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A economia começou a perder fôlego e a eleição vai sentir

18 de Setembro de 2026, 18:24

Há momentos em que o mercado muda antes de a economia mudar de verdade. Não porque os problemas tenham desaparecido, mas porque os preços começam a refletir uma distribuição diferente de riscos. Talvez seja exatamente isso que esteja acontecendo no Brasil.

Agosto começou com uma fotografia desconfortável. O Ibovespa chegou a negociar abaixo dos 165 mil pontos, pressionado por saída de capital estrangeiro, juros elevados e um ambiente político mais turbulento. Depois, recuperou terreno e fechou o mês praticamente estável.

Setembro começou de outra forma, com a Bolsa voltando a superar os 180 mil pontos e uma mudança importante de humor. É tentador atribuir tudo à eleição. Seria uma explicação simples, mas incompleta.

O que mudou foi uma combinação de fatores. A inflação doméstica começou a dar sinais mais favoráveis. A atividade perdeu algum fôlego. O Banco Central finalmente avançou um pouco mais no ciclo de cortes de juros. Os preços de muitos ativos brasileiros ainda carregavam bastante pessimismo.

E, paralelamente, a disputa presidencial deixou de parecer tão previsível quanto meses atrás. Quando vários desses vetores mudam simultaneamente, mesmo que apenas um pouco, o efeito sobre ativos descontados pode ser grande.

A eleição ficou mais aberta

Na política, a principal mudança das últimas semanas não foi uma virada consolidada em favor de qualquer candidato. Foi o desaparecimento da sensação de que o resultado estava previamente definido. As pesquisas mais recentes ilustram bem isso.

O Datafolha divulgado em 17 de setembro mostrou Lula com 46% e Flávio Bolsonaro com 44% em uma eventual disputa de segundo turno, dentro da margem de erro.

Na AtlasIntel/Bloomberg, Flávio aparece com 47,2% e Lula com 46,8%, também em empate técnico. O PoderData/Aya trouxe Flávio com 46% e Lula com 44%, novamente sem diferença estatisticamente conclusiva.

Os institutos usam metodologias diferentes e produzem fotografias distintas. Justamente por isso, a conclusão mais prudente não é escolher qual deles “está certo”, mas reconhecer que, neste momento, a corrida permanece competitiva.

Isso importa para o mercado porque eleições não afetam os ativos apenas pela identidade de quem vence.

Elas alteram expectativas sobre gasto público, arrecadação, dívida, reformas, governabilidade e relação entre Executivo e Congresso. Em outras palavras, o investidor não negocia apenas candidatos. Ele negocia diferentes combinações possíveis de política econômica.

A crise institucional envolvendo o Supremo acrescenta outra camada de incerteza. Além de ocupar espaço relevante na campanha, ela pode modificar percepções sobre governabilidade e comportamento do eleitorado.

A própria AtlasIntel mostrou que 49,5% dos entrevistados avaliavam que a crise prejudicava mais Lula, enquanto 20,9% apontavam Flávio Bolsonaro.

Isso é uma fotografia de percepção dos entrevistados, não uma demonstração de causalidade sobre intenção de voto, mas ajuda a entender por que eventos institucionais passaram a produzir tanta volatilidade política.

Para os mercados, essa incerteza tem duas faces. Ela pode ampliar a volatilidade no curto prazo, mas também aumenta a quantidade de cenários que precisam ser colocados nos preços. E, quando os ativos já carregam prêmios elevados, pequenas mudanças de probabilidade podem gerar movimentos relevantes.

O Brasil começou a cortar justamente quando os Estados Unidos voltaram a subir

Há ainda uma coincidência particularmente interessante. Na mesma quarta-feira em que o Copom reduziu a Selic em 25 pontos-base, para 13,75% ao ano, o Federal Reserve fez o movimento contrário e elevou a taxa americana em 25 pontos-base, para o intervalo entre 3,75% e 4,00%.

É quase uma fotografia de dois países em momentos diferentes do ciclo econômico.

No Brasil, a inflação perdeu força e a atividade começou a demonstrar mais claramente os efeitos do aperto monetário. O IPCA de agosto caiu 0,32% e acumulou alta de 4,22% em 12 meses.

