imposto do Simples. “Portanto, antes de fechar uma contratação, o cálculo na ponta do lápis deve envolver não só o RH mas também o planejamento tributário”, diz Milton Fontes, sócio do Peixoto & Cury Advogados.

Um ponto de atenção

A comparação ajuda a entender o contexto tributário, mas exige cautela. Os mesmos R$ 14 mil mensais permitem montar estruturas diferentes dependendo do modelo de contratação. E, embora a comparação tributária favoreça o regime CLT, esse modelo e o PJ não são equivalentes em custos, disponibilidade da equipe, flexibilidade operacional e risco jurídico.

No regime CLT, o valor total engloba o salário do profissional mas também encargos como FGTS, férias, 13º salário, INSS patronal e outros custos trabalhistas. O valor líquido recebido pelo funcionário é bem menor do que o desembolso total da empresa.

Já na contratação por PJ, os R$ 14 mil chegariam de forma muito mais direta ao prestador de serviço – e, por isso, talvez fosse possível contratar dois no lugar de um, por exemplo. Em compensação, a dinâmica da relação também muda: o escritório não pode exigir a subordinação típica de um vínculo de emprego, como controle de horário, exclusividade ou dedicação contínua.

Como melhorar o “Fator R” sem inchar a equipe?

Essa dinâmica tributária não é exclusividade de escritórios de arquitetura ou engenharia. Ela se aplica a muitas outras atividades sujeitas ao “Fator R” e descritas na resolução do Simples. Confira a lista completa aqui.

Segundo Fontes, para melhorar o “Fator R” e garantir o enquadramento em uma alíquota mais baixa, sem necessariamente inchar a equipe de funcionários, uma estratégia legítima é aumentar o pró-labore dos sócios, pois esse valor também entra na folha de pagamento.

Mas Fontes alerta que é preciso fazer contas: deve-se calcular o peso da contribuição ao INSS e do Imposto de Renda sobre o novo valor do pró-labore para garantir que o gasto com esses tributos na pessoa física seja menor do que a economia gerada no imposto da empresa.

O cenário que costuma fazer mais sentido, equilibrando imposto, margem e risco jurídico, segundo Fontes, é a adoção de um modelo híbrido. “O escritório deve manter a contratação CLT e o pró-labore suficientes para garantir o Fator R acima de 28%, utilizando profissionais PJ apenas para projetos específicos e parcerias técnicas genuínas”, afirma.

No Descomplica PJ, cobertura do InvestNews voltada para esclarecer dúvidas de empreendedores, você tem informação rápida e objetiva para tomar decisões com mais segurança e evitar erros que podem custar caro. Se é dono ou dona de empresa e tem dúvidas sobre tributação, envie sua pergunta para redacao@investnews.com.br.

Trump diz que inflação é ‘de curto prazo’ e que não pensa na situação financeira dos americanos

12 de Maio de 2026, 18:05

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira, 12, que a alta da inflação no país será de “curto prazo”, alegando que suas políticas estão funcionando mesmo em meio à guerra com o Irã.

“Eu não penso na situação financeira dos americanos”, afirmou, fora da Casa Branca, antes de partir para sua viagem à China. “Eu não penso nisso. Eu penso em uma coisa: não podemos deixar o Irã ter uma arma nuclear.”

O republicano enfatizou que a inflação durante seu mandato está menor do que na época do ex-presidente Joe Biden e frisou que os preços do petróleo vão cair e ações subirão ainda mais com o fim do conflito.

“O mais importante, independentemente de o nosso mercado de ações – que, aliás, está em alta histórica – subir ou descer um pouco é que o Irã não pode ter uma arma nuclear” disse.

Ainda sobre a política externa, o presidente dos EUA comentou que garantirá a libertação de todos os presos políticos na Venezuela e que falará sobre Cuba “na hora certa”, chamando a ilha caribenha de “falida”.

Trump também confirmou que Dr. Marty Makary está fora do cargo de comissário da Agência de Controle de Alimentos e Medicamentos (FDA, em inglês).

Seu mandato, segundo a CNBC, foi marcado por disfunções internas e turbulências na liderança, juntamente com uma crescente reação negativa de fabricantes de medicamentos, médicos e grupos de pacientes sobre decisões regulatórias.

‘Esta administração da Petrobras não gosta de vender, só de comprar’, diz Magda Chambriard

12 de Maio de 2026, 18:05

A presidente da Petrobras (PETR3, PETR4), Magda Chambriard, afirmou nesta terça-feira (12) que a atual administração da companhia mantém uma política contrária à anterior, que vendeu inúmeros ativos.

Segundo a executiva, a estatal deve não só manter participações em ativos e empresas, como a Braskem, mas também fazer novas aquisições.

“Esta administração da Petrobras não gosta de vender, só de comprar”, disse a jornalistas nesta tarde.

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Segundo a executiva, a petroleira deixou “de lado” a Braskem nos últimos anos e agora o objetivo é retomar a atuação no setor petroquímico, amplamente relacionado à indústria de petróleo.

“Houve todo um esforço da nossa parte nos dois últimos anos para olhar essa parceria com outros olhos e para resolver um problema societário que se arrastava há muito tempo”, disse.

Ela reforçou, entretanto, que a Petrobras atuará tão somente como sócia da gigante petroquímica. “Temos 46% das ações com direito a voto da Braskem, uma participação acionária bastante relevante. Quanto ao resto, diz respeito à administração da própria Braskem.”

Leia mais: Petrobras tem lucro líquido de R$ 32,7 bi no 1º tri e anuncia dividendos de R$ 9 bi

Mais cedo, Chambriard esclareceu que sua visita recente ao México tinha como objetivo principal conversar com a presidente do país, Claudia Sheinbaum, sobre a oportunidade de uma parceria com a petroleira Pemex para explorar a área mexicana do Golfo do México.

“Quando olhamos para o Golfo do México, a [área] americana é altamente desenvolvida, mas a porção mexicana ainda é pouco desenvolvida. Isso ocorre em um ambiente de águas profundas, que inclusive é o nicho de atuação da Petrobras.”

Ela acrescentou que a companhia brasileira busca novos mercados, incluindo África e “muito provavelmente Venezuela”.

“Estamos em busca de novas incorporações futuras de reservas de óleo e gás. Uma parceria com a Pemex seria vantajosa para nós avaliarmos futuras possibilidades de exploração”, destacou.

Sobre a atuação na Venezuela, Chambriard afirmou que as regras para atuar no país vizinho vêm mudando, e que neste momento a companhia está tentando entender a nova legislação.

“Há uma lista de empresas vetadas [para atuar na Venezuela], dentre as quais as brasileiras não se enquadram, então estamos estudando a área”, disse.

Ela observou que, por volta de 2023, a Petrobras estudou o país vizinho. “Temos um juízo de valor sobre os ativos venezuelanos. O próximo passo é entender essa legislação e de que forma poderíamos atuar no país de forma consistente, que seja bom para a Petrobras, o Brasil e a Venezuela.”

Conflito no Oriente Médio

Chambriard voltou a dizer que a governança da companhia evita repassar o “nervosismo” dos preços internacionais do petróleo, em meio à guerra no Irã, para o consumidor brasileiro, embora a estatal “siga a lógica do mercado e os preços do mercado internacional”.

Ela lembrou que em apenas 12 dias após o início da guerra, o governo federal lançou uma subvenção em relação ao preço do diesel, com expectativa próxima de subvenção para a importação inclusive de forma retroativa.

No caso da gasolina, a executiva ressaltou que, no Brasil, há uma competição com o etanol, inclusive com a queda dos preços do combustível da cana de açúcar nos últimos tempos.

“Estamos tratando [internamente] sobre o aumento da gasolina, mas sempre de olho no market share e na evolução do etanol”, explicou.

O diretor financeiro e de relacionamento com investidores da Petrobras, Fernando Melgarejo, disse que, para este ano, o alvo da companhia continua sendo US$ 59 para o preço de equilíbrio (breakeven) do petróleo bruto.

“No ano passado, rodamos na ordem de US$ 89 de breakeven. Até 2030, miramos US$ 48 a US$ 50, independentemente do que vier pela frente em questão de preço”, disse.

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© Lucas Landau

Presidente da Petrobras, Magda Chambriard: "Estamos em busca de novas incorporações". (Foto: Lucas Landau/Bloomberg)

Ibovespa recua aos 180 mil pontos com IPCA e queda da Petrobras (PETR4); dólar fecha a R$ 4,89

12 de Maio de 2026, 17:27

O Ibovespa (IBOV) encerrou a terça-feira (12) em queda, pela segunda sessão consecutiva, após os dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos

Os investidores acompanharam ainda o recuo da Petrobras após o balanço do primeiro trimestre de 2026 e a continuidade na escalada de tensões entre Irã e EUA.

Hoje, o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações em baixa de 0,86%, aos 180.342,33 pontos.

Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 4,8954, com ligeira alta de 0,08%.

Por aqui, o mercado acompanhou os dados da inflação de abril, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que foi a maior para o mês desde 2022.

O IPCA registrou alta de 0,67%, o que representa desaceleração após avanço de 0,88% em março. O resultado veio em linha com a mediana da pesquisa Projeções Broadcast.

No acumulado em 12 meses, a inflação acelerou de 4,14% em março para 4,39% em abril, ficando próximo do teto da meta inflacionária de 4,5% do Banco Central (BC).

Na avaliação da economista Claudia Moreno, do C6 Bank, as medidas do governo – como subsídios e redução de impostos – devem mitigar parte dos efeitos da alta do petróleo sobre a inflação brasileira no curto prazo. Ainda assim, ela afirma que combustíveis e alimentos já podem estar sendo impactados pelo conflito no Oriente Médio.

Além disso, “o mercado de trabalho aquecido junto com a perspectiva de desvalorização do real deve fazer com que os preços voltem a acelerar no segundo semestre”, diz Moreno. A projeção do C6 para o IPCA  de 2026 é de 4,8%, acima do intervalo de tolerância da meta, de 4,5%.

Altas e quedas do Ibovespa

No sentido contrário da véspera, a Petrobras (PETR3;PETR4) recuou após o balanço do primeiro trimestre e os dividendos virem abaixo do esperado pelo mercado, contrariando a alta do petróleo. PETR4 tombou 1,62% (R$ 45,68), enquanto PETR3 caiu 0,85% (R$ 50,38).

Segundo o time do Itaú BBA, liderado por Monique Martins Greco, o avanço do Brent ao longo de março “não foi totalmente refletido no trimestre”, já que existe uma defasagem entre o embarque do petróleo e o reconhecimento da receita na transferência de propriedade das cargas exportadas.

“Embora a frustração possa gerar pressão de curto prazo, a combinação de preços mais altos do petróleo e a realização das exportações em trânsito deve reverter esse efeito temporário, preparando um segundo trimestre mais forte”, escreveram os analistas.

Por outro lado, Vale (VALE3) conseguiu se recuperar no fim do pregão e subiu 0,37% (R$ 83,76), destoando da queda de 0,98% do minério de ferro, cotado a 812,5 yuans (US$ 119,57) a tonelada na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China. O avanço ocorreu após a mineradora divulgar suas projeções para 2026 e 2027.

Para o Safra, os números são positivos uma vez que o aumento na sensbilidade do fluxo de caixa livre das Soluções de Minério de Ferro não estava no cenário base do banco.

Adicionalmente, o banco avalia que isso ajuda a aliviar as preocupações do mercado em relação à perda de rentabilidade decorrente dos custos de caixa e do frete desde o início do conflito, algo que aparentemente pressionou as ações após o balanço do primeiro trimestre de 2026 (1T26).

A ponta negativa do índice foi encabeçada pela Natura (NATU3), que recuou 5,62%, a R$ 9,91, após o resultado do 1T26 ser considerado fraco pelos analistas do mercado.

Já a ponta positiva foi liderada pela Braskem (BRKM5), que disparou 29,02%, a R$ 11,87, depois de o JP Morgan realizar dupla elevação do papel. A recomendação passou de neutro para compra e o banco também subiu o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 15, com potencial de valorização de 63% ante o fechamento anterior (11).

Segundo o JP, a elevação do papel reflete a melhora nos fundamentos de mercado, oferta mais restrita e fortalecimento da governança após a reestruturação.

Exterior

Os índices de Wall Street fecharam sem direção única com a inflação pressionada, alta dos preços do petróleo e queda das ações de tecnologia.

No front econômico, o índice de preços ao consumidor (CPI, em inglês) dos EUA aumentou 0,6% em abril, depois de ter subido 0,9% em março, informou o Escritório de Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho nesta terça-feira. Economistas consultados pela Reuters previam alta de 0,6%, com as estimativas variando de 0,4% a 0,9%.

Mas nos 12 meses até abril, os preços ao consumidor avançaram 3,8%. Esse foi o maior aumento anual desde maio de 2023 e seguiu-se à alta de 3,3% em março, o que reforçou ainda mais as expectativas de que o Federal Reserve deve deixar a taxa de juros dos Estados Unidos inalterada por algum tempo.

Diante da recente escalada de tensões no Oriente Médio, o parlamentar iraniano Ebrahim Rezaei disse nesta terça-feira que o país pode enriquecer urânio a até 90% de pureza, um nível considerado grau de armamento, se o Irã for atacado novamente.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: +0,11%, aos 49.760,56 pontos;
  • S&P 500: -0,16%, aos 7.400,97 pontos;
  • Nasdaq: -0,71%, aos 26.088,203 pontos.

Na Europa, os índices fecharam em forte queda com a tensão geopolítica e crise política no Reino Unido. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou as negociações com recuo de 1,01%, aos 606,63 pontos.

Na Ásia, os principais índices encerram majoritariamente negativos. O índice de Nikkei, do Japão, encerrou com avanço de 0,52%, 62.742,57 pontos. Já o índice Hang Seng, de Hong Kong, recuou 0,22%, aos 26.347,91 pontos.

Brasil é excluído da lista da União Europeia para venda de carnes para o bloco

12 de Maio de 2026, 17:17

O Brasil não consta da lista de países autorizados a fornecer produtos de origem animal à União Europeia, o que representa um risco comercial para o maior exportador mundial de carne bovina.

A União Europeia publicou na terça-feira (12) uma versão atualizada da lista de países que cumprem suas normas contra o uso excessivo de antimicrobianos em animais destinados à produção de alimentos. O Brasil não foi incluído.

A lista destina-se atualmente a fins informativos e não tem efeitos legais. No entanto, será “formalmente adotada” nos próximos dias, afirmou a Comissão Europeia em comunicado em seu site, acrescentando que as regras sobre importações entrarão em vigor a partir de 3 de setembro.

“De acordo com as normas da UE, o uso de antimicrobianos em animais de criação para fins de crescimento ou produção não é permitido, nem os animais podem ser tratados com antimicrobianos reservados para infecções humanas”, afirmou a Comissão Europeia.

O Ministério da Agricultura do Brasil e a Comissão Europeia não responderam de imediato ao pedido de comentários.

A União Europeia e o Brasil são importantes parceiros comerciais. No entanto, as exportações de carne bovina para o bloco representaram apenas 4% do total das exportações brasileiras de carne bovina no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do Ministério da Agricultura.

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‘Adoção de IA não é opcional’, diz CEO da Red Hat, empresa da IBM que fatura US$ 7 bi

12 de Maio de 2026, 16:52

A inteligência artificial já não pode ser entendida como uma opção nem pode ser ignorada pelas empresas que querem não apenas avançar como permanecer relevantes em seus mercados.

Essa é a síntese do discurso de abertura de Matt Hicks, presidente e CEO da Red Hat, empresa adquirida pela IBM em 2019 por US$ 33 bilhões.

Especializada em soluções de software open source corporativo, com foco em infraestrutura de nuvem híbrida - como Azure, da Microsoft, AWS, Oracle, Google e IBM –, automação, virtualização e inteligência artificial, a Red Hat opera uma tecnologia “invisível”, no back office da transformação digital das companhias.

Em 2025, a empresa fechou com receita anual de US$ 7,3 bilhões, alta de 12,9% em relação ao ano de 2024.

No Brasil, a Red Hat é fornecedora de uma das soluções por trás do Pix que permite a transmissão de dados de forma distribuída e sem a necessidade de uma grande estrutura de gerenciamento.

“A IA não é opcional a esta altura, quer ela te traga energia, quer crie uma incerteza real. E eu acho que, para muitos de nós, é uma combinação, uma mistura de ambos. Ela não pode ser ignorada”, afirmou o executivo na abertura do Red Hat Summit, evento que acontece em Atlanta, nos Estados Unidos.

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O executivo defendeu, porém, que não existe um único caminho e que é comum, num período de acelerada transformação, os diferentes estágios de adoção e também as dúvidas, entre o que é hype, o exagero do mercado, e o que pode gerar oportunidades de fato.

“O que recomendaria cautela são os extremos: ou mover-se tão lentamente que, quando você começar, nunca conseguirá alcançar os outros. Ou mover-se tão rápido e construir uma fundação sobre uma uma base que não permita que a companhia lide com o que virá”, disse. “Porque eu lhe garanto: algo novo virá a seguir neste ambiente de transformação.”

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Para ir além do discurso, o CEO compartilhou a experiência interna da empresa. A companhia implementou a IA generativa no canal de suporte “Ask Red Hat”, evoluindo de chatbots para sistemas agênticos de pesquisa profunda e com economia de milhões de dólares por ano atualmente.

O CEO revelou que o projeto começou com os chamados “frontier models” (modelos proprietários de ponta) e avançou otimizando o sistema camada por camada.

Hoje, 85% das chamadas do sistema de pesquisa da Red Hat rodam em modelos de código aberto e pesos abertos (open weights) - como Nemotron Super, Nemotron Nano e IBM Granite) em infraestrutura própria.

“O que nos surpreendeu foi que os resultados ficaram melhores. Quando você é dono do modelo e da infraestrutura, você pode otimizar de uma forma que um modelo de propósito geral nunca conseguiria”, afirmou Hicks, que está ampliando o uso a tecnologia em todas as áreas da companhia.

Assim como outros gigantes de tecnologia, como o Google Cloud, a Red Hat adota um discurso nesta edição do evento de que a era de experimentação e de pilotos ficou para trás. Os agentes de IA passaram de um conceito e de uma promessa em 2025 para uma realidade este ano.

Entre os principais lançamentos da edição, estão o Red Hat AI 3.4 e novas capacidades de IA agêntica. Com o produto, a companhia procura diminuir o gap entre pilotos de IA e a implantação em produção para escalar a automação em ambientes híbridos.

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O futuro do trabalho

As transformações atuais trazem consigo uma redefinição profunda das carreiras e das dinâmicas de liderança, com preocupações constantes sobre a substituição de profissionais, em especial após anúncios de demissões por gigantes de tecnologia como Meta e Microsoft.

Para Hicks, os profissionais não serão trocados por IA, mas o escopo do trabalho mudará drasticamente. Os desenvolvedores migrarão para a construção dos trilhos onde a IA corre, o que inclui a criação de novos sistemas de integração contínua e frameworks de teste capazes de manter a estabilidade em um ecossistema onde qualquer pessoa pode contribuir com código ou conhecimento.

A pressão por adaptação estende-se também aos gestores, que enfrentarão um teste rigoroso de sua capacidade de delegação.

Com os agentes de IA expandindo a capacidade das equipes, os líderes precisarão entender a tecnologia profundamente para decompor tarefas complexas e distribuí-las de forma eficiente entre humanos e máquinas. A eficácia dessa orquestração definirá quem terá sucesso no novo ambiente corporativo.

Além disso, a democratização do conhecimento atingiu um novo patamar, removendo barreiras para que colaboradores de áreas não técnicas, como jurídico, vendas e operações, contribuam diretamente com conteúdo e até código para sistemas agênticos.

“Quando unimos a IA e sua capacidade de ampliar o que podemos fazer com um sistema bem projetado, eu garanto que isso mudará o que vocês podem construir como empresa”, afirma o CEO.

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Natura corre contra o tempo para provar que o novo plano funciona e que o pior já passou

12 de Maio de 2026, 16:51

A Natura encerrou o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 445 milhões e reconhece que o período foi exatamente tão difícil quanto esperava. Apesar do tamanho do tombo, a gestão argumenta que a crise está controlada e que o pior ficou para trás.

“Um trimestre que aparece bastante misturado”, reconheceu o CEO João Paulo Ferreira em entrevista coletiva com jornalistas nesta terça-feira (12). “Algumas notícias mais negativas que merecem maior atenção e correção de rota, e outros já bastante mais promissoras.”

A receita líquida caiu 7,7% frente ao mesmo período de 2025, para R$ 4,7 bilhões. O Ebitda despencou 55,7% em base recorrente, para R$ 346 milhões — com margem de 7,3%, ante 15,2% um ano antes.

Parte relevante da queda veio de despesas não recorrentes com rescisões da reorganização em curso: R$ 221 milhões, o equivalente a 4,7 pontos percentuais de margem. Excluído esse efeito, a margem teria ficado perto de 12%.

Três feridas abertas ao mesmo tempo

O resultado negativo reflete problemas simultâneos que a Natura precisou gerir no trimestre.

O primeiro é a desaceleração do consumo no Brasil. O mercado de beleza esfriou, com impacto especialmente pronunciado no Nordeste, onde a penetração da venda direta é maior e a Natura tem exposição acima da média. Com famílias endividadas e juros elevados, o sell-in (venda para o varejo e consultoras) da marca Natura no Brasil caiu 3% no período.

O segundo é a Avon. A marca passou boa parte do trimestre com portfólio de inovação esvaziado, consequência deliberada do reposicionamento que antecedeu seu relançamento. Esse relançamento só ocorreu em meados de março, já no final do período.

Os primeiros produtos chegaram com vendas acima das expectativas, mas com representatividade ainda pequena dentro do total, segundo os executivos. A receita da Avon no Brasil caiu 13,8%.

O terceiro é a Argentina, onde a integração das operações de Natura e Avon — concluída no terceiro trimestre de 2025 — reduziu significativamente a base de consultoras e o canal de venda direta. A recuperação está sendo mais lenta do que a empresa planejou, e os desafios macroeconômicos e cambiais do país agravam o quadro. Na região hispana como um todo, a receita caiu 10,5%.

Reorganização e impacto no caixa

Enquanto administrava esse cenário adverso de receita, a Natura também acelerou sua própria reestruturação interna, anunciada em dezembro de 2025, com previsão de corte de 25% nos cargos administrativos. No primeiro trimestre, aproximadamente 75% dessas demissões já foram executadas, gerando despesas com rescisões de R$ 240 milhões.

Os efeitos aparecem no balanço. A dívida líquida subiu R$ 565 milhões, para R$ 4 bilhões, levando o índice de alavancagem a 2,11 vezes o Ebitda, acima da faixa de 1x a 1,5x que a empresa considera ideal. Além das rescisões, pesaram o pagamento de R$ 367 milhões referente ao acordo judicial Chapman e gastos remanescentes do processo de simplificação da antiga holding.

A CFO Silvia Vilas Boas enquadrou o movimento como normal para o período. “No nosso negócio, o primeiro semestre normalmente consome caixa e o segundo semestre gera caixa. Isso não compromete nosso compromisso de terminar o ano dentro da estrutura de capital ótima”, disse.

A justificativa central da gestão para o otimismo está no novo modelo operacional — uma estrutura mais enxuta, descentralizada e orientada a dados, construída para permitir reações mais rápidas às mudanças de mercado. Na prática, já teria permitido ajustes nos incentivos comerciais para consultoras no Brasil e mudanças no canal na Argentina.

O problema é que as economias ainda não apareceram nos números. As demissões foram feitas, mas os ganhos de eficiência começarão a ser capturados de forma expressiva apenas a partir do segundo trimestre. Para o segundo semestre, a promessa é de captura plena.

“Com as despesas agora sob controle, nosso foco está voltado ao crescimento sustentável das receitas”, disse Ferreira. Os compromissos públicos para 2026 incluem margem Ebitda superior aos 14,1% registrados no ano passado e geração de caixa acima do nível de 2025.

Sinais que sustentam o otimismo

Apesar do resultado negativo, há indicadores que a empresa usa para defender a narrativa de virada. No Brasil, o sell-out da Natura (as vendas ao consumidor final, medidas por instituto externo) cresceu acima do mercado no primeiro trimestre e mostrou recuperação sequencial no final do período, o que em tese antecede uma melhora no sell-in. O número de consultoras também voltou a crescer após queda de 4,2% no período.

A Avon trouxe sinais considerados encorajadores desde o relançamento: os indicadores de saúde de marca melhoraram e as primeiras linhas lançadas — perfumaria, batom e maquiagem temática — vieram acima das expectativas de vendas. Na região Hispana, excluindo a Argentina, os resultados foram positivos, com destaque para o México. O canal digital cresceu 23,6% no Brasil.

Para 2026, a Natura precisa demonstrar que consegue recuperar receita no Brasil e na Argentina enquanto colhe os ganhos da reorganização. O segundo trimestre será, nas palavras do próprio CEO, “um período de transição, com recuperação gradual da receita e riscos de execução ainda relevantes”.

A empresa promete que, a partir do segundo semestre, estará mais leve e pronta para crescer. Por enquanto, o mercado precisará confiar na palavra da gestão.

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Petrobras conclui primeira fase de data center de R$ 2,3 bilhões

12 de Maio de 2026, 16:09

A Elea Data Centers concluiu a primeira fase de um projeto de 2,3 bilhões de reais (US$ 470 milhões) para a petroleira estatal brasileira Petrobras, em meio à expansão da computação em nuvem na maior economia da América Latina.

A Elea venceu em setembro passado um contrato de 17 anos para construir um data center de aproximadamente 30 megawatts, destinado a abrigar supercomputadores que processam dados científicos das operações de petróleo e gás da Petrobras, afirmou Alessandro Lombardi, fundador e presidente da companhia.

“Já está em operação”, disse Lombardi em entrevista, acrescentando que a Petrobras está entre os cinco maiores clientes da empresa.

A Petrobras está apostando em computação em nuvem e inteligência artificial para otimizar operações e aprimorar a exploração, utilizando ferramentas de dados mais robustas para melhorar a tomada de decisão em seus complexos campos offshore no Brasil.

O projeto da Petrobras faz parte de um movimento mais amplo de digitalização no país, à medida que empresas e o governo buscam maior controle sobre seus dados — muitos dos quais hoje são processados nos Estados Unidos. A malha elétrica interconectada do Brasil e sua matriz energética baseada em fontes renováveis tornam o país um local atrativo para data centers.

Lombardi afirmou que a capacidade de data centers no Brasil cresce cerca de 30% ao ano e pode avançar ainda mais rapidamente caso o governo aprove medidas para reduzir tarifas de importação de equipamentos de computação.

A gestora de infraestrutura Squared Capital Advisors anunciou no mês passado a aquisição de uma participação controladora na Elea, comprada da Goldman Sachs. Segundo a empresa, o pipeline de projetos da Elea no Brasil exigirá mais de US$ 10 bilhões em capital.

Fundos de crédito privado têm resgates de mais de R$ 22 bilhões em abril diante de perdas

12 de Maio de 2026, 16:09

Depois de crises de grandes grupos como Raízen e GPA, que causaram perdas a investidores, fundos de crédito privado enfrentaram uma sangria de capital em abril.

Novos dados da Anbima – associação de entidades e empresas do mercado de capitais – confirmam o que dados prévios já mostravam: houve uma forte saída de recursos dos portfólios com títulos de renda fixa emitidos por empresas – CRIs, CRAs, debêntures.

Em uma das principais categorias, a de fundos com papéis com “duração livre”, ou seja, títulos de vencimentos variados, houve um resgate líquido de R$ 14,1 bilhões apenas em abril.

Em um recorte mais específico, a categoria de fundos com “duração livre grau de investimento”, que adquire apenas papéis com notas de crédito mais altas, registrou saídas de R$ 10,2 bilhões.

A saída líquida total foi de R$ 22,3 bilhões na soma das 8 categorias de fundos de crédito privado da Anbima – ou seja, os resgates ultrapassaram os depósitos.

Foi um movimento considerado natural dado o clima de perdas que se instaurou.

Não faltaram eventos que sacudiram o setor, afinal: as citadas recuperações extrajudiciais da Raízen, do GPA (Grupo Pão de Açúcar) e da Kora Saúde, mais o pedido de proteção contra credores na Justiça da Oncoclínicas e os sinais de uma esperada reestruturação de dívidas da Braskem.

Além das crises de crédito, o mercado enfrenta um movimento de reprecificação por causa dos efeitos da Guerra do Irã e da consequente escalada de preços do petróleo.

Com o aumento das pressões inflacionárias, os preços e as taxas de papéis de renda fixa prefixada e da atrelada à inflação têm passado por ajustes e enfrentado uma onda de vendas desde o início do conflito, no fim de fevereiro.

Retornos de menos da metade do CDI

Como os resgates dos fundos de crédito levam em torno de 30 dias para serem contabilizados no valor das cotas, os impactos desse movimento começaram a ser vistos em abril.

A queda no valor das cotas fica evidente na rentabilidade da categoria “Renda Fixa Crédito Livre e Duração Livre”, uma das classificações da Anbima com maior número de fundos de crédito privado. No mês passado, a média de retorno de portfólios desse tipo ficou em 45% do CDI.

Outra categoria, a “Renda Fixa Duração Alta Crédito Livre”, que concentra fundos com carteiras de crédito privado de longo prazo, amargou saídas liquidas de R$ 255,2 milhões em abril. O retorno médio também ficou significativamente abaixo do CDI, com rendimento por cota de 83% do referencial conservador.

Busca por posições conservadoras

Essa percepção de perda pode retroalimentar o movimento de saques.

Com isso, se fundos tiverem que vender mais ativos no mercado secundário para cobrir as saídas líquidas, podem ter de aceitar ainda mais descontos.

No mês passado, as duas únicas categorias de fundos de crédito privado que apresentaram captação líquida positiva foram a “Renda Fixa Duração Baixa Crédito Livre”, com entradas líquidas de R$ 8,2 bilhões, e a “Renda Fixa Duração Média Grau de Investimento”, com aportes de R$ 1,4 bilhão.

São fundos com características mais defensivas dentro da classe de crédito privado – títulos com vencimento mais curtos são menos voláteis.

Investidores precisam ter paciência

O momento de perdas em fundos de crédito privado pede resiliência ao investidor. No médio e no longo prazos, os efeitos da volatilidade se diluem. Desmontar a posição agora vai significar vender na baixa e tornar real o prejuízo que está no papel.

Com uma eventual melhora do quadro no futuro, o valor das cotas tende a se recompor e pode até superar o nível de preços em que o investidor entrou.

Quem tiver mais tolerância ao risco pode até aproveitar os momentos de quedas mais acentuadas para adquirir mais cotas, olhando para um horizonte de mais de um ano.

O carrego, ou seja, o ganho por manter os títulos na carteira no longo prazo, está favorável, com taxas de retorno historicamente altas.

Prazo da declaração anual do MEI acaba em 31 de maio; veja como isso afeta o IR 2026

12 de Maio de 2026, 15:53

Microempreendedores Individuais (MEIs) têm até 31 de maio para entregar a Declaração Anual Simplificada do Microempreendedor Individual (DASN-SIMEI), obrigação que informa à Receita Federal o faturamento bruto do CNPJ em 2025.

  • Apesar de ser uma declaração da empresa, a DASN-SIMEI também afeta o Imposto de Renda 2026 da pessoa física

Isso porque os valores informados pelo MEI são utilizados pela Receita Federal no cruzamento de dados do IRPF do titular.

A obrigação da DASN-SIMEI vale para todo MEI que teve CNPJ ativo em qualquer período de 2025, inclusive sem faturamento ou com empresa encerrada ao longo do ano.

  • A declaração é realizada exclusivamente de forma eletrônica e pode ser transmitida pelo Portal do Simples Nacional ou pelo aplicativo oficial do MEI.

Na prática, o envio da DASN-SIMEI não substitui a declaração do Imposto de Renda da pessoa física. 

O contribuinte ainda pode precisar entregar o IR 2026 caso se enquadre nas regras de obrigatoriedade da Receita Federal, como renda tributável acima do limite anual, posse de bens, investimentos ou outras fontes de renda.

O que é a DASN-SIMEI?

A DASN-SIMEI é a declaração anual obrigatória do Microempreendedor Individual. Nela, o MEI informa:

  • Faturamento bruto obtido no ano-calendário anterior;
  • Existência de empregado contratado;
  • Movimentação da empresa no período.

O contribuinte que é MEI é obrigado a entregar a DASN-SIMEI mesmo quando:

  • Não houve faturamento;
  • O MEI ficou sem movimentação;
  • O CNPJ foi encerrado ao longo do ano.

Nesse caso, a declaração pode ser enviada zerada.

No caso de encerramento do MEI, a Receita Federal determina que a declaração seja transmitida até o último dia do mês de baixa do CNPJ.

O que acontece se o MEI perder o prazo?

A entrega da declaração anual do MEI fora do prazo gera multa automática. Segundo a Receita:

  • A multa é de 2% ao mês de atraso sobre os tributos declarados;
  • O percentual é limitado a 20% do total devido;
  • O valor mínimo da penalidade é de R$ 50.

A cobrança é emitida automaticamente após a transmissão da declaração em atraso.

Além da multa, a ausência de entrega pode gerar irregularidade no CNPJ e dificultar emissão de certidões, financiamentos e acesso a serviços vinculados ao Simples Nacional.

Quando quem tem MEI precisa declarar o IR em 2026

A declaração do Imposto de Renda 2026 é obrigatória quando, em 2025, o contribuinte teve rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00.

No caso do MEI, a obrigatoriedade do IRPF é definida pela situação da pessoa física, e não apenas pelo resultado do CNPJ.  

  • Mesmo que o MEI não tenha apurado lucro, o contribuinte ainda precisa verificar se se enquadra em outras regras da Receita Federal.

O contribuinte que possui MEI pode continuar obrigado a declarar o IR 2026 se:

  • Tiver outros rendimentos tributáveis (salário, aluguel, etc.);
  • Possuir bens acima dos limites estabelecidos;
  • Se enquadrar em outras regras de obrigatoriedade.

Também existe uma obrigação que permanece independentemente de lucro: a entrega da DASN-SIMEI. Todo MEI com CNPJ ativo deve enviar essa declaração anual, mesmo sem faturamento, pois ela informa à Receita Federal a movimentação da empresa no período

O que é considerado Rendimento Tributável?

Rendimentos tributáveis são aqueles que entram na base de cálculo do Imposto de Renda da pessoa física. De forma geral, incluem:

No caso do MEI, apenas parte do lucro é considerado rendimento tributável. Isso acontece porque a legislação prevê uma parcela isenta, conforme a atividade exercida.

Como calcular o lucro do MEI para o IR 2026

Para saber se precisa declarar o Imposto de Renda 2026, o MEI deve calcular o lucro do negócio e identificar qual parte desse valor é considerada rendimento tributável.

O cálculo parte do faturamento bruto anual, passa pela dedução das despesas e considera a aplicação da parcela isenta conforme a atividade exercida. 

A fórmula abaixo resume como a conta deve ser feita:

Rendimento Tributável = (Faturamento Bruto – Despesas) – (Faturamento Bruto X Percentual de Isenção)

Na prática, o processo segue estas etapas:

  • Somar todo o faturamento bruto do ano (Pix, cartão, dinheiro e notas fiscais);
  • Aplicar o percentual de isenção conforme a atividade;
  • Levantar todas as despesas do negócio;
  • Subtrair as despesas do faturamento para encontrar o lucro;
  • Descontar a parcela isenta para chegar ao rendimento tributável.

Os percentuais de isenção são:

  • 8% da receita bruta: comércio, indústria e transporte de cargas;
  • 16% da receita bruta: transporte de passageiros;
  • 32% da receita bruta: prestação de serviços.

O valor final desse cálculo é o rendimento tributável que deve ser considerado no IRPF. É ele que define tanto a obrigatoriedade de declarar quanto a eventual incidência de imposto.

MEI que não teve lucro precisa declarar?

A obrigatoriedade de declarar o Imposto de Renda não depende apenas da existência de lucro no MEI.

Se, após os cálculos, o rendimento tributável ficar abaixo do limite de obrigatoriedade e não houver outras fontes de renda, o contribuinte pode ficar dispensado da entrega da declaração.

Por outro lado, se houver outros rendimentos tributáveis ou enquadramento em regras da Receita Federal, a entrega do IRPF pode continuar obrigatória.

Documentos necessários para declarar rendimento de MEI

Antes de enviar a declaração do Imposto de Renda 2026, é necessário reunir os principais documentos que comprovam receitas, despesas e patrimônio. Entre eles:

  • Dados pessoais e recibo da última declaração;
  • Informe de rendimentos (quando houver);
  • Registros de faturamento do MEI;
  • DASN-SIMEI;
  • Controle de despesas ou livro-caixa;
  • Comprovantes de despesas dedutíveis;
  • Extratos bancários;
  • Documentos de bens e direitos.

A organização dessas informações reduz inconsistências e facilita o preenchimento correto da declaração.

MEI e Imposto de Renda 2026: em qual campo da declaração entra o lucro

Na declaração do IRPF, o lucro do MEI deve ser informado em duas fichas diferentes:

  • Parcela isenta: “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, no item “Lucros e dividendos recebidos pelo titular”;
  • Parcela tributável: “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica”.

Os valores devem ser compatíveis com os dados informados na DASN-SIMEI, já que a Receita Federal realiza o cruzamento automático dessas informações.

SAIBA MAIS SOBRE IR 2026

Natura mira ganhos de eficiência e de share para enfrentar queda do consumo

12 de Maio de 2026, 15:52

A Natura (NATU3) reverteu lucro e registrou prejuízo de R$ 444,5 milhões no primeiro trimestre, para, em um cenário que a administração defendeu como “desafiador”.

Entre as razões para a baixa, está uma demora maior que a esperada em retomar o crescimento da marca Natura no Brasil. A marca enfrenta uma queda de consumo no país diante do aumento do endividamento das famílias.

“O consumo da categoria de beleza vinha de um momento muito exuberante há um ano atrás, e, como noticiamos em outras ocasiões, esse consumo freou e está crescendo muito pouco em volume. É algo que me preocupa”, afirmou João Paulo Ferreira, CEO da Natura, em coletiva com jornalistas nesta terça-feira (12) para comentar os resultados da varejista.

Sem crescimento de mercado garantido, a estratégia da Natura passa a depender de ganhos sobre os concorrentes.

“Se o mercado cresce pouco em volume, a gente precisa buscar espaços para ganhar mais da concorrência”, afirmou Ferreira, destacando que a companhia está mapeando categorias e regiões onde pode ser mais competitiva.

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O Nordeste aparece como uma das prioridades depois de aparecer como região de maior vulnerabilidade no trimestre, com queda no tamanho e na produtividade da rede de consultoras na região.

“O Nordeste é uma região muito importante para nós e precisamos adaptar nosso sortimento de produtos ao perfil do consumidor nordestino”, disse.

Entre os produtos, Ferreira mencionou o body splash como um exemplo de onde a companhia pode ganhar espaço. “[É uma opção] que vem se destacando possivelmente como uma reação ao poder de consumo mais limitado e ao desejo de consumir perfumaria”, afirmou.

Do lado das despesas, a Natura está mais perto de finalizar os custos de seu processo de reestruturação após a companhia abandonar a ambição global e reforçar o foco na América Latina – incluindo a fusão de estruturas administrativas da Natura e da Avon na região.

O processo de reestruturação foi o principal detrator do resultado da empresa no trimestre. A rentabilidade ficou em 7,3%, mas a CFO Sílvia Vilas Boas ressaltou que as despesas não recorrentes de 4,7 pontos percentuais distorcem o número. Sem os efeitos associados à reestruturação, o indicador teria sido de 12%.

Com 75% da reorganização já concluída – e a maior parte das rescisões contabilizadas no primeiro trimestre –, a expectativa da companhia é que os benefícios da reestruturação apareçam de forma mais expressiva a partir do segundo trimestre, com uma curva significativamente menor de custos não recorrentes.

A Natura aposta também na implementação do novo modelo operacional como estratégia de eficiência. “Decidimos antecipar a implementação do novo modelo para que estivéssemos com a estrutura mais leve para enfrentar o cenário macroeconômico”, afirmou a CFO a jornalistas.

“O balanço que nós vamos ter durante o ano é de muito controle de despesa, capturando os benefícios da reorganização, mas sem deixar de investir em alavancas que vão suportar essa retomada do crescimento”, disse.

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© Natura

Escritório Natura: marca enfrenta uma queda de consumo no Brasil diante do aumento do endividamento das famílias

SpaceX e Google estão em negociações para lançar data centers no espaço

12 de Maio de 2026, 15:14

O Google está em negociações com a SpaceX para um acordo de lançamento de foguetes, enquanto amplia seus próprios esforços para levar data centers orbitais ao espaço, segundo pessoas familiarizadas com as conversas.

Um eventual acordo colocaria as duas empresas em parceria em meio à corrida para desenvolver data centers em órbita — uma tecnologia ainda não comprovada, que o CEO da SpaceX, Elon Musk, já descreveu como a próxima fronteira de sua companhia aeroespacial.

O Google também mantém conversas com outras empresas de lançamento de foguetes, segundo uma das fontes.

A tecnologia especulativa tem sido um dos principais temas da SpaceX em sua apresentação a investidores antes da planejada abertura de capital no verão, que pode se tornar a maior IPO da história.

No ano passado, o Google anunciou planos próprios para lançar satélites protótipos até 2027 dentro da iniciativa Project Suncatcher. A empresa trabalha com a Planet Labs no desenvolvimento desses satélites.

“Vamos enviar pequenos racks de máquinas em satélites, testá-los e então começar a escalar a partir disso”, afirmou o CEO do Google, Sundar Pichai, em entrevista à Fox News em novembro. “Não tenho dúvidas de que, em uma década, veremos isso como uma forma mais comum de construir data centers.”

O Google foi um dos primeiros investidores da SpaceX e detém cerca de 6,1% da empresa, segundo um documento regulatório. O executivo Don Harrison, do Google, integra o conselho da SpaceX.

A SpaceX não respondeu a pedidos de comentário.

Líder global em lançamentos comerciais, a SpaceX se tornou praticamente inevitável para qualquer empresa que queira colocar satélites em órbita.

Na semana passada, a companhia anunciou um acordo para vender capacidade computacional terrestre à empresa de IA Anthropic. Como parte do acordo, a Anthropic demonstrou interesse em trabalhar com a SpaceX em data centers orbitais. No início deste ano, a SpaceX entrou com pedido junto a um regulador federal para lançar até 1 milhão de satélites ligados à sua estratégia de computação em órbita.

Executivos do setor veem a computação espacial como uma solução para as limitações dos data centers terrestres, que exigem grandes áreas de terra e alto consumo de energia. No espaço, esses sistemas poderiam operar com energia solar, eliminando restrições energéticas e parte dos impactos ambientais. Ainda assim, especialistas apontam desafios de engenharia relevantes que levantam dúvidas sobre a viabilidade da tecnologia.

A SpaceX construiu sua posição como principal empresa privada de lançamentos do mundo, levando astronautas da NASA à Estação Espacial Internacional e lançando milhares de satélites da Starlink. A empresa também realiza lançamentos para clientes comerciais.

À medida que se prepara para abrir capital, a SpaceX tem fechado uma série de acordos estratégicos que ampliam sua atuação em infraestrutura de IA e computação, incluindo a aquisição da xAI em uma operação que avaliou a companhia combinada em US$ 1,25 trilhão. A empresa também firmou parceria com a startup de codificação Cursor, garantindo opção de compra futura avaliada em US$ 60 bilhões, além de anunciar bilhões em investimentos em infraestrutura.

Para o acordo com a Anthropic, a SpaceX deve fornecer 300 megawatts de nova capacidade computacional, usando mais de 220 mil GPUs da Nvidia, até o fim de maio.

B3 (B3SA3) supera expectativas elevadas no 1T26; veja desempenho da bolsa no trimestre

12 de Maio de 2026, 14:42

A B3 (B3SA3) divulgou um forte resultado referente ao 1T26 com forte avanço de todas as vertentes no período.

Como já havia sido adiantado pelas prévias mensais, a B3 aproveitou o alto fluxo de investidores na Bolsa no período e mostrou um ótimo avanço no mercado de ações, com aumento de 46% no volume financeiro médio diário (ADTV), o que resultou em uma receita bruta de Mercados de R$ 2,2 bilhões, +20,8% vs 1T25.

Ainda que esse segmento continue sendo o mais representativo para o negócio, vale destacar também o salto anual de 28,5% na receita de Soluções para Mercado de Capitais, chegando a R$ 201 milhões. Para completar, a receita de Soluções Analíticas de Dados cresceu 23% (para R$ 317 milhões), enquanto Tecnologia e Plataformas aumentou 14,8% e chegou a R$ 527 milhões.

Mais detalhes do 1T26 da B3

O forte crescimento de todos os segmentos culminou em um top-line consolidado de R$ 3 bilhões, avanço de +20,5% na comparação anual.

Ajudado por um menor avanço das despesas ajustadas (+6,3% vs 1T25) por conta de um forte recuo de serviços de terceiros e benefícios da alavancagem operacional do negócio, o ebitda recorrente totalizou R$ 2,1 bilhões (+23,9%) com ganho de 2 p.p. de margem, que atingiu 71,6%.

O resultado financeiro foi beneficiado por maior rendimento do caixa indexado à Selic e marcação a mercado de alguns investimentos, o que permitiu à linha mostrar um resultado positivo de R$ 112 milhões vs R$ 15,6 milhões no 1T25.

Por fim, o lucro líquido recorrente da B3 reportado foi de R$ 1,5 bilhão com margem de 51,4%, altas de 33,5% e 5 p.p. respectivamente frente ao 1T25.

Vale a pena investir na B3?

Mesmo com expectativas já elevadas por conta das prévias mensais animadoras, a B3 conseguiu apresentar números acima do esperado, com forte avanço da receita e expansão de margens.

Com um valuation ainda atrativo e possibilidade de capturar em cheio a continuidade do fluxo positivo para os ativos brasileiros, as ações B3SA3 seguem na carteira.

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BTG Pactual (BPAC11) tem mais um trimestre de elevados níveis de crescimento e rentabilidade; veja números do 1T26

12 de Maio de 2026, 14:39

O BTG Pactual (BPAC11) divulgou os números do primeiro trimestre de 2026 (1T26), marcando mais um trimestre sólido de elevados níveis de crescimento e rentabilidade, mesmo em um ambiente macroeconômico e geopolítico mais desafiador. O banco registrou receita total de R$ 9,97 bilhões e ROE de 26,6%, entre os maiores do setor.

Ainda que os três primeiros meses do ano marquem um período sazonalmente mais fraco para algumas linhas do negócio, o banco continuou expandindo receitas via ganho de market share, crescimento da base de clientes e expansão das plataformas de crédito, wealth e asset management.

Veja o resultado do BTG Pactual por segmento

Na área de Investment Banking, a receita somou R$ 628 milhões, (65,1% a/a e -9,3% t/t). A desaceleração sequencial se dá pelo contexto de maior volatilidade nos mercados ao longo do trimestre e um 4T25 extremamente forte.

Ainda assim, o banco manteve desempenho robusto em DCM e M&A, enquanto ECM se beneficiou de uma retomada parcial da atividade de mercado no início do trimestre. O BTG terminou o período como líder em ECM no Brasil em número de transações e volume financeiro.

Em Corporate Lending & Business Banking, o grupo renovou novamente os recordes de receita, que atingiu R$ 2,33 bilhões (+4,2% t/t e +20,7% a/a). O desempenho segue sendo sustentado pela expansão disciplinada da carteira de crédito, que alcançou R$ 281 bilhões (+21,9% a/a), além de uma menor pressão competitiva no mercado de capitais e da diversificação entre geografias e segmentos de clientes, preservando spreads saudáveis mesmo em um cenário de juros elevados.

A divisão de Sales & Trading voltou a apresentar números bastante fortes, com receita de R$ 1,88 bilhão, crescimento de 43,1% a/a, ainda que abaixo do recorde observado no 4T25. O resultado reflete principalmente a expansão da base de clientes, maiores níveis de atividade recorrente e uma alocação de capital mais eficiente nas mesas de trading. O banco reduziu o Value at Risk (VaR) médio diário para 0,32% do patrimônio líquido, contra 0,38% no trimestre anterior, indicando manutenção de uma postura confortável de risco e elevada flexibilidade operacional.

No segmento de Asset Management, as receitas totalizaram R$ 783 milhões, alta de 6,5% a/a. Na comparação trimestral houve queda de 8,9%, explicada principalmente pela base forte de performance fees do 4T25 e pelo menor número de dias úteis no trimestre. Ainda assim, os ativos sob gestão e administração alcançaram R$ 1,31 trilhão, impulsionados por forte captação líquida de R$ 47,9 bilhões, refletindo ganho contínuo de market share tanto em fundos quanto em asset servicing.

Já em Wealth Management & Personal Banking, o BTG voltou a entregar receitas recordes, que atingiram R$ 1,51 bilhão (+10,7% t/t e +44,6% a/a). O crescimento foi sustentado pela forte expansão do Wealth under Management, que alcançou R$ 1,28 trilhão (+28% a/a), além de maiores níveis de atividade dos clientes. A captação líquida somou R$ 34,9 bilhões no trimestre, impulsionada pelo crescimento orgânico e pelo contínuo ganho de participação tanto no segmento private quanto no varejo de alta renda.

Em Consumer Finance & Banking, linha que passou a consolidar integralmente o Banco Pan após o fechamento de capital da companhia, as receitas somaram R$ 1,13 bilhão (+20,4% t/t e +40,1% a/a). O avanço refletiu principalmente a expansão da carteira de crédito, que atingiu R$ 73,6 bilhões (+51,1% a/a), com destaque para o crescimento do consignado. A Too Seguros também contribuiu positivamente, com crescimento de 44,2% t/t, beneficiada por efeitos não recorrentes ligados à transição regulatória do setor.

Lucro líquido do BTG Pactual foi de R$ 4,8 bilhões no 1T26, alta de 42,3%

As despesas operacionais ajustadas somaram R$ 4,23 bilhões (+25% a/a), crescimento explicado principalmente pela expansão dos negócios e pela consolidação integral do Banco Pan. As despesas com salários e benefícios cresceram 10,6% a/a, refletindo reajustes salariais, promoções e incorporação integral da força de trabalho do PAN.

Ainda assim, o índice de eficiência permaneceu em 38,1%, praticamente estável em relação ao 4T25 e substancialmente melhor que os 41,3% do 1T25, reforçando a elevada alavancagem operacional do banco mesmo em um contexto de forte expansão.

O lucro líquido ajustado atingiu R$ 4,8 bilhões (+42,3% a/a e +4,3% t/t), enquanto o patrimônio líquido avançou para R$ 74,5 bilhões. O banco encerrou outro trimestre com o ROE entre os maiores do setor, em 26,6%.

BPAC11: recomendação de compra

Em nossa visão, o trimestre reforça uma característica cada vez mais evidente no BTG: a capacidade de continuar crescendo de forma consistente mesmo em cenários mais difíceis, sustentado por um modelo de negócios extremamente diversificado. O banco segue ganhando escala em praticamente todas as frentes, mantendo rentabilidade muito acima da média do setor com elevada disciplina de capital.

Por cerca de 3,2x seu valor patrimonial e aproximadamente 11,5x lucros estimados para 2026, BPAC11 segue entre as recomendações da casa.

Obs: O Grupo Empiricus é controlado pelo BTG Pactual.

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Dinheiro esquecido será usado no Desenrola 2.0. Veja novas regras para resgate

12 de Maio de 2026, 14:31

Os bancos e instituições financeiras têm até esta terça-feira (12) para transferir ao Fundo Garantidor de Operações (FGO) o dinheiro esquecido em contas bancárias. A medida está prevista nas regras do Novo Desenrola Brasil, conhecido como Desenrola 2.0.

A transferência dos valores foi regulamentada pela portaria normativa MF nº 1.243/2026, publicada pelo Ministério da Fazenda que criou a nova fase do programa de renegociação de dívidas.

Dados mais recentes do Banco Central mostram que ainda existem R$ 10,57 bilhões em valores a receber esquecidos em instituições financeiras. Desse total, R$ 8,13 bilhões pertencem a pessoas físicas e R$ 2,43 bilhões a pessoas jurídicas.

Segundo o governo federal, entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões em dinheiro esquecido podem ser direcionados ao programa de renegociação de dívidas.

O que muda com a transferência do dinheiro esquecido?

As instituições financeiras devem realizar a transferência dos valores ao FGO em até cinco dias úteis após a publicação da regulamentação. Como a norma foi publicada em 5 de maio, o prazo termina nesta terça-feira (12).

Após a transferência, o Ministério da Fazenda deverá publicar um edital com informações sobre os valores enviados por cada instituição financeira.

O sistema permitirá que titulares consultem:

  • Instituição responsável;
  • Agência;
  • Número da conta;
  • Montante transferido ao FGO.

Quem ainda tem dinheiro esquecido perde o direito ao valor?

A regulamentação prevê um prazo de 30 dias corridos para que titulares contestem a transferência dos recursos ao fundo garantidor e solicitem a devolução do dinheiro esquecido.

  • Atenção: o prazo só começará a contar apenas após a publicação do edital do Ministério da Fazenda com as informações das transferências realizadas pelas instituições financeiras.

Nesse período, o dono da conta com valores a receber poderá apresentar documentação para reivindicar os valores transferidos.

Caso haja solicitação dentro do prazo, o FGO deverá devolver os recursos às instituições financeiras em até 15 dias úteis para realização do ressarcimento ao cliente.

  • Os valores devolvidos ainda terão correção pelo IPCA-15 desde a data da transferência até o mês anterior ao pagamento.

Após o encerramento do prazo de contestação, os recursos não reclamados passam a integrar de forma definitiva o patrimônio do FGO.

Como consultar dinheiro esquecido em bancos?

A consulta do dinheiro esquecido pode ser feita pelo Sistema Valores a Receber (SVR), do Banco Central. Basta:

  • Acessar o site oficial do Valores a Receber;
  • Informar CPF e data de nascimento, ou CNPJ e data de abertura da empresa;
  • Verificar se existem valores disponíveis para resgate;
  • Fazer login com conta Gov.br nível prata ou ouro;
  • Consultar a instituição financeira responsável pelo valor;
  • Informar uma chave Pix para recebimento, quando disponível;
  • Acompanhar a solicitação diretamente pelo sistema.

O Banco Central também orienta que o contribuinte confira se há valores vinculados a contas encerradas, tarifas cobradas indevidamente, consórcios, cooperativas e outras instituições financeiras.

Como o dinheiro esquecido será usado no Desenrola 2.0?

Os recursos vão compor o Fundo Garantidor de Operações (FGO), estrutura usada para dar garantia às renegociações do Desenrola 2.0. A portaria estabelece que:

  • 10% do valor transferido ficará reservado para possíveis devoluções aos titulares;
  • Pelo menos R$ 5 bilhões serão destinados à cobertura de risco das operações renegociadas;
  • O fundo poderá ser usado para reduzir inadimplência e ampliar a oferta de crédito renegociado.

Quais dívidas poderão entrar no Desenrola 2.0? 

O Desenrola 2.0 contempla principalmente:

  • Cartão de crédito;
  • Cheque especial;
  • Crédito pessoal;
  • Crédito rotativo;
  • Dívidas do Fies.

A regulamentação também definiu descontos mínimos obrigatórios para os bancos, dependendo do tipo da dívida e do tempo de atraso.

No caso de cartão de crédito rotativo e cheque especial, os descontos podem chegar a 90% para débitos com atraso entre 361 e 720 dias.

Já em crédito pessoal e cartão parcelado, os abatimentos podem atingir 80% nas faixas mais longas de inadimplência.

O Desenrola 2.0 também permitirá o uso do FGTS para quitar dívidas pessoais. Pelas regras divulgadas pelo governo:

  • Trabalhadores poderão usar até 20% do saldo do FGTS ou R$ 1 mil, o que for maior;
  • As dívidas precisam ter atraso entre 90 dias e dois anos;
  • O programa vale para pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos;
  • Os juros das renegociações terão teto de 1,99% ao mês;
  • O prazo máximo de pagamento será de até 48 meses.

O que aconteceu no 1T26 da Porto (PSSA3)? Resultado reflete diversificação da companhia

12 de Maio de 2026, 14:09

A Porto (PSSA3) apresentou resultados bastante sólidos referentes ao 1T26, mostrando avanços nas frentes mais relevantes e atingindo um ROE consolidado de 29,0%, ainda que com a ajuda de uma menor alíquota de impostos. 

Resultado trimestral da Porto por segmento

Começando pela vertical Seguro, a receita cresceu 5,5%, para R$ 5,7 bilhões, ajudada principalmente pela expansão nos seguros de Vida de Patrimonial, que mais do que compensaram o crescimento fraco, porém esperado, em Auto (+2,9% a/a). Isso somado a uma melhora de sinistralidade em todas as frentes proporcionou um aumento expressivo de 49% no lucro líquido de seguros, para R$ 467 milhões e um ROE de 33,8%.

Na vertical Saúde a receita cresceu 15,1%, com contribuições positivas tanto em seguro saúde como em odontológico, com altas de +22,3% e +17,4%, respectivamente, no número de beneficiários. Além disso, o segmento apresentou melhora de -0,9 p.p. na sinistralidade, reflexo de ações de combate a fraudes, novos produtos e parcerias. Com esse bom desempenho, o lucro líquido da vertical cresceu 20,1%, para R$ 215 milhões, com ROE de 36,5%.

Na PortoBank, o lucro líquido saltou 10,1%, para R$ 211,5 milhões e ROE de 24,8%, puxado principalmente pelo crescimento forte nas receitas de consórcio (+32% a/a) e soluções para locação e garantia (+13%). Sobre as operações de crédito o desempenho foi misto, com crescimento interessante de carteira (+13%) e da margem financeira líquida (+24%), mas com piora nos indicadores de atrasos.

Na vertical Serviços, o lucro ficou praticamente estável, em R$ R$ 53 milhões, com o ligeiro aumento da receita sendo compensado por maiores custos no período. 

Linhas gerais do 1T26 da Porto

Por sua vez, o Resultado Financeiro mostrou uma piora de 19,8%, caindo de R$ 382,6 milhões no 1T25 para R$ 306,8 milhões no 1T26, impactado principalmente pela rolagem de títulos a taxas mais atrativas e que trazem recompensas positivas nos próximos trimestres. 

No consolidado, a Porto apresentou um lucro líquido de R$ 1,1 bilhão no trimestre, 36,3% acima do ano anterior, com ROE de 29% (alta de 5,1 p.p.), refletindo os melhores resultados das verticais e uma menor alíquota de imposto, parcialmente compensado por um resultado financeiro pior. 

Os números apenas reforçam a nossa visão de que a companhia está bem-posicionada, e deve continuar capturando oportunidades de crescimento em suas verticais. Porto segue na carteira.

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Alpargatas (ALPA4) entrega mais um tri de forte crescimento com ebitda recorde e Havaianas mais baratas na produção; confira análise

12 de Maio de 2026, 14:02

A Alpargatas (ALPA4) apresentou mais um resultado forte no 1T26, com ebitda recorde, expansão de margens boa diluição de despesas. 

Na Havaianas Brasil, a receita cresceu 13,2% para R$ 909,1 milhões, ajudada pelo aumento do volume de pares (+7,5%) e pelo aumento da receita/par (de R$ 15,8 no 1T25 para R$ 16,6 no 1T26), refletindo melhor mix de canais, ou seja, mais vendas em franquias e canais especializados. Vale destacar que o sell-out cresceu em ritmo menor, refletindo a estratégia da companhia de abastecer os lojistas antes da virada de coleção para evitar rupturas – uma estratégia que trouxe resultados positivos em 2025. 

Produção da Havaianas ficou mais barata no trimestre

Com ganhos de eficiência e diluição de custos fixos, a Havaianas Brasil também apresentou uma redução de 1% no custo por par, o que permitiu um aumento de 15,4% no lucro bruto e margem bruta recorde (49%) para um primeiro tri. 

Por fim, menores despesas com marketing proporcionaram à divisão brasileira mostrar um crescimento de 36,5% do ebitda, que chegou a R$ 237 milhões, com expansão de 4 p.p. de margem.

Negócios da Alpargatas no exterior

Na Havaianas Internacional os números seguem mostrando evolução. A receita aumentou 10,2% para R$ 307,5 milhões, com o aumento de volume de pares (+14,8%) mais do que compensando a redução de R$ 1,9 de receita por par, refletindo variações cambiais. 

Enquanto a Europa mostrou crescimento (+15% na receita) pelo sexto trimestre consecutivo, mostrando assertividade da estratégia e reconhecimento da marca pelos lojistas/clientes, nos Estados Unidos o aumento de 22% reflete a continuidade da estocagem de sandálias após o início das operações com o novo parceiro. O único segmento que mostrou recuo foi o de Mercados Distribuidores (queda de 17,4% na receita), afetado pela interrupção de pedidos em alguns países afetados pelo conflito no Oriente Médio.

Apesar do forte crescimento da receita internacional, o lucro bruto cresceu menos (5,2%), com margem bruta recuando 3p.p. no período. Isso é explicado principalmente pelo avanço da nova estratégia nos EUA, que tem menores margens por conta da intermediação do distribuidor, mas que também deve resultar em maiores volumes e menores despesas, à medida que a operação ganha relevância.

Mesmo assim, o ebitda da Havaianas Internacional cresceu 88,6%, para R$ 62,2 milhões, evidenciando que a companhia está caminhando na direção correta. 

Por fim, a Rothy’s voltou a mostrar dificuldades no 1T26, com ebitda negativo de US$ 2,2 milhões (ante +US$ 0,8 milhão no 1T25), afetado pelas tarifas impostas pelos EUA sobre a China e fechamento temporário de algumas lojas por conta de condições climáticas severas.

Consolidado ALPA4 no 1T26

Na visão consolidada, a companhia apresentou um ebitda de R$ 299,5 milhões, alta anual de 45,4%, com ganho de 5,5p.p. de margem. D mesma forma, o lucro líquido saltou 44,8%, para R$ 162 milhões, fletindo a forte melhora operacional. 

A alavancagem terminou o 1T26 em 0,5x dívida líquida/ebitda, mesmo após a distribuição de cerca de R$ 1 bilhão nos últimos trimestres na forma de JCP e redução de capital, o que evidencia a capacidade de geração de caixa da companhia.

Com bom potencial de crescimento tanto no Brasil como no mercado internacional, a ALPA4 segue na carteira.

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Memecoin GPT: automação busca transformar R$ 3.500 em até R$ 1 milhão em 12 meses; conheça

12 de Maio de 2026, 14:00

A inteligência artificial (IA) pode alavancar a produtividade de muitas formas. Seja no trabalho, acelerando a produção de textos, imagens ou vídeos, ou ajudando no direcionamento de pesquisas, coleta e estudos de dados, entre outras funções.

O que muita gente não sabe é que a IA também pode dar boas orientações quando o assunto é finanças — e uma nova tecnologia em desenvolvimento foca justamente na geração de renda.

É o caso do Memecoin GPT. A tecnologia que chega ao mercado oficialmente na segunda-feira (18) tem o objetivo de multiplicar cada real investido em até 300 vezes, de forma totalmente automatizada.

Como funciona o Memecoin GPT?

Unindo automação, análise e estratégia para tentar capturar as próximas valorizações exponenciais, a meta é clara: buscar até R$ 1 milhão, partindo de um aporte inicial de R$ 3,5 mil, em um período de 12 meses.

Para isso, a inteligência artificial da Empiricus vasculha memecoins em tempo real. Mas não se engane pelo nome, a ferramenta aqui não tem relação com a IA de nome similar. GPT neste caso significa “Generate Profitable Trades” (em português, “Gerar trades lucrativos”).

Desenvolvida pelos especialistas no setor da Empiricus Research, no Memecoin GPT, os investidores terão uma nova oportunidade de lucrar até 30.000%, com o alvo final de até R$ 1 milhão acumulados. Ou seja, uma multiplicação de 300 vezes sobre o capital investido.

Conforme explica a especialista Heloísa Mendonça, que está liderando a equipe nesta ferramenta, a estratégia pretende negociar todos os dias com compras e vendas de memecoins.

“Então todo dia o investidor tem uma nova chance, sem precisa ficar acompanhando o mercado ou ter algum conhecimento aprofundado sobre ativos digitais. É totalmente automatizado”, detalha Mendonça.

A oportunidade ainda por cima chega ao mercado em um momento especial — e a seguir é possível entender por quê.

Memecoin com potencial milionário está na lista do Memecoin GPT

A verdade é que lucros em uma escala exponencial não são tão raros no mercado de criptomoedas, especialmente das memecoins. Foi o caso de alguns dos ativos observados durante o período de backtest no Memebot em uma versão anterior, com valores atualizados em abril de 2026:

  • A memecoin POPCAT alcançou uma valorização de 950% em 43 dias;
  • Já a TOSHI subiu 1.113% em 78 dias;
  • A MOG, 1.224% em 57 dias;
  • A GIGACHAD subiu 2.244% em apenas 28 dias, menos de um mês;
  • Por fim, a BONK viu o valor disparar 3.878% em 73 dias.

Sabemos que retornos passados não garantem um retorno futuro e que investimentos com ativos digitais têm riscos elevados. Por isso, não é recomendado aplicar nesses casos com uma quantia que fará falta para a sua qualidade de vida.

O que esses números refletem, de fato, são multiplicações de até 39 vezes sobre o capital em menos de 3 meses — com um detalhe relevante: foram capturados pela Inteligência Artificial desenvolvida especialmente para encontrá-las.

A proposta em desenvolvimento com o Memecoin GPT é usar essa mesma IA para buscar até R$ 1 milhão nos próximos 12 meses.

Para começar, os desenvolvedores já têm uma moeda na mira. É uma memecoin que está entre as top 5 para comprar agora, com um potencial de alavancar o portfólio rumo ao próximo milhão.

Para saber qual é essa moeda e ainda tirar as dúvidas sobre como funciona o Memecoin GPT, os investidores estão convidados para participar de um evento gratuito e online. A seguir, veja mais informações.

Inscrições abertas: conheça o Memecoin GPT e saiba como ativá-lo a partir de 18 de maio

Para quem ficou interessado, no dia 18 de maio, investidores poderão ter acesso a essa ferramenta inovadora que pode gerar ganhos de até 30.000%.

Na data, às 19h, o time da Empiricus terá um evento online e gratuito, no qual a ferramenta será apresentada com mais detalhes sobre sistema que já entregou lucros para milhares de brasileiros.

Se você está ouvindo falar da ferramenta pela primeira vez, já pode colocar seu nome na lista prioritária para os acessos que serão liberados a partir do dia do evento.

É só clicar no botão abaixo e seguir as instruções:

CONHEÇA O MEMECOIN GPT COM LANÇAMENTO GRATUITO

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Lupo troca CEO e passa a ter liderança executiva fora da família

12 de Maio de 2026, 13:43

Após mais de 30 anos no comando da gestão executiva, Liliana Aufiero deixará a presidência da Lupo em 1º de junho de 2026, em um movimento que marca mudanças na estrutura de liderança da companhia.

A Lupo informou alterações em sua estrutura de liderança, com mudanças nos cargos de Diretor-Presidente (CEO) e de Diretor de Relações com Investidores, no contexto de um processo de transição planejado.

Liliana Aufiero, 81 anos e neta do fundador da Lupo, ingressou na companhia em 1986 e assumiu o comando em 1993, sucedendo o tio, Élvio Lupo, acumulando mais de três décadas à frente da gestão executiva.

A partir dessa data, Liliana passa a ocupar a presidência do Grupo Lupo, uma função de caráter institucional e não executivo, voltada à preservação da cultura, dos valores e dos relacionamentos do grupo. Na prática, ela deixa a condução do dia a dia da operação.

Quem assume como Diretor-Presidente Executivo (CEO) é Carlos Alberto Mazzeu, 62 anos, atual vice-presidente e diretor de relações com investidores. Ele já vinha sendo preparado para a transição e será o primeiro não integrante da família a ocupar o cargo de CEO na história da Lupo, fundada em 1921 pelo imigrante italiano Henrique Lupo.

Também a partir de 1º de junho, João Daniel Buoro assume como Diretor de Relações com Investidores, em substituição a Mazzeu. O período entre 11 e 31 de maio será dedicado à transição de funções, com foco em continuidade da gestão e estabilidade operacional.

A companhia destacou o reconhecimento à trajetória de Liliana Aufiero, ressaltando sua contribuição para o desenvolvimento e fortalecimento institucional da Lupo, além de agradecer a atuação de Mazzeu na área de relações com investidores.

Em 2025, o Grupo Lupo registrou receita líquida de R$ 1,6 bilhão, alta de 2,8% em relação ao ano anterior. O desempenho foi impulsionado pela marca Lupo Sport, cuja receita avançou 34,7% na comparação anual, alcançando R$ 371,5 milhões.

O EBITDA ajustado somou R$ 187 milhões, com margem de 11,8%. Já o lucro líquido ajustado foi de R$ 158,7 milhões, queda de 9,3% na comparação com 2024, com margem líquida ajustada de 10,0%, recuo de 1,3 ponto percentual no período. A geração de caixa livre ficou em R$ 85,2 milhões.

A companhia destacou 2025 como um ano de reorganização industrial e avanço de eficiência produtiva. Entre as principais iniciativas, transferiu a produção de colantes de Araraquara (SP) para Itabuna (BA), ampliou a produção de itens sem costura na unidade de Araraquara — que também passará a concentrar o setor de malharia transferido de Maracanaú (CE) — e inaugurou sua primeira fábrica no exterior, no Paraguai.

A unidade paraguaia é voltada à produção de meias básicas e faz parte da estratégia de ganho de competitividade e redução de custos em um ambiente de maior concorrência global. No período, a empresa também entrou no segmento de calçados com o lançamento do modelo Origem, voltado a conforto, bem-estar e lifestyle.

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Track&Field (TFCO4) ‘não falta no treino’ e entrega crescimento consistente no 1T26; confira

12 de Maio de 2026, 13:28

A Track&Field (TFCO4) divulgou um resultado sólido referente ao primeiro trimestre de 2026 (1T26), ainda que as margens tenham retraído pelo mix de vendas de canais.

A abertura de lojas (+39) e boa aceitação da nova coleção ajudaram o sell out atingir R$ 442,9 milhões, crescimento de +16,4% frente ao 1T25. Além disso, a estratégia de reforma das lojas continua se provando acertada e impulsionando as receitas: no período as unidades revitalizadas mostraram uma alta de +26,4% das receitas, acima do Same Store Sale (SSS) consolidado de +12,1%.

Assim, a receita líquida marcou R$ 251,2 milhões, crescimento de +18% na comparação anual, com o avanço de venda de mercadorias (+29,7%) e rede própria (+16,8%).

Com o aumento das vendas, o lucro bruto atingiu R$ 150,2 milhões (+15,7%), mas a maior representatividade de venda para franquias, que possui menor margem, acabou pressionando a margem bruta, que caiu –1,2 p.p., para 59,8%. Vale ressaltar que essa venda tende a se traduzir em royalties nos próximos trimestres, o que deve aliviar essa pressão.

Com despesas em linha na comparação anual, o ebitda ajustado somou R$ 61,6 milhões (+12,6%) e margem de 24,5%, com os mesmos efeitos de retração da margem bruta.

Já o resultado financeiro apresentou uma piora de 35,8%, com o aumento das despesas de arrendamento mercantil e redução das receitas financeiras.

O aumento do top-line com os efeitos mencionados de custos e financeiro, resultou em um lucro líquido de R$ 41,5 milhões com margem de 16,5% (+6,3% e –1,8 p.p. respectivamente vs 1T25).

Por fim, a companhia apresentou uma geração de caixa de R$ 28,4 milhões vs R$ 27 milhões no 1T25, aumento explicado pela ausência do programa de recompra no período, que compensou o aumento de impostos pagos e aumento de capital de giro.

TFCO4: recomendação de compra

Apesar dos desafios macro, a Track&Field segue mostrando crescimento consistente, o que reforça seu posicionamento de marca.

Ainda que o trimestre tenha mostrado pressão de margem, entendemos que esses são efeitos pontuais. Por 10x ev/ebitda e caixa livre, TFCO4 está presente na carteira SmallCaps.

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Azzas 2154: Jatahy vai à Justiça em nova disputa contra Birman

12 de Maio de 2026, 13:08

A Azzas 2154 informou nesta terça-feira (12) que foi surpreendida por um pedido judicial apresentado por Roberto Jatahy, acionista da companhia e responsável pela unidade de moda feminina do grupo.

Segundo a empresa, a ação diz respeito à gestão da unidade de moda masculina da companhia – área comandada pelo CEO Alexandre Birman.

A companhia não deu detalhes sobre o conteúdo do pedido judicial, mas afirmou que não espera impactos sobre a operação da companhia e que buscará acesso às informações da ação para avaliar as medidas cabíveis.

Segundo o jornal O Globo, Jatahy tenta barrar uma reorganização interna que tiraria a Reserva da estrutura sob sua influência dentro da Azzas.

Trata-se de um novo capítulo na relação conturbada entre Birman e Jatahy, que convivem com disputas internas sobre o poder na companhia.

A Azzas 2154 foi criada em 2024, a partir da fusão entre a Arezzo&Co, de Birman, e o Grupo Soma, de Jatahy, formando uma das maiores holdings de moda do país.

No ano passado, poucos meses após a conclusão da fusão, a companhia precisou lidar com especulações sobre um possível “divórcio” societário entre seus principais acionistas.

Em junho de 2025, os dois chegaram a um acordo e a empresa reestruturou sua governança.

Como posicionar as big techs na carteira internacional? Veja dicas de analista da Empiricus Research

12 de Maio de 2026, 13:07

O mercado norte-americano atravessa um período de forte tensão geopolítica sem perder o fôlego nas bolsas, que seguem sustentadas próximas das máximas. Em meio às incertezas provocadas pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, investidores continuam apostando nas gigantes de tecnologia conhecidas como as “7 magníficas”.

Estamos falando de empresas como Amazon (AMZO34), Meta (M1TA34), Microsoft (MSFT34) e Nvidia (NVDC34). Com negócios principalmente vinculados à inteligência artificial, as companhias têm conseguido descolar seu desempenho da incerteza do conflito geopolítico entre Estados Unidos e Irã.

Apesar das idas e vindas nas notícias do Oriente Médico, o analista de mercado internacional da Empiricus Research, Enzo Pacheco, comenta que os principais índices americanos fecharam o mês de abril atingindo novas máximas (exceto o Dow Jones).

“(Abril foi) o melhor mês desde 2020 tanto para o S&P 500 como para o Nasdaq, e isso aconteceu graças à boa performance das empresas de tecnologia”, afirma Pacheco.

Big techs: quais ações comprar para a carteira internacional?

Diante desses números, qual é a melhor estratégia para o investidor navegar este momento?  

Na perspectiva de Pacheco, esse caminho de valorização deve predominar ainda pelos próximos 2 a 3 anos.

“Para oinvestidor que quer começar a investir em ações internacionais agora, eu começaria com as big techs e modularia a exposição”, introduz o analista à sua tese para as companhias.

Para começar, Pacheco indica uma posição maior nas empresas que estão com valuation mais atrativo, “mesmo com eventuais riscos”. Estas são: Meta, Microsoft e Amazon.

Em seguida, ocupando uma fatia média da carteira, o analista indica as ações da Nvidia, que estão com uma tese interessante atualmente. Por fim, Pacheco recomenda ter as ações da Apple e Alphabet, ainda que em posições menores.

A única das “sete magníficas” que ficou fora das recomendações do analista é a Tesla, de Elon Musk.

“Para o investidor que não tem nada de portfólio no exterior, pode começar com essas teses. Lembrando que a volatilidade sempre estará no jogo e por isso ele deve ter uma composição completa do portfólio. Não pode ter só esses ativos, é importante ter uma parcela de renda fixa e de ações no Brasil”, ressalta o analista.

Uma empresa na lupa: conheça a tese de Microsoft

Entre as ações citadas por Enzo Pacheco, está a Microsoft (MSFT34). No início do ano, os papéis sofreram uma queda diante do temor ainda presente de que a IA possa tornar softwares tradicionais obsoletos (evento apelidado de “SaaSpocalipse”).

O pânico repercutiu no mercado, guiado por elevados investimentos em capacidade de processamento para serviços de IA, que intensificaram essa reação. “Mesmo que a companhia tenha recuperado parte das perdas em abril, o aumento das projeções de investimentos divulgado nos resultados do 1T26 fez com que os papéis da companhia recuassem pontualmente”, contextualiza o analista.

Entretanto, Pacheco ainda enxerga que a Microsoft está tomando medidas para reverter esse cenário e deve continuar entregando bons resultados ainda nos próximos anos.

Nessa ótica, o analista destaca que o múltiplo P/L projetado está próximo das mínimas dos últimos cinco anos e por isso aponta a ação em um momento de entrada atrativo

Tanto é que na última atualização da carteira de ações internacionais, o analista aumentou o peso de Microsoft de 10% do portfólio para 15%.

Assim como a Microsoft, você pode conhecer mais teses de investimentos e até mesmo a carteira internacional completa montada pelo analista.

10 ações para a carteira internacional: Microsoft e mais quem? Confira

Junto com a Microsoft, Pacheco reuniu mais nove companhias em seu portfólio de ações internacionais, uma oportunidade de diversificar geograficamente seus investimentos sem se limitar aos riscos dos ativos nacionais. 

As 10 companhias indicadas pela Empiricus Research para aplicar de olho no cenário internacional estão disponíveis neste relatório gratuito [clique aqui].

O documento traz:

  • Análise aprofundada do mercado internacional;
  • Comentários exclusivos do analista sobre as mudanças mais recentes de investimentos;
  • Carteira com as ações que têm maior potencial de valorização no contexto atual.

Além disso, para investir nas recomendações, não é preciso ter uma conta em corretora internacional. Todas elas têm BDRs, certificados que representam ações de empresas estrangeiras, mas negociadas diretamente na bolsa brasileira.

Libere seu acesso ao relatório e conheça as 10 BDRs para investir no mercado internacional que estão chamando mais atenção dos analistas e reforce seus investimentos com ações mundiais.

QUERO CONHECER AS 10 AÇÕES INTERNACIONAIS PARA INVESTIR JÁ

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Frigol mira receita acima de R$ 7,5 bi em 2027 com exportações além da China, diz CEO

12 de Maio de 2026, 12:16

A Frigol, quarto maior frigorífico do país, projeta superar R$ 7,5 bilhões em receita a partir de 2027, apoiada em uma estratégia que combina expansão das exportações e diversificação dos mercados compradores da carne bovina brasileira diante das restrições impostas pela China, principal destino das vendas externas da companhia.

No consolidado do ano passado, a empresa atingiu R$ 4,5 bilhões em receita bruta.

Em entrevista à Bloomberg Línea, o CEO da companhia, Luciano Pascon, disse que a Frigol revisou seu planejamento estratégico depois de firmar parcerias em Rondônia e de recalibrar o cenário para a China.

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“Terminamos agora em abril um novo orçamento aprovado pelo conselho de administração, justamente contemplando esses novos cenários”, disse Pascon. Segundo ele, a companhia trabalha com a meta de atingir a receita de R$ 6,5 bilhões neste ano e espera ficar “acima de R$ 7,5 bilhões” no ano que vem.

Em balanço financeiro divulgado nesta terça-feira (12), a empresa somou R$ 999,2 milhões em receita líquida no primeiro trimestre do ano, alta de 2,8% em relação ao mesmo período de 2025.

O lucro líquido do período somou R$ 11,1 milhões, crescimento de 11 vezes ante R$ 1 milhão um ano antes.

O Ebitda foi de R$ 33,3 milhões, com margem de 3,3%.

A melhora do resultado, sobretudo do lucro líquido, ocorreu apesar da queda de 5,3% no abate da companhia em relação ao mesmo trimestre do ano passado, que atingiu cerca de 150 mil bovinos, reflexo da menor oferta de gado e da pressão sobre o preço da arroba.

Sem as novas parcerias em Rondônia, que resultaram no início das exportações para os EUA, a redução dos abates teria sido de 14,2%, segundo a companhia.

De volta para casa

Pascon, que havia sido CEO da companhia entre 2016 e 2020, reassumiu o comando da Frigol em janeiro de 2025.

Ele disse que a primeira coisa que decidiu fazer ao assumir o comando do grupo foi “olhar para dentro de casa”, ou seja, reavaliar o trabalho que vinha sendo feito, das pessoas aos processos industriais e as decisões comerciais.

“Tem muita variável, mas as variáveis normalmente dentro do processo produtivo são as mesmas. É a questão de identificarmos aquelas que são as prioridades, aquelas que são maiores alavancas para o resultado”, disse.

Segundo o executivo, pequenos ganhos operacionais têm impacto relevante quando aplicados a uma indústria de grande volume. Ele cita o aproveitamento do tempo de produção e a gestão dos insumos.

“Muitas vezes a gente deixa alguns centavos na mesa e, na hora que multiplica por alguns milhões de quilos, tanto no mês e depois no ano, vê o quanto isso está impactando os resultados da companhia”, disse.

A partir desse diagnóstico, a Frigol concentrou os esforços em três frentes, conta o executivo: eficiência, pessoas e comercial, “no sentido de procurar os melhores mercados e os melhores valores agregados para os nossos produtos.”

Exportações e China

Esse olhar da companhia para a frente comercial se traduziu no aumento da exposição ao mercado externo.

Segundo Pascon, a Frigol chegou a obter 65% da receita mensal com vendas externas em 2025 e encerrou o ano com uma fatia próxima de 54%. A China continuou como principal destino, mas a companhia também ampliou vendas para outros mercados, como Indonésia, Canadá, Filipinas e Europa.

Apesar da relevância do mercado externo na estratégia do grupo, no primeiro trimestre deste ano, as exportações representaram 46% da receita bruta da empresa, abaixo dos 51% registrados um ano antes.

A China continuou como principal destino, com 64,8% das receitas externas, seguida por Israel, Hong Kong e Europa. A fatia de outros mercados subiu para 17,4%, ante 13% no primeiro trimestre de 2025 e 6% em 2024.

A companhia também registrou aumento da demanda de países do Sudeste Asiático, como Indonésia e Filipinas, com alta de 255% no volume exportado na comparação anual.

A maior diversificação das exportações ocorre em um momento em que a China limitou as compras de carne bovina brasileira com a implementação de cotas - Brasil já atingiu metade da cota e analistas indicam que deve completá-la até o meio do ano.

O CEO da Frigol disse que não espera uma mudança rápida da política chinesa. Para ele, eventuais ajustes poderiam ocorrer apenas depois de uma avaliação das cotas ao fim do ano, caso alguns países não consigam cumprir os volumes autorizados.

“O boi China me traz pelo menos uns 30% a mais [do que a venda para o mercado interno]”, disse o executivo.

O executivo explica que a Frigol busca ter o maior número possível de habilitações, mesmo que a decisão de vender para cada mercado dependa de preço e rentabilidade.

“A decisão se eu vendo ou não vendo é outro passo. Por questões estratégicas, por questões de resultado, eu vou decidir o que vou fazer, mas eu quero ter a opção hoje. Essa é a nossa política de ampliarmos para todos os mercados”, disse.

Rondônia no centro da estratégia

A operação das novas três plantas em Rondônia funcionam por meio de contratos de industrialização firmados com a RioBeef e a DistriBoi.

Nesse modelo, a Frigol não é proprietária dessas plantas, mas controla a compra do gado, a estratégia comercial e a venda da carne, enquanto as parceiras executam o abate, a desossa e o processamento industrial.

O formato permitiu à companhia ampliar rapidamente a presença em Rondônia sem a necessidade de construir novas unidades próprias. Também acelerou o acesso a mercados estratégicos, como os Estados Unidos, ao aproveitar habilitações sanitárias já existentes nas plantas parceiras.

Ao todo, a empresa tem três plantas próprias de abate: em Lençóis Paulista (SP), Água Azul do Norte (PA) e São Félix do Xingu (PA).

No balanço financeiro divulgado nesta semana, a Frigol afirma que as novas parcerias em Rondônia estão alinhadas à estratégia de expansão geográfica do grupo.

Leia também: De salvaguarda da China ao ciclo do boi: os desafios da pecuária brasileira em 2026

Segundo Pascon, Rondônia dá à Frigol acesso ao mercado americano e também ao Canadá, por causa das condições sanitárias do estado. A região também pode posicionar a empresa em uma eventual próxima etapa de abertura do Japão à carne brasileira.

“Rondônia também nos coloca no radar talvez no próximo movimento do Japão”, disse.

A companhia fez seu primeiro embarque aos Estados Unidos em abril, via planta de Rolim de Moura.

O mercado americano é visto por Pascon como um vetor estrutural de demanda para a carne brasileira, em razão da redução do rebanho dos EUA e da necessidade de importação de carne industrial, usada em produtos como hambúrgueres e carne moída.

Para o CEO, o Brasil se consolida como um fornecedor confiável em volume, preço e regularidade.

Ele também disse que a Frigol já trabalha em novas habilitações para exportar aos EUA por outra planta em Rondônia e pela unidade de Lençóis Paulista, com a expectativa de começar 2027 com três fábricas habilitadas para o mercado americano.

A execução, no entanto, ainda enfrenta gargalos. Pascon afirmou que a captura integral da receita potencial de Rondônia em 2026 foi parcialmente limitada por dificuldades no ramp-up das operações.

O mercado doméstico também segue no coração da estratégia da empresa.

No primeiro trimestre, o Brasil respondeu por 54% da receita bruta, ante 49% um ano antes. A empresa tem reforçado linhas de maior valor agregado e ampliado a presença em grandes atacarejos com o projeto Açougue Completo.

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A planta de Lençóis Paulista (SP), da Frigol, tem capacidade para abater cerca de 900 animais por dia.

Fundos imobiliários: veja as principais atualizações da semana sobre o mercado de FIIs

12 de Maio de 2026, 11:54

No giro pelos fundos imobiliários da semana, FIIs como HGLG11, KNCR11, PMLL11 e VILG11 trouxeram novidades aos cotistas. Confira:

Pátria Logística (HGLG11)

O fundo celebrou acordo para adquirir os 10% remanescentes dos galpões G100 e G200 do empreendimento logístico Simões Filho (BA), por R$ 79,2 milhões. O pagamento ocorrerá de forma proporcional após a conclusão de cada galpão e início dos respectivos contratos de locação.

A operação também inclui a aquisição, sem custo específico, de áreas complementares destinadas ao acesso do empreendimento e à compensação ambiental. A gestão estima incremento de cerca de R$ 0,01/cota para o G100, com cap rate de 12,0% a.a., e mais R$ 0,01/cota após a entrega do G200, com cap rate de 10,4% a.a.

Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11)

O fundo imobiliário realizou investimentos de R$ 70,5 milhões em novas operações de CRI, com taxa média de CDI + 1,74% a.a. Entre os destaques, estão operações ligadas a ativos logísticos AAA em Santana de Parnaíba (SP) e Araucária (PR), este último locado ao Mercado Livre em contrato BTS. As operações contam com garantias envolvendo alienação fiduciária dos imóveis, cessão fiduciária de recebíveis, cotas das SPEs e fundo de reserva.

Kinea Índices de Preços (KNIP11)

O fundo realizou investimentos de R$ 124,3 milhões em novas operações de CRI, com taxa média de IPCA + 8,86% a.a. Entre os destaques, estão as operações Creditas 151 Sênior (IPCA + 9,57%) e Galleria 140 Sênior (IPCA + 9,00%), ambas lastreadas em carteiras de Home Equity com baixo LTV. Além disso, o fundo investiu R$ 50,1 milhões em CRI lastreado no Shopping Jaraguá do Sul (SC), à taxa de IPCA + 8,15%, com garantias envolvendo alienação fiduciária do ativo, cessão fiduciária de recebíveis e fiança corporativa da Partage.

Pátria Malls (PMLL11)

O fundo imobiliário assinou intenção de compra de 13,3% do Shopping Curitiba (PR), ativo com 22,4 mil m², por aproximadamente R$ 54,1 milhões (R$ 18,2 mil por m²). O pagamento será realizado no fechamento, em caixa ou, a critério do fundo, via compensação com créditos decorrentes da subscrição de novas cotas. O preço será ajustado para refletir cap rate médio de 9,5% sobre o NOI caixa dos 12 meses anteriores ao fechamento.

Real Investor FII (RINV11)

O fundo comunicou o encerramento do período de exercício do direito de preferência de sua oferta de cotas. Foram subscritas 392,9 mil cotas, totalizando aproximadamente R$ 41,9 milhões.

Vinci Logística (VILG11)

O fundo imobiliário formalizou o recebimento de R$ 2,6 milhões referentes à rescisão no processo de reposicionamento do Extrema Business Park – Bloco I, equivalente a R$ 0,18/cota. O valor será pago em 6 parcelas mensais entre jul/26 e dez/26, corrigidas a 1% ao mês.

Além disso, o fundo concluiu a entrega de um novo pátio de carretas no Alianza Park Belém, locado à Transbuiatte em contrato BTS atípico de 84 meses. O investimento foi de R$ 3,03 milhões, com yield on cost de 14,35% a.a. e impacto positivo estimado de R$ 0,002/cota/mês a partir de jul/26.

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Petrobras (PETR4) divulga resultados e dividendos abaixo das expectativas no 1T26; veja os motivos

12 de Maio de 2026, 11:29

A Petrobras (PETR4) divulgou resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) abaixo das expectativas do mercado, impactados pelo atraso na precificação do petróleo exportado (mais sobre isso abaixo), efeito que deve ser normalizado já no próximo trimestre.

No segmento de Exploração & Produção (E&P), o ebitda atingiu US$ 10,3 bilhões, alta de 8,9% frente ao 4T25, ajudado tanto pelo aumento da produção como também pelas cotações mais elevadas do petróleo – brent médio de US$ 80,6/barril no 1T26 ante US$ 63,9 no trimestre anterior, parcialmente compensados por um custo de extração (lifting cost) ligeiramente maior.

Apesar da melhora trimestral, o brent médio e consequentemente o ebitda ficaram abaixo das expectativas do mercado. Segundo a companhia, costuma haver um atraso entre os preços de referência e o preço negociado com clientes, de modo que a alta do brent costuma se traduzir em preços maiores de venda apenas semanas mais tarde, dependendo de cada negociação.

Ou seja, a alta do petróleo por conta do conflito que se iniciou no fim do 1T26 pouco influenciou os resultados deste trimestre, e terá efeitos bem mais claros no 2T26.

O segmento de Refino apresentou forte crescimento de 108% do ebitda frente ao 4T25, que chegou a US$ 3,8 bilhões, com margem de 17% (+9 p.p. vs 4T25). Esse número foi impactado positivamente por US$ 1,3 bilhão em função do efeito de valorização dos estoques, por conta da alta dos preços do petróleo e derivados no período. Mesmo sem esse efeito, o ebitda ainda teria mostrado expansão (+12%), refletindo maior produtividade do parque de refino.

Por fim, o ebitda do segmento de Gás e Energia recuou 21,4%, para US$ 334 milhões, com o reconhecimento de receitas contratuais no 4T25 afetando a base de comparação.

Ebitda da Petrobras cresceu 27% no 1T26

No consolidado, o ebitda cresceu 27% t/t, para US$ 11,9 bilhões, ajudado pelos maiores preços de brent em E&P, efeito positivo de valorização de estoques no segmento de Refino e menores impairments na comparação com o 4T25. No entanto, o número ficou abaixo das estimativas, especialmente pelo atraso na precificação mencionado acima.

Impactado por esses efeitos e por um maior consumo de capital de giro, o fluxo de caixa livre atingiu US$ 3,9 bilhões, abaixo das expectativas, mas crescendo 7,5%, ajudado por um menor capex no período (US$ 5,1 bi no 1T26 vs US$ 6,3 bi no 4T25).

Dividendos da Petrobras também vieram abaixo das expectativas

Essa geração de caixa permitiu à companhia anunciar o pagamento de R$ 9 bilhões em dividendos (yield de 1,3%), abaixo das expectativas por conta dos impactos mencionados.

Excluindo eventos não recorrentes, o lucro líquido recuou 4,5% vs 4T25 para US$ 4,5 bilhões, mas esse número deve melhorar nos próximos trimestres à medida que a companhia captura integralmente a alta do petróleo.

A Petrobras fechou o trimestre com endividamento líquido de US$ 62 bilhões, e uma relação dívida/líquida de 1,4x, que deve se comprimir com a melhora de resultados esperada.

PETR4: recomendação de compra

Apesar de um trimestre com números abaixo do esperado, vemos a Petrobras bem-posicionada para se aproveitar de preços de petróleo estruturalmente mais elevados.

Por menos de 3x valor da firma/ebitda e um dividend yield próximo a 10% esperado para 2026, Petrobras segue com recomendação de compra pela Empiricus Research.

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Direcional (DIRR3): resultados do 1T26 reforçam consistência operacional da companhia; veja análise

12 de Maio de 2026, 11:01

A Direcional (DIRR3) iniciou 2026 mantendo a forte dinâmica operacional observada nos últimos trimestres, combinando crescimento de vendas e margens elevadas.

Conforme antecipado na prévia operacional, os lançamentos totalizaram R$ 1,0 bilhão em valor geral de vendas (VGV) no 1T26 (R$ 0,86 bi no % companhia), crescimento de 12% em relação ao 1T25. Do total lançado, aproximadamente 70% estiveram concentrados na marca Direcional e 30% na Riva.

A velocidade de vendas (VSO) permaneceu elevada, na casa de 24%, avanço de 250 bps em relação ao 4T25 e o maior nível histórico para um primeiro trimestre. A administração destacou que a melhora foi observada em ambas as marcas, reforçando o equilíbrio operacional da companhia.

Na parte financeira, a receita líquida alcançou R$ 1,16 bilhão no trimestre, crescimento de 30% frente ao 1T25. Considerando também as SPEs não consolidadas, a receita líquida total atingiu R$ 1,44 bilhão, avanço de 25% na comparação anual.

Rentabilidade da Direcional é destaque no 1T26

A rentabilidade voltou a ser um dos principais destaques do trimestre. A margem bruta ajustada atingiu novo recorde histórico de 42,9%, expansão de 130 bps em relação ao 1T25 e de 10 bps frente ao trimestre anterior.

Segundo a companhia, o desempenho reflete disciplina comercial, controle de custos e política conservadora de precificação, mesmo diante das recentes pressões inflacionárias. Conforme esperado, a margem REF encerrou o trimestre na casa de 44,4%, com leve retração em relação aos períodos anteriores.

O Ebitda totalizou R$ 315 milhões no trimestre, crescimento de 47% na comparação anual, com margem Ebitda de 27,1%. Ajustando efeitos não recorrentes e juros capitalizados, o Ebitda ajustado atingiu R$ 328 milhões, avanço de 40% frente ao 1T25.

Na última linha, o lucro líquido operacional somou R$ 200 milhões, crescimento de 27% na comparação anual, enquanto o ROE anualizado alcançou 38%, reforçando o elevado nível de rentabilidade da companhia.

Em relação à estrutura de capital, a Direcional encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 613 milhões, equivalente a 24% do patrimônio líquido, patamar considerado administrável diante do atual ritmo de crescimento operacional — espera-se uma redução gradual dessa linha ao longo do ano.

A companhia registrou geração de caixa operacional de R$ 35 milhões no período, embora o fluxo contábil tenha sido impactado por amortizações relacionadas à cessão de recebíveis.

DIRR3: recomendação de compra

De forma geral, os resultados do 1T26 reforçam a consistência operacional da Direcional, sustentada pela forte demanda no segmento econômico, elevada eficiência operacional e disciplina na gestão de custos e preços.

Negociando a aproximadamente 7 vezes os lucros projetados para 2026, a companhia segue entre as preferências da Empiricus, com janela de entrada favorável na precificação atual.

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Multiplan (MULT3): venda do Park Shopping Barigüi pode destravar valor para investidores?

12 de Maio de 2026, 11:01

A Multiplan (MULT3) comunicou ao mercado, após o fechamento de ontem (11), a assinatura de um Memorando de Entendimentos para a venda de 9,33% de participação no Park Shopping Barigüi. O valor total foi de R$ 250,0 milhões, equivalente a R$ 40,4 mil/m².

Assim, o pagamento será em duas parcelas iguais:

  • 50% no fechamento da operação, no valor de R$ 125,0 milhões; e
  • Os 50% restantes 18 meses após o closing, também no valor de R$ 125,0 milhões.

Ambos os montantes serão corrigidos pelo IPCA a partir da assinatura dos documentos definitivos. A conclusão da transação ainda está sujeita ao cumprimento de condições precedentes usuais a operações dessa natureza.

Confira mais detalhes da venda de ativo no portfólio da Multiplan (MULT3)

Localizado em Curitiba (PR), o Park Shopping Barigüi é um dos principais ativos do portfólio da Multiplan. Voltado majoritariamente ao público das classes A e B, o empreendimento se destaca como um dos centros de compras mais modernos do país, concebido dentro de um conceito multiuso. Ou seja, permite o desenvolvimento de edifícios comerciais e residenciais no entorno. Contudo, é importante destacar que a operação envolve apenas a venda parcial da participação no ativo, sem que a companhia renuncie ao controle operacional do shopping.

Considerando o NOI do empreendimento nos últimos 12 meses, a transação teve um cap rate de 7%. Nesse patamar avaliamos como bastante atrativo para uma venda parcial de um ativo maduro e de elevada qualidade.

Ainda sem mais detalhes sobre o comprador, nossa impressão inicial sobre a operação é positiva para a tese de MULT3. A venda parcial do ParkShoppingBarigüi, nos valores anunciados, reforça a capacidade da companhia de reciclar portfólio em condições favoráveis, destravando valor para o acionista sem comprometer sua exposição operacional a um ativo estratégico. Vale citar que a companhia entregou recentemente (3T24) a expansão do imóvel, que adicionou cerca de 15 mil metros quadrados de ABL a um custo de R$ 28 mil/m².

Além disso, os R$ 250,0 milhões fortalecem a posição de caixa da companhia e ampliam sua flexibilidade financeira, seja para financiar as expansões em curso, administrar o endividamento — na ordem de 2x dívida líquida/EBITDA — ou, eventualmente, elevar a distribuição de dividendos. Vai depender da avaliação da administração sobre o cenário macroeconômico, em linha com a mensagem transmitida no Investor Day.

As ações da Multiplan (MULT3) permanecem entre as recomendações da Empiricus.

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Ibovespa hoje: IPCA desacelera e petróleo sobe; veja o que movimenta os mercados nesta terça-feira (12)

12 de Maio de 2026, 10:32

Os mercados globais operam em queda nesta terça-feira após Donald Trump endurecer o discurso em relação ao Irã, classificando a proposta de cessar-fogo como “lixo” e afirmando que o acordo está em “estado crítico”, reacendendo os temores de escalada militar no Oriente Médio e elevando a aversão ao risco.

O petróleo voltou a avançar de forma significativa, com o Brent acima de US$ 107 por barril, enquanto futuros de Wall Street e bolsas europeias recuam diante da maior incerteza geopolítica. Os Estados Unidos anunciaram novas sanções contra indivíduos e empresas acusados de facilitar exportações iranianas à China, movimento que antecede o encontro entre Trump e Xi Jinping, no qual Washington deve pressionar Pequim sobre o impasse diplomático e a reabertura do Estreito de Ormuz.

Nesse contexto, cresce a sensibilidade dos investidores aos dados de inflação divulgados hoje (IPCA no Brasil e CPI nos Estados Unidos), ambos impactados pela alta do petróleo e pela pressão sobre combustíveis, energia e expectativas de juros.

00:52 — Inflação qualitativamente ruim

No Brasil, a semana começa com nova queda do Ibovespa. O índice voltou a perder o patamar dos 182 mil pontos, mesmo com o dólar ainda abaixo de R$ 4,90. A moeda brasileira segue beneficiada pelo bom posicionamento do país em um cenário de petróleo mais alto. Esse fator que melhora os termos de troca e sustenta o fluxo cambial, ainda que o ambiente externo permaneça desafiador para ativos de risco.

Na agenda doméstica, o mercado digere o dado de inflação de abril. No período o IPCA desacelerou na comparação mensal de 0,80% em março para 0,67%, resultado abaixo das expectativas.

No entanto, o número aparentemente mais benigno na margem não deve ser interpretado de forma excessivamente otimista. Assim como ocorreu na prévia inflacionária, a composição do índice foi qualitativamente desfavorável.

Em termos acumulados em 12 meses, a inflação acelerou de 4,14% para 4,39%, aproximando-se do teto da meta estabelecida para este ano. Além disso, houve surpresa altista na média dos cinco núcleos e nos serviços subjacentes, indicadores que costumam refletir a dinâmica mais estrutural da inflação.

Esse conjunto reforça a percepção de expectativas ainda pressionadas e dificulta a atuação do Banco Central, cujo espaço para cortes de juros permanece limitado no horizonte relevante. Nesse contexto, a tendência de abertura na curva de juros tende a pressionar o mercado de ações. Em contrapartida, que pode sustentar o real por conta do diferencial de juros elevado.

Além da inflação, o mercado acompanha os desdobramentos do resultado da Petrobras. A companhia reportou lucro líquido de R$ 32,66 bilhões no trimestre, queda de 7,2% na comparação anual, e aprovou a distribuição de R$ 9,03 bilhões em dividendos. O desempenho ficou abaixo das expectativas do mercado. O impacto mais positivo da alta recente do petróleo deve se refletir com maior intensidade apenas no segundo trimestre.

A teleconferência da empresa será observada com atenção, pois pode ajudar a calibrar as expectativas dos investidores, especialmente considerando o peso relevante das ações da estatal na composição do Ibovespa e sua influência sobre o humor geral do mercado brasileiro.

01:41 — Ritmo acelerado

Wall Street iniciou a semana em ritmo moderado, mas suficiente para renovar máximas históricas. O S&P 500 e o Nasdaq voltaram a registrar recordes em 2026, sustentados sobretudo pelo otimismo persistente em torno da inteligência artificial e pela resiliência dos resultados corporativos, mesmo com a temporada de balanços já próxima do encerramento.

O mercado tem demonstrado relativa indiferença ao conflito no Oriente Médio e ao impasse envolvendo o Estreito de Ormuz, apesar dos reflexos sobre o petróleo, cujo avanço levou o setor de energia a liderar os ganhos do dia. A leitura predominante entre investidores é de que a demanda estrutural por infraestrutura de IA permanece robusta, especialmente diante das restrições de oferta enfrentadas pelas grandes empresas de tecnologia e computação em nuvem. Esse movimento é o que sustenta projeções favoráveis para receitas e investimentos no segmento.

Na agenda do dia, o principal destaque é a divulgação do CPI de abril, que confirmou uma nova aceleração inflacionária, impulsionada principalmente pela alta da gasolina em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio. Caso esse movimento se consolide, reforçará o receio de um ambiente mais próximo de estagflação. Trata-se da combinação de inflação persistente com perda de fôlego da atividade, cenário que tende a manter o Federal Reserve em postura cautelosa por mais tempo.

02:37 — Janela de oportunidade para o Brasil

Donald Trump passou a demonstrar de forma mais explícita sua preocupação com a crise de acessibilidade (preço acessível), adotando medidas voltadas à contenção dos preços de itens especialmente sensíveis ao consumidor, como carne bovina e combustíveis.

Nesse contexto, o governo avalia suspender temporariamente as tarifas sobre importações de carne de países como Brasil e Austrália. Essa seria uma tentativa de aliviar a inflação de alimentos em um momento no qual os preços da carne bovina acumulam alta superior a 16% desde janeiro de 2025 e permanecem próximos de máximas históricas.

A pressão decorre de um problema estrutural: o rebanho americano está no menor nível em 75 anos. Após um período prolongado de seca e condições desfavoráveis de pastagem, analistas estimam que uma recuperação mais significativa só deva ocorrer em 2028. A eventual remoção das tarifas poderia ampliar a oferta e reduzir custos no curto prazo. Por outro lado, impõe risco político a Trump, ao contrariar pecuaristas americanos, um grupo relevante dentro de sua base de apoio, e ao reacender críticas do setor em relação aos padrões sanitários da carne bovina brasileira. Seja como for, se trata de uma oportunidade para o Brasil.

03:24 — O estado do cessar-fogo

O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã atravessa um momento de grande fragilidade, depois de Donald Trump afirmar que o acordo está em “estado crítico”, rejeitar a resposta mais recente de Teerã à proposta de paz apresentada pelos EUA e classificá-la como “lixo”. Embora o presidente ainda preserve a possibilidade de uma solução diplomática, o impasse ampliou a incerteza em torno das negociações. Também elevou a tensão regional e também passou a repercutir na sua agenda internacional, que inclui um encontro previsto com Xi Jinping em Pequim.

Ao mesmo tempo, o mercado acompanha com atenção crescente o risco de novos ataques militares, os relatos de ofensivas na região e a mobilização iraniana no Golfo Pérsico, em um cenário no qual o Estreito de Ormuz segue parcialmente bloqueado e continua pressionando o fluxo global de energia. Nesse ambiente, o petróleo voltou a encontrar sustentação, com o Brent superando US$ 105 no início do pregão asiático, ao mesmo tempo em que a pressão sobre os combustíveis nos Estados Unidos se intensificou.

04:11 — O destaque sul-coreano

A Coreia do Sul se consolidou como um dos retratos mais expressivos do boom global da inteligência artificial, impulsionada principalmente pela Samsung Electronics. Líder mundial no fornecimento de chips de memória, a companhia registrou um salto de 755% no lucro no trimestre encerrado em março. Além disso, viu seu valor de mercado ultrapassar US$ 1 trilhão e contribuiu para que o principal índice acionário do país acumulasse alta de 81% no ano, o melhor desempenho entre os mercados globais.

Esse movimento, porém, também ampliou o debate em torno da distribuição dos ganhos gerados pela IA. Propostas para destinar à população parte da arrecadação adicional associada ao setor, na forma de um “dividendo”, somadas à pressão de sindicatos para que os funcionários recebam uma parcela maior dos lucros, indicam que a dimensão social desse avanço ganhou relevância. Diante da expectativa de que Samsung e SK Hynix sigam expandindo seus resultados, a tendência é de aumento da pressão sobre empresas e governo para compartilhar essa nova riqueza.

05:06 — Infraestrutura a todo vapor

A demanda por infraestrutura física voltada à inteligência artificial segue muito forte, a ponto de o principal gargalo ter deixado de ser a oferta de chips e passado a ser a capacidade de construir e energizar data centers. Para companhias como a Microsoft (MSFT34), esse contexto reforça a percepção de que a empresa continua engajada em um ciclo robusto de investimentos para ampliar sua oferta em nuvem e em IA, sustentando a tese de crescimento de longo prazo do Azure e dos serviços associados à inteligência artificial.

Mesmo com atrasos pontuais em alguns projetos e com o aumento do poder de barganha de construtoras e empresas de engenharia, o quadro de fundo permanece positivo, já que a urgência em colocar novas instalações em operação indica que a demanda final continua aquecida.

Se a construção dos chamados “shells” (a estrutura física dos data centers) passou a representar um gargalo, o ritmo de monetização da IA pode depender não apenas da capacidade tecnológica da Microsoft, mas também da execução das obras, da disponibilidade de energia e da implantação dos sistemas de suporte. Para MSFT34, isso pode se traduzir em pressão de curto prazo sobre prazos e custos de expansão, sem necessariamente comprometer a narrativa estrutural de crescimento.

Em termos práticos, o mercado pode interpretar esse cenário mais como um sinal de demanda reprimida do que de fragilidade operacional: se a Microsoft hoje enfrenta limites físicos para acelerar ainda mais sua expansão, isso sugere que a oportunidade comercial permanece ampla, desde que a companhia consiga conduzir esse ciclo de investimentos com disciplina e eficiência.

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Após compra da Tivit, receita anual da italiana Almaviva cresce 25%, para R$ 11,1 bi

12 de Maio de 2026, 09:41

O Grupo Almaviva encerrou 2025 com receita de R$ 11,1 bilhões e Ebitda de R$ 2,2 bilhões, com margem de 19,6%, considerando a consolidação da Tivit ao longo de todo o ano.

O resultado do faturamento anual representa crescimento de 25% em relação ao ano anterior, de acordo com comunicado divulgado pelo grupo italiano do setor de tecnologia nesta terça-feira (12).

O desempenho marca o primeiro ciclo completo da empresa após a aquisição da Tivit, concluída em agosto de 2025. O acordo havia sido anunciado em junho do mesmo ano com os fundos assessorados pela Apax Partners, controladora da Tivit desde 2010.

Na América Latina, o grupo registrou R$ 4,5 bilhões em receita, somando as operações da Tivit, Almaviva Solutions, Almawave e Almaviva Experience. O grupo afirma ser o segundo maior provedor de soluções de tecnologia no Brasil.

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Mais de 50% da receita da Almaviva é gerada fora da Itália. Além da Tivit, o grupo realizou a aquisição da Iteris nos Estados Unidos em 2024, ampliando sua presença para 21 países.

Após a integração, a Almaviva diz ter equacionado a posição de endividamento da Tivit. Ao encerrar 2024, último exercício antes da aquisição, a dívida líquida consolidada da empresa brasileira era de R$ 533 milhões, com alavancagem de 1,7 vez o Ebitda.

Leia também: Google Cloud leva ao Cade supostas práticas abusivas da Microsoft no mercado de nuvem

“Estamos testemunhando uma mudança estrutural no setor. A tecnologia deixou de ser apenas uma função de suporte — ela está se tornando um fator determinante para a competitividade dos nossos clientes. Nosso papel está evoluindo de acordo com essa transformação”, afirmou Marco Tripi, CEO global do Grupo Almaviva, em comunicado.

A estratégia do grupo inclui reduzir a dependência de modelos tradicionais de integração de sistemas e avançar no desenvolvimento de plataformas proprietárias com inteligência artificial e capacidades de dados. Entre as soluções citadas estão Moova e Velvet, desenvolvidas na Europa e que passam a ser ofertadas na América Latina.

A Tivit chegou à aquisição pela Almaviva após uma reestruturação que incluiu o desmembramento de suas divisões de data center, sob a marca Takoda, e de terceirização de processos de negócios, a Neobpo.

Em 2024, último exercício antes da aquisição, a empresa registrou receita bruta de R$ 2,1 bilhões, crescimento de 12,2% ante o ano anterior, Ebitda ajustado de R$ 336 milhões com margem de 17,1% e lucro líquido de R$ 24 milhões, ante R$ 6 milhões em 2023.

Já em 2025, primeiro ano sob o guarda-chuva da Almaviva, a Tivit registrou receita bruta de R$ 2,4 bilhões e receita líquida de R$ 2,2 bilhões, crescimento de 12% ante o ano anterior. A unidade de cibersegurança avançou 52% e a de nuvem, 25%, de acordo com as demonstrações financeiras divulgadas separadamente pela companhia em abril.

No comando da Tivit Brasil está Valdinei Cornatione, nomeado CEO em outubro de 2025. Cornatione trabalha na empresa há 28 anos e atuava como Chief Commercial Officer desde 2023.

“A integração com o Grupo Almaviva eleva claramente o nosso posicionamento. Passamos a competir com maior diferenciação tecnológica, maior profundidade de conhecimento setorial e maior relevância nas decisões estratégicas dos nossos clientes”, disse o CEO, em comunicado.

-- Reportagem atualizada para incluir dados da demonstração financeira da Tivit de 2025.

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Escritório da Tivit em São Paulo: Mais de 50% da receita do Grupo Almaviva é gerada fora da Itália. (Foto: Divulgação)

A pressão da alta de custos na construção

12 de Maio de 2026, 07:05

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A MRV Incorporação, principal negócio do conglomerado MRV&Co, registrou um lucro líquido ajustado de R$ 132,8 milhões no primeiro trimestre de 2026 — resultado 7,4 vezes maior na comparação anual.

No entanto, a margem bruta – um dos indicadores mais acompanhados pelo mercado por sinalizar a rentabilidade futura da companhia e seu ritmo de recuperação – ficou estável em 31% na comparação trimestral, apesar da melhora de 3,7 pontos percentuais na comparação anual.

Esta foi a primeira interrupção do ciclo de alta da margem desde o segundo trimestre de 2022. O indicador é observado como termômetro central da tese de recuperação da MRV, que passou por um processo de turnaround após a explosão dos custos de construção no pós-pandemia.

Ricardo Paixão, CFO da MRV, reforçou que o cenário atual não é uma virada na tendência de bons resultados da companhia.

O que segurou a expansão de margem foi a deterioração das expectativas com a inflação de custos, causada pela guerra entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.

“Foi um ponto fora da curva”, afirmou em entrevista à Bloomberg Línea. “Olhando para frente, não vejo porque não possamos ter uma melhora similar ao ritmo anterior.”

⇒ Leia a reportagem: Na MRV, a alta de custos freia a recuperação da margem. CFO vê ‘ponto fora da curva’

MRV Incorporação, principal negócio do conglomerado MRV&Co, registrou um lucro líquido ajustado de R$ 132,8 milhões no primeiro trimestre de 2026. (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)

No radar dos mercados

As ações globais operam em queda nesta terça-feira (12), em um movimento de correção das empresas de tecnologia, enquanto investidores aguardam os dados de inflação dos Estados Unidos.

- Caso Master pressiona o BC.As restrições orçamentárias do Banco Central ampliam preocupações sobre a capacidade do órgão de monitorar o sistema financeiro. Para pessoas próximas ouvidas pela Bloomberg News, o caso Master expôs brechas de supervisão.

- Tarifas sobre carne bovina. O governo dos EUA suspendeu temporariamente um plano para flexibilizar tarifas sobre importações de carne bovina após pressão de pecuaristas e republicanos, segundo o Wall Street Journal. Se aprovada, a medida tenderia a beneficiar o Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo.

- IA acelera demanda da Siemens Energy. A companhia alemã prevê que o avanço da inteligência artificial e a expansão de data centers impulsionem a demanda por turbinas a gás e equipamentos de rede até 2030, segundo disse a CFO do grupo, Maria Ferraro, em entrevista à Bloomberg Television.

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🔘 As bolsas ontem (11/05): Dow Jones Industrials (+0,19%), S&P 500 (+0,19%), Nasdaq Composite (+0,10%), Stoxx 600 (+0,11%), Ibovespa (-1,19%)
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Destaques da Bloomberg Línea:

Petrobras tem lucro líquido de R$ 32,7 bi no 1º tri e anuncia dividendos de R$ 9 bi

Fintech Meu Tudo disputa consignado com o Pan sem canibalizar, diz CFO do BTG

Santander contrata executiva do Patria como CEO global de asset management

• Também é importante: Google Cloud leva ao Cade supostas práticas abusivas da Microsoft no mercado de nuvem | Elo contrata Bank of America, UBS BB e Bradesco para IPO nos EUA, dizem fontes

• Opinião Bloomberg: Como a ideia de que o Claude tem sentimentos beneficia a Anthropic

• Para não ficar de fora: Larry Fink diz estar ‘bastante otimista’ com a oportunidade de investir na Venezuela

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Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Editor sênior, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)

Na MRV, a alta de custos freia a recuperação da margem. CFO vê ‘ponto fora da curva’

12 de Maio de 2026, 06:00

A MRV Incorporação, principal negócio do conglomerado MRV&Co, registrou um lucro líquido ajustado de R$ 132,8 milhões no primeiro trimestre de 2026 — resultado 7,4 vezes maior na comparação anual.

No entanto, a margem bruta – um dos indicadores mais acompanhados pelo mercado por sinalizar a rentabilidade futura da companhia e seu ritmo de recuperação – ficou estável em 31% na comparação trimestral, apesar da melhora de 3,7 pontos percentuais na comparação anual.

Esta foi a primeira interrupção do ciclo de alta da margem desde o segundo trimestre de 2022. O indicador é observado como termômetro central da tese de recuperação da MRV, que passou por um processo de turnaround após a explosão dos custos de construção no pós-pandemia.

Ricardo Paixão, CFO da MRV, reforçou que o cenário atual não é uma virada na tendência de bons resultados da companhia.

“Foi um ponto fora da curva”, afirmou em entrevista à Bloomberg Línea. “Olhando para frente, não vejo porque não possamos ter uma melhora similar ao ritmo anterior.”

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O que segurou a expansão de margem foi a deterioração das expectativas com a inflação de custos, causada pela guerra entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.

Com a alta dos preços do petróleo e insumos do setor de construção, a MRV decidiu revisar de forma conservadora suas projeções de inflação, elevando em dois pontos percentuais a estimativa de custo sobre os empreendimentos já lançados. O efeito prático é um aumento no custo ainda a incorrer nas obras em andamento.

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O CFO afirmou ainda que o efeito da inflação deve ser parcialmente compensado pelas mudanças recentes no programa Minha Casa Minha Vida. No final de abril, o governo promoveu uma correção nas faixas de renda e nos parâmetros do programa, ampliando a capacidade de pagamento dos clientes em todas as faixas — da 1 à 4.

A atualização eleva o poder de compra dos usuários do programa e abre espaço para reajuste de preços por parte das incorporadoras, funcionando como uma válvula de alívio para a pressão de custos.

Segundo Paixão, a medida deve aparecer melhor nos resultados do segundo trimestre. “Os novos parâmetros do MCMV nos permitem tentar compensar, em parte, esse aumento potencial de inflação. Mas ainda não vimos efetivamente essa inflação acontecer, são projeções”, afirmou.

Prejuízo no consolidado da MRV&Co

Já a MRV&Co, grupo que reúne a MRV, Urba, Luggo e Resia, encerrou o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido ajustado de R$ 14,4 milhões.

O balanço do conglomerado segue impactado negativamente pela subsidiária americana Resia que, sozinha, registrou um prejuízo de R$ 120 milhões. O resultado reverteu lucro de R$ 116,5 milhões no quarto trimestre de 2025 e também ficou 94,5% abaixo do montante alcançado no mesmo período do ano anterior.

A subsidiária norte-americana registrou a venda de um ativo por valor inferior ao contabilizado no balanço, ampliando o prejuízo da operação.

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O plano de desinvestimento, no entanto, segue em curso: a companhia projeta concluir vendas relevantes de propriedades até o fim de 2026, o que deve reduzir progressivamente a alavancagem e a despesa financeira da unidade.

Apesar da pressão já esperada da Resia, a MRV também teve os resultados afetados por outro fator: o descasamento entre produção e repasses no trimestre. A MRV produziu em média 3.200 unidades por mês contra apenas 2.700 repassadas – um gap de 1.500 unidades que pressionou a geração de caixa e o reconhecimento de receita.

O CFO destacou que mais de 40% das vendas do primeiro trimestre se concentraram em março, impedindo que essas unidades fossem reconhecidas a tempo no resultado do primeiro trimestre. A expectativa é que o descompasso beneficie os resultados do próximo trimestre.

“Certamente no segundo trimestre teremos crescimento maior de receitas e de vendas. Vamos voltar pra aquela trajetória de resultado ainda mais forte”, disse.

A receita líquida consolidada da companhia somou R$ 2,776 bilhões no período, alta de 21,6% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. As despesas operacionais consolidadas, por sua vez, totalizaram R$ 444,5 milhões, avanço de 6,5% na comparação anual.

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© Victor Moriyama

MRV Incorporação, principal negócio do conglomerado MRV&Co, registrou um lucro líquido ajustado de R$ 132,8 milhões no primeiro trimestre de 2026. (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)

Petrobras tem lucro líquido de R$ 32,7 bi no 1º tri e anuncia dividendos de R$ 9 bi

11 de Maio de 2026, 21:48

A Petrobras (PETR3, PETR4) registrou um lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre do ano, queda de 7,3% em relação ao mesmo período do ano passado, informou a companhia nesta segunda-feira (11).

No critério sem eventos exclusivos, o indicador marcou R$ 23,8 bilhões, alta de 0,8% na mesma base de comparação.

Segundo a companhia, o resultado no trimestre foi influenciado pelo ganho com a variação cambial da ordem de R$ 12,3 bilhões e a reversão do impairment (baixa contábil).

“Entregamos resultados financeiros consistentes no primeiro trimestre de 2026, mantendo a forte geração de caixa, sustentada pela excelente performance dos nossos ativos e por recordes de produção de óleo e gás”, disse em comunicado o diretor financeiro e de relacionamento com investidores, Fernando Melgarejo.

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Ainda nesta segunda-feira, a companhia informou que o conselho de administração aprovou o pagamento de remuneração aos acionistas no valor de R$ 9 bilhões, equivalente a R$ 0,7009 por ação ordinária e preferencial.

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No primeiro trimestre do ano, a companhia destacou o aumento da produção total própria e o incremento dos volumes produzidos e de venda de derivados.

No entanto, a petroleira disse em comunicado que os efeitos dos aumentos de preços do petróleo recentes “ainda não foram percebidos devido à lógica de precificação de exportações” e que a alta do barril após o início do conflito no Oriente Médio “estará refletida nas exportações do segundo trimestre de 2026.”

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado (sem eventos exclusivos) de janeiro a março foi de R$ 61,7 bilhões, queda de 1% na comparação anual.

De acordo com a Petrobras, o resultado foi impulsionado pelo aumento nas vendas de derivados produzidos e menores despesas operacionais, em especial a redução dos custos exploratórios.

Por outro lado, as exportações reduzidas de petróleo no período atenuaram parcialmente os resultados.

No trimestre, a receita de vendas atingiu R$ 123,6 bilhões, alta de 0,4% sobre um ano antes.

Dívida e capex

A dívida líquida da estatal atingiu US$ 62 bilhões no primeiro trimestre, ante US$ 56 bilhões um ano antes.

De janeiro a março, os investimentos totalizaram US$ 5,1 bilhões, alta de 25,6% na comparação anual. No período, o segmento de exploração e produção se destacou, concentrando 87,4% do capex.

Na visão do analista da Suno Research, João Daronco, o resultado do trimestre não decepcionou estruturalmente, mas frustrou na margem.

“A operação está entregando, mas o problema é que o timing do reconhecimento de receita ‘comeu’ o efeito do Brent, o capital de giro pesou no fluxo de caixa operacional e os dividendos vieram apenas razoáveis em um trimestre que, pelo cenário de preços, prometia mais”, disse o analista em nota.

Daronco acrescentou que os aspectos de longo prazo seguem intactos, com a Petrobras mantendo um dos custos de produção (“lifting cost”) mais baixos do mundo, além de um cronograma de novos sistemas de produção até 2030, geração de caixa estrutural relevante e endividamento confortável.

Em sua avaliação, o maior risco para a companhia é a governança estatal e a política dos preços e do capital.

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A companhia informou a aprovação do pagamento de dividendos de R$ 9 bilhões. Foto: Lucas Landau/Bloomberg

Google Cloud leva ao Cade supostas práticas abusivas da Microsoft no mercado de nuvem

11 de Maio de 2026, 16:19

O Google Cloud apresentou um documento em resposta ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), detalhando o que classifica como práticas abusivas da Microsoft para supostamente favorecer sua plataforma de nuvem, a Azure, em um novo capítulo da disputa regulatória no setor de tecnologia.

No documento, o Google alega que as restrições de licenciamento da gigante de Redmond criariam um cenário de “fechamento de mercado” que prejudicaria empresas brasileiras e órgãos governamentais.

Em janeiro, o Cade abriu um inquérito para apurar infrações à ordem econômica relacionadas à atuação da Microsoft nos mercados de software corporativo e computação em nuvem.

A superintendência do órgão acolheu uma recomendação da área técnica, baseada em relatório da CMA (Autoridade de Concorrência e Mercados) do Reino Unido, publicado no ano passado, que identificou efeitos adversos à concorrência decorrentes das políticas de licenciamento de softwares da empresa fundada por Bill Gates naquele país.

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Para dar seguimento, o Cade solicitou o posicionamento de concorrentes e de grandes companhias sobre a atuação de mercado da Microsoft.

O cerne da questão reside no modelo Bring Your Own License (BYOL). Segundo o Google, a Microsoft teria se utilizado de sua dominância histórica em softwares corporativos, como o Windows Server e o SQL Server, para supostamente elevar artificialmente os custos de migração para nuvens concorrentes.

Procurada, a Microsoft não respondeu aos pedidos de comentários até a publicação da reportagem.

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Licenciamento

De acordo com os dados apresentados, desde outubro de 2019 a Microsoft teria impedido que clientes com novas licenças do Windows Server utilizassem o benefício BYOL em “Provedores Listados” — categoria que inclui Google Cloud, AWS e Alibaba.

Na prática, um cliente que já possui licenças on-premises (instalações físicas locais) e deseja migrar para o Google Cloud seria forçado a adquirir uma nova licença por meio de um contrato de revenda (SPLA), gerando uma “dupla cobrança”, de acordo com o Google.

O documento menciona que a Microsoft se incluiu como Provedor Listado, mas criou o Azure Hybrid Benefit (AHB) para, na prática, supostamente se isentar das restrições que impôs aos rivais, na visão do Google.

“Um cliente que adquira serviços de nuvem de um concorrente da Microsoft acabará pagando um acréscimo de 400% sobre o valor dos serviços de nuvem de que efetivamente necessita”, afirma o documento.

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A empresa sustenta que, para igualar o preço da Microsoft, um concorrente teria que oferecer sua infraestrutura gratuitamente e ainda pagar ao cliente um montante equivalente a 300% do valor do serviço.

Em um exemplo enviado ao Cade, o Google cita dados da Microsoft apontando que utilizar o Windows Server e o SQL Server na AWS poderia custar até cinco vezes mais do que na Azure, devido à impossibilidade de aplicar os mesmos descontos de licenciamento em nuvens rivais.

Poder de mercado e ‘lock-in’

O Google rebateu a tese da Microsoft de que softwares de código aberto (como Linux) seriam substitutos próximos de seus produtos proprietários. Citando investigações da autoridade britânica (CMA) e decisões anteriores do próprio Cade, o Google aponta que a Microsoft detém entre 70% e 80% do mercado global de sistemas operacionais para servidores.

A dependência tecnológica é o principal fator de lock-in. Para muitas empresas tradicionais, a migração para a nuvem ocorre via lift and shift (transferência direta sem alteração de código).

Como o Windows Server é frequentemente necessário para que outras aplicações funcionem, a impossibilidade de reutilizar licenças tornaria a Azure a “única opção economicamente racional”, na visão do Google.

O Google também listou produtos “essenciais” que a Microsoft supostamente não disponibiliza para revenda no Google Cloud, como o Microsoft 365, o Windows Desktop e assinaturas do Visual Studio.

Justificativas ‘infundadas’

A defesa da Microsoft ao Cade baseou-se na diferenciação entre os grandes provedores (hyperscalers) e provedores menores. A Microsoft alega que as restrições aos grandes protegem a concorrência dos pequenos.

O Google classifica essa distinção como “artificial” e “discriminatória”, argumentando que empresas como Oracle e IBM possuem capacidades técnicas de escala similares e que não cabe à Microsoft “moldar a dinâmica concorrencial”.

Sobre o argumento de proteção de propriedade intelectual, o Google afirma que a Microsoft já é remunerada pelas licenças e pelo Software Assurance e que a política de licenciamento da companhia não diz respeito à proteção de propriedade intelectual, e sim à promoção de fechamento de mercado direcionado contra seus concorrentes mais eficazes.

Os advogados do Google Cloud alertam que a continuidade dessas práticas aumentaria o “aprisionamento” tecnológico de órgãos públicos e grandes empresas brasileiras em processo de transformação digital.

Sem uma intervenção do Cade, o Google prevê uma redução da resiliência do mercado e uma elevação dos custos totais para a economia nacional, além de prejuízos à competição no setor.

Onde ficam os clientes

Em paralelo aos concorrentes diretos, como Google Cloud e AWS, o Cade também tem recebido as respostas das companhias. Entre mais de 10 posicionamentos consultados pela Bloomberg Línea, as empresas reconhecem que a política da Microsoft tem um peso na decisão entre os provedores de serviços de nuvem.

Em resposta ao órgão antitruste local, a Gol, por exemplo, disse reconhecer que a migração entre provedores de nuvem apresenta grau elevado de dificuldade, com impactos advindos de diferenças na arquitetura, custos de transferência de dados, impactos contratuais e modelos de licenciamento.

A companhia aérea afirmou ainda que “as condições de licenciamento de software Microsoft têm o potencial de influenciar as decisões de alocação de workloads entre provedores de computação em nuvem, na medida em que impactam o custo total de operação e condicionam a viabilidade de determinadas arquiteturas”.

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O Bradesco, que começou o seu processo de migração de on-premises para nuvem em 2022, disse que o modelo BYOL ajudou na redução dos custos iniciais da operação e que as licenças contribuem ao propiciar melhores condições comerciais e benefícios específicos.

“É um fator relevante, especialmente para workloads dependentes de software Microsoft, pois pode impactar no custo total de propriedade, além da complexidade operacional e flexibilização das migrações”, escreveu o porta-voz da companhia no documento ao Cade.

Para a Claro, o modelo BYOL facilita a migração para a nuvem ao reaproveitar as licenças, acelerando o cenário de lift and shift e trazendo um benefício especialmente na redução de custos iniciais.

A empresa informou, contudo, que não percebe que as condições de licenciamento podem favorecer ou dificultar a concorrência: “Considerando o modelo atual de licenciamento disponibilizado para a Claro, não percebemos esse tipo de impacto”, afirmou a companhia no documento.

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Em janeiro, o Cade abriu um inquérito para apurar infrações à ordem econômica relacionadas à atuação da Microsoft nos mercados de software corporativo e computação em nuvem. (Foto: Adam Gray/Bloomberg)

Mercado Livre, Shein, Amazon e Shopee impulsionaram os fundos imobiliários em abril e estes 3 FIIs podem se beneficiar desse cenário; veja quais são

11 de Maio de 2026, 16:17

Mais uma vez os fundos imobiliários superaram o Ibovespa. Em abril, o Ifix — índice que reúne os principais FIIs do mercado brasileiro — entregou um retorno de + 1,53% enquanto o IBOV ficou no “zero a zero”. Parte desse desempenho se deve a inquilinos como Mercado Livre, Shein, Amazon e Shopee.

Explico: dentre os segmentos, os fundos logísticos foram destaque da alta em abril e no primeiro trimestre. Esses FIIs tem como principais locatários grandes empresas de varejo, mais especificamente de e-commerce.

De acordo com Caio Araujo, analista de fundos imobiliários, essas empresas devem continuar favorecendo o segmento logístico. Assim, os FIIs mais preparados podem surfar esse momento positivo. Nesse contexto, ele apontou 3 ativos que vale a pena investir agora.

CONFIRA 3 FIIs QUE PODEM GANHAR COM MERCADO LIVRE, AMAZON, SHEIN E SHOPEE

Escalada do e-commerce ‘desequilibrou’ o setor logístico e abriu espaço para oportunidades

Em 2025, o faturamento do e-commerce no Brasil ultrapassou os R$ 235 bilhões. De acordo com dados da Abiacom as expectativas são de um crescimento de 33% no faturamento até 2028.

Do ponto de vista logístico, essa informação já seria suficiente para imaginar que os fundos deste segmento podem continuar se destacando mediante uma necessidade de galpões com boa infraestrutura, próximo a regiões estratégicas.

Contudo, Caio Araujo aponta que há um desequilíbrio neste mercado que pode aumentar ainda mais a atratividade de alguns fundos específicos. Em um relatório especial, publicado recentemente, o analista explicou que há uma oferta restritiva de galpões que atendam as necessidades das grandes empresas com Amazon, Mercado Livre, Shein e Shopee.

O índice de vacância desse tipo de imóvel chegou aos 6,7% no primeiro trimestre, ao passo que a procura por galpões continua alta. Para completar, o ambiente de juros elevados aumentou o custo de desenvolvimento de novos projetos, reduzindo a atividade construtiva.

Assim, “quem tem o galpão pronto, de qualidade, triple A, pode ‘surfar’ essa onda”, afirma Araujo. A onda que o analista se refere é justamente a possibilidade de reajustes no valor dos contratos de aluguel mediante a alta demanda e baixa oferta de imóveis com essas características.

Avaliando o preço dos imóveis em um raio de 90 quilômetros de distância da cidade de São Paulo, o analista aponta que o descasamento entre oferta e demanda pode significar uma necessidade de ajuste de até 40% no aluguel médio.

Nesse contexto, o analista recomenda 3 fundos imobiliários para os investidores que desejam “surfar” as oportunidades do setor logístico.

3 FIIs para investir no setor logístico

Em um relatório especial Caio Araujo apresentou com mais detalhes a sua tese de investimentos no setor logístico. Ele ainda indicou três ativos para investir no segmento. Entre as recomendações estão:

Um FII cujas operações geraram um retorno acumulado de R$ 4,68 por cota e que ainda pode valorizar 9,6%;

Fundo imobiliário que se destaca pela qualidade técnica dos imóveis, além de uma geração de renda estimada em 9,6% para os próximos 12 meses;

FII logístico que negocia com um desconto de 10% em relação ao valor patrimonial (P/VP) e pode entregar um ganho de capital de 9,6%, mais um dividend yield de 10,5% nos próximos 12 meses.

A boa notícia é que você pode ter acesso a este conteúdo de forma gratuita. Para liberar o seu acesso é muito simples, basta clicar no botão abaixo e seguir as instruções:

QUERO CONHECER OS FUNDOS IMOBILIÁRIOS PARA ‘SURFAR’ AS OPORTUNIDADES DO SETOR LOGÍSTICO

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Os motivos que levaram a Vale (VALE3) a retornar à carteira de dividendos da Empiricus em maio

11 de Maio de 2026, 16:16

A carteira automatizada de dividendos da Empiricus teve apenas uma alteração para maio: a entrada da Vale (VALE3) no lugar da SLC Agrícola (SLCE3). Até o fechamento de abril, o portfólio já valorizou 28,7% em 2026, contra 16,3% do Ibovespa no mesmo período.

Segundo Ruy Hungria, analista responsável pela carteira, a saída da SLC se deu pela piora nas perspectivas de custo da companhia por conta do conflito no Oriente Médio, que mantém sob pressão o Estreito de Ormuz, local por onde passam insumos agrícolas.

Já a entrada da Vale tem a ver com a evolução consistente de resultados da companhia, especialmente em sua divisão de metais básicos, a qual o analista chama de “joia da coroa”.

Lucro líquido da Vale saltou 29% no primeiro tri

No balanço do primeiro trimestre do ano, divulgado em 28 de abril, a Vale (VALE3) registrou lucro líquido de R$ 1,9 bilhão, alta de 29% em relação ao mesmo período de 2025.

Se no segmento de minério de ferro o crescimento do Ebitda foi de 1% ano contra ano, para R$ 2,4 bilhões, na divisão de metais básicos a alta foi muito mais representativa — embora a base de comparação fosse mais “fácil” de superar.

O Ebitda do segmento de cobre saltou 57%, para US$ 949 milhões, enquanto a mesma linha da operação de níquel saltou 575%, indo de US$ 41 milhões no 1T25 para US$ 277 milhões no último trimestre.

O fluxo de caixa livre chegou a US$ 813 milhões, alta anual de 61%, número que, segundo Hungria, “tende a melhorar nos próximos trimestres por conta da sazonalidade”.

Apesar de todo esse crescimento, os números divulgados pela Vale ficaram abaixo das expectativas do mercado. Mas, para o analista da Empiricus, a companhia “está no caminho certo e deve continuar como boa fonte de dividendos para os acionistas”.

GRÁTIS: CADASTRE-SE NA ÁREA LOGADA DA EMPIRICUS PARA CONHECER A CARTEIRA DE DIVIDENDOS COMPLETA

Os quatro pilares da tese em VALE3

A boa perspectiva do analista para as ações VALE3 vem de quatro pilares principais:

  1. Minério de ferro resiliente;
  2. Previsibilidade operacional;
  3. Forte geração de caixa e retorno ao acionista; e
  4. Potencial em metais básicos.

Em primeiro lugar, os preços do minério de ferro, principal segmento da companhia, têm se mostrado mais resilientes do que o esperado, “sustentado por dinâmica de oferta mais restrita, elevada depleção global e demanda ainda sólida, com maior diversificação geográfica”, afirma Ruy Hungria.

O analista destaca ainda que a Vale está entre os produtores de menor custo, o que “traz mais segurança à tese”.

Em relação à previsibilidade operacional, Hungria avalia que os investimentos em melhorias operacionais feitos pela mineradora nos últimos anos já se traduziram em menos paradas, aumento de produção e consequente diluição de custos.

O terceiro ponto é a elevada geração de caixa da Vale, que dá ao acionista um potencial de retorno próximo de dois dígitos sustentado por dividendos recorrentes e eventuais distribuições adicionais.

Por fim, está a “joia da coroa” Vale Base Metals que, segundo Ruy Hungria, “vem ganhando relevância e pode destravar valor ao longo do tempo, em um movimento ainda pouco refletido no valuation atual”.

Conheça as outras 7 ações que compõem a carteira de dividendos da Empiricus

Agora você sabe os motivos que levaram a Vale a substituir a SLC Agrícola na carteira automatizada de dividendos de maio da Empiricus, mas não precisa parar por aqui.

Isso porque a carteira completa está disponível como uma cortesia da Empiricus. E para acessar é simples, basta fazer seu login na área logada da casa de análise.

Caso não tenha cadastro, o processo é gratuito e rápido. Ao preencher seus dados, você será redirecionado à área logada da Empiricus e poderá conferir esta e as outras carteiras automatizadas, sem ser cobrado em nenhum momento por isso. Para conferir a carteira de dividendos, basta clicar neste link ou no botão abaixo:

ACESSO GRÁTIS: CARTEIRA DE DIVIDENDOS DA EMPIRICUS RESEARCH

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Ibovespa na semana: novos capítulos no Oriente Médio, dados de infação, temporada de resultados, Trump na China e mais

11 de Maio de 2026, 09:59

Os mercados globais iniciam a semana novamente sob forte tensão geopolítica após Donald Trump rejeitar a mais recente resposta do Irã à proposta americana de cessar-fogo, classificando-a como “totalmente inaceitável”.

A reação voltou a pressionar os preços do petróleo diante da percepção de que o Estreito de Ormuz pode permanecer fechado por mais tempo. O Irã havia proposto concentrar as negociações inicialmente apenas em um cessar-fogo imediato, deixando a discussão sobre o programa nuclear para uma etapa posterior, proposta prontamente descartada por Washington.

Apesar da escalada geopolítica, as bolsas globais operam de forma mista, enquanto investidores acompanham uma agenda econômica particularmente relevante nesta semana, marcada por dados de inflação no Brasil, nos Estados Unidos e na China.

· 00:56 — Dólar abaixo de R$ 4,90 e petróleo acima de US$ 100: bem-vindo ao Brasil

No Brasil, a agenda da semana segue bastante carregada, tanto do lado microeconômico, com uma temporada de resultados intensa, quanto do lado macro, com destaque para a divulgação da inflação oficial de abril, prevista para amanhã.

As projeções apontam para uma desaceleração na margem, mas o mercado teme uma composição qualitativamente mais deteriorada, semelhante ao observado na prévia inflacionária recente, ainda pressionada principalmente pelos preços da gasolina e dos alimentos. Além disso, os investidores acompanharão os dados de vendas no varejo, na quarta-feira, e o volume de serviços, na sexta, indicadores importantes para medir o ritmo de atividade da economia brasileira.

Entre os ativos, o Ibovespa conseguiu se manter acima dos 184 mil pontos na última sexta-feira, embora a piora do ambiente geopolítico internacional possa voltar a gerar pressão sobre o fluxo estrangeiro para mercados emergentes.

Enquanto isso, o dólar encerrou abaixo de R$ 4,90 pela primeira vez desde janeiro de 2024, cotado a R$ 4,89, beneficiado tanto pela fraqueza global da moeda americana quanto pela alta do petróleo, fator historicamente positivo para os termos de troca brasileiros.

E, por falar em petróleo, os investidores aguardam com atenção o resultado da Petrobras, que será divulgado hoje após o fechamento do mercado. As expectativas apontam para um crescimento superior a 40% no lucro líquido ajustado, além da distribuição de aproximadamente US$ 2,4 bilhões em dividendos, sustentados pela forte geração de caixa da companhia. Pelo peso relevante da Petrobras no índice, o resultado da estatal tende a ter impacto mais amplo sobre o comportamento do mercado brasileiro.

· 01:44 — Wall Street entre o CPI e o Oriente Médio

Lá fora, a semana será dominada pelos dados de inflação nos Estados Unidos, também na terça-feira, em um ambiente no qual o mercado tenta medir os efeitos da guerra envolvendo o Irã sobre preços, atividade econômica e política monetária.

A expectativa é de aceleração dos preços, pressionados pela recente alta do petróleo e da gasolina, que já supera US$ 4,50 por galão, o maior patamar desde 2022. Ainda assim, os indicadores mais recentes de atividade continuam apontando para uma economia relativamente resiliente.

O payroll divulgado na última semana, por exemplo, mostrou criação de empregos acima das expectativas, enquanto a taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3%, reforçando a percepção de que o Federal Reserve ainda possui espaço para manter os juros elevados por um período mais prolongado.

Ao mesmo tempo, os indicadores de confiança do consumidor seguem deteriorados, refletindo o desconforto crescente das famílias americanas com o aumento do custo de vida e os impactos da inflação sobre o orçamento doméstico.

Mesmo diante de um ambiente mais desafiador, Wall Street continua renovando máximas históricas, impulsionada principalmente pelo forte desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial. O setor de tecnologia segue liderando os ganhos do mercado, sustentado por resultados corporativos robustos e pelo crescimento expressivo dos lucros das empresas do S&P 500. Contudo, já surge novamente receio de exagero por conta da concentração do movimento.

· 02:33 — Aparentemente inaceitável

A guerra entre Estados Unidos e Irã entra em sua 11ª semana ainda sem avanços concretos, mantendo os mercados globais presos ao mesmo impasse que vem pressionando o petróleo, a inflação e as expectativas de crescimento ao redor do mundo.

A rejeição de Donald Trump à nova proposta de paz apresentada por Teerã reacendeu os temores de prolongamento do conflito e provocou reação imediata nos ativos globais (disse que a resposta iraniana era totalmente inaceitável), com alta do petróleo, fortalecimento do dólar e recuo dos futuros das bolsas americanas.

O Brent voltou a superar os US$ 100 por barril diante da percepção de que o Estreito de Ormuz pode permanecer fechado por mais tempo, enquanto o Irã segue exigindo suspensão de sanções, liberação de ativos congelados, controle sobre Ormuz e reparações de guerra. Ao mesmo tempo, Israel reforçou que “a guerra não acabou”, enquanto grandes bancos alertam para riscos crescentes de escassez global de combustíveis caso o bloqueio persista, afetando os níveis globais de preços e atividade.

· 03:29 — O encontro da semana

Donald Trump desembarca em Pequim nos dias 14 e 15 de maio para a primeira visita presidencial americana à China desde 2017, em um encontro com Xi Jinping que deve concentrar as atenções em três frentes principais: guerra no Oriente Médio, comércio e tecnologia.

O conflito envolvendo o Irã tende a ocupar parte relevante das conversas, diante de seus impactos crescentes sobre energia, inflação e cadeias globais de suprimento. Nesse contexto, Washington deve pressionar Pequim sobre sua relação econômica com Teerã e sobre possíveis caminhos diplomáticos para reduzir as tensões.

Ao mesmo tempo, os dois países devem discutir a extensão da trégua comercial firmada em Busan no ano passado, além de temas estratégicos como semicondutores, inteligência artificial, Taiwan e fornecimento de terras raras.

A agenda econômica também será ampla, com negociações envolvendo possíveis compras chinesas de soja, carne bovina, energia e aeronaves da Boeing, além da criação de um Conselho de Comércio EUA-China e de um Conselho de Investimentos bilateral.

A visita deve contar ainda com a presença de importantes executivos americanos, refletindo o esforço de reposicionamento das relações econômicas entre as duas maiores potências do mundo. Apesar do tom diplomático mais construtivo, o encontro ocorre em um momento sensível, marcado pela fragilidade do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã e pela persistência das disputas tecnológicas.

· 04:12 — Chega de deflação

E por falar na China, o país registrou uma saída do quadro deflacionário que vinha marcando sua economia desde o fim de 2022, principalmente por conta da alta dos preços de energia e commodities em meio à guerra envolvendo o Irã.

Os preços ao produtor avançaram 2,8% em relação ao ano anterior, o maior aumento desde julho de 2022 e acima das expectativas do mercado, enquanto a inflação ao consumidor surpreendeu ao subir para 1,2%. O movimento reflete tanto uma recuperação parcial da demanda quanto o impacto da forte valorização do petróleo e dos metais industriais, interrompendo um período prolongado de excesso de produção e intensas guerras de preços na indústria chinesa.

A mudança de cenário também fortaleceu o yuan, que atingiu o maior patamar em mais de três anos, levando o mercado a projetar uma valorização adicional da moeda chinesa nos próximos meses.

· 05:06 — Nova edição do Arquivo X

A divulgação de milhares de páginas de arquivos do Pentágono sobre Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs, na sigla em inglês) reacendeu o interesse do mercado em torno de possíveis avanços tecnológicos militares e de seus impactos sobre a indústria global de defesa.

Entre os relatos divulgados, chamaram atenção episódios envolvendo objetos realizando manobras consideradas incomuns para os padrões tecnológicos atualmente conhecidos, incluindo curvas abruptas em alta velocidade, movimentações submersas sem aparente perda de velocidade e sistemas invisíveis a olho nu, mas detectáveis por radar. Embora o tema continue cercado por especulações, o material reforçou o foco em segmentos ligados a aeronaves avançadas, tecnologia furtiva, guerra eletrônica e sistemas autônomos de defesa.

Do ponto de vista do mercado, os documentos acabaram fortalecendo narrativas já presentes no setor aeroespacial e militar, beneficiando companhias como Lockheed Martin, GE Aerospace, Northrop Grumman, RTX e L3Harris Technologies. Os relatos envolvendo interferência em sistemas de armas, tecnologias de camuflagem e detecção por radar aumentaram a atenção sobre programas militares classificados e projetos de próxima geração.

Nesse contexto, programas confidenciais da divisão aeronáutica da Lockheed Martin podem movimentar entre US$ 500 milhões e US$ 700 milhões em 2026, reforçando a percepção de que o novo ciclo global de investimentos em defesa, segurança e tecnologias estratégicas segue ganhando força.

Nesse contexto, ETFs temáticos focados em aeroespacial e defesa, como o Select STOXX Europe Aerospace & Defense (EUAD), o Global X Defense Tech (SHLD) e o First Trust Indxx Aerospace & Defense (MISL), seguem surgindo como instrumentos eficientes para capturar essa tendência por meio de uma exposição diversificada.

No Brasil, o iShares U.S. Aerospace & Defense ETF (BDR: BAER39) cumpre papel semelhante, oferecendo acesso a esse tema de forma simples e acessível. Ainda assim, a disciplina na alocação permanece fundamental: posições individuais entre 1% e 2,5% da carteira, com limite agregado próximo a 5% para o tema, ajudam a equilibrar o potencial de retorno com uma gestão de risco adequada, respeitando tanto o caráter estrutural da tese quanto a volatilidade inerente ao setor.

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É hoje (11): IA que vai buscar lucros de até R$ 1.960 toda sexta-feira terá acessos liberados; veja como reservar já o seu

11 de Maio de 2026, 09:00

A partir das 19h desta segunda-feira (11), a Empiricus Research vai liberar acessos para os interessadosem conhecer o Delta IA, software que busca lucros no mercado de criptomoedas de forma 100% automatizada.

Os investidores que registrarem seu interesse com antecedência poderão receber os acessos em breve. Se você chegou neste texto antes do lançamento da ferramenta, aproveite a chance de deixar seu nome na lista prévia e já ficar ligado nos próximos passos:

PRÉ-INSCRIÇÃO PARA PARTICIPAR DO LANÇAMENTO DO DELTA IA – INSCREVA-SE AQUI

Como o Delta IA opera em busca de lucros semanais?

O Delta IA chega ao mercado como a primeira inteligência artificial automatizada do Brasil voltada para operações de long & short em criptomoedas. Na prática, isso significa que a tecnologia atua em compra e venda de ativos digitais, buscando oportunidades de retorno em diferentes cenários do mercado.

A proposta da ferramenta é permitir que o investidor possa buscar ganhos explorando justamente a diferença entre essas posições. De acordo com resultados de backtests da estratégia:

  • Em períodos de queda do mercado, a projeção foi de até R$ 1.960 por semana;
  • Já em cenários de alta, a projeção alcançou até R$ 1.420 por sexta-feira.

Os resultados têm como base testes realizados nos últimos seis anos, com os desempenhos em destaque relativos a junho de 2020 (+50,6%) e outubro de 2021 (+35,3%), respectivamente.

O diferencial desta ferramenta está na execução automatizada das operações”, explica Valter Rebelo, especialista em ativos digitais da Empiricus Research e responsável pelo desenvolvimento da estratégia do Delta IA.

“Enquanto outras inteligências artificiais apenas fornecem análises ou sugestões, o Delta IA opera o mercado de forma ativa. O investidor pode simplesmente acompanhar e copiar as operações realizadas pela estratégia”, afirma.

Ademais, o analista també ressalta: “O mercado de criptomoedas tem riscos, mas sem arriscar todo o seu patrimônio, acredito que você ainda se expõe a esse potencial”. Por isso, é sempre bom lembrar que rentabilidade passada não representa garantia de ganhos futuros e todo investimento envolve riscos e pode gerar perdas.

Para apresentar o funcionamento da tecnologia, esclarecer dúvidas e detalhar a metodologia utilizada, Rebelo e a equipe de especialistas em criptomoedas da Empiricus irão promover um evento online gratuito na próxima semana.

VEJA COMO PARTICIPAR DO LANÇAMENTO DO DELTA IA

Outro ponto que chama atenção na estratégia é a dinâmica semanal das operações –especialmente às sextas-feiras.

É nesse dia que o robô realiza o rebalanceamento automatizado da carteira, selecionando:

  • 10 ativos com maior potencial de valorização para operações compradas;
  • 10 ativos com mais chance de queda para operações vendidas.

“Vão ter semanas de euforia no mercado e as criptomoedas podem disparar. Em outras, o pessimismo pode pesar e o mercado, despencar”, descreve Rebelo.

Com etapas simples, a ferramenta desenvolvida por experts no mercado permite que até mesmo usuários com pouca experiência possam ir em busca da conquista de uma renda extra. A boa notícia é que a oportunidade para conhecer o Delta IA de perto está próxima. Veja como, a seguir.

Última chamada: Ainda dá tempo de reservar seu acesso ao Delta IA

Como falamos anteriormente, se você estiver lendo este texto antes da noite de segunda-feira, ainda pode registrar seu nome na lista de pré-reserva para acessar o Delta IA.

Para isso, é só clicar no botão ao final da matéria. Após a inscrição, você receberá mais detalhes sobre a ferramenta e como acessá-la.

O registro inicial é gratuito:

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BTG Pactual lucra R$ 4,8 bi e bate recordes apesar de volatilidade global no 1º tri

11 de Maio de 2026, 07:54

O BTG Pactual (BPAC11) fechou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 4,8 bilhões, alta de 42,3% em relação ao mesmo período do ano passado, divulgou o banco de investimentos nesta segunda-feira (11).

As receitas totais de R$ 10 bilhões no período representam um avanço de 34,3% na mesma base de comparação. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROAE), métrica que mostra quanto o banco gera de lucro para cada real investido pelos acionistas, ficou em 26,6%, acima dos 23,2% de 12 meses atrás.

Os números vieram em um trimestre que, segundo o próprio banco, foi atravessado por maior volatilidade nos mercados e tensões geopolíticas. Esse pano de fundo tem encarecido o crédito globalmente, pressionado moedas emergentes e travado emissões em bolsa em várias praças.

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Mesmo no ambiente de maior turbulência, o maior banco de investimentos da América Latina captou R$ 83 bilhões líquidos de novos recursos, o chamado NNM, sigla em inglês para net new money, que mede o quanto entrou de dinheiro novo de clientes descontando o que saiu no mesmo período.

Com isso, o banco chegou à marca de R$ 2,6 trilhões em ativos sob gestão e administração (AuM/WuM), somando as plataformas de gestão de fortunas e de fundos.

Leia mais: Terminal BTG Pactual, em Guarulhos, amplia capacidade com aposta na altíssima renda

Em nota à imprensa, o CEO Roberto Sallouti destacou a diversificação da plataforma e a disciplina na alocação de capital.

“Entregamos mais um trimestre de resultados recordes, mesmo diante de um cenário mais desafiador ao longo do período”, afirmou o executivo.

Performance por área

A diversificação de negócios aparece quando se abrem as áreas de negócio. O Investment Banking, divisão que assessora empresas em fusões, aquisições e emissões de ações e dívida, faturou R$ 628 milhões, 65,1% acima do mesmo período do ano passado, puxado principalmente pela área de dívida (DCM), com contribuições adicionais de M&A e ofertas de ações.

Já o Corporate Lending, braço de crédito para empresas, bateu recorde de R$ 2,3 bilhões em receita, alta de 20,7% no ano, com a carteira chegando a R$ 281 bilhões, dos quais R$ 32,9 bilhões em pequenas e médias empresas.

A área de Sales & Trading, que atua na compra e venda de ativos para clientes, somou R$ 1,9 bilhão em receitas, crescimento de 43,1% no ano, enquanto o VaR, indicador que mede a perda potencial diária da carteira em cenários adversos, recuou para 0,32% do patrimônio, sinalizando gestão de risco mais conservadora em meio à turbulência externa.

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No varejo de alta renda, o Wealth Management & Personal Banking voltou a registrar receita recorde, de R$ 1,5 bilhão (+44,6% na comparação anual), com captação líquida de R$ 34,9 bilhões no trimestre. Em Asset Management, o NNM somou R$ 47,9 bilhões e a receita avançou 6,5%, para R$ 783 milhões.

A novidade no balanço é a vertical de Consumer Finance & Banking, criada após o BTG concluir a aquisição das ações remanescentes do Banco Pan e passar a consolidar integralmente seus resultados.

A carteira de crédito ao consumidor chegou a R$ 73,6 bilhões, com destaque para consignado e financiamento de veículos, e a Too Seguros faturou R$ 171 milhões no período. Em abril, o banco concluiu também a compra da Meu Tudo, reforçando a aposta no varejo financeiro.

Do lado da estrutura de capital, o índice de Basileia, que mede a solidez dos bancos frente a perdas, fechou em 15,9%, acima do mínimo regulatório de 10,5% exigido pelo Banco Central. O LCR, indicador de liquidez de curto prazo, ficou em 160,9%, e a base de funding chegou a R$ 379 bilhões, 31% maior em 12 meses.

Desempenho na B3 e driver

As units do BTG Pactual fecharam o pregão do último dia 8 a R$ 58,65, com valorização de 47,55% em 12 meses e de 12,38% no acumulado do ano. Esse desempenho coloca o papel entre os destaques do setor financeiro no período e supera com folga o avanço do Ibovespa na mesma base (+14,68% no ano e + 34,82% em 12 meses).

Parte da leitura otimista sobre os papéis vai além do balanço corrente. Em relatório publicado em 17 de março, o analista Yuri Fernandes, do JPMorgan, calcula que os créditos do FCVS podem ter gerado entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão em receita anualizada para o BTG. Outro montante de R$ 0,8 bilhão a R$ 1,4 bilhão ainda deve ser reconhecido em 2026, quando os pagamentos do Tesouro tendem a se encerrar.

O FCVS é o Fundo de Compensação de Variações Salariais, mecanismo criado pelo governo entre o fim dos anos 1960 e o início dos 1990. Servia para amortecer o descompasso entre salários, inflação e prestações imobiliárias durante a hiperinflação. Os ganhos vêm sobretudo dos bancos Nacional e Econômico (BESA), comprados pelo BTG em operações de special situations, modalidade voltada a ativos distressed e complexos.

Para o JPMorgan, a estratégia vem se transformando em linha recorrente de geração de valor. Somados ao Banco Sistema, esses três braços responderam por cerca de 36% do lucro contábil do grupo no quarto trimestre de 2025.

O relatório nota ainda que o avanço dos yields na carteira de Corporate Lending nos últimos anos pode estar parcialmente associado ao reconhecimento desses créditos. É justamente o segmento que voltou a bater recorde de receita neste trimestre. O JPMorgan mantém recomendação neutra para o papel, com preço-alvo de R$ 61.

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© Tuane Fernandes

No varejo de alta renda, a área de Wealth Management & Personal Banking voltou a registrar receita recorde, de R$ 1,5 bilhão. (Foto: Tuane Fernandes/Bloomberg)

Dólar segue sem substituto, diz CIO da XP

11 de Maio de 2026, 06:58

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A busca de investidores globais por ativos fora dos Estados Unidos, os conflitos geopolíticos e a dinâmica das taxas de juros são alguns dos fatores que têm feito o dólar perder valor frente a outras moedas globais, principalmente o real, no último ano.

Para Artur Wichmann, Chief Investment Officer (CIO) da XP Investimentos, é possível que essas forças continuem exercendo influência negativa sobre a moeda americana, mas isso não significa que o dólar deixará de perder o status de moeda de reserva do mundo.

Na visão de Wichmann, os dois fenômenos podem coexistir, especialmente em um cenário no qual outras moedas, como o euro europeu e o renminbi chinês não tem força para ocupar o lugar que a divisa americana tem hoje nos mercados.

“É possível ter um dólar mais fraco estruturalmente enquanto essa moeda continua sendo o padrão de reserva de valor no mundo”, afirmou Wichmann em entrevista à Bloomberg Línea. “O dólar ganha por W.O. Não tem quem substitua.”

⇒ Leia a reportagem: Dólar pode enfraquecer, mas não tem substituto como reserva global, diz CIO da XP

Transição nos moldes do que ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, quando o dólar substituiu a libra esterlina como padrão global, ainda está fora do radar. (Foto: Dimas Ardian/Bloomberg)

No radar dos mercados

As ações globais operam em queda nesta segunda-feira (11), depois que Estados Unidos e Irã não chegaram a um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio.ㅤ

- Tratativas da guerra. Donald Trump e o Irã não chegaram a um acordo sobre o fim da guerra no Oriente Médio. Segundo o Wall Street Journal, Teerã se ofereceu para transferir parte de seu estoque de urânio a um terceiro país, mas não aceitou desmontar suas instalações nucleares.ㅤ

- IA impulsiona Coreia e Taiwan. O Goldman Sachs prevê que o boom global de chips ligados à inteligência artificial levará os superávits externos de Coreia do Sul e Taiwan a níveis recordes. Para os analistas do banco, as exportações de semicondutores devem ganhar peso ainda maior nas economias locais.ㅤ

- Mudanças na Delivery Hero. A Prosus vendeu 5% da companhia alemã de delivery para a gestora Aspex por € 335 milhões, reduzindo sua participação para cerca de 17%. A Aspex ampliou sua posição para aproximadamente 14% e segue pressionando a administração da Delivery Hero por mudanças na liderança.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas na sexta-feira (08/05): Dow Jones Industrials (+0,02%), S&P 500 (+0,84%), Nasdaq Composite (+1,71%), Stoxx 600 (-0,69%), Ibovespa (+0,49%)
LEIA + Siga a trilha dos mercados para conhecer as variáveis que orientaram os investidores →

🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

Saudi Aramco alerta sobre caos no mercado de petróleo até 2027 com crise no Estreito de Ormuz

No mapa da economia global, o avanço do emprego nos EUA supera projeções

Milei avança para privatizar Casa da Moeda em meio à queda na circulação de notas

• Também é importante: Como o Nonna Rosa cresce com hospitalidade inspirada no Fasano, mas sem preços de luxo | CEO da Intel conquistou Trump e Musk. Agora busca recuperar a liderança tecnológica

• Opinião Bloomberg: Como a ‘mão invisível’ da China mudou o equilíbrio no mercado de petróleo

• Para não ficar de fora: O ex-jogador da NBA que transformou uma ilha do Caribe em resort de luxo

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Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Editor sênior, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)

Dólar pode enfraquecer, mas não tem substituto como reserva global, diz CIO da XP

11 de Maio de 2026, 06:00

A busca de investidores globais por ativos fora dos Estados Unidos, os conflitos geopolíticos e a dinâmica das taxas de juros são alguns dos fatores que têm feito o dólar perder valor frente a outras moedas globais, principalmente o real, no último ano.

Para Artur Wichmann, Chief Investment Officer (CIO) da XP Investimentos, é possível que essas forças continuem exercendo influência negativa sobre a moeda americana, mas isso não significa que o dólar deixará de perder o status de moeda de reserva do mundo.

Na visão de Wichmann, os dois fenômenos podem coexistir, especialmente em um cenário no qual outras moedas, como o euro europeu e o renminbi chinês não têm força para ocupar o lugar que a divisa americana tem hoje nos mercados.

“É possível ter um dólar mais fraco estruturalmente enquanto essa moeda continua sendo o padrão de reserva de valor no mundo”, afirmou Wichmann em entrevista à Bloomberg Línea. “O dólar ganha por W.O. Não tem quem substitua.”

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A China avança em esforços para fortalecer o renminbi como moeda de referência em sua zona de influência, mas o caminho ainda é longo. Barreiras de conversibilidade e desconfiança institucional limitam o alcance dessa ambição no horizonte relevante para investidores.

Uma transição nos moldes do que ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, quando o dólar substituiu a libra esterlina como padrão global, ainda está fora do radar.

E é justamente esse papel insubstituível do dólar que, na avaliação de Wichmann, impede que o enfraquecimento da moeda ocorra de forma abrupta.

Leia também: Nem Brasil, nem México: Paraguai teve a moeda latina mais forte contra o dólar em abril

“De janeiro a julho de 2025, tivemos o pior início de ano do dólar desde que o Nixon tirou o dólar do padrão ouro. O dólar perdeu 11% contra uma cesta relevante de moedas. É um movimento pontual, que se ocorre com maior frequência levaria o mundo a uma crise”, disse.

Outro ponto que pode fazer o dólar perder valor de forma mais prolongada ao longo do tempo é a ambiguidade entre a narrativa e a prática na política americana.

Os Estados Unidos mantêm o discurso oficial de defesa de um dólar forte, mas Wichmann avalia que uma parte relevante do próprio governo Trump prefere o cenário oposto, já que um dólar mais fraco ajudaria a corrigir déficits comerciais e ajudaria a indústria americana a ganhar competitividade – objetivos centrais da agenda tarifária de Trump.

Brasil larga na frente

Nesse cenário, o Brasil tem se destacado. A combinação de um dólar global mais fraco com a posição do país como exportador líquido de commodities – petróleo, minério de ferro e agrícolas – coloca o Brasil entre os beneficiários da nova dinâmica global, na avaliação de Wichmann.

O resultado aparece no câmbio. “O Brasil talvez seja o ganhador relativo do conflito no Oriente Médio. Se no ano passado o real foi bem dentro de um conjunto de emergentes que também tiveram boa performance, agora ele começa a se destacar”, defendeu o CIO.

Existe, no entanto, o contraponto da dinâmica, que é a alta da inflação. Com o petróleo acima de US$ 100 o barril, as projeções de IPCA subiram e comprimiram o espaço do Banco Central para cortar juros.

Wichmann reconhece o risco, mas não o vê como suficiente para inverter o saldo positivo do país – ao menos no cenário-base. Outros emergentes, como Coreia do Sul e Vietnã, enfrentam o mesmo choque inflacionário sem a contrapartida das exportações de commodities.

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Eleições no radar

É possível ainda que fatores internos comecem a ter maior impacto na dinâmica cambial conforme se aproximem as eleições presidenciais de 2026.

Segundo o CIO, o capital estrangeiro que hoje entra no Brasil sem grandes questionamentos deve começar a precificar as propostas econômicas dos candidatos nos próximos meses.

“O investidor estrangeiro quer saber de apenas uma coisa: qual é a trajetória da dívida sobre o PIB”, resumiu. A resposta a essa pergunta deve determinar o próximo grande movimento do real, especialmente no caso da oposição, cuja plataforma ainda não está clara".

Wichmann avalia ainda que o impacto eleitoral sobre o câmbio tende a se intensificar apenas após a Copa do Mundo, quando a atenção da população e dos mercados deve se voltar de forma mais consistente para o debate político.

“É pouco provável assumir que o real vai ser influenciado apenas por fatores globais em um ano de eleição presidencial”, disse.

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© Dimas Ardian

Transição nos moldes do que ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, quando o dólar substituiu a libra esterlina como padrão global, ainda está fora do radar. (Foto: Dimas Ardian/Bloomberg)

O ex-jogador da NBA que transformou uma ilha do Caribe em resort de luxo

10 de Maio de 2026, 15:04

Para Reggie Bullock, que jogou em sete times da NBA ao longo de 11 temporadas, o que começou como uma busca no YouTube por recomendação de um ex-companheiro de equipe, Dennis Smith Jr., acabou concretizando o conceito de riqueza geracional que ele tanto almejava.

Longe das quadras de basquete e sem um plano de negócios, o ex-jogador mostrou que a segunda fase da carreira de um atleta não precisa ser definida em um estúdio de televisão ou em um escritório de uma franquia. Pode, sim, ser construída em uma ilha em forma de coração no Caribe, a 8.000 km das quadras do Texas, onde disputou sua última temporada com o Houston Rockets em 2024.

Bullock, que acumulou pouco mais de US$ 53 milhões em salários ao longo de sua carreira, é hoje o fundador do Bullock Island, um resort privado de cerca de 22,2 mil metros quadrados, localizado a oito quilômetros da costa de Placencia, no distrito de Stann Creek, no sudeste de Belize.

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O atleta de 35 anos comprou o terreno em 2022 por US$ 2,2 milhões para construir a casa dos seus sonhos, “mas acabei me envolvendo no setor de turismo e transformei isso em um negócio”, contou Bullock em uma entrevista ao canal do YouTube de Will Mitchell, que aborda oportunidades imobiliárias em Belize.

“Uma das minhas principais preocupações era a questão da riqueza geracional. Era um projeto que senti que precisava abordar, e que nunca havia sido feito antes. Mas eu estava pronto para o desafio”, disse o atleta, nascido em Baltimore, em 1991.

Essa visão exigiu uma injeção de capital no valor de US$ 10 milhões, destinada a superar os desafios logísticos de construir no meio do mar do Caribe.

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Luxo, natureza e cultura

O resultado é um complexo cuja peça central é uma mansão de 370 metros quadrados com um cinema escondido atrás de uma biblioteca, complementada por onze unidades de hospedagem distribuídas entre vilas e chalés à beira-mar, além de um restaurante, um spa e uma quadra de basquete.

Além de uma experiência de isolamento e exclusividade, o resort conta a história íntima de seu próprio fundador. A propriedade tem o atrativo de estar localizada em uma ilha em forma de coração, o que, para Bullock, não foi mera coincidência, mas um sinal. Os seus filhos gêmeos, nascidos em novembro de 2020, chamam-se Heart e Soul.

A mansão principal foi projetada como uma homenagem à sua avó – a mulher que o criou – e tem o nome dela gravado em uma das portas. Até mesmo a placa de madeira que dá as boas-vindas aos hóspedes quando chegam de barco presta homenagem às suas duas irmãs, Mia e Kiosha, tragicamente assassinadas em Baltimore em 2014 e 2019.

Essa conexão pessoal busca se destacar no competitivo mercado caribenho. A Bullock Island opera com base em um modelo de contratação e abastecimento local na península de Placencia, oferecendo uma experiência belizenha autêntica no único país da América Central onde o inglês é a língua oficial.

Os hóspedes também podem explorar a barreira de corais de Belize, que faz parte do Sistema de Recifes Mesoamericano, o segundo maior do mundo, depois da Grande Barreira de Corais da Austrália.

A aposta se soma a uma tendência de valorização do mercado liderada por figuras de destaque. Belize já havia testemunhado um movimento semelhante na década de 1990, quando o cineasta norte-americano Francis Ford Coppola adquiriu e reformou propriedades na mesma região de Placencia, como o Turtle Inn e a reserva particular Coral Caye, para seu portfólio de hotéis de luxo.

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O resort de Reggie Bullock possui uma mansão de 370 metros quadrados com um cinema e 11 unidades de hospedagem.

O maior comprador de bitcoin está falando em vender — isso é um sinal que você também precisa mudar

10 de Maio de 2026, 15:00

A empresa que mais comprou Bitcoin no mundo nos últimos anos sinalizou, na última divulgação de resultados, que pode vender parte da reserva.

É contra-intuitivo o suficiente para parar qualquer um. A Strategy, com mais de 815 mil BTC em tesouraria e uma tese construída integralmente ao redor do ativo, falando em vender? É o fim da tese?

Nesta edição, exploramos a dinâmica por trás desse movimento e como ela se conecta a uma forma mais eficiente de investir em criptoativos. Antes de chegar lá, atualizamos a leitura técnica do Bitcoin — que vem se recuperando desde os fundos de abril e já opera próximo dos US$ 81 mil — além do cenário macro, que segue construtivo, atuando silenciosamente por baixo do ruído diário do mercado. Também analisamos o avanço do Clarity Act no Senado americano, uma proposta que pode acelerar a consolidação das criptomoedas como uma classe de ativos legítima e cada vez mais integrada ao sistema financeiro tradicional.

Análise Gráfica

Fonte: Empiricus Cripto

O gráfico acima combina dois elementos. À direita, o modelo de densidade distribui o histórico de negociação por nível de preço — não por tempo. As regiões mais densas indicam onde o mercado concentrou volume ao longo dos últimos meses e funcionam como zonas naturais de suporte e resistência quando o preço retorna àquele nível. O cone projetado à esquerda indica a faixa esperada de oscilação para os próximos sete dias, com base na volatilidade realizada dos últimos 30 dias.

O Bitcoin está sendo negociado próximo de US$ 81.400. A tendência de alta desde os fundos de março e abril segue em voga, ainda, sem sinais de esgotamento. É um processo gradual, com cada semana de fechamento no positivo consolidando a estrutura.

A próxima zona de resistência relevante fica em torno de US$ 84.500. Abaixo do preço atual, os principais suportes estão em US$ 78.400 e US$ 77 mil. Para os próximos sete dias, o cone de volatilidade projeta com um intervalo de 68% de probabilidade do ativo ficar entre US$ 77.400 e US$ 85.500.

No consolidado, seguimos com viés otimista.

O velho ditado continua valendo: em time que está ganhando, não se mexe

O pano de fundo macro não mudou do que acompanhamos nas últimas semanas.

Os juros reais americanos seguem em queda. Não porque o Federal Reserve cortou taxas, o banco central ficou parado, mas porque as expectativas de inflação de curto prazo subiram enquanto os juros nominais permaneceram relativamente estáveis. Quando isso acontece, os juros reais caem, a renda fixa perde atratividade relativa e o capital começa a buscar retorno em outros lugares.

A isso se soma a compressão simultânea da volatilidade em múltiplas classes de ativos. O VIX (bolsas americanas), o MOVE Index (Treasuries) e a volatilidade cambial seguem em níveis baixos simultaneamente. Um choque macro não estressa um único mercado, ele costuma aparecer quando ações, bonds e câmbio oscilam com violência ao mesmo tempo.

O oposto também é verdade, quando a volatilidade cai em bloco, como agora, o sistema inteiro sinaliza ausência de estresse. Vale notar que mesmo com o petróleo voltando a subir por tensões geopolíticas, os mercados não reagiram como faziam no passado, quando crude up significava automaticamente juros mais altos e bolsas pressionadas. O choque existe, mas o mercado o interpreta como um risco localizado de oferta, não como uma ameaça inflacionária estrutural e enquanto esse mecanismo de transmissão não se reativar, o regime segue favorável.

Quando a volatilidade cai em conjunto dessa forma, o sistema financeiro aumenta exposição ao risco de forma “mecânica”. Fundos quantitativos e estratégias institucionais de alocação são calibrados por volatilidade: quando ela recua, esses modelos permitem posições maiores. O resultado prático é mais capital migrando para ativos de risco.

O resultado aparece nos fluxos. Desde o começo de abril, os ETFs de Bitcoin acumularam mais de US$ 3,7 bilhões em entradas líquidas. Ativos de risco estão subindo em bloco e criptoativos estão nessa cesta.

Strategy: quando a maior compradora de BTC fala em vender

A Strategy é a maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo, com mais de 818 mil BTC em tesouraria, o equivalente a quase 4% de toda a oferta que existirá. Não é um nome novo: a empresa acelerou sua acumulação justamente durante os meses de maior ruído geopolítico, e foi esse fluxo, junto com os ETFs e outras Digital Asset Treasuries (empresas que adotaram BTC como reserva estratégica de balanço), que sustentou o preço do Bitcoin durante o período de maior incerteza. E é o mesmo fluxo que vem impulsionando a recuperação até os patamares atuais.

O que chama atenção foi sua última divulgação de resultados, a empresa sinalizou a possibilidade de vender parte da reserva. A pergunta natural: por quê?

A resposta está na evolução da estrutura de capital da Strategy e revela mais sobre o estágio de maturidade do mercado do que sobre qualquer mudança de convicção.

O modelo original da Strategy era relativamente simples: captar dinheiro no mercado, comprar Bitcoin e esperar sua valorização. O problema é que Bitcoin não gera fluxo de caixa, enquanto grande parte dessas compras foi financiada com dívida tradicional, que possui vencimentos entre 2027 e 2032. Isso criava um risco importante, se o BTC estivesse em baixa quando essas dívidas começassem a vencer, a empresa poderia ser obrigada a vender reservas em um momento desfavorável.

Foi justamente para reduzir essa fragilidade que surgiu o STRC, um novo tipo de ação preferencial perpétua emitida pela Strategy. Diferente de uma dívida comum, ela não possui vencimento. Ou seja: a empresa não precisa devolver o principal em uma data específica. Em vez disso, os investidores recebem dividendos recorrentes e podem negociar suas ações livremente no mercado secundário.

Na prática, a Strategy está tentando transformar uma estrutura baseada em dívida de prazo definido em uma base de capital mais permanente e flexível.

E é aí que entram as possíveis vendas parciais de BTC. Elas não representam abandono da tese. Fazem parte da administração financeira do modelo. A empresa pode emitir ações, pagar dividendos e, eventualmente, vender pequenas parcelas de Bitcoin para equilibrar sua estrutura de capital.

Ainda assim, o ponto mais importante é outro: até a maior empresa do mundo focada em comprar e segurar Bitcoin precisou evoluir sua estratégia. O mercado amadureceu. Hoje, não basta apenas acumular ativos. É preciso administrar liquidez, risco, fluxo de caixa e timing de mercado.

Esse movimento ajuda a explicar uma mudança mais ampla no próprio mercado cripto. Nos ciclos anteriores, simplesmente comprar Bitcoin e carregar posição já era suficiente para gerar retornos extraordinários. Mas, à medida que o setor se institucionaliza, cresce também a diferença entre uma gestão passiva e uma gestão ativa.

Cada vez mais, os grandes participantes buscam otimizar exposição, aumentando risco quando o ambiente é favorável, reduzindo posição em momentos de deterioração e tentando capturar os fluxos que lideram cada etapa do ciclo.

É exatamente essa lógica que orienta a Carteira Crypto Momentum: uma estratégia de gestão ativa construída para buscar retornos acima do próprio Bitcoin. A proposta não é substituir o BTC, mas reconhecer que, em um mercado mais sofisticado, existe uma camada adicional de oportunidade para quem consegue navegar os ciclos de forma mais dinâmica.

E os resultados iniciais ajudam a ilustrar isso. Durante seu primeiro mês de operação, a carteira entregou 128% do retorno do Bitcoin, aproveitando justamente um ambiente macro que continua favorável para ativos de risco e para o mercado cripto como um todo.

Fonte: Empiricus Cripto

Micro — Clarity Act: o trilho institucional se abre

O Clarity Act, projeto de lei que propõe estrutura regulatória clara para criptoativos nos Estados Unidos, voltou a chamar atenção esta semana.

O contexto: por anos, dois órgãos reguladores americanos (a SEC e a CFTC) disputaram jurisdição sobre criptoativos, criando incerteza jurídica crônica. Qualquer gestora que quisesse construir produto cripto encarava o risco de ver aquela linha de negócio declarada ilegal por uma mudança de interpretação regulatória. O Clarity Act propõe resolver isso: divide a supervisão de forma clara, cria regras específicas para stablecoins, exchanges e DeFi, e abre caminho para que ativos saiam da zona cinzenta.

O projeto passou na Câmara em julho de 2025 com 294 votos a favor — placar incomum num Congresso polarizado. Ficou parado no Senado por um impasse sobre stablecoins, a questão era se essas moedas digitais poderiam oferecer rendimento, o que os bancos tradicionais interpretavam como concorrência direta. Nas últimas semanas, um compromisso bipartidário desbloqueou esse nó. A solução protege os bancos, mas preserva os modelos de negócio cripto baseados em utilidade real. Agora, a votação de markup no Comitê Bancário do Senado está prevista para a semana de 11 de maio.

Este é o marco regulatório mais aguardado pelo mercado e o impacto prático de uma aprovação vai além de uma vitória política. Mais clareza jurídica significa menos atrito para gestoras, corretoras, bancos e até empresas de tecnologia construírem produtos cripto. A discussão deixa de ser “se” grandes instituições participarão e passa a ser “por qual trilho” — e quantos estarão disponíveis.

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Da Venezuela ao Brasil: os países de LatAm onde a fraude digital mais cresce

10 de Maio de 2026, 12:01

A Venezuela foi o país da América Latina onde a fraude digital mais cresceu no ano passado, de acordo com o relatório Fraud Beat 2026 elaborado pela AppGate, uma empresa líder em soluções integradas de segurança cibernética.

O relatório explica como o phishing, o uso indevido de marcas e as redes sociais estão impulsionando uma cadeia de fraudes cada vez mais industrializada, tanto na região quanto no mundo.

“O aumento constante do phishing, aliado ao uso não autorizado de marcas como principal vetor de ataque, tem sido determinante. Esses incidentes estão impulsionando uma cadeia de fraudes mais eficiente, na qual a usurpação de identidade facilita a obtenção de credenciais e, posteriormente, o acesso a contas para a retirada de fundos”, afirma David López Agudelo, vice-presidente de vendas para a América Latina da AppGate.

O phishing, como principal forma de ataque cibernético, utiliza e-mails, mensagens de texto, ligações telefônicas, sites fraudulentos, redes sociais e até mesmo códigos QR para enganar as pessoas, fazendo com que compartilhem dados confidenciais de suas organizações.

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Somente na Venezuela, as fraudes digitais em 2025 aumentaram 228% em relação ao ano anterior, sendo o país da região mais exposto a esse problema. Em seguida, vêm a Guatemala (206%), a Costa Rica (182%), a Nicarágua (170%) e a Bolívia (89%).

Completam o top 10 a Dominica (67%), República Dominicana (63%), Brasil (53%), Chile (40%) e El Salvador (28%).

O relatório revela que, ao contrário do que se imagina, a fraude digital já não tem origem em canais tradicionais, como o e-mail, mas sim em plataformas externas, especialmente nas redes sociais.

“Nessas plataformas, os golpes e a falsificação de identidade representam 86% das ameaças detectadas”, revela o relatório.

O fato de a falsificação de identidade nas redes sociais estar servindo de ponto de partida para fraudes não é por acaso: isso diminui a visibilidade sobre a origem do ataque e aumenta o risco de invasão de contas.

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Os setores mais ameaçados nas redes sociais são: finanças (35,5%), comércio varejista (17,7%), governo federal (15,7%), tecnologia (8,9%), hotelaria e turismo (6,1%), manufatura (4,5%), transporte (3,7%) e outros (7,9%).

O que parece ser uma rede de fraudes cada vez mais industrializada é composta por quatro elos:

  • Exposição externa (redes sociais, falsificação de marca)
  • Roubo de identidade (phishing, smishing, códigos QR)
  • Controle de contas (uso de credenciais roubadas)
  • Saques (transferências, fraude BEC, pagamentos)

Um aspecto notável no final da cadeia de fraudes, na etapa de levantamento de fundos, são as fraudes BEC, nas quais altos executivos das empresas são falsamente representados para solicitar dados confidenciais ou dinheiro aos seus subordinados.

“O número de transferências relacionadas ao golpe de e-mail corporativo (BEC) cresceu 136% no último trimestre de 2025, evidenciando o foco dos invasores em lucrar rapidamente”, afirma o relatório.

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O custo das fraudes

Para as instituições financeiras, cada dólar perdido devido a fraudes equivale a US$ 5,16 em custo total, em razão de uma série de fatores: perda direta, investigação do ocorrido, impacto nas operações, recuperação do valor perdido, sobretaxas, reputação e perda de clientes.

A AppGate destaca que as organizações líderes estão repensando suas estratégias de controle, passando de modelos reativos para esquemas baseados em decisões em tempo real. Em vez de acumular ferramentas isoladas, elas têm adotado abordagens integradas que incluem:

  • Redução da exposição externa (monitoramento e eliminação de ameaças);
  • Avaliação contínua de riscos em sessões e dispositivos;
  • Aplicação de atrito adaptativo apenas em momentos críticos;
  • Automatização do bloqueio de ataques com tempos de resposta definidos;

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© Andrey Rudakov

Somente na Venezuela, as fraudes digitais em 2025 aumentaram 228% em relação ao ano anterior, sendo o país da região mais exposto a esse problema.

1T26: Petrobras (PETR4), Banco do Brasil (BBAS3), Raízen (RAIZ4) e mais 50 empresas da B3 divulgam resultados trimestrais nesta semana

10 de Maio de 2026, 09:00

O calendário semanal do 1T26 está com nomes de peso da Bolsa brasileira. Ao todo, 53 empresas irão divulgar seus resultados trimestrais entre os dias 11 e 15 de maio. Entre elas, estão Petrobras (PETR4), Banco do Brasil (BBAS3) e Raízen (RAIZ4).

Investidores que gostam de acompanhar de perto suas companhias preferidas podem conferir as datas no gráfico abaixo.

Agenda de resultados do 1T26: Semana de 11 a 15 de maio

A seguir estão todas as empresas que estão previstas para divulgar seus resultados trimestrais do 1T26 nesta semana:

Empresa Ticker Data Teleconferência 
Vivo VIVT3 11/05/26 11/05/26, às 10h 
Energisa ENGI11 11/05/26 12/05/26 
Petrobras PETR4 11/05/26 12/05/26 
Direcional DIRR3 11/05/26 12/05/26 
Itaúsa ITSA4 11/05/26 Não informado 
Natura NATU3 11/05/26 12/05/26 
Grupo SBF SBFG3 11/05/26 12/05/2026, às 11h 
MRV MRVE3 11/05/26 12/05/26 
Track&Field TFCO4 11/05/26 12/05/26 
Braskem BRKM5 12/05/26 13/05/26 
BTG Pactual BPAC11 12/05/26 12/05/26 
Cury CURY3 12/05/26 13/05/26 
Enjoei ENJU3 12/05/26 13/05/26 
JBS JBSS3 12/05/26 13/05/26 
Bemobi BMOB3 12/05/26 13/05/26 
Dasa DASA3 12/05/26 13/05/26 
Caixa Seguridade CXSE3 13/05/26 14/04/26 
SLC Agrícola SLCE3 13/05/26 14/05/26 
Boa Safra SOJA3 13/05/26 14/05/2026, às 14h 
Movida MOVI3 13/05/26 14/05/26 
CVC Brasil CVCB3 13/05/26 14/05/26 
Vamos VAMO3 13/05/26 14/05/26 
Melnick MELK3 13/05/26 14/05/26 
Banco do Brasil BBAS3 13/05/26 14/05/26 
Equatorial EQTL3 13/05/26 14/05/26 
Rede D’or RDOR3 13/05/26 14/05/26 
Oi OIBR3 13/05/26 14/05/26 
Multilaser MLAS3 13/05/26 14/04/26 
Americanas AMER3 13/05/26 14/05/26 
Grupo Casas Bahia BHIA3 13/05/26 14/05/26 
Positivo POSI3 13/05/26 14/05/26 
Cruzeiro do Sul Educacional CSED3 13/05/26  
Ser Educacional SEER3 13/05/26 14/05/26 
Raízen – 4T25/26 RAIZ4 13/05/26 14/05/26 
Sanepar SAPR11 14/05/26 15/05/2026, às 9h 
Tupy TUPY3 14/05/26 15/05/26 
Grupo Toky  TOKY3 14/05/26 15/05/26 
Automob AMOB3 14/05/26 15/05/26 
Bradespar BRAP4 14/05/26 Não informado 
CPFL Energia CPFE3 14/05/26 15/05/26 
Cyrela CYRE3 14/05/26 15/05/26 
Grupo Mateus GMAT3 14/05/26 15/05/26 
Agrogalaxy AGXY3 14/05/26 15/05/26 
3Tentos TTEN3 14/05/26 15/05/26 
Unipar UNIP3 14/05/26 15/05/2026 – 14h 
MBRF MBRF3 14/05/26 15/05/26 
Nubank ROXO34 14/05/26 14/05/26 
Cosan CSAN3 14/05/26 15/05/26 
Banrisul  BRSR6 14/05/26 Não informado 
Azul AZUL4 14/05/26 Não informado  
Copasa CSMG3 15/05/26 22/04/26  
Simpar SIMH3 15/05/26 18/05/26 

Quais ações investir em plena temporada de balanços do 1T26?

Agora que você está atualizado nas datas que as empresas brasileiras divulgam os resultados do 1T26, pode permanecer com a carteira de investimentos alinhada à sua estratégia.

Para quem busca investir nas ações mais promissoras, a Empiricus Research preparou uma seleção atualizada com 10 ações para investir agora. Esses papéis estão reunidos na carteira Empiricus Ações.

O portfólio é formado por 10 ações brasileiras de alto potencial, escolhidas com base em análise criteriosa de fundamentos e perspectivas para os próximos meses.

Mas o diferencial não está apenas na seleção. Está na forma de investir.

Se você quiser acessar todas as recomendações sem ter que executar ordens manualmente, a carteira está disponível em formato automatizado dentro da plataforma do BTG Pactual.

Na prática, isso significa que você pode investir em todo o portfólio com poucos cliques e, a partir daí, o processo de alocação, rebalanceamento e execução das ordens acontece de forma integrada. Vale ressaltar que essas alterações sempre estarão baseadas nas decisões das mentes por trás da carteira, os analistas da Empiricus Research.

Para começar, clique no botão abaixo, faça seu cadastro gratuito e conheça a plataforma:

INVISTA NA CARTEIRA EMPIRICUS AÇÕES DE FORMA AUTOMÁTICA

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Dividendos: Caixa Seguridade (CXSE3), Copasa (CSMG3) e mais 7 ações pagam proventos na semana

10 de Maio de 2026, 08:00

Esta semana reserva o pagamento de dividendos ou juros sobre o capital próprio (JCP)_de algumas empresas relevantes do mercado. É o caso da Copasa (CSMG3), que abre a semana com o pagamento de R$ 0,468 por ação na segunda-feira (11).

Já no final da semana, os acionistas recebem dividendos da Caixa Seguridade (CXSE3), de R$ 0,33, previstos para sexta-feira (15).

Preparamos um calendário completo com todos os pagamentos programados para a semana, para que você não perca os que mais importam para a sua carteira. Veja a seguir.

Dividendos da semana de 11 a 15 de maio

Confira na tabela a seguir o cronograma de dividendos a serem pagos na semana:

EmpresaTickerTipo de proventoValor bruto por ação (R$)Data de pagamentoData-com
CopasaCSMG3JCP0,46811/05/202623/03/2026
JHSFJHSF3Dividendo0,06911/05/202624/04/2026
WhirlpoolWHRL3Dividendo0,03912/05/202627/04/2026
WhirlpoolWHRL4Dividendo0,04312/05/202627/04/2026
BrisanetBRST3JCP0,04112/05/202619/12/2025
GrendeneGRND3JCP0,09113/05/202623/04/2026
GrendeneGRND3Dividendo0,00113/05/202623/04/2026
MinervaBEEF3Dividendo0,03113/05/202628/04/2026
Caixa SeguridadeCXSE3Dividendo0,33015/05/202630/04/2026
ÂnimaANIM3Dividendo0,07815/05/202624/04/2026
AlpagartasALPA3JCP0,14915/05/202616/12/2025
AlpagartasALPA4JCP0,16415/05/202616/12/2025

Investir em dividendos: como selecionar ações?

Na hora de investir em ações com foco em dividendos, a escolha pode não ser fácil. Com um fluxo intenso de ativos distribuindo proventos, identificar quais apresentam um preço atrativo para se posicionar e quais os melhores pagamentos proporcionais faz toda a diferença para uma carteira de renda passiva.

Por isso mesmo, o analista de ações da Empiricus Research Ruy Hungria faz uma seleção atualizada mensalmente para indicar quais são as melhores oportunidades para investir.

A boa notícia é que agora você pode investir na carteira de dividendos da Empiricus Research de forma automatizada, na plataforma online do BTG Pactual.

Se você deseja conhecer a carteira Empiricus Dividendos na íntegra, com as ações recomendadas para investir no momento, é só clicar no link a seguir (sem custos) e conhecer o produto que pode facilitar muito seus investimentos de perto:

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DISCLAIMER: Este material não tem relação com objetivos específicos de investimentos, situação financeira ou necessidade particular de qualquer destinatário específico, não devendo servir como única fonte de informações no processo decisório do investidor que, antes de decidir, deverá realizar, preferencialmente com a ajuda de um profissional devidamente qualificado, uma avaliação minuciosa do produto e respectivos riscos face a seus objetivos pessoais e à sua tolerância a risco (Suitability).

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Fim de uma era: Panini deixará de produzir álbum da Copa do Mundo; Fifa firma acordo com Fanatics

9 de Maio de 2026, 15:59

É o fim de uma era: a Panini não produzirá mais o tradicional álbum da Copa do Mundo, após a FIFA anunciar um acordo com a Fanatics pela licença que inclui colecionáveis e figurinhas do torneio de futebol.

O acordo entrará em vigor em 2031 e os novos produtos serão produzidos pela marca Topps, de propriedade da Fanatics, anunciou a FIFA em um comunicado nesta quinta-feira (07).

A parceria deixa de fora a Panini, editora italiana que, desde 1970, produz o álbum de figurinhas colecionáveis.

“A Fanatics está impulsionando uma enorme inovação no setor de colecionáveis, oferecendo aos torcedores uma nova e significativa forma de se conectar com seus times e jogadores favoritos”, afirmou em comunicado o presidente da FIFA, Gianni Infantino. “Além disso, isso representa mais uma importante fonte de receita comercial que, como sempre, reinvestimos no esporte e no futebol.”

Ainda em 30 de abril, a Panini lançou a edição 2026 do seu álbum, o maior da história, com 980 figurinhas, que se transformou em uma exposição de figurinhas monumentais que percorrerá as cidades-sede do torneio no México entre maio e julho.

Este será o penúltimo álbum que a Panini lançará como parte de seu atual contrato com a FIFA, que vence em 2030. Com isso, chegará ao fim uma tradição de mais de 60 anos relacionada à Copa do Mundo, durante a qual a editora italiana publicou 15 álbuns de figurinhas.

A Panini perdeu várias das licenças mais valiosas do mercado de colecionáveis esportivos nos últimos anos, diante do crescimento da Fanatics e de sua marca Topps. A editora se despediu da NBA, da NFL e da Premier League, cujos colecionáveis agora serão produzidos pela Topps a partir da temporada 2025-26.

Novidades da Copa

O novo acordo entre a entidade do futebol e a Fanatics inclui itens colecionáveis físicos e digitais, mas o comunicado não especificou se inclui um álbum.

Como parte do acordo, os fãs de futebol terão acesso a novos produtos, como “a cobiçada coleção de emblemas de camisas de jogadores, incluindo os emblemas de estreia, que serão incorporados aos cartões colecionáveis de futebol a partir de 2031”.

A Fanatics também anunciou que pretende fortalecer a cultura do futebol por meio da distribuição gratuita de mais de US$ 150 milhões em produtos colecionáveis durante a vigência do acordo.

O anúncio deste acordo coincide com um boom desse tipo de artigo. A empresa de pesquisa de mercado Strategic Market Research projeta que o mercado global de artigos colecionáveis e memorabilia esportiva atingirá US$ 40,5 bilhões até 2030.

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Capa da edição para Estados Unidos e Canadá do álbum Panini 2026. Foto: Site da FIFA

Carros elétricos acessíveis atraem europeus após salto nos preços do combustível

9 de Maio de 2026, 09:00

A demanda por veículos elétricos acessíveis vem disparando na Europa, à medida que os aumentos nos preços de combustível causados pelo conflito do Oriente Médio impulsionam famílias a adotar a tecnologia verde.

As consultas sobre veículos elétricos custando menos de €30.000 (US$ 35.000) na Mobile.de, o maior marketplace de automóveis da Alemanha, saltaram 87% desde o início de março, lideradas por modelos como o Zoe, da Renault.

Isso supera um aumento de 77% nas consultas sobre todos os veículos elétricos, independentemente do preço.

No Reino Unido, as consultas sobre veículos elétricos entre cinco e sete anos de idade triplicaram em abril em relação ao ano anterior, bem à frente de carros elétricos novos e mais caros, de acordo com dados da Auto Trader, o maior marketplace do país.

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O conflito do Oriente Médio impulsionou o interesse dos consumidores em veículos elétricos, em parte por causa dos custos mais elevados de combustível para veículos de motor de combustão interna.

A demanda também foi impulsionada por incentivos na Alemanha, o maior mercado de elétricos da Europa, onde compradores podem obter até €6.000 de desconto no preço de um carro elétrico novo.

“O que a guerra do Irã está fazendo é criar um foco na acessibilidade porque há alta inflação e incerteza no mundo”, disse Ajay Bhatia, diretor executivo da Mobile.de, em uma entrevista. As pessoas não estão comprando veículos elétricos caros, “estão optando pelos mais acessíveis”, acrescentou.

Em contraste, as consultas — definidas como contato com o vendedor — sobre carros movidos a gasolina aumentaram apenas ligeiramente, enquanto o interesse por modelos a diesel caiu.

Há uma onda de novos veículos elétricos mais acessíveis chegando à Europa de montadoras que correm para acompanhar rivais da China. Marcas vêm ganhando terreno na região com modelos elétricos mais baratos que possuem a tecnologia mais recente.

Motoristas podem alugar o T03, carro urbano da chinesa Leapmotor, que tem uma joint venture controlada pela Stellantis, por €49 por mês na Alemanha, menos que uma conta típica de telefone celular.

No Reino Unido, o segundo maior mercado de veículos elétricos da região, os valores residuais de carros movidos a bateria têm sido muito mais robustos nos últimos meses do que foram por algum tempo, de acordo com a Cox Automotive, um sinal de aumento do interesse dos compradores.

Veículos elétricos com menos de um ano sustentaram seu valor melhor do que modelos de combustão, mostram os dados da Cox. Enquanto seu valor caiu 8% entre fevereiro e abril, carros a gasolina e diesel recuaram mais de um quinto no mesmo período.

Veículos elétricos entre um e dois anos não perderam valor nesse período, enquanto a gasolina e o diesel caíram.

Ainda assim, é muito cedo para dizer se o aumento da demanda se traduzirá em vendas mais altas permanentemente, alertaram executivos do setor e analistas.

Veja mais em Bloomberg.com

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Veículo elétrico da chinesa Leapmotor, à direita. Foto: Nathan Laine/Bloomberg

Caio Araujo, da Empiricus Research, identifica momento oportuno para 3 FIIs

9 de Maio de 2026, 09:00

Caio Araujo, analista de fundos imobiliários da Empiricus Research, acaba de publicar um relatório especial sobre o segmento de galpões logísticos.

Ele foi motivado por um momento particular do ciclo desses FIIs e, no texto, explicou o cenário e indicou três papéis bem-posicionados para aproveitar o as possibilidades dos próximos meses.

De acordo com o especialista, o momento atual é favorável aos fundos que detêm imóveis modernos, de alta qualidade e bem localizados. Além disso, para que o setor pudesse chegar até aqui, algumas mudanças foram importantes no cenário.

O que diz o analista da Empiricus

Araujo detalha que as empresas clientes desse tipo de fundo têm buscado maior eficiência operacional, ao mesmo tempo em que há uma reorganização das cadeias de suprimento. Junto a isso tudo, o e-commerce segue avançando no Brasil.

Para o investidor, isso significa uma demanda maior por galpões com boas estruturas bem localizados.

O analista destaca que esse processo está acontecendo enquanto “o alto custo de desenvolvimento de novos empreendimentos pressiona os retornos oferecidos pelos FIIs”. Dessa forma, o cenário atual “reduz o incentivo para novos projetos”.

A alta dos custos de construção tem relações com a inflação persistente e a taxa básica de juros (Selic) em patamar elevado (14,5% ao ano), ainda que no meio de um ciclo de cortes.

Como resultado, Araujo entende que os fundos imobiliários que já detêm bons ativos, ou possuem dinheiro em caixa para custear novos imóveis, são os mais bem preparados para aproveitar oportunidades no cenário atual.

“Com menor competição de novas entregas e maior poder de barganha dos proprietários, fundos imobiliários logísticos com portfólios de qualidade tendem a capturar esse movimento ao longo das próximas janelas de revisão contratual, por meio de reajustes reais de aluguel, manutenção de ocupação elevada e reciclagem eficiente de capital.”

A velha regra de oferta e demanda

Caio Araujo resume o cenário que beneficia bons FIIs de galpões: “a oferta deixou de crescer no mesmo ritmo da demanda”.

Ele lembra que, após a pandemia, esse segmento viveu “um período intenso de entregas e normalização”. Porém, esse ritmo de crescimento está caindo, ao mesmo tempo em que a busca por mais empreendimentos de logística permanece sólida.

“Esse movimento tem se refletido de forma mais clara em São Paulo, o principal mercado logístico do país”. O analista explica que a desaceleração nas construções e a baixa vacância (6,7%) indicam vantagens para os proprietários, “especialmente no segmento de alto padrão”.

gráfico fiis galpões sp vacância preço

“O ponto central da tese é que o mercado começa a apresentar sinais de escassez antes mesmo de os preços refletirem integralmente o custo de reposição.”

O analista entende que os preços mais altos para desenvolver novos empreendimentos tendem a limitar a oferta futura e preservar a ocupação dos imóveis existentes. Com isso, o poder de barganha dos proprietários será maior nas próximas janelas de revisão dos contratos.

E acrescenta: “fundos com portfólios de maior qualidade, exposição a regiões mais demandadas e gestão ativa tendem a se beneficiar de três vetores principais”. São eles:

  • Reajustes reais de aluguel;
  • Manutenção de vacância em níveis controlados;
  • Reciclagem de portfólio com geração de valor.

As indicações de Caio Araujo

Em seu relatório, Caio Araujo compartilha três fundos imobiliários com bom potencial para aproveitar o momento atual do ciclo.

Mais do que apresentar nomes e tickers, o analista detalha em poucos parágrafos o que leva cada um a estar bem-posicionado para entregar retornos interessantes aos investidores.

O momento ímpar desse segmento de FIIs levou Araujo a produzir um relatório especial – com acesso gratuito e sem necessidade de cadastro.

Para ler o texto do analista da Empiricus Research na íntegra e conhecer os três fundos indicados, basta clicar no botão abaixo:

CONHECER OS FIIs INDICADOS POR CAIO ARAUJO

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1T26 das big techs: o mercado cansou do ‘hype’? Confira a análise de Enzo Pacheco no novo episódio Empiricus Podcast

9 de Maio de 2026, 09:00

As big techs reportaram números bilionários na temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26), que superaram as expectativas do mercado. Para se ter uma ideia, os dados coletados pela Bloomberg estimavam um crescimento de lucros de 18% na comparação com o mesmo período de 2025.

Contudo, com a divulgação dos números de seis das “Sete Magníficas” — a Nvidia ainda não divulgou , o grupo caminha para entregar um crescimento de lucros de 57% no 1T26. Para efeito de comparação, o restante do S&P500 deve entregar um avanço de 16% nos lucros.

Mas apesar dos números positivos nos balanços, na bolsa, a reação foi diferente. Logo após os resultados, o mercado “privilegiou” as ações da Alphabet (GOOGL) e Amazon (AMZN). Em contrapartida, “puniu” os papéis da Meta (META) e Microsoft (MSFT).

O que levou o mercado a reagir dessa forma? Será que o hype da IA passou e agora os investidores estão separando as big techs entre vencedoras e perdedoras?

Enzo Pacheco, analista de ações internacionais, participou do Empiricus Podca$t desta semana para falar do resultado da big techs, o que está no radar do mercado e como os investidores podem se posicionar nesse setor. (veja o episódio na íntegra).

Se todos os resultados foram positivos, por que algumas ações caíram?

Das Sete Magníficas, Meta, Amazon, Alphabet e Microsoft divulgaram resultados no dia 29 de abril. Todas apresentaram crescimento de dois dígitos nos lucros. Apesar disso, no pregão seguinte aos balanços houve uma disparidade no comportamento das ações.

Enquanto os papéis da Alphabet subiram mais de 10% e a Amazon renovou máxima histórica, as ações da Microsoft e Meta despencaram 4% e 8%, respectivamente. Segundo Enzo Pacheco, esse comportamento foi motivado pela projeção que essas companhias reportaram em relação aos investimentos em inteligência artificial.

Ele explicou que há algum tempo o mercado vem questionando se os investimentos das big techs em IA estão fazendo sentido e gerando resultado para as empresas.

O trio Alphabet, Microsoft e Amazon são conhecidas como hyperscales, ou seja, “empresas que vão fazer grandes estruturas e data centers, e oferecer para que as empresas contratem essas estruturas de processamento”, pontua o analista.  

É justamente essa capacidade de expandir essas estruturas que está no radar dos analistas e investidores, “pois é o que vai gerar um crescimento forte da receita nos próximos anos”.

Nesse sentido, a pergunta que fica é:

Vale a pena investir nas big techs após os resultados do 1T26?

Enzo Pacheco aponta que, embora o mercado tenha reagido mal aos resultados de algumas big techs, “para os brasileiros que querem começar a investir lá fora, as sete magníficas são boas opções para começar”.

Nesse sentido, durante o podcast o analista revelou quem foi a grande perdedora e a grande vencedora nos resultados do 1T26, na visão dele, e como equilibrar as posições desses papéis na carteira.

Além disso, Enzo revelou qual a ação de big tech preferida neste momento. Você pode conferir tudo isso no novo episódio do Empiricus Podca$t. Para conferir na íntegra, basta apertar o play no botão abaixo:

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Ex-diretor do BC vê maior parte dos cortes da Selic pós-eleição e taxa a 11% em 2027

O ex-diretor do Banco Central e gestor da família de fundos Itaú Janeiro, da Itaú Asset Management, Bruno Serra, disse que a maior parte dos cortes da Selic deve vir após as eleições, dado que o choque do petróleo provavelmente fará com que o Copom adote um ritmo “mais devagar” neste começo de ciclo.

Ainda assim, há espaço para reduzir a Selic ao patamar de 11% até meados de 2027.

“Acho que vai discutir 11%, 10%, isso não vai mudar”, disse Serra, em entrevista, que já esperava uma Selic final nesses patamares ao fim do processo de flexibilização monetária antes da guerra. “O choque vai fazer você postergar” o ciclo de cortes, disse Serra.

Para ele, o movimento do petróleo, que tem caído nas últimas sessões por perspectivas mais construtivas com o fim da guerra, mas se manteve acima de US$ 100 por vários dias, “vai gerar uma atividade mais fraca ainda, porque vai se carregar aquela Selic que as empresas já estavam vendo”.

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Nesse cenário, o “grosso do ciclo” de cortes deve acontecer após a eleição, disse em entrevista na sede da asset, na segunda-feira. A ata do Copom, divulgada nesta terça-feira, não trouxe nada adicional ao cenário, disse ele.

O Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50%, na semana passada, quando sinalizou “serenidade e cautela” para a calibração dos juros à luz novas informações.

Na ata, BC reafirmou o compromisso em combater efeitos de segunda ordem do choque do petróleo decorrente da guerra no Oriente Médio e disse que “ficou evidente” a desancoragem adicional das expectativas, em particular para 2028.

Serra, que foi diretor de política monetária do BC entre 2019 a 2023, afirmou que o Copom tem espaço para reduzir os juros ao menos por mais duas reuniões ao ritmo de 0,25pp.

Leia também: Goldman eleva projeção da Selic para 13,25% em 2026 diante do choque do petróleo

A autoridade monetária, no entanto, pode ser forçada a pausar o processo de cortes, caso o petróleo em alta siga pressionando expectativas de inflação para 2028, e, eventualmente, retomar o processo de redução da taxa básica.

“Se essa expectativa continuar subindo, ele vai ter que parar, no 14,5%, 14,25% ou 14%, nem que seja para dar recado”, disse Serra. “E aí, é torcer para evoluir bem” o cenário, afirmou o gestor.

Na pesquisa Focus desta semana, a projeção dos economistas para a inflação em 2028 teve nova elevação, de 3,61% para 3,64%.

Eleições

Para ele, o BC teria o viés de voltar a cortar juros caso promovesse uma pausa no processo, dado o atual nível de juros. Segundo ele, o elevado patamar da Selic deve evitar que um debate sobre novas altas da Selic venham à mesa.

Para Serra, se houver sinalização de encaminhamento da questão fiscal pós-eleição, a discussão no mercado se transforma em uma Selic final de 8% ou 9%. “Abre uma avenida adicional para cortar juros”, disse ele.

O Itaú Janeiro reduziu o risco na posição aplicada em juros futuros — aquela que lucra quando as taxas nominais negociadas na B3 caem — para cerca de um terço do tamanho da posição que detinha imediatamente antes do choque do petróleo.

A aposta foi ganhadora ao longo de 2025, conforme o mercado apostava que o BC ganhava espaço para cortar juros.

O fundo detém uma posição vendida no dólar contra o real. Para Serra, no entanto, a possibilidade de apreciação da moeda brasileira após o rali recente é limitada.

A família de fundos Itaú Janeiro, liderada por Bruno Serra, detém cerca de R$ 25 bilhões em ativos sob gestão, de acordo com a assessoria de imprensa da Itaú Asset.

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Bancos veem cortes de 0,25 ponto da Selic à frente e ciclo mais curto após Copom

© Raphael Ribeiro

Bruno Serra, ex-diretor de política monetária do Banco Central: Raphael Ribeiro/BCB

Localiza (RENT3) começa o ano com o pé no acelerador e lucro supera a marca de R$ 1,2 bilhão; confira análise do resultado do 1T26

8 de Maio de 2026, 12:43

A Localiza (RENT3) reportou mais um trimestre sólido, com avanço de rentabilidade em praticamente todas as linhas de negócio. A receita líquida consolidada atingiu R$ 12,3 bilhões (+21,2% a/a), enquanto o lucro líquido somou R$ 1,22 bilhão (+45% a/a), superando pela primeira vez a marca de R$ 1 bilhão em um primeiro trimestre, mesmo desconsiderando efeitos não recorrentes.

O resultado veio sustentado principalmente por ganhos operacionais em RAC e GTF, com melhora de utilização da frota, avanço de tarifas, maior produtividade e diluição de custos, além de um trimestre forte em Seminovos. Mesmo em um ambiente ainda pressionado por juros elevados, a companhia segue entregando expansão de ROIC spread e forte geração de caixa, reforçando a qualidade da execução operacional.

Aluguel de Carros (RAC)

Na divisão de aluguel de carros, a receita líquida atingiu R$ 2,79 bilhões (+8,5% a/a), impulsionada pela combinação de maior diária média e aumento de utilização da frota. O número de diárias cresceu 1,0% a/a, enquanto a diária média avançou 7,0%, para R$ 157,4. Já a taxa de utilização atingiu 82,1%, alta de 12,1 p.p. frente ao 1T25, refletindo disciplina de oferta, foco em produtividade e melhor alocação de frota.

Mesmo com o crescimento da receita, os custos e despesas da divisão avançaram apenas 1,9% a/a, beneficiados pela maior produtividade da frota, melhora nos custos de manutenção e preparação por carro, além do maior volume de créditos tributários de PIS/Cofins. Assim, o ebitda da operação somou R$ 1,88 bilhão (+12,1% a/a), com margem de 67,4% (+2,2 p.p. a/a), reforçando a capacidade da companhia de expandir rentabilidade mesmo em um cenário competitivo.

Além disso, a margem EBIT de RAC atingiu 47,3% (+4,9 p.p. a/a), refletindo também a evolução gradual da depreciação dos veículos, que segue em patamares saudáveis apesar do aumento sequencial observado nos últimos trimestres. A depreciação anualizada por carro ficou em R$ 7.986 no trimestre.

Gestão de Frotas (GTF)

Em Gestão de Frotas, a receita líquida cresceu 3,8% a/a, atingindo R$ 2,32 bilhões, mesmo com queda de 1,5% no número de diárias. Assim como nos últimos trimestres, esse movimento segue refletindo a estratégia da companhia de reduzir exposição a contratos de uso severo, que possuem menor retorno ajustado ao risco e pressionam a depreciação da frota. Ao final do trimestre, esses contratos representavam apenas 15,5 mil veículos, e a expectativa da companhia é encerrar 2026 abaixo de 10 mil carros nesse perfil.

O crescimento da receita decorreu principalmente da reprecificação de contratos antigos em um ambiente de juros mais elevados, além do redirecionamento de capital para segmentos mais rentáveis, como gestão de frotas corporativas e assinatura, que cresceram cerca de 14% a/a. A diária média avançou 6,9%, para R$ 107,5, enquanto a taxa de utilização atingiu 96,8%.

Os ganhos operacionais foram ainda mais fortes na rentabilidade. Excluindo o efeito não recorrente de desinvestimento de subsidiárias, a margem ebitda de GTF atingiu 75,9% (+5,9 p.p. a/a), impulsionada pela melhora de mix, redução de provisões para devedores duvidosos, maior eficiência operacional e melhor utilização da frota. Considerando os efeitos extraordinários, a margem atingiu 88,0%.

Seminovos

A divisão de Seminovos também foi destaque e atingiu receita recorde de R$ 7,1 bilhões (+34,5% a/a), com venda histórica de 95,4 mil veículos (+27,7% a/a). O desempenho reflete a aceleração do ciclo de renovação da frota, expansão da rede de lojas e amadurecimento de iniciativas voltadas à produtividade comercial.

Além do forte volume, a companhia também conseguiu melhorar rentabilidade na divisão. A margem bruta atingiu 7,9% (+1,0 p.p. a/a), beneficiada pelo maior preço médio de venda e pela melhora do mix de veículos vendidos, com rejuvenescimento da frota (o que faz parte das mudanças que a gestão vem implementando com sucesso). Como consequência, o ebitda da divisão mais do que dobrou, atingindo R$ 217 milhões (+105% a/a), com margem de 3,1% (+1,1 p.p. a/a).

Esse ponto é especialmente importante para a tese, pois reforça que a companhia segue conseguindo monetizar sua frota acima das estimativas implícitas de depreciação, reduzindo riscos de revisões negativas futuras.

Consolidado do balanço do 1T26 da Localiza

No consolidado, o ebitda atingiu R$ 4,1 bilhões (+23,7% a/a), acima do crescimento da receita, refletindo expansão de margem em todas as divisões operacionais. Já o EBIT somou R$ 2,73 bilhões (+32,4% a/a), beneficiado tanto pela melhora operacional quanto pela maior eficiência da frota e evolução das margens de aluguel.

O lucro líquido alcançou R$ 1,22 bilhão (+45% a/a). Excluindo efeitos não recorrentes relacionados ao desinvestimento de subsidiárias, o lucro recorrente teria sido de R$ 1,05 bilhão, ainda assim recorde histórico para um primeiro trimestre. A expansão decorreu principalmente do crescimento operacional, parcialmente compensado pelo aumento das despesas financeiras, em função do maior CDI médio e do saldo de dívida no período.

Outro destaque foi a geração de caixa antes de juros e outros, que atingiu R$ 2,18 bilhões, frente a consumo de caixa no 1T25. O resultado reflete a forte geração operacional da companhia e maior eficiência na renovação de frota. Além disso, a dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 30,2 bilhões, queda de 2,8% em relação ao final de 2025.

Em suma, o trimestre reforça a qualidade operacional da Localiza. A companhia segue entregando expansão de rentabilidade, maior produtividade da frota, disciplina de capital e evolução consistente do ROIC spread mesmo em um ambiente ainda desafiador para empresas intensivas em capital. Com eventual normalização dos juros ao longo dos próximos trimestres, o cenário tende a se tornar ainda mais favorável para a tese. Por 11,7x lucros estimados para 2026, RENT3 segue entre as recomendações da Empiricus.

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De patinhos feios a destaque: As mudanças dos FIIs de logística, de acordo com Caio Araujo, da Empiricus

8 de Maio de 2026, 11:00

Caio Araujo, analista de fundos imobiliários da Empiricus Research, explicou o caminho percorrido pelos FIIs de logística, segmento que deixou de ser o patinho feio da indústria, para ganhar destaque nos investimentos, em sua visão.

Ele participou da edição de maio do Onde Investir, programa do Seu Dinheiro, portal de notícias parceiro da Empiricus, e detalhou que os fundos de galpões “eram vulneráveis a movimentos de oferta e quedas de demanda”.

Dessa forma, as taxas de ocupação do segmento eram um problema que afastava os investidores. Porém, hoje “nós vivemos uma mudança estrutural no setor” e dois fundos chamam atenção do especialista para investimento neste mês.

As mudanças na logística em 10 anos

Araujo destaca o avanço do e-commerce junto a mudanças nos hábitos de consumo dos brasileiros como elementos importantes para o novo cenário dos galpões logísticos em todo o país.

“Nós tivemos a entrada de grandes players, como Amazon e Shopee, além do aumento de participação de empresas como Mercado Livre. Isso tudo influenciou bastante o segmento”, detalhou.

Como resultado, há um aumento na demanda por galpões e os últimos anos registraram números de locações consistentes.

O analista também explicou que, em um primeiro momento, a oferta acompanhou esse crescimento da procura. Entretanto, os custos para construir subiram, assim como o custo de capital – ou seja, está mais caro levantar dinheiro para investir.

“Nem todo mundo consegue desenvolver um galpão hoje, apesar de não ser algo tão complexo em relação à construção em outros setores”, complementa.

Veja: o analista Caio Araujo o Araujo acaba de produzir um relatório completo sobre os FIIs de logística, onde ele destaca três fundos como referências do setor; acesso gratuito aqui

Aluguel caro aqui é noticia boa

Um resultado desse processo observado por Araujo é a queda na vacância dos FIIs de logística: “e ela tende a permanecer em um patamar estável, próximo das mínimas históricas, que é onde está hoje”.

Como exemplo, ele cita o estado de São Paulo: “de acordo com os dados do primeiro trimestre, a vacância está próxima de 7%, um número muito baixo”. O especialista também destaca que os preços dos aluguéis já estão subindo.

“Só no primeiro trimestre, a média do aumento foi de 5% para galpões em um raio de 30 a 60 km da capital paulista. É bastante coisa.”

Em sua visão, essa subida de preços deve continuar, especialmente nos imóveis de alta qualidade. Diante desse cenário, Caio Araujo tem uma visão bastante positiva para o setor de logística no curto prazo.

Saiba mais: o analista da Empiricus Research produziu um relatório sobre FIIs de logística repleto de informações, gráficos e tabelas; nossos leitores têm acesso gratuito aqui

Os fundos indicados por Caio

Os especialistas que participam do Onde Investir falam sobre cenário, mas também trazem sugestões de alocação para o mês. Na sua vez de indicar bons papéis, Caio escolheu dois FIIs de galpões.

Primeiro, o BTG Pactual Logística (BTLG11), “um dos maiores da indústria”.

Na visão do analista da Empiricus Research, o fundo se destaca pela concentração em São Paulo, “uma praça com dados operacionais bem saudáveis. E a tendência é que ele expanda suas operações na região”.

Araujo acrescentou que poucos fundos imobiliários estão com dinheiro para expansões nesse momento. “O BTLG11 tem caixa, e isso é bem interessante porque, junto com o poder de barganha dos proprietários, eles conseguem remunerações melhores”.

O outro FII apresentado foi o Vinci Logística (VILG11), que é “parecido, mas tem um contexto mais voltado ao valuation, onde a gente enxerga ganho de capital”. De acordo com o especialista, a carteira do fundo é mais concentrada e o nível de risco um pouco maior, “mas a gente gosta da tese, ele está tranquilo em relação a caixa e tende a fazer alocações ao longo do tempo”.

Confira: Araujo acredita que três FIIs são as principais referências no segmento de logística; ele revela quais em um relatório que foi disponibilizado gratuitamente

Onde Investir

A edição de maio do Onde Investir chegou em meio a um cenário conturbado com a guerra entre Estados Unidos e Irã ainda em curso, inflação pressionada e o mais recente corte da taxa Selic, agora em 14,50% ao ano.

Ao mesmo tempo, a temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 ocupa cada vez mais espaço no noticiário econômico.

Diante de tantas questões, o evento trouxe especialistas do mercado para falar sobre o cenário macro, ações e dividendos, mercado internacional, renda extra, Imposto de Renda, criptomoedas e os fundos imobiliários – de onde trouxemos um pedaço da participação de Caio Araujo.

Para assistir o programa na íntegra e conferir todas as indicações de investimentos dos especialistas, assista ao Onde Investir de maio no vídeo abaixo:

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Ibovespa hoje: aumento das tensões no Oriente Médio, payroll, volta dos IPOs na B3 e mais

8 de Maio de 2026, 10:26

Os mercados globais voltam a operar sob forte tensão após a escalada entre EUA e Irã reacender os receios de prolongamento do conflito no Oriente Médio. Apesar de Donald Trump afirmar que o cessar-fogo permanece em vigor e que um acordo “pode acontecer a qualquer momento”, Teerã acusa Washington de violar a trégua, enquanto avaliações da inteligência americana sugerem que o Irã ainda possui capacidade militar e econômica para sustentar o confronto por mais alguns meses.

Nesse ambiente de incerteza, o Irã atacou embarcações militares americanas e os americanos responderam com bombardeios contra alvos iranianos, movimento que levou o petróleo a retomar a trajetória de alta, com o Brent novamente acima da marca de US$ 100 por barril. Com isso, cresce no mercado a percepção de que o fechamento do Estreito de Ormuz pode se prolongar além do esperado, ampliando os riscos de um choque energético mais persistente e de novas pressões inflacionárias globais.

Ainda assim, os mercados seguem demonstrando relativa resiliência, sustentados pela expectativa de que o conflito não evolua para uma guerra de maior escala e pela esperança de retomada das negociações diplomáticas.

Os futuros de Wall Street operam em leve alta, enquanto as bolsas europeias recuam em meio às novas ameaças tarifárias de Donald Trump contra a União Europeia.

Na Ásia, os principais índices encerraram o pregão próximos da estabilidade, refletindo um ambiente de cautela antes da divulgação do payroll americano, indicador que ganha importância adicional em um momento no qual o Federal Reserve já reconhece que os efeitos da guerra começam a influenciar diretamente as perspectivas para inflação, atividade econômica e juros nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, a recente alta do petróleo reforça o temor de que o choque de energia volte a contaminar as expectativas inflacionárias globais, levando a Agência Internacional de Energia a discutir a possibilidade de liberar reservas estratégicas para conter o avanço dos preços.

· 00:58 — Novo impulso no mercado

Ontem, o Ibovespa registrou forte queda, encerrando o pregão novamente na faixa dos 183 mil pontos, em linha com o movimento global de aversão a risco provocado pela escalada das tensões no Estreito de Ormuz.

Entre os principais vetores de pressão esteve a volatilidade do petróleo, que impactou especialmente a PETR4 diante das incertezas sobre uma possível solução para o conflito no Oriente Médio.

Apesar do ambiente externo mais turbulento, o campo diplomático trouxe sinais de maior aproximação entre Brasil e Estados Unidos. Em reunião de cerca de três horas na Casa Branca, os presidentes Lula e Trump buscaram reposicionar a relação bilateral em um tom mais construtivo, com foco em tarifas, comércio e minerais estratégicos.

Como principal resultado, ficou acordada a prorrogação por 30 dias das negociações comerciais para avançar na redução de tarifas sobre produtos brasileiros, enquanto temas mais sensíveis da investigação da Seção 301, como etanol, desmatamento e regulação de big techs, seguem em discussão.

A pauta de minerais críticos e terras raras ganhou relevância diante do esforço americano de reduzir sua dependência da China, enquanto o Brasil sinalizou abertura para parcerias, mas defendendo maior agregação de valor local.

E, por falar em comércio exterior, o Brasil registrou em abril o maior valor mensal de exportações de sua história, beneficiado pela forte alta dos preços do petróleo em meio à guerra envolvendo o Irã. As exportações somaram US$ 34,15 bilhões no mês, avanço de 14,3% em relação ao mesmo período do ano anterior e o maior patamar da série histórica iniciada em 1997.

Como consequência, o superávit comercial brasileiro cresceu 37,5%, alcançando US$ 10,5 bilhões. Como maior produtor de petróleo da América Latina, acabamos favorecidos pela disparada das commodities energéticas provocada pelo conflito no Oriente Médio, apesar de estarmos também expostos à pressão nos preços e, consequentemente, nas expectativas de inflação.

Por fim, a Compass Gás e Energia encerrou um jejum de quase cinco anos sem IPOs na B3 ao levantar R$ 3,2 bilhões em sua oferta pública inicial de ações. A operação marcou a retomada das aberturas de capital na bolsa brasileira pela primeira vez desde dezembro de 2021 e pode representar um sinal relevante para o mercado local.

Historicamente, a reabertura de janelas de IPO costuma ocorrer em momentos associados a ciclos mais favoráveis para os ativos domésticos. Desde o Plano Real e a posterior consolidação do tripé macroeconômico (metas de inflação, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal), o Brasil nunca havia atravessado um período tão longo sem novas ofertas relevantes, refletindo um mercado de capitais que permaneceu praticamente esterilizado por anos.

A última paralisação semelhante ocorreu entre 2002 e 2004, encerrada justamente pelo IPO da Natura. Nos anos seguintes, o país viveu um dos maiores bull markets de sua história, impulsionado pelo boom de commodities, pela forte entrada de capital estrangeiro e pela expansão do mercado de capitais doméstico. Evidentemente, a história não se repete de forma idêntica, mas a reabertura da janela de IPOs volta a surgir como mais um possível indicativo de melhora estrutural para os ativos brasileiros.

· 01:47 — Impactos econômicos

Os impactos econômicos da guerra entre Estados Unidos e Irã começam a se disseminar de forma mais ampla pela economia americana, ultrapassando o choque inicial observado nos preços da gasolina. Com o galão já em US$ 4,56 — o maior patamar desde 2022 —, cresce a preocupação entre empresas dos setores de varejo, restaurantes e bens de consumo diante de um consumidor cada vez mais pressionado pelo aumento do custo de vida e pela perda de poder de compra.

Executivos alertam que a manutenção do petróleo ao redor de US$ 100 por barril tende a prolongar as pressões inflacionárias nos próximos meses, afetando não apenas os custos de energia, mas também alimentos e diversos outros itens da cadeia de consumo.

Ainda assim, os mercados permanecem relativamente resilientes, sustentados pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial e por uma temporada de resultados robusta. Ao mesmo tempo, a volatilidade voltou a ganhar força à medida que as tensões envolvendo o Estreito de Ormuz se intensificam.

Na agenda econômica, o principal destaque do dia é a divulgação do payroll de abril nos Estados Unidos, com expectativa de desaceleração relevante na criação de empregos, de 178 mil para algo entre 65 mil e 70 mil vagas, enquanto a taxa de desemprego deve permanecer em 4,3%.

O mercado também acompanha a divulgação do índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan e, sobretudo, das expectativas de inflação de curto e longo prazo, indicadores particularmente relevantes em um ambiente de crescente sensibilidade em relação ao custo de vida nos EUA.

Além disso, dirigentes do Federal Reserve participam de painéis ao longo do dia, em meio a um cenário ainda marcado por incertezas envolvendo inflação, juros e crescimento econômico. No campo político e comercial, seguem no radar as novas ameaças tarifárias de Donald Trump contra a União Europeia e a decisão da Justiça americana que considerou ilegais as tarifas universais impostas pela Casa Branca, adicionando mais um fator de instabilidade ao cenário global.

· 02:39 — NACHO ao invés de TACO

Os mercados voltam a operar sob pressão diante de uma nova escalada no Oriente Médio, após confrontos diretos entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz colocarem em dúvida a percepção recente de que um acordo estaria próximo.

Ataques iranianos contra destróieres americanos e a resposta militar de Washington, classificada como “autodefesa”, reacenderam o risco geopolítico, levaram o petróleo novamente para a região dos US$ 100 por barril e reforçaram a leitura de que o conflito pode se prolongar mais do que se imaginava inicialmente. Nesse contexto, começou a ganhar força em Wall Street o chamado “NACHO trade” — sigla para Not A Chance Hormuz Opens (“Nenhuma Chance de que Hormuz Abra”) —, expressão usada para descrever a aposta de investidores de que a reabertura plena do estreito não ocorrerá tão cedo.

Na prática, trata-se de uma visão mais estruturalmente altista para o petróleo, baseada na percepção de que o prêmio geopolítico da energia veio para ficar, ao menos enquanto persistirem as tensões entre Washington e Teerã.

Ainda assim, apesar da deterioração geopolítica, os investidores seguem sustentando algum apetite por risco, apoiados principalmente na força das empresas de tecnologia e no entusiasmo em torno da inteligência artificial.

Os índices futuros americanos voltaram a subir, refletindo a percepção de que o ciclo positivo das big techs ainda pode compensar, no curto prazo, parte do impacto macroeconômico do choque energético. Paralelamente, o conflito acelera rearranjos estratégicos globais: o Irã amplia sua integração logística com a China por meio do comércio ferroviário, enquanto Washington intensifica preocupações sobre o envio indireto de chips avançados para Pequim, justamente às vésperas da visita de Donald Trump à China.

O pano de fundo permanece marcado por elevada incerteza, combinando guerra, disputa tecnológica e pressão política doméstica nos EUA, em um ambiente no qual o petróleo tende a carregar um prêmio geopolítico persistente e os mercados seguem altamente dependentes do noticiário para definir direção.

· 03:45 — Um Canadá mais europeu?

Nesta semana, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, participou de forma inédita de uma reunião da Comunidade Política Europeia, reforçando o movimento de aproximação entre Canadá e União Europeia em meio à deterioração da ordem internacional e às tensões crescentes com os Estados Unidos.

O contexto recente, marcado por tarifas americanas, ameaças geopolíticas e maior imprevisibilidade na política externa de Washington, tem estimulado o debate sobre um alinhamento mais profundo entre Ottawa e Bruxelas, inclusive com especulações sobre uma eventual adesão canadense ao bloco europeu. Essa aproximação se apoia em afinidades históricas, institucionais e econômicas, além de laços comerciais já consolidados, como o acordo CETA, que ampliou de forma relevante o fluxo de comércio.

Apesar das vantagens potenciais, como maior acesso a mercados e aprofundamento da cooperação estratégica, uma eventual adesão enfrentaria obstáculos significativos, incluindo questões geográficas, exigências regulatórias e custos econômicos e políticos.

O Canadá teria de adotar o conjunto de normas da União Europeia, revisar políticas internas e lidar com impactos sobre comércio, orçamento e mobilidade laboral. Ainda assim, tanto a opinião pública canadense quanto a europeia demonstram abertura à ideia de maior integração, indicando que, embora a adesão plena seja improvável no curto prazo, uma parceria transatlântica mais profunda ganha força como alternativa estratégica, especialmente se persistirem as incertezas em torno das relações comerciais com os Estados Unidos.

· 04:03 — Destaque asiático

O Japão voltou a intervir de forma relevante no mercado cambial, possivelmente com mais de US$ 30 bilhões poucos dias após uma ação anterior de US$ 24,7 bilhões, mas a dificuldade do iene em superar o nível de 155 por dólar levanta dúvidas sobre a eficácia e a sustentabilidade dessas medidas, diante da demanda persistente por dólares e das limitações de atuação sem ajustes mais estruturais de política monetária.

Ainda assim, o ambiente global recente favoreceu os ativos asiáticos, apesar da queda desta sexta-feira por conta da tensão geopolítica, com o índice MSCI da região avançando 5,6% na semana, impulsionado pelo renovado interesse em inteligência artificial, com destaque para o forte desempenho da Coreia do Sul (+14%), de Taiwan (+7%) e do Japão (+5,8%).

O movimento também se refletiu nas moedas locais e em revisões positivas de instituições financeiras, especialmente para a divisa sul coreana, embora o cenário permaneça sujeito a riscos, em particular a eventuais novos episódios de tensão entre EUA e Irã, configurando um ambiente que combina forte momentum, ainda sob uma perspectiva construtiva no curto prazo.

· 05:01 — Escala que vira margem

A Smart Fit (SMFT3) reportou bons resultados no 1T26, com receita de R$ 2,1 bilhões em linha com as expectativas, sustentada pela expansão da rede, pelo aumento do ticket médio e pelo amadurecimento das unidades mais recentes.

O principal destaque foi a margem bruta de 51,8%, acima do esperado (parte do mercado temia, inclusive, uma queda de margem bruta), refletindo a maior participação de academias maduras, que já representam 68% da base, e o avanço de frentes complementares, como Studios e TotalPass. Esse desempenho reforça um dos pilares centrais da tese: a alavancagem operacional do modelo, que tende a impulsionar a rentabilidade à medida que novas unidades atingem seu estágio de maturidade.

Sob a ótica regional, o desempenho permanece heterogêneo, mas positivo no consolidado. No Brasil, observou-se leve compressão de margens, explicada pela concentração recente de aberturas ainda em fase de maturação.

No México, a rentabilidade foi pressionada pelo aumento de custos e pela dinâmica do TotalPass. Em contrapartida, as operações nos demais países da América Latina se destacaram, com crescimento consistente de receita e margens superiores às observadas em mercados mais maduros, evidenciando os benefícios da diversificação geográfica. Adicionalmente, linhas de receita complementares, como Studios e royalties, seguem ganhando relevância e apresentam margens mais elevadas, contribuindo de forma positiva para o resultado consolidado.

No agregado, o trimestre reforça uma trajetória consistente de crescimento, com EBITDA recorde e forte expansão do lucro líquido, mesmo diante de pressões pontuais de custos e maiores investimentos. A combinação entre o amadurecimento das unidades, a diversificação de receitas e a expansão internacional sustenta uma perspectiva favorável para os próximos períodos.

Após a recente correção das ações, que trouxe os múltiplos para níveis mais atrativos, os resultados reforçam uma leitura construtiva para o papel, que segue bem posicionado para capturar ganhos adicionais de escala e rentabilidade ao longo do tempo.

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Bitcoin é um ouro digital emergente? Entenda afirmação de especialista e quais os riscos de não ter BTC na carteira

8 de Maio de 2026, 08:57

O bitcoin (BTC) é um “ouro digital emergente”, na visão de Marcello Cestari, analista de criptoativos da Empiricus. Segundo ele, a criptomoeda ainda não é considerada um ouro digital por instituições financeiras pois ainda ocupa o posto de um ativo relativamente novo e tem um market cap menor em relação a outros ativos, como o próprio ouro.

Ao lado de Matheus Parizotto, research de digital asset do BTG Pactual, Cestari participou do ETF Day, evento promovido pelo banco para assessores de investimento nesta quarta-feira (6).

O especialista ainda pontua que a volatilidade das criptomoedas – mais expressiva que a do ouro ou das bolsas de valores, por exemplo – também dificulta na classificação do bitcoin como um ouro digital atualmente.

“Com a institucionalização que está acontecendo, o bitcoin tem se comportado mais correlacionado com o ‘Nasdaq alavancado’ do que como um ‘ouro digital’, que é como chamamos”, afirma.

Na leitura do especialista, contudo, o bitcoin e outras criptomoedas estão caminhando para se tornarem parte estratégica na composição de portfólios institucionais e de pessoas físicas para além de um investimento alternativo.

Qual é o risco de não investir em criptomoedas?

No evento do ETF Day, ao explicar o risco de não investir nos ativos digitais, Cestari faz uma comparação de valores de mercado aproximados:

  • Ouro: US$ 30 a US$ 32 trilhões em market cap;
  • Mercado cripto (incluindo BTC): US$ 2,5 trilhões;
  • Bitcoin: US$ 1,5 trilhão;

Diante dessa disparidade, Cestari avalia que o que move os investidores desse mercado diz respeito a uma opinião que já foi dita até pelo CEO da BlackRock, Larry Fink: o bitcoin pode chegar à marca do market cap do ouro, saindo de US$ 1,5 trilhão para US$ 30 trilhões.

“Óbvio que para isso acontecer, é preciso um mercado mais maduro, com mais regulamentação, criando regras e plataformas institucionais que caminhem para que o bitcoin se torne uma classe de ativo como as outras”, explica o especialista.

BTC deve ganhar mais protagonismo nas carteiras institucionais

Diante deste cenário, Cestari e Parizotto reforçam como é um risco não ter BTC na carteira. Para os especialistas, diversos ativos digitais estão no rumo de deixar a posição de investimentos alternativos e ganhar espaço como parte estratégica na composição de portfólios.

Um dos argumentos para isso é que o dólar vem perdendo sua posição de segundo protagonista nas reservas de valor mundial. “Não queremos dizer que o dólar vai acabar, mas a moeda vem sendo usada como arma política para sancionar alguns países e isso coloca a confiança em xeque”, disse o especialista.

Nessas circunstâncias, Cestari aponta que o bitcoin tem propriedades parecidas com o ouro que podem posicioná-lo como uma alternativa de reserva de valor. Na verdade, segundo o especialista, não investir em bitcoin no momento implica o risco de perda da “maior assimetria da década”.

Além disso, durante o evento ele também citou uma pesquisa da BlackRock que apontou que alocar parte da carteira em criptomoedas pode aumentar a eficiência dos portfólios, com maior Sharpe (relação de risco e retorno de um investimento) e menor volatilidade e drawdown (máxima perda que se pode ter com um investimento).

Ademais, a respeito das vias de institucionalização, o especialista também reforçou um potencial significativo neste sentido. Como exemplo, ele citou a entrada por meio da criação de ETFs (fundos negociados em bolsa, em tradução direta), tesourarias de bitcoin dentro das empresas e por meio de grandes nações adotando o ativo como parte do tesouro. O avanço dessas medidas, em sua visão, são vias da consolidação da posição do bitcoin como ouro digital.

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CEO do Fleury defende expansão com disciplina financeira após lucro subir 12% no 1º tri

8 de Maio de 2026, 08:38

O Grupo Fleury (FLRY3), que atua em medicina diagnóstica, iniciou o ano do seu centenário com um balanço que sublinha a tese de consolidação defendida pela gestão: expansão de volume via M&A com vigilância sobre as margens.

No primeiro trimestre de 2026, a companhia entregou uma receita bruta de R$ 2,4 bilhões (alta de 10,1%) e um lucro líquido de R$ 201,2 milhões, avançando 12,2% sobre o mesmo período do ano anterior.

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Para a CEO Jeane Tsutsui, o resultado valida o modelo que combina o legado premium com a agressividade em novas praças.

“O Fleury entrega um crescimento robusto, 10,1% de top-line, principalmente chamando a atenção do crescimento das nossas unidades de atendimento”, afirmou a executiva em entrevista à Bloomberg Línea.

Ela destacou que a marca Fleury mantém o vigor, crescendo 12,1%, mas que o salto de 28% das demais marcas de São Paulo reflete o acerto na integração de ativos.

A integração de gigantes adquiridos recentemente foi o pano de fundo da discussão sobre eficiência. Sobre o processo de maturação dessas operações, o CFO José Antonio Filippo destacou que o resultado atual já é um reflexo direto dessa execução.

“Isso está refletido, e a gente consegue rentabilizar a margem que nós temos mantido. [O resultado] reflete a capacidade de rentabilização dessa receita”, afirmou o executivo, referindo-se ao desafio de absorver estruturas robustas como as do Grupo Pardini e do Femme sem comprometer a última linha do balanço.

Leia mais: Fleury e Porto encerram negociação com Oncoclínicas e abrem caminho para MAK Capital

O CFO reforçou que a captura de sinergias é o que permite manter o Ebitda em R$ 606 milhões, mesmo com um mix de serviços mais diversificado.

Apesar da escala, o mercado monitora a diluição de margens, já que novos ativos operam em segmentos de menor ticket médio. O CFO reconheceu o desafio.

“Temos tido um mix que tende a ser desfavorável pelo longo crescimento dos negócios, mas a gente tem conseguido manter a margem nos mesmos níveis”, disse.

Leia mais: Fleury seguirá estratégia própria enquanto Bradesco reorganiza ativos de saúde, diz CEO

A estrutura de capital também foi central. Com alavancagem em 1,0x da dívida líquida/Ebitda, o grupo mantém um dos balanços mais conservadores do setor.

“Ainda vivemos essa situação de juros mais elevados. Isso tudo requer prudência para que não se tenha um impacto muito grande na despesa financeira”, justificou o CFO, sinalizando que a disciplina na alocação de capital é prioridade.

Sem visibilidade de novos drivers

A captura de sinergias da fusão com o Hermes Pardini, autorizada pelo Cade em abril de 2023, entra em sua fase final sem que o Grupo Fleury tenha conseguido consolidar um novo movimento transformacional, embora o discurso da gestão seja centrado em crescimento orgânico.

Diante do esgotamento desse ciclo de integração, o mercado observa uma crescente dificuldade da companhia em destravar sua agenda de M&A em negócios de maior complexidade, como a eventual transação com a Rede D’Or ou a joint venture com a Oncoclinicas, que não avançaram.

Essa realidade estratégica é o que fundamenta a cautela de Joseph Giordano, analista do JPMorgan, no relatório Saúde no Brasil: Prévia do 1T26, divulgado na última quarta-feira (6).

Ao reiterar a recomendação de underweight (exposição abaixo da média) e o preço-alvo de R$ 16, Giordano aponta que, sem novos drivers claros no horizonte, o foco dos investidores deve retornar aos fundamentos modestos da companhia.

O cenário é agravado por uma perspectiva de um perfil de crescimento relativamente mais lento e pela compressão das margens de longo prazo, reflexo de um mix de receitas que favorece segmentos menos rentáveis, tornando o prêmio de 20% no valuation atual, frente aos pares da América Latina, difícil de sustentar.

A ação do Fleury acumula valorização de 9,5% em 2026, desempenho inferior à alta do Ibovespa (14%) no período.

Um dos pontos de atenção do mercado tem sido a performance das unidades regionais, presentes em 10 estados, que apresentou o menor ritmo de expansão (+9,0%) entre as marcas, segundo o relatório do balanço.

A performance de ativos regionais recém-adquiridos passou a motivar conversas reservadas entre players do setor. O risco de o descredenciamento da Unimed Litoral em Santa Catarina, praça do Laboratório São Lucas, drenar valor do ativo adquirido em 2024, segundo relatou à Bloomberg Línea uma pessoa com conhecimento do setor, que pediu anonimato, pois não tem autorização para fazer comentários públicos.

Tsutsui explicou a situação: “A Unimed não era relevante para o São Lucas. E isso não tem impacto em nenhuma mudança das nossas unidades”, disse a CEO, pontuando ainda o peso relativo muito pequeno da praça no resultado geral de um grupo de alcance nacional e que o Fleury já havia feito a avaliação do cenário de saída da Unimed da receita do ativo.

Segundo ela, o foco na geografia do São Lucas, um das regiões mais ricas do Sul brasileiro, é o varejo de alta renda.

“Realmente temos outros pagadores. Essa região é de grande desenvolvimento socioeconômico“, completou.

Para sustentar o ROIC (Retorno sobre o Capital Investido) de 17,0%, o Fleury aposta na diversificação.

O projeto Marco 100, que recebeu R$ 35 milhões, foca em longevidade e medicina preventiva. Ao completar um século, o desafio do grupo, que tem o Bradesco como principal acionista, é manter a agilidade de uma growth company.

“Tudo isso sem perder o foco no cliente, sem perder a nossa disciplina em gestão financeira com uma alavancagem de uma vez”, disse Tsutsui.

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Fleury dobra investimento em tecnologia e resultados já são visíveis, diz CEO

© Divulgação

Após ciclo de aquisições, mercado começa a alertar sobre falta de novos drivers que levem a receita a novo patamar no longo prazo (Foto: Divulgação)

O desafio da Flash às gigantes dos benefícios

8 de Maio de 2026, 06:44

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

No competitivo mercado brasileiro de benefícios, a Flash não quer mais ser apenas o “cartão flexível” que desafiou o status quo.

Em uma fase de maturidade operacional, a startup liderada por Ricardo Salem e pelos irmãos Pedro e Guilherme Lane agora mira a liderança do setor, ancorada em uma estratégia de plataforma all-in-one e na digitalização agressiva da jornada do colaborador.

Desde o aporte de US$ 100 milhões recebido há quatro anos, em rodada série C liderada pelos fundos Battery Ventures e Whale Rock, a startup escalou a operação mais de 15 vezes.

Mais do que volume, segundo os sócios Ricardo Salem e Pedro Lane, a busca foi por eficiência: a companhia já gera caixa e opera com uma estrutura de capital que lhe permite autofinanciar sua expansão em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).

Agora a empresa prevê investir R$ 400 milhões em 2026, valor 60% superior ao desembolsado em 2025. Os recursos serão destinados para as áreas de tecnologia e inovação, marketing, vendas e desenvolvimento de novos produtos.

“Estamos perseguindo nos próximos anos virar o líder de mercado de benefícios”, disse Salem à Bloomberg Línea, que projeta chegar à liderança nos próximos quatro anos.

⇒ Leia a reportagem: Flash investe R$ 400 mi para desafiar gigantes dos benefícios e virar líder até 2030

Dos 1.300 funcionários, metade está alocada em frentes de geração de receita, refletindo o apetite da Flash por market share frente aos incumbentes como Alelo, Sodexo, Ticket e VR

No radar dos mercados

Os contratos futuros de ações dos EUA são os que mais se destacam em um dia difícil para as ações em outros países, com recuo em quase todas as bolsas da Ásia e da Europa.

- IPO da Compass. Os acionistas da empresa de gás natural e energia levantaram R$ 3,2 bilhões na primeira oferta pública inicial no Brasil em quase cinco anos, segundo pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela Bloomberg News. A Compass vendeu 89,3 milhões de ações a R$ 28, cada, na quinta-feira, o piso da faixa indicativa de preço.

- Avanço de chips de IA. A Taiwan Semiconductor Manufacturing relatou um aumento de 17,5% em suas vendas, destacando os gastos sustentados por hiperescaladores que financiam o boom global de inteligência artificial.

- Inflação de alimentos. Os preços globais dos alimentos atingiram o nível mais alto em mais de três anos depois que a guerra do Irã interrompeu as cadeias de suprimentos, aumentando a perspectiva de contas maiores para os consumidores. O índice das Nações Unidas de preços de produtos alimentícios aumentou 1,6%.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

Os mercados nesta sexta-feira (8)
🔘 As bolsas ontem (07/05): Dow Jones Industrials (-0,63%), S&P 500 (-0,18%), Nasdaq Composite (-0,13%), Stoxx 600 (-1,10%), Ibovespa (-2,38%)
LEIA + Siga a trilha dos mercados para conhecer as variáveis que orientaram os investidores →

🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

Trump diz que reunião com Lula ocorreu ‘muito bem’ e incluiu comércio e tarifas

Caso Master: Polícia Federal mira endereços ligados a Ciro Nogueira e primo de Vorcaro

Demanda forte da China deve sustentar minério, diz CFO da Vale

• Também é importante: Forlex fecha acordo de US$ 32 mi com AWS para ampliar IA jurídica e entrar nos EUA | Como Fabrício Batista, da JBJ Ranch, quer ‘cruzar fronteiras’ com cavalos de elite

• Opinião Bloomberg: Como os limites de capacidade da Anthropic abrem espaço para o avanço da OpenAI

• Para não ficar de fora: Creditas intensifica uso de IA, bate recordes no 1º tri e prevê breakeven neste ano

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Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Editor sênior, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)

Justiça condena 99Food por concorrência desleal em duas campanhas contra o iFood

7 de Maio de 2026, 17:59

A 1ª Vara Empresarial e de Conflitos de Arbitragem do Tribunal de Justiça de São Paulo condenou a 99Food por concorrência desleal contra o iFood em duas campanhas publicitárias realizadas pela plataforma.

O “Taxômetro” e o “Respostas Bem Servidas”, veiculadas no ano passado na cidade de São Paulo e na região metropolitana, foram alvo da ação.

A decisão é mais um capítulo na disputa pelo bilionário mercado delivery no Brasil. Desde o ano passado, com o retorno da 99Food e a entrada da Keeta, da chinesa Meituan, as empresas do setor tem travados embates em diferentes esferas.

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A sentença, assinada pelo juiz André Salomon Tudisco em 30 de abril de 2026, determina a suspensão imediata das peças, o pagamento de R$ 50 mil em danos morais e a apuração de lucros cessantes em fase de liquidação.

O magistrado concluiu que as ações ultrapassaram os limites da publicidade comparativa permitida no Brasil e utilizaram indevidamente elementos visuais associados ao iFood.

Em nota, a 99Food informou que não concorda com os termos da decisão e irá recorrer.

“Mensagens destinadas a dar mais transparência ao público sobre o mercado de delivery de comida fazem parte da missão da 99Food, que vem se consolidando como uma alternativa real para consumidores, entregadores e restaurantes que procuram por serviços mais acessíveis e melhores”, disse a empresa. (veja a nota abaixo)

Leia também: Do delivery ao salão do restaurante: iFood adquire 100% da startup de reservas Get In

Na campanha “Taxômetro”, a 99Food comparava taxas cobradas de restaurantes pelas plataformas, utilizando cores, estética e até onomatopeias identificadas com o iFood.

Para o magistrado, o material transmitia ao consumidor a ideia de que as informações eram equivalentes e imparciais, quando, na prática, a 99Food não divulgava seus próprios percentuais — impossibilitando uma comparação objetiva.

Já em “Respostas Bem Servidas”, a companhia controlada pela chinesa DiDi respondia a reclamações de usuários sobre o iFood com mensagens promocionais sobre seus serviços.

O tribunal entendeu que a ação se limitou a se beneficiar de críticas dirigidas à concorrente, sem oferecer dados verificáveis, caracterizando “aproveitamento parasitário”.

O juiz destacou que a publicidade comparativa é permitida no Brasil, desde que verídica, objetiva, comprovável e não depreciativa, citando precedentes do STJ e o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária (Conar). Para ele, as campanhas violaram todos esses critérios.

“Em ambos os casos, verifica-se que a publicidade comparativa extrapolou os limites da licitude, pois não se limitou à apresentação objetiva e verificável de características dos serviços ofertados, mas se valeu de referência direta à marca concorrente, associada a elementos depreciativos e a comparações não suficientemente demonstradas”, escreveu na decisão.

Em nota, o iFood celebrou a decisão e disse “reafirmar o seu compromisso com a concorrência leal, ética e baseada em informações verdadeiras e verificáveis”.

“A empresa acredita que a competição saudável beneficia consumidores, restaurantes e entregadores — e que práticas que distorcem a realidade para prejudicar concorrentes vão de encontro a esse princípio”, diz o iFood na nota.

A disputa

Além de se defender das acusações, a 99Food apresentou uma reconvenção, acusando o iFood de práticas anticoncorrenciais, como abuso de posição dominante, coação de restaurantes parceiros e discriminação em ações de marketing com entregadores.

O juiz rejeitou o pedido sem analisar o mérito do conteúdo. Para o magistrado, a reconvenção “não guarda conexão” com a ação principal, conforme exige o Código de Processo Civil. Assim, o pedido da 99 Food foi extinto sem julgamento.

Condenação

A sentença determina que a 99 Food:

  • suspenda imediatamente as campanhas “Taxômetro” e “Respostas Bem Servidas”, bem como qualquer variação semelhante;
  • pague R$ 50 mil ao iFood por danos morais, com correção e juros;
  • indenize prejuízos materiais (lucros cessantes), cujo valor será calculado em liquidação de sentença;
  • arque com honorários advocatícios fixados em 10% do valor da condenação.

Resposta da 99Food

“A 99 informa que respeita a decisão de 1º grau da 1ª Vara Empresarial de São Paulo, mas não concorda com seus termos e recorrerá ao Tribunal. Mensagens destinadas a dar mais transparência ao público sobre o mercado de delivery de comida fazem parte da missão da 99Food, que vem se consolidando como uma alternativa real para consumidores, entregadores e restaurantes que procuram por serviços mais acessíveis e melhores. Seguimos confiantes na legalidade de tais ações e na necessidade de promover mais competitividade e inovação no mercado brasileiro de delivery de comida.”

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Campanhas “Taxômetro” e o “Respostas Bem Servidas”, veiculadas no ano passado na cidade de São Paulo e na região metropolitana, foram alvo da ação

Axia (AXIA6): preços elevados de energia e disciplina de gastos sustentam crescimento no 1T26, mas números vêm abaixo da expectativa

7 de Maio de 2026, 14:25

A Axia Energia (AXIA6) apresentou um forte crescimento de resultados no primeiro trimestre de 2026 (1T26), ajudados principalmente pelos preços elevados de energia e disciplina de gastos, no entanto os números vieram abaixo das expectativas do mercado.

A receita de geração cresceu 34% no período, para R$ 7,0 bilhões, com ajuda da alta nos preços de energia, que a companhia pôde capturar por ter parte relevante de seu portfólio descontratado (livre para vender aos preços de mercado).

Por outro lado, a receita de transmissão caiu 11,3%, para R$ 4,4 bilhões, afetada por uma mudança de prática contábil, já que a partir do 1T26, a companhia passou a reconhecer provisões para restituições, que são recolhidos na receita, mas não pertencem à companhia.

No primeiro trimestre esse efeito foi relativamente relevante, de R$ 725 milhões, devido ao reconhecimento atrasado de repasses referentes aos últimos nove meses. A partir do próximo trimestre, esse valor será bem menor pois refletirá apenas os repasses referentes ao próprio trimestre (o valor referente ao 1T26 foi de R$ 296 milhões).

Receita líquida e ebitda consolidados sobem 19,7% e 60%, respectivamente

Ainda assim, a receita líquida consolidada subiu 19,7%, para R$ 11,6 bilhões, reflexo da contribuição positiva do segmento de geração.

Na comparação com o 1T25 a companhia gastou menos com compra de energia para revenda (-36,1%) e seguiu mostrando ótima eficiência na linha de gastos gerenciáveis, que recuou 3,1%.

Com isso, o ebitda consolidado atingiu R$ 8,6 bilhões, forte alta de 60% frente ao 1T25, mas abaixo das expectativas do mercado, por conta de preços de energia vendida um pouco abaixo do esperado no segmento de geração e dos impactos contábeis mencionados transmissão.

Por fim, ajudado principalmente pela melhora do resultado operacional, o lucro líquido ajustado saltou de R$ 409 milhões no 1T25 para R$ 3,2 bilhões no 1T26.

Com relação aos empréstimos compulsórios, a companhia mostrou avanço tímido de R$ 19 milhões frente ao 4T25 – em 12 meses, a redução foi de R$ 2,2 bilhões. Ajudada pelo forte avanço do resultado operacional, a relação dívida líquida/ebitda recuou de 2x no 4T25 para 1,8x no 1T26.

Sucessão no comando e recomendação para as ações da Axia

A companhia também aproveitou para anunciar o início do processo de sucessão no comando: o atual CEO, Ivan Monteiro, ficará no cargo até abril de 2027, e será substituído por Élio Wolff, atual Vice-presidente de Estratégia e de Desenvolvimento de Negócios, e que possui longa carreira no setor.

Em linhas gerais, mesmo com números abaixo das expectativas, a Axia mostrou ótimo crescimento, evidenciando a melhora de eficiência e o ambiente positivo para preços de energia. Axia segue com recomendação de compra pela Empiricus Research.

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Empiricus atualiza carteiras automatizadas de dividendos, small caps, fundos imobiliários, criptomoedas e muito mais; acesse grátis

7 de Maio de 2026, 14:13

A Empiricus acaba de atualizar suas carteiras automatizadas para o mês de maio. Esses portfólios acompanham as recomendações dos analistas da casa de maneira automatizada, sem que o investidor precise fazer as alterações propostas pelos especialistas ou tenha que rebalancear os ativos.

Entre as opções de carteiras automatizadas disponibilizadas pela Empiricus, estão portfólios de ações, dividendos, small caps, fundos imobiliários, criptomoedas, tendências globais, inteligência artificial e muito mais.

É uma forma simples, prática e segura de investir, sem ter que se preocupar com as mudanças propostas pelos analistas da casa, que estão 24 horas por dentro do mercado.

Tudo é feito de dentro da plataforma do BTG Pactual, com a segurança de investir dentro do ecossistema do maior banco de investimentos da América Latina.

Vale destacar que o acesso às carteiras é gratuito por 30 dias, basta se cadastrar no BTG Content, a plataforma de conteúdos do BTG. Ao realizar o cadastro para conhecer os portfólios, você pode decidir se vai investir nas recomendações por conta própria ou optar pela modalidade automatizada.

Conheça abaixo cada uma das carteiras para decidir qual delas faz mais sentido para o seu portfólio.

Carteiras recém-lançadas:

Empiricus Crypto Momentum

Quer começar a investir em criptomoedas de maneira fácil? Esta carteira traz uma alocação sistemática que se expõe ao bitcoin e outros criptoativos com maior potencial de retorno, avaliando tendências e controle de risco.

Empiricus Megatendências Globais

Um veículo para aproveitar os movimentos macroeconômicos para proteger capital e buscar oportunidades de lucro. Invista em grandes teses como commodities, small caps, juro longo, cripto e mais.

Empiricus Small Technicals

Escolhas de empresas ainda pequenas na Bolsa, mas de alto potencial. A análise dessa carteira é feita com embasamento técnico e permite capturar o timing dos papéis.

Empiricus IA Cash

Quer investir em empresas ou teses de alto potencial no mercado tech e de inteligência artificial? Esta é a carteira ideal para você.

Empiricus Alocação Estrutural Global

Uma forma simples, acessível e disciplinada de investir globalmente por meio de ativos listados na B3, com foco em preservação de patrimônio real e geração de retorno ajustado ao risco no longo prazo

As ‘queridinhas’ dos leitores da Empiricus

Agora que você já conhece as novas carteiras da casa, também pode acessar de maneira gratuita as carteiras mais tradicionais da Empiricus Research.

Empiricus Dividendos

As melhores pagadoras de dividendos para renda recorrente, sem abrir mão da valorização dos papéis. Essa é a carteira indispensável para o investidor de renda.

Empiricus Top FII

Gosta de investir em imóveis? Os ativos escolhidos na carteira Top FII permitem renda recorrente e valorização, explorando os fundos imobiliários de maior potencial do mercado.

Empiricus Renda Extra

Seleção de 10 a 15 ativos geradores de renda, entre ações, fundos imobiliários e títulos públicos. Uma verdadeira seleção diversificada para você que busca renda extra.

Empiricus Top Picks

Uma carteira de ações concentrada em “compounders”: as empresas que mais geram e ganham valor ao longo do tempo. Se quiser recomendações de papéis “quality”, essa é a sua estratégia.

Empiricus BDR

A estratégia básica para quem quer diversificar seus investimentos com ativos no exterior. Entre grandes empresas e novas oportunidades, nesta seleção você tem um apanhado global.

Carteiras automatizadas: uma forma simples de investir

Agora que você conhece todas as carteiras automatizadas disponibilizadas pela Empiricus Research, pode definir qual faz mais sentido para o seu portfólio.

E o processo é bem simples: ao clicar nos links desta matéria, você será direcionado ao BTG Content. Caso já tenha conta na plataforma, basta fazer o login. Caso contrário, é só criar sua conta e usufruir de todos os conteúdos oferecidos de maneira gratuita por 30 dias.

Ao optar por investir nas carteiras automatizadas, você garante:

  • Atualização automática toda a vez que há mudanças nas carteiras, sem a necessidade de executar as ordens manualmente.
  • Possibilidade de reinvestimento automático de proventos: toda renda gerada pode ser reinvestida na carteira com apenas um aceite.
  • A possibilidade de investir mais ou resgatar seu dinheiro a qualquer momento.
  • Acompanhamento profissional dos analistas.

Para conhecer as carteiras da Empiricus na plataforma do BTG Content, clique aqui ou no botão abaixo:

Este material não tem relação com objetivos específicos de investimentos, situação financeira ou necessidade particular de qualquer destinatário específico, não devendo servir como única fonte de informações no processo decisório do investidor que, antes de decidir, deverá realizar, preferencialmente com a ajuda de um profissional devidamente qualificado, uma avaliação minuciosa do produto, incluindo suas características, prazos, liquidez e respectivos riscos face a seus objetivos pessoais e à sua tolerância a risco (“Suitability”).

As Carteiras Recomendadas Automatizadas da Empiricus envolvem a negociação de ativos de renda variável e, portanto, estão sujeitas a oscilações de mercado e risco de perdas, sendo indicadas a investidores classificados como perfil Sofisticado, nos termos da Política de Suitability do BTG Pactual. Verifique se a aplicação pretendida está compatível com seu perfil de investidor, informação que pode ser consultada no momento da transmissão da ordem. Para mais informações sobre Perfil do Investidor e Redefinição de Perfil do Investidor, consulte nosso FAQ – Perguntas Frequentes | BTG Pactual.

As carteiras são rebalanceadas periodicamente, de forma automática ou mediante recomendações, podendo resultar em operações de compra e venda de ativos financeiros, com incidência de custos operacionais e tributos.

Não há garantia de rentabilidade ou de preservação do capital investido. Os investimentos realizados por meio das Carteiras Recomendadas Automatizadas não contam com garantia do Fundo Garantidor de Créditos – FGC.

Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros. A rentabilidade divulgada não é líquida de impostos.

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‘Não vamos puxar o freio’, diz CEO do Bradesco ao sinalizar cautela no crédito

7 de Maio de 2026, 12:03

O Bradesco (BBDC4) entregou um lucro líquido de R$ 6,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 16% na comparação anual e acima do esperado pelo mercado. Ainda assim, a apresentação de resultados desta quinta-feira (7) foi marcada por uma mensagem de cautela: o banco sinalizou que adotará um viés mais conservador no crédito diante da deterioração do cenário macroeconômico – sem, no entanto, abrir mão do crescimento.

“O viés mais conservador não significa puxar o freio de mão, parar de ofertar”, afirmou o CEO Marcelo Noronha a jornalistas. “Continuamos com tração forte [nas modalidades] que têm bons ratings e boas modalidades de garantia.”

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A inadimplência longa, acima de 90 dias, avançou seis pontos-base no trimestre, para 4,19%, movimento que o banco classificou como dentro do esperado. Noronha disse não esperar uma deterioração da inadimplência do Bradesco, ainda que seja uma preocupação da indústria como um todo para os próximos meses.

“O cenário macroeconômico está, sim, mais desafiador, mas não vejo grandes oscilações no nosso indicador. Podemos ter alguma flutuação no indicador de micro, pequenas e médias empresas, mas, no conjunto da obra, não [esperamos deterioração]”, disse.

O banco reforçou o guidance para avanço da carteira de crédito no ano, entre 8,5% e 10%. No trimestre, a carteira somou R$ 1,090 trilhão no trimestre – avanço de 8,4% em 12 meses.

Leia também: Bradesco supera expectativas no primero trimestre, mas sinaliza cautela no crédito

Um ciclo diferente

Na avaliação de Noronha, o momento atual é diferente do ciclo de alta da inadimplência que o Bradesco enfrentou no pós-pandemia, quando o banco foi um dos mais afetados do setor por sua elevada exposição à baixa renda.

Desde então, o Bradesco reorganizou sua área de crédito, ampliou o uso de modelos estatísticos e machine learning, e deslocou sua carteira para linhas com mais garantias.

“Optamos por reordenar a unidade de negócios de crédito, criamos uma área de gestão de portfólio, incrementamos muito o uso de tecnologia e melhorou muito o nosso modelo”, disse o executivo. “Hoje temos um portfólio muito mais saudável.”

Atualmente cerca de 61% da carteira total do banco está lastreada em garantias; na área de pessoa física, esse percentual sobe para 70%.

O Bradesco também acelerou a ofensiva no público de alta renda nos últimos anos. No primeiro trimestre, o banco reforçou a oferta dentro da própria base, e fez o upgrade de mais de 500 mil clientes para os segmentos Prime e Principal — e projeta encerrar 2026 com cerca 820 mil clientes no segundo grupo.

“Estamos melhorando a nossa proposta de valor para ter um maior nível de relacionamento e, naturalmente, a fidelização desse cliente”, disse.

As ações preferenciais do Bradesco (BBDC4) operavam em queda de 3,68% por volta das 11h50, em momento em que o Ibovespa recuava 1,88%.

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© Victor J. Blue

Marcelo Noronha disse não esperar uma deterioração da inadimplência do Bradesco, ainda que seja uma preocupação da indústria como um todo para os próximos meses (foto: Victor J. Blue/Bloomberg)

Estapar (ALPK3) supera sazonalidade desfavorável e entrega resultado que corrobora a melhora estrutural da companhia

7 de Maio de 2026, 11:49

A Estapar (ALPK3) divulgou um sólido resultado do primeiro trimestre de 2026 (1T26), com lucro em um período sazonalmente desfavorável, o que corrobora a melhora estrutural da companhia.

Assim como adiantado na prévia, a receita líquida cresceu +16,3% na comparação anual, para R$ 494,6 milhões, ajudada pela evolução do número de operações, com aumento em todos os segmentos – destaque para Digital (+28,3%) e Alugadas e Administradas (+18,3%).

Mesmo com uma base de comparação afetada por isenções temporárias de aluguel em algumas concessões off-street, a boa expansão da receita permitiu uma alavancagem operacional e o lucro bruto caixa marcou R$ 133,7 milhões (+17,5%) com ganho de 0,3 p.p. de margem, para 27%.

Já as despesas, mostraram um leve aumento de 0,6 p.p. na participação da receita por conta de incentivos de longo prazo. Ainda assim, o ebitda ajustado somou R$ 90,7 milhões com margem de 18,3% (+17,6% e +0,2 p.p. respectivamente vs 1T25) e o ebit mostrou uma evolução ainda melhor de +25,1%, para R$ 42,9 milhões, com alta de +0,6 p.p. de margem, refletindo menores despesas com depreciação.

Apesar dos efeitos negativos da alta da Selic, o resultado financeiro piorou apenas 1% na comparação anual. Com um ótimo trabalho de liability management, o custo médio da dívida saiu de CDI + 2,15% no 1T25 para CDI + 1,27%, com aumento do prazo de pagamento para 2,8 anos e a alavancagem segue em níveis controlados, em 2,3x dívida líquida/ebitda.

Estapar teve lucro líquido de R$ 3,6 millhões no 1T26

Por fim, a companhia reportou um lucro líquido de R$ 3,6 milhões em um trimestre tipicamente com menos movimento por conta de férias, o que mostra um ponto de inflexão interessante.

Vale mencionar também o Fluxo de Caixa Operacional, que aumentou +21,1% para R$ 53,6 milhões, mesmo com um forte aumento no capital de giro por conta do ganho de participação da Zul+ nos resultados.

A Estapar segue mostrando evoluções operacionais consistentes trimestre após trimestre, garantindo sua posição de destaque na carteira Empiricus SmallCaps.

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Smart Fit (SMFT3) entrega resultados sólidos e melhora de margens; confira os números do 1T26

7 de Maio de 2026, 11:36

A Smart Fit (SMFT3) divulgou os resultados do 1T26 com margens superiores às nossas expectativas, beneficiando-se, novamente, da diversificação geográfica e outras fontes de receita. 

A receita de R$2,1 bilhão veio em linha com nossas expectativas. O número decorre principalmente da performance de academias próprias, que teve incremento de 12% no ticket médio, aumento de 20% a/a da rede e crescimento de 8% na base média de alunos por unidade, que por sua vez é explicado pelo amadurecimento das unidades mais jovens.

O principal destaque positivo foi a margem bruta de 51,8% (+1,1 p.p. a/a e +1,9 p.p. t/t), sustentada pelo amadurecimento consistente das unidades abertas nos últimos dois anos, pela manutenção da rentabilidade das academias maduras e pelo forte crescimento de frentes como Studios e TotalPass. Os números chamam a atenção especialmente diante do receio recente do mercado de que o aumento da concorrência pressionasse justamente esses indicadores.

Panorama da Smart Fit hoje

A manutenção da margem bruta próxima de 52% nas academias maduras é importante pois esse é um dos principais pilares da tese. Hoje, a Smart Fit possui 1.132 unidades maduras, equivalentes a 68% da base total, ante 956 no 1T25. Como boa parte das academias abertas recentemente deve amadurecer nos próximos anos, a tendência é de expansão relevante da lucratividade, beneficiada pela forte alavancagem operacional do modelo.

A receita da rede Smart Fit Brasil foi de R$ 683 milhões (+18% a/a). Com pressão nos custos, o lucro bruto foi de R$ 326 milhões (+17 % a/a) e a margem bruta caiu -0,7 p.p., para 47,7%, explicada principalmente pela maior concentração de aberturas de academias em dezembro, ainda longe do período de maturação.

Além das unidades tradicionais, as receitas da Bio Ritmo somadas à rubrica “Outras” (que contempla principalmente Studios, TotalPass e royalties), cresceram 82,5% a/a, totalizando R$ 255 milhões. Juntas, passaram a representar 12% da receita líquida da companhia, e a margem bruta das operações somadas foi de 76%, mostrando que o avanço delas tende a ser acretivo para a rentabilidade consolidada.

Operação SMFT3 no México

No México, a receita cresceu 20% a/a, para R$ 444,8 milhões, impulsionada pelo aumento de 13% no ticket médio e expansão de 6% da base de alunos. O lucro bruto avançou 12% a/a, mas a margem bruta recuou para 43,6% (-3,1 p.p. a/a), pressionada pelo aumento de custos de pessoal e pela maior concentração de academias ainda em fase de maturação.

Outro fator de pressão na operação mexicana vem do TotalPass: nas unidades próprias da Smart Fit, a participação dos check-ins desses alunos é cerca de 40% superior à fatia de receita que eles geram, o que reduz a rentabilidade no curto prazo.

Mesmo com essa pressão, a ampla diversificação geográfica da companhia tem ajudado a compensar esse efeito, tanto é verdade que a rubrica “Outros países” foi novamente a frente que mais contribuiu para o crescimento da receita e margem bruta. A receita desse segmento foi de R$719 milhões (+22% a/a), impulsionada principalmente por 17% de incremento na base de alunos e pelos repasses de preços bem-sucedidos na Colômbia e no Peru. A margem bruta atingiu 54,6% (+0,6p.p. a/a), bem acima de Brasil e México e acima da margem bruta esperada de uma academia madura (52%).

Aliás, a própria companhia destacou o amadurecimento chamativo das academias com operação iniciada em 2024, cujas margens brutas atingiram 56%, indicando o ganho de expertise com custos nas unidades mais recentes.

As despesas gerais, administrativas e de vendas somaram R$ 410,6 milhões, equivalentes a 19,5% da receita (+0,2 p.p. a/a), refletindo maiores investimentos na estruturação de novos negócios, além da consolidação do TotalPass México e da FitMaster. Mesmo com a forte alavancagem operacional, entendemos que essa linha ainda pode seguir pressionada no curto prazo, impactando o ebitda, mas tende a voltar a ser diluída à medida que essas operações amadureçam.

Afinal, vale investir nas ações SMFT3?

O ebitda ajustado atingiu recorde de R$ 672 milhões (+29% a/a), com margem de 32% (+1 p.p. a/a), beneficiado principalmente pela expansão da margem bruta.

O lucro líquido foi de R$ 203,5 milhões (+45% a/a), com margem líquida de 9,7% (+1,3 p.p. a/a), refletindo não apenas o forte crescimento operacional, mas também melhora no resultado financeiro e menor pressão tributária.

Em suma, o crescimento de Studios, TotalPass e das operações em outros países da América Latina segue contribuindo para expansão de receita e rentabilidade. Paralelamente, o amadurecimento das unidades mais jovens deve continuar impulsionando os resultados à medida que a forte expansão dos últimos anos se consolida. Embora o aumento da concorrência e a maior participação do TotalPass tragam desafios pontuais, a alavancagem operacional do modelo segue sendo o principal vetor de crescimento de lucro da companhia.

Os receios recentes do mercado pressionaram a performance das ações nos últimos meses, tornando o valuation mais atrativo em nossa visão. Os resultados do trimestre reforçam que a Smart Fit segue operando de forma robusta e capturando os benefícios da diversificação. Negociando a 12,7x P/L 2026, SMFT3 reforçamos nossa recomendação de compra para os papéis, que segue em diversas séries da Empiricus Research.

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Moura Dubeux (MDNE3): lucro recorde reforça forte momento operacional no 1T26

7 de Maio de 2026, 10:46

Nesta quarta-feira (6), a Moura Dubeux (MDNE3) divulgou seus resultados referentes ao 1T26, com números acima das expectativas do mercado e continuidade do forte ciclo operacional observado nos últimos trimestres.

No campo operacional, a companhia lançou oito projetos no trimestre, totalizando R$ 1,31 bilhão em VGV líquido (%MD), mais que triplicando o volume registrado no 1T25.

O trimestre também marcou a entrada da Ún1ca em duas SPEs ligadas à joint venture com a Direcional (DIRR3), ampliando a atuação da companhia no segmento econômico.

Dados trimestrais relevantes de MDNE3

As vendas e adesões líquidas somaram R$ 1,03 bilhão, crescimento de 87,7% na comparação anual e de 48,1% frente ao 4T25. O desempenho comercial permaneceu sólido, sustentado principalmente pelas adesões de condomínio, enquanto os distratos seguiram em níveis reduzidos, equivalentes a apenas 4,1% das vendas brutas. A VSO líquida ficou em 21,5% no trimestre e 52,4% na janela de 12 meses, indicando manutenção de uma boa velocidade de absorção, mesmo diante do maior volume de lançamentos.

Na demonstração de resultados, a receita líquida da Moura Dubeux atingiu R$ 628 milhões, crescimento de 43% frente ao 1T25. O avanço foi impulsionado pela maior contribuição do modelo de condomínio, especialmente pelo reconhecimento de receitas relacionadas à comercialização de terrenos em alguns projetos do período.

Esse fator também foi responsável por um nível de rentabilidade acima da média: a margem bruta ajustada alcançou 41,9%, avanço de 6,3 p.p. na comparação anual e de 8,2 p.p. frente ao trimestre anterior.

Com isso, o EBITDA ajustado atingiu R$ 168 milhões, crescimento de 89% em relação ao 1T25, com margem EBITDA ajustada de 26,8%.

Diante de um resultado financeiro discreto, o lucro líquido somou R$ 156 milhões, avanço de 121% na comparação anual, atingindo o maior patamar trimestral da história da companhia. O ROAE ficou em 27,2%, reforçando o elevado nível de rentabilidade do negócio.

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Estrutura de capital no 1T26: ainda vale a pena investir?

Em relação à estrutura de capital, a Moura Dubeux encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 84 milhões, equivalente a apenas 4% do patrimônio líquido, mantendo uma posição financeira bastante confortável, mesmo diante da aceleração operacional e da consequente queima de caixa.

De forma geral, os resultados do 1T26 reforçam o bom momento da Moura Dubeux, sustentada pelo modelo de condomínio, elevada eficiência operacional e boa dinâmica comercial no Nordeste. Negociando a um múltiplo Preço/Lucro de 5 vezes para 2026, as ações de MDNE3 permanecem entre as recomendações da Empiricus.

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Ibovespa hoje: Lula na Casa Branca, memorando entre EUA e Irã e decisões monetárias; o que movimenta o mercado nesta quinta?

7 de Maio de 2026, 10:00

A agenda internacional adiciona novos elementos de atenção neste início de quinta-feira. A visita de Lula à Casa Branca coloca temas sensíveis em evidência, enquanto outros vetores globais permanecem no radar, como as dificuldades do Japão em sustentar o iene, as eleições locais no Reino Unido e os questionamentos sobre a qualidade dos dados econômicos britânicos. Bancos centrais como o Riksbank (Suécia) e o Norges Bank (Noruega) devem manter as taxas de juros estáveis, reforçando um ambiente de cautela monetária (o México também conta com decisão de política monetária).

Nos mercados, a reação segue sendo majoritariamente positiva, com avanço das bolsas asiáticas, lideradas pelo Nikkei, estabilidade na Europa e leve alta dos futuros americanos, enquanto o petróleo continua em trajetória de queda, refletindo um equilíbrio ainda frágil entre o otimismo de curto prazo e as incertezas persistentes no cenário geopolítico, associadas ao Estreito de Ormuz.

Nesse contexto, o mercado tenta sustentar o forte rali observado na quarta-feira, movimento impulsionado pela expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã. O desempenho recente foi menos determinado por avanços concretos no conflito e mais pela percepção de que a Casa Branca busca uma solução rápida, pressionada pelos custos econômicos e políticos da guerra, como a alta da gasolina nos Estados Unidos. Esse pano de fundo elevou o apetite por risco, levou o Brent a recuar quase 8% e sustentou a valorização das bolsas globais. Ainda assim, o cenário segue cercado de incertezas, com sinais contraditórios nas negociações, postura cautelosa de atores relevantes, como Irã e Israel, e uma oferta global de energia ainda pressionada, o que mantém os mercados sensíveis a novos desdobramentos.

· 00:54 — Ibovespa reage ao alívio externo

No Brasil, os ativos domésticos voltaram a acompanhar o movimento internacional, com o Ibovespa recuperando o patamar dos 187 mil pontos e avançando 0,5%, em meio ao sentimento mais otimista dos investidores diante da possibilidade de um novo acordo entre Estados Unidos e Irã. A percepção de arrefecimento do conflito contribui para uma leitura mais benigna para a inflação, ainda que já esteja contaminada, o que reduz a pressão sobre a curva de juros e favorece ativos de maior risco. Ainda assim, o câmbio seguiu direção oposta, com o dólar avançando frente ao real em um movimento de correção após a queda de 0,85% observada na véspera, influenciado principalmente pela retração dos preços do petróleo, fator desfavorável para a moeda brasileira, e pela atuação do Banco Central no mercado de câmbio, por meio de um leilão de swap reverso de US$ 500 milhões. Essa operação pouco utilizada reflete o aproveitamento do fluxo positivo recente e da valorização do real para reduzir o estoque de swaps cambiais tradicionais, atualmente acima de US$ 95 bilhões.

Para hoje, a agenda doméstica segue relevante e pode trazer novos elementos para o comportamento dos ativos. O mercado acompanha a dinâmica do fluxo estrangeiro, ao mesmo tempo em que avalia indicadores como a produção industrial de março e a balança comercial de abril, esta última possivelmente beneficiada pelo aumento das exportações de petróleo. Além disso, o noticiário corporativo ganha protagonismo, com a divulgação de resultados ao longo do dia por empresas de diversos setores, incluindo varejo, shoppings, educação e infraestrutura, o que tende a contribuir para uma leitura mais granular sobre a atividade econômica e a qualidade dos resultados.

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· 01:41 — O encontro da semana

O encontro entre Lula e Trump ocorre em um contexto delicado, marcado por tensões geopolíticas, disputas comerciais e pressões políticas internas para ambos os líderes. Apesar de uma relação mais cordial, o ambiente tornou-se mais sensível diante de divergências sobre temas como Venezuela, Irã e medidas americanas envolvendo o Brasil, incluindo investigações comerciais e a possível classificação de organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas. Para Lula, o desafio será manter o pragmatismo em um momento de forte polarização doméstica, no qual o discurso de soberania pode gerar dividendos políticos nos próximos meses, mas também carrega riscos relevantes diante da imprevisibilidade da reação americana, como já ocorreu em episódios envolvendo líderes como Volodymyr Zelensky e Cyril Ramaphosa.

Paralelamente, o Brasil busca se posicionar de forma estratégica ao avançar no marco regulatório dos minerais críticos e terras raras, um setor cada vez mais central na disputa geoeconômica entre Estados Unidos e China nesta nova configuração de rivalidade global (Guerra Fria 2.0). A proposta, acompanhada de incentivos fiscais e mecanismos para estimular investimentos, reforça a tentativa brasileira de atrair capital e tecnologia sem assumir alinhamento automático com nenhum dos polos.

· 02:38 — Próximo dos 50 mil pontos

Os mercados americanos registraram forte valorização, impulsionados por dois vetores principais: o entusiasmo com o setor de semicondutores, especialmente vinculado à inteligência artificial, e a expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, que poderia encerrar o conflito e permitir a reabertura do Estreito de Ormuz, contribuindo para a queda dos preços do petróleo. Nesse contexto, o Dow Jones avançou 1,2%, aproximando-se do patamar simbólico de 50 mil pontos, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq subiram 1,5% e 2%, respectivamente, renovando máximas. Empresas como a AMD se destacaram, com forte valorização após a divulgação de resultados, refletindo o momento favorável do setor de tecnologia. Ainda assim, o Dow continua apresentando desempenho inferior em relação aos demais índices, em parte devido à sua menor exposição a empresas de semicondutores, mesmo após ajustes recentes em sua composição.

Por outro lado, o cenário também traz sinais de cautela. A valorização expressiva das ações de tecnologia e semicondutores já começa a ser comparada à bolha das empresas ponto-com, dado o ritmo acelerado de alta e os ganhos acumulados elevados, ainda que os fundamentos atuais sejam mais consistentes. Paralelamente, a agenda econômica segue relevante, com dados de mercado de trabalho e produtividade nos Estados Unidos sendo acompanhados de perto, especialmente em um ambiente de incerteza quanto à trajetória da inflação, dos juros e dos impactos efetivos da inteligência artificial sobre a economia. O pano de fundo, portanto, combina otimismo no curto prazo com indícios de possível excesso, exigindo uma postura mais atenta e disciplinada por parte dos investidores.

· 03:29 — Avaliando a proposta

O preço do petróleo recuou à medida que o Irã passou a avaliar uma nova proposta de paz apresentada pelos Estados Unidos, que pode abrir caminho para o encerramento do conflito e aliviar as pressões sobre o mercado de energia, ao mesmo tempo em que oferece uma saída política para Donald Trump. O eventual acordo incluiria a reabertura do Estreito de Ormuz e a suspensão do bloqueio naval americano, deixando as negociações nucleares para uma etapa posterior. Ainda assim, o cenário permanece incerto e marcado por sinais contraditórios: enquanto Trump sinaliza a possibilidade de entendimento e menciona a abertura do estreito, mantém a retórica de possível escalada militar, ao passo que episódios recentes, como a interceptação de um petroleiro iraniano, evidenciam que as tensões no terreno seguem elevadas.

Nesse contexto, a China intensifica sua atuação diplomática em favor de uma solução negociada, enquanto o Irã busca estreitar relações com Pequim e Moscou para ampliar seu poder de barganha, mantendo o desfecho do conflito em aberto e sujeito a novos desdobramentos. Vale destacar dois pontos importantes: i) mesmo em caso de reabertura, o Estreito de Ormuz tende a levar entre seis e oito semanas para retomar um fluxo minimamente normalizado; e ii) ainda que essa normalização ocorra, é pouco provável que o mercado volte a enxergar o estreito da mesma forma após essa disrupção — uma vez alterada a percepção de risco, ela dificilmente retorna ao ponto anterior. Isso sugere que o petróleo pode passar a incorporar de forma mais estrutural um prêmio geopolítico adicional, refletindo o risco recorrente de interrupções. Esse novo equilíbrio, por sua vez, tende a acelerar discussões sobre diversificação geográfica e de fontes energéticas nos próximos anos, potencialmente beneficiando regiões como a América Latina e alternativas como a energia nuclear.

· 04:17 — Um rali sem precedentes

O principal índice da bolsa sul-coreana (KOSPI) ultrapassou pela primeira vez a marca dos 7.000 pontos (já alcançou 7.490), impulsionado principalmente pelo desempenho do setor de semicondutores, com destaque para Samsung e SK Hynix, que já perfazem mais de 40% do índice (concentração preocupante) e vêm se beneficiando da forte demanda global associada à inteligência artificial. Nos últimos cinco dias, o índice avança mais de 13%, acumulando ganho de 77% ao longo do ano e mais de 190% em 12 meses, num movimento que reflete tanto a solidez das exportações quanto a recuperação da atividade industrial, em meio à expansão rápida da indústria de chips.

Ainda assim, a continuidade desse desempenho permanece condicionada à sustentação desse ciclo de demanda. Há espaço para novas altas caso os investimentos em inteligência artificial sigam em ritmo robusto, mas o cenário também incorpora riscos relevantes, especialmente relacionados à inflação e aos efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio. Nesse contexto, a combinação de crescimento consistente, elevado poder de precificação das empresas de semicondutores e níveis de avaliação ainda descontados segue sustentando o interesse dos investidores, com a possível redução do chamado “desconto coreano” atuando como um vetor adicional de valorização ao longo dos próximos meses.

· 05:06 — O novo aço do século XXI: infraestrutura, IA e o superciclo americano

Os Estados Unidos ingressam em um novo ciclo estrutural de investimentos, um verdadeiro superciclo de Capex, impulsionado pela convergência entre inteligência artificial, reindustrialização e segurança energética. Trilhões de dólares já estão sendo direcionados à construção de fábricas, data centers e infraestrutura elétrica, em um pipeline de megaprojetos que ultrapassa US$ 3 trilhões. Na prática, trata-se da formação da base física da próxima geração da economia global, com aceleração já perceptível ao longo de 2025 e 2026 e potencial de continuidade nos anos seguintes.

Para o investidor, o ponto central vai além do crescimento agregado e reside na amplitude das oportunidades distribuídas ao longo de toda a cadeia de infraestrutura, de construção e engenharia a materiais, energia e transporte. Nesse contexto, veículos como o Global X US Infrastructure Development ETF (B3: BPVE39) oferecem uma forma eficiente de acessar essa temática de maneira diversificada, acompanhando os principais beneficiários desse ciclo. Cabe, no entanto, atenção à liquidez do produto, ainda relativamente limitada, o que recomenda uma abordagem gradual na alocação. Ainda assim, como instrumento de exposição a um vetor estrutural de longo prazo, o ETF se apresenta como uma alternativa em uma carteira global bem balanceada.

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Como Fabrício Batista, da JBJ Ranch, quer ‘cruzar fronteiras’ com cavalos de elite

7 de Maio de 2026, 08:38

O universo equestre que marcou a infância do empresário Fabrício Batista agora também se transformou em uma aposta de negócios do executivo da JBJ Agropecuária, a partir da criação da JBJ Ranch.

Além da atuação na pecuária dentro da estrutura da JBJ Agropecuária, Fabrício se dedica à criação de cavalos Quarto de Milha com foco em Rédeas, uma das modalidades equestres mais praticadas entre os amantes da raça.

“Sempre vi que o cavalo foi levado muito para o lado da paixão e muito pouco para o profissionalismo”, disse Batista, em entrevista à Bloomberg Línea.

“Eu peguei toda a parte de gestão, de controle de custos, o profissionalismo que a gente emprega dentro da empresa, na pecuária, na agricultura e na indústria, e levei isso para o cavalo.”

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Na visão de Batista, essa profissionalização passa por tratar cada animal como uma unidade de negócios.

Na JBJ Ranch cada cavalo tem um centro de custo próprio desde o nascimento, com despesas que começam a ser contabilizadas na gestação, e passam pela alimentação, custos com veterinário, casqueamento e recria. Quando o animal chega ao leilão, esse custo acumulado define o ponto de equilíbrio da venda, explica.

“No momento do leilão, eu tenho uma planilha na mão, do lote 1 ao lote 60”, disse Batista. “Eu sei qual é o ponto de equilíbrio da parcela de cada animal.”

Fabrício é filho de José Batista Júnior, mais conhecido como Júnior Friboi, o irmão mais velho dos atuais controladores da holding J&F Investimentos, que detém a JBS, Joesley e Wesley Batista.

Júnior chegou a exercer o papel de presidente da JBS e deixou o grupo para se dedicar totalmente aos seus negócios.

A JBJ Ranch opera com duas bases: uma em Nazário, em Goiás, e outra em Pilot Point, no Texas, nos Estados Unidos.

O empresário se prepara para sediar a quinta edição do leilão JBJ Ranch e Família Quartista, entre 15 e 17 de maio, em Nazário. Em entrevista à Bloomberg Línea, ele detalhou a estrutura do negócio e as principais apostas que vislumbra para levar a operação a uma nova etapa de crescimento, ou, como ele definiu, para “cruzar fronteiras”.

A expectativa do empresário é alcançar R$ 150 milhões em faturamento no leilão deste ano, acima dos R$ 128 milhões registrados no ano passado.

A estratégia adotada pelo empresário tem sido a de criar cavalos de alta performance como um negócio baseado em genética de alto nível, com cavalos e coberturas vendidas a algumas dezenas de milhares de reais, ou, em alguns casos, até milhões de reais.

Segundo ele, 80 animais nascem na JBJ Ranch todos os anos, divididos igualmente entre a base no Brasil e no Estados Unidos.

No Brasil, a operação conta com cerca de 10 doadoras, 40 nascimentos e receptoras, enquanto nos Estados Unidos a produção anual também gira em torno de 40, mas com receptoras alugadas em vez de próprias.

Leia também: Este é o Gênesis 66, garanhão que teve 50% arrematado em leilão por R$ 80 milhões

Para ele, o negócio do cavalo opera de forma oposta a do boi: enquanto a pecuária depende de volume, a genética equina depende de mais qualidade e alto valor agregado.

A rentabilidade do negócio varia conforme a categoria vendida no leilão.

As coberturas têm a melhor margem, por exigirem custo menor, ligado sobretudo ao congelamento do sêmen. Em seguida vêm os embriões, vendidos antes do nascimento e, portanto, sem os custos de recria. Na média do negócio, ele estima uma margem líquida em torno de 15%, enquanto na pecuária essa margem gira em torno de 5%.

O nascimento do negócio

O herdeiro da JBJ Agropecuária cresceu entre Brasília e o interior de Goiás, onde passou parte da infância na fazenda da família, em Luziânia.

A mudança para Goiânia, aos 12 anos, interrompeu a vivência com cavalos que ele tinha. Apenas em 2020, durante a pandemia de covid-19, que o empresário retomou o criatório, após ter passado uma temporada no exterior.

O primeiro investimento, ainda em 2020, somou cerca de R$ 30 milhões no haras em Nazaré, segundo Batista: metade em infraestrutura, como baias, piquetes e pista coberta, enquanto a outra metade foi alocado na formação da base genética, com matrizes e doadoras para o negócio. A fazenda já pertencia ao grupo.

O primeiro leilão aconteceu em 2022. Naquele momento, segundo ele, o maior leilão de cavalos Quarto de Milha do país havia faturado R$ 10 milhões. A estreia da JBJ Ranch chegou perto disso, com R$ 9,8 milhões em vendas.

No ano seguinte, o faturamento dobrou para R$ 20 milhões. Em 2024, subiu para R$ 50 milhões. Em 2025, alcançou R$ 128 milhões.

O empresário explica que a valorização dos animais depende de uma combinação entre genealogia e morfologia. O “papel”, ou o documento registrado na Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM), precisa vir acompanhado de um animal que agrade visualmente e tenha potencial de performance em pista.

“Não adianta ter um cavalo bom de papel se ele não agrada aos olhos e não adianta ter um cavalo que agrada aos olhos, mas não tem uma boa genealogia”, disse. “A combinação dos dois é o ambiente perfeito.”

O empresário conta que decidiu investir na modalidade de Rédeas para criar animais de maior valor.

Segundo ele, o cavalo de Rédeas pode valer de duas a três vezes mais que animais voltados a modalidades tradicionais de trabalho com boi, como o Laço, a Apartação e o Ranch Sorting.

Na modalidade Rédeas, cavalo e cavaleiro (ou amazonas) são avaliados pela precisão e suavidade em um percurso previamente estabelecido. Os juízes, então atribuem uma nota para a performance. Quem receber a maior nota, vence.

“O cavalo de Rédeas é um cavalo muito específico, muito inteligente, que tem que ter muita habilidade”, disse.

A receita da JBJ Ranch vem majoritariamente do leilão próprio, que responde por cerca de 90% do faturamento do negócio. O restante vem de participações em leilões de terceiros.

O leilão próprio também se tornou uma operação relevante. A edição deste ano deve custar cerca de R$ 7 milhões, entre estrutura e shows, como a da cantora sertaneja Paula Fernandes.

O gasto com o evento foi atenuado pela venda de cotas de patrocínio de R$ 70 mil, R$ 150 mil e R$ 200 mil a cerca de 40 marcas, com arrecadação próxima de R$ 4 milhões, conta.

A quinta edição do leilão ocorre em um momento em que a operação do grupo passou a olhar para além do Brasil. Em 2025, a JBJ Ranch comprou um rancho no Texas, a cerca de 40 minutos de Dallas, com estrutura para criação, treinamento e reprodução de cavalos Quarto de Milha de Rédeas.

A propriedade inclui piquetes, baias, centro de treinamento e laboratório de reprodução, segundo Batista.

Produção internacional

O foco no exterior está no cerne da estratégia do empresário. Isso porque os Estados Unidos ainda são vistos como o berço do Quarto de Milha e concentra parte importante das linhagens de maior valor no mercado global.

“Deixamos de ser somente uma marca e uma produção brasileira para ser uma marca e uma produção internacional”, conta.

Na leitura de Batista, o Quarto de Milha tem a vantagem de ser uma raça de alcance global em relação a outras mais regionais, como o caso do Manga Larga Marchador no Brasil.

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A procura por animais com genética de ponta tem se espalhado pela América do Sul, América do Norte e Europa, especialmente em países como Alemanha, Bélgica e Itália, conta.

Além do investimento no negócio em si, Batista explica que se prepara para sediar uma competição de Rédeas em Avaré, no interior de São Paulo, a partir de 2027.

A JBJ Ranch fechou uma sociedade ligada à franquia The Run for a Million, prova criada por Taylor Sheridan, nome associado ao universo western e à série Yellowstone.

Batista oferecerá premiação de R$ 1 milhão ao vencedor e uma vaga para a disputa em Las Vegas.

Ao investir em eventos e competições, a empresa busca fortalecer o ecossistema da modalidade, elevar a exposição dos animais e criar demanda para a própria produção.

É uma lógica semelhante à de outros segmentos esportivos: quanto maior a competição, maior tende a ser o valor dos atletas — neste caso, dos cavalos, embriões, coberturas e matrizes.

Genética de peso

Uma das principais apostas para reforçar a genética dos animais do grupo é o garanhão Maverick, do qual a JBJ é sócia com outros criadores. Segundo ele, o cavalo gerou R$ 20 milhões no último leilão, com 600 coberturas comercializadas.

Com oito anos de idade, o animal está aposentado e vive na propriedade da JBJ Ranch no Texas.

Na ocasião, segundo Batista, a égua Stop Little Sister foi o lote mais caro do leilão, vendida por R$ 22 milhões.

O negócio começou a se provar rentável a partir do segundo leilão, em 2023, quando a receita passou a cobrir as despesas de criação e do evento. O ganho de escala, segundo ele, veio porque boa parte dos custos não crescem na mesma proporção da receita.

“A ração é a mesma, as pessoas são as mesmas, tudo é o mesmo, mas a sua receita aumenta muito”, disse.

O perfil do público comprador no leilão se divide em duas frentes, segundo ele. Metade busca animais para competir em pista; a outra metade é formada por criadores que compram genética para reprodução e melhoramento do próprio plantel.

“O meu grande sonho é conquistar novos mercados e ser reconhecido pelo que a gente faz”, disse. “Ser reconhecido não só no Brasil, mas na América, na Europa, e cruzar essas fronteiras.”

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Batista montado na égua Heart of América, irmã própria (mesmo pai e mãe) de Maverick, o principal garanhão do grupo (Foto: JBJ Ranch/ Divulgação)

A expansão do Google Cloud em venture capital na América Latina

7 de Maio de 2026, 06:59

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

O próximo grande fundador de tecnologia pode estar em São Paulo ou na Cidade do México, e o Google Cloud, a unidade de serviços de computação em nuvem do Google, decidiu apostar mais fortemente nessa oportunidade na América Latina.

A divisão de startups da companhia está redesenhando sua estratégia global para dar mais peso a mercados fora dos tradicionais polos do Vale do Silício e Nova York, e isso inclui a contratação de equipes dedicadas no mercado latino-americano, segundo Darren Mowry, vice-presidente global de startups do Google Cloud.

Em entrevista à Bloomberg Línea, o executivo disse que o plano de expansão na região inclui não apenas contratar profissionais de vendas e engenheiros, mas também pessoas focadas no ecossistema de venture capital, incubação e aceleração, baseadas em mercados como Cidade do México e São Paulo.

“O que estamos fazendo é expandir nossa equipe de venture capital porque sabemos que existem investidores e fundos específicos que não estão na Bay Area, nem em Nova York, que são construídos e crescem dentro da América Latina”, disse Mowry.

⇒ Leia a reportagem: Google Cloud amplia presença em LatAm para descobrir ‘o próximo grande fundador’

O investimento busca estreitar o relacionamento com os ecossistemas regionais e aproximação com os fundos locais, que vivem um momento “vibrante”, nas palavras do vice-presidente. (Foto: Angel Garcia/Bloomberg)

No radar dos mercados

Os futuros das ações nos EUA operam em alta nesta quinta-feira (7) e o petróleo Brent caiu pelo terceiro dia seguido, enquanto investidores aguardam atualizações sobre um possível acordo de paz entre EUA e Irã.

- Tensão no Líbano. O exército israelense afirmou ter matado Ahmed Ali Balout, comandante da força de elite Radwan do Hezbollah, em um ataque aéreo no sul de Beirute — o primeiro perto da capital libanesa desde o cessar-fogo mediado pelos EUA no mês passado.

- Frete mais caro. O CEO da Maersk, Vincent Clerc, alertou que a guerra entre Irã e EUA elevou em cerca de US$ 500 milhões por mês seus custos operacionais, pressionados pela alta do petróleo e dos seguros marítimos. Em entrevista à Bloomberg Television, ele disse que tentará repassar os custos aos clientes.ㅤ

- Shell supera expectativas. A petroleira reportou lucro líquido ajustado de US$ 6,92 bilhões no primeiro trimestre, acima da estimativa dos analistas, impulsionada pela alta dos preços de petróleo e gás durante a guerra entre Irã e EUA. A petroleira também elevou os dividendos em 5%.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (06/05): Dow Jones Industrials (+1,24%), S&P 500 (+1,46%), Nasdaq Composite (+2,03%), Stoxx 600 (+0,70%), Ibovespa (+0,50%)
LEIA + Siga a trilha dos mercados para conhecer as variáveis que orientaram os investidores →

🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

Bradesco supera expectativas no primero trimestre, mas sinaliza cautela no crédito

Riachuelo volta a lucrar no 1º tri após 6 anos. O CEO diz que avanço ‘não para por aí’

BC faz 1ª compra de dólar futuro em dez anos, e mercado já espera mais atuações

• Também é importante: Itaú vê cenário macro mais desafiador e foca em ‘clientes-alvo’ como fortaleza | Visa traz ao Brasil plataforma de pagamentos corporativos e vê ‘mar de oportunidades’

• Opinião Bloomberg: Na corrida pelo esporte, Adidas supera Nike às vésperas da Copa do Mundo

• Para não ficar de fora: Tenda está ‘blindada’ contra pressão de custos da guerra, diz CFO após lucro dobrar

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Google Cloud amplia presença em LatAm para descobrir ‘o próximo grande fundador’

7 de Maio de 2026, 06:00

O próximo grande fundador de tecnologia pode estar em São Paulo ou na Cidade do México, e o Google Cloud, a unidade de serviços de computação em nuvem do Google, decidiu apostar mais fortemente nessa oportunidade na América Latina.

A divisão de startups da companhia está redesenhando sua estratégia global para dar mais peso a mercados fora dos tradicionais polos do Vale do Silício e Nova York, e isso inclui a contratação de equipes dedicadas no mercado latino-americano, segundo Darren Mowry, vice-presidente global de startups do Google Cloud.

Em entrevista à Bloomberg Línea, o executivo disse que o plano de expansão na região inclui não apenas contratar profissionais de vendas e engenheiros, mas também pessoas focadas no ecossistema de venture capital, incubação e aceleração, baseadas em mercados como Cidade do México e São Paulo.

“O que estamos fazendo é expandir nossa equipe de venture capital porque sabemos que existem investidores e fundos específicos que não estão na Bay Area, nem em Nova York, que são construídos e crescem dentro da América Latina”, disse Mowry, durante o Google Cloud Next 2026, em Las Vegas, evento que reuniu cerca de 30 mil participantes, pouco mais de 30% deles do universo de startups, segundo a empresa.

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O movimento reflete como a inteligência artificial (IA) mudou a lógica tradicional do setor de tecnologia de onde surgem os negócios mais relevantes. Empreendedores em mercados fora dos Estados Unidos hoje têm acesso mais amplo a ferramentas para construir negócios disruptivos e conseguem levar suas soluções a países desenvolvidos de forma relativamente rápida.

O raciocínio por trás das mudanças acompanha as transformações trazidas pela inteligência artificial, uma vez que startups novas e com modelo de negócio impactantes podem surgir em qualquer lugar do mundo, como é o caso da dinamarquesa Lovable.

Leia também: Enter, startup brasileira de IA jurídica, atinge valuation de US$ 1,2 bi em novo aporte

Outro exemplo recente é o da Enter, startup brasileira do segmento jurídico com sede em São Paulo que desenvolve tecnologia de IA para ajudar empresas a lidar com o grande volume de ações na Justiça. Nesta semana, a startup anunciou um aporte de US$ 100 milhões, em uma rodada liderada pelo Founders Fund, de Peter Thiel, elevando seu valuation a US$ 1,2 bilhão.

Para o Google Cloud, o investimento na América latina busca estreitar o relacionamento com os ecossistemas regionais e aproximação com os fundos locais, que vivem um momento “vibrante”, nas palavras de Mowry.

O executivo, veterano da indústria de nuvem, chegou ao Google há pouco mais de quatro anos, após experiências em concorrentes como a AWS, onde permaneceu por quase 10 anos, e Microsoft, em passagem de intervalo semelhante.

Darren Mowry, vice-presidente global de startups do Google: cinco anos atrás, a equipe de venture capital estava focada em gerenciar as firmas do topo, baseadas principalmente em São Francisco e Nova York

Há um ano assumiu a posição de VP global, além de ser conselheiro do CapitalG, fundo de investimento em growth da Alphabet, a holding dona do Google, que aportou em negócios como CrowdStrike, Stripe, Duolingo, Monzo e Airbnb.

Mowry conta que além dos créditos, oferecidos a partir de programas como o Google for Startups, e das parcerias com fundos, a companhia também começa a olhar para potenciais investimentos na região.

“Estamos percebendo um interesse crescente da CapitalG (growth) e da GV (early stage) em não olhar apenas para, novamente, San Francisco e Nova York, mas sim procurar fundadores empolgantes onde quer que estejam. Portanto, há uma oportunidade de trazermos nossas próprias equipes de venture capital para o mercado latino-americano”, afirma.

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Além da maior presença regional, a transformação tecnológica tem feito com que a divisão com foco em startups olhe de forma mais pragmática também para outros atores na cadeia de investimentos.

Sequoia e A16Z, duas das mais conhecidas gestoras de venture capital do mundo, continuam “muito importantes”, segundo o executivo, mas hoje o mundo se mostra muito maior e as dinâmicas de captação mudaram.

“Serei bem específico: cinco anos atrás, a equipe de venture capital estava focada em gerenciar as firmas do topo, baseadas principalmente em São Francisco e Nova York”, disse Mowry.

“Hoje, estamos criando equipes agora focadas em fundos de anjos muito nichados, pequenos e especializados, que nunca tivemos antes da IA. Isso nos permite garantir que não estamos contando apenas com os maiores cheques; estamos dispostos a trabalhar com qualquer pessoa que nos ajude a identificar o próximo grande fundador”.

Entre as diversas tendências de um setor em ebulição, uma está relacionada à busca de empreendedores para acessarem menos recursos de grandes firmas de venture e manterem participação relevante do negócio ao longo do tempo.

Antes, na era pré-IA, o movimento era esperar a validação - no caso, o investimento - de uma grande firma de VC, como a a16z, para que todos os outros atores do ecossistema corressem atrás da startup.

“Se você esperar por isso agora, você está atrasado e perderá o próximo Gemini ou Anthropic”, afirma o executivo.

Os investimentos do Google Cloud em startups procuram melhor posicionar a companhia na disputa com outros competidores, como AWS e Azure, da Microsoft. Hoje, a empresa está em terceiro lugar no mercado.

Com um modelo verticalizado de atuação - da infraestrutura até modelos próprios, como o Gemini -, a aposta é que a IA pode ser uma força transformadora do negócio ao longo dos anos - e as startups terão um papel relevante.

“Quando eu estava na Microsoft, antes da nuvem, sempre via as maiores empresas como os maiores clientes porque tinham mais funcionários e compravam mais coisas. Isso era nos anos 1990 e 2000. Neste novo mundo, temos startups de 20 pessoas, de 12 pessoas, que são capazes de usar quantidades incríveis da nossa nuvem para criar soluções realmente impactantes”, diz Mowry.

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© Angel Garcia

O investimento busca estreitar o relacionamento com os ecossistemas regionais e aproximação com os fundos locais, que vivem um momento “vibrante”, nas palavras do vice-presidente. (Foto: Angel Garcia/Bloomberg)

Riachuelo volta a lucrar no 1º tri após 6 anos. O CEO diz que avanço ‘não para por aí’

6 de Maio de 2026, 21:00

O grupo Riachuelo, antes conhecido como Guararapes, vem colhendo os frutos de uma mudança estrutural na companhia, que tem lhe permitido expandir as vendas com melhoria das margens.

A estratégia levou a resultados positivos no primeiro trimestre. A empresa registrou lucro líquido de R$ 5 milhões, revertendo um prejuízo de R$ 45,9 milhões no mesmo período do ano passado, em um trimestre que é historicamente mais fraco para o varejo de moda.

O resultado ficou acima do consenso de analistas consultados pela Bloomberg, que esperavam prejuízo de R$ 4,7 milhões, e quebrou uma sequência de seis anos de prejuízo no período.

A empresa também encerrou o trimestre com um Ebitda ajustado consolidado de R$ 268 milhões, com alta de 14,1% e acima do consenso de R$ 256,8 milhões, com uma margem de 11,5%.

No vestuário, as vendas nas mesmas lojas (same store sales), que mede o crescimento orgânico da receita, registraram alta de 10,1% no trimestre – o 11º período consecutivo de expansão.

Para o CEO, André Farber, os ganhos tendem a continuar e a empresa segue vendo oportunidade de melhorias nas métricas. “A gente pretende, em todos os trimestres, dar lucro e continuar expandindo o lucro da companhia”, afirmou ele, em entrevista à Bloomberg Línea. “O crescimento de margem não deve parar por aí.”

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Farber atribui a visão otimista ao trabalho que tem sido feito pela gestão desde que ele assumiu o cargo em 2023. Nesse período, a Riachuelo (RIAA3) reforçou a integração com sua fábrica própria, o que tem permitido ter uma gestão da cadeia de produção e fornecimento mais alinhada e mais eficiente do ponto de vista de precificação, segundo ele.

Em paralelo, houve avanço no planejamento das coleções, com definição mais assertiva de sortimento, timing de demarcação (markdown) e controle de estoque, o que reduziu excessos e melhorou a margem bruta.

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A empresa também investiu em times seniores de moda e em criatividade via colaborações com estilistas. No campo das lojas físicas, a Riachuelo desenvolveu um novo conceito arquitetônico a partir de 2024, testado primeiro numa pop-up de 240 m² inaugurada em dezembro na Rua dos Pinheiros, em São Paulo.

A melhora operacional dessa integração foi apontada como o principal fator de expansão de margem. “A gente é a única empresa que tem fábrica própria – somos o maior empregador da moda no Brasil. Terminamos o ano passado com cerca de 33 mil colaboradores. Então, operar muito bem a integração com a nossa fábrica faz muita diferença na nossa margem. Estamos operando melhor essa integração, e isso tem trazido resultados positivos para o nosso negócio”, afirmou o CEO.

Novo conceito de loja

A empresa agora tem investido para aplicar o novo conceito de loja, desenvolvido para pop-store em São Paulo, em outras unidades Brasil afora. No último mês, a empresa inaugurou uma loja expandida no ParkShopping Barigüi, em Curitiba, já no novo modelo, e o plano é fazer entre quatro e cinco reformas até o final de 2026 e escalar o formato ao longo dos anos seguintes, com meta de converter toda a rede.

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“O grande objetivo é melhorar a experiência na loja, onde o produto possa brilhar, para que o consumidor se sinta muito bem e consiga enxergar e navegar muito bem nos nossos produtos”, disse Farber.

'A gente pretende, em todos os trimestres, dar lucro e continuar expandindo o lucro da companhia'

A empresa também mantém o plano de inauguração de novas lojas, depois de fazer um estudo que mapeou a oportunidade de abertura de cerca de 150 novas unidades. A expectativa é de abrir em torno de 15 a 17 lojas neste ano, seguindo o plano de fazer entre 15 e 20 inaugurações por ano.

“O planejamento vai sendo feito conforme dinâmicas muito específicas: às vezes uma loja tem uma necessidade de reforma, às vezes há uma oportunidade de crescimento de área, às vezes uma mudança de importância da loja. É uma conjunção de fatores que nos leva a planejar as mudanças”, afirmou Farber.

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No campo financeiro, por meio de sua financeira Midway, a empresa expandiu seu portfólio com novas modalidades de crédito, com destaque para o consignado, mantendo postura conservadora na concessão, segundo o CEO.

A carteira cresceu de forma gradual e os resultados têm sido consistentes, com a financeira contribuindo positivamente para o resultado consolidado mesmo num ambiente de inadimplência elevada.

“A gente sonha grande, mas com os pés no chão. Começamos a crescer a carteira agora, com resultados dentro do esperado. Mas ainda é cedo para que seja algo relevante dentro do nosso negócio. O core ainda é feito pela base de cartões, de seguros e de empréstimos”, disse ele.

Cenário macro desafiador

Olhando para frente, Farber diz que se mantém confiante na trajetória da empresa mesmo diante de um cenário macroeconômico mais duro, com a inadimplência alta, o aumento da inflação e a pressão dos juros elevados.

O executivo disse que a empresa não tem sentido efeitos até o momento, mas que o trabalho feito para constantemente ajustar a operação ajuda a companhia a ganhar resiliência.

“A nossa grande fórmula de preparação é estar sempre melhorando o nosso negócio”, disse. “Eu costumo dizer aqui que se a gente parar de pedalar a bicicleta, ela cai. E se vier uma crise de qualquer lado, a gente vai sempre estar mais forte e mais preparado caso isso aconteça.”

Sobre a perspectiva para as vendas de inverno, o CEO diz que a companhia tem se preparado para se adaptar às variações do clima. No ano passado, ele disse que o inverno mais rigoroso ajudou as vendas da empresa no segundo trimestre, mas fizeram com que os produtos da estação se esgotassem mais rápido do que o previsto, o que afetou os estoques e os resultados nos trimestres seguintes.

“Estamos sendo menos beneficiados pelo inverno até agora, mas, por outro lado, estamos com o estoque de inverno bem regulado – para quando esfriar, teremos estoque onde o ano passado acabou antes”, afirmou.

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Loja da Riachuelo no ParkShopping Birigui, em Curitiba: novo conceito de loja deverá ser aplicado a novas unidades. (Foto: Riachuelo/Divulgação)

Bradesco supera expectativas no primero trimestre, mas sinaliza cautela no crédito

6 de Maio de 2026, 19:13

O Bradesco (BBDC4) apresentou nesta quarta-feira (6) um resultado acima das expectativas do mercado para o primeiro trimestre de 2026. O banco somou lucro líquido recorrente de R$ 6,811 bilhões no período, acima dos R$ 6,652 bilhões esperados pelo consenso Bloomberg.

O resultado representa um avanço de 16,1% em base anual e de 4,5% contra o quarto trimestre do ano passado.

Já o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE), principal indicador de rentabilidade do banco, ficou em 15,8% – alta de 1,4 pontos percentuais (p.p.) em relação ao mesmo período do ano anterior e de 0,6 p.p. frente ao último trimestre.

“O Bradesco entrega o nono trimestre seguido de aumento do lucro líquido, expansão do ROAE e execução consistente do plano de transformação”, informou o banco em nota divulgada à imprensa.

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O banco informou que as receitas cresceram 14% na comparação anual e foram o principal motivo para a melhora da rentabilidade no período. “O ano começou em ritmo acelerado para o Bradesco, com bom desempenho das nossas receitas”, afirmou a nota.

Cautela no crédito

A carteira de crédito do banco também avançou e somou R$ 1,090 trilhão – avanço de 8,4% na comparação com o mesmo período do ano passado e leve alta de 0,1% em três meses.

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E embora a inadimplência esteja controlada, o Bradesco indicou um período mais desafiador à frente. O indicador de inadimplência longa, acima de 90 dias, subiu 0,1% na comparação trimestral, para 4,2%, impactado pelo segmento de pequenas e médias empresas.

O banco também sinalizou preocupação com o segmento de agronegócio, que está sendo um ponto de preocupação no setor desde o ano passado. Houve piora no portfólio de crédito rural de operações antigas para pessoas físicas e jurídicas.

“Nosso apetite ao risco continua moderado, com viés para mais conservador, em função do acompanhamento dos indicadores de mercado sobre inadimplência, que apresentaram certa degradação, em particular no agronegócio e em algumas modalidades”, informou a nota.

As ações do Bradesco (BBDC4) sobem 5,76% no acumulado do ano, contra uma alta de 16,33% do Ibovespa no mesmo período.

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Retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE), principal indicador de rentabilidade do banco, ficou em 15,8% – alta de 1,4 pontos percentuais (p.p.) em relação ao mesmo período do ano anterior (Foto: Lucas Landau/Bloomberg)

Estreia: Delta IA vai buscar lucros toda sexta-feira para investidores em criptomoedas; conheça nova ferramenta

6 de Maio de 2026, 16:08

A sexta-feira já é o dia preferido da semana de muita gente. Seja para quem quer celebrar o fim da semana em um boteco ou só descansar no sofá assistindo aquela série nova, tem muitos motivos para admirar o último dia útil semanal.

A novidade da vez é que, a nova estreia da Empiricus pode ser mais uma razão para sexta-feira ser o melhor dia da semana dos investidores. Isso porque, a partir do dia 11 de maio, a Empiricus lança oficialmente o Delta IA.

Conheça Delta IA e veja como você pode buscar lucros semanais na alta ou na baixa

O Delta IA chega no mercado como a primeira inteligência artificial automatizada que opera com a estratégia de long e short em criptomoedas.

Isso significa que a ferramenta opera tanto comprada em ativos, quanto vendida. Assim, o usuário tem a chance de buscar renda em dois cenários de mercado, na diferença entre as duas posições:

  • Quando o mercado está caindo, a chance de renda é de até R$ 1.960 por semana, de acordo com os resultados do backtest*;
  • Já quando o mercado está subindo, a chance de renda de até R$ 1.420 por sexta-feira.

* Mês utilizado como referência no backtest para o ‘mercado caindo: Junho 2020 – +50.6% / Mês utilizado como referência no backtest para o ‘mercado subindo: Outubro 2021 – 35.3%. Retornos passados não significam ganhos futuros. Investimentos têm riscos e podem gerar perdas ao investidor.

Nas palavras de Valter Rebelo, especialista do mercado de ativos digitais da Empiricus Research e desenvolvedor da estratégia por trás do Delta IA, ela é a única IA do Brasil capaz de fazer o dinheiro ‘pingar’ diretamente na conta do investidor.

“Ao contrário das outras IAs, o Delta não fica conversando com você, nem te dá planos para ganhar dinheiro. Ele opera ativamente o mercado cripto e você pode copiar as operações dele”, explica Rebelo.

Para explicar melhor sobre como essas operações vão funcionar, tirar as principais dúvidas e mostrar a confiabilidade na ferramenta, Valter Rebelo e a equipe de especialistas de cripto da Empiricus estão organizando um evento na próxima semana (as inscrições gratuitas e online ainda estão disponíveis aqui).

Entenda por que as sextas-feiras são relevantes para o Delta IA

Além da praticidade, o que mais chama a atenção no Delta IA é a sua pontualidade com a busca por lucros. Afinal, como já foi mencionado, as sextas-feiras serão dias bem especiais para essa IA.

Por isso, é comum surgir algumas dúvidas: “Como essa automação funciona? Como usar ele? Por que a renda pode ser na sexta-feira e não outro dia?”

Para entender, é preciso visualizar o fluxo de operações do Delta. Na primeira sexta-feira em que o Delta estiver operando, ela vai selecionar os 10 ativos com maior probabilidade de disparar, e entrar “vendido” nos 10 ativos com maior probabilidade de cair.

“Durante esses sete dias muita coisa pode acontecer. Vão ter semanas de euforia no mercado e as criptomoedas podem disparar. Em outras, o pessimismo pode pesar e o mercado, despencar”, descreve Rebelo.

Entretanto, para o Delta IA, a tendência é que os investimentos consigam capturar esses movimentos esperados e ganhar com a diferença, na alta ou na baixa.

E onde a sexta-feira entra nessa jogada? Porque é nesse dia, pela tarde, que o robô fará seu rebalanceamento, encontrando as 10 criptomoedas com maior potencial para comprar e mais 10 para vender.

Agora, se o leitor desse texto chegou até aqui e está curioso para saber ainda mais como investir nessa ferramenta, vai encontrar mais informações a seguir.

Delta IA vai buscar renda a cada 7 dias em qualquer cenário a partir de 11 de maio; inscreva-se

Para quem ficou interessado, no dia 11 de maio, investidores poderão ter acesso a essa ferramenta inovadora que pode buscar renda de até R$ 1.960 por semana de forma automatizada e em qualquer cenário.

Na data, às 19h, o time da Empiricus terá um evento online e gratuito, no qual a ferramenta será apresentada com mais detalhes.

Se você está ouvindo falar dessa inteligência artificial pela primeira vez, já pode colocar seu nome na lista prioritária para os acessos que serão liberados a partir do dia do evento.

É só clicar no botão abaixo e seguir as instruções:

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Visa traz ao Brasil plataforma de pagamentos corporativos e vê ‘mar de oportunidades’

6 de Maio de 2026, 13:25

A Visa anunciou no Brasil o Visa Commercial Pay, produto que procura “atacar” uma das maiores dores do ecossistema empresarial: a complexidade e a falta de visibilidade no fluxo de caixa e no pagamento de fornecedores.

O lançamento no país se encaixa em uma percepção de que o Brasil é citado como uma referência e modelo a ser seguido em termos de inovação do sistema bancário e financeiro.

O Banco Central, como autoridade, e o Pix, como produto, são nomes que aparecem com frequência. Outro consenso no mercado é de que ainda há muito o que fazer em produtos de pagamentos corporativos, ambiente que está atrás em relação aos avanços experimentados pelos consumidores finais.

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O sistema, apresentado globalmente em 2020, já é utilizado em mercados mais maduros, como Estados Unidos, Europa e Ásia.

O produto permite a emissão instantânea de credenciais virtuais sob demanda para colaboradores ou prestadores de serviço, que podem ser inseridas a carteiras digitais como Apple Pay e Google Pay, viabilizando pagamentos por aproximação.

Entre as vantagens, de acordo com a Visa, está a definição de limites específicos para cada fornecedor ou categoria de uso; segurança para transações digitais, ao eliminar a necessidade do cartão físico, e a substituição de processos manuais de conciliação por fluxos automáticos e transparentes.

A demora em chegar ao Brasil, de acordo com Ana Rojas, SVP e Head de Soluções Comerciais e de Movimentação de Dinheiro (CMS) para LAC (Latin America & Caribbean) da Visa, ocorreu por descasamento entre a tecnologia e a demanda por parte do mercado de adquirência.

“As empresas podiam resolver pagamentos de fornecedores sem essas soluções, usando nossos cartões ou tokens, mas essa solução torna a vida muito mais fácil e agora está mais enriquecida”, disse em entrevista à Bloomberg Línea.

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Segundo a executiva, a Visa tem evoluído em conversas, especialmente bancos que possuem os seus próprios serviços de adquirência.

“Eles são como o combo ideal para este tipo de soluções e é por aí que estamos começando”, afirma. “Já fechamos com uma instituição e estamos falando com outra”.

O produto é apenas mais um passo da companhia na tentativa de ganhar espaço no mercado de pagamentos corporativos, que movimenta anualmente mais de US$ 200 trilhões e está em plena transformação, com tendências que passam por stablecoins, inteligência artificial e agentic commerce.

“É um mar de oportunidades. Falamos de fluxos de empresa para empresa (B2B), do governo para empresas e de empresas para pequenos negócios. Na América Latina, 98% das empresas são PMEs, responsáveis pela maioria dos empregos, mas ainda carecem de soluções sob medida”, afirma Rojas.

Além disso, a Visa colocou no mercado nos últimos meses um produto para apoiar emissores na decisão de oferta de crédito a pessoas jurídicas, com base em fluxo de recebíveis.

Na região, muitos empreendedores e empresários acabam tendo um crédito maior como pessoa física do que pessoa jurídica, criando uma distorção no mercado.

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A gigante de pagamento também está com altas expectativas que o mercado ganhará um novo impulso com a combinação entre stablecoins e agentes de IA.

“A previsão é de que mais de 60 % dos negócios com agentes e com stablecoins sejam no B2B. Já há um movimento em curso e o que estamos fazendo na Visa é cuidar para que esses agentes sejam confiáveis, com mecanismos de proteção tanto do lado pagador quanto de quem recebe”, afirma a executiva.

Apresentado globalmente em 2020, o Visa Commercial Pay tem casos de usos mais maduros em mercados como Estados Unidos, Europa e Ásia (Foto: Philip Pacheco/Bloomberg)

Amargo mel, fogo gelado e caos organizado

6 de Maio de 2026, 13:00

A esta altura dos acontecimentos, acho que já podemos afirmar que o prazo para o término da Guerra do Irã sempre foi incognoscível.

Com certeza, não eram apenas as quatro semanas que haviam sido indicadas originalmente por Trump.

Por outro lado, memorando de uma página, não tem cara de ser uma guerra infinita.

Arrisco dizer que essa guerra está justamente entre terminar daqui a alguns dias ou daqui a alguns anos. E por isso me permito a licença poética de chamá-la de imprevisível.

Porque, em termos práticos, dentro dos gatilhos temporais que regem os mercados, a diferença entre esperar dois dias e esperar dois anos gera consequências completamente díspares.

Assim, somos obrigados a fazer algo indigesto, quase insalubre, que é o duro exercício de fazer coabitar em nossas mentes dois cenários – o rápido e o devagar – que se combinam em um oxímoro.

Nada é mais útil para o trabalho de um financista do que conviver com a contradição. E, também, nada pode ser mais enlouquecedor para um ser humano.

Imagine você se apaixonar por alguém que lhe desperta o amor mais puro seguido do ódio mais sanguíneo, a propensão a estar junto logo então substituída pela mais completa aversão; e assim sucessivamente, por décadas e décadas, entre tapas e beijos.

A evolução não nos forneceu meios para lidar bem com os opostos simultâneos, não somos bons nisso; preferimos a definição de um ou outro.

Como exemplo didático, considere o seguinte desafio simples de lógica:

Nelson está olhando para Ana, e Ana está olhando para Renzo. Nelson é casado, mas Renzo é solteiro. Podemos dizer que é o caso de que uma pessoa casada está olhando para uma pessoa solteira?

  1. Sim.
  2. Não.
  3. Isso não pode ser determinado apenas com o enunciado.

(Se quiser um tempinho para pensar, segure a leitura até aqui, pois o spoiler vem logo abaixo).

A alternativa correta é “A” (Sim), mas a vasta maioria dos respondentes escolhe a letra “C”, supondo automaticamente que a falta de informação sobre o estado civil de Ana impossibilita cravar uma resposta honesta.

Todavia, se pensássemos direto em termos de probabilidades, convivendo com a contradição, enxergaríamos dois cenários possíveis:

  • Nelson (casado) -> Ana (casada) – > Renzo (solteiro).

Ou:

  • Nelson (casado) -> Ana (solteira) -> Renzo (solteiro).


Note que, em ambos os cenários, existe uma pessoa casada olhando para uma pessoa solteira.

Se você não acertou desta vez, fique tranquilo. Até mesmo pessoas de altíssima pontuação em testes de QI têm dificuldade de ponderar cenários pré-convergência.

Felizmente, o investidor inteligente não precisa ficar comprometido com o mercado, e também não precisa ficar à espreita. Basta fazer como a Ana que, casada ou solteira, continua participando do jogo.

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Itaú vê cenário macro mais desafiador e foca em ‘clientes-alvo’ como fortaleza

6 de Maio de 2026, 12:57

Após uma sequência de cinco anos de resultados trimestrais recordes quase ininterruptos, o Itaú Unibanco (ITUB4) registrou lucro estável no primeiro trimestre de 2026. Os R$ 12,3 bilhões alcançados na última linha do balanço ficaram 0,3% abaixo do resultado anterior, reflexo de efeito sazonal e da distribuição antecipada de dividendos.

Milton Maluhy Filho, CEO do banco, reforçou que a rentabilidade do trimestre se manteve nas máximas e que não projeta redução no apetite para o crescimento nos próximos meses – mesmo em um cenário mais cauteloso com o aumento da inadimplência no mercado brasileiro diante de juros altos.

“Mesmo com todos os desafios, a gente continua defendendo o guidance de crescimento de carteira e de custo do crédito, que mostra, de novo, a nossa capacidade preditiva de simular eventos olhando para frente", afirmou o executivo a jornalistas durante a entrevista nesta quarta-feira (6) para comentar os resultados.

O Itaú manteve inalteradas as projeções para 2026, que preveem crescimento da carteira de crédito total entre 5,5% e 9,5%, e custo do crédito entre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões.

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Um dos pilares que sustentam o apetite de crédito do banco é o foco nos chamados “clientes-alvo”. A instituição é conhecida por ser líder nos segmentos de média e alta renda, que foram especialmente resilientes no pós-pandemia.

Leia também: Itaú tem lucro de R$ 12,3 bi no 1º tri com rentabilidade de 24,8% e mantém guidance

Maluhy afirma, no entanto, que a estratégia abarca também outras faixas de renda, desde que se encaixem nos critérios de avaliação. O objetivo é concentrar sua originação em clientes considerados resilientes ao longo de diferentes ciclos econômicos, avaliados não apenas pela renda, mas por modelos que testam seu comportamento financeiro em cenários de estresse ao invés de expandir o crédito de forma ampla.

Hoje, mais de 80% da carteira de crédito do banco está alocada nesses clientes. Nas novas concessões, esse percentual chega a quase 100%.

O Itaú defende que esse segmento de clientes está mais protegido da inadimplência que os demais. Para demonstrar o ponto a investidores, o banco realizou um estudo em sua base analisando o endividamento das famílias brasileiras excluindo o crédito imobiliário.

Partindo de uma base 100 em dezembro de 2019, o endividamento total das famílias subiu para 123 em janeiro de 2026, enquanto o endividamento dos clientes-alvo do Itaú foi a apenas 105 no mesmo período. Considerando toda a carteira do banco, o índice chegou a 106, também abaixo da média do setor.

A diferença aparece também na comparação da inadimplência longa, com atrasos acima de 90 dias. No crédito pessoal, a inadimplência do Itaú ficou em 5,1%, ante 9,3% do mercado. No cartão de crédito, 5,1% contra 10,2% do setor. Em veículos, 3,5% frente a 6,2%; e no consignado privado, 4,2% contra 7,1% do mercado.

“De fato, focamos em clientes-alvo e saímos de públicos menos resilientes ao longo dos ciclos. Quando olhamos o resultado num ciclo mais longo, claramente foi uma estratégia vencedora”, disse Maluhy Filho.

“[Projetamos ainda] muita evolução em modelagem, inteligência artificial generativa. Com isso, vamos conseguir mais hiper personalizar ainda mais os limites e ter performances ainda melhores”, afirmou.

O banco também aproveitou para reafirmar sua posição relativamente confortável no crédito agrícola, setor que tem pressionado outros bancos com recuperações judiciais.

O Itaú detém cerca de 20% de participação de mercado no agro, mas apenas 4% do total de recuperações judiciais do setor. A carteira de produtores rurais conta com alienação fiduciária em 78% dos casos, o que a coloca fora do alcance dos processos de recuperação judicial.

Maluhy Filho não revelou quais culturas ou geografias o banco evita, mas confirmou que o Itaú ficou de fora de algumas regiões consideradas mais voláteis por questões climáticas.

A carteira de crédito total alcançou R$ 1,483 trilhão, com crescimento de 1,2% no trimestre excluindo variação cambial — e de 9% em 12 meses. O consignado privado foi o destaque, com alta de 63% anual, e os programas governamentais para PMEs cresceram 52% no período.

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© Tuane Fernandes

Milton Maluhy Filho, CEO do banco, reforçou que a rentabilidade do trimestre se manteve nas máximas e que não projeta redução no apetite para o crescimento nos próximos meses. (Foto: Tuane Fernandes/Bloomberg)

Tenda está ‘blindada’ contra pressão de custos da guerra, diz CFO após lucro dobrar

6 de Maio de 2026, 12:07

O lucro da construtora Tenda (TEND3) mais que dobrou em seu balanço do primeiro trimestre deste ano, alcançando um saldo de R$ 183,4 milhões – 44% acima do consenso Bloomberg News.

Segundo a empresa, o resultado consolida o processo de turnaround após a turbulência enfrentada no pós-pandemia – e blinda a construtora do maior temor atual no mercado imobiliário: a pressão de custos de materiais diante da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

O conflito começou no final de fevereiro, e o mais recente alerta veio na divulgação do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) de abril. O indicador registrou forte aceleração no último mês, subindo 1,04%, acima dos 0,36% observados em março.

Luiz Mauricio Garcia, CFO da Tenda, disse que a empresa está “blindada” contra a inflação de custos da guerra, cenário oposto do que aconteceu a partir de 2021, quando o avanço do INCC foi um dos detratores do resultado da Tenda.

A construtora sofreu com a alta dos preços de materiais causada pelo lockdown e enfrentou compressão de margens. Além disso, acelerou lançamentos antes e durante a pandemia e acabou enfrentando dificuldades operacionais.

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O CFO defende que a companhia fez o dever de casa e atualmente está bem posicionada para enfrentar o novo desafio – e, desta vez, sem solavancos.

“Estamos em nosso melhor momento na qualidade de execução. Isso ajuda a explicar o resultado acima do esperado alcançado neste trimestre e também porque estamos protegidos nesse cenário atual de aumento de custos com o conflito no Oriente Médio”, afirmou Garcia em entrevista à Bloomberg Línea.

O executivo vê o avanço da eficiência como resultado da aposta da Tenda em um modelo construtivo industrial, com uso de formas de alumínio, que encurta os prazos de construção e diminui a exposição da empresa à inflação de custos.

O ciclo de obra ficou mais curto nos últimos anos: o prazo total de obra caiu de 30 para 18 meses de 2020 para cá.

A melhora no resultado veio também após uma combinação de reformas nos processos de orçamento, governança e controle de custos.

A Tenda tem apostado no reajuste antecipado de preços (já executado em 7% a 8% no início do ano), em sua estrutura da carteira de recebíveis, que corrige pelo INCC na fase pré-chaves e pelo IPCA na fase pós-chaves, e no conservadorismo nas provisões.

Hoje, 11% do total do “a gastar” em obras está provisionado para inflação e eventuais, contra zero em 2020.

No cenário mais conservador simulado pela companhia, de INCC a 10% no ano e correção dos recebíveis limitada a 5%, o impacto no lucro de 2026 seria de R$ 20 milhões. É um impacto considerado marginal diante do guidance para o ano, entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões.

“Estamos com uma obra muito eficiente e isso ajuda a entender como alcançamos esse resultado mesmo sem ter sido uma empresa que surfou na onda das faixas mais altas [do programa Minha Casa Minha Vida], que foi o grande impulsionador para muitas empresas nos resultados recentes”, disse.

Leia também: Tenda prevê benefícios ‘expressivos’ com reajuste do Minha Casa Minha Vida, diz CFO

A Tenda hoje tem 43% das vendas contabilizadas para a faixa 1 do MCMV, a mais baixa do programa, que atende o público de renda de até R$ 2.850 por mês.

A longo prazo, a companhia projeta uma distribuição mais similar entre as três principais faixas do programa, o que deve aumentar ainda mais em resultados com o aumento da penetração nas camadas mais altas do MCMV.

Outro ponto de atenção para os resultados da Tenda vinha sendo sua subsidiária Alea, grande queimadora de caixa. No trimestre, o segmento consumiu R$ 14,9 milhões – redução de 55% frente ao primeiro trimestre do ano passado.

Se mantiver a tendência, a companhia vai ficar abaixo do piso do guidance anual de queima entre R$ 60 a R$ 80 milhões para a Alea. A companhia encerrou o trimestre com apenas 13 canteiros ativos na subsidiária, frente a 33 no auge.

“A redução de queima de caixa era uma premissa importante para mostrar a estabilização da Alea, e alcançamos uma melhora substancial nesse trimestre”, afirmou o CFO.

Enquanto isso, a marca Tenda seguiu em tendência de aceleração. As vendas líquidas atingiram R$ 1,43 bilhão no trimestre – recorde histórico excluindo o programa Pode Entrar – com velocidade de vendas (VSO) de 26,9%.

O banco de terrenos consolidado chegou a R$ 29 bilhões em VGV potencial, crescimento de 24% na base anual.

A margem bruta ajustada do segmento Tenda foi de 38,5%, evolução de 1,8 ponto percentual frente ao primeiro trimestre do ano passado.

Já o EBITDA ajustado do segmento foi R$ 283,5 milhões no trimestre, alta de 67% na comparação anual. Anualizado, o número já supera R$ 1,1 bilhão — acima do teto do guidance para 2026, fixado entre R$ 950 milhões e R$ 1,05 bilhão.

A receita líquida total atingiu R$ 1,18 bilhão, também recorde histórico trimestral, com avanço de 36,9% na base anual. Já a geração de caixa do grupo somou R$ 86,6 milhões no trimestre, excluindo recompra de ações e distribuição de dividendos.

As ações da Tenda (TEND3) sobem 23,69% no acumulado do ano, contra uma alta de 16,33% do Ibovespa no mesmo período.

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Empreendimento da construtora Tenda: construtora alcançou lucro líquido de R$ 183,4 milhões no primeiro trimestre – 44% acima do consenso Bloomberg (Foto: Divulgação)

Ata do Copom ‘sem pistas’? Mercado diverge na leitura do documento, mas cenário de incerteza abre espaço para buscar retornos de IPCA+ 10,6% ao ano

6 de Maio de 2026, 12:05

Na última terça-feira (5), o Banco Central divulgou a ata do Copom. O documento traz mais detalhes sobre os fatores que embasaram a última decisão da autoridade monetária, que optou por mais um corte de 0,25 pontos percentuais, levando a Selic para o patamar de 14,50% ao ano.

A ata costuma ser muito aguardada pelos investidores, pois além dos pormenores da decisão, costuma dar “pistas” dos próximos passos do Banco Central. Mas, desta vez, a interpretação dos “sinais” do BC causaram divergências no mercado.

O tom da ata foi um ponto em que o mercado apresentou leituras diversas. Para alguns, a autoridade adotou um tom mais dovish — leve —, o que seria um indício de manutenção da confiança na desaceleração da atividade para sustentar o ciclo de cortes.

 Por outro lado, parte do mercado aponta que a autoridade adotou um tom mais hawkish — duro — em sua comunicação. Lais Costa, analista de renda fixa e head de fundos da Empiricus Research, faz parte deste grupo.

De acordo com a analista, a ata apresentou uma mudança importante em relação ao Copom de março: “há maior probabilidade de interrupção dos ajustes do que de aceleração do ritmo de corte em junho”. Nesse cenário, a pergunta de muitos investidores é:

Para onde vai a Selic nos próximos meses?

Na ata do Copom o Banco Central destacou que três pontos de atenção para as próximas decisões. O primeiro deles foi o distanciamento das expectativas de inflação em relação à meta, devido aos impactos de segunda ordem do conflito no Oriente Médio.

O documento também debateu as alterações no balanço de risco, tanto por conta do aumento da inflação em um cenário de conflito prolongado, quanto pelo efeito da disrupção nas cadeias produtivas de petróleo.

Por fim, o Banco Central deixou claro a importância de uma política fiscal previsível, crível e anticíclica. Segundo a autoridade, “o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade.”

Por outro lado, a ata apontou que os juros elevados praticados ao longo dos últimos períodos já estão ” contribuído de forma determinante para a desinflação observada.” Nesse cenário, Lais acredita que há uma forte propensão de mais um corte de 0,25 pontos percentuais na reunião de junho.

Contudo, a expectativa é de que o ciclo seja ainda menor. Segundo Costa, isso já deve aparecer no relatório Focus da próxima segunda-feira com uma “revisão para cima das projeções da Selic em 2026.”

De acordo com Lais, enquanto o último Boletim aponta uma Selic terminal de 13% ao ano, o mercado aponta para 14% em dezembro.

Nesse contexto, analista fez alguns ajustes na carteira na qual recomenda títulos “premium” da renda fixa. Entre as mudanças está a oportunidade de buscar retornos de IPCA+ 10,6% ao ano.

4 oportunidades na renda fixa para buscar até IPCA+ 10,6% ao ano, com isenção de IR, com a Selic a 14,5% ao ano

Laís aponta que, diante do cenário atual, os títulos de longo prazo, indexados à inflação (IPCA), continuam sendo uma boa estratégia de alocação.

Contudo, para quem topa um risco um pouco maior que o da renda fixa tradicional, há a oportunidade de capturar rentabilidades reais de até 10,6% ao ano, acima da inflação, com um outro ativo.

Ou seja, com títulos como esse, é possível “travar” um retorno real de 10,6% ao ano com isenção de IR. A boa notícia é que você pode conhecer a carteira completa, com esse e outros títulos recomendados por Lais, agora mesmo.

Empiricus Research está disponibilizando como cortesia o acesso gratuito ao portfólio completo. Para acessar, é muito simples: basta clicar no botão abaixo e seguir as instruções:

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Prio (PRIO3): petróleo e produção em alta beneficiam resultado do 1T26 acima do esperado; veja análise

6 de Maio de 2026, 10:54

A Prio (PRIO3) divulgou um forte resultado no 1T26, beneficiado tanto pela alta do petróleo como pelo aumento de produção que já vinha sendo antecipado pela companhia nas prévias. As ações, entretanto, caíam do Ibovespa na terça-feira (5), em linha com o recuo de mais de 3% do petróleo Brent para julho.

A receita líquida foi de US$ 1,12 bilhão, 60% acima do mesmo período do ano anterior e superior às projeções de mercado. O preço FOB do barril, valor efetivamente recebido após descontos e frete, foi de US$ 75,34, implicando desconto de US$ 8,15 em relação ao Brent médio. Esse número aumentou frente ao 4T25, refletindo a maior participação de Peregrino, que respondeu por quase 50% das receitas e possui óleo mais viscoso, com maior desconto.

Ainda assim, mesmo considerando a tributação temporária de 12% sobre exportações e a volatilidade do barril no trimestre, o preço FOB superou as expectativas, favorecendo as margens.

Melhoria operacional nos campos da Prio nos holofotes do 1T26

Assim como nos últimos trimestres, o destaque positivo foi a melhoria operacional dos campos, sendo que Albacora Leste, que vinha sendo o calcanhar de Aquiles da companhia, atingiu o maior índice de eficiência da série histórica, com 95,4% (v.s. 88,7% no 4T25 e 69,6% no 1T25). Os demais campos mantiveram estabilidade acima de 98%, evidenciando a efetividade dos esforços da companhia nesse objetivo.

O custo de extração (lifting cost) foi de US$9,4/barril (-25% t/t), sendo o menor desde 2024. Parte disso se dá pela forte redução de custos em Peregrino, que vem sendo implementada desde que a Prio passou a ser operadora do campo, e pela introdução de Wahoo, que além de diluir os custos, se beneficia de suas sinergias com Frade

Os custos e despesas gerais e administrativas somados cresceram 10,6% a/a, resultado do aumento produtivo da empresa. Com isso, o ebitda atingiu US$822 milhões, acima das estimativas do mercado.

A soma de depreciação e amortização foi de US$366 milhões (+43% a/a), refletindo a incorporação do campo de Peregrino e a operação de Wahoo. Despesas com hedge através de derivativos, além de uma dívida mais alta na comparação anual, trouxeram um resultado financeiro negativo em U$128 milhões.

Mesmo assim, o lucro líquido somou US$ 460 milhões, alta anual de 33%, refletindo o crescimento do ebitda e uma menor alíquota de imposto em função do ajuste da base tributável por conta da valorização do real no período.

Pontos baixos do 1T26 da PRIO3

O destaque negativo foi a geração de caixa, pressionada pelo aumento de recebíveis que elevou o capital de giro para US$ 461 milhões.

Além disso, o capex de US$ 308 milhões (em linha com o guidance) impactou o fluxo de caixa livre. Considerando ainda US$ 58 milhões em recompras de ações e US$ 88 milhões no resultado financeiro, houve consumo de caixa de US$ 37 milhões. Vale mencionar que esse número fraco já era esperado para o período, e a expectativa é de melhora significativa já no 2T26, com redução do capital de giro esperado e diminuição significativa dos recebíveis.

Sem novas emissões de dívida, o leve consumo de caixa e o avanço do ebitda reduziram a alavancagem de 2,3x no 4T25 para 2,0x no trimestre.

No geral, a companhia entregou resultados fortes, com receita e lucro recordes, além de avanços operacionais, com maior eficiência e menor lifting cost.

Os impactos das entradas dos campos de Peregrino e Wahoo ainda devem trazer um crescimento da produção e redução custo de extração. Por um yield de fluxo de caixa para o acionista de cerca de 50% no triênio 2026-2028, PRIO3 segue entre as recomendações da Empiricus.

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Itaú (ITUB4) tem 1T26 sólido, com inadimplência controlada e ROE de 24,8%; veja como foi o trimestre

6 de Maio de 2026, 10:40

Como de costume, o Itaú (ITUB4) apresentou resultados trimestrais sólidos referentes ao primeiro trimestre de 2026 (1T26), com crescimento saudável das operações de crédito, bons níveis de eficiência e manutenção de indicadores de inadimplência em patamares saudáveis.

A carteira de crédito total, excluindo variação cambial, cresceu 9% frente ao 1T25, para R$ 1,48 trilhão, com o aumento tímido de 4,2% na América Latina sendo mais do que compensado pela expansão no Brasil (+7,8%), com contribuições positivas nas três frentes: Pessoas Físicas (+6,8%, com destaque para a alta de 11,2% em crédito imobiliário), PMEs (+10,9%) e Grandes Empresas (+6,9%).

Isso permitiu a Margem Financeira com Clientes crescer 4,5%, para R$ 31,5 bilhões, com o aumento da carteira de crédito mais do que compensando uma pequena pressão de -0,1 p.p. nos spreads – vale mencionar que a antecipação de dividendos no fim de 2025 por conta da mudança de tributação impactou marginalmente essa linha. A Margem Financeira com o Mercado (mesa de trading) chegou a R$ 820 milhões, recuo anual de 11,2%, impactado por aumento em custos de hedge.

O Custo do Crédito cresceu 4,5%, ligeiramente acima das receitas com juros, impactada pelo aumento nas despesas com provisão.

Itaú mantém inadimplência em patamares saudáveis

Apesar disso, vale destacar o bom comportamento das linhas de inadimplência. O índice de inadimplência de 15 a 90 dias aumentou de 1,6% no 4T25 para 1,7% no 1T26, o que está em linha com o comportamento sazonal (esse número saiu de 1,6% no 4T24 para 1,8% no 1T25).

No Brasil, o único segmento que apresentou um indicador pior que um ano antes foi PMEs (+0,2p.p.). O índice de atrasos acima de 90 dias aumentou 0,1 p.p., no mesmo patamar do 1T25, também puxado por PMEs.

O segmento de Serviços e Seguros apresentou um desempenho misto. Enquanto a operação de Seguros mostrou forte crescimento anual de 17%, a linha de Serviços cresceu apenas 2,4%, impactada principalmente por menores receitas com tarifas de conta corrente e pagamentos, parcialmente compensadas por maiores taxas de administração de recursos.

Por outro lado, o banco atingiu o melhor índice de eficiência de sua história no Brasil (34,9%), com o crescimento de despesas com pessoal e tecnologia parcialmente compensados por despesas transacionais.

Lucro líquido em linha com o esperado e ROE de 24,8%

Como resultado, o lucro operacional atingiu R$ 17,5 bilhões, alta de 4,8%, mas um pouco abaixo das estimativas, por conta do efeito negativo da antecipação de dividendos nas operações de crédito.

Por outro lado, o lucro líquido recorrente de R$ 12,3 bilhões (+10,4% vs 1T25) ficou em linha com o consenso, ajudado por uma menor alíquota de imposto no período.

O ROE consolidado atingiu 24,8%, enquanto a operação brasileira chegou a 26,4% – ótima expansão anual de 2,3 p.p. e 2,7 p.p. respectivamente.

ITUB4: recomendação de compra

Mesmo em um ambiente macro mais desafiador, o Itaú continua mostrando que segue bem-posicionado para continuar entregando resultados resilientes, ainda que com alguma desaceleração, o que justifica o prêmio de valuation sobre os principais incumbentes.

Itaú segue com recomendação de compra pela Empiricus Research.

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Ibovespa hoje: bolsas sobem e dólar e petróleo recuam com sinais de desescalada no Oriente Médio

6 de Maio de 2026, 10:23

Os mercados globais operam em tom positivo, impulsionados por sinais de desescalada no conflito entre Estados Unidos e Irã. A decisão de Donald Trump de suspender a escolta militar no Estreito de Ormuz foi interpretada como um gesto relevante em direção a uma solução diplomática, reforçado por avanços nas negociações mediadas pelo Paquistão e pelo maior envolvimento da China no processo.

O otimismo ganhou tração adicional com notícias de que os Estados Unidos estariam próximos de um acordo com o Irã, possivelmente estruturado por meio de um memorando preliminar que envolveria compromissos relacionados ao programa nuclear, alívio de sanções e normalização do fluxo no Estreito de Ormuz.

Como consequência, observou-se forte valorização das bolsas, queda expressiva do petróleo, com o Brent recuando para a faixa de US$ 100 por barril, e redução do prêmio de risco geopolítico, movimento que também favoreceu ativos de mercados emergentes, incluindo o Brasil. O pano de fundo permanece marcado por um otimismo de curto prazo, mas ainda condicionado à concretização de avanços nas negociações.

· 01:51 — Alívio externo, dilema interno: o Brasil entre o respiro e a conta

No Brasil, acompanhamos ontem a melhora internacional, movimento que tende a se estender no pregão de hoje. O câmbio também refletiu esse quadro mais favorável, com o dólar recuando para R$ 4,91 (o menor patamar desde janeiro de 2024).

Como o vetor geopolítico no Oriente Médio vinha sendo uma fonte relevante de preocupação doméstica, sobretudo pelos seus potenciais impactos inflacionários — como já destacado na ata do Copom, comentada ontem, que reforçou um tom mais cauteloso e dependente de dados —, qualquer alívio nesse front contribui para reduzir o risco percebido de uma interrupção no ciclo de cortes de juros. Ainda assim, é importante reconhecer que o espaço para flexibilização não é mais o mesmo, embora possa se mostrar mais amplo do que se temia ao longo da segunda metade de abril.

Além do cenário externo, o mercado segue atento à agenda política em Brasília. Pesquisas recentes, como as da RealTime Big Data e da Meio Ideia, indicam um cenário de segundo turno polarizado, com empate técnico.

Dado o potencial das eleições como vetor relevante para a dinâmica fiscal, é natural que os ativos passem a reagir com maior intensidade a novas divulgações ao longo das próximas semanas e meses. Esse movimento ocorre em um contexto doméstico ainda delicado: o elevado endividamento das famílias, impulsionado por políticas de estímulo ao crédito, começa a revelar seus efeitos, especialmente em um ambiente de juros altos, diretamente associado ao quadro fiscal.

Iniciativas como o Desenrola 2.0, embora relevantes sob a ótica de alívio de curto prazo, têm sido interpretadas por parte do mercado — e por importantes editoriais brasileiros — como medidas que não enfrentam as causas estruturais do problema, mantendo o debate sobre sustentabilidade fiscal no centro das atenções.

· 01:43 — O que o mercado de trabalho americano quer nos dizer

Com o cessar-fogo entre EUA e Irã aparentemente preservado, os preços do petróleo recuaram, abrindo espaço para a recuperação dos mercados e para novas máximas históricas nos principais índices americanos.

A atenção do mercado americano, no entanto, se volta sobretudo para a agenda de trabalho, com destaque para o relatório JOLTS e o ADP, que ajudam a calibrar a leitura sobre a força do mercado de trabalho americano.

O JOLTS de ontem apontou para um ambiente ainda resiliente, mas em processo gradual de desaceleração, com vagas se estabilizando, demissões baixas e contratações surpreendendo positivamente, enquanto o ADP de hoje deve oferecer uma leitura mais imediata da geração de empregos no setor privado.

Esses indicadores são fundamentais para ajustar as expectativas em relação à política monetária, especialmente em um contexto em que o mercado segue fortemente impulsionado por liquidez e momentum, com destaque para tecnologia e inteligência artificial, mas com menor atenção à qualidade dos ativos, o que torna a alta mais sensível a eventuais surpresas negativas no cenário macroeconômico ou geopolítico.

· 02:36 — Sinais de alívio?

O presidente Donald Trump anunciou a suspensão temporária do chamado “Projeto Liberdade”, operação americana voltada à escolta de navios no Estreito de Ormuz, com o objetivo de abrir espaço para negociações com o Irã.

A decisão ocorreu poucas horas após autoridades reafirmarem o compromisso com a iniciativa, evidenciando a sensibilidade do momento e a dificuldade de coordenação em um cenário de elevada tensão. Embora o cessar-fogo ainda esteja formalmente em vigor, episódios recentes, como ataques iranianos a embarcações e a infraestruturas nos Emirados Árabes Unidos, indicam que o ambiente permanece instável. A própria operação, que envolvia significativa mobilização militar, acabou contribuindo para o aumento das tensões ao exigir respostas a ataques durante as tentativas de garantir a navegação na região.

Paralelamente, ganham força os sinais de avanço no campo diplomático. Os EUA avaliam estar próximos de um entendimento com o Irã, possivelmente estruturado a partir de um memorando preliminar que serviria de base para negociações mais amplas, inclusive no âmbito nuclear.

A China passou a exercer papel mais ativo como mediadora, pressionando por uma solução negociada, enquanto lideranças de ambos os lados demonstram disposição para conter a escalada. Ainda assim, a falta de clareza sobre os termos de um eventual acordo (e sobre as concessões envolvidas) mantém elevado o grau de incerteza, especialmente em relação à reabertura do Estreito de Ormuz e aos seus desdobramentos sobre o mercado global, deixando a economia mundial em posição delicada e dependente dos próximos passos.

· 03:22 — Vitória de um grande nome da política atual

Na Índia, o primeiro-ministro Narendra Modi consolidou sua posição política após uma vitória inédita de seu partido, o Bharatiya Janata Party (BJP), no estado de Bengala Ocidental, até então governado pela oposição por 15 anos.

O resultado se soma a uma sequência de desempenhos eleitorais favoráveis em nível estadual e reacende as discussões sobre a possibilidade de uma candidatura a um quarto mandato em 2029, mesmo considerando que, no plano nacional, o governo atual depende de uma coalizão.

O avanço do BJP foi, em parte, impulsionado pelo descontentamento com administrações locais percebidas como ineficientes e marcadas por denúncias de corrupção. Nesse contexto, Modi — no poder há mais de uma década — vai gradualmente se consolidando como uma das figuras mais influentes da política internacional nesta primeira metade do século.

· 04:18 — Quantos Projetos Manhattan?

A inteligência artificial deixou de ser apenas um tema de mercado para se consolidar como um vetor central de transformação da economia global, com investimentos que já somam cerca de US$ 1 trilhão e podem adicionar entre US$ 7 trilhões e US$ 8 trilhões nos próximos anos.

Esse movimento se concentra, sobretudo, na chamada “camada física” da IA, que engloba chips, data centers e energia, onde está a maior parte da alocação de capital. Trata-se de uma corrida tecnológica de grande escala, frequentemente comparada a múltiplos “Projetos Manhattan” (que desenvolveu a bomba atômica) ocorrendo simultaneamente, e que tende a se expandir de forma estrutural à medida que a IA passa a representar uma parcela crescente do PIB global.

Ao mesmo tempo, essa transformação reconfigura a dinâmica competitiva entre empresas e setores, com o avanço de uma “economia de tokens”, na qual a produção de inteligência artificial se torna o principal ativo econômico.

Enquanto as camadas de infraestrutura e de modelos concentram valor de forma mais evidente, a camada de aplicações ainda atravessa um período de ajuste, marcado por perdas recentes de valor e maior incerteza. Nesse novo ambiente, o software tradicional perde parte de sua centralidade, dando lugar a uma produção praticamente ilimitada de código e agentes automatizados. O resultado tende a ser uma maior dispersão entre vencedores (empresas capazes de escalar) e perdedores, especialmente entre negócios estruturados sob premissas anteriores ao avanço da inteligência artificial.

· 05:04 — Renda em tempos difíceis: onde o crédito exige mais do que yield

O mercado de crédito imobiliário no Brasil segue desempenhando papel relevante como fonte de financiamento, com instrumentos como CRIs e LCIs ganhando espaço nos últimos anos, impulsionados tanto pela demanda dos investidores quanto pelo ambiente de juros elevados.

Ainda assim, o cenário atual tornou-se mais desafiador: a inflação dá sinais de estabilização em patamares mais altos, o que mantém a política monetária em território restritivo por mais tempo. Na prática, isso se traduz em custos de crédito elevados, originação mais seletiva e aumento pontual de eventos de inadimplência. Por outro lado, a qualidade das garantias, em especial a alienação fiduciária de imóveis, permanece como um pilar fundamental para sustentar os fluxos e mitigar riscos nas operações.

Na composição das carteiras dos FIIs de recebíveis, o segmento residencial lidera a exposição, com dinâmicas distintas entre faixas de renda. Enquanto o segmento econômico segue mais resiliente, impulsionado por programas habitacionais, a média e alta renda enfrentam um ambiente mais desafiador.

Outros segmentos, como logística e shoppings, continuam apresentando indicadores operacionais mais sólidos, embora eventos pontuais de crédito permaneçam no radar. Nesse contexto, a análise criteriosa dos ativos torna-se ainda mais relevante, uma vez que o ambiente combina rendimentos atrativos com um nível de risco que exige maior seletividade, especialmente diante da limitada compensação adicional oferecida por ativos de menor qualidade.

Diante desse pano de fundo, a preferência por estratégias high grade se mostra mais adequada, em função da maior previsibilidade de fluxos, menor recorrência de eventos de crédito e estruturas de garantia mais robustas, mesmo com um diferencial de yield relativamente estreito em relação a ativos mais arriscados.

É nesse contexto que fundos como o Mauá Capital Recebíveis Imobiliários (MCCI11) se destacam, ao combinar gestão ativa, rigor na seleção de crédito e foco em operações de maior qualidade. Em um ambiente ainda marcado por incertezas, essa abordagem tende a proporcionar uma combinação mais equilibrada entre geração de renda recorrente e preservação de capital, reforçando o papel do fundo como uma alternativa consistente dentro do segmento.

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O começo positivo da Ambev em 2026

6 de Maio de 2026, 07:05

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

Depois de um ano duro em 2025, impactado por um clima desfavorável que reduziu o consumo de cerveja no Brasil, a Ambev registrou no primeiro trimestre um resultado que surpreendeu analistas e levou a ação da fabricante de bebidas a valorizar 15,30% na terça-feira (5).

Para o CFO, Guilherme Fleury, o desempenho nos primeiros três meses do ano é um “primeiro passo relevante” para entregar um resultado positivo em 2026, em um ano favorecido pela Copa do Mundo, por um calendário de feriados mais denso e por projeções de um clima menos adverso para o setor.

“Começamos bem e sabemos o que temos que fazer para entregar. Nosso portfólio está muito bem encaixado, e vamos continuar trabalhando duro para isso”, disse Fleury em entrevista à Bloomberg Línea, após a divulgação dos resultados.

⇒ Leia a reportagem: Ambev dá ‘primeiro passo’ para um ano positivo com portfólio reforçado, diz CFO

No radar dos mercados

As ações globais operam em alta nesta quarta-feira (6), lideradas pelas empresas de tecnologia, enquanto os preços do petróleo e os rendimentos dos títulos recuaram diante do otimismo de que os EUA e o Irã estão próximos de um acordo.

- Clube dos US$ 1 tri. A Samsung ultrapassou US$ 1 trilhão em valor de mercado após as ações quadruplicarem no ano, impulsionadas pela demanda por chips usados em inteligência artificial. A empresa se tornou a segunda companhia asiática, depois da Taiwan Semiconductor Manufacturing, a atingir a marca.

- BMW resiste à pressão chinesa. A montadora manteve a projeção de lucro para o ano após registrar vendas aquecidas na Europa, o que compensou parte da queda na China. A BMW aposta na nova linha elétrica Neue Klasse para enfrentar a concorrência de BYD e da Tesla.

- Wegovy ganha tração. A Novo Nordisk reduziu a projeção de queda para vendas de 13% para 12% após alta demanda pela versão em pílula do Wegovy nos EUA. A farmacêutica aposta no medicamento oral para recuperar espaço frente à Eli Lilly, enquanto o Ozempic registrou o pior desempenho em dois anos.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (05/05): Dow Jones Industrials (+0,73%), S&P 500 (+0,81%), Nasdaq Composite (+1,03%), Stoxx 600 (+0,70%), Ibovespa (+0,62%)
LEIA + Siga a trilha dos mercados para conhecer as variáveis que orientaram os investidores →

🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

GPA reestrutura R$ 4,6 bi em dívidas: ‘É um dia importante na história’, diz CEO

Itaú tem lucro de R$ 12,3 bi no 1º tri com rentabilidade de 24,8% e mantém guidance

Vulcabras tem 23º trimestre de expansão, mas vê obstáculos com aumento de custos

• Também é importante: Dívida ‘sufocante’ leva mais 8 milhões de empresas à inadimplência no Brasil | Pague Menos prioriza redução de dívida e segura expansão após turnaround, diz CFO

• Opinião Bloomberg: Do prêmio Buffett ao desconto Abel: Berkshire perde fôlego e testa paciência do mercado

• Para não ficar de fora: Enter, startup brasileira de IA jurídica, atinge valuation de US$ 1,2 bi em novo aporte

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Ambev dá ‘primeiro passo’ para um ano positivo com portfólio reforçado, diz CFO

6 de Maio de 2026, 06:00

Depois de um ano duro em 2025, impactado por um clima desfavorável que reduziu o consumo de cerveja no Brasil, a Ambev registrou no primeiro trimestre um resultado que surpreendeu analistas e levou a ação da fabricante de bebidas (ABEV3) a valorizar 15,30% na terça-feira (5).

Para o CFO, Guilherme Fleury, o desempenho nos primeiros três meses do ano é um “primeiro passo relevante” para entregar um resultado positivo em 2026, em um ano favorecido pela Copa do Mundo, por um calendário de feriados mais denso e por projeções de um clima menos adverso para o setor.

“Começamos bem e sabemos o que temos que fazer para entregar. Nosso portfólio está muito bem encaixado, e vamos continuar trabalhando duro para isso”, disse Fleury em entrevista à Bloomberg Línea, após a divulgação dos resultados.

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Na visão do executivo, a Ambev colheu os frutos de um trabalho que tem sido realizado ao longo do último ano, que inclui um esforço para fortalecer o portfólio de bebidas e revisar a alocação de recursos.

Isso, de acordo com o executivo, permitiu manter o crescimento do Ebitda e das margens em 2025 e preparar o terreno para os resultados positivos deste começo de ano. “A gente entra em 2026 mais forte – com marcas mais fortes, com essa disciplina financeira mais sólida, com esse exercício de alocação de recursos mais maduro”, afirmou.

Leia também: Ambev supera estimativas com volume recorde de cerveja para um primeiro trimestre

Na visão do CFO, o que freou os resultados em 2025 foi o clima, que reduziu as ocasiões de consumo — e não uma mudança no comportamento do consumidor. “O que impactou o ano de 2025 não foi que o brasileiro deixou de gostar de cerveja. O brasileiro ama cerveja”, afirmou.

Isso muda em 2026. Depois de um carnaval que foi “forte”, segundo ele, a expectativa é positiva para a Copa do Mundo, com horários favoráveis dos jogos do Brasil na primeira fase.

“A gente tem mais do que 11 marcas jogando muito bem, muito bem posicionadas, cada uma fazendo o seu papel — e ainda tem algumas no banco que vão entrar em jogo", disse o executivo, fazendo uma brincadeira com o futebol.

Leia também: Além da cerveja: como a Beats, da Ambev, fez da inovação uma força para crescer mais

Segundo o executivo, o crescimento de 1,2% do volume de cerveja vendido no Brasil – que superou o consenso – é explicado por um ganho de participação de mercado e da recomposição de estoques no início do ano, que ficaram baixos após um dezembro excepcionalmente forte.

O executivo negou que a expansão tenha refletido uma acumulação de estoques no canal de distribuição, já em preparação para a Copa do Mundo, algo apontado por alguns analistas.

“A gente não fez estoque no trimestre”, afirmou o CFO. “O segundo trimestre será, obviamente, relevante nessa construção de estoque quando olharmos para a Copa do Mundo – que pega um pedaço do segundo e um pedaço do terceiro trimestre –, mas nada disso impactou o Q1.”

A questão foi levantada entre analistas em relatórios após a divulgação dos resultados. O Bank of America e o BTG Pactual apontaram a possibilidade de que o volume reportado tivesse sido inflado pelo reabastecimento do canal, que inclui vendas a distribuidores, atacadistas e pontos de venda – e não por crescimento real do consumo.

Inovação no ‘core’

A expansão do volume foi puxada principalmente pelo crescimento das marcas de alto valor – como Stella Artois, Spaten, Corona e Original –, que cresceram acima de 20% no trimestre, segundo a empresa.

No entanto, as marcas do segmento principal (chamado de “core”), voltadas ao consumidor de menor renda e ao consumo em bares e estabelecimentos, registraram queda de um dígito baixo.

Leia também: Heineken vai eliminar até 6.000 empregos diante de queda no consumo de cerveja

O CFO reconheceu a divisão, mas disse que a Ambev tem se empenhado para fortalecer o segmento, com a visão de que “a categoria de cerveja precisa ter um core forte”.

Na visão dele, a força no core proporciona uma base para inovar e crescer em verticais relevantes, como em produtos zero álcool, cervejas saborizadas e drinks prontos, que são novas apostas da fabricante.

Ele cita como exemplo a Skol Zero Zero, uma cerveja sem álcool, sem açúcar, sem glúten e com 12 quilocalorias por lata. Segundo ele, a receptividade do consumidor nos mercados do Sul e Sudeste, onde o produto foi lançado, tem sido positiva.

“O core é importante do ponto de vista de acessibilidade da categoria, ao mesmo tempo que precisamos trazer produtos novos que conectam o consumidor em outros segmentos”, disse o CFO. “O que temos feito dentro do core é trabalhar para dar a ele o peso que merece.”

A visão é de que a categoria de cerveja hoje é versátil e oferecer oportunidades de crescimento em várias frentes. “Quando você olha outros mercados, como o México, você vê mixtures e drinks feitos a partir de uma base alcoólica de cerveja. No Brasil isso ainda é muito incipiente – tem muito espaço para crescer", disse Fleury.

No portfólio de bebidas sem álcool, de baixa calorias e sem glúten, a empresa registrou crescimento de 70% no primeiro trimestre, com destaque para o avanço de 160% da Stella Pure Gold, de 180% da Michelob Ultra e de 70% da Corona Cero.

Custos e preços

Enquanto avança no portfólio premium, a Ambev também busca estratégias para lidar com a pressão do aumento dos custos.

Sobre a possibilidade de acelerar o repasse de preços ao consumidor para compensar esse aumento, Fleury foi cauteloso. O CFO evitou dar indicação sobre a trajetória de preços para os próximos trimestres, mas descreveu a lógica que orienta as decisões da empresa.

Segundo o executivo, a Ambev busca um equilíbrio entre proteger o crescimento da categoria e proteger a rentabilidade – e enxerga ganhos de produtividade industrial como um caminho para reduzir a dependência do repasse de preços.

“Se consigo trazer produtividade industrial, consigo proteger a categoria tendo menos necessidade de colocar preço nessa equação”, afirmou.

-- Reportagem atualizada para corrigir a informação de que a Stella Pure Gold cresceu 160%, e não 170%.

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© JONNE RORIZ

Fábrica da Ambev:Depois de um carnaval “forte”, a expectativa é positiva para a Copa do Mundo. (Foto: Jonne Roriz/Bloomberg)

GPA reestrutura R$ 4,6 bi em dívidas: ‘É um dia importante na história', diz CEO

5 de Maio de 2026, 23:16

O GPA (Grupo Pão de Açúcar) concluiu nesta terça-feira (5) a renegociação das dívidas financeiras não operacionais que motivaram o pedido de recuperação extrajudicial protocolado em março.

O passivo, originalmente anunciado em R$ 4,5 bilhões, alcançou R$ 4,6 bilhões com a materialização de um swap durante o processo, segundo o CFO Pedro Albuquerque, em entrevista à Bloomberg Línea.

O plano foi aprovado por 57% dos credores, acima dos 50% mais um exigidos por lei, e tem como signatários Rabobank, Itaú, BTG, HSBC e Itaú Asset. O Rabobank é o maior credor individual, segundo o executivo.

“É um dia importante na história do GPA”, afirmou o CEO Alexandre Santoro à Bloomberg Línea.

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No comando da companhia desde 5 de janeiro, Santoro descreveu o diagnóstico que encontrou ao chegar: um desequilíbrio entre o porte atual da operação e os passivos herdados. “Não estou aqui para julgar o passado, não é o meu papel. Mas a fotografia desse filme é que a companhia desequilibrou”, afirmou.

Leia mais: Marcelo Pimentel renuncia ao cargo de CEO do GPA; CFO assume interinamente

O CEO lembrou que o GPA já faturou mais de R$ 100 bilhões em um ano e hoje fatura cerca de R$ 20 bilhões, mas carregava obrigações de quando era muito maior, antes da cisão do Assaí (2021) e da venda do colombiano Éxito (2024). A operação atual, segundo o CEO, é saudável.

“É uma companhia que gera caixa operacionalmente falando. Tem marcas fortes, clientes frequentes, 35 mil funcionários, um relacionamento excelente com os fornecedores”, disse.

A companhia ocupa a 5ª posição entre as maiores redes do varejo supermercadista brasileiro, atrás de Carrefour, Assaí, Grupo Mateus e Supermercados BH, segundo o ranking de 2026 da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), que reúne os supermercadistas do país, divulgado em abril.

Há quatro meses no cargo, Alexandre Santoro, CEO do GPA, conduziu a renegociação e reestruturou R$ 4,6 bilhões em dívidas.

A nova dívida e o alívio no caixa

Albuquerque detalhou a engenharia do acordo. Dos R$ 4,6 bilhões, R$ 1,5 bilhão vira debênture corrigida a CDI+2,5%, com dois anos de carência e vencimento em 2031.

Outros R$ 1,1 bilhão são convertidos em ações (equity) em quatro janelas de 25%, entre o início de 2027 e 2031, sempre ao preço médio de tela dos 90 dias anteriores a cada conversão.

E outros R$ 2 bilhões da dívida recebem deságio (haircut) de 70%, virando uma debênture de R$ 600 milhões com pagamento bullet (principal pago integralmente no vencimento) em 2036.

Com isso, o saldo em dívida cai para cerca de R$ 2,1 bilhões, uma redução de 54% sobre os R$ 4,6 bilhões originais, combinando deságio sobre uma fatia e conversão de outra em participação acionária. O prazo médio sai de 2,1 anos para mais de seis anos, e o custo recua de CDI+1,8 para CDI+0,5.

“A dívida reduz substancialmente e muito mais alongada, com custo menor. Coloca a companhia numa outra realidade”, disse o CFO.

O efeito no fluxo de caixa é o número mais expressivo da operação. “A gente teria vencimentos de R$ 5,2 bi nos próximos três anos, incluindo 2026, e isso vai reduzir para R$ 800 milhões”, afirmou Santoro.

“Isso vira uma nova companhia, é um cenário completamente diferente que nos permite focar no que é o mais importante”, disse.

Só entre maio e junho deste ano venceriam R$ 1,7 bilhão, o gatilho que tornou inevitável a recuperação extrajudicial.

Leia mais: GPA vende participação em financeira ao Itaú por R$ 260 mi e poderá buscar parceiros

O plano agora aguarda homologação judicial, com prazo legal de 30 dias. Demais credores podem aderir nessa janela. Todos terão a opção de migrar para a debênture pecuniária ou para a conversível, desde que aportem recurso novo via risco sacado, capital de giro ou nova debênture.

Questionado se algum debenturista sinalizou questionamento na Justiça, Albuquerque respondeu: “Não sei. A gente conversou com os debenturistas também, mas todo mundo está aberto para fazer o que quiser”.

Sobre rating, o GPA ainda não procurou as agências. Em março, a Fitch havia rebaixado a nota da companhia para CCC(bra), citando deterioração de liquidez. Santoro avalia que a revisão é consequência natural.

“Da mesma forma que a companhia teve um downgrade antes desse processo, é natural que ela saia muito mais saudável, com balanço muito mais leve, mais adequado para a sua geração de caixa”. Não há follow-on no radar.

O que muda no operacional, e o que não

Santoro fez questão de separar o processo financeiro do dia a dia. Fornecedores, clientes e funcionários não foram afetados, segundo ele.

“Se você for nas nossas lojas, vai ver cliente entrando, cliente saindo, funcionários, estoque, as lojas abastecidas. A recuperação extrajudicial nos permitiu manter a operação em normalidade”, observou.

O CEO creditou aos fornecedores parte do mérito de atravessar o processo sem ruptura: “A companhia contou com o apoio e a parceria enorme dos nossos fornecedores. A gente passa por um processo como esse sem nenhuma ruptura no nosso dia a dia”.

Não há previsão relevante de fechamento de lojas. O parque atual soma 728 unidades. A empresa decidiu não abrir novas lojas e vai concentrar esforço no portfólio existente. O capex (investimento) já foi revisado para baixo.

A companhia não divulgou projeção de Ebitda nem prazo para retomar o lucro líquido.

“É um processo agora, a gente está concluindo. Vai atualizando o mercado nas reuniões de resultados de fechamento de trimestre”, disse Santoro.

O CEO lembrou que, desde que assumiu, o noticiário sobre a companhia só falou riscos de continuidade operacional e vencimentos. “Apesar de um monte de outras coisas boas acontecendo, era só o assunto que aparecia. Isso a gente resolve agora”, disse.

A partir daqui, segundo Santoro, o foco volta a ser entregar “uma experiência cada vez melhor para os nossos clientes”.

O conselho, que reúne a família Coelho Diniz (24,6%), o Casino (22,5%) e o investidor Silvio Tini, e que, segundo Albuquerque, representa “quase 80% das ações”, aprovou o plano por unanimidade. Mudanças societárias, segundo o CFO, são “tópico de sócios, não da gente especificamente”. Ou seja, a página, para a gestão, vira agora.

O GPA é assessorado pela Alvarez & Marsal no aspecto financeiro e pelo escritório Munhoz Advogados, do advogado Eduardo Munhoz, no jurídico.

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Sede do GPA, em São Paulo: dona das bandeiras Pão de Açúcar e Extra concluiu a renegociação de R$ 4,6 bilhões em dívidas em menos de dois meses.

Vulcabras tem 23º trimestre de expansão, mas vê obstáculos com aumento de custos

5 de Maio de 2026, 19:19

A Vulcabras (VULC3) registrou uma receita líquida de R$ 776,4 milhões no primeiro trimestre, o que representa um avanço de 10,7% sobre o mesmo período do ano passado.

O número ficou levemente abaixo do consenso dos analistas ouvidos pela Bloomberg, que previam R$ 779 milhões.

Com o resultado, a gestora de marcas esportivas do país, dona da Olympikus e detentora da Mizuno e da Under Armour, teve seu 23º trimestre consecutivo de expansão, mantendo a trajetória de crescimento que vem sendo desenhada nos últimos seis anos.

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A fabricante de tênis teve lucro bruto de R$ 313,5 milhões, alta de 11,2% na comparação anual, com margem bruta de 40,4%, levemente superior ao registrado um ano antes, informou a companhia nesta terça-feira (5).

O Ebitda recorrente foi de R$ 156,9 milhões, aumento de 11,8%, elevando a margem em 0,2% para 20,2%.

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A última linha do balanço apresentou uma queda em relação ao primeiro trimestre de 2025. A redução de 18,9% no lucro líquido, fechando a R$ 86,1 milhões, apesar do crescimento operacional (EBITDA), é explicada por uma decisão estratégica de capital.

Para antecipar R$ 1,5 bilhão em dividendos aos acionistas no ano passado e se proteger de mudanças na tributação, a companhia optou por elevar seu endividamento temporariamente.

O lucro líquido foi, portanto, pressionado pelo aumento das despesas financeiras (pagamento de juros sobre essa dívida), que não existiam no primeiro trimestre de 2025, quando a empresa operava com caixa líquido.

Em entrevista à Bloomberg Línea, o CFO Wagner Dantas descreveu a situação como “provisória e planejada” e disse que a geração de caixa atual já está sendo usada para reduzir essa alavancagem, com a dívida líquida caindo de 0,9x para 0,7x EBITDA neste primeiro trimestre.

Os números gerais, embora positivos, demandaram “muito mais trabalho” para serem obtidos, de acordo com o CEO Pedro Bartelle, que classificou o período como mais complexo do que os quatro trimestres de 2025.

Segundo a companhia, a Olympikus manteve um ritmo ritmo forte e a Under Armour registrou o seu melhor resultado desde que chegou às mãos da Vulcabras, ao incrementar o porftólio e fortalecer a presença em áreas como a corrida.

“Fizemos um orçamento prevendo inflação e custo de folha, mas a guerra trouxe um cenário bem mais desafiador ainda porque ela começou com um ar de pandemia, com falta de matéria-prima, aumento de custos, preocupação das pessoas com o consumo”, disse o CEO, à Bloomberg Línea.

Hoje, apenas 15% da matéria-prima para os produtos da Vulcabras são importados. Boa parte dos itens nacionais, porém, são atrelados ao dólar, como os polímeros e outros materiais petroquímicos, criando um impacto direto no negócio.

“Esse foi o cenário novo que foi se intensificando no primeiro trimestre, e os efeitos dele começam no primeiro trimestre, mas vão agora se intensificar um pouquinho para frente, que é o aumento do custo das matérias-primas”, afirmou Bartelle.

Para neutralizar o aumento dos custos e preservar a rentabilidade, a Vulcabras irá aplicar reajustes de preços entre 10% e 15% em mais da metade de sua coleção.

De acordo com Bartelle, esses novos valores já estão sendo praticados nas pré-vendas e devem chegar ao varejo físico de forma mais nítida durante o segundo semestre de 2026.

No mercado interno, a companhia identificou novos desafios na disputa pela renda do consumidor. Além da inflação de itens básicos, que comprime o poder de compra, Bartelle citou o impacto das plataformas de apostas online (bets), que têm retirado recursos que antes eram destinados ao consumo de bens duráveis e vestuário.

A empresa tem apostado em carros-chefes como a linha de performance Corre, que acaba de adicionar um novo membro à família, o Corre 5, da Olympikus.

Além disso, uma das estratégias para manter o ritmo de crescimento está em apresentar uma nova linha pensada para entregar um melhor custo-benefício.

Planejada para este semestre, os produtos da família “Corrida” chegarão com preços abaixo de R$ 500,00, ocupando um lugar na prateleira de preços outrora pertenceu à linha “Corre”.

O objetivo é, ao mesmo tempo, manter o volume de vendas em um cenário de orçamentos familiares mais restritos e enfrentar também a concorrência de marcas internacionais, que têm adotado agressividade comercial no mercado brasileiro.

“Vemos essas marcas internacionais subsidiando produtos, o que, realmente sempre houve subsídio de importados, mas vemos agora estratégias, inclusive agora, de produtos baratos, mais econômicos, que eles nunca faziam”, afirma o CEO.

Crescimento conservador

Apesar do ciclo ininterrupto de crescimento, a gestão da Vulcabras optou por uma postura mais conservadora para o decorrer de 2026. A estratégia prioriza a saúde financeira sobre a expansão agressiva a qualquer custo.

Na prática, a companhia decidiu reduzir o ritmo de investimentos em projetos de longo prazo — aqueles que levam dois anos ou mais para gerar retorno — para focar naquilo que já está consolidado e traz rentabilidade imediata.

Essa seletividade reflete a incerteza trazida pela volatilidade global e pelas mudanças nas regras do jogo doméstico, como a reoneração da folha e novas normas tributárias.

“O nosso foco nesse momento é muito mais a saúde financeira da empresa do que crescimento a qualquer custo”, afirmou o CEO. “Já temos uma boa participação de mercado e vamos ocupar novos espaços, sim. Mas a agressividade de crescimento se torna muito mais uma agressividade de manter os resultados neste momento.”

Segundo Bartelle, essa é uma manobra tática, que pode ser repensada assim que o cenário macroeconômico apresentar maior estabilidade.

Mesmo com esse viés cauteloso, a Vulcabras descartou reduções na capacidade produtiva. A intenção é manter o quadro de pessoal e o ritmo das fábricas nas unidades do Ceará e da Bahia, garantindo que o atendimento à demanda atual não seja prejudicado pela postura mais precavida em relação ao futuro de longo prazo.

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