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Dá para votar sem título de eleitor? Veja o que precisa levar no dia da votação

18 de Setembro de 2026, 18:04

Na contagem regressiva para as eleições 2026, faltam cerca de duas semanas para o primeiro turno, que acontece em 4 de outubro. Com a data se aproximando, uma dúvida recorrente volta à tona: o eleitor pode votar sem título de papel?

Sim. O título de eleitor em papel não é necessário para votar. O eleitor pode apresentar um documento oficial com foto ou usar o e-Título, desde que esteja com a situação eleitoral regular.

O que apresentar para votar sem título

Na seção eleitoral, basta um documento oficial com foto para a identificação. A lista de opções aceitas é ampla:

  • Carteira de identidade (RG) ou identidade social
  • Carteira Nacional de Habilitação (CNH)
  • Passaporte
  • Carteira de Trabalho
  • Certificado de reservista
  • Carteira de categoria profissional reconhecida por lei

Esses documentos valem até mesmo vencidos, desde que a foto ainda permita reconhecer o eleitor.

Versões digitais também são aceitas, com uma exceção: a Carteira de Trabalho Digital não serve como identificação na seção eleitoral, porque não traz foto validada por órgão oficial de registro, embora a versão física sirva.

Já as certidões de nascimento e de casamento nunca são aceitas como prova de identidade, essas ficam de fora em qualquer hipótese.

E quem já tem e-Título?

Entre os documentos digitais aceitos, o e-Título é o mais completo. Lançado em 2017, o aplicativo está disponível gratuitamente para iOS e Android, tanto para quem tem título regular quanto para quem está com o documento suspenso, e traz recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência visual, baixa visão ou daltonismo.

A versão digital do título pode substituir qualquer outro documento na hora de votar, mas só quando exibe a foto do eleitor. E essa foto depende do cadastramento biométrico: sem ele, o perfil no aplicativo fica sem imagem vinculada e não vale como identificação sozinho. Nesse caso, é preciso apresentar um segundo documento.

Mas quem ainda não cadastrou a biometria só vai poder solicitá-la quando o atendimento da Justiça Eleitoral for retomado. O serviço fechou em 6 de maio e só reabre em 3 de novembro. Isso, no entanto, não impede de votar normalmente com qualquer um dos documentos da lista acima.

Mais importante é estar em dia com a Justiça Eleitoral

Documento digital ou impresso em mãos, a preocupação mais relevante para o eleitor é saber se o cadastro eleitoral está regular. O TSE oferece um serviço gratuito para essa consulta, acessível pelo Autoatendimento Eleitoral no site do TSE ou pelo aplicativo e-Título.

No menu “Consultas”, a opção é “Situação do título”: basta informar nome completo e data de nascimento, CPF ou o número do título, e o sistema mostra em segundos se a inscrição está regular, cancelada ou suspensa.

O prazo para regularizar a situação também já se encerrou. Até a reabertura do cadastro, a consulta online ajuda a evitar surpresas no dia do pleito.

O que significa cada status

RegularTítulo válido, eleitor apto a votar. Permite transferência ou revisão de dados, mas só para as eleições de 2028, já que o cadastro está fechadoNão precisa de ação, mas vale checar se há multas em aberto
CanceladoTítulo sem validade, eleitor impedido de votar. Causas comuns: três ausências consecutivas sem justificativa, perda de direitos políticos, inscrições múltiplas ou fraude apurada pela Justiça EleitoralQuitar multas e solicitar revisão, só possível após a reabertura do atendimento, em 3 de novembro
SuspensoImpede o voto temporariamente. Causas: condenação criminal definitiva, improbidade administrativa transitada em julgado ou serviço militar obrigatórioApresentar documento que comprove o fim da causa, também possível a partir de 3 de novembro

Vale um esclarecimento sobre o status regular: ele não significa ausência de débitos. Multas por faltar às urnas ou aos trabalhos eleitorais podem existir e precisam ser consultadas separadamente, também pelo Autoatendimento Eleitoral ou pelo e-Título.

O pagamento pode ser feito por Pix, cartão de crédito ou boleto bancário, esse último chamado de GRU (Guia de Recolhimento da União), o documento oficial usado para quitar taxas e multas junto à Justiça Eleitoral e outros órgãos públicos.

Desaceleração da economia ameaça reeleição de Milei na Argentina

18 de Setembro de 2026, 17:50

A um ano da tentativa de reeleição do presidente argentino Javier Milei, a recuperação econômica que sustentou a popularidade do governo está perdendo força.

O Produto Interno Bruto encolheu 0,6% no segundo trimestre ante os três meses anteriores, a primeira contração em dois anos e um revés para um governo que conta com uma aceleração do crescimento antes da eleição de outubro de 2027.

Os argentinos elegeram o libertário que vinha de fora da política tradicional em 2023 na esperança de que a austeridade e mercados mais livres pudessem conter a inflação e estabilizar uma economia marcada por crises recorrentes.

A “terapia de choque” de Milei conseguiu reduzir fortemente o ritmo de alta dos preços, mas pesquisas mostram que os eleitores estão cada vez mais preocupados com a fraqueza do mercado de trabalho.

A atividade cresceu 2% em relação ao ano anterior, sustentada pelo forte avanço das exportações de energia e produtos agrícolas, enquanto as importações recuaram. Em uma publicação no X, o ministro da Economia, Luis Caputo, destacou que 13 dos 16 setores cresceram no primeiro semestre do ano.

Ainda assim, os dados mais recentes do PIB “estão longe de ser convincentes o suficiente para dissipar as preocupações políticas — a principal variável que pesa sobre os mercados argentinos”, afirmou Jimena Zuniga, economista para a Argentina da Bloomberg Economics.

Investidores em títulos soberanos do país temem que o enfraquecimento do apoio ao programa de Milei aumente as chances de reversão das reformas fiscais e de mercado após a eleição de 2027.

Adversários de esquerda de Milei tentam transformar o aumento do desemprego e a fragilidade da renda das famílias nos temas centrais da eleição de outubro de 2027.

Perspectiva desoladora

Fernando Marull, sócio da consultoria FM&A, vê a possibilidade de uma segunda contração consecutiva no terceiro trimestre, o que colocaria tecnicamente a Argentina em recessão.

Mesmo que a economia escape de uma recessão, a perspectiva para as famílias continua sombria, afirmou Carlos Melconian, diretor da MacroView SA.

“Independentemente de haver ou não dois trimestres negativos, vai ser extremamente apertado”, afirmou Melconian. “Os componentes que as pessoas realmente sentem já estão sendo duramente atingidos.”

A inflação anual desacelerou para 34% no mês passado, ante mais de 200% quando Milei assumiu o cargo. Uma pesquisa da AtlasIntel realizada no mês passado mostrou que corrupção e desemprego superaram a inflação entre as principais preocupações dos eleitores.

Milei, no entanto, continua concentrado em consolidar a vitória sobre a inflação, que pretende levar para menos de 1% ao mês.

Peso forte

Isso o levou a apoiar uma política de peso forte, ela esteja pesando sobre o crescimento. A moeda enfraqueceu apenas 3,7% em relação ao dólar no acumulado do ano até agosto, enquanto os preços ao consumidor subiram 21%.

Essa valorização em termos reais foi reforçada nas últimas semanas pela intervenção oficial nos mercados de títulos e futuros, enquanto permanecem em vigor controles cambiais para empresas.

Os adversários de Milei têm concentrado cada vez mais atenção nesse ponto. Em um evento no início deste mês, o nome mais claramente colocado na disputa, o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, classificou a abordagem do governo como uma “política criminosa e suicida de desindustrialização do país”.

Parlamentares da oposição também levaram o argumento ao Congresso e recentemente conseguiram convocar uma sessão sobre o aumento do endividamento das famílias e da inadimplência em empréstimos, embora nenhuma das propostas de alívio tenha avançado até agora.

Milei apresenta uma narrativa diferente e aponta para o forte crescimento da agricultura, energia e mineração como evidência de uma economia que deixou para trás a pior fase.

Ao mesmo tempo, varejo, construção e indústria, que empregam muito mais pessoas, estão cortando postos de trabalho, enquanto a inadimplência no crédito ao consumidor dispara.

O consumo encolheu 2,4% no segundo trimestre, com o baixo crescimento dos salários e o crédito restrito pressionando as finanças das famílias.

Esses setores em dificuldades respondem por cerca de metade do emprego assalariado privado formal da Argentina, enquanto as indústrias que impulsionam exportações e investimentos representam apenas cerca de um quinto.

No total, o emprego assalariado privado formal diminuiu em cerca de 246.300 postos desde pouco antes de Milei assumir o cargo, enquanto o número de empresas caiu em mais de 30 mil.

Índice de aprovação

Esse cenário deixa Milei vulnerável na corrida eleitoral. A aprovação do presidente estava em 38% na pesquisa mais recente da AtlasIntel, enquanto 58% desaprovavam sua gestão e 70% classificavam o mercado de trabalho como ruim.

Nesta semana, o governo reduziu a projeção de crescimento para 2026 de 5% para 3%, enquanto economistas consultados pelo banco central esperam algo mais próximo de 2%.

Osvaldo Giordano, presidente do instituto econômico IERAL, da Fundación Mediterránea, espera que a economia evite uma recessão, com a atividade praticamente estável neste trimestre. Mas a distância entre o crescimento modesto e o que os argentinos esperam após anos de turbulência econômica representa um risco para Milei, afirmou.

“A tolerância de uma sociedade não é a mesma quando há apenas um ano ruim”, afirmou Giordano. “Aqui, é uma sucessão de anos muito ruins. Por isso, a paciência é menor.”

Eleições 2026: quais países usam urna eletrônica como o Brasil?

18 de Setembro de 2026, 15:54

O Brasil não é o único país a usar um sistema de votação com urna eletrônica. Nas Eleições 2026, o modelo brasileiro volta a aparecer dentro de uma família maior de tecnologias eleitorais adotadas em diferentes partes do mundo.

A comparação, porém, depende do tipo de tecnologia usado em cada país. Alguns sistemas se aproximam da urna eletrônica brasileira, enquanto outros usam componentes eletrônicos apenas em parte do processo.

Essa diferença é importante porque nem todo país com votação eletrônica usa uma urna equivalente à brasileira.

Como funciona a urna eletrônica no Brasil?

O Brasil usa uma máquina de registro eletrônico direto do voto. Isso significa que o eleitor digita os números dos candidatos, confirma as escolhas e o voto nasce como registro digital dentro da urna eletrônica.

A urna eletrônica começou a ser usada no Brasil em 1996 e passou a atender todo o eleitorado com o modelo de votação em 2000.

No modelo brasileiro:

  • O eleitor vota presencialmente;
  • A escolha é registrada no Registro Digital do Voto;
  • O voto não é associado à identidade do eleitor;
  • A própria urna apura os votos da seção;
  • Antes da votação, a urna emite a zerésima;
  • Após a votação, emite o Boletim de Urna.

A urna eletrônica brasileira não usa internet durante o voto e permanece isolada de redes no momento da votação. A transmissão eletrônica ocorre depois, quando a seção já foi encerrada e os arquivos de resultado foram gerados.

LEIA MAIS: Urna eleitoral: entenda como é feito o teste de integridade a cada votação

Quais países têm sistema mais parecido com a urna eletrônica do Brasil?

Os sistemas mais parecidos com o brasileiro são aqueles em que o eleitor comparece presencialmente e registra o voto em uma máquina dedicada, sem que o voto nasça em uma cédula de papel.

Na classificação internacional, esse tipo de tecnologia de registro eletrônico direto (DRE, na sigla em inglês). O termo se refere a máquinas que registram o voto diretamente em meio eletrônico.

  • O Butão é um dos casos mais próximos do Brasil. O país usa máquinas eletrônicas presenciais nas seções. No primeiro turno da eleição para a Assembleia Nacional de 2023/24, foram depositados 195.719 votos presenciais em máquinas eletrônicas, distribuídas em 809 seções.
  • Bangladesh também usou máquinas eletrônicas no passado. A tecnologia costuma ser chamada de máquina eletrônica de votação (EVM, na sigla em inglês). Para uma comparação atual, porém, há uma diferença relevante: o país retirou a tecnologia da eleição parlamentar de 2026 e voltou às cédulas de papel.

Quais países usam urna eletrônica com papel individual?

Índia e Venezuela também podem ser comparadas ao Brasil porque usam máquinas eletrônicas presenciais no ato de votar. A diferença está no papel.

Nesses países, o voto é registrado eletronicamente, mas o sistema também gera uma trilha física individual, conhecida como auditoria em papel verificável pelo eleitor (VVPAT, na sigla em inglês).

  • Na Índia, o eleitor aperta o botão correspondente ao candidato. O equipamento imprime uma papeleta com número, nome e símbolo. O papel fica visível por alguns segundos e depois cai em um compartimento lacrado.
  • Na Venezuela, o eleitor seleciona os candidatos na tela, o voto é registrado eletronicamente e uma papeleta é impressa. O eleitor confere o papel e o deposita em uma urna física separada.

Quais países usam máquina com cédula física?

Há um segundo grupo em que a tecnologia aparece dentro da cabine de votação, mas a cédula de papel faz parte do procedimento.

  • Na Bélgica, o eleitor vota em uma tela, confirma as escolhas e a máquina imprime uma cédula com texto legível e código de barras. Depois, o eleitor escaneia o código e deposita o papel em urna física.
  • No Paraguai, o eleitor recebe uma cédula, insere o papel na máquina, escolhe os candidatos pela tela, confere a informação em um leitor verificador e deposita a cédula em urna física.
  • Na Bulgária, onde há máquinas disponíveis, o eleitor pode escolher entre papel e votação por máquina. Ao usar a máquina, o equipamento imprime uma cédula em papel especial.
  • Na República Democrática do Congo, o eleitor escolhe os candidatos em tela sensível ao toque, e a máquina imprime a escolha no verso da cédula, que depois é depositada.

Quais países usam papel com contagem eletrônica?

Em outro grupo, o voto nasce no papel. A tecnologia aparece depois, para ler, contar ou transmitir os resultados.

Nesses casos, a tecnologia eleitoral atua principalmente sobre a cédula já preenchida pelo eleitor. A comparação com o Brasil passa menos pela urna eletrônica usada na cabine e mais pela automação de etapas do processo eleitoral.

  • Nas Filipinas, o eleitor preenche uma cédula física e a insere em uma máquina de contagem automatizada. O equipamento escaneia o papel, interpreta as marcações e contabiliza os votos.
  • Iraque, Quirguistão e Mongólia também usam modelos em que o eleitor marca uma cédula de papel, e a tecnologia faz a leitura ou a contagem.
  • Nos Estados Unidos, não existe um único sistema nacional. A administração eleitoral é descentralizada e envolve mais de 10 mil jurisdições. Em 2024, havia uso combinado de dispositivos de marcação de cédulas, scanners, contagem manual e sistemas de registro eletrônico direto (DRE, na sigla em inglês) em parte das localidades.

Quais países usam voto pela internet?

Voto pela internet é outra categoria presente no mundo. Nesse modelo, a rede participa do próprio ato de votar. Esse grupo amplia o sentido de votação eletrônica, mas se afasta do modelo brasileiro.

  • Na Estônia, o eleitor pode votar remotamente pela internet desde 2005. O voto é feito em computador pessoal, com autenticação, criptografia, assinatura digital e envio ao servidor eleitoral.
  • Omã permite voto por smartphone pelo aplicativo Intakhib.
  • A Suíça mantém projetos controlados de voto pela internet para parcelas específicas do eleitorado.
  • França, Armênia, El Salvador, Rússia, Panamá e Filipinas possuem ou tiveram modalidades remotas voltadas a grupos ou territórios específicos, como eleitores no exterior.

O que pode ser comparado com a urna eletrônica brasileira?

Tipo de sistemaComparação com o Brasil
Máquina presencial sem cédula individualMais próxima
Máquina presencial com trilha de auditoria em papel verificável pelo eleitorParcial: o voto nasce eletrônico, mas há papel individual
Máquina com cédula física no fluxoParcial: há tecnologia na cabine, mas o papel integra o voto
Papel com leitura eletrônicaLimitada: tecnologia atua na leitura ou na contagem
Voto pela internetOutra categoria

Rússia liga tomada de ativos da Nestlé à ajuda europeia à Ucrânia

18 de Setembro de 2026, 09:12

O Kremlin relacionou a tomada de ativos na Rússia pertencentes à gigante suíça de alimentos Nestlé e à rede francesa de supermercados Auchan ao apoio militar europeu à Ucrânia.

“Estamos falando de empresas, empresas europeias de países hostis”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a jornalistas na sexta-feira (18). “Um dos fatores levados em consideração ao tomar essa decisão foi que este é um país hostil e que este é um país hostil que atualmente está mais ativamente envolvido em ações militares contra nosso país.”

O presidente Vladimir Putin publicou um decreto na noite de quinta-feira (17) determinando que participações nos negócios da Nestlé e da Auchan na Rússia fossem colocadas sob administração temporária de uma empresa chamada AO L.E.V. Menedzhment.