Parte importante desse alívio veio da energia elétrica e, portanto, não deve ser extrapolada automaticamente. Ainda assim, os núcleos de inflação também mostraram melhora e setores mais dependentes de crédito estão desacelerando.

Nos Estados Unidos, a situação é quase inversa. A economia continua crescendo em ritmo sólido, a demanda permanece resiliente e a inflação segue acima do objetivo do Fed. A autoridade monetária decidiu, portanto, voltar a apertar as condições financeiras. Esse movimento simultâneo reduz o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos.

Traduzindo: durante muito tempo, o investidor internacional recebeu uma remuneração muito maior para manter recursos aplicados em reais do que em dólares. Essa diferença continua grande, mas começou a diminuir pelas duas pontas.

Isso pode influenciar o câmbio e os fluxos internacionais. Não significa que o dólar necessariamente subirá. Câmbio nunca depende de uma única variável.

Fiscal, eleição, commodities e percepção de risco também entram nessa conta. Mas significa que o colchão oferecido pelo diferencial de juros ficou um pouco menor.

O caso brasileiro não depende apenas da política

Aqui está talvez a parte mais importante. A leitura mais construtiva sobre os ativos brasileiros não precisa depender de um determinado resultado eleitoral. A economia está desacelerando, mas não desabando.

Depois de um período de juros excepcionalmente elevados, setores mais dependentes de financiamento perderam força, enquanto atividades ligadas a petróleo, mineração e alguns serviços continuam mostrando maior resiliência.

Para o mercado, existe um ponto interessante nessa combinação. Uma desaceleração moderada ajuda a reduzir pressões inflacionárias e abre espaço para juros menores.

Ao mesmo tempo, se a atividade não entrar em recessão profunda, as empresas conseguem preservar boa parte de sua geração de caixa. É uma espécie de passagem estreita: crescimento mais fraco o suficiente para ajudar a inflação, mas não fraco o bastante para destruir os lucros.

E o ponto de partida dos preços também ajuda. O material que usamos como referência mostra ações brasileiras negociando perto de oito vezes o lucro esperado, enquanto os títulos públicos longos ainda oferecem taxas reais muito elevadas. Isso não significa que os ativos estejam baratos “sem motivo”. O desconto existe justamente porque há riscos fiscais, políticos e institucionais importantes.

Mas existe uma diferença importante entre um ativo caro em um cenário perfeito e um ativo barato em um cenário ruim. No segundo caso, não é necessário que tudo melhore. Às vezes, basta que algumas coisas parem de piorar. O petróleo ajuda e atrapalha ao mesmo tempo.

O Brasil tem ainda uma característica peculiar neste momento: é um grande produtor e exportador de commodities justamente quando o petróleo voltou a negociar acima de US$ 100 por barril.

Para empresas como Petrobras e para as contas externas do país, preços mais elevados de commodities podem ser positivos. Ajudam exportações, geração de caixa corporativa e arrecadação. Mas há outro lado.

Energia mais cara pressiona a inflação global, encarece transporte e produção e dificulta a tarefa dos bancos centrais.

Se o petróleo permanecer muito elevado, o Fed pode precisar manter uma política monetária mais restritiva por mais tempo. Isso sustenta os juros americanos e eleva a taxa de desconto utilizada para precificar ativos no mundo inteiro.

É perfeitamente possível, portanto, que o mesmo choque que beneficie uma grande empresa brasileira pressione small caps, empresas endividadas e negócios mais sensíveis aos juros. Esse é um bom exemplo de por que o mercado raramente cabe em uma narrativa simples.

O fiscal continua sendo a peça que falta

Até aqui, temos vários ingredientes potencialmente positivos: inflação menos pressionada, Selic em queda, atividade desacelerando de maneira relativamente ordenada, preços descontados e uma eleição que ampliou o conjunto de cenários possíveis. Mas existe uma diferença enorme entre um rali de alguns meses e um ciclo estrutural de valorização.

Essa diferença passa pelo fiscal. O Brasil ainda convive com dívida elevada, baixa taxa de poupança e um custo real de financiamento muito alto. Quando uma economia cresce perto de 2% e precisa remunerar seus credores com juros reais muito superiores a isso, a dinâmica da dívida se torna difícil.

