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Brasil é excluído da lista da União Europeia para venda de carnes para o bloco

O Brasil não consta da lista de países autorizados a fornecer produtos de origem animal à União Europeia, o que representa um risco comercial para o maior exportador mundial de carne bovina.

A União Europeia publicou na terça-feira (12) uma versão atualizada da lista de países que cumprem suas normas contra o uso excessivo de antimicrobianos em animais destinados à produção de alimentos. O Brasil não foi incluído.

A lista destina-se atualmente a fins informativos e não tem efeitos legais. No entanto, será “formalmente adotada” nos próximos dias, afirmou a Comissão Europeia em comunicado em seu site, acrescentando que as regras sobre importações entrarão em vigor a partir de 3 de setembro.

“De acordo com as normas da UE, o uso de antimicrobianos em animais de criação para fins de crescimento ou produção não é permitido, nem os animais podem ser tratados com antimicrobianos reservados para infecções humanas”, afirmou a Comissão Europeia.

O Ministério da Agricultura do Brasil e a Comissão Europeia não responderam de imediato ao pedido de comentários.

A União Europeia e o Brasil são importantes parceiros comerciais. No entanto, as exportações de carne bovina para o bloco representaram apenas 4% do total das exportações brasileiras de carne bovina no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do Ministério da Agricultura.

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Brasil eleva mistura de etanol na gasolina para 32% para conter alta de preços

O Brasil está adotando medidas para aumentar o uso de etanol na gasolina em uma tentativa de conter os impactos da alta dos custos dos combustíveis, à medida que a guerra no Oriente Médio se prolonga.

O segundo maior produtor mundial de biocombustível está avançando com planos para uma nova exigência de mistura obrigatória de 32% de etanol na gasolina, segundo comunicado do Ministério de Minas e Energia nesta sexta-feira (24). O percentual atual é de 30%, e a ampla oferta de biocombustível, somada aos preços baixos, ajuda a aliviar a pressão sobre os combustíveis nos postos brasileiros.

“A medida tem potencial para reduzir a necessidade de importação de gasolina em aproximadamente 500 milhões de litros por mês”, afirmou o comunicado. “Com isso, o Brasil fortalece sua soberania energética e avança rumo à autossuficiência em gasolina, eliminando importações do combustível.”

A iniciativa faz parte de um conjunto de ações destinadas a proteger os consumidores dos impactos econômicos do conflito no Oriente Médio e ocorre enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca a reeleição em cerca de seis meses.

Imposto sobre combustível

Autoridades disseram na quinta-feira que o governo também pedirá ao Congresso autorização para usar receitas extraordinárias ligadas ao petróleo para reduzir impostos sobre combustíveis como gasolina, diesel, etanol e biodiesel. Isso ocorre após uma série de cortes de tributos e subsídios para diesel, gás de cozinha e combustível de aviação, além de linhas de crédito para companhias aéreas afetadas pelos custos mais altos.

O Brasil há muito tempo usa o etanol como instrumento em choques de preços de energia, com motores movidos exclusivamente a etanol produzidos desde o fim da década de 1970 ajudando a reduzir a dependência de importações de gasolina. Mais recentemente, uma lei de biocombustíveis sob o governo Lula estabeleceu a meta de atingir uma mistura de até 35% no futuro próximo, ainda dependendo de testes técnicos.

A implementação final da nova mistura ainda depende de aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que deve, em grande parte, seguir a recomendação do Ministério de Minas e Energia.

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De painéis solares a carros elétricos: como a China se beneficia da crise do petróleo com a guerra

Com a pressão da Guerra do Irã sobre o mercado de petróleo, diferentes indústrias e países passaram a buscar um plano B como fonte de energia. E um dos beneficiados tem sido o setor de painéis solares. As exportações da China, principal fornecedora global, dobraram em março.

Foram 68 gigawatts em capacidade de equipamentos para geração solar embarcados no mês, segundo dados de exportação analisados pelo think tank internacional Ember. Para comparar: em termos de escala, isso equivale a seis usinas hidrelétricas de Belo Monte, no Pará. Ou praticamente toda a capacidade solar instalada na Espanha.

Cinquenta países bateram seus recordes de importação de painéis chineses em março. E outros sessenta alcançaram o maior nível em pelo menos seis meses. 

Na Ásia, a Malásia ampliou as importações em 384%, e a Índia, em 141%. Na África, Nigéria, Quênia e Etiópia superaram pela primeira vez a marca do equivalente a 1 GW importado em um único mês. Ao mesmo tempo, países como Japão e Austrália, além da União Europeia, também registraram volumes recordes. 

Desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã no fim fevereiro, o fluxo de navios vem sendo limitado no Estreito de Ormuz, o que compromete o escoamento de petróleo do Golfo Pérsico. Por ali passam cerca de 20 milhões de barris por dia, algo como 25% do comércio marítimo global.

Estimativas de bancos e consultorias indicam que entre 13 milhões e 14,5 milhões de barris por dia ficaram fora do mercado em abril, seja por restrições logísticas ou por cortes preventivos de produção.

Diante de tantas limitações, o barril do tipo Brent já acumula alta superior a 20% desde fevereiro e voltou a ser negociado acima de US$ 100 por barril. 

Com a busca global por alternativas ao combustível, não foram apenas os painéis solares que ganharam tração nas exportações chinesas.

O país também ampliou os embarques de baterias e veículos elétricos, de marcas como a BYD. Juntos, as exportações desses três segmentos avançaram 70% em março na comparação anual e 38% frente a fevereiro. 

As baterias puxaram em valor: foram US$ 10 bilhões exportados em março, alta de 44% em relação a fevereiro, com demanda forte especialmente de União Europeia, Austrália e Índia.

No Brasil

Os dados da Ember não detalham o papel do Brasil nas exportações chinesas de painéis solares em março. Ainda assim, o movimento tem impacto direto no mercado local: mais de 90% dos módulos fotovoltaicos usados no país vêm da China.

Em 2025, esses produtos foram o quarto item chinês mais importado pelo Brasil, somando US$ 1,5 bilhão e 990 mil toneladas.

Na última década, a presença de painéis solares avançou de forma meteórica no sistema elétrico brasileiro. Hoje, o país tem quase 4 milhões de sistemas espalhados por telhados e fazendas. Em 2015, eram apenas 600.

A fonte já responde por cerca de 23% da capacidade instalada brasileira, ante pouco mais de 2% em 2019.

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Por que a China está apostando em pets, brinquedos e hobbies para reaquecer o consumo

A próxima ofensiva da China para estimular o consumo está ficando mais pessoal.

Durante anos, os esforços de Pequim para reaquecer os gastos se concentraram em categorias tradicionais de maior valor, como carros e eletrodomésticos. Agora, as autoridades estão sinalizando algo diferente. Um plano recente para impulsionar o consumo passou a promover gastos “baseados em interesses”, em categorias como pets, anime e brinquedos da moda.

Isso faz parte de uma mudança mais ampla para criar novos motores de demanda, num momento em que exportações e investimentos já não têm a mesma força de antes.

Isso importa porque sugere que a China não está apenas tentando fazer as famílias gastarem mais. O país está tentando direcionar esse gasto para categorias ligadas a estilo de vida, que geram consumo recorrente, têm apelo emocional e são mais fáceis de escalar por meio de marca, propriedade intelectual e experiências presenciais.

“O boom da economia emocional é um resultado inevitável do nosso tempo. Ele reflete uma mudança profunda na lógica do consumo, que deixa de ser centrada no produto para ser centrada nas pessoas, com os consumidores mais jovens se afastando das ‘necessidades práticas’ e se aproximando da ‘satisfação emocional’”, disse Yuan Shuai, diretor-adjunto do departamento de investimentos do Instituto de Pesquisa em Desenvolvimento Urbano da China.

Essa mudança já é grande o suficiente para aparecer em pesquisas de mercado. A chamada economia emocional da China atingiu cerca de 2,3 trilhões de yuans (US$ 335 bilhões) em 2025 e deve superar 4,5 trilhões de yuans até 2029, segundo a iiMedia Research. O mesmo relatório diz que os consumidores estão pagando cada vez mais não apenas pela função de um produto, mas também por ressonância emocional, identidade e conforto psicológico.

Não é que os consumidores chineses tenham, de repente, ficado obcecados por brinquedos fofos ou por pets supermimados. O ponto é que fandom, companhia, autoexpressão e experiências imersivas estão se tornando partes mais estruturadas da história do consumo.

Na prática, a China está tentando transformar os gastos com hobbies em uma indústria. Isso cria um novo tipo de vencedor no setor de consumo.

O exemplo mais óbvio é a Pop Mart International Group, cujos personagens colecionáveis ajudaram a transformar o gasto emocional em uma tese de investimento em bolsa. Mas a oportunidade é maior do que uma única empresa.

Negócios capazes de converter afeto em compras recorrentes — por meio de propriedade intelectual de personagens, licenciamento, eventos, assinaturas, acessórios e renovação constante de produtos — podem estar mais bem posicionados do que marcas ainda dependentes de transações pontuais.

Um relatório do governo divulgado em novembro sobre essa política destacou apoio oficial não apenas a pets e brinquedos, mas também ao desenvolvimento de produtos ligados às mudanças no estilo de vida dos consumidores.

Os pets talvez sejam um dos exemplos mais claros. Um cachorro ou um gato não é uma compra única. Ele gera uma longa cadeia de gastos com alimentação, banho e tosa, saúde, roupas, brinquedos, hospedagem e serviços. Do ponto de vista do consumo, isso significa demanda recorrente. Do ponto de vista do investidor, parece bem mais atraente do que apostar numa recuperação dos gastos discricionários de maior valor, ainda atrelados ao mercado imobiliário.

“Eu corto refeições em restaurantes antes de parar de comprar coisas para o meu gato”, disse Li Wen, uma trabalhadora de tecnologia de 29 anos, em Xangai. “Não parece um luxo. Parece uma forma de deixar a vida cotidiana um pouco melhor.”

A mesma lógica vale para produtos ligados a animação e brinquedos da moda. De fora, esses itens podem parecer supérfluos, mas fazem parte de um ecossistema mais amplo de vínculo afetivo que pode ser monetizado. Um personagem bem-sucedido pode vender bonecos, chaveiros, roupas, snacks, ingressos para eventos e produtos de marcas parceiras. Isso ajuda a explicar por que shoppings e áreas comerciais na China estão apostando cada vez mais em lojas temporárias, exposições e varejo temático para transformar entusiasmo online em fluxo de consumidores nas lojas físicas.

Há também uma razão estratégica mais profunda para que Pequim goste dessa tendência. O consumo baseado em interesses depende menos da riqueza gerada por imóveis financiados por dívida e é politicamente menos delicado do que o luxo ostensivo.

Ele combina com o humor atual da política econômica: apoiar a demanda doméstica, incentivar marcas locais, desenvolver serviços e cultivar novas categorias de consumo sem recorrer a mais um velho estímulo ao setor imobiliário.

A Reuters informou que as autoridades querem que o consumo represente uma parcela maior do PIB nos próximos cinco anos e que sua contribuição para o crescimento econômico aumente de forma constante até 2030.

Nada disso significa que toda tendência ligada a hobbies seja uma aposta segura. O consumo emocional pode ser volátil, passageiro e muito influenciado pelo hype das redes sociais. Reportagem do China Daily sobre a economia emocional também trouxe alertas de estudiosos e comentaristas de que o valor emocional é difícil de medir de forma consistente, o que abre espaço para distorções de preço, compras por impulso e excessos especulativos.

Por isso, os investidores deveriam se concentrar menos no item colecionável mais quente do momento e mais em quais empresas conseguem construir ecossistemas duradouros em torno do vínculo afetivo do consumidor. A questão central não é se os chineses vão continuar comprando coisas que os façam se sentir bem. As evidências indicam cada vez mais que sim. A pergunta é quais empresas conseguem transformar esse sentimento em receita recorrente.

A nova linguagem de consumo adotada por Pequim dá uma pista. O futuro do consumo na China pode não ser liderado apenas por geladeiras e sedãs. Ele também pode ser moldado por empresas que aprendam a vender identidade, conforto, fandom e diversão em escala.

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Mercado de petróleo está refém de uma corrida frenética por barris

Enquanto os investidores se concentraram no frágil cessar-fogo iraniano esta semana, uma busca desesperada por cargas tomou conta do mercado de petróleo, com negociantes e refinarias vasculhando o globo atrás de suprimentos disponíveis para entrega imediata.

No Mar do Norte, o mercado físico de petróleo mais importante do mundo, os traders apresentaram 40 lances de compra por cargas nesta semana, dos quais apenas quatro foram atendidos por ofertas de venda.

Cargas para entrega nas próximas semanas trocaram de mãos a preços sem precedentes, acima de US$ 140 o barril. Em outros lugares, as refinarias têm buscado suprimentos em regiões cada vez mais distantes, resultando em uma série de transações incomuns e prêmios exorbitantes para qualquer petróleo que esteja pronto para embarque agora.

Operadores afirmam que os movimentos de pânico nos principais mercados físicos globais demonstram a escala da escassez de óleo bruto que será sentida nas próximas semanas, à medida que a interrupção dos suprimentos do Oriente Médio deixa um vácuo crescente.

A disparada dos preços sinaliza que algumas refinarias europeias provavelmente precisarão seguir o exemplo das asiáticas e reduzir a produção — uma medida que pode ajudar a equilibrar o mercado de petróleo bruto, mas que agravaria a escassez de produtos vitais, como diesel e combustível de aviação.

“Há simplesmente uma falta de óleo bruto”, afirmou Neil Crosby, chefe de pesquisa da Sparta Commodities AS. “O Brent físico está um caos e subiu demais. Nesse ritmo, até as refinarias europeias terão que reduzir a utilização, talvez já no próximo mês.”

Contraste entre Papel e Realidade

O frenesi no comércio físico contrasta com o mercado de futuros, onde o petróleo para entrega em junho caiu 13% esta semana, fechando em cerca de US$ 95 o barril, impulsionado pelo otimismo em relação ao cessar-fogo.

Houve alguns sinais precoces de aumento da atividade no Estreito de Ormuz no fim de semana, com dois superpetroleiros chineses e um grego atravessando a via, mas o tráfego ainda permanece muito abaixo dos níveis anteriores à guerra. Mesmo que as negociações deste fim de semana levem à retomada dos fluxos normais pelo estreito, é improvável que o alívio chegue a tempo de evitar um colapso. O petróleo do Golfo leva semanas para chegar às refinarias na Ásia e na Europa.

“As últimas cargas que transitaram pelo Estreito de Ormuz antes do conflito estão chegando agora aos seus destinos. É aqui que o mercado de papel encontra a realidade física, e o hiato de 40 dias nos fluxos globais de energia fica verdadeiramente exposto”, disse Sultan al Jaber, CEO da Abu Dhabi National Oil, em uma postagem no LinkedIn na quinta-feira.

Prêmios Recordes

Esse vácuo pode ser visto no prêmio que as refinarias estão dispostas a pagar para garantir cargas disponíveis no curto prazo. Operadores de algumas refinarias asiáticas, falando sob condição de anonimato, disseram que não estão mais focados no preço, mas simplesmente buscando garantir barris onde quer que possam para assegurar a segurança energética.

O Dated Brent — a referência mais importante no mercado físico, usada para precificar milhões de barris por dia — atingiu o recorde de US$ 144 o barril antes do cessar-fogo desta semana, superando as máximas de 2008, mesmo com os futuros permanecendo bem abaixo de seus níveis recordes.

Até sexta-feira, o preço havia caído para US$ 126 o barril, ainda assim mais de US$ 30 acima dos futuros do Brent para entrega em junho. Enquanto isso, tradings como Trafigura Group e Gunvor Group ofereciam lances de mais de US$ 22 o barril acima do Dated Brent para cargas no Mar do Norte com entrega entre o final de abril e o início de maio. Suprimentos da Nigéria para carregamento no próximo mês chegaram a ser oferecidos com ágio de US$ 25 por barril sobre a referência, comparado a menos de US$ 3 antes do início da guerra com o Irã.

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Estreito de Ormuz: Superpetroleiros voltam a circular e sinalizam alívio no mercado global

Dois superpetroleiros chineses carregados com óleo bruto pareceram transitar pelo Estreito de Ormuz horas após um navio grego atravessar a via. O movimento sinaliza um aumento significativo no tráfego de petróleo dias após o anúncio de um frágil cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã.

Se os três navios completarem a travessia neste sábado (11) — uma jornada que leva cerca de oito horas —, este será o dia de maior saída de petróleo por Ormuz desde que a guerra paralisou quase todo o tráfego na região no início de março.

Nenhuma das embarcações transporta petróleo iraniano ou possui ligações diretas óbvias com o país. Desde o início do conflito, a vasta maioria do petróleo que deixou a região teve como origem a República Islâmica.

A reabertura de Ormuz é crítica para o comércio global de energia, pois seu fechamento resultou na perda de milhões de barris de oferta para os mercados mundiais. Uma retomada aliviaria a pressão sobre os mercados físicos, que estão cada vez mais apertados globalmente. EUA e Irã devem realizar negociações de paz em Islamabad nos próximos dias.

Os dois superpetroleiros chineses seriam os primeiros da nação asiática observados retirando barris da região — um benefício para Pequim, mas que ressalta como o país também foi pressionado pelo conflito.

Em termos de fluxo, as saídas são significativas, mas ainda estão longe dos níveis de tempos de paz. Juntos, os três navios têm capacidade de transporte de cerca de 6 milhões de barris. Somado a isso, o Irã exportou a uma taxa de 1,7 milhão de barris por dia no mês passado. Isso implicaria cerca de metade da taxa normal de embarques pela via — e apenas por um único dia.

Há também um terceiro navio chinês que não emitiu sinais neste sábado, mas que aguardava próximo aos outros dois antes de iniciarem a saída do Golfo Pérsico.

O navio grego sinalizava destino a Malaca, na Malásia, cujos meios de comunicação informaram na sexta-feira uma permissão para a partida dos cargueiros do país. Malaca também serve como ponto de passagem para navios que se dirigem a outras partes da Ásia. O Irã afirmou que as embarcações estão autorizadas a navegar pela via, mas que devem obter permissão para isso.

Os dois superpetroleiros chineses são o Cospearl Lake e o He Rong Hai. O grego é o Serifos. Chamadas para os operadores dos navios fora do horário comercial não foram atendidas ou retornadas de imediato. O Serifos e o He Rong Hai carregaram seus suprimentos na Arábia Saudita, enquanto o Cospearl Lake carregou no Iraque, mostram os dados de rastreamento.

Todos os três parecem ter seguido uma rota ao norte pelo estreito, conforme exigido por Teerã. Esse caminho passa por águas iranianas e ao longo das costas das ilhas Qeshm e Larak, afastando-se das rotas tradicionais de navegação de Ormuz que margeiam a costa sul da hidrovia.

Além deles, dois contratorpedeiros de mísseis guiados da Marinha dos EUA atravessaram o Estreito de Ormuz, de acordo com três funcionários americanos ouvidos pelo jornal Wall Street Journal, marcando a primeira vez que embarcações do país transitaram pela via desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.

Não foram relatados problemas, e a operação foi descrita como uma missão de navegação livre. Os navios não escoltavam embarcações comerciais, disseram as autoridades.

Quase todo o tráfego pela via, que normalmente movimenta cerca de um quinto do petróleo mundial e uma parcela semelhante de gás natural liquefeito (GNL), foi interrompido logo no primeiro dia da guerra.

Embora o rastreamento digital de navios possa estar sujeito a manipulações, os sinais das três embarcações parecem consistentes com movimentos reais de navegação.

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Enel pode perder a concessão em São Paulo. Veja os próximos passos do processo do governo

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu, nesta terça-feira (7), instaurar um processo de caducidade contra a Enel SP, em um movimento que pode levar ao encerramento do contrato de concessão da distribuidora na Grande São Paulo.

A medida foi adotada após a Aneel identificar falhas recorrentes na prestação do serviço, com destaque para o desempenho da empresa em eventos climáticos extremos entre 2023 e 2025. Segundo a decisão, a concessionária não conseguiu atingir padrões considerados adequados, mantendo níveis elevados de interrupções prolongadas e tempo de resposta acima do esperado.

Com a abertura do processo, a Enel terá prazo para apresentar defesa antes que a Aneel conclua sua análise e decida se recomenda a caducidade ao Ministério de Minas e Energia (MME), responsável pela decisão final sobre o contrato.

Procurada pelo InvestNews, a Enel, em nota, afirmou que seguirá trabalhando para demonstrar, em todas as instâncias, que cumpre todos os indicadores previstos no contrato de concessão e no plano de recuperação apresentado em 2024 à Aneel.

Cronologia do caso

As reclamações em relação à Enel começaram em 2023, após uma série de apagões recorrentes na Grande São Paulo expor falhas no restabelecimento do serviço prestado.

  • Nov/2023: ventos fortes derrubam árvores e cabos e milhares de imóveis ficam dias sem luz após o temporal;
  • 2024 (ao longo do ano): novos apagões combinam impacto de chuvas com falhas na infraestrutura, incluindo problemas em rede subterrânea e interrupções prolongadas;
  • Out/2024: temporal derruba a rede em larga escala e milhões de imóveis ficam sem energia e normalização leva dias em parte da cidade;
  • No mesmo período, a Aneel intensifica fiscalização e aplica multas e cobra plano de recuperação após falhas no atendimento;
  • Dez/2024: novo temporal derruba árvores sobre a rede e deixa centenas de milhares de clientes sem luz;
  • Dez/2025: ventos fortes causam apagão que atinge mais de 4,4 milhões de imóveis e restabelecimento ocorre de forma gradual;
  • No mesmo período, o Governo Federal pede à Aneel abertura de processo para avaliar rompimento do contrato após sequência de falhas;
  • Fev/2026: área técnica da Aneel recomenda caducidade com base no histórico de interrupções e Enel contesta e atribui falhas à intensidade dos temporais;
  • Mar/2026: empresa recorre à Justiça e consegue suspender o processo e decisão posterior libera retomada da análise;
  • Abr/2026: Aneel abre processo de caducidade e concede 30 dias para defesa antes de possível decisão do governo.

Enel: o que é o processo de caducidade?

A caducidade é um instrumento jurídico que permite o encerramento antecipado de contratos de concessão quando há descumprimento de obrigações, de acordo com a lei Nº 8.987/1995.

No setor elétrico, isso ocorre quando a concessionária não atende aos padrões de qualidade e continuidade exigidos pela regulação e pelos órgãos competentes.

Com a instauração do processo administrativo, a Enel será avaliada pela Aneel após a empresa apresentar sua defesa. O processo poderá ser arquivado ou encaminhado para análise do MME.

Na prática, a pasta responsável decidirá se a Enel perderá o direito de exploração do serviço previsto no contrato de concessão.

Aneel x Enel: quais os próximos passos

Com a instauração do processo administrativo de caducidade, a Enel terá 30 dias para apresentar sua defesa.

Após esse prazo, a agência analisará os argumentos apresentados pela concessionária e decidirá se recomenda ou não o fim do contrato ao Ministério de Minas e Energia, que tem a competência para a decisão final.

O que muda para a Enel a partir de agora?

A Enel continua responsável pelo fornecimento de energia elétrica em São Paulo, mas passa a operar com o contrato sob avaliação.

A Aneel também determinou a suspensão da análise de renovação da concessão, o que impede a prorrogação do contrato enquanto o processo estiver em curso.

Além disso, a decisão reforça o acompanhamento regulatório sobre a operação da distribuidora, especialmente em relação ao cumprimento de metas de qualidade e atendimento.

O contrato da Enel será rescindido em São Paulo?

Não há rescisão automática no contrato de concessão da Enel. Mesmo em caso de caducidade, a saída não ocorreria de forma imediata.

  • A abertura do processo é uma etapa inicial que pode ou não resultar no encerramento da concessão.

Caso o entendimento seja de que houve descumprimento das obrigações contratuais, o contrato pode ser encerrado. Caso contrário, a concessão permanece vigente.

Por se trata de um serviço essencial, o fornecimento de energia precisa ser mantido durante a transição. O prazo para qualquer transição não é fixo, mas a continuidade do serviço é preservada até a definição de uma nova gestão.

Nesse caso, o governo federal pode assumir temporariamente a operação ou definir um novo operador.

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Trump reitera ameaça de destruir o Irã. ‘Uma civilização inteira morrerá esta noite’

O presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou seu ultimato para que o Irã aceite um acordo de cessar-fogo ou enfrente uma grande escalada militar, enquanto ambos os lados mantêm ataques na sexta semana de guerra.

Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser recuperada. Não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá”, disse Trump em uma postagem nas redes sociais na terça-feira (7). “Talvez algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE? Vamos descobrir esta noite.”

Os comentários vieram enquanto os EUA e Israel mantinham bombardeios contra o Irã — incluindo ataques ao polo exportador de petróleo da Ilha de Kharg — enquanto a República Islâmica disparava mísseis através do Golfo Pérsico. Trump ameaçou destruir usinas de energia, pontes e outras infraestruturas iranianas caso não haja acordo até as 20h (horário do leste dos EUA).

Falando em Budapeste, o vice-presidente JD Vance disse estar confiante de que o Irã dará uma resposta até lá.

Crime de guerra

As Nações Unidas alertaram que ataques indiscriminados a infraestrutura civil podem constituir crime de guerra. Trump afirmou não estar “nem um pouco” preocupado com essa possibilidade.

O mais recente ultimato marca um momento crítico no conflito, que já matou mais de 5.200 pessoas — a maioria no Irã e no Líbano — e atingiu instalações de energia em toda a região. O presidente começou a impor prazos em 21 de março para forçar o Irã a reabrir o estratégico Estreito de Ormuz, tendo prorrogado o prazo diversas vezes, mas disse na segunda-feira que é “altamente improvável” que volte a fazê-lo.

A liberdade de navegação pelo estreito deve fazer parte de qualquer acordo, afirmou Trump.

A agência semioficial iraniana Mehr informou que explosões foram ouvidas na Ilha de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do país.

A Fox News relatou que os EUA atingiram bunkers, uma estação de radar e depósitos de munição, além de um impacto não intencional nos cais da ilha. Duas pessoas morreram em um ataque EUA-Israel a uma ponte ferroviária próxima à cidade iraniana de Kashan, segundo a agência estatal Nour News.

Israel se prepara para a possibilidade de que os combates continuem por várias semanas e, na terça-feira, alertou iranianos a não utilizarem a rede ferroviária até as 21h no horário local — um tipo de aviso que costuma anteceder ataques a áreas civis.

Petróleo

O petróleo reduziu ganhos à medida que investidores hesitam diante do prazo imposto por Trump, com o risco de escalada sendo parcialmente compensado por sinais de cessar-fogo. O Brent era negociado ligeiramente acima de US$ 110 por barril em Londres.

Trump afirmou na segunda-feira que as negociações com o Irã estão “indo bem” e que a reabertura do estreito é “uma prioridade muito grande”.

“Precisamos de um acordo aceitável para mim, e parte disso será garantir o livre fluxo de petróleo e de tudo mais”, disse.

O militar norte-americano poderia destruir “todas as pontes do Irã”, acrescentou. Usinas seriam deixadas “em chamas, explodindo e sem nunca mais poderem ser usadas”.

O Irã alertou que responderia a uma escalada desse tipo intensificando seus próprios ataques à infraestrutura energética no Golfo — o que poderia agravar a crise global de combustíveis e ampliar os danos à economia mundial.

A República Islâmica lançou sete mísseis balísticos e vários drones contra a Arábia Saudita durante a madrugada de terça-feira, e destroços de interceptações caíram nas proximidades de instalações energéticas, segundo o reino. Uma ponte importante que liga Bahrein e Arábia Saudita foi temporariamente fechada como precaução.

As Forças de Defesa de Israel relataram três ondas de mísseis iranianos desde a meia-noite, mirando diversos pontos em Tel Aviv e cidades vizinhas.

Israel aprovou novas missões contra o Irã para as próximas três semanas, se necessário, segundo um porta-voz militar. O país também trava uma guerra paralela no Líbano contra o grupo Hezbollah, apoiado por Teerã, e atacou alvos em Beirute na segunda-feira.

O principal diplomata de Singapura alertou que o impacto econômico do conflito pode piorar e que os investidores ainda não ajustaram totalmente suas expectativas. “Tenho certeza de que os mercados não estão precificando completamente o pior cenário”, disse o chanceler Vivian Balakrishnan à Bloomberg Television.

Trump tem enfrentado dificuldades para encontrar uma saída para o conflito, que se torna cada vez mais impopular entre os americanos, com o preço médio da gasolina acima de US$ 4 por galão. Ele afirmou que JD Vance participa das negociações de cessar-fogo, junto com o enviado especial Steve Witkoff, embora Teerã tenha rejeitado uma proposta na segunda-feira.

“Posso dizer que temos um participante ativo e disposto do outro lado”, disse Trump. “Eles estão negociando, acreditamos, de boa-fé — vamos descobrir.”

O Irã pediu o fim permanente da guerra, esforços de reconstrução e o levantamento de sanções, além de protocolos para garantir a navegação segura pelo Estreito de Ormuz, segundo a agência estatal IRNA.

A ofensiva iraniana contra EUA e Israel não será afetada pelas ameaças de Trump, disse um porta-voz militar, citado pela mídia estatal.

Teerã afirmou que só permitirá a normalização do tráfego no estreito após ser compensado pelos danos da guerra.

A República Islâmica reduziu quase a zero o fluxo pelo Estreito de Ormuz — por onde normalmente passa cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito.

Dois navios carregados com GNL do Catar chegaram a deixar o Golfo Pérsico na segunda-feira, mas fizeram retorno poucas horas depois após terem a passagem negada por autoridades iranianas, segundo traders.

Teerã tem permitido apenas um fluxo limitado de embarcações na via marítima, que também utiliza para suas próprias exportações de petróleo.

Trump lamentou que gostaria de utilizar o petróleo iraniano para os EUA, mas afirmou que a opinião pública americana pressiona pelo fim do conflito.

“Sou um homem de negócios antes de tudo”, disse. “E já disse: por que não usamos isso? Ao vencedor, os despojos? Mas não temos isso.”

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Trump vai assinar o dólar e encerrar 165 anos de tradição nas cédulas mais famosas do mundo

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (26) que a assinatura do presidente Donald Trump passará a figurar nas cédulas de dólar, um feito inédito para um presidente americano em exercício.

As primeiras notas de US$ 100 com o nome de Trump e do secretário do Tesouro, Scott Bessent, serão impressas em junho. As cédulas de outros valores virão nos meses seguintes.

A decisão rompe uma convenção tão antiga quanto o próprio papel-moeda americano.

Desde 1861, quando o governo federal começou a emitir suas próprias cédulas, o dinheiro dos Estados Unidos carrega duas assinaturas: a do secretário do Tesouro e a do tesoureiro nacional. São dois cargos técnicos, não políticos. No Brasil, a lógica é semelhante: assinam as cédulas do real o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central.

Ao manter o presidente fora das cédulas, os Estados Unidos estabeleceram uma separação simbólica entre o chefe de Estado e o dinheiro que circula em seu nome. A legislação que rege a impressão das cédulas permite retratos apenas de indivíduos falecidos, e as assinaturas sempre pertenceram a funcionários do Tesouro, nunca ao ocupante da Casa Branca.

Trump rompe uma tradição de 34 ocupantes do cargo que assinaram cédulas ao longo de 165 anos. O Tesouro justificou a mudança como homenagem ao 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, celebrado neste 4 de Julho.

Personificação

O gesto se insere num padrão mais amplo do novo governo Trump. A troca de assinaturas é a mais recente de uma série de iniciativas do presidente para estampar o nome do presidente em edifícios, instituições, programas governamentais, navios de guerra e moedas, como lembrou o The Wall Street Journal.

O Kennedy Center, um dos principais espaços culturais de Washington, criado como memorial ao presidente assassinado John F. Kennedy, passou a carregar também o nome de Trump. O Instituto da Paz dos Estados Unidos foi renomeado.

Um painel federal aprovou o desenho de uma moeda de ouro comemorativa com o rosto do presidente, algo que, por tradição, só ocorre após a morte do homenageado. A exceção mais próxima é Calvin Coolidge, que apareceu numa moeda em 1926, no 150º aniversário do país.

Em seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, Trump já havia testado o recurso: assinou pessoalmente os cheques de auxílio emergencial distribuídos aos americanos durante a pandemia de covid-19. A diferença agora é de escala e permanência.

Uma cédula de dólar circula, em média, por anos, dentro e fora dos Estados Unidos, e carrega consigo o peso simbólico da maior economia do mundo.

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Seleções campeãs do mundo: todos os vencedores da Copa até 2022

Você sabia que apenas oito países já venceram a Copa em 22 edições desde que ela foi criada? As seleções de futebol masculino campeãs do mundo representam somente dois continentes. O time vencedor da Copa no Catar, a Argentina, que derrotou a França nos pênaltis na final, pertence a um desses continentes.

A seguir, confira quem foram os vencedores da Copa até o momento e quais deles tiveram a oportunidade de ganhar mais de uma vez, como o Brasil. Se você ama futebol, é hora de refrescar a memória!


Confira:

Quais são as seleções campeãs do mundo?

Em países em que o futebol é um esporte popular, participar do torneio vira questão de honra. Nesse quesito, o Brasil fez a lição de casa, porque, além de estar entre os campeões da Copa do Mundo, é o único país que participou de todas as edições

As seleções campeãs do mundo são:

  • Uruguai 
  • Itália
  • Alemanha 
  • Brasil 
  • Inglaterra
  • Argentina 
  • França 
  • Espanha

Confira, agora, qual foi o placar das partidas que definiram os vencedores da Copa e algumas curiosidades:

1930

O Uruguai sediou a primeira Copa do  Mundo e as 18 partidas foram feitas somente na capital Montevidéu. O time uruguaio foi à final contra a Argentina e venceu os vizinhos por 4 a 2. No dia seguinte, foi feriado no país para celebrar a conquista do título no primeiro campeonato. 

1934 

A Itália sediou a segunda Copa do Mundo e também se tornou campeã em casa, vencendo a antiga Tchecoslováquia (atual República Tcheca e Eslováquia) na prorrogação por 2 a 1. Os jogos foram transmitidos ao vivo pelo rádio para 12 países. 

O campeão Uruguai não disputou a Copa em retaliação à Itália, por ter se recusado a viajar e participar da primeira edição.

1938

A Itália se tornou bicampeã ao vencer a Hungria por 4 a 2. O Brasil foi o terceiro colocado. Pela primeira vez, um país asiático participou da Copa: as Índias Orientais Holandesas (Indonésia).

1950

Depois de um intervalo com as copas de 1942 e 1946 canceladas por causa da Segunda Guerra Mundial, a retomada foi no Brasil.

Jogando em casa, a equipe brasileira conseguiu chegar até a final, que foi disputada no Maracanã, no Rio de Janeiro, considerado o maior estádio do mundo na época. No entanto, o Uruguai conseguiu virar o jogo e se tornou bicampeão por 2 a 1.

1954

A Copa de 1954 marca o retorno da Alemanha, dessa vez como Alemanha Ocidental, à Copa desde o final da Segunda Guerra. Mesmo não sendo a favorita, os alemães venceram a Hungria de virada, por 3 a 2, marcando o gol da vitória já no fim da partida.

1958

A Copa de 1958 tinha uma dupla invencível de atacantes: Pelé e Garrincha, que levaram o Brasil à final, que venceu a anfitriã dos jogos, a Suécia, por 5 a 2. O Brasil foi o primeiro país a conquistar o título em um continente diferente

1962

Mais uma vez na final, o Brasil venceu a Tchecoslováquia por 3 a 1 na Copa no Chile. Garrincha estava suspenso da partida por conta de um cartão vermelho na semifinal. Mas até o presidente do Chile, Jorge Alessandri, solicitou que o atacante brilhasse na final e o pedido foi aceito.

1966

A Inglaterra venceu a Alemanha Ocidental por 4 a 2 na prorrogação. A Rainha Elizabeth II estava no estádio em Wembley e presenciou o país conquistar seu primeiro e único título até o momento.

1970

O Brasil se tornou tricampeão, vencendo a Itália por 4 a 1. O time brasileiro se consagrou no futebol mundial com jogadores como Pelé, Rivelino, Tostão e Carlos Alberto.

1974

A Alemanha Ocidental venceu a Holanda em casa por 2 a 1. A Copa foi marcada pela atuação marcante do jogador holandês Johan Cruyff e do alemão Franz Beckenbauer. 

1978

Em sua segunda final consecutiva, a Holanda perdeu novamente, desta vez para a dona da casa, a Argentina. Passaram-se 48 anos desde a primeira Copa do Mundo até que os argentinos levassem o título por 3 a 1.

1982

Depois de  uma semifinal disputada nos pênaltis entre Alemanha Ocidental e França, a seleção alemã venceu, mas não conquistou a taça Jules Rimet. A Itália venceu os alemães por 3 a 1 e se igualou ao Brasil com o tricampeonato na Copa da Espanha.

1986

A Copa do México foi do argentino Diego Maradona, que estava no auge de sua carreira e contribuiu para vencer a Alemanha Ocidental. A Argentina conquistou o título pela segunda vez.

1990

Alemanha e Argentina se enfrentaram novamente em uma final, mas dessa vez os alemães levaram a melhor por 1 a 0. O gol decisivo foi de um pênalti faltando menos de cinco minutos para terminar a partida.

1994

A final clássica entre Brasil e Itália, decidida nos pênaltis. O chute para fora do gol do italiano Roberto Baggio entregou o título ao Brasil, que conquistou o primeiro tetracampeonato entre os vencedores da Copa.

1998

Depois de um tetra, a expectativa sobre a seleção brasileira caiu por terra. Apesar do Brasil chegar à final com a França, a vitória foi de 3 a 0 para os franceses.

2002

Realizada pela primeira vez na Ásia e em dois países ao mesmo tempo, a Copa da Coreia do Sul e do Japão marcou também a vitória do Brasil pela quinta vez. A seleção brasileira venceu a Alemanha por 2 a 0.

2006

Com semifinais e uma final composta apenas de países europeus, a Itália venceu a França nos pênaltis e se consagrou tetracampeã. 

2010

Pela primeira vez a ser realizada no continente africano, a Copa na África do Sul também teve um estreante entre as seleções campeãs do mundo. A Espanha, que até então nunca havia passado das quartas de final, venceu a Holanda por 1 a 0 na prorrogação.

2014

Na segunda Copa do Mundo no Brasil, a final ficou entre a Alemanha e a Argentina. A partida foi decidida só na prorrogação, que deu vitória aos alemães por 1 a 0, sendo a primeira seleção europeia a ganhar o torneio no continente americano. 

2018

A França conquistou o bicampeonato na final contra a Croácia, vencendo por 4 a 2. O francês Kylian Mbappe foi o segundo jogador mais novo a disputar uma final, com 19 anos. 

O mais novo, até o momento, continua a ser o brasileiro Pelé, que jogou a final de 1958, na Suécia, com apenas 17 anos.

2022

A Argentina levou o tricampeonato na Copa do Catar, encerrando um jejum de 36 anos sem título, ao derrotar a França nos pênaltis. A partida encerrou em 3 a 3, na prorrogação.

Países que mais venceram a Copa do Mundo

Entre as oito seleções campeãs do mundo, somente seis conquistaram o título mais de uma vez. O Brasil é o único pentacampeão até o momento, enquanto Alemanha e Itália somam quatro vitórias cada.

O ranking dos países vencedores da Copa são:

  • Brasil: 5 vitórias
  • Itália: 4 vitórias
  • Alemanha: 4 vitórias
  • Argentina: 3 vitórias
  • Uruguai: 2 vitórias
  • França: 2 vitórias
  • Inglaterra: 1 vitória
  • Espanha: 1 vitória

A Alemanha participou das Copas de 1934 e 1938 como uma única seleção. Depois da Segunda Guerra, o país voltou a disputar o torneio somente em 1954, porém como Alemanha Odicental

A Federação Internacional do Futebol (FIFA), que é o órgão responsável pela realização da Copa, atribuiu as vitórias da antiga Alemanha Ocidental à atual seleção alemã. 

De todos os campeões da Copa do Mundo, somente a Itália não vai disputar o torneio no Catar este ano. Esta será a segunda edição que a seleção italiana não se classifica para o campeonato.

Países que nunca participaram da Copa do Mundo

A FIFA reconhece mais de 200 nações que podem ou não disputar o torneio. Cabe a cada uma escolher se candidatar para participar das eliminatórias e tentar se classificar para o torneio principal.

Alguns dos países que mais tentaram participar, mas nunca conseguiram são Luxemburgo, Curaçao, Zâmbia, Malta, Síria e Venezuela. Todos eles já se inscreveram em mais de dez edições do torneio.

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Governo oferece R$ 15 bilhões a empresas afetadas por tarifas e Guerra no Oriente Médio

O Brasil lançou um novo programa para oferecer financiamento a empresas que enfrentam dificuldades devido ao impacto das tarifas dos Estados Unidos e da guerra no Oriente Médio.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou nesta quarta-feira uma medida provisória que oferece R$ 15 bilhões em crédito para ajudar empresas afetadas por razões geopolíticas e instabilidade internacional, como a guerra no Oriente Médio e medidas tarifárias impostas pelo governo do Estados Unidos.

Uma ampla gama de empresas pode se qualificar, desde exportadores do setor industrial atingidos por tarifas até produtores de fertilizantes, considerados essenciais para reduzir a dependência do Brasil em relação às importações, interrompidas pela guerra.

A medida, noticiada inicialmente pelo jornal O Globo, marca uma nova fase do programa Brasil Soberano, lançado no ano passado após o presidente americano Donald Trump ter imposto tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras para os EUA.

Na época, o programa fazia parte de uma resposta mais ampla de Lula que ajudou a impulsionar sua popularidade. Agora, o líder de esquerda está lutando para conter o aumento dos custos dos combustíveis e as interrupções na oferta de fertilizantes, que ameaçam elevar a inflação e gerar insatisfação entre caminhoneiros, agricultores e empresários.

Os recursos serão direcionados para capital de giro, aquisição de bens de capital e investimentos voltados à adaptação da produção, ampliação da capacidade produtiva e investimentos em inovação tecnológica. Os recursos virão de superávits financeiros do Tesouro, do fundo garantidor de exportações e de outras fontes orçamentárias. 

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Governo Trump libera TotalEnergies de investir US$ 1 bilhão em energia eólica

O governo Donald Trump liberou a TotalEnergies e seus parceiros de contratos de cerca de US$ 1 bilhão em projetos de energia eólica offshore, permitindo que a gigante francesa redirecione esses recursos para investimentos em petróleo e gás natural nos Estados Unidos.

Pelo acordo, a empresa não está mais comprometida a desenvolver parques eólicos nas costas de Nova York, Nova Jersey e Carolina do Norte, disse o secretário do Interior, Doug Burgum, durante a conferência CERAWeek, em Houston.

Reverter políticas climáticas

Em troca dos novos investimentos em combustíveis fósseis, os EUA vão reembolsar a TotalEnergies “dólar por dólar” até o valor pago originalmente pelos contratos, segundo comunicado do Departamento do Interior.

A ofensiva do presidente Donald Trump contra a energia eólica offshore faz parte de um esforço mais amplo para reverter políticas climáticas da era Biden e reforçar o apoio aos combustíveis fósseis. Tentativas de barrar a construção de cinco parques eólicos no mar, porém, têm enfrentado reveses na Justiça nos últimos meses.

O CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanne, afirmou que a empresa vai “acelerar” os investimentos em gás natural liquefeito (GNL) nos EUA. Segundo ele, o acordo não altera o compromisso da companhia com a energia eólica em outros países.

A empresa disse ainda que estudos indicam que projetos de eólica offshore nos EUA — ao contrário da Europa — são caros e podem encarecer a energia para os consumidores.

A TotalEnergies, já a maior exportadora de GNL dos EUA, pretende reinvestir os valores reembolsados para financiar o projeto Rio Grande LNG, no Texas, e outras atividades de petróleo e gás no país.

“Esses investimentos vão ajudar a fornecer GNL necessário para a Europa e gás para o desenvolvimento de data centers nos EUA”, disse Pouyanne.

A unidade Attentive Energy, da TotalEnergies, havia obtido licença para desenvolver mais de 3 gigawatts de energia eólica offshore entre Nova York e Nova Jersey — suficiente para abastecer mais de 1 milhão de residências. O contrato, concedido em 2022, custou US$ 795 milhões.