É a maior tomada de ativos corporativos estrangeiros na Rússia desde pelo menos 2024. A medida ocorre em meio às tensões com a Europa, que impôs amplas sanções à Rússia e está enviando dezenas de bilhões de dólares em armas e ajuda financeira para apoiar a defesa da Ucrânia contra a invasão em larga escala ordenada por Putin em fevereiro de 2022.

A AO L.E.V. Menedzhment foi registrada em Moscou em 2024, com capital social de apenas 15 mil rublos (US$ 177) e um único funcionário, segundo dados do registro russo. A empresa tinha pouca exposição pública antes do decreto.

As ações da Nestlé caíram até 1,9% nas negociações iniciais de sexta-feira (18), atingindo o menor nível em três meses antes de reduzir parte da queda.

A medida do Kremlin evidencia o ambiente empresarial cada vez mais difícil enfrentado pelas empresas internacionais que permanecem na Rússia. Mais de mil empresas deixaram o país depois do início da guerra e da imposição de várias rodadas de sanções internacionais contra Moscou.

Ainda assim, grandes empresas como PepsiCo, Mondelez International e Raiffeisen Bank International continuam operando na Rússia sob restrições crescentes, embora tenham reduzido suas operações.

A Rússia aprovou uma lista de países que considera “hostis” pouco depois do início da invasão. Além de todos os países da União Europeia e dos Estados Unidos, vários outros países, incluindo a Suíça, estão na lista. Transações financeiras e comerciais envolvendo empresas desses países estão sujeitas a restrições adicionais e exigências regulatórias na Rússia.

A Nestlé afirmou em comunicado na sexta-feira (18) que tomou conhecimento do decreto de Putin e estava avaliando a situação e suas opções.

“A Nestlé está empenhada em tomar todas as medidas necessárias para proteger seus direitos e garantir a continuidade das operações comerciais no interesse de todas as partes interessadas, especialmente seus funcionários”, afirmou.

O governo suíço deve se pronunciar sobre o caso ainda nesta sexta-feira (18).

A Suíça adotou sanções semelhantes às da União Europeia contra a Rússia por causa da guerra na Ucrânia, rompendo com sua abordagem anterior de neutralidade. A medida deu origem a uma iniciativa para impor uma interpretação mais rígida da tradicional doutrina de neutralidade do país, e os eleitores decidirão sobre a proposta em 27 de setembro.

A Rússia se manifestou publicamente sobre a campanha a favor de uma neutralidade mais rígida. Se aprovada, a proposta impediria a Suíça de impor sanções a países em conflito sem respaldo da ONU, o que significaria que o país não poderia mais manter as atuais medidas contra a Rússia com base no mesmo fundamento.

A Auchan Retail Russia afirmou ter solicitado esclarecimentos sobre o decreto e que apresentaria uma resposta mais detalhada depois de receber as informações pertinentes, informou a empresa à agência estatal Tass.

A Rússia assumiu o controle de dezenas de ativos internacionais desde 2023, quando alterou a legislação para criar um mecanismo de administração temporária que permite ao Estado assumir o controle de participações pertencentes a empresas de países “hostis”.

Entre os casos estão as unidades locais da empresa finlandesa de serviços públicos Fortum, da fabricante francesa de iogurtes Danone e da cervejaria dinamarquesa Carlsberg.

As ordens de administração temporária muitas vezes foram seguidas pela transferência dos ativos para compradores russos aprovados pelas autoridades, muitos deles com ligações com o Kremlin. Danone e Carlsberg tiveram seus ativos brevemente devolvidos, mas depois foram obrigadas a vendê-los a empresas russas com grandes descontos.

Ativos estrangeiros sob controle russo

O Kremlin também tornou cada vez mais difícil para empresas estrangeiras deixarem a Rússia. Transações envolvendo investidores de países “hostis” exigem que os vendedores aceitem um desconto de pelo menos 60%, além de um imposto especial de saída.

Em agosto, Putin sancionou uma lei que permite aos tribunais russos impedir que investidores estrangeiros que deixaram o país depois da invasão da Ucrânia em 2022 recomprassem os ativos que haviam vendido. Ele afirmou repetidamente que será difícil voltar ao mercado russo.

Ainda assim, o decreto sobre a Nestlé e a Auchan, publicado na noite de quinta-feira (17), foi inesperado. O Kremlin não havia usado o mecanismo contra ativos de valor comparável desde pelo menos 2024, quando fábricas pertencentes à AB InBev Efes, uma joint venture entre a cervejaria belga AB InBev e a turca Anadolu Efes, foram colocadas sob administração temporária.

Nestlé na Rússia

A Nestlé opera na Rússia desde os anos 1990, mas reduziu seus negócios após 2022, suspendendo algumas marcas e interrompendo importações e exportações não essenciais, além de publicidade e investimentos de capital. A gigante suíça possui seis fábricas na Rússia, que empregam mais de 7 mil pessoas e onde continuou a produzir o que descreve como alimentos essenciais e de consumo cotidiano.

A Rússia responde por cerca de 2% das vendas globais da Nestlé, o equivalente a aproximadamente 2 bilhões de francos suíços (US$ 2,5 bilhões) por ano.

A perda do controle sobre os ativos russos poderia representar uma baixa contábil de cerca de 1 bilhão de francos suíços, segundo analistas liderados por David Hayes, do Jefferies.

A resposta da Nestlé à ordem de Putin tem sido “pouco comprometedora” até agora, embora os precedentes de Danone e Carlsberg não sejam animadores, disse Warren Ackerman, analista do Barclays.

“Interpretamos o decreto como um passo em direção a uma possível mudança de propriedade, embora o momento, o processo e a compensação sejam desconhecidos”, acrescentou.

A Auchan esteve entre a primeira onda de grandes empresas ocidentais de bens de consumo a expandir suas operações na Rússia, ao abrir sua primeira loja no país em 2002. A empresa construiu uma ampla rede de lojas e atualmente opera 230 supermercados e hipermercados em todo o país, segundo seu site.

No início deste ano, uma empresa pouco conhecida chamada KS Logistics pediu a Putin que colocasse as entidades locais da Nestlé sob administração temporária, informou o jornal Kommersant. Na época, a Nestlé disse ao veículo que não havia recebido nenhuma solicitação das autoridades russas e que seus escritórios e fábricas continuavam funcionando.

Não está claro se a KS Logistics tem alguma relação com a L.E.V. Menedzhment. Esta última nomeou Andrey Krayushkin como seu novo diretor-presidente apenas na semana passada, segundo dados do registro russo.

Krayushkin atuou até pelo menos 2020 como primeiro vice-chefe do departamento de migração do Ministério do Interior e tinha a patente de major-general, informou na quinta-feira (17) o veículo de oposição russo Novaya Gazeta Europe, citando bancos de dados que, segundo o veículo, estavam em sua posse. A Bloomberg não conseguiu verificar a informação de forma independente.

Cola eleitoral 2026: como fazer, o que pode levar e o que fica proibido na cabine

18 de Setembro de 2026, 08:18

Nas eleições 2026, o eleitor brasileiro tem que escolher deputado federal, deputado estadual ou distrital, dois senadores, governador e presidente, cada um com uma quantidade diferente de números, e depois de digitar precisa conferir o nome na tela antes de confirmar.

Votar em seis cargos de uma única vez, sem poder conferir os números na cabine de votação, pode gerar dúvidas. Um recurso, não só permitido como incentivado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é o uso de uma cola eleitoral, um papel com as escolhas anotadas, organizado na ordem exata da votação.  

Como fazer a cola eleitoral

O próprio TSE disponibiliza um modelo pronto para impressão, com espaço para preencher as informações de cada candidato na sequência da urna. Escrever o nome ao lado do número funciona como uma conferência extra, útil para quem tem pressa na hora de digitar e prefere não depender só da memória. 

O site da Justiça Eleitoral tem também um simulador de votação, que permite treinar antes do primeiro turno, que acontece em 4 de outubro, e do segundo, previsto para 25 de do mesmo mês. Os concorrentes que aparecem no simulador são fictícios, mas a ferramenta reproduz as mesmas etapas do processo eleitoral.  

A ordem de votação na urna

Para quem preferir fazer a cola eleitoral em casa, mesmo à mão, vale seguir a ordem em que os candidatos aparecem na tela e anotar os números nessa sequência.

CargoDígitos
Deputado federal4
Deputado estadual ou distrital5
Senador (1ª vaga)3
Senador (2ª vaga)3
Governador2
Presidente2

O que é proibido na cabine

A cola eleitoral só pode existir em papel. Celular está proibido dentro da cabine de votação, mesmo desligado, e precisa ser entregue ao mesário antes de entrar, não apenas guardado no bolso. A mesma restrição vale para câmeras fotográficas, filmadoras e qualquer equipamento de radiocomunicação capaz de comprometer o sigilo do voto.

A regra estabelecida para as eleições busca garantir que a escolha seja secreta e impedir que o voto seja registrado, transmitido ou divulgado. A medida também ajuda a evitar práticas como a compra de votos, em que a pessoa é obrigada a apresentar uma espécie de prova da opção escolhida.

Quem se recusa a responder se está com celular, ou a entregá-lo, fica impedido de votar, e os mesários podem acionar a polícia para registrar o ocorrido.

Documentos e identificação

Além da cola eleitoral, é bom já decidir qual documento de identificação levar no dia 4 de outubro. Para se identificar na seção eleitoral, basta o eleitor apresentar um documento oficial com foto: RG, CNH, passaporte ou carteira de categoria profissional, por exemplo.

O título de papel ficou para trás, não é mais exigido, e mesmo um documento vencido continua servindo, desde que a foto ainda permita reconhecer o eleitor.

Duas exceções para não esquecer: certidões de nascimento e de casamento nunca são aceitas como identificação. Além disso, a Carteira de Trabalho Digital, apesar de ser documento oficial com foto, também fica de fora dessa lista aceita pela Justiça Eleitoral.

e-título

Quem prefere levar só o celular pode contar com o e-Título, que substitui qualquer um desses documentos, mas ele só é aceito quando mostra a foto na tela.

Vale a pena baixar e atualizar o aplicativo com antecedência, porque o download fica suspenso no dia da eleição, e quem deixa para a última hora corre o risco de chegar à seção sem essa opção disponível. 

Resumo rápido das eleições 2026 

1º turno4 de outubro (domingo)
2º turno25 de outubro (domingo), se houver
Horário de votação8h às 17h, horário de Brasília
Documento necessárioOriginal com foto (físico ou digital) ou e-Título com foto
O que não pode levarCelular, câmera ou qualquer equipamento eletrônico na cabine

Eleições 2026: Lula e Flávio seguem empatados no primeiro e no segundo turnos, mostra Datafolha

17 de Setembro de 2026, 20:04

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) seguem em empate técnico nas intenções de voto para o primeiro e o segundo turnos das eleições presidenciais de 2026, segundo nova pesquisa Datafolha divulgada na noite desta quinta-feira (17).

No primeiro turno, Lula tem 39% das intenções de voto, contra 36% de Flávio. No levantamento anterior, divulgado no dia 11, o presidente já registrava 39%, enquanto o senador somava 35%. A oscilação de Flávio, de 35% para 36%, fica dentro da margem de erro da pesquisa, de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O Datafolha ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios entre terça-feira (15) e hoje (17), período marcado pelo agravamento da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) a partir do caso do Banco Master e de Daniel Vorcaro, que segue no centro do debate político desde o início do mês.

Eleições 2026: como estão os demais candidatos

Na primeira rodada, atrás dos líderes aparecem Augusto Cury (Avante), com 6%, Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, Renan Santos (Missão), com 3%, e Romeu Zema (Novo), com 2%. Samara (UP) e Rui Costa Pimenta (PCO) marcam 1% cada. Votos brancos ou nulos somam 6%, e os indecisos são 3%.

O patamar de Cury confirma a acomodação observada desde a semana passada: depois de saltar de 2% para 8% em agosto, o escritor perdeu força e voltou a oscilar na casa de um dígito, sem repetir o crescimento acelerado do início da campanha.

Segundo turno segue estável há três semanas

No cenário de segundo turno, Lula tem 46%, e Flávio, 44% – ou seja, os mesmos percentuais registrados há uma semana e também há duas, o que confere empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.

A repetição do resultado em três levantamentos consecutivos indica que, apesar da sucessão de novas crises políticas nas últimas semanas, o quadro eleitoral para a disputa direta entre os dois nomes segue estacionado.

O primeiro turno das eleições será realizado no dia 4 de outubro. Já o segundo está previsto para o dia 25 do mesmo mês.

Recompra de títulos dos EUA decepciona mercado e juros futuros voltam a subir

9 de Setembro de 2026, 14:39

O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, ampliou o programa de recompra de dívida pública nesta quarta-feira, mas a medida não foi suficiente para conter a alta dos juros nos Treasuries, os títulos públicos americanos.

O Tesouro anunciou a compra de até US$ 6 bilhões em títulos de prazo mais longo, três vezes o valor definido no mês anterior. Ainda assim, o mercado de US$ 32 trilhões em dívida do governo americano seguiu pressionado, em um dia marcado também pela disparada do petróleo, que reacendeu temores de inflação persistente.

Os preços dos títulos de 10 anos, que já vinham em queda desde o início do pregão, recuaram ainda mais após o anúncio — movimento que levou o rendimento a subir até 4,85%. A taxa está no maior patamar desde 2023, mesmo com Bessent tentando reduzi-la desde que assumiu o cargo no ano passado.

Mercado queria mais

Operadores esperavam um valor ainda maior para a operação de recompra, depois que Bessent sinalizou publicamente a possibilidade de pagar acima de US$ 4 bilhões por emissão — bem acima do teto original de US$ 2 bilhões. Por isso, o anúncio de US$ 6 bilhões decepcionou.

Segundo Steven Zeng, estrategista do Deutsche Bank, faltou o “choque” que os investidores esperavam. “É como se o Tesouro tivesse criado um monstro que agora precisa alimentar”, disse Zeng.

Ontem, Bessent já havia reconhecido publicamente que não tem como alterar o preço de “equilíbrio” dos títulos americanos — o nível que reflete os fundamentos econômicos reais, e não uma intervenção pontual do governo. Seu objetivo, segundo ele, é desacelerar os movimentos bruscos e evitar que narrativas negativas ganhem força. O problema é que ele busca juros mais baixos justamente em um momento de inflação em alta, expectativa de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve e déficits orçamentários historicamente elevados.

Por ora, o Tesouro não deu sinais de que vá aumentar ainda mais as recompras. O órgão informou que as outras seis operações programadas para o trimestre fiscal atual terão valor máximo igual ou superior a US$ 4 bilhões — o mesmo patamar anunciado de forma surpresa em 19 de agosto, quando o Tesouro prometeu “pelo menos dobrar” o tamanho das operações, que antes eram de US$ 2 bilhões cada.

Para Elias Haddad, do Brown Brothers Harriman, o gesto ficou aquém do necessário: “o Tesouro levou um estilingue para uma batalha de tanques”, resumiu.

Depois do anúncio de 19 de agosto, os juros haviam recuado, mas voltaram a subir rapidamente. Bessent decidiu reforçar o programa depois que os títulos de 30 anos atingiram a maior taxa desde 2007. Em evento no Texas na terça-feira, ele atribuiu o movimento a uma preocupação que considera infundada, a de que os Estados Unidos não conseguiriam honrar sua dívida — algo que, segundo ele, “virou meio que a narrativa dominante”, apesar de “absurdo”.

Bessent também tem defendido as recompras como forma de melhorar a liquidez do mercado, permitindo que bancos e outras instituições se desfaçam de títulos mais difíceis de negociar e, com isso, participem mais ativamente dos leilões de nova dívida.

O tamanho do desafio ficou ainda mais evidente horas depois, quando o Tesouro vendeu US$ 39 bilhões em títulos de 10 anos a uma taxa de 4,834% em leilão — a maior desde 2007.

Vale um esclarecimento técnico: o teto de US$ 6 bilhões não significa que o Tesouro vá necessariamente comprar esse valor total. Mas, historicamente, quando o programa mira dívida nominal de prazo mais longo, o órgão costuma comprar o valor máximo anunciado — só não o fez em duas das 52 operações realizadas desde que o programa foi retomado em 2024. Também é possível que o volume final seja maior: segundo o próprio site do Tesouro, um “anúncio final de recompra” costuma ser divulgado às 11h do dia da operação, e esse anúncio final “substitui o preliminar”.

Investidores e analistas veem a intensificação das recompras como reflexo do desconforto do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, com a alta dos custos de financiamento de longo prazo, a poucas semanas das eleições legislativas de novembro. A alta dos rendimentos levou as taxas de hipotecas nos EUA ao maior nível em mais de um ano.

Bessent ‘intervencionista’

“Scott adotou, sem dúvida, um modelo muito intervencionista como secretário do Tesouro”, afirmou Krishna Guha, chefe de economia da Evercore ISI, antes do anúncio de hoje. “Ele é taticamente muito habilidoso para escolher quando e como surpreender e movimentar os mercados e teve algum sucesso no curto prazo.”