Por isso, independentemente do resultado das urnas, o mercado deverá dedicar cada vez mais atenção às propostas econômicas apresentadas para 2027.

Quanto o gasto crescerá? Haverá revisão de despesas? Subsídios e benefícios tributários serão reavaliados? Existe espaço político para reformas? Como será a relação do próximo governo com Câmara e Senado?

Essas perguntas provavelmente serão mais importantes para os preços dos ativos do que slogans de campanha. Um programa fiscal ambicioso sem capacidade política de implementação pode valer pouco. Por outro lado, medidas mais modestas, mas executáveis, podem produzir efeitos relevantes sobre expectativas.

O Brasil voltou ao radar

Talvez essa seja a melhor forma de interpretar o que aconteceu nas últimas semanas. O Brasil não resolveu seus problemas. O fiscal continua desafiador. O petróleo adiciona risco à inflação. O Fed voltou a subir juros. A eleição permanece aberta e o ambiente institucional continua produzindo incerteza. Mesmo assim, os ativos brasileiros conseguiram melhorar.

Isso acontece porque o mercado não exige necessariamente um cenário perfeito. Ele compara o preço de hoje com a distribuição de resultados possíveis amanhã. E essa distribuição melhorou. A inflação parece um pouco mais favorável. O Banco Central começou a retirar parte do aperto monetário.

Os ativos continuam negociando com descontos relevantes. A atividade desacelera sem, por enquanto, entrar em colapso. E a eleição ampliou a variedade de cenários fiscais que o investidor precisa considerar.

É motivo suficiente para algum otimismo, mas não para complacência. O movimento recente pode continuar se a desinflação avançar, o ciclo de redução da Selic permanecer viável e as discussões eleitorais produzirem maior clareza sobre a trajetória das contas públicas.

Em sentido contrário, deterioração fiscal, nova pressão inflacionária ou uma alta mais prolongada dos juros americanos poderiam devolver rapidamente parte do prêmio que fechou nas últimas semanas. Por isso, talvez a melhor definição não seja dizer que o Brasil já entrou em um novo bull market. O Brasil voltou ao jogo. Agora precisa mostrar que consegue ficar nele.

Em programa de governo, Flávio Bolsonaro prevê cortar impostos, reduzir dez ministérios e reavaliar Reforma Tributária

13 de Agosto de 2026, 19:00

O senador e candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, apresentou, nesta quinta-feira (13) seu plano de governo com a promessa de acelerar o crescimento econômico, reduzir o custo de vida e promover um choque de gestão nas contas públicas. Batizado de “Para o Brasil Vencer o Atraso”, o programa prevê crescimento sustentado de 4% ao ano na próxima década, redução gradual do custo do trabalho, revisão de impostos e investimentos de R$ 900 bilhões em infraestrutura ao longo de quatro anos.

Com 76 páginas, o plano prevê o corte de ao menos uma dezena de ministérios, redução de cargos e salários e reavaliar a reforma tributária para corrigir eventuais distorções e reduzir o valor do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), criado pela Reforma Tributária e que deve entrar em operação em 2027, sem informar detalhes sobre como as medidas serão adotadas.

Entre outros pontos, na política externa o foco será no comércio bilateral e “sem alinhamentos ideológicos” e o programa Casa Verde Amarela, que substituiu o Minha Casa, Minha Vida no governo de Jair Bolsonaro, será retomado

O programa organiza as propostas em nove eixos, com destaque para o “Brasil Mais Barato”, “Brasil que Prospera”, “Brasil que Cresce” e “Brasil que Não Volta Atrás”. A estratégia econômica é baseada no equilíbrio das contas públicas, na redução da burocracia, estímulo ao investimento privado e aumento da competitividade de setores como agropecuária, indústria e serviços.

“O compromisso de Flávio Bolsonaro é fazer um governo moderno e eficiente capaz de levar o Brasil à posição de sétima economia mundial”, informa o documento protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O candidato também diz estar preparado para “resgatar o país” e critica o que classifica como aumento do custo de vida e perda do poder de compra das famílias.

Dobrar o ritmo de crescimento

No capítulo econômico, o plano estabelece como principal objetivo elevar o ritmo de expansão da economia. Segundo o documento, o país cresceu, em média, cerca de 2% ao ano nas últimas duas décadas, desempenho considerado insuficiente em relação ao restante do mundo. A proposta é alcançar crescimento sustentado de 4% ao ano ao longo dos próximos dez anos.

Para atingir essa meta, Flávio propõe priorizar investimentos privados, ampliar a segurança jurídica e criar regras mais previsíveis para empresas. A estratégia também prevê fortalecer a competitividade do agronegócio, da indústria e do setor de serviços.

Um dos principais compromissos é a aplicação de R$ 900 bilhões em quatro anos em infraestrutura, com recursos destinados a rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. O programa também prevê a criação de “Corredores Logísticos Inteligentes” e a retomada de obras hídricas no Nordeste.

Na área de energia, o plano prevê expansão do refino de petróleo e gás, fortalecimento dos biocombustíveis e redução dos encargos e subsídios que compõem a tarifa de eletricidade. A tarifa social para famílias de baixa renda seria preservada.

O eixo “Brasil Mais Barato” prevê revisão de impostos, redução do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) projetado pela Reforma Tributária e desoneração de combustíveis e energia elétrica.

O candidato também propõe racionalizar encargos e subsídios do setor elétrico para diminuir o valor das contas de luz. No caso dos alimentos, a estratégia inclui investimentos em logística e armazenamento para reduzir custos de transporte e perdas na produção agrícola, além da expansão do Seguro Rural.

No entanto, o plano associa a redução dos juros e da inflação à reorganização das contas públicas e ao equilíbrio da dívida nacional. A proposta inclui ainda ações de educação financeira para famílias por meio da Caixa Econômica Federal.

“Tesouraço”

Na área fiscal, Flávio promete um choque de gestão, batizado no plano de “Tesouraço”. A proposta prevê a extinção de pelo menos dez ministérios, corte de cargos comissionados e o fim dos chamados supersalários no serviço público. O objetivo declarado é equilibrar as contas públicas, conter a inflação e criar condições para a redução dos juros.

O programa também prevê reavaliar a reforma tributária para corrigir eventuais distorções, reduzir o valor do IVA e desonerar exportações e investimentos. Outra frente é o fortalecimento do pacto federativo, com maior autonomia orçamentária para Estados e municípios e maior agilidade na transferência de recursos.

A proposta fiscal também inclui medidas contra fraudes na Previdência, com o objetivo de impedir descontos indevidos em aposentadorias e pensões, além da digitalização da gestão para eliminar as filas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Custo trabalhista e o ‘negociado sobre o legislado‘

O plano de Flávio também aposta na redução do custo da contratação formal. Segundo o documento, o custo total de um trabalhador para o empregador pode chegar a quase duas vezes o valor de seu salário. A proposta é reduzir esse custo gradualmente, sem retirar direitos trabalhistas.

Para jovens em busca do primeiro emprego, o programa prevê um contrato com menor custo sobre a folha de pagamentos, como forma de estimular as empresas a contratar trabalhadores sem experiência. Para pessoas com mais de 50 anos desempregadas há mais de 12 meses, seria criado um contrato de trabalho com condições consideradas mais atrativas para os empregadores.

O programa também defende a prevalência do “negociado sobre o legislado”, permitindo que trabalhadores e empresas estabeleçam diretamente determinadas condições de trabalho dentro dos limites da legislação.

Para quem pretende empreender, a proposta “Minha Primeira Empresa” prevê menos burocracia para abertura e formalização de negócios, capacitação e orientação por meio do “Sistema S”. A Caixa Econômica Federal seria transformada, segundo o plano, em um “Banco da Prosperidade”, com uma esteira de crédito e serviços destinada a facilitar o acesso ao primeiro patrimônio e à autonomia financeira.

O plano prevê ainda o programa “Ganha-Ganha”, que pretende criar um histórico positivo para beneficiários que cumpram determinadas etapas de qualificação e autonomia financeira. Entre as ações consideradas estão concluir cursos, formalizar um negócio, conseguir emprego e manter as contas em dia. O histórico poderia facilitar o acesso a crédito, juros menores e cashback.

A lógica apresentada pelo programa é transformar políticas sociais em uma etapa de transição para o mercado de trabalho e a independência financeira. O plano afirma que os programas sociais serão preservados e aperfeiçoados, com a proteção social funcionando como ponto de partida para qualificação, emprego e crescimento.

Casa Verde e Amarela de volta

Na habitação, o candidato propõe retomar o programa Casa Verde e Amarela, como o Minha Casa, Minha Vida foi rebatizado durante o mandato do pai, Jair Bolsonaro, e depois descartado no atual governo que retomou o nome original. A meta é construir 2,5 milhões de residências e oferecer financiamento com a menor taxa de juros possível.

A modernização tecnológica é outro componente da agenda econômica. O plano propõe digitalizar 100% dos serviços públicos federais e criar uma identidade digital única integrada ao Gov.br. A inteligência artificial seria utilizada para integrar informações e reduzir a burocracia enfrentada pelos cidadãos e pelas empresas.

A proposta também prevê ampliar o acesso à internet em todo o país e tratá-la como infraestrutura, assim como rodovias e pontes. A avaliação apresentada pelo candidato é que a digitalização pode reduzir custos administrativos e tornar mais eficiente a prestação de serviços públicos.

Na saúde, o programa propõe um prontuário eletrônico único, compartilhado entre redes pública e privada, além da ampliação de serviços de telemedicina e telessaúde. Para reduzir filas, o plano prevê ainda a possibilidade de contratação da rede privada para realizar exames e procedimentos em horários ociosos.

Política externa sem alinhamentos ideológicos

Na política externa, o plano defende uma atuação considerada “pragmática e técnica”, com foco no comércio bilateral e sem alinhamentos ideológicos, apesar da proximidade de Flávio Bolsonaro e sua família com Donald Trump e os Estados Unidos. A intenção é ampliar oportunidades comerciais e fortalecer a inserção do Brasil no mercado internacional.

Em reunião com embaixadores, Flávio Bolsonaro pede ‘observadores’ para eleições de outubro

21 de Julho de 2026, 14:22

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu, durante um encontro com embaixadores estrangeiros, que seus países enviem “a maior quantidade de observadores possíveis” para supervisionar as eleições brasileiras em outubro.

“Não estou questionando o sistema de eleição brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para nossa eleição e pessoas que têm conhecimento sobre essa tecnologia”, declarou, durante reunião organizada pela agência Novo Selo Comunicação e pelo site The Brazilian Report, nesta terça-feira (21), em Brasília (DF).

Em seu discurso, Flávio afirmou que um documento da CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos, apontou manipulação nas eleições venezuelanas de 2010: “Uma das suspeitas é que uma empresa chamada Smartmatic, de origem venezuelana, uma das suspeitas é que tenha havido uma programação para alteração das votações naquele país nas eleições de 2010”, disse. “Só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, frisou.

Em 2020, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou uma nota em que nega o uso de aparelhos da Smartmatic: “São falsas as mensagens que circulam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil. Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país”, escreveu a Corte.

Flávio disse ainda que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), está preso justamente por um encontro com diplomatas. “Jair Bolsonaro está inelegível após uma reunião com os embaixadores. Alguém que tinha uma preocupação com a transparência e a segurança do nosso sistema eleitoral, e apenas manifestou suas preocupações para que os embaixadores levassem essa preocupação para os seus países”, falou.

Mário Frias responde a Flávio Dino em rede social e diz que vai esclarecer viagem ao exterior

21 de Maio de 2026, 16:56

O deputado federal Mário Frias (PL-SP) afirmou nesta quinta-feira (21) que pretende prestar esclarecimentos ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino sobre viagem ao exterior desde 12 de maio. Dino determinou que a Câmara dos Deputados informe detalhes sobre o deslocamento do parlamentar ao Bahrein e aos Estados Unidos.

Em publicação no X endereçada a Dino, Frias afirmou que está em missão oficial no exterior e que, ao retornar, pretende se encontrar com o ministro.

“Prezado Ministro Flávio Dino, soube pela imprensa que o senhor gostaria de algumas informações a meu respeito. Estou em agenda oficial, com conhecimento do meu presidente Hugo Motta. Chegarei ao Brasil dia 25 de maio, desde já me colocando à disposição de Vossa Excelência, para inclusive um encontro ao vivo, ocasião em que será uma ótima oportunidade para prestar todos os esclarecimentos que desejar”, escreveu.

