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PF prende pai de Daniel Vorcaro em etapa da Operação Compliance Zero

14 de Maio de 2026, 07:42
A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (14) Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, durante uma nova fase da operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. Segundo as investigações, Henrique teria participação ativa em movimentações financeiras consideradas suspeitas, atuando ao lado do filho em empresas que, de acordo com […]

Cunhado de Daniel Vorcaro recebeu R$ 485 milhões de empresa investigada pela PF no caso Master

21 de Março de 2026, 19:15
Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, falando, de roupa de frio marrom
Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro – Reprodução

Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, recebeu R$ 485 milhões da Super Empreendimentos, empresa investigada pela Polícia Federal sob suspeita de ter sido usada como canal de pagamentos a uma suposta milícia privada do grupo e a agentes públicos. Os dados constam em extrato bancário obtido por reportagem. Os repasses teriam ocorrido entre julho de 2022 e janeiro de 2026. Com informações de Folha de S.Paulo.

Só em 2025, Zettel recebeu R$ 160 milhões da Super Empreendimentos, distribuídos em 264 transferências. Segundo a apuração, os maiores repasses ocorreram entre fevereiro e abril, em operações de R$ 5 milhões cada.

A PF aponta Zettel como responsável por intermediar e operacionalizar pagamentos relacionados a possíveis atividades ilegais ligadas ao grupo de Vorcaro, que voltou a ser preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, determinada pelo ministro André Mendonça, do STF.

De acordo com investigadores, mensagens analisadas pela PF mostram ordens de pagamento e referências a transações com menções a políticos. A decisão de André Mendonça que autorizou prisões preventivas e outras medidas também cita a Super Empreendimentos como empresa usada para movimentações financeiras do grupo, incluindo pagamentos atribuídos ao núcleo chamado de “A Turma”, descrito na investigação como encarregado de monitorar e pressionar pessoas vistas como adversárias de Vorcaro ou ligadas às apurações sobre o banco.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sentado, falando
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master – Reprodução

Zettel é pastor afastado da Igreja Batista da Lagoinha e foi alvo de prisão preventiva junto com Vorcaro no começo de março. Casado com Natalia Vorcaro, ele se projetou no setor empresarial como fundador e CEO da Moriah Asset, gestora voltada ao mercado de bem-estar.

Por meio da empresa, tornou-se sócio de negócios como Grupo Frutaria, Oakberry, Les Cinq, Desinchá e Super Nutrition. Em 2022, também foi doador das campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), com cerca de R$ 5 milhões no total, sendo R$ 3 milhões para Bolsonaro e R$ 2 milhões para Tarcísio, segundo o texto-base enviado.

A Super Empreendimentos também aparece nas investigações como parte da estrutura financeira usada para tomar empréstimos considerados fraudulentos no Banco Master. Segundo a linha investigativa, esses financiamentos seriam vendidos a fundos de investimento, enquanto recursos circulavam por uma rede que incluía compra de CDBs do próprio banco.

A empresa ainda foi mencionada em decisão judicial sobre pagamentos a dois ex-integrantes do Banco Central investigados no caso: Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana.

Outro ponto citado nas apurações envolve um imóvel de R$ 36 milhões em Brasília, anteriormente registrado em nome da Super, onde Vorcaro recebeu políticos como o senador Ciro Nogueira (PP) e o deputado Hugo Motta (Republicanos).

Segundo a assessoria de Vorcaro, ele era inquilino do imóvel. Zettel deixou a diretoria da Super em julho de 2024. Em nota enviada em dezembro, a assessoria de Vorcaro confirmou que o cunhado era um dos sócios da empresa, mas afirmou que a relação entre Vorcaro e a Super era “meramente comercial”.

Vorcaro teria encontro marcado com Anitta e empresários de Bet, segundo mensagens

20 de Março de 2026, 08:44
Daniel Vorcaro e a cantora Anitta. Foto: reprodução

Mensagens obtidas em investigação da Polícia Federal revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, relatou ter intermediado um encontro com a cantora Anitta, o irmão dela e empresários ligados ao setor de apostas esportivas. O diálogo faz parte do material apreendido na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo o grupo do empresário.

A conversa foi registrada em 9 de setembro de 2024 e enviada por Vorcaro à então namorada, Martha Graeff, e obtida pelo Metrópoles. Na mensagem, ele descreve a organização do encontro. “A Anitta vai vir agora com o irmão dela. Vamos fazer uma reunião bem rápida, de no máximo uma hora. Já falei que às 22h todo mundo out [fora], porque tenho jantar com o amor da minha vida”, escreveu.

Questionado por Martha sobre quem participaria da reunião, o banqueiro detalhou os convidados. “São quatro amigos meus, sócios de um negócio de bet, a Anitta e o irmão dela”, afirmou. Em outro trecho da conversa, Graeff demonstra resistência em encontrar a cantora. “Você se importa em encontrar com a turma?”, perguntou Vorcaro. “Eu não vou encontrar com ela, já falei”, respondeu.

Dois dias após o diálogo, em 11 de setembro de 2024, Anitta participou do MTV Video Music Awards, realizado em Nova York, nos Estados Unidos, onde Vorcaro vivia à época. Não há confirmação de que o encontro mencionado tenha ocorrido, nem detalhes sobre qual empresa de apostas estaria envolvida na reunião citada pelo banqueiro.

Recentemente, uma plataforma do setor, a Bet.Bet, apareceu como patrocinadora oficial da turnê “Ensaios da Anitta” em 2025, cujo tema foi “Maratona da Jogação”, voltado a modalidades esportivas. Ainda assim, não há indicação de relação direta entre a cantora e o conteúdo investigado pela Polícia Federal.

Bet.bet aparece em material do “Ensaio da Anitta”. Foto: reprodução

O irmão de Anitta, Renan Machado, citado nas mensagens, é sócio da artista e atua como seu principal gestor de carreira, com participação em decisões estratégicas e projetos profissionais.

As mensagens analisadas integram o conjunto de provas que embasam a terceira fase da Operação Compliance Zero. Até o momento, não há informação de que Anitta seja investigada ou tenha qualquer envolvimento com o caso Banco Master. A apuração segue sob responsabilidade da Polícia Federal, com foco nas atividades atribuídas ao grupo de Vorcaro.

A estratégia da ex de Vorcaro para se desvincular do banqueiro

8 de Março de 2026, 20:38
Daniel Vorcaro com ex-namorada Martha Graeff – Foto/Reprodução

A influenciadora Martha Graeff contratou uma assessoria de comunicação e um advogado e passou a adotar medidas para se desvincular publicamente do banqueiro Daniel Vorcaro. A iniciativa ocorre após a nova prisão do empresário, na última quarta-feira (4), quando ele foi levado para a Penitenciária Federal em Brasília. Com informações do Uol.

Vorcaro foi alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades na gestão do Banco Master. De acordo com a Polícia Federal, ele comandaria uma organização criminosa, possuía um “braço armado” e a prisão seria necessária para interromper a atuação do grupo.

Martha Graeff não foi alvo da operação. O nome da influenciadora apareceu após a divulgação de mensagens trocadas entre ela e o banqueiro encontradas no telefone celular de Vorcaro, periciado pela Polícia Federal.

Martha Graeff. Foto: reprodução

Nos diálogos, além de conversas pessoais, o banqueiro menciona encontros com autoridades e cita políticos e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. As mensagens vieram a público durante a investigação.