Bessent descreveu a iniciativa como um “Treasury twist” — referência às Operações Twist do Fed, que tinham como objetivo reduzir os custos de financiamento de prazo mais longo.

O que a recompra de títulos dos EUA significa para o Brasil

Os juros altos estão também do outro lado do Atlântico. Na França, mesmo cenário: 5% e patamar mais alto desde 2008. Do outro lado do Canal da Mancha, mais ainda. Os títulos de 30 anos do Reino Unido não pagavam tanto desde 1998: 5,9%.

E o que tudo isso tem a ver com quem investe em reais, aqui no Brasil? Tem tudo a ver. Com os títulos em dólar, libra e euro pagando taxas recordes, a concorrência para os daqui, em real, pesa.

O capital flui para onde o retorno é mais atraente e a moeda, mais segura. Isso obriga o Brasil a pagar mais juros para continuar competitivo — juros que já estão num patamar que não era visitado desde 2016. Uma análise do BTG Pactual mostra que 40% da força que mantém os juros longos brasileiros lá em cima vem do exterior, principalmente dos títulos americanos, concorrentes diretos dos papéis daqui.

A dinâmica que sustenta esses juros lá fora tem duas frentes: o crescimento acelerado da dívida pública e privada nos países desenvolvidos, e a corrida das big techs para financiar infraestrutura de inteligência artificial — soma que pode chegar a US$ 1,7 trilhão entre 2026 e 2027. Some a isso os sinais do Federal Reserve de que uma alta de juros ainda neste ano está sobre a mesa, e o quadro que pressiona os títulos brasileiros fica mais claro.

Irlanda endurece regras para cidadania. Veja o que muda

9 de Setembro de 2026, 13:21

O governo da Irlanda aprovou nesta quarta-feira (9) a elaboração de um projeto de lei que endurece as regras para estrangeiros que desejam obter a cidadania por naturalização. A principal mudança será o aumento de cinco para oito anos do período de residência exigido para a maioria dos candidatos.

A proposta também prevê testes de proficiência em inglês, irlandês ou língua de sinais irlandesa, além de uma avaliação sobre cidadania, sociedade e política do país.

Outro requisito será a comprovação de autossuficiência financeira por parte dos candidatos à naturalização.

Segundo o Departamento de Justiça, Assuntos Internos e Migração da Irlanda, as mudanças têm como objetivo fortalecer as regras de naturalização e aproximá-las das adotadas por outros países europeus.

O governo afirma que a cidadania por naturalização deve ser resultado de um período prolongado de residência legal, integração à sociedade, participação cívica, independência financeira e cumprimento das leis de imigração.

Irlanda endurece regras para imigrantes

A mudança ocorre em um momento de maior pressão política sobre a imigração em diversos países europeus.

Na Alemanha, o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve na semana passada seu melhor resultado em uma eleição estadual. No Reino Unido, o governo trabalhista propôs elevar de cinco para dez anos o prazo-base para que imigrantes obtenham residência permanente.

Na Irlanda, o ministro da Justiça, Jim O’Callaghan, afirmou que o país reconhece a contribuição dos imigrantes para a economia, as comunidades e os serviços públicos.

“Tenho a responsabilidade de administrar a migração de acordo com os interesses do bem-estar econômico e social do país”, disse o ministro em comunicado.

Segundo O’Callaghan, as mudanças não têm como objetivo restringir a integração ou excluir imigrantes da sociedade irlandesa.

Mais de 27 mil brasileiros

As novas regras também podem afetar a comunidade brasileira no país. O último Censo da Irlanda, realizado em 2022, contabilizou 27.338 pessoas com cidadania brasileira vivendo no país. O grupo estava entre as principais comunidades estrangeiras da Irlanda.

O levantamento mostrou ainda que os brasileiros estavam concentrados principalmente em faixas etárias mais jovens. Em Dublin, capital irlandesa, os brasileiros formavam o maior grupo entre os cidadãos estrangeiros, com 11.188 pessoas.

Vale destacar que o número de 27.338 corresponde a pessoas com cidadania brasileira, e não necessariamente a todos os residentes nascidos no Brasil. Quem nasceu no Brasil, mas posteriormente obteve a cidadania irlandesa, por exemplo, não entra nessa estatística de cidadania brasileira.

Projeto ainda precisa passar pelo Parlamento

As mudanças anunciadas nesta quarta-feira ainda não estão em vigor. O governo aprovou a elaboração prioritária do projeto, que terá de ser debatido pelo Parlamento irlandês antes de se transformar em lei.

A proposta faz parte de um conjunto de medidas do governo para reforçar o controle migratório e, segundo o Departamento de Justiça, preservar a integridade do sistema de imigração do país.

Petróleo supera US$ 101 com escalada da guerra entre EUA e Irã. Navios-tanque são atacados

9 de Setembro de 2026, 12:54

O petróleo Brent superou os US$ 101 por barril pela primeira vez desde julho, enquanto a intensificação dos ataques no Oriente Médio aumentou as preocupações com novas interrupções no fluxo de energia que sai da região, rica em petróleo.

O principal indicador global do petróleo fechou em alta de mais de 3% em Nova York, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) era negociado perto dos US$ 96.

A sessão foi marcada por explosões e alertas de emergência em diferentes pontos do Oriente Médio, enquanto o Irã afirmou estar preparado para uma guerra mais intensa e prometeu ampliar os ataques contra os Estados Unidos.

O conflito interrompeu o transporte marítimo pelo estratégico Estreito de Ormuz, embora milhões de barris por dia de petróleo continuem sendo transportados por navios-tanque que navegam sem serem detectados, ajudando a conter os preços. Ainda não está claro como a nova escalada poderá afetar esses embarques “ocultos”.

Os contratos futuros subiram mais cedo depois que os militares dos EUA disseram ter destruído cinco navios-tanque iranianos em resposta a tentativas de atingir um navio de guerra da Marinha americana com mísseis balísticos durante a noite.

A mídia iraniana afirmou que Teerã atacou dois navios de guerra dos EUA e oito navios-tanque de petróleo no Golfo Pérsico. Não houve confirmação imediata dos ataques, mas a troca de ofensivas aumentou as preocupações com uma redução da oferta de petróleo na região.

A escalada também ocorre enquanto militantes houthis apoiados pelo Irã, no Iêmen, atacam instalações de energia na Arábia Saudita. Alertas de “perigo potencial” foram emitidos no sul do país nesta quarta-feira, um dia depois de a região ser atacada. Os preços do gás natural na Europa atingiram o maior nível desde 2023, enquanto a guerra entre Irã e Israel eleva os custos de energia justamente com a aproximação da temporada de aquecimento no inverno.

A disparada dos preços da gasolina e do diesel nos EUA também representa um risco político para o Partido Republicano do presidente Donald Trump antes das eleições de meio de mandato. Trump previu nesta quarta-feira que a guerra no Irã só terminará depois da votação de novembro e que uma redução significativa nos preços dos combustíveis não virá antes disso.

Enquanto isso, as compras chinesas de petróleo bruto aumentaram neste mês. Uma pausa nas aquisições do maior importador mundial havia sido um dos principais fatores que ajudavam a limitar os preços, e a retomada das compras fez alguns dos principais indicadores do mercado atingirem os níveis mais altos em semanas.

“Embora o déficit de petróleo no mercado tenha diminuído com a estabilização de volumes maiores de fluxos ocultos, o mercado continua apertado de maneira geral”, disse Ryan McKay, estrategista sênior de commodities do TD Securities. “Uma oferta ainda mais restrita pode ocorrer diante desses novos ataques e à medida que aumentam os sinais de que a China está ficando mais ativa no mercado.”

O Brent acumula alta de cerca de 65% neste ano. Com exceção de um breve pico em julho, porém, os contratos futuros foram negociados abaixo dos US$ 100 por mais de três meses, enquanto os produtores do Golfo Pérsico conseguiram aumentar as exportações.

Fatores técnicos também ampliaram a alta do petróleo. Consultorias de negociação de commodities que seguem tendências aumentaram suas posições compradas, que passaram a representar 91% das posições em Brent e WTI, ante 45% e 36%, respectivamente, em 31 de agosto, segundo dados da Bridgeton Research Group, da Kpler. Esses operadores automatizados são conhecidos pela tendência de acentuar as oscilações dos preços.

Os derivados de petróleo, como o diesel, por outro lado, tiveram uma alta ainda mais forte, à medida que o conflito no Oriente Médio e a guerra entre Rússia e Ucrânia se combinam para restringir a oferta. As exportações russas de diesel caíram no mês passado ao menor nível em mais de uma década. Isso ameaça provocar uma nova rodada de pressão inflacionária sobre os bancos centrais de todo o mundo.

Os estoques de diesel dos EUA devem cair neste mês para o menor nível em mais de duas décadas, segundo a perspectiva de curto prazo para o setor de energia divulgada nesta quarta-feira pela Energy Information Administration (EIA). A agência também elevou em 14% sua previsão para o preço do diesel no varejo no último trimestre deste ano, para US$ 5,55 por galão.

“A perspectiva fundamental para os derivados continua positiva, com a deterioração dos estoques e das reservas globais”, disse Darrell Fletcher, diretor-gerente de commodities da Bannockburn Capital Markets.

Antes da guerra com o Irã, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo passava pelo Estreito de Ormuz com destino a clientes em diferentes países.

Apesar da continuidade do fluxo de navios-tanque com os transponders desligados, as embarcações continuam sob ameaça constante de ataques. A Kuwait Petroleum está enviando navios pelo estreito “sempre que é seguro”, afirmou um funcionário da empresa nesta quarta-feira.

A continuidade das interrupções fez os estoques seguirem em queda em diferentes partes do mundo. A empresa de análise Vortexa estima que a quantidade de petróleo transportada por navios no mar tenha diminuído em mais de 150 milhões de barris desde meados de julho.

Fed, banco central americano, avalia reduzir número de reuniões anuais

9 de Setembro de 2026, 11:02

Pelo menos um terço de todos os dirigentes do Federal Reserve (Fed) afirmou que consideraria realizar reuniões com menor frequência para definir as taxas de juros, o que dá a Kevin Warsh uma oportunidade inicial para implementar uma das maiores mudanças estruturais que propôs como novo presidente do banco central.

Ainda não se sabe se a ideia poderá ser adotada em breve. O comitê de política monetária do Fed ainda não discutiu os detalhes. Alguns dirigentes abertos à proposta também afirmaram que querem uma análise mais aprofundada das possíveis vantagens e desvantagens, além de avaliar se a mudança viria acompanhada de outros possíveis ajustes na estratégia de comunicação do Fed.

Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, Jeffrey Schmid, de Kansas City, e Anna Paulson, da Filadélfia, estão entre um grupo de seis presidentes de unidades regionais do Fed que afirmaram recentemente estar abertos a reduzir o número de reuniões regulares do comitê que define as taxas de juros.

Na reunião de julho, Warsh sugeriu realizar seis encontros por ano para discutir e definir as taxas de juros, reservando outras duas reuniões para debater um tema econômico relevante, conforme noticiado anteriormente pela Bloomberg News.

Por lei, o banco central é obrigado a se reunir quatro vezes por ano, embora o número de encontros tenha variado ao longo das décadas. Desde 1981, os dirigentes programam oito reuniões anuais.

“O presidente observou que seis reuniões programadas por ano, realizadas aproximadamente a cada dois meses, permitiriam acumular mais informações entre os encontros do que na prática atual e dariam aos formuladores de política monetária e à equipe mais tempo para considerar questões estratégicas de política monetária”, mostraram as atas da reunião de julho.

A redução do número de reuniões representaria uma mudança significativa na forma de funcionamento do banco central dos EUA e o diferenciaria de seus principais pares no exterior. O Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão se reúnem oito vezes por ano.

Não está claro se os dirigentes discutirão em detalhes a proposta de Warsh na reunião de política monetária marcada para 15 e 16 de setembro. A inflação elevada e a possibilidade de elevar os juros pela primeira vez em três anos podem dominar o próximo encontro.

Embora vários dirigentes tenham afirmado estar abertos a reduzir o número de reuniões do Fed a cada ano, alguns disseram que querem primeiro analisar as possíveis implicações da mudança.

“É ótimo reavaliar a maneira como fazemos as coisas”, disse Paulson à CNBC no mês passado. “Assim como na política monetária, também estou de mente aberta nesse aspecto. Quero entender melhor as vantagens e desvantagens de seis em comparação com oito — como tudo isso funciona.”

Implicações para as projeções

Uma mudança na frequência das reuniões provavelmente teria implicações para os materiais divulgados pelo Fed em alguns de seus encontros. Atualmente, o Fed publica as projeções econômicas e para as taxas de juros dos formuladores de política monetária quatro vezes por ano — nas reuniões de março, junho, setembro e dezembro. A adoção de seis reuniões levantaria a questão de se essas projeções continuariam a ser divulgadas e com que frequência.

A própria divulgação dessas projeções está sendo examinada por um grupo de trabalho sobre comunicação — um dos cinco grupos desse tipo, formados por especialistas externos e criados por Warsh neste ano para analisar diferentes práticas do Fed. A expectativa é que os cinco grupos apresentem recomendações ao Comitê Federal de Mercado Aberto por volta do fim deste ano.

“Acho que é saudável”, disse Austan Goolsbee, presidente do Fed de Chicago, no podcast Odd Lots, da Bloomberg, no mês passado, ao ser questionado sobre a revisão da comunicação e a possibilidade de mudanças na frequência das reuniões, das projeções econômicas e das entrevistas coletivas realizadas após os encontros. “Vamos repensar tudo isso.

Petróleo supera US$ 100 com escalada de ataques entre Estados Unidos e Irã

9 de Setembro de 2026, 08:41

O petróleo Brent ultrapassou US$ 100 por barril pela primeira vez desde julho, impulsionado pela intensificação dos ataques entre Estados Unidos e Irã e pela retomada das compras de petróleo pela China, maior importadora da commodity no mundo.

Os contratos futuros do Brent, referência para os preços internacionais do petróleo, chegaram a subir 2,3% em Londres nesta manhã, antes de reduzir parte dos ganhos.

A nova alta ocorre após uma escalada do conflito entre Washington e Teerã. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, as forças americanas destruíram cinco petroleiros iranianos em resposta a uma tentativa de atingir um navio de guerra da Marinha dos EUA com mísseis balísticos durante a noite.

O conflito também vem afetando o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de energia do mundo. Milhões de barris continuam passando diariamente pela região, mas grande parte dos navios está navegando com os sistemas de identificação desligados, aumentando a preocupação com novos ataques.

Antes do início da guerra entre EUA e Irã, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo passava pelo Estreito de Ormuz a caminho dos mercados internacionais.

China volta a comprar petróleo

Além dos riscos relacionados ao conflito, o preço do petróleo também ganhou força com a retomada das compras chinesas.

A China havia reduzido suas aquisições no início da guerra, movimento que ajudou a limitar a alta dos preços. A retomada das compras neste mês, porém, trouxe novo impulso ao mercado e fez alguns dos principais indicadores de preços atingirem os níveis mais altos em semanas.

O Brent acumula alta superior a 60% neste ano. Com exceção de uma breve alta em julho, no entanto, os contratos futuros haviam permanecido abaixo de US$ 100 por mais de três meses, período em que os produtores do Golfo Pérsico conseguiram aumentar suas exportações.

Estoques de petróleo diminuem

A continuidade das dificuldades no transporte também tem reduzido os estoques globais de petróleo. Segundo a empresa de análise Vortexa, a quantidade de petróleo transportada em navios no mar caiu em mais de 150 milhões de barris desde meados de julho.

Mesmo com navios continuando a atravessar o Estreito de Ormuz, as embarcações permanecem sob risco de novos ataques. Um funcionário da Kuwait Petroleum Corp. afirmou nesta quarta-feira que os navios da empresa estão passando pela região “sempre que é seguro”.

O cenário aumenta a preocupação com a oferta de petróleo justamente em um momento de recuperação da demanda.

Combustíveis sobem ainda mais

Os derivados de petróleo, como o diesel, tiveram uma alta ainda mais forte. Isso ocorre porque o conflito no Oriente Médio se espalhou para o Mar Vermelho, próximo à Arábia Saudita, enquanto a guerra entre Rússia e Ucrânia continua afetando o mercado de energia.

Os dois conflitos podem aumentar os custos de combustíveis e pressionar novamente a inflação em diferentes países, dificultando o trabalho dos bancos centrais no controle dos preços.

“O caminho de menor resistência é uma alta forte e constante à medida que a guerra entra em seu sétimo mês”, afirmou Darrell Fletcher, diretor-executivo de commodities da Bannockburn Capital Markets.

Segundo ele, os fundamentos dos derivados de petróleo continuam favoráveis à alta, diante da deterioração dos estoques e das reservas globais.

Ataques também atingem a Arábia Saudita

O grupo rebelde Houthi, do Iêmen, também continua atacando instalações de energia na Arábia Saudita.

Nas últimas semanas, os Houthis realizaram uma série de ataques contra a refinaria de Jazan, que tem capacidade para processar 400 mil barris de petróleo por dia. Os ataques ameaçam uma oferta de combustíveis que já está mais restrita.