Posteriormente, a empresa vendeu uma participação de 44% no projeto por US$ 420 milhões para investidores, incluindo a Macquarie Group. A Total também havia obtido outro contrato, de 1 gigawatt, na costa da Carolina do Norte, por US$ 160 milhões.

As discussões sobre a desistência dos contratos foram noticiadas anteriormente pelo New York Times.

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Minha Casa Minha Vida passa a atender famílias com renda até R$ 13 mil mensais

O programa habitacional Minha Casa, Minha Vida ganhou novos teto salarial e valor máximo de imóvel que pode ser financiado dentro das taxas subsidiadas. Todas as quatro faixas foram reajustadas e o limite máximo de renda familiar mensal passou de R$ 12 mil para R$ 13 mil.

As mudanças foram aprovadas pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) nesta terça-feira (24).

Com as alterações, a Faixa 1 passa a atender famílias com renda mensal até R$ 3,5 mil. Na regra antiga, o teto era de R$ 2.850.

Já a Faixa 2 passou de R$ 4.700 para até R$ 5 mil, enquanto a Faixa 3 avançou de R$ 8,6 mil para R$ 9,6 mil.

O mesmo incremento foi aplicado ao teto da Faixa 4, voltada à classe média. O limite subiu R$ 1 mil para R$ 13 mil.

Os valores máximos de imóveis que podem ser financiados no programa também subiu. A Faixa 3 teve um incremento de R$ 50 mil. Esse segmento vai atender aquisições de residências de até R$ 400 mil.

Na Faixa 4, o limite subiu R$ 100 mil e agora as famílias poderão comprar imóveis com valor de até R$ 600 mil.

A última grande mudança do programa ocorreu em abril do ano passado. Foi justamente a criação da Faixa 4 para atender famílias de classe média, que acabaram excluídas do crédito imobiliário no atual cenário de juros altos.

As taxas dos empréstimos não mudaram. A Faixa 1 continua com juros de até 4,25% ao ano. Na Faixa 2, as taxas vão até 7%, enquanto na 3, os custos podem alcançar 8,16% anuais. A Faixa 4 tem taxas de até 10,5% ao ano.

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O sucesso industrial da China virou um problema diplomático. E Pequim sabe disso

O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, prometeu responder às preocupações de parceiros comerciais com o grande superávit da China, num sinal de que Pequim teme que o tema prejudique suas relações com mais países durante a trégua com os Estados Unidos na disputa tarifária.

“Levamos a sério as preocupações de nossos parceiros comerciais e estamos prontos para trabalhar com todas as partes para promover um desenvolvimento saudável e equilibrado do comércio”, disse Li em um discurso de abertura no Fórum de Desenvolvimento da China, em Pequim, no domingo (22).

“Também vamos ampliar ainda mais o acesso ao mercado no setor de serviços e aumentar as importações de produtos médicos e de saúde, tecnologias digitais e serviços de baixo carbono, para oferecer mais oportunidades de negócios a empresas estrangeiras”, acrescentou.

A China registrou no ano passado um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão, e as exportações seguiram em forte alta nos dois primeiros meses deste ano, ampliando a preocupação em vários países com o futuro de suas próprias indústrias.

Estados Unidos e China travaram uma grande guerra comercial em 2025, que foi colocada em pausa com uma trégua de um ano acertada pelo presidente Donald Trump e pelo líder chinês Xi Jinping em outubro. Em dezembro, o presidente francês, Emmanuel Macron, alertou que a União Europeia poderia ser forçada a adotar “medidas fortes” contra a China, incluindo possíveis tarifas, se Pequim não enfrentar o desequilíbrio comercial crescente com o bloco.

As autoridades chinesas já tomaram algumas medidas para aliviar as tensões comerciais, entre elas a redução de incentivos tributários à exportação para centenas de produtos, como células solares e baterias.

Essa força industrial, porém, convive com uma economia fragilizada pelo consumo doméstico fraco. Setores como o de energia solar também sofrem com excesso de capacidade e concorrência acirrada nos preços.

Li afirmou que, “nos últimos anos, fizemos progressos positivos no enfrentamento da competição de estilo involutivo”.

Falando no mesmo fórum, o presidente do Banco do Povo da China, Pan Gongsheng, defendeu o superávit em conta corrente do país, dizendo que ele “é alocado entre diferentes regiões e setores do mundo por meio do investimento externo de empresas chinesas e dos bancos”.

Li Qiang, o premiê Chinês. Foto: Bloomberg

Segundo ele, esse superávit “tem sustentado o crescimento econômico global e a estabilidade financeira”.

O Fórum de Desenvolvimento da China foi criado em 2000 com apoio do então premiê Zhu Rongji. O evento costuma ocorrer logo após o encerramento das duas principais reuniões políticas anuais do país e atrai CEOs de grandes corporações, que conversam com autoridades sobre as prioridades econômicas e de política pública de Pequim.

No domingo, o CEO da Apple, Tim Cook, elogiou as inovações de desenvolvedores chineses e a automação das fábricas no país. Os comentários vieram dias depois de o principal jornal do Partido Comunista criticar a fabricante do iPhone por práticas monopolistas.

Neste ano, nenhum executivo japonês apareceu na lista oficial de participantes. As relações entre Pequim e Tóquio se deterioraram depois que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sugeriu que as Forças Armadas do país poderiam ser mobilizadas no caso de uma invasão chinesa de Taiwan.

O número 2 do Fundo Monetário Internacional, Dan Katz, afirmou no fórum que Pequim “pode fazer mais para estimular o consumo e a demanda doméstica — especialmente por serviços — elevando a renda das famílias e reduzindo os incentivos à poupança por precaução”.

Isso exigiria, segundo ele, “deslocar recursos hoje destinados a subsídios industriais e infraestrutura para programas de proteção social e para a estabilização do setor imobiliário, de modo a dar aos cidadãos confiança para gastar mais e poupar menos”.

Também significaria transferir parte da carga tributária das famílias de classe média para as mais ricas e reduzir isenções concedidas a empresas, acrescentou Katz.

A guerra no Irã também amplia os riscos para a economia chinesa. Custos mais altos de combustíveis e matérias-primas podem pressionar ainda mais as margens de lucro da indústria.

Li não mencionou diretamente o conflito, mas disse que “o desenvolvimento de alguns focos de tensão é profundamente preocupante”.

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Trump dá ultimato ao Irã e ameaça bombardear usinas se Hormuz não reabrir

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu ao Irã um prazo de dois dias para reabrir o Estreito de Hormuz ou ver suas usinas de energia serem bombardeadas, elevando o tom de uma guerra que, já em sua quarta semana, não mostra sinais de desescalada.

Trump, num indicativo da pressão que enfrenta para conter a disparada dos preços do petróleo, disse que o Irã precisa “abrir totalmente, sem ameaças” a via marítima vital para o fluxo global de energia. Ele deu ao país 48 horas “a partir deste exato momento”, em uma postagem na Truth Social publicada no fim da noite de sábado (21).

Os militares iranianos responderam dizendo que vão mirar “toda a infraestrutura de energia, tecnologia da informação e dessalinização pertencente aos EUA e ao regime israelense na região” caso a infraestrutura de combustíveis e energia do Irã seja atacada, segundo a agência semioficial Tasnim. A TV estatal iraniana publicou relatos semelhantes.

A retórica indica que nenhum dos lados está disposto a recuar. A guerra — iniciada com ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã em 28 de fevereiro — já desencadeou uma crise inédita no fornecimento de petróleo e gás. As ameaças mais recentes vieram depois de uma semana de ataques pesados contra infraestrutura energética crucial no Oriente Médio, aprofundando o risco de efeitos mais duradouros sobre a economia global.

Os fluxos de petróleo e gás provavelmente levarão tempo para voltar ao normal mesmo depois da reabertura do Estreito de Hormuz, já que muitos locais de produção foram danificados. Os bloqueios também estão provocando escassez de fertilizantes e nutrientes agrícolas, o que eleva a perspectiva de disrupções graves na produção de alimentos.

Estados Unidos e Israel continuaram, no domingo, a atacar alvos no Irã, que por sua vez segue lançando mísseis e drones contra Israel e países árabes do Golfo.

Mais de 4 mil pessoas morreram em toda a região, segundo governos e organizações não governamentais, sendo mais de três quartos das vítimas no Irã. No Líbano, onde Israel intensificou a ofensiva contra militantes do Hezbollah apoiados por Teerã, o número de mortos já supera 1 mil. Dezenas de pessoas morreram em Israel e em países árabes.

Os ataques com mísseis iranianos contra Israel se intensificaram nos últimos dias. No sábado, cerca de 115 pessoas ficaram feridas nas cidades de Arad e Dimona, no sul do país — esta última conhecida por dar nome a uma instalação de pesquisa nuclear nas proximidades. A mídia iraniana afirmou que o ataque foi uma retaliação a uma ofensiva contra a instalação nuclear de Natanz.

“Esta é uma noite muito difícil na luta pelo nosso futuro”, disse o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acrescentando que estava reforçando as equipes de resgate nas áreas atingidas.

Donald Trump está com terno escuro e gravata vermelha, e aponta para à esquerda

Falando no domingo, Netanyahu pediu que líderes de outros países se juntem à guerra e afirmou que alguns já começam a dar sinais nessa direção. “Fico feliz em dizer que consigo ver alguns deles começando a se mover nessa direção”, afirmou.

A nova ameaça de Trump ao Irã veio um dia depois de ele dizer que estava pensando em “reduzir” as operações militares e que a responsabilidade por vigiar Hormuz caberia a outros países. Isso exemplifica os sinais contraditórios enviados pelo presidente ao longo da guerra, deixando governos e mercados correndo para acompanhar os desdobramentos.

O tráfego por Hormuz — por onde normalmente passa cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e gás natural liquefeito — praticamente parou desde o início da guerra. O barril do Brent disparou para mais de US$ 112, o maior nível em quase quatro anos. Também subiram os preços da gasolina nos Estados Unidos, dos fertilizantes e de vários metais transportados por Hormuz.

Autoridades iranianas relutam até mesmo em discutir a reabertura do estreito, enquanto concentram esforços em sobreviver à ofensiva de EUA e Israel, segundo uma pessoa envolvida em contatos diretos e de alto nível com Teerã.

Alguns países, no entanto, vêm encontrando formas de fazer cargas atravessarem o corredor. A Marinha iraniana escoltou um navio-tanque indiano de gás natural liquefeito pelo estreito após articulação diplomática de Nova Déli. O Irã afirmou que a passagem está aberta a todos, exceto embarcações ligadas a países inimigos.

Até agora, Estados Unidos e Israel evitaram em grande parte atacar usinas de energia e instalações de água do Irã. Israel chegou a bombardear depósitos de combustível em Teerã duas semanas atrás, provocando nuvens de chuva ácida e atraindo críticas veladas dos Estados Unidos, que avaliaram a ação como um erro estratégico capaz de voltar a população iraniana contra a ofensiva.

Israel e Estados Unidos falaram em mudança de regime nos primeiros dias da guerra, mas agora enfatizam objetivos mais limitados, como destruir as capacidades nuclear e de mísseis do Irã. O regime iraniano não parece perto de colapsar, e autoridades vêm se reagrupando em torno das lideranças remanescentes, segundo avaliações de inteligência ocidentais e pessoas familiarizadas com o assunto.

O Irã tem cerca de 100 usinas termelétricas a gás natural em operação, segundo dados compilados pela Bloomberg. Entre as maiores estão a usina de Damavand, perto de Teerã; a de Ramin, ao norte de Ahvaz, no oeste do país; e a de Kerman, em Chatroud, no sudeste.

Os ativos energéticos do Oriente Médio vêm entrando cada vez mais no centro do conflito à medida que os ataques se ampliam. Israel bombardeou o campo de gás de South Pars na quarta-feira passada, e o Irã retaliou com ataques contra a maior instalação de gás natural liquefeito do mundo, no Catar, além de outros ativos energéticos no Golfo.

Os preços do petróleo em Londres subiram mais de 50% desde o início da guerra, reacendendo temores de inflação global. A disparada dos preços — especialmente da gasolina — traz riscos políticos para Trump dentro dos Estados Unidos, faltando apenas oito meses para as eleições legislativas de meio de mandato.

Os Estados Unidos estão produzindo volumes recordes de petróleo e gás no mercado doméstico, mas regiões como Europa, China e Japão dependem mais dos recursos energéticos do Oriente Médio.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou no sábado que a campanha conjunta será intensificada de forma significativa, um dia depois de Teerã lançar mísseis balísticos contra a base militar conjunta de EUA e Reino Unido em Diego Garcia — a quase 4 mil quilômetros do Irã.

A base não sofreu danos, segundo uma pessoa a par do assunto que falou sob condição de anonimato. Ainda assim, o ataque demonstrou uma capacidade que vai além do que se sabia até então sobre o arsenal iraniano.

Os esforços de Trump para mobilizar aliados dos Estados Unidos na reabertura do estreito ao tráfego comercial em larga escala têm sido, em grande medida, rejeitados. Em resposta, o presidente americano atacou verbalmente membros da Otan, chamando-os de “covardes” por não aderirem à operação.

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Guerra no Oriente Médio ameaça fertilizantes usados na soja

A guerra no Oriente Médio provocou grandes disrupções na oferta global de nutrientes agrícolas à base de nitrogênio. Agora, uma ameaça potencialmente maior começa a surgir em outra frente importante do mercado de fertilizantes.

Desde o início do conflito, o foco tem estado na ureia, um fertilizante nitrogenado fundamental para culturas como o milho. Os preços do insumo dispararam à medida que a guerra bloqueia embarques pelo Estreito de Hormuz, levando produtores rurais a correr atrás de abastecimento. O que tem passado mais despercebido em meio ao caos é o risco para os fertilizantes fosfatados — essenciais para lavouras como a soja, uma das bases da produção mundial de alimentos.

O Oriente Médio responde por apenas cerca de um quinto do comércio global de três produtos-chave de fosfato, segundo o The Fertilizer Institute. Mas quase metade da oferta mundial de enxofre — que é transformado em ácido sulfúrico, insumo usado no processamento de fertilizantes fosfatados — vem de países do Oriente Médio vulneráveis a interrupções no Estreito de Hormuz.

Os efeitos ao longo da cadeia podem começar a se tornar “exponenciais” se o conflito durar muito mais tempo, à medida que os produtores consumirem seus estoques já existentes de enxofre e ácido sulfúrico, disse Andy Hemphill, analista do mercado de ácido sulfúrico na plataforma de preços de commodities ICIS.

Isso é uma má notícia para a oferta global de alimentos, que depende do fosfato para sustentar o crescimento de tudo, de soja a batata. O conflito já alimenta preocupações com inflação e segurança alimentar. Também representa uma nova ameaça aos agricultores americanos, que já vinham enfrentando anos de custos de produção elevados. Quase 80% do fósforo usado nos Estados Unidos é aplicado em lavouras de soja e milho, que depois são transformadas tanto em ração animal quanto em combustível.

@investnewsbr

Fertilizantes: a estratégia da Petrobras para reduzir a dependência externa do agro. petrobras fertilizantes agro

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Mesmo antes da guerra, a oferta tanto de fosfato quanto de enxofre já estava apertada. Os preços do enxofre haviam disparado para níveis recordes, impulsionados em parte pela demanda da indústria de mineração, que usa ácido sulfúrico para extrair metais como cobre e níquel. As exportações russas foram limitadas pela guerra na Ucrânia e por uma proibição de exportações, enquanto a China reduziu os embarques de fosfato para priorizar o consumo doméstico.

A política comercial dos Estados Unidos adicionou mais pressão. Tarifas impostas em 2023 sobre o fosfato do Marrocos — ainda em vigor — e tarifas mais amplas implementadas no ano passado pelo presidente Donald Trump limitaram as importações.

“O fosfato já tinha problemas de sobra antes mesmo de a guerra começar. A guerra apenas piorou uma situação que já era ruim”, disse Josh Linville, vice-presidente da área de fertilizantes da corretora StoneX Group. “Eu diria até que ele está quase em situação pior do que a ureia e os nitrogenados hoje.”

Houve esforços para recompor estoques, especialmente de fosfato, depois que fertilizantes foram poupados de algumas tarifas no fim do ano passado, disse Veronica Nigh, economista-chefe do The Fertilizer Institute. Mas, segundo ela, o verdadeiro desafio está na oferta de enxofre. O conflito em Israel já havia elevado tanto os preços do insumo que parte da produção de fosfato acabou sendo paralisada.

Ilustração: João Brito

“O enxofre é usado em muitas coisas e, se estivermos num cenário de oferta restrita, fertilizantes podem não ser o primeiro destino desse enxofre”, disse Nigh. “Pode ser um problema mais prolongado.”

Os contratos de enxofre em Tampa — uma referência importante nos EUA, com liquidação trimestral — atingiram preço recorde no fim de janeiro, segundo dados da Bloomberg Green Markets desde 2012. Já os preços em Nova Orleans do fosfato diamônico, o fertilizante fosfatado mais usado do mundo, estão no maior nível em quase quatro meses.

Os produtores de fertilizantes tendem a ficar pressionados, já que compradores concorrentes, especialmente mineradoras, conseguem pagar mais, disse Faraz Ahmed, diretor da trading Montage Commodities, sediada nos Emirados Árabes Unidos. O impacto sobre os preços dos fertilizantes fosfatados pode aparecer já em abril, quando a Índia costuma aumentar as compras para sua produção doméstica — um movimento que pode empurrar o mercado para um “modo de pânico”, afirmou.

A situação reforça, nos Estados Unidos, os apelos por mais estabilidade nesse mercado. Os agricultores dependem de três grandes famílias de fertilizantes: nitrogenados, fosfatados e potássicos. Apenas esta última, majoritariamente abastecida pelo Canadá e aplicada junto com fosfato em lavouras de soja, está relativamente protegida do atual choque global de oferta.

Entidades do setor agrícola pressionam o governo americano a suspender as tarifas sobre fertilizantes do Marrocos, país que detém as maiores reservas mundiais de rocha fosfática. O argumento é que os preços elevados e os riscos geopolíticos já reduziram a necessidade de medidas protecionistas.

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Essas tarifas — impostas em 2021, depois que a Mosaic, da Flórida, pediu ao Departamento de Comércio uma investigação — estão atualmente em revisão. A American Farm Bureau Federation pediu a Trump a suspensão temporária dessas taxas, enquanto uma coalizão com alguns dos maiores grupos agrícolas dos EUA solicitou na semana passada que a Mosaic e a JR Simplot retirassem seu apoio à manutenção das tarifas. Em 17 de março, as empresas enviaram cartas ao Departamento de Comércio informando que pretendem participar da revisão conduzida pelo órgão.

Enquanto isso, o problema de acessibilidade já reduz a demanda. David Delaney, CEO da produtora de fosfato Itafos, afirmou esperar uma queda de cerca de 20% no uso de fosfato nos Estados Unidos nos 12 meses encerrados em junho. As restrições de oferta podem aprofundar esse recuo — especialmente se os agricultores plantarem mais soja no lugar de milho, para escapar dos altos custos dos fertilizantes nitrogenados.

“Vai continuar apertado na primavera, no verão e no outono”, disse Delaney. “Com um corte de 20%, talvez haja produto suficiente para atravessar a primavera. Mas a gente termina a temporada com os estoques completamente zerados.”

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Não é só petróleo: guerra no Irã desorganiza cadeias globais e pressiona inflação

A guerra no Irã não está afetando apenas o petróleo. O conflito já desencadeou uma desorganização nas cadeias globais de suprimento que atinge setores como tecnologia, medicamentos e agricultura – e tende a se agravar quanto mais durar.

Navios petroleiros à deriva no Golfo Pérsico podem ser o símbolo mais visível do impacto econômico da guerra, mas os efeitos começam a se espalhar para áreas menos óbvias, afetando agricultores americanos, fabricantes de chips na Ásia e produtores de medicamentos na Europa. 

O conflito provocou um choque nas cadeias de suprimento que vem pressionando a economia global e elevando a inflação. Os Estados Unidos, até agora, parecem relativamente protegidos, em parte por conta de sua forte produção doméstica de energia e químicos. Embora os preços da gasolina tenham subido, não há filas em postos como na crise energética dos anos 1970.

Ainda assim, o economista Mark Zandi, da Moody’s, afirmou nesta semana que a guerra, combinada com o enfraquecimento do mercado de trabalho americano, elevou a probabilidade de uma recessão no próximo ano para um nível “desconfortavelmente alto” de 49%.

O restante do mundo enfrenta uma situação mais difícil. O maior impacto, em termos financeiros, vem da energia. A guerra interrompeu o acesso a cerca de 20% do petróleo global e a volumes semelhantes de gás natural liquefeito que normalmente passam pelo Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao restante do mundo. Desde o início do conflito, o preço do petróleo subiu cerca de 50%.

Inflação em risco

Mas os efeitos sobre outras commodities começam a causar problemas relevantes. A ureia, fertilizante essencial, e o hélio, usado na produção de microchips, estão em falta. O alumínio, que já enfrentava déficit antes da guerra, está se tornando ainda mais escasso e caro com a redução da produção no Oriente Médio.

Alguns desses insumos foram diretamente afetados por ataques – instalações no Catar que produzem hélio, enxofre e gás natural liquefeito foram atingidas e podem ficar fora de operação por anos.

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“Grande parte das pessoas está focada no mercado de energia, mas o impacto é muito mais amplo”, disse Chris Tang, professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles. “As pessoas estão apenas começando a perceber isso.”

O impacto final sobre a economia global depende da duração da guerra, segundo economistas e especialistas em cadeias de suprimento.

Uma resolução rápida – em três a cinco semanas – elevaria a inflação, mas teria efeito limitado sobre o crescimento global. Já em um cenário mais prolongado, os riscos aumentam. 

Caso o Irã consiga bloquear o Estreito de Ormuz por meses e o petróleo permaneça acima de US$ 100, o crescimento global pode ser reduzido em cerca de 1 ponto percentual neste ano, segundo estimativas de economistas.

Outros problemas

Algumas regiões enfrentam riscos mais severos e podem entrar em recessão mais rapidamente. Ásia e Europa são as mais expostas no curto prazo. Historicamente, cerca de 80% do petróleo e do gás natural que passam pelo Estreito de Ormuz têm como destino a Ásia.

Na região, governos já adotam medidas emergenciais. A Índia enfrenta escassez de gás usado para cozinhar e abastecer fábricas, e limitou o consumo industrial. Restaurantes chegaram a fechar por falta de combustível. 

O Sri Lanka declarou feriados semanais para economizar energia, enquanto Bangladesh antecipou o fechamento de universidades e o Paquistão restringiu o uso de combustíveis por empresas.

Setores afetados

A crise também começa a afetar setores específicos. Na indústria de tecnologia, empresas de semicondutores na Coreia do Sul e em Taiwan enfrentam risco de escassez de hélio, gás essencial para a produção de chips.

O mercado de alumínio também foi afetado. Produtores no Oriente Médio, responsáveis por cerca de 9% da produção global, enfrentam dificuldades para exportar. Com a oferta reduzida, os preços tendem a subir, impactando produtos que vão de automóveis a painéis solares.

Na agricultura, o impacto é imediato. Os preços da ureia subiram mais de 30% desde o início da guerra, elevando o custo de produção para agricultores. Nos Estados Unidos, produtores de milho já enfrentam anos consecutivos de dificuldades financeiras, e a alta de custos pode pressionar ainda mais os preços dos alimentos.

Até mesmo a cadeia de suprimentos de medicamentos começa a sofrer. O Oriente Médio funciona como um hub logístico importante para a distribuição de remédios entre a Ásia e a Europa. 

Com aeroportos fechados, empresas farmacêuticas estão sendo forçadas a buscar rotas alternativas, elevando custos e aumentando o risco de interrupções no fornecimento de medicamentos críticos.

Os efeitos completos da crise ainda não apareceram. O transporte marítimo entre o Oriente Médio e a Ásia leva cerca de duas semanas, e o conflito começou há pouco mais de duas semanas.

Ou seja, o impacto pode se intensificar nas próximas semanas, dependendo da duração do bloqueio no Estreito de Ormuz. “O tempo é o inimigo para o cenário macroeconômico”, disse Joyce Chang, do JPMorgan.

Mesmo com uma eventual resolução do conflito, analistas já esperam mudanças duradouras nas cadeias globais de suprimento, com maior diversificação de fornecedores e menor dependência do Oriente Médio.

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Alta do diesel já afeta exportações de soja do Brasil

A alta de preços de combustível gerada pela guerra no Oriente Médio tem prejudicado os exportadores do Brasil, que depende fortemente de caminhões movidos a diesel para o transporte de produtos. 

O Brasil está no no pico das exportações de soja, seu principal produto agrícola de exportação. O incremento nos preços do diesel está elevando o custo de transporte da soja até os terminais de exportação, além de aumentar as pressões inflacionárias de forma mais ampla.

Diversas empresas de comércio de commodities agrícolas paralisaram ofertas de compra de soja no mercado local na última semana em meio a medo de uma alta acentuada nos custos de frete, segundo analistas e corretores. O diesel representa uma parcela importante do custo de comercialização de soja, e a ausência de instrumentos de hedge que protejam contra elevações bruscas pode expor os traders a prejuízos.

Algumas das maiores companhias de comercialização de soja estiveram menos ativas no mercado brasileiro recentemente, uma vez que os riscos de frete se somaram a preocupações sanitárias que atingiram exportações para a China, disse João Henrique Teodoro, consultor de mercado na Patria Agronegócios. 

Os problemas ocorrem em um período particularmente sensível para a agricultura brasileira, uma vez que o país é o principal fornecedor de soja para a China nessa época do ano. Uma guerra prolongada, e contínua volatilidade nos fretes, poderia criar gargalos logísticos, eventualmente levando importadores a buscar outros fornecedores como os Estados Unidos ou a Argentina. 

“As companhias precisam de uma forma de planejamento, e dependendo de quanto tempo isso levar, podemos ver complicações na logística,” disse Adriano Gomes, analista de mercado da AgRural. 

Agora, empresas de transporte podem começar a cobrar taxas de emergência por conta da guerra, disse Silvio Kasnodzei, presidente de um sindicato que representa transportadoras no estado do Paraná. O governo brasileiro anunciou uma redução em impostos federais pra proteger consumidores da alta do petróleo, mas as transportadoras acreditam que o movimento foi insuficiente pra aliviar a incerteza, disse Kasnodzei.

Enquanto nos Estados Unidos as barcaças tem um papel significativo no transporte de longa distância da soja para exportação, no Brasil um estudo da Universidade de São Paulo apontou que 55% da soja depende de caminhões para chegar aos portos. Volumes movimentados por estrada tiveram um crescimento em anos recentes, uma vez que investimentos em ferrovias ou hidrovias não acompanharam o ritmo de crescimento da produção agrícola. 

Ao firmarem negócios de compra pra soja no Brasil, traders que compram cargas para serem entregues nos próximos meses ficam expostos à flutuações no custo de frete, disse Rodrigo Gonçalves, diretor-executivo da empresa de soluções logísticas goFlux. Se uma empresa negociando soja para maio for confrontada com aumentos no custo de frete, aquilo que antes seria uma transação lucrativa termina se transformando em prejuízo, disse ele.

Mão com bico de combustível amarelo abastecendo carro vermelho.

Isso ocorre num momento de custos já elevados para o frete de commodities agrícolas, devido a alta demanda nessa época do ano. Os custos de transporte por caminhão chegaram a um pico por conta de chuvas que forçaram os produtores rurais a acelerarem a colheita, fazendo o setor movimentar volumes grandes em um curto período de tempo. Más condições nas estradas também levaram a prazos mais longos do que o usual em algumas rotas durante o mês de fevereiro.

Embora os preços de combustível no Brasil sejam influenciados pela política da Petrobras, os caminhoneiros viram preços se elevarem no interior do país antes mesmo de a empresa implementar um aumento oficialmente.

Nos primeiros oito dias de março, o preço do diesel vendido pelas distribuidoras a postos de combustivel subiu cerca de 8%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). O preço da Petrobras não havia sido alterado no período, mas a companhia anunciou na última sexta-feira que iria elevar o custo aos distribuidores.

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Custos de seguro para navios cruzarem o Estreito de Ormuz disparam após ataques a embarcações

Ainda é possível contratar seguro para navios que navegam pelo Estreito de Ormuz, embora a um custo muito elevado, segundo pessoas envolvidas nesse mercado.

O custo da cobertura saltou para cerca de 5% do valor da embarcação, aproximadamente cinco vezes o nível observado nos primeiros dias da guerra com o Irã — e muito acima das frações de ponto percentual típicas de períodos com pouca tensão. As fontes pediram anonimato por se tratar de informações privadas. Isso significa que segurar um petroleiro avaliado em US$ 100 milhões pode custar cerca de US$ 5 milhões.

Embora as tarifas sejam altas, o fato de ainda haver seguro disponível indica que a cobertura continua sendo oferecida para o pequeno número de embarcações que tenta cruzar essa via marítima crucial, responsável normalmente por cerca de um quinto dos embarques globais de petróleo e gás natural liquefeito. A grande questão é se os armadores estarão dispostos a correr o risco, diante das preocupações com segurança.

Questionado sobre por que os Estados Unidos não poderiam reabrir imediatamente o Estreito de Ormuz caso os navios iranianos responsáveis pela colocação de minas fossem destruídos, o presidente Donald Trump afirmou na segunda-feira que é necessário que as embarcações estejam dispostas a atravessar a rota para que as operações normais sejam retomadas.

Os detalhes de um plano para que a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos ajude a garantir o seguro de petroleiros ainda não estão claros. Os EUA anunciaram um programa de resseguro de US$ 20 bilhões para ajudar a restabelecer o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz. Seguradoras demonstraram interesse em colaborar com a agência para oferecer esse resseguro, disse um funcionário da instituição na semana passada. A tentativa do presidente Donald Trump de convencer aliados a ajudar na segurança da rota, porém, tem encontrado resistência

Até agora, a maioria das cotações de seguro tem sido oferecida para navios com ligações com China, India ou Pakistan, disse uma das fontes. Seguradoras do mercado de London insistem que a cobertura continua disponível para embarcações no Oriente Médio e que isso não é um fator que impeça o comércio de entrada e saída da região.

O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido estima que ao menos 20 navios estiveram envolvidos em incidentes de segurança desde 1º de março no Golfo Pérsico e áreas próximas. O caso mais recente ocorreu em 12 de março, quando um navio porta-contêineres foi atingido, provocando um incêndio.


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Barril a US$ 120? Analistas esperam mais altas no petróleo após ataques à ilha de Kharg

A semana do petróleo começa às 20h deste domingo – com a abertura das negociações do Brent, às 23h de Londres. Será a primeira sessão após o ataque americano ao principal hub de exportação iraniano, que vem operando apesar do conflito. Na sexta (13), o barril fechou a US$ 103.

Forças americanas atingiram alvos militares na estratégica Ilha de Kharg e ameaçou estender os ataques à infraestrutura de energia caso Teerã continue bloqueando o Estreito de Ormuz – a estreita passagem que liga o Golfo Pérsico ao resto do mundo.

Kharg é uma ilha a 25 km da costa iraniana. Ela serve como um hub de exportação porque o mar profundo ao redor da massa de terra é bom para receber superpetroleiros, que não navegam em águas rasas. O petróleo chega do continente via oleodutos e daí flui para os berços de atracação do lugar.

E mesmo com a guerra em andamento o Irã continua exportando petróleo, principalmente para a China – navios chineses e, claro, iranianos, têm passagem liberada pelo estreito de Ormuz. Seguem, portanto, indo e voltando à ilha de Kharg. Também foram identificados recentemente dois navios com destino à Índia, carregados de gás liquefeito de petróleo (GLP), e um petroleiro grego.

Caso esse fluxo pare também, o suprimento global de petróleo sofrerá mais uma baixa. Até agora, cortes nos países árabes já reduziram o output global em 10%.

O Irã afirmou que ataques à infraestrutura de petróleo em Kharg provocarão retaliação contra instalações de energia ligadas aos EUA na região.

Nos Emirados Árabes, as operações de carregamento no porto de Fujairah – outro hub estratégico – foram interrompidas após um ataque de drone nas primeiras horas de sábado (14), bloqueando os embarques pela única rota de exportação do país que não passa por Ormuz (fica de cara para o Oceano Índico, fora do Golfo). As atividades foram retomadas no domingo (15).

“Não acho que os mercados vão reagir bem aos últimos desdobramentos”, disse Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade. “Espero mais um início de semana tenso, com o destino da Ilha de Kharg ainda incerto, dada sua importância para o fornecimento global de energia.”

O Brent subiu 11% na semana passada, chegando a bater US$ 119,50 o barril, antes de fechar um pouco acima de US$ 103. Foi a semana mais volátil para o marcador europeu desde que os contratos futuros começaram a ser negociados, em 1988.

“Seguimos em disparada na rodovia, na faixa da esquerda, sem nenhum sinal de quando vamos conseguir pegar a saída”, disse Stephen Schork, fundador da Schork Group, com sede em Radnor, Pensilvânia, acrescentando que não ficaria surpreso de ver o petróleo abrir acima de US$ 117 o barril — “ou até além disso.”

Giovanni Staunovo, analista de commodities do UBS, concorda: “Com o fluxo de petróleo por Ormuz ainda restrito, o caminho de menor resistência para os preços do petróleo segue sendo o de alta”.

Para o Brasil, duas consequências diretas. De um lado, somos grandes exportadores de petróleo – e, obviamente, nenhum cliente que compra daqui precisa passar pelo Estreito de Ormuz.

Petrobras sobe 13% desde o início do conflito. Prio, 10%. Petroreconcavo vem mais atrás, com 5%. A exceção é a Brava Energia, que cai 4% no mesmo intervalo – ela vinha subindo também, mas entregou os pontos após divulgar um balanço mal visto pelo mercado na quinta (12).

Por outro lado, o país sofre com a alta nos preços internacionais do diesel, já que 25% do consumo nacional depende de importações.

O gargalo

O mercado global de petróleo foi jogado ao caos. A Agência Internacional de Energia alertou que a interrupção no abastecimento é sem precedentes, e os países-membros concordaram na semana passada em liberar 400 milhões de barris de reservas de emergência para tentar conter a alta dos preços.

O número pode impressionar, mas equivale a apenas quatro dias do consumo global.

Com o fechamento efetivo de Ormuz cortando as exportações marítimas dos demais países do Golfo, os tanques de armazenamento da região foram enchendo, forçando alguns produtores a reduzir a extração. A Arábia Saudita, o peso-pesado da região, vem aumentando o fluxo por um oleoduto que cruza o país até o litoral do Mar Vermelho, o que pode permitir exportações de cerca de 5 milhões de barris por dia.

A Ilha de Kharg é uma instalação vital para Teerã, pois por ela passa a maior parte das exportações de petróleo bruto do país. Ao anunciar o ataque, Trump disse que as instalações militares do local foram “destruídas por completo”. A agência de notícias estatal iraniana Fars informou que as exportações seguem normalmente após o ataque.

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Trump pede que outros países enviem navios de guerra para reabrir o Estreito de Ormuz

Donald Trump, intensificou os apelos para a reabertura do vital Estreito de Ormuz, afirmando “ter esperança” de que que navios de guerra de outros países também serão enviados à região para garantir a passagem de petroleiros.

Seus comentários, no Truth Social, vieram horas depois de ele ordenar ataques a instalações militares na Ilha de Kharg, de onde o Irã exporta quase todo o seu petróleo, escalando um conflito no Oriente Médio que dura duas semanas e não dá sinais de arrefecimento.

O presidente afirmou que as instalações militares na ilha do Golfo Pérsico foram “destruídas por completo”, acrescentando que optou por não atacar a infraestrutura petrolífera “por uma questão de decência”. Ele ameaçou fazer exatamente isso caso o Irã “tome qualquer atitude para interferir na passagem livre e segura de navios pelo Estreito de Ormuz.”

“Muitos países, especialmente os afetados pela tentativa do Irã de fechar o Estreito de Ormuz, enviarão navios de guerra em conjunto com os Estados Unidos da América para manter o Estreito aberto e seguro”, escreveu em sua publicação mais recente. Ele deu poucos detalhes além de expressar a esperança de que China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido também enviem navios de guerra.

Trump declarou que, embora as forças militares do Irã estivessem “já 100% destruídas”, era “fácil” para Teerã continuar ameaçando navios com drones, minas e mísseis de curto alcance. Os EUA, disse ele, irão “bombardear pesado” o litoral iraniano para tentar conter essas ameaças.

Quase ao mesmo tempo, o chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou que o estreito — por onde normalmente passa cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo — estava fechado apenas para navios de “países inimigos”.

Durante a noite e ao longo do sábado, Israel e os EUA continuaram atacando o Irã, que por sua vez seguiu bombardeando países árabes do Golfo.

O Irã, claramente inferior em poderio militar frente aos EUA e a Israel, está atacando países vizinhos, além de rotas marítimas e instalações de energia, numa tentativa de semear o caos na região e nos mercados de petróleo e gás — esperando pressionar Trump a encerrar os combates. O presidente americano enfrenta críticas internas à medida que os preços da gasolina disparam, com muitos opositores alegando que ele subestimou a resposta e a resiliência do Irã.

A incerteza sobre a duração da guerra cresce diante dos sinais contraditórios de Trump e da contínua resistência iraniana. Na sexta-feira, o presidente disse que os EUA manteriam sua campanha “pelo tempo que for necessário” e sinalizou que a Marinha americana começaria em breve a escortar navios pelo Estreito de Ormuz — uma mudança de tom em relação a declarações anteriores de que os objetivos militares americanos estavam “praticamente cumpridos.”

No sábado, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, elogiou o ataque a Kharg e afirmou que a guerra está entrando em sua “fase de vitória”, acrescentando que os combates durarão “o tempo que for preciso.”

Ataque nos Emirados

Nos Emirados Árabes Unidos, as operações no estratégico porto petrolífero de Fujairah, no Golfo de Omã, foram suspensas após um ataque de drone e um incêndio na manhã de sábado, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

O carregamento de petróleo bruto e derivados em Fujairah, localizado logo fora do Estreito de Ormuz, foi interrompido por precaução enquanto os danos são avaliados, de acordo com as fontes, que pediram anonimato por não estarem autorizadas a falar com a imprensa.

Fujairah é um importante hub de exportação tanto de petróleo bruto quanto de combustíveis, e ganhou relevância ainda maior para os Emirados e para os mercados globais por ser um dos poucos pontos de escoamento de petróleo do Golfo que contorna Ormuz.

O barril de petróleo fechou a US$ 103 na sexta-feira (13), atingindo seu nível mais alto desde 2022. Arábia Saudita, Iraque, EAU e Kuwait tiveram de reduzir a produção de petróleo bruto em razão do fechamento de fato de Ormuz, enquanto o Catar suspendeu as operações de gás natural liquefeito — sendo um dos três maiores fornecedores mundiais do combustível.

Dois petroleiros estavam atracados na Ilha de Kharg horas após o ataque americano às instalações militares, segundo o Tankertrackers.com, empresa especializada em monitoramento de embarcações. A mídia estatal iraniana afirmou que as exportações continuam normalmente.

Ainda assim, o Irã advertiu que atacará instalações de petróleo e energia ligadas aos EUA no Oriente Médio caso sua própria infraestrutura petroleira seja atingida. A mídia iraniana informou que todos os trabalhadores da indústria do petróleo na ilha — situada a cerca de 25 quilômetros do continente — estão sãos e salvos.

“Todas as instalações de petróleo, econômicas e energéticas pertencentes a empresas petrolíferas na região que sejam parcialmente de propriedade dos Estados Unidos ou que cooperem com os Estados Unidos serão imediatamente destruídas e reduzidas a cinzas” caso os ativos energéticos e econômicos do Irã sejam atacados, noticiou a agência Fars News, citando o comando central militar do país.

O veículo informou que mais de 15 explosões sacudiram a Ilha de Kharg, com alvos incluindo sistemas de defesa antiaérea, uma base naval, a torre de controle do aeroporto e um hangar de helicópteros — sem especificar a extensão dos danos.

Os militares americanos afirmaram ter destruído infraestruturas de armazenamento de mísseis e minas navais.

Nos dias anteriores aos ataques americano-israelenses, o Irã acelerou as exportações a partir de Kharg para níveis próximos ao recorde, acima de 3 milhões de barris por dia — quase o triplo do ritmo habitual —, segundo analistas do JPMorgan Chase, incluindo Natasha Kaneva, em nota de pesquisa.

Um ataque às instalações petrolíferas de Kharg “interromperia imediatamente a maior parte das exportações de petróleo bruto do Irã, provavelmente desencadeando uma retaliação severa no Estreito de Ormuz ou contra a infraestrutura energética regional”, avaliaram os analistas do JPMorgan.

Por Arsalan Shahla

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Brasil importa um quarto do diesel que consome. E lá fora a alta já é de 50%

Desde o início da guerra, há 15 dias, o diesel no mercado internacional sobe 50% – ainda mais do que os 42% do petróleo. E boa parte do diesel que abastece os caminhões brasileiros vem de fora. 

O Brasil, apesar de ser um grande exportador de petróleo, não tem capacidade de refino para atender a demanda interna por diesel. As importações suprem 25% do nosso consumo.

Daí as altas nos postos. De acordo com a ANP, o preço médio do diesel nos postos subiu 12% na última semana. E dados do sistema de monitoramento TruckPag,levantados pelo Valor, mostram um acréscimo de 18,75% desde o dia 27 de fevereiro, o último antes da eclosão do conflito. 

Foi nesse contexto que a Petrobras anunciou na sexta (13) o primeiro reajuste do diesel em refinarias após 312 dias: alta de R$ 0,38 por litro, ou 11,6%, com o preço passando de R$ 3,27 para R$ 3,65 a partir deste sábado (14).

O reajuste, de qualquer forma, não cobre nem de longe a defasagem ante o preço internacional. Para isso, o preço teria de subir a R$ 5,61 por litro, de acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). 

Essa diferença é central para entender como a guerra pesa no mercado brasileiro. Quando a cotação internacional dispara, os importadores passa a trazer diesel a um custo muito mais alto que o da Petrobras – a estatal controla 84% do nosso parque de refino. 

Isso aumenta a pressão sobre a Petrobras para abastecer o mercado. A estatal chegou a rejeitar pedidos extras de diesel. O aumento no preço, então, é uma forma de tentar conter a demanda e evitar uma crise de abastecimento.

O governo busca amortecer o choque de forma indireta. Na quinta (12), o Brasil zerou tributos federais sobre o diesel e anunciou uma subvenção para produtores e importadores, numa tentativa de conter o avanço dos preços domésticos.

Em grande parte porque altas no diesel significam altas no frete, o que afeta basicamente todos os setores da economia e joga a inflação para cima. 

Mas enquanto não houver um cessar-fogo no Irã qualquer medida será como enxugar gelo. O barril fechou ontem (13) acima de US$ 100 pelo segundo dia consecutivo – o que não acontecia desde 2022, com a invasão da Ucrânia. Cortesia do fechamento do Estreito de Ormuz. O bloqueio da passagem marítima de apenas 3,7 km de largura entre Irã e Omã tira de circulação 20 milhões de barris por dia. Um quinto do suprimento global. 

Na gasolina, o efeito para o Brasil é menor. Importamos entre 6% e 7%, apenas. E a frota de carros flex, que roda com etanol, dá um refresco para a demanda do derivado de petróleo. Com o diesel, porém, não há escapatória. A alta nos preços internacionais bate por aqui de forma automática, como o preço nas bombas deixa claro.

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Guerreiras do K-Pop: animação da Netflix impulsiona nova onda de turismo na Coreia do Sul

A moradora de Honolulu Christine Kim foi uma das primeiras a entrar na tendência de viagens inspiradas por Guerreiras do K-Pop. Para ser justo, sua viagem para Seoul com o marido e os filhos já estava planejada antes mesmo de o filme da Netflix estrear, em junho de 2025.

O plano, pelo menos inicialmente, era visitar os avós. Mas então Rumi, Zoey e Mira, protagonistas do longa, viraram ídolos da filha de 5 anos de Kim — e o roteiro da viagem foi reescrito em tempo real. Quando visitaram um jimjilbang, ou spa coreano, e a N Seoul Tower — cenário do show final dos rivais Saja Boys no filme — a viagem da família virou motivo de orgulho.

“Minha filha parecia totalmente chocada ao descobrir que os lugares do filme eram reais”, disse Kim por mensagem. “Ela ficou tão animada que ficou sem palavras.”

Não foi só a filha que entrou no clima cultural. “Comprei para meu filho um hanbok preto e um gat [roupa tradicional e chapéu] para ele se vestir como um Saja Boy no Halloween”, lembra Kim. “E quando fomos à Nike Store Myeongdong, minha filha fez uma camiseta com um pássaro pega por causa de um personagem de Guerreiras do K-Pop.”

No fim de 2025, Guerreiras do K-Pop continuava sendo o filme original mais assistido da história da Netflix, com mais de 500 milhões de visualizações. Caso você não tenha crianças pequenas ou de alguma forma tenha escapado do fenômeno, o musical de ação animado produzido pela Sony Pictures Animation acompanha Huntrix, um grupo feminino de K-pop cujos sucessos nas paradas ajudam a derrotar demônios que ameaçam a humanidade.

Se foi um sucesso crítico e comercial que ninguém esperava, como a animadora coreano-canadense Maggie Kang disse recentemente em entrevista à Bloomberg, agora também está se tornando um catalisador inesperado para o turismo.

De acordo com dados da Trip.com, nos três meses após o lançamento do filme, as reservas globais de voos para a Coreia do Sul aumentaram 25% em relação ao mesmo período do ano anterior. (As estatísticas não identificam exatamente os motivos das viagens.

Onda coreana

Afinal, a Coreia do Sul já vinha se consolidando como destino turístico entre viajantes internacionais. Ainda assim, há razões para acreditar que Guerreiras do K-Pop tenha contribuído para esse aumento. O fenômeno cultural conhecido como Hallyu, ou onda coreana, vem impulsionando a popularidade global da cultura do país e sua ligação com o turismo.

O grupo BTS tem sido um dos principais símbolos da Hallyu desde 2018, atraindo centenas de milhares de fãs para Seul em seus shows. O filme Parasite, vencedor do Oscar, e a série Squid Game também ajudaram após seus lançamentos, em 2019 e 2021. O grupo Blackpink teve sucesso internacional semelhante. A popularidade de vídeos sobre cuidados com a pele coreanos — consumidos principalmente no TikTok pela Geração Z — também inspirou muitas viagens de longa distância. A influência de Guerreiras do K-Pop se soma a tudo isso.

Em julho de 2025, mês seguinte ao lançamento da música Golden no Spotify, 1,36 milhão de viajantes internacionais visitaram Seul, segundo o governo da cidade — 23,1% a mais que no ano anterior. O aumento imediato foi atribuído a turistas da China, Japan, Taiwan e dos United States, com autoridades dizendo que as viagens foram “impulsionadas pela febre de Guerreiras do K-Pop”, possivelmente refletindo como o filme primeiro se tornou popular na região antes de ganhar projeção global.

A tendência continuou nos meses seguintes, ajudando a Coreia do Sul a registrar um recorde de 18,9 milhões de turistas estrangeiros em 2025, segundo dados do órgão de turismo do país.

Esse aumento pode durar além do pico inicial de popularidade do filme, já que a temporada de premiações mantém o longa em evidência. Em 11 de janeiro, Guerreiras do K-Pop venceu o Golden Globe Awards nas categorias de melhor animação e melhor canção original. Também ganhou melhor música escrita para mídia visual no Grammy Awards de 2026 e dominou o Annie Awards, conquistando todos os 10 prêmios possíveis. Agora é apontado como favorito para ganhar dois troféus no Academy Awards em 15 de março. Em 12 de março, a Netflix confirmou que uma sequência está em desenvolvimento.

Como viagens internacionais costumam levar tempo para serem planejadas e estatísticas de turismo geralmente são divulgadas trimestralmente ou semestralmente, os efeitos de Guerreiras do K-Pop sobre o turismo ainda estão apenas começando a aparecer.

Neil Hassall, que administra o grupo do Facebook South Korea Travel Tips and Planning, diz que os fãs do filme impulsionaram a popularidade da comunidade de uma forma que ele não via desde Round 6. Em junho de 2025, o grupo tinha 65 mil membros; em janeiro de 2026, esse número quase dobrou para 120 mil.

Em Seul, o Bukchon Hanok Village — bairro de casas tradicionais onde os personagens Rumi e Jinu se encontram pela primeira vez — tornou-se um destino obrigatório para fãs, além de entusiastas de arquitetura e história. O local virou cenário de um dos passeios mais populares da cidade no Trip.com. As buscas pelo Museu Nacional da Coreia também cresceram 34% desde o lançamento do filme, já que fãs visitam a loja do museu para comprar produtos relacionados.

A plataforma de turismo coreana Creatrip, que ajuda visitantes estrangeiros a reservar restaurantes, serviços de beleza coreanos e aluguel de hanbok, também se beneficiou da popularidade de Guerreiras do K-Pop. As reservas para jimjilbangs e serviços de esfoliação tradicional vistos no filme aumentaram 115% no verão após o lançamento, em comparação com a primavera anterior. No mesmo período do ano anterior, o crescimento havia sido de apenas 17%.

Clínicas médicas focadas em acupuntura, ventosaterapia e medicina herbal chamada hanyak — que a personagem Rumi tenta usar para curar sua voz — registraram aumento de 409% nas reservas em 2025, segundo a Creatrip.

Dados do site de reservas de excursões GetYourGuide mostram crescimento semelhante. Reservas de passeios para locais mostrados no filme — como o Gyeongbokgung Palace, o Lotte World Tower, a N Seoul Tower e o Bukchon Hanok Village — cresceram mais de 350% em 2025 em relação ao ano anterior.

Cafés pop-up, encontros com personagens no bairro de Seongsu-dong e outras experiências ligadas ao filme começaram a surgir para aproveitar o momento. A médica Irina Ishak, baseada em Kuala Lumpur, levou a família a um desses eventos em dezembro e considera a visita um dos pontos altos da viagem.

“As crianças conhecem todos os personagens e momentos do filme”, disse. “O pop-up tinha três andares com cenários e recortes dos personagens para tirar fotos em cada canto. Havia até áreas interativas, como procurar a pegada de um gato Derpy que brilha no escuro usando uma lanterna. As crianças adoraram.”

Para Haemin Yim, CEO da Creatrip, o entusiasmo em torno de Guerreiras do K-Pop é diferente de qualquer outra onda turística ligada à Hallyu. No passado, quem viajava por causa do K-pop queria assistir a shows, visitar agências de artistas e ir a cafés ligados ao fandom. O apelo do filme entre públicos de língua inglesa — como turistas dos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália — ampliou muito o alcance global e o interesse por aspectos da cultura coreana que vão além da música.

“Cada grande elemento cultural mostrado no filme — hanbok, jimjilbang, gimbap, samgyetang, dança K-pop e medicina tradicional — é algo que um turista pode reservar e experimentar diretamente na Coreia. O filme funciona basicamente como uma vitrine de 90 minutos da vida cotidiana coreana, vista por 500 milhões de pessoas”, diz.

O fenômeno faz parte da tendência conhecida como set-jetting, quando pessoas planejam viagens para lugares que viram em filmes ou séries. A vila de Hallstatt, na Austria, tornou-se símbolo de turismo excessivo depois que visitantes descobriram que inspirou o reino de Arendelle no filme Frozen. Já Encanto impulsionou o turismo para a região cafeeira da Colombia.

Em Seul, porém, o fenômeno de Guerreiras do K-Pop ainda não gerou preocupações com turismo excessivo — e talvez nem venha a gerar. Diferentemente de outros casos, os fãs do filme têm muitas maneiras de viver a experiência, visitando diferentes lugares e atividades culturais.

Para Christine Kim, a mãe de Honolulu, o filme também representa algo mais amplo.

“A arte é linda, a música é ótima e ele preencheu um vazio”, diz. “Não existem muitos filmes com super-heroínas.”

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Petrobras aumenta o diesel em 11,6%, mas defasagem segue alta  

A Petrobras anunciou o primeiro aumento do diesel em suas refinarias depois de 312 dias sem alteração. A partir de sábado (14), o litro sobe R$ 0,38, de R$ 3,27 para R$ 3,65. Uma alta de 11,6%.

O reajuste vem num momento de escassez de petróleo. A produção mundial já foi cortada em 10%, por conta do bloqueio ao estreito de Ormuz, e o barril passou dos US$ 100 pela primeira vez desde 2022.

Isso elevou o preço do diesel no mercado global, obviamente. De acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o litro do diesel nas refinarias teria de subir a R$ 5,61 para entrar em paridade com o preço internacional.

A defasagem do diesel, portanto, está agora em 54%. Na gasolina, de acordo com a entidade, ela é de 43%.

Não custa lembrar: o preço dos combustíveis na refinarias é livre. Só que a Petrobras tem 84% da capacidade brasileira de refino, então é ela quem determina, na prática, o valor de mercado.

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Chevron pede mais desregulação de Milei para destravar Vaca Muerta

A Chevron diz que o presidente Javier Milei deve tomar mais medidas para desregulamentar a economia da Argentina e liberar os investidores dos controles de capital para que possam aproveitar ao máximo o crescente boom do xisto no país.

“Temos observado o progresso que o governo Milei tem feito em relação a impostos e à reforma trabalhista, e depois removendo restrições de capital”, disse Mark Nelson, vice-presidente de petróleo da Chevron, em entrevista em Nova York, nos bastidores de uma conferência sobre a Argentina. “Agora, eles estão onde precisam estar para garantir que Vaca Muerta compita dólar por dólar com o Permian? Está no caminho. Mas ainda há mais a ser feito”.

Para se aproximar dos custos da Bacia do Permian, nos Estados Unidos, Javier Milei está ampliando um programa para atrair investimentos estrangeiros, que agora inclui novos projetos de óleo de xisto.

Mark Nelson disse esperar que a Chevron solicite os chamados benefícios do RIGI (Regime de Incentivo para Grandes Investimentos, programa do governo argentino que concede incentivos fiscais, cambiais e regulatórios para grandes projetos) para dois de seus blocos menos desenvolvidos na formação de xisto da Patagônia, acrescentou.

Nelson vê Milei continuando a melhorar o ambiente de negócios para empresas como a Chevron, mas enfatizou a necessidade de a Argentina, uma economia historicamente volátil com uma política de fortes oscilações, permanecer nesse caminho.

“Quando se trata dos fundamentos, a Argentina está em vantagem”, disse Nelson, em referência à qualidade da rocha de xisto, “desde que as medidas políticas adotadas hoje sejam duradouras”.

O desenvolvimento da bacia de Vaca Muerta percorreu um longo caminho desde que a Chevron se tornou a primeira investidora estrangeira na região, em 2013. Hoje, produz quase 600.000 barris de petróleo bruto por dia, uma boa parte proveniente de uma joint venture da Chevron chamada Loma Campana.

Nas condições atuais, a Chevron planeja triplicar a produção na bacia entre agora e 2035, disse Nelson. Atualmente, a empresa produz cerca de 74.000 barris por dia.

Nelson afirmou que, em seus dois blocos relativamente pouco desenvolvidos — Trapial e Narambuena — a Chevron espera solicitar adesão ao principal programa de incentivo a investidores de Milei, o RIGI, que oferece isenções fiscais e outros incentivos favoráveis ​​aos negócios. Isso reduziria a diferença de custos em relação à bacia do Permian, que ainda é maior do que a Chevron gostaria, de 35%.

O RIGI também protege as empresas de futuros controles de capital. Milei tem flexibilizado os controles — e, em particular para a Chevron, garantiu que benefícios concedidos em 2013 finalmente fossem implementados.

“O ritmo de melhora torna mais fácil para investidores de longo prazo dizerem: ‘sim, estou disposto a dar mais um passo’”, acrescentou Nelson. “Sei que eles farão mais melhorias, e é por isso que a Chevron acredita na Argentina”.

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O ouro ficou para trás? Bancos centrais freiam compras, mas guerra mantém metal em evidência

As compras de ouro por bancos centrais globais perderam força no início do ano, pressionadas pela volatilidade nos preços do metal. Mas a escalada da guerra entre Irã e EUA no Oriente Médio ainda mantém a commodity em evidência como grande alternativa de acumulação de reservas ao longo de 2026.

O banco central da China, um importante referencial quando o assunto é a troca de reservas em dólar pelo metal, comprou mais ouro em fevereiro, estendendo sua sequência de compras para 16 meses.

O volume de ouro detido pelo Banco do Povo da China aumentou em 30 mil onças-troy (0,93 tonelada) no mês passado, chegando a 74,22 milhões de onças (2.308 toneladas), segundo dados divulgados no sábado (7). A compra estende a rodada mais recente de acumulação que começou em novembro de 2024.

O movimento do metal precioso nos últimos dias tem respondido a uma queda de braço entre forças distintas. As baixas mais recentes respondem ao fato de que os investidores costumam aproveitar situações de forte estresse não apenas para comprar o metal, mas para usá-lo como forma de fazer caixa, por meio da venda da commodity.

É basicamente levantar recursos para investir em títulos públicos considerados mais seguros para cada país. Esse movimento já vinha acontecendo conforme o ouro atingia recordes, momento em que embolsar o que já foi ganho é uma estratégia melhor.

Mas, em um segundo momento, depois de recuar recentemente, o ouro superou novamente a marca dos US$ 5 mil por onça, respondendo à volta da clássica procura por ativos mais diversificados e que funcionam como reserva de valor.

A redução de compras de ouro por bancos centrais no mundo consta em nota divulgada nesta semana pelo World Gold Council, entidade financiada por produtores do metal. As compras líquidas, lideradas por países da Ásia Central e do Leste Asiático, somaram cinco toneladas em janeiro, em comparação com a média de 27 toneladas nos 12 meses anteriores.

Mas a trajetória para 2026 tende a seguir positiva para o metal enquanto os conflitos durarem. “Os preços voláteis do ouro e a temporada de feriados podem ter levado alguns bancos centrais a fazer uma pausa”, escreveu Marissa Salim, analista do World Gold Council, em relatório. “Mas as tensões geopolíticas, que mostram poucos sinais de diminuir, provavelmente manterão a acumulação ao longo de 2026 e além.”

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Mercado de petróleo entra em fase crítica e redefine vencedores no setor de energia

A guerra com o Irã elevou os preços do petróleo em 27% desde que começou, com o benchmark internacional ultrapassando US$ 90 na sexta-feira (6) pela primeira vez desde 2024. A maior parte desses ganhos ocorreu por causa do receio de que a demanda global começaria a superar a oferta, mesmo com os produtores de petróleo mantendo a produção nas mesmas taxas que antes da guerra. Isso está começando a mudar.

O mercado de petróleo entrou em um novo estágio de crise: a oferta está começando a desaparecer, ameaçando uma escassez que poderia rapidamente levar os preços acima de US$100 por barril. O Irã está ampliando seus ataques na região, e a infraestrutura de petróleo está entre os alvos.

O Iraque disse que está reduzindo mais da metade de sua produção e o Kuwait foi forçado a fazer o mesmo depois que seus tanques de armazenamento de petróleo atingiram o limite, de acordo com uma reportagem publicada na sexta-feira no The Wall Street Journal.

Esses países não conseguem exportar petróleo porque o Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, foi efetivamente bloqueado devido à guerra. Cerca de 20% do petróleo mundial é transportado através desse estreito.

“O cenário energético de pesadelo está chegando”, escreveu na sexta-feira o economista da Capital Economics David Oxley, que acredita que uma interrupção prolongada no estreito resultará em petróleo a US$ 100 por barril. Isso também elevaria ainda mais os preços da gasolina, depois de já terem subido 34 centavos por galão na última semana.

Os produtores vinham conseguindo manter o fluxo de petróleo e armazenar qualquer excesso em tanques em terra ou em navios no mar. Não mais. Cerca de 1,5 milhão de barris por dia de petróleo estão fora de operação no Iraque, segundo Natasha Kaneva, chefe de estratégia global de commodities do J.P. Morgan.

Kaneva diz que o Kuwait reduziu a produção de suas refinarias em 600 mil barris por dia, retirando barris que normalmente seriam exportados. Para colocar isso em contexto, a oferta global total de petróleo é de cerca de 107 milhões de barris por dia, mas pequenas mudanças na produção têm grande impacto nos preços.

Além disso, apenas cerca de 78 milhões de barris são petróleo bruto, a fonte dos combustíveis que mantém o mundo funcionando (grande parte do restante são líquidos de gás natural, que são usados principalmente na produção de produtos químicos).

Os cortes de produção no Oriente Médio derrubam uma suposição fundamental que os operadores do setor de petróleo tinham antes da guerra.

A maioria dos analistas acreditava que o Irã não atacaria a infraestrutura regional de petróleo e nem bloquearia o estreito. Se as exportações de petróleo fossem interrompidas, isso prejudicaria sua própria receita e suas relações de longo prazo com potências regionais como a Arábia Saudita.

Claramente, agora todas as apostas estão suspensas. O Irã está ampliando seus ataques na região, e a infraestrutura de petróleo está entre os alvos.

“O regime iraniano está lutando por sua sobrevivência”, escreveu Robin Brooks, pesquisador sênior da Brookings Institution. “Como não tem esperança de se igualar militarmente aos Estados Unidos e Israel, sua única estratégia é elevar os preços do petróleo o máximo possível, na esperança de que a opinião pública nos Estados Unidos se volte contra esta guerra.”

As ações de empresas de petróleo não subiram de forma generalizada com a escalada da guerra. As grandes petrolíferas – algumas das quais têm operações no Oriente Médio – registraram ganhos modestos ou nenhum ganho.

Entre as grandes empresas, a francesa Total Energies parece ter a maior produção no Oriente Médio, e suas ações na verdade têm caído. A ExxonMobil estava ligeiramente em queda na semana, embora tivesse subido fortemente para novos recordes em antecipação à guerra. A principal empresa de serviços petrolíferos SLB, que opera no Oriente Médio, caiu quase 9%.

Os grandes vencedores no setor de energia incluem as refinarias, que se beneficiaram da escassez global de combustíveis. Navios-tanque estrangeiros não conseguem chegar aos seus destinos por causa da guerra, e refinarias asiáticas começaram a limitar suas próprias exportações para garantir que haja oferta doméstica suficiente.

Além disso, compradores estão pagando mais por combustível de processadores americanos, elevando as margens. As ações da refinaria americana Valero Energy, por exemplo, subiram 10%.

Entre os produtores de petróleo, empresas de shale – petróleo extraído de rochas de xisto, formações rochosas muito compactas – dos Estados Unidos têm subido na bolsa devido à sua presumida segurança. Os produtores de shale podem entrar para compensar parte da produção perdida no Oriente Médio, embora poucos tenham se comprometido com isso até agora.

A partir daqui, a situação pode se tornar muito mais drástica. A Arábia Saudita tem mais capacidade de armazenamento do que o Kuwait, mas sua capacidade disponível também pode começar a se esgotar.

“Estamos em contagem regressiva para a próxima onda de paralisações de produção, impulsionadas por gargalos nas exportações e restrições nas refinarias”, escreveu Kaneva.

“Na trajetória atual, interrupções de cerca de 1,5 milhão de barris por dia podem subir para cerca de 3 milhões até o fim de semana; até o final da próxima semana, os cortes podem ultrapassar 4 milhões e potencialmente se aproximar de 6 milhões se o armazenamento de produtos refinados atingir a capacidade.”

No caso de a oferta desses produtores maiores do Golfo ser interrompida, os preços poderiam subir mais US$ 30 por barril, estima Kaneva. Há precedentes para que subam ainda mais. Nos primeiros dias do ataque da Rússia contra a Ucrânia, os preços saltaram para US$ 127.

Argumenta-se que esta guerra é mais perigosa para o mercado de petróleo do que a russa. Em 2022, a produção russa continuou fluindo. Desta vez, as torneiras estão começando a ser fechadas.

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Contratos secretos de petróleo de Maduro atraem atenção dos Estados Unidos

A Venezuela e os Estados Unidos examinam dezenas de contratos confidenciais de petróleo assinados durante o regime do líder deposto, Nicolás Maduro, de acordo com pessoas familiarizadas com a situação.

Os acordos, concebidos como um meio de contornar as sanções dos EUA para financiar o regime socialista, envolviam campos de petróleo em todo o país, disseram as fontes.

Os acordos conhecidos como contratos de participação produtiva permitiam que investidores bombeassem e comercializassem petróleo bruto, mantendo seus nomes em segredo para evitar represálias econômicas por parte dos EUA, disseram as pessoas, que pediram anonimato por se tratar de assunto confidencial.

Os contratos também permitiam que o governo trabalhasse com empresas privadas, apesar das restrições legais à venda de petróleo por entidades não estatais.

Agora, sob pressão do governo Trump, o governo venezuelano está auditando as empresas envolvidas, enquanto autoridades americanas inspecionam a documentação de exportação, disseram as fontes. As investigações podem desacelerar qualquer recuperação do setor petrolífero venezuelano, especialmente se fizerem com que outras empresas relutem em assinar novos contratos para perfuração de petróleo bruto.

“Há muitas preocupações sobre como esses contratos foram concedidos”, disse Juan Fernández, ex-executivo da estatal petrolífera PDVSA que agora assessora a líder da oposição, María Corina Machado, em política petrolífera. “Mas, por outro lado, se eles estão produzindo barris de petróleo atualmente, precisamos desses barris. Portanto, precisamos equilibrar como vamos lidar com isso”. 

Também não está claro se a Venezuela resistirá ao apelo dos EUA. Na terça-feira, a Petróleos de Venezuela (PDVSA) anunciou que havia assinado contratos de fornecimento com empresas que comercializam petróleo bruto e produtos refinados destinados aos EUA, poucos dias após a presidente interina, Delcy Rodríguez, pedir que os acordos firmados durante o governo de Maduro “sejam respeitados”.

A PDVSA e o Ministério da Informação não responderam a pedidos de comentários.

A PDVSA não publicou uma lista oficial das empresas que detêm contratos assinados antes da captura de Maduro pelas forças dos EUA, em 3 de janeiro.

Rodriguez tem afirmado que havia um total de 31 desses acordos. Apenas alguns, de fato, bombeiam e comercializam petróleo, de acordo com documentos analisados ​​pela Bloomberg. Oito deles produziam juntos, em média, 210.000 barris por dia em meados de fevereiro.

Muitos dos contratos cobrem partes da prolífica região do Lago Maracaibo e da Faixa do Orinoco. Os contratos foram uma iniciativa da PDVSA para preencher o vazio deixado quando os produtores ocidentais tiveram ativos retirados durante uma campanha de nacionalização, ou que posteriormente foram pressionados a deixar o país sob pressão dos EUA.

A guerra com o Irã tem destacado o valor geopolítico da produção de petróleo na América Latina, que fica próxima tanto da Europa quanto dos EUA e que não depende de rotas comerciais que atravessem a zona de conflito.

A Venezuela é única na região por possuir vastas quantidades de campos petrolíferos ainda pouco desenvolvidos que poderiam gerar um aumento sustentado da produção na próxima década. Muitos outros produtores de petróleo bruto na região estão em declínio ou atingirão o pico de produção até meados da década de 2030, sem grandes novas descobertas.

“O petróleo bruto pesado venezuelano, que pode abastecer as refinarias da Costa do Golfo nos EUA, torna-se ainda mais estratégico e valioso”, disse Theodore Kahn, diretor da Control Risks, em Bogotá. “Temos eleições legislativas se aproximando e Trump não quer que os preços da gasolina aumentem nos EUA”.

Também há joint ventures com entidades russas e chinesas, países que Trump quer afastar da Venezuela, que agora estão incertas.

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Navegação entra em colapso no Estreito de Ormuz

O tráfego pelo estratégico Estreito de Ormuz praticamente paralisou em meio à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Apenas dois navios graneleiros e um pequeno porta-contêineres foram vistos atravessando a hidrovia na terça-feira (3). Todos estavam saindo do Golfo Pérsico, e não entrando.

O estreito mergulhou em uma espécie de “névoa digital”. Interferências de sinal e a desativação generalizada de transponders de posição dificultaram o rastreamento por satélite e tornaram mais complexo monitorar o tráfego na via marítima. Ainda assim, entender o que — se é que algo — está se movimentando é crucial para avaliar o impacto do conflito sobre os mercados de petróleo, gás e outras commodities.

Os países do Golfo Pérsico são fundamentais para o fornecimento global de petróleo bruto, combustíveis, gás natural e insumos para fertilizantes. Quase toda a produção da região precisa passar por Ormuz, tornando-o um gargalo estratégico para cerca de um quinto da oferta global de petróleo e gás natural liquefeito, além de metade do comércio marítimo mundial de enxofre.

O fechamento efetivo da hidrovia já está levando países como o Iraque a interromper parte da produção, contribuindo para uma alta de 14% nos preços do petróleo desde o fim de semana e elevando o gás natural ao nível mais alto desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. A situação também deixou traders de enxofre em busca de fontes alternativas de suprimento para as indústrias de fertilizantes e processamento de níquel.

Queda de 95%

Dados de rastreamento de navios compilados pela Bloomberg mostram que o tráfego despencou mais de 95%, com grandes petroleiros e navios de gás natural liquefeito evitando a rota. As poucas embarcações ainda em movimento estão deixando o Golfo com os transponders de localização desligados — uma prática comum em zonas de conflito.

Apenas sete embarcações cruzaram a região na segunda-feira, segundo dados de rastreamento, ante mais de 100 na sexta-feira — um dia antes de Estados Unidos e Israel lançarem a Operação Epic Fury. Na terça-feira, o número caiu para três.

As poucas travessias que continuaram ocorreram principalmente com navios deixando o Golfo Pérsico à medida que o conflito se intensificava e as embarcações recebiam comunicados informando que a passagem estava proibida.

Como os navios podem navegar sem sinais de AIS até estarem bem distantes de Ormuz, os sinais automáticos de posição foram compilados em uma ampla área que abrange o Golfo de Omã, o Mar da Arábia e o Mar Vermelho para identificar embarcações que possam ter saído ou entrado no Golfo Pérsico.

Quando possíveis travessias são identificadas, os históricos de sinal são analisados para determinar se o movimento parece genuíno ou resultado de spoofing — quando interferências eletrônicas falsificam a posição aparente de um navio.

Esse tipo de atividade se tornou generalizado na região de Ormuz desde o início do conflito, com sinais de embarcações provavelmente afetados por uma guerra eletrônica mais ampla.

Algumas travessias podem não ter sido detectadas caso os transponders não tenham sido religados. Petroleiros ligados ao Irã frequentemente partem do Golfo Pérsico sem transmitir sinais de AIS até alcançarem o Estreito de Malaca, cerca de 10 dias após passarem por Fujairah. Outras embarcações podem estar adotando táticas semelhantes e não aparecerão nas telas de rastreamento por vários dias.

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Tarifas de Trump devem subir a 15% nesta semana, diz secretário do Tesouro dos EUA

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que o plano do presidente dos EUA, Donald Trump, de aumentar a alíquota da tarifa ampla de 10% para 15% será provavelmente concluído nesta semana.

“Isso provavelmente acontecerá em algum momento desta semana”, disse Bessent na quarta-feira à CNBC, em resposta a uma pergunta sobre quando o aumento para 15% seria implementado.

Os comentários de Bessent oferecem a indicação mais clara até agora sobre quando os EUA irão cumprir a promessa de Trump de elevar as tarifas. No mês passado, Trump impôs uma taxa universal de 10% depois que a Suprema Corte do país invalidou a maior parte de seu regime tarifário anterior, e logo em seguida ameaçou aumentar a alíquota para 15%.

O governo, no entanto, deixou a taxa de 10% entrar em vigor sem aumentá-la imediatamente. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, sugeriu na semana passada que a taxa mais alta não seria universal. A União Europeia espera não estar sujeita à tarifa de 15%, em virtude do seu pacto comercial-quadro com Washington, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Bessent, em entrevista à CNBC, não especificou a quais parceiros comerciais a tarifa mais alta se aplicaria. Ele observou que a autorização para as novas tarifas permite que elas permaneçam em vigor por apenas 150 dias sem a aprovação do Congresso. Durante esse período, ele afirmou que funcionários do governo usariam outros poderes legais para restabelecer o regime tarifário vigente antes da decisão da Suprema Corte.

“Acredito firmemente que as alíquotas das tarifas irão retornar aos seus níveis anteriores dentro de cinco meses”, disse Bessent. “Elas são de movimentação muito mais lenta, mas mais robustas”, afirmou, referindo-se às chamadas tarifas da Seção 301 e da Seção 232, que devem substituir as tarifas invalidadas implementadas sob uma lei de emergência.

Os futuros das bolsas em Nova York apagaram os ganhos após o comentário de Bessent sobre o aumento da tarifa, embora o S&P 500 tenha avançado após a abertura do pregão em Nova York.

Petróleo

O secretário do Tesouro americano também minimizou os riscos para o mercado de petróleo decorrentes da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, afirmando que há ampla oferta global da commodity e que o governo Trump irá tomar medidas para apoiar o setor.

“Eu encorajaria a todos a ignorar o ruído e ver para onde estamos caminhando depois disso em termos de mercados de petróleo bruto — os mercados de petróleo bruto estão muito bem abastecidos”, disse Bessent. “Há centenas de milhões de barris armazenados em alto-mar, longe do Golfo. Mas, mais importante ainda, temos uma série de anúncios que faremos.”

Ele mencionou o plano previamente anunciado para que o governo dos EUA oferecesse seguro para navios de carga de petróleo quando apropriado, e para que a marinha americana garantisse a travessia segura pelo Estreito de Ormuz.

Bessent destacou a vulnerabilidade da China a qualquer interrupção no fornecimento de petróleo do Golfo Pérsico, afirmando que mais de 50% da energia do país provém dessa região.

“Eles provavelmente estavam comprando 95% do petróleo bruto iraniano. Obviamente, isso está suspenso agora”, disse ele.

Questionado sobre o comentário de Trump na terça-feira, quando foi perguntado sobre a possibilidade de um embargo comercial à Espanha e se o secretário do Tesouro seria responsável por isso, Bessent disse que “seria um esforço conjunto”. Ele não comentou especificamente se tal sanção será implementada.

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O dinheiro que vai pra Cuba: sob pressão dos EUA, regime comunista amplia parcerias com setor privado

Cuba autorizou empresas privadas a fazerem parcerias com empresas estatais, um passo cauteloso para afrouxar seu controle sobre a economia, enquanto Havana luta para fornecer serviços básicos sob intensa pressão de Washington.

De acordo com novas regulamentações publicadas nesta terça-feira (3), o incipiente setor privado da ilha poderá fechar acordos com entidades estatais em “qualquer área legal”, exceto educação, saúde e defesa. No entanto, as regras permitem que os braços comerciais desses setores celebrem contratos, o que significa que as empresas poderão trabalhar com a GAESA, o poderoso conglomerado empresarial militar que controla grande parte da economia.

A nova lei também concede ampla liberdade às joint ventures para decidir quantos funcionários terão, definir salários e importar e exportar mercadorias diretamente. Esses arranjos são reconhecidos desde 2021, mas nunca foram regulamentados. Céticos, contudo, devem recomendar cautela até que fique claro que as regras estão funcionando e que o governo comece a aprovar propostas.

O governo de Cuba enfrenta uma crise existencial à medida que a administração de Donald Trump corta os suprimentos de combustível da ilha. Os EUA, na esperança de romper o controle do regime comunista sobre a política e a economia, também buscam encerrar as brigadas médicas estrangeiras do país — uma importante fonte de divisas.

Embora os EUA tenham emitido novas diretrizes permitindo que empresas privadas cubanas importem seu próprio combustível, os volumes envolvidos representam uma fração do que a ilha necessita. As usinas termelétricas do país requerem cerca de 100 mil barris de petróleo por dia para atender à demanda, e a produção doméstica responde por apenas dois quintos desse total.

No início desta semana, o presidente Miguel Díaz-Canel disse aos legisladores que mudanças “urgentes” eram necessárias na economia, incluindo dar ao setor privado e aos municípios individuais “mais autonomia” — o reconhecimento de que a economia controlada pelo Estado está falhando.

Cuba culpa as políticas de Washington por tê-la levado à beira do colapso. As Nações Unidas e outras entidades alertaram que a ilha de 10 milhões de habitantes está à beira de uma crise humanitária, à medida que serviços básicos — de eletricidade à coleta de lixo — entram em colapso.

O secretário de Estado Marco Rubio mantém conversas com representantes cubanos, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, enquanto o governo Trump avança para tornar a ilha mais dependente dos EUA para suprimentos.

Autoridades em Havana e Washington, no entanto, parecem estar cooperando na investigação de um tiroteio fatal — entre forças de segurança e um grupo de cubanos que viviam nos EUA — a bordo de uma lancha registrada na Flórida, na costa norte da ilha. Os seis sobreviventes do incidente foram acusados de terrorismo na terça-feira.

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Polícia Federal prende Daniel Vorcaro, do Banco Master, em nova fase de operação da Justiça

A Polícia Federal prendeu nesta manhã de quarta-feira (4) o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A detenção faz parte da 3ª fase da Operação Compliance Zero.

Segundo nota da Polícia Federal, estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Trata-se da primeira medida autorizada pelo ministro André Medonça desde que ele assumiu a relatoria do caso em substituição ao ministro Dias Toffoli.

As investigações contaram com o apoio do Banco Central.

Segundo a PF, a operação investiga possíveis práticas de crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa.

Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões. O objetivo é “interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas”.

A Operação Compliance Zero foi deflagrada inicialmente em novembro de 2025 relacionada a investigações sobre as suspeitas de prática de crimes envolvendo o Banco Master e o BRB, como a criação de carteiras de crédito fictícias para inflar o patrimônio do banco de Daniel Vorcaro e ocultar perdas e passivos que não teriam condições de serem honrados.

Em ato relacionado à operação, o Banco Central decretou a liquidação do Master depois de meses de investigação com o objetivo declarado de mitigar riscos de contágio das perdas ao sistema financeiro nacional.

Na ocasião, Vorcaro chegou a ser detido no aeroporto internacional de São Paulo antes de embarque para o exterior, mas foi solto dez dias depois com habeas corpus do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

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Efeito Master: Banco Central libera R$ 30 bilhões em compulsório para bancos recomporem o FGC

O Banco Central editou nesta terça-feira (3) a Resolução BCB nº 551, que cria uma espécie de compensação contábil para evitar que a recomposição do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) drene liquidez do sistema bancário. A estimativa do BC é que a medida libere até R$ 30 bilhões em 2026.

O contexto é o seguinte: em fevereiro, o FGC obrigou todos os bancos associados a antecipar contribuições mensais para recompor o caixa do fundo, esvaziado após o pagamento de R$ 51,8 bilhões em garantias a depositantes de instituições ligadas ao banco Master — incluindo o Will Bank e o Banco Pleno, liquidados na sequência. Se os bancos simplesmente tirassem esse dinheiro de suas operações para depositar no FGC, o efeito prático seria um aperto de liquidez no sistema, algo que o BC quer evitar num momento de juros já elevados.

A solução foi permitir que cada banco desconte do compulsório — a reserva obrigatória que toda instituição financeira mantém depositada no BC — o valor exato que antecipar ao FGC. Em termos simples: o dinheiro que o banco já tinha parado no BC é redirecionado ao fundo, em vez de sair do caixa operacional. Para o sistema como um todo, o volume de recursos em circulação não muda — é o que o BC chama de “neutralizar o efeito da antecipação ao FGC na liquidez do sistema bancário”.

A resolução ainda dá aos bancos a liberdade de escolher de qual compulsório fazer a dedução — se do que incide sobre depósitos à vista ou sobre depósitos a prazo. A distinção importa porque a composição de passivos varia muito entre instituições: bancos de varejo com grande base de conta corrente podem preferir deduzir do compulsório à vista, enquanto bancos mais dependentes de CDBs podem optar pelo de depósitos a prazo. Na avaliação do BC, essa flexibilidade “amplia a efetividade do instrumento e potencializa seu alcance”.

O alívio é temporário. À medida que cada parcela antecipada ao FGC vence, o compulsório correspondente é recomposto. O efeito líquido, portanto, é o de um colchão rotativo: libera agora, recolhe depois — exatamente a função que o compulsório já deveria cumprir em situações de estresse.

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Trump diz que vai cortar comércio com Espanha após país negar uso de bases para atacar Irã

Donald Trump disse que vai “cortar todo o comércio com a Espanha” após o país negar acesso às suas bases militares para sua campanha de bombardeio contra o Irã, o que provocou uma forte reprimenda de Madri de que o presidente dos Estados Unidos deve respeitar os acordos comerciais internacionais.

“Eu disse ao Scott para cortar todos os negócios com a Espanha,” disse Trump na terça-feira (3) durante uma reunião na Casa Branca, referindo-se ao Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.

Trump não explicou como planejava cumprir essa ameaça, que pode se mostrar particularmente difícil, dado que os EUA têm um relacionamento comercial com a União Europeia mais ampla.

Mais tarde, ele sugeriu que tinha o poder de impor um embargo total a bens do país, embora não tenha indicado explicitamente que planejava fazê-lo.

Se a administração Trump deseja revisar sua relação comercial com a Espanha, deve fazê-lo respeitando a autonomia das empresas privadas, o direito internacional e os acordos bilaterais entre a UE e os EUA, disse um funcionário do governo espanhol em resposta ao comentário de Trump.

A Espanha tem os recursos necessários para conter impactos potenciais e apoiar setores que podem ser afetados por uma proibição comercial, afirmou o funcionário.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, deve fazer uma declaração na quarta-feira (4) às 9h no horário de Madri.

Em uma entrevista em janeiro ao New York Times, Trump disse que não “precisa de direito internacional.” Ele então acrescentou que isso depende da definição de direito internacional.

“A Espanha não tem absolutamente nada de que precisamos, exceto por grandes pessoas,” disse Trump na terça-feira. “Eles têm grandes pessoas, mas não têm uma liderança grande.”

Impacto na bolsa

O comentário de Trump na terça-feira veio após o fechamento da Bolsa de Madri. O ETF iShares MSCI Espanha caía 5,7% às 18h32 em Madri, após reduzir uma queda anterior que havia chegado a 6,8%, enquanto as ações europeias eram atingidas por preocupações com a inflação ao longo da sessão.

No domingo (1), Sánchez disse que a operação dos EUA e de Israel equivalia a uma “intervenção militar injustificada e perigosa fora do direito internacional.”

O governo em Madri alertou Washington de que os EUA não poderiam usar as duas bases militares no sul do país para apoiar a operação, argumentando que tal envolvimento estaria fora do tratado que rege as instalações.

“Queremos ações militares sempre sob a carta das Nações Unidas e sob esforço coletivo,” disse o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, em uma entrevista à Bloomberg Television na terça-feira. “Um mundo baseado em regras previsíveis é melhor do que um mundo em que a força é a única regra.”

Trump expressou repetidamente frustração com Sánchez por rejeitar seu apelo para que os aliados da OTAN aumentassem os gastos com defesa para o equivalente a 5% do Produto Interno Bruto. Em outubro passado, o presidente dos EUA disse que a Espanha deveria receber uma “punição comercial” pela discordância.

“Eu poderia amanhã parar — ou hoje, ainda melhor — tudo que tem a ver com a Espanha, todos os negócios que têm a ver com a Espanha, ter o direito de parar, embargos, fazer o que eu quiser com isso,” continuou Trump. “E podemos fazer isso com a Espanha.”

Bessent, na reunião, afirmou sua crença de que Trump tinha a capacidade legal de embargar bens espanhóis, sem dizer se ele seguiria esse caminho.

“O anúncio poderia ter um efeito no sentimento do mercado mais do que em números macro, embora, se a ameaça avançar, seria ruim para as exportações de vinho e azeite para os EUA,” disse Ricardo Gil, vice-chefe de investimentos da Trea Asset Management. “Do lado político, isso é um golpe para a credibilidade do governo.”

O chanceler alemão Friedrich Merz, que estava na reunião da Casa Branca com Trump, interveio para apoiar o apelo do presidente para que Madri aumentasse seus gastos com defesa.

“Estamos tentando convencer a Espanha a alcançar” a meta de gastos da OTAN, disse Merz enquanto se sentava ao lado de Trump durante sua visita à Casa Branca.

“A Espanha é a única que não está disposta a aceitar isso, e estamos tentando convencê-los de que isso faz parte da nossa segurança comum, que todos devemos cumprir com esses números.”

Trump também criticou o Reino Unido por bloqueá-lo de usar uma base militar na ilha de Diego Garcia para realizar ataques ao Irã, dizendo que estava “surpreso” enquanto se absteve de fazer uma ameaça comercial semelhante.

“Esta não é a era de Churchill. Eu vou dizer, o Reino Unido tem sido muito, muito não cooperativo com aquela ilha estúpida que eles têm,” disse Trump.

O Supremo Tribunal dos EUA derrubou no mês passado o alegado direito de Trump de usar uma lei de poderes de emergência para impor suas chamadas tarifas recíprocas ao redor do mundo. Ele anunciou uma nova taxa global de 10%, que depois ameaçou aumentar para 15%.

A equipe de Trump disse que as tarifas continuarão sendo centrais em sua política comercial, reiterando planos de lançar uma série de investigações em cronogramas acelerados que lhe permitam impor unilateralmente direitos — tudo com o objetivo de reconstruir o regime tarifário que a decisão do tribunal mais alto dos EUA efetivamente destruiu.

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Após decisão da Suprema Corte, China ganha vantagem antes de cúpula com Trump

O presidente chinês Xi Jinping chega à mesa de negociação com Donald Trump em posição mais forte, depois que o líder americano perdeu a capacidade de elevar tarifas rapidamente por quase qualquer motivo.

Semanas antes de Trump desembarcar em Pequim, em 31 de março – a primeira visita de um presidente americano desde 2017 – a Suprema Corte dos EUA invalidou as tarifas emergenciais amplas impostas pelo republicano, um dos principais instrumentos de pressão sobre a China.

A decisão eliminou as tarifas adicionais do segundo mandato de Trump contra Pequim e deixou a China sujeita à mesma taxa global de 15% aplicada aos aliados dos Estados Unidos – tarifa que expira em 150 dias.

A remoção da ameaça de tarifas que no ano passado chegaram a 145% dificulta a pressão de Trump por compras maiores de soja, aeronaves da Boeing e petróleo. Também o deixa sem um instrumento-chave caso negociadores chineses façam novas exigências em troca da retomada do fluxo regular de terras raras — minerais estratégicos para a indústria americana.

“Essa decisão da Suprema Corte coloca a China em posição muito mais forte de negociação”, afirmou Wu Xinbo, diretor do Centro de Estudos Americanos da Universidade Fudan. 

Ele citou o exemplo do compromisso chinês de comprar cerca de 25 milhões de toneladas de soja, condicionado às negociações tarifárias anteriores. “Se essas tarifas agora são consideradas ilegais, a ‘carta da soja’ volta para a mão da China.”

A equipe de Xi deve pressionar com mais força por:

  • Acesso a semicondutores avançados;
  • Retirada de restrições comerciais a empresas chinesas;
  • Redução do apoio dos EUA a Taiwan.

Embora a decisão da Suprema Corte americana represente um ganho para Pequim, autoridades chinesas têm sido cautelosas na reação pública.

Cartas na manga

A decisão não impede Trump de usar outros instrumentos legais para impor tarifas, como as Seções 301, 232 e 122 da Lei de Comércio.

A tarifa global de 15% foi aplicada com base na Seção 122, que permite taxas por até 150 dias sem aprovação do Congresso. Já as Seções 301 e 232 permitem tarifas unilaterais, mas exigem investigações que podem levar meses.

A China ainda enfrenta investigação sob a Seção 301 por descumprimento do acordo comercial da “Fase Um”, firmado no primeiro mandato de Trump — o que pode servir como plano alternativo de pressão.

Efeito prático

Com os mercados chineses fechados pelo Ano Novo Lunar, investidores podem reagir positivamente à notícia quando as bolsas reabrirem. Empresas exportadoras chinesas podem acelerar embarques aos EUA enquanto as tarifas permanecem mais baixas, antes de eventuais novas mudanças.

“O governo americano provavelmente buscará alternativas para manter tarifas elevadas sobre a China”, disse Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management. “Mas isso pode levar tempo. Nesse intervalo, empresas podem antecipar exportações.”

A decisão da Suprema Corte remove também a tarifa de 10% vinculada à crise do fentanil e as chamadas tarifas “recíprocas”, reduzindo um dos principais pontos de atrito entre Washington e Pequim.

Nos últimos meses, os dois lados já haviam flexibilizado algumas restrições de segurança nacional. Houve acordo sobre as operações do TikTok nos EUA e liberação da venda de chips Nvidia H200 à China.

Ainda assim, Trump já mostrou disposição para ameaçar novas tarifas antes de encontros importantes – como fez antes da última cúpula com Xi.

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Trump intensifica embate com Suprema Corte e eleva tarifa global para 15%

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (21) que aumentará de 10% para 15% a tarifa global anunciada na véspera, em reação à decisão da Suprema Corte que considerou ilegal o mecanismo anterior usado por ele para impor taxas comerciais.

“Eu, como presidente dos Estados Unidos da América, estarei, com efeito imediato, elevando a tarifa mundial de 10% para o nível plenamente permitido e legalmente testado de 15%”, escreveu Trump em uma rede social, acrescentando que muitos países vinham “explorando” os EUA há décadas.

Horas após a decisão da Suprema Corte na sexta-feira (20), Trump havia imposto uma tarifa global de 10% sobre bens importados, numa tentativa de preservar sua agenda comercial.

A nova tarifa-base está sendo aplicada com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite ao presidente impor tarifas por até 150 dias sem aprovação do Congresso. Obter esse aval pode ser difícil, já que democratas e alguns republicanos têm resistido a partes da política comercial do presidente.

A tarifa de 10% anunciada na sexta-feira estava programada para entrar em vigor no dia 24 de fevereiro, à 0h01 (horário de Washington). Trump fará o discurso do Estado da União ao Congresso naquela noite. A publicação deste sábado, porém, não detalha o cronograma para a entrada em vigor da tarifa de 15%.

Na sexta-feira, a Suprema Corte decidiu por 6 votos a 3 que Trump agiu ilegalmente ao utilizar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para justificar suas chamadas “tarifas recíprocas”. Em abril, ele havia usado esse instrumento para impor tarifas entre 10% e 50% a dezenas de parceiros comerciais.

A Casa Branca e o escritório do Representante Comercial dos EUA não comentaram imediatamente.

E o Brasil?

Para o Brasil, o impacto imediato depende de um detalhe crucial: se as isenções anunciadas na sexta-feira – que incluíam carne bovina, laranjas e minerais críticos – serão mantidas também após a elevação da tarifa-base para 15%. 

Se forem preservadas, os principais itens da pauta exportadora brasileira aos EUA continuam protegidos, ao menos no curto prazo. Caso contrário, a escalada pode reacender a tensão comercial justamente em um momento em que os americanos vinham recuando de sobretaxas anteriores, sob pressão da inflação de alimentos.

Além disso, o Brasil segue sob investigação na Seção 301 por supostas práticas comerciais desleais – um instrumento mais duradouro e potencialmente mais agressivo que a Seção 122. Ou seja: mesmo que a tarifa de 15% tenha prazo de até 150 dias, o risco estrutural para as exportações brasileiras continua na mesa.

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Vale e Embraer se aproximam do influente Grupo Adani em nova ofensiva brasileira na Índia

O grupo indiano Adani, maior operador portuário da Índia e um dos conglomerados mais influentes da Ásia, assinou neste sábado (21) dois memorandos de entendimento com empresas brasileiras – Vale e Embraer – ampliando a presença do Brasil em setores considerados estratégicos para o crescimento indiano.

De um lado, a Vale fechou parceria com a Adani Ports e a estatal indiana NMDC para desenvolver um complexo integrado de minério de ferro no Porto de Gangavaram, na costa leste da Índia. De outro, a Embraer assinou memorando para instalar uma linha de montagem final do jato regional E175 no país, em parceria com a Adani Defence & Aerospace.

Os acordos foram firmados durante o Fórum Empresarial Índia–Brasil, em Nova Déli, na visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país. A aproximação empresarial ocorre em meio à tentativa de ampliar o fluxo comercial entre os dois países.

O comércio bilateral Brasil–Índia gira hoje em torno de US$ 15 bilhões por ano, e os governos estabeleceram a meta de elevá-lo para US$ 20 bilhões até 2030. Lula afirmou a jornalistas que o volume pode superar essa marca e alcançar US$ 30 bilhões até o fim da década, caso os dois lados acelerem os acordos.

E os acordos com Vale e Embraer colocam o conglomerado liderado por Gautam Adani no centro dos objetivos comerciais entre Brasil e Índia.

Minério

De acordo com a revista exame, o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que a Índia pode repetir a trajetória de expansão industrial observada na China nos anos 2000, quando o país se tornou o principal destino do minério brasileiro.

No ano passado, a Vale exportou 10 milhões de toneladas de minério de ferro para a Índia. O volume ainda é pequeno diante das vendas à China, mas vem crescendo. Segundo Pimenta, a Índia produz atualmente cerca de 150 milhões de toneladas de aço por ano e pode ultrapassar 300 milhões na próxima década.

Lula e Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, durante visita oficial do presidente do Brasil
Lula e Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, durante visita oficial do presidente do Brasil (Prakash Singh/Bloomberg)

O acordo com a Adani prevê a criação de uma estrutura de mistura de minério dentro de uma Zona Econômica Especial (SEZ) no Porto de Gangavaram, na costa leste da Índia. A estratégia é misturar minério brasileiro de alto teor com minério local, oferecendo uma solução mais eficiente às siderúrgicas indianas.

O projeto também inclui infraestrutura capaz de receber navios do tipo Valemax – embarcações com capacidade para até 400 mil toneladas, amplamente utilizadas pela Vale. Com isso, a capacidade do porto pode chegar a 75 milhões de toneladas por ano.

Aviões

Na frente aeronáutica, a Embraer assinou um memorando ampliado com a Adani Defence & Aerospace para estruturar a produção do jato regional E175 na Índia, dentro do programa indiano de aeronaves de transporte regional. O anúncio já havia sido feio no mês passado.

A Índia é um dos mercados de aviação que mais crescem no mundo e deve demandar ao menos 500 aeronaves na faixa de 80 a 146 assentos nos próximos 20 anos, segundo estimativas do governo indiano.

O plano é que a montagem ocorra na Índia, com participação da indústria local na cadeia de suprimentos, em linha com a política industrial do governo de Nova Déli, que busca fortalecer a autossuficiência em setores estratégicos.

O Grupo Adani

Fundado por Gautam Adani, o conglomerado se consolidou como o maior operador portuário da Índia e expandiu sua atuação para aeroportos, energia, defesa, cimento, mineração e infraestrutura.

O grupo controla o Aeroporto Internacional de Mumbai, administra diversos portos ao longo da costa indiana e tem planos ambiciosos em energia renovável, com investimentos anunciados de até US$ 70 bilhões no setor.

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Brasil e Índia firmam acordo sobre terras raras e ampliam parceria comercial

Brasil e Índia firmaram neste sábado (21) um acordo para cooperação em minerais críticos, com foco no processamento de terras raras. O objetivo é reforçar o acesso a insumos estratégicos em um momento de transformação nas cadeias globais.

“O acordo ajudará a moldar uma cadeia de suprimentos nova e resiliente”, disse o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Nova Délhi.

O Brasil abriga a segunda maior reserva de terras raras do mundo e surge como alternativa para a Índia reduzir sua dependência da China – especialmente em setores como veículos elétricos, painéis solares, smartphones e equipamentos de defesa, incluindo motores de jatos e mísseis guiados.

O movimento ocorre pouco depois de a Índia aderir à iniciativa Pax Silica, liderada pelos Estados Unidos, voltada à construção de cadeias mais resilientes em semicondutores, inteligência artificial e minerais críticos.

A concentração da oferta desses insumos na China tem gerado preocupação crescente, sobretudo em economias emergentes que dependem de materiais essenciais para manufatura avançada e tecnologia militar.

Além de diversificar fornecedores, Brasil e Índia querem avançar no processamento dos minerais – e não apenas permanecer como exportadores de matéria-prima. Hoje, a China domina tanto a extração quanto o refino, enquanto países como os Estados Unidos buscam acelerar parcerias alternativas.

“A ampliação dos investimentos e da cooperação em energias renováveis e minerais críticos está no centro do acordo pioneiro que assinamos hoje”, afirmou Lula.

A aproximação também tem dimensão comercial. As trocas bilaterais superaram US$ 15 bilhões em 2025, e os dois países estabeleceram a meta de elevar o comércio a US$ 20 bilhões até 2030. O Brasil é atualmente o principal parceiro comercial da Índia na América Latina.

A relação ganhou novo impulso após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impor tarifas de 50% sobre produtos de ambos os países. No caso da Índia, a alíquota foi reduzida para 18% após a assinatura de um acordo comercial neste mês.

O cenário voltou a mudar na sexta-feira (20), quando a Suprema Corte dos EUA derrubou parte das tarifas implementadas por Trump no ano passado. Em resposta, o presidente anunciou uma tarifa global de 10% sobre bens importados — ampliando a incerteza no comércio internacional.

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Argentina anuncia acordo de comércio e investimentos com governo Trump

A Argentina afirmou que assinou um acordo de comércio e investimentos com o governo de Donald Trump, cumprindo o compromisso do presidente Javier Milei de abrir a economia sul-americana.

O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, disse que os dois países assinaram o acordo em uma publicação nas redes sociais na quinta-feira, mas não forneceu detalhes sobre o texto final.

Os dois países haviam concordado anteriormente com um acordo-quadro em novembro, que previa que a Argentina fizesse várias concessões em sua economia historicamente protecionista, enquanto os EUA concordaram em remover algumas tarifas recíprocas sobre produtos farmacêuticos e “recursos naturais indisponíveis”.

O chefe de gabinete de Milei, Manuel Adorni, e o Ministério das Relações Exteriores da Argentina não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA afirmou que não tinha comentários imediatos.

O acordo-quadro afirmou que a Argentina se comprometeu a importar carros fabricados nos EUA e a aceitar alimentos certificados pela Food and Drug Administration (FDA). A Argentina também abrirá seu mercado para o gado vivo e dará aos produtores americanos acesso preferencial para vender ao país “determinados medicamentos, produtos químicos, máquinas, produtos de tecnologia da informação, dispositivos médicos, veículos automotores e uma ampla gama de produtos agrícolas”.

O acordo também aborda direitos de propriedade intelectual e comércio digital, entre outros temas, segundo o documento-quadro.

Trump tem buscado repetidamente ajudar Milei, um de seus principais aliados na América Latina. Em setembro passado, quando Milei enfrentava uma difícil eleição de meio de mandato, o Tesouro dos EUA anunciou um pacote de ajuda de US$ 20 bilhões que ajudou a mitigar uma venda massiva da moeda e a reforçar a confiança do mercado em seu governo.

O partido de Milei então conquistou uma vitória esmagadora na eleição de outubro, desencadeando uma alta nos mercados.

A nação sul-americana frequentemente figura entre as piores do mundo em barreiras comerciais, já que suas tarifas tiveram média de 13% nos últimos anos, em comparação com 3,5% nos EUA, segundo dados do Banco Mundial. A última tentativa da Argentina de abrir sua economia, nos anos 1990, devastou a indústria local e fez com que o livre-comércio se tornasse sinônimo de perda de empregos para muitos eleitores.

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Trump anuncia corte de tarifas para 18% após Índia suspender compras de petróleo russo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que os EUA e a Índia chegaram a um acordo comercial que reduz tarifas sobre produtos indianos, desescalando tensões entre os dois países.

Trump afirmou na segunda-feira que reduzirá sua tarifa de 25% sobre produtos indianos para 18%, depois que o Primeiro-Ministro Narendra Modi concordou, durante uma ligação telefônica, em interromper a compra de petróleo russo. Trump também removerá a taxa extra de 25% aplicada sobre produtos indianos em resposta às compras de petróleo da Rússia, segundo autoridades familiarizadas com o assunto.

No total, as medidas reduzirão os encargos gerais sobre muitos produtos indianos de 50% para 18%, representando uma redução significativa para têxteis, maquinário e outros bens. O presidente americano afirmou ainda que a Índia “avançará na redução de suas tarifas e barreiras não tarifárias contra os Estados Unidos, até ZERO”, além de comprar “mais de 500 BILHÕES DE DÓLARES em energia, tecnologia, produtos agrícolas, carvão e muitos outros produtos dos EUA.”

“Por amizade e respeito ao Primeiro-Ministro Modi e, conforme seu pedido, com efeito imediato, concordamos com um Acordo Comercial entre os Estados Unidos e a Índia”, postou Trump nas redes sociais. “Nossa incrível relação com a Índia ficará ainda mais forte daqui para frente.”

Modi confirmou o pacto, postando nas redes sociais que “produtos Made in India terão agora uma tarifa reduzida de 18%.”

Os futuros do índice de referência da Índia, Nifty 50, negociados na Gujarat International Fin-Tec City, dispararam até 3,8% em volume reduzido, enquanto o ETF iShares MSCI India, listado nos EUA, atingiu máxima da sessão e subiu até 2,4%. A rupia avançou 1% contra o dólar em negociações offshore.

A medida oferece alívio significativo para Nova Délhi, que vinha tentando há meses negociar uma tarifa menor com Washington. A Índia envia quase um quinto de suas exportações totais para os EUA, e as tarifas de 50% de Trump eram a mais alta aplicada a produtos de qualquer parceiro comercial importante.

A alta tarifa afetava cerca de 55% das exportações indianas para o mercado americano e ameaçava comprometer suas ambições de se tornar uma potência manufatureira.

“Embora o diabo esteja nos detalhes, isso remove a espada suspensa sobre o mercado de rupia, ações e taxas”, disse Nilesh Shah, diretor-gerente da Kotak Mahindra AMC. “Esperamos que seja um acordo vantajoso para ambos os países, que têm muito a ganhar por meio da cooperação.”

Não estava imediatamente claro que um acordo fosse iminente antes da ligação entre Trump e Modi. O Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, disse na terça-feira anterior que, embora a Índia tenha “feito muito progresso” em limitar compras de petróleo russo, “ainda há caminho a percorrer nesse ponto.”

Longas negociações

A Índia foi um dos primeiros países a abrir negociações comerciais com a administração Trump, mas as relações azedaram depois que o presidente americano repetidamente se creditou pelo cessar-fogo entre Índia e Paquistão, afirmação que irritou autoridades em Nova Délhi. As tarifas agravaram ainda mais as relações.

Sinais de aproximação entre as duas economias surgiram após Trump ligar para Modi em seu aniversário, em setembro, reduzindo tensões e retomando negociações comerciais paradas.

O presidente americano afirmou em novembro que poderia visitar a Índia no próximo ano, a pedido de Modi.

A Índia também tomou medidas para agradar Trump. Refinarias reduziram compras da Rússia após os EUA aplicarem sanções às duas maiores produtoras de petróleo russas em outubro. Mais recentemente, o ministro de petróleo da Índia afirmou que refinarias estatais assinaram seu primeiro contrato de longo prazo para importar gás liquefeito dos EUA.

O acordo chega em um momento em que as tarifas pesam sobre a economia indiana. Os EUA são seu maior mercado de exportação, e as novas tarifas prejudicaram indústrias intensivas em mão de obra, incluindo têxtil, couro, calçados e joias. Os dados mais recentes mostram queda de quase 12% nas exportações em outubro em relação ao ano anterior, com déficit comercial atingindo recorde.

A concessão indiana sinaliza uma mudança significativa na dinâmica do mercado global de petróleo. O país asiático havia se tornado um destino importante para o petróleo russo após a invasão da Ucrânia em 2022, mas esse padrão agora começa a se desfazer. Em janeiro, os embarques de petróleo russo para portos indianos caíram para cerca de 1,2 milhão de barris por dia, o menor nível em mais de três anos.

O recuo deixa Moscou diante do desafio de colocar o petróleo já carregado nos navios, mas sem poder descarregá-lo em refinarias. Os barris encalhados se somam a um estoque crescente de barris sancionados não vendidos, contribuindo para um excesso de oferta que deve pressionar os preços do petróleo neste ano.

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União Europeia cogita tarifas sobre US$ 108 bilhões em produtos dos Estados Unidos após ameaça de Trump

A União Europeia está em negociações para potencialmente impor tarifas sobre € 93 bilhões (US$ 108 bilhões) em produtos dos Estados Unidos, caso o presidente Donald Trump leve adiante a ameaça de aplicar uma taxa de 10% aos países europeus em 1º de fevereiro.

A UE também avalia contramedidas adicionais além das tarifas, mas primeiro tentará encontrar uma solução diplomática, de acordo com pessoas familiarizadas com as discussões. Representantes dos 27 países da UE se reuniram no domingo para começar a preparar as opções.

Os líderes da UE realizarão uma reunião de emergência em Bruxelas ainda nesta semana para analisar possíveis medidas retaliatórias. Em uma publicação nas redes sociais no domingo, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse que as nações do bloco estavam unidas em apoio à Dinamarca e à Groenlândia e estavam prontas “para se defenderem contra qualquer forma de coerção”.

No sábado, Trump anunciou uma tarifa de 10% sobre produtos de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro, subindo para 25% em junho, a menos que haja um acordo para a “compra da Groenlândia”. Trump fez a ameaça depois que os países disseram que realizariam exercícios simbólicos de planejamento militar da OTAN no território semiautônomo dinamarquês.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, criticou duramente os comentários de Trump como “completamente errados”, e Ulf Kristersson, da Suécia, disse que seu país não seria “chantageado”. O primeiro-ministro francês, Emmanuel Macron, que chamou a ameaça como “inaceitável”, planeja solicitar que a UE acione seu instrumento de retaliação comercial mais poderoso, o chamado instrumento anticoerção.

A reação mais imediata e tangível da UE foi que ela iria suspender a aprovação do acordo comercial de julho com os EUA, que ainda precisa da aprovação do Parlamento Europeu. O Partido Popular Europeu, o maior grupo no parlamento, afirmou que se uniria a outros partidos para bloquear a ratificação do acordo.

“O presidente Trump desencadeou uma avalanche que ameaça destruir décadas de cooperação transatlântica”, disse Stefan Lofven, presidente do Partido Socialista Europeu, em comunicado no domingo. O partido, cujo grupo parlamentar é o segundo maior em Bruxelas, apoia a suspensão do acordo comercial e pediu à UE que examine a utilização do instrumento anticoerção.

O acordo comercial, criticado por muitos na Europa por ser excessivamente desequilibrado a favor de Washington, previa que a UE concordasse em remover quase todas as tarifas sobre produtos americanos. A UE também aceitava uma taxa de 15% sobre a maioria das exportações para os EUA e de 50% sobre o aço e o alumínio. Desde então, os EUA ampliaram a lista de produtos sujeitos à alíquota mais alta de 50%, incluindo centenas de produtos adicionais que contêm esses metais.

A UE já aprovou tarifas retaliatórias sobre € 93 bilhões em produtos dos EUA, mas suspendeu a implementação. Se Trump levar adiante sua ameaça e impuser tarifas aos países no início de fevereiro, a UE poderá permitir a reintrodução de contramedidas, disseram as pessoas, que falaram sob condição de anonimato.

As medidas teriam como alvo produtos industriais americanos, incluindo aeronaves da Boeing, carros fabricados nos EUA e uísque bourbon.

A ameaça de tarifas de Trump pode se revelar uma interrupção indesejada do rali das ações europeias, que têm superado as dos EUA, conforme investidores direcionam recursos para diversos setores regionais, da defesa à mineração e fabricantes de equipamentos para chips. A perspectiva para a região tem sido impulsionada pelo aumento dos gastos fiscais na Alemanha, pela queda das taxas de juros e pela expectativa de melhora dos lucros.

Se Trump levar adiante a ameaça da tarifa total de 25%, as exportações dos países visados para os EUA poderão ser reduzidas em até 50%, sendo a Alemanha, a Suécia e a Dinamarca as mais expostas, segundo estimativas da Bloomberg Economics.

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EUA suspendem emissão de vistos do Brasil e de mais 74 países

O Departamento de Estado dos Estados Unidos congelou a emissão de vistos para 75 países, incluindo o Brasil, de forma temporária. Ainda não se sabe se os vistos para turistas serão afetados pela medida.

A medida foi noticiada primeiramente pela rede de TV Fox News, mas confirmada posteriormente pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, que compartilhou a informação em suas redes sociais.

A suspensão dos vistos terá início em 21 de janeiro e permanecerá em vigor por tempo indeterminado, enquanto o Departamento de Estado revisa seus critérios para a concessão de vistos a estrangeiros solicitantes. Além do Brasil, estão na lista países como Somália, Rússia, Afeganistão, Irã, Iraque, Egito, Nigéria, Tailândia e Iêmen.

A nova diretriz visa, sobretudo, atingir candidatos considerados dependentes de benefícios públicos, levando em conta fatores como saúde, idade, proficiência em inglês, situação financeira e necessidades médicas de longo prazo. Em novembro, a agência de notícias Associated Press afirmou que o governo de Donald Trump considerava uma nova diretriz para restringir a entrada de pessoas obesas no país.

“O Departamento usará sua autoridade de longa data para determinar se potenciais imigrantes são inelegíveis, evitando que estrangeiros venham receber assistência pública nos Estados Unidos”, afirmou Tommy Piggott, porta-voz do Departamento de Estado.

Desde que Donald Trump assumiu a presidência, no ano passado, o Departamento de Estado já revogou mais de 100 mil vistos, incluindo cerca de 8 mil vistos de estudante e 2.500 vistos especializados, concedidos a indivíduos que tiveram envolvimento com a polícia dos EUA por atividades criminosas.

Medidas mais duras

Desde junho do ano passado, o governo de Trump adicionou uma nova exigência à concessão de vistos de estudantes no país: agora, todos os candidatos devem desbloquear seus perfis em redes sociais para análise dos EUA. A medida tem o intuito de identificar conteúdos considerados hostis ao país, seu governo, cultura, instituições ou princípios fundadores.

Embora os Estados Unidos ainda não tenham confirmado oficialmente as restrições de visto, a nova estratégia de defesa e política externa dos EUA, publicada pelo governo de Donald Trump em dezembro de 2025, previa o aumento de restrições de entrada de imigrantes.

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Até US$ 9 bilhões a mais no PIB: o impacto positivo do acordo Mercosul-UE para o Brasil

Depois de mais de duas décadas de idas e vindas, a União Europeia deu aval político nesta sexta-feira (9) ao acordo de livre-comércio com o Mercosul. A decisão destrava a etapa de assinatura — prevista para 17 de janeiro — e abre o caminho para a ratificação no Parlamento Europeu e, do lado sul-americano, nos congressos nacionais, no que pode se converter num ganho de até 0,46% da atividade econômica brasileira, segundo o IPEA.

Pelos números atuais, seria um ganho de US$ 9,3 bilhões anuais para o PIB.

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O agro foi o ponto mais sensível em quase todo o percurso, com protestos recorrentes de produtores europeus preocupados com competição e padrões ambientais. De acordo com Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, o acordo é “benéfico” para cidadãos e empresas e só está avançando após a Comissão ouvir as preocupações dos agricultores, com salvaguardas e reforço de controles para importação.

Por “controles”, entenda cotas de importação. Por “salvaguardas”, a possibilidade de aumentos de impostos caso a abertura prejudique claramente algum setor.

Fazendeiros protestam em Bruxelas contra o acordo UE-Mercosul. Foto: Bloomberg

Mercosul e União Europeia reúnem cerca de 720 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 22 trilhões de dólares. A União Europeia é o 2º maior parceiro comercial do Mercosul em bens.

O bloco do Velho Continente manteve-se como o segundo principal destino das exportações brasileiras (14% do total), atrás apenas da China. Diferentemente do superávit recorde que o Brasil teve no total global (US$ 68,3 bilhões), com o bloco europeu houve um pequeno saldo negativo, impulsionado pelo aumento nas importações de bens industriais e tecnologia.

O Brasil exportou US$ 49,8 bilhões à União Europeia em 2025, uma alta de 3,2% em relação a 2024, mas importou US$ 50,290 bilhões, 6,4% a mais do que um ano antes.

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Entre os itens mais vendidos pelo Brasil aos países do bloco europeu estão ração/insumos agropecuários, minérios e café. Nas importações, pesam produtos farmacêuticos, máquinas e equipamentos e veículos.

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Pelo acordo, deixarão de existir tarifas de importação sobre 91% do que vem da Uniãio Europeia, incluindo automóveis. Não significa exatamente um programa Minha Porsche Minha Vida. A redução do imposto atual, de 35%, será lenta. Virá em etapas ao longo de 15 anos – quase uma geração inteira, justamente para não cair como um raio sobre a indústria brasileira de automóveis.

Do outro lado, o bloco europeu eliminará progressivamente as tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul ao longo de um período de até dez anos.

Para produtos agrícolas mais sensíveis, a UE vai impor cotas de isenção. No caso da carne bovina, abundante no Brasil, na Argentina e no Uruguai – e relativamente rara na Europa – a ausência de tarifa ficará limitada a 99 mil toneladas, para preservar os frigoríficos locais. Haverá também cotas restritas para aves, carne de porco, açúcar, etanol, arroz, mel, milho e milho doce.

Quando o jogo inverte, cotas também, claro. Os europeus produzem mais queijos. O Mercosul, então, impõe no acordo uma cota de até 30 mil toneladas para os camemberts e gruyères sem imposto.

E como fica o Brasil?

Maior economia do bloco latino-americano, o Brasil tende a se beneficiar mais, de acordo com o especialista. O estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada projeta ainda que o país conseguiria atrair mais investimento (um avanço de 1,49%) do que o restante do Mercosul e a própria União Europeia, com o volume tanto das exportações e importações passando por um aumento de 3% até 2040.

Esse é um ganho construído em camadas, porque o cronograma de redução tarifária é longo, fora as cotas. No desenho do estudo do IPEA, as importações crescem mais rápido no início, e o pico ocorre em 2034, quando terminam a maior parte das taxas para os produtos europeus no Brasil; as exportações sobem mais devagar no começo e seguem crescendo até 2040.

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O impacto mais relevante passa por máquinas, equipamentos industriais, químicos e farmacêuticos — justamente áreas em que hoje há tarifas e custos de importação mais elevados. A Comissão Europeia estima economia de mais de 4 bilhões de euros por ano em tarifas para exportadores europeus ao Mercosul, o que ajuda a entender a pressão de setores industriais pela aprovação.

O economista Carlos Honorato, professor da FIA Business School, ressalta os ganhos de longo prazo. Preços mais baixos de equipamentos e máquinas, ele aponta, podem a aprimorar nossa produção e, embora signifique mais concorrência para fabricantes nacionais, “pressionam empresas locais a buscar produtividade e padrão técnico”.

A forte presença de empresas europeias no Brasil também deve ser uma alavanca para mais ganhos brasileiros, segundo Honorato. O país tem filiais de empresas alemãs como Volkswagen, Siemens e Basf, espanholas, como Telefónica e Iberdrola, além das italianas Enel e TIM e das francesas Carrefour, L’Oréal e Engie, para ficar em alguns exemplos.

Na avaliação do economista, isso tende a destravar oportunidades práticas, como mais espaço para comércio intra-empresa, novos fornecedores e investimentos associados à redução de barreiras. Se há algo que a história ensina, afinal, é: não há ferramenta mais eficiente para a geração de riqueza do que o livre comércio.

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Argentina quita totalmente saque de swap de US$ 20 bilhões

A Argentina quitou integralmente os US$ 2,5 bilhões que havia sacado de uma linha de swap de US$ 20 bilhões com a administração Trump, ao mesmo tempo em que realizou pagamentos importantes a detentores de títulos.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, confirmou na sexta-feira que o governo de Javier Milei “rapidamente e integralmente” pagou uma parte do swap. Embora ele não tenha detalhado os valores, o Tesouro divulgou o montante sacado em seu relatório mais recente sobre o fundo de estabilização cambial (ESF). Como resultado, Bessent acrescentou, os EUA não detêm mais pesos em seu ESF.

“Nossa nação foi totalmente reembolsada, gerando dezenas de milhões de dólares em lucro para o contribuinte americano”, disse Bessent em uma publicação no X. “A Argentina conseguiu reentrar com sucesso nos mercados financeiros e fez mudanças encorajadoras em sua política monetária e cambial.”

A Argentina também fez um pagamento de US$ 4,3 bilhões em seus títulos globais, após ter obtido um empréstimo de US$ 3 bilhões com seis bancos internacionais no início desta semana. O pagamento foi confirmado pelo regulador financeiro argentino, que informou que os detentores locais receberam seus valores e os investidores internacionais receberiam os fundos na segunda-feira.

Os títulos soberanos da Argentina, país historicamente propenso a crises, subiram em toda a curva. Os títulos globais com vencimento em 2035, alguns dos mais líquidos, ganharam 0,6 centavo, negociando cerca de 74,5 centavos por dólar; o rendimento caiu para 9,8%.

Desde setembro, Bessent socorreu o governo de Milei enquanto ele enfrentava volatilidade do mercado antes das eleições de meio de mandato no final de outubro, fornecendo um nível de apoio financeiro dos EUA não visto na América Latina há décadas. O partido libertário de Milei venceu a eleição, e a perspectiva do mercado desde então voltou a favorecer o presidente.

O Tesouro dos EUA e a Argentina forneceram poucas informações sobre a linha de swap ou suas condições.

Enquanto isso, o chamado empréstimo repo — liderado pelo Banco Santander SA, Banco Bilbao Vizcaya Argentaria SA e Deutsche Bank AG — foi uma facilidade de um ano com taxa média de 7,4%. O governo de Milei entregou quase US$ 5 bilhões em títulos locais com vencimento em 2035 e 2038 como garantia em troca do empréstimo de US$ 3 bilhões em dinheiro. O ministro da Economia, Luis Caputo, afirmou em dezembro que a linha repo estava disponível para a Argentina, reforçando a confiança de que o pagamento de 9 de janeiro seria efetuado.

Caputo enfatizou a necessidade de restaurar o acesso ao mercado para apoiar a acumulação de reservas, uma preocupação antiga dos investidores. Ele disse que, embora a administração Milei tenha conseguido comprar dólares com sucesso, a incapacidade de refinanciar vencimentos obrigou o governo a depender principalmente de recursos próprios para cumprir obrigações de dívida, impedindo que o Banco Central reconstruísse significativamente suas reservas em moeda forte.

Uma emissão de dívida local de US$ 1 bilhão em dezembro foi vista como um primeiro passo para uma venda de títulos globais, especialmente porque o risco-país está no nível mais baixo em cerca de sete anos.

A Argentina enfrentará uma fatura semelhante de US$ 4,3 bilhões em seis meses. Os investidores esperam que o governo tenha garantido acesso ao mercado internacional até lá, reduzindo preocupações sobre a capacidade de pagamento. Em dezembro, a administração também anunciou mudanças na política cambial, permitindo que o peso argentino seja negociado mais livremente dentro de uma banda de flutuação mais ampla, junto com um programa de acumulação de reservas com meta de US$ 10 bilhões neste ano.

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Países da União Europeia aprovam acordo com o Mercosul e criam maior zona de livre-comércio do mundo

Os países da União Europeia apoiaram um acordo comercial com o Mercosul, abrindo caminho para que a UE assine seu maior acordo de livre comércio na próxima semana.

Embaixadores da UE apoiaram o acordo em uma reunião em Bruxelas na sexta-feira (9), apesar da oposição da França e de vários outros países, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, que falaram sob condição de anonimato. A aprovação exigia apenas uma maioria qualificada dos Estados-membros.

A decisão significa que a presidente da Comissão Europeia Úrsula von der Leyen provavelmente assine o acordo no Paraguai em 12 de janeiro.

O acordo, que também inclui Brasil, Uruguai e Argentina, concluirá 25 anos de negociações para eliminar tarifas e impulsionar as exportações, criando um mercado integrado de 780 milhões de consumidores. O acordo, no entanto, tem se mostrado bastante controverso, principalmente entre os agricultores europeus, que temem uma entrada maciça de importações agrícolas na UE.

Na véspera da decisão, agricultores protestaram no centro de Paris, enquanto manifestações ocorreram na Polônia na sexta-feira. A Irlanda estava entre os países que votaram contra o acordo.

Os líderes da UE esperavam aprovar o pacto durante sua cúpula no mês passado, mas a oposição de última hora da Itália, que se tornou o voto decisivo, frustrou o acordo.

No fim, porém, Roma apoiou a proposta na reunião de sexta-feira, em parte devido ao dinheiro extra oferecido pela Comissão no início desta semana aos agricultores no próximo orçamento de longo prazo da UE.

As medidas de salvaguarda oferecidas aos agricultores também ajudaram a influenciar a Itália. Entre elas, o compromisso de abrir uma investigação sobre a possível suspensão das tarifas preferenciais caso haja um aumento no volume de importações da América do Sul ou uma queda nos preços em comparação com a média dos últimos três anos.

O limite a partir do qual esta investigação seria iniciada foi fixado em 5%, abaixo da proposta mais recente de 8%, após pressão de países como Itália e França, bem como do Parlamento Europeu.

A França, que tem consistentemente se oposto ao acordo comercial, alegando que prejudicaria os agricultores e consumidores europeus, votou contra o acordo.

“A França é favorável ao comércio internacional, mas o acordo UE-Mercosul é um acordo de outra época, negociado por muito tempo com base em princípios já ultrapassados”, afirmou o presidente francês Emmanuel Macron em uma publicação no X na quinta-feira. “Não se justifica expor setores agrícolas sensíveis e essenciais a riscos para a nossa soberania alimentar”, escreveu Macron.

Mais de duas décadas

O pacto comercial UE-Mercosul, que também precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu, é o maior já negociado por Bruxelas. Por mais de duas décadas, as negociações foram interrompidas e retomadas repetidamente, enquanto as autoridades tentavam apaziguar as preocupações relativas à proteção ambiental e aos padrões agrícolas do Mercosul. No entanto, países como Alemanha e Espanha são fortemente favoráveis ao acordo, que abrirá novas oportunidades de exportação.

A Bloomberg Economics estima que o acordo impulsionaria a economia do Mercosul em até 0,7% e a da Europa em 0,1%. No plano geopolítico, também fortaleceria a presença da UE em uma região onde a China se consolidou como um importante fornecedor industrial e comprador de commodities.

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Petróleo opera estável com investidores avaliando crise na Venezuela

O petróleo operava perto da estabilidade nesta segunda-feira (5), enquanto investidores avaliavam as consequências da captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos e o impacto mais amplo do episódio sobre a geopolítica do mercado de petróleo.

O WTI era negociado em torno de US$ 57,03 o barril, operando dentro de uma faixa entre cerca de US$ 56,30 e US$ 57,70 na sessão, enquanto o Brent girava em torno de US$ 60,99, após oscilar entre aproximadamente US$ 60,50 e US$ 61,20. O contrato de referência do Brent chegou a tocar o patamar de US$ 61, refletindo um mercado sem direção definida, com leves altas e baixas ao longo do pregão.

“Qualquer interrupção de curto prazo na produção venezuelana pode ser facilmente compensada por um aumento da produção em outros lugares”, escreveu Neil Shearing, economista-chefe do grupo da Capital Economics, em nota.

Apesar da turbulência ocorrida no fim de semana na Venezuela, o país que é membro da Opep responde por apenas uma pequena parcela da oferta global. A Venezuela já foi uma potência produtora de petróleo, mas a produção despencou ao longo das últimas duas décadas e hoje representa menos de 1% da oferta global, em sua maior parte exportada para a China.

Excedente de petróleo

O mercado enfrenta um grande excedente neste ano, à medida que a Opep+ e outros produtores adicionam mais barris enquanto a demanda perde força. No domingo, a Opep+ manteve os planos de pausar os aumentos de oferta no primeiro trimestre. O grupo, liderado por Arábia Saudita e Rússia, não discutiu a Venezuela durante a videoconferência de 10 minutos, segundo delegados, que afirmaram ser prematuro avaliar como responder à situação em desenvolvimento.

*matéria em atualização

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Trump confirma ataque dos Estados Unidos a ‘grande instalação’ na Venezuela

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (29) que os EUA “atingiram” uma área na Venezuela onde barcos são carregados com drogas, o que marcaria a primeira vez conhecida em que os EUA realizaram uma operação em terra na Venezuela desde o início de uma campanha de pressão contra o governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

“Houve uma grande explosão na área do cais onde eles carregam os barcos com drogas”, disse Trump. “Atingimos todos os barcos e agora atingimos a área… é a área de implementação.”

Não estava claro de imediato qual órgão do governo dos EUA agiu e qual foi o alvo atingido. Trump já havia dito anteriormente que havia autorizado a CIA a realizar operações secretas na Venezuela.

Em um programa de rádio na semana passada, Trump fez comentários vagos sobre uma aparente operação dos EUA contra uma “grande instalação” na Venezuela.

A CIA, a Casa Branca e o Pentágono não elaboraram publicamente sobre esses comentários de Trump, e se recusaram a responder perguntas feitas pela Reuters.

O governo venezuelano não comentou o incidente descrito por Trump, e não houve relatos independentes da Venezuela sobre o fato.

O governo dos EUA já havia apontado seu sucesso em atacar embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe, e o Pentágono publicou nas redes sociais imagens de vários de seus ataques.

Pressão sob Maduro

No mês passado, a Reuters informou que os EUA estavam prontos para lançar uma nova fase de operações relacionadas à Venezuela, à medida que o governo Trump aumenta a pressão sobre o governo de Maduro.

Na época, duas autoridades dos EUA disseram que as operações secretas provavelmente seriam a primeira parte da nova ação contra Maduro.

A missão dos EUA tem se concentrado principalmente em ataques militares contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas e tem provocado intensa supervisão do Congresso norte-americano. Mais de 100 pessoas foram mortas em mais de 20 ataques no Caribe e no leste do Pacífico.

No início deste mês, os líderes militares dos EUA informaram os parlamentares sobre um incidente ocorrido em setembro, no qual um ataque norte-americano matou 11 pessoas, mas deixou vários sobreviventes, que foram mortos em um segundo ataque.

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Banco Central do Uruguai inicia ofensiva contra o dólar

O presidente do Banco Central do Uruguai quer convencer os poupadores de uma das nações mais dolarizadas da América Latina de que sua relação de amor com a moeda dos Estados Unidos é ruim tanto para a economia quanto para seus bolsos.

A partir do próximo ano, Guillermo Tolosa planeja implementar medidas para estimular o uso do peso uruguaio como parte de uma estratégia para desenvolver um mercado de capitais interno que possa beneficiar tomadores de empréstimo locais — desde empresas, indivíduos e até o próprio governo.

Os primeiros passos incluirão maiores exigências de capital sobre bancos para alguns empréstimos concedidos em dólares, além da eliminação de níveis de reservas obrigatórias para alguns depósitos em pesos, a fim de incentivar os bancos a concederem mais empréstimos na moeda local. Outras medidas em consideração incluem a exigência de que empresas que precificam seus produtos em moedas estrangeiras também exibam os preços em pesos.

Será um longo caminho para desencorajar o uso do dólar em um país onde mais de dois terços dos depósitos bancários são mantidos na moeda dos EUA. Os uruguaios começaram a adotar o dólar durante períodos de alta inflação e desvalorização cambial na segunda metade do século 20. Hoje, os caixas eletrônicos oferecem pesos e dólares, e compras de alto valor, como carros e imóveis, são precificadas em dólares.

A iniciativa de desdolarização do presidente Yamandu Orsi contrasta com a de seu colega do outro lado do Rio da Prata. Na Argentina, o presidente Javier Milei busca reformas trabalhistas que permitiriam aos trabalhadores serem pagos em dólares ou pesos argentinos. Embora suas propostas cambiais mais radicais permaneçam em suspenso, o líder argetino também tem afirmado que poderia, no futuro, eliminar o peso por completo, fechar o banco central e adotar o dólar.

Tolosa diz que o apego do Uruguai ao dólar reflete um hábito antigo, formado em tempos de instabilidade econômica — algo que, segundo ele, o país já superou.

“Vamos largar a chupeta de uma vez por todas”, disse a líderes empresariais em setembro. “Seu poder de compra quando investe em dólares vai ser muito volátil. Investir em dólares em um contexto como este é uma forma de jogo, como um cassino.”

Abandono do dólar

A decisão do Uruguai de reduzir sua dependência do dólar, embora motivada principalmente por preocupações internas, também reflete um debate internacional mais amplo sobre o futuro do dólar. Poucos esperam que a moeda dos EUA perca seu papel dominante na economia global tão cedo, mas a crescente concorrência de outras moedas, tensões geopolíticas e déficits dos EUA têm corroído parte de seu apelo.

A participação do dólar nas reservas do banco central uruguaio caiu de cerca de 71% na virada do século para quase 59% no ano passado, segundo dados do Fundo Monetário Internacional. Os ativos em dólares nas reservas do Uruguai caíram para 84% em setembro, ante 90% em março, quando Tolosa assumiu o cargo.

O banco central pretende fazer progressos significativos no desenvolvimento dos mercados domésticos de pesos e na redução da dolarização durante o mandato de Tolosa, afirmou a autoridade monetária.
Para persuadir os uruguaios a manterem uma parcela maior de suas economias em pesos, no entanto, os dirigentes do banco central precisarão adotar uma meta de inflação mais baixa — 3% em vez dos atuais 4,5% — e defendê-la com sucesso por anos, disse Aldo Lema, economista e sócio da consultoria regional Vixion Consultores.

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BC da China muda discurso e sinaliza cautela sobre estímulos agressivos para a economia

O banco central da China reafirmou sua postura de política monetária favorável ao crescimento, ao mesmo tempo em que sinalizou cautela contínua em relação a estímulos agressivos. Isso reforçou uma mudança de foco para a garantia da estabilidade a longo prazo em detrimento de soluções imediatas.

O Banco Popular da China (PBOC, na sigla em inglês) prometeu manter os juros em níveis baixos, de acordo com comunicado divulgado na quarta-feira, após a reunião do seu comitê de política monetária do quarto trimestre. O banco reiterou o compromisso de intensificar as políticas “transcíclicas”, uma expressão que sugere que a instituição pretende olhar além da volatilidade de curto prazo e evitar estímulos excessivos que possam criar desequilíbrios estruturais.

O comunicado não mencionou uma redução nas taxas de juros nem para o índice de requerimento de reserva, ou compulsório, que determina quanto dinheiro os bancos devem manter em reservas, enquanto o PBOC prometeu usar várias ferramentas de política monetária. Isso sugere que o banco central está cauteloso em relação a grandes passos de afrouxamento, mesmo após um comunicado divulgado na sequência de uma importante conferência anual econômica, que havia incluído uma referência a essas medidas no início deste mês.

A linguagem sugere “uma preferência por uma abordagem reativa em vez de proativa em relação ao afrouxamento monetário”, disse em nota o economista do Goldman Sachs, Xinquan Chen, na quinta-feira. As mudanças na linguagem “apontam para uma abordagem mais cautelosa e flexível em relação ao afrouxamento da política monetária”, afirmou.

Essa abordagem ponderada ocorre apesar do aprofundamento da fraqueza da demanda interna, com as vendas no varejo no mês passado expandindo ao ritmo mais lento desde o colapso causado pela Covid. O investimento em ativos fixos também está a caminho de registrar seu primeiro ano de declínio em meio a dados que remontam a 1998, após uma crise agravada por uma escassez de financiamento para projetos de infraestrutura.

O comitê afirmou que irá “avaliar a força, o ritmo e o momento” da implementação da política com base na evolução das condições internas e externas. O PBOC também reiterou o compromisso de manter a estabilidade básica do yuan em um nível razoável e equilibrado para evitar riscos de movimentos excessivos.

O PBOC tem adotado uma abordagem cautelosa neste ano, frequentemente decepcionando economistas que previam cortes mais agressivos nas taxas de juros. Essa contenção reflete preocupações mais profundas do banco central em proteger as margens bancárias cada vez menores e preservar espaço de políticas para futuras desacelerações.

Embora o comunicado da reunião tenha mencionado a manutenção de liquidez “ampla”, o foco na “qualidade e eficiência” em vez do volume bruto sugere que qualquer flexibilização adicional será majoritariamente direcionada.

O PBOC provavelmente cortará o compulsório, o RRR, em 50 pontos-base no primeiro trimestre para manter ampla liquidez e garantir que os juros do governo permaneçam baixos, escreveram economistas da China Galaxy Securities em um relatório na quinta-feira.

Embora possa reduzir a taxa básica de juros em 10 a 20 pontos-base em 2026, qualquer redução só será desencadeada por um aumento da pressão econômica, como uma deterioração nas relações entre os EUA e a China ou uma piora do desemprego, acrescentaram os economistas.

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Setor de tecnologia dos EUA ainda sofre com falta de insumos chineses de terras raras

A China ainda está restringindo os elementos de terras raras de que os EUA precisam para produzir seus próprios ímãs permanentes e outros produtos, mesmo depois de o presidente Donald Trump ter fechado, em outubro, um acordo com seu contraparte chinês para suspender restrições ao fornecimento, segundo participantes do mercado.

Mais de uma dúzia de consumidores, produtores, autoridades do governo e especialistas em comércio disseram que, embora a China tenha aumentado as entregas de produtos acabados — principalmente ímãs permanentes —, a indústria americana continua sem conseguir adquirir os insumos necessários para fabricar esses itens por conta própria, uma prioridade-chave do governo. As pessoas pediram para não ser identificadas ao discutir assuntos que não são públicos.

A redução no comércio evidencia tensões persistentes na relação EUA–China nos meses desde que Trump e Xi Jinping costuraram uma trégua na Coreia do Sul em 30 de outubro, com os EUA reduzindo tarifas e a China se comprometendo a restabelecer o fornecimento de terras raras. Na época, Trump disse que o acordo equivalia à “remoção de fato” de uma série de limites que a China havia imposto.

Ao restringir as entregas de matérias-primas, a China está dificultando os esforços dos EUA para construir uma indústria própria capaz de processar terras raras e transformá-las em ímãs usados em tudo, de bens de consumo a sistemas de guiagem de mísseis. O governo Trump fez do desenvolvimento de capacidade doméstica de produção de ímãs permanentes e outros produtos de terras raras uma prioridade, depois de a China ter passado anos construindo um monopólio global.

A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário para esta reportagem. Autoridades do governo disseram, nas últimas semanas, que a China está cumprindo os termos do acordo sobre o fornecimento de terras raras.

Dados oficiais chineses divulgados em 20 de dezembro mostraram que o fornecimento de ímãs aos EUA caiu 11% em novembro em relação ao mês anterior, mas permanece acima das mínimas registradas quando Pequim restringiu o envio em abril. No total, as exportações chinesas de elementos e produtos de terras raras — incluindo ímãs — subiram 13% em novembro ante o mês anterior, segundo cálculos da Bloomberg com base em dados oficiais da alfândega.

Mineração em terras raras
Mineração em terras raras (Bloomberg)

Um porta-voz do Ministério do Comércio da China afirmou na quinta-feira que a oscilação nos dados mensais de comércio é “normal” e acrescentou que o país está comprometido em manter a estabilidade das cadeias globais de suprimento. Pequim disse que já aprovou alguns pedidos de exportação de terras raras, mas continua restringindo fornecimentos que poderiam chegar a contratantes militares.

Autoridades do setor e participantes do mercado disseram que, para os atores americanos, a realidade é diferente.

“As pessoas não estão conseguindo tirar materiais da China; você não está conseguindo metal ou óxido de disprósio se você é uma entidade dos EUA”, disse em entrevista Scott Dunn, CEO da Noveon Magnetics Inc., citando contatos com outros participantes da indústria. A Noveon é uma das poucas fabricantes americanas de ímãs permanentes. A empresa não compra insumos de terras raras da China, mas Dunn disse que alguns de seus clientes compram.

“Fora da China, o mundo consegue produzir 50.000 toneladas de ímãs, mas não chega nem perto de existir um volume equivalente de minerais de terras raras para sustentar essas toneladas fora da China”, disse Dunn. “A China restringe materiais muito além do que restringe em ímãs para manter essa dinâmica.”

Ainda assim, o afrouxamento das restrições de Pequim sobre produtos como ímãs feitos a partir de terras raras, por ora, eliminou o risco de que indústrias consumidoras — como a automotiva e a de tecnologia — tenham de interromper a produção, segundo Gracelin Baskaran, diretora do programa de segurança de minerais críticos do Center for Strategic and International Studies, em Washington.

“Como importamos mais adiante na cadeia de suprimentos, as empresas não sentem essa interrupção com a mesma intensidade”, disse ela. “Como importamos mais ímãs, o impacto é muito mais brando.”

As exportações totais de matérias-primas da China aumentaram desde o ano passado, mas os EUA não receberam uma alta semelhante, segundo dados do governo. A estagnação para empresas americanas continua mesmo depois de a União Europeia ter dito, em 15 de dezembro, que a China começou a conceder licenças com prazos mais longos para permitir que companhias europeias obtenham terras raras.

Segundo uma pessoa familiarizada com as negociações, EUA e China ainda não chegaram a um acordo sobre detalhes essenciais de como Pequim vai liberar as vendas de terras raras. A Bloomberg News informou no mês passado que os dois lados deram às suas equipes até o fim de novembro para acertar os termos das chamadas “licenças gerais” para exportações. Isso deixou participantes do mercado preocupados com a possibilidade de a trégua desmoronar.

“Chegamos a vários acordos temporários em Londres, em Genebra, na Coreia do Sul, e eles foram descumpridos”, disse Baskaran. “Então, até agora, nenhum acordo se provou definitivo — e isso deixa a indústria receosa, de um jeito que é justificável.”

A proximidade do vencimento, em seis meses, das licenças temporárias de exportação que a China aprovou no começo do verão também significa que empresas americanas vão buscar renovações ao mesmo tempo, o que pode criar um acúmulo de solicitações. Compradores temem que a China, como fez em maio e junho, possa desacelerar aprovações — um movimento que participantes do setor veem como uma forma de controle de exportações.

“Em conversas com advogados chineses, a recomendação é seguir com os pedidos de licença antes de a pausa expirar”, disse Mark Ludwikowski, chefe da área de comércio internacional do escritório Clark Hill. “Eles podem cortar isso a qualquer momento, se isso azedar.”

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Impasse com a Europa empurra Mercosul para outros acordos globais

Enquanto a União Europeia luta para concluir um acordo comercial com o Mercosul, concorrentes de olho no mercado consumidor da América do Sul e em seus vastos recursos minerais começam a se mexer.

Impulsionadas pelas tarifas de Donald Trump, as conversas entre o bloco sul-americano e parceiros como Emirados Árabes Unidos, Canadá e Índia ganham nova importância, enquanto uma UE dividida vacila após mais de um quarto de século de negociações. A perspectiva de rivais garantirem acesso preferencial aos mercados do Mercosul — inclusive a minerais críticos — está chamando a atenção de capitais de Londres a Tóquio.

“Estamos determinados a aprofundar nossos laços comerciais”, disse Yasushi Noguchi, embaixador do Japão no Brasil, em entrevista nesta semana. O Japão está “muito interessado em como isso vai se desenrolar” no acordo UE-Mercosul, já que empresas japonesas muitas vezes competem diretamente com as europeias, afirmou.

A impaciência com a UE veio à tona em uma reunião de líderes do Mercosul no sábado, depois que a resistência de agricultores europeus — especialmente na França e na Itália — voltou a provocar um adiamento.

“Sem vontade política e coragem de seus líderes, não será possível concluir uma negociação que já se arrasta há 26 anos”, disse o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva na cúpula que sediou no sábado. “Enquanto isso, o Mercosul continuará trabalhando com outros parceiros.”

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, era esperada no encontro para assinar o acordo UE-Mercosul. Ela cancelou a viagem de última hora depois que a UE não conseguiu reunir os votos necessários para aprová-lo.

Autoridades europeias agora miram uma ratificação em meados de janeiro. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, que detém o voto decisivo, disse a Lula nesta semana que está confiante de que poderá apoiar o acordo se tiver mais tempo para angariar apoio interno.

O Mercosul, que reúne Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, já havia aceitado uma exigência de última hora da UE para incluir salvaguardas destinadas a proteger os agricultores europeus.

Países da UE como França e Polônia há muito se opõem ao acordo, argumentando que dar acesso à gigantesca indústria agrícola da América do Sul prejudicaria os produtores europeus.

A Bloomberg Economics estima que o acordo poderia gerar um impulso econômico de até 0,7% para os países do Mercosul até 2040, e de 0,1% para a Europa.

Ainda assim, a UE teria o maior ganho geopolítico ao ampliar sua presença em uma parte do mundo onde a China vem ganhando cada vez mais espaço, segundo a análise.

Fazendeiros protestam em Bruxelas, na Bélgica, contra o acordo entre União Europeia e Mercosul. Foto: Bloomberg

O acordo UE-Mercosul continua sendo o “Santo Graal” para a América do Sul. Ele criaria um mercado integrado de cerca de 780 milhões de consumidores e provavelmente impulsionaria setores como o agronegócio, ao mesmo tempo em que aumentaria os investimentos europeus na região.

Com as tarifas de Trump redesenhando o comércio global, a UE corre contra o tempo para buscar novas parcerias e expandir as antigas, numa tentativa de diversificar suas trocas comerciais.

Neste ano, o Mercosul assinou um acordo de livre-comércio com o bloco formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, conhecido como EFTA. O grupo espera concluir negociações com os Emirados Árabes Unidos e com o Canadá em 2026.

O bloco também quer iniciar em breve negociações com o Reino Unido, já abriu conversas com Vietnã e El Salvador e trabalha no desenvolvimento de um marco comercial com o Japão.

“Estamos dispostos a avançar, entendendo que a Europa tem seus próprios prazos para lidar com suas questões institucionais internas”, disse o chanceler paraguaio Rubén Ramírez a jornalistas na sexta-feira. “Mas, ao mesmo tempo, esses prazos não são infinitos.”

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Acordo com o Mercosul vira prova de fogo para a ambição global da União Europeia

Ursula von der Leyen deveria assinar no sábado (20) o maior acordo de livre-comércio da história da União Europeia, consolidando o bloco como uma força geoeconômica global.

Em vez disso, a presidente da Comissão Europeia terá de encontrar uma forma de salvar o pacto com o Mercosul, tentando costurar apoio de última hora de países como a Itália, que ajudaram a adiar o acordo — mais uma vez — por temerem impactos negativos sobre seus setores agrícolas.

As negociações do tratado comercial — com Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai — se arrastam há 25 anos, irritando os países sul-americanos. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva disse no início desta semana que agora era “agora ou nunca”.

Autoridades dizem que tentarão novamente assinar o acordo em 12 de janeiro, mas não há garantias.

O fracasso contínuo em ratificar o tratado é um golpe para a UE, que quer usar o acordo transatlântico como prova de que pode se afirmar como potência global. Bruxelas busca, em especial, mostrar que é capaz de sair da órbita da China e dos Estados Unidos, que vêm adotando relações comerciais cada vez mais tensas com a Europa.

Mulher loira em blazer claro posa diante de fundo azul com logo e nome "European Parliament".
Ursula von der Leyen Foto: Frederick Florin/AFP/Getty Images

“Este é o momento da independência da Europa”, disse von der Leyen no início da semana, antes de uma cúpula em que os líderes europeus discutiriam opções de financiamento para a Ucrânia, além do Mercosul.

A UE vê a China tanto como concorrente econômico quanto como rival sistêmico e vem lidando com uma escalada de tensões comerciais, que já levou os dois lados a impor tarifas sobre importações um do outro. No início deste ano, Pequim anunciou planos para apertar o controle sobre exportações de terras raras e outros materiais críticos, mostrando à UE o quão vulneráveis são suas indústrias.

E neste verão europeu, a UE aceitou o que considerou um acordo comercial desequilibrado com os EUA, concordando em impor uma tarifa de 15% sobre a maior parte de suas exportações, ao mesmo tempo em que se comprometeu a eliminar todas as tarifas sobre bens industriais americanos.

O acordo comercial UE-Mercosul poderia ajudar a Europa a escapar da deterioração de suas relações com os EUA e a China. O pacto criaria um mercado integrado de 780 milhões de consumidores, eliminaria gradualmente tarifas sobre produtos como automóveis e daria à Europa acesso facilitado à vasta produção agrícola e aos recursos naturais do Mercosul.

Mais do que isso, permitiria à UE construir laços econômicos e cadeias de suprimento para além dos EUA e da China. O acordo também mostraria à região que a Europa pode oferecer uma alternativa econômica crível às duas superpotências.

Deixar escapar a parceria com o Mercosul “certamente seria um erro de proporções épicas para as ambições da Europa de se posicionar como um ator relevante no cenário econômico global”, disse Agathe Demarais, pesquisadora sênior do European Council on Foreign Relations, um think tank.

Por enquanto, a UE não conseguiu reunir a maioria necessária para aprovar o acordo, principalmente por causa do temor arraigado de que a nova dinâmica comercial enfraqueça o setor agrícola europeu. Durante uma cúpula realizada na quinta-feira em Bruxelas, líderes do bloco enfrentaram milhares de agricultores em protesto, que queimaram pneus e despejaram batatas nas ruas.

Após o fim da reunião, no entanto, os líderes expressaram otimismo de que ainda seria possível avançar em janeiro.

Esperar mais três semanas é algo “tolerável” depois de 25 anos de negociações, disse von der Leyen a jornalistas. “Estou muito confiante de que vamos conseguir concluir.”

O destino do acordo pode depender da Itália. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que precisa de mais tempo para obter aprovação interna.

Fazendeiros protestam em Bruxelas, na Bélgica, contra o acordo entre União Europeia e Mercosul. Foto: Bloomberg

“Outras economias em desenvolvimento estão observando e vão levar em conta o quão difícil é fechar qualquer acordo com a UE”, disse Demarais.

Para Berlim e vários outros governos, porém, a líder italiana estaria tentando extrair o máximo possível de seu papel de fiel da balança, buscando mais concessões para o setor agrícola de seu país.

Lula disse que Meloni lhe contou que precisava apenas de mais alguns dias.

“Ela me explicou que não é contra o acordo. Está apenas enfrentando um certo constrangimento político por causa dos agricultores italianos”, disse Lula a jornalistas em Brasília, na quinta-feira. “Mas está confiante de que pode convencê-los a aceitar o acordo.”

Enquanto alguns esperam que a Itália acabe dando seu aval, diante dos benefícios potenciais para seus exportadores, outros são mais pessimistas.

“Se não houver assinatura até 20 de dezembro, então o acordo está morto, e isso terá consequências para a UE em futuras relações comerciais com países do mundo todo”, disse nesta semana Bernd Lange, presidente da comissão de comércio do Parlamento Europeu.

Na tentativa de destravar o acordo nesta semana, o Parlamento Europeu e as capitais do bloco concordaram em incluir novas salvaguardas para proteger os agricultores europeus de oscilações bruscas de preços ou importações.

Homem e mulher apertam as mãos à frente das bandeiras do Brasil e da UE.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumprimenta presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em Bruxelas 17/07/2023 REUTERS/Yves Herman

Não funcionou. E, se o impasse continuar sem uma conclusão, os dois blocos podem voltar suas atenções para outros parceiros.

O Mercosul quer concluir um acordo com os Emirados Árabes Unidos e estuda possíveis parcerias com Canadá, Reino Unido e Japão. A UE, por sua vez, tenta fechar um acordo com a Índia, que também se arrasta há quase duas décadas.

“Se a UE quiser continuar sendo crível na política comercial global, decisões precisam ser tomadas agora”, disse o chanceler alemão Friedrich Merz ao chegar à cúpula em Bruxelas.

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Petróleo volta a subir com bloqueio de navios da Venezuela pelos Estados Unidos e escalada das tensões geopolíticas

O preço do petróleo voltou a subir depois de registrar o menor fechamento em quase cinco anos, com o aumento das tensões geopolíticas envolvendo a Rússia e a Venezuela.

Os Estados Unidos avaliam impor novas sanções à Rússia caso o país rejeite um acordo de paz com a Ucrânia. Entre as medidas em estudo estão ações contra navios petroleiros usados para driblar sanções e contra empresas que ajudam a exportar o petróleo russo. Isso reforça a percepção de que um acordo para encerrar o conflito ainda está distante.

Ao mesmo tempo, o presidente Donald Trump afirmou que a Venezuela está cercada por forças navais dos EUA, em uma tentativa de bloquear a saída de petróleo do país, que já sofre sanções internacionais. Trump ordenou na terça-feira um bloqueio de todos os navios petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela, no mais recente movimento de Washington para aumentar a pressão sobre o governo de Nicolás Maduro, mirando sua principal fonte de receita.

Ainda não está claro como Trump pretende implementar a medida contra essas embarcações nem se recorrerá à Guarda Costeira para interceptar os navios, como fez na semana passada. O governo deslocou milhares de soldados e quase uma dúzia de navios de guerra, incluindo um porta-aviões, para a região

Impacto limitado

Apesar do aumento do risco político, o impacto sobre os preços tende a ser limitado. Isso porque o mercado global caminha para um excesso de oferta de petróleo, e a produção venezuelana representa hoje menos de 1% do total mundial.

As sanções contra a Rússia, até agora, não reduziram de forma significativa suas exportações de petróleo. Ainda assim, Moscou afirma que as medidas dificultam a retomada das relações com os Estados Unidos.

O petróleo deve fechar o ano em queda, já que a produção global continua crescendo mais rápido do que o consumo. A Opep+ vem aumentando a oferta, e outros países também estão produzindo mais, o que gera preocupação com sobra de petróleo no mercado.

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A produção da Venezuela se recuperou desde 2020, mas ainda está muito abaixo do que já foi no passado. No mês passado, o país exportou cerca de 590 mil barris por dia, enquanto o consumo mundial supera 100 milhões de barris diários. A maior parte do petróleo venezuelano tem como destino a China.

Com isso, o Brent subiu para perto de US$ 60 por barril, enquanto o petróleo americano (WTI) também registrou alta.

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Banco Central da Argentina anuncia mudanças na política cambial

O governo do presidente argentino Javier Milei revelou alterações em sua política cambial e anunciou nesta segunda-feira (15) uma campanha para recompor suas reservas internacionais esgotadas, avançando um passo em direção ao câmbio flutuante que investidores vêm desejando há anos.

A partir de 2026, as bandas de negociação do peso acompanharão a inflação mensal, em vez do ritmo atual de 1%. Em novembro, os preços subiram 2,5%, o que significa que as bandas poderão se expandir a mais do que o dobro do ritmo vigente no curto prazo.

Reservas internacionais

O banco central também começará a acumular reservas, planejando comprar US$ 10 bilhões no próximo ano em um cenário-base, podendo o valor aumentar dependendo da demanda monetária, segundo comunicado divulgado na segunda-feira.

“Após navegar com sucesso o período de incerteza eleitoral, as condições agora permitem avançar para uma nova fase do programa monetário”, afirmou o banco central. “Esta etapa apresenta condições favoráveis para o crescimento, a remonetização da economia e a acumulação de reservas internacionais.”

Os títulos soberanos da Argentina registraram alta com a notícia. Notas com vencimento em 2035, algumas das mais líquidas, subiram mais de 1 centavo, chegando a quase 73 centavos por dólar.

As novas medidas atendem às demandas de investidores por uma política cambial mais flexível, após alertas de analistas sobre uma moeda sobrevalorizada nos dois primeiros anos do governo Milei. Também representam as mudanças mais significativas desde que a Argentina finalizou seu acordo de US$ 20 bilhões com o Fundo Monetário Internacional em abril.

Autoridades do FMI alertaram recentemente que seria “desafiador” para a Argentina atingir a meta de acumulação de reservas do programa, algo que exigiria aprovação do conselho do fundo para uma nova dispensa. O governo já havia recebido uma dispensa anteriormente neste ano por não atingir a mesma meta.

“É um passo positivo na direção da normalização”, afirmou Alejandro Cuadrado, chefe global de câmbio do BBVA, acrescentando que o peso pode se desvalorizar um pouco em função da mudança de política. O anúncio foi feito após o fechamento dos mercados locais, com o peso cotado a 1.438,5 por dólar.

Após eleições

Milei entra na segunda metade de seu mandato com novo fôlego após vitória expressiva nas eleições legislativas de outubro. Um novo Congresso foi empossado na semana passada, com os libertários de Milei se tornando o maior bloco da legislatura, enquanto ele tenta aprovar uma reforma trabalhista significativa e o orçamento anual.

Antes da votação, a equipe econômica de Milei priorizou a defesa do peso e o controle da inflação em detrimento da acumulação de reservas. Analistas consideram a mudança de política como positiva, devendo favorecer os preços dos títulos.

“Parece um reconhecimento de que a estratégia atual de acumulação de reservas foi insuficiente e estão calibrando para acelerar a aquisição de reservas”, afirmou David Austerweil, vice-gerente de portfólio da Van Eck Global, chamando a medida de “positiva para o crédito”.

Austerweil ainda destacou que a acumulação de reservas “entre US$ 10 bilhões e US$ 15 bilhões no próximo ano é muito positiva”.

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Governo exclui R$ 10 bilhões da meta fiscal para salvar os Correios

A equipe econômica do Brasil excluiu R$ 10 bilhões da meta fiscal do próximo ano como parte de um plano para ajudar os Correios, que enfrentam uma grave crise financeira.

O aporte, segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, será efetuado somente depois de aprovado um plano de reestruturação para a estatal, disse ele nesta quinta-feira (4).

“Pode haver. O Tesouro está estudando. Vamos considerar todas as variáveis para tomar a decisão”, disse Haddad a jornalistas sobre a possibilidade. “Não tem nada a ver com arcabouço fiscal, se houver um aporte é dentro das regras atuais.”

A exclusão de R$ 10 bilhões da meta fiscal das estatais incluída no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026, aprovado no Congresso nesta quinta-feira (4), foi uma ação preventiva, para permitir que o governo eventualmente faça o aporte nos Correios caso essa seja a decisão, complementou o ministro.

A proposta não menciona os Correios, entretanto.

O peso da exceção

A demanda aumentou a preocupação dos investidores com a crescente dívida pública do Brasil. Após a divulgação do plano da pasta, o real apagou os ganhos e teve desempenho inferior ao da maioria das moedas latino-americanas, em meio a renovadas preocupações fiscais. 

O país tem enfrentado dificuldades para atingir sua meta de balanço fiscal primário equilibrado, excluindo pagamentos de juros, neste ano. O governo já está tendo que congelar recursos para cumprir o limite inferior da meta, que inclui uma margem de tolerância de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB).

Para 2026, a meta é um superávit primário de 0,25%, mas a proposta orçamentária já prevê exceções para reduzir gastos desse objetivo. Além dos R$ 10 bilhões destinados aos Correios, a equipe econômica poderá também reduzir a meta em R$ 5 bilhões por meio de investimentos. O orçamento permite ainda que as empresas públicas apresentem um déficit de R$ 6,7 bilhões no próximo ano. 

Serviço postal 

Os Correios possuem mais de R$ 8,7 bilhões em passivos não cobertos e estão trabalhando em um plano de reestruturação que precisa ser aprovado pelo Tesouro. 

Suas finanças se deterioraram no último ano, à medida que o Brasil impôs tarifas sobre a importação de bens de baixo valor, o que reduziu as compras de brasileiros em plataformas globais de comércio eletrônico. A maior parte desses pedidos era processada pela empresa pública, e a redução no volume agravou o consumo de caixa da empresa.

No início desta semana, o Tesouro rejeitou uma proposta de um consórcio bancário para um empréstimo aos Correios, alegando que a taxa de juros oferecida era muito alta para uma operação com garantia governamental.

Agora, o Tesouro está analisando outras soluções. A possível injeção de capital por parte do governo agravaria ainda mais as contas públicas. 

“Precisamos aprovar o plano de recuperação primeiro. Não faremos nenhum investimento sem um plano de recuperação aprovado, nem empréstimos, nem investimentos, nem garantias”, disse Haddad. “Tudo depende do plano de reestruturação da empresa.”

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Congresso aprova LDO de 2026 com meta de superávit de 0,25% do PIB e exceção para resultado de estatais

O Congresso Nacional aprovou nesta quinta-feira o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026 mantendo a meta proposta pela equipe econômica de superávit primário de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) para o governo central e com uma liberação acelerada de emendas parlamentares em ano eleitoral.

O texto, que segue para sanção presidencial, permite ao governo perseguir o piso da margem de tolerância do alvo fiscal e ainda cria uma exceção de R$10 bilhões à meta fiscal das empresas estatais, em meio à crise financeira dos Correios.

Incluído no texto pouco antes do início da discussão na sessão do Congresso pelo relator, deputado Gervásio Maia (PSB-PB), o adendo determina que não serão consideradas na meta despesas de empresas “que possuam plano de reequilíbrio econômico-financeiro aprovado e vigente”, respeitando esse limite de valor.

Maia ainda apresentou outro adendo para excluir a possibilidade de compensações entre os resultados fiscais do governo central e das estatais. O procedimento foi feito neste ano diante do prejuízo dos Correios, o que obrigou o governo a fazer um contingenciamento das despesas dos ministérios.

Em entrevista a jornalistas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a exclusão de R$10 bilhões da meta das estatais na LDO foi uma ação preventiva para permitir que o governo eventualmente faça o aporte nos Correios caso essa seja a decisão.

A meta para as estatais em 2026, que foi estipulada em déficit de R$6,8 bilhões, já tinha exceções para despesas da Petrobras e da Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), além de R$5 bilhões para o Novo PAC. Os R$10 bilhões serão adicionais às exclusões já previstas.

O governo central terá uma meta de superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. Esse objetivo é separado do alvo a ser perseguido pelas estatais, mas o resultado do governo central pode ser afetado em casos de aportes ou compensações feitos pelo Tesouro Nacional às empresas públicas.

Piso da meta

O arcabouço fiscal estabelece que a meta tem uma margem de tolerância de 0,25% do PIB para mais ou para menos e é considerada cumprida se fechar o ano dentro dessa banda. O texto da LDO define expressamente que o governo poderá considerar o limite inferior da tolerância ao fazer suas avaliações fiscais periódicas e contenções de verbas de ministérios.

O projeto aprovado prevê um déficit primário de R$16,9 bilhões no próximo ano. No entanto, R$55,1 bilhões em desembolsos com precatórios não serão computados na meta de superávit de R$34,3 bilhões após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Com isso, o governo fecharia 2026 com um superávit de R$38,2 bilhões, com uma “sobra” de R$3,9 bilhões em relação ao centro do alvo.

O texto ainda estabelece que 65% do total das emendas parlamentares de execução obrigatória sejam pagas até a conclusão do primeiro semestre de 2026, ano eleitoral.

A LDO traz as bases para elaboração do Orçamento propriamente dito, incluindo a meta fiscal e previsões de receitas e despesas. A aprovação do texto é condição para que seja votada a Lei Orçamentária Anual (LOA).

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Donald Trump diz que anunciará novo presidente do Fed no início de 2026

O presidente americano Donald Trump afirmou que pretende anunciar sua escolha para liderar o Federal Reserve (banco central americano) no início de 2026, alimentando ainda mais especulações sobre o próximo chefe do banco central dos EUA.

“Vamos anunciar alguém, provavelmente no início do próximo ano, para o novo presidente do Fed”, disse Trump na terça-feira (2) durante uma reunião do Gabinete na Casa Branca.

Os comentários de Trump oferecem um cronograma mais claro para o anúncio. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, que supervisiona o processo de seleção, havia dito anteriormente que a escolha poderia ser revelada por volta do Natal.

O presidente afirmou que considerou cerca de 10 candidatos para o cargo, em consulta com Bessent e o secretário de Comércio Howard Lutnick, mas agora “reduzimos para um”.

Kevin Hassett

O diretor do Conselho Nacional Econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, é visto como o provável escolhido para suceder Jerome Powell, segundo pessoas familiarizadas com o assunto relataram à Bloomberg na semana passada.

Ainda assim, Trump é conhecido por tomar decisões-surpresa de pessoal e políticas, o que significa que a nomeação não é definitiva até ser tornada pública. Outros finalistas incluíram os governadores do Fed Christopher Waller e Michelle Bowman, o ex-governador do Fed Kevin Warsh e Rick Rieder, da BlackRock.

Trump pressionou o Fed por meses para reduzir as taxas de juros, e nomear um sucessor de Jerome Powell, cujo mandato como presidente do Fed expira em maio, daria ao presidente sua maior oportunidade até agora de remodelar a instituição. Trump criticou Powell por ser “lento e tímido” ao implementar cortes e sinalizou que espera que seu substituto aja de forma mais enérgica para reduzir as taxas.

Trump repetiu essas críticas na terça-feira, chamando Powell de “boi teimoso, que provavelmente não gosta do seu presidente”. Embora o mandato de Powell como presidente termine no próximo ano, ele poderia permanecer no conselho por mais dois anos como governador.

Em setembro, Trump destacou Hassett, Warsh e Waller como seus três principais candidatos. Trump também afirma regularmente que gostaria de Bessent como presidente, embora o secretário do Tesouro tenha rejeitado a ideia repetidamente.

As escolhas para presidente e governadores do Fed representam normalmente a forma mais direta de os presidentes influenciarem o banco central. Mas Trump tem criticado publicamente o Fed por agir lentamente para reduzir os custos de empréstimos e pelos caros projetos de renovação de sua sede. A Casa Branca também está envolvida em litígio sobre a tentativa de Trump de demitir a governadora do Fed, Lisa Cook.

Quem quer que Trump escolha precisará de confirmação do Senado como presidente. Se o selecionado for um outsider, ele provavelmente receberá um mandato de 14 anos como governador do Fed, com início em 1º de fevereiro.

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Opep+ mantém planos de pausar alta de produção de petróleo no início de 2026

A Opep+ vai manter os planos de pausar os aumentos de produção no primeiro trimestre, em meio a sinais crescentes de excesso de oferta no mercado global de petróleo.

Membros importantes do cartel liderado pela Arábia Saudita confirmaram a pausa de três meses no aumento da oferta – anunciada pela primeira vez no começo deste mês – durante uma videoconferência neste domingo, após uma série de reuniões com a aliança ampliada.

Em comunicado, o grupo reiterou que a decisão reflete suas expectativas para condições de mercado mais fracas.

Os membros da Opep+ também concordaram em manter inalteradas, no próximo ano, as cotas de produção do grupo como um todo e aprovaram um mecanismo para uma próxima revisão das capacidades individuais de bombeio de petróleo, informou o grupo em nota separada. A revisão deve ajudar a definir as cotas de produção em 2027.

Embora a pausa nas elevações de produção indique alguma cautela por parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus parceiros, depois de terem retomado rapidamente a oferta mais cedo neste ano, a decisão ainda deixa o mercado mundial no caminho de um excedente significativo no início de 2026, o que provavelmente colocará mais pressão sobre os preços.

“A Opep+ optou por segurar o gatilho e manter a estratégia atual”, disse Jorge Leon, analista da consultoria Rystad Energy AS. “A mensagem do grupo foi clara: estabilidade pesa mais do que ambição em um momento em que as perspectivas para o mercado estão se deteriorando rapidamente.”

Os barril acumila queda de 15% neste ano, perto de US$ 63, à medida que a oferta crescente nas Américas, somada ao aumento da Opep+, supera o crescimento da demanda. A Agência Internacional de Energia (AIE), em Paris, prevê um recorde de excesso de oferta em 2026, enquanto Goldman Sachs e JPMorgan projetam novas quedas para os preços futuros.

Congelar a produção por três meses dá algum tempo à Opep+ para avaliar riscos geopolíticos mais intensos ao fornecimento por parte de seus membros, bem como as novas tentativas de pôr fim à guerra na Ucrânia.

O presidente Donald Trump aumentou as tensões com a Venezuela no sábado ao advertir que as companhias aéreas devem considerar o espaço aéreo do país como fechado, enquanto seu governo continua a reprimir o tráfico de drogas.

A queda do petróleo ocorre em meio aos repetidos apelos de Trump por preços mais baixos de combustíveis, diante da preocupação dos eleitores com o custo de vida. O presidente recebeu calorosamente o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman na Casa Branca no início deste mês, e seu governo aprovou a compra, pelo reino, de caças F-35 e chips de inteligência artificial.

Oito países-chave da Opep+ surpreenderam os operadores de petróleo em abril, quando começaram a acelerar a retomada da produção interrompida desde 2023. Autoridades descreveram o movimento como uma tentativa de Riad de recuperar participação de mercado cedida a rivais como os produtores de xisto dos EUA e punir membros da própria Opep+ que haviam desrespeitado suas cotas.

Embora os sauditas tenham conseguido reconquistar parte dessa fatia de mercado, a queda subsequente dos preços trouxe desafios financeiros ao reino, ampliando o déficit orçamentário e forçando a redução de alguns projetos econômicos emblemáticos. A situação também pressiona produtores fora da Opep+, como as empresas de xisto norte-americanas.

A Opep+ já reverteu cerca de 70% de duas camadas de cortes de produção implementados em 2023 — pelo menos no papel —, restando ainda cerca de 1,1 milhão de barris por dia para retornar ao mercado (o equivalente a um terço da produção brasileira). Os aumentos efetivos têm sido menores que os volumes anunciados, já que alguns países compensam excessos de produção anteriores e outros enfrentam dificuldades físicas para elevar o bombeio.

Essas dificuldades estão no centro da revisão de longo prazo da capacidade de produção dos membros do grupo, anunciada pela primeira vez em maio.

Alguns países buscam o reconhecimento de nova capacidade instalada, enquanto outros não conseguem produzir tudo o que está autorizado. Esclarecer a capacidade plena ajudaria a alinhar as cotas mais de perto com a realidade — e tornaria quaisquer cortes futuros mais críveis.

Por Salma El Wardany, Grant Smith, Fiona MacDonald e Ben Bartenstein

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Governo topou ser o fiador do empréstimo de R$ 20 bilhões aos Correios, diz Folha

O governo prepara um decreto para que o Tesouro Nacional seja o fiador de um empréstimo bancário de R$ 20 bilhões para os Correios. A informação é da Folha de S.Paulo, a partir de fontes próximas ao Poder Executivo. 

A contratação do empréstimo foi aprovada pelo conselho de administração da estatal neste sábado. Falta o aval da União. Mas, de acordo com o jornal, ele já existe.  

O financiamento será concedido por um consórcio formado por Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil e Safra, com o Tesouro Nacional como fiador — ou seja, se houver calote, é o governo que assume a conta.

Como os Correios acumulam prejuízos desde 2022 e registram um saldo negativo de R$ 6,1 bilhões neste ano até setembro, havia resistência de técnicos do Tesouro em conceder o aval. 

Em última instância, a medida mina ainda mais a credibilidade fiscal do governo, o que pressiona os juros dos títulos públicos para cima e torna ainda mais cara a rolagem da dívida pública. Com a questão fiscal mal resolvida, por fim, sobra pouco espaço para quedas efetivas na Selic, que está no maior patamar em 19 anos (15% ao ano).  

A expectativa do governo, de acordo com a Folha, é publicar as normas nos próximos dias e concluir a operação, cuja taxa de juros ficou em 136% do CDI

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Vendas na Black Friday sobem nos EUA: má notícia para a trajetória dos juros do Brasil

As vendas na Black Friday aumentaram 4,1% em relação ao ano passado nos EUA. O resultado supera a alta de 3,4% registrada em 2024. Bom para o consumidor americano, mas talvez nem tanto para a economia global – a começar pela nossa.

Consumo vigoroso faz de tudo, menos puxar os preços para baixo. Logo, uma Black Friday pródiga por lá joga contra a ideia de cortes mais profundos nos juros do Fed, o banco central dos EUA.

Juros americanos num patamar alto, como os 4% de agora, existem para baixar a inflação freando a atividade econômica. E se essa atividade se mostra forte, é sinal de que o remédio não está fazendo tanto efeito.

Como não há outro remédio contra a inflação, fica mais difícil reduzir a dose diante desse sintoma.

E como está a inflação? Não se sabe. O CPI (“IPCA” dos EUA) relativo a outubro, que deveria ser o mais recente, não foi apurado – uma cortesia do shutdown, a paralisação parcial do governo americano por falta de dinheiro autorizado pelo Congresso.

O CPI de setembro ficou em 3% para os últimos 12 meses – e sem sinais de convergência para a meta (de 2%), já que o índice foi subindo mês a mês desde abril, o ponto mais baixo do ano (2,4%).

O consenso do mercado aponta para mais um corte de 0,25 p.p. nos juros americanos na próxima reunião do Fomc (o Copom deles), que acontece no dia 10 de dezembro.

Mas dirigentes do banco central americano, como Beth Hammack, do Fed de Cleveland, já alertaram que vendas de fim de ano mais fortes que o esperado podem atrasar o retorno da inflação à meta, o que justificaria uma postura mais conservadora do Fomc. Em outras palavras: uma Black Friday exuberante alimenta um cenário de juros altos por mais tempo.

Juros altos nos EUA não são uma questão restrita aos EUA. Eles aumentam a remuneração dos títulos públicos americanos. Eles ficam mais atraentes. Como você precisa de dólares para comprar esses títulos, a demanda por moeda americana aumenta. E empurra o valor do dólar para cima.

Nos últimos meses, a queda do dólar foi importante para arrefecer a inflação no Brasil. O IPCA cedeu de 5,53% em abril para 4,68% em outubro. Caso a tendência arrefeça, ou se reverta, a desaceleração nos preços daqui fica comprometida. E aí quem se vê obrigado a manter os juros lá no alto é nosso Banco Central.


Foto da abertura: Getty Images

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Aéreas correm para conter os efeitos do recall da Airbus

Companhias aéreas de boa parte do mundo correm para manter suas frotas operando depois que uma grande falha de software exigiu uma atualização urgente para o A320, a aeronave mais utilizada da Airbus, limitando interrupções e cancelamento.

A Airbus disse que mais de 6 mil aeronaves podem ser afetadas pela falha — metade da frota global da aeronave. Latam e Azul, as aéreas brasileiras que operam o A320, afirmaram que seus aviões estão na outra metade. Não fazem parte do recall. Já a Gol só tem aeronaves da Boeing.

A correção de software para os jatos A320, emitida pela Agência de Segurança da Aviação da União Europeia (EASA) no fim da sexta-feira, veio após um incidente recente envolvendo um jato da americana JetBlue. que mostrou que uma “intensa radiação solar” poderia corromper dados que ajudam a manter o funcionamento dos controles de voo.

As aeronaves que precisam da correção têm de voltar à versão anterior do software, e o envio dos dados pode levar apenas de 2 a 3 horas. Mas até 1 mil jatos mais antigos vão precisar de uma atualização de hardware de fato e terão de ficar em solo durante todo o período de manutenção, segundo pessoas familiarizadas com o procedimento, que pediram anonimato ao comentar conclusões que não são públicas.

O presidente-executivo da Airbus, Guillaume Faury, disse em uma publicação no LinkedIn que as equipes da companhia estão “trabalhando 24 horas por dia para apoiar nossos operadores e garantir que essas atualizações sejam feitas o mais rápido possível, para colocar os aviões de volta no ar e retomar as operações normais”. O regulador europeu determinou que as atualizações sejam implementadas antes que as aeronaves afetadas possam voltar a voar.

Companhias aéreas e passageiros já vinham enfrentando transtornos causados por mau tempo e pelo recente fechamento do governo dos EUA, que levou a uma redução parcial do movimento de aeronaves. A FlightAware, que rastreia atrasos e cancelamentos, mostrava 452 voos — ou 20% — atrasados neste sábado na China Southern Airlines. A EasyJet tinha 323 voos, ou 21%, afetados até o meio-dia, no horário de Hong Kong.

Nos EUA, que vivem um período recorde de viagens no feriado de Ação de Graças, operadoras de cerca de 1.600 jatos da família A320 buscaram implementar as correções mantendo o mínimo de interrupção possível. A Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) afirmou que sua diretriz emergencial de aeronavegabilidade, que espelha a dos reguladores europeus, afeta aproximadamente 545 aviões registrados nos EUA.

A American Airlines disse neste sábado que apenas quatro de suas 209 aeronaves afetadas ainda precisavam da atualização às 7h (horário central dos EUA) e que não espera impacto operacional adicional. Delta e United disseram, separadamente, que não houve impacto decorrente do problema de software do A320.

A companhia indiana IndiGo, que fez um grande pedido de aviões A320, afirmou que um total de 200 aeronaves precisava de checagem e que 160 jatos haviam sido concluídos até o meio-dia, horário local deste sábado, sem cancelamento de voos.

A Avianca, da Colômbia, informou que mais de 70% de sua frota foi afetada e que está suspendendo a venda de passagens até 8 de dezembro. A japonesa ANA Holdings Inc. cancelou 95 voos neste sábado, afetando cerca de 13.200 passageiros.

A húngara Wizz, low cost com uma frota composta apenas por aeronaves Airbus, de cerca de 250 aviões, disse que implementou com sucesso as atualizações em todas as aeronaves afetadas da família Airbus A320 durante a noite e que as operações de voo voltaram ao normal.

Voos foram cancelados na Austrália e na Nova Zelândia neste sábado, causando transtornos a passageiros, enquanto a Jetstar, subsidiária da Qantas Airways, e a Air New Zealand mantiveram alguns de seus A320 em solo para a atualização de software.

A Autoridade de Aviação Civil do Reino Unido disse que as companhias aéreas já realizaram a atualização de software “na grande maioria das aeronaves relevantes”.

“Embora algum nível de interrupção fosse esperado, muito poucos voos de companhias aéreas britânicas foram afetados, e os passageiros estão enfrentando impactos mínimos”, disse o regulador.

O A320 concorre com o 737, da Boeing, e as duas famílias de jatos são os jatos mais usados na aviação comercial, de longe. A Airbus já teve de lidar com problemas nos motores dos seus A320neo mais novos, equipados por Pratt & Whitney, que forçaram a retirada temporária de centenas de jatos de operação para manutenção.

O software de bordo é cada vez mais crítico para a estabilidade do voo em aeronaves modernas, embora um sistema com falha possa ter consequências catastróficas. A Boeing sofreu dois acidentes em rápida sucessão há alguns anos envolvendo o 737 Max, versão mais recente de seu bestseller depois que um sistema de software chamado MCAS apresentou falhas em voo.

Por Benedikt Kammel, Danny Lee e Siddharth Philip

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Trump anuncia o fechamento do espaço aéreo na Venezuela

Donald Trump disse que as companhias aéreas devem considerar o espaço aéreo sobre e ao redor da Venezuela como fechado, em uma publicação na sua plataforma Truth Social neste sábado.

“Para todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas, por favor considerem O ESPAÇO AÉREO ACIMA E AO REDOR DA VENEZUELA COMO FECHADO EM SUA TOTALIDADE”, escreveu Trump a partir de sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida.

O alerta ocorre enquanto forças americanas se concentram na região e Trump avalia uma possível ação contra o governo do presidente Nicolás Maduro. Também vem às vésperas de um período de pico de viagens para o Caribe.

A Casa Branca não respondeu de imediato a um pedido de comentários.

Trump evitou dizer se, e quando, os EUA iniciariam ataques contra a Venezuela, mas sugeriu, nos últimos dias, que o país poderá em breve ampliar sua série de ataques a barcos supostamente carregando entorpecentes para operações em terra, sem dar mais detalhes.

Nos últimos meses, os EUA vêm intensificando a pressão sobre Caracas, como parte de uma operação antidrogas voltada ao combate ao tráfico, que o governo Trump afirma ser liderado pelo regime de Maduro.

O governo Trump designou formalmente o Cartel dos Sóis, da Venezuela, como organização terrorista estrangeira — classificação que os EUA apontam como base legal para certas operações, e que a Venezuela alega ser uma falsidade para justificar uma intervenção.

A campanha levou os EUA a reforçar sua presença militar na região, incluindo um porta-aviões e navios de guerra, além de altos oficiais militares americanos se reunirem com líderes no Caribe.

Trump conversou com Maduro na semana passada e os dois discutiram um possível encontro, embora ainda não tenham marcado nada, informou o New York Times na sexta-feira.

Companhias aéreas começaram a cancelar voos de e para a Venezuela após um comunicado da Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) dos EUA, em 22 de novembro, recomendando que operadores “ajam com cautela” em meio ao impasse crescente entre os dois países.

A agência também afirmou que aumentaram a interferência em sistemas de navegação no espaço aéreo do país e os exercícios militares venezuelanos.

Por Angela Cullen e Josh Wingrove

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Recall do Airbus A320 causa centenas de cancelamentos de voos mundo afora

Companhias aéreas do mundo todo cancelaram centenas de voos depois que uma grande falha de software da Airbus forçou a fabricante a fazer um amplo recall. O objeto da ação é o A320, aeronave amplamente usada em voos domésticos. No Brasil, ela compõe boa parte da frota da Latam e da Azul.

Mais de 6 mil jatos no total — metade dos que estão em operação — podem ser afetados pela correção exigida, disse a fabricante europeia na noite de sexta-feira. Uma diretriz da autoridade de segurança aérea da Europa determinou que as atualizações de software devem ser feitas antes dos próximos voos regulares das aeronaves afetadas.

As companhias aéreas correram para implementar as atualizações nos A320, deixando temporariamente aviões em solo e desorganizando os planos de milhares de passageiros, em uma rara falha global envolvendo o jato mais vendido da Airbus.

A correção de software emergencial, emitida pela Agência de Segurança da Aviação da União Europeia na noite de sexta-feira, veio após um incidente recente envolvendo um jato da JetBlue, que mostrou que uma “radiação solar intensa” poderia corromper dados que ajudam a manter o funcionamento dos comandos de voo. Dependendo da idade da aeronave, as atualizações são um download simples ou exigem uma mudança de hardware bem mais trabalhosa.

“A Airbus reconhece que essas recomendações levarão a interrupções operacionais para passageiros e clientes”, disse a fabricante.

A descoberta é uma dor de cabeça significativa para a Airbus, considerando que a família A320 é, de longe, a aeronave mais utilizada da empresa, com mais de 11 mil em operação.

Companhias e passageiros já vinham enfrentando transtornos causados pelo mau tempo e pela recente paralisação do governo que levou a uma redução parcial dos movimentos de aeronaves. A FlightAware, que monitora atrasos e cancelamentos, mostrava 452 voos atrasados no sábado só na China Southern Airlines – 20% do total. A europeia EasyJet tinha 323 voos, ou 21%, afetados até o meio-dia no horário de Hong Kong.

Nos Estados Unidos, que vivem um período de viagens de Ação de Graças recorde, operadores de cerca de 1.600 jatos da família A320 tentaram implementar as correções minimizando ao máximo as interrupções. A Administração Federal de Aviação (FAA) disse que sua diretriz emergencial de aeronavegabilidade, que espelha a dos reguladores europeus, afeta aproximadamente 545 aviões registrados no país.

A American Airlines Group Inc. afirmou que, de suas 209 aeronaves afetadas, menos de 150 ainda precisavam da atualização até as 18h de sexta-feira, no horário central dos EUA. A indiana Indigo, que fez um pedido maciço de aviões A320, disse que um total de 200 aeronaves exigiam verificação e que 160 jatos haviam passado pelo procedimento até o meio-dia de sábado, no horário local, sem cancelamentos de voos.

A Avianca, da Colômbia, disse que mais de 70% de sua frota foi impactada e que estava suspendendo a venda de passagens até 8 de dezembro. A japonesa ANA Holdings Inc. cancelou 95 voos no sábado, afetando cerca de 13.200 passageiros.

A recomendação segue-se a um incidente perturbador em 30 de outubro, envolvendo um avião da JetBlue que voava de Cancún a Newark, em Nova Jersey, e sofreu uma falha de computador que provocou uma súbita e inesperada inclinação para baixo, sem comando dos pilotos. Ninguém ficou ferido, e o jato foi desviado para Tampa, na Flórida. Uma investigação revelou que um dos computadores de profundor e aileron da aeronave — conhecido como ELAC 2 — apresentou mau funcionamento.

“Uma avaliação técnica preliminar feita pela Airbus identificou um mau funcionamento do ELAC afetado como possível fator contribuinte”, disse o regulador europeu de segurança de voo. “Essa condição, se não corrigida, pode levar, no pior cenário, a um movimento não comandado do profundor que pode resultar em exceder a capacidade estrutural da aeronave.”

Segundo pessoas a par do assunto, a maior parte dos jatos pode receber uma atualização simples a partir da cabine, com tempo mínimo de inatividade. Mas cerca de 1.000 aeronaves mais antigas precisarão de uma atualização de hardware de fato e terão de ficar em solo durante todo o período de manutenção, disseram essas pessoas, que pediram anonimato para discutir conclusões não públicas.

A húngara Wizz Air Holdings Plc, uma companhia de baixo custo que opera uma frota composta apenas por Airbus, com cerca de 250 aeronaves, disse que implementou com sucesso as atualizações em todos os aviões afetados da família A320 durante a noite e que as operações de voo voltaram ao normal.

Voos foram cancelados na Austrália e na Nova Zelândia no sábado, causando transtornos, enquanto a Jetstar, subsidiária da Qantas Airways Ltd., e a Air New Zealand Ltd. deixaram alguns de seus A320 em solo para a atualização do software.

A Autoridade de Aviação Civil do Reino Unido disse que companhias que operam as aeronaves afetadas, em alguns casos, terão de alterar o software nos próximos dias ou permanecer em solo a partir de domingo, embora apenas algumas empresas britânicas sejam afetadas. A British Airways, maior companhia aérea do Reino Unido, com uma frota de quase 150 jatos da família A320, não terá impacto para os passageiros, disse o regulador.

O A320 concorre com o 737, da Boeing, e as duas famílias de jatos são os grandes cavalos de batalha da aviação comercial. A Airbus já vinha lidando com problemas de motor em seus A320neo mais novos, equipados com turbinas da Pratt & Whitney, que obrigaram centenas de aviões a serem retirados temporariamente de serviço para manutenção.

O A320 é operado com a chamada tecnologia fly-by-wire, que se baseia em comandos eletrônicos em vez de mecanismos hidráulicos. O sistema ELAC, cujo hardware é fabricado pela francesa Thales SA, ajuda a gerenciar parâmetros críticos de voo, como o trim do estabilizador, e garante que a aeronave permaneça dentro de seu envelope de voo previsto, evitando comandos excessivos ou acidentais.

A Airbus introduziu a aeronave em questão no fim dos anos 1980, e seu enorme sucesso tornou a fabricante europeia a número 1 global, ultrapassando a Boeing. A família A320 inclui hoje o modelo menor A319, o A320 “clássico” e o maior e cada vez mais popular A321. Há cerca de uma década, a Airbus passou a equipar o avião com motores novos e mais eficientes em consumo de combustível, a chamada opção de nova geração de motores, ou “neo”.

A correção anunciada hoje inclui tanto os A320neo quanto os modelos clássicos mais antigos da família A320, disse a Airbus.

O software de bordo é cada vez mais crítico para a estabilidade de voo em aeronaves modernas, embora um sistema com falha possa ter consequências catastróficas. A Boeing sofreu dois acidentes em rápida sucessão há alguns anos envolvendo o 737 Max, depois que um sistema de software chamado MCAS apresentou falhas em voo.

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Kevin Hassett surge como favorito de Trump para comandar o Federal Reserve

O diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, é visto por assessores e aliados do presidente Donald Trump como o principal candidato a ser o próximo presidente do Federal Reserve, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, com a busca por um novo chefe do banco central americano entrando em suas semanas finais.

Com Hassett, Trump teria um aliado próximo, alguém que o presidente conhece bem e em quem confia, instalado na autoridade monetária independente, disseram as fontes sob condição de anonimato. Hassett é visto como alguém que traria ao Fed a abordagem do presidente em relação à redução das taxas de juros — algo que Trump há muito tempo deseja controlar, afirmaram algumas dessas pessoas.

Ainda assim, Trump é conhecido por tomar decisões surpreendentes de pessoal e política, o que significa que uma nomeação não é definitiva até ser tornada pública, disseram.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou em comunicado que “ninguém realmente sabe o que o presidente Trump fará até que ele o faça”, acrescentando que as pessoas fiquem atentas.

As escolhas para presidente e diretores do Fed são historicamente as formas mais diretas de um presidente influenciar o banco central. Trump nomeou o atual presidente, Jerome Powell, durante seu primeiro mandato, mas se arrependeu da decisão quando Powell não reduziu as taxas de juros na velocidade que Trump desejava.

Kevin Hassett

Hassett é visto como alinhado à visão de Trump sobre a economia, incluindo a necessidade de reduzir as taxas de juros. Ele disse à Fox News em 20 de novembro que estaria “cortando as taxas agora” se fosse o presidente do Fed, porque “os dados sugerem que deveríamos”. Hassett também criticou o banco central por ter perdido o controle da inflação após a pandemia.

O Fed tem sido repetidamente alvo das críticas de Trump, que acusou Powell de ser “lento demais” para reduzir os juros e chegou a cogitar publicamente demiti-lo. O presidente também atacou reformas no campus do banco central, e a Casa Branca está atualmente envolvida em litígio sobre a tentativa de Trump de demitir uma dirigente do Fed, Lisa Cook.

Isso colocou pressão sobre o secretário do Tesouro, Scott Bessent, que lidera o processo de seleção do próximo presidente do Fed, para equilibrar cuidadosamente candidatos favoráveis à redução dos custos de empréstimo e que tenham a confiança tanto do presidente quanto dos mercados financeiros.

Depois de uma pausa na maior parte de 2025, o Fed começou a reduzir as taxas de juros neste outono, cortando sua taxa básica em 25 pontos-base em setembro e outubro. No entanto, os dirigentes estão cada vez mais divididos quanto às perspectivas para a inflação e o mercado de trabalho, o que torna provável que um novo corte em dezembro seja uma decisão apertada.

Bessent disse à CNBC na terça-feira (25) que há uma boa chance de Trump anunciar sua escolha para o presidente do Fed dentro de um mês, antes do feriado de Natal em 25 de dezembro.

O próprio Trump sugeriu que está próximo de fazer uma decisão. Em 18 de novembro, ele declarou: “Acho que já sei minha escolha”, sem revelar o nome. Em setembro, Trump afirmou que Hassett, o ex-dirigente do Fed Kevin Warsh e Christopher Waller, dirigente do banco central dos EUA, eram os três principais candidatos.

Desde o verão, Bessent tem conduzido o processo de seleção para substituir Powell, entrevistando quase doze candidatos, agora reduzidos a cinco finalistas: Hassett, Warsh, Waller, a vice-presidente de supervisão do Fed, Michelle Bowman, e Rick Rieder, da BlackRock.

Bessent disse que as entrevistas com esses candidatos terminarão esta semana. Um grupo menor de finalistas se reunirá em breve com a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, e o vice-presidente JD Vance.

A preferência por Hassett surge enquanto Trump se mostra cada vez mais frustrado com Powell. Na semana passada, Trump chamou o presidente do Fed de “grosseiramente incompetente”, dizendo que adoraria demiti-lo se não fosse por pessoas como Bessent pedindo que ele esperasse. Em tom de brincadeira, Trump acrescentou que, se Bessent não ajudar a garantir taxas de juros mais baixas, também o demitiria do Tesouro.

Apesar da piada, Bessent continua em boa posição com Trump, que afirmou repetidamente considerá-lo um possível candidato à presidência do Fed. Bessent diz gostar de seu cargo no Tesouro e não desejar comandar o banco central.

O próximo presidente provavelmente será nomeado para um mandato de 14 anos como dirigente do Fed, que se inicia em 1º de fevereiro.

O mandato que expira nessa data é o de Stephen Miran, atualmente em licença não remunerada do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca. O mandato de Powell como presidente do banco central termina em maio de 2026, embora ele possa permanecer no conselho por mais dois anos como dirigente.

Powell não declarou se pretende deixar o conselho quando seu mandato como presidente expirar. Caso o faça, isso daria ao governo outra vaga a preencher no próximo ano.

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Alívio para os EUA: retirada da tarifa sobre café e carne do Brasil reduz pressão sobre alimentos

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar uma sobretaxa de 40% sobre as importações de café e carne bovina brasileiros deve trazer algum alívio para os mercados e para consumidores americanos, que vinham sofrendo com a disparada dos preços desses itens básicos.

O Brasil é o maior fornecedor global tanto de café quanto de carne bovina, e a tarifa adicional de 40%, anunciada em julho, fez os embarques para os EUA despencarem. A queda da oferta agravou uma escalada de preços enfrentada pelos americanos em meio à maior inflação de alimentos em décadas.

A nova ordem executiva assinada por Trump na quinta-feira (20) deve reduzir essa pressão. Na semana passada, o governo já havia cortado uma tarifa separada de 10% que incidia sobre os mesmos produtos.

“Dois terços dos adultos americanos tomam café todos os dias, e cada xícara vai ficar mais barata graças à decisão do presidente Trump”, disse a National Coffee Association, que representa a indústria de café nos EUA.

Inflação

A mudança, que inclui um conjunto de commodities, reflete a necessidade de conter os preços dos alimentos, em um momento em que os americanos seguem frustrados com o custo da cesta básica e atribuem ao presidente notas cada vez piores em relação ao desempenho econômico.

O índice de confiança do consumidor caiu em novembro a um dos níveis mais baixos já registrados, com piora na percepção sobre as finanças pessoais. Os contratos futuros do café arábica caíram até 6,6% na sexta-feira (21) em Nova York, atingindo a mínima de quase dois meses, antes de reduzir parte das perdas.

Os preços haviam alcançado recorde em outubro, quando as tarifas agravaram um cenário de oferta apertada após colheitas fracas ao redor do mundo. Um índice de inflação para café torrado atingiu máxima histórica em agosto, segundo o Bureau of Labor Statistics.

“Esperamos que as exportações sejam retomadas”, disse Fernando Maximiliano, analista da StoneX. Temores de escassez no mercado americano vinham pressionando os futuros para cima, mas agora há expectativa de alívio, afirmou.

Lula e Trump em reunião
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião com presidente dos EUA, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia 26/10/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein

A carne bovina, por sua vez, tem sido um dos pontos mais sensíveis para a administração Trump, já que os preços ao consumidor atingiram recordes em meio à retração do rebanho nos EUA.

O país tem recorrido cada vez mais às importações para preencher a lacuna, o que derrubou os preços do gado vivo diante da expectativa de maior entrada de produto estrangeiro. Mas os embarques brasileiros caíram fortemente após as ameaças tarifárias.

Os futuros de gado vivo chegaram a recuar até 3,4%, menor nível desde junho, antes de suavizar as perdas. Mesmo assim, o custo menor para frigoríficos e varejistas ainda não se traduziu em carne mais barata para o consumidor, já que a demanda continua elevada.

Não está claro se a remoção da tarifa será suficiente para provocar “um aumento dramático” nas importações vindas do Brasil, segundo analistas da Steiner Consulting Group. Isso porque a baixa disponibilidade de gado no próprio Brasil e a forte demanda da China — maior compradora mundial — seguem como obstáculos.

Ainda assim, o relatório aponta que um cenário de mais importações e menos exportações americanas poderia “moderar a inflação da carne bovina” nos EUA em 2026.

Para o Brasil, o efeito das tarifas foi relativamente limitado: mesmo com a queda para os EUA, o país conseguiu aumentar as exportações totais de carne bovina em 2025, compensando com vendas maiores para México, Oriente Médio e, sobretudo, China.

“Quem acabou sofrendo mais com essa tarifa foram os produtores e consumidores americanos”, disse Marcos Jank, professor sênior do Insper. A oferta apertada em outras regiões do mundo permitiu que o Brasil encontrasse mercados alternativos com relativa facilidade, completou.

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Mesmo com sobra de energia renovável, o carvão ainda resiste no Brasil

Uma das últimas usinas a carvão do Brasil voltou a operar nos últimos meses, após um poderoso grupo empresarial investir milhões para manter suas turbinas funcionando na cidade mineradora de Candiota, na porção sul do Rio Grande do Sul.

A Âmbar, dona da usina e controlada pelos irmãos bilionários Wesley e Joesley Batista, aposta que mesmo o Brasil, onde fontes renováveis e baratas produzem mais de 80% da energia elétrica, não deixará de queimar carvão tão cedo, apesar de o combustível ser um dos principais responsáveis pelo aquecimento global.

Como anfitrião da cúpula climática das Nações Unidas, a COP30, neste mês, o Brasil está incentivando os países a abandonarem os combustíveis fósseis. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou, durante a cúpula de líderes na cidade amazônica de Belém esta semana, que a guerra na Ucrânia tenha levado à reabertura de minas de carvão.

Ainda assim, Candiota e outras cinco usinas a carvão continuam produzindo 3% da eletricidade do Brasil, ilustrando como a pressão de grupos de interesse e a falta de um plano de transição podem manter o uso do carvão mesmo em um país com forte presença de energia renovável.

“O Brasil tem absolutamente o potencial, com todos os recursos solares, além das hidrelétricas e do vento, para descomissionar essas usinas a carvão”, disse Christine Shearer, que monitora o setor de carvão no think tank Global Energy Monitor.

“A força do lobby do carvão, especialmente nos Estados mineradores, é o motivo pelo qual essas usinas ainda existem.”

O contrato regulado da usina de Candiota para fornecer energia expirou no ano passado, levando ao fechamento de empresas locais e à saída de muitos moradores da cidade.

Mas a usina voltou a operar vendendo energia no mercado de curto prazo, ajudando a estabilizar o fornecimento elétrico durante os horários de ponta e quando a geração solar e eólica diminui.

O Congresso e o governo federal também ofereceram uma tábua de salvação às usinas a carvão. No mês passado, parlamentares aprovaram uma medida provisória com um dispositivo que garante contratos até 2040 para usinas movidas a carvão nacional, como a de Candiota. Lula ainda pode vetar a medida.

Carvão habilitado para leilão

O governo brasileiro também habilitou o carvão para participar de um leilão de capacidade programado para março de 2026, que tem por objetivo reforçar a segurança energética ao contratar usinas, principalmente termelétricas, que possam ser ativadas rapidamente quando as fontes eólica e solar não estiverem gerando.

O Ministério de Minas e Energia afirmou que a contratação dessas térmicas tornará o sistema elétrico mais confiável, permitindo a adição de mais oferta renovável na matriz.

A inclusão do carvão surpreendeu especialistas, que afirmam que as usinas a carvão não têm partida rápida e, portanto, não oferecem a flexibilidade necessária.

Críticos atribuem à falta de planejamento de longo prazo a permanência da queima de carvão, enquanto grandes quantidades de energia limpa acabam sendo desperdiçadas devido à demanda insuficiente e à ausência de linhas de transmissão.

Eles afirmam que isso torna o governo vulnerável à pressão de grupos ligados ao carvão e ao gás natural, apesar dos custos financeiros e ambientais mais elevados.

Os irmãos Batista compraram a usina de Candiota sem um novo contrato de longo prazo à vista porque “vislumbraram possibilidade de serem bem-sucedidos nos seus instrumentos de pressão”, disse Luiz Eduardo Barata, presidente da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, uma entidade que critica o apoio ao carvão.

O grupo ambientalista Arayara, outro crítico da Âmbar, está tentando suspender na Justiça a licença ambiental da usina.

Em nota, a Âmbar afirmou que o carvão que abastece sua usina de Candiota é “seguro e amplamente disponível para o sistema elétrico, sendo ideal para garantir a segurança do abastecimento”.

A empresa negou depender de influência política para conseguir um novo contrato para a Candiota ou para outras usinas de seu portfólio. A Âmbar acusou os críticos de representarem os interesses de grandes consumidores de energia em detrimento dos menores, “independentemente das necessidades do sistema elétrico, do meio ambiente e da população brasileira”.

Carvão ainda move economias municipais

Os esforços da Âmbar para manter o carvão vivo colocam o Brasil em uma lista de países como Índia e África do Sul, onde grupos de interesse poderosos têm dificultado os esforços para eliminar o carvão do sistema energético global, um combustível ainda considerado essencial para economias locais em regiões como Candiota.

Fechar a usina permanentemente afetaria não apenas o empreendimento da Âmbar, mas também as minas locais que a abastecem e fábricas de cimento que reaproveitam as cinzas do carvão, resultando na perda de cerca de 10 mil empregos na região.

José Adolfo de Carvalho Junior, que administra uma das minas de carvão da cidade de Candiota, disse que o custo de encerrar a única indústria que oferece empregos de qualidade na região não vale a pena.

“Desligar isso aqui vai resolver o problema do CO2 no planeta? Não, é literalmente uma gota de água no oceano”, afirmou.

O futuro incerto da usina deixa os moradores apreensivos quanto à sua subsistência, disse Graça dos Santos, que foi demitida da planta após o fim do contrato com o governo.

O prazo para o fechamento da usina “precisa ser estendido para que aconteça uma transição energética justa”, disse ela. “Não é justo deixar uma população toda sem trabalho.”

Mas o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem um plano de transição para Candiota e não avançou significativamente nos planos para as demais usinas a carvão remanescentes.

Sem plano de transição

A região de Candiota também produz carne bovina, vinho e azeites, indústrias que poderiam absorver trabalhadores do carvão com algum investimento, segundo João Camargo, fundador de uma cooperativa de produtores de sementes.

“Eles não criaram nenhuma condição para a transição”, afirmou.

No sindicato local dos mineiros de carvão, o líder Hermelindo Ferreira aponta para mapas que mostram as regiões que perderiam atividade industrial – e os empregos associados – se a usina fosse fechada.

Ainda assim, ele admite que a confiança no futuro do carvão está diminuindo em Candiota. Alguns trabalhadores já se mudaram para cidades vizinhas em busca de melhores oportunidades.

Mesmo lutando para salvar empregos, Ferreira disse que está incentivando os colegas a aprender novas habilidades. Ele mesmo já obteve certificação para fazer manutenção em torres que medem a velocidade do vento, na esperança de que a indústria eólica invista na região.

“Não se coloca todos os ovos na mesma cesta”, disse ele.

(Reportagem de Leticia Fucuchima)

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China encerra embargo após seis meses e retoma importações de frango do Brasil

A China suspendeu o embargo que mantinha há meses sobre as importações de carne de frango do Brasil. A medida deve reaquecer as vendas externas do maior exportador mundial do produto.

O bloqueio havia sido imposto em maio, após a detecção de casos de gripe aviária em território brasileiro. Segundo comunicado divulgado na conta oficial do departamento de alfândega chinês na plataforma Weibo, a decisão de liberar as compras foi tomada com base em uma análise de risco concluída no fim de outubro.

Tradicionalmente, a China é um dos principais compradores de carne de frango brasileira. A retomada das importações segue o mesmo caminho de países como Arábia Saudita, África do Sul e Filipinas, que também reverteram restrições após o Brasil declarar-se livre da doença em junho.

“A reabertura do mercado chinês pode ajudar a conter a desaceleração do setor de aves, que deve enfrentar maior oferta em 2026”, avaliou o analista Henrique Brustolin, do Bradesco BBI, em relatório.
“Isso tende a sustentar as margens de curto prazo da MBRF e da Seara, mas não muda nossa visão de que o ciclo deve enfraquecer no próximo ano.”

Brasil livre da doença, mas alerta global continua

Segundo o Ministério da Agricultura, o Canadá é atualmente o único país que mantém a suspensão total das importações de frango brasileiro.

Embora o Brasil tenha sido declarado livre da gripe aviária em junho, surtos recentes vêm sendo registrados em diversas regiões do mundo, especialmente na Europa, onde alguns governos chegaram a determinar que aves fossem mantidas em ambientes fechados para conter a disseminação do vírus.

O impacto da doença ainda é sentido no setor: os preços dos ovos dispararam no início de 2025 em várias partes do mundo, reflexo direto da escassez provocada pelos novos casos de gripe aviária.

Em maio, no mês que a China pausou as importações, as exportações brasileiras de carne de frango, incluindo produtos in natura e processados, caíram 12,9% em relação ao mesmo período do ano passado, por conta dos embargos decorrentes de um foco de gripe aviária em granja comercial. 

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Trump manda investigar frigoríficos e culpa empresas estrangeiras por alta da carne

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou que o Departamento de Justiça (DoJ) abra uma investigação federal sobre a indústria de processamento de carne. O mandatário acusa os grandes frigoríficos — em sua maioria de capital estrangeiro e incluem as brasileiras JBS e a Marfrig — de manipular preços e praticar cartel.

Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que as empresas do setor estão “criminalmente lucrando às custas do povo americano” e pediu que o governo aja com rapidez.

“Estou pedindo ao Departamento de Justiça que aja de forma imediata. É preciso proteger os consumidores, combater monopólios ilegais e garantir que essas corporações não estejam se aproveitando do povo americano”, escreveu.

As declarações provocaram forte reação no mercado. As ações da JBS, maior empresa de carne do mundo e de origem brasileira, chegaram a cair 6,2% nas negociações pós-fechamento em Nova York na sexta-feira (7).

Preço da carne em alta e pressão política

Os preços da carne bovina no atacado nos EUA subiram 16% em 2025, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). A disparada ocorre em meio à redução do rebanho americano, hoje no menor nível em sete décadas, resultado de secas prolongadas e custos crescentes de produção.

De acordo com Julie Anna Potts, presidente do Meat Institute, associação que representa os frigoríficos, as empresas estão operando com prejuízo, tendência que deve continuar em 2026.

“Os processadores de carne dos Estados Unidos estão abertos a um debate baseado em fatos sobre o preço da carne e como atender melhor os consumidores americanos, que são nossos principais interessados”, declarou.

A escalada do custo de vida tem sido o tema dominante nas recentes eleições americanas e contribuiu para vitórias democratas sobre os republicanos de Trump em disputas locais. Pesquisas apontam que os eleitores avaliam mal o desempenho do presidente na economia, levando seus assessores a prometer foco maior na redução de preços.

Setor de carnes vira novo alvo da guerra contra a inflação

O setor de carnes é o novo foco da ofensiva de Trump contra a inflação dos alimentos, que já elevou o preço da carne moída a níveis recordes nos supermercados. Apesar disso, especialistas afirmam que a recomposição do rebanho americano pode levar anos, o que indica que os preços devem continuar altos no médio prazo.

Trump direcionou as críticas às empresas estrangeiras, o que derrubou ainda mais as ações da JBS. A subsidiária de frango da companhia, a Pilgrim’s Pride, chegou a doar US$ 5 milhões à cerimônia de posse de Trump em 2017.

Outros frigoríficos, como a Smithfield Foods (controlada pelo grupo chinês WH Group) e a Tyson Foods, também registraram queda nas ações após o anúncio. Nenhuma das empresas comentou o caso.

Histórico de investigações e disputa comercial

Não é a primeira vez que Trump mira o setor. No fim de seu primeiro mandato, o Departamento de Justiça já havia aberto uma investigação antitruste sobre os frigoríficos, posteriormente mantida por Joe Biden, mas sem resultar em processo judicial.

Em 2022, Biden lançou um programa para permitir que produtores denunciassem práticas comerciais desleais da indústria.

Os frigoríficos vêm sendo criticados há anos pela alta concentração de mercado e já pagaram centenas de milhões de dólares em acordos por acusações de manipulação de preços.

Gail Slater, chefe da divisão antitruste do DoJ, respondeu ao anúncio de Trump com ironia:

“Encerrando a semana com uma nova missão. Obrigada por sua atenção a este assunto, senhor”, escreveu nas redes sociais.

Pressão dos estados rurais e impacto no mercado

A decisão também gerou reação entre aliados de Trump em estados agrícolas, que alertam que seu plano de permitir mais importações de carne argentina sem tarifa pode prejudicar os pecuaristas americanos.

Trump, no entanto, insiste que há algo de errado:

“Enquanto o preço do gado caiu, o da carne embalada subiu. Então, há algo ‘suspeito’ acontecendo”, afirmou.

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Se quiser cumprir a meta de inflação, BC deve segurar a Selic em 15% até março de 2026, diz Volpon

O Banco Central vive um dos seus maiores dilemas desde que parou, em junho, de subir o juro básico: quando vai começar a reduzi-lo. Mas se quiser realmente manter o compromisso com a meta de inflação, de 3%, a autoridade terá de segurar a Selic em 15% ao ano, no mínimo, até o fim do primeiro trimestre de 2026. Essa é a opinião do ex-diretor do Banco Central, Tony Volpon.

Tanto a queda da inflação quanto a convergência dela para as expectativas dos economistas ainda são “extremamente modestas e lentas”. A leitura é clara: subir juros quando a inflação está em alta é uma decisão fácil. O difícil é tomar essa decisão quando a inflação começa a cair. “Aí veremos qual é o compromisso real com a meta”, diz Volpon em entrevista ao InvestNews.

O último boletim Focus, divulgado pelo próprio BC e que reúne projeções do mercado para alguns indicadores econômicos, mostra que a mediana das estimativas para a inflação está em 4,55% para o fim do ano – acima, portanto, do teto da meta, que é de 4,50%, e bem longe do centro, de 3,0%.

Os dados mostram que as estimativas estão em processo de “ancoragem”, um jargão para quando as previsões dos economistas se aproximam do objetivo indicado pelo BC. O ritmo, porém, ainda é de conta-gotas – o que significa que não é óbvio pensar em um corte da Selic tão cedo assim e que há um nível muito grande de otimismo entre aqueles que esperam um corte em breve.

O papel do BC é levar a inflação para a meta. Ponto. Mas a parte trabalhosa desse processo é enfrentar pressões e críticas de vários setores. Esse será o momento em que se revelará o quanto Gabriel Galípolo, atual presidente da autoridade, conseguirá manter a rota da política monetária.

A tal hora da verdade já se aproxima, na leitura de Volpon. Na reunião de dezembro, possivelmente, o BC vai deixar mais clara a sua leitura para os próximos meses.

A dificuldade em determinar o ponto de virada da Selic é a política fiscal expansionista do governo, com um nível de gastos que estimula o consumo e mantém, portanto, a economia crescendo acima do potencial – ou seja, da taxa que não estimula a inflação. Se o governo gasta mais, ele aumenta seu próprio endividamento e estimula que os preços sigam em alta por meio do consumo.

É aí que, mais uma vez, volta-se ao problema básico da economia brasileira: o governo e o BC estão em direções opostas. Enquanto o primeiro busca acelerar o crescimento, o segundo precisa manter uma política monetária contracionista para compensar o impulso fiscal. “O gasto social hoje é quase o dobro do que tínhamos antes da pandemia”, diz o ex-BC.

Entre os grandes pontos de dificuldade do governo em atacar os problemas fiscais está em tentar elevar a arrecadação por meio de uma agenda de aumento de impostos ao mesmo tempo em que faz concessões, caso de medidas como a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, que passa a valer em 2026. E isso sem falar no potencial aumento de gastos em ano de eleição – elementos que têm tudo para continuar aquecendo o consumo.

A grande dificuldade do BC está também no fato de que a inflação de serviços, justamente pelo estímulo ao consumo, é que mais demora a responder à política monetária apertada. É mais um elemento para a conta da autoridade na hora de calibrar o espaço que existe – ou não – para pensar em um corte.

Volpon também ressaltou que a chamada taxa neutra de juros, ou seja, aquela que mantém o crescimento da economia sem estimular a inflação, não só aumentou como provavelmente já está acima do que o BC imagina.

Uma taxa neutra mais elevada tem impacto direto sobre o nível e o tempo que o BC precisa manter a Selic elevada. O risco é que, mesmo com a taxa básica em 15% ao ano, o maior nível em uma década, isso ainda não seja suficientemente contracionista quanto se acredita. “Se a política monetária estivesse tão apertada quanto dizem, o IPCA já teria caído muito mais rapidamente.”

Para tomar qualquer decisão sobre uma mudança no ciclo de juros do Brasil, então, só tem um caminho: esperar para ver como a economia vai se comportar no início do ano que vem. No comunicado da decisão de hoje, o BC acrescentou um trecho em que diz que a “inflação cheia e as medidas subjacentes apresentaram algum arrefecimento”. O tom do comunicado, porém, seguiu com o mesmo, mostrando preocupação em relação à trajetória do IPCA.

É diante de tudo isso que o BC terá a difícil escolha de abandonar a meta inflacionária ou compensar todo o cenário fiscal com juros elevados, sem espaço para cortes.

E esse debate é como repetir a história: o economista citou episódios passados, como entre 2011 e 2014, quando o BC dizia perseguir o centro da meta de 4,5%, mas mirava mesmo o topo da banda, em torno de 6,5%. A ver os próximos passos.

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Sem ‘ajuda’ do câmbio, queda da Selic depende ainda mais do cenário fiscal, diz Carlos Kawall

O câmbio deixou de ser um vento a favor do controle da inflação no Brasil e, daqui para frente, o ajuste fiscal – que o Brasil não está conseguindo cumprir – terá mais importância no trabalho do Banco Central de reduzir os juros. Essa é a opinião de Carlos Kawall, ex-secretário do Tesouro Nacional e diretor da Oriz Partners.

No acumulado do ano, o dólar acumula uma queda de 15% contra o real. A valorização da nossa moeda ajuda a conter a inflação na veia porque torna os produtos importados e os insumos fiquem mais baratos em reais, reduzindo custos – e segurando preços.

Na prática, um câmbio amigo do real faz uma parte do trabalho da Selic, que é o de frear a inflação. E deixa o BC mais propenso a reduzir os juros.

No diagnóstico de Kawall, a queda recente da inflação derivada da apreciação do real foi o que baixou as projeções do mercado para o IPCA no fim do ano, de 5% para perto de 4,5% em 12 meses. “Mas esse vento a favor se exauriu”, diz o economista.

O problema é o seguinte. O dólar caiu em grande parte por conta da expectativa de cortes nos juros dos EUA. Quanto menos juros os americanos pagam, mais o dólar tende a perder valor ante outras moedas. Os primeiros cortes vieram. O mais recente, nesta quarta (29), reduzindo a “Selic” dos EUA de 4,25% para 4%. Mas o próprio banco central americano sinalizou uma provável pausa nos cortes. Menos pressão de baixa para o dólar, portanto.

Sem a ajudsa do câmbio, a política doméstica passa a ditar o ritmo – especialmente o lado fiscal, que tende a ganhar destaque em ano eleitoral. “Lado fiscal” significa o governo aumentar seus gastos (em subsídios, por exemplo). Isso aumenta a atividade econômica. Em outras palavras, coloca mais moeda em circulação.

Juros combatem a inflação drenando dinheiro da economia. Se o governo faz o oposto, o Banco Central não tem como baixar a Selic – no limite, tem de aumentar. “Quem define o juro é a política fiscal”, resume o economista.

Três fatores

No cenário-base das previsões do mercado, a Selic começaria a cair em janeiro e termina o ano em 12,5%. A atividade econômica mostra sinais de desaceleração, embora de forma desigual: o setor de serviços segue resiliente, apoiado por um mercado de trabalho ainda aquecido – “o coração da inflação”, segundo Kawall —, enquanto o crédito e os investimentos já perdem fôlego. Essa diferença de ritmo explica por que o processo de desinflação ainda caminha devagar.

Os serviços resistem justamente por serem pouco sensíveis ao câmbio. Seus preços derivam de salários e consumo interno, não de importados, o que faz com que eventuais oscilações do dólar tenham baixo impacto imediato. Mesmo com uma depreciação da moeda americana, o repasse nesse segmento é limitado e demorado, mantendo um pedaço importante da inflação mais rígido.

Ainda assim, há três fatores que abrem espaço para o corte de juros. O primeiro é o juro real em nível recorde, que continua fortemente contracionista mesmo com reduções graduais da Selic.

O segundo são os efeitos defasados da política monetária, que seguem atingindo os setores mais dependentes de crédito – como bens duráveis, imobiliário e investimentos corporativos – antes de se espalhar para serviços.

E o terceiro é o arrefecimento do emprego: se a criação de vagas desacelera, isso tende a aliviar a pressão sobre salários e, por consequência, sobre os preços de serviços.

Por fim, uma visão otimista. Caso o câmbio permaneça relativamente estável, o risco de novos repasses de preços vindos de importados, combustíveis e fretes diminui. Esse cenário permite ao Banco Central iniciar o ciclo de cortes, ainda que com prudência, calibrando as reduções para combater a inflação sem reacender a demanda. Esse já é um desafio nada trivial para o BC. Mas, se a parte fiscal não ajudar, se tornará impossível.

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Presidente do Fed afirma que novo corte de juros em dezembro está longe de ser uma certeza

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou nesta quarta-feira (29) que outro corte na taxa de juros em dezembro não é garantido.

“Uma nova redução na taxa básica de juros na reunião de dezembro não é uma conclusão inevitável, longe disso”, disse Powell, logo após as autoridades anunciarem sua segunda redução consecutiva na taxa de juros para apoiar um mercado de trabalho em desaceleração.

Os formuladores de políticas também disseram que parariam de reduzir o portfólio de ativos do banco central em 1º de dezembro.

O Federal Open Market Committee (FOMC) votou por 10 a 2 pela redução dos juros em 0,25 ponto percentual, que ficou na faixa entre 3,75% e 4% ao ano.

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Fed reduz juros dos EUA em 0,25 ponto percentual, para 4% ao ano

O Fed reduziu os juros em 0,25 ponto percentual. Assim, os juros americanos ficam na faixa de 3,75% a 4% ao ano, em linha com a expectativa do mercado.

O banco central dos EUA ainda anunciou que vai reiniciar as compras de títulos públicos americanos, depois de sinais de que a liquidez estava se tornando escassa. O processo também injeta dinheiro na praça, junto com a baixa nos juros.

O corte, que incluiu um aceno para os limites de dados que o banco central enfrenta durante a atual paralisação do governo federal, não foi unânime. Stephen Miran, um dos membros do comitê de política monetária do Fed, novamente pediu uma redução mais profunda. Outra autoridade do “Copom” americano, Jeffrey Schmid, preferia a manutenção. Ele entende que a inflação (em 3%, pelo núcleo do CPI) não está convergindo para a meta, de 2%.

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Segunda redução dos juros pelo Fed

Esta foi a segunda redução consecutiva na taxa de juros dos EUA e acontece para apoiar o mercado de trabalho em desaceleração.

Em sua declaração pós-reunião, os diretores do Fed reiteraram sua avaliação de que a geração de emprego diminuiu e disseram que “os riscos ao emprego aumentaram nos últimos meses”.

As autoridades caracterizaram o crescimento econômico como “moderado” e disseram que a inflação “subiu desde o início deste ano e permanece um tanto elevada”.

Os membros do Fed reduziram as taxas de juros no mês passado pela primeira vez neste ano, após uma desaceleração nas contratações ter levantado preocupações sobre a fragilidade do mercado de trabalho.

A redução dos juros já era esperada, depois que o presidente do Fed, Jerome Powell afirmou, no início deste mês, que o emprego poderia enfraquecer ainda mais.

Divisão dentro do banco central dos EUA

Os membros do Fed estão divididos sobre o quanto mais afrouxar a política monetária.

Vários formuladores de políticas alertaram contra uma redução muito rápida dos custos de empréstimo, visto que a inflação ainda está acima da meta de 2% ao ano.

O trabalho do Fed está se tornando cada vez mais difícil, já que as autoridades são forçadas a tomar decisões políticas sem a maior parte dos dados econômicos nos quais normalmente se baseiam. A paralisação congelou ou adiou a compilação e a divulgação de relatórios que acompanham o mercado de trabalho, os preços, os gastos e outros indicadores-chave.

Foto: Getty Images

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Montadoras no Brasil podem parar produção se crise externa em oferta de chips persistir, diz secretário de Alckmin

O secretário do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços Uallace Moreira afirmou nesta terça-feira (28) que algumas montadoras de automóveis no país podem paralisar suas produções dentro de duas a três semanas se uma crise internacional na oferta de chips persistir.

“Se não houver uma solução nesse espaço de tempo curto, em duas ou três semanas, pode haver um processo de paralisação de algumas montadoras, disse o secretário.

O secretário e o presidente em exercício, e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, se reuniram mais cedo com o presidente da associação de montadoras, Anfavea, Igor Calvet.

A crise de oferta foi provocada por uma disputa entre a Holanda e China sobre o controle da fabricante de microprocessadores Nexperia.

Moreira não identificou quais montadoras instaladas no Brasil podem ser as primeiras a serem afetadas por problemas na oferta de chips. A Anfavea já havia manifestado preocupação com a situação na semana passada, quando citou riscos gerados por uma escassez de chips semelhante à ocorrida na época da pandemia.

“O pedido do setor produtivo é uma tentativa de diálogo por parte do governo brasileiro com o governo chinês para deixar bem claro que o Brasil está fora desse conflito de natureza geopolítica e que, portanto, o Brasil não pode e não deve participar ou sofrer as consequências desse embargo”, disse o secretário.

Moreira disse também que Alckmin já entrou em contato com o embaixador brasileiro na China e também com o embaixador chinês no Brasil para que ele dê início de negociações entre os países. Segundo ele, o representante chinês se comprometeu a falar com autoridades chinesas enquanto o embaixador brasileiro deve fazer a interlocução entre as embaixadas e a Nexperia.

Moreira destacou ainda que, pela forma como os setores de semicondutores operam e o espaço que a Nexperia ocupa no mercado, cerca de 40%, não é possível mudar o fornecimento das peças para outro fornecedor.

Pequim anunciou as restrições depois que o governo holandês assumiu o controle da Nexperia devido a questões de propriedade intelectual relacionadas à controladora chinesa Wingtech, que foi colocada em uma lista de sanções do governo dos Estados Unidos no ano passado, sinalizando-a como um possível risco à segurança nacional norte-americana.

A Nexperia fabrica chips que não são considerados sofisticados, mas são necessários em grandes volumes e amplamente utilizados nas indústrias automotiva e de eletrônicos de consumo. A maioria dos chips da empresa é produzida na Europa e finalizada na China e não está claro quanto tempo os estoques vão durar.

Segundo a Anfavea, um veículo moderno usa, em média, de 1.000 a 3.000 chips.

Fontes do setor afirmaram à Reuters na semana passada que a troca de fornecedores é possível, com a Infineon, NXP e Texas Instruments sendo citadas como possíveis alternativas, mas isso demanda tempo devido aos processos de aprovação necessários pelas montadoras.

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Diplomata dos EUA discute terras raras com mineradoras brasileiras em meio a negociações sobre tarifas

O encarregado de negócios dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, reuniu-se nesta terça-feira (28) com representantes de mineradoras durante a Exposibram, em Salvador, para tratar de projetos ligados à produção de terras raras e nióbio, segundo duas fontes com conhecimento das conversas ouvidas pela Reuters.

As discussões reforçam o avanço da diplomacia americana sobre minerais estratégicos, em um momento em que Washington e Brasília negociam a retirada das tarifas de 50% impostas pelo governo Donald Trump às exportações brasileiras.

De acordo com uma das fontes, executivos da St George Mining, que desenvolve um projeto de terras raras e nióbio em Minas Gerais, participaram do encontro com Escobar. O diplomata também se reuniu com dirigentes do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), entre eles o diretor de Assuntos Minerários, Julio Nery, que confirmou sua presença no evento.

“Ele já esteve em reunião com o Ibram três ou quatro vezes recentemente e pediu uma nova agenda com o presidente Raul Jungmann durante a Exposibram”, afirmou Nery.

A aproximação dos EUA com o setor mineral brasileiro ocorre no contexto de uma disputa global por minerais críticos, dominada pela China — que concentra cerca de 70% da produção e 100% do refino de terras raras pesadas.

O Brasil possui a segunda maior reserva mundial desses elementos, com empresas estrangeiras como Aclara, Meteoric Resources, Brazilian Rare Earths e Serra Verde entre os principais players.

O interesse americano, segundo fontes do setor, pode incluir parcerias de longo prazo para garantir o fornecimento e reduzir a dependência chinesa. Uma eventual cooperação bilateral sobre minerais estratégicos é vista como moeda de troca nas tratativas comerciais entre os dois países.

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Preço da soja dispara enquanto negociações entre EUA e China geram esperança de retomada do comércio

A soja e outras culturas dispararam, à medida que o progresso nas negociações entre os EUA e a China aumentava as esperanças de que as duas maiores economias do mundo estivessem se aproximando de um acordo em sua prolongada guerra comercial.

Os contratos futuros da soja subiram 2,8% em Chicago, atingindo o maior nível desde julho de 2024.

Isso ocorreu depois que o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que a China faria compras “substanciais” da oleaginosa sob um pacto que os dois países estão perto de finalizar.

O trigo apresentou o maior salto desde 12 de agosto.

O comércio agrícola estava entre uma série de questões sobre as quais os negociadores americanos e chineses disseram ter chegado a um acordo no fim de semana, abrindo caminho para que os líderes Donald Trump e Xi Jinping finalizem um acordo e aliviem as tensões que abalaram os mercados globais.

Os dois devem se reunir ainda esta semana na Coreia do Sul, à margem da cúpula da APEC.

Soja no centro das discussões

A soja tem sido um ponto central de tensão entre os dois gigantes agrícolas.

A China, maior importadora mundial da cultura, a utilizou como moeda de troca em sua guerra comercial com os EUA, evitando embarques de seu segundo maior fornecedor e recorrendo à América do Sul para importações recordes.

Os agricultores americanos, sofrendo com a crise financeira causada pela saída de seu principal consumidor, pressionaram Washington a chegar a um acordo com Pequim.

Dados do Departamento de Agricultura dos EUA divulgados na segunda-feira mostraram embarques semanais de soja dos EUA de cerca de 1,06 milhão de toneladas, queda de 33% em relação à semana anterior, sem embarques para a China.

Alguns analistas estão otimistas quanto à demanda chinesa para o final de 2025 e início do próximo ano, antes que o Brasil comece a colher o que se estima ser outra safra recorde.

“A China ainda não garantiu grande parte de seu suprimento de soja para dezembro e janeiro”, disse Naomi Blohm, analista da Total Farm Marketing, em nota na segunda-feira, estimando as necessidades potenciais do país nesses meses em 8 a 9 milhões de toneladas.

Outros veem espaço limitado para novas vendas nos EUA nos próximos meses.

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Japão está perto de importar carne bovina brasileira, diz ministro

O Japão está muito perto de importar carne bovina do Brasil, em uma medida que representaria mais um golpe para as exportações americanas.

“Está avançando rapidamente”, disse o ministro da Agricultura do Brasil, Carlos Favaro, à Bloomberg News, na Malásia, na segunda-feira (27). “Algo que estava parado há mais de 25 anos está agora muito perto de acontecer. Faltam apenas alguns detalhes.”

“O Japão é formado por consumidores de alta renda, mas é muito exigente”, disse Favaro. Uma das exigências era que o Brasil fosse declarado livre de febre aftosa, certificação obtida no início deste ano.

Favaro afirmou que o Brasil está na fase final do protocolo sanitário e que “uma vez concluído, o mercado será aberto”, o que ele espera que aconteça até o final do ano.

Brasil vende, Japão compra

O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina, enquanto o Japão é um grande importador global que, até agora, depende principalmente do fornecimento dos EUA e da Austrália.

O acordo significa demanda adicional pela carne bovina brasileira, em um momento em que as vendas para os EUA caíram após as tarifas de 50% impostas pelo governo Trump.

Uma medida que permita a entrada de carne bovina brasileira no Japão também colocaria em risco os embarques rivais dos EUA, justamente em um momento em que os EUA enfrentam uma grave escassez de gado. Isso elevou os preços futuros do gado vivo a níveis sem precedentes neste ano e eliminou bilhões de dólares em lucros para os frigoríficos americanos.

Os comentários de Fávaro ocorrem após visitas de autoridades japonesas neste ano para inspecionar as condições dos animais no Brasil. O presidente Lula se envolveu diretamente nas negociações para acessar o mercado japonês em março, durante sua visita ao Japão. “O Brasil está pronto”, disse Lula na época.

“Seria ótimo para o Brasil, porque o Japão é um mercado premium — para o Japão é possível exportar cortes nobres de carne bovina”, disse Gilberto Tomazoni, CEO da fornecedora de carnes JBS, na segunda-feira, durante uma conferência em São Paulo.

Ainda assim, ele alertou que pode levar algum tempo até que as vendas para o Japão se recuperem, já que esse mercado demanda produtos de alta qualidade e normalmente leva tempo para construir essas relações comerciais.

Além disso, as negociações entre o Brasil e o Japão foram conduzidas sob o governo japonês anterior. Com o novo governo em Tóquio, o Brasil terá que retomar o diálogo.

Desde que Lula iniciou seu terceiro mandato em 2023, 466 novos mercados foram abertos para produtos brasileiros, segundo o Ministério da Agricultura. Em entrevista coletiva em Kuala Lumpur nesta segunda-feira (27), Lula disse esperar que esse número chegue a 500 até o final de seu mandato, em 2026.

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Departamento dos EUA fecha parceria de US$ 1 bilhão com AMD para supercomputadores e IA

Os Estados Unidos formaram uma parceria de US$1 bilhão com a AMD para a construção de dois supercomputadores para solucionar problemas científicos, que vão desde energia nuclear até tratamentos de câncer e segurança nacional. A informação é do secretário norte-americano de Energia, Chris Wright, e a presidente-executiva da AMD, Lisa Su.

Os EUA estão construindo as duas máquinas para garantir que o país tenha supercomputadores suficientes para executar experimentos cada vez mais complexos que exigem o aproveitamento de enormes quantidades de capacidade de processamento de dados. As máquinas podem acelerar descobertas científicas em áreas nas quais os EUA estão focados.

Wright disse que os sistemas vão impulsionar os avanços em energia nuclear e energia de fusão, tecnologias para defesa e segurança nacional e o desenvolvimento de medicamentos.

Cientistas e empresas estão tentando criar na Terra a fusão, a reação nuclear que criou o Sol, ao colidirem átomos leves em um gás de plasma sob calor e pressão intensos para liberar quantidades enormes de energia.

“Fizemos grandes progressos, mas os plasmas são instáveis e precisamos recriar o centro do Sol na Terra”, disse Wright à Reuters.

“Teremos um progresso muito mais rápido usando a computação desses sistemas de inteligência artificial que, acredito, terão caminhos práticos para aproveitar a energia de fusão nos próximos dois ou três anos.”

Armas nucleares dos EUA

O secretário norte-americano afirmou que os supercomputadores também ajudarão na administração do arsenal de armas nucleares dos EUA e acelerarão a descoberta de medicamentos por meio de simulações de formas de tratar o câncer até o nível molecular.

“Minha esperança é que nos próximos cinco ou oito anos, transformaremos a maioria dos cânceres, muitos dos quais hoje são sentenças de morte definitivas, em condições controláveis”, disse Wright.

Os planos prevêem que o primeiro computador, chamado Lux, seja construído e entre em operação nos próximos seis meses. A máquina será baseada nos chips de inteligência artificial MI355X da AMD, e o projeto também incluirá CPUs e chips de rede fabricados pela AMD. O sistema é co-desenvolvido pela AMD, Hewlett Packard Enterprise, Oracle Cloud Infrastructure e Oak Ridge National Laboratory (ORNL).

A presidente da AMD disse que a implantação do Lux foi a mais rápida que ela já viu de um computador desse porte. “Essa é a velocidade e a agilidade que queríamos (fazer) para os esforços de IA dos EUA”, disse Su.

O diretor do ORNL, Stephen Streiffer, disse que o supercomputador Lux fornecerá cerca de três vezes a capacidade de IA dos supercomputadores atuais.

O segundo computador, mais avançado, chamado Discovery, será baseado na série MI430 de chips de IA da AMD, que são ajustados para computação de alto desempenho. Esse sistema será projetado pelo ORNL, pela HPE e pela AMD. A previsão é que o Discovery seja entregue em 2028 e esteja pronto para operar em 2029.

Streiffer disse que esperava enormes ganhos, mas não pode prever a capacidade computacional que ele terá.

O MI430 é uma variante especial da série MI400, que combina recursos importantes dos chips de supercomputação tradicionais com recursos para executar aplicativos de IA, disse Su.

O Departamento de Energia dos EUA hospedará os computadores, as empresas fornecerão as máquinas e os investimentos e ambas as partes compartilharão o poder de computação, disse um funcionário do departamento.

Os dois supercomputadores baseados em chips da AMD devem ser os primeiros de muitos desses tipos de parcerias com o setor privado e os laboratórios do Departamento de Energia em todo os EUA, disse o funcionário.

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Vitória legislativa dá uma segunda chance para Milei reformar a economia argentina

Uma vitória retumbante do partido de Javier Milei nas eleições de meio de mandato no domingo (27) — com uma tábua de salvação dos EUA — deu ao presidente libertário um novo impulso em sua busca para reformar a Argentina e quebrar o ciclo de dívidas, inadimplência e crises do país.

Agora, Milei enfrenta a difícil tarefa de aproveitar a segunda chance que acabou de ganhar. Para capitalizar, ele terá de provar que consegue forjar alianças políticas fortes e evitar as armadilhas que condenaram líderes reformistas anteriores — e que quase o destruíram antes da votação.

No mês passado, os eleitores da província de Buenos Aires infligiram um revés devastador a Milei , garantindo uma vitória esmagadora à oposição peronista em uma eleição local. Os investidores interpretaram isso como um sinal de que o alívio proporcionado pela capacidade de Milei de controlar a inflação, que havia caído de seu pico próximo a 300%, havia dado lugar à frustração com a economia em baixa, com salários estagnados e escassez de empregos.

Uma série de escândalos de corrupção agravou os problemas, e o então líder de seu partido desistiu da disputa de domingo devido a ligações com um traficante de drogas. O peso argentino sofreu uma forte desvalorização, mesmo depois que Donald Trump e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, o ajudaram, com investidores e famílias apostando que uma desvalorização pós-eleitoral era iminente. A aprovação de Milei caiu para o nível mais baixo de seu mandato.

Mas, diante da escolha entre Milei e os peronistas que presidiram o colapso mais recente do país, os argentinos preconizaram a manutenção ao atual presidente. Por enquanto, pelo menos, estão dispostos a deixar Milei concretizar seu projeto de desmantelar a máquina estagnada do Estado, cortando seu orçamento com sua motosserra e promovendo reformas agressivas de livre mercado.

Segundo suas próprias estimativas, o partido de Milei e seus aliados terão mais de 100 cadeiras na Câmara dos Deputados, muito mais do que os 15% que ele tem atualmente e além do um terço necessário para proteger seus poderes de veto. Ele terá 20 das 72 cadeiras do Senado.

“Os argentinos demonstraram que não querem retornar ao modelo do fracasso”, declarou Milei. “Nos próximos dois anos, precisamos fortalecer o caminho reformista que iniciamos para mudar a história da Argentina de uma vez por todas.”

Os mercados argentinos subiram na manhã de segunda-feira, com o peso subindo 10%, os títulos subindo em geral e seu índice de ações ganhando 20% no início do pregão, enquanto os investidores assimilavam a mão repentinamente forte de Milei para buscar reformas.  

Backstop de Bessent

Não há dúvidas de que as intervenções dos EUA — na forma de um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões, compras estimadas de mais de US$ 1 bilhão em pesos e promessas de obter outros US$ 20 bilhões em financiamento de bancos privados — impulsionaram Milei, mesmo com Bessent enfrentando críticas em casa por cumprir suas promessas.

“O resgate de Trump foi consequente”, disse Benjamin Gedan, pesquisador sênior e diretor do Programa para a América Latina do Stimson Center, em Washington. “É difícil imaginar que Milei teria um desempenho tão bom em meio a uma valorização acelerada do peso, com o banco central ficando sem moeda forte.”

Uma grande questão que se coloca a Milei é se a vitória inspirará alguma correção de rumo em casa. Há dois anos, ele assumiu a presidência prometendo derrotar a “casta” que culpava por transformar a Argentina em uma economia tão propensa a crises. Desde então, ele tem tratado regularmente aliados, incluindo o ex-presidente Mauricio Macri, como parte desse grupo, rotulando-os, assim como os peronistas, como “traidores”. 

Milei precisará de aliados tanto no Congresso quanto nos principais governos para obter aprovação para as reformas tributária, trabalhista e previdenciária que os investidores há muito dizem que a Argentina precisa para finalmente entrar em um caminho sustentável para o crescimento e para gerar empregos e prosperidade econômica que tornarão a reeleição em 2027 muito mais fácil. 

“A eleição deve marcar o início de uma nova fase política”, disse Pilar Tavella, chefe de estratégia macro e soberana da Balanz Capital Valores SA. Após uma estratégia de confronto anterior, na noite de domingo, “Milei contatou a oposição moderada, e os governadores em particular, para aprovar reformas no Congresso, destacando que eles acreditam que podem trabalhar juntos”.

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Peso argentino sobe 10% com vitória de Milei nas eleições de meio de mandato

 O peso argentino saltou 10% no início das negociações desta segunda-feira (27) em resposta à vitória inesperada do governo Milei nas eleições de meio de mandato, tirando a pressão firme do dólar que havia pesado sobre o mercado nas semanas anteriores, disseram operadores.

A moeda argentina valorizou para 1.355 por dólar, contra 1.400 para venda na abertura, em um ambiente financeiro comprador de ativos argentinos diante do recuo do risco-país.

O partido do presidente Javier Milei venceu as eleições legislativas de meio de mandato no último domingo (26), em um resultado que dá ao líder argentino uma posição mais forte no Congresso argentino.

Milei agora tenta aprovar reformas econômicas mais profundas para reanimar a combalida economia do país.

Com 92% das urnas apuradas, o partido La Libertad Avanza recebeu 41% dos votos em todo o país, segundo dados divulgados pelo ministro do Interior, Guillermo Francos. A legenda liderou a votação na maioria das províncias argentinas.

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Empresas da zona do euro estão otimistas, mas lucros caem, mostra pesquisa

O crescimento do crédito para as empresas da zona do euro desacelerou em setembro, mas as companhias permaneceram otimistas, mesmo que os lucros estejam se deteriorando e a inflação possa ficar mais elevada. É o que mostraram pesquisas separadas do Banco Central Europeu (BCE) nesta segunda-feira (27).

A economia da zona do euro mostrou-se resiliente este ano em meio à incerteza tarifária, mas o crescimento ainda é de apenas 1%, sugerindo que a diferença econômica em relação aos EUA continuará a aumentar.

“Cerca de 25% das empresas permaneceu otimista em relação aos acontecimentos no próximo trimestre – mais do que no trimestre anterior”, mostrou a Pesquisa sobre o Acesso das Empresas a Financiamento. “Ao mesmo tempo, as empresas continuaram a observar uma deterioração em seus lucros.”

Inflação na zona do euro

A pesquisa também mostrou que as expectativas de inflação ficaram, de modo geral, estáveis, mas as empresas veem um crescimento de preços acima da meta de 2% do BCE para os próximos anos e até mesmo um risco de aceleração.

A inflação tem se mantido em torno da meta durante quase todo o ano e o próprio BCE a vê abaixo de 2% durante a maior parte dos próximos dois anos, antes de voltar a subir para a meta em 2027.

“A mediana das expectativas para a inflação anual um ano à frente permaneceram em 2,5%, enquanto as expectativas para três e cinco anos à frente permaneceram em 3,0%”, disse o BCE. “Para o horizonte de cinco anos, a maioria das empresas continua a indicar que os riscos para as perspectivas de inflação estão inclinados para o lado positivo.”

O crescimento do crédito às empresas, por sua vez, desacelerou em setembro, embora a taxa tenha permanecido perto de uma máxima de dois anos, e os empréstimos às famílias continuaram a expandir no ritmo mais forte desde o início de 2023, mostrou o relatório do BCE sobre a evolução monetária.

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Trégua comercial entre EUA e China deixa questões essenciais indefinidas

Os negociadores da China e dos Estados Unidos alinharam uma série de vitórias diplomáticas para Donald Trump e Xi Jinping apresentarem em uma cúpula nesta semana. Esses avanços mais fáceis agradam aos investidores, mas deixam sem solução conflitos centrais mais profundos.

O presidente americano Donald Trump disse que se sentia “realmente bem” com um pacto com a China, depois que autoridades na Malásia revelaram, neste fim de semana, uma série de acordos para amenizar as tensões comerciais.

Isso provavelmente fará com que a China retome as importações de soja de estados republicanos, enquanto os EUA recuam em sua mais recente ameaça de tarifa de 100%, em troca da garantia dos ímãs de terras raras críticos de Pequim.

Os mercados tiveram valorização com as notícias. O índice MSCI para ações globais testava máximas históricas, mas analistas alertaram que o acordo, agora preparado para ser assinado por Trump e Xi na Coreia do Sul, ignorou questões delicadas.

Disputas fundamentais sobre segurança nacional pareciam intocadas, juntamente com a missão central declarada de Trump de reequilibrar o comércio, disseram os analistas.

Acordos entre China e EUA

Para dificultar, o investimento chinês nos Estados Unidos permanece fortemente restrito.

“A colheita dos frutos torna o caminho à frente inerentemente mais difícil, porque deixa os conflitos difíceis e de alto risco para o final”, disse Sun Chenghao, pesquisador da Universidade Tsinghua, em Pequim. “O ‘grande acordo’ exige o enfrentamento de divergências profundas sobre subsídios estatais, concorrência tecnológica e segurança nacional — áreas em que os modelos fundamentais de ambos os lados entram em conflito.”

Isso significa que uma série de acordos setoriais menores, alcançados por meio de um diálogo sustentado, são mais prováveis nos próximos anos, acrescentou.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, tem pressionado a China a reequilibrar sua economia e aumentar o consumo interno durante as recentes negociações comerciais.

Pequim pareceu ignorar esses apelos na semana passada, ao divulgar um documento de políticas que enfatizavam a autossuficiência industrial e tecnológica como as forças motrizes da economia chinesa até pelo menos 2030.

Os contornos do acordo com a China emergiram quando Trump iniciou sua viagem de uma semana à Ásia, firmando pactos comerciais com a Tailândia e a Malásia que abordavam terras raras, e prometiam combater o antidumping com o Camboja — todas áreas de discórdia com a China. A mobilização republicana de aliados americanos no quintal de Pequim parecia ter como objetivo construir influência antes de sua primeira reunião com Xi desde que retornou ao poder.

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EUA e China se aproximam de acordo histórico e abrem caminho para novo pacto comercial

Os principais negociadores comerciais dos Estados Unidos e da China disseram ter chegado a um entendimento sobre uma série de pontos delicados, preparando o terreno para que os presidentes Donald Trump e Xi Jinping finalizem um acordo e aliviem as tensões comerciais que têm abalado os mercados globais.

Após dois dias de conversas na Malásia, encerradas neste domingo, um funcionário chinês afirmou que as duas partes chegaram a um consenso preliminar sobre temas como controles de exportação, tráfico de fentanil e taxas portuárias.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou em entrevista à CBS News que a ameaça de tarifas de 100% sobre produtos chineses “está efetivamente fora de questão”, e disse esperar que a China faça “compras substanciais” de soja e adie as restrições sobre exportações de terras-raras. Bessent acrescentou que os EUA não pretendem alterar seus próprios controles de exportação direcionados à China.

“A ameaça dos 100% desapareceu, assim como a possibilidade de a China impor imediatamente um regime global de controle de exportações”, disse Bessent. Ele afirmou ainda à ABC News acreditar que Pequim deve adiar por um ano as restrições às terras-raras enquanto reavalia a política.

Bessent sinalizou que o acordo em discussão entre Trump e Xi deve ser amplo, incluindo a extensão da trégua tarifária, a resolução de diferenças sobre a venda do TikTok e a manutenção do fluxo de ímãs de terras-raras usados em produtos de alta tecnologia, de semicondutores a motores de aviões. Os dois líderes também planejam discutir um plano global de paz, após Trump declarar que pretende contar com a ajuda de Xi para buscar uma solução para a guerra da Ucrânia.

Os sinais positivos de ambos os lados contrastam com as últimas semanas, marcadas por ameaças de tarifas e restrições de exportação que reacenderam temores de uma nova guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Trump disse a repórteres, durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) em Kuala Lumpur, que prevê “um bom acordo com a China” e espera novos encontros de alto nível nos EUA e na China.

“Eles querem fazer um acordo, e nós também queremos”, declarou Trump.

Ainda assim, os mercados devem acompanhar de perto os detalhes do acordo final, após quase um ano de mudanças bruscas nas políticas comerciais e tarifárias entre EUA e China.

O enviado comercial chinês Li Chenggang afirmou acreditar que houve consenso em relação ao fentanil — o que poderia levar os EUA a reduzir uma tarifa de 20% imposta para pressionar Pequim a conter o fluxo de precursores químicos usados na produção da droga. Ele disse ainda que os países pretendem resolver a disputa sobre taxas portuárias impostas por Washington a navios chineses, que motivaram tarifas retaliatórias sobre embarcações americanas.

Li — que Bessent havia chamado de “desequilibrado” neste mês — descreveu as negociações como intensas, mas produtivas, elogiando o avanço das discussões. Ambas as partes devem agora relatar os resultados a seus líderes antes da cúpula entre Trump e Xi, marcada para quinta-feira.

“As turbulências e reviravoltas atuais são algo que não desejamos ver”, afirmou Li. “Uma relação econômica e comercial estável entre China e EUA é benéfica para ambos os países e para o mundo.”

A retomada das compras de soja pelos chineses, caso confirmada, seria uma vitória política significativa para Trump. Em março, a China havia imposto tarifas retaliatórias sobre produtos agrícolas dos EUA, fechando o mercado às exportações de soja antes mesmo do início da colheita. No ano passado, o país asiático comprou US$ 13 bilhões em soja americana, mais de 20% da safra total, e a paralisação atingiu em cheio os agricultores, uma das bases políticas mais fiéis de Trump.

Talvez ainda mais importante seja resolver a disputa sobre as terras-raras, depois de a China ter cortado o fornecimento desses minerais estratégicos no início do ano em resposta à ofensiva tarifária de Trump. Embora os fluxos tenham sido restaurados após uma trégua que reduziu tarifas acima de 100%, Pequim voltou a ampliar as restrições neste mês, após Washington endurecer as medidas contra empresas chinesas.

As negociações aconteceram no arranha-céu Merdeka 118, enquanto Trump se reunia com líderes do Sudeste Asiático em um centro de convenções próximo, onde buscava novos acordos comerciais regionais para diversificar o comércio americano além da China.

A delegação chinesa foi liderada por He, principal autoridade econômica do país, e contou com o vice-ministro das Finanças Liao Min. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, também participou das conversas.

O encontro entre Trump e Xi será o primeiro desde o retorno de Trump à Casa Branca. O presidente americano disse acreditar que as conversas diretas são a melhor forma de resolver as pendências sobre tarifas, exportações, compras agrícolas, tráfico de fentanil e questões geopolíticas como Taiwan e a guerra na Ucrânia.

“Vamos falar sobre muita coisa”, disse Trump. “Acho que temos uma boa chance de fechar um acordo realmente abrangente.”

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Argentina vai às urnas em votação que definirá o fôlego político de Milei

A Argentina vota neste domingo (26) em uma eleição de meio de mandato que servirá como um referendo crucial sobre as políticas de austeridade do presidente Javier Milei — e, possivelmente, sobre o pacote de resgate de US$ 40 bilhões oferecido pelo governo de Donald Trump.

As urnas fecham às 18h, e os resultados são esperados para a noite deste domingo. Os argentinos elegem representantes para metade das cadeiras da Câmara dos Deputados — 127 no total — e 24 dos 72 assentos do Senado. Os resultados oficiais serão divulgados por província, e não como um único resultado nacional.

Dois anos após chegar à presidência com uma vitória expressiva, Milei e seu partido agora enfrentam dificuldades. O líder libertário conseguiu reduzir a inflação e conter a pobreza, mas a recuperação econômica do país perdeu fôlego: os salários não acompanham o aumento do custo de vida, e o desemprego está mais alto do que quando ele assumiu o cargo.

Três escândalos de corrupção também abalaram a imagem de Milei como um político antissistema e enfraqueceram sua popularidade. Sua taxa de reprovação está no nível mais alto desde o início do mandato.

Uma derrota expressiva para o partido A Liberdade Avança (La Libertad Avanza, ou LLA) em eleições locais realizadas em setembro aumentou a pressão. As perdas na província de Buenos Aires — que concentra mais de um terço da população argentina — provocaram temores entre investidores sobre a força política de Milei antes das eleições legislativas, o que levou a uma queda do peso argentino e à desvalorização dos títulos soberanos.

Duas semanas depois, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, interveio para conter a desvalorização da moeda, mas o peso continuou enfraquecendo.

@investnewsbr

Os EUA querem salvar a Argentina (e o governo Javier Milei), por meio da venda e empréstimo de dólares. #argentina #EUA #dolar #peso

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Agora, investidores observam se Milei — cujo partido controla cerca de 15% das cadeiras no Congresso — conseguirá garantir ao menos um terço dos assentos, suficiente para manter o poder de veto. Nos últimos meses, a oposição derrubou diversos vetos presidenciais, o que o governo classificou como ataques às políticas fiscais que resultaram em superávit orçamentário.

“Precisamos de um terço em uma das Casas para bloquear esses ataques, e vamos conseguir isso, ganhando por cinco pontos ou perdendo por sete”, disse o ministro da Economia, Luis Caputo, em evento do Atlantic Council em Washington. “Mas precisamos de maioria simples em ambas as Casas para aprovar todas as reformas que queremos, e isso não teremos mesmo se vencermos por 15 pontos.”

Segundo analistas da Bloomberg Economics, a disputa pode permitir que ambos os lados reivindiquem vitória.

“Salvo cenários extremos, acreditamos que cada lado conseguirá moldar a narrativa a seu favor. Em grande parte dos cenários, o partido de Milei deve obter um resultado compatível com dois objetivos principais: garantir o apoio dos EUA e a governabilidade mínima”, disse Jimena Zuniga, economista para a América Latina.

Caputo tem negado que o resultado eleitoral vá provocar mudanças na política econômica — independentemente de vitória ou derrota. Na teoria, o peso argentino flutua em uma faixa de variação que se amplia a cada dia; na prática, tanto os governos de Milei quanto o de Trump têm intervindo para sustentar a moeda, vista por investidores como supervalorizada.

Há especulações no mercado de que o pacote de resgate dos EUA esteja condicionado a algum ajuste na política cambial, embora Bessent tenha expressado apoio ao modelo atual. Outro ponto-chave é se o Banco Central da Argentina voltará a acumular reservas internacionais, após não cumprir uma meta estabelecida no acordo de US$ 20 bilhões com o FMI.

Além das compras diretas de pesos, o apoio americano inclui uma linha de swap de US$ 20 bilhões e uma promessa adicional de financiamento de US$ 20 bilhões de bancos de Wall Street, ainda em negociação.

As tensões se intensificaram desde o encontro entre Milei e Trump na Casa Branca, em 14 de outubro.

“Se ele vencer, continuaremos com ele; se não vencer, saímos”, disse Trump durante a reunião.

Donald Trump e Javier Milei se reuniram na Casa Branca
Donald Trump e Javier Milei se reuniram na Casa Branca (Divulgação)

Independentemente do resultado, Milei tentará avançar com suas reformas econômicas e tributárias assim que o novo Congresso assumir em 10 de dezembro. Por ora, sua equipe tenta minimizar o tom de “tudo ou nada” que domina o pleito, reconhecendo que será preciso negociar com outros partidos para aprovar leis que reflitam sua força política.

“Essas eleições de meio de mandato estão recebendo mais atenção do que deveriam”, disse Caputo. “Ganhando ou perdendo, o governo terá muito trabalho para construir as coalizões necessárias entre governadores, deputados e senadores, para aprovar as leis de que o país precisa.”

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Em reunião de 45 minutos, Lula e Trump ensaiam fim da disputa tarifária

Brasil e Estados Unidos iniciaram neste domingo (26) um processo de negociação para tentar encerrar as tarifas comerciais impostas por Washington a produtos brasileiros. O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano, Donald Trump, ocorreu em Kuala Lumpur, durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), e marcou a primeira reunião oficial entre os dois desde o início da atual crise diplomática.

Segundo o chanceler Mauro Vieira, a conversa, que durou cerca de 45 minutos, foi “muito positiva e produtiva”. Lula pediu que as tarifas sejam suspensas durante as negociações, enquanto Trump afirmou acreditar que os dois países poderão chegar a “bons acordos” em breve.

Lula pubicou sobre o encontro com Trump em suas redes socias. “Tive uma ótima reunião com o presidente Trump na tarde deste domingo, na Malásia. Discutimos de forma franca e construtiva a agenda comercial e econômica bilateral. Acertamos que nossas equipes vão se reunir imediatamente para avançar na busca de soluções para as tarifas e as sanções contra as autoridades brasileiras”, escreveu.

O líder norte-americano disse que os secretários do Tesouro, Scott Bessent, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, conduzirão as tratativas com o Brasil e previu uma “conclusão rápida” das discussões. Já Lula declarou estar otimista e afirmou que não há “razão para qualquer desavença” entre os dois países.

Lula e Trump em reunião
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião com presidente dos EUA, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia 26/10/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein

O encontro simboliza a retomada de um diálogo de alto nível após meses de tensão. As relações haviam se deteriorado desde que Trump impôs tarifas de até 50% sobre exportações brasileiras de café e carne, além de sanções e restrições de visto a autoridades. O gesto também vem depois de uma breve aproximação entre os líderes na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que abriu caminho para a retomada das conversas.

Nos bastidores, o governo brasileiro tenta aproveitar o momento para discutir não apenas as barreiras comerciais, mas também temas mais amplos, como regulação de redes sociais de empresas americanas, políticas para o etanol e oportunidades ligadas a minerais críticos — área em que o Brasil, que tem a segunda maior reserva de terras-raras do mundo, vê espaço para estreitar parcerias estratégicas com os Estados Unidos.

Lula ainda se ofereceu para atuar como interlocutor nas relações com a Venezuela. Nos últimos meses, os Estados Unidos derrubaram diversas embarcações que, segundo o governo americano, transportavam drogas a partir da Venezuela, o que gerou especulações de que o país possa estar se preparando para atacar o território venezuelano. Embora o Brasil tenha evitado qualquer envolvimento direto, Lula já havia dito a Trump, em uma ligação anterior, que um conflito militar na América do Sul seria devastador para a região.

*Com informações de Reuters e Bloomberg

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Em Kuala Lumpur, Lula e Trump testam terreno para uma trégua comercial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (25), em Kuala Lumpur, que espera se reunir com Donald Trump durante a viagem do norte-americano à Ásia e que busca uma solução para o impasse comercial entre os dois países.

“Espero realmente que o encontro aconteça”, disse Lula a jornalistas na capital da Malásia, antes da chegada de Trump. “Vim aqui com a intenção de que possamos encontrar uma solução.”

“Tudo depende da conversa”, acrescentou. “Não há exigências dele, nem minhas, até agora. Vamos colocar os temas na mesa e tentar encontrar uma saída.”

O presidente brasileiro tenta convencer Trump a suspender as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos do Brasil, além das sanções aplicadas a ministros do Supremo Tribunal Federal, autoridades e familiares.

Trump, por sua vez, disse que espera se reunir com Lula durante sua viagem e que está aberto a reduzir as tarifas aplicadas sobre o Brasil. “Nas circunstâncias certas, claro”, afirmou o presidente americano a repórteres na sexta-feira (24), a bordo do Air Force One.

O governo brasileiro tem trabalhado para organizar o encontro às margens da cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que acontece neste fim de semana na Malásia.

Segundo a Folha de S.Paulo, negociadores dos dois países vêm mantendo conversas informais sobre um possível acordo que siga o modelo adotado por China e México — com suspensão temporária das tarifas enquanto se negociam novos termos comerciais.

A reportagem também informa que os Estados Unidos pretendem colocar em pauta o acesso ao mercado brasileiro de etanol e a regulação das big techs, enquanto o Brasil busca garantir a reversão de sanções contra autoridades nacionais.

Lula in a suit pointing his finger
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista no Palácio da Alvorada. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Trump disse acreditar que os dois líderes já têm uma reunião programada durante o evento. Lula deixou sua agenda livre no fim da tarde de domingo para um possível encontro. A agenda de Trump também prevê um intervalo sem compromissos oficiais no mesmo período.

“Estou muito interessado em ter essa reunião”, disse Lula a repórteres na sexta-feira, na Indonésia, antes de embarcar para a Malásia. “Estou totalmente preparado para defender os interesses do Brasil e mostrar que as tarifas impostas ao país foram um erro.”

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EUA já gastaram mais de US$ 1 bilhão para segurar o peso argentino e viabilizar Milei

Os Estados Unidos gastaram uma quantia bem superior a US$ 1 bilhão neste mês adquirindo pesos argentinos, de acordo com estimativas de mercado, à medida que o esforço de apoio do Secretário do Tesouro, Scott Bessent, se intensificou antes da votação de meio de mandato em 26 de outubro.

O número ainda não foi confirmado, mas um operador que pediu para não ser identificado estimou o valor em US$ 1,4 bilhão, enquanto uma consultoria local informou a clientes que o valor estava mais próximo de US$ 1,7 bilhão. O Departamento do Tesouro dos EUA, o Ministério da Economia e o Banco Central da Argentina ainda não divulgaram números oficiais. Porta-vozes do Tesouro não responderam a um pedido de comentário.

O presidente argentino Javier Milei e Bessent buscaram evitar uma corrida pré-eleitoral contra a moeda. O peso argentino, que o governo permite que seja negociado livremente dentro de uma faixa específica, já se desvalorizou 21% nos últimos quatro meses. Ele foi negociado no limite mais fraco da faixa por vários dias, levando o banco central a intervir pela primeira vez em cerca de um mês. 

“Foi um passo importante para evitar uma deterioração mais profunda nas avaliações dos ativos argentinos”, disse Fernando Losada, economista da Oppenheimer. “Ainda assim, o fato de a taxa de câmbio ter sido negociada perto do topo da banda — apesar dos anúncios de Bessent e das compras de pesos pelo Tesouro dos EUA — sugere que, mesmo com o Tesouro no mercado, os investidores continuam cautelosos com o risco político em torno das eleições.”

O Tesouro dos EUA vendeu sua maior quantidade de dólares em 22 de outubro, quando o peso encerrou uma sequência de cinco dias de perdas. O JPMorgan Chase e o Citigroup foram os dois principais negociadores de dólares em nome do Tesouro naquele dia, com operadores estimando vendas entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões.

O banco central da Argentina relatou vendas adicionais de dólares de US$ 45,5 milhões em 21 de outubro, no final da sessão.

O governo enfrenta eleições de meio de mandato cruciais neste domingo, que avaliarão o apoio público e determinarão quanto espaço ele tem para levar adiante as reformas que diz serem necessárias.

Bessent também organizou uma linha de swap cambial de US$ 20 bilhões para a Argentina neste mês para fornecer mais acesso a dólares, um acordo que ele descreveu como uma “ponte para um futuro econômico melhor” para o país sul-americano.

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Aprovação de Milei atinge nova mínima antes das eleições de meio de mandato

A Casa Rosada, edifício rosa, com bandeira da Argentina e jardim sob céu nublado.
Casa Rosada, sede do governo argentino, em Buenos Aires. Foto: Getty Images

A taxa de aprovação do presidente argentino Javier Milei caiu em outubro para o nível mais baixo desde que assumiu o cargo, à medida que as expectativas econômicas permaneceram negativas e a corrupção passou ao topo das preocupações dos eleitores.

A aprovação de Milei caiu pelo terceiro mês consecutivo, para 39,9%, de acordo com a LatAm Pulse, pesquisa realizada pela AtlasIntel para a Bloomberg News.

Sua desaprovação subiu pelo quarto mês seguido para 55,7%, enquanto 4,4% dos entrevistados estavam indecisos, segundo a sondagem.

Ao mesmo tempo, a imagem de Milei e a de um de seus principais rivais peronistas, o governador de Buenos Aires Axel Kicillof, continuam a convergir, enquanto ambos lideram a lista dos líderes políticos mais populares do país.

A imagem positiva de Milei, uma medida separada das taxas de aprovação, caiu para 42% de um pico de 50% no início deste ano, enquanto a de Kicillof subiu para 40% a partir de um mínimo de 26% no mesmo período, segundo a AtlasIntel.

Os números oferecem o retrato mais recente das opiniões dos eleitores sobre Milei antes das eleições de meio de mandato na Argentina em 26 de outubro, que os mercados acompanham de perto após seu partido ter perdido uma importante eleição provincial no mês passado, vista como um termômetro para a disputa nacional. Após aquela votação anterior, o governo Trump interveio para tentar estabilizar a moeda da Argentina antes das eleições de outubro. No entanto, o peso acumula queda de mais de 7% até agora neste mês, o pior desempenho entre os mercados emergentes.

A corrupção liderou as preocupações dos eleitores em outubro, enquanto o principal candidato de Milei na província de Buenos Aires, Jose Luis Espert, desistiu após acusações de ligações passadas com um traficante que os EUA tentaram extraditar. A irmã do presidente, Karina Milei, também enfrentou acusações de suborno em agosto. Espert e Karina Milei negam qualquer irregularidade.

Ainda assim, as expectativas dos argentinos para a economia sob Milei permanecem bastante negativas. Mais de dois terços veem a economia como ruim neste momento e esperam que permaneça assim ou piore nos próximos seis meses. Apenas 17% dos participantes descreveram a economia como boa e 34% veem melhora nos próximos meses, segundo a pesquisa.

A AtlasIntel realizou uma pesquisa online com 6.526 participantes entre 15 e 19 de outubro. Ela tem margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%.

Por Patrick Gillespie

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Cautela domina mercado de títulos argentinos antes da prova de fogo para Milei

Será um momento decisivo para o ‘Milei trade’ — e ninguém quer ser pego do lado errado dessa aposta novamente.

A venda frenética que abalou os mercados da Argentina no mês passado, após o partido do presidente Javier Milei ter sido derrotado nas urnas, deixou investidores globais em alerta para outro possível tombo após as eleições legislativas de domingo.

Gestores e estrategistas afirmam que, se sua coalizão La Libertad Avanza conseguir garantir um terço das cadeiras no Congresso, os mercados poderão ver uma retomada.

Mas, mesmo com essa meta modesta — antes da derrota do mês passado, as expectativas eram de um número maior —, bancos como o Morgan Stanley e o UBS alertam para riscos expressivos de perdas: um desempenho mais fraco provavelmente será visto como uma ameaça à agenda de reformas econômicas de Milei e à enxurrada de dinheiro de ajuda que os Estados Unidos injetaram para sustentar a moeda do país.

“Se as eleições correrem muito bem e o partido dele conseguir um terço, acho que a Argentina vai se recuperar — mas não quero ser pego num cenário negativo”, disse Ray Zucaro, diretor de investimentos da RVX Asset Management, em Miami. “Prefiro estar neutro, sem uma posição grande.”

Os mercados da Argentina se estabilizaram desde que o governo Trump interveio para comprar pesos e ofereceu uma linha de crédito de US$ 20 bilhões para evitar que Milei enfrentasse uma crise cambial antes da eleição.

Os títulos em dólares do país registravam ganhos nesta sexta-feira. As notas com vencimento em 2035 subiam meio centavo de dólar, para perto de 57 centavos de dólar, de acordo com dados indicativos de preços compilados pela Bloomberg. Enquanto isso, a moeda enfraqueceu levemente em Buenos Aires em meio a negociações reduzidas.

Perdas na Argentina

Mas as lembranças das perdas acentuadas do mês passado, que se seguiram à derrota do partido de Milei na eleição de Buenos Aires, estão deixando os investidores tensos. O episódio forçou os bancos de Wall Street a desfazer apostas otimistas e abalou investidores globais que, antes, apostavam que o plano do economista libertário de cortar gastos e regulações poderia virar a pagina de uma Argentina marcada por décadas de inflação altíssima e calotes soberanos.

Isso transformou as eleições legislativas em um teste crucial sobre se Milei será capaz de continuar com sua agenda, que mostrou sucesso na redução da inflação, mas deixou eleitores descontentes devido aos cortes profundos em programas governamentais sem concretizar a prometida recuperação. Ele também enfrenta um escândalo de corrupção envolvendo seu círculo íntimo, o que minou sua imagem de reformista.

Apoio a Milei

A questão central será se Milei conseguirá manter apoio suficiente no legislativo para vetar eventuais medidas da oposição peronista para reverter sua agenda. Os investidores também estarão atentos a sinais de que o resultado o levará a adotar uma abordagem mais conciliadora em relação aos seus adversários políticos.

“O verdadeiro teste estará na estratégia pós-eleitoral de Milei”, escreveu em nota a clientes o economista Diego Pereira, do JPMorgan. Ele disse que uma narrativa de “derrota nacional” provavelmente se consolidará se Milei obtiver cerca de 31% a 32% dos votos e perder na maioria das províncias.

“Possuir um ‘terço de veto’ no Congresso não substitui as alianças necessárias para aprovar reformas macroeconômicas críticas; uma mudança de uma retórica combativa para uma governança pragmática é essencial”, afirmou Pereira.

Pedro Quintanilla-Dieck, estrategista do UBS, disse que operadores “não esperam um resultado forte” para Milei nas urnas, e estima que seu desempenho deve ficar na casa dos 30%.

Há também forte dúvida sobre se a Argentina conseguirá manter a banda de negociação atual para o peso, amplamente visto como supervalorizado. O governo gastou bilhões de dólares em compras da moeda para sustentá-la, enquanto investidores estrangeiros saíam do país e argentinos cautelosos migravam suas economias para a moeda americana, antecipando que o presidente apenas adia outra desvalorização do peso até depois das eleições.

Essas preocupações foram alimentadas por comentários do presidente dos EUA, Donald Trump, que indicou que seu governo cortaria o apoio financeiro se a agenda de Milei fosse derrotada.

Cautela

O Morgan Stanley apontou um possível cenário intermediário, no qual o partido de Milei obtém 30% a 35% dos votos. Esse resultado — não tão positivo quanto Milei com desempenho próximo dos 40% — provavelmente manteria o apoio dos EUA, embora o progresso em sua agenda possa ser lento. A mensagem do banco para os clientes: não façam apostas direcionais significativas antes da eleição.

Na Gramercy Funds Management, Belinda Hill tem adotado uma postura igualmente cautelosa.

“Não acho que ninguém consiga prever o que vai acontecer na votação”, disse Hill, gestora de portfólio do fundo sediado em West Palm Beach, na Flórida. “Estamos mais focados em entender se Milei conseguirá construir uma coalizão após a eleição e quais políticas virão a seguir, para então definirmos o posicionamento adequado.”

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Petróleo dispara após anúncio sobre possíveis novas sanções à Rússia

Extração de petróleo com várias maquinas em um céu cheio de nuvens
Foto: Getty Images

Os preços do petróleo ampliaram os ganhos após o fechamento desta quarta-feira (22), subindo mais de US$ 2 por barril, depois que o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que o país anunciaria mais sanções contra a Rússia.

Os contratos futuros do petróleo Brent saltaram US$2,44, ou 3,98%, para US$63,76, após o fechamento, e os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate dos EUA (WTI) subiram US$2,42, ou 4,23%, para US$59,66.

Os futuros do Brent haviam fechado com alta de US$1,27, ou 2,07%, a US$62,59 por barril, enquanto os futuros do petróleo West Texas Intermediate dos EUA subiram US$1,26, ou 2,20%, para US$58,50.

Bessent disse que as sanções dos EUA seriam anunciadas nesta quarta ou quinta-feira.

“Vamos anunciar após o fechamento desta tarde ou logo pela manhã de amanhã um aumento substancial nas sanções à Rússia”, disse Bessent a repórteres na Casa Branca nesta quarta-feira.

Os preços do petróleo também foram sustentados pela crescente demanda de energia dos EUA.

Os estoques de petróleo, gasolina e destilados dos EUA caíram na semana passada, com o fortalecimento da atividade de refino e da demanda, informou a Administração de Informações sobre Energia nesta quarta-feira.

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Exportações diárias de US$ 1 bilhão mostram poder da China sobre EUA

Seis meses após o início da guerra comercial do presidente dos EUA Donald Trump, a resiliência das exportações chinesas prova o quanto muitos de seus produtos continuam essenciais.

Todos os dias, cerca de US$ 1 bilhão em mercadorias atravessam o Pacífico, da China para os EUA.

Apesar das quedas de dois dígitos no valor do comércio geral durante o último semestre, alguns produtos tiveram um aumento em relação a 2024, o que desafia as tensões comerciais entre Pequim e Washington.

O resultado é que as tarifas dos EUA parecem um tanto limitadas em sua capacidade de controlar o que as empresas americanas importam.

A influência da China em setores como terras raras e produtos eletrônicos torna seus itens difíceis de serem substituídos. Pelo menos no curto prazo.

Isso pode mudar com o tempo, especialmente se Trump elevar ainda mais as tarifas, como o líder republicano tem ameaçado fazer.

“A forte posição da China nas cadeias globais de suprimento lhe dá algum poder de negociação com os importadores dos EUA no curto prazo”, escreveram os economistas da Bloomberg, Chang Shu e David Qu, que alertaram que outros países não podem substituir rapidamente a China como fornecedora dos EUA. “O realinhamento da produção levará tempo”, acrescentaram.

Poder de barganha da China

Tudo isso garante mais poder de barganha ao presidente Xi Jinping, à medida que seus negociadores comerciais querem estender uma trégua tarifária de 90 dias, que expira em novembro.

No terceiro trimestre, mais de US$ 100 bilhões em produtos chineses chegaram aos EUA, o que ajudou Pequim a manter o crescimento econômico no caminho certo para a meta anual e elevou o superávit comercial bilateral para US$ 67 bilhões.

Na terça-feira (21), Trump estimou que um próximo encontro com o colega chinês renderia um “bom acordo” sobre comércio, ao mesmo tempo em que alertava que a esperada reunião em uma cúpula na Coreia do Sul, na próxima semana, ainda poderia fracassar.

O líder dos EUA citou terras raras, fentanil e soja como as principais questões comerciais para seu lado discutir com a China.

A relação entre as duas maiores economias do mundo vai além de produtos cujo fornecimento global é dominado pela China, como ímãs para a indústria americana ou produtos para medicamentos.

Cigarros e bicicletas

Embora quase todas as 10 principais exportações para os EUA tenham caído no último trimestre em relação ao ano anterior, as remessas de cigarros eletrônicos aumentaram, de acordo com uma análise da Bloomberg sobre dados alfandegários da China.

As bicicletas elétricas também estão com forte demanda nos EUA, com empresas chinesas exportando mais de US$ 500 milhões nos três meses até setembro, um ligeiro aumento em relação ao ano anterior.

As exportações de cátodos de cobre refinado dispararam em termos de valor, e passaram de quase nada para US$ 270 milhões nos últimos três meses, enquanto os embarques de cabos elétricos subiram 87%, para US$ 405 milhões.

“Os dois lados podem reduzir a dependência um do outro, mas não pode ser reduzida a zero”, disse Zhaopeng Xing, estrategista sênior para a China no Australia & New Zealand Banking.

Rachaduras na barreira tarifária de Trump provavelmente tornam parte do comércio possível ao manter os custos baixos.

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Títulos argentinos sobem com acordo de estabilização dos EUA

O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, interveio para impulsionar os ativos argentinos mais uma vez nesta terça-feira (21), e classificou a linha de swap de US$ 20 bilhões assinada um dia antes como um acordo de “estabilização econômica”.

Em uma publicação no X, Bessent chamou o acordo com o banco central argentino de “uma ponte para um melhor futuro econômico para a Argentina, não um resgate”.

O acordo é um pilar fundamental da abordagem dos Estados Unidos para estabilizar a economia volátil e propensa a crises, já que o presidente Javier Milei se prepara para eleições legislativas neste fim de semana.

Em uma demonstração extraordinária de apoio, o governo americano interveio repetidamente no mercado à vista da Argentina para sustentar a moeda nas últimas duas semanas.

“Uma vez que a votação tenha terminado, a compra por parte do Tesouro dos EUA dominará”, disse David Austerweil, vice-gestor de carteira de mercados emergentes da VanEck, em Nova York. “Os recursos que o Tesouro dos EUA está comprometendo e já colocando em uso são muito grandes.”

Títulos argentinos

Os títulos em dólar da Argentina atingiram máximas da sessão após a publicação de Bessent no X.

As notas com vencimento em 2035 avançaram quase US$ 0,50, negociadas acima de US$ 0,57, antes de reduzir o avanço, de acordo com dados indicativos de preços compilados pela Bloomberg.

O peso, que está sob pressão desde que o partido de Milei perdeu para a oposição peronista na votação provincial, era negociado quase 0,4% mais fraco, a 1.480 por dólar.

O governo do presidente americano Donald Trump vê Milei como um aliado ideológico resoluto em uma região volátil.

“Não queremos outro Estado falido na América Latina, e uma Argentina forte e estável como boa vizinha é explicitamente do interesse estratégico dos Estados Unidos”, disse Bessent no comunicado, que não incluiu detalhes do acordo nem um valor em dólares. O Tesouro não respondeu imediatamente a um pedido de mais detalhes.

Milei encontrou-se com Trump na Casa Branca, na semana passada. Sua equipe, liderada pelo ministro argentino da Economia, Luís Caputo, passou a semana anterior em negociações em Washington com a equipe de Bessent, antes de comparecer às reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional.

Durante a reunião na Casa Branca, no entanto, Trump alertou que a assistência à Argentina dependia de um bom resultado nas eleições, preocupando os investidores de que a ajuda só chegaria após a votação de 26 de outubro.

No fim de semana, Trump defendeu a ideia de dar uma ajuda de emergência a Milei. “Eles não têm dinheiro, não têm nada, estão lutando muito para sobreviver”, disse a repórteres a bordo do Air Force One.

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Mania, pânico, esgotamento. Como o mercado da prata entrou em colapso

Por meses, Vipin Raina vinha se preparando para uma disparada nas compras de clientes indianos carregando prata para homenagear a deusa hindu da riqueza.

Mas, quando aconteceu, ele ainda ficou atônito. No início da semana passada, sua empresa, a maior refinaria de metais preciosos da Índia, ficou sem estoque de prata pela primeira vez na sua história.

“A maioria das pessoas que trabalham com prata e moedas de prata está literalmente sem estoque porque não há prata”, disse Raina, chefe de negociação da MMTC-Pamp India Pvt. “Esse tipo de mercado maluco — em que as pessoas compram a esses níveis — eu não vi em 27 anos de carreira.”

Em poucos dias, a escassez era sentida não apenas na Índia, mas no mundo todo. Aos compradores de festivais na Índia somaram-se investidores internacionais e fundos hedge entrando em metais preciosos como aposta na fragilidade do dólar — ou simplesmente seguindo a irreprimível disparada do mercado.

Clientes compram joias de prata em uma loja em Mumbai, em 17 de outubro. Foto: Dhiraj Singh/Bloomberg
Clientes compram joias de prata em uma loja em Mumbai, em 17 de outubro. Foto: Dhiraj Singh/Bloomberg

Ao fim da semana passada, a febre já havia se espalhado para o mercado de prata de Londres, onde se formam os preços globais e onde os maiores bancos do mundo compram e vendem em grandes volumes. Agora, faltava de metal disponível. Traders descrevem um mercado em colapso, em que até grandes bancos recuaram de fornecer cotações enquanto atendiam ligações repetidas de clientes gritando de frustração e exaustão.

Os preços continuaram escalando na semana seguinte e, na sexta-feira, atingiram máximas históricas acima de US$ 54 por onça, antes de despencarem subitamente até 6,7%. Para traders exaustos, a queda era apenas a indicação mais recente do estresse extremo sentido no mercado de prata — a pior crise desde que os irmãos Hunt tentaram dominar o mercado 45 anos atrás.

Este relato de como o mercado da prata “quebrou” baseia-se em conversas com mais de duas dezenas de traders, banqueiros, refinadores, investidores e outros participantes, muitos dos quais falaram sob condição de anonimato por não estarem autorizados a falar publicamente.

É a história de como uma tempestade perfeita de eventos coincidiu para drenar o colchão de estoques do mercado de prata — incluindo um boom plurianual de energia solar, uma corrida para enviar metal aos EUA para se antecipar a possíveis tarifas, uma onda de investimento em metais preciosos como parte da chamada “aposta na desvalorização” (debasement trade) e um súbito pico de demanda vindo da Índia.

Relação de 100 para 1 com o ouro

Quando traders e analistas tentam apontar a causa imediata da crise da prata em 2025, invariavelmente miram a Índia.

Durante a temporada do Diwali, centenas de milhões de devotos compram bilhões de rúpias em joias para celebrar a deusa Lakshmi. As refinarias da Ásia costumam atender a essa demanda, que tipicamente favorece o ouro. Mas, neste ano, muitos indianos recorreram a um metal precioso diferente: a prata.

A virada não foi aleatória. Por meses, influenciadores das redes sociais da Índia promoveram a ideia de que, após a alta recorde do ouro, a prata seria a próxima a disparar. O burburinho começou em abril, quando o banqueiro de investimentos e criador de conteúdo Sarthak Ahuja disse a seus quase 3 milhões de seguidores que a relação de preço de 100 para 1 entre prata e ouro fazia da prata a compra óbvia do ano.

Seu vídeo viralizou durante o Akshaya Tritiya, dia auspicioso para comprar ouro — atrás apenas do festival Dhanteras, em 18 de outubro.

“Nunca foi assim antes. A demanda por prata desta vez foi gigantesca”, disse Amit Mittal, gerente-geral da M.D. Overseas Bullion, negociante de ouro e prata em Nova Délhi.

Os prêmios da prata na Índia em relação aos preços globais — normalmente de alguns centavos por onça — começaram a subir acima de US$ 0,50 e depois acima de US$ 1, à medida que a oferta rareava.

E, justamente quando a demanda indiana disparava, a China — uma fonte-chave de oferta — fechou por um feriado de uma semana. Assim, os negociantes de ouro recorreram a Londres.

Produtos de prata em uma joalheria em Mumbai. Foto: Dhiraj Singh/Bloomberg
Produtos de prata em uma joalheria em Mumbai. Foto: Dhiraj Singh/Bloomberg

Logo descobriram que os cofres de metais preciosos da cidade estavam em grande parte esgotados. Embora os cofres que sustentam o mercado global em Londres guardem mais de US$ 36 bilhões em prata, a maior parte pertencia a investidores em ETFs.

A demanda por ETFs de prata disparou nos últimos meses, em meio a preocupações com a estabilidade do dólar, numa onda de investimento que ficou conhecida como “debasement trade”. Desde o início de 2025, investidores em ETFs aspiraram mais de 100 milhões de onças de prata, segundo dados compilados pela Bloomberg — deixando um estoque minguante disponível para atender o súbito boom de demanda indiana.

Cerca de duas semanas atrás, o JPMorgan Chase & Co. — o maior negociador de metais preciosos e fornecedor importante de ouro e prata para o mercado indiano — disse a ao menos um cliente que não tinha mais prata disponível para entregar à Índia no mês de outubro e que a oferta mais próxima seria em novembro. Um porta-voz do JPMorgan preferiu não comentar.

À medida que a febre de compras ganhava ritmo na Índia, Satish Dondapati mantinha um olhar atento sobre os estoques. Gestor da Kotak Asset Management, ele administra vários ETFs de metais preciosos, que precisam de prata física para lastrear as cotas quando entram novos investidores.

Dondapati observou, surpreso, os grandes negociantes que dominam o mercado indiano ficarem sem prata em seus cofres, enquanto os prêmios locais continuavam subindo acima das cotações internacionais.

A situação ficou tão grave que a Kotak decidiu suspender novas subscrições do seu fundo de prata. Fundos semelhantes administrados pela UTI Asset Management Co. e pelo State Bank of India fizeram o mesmo.

“Analistas e negociantes estavam emitindo chamadas otimistas sobre a prata na mídia indiana de um jeito que não se via há 14 anos”, disse ele. “O fator FOMO funcionou.”

Em outras partes do país, negociantes nos bazares de ouro mais movimentados de Mumbai passaram a cobrar preços bem acima dos referenciais internacionais, enquanto disputas de lances estouravam entre compradores ricos que se importavam mais com a disponibilidade do que com o preço.

Os prêmios dispararam acima de US$ 5 por onça, muito além do spread normal de alguns centavos. “Estou nesta empresa há 28 anos e nunca vi esse tipo de prêmio”, disse Mittal, da M.D. Overseas.

A relutância do JPMorgan em enviar mais prata para a Índia indicava que a pressão na oferta era global.

Em 9 de outubro, com o festival Dhanteras a apenas uma semana, o mercado de prata de Londres seria tomado pelo maior squeeze (falta de metal para entrega imediata) que qualquer um dos vários traders ouvidos pela Bloomberg havia visto em suas carreiras.

Pânico em Londres

Traders descreveram um pânico crescente à medida que a liquidez secava. O custo de tomar prata emprestada overnight disparou para taxas anualizadas de até 200%, segundo a consultoria Metals Focus. À medida que os grandes bancos que dominam o mercado londrino recuavam, os spreads de compra e venda ficaram tão amplos que quase inviabilizaram as negociações.

Um alto executivo bancário descreveu como os ânimos se exaltaram quando clientes que haviam tomado prata emprestada — geralmente empresas da cadeia física de suprimento, como refinadores e distribuidores — ligavam repetidamente para pedir o custo mais recente de rolagem do empréstimo. Quando seu banco já não conseguia oferecer um preço para rolar os empréstimos dos clientes, alguns começaram a gritar ao telefone, disse ele.

Em outro sinal da desorganização do mercado, um trader disse que os grandes bancos ofereciam cotações tão discrepantes que ele conseguiu comprar de um banco ao preço de venda dele e, simultaneamente, vender para outro ao preço de compra — lucrando na hora —, um sinal raro de disfunção em um mercado tão grande e competitivo.

“Há pouco ou quase nenhuma liquidez realmente disponível para leasing em Londres”, disse Robin Kolvenbach, co-CEO da refinadora suíça de metais preciosos Argor-Heraeus. “Basicamente paramos toda entrada de prata que não esteja contratualmente comprometida.”

Energia solar

Nos últimos cinco anos, a demanda por prata superou a oferta vinda de minas e de metal reciclado — em grande parte graças ao boom da indústria solar, que usa prata em células fotovoltaicas. Desde 2021, a demanda superou a oferta em um total de 678 milhões de onças, segundo o Silver Institute, com a demanda fotovoltaica mais que dobrando no período. Isso se compara a estoques totais em Londres de cerca de 1,1 bilhão de onças no início de 2021.

A tensão no mercado de prata vinha se acumulando desde o começo do ano, quando temores de que a prata fosse atingida pelas tarifas recíprocas do presidente Donald Trump levaram traders a tentar se antecipar a possíveis cobranças enviando mais de 200 milhões de onças de metal para armazéns em Nova York.

Além das retiradas por causa de tarifas, mais de 100 milhões de onças de prata fluíram para ETFs globais no ano até setembro, numa onda de demanda por metais preciosos que turbina uma alta que ajudou o ouro a superar US$ 4 mil por onça pela primeira vez na história.

Juntos, os dois movimentos drenaram as reservas de Londres, deixando perigosamente pouco metal disponível para sustentar as cerca de 250 milhões de onças que trocam de mãos no mercado londrino todos os dias. Com base em estimativas da Metals Focus, no início de outubro o estoque livre (não detido por ETFs) no mercado londrino havia caído para menos de 150 milhões de onças, menos do que o suficiente para sustentar um dia de negócios.

Por Sybilla Gross, Preeti Soni, Jack Ryan, Yvonne Yue Li e Jack Farchy

Foto da abertura: Getty Images

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Protestos anti-Trump espalham-se pelos 50 Estados americanos. Veja imagens

Protestos em Washington, DC. Foto: Bloomberg

Foram 2,7 mil manifestações contra a agenda política de Donald Trump, em atos batizados como “No Kings”, que espalharam-se pelos 50 Estados americanos, de acordo com os organizadores.

Manifestação em Chicago. Foto: Bloomberg

As manifestações em massa seguem protestos semelhantes realizados em 14 de junho, também chamados “No Kings”, organizados para coincidir com o desfile militar promovido por Trump em Washington naquele dia – em comemoração ao 250º aniversário do Exército dos EUA e ao aniversário do próprio presidente. Os organizadores estimaram que entre 4 e 6 milhões de pessoas participaram das manifestações de junho.

Marcha ‘No Kings’ em Nova York. Foto: Bloomberg

Também estão previstos protestos na Europa

O governo dos EUA está paralisado há 18 dias, enquanto democratas e republicanos no Senado continuam em impasse sobre a extensão dos subsídios de saúde — ponto de bloqueio de um projeto de gastos que permitiria reabrir o governo.

Os manifestantes buscam demonstrar oposição pública à tentativa de Trump de enviar tropas da Guarda Nacional para cidades americanas, às suas operações de imigração e aos cortes em ajuda externa e programas domésticos apoiados pelos democratas.

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Excesso de oferta de petróleo deixa um bilhão de barris parados no mar

O melhor lugar para observar a mudança em curso no mercado global de petróleo é no mar.
Mais de um bilhão de barris estão acumulados na frota mundial de petroleiros, parados no mar, segundo a consultoria Vortexa Ltd. É a maior quantidade de petróleo em armazenamento desde 2020, quando a pandemia derrubou os preços da commodity.

O fenômeno dá sustentação concreta às previsões de longa data de que a produção em alta empurraria o mercado para um excedente. Embora a China tenha mantido o excesso oculto por meses, comprando barris baratos para suas reservas estratégicas, o mercado parece finalmente ter chegado a um ponto de virada.

Cargas de petróleo cru do Oriente Médio estão começando a ficar sem compradores, e indicadores importantes apontam o fim da escassez de oferta. Os futuros internacionais caíram para o menor nível em cinco meses, próximos de US$ 60 o barril, e traders se preparam para novas quedas.

“Nos últimos 12 meses todos sabíamos que esse excedente estava chegando”, disse Ben Luckock, chefe global de petróleo da Trafigura Group, no Energy Intelligence Forum em Londres. “Acho que ele realmente está chegando agora.”

A transição para uma abundância de oferta deve trazer alívio aos consumidores após anos de inflação dos preços — e atender ao desejo persistente do presidente Donald Trump por gasolina mais barata. Mas representa uma ameaça para os produtores de xisto dos EUA e para a Arábia Saudita, que enfrenta um déficit orçamentário crescente.

A Agência Internacional de Energia (AIE) vem prevendo um excesso de oferta há mais de um ano, impulsionado por barris adicionais dos EUA, Brasil, Canadá e Guiana, superando o crescimento da demanda, que vem diminuindo à medida que a China adota veículos elétricos.

O volume projetado de excedente aumentou em abril, quando a Arábia Saudita e seus parceiros da Opep+ decidiram reativar rapidamente parte da produção ociosa, com o objetivo, segundo autoridades, de recuperar participação de mercado.

Os estoques globais vêm crescendo a um ritmo de 1,9 milhão de barris por dia neste ano, segundo a AIE — e o salto no petróleo armazenado no mar pode antecipar um acúmulo ainda maior em 2026.

“Isso se deve em grande parte à reversão acelerada dos cortes voluntários adicionais de produção acordados em 2023 por oito países da Opep+”, disse Toril Bosoni, chefe de mercado de petróleo da AIE. “Esses aumentos substanciais ocorrem em um contexto de crescimento fraco da demanda.”

Outros analistas também preveem um superávit em 2026 — o JPMorgan projeta um excedente médio de 2,3 milhões de barris/dia, e a Administração de Informação de Energia dos EUA, de 2,06 milhões.

Mesmo assim, os preços do petróleo não refletiram totalmente um excesso. Após queda inicial em abril, o Brent manteve-se resiliente, com média de US$ 70 por barril entre janeiro e setembro. Parte disso se deve ao estoque chinês, que desviou barris de centros ocidentais como Cushing (Oklahoma), e a riscos geopolíticos como o ataque de Trump às instalações nucleares do Irã.

“Na realidade, não acumulamos estoques nos principais centros ocidentais — o excesso foi todo parar na China”, disse Russell Hardy, CEO da Vitol Group, maior trader independente do mundo. “Mas a oferta aumentou na segunda metade do ano, porque a Opep tem ampliado gradualmente a produção.”

Isso começa a causar problemas: Emirados Árabes Unidos e Catar enfrentaram dificuldade para vender cargas para embarque em novembro; algumas foram negociadas tardiamente, e outras ainda não encontraram comprador.

A curva de preços também mudou. O prêmio pelos contratos de curto prazo desapareceu — o mercado passou de backwardation (escassez) para contango (excesso), quando a entrega imediata é mais barata.

Nos EUA, os estoques de petróleo cru subiram por três semanas seguidas, atingindo o nível sazonal mais alto desde 2023. Traders estão buscando capacidade de armazenamento para janeiro em Cushing, apostando em um excedente global.

A AIE prevê que, no ritmo atual, o mundo pode enfrentar em 2026 um excedente recorde de quase 4 milhões de barris por dia. Ainda assim, alguns analistas acham a projeção exagerada. A própria agência admite que o mercado pode se ajustar rapidamente.

A produção americana deve parar de crescer no próximo ano, e pode até cair pela primeira vez desde 2021, já que preços baixos reduzem a perfuração. Parte dos países da Opep+ também tem dificuldade em aumentar o bombeamento. Caso os preços desabem, Morgan Stanley prevê que o grupo pode voltar a cortar a produção.

Enquanto isso, a pressão de Trump para que a Índia reduza as compras de petróleo russo pode apertar o mercado novamente.

Traders como Gunvor e Vitol esperam uma queda de curto prazo nos preços, com a Trafigura projetando o barril na faixa dos US$ 50 em 2026 — mas uma recuperação para meados dos US$ 60 dentro de 12 meses.

“O discurso predominante está criando uma visão pessimista do mundo”, disse Ryan Lance, CEO da ConocoPhillips. “Mas, olhando o mercado físico, não vemos isso se materializar.”

Mesmo que o excedente real não atinja as proporções previstas — algo provável, segundo a AIE —, a mudança de ciclo é clara.

“Estamos entrando em um mercado diferente”, disse Torbjorn Tornqvist, CEO da Gunvor Group. “Já ouvimos isso antes, e muita gente se deu mal. Mas desta vez, neste estágio, acho que há mais fundamento na narrativa de excesso de oferta.”

Por Grant Smith, Yongchang Chin, Archie Hunter e Mia Gindis
Foto: Stephen Swintek/Getty Imges

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Vendas globais de veículos elétricos batem recorde em setembro a 2,1 milhões

As vendas globais de veículos elétricos e híbridos plug-in aumentaram 26% em setembro em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 2,1 milhões de unidades, impulsionadas pela forte demanda na China e por uma corrida tardia por incentivos fiscais nos Estados Unidos, segundo dados da empresa de pesquisa de mercado Rho Motion divulgados nesta quarta-feira.

A China foi responsável por cerca de dois terços das vendas globais, com cerca de 1,3 milhão de unidades, enquanto a América do Norte também atingiu um recorde, com norte-americanos correndo para garantir incentivos antes que expirassem, disse o gerente de dados da Rho Motion, Charles Lester.

A China é o maior mercado de automóveis do mundo e responde por mais da metade das vendas globais de veículos eletrificados, que nos dados da Rho Motion incluem veículos elétricos e híbridos plug-in.

A Europa também atingiu um novo recorde, ajudada pelos incentivos na Alemanha e pela forte demanda no Reino Unido. O lançamento de uma versão mais barata do Model Y, da Tesla, no continente deve intensificar ainda mais a concorrência nos próximos meses.

As vendas globais de veículos elétricos e híbridos plug-in aumentaram 26%, atingindo um recorde de 2,1 milhões de unidades em setembro, segundo dados da Rho Motion.

As vendas na Europa aumentaram 36%, para 427.541 unidades, enquanto as vendas na América do Norte aumentaram 66%, para cerca de 215.000. As vendas no resto do mundo aumentaram 48%, chegando a 153.594 veículos.

No Brasil, maior mercado sul-americano e um dos 10 maiores do mundo, a associação de montadoras Anfavea afirmou este mês que as vendas de veículos elétricos e híbridos novos em setembro somaram 27,1 mil unidades, acumulando no ano até o final do mês passado 191,8 mil.

“Com o fim do incentivo federal, espera-se que a demanda dos EUA caia drasticamente no último trimestre do ano”, disse Lester.

Algumas montadoras, como General Motors e Hyundai, estão tentando amenizar o impacto oferecendo descontos ou aproveitando estoques de concessionárias, mas a produção geral está sendo reduzida, acrescentou.

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Brasil pode se tornar o contraponto à China no mercado global de terras raras

Em 1967, um helicóptero da United States Steel, que transportava uma equipe de geólogos, fez uma descoberta acidental após pousar em uma área remota da Floresta Amazônica: um gigantesco depósito de minério de ferro que se tornaria Carajás, uma das regiões minerais mais ricas do mundo.

O cenário atual pode parecer menos com um roteiro de filme, mas uma parceria de mineração semelhante entre os Estados Unidos e o Brasil pode tomar forma novamente — desta vez em torno dos minerais essenciais que estão agitando a geopolítica moderna. 

Enquanto os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva buscam apaziguar suas ruidosas diferenças, o desenvolvimento de metais estratégicos — particularmente as terras raras — se destaca como uma área incomum de interesse compartilhado.

Domínio chinês usado como arma

A iniciativa da China de usar seu domínio na cadeia de suprimentos de terras raras como uma arma em resposta às tarifas impostas por Washington — ampliando as restrições às exportações de componentes vitais para vários setores, de semicondutores a sistemas de defesa — abriu as portas para potenciais produtores, incluindo o Brasil, a Austrália e a Índia.

Embora os EUA tenham um plano ambicioso — e nada convencional — para reconstruir sua própria indústria de mineração, Washington precisará de toda a ajuda possível se quiser desafiar o domínio quase total da China. É aí que entra o Brasil: já uma potência na mineração, geograficamente próximo aos EUA e detentor das maiores reservas de terras raras do mundo, depois da nação asiática.

Brasília tem falado sobre uma estratégia para minerais críticos há décadas, com pouco resultado. Uma aliança estratégica com os EUA, o maior investidor estrangeiro do país, poderia finalmente garantir o momentum — por meio de joint ventures, acordos de compra, financiamento ou acordos estratégicos. Além de alguns poucos esforços existentes, a questão provavelmente ganhará destaque quando o Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se encontrar com seu colega Marco Rubio em Washington nesta semana, preparando o cenário para o primeiro diálogo bilateral entre Trump e Lula.

Oportunidade de negócio

O presidente brasileiro poderia usar a carta das terras raras como moeda de troca para suspender as altas tarifas de 50% de Trump, anunciadas em julho, aproveitando o renovado apetite do presidente por negócios com o Brasil. Seria um acordo que ambos os lados poderiam vender como uma vitória, especialmente dadas as implicações para a segurança nacional dos EUA. Mas o líder de esquerda terá que agir com cautela: seu Partido dos Trabalhadores, nacionalista, sempre desconfiado de qualquer indício real ou imaginário de imperialismo, não tolerará nenhum arranjo exploratório semelhante ao que muitos viram no acordo anterior de Trump com a Ucrânia.

Para amenizar esses temores, Lula poderia pressionar pelo desenvolvimento da capacidade nacional de refino e produção de ímãs, uma ideia alinhada às ambições da política industrial de seu governo e que teria sido cogitada pelo governo Biden antes do retorno de Trump ao poder. Lula poderia retomá-la agora.

Para os EUA, qualquer cadeia de suprimentos adicional que desafie o domínio da China é uma vitória — mesmo que se desenvolva no exterior. Além disso, ajudaria a contrabalançar o relacionamento do Brasil com Pequim, já seu principal parceiro comercial e destino da maior parte de seus minérios e commodities.

Ao mesmo tempo, a colaboração com os EUA poderia dar ao Brasil os incentivos e a massa crítica necessários para que sua indústria de terras raras finalmente decole. Apesar de todas as suas enormes reservas e muitos projetos promissores, a produção de terras raras do Brasil permanece próxima de zero.

Vantagens ao capital estrangeiro

“Estamos atrasados ​​em um negócio que tem um conflito de grandes proporções. A China está fechando seu mercado e os EUA estão investindo forte no seu país”, disse Fernando Landgraf, especialista em minerais críticos e professor da Universidade de São Paulo. “Seria muito interessante se os EUA tenham interesse ​​em uma joint venture de refino de terras raras no Brasil, agregando mais valor aqui.”

O Brasil também oferece uma vantagem fundamental para os investidores dos EUA: apesar de sua burocracia e regulamentação rigorosa, continua sendo um destino aberto ao capital estrangeiro, inclusive em setores estratégicos.

Subsidiárias brasileiras de empresas americanas podem até se qualificar para financiamento do banco nacional do desenvolvimento, o BNDES, que atualmente analisa o apoio a 56 projetos com foco em minerais estratégicos. O sucesso da maior economia da América Latina no desenvolvimento de outros metais essenciais para a transição energética (incluindo níquel, cobre, grafite e lítio) reforça ainda mais suas credenciais.

Diplomacia mineral

E há também o nióbio: o Brasil responde por cerca de 90% da produção global, essencial para ligas de aço mais resistentes e leves, usadas em tudo, de turbinas a smartphones. Uma única empresa privada brasileira, a CBMM — controlada pela família Moreira Salles — domina a produção de nióbio após décadas de construção de uma nova cadeia de suprimentos, confirmando o enorme potencial do país nestes setores. Em 2011, um grupo chinês e um consórcio nipo-sul-coreano compraram uma participação de 15% cada um na CBMM, posicionando-se estrategicamente anos à frente de qualquer concorrente dos EUA.

É claro que a diplomacia mineral é apenas um dos vários tópicos esperados na agenda bilateral, muitos deles controversos, incluindo a situação na Venezuela, a expansão dos BRICS, a turbulência no Haiti, a postura dura de Brasília contra as big techs e o etanol.

Contudo, a oportunidade está aí. Trump e Lula não a aproveitarão por afinidade ideológica. Mas podem simplesmente aproveitá-la porque faz todo o sentido comercial e estratégico.

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Trump escala guerra comercial com a China: agora o alvo é o óleo de cozinha

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que pode suspender o comércio de óleo de cozinha com a China, reacendendo as tensões entre as duas maiores economias do planeta.

Trump apresentou a possível medida como retaliação à decisão de Pequim de interromper a compra de soja americana, o que ele classificou como um “ato economicamente hostil” que estaria “causando dificuldades aos nossos produtores de soja”.

“Estamos considerando encerrar os negócios com a China envolvendo óleo de cozinha e outros elementos do comércio, como forma de retaliação. Podemos facilmente produzir nosso próprio óleo de cozinha; não precisamos comprá-lo da China”, escreveu Trump em rede social.

As declarações levaram o índice S&P 500 a virar para o campo negativo, anulando ganhos anteriores, e reacenderam o temor de uma nova escalada comercial com a China. Horas antes, tanto o presidente quanto o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, haviam sinalizado confiança de que as tensões seriam amenizadas com as negociações em andamento.

As ações das tradings agrícolas Archer-Daniels-Midland (ADM) e Bunge Global subiram após o anúncio, revertendo perdas do início do pregão.

Impacto

Cortar o comércio de óleo de cozinha com a China poderia ter efeitos amplos sobre o agronegócio americano e sobre o mercado de energia. O óleo usado — assim como a soja — é uma das matérias-primas para a produção de biocombustíveis, como o diesel renovável.

O governo Trump já vinha reduzindo incentivos à importação de óleo usado estrangeiro, especialmente da China, cujas exportações para os EUA atingiram um recorde histórico em 2024, segundo o Departamento de Agricultura americano.

Retaliações

Os eventos desta terça-feira reforçam o vai e vem diplomático que tem marcado a relação entre Washington e Pequim desde o retorno de Trump à Casa Branca — um movimento que mantém investidores em alerta quanto ao risco de uma nova guerra comercial.

Mais cedo, o representante comercial Jamieson Greer havia dito que as conversas tarifárias continuavam abertas, e que autoridades de alto escalão dos dois países se reuniram na segunda-feira. Ele confirmou que Trump e o presidente chinês Xi Jinping ainda têm uma “reunião programada” para o fim do mês.

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Enquanto o Brasil vive um dos períodos mais fortes das exportações de soja, os EUA estão colhendo uma safra recorde, mas sem o principal cliente: a China. #China #EUA #soja

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Trump também demonstrou cauteloso otimismo: “Temos uma relação justa com a China e acho que ficará tudo bem. E, se não ficar, tudo bem também”, afirmou a jornalistas na Casa Branca. “Estamos trocando muitos golpes, e temos sido muito bem-sucedidos.”

Essas falas ajudaram a acalmar parte do mercado, que havia reagido negativamente após Pequim sancionar filiais americanas de um grupo naval sul-coreano e ameaçar novas medidas contra o setor — o mais recente episódio da retaliação mútua entre os dois países.

Commodities no centro

Tanto os EUA quanto a China vêm buscando ganhar vantagem nas negociações impondo restrições a exportações de minérios de terras-raras e semicondutores — insumos centrais na disputa tecnológica e comercial entre as duas potências.

Em resposta às novas medidas chinesas, Trump ameaçou aplicar uma tarifa adicional de 100% sobre produtos chineses até 1º de novembro, e também levantou a possibilidade de cancelar o encontro com Xi Jinping durante a cúpula da APEC, marcada para acontecer na Coreia do Sul.

“Se essa reunião vai acontecer ou não, não quero me comprometer nem da nossa parte nem da parte deles. Mas acho que faz sentido manter o diálogo quando possível”, disse Greer.

O representante comercial acrescentou que a decisão de impor a tarifa de 100% “depende muito do que a China fizer”.
Mais cedo neste ano, os dois países haviam estabelecido uma trégua tarifária, após os impostos americanos sobre produtos chineses chegarem a até 145%. O acordo, contudo, expira em 10 de novembro.

“Nosso acordo era: manteremos tarifas baixas se vocês continuarem enviando terras-raras. Agora eles dizem que vão restringir mais esses materiais e seus derivados. Então, faz sentido que possamos aumentar as tarifas também”, afirmou Greer.

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Trump condiciona socorro bilionário à vitória de Milei na Argentina: ‘Se ele perder, estamos fora’

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (14) que o pacote de US$ 20 bilhões que seu governo prepara para socorrer a Argentina está vinculado à vitória do presidente Javier Milei nas eleições legislativas marcadas para o fim do mês.

“Se ele perder, não seremos generosos com a Argentina. Se não vencer, estamos fora”, disse Trump, em reunião com Milei na Casa Branca, em tom que reforçou a aliança política entre os dois líderes.

O encontro aconteceu poucos dias depois de Washington anunciar a compra de pesos argentinos e o fechamento do acordo de swap cambial — uma linha de liquidez emergencial com o Banco Central da Argentina —, destinada a estabilizar o mercado e evitar uma nova crise cambial no país.

As eleições parlamentares de 26 de outubro são vistas como um plebiscito sobre a política de choque liberal de Milei, que tenta ampliar sua base no Congresso, onde seu partido A Liberdade Avança detém menos de 15% das cadeiras.

Mercado cético 

Após as declarações, as taxas de juros de curto prazo do peso voltaram à casa dos três dígitos, refletindo a ausência de intervenção cambial tanto dos EUA quanto da Argentina pelo segundo dia consecutivo. A taxa de recompra overnight colateralizada — conhecida como caución — saltou de 77,5% para 115%, enquanto o peso argentino caiu quase 1%, para 1.360 por dólar.

Os títulos soberanos recuaram ao longo de toda a curva, com os bonds em dólar com vencimento em 2035 perdendo 2,4 centavos por dólar, negociados a US$ 0,57 — a maior queda desde 30 de setembro.

Para analistas, a ofensiva americana pouco ajudou Milei junto ao eleitorado. “Condicionar o apoio do governo dos EUA a uma vitória de Milei de forma explícita pode, na verdade, ser um golpe político para a campanha dos libertários”, avaliou Ramiro Blázquez, estrategista da StoneX, em Buenos Aires.

A avaliação dominante no mercado é que o desempenho do partido A Liberdade Avança será o verdadeiro termômetro do risco argentino. Uma votação entre 35% e 40% nas eleições legislativas seria vista como vitória simbólica e daria fôlego ao governo.

Mas qualquer resultado abaixo de 30%, alertam operadores, deve provocar uma nova onda de vendas nos ativos argentinos.

Alinhamento político

Trump exaltou Milei como um “líder MAGA de verdade” — em referência ao slogan Make America Great Again — e disse que o pacote “serve para apoiar uma boa filosofia econômica, onde a Argentina possa voltar a ser bem-sucedida”.

Fontes da Casa Branca disseram que o apoio americano não é apenas financeiro, mas também estratégico: uma tentativa de reforçar laços ideológicos na região e contrabalançar a influência da China na América do Sul.

“É melhor construir pontes econômicas com aliados do que ter de atirar em barcos de traficantes”, ironizou o secretário do Tesouro, Scott Bessent, em referência a recentes operações militares contra embarcações venezuelanas.

A fala veio no mesmo dia em que o governo americano anunciou a quinta operação naval contra supostos barcos de narcotráfico na região do Caribe.

Suspense

Para Milei, o acordo já ajudou a conter a queda do peso e a interromper uma corrida cambial que ameaçava se transformar em nova crise. O pacote — um dos maiores acordos bilaterais entre EUA e Argentina desde os anos 1990 — também ocorre no momento em que Milei tenta consolidar sua imagem de aliado incondicional de Trump.

O pacote americano inclui swap cambial, linhas de crédito e liquidez direta para o Banco Central argentino, totalizando US$ 20 bilhões, e vem sendo negociado há meses entre o ministro da Economia Luis Caputo e o Tesouro americano.

A iniciativa também é vista como um teste da influência de Washington na região, diante da crescente presença econômica da China e de bancos asiáticos em operações de resgate financeiro na América do Sul.

(Com informações da Bloomberg e do The Wall Street Journal)

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Produção global de petróleo caminha para oferta recorde em 2026

O excesso de oferta de petróleo será maior do que o estimado. E esse excesso já está começando a se acumular em navios-tanque, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

A oferta mundial de petróleo excederá a demanda em quase 4 milhões de barris por dia no próximo ano, um nível sem precedentes em termos anuais, afirmou a AIE em seu último relatório mensal.

O excedente previsto é cerca de 18% superior à estimativa do mês passado, à medida que a aliança OPEP+ continua a reativar a produção e as perspectivas para os rivais do grupo em 2026 se fortalecem.

Embora os estoques tenham se acumulado a um ritmo acelerado de 1,9 milhão de barris por dia este ano, seu impacto sobre os preços foi mitigado pela China, que adquiriu a maior parte, de acordo com o relatório.

Isso está começando a mudar com o aumento nas exportações do Oriente Médio, que eleva o volume de petróleo ao nível mais alto em anos, informou a agência.

“Olhando para o futuro, enquanto os volumes significativos de petróleo bruto em águas fluviais se deslocam para grandes polos petrolíferos, os estoques de petróleo bruto parecem prontos para aumentar”, afirmou a agência, com sede em Paris.

A agência reduziu ligeiramente as estimativas de crescimento do consumo para este ano e aumentou as estimativas de oferta de países não pertencentes à OPEP para este e o próximo ano.

O superávit está aumentando com o crescimento da demanda na China, enquanto a aliança OPEP+ retoma a produção interrompida e os rivais do grupo nas Américas continuam a se expandir rapidamente.

Os contratos futuros do petróleo bruto estão sendo negociados perto de US$ 63 o barril em Londres, queda de 15% no ano.

Embora empresas de Wall Street, incluindo Goldman Sachs e JPMorgan Chase, prevejam perdas adicionais, o mercado até agora foi poupado da queda que alguns previram, quando a Arábia Saudita e seus parceiros começaram a abrir as torneiras no início deste ano.

Isso se deve ao fato de grande parte do excesso de oferta ter ocorrido na forma de líquidos de gás natural, usados ​​como matéria-prima petroquímica, em vez de petróleo bruto, informa o relatório da AIE.

O mercado para esses e outros derivados de petróleo pode obter suporte no futuro devido à perda de suprimentos da Rússia, às próximas restrições da União Europeia ao uso de matérias-primas russas e aos recentes fechamentos de refinarias, acrescentou a agência.

A demanda global por petróleo deve aumentar em 700.000 barris por dia neste ano e no próximo, muito abaixo das tendências históricas, com tarifas comerciais obscurecem o cenário macroeconômico e a mudança para veículos elétricos ganha força.

Brasil entre os líderes

Ao mesmo tempo, a oferta de fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e seus parceiros crescerá quase o dobro desse valor, liderada pelos EUA, Brasil, Canadá, Guiana e Argentina.

A oferta de países fora da OPEP+ aumentará em 1,2 milhão de barris por dia no próximo ano, um aumento de cerca de 200.000 por dia em relação à estimativa da AIE no mês passado.

Os principais países da OPEP+ continuam a retomar a produção interrompida, em uma aparente tentativa de recuperar sua fatia dos mercados globais de petróleo. A produção da aliança aumentou em quase 1 milhão de barris por dia em setembro, com a Arábia Saudita liderando os membros na conclusão da retomada da primeira parcela do fornecimento, informou a AIE.

A estimativa da AIE para o excesso de oferta em 2026 seria a maior da história em um ano.

Preços em queda

O superávit na produção de petróleo começa a derrubar os preços do petróleo.

“Há muito mais petróleo chegando ao mercado em um momento em que não há demanda adicional por ele”, disse Torbjorn Tornqvist, CEO do Gunvor Group, uma das maiores tradings de energia do mundo.

Na semana passada, o petróleo bruto nos EUA ficou abaixo de US$ 60 o barril pela primeira vez desde maio.

Tornqvist afirmou que a geopolítica está gerando prêmios menores no preço do petróleo, à medida que as tensões nos principais países produtores do Oriente Médio começam a diminuir.

Essa dinâmica de preços afeta os projetos que a Gunvor está disposta a financiar. “A incerteza geralmente significa que é preciso ter um pouco mais de cuidado com o risco que se está assumindo”, afirmou Tornqvist.

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Trump e Xi Jinping geram novo impasse e colocam economia global em risco

O último confronto direto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o líder chinês Xi Jinping chegou a um impasse nesta segunda-feira (13). Ambos os países alegaram que agora cabe ao outro dar o primeiro passo.

Depois que Trump sinalizou abertura para fechar um acordo com Pequim, o vice-presidente americano JD Vance declarou que o resultado “dependeria de como os chineses responderiam”.

Horas depois, o Ministério das Relações Exteriores da China deixou claro que Pequim seguiria as indicações dos próximos passos de Washington, depois de já ter desencadeado o que considerou ações retaliatórias.

“Se os EUA continuarem no caminho errado, a China tomará firmemente as medidas necessárias para salvaguardar os seus direitos e interesses legítimos”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, em coletiva de imprensa regular em Pequim. As autoridades chinesas ainda não retaliaram à ameaça de Trump de impor tarifas de 100% sobre as recentes restrições às terras raras, já que as taxas não estão formalmente incluídas na política.

Reunião com Trump

Os mercados da China mostraram resiliência à turbulência. O índice de referência CSI 300 para ações onshore encerrou a segunda-feira com queda de 0,5%, sugerindo que os investidores veem as tensões renovadas como uma postura estratégica.

Os futuros indicam que as ações dos EUA também devem recuperar algumas perdas da venda de sexta-feira, depois que Trump suavizou o tom.

Analistas, como os da Nomura Holdings, disseram que as maiores economias do mundo poderiam cancelar a reunião de líderes neste mês na Coreia do Sul.

Ressaltando esse ponto, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, disse acreditar que a reunião entre Trump e Xi ainda vai acontecer. Enquanto isso, ele esperava reuniões entre as equipes americanas e da China esta semana, juntamente com medidas do governo Trump para mobilizar os aliados dos EUA para pressionar Pequim.

Por sua vez, as autoridades chinesas disseram que poderia haver “isenções” para suas restrições radicais às terras raras, a fim de facilitar o comércio.

A questão agora é qual lado cederá primeiro.

“Embora seja difícil indicar quem exatamente tem mais influência, o que é bastante claro é que o setor de exportação da China pode suportar tarifas dos EUA de cerca de 50%”, disse Christopher Beddor, vice-diretor de pesquisa para a China da Gavekal Dragonomics.

“Pequim se importa se as tarifas ultrapassarem 100%, mas enquanto esse cenário não se concretizar, as tarifas serão uma prioridade menor”, acrescentou. “As medidas sobre terras raras visam extrair concessões dos EUA nos controles de exportação de tecnologia, mas também não é do interesse de nenhum dos lados inviabilizar completamente as negociações.”

Exportações da China

Dados comerciais divulgados nesta segunda mostraram que as remessas da China para o exterior cresceram ao ritmo mais rápido em seis meses, atenuando o impacto de qualquer aumento de tarifas dos EUA. Trump tem outras ferramentas para infligir dor: ele já ameaçou impedir o acesso de Pequim a peças de jato e parar de vender software essencial à China.

Bessent, em entrevista à Fox Business, disse que espera se reunir com o colega, o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng, “na Ásia” antes da reunião entre Trump e Xi. No mês passado, antes da atual polêmica, ele havia indicado Frankfurt para a próxima rodada de negociações que visa estender a trégua de 90 dias, que expira no início de novembro. As conversas provavelmente estabelecerão as bases para concessões que resolvam o recente conflito.

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