O caso é analisado pelo Supremo em meio a dificuldades enfrentadas por oficiais de Justiça para localizar Frias em uma investigação ligada ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O deputado atua como produtor-executivo do longa.

Flávio Dino é o responsável no STF por processo que apura o envio de R$ 2 milhões em emendas parlamentares de Mário Frias a uma ONG de Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pelas gravações da obra. A justificativa das emendas aponta o financiamento de dois projetos sociais.

Na quarta-feira (20) o ministro da Corte pediu que a Câmara envie informações sobre a situação funcional do deputado, incluindo autorização da viagem, período de permanência fora do País, custos do deslocamento e eventuais pagamentos relacionados à missão.

Frias esteve no Bahrein entre os dias 12 e 18 de maio. Depois disso, seguiu para Dallas, nos Estados Unidos. Ele alegou ter agendas a convite do movimento Yes Brazil USA.

Mário Frias está envolvido na polêmica do financiamento do filme sobre o ex-presidente pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece em áudio cobrando repasses de Vorcaro para a realização da produção.

Flávio Bolsonaro e Tarcísio atacam governo, mas têm dia de ‘coadjuvantes’ na Agrishow: a ‘estrela’ ainda foi Jair

27 de Abril de 2026, 18:07

Na estampa da tradicional camiseta de mangas compridas que se tornou moda entre produtores rurais, a bandeira do Brasil e as cores verde e amarela dividem espaço com o nome do ex-presidente da República. É comum encontrar “Jair Bolsonaro“, condenado e em prisão domiciliar por tentativa de golpe, escrito e homenageado nas vestimentas desses apoiadores que visitam feiras agrícolas pelo país.

Entre elas, está a Agrishow, que acontece esta semana em Ribeirão Preto (SP). Em um evento na principal feira do agronegócio da América Latina, dois discípulos de Jair Bolsonaro – seu filho e sucessor político Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) – se tornaram coadjuvantes do ex-presidente.

Ambos fizeram questão de falar mais do líder da direita nos discursos a uma plateia de apoiadores e políticos, do que deles próprios. “Quem deveria estar aqui não deveria ser eu, deveria ser o presidente Jair Bolsonaro”, afirmou Flávio Bolsonaro.

Durante sua fala, o senador classificou o pai algumas vezes como injustiçado e perseguido político, assim como, segundo ele, é seu irmão Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado federal reside, desde o ano passado, nos Estados Unidos e tenta influenciar o governo norte-americano a impor sanções políticas e econômicas contra o governo brasileiro.

Segundo Flávio Bolsonaro, “a reforma agrária do País foi feita por Bolsonaro, com mais de 420 mil títulos de propriedade urbana e rural (concedidos)”. O senador chegou a dizer que durante o governo do pai, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) teve seus ativistas “tratados como seres humanos”.

Ex-ministro de Jair Bolsonaro, Tarcísio seguiu o senador e lembrou do apoio recebido pelo ex-presidente em 2022, quando ainda era candidato ao governo paulista. Saudoso, citou quando, na mesma época há quatro anos “entrei nessa feira montado a cavalo ao lado do presidente Bolsonaro” e agora participa da Agrishow com o filho “01” do ex-presidente.

“Aprendi muito com seu pai, estar hoje com você é manter o legado vivo. Você pode contar com esse exército”, afirmou o governador paulista para Flávio e uma plateia de apoiadores.

As citações a Jair Bolsonaro só dividiram espaço com as críticas ao governo federal, liderado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Pré-candidato à reeleição, Lula foi alvo de duras críticas da Flávio, Tarcísio e de políticos apoiadores.

“O que vemos sair da boca dele, o que o coração está cheio é de ódio. (Lula) É uma pessoa que não aprendeu com nada na vida e está perseguindo adversários políticos”, afirmou o senador. Coube ao secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho, mais um discípulo de Jair Bolsonaro, os ataques mais pesados ao governo.

Ex-presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no governo do ex-presidente, Melo Filho criticou o anúncio feito ontem pelo atual vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), na abertura oficial da Agrishow, de liberação de R$ 10 bilhões em linhas de financiamento para compra de máquinas.

“Um crédito fantasma, que não existe, anunciado pelo governo. Mais uma decepção de mais uma promessa, sem juro definido, sem prazo, sem direcionamento”, disse o secretário. Segundo Alckmin, as regras dessa linha de crédito serão definidas em maio.

Ainda de acordo com o secretário de Agricultura paulista, o Plano Agrícola e Pecuário “perdeu a relevância” e a “função” e se tornou uma “peça de ficção” durante o atual governo. “O recurso do seguro rural não resiste ao primeiro contingenciamento”, completou.

Tradicional crítico, o presidente Frente Parlamentar da Agricultura e Pecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), engrossou o coro de elogios a Bolsonaro e ataques ao governo federal.

“Com Bolsonaro, o agro era respeitado, havia previsibilidade e um governo que estendia a mão ao produtor”, disse. “Não há segurança jurídica, não há crédito, os juros reais passam dos 20% e dinheiro para investimento não existe”, concluiu Lupion.

Após o evento e da entrevista coletiva a jornalistas na qual se repetiram as críticas ao presidente e ao governo federal, Flávio Bolsonaro e Tarcísio visitaram a feira e se tornaram o centro das atenções dos visitantes da Agrishow por algumas horas. Muitos deles com as camisas de mangas comprida, com detalhes em verde e amarelo e o nome de Jair Bolsonaro escrito.

Alexandre de Moraes concede prisão domiciliar a Jair Bolsonaro após parecer favorável da PGR

24 de Março de 2026, 15:18

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu conceder nesta terça-feira prisão domiciliar em caráter humanitário ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que vem cumprindo pena de 27 anos de prisão em regime fechado por tentativa de golpe de Estado e quatro outros crimes. Segundo o portal UOL, a autorização vale por 90 dias para uma nova reavaliação.

A decisão de Moraes ocorreu após parecer favorável à medida do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e em meio a forte pressão de familiares e aliados do ex-presidente, além de apelos nos bastidores de alguns ministros do STF, segundo fontes que acompanharam as tratativas nos últimos meses.

A ordem de Moraes ocorreu no momento em que o magistrado tem sido alvo de questionamentos após a revelação de que o escritório de advocacia da esposa dele teve um contrato com o Banco Master, instituição financeira liquidada e que teve seu dirigente máximo, Daniel Vorcaro, preso preventivamente. Vorcaro poderá firmar uma delação premiada com potencial de atingir autoridades dos Três Poderes.

Em seu parecer, Gonet apontou que o estado de saúde de Bolsonaro “demanda a atenção constante e atenta que o ambiente familiar, mas não o sistema prisional em vigor, está apto para propiciar”. Ele destacou que o ex-presidente deve passar por reavaliações periódicas.

A defesa de Bolsonaro havia feito um novo pedido de prisão domiciliar após ele ter sido internado no dia 13 de março no Hospital DF Star, em Brasília, para tratamento de pneumonia bacteriana decorrente de um episódio de broncoaspiração. A defesa, com base em relatório médico, alega que o ex-presidente corre risco de vida.

Por ordem de Moraes, Bolsonaro foi preso preventivamente em novembro na Superintendência da Polícia Federal em Brasília após tentar violar uma tornozeleira eletrônica enquanto estava em prisão domiciliar. Pouco depois essa prisão foi convertida em definitiva para que ele pudesse cumprir pena pela condenação por golpe de Estado.

Durante todo esse período, o ex-presidente — que fez 71 anos no sábado — teve intercorrências de saúde que o levaram ao hospital. Ele está internado desde o dia 13 de março no hospital DF Star, em Brasília

Nesta segunda-feira (23), Bolsonaro deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e segue em tratamento de uma pneumonia bacteriana sem previsão de alta hospitalar, disse boletim médico divulgado nesta terça-feira.

“Devido a melhora clínica, paciente recebeu alta da unidade de terapia intensiva no dia de ontem. No momento segue com antibioticoterapia endovenosa, suporte clínico e fisioterapia respiratória e motora. Não há previsão de alta hospitalar”, informa o boletim.

Defesa aguarda novo laudo para pedir prisão domiciliar de Bolsonaro, diz Flávio

15 de Março de 2026, 11:02

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou no sábado (14) que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aguarda a elaboração de um novo laudo médico para solicitar novamente à Justiça a concessão de prisão domiciliar. A declaração foi dada após visita ao pai, internado no Hospital DF Star, em Brasília.

Segundo Flávio, o pedido será fundamentado no agravamento recente do quadro de saúde e na necessidade de acompanhamento contínuo. Ele disse que, apesar de Bolsonaro ser “muito bem tratado” onde está custodiado, passa longos períodos sozinho, o que representaria risco diante dos efeitos colaterais dos medicamentos e de eventuais emergências médicas.

“Ele passa muito tempo do dia sozinho, essa que é a nossa preocupação. Ele desequilibrar pelo efeito colateral do remédio que ele toma para tentar conter o soluço, sofrer um acidente, e aí alguém demorar até encontrá-lo”, disse.

Segundo Flávio, Bolsonaro permanece debilitado, com aparência abatida, voz enfraquecida e persistência de soluços, sintomas que já haviam sido registrados anteriormente.

O Hospital DF Star informou, em boletim divulgado no sábado, que o paciente apresentou piora da função renal e elevação dos marcadores inflamatórios. De acordo com a nota, Bolsonaro está clinicamente estável, mas não há previsão de alta da UTI. O ex-presidente foi levado para o hospital na manhã de sexta-feira (13).

“Se tivesse demorado uma ou duas horas, podia ter realmente complicado, avançar para um quadro de infecção generalizada, o que reforça a importância de ele estar com um acompanhamento permanente, seja de familiares, seja de profissionais de saúde, 24 horas por dia, isso é possível em casa”, afirmou o senador em conversa com jornalistas.

Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro de 2025 e cumpre pena de 27 anos e três meses em regime fechado na Penitenciária da Papuda, em Brasília.

‘Eu não acho que mercado aposta na reeleição’: As mensagens e as considerações de Paulo Guedes

6 de Março de 2026, 21:19

Paulo Guedes, ex-ministro da Economia do Governo Bolsonaro, passou os quatro últimos anos, quando saiu do governo, quase calado. Foram raríssimas as entrevistas e poucos os eventos que o então ‘posto do Ipiranga’ de Bolsonaro participou. Mas, em evento de Fami Capital, o economista resolveu falar (e por uma hora).

Em suas falas, Guedes teceu considerações sobre o complicado momento geopolítico que vive o mundo no momento. Para ele, a mensagem é clara: estamos sob uma nova fase da ordem político-econômica, que possui efeitos, inclusive, no Brasil.

“O mundo está em desordem. E, nesse contexto, surge uma reação conservadora, com avanço de forças de centro-direita. E o Brasil? O que eu acho que está acontecendo aqui? Na minha visão, o Brasil está começando a se parecer um pouco com o Chile em determinado momento político”.

Para ele, as economias enfrentam uma espécie de tsunami de conservadorismo no mundo, resultado de um desgaste muito grande do establishment.

“Os conservadores dão um passo à frente e assumem o volante. Os liberais? Bom, os liberais vão para o banco de trás. Sabe aquela ideia de eficiência econômica? Aquela história de que tudo deve ser guiado pelo mercado e pelo marketing, algo que seria sempre positivo para a espécie humana? Acabou um pouco essa lógica”.

Aliança entre conversadores e liberais

Guedes voltou a repetir um mantra antigo que guiou a campanha de Bolsonaro nas eleições de 2018: a união entre conservadores e liberais, que ele acredita que irá se renovar

“No começo eu vi muita disputa, muita briga entre esses grupos. Mas eles perceberam rapidamente que precisam estar juntos“, afirmou.

O ex-ministro também citou o candidato Flávio Bolsonaro. Ele confirmou que dará  “total apoio”.

“Então você já vê movimentos de aproximação. O Romeu Zema, o Ronaldo Caiado e o Ratinho Júnior, por exemplo, já tiraram foto juntos em vários momentos. O Tarcísio de Freitas também deve estar nesse mesmo campo”.

Ainda segundo Guedes, os mercados começam a perceber esse movimento.

“Eu frequento o mercado financeiro há muitos anos, e tem um padrão que se repete: o dinheiro começa a entrar, a bolsa sobe, sobe mais um pouco, o dólar fica mais calmo”

Isso significa que o mercado está apostando na reeleição Lula? Para Guedes, é um sonoro não.

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