“A preocupação com uma interrupção contínua e prejudicial do fornecimento, devido à escalada do conflito entre EUA e Irã, aumentou significativamente”, disse Tamas Varga, analista da corretora PVM.

Segundo ele, a inflação pode reduzir a demanda por petróleo, mas, neste momento, a oferta não consegue acompanhar a demanda.

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Eleições 2026: como a disputa eleitoral afeta bolsa, juros e câmbio?

8 de Setembro de 2026, 10:55

As eleições 2026 podem mexer com a bolsa de valores, o dólar e os juros antes mesmo de o próximo presidente assumir. Isso acontece porque investidores negociam ativos com base em expectativas sobre inflação, juros, contas públicas, regulação e desempenho das empresas nos próximos anos.

Uma eleição pode alterar essas projeções. O resultado da disputa presidencial e a composição do Congresso ajudam a definir quais políticas econômicas terão mais chance de avançar no governo seguinte.

Quando uma pesquisa ou uma votação muda a probabilidade atribuída a esses cenários, os preços dos ativos podem reagir antes de qualquer nova política sair do papel.

Por que as eleições 2026 afetam o mercado?

O preço de uma ação reflete expectativas sobre os resultados futuros da empresa. Por isso, uma eleição pode mudar essa avaliação antes mesmo da posse, caso o mercado espere alterações em impostos, gastos públicos, regulação ou outras políticas capazes de afetar custos e lucros.

Os juros também entram nessa conta. O presidente da república não define a Selic, cuja condução cabe ao Banco Central, mas o governo influencia a política fiscal — as decisões sobre arrecadação, gastos e dívida pública — e propõe orçamento e prioridades de gastos.

Mudanças nas expectativas para dívida, inflação e contas públicas podem alterar os juros exigidos pelo mercado financeiro, isto é, o retorno cobrado por investidores para financiar governo e empresas. Isso afeta o custo de financiamento e a avaliação das companhias.

Nas estatais, a ligação pode ser mais direta. A União é controladora da Petrobras e tem influência na escolha de integrantes de seu conselho de administração. Por isso, uma troca de governo pode mudar expectativas sobre gestão, investimentos, dividendos e estratégia da companhia — fatores que também entram no preço das ações.

Como uma surpresa eleitoral mexe com o mercado?

As eleições de 2022 ajudam a mostrar como uma mudança inesperada no cenário pode mexer rapidamente com os preços dos ativos.

Luiz Inácio Lula da Silva terminou o primeiro turno com 48,43% dos votos válidos, contra 43,20% de Jair Bolsonaro. A diferença de 5,23 pontos ficou abaixo da vantagem indicada pelas principais pesquisas antes da votação.

No pregão seguinte, em 3 de outubro de 2022, o Ibovespa avançou 5,54%, enquanto o dólar caiu 4,02% e os juros futuros recuaram. Dois fatores eleitorais entre as explicações para o movimento: Bolsonaro havia obtido um resultado acima do indicado pelas principais pesquisas e o Congresso eleito ganhou uma composição mais à direita. Investidores avaliavam que esse Legislativo poderia restringir mudanças mais amplas na política econômica do governo seguinte.

O movimento citado acima não foi explicado apenas pela eleição: o ambiente externo também ajudou os ativos brasileiros naquele dia.

Como as eleições podem mexer com o dólar?

Uma eleição pode mexer com o dólar porque também altera a percepção de risco dos investidores sobre o país.

Se investidores estrangeiros aumentam a procura por ativos brasileiros, pode haver maior demanda por reais, favorecendo a valorização da moeda. Já uma redução dessas posições ou a saída de recursos pode pressionar o real para baixo.

Um exemplo apareceu depois do primeiro turno de 2022. No pregão seguinte à votação, o dólar caiu cerca de 4%, para perto de R$ 5,18, enquanto investidores reagiam ao resultado mais apertado do que indicavam as pesquisas e à nova composição do Congresso.

O câmbio também era favorecido pelo cenário externo naquele dia, mas a queda do dólar frente ao real foi muito maior do que o recuo da moeda americana no exterior.

Um estudo publicado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) em novembro de 2025 ajuda a mostrar que esse mecanismo não fica restrito à oscilação diária das moedas.

Nos países de menor estabilidade política da amostra, os fluxos privados brutos — que incluem entradas e saídas de capital — ficaram, no trimestre eleitoral, 28,3% abaixo da média dos seis meses anteriores.

Ao analisar 261 eleições em 38 economias emergentes, incluindo o Brasil, entre 1990 e 2020, o estudo encontrou uma redução dos fluxos privados de capital no entorno das eleições.

O efeito foi maior quando a incerteza sobre a política econômica persistia após a votação e menor em países com maior estabilidade política e instituições mais fortes.

Eleições também podem adiar investimentos

O efeito das eleições não aparece apenas nas oscilações de bolsa e dólar. Diante da incerteza sobre as políticas do próximo governo, empresas e investidores também podem esperar mais clareza antes de comprometer dinheiro em decisões de longo prazo.

Foi justamente onde o FMI encontrou os resultados mais claros. O impacto eleitoral apareceu no investimento estrangeiro direto e em operações como empréstimos e financiamentos transfronteiriços, ou seja, crédito concedido entre agentes de países diferentes.

Nos países de menor estabilidade política da amostra, os fluxos privados brutos ficaram, no trimestre eleitoral, 28,3% abaixo da média dos seis meses anteriores. Isso indica como a combinação entre eleição e maior incerteza política pode pesar sobre decisões de investimento.

Por que os juros futuros também reagem?

Os juros futuros refletem expectativas sobre inflação, dívida pública, política fiscal, crescimento da economia e trajetória da Selic. Por isso, uma eleição pode mexer com esses contratos se alterar a percepção dos investidores sobre como o próximo governo pretende arrecadar, gastar e administrar as contas públicas.

O próprio Banco Central reconhece que a política fiscal pode afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e o prêmio exigido pelos investidores na curva de juros. A curva de juros mostra quanto o mercado exige de retorno para diferentes prazos. Essas taxas incorporam expectativas sobre a Selic, a inflação e o risco fiscal, entre outros fatores.

Quanto maior o risco percebido, maior pode ser o retorno exigido para emprestar dinheiro por prazos mais longos.

Um exemplo apareceu depois do primeiro turno de 2022, quando os juros futuros recuaram. Na época, parte do movimento forma relacionados ao resultado mais forte da direita no Congresso e à expectativa de que a nova composição do Legislativo pudesse limitar uma eventual expansão fiscal no governo seguinte.

A eleição, portanto, não determina sozinha os juros, mas pode mudar as projeções que ajudam a formar essas taxas anos antes de uma política efetivamente entrar em vigor.

Lula pede a Trump retomada das negociações sobre tarifas contra o Brasil

21 de Agosto de 2026, 15:47

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu a Donald Trump que retome as negociações sobre as tarifas americanas contra o Brasil durante um telefonema nesta sexta-feira, buscando amenizar as relações com Washington antes das eleições de outubro.

Lula rebateu as alegações americanas de práticas comerciais desleais que levaram à imposição de tarifas de 25% sobre muitos produtos brasileiros, chamando-as de “infundadas” durante uma ligação que durou mais de uma hora, informou o governo brasileiro em comunicado.

Trump propôs que autoridades de ambos os governos se reunissem o mais breve possível, segundo o Brasil. A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Esta é a primeira ligação entre os dois líderes desde que as relações se deterioraram em maio, quando os EUA classificaram dois grandes grupos criminosos brasileiros como organizações terroristas antes da imposição de tarifas, em julho.

As medidas contribuíram para mergulhar os EUA e o Brasil em uma disputa diplomática, depois que Lula acusou Washington de tentar interferir nas eleições brasileiras em favor de Flávio Bolsonaro.

No final de julho, o governo bloqueou vistos para dois funcionários do Departamento de Estado por suspeitar que eles planejassem questionar a integridade do sistema eleitoral do país. Em seguida, os EUA rebaixaram o status do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, embora ela continue autorizada a trabalhar no país, após alegarem que o governo Lula está atrasando o credenciamento de seu enviado diplomático a Brasília.

Lula e Trump entraram em atrito no ano passado depois que o líder americano impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros em uma tentativa malsucedida de ajudar o ex-presidente Jair Bolsonaro a escapar de acusações por tentativa de golpe. Trump posteriormente retirou as tarifas.

Lula também reiterou seu interesse em cooperar com os EUA no combate ao crime organizado, afirmando que o Brasil dispõe dos instrumentos necessários para enfrentar esses grupos sem uma classificação especial, segundo o comunicado.

A estratégia do bilionário Ray Dalio para se proteger do risco de uma crise da dívida dos EUA

21 de Agosto de 2026, 15:43

O bilionário Ray Dalio, considerado um dos maiores e mais bem-sucedidos investidores da história, deu a sua visão sobre o significado da intervenção do Tesouro dos Estados Unidos no mercado de títulos nesta semana.

Dalio afirmou que investidores deveriam reduzir suas posições em títulos de dívida americana e alocar até 15% de seu dinheiro em ouro. O objetivo? Se proteger contra o risco de uma crise da dívida dos Estados Unidos, que, segundo seu alerta, pode estar a apenas três anos de distância.

Manter uma exposição menor a títulos e cerca de 10% a 15% de uma carteira em ouro, além de “um pouco” de bitcoin, poderia tanto reduzir os riscos quanto aumentar os retornos, disse Dalio, que há muito tempo alerta para os perigos do crescimento da dívida pública.

Os comentários acontecem em um momento em que os rendimentos dos Treasuries de longo prazo subiram para máximas de vários anos e o Japão, maior credor estrangeiro dos EUA, vendeu títulos americanos para sustentar o iene.

Para conter a queda no mercado de títulos, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou nesta semana planos para aumentar as recompras de títulos de dívida de longo prazo — uma medida surpreendente que, até agora, proporcionou pouco mais do que um suporte de curto prazo.

Os acontecimentos mais recentes são consistentes com o modelo de ciclo da dívida que Dalio apresentou em seu livro How Countries Go Broke: The Big Cycle (em tradução livre: “Como os países quebram: o grande ciclo“), escreveu ele.

Segundo Dalio, o aumento dos custos do serviço da dívida acaba entrando em conflito com uma demanda insuficiente dos investidores, obrigando os governos a aceitar taxas de juros mais altas ou os bancos centrais a imprimir dinheiro para comprar a dívida. Isso enfraquece as moedas e alimenta a inflação ao longo do processo.

Dalio estima que a receita do governo americano será de cerca de US$ 5,5 trilhões neste ano, contra US$ 7,5 trilhões em gastos, deixando um déficit de US$ 2 trilhões. Somente os custos com juros deverão chegar a aproximadamente US$ 1 trilhão neste ano, enquanto cerca de US$ 10 trilhões em dívidas precisarão ser refinanciados.

Sem uma mudança de rumo, uma crise da dívida dos EUA poderia chegar “em três anos, para mais ou para menos dois”, afirmou Dalio.

Ele defende a redução do déficit orçamentário para 3% do Produto Interno Bruto (PIB), ante o nível atual de aproximadamente 6%, por meio de uma combinação de cortes de gastos, aumento da arrecadação tributária e redução das taxas de juros.

Dalio afirmou que pressões fiscais semelhantes estão afetando países como Reino Unido, China e Japão.

É por isso que “espero que moedas que não sejam produzidas pelos governos, como ouro e Bitcoin, tenham um desempenho relativamente bom”, escreveu ele.

Bessent sinaliza que recompra de títulos pelo Tesouro pode superar US$ 4 bilhões

20 de Agosto de 2026, 12:58

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta quinta-feira (20) que o governo pode ampliar as recompras de títulos da dívida americana para mais de US$ 4 bilhões por emissão, em uma tentativa de melhorar as condições do mercado de títulos de longo prazo.

“Pode ser mais de US$ 4 bilhões por emissão”, disse Bessent em entrevista à CNBC.

A declaração ocorre um dia depois de o Departamento do Tesouro anunciar que aumentaria em pelo menos o dobro o volume das recompras de títulos com vencimentos mais longos. O programa, que previa operações de até US$ 2 bilhões, passará a ter um limite de pelo menos US$ 4 bilhões por operação a partir de setembro.

O anúncio de quarta-feira provocou uma forte queda nos rendimentos dos Treasuries, mas o efeito perdeu força rapidamente. Nesta quinta-feira, o rendimento do título de 30 anos voltou a subir e era negociado em torno de 5,235%. O papel chegou a atingir níveis não vistos desde antes da crise financeira global de 2008.

Já o rendimento do Treasury de 10 anos avançava cerca de 5 pontos-base, para 4,704%. Um ponto-base equivale a 0,01 ponto percentual.

Bessent afirmou que o tamanho das futuras recompras dependerá das condições do mercado e evitou estabelecer um novo valor. Segundo ele, o objetivo é fazer com que os investidores se concentrem nos fundamentos econômicos, e não nas manchetes durante um período de baixa liquidez.

“Vamos ver quais são as condições e vamos analisá-las. Tudo o que estamos tentando fazer é levar as pessoas a se concentrarem nos fundamentos e não negociarem com base nas manchetes durante um período tranquilo, em um mercado com pouca liquidez”, disse.

O secretário do Tesouro também afirmou que o nível atual dos rendimentos não foi o fator determinante para a decisão de ampliar as recompras. Segundo Bessent, os rendimentos dos títulos de prazo mais longo não refletem os fundamentos da economia americana.

“Temos um grande conjunto de ferramentas, então vamos ver. Parte disso é sinalizar e mostrar que acreditamos que os rendimentos não refletem os fundamentos subjacentes”, afirmou.

Por que os juros estão subindo?

A alta dos rendimentos dos Treasuries ocorre em meio a uma combinação de fatores. Entre eles estão o aumento da dívida e dos déficits dos Estados Unidos, a concorrência com outros mercados de crédito — incluindo a forte emissão de dívida corporativa relacionada à inteligência artificial — e os juros mais elevados oferecidos por outros países, como o Japão.

Outro fator é o chamado prêmio de prazo, que representa o retorno adicional exigido pelos investidores para manter títulos do governo por períodos mais longos.

A liquidez do Treasury de 30 anos também preocupa. Bessent classificou o mercado desses títulos como “muito ruim”, o que aumenta o incentivo para que o Tesouro intervenha.

Dívida americana supera US$ 40 trilhões

A pressão sobre os juros ocorre em um momento de forte aumento da dívida pública americana. Dados divulgados pelo Tesouro na quarta-feira mostraram que a dívida nacional dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões pela primeira vez.

Bessent afirmou que o número, por si só, não é o principal problema e disse que o crescimento econômico pode ajudar o país a lidar com o elevado endividamento.

“Não há nada de mágico no número de US$ 40 trilhões, e podemos crescer para sair dessa situação”, disse.

O secretário também afirmou que se reunirá com Russell Vought, diretor do Escritório de Administração e Orçamento dos EUA, para discutir consolidação fiscal, em uma referência a medidas para melhorar as contas públicas.

“Nossa mensagem aos nossos aliados e parceiros comerciais é que o crescimento global é o caminho para lidar com essa montanha de dívida”, afirmou.

A alta dos rendimentos dos Treasuries é especialmente relevante para o governo americano porque juros maiores aumentam o custo para refinanciar a dívida e financiar novos déficits. Ao mesmo tempo, os rendimentos dos títulos de longo prazo funcionam como referência para outros custos de crédito na economia, como as taxas de financiamento imobiliário.

Bessent se torna o secretário do Tesouro dos EUA mais intervencionista em décadas

20 de Agosto de 2026, 10:18

Com uma série de movimentos inesperados neste ano, Scott Bessent emergiu como o secretário do Tesouro mais intervencionista nos mercados financeiros em décadas — colocando sua credibilidade em jogo em um esforço para conter uma alta potencialmente prejudicial nos custos de financiamento dos Estados Unidos.

A quarta-feira trouxe a mais recente surpresa. Apenas duas semanas depois de divulgar seu cronograma para recomprar títulos do Tesouro mais antigos, o Departamento do Tesouro anunciou que iria “pelo menos dobrar” as compras planejadas de títulos com vencimentos entre 10 e 30 anos.

A medida veio depois de o Tesouro, no início deste mês, abrir a possibilidade de reduzir a emissão de dívida de prazo mais longo. Em 31 de julho, Bessent supervisionou a primeira compra de ienes por autoridades americanas em três décadas, uma ação vista como uma forma de reduzir a necessidade de o Japão vender parte de seu estoque de Treasuries para financiar suas próprias compras de ienes.

E, no início deste ano, Bessent utilizou as chamadas rate checks — ligações de autoridades a bancos para pedir cotações sobre o iene — surpreendendo até mesmo um ex-funcionário japonês.

“Ele é intervencionista, sem dúvida”, disse Mark Sobel, ex-funcionário do Tesouro dos EUA e atualmente integrante do grupo de pesquisa OMFIF. “Isso remete à sua experiência em fundos de hedge.”

Quanto à motivação, “para mim, está claro que ele e o governo estão preocupados com a alta dos rendimentos dos títulos de longo prazo”, disse Sobel.

