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O “empregado do Master” no Banco Central que retardou a prisão de Vorcaro

5 de Março de 2026, 12:09
Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC. Foto: reprodução

O ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central do Brasil, Belline Santana, é suspeito de ter retardado o envio de documentos à Polícia Federal que embasariam a primeira prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo informações reveladas pela investigação, os documentos solicitados pela PF em outubro do ano passado demoraram semanas para ser enviados.

Na época, os investigadores preparavam a primeira fase da Operação Compliance Zero e haviam solicitado ao Banco Central uma série de registros sobre as atividades do Master. De acordo com fontes ouvidas pelo Estadão, Belline só encaminhou a documentação após ser alertado de que poderia ser responsabilizado judicialmente ou receber advertência caso continuasse a atrasar o envio das informações.

Belline e o ex-diretor do Banco Central Paulo Sérgio Souza foram alvos de mandados de busca e apreensão e passaram a usar tornozeleira eletrônica na terceira fase da operação. A investigação aponta que ambos teriam auxiliado Vorcaro a preparar documentos de defesa apresentados ao Banco Central e são suspeitos de receber pagamentos de propina.

O envolvimento de Belline surpreendeu investigadores porque ele era um dos representantes indicados pelo Banco Central para compartilhar informações com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal sobre suspeitas de irregularidades no Banco Master. Na estrutura da autarquia, ele era subordinado à Diretoria de Fiscalização comandada por Ailton Aquino.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

Ao mesmo tempo em que participava de reuniões com investigadores, Belline também integrava um grupo de WhatsApp com Vorcaro e outro servidor do Banco Central, além de manter encontros privados e conversas telefônicas com o banqueiro.

Na decisão que autorizou a operação contra o servidor, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, apontou indícios de que Belline teria atuado diretamente para auxiliar o empresário.

“Os elementos reunidos nas investigações indicam que BELLINE SANTANA prestava consultoria estratégica ao investigado, discutindo temas relacionados à situação regulatória do Banco Master, fornecendo orientações acerca da condução de processos administrativos e participando de tratativas voltadas à definição de estratégias institucionais do banco Master perante o Banco Central. Em diversas ocasiões, o investigado solicitava contato telefônico para tratar de assuntos sensíveis, indicando a intenção de evitar o registro escrito das comunicações”, escreveu o ministro.

Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025 quando tentava deixar o país em um jatinho. Ele foi solto 11 dias depois, mas voltou a ser preso nesta quarta-feira (4) por determinação do STF.

Como Campos Neto travou liquidação do Master com relatos de servidores ligados a Vorcaro

5 de Março de 2026, 11:35
Roberto Campos Neto, ex-presidente do BC. Foto: reprodução

Servidores do Banco Central do Brasil produziram relatórios protegendo o Banco Master, o que teve peso na avaliação da fintech durante a gestão de Roberto Campos Neto. Segundo reportagem do Valor Econômico, documentos elaborados por técnicos que posteriormente passaram a ser investigados por suspeita de atuação em favor do controlador do banco, Daniel Vorcaro, contribuíram para afastar naquele momento a hipótese de liquidação da instituição.

A apuração indica que os servidores Paulo Souza e Belline Santana, da área de supervisão do Banco Central, produziram análises que apontavam normalidade nas operações do banco. Esses relatórios foram apresentados à direção da autarquia quando Campos Neto presidia o BC, mesmo diante de alertas feitos por agentes do mercado financeiro sobre possíveis irregularidades envolvendo o Master.

Diante das denúncias, Campos Neto determinou que Paulo Souza analisasse as carteiras da instituição. O relatório apresentado pelo servidor, no entanto, concluiu que não havia irregularidades relevantes. O cenário mudou com o avanço das investigações da Polícia Federal, que passaram a apontar suspeitas de atuação dos dois técnicos em favor de Vorcaro dentro da estrutura do Banco Central.

Os servidores foram alvo de decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o uso de tornozeleira eletrônica. Segundo a decisão judicial, há indícios de que os dois teriam recebido vantagens financeiras vinculadas ao banco. No caso de Belline, o documento menciona pagamentos por meio de uma empresa por serviços simulados de consultoria.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Divulgação

Os dois também participaram de episódios considerados relevantes para a estratégia jurídica de Vorcaro. Um deles foi a elaboração de um relatório sobre uma reunião realizada em novembro de 2025 entre o empresário e o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino.

O documento foi rapidamente encaminhado por Belline aos advogados do banqueiro e acabou sendo utilizado pela defesa para sustentar argumentos que contribuíram para sua soltura após a primeira prisão.

Com o avanço das suspeitas, o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, determinou o afastamento dos dois servidores e a abertura de investigação interna. A apuração também passou a examinar sinais de enriquecimento incompatíveis com os salários dos técnicos e possíveis conexões financeiras com operações ligadas ao Banco Master.

Bastidores: como Mendonça, em evento na Alemanha, decidiu prender Vorcaro

5 de Março de 2026, 10:39
André Mendonça, ministro do STF. Foto: Antonio Augusto/STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), estava na Alemanha participando de um evento acadêmico quando analisou e assinou a decisão que determinou a prisão preventiva do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso envolvendo o Banco Master. A medida foi executada na quarta-feira (4), durante a terceira fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal.

Desde segunda-feira, Mendonça participa de um encontro realizado na Universidade de Frankfurt, na Alemanha, promovido pelo fórum Dinter – Diálogos Intercontinentais. O evento reúne autoridades e especialistas para discutir temas institucionais e políticos. Entre os participantes estão o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

Segundo Lauro Jardim, do Globo, pessoas próximas ao ministro relataram que Mendonça dedicou parte significativa dos últimos dias à análise da representação enviada pela Polícia Federal. O pedido de prisão preventiva de Vorcaro e de outros três investigados foi encaminhado ao Supremo na sexta-feira (27) anterior ao evento.

Mesmo participando das atividades acadêmicas, o ministro teria reduzido compromissos paralelos. Segundo participantes do encontro, Mendonça evitou comparecer a jantares e reuniões informais com outros convidados, limitando sua presença aos painéis oficiais. Interlocutores notaram que ele estava mais introspectivo enquanto avaliava os elementos do processo.

A decisão que autorizou as prisões foi assinada na terça-feira. No dia seguinte, a Polícia Federal deflagrou a nova fase da operação e cumpriu os mandados. No momento em que os agentes saíram às ruas para executar as ordens judiciais, Mendonça participava de uma atividade no evento em Frankfurt.

Durante uma palestra sobre energia, o ministro deixou a sala e seguiu para um espaço reservado dentro da universidade. A Alemanha está quatro horas à frente do horário de Brasília, e Mendonça se deslocou para acompanhar o andamento da operação antes que a notícia começasse a circular publicamente.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

A prisão de Daniel Vorcaro deverá ser analisada posteriormente pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal. O colegiado reúne os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux e o próprio Mendonça.

A defesa do ex-banqueiro deve apresentar recurso para tentar reverter a medida. Integrantes da corte, no entanto, avaliam que a probabilidade de revogação da prisão é considerada baixa durante a análise pelo colegiado.

Na decisão que fundamentou a prisão preventiva, Mendonça listou mensagens atribuídas a Vorcaro que indicariam o planejamento de ações de intimidação contra adversários. Entre os trechos citados está uma conversa envolvendo o jornalista Lauro Jardim.

De acordo com o despacho, Vorcaro teria escrito: “Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”. A mensagem teria sido enviada a Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão, apontado pela investigação como operador ligado ao grupo.

Na sequência do diálogo, Mourão respondeu à mensagem indicando que acompanhava publicações consideradas negativas sobre o empresário. As conversas fazem parte do material analisado pela Polícia Federal no inquérito que investiga o esquema relacionado ao Banco Master.

A operação busca esclarecer suspeitas de crimes financeiros, invasões de sistemas informáticos e ações de intimidação contra críticos e adversários do banqueiro. O caso segue sob relatoria de Mendonça no Supremo Tribunal Federal e pode ter novos desdobramentos nos próximos dias.

“A Turma”: Vorcaro planejava ataques a jornalistas e adversários no WhatsApp; entenda

4 de Março de 2026, 08:28
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça de decretar a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está ligada a mensagens encontradas no celular do investigado. O material foi reunido pela Polícia Federal e embasou o pedido de prisão apresentado na nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (4).

Segundo as investigações, Vorcaro participava de um grupo de WhatsApp chamado “A turma”, no qual teriam sido discutidas e planejadas ações violentas contra pessoas consideradas adversárias pelo ex-banqueiro, entre elas jornalistas. As mensagens, segundo Lauro Jardim, do Globo, indicariam que o grupo tratava de estratégias para intimidar ou atacar críticos.

Em um dos episódios investigados, pessoas contratadas pelo empresário teriam sido orientadas a simular um assalto contra uma vítima específica e praticar atos de violência durante a ação. De acordo com os investigadores, Vorcaro teria autorizado a execução do plano discutido no grupo.

As apurações também apontam que o grupo reunia diferentes perfis ligados ao sistema financeiro e à segurança pública. Entre os integrantes estariam um ex-diretor do Banco Central, um ex-chefe de departamento da mesma instituição e um policial civil aposentado, identificado como responsável por organizar ações consideradas de caráter miliciano.

Entre os participantes do grupo estava também Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Ele também é alvo de prisão nesta operação, no entanto, não foi localizado pela PF. O policial aposentado Marilson Silva e Luiz Phillipi Mourão, apontado como responsável por atividades de monitoramento de pessoas consideradas adversárias pelo banqueiro, também são alvos.

Pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Foto: reprodução

Prisão de Vorcaro

A nova prisão de Daniel Vorcaro ocorre durante a terceira fase da Operação Compliance Zero e volta a colocar sob os holofotes a investigação envolvendo o Banco Master. As autoridades apuram se irregularidades financeiras e outras práticas ilícitas teriam sido resultado de um planejamento estruturado ao longo de anos.

Autorizada pelo ministro André Mendonça, a operação investiga indícios que vão desde fraudes financeiras até possível ligação com organização criminosa. Procurada, a defesa do banqueiro ainda não havia se manifestado sobre a nova prisão até o momento da divulgação das informações.

De acordo com o Ministério Público Federal em São Paulo, elementos reunidos pela Polícia Federal ao longo da investigação indicam a existência de uma organização criminosa estruturada desde a década passada. Para os procuradores, os fatos analisados não representariam um episódio isolado.

“Nesse contexto, o histórico juntado pela Polícia Federal […] serve como indício da existência do crime de organização criminosa estruturada desde a década passada”, afirmaram integrantes do MPF em manifestação incluída no processo.

O entendimento também foi citado anteriormente em decisão do ministro Dias Toffoli, do STF, que autorizou mandados de busca e apreensão no início do ano. Na ocasião, o magistrado apontou que as investigações indicavam um “aparente aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização”.

A investigação também avalia possíveis impactos das operações no sistema financeiro. Em fases anteriores da operação, a Polícia Federal apontou indícios de risco sistêmico ao mercado, analisando empréstimos estruturados, movimentações consideradas atípicas e operações com fundos de investimento que teriam apresentado rentabilidade incomum em curto período.

Daniel Vorcaro, do Banco Master, é preso novamente pela PF

4 de Março de 2026, 07:19
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

A Polícia Federal prendeu, nesta quarta-feira (4), o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Investigado por fraude financeira, ele foi alvo de uma nova fase da Operação Compliance Zero, que apura a venda de títulos de créditos falsos da fintech.

A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que na última terça-feira (3) havia tirado a obrigação de Vorcaro ir à CPI do Crime Organizado no Senado. Vorcaro foi detido em sua residência na capital paulista no início da manhã e encaminhado para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo.

Segundo a PF, a operação investiga a atuação de uma organização criminosa associada ao empresário. De acordo com a corporação, a ação mira a “prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”.

A nova fase da operação também inclui o cumprimento de quatro mandados de prisão preventiva e quinze mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Além de Vorcaro, há outro alvo de prisão na capital paulista que ainda não foi localizado pelos agentes. A Justiça também determinou a aplicação de medidas cautelares, como o uso de tornozeleiras eletrônicas, contra outros investigados.

As investigações contam com apoio do Banco Central do Brasil e buscam identificar a estrutura financeira e tecnológica utilizada pelo grupo suspeito. A Polícia Federal apura indícios de manipulação de mercado, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro envolvendo operações ligadas ao Banco Master.

Sede do Banco Master em São Paulo. Foto: reprodução

Entre as medidas determinadas pelo STF está o bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a até R$ 22 bilhões. A decisão tem como objetivo impedir a movimentação de ativos ligados ao grupo investigado e preservar valores que possam estar relacionados às práticas ilícitas sob investigação.

A nova fase da Operação Compliance Zero também investiga suspeitas de invasão de dispositivos informáticos atribuídas a integrantes da organização criminosa ligada a Vorcaro e a aliados próximos. Segundo os investigadores, essas ações podem ter sido utilizadas para intimidar adversários ou interferir em processos ligados às apurações.

Daniel Vorcaro já havia sido preso anteriormente durante a primeira fase da operação, deflagrada em novembro por decisão da Justiça Federal de Brasília. Na ocasião, ele permaneceu detido por 11 dias.

Posteriormente, a defesa do banqueiro conseguiu levar o caso ao Supremo Tribunal Federal. Sob relatoria inicial do ministro Dias Toffoli, o inquérito passou a registrar tensões entre a Polícia Federal e o STF durante o andamento das investigações.

Toffoli deixou o caso no mês passado após a PF apresentar ao Supremo um relatório contendo menções ao nome do ministro e registros de conversas atribuídas a ele com Daniel Vorcaro. Após a redistribuição do processo, o caso passou a ser conduzido por André Mendonça, que analisava o material investigativo e autorizou a deflagração desta nova fase da operação.

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