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Cosan prevê venda de participação no terminal Porto São Luís por R$ 300 milhões

A Cosan formalizou uma carta de intenções para a venda da totalidade de sua participação no Terminal Porto São Luís (TUP São Luís), pelo preço indicativo de R$ 300 milhões.

Segundo a holding de Rubens Ometto, em fato relevante ao mercado na noite de quinta-feira (13), a proposta prevê um período de exclusividade para a negociação e celebração dos documentos definitivos.

Além do valor principal, a Cosan pode receber um valor correspondente ao earn-out — mecanismo de pagamento adicional vinculado a resultados futuros — referente a potenciais novos berços de atracação de navios implantados ou a serem implantados no TUP São Luís até 2035, além do berço principal, no valor indicativo de R$ 50 milhões para cada um.

Os valores serão corrigidos pela variação acumulada do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desde a aceitação da proposta até as respectivas datas de pagamento.

A conclusão da transação está sujeita a condições precedentes usuais para esse tipo de operação, bem como à negociação dos documentos definitivos. O comunicado foi assinado por Rafael Bergman, vice-presidente financeiro e de relações com investidores da companhia.

A Cosan, acionista de empresas como Raízen, Compass e Moove, tem avançado com um plano de venda de ativos para reduzir a sua dívida, que estava em R$ 11,47 bilhões ao fim de março (dado mais recente disponível).

Neste mês, a Cosan adiou em um mês o prazo para receber as propostas vinculantes pela sua fatia de 20,3% na operadora de ferrovias Rumo, avaliada em R$ 5,3 bilhões, conforme revelou o InvestNews.

O objetivo foi passar mais visibilidade aos interessados sobre os números da companhia após a divulgação dos resultados do segundo trimestre.

As propostas definitivas, antes previstas para o início do mês, deverão ser recebidas após o feriado de 7 de setembro, com Cofco e Bunge entre os principais interessados na aquisição.

Disclaimer: Este texto foi escrito por um agente de inteligência artificial a partir de informações oficiais e de bases de dados confiáveis selecionadas pelo InvestNews. O trabalho foi revisado pela equipe de jornalistas do IN antes de sua publicação.

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JHSF vira uma companhia de renda recorrente três anos antes do previsto

cidade jardim jhsf

Em 2024, a JHSF havia estabelecido a meta de fazer com que dois terços da geração de resultado viessem dos negócios de renda recorrente. O prazo para essa transformação era de cinco anos.  “A companhia atingiu em dois anos o que a gente esperava que aconteceria em cinco anos”, diz Augusto Martins, CEO da JHSF, […]

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Lucro do Nubank sobe 49% no segundo trimestre, para US$ 1,06 bilhão

O Nubank, alcançou pela primeira vez na história a marca de US$ 1 bilhão em lucro neste segundo trimestre, com a queda dos custos de crédito em relação aos três meses anteriores e um avanço de 37% da carteira de crédito.

O lucro líquido foi de US$ 1,06 bilhão, alta de 49% em relação ao mesmo período do ano anterior, excluindo variações cambiais, e ficou acima de todas as estimativas dos analistas consultados pela Bloomberg. Os custos de crédito chegaram a US$ 1,7 bilhão, ante US$ 1,1 bilhão um ano antes.

“Estamos bastante confiantes de que conseguiremos manter a margem financeira líquida ajustada ao risco em um patamar semelhante ao atual, em torno de 12%”, disse Rob Livingston, novo diretor financeiro da fintech, em entrevista antes da divulgação dos resultados.

O Nubank atravessa uma piora do ciclo de crédito no Brasil enquanto acelera a expansão em produtos centrais, como cartões de crédito e empréstimos pessoais.

A companhia sempre concede crédito como se a economia estivesse prestes a entrar em recessão, disse Livingston, e vem usando modelos baseados em inteligência artificial para avaliar melhor a capacidade de pagamento de cada cliente.

No primeiro trimestre, essa fórmula produziu resultados que decepcionaram os investidores, e as ações caíram 5,7% depois que os números mostraram provisões mais elevadas.

Também pesou sobre o sentimento dos investidores o fato de alguns investimentos da empresa ainda não terem dado retorno, como a aposta em inteligência artificial e a expansão internacional.

Autorizado a operar como banco no México em julho, o Nubank agora poderá lançar mais tipos de produtos na segunda maior economia da América Latina, o que deve acelerar seu crescimento no país, disse o CFO, embora o lucro avance de forma mais gradual.

As despesas operacionais do segundo trimestre foram de US$ 806,2 milhões, ante US$ 548,1 milhões um ano antes, segundo a empresa. O índice de eficiência, que mede quanto um banco gasta para gerar receita, melhorou 1,8 ponto percentual em relação ao ano anterior, para 19,5%, mas piorou na comparação com o trimestre anterior devido aos gastos com marketing e à expansão internacional.

O Nubank afirmou que o indicador deve ficar próximo de 20% no ano, refletindo as políticas de retorno ao escritório iniciadas no começo de julho e sua expansão nos Estados Unidos.

A empresa havia dito anteriormente que essa expansão reduziria o índice de eficiência em menos de 100 pontos-base neste ano e no próximo.

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Sua empresa paga dividendos aos sócios? A Receita Federal quer saber quanto – e todo mês

Desde o início deste ano de 2026, se você recebe dividendos acima de R$ 50 mil por mês de sua empresa, está na mira do Leão: precisa pagar Imposto de Renda de 10% sobre esses valores.

Mas, pelo jeito, muita gente não estava sabendo bem como fazer isso acontecer – e o Fisco decidiu “botar os pingos nos is”.

A Receita Federal publicou, na última semana, uma espécie de manual de orientações sobre como empresas devem prestar contas sobre os dividendos que pagam aos sócios.

Quer dizer, embora o IR seja cobrado da pessoa física que recebe os ganhos, ele é retido na fonte. Isso significa que é a sua empresa – caso pague dividendos – que precisa fazer o cálculo, registrar e recolher o tributo.

Com um detalhe: o interesse da Receita é garantir que dividendos acima de R$ 50 mil por mês efetivamente paguem imposto. Mas a obrigação de prestar as informações ao Fisco existe mesmo quando não há IR a recolher – ou seja, quando o lucro distribuído fica abaixo do teto mensal.

A nova rotina dos dividendos

Para começo de conversa: não mudou nada na obrigação de pagar IR quando os dividendos recebidos ultrapassam o teto mensal.

O que está rolando agora é só um detalhamento do “como fazer “. “É a operacionalização técnica da regra”, diz Jean Lucas Paiva Athayde Coelho, sócio da Consult Seven.

Isso inclui desde o registro dos dividendos isentos e tributáveis no EFD-Reinf (sistema usado para prestar informações sobre retenções de tributos federais) e o envio das informações ao DCTFWeb (que consolida os impostos federais que as empresas têm a pagar e os créditos que podem receber) até o tratamento de distribuições fracionadas no mesmo mês.

Na prática, será uma nova rotina que você, como empresário – e seu contador, é claro -, precisará incorporar.

E o ponto mais importante é que você, como empresário, deve registrar a quantia integral de dividendos distribuída ao sócio, inclusive quando o valor não demandar retenção de IR, como reforça Charles Gularte, sócio-diretor da Contabilizei.

O limite de R$ 50 mil é analisado por beneficiário e considera a soma dos pagamentos feitos ao mesmo sócio no mês. Imagine que sua empresa faça três distribuições a você como sócio:

  • R$ 20 mil no dia 5;
  • R$ 20 mil no dia 15;
  • R$ 20 mil no dia 25.

Não adianta olhar cada pagamento isoladamente. Juntos, eles somam R$ 60 mil no mês, acima do limite – e, por isso, vai existir um imposto a recolher. Segundo os especialistas ouvidos pelo Descomplica PJ, sua empresa precisa informar à Receita sempre o valor total.

Com um detalhe: quando os dividendos ultrapassam o teto mensal, a distribuição inteira é tributada em 10%, e não apenas o valor que excede o limite, frisa Gularte. No exemplo, portanto, a alíquota seria aplicada sobre R$ 60 mil (e não R$ 10 mil).

Essa informação também permite à Receita cruzar os dados enviados pela empresa com as informações do Imposto de Renda da pessoa física.

Passo a passo

Resumidamente, o fluxo que as empresas precisam seguir para ficar em dia com a Receita Federal é assim:

  • A EFD-Reinf informa que houve um pagamento de dividendos;
  • A DCTFWeb recebe a informação e formaliza que existe um débito;
  • Se houver imposto a recolher, a empresa emite o DARF e faz o pagamento.

O primeiro passo é informar os valores que sua empresa pagou aos sócios na EFD-Reinf. Lá, a distribuição de lucros deve ser informada por meio do evento R-4010. Pense nisso como o registro em que a empresa informa à Receita Federal que fez um determinado pagamento a uma pessoa física – no caso, ao sócio. Ali dentro, será preciso:

  • Identificar o sócio, pelo CPF;
  • Informar a natureza do rendimento, usando o código 12001, de lucros e dividendos;
  • Registrar a data do pagamento;
  • Preencher o campo vlrRendBruto, com o valor total dos dividendos pagos ao sócio no mês;
  • Preencher o campo vlrRendTrib, com o valor tributável, quando o valor total dos dividendos superar R$ 50 mil no mês;
  • Preencher o campo vlrIR, com o valor do Imposto de Renda (10% sobre o valor tributável) quando houver retenção;
  • Transmitir o fechamento da EFD-Reinf usando o evento R-4099.

Voltando ao exemplo da reportagem, em que você, como sócio, recebe três pagamentos de dividendos de R$ 20 mil em um mesmo mês, os campos da EFD-Reinf deveriam ser preenchidos assim, segundo Coelho:

  • vlrRendBruto: R$ 60 mil (valor total dos dividendos pagos ao sócio no mês);
  • vlrRendTrib: R$ 60 mil (pois o valor total dos dividendos superou R$ 50 mil no mês e o valor tributável é a soma deles);
  • vlrIR: R$ 6 mil (valor do Imposto de Renda, de 10% sobre o valor tributável).

E depois?

Depois que a empresa transmite a EFD-Reinf, os valores apurados são encaminhados automaticamente para a DCTFWeb. É nessa etapa que a empresa “confessa” o débito fiscal – ou seja, reconhece que tem um imposto a pagar.

Você, como empresário, deve conferir se os valores chegaram corretamente à DCTFWeb antes de transmitir a declaração. É importante checar os códigos de receita que estiverem informados, porque eles mudam de acordo com o perfil do sócio que recebeu o pagamento de dividendos. São dois códigos:

  • 1841-01, se o pagamento foi para um sócio residente no Brasil;
  • 1841-02, se o pagamento foi para um sócio residente fora do país.

Daí, é só a empresa fazer o pagamento por meio de um DARF, o “boleto” dos impostos federais. Ele pode ser emitido pelo próprio sistema DCTFWeb ou pelo Sicalc.

Para sócios residentes no Brasil, a regra é quitar o DARF até o dia 20 do mês seguinte ao pagamento dos dividendos. Se o sócio mora fora, o IR precisa ser recolhido no mesmo dia da remessa dos dividendos ao exterior.

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Nubank lucra mais de US$ 1 bilhão (pela primeira vez em um trimestre) e ROE atinge 33%

Em meio às preocupações em relação à qualidade dos ativos, diante do cenário de juros em alta, o Nubank fechou o segundo trimestre de 2026 com resultado recorde na linha de lucro e no retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), ao mesmo tempo em que registrou forte expansão em sua margem financeira líquida ajustada ao […]

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Concorrente de JBS e MBRF, Tyson fecha mais frigoríficos nos EUA com escassez de gado

A Tyson Foods vai fechar mais unidades de processamento de carne bovina nos Estados Unidos, em mais um movimento de reestruturação da indústria frigorífica americana diante da prolongada escassez de gado no país. A pressão também atinge concorrentes como as brasileiras JBS e MBRF, dona da National Beef nos EUA.

A companhia vai encerrar as operações da planta de Joslin, em Illinois, e de uma unidade de cortes e embalagens de carne bovina em Utah. Já a fábrica de Pasco, no estado de Washington, será colocada à venda. A produção das unidades afetadas será absorvida por outras plantas da Tyson.

Em comunicado, a empresa afirmou que as mudanças buscam tornar sua operação mais competitiva diante do que classificou como uma das mais severas escassezes de gado já enfrentadas pelos Estados Unidos.

A Tyson já vinha reduzindo capacidade, mas as medidas fizeram pouco para compensar as fortes perdas operacionais, em um momento em que os frigoríficos continuam pagando preços elevados pela oferta restrita de animais.

Na semana passada, a empresa reduziu sua projeção de lucro anual e passou a prever perdas operacionais ajustadas maiores no negócio de carne bovina.

Com as mudanças, a Tyson pretende concentrar sua operação de bovinos em três plantas, localizadas em Nebraska, Kansas e Texas. A unidade de Amarillo, no Texas, que havia passado a operar em apenas um turno, voltará a ter dois “à medida que houver disponibilidade de gado”, segundo a companhia.

No início deste ano, a Tyson já havia fechado outra planta de carne bovina em Nebraska.

Crise do gado

Os cortes ocorrem enquanto o rebanho bovino dos Estados Unidos permanece próximo do menor nível em cerca de cinco décadas. A escassez eleva o preço pago pelos frigoríficos pelo gado e comprime as margens das empresas.

O levantamento mais recente do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), referente a 1º de julho, mostrou que pecuaristas estão retendo parte dos animais para recompor seus rebanhos. Ainda assim, uma recuperação significativa da oferta deve levar tempo.

Segundo a Tyson, os dados do USDA continuam mostrando retenção limitada de novilhas, um sinal de que as restrições de oferta devem persistir e exigir novas medidas das empresas.

A pressão não se restringe à Tyson. A JBS informou recentemente que converteria uma planta de carne bovina fechada na Pensilvânia para a produção de itens de maior valor agregado. 

Wesley Batista Filho, que assumirá o comando da JBS em 2027, afirmou nesta semana que a operação de carne bovina da companhia nos EUA ainda não havia sentido os benefícios das medidas de reestruturação. A Cargill também já fechou uma unidade em Milwaukee.

A MBRF enfrenta um cenário semelhante por meio da National Beef, sua subsidiária de carne bovina nos Estados Unidos. A operação também vem sendo pressionada pela menor disponibilidade de gado, que limita os volumes de abate e eleva o custo da matéria-prima.

Uma possível fonte de alívio para o setor é a retomada das importações de animais do México. O USDA anunciou um plano para reabrir gradualmente o comércio de gado vivo, interrompido por mais de um ano para impedir a disseminação da mosca-da-bicheira (New World screwworm).

Os embarques devem ser retomados no fim de agosto, inicialmente por um ponto de entrada no Arizona. No longo prazo, a entrada de mais animais pode ajudar a reduzir parte da pressão sobre os frigoríficos americanos.

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Negociação pela Amil terá reunião decisiva; Bain e Advent querem definição rápida

O início da próxima semana deve ser decisivo para o futuro da Amil. Depois de meses de conversas, Bain Capital e Advent International se aproximaram das condições apresentadas pelo atual dono da operadora de planos de saúde, José Seripieri Filho, o Júnior, e esperam usar um encontro com o empresário para tentar colocar um ponto final na negociação.

A diligência sobre a companhia já foi concluída, segundo apurou o InvestNews com pessoas próximas às conversas. Agora, o principal obstáculo deixou de ser a avaliação dos fundos sobre a Amil e passou a ser a garantia de que, caso aceitem as exigências de Júnior, não haverá novos pedidos.

Quem acompanha o negócio de perto avalia hoje que Bain e Advent tendem a aceitar os termos apresentados pelo empresário nos últimos dias. A cautela está relacionada às idas e vindas de Júnior na negociação.

Em troca, querem uma sinalização definitiva de que o aceite será suficiente para fechar a operação – e, se possível, sair do encontro com o acordo assinado.

Reunião decisiva

Um encontro entre os principais envolvidos deve ocorrer já no início da próxima semana. Júnior estará acompanhado de Alberto Bulus e Grace Tourinho, nomes de confiança que também são sócios do empresário na condução da Amil.

Empresário José Seripieri Filho, o Júnior, dono da Amil
Empresário José Seripieri Filho, o Júnior, dono da Amil (Ilustração: Daniela Arbex)

A reunião foi noticiada nesta quinta-feira (13) pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo. Segundo a apuração do InvestNews, a discussão agora está concentrada nas condições para a assinatura do acordo.

Na última conversa, Júnior teria endurecido sua posição e apresentou novas exigências de preço e estrutura.

As conversas até aquele momento caminhavam para um negócio de R$ 15 bilhões, mas a nova pedida do empresário pode levar o valor da transação para perto de R$ 18 bilhões.

Transição preparada

O grau de preparação de Bain e Advent dá uma dimensão de quanto a negociação avançou. A captação dos recursos necessários para realizar a operação já estariam engatilhados, segundo pessoas próximas às conversas.

As gestoras também já escolheram quem gostariam de colocar no comando da Amil caso a aquisição seja concluída. O nome é Irlau Machado, ex-presidente da NotreDame Intermédica e um velho conhecido da Bain Capital. Machado comandou a operadora durante parte do período em que a gestora americana foi sua controladora.

Para Júnior, a posição na mesa continua confortável. Como mostrou o InvestNews, o empresário já recebeu dividendos da Amil superiores aos cerca de R$ 2 bilhões que desembolsou para comprar a operadora da UnitedHealth em 2023.

Além disso, a companhia voltou a crescer e gerar caixa depois da aquisição, reduzindo a necessidade de Júnior aceitar uma proposta que considere insuficiente. Já os compradores querem a segurança de que, uma vez aceitas, elas serão as últimas.

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Habib’s libera recursos do Daycoval na Justiça e corre contra o tempo para evitar recuperação judicial

Na reta final do prazo dado pela Justiça para a blindagem de suas dívidas, a rede Habib’s corre contra o tempo para formalizar acordo com credores até 1º de setembro e evitar um possível pedido de recuperação judicial. Enquanto isso, a empresa tem atuado para tentar liberar os recursos presos em bancos, que também integram […]

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Govtech fecha contrato de R$ 130 milhões para digitalizar Justiça do Peru

A internacionalização das empresas de tecnologia de Santa Catarina ganhou um novo capítulo. A Softplan, sediada em Florianópolis, assinou um contrato de 86,6 milhões de soles — cerca de R$ 130 milhões — com o Poder Judiciário do Peru para implantar um sistema eletrônico de gestão de processos não penais em todo o país.

Leia mais em: https://exame.com/negocios/govtech-fecha-contrato-de-r-130-milhoes-para-digitalizar-justica-do-peru/

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Anthropic, dona do Claude, pode chegar a US$ 2 trilhões e ter maior IPO da história

A Anthropic, dona do modelo de inteligência artificial Claude, pode realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em outubro com uma avaliação de US$ 2 trilhões ou mais, segundo investidores da companhia ouvidos pelo Financial Times. Se o valor se confirmar, a operação será a maior abertura de capital da história e colocará a empresa acima da SpaceX em valor de mercado.

A expectativa é baseada no forte crescimento da receita da companhia. Investidores estimam que a Anthropic possa alcançar uma receita anualizada entre US$ 100 bilhões e US$ 120 bilhões até o fim de 2026. A métrica anualizada considera o desempenho recente da empresa para estimar quanto ela faturaria em um período de 12 meses.

O número representaria um crescimento de mais de dez vezes ao longo de 2026. Em maio, a Anthropic havia informado que sua receita anualizada já havia superado US$ 47 bilhões. A companhia foi avaliada em US$ 965 bilhões em maio, após uma nova rodada de investimentos. Com isso, ultrapassou a OpenAI pela primeira vez em valor de mercado.

IPO pode superar marca da SpaceX

Uma avaliação de US$ 2 trilhões colocaria a Anthropic entre as empresas mais valiosas do mundo e faria sua estreia na bolsa superar a marca da SpaceX, que realizou seu IPO em junho com avaliação de US$ 1,77 trilhão.

O potencial da operação também chama atenção pelo ganho que poderia gerar para os primeiros investidores da Anthropic. Ao mesmo tempo, uma estreia nesse patamar seria um teste para os mercados acionários, que começam a demonstrar maior cautela diante das avaliações elevadas relacionadas à inteligência artificial.

A Anthropic ainda não definiu oficialmente uma avaliação para o IPO, de acordo com os investidores ouvidos pelo jornal britânico. Eles, porém, vêm elaborando seus próprios modelos financeiros para estimar o valor da empresa.

Como referência, empresas consideradas beneficiárias do avanço da inteligência artificial, como a Palantir e a Nebius, chegaram a negociar neste ano por cerca de 55 vezes a receita, segundo o FT.

Crescimento da Anthropic chama atenção

A Anthropic ganhou espaço em relação a concorrentes como OpenAI e Google ao longo deste ano, com novos modelos de IA que, segundo avaliações de investidores e usuários, apresentaram desempenho superior em algumas aplicações.

A empresa também tem concentrado esforços no mercado corporativo, em vez de depender apenas de consumidores individuais.

O crescimento, porém, ocorre em meio a uma série de desafios. A companhia enfrenta concorrência cada vez maior de empresas chinesas, pressão por novas regras para o setor de inteligência artificial e conflitos com o governo dos Estados Unidos.

Segundo investidores ouvidos pelo FT, essas questões contribuíram para uma desaceleração do crescimento da receita em junho. A empresa, no entanto, teria retomado o ritmo de expansão posteriormente.

Custos e concorrência são desafios

Outro obstáculo é o custo dos modelos mais avançados de inteligência artificial. Empresas estão cada vez mais preocupadas com os gastos para utilizar essas ferramentas e, em alguns casos, passaram a adotar modelos menos sofisticados e mais baratos.

De acordo com a Artificial Analysis, plataforma que acompanha modelos de IA, o principal modelo da Anthropic custa mais de duas vezes e meia o preço do modelo considerado principal da OpenAI. Alternativas chinesas de código aberto, por sua vez, têm custos significativamente menores.

Mesmo diante dessas pressões, dados da empresa de pagamentos Ramp indicam que a Anthropic aumentou sua participação entre empresas americanas no mês passado.

A companhia também recebeu quase US$ 100 bilhões em investimentos de fundos de venture capital, fundos soberanos e outros investidores institucionais em 2026.

Dario Amodei: quem é o CEO da Anthropic

Cientista com formação em física e biofísica, Amodei passou pela Google e pela OpenAI antes de fundar a Anthropic, uma das principais empresas da corrida pela inteligência artificial. À frente da Anthropic, Amodei se tornou uma das vozes mais influentes no debate sobre os riscos e o potencial da inteligência artificial.

Dario Amodei Fotógrafo: Samyukta Lakshmi/Bloomberg

Amodei também pode se tornar um dos maiores bilionários do setor de tecnologia caso a avaliação se confirme. Segundo estimativa da Forbes, ele tem pouco mais de 1,6% da Anthropic, participação que, na avaliação de US$ 965 bilhões, representa cerca de US$ 15,5 bilhões.

Se a empresa chegar a US$ 2 trilhões, essa fatia poderia valer aproximadamente US$ 32 bilhões, antes de considerar impostos, eventual diluição e restrições à venda das ações. O valor representaria mais que o dobro do patrimônio estimado atualmente e colocaria Amodei entre os homens mais ricos do mundo.

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Depois do sorvete barato, Mixue avança sobre o mercado de cerveja na China

A chinesa Mixue, que desembarcou no Brasil neste ano vendendo casquinhas a R$ 3 e limonadas a R$ 6, encontrou outra categoria para aplicar sua receita de preços baixos e expansão acelerada lá na China: a cerveja.

O grupo controla desde outubro do ano passado a Fulujia, rede chinesa de pequenos bares que já soma mais de 3,2 mil unidades e se tornou a maior cadeia de bares do mundo, segundo a The Economist.

O chamariz é oferecer um preço difícil de bater, uma estratégia semelhante à que transformou a Mixue na maior rede de fast food do planeta.

Uma cerveja de cerca de meio litro custa a partir de 5,9 yuans, ou US$ 0,87. Os estabelecimentos são pequenos, padronizados e oferecem cerca de 20 tipos de chope, além de petiscos.

Mais do que a cerveja barata, porém, o avanço da Fulujia mostra como a Mixue está usando a estrutura que construiu para vender sorvetes, limonadas e chás para entrar em outros negócios.

A companhia comprou o controle da rede de bares em outubro. Desde então, quase dois terços das 3,2 mil unidades da Fulujia foram abertas. O ritmo lembra o da própria Mixue, que chegou a inaugurar cerca de 40 lojas por dia em 2025.

A mesma fórmula, agora no bar

As duas redes compartilham peças importantes do mesmo modelo.

Para abrir um bar da Fulujia, um franqueado paga cerca de 60 mil yuans, o equivalente a aproximadamente R$ 46 mil, pelo pacote de equipamentos e identidade visual, sem contar aluguel e reforma. Nos primeiros três anos, não há cobrança de royalties.

A outra vantagem vem da logística. A Mixue construiu boa parte de sua escala controlando uma cadeia de suprimentos que abastece seus franqueados a baixo custo. A Fulujia passou a usar essa mesma estrutura para transportar cerveja produzida na província de Henan, onde as duas empresas estão sediadas.

Segundo a Economist, os franqueados não pagam nem mesmo pelo transporte – inclusive em lojas localizadas a mais de 2 mil quilômetros da cervejaria.

É uma estratégia parecida com a que transformou a Mixue em uma gigante de 60 mil lojas. Mais de 99% das unidades da companhia já eram franqueadas em setembro de 2024, e boa parte da receita vinha não das taxas cobradas dos operadores, mas da venda de insumos e equipamentos para eles.

A empresa opera uma rede global de compras em dezenas de países, além de fábricas, armazéns e logística própria na China. Também é essa estrutura que sustenta preços como o da limonada de 4 yuans, cerca de R$ 3,10, vendida pela Mixue no mercado chinês.

E o Brasil?

Por enquanto, cerveja não faz parte dos planos anunciados pela Mixue para o Brasil.

A Fulujia ainda não revelou intenção de abrir unidades fora da China. A própria operação brasileira da Mixue está em uma fase bem anterior: a companhia desembarcou no país neste ano e usa as primeiras lojas para entender preço, cardápio e hábitos do consumidor antes de acelerar a expansão.

Mixue: chinesa é a maior rede de sorvetes do mundo e estreia no Brasil
Mixue: chinesa é a maior rede de sorvetes do mundo e estreia no Brasil (Foto: Na Bian/ Bloomberg)

A ambição, no entanto, é grande. A empresa prevê investir R$ 3,2 bilhões no Brasil e já falou em chegar, no longo prazo, a 2 mil unidades no país.

No curto prazo, a adaptação ao gosto brasileiro está acontecendo dentro do negócio que a companhia já conhece. Depois de estrear com casquinhas, limonadas e chás, a Mixue prepara produtos com ingredientes locais – e escolheu o açaí como um dos primeiros sabores desenvolvidos especificamente para o mercado brasileiro.

A empresa pretende ainda nacionalizar cada vez mais seus insumos e prevê construir uma fábrica no país, embora não tenha definido um cronograma.

@investnewsbr

A Mixue, rede chinesa que construiu um império vendendo sorvetes, limonadas e bubble teas a preços baixos, chegou ao Brasil. E vai ter até açaí no cardápio! #mixue #fastfood #negócios

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A Jeep quer reverter a perda de mercado para chineses no Brasil. O Avenger é o primeiro passo

“Tudo começa com produto.” Essa foi uma das mensagens principais que o executivo italiano Antonio Filosa, CEO global da Stellantis, grupo que reúne as marcas Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën, Chrysler e tantas outras, buscou passar a investidores e analistas quando apresentou em maio o novo plano estratégico para ganhar mercado nos próximos anos.

Segundo ele, isso se traduz em oferecer carros que atendam às necessidades dos consumidores em seus diferentes perfis. No caso do brasileiro, isso passa, antes de qualquer atributo ou tecnologia, pelo que cabe no bolso, defende Herlander Zola, presidente e COO (Executivo-Chefe de Operações) da Stellantis para a América do Sul.

O plano batizado de “Fast Lane” começou a se materializar em um dos principais mercados globais da Stellantis, o Brasil, com o lançamento do Jeep Avenger, um novo modelo que tem a ambição de ganhar mercado em um dos segmentos que mais vendem: o de SUVs de entrada.

O modelo chega a partir de R$ 119.900 na versão Altitude. É um “híbrido leve” (MHEV), com bateria de 12V e motor turbo T200. As faixas de preços dos modelos superiores partem de R$ 135.990 e R$ 145.990, o que evidencia a preocupação para que o Avenger seja de fato competitivo diante da concorrência cada vez mais acirrada.

“Ganhar mercado” pode ser entendido também como “recuperar terreno perdido” nos últimos anos para concorrentes no segmento de SUVs de forma mais ampla, na faixa de preço que vai até R$ 250 mil, em que a eletrificação avançou mais rápido no Brasil.

E também defender a sua participação ainda preservada diante da nova ofensiva de chineses elétricos, agora em SUVs compactos, como contou o InvestNews em recente reportagem sobre a indústria.

Novo Jeep Avenger no modelo Longitude, que chega ao mercado brasileiro (Foto: Divulgação)
Jeep Avenger, que chega como aposta com o avanço chinês (Divulgação)

O BYD Song foi o quarto SUV mais vendido do país no primeiro semestre, segundo números da Fenabrave, com mais de 31,5 mil unidades; o ranking de emplacamentos no segmento foi liderado, pela ordem, pelos modelos da Volkswagen T-Cross (48 mil) e Tera (41,4 mil) e pelo Hyundai Creta (36 mil), em nova versão desde 2025. O modelo da Stellantis mais bem posicionado foi o Compass, em sétimo (27 mil).

“A Jeep é talvez uma das marcas que mais sofre o avanço chinês e a adoção de novas tecnologias na faixa de preço em que a marca atua”, disse Zola em conversa com jornalistas nesta semana.

“Não tenho dúvida de que o Avenger é uma arma poderosa para que a Stellantis volte a responder com a marca Jeep dentro de um segmento em que a gente perde espaço”, disse o executivo sobre as expectativas.

O plano estratégico global Fast Lane, apresentado por Filosa em maio no Investor Day da Stellantis em Auburn Hills, nos Estados Unidos, envolve um pacote de mais de € 60 bilhões em investimentos e 60 novos modelos até 2030. A Jeep foi escolhida como uma das quatro marcas globais prioritárias, ao lado de Ram, Peugeot e Fiat.

O preço de anos sem atualização

A reconquista de mercado – inicialmente com o Avenger – busca reestabelecer um cenário de um passado não muito distante, em que os modelos Renegade e Compass, principalmente, mas também o Commander tinham ampla presença nas ruas brasileiras.

Mas o trio atravessou um período sem grandes renovações, justamente no momento em que rivais chineses como o citado BYD Song, mas também entrantes como o GWM Haval 6, além do Caoa Chery Tiggo 5X e 7, passaram a atacar o segmento de SUVs com preços agressivos e pacotes tecnológicos considerados mais robustos, incluindo híbridos.

O executivo que lidera a operação da Stellantis no Brasil e no continente disse ver o avanço da eletrificação na preferência do consumidor brasileiro como um caminho sem volta, mas que passará por oscilações: neste ano, ganhou ímpeto com os reajustes nos preços da gasolina na esteira do encarecimento do petróleo com a Guerra do Irã.

“Antes da chegada dos chineses, a Jeep, mesmo com um portfólio antigo, ainda performava muito bem. O nível de satisfação dos nossos clientes ainda é alto, mesmo hoje. Mas na hora em que o cliente decide buscar uma solução eletrificada nessa faixa de preço, a gente estava fora do radar — ou estava, até muito pouco tempo atrás”, disse Zola.

O executivo também tratou a questão como estrutural para o grupo, não apenas para uma marca: “A Stellantis perdeu espaço em SUVs por um motivo claríssimo. E a Jeep não teve o portfólio de produtos e a oferta tecnológica na velocidade que o mercado pedia.”

‘Calibrando’ a demanda

A escolha por um lote inicial limitado, com preço promocional de R$ 114.990, para o Avenger foi deliberada — uma ferramenta clássica de lançamento, segundo Zola, para criar senso de escassez e medir a real disposição do consumidor antes de calibrar preço e volume de produção.

“Se eu tenho um lote propositalmente pequeno, com um preço muito atraente, eu vou gerar uma busca grande de pessoas para tentar comprar aquele produto naquele momento. É exatamente do que a gente precisa nesse instante”, afirmou.

A depender de como a demanda evoluir depois do fim da fase de pré-venda, a Stellantis terá duas alternativas: aumentar o tamanho dos lotes ou reajustar o preço. Zola foi direto sobre o limite concreto da decisão: a capacidade produtiva na curva inicial de fabricação de um carro novo, que cresce aos poucos ao longo dos primeiros meses.

“Eu preciso calibrar essas coisas para prometer aos nossos clientes algo que eu tenho a capacidade de cumprir em termos de prazo de entrega”, disse.

O Avenger será produzido na fábrica em Porto Real, no estado do Rio de Janeiro, originalmente da Peugeot – e que foi “atualizada” por processos produtivos mais modernos da Stellantis, segundo o executivo.

Novas gerações na linha Jeep

Para Zola, o Avenger tem uma vantagem tecnológica “muito grande” diante dos modelos do grupo no mercado no segmento de SUVs de entrada, em referência a Fiat Pulse e Fastback.

O modelo representa a abertura de um novo ciclo: Renegade, Compass e Commander devem ganhar novas gerações “completamente diferentes” nos próximos anos, segundo o executivo.

A estratégia de eletrificação mais ampla da Jeep no Brasil, no entanto, ainda está em revisão. O plano tecnológico apresentado há três anos, batizado de BioHybrid, será atualizado e reapresentado ainda neste ano, segundo Zola — sem data ou nome definidos.

Parte da indefinição tem origem tributária. As mudanças em discussão ainda não deixaram claro como vai funcionar o chamado imposto seletivo, que deve incorporar benefícios hoje concedidos pelo IPI Verde.

Zola citou o regime atual de importação de kits (CKD e SKD), com alíquotas de taxação de 35%, como um fator que hoje favorece marcas chinesas com baixo nível de localização de produção no Brasil (isso sem entrar no mérito das cotas de vendas com isenção total).

“No modelo atual, 35% de imposto ainda nos dá a possibilidade de continuar trabalhando com kits com um nível de localização muito baixo. Isso coloca a cadeia da indústria nacional automobilística em risco”, disse.

Parcerias com chineses

Zola disse que a Stellantis também avança na parceria com a chinesa Dongfeng, recém-ampliada globalmente. Já estão definidos dois modelos Jeep e dois Peugeot que usarão como base produtos da Dongfeng — hoje vendidos na China sob outros nomes.

A discussão em aberto agora é sobre produção regional. “O que estamos tentando entender é qual o plano deles no Brasil, na Argentina, no Uruguai. Diante da parceria, podemos cooperar em um produto ou em vários — é um campo de negociação aberto”, disse Zola.

O COO ressaltou que a rede de distribuição e a experiência comercial da Stellantis no Brasil, com quase 30% de participação de mercado, são um ativo relevante para a marca chinesa.

Some-se a isso o desenvolvimento interno de veículos elétricos de entrada baseados em plataformas chinesas no modelo de parceria — os modelos A05 e A10, da Leapmotor, hoje vendidos na China, devem chegar a outros mercados sob nomes ainda não definidos.

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H&M vai abrir quatro novas lojas no Brasil em 2026. Veja onde

A H&M anunciou nesta quinta-feira (13) a abertura de quatro novas lojas no Brasil no segundo semestre de 2026. As unidades fazem parte da expansão física da varejista sueca no país e marcam a chegada da marca ao Nordeste.

Com as aberturas, a H&M deve chegar a 13 lojas no Brasil, distribuídas por três das cinco regiões do país. A empresa também mantém operação de e-commerce, disponível para consumidores em todo o território nacional desde agosto de 2025.

Onde serão abertas as novas lojas da H&M?

A expansão da H&M no segundo semestre de 2026 inclui quatro unidades:

CidadeShopping
FortalezaRioMar Fortaleza
RecifeRioMar Recife
Rio de JaneiroShopping Tijuca
Rio de JaneiroNorteShopping

A loja do NorteShopping tem abertura prevista para setembro. As demais unidades serão inauguradas ao longo do segundo semestre de 2026.

O que muda com a chegada da H&M ao Nordeste?

A abertura das lojas em Fortaleza e Recife marca o início da operação física da H&M no Nordeste.

Até agora, a marca já atendia consumidores da região pelo e-commerce. Com as novas unidades, a varejista passa a levar também a experiência de loja física para uma região considerada relevante para a indústria e o varejo de moda no país.

A expansão também reforça a presença da H&M fora do eixo inicial de operação no Brasil. Segundo a empresa, as 13 lojas previstas estarão distribuídas por três regiões brasileiras.

Quais produtos serão vendidos nas novas lojas?

As novas lojas da H&M serão inauguradas com a coleção Primavera/Verão 2026.

As unidades terão linhas feminina, masculina e infantil. A proposta segue o posicionamento da marca de oferecer moda e qualidade a preços competitivos, com foco também em sustentabilidade.

Por que o Brasil é importante para a H&M?

A H&M trata o Brasil como um mercado estratégico dentro da América Latina. A operação no país começou em 2025, com a estreia em São Paulo, e ganhou novas etapas de expansão desde então.

No primeiro trimestre de 2026, a companhia já indicava o Brasil como peça central da estratégia regional. Na época, a varejista informou que planejava ampliar sua presença no país enquanto ajustava sua rede global de lojas.

Globalmente, a H&M previa abrir cerca de 80 lojas e fechar aproximadamente 160 em 2026, como parte de uma reorganização de sua operação física. A rede somava cerca de 4.050 unidades no mundo.

Como está o desempenho global da H&M?

A expansão no Brasil ocorre em um momento de ajustes na operação global da H&M.

No primeiro trimestre de 2026, a varejista registrou vendas abaixo do esperado, em meio a consumo fraco e efeitos cambiais. As vendas líquidas em moedas locais caíram 1%, para 49,6 bilhões de coroas suecas, ou cerca de US$ 5,3 bilhões.

Apesar da pressão nas vendas, a empresa melhorou a rentabilidade com controle de custos. O lucro operacional foi de 1,51 bilhão de coroas suecas, equivalente a cerca de US$ 162 milhões, acima do esperado pelo mercado.

A companhia também tem investido na integração entre lojas físicas, e-commerce, marketplaces e redes sociais. A estratégia busca aumentar conveniência para o consumidor e melhorar a eficiência da operação.

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Com FedEx fora da rota e Correios em crise, DHL “entrega” R$ 270 milhões em investimentos no Brasil

Em meio à crise financeira dos Correios e ao anúncio recente da saída definitiva da FedEx do mercado doméstico de entregas no País, a companhia alemã DHL decidiu transitar de forma mais rápida nesta avenida – hoje menos congestionada – com um plano de crescimento que envolve transportes de R$ 270 milhões no Brasil até […]

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SpaceX supera teste de fim de restrição a vendas e ganha US$ 500 bilhões em valor

Desde que a SpaceX abriu o capital em junho, Wall Street vinha temendo o dia 6 de agosto, quando terminou o primeiro período de lockup, que impedia os primeiros investidores de vender as ações, e milhões de papéis poderiam chegar ao mercado.

Não havia motivo para tanta preocupação.

As ações da SpaceX dispararam desde o fim do lockup, com alta de 35% em apenas cinco pregões, acréscimo de cerca de US$ 500 bilhões em valor de mercado e retorno a um patamar acima dos US$ 135 da oferta pública inicial de ações. O avanço contrariou os temores de uma onda iminente de vendas e aumentou o otimismo dos investidores de que os próximos vencimentos não serão tão dolorosos quanto se temia.

“Superamos o grande obstáculo, que era o desconhecido”, disse Andrew Plum, sócio-gestor e chefe do comitê de investimentos da Loxahatchee Capital, que detém ações da SpaceX. “É como se o mercado precificasse um evento negativo, talvez até em excesso, enquanto espera que aquilo aconteça. E então, em geral, não é tão ruim quanto o que havia sido precificado ou esperado.”

As ações da SpaceX caíam 2,4% no início das negociações desta quinta-feira.

A empresa de Elon Musk que atua nos setores espacial, de satélites e inteligência artificial viveu uma trajetória turbulenta no mercado acionário desde que precificou, em 11 de junho, a oferta pública inicial recorde de US$ 86 bilhões.

As ações decolaram nos primeiros dias de negociação, mas depois inverteram a direção e perderam mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado até o início de agosto. O fim do lockup deveria representar outro risco, mas acabou sendo apenas um contratempo passageiro.

“Se a ação estivesse a US$ 225, eu diria que provavelmente teria sucumbido à tendência”, disse Gene Munster, sócio-gestor da Deepwater Asset Management, que detém ações da SpaceX. Ele afirmou que a gestora estava em “modo de preparação” antes do vencimento, à espera do que aconteceria.

O processo de liberação das ações da SpaceX é diferente do que normalmente ocorre após um IPO, quando insiders em geral ficam impedidos de vender por 180 dias. Diante do tamanho da companhia e do potencial de causar um choque no mercado, a administração e os bancos da SpaceX distribuíram os vencimentos em uma estrutura de nove etapas.

Este lockup foi o maior deles, com a liberação de 911,5 milhões de ações, número superior ao vendido no IPO.

O próximo vencimento ocorre em 20 de agosto, com a liberação de até 319 milhões de ações, ou 7% do total de papéis sujeitos a restrições de venda. Blocos semelhantes, também equivalentes a 7%, serão liberados nos próximos meses, antes que as 6,4 bilhões de ações de Musk sejam desbloqueadas em junho de 2027.

As ações da SpaceX despencaram 14% no dia anterior ao vencimento, mas o motivo parece ter sido, na verdade, o primeiro balanço da empresa — mais especificamente, os gastos de capital com inteligência artificial acima do esperado.

Os resultados, porém, também trouxeram algumas boas notícias, entre elas receita muito superior às projeções e prejuízo por ação menor que o previsto. Esses números provavelmente foram outro catalisador da alta das ações desde então.

“Quando os investidores perceberam, após aquele primeiro dia, que a ação não entraria em queda livre, entenderam que poderiam voltar e reavaliar o que aconteceu no trimestre e concluir que as coisas estavam avançando”, disse Munster.

Musk, como costuma fazer, também apresentou algumas projeções ousadas na teleconferência de resultados. Em particular, disse esperar que a receita da SpaceX alcance um ritmo anualizado superior a US$ 100 bilhões até o fim do ano e chegue a US$ 1 trilhão em 2030, ou possivelmente em 2029.

“O resultado surpreendeu bastante para cima, e acho que esse é o antídoto para a chegada de novas ações ao mercado”, disse Plum. “A empresa pode divulgar notícias financeiras muito positivas, capazes de atrair novos compradores nesses níveis, o que permitirá que essas ações sejam vendidas a um preço razoável sem exercer pressão excessiva sobre o papel.”

Alguns investidores não ficaram particularmente surpresos com o fato de as ações da SpaceX terem se comportado de maneira diferente de outros papéis após o fim do lockup. Embora esses eventos normalmente pressionem as ações envolvidas, a popularidade de Musk pode ter mudado a dinâmica.

“Eu presumiria que a base inicial de investidores pioneiros do setor espacial não é fiel aos fundamentos do mercado; é fiel a Elon e ao sonho dele”, disse David Wagner, gestor de portfólio da Aptus Capital Advisors, que possui ações da SpaceX. “Essa base de investidores pode ser mais resistente do que se imagina porque se trata de uma aposta em Elon, e não nos lucros fundamentais, na execução e na geração de fluxo de caixa livre em períodos curtos.”

Segundo Munster, o fato de a ação estar bem abaixo do preço do IPO antes do fim do lockup também pode ter ajudado. Ele prevê que um padrão semelhante de negociação poderá surgir em torno dos próximos vencimentos — com queda das ações antes da liberação e alta posteriormente — desde que os insiders não corram para vender as participações.

Para os investidores da SpaceX, a conclusão é que devem esperar fortes oscilações das ações conforme mais papéis cheguem ao mercado e a narrativa em torno da empresa evolua.

“Espero que esta ação seja volátil e oscile entre o medo de uma história promissora, mas cujo fluxo de caixa ainda está a vários anos de distância, e a ganância quando os investidores se entusiasmarem com a visão de Musk e seu extraordinário potencial”, disse Rhys Williams, estrategista-chefe da Wayve Capital Management. “Os otimistas podem sonhar. E os pessimistas vão se concentrar no volume impressionante de Capex.”

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No Azzas, Birman fala pela primeira vez após crise entre sócios e diz que foco está na operação

Alexandre Birman falou publicamente pela primeira vez desde que a crise com o sócio Roberto Jatahy quase implodiu de vez o Azzas 2154, o maior grupo de moda da América Latina, dona de marcas como Arezzo, Hering, Schutz e Reserva.

Na teleconferência de resultados do segundo trimestre, nesta quinta-feira (13), Birman, que também é CEO da companhia, admitiu que a disputa desviou o foco da diretoria. Segundo ele, o assunto agora é tratado por uma equipe dedicada, enquanto a gestão voltou a se concentrar na operação.

“Nas primeiras semanas, elas tomaram um pouco da nossa energia, do nosso foco”, disse Birman, ao se referir às questões societárias que se tornaram públicas a partir de 12 de maio.

Ele acrescentou que hoje há um grupo de pessoas dedicado ao tema, permitindo que o restante da administração esteja voltado ao negócio.

A fala ocorre pouco mais de dois anos depois da fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, período em que a companhia perdeu mais de R$ 6 bilhões em valor de mercado.

Na estreia do Azzas 2154 na B3, em agosto de 2024, o grupo valia R$ 10,2 bilhões. Hoje, a empresa está valendo cerca de R$ 3,2 bilhões.

A crise entre Birman e Jatahy colocou em xeque justamente a combinação que deu origem ao Azzas. Antes da fusão, os dois comandavam suas empresas com ampla autonomia. Depois dela, passaram a dividir decisões, capital e influência sobre uma companhia maior e mais complexa.

As divergências evoluíram para uma disputa aberta, levada à Justiça e à arbitragem. O Azzas não anunciou durante a teleconferência um acordo entre os acionistas nem apresentou uma estrutura para uma eventual cisão.

O principal movimento estratégico discutido pela administração foi a avaliação de alternativas para a Farm Rio, um dos ativos mais valiosos do grupo.

A companhia contratou o Morgan Stanley para assessorar o processo e, segundo Birman, os trabalhos seguem dentro do cronograma, com questões contábeis e jurídicas em análise.

Futuro da Farm

Ele ressaltou, porém, que nenhuma decisão foi tomada e que o processo ainda está em fase de preparação. Na call, Birman também apresentou uma justificativa operacional para a revisão estratégica.

Segundo ele, a Farm praticamente dobrou de tamanho entre 2024 e 2026 e deve faturar cerca de R$ 3,5 bilhões globalmente neste ano. Para continuar crescendo, porém, a marca precisa entrar em um novo ciclo de investimentos justamente no momento em que o Azzas busca reduzir estoques, capex e capital empregado.

Alexandre Birman e Roberto Jatahy, controladores da Azzas 2154
Alexandre Birman e Roberto Jatahy, controladores da Azzas 2154 (Divulgação)

Birman diz que o trabalho conduzido com o Morgan Stanley busca encontrar uma forma de sustentar o próximo ciclo de expansão global da Farm. A avaliação de cenários para a marca ocorre em meio às discussões sobre uma possível cisão do Azzas 2154.

Pessoas familiarizadas com as conversas disseram anteriormente ao InvestNews que a Farm poderia ser uma peça central para destravar uma cisão e que os recursos de uma eventual operação poderiam, entre outras finalidades, ajudar a financiar a saída de Jatahy do negócio.

Lucro cai

A discussão societária acontece em um momento de forte pressão sobre os resultados da companhia. A receita líquida do Azzas caiu 8,2% no segundo trimestre, para R$ 2,66 bilhões.

O resultado operacional (Ebitda) recorrente recuou 29,1%, para R$ 379,6 milhões, enquanto a margem Ebitda caiu 4,3 pontos percentuais, para 14,2%. O lucro líquido recorrente ficou em R$ 106,5 milhões, uma queda de 62,5% na comparação anual.

A companhia atribuiu boa parte da piora à queda de 13,6% dos canais de sell-in, que incluem vendas para franqueados e clientes multimarcas.

Segundo a administração, parte dessa redução foi deliberada, com o objetivo de diminuir os estoques dos parceiros e aproximar o volume comprado pelas lojas das vendas ao consumidor final.

A contrapartida veio no caixa. O Azzas gerou R$ 356,5 milhões de caixa operacional no trimestre, mais de três vezes o registrado um ano antes, e R$ 280,1 milhões após investimentos.

Ao final da teleconferência, Birman disse que a prioridade para o segundo semestre é transformar a estabilização dos estoques dos franqueados em retomada de vendas e melhora da alavancagem operacional.

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Gol troca CEO: Celso Ferrer vai para a Boeing, André Fehlauer assume o comando

A Gol terá mudanças no comando a partir de setembro. Celso Ferrer deixará o cargo de CEO da companhia em 31 de agosto para assumir a presidência da Boeing para a América Latina e o Caribe a partir de 4 de setembro de 2026. Ao mesmo tempo, André Fehlauer retornará à Gol para ocupar o posto de CEO, enquanto Albert Perez, atual COO da companhia, passará a acumular a presidência e o cargo de diretor de operações.

Na Boeing, Ferrer será responsável por fortalecer as operações, a estratégia e a presença da fabricante na América Latina e no Caribe, além de apoiar as oportunidades de crescimento da empresa na região.

“Celso traz experiência, capacidade de liderança e conhecimento excepcionais para essa função”, afirmou Brendan Nelson, presidente da Boeing Global. Segundo o executivo, os mais de 20 anos de experiência de Ferrer no setor de aviação o tornam adequado para lidar com as oportunidades e os desafios da região.

Ferrer deixa a Gol após mais de 20 anos

Ferrer estava à frente da Gol desde 2022 e liderou uma importante fase de transformação da empresa, incluindo o processo de reestruturação que fortaleceu sua posição financeira e operacional e a integração ao Grupo Abra, holding que controla a Gol e a colombiana Avianca.

O executivo começou sua carreira na própria Gol, como estagiário, e ocupou diferentes posições estratégicas ao longo de mais de duas décadas na companhia. Antes de assumir a posição de CEO, foi COO, responsável pelas áreas de Operações, Segurança Operacional, Aeroportos, Planejamento, Malha, Cadeia de Suprimentos e Frota.

Ferrer também foi vice-presidente de Planejamento por cinco anos, com experiência nas áreas de precificação e alianças.

Além da trajetória executiva, Ferrer é piloto de linha aérea certificado e atualmente habilitado. Ele fez parte da tripulação da Gol que operava a frota de Boeing 737.

“É uma grande satisfação e, ao mesmo tempo, um privilégio ter a oportunidade de ingressar na Boeing durante um período de expansão em uma região tão dinâmica como a América Latina”, afirmou Ferrer. “Estou honrado pela confiança que a empresa depositou em mim e aguardo com entusiasmo os desafios e as oportunidades deste novo capítulo da minha carreira.”

Ferrer é formado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e em Relações Internacionais pela PUC-SP. Ele também possui Executive MBA pelo INSEAD, na França.

Em sua despedida da Gol, o executivo afirmou que a companhia encerra um importante ciclo de transformação e está preparada para uma nova etapa.

“Deixo minha posição confiante de que a companhia vive um dos momentos mais promissores de sua história”, afirmou Ferrer.

André Fehlauer retorna à Gol

André Fehlauer retornará à Gol para assumir o cargo de CEO a partir de setembro. O executivo trabalhou anteriormente por oito anos na companhia, como CEO da Smiles na Argentina e no Brasil.

Mais recentemente, Fehlauer foi CEO da Livelo, um dos principais programas de fidelidade do Brasil. Sua trajetória profissional também inclui passagens pelo Citi e pela Credicard.

André Fehlauer- novo presidente da GOL

Segundo a Gol, a nomeação busca garantir a continuidade da estratégia da companhia, mantendo o cliente no centro dos negócios e preparando a empresa para uma nova fase de criação de valor em conjunto com as demais companhias aéreas do Grupo Abra.

Albert Perez, atual COO da Gol, assumirá responsabilidades adicionais como presidente e COO da companhia. Perez ingressou na Gol no primeiro semestre de 2024, após mais de duas décadas de experiência no setor de aviação, com passagens por posições de liderança na Avianca, JetSMART e Vueling.

Nos últimos dois anos, o executivo teve papel importante no desempenho operacional da Gol, liderando o redesenho de processos e iniciativas de melhoria contínua.

Segundo a companhia, esses esforços contribuíram para que a Gol alcançasse indicadores de referência no setor, incluindo a liderança em pontualidade no Brasil e entre as companhias aéreas da América Latina.

Na nova função, Perez continuará responsável pelas operações diárias da Gol enquanto a empresa amplia sua malha doméstica e internacional.

Grupo Abra destaca transição

Adrian Neuhauser, CEO do Grupo Abra, holding que controla a Gol e a colombiana Avianca, agradeceu a Ferrer pela atuação na companhia e destacou sua contribuição durante o processo de transformação da aérea.

“Como CEO, ele desempenhou um papel fundamental na condução da Gol durante um período de transformação e no posicionamento da companhia para sua próxima fase de crescimento”, afirmou Neuhauser. O executivo também destacou a experiência de Fehlauer e seu conhecimento sobre a Gol, além da experiência operacional de Perez.

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Gafisa adia balanço do 2º trimestre em meio a crise entre acionistas

A Gafisa informou nesta quinta-feira (13) que adiou a divulgação das informações financeiras referentes ao segundo trimestre de 2026. Segundo a companhia, a nova previsão é publicar os resultados até 31 de agosto.

O adiamento ocorreu após a BDO Auditores Independentes, responsável pela auditoria independente da Gafisa, solicitar prazo adicional para concluir os procedimentos de auditoria.

De acordo com a incorporadora, a extensão do prazo tem como objetivo assegurar a consistência, a completude e a qualidade das informações que serão divulgadas ao mercado.

Com o novo cronograma, a teleconferência para apresentação dos resultados do segundo trimestre está prevista para 1º de setembro. A Gafisa informou que reapresentou nesta quinta-feira seu Calendário de Eventos Corporativos com as novas datas.

A companhia disse ainda que manterá acionistas e o mercado atualizados sobre o assunto, conforme a regulamentação aplicável.

Crise entre acionistas

O adiamento ocorre em meio a mais um episódio de disputa entre acionistas da Gafisa. Em assembleia geral extraordinária realizada em 16 de julho, um grupo de acionistas minoritários tentou ampliar o conselho de administração de três para cinco membros e destituir todo o conselho fiscal. As duas propostas, porém, foram rejeitadas.

O grupo questiona um aumento de capital realizado recentemente pela companhia. O episódio se soma ao histórico de conflitos na governança da Gafisa, que remonta a 2018, quando o fundo sul-coreano GWI, do investidor Mu Hak You, assumiu o controle da incorporadora em uma disputa hostil, destituiu o conselho de administração e passou a comandar a empresa.

A gestão da GWI foi marcada por uma forte redução da estrutura da companhia. Em fevereiro de 2019, a posição do fundo, montada de forma alavancada, ruiu, e parte de suas ações foi levada a leilão na B3.

No mesmo ano, o empresário Nelson Tanure surgiu como acionista de referência da Gafisa e entrou no conselho de administração em abril, ao lado de fundos da MAM Asset, gestora ligada ao Banco Master. Tanure deixou formalmente o conselho em 2023 e atualmente teria uma participação pequena na companhia.

Hoje, as maiores posições acionárias da Gafisa estão concentradas em fundos das gestoras GERF e Ravello, que, juntas, detêm quase 40% das ações. A presidência do conselho de administração é ocupada por Eduardo Larangeira Jácome, que também teve passagem pelo conselho da Prio, empresa que esteve entre os principais investimentos de Tanure na última década.

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André Fehlauer deixa a Livelo e assume a Gol

A Gol Linhas Aéreas acaba de anunciar o seu novo CEO. O atual comandante da empresa, Celso Ferrer, vai deixar o cargo e assumir a Boeing na América Latina. Para o seu lugar, a Gol convocou um velho conhecido. Trata-se de André Fehlauer. Fehlauer é o atual presidente da Livelo, mas foi CEO da Smiles, […]

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GPA aprova termos para novas debêntures em plano de recuperação

O GPA (Companhia Brasileira de Distribuição) informou na quarta-feira (12), em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a aprovação dos principais termos e condições para a emissão de novas debêntures. A operação faz parte da solução de reestruturação financeira prevista no plano de recuperação extrajudicial da companhia.

O chamado Term Sheet reúne as condições que deverão constar das escrituras de emissão das novas debêntures e foi apresentado ao juízo responsável pelo processo de recuperação extrajudicial, conforme previsto no plano.

A aprovação contou com o apoio de credores que representam mais da metade do total de credores sujeitos ao plano. Entre aqueles que escolheram a Opção A de pagamento, que prevê a contribuição de novos recursos para a companhia, mais de dois terços aprovaram os termos.

O Term Sheet ficará disponível para consulta nos autos do processo de recuperação extrajudicial e no site de relações com investidores do GPA.

Segundo a companhia, a aprovação representa uma etapa importante para a implementação da reestruturação financeira prevista no plano. A emissão das novas debêntures, porém, ocorrerá somente após a homologação do plano de recuperação extrajudicial.

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Da sala à cozinha: nova fábrica da LG no Brasil expõe aposta bilionária para ir muito além da TV

Há quase quatro anos, a operação brasileira da LG começou a convencer a matriz, na Coreia do Sul, a fazer uma aposta de R$ 1,5 bilhão: abrir uma segunda fábrica no Brasil, desta vez voltada à linha branca.

A avaliação dos executivos daqui era que havia espaço para crescer no mercado brasileiro de eletrodomésticos, mas seria difícil ganhar escala enquanto geladeiras e máquinas de lavar continuassem sendo importadas.

A aposta sai definitivamente do papel nesta quinta-feira (13), quando a LG inaugura em Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba, sua nova fábrica. A unidade começa pela produção de geladeiras, mas foi projetada para receber outras linhas de eletrodomésticos no futuro.

Daniel Song, presidente da LG Electronics para a América Latina desde janeiro de 2024 e que comandava a operação brasileira desde 2023, diz ao InvestNews que a equação envolvia preço e tempo.

Importar restringia a companhia sobretudo às faixas mais caras do mercado e dificultava a disputa por volume com fabricantes já instalados no país. Produzir localmente, segundo a LG, reduz em até 80% o tempo necessário para abastecer o mercado.

“Para entrar no mercado do Brasil, nós temos que ter um local”, afirma Song, em entrevista exclusiva ao InvestNews.

Na defesa do investimento, a operação local apresentou à matriz o potencial de crescimento do país e a possibilidade de transformar a fábrica brasileira, no futuro, em uma base para atender outros mercados da região. 

A inauguração marca também a primeira abertura de uma fábrica da LG no Brasil em 21 anos. A companhia iniciou sua produção no país em 1995, em Manaus, inicialmente com televisores, microondas e aparelhos de DVD.

Dez anos depois, abriu uma segunda unidade em Taubaté (SP), dedicada a celulares, notebooks e monitores. Em 2021, após deixar o mercado de smartphones, a LG transferiu as linhas restantes de Taubaté para Manaus e voltou a concentrar ali toda a sua produção brasileira.

A fábrica paranaense reabre agora uma segunda frente industrial no país.

Meio milhão de geladeiras

A nova fábrica nasce com capacidade para produzir mais de 500 mil refrigeradores por ano em apenas um turno. Instalada em um terreno de cerca de 770 mil metros quadrados, a unidade foi dimensionada para receber outras linhas de produção, como máquinas de lavar. A expansão, porém, será feita aos poucos e dependerá do avanço das vendas.

Mais do que trocar produtos importados por nacionais, a LG quer usar a unidade para ganhar escala em um negócio no qual ainda tem uma presença muito menor do que aquela conquistada em categorias como televisores e aparelhos de ar-condicionado.

A nova fábrica da LG (Arte: Daniela Arbex)
Os números da nova fábrica da LG (Arte: Daniela Arbex)

A empresa coreana entra de vez na guerra das geladeiras confiando no reconhecimento de marca construído ao longo de mais de 30 anos de atividade no Brasil.

E há um comportamento de seus próprios clientes que ajuda a explicar essa aposta. Ao acompanhar as compras feitas por consumidores cadastrados em seus canais de relacionamento, a LG identificou que a geladeira costuma aparecer entre as aquisições seguintes de quem já adquiriu uma televisão da marca.

A descoberta interessa especialmente porque é justamente na sala de estar que a LG já conquistou uma posição muito mais relevante no Brasil.

A companhia está entre as principais fabricantes de televisores do país. A meta da LG é figurar entre as três principais marcas de geladeiras. Mas o caminho não será simples.

A empresa coreana terá de lidar com um mercado historicamente concentrado na americana Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, e na sueca Electrolux.

No início do ano, a companhia estimava ter cerca de 3% do mercado brasileiro de linha branca, com a intenção de alcançar 20% de participação ao longo dos próximos anos.

Song reconhece que a empresa terá pela frente “duas marcas muito fortes”, mas diz que a LG enxerga espaço para uma nova opção entre os consumidores brasileiros.

Parte da estratégia foi tentar evitar que os produtos fabricados aqui fossem apenas versões nacionalizadas de modelos desenvolvidos para outros mercados.

Segundo o executivo, nos últimos dois anos, engenheiros enviados pela Coreia passaram por casas de consumidores em diferentes regiões do país, incluindo cidades do interior de Norte a Sul, para entender como os brasileiros usam suas geladeiras. 

O CEO da LG na América Latina, Daniel Song (Divulgação)

O estudo identificou, entre outras particularidades, a demanda por freezers maiores e a necessidade de lidar com diferentes voltagens pelo país. A resposta da LG foi fazer com que toda a produção nacional de refrigeradores nasça bivolt.

A característica permite que um mesmo aparelho seja vendido tanto em regiões de 110 volts quanto de 220 volts e também simplifica a operação dos varejistas, que não precisam manter estoques separados do mesmo modelo para cada voltagem.

Novos produtos

A aposta também leva a LG para uma faixa de mercado diferente daquela a qual a marca esteve mais associada em refrigeradores: a premium.

Até agora, os custos de importar geladeiras para o Brasil tornavam pouco atraente trazer modelos mais baratos, empurrando o seu portfólio para produtos de maior valor.

Com a produção local, a LG pretende lançar 25 modelos, entre modelos mais populares, intermediários e premium. A estratégia é ampliar o portfólio para disputar um mercado que vende perto de 5 milhões de geladeiras por ano e movimenta mais de R$ 15 bilhões.

A escolha de Fazenda Rio Grande também tem relação direta com o tamanho do produto que sairá da linha. Caso utilizasse a fábrica de Manaus, existiria uma dificuldade logística relevante.

Geladeiras são volumosas e caras de transportar por longas distâncias. Song diz que, do ponto de vista da cadeia de suprimentos e da logística, o Paraná oferece condições mais favoráveis para esse tipo de produto. 

Geladeiras: nova frente de batalha da indústria (Ilustração: João Brito/ InvestNews)
Geladeiras: nova frente de batalha da indústria (Ilustração: João Brito)

Os concorrentes chegaram à mesma conclusão: a Electrolux fabrica refrigeradores em Curitiba, enquanto a Whirlpool concentra uma importante produção de geladeiras Brastemp e Consul em Joinville (SC).

Desafios

A LG coloca essa nova capacidade no mercado em um momento menos favorável para o consumo no Brasil. Com as famílias endividadas e o crédito caro, compras de maior valor tendem a ser postergadas.

E geladeira é justamente um bem de ciclo longo: estimativas do setor trabalham com uma vida útil próxima de dez anos para um refrigerador, o que dá ao consumidor alguma margem para adiar a troca enquanto o aparelho antigo ainda funciona.

A companhia diz que ajusta a estratégia comercial a esse ambiente. Segundo Song, a LG tem trabalhado com o varejo para alongar o número de parcelas e ampliar alternativas de financiamento, inclusive em redes que operam com carnê.

A empresa também vem ampliando a presença entre redes regionais, numa tentativa de chegar a consumidores fora dos grandes centros e das principais varejistas nacionais.

“Estamos bem atentos a isso”, reforçou o executivo. A lógica, segundo ele, é encontrar formas de tornar a compra compatível com o orçamento desses consumidores.

Futura expansão

A próxima etapa para a fábrica é adicionar lavadoras e máquinas lava e seca à produção no Paraná a partir de 2027. Mas Song ainda prega cautela: tudo vai depender do êxito com as geladeiras.

“É muito importante ter sucesso na primeira etapa”, disse. Segundo ele, um bom resultado dará à operação brasileira mais força para defender novos investimentos perante a matriz.

Antes mesmo de a fábrica alcançar sua velocidade de cruzeiro, porém, a LG já começa a enxergar para ela um destino que originalmente não era prioridade: outros países da região.

Song afirma que o primeiro objetivo continua sendo abastecer o consumidor brasileiro, mas diz que a operação da LG na Argentina já demonstrou interesse em receber produtos fabricados no Paraná. Chile, Colômbia e Peru também estão entre os mercados estudados como possíveis destinos de exportação.

Antes disso, vem o seu primeiro teste: Song estima que uma unidade desse porte leve cerca de um ano para alcançar seu ritmo normal de operação. É preciso elevar gradualmente a produção, treinar trabalhadores e fazer a linha atingir a capacidade planejada antes de avaliar plenamente os resultados.

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Rio Tinto obtém US$ 1,8 bilhão para evitar fechamento da maior fundição de alumínio da Austrália

Os donos da maior fundição de alumínio da Austrália, entre eles a Rio Tinto, conseguiram um pacote de US$ 1,8 bilhão dos governos federal e estadual para manter a fábrica em operação diante da pressão dos altos custos de energia.

A Rio, acionista majoritária da fundição de Tomago, em New South Wales, e seus parceiros receberão o apoio em um acordo que prevê, em contrapartida, investimentos de cerca de US$ 790 milhões na unidade, segundo comunicado conjunto dos governos.

O plano também prevê mudanças para permitir que a fundição reduza o consumo de eletricidade nos momentos de maior demanda da rede. A preservação de Tomago tem peso relevante para a indústria australiana de alumínio.

A Austrália é um dos principais fornecedores mundiais das matérias-primas usadas na produção de alumínio e abriga uma cadeia integrada que vai da bauxita ao metal.

O país é o segundo maior produtor global de bauxita, com 22% da oferta mundial, e deve produzir cerca de 1,7 milhão de toneladas de alumínio primário por ano. Nesse contexto, Tomago sozinha responde por mais de um terço da produção australiana do metal.

Manter Tomago aberta significa preservar uma parcela relevante da produção de alumínio de um país que ocupa posição estratégica na cadeia global do metal, justamente num momento em que a oferta internacional está apertada e os preços seguem elevados.

A unidade produz cerca de 590 mil toneladas do metal por ano, o equivalente a 37% de toda a produção de alumínio primário do país. Cerca de 90% do volume produzido é destinado a mercados da Ásia-Pacífico, segundo a própria Tomago.

Oferta restrita

O socorro ocorre também em um momento de oferta mais apertada no mercado internacional. O governo australiano estima que a demanda elevada, impulsionada entre outros fatores pela transição energética, e as restrições de oferta mantenham os preços do alumínio em níveis altos.

A projeção oficial é de preço médio de US$ 3.425 por tonelada no segundo semestre de 2026. O problema central para a sobrevivência da unidade é a energia. A Rio já afirmou que a eletricidade representa mais de 40% dos custos operacionais de Tomago.

A planta consome cerca de 950 megawatts continuamente e responde por aproximadamente 12% da demanda elétrica de New South Wales, segundo a companhia.

Em dezembro, o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, havia prometido apoio financeiro depois que a Rio alertou que a escalada dos custos poderia obrigar a planta a fechar quando seu atual contrato de fornecimento de eletricidade expirar, no fim de 2028.

Os novos termos

O novo acordo também deverá sustentar quase 3 gigawatts de nova geração renovável, segundo o comunicado citado pela Bloomberg. Além disso, os donos da fábrica se comprometeram a destinar aproximadamente US$ 72 milhões à redução de emissões.

“Este acordo garante mais de 1.000 empregos em Tomago e milhares de outros que dependem da fundição”, afirmou o premiê de New South Wales, Chris Minns.

A Rio Tinto detém 51,55% da fundição, que opera desde 1983. A Gove Aluminium Finance possui 36,05% e a Hydro Aluminium, da Norsk Hydro, os 12,4% restantes.

O pacote para Tomago não é o primeiro concedido à Rio para preservar uma operação de alumínio intensiva em energia na Austrália. Em março, a empresa recebeu o equivalente a cerca de US$ 1,4 bilhão em apoio combinado dos governos federal e estadual para sua fundição de Boyne, em Queensland.

Outras companhias também receberam ajuda pública para manter ativos industriais de alto consumo energético no país.

No ano passado, Glencore obteve apoio para sua fundição de cobre de Mount Isa e uma refinaria associada, enquanto a Nyrstar Australia, subsidiária do Trafigura Group, recebeu recursos para a fundição de chumbo de Port Pirie e as operações de zinco de Hobart.

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Raízen prepara cisão de negócios e subsidiária pede conversão de registro na CVM

A Raízen Energia informou nesta quarta-feira (12) que protocolou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), pedido de conversão de seu registro de emissor de valores mobiliários da Categoria B para a Categoria A, que é o registro que permite listar as ações na bolsa de valores.

Segundo a empresa, a mudança está inserida no contexto da recuperação extrajudicial da Raízen, que para conseguir reestruturar mais de R$ 60 bilhões em dívidas, terá que dividir seus negócios em dois: um para a operação agrícola (a Raízen Energia) e a vertical responsável pela distribuição de combustíveis.

Disclaimer: Este texto foi escrito por um agente de inteligência artificial a partir de informações oficiais e de bases de dados confiáveis selecionadas pelo InvestNews. O trabalho foi revisado pela equipe de jornalistas do IN antes de sua publicação.

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A era da IA: SP2B debate como a inteligência artificial está redesenhando negócios e a economia

A inteligência artificial já deixou de ser um tema restrito às empresas de tecnologia. Hoje, influencia desde campanhas publicitárias até a criação de perfumes, o desenvolvimento de próteses, a produção artística e as estratégias de soberania digital dos países. Essa expansão da IA para diferentes áreas da economia será um dos principais eixos da primeira edição do SP2B – São Paulo Beyond Business, que acontece entre os dias 9 e 16 de agosto, no Parque Ibirapuera, em São Paulo.

Leia mais em: https://exame.com/negocios/a-era-da-ia-sp2b-debate-como-a-inteligencia-artificial-esta-redesenhando-negocios-e-a-economia/

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Com vendedores robôs, a startup dele já movimentou R$ 75 milhões em seu primeiro ano

Quando o engenheiro curitibano Eduardo Petrelli fundou o James Delivery, em 2014, pedir refeições por aplicativo ainda era uma experiência limitada. O iFood funcionava principalmente como um catálogo de restaurantes, enquanto a entrega dependia dos próprios estabelecimentos. Farmácias, supermercados e boa parte do comércio estavam fora desse ambiente.

Leia mais em: https://exame.com/negocios/com-vendedores-robos-a-startup-dele-ja-movimentou-r-75-milhoes-em-seu-primeiro-ano/

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O gênio de Wall Street que caiu antes da IA explodir

wall street bolsa de valores

A derrocada do fundo de hedge Situational Awareness, criado em 2024 pelo jovem alemão Leopold Aschenbrenner – ex-pesquisador da OpenAI Foundation de apenas 25 anos, que se tornou uma voz proeminente nos debates sobre o futuro da inteligência artificial – expôs os riscos de transformar o otimismo pelo rápido avanço tecnológico da IA em apostas […]

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Itaú BBA elogia o “back to basics” da Dasa, mas ainda não compra tese da empresa

A reestruturação operacional que a Dasa vem conduzindo ao longo dos últimos anos, alicerçada na filosofia back to basics, vem produzindo resultados positivos para a empresa, segundo o Itaú BBA. Mesmo assim, isso não tem sido suficiente para fazer com que a equipe de research do banco fique otimista a ponto de recomendar a compra […]

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Santander prepara “permuta” de até € 1,9 bilhão por fatia de minoritários no Brasil

O banco espanhol Santander anunciou na noite da quinta-feira, 30 de julho, que pretende lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) voluntária de permuta para adquirir a fatia de cerca de 10% das ações e units que ainda não detém no Santander Brasil, em uma operação de até € 1,9 bilhão. Em fato relevante, a […]

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A pescaria nos M&As: investidores estratégicos estão tomando o lugar das gestoras de private equity

nota real pescaria

Em um momento em que os fundos de private equity enfrentam dificuldades para captar novos recursos e adotam uma postura mais conservadora, o investidor estratégico vem despontando na ponta compradora. Esse grupo de investidores, que realiza aportes visando não apenas retornos financeiros imediatos, mas também vantagens estratégicas e operacionais de longo prazo, está aproveitando o […]

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Justiça homologa plano de R$ 65 bilhões e credores viram sócios da Raízen

raízen_shell_cosan

Em um passo bastante aguardado pelo mercado, a Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell, anunciou que a 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca Central do Foro de São Paulo homologou o seu plano de recuperação extrajudicial, apresentado em 5 de junho deste ano. O plano de recuperação extrajudicial foi […]

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A maior derrota da Adidas na Copa aconteceu depois do apito final

adidas bola da copa do mundo de 2026

A Adidas estava nas camisas de Espanha e Argentina na final da Copa do Mundo FIFA 2026. A empresa alemã sairia do gramado do MetLife Stadium vencedora independentemente da seleção campeã. O problema é que após o apito final os investidores levantaram o cartão vermelho para a marca das três listras. Na quinta-feira, 30 de […]

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O resultado da Ambev deixou um gosto de “quero mais” para o mercado

copo de chope

Se a eliminação precoce da seleção brasileira frustrou os torcedores na Copa do Mundo FIFA 2026, realizada nos meses de junho e julho, em outra categoria ligada ao torneio, as cervejas, as vendas desapontaram o mercado. Esse parece ser, ao menos, o caso da Ambev, que divulgou seu balanço do segundo trimestre na quinta-feira, 30 […]

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Embraer e Saab fecham acordo para montar mais 20 caças Gripen no Brasil

A Embraer e a sueca Saab assinaram nesta terça-feira (21) um acordo preliminar que estabelece as bases para a produção de 20 caças Gripen adicionais na fábrica de Gavião Peixoto, em São Paulo. O Gripen é o caça mais avançado da Força Aérea Brasileira, capaz de atingir quase o dobro da velocidade do som.

O anúncio é um desdobramento do memorando assinado pelos governos do Brasil e da Suécia em junho para a compra desses 20 caças, que se somariam aos 36 Gripen adquiridos em 2014. Na ocasião, o ministro da Defesa sueco, Pal Jonson, evitou citar valores e disse que o preço “ainda deve ser discutido” entre os dois países.

Pelo acordo de hoje, a fábrica da Embraer vai complementar a linha de montagem da Saab em Linköping, na Suécia. A parceria entre as duas empresas começou em 2013, no governo Dilma Rousseff, quando o Gripen foi escolhido para equipar as Forças Armadas do Brasil, vencendo a concorrência da americana Boeing e da francesa Dassault.

O acordo original já previa a criação de uma linha de montagem no Brasil. Ela foi inaugurada em maio de 2023, a primeira unidade de produção do Gripen fora da Suécia, com capacidade para fabricar 15 das 36 aeronaves do contrato inicial. O primeiro caça montado em solo brasileiro foi apresentado em março deste ano.

O contrato entre o governo brasileiro e a Saab foi assinado em outubro de 2014: 36 aeronaves, sendo 28 Gripen E monoposto (para um piloto) e 8 Gripen F biposto (dois lugares, usados também em treinamento), por um valor em torno de US$ 4,5 bilhões, com cada aeronave custando algo próximo a US$ 125 milhões.

Embraer e Saab fecham acordo para novos caças Gripen (Divulgação)
Embraer e Saab fecham acordo para novos caças Gripen (Divulgação)

Não há ainda valor definido para os 20 caças adicionais ao Brasil. Uma referência possível é o contrato que a Saab fechou com a Colômbia em novembro do ano passado, de cerca de US$ 250 milhões por unidade – quase o dobro do preço unitário pago pelo Brasil em 2014, embora esse valor inclua pacote de compensação, simuladores e treinamento, não apenas a aeronave.

Embraer fecha negócios

O acordo com a Saab é mais um de uma série que a Embraer anunciou nesta terça-feira durante o Farnborough International Airshow, uma das principais feiras do setor, realizada na Inglaterra.

O negócio mais relevante do dia foi a venda de 20 aeronaves E195-E2 para o grupo Abra, dono da Gol e da Avianca, por US$ 1,8 bilhão. O acordo que ainda prevê 10 opções e 15 direitos de compra, podendo chegar a 45 unidades.

Houve também encomendas da companhia aérea espanhola Binter Canarias e da luxemburguesa Luxair, além de um memorando com a arrendadora Azorra para converter até 30 aeronaves em cargueiros.

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Nike lamenta final da Copa e vê rival Adidas faturar com campeões. ‘O final não foi o que sonhamos’

A Nike gostaria de ter visto um final diferente para a Copa do Mundo.

A Espanha derrotou a Argentina na decisão disputada no domingo, com ambas as seleções vestindo uniformes da Adidas. As duas equipes haviam eliminado nas semifinais seleções patrocinadas pela Nike — França e Inglaterra.

Para uma empresa de artigos esportivos como a Nike, ficar fora da final significa perder a oportunidade de capturar a onda de vendas de produtos licenciados gerada pelo entusiasmo dos torcedores. As camisas de Lionel Messi e Lamine Yamal vistas nos Estados Unidos e em outros países durante o fim de semana representam receita adicional para sua principal rival.

“Sei que o final não foi o que sonhamos”, escreveu Camilo Andrade, vice-presidente e gerente-geral da divisão de futebol da Nike, em um memorando obtido pela Bloomberg News após o encerramento do torneio. Ainda assim, ele afirmou que, “independentemente do placar e de quem levantou a taça, fizemos o nosso trabalho”.

As ações da Nike caíram 0,7% na segunda-feira e acumulam desvalorização superior a 40% nos últimos 12 meses.

Sob a liderança do CEO Elliott Hill, a companhia vem reposicionando sua estratégia para dar maior destaque ao esporte e encarou a Copa do Mundo como uma oportunidade importante para ganhar espaço no futebol.

“Executamos o plano que queríamos; controlamos aquilo que estava ao nosso alcance”, afirmou Andrade no comunicado.

Ele também reconheceu que a empresa enfrentou obstáculos ao longo do caminho.

“Contra todas as probabilidades e diante de um número infinito de desafios, esta equipe de futebol não apenas escreveu a maior história de recuperação, como deu à Nike e ao mundo motivos para acreditar”, escreveu.

Antes do torneio, os uniformes da Nike foram alvo de críticas por apresentarem ondulações na região dos ombros. Além disso, atrasos na produção fizeram com que parte dos produtos relacionados à competição chegasse aos varejistas depois do prazo inicialmente previsto pela empresa.

Andrade destacou ainda que a Nike tem “uma oportunidade desproporcional de liderar e dominar o futebol feminino”. A próxima edição da Copa do Mundo Feminina da FIFA será realizada no Brasil no ano que vem.

A Nike forneceu uniformes para diversas seleções no Mundial, incluindo Estados Unidos, Canadá e Noruega. “Continuem avançando, continuem acreditando, continuem tentando. E a dominação virá”, afirmou Andrade.

Além do futebol, atletas patrocinados pela Adidas também conquistaram resultados expressivos nos últimos meses. Dois corredores da marca registraram tempos recordes na Maratona de Londres, rompendo a barreira das duas horas — um objetivo perseguido há anos pela Nike. Outro atleta, Josh Kerr, bateu o recorde mundial da milha masculina usando tênis da marca Brooks Running.

A Nike continua sob pressão para recuperar o ritmo de crescimento das vendas após um longo período de desaceleração. A empresa apresentou melhora nos resultados nos Estados Unidos e na categoria de corrida, mas ainda enfrenta fraqueza persistente no mercado chinês e na marca Converse.

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Dona da Gol anuncia compra de 20 jatos Embraer E195-E2 por US$ 1,8 bilhão

O grupo Abra — holding que controla as companhias aéreas Avianca e Gol, além de manter investimento na espanhola Wamos Air — fechou um acordo com a Embraer para a aquisição de até 45 jatos do modelo E195-E2.

O contrato prevê o pedido firme de 20 aeronaves, além de 10 opções de compra e 15 direitos de aquisição futuros, condicionados ao cumprimento de certas metas operacionais. Apenas o pedido firme de 20 aeronaves alcança um valor de mercado de US$ 1,8 bilhão, conforme apurado pelo InvestNews na última segunda-feira.

A expectativa é a de que os modelos da Embraer sejam utilizados tanto pela Gol quanto pela Avianca. O anúncio aconteceu durante o Farnborough Airshow, que começou na segunda-feira (20) e vai até quinta-feira (24).

A aquisição marca uma virada da Embraer no mercado interno. Apenas a Azul utiliza os modelos da fabricante brasileira em sua frota. O pedido da controladora da Gol agora se soma ao da Latam feito no ano passado, com a primeira aeronave entrando em operação a partir de outubro.

No caso da Abra, as entregas estão programadas para começar no quarto trimestre de 2027 e serão feitas de forma progressiva.

A encomenda firme deverá reforçar o “backlog” (carteira de pedidos) do terceiro trimestre da Embraer assim que os requisitos finais forem atendidos.

A Embraer fabrica os jatos de corredor único da família E-Jets E2, com capacidade para até 146 passageiros, um degrau abaixo dos jatos de maior porte que hoje formam o núcleo tanto da Gol quanto da Avianca.

A lógica é a mesma que Azul e Latam já adotaram: usar aviões menores em rotas de menor demanda ou em aeroportos que não comportam um 737 de cerca de 180 assentos. Nesse caso, o E2 permite abrir frequências e cidades novas sem voar com o avião grande meio vazio. Além disso, permite usar um avião menor, que gasta menos combustível, em rotas que não têm lotado os 737.

Com o novo lote de jatos de última geração, o grupo Abra pretende ampliar sua presença na América Latina, fortalecendo rotas domésticas e regionais que exigem aeronaves com capacidade otimizada (right-sized capacity).

O modelo E195-E2 destaca-se pelo redução no consumo de combustível e na emissão de poluentes em relação a gerações anteriores.

Para Adrian Neuhauser, CEO do Grupo Abra, a chegada dos jatos brasileiros traz flexibilidade estratégica. “O E195-E2 dará ao grupo a agilidade necessária para buscar novas oportunidades de negócios, mantendo nossa disciplina na frota e entregando mais valor ao passageiro.”

Arjan Meijer, presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial, ressaltou o orgulho de apoiar o crescimento da gigante latino-americana. “O E195-E2 é uma das aeronaves de corredor único mais eficientes e ecológicas do mercado atual”, afirmou.

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Às vésperas da safra mais valiosa do Brasil, uma multinacional redesenha a oferta de fertilizantes

Em pouco mais de dois meses, o Brasil começa a plantar a safra de soja, a mais valiosa do país, que enfrenta um problema estrutural cada vez mais incômodo: o custo dos fertilizantes. O grão e seus derivados são o segundo produto mais exportado do Brasil, com US$ 52,9 bilhões em vendas ao exterior no ano passado.

Para dar conta de uma área estimada em 50 milhões de hectares de soja previstos para a temporada 2026/27, que se inicia em meados de setembro e vai até maio, a lavoura depende de dois nutrientes essenciais para garantir produtividade: o fósforo e o potássio.

Para cada tonelada de soja colhida, é necessário nutrir a terra com, em média, 15 kg de pentóxido de fósforo (P₂O₅) e 20 kg de óxido de potássio (K₂O).

O Brasil, no entanto, produz pouco desses nutrientes: a produção nacional cobriu apenas 25% do fosfatado e 9% do potássico consumidos no país em 2024, segundo dados mais recentes da consultoria Globalfert.

Essa fragilidade ficou mais evidente neste mês, quando a americana Mosaic, maior fornecedora de fertilizantes do país, reduziu a produção de fosfatados em unidades de três Estados brasileiros; meses antes, já havia vendido a única mina de potássio em operação em território nacional.

A decisão da multinacional está acelerando um redesenho no mapa de fornecimento de fertilizantes no Brasil.

Essa redução de produção coincide com a disparada do preço de um insumo que poucos produtores conhecem pelo nome, mas que já pressiona o custo da lavoura: o enxofre, a matéria-prima do fosfatado, ficou 129% mais caro em cinco meses, hoje refém de uma disputa geopolítica no Oriente Médio.

O revés do fosfato

Quase metade do enxofre exportado no mundo sai do Oriente Médio, e boa parte do carregamento depende do Estreito de Ormuz, hoje no centro da disputa entre Estados Unidos e Irã. 

Com bloqueios recorrentes na passagem, os embarques globais do insumo caíram 47% no segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2025, segundo a S&P Global. O preço entregue no Brasil saltou de US$ 525 a tonelada em fevereiro para US$ 1.200 em julho.

A conta já chega ao produtor. Em Mato Grosso, principal estado produtor de soja, as despesas com fertilizantes e corretivos devem subir 5,4% no ciclo 2026/27, segundo o Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (Imea).

Colheita de soja no Brasil
Trabalhadores durante colheita de soja em Orizona (GO) (Dado Galdieri/Bloomberg)

Para a Mosaic, o choque significou reduzir ainda mais sua operação no país. Em comunicado ao mercado no início deste mês, a companhia disse ter ajustado temporariamente a produção em unidades de Minas Gerais, Goiás e Paraná, além de misturadoras na Bahia, diante da redução da oferta global e da alta do enxofre.

Foi o aprofundamento de uma decisão que já vinha sendo tomada aos poucos. Em abril, a empresa havia paralisado por tempo indeterminado as unidades de Araxá e Patrocínio, em Minas Gerais, colocando a mina e a planta química de Araxá à venda como parte de uma revisão de portfólio. 

Antes das paralisações, a Mosaic respondia por 86% da produção nacional de ácido fosfórico, principal matéria-prima do fertilizante fosfatado. Segundo estimativas da própria companhia, só Araxá e Patrocínio devem retirar cerca de 1 milhão de toneladas anuais do mercado, equivalente a 15% da produção nacional.

Procurada pelo InvestNews, a Mosaic disse em nota que “as medidas adotadas são uma resposta temporária às condições extraordinárias do mercado e não representam mudança na estratégia de longo prazo da companhia”, e que “espera retomar a plena capacidade operacional à medida que o fornecimento global de enxofre seja normalizado”. 

A nova dona do potássio 

Antes mesmo do início dos conflitos que afetam Ormuz, a Mosaic já havia decidido deixar outro ativo estratégico no Brasil: a mina de Taquari-Vassouras, em Sergipe. Trata-se da única mina de potássio em operação no país.

O ativo tem capacidade para produzir 450 mil toneladas de cloreto de potássio por ano, o equivalente a 3% da demanda nacional. Mas, segundo os cálculos da Mosaic, manter a mina em operação exigiria mais de US$ 25 milhões em novos investimentos para prolongar sua vida útil – que, à época, estava estimada para até 2035. 

A companhia avaliou que esse capital teria aplicações mais rentáveis em outros ativos do grupo e, em agosto de 2025, anunciou a venda da operação por US$ 27 milhões. O negócio foi concluído em novembro daquele ano. 

A compradora foi a Stratos, empresa de mineração da VL Holding, grupo controlado por Valére Batista, irmã de Wesley e Joesley Batista. A holding reúne também negócios em agricultura, pecuária e melhoramento genético. E, segundo a empresa, a entrada no setor faz parte da estratégia de ampliar a atuação em negócios ligados à agropecuária. 

A Stratos diz ter identificado novas reservas capazes de manter a mina em operação até 2042. Agora, a empresa conclui os projetos de expansão e busca recursos para tirá-los do papel. Um deles já foi apresentado ao BNDES, segundo a companhia. 

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Ao contrário dos fertilizantes fosfatados, os potássicos passaram praticamente ilesos pela crise no Oriente Médio. Isso porque a maior parte da oferta global de potássio vem do Canadá e da Rússia – e não dos produtores do Golfo Pérsico.

“O mercado não foi afetado, mas a crise no Estreito de Ormuz acendeu um alerta sobre a nossa dependência do produto importado”, diz Ricardo Nascimento, diretor comercial da Stratos. 

Crise estrutural

A fragilidade brasileira em fertilizantes não é exatamente novidade. Ficou evidente em fevereiro de 2022, quando a invasão russa à Ucrânia expôs a dependência do país: a Rússia respondia sozinha por cerca de 23% das importações brasileiras de fertilizantes

O episódio levou o governo federal a lançar, em março daquele ano, o Plano Nacional de Fertilizantes, com o objetivo de reequilibrar a produção nacional e importação ao longo dos 28 anos seguintes. 

Uma das frentes dessa resposta é a Petrobras, que retomou a produção de ureia e amônia em fábricas de fertilizantes nitrogenados feitas a partir de gás natural.

As unidades da Bahia e de Sergipe voltaram a operar em janeiro e dezembro de 2025, respectivamente, e a fábrica de Araucária, no Paraná, parada desde 2020, retomou a produção após investimento de R$ 870 milhões. 

Juntas, as três plantas devem responder por cerca de 20% do mercado interno de ureia, com uma quarta unidade, em Três Lagoas (MS), prevista para entrar em operação comercial em 2029.

Apesar das iniciativas, a vulnerabilidade identificada em 2022 segue sem solução definitiva.

O potássio da Amazônia

O Brasil tem a sétima maior reserva de potássio do mundo. São 225 milhões de toneladas mapeadas, o equivalente a 3,2% do estoque mundial. Todas essas reservas ficam concentradas em seis regiões em Sergipe e no Amazonas. E já são conhecidas há décadas. 

Foi em 1963 que a Petrobras identificou os primeiros depósitos de potássio em Sergipe, durante perfurações em busca de petróleo. Anos depois, a Petromisa, uma antiga subsidiária da estatal, assumiu a missão de desenvolver a mina de Taquari-Vassouras, como parte do primeiro Plano Nacional de Fertilizantes do país. 

Antes disso, em 1955, a Petrobras já havia encontrado os primeiros indícios de potássio no Amazonas, também durante perfurações em busca de petróleo. 

Mas ali a descoberta ficou parada. Passaram-se mais de cinco décadas até que uma nova geração de investidores voltasse a estudar o mapeamento que a Petrobras havia deixado. A partir de 2009, a Potássio do Brasil retomou a pesquisa na região de Autazes, a 120 km de Manaus.

A companhia é uma subsidiária da Brazil Potash – uma empresa canadense, apesar do nome. 

Pelo projeto, Autazes teria capacidade para produzir 2,44 milhões de toneladas por ano de cloreto de potássio – com reservas para manter esse ritmo por 23 anos. “Uma produção dessa permite suprir 25% da demanda atual de cloreto de potássio no Brasil”, diz Sérgio Leite, presidente da Potássio do Brasil. 

A companhia, no entanto, não tem uma data prevista para o início da operação. E ainda enfrenta disputas judiciais envolvendo o licenciamento ambiental.

Em maio de 2026, o Ministério Público Federal voltou a pedir à Justiça a anulação das licenças estaduais e a transferência do processo de análise para o Ibama. Até aqui, porém, as licenças seguem válidas.

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Fundo TRXF11 paga R$ 1,4 bilhão por complexo logístico com galpões do Mercado Livre

A gestora TRX, por meio do fundo de investimento imobiliário (FII) TRXF11, fechou a aquisição de um complexo de três galpões logísticos em Guarulhos por R$ 1,4 bilhão, a maior compra já realizada pelo fundo. Dois dos três galpões já estão alugados ao Mercado Livre.

O complexo soma 237,4 mil m² de área bruta locável, distribuídos nos galpões K100, K200 e K300. O K200 já está concluído e locado; o K100 tem entrega prevista para outubro; o K300 segue sem contrato de locação definido, condicionado à aprovação do projeto e à assinatura de um contrato built-to-suit com um futuro inquilino ainda não revelado.

Os contratos com o Mercado Livre duram dez anos e são do tipo “atípico”: se a empresa quiser sair antes do prazo, precisa pagar todos os aluguéis restantes. Durante as obras, o aluguel é reajustado pelo custo da construção (INCC); depois de pronto, pela inflação oficial (IPCA).

A escolha de Guarulhos também reflete uma mudança no setor logístico. A reforma tributária muda a cobrança de imposto da origem para o destino da mercadoria, o que elimina a vantagem fiscal de cidades como Extrema (MG), historicamente escolhidas menos pela localização e mais pelos incentivos oferecidos.

A transição é gradual, até 2032, mas já pesa nas decisões de investimento: municípios próximos das grandes capitais, com acesso rápido a aeroportos e rodovias, ganham atratividade frente a polos distantes que cresceram por benefício fiscal.

Portfólio maior

Com a operação, a área bruta locável do TRXF11 sobe 19%, para 1,48 milhão de m², impulsionada também por outras movimentações recentes do fundo. Agora, o FII passa a ter 115 imóveis e R$ 9,2 bilhões investidos, com o segmento logístico subindo a 37% da área locável do fundo.

O Mercado Livre passa a responder por cerca de 18% da receita de aluguel do portfólio, a maior concentração em um único inquilino entre os principais locatários do fundo, que incluem Assaí, Grupo Mateus e o hospital Albert Einstein.

O valor supera em mais do dobro a até então maior operação individual do fundo, ligada ao Hospital Albert Einstein, avaliada em cerca de R$ 600 milhões. A operação chega semanas depois de o fundo vender 15 imóveis, a maioria agências da Caixa Econômica Federal, por R$ 207,2 milhões, e comprar o Hotel Emiliano Rio, em Copacabana, por R$ 260 milhões.

Estrutura de financiamento

O ponto que diferencia esta operação de uma compra imobiliária comum está na engenharia financeira por trás dela. A aquisição será indireta e alavancada: o Banco XP de Atacado atua como financiador ao adquirir a cota sênior, com prioridade de recebimento, de um fundo que passa a deter os três galpões.

O TRXF11 e o FII Matriz Log, criado para a operação e do qual o TRXF11 é cotista único, dividem a cota subordinada na proporção de 50% cada, tornando-se coproprietários do complexo.

A gestora afirma que buscará refinanciar a estrutura assim que as obras estiverem concluídas e o mercado oferecer uma janela mais favorável. Na prática, isso significa que o desembolso de R$ 1,4 bilhão não sai integralmente do caixa do fundo.

O pagamento também é parcelado: um sinal correspondente a um quarto do valor já foi desembolsado, e o restante será pago em três parcelas semestrais até dezembro de 2027, condicionadas ao cumprimento de etapas como regularização dos imóveis e conclusão das obras.

Nos primeiros 12 meses, a TRX estima um retorno de 14,51% ao ano sobre o que gastou para comprar e construir os galpões (yield on cost), bem acima da taxa de referência do mercado para galpões prontos (cap rate), de 8% ao ano.

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EUA vão cortar tarifa de alumínio pela metade para quem construir fábrica no país

O governo Trump anunciou um programa de incentivo pelo qual empresas que construírem, expandirem ou reformarem usinas de alumínio nos Estados Unidos vão receber desconto na tarifa cobrada sobre o metal que importarem de fora do país.

O plano, anunciado nesta segunda-feira (20), reduziria a tarifa sobre alumínio importado de 50% para cerca de 25% para as empresas que cumprirem os novos requisitos e forem aprovadas pelo governo americano.

O presidente Donald Trump havia imposto a tarifa de 50% como parte do esforço para aumentar a capacidade doméstica de produção do metal, usado desde a fabricação de automóveis até máquinas de lavar. O resultado, porém, foi modesto, e vários países pressionaram por uma redução da taxa.

Mais relevante: os Estados Unidos não têm capacidade própria suficiente de alumínio primário para atender à própria demanda, e dependem fortemente de importações, sobretudo do Canadá e do Oriente Médio.

Um projeto que se encaixa diretamente no perfil do incentivo é o consórcio entre a Emirates Global Aluminium (EGA), dos Emirados Árabes, e a americana Century Aluminum: as duas empresas planejam construir, em Inola, no Oklahoma, a primeira usina de alumínio primário erguida nos Estados Unidos desde 1980, com capacidade projetada de 750 mil toneladas por ano.

Gargalo crescente

O país tem hoje apenas quatro usinas de alumínio em operação, ante 23 no ano 2000. Cerca de metade de todo o alumínio consumido nos EUA vem do Canadá, onde as fábricas, que consomem muita energia, usam fontes mais baratas, como hidrelétricas. A conta de energia pesa tanto na equação que a última nova usina construída em solo americano tem mais de quatro décadas.

A tarifa de 50%, em vigor desde junho do ano passado, vem inflando o chamado “prêmio do Meio-Oeste americano” (“Midwest premium”), o valor adicional cobrado sobre a referência global de preço para entregar o metal àquela região dos EUA. Um choque adicional de oferta, ligado à guerra no Irã, ajudou a elevar esse prêmio regional em quase 100%.

O prêmio do Meio-Oeste funciona como referência do quanto fabricantes americanos pagam para produzir eletrodomésticos, latas de bebida e veículos. Na prática, essas empresas vêm pagando o preço de matéria-prima mais caro do mundo, e passaram a comprar alumínio sob demanda, só o suficiente para cobrir a produção imediata.

Os preços de alumínio na Bolsa de Metais de Londres (LME), a referência global, também subiram bastante neste ano, com o mercado pressionado pelo duplo choque (tarifa e guerra). Antes do anúncio da Casa Branca, o contrato fechou em queda de 0,3%, a US$ 3.140 por tonelada métrica.

©2026 Bloomberg L.P.

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Após semanas de ‘namoro’, dona da Gol encaminha compra de 20 aeronaves da Embraer

O Grupo Abra, holding que controla a aérea brasileira Gol e a colombiana Avianca, deve anunciar nesta terça-feira (21) a compra de 20 jatos E2 da Embraer, apurou o InvestNews.

Além do (bilionário) pedido firme, noticiado neste fim de semana pela Bloomberg, fontes de mercado ouvidas pela reportagem esperam que o contrato inclua a opção de compra de mais 20 aeronaves.

Considerando as negociações mais recentes, como a venda de 24 E2 para a Latam, o valor de contrato das 20 aeronaves pode chegar a algo em torno de US$ 1,8 bilhão, o que significa algo entre US$ 84 milhões e US$ 87 milhões a preço de tabela.

O anúncio vai acontecer durante o Farnborough Airshow, que começou nesta segunda-feira (20) e vai até quinta-feira (24). A feira de aviação no Reino Unido é um dos principais eventos no calendário comercial da indústria aeronáutica.

Os jatos podem ser distribuídos entre as companhias do grupo. Procuradas, Abra, Gol e Embraer não comentaram.

Namoro em público

Embora as negociações tenham sido reveladas agora, a aproximação entre a dona da Gol e a Embraer começou a ganhar força ainda no Brasil, durante a 82ª Assembleia Geral Anual da IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo), que foi realizada no início de junho no Rio de Janeiro.

Nas conversas paralelas enquanto o evento principal reunia as maiores companhias aéreas do mundo, um jato E2 da Embraer levou um grupo de executivos para a principal fábrica da companhia, em São José dos Campos, no interior de São Paulo.

O InvestNews apurou que entre os passageiros havia vários nomes de peso do setor aéreo, entre eles Celso Ferrer, o CEO da Gol.

Além da viagem, Ferrer foi um dos executivos vistos em reuniões com o alto comando da Embraer durante o evento da IATA. A aquisição da frota de E2 será mais um passo da companhia na diversificação de sua frota. Até este ano, a Gol operou exclusivamente aviões Boeing.

Nova estratégia com frota diversa

O anúncio de rotas internacionais mais longas mudou, no entanto, a estratégia da companhia – neste mês passou a voar para Nova York e já confirmou voos para Lisboa, Paris e Orlando. Desde março, a empresa incorporou cinco aeronaves Airbus A330 em sua frota.

A mudança adiciona complexidade a uma operação que sempre tratou a simplicidade da frota única como parte central de sua eficiência. Agora, a companhia argumenta que esse movimento faz sentido dentro da lógica da Abra, e não apenas da Gol isoladamente.

Na visão da empresa, a escala do grupo ajuda a absorver essa transição.

Em evento de lançamento das rotas internacionais, em março, Ferrer afirmou que a gestão da frota é a frente em que a companhia tem as maiores e as mais claras sinergias. “O hub de manutenção já opera de forma integrada entre Gol e Avianca, por exemplo.”

Desde então, a nova frota não está sendo tratada como um projeto paralelo da Gol, mas como parte do desenho de longo prazo da Abra para ampliar conectividade e presença internacional. Ferrer já sinalizou interesse em uma “subfrota regional” de 20 a 30 aeronaves menores que o 737, caso dos Embraer E2 – e do concorrente Airbus A220.

A Embraer fabrica os jatos de corredor único da família E-Jets E2, com capacidade para até 146 passageiros, um degrau abaixo dos jatos de maior porte que hoje formam o núcleo tanto da Gol quanto da Avianca.

A lógica é a mesma que Azul e Latam já adotaram: usar aviões menores em rotas de menor demanda ou em aeroportos que não comportam um 737 de cerca de 180 assentos. Nesse caso, o E2 permite abrir frequências e cidades novas sem voar com o avião grande meio vazio. Além disso, permite usar um avião menor, que gasta menos combustível, em rotas que não têm lotado os 737.

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Bimbo corre para evitar leilão e venda da Nutrella afunila em poucos candidatos

A Bimbo está trabalhando contra o tempo para vender a marca Nutrella antes que ela vá a leilão por determinação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) ainda nesta semana – o certame está marcado para sexta-feira (24).

Depois de três candidatos rejeitados, a empresa apresentou um quarto nome, mantido em sigilo, e enfrenta um obstáculo estrutural: o universo de empresas que atendem aos critérios do acordo firmado com a autarquia é pequeno.

A venda da marca de pães de forma saudáveis é condição para a Bimbo manter a compra da Wickbold, negócio aprovado pelo Cade em setembro do ano passado mediante um acordo de controle de concentrações (ACC).

O acordo condicionou a aprovação à venda de duas marcas: a Tá Pronto, já vendida para a Pita Bread, e a Nutrella, cujo desinvestimento deveria ocorrer depois da conclusão da fusão entre Bimbo e Wickbold.

Pelas regras, o comprador da Nutrella precisa ser fabricante de produtos alimentícios distintos de pães industriais, ter capacidade de distribuição nacional e comprovar solidez financeira para manter e desenvolver a marca. 

A exigência de que o comprador não fabrique pão busca garantir que ele entre no mercado como rival genuíno da Bimbo, e não como uma extensão do próprio negócio vendido. A Bimbo iniciou as tratativas com o quarto candidato em 3 de junho e protocolou a documentação para análise do Cade em 17 de junho.

Interessado é produtor de bolos

Uma nota técnica da Superintendência-Geral, de 6 de julho, descreve o comprador como um “reconhecido produtor de bolos e bolinhos”, ouvido pela autarquia em duas ocasiões durante a fusão com a Wickbold. Documentos do Cade mostram que o universo de empresas que se encaixam nesse perfil é exíguo.

Uma pista está em um parecer de maio de 2025, elaborado durante a análise da fusão Bimbo-Wickbold, que cita apenas duas companhias com atuação exclusiva em bolos e bolinhos industrializados e presença em todo o território nacional, o recorte do Cade: a Selmi, centenária fabricante de massas e bolos dona das marcas Renata e Galo, e a Doceria Campos do Jordão, dona da marca Santa Edwiges.

O mesmo documento também menciona a Pandurata (Bauducco) e a M. Dias Branco (Adria) como players com capilaridade nacional no setor de panificação em geral, mas ambas fabricam pão e, por isso, não estariam enquadradas no universo imposto pelo Cade.

O histórico mostra que a Bimbo tem enfrentado dificuldade recorrente para aprovar um nome. A primeira candidata a comprar a Nutrella foi rejeitada porque a empresa estava em recuperação judicial e não conseguiu comprovar solidez financeira, um dos requisitos do acordo. As duas seguintes também não convenceram o Cade quanto ao cumprimento dos critérios.

Na última sexta-feira (17), Bimbo e a potencial compradora entregaram documentação adicional para tentar sanar as dúvidas sobre a capacidade financeira da candidata, pedindo a extinção do leilão marcado para esta sexta. A expectativa é que o Cade se manifeste nos próximos dias sobre se os dados apresentados são suficientes para cancelar o leilão.

Procuradas pelo InvestNews, Bimbo, Selmi não responderam até a publicação do texto. A reportagem tenta contato com a Santa Edwiges.

(Colaborou Raquel Brandão)

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Nubank compra Banco Porto Real para obter licença bancária no Brasil

O Nubank anunciou que vai operar no Brasil com uma licença bancária, em adição a outras que possui – de instituição de pagamento, financeira, corretora, gestora.

Para os clientes, a instituição informa, nada muda. Todos os serviços que existem hoje seguem iguais.

Com o movimento, o Nubank passa a cumprir aquilo que determina uma resolução recente do BC, de novembro de 2025. Ela exige que instituições financeiras com a palavra “banco” ou “bank” no nome tenham uma licença bancária. 

Uma das formas de conseguir esse tipo de licença é adquirir uma outra instituição que já tenha a sua. No caso do Nubank, ela chega com a compra do Banco Porto Real de Investimentos – ainda sujeita a aprovação do Banco Central. No México, onde o Nubank opera desde 2019, a licença bancária veio agora há pouco, no dia 10 de julho.

A diferença entre ter ou não esse tipo de licença é técnica. As instituições que têm podem oferecer certos produtos financeiros, como conta-salário. 

Essas mudanças chegam em meio a uma nova estrutura de liderança. No dia 15 de julho, o Nubank anunciou a criação de um novo cargo, o de CEO para a América Latina, para coordenar as operações no Brasil, no México e na Colômbia, os três países onde atua hoje.

Quem assume o cargo é Livia Chanes, CEO do Nubank para o Brasil desde 2024. A executiva vai acumular as duas funções. E os responsáveis pelas operações no México e na Colômbia, Armando Herrera e Marcela Torres, passam a responder diretamente a ela. 

Os Estados Unidos são outro front de expansão. Em janeiro, o Nubank recebeu uma aprovação preliminar para oferecer serviços bancários nos EUA. Trata-se de um passo largo rumo à aprovação definitiva, que ainda precisa do aval do Fed, o banco central dos EUA, e do FDIC – equivalente americano ao nosso FGC

A organização nos EUA está a cargo de Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank.

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Justiça dos EUA suspende fusão entre Paramount e Warner após ação de 12 Estados

A Justiça federal dos Estados Unidos suspendeu temporariamente a megafusão de US$ 110 bilhões entre a Paramount Skydance e a Warner Bros. Discovery, dizendo que o negócio “provavelmente” viola a lei antitruste americana.

A juíza federal Araceli Martínez-Olguín, em Oakland, determinou nesta segunda-feira (20) que as empresas segurem a conclusão do negócio por 14 dias. A decisão é o primeiro revés judicial concreto ao acordo desde que a Califórnia e outros 11 Estados entraram com ação para tentar bloqueá-lo, em 13 de julho.

Paramount e Warner Bros. esperavam fechar a operação já em 22 de julho. Uma audiência para decidir se a suspensão será prorrogada está marcada para 3 de agosto, quando a Justiça vai avaliar se segura o negócio até que um julgamento decida, em definitivo, se ele é ilegal.

Em nota, a Paramount disse que vai continuar defendendo o negócio “vigorosamente”, argumentando que os mercados considerados pelos procuradores-gerais estaduais não têm base na realidade atual do setor e que a fusão é legal, pró-competitiva e beneficia consumidores, criadores, trabalhadores e a indústria do entretenimento.

Já a juíza escreveu, em uma decisão de dez páginas, que os Estados apresentaram evidência convincente de que a empresa combinada teria participação de mercado substancial na distribuição de filmes com grande lançamento nos cinemas, e que isso, por si só, já é suficiente para presumir violação à lei antitruste.

Fusão em jogo

Segundo a ação movida pelos estados, a companhia resultante da fusão controlaria 27% do mercado de filmes de grande lançamento nos cinemas e mais de 30% dos chamados “blockbusters”, produções de orçamento elevado. 

Com a fusão, apenas quatro empresas (a nova Paramount-Warner, Disney, Universal e Sony Pictures) controlariam mais de 90% desse mercado.

O calendário também pressiona a Paramount. A partir de 30 de setembro, a empresa passa a dever à Warner Bros. uma taxa diária de US$ 7 milhões por cada dia de atraso na conclusão do negócio. 

Uma eventual derrota no processo pode inviabilizar o acordo por completo, obrigando a Paramount a pagar uma multa rescisória de US$ 7 bilhões, além dos US$ 2,8 bilhões que já desembolsou para a Netflix desistir de uma disputa concorrente pela Warner.

A Califórnia pediu que o julgamento de mérito ocorra só em abril de 2027. A Paramount, por sua vez, quer uma decisão sobre a liminar antes de 30 de setembro, data em que as taxas diárias começam a correr.

Por trás da pressa

O presidente-executivo da Paramount, David Ellison, vem construindo a tese de que a fusão fortalece o braço de streaming da empresa, unindo o Paramount+ ao HBO Max. 

Franquias de cinema da Warner, como Harry Potter, Batman e O Senhor dos Anéis, além de canais a cabo como CNN, HGTV e Discovery Channel, entrariam no pacote de conteúdo. 

A empresa já havia conseguido o aval do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, e reguladores europeus devem aprovar o negócio, com concessões pontuais, ainda nesta semana.

©2026 Bloomberg L.P.

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Moonshot: conheça o fundador da startup chinesa que desafia gigantes de IA nos EUA

Quando a DeepSeek lançou o modelo R1, em janeiro de 2025, a startup chinesa virou o símbolo da ascensão da inteligência artificial do país e provocou uma onda de vendas que eliminou quase US$ 600 bilhões do valor de mercado da Nvidia em um único dia.

Naquele mesmo momento, outra empresa chinesa tentava ganhar espaço na corrida da IA. A Moonshot, fundada por Yang Zhilin, um pesquisador formado pela Carnegie Mellon University e com passagens pelo Google e pela Meta, lançou uma nova geração de seus modelos. Mas a atenção do mercado se concentrou quase inteiramente na DeepSeek, deixando a startup em segundo plano.

Dezoito meses depois, o jogo mudou.

Na última sexta-feira (17), a Moonshot apresentou o Kimi K3, um modelo com 2,8 trilhões de parâmetros que rapidamente se tornou uma das principais atrações da Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC), em Xangai. Segundo avaliações da consultoria Artificial Analysis, o sistema supera a maioria dos modelos disponíveis atualmente, ficando atrás apenas do Claude Fable 5, da Anthropic, e do GPT-5.6, da OpenAI.

O lançamento ajudou a consolidar uma percepção que vem ganhando força no setor: a China está reduzindo rapidamente a distância tecnológica que a separa dos laboratórios americanos de ponta.

Da promessa ao retorno aos holofotes

Aos 33 anos, Yang já era considerado uma das grandes apostas da inteligência artificial chinesa antes mesmo da explosão do ChatGPT.

Nascido em Shantou, na província de Guangdong, destacou-se em olimpíadas internacionais de matemática e seguiu carreira acadêmica nos Estados Unidos. Durante o doutorado na Carnegie Mellon, trabalhou simultaneamente em projetos de inteligência artificial da Meta e do Google.

Em 2023, decidiu retornar à China para fundar a Moonshot ao lado de colegas da Universidade Tsinghua. O nome da empresa é uma referência ao álbum The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, um dos favoritos do fundador.

Investidores apostaram pesado na iniciativa. A startup rapidamente alcançou avaliação superior a US$ 1 bilhão e seu chatbot Kimi passou a ser visto como uma das principais alternativas chinesas ao ChatGPT.

Então veio a DeepSeek.

A estreia do R1 redefiniu o mercado chinês de IA praticamente da noite para o dia. Empresas passaram a integrar o modelo da DeepSeek em seus produtos, enquanto a Moonshot viu usuários migrarem para a rival.

Segundo pessoas familiarizadas com a situação, Yang convocou uma reunião de emergência logo após o feriado do Ano Novo Lunar de 2025. A partir dali, decidiu mudar a estratégia da companhia.

Em vez de competir apenas em aplicativos de consumo, a Moonshot passou a focar empresas, desenvolvedores e modelos de código aberto.

A aposta em modelos gigantes

Enquanto várias startups chinesas buscavam criar sistemas menores para contornar as restrições de acesso a chips avançados impostas pelos Estados Unidos, Yang seguiu na direção oposta.

Ele abandonou um plano para desenvolver um modelo com cerca de 200 bilhões de parâmetros e elevou essa meta para 1 trilhão no K2, lançado em 2025.

Agora, o Kimi K3 levou essa estratégia ainda mais longe.

Com 2,8 trilhões de parâmetros, trata-se do maior modelo de inteligência artificial já desenvolvido na China. O sistema combina enorme escala com avanços de eficiência computacional, permitindo competir com os modelos mais avançados do mercado.

A reação foi imediata.

Elon Musk classificou o Kimi K3 como “impressionante”. Dean Ball, chefe de estratégia da OpenAI, afirmou que a liberação pública do modelo aproxima o setor de uma espécie de “comunismo da IA”, em referência ao acesso aberto à tecnologia.

Segundo pessoas próximas à empresa, as vendas da Moonshot aumentaram mais de seis vezes após o lançamento. A demanda foi tão intensa que a startup precisou suspender temporariamente novas assinaturas para lidar com limitações de capacidade computacional.

Nova fase da corrida global

O sucesso do Kimi K3 ocorre em um momento em que empresas chinesas aceleram o desenvolvimento de modelos avançados.

Além da Moonshot, a Alibaba apresentou nos últimos dias uma prévia do Qwen 3.8-Max, sistema com 2,4 trilhões de parâmetros que, segundo a companhia, possui desempenho comparável ao dos principais modelos de fronteira dos Estados Unidos.

A sequência de lançamentos sugere que a vantagem tecnológica dos Estados Unidos no desenvolvimento de modelos de ponta está sendo pressionada por uma nova geração de empresas chinesas.

A Moonshot está finalizando uma rodada de captação que pode elevar seu valor de mercado para mais de US$ 30 bilhões e já avalia uma abertura de capital em Hong Kong nos próximos meses.

O entusiasmo em torno da empresa ficou evidente durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC, na sigla em inglês), realizada anualmente em Xangai e considerada a principal vitrine da indústria chinesa de IA. Visitantes formaram filas para conhecer a startup, deixando em segundo plano estandes muito maiores de gigantes como Alibaba e Tencent. A companhia esgotou em poucas horas todos os brindes distribuídos durante o evento.

Para Yang, a ascensão repentina da DeepSeek parecia ter transformado sua empresa em uma nota de rodapé da revolução da IA chinesa. O lançamento do Kimi K3 sugere que essa história ainda está longe do fim.

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Entre uma crise após a outra, Gafisa vende hotel e shoppings no Rio

Em meio a uma crise de liquidez e uma governança turbulenta, a construtora Gafisa fechou a venda três dos ativos mais conhecidos de seu portfólio no Rio de Janeiro: o Hotel Praia Ipanema, o Fashion Mall e o Shopping Jardim Guadalupe. O valor do negócio não foi divulgado.

Os ativos vendidos passarão a ser controlados pela Glória Participações, dos empresários Raphael Galhano e Daniel Pierro, conforme noticiou o portal Metro Quadrado. Segundo a reportagem, o plano inclui reposicionar o Praia Ipanema, fechado desde 2023, como hotel de luxo sob nova bandeira, e erguer torres residenciais sobre a estrutura do Fashion Mall, que segue operando como shopping.

De acordo com dados mais recentes, referentes ao primeiro trimestre deste ano, a Gafisa tem R$ 1,32 bilhão em dívida líquida, sendo que R$ 672 milhões vencem até dezembro. Por isso, a construtora vem buscando alternativas para melhorar sua estrutura de capital.

A alavancagem da construtora, medida pela dívida líquida sobre patrimônio líquido, saiu de 57,7% no quarto trimestre de 2024 para 86% no primeiro trimestre de 2026. Na comparação anual, as vendas brutas do primeiro trimestre de 2026 caíram 88% frente ao mesmo período de 2025.

É a segunda rodada de venda de ativos da Gafisa em menos de um ano: no primeiro trimestre, a companhia já havia vendido o Sense Icaraí, em Niterói, sob a mesma justificativa de reduzir passivos e concentrar o portfólio em alto padrão.

Em declarações recente, o comando da Gafisa defende que a alavancagem deve cair à medida que os projetos em construção forem entregues e repassados a financiamento bancário. Em teleconferência recente, o CEO Luis Fernando Ortiz afirmou esperar um corte de 48% na dívida total até o fim do ano.

Crise atrás de crise

A venda ocorre dias depois de a Gafisa viver mais uma crise entre acionistas. Em assembleia geral extraordinária de acionistas realizada na última quinta-feira (16), um grupo de minoritários tentou ampliar o conselho de administração de três para cinco membros e destituir todo o conselho fiscal, mas as duas propostas foram rejeitadas. Esse grupo questiona um aumento de capital promovido recentemente pela empresa.

O episódio é mais um capítulo de uma governança turbulenta que remonta a 2018, quando o fundo sul-coreano GWI, do investidor Mu Hak You, tomou o controle da Gafisa em uma disputa hostil, destituiu o conselho e assumiu a gestão da companhia. 

O período é lembrado como desastroso: a nova diretoria demitiu metade do quadro de funcionários e chegou a desconhecer práticas contábeis básicas do setor imobiliário, segundo relatos da época. A posição da GWI, montada de forma alavancada, ruiu em fevereiro de 2019, e parte das ações do fundo foi a leilão na B3. 

Foi nesse vácuo que o empresário Nelson Tanure emergiu como acionista de referência da companhia, entrando no conselho de administração em abril daquele ano, junto a fundos da MAM Asset, a gestora do Banco Master.

Tanure deixou o conselho formalmente em 2023 e hoje teria uma participação pequena no negócio. Hoje, as maiores posições acionárias são de fundos das gestoras GERF e Ravello, com quase 40% das ações. 

A presidência do conselho é de Eduardo Larangeira Jácome, executivo com passagem pelo board da Prio, um dos principais investimentos de Tanure na última década. 

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IG4 Capital tenta assumir controle da Oncoclínicas

O Grupo IG4 Capital busca tentar conseguir controle na prestadora de serviços médicos Oncoclínicas por meio da obtenção de mais de 50% dos direitos de voto, segundo pessoas a par do assunto; isso daria à gestora de ativos alternativos um papel no resgate de mais uma empresa brasileira de grande porte em dificuldades financeiras.

Pela proposta apresentada na semana passada, os acionistas cederiam ao IG4 o direito de exercício de voto, mantendo a titularidade econômica das ações — incluindo o direito de receber dividendos —, disseram as pessoas.

Na semana passada, a Oncoclínicas anunciou um acordo com parte de seus credores para uma recuperação extrajudicial de uma dívida de R$ 5,1 bilhões, tornando-se a mais recente de uma série de empresas brasileiras a buscar uma reestruturação em meio à pressão das taxas de juros de dois dígitos. A operadora de centros de tratamento de câncer, sediada em São Paulo, enfrentou dificuldades após uma série de aquisições elevarem seu endividamento.

O controle dos votos permitiria ao IG4 trabalhar na reestruturação da dívida da Oncoclínicas e, simultaneamente, gerir a empresa de forma a melhorar sua eficiência e focar nas clínicas, disseram as pessoas, que pediram para não ser identificadas ao discutir uma proposta que não é pública. O IG4 já desempenha um papel importante na recuperação da gigante petroquímica Braskem e busca participar da renegociação da dívida da produtora de açúcar e etanol Raízen.

Em sua oferta não vinculante, o IG4 informou aos acionistas que injetaria cerca de R$ 500 milhões de dinheiro novo na Oncoclínicas por meio de debêntures conversíveis em ações. A proposta só se tornaria vinculante se o conselho da Oncoclínicas concedesse um período de exclusividade de 60 dias ao IG4, dando à gestora tempo para realizar uma diligência detalhada, disseram as fontes. O valor dos títulos a serem emitidos poderá sofrer alterações após essa diligência, disseram.

As debêntures conversíveis teriam prioridade sobre outras dívidas — em moldes semelhantes ao financiamento conhecido como DIP (debtor-in-possession). Esse ponto precisaria ser negociado com credores como parte do atual processo de recuperação extrajudicial da empresa, segundo as pessoas. O aporte permitiria à Oncoclínicas manter suas operações e aliviar a escassez de medicamentos, disseram as pessoas.

A Oncoclínicas informou que seu plano de reestruturação pode envolver um aporte de capital pelos acionistas da empresa, a conversão de certos créditos em participação acionária ou em nova dívida, e um cronograma de amortização para esses créditos.

O IG4, fundado há 10 anos por uma equipe de quatro especialistas em reestruturação de empresas, diz enxergar as vítimas do severo ciclo de crédito brasileiro como uma oportunidade em potencial, dada a sua experiência em negociações complexas de dívidas. No caso da Braskem e da Raízen, a gestora busca participar de processos que envolvem um endividamento combinado de R$ 127 bilhões.

O IG4 possui experiência no setor de saúde. O grupo fundou e desenvolveu a Opy Health, empresa brasileira focada em infraestrutura e serviços para hospitais, a qual incorporou algumas unidades hospitalares em dificuldades adquiridas pelo IG4. Em agosto de 2023, o IG4 vendeu sua participação para um fundo estruturado pelo BTG Pactual. Apesar da mudança de controle acionário, o IG4 continua a gerir ativamente a Opy Health.

*Por Cristiane Lucchesi

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Pelo Tecon 10 de Santos, MSC e Maersk estudam fim de sociedade na Brasil Terminal Portuário

A Maersk e a MSC notificaram o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que se comprometem a encerrar sociedade que as empresas possuem na Brasil Terminal Portuário (BTP), caso alguma das duas saia vencedora no leilão do terminal Tecon 10, no Porto de Santos, o maior do setor portuário já feito no Brasil

A Maersk, por meio de sua subsidiária APM Terminals, detém 50% da BTP, que já opera o segundo maior terminal do Porto de Santos. Do outro lado, a MSC e a gestora Global Infrastructure Partners (GIP), controlada pela BlackRock, possuem a outra metade da empresa por meio da Terminal Investment Limited (TiL).

Em contato com a reportagem após a publicação do texto, a Maersk afirmou que o papel de cada parte na operação ainda não está definido.

“A depender do resultado do leilão do Tecon Santos 10, a APM Terminals poderá atuar como compradora, adquirindo os 50% restantes da BTP, ou como vendedora, alienando sua própria participação de 50%”, diz a empresa. “A definição de qual papel a APM Terminals assumirá está, portanto, condicionada ao resultado do leilão, não estando definida neste momento.”

Segundo o próprio documento enviado ao Cade, a notificação serve para que as empresas atendam a tempo uma condição que ainda gera impasse entre companhias, governo e Tribunal de Contas da União (TCU): para poder disputar o Tecon 10, operadoras que já têm terminal em Santos só poderiam entrar na fase inicial do leilão se comprovarem, antes da abertura do edital, o compromisso irrevogável de vender sua participação em terminal existente no porto.

O Tecon 10 terá capacidade de até 3 milhões de TEUs (unidade padrão de medida de capacidade portuária, equivalente a um contêiner de 20 pés) por ano, o dobro da capacidade atual da BTP, e concessão de 25 anos. A estimativa do Ministério de Portos e Aeroportos é de R$ 6,4 bilhões em investimentos ao longo do contrato.

Outras gigantes do setor portuário, como a chinesa Cosco, já sinalizaram interesse no ativo, assim como empresas brasileiras, caso da JBS Terminais, braço portuário do grupo J&F dos irmãos Batista.

A joint venture

A BTP opera um terminal multiuso na região da Alemoa, na margem direita do Porto de Santos, com movimentação de contêineres e granéis líquidos. Em 2025, a empresa faturou R$ 2,1 bilhões e respondeu por 31% dos contêineres movimentados no porto, atrás apenas da Santos Brasil, hoje controlada pela francesa CMA CGM.

Tanto MSC quanto Maersk são armadoras, ou seja, empresas donas de navios que vendem o serviço de transporte marítimo de cargas.

A MSC é hoje a maior do mundo em capacidade de transporte, posto que tomou da Maersk em 2021; juntas, as duas respondem por cerca de um terço de toda a capacidade global de navios porta-contêineres.

Nos últimos anos, ambas passaram a comprar participação em terminais portuários, negócio historicamente separado do de transportar carga pelo mar, numa estratégia de verticalização: ao controlar também onde seus navios atracam, ganham mais controle sobre custos e prioridade de atendimento. A BTP é um desses ativos.

(Atualização às 12h28: Após a publicação do texto, a Maersk enviou informações adicionais sobre a operação. O texto foi atualizado e corrigido).

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CEO da Serra Verde assume USA Rare Earth após acordo de US$ 2,8 bilhões

Três meses após anunciar a aquisição da Serra Verde, mineradora brasileira de terras raras, por cerca de US$ 2,8 bilhões, a USA Rare Earth, empresa americana de minerais críticos listada na Nasdaq, nomeou o britânico Thras Moraitis, atual CEO da companhia brasileira, para comandar a empresa combinada.

A nomeação de Moraitis entra em vigor em 1º de outubro de 2026, informou a companhia nesta segunda-feira (20). Ele substituirá Barbara Humpton, que deixará o cargo de presidente-executiva e o conselho de administração na mesma data.

Até a conclusão da operação entre as empresas, prevista para o fim de agosto, Moraitis continuará supervisionando as operações da Serra Verde e assumirá a função de presidente da companhia combinada.

A aquisição da Serra Verde foi anunciada em 20 de abril e envolve o pagamento de US$ 300 milhões em dinheiro e a emissão de aproximadamente 126,8 milhões de ações da USA Rare Earth. A transação ocorre em meio à disputa global por fontes alternativas de terras raras, mercado atualmente dominado pela China.

Esses minerais são considerados estratégicos para a produção de ímãs de alta potência usados em veículos elétricos, eletrônicos, equipamentos de defesa, turbinas eólicas e outras tecnologias.

A Serra Verde possui uma mina e uma planta de processamento em Minaçu (GO) e é atualmente a única produtora de terras raras em escala comercial no Brasil. A jazida de Pela Ema contém elementos como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, considerados essenciais para a fabricação de ímãs permanentes.

Desde que assumiu o comando da Serra Verde, em janeiro de 2023, Moraitis ajudou a transformar a mineradora no que a USA Rare Earth descreve como a única produtora em larga escala dos quatro elementos críticos de terras raras magnéticas fora da Ásia.

A combinação entre as duas empresas deve criar a primeira cadeia integrada de terras raras “da mina ao ímã” fora da Ásia, reunindo ativos de mineração, processamento, produção de metais, ligas e fabricação de ímãs nos Estados Unidos, Brasil e outros países aliados.

A Serra Verde iniciou a produção comercial em sua mina e planta de processamento em 2024 e pretende elevar sua capacidade para cerca de 6.500 toneladas métricas de óxidos de terras raras por ano até o fim de 2027. A companhia também avalia dobrar sua capacidade produtiva nos próximos quatro anos.

A empresa brasileira possui ainda um contrato de fornecimento de 15 anos para sua produção inicial com uma entidade apoiada por agências do governo dos Estados Unidos e por capital privado. O acordo prevê preços mínimos garantidos para elementos críticos como disprósio e térbio, reduzindo riscos para o projeto.

A Serra Verde também conta com um pacote de financiamento de US$ 565 milhões da U.S. International Development Finance Corporation para expansão e otimização das operações no Brasil.

Além da troca no comando, a USA Rare Earth anunciou que Michael Blitzer, atual presidente do conselho da companhia, assumirá como presidente executivo do conselho, com efeito imediato. Segundo a empresa, Blitzer teve papel central na estratégia de construir uma cadeia global integrada de terras raras e na obtenção de apoio financeiro do governo americano, incluindo uma parceria público-privada de US$ 1,6 bilhão.

A USA Rare Earth afirmou que a gestão de Barbara Humpton foi marcada pelo avanço de parcerias estratégicas e pela expansão da presença da companhia em processamento de minerais críticos, produção de metais e fabricação de ímãs.

Antes de assumir a Serra Verde, Moraitis foi diretor de desenvolvimento e membro do conselho executivo da EuroChem Group. Ele também ocupou posições de liderança na Xstrata e participou da expansão da companhia até a venda para a Glencore, em 2013, por cerca de US$ 65 bilhões.

Com a aquisição da Serra Verde, a USA Rare Earth busca fortalecer uma cadeia de suprimentos ocidental de minerais estratégicos em um momento de aumento das tensões entre Estados Unidos e China e de preocupação com a dependência chinesa no setor de terras raras.

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Excluídos da mesa, credores minoritários da Braskem querem entrar na conversa e avaliam ir à CVM

braskem

Credores minoritários da Braskem estão se organizando para pedir um assento à mesa de negociação da reestruturação financeira da petroquímica. Representantes de um bondholder brasileiro preparam um pedido de ingresso na mediação instaurada pela companhia perante a Câmara Wind, uma câmara brasileira de solução de conflitos, e já conversam com outros credores que também ficaram […]

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Apple processa OpenAI na Justiça por roubo de segredo comercial

A Apple processou a OpenAI por roubo de segredos comerciais, acusando a startup de inteligência artificial e seu diretor de hardware de conduzirem uma campanha coordenada para obter informações sobre produtos ainda não lançados.

A fabricante do iPhone afirmou, em ação apresentada na sexta-feira, que a OpenAI incentivou funcionários da Apple a compartilhar informações, componentes, desenhos e outros materiais relacionados a produtos em desenvolvimento como parte dos esforços da empresa de IA para criar sua própria linha de dispositivos.

Na ação, protocolada no Tribunal Distrital do Norte da Califórnia, a Apple também incluiu Tang Tan, diretor de hardware da OpenAI. Ele foi anteriormente vice-presidente de design de produtos da Apple, liderando o desenvolvimento do iPhone, do Apple Watch, dos AirPods e de diversos outros produtos da divisão de engenharia de hardware da companhia.

A disputa judicial representa uma reviravolta para duas empresas que atuaram como parceiras próximas nos últimos anos. A OpenAI, criadora do ChatGPT, forneceu tecnologia essencial para a plataforma Apple Intelligence e para a assistente digital Siri. Mas as tensões vêm aumentando ao longo do último ano, agravadas pela contratação, pela OpenAI, do ex-chefe de design da Apple Jony Ive para ajudar no desenvolvimento de dispositivos.

A OpenAI, que se prepara para realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO) nos próximos meses, contratou um grande número de ex-funcionários da Apple. Segundo a ação, mais de 400 ex-empregados da fabricante do iPhone trabalham atualmente na OpenAI.

“Em todos os níveis, desde integrantes de sua equipe técnica até seu diretor de hardware, e em coordenação com parceiros de negócios, a OpenAI vem roubando os segredos comerciais e as informações confidenciais da Apple”, afirmou a gigante de tecnologia sediada em Cupertino, Califórnia, na ação. “Como resultado natural, o nascente negócio de hardware da OpenAI repousa sobre bases extremamente frágeis, corrompidas em sua essência pela dependência ilegal de segredos comerciais obtidos de forma indevida.”

A Apple exige que a OpenAI interrompa essas práticas e destrua qualquer material proprietário. A empresa, que pede julgamento por júri, também quer que a OpenAI reprojete os produtos que pretende lançar para que eles não incorporem nenhuma tecnologia da Apple.

A Apple afirmou que Tan incentivava funcionários a fornecer informações sobre produtos ainda não lançados durante entrevistas de emprego. A ação também cita Chang Liu, ex-engenheiro de hardware do iPhone, alegando que ele forneceu materiais confidenciais. Liu ingressou na OpenAI em janeiro.

“Ao longo de várias semanas, enquanto desenvolvia hardware para a OpenAI, o sr. Liu acessou e baixou de forma clandestina dezenas de arquivos confidenciais da Apple relacionados a hardware, incluindo um amplo volume de informações detalhadas sobre produtos ainda não lançados, apresentações de engenharia, especificações técnicas e dados proprietários de projetos”, diz a ação.

A Apple afirmou ainda que seus funcionários eram “orientados ativamente” pela OpenAI sobre como conduzir sua saída da empresa.

“A OpenAI orientou funcionários que estavam deixando a empresa a não revelar quem seria seu próximo empregador e forneceu conselhos sobre como evitar a ‘temida saída imediata’, que os removeria prontamente da empresa, em vez de conceder o período padrão de duas semanas durante o qual eles poderiam continuar tendo acesso às informações confidenciais e aos segredos comerciais da Apple”, afirma a ação.

O caso destaca a importância estratégica dos dispositivos de IA de nova geração para o Vale do Silício. Apple, OpenAI, Meta Platforms e outras empresas disputam o desenvolvimento de novos aparelhos que coloquem a inteligência artificial no centro da experiência do usuário, em preparação para um futuro pós-smartphone.

A Apple afirmou que tentou resolver a disputa com a OpenAI fora dos tribunais meses atrás, pedindo que a empresa interrompesse essas iniciativas e eliminasse qualquer material proprietário. Segundo a companhia, não houve resposta, o que levou ao ajuizamento da ação.

“Evidências significativas surgiram indicando que pessoas empregadas pela OpenAI obtiveram de forma indevida informações secretas e confidenciais da Apple relacionadas a nossas tecnologias, processos e produtos ainda não lançados”, afirmou a empresa em comunicado.

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China cria o seu “foguete que dá ré” e desafia Elon Musk

Após destronar a Tesla no mercado de carros elétricos, os chineses prometem abrir uma nova frente de disputa contra outra empresa de Elon Musk, atualmente, sua “menina dos olhos”: a SpaceX. A China testou com sucesso um sistema de recuperação de foguetes na sexta-feira, 10 de julho, segundo informações da mídia estatal. O Long March-10B […]

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SpaceX valerá mais do que o resto da Terra, diz Musk. Como ele pretende chegar lá

Esta foi a semana das avaliações para a SpaceX. Mais de uma dezena de analistas divulgaram suas primeiras análises após o IPO recorde da empresa em junho. Mas as projeções de Elon Musk superam todas elas.

Investidores receberam uma enxurrada de estimativas, preços-alvo, cenários otimistas e pessimistas para as ações da empresa. O CEO da SpaceX, Elon Musk, também apresentou sua própria visão sobre o potencial da companhia: ela valerá mais do que a Terra.

“Vocês não parecem entender que a SpaceX valerá mais do que o resto da Terra se alcançarmos nossos objetivos”, escreveu Musk em uma publicação na rede social X na quinta-feira. Ele respondia a um comentário sobre os custos da inteligência artificial.

Talvez essa seja sua projeção mais otimista até hoje — e isso não é pouca coisa. Em 2022, Musk afirmou que a Tesla poderia valer mais do que a soma de Apple e da Saudi Aramco. Na época, as duas empresas juntas valiam cerca de US$ 4,4 trilhões. Atualmente, a Tesla vale aproximadamente US$ 1,8 trilhão.

You don’t seem to understand that SpaceX will be worth more than the rest of Earth if we accomplish our goals

— Elon Musk (@elonmusk) July 9, 2026

De fato, a SpaceX opera no espaço, o que lhe dá uma vantagem para expandir seus negócios de inteligência artificial e comunicações. Musk costuma citar a Escala de Kardashev, uma estrutura criada na década de 1960 pelo astrônomo soviético Nikolai Kardashev para classificar civilizações de acordo com o uso de energia.

Segundo essa escala, uma civilização de Tipo I consegue aproveitar toda a energia disponível em seu planeta. Uma civilização de Tipo II utiliza a energia de sua estrela. Já uma civilização de Tipo III aproveita a energia de toda a sua galáxia. A ambição de Musk é alcançar o aproveitamento da energia do Sol — algo muito maior do que a Terra.

Fora das comparações planetárias, o banco Raymond James possui o preço-alvo mais elevado para a SpaceX: US$ 800 por ação. No cenário mais otimista do Citigroup, o papel chegaria a US$ 900, o que implicaria uma avaliação de aproximadamente US$ 12 trilhões para a empresa.

Essas estimativas, obviamente, pressupõem que tudo dará certo para a SpaceX, incluindo o desenvolvimento da Starship, o enorme foguete totalmente reutilizável da companhia que deve reduzir drasticamente os custos para alcançar a órbita terrestre.

O Morgan Stanley tem preço-alvo de US$ 300 para a SpaceX e um cenário otimista de US$ 600 por ação. Já seu cenário pessimista prevê US$ 75, assumindo que a Starship não estará operacional antes de 2029.

As projeções variam amplamente. Segundo a FactSet, o preço-alvo médio dos analistas gira em torno de US$ 240 por ação.

As ações da SpaceX caíam 1,9% nas primeiras negociações desta sexta-feira, para US$ 149,33. No mesmo momento, o índice S&P 500 subia 0,1%, enquanto o Dow Jones Industrial Average avançava 0,2%.

Em termos operacionais, Wall Street projeta que a receita da SpaceX ultrapassará US$ 630 bilhões em 2031, ante cerca de US$ 39 bilhões esperados para 2026. O lucro operacional deverá superar US$ 340 bilhões em 2031, contra aproximadamente US$ 1 bilhão previsto para este ano.

É um crescimento extraordinário. No entanto, os analistas não projetam fluxo de caixa livre para o período. Eles estimam que a SpaceX precisará captar cerca de US$ 150 bilhões adicionais entre 2026 e 2031 para desenvolver seu negócio de inteligência artificial orbital.

Os números que cercam a SpaceX são impressionantes. Talvez, nesse contexto, comparações com planetas façam algum sentido.

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Nubank recebe autorização para operar como banco no México e prevê investimentos de US$ 4,2 bilhões

nubank

Pouco mais de um ano após dar a partida na expansão de suas atividades no México, o Nubank anunciou, na sexta-feira, 10 de julho, que recebeu autorização das autoridades regulatórias para iniciar suas operações como banco no país. A autorização concedida pela Comisión Nacional Bancaria y de Valores (CNBV) representa a etapa final do processo […]

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Nubank recebe licença bancária no México e amplia presença na América Latina

A brasileira Nu Holdings recebeu a aprovação final para uma licença bancária no México, um passo importante na estratégia de ampliar sua presença na segunda maior economia da América Latina.

A licença, concedida pelo regulador financeiro mexicano Comisión Nacional Bancaria y de Valores, permitirá ao Nubank adicionar serviços como contas-salário, contas correntes, limites maiores de depósitos e, futuramente, novos produtos de crédito.

O Nubank entrou no México em 2019 e, desde então, transformou o país em um dos principais motores de crescimento da empresa fora do Brasil. O banco digital investiu bilhões de dólares no negócio mexicano desde o início das operações no país e já alcançou mais de 15 milhões de clientes, o equivalente a 15% da população adulta mexicana, segundo comunicado da companhia.

“O México é um mercado-chave para o Nubank, e este é um passo decisivo no nosso compromisso de longo prazo com o país, com um investimento total projetado de US$ 4,2 bilhões até 2030”, afirmou David Vélez, fundador e CEO global do Nubank.

A empresa anunciou pela primeira vez os planos de se tornar um banco no México em outubro de 2023, quando ainda operava com uma licença de instituição financeira não bancária, que permitia oferecer cartões de crédito e captar depósitos no país.

O Nubank construiu sua operação mexicana com um modelo focado no celular, voltado para clientes pouco atendidos pelos bancos tradicionais e para pessoas que ainda dependem fortemente de dinheiro em espécie.

A instituição tem buscado ampliar sua atuação bancária internacionalmente. Em janeiro, a empresa recebeu aprovação condicional do Office of the Comptroller of the Currency para uma licença de banco nacional nos Estados Unidos.

Concorrentes

O Nubank se junta a um grupo crescente de fintechs que tentam competir mais diretamente com os maiores bancos mexicanos. O Banco Plata e o neobanco britânico Revolut iniciaram operações bancárias no país no início deste ano.

O Mercado Pago, braço financeiro do Mercado Livre, solicitou uma licença bancária enquanto amplia sua atuação além de pagamentos e crédito ao consumidor. A fintech mexicana Klar também aguarda aprovação regulatória.

A entrada das fintechs no sistema bancário regulado do México pode intensificar a concorrência em um mercado historicamente dominado por poucos grandes bancos. Analistas afirmam que se tornar um banco pode ajudar o Nubank a ter acesso a uma fonte de financiamento mais barata e estável por meio de depósitos, reduzindo a dependência de captações no mercado.

Uma licença bancária completa também permitirá que a empresa dispute de forma mais direta depósitos de salários e o relacionamento principal dos clientes com instituições financeiras.

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Mudança de rota: EasyJet recua de proposta da Castlelake e aceita oferta de US$ 7,6 bi da Apollo

Quatro dias depois de a companhia aérea britânica EasyJet ter aceitado a proposta de aquisição da gestora americana Castlelake por 6,90 libras esterlinas por ação, num acordo de US$ 6,7 bilhões, após semanas de insistência, o roteiro do M&A mudou. Nesta sexta-feira, 10 de julho, a empresa chegou a um acordo com a gestora Apollo […]

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BYD e rivais chinesas pressionam BMW e Volkswagen; vendas caem mais de 35% na China

A BMW e a Volkswagen registraram queda nas vendas de veículos no segundo trimestre devido ao agravamento da retração na China, onde a crescente concorrência de fabricantes locais e a crise imobiliária continuam enfraquecendo a demanda.

As duas montadoras informaram nesta sexta-feira uma redução nas vendas globais no período, pressionadas por fortes quedas no mercado chinês, onde fabricantes liderados pela BYD dominam o segmento de carros elétricos. As vendas das marcas BMW e Mini no país asiático despencaram 30%, enquanto as entregas da Volkswagen na China caíram 37%.

Os números encerram uma semana difícil para a indústria automobilística alemã. Tanto a Porsche quanto a Mercedes-Benz já haviam relatado queda nas entregas, citando a situação na China, onde a prolongada crise do setor imobiliário tem reduzido o poder de compra dos consumidores mais ricos. As empresas também enfrentam altos custos de energia e mão de obra na Europa, além das tarifas de importação impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A Volkswagen tenta lidar com esses desafios tornando-se uma empresa mais enxuta e ágil. O grupo, dono de marcas como Porsche, Audi e Seat, pretende reduzir sua ampla gama de modelos em até 50%, informou na quinta-feira após uma reunião do conselho de supervisão que não conseguiu aprovar cortes mais profundos.

Demissões

O CEO da Volkswagen, Oliver Blume, era esperado para defender o aumento das demissões para 100 mil funcionários e o fechamento de quatro fábricas na Alemanha. No entanto, o conselho não apoiou as medidas mais drásticas, resultando apenas em planos vagos para reduzir variações de modelos. Detalhes das propostas haviam vazado nos últimos dias, irritando os poderosos representantes dos trabalhadores da companhia.

O CEO da BMW, Milan Nedeljkovic, também pretende intensificar os cortes de custos e, no mês passado, reduziu as projeções financeiras da empresa para 2026. A BMW agora projeta uma margem que pode colocá-la como a montadora europeia de grande porte menos lucrativa do setor.

As ações da Volkswagen chegaram a cair até 1,4% em Frankfurt. Já os papéis da BMW avançavam 0,7% às 11h43 no horário local, embora ainda acumulem queda de cerca de 37% no ano.

A BMW vinha demonstrando maior resiliência do que concorrentes durante a difícil transição para veículos elétricos. Diferentemente de Mercedes e Volkswagen, a empresa sediada em Munique optou por manter uma estratégia mais flexível, produzindo diferentes tipos de motorização, o que a ajudou a enfrentar melhor a demanda abaixo do esperado por veículos elétricos e as mudanças de política nos Estados Unidos.

A montadora já começou a lançar os primeiros de dezenas de veículos novos e atualizados baseados na plataforma Neue Klasse, cujo desenvolvimento consumiu mais de € 10 bilhões (US$ 11,4 bilhões). Neste ano, a empresa lançará na China uma versão local do primeiro modelo da linha, o utilitário esportivo BMW iX3, na tentativa de estimular a demanda.

Houve, porém, alguns sinais positivos. As vendas da BMW cresceram nos Estados Unidos e na Europa, onde a procura por carros elétricos está em alta. A empresa afirmou que o iX3 está no caminho para alcançar 100 mil pedidos, enquanto o sedã BMW i3 também vem registrando “forte demanda”.

A Volkswagen também reportou aumento nas entregas de veículos na Europa e na América do Norte nos três meses encerrados em junho. A carteira de pedidos de veículos elétricos da companhia na Europa cresceu mais de 50% em relação ao fim do ano passado. Ainda assim, marcas importantes do grupo, como Porsche, Audi e a própria Volkswagen, registraram queda nas vendas globais no período.

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Após fracassar nos EUA e em Londres, Shein prepara IPO com avaliação de US$ 30 bilhões

A Shein está avançando nos preparativos para uma possível oferta pública inicial de ações (IPO) em Hong Kong, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. O movimento pode representar o desfecho de um esforço de anos da gigante de moda rápida para abrir seu capital.

A Shein e seus assessores podem buscar lançar o IPO já nos próximos meses, caso recebam a aprovação da Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China (CSRC), disseram as fontes, que pediram anonimato por tratarem de informações privadas. Discussões recentes com o regulador teriam gerado sinais mais positivos, segundo algumas dessas pessoas.

A companhia considera levantar alguns bilhões de dólares na oferta, embora o valor final dependa da avaliação de mercado atribuída à empresa. Apesar de os trabalhos estarem em andamento, ainda não há um cronograma definido e a listagem pode sofrer novos atrasos.

A Shein vem enfrentando pressão de acionistas para reduzir sua avaliação para cerca de US$ 30 bilhões. No passado, a empresa chegou a ser avaliada em mais de três vezes esse valor, segundo pessoas familiarizadas com o tema ouvidas no ano passado.

“Como política da empresa, não comentamos rumores ou especulações”, afirmou um representante da Shein. A CSRC não respondeu a um pedido de comentário.

Estados Unidos e Londres

A Shein tentou sem sucesso abrir capital nos Estados Unidos e em Londres antes de voltar sua atenção para Hong Kong no ano passado, enquanto sua avaliação de mercado despencava. Embora a bolsa de Hong Kong tenha acumulado queda de cerca de 6% neste ano, o mercado de IPOs permanece aquecido, com quase US$ 35 bilhões captados em ofertas iniciais de ações até agora.

O plano original de listagem nos EUA foi frustrado há dois anos devido ao escrutínio sobre sua cadeia de suprimentos e práticas trabalhistas. Já a opção por Londres foi abandonada após reguladores chineses reterem a aprovação necessária.

A varejista transferiu sua sede para Singapura em 2021, mas continua sujeita à supervisão da CSRC. Isso porque o regulador exige que empresas com vínculos substanciais com a China — mesmo aquelas não incorporadas no país — obtenham sua aprovação antes de realizar uma listagem em qualquer mercado do mundo.

Depois de passar anos minimizando suas origens chinesas e se promovendo como uma empresa global, a Shein mudou de estratégia após solicitar o IPO em Hong Kong no ano passado. O fundador, Xu Yangtian, prometeu direcionar mais recursos para a província chinesa de Guangdong, um importante polo comercial que abriga uma vasta rede de fabricantes responsáveis pela produção de roupas de baixo custo.

Concorrência

A avaliação da Shein vem diminuindo desde o pico de US$ 100 bilhões alcançado há quatro anos. A empresa enfrenta concorrência crescente da Temu, controlada pela PDD Holdings, em mercados estratégicos como Estados Unidos e Europa. Além disso, aumentos de preços provocados por tarifas comerciais reduziram a demanda dos consumidores, enquanto reguladores intensificaram a fiscalização de suas operações.

Ainda assim, a Shein esperava registrar um lucro líquido robusto de cerca de US$ 2 bilhões no ano passado. Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, margens maiores obtidas por meio de reajustes de preços e cortes de custos ajudaram a compensar a queda no tráfego online causada pelas tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Entre os investidores da Shein estão IDG Capital, Mubadala Investment Company, Tiger Global Management e HSG (HongShan).

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Depois de pescar R$ 2,5 bi “dentro de casa”, Porto Serviço sai em busca de mais R$ 4,5 bi

Uma receita de R$ 2,5 bilhões em dois anos. Para chegar a essa cifra, contabilizada em 2025, a Porto Serviço teve como principal motor o ecossistema do grupo Porto, onde nasceu, no fim de 2023, como um braço para a oferta de serviços residenciais e automotivos. Boa parte deles, emergenciais. O aquário de mais de […]

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De híbridos flex a carros 100% a álcool: como o etanol voltou aos planos da indústria automotiva

O Brasil é a Arábia Saudita do etanol. Com uma diferença: nossa produção abastece, sobretudo, o próprio Brasil. No ano passado, menos de 5% do etanol feito aqui foi para exportação. 

Não é trivial um país em desenvolvimento ter criado e massificado um biocombustível. Isso só foi possível com uma boa dose de políticas públicas. 

No caso mais recente, neste ano de 2026, incentivos fiscais tiraram da extinção o que era considerado um “dinossauro”: os “carros a álcool” – sem motor flex, ou seja, que só rodam com etanol mesmo. 

Mas não é só isso. O incentivo ao etanol também tem feito com que as montadoras chinesas desenvolvam motores flex para crescer por aqui – já que na China isso não existe.

Oferta não falta. A fatia do etanol no agronegócio brasileiro só cresceu desde a criação do biocombustível, nos anos 1970. A produção chegou a 36 bilhões de litros em 2025, contra 600 milhões de litros naquela época. 

E essa participação tende a crescer ainda mais, impulsionada pela expansão do etanol de milho – cuja produção costuma ser mais barata que a do etanol de cana.

Por essas razões, o etanol é hoje uma das grandes forças que moldam os rumos da indústria automotiva brasileira.

100% etanol

Ficou impraticável comprar gasolina na década de 1970. Com a crise do petróleo, a partir de 1973, o preço do barril quadruplicou em poucos meses. Era um problema para o Brasil, que importava mais de 80% do combustível que consumia. 

A solução foi olhar para o que o país fazia de melhor desde a época das capitanias hereditárias: cana-de-açúcar. Assim nasceu o Proálcool, um programa federal que incentivava a produção de etanol em larga escala – e estimulava as montadoras a desenvolver carros movidos pelo novo combustível.

Funcionou. Ao longo dos anos 1980, os carros a etanol dominaram o mercado brasileiro. No auge, nove em cada dez veículos novos nas ruas funcionavam exclusivamente a álcool.

Linha de montagem de carros 100% a etanol na fábrica da Fiat em Betim (MG), durante a expansão do Proálcool, no início dos anos 1980 (Fonte: arquivo Anfavea)
Linha de montagem de carros 100% a etanol na fábrica da Fiat em Betim (MG) nos anos 1980 (Anfavea)

O problema: a produção do combustível não acompanhou o ritmo. Para piorar: quando o preço internacional do açúcar subiu, muitas usinas preferiram transformar cana nesse alimento, não em etanol.

Os postos ficaram sem álcool. Sem outra alternativa, alguns motoristas dormiam nos carros esperando a chegada de um caminhão-tanque.

O trauma deixou sua marca. Nos anos 1990, os carros totalmente a etanol – naquela época, falava-se álcool – já haviam perdido uma fatia relevante do mercado. 

Os últimos modelos do tipo, um Chevrolet Classic 1.0 e um Volkswagen Santana 1.8, saíram de linha apenas três anos depois da estreia dos motores flex no país, em 2003. 

Fazia mais sentido adotar a versão flex: tanto para as montadoras, que conseguiram atender a dois públicos com um único modelo, quanto para os consumidores, que continuaram com a opção de abastecer com etanol mas sem depender totalmente das idas e vindas da safra de cana. 

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Mas agora, vinte anos depois, os veículos 100% etanol estão de volta. 

Em junho, a Chevrolet, da GM, apresentou o Onix ECO, uma versão do Onix movida exclusivamente a etanol. Ele chega em duas carrocerias: hatch, com preço inicial de R$ 103.190, e sedã, a partir de R$ 106.990.

Esta é a primeira materialização de uma ideia que ganha força no setor.

A Stellantis, holding que reúne as marcas Fiat, Jeep, Peugeot e outras, diz ter tecnologia pronta para carros dedicados ao etanol – e espera para ver se há demanda por eles. A Volkswagen também já afirmou que vê espaço para esse mercado, embora ainda sem um produto confirmado. 

Benefício tributário

Na Chevrolet, a ideia é que o Onix ECO sirva para atender, em especial, o mercado corporativo.

“Vemos bastante empresas buscando alternativas para cumprir as metas de ESG”, diz Vitor Oyama, gerente de marketing de produto da marca. Para esse público, o argumento da montadora é que o etanol chega mais barato do que migrar para elétricos.

Mas, na prática, o que faz o lançamento ganhar sentido mesmo é um “detalhe” tributário.

O Onix ECO foi desenhado para aproveitar as regras do chamado IPI Verde, um mecanismo criado em julho de 2025 para calibrar o imposto dos carros conforme seu impacto ambiental. 

Para zerar o imposto, um modelo precisa, entre outras exigências, emitir menos carbono – levando em conta desde a produção do combustível até sua queima no motor.

Chevrolet Onix ECO, versão desenvolvida para rodar exclusivamente com etanol
Chevrolet Onix ECO, versão desenvolvida para rodar exclusivamente com etanol (Fonte: Divulgação/GM)

Não que os carros a gasolina não consigam cumprir esse requisito. Mas o etanol leva vantagem. Porque sua matéria-prima absorve carbono da atmosfera durante o cultivo, o que compensa parte do carbono que o carro libera ao rodar. 

O incentivo faz diferença. A alíquota-base do IPI Verde para carros de passeio é de 6,3%. Em um carro na faixa dos R$ 100 mil, zerar esse imposto representa algo próximo de R$ 6 mil.

Na prática, isso permitiu à Chevrolet posicionar o Onix ECO entre os compactos automáticos mais baratos do mercado. O hatch parte de R$ 103.190, abaixo dos R$ 107.990 cobrados pelo Volkswagen Polo Sense automático, por exemplo.

“O incentivo do governo muda completamente a dimensão desse mercado. Se você olha só para a tecnologia, talvez ele fosse muito mais restrito”, diz Oyama.

Elétricos à brasileira 

O benefício do IPI zero fica reservado aos carros compactos, mais “acessíveis”. Entram nessa lista, por exemplo, as versões 1.0 manuais do Kwid, do Mobi e do Argo.

Mas não são só eles que ganham alguma vantagem: carros eletrificados também têm descontos na alíquota. 

Para os totalmente elétricos, o IPI cai, de cara, de 6,3% para 4,3%. Nos híbridos, o desconto depende do combustível que alimenta o motor a combustão: ele só existe quando o motor é flex ou movido a etanol.

Hoje, os híbridos flex ainda representam uma fatia pequena do mercado brasileiro de eletrificados. Mas vêm ganhando espaço. No primeiro semestre de 2026, responderam por 11% das vendas do segmento, com 24 mil unidades emplacadas – mais do que em todo o ano de 2025, quando foram vendidas 21 mil.

Trata-se de uma tecnologia desenvolvida particularmente para o mercado brasileiro.

A pioneira foi a Toyota, com o Corolla híbrido flex, lançado em 2019 como o primeiro carro do tipo no mundo. 

Agora, as chinesas também entraram nessa corrida. A GWM passou a vender a família Haval H6 com motor flex, em versões híbridas convencionais e plug-in. 

A BYD, por sua vez, escolheu o Brasil para estrear globalmente seu sistema DM-i flex, capaz de combinar eletrificação com etanol ou gasolina. 

É uma adaptação local de plataformas globais: para crescer no Brasil, não basta eletrificar. É preciso falar a língua do etanol.

Mais álcool na gasolina

Há ainda uma terceira frente que impulsiona o crescimento do etanol no mercado automotivo brasileiro.

Desde agosto de 2025, a gasolina vendida nos postos brasileiros tem 30% de etanol anidro – o chamado E30. Antes, a mistura obrigatória era de 27%. 

Não é um aumento trivial. 

A gasolina ainda domina os tanques brasileiros: em 2025, foram vendidos 46,6 bilhões de litros, contra 21,2 bilhões de litros de etanol hidratado (aquele vendido direto na bomba, sem misturar com a gasolina).

Com isso, o país tem que elevar a mistura obrigatória em três pontos percentuais, o que significa incorporar 1,4 bilhão de litros extras de etanol por ano à gasolina.

Ou seja: mesmo quem não abastece diretamente com etanol passou a consumir mais o combustível no tanque.

E pode vir mais por aí.

O governo federal estuda elevar a mistura obrigatória para 32%, como forma de reduzir a dependência de gasolina importada e amortecer os impactos das oscilações do preço do petróleo sobre o mercado brasileiro.

A análise da proposta, porém, já foi adiada três vezes pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A mais recente ocorreu na última quarta-feira (8), quando a reunião do colegiado foi cancelada sem apontar uma nova data.

— Colaborou Alexandre Versignassi

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De viagens à estratosfera a cruzeiros ultra-exclusivos: a nova fronteira do turismo de luxo

Um balão rumo à estratosfera por mais de R$ 1 milhão, um safari com jantar dentro de uma cratera na Tanzânia ou uma suíte de quatro andares da rede Four Seasons dentro de um cruzeiro. Essas são algumas das opções disponíveis hoje para turistas brasileiros (muito) endinheirados.

Todas surgiram para atender a novos hábitos do viajante de luxo que, nos últimos anos, passou a incorporar privacidade, experiências difíceis de replicar e roteiros personalizados na sua rota.

As mudanças tiraram as agências do papel de intermediárias e as empurraram para uma função de consultoras capazes de desenhar viagens sob medida. O desafio para elas é conseguir equilibrar os custos dessa exclusividade com as receitas em um negócio que não é exatamente de escala.

“Eu falo que a gente é quase um psicólogo, é quase um médico, é quase que um advogado. Atender o turista de luxo é estabelecer uma relação de longo prazo. É conhecer os hábitos, as vontades e as várias características desse cliente”, conta Bruno Vilaça, CEO e fundador da agência SuperViagem.

Segundo a consultoria Euromonitor, as experiências de luxo dentro do Brasil devem crescer 31% nos próximos cinco anos, adicionando mais de US$ 300 milhões à economia.

De olho nessa demanda, a agência de turismo de luxo Teresa Perez, uma das referências no país no segmento, passou a oferecer roteiros que buscam fugir do tradicional.

Um dos mais exclusivos – e inusitados – é uma viagem para a estratosfera, prevista para começar em setembro de 2026. Nela, o passageiro embarca em uma cápsula pressurizada acoplada a um balão de baixa emissão de carbono, que sobe até cerca de 25 quilômetros de altitude.

O voo dura aproximadamente seis horas e promete uma experiência silenciosa, com uma vista da curvatura da Terra. O preço inicial: 170 mil euros, equivalente a mais de R$ 1 milhão na cotação atual. Mas a estratégia da empresa para ganhar escala no mercado de luxo vai além da oferta de pacotes.

De agência a ecossistema de turismo

Nos últimos anos, a Teresa Perez se tornou um grupo com seis negócios diferentes. Atualmente, a maior fonte do faturamento do grupo, que foi de R$ 1,3 bilhão em 2025, são os negócios que funcionam como infraestrutura para o turismo de alto padrão.

Um deles é a TP Air, uma consolidadora aérea lançada em 2022. A empresa afirma ser hoje a maior emissora de passagens executivas e de primeira classe do Brasil.

O grupo também comprou a New Age, operadora que atua no atacado do turismo, criando roteiros que são vendidos por agências menores.

Outra aposta foi a criação da Embark Beyond, em 2022. Inspirada em um modelo norte-americano, a empresa funciona como uma plataforma para agentes independentes, oferecendo tecnologia, treinamento, marketing e acesso a fornecedores no segmento premium.

“Você cria um guarda-chuva para eles e dá a oportunidade de crescerem, sem que eles precisem pensar na parte administrativa”, explica Tomas Perez, CEO da Teresa Perez. Segundo ele, o modelo já reúne cerca de 70 afiliados no Brasil.

O grupo também criou a TP Corporate, voltada ao atendimento de executivos de alto escalão. E, nos últimos anos, decidiu entrar em outra área bastante disputada: a hotelaria.

O crescimento da hotelaria de luxo no Brasil

O Brasil vive um momento de expansão no turismo de modo geral. Em 2025, o país recebeu mais de 9,2 milhões de turistas internacionais, recorde histórico.

No segmento de alto padrão, os números também chamam atenção. Segundo a Euromonitor, os hotéis de luxo no Brasil movimentaram US$ 1,1 bilhão em 2025, crescimento de 12% em relação ao ano anterior.

Esse cenário colocou o país no radar de grandes grupos internacionais. Marcas de luxo de grupos como Accor, com a bandeira Sofitel, e Four Seasons Hotel devem ampliar presença no país. Em São Paulo, projetos como o Faena e o Daslu Barrière também representam a chegada de novas marcas de alto padrão.

Para Guilherme Machado, gerente de pesquisa da Euromonitor no Brasil, ainda assim, o potencial brasileiro ainda está abaixo do de países como o México. “O México hoje tem um mercado algumas vezes maior do que o que o Brasil em termos de faturamento”, afirma.

A diferença, segundo ele, está também na quantidade de grandes redes internacionais presentes. Ao mesmo tempo, ele também enxerga que o Brasil tem espaço para crescer com hotéis menores e mais exclusivos.

Foi justamente esse caminho escolhido pela Teresa Perez. A marca Oiá, criada pelo grupo, aposta em pousadas de poucas acomodações e experiências personalizadas. Hoje são três unidades: duas nos Lençóis Maranhenses e uma na Barra dos Remédios, no Ceará.

Cada pousada tem apenas oito quartos. As diárias podem chegar a R$ 14,8 mil e incluem alimentação, passeios e serviços personalizados. A inspiração veio dos lodges africanos, que vendem uma experiência completa dentro da propriedade.

“A gente entrega a experiência inteira. O hóspede não precisa contratar ninguém para fazer o passeio. Tem tudo ali e é personalizado, ele é chamado pelo nome”, explica Tomas Perez. A próxima unidade está prevista para o Pantanal sul-mato-grossense, em 2028.

O luxo também embarcou

O mercado de cruzeiros vive uma nova fase. Um dos símbolos dessa mudança é o Four Seasons Yachts, primeiro projeto marítimo da marca de hotéis Four Seasons Hotels and Resorts, inaugurado em março deste ano.

A embarcação tem uma suíte de quatro andares, academia privativa e diárias que podem chegar a US$ 50 mil.

O movimento acompanha uma alta global do segmento. O número de passageiros de cruzeiros de luxo passou de 310 mil em 2021 para mais de 1,2 milhão em 2025.

A lógica é parecida com a da hotelaria: levar uma marca reconhecida por exclusividade para um novo território. Grandes grupos vêm apostando nesse caminho. A Accor avançou com projetos ligados à marca Orient Express, enquanto grupos como Aman e Ritz-Carlton também entraram no mercado.

O desafio de fechar a conta

Mas existe um desafio: transformar exclusividade em um negócio rentável. Os cruzeiros tradicionais conseguem diluir custos levando milhares de passageiros. Já os navios de luxo fazem o contrário: menos hóspedes, mais espaço e mais serviço.

A operação marítima da marca Ritz-Carlton, por exemplo, acumulou centenas de milhões de dólares em prejuízos desde o lançamento e precisou de novos aportes financeiros.

O dilema é antigo no mercado de luxo. Crescer pode aumentar receita, mas também pode ameaçar justamente o atributo que vende o produto: a sensação de exclusividade.

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Novos impostos, IBS e CBS agora precisam estar na nota fiscal. O risco é… não ter nota fiscal

Quem emite nota fiscal precisa se preparar para uma nova rodada de mudanças que começa a valer daqui a exatos 25 dias. Uma em especial é considerada um marco da implementação da Reforma Tributária – e pode trazer muita dor de cabeça se passar batida.

A partir do dia 3 de agosto, será obrigatório preencher os campos relativos ao IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) na hora de emitir qualquer documento fiscal eletrônico.

Sem essas informações, as notas não serão autorizadas pelo sistema da Receita Federal, que rejeitará automaticamente documentos incompletos. Ou seja, você pode até fechar negócio, mas não vai conseguir faturar, porque o documento fiscal foi barrado por preenchimento incorreto.

A regra vale para todas as empresas enquadradas no Lucro Real e no Lucro Presumido. Sim, empreendedores do Simples Nacional, podem ficar tranquilos. Vocês estão dispensados dessa – mas só por enquanto.

Os campos de IBS e CBS precisam estar preenchidos em todos os documentos fiscais, incluindo:

  • NF-e (Nota Fiscal Eletrônica), emitida quando há venda de mercadorias entre empresas (a famosa venda B2B) ou operações de indústria, comércio e atacado;
  • NFC-e (Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica), emitida diretamente para o consumidor final em lojas físicas ou e-commerce;
  • NFS-e (Nota Fiscal de Serviço Eletrônica), emitida por prestadores de serviços, como consultorias, oficinas, academias e muitos outros.

Como isso acontece na prática

Só para lembrar, o IBS e a CBS são dois dos novos impostos criados pela Reforma Tributária, que passarão a existir, de fato, em 2027. O IBS substitui os atuais ISS (Imposto Sobre Serviços) e o ICMS (Impostos sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços), enquanto a CBS entra no lugar do PIS e da Cofins, que são dois tributos federais.

Agora, se IBS e CBS só começam a valer no ano que vem, por que é preciso preencher esses dados nas notas fiscais a partir de agora?

É que para garantir que os fluxos estejam funcionando perfeitamente bem quando os novos impostos entrarem em vigor, o governo estabeleceu 2026 como um ano de testes. Desde janeiro, os campos para preenchimento já estão disponíveis.

Como as alíquotas definitivas ainda não foram estabelecidas, o que se informa nesses campos ao longo deste ano são apenas “alíquotas de teste” para cada um dos dois impostos:

  • 0,1% para o IBS
  • 0,9% para a CBS

Segundo Welinton Mota, diretor tributário da Confirp Contabilidade, a lógica de informar essas alíquotas é de “marcação estatística”. “Serve como referência estatística para União, estados e municípios”, diz, não para recolher de fato esses impostos.

Até agora, o preenchimento era voluntário e não havia qualquer penalidade para as empresas que não informassem as alíquotas de teste. É isso o que muda a partir de agosto: sem conter esses dados, a nota não será mais emitida.

E com um detalhe importante: na prática, segundo Mota, da Confirp, o empreendedor não vai precisar anotar manualmente as alíquotas de teste. Os próprios sistemas de gestão e emissão de notas fiscais utilizados pelas empresas calculam e preenchem automaticamente os dois campos, a partir de uma série de novos códigos que passaram a existir nas notas fiscais. Tudo isso, é claro, desde que esses sistemas tenham sido atualizados e corretamente parametrizados pelo fornecedor do software ou pelo contador.

De acordo com informações da Folha de S. Paulo, 75% das notas emitidas pelas empresas do Lucro Real e Presumido em junho já estavam dentro do novo padrão – em abril, eram 55%. Entre as empresas do Simples Nacional, que ainda não têm a obrigação de preencher, 8% das notas traziam as informações.

É importante lembrar que, mesmo incluindo o IBS e a CBS na nota, as empresas continuam tendo de apurar e recolher os outros impostos existentes no sistema atual (PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI). Para que não haja tributação duplicada, o governo estabeleceu uma regra de compensação. O valor das alíquotas de teste – que somam 1% – pode ser integralmente abatido do PIS e da Cofins que a empresa precisa pagar no mês. Portanto, não se preocupe, na prática a carga tributária fica igual à de sempre.

E as empresas do Simples Nacional?

As empresas do Simples Nacional também vão entrar no processo de adaptação, mas com regras e prazos diferentes. Para elas, começa a valer a partir de janeiro de 2027.

Segundo Mota, esses negócios não estão obrigados a cumprir a lógica completa de IBS e CBS neste primeiro momento.

O impacto mais relevante será para as empresas do setor de serviços, que passarão a emitir a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e) por meio do Emissor Nacional, uma plataforma unificada do governo que padroniza o documento. O Descomplica PJ já explicou como isso vai funcionar.

Essa mudança vai ocorrer a partir do dia 1° de setembro. Na prática, significa que muitas micro e pequenas deixarão de fazer a emissão em sistemas municipais e terão de se adaptar ao Emissor Nacional.

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Azul sobe de prateleira na bolsa de NY e diz que vende muito além de passagens

A Azul subiu da série B para o principal segmento da Bolsa de Nova York, e, para o CEO John Rodgerson, isso mostra que a empresa “está de volta ao jogo”. Mas, segundo ele, essa já não é a mesma Azul.

O retorno ao “jogo” vem com uma tentativa clara de reposicionamento: a companhia quer depender menos da venda de passagens e mostrar aos investidores que saiu do Chapter 11 (processo equivalente à recuperação judicial nos Estados Unidos) menor, mais disciplinada e com novas fontes de receita.

LEIA TAMBÉM: Azul reduz voos diante de combustível mais caro e concentra foco em rotas e tarifas premium

A Azul decidiu trocar a NYSE American, segmento com exigências mais simples, pela NYSE, a principal da Bolsa de Nova York. A listagem principal da companhia continua sendo na B3, em que a aérea negocia desde 2017.

O que muda é o segmento no principal mercado dos Estados Unidos, com um selo de governança que a coloca no mesmo ambiente das maiores companhias abertas do mundo.

Executivos da Azul em cerimônia na NYSE.

Foto: NYSE

O movimento é resultado direto da reestruturação financeira concluída em fevereiro de 2026, oito meses e três semanas depois do pedido de Chapter 11.

A última das três grandes no mercado brasileiro a pedir proteção, a Azul saiu do processo menor: hoje opera em 11 cidades a menos do que antes da crise e perdeu pilotos para concorrentes durante a reorganização, em um setor que já enfrentava dificuldades para reter tripulação.

Rodgerson diz que a companhia tentou evitar o pedido de proteção contra credores antes de recorrer ao Chapter 11. Mas, na avaliação dele, o saldo foi positivo. A Azul cumpriu o cronograma prometido no início do processo e atraiu como sócias duas das maiores companhias aéreas do mundo: United Airlines e American Airlines.

As duas são rivais nos Estados Unidos, mas aceitaram investir na aérea brasileira como parte do acordo de saída do Chapter 11. Cada uma teria direito a cerca de 8% do capital social da Azul.

Homem de terno sorrindo, braços cruzados, à frente de avião pintado com palavras como "Excelência" e "Integridade".
John Rodgerson, CEO da Azul (Reuters/Roosevelt Cassio/12/09/2019)

A participação da United já foi efetivada, com aval do Cade. A da American ainda depende da aprovação do órgão antitruste — e enfrenta contestação do Abra Group, controlador da Gol, que alega risco de concentração de mercado.

Mais que avião para passageiro

Para Rodgerson, a chegada à bolsa principal de Nova York não só impõe padrões mais altos de governança como abre acesso a uma base mais ampla de investidores. Os cheques são maiores e o custos de capital tende a ser mais barato do que no Brasil.

“O mundo financeiro é muito maior aqui”, diz Rodgerson em entrevista ao InvestNews em Nova York, na véspera da cerimônia em que a companhia tocaria o sino de abertura do pregão na bolsa de valores.

A comparação é com a Azul do IPO, em 2017. Segundo Rodgerson, a receita e o Ebitda (métrica de geração de caixa operacional) da companhia são hoje cerca de duas vezes maiores do que naquela época. A alavancagem medida pela dívida líquida sobre o Ebitda caiu para 2,4 vezes, ante um patamar próximo de 3 vezes no momento da abertura de capital.

O valor de mercado, porém, não acompanhou essa evolução. Quando as ações começaram a ser negociadas, em abril de 2017, a companhia foi avaliada em cerca de US$ 8,9 bilhões. Hoje, com a ação perto de R$ 0,81 e valor de mercado em torno de R$ 13,6 bilhões, a capitalização em dólares soma menos de um terço daquela marca (houve também a queda do real).

Apesar da pressão de todo o mercado e das pressões operacionais por episódios como a covid-19, parte da explicação da queda das ações da Azul passa pela diluição de acionistas.

Para sair do Chapter 11, a Azul emitiu centenas de bilhões de novas ações como parte da conversão de dívida em capital. A base acionária se multiplicou, reduzindo o valor de cada ação, mesmo com uma operação mais saudável.

É nesse contexto que a companhia tenta vender ao mercado uma Azul que vai além do transporte aéreo tradicional. As chamadas receitas fora do avião — carga, viagens, fidelidade e uma joint venture de mídia a bordo — saíram do equivalente a uma faixa perto de 15% da receita antes da pandemia para algo próximo de 25% hoje, segundo o CEO.

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A estratégia também passa por mirar o passageiro de maior renda. A Azul fechou, por exemplo, parceria com a BYD para transportar clientes premium até o avião. Outra oferta voltada a esse público é o serviço de concierge.

Malha regional com rentabilidade

E é aí que a malha regional, historicamente vista como o lado menos glamouroso do setor aéreo, passa a ser tratada como ativo estratégico. Rodgerson insiste que boa parte desse cliente de alto valor está no interior do país, não nas capitais.

É o produtor rural do agronegócio que voa com frequência entre sua cidade e os grandes centros, muitas vezes sem alternativa além da Azul, única companhia presente em parte dessas rotas. Pelos cálculos do executivo, um cliente que voa 150 vezes por ano vale, para a companhia, como 300 passageiros eventuais.

A cautela aparece também na escolha de rotas nos grandes mercados.

A companhia reforçou operações em Pernambuco, onde identificou mais espaço para crescer, e reduziu presença na Bahia, estado em que disputa passageiros com Gol e Latam de forma mais direta. A lógica agora é priorizar rentabilidade, não presença geográfica.

Os números do primeiro trimestre sustentam parte dessa narrativa de recuperação. A receita líquida somou R$ 5,5 bilhões, recorde para o período e alta de 1,4% em relação ao ano anterior.

O Ebitda chegou a R$ 1,7 bilhão, com avanço de 22,6% e margem de 31,1%. O resultado operacional cresceu 83,1%, para R$ 1 bilhão.

O desempenho veio, porém, acompanhado de uma redução de 2,7% na capacidade total da companhia.

A alavancagem, como citado, caiu para 2,4 vezes no trimestre, ante mais de 5 vezes um ano antes. A meta é chegar a 1,5 vez em três anos. Mas, diz Rodgerson, a Azul vai crescer menos do que antes e evitar grandes pedidos de aeronaves.

O executivo resume a nova postura com uma imagem de guerra: operar “com o peito no chão, sem levantar a cabeça”, para não correr o risco de “entrar na linha de bala”.

Combustível ainda pesa

Nem tudo na reestruturação ficou resolvido. Três obstáculos estruturais continuam pressionando a aviação brasileira, na avaliação do CEO: combustível caro, câmbio volátil e juros altos.

Rodgerson associa o custo do querosene de aviação à política de preços da Petrobras e defende que um país produtor de petróleo não deveria ter um dos combustíveis mais caros do mundo para suas companhias aéreas.

O cenário, enquanto isso, ficou mais complexo. As tensões no Oriente Médio aumentaram a instabilidade do preço internacional do petróleo, justamente em um momento em que o poder de consumo do brasileiro está mais restrito. É uma combinação diferente da que existia antes da pandemia, quando a Azul também operava, mas em um ambiente de custos mais previsível.

O alívio recente veio mais do crédito do que do combustível em si. O governo federal liberou o uso do Fundo de Garantia à Exportação para garantir operações de crédito de até R$ 2 bilhões por empresa, com o objetivo de baratear a compra de querosene e melhorar a liquidez das aéreas. A Azul foi a principal demandante da medida.

Separadamente, o Fundo Nacional de Aviação Civil estruturou um pacote do qual a companhia pode captar até R$ 2,5 bilhões, dentro de um total de R$ 13,56 bilhões aprovado para o setor. São, segundo Rodgerson, linhas de crédito em reais e com juros mais baixos que não existiam antes — um alívio para dois dos três problemas listados por ele: a dívida dolarizada e o custo financeiro elevado.

Mas o preço do combustível continua fora do controle da companhia.

É ele que vai ajudar a definir se o “jogo” ao qual a Azul diz ter voltado será disputado em condições mais favoráveis ou se ainda será uma prova de resistência às companhias aéreas.

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China acelera compras de soja dos EUA após trégua comercial

A China comprou a maior quantidade de soja dos Estados Unidos desde novembro, ampliando uma onda de aquisições que vem ganhando força à medida que o comércio agrícola entre as duas maiores economias do mundo acelera.

Nesta quarta-feira (8), o Departamento de Agricultura dos EUA informou a venda de 472 mil toneladas de soja para a China em um dia.

As compras confirmadas vieram depois de a estatal chinesa Cofco reservar pelo menos mais cinco navios de soja para embarque, segundo pessoas com conhecimento das negociações. No início da semana, a empresa já havia comprado pelo menos outras seis cargas.

A Cofco é a maior empresa de alimentos e agricultura da China. Seu braço internacional movimentou mais de 100 milhões de toneladas de commodities em 2025, com receita de US$ 34,5 bilhões. No Brasil, está entre as principais exportadoras de grãos e também atua nos setores de açúcar e etanol.

Compromisso comercial

Hoje, a soja americana enfrenta uma tarifa adicional de 10% em relação à de países concorrentes. E, mesmo sem essa sobretaxa, a soja da safra recém-colhida no Brasil continua mais barata do que a americana, segundo dados da Commodity3.

A retomada das compras ocorre após a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, em maio.

O movimento reforça as expectativas de que Pequim aumentará as importações de produtos agrícolas dos EUA. A Casa Branca afirma que a China concordou em comprar pelo menos US$ 17 bilhões em produtos agrícolas americanos.

O presidente Donald Trump é recebido pelo presidente chinês Xi Jinping no Grande Palácio do Povo, em Pequim, em 14 de maio de 2026. Fotógrafo: Kenny Holston/Getty Images.

Além disso, teria se comprometido a importar ao menos 25 milhões de toneladas de soja por ano até 2028. Pequim, no entanto, nunca confirmou esses números publicamente.

Autoridades chinesas afirmam apenas que os dois lados trabalham para reduzir tarifas sobre alguns produtos agrícolas e preservar a trégua comercial firmada no ano passado.

“Até agora, a China está começando a comprar o que disse que compraria”, escreveu Naomi Blohm, analista da Total Farm Marketing, em relatório. “Isso não representa uma demanda adicional acima do esperado”.

Nos últimos dias, os contratos futuros da soja em Chicago subiram com a expectativa de uma demanda maior por parte da China.

Ainda assim, o mercado segue atento a novos sinais de Washington e Pequim antes da reunião esperada entre Trump e Xi, prevista para mais tarde neste ano.

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Origem Energia, produtora de gás do Brasil, avalia venda de fatia, controle ou IPO para levantar recursos

A Origem Energia, produtora e comercializadora de gás natural e petróleo, negocia uma operação que pode avaliar a companhia em US$ 2,5 bilhões, incluindo dívida, enquanto busca captar recursos, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A empresa contratou o Banco Bradesco BBI como assessor em uma transação que pode incluir a venda de uma participação minoritária, majoritária ou uma oferta pública inicial de ações, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas porque as discussões não são públicas.

Um fundo da gestora de ativos alternativos Prisma Capital, atual acionista controladora, pode vender uma participação ou até mesmo o controle, dependendo do preço, disseram as pessoas, acrescentando que o negócio pode acabar sendo apenas uma injeção de capital na empresa que precisa de recursos para conseguir aproveitar oportunidades de investimento.

A Prisma, a Origem e o Bradesco BBI não quiseram comentar. 

Sete usinas

A Origem planeja investir R$ 2,1 bilhões até 2029 na construção de sete usinas termelétricas para cumprir contratos firmados no leilão de reserva de capacidade realizado em março deste ano, disse o presidente da empresa, Luiz Felipe Coutinho, ao jornal Valor Econômico em março. As usinas, com capacidade instalada total de 380 megawatts, devem entrar em operação entre 2028 e 2029, segundo Coutinho.

Essa nova produção e o crescimento dos negócios atuais devem impulsionar o ebitda da Origem para valores entre US$ 500 milhões e US$ 600 milhões em 2029, disseram as pessoas, acrescentando que a empresa também está investindo na comercialização e armazenamento de gás, gasodutos e um terminal de exportação de petróleo.

A empresa é a quarta maior produtora de gás natural do Brasil, produzindo 2 milhões de metros cúbicos de gás por dia, segundo o Valor Econômico.

Em 2025, o ebitda da Origem foi de R$ 746,7 milhões, um aumento de 55% em relação a 2024, de acordo com suas demonstrações financeiras.

A dívida líquida da Origem era de R$ 2 bilhões em Março de 2026, segundo dados do seu balanço. 

A Origem Energia nasceu como Petro+ quando a engenheira Luna Viana adquiriu o campo de gás Garça Branca, no Espírito Santo, em 2016, segundo o site da empresa. Depois, o administrador Luiz Felipe Coutinho juntou-se à companhia e, em 2020, o engenheiro Nathan Biddle tornou-se sócio; no mesmo ano, a Prisma assumiu o controle da empresa.

O colunista Lauro Jardim publicou anteriormente que a Origem Energia havia contratado o Bradesco BBI para buscar alternativas de capitalização sem revelar onde obteve a informação ou o valor buscado pela empresa no negócio.  

* Por Cristiane Lucchesi e Rachel Gamarski

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EasyJet aceita proposta de compra de 5,2 bilhões de libras feita pela Castlelake

A EasyJet sinalizou que vai aceitar a quinta oferta de compra feita pela Castlelake, em uma proposta que avalia a companhia aérea britânica de baixo custo em 5,2 bilhões de libras, ou US$ 6,9 bilhões.

A nova oferta, de 6,90 libras por ação em dinheiro, supera a proposta anterior, de 6,50 libras por ação, depois que a companhia rejeitou quatro ofertas anteriores. Os dois lados concordaram em prorrogar o prazo de “put up or shut up” — regra que obriga o interessado a apresentar uma proposta firme ou desistir da negociação — para 3 de agosto, às 17h no horário de Londres.

“Não há nenhuma certeza de que uma oferta firme será feita, mesmo que quaisquer pré-condições sejam cumpridas ou dispensadas”, diz o comunicado. O texto também afirma que a Castlelake tem “enorme respeito” pela companhia aérea e por seus funcionários, e pretende apoiar o crescimento futuro da empresa e seu programa de modernização da frota.

Os dois lados vinham se enfrentando publicamente em torno da possível transação no último mês. A companhia aérea de baixo custo classificou as investidas anteriores como “altamente oportunistas” e afirmou que a Castlelake tentava comprar a empresa “a preço baixo”. A gestora de investimentos, por sua vez, disse que o conselho da EasyJet demonstrou “falta de disposição para se engajar de forma significativa”, levando sua proposta diretamente aos acionistas.

A Castlelake manifestou interesse pela EasyJet pela primeira vez em 29 de maio, quando foi estabelecido um prazo de quatro semanas para que a firma apresentasse uma proposta firme ou desistisse da negociação. Nesse período, a gestora fez ofertas crescentes de 560 pence, 600 pence, 625 pence e, depois, 650 pence — todas rejeitadas pela companhia aérea.

A EasyJet mudou o tom na semana passada, depois da oferta mais recente da Castlelake. Embora a empresa tenha dito que a proposta ainda era insuficiente, pediu uma extensão de nove dias do prazo, até 5 de julho, e concedeu à gestora acesso a algumas informações comerciais limitadas.

Como parte da oferta, a Castlelake se aliou a Mark Breen e Peter Bellew, que foi executivo da EasyJet antes de deixar a companhia abruptamente em 2022.

Por ser uma entidade americana, a Castlelake não pode assumir o controle total da EasyJet, já que a companhia aérea opera sob regras do Reino Unido e da Europa que exigem que a maioria da propriedade e do controle esteja nas mãos de nacionais da região. Isso significa que a gestora precisa de um parceiro.

A transação tiraria da bolsa uma companhia aérea que abriu capital em novembro de 2000 a 310 pence por ação, segundo dados compilados pela Bloomberg. As ações atingiram a máxima histórica de 1.584 pence no início de 2007, em meio a uma expansão agressiva pela Europa.

Mais recentemente, porém, a companhia de baixo custo tem sofrido pressão da disparada dos preços do querosene de aviação por causa do conflito no Irã. A empresa registrou prejuízo no primeiro semestre do ano, além de queda nas reservas para o verão.

Entre os ativos mais atraentes da EasyJet estão sua frota moderna de aeronaves Airbus SE da família A320 e seus slots de pouso e decolagem em Londres, Milão e Genebra. A maior acionista da companhia é a família do fundador Stelios Haji-Ioannou, com uma participação de 15,3%.

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Copa do Mundo, Olimpíadas e F1: como os eventos esportivos viraram vitrine para Ambev e Heineken

Depois de quarenta anos com a Budweiser na liderança, a AB InBev passou à Michelob Ultra o posto de cerveja-bandeira da Copa do Mundo de 2026. Nas Olimpíadas, a mesma companhia já colocou a Corona Cero como primeira cerveja da história a virar patrocinadora máxima do movimento olímpico.

Na Fórmula 1, a Heineken renovou por mais uma década o patrocínio construído em torno da 0.0. Os maiores eventos do esporte mundial viraram vitrine de uma mesma aposta: bebidas de menor teor alcoólico, sem álcool ou com menos calorias.

LEIA TAMBÉM: Ambev recorre à ‘velha escola 3G’ e a novas marcas para retomar crescimento em cerveja

A escolha pela Michelob Ultra segue lógica de mercado: é a cerveja mais vendida em volume nos Estados Unidos e construiu discurso em torno do estilo de vida ativo, com 95 calorias, 2,6 gramas de carboidrato e ausência de corantes e aromas artificiais.

E, claro, a memória do Catar ajuda a explicar a cautela. Em 2022, dois dias antes da estreia, o país proibiu a venda de cerveja com álcool nos estádios, e a Budweiser Zero acabou assumindo o centro da operação da marca naquela edição.

Desta vez, a ativação vai além da logomarca. O troféu “Superior Player of the Match”, entregue a um jogador de destaque após cada partida, é escolhido por voto dos torcedores – um detalhe que resume a lógica atual de patrocínio esportivo, mais focada em engajamento do que em exposição passiva.

Michelob Ultra: é a cerveja mais vendida em volume nos Estados Unidos e construiu discurso em torno do estilo de vida ativo (Foto: Marcelo Sakate/ InvestNews)
Michelob Ultra: é a cerveja mais vendida em volume nos Estados Unidos e construiu discurso em torno do estilo de vida ativo (Foto: Marcelo Sakate/ InvestNews)

Nas Olimpíadas, o movimento começou em janeiro de 2024, quando o Comitê Olímpico Internacional assinou com a AB InBev o primeiro acordo comercial da história do movimento olímpico com uma empresa de bebidas alcoólicas, escalando a Corona Cero, com 0,0% de álcool, como a cerveja a ser exibida nos anúncios.

O contrato cobre Paris 2024, Milão-Cortina 2026 e vai até Los Angeles 2028 (mas, nessa edição, o destaque passa da Corona Cero para a Michelob Ultra, a segunda cerveja mais vendida no mercado americano). A parceria já foi estendida para os Jogos de Inverno de 2030, nos Alpes franceses, e para Brisbane 2032.

Na Fórmula 1, a concorrente Heineken é patrocinadora oficial desde 2016 e transformou a categoria em uma das plataformas mais sólidas de ativação de marca do esporte, usando a versão sem álcool para combinar lifestyle e consumo responsável. Desde 2023, o bicampeão Max Verstappen é embaixador global da Heineken 0.0.

stand da Heineken na F1 em prova em Singapura, (Foto: Bloomberg)
Estande da Heineken na F1 em prova em Singapura, (Foto: Bloomberg)

A estratégia tem ido além dos esportes mais populares ou dos mercados mais maduros. Em dezembro de 2025, a AB InBev fechou parceria com o International Cricket Council para todos os principais torneios até 2027, começando pelo Mundial de T20 de 2026 na Índia e no Sri Lanka, liderada pela Budweiser 0.0, versão sem álcool da marca no mercado indiano, com outros rótulos do grupo ativando na Europa e na África. É a abertura de uma frente inédita para a categoria zero álcool, já que a Índia, é um mercado pouco maduro, mas o país mais populoso do mundo – e apaixonado por críquete.

O tamanho da aposta acompanha o orçamento da companhia. Segundo a consultoria WARC, a AB InBev vem gastando cerca de US$ 7 bilhões por ano em marketing nos últimos cinco anos, hoje pouco menos de 12% da receita, ante quase 14% no passado.

Um consumidor que bebe menos

O consumo global de bebidas sem álcool cresceu 9% em volume em 2025, segundo a IWSR, com projeção de expansão acumulada de 36% entre 2024 e 2029. No Brasil, o movimento é ainda mais agudo: a produção de cerveja zero saltou 536,9% entre 2023 e 2024, de 118,9 milhões para 757,4 milhões de litros, e já responde por 4,9% da produção nacional, segundo o Sindicerv.

A Euromonitor International estima que os dados de 2025 devem registrar um novo recorde histórico: 785 milhões de litros comercializados no país. Para efeito de comparação, em 2019 o volume vendido foi de 140 milhões de litros — um crescimento médio de quase 40% ao ano no período. Para os próximos anos, a projeção é de expansão consistente entre 10% e 15% ao ano.

O Brasil já ocupa a posição de segundo maior consumidor mundial de cerveja zero. A meta global do Grupo Heineken é que as versões zero álcool cheguem a pelo menos 10% das vendas mundiais da companhia.

No Brasil, Copa entra na briga de mercado

Um levantamento do Citi com 1.800 torcedores em sete países mostra que a Ambev deve ser a maior beneficiária latino-americana da Copa — mesmo sem liderar a preferência de marca, que fica com a Heineken (39% das menções, o maior percentual entre todos os rótulos). Em 2014, ano da Copa no Brasil, a companhia cresceu 4,8% em volume no segundo semestre; em 2022, mesmo com o torneio no Catar, avançou 2,5% no quarto trimestre.

É dentro dessa aposta que entra o reforço no Michelob Ultra. “O Michelob vem crescendo consistentemente no Brasil, mas com muito pouco carinho e amor. Esse ano vai dar carinho e amor. Vai levar para casa, vai botar no copo. Vai ativar na Copa aqui no Brasil pra valer”, disse Guilherme Fleury, CFO da Ambev, em entrevista ao InvestNews em maio.

Segundo ele, a lógica é gradual. “Nós fazemos as coisas de forma faseada: o consumidor vai experimentando o sabor, você vai posicionando a cerveja na gôndola, vai fazendo as ativações. Quando ele já conhece a marca é a hora de fazer todo o barulho. Senão, vira guerra de preço.”

A companhia já tem no portfólio brasileiro a Corona Cero e a Skol 0.0, ambas sem álcool, além da Stella Pure Gold, sem glúten e com menos calorias. A Heineken respondeu com uma aposta local: a Heineken Ultimate, desenvolvida e lançada pela Heineken Brasil em maio deste ano, com 3,5% de teor alcoólico e 97 calorias — 30% a menos que a versão regular. Segundo Maurício Giamellaro, CEO do Grupo Heineken Brasil, o produto responde à maior demanda por bem-estar e escolhas mais equilibradas.

A disputa entre as duas cervejarias, porém, não se limita ao portfólio. A partir de 2027, a AB InBev assume o posto de patrocinadora oficial da UEFA Champions League, encerrando um ciclo de trinta anos da Heineken na competição.

O acordo, fechado por licitação com a UC3 — joint venture entre a UEFA e os clubes europeus —, teria saído por cerca de 200 milhões de euros ao ano, um aumento de 66% sobre o valor pago pela concorrente. A Heineken mantém o patrocínio da Champions League feminina até 2030 e segue como parceira da Fórmula 1.

Vitrine de baixo teor ou de alto alcance, o esporte segue sendo o principal palco onde essas duas cervejarias travam sua disputa global.

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O alumínio está em falta. E a Alcoa apostou bilhões no Brasil para driblar o aperto na oferta

A Alcoa fechou acordo para comprar ativos de bauxita, alumina e alumínio da South32 por US$ 4,1 bilhões, em dinheiro e ações. Parte considerável da conta vai para o Brasil, onde a companhia americana amplia o controle sobre o complexo Alumar, no Maranhão, e entra pela primeira vez no capital da maior mina de bauxita do país, a Mineração Rio do Norte (MRN), no Pará.

O movimento não é isolado: reflete uma corrida por ativos de bauxita e alumina que ganhou força justamente quando a oferta global do minério começou a apertar.

Desde o início de 2026, o preço do alumínio na Bolsa de Metais de Londres (LME) opera na faixa de US$ 3.100 a US$ 3.500 por tonelada, alta acumulada de quase 20% no ano. Dois fatores turbinam essa curva.

O primeiro é geopolítico: o bloqueio do Estreito de Ormuz, epicentro da guerra no Oriente Médio, interrompeu exportações de alumínio do Golfo Pérsico, região responsável por cerca de 9% da oferta global do metal.

O segundo é estrutural e mais difícil de reverter.

Historicamente, altas de preço estimulavam a China a produzir mais e segurar o mercado. Isso não funciona mais: a capacidade chinesa está travada por política de Estado em cerca de 45 milhões de toneladas, com as usinas já operando perto desse teto. O país deixou de ser o fornecedor de reserva que amortecia os ciclos do setor.

A matéria-prima que ficou mais cara de garantir

Um degrau abaixo na cadeia, a bauxita — o minério do qual se extrai a alumina, e depois o alumínio — passa por reviravolta parecida. A Guiné concentra cerca de 70% do comércio mundial de bauxita e vinha inundando o mercado: exportou 183 milhões de toneladas em 2025, alta de 25% no ano, o que derrubou os preços a mínimas de quatro anos.

Para conter a queda, o governo guineense passou a implementar, a partir do segundo trimestre de 2026, cotas de exportação que devem reduzir o volume anual de cerca de 200 milhões para perto de 150 milhões de toneladas. Na prática, o maior exportador de bauxita do planeta decidiu vender menos. Isso encarece — e torna mais estratégico — o acesso a minas próprias fora da órbita guineense, como a MRN.

A Alcoa não está entrando num negócio novo, está comprando a fatia de um sócio. No complexo Alumar, em São Luís, a companhia americana já detém 54% da refinaria de alumina e 60% do smelter de alumínio, com a South32 e a Rio Tinto como sócias minoritárias.

Ao absorver a parte da South32, a Alcoa aumenta a fatia que já controlava operacionalmente havia décadas — o complexo está instalado no Maranhão desde 1980.

A exceção é a MRN. Ali, quem manda é a Glencore, com 44% do capital; a Rio Tinto tem 22% e a South32, 33%. A Alcoa não aparecia na composição acionária da maior mina de bauxita do Brasil — e é justamente essa fatia de 33% que ela está comprando agora.

Pela primeira vez, a americana passa a ter assento formal na origem da matéria-prima que abastece sua própria refinaria em São Luís.

Brasil em disputa

A Alcoa não é a única global a mirar ativos brasileiros de alumínio nos últimos meses.

Em janeiro, a Votorantim vendeu o controle da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) — 68,596% do capital, avaliados em cerca de US$ 902,6 milhões — para uma joint venture formada pela chinesa Chinalco e pela Rio Tinto. A operação ainda prevê oferta pública obrigatória pelas ações remanescentes da CBA na B3.

Fábrica da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) no interior de São Paulo
Fábrica da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), que foi vendida à JV formada pela chinesa Chinalco e pela Rio Tinto (Wikimedia Commons)

Duas operações de grande porte em ativos brasileiros de alumínio em menos de seis meses, ambas puxadas por mineradoras globais, sugerem que o país deixou de ser periferia na cadeia do metal e virou peça central da disputa por segurança de suprimento.

A jogada também dá sequência a uma estratégia que a própria Alcoa já vinha desenhando. Em 2024, a companhia concluiu a compra da Alumina Limited, sua sócia histórica, numa operação que ampliou sua participação em ativos de bauxita e alumina.

A compra da South32 é lida pelo mercado como a continuidade desse movimento: transformar participações minoritárias em controle pleno ao longo de toda a cadeia, da mina ao metal.

A Alcoa pagará US$ 3,1 bilhões em dinheiro e cerca de 17 milhões de ações ordinárias à South32, além de um direito de valor contingente de até US$ 750 milhões, vinculado ao comportamento futuro dos preços de alumina e alumínio até 2030 — uma cláusula que amarra parte do valor do negócio exatamente ao cenário de aperto de oferta descrito acima.

O financiamento inicial vem de um compromisso-ponte de US$ 3,1 bilhões com o Goldman Sachs, que a companhia pretende substituir por caixa próprio e dívida de longo prazo antes do fechamento, previsto para o primeiro semestre de 2027.

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A cidade da SpaceX que Elon Musk construiu no deserto texano

A presença da SpaceX está redesenhando o cenário do litoral do Texas. Em maio do ano passado, Starbase, sede da empresa de foguetes de Elon Musk, tornou-se oficialmente uma cidade.

A votação de incorporação teve resultado esmagador: 212 votos a favor e apenas 6 contrários, segundo o Departamento Eleitoral do Condado de Cameron. Dos 283 eleitores aptos na região, a maioria é formada por funcionários da própria SpaceX.

Elon Musk comemorou o resultado em publicação no X, dizendo que Starbase “agora é uma cidade de verdade”. A vitória teve peso simbólico para o bilionário, cuja popularidade caiu depois que ele se tornou o rosto público dos cortes de empregos e gastos do governo Trump — período em que os lucros da Tesla também recuaram.

De praia intocada a cidade da SpaceX

Quinze anos atrás, Boca Chica era um trecho de litoral onde moradores faziam churrasco e andavam de jipe pelas dunas. A vizinha Brownsville, marcada por pobreza estrutural, funcionava como porta de entrada para o comércio com o México. A combinação de praia vazia e ambiente regulatório favorável a empresas atraiu a SpaceX para lançar seus foguetes ali.

Em 2021, um post de Musk convocando apoiadores para se mudarem à região acelerou a transformação do local em cidade corporativa. Hoje, Starbase tem cerca de 500 habitantes, a maior parte ligada à empresa, segundo reportagem do Financial Times sobre a cidade.

O jornal descreve um traçado urbano repleto de referências pessoais de Musk: uma das ruas se chama Mars-a-Lago, trocadilho com a propriedade de Trump na Flórida. Ali perto, trabalhadores erguem a Gigabay, fábrica onde a SpaceX planeja montar foguetes em linha de produção, e as torres de lançamento, com quase 122 metros de altura, dominam o horizonte. Caminhões e picapes Cybertruck circulam continuamente pela rodovia que liga Starbase a Brownsville, hoje em obras de ampliação para quatro faixas.

Área de lançamento de foguetes da SpaceX (Foto: Bloomberg)
Área de lançamento de foguetes da SpaceX (Foto: Bloomberg)

A vida social da cidade gira quase inteiramente em torno da empresa. Segundo o FT, o Astropub, restaurante exclusivo para funcionários, tem pátio visível da estrada, mas o acesso à área residencial é restrito a quem mora ali. Autoridades municipais, também ligadas à SpaceX, recusaram entrevistas ao jornal, e funcionários e prestadores de serviço operam sob acordos de confidencialidade — motivo citado por muitos para não falar com a reportagem.

Ainda assim, Starbase atrai visitantes que buscam se aproximar do que descrevem como o futuro da exploração espacial. “Viemos aqui porque queremos ver o trabalho para ajudar a levar as pessoas para as estrelas sendo feito”, disse Adam Kategiannis, de 20 anos, estudante de engenharia aeroespacial na Universidade Purdue, em Indiana, ao Financial Times.

Símbolo do segundo mandato de Trump

Starbase cresce ao lado de outro megaprojeto: o terminal de exportação de gás natural liquefeito Rio Grande LNG, da NextDecade, que produzirá 30 milhões de toneladas de combustível por ano. As duas obras dividem uma faixa de fronteira cada vez mais militarizada, com postos de controle e patrulhas — reflexo direto da política migratória do governo Trump.

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O IPO da SpaceX captou US$75 bilhões e a tornou uma das empresas mais valiosas do mundo. Milhares de funcionários tem mais um motivo para comemorar: agora estão milionários.   #spacex #elonmusk

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A combinação de poder das big techs, ambição geopolítica e controle de fronteira faz de Starbase um retrato do segundo mandato presidencial, segundo o FT. A estreia da SpaceX em Wall Street elevou a empresa à lista das mais valiosas do mundo e transformou funcionários em milionários no papel — um exemplo extremo da valorização do setor de tecnologia sob Trump.

A região também atraiu outras empresas: a fabricante de defesa Saronic Technologies planeja um estaleiro de US$ 3,2 bilhões ali perto, e incorporadoras já propuseram diversos projetos de data centers.

Atrito com a vizinhança

O crescimento rápido tensionou a relação entre os funcionários da SpaceX e os moradores de Brownsville, cidade de maioria hispânica com 200 mil habitantes. A região ainda sente os efeitos de uma onda recente de operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos.

“Esta região sempre votou nos democratas. Mas na última eleição, tornou-se roxa”, disse Craig Grove, dono da imobiliária GRT Realty, que se beneficiou da expansão da SpaceX, ao Financial Times. “Isso mudou minha vida. Eu concordo com tudo o que a empresa faz? Não concordo com tudo que minha mulher faz também. Mesmo assim, continuo casado com ela.”

Moradores dizem reconhecer funcionários da SpaceX à distância pelo comportamento e pelas tatuagens. Um morador antigo os descreveu ao FT como “meio machos-alfa” — soldadores que, diferentemente dos profissionais do setor de GNL, “vestiram a camisa da SpaceX”.

Protestos contra a SpaceX  (foto: Bloomberg)
Protestos contra a SpaceX (foto: Bloomberg)

Outros notam que os funcionários hoje interagem pouco com a comunidade local. Luis Foncerrada, de 36 anos, dono do café e casa de shows El Hueso de Fraile, contou ao jornal que já recebeu Musk e seu irmão no estabelecimento, mas que o movimento caiu: “Eles gastam o dinheiro em outros lugares.”

As autoridades de Brownsville, por sua vez, receberam bem a chegada da SpaceX. Empreendedores locais aproveitaram a temática espacial para abrir negócios como a barraca de cachorro-quente Space Dog Station e a cervejaria Pluton Brewing.

Processos e resistência ambiental

Nem todos comemoram. Um mural pago pela Fundação Musk foi vandalizado em 2022 com as palavras “gentrificado” e “parem a SpaceX”. A ativista Rebekah Hinojosa passou um dia presa por causa da pichação, mas não confirmou envolvimento à reportagem do FT.

À frente da South Texas Environmental Justice Network, Hinojosa disse ao jornal manter “ações judiciais ativas contra os planos da SpaceX de ocupar mais de 700 acres de habitat de vida selvagem”. Para ela, a militarização do entorno afasta os moradores locais da praia: “Dá a impressão de que a SpaceX a está transformando em seu quintal particular.”

Novas casas em Boca Chica Village, no entorno de Starbase (Foto: Bloomberg)
Novas casas em Boca Chica Village, no entorno de Starbase (Foto: Bloomberg)

Dias antes da entrevista, seu grupo havia perdido um processo na Suprema Corte do Texas que buscava manter o acesso público a Boca Chica durante os lançamentos.

O procurador-geral do Texas, o republicano Ken Paxton, apoiou a decisão da corte em publicação nas redes sociais, afirmando que a lei estadual permite isolar trechos de praia “para garantir que a SpaceX tenha um local de lançamento seguro e operacional”.

Do outro lado da baía, em Port Isabel, o cenário é outro. Barton Bickerton, de 57 anos, dono do bar temático Hopper Haus, contou ao FT que funcionários da SpaceX chegam de hovercraft vindos de Starbase e trabalham em laptops até tarde bebendo coquetéis Old Fashioned defumados. Boa parte de sua receita vem dos dias de lançamento: “É como o feriado de primavera para a ilha.”

Bickerton reconhece os efeitos colaterais, da destruição do habitat costeiro ao aumento dos aluguéis. Ainda assim, aguarda o momento em que os braços mecânicos apelidados de “hashis” vão capturar pela primeira vez uma espaçonave Starship retornando à Terra. “Vai ser uma loucura”, disse.

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Natura e Avon recorrem a lojas na Shopee para reverter perda de fôlego do consumidor

Natura e Avon estrearam lojas oficiais na Shopee nesta sexta-feira (3). A iniciativa amplia a frente digital das marcas em um momento de vendas em queda no Brasil, entre consumo fraco e uma integração com a marca global que ainda não deu os resultados esperados.

A operação chega totalmente integrada ao fulfillment da Shopee, modelo em que o próprio marketplace guarda, separa e despacha os produtos, garantindo entregas em até um dia.

As consultoras de beleza, que hoje somam 1,5 milhão no Brasil, poderão se cadastrar como afiliadas da Shopee e vender pelos canais de social commerce da plataforma, como lives e vídeos curtos.

A estratégia segue um caminho já testado pela empresa brasileira. A Natura foi uma das primeiras marcas brasileiras a entrar no TikTok Shop e se tornou a mais vendida da plataforma na Black Friday do ano passado. Uma live de mais de 12 horas gerou uma taxa de conversão de 228% entre clientes que haviam abandonado o carrinho e respondeu por 25% do faturamento do dia.

O público da plataforma, em sua maioria com mais de 30 anos, tem poder de compra maior e interage com múltiplas categorias de produtos. É esse perfil que a empresa quer atrair na Shopee.

A Natura afirma que consultoras que dominam ferramentas digitais faturam 2,3 vezes mais que as demais, um dos motivos do investimento da empresa em capacitação digital da rede.

Guerra de preços entre canais

A expansão para novos marketplaces esbarra, no entanto, em um problema que a companhia vem tentando resolver internamente. Segundo relatório de analistas da XP recém-divulgado, a Natura promoveu recentemente uma live com sua rede de consultoras para reconhecer falhas operacionais e anunciar medidas de correção.

Na ocasião, a empresa anunciou a chamada “Regra de Ouro”: nenhum canal oficial, incluindo listagens no Mercado Livre e no TikTok Shop, pode vender abaixo do preço praticado pelas consultoras. A medida busca conter distorções que vinham corroendo margens e a percepção de valor das marcas, segundo os analistas.

Ajustes em andamento

A queda de receita tem origem dupla. No primeiro trimestre, as vendas da marca Natura caíram 3% no Brasil, enquanto as da Avon recuaram 13,8%, resultado tanto do consumo mais fraco no país quanto de desafios internos ainda não superados na integração das duas marcas, como a falta pontual de produtos nas prateleiras e oscilações na produtividade da rede de consultoras.

A companhia atribui parte das faltas de estoque a ajustes em curso nos sistemas de planejamento e na logística, que incluíram o fechamento de uma fábrica em São Paulo e a implementação de um novo sistema integrado no fim do ano passado. A reposição já começou, com prioridade para a linha de fragrâncias, mas a normalização deve ser gradual.

A empresa também anunciou um pacote de medidas temporárias para aliviar a rede durante o ciclo final da janela do plano de crescimento das consultoras. O pedido mínimo foi reduzido e a oferta de crédito via Emana Pay tem sido mais flexível.

Para os analistas da XP, as iniciativas vão na direção correta, mas ainda não eliminam o risco de curto prazo, com a recomposição de estoque e o impacto potencial dos benefícios adicionais oferecidos às consultoras sobre a margem.

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Bilionário tcheco negocia compra de fatia de US$ 1,14 bilhão na Pirelli

O bilionário tcheco Michal Strnad está em negociações para comprar uma participação minoritária na Pirelli & C. SpA de seu maior acionista, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. A operação poderia ajudar a reduzir a pressão sobre o papel da China na fabricante italiana de pneus.

Strnad negocia com a estatal Sinochem Holdings Corp. a aquisição de uma fatia de 14% da Pirelli, disse uma das fontes, que pediu anonimato por tratar de informações privadas. As conversas estão em andamento e não há garantia de que um acordo será fechado, afirmaram as fontes, citando como possíveis obstáculos a necessidade de autorização de Pequim.

Uma transação desse porte — avaliada em pouco mais de € 1 bilhão (US$ 1,14 bilhão) pelos preços atuais de mercado — deixaria a Sinochem com cerca de 20% da Pirelli. Isso representaria mais um avanço em um esforço diplomática e politicamente sensível para limitar a influência da estatal chinesa na fabricante de pneus, tema que ganhou importância à medida que a Pirelli expande sua tecnologia de pneus conectados.

As ações da Pirelli chegaram a subir 4,1% em Milão após a divulgação da notícia pela Bloomberg. Antes desta sexta-feira, o papel já acumulava alta de 17% em 2026.

Representantes de Strnad, da Sinochem e da Pirelli se recusaram a comentar.

A participação chinesa na Pirelli tem sido alvo de escrutínio nos Estados Unidos, um dos principais mercados da companhia, por questões relacionadas à segurança nacional e ao compartilhamento de dados. A preocupação ocorre enquanto a empresa amplia a oferta de seus pneus Cyber Tyre, equipados com sensores capazes de coletar informações em tempo real.

O governo da Itália tem utilizado seus poderes especiais de intervenção em empresas estratégicas — conhecidos como golden power — para limitar a influência da Sinochem na Pirelli. As restrições incluem limites à representação da estatal no conselho de administração e a determinados direitos de governança enquanto sua participação permanecer acima de 9,99%.

Nas últimas semanas, a Pirelli promoveu mudanças em seu conselho e na liderança executiva, nomeando o ex-presidente-executivo e acionista relevante Marco Tronchetti Provera como presidente executivo, apesar da oposição dos acionistas chineses. A entrada de Strnad, controlador do grupo de defesa tcheco CSG NV, reforçaria ainda mais a presença de capital europeu na companhia.

O principal obstáculo para a conclusão do negócio é a aprovação da Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais da China (SASAC), órgão responsável por supervisionar empresas estatais do país, disse uma das fontes. Segundo ela, já foi discutida uma estrutura básica de preço das ações com pagamento de prêmio, e o fechamento poderia ocorrer, no cenário mais otimista, no fim de julho.

O jornal italiano Corriere della Sera informou anteriormente que Strnad e o bilionário tcheco Pavel Tykac tinham interesse em adquirir conjuntamente entre 10% e 20% da participação da Sinochem na Pirelli.

Segundo as fontes ouvidas pela Bloomberg, Tykac não participa mais das negociações. Um porta-voz de sua empresa, Sev.en Global Investments, se recusou a comentar.

A CSG, sediada em Praga, abriu capital na bolsa de Amsterdã neste ano, na maior oferta pública inicial de ações já realizada por uma empresa exclusivamente voltada ao setor de defesa. Em 2022, o grupo adquiriu 70% da fabricante italiana de munições Fiocchi Munizioni e comprou a participação restante no ano passado.

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Polícia Federal bloqueia R$ 10 bilhões e faz prisão após sanções dos EUA por PCC

A Polícia Federal cumpriu nesta sexta-feira (3) mandados de prisão temporária e de busca e apreensão, inclusive contra dois investigados que foram alvo de sanções do Departamento do Tesouro dos EUA no início desta semana.

A Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 10,4 bilhões em bens dos investigados.

Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira foi presa nesta sexta-feira, enquanto Victor Henrique de Oliveira Shimada continua foragido, segundo uma pessoa familiarizada com a operação, que pediu para não ser identificada porque os detalhes ainda não são públicos.

Ambos foram sancionados em 1º de julho pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês) do Departamento do Tesouro dos EUA, sob a acusação de ajudar a lavar recursos para a maior organização criminosa da América Latina, o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O advogado de Shimada não respondeu de imediato a um pedido de comentário. A defesa de Oliveira não foi localizada imediatamente. Segundo os EUA, Shimada atuava como um intermediário-chave entre integrantes do PCC baseados na Flórida e traficantes internacionais de drogas.

Mais de 50 policiais federais cumprem 11 mandados de prisão temporária e 13 mandados de busca e apreensão em diversas cidades do estado de São Paulo. A Justiça brasileira também determinou o bloqueio de bens, valores e ativos em criptomoedas dos investigados, totalizando cerca de R$ 10,4 bilhões, segundo comunicado da PF.

Segundo a PF, os investigados operavam uma sofisticada rede financeira para movimentar recursos ilícitos por meio de transferências de criptomoedas, transporte de dinheiro em espécie, transações bancárias de alto valor e transferências entre pessoas físicas e empresas.

Os suspeitos poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro e evasão ilegal de divisas, além de outros crimes que possam ser identificados ao longo das investigações, afirma o comunicado.

A operação da PF, batizada de Operação Exchange, já havia sido planejada antes de os EUA aplicarem sanções aos dois brasileiros no início desta semana, afirmou a pessoa.

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O robô vai às compras: como os agentes de IA já estão em todo lugar do varejo brasileiro

Um cliente escreve no WhatsApp que precisa de um carro para viajar com a família. Não há vendedor do outro lado — nem, tecnicamente, um humano. Em segundos, recebe opções, preços e a pergunta sobre quantos dias vai durar a viagem.

Agentes de inteligência artificial começam a assumir parte do trabalho de comprar — de uma roupa até um serviço ou, quem sabe, até um carro — em canais que vão do chat à voz.

A locadora de veículos Movida, do grupo Simpar, foi escolhida pela Meta, dona do WhatsApp, para testar (e atestar) o modelo de agente que a big tech queria desenvolver para seu aplicativo de conversas.

A escolha por uma companhia brasileira não foi à toa, dado que o país é um heavy user do WhatsApp. O Brasil é o segundo maior mercado global do WhatsApp, com mais de 139 milhões de usuários. O país também se destaca como o principal motor de receita corporativa da plataforma, liderando o uso do WhatsApp Business à frente da Índia e da Indonésia.

Faz sentido também com a mudança nos lares brasileiros. Os dados do Módulo de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) da PNAD Contínua, divulgado nesta quinta-feira (02), mostram que 95% dos lares já estão conectados na internet. E é cada vez mais gente: 90% dos brasileiros com 10 anos ou mais acessam a internet – especialmente a população com 60 anos ou mais.

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No evento Conversations, em Londres, o CEO Gustavo Moscatelli demonstrou uma locação inteira sendo fechada dentro do WhatsApp: escolha do carro, seguro, reserva e pagamento, sem troca de aplicativo.

A locadora também já tem uma base favorável de dados para o teste. Com mais de 270 mil veículos em 400 pontos, 84% das locações são online. Dessas, a maioria já era fechada via WhatsApp, só que com a transação sendo, em grande parte, operada e totalmente concluída por atendentes humanos.

Alugar um carro no WhatsApp

A parceria começou em março e pôs a Movida no primeiro lote de testes da Meta, ao lado de outras companhias, incluindo outras brasileiras como a Sem Parar.

O desenvolvimento levou dois meses e meio e envolveu seis profissionais da Movida e cinquenta da Meta e cerca de dez dias de trabalho local. Antes do lançamento, o agente rodou duas semanas de forma limitada, atendendo o equivalente a 1% das reservas. Mesmo assim, saiu do ar por 48 horas nos primeiros dias para corrigir falhas que faziam clientes desistir.

Depois, o tráfego migrou em doses até o agente assumir praticamente todo o canal. Para reduzir erros, a Movida colocou agentes para vigiar agentes: um verifica o carro, outro confere o seguro, um terceiro checa se a data faz sentido. O InvestNews testou. O sistema já indica loja próxima, sugere categorias e preços, oferece seguro, lavagem e combustível, mas travou quando a pergunta saiu do roteiro e daí encaminhou para o atendimento humano.

De qualquer maneira, a empresa diz que os ganhos são consideráveis. Nas primeiras três semanas de operação plena, as interações semanais saltaram de 12 mil para 30 mil. A conversão em locações dobrou, e 85% das conversas terminam sem intervenção humana.

O custo de cada locação fechada pelo canal caiu de 10% para 2% do valor do contrato, calcula a Movida. “O custo é o token. Como a abordagem é mais assertiva, você usa menos mensagens”, afirma Moscatelli.

O tíquete médio da Movida ficou 6% acima da média. A meta é faturar R$ 300 milhões pelo canal até o fim do ano, o triplo dos 12 meses anteriores. O pagamento, por enquanto, continua fora do WhatsApp. A empresa quer levar 100% da jornada, incluindo assinatura de carro, para dentro do canal em 90 dias. Vender os carros seminovos também está nos planos.

A funcionalidade do WhatsApp entrou no ar na quarta-feira (1º de julho). A partir de 1º de agosto, a cobrança passa a ser por consumo de tokens (cada palavra processada pela IA, lida ou gerada), e não mais por mensagem enviada, como funciona hoje a API tradicional do WhatsApp Business.

Cada pacote de 1 milhão de tokens custa US$ 2, e a Meta estima que uma resposta simples consuma entre 20 mil e 25 mil tokens, o equivalente a cerca de US$ 0,04.

O valor final varia com a complexidade da conversa. Uma dúvida simples, como horário de funcionamento, pode gerar quatro respostas e consumir cerca de 80 mil tokens, com custo entre US$ 0,16 e US$ 0,20. Já uma interação mais elaborada, como orientar o cliente a montar um produto, pode chegar a dez respostas e 250 mil tokens, elevando o custo para US$ 0,40 a US$ 0,50.

Segundo a Meta, a lógica é cobrar mais por conversas que exigem mais “raciocínio” da IA. E, diferentemente de soluções de terceiros plugadas à API do WhatsApp, que cobram separadamente do provedor externo e da Meta, o Business Agent tem cobrança única, o que a empresa apresenta como mais acessível em cenários de alto volume.

A lançamento do Meta Business Agent acontece também em meio a uma disputa regulatória. Em outubro passado, a Meta restringiu chatbots de terceiros de operar dentro do WhatsApp. Mas o Cade suspendeu a medida em março, citando abuso de posição dominante. Desde 11 de março, a Meta cobra US$ 0,0625 por mensagem processada por chatbots de outras empresas no Brasil.

Alexa, compre uma passagem

Na ClickBus, o roteiro se repete. A empresa batizou sua IA de BuzzBrain e, hoje, mais de 15% das vendas já têm influência da ferramenta. O CTO, Fábio Trentini, projeta superar 30% no ano que vem.

A IA entrou primeiro no aplicativo, para informar destino; depois passou a responder dúvidas sobre bagagem, pets e horários; foi para o atendimento interno; e só então virou chatbot no site. Hoje fala com o cliente no WhatsApp por texto ou áudio, mostra o mapa de assentos e processa pagamento por Pix ou cartão.

“Nós treinamos as IAs para falarem exatamente o que sabem. O que não sabem, falam que não sabem”, diz Trentini. Por trás do avanço estão 88 milhões de passagens vendidas, 375 milhões de buscas em 2025, mais de 16 milhões de passageiros e mais de 1 milhão de clientes que usam a IA conversacional. O primeiro agente levou cerca de seis meses para ficar pronto.

A aposta mais recente é a integração com a Alexa Plus, lançada no Brasil em 18 de junho. A promessa é permitir compra de passagem só por voz, mas a função ainda não está totalmente no ar e a Amazon integra os parceiros aos poucos.

A corrida do varejo… e das big techs

A expectativa de analistas do mercado é que os agentes de IA se disseminem rapidamente. É a aposta do time do BTG Pactual que analisa ações de varejo. Segundo eles, o Mercado Livre, que lidera o e-commerce no Brasil, é uma das empresas mais bem posicionadas para a “era dos agentes”.

Ainda que não lance um assistente conversacional como a Amazon, já começou a incorporar IA em busca, publicidade, atendimento, ferramentas para vendedores, risco e crédito.

O Magazine Luiza também passou a testar o “WhatsApp da Lu”. Lançado no fim de 2025, a ferramenta foi testada por mais de 1 milhão de usuários.

A Lu usa agentes para entender pedido, buscar no catálogo, dar sugestões. Para pagar, o agente consegue consultar o perfil do cliente pelo número do celular e realizar a transação na conversa. Segundo a empresa, ela gerou três vezes mais conversão em vendas no WhatsApp do que no seu aplicativo.

O pano de fundo é global.

A Bain aponta que o tráfego de plataformas de IA generativa para sites de varejo cresceu cerca de 4.700% no último ano — e que 55% dos consumidores já usam modelos de linguagem para pesquisar produtos.

Segundo pesquisa da Nvidia, 91% de varejistas e empresas de bens de consumo consultados usam ou avaliam IA, 89% atribuem receita a essas iniciativas e 95% relatam corte de custo. A McKinsey projeta que o comércio mediado por agentes de IA movimente entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões até 2030.

A disputa também acontece antes do consumidor, entre as plataformas que sustentam os agentes. O Google lançou em janeiro o Gemini Enterprise for Customer Experience, depois de a OpenAI liberar o checkout direto no ChatGPT e a Microsoft anunciar função parecida no Copilot.

Quem paga a conta quando o robô erra

O entusiasmo convive com uma pergunta sem resposta pronta. Quando um agente reserva viagem de forma errada, compra item equivocado ou autoriza gasto indevido, quem responde? A plataforma que criou o modelo, a empresa que implantou o agente ou o usuário que aprovou a ação?

Nos Estados Unidos não há lei federal específica; cada estado trata o tema à sua maneira. A União Europeia aprovou o AI Act, que classifica sistemas de IA por risco e impõe obrigações mais rígidas a aplicações de alto risco. A lei dá mais previsibilidade, mas ainda é recente, e reguladores seguem montando estrutura de fiscalização. No Brasil, ainda não há uma discussão sobre qual será a resposta.

Há ainda uma questão de confiança. A Bain observa que o consumidor confia cerca de três vezes mais em agente operado pelo próprio varejista do que em agente de terceiros. Isso ajuda a explicar por que Movida, ClickBus e Magalu preferiram construir – ainda que com as big techs – a tecnologia, sem abrir mão da relação com o cliente.

O apetite, por enquanto, não desacelera. Enquanto o consumidor decide se confia em deixar um robô comprar por ele, varejo e serviços já apostam que sim.

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CNPJ terá letras além de números. Saiba para quem vale a mudança e como se adaptar

A partir do próximo dia 31 de julho, o CNPJ vai mudar. O que era obrigatoriamente uma sequência de 14 números passará a incluir também algumas letras. É o CNPJ alfanumérico, no jargão técnico.

Você, empreendedor, lê essa notícia e quer saber: o CNPJ da sua empresa vai mudar? Você precisará atualizar o cadastro na Receita Federal? Terá de alterar o contrato social ou outros documentos?

Desta vez, felizmente, a adaptação vai ser mais simples do que parece à primeira vista. Quem já tem empresa não precisará trocar o CNPJ nem fazer alterações cadastrais por causa da mudança.

Você não terá de fazer nada – ou melhor, quase nada.

O novo modelo foi criado para permitir a emissão de mais combinações de números e letras para as futuras empresas, já que o sistema atual está chegando ao limite de possibilidades.

Portanto, é vida que segue para quem já tem uma PJ aberta – à exceção de alguns cuidados simples, mas importantes, que devem ser tomados e que o Descomplica PJ explica agora.

CNPJ com letras e números

Atualmente, o CNPJ possui 14 posições compostas apenas por números. Com a mudança, as 12 primeiras posições poderão combinar números e letras maiúsculas. Os dois dígitos verificadores, ao final do código, continuarão sendo apenas numéricos.

A aparência do CNPJ continuará praticamente igual: 14 caracteres, pontos, barra e hífen. A novidade é a presença das letras e o fim do tradicional “0001”. Essa sequência, que vem antes dos dígitos verificadores, sempre foi usada para identificar a matriz da empresa, mas deixará de ser obrigatória.

Então, em vez de um CNPJ do tipo 12.345.678/0001-95, talvez você comece a cruzar com outros no estilo 12.ABC.345/01DE-35. Mas as mudanças param por aí.

“O processo de abertura de empresas continua exatamente o mesmo. Só muda o número gerado pelo sistema da Receita Federal”, diz Charles Gularte, sócio-diretor de contabilidade e relações institucionais da Contabilizei.

Por que a mudança?

Como o CNPJ alfanumérico começa na mesma época em que várias novidades previstas na reforma tributária são implementadas, muita gente acha que uma é consequência da outra. E isso não é exatamente verdade. Não diretamente.

A reforma tributária não criou a mudança, mas ajudou a acelerar a necessidade dela. Um exemplo: a partir de janeiro de 2027, autônomos e produtores rurais também vão precisar emitir nota fiscal por meio de um CNPJ, o que vai levar muito mais pessoas a terem de registrar um.

E se, no ritmo atual de abertura, de cerca de 6 milhões de empresas por ano, o estoque de combinações numéricas já estava esgotando, imagine com a enxurrada de novos pedidos de cadastro que vem pela frente?

Ao permitir a combinação de letras e números, diz Julia Castellari, advogada do PGBR Advogados, a Receita Federal ganha espaço para gerar trilhões de novas combinações.

Mudança começa em julho

A implementação será progressiva a partir de 31 de julho e, nesse início, ainda poderá haver novas empresas que recebam CNPJs compostos apenas por números.

Isso ocorrerá enquanto o sistema da Receita Federal faz a transição entre os dois formatos, afirma Gustavo Faviero, sócio do Almeida Prado, Marx, Faviero e Flôr Advogados.

Por um tempo, os dois tipos de CNPJ vão conviver. E tanto os exclusivamente numéricos quanto os alfanuméricos serão aceitos para emissão de notas fiscais, transações comerciais e demais operações.

Por isso, quem já possui empresa aberta pode respirar aliviado. Os CNPJs atuais permanecem válidos e não haverá necessidade de emitir um novo número, alterar o contrato social ou substituir o certificado digital.

“O procedimento de constituição de novas empresas não exige qualquer regularização por parte de quem já possui CNPJ”, diz Tania Lehmann, sócia do Mariana Valverde Advogados.

O diabo mora nos detalhes

A maior adaptação ao novo CNPJ vai acontecer nos bastidores: os sistemas de gestão que usam o cadastro para identificar empresas de precisarão ser atualizados para aceitar letras e validar o código. É o caso de ERPs, emissores de nota fiscal, plataformas de atendimento e até bancos.

Empresas que usam sistemas antigos ou sem contrato de atualização poderão enfrentar adaptações mais complexas e até precisar substituir seus programas de gestão, diz Adriano Vitor dos Santos, tributarista do Bergamini Advogados. Caso essa adequação não aconteça, o risco é operacional.

Na prática, sistemas desatualizados podem deixar de reconhecer clientes com CNPJ alfanumérico, impedir o faturamento, provocar falhas na emissão e no recebimento de notas fiscais e até gerar inconsistências nas obrigações fiscais entregues à Receita Federal.

Por isso, vale verificar se os sistemas utilizados pelo seu negócio já estão sendo atualizados. Não deixe de questionar seus fornecedores de software, além dos seus contadores, para confirmar se emissores de notas, sistemas de caixa, plataformas de e-commerce e ERP já estão preparados.

Além, é claro, de orientar sua equipe sobre a coexistência entre os dois formatos. Afinal, não dá para deixar de faturar porque o departamento financeiro foi pego de surpresa.

Atenção aos golpes

Como acontece em toda mudança que envolve documentos oficiais, os especialistas alertam para possíveis tentativas de golpe.

Segundo Tania, a Receita Federal não exigirá regularização para quem já possui empresa nem solicitará pagamentos relacionados a isso – muito menos por WhatsApp, SMS, e-mail ou telefone.

Então, olho aberto: desconfie de qualquer mensagem que peça atualização cadastral, envio de documentos ou pagamento de taxas usando a mudança como justificativa.

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Maior mineradora de zinco da Europa negocia compra da participação da Votorantim na Nexa

A sueca Boliden, maior fabricante europeia de zinco, confirmou nesta quinta-feira (2) que está em conversas com a Nexa Resources e com a Votorantim, controladora da companhia, sobre uma possível aquisição da participação do grupo brasileiro na mineradora. Segundo o comunicado divulgado ao mercado, “não há garantia de que qualquer transação venha a ser concretizada, nem de quais seriam os termos de um eventual acordo.”

As negociações ocorrem em meio a rumores que circulam no setor desde o início do ano. Segundo informações já reportadas pelo Estadão, as tratativas chegaram a avançar significativamente no primeiro semestre, mas enfrentaram obstáculos relacionados a questões jurídicas e ao ambiente geopolítico global.

Uma eventual aquisição representaria um movimento estratégico relevante para ambas as empresas. A Nexa, controlada pela Votorantim e listada na NYSE desde 2017, é uma das maiores produtoras integradas de metais polimetálicos da América Latina, tendo o zinco como principal produto.

A companhia tem mais de 65 anos de atuação em mineração e metalurgia e opera cinco minas no Brasil e no Peru, além de três fundições de zinco, incluindo Cajamarquilla, no Peru, considerada a maior fundição do metal nas Américas.

A Nexa apresentou melhora operacional e financeira no primeiro trimestre de 2026. A companhia registrou lucro líquido de US$ 118 milhões, ante US$ 29 milhões no mesmo período do ano anterior. A receita líquida cresceu 42%, para US$ 888 milhões, enquanto o Ebitda ajustado avançou 126%, para US$ 283 milhões. A margem Ebitda ajustada atingiu 31,8%, refletindo a alta dos preços dos metais — especialmente da prata — e o maior volume de vendas das operações de fundição.

Segundo o presidente-executivo da Nexa, Ignacio Rosado, os resultados foram alcançados apesar de desafios operacionais no Peru, incluindo chuvas intensas na mina Cerro Lindo, bloqueios comunitários em Atacocha e restrições operacionais em El Porvenir. Ao mesmo tempo, a mina de Aripuanã, em Mato Grosso, registrou novo recorde trimestral de produção de zinco, enquanto as fundições brasileiras de Juiz de Fora e Três Marias ampliaram a produção em 56% e 17%, respectivamente, na comparação anual.

A companhia também encerrou o trimestre com alavancagem financeira menor. A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado caiu para 1,59 vez, ante 2,09 vezes um ano antes, reforçando sua posição financeira em meio às discussões sobre uma potencial mudança de controle.

Já a Boliden é a maior produtora de zinco da Europa e atua na mineração e processamento de metais básicos e preciosos, incluindo cobre, zinco, ouro e prata. A companhia opera minas e fundições na Suécia, Finlândia, Noruega e Irlanda, com ações negociadas na Nasdaq Stockholm.

As duas empresas são vistas como altamente complementares. Enquanto a Nexa concentra suas operações na América do Sul, a Boliden possui ativos predominantemente na Europa. Uma combinação ampliaria a presença global da companhia sueca e reforçaria sua exposição a metais considerados estratégicos para a eletrificação da economia e a transição energética.

A Votorantim não comentou publicamente os detalhes das negociações. A Boliden afirmou que divulgará novas informações caso as discussões avancem para uma transação.

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Mercado Livre vende Ozempic no México enquanto Brasil discute regras para venda de remédios

Após a aquisição de uma farmácia física em São Paulo no ano passado — um pré-requisito regulatório para a venda online de medicamentos —, a expansão do Mercado Livre para o setor de saúde acaba de ganhar um capítulo importante fora do Brasil.

No México, a farmacêutica Novo Nordisk abriu uma loja oficial dentro da plataforma do Mercado Livre para comercializar, mediante receita médica, medicamentos à base de semaglutida, incluindo Ozempic, Wegovy e Rybelsus.

O movimento chama atenção não apenas pelo porte dos produtos envolvidos, mas pelo desenho do negócio. O diferencial do modelo mexicano não está na venda digital de medicamentos em si — já permitida em diversos mercados —, mas no fato de o próprio laboratório operar uma vitrine oficial dentro de um marketplace. Nesse arranjo, a fabricante passa a atuar como vendedora dentro da plataforma, algo que não é permitido no Brasil.

Na prática, é a própria Novo Nordisk quem aparece como seller dos produtos e mantém a relação comercial com o consumidor dentro do ecossistema do marketplace. O Mercado Livre fornece a infraestrutura da plataforma e o suporte logístico, incluindo o Mercado Envios, enquanto a entrega dos medicamentos fica a cargo de transportadoras farmacêuticas licenciadas.

Por que o México e não o Brasil?

A diferença central está na regulação. No México, a Ley General de Salud — supervisionada pela agência sanitária COFEPRIS — autoriza a venda digital de medicamentos sujeitos a prescrição, desde que haja licença sanitária válida e com a receita verificada por um profissional farmacêutico habilitado.

Embora a norma não tenha sido desenhada especificamente para marketplaces, ela permite, na prática, a atuação direta de laboratórios em plataformas digitais, apoiados por operadores logísticos licenciados.

No Brasil, o cenário é mais restritivo. As regras da Anvisa permitem a venda online de medicamentos apenas por farmácias e drogarias devidamente licenciadas. O e-commerce funciona como extensão digital desses estabelecimentos, o que impede que marketplaces atuem como vendedores diretos. Esse modelo está em vigor desde 2009, quando a agência regulamentou o comércio eletrônico de medicamentos.

No caso de medicamentos à base de semaglutida — como Ozempic, Wegovy e Rybelsus —, as restrições são ainda mais relevantes por se tratarem de produtos sujeitos à prescrição médica. A Lei 15.354/2026 trouxe alguma flexibilização ao permitir a terceirização de etapas logísticas e de entrega, mas não alterou o núcleo da regulação. Fabricantes continuam impedidos de vender diretamente ao consumidor final, e a comercialização permanece concentrada em farmácias autorizadas.

Operação no Brasil: estágio inicial e modelo híbrido

Nesse contexto, a operação farmacêutica do Mercado Livre no Brasil ainda se mantém em estágio inicial, centrada no Meli Farma, estruturado a partir de uma farmácia licenciada em São Paulo e voltado a produtos de higiene, cuidados pessoais e medicamentos isentos de prescrição.

A estratégia da companhia não se baseia na integração vertical nem na manutenção de estoque próprio, mas sim na integração de farmácias licenciadas ao seu ecossistema de marketplace. Essa abordagem reflete o modelo de marketplace de terceiros já consolidado em outras categorias e é consistente com iniciativas semelhantes em outros mercados.

México como laboratório estratégico

A parceria entre Mercado Livre e Novo Nordisk no México funciona como um importante laboratório estratégico. Ela demonstra como a companhia pode evoluir em ambientes regulatórios mais flexíveis, testando modelos em que a plataforma deixa de ser apenas intermediária entre farmácias e consumidores para se tornar uma infraestrutura mais direta de distribuição para a indústria farmacêutica.

Nesse arranjo, o Mercado Livre se posiciona como camada tecnológica e logística que conecta fabricantes, operadores licenciados e consumidores finais, ampliando o potencial de monetização e integração com seu ecossistema.

A entrada do Mercado Livre no setor farmacêutico deve ocorrer de forma gradual no Brasil. No entanto, a combinação de movimentos regulatórios no exterior e mudanças competitivas locais sugere um potencial de transformação mais relevante no médio e longo prazo.

A parceria com a Novo Nordisk reforça a tese de que categorias como GLP-1 podem se tornar estratégicas para plataformas digitais, dada sua recorrência, alto valor e demanda estrutural crescente. Caso o ambiente regulatório evolua, o Mercado Livre estaria posicionado para capturar valor não apenas como intermediário, mas como infraestrutura central do ecossistema farmacêutico digital. Por ora, a expansão segue condicionada às regras locais, que ainda limitam de forma relevante a atuação direta da companhia nesse setor.

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Chanel compra a Charvet, a mais antiga fabricante de camisas da França

A Chanel concordou em comprar a Charvet, a mais antiga fabricante de camisas da França, que já teve Winston Churchill entre seus clientes e cujas camisas de linho listradas custam tipicamente cerca de € 655 (US$ 746).

A aquisição ocorre após a colaboração da Charvet com o diretor artístico da Chanel, Matthieu Blazy, em seu desfile de estreia para a marca de luxo no ano passado, no qual as camisas tiveram papel de destaque.

Após o desfile, houve um “desejo de continuar o diálogo, ao considerar a integração da Charvet, de forma a preservar e perpetuar esse savoir-faire dentro de um quadro duradouro”, afirmou a Chanel em comunicado nesta quinta-feira (2). Os termos do acordo não foram divulgados.

Os produtos da Charvet são vendidos em uma loja na Place Vendôme, próxima ao Museu do Louvre, em Paris, além de online por meio de varejistas de luxo como o Mr Porter. Além de Churchill, a marca, fundada em 1838, também foi preferida por personalidades como Charles Baudelaire e Marcel Proust.

Boy Capel, que teve um relacionamento com Gabrielle “Coco” Chanel, também usava camisas da Charvet, afirmou Bruno Pavlovsky, responsável pelas atividades de moda da Chanel, no comunicado. Capel era um jogador britânico de polo que ajudou a empresária da moda nos primeiros anos de sua carreira.

A camisaçaria passa a integrar um pequeno grupo de marcas dentro do universo da Chanel, que inclui a marca de moda praia Eres, além da joalheria Goossens e da especialista em cashmere Barrie. A Chanel produz apenas linhas femininas e alta-costura, e nunca entrou no segmento de moda masculina, embora comercialize o perfume masculino Bleu de Chanel, cujo embaixador é Jacob Elordi.

A Chanel é controlada de forma privada pelos irmãos Alain e Gérard Wertheimer, cuja fortuna é estimada em cerca de US$ 42,8 bilhões cada um, segundo o Bloomberg Billionaires Index.

Em maio, a Chanel afirmou que as vendas voltaram a crescer no ano passado após uma queda em 2024, causada por aumentos de preços que afastaram consumidores. A empresa disse haver sinais “muito positivos” de que as criações de Blazy estão atraindo clientes.

A Bain estima que o setor de bens de luxo pessoais crescerá entre 2% e 4% em taxas de câmbio constantes neste ano, uma revisão para baixo em relação à projeção anterior, mas ainda acima do crescimento de 1% registrado no ano passado.

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Advent passa 6% do capital da Natura e fica mais perto de indicar dois conselheiros

A Natura informou nesta quinta-feira (2) que a gestora de private equity Advent International chegou a 6,6% do capital social da companhia.

Segundo fato relevante divulgado pela empresa, o Lotus Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, veículo detido por fundos geridos pela Advent, informou possuir 90.676.500 ações da Natura.

O investidor também mantém exposição econômica a outras 19.288.800 ações, ou 1,4% do capital, por meio de contratos de derivativos com liquidação exclusivamente financeira (TRS). Após a liquidação da exposição econômica via derivativos, a Advent passará a ter exposição equivalente a cerca de 8% do capital da Natura.

Nos termos desse acordo, alcançando a participação alvo de 8% a 10%, a Advent poderá indicar dois membros adicionais para compor o Conselho de Administração, que hoje conta com 8 conselheiros, e participar de alguns comitês de assessoramento do colegiado, contribuindo com sua expertise para a estratégia do negócio.

A entrada da gestora havia sido acertada em março, quando os grupos ligados aos fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos celebraram um novo acordo de acionistas e assinaram um compromisso vinculante com a Advent. Pelo entendimento, o investidor se comprometeu a adquirir entre 8% e 10% do capital da Natura por meio de compras no mercado secundário, com preço médio-alvo de R$ 9,75 por ação.

Na época, a companhia estimou que a operação poderia movimentar entre R$ 1 bilhão e R$ 1,34 bilhão. O acordo também deixou claro que a Advent não compraria ações diretamente dos fundadores ou dos demais integrantes dos blocos de controle de referência, mas ingressaria na empresa por meio da aquisição de papéis em circulação na bolsa.

Ao atingir a participação mínima prevista, a Advent passa a poder indicar dois membros adicionais para o conselho de administração da Natura e participar de determinados comitês de assessoramento da companhia. O investidor, no entanto, não possui direitos de veto nem obrigação de votar em bloco com os acionistas de referência, exceto em temas relacionados à composição da administração e de seus órgãos de assessoramento.

A entrada da Advent faz parte de uma ampla reorganização de governança anunciada pela Natura em março. Na ocasião, a empresa informou que os fundadores deixariam o conselho de administração após a assembleia de 2026 para integrar um novo conselho consultivo voltado à preservação dos valores e da cultura da companhia. O plano também prevê Alessandro Carlucci, ex-presidente-executivo da Natura, como novo presidente do conselho de administração, sucedendo Fábio Barbosa.

Segundo a companhia, as mudanças marcam o fim de um ciclo de simplificação societária e o início de uma nova etapa de crescimento, com foco na expansão dos negócios na América Latina.

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Enjoei troca comando executivo e chama ex-OLX para a cadeira de CEO

O Enjoei anunciou nesta quarta-feira (01) a troca de seu principal executivo. Marcos Leite, ex-Chief Revenue Officer do Grupo OLX, assumirá a cadeira de CEO da companhia em 9 de setembro, substituindo o cofundador Tiê Lima, que estava à frente do negócio há 17 anos.

A decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração, com apoio de um Comitê de Sucessão formado especificamente para conduzir o processo. Lima permanece na empresa, mas muda de função: passa a se dedicar à agenda estratégica e à governança como conselheiro, com indicação prevista para a presidência do Conselho.

LEIA TAMBÉM: Após aposta em brechós infantis, Enjoei encerra sociedade com a Cresci e Perdi

A atual presidente do Conselho, Ana Luiza McLaren, também troca de posição. Cofundadora do brechó on-line, ela deixa a presidência do colegiado, mas segue como conselheira e passa a ser vice-presidente executiva, mantendo influência direta sobre a operação.

Um rival vira reforço

A escolha de Marcos Leite aproxima o Enjoei de sua concorrência mais direta no mercado brasileiro de classificados e usados. Leite passou 14 anos no Grupo OLX, onde liderou a operação desde o início, em 2012, e acumulou funções sêniores no Comitê Executivo — incluindo a condução da fusão com o Bomnegocio.com e a integração da compra do Grupo ZAP. Mais recentemente, ocupava o cargo de CRO, com responsabilidade sobre as principais verticais de negócio da OLX.

Antes de voltar ao Brasil, Leite trabalhou na Europa em empresas de tecnologia como eBuddy e Spil Games. Ele é graduado e tem mestrado em Administração Internacional pela TIAS School for Business and Society, da Universidade de Tilburg, na Holanda.

A trajetória o coloca como um nome que conhece de dentro a dinâmica do setor de classificados e usados — inclusive suas disputas por audiência e categorias com o próprio Enjoei. O desafio agora será replicar essa experiência em um modelo de negócio distinto: o marketplace de moda e objetos second hand, com dinâmica de curadoria, categorização e confiança entre vendedores e compradores pessoa física, diferente da lógica de classificados que marcou sua carreira na OLX.

Novos caminhos para os fundadores

Para Tiê Lima, a mudança formaliza um afastamento gradual da rotina executiva. Ele foi responsável pela estruturação do Enjoei como um marketplace reconhecido no país, pela abertura de capital da empresa e pela construção da cultura de produto que ajudou a consolidar o mercado de segunda mão no Brasil.

A movimentação ocorre em um momento delicado para empresas de comércio eletrônico de menor porte listadas na bolsa brasileira, pressionadas por concorrência de grandes marketplaces generalistas e por um cenário de juros altos que penaliza o consumo discricionário — categoria em que moda e itens usados se encaixam.

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EUA sancionam brasileiros e empresas por suposta ligação com PCC. Veja quem são

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou dois brasileiros, três empresas brasileiras e uma empresa portuguesa, sob a acusação de ajudar a lavar recursos ligados à maior organização criminosa da América Latina.

O brasileiro Victor Henrique de Oliveira Shimada, residente em São Paulo, teria atuado como um “elo-chave” entre operadores ligados à Flórida para o Primeiro Comando da Capital — também conhecido como PCC — e traficantes internacionais, segundo comunicado do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), do Tesouro dos EUA, divulgado em 1º de julho.

Sua associada, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, além das empresas brasileiras Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda., Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda. e Wave Construções Inteligentes Ltda., bem como a empresa portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda., também foram incluídas nas sanções. Esta última seria controlada integralmente por Shimada.

As empresas brasileiras citadas não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. Shimada também não respondeu a uma solicitação enviada por meio de seu perfil no LinkedIn, e o advogado que o representava no ano passado afirmou que não o representa mais. Stella de Oliveira não foi localizada.

As sanções são as primeiras desde que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou em maio que o PCC — junto com o Comando Vermelho — passaria a ser classificado como organização terrorista estrangeira, medida já aplicada anteriormente contra outros grupos criminosos na América Latina. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a decisão, dizendo que ela ameaça a soberania do Brasil e não ajuda no combate ao tráfico.

Lavagem de dinheiro e criptoativos

Segundo o Tesouro dos EUA, Shimada e sua rede teriam lavado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos, movimentando valores ligados ao PCC com o uso de criptomoedas para repasse de fundos ao Brasil.

O comunicado também aponta que Shimada estava em prisão domiciliar no Brasil após uma de suas empresas, a Victory Trading, ter sido usada em um esquema de fraude publicitária envolvendo dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro.

A Victory Trading teria sido utilizada para redirecionar recursos para uma empresa controlada pelo PCC, segundo reportagens da imprensa brasileira, incluindo a ESPN Brasil. O dinheiro teria origem em pagamentos feitos pelo Sport Club Corinthians Paulista, dentro de um contrato de patrocínio com uma empresa de apostas online no início de 2024. O clube não comentou o caso.

A Victory Trading é a maior entre as três empresas brasileiras sancionadas, com capital registrado de cerca de R$ 30 milhões (US$ 5,8 milhões), segundo dados da Receita Federal. Nenhuma delas possui regulação do Banco Central, segundo registros oficiais.

Pequenas fintechs puderam operar sem licença no Brasil até uma investigação de grande escala sobre o PCC no ano passado, que revelou o uso dessas estruturas para movimentação de recursos ilícitos. O caso levou o Banco Central a antecipar exigências de registro que antes estavam previstas apenas para 2029.

Nos últimos meses, bancos brasileiros passaram a buscar referências com instituições mexicanas diante do risco de impacto após a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos EUA.

Em comunicado, um representante do governo dos EUA afirmou que a medida é parte dos esforços para conter a expansão das receitas ilícitas do PCC dentro do país.

O governo brasileiro não comentou o caso até o momento.

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Pagou mais imposto do que devia no Simples Nacional? Veja como recuperar o dinheiro

A guia do Simples Nacional estava marcada para sair no débito automático da conta da empresa. Só que, por descuido, você pagou de novo, na mão. Pagou duas vezes o mesmo imposto. Quem nunca?

Ou então você errou no Fator R – a conta que compara quanto a empresa gasta com salários e quanto ela fatura; quanto mais pesa a folha, menor pode ser sua alíquota. Errou a conta aí, pagou mais imposto do que precisava.

São situações assim que fazem uma empresa do Simples pagar mais imposto do que devia. Se você, empreendedor, nunca caiu em nenhuma dessas pegadinhas, está com sorte. Mas, se caiu, fica a boa notícia: dá para reaver esse dinheiro.

São dois os caminhos. Um é a restituição: a Receita devolve o dinheiro direto na conta da empresa. O outro é a compensação: o que você pagou a mais vira um crédito para abater impostos no futuro. Vamos ver aqui como funciona o processo todo.

Como saber se a empresa pagou imposto a mais

Fique esperto, porque a Receita não avisa. Não existe notificação de que rolou um pagamento a mais ou coisa que o valha. Quem tem de descobrir é você.

O jeito, aí, é comparar duas coisas. De um lado, a contabilidade da empresa, que mostra quanto de imposto você deveria pagar. Do outro, o extrato de pagamentos, que mostra quanto você pagou de fato. Quando os números não batem, ou quando aparece pagamento repetido no mesmo mês, fica evidente a existência de um crédito.

Para ver os pagamentos, você entra no e-CAC, o portal oficial da Receita. O acesso é com certificado digital ou com a conta GOV.br do sócio que responde pelo CNPJ no Fisco. Lá dentro, na parte de “Pagamentos e Parcelamentos”, aparecem todas as guias já pagas e as que estão em aberto.

Com isso na mão, dá para cruzar o que a empresa deveria ter pago, com base no faturamento, com o que as guias mostram que ela pagou de fato — e ver se sobrou valor para restituir ou compensar. 

Mas tem um detalhe. Se a empresa tiver alguma pendência, ou seja, se estiver devendo alguma coisa, a Receita não solta a restituição assim, na lata. Ela propõe usar esse crédito para quitar o que você deve. O aviso chega por uma mensagem na caixa postal do próprio e-CAC. Se você concordar — ou se ficar quieto por 15 dias —, o sistema faz a conta. Só se sobrar algum troco depois disso é que você pode pedir o dinheiro de volta.

Uma observação: é realmente importante monitorar a caixa de mensagens do e-CAC. O Descomplica PJ já bateu nessa tecla nesta reportagem.

Como saber se a minha empresa tem débitos em aberto

A consulta também é pelo e-CAC ou pela conta GOV.br do sócio responsável. Você vai em “Certidões e Situação Fiscal” e clica em “Consulta Pendências – Situação Fiscal”. O sistema abre uma tela nova, com cada pendência destrinchada.

Olhar pagamentos e pendências é coisa para fazer sempre, não de vez em quando. No fechamento do mês, o contador pega as diferenças. Quem não tem contador acompanhando corre o risco de deixar crédito – ou dívida – esquecido por anos.

O passo a passo para recuperar o dinheiro

Antes de entrar no “como”, você precisa saber “qual” pagamento indevido dá para reaver. 

A primeira regra é de prazo. Você só pode pedir de volta o que pagou a mais nos últimos cinco anos, contando da data do pagamento. Mas tem uma pegadinha: também não dá para pedir aquilo que você pagou a mais nos últimos quatro meses.

“Esses valores ficam bloqueados pelo sistema. Ou seja, em junho de 2026, você só pode solicitar a restituição de pagamentos indevidos que tiver feito de fevereiro de 2026 para trás”, explica Charles Gularte, sócio-diretor de contabilidade e relações institucionais da Contabilizei.

Também tem os casos em que a devolução é mais complexa. Se o pagamento a mais caiu num período em que a empresa foi tirada do Simples por conta de alguma irregularidade – estouro do teto de faturamento, por exemplo. Ou se o DAS foi pago já dentro da Dívida Ativa da União. Nessas situações, não tem jeito digital: você precisa procurar o atendimento da Receita.

Fora isso, o processo é todo online, pelo e-CAC. Você entra no perfil da empresa e vai até a área do Simples Nacional. É dali que saem tanto a compensação quanto a restituição.

Enfim. Para pedir a restituição, e receber o dinheiro na conta, escolha “Pedido Eletrônico de Restituição” na área do Simples dentro do e-CAC. Informe o mês e o ano do pagamento errado, e o sistema já aponta a diferença disponível, imposto por imposto. Daí é seguir em frente confirmando os dados. E anote o número do processo que vai aparecer.

Falta um passo prático: cadastrar a chave PIX da empresa. A Receita só deposita restituição por PIX de CNPJ. Sem conta PJ com essa chave, o dinheiro não cai.

Depois de enviar, a aprovação costuma ser automática. Mas o pedido pode ficar retido na malha, para uma análise mais atenta. Você acompanha o status pelo próprio e-CAC, em “Consultar Pedidos de Restituição”.

Você também pode usar o que pagou a mais como crédito para abater imposto futuro. Para fazer isso, selecione a opção “Compensação” e diga o mês em que o crédito surgiu. O sistema mostra o que você pagou e o que era devido em cada imposto. A diferença para mais é o seu crédito. Aí é só escolher qual dívida em aberto você vai quitar com ele.

Um ponto de atenção. Só dá para compensar imposto com o mesmo imposto: PIS com PIS, ICMS com ICMS, ISS com ISS. Se você tem crédito de um e dívida de outro, não rola compensar — e a restituição vira a única saída. 

Quando já existe dívida em aberto, a compensação é na hora. Já a restituição pode demorar até 60 dias para pingar na conta, a partir da aprovação do pedido.

Os pagamentos saem em lotes, no dia 20 de cada mês. E o valor não fica parado: é corrigido pela Selic, acumulada da data em que você pagou até o dia em que recebeu de volta – menos mal.

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De franqueado a CEO: como ele fará esta empresa de produtos de limpeza chegar aos R$ 160 milhões

Depois de passar quatro anos como o principal franqueado de uma rede de produtos de limpeza, o empresário Cristiano Corrêa foi convidado para assumir o comando da Ecoville, empresa que ele representava.

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IG4 diz que pode comprar toda a dívida da Raízen à vista para assumir o controle

A gestora de private equity IG4 Capital afirmou ter capital suficiente para comprar toda a dívida da Raízen à vista, se necessário, enquanto busca adquirir volume suficiente das obrigações da produtora de açúcar e etanol em dificuldades para acabar com uma participação acionária de 50,1%.

No início deste mês, a Raízen obteve aprovação dos credores para reestruturar cerca de 65 bilhões de reais (US$ 12,8 bilhões) em dívida, no maior processo de reestruturação extrajudicial da história do Brasil.

A companhia, controlada em conjunto pela Shell e pela Cosan, tem enfrentado dificuldades após uma série de apostas estratégicas malsucedidas, juros elevados e safras fracas. Pelo plano aprovado, a Raízen converterá 45% de sua dívida em cerca de 80% do capital.

“Não é um rumor de mercado, nossa proposta está na mesa, estamos negociando e podemos oferecer uma saída agora para quem quiser”, afirmou o sócio-fundador Paulo Mattos em entrevista.

A IG4 tem até março do próximo ano para comprar a dívida e respeitará o plano de reestruturação já aprovado, disse Mattos. A empresa não pretende adotar uma abordagem hostil em relação a credores ou acionistas, e todos os termos, incluindo preço, serão negociados. Ele acrescentou que os preços de aquisição provavelmente ficarão abaixo dos valores de mercado.

Equipe de reestruturação

Mattos disse que a IG4 quer assumir o controle da Raízen e instalar uma equipe de reestruturação, e não apenas oferecer serviços de consultoria ou estruturas de fundos aos credores. Segundo ele, a base de credores é muito fragmentada e conflituosa para que a reestruturação funcione sem um investidor líder.

A IG4 planeja colocar quaisquer ações obtidas por meio da compra de dívida em um fundo de investimento, dando aos credores a opção de receber dinheiro, cotas do fundo ou derivativos atrelados a uma venda futura, disse ele.

“As conversas estão mais avançadas com alguns bancos individualmente, e uma parte relevante deles quer ações do fundo, enquanto outros estão pedindo derivativos”, disse o CEO da IG4, Hélio Novaes. “Já estamos discutindo preço e volume com esses bancos”, afirmou.

A IG4 já manteve conversas informais com a FTI Consulting, que assessora bancos; com a Moelis & Co., que assessora detentores globais de títulos; e com a Journey Capital, que assessora detentores locais de títulos, segundo Novaes. A partir de quarta-feira, a empresa pretende se reunir individualmente com esses representantes para discutir detalhes, entender o que desejam e preparar uma proposta para cada um. As conversas estão apenas começando, e a IG4 ainda não sabe se conseguirá adquirir dívida suficiente para fechar um acordo.

“Parece que uma grande parte dos detentores locais e globais de títulos prefere receber em dinheiro”, disse Novaes.

Alguns credores demonstraram ceticismo e confusão em relação à oferta, em parte porque a IG4 já está conduzindo uma reestruturação complexa na petroquímica Braskem e porque não sabem exatamente quais serão os termos oferecidos.

Mattos afirmou que a IG4 é independente do Banco BTG Pactual, reagindo à confusão do mercado sobre a relação entre ambos. O BTG, assim como Bradesco e Santander, é um dos credores e investidores da IG4, mas não tem poder de decisão e não receberá tratamento especial, disse ele. “Somos um gestor de ativos completamente independente”, afirmou.

A Raízen tem 32 usinas, das quais 24 estão ativas, disse Novaes. “Teremos de fazer um estudo detalhado para ver quais devem receber investimentos e quais não”, afirmou, acrescentando que os níveis de produtividade da empresa estão bem abaixo dos concorrentes e poderiam ser melhorados para aumentar o valor.

A ideia também é negociar um plano com a Shell, que continuará sendo acionista relevante e aportará 3,5 bilhões de reais, disse ele. A Cosan não fará aporte e será fortemente diluída.

Pelo plano de reestruturação aprovado, a Raízen será dividida em duas: a produtora de açúcar e etanol e a distribuidora de combustíveis. Ainda não há definição sobre quanto da dívida será alocado para cada empresa ou quanto cada negócio valerá. A operação de distribuição será vendida, segundo o plano.

O valor de mercado da Raízen é atualmente de 4,35 bilhões de reais, o que significa que 80% da empresa valem 3,48 bilhões de reais. Esse seria o valor recebido pelos credores que detêm pouco mais de 29 bilhões de reais em dívida caso seus créditos já tivessem sido convertidos em ações e vendidos a preços de mercado.

*por Cristiane Lucchesi, repórter da Bloomberg.

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Heineken nomeia brasileiro Rafael Oliveira como primeiro CEO externo de sua história

A Heineken nomeou Rafael Oliveira como seu novo diretor-presidente (CEO), enquanto a cervejaria holandesa rompe com sua tradição ao contratar um executivo de fora da empresa para tentar reverter a queda na demanda.

Oliveira, de 51 anos, deixará o cargo de CEO da empresa de café JDE Peet’s NV para assumir a liderança da Heineken em 1º de outubro, segundo comunicado divulgado nesta terça-feira. Ele deixa a companhia após menos de dois anos no comando e em meio aos planos da Keurig Dr Pepper Inc., que concluiu a aquisição da JDE Peet’s em abril, de separar o negócio de café como uma empresa independente até o início de 2027.

As ações da Heineken chegaram a subir 3,2% em Amsterdã. Nos 12 meses encerrados no fechamento de segunda-feira, os papéis acumulavam queda de 5,4%.

A mudança na gestão da Heineken ocorre após a saída do ex-CEO Dolf van den Brink no fim de maio, depois de seis anos à frente da companhia e mais de 28 anos de carreira dentro da cervejaria. Controlada por uma família, a empresa nunca havia nomeado um executivo externo para o cargo de CEO. No entanto, enfrenta vendas fracas à medida que consumidores reduzem o consumo de álcool e apertam os gastos diante das restrições orçamentárias.

Em abril, a companhia informou queda no volume de cerveja vendido no primeiro trimestre, com recuo da demanda em mercados estratégicos da Europa e das Américas. A empresa ficou atrás de concorrentes como a Anheuser-Busch InBev e a Carlsberg na recuperação dos negócios após a desaceleração observada no período pós-pandemia.

Redução de custos

A Heineken está no meio de um programa de redução de custos que inclui o corte de cerca de 7% de sua força de trabalho global. A companhia já afirmou estar otimista em relação à demanda por cerveja em mercados emergentes, como Vietnã e África do Sul, onde populações jovens e o aumento da renda vêm impulsionando as vendas.

Antes da JDE Peet’s, Oliveira passou uma década na Kraft Heinz, chegando ao cargo de presidente dos mercados internacionais. Nessa função, supervisionou um portfólio superior a US$ 7 bilhões distribuído entre Europa, África, Ásia-Pacífico e América Latina.

Oliveira também trabalhou durante dez anos no Goldman Sachs, como diretor executivo da divisão de títulos no Reino Unido e da unidade de mercados emergentes em Hong Kong. Iniciou sua carreira no Brasil, atuando no Banco Icatu e no Banco BBA-Creditanstalt. Possui MBA pela University of Chicago.

Ele tem um histórico de “transformar estratégia em resultados financeiros mensuráveis”, escreveram os analistas Edward Mundy e Sebastian Hickman, da Jefferies, em relatório. Segundo eles, a nomeação deve reforçar uma cultura de alto desempenho na Heineken, com foco em simplificação, alocação mais eficiente de recursos e na implementação do plano da empresa para gerar até € 500 milhões em economias anuais de produtividade.

Separadamente, a Keurig Dr Pepper informou que iniciou a busca por um novo CEO para sua divisão de café. A presidente do conselho da companhia, Pamela Patsley, também presidente do comitê de nomeação e governança, liderará o processo de seleção.

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Carole Crema mostra por que pequenas confeitarias lucram pouco

Nicole Hirata trocou a carreira no direito pela confeitaria. O negócio começou de forma artesanal, no fundo da casa da avó, inspiração para o nome da Lou Lou Pâtisserie. Poucos anos depois, a marca passou a fornecer croissants para cafeterias e padarias, abriu uma loja física na zona sul de São Paulo e alcançou produção diária de cerca de 500 unidades.

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Investimento anjo no Brasil chega a R$ 919 milhões e cresce 4,2%

Os investimentos anjo no Brasil chegaram a R$ 919 milhões em 2025, um crescimento de 4,2% em relação ao ano anterior. É o que aponta a pesquisa “A Evolução do Investimento Anjo no Brasil”, realizada pela Anjos do Brasil, organização de referência no setor.

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Move Brasil põe montadoras numa corrida de R$ 30 bilhões pelos motoristas de aplicativo

O Move Brasil, programa federal para conceder até R$ 30 bilhões para taxistas e motoristas de aplicativo financiarem carros novos, começou na última sexta (19). E é vantajoso para montadoras com estoques altos nos pátios e portos – já que oferece uma chance de desova imediata.

O grosso desse estoque é de carros importados: 329 mil. Segundo a Anfavea, esse volume equivale a cerca de 150 dias de vendas dos modelos trazidos de fora. Três quartos aí vieram da China (240 mil).

O estoque total, incluindo os carros fabricados no país, chegou a 498 mil autoveículos em maio, 55 mil a mais que em abril. Enquanto os nacionais recuaram de 173 mil para 169 mil unidades, os importados saltaram de 270 mil para 329 mil.

O programa oferece juros inferiores aos de mercado, prazo de até seis anos e a possibilidade de financiar integralmente carros de até R$ 150 mil. Ele foi criado para renovar a frota usada no transporte de passageiros, mas também abre uma nova fonte de demanda para montadoras e concessionárias – e num momento em que as fabricantes chinesas tentam reduzir estoques formados antes das próximas altas do imposto de importação, marcadas para 1º de julho.

Esse estoque não foi montado por causa do Move Brasil. As importações já vinham acelerando: de janeiro a maio, foram emplacados 108,4 mil veículos vindos da China, 86,6% a mais que no mesmo período de 2025. O conjunto dos importados, para comparar, cresceu 17,4%.

O Dolphin no centro da disputa

O BYD Dolphin ajuda a mostrar como essas forças se encontram. O elétrico e seu irmão menor, o Dolphin Mini, estão na lista de modelos financiáveis, custam menos que o teto de R$ 150 mil e atraem profissionais que rodam muitos quilômetros, para os quais o gasto com energia pesa na decisão.

A intensidade de uso ajuda a explicar esse interesse. Um motorista de aplicativo pode rodar 6,5 mil quilômetros em um único mês. Numa simulação com a gasolina a R$ 6,50 e um carro que faça 10 km/l, isso dá R$ 4 mil em combustível.

Num 100% elétrico, o gasto com energia não chega a R$ 1 mil por mês. Ou seja: economia mensal de R$ 3 mil.

Em maio, o Dolphin Mini liderou novamente os emplacamentos no varejo brasileiro, com 6.478 unidades – é o carro mais vendido do país em 2026 nessa categoria. O terceiro colocado foi outro 100% elétrico, o concorrente chinês Geely EX2, recém chegado, com 4.250 e o Dolphin ficou em quarto, com 4.163.

Segundo a BYD, o Dolphin GS acumula mais de 51 mil unidades desde o lançamento, enquanto o Dolphin Mini supera 86 mil.

A montadora informou nesta segunda-feira (22) ter alcançado 300 mil veículos vendidos no Brasil. Foram necessários 34 meses para chegar aos primeiros 100 mil, mais 11 meses para atingir 200 mil e apenas seis meses para vender os 100 mil seguintes. Entre janeiro e maio de 2026, a empresa emplacou 77.447 veículos, quase o dobro de um ano antes, e chegou a 10,11% das vendas de automóveis em maio.

Parte dessa expansão ainda é abastecida por carros prontos importados da China – caso do Dolphin. Outra parte vem de conjuntos semimontados, conhecidos como SKD e CKD, que recebem acabamento em Camaçari, na Bahia – caso do Dolphin Mini. É esse modelo de transição que está no centro de uma disputa entre a BYD e as fabricantes já instaladas no país.

A disputa tributária ocorre em duas frentes. Os eletrificados importados prontos terão a alíquota elevada a 35% em julho. Para os kits SKD e CKD, o cronograma prevê a chegada aos 35% em janeiro de 2027. A BYD tenta reabrir por seis meses cotas de importação com alíquota zero para esses kits, benefício que vigorou até janeiro deste ano.

A BYD argumenta que uma transição mais longa ajudaria a preservar preços enquanto amplia a produção em Camaçari. Anfavea, Sindipeças e outras fabricantes defendem a recomposição das tarifas como forma de estimular mais etapas produtivas e compras de fornecedores brasileiros.

Nesta terça-feira (23), a disputa chega ao Gecex, comitê da Câmara de Comércio Exterior responsável por decidir mudanças tarifárias. À Folha, a Anfavea ameaçou judicializar a questão caso o governo renove o benefício que favorece a BYD.

A Anfavea também separa essa disputa do Move Brasil para carros leves: segundo apurou o InvestNews, a associação não participou da criação da linha para taxistas e aplicativos. A entidade esteve no desenho do braço destinado a caminhões e ônibus, segmentos em retração.

Nos primeiros cinco meses do ano, os emplacamentos de caminhões caíram 15,1% e os de ônibus, 16,3%; a produção de caminhões recuou 16,7%. Os automóveis seguiram em outra direção: as vendas cresceram 21,5%, para 874,2 mil unidades, e a produção avançou 9,9%. Em maio, elétricos e híbridos respondiam por 19,5% dos emplacamentos de veículos leves.

A linha para motoristas acrescenta, portanto, crédito favorecido a um mercado que já vinha crescendo.

Como funciona o Move Brasil

Podem solicitar o financiamento motoristas de aplicativo com cadastro ativo há pelo menos 12 meses e um mínimo de 100 viagens na mesma plataforma, além de taxistas e cooperativas. O carro precisa ser zero-quilômetro, custar até R$ 150 mil e constar da lista do Ministério do Desenvolvimento, que inclui modelos flex, híbridos e elétricos.

Pelas regras atuais, os financiamentos precisam ser contratados até 15 de setembro de 2026, prazo ligado à vigência da medida provisória que criou a linha. O programa pode ser encerrado antes caso os recursos disponíveis se esgotem.

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As montadoras precisam estar habilitadas no Mover, oferecer assistência técnica e conceder desconto mínimo de 5% sobre o preço sugerido. A regra não exige que cada unidade tenha sido produzida no Brasil, o que permite financiar carros importados ou semimontados.

O crédito pode cobrir até 100% do veículo, com pagamento em até 72 meses (seis anos) e carência de seis meses. A taxa final é limitada a 12,6% ao ano – contra 27% da média dos financiamentos normais.

Os R$ 30 bilhões são o teto da linha, não uma previsão de desembolso. Um cálculo do Itaú BBA indica que o montante seria suficiente para financiar cerca de 250 mil carros, próximo das 264,7 mil unidades leves emplacadas no país em maio.

A diferença entre o potencial e o resultado será definida pelos bancos. O BNDES administra os recursos, mas as instituições credenciadas continuam responsáveis por analisar renda, dívidas, histórico de pagamento e garantias. O motorista pode cumprir os requisitos do governo e ter o crédito recusado.

Quem mais entra nessa conta

O programa pode alterar o mercado de locação. O JP Morgan calcula que o serviço de aluguel para motoristas de aplicativo da Localiza, o Zarp, represente 7% da frota total da companhia. Parte desses clientes pode comparar a mensalidade do aluguel com a prestação subsidiada do Move Brasil e acabar optando pela compra do próprio veículo.

Na compra, o motorista forma patrimônio, mas assume seguro, manutenção, impostos, pneus e desvalorização. No aluguel, parte desses custos fica concentrada na mensalidade e o carro pode ser devolvido ou substituído.

O prazo de até seis anos também expõe o motorista às mudanças nas regras das plataformas. A Uber atualizará em janeiro de 2027 os modelos aceitos nas categorias Comfort e Black, que pagam corridas mais caras. O Dolphin, por exemplo, só poderá ser cadastrado na Black até o fim de 2026 e permanecerá elegível só até dezembro de 2027. Argo, Polo e Peugeot 208 deixarão a Comfort, independentemente do ano de fabricação. Isso significa que um carro comprado com a expectativa de operar numa categoria mais rentável pode perder essa condição antes do fim do financiamento.

Os primeiros resultados mostrarão quantos profissionais foram aprovados pelos bancos, quais modelos concentraram a procura e quanto dos R$ 30 bilhões foi contratado. A divisão entre veículos nacionais, importados e semimontados indicará também quanto da nova demanda chegou à produção local.

Em nota ao InvestNews, a BYD defendeu o Move Brasil como “como uma importante iniciativa para apoiar profissionais que utilizam o automóvel como ferramenta de trabalho e que buscam renovar seus veículos com mais tecnologia, economia e sustentabilidade.”

Confira os modelos habilitados no Move Brasil:

MontadoraMarcaModelo
BYDBYDDolphin
BYDBYDDolphin Mini
General MotorsChevroletMontana
General MotorsChevroletOnix
General MotorsChevroletOnix Plus
General MotorsChevroletSonic
General MotorsChevroletSpark EUV
General MotorsChevroletSpin
General MotorsChevroletTracker
GWMGWMOra 03
HondaHondaCity Hatchback
HondaHondaCity Sedan
HondaHondaHR-V
HondaHondaWR-V
HyundaiHyundaiCreta
HyundaiHyundaiHB20
HyundaiHyundaiHB20S
NissanNissanKait
NissanNissanKicks
NissanNissanVersa
RenaultGeelyEX2
RenaultRenaultDuster
RenaultRenaultKardian
RenaultRenaultKwid
StellantisCitroënAircross
StellantisCitroënBasalt
StellantisCitroënC3
StellantisFiatArgo
StellantisFiatCronos
StellantisFiatFastback
StellantisFiatMobi
StellantisFiatPulse
StellantisJeepCompass
StellantisJeepRenegade
StellantisPeugeot208
StellantisPeugeot2008
ToyotaToyotaYaris Cross
VolkswagenVolkswagenNivus
VolkswagenVolkswagenPolo
VolkswagenVolkswagenSaveiro
VolkswagenVolkswagenT-Cross
VolkswagenVolkswagenTera
VolkswagenVolkswagenVirtus

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Oracle admite que IA substituiu funcionários e cortou 21 mil empregos em um ano

A Oracle reduziu seu quadro global em 21 mil funcionários nos últimos 12 meses, em uma magnitude maior do que havia sido reportado anteriormente, e admitiu em documento regulatório que a adoção de inteligência artificial eliminou parte dessas funções.

“A adoção e implementação de tecnologias de IA em nossas operações resultou, e pode continuar a resultar, em reduções da nossa força de trabalho”, afirmou a companhia em filing anual ao regulador americano divulgado nesta segunda-feira (22). 

É uma das primeiras vezes que uma gigante de tecnologia faz admissão tão direta a investidores sobre a substituição de empregos por IA. O quadro global encolheu de 162 mil para 141 mil funcionários no encerramento do ano fiscal em 31 de maio, queda de 13% em 12 meses.

Os cortes geraram cerca de US$ 1,8 bilhão em custos de reestruturação, contra US$ 374 milhões no exercício anterior. Dos 141 mil funcionários atuais, 49 mil estão nos Estados Unidos e 92 mil em outros países.

A escala foi tamanha que o quadro hoje é menor do que era antes da aquisição da Cerner, especialista em prontuários eletrônicos médicos, comprada em 2022 por US$ 28 bilhões. A compra havia adicionado milhares de funcionários, muitos concentrados próximo à sede da Cerner, na região de Kansas City.

Corrida pela IA

A Oracle está sob pressão financeira justamente por causa do investimento bilionário em data centers de IA para clientes como a OpenAI. A companhia tem assinado contratos massivos no segmento, incluindo recentemente um com a Meta, em uma corrida por capacidade computacional que vem moldando os balanços das gigantes de tecnologia.

Para sustentar o capex em infraestrutura de IA, a Oracle cortou custos em outras pontas. E uma das pontas é o próprio quadro de funcionários, em parte substituído pela tecnologia que a companhia ajuda a hospedar. Segundo estimativas do TD Cowen reportadas em março, os cortes podem liberar entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões em fluxo de caixa anual.

A história começou a se desenhar publicamente em 5 de março, quando a Bloomberg reportou que a Oracle planejava demissões em milhares de cargos em várias divisões, com algumas voltadas especificamente a funções que a companhia considera substituíveis por IA. 

Em 31 de março, funcionários da Oracle nos Estados Unidos, Índia, Canadá e México receberam e-mails de demissão pela manhã, sem aviso prévio dos gestores diretos.

A Oracle se junta a uma onda crescente de cortes na indústria de tecnologia. Segundo o site Layoffs.fyi, 196 empresas do setor demitiram mais de 119,8 mil pessoas em 2026 até agora. 

A Oracle não respondeu aos pedidos de comentário.

©2026 Bloomberg L.P.

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MRV vende dois complexos no Texas por US$ 139 milhões e reduz dívida de subsidiária

A MRV anunciou nesta segunda-feira (22) a venda de dois empreendimentos da subsidiária americana Resia. Os complexos Ten Oaks e Rayzor Ranch, ambos no Texas, foram negociados por US$ 139 milhões (R$ 716 milhões). A liquidação está prevista para julho e há um depósito não recuperável de US$ 12 milhões garantindo o negócio.

Os dois ativos estavam registrados no balanço por US$ 188 milhões e saíram por menos. A operação embute uma perda contábil de 26% sobre o valor patrimonial. O Ten Oaks foi o pior caso: avaliado em US$ 122 milhões, vendido por US$ 86 milhões, perda de 30%, com ocupação de apenas 73%. O Rayzor Ranch, com 93% de ocupação, saiu com 20% de desconto.

A MRV atribui a perda ao cenário de juros altos nos Estados Unidos e ao fato de os projetos não estarem estabilizados, com aluguéis e ocupação abaixo do potencial. Em troca, diz antecipar os benefícios da desalavancagem. A transação reduz em 7,5% a dívida líquida consolidada, ou US$ 87 milhões, e corta US$ 46 milhões em minority interest – a participação de não controladores nos projetos.

Em março, a Resia havia vendido o complexo Tributary, na Geórgia, por US$ 73 milhões, um ativo descrito como totalmente estabilizado e de ocupação madura. Foi a maior operação individual do plano de desinvestimento.

Como mostrou o InvestNews, no ano passado a Resia teve prejuízo de US$ 243 milhões e acumulou US$ 695 milhões em dívida. Mercados como Dallas, Houston e Atlanta enfrentaram excesso de oferta, que comprimiu aluguéis e atrasou a estabilização dos projetos.

Com a venda de hoje, a MRV chegou a US$ 380 milhões em ativos vendidos desde o anúncio do plano de reestruturação, em dezembro de 2024. A meta é chegar a US$ 800 milhões em desinvestimentos até o final deste ano.

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Em meio a juros de 14,25%, maior fundo imobiliário do País quer captar até R$ 1,25 bilhão

fundo imobiliário taxação

O maior fundo imobiliário de recebíveis do País acaba de dar mais um passo bilionário. O Maxi Renda teve sua 12ª emissão de cotas aprovada, em uma operação que pode movimentar até R$ 1,25 bilhão – a captação inicial é de R$ 1 bilhão, com lote adicional de 25%. A decisão ocorre em um momento […]

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Para alimentar a Microsoft na corrida da IA, Chevron entra na geração de energia

A Chevron assinou um contrato de 20 anos para fornecer eletricidade à Microsoft, em um movimento que marca a entrada definitiva da petroleira americana no mercado de geração de energia, em resposta à demanda explosiva por capacidade computacional dos gigantes de inteligência artificial.

O contrato prevê o fornecimento de energia para o Project Kilby, um campus de data center que a Microsoft planeja construir perto da cidade de Pecos, no Oeste do Texas.

A planta deve começar a gerar energia em 2028 e atingir 2,67 gigawatts ao longo do tempo, o suficiente para abastecer mais de 530 mil residências. O custo do projeto não foi divulgado, mas a TD Securities estima o investimento em cerca de US$ 9 bilhões.

A operação é desenvolvida em conjunto com a Engine No. 1, gestora americana de investimentos focada em transição energética, que tem a opção de adquirir 50% do projeto via sua subsidiária Joulent. Sete turbinas a gás da GE Vernova vão alimentar a planta. A decisão final de investimento será tomada ainda este ano.

“Este é um diferencial competitivo para nós”, disse Jeff Gustavson, presidente da divisão de novas energias da Chevron, em entrevista ao Financial Times. “De todos os projetos de data center anunciados nos Estados Unidos, quase nenhum atingiu o marco que alcançamos hoje, nem em escala ampla, nem dentro do nosso grupo de pares.”

Disputa com a Exxon

A Chevron disputa com a rival ExxonMobil a entrada no mercado de geração de energia off-grid (fora da rede pública), aproveitando a abundante produção de gás natural na Bacia do Permiano, no Oeste do Texas, principal região produtora de petróleo dos Estados Unidos. 

A NextEra Energy, distribuidora elétrica baseada na Flórida, anunciou no ano passado parceria com a ExxonMobil para desenvolver usinas térmicas a gás voltadas a seus clientes, entre eles o Google.

A aposta da Chevron se posiciona em meio à corrida bilionária dos gigantes de tecnologia, como Microsoft, Amazon e Alphabet, para ampliar a capacidade de seus data centers. 

A Microsoft, segundo a Bloomberg, pretende dobrar sua infraestrutura de data center nos próximos dois anos para acompanhar a expansão em IA, em um momento em que recua de seu compromisso de operar com 100% de energia renovável até 2030.

O excesso de gás

O modelo de negócio da Chevron se apoia em uma anomalia do mercado americano: há tanto gás natural no Permiano que falta capacidade de escoamento por gasodutos. 

O gás é subproduto da produção de petróleo, e em meses recentes o Waha Hub, principal referência de preço do gás da região, registrou cotações negativas, sinal de que produtores chegam a pagar para retirar o excedente do sistema.

“Esta é uma das marcas do projeto: trazer demanda para a bacia e evitar que esse cenário se repita”, afirmou Gustavson ao FT. A planta deve operar isolada da rede pública, sem afetar as tarifas locais. 

“Os consumidores estão preocupados com o crescimento da demanda elétrica e já sentem o efeito disso. Projetamos especificamente esta operação, nessa parte do país, para evitar qualquer um desses problemas.”

Arun Jayaram, analista do JPMorgan Chase, escreveu em relatório que a operação dá à Chevron “um fluxo de caixa não correlacionado à commodity subjacente, oferecendo diversificação valiosa”. É justamente esse o ângulo estratégico: criar uma fonte de receita previsível, de 20 anos, que não dependa das oscilações do preço do petróleo.

Capital da IA

O Texas hoje concentra 33 gigawatts em projetos de data center planejados, a maior fatia do país, segundo a BloombergNEF, à frente até da Virgínia (que ainda lidera em obras em execução). 

Os Estados Unidos devem dobrar sua capacidade total de data centers para 77 gigawatts até 2030, projeção que vem pressionando a rede elétrica e elevando o custo de energia para consumidores residenciais, com reação política crescente em diversos estados.

Para Gustavson, o projeto inicial não terá energia renovável, mas a Chevron estuda incorporar geração solar no futuro. “Haverá outros desenvolvimentos nesta área e em outras partes do país, e uma coisa que vamos continuar olhando é se conseguimos encaixar algumas dessas tecnologias de baixo carbono nessas operações”, disse ao FT.

“Liderança na era da IA será determinada por quem entrega energia e capacidade computacional de forma mais rápida, mais confiável e ao menor custo”, afirmou Chris James, fundador da Engine No. 1, em comunicado.

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A reconstrução da Nike vai demorar e CEO promete a Wall Street a volta ao topo

A maior marca esportiva do mundo está demorando mais do que o esperado para sair da crise – e essa é uma avaliação do próprio CEO. Elliott Hill, o executivo por trás da reestruturação da Nike há mais de um ano e meio, admite que o trabalho para colocar a marca do swoosh de volta aos trilhos é maior do que ele previa.

“O que eu não percebia, até estar dentro, era a quantidade de trabalho que precisava ser feita”, afirmou Hill, em entrevista publicada pelo Financial Times nesta segunda-feira (22). “Eu queria que estivéssemos um pouco mais adiante.”

E a constatação não veio apenas do CEO da empresa. Bancos como RBC, JPMorgan, Goldman Sachs e HSBC rebaixaram a recomendação de compra para o papel nos últimos meses.

O UBS alertou para um “ritmo modesto de vendas globais”, e analistas do BNP Paribas projetam novos cortes de receita, especialmente por causa da China, onde as vendas caíram 11% nos primeiros nove meses do ano fiscal atual. Resultado: uma queda de 45% no valor de mercado da Nike desde agosto do ano passado.

O diagnóstico de Hill é que a Nike apostou pesado em vendas diretas ao consumidor (o chamado direct-to-consumer) e abandonou parcialmente o varejo físico, ficando ausente das prateleiras justamente no momento em que o consumo presencial voltou após a pandemia. 

O movimento abriu espaço para concorrentes mais ágeis, como a suíça On e a americana Hoka, na corrida; e para chinesas como Anta e Li-Ning na China, que rapidamente preencheram o vácuo deixado pela líder.

Em paralelo, a marca derivou para moda e lifestyle, deixando de lado sua presença no equipamento esportivo. O catálogo, segundo críticos, ficou velho. E a aura cultural, que sustentava prêmio de preço por décadas, se diluiu.

Disputa nos campos

A Copa do Mundo nos Estados Unidos, México e Canadá, em curso, é o palco mais imediato para mostrar se a virada proposta por Elliot Hill está dando certo.

A campanha “Rip the Script” (em tradução livre, “rasgue o roteiro”), com estrelas como Cristiano Ronaldo, LeBron James, Kylian Mbappé e Vinícius Júnior, já acumula mais de 1 bilhão de visualizações nas plataformas digitais.

E as chuteiras da marca estão superando as da Adidas em gols marcados na proporção de mais de 2 para 1, segundo a empresa. “A mensagem que queremos passar para a indústria e para Wall Street é que a Nike voltou. A Nike voltou a liderar, a liderar com produto e inovação”, prosseguiu Hill. “Estamos aqui para vencer.”

O ceticismo do mercado, porém, é grande. Em abril, a marca sofreu um revés simbólico: dois corredores cruzaram a Maratona de Londres abaixo da barreira das duas horas calçando supershoes da Adidas. A Nike vem tentando quebrar essa marca há anos. “Não vamos ficar parados esperando, vamos responder”, disse Hill.

Mas, em meio à reestruturação, um produto inesperado virou sucesso comercial. O Nike Mind 001, uma sandália slip-on de US$ 95 que “altera a mente” por meio de pontos de pressão na sola dos pés, esgotou no lançamento. 

Cerca de 2 milhões de pessoas se cadastraram para ser avisadas quando o produto voltar ao estoque, e a produção foi dobrada. É produto excêntrico, fora do core histórico da marca, mas que sinaliza que a Nike pode inovar quando quer, e que o consumidor está disposto a apostar quando a marca surpreende.

De volta ao jogo

Hill, de 62 anos, é parte da história da Nike. Texano criado por uma mãe solteira em Austin, entrou na companhia como estagiário nos anos 1980, depois de uma passagem breve como preparador físico no Dallas Cowboys, time da NFL. Subiu pelos cargos executivos ao longo de 32 anos. Saiu em 2020, poucos meses depois da chegada de John Donahoe à presidência.

“Eu estava cansado. Fisicamente, precisava ficar em forma”, disse sobre a saída. O retorno aconteceu durante um casamento em Palm Springs. Hill almoçou com Phil Knight, fundador da Nike. A conversa começou sobre família e futebol americano (paixão declarada do executivo), e terminou em uma proposta. “Antes que eu percebesse, eu estava de volta como CEO.”

A primeira visita técnica ao mercado, antes mesmo da contratação, marcou Hill. Em um shopping perto de Stanford, na Califórnia, ele se deparou com o estado em que a marca havia chegado nas prateleiras.

“Ver a falta de orgulho no nosso produto e na nossa apresentação foi humilhante. Não só humilhante, foi desanimador. Foi provavelmente o momento em que percebi quanto trabalho seria necessário”, diz o CEO. A Nike reporta os resultados do quarto trimestre em 30 de junho. A empresa já havia projetado que a receita cairia entre 2% e 4%.

O efeito pleno da reestruturação, segundo Hill, deve ser sentido apenas no início do próximo ano, quando produtos novos chegarem a todas as divisões e geografias. Até lá, a paciência de Wall Street segue à prova.

“É uma corrida de revezamento. Meu trabalho é pegar o bastão e garantir que, quando eu passar adiante, esteja melhor do que estava quando peguei. E essa é a corrida que estou correndo agora.”

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EXCLUSIVO: Mubadala Capital contrata Santander para vender o controle da HMobi, a dona do MetrôRio

Um grande negócio na área de mobilidade deve movimentar a infraestrutura carioca. O NeoFeed apurou que o Mubadala Capital contratou o Santander para buscar compradores para a sua participação na HMobi, empresa que controla as concessionárias do MetrôRio e MetrôBarra. O Mubadala Capital tem 51,5% de participação e as concessões são de longo prazo, até […]

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As derrotas da Alphabet na batalha por talentos de IA

Em uma trajetória pouco comum em suas negociações no mercado de capitais deste ano, as ações da Alphabet registravam queda de 5,46% na Nasdaq por volta das 14h20 (horário local), cotadas a US$ 347,39, avaliando a holding em US$ 4,24 trilhões. O ponto de partida para esse recuo dos papéis é a disputa cada vez […]

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CEO da Microsoft muda o discurso e critica gigantes de IA após perder terreno para Anthropic e OpenAI

A Microsoft foi uma das grandes propulsoras de inteligência artificial generativa no mundo. Agora, Satya Nadella, o CEO da companhia, está assustado com os rumos que a tecnologia está tomando. Em entrevista ao The Wall Street Journal (WSJ), o executivo fez duras críticas à forma como a corrida pelo domínio da IA tem se desenvolvido, […]

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Rumo anuncia saída de Pedro Palma do cargo de CEO

A Rumo informou nesta segunda-feira (22) que o executivo Pedro Palma vai deixar o cargo de CEO da empresa de logística, sendo substituído de forma interina por Daniel Rockenbach.

Segundo a companhia, Rockenbach ocupa atualmente a presidência da Malha Sul e atua na empresa há 15 anos. A mudança entra em vigor em 20 de julho de 2026. Não há sinalização se Rockenbach ou outro profissional ficará em definitivo.

A Rumo é a maior operadora logística ferroviária do Brasil, controlada pelo grupo Cosan, do empresário Rubens Ometto. Atua no transporte de grãos, combustíveis e contêineres, com destaque para a exportação agrícola.

Disclaimer: Este texto foi escrito por um agente de inteligência artificial a partir de informações oficiais e de bases de dados confiáveis selecionadas pelo InvestNews. O trabalho foi revisado pela equipe de jornalistas do IN antes de sua publicação.

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Conselho da Vale resiste à pressão da Previ por troca no comando do conselho

Membros do conselho de administração de Vale, a maior produtora mundial de minério de ferro, se posicionaram contra o pedido da Previ, um dos maiores acionistas da empresa, para remover Daniel André Stieler da presidência do colegiado, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Embora a proposta ainda precise ser submetida à votação dos acionistas, a decisão do conselho poderá influenciar as recomendações das empresas de consultoria de voto e dos investidores institucionais que participarão do processo. O mandato do chairman do conselho expira em abril de 2027, caso ele não seja destituído antes desse prazo.

A Previ, que detém uma participação de 7% na Vale, solicitou em 11 de junho a realização de uma assembleia extraordinária para votar a destituição de Stieler, que ocupa o cargo desde abril de 2023. O pedido ocorreu após uma mudança na liderança do maior fundo de pensão do Brasil, responsável pela gestão da aposentadoria dos funcionários do Banco do Brasil.

A maioria dos diretores considerou insuficientes as razões apresentadas pela Previ para a destituição, disseram duas pessoas familiarizadas com o assunto, que pediram para não serem identificadas por se tratar de informação confidencial.

Vale recusou-se a comentar.

A assembleia extraordinária de acionistas está marcada para 22 de julho. A aprovação da proposta de remoção de Stieler abriria caminho para votações separadas para eleger um novo membro do conselho para o restante do mandato, que termina em 2027, e um novo presidente do conselho. Esse cenário desencadearia uma disputa entre os candidatos de Previ e nomes alternativos apoiados pela maioria do conselho atual.

A Previ agora apoia a eleição do conselheiro independente Manuel Lino Oliveira para a presidência do conselho, segundo comunicado. Conhecido como Ollie, ele tem mais de 45 anos de experiência em finanças corporativas e estratégia no setor de mineração, principalmente em empresas como Anglo American Plc e De Beers Consolidated Mines Ltd.

Ao nomerar um candidato externo, em vez de alguém de seus próprios quadros para presidir o conselho da mineradora a Previ afirmou que “reforça seu compromisso com o contínuo aprimoramento da governança corporativa da Companhia e com a geração de valor sustentável no longo prazo.”. Paralelamente, o fundo de pensão também nomeou José Maurício Pereira Coelho, ex-CEO da Previ, que anteriormente havia sido chairman do conselho da Vale de 2019 a 2021, para assumir uma vaga no conselho da empresa.

A maioria do conselho da Vale indicará a ex-executiva da BP Plc. Ieda Gomes Yell para concorrer a uma vaga contra Coelho, disseram as fontes. O atual vice-presidente do conselho da Vale, Marcelo Gasparino, concorrerá como alternativa a Oliveira para ser o novo presidente do conselho da mineradora. O advogado também é membro do conselho da Petrobras. Outros candidatos, além dos indicados pela Previ e pelo conselho da Vale, ainda podem surgir antes da votação.

Stieler presidiu a Previ por dois anos durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele foi eleito para o conselho da Vale em 2021 e posteriormente assumiu a presidência do colegiado da mineradora mesmo após deixar seu cargo na Previ.

No ano passado, o então presidente da Previ, João Fukunaga, deixou o comando do fundo após ser alvo de questionamentos do Tribunal de Contas da União. Ele também deixou o conselho da Vale em fevereiro, o que enfraqueceu o apoio a Stieler dentro do fundo, o jornal O Globo informou em 13 de junho.

Entre os demais grandes acionistas da Vale estão a Mitsui, a Blackrock e a Capital World Investors.

*por Mariana Durão – repórter da Bloomberg

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Danone compra fabricante australiana de iogurtes e bebidas por US$ 1,4 bilhão

A Danone deu mais um passo para fortalecer seu portfólio de produtos ricos em proteína e ampliar sua presença na Ásia ao adquirir a Made Group, fabricante australiana de bebidas e laticínios, da gestora de private equity TPG Capital.

O negócio pela Made, que comercializa produtos populares de saúde como a água de coco Cocobella e os shakes proteicos Rokeby, foi avaliado em cerca de 2 bilhões de dólares australianos (US$ 1,4 bilhão), segundo reportagem publicada no domingo pelo jornal australiano Financial Review. A Danone não divulgou os detalhes financeiros da operação em comunicado divulgado nesta segunda-feira.

A empresa francesa também anunciou a compra dos 49% restantes de sua joint venture com a Saputo Dairy Australia. Ambas as transações devem ser concluídas no segundo semestre deste ano.

A Danone está entre as poucas grandes companhias do setor alimentício que vêm se beneficiando do forte crescimento da demanda por alimentos mais saudáveis. Fabricante das marcas Activia e Actimel, a empresa vem ampliando rapidamente sua linha de produtos, especialmente os iogurtes ricos em proteína, que registram vendas tão fortes que a companhia tem enfrentado dificuldades para atender à demanda.

Juergen Esser, diretor-geral adjunto da Danone, descreveu a Made como uma “mini Danone”, em referência à combinação de iogurtes ricos em proteína, produtos à base de plantas e bebidas funcionais da companhia australiana.

Segundo Esser, a aquisição dará à Danone uma posição mais forte no Sudeste Asiático, onde atualmente, em muitos países, a empresa comercializa apenas fórmulas infantis e produtos de nutrição médica. Ele destacou o “enorme potencial” da região.

A Danone também pretende acelerar a expansão dos produtos da Made na Austrália e na Nova Zelândia por meio de inovação baseada em pesquisa científica, afirmou Esser. A CEO da Made, Amanda Butler, permanecerá no cargo.

Esser acrescentou que a Danone ainda tem espaço para realizar novas aquisições sem comprometer a solidez de seu balanço financeiro.

No início deste ano, a empresa anunciou um acordo para adquirir a marca britânica de substitutos de refeições Huel, apoiada por celebridades. A transação ainda aguarda aprovação regulatória.

“Sempre permaneceremos muito próximos da nossa missão e propósito, que são saúde, proteínas, saúde intestinal, nutrição e nutrição médica”, disse Esser.

A Made foi criada no início dos anos 2000 por um grupo de amigos que queria oferecer alternativas às bebidas açucaradas. Sua primeira marca, NutrientWater, foi a primeira água enriquecida com vitaminas lançada no país.

A empresa expandiu seus negócios em 2010 com a marca de água de coco Cocobella. Depois vieram a Rokeby Farms, com iogurtes probióticos e smoothies, e mais tarde os sucos prensados a frio da marca Impressed.

A Coca-Cola adquiriu uma participação minoritária na empresa em 2018, mas posteriormente abriu mão da fatia após a TPG Capital comprar 60% da companhia em 2021.

As ações da Danone registravam pouca variação nas negociações em Paris nesta segunda-feira. Os papéis acumulam queda superior a 15% neste ano, acompanhando a desvalorização mais ampla das ações de empresas de bens de consumo.

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