O Tesouro não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as medidas de Bessent no mercado.

Como responsáveis pela política econômica do país e por seus mercados financeiros, os secretários do Tesouro frequentemente são obrigados a intervir em momentos de crise.

Esse não é o caso agora, já que a liquidação de títulos tem ocorrido de forma ordenada e vem se desenrolando há meses. Mas a reação de Bessent depois que os rendimentos dos Treasuries de 10 anos — seu indicador financeiro de referência declarado — subiram acima do nível em que estavam antes do retorno de Trump à Casa Branca mostra que as preocupações em Washington estão aumentando.

A alta dos rendimentos, impulsionada por uma combinação de preocupações com a inflação, decisões do Federal Reserve e déficits fiscais elevados, manteve as taxas de hipotecas em níveis altos e representa um obstáculo ao crescimento econômico meses antes das eleições legislativas de novembro.

O que dizem os estrategistas

“Somada à disposição do governo de intervir em outras áreas, a mensagem do movimento de quarta-feira está ficando difícil de ignorar. Washington está cada vez mais desconfortável com o sinal vindo da ponta longa da curva. Agora os mercados sabem que esse desconforto existe, e pontos de tensão costumam voltar a ser testados.” — Brendan Fagan, estrategista do MLIV

Quando se trata da emissão de dívida, o Tesouro há muito segue o princípio de ser “regular e previsível”, evitando surpreender os investidores. É um conceito que o próprio Bessent endossou em um discurso principal em uma conferência sobre o mercado de Treasuries em novembro.

Mas, naquele mesmo discurso, ele também afirmou: “Meu trabalho é ser o principal vendedor de títulos do país. E os rendimentos dos Treasuries são um forte indicador para medir o sucesso nessa tarefa.” Ele também destacou a importância econômica de taxas mais baixas dos Treasuries.

“Isso vai contra o princípio de ‘regular e previsível’ — mas esse é o mundo em que vivemos”, disse Gregory Faranello, chefe de negociação e estratégia de juros dos EUA da AmeriVet Securities, sobre o anúncio de quarta-feira. “A mensagem é clara: parem a alta dos rendimentos.”

A antecessora de Bessent, Janet Yellen, também agiu para conter uma alta dos rendimentos em 2023. Bessent estava entre vários republicanos que criticaram a medida — implementada por meio do comunicado trimestral regular sobre emissão de dívida — sob o argumento de que tinha motivação política e buscava estimular a economia antes das eleições. Stephen Miran, ex-chefe dos economistas do presidente Donald Trump e ex-integrante do conselho do Fed, havia sido coautor, em julho de 2024, de um artigo que criticava a chamada “emissão ativista do Tesouro”, ou ATI (activist Treasury issuance).

“Temporada eleitoral”

“Quando um partido político começa a usar a ATI para estimular a economia durante a temporada eleitoral, ela pode ser usada repetidamente por todos os governos futuros”, escreveram Miran e o coautor Nouriel Roubini.

A movimentação do Tesouro ocorre poucas semanas depois de o presidente do Fed, Kevin Warsh, ter comemorado a possibilidade de os mercados financeiros ficarem livres da orientação futura (forward guidance). “Os participantes do mercado estão aprendendo a jogar a bola, e não o árbitro, e os preços de mercado continuarão a reagir na direção e na intensidade que considerarem adequadas.”

Bessent já havia compartilhado esse sentimento de Warsh. Em um artigo publicado no ano passado, escreveu que as compras de títulos pelo Fed haviam criado “distorções” nos mercados e “prejudicado uma fonte essencial de feedback”.

Como se vê, “este não é um governo que estabelece regras estáveis e depois deixa o mercado seguir seu curso”, disse Brad Setser, pesquisador sênior do Council on Foreign Relations.

No caso da recente iniciativa envolvendo o iene, Bessent recomendou que o Fed ampliasse uma de suas linhas de financiamento, em uma medida vista como destinada a conter vendas diretas de Treasuries pelo Japão.

Manobra dos velhos tempos

Bessent, de 63 anos, ficou conhecido por seu papel em operações de alto risco e grande retorno envolvendo a libra esterlina e o iene japonês durante seu trabalho para George Soros. E alguns participantes do mercado viram a ação de quarta-feira como uma extensão daquela experiência profissional.

“É como o truque de ‘comprar tudo o que está na tela’ dos velhos tempos”, disse Brad Golding, gestor de portfólio da Christofferson Robb & Co. A referência é a uma técnica de fundos de hedge que consiste em lançar simultaneamente grandes ordens contra os principais operadores do mercado para provocar uma forte movimentação nos preços.

Por serem os principais integrantes do governo responsáveis pela administração da maior economia do mundo, os secretários do Tesouro têm uma longa tradição de grandes intervenções em momentos de crise. O departamento desempenhou um papel importante durante a Covid, administrou o principal programa de socorro da crise financeira global e liderou diversos resgates de mercados emergentes na década de 1990.

Segundo alguns observadores, as movimentações de Bessent são diferentes porque não foram provocadas por uma crise ou por condições particularmente desordenadas nos mercados.

Comparação histórica

“Bessent está deixando claro para todos que sua abordagem é mais ativamente intervencionista, mesmo sem a presença do tipo de catalisador que poderia ter sido necessário nas últimas décadas”, disse Douglas Rediker, sócio-gerente da consultoria política International Capital Strategies, em Washington.

Sobel, que trabalhou no Tesouro do fim dos anos 1970 até 2015, disse que Bessent é, pelo menos, o secretário mais intervencionista desde o início dos anos 2000. Comparações históricas, como com James Baker — que ajudou a articular os Acordos do Plaza e do Louvre, na década de 1980, que tiveram forte influência sobre as taxas de câmbio na época — são difíceis devido às diferenças entre os contextos históricos, afirmou.

Muitos participantes do mercado e economistas destacaram que os fundamentos por trás dos rendimentos mais altos atualmente representam um desafio para o conjunto de ferramentas operacionais do Tesouro. Faltando dois meses para o fim do ano fiscal, o déficit acumulado em 2026 é de US$ 1,8 trilhão, 5% maior que no ano anterior. Os gastos são impulsionados pela Previdência Social, Medicare, Medicaid e pelos juros da dívida. Os gastos com defesa também devem aumentar, enquanto os republicanos estudam novos cortes de impostos.

“Embora o anúncio do Tesouro ofereça alívio no curto prazo aos mercados de títulos, os fatores estruturais” que pressionam as taxas para cima continuam presentes, escreveram estrategistas de juros do ABN Amro em uma nota divulgada na quinta-feira. “É difícil imaginar o Tesouro mantendo recompras cada vez maiores de forma sustentada, especialmente diante das necessidades de financiamento que continuam — e estão aumentando”, escreveram Larissa Fritz e seu colega Jaap Teerhuis.

Sinais para o mercado

Bessent, no entanto, já indicou acreditar no poder do governo de influenciar os mercados. No mês passado, ao falar sobre participações do governo Trump em várias empresas de tecnologia e recursos naturais, afirmou: “O que estamos tentando fazer é criar sinais para o mercado.” Em entrevista à Fox Business, disse: “Em essência, estamos tentando dizer aos investidores: ‘Ok, é aqui que a bola vai estar. Patinem rapidamente até lá’.”

Alguns investidores seguiram esse sinal na quarta-feira. Os rendimentos dos títulos de 10 anos fecharam em queda de cerca de 6 pontos-base, enquanto as taxas dos títulos de 30 anos recuaram 9 pontos-base. Na quinta-feira, os Treasuries devolviam parte desses movimentos.

“Isso só funciona por algum tempo”, disse Guy Miller, estrategista-chefe da Zurich Insurance. “Pode ser uma intervenção bastante poderosa quando o Tesouro diz que está realmente comprometido com isso. Mas, no fim das contas, a menos que você enfrente uma política fiscal excessivamente expansionista, isso não é sustentável indefinidamente.”

Quanto à operação de Bessent envolvendo o iene, a moeda japonesa devolveu neste mês parte da valorização provocada pela intervenção. A queda dos rendimentos dos Treasuries na quarta-feira também deu impulso ao iene. A redução das taxas chegou a levar o Bloomberg Dollar Spot Index ao menor nível em três meses.

“Ele está comprando briga com dois mercados gigantescos — Treasuries e câmbio”, disse Peter Boockvar, diretor de investimentos da Onepoint Bfg. “E essa é uma batalha muito difícil.”

Angola cobra compromisso do Brasil com projetos agrícolas ou pede que saia do caminho

13 de Agosto de 2026, 09:42

O ministro da Agricultura de Angola disse que pode começar a buscar novos parceiros, à medida que sua paciência se esgota com empresas brasileiras que continuam mudando as condições para investir nas terras agrícolas do país, mesmo depois de grandes áreas terem sido identificadas para desenvolvimento.

Angola não vai mais “implorar” para que empresas brasileiras invistam em seus projetos agrícolas, afirmou Isaac dos Anjos. “Não estou mais disposto a me ajoelhar e pedir: venham”, disse ele durante um fórum sobre agronegócio Angola-Brasil, em Luanda, na quarta-feira. “Se vocês não querem vir, não precisam vir.”

No ano passado, o país do sudoeste da África identificou 800 mil hectares (2 milhões de acres) de terras para que empresas brasileiras realizassem estudos e desenvolvessem projetos. Desde então, os dois lados discutem uma estrutura de financiamento envolvendo instituições dos dois países, mas ainda não assumiram compromissos firmes, segundo Dos Anjos.

Os investidores brasileiros continuam levantando obstáculos, apesar de Angola ter atendido às condições que eles haviam estabelecido para investir, afirmou Dos Anjos.

“O que está faltando agora? O setor financeiro precisa dizer se está disponível” para apoiar os projetos, disse. “Se isso não avançar, tenho que procurar outros parceiros.”

Países em busca de segurança alimentar e de novos mercados, incluindo China, Emirados Árabes Unidos e Brasil, se comprometeram a investir no setor agrícola de Angola depois que o país implementou amplas reformas.

No ano passado, Angola abriu quase 2 milhões de hectares de terras agrícolas para investidores estrangeiros, oferecendo concessões sem impostos e permitindo que os investidores exportem 60% de sua produção.

Em julho de 2025, Angola assinou US$ 350 milhões em acordos agrícolas com empresas chinesas, incluindo a Citic Construction Co., para desenvolver 100 mil hectares de soja e milho, e a estatal de construção de hidrelétricas Sinohydro, para cultivar 30 mil hectares de grãos.

Katia Abreu, ex-ministra brasileira da Agricultura, que participou do mesmo evento, pediu paciência e afirmou que os produtores rurais precisam de tempo, segurança e apoio antes de se comprometerem com uma nova “fronteira agrícola” como Angola.

Estados Unidos recolhem quase 14 toneladas de carne argentina sem inspeção

12 de Agosto de 2026, 16:19

Quase 13,6 toneladas de carne bovina argentina que não foram completamente inspecionadas antes de serem distribuídas no Texas e na Flórida estão sendo recolhidas, informou o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

O Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar (FSIS) do USDA anunciou que a empresa Corte Argentino LLC, com sede na Flórida, estava recolhendo vários cortes de carne bovina que não passaram por uma etapa de “reinspeção” quando entraram nos EUA.

Nenhuma doença ou lesão foi associada às importações, mas o USDA está preocupado com a possibilidade de alguns dos cortes já estarem em geladeiras ou freezers e orientou os consumidores a descartá-los.

A carne foi produzida em maio e tem datas de validade para congelamento em setembro. O USDA não informou como o lote passou pelo processo de reinspeção das importações.

Os cortes de carne recolhidos estavam em caixas identificadas como Frigorifico Gorina SAIC, uma das maiores empresas frigoríficas da Argentina. A Gorina não respondeu imediatamente a um pedido de comentário fora do horário comercial na terça-feira.

O recolhimento ocorre pouco depois de os EUA ampliarem de 20 mil para 100 mil toneladas a cota anual de importação de carne bovina da Argentina sem tarifas, em uma tentativa de combater a inflação — parte de um acordo comercial mais amplo que ainda não foi totalmente ratificado.

O recolhimento representa uma fração muito pequena das exportações argentinas para os EUA, que vêm aumentando desde que a política foi implementada no início deste ano, reduzindo os embarques para a China, maior cliente da Argentina. Por sua vez, a China suspendeu em algumas ocasiões as importações de frigoríficos argentinos específicos, alegando diferentes problemas.

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Brasil pode superar os EUA e se tornar o maior exportador agrícola do mundo

21 de Julho de 2026, 15:05

O Brasil está prestes a ultrapassar os Estados Unidos como maior exportador agrícola do mundo, encerrando uma liderança americana que dura há mais de um século, segundo reportagem publicada pelo Financial Times.

Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram que os americanos exportaram US$ 171 bilhões em produtos agrícolas em 2025, apenas US$ 2 bilhões acima dos US$ 169 bilhões registrados pelo Brasil. É a menor diferença já observada entre os dois países.

Há duas décadas, a vantagem americana era de dezenas de bilhões de dólares. Impulsionado pelo avanço da soja, da carne bovina, do frango e do algodão, além da forte demanda chinesa, o Brasil reduziu rapidamente essa distância e pode assumir a liderança global das exportações agrícolas já em 2026.

O avanço brasileiro ocorre em meio às consequências das guerras comerciais iniciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A partir de 2018, as tarifas impostas pelos EUA à China levaram Pequim a reduzir as compras de soja americana e ampliar significativamente as importações do Brasil.

Hoje, o Brasil já é o maior produtor mundial de soja, carne bovina e carne de frango e também superou os Estados Unidos nas exportações de algodão.

Segundo o Financial Times, a mudança alterou profundamente as cadeias globais de abastecimento e consolidou relações comerciais entre produtores brasileiros e compradores chineses. Quando Trump retornou à Casa Branca, em 2025, o Brasil já respondia pela maior parte das importações chinesas de soja.

Vantagens competitivas do Brasil

Especialistas ouvidos pelo jornal apontam que o crescimento brasileiro vai além dos efeitos da política comercial americana.

Uma das principais vantagens é a possibilidade de colher duas safras por ano em grande parte do território nacional. Em regiões como Mato Grosso, mais da metade das áreas cultivadas recebe uma segunda safra de milho ou algodão após a colheita da soja.

Além disso, o Brasil dispõe de terras relativamente baratas em áreas de expansão agrícola e conseguiu mais que dobrar sua produção de cereais, leguminosas e oleaginosas nos últimos 13 anos, alcançando 346,1 milhões de toneladas em 2025.

Dificuldades dos agricultores americanos

Enquanto o agronegócio brasileiro avança, produtores americanos relatam margens cada vez menores.

O Financial Times acompanhou a rotina de agricultores no Meio-Oeste dos EUA que enfrentam queda nos preços das commodities, incertezas comerciais e dependência crescente de programas governamentais.

A Federação Americana de Agricultura projeta prejuízos médios de US$ 138 por acre na soja, US$ 167 no milho, US$ 145 no trigo e US$ 406 no algodão.

Para muitos produtores, a perda do mercado chinês representa uma mudança estrutural.

“Já não somos o fornecedor mundial de soja; somos o fornecedor residual”, afirmou ao jornal Corey Goodhue, agricultor de Iowa. Segundo ele, compradores recorrem aos Estados Unidos apenas quando o Brasil enfrenta problemas de oferta.

Desafios permanecem

Apesar do crescimento acelerado, o agronegócio brasileiro também enfrenta obstáculos. Isso porque o país importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, o que aumenta a vulnerabilidade a choques geopolíticos e oscilações de preços.

Além disso, produtores reclamam dos gargalos logísticos. O frete pode representar até 30% do valor da soja brasileira, contra algo entre 10% e 15% nos Estados Unidos.

Ainda assim, para analistas, a trajetória favorece o Brasil. Com a demanda chinesa consolidada e a capacidade de expansão ainda significativa, o país se aproxima de assumir uma posição que durante décadas pertenceu aos Estados Unidos: a liderança global das exportações agrícolas.

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El Niño ameaça Canal do Panamá e cria novo gargalo para o comércio global

21 de Julho de 2026, 10:24

O comércio global enfrenta um novo problema, além dos gargalos que há meses afetam os fluxos no Oriente Médio, com o Canal do Panamá restringindo parte das reservas para navios devido a desafios no abastecimento de água.

A Autoridade do Canal do Panamá suspenderá temporariamente parte do sistema de reservas para embarcações que pretendem utilizar a hidrovia que liga os oceanos Pacífico e Atlântico, segundo a agência marítima Norton Lilly. Entre os motivos está a possibilidade de ocorrência do fenômeno climático El Niño, que pode reduzir o fluxo de água essencial para a operação do canal, afirmou a empresa.

A restrição de acesso ao Canal do Panamá ocorre em um momento em que outros pontos críticos do comércio global enfrentam interrupções, desacelerando o comércio e elevando custos. No Oriente Médio, a guerra entre Irã e EUA levou o tráfego pelo Estreito de Ormuz a praticamente parar após ataques a embarcações. Em outra frente, o grupo militante Houthis, apoiado pelo Irã no Iêmen, ameaçou a navegação pelo estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho.

A Autoridade do Canal do Panamá não respondeu imediatamente a ligações e emails enviados fora do horário de expediente em busca de comentários.

Os leilões diários do chamado período três para as eclusas destinadas a navios da classe Panamax serão suspensos de 25 de julho até novo aviso, em razão dos níveis atuais e projetados de água no Lago Gatún, informou a Norton Lilly em comunicado publicado em seu site. Com isso, a capacidade diária de reservas será reduzida de 36 para 34 embarcações.

Segundo a empresa, citando a Autoridade do Canal do Panamá, a suspensão foi adotada com base nas atuais condições hidrológicas e na possibilidade de desenvolvimento de um padrão climático de El Niño. Episódios anteriores do fenômeno reduziram os níveis dos lagos de água doce que abastecem o canal, levando a autoridade a impor restrições ao número diário de travessias.

A suspensão no Canal do Panamá significará menos oportunidades para conseguir vagas, maior concorrência pelas reservas nos períodos um e dois e, potencialmente, “maiores desafios” para navios sem reservas confirmadas, afirmou a Norton Lilly.

O Lago Gatún, localizado acima da hidrovia e responsável por abastecer as eclusas abaixo, registra atualmente profundidade de 84,6 pés (25,8 metros), ligeiramente abaixo da média de 84,7 pés para o mês de julho nos últimos cinco anos, segundo a Autoridade do Canal do Panamá. A previsão é que o nível da água continue caindo nos próximos meses, chegando a 83,8 pés no fim de setembro, 1,4 pé abaixo da média de cinco anos.

Durante o último El Niño, entre 2023 e 2024, o tráfego mensal de embarcações pelo canal caiu de um pico pré-El Niño de 1.523 navios, em dezembro de 2022, para 1.054 em fevereiro de 2024, segundo dados fornecidos pela Weathernews Inc.

Nos últimos meses, meteorologistas alertaram que o El Niño deste ano pode ser particularmente severo, aumentando a possibilidade de interrupções significativas. No início deste mês, o Centro de Previsão Climática dos EUA afirmou que o fenômeno continuava se intensificando e provavelmente será um dos mais fortes em mais de 75 anos.

Os episódios de El Niño costumam provocar condições mais secas que o normal na América Central. O Panamá já registrou chuvas muito abaixo da média nas últimas sete semanas, segundo o Centro de Previsão Climática dos EUA.

A expectativa é que essa estiagem persista. As projeções sazonais mais recentes do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo indicam que há pelo menos 70% de probabilidade de a região do Canal do Panamá registrar índices de chuva entre o terço mais baixo da série histórica entre agosto e novembro.

Em junho, a Autoridade do Canal do Panamá afirmou que intensificava os preparativos para enfrentar os efeitos extremos do El Niño por meio da elaboração de um plano que evitasse impor o tipo de restrições a embarcações que prejudicou o transporte marítimo há três anos.

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Qual a idade mínima para concorrer às eleições 2026? Veja regras por cargo

21 de Julho de 2026, 08:57

Um dos requisitos que entra em jogo na definição dos candidatos a cargos políticos é a idade mínima para concorrer às eleições. Partidos e federações precisam observar essa regra na temporada de convenções que vão definir coligações e escolher os nomes que disputarão as eleições 2026. Esse período acontece entre esta segunda-feira (20) e 5 de agosto, e só depois dele é que se segue o registro oficial das candidaturas, com prazo até as 19h de 15 de agosto. 

A exigência de idade mínima para concorrer às eleições não é novidade na legislação brasileira. Ela está presente desde a primeira Constituição do país (1824), e se manteve em todos os textos seguintes. A lógica por trás da regra costuma ser descrita como uma escada de maturidade: quanto maior a responsabilidade do cargo, maior a idade mínima exigida para ocupá-lo.

A Constituição de 1988 fixa essa escada da seguinte forma para os cargos em disputa neste ano: presidente, vice-presidente e senador precisam ter 35 anos; governador e vice-governador, 30; deputado federal, deputado estadual ou distrital, 21. 

Além da idade, é preciso estar em dia com a Justiça Eleitoral: ter título de eleitor, não ter os direitos políticos suspensos por decisão judicial e estar registrado como eleitor na região onde vai concorrer. Também é exigida filiação a um partido. Presidente e vice-presidente da República precisam ser brasileiros natos; para os demais cargos, brasileiro naturalizado também pode se candidatar. 

Quando a idade mínima é verificada

As normas constitucionais nunca disseram em que momento essa idade precisava estar completa, e essa lacuna coube à legislação eleitoral e à jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) preencher. Hoje, a regra varia conforme o grupo de cargos.

  • Para presidente e vice-presidente, a idade é verificada na posse, que a partir de 2027, por força da Emenda Constitucional 111/2021, passa a ocorrer em 5 de janeiro. 
  • Para governador e vice-governador, o mesmo critério vale para a posse de 6 de janeiro. 
  • Já para deputado federal, deputado estadual ou distrital e senador, a referência mudou em outubro de 2025.

Idade mínima para deputado e senador: o que mudou

Sancionada em 2 de outubro de 2025, a Lei nº 15.230 alterou a Lei das Eleições (nº 9.504/97) para tratar deputados e senadores de forma diferente do Executivo quanto à aferição da idade mínima para concorrer às eleições. Enquanto presidente e governador têm data de posse fixa, deputados e senadores não têm: a posse depende de quando a Mesa Diretora de cada Casa é eleita, o que varia a cada legislatura. 

Para resolver essa imprevisibilidade, a lei adota a posse presumida, uma data de referência fixada em até 90 dias a partir da eleição da Mesa Diretora, independentemente do que o regimento interno de cada Casa preveja e sem possibilidade de redução ou prorrogação desse prazo. 

A idade mínima em si não muda, continua sendo 21 anos para deputados e 35 para senadores. Muda o marco temporal em que essa idade passa a ser cobrada. Na prática, a lei apenas alinhou o texto legal ao que o TSE já vinha aplicando, reduzindo o espaço para interpretações divergentes entre tribunais eleitorais regionais. 

Os dados do TSE mostram que, em 2022, duas candidatas a deputada estadual foram barradas pela Justiça Eleitoral justamente por não atenderem a esse critério: uma tinha 18 anos e outra 19. Houve ainda três candidaturas de mulheres com 20 anos: duas foram indeferidas porque não completariam 21 anos dentro do prazo. Só uma foi considerada apta.  

Existe idade máxima?

No outro extremo, a legislação eleitoral brasileira não fixa limite superior de idade para nenhum cargo eletivo. O critério é sempre um piso mínimo, nunca um teto.

No último pleito geral, em 2022, o Brasil registrou 29.262 candidaturas aos diversos cargos em disputa, um recorde na história da Justiça Eleitoral. Entre elas, 78 candidatos tinham entre 80 e 84 anos, 10 entre 85 e 89 anos, e 2 entre 90 e 94 anos.

Vai votar em outra cidade? Começa hoje prazo para solicitar voto em trânsito

20 de Julho de 2026, 12:04

Começa hoje o prazo para solicitar o voto em trânsito nas eleições de 2026. O procedimento permite votar em uma cidade diferente daquela onde está o domicílio eleitoral, desde que o eleitor esteja em dia com as obrigações eleitorais. Para isso, a Justiça Eleitoral faz uma transferência temporária da seção do eleitor para o município onde ele estará no dia da votação. 

O procedimento só existe em anos de eleição geral, como 2026, quando estão em disputa os cargos de presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual. O voto em trânsito funciona apenas nas capitais e nos municípios com mais de 100 mil eleitores, em locais de votação convencionais ou criados especificamente para essa finalidade. No site Autoatendimento Eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é possível consultar onde há vaga para o voto em trânsito neste ano.

A habilitação pode ser feita até 20 de agosto, prazo válido para o primeiro turno, em 4 de outubro, o segundo, previsto para 25 do mesmo mês, ou os dois. O pedido também pode ser feito pelo Autoatendimento da Justiça Eleitoral ou presencialmente em qualquer cartório eleitoral, mediante apresentação de um documento oficial com foto. 

Só o próprio eleitor pode solicitar a transferência temporária; ninguém pode fazer o pedido em nome de outra pessoa. É exigido que o título esteja em situação regular no cadastro eleitoral, já que documentos cancelados ou suspensos impedem a votação.

Voto em trânsito: o que saber

Quando ocorreApenas em eleições gerais, como a de 2026, nas capitais e cidades com mais de 100 mil eleitores
Prazo para solicitar20 de julho a 20 de agosto de 2026
Documento exigidoDocumento oficial de identificação com foto
Onde solicitarNo site Autoatendimento da Justiça Eleitoral, clicar em “Fazer transferência temporária de local de votação”; ou pessoalmente no cartório eleitoral
Quem pode solicitarO próprio eleitor, com título regular
Para quais cargos vale (transferência para cidade no mesmo estado)Presidente, governador, senador, deputado federal e estadual
Para quais cargos vale (transferência para cidade em outro estado)Apenas presidente
Quem mora em outro país e tem registro na Zona Eleitoral do ExteriorVota só para presidente, se estiver em trânsito no Brasil
Voto em trânsito no exterior para quem está fora do país no dia do pleitoNão existe
Retorno do título para a seção de origemAutomático, após a eleição

Regras, prazos e cancelamento

A regra dos cargos permitidos na votação depende de a transferência ocorrer dentro do mesmo estado ou para um estado diferente. Se o eleitor pedir para votar em outro município dentro do próprio estado, mantém o direito de escolha para presidente, governador, senadores (duas vagas por estado) e deputados federal e estadual. Se a transferência for para um estado diferente, o voto vale apenas para presidente da República. 

Essa mesma restrição — voto apenas para presidente — vale também para eleitores com título registrado na Zona Eleitoral do Exterior que estejam em trânsito no Brasil no dia da eleição. Já o eleitor com título no Brasil que estiver em outro país no dia do pleito não pode votar em trânsito, porque o procedimento não existe fora do território nacional. 

É possível indicar cidades diferentes para cada turno da eleição. Feita a votação, ou não, o título retorna automaticamente à seção de origem, sem necessidade de nova solicitação.   

Alterações ou cancelamentos do pedido seguem o mesmo prazo, até 20 de agosto; depois disso, não é mais possível modificá-lo. Isso importa porque, ao pedir a transferência, o eleitor perde automaticamente o direito de votar na própria seção de origem — a menos que cancele o pedido dentro do prazo. Faltar ao local escolhido para o voto em trânsito, portanto, exige justificativa, mesmo para quem estiver na cidade de origem no dia do pleito. 

Armínio Fraga, ex-presidente do BC, entra em força-tarefa do Fed

10 de Julho de 2026, 14:06

O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, anunciou a liderança de cinco forças-tarefa que vão examinar a abordagem do banco central para aspectos-chave da formulação da política monetária, incluindo um grupo que será copresidido pelo ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga e revisará a estratégia de comunicação da instituição.

Os líderes das forças-tarefa incluem acadêmicos renomados, ex-dirigentes de bancos centrais e executivos convidados a avaliar a estratégia de comunicação do Fed, seu balanço patrimonial de US$ 6,7 trilhões, o uso e a dependência de fontes de dados existentes, além das estruturas de produtividade, mercado de trabalho e inflação. Warsh, que assumiu o comando da autoridade monetária em maio, chegou ao cargo defendendo uma “mudança de regime” no banco central e uma reformulação da forma como conduz a política monetária.

“Cada força-tarefa vai avaliar cuidadosamente se os meios e métodos usados pelos dirigentes, suas ferramentas analíticas e suas abordagens podem ser aprimorados”, afirmou Warsh em comunicado divulgado nesta quinta-feira. “O objetivo é simples: garantir que o Fed esteja na melhor posição para cumprir sua missão neste momento tão importante.”

Warsh recrutou vários ex-formuladores de políticas para os grupos de trabalho, incluindo o ex-presidente do Banco da Inglaterra Mervyn King, que liderou o banco central do Reino Unido durante a crise financeira de 2008-09, e o ex-presidente do Banco Central do Brasil Armínio Fraga, que se destaca por sua defesa da independência do banco central do país em relação à interferência política. Raghuram Rajan, ex-presidente do Reserve Bank of India que ganhou notoriedade por alertar antecipadamente para a crise financeira global, também vai copresidir um dos grupos.

Outros integrantes incluem Karen Dynan, professora da Universidade Harvard que ocupou cargos de liderança no Departamento do Tesouro durante o governo de Barack Obama, e Doug McMillon, ex-presidente-executivo do Walmart.

Os grupos devem apresentar suas conclusões até o fim do ano e contarão com o apoio da equipe técnica do Fed, conforme Warsh havia anunciado em junho, quando revelou a criação das forças-tarefa.

Na quinta-feira, Warsh chamou os líderes da força-tarefa de “as melhores mentes de diversas áreas”. São eles:

Comunicação

  • Peter R. Fisher, professor da Foster School of Business da Universidade de Washington
  • Armínio Fraga, fundador e presidente do conselho da Gávea Investimentos; ex-presidente do Banco Central do Brasil
  • Mervyn King, ex-presidente do Banco da Inglaterra

Política para balanço patrimonial

  • Karen Dynan, professora de economia da Universidade de Harvard
  • Raghuram Rajan, professor de finanças da Booth School of Business da Universidade de Chicago; ex-presidente do Reserve Bank of India
  • Jeremy Stein, professor de economia da Universidade Harvard; ex-diretor do Federal Reserve

Dados

  • Raj Chetty, professor de economia da Universidade de Harvard
  • Doug McMillon, ex-presidente e CEO do Walmart
  • Kevin Murphy, professor de economia da Universidade de Chicago

Produtividade e Mercado de trabalho

  • Marc Andreessen, cofundador e sócio-geral da Andreessen Horowitz
  • Charles I. Jones, professor de economia da Universidade de Stanford, atualmente licenciado para atuar na Anthropic
  • Asha Sharma, vice-presidente executiva e CEO da divisão Xbox da Microsoft Corp.

Estruturas para inflação

  • Greg Mankiw, professor de economia da Universidade Harvard; ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca
  • Thomas Sargent, professor de economia da Universidade de Nova York; laureado com o Prêmio Nobel
  • William White, pesquisador sênior do CD Howe Institute; ex-consultor econômico do Banco de Compensações Internacionais

Presidente da República: o que faz e qual o salário

10 de Julho de 2026, 10:56

Em outubro, o Brasil terá eleição para presidente da República, cargo mais importante da política nacional, mas também um dos mais cercados de dúvidas. Afinal, quais são suas funções? E quanto ganha quem ocupa o cargo mais alto do Executivo?

No sistema presidencialista brasileiro, uma única pessoa concentra os papéis de chefe de Estado e de Governo. Diferentemente de países parlamentaristas, como Alemanha ou Itália, em que o presidente exerce funções diplomáticas e representativas enquanto o primeiro-ministro governa de fato, aqui o chefe do Executivo exerce as duas funções: representa o Brasil perante o mundo, conduz relações internacionais e é o comandante supremo das Forças Armadas, ao mesmo tempo em que lidera a administração pública federal e define políticas econômicas e sociais.

O que faz o presidente da República

Durante o mandato, o presidente cumpre responsabilidades definidas pela Constituição. Ele nomeia ministros de Estado e indica membros para o Supremo Tribunal Federal (STF) e tribunais superiores, além do Procurador-Geral da República e do presidente e diretores do Banco Central. Essas indicações que dependem da aprovação do Senado.

Nem sempre elas passam. Em abril, o Senado rejeitou o nome de Jorge Messias, escolhido de Lula para o STF — a primeira vez em mais de 130 anos que isso ocorre. Com a rejeição, a vaga aberta pela aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso segue em aberto, e o STF opera com dez ministros em vez de 11.

Cabe também ao presidente enviar ao Congresso o Orçamento da União, definindo como os recursos públicos serão aplicados, e propor leis, que precisam tramitar na Câmara e no Senado antes de entrar em vigor. 

No final de junho, por exemplo, o governo enviou ao Congresso um projeto de lei (PL) para atualizar o teto de faturamento do MEI (Microempreendedor Individual, categoria de registro para pequenos negócios informais), propondo elevar o limite atual de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. O PL segue agora está em tramitação na Câmara. 

Em casos de urgência, o Executivo pode ainda editar medidas provisórias, que têm força de lei imediata. Elas também precisam ser aprovadas pelas casas legislativas federais em até 120 dias.

Nessa relação com o Congresso,o presidente tem ainda o poder de vetar projetos aprovados pelo Legislativo. O veto, no entanto, não é a palavra final. Foi o que aconteceu com o PL da Dosimetria (PL 2.162/2023), do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), que prevê redução de penas e mais flexibilidade na progressão de regime para condenados nos atos de 8 de janeiro de 2023. O presidente Lula vetou o projeto, mas o Congresso derrubou sua decisão em 30 de abril.

Normalmente, quando o Congresso derruba um veto, o texto segue novamente para promulgação do Executivo. Se isso não acontecer em 48 horas, a responsabilidade passa para o presidente do Senado. No caso da Dosimetria, porém, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu a lei até que o STF julgue o mérito das ações que questionam sua constitucionalidade.

Quanto ganha o presidente da República

O atual salário mensal do chefe político da nação é de R$ 46.366,19, valor também pago ao vice-presidente e aos ministros de Estado, em vigor desde fevereiro de 2025. O montante é fixado por decreto legislativo do Congresso Nacional e funciona como teto máximo do funcionalismo público federal: nenhum servidor pode receber acima dele.

Em comparação internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe cerca de US$ 33,3 mil por mês, equivalente a R$ 172 mil (cotação de 6 de julho).

Eleição e mandato

Para ocupar o cargo, exercer as funções listadas e receber esse salário, o presidente precisa vencer o escrutínio popular, com maioria dos votos válidos. Desde a Constituição de 1988, existe a possibilidade de segundo turno: se nenhum candidato alcançar 50% mais um dos votos válidos no primeiro turno, os dois mais votados disputam uma nova rodada.

O mandato dura quatro anos, com direito a uma reeleição, regra instituída por emenda constitucional em 1997. Desde então, três presidentes foram reeleitos consecutivamente: Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Linha sucessória

Quando o presidente se ausenta do país, em viagem internacional, a Constituição prevê uma ordem de substituição para garantir a continuidade no comando: vice-presidente da República, presidente da Câmara dos Deputados, presidente do Senado Federal e presidente do Supremo Tribunal Federal.

A mesma ordem vale quando o cargo fica definitivamente vago, seja por morte, renúncia ou impeachment. Foi essa linha sucessória que colocou Itamar Franco na Presidência após o impeachment de Fernando Collor, em 1992, e Michel Temer no lugar de Dilma Rousseff, em 2016. A diferença é que, nesses casos, quem assume permanece até o fim do mandato original, e não apenas durante uma ausência temporária.

Estatal PDVSA perde espaço na nova era do petróleo na Venezuela

9 de Julho de 2026, 14:44

O governo interino da Venezuela publicou nesta quinta-feira (9) uma regulamentação há muito aguardada para o setor de petróleo que, na prática, põe fim a décadas de controle da estatal Petróleos de Venezuela SA, a PDVSA, sobre a indústria mais importante do país.

Com 29 páginas no Diário Oficial, as normas estabelecem regras para a atuação do setor privado em toda a cadeia, do poço à bomba de combustível, e definem condições fiscais, com uma série de impostos que refletem o perfil de risco dos ativos — de campos maduros a operações offshore.

As novas regras do petróleo, as primeiras normas abrangentes do país sul-americano desde 1943, não mencionam a PDVSA, que já foi vista como uma estatal petrolífera próspera, mas se deteriorou após anos de má gestão e corrupção.

Embora a PDVSA já tivesse cedido o controle gerencial da produção de petróleo à Chevron Corp. e a outras empresas privadas a partir de 2022, a nova regulamentação amplia significativamente a abertura do setor, incluindo refino, comercialização e distribuição de combustíveis.

As regras, publicadas na quarta-feira e divulgadas na quinta, estão ligadas a uma reforma inédita da lei do petróleo da Venezuela, aprovada em janeiro, no início de uma administração interina apoiada pelos Estados Unidos e liderada pela presidente em exercício Delcy Rodríguez, responsável por conduzir grandes reformas econômicas.

A abertura da indústria busca atrair investimentos urgentemente necessários à medida que os EUA retiram sanções, um objetivo que se tornou ainda mais urgente após os terremotos catastróficos do mês passado.

Em uma cerimônia de assinatura transmitida pela TV estatal na quarta-feira, Rodríguez chamou a nova regulamentação de “passo histórico” voltado a “usar as reservas para o desenvolvimento do país”.

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Calor extremo leva rede elétrica do Reino Unido ao limite

9 de Julho de 2026, 14:24

Em um dia sufocante no fim de junho, a rede elétrica do Reino Unido foi submetida a uma pressão excepcional. Com a alta das temperaturas, a geração eólica despencou e os preços da eletricidade dispararam, obrigando o operador do sistema elétrico britânico a adotar medidas emergenciais para manter o fornecimento de energia.

O sistema, no fim, resistiu. Mas uma nova análise mostra que a frequência da rede permaneceu abaixo de seu nível normal de operação por quase 26 minutos — o período mais longo já registrado, segundo a empresa de dados de energia Montel. Isso deixou o sistema com uma margem menor de segurança caso outro problema tivesse ocorrido.

As conclusões surgem em um momento em que a rede britânica enfrenta escrutínio político. Claire Coutinho, secretária de Energia do gabinete sombra, acusou o National Energy System Operator, o Neso, de omitir informações e colocar o país sob risco de apagões, citando denunciantes que a procuraram sobre medidas tomadas em 23 de junho. Coutinho não apresentou provas para as acusações, e o Neso nega irregularidades, mas a disputa voltou a chamar atenção para a resiliência da rede elétrica do Reino Unido.

O episódio evidencia um desafio mais amplo para a Europa. À medida que as ondas de calor ficam mais intensas, longas e frequentes, a demanda por eletricidade se torna menos previsível justamente quando os sistemas elétricos dependem cada vez mais de fontes renováveis sujeitas ao clima. Isso deixa os operadores de rede com pouca flexibilidade quando as condições não ajudam.

Nas últimas semanas, o Neso emitiu três alertas pedindo oferta adicional de eletricidade para manter uma reserva operacional suficiente. Esse tipo de medida costuma ser associado ao inverno, quando a demanda por aquecimento atinge o pico. Mas, com o calor extremo elevando o consumo de energia em toda a Europa, o verão começa a se tornar uma estação cada vez mais arriscada para o sistema elétrico da região.

“Quando eu era trader, a gente sempre dizia que o verão era chato”, afirmou Noemie Baud, analista da Montel e ex-trader sênior de energia intradiária da Convex Energy. “Isso não é mais verdade. Os verões estão tão interessantes quanto os invernos, se não mais.”

Medidas emergenciais

As condições climáticas estavam particularmente difíceis em 23 de junho. O Reino Unido, assim como boa parte da Europa Ocidental, enfrentava uma onda de calor escaldante. Escolas foram obrigadas a fechar, e as autoridades emitiram alerta vermelho para grande parte do país, advertindo que o calor poderia afetar energia e transportes — e até se tornar mortal.

Por volta do meio-dia, o Reino Unido gerava mais de 13 gigawatts de energia solar, com essa fonte renovável respondendo por mais de um terço da eletricidade na rede de transmissão britânica, segundo dados do sistema. Mas, ao anoitecer, essa geração perdeu força. Com pouco vento, o Reino Unido precisou acionar termelétricas a gás no maior nível desde março para preencher a lacuna.

Os sinais de problema logo apareceram. Por volta das 18h, a frequência do sistema começou a cair de forma acentuada. Essa métrica, que precisa ficar próxima de 50 hertz para manter o sistema elétrico estável, deve permanecer legalmente entre 49,5 e 50,5 hertz. Na prática, porém, ela raramente sai de uma faixa muito mais estreita, entre 49,8 e 50,2 hertz, segundo o Neso.

Por volta das 20h, a frequência caiu para 49,656 hertz.

No dia seguinte, traders de energia analisaram o que havia acontecido em um fórum semanal do setor. Representantes do Neso apontaram para uma combinação de condições desfavoráveis: a demanda por eletricidade estava excepcionalmente alta, restrições de transmissão obrigaram a rede a cortar parte da geração eólica, e a produção dos parques eólicos ficou abaixo do previsto, apertando ainda mais a oferta.

Naquele momento, o operador britânico adotou medidas emergenciais. Ele interrompeu as exportações pelo cabo BritNed, que liga a Grã-Bretanha à Holanda, segundo respostas do Neso a perguntas feitas por traders. O Neso também pediu ajuda ao operador da rede francesa. Embora não tenha detalhado a medida tomada, dados da rede mostram que as exportações foram interrompidas por volta do mesmo horário.

Essas medidas estabilizaram o sistema. E, no fim, o Reino Unido ainda tinha outras alternativas à disposição, se necessário: durante a onda de calor, o país ainda conseguia exportar eletricidade para Dinamarca e Bélgica, fluxos que poderia ter cortado caso as condições tivessem se deteriorado ainda mais.

Ainda assim, a rede parecia “mais arriscada que o normal”, disse Baud, da Montel. “Eles não estavam em uma situação confortável”, afirmou. “Não posso dizer o quão perto estavam de um apagão.”

Nos dias seguintes a 23 de junho, o Neso enfatizou que nenhum consumidor ficou sem energia e que o sistema elétrico “permaneceu seguro”. Mas o episódio foi sério o suficiente para levar o operador da rede a iniciar uma revisão detalhada, com o objetivo de se preparar para o próximo momento inevitável de estresse.

“Vamos continuar nossa análise dos dados operacionais e implementar quaisquer lições aprendidas”, afirmou um porta-voz do Neso em comunicado enviado por email.

Vitória apertada na Colômbia deixa De la Espriella dependente dos EUA

9 de Julho de 2026, 09:56

Abelardo de la Espriella vai precisar mais uma vez da ajuda de Donald Trump. O presidente eleito da Colômbia, que recebeu o apoio do presidente dos EUA, Donald Trump, conquistou uma vitória apertada na eleição do mês passado, coroando uma sequência de triunfos que colocou aliados dos EUA no controle de toda a região andina. Trump prometeu “todo o apoio e a força dos Estados Unidos”.

O financiamento e o apoio militar dos EUA podem ajudar De la Espriella a enfrentar um conjunto de desafios, entre eles uma rede elétrica fragilizada, uma situação fiscal catastrófica e uma onda de ataques terroristas promovidos por quadrilhas ligadas ao tráfico de cocaína. O advogado de 47 anos, que ocupa um cargo público pela primeira vez, tem poucos assentos no Congresso e recebeu um mandato estreito dos eleitores, o que torna o respaldo de Trump essencial.

“O apoio do governo dos EUA é absolutamente fundamental”, afirmou Mario Gómez, sócio-diretor da Prospectiva Public Affairs Lat.Am na Colômbia. “Só isso já aumenta a confiança e envia o sinal correto às empresas para que voltem a confiar.”

A S&P Global Ratings rebaixou, em abril, a nota de crédito da Colômbia ao nível mais baixo de sua história, depois que o governo do presidente Gustavo Petro suspendeu no ano passado a regra fiscal que limitava a capacidade do país de ampliar o endividamento.

Por enquanto, os investidores em títulos dão a De la Espriella o benefício da dúvida. A alta desencadeada por sua vitória fez os custos de financiamento da Colômbia despencarem, dando algum fôlego ao novo governo. Mas esse otimismo desaparecerá caso ele não apresente um plano crível para conter o crescimento da dívida, segundo Camilo Pérez, economista-chefe do Banco de Bogotá.

“Os investidores estão, neste momento, fascinados com a mudança de governo”, afirmou Pérez. “Mas, se em seis meses, um ano ou até antes, o plano de ajuste fiscal não convencê-los, essa confiança não vai durar.”

Colorful houses in bogota mountains
Colorful houses in bogota mountains, This is in Colombia. Bolivar city or ciudad Bolivar neighborhood in Bogota

Sem aumento de impostos ou cortes de gastos, o déficit aumentará para 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, segundo Pérez.

De la Espriella, que possui cidadania americana, prometeu reduzir drasticamente impostos e gastos públicos, além de abrir a indústria petrolífera para novas atividades de exploração. A assistência dos EUA ajudará o novo governo a obter empréstimos de credores multilaterais, segundo Gómez, da Prospectiva.

Miguel Gómez, indicado por De la Espriella como seu ministro das finanças, afirmou que o orçamento do próximo ano deve crescer menos do que a taxa de inflação.

Crise de segurança

As tensões entre De la Espriella e o governo que deixa o poder se intensificaram depois que Petro afirmou não reconhecer como legítima a vitória eleitoral do presidente eleito, aumentando o risco de desobediência civil sob a nova administração. Na terça-feira, o governo de transição suspendeu todas as reuniões programadas para a transferência de governo com integrantes da equipe de Petro.

O novo governo tomará posse em 7 de agosto em meio a uma grave crise de segurança, com milícias armadas avançando pelo interior do país, impulsionadas pela produção recorde de cocaína. Também nesse campo, De la Espriella espera contar com o apoio de Trump, que compartilha seu objetivo de colocar as forças de segurança novamente na ofensiva e matar ou capturar chefes de cartéis.

O governo Petro mantém atualmente negociações formais com sete grupos ilegais. Até agora, elas não conseguiram promover a desmobilização de um número significativo de combatentes e provocaram atritos com o governo Trump, que acusou Petro de “apaziguar e fortalecer narcoterroristas”.

Recentemente, o presidente eleito deu aos grupos um ultimato de um mês para se renderem.

A Colômbia esteve entre os maiores destinatários de ajuda dos EUA neste século, mas esse apoio caiu acentuadamente nos últimos anos. Restabelecer a estreita aliança que existia com Washington será necessário para preparar as Forças Armadas para novas ofensivas. O número combinado de militares e policiais colombianos caiu 13% nos últimos quatro anos, para 400 mil, segundo a Fundação Ideas para la Paz, sediada em Bogotá. Além disso, equipamentos como helicópteros precisam de manutenção.

O presidente colombiano, Gustavo Petro, participa da Cúpula da Ambição Climática na sede das Nações Unidas em 20 de setembro de 2023 na cidade de Nova York.
O presidente colombiano, Gustavo Petro, participa da Cúpula da Ambição Climática na sede das Nações Unidas em 20 de setembro de 2023 na cidade de Nova York. Foto: Kena Betancur/Getty Images

O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, e o presidente do Equador, Daniel Noboa, receberam volumes significativos de assistência em segurança do governo Trump, e Flávio provavelmente receberá ainda mais, segundo Adam Isacson, pesquisador de política EUA-Colômbia no Washington Office on Latin America.

“Pense no que Noboa vem recebendo, mas em uma escala muito maior e com mais pessoal dos EUA próximo das operações”, afirmou Isacson.

Segundo ele, o governo Trump terá grande interesse em ajudar na erradicação forçada de plantações usadas para produzir drogas ilícitas e em fornecer apoio de inteligência para localizar chefes do narcotráfico.

Risco de apagões

Financiar uma expansão militar será difícil mesmo com a ajuda de Washington. A situação fiscal é ainda mais crítica do que indicam os números oficiais, já que o novo governo também herdará as enormes dívidas acumuladas por Petro com distribuidoras de energia elétrica e com o sistema de saúde.

A previsão é que o fenômeno El Niño provoque temperaturas mais altas e clima mais seco na Colômbia neste ano, pressionando um sistema que normalmente obtém dois terços da eletricidade de usinas hidrelétricas. Isso aumenta a dependência de usinas termelétricas a gás, que enfrentam dificuldades porque têm a receber centenas de milhões de dólares de uma distribuidora de energia assumida pelo governo Petro. Sem uma injeção de capital, será difícil financiar o aumento das importações de gás natural liquefeito (GNL).

Ao mesmo tempo, operadoras de saúde que também têm valores a receber do governo acumularam quase US$ 10 bilhões em dívidas com hospitais e fornecedores de medicamentos, colocando o sistema sob risco de colapso.

Ter Trump como um aliado forte ajudará o novo presidente a atravessar esse cenário desafiador, segundo Juan Ignacio Carranza, analista de risco político da Aurora Macro Strategies.

“De la Espriella tem os instrumentos da presidência e Trump ao seu lado”, afirmou Carranza.

Eleições 2026: a três meses do primeiro turno, veja o calendário

3 de Julho de 2026, 10:52

A partir deste sábado (4), começa a contagem regressiva para as eleições 2026. Serão apenas três meses para o primeiro turno das eleições 2026, marcado para 4 de outubro. Nesse dia, os brasileiros vão às urnas para escolher representantes para seis cargos:

  • deputado federal; 
  • deputado estadual (ou distrital, no caso do Distrito Federal); 
  • senador (duas vagas) 
  • governador e vice-governador; e 
  • presidente e vice-presidente da República. 

Já a regra do segundo turno vale apenas para os cargos do poder executivo em disputa neste ano: governos estaduais e Presidência da República. Se nenhum candidato alcançar mais da metade dos votos válidos, os eleitores participam de um novo pleito, em 25 de outubro, desta vez, para decidir entre os dois nomes mais votados na primeira rodada.

Nas últimas eleições para esses cargos, em 2022, houve segundo turno para a Presidência e para governadores de 12 estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe. 

De acordo com dados consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mais de 158 milhões de eleitores estão aptos a votar em outubro — um número recorde, cerca de 2 milhões a mais do que o registrado nas eleições municipais de 2024, quando o país escolheu prefeitos e vereadores. 

Vale lembrar que o prazo para tirar o documento, fazer transferência de cidade ou local de votação ou ainda regularizar o documento encerrou em 6 de maio. Quem não cumpriu essas exigências até a data não poderá votar no próximo pleito. 

Como votar longe de casa

Mas, quem está com o título regularizado e vai estar fora da própria cidade no dia da eleição, não precisa necessariamente deixar de votar. A Justiça Eleitoral libera, todo ano de eleição geral, uma modalidade que permite ao eleitor escolher antecipadamente um município diferente do seu domicílio eleitoral para depositar o voto, sem precisar de transferência definitiva de título.

A janela para pedir a habilitação do voto em trânsito abre em 20 de julho e fecha em 20 de agosto, e cobre tanto o primeiro quanto o eventual segundo turno. O eleitor pode inclusive escolher cidades diferentes para cada etapa. O pedido é simples: basta acessar o Autoatendimento Eleitoral do TSE ou procurar um cartório eleitoral, com um documento oficial com foto em mãos.

Há, porém, um detalhe que costuma pegar eleitores de surpresa. O voto em trânsito só está disponível nas capitais e em municípios com mais de 100 mil eleitores. E o alcance do voto muda conforme a distância percorrida. Quem estiver em outro estado só consegue votar para presidente da República; já quem permanece dentro do próprio estado, mesmo fora do município de origem, pode votar para todos os cargos em disputa.

Outro detalhe também merece atenção. A regra não vale para urnas no exterior — não há voto em trânsito fora do Brasil. O caminho inverso, porém, é permitido e eleitores com título cadastrado no exterior que estiverem em trânsito em território brasileiro podem votar, mas apenas para presidente da República. 

Calendário vai além do dia da votação

O calendário da Justiça Eleitoral não se resume aos dois domingos de outubro. A partir deste sábado (4), uma série de novas regras passa a valer, a maioria delas voltada a conter o uso da máquina pública em favor de candidaturas.

Entre as restrições que entram em vigor está a proibição de nomear, contratar, admitir ou dispensar servidores públicos sem justa causa. A determinação vale até a posse dos eleitos: 5 de janeiro de 2027 para presidente e vice-presidente, e 6 de janeiro para governadores e vice-governadores.

No mesmo dia, começa o período em que nomes, slogans ou imagens de autoridades precisam sair de sites e canais oficiais de comunicação do governo. A publicidade institucional de atos, programas, obras ou serviços públicos também fica proibida — só pode continuar em caso de necessidade pública urgente, e mesmo assim depende de autorização da Justiça Eleitoral. 

Pré-candidatos, por sua vez, não podem mais participar de inaugurações de obras públicas, nem fazer pronunciamentos em cadeia de rádio e TV fora do horário eleitoral gratuito, que começa em 28 de agosto. A exceção é somente para situações excepcionais, como um pronunciamento presidencial em caso de emergência nacional, também sujeito ao aval da Justiça Eleitoral.

Quando sai a convocação de mesários

A agenda do TSE prevê ainda a divulgação daqueles que vão atuar como mesários ou dar apoio logístico durante a votação.

Os juízes eleitorais têm entre a próxima terça-feira (7) e o dia 5 de agosto para publicar os editais com os nomes das pessoas convocadas para as funções.

A partir dessa divulgação, partidos, federações e coligações têm cinco dias para contestar alguma nomeação, e quem foi convocado também pode pedir dispensa dentro desse mesmo prazo.

Em concessão histórica, EUA permitem que Irã venda petróleo em dólar

22 de Junho de 2026, 19:16

O governo dos Estados Unidos suspendeu temporariamente as sanções que impediam o Irã de vender petróleo em dólar, em um movimento que reverte uma das peças centrais da estratégia americana de pressão sobre o regime iraniano nas últimas décadas.

Isso significa que, pela primeira vez em quase 40 anos, refinarias americanas terão a opção legal de comprar petróleo bruto do Irã. A decisão veio acompanhada do anúncio, pelo vice-presidente JD Vance, de que o Irã teria concordado em receber de volta os inspetores nucleares da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O Departamento do Tesouro americano emitiu nesta segunda-feira (22) um waiver com validade de 60 dias, autorizando a venda de petróleo iraniano em dólar enquanto avançam as negociações para reabrir o Estreito de Ormuz, lidar com o programa nuclear iraniano e discutir alívios adicionais de sanções.

A liberação se aplica a transações em dólar, incluindo para compradores americanos. Por anos, o Irã foi obrigado a usar uma rede oculta de petroleiros sob sanções para vender seu petróleo, majoritariamente para refinarias chinesas. 

Agora, bancos iranianos podem receber pagamentos diretamente do exterior, o que permite ao regime repatriar suas receitas de petróleo com mais facilidade. A medida vai além do waiver temporário emitido pelo Tesouro em março, que permitiu ao Irã vender o petróleo já embarcado mas mantinha as restrições sobre transações em dólar.

O alívio histórico

A liberação representa “uma ruptura fundamental com a arquitetura de sanções ao Irã construída pelo Congresso ao longo das últimas duas décadas”, segundo Miad Maleki, ex-funcionário sênior do Tesouro americano que hoje trabalha na Foundation for Defense of Democracies. 

O waiver também isenta entidades iranianas, incluindo o Banco Central do país, das sanções voltadas a atividades de terrorismo, não apenas das relacionadas ao programa nuclear.

As relações entre Estados Unidos e Irã estão tensionadas desde a crise dos reféns de 1979, quando 52 cidadãos americanos foram mantidos reféns na embaixada dos EUA em Teerã. Em 1995, o presidente Bill Clinton determinou o embargo total ao petróleo iraniano. 

Os volumes que tinham chegado a 850 mil barris por dia em 1977 caíram a zero poucos meses depois da ascensão do aiatolá Ruhollah Khomeini ao poder. Chevron e Marathon Petroleum estavam entre as últimas refinarias americanas a importarem petróleo iraniano, em 1991.

Operadores europeus já procuraram comprar petróleo iraniano após o anúncio, segundo Hamid Hosseini, porta-voz da União de Exportadores de Petróleo de Teerã. Mas, segundo Hosseini, nenhuma empresa americana entrou em contato até agora.

Normalização

A trégua interina alcançada na semana passada inclui a reabertura do Estreito de Ormuz, ponto crítico por onde flui até 20% do petróleo mundial. 

O tráfego marítimo na região aparentou acelerar ao longo do fim de semana, contrariando o anúncio iraniano de que teria fechado o estreito novamente. Mesmo assim, o número de navios passando diariamente ainda é fração do nível pré-guerra.

Em maio, o governo americano impôs um bloqueio aos portos iranianos, asfixiando a economia do regime, dependente das exportações. Com o acordo, o bloqueio foi retirado, e a venda de petróleo foi autorizada.

Milei autoriza nova dívida de até US$ 5 bilhões para reforçar o caixa da Argentina

22 de Junho de 2026, 13:29

O governo da Argentina autorizou a contratação de até US$ 5 bilhões em novas dívidas denominadas em dólares, enquanto busca garantir financiamento com respaldo de instituições multilaterais antes dos próximos vencimentos de sua dívida.

O decreto, assinado pelo presidente Javier Milei e membros do gabinete, estabelece a estrutura legal para futuras operações de financiamento, com contratos regidos pela legislação de Nova York e sujeitos à jurisdição dos tribunais dos Estados Unidos.

A medida define o tamanho máximo da operação de dívida que a Argentina pretende obter com o apoio de organismos multilaterais, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Segundo o texto, o objetivo é “reduzir os custos de financiamento do Tesouro Nacional” por meio de empréstimos em dólares concedidos por instituições financeiras internacionalmente reconhecidas e respaldados por garantias parciais de organismos multilaterais.

Garantir financiamento é crucial para a Argentina, que enfrenta pagamentos significativos de dívida nos próximos anos. O compromisso mais imediato é um desembolso de quase US$ 4,5 bilhões já no próximo mês. A partir de 2027, o serviço da dívida externa do país deverá superar US$ 20 bilhões por ano.

“A prioridade é minimizar os custos de financiamento”, afirmou Daniel Chodos, sócio da Dhalmore Capital. Segundo ele, ao estruturar empréstimos por meio de bancos internacionais com garantias parciais de instituições multilaterais, o governo consegue captar recursos a taxas significativamente menores do que as disponíveis no mercado.

O governo Milei tem evitado emitir títulos nos mercados internacionais, considerando que os custos ainda são elevados e não refletem a melhora dos indicadores macroeconômicos da Argentina.

A obtenção de fontes alternativas e mais baratas de financiamento tem sido uma das prioridades do ministro da Economia, Luis Caputo. Até agora, o governo tem recorrido a alternativas como títulos locais denominados em dólares, compras de moeda estrangeira pelo banco central e a futura operação de financiamento respaldada por organismos multilaterais.

Como a falta de pressa dos produtores brasileiros tem pressionado o mercado global de café

22 de Junho de 2026, 10:12

Os comerciantes de café apostam que a safra recorde do Brasil aliviará a escassez global de oferta, mas os cafeicultores do maior produtor mundial não têm pressa em vender os grãos, o que pressiona o abastecimento nos países consumidores.

A expectativa é de que o Brasil colha um recorde de 75,3 milhões de sacas de café na safra atual, mas os estoques nos armazéns das bolsas americanas e europeias ainda estão no nível mais baixo desde março de 2024. Essa dinâmica tem alimentado a volatilidade no mercado futuro, à medida que as empresas conciliam as expectativas de uma safra recorde, estoques mundiais ainda baixos, e vendas do grão mais lentas do que o esperado.

Os cafeicultores geralmente negociam parte da safra futura para ajudar a cobrir os custos de produção e também para se protegerem de oscilações negativas de preços. Mas eles não precisam vender muito antecipadamente este ano, já que lucraram com as recentes altas do mercado.

Os contratos futuros de arábica vinham subindo constantemente desde meados de 2023 e atingiram, duas vezes, picos históricos acima de US$ 4 por libra no ano passado. Os preços já caíram cerca de 40% em relação a esses patamares, o que é um desincentivo para vender.

“O vento está soprando a favor dos agricultores”, disse Simão Pedro de Lima, diretor-presidente executivo da Expocacer, uma cooperativa do Cerrado Mineiro.  Neste momento, eles “não se sentem pressionados” a começar a comercializar a produção.

Pouco mais de 20% dos grãos de arábica que se espera colher na safra atual tinham sido negociados até 11 de junho, enquanto as vendas de conilon, o robusta brasileiro, estavam em 14%, de acordo com uma pesquisa mensal da Safras & Mercado. Em condições normais, os produtores vendem entre 30% e 40% da nova safra de arábica no início da temporada, disse Lima, referindo-se à variedade que o Brasil mais exporta.

Já as vendas dos novos grãos de conilon no estado do Espírito Santo também estavam abaixo do esperado, em 10%, um terço dos níveis da safra passada e um quarto da média histórica, afirmou Edimilson Calegari, gerente corporativo de comercialização da cooperativa Cooabriel, que compra café de cerca de 10.000 produtores e vende sua produção principalmente no mercado interno.

O conilon é da espécie Coffea canephora, a mesma do robusta, variedade que é principalmente produzida no Vietnam.  

Nos últimos dias, o mercado também começou a reagir às preocupações com os estoques reduzidos nas bolsas e com o fenômeno climático El Niño, que teve início no começo deste ano. O contrato de arábica mais negociado atingiu a maior cotação em cerca de três semanas na última quinta-feira, antes de zerar os ganhos.

Um El Niño forte pode reduzir ou diminuir as chuvas durante o período de floração do café, que para o conilon ocorre tipicamente entre julho e setembro. Pior ainda, também pode afetar as chuvas durante o enchimento dos grãos em novembro, dezembro e janeiro, o que ocorreu entre 2023 e 2024 e causou perdas significativas, disse Calegari.

O padrão climático, além das recentes chuvas intensas no cinturão de arábica do Brasil, têm dado suporte aos preços, afirmou Carlos Mera, chefe de pesquisa de mercado de commodities agrícolas do Rabobank. As janelas de entrega de julho e setembro “provavelmente trarão muita volatilidade” para o mercado futuro, acrescentou.

A relutância dos produtores em fechar negócios, mesmo com a colheita em andamento, “atrasou os fluxos de grandes volumes que o mercado esperava já estar observando a esta altura”, disse Leonardo Rossetti, analista do StoneX Group. E não é só o Brasil, acrescenta.

Agricultores do Vietnã, o maior produtor mundial de robusta, e da Indonésia também têm adiado as vendas em meio à queda dos preços do café. Mas isso representa riscos, já que a chegada da safra recorde brasileira em julho e agosto provavelmente pressionará os preços para baixo, afirmou.

“O café existe… mas talvez demore um pouco mais para navegar”, disse Marcelo Moreira, analista da Archer Consulting, sobre as safras do Brasil e de outros países produtores importantes. “Não há motivo para pânico.”

EUA e Irã mantêm negociações na Suíça mesmo após declarações de Trump ameaçarem acordo

21 de Junho de 2026, 16:21

Os Estados Unidos e o Irã deram início neste domingo (21) as negociações na Suíça para tentar fechar um acordo de paz sobre o programa nuclear iraniano e garantir a reabertura permanente do Estreito de Ormuz. As conversações chegaram a ficar ameaçadas após o presidente americano Donald Trump ter voltado a ameaçar com novos ataques, caso o Hezbollah não cesse suas ofensivas contra Israel no Líbano.

O início das tratativas foi marcado por confusão: a mídia iraniana chegou a noticiar que Teerã havia suspendido as negociações após a mais recente ameaça de Trump. Porém outras fontes a par do assunto garantiram que as conversas continuam.

As primeiras reuniões de alto nível reuniram representantes dos EUA, Irã, Catar e Paquistão no resort suíço de Bürgenstock. Entre os presentes estavam o vice-presidente americano JD Vance e o chanceler iraniano Abbas Araghchi.

Já com as reuniões em curso, Trump publicou em suas redes sociais que atacaria o Irã novamente caso o país não “cessasse imediatamente suas PROXIES bem pagas no Líbano de causar problemas”, em menção ao Hezbollah. Depois, em entrevista à Fox News, o presidente afirmou ter dito diretamente às lideranças iranianas que, se fecharem Ormuz, “vocês nem vão conseguir voltar” ao Irã.

Negociação longa pela frente

Vance foi cuidadoso ao calibrar as expectativas. “O que hoje representa é o início de uma negociação técnica que não vai resolver todos os desacordos”, disse o vice-presidente a jornalistas, ao lado dos mediadores do Catar e do Paquistão. Os negociadores globais de Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff, já vinham conduzindo conversas técnicas preparatórias.

Segundo fonte familiarizada com as discussões, que pediu anonimato por se tratar de informações sensíveis, uma resolução para o conflito no Líbano será determinante para o sucesso das negociações — o que, na prática, faz o desfecho depender também do aval de Israel, país que não participou dos entendimentos que levaram ao acordo interino.

Entre os temas prioritários estão o Estreito de Ormuz, as sanções americanas e a devolução de ativos iranianos congelados no exterior. As conversações em formato quadripartite tiveram início às 14h45 (horário local) e se estenderam pela noite de domingo.

Ormuz no centro das tensões

No sábado, Teerã acusou Israel de violar o cessar-fogo no Líbano e anunciou que fecharia novamente o Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo e gás negociado no mundo. Apesar do anúncio, os dados de rastreamento de navios mostraram que milhões de barris continuaram a fluir normalmente pelo canal.

O Comando Central dos EUA informou que o tráfego de embarcações comerciais aumentou no sábado, com 55 navios mercantes em trânsito transportando mais de 17 milhões de barris de petróleo. O secretário de Energia, Chris Wright, afirmou que os EUA seguem escoltando navios e “demonstrando que conseguem cruzar o estreito com ou sem” o consentimento iraniano.

Pelo memorando de entendimento assinado por Trump na quarta-feira, as partes têm 60 dias para negociar — com possibilidade de prorrogação. O acordo já levou Washington a suspender o bloqueio naval aos portos iranianos e a prometer flexibilização das sanções sobre o petróleo do país. Em contrapartida, o Irã se comprometeu a reabrir Ormuz, embora tenha avisado que passará a exigir autorização prévia e seguro obrigatório para o trânsito de navios — condição rejeitada pelos EUA, Europa e países árabes do Golfo.

Israel complica o cenário

Israel, parceiro dos EUA na guerra contra o Irã iniciada em 28 de fevereiro, trava simultaneamente uma campanha contra o Hezbollah no Líbano — conflito que já matou milhares de pessoas e deslocou mais de 1 milhão de libaneses. Teerã insiste em vincular essa frente às negociações mais amplas com Washington.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, foi taxativo: “Não há e não haverá nenhuma restrição aos soldados das FDI no Líbano para agir contra ameaças”, afirmou, reiterando que Israel não retirará suas tropas da chamada Linha Amarela.

Trump já demonstrou frustração com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu por ataques anteriores que, na sua avaliação, arriscam comprometer as negociações com o Irã. Vance tentou equilibrar o discurso: “Israel tem o direito de se defender. Mas, fundamentalmente, os israelenses, assim como todos os demais, precisam respeitar este processo de paz, que é bom para eles e para toda a região.”

Ao final do dia, Vance se mostrou otimista: “As partes já fizeram grande progresso nas últimas horas. Espero que avanços adicionais sejam feitos nas próximas.”

Irã suspende negociações com os EUA após Trump ameaçar novos ataques

21 de Junho de 2026, 13:59

O Irã interrompeu as negociações com os Estados Unidos depois que o presidente Donald Trump ameaçou realizar novos ataques ao país em razