Eleições 2026: quais países usam urna eletrônica como o Brasil?
O Brasil não é o único país a usar um sistema de votação com urna eletrônica. Nas Eleições 2026, o modelo brasileiro volta a aparecer dentro de uma família maior de tecnologias eleitorais adotadas em diferentes partes do mundo.
A comparação, porém, depende do tipo de tecnologia usado em cada país. Alguns sistemas se aproximam da urna eletrônica brasileira, enquanto outros usam componentes eletrônicos apenas em parte do processo.
Essa diferença é importante porque nem todo país com votação eletrônica usa uma urna equivalente à brasileira.
Como funciona a urna eletrônica no Brasil?
O Brasil usa uma máquina de registro eletrônico direto do voto. Isso significa que o eleitor digita os números dos candidatos, confirma as escolhas e o voto nasce como registro digital dentro da urna eletrônica.
A urna eletrônica começou a ser usada no Brasil em 1996 e passou a atender todo o eleitorado com o modelo de votação em 2000.
No modelo brasileiro:
- O eleitor vota presencialmente;
- A escolha é registrada no Registro Digital do Voto;
- O voto não é associado à identidade do eleitor;
- A própria urna apura os votos da seção;
- Antes da votação, a urna emite a zerésima;
- Após a votação, emite o Boletim de Urna.
A urna eletrônica brasileira não usa internet durante o voto e permanece isolada de redes no momento da votação. A transmissão eletrônica ocorre depois, quando a seção já foi encerrada e os arquivos de resultado foram gerados.
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Quais países têm sistema mais parecido com a urna eletrônica do Brasil?
Os sistemas mais parecidos com o brasileiro são aqueles em que o eleitor comparece presencialmente e registra o voto em uma máquina dedicada, sem que o voto nasça em uma cédula de papel.
Na classificação internacional, esse tipo de tecnologia de registro eletrônico direto (DRE, na sigla em inglês). O termo se refere a máquinas que registram o voto diretamente em meio eletrônico.
- O Butão é um dos casos mais próximos do Brasil. O país usa máquinas eletrônicas presenciais nas seções. No primeiro turno da eleição para a Assembleia Nacional de 2023/24, foram depositados 195.719 votos presenciais em máquinas eletrônicas, distribuídas em 809 seções.
- Bangladesh também usou máquinas eletrônicas no passado. A tecnologia costuma ser chamada de máquina eletrônica de votação (EVM, na sigla em inglês). Para uma comparação atual, porém, há uma diferença relevante: o país retirou a tecnologia da eleição parlamentar de 2026 e voltou às cédulas de papel.
Quais países usam urna eletrônica com papel individual?
Índia e Venezuela também podem ser comparadas ao Brasil porque usam máquinas eletrônicas presenciais no ato de votar. A diferença está no papel.
Nesses países, o voto é registrado eletronicamente, mas o sistema também gera uma trilha física individual, conhecida como auditoria em papel verificável pelo eleitor (VVPAT, na sigla em inglês).
- Na Índia, o eleitor aperta o botão correspondente ao candidato. O equipamento imprime uma papeleta com número, nome e símbolo. O papel fica visível por alguns segundos e depois cai em um compartimento lacrado.
- Na Venezuela, o eleitor seleciona os candidatos na tela, o voto é registrado eletronicamente e uma papeleta é impressa. O eleitor confere o papel e o deposita em uma urna física separada.
Quais países usam máquina com cédula física?
Há um segundo grupo em que a tecnologia aparece dentro da cabine de votação, mas a cédula de papel faz parte do procedimento.
- Na Bélgica, o eleitor vota em uma tela, confirma as escolhas e a máquina imprime uma cédula com texto legível e código de barras. Depois, o eleitor escaneia o código e deposita o papel em urna física.
- No Paraguai, o eleitor recebe uma cédula, insere o papel na máquina, escolhe os candidatos pela tela, confere a informação em um leitor verificador e deposita a cédula em urna física.
- Na Bulgária, onde há máquinas disponíveis, o eleitor pode escolher entre papel e votação por máquina. Ao usar a máquina, o equipamento imprime uma cédula em papel especial.
- Na República Democrática do Congo, o eleitor escolhe os candidatos em tela sensível ao toque, e a máquina imprime a escolha no verso da cédula, que depois é depositada.
Quais países usam papel com contagem eletrônica?
Em outro grupo, o voto nasce no papel. A tecnologia aparece depois, para ler, contar ou transmitir os resultados.
Nesses casos, a tecnologia eleitoral atua principalmente sobre a cédula já preenchida pelo eleitor. A comparação com o Brasil passa menos pela urna eletrônica usada na cabine e mais pela automação de etapas do processo eleitoral.
- Nas Filipinas, o eleitor preenche uma cédula física e a insere em uma máquina de contagem automatizada. O equipamento escaneia o papel, interpreta as marcações e contabiliza os votos.
- Iraque, Quirguistão e Mongólia também usam modelos em que o eleitor marca uma cédula de papel, e a tecnologia faz a leitura ou a contagem.
- Nos Estados Unidos, não existe um único sistema nacional. A administração eleitoral é descentralizada e envolve mais de 10 mil jurisdições. Em 2024, havia uso combinado de dispositivos de marcação de cédulas, scanners, contagem manual e sistemas de registro eletrônico direto (DRE, na sigla em inglês) em parte das localidades.
Quais países usam voto pela internet?
Voto pela internet é outra categoria presente no mundo. Nesse modelo, a rede participa do próprio ato de votar. Esse grupo amplia o sentido de votação eletrônica, mas se afasta do modelo brasileiro.
- Na Estônia, o eleitor pode votar remotamente pela internet desde 2005. O voto é feito em computador pessoal, com autenticação, criptografia, assinatura digital e envio ao servidor eleitoral.
- Omã permite voto por smartphone pelo aplicativo Intakhib.
- A Suíça mantém projetos controlados de voto pela internet para parcelas específicas do eleitorado.
- França, Armênia, El Salvador, Rússia, Panamá e Filipinas possuem ou tiveram modalidades remotas voltadas a grupos ou territórios específicos, como eleitores no exterior.
O que pode ser comparado com a urna eletrônica brasileira?
| Tipo de sistema | Comparação com o Brasil |
| Máquina presencial sem cédula individual | Mais próxima |
| Máquina presencial com trilha de auditoria em papel verificável pelo eleitor | Parcial: o voto nasce eletrônico, mas há papel individual |
| Máquina com cédula física no fluxo | Parcial: há tecnologia na cabine, mas o papel integra o voto |
| Papel com leitura eletrônica | Limitada: tecnologia atua na leitura ou na contagem |
| Voto pela internet | Outra categoria |