A nova assessoria contratada por Martha procurou veículos de imprensa para informar que ela e Vorcaro não mantêm mais relacionamento. Segundo a equipe, os dois estão separados “há alguns meses” e o relacionamento ocorreu à distância. A assessoria também informou que a influenciadora vive fora do Brasil há cerca de 20 anos e atualmente mora em Miami. Ainda segundo o comunicado, ela não viaja ao Brasil há alguns meses.

Em nota, a equipe afirmou que Martha não possui qualquer relação com os negócios do banqueiro. “As mensagens que vêm sendo mencionadas publicamente referem-se a conversas privadas trocadas durante o período em que estavam em um relacionamento, em um contexto estritamente pessoal, como qualquer casal que compartilha aspectos do seu dia a dia. Martha nunca participou ou teve qualquer envolvimento com os negócios ou atividades profissionais de Daniel Vorcaro”, diz o comunicado.

O advogado Lúcio de Constantino declarou que a cliente está “consternada em face da grave violência que vem sofrendo”, citando a divulgação pública de mensagens privadas. Ele afirmou que a defesa pretende adotar medidas judiciais e extrajudiciais para proteger os direitos da influenciadora.

Segundo o advogado, a defesa também considera que a divulgação das conversas representa violação da intimidade. A nota informa que Martha Graeff não mantém relacionamento com Vorcaro há meses e que não teve participação em qualquer atividade investigada pelas autoridades.

A urgência de um projeto de futuro. Por Miguel do Rosário

8 de Março de 2026, 11:16
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante inauguração do Túnel Moacyr Sreder Bastos, em Campo Grande. Rio de Janeiro – RJ. Foto: Ricardo Stuckert / PR

“Político, sou caçador de nuvens”, disse Ulysses Guimarães ao encerrar o discurso de promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988, diante do plenário lotado, após nove mil horas de trabalho constituinte, resumindo numa confissão poética o que separa estadistas de gestores de rotina.

Quase quatro décadas depois, Lula enfrenta o dilema que Ulysses sintetizou. Ou inova, ou compromete não apenas a própria reeleição, mas o futuro de gerações que dependem de um Brasil estável e soberano.

O momento geopolítico é dramático. As sombras da guerra ameaçam a vida e o bem-estar de toda a humanidade, para enriquecer um punhado de bilionários, obcecados por armas, violência e dominação. A regressão política do maior país da América Latina representaria um golpe para bilhões de pessoas no Sul Global que enxergam no Brasil uma referência na luta pela soberania dos povos.

A pesquisa Datafolha divulgada neste sábado traz Lula com 38% das intenções de voto contra 32% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de seis pontos que, com margem de erro de dois pontos percentuais, configura corrida competitiva.

No segundo turno, a situação é mais apertada. Lula marca 46% contra 43% de Flávio Bolsonaro, empate técnico. Em dezembro, a vantagem do presidente sobre Flávio era de 15 pontos. Agora caiu para três.

A aritmética por trás desses percentuais impõe um desafio adicional. Os principais nomes alternativos testados, como Ratinho Junior (7%), Romeu Zema (4%) e Ronaldo Caiado (4%), vêm da direita, com perfis e bases eleitorais próximas do bolsonarismo, o que significa que, numa eventual consolidação, seus votos tendem a migrar para o candidato do PL.

Diferentemente de 2022, quando os candidatos fora da polarização somaram apenas 6,3% do eleitorado total, os nomes alternativos agora alcançam cerca de 16%. É um contingente mais que dobrado de eleitores em jogo, e a maioria deles está à direita.

Nesse terreno mais fragmentado, quem atrair novos votos primeiro terá vantagem decisiva.

A ausência de um projeto de futuro se torna o principal problema estratégico do presidente. Para crescer, Lula precisaria apresentar propostas que mudem o cotidiano das pessoas de forma estrutural. Programas como Bolsa Família, Pé-de-Meia, entre outros, sustentam a base social, mas não a expandem.

Um caminho evidente é a democratização da energia solar residencial. Instalar painéis fotovoltaicos numa casa reduz a conta de luz em 70% a 90%. Um domicílio que paga R$ 200 por mês passaria a desembolsar entre R$ 20 e R$ 60, economia anual próxima de R$ 2 mil por família.

Ao cortar o custo da eletricidade, a energia solar amplia diretamente o poder de compra das famílias e funciona simultaneamente como política de renda, transição energética e desenvolvimento tecnológico. Para que ganhe escala, porém, seria necessário crédito barato para instalação, programas de financiamento popular e formação de engenheiros e pesquisadores, através de parcerias muito mais ambiciosas com a China.

Pesquisa de intenção de voto em 2026 e 2022, com Lula e Bolsonaro

O Ministério da Fazenda, comandado por Fernando Haddad, caminhou na direção oposta ao impor aumento de impostos sobre painéis fotovoltaicos importados, protegendo, na prática, um pequeno grupo de montadoras que simplesmente montam peças vindas de fora, não uma indústria solar brasileira, que ainda não existe de fato.

O caminho deveria ser acelerar a difusão da tecnologia e investir em ciência e inovação, não encarecê-la.

Outro eixo capaz de redesenhar o cotidiano de milhões de brasileiros é o transporte urbano sobre trilhos. Metrôs, trens e VLTs transformariam os deslocamentos degradantes que hoje consomem horas diárias da população das grandes cidades, além de gerar emprego, indústria e planejamento urbano moderno.

No mundo inteiro, as metrópoles voltaram a investir em transporte ferroviário. No Brasil, o tema permanece à margem do debate.

Voltemos à pesquisa. A estabilidade da base eleitoral de Lula, apesar da fragilidade da vantagem, oferece um alicerce que não deve ser subestimado.

Como o cientista político Antônio Lavareda costuma ressaltar, para dimensionar de fato o peso de um candidato é preciso medir sua intenção de voto sobre o conjunto do eleitorado, incluindo abstenções, brancos e nulos, não apenas sobre os votos válidos.

Em 2022, o eleitorado apto somava 156,4 milhões de pessoas. Lula obteve 57,2 milhões de votos no primeiro turno, o equivalente a 36,6% do total de eleitores registrados. Jair Bolsonaro recebeu 51,1 milhões, ou 32,6%.

Agora, a pesquisa Datafolha atribui a Lula 38% das intenções de voto e a Flávio Bolsonaro 32%. Como essas pesquisas captam o universo completo dos eleitores, incluindo quem declara voto em branco, nulo ou indecisão, os percentuais são comparáveis ao cálculo sobre o eleitorado total. Aplicando-os aos 155,4 milhões de eleitores registrados hoje pelo TSE, Lula teria, segundo o Datafolha, cerca de 59 milhões de votos contra 49,7 milhões de Flávio Bolsonaro, uma diferença de aproximadamente 9,3 milhões.

A base de Lula permanece estável em relação a 2022, mas a vantagem percentual estreita ganha outra dimensão quando traduzida em milhões de votos.

Lula permanece como favorito. Mas, para transformar essa vantagem em vitória, precisará apresentar ao país propostas que projetem um horizonte novo, o tipo de imaginação política que dá sentido ao voto e transforma eleição numa escolha definidora do nosso destino.

Ulysses dizia caçar nuvens para reconstruir a nossa democracia. Lula, para preservá-la, precisará mobilizar o sonho.

Entenda como o Banco Master desviava bilhões para empresas e familiares de Vorcaro

8 de Março de 2026, 10:14
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Rubens Cavallari/Folhapress

As investigações sobre o Banco Master revelaram um esquema complexo de desvio de recursos que envolvia Daniel Vorcaro e sua família. O ex-banqueiro, que teve o banco liquidado pelo Banco Central, teria utilizado uma engenharia financeira sofisticada para transferir grandes somas de dinheiro do banco para o próprio bolso, além de beneficiar parentes e sócios. As informações são da Folha de S. Paulo.

A operação da Polícia Federal, conduzida com base em documentos sigilosos, apontou que a fraude se estendeu por um sistema envolvendo CDBs (Certificados de Depósito Bancário), fundos de investimento e empréstimos falsos a empresas controladas por laranjas.

Entre os principais destinatários dos recursos desviados estavam Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel, que possuía uma conta bancária com mais de R$ 2,2 bilhões, e outros familiares, como sua irmã Natalia e seu primo Felipe. A investigação também revelou que empresas ligadas a João Carlos Mansur, proprietário da administradora de recursos Reag, foram usadas para movimentar os recursos desviados. Essas transações envolviam empréstimos fictícios que, na prática, não serviam para expansão de negócios, mas para transferir dinheiro do banco para o círculo íntimo de Vorcaro.

O esquema começava com a venda de CDBs com altas taxas de remuneração, atraindo recursos de investidores pessoas físicas. Esses fundos eram, então, direcionados a fundos de crédito do Banco Master, que tinham como único cotista o próprio banco. O dinheiro, porém, não era usado para negócios legítimos, mas para empréstimos a empresas ligadas a Vorcaro e sua família. Em um exemplo, a Clínica Mais Médico recebeu cerca de R$ 361,1 milhões de um desses fundos controlados pelo banco.

➡️ BANCO MASTER | Viagens de Vorcaro tiveram noivado em palácio e hotel de White Lotus pic.twitter.com/PFyzt06Mqm

— Metrópoles (@Metropoles) March 6, 2026

Além disso, os fundos de investimento usados para o desvio também aplicavam seu próprio dinheiro em CDBs do Master, criando uma circulação de recursos que acabava retornando quase integralmente para o banco, mas com o desvio já realizado. O processo envolvia uma rede complexa de transações, onde parte do dinheiro era desviada em cada etapa, até chegar a contas bancárias controladas por empresas ligadas a Vorcaro.

A investigação também revelou um processo de inflar os ativos do Banco Master, utilizando fundos de investimento que compravam ativos sem liquidez, como ações do extinto Besc (Banco do Estado de Santa Catarina), e inflavam seus preços de forma artificial. Essa prática permitia que o banco emitissem mais CDBs e captassem ainda mais dinheiro de investidores, gerando um ciclo de fraude financeira.

Os crimes identificados nas investigações, como gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro, podem resultar em penas de reclusão de até 12 anos, além de multas.

Como a passagem relâmpago de Vorcaro por prisão em SP causou tensão entre agentes e advogados

8 de Março de 2026, 08:30
Vorcaro chegando ao IML. Foto: Reprodução/GloboNews

A passagem de menos de 24 horas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pela Penitenciária II de Potim, no interior de São Paulo, teve um impacto significativo na rotina da unidade. Apesar de sua breve permanência, o banqueiro movimentou um esquema de segurança raro no sistema prisional paulista, gerando tensão entre policiais penais, advogados e outros presos. As medidas extraordinárias foram tomadas devido ao temor de possíveis atentados, levando a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) a adotar equipamentos e vigilância reforçada. As informações são de Lauro Jardim.

Segundo fontes da administração penitenciária, policiais penais que tiveram acesso ao pavilhão onde Vorcaro estava foram equipados com câmeras corporais e coletes à prova de bala, equipamentos que não fazem parte da rotina do presídio. Além disso, 20 novas câmeras de monitoramento foram instaladas no pavilhão, especificamente para acompanhar a movimentação do banqueiro. Esse tipo de segurança fora do comum gerou estranhamento entre os servidores, já que o uso de tais tecnologias é pouco frequentado nas unidades prisionais do estado.

O próprio diretor da unidade, Luciano José Pimenta, demonstrou grande apreensão com a presença de Vorcaro, e fontes internas indicam que a direção comemorou a autorização para a transferência do banqueiro para uma unidade federal em Brasília. Em paralelo, a presença de Vorcaro no local provocou agitação no setor de atendimento a advogados, que ficaram incomodados com o atendimento prioritário dado aos integrantes da defesa do banqueiro. Isso gerou uma série de reclamações entre outros profissionais que aguardavam para falar com seus clientes.

Penitenciária 2 de Potim, em São Paulo. Foto: Reprodução/Google Street View

A Polícia Penal, em nota oficial, minimizou o impacto da passagem de Vorcaro pela unidade, afirmando que a rotina do presídio não foi alterada. A instituição afirmou que as normas de segurança e disciplina foram cumpridas conforme exigido pela Lei de Execução Penal. No entanto, o Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo ressaltou que o uso de câmeras corporais não faz parte das práticas usuais dentro das unidades, o que chamou ainda mais a atenção para o episódio.

Vorcaro foi preso novamente no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. Ele chegou à Penitenciária II de Potim na quinta-feira, onde deveria cumprir o período padrão de isolamento, mas permaneceu na unidade por menos de 24 horas. Na madrugada de sexta-feira, ele foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília, a mais segura do país, após decisão do ministro André Mendonça, do STF.

A transferência foi considerada necessária pela Polícia Federal devido à capacidade de Vorcaro de mobilizar redes de influência tanto no setor privado quanto no poder público, o que justificou a necessidade de um ambiente de segurança máxima. O episódio gerou um clima de incerteza no sistema prisional paulista, especialmente quanto à eficácia do controle das unidades e à prioridade dada à defesa de um dos presos mais influentes do país.

Pressionado após nova prisão, Vorcaro passa a considerar delação premiada à PF

8 de Março de 2026, 07:35
Daniel Vorcaro na prisão. — Foto: Reprodução

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela segunda vez na Operação Compliance Zero, está considerando seriamente fazer uma delação premiada. A ideia, que foi inicialmente discutida em janeiro como uma possibilidade remota, ganhou força após sua segunda prisão em março de 2026. As informações são do Lauro Jardim, do Globo.

Fontes próximas à defesa de Vorcaro confirmaram que a delação será negociada diretamente com a Polícia Federal (PF), em vez de com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A avaliação da defesa é que a negociação com a PF oferece mais espaço para que a colaboração seja aceita, ao contrário da PGR.

A negociação de um acordo de delação premiada é vista como uma alternativa para o ex-banqueiro, que está envolvido em um esquema bilionário de fraudes financeiras investigado pela Operação Compliance Zero. O caso envolve o Banco Master e já resultou em sua prisão, após a PF cumprir mandados de prisão contra ele e seus associados.

Daniel Vorcaro chegando à prisão. Foto: reprodução

Além de mudanças na equipe de defesa, que podem ser necessárias para dar seguimento ao processo de delação, a decisão de colaborar com a Justiça pode representar uma tentativa de minimizar as possíveis consequências jurídicas e penais enfrentadas por Vorcaro.

Nos bastidores do caso, no entanto, o tema ainda é tratado com cautela por pessoas próximas ao banqueiro. Segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil, a delação ainda não está formalmente na mesa de negociação, mas a forte pressão política e psicológica sobre Vorcaro teria aberto espaço para que essa possibilidade volte a ser discutida. Uma pessoa próxima ao ex-banqueiro afirma que há uma tentativa de “quebrar” psicologicamente o empresário.

O vazamento de mensagens encontradas no celular de Vorcaro também elevou a tensão em torno da investigação. A defesa entrou com um pedido judicial para que seja apurada a origem desses vazamentos, solicitando a identificação de eventuais agentes públicos responsáveis pela divulgação das informações.

Além disso, o isolamento imposto pelo regime de prisão é apontado como um fator adicional de pressão. Vorcaro está preso no interior de São Paulo e deve ser transferido para Brasília após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que atendeu a um pedido da Polícia Federal.

O grupo Prerrogativas, ao qual juristas e defensores dos direitos constitucionais pertencem, também se manifestou sobre o processo, alertando para a manipulação de investigações e vazamentos seletivos. A colaboração de Vorcaro com a Justiça seria, portanto, uma peça importante no desenrolar das investigações em andamento. A investigação de Daniel Vorcaro continua sob análise da PF e da PGR, com mais desdobramentos previstos para os próximos meses.

Advogados confirmam morte de ‘Sicário’, membro da milícia de Vorcaro, em hospital de MG

7 de Março de 2026, 08:21
A defesa confirmou na noite desta sexta-feira (6) a morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, de 43 anos, apontado como integrante da milícia ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Conhecido pelo apelido de “Sicário”, ele havia sido preso na quarta-feira (4) durante uma nova fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Segundo […]

“Sicário” dizia preferir morrer a ser preso e conheceu Vorcaro através de cunhado pastor

7 de Março de 2026, 08:05
Luiz Phillipi Machado Moraes Mourão, o Sicário. Foto: reprodução

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” do banqueiro Daniel Vorcaro, morreu após atentar contra a própria vida enquanto estava sob custódia da Polícia Federal em Belo Horizonte. Ele havia sido preso na quarta-feira (4) durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A morte foi confirmada oficialmente após a conclusão do protocolo de morte cerebral.

Segundo relatos obtidos pela reportagem do Estadão, Mourão demonstrava nos últimos anos forte temor de voltar à prisão. Pessoas que conviveram com ele afirmaram que o investigado dizia preferir morrer a ser preso novamente. Aos 43 anos, ele tinha uma longa ficha policial e era conhecido em Belo Horizonte pelo apelido de “Mexerica”.

A aproximação com Daniel Vorcaro ocorreu por meio do empresário Fabiano Zettel, amigo da família do banqueiro e frequentador da Igreja Batista da Lagoinha. A relação se fortaleceu após Zettel se casar, em 2017, com Natália Vorcaro, irmã do ex-presidente do Banco Master. Segundo a Polícia Federal, Mourão passou a integrar o círculo de confiança do banqueiro.

O pastor da Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Foto: reprodução

As investigações indicam que ele coordenava um grupo chamado “A Turma”, descrito pela PF como uma milícia privada usada para intimidar adversários e monitorar pessoas de interesse do grupo. Mensagens encontradas no celular de Vorcaro mostram ordens direcionadas ao “Sicário” para pressionar funcionários e desafetos ligados às investigações.

De acordo com a Polícia Federal, o grupo também realizava coleta de informações sigilosas e monitoramento de autoridades. Investigadores afirmam que Mourão montou uma rede de inteligência em Belo Horizonte, incluindo hackers e informantes que buscavam dados sobre rotinas e encontros de figuras consideradas estratégicas pelo grupo investigado.

Antes de se aproximar de Vorcaro, Mourão já havia sido preso e investigado em outros casos. Em 2020, ele foi detido em Confins em um inquérito sobre pirâmide financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Relatórios do Coaf indicam que empresas ligadas a ele movimentaram mais de R$ 28 milhões entre 2018 e 2021. Parte dessas companhias teve as atividades suspensas por decisão do ministro André Mendonça (STF).

PF diz ter todas as imagens do suicídio de “Sicário”

5 de Março de 2026, 12:11
Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, posando para foto de camiseta branca e boné, sério, olhando para a câmera
Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário” – Reprodução

A Polícia Federal investiga o suicídio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, ocorrida após sua prisão durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. Mourão chegou a ser socorrido e levado ao hospital, mas não resistiu. O caso ocorreu enquanto ele estava sob custódia na Superintendência Regional da PF em Minas Gerais.

Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, todo o episódio foi registrado por câmeras de segurança da unidade. “Toda a ação dele e o atendimento pelos policiais estão filmados sem pontos cegos”, afirmou ao portal G1.

Os registros em vídeo serão encaminhados ao gabinete do ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal.

De acordo com informações da corporação, Mourão tentou se enforcar utilizando a própria camiseta dentro da cela. Policiais que estavam no local prestaram socorro imediato e iniciaram manobras de reanimação enquanto acionavam o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.

“Sicário” ao dar entrada na Superintendência da PF em MG. Foto: reprodução

Em nota, a Polícia Federal de Minas Gerais informou: “Ao tomarem conhecimento da situação, policiais federais que estavam no local prestaram socorro imediato, iniciando procedimentos de reanimação e acionando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu)”.

Equipes médicas deram continuidade ao atendimento e o detido foi encaminhado ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, onde acabou não resistindo.

Mourão havia sido preso no mesmo dia durante a operação que investiga o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo as investigações, ele teria atuado como responsável pela obtenção de informações sigilosas, monitoramento de adversários e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do empresário.

A defesa de Mourão afirmou que ele “se encontrava em plena integridade física e mental” até poucas horas antes do episódio registrado na carceragem da PF. O advogado Vicente Salgueiro declarou que soube “sobre o incidente de supostamente ter atentado contra a própria vida” por meio de uma nota divulgada pela corporação.

O “empregado do Master” no Banco Central que retardou a prisão de Vorcaro

5 de Março de 2026, 12:09
Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC. Foto: reprodução

O ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central do Brasil, Belline Santana, é suspeito de ter retardado o envio de documentos à Polícia Federal que embasariam a primeira prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo informações reveladas pela investigação, os documentos solicitados pela PF em outubro do ano passado demoraram semanas para ser enviados.

Na época, os investigadores preparavam a primeira fase da Operação Compliance Zero e haviam solicitado ao Banco Central uma série de registros sobre as atividades do Master. De acordo com fontes ouvidas pelo Estadão, Belline só encaminhou a documentação após ser alertado de que poderia ser responsabilizado judicialmente ou receber advertência caso continuasse a atrasar o envio das informações.

Belline e o ex-diretor do Banco Central Paulo Sérgio Souza foram alvos de mandados de busca e apreensão e passaram a usar tornozeleira eletrônica na terceira fase da operação. A investigação aponta que ambos teriam auxiliado Vorcaro a preparar documentos de defesa apresentados ao Banco Central e são suspeitos de receber pagamentos de propina.

O envolvimento de Belline surpreendeu investigadores porque ele era um dos representantes indicados pelo Banco Central para compartilhar informações com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal sobre suspeitas de irregularidades no Banco Master. Na estrutura da autarquia, ele era subordinado à Diretoria de Fiscalização comandada por Ailton Aquino.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

Ao mesmo tempo em que participava de reuniões com investigadores, Belline também integrava um grupo de WhatsApp com Vorcaro e outro servidor do Banco Central, além de manter encontros privados e conversas telefônicas com o banqueiro.

Na decisão que autorizou a operação contra o servidor, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, apontou indícios de que Belline teria atuado diretamente para auxiliar o empresário.

“Os elementos reunidos nas investigações indicam que BELLINE SANTANA prestava consultoria estratégica ao investigado, discutindo temas relacionados à situação regulatória do Banco Master, fornecendo orientações acerca da condução de processos administrativos e participando de tratativas voltadas à definição de estratégias institucionais do banco Master perante o Banco Central. Em diversas ocasiões, o investigado solicitava contato telefônico para tratar de assuntos sensíveis, indicando a intenção de evitar o registro escrito das comunicações”, escreveu o ministro.

Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025 quando tentava deixar o país em um jatinho. Ele foi solto 11 dias depois, mas voltou a ser preso nesta quarta-feira (4) por determinação do STF.

Bastidores: como Mendonça, em evento na Alemanha, decidiu prender Vorcaro

5 de Março de 2026, 10:39
André Mendonça, ministro do STF. Foto: Antonio Augusto/STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), estava na Alemanha participando de um evento acadêmico quando analisou e assinou a decisão que determinou a prisão preventiva do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso envolvendo o Banco Master. A medida foi executada na quarta-feira (4), durante a terceira fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal.

Desde segunda-feira, Mendonça participa de um encontro realizado na Universidade de Frankfurt, na Alemanha, promovido pelo fórum Dinter – Diálogos Intercontinentais. O evento reúne autoridades e especialistas para discutir temas institucionais e políticos. Entre os participantes estão o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

Segundo Lauro Jardim, do Globo, pessoas próximas ao ministro relataram que Mendonça dedicou parte significativa dos últimos dias à análise da representação enviada pela Polícia Federal. O pedido de prisão preventiva de Vorcaro e de outros três investigados foi encaminhado ao Supremo na sexta-feira (27) anterior ao evento.

Mesmo participando das atividades acadêmicas, o ministro teria reduzido compromissos paralelos. Segundo participantes do encontro, Mendonça evitou comparecer a jantares e reuniões informais com outros convidados, limitando sua presença aos painéis oficiais. Interlocutores notaram que ele estava mais introspectivo enquanto avaliava os elementos do processo.

A decisão que autorizou as prisões foi assinada na terça-feira. No dia seguinte, a Polícia Federal deflagrou a nova fase da operação e cumpriu os mandados. No momento em que os agentes saíram às ruas para executar as ordens judiciais, Mendonça participava de uma atividade no evento em Frankfurt.

Durante uma palestra sobre energia, o ministro deixou a sala e seguiu para um espaço reservado dentro da universidade. A Alemanha está quatro horas à frente do horário de Brasília, e Mendonça se deslocou para acompanhar o andamento da operação antes que a notícia começasse a circular publicamente.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

A prisão de Daniel Vorcaro deverá ser analisada posteriormente pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal. O colegiado reúne os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux e o próprio Mendonça.

A defesa do ex-banqueiro deve apresentar recurso para tentar reverter a medida. Integrantes da corte, no entanto, avaliam que a probabilidade de revogação da prisão é considerada baixa durante a análise pelo colegiado.

Na decisão que fundamentou a prisão preventiva, Mendonça listou mensagens atribuídas a Vorcaro que indicariam o planejamento de ações de intimidação contra adversários. Entre os trechos citados está uma conversa envolvendo o jornalista Lauro Jardim.

De acordo com o despacho, Vorcaro teria escrito: “Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”. A mensagem teria sido enviada a Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão, apontado pela investigação como operador ligado ao grupo.

Na sequência do diálogo, Mourão respondeu à mensagem indicando que acompanhava publicações consideradas negativas sobre o empresário. As conversas fazem parte do material analisado pela Polícia Federal no inquérito que investiga o esquema relacionado ao Banco Master.

A operação busca esclarecer suspeitas de crimes financeiros, invasões de sistemas informáticos e ações de intimidação contra críticos e adversários do banqueiro. O caso segue sob relatoria de Mendonça no Supremo Tribunal Federal e pode ter novos desdobramentos nos próximos dias.

A longa ficha criminal de “Sicário”, o capanga de Vorcaro

5 de Março de 2026, 09:01
Luiz Phillipi Machado Moraes Mourão, o Sicário. Foto: reprodução

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado pela Polícia Federal como responsável por invasões hacker a sistemas da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República (PGR) e até de organismos internacionais como o FBI, acumulava uma extensa ficha criminal antes de ser preso na terceira fase da Operação Compliance Zero. Mourão também é acusado de monitorar e planejar ataques contra pessoas consideradas adversárias do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A prisão ocorreu na manhã de quarta-feira (4), em Belo Horizonte. Horas depois, Mourão tentou tirar a própria vida em uma cela da superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais. Ele chegou a ser reanimado por equipes do Samu e levado ao Hospital João XXII, na região Centro-Sul da capital mineira, mas não resistiu.

Segundo investigadores, Mourão recebia cerca de R$ 1 milhão por mês de Vorcaro para executar atividades ilícitas relacionadas ao grupo investigado. A estrutura montada pelo banqueiro foi descrita pela Polícia Federal como uma espécie de “milícia” voltada a monitorar adversários, obter dados sigilosos e promover intimidação.

Conhecido em Minas Gerais pelo apelido de “Mexerica”, Mourão era considerado um velho conhecido da polícia e da alta sociedade de Belo Horizonte. Apesar do histórico de investigações e mandados de prisão, ele frequentemente conseguia responder aos processos em liberdade.

Sicário preso durante sua juventude. Foto: reprodução

De acordo com fontes da investigação, o histórico criminal de Mourão inclui suspeitas de estelionato, receptação e associação criminosa. Ele também possui registros por furto qualificado mediante fraude, além de envolvimento em casos de ameaça e infrações relacionadas ao trânsito.

Entre 2006 e 2009, Mourão chegou a ser indiciado por uma série de crimes previstos no Código Penal e em legislações específicas. Entre eles estão falsificação de documentos, evasão de divisas, associação criminosa, concurso de pessoas (quando duas ou mais pessoas atuam juntas para cometer um crime) e crime continuado, quando a prática ilegal ocorre de forma repetida ao longo do tempo.

Segundo o G1, fontes que acompanharam sua trajetória afirmam que Mourão também esteve envolvido em atividades como roubo de veículos para desmanche, golpes na internet e clonagem de cartões de crédito.

Em 2020, ele foi alvo de um mandado de prisão temporária em um processo que tramitava na 3ª Vara Criminal da Comarca de Contagem, em Minas Gerais, relacionado a crimes contra a ordem tributária.

Apesar das investigações, Mourão mantinha um estilo de vida luxuoso. Segundo relatos de investigadores, ele frequentava bairros nobres de Belo Horizonte e costumava ostentar bens de alto valor, incluindo uma Ferrari.

Mesmo assim, havia poucos registros públicos sobre ele na internet. Nos dados da Receita Federal, Mourão aparece como sócio de duas empresas chamadas King: uma locadora de veículos e uma imobiliária.

Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, posando para foto de camiseta branca e boné, sério, olhando para a câmera
Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário” – Reprodução

A Polícia Federal aponta que Mourão teve papel central na organização investigada na Operação Compliance Zero. Segundo os investigadores, ele executava tarefas que incluíam monitoramento de alvos, invasão de sistemas sigilosos e coleta ilegal de dados.

Também teria atuado na organização de ações de intimidação contra pessoas consideradas adversárias de Vorcaro. Essas atividades eram discutidas em um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”, do qual participavam o próprio banqueiro, o pastor Fabiano Zettel — cunhado de Vorcaro — e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.

Em um dos diálogos obtidos pela Polícia Federal, Vorcaro comenta sobre o colunista do jornal O Globo, Lauro Jardim, após a publicação de reportagens sobre o Banco Master.

“Esse Lauro quero mandar dar um pau nele [sic]. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, escreveu o banqueiro a Mourão, que respondeu com dois sinais de positivo.

Para o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso, o objetivo dessas ações era “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”.

Em outras conversas analisadas pela investigação, Vorcaro também teria solicitado ao comparsa que “moer” uma ex-empregada identificada como Monique e “dar um sacode” em um chef de cozinha ligado ao empresário.

Na representação enviada ao Supremo Tribunal Federal para pedir as prisões preventivas do grupo, a Polícia Federal afirmou que a organização representava risco não apenas ao sistema financeiro nacional, mas também a pessoas consideradas adversárias.

“Nesse momento, considerando os fatos novos e contemporâneos apresentados agora a essa Suprema Corte, bem como a comprovada periculosidade do agente, não apenas ao sistema financeiro nacional, mas para todos aqueles que lhe são desafetos, cuja resposta oferecida pela organização criminosa é rápida, premeditada e violenta, com o uso reiterado de coação e grave ameaça por uma espécie de milícia privada”, destacou a Polícia Federal.

Serrano diz que morte de “Sicário” é “estranha” e pede apuração independente na PF

5 de Março de 2026, 00:00
Jurista Pedro Serrano. Foto: Paulo Pinto/Agência PT

O jurista Pedro Serrano afirmou que as circunstâncias envolvendo a morte de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, devem ser investigadas por estruturas independentes dentro da corporação. A manifestação foi publicada nas redes sociais nesta quarta-feira (4), após a divulgação das informações sobre o caso envolvendo o preso da operação Compliance Zero.

Na publicação, Serrano escreveu que “o suicídio de Sicário carece ser investigado por estruturas diferenciadas no interior do PF, com peritos de reconhecida independência e agentes distintos do sistema que o guardava com acompanhamento intenso do MPF”. A mensagem foi divulgada na noite do mesmo dia.

O delegado também acrescentou que considera a situação incomum. No texto publicado, afirmou: “Muito inusual e estranho o que aconteceu”, referindo-se às circunstâncias informadas após a prisão de Mourão.

O suicidio de Sicário carece ser investigado por estruturas diferenciadas no interior do PF, com peritos de reconhecida independência e agentes distintos do sistema que o guardava com acompanhamento intenso do MPF. Muito inusual e estranho o que aconteceu!

— Pedro E. Serrano (@pedro_serrano1) March 5, 2026

Luiz Phillipi Mourão foi preso nesta quarta-feira (4) durante a terceira fase da operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A investigação tem como alvo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que também foi alvo da operação.

Conhecido pelo apelido de “Sicário”, Mourão foi levado para a carceragem da Polícia Federal em Minas Gerais após a prisão. Segundo informações divulgadas pela corporação, ele teria tentado tirar a própria vida dentro da cela.

De acordo com a Polícia Federal, policiais que estavam no local prestaram os primeiros atendimentos e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Mourão foi encaminhado ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, para atendimento médico.

“Sicário” estava em plena condição física e mental antes do suicídio, diz defesa

4 de Março de 2026, 23:50
Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, posando para foto de camiseta branca e boné, sério, olhando para a câmera
Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário” – Reprodução

A defesa de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, afirmou que o cliente “se encontrava em plena integridade física e mental” até por volta das 14h desta quarta-feira (4), horas antes da ocorrência registrada na carceragem da Polícia Federal em Minas Gerais. Mourão foi levado ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, após um episódio classificado pela corporação como tentativa de suicídio. As informações são do Metrópoles.

O advogado Vicente Salgueiro declarou que tomou conhecimento “sobre o incidente de supostamente ter atentado contra a própria vida” por meio de uma nota divulgada pela Polícia Federal. Segundo ele, até o momento das declarações não havia confirmação oficial da morte do cliente.

Luiz Phillipi Mourão foi preso nesta quarta-feira (4) durante a terceira fase da operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A investigação tem como alvo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que também foi preso na mesma ação.

Print de ameaça contra Lauro Jardim
Print de ameaça contra Lauro Jardim – Reprodução

Mourão era conhecido pelo apelido de “Sicário” e, segundo informações da investigação, teria atuado como uma espécie de espião ligado a Vorcaro. Após a prisão, ele foi encaminhado para a carceragem da Polícia Federal em Minas Gerais.

De acordo com a PF, Mourão teria utilizado a própria camiseta na tentativa de suicídio dentro da cela. Policiais que estavam no local prestaram os primeiros atendimentos e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que realizou o transporte do custodiado ao Hospital João XXIII.

Em nota, a Polícia Federal informou: “Ao tomarem conhecimento da situação, policiais federais que estavam no local prestaram socorro imediato, iniciando procedimentos de reanimação e acionando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). A equipe médica deu continuidade ao atendimento no local, e o custodiado será encaminhado à rede hospitalar para avaliação e atendimento médico”.

PF encaminha ao STF vídeos da ação suicida de aliado de Vorcaro

4 de Março de 2026, 23:19
“Sicário”, parceiro de Vorcaro que se matou dentro de cela da PF em MG. Reprodução

A Polícia Federal informou que enviará ao gabinete do ministro André Mendonça, relator no Supremo Tribunal Federal (STF), os registros em vídeo que mostram a dinâmica da tentativa de suicídio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. O material reúne imagens captadas no local onde ele estava custodiado na Superintendência Regional da PF em Minas Gerais.

Mourão foi preso nesta quarta-feira (4) durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, investigação relacionada ao Banco Master. Segundo a Polícia Federal, ele atentou contra a própria vida enquanto permanecia sob custódia da corporação na unidade da PF em Minas Gerais.

Fachada da Superintendência da Polícia Federal em MG, onde ‘Sicário’ atentou contra a própria vida. Reprodução

De acordo com a corporação, policiais federais que estavam no local prestaram socorro imediato ao investigado assim que tomaram conhecimento da situação. Os agentes iniciaram procedimentos de reanimação e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

A equipe médica deu continuidade ao atendimento no local e, posteriormente, o custodiado foi encaminhado à rede hospitalar para avaliação e tratamento. Mourão foi levado ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.

A Polícia Federal informou ainda que os registros em vídeo enviados ao STF mostram a sequência dos acontecimentos envolvendo o custodiado dentro da unidade policial. O material foi encaminhado ao gabinete do ministro relator responsável pelo caso no Supremo.

Segundo a corporação, será instaurado procedimento apuratório para esclarecer as circunstâncias do ocorrido. A investigação interna deverá analisar os registros e demais elementos relacionados ao episódio.

“Tenho escutado coisas”: troca de mensagens entre Doria e Daniel Vorcaro é revelada

4 de Março de 2026, 22:51
João Doria e Daniel Vorcaro se cumprimentam em evento do BRB. Reprodução

O ex-governador de São Paulo João Doria enviou uma mensagem ao banqueiro Daniel Vorcaro alertando sobre informações negativas que circulavam a respeito dele e de executivos do Banco Master. O conteúdo da conversa foi localizado pela Polícia Federal no celular de Vorcaro durante as investigações da Operação Compliance Zero.

Na mensagem, Doria escreveu: “Amigo Daniel, boa tarde. Estou preocupado com você. Tenho escutado coisas que vão precisar de reação sua. Sempre com equilíbrio e ponderação. Mas jamais com silêncio. Vamos marcar um café?”.

Após receber a mensagem, Vorcaro perguntou a que se referiam as “coisas” mencionadas pelo ex-governador. “Com relação a quê?”, questionou o banqueiro. Doria respondeu: “A você, ao Maurício, ao banco”.

Daniel Vorcaro olhando sério para a câmera
O banqueiro Daniel Vorcaro – Reprodução

Segundo os registros encontrados no aparelho, Vorcaro pediu que a conversa continuasse por telefone. Uma ligação entre os dois ocorreu no minuto seguinte ao envio das mensagens.

Procurado, João Doria afirmou por meio de sua assessoria que o contato ocorreu em maio de 2025, antes da abertura das investigações sobre o banco. “A mensagem foi enviada em maio de 2025, quando ainda não havia nenhum tema público de gravidade imputado ao banco Master. Foi apenas um gesto cordial”, declarou.

Daniel Vorcaro foi preso nesta quarta-feira (4) na terceira fase da Operação Compliance Zero. Segundo a Polícia Federal, a investigação apura a atuação de um grupo ligado ao banqueiro que teria sido utilizado para intimidar críticos, funcionários e ex-colaboradores do Banco Master.

Suicídio na PF: como ocorreu a morte de “Sicário”, preso na operação contra Vorcaro

4 de Março de 2026, 22:35
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o ‘Sicário’. Foto: Reprodução

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado como aliado do banqueiro Daniel Vorcaro, tirou a própria vida enquanto estava preso na carceragem da Polícia Federal em Minas Gerais. Ele havia sido detido na terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de obstrução de Justiça em apurações relacionadas ao Banco Master.

De acordo com informações divulgadas pela Polícia Federal nesta quarta-feira (4), Mourão atentou contra a própria vida enquanto estava sob custódia na superintendência da corporação. Policiais que estavam no local prestaram socorro imediato após tomarem conhecimento da situação.

Segundo apuração da revista “Veja”, Mourão utilizou um método de enforcamento dentro da cela. A PF informou que agentes iniciaram procedimentos de reanimação e acionaram equipes de atendimento médico para prestar assistência.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado e o detento foi encaminhado ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, para avaliação e atendimento médico. Mourão, no entanto, não resistiu.

Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. Foto: Reprodução

A Polícia Federal comunicou o ocorrido ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A corporação informou que todos os registros em vídeo do episódio serão encaminhados às autoridades responsáveis.

Segundo as investigações, Mourão era apontado como responsável pela gestão de um grupo informal conhecido como “A Turma”, descrito nas apurações como uma estrutura utilizada para coletar informações de interesse de Daniel Vorcaro e pressionar desafetos ligados ao caso investigado.

Quem era “Sicário”, aliado de Vorcaro preso pela PF que tirou a própria vida

4 de Março de 2026, 20:50
Luiz Phillipi Machado Moraes Mourão, o Sicário

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Felipe Mourão” e chamado de “Sicário”, morreu nesta quarta-feira (4) após ser encontrado desacordado na cela onde estava custodiado na Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais. Ele foi socorrido por agentes e encaminhado ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, mas não resistiu. A Polícia Federal informou que abrirá investigação interna para apurar as circunstâncias do ocorrido.

Mourão havia sido preso no mesmo dia durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, investigação relacionada ao Banco Master. Ele era apontado pelos investigadores como aliado do empresário Daniel Vorcaro, também detido na operação. Segundo a Polícia Federal, o investigado integrava um grupo responsável por coletar informações sobre pessoas consideradas “desafetos” e realizar monitoramento de alvos.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Divulgação

De acordo com a investigação, Mourão coordenava atividades de levantamento de dados considerados relevantes para os interesses do grupo. A corporação afirma que ele realizava consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases utilizadas por instituições de segurança pública e investigação policial.

Os investigadores também apontam que Mourão teria obtido acesso indevido a sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais, como FBI e Interpol. A apuração menciona ainda atuação em ações voltadas à remoção de conteúdos e perfis em plataformas digitais.

Conversas analisadas pelos investigadores mostram diálogos atribuídos a Vorcaro e Mourão sobre coleta de dados de pessoas, monitoramento de funcionários e planejamento de intimidação de alvos, incluindo o jornalista Lauro Jardim. Em uma das mensagens, Vorcaro teria pedido para organizar um assalto e “dar um pau” no jornalista.

“Sicário”, parceiro de Vorcaro, morre em Belo Horizonte

4 de Março de 2026, 20:21
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão olhando sério para a câmera
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão – Reprodução

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” e preso na Operação Compliance Zero, morreu na noite desta quarta-feira (4) em Belo Horizonte (MG). Ele estava sob custódia na Superintendência Regional da Polícia Federal no estado quando atentou contra a própria vida. Com informações do Metrópoles.

Fontes da Polícia Federal informaram que o investigado apresentou morte encefálica após o ocorrido. Mourão era um dos presos na operação conduzida pela corporação.

De acordo com informações divulgadas pela PF, o preso foi socorrido por policiais federais que estavam no local no momento da ocorrência. Ele recebeu procedimentos de reanimação ainda na sede da instituição.

Superintendência Regional da Polícia Federal
Superintendência Regional da Polícia Federal – Reprodução

Em seguida, o investigado foi encaminhado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Hospital João XXIII, localizado no centro de Belo Horizonte. A unidade hospitalar realizou o atendimento médico após a chegada do paciente.

A Polícia Federal informou que o caso foi comunicado ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do processo relacionado à operação no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a corporação, todos os registros em vídeo que mostram a dinâmica do ocorrido serão encaminhados às autoridades competentes. A PF também informou que abrirá procedimento para apurar as circunstâncias do fato.

Lindbergh leva Banco Master à PGR e pede investigação sobre Campos Neto

4 de Março de 2026, 19:25
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). Reprodução

O deputado federal Lindbergh Farias (PT/RJ) informou nesta quarta-feira (4) que protocolou uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando investigação sobre o eventual envolvimento do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, no caso relacionado ao Banco Master e ao seu controlador, Daniel Vorcaro. A iniciativa ocorre após a terceira fase da Operação “Compliance Zero”, que apreendeu mensagens no celular do banqueiro.

Segundo o parlamentar, o material obtido na investigação menciona a existência de uma estrutura voltada à intimidação e violência contra jornalistas. As mensagens passaram a integrar o conjunto de elementos citados pelo deputado no pedido de investigação apresentado ao Ministério Público.

Lindbergh também recorda que, em abril de 2025, quando ocorreu a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), já havia encaminhado um pedido de apuração à Comissão de Ética da Presidência da República. Na ocasião, o parlamentar citou indícios de irregularidades relacionados ao processo de aquisição.

A terceira fase da Operação Compliance Zero, que prendeu hoje o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, revelou fatos extremamente graves sobre a atuação da organização criminosa investigada. As mensagens encontradas no celular do banqueiro indicam a existência de uma espécie de… pic.twitter.com/hogvH3eejS

— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) March 4, 2026

Com a divulgação de novos elementos, o deputado afirma que surgiram referências à possível atuação de agentes públicos do Banco Central. Entre os nomes citados estão Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, identificados como chefe e adjunto do Departamento de Supervisão Bancária.

De acordo com o parlamentar, as mensagens indicariam interlocução frequente entre esses servidores e o controlador do banco. O deputado sustenta que as informações exigem ampliação do foco investigativo para alcançar também a gestão do então presidente do Banco Central.

Na notícia-crime apresentada à PGR, Lindbergh pede que sejam investigados possíveis casos de omissão dolosa na fiscalização bancária. O pedido também solicita análise sobre normas editadas durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central que, segundo o parlamentar, poderiam ter facilitado irregularidades atribuídas ao Banco Master.

O objetivo da representação, segundo o deputado, é garantir uma apuração completa sobre responsabilidades individuais, decisões administrativas e eventuais condutas relacionadas ao funcionamento do sistema financeiro no caso envolvendo o banco.

“A Turma”: Vorcaro planejava ataques a jornalistas e adversários no WhatsApp; entenda

4 de Março de 2026, 08:28
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça de decretar a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está ligada a mensagens encontradas no celular do investigado. O material foi reunido pela Polícia Federal e embasou o pedido de prisão apresentado na nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (4).

Segundo as investigações, Vorcaro participava de um grupo de WhatsApp chamado “A turma”, no qual teriam sido discutidas e planejadas ações violentas contra pessoas consideradas adversárias pelo ex-banqueiro, entre elas jornalistas. As mensagens, segundo Lauro Jardim, do Globo, indicariam que o grupo tratava de estratégias para intimidar ou atacar críticos.

Em um dos episódios investigados, pessoas contratadas pelo empresário teriam sido orientadas a simular um assalto contra uma vítima específica e praticar atos de violência durante a ação. De acordo com os investigadores, Vorcaro teria autorizado a execução do plano discutido no grupo.

As apurações também apontam que o grupo reunia diferentes perfis ligados ao sistema financeiro e à segurança pública. Entre os integrantes estariam um ex-diretor do Banco Central, um ex-chefe de departamento da mesma instituição e um policial civil aposentado, identificado como responsável por organizar ações consideradas de caráter miliciano.

Entre os participantes do grupo estava também Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Ele também é alvo de prisão nesta operação, no entanto, não foi localizado pela PF. O policial aposentado Marilson Silva e Luiz Phillipi Mourão, apontado como responsável por atividades de monitoramento de pessoas consideradas adversárias pelo banqueiro, também são alvos.

Pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Foto: reprodução

Prisão de Vorcaro

A nova prisão de Daniel Vorcaro ocorre durante a terceira fase da Operação Compliance Zero e volta a colocar sob os holofotes a investigação envolvendo o Banco Master. As autoridades apuram se irregularidades financeiras e outras práticas ilícitas teriam sido resultado de um planejamento estruturado ao longo de anos.

Autorizada pelo ministro André Mendonça, a operação investiga indícios que vão desde fraudes financeiras até possível ligação com organização criminosa. Procurada, a defesa do banqueiro ainda não havia se manifestado sobre a nova prisão até o momento da divulgação das informações.

De acordo com o Ministério Público Federal em São Paulo, elementos reunidos pela Polícia Federal ao longo da investigação indicam a existência de uma organização criminosa estruturada desde a década passada. Para os procuradores, os fatos analisados não representariam um episódio isolado.

“Nesse contexto, o histórico juntado pela Polícia Federal […] serve como indício da existência do crime de organização criminosa estruturada desde a década passada”, afirmaram integrantes do MPF em manifestação incluída no processo.

O entendimento também foi citado anteriormente em decisão do ministro Dias Toffoli, do STF, que autorizou mandados de busca e apreensão no início do ano. Na ocasião, o magistrado apontou que as investigações indicavam um “aparente aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização”.

A investigação também avalia possíveis impactos das operações no sistema financeiro. Em fases anteriores da operação, a Polícia Federal apontou indícios de risco sistêmico ao mercado, analisando empréstimos estruturados, movimentações consideradas atípicas e operações com fundos de investimento que teriam apresentado rentabilidade incomum em curto período.

Daniel Vorcaro, do Banco Master, é preso novamente pela PF

4 de Março de 2026, 07:19
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

A Polícia Federal prendeu, nesta quarta-feira (4), o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Investigado por fraude financeira, ele foi alvo de uma nova fase da Operação Compliance Zero, que apura a venda de títulos de créditos falsos da fintech.

A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que na última terça-feira (3) havia tirado a obrigação de Vorcaro ir à CPI do Crime Organizado no Senado. Vorcaro foi detido em sua residência na capital paulista no início da manhã e encaminhado para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo.

Segundo a PF, a operação investiga a atuação de uma organização criminosa associada ao empresário. De acordo com a corporação, a ação mira a “prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”.

A nova fase da operação também inclui o cumprimento de quatro mandados de prisão preventiva e quinze mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Além de Vorcaro, há outro alvo de prisão na capital paulista que ainda não foi localizado pelos agentes. A Justiça também determinou a aplicação de medidas cautelares, como o uso de tornozeleiras eletrônicas, contra outros investigados.

As investigações contam com apoio do Banco Central do Brasil e buscam identificar a estrutura financeira e tecnológica utilizada pelo grupo suspeito. A Polícia Federal apura indícios de manipulação de mercado, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro envolvendo operações ligadas ao Banco Master.

Sede do Banco Master em São Paulo. Foto: reprodução

Entre as medidas determinadas pelo STF está o bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a até R$ 22 bilhões. A decisão tem como objetivo impedir a movimentação de ativos ligados ao grupo investigado e preservar valores que possam estar relacionados às práticas ilícitas sob investigação.

A nova fase da Operação Compliance Zero também investiga suspeitas de invasão de dispositivos informáticos atribuídas a integrantes da organização criminosa ligada a Vorcaro e a aliados próximos. Segundo os investigadores, essas ações podem ter sido utilizadas para intimidar adversários ou interferir em processos ligados às apurações.

Daniel Vorcaro já havia sido preso anteriormente durante a primeira fase da operação, deflagrada em novembro por decisão da Justiça Federal de Brasília. Na ocasião, ele permaneceu detido por 11 dias.

Posteriormente, a defesa do banqueiro conseguiu levar o caso ao Supremo Tribunal Federal. Sob relatoria inicial do ministro Dias Toffoli, o inquérito passou a registrar tensões entre a Polícia Federal e o STF durante o andamento das investigações.

Toffoli deixou o caso no mês passado após a PF apresentar ao Supremo um relatório contendo menções ao nome do ministro e registros de conversas atribuídas a ele com Daniel Vorcaro. Após a redistribuição do processo, o caso passou a ser conduzido por André Mendonça, que analisava o material investigativo e autorizou a deflagração desta nova fase da operação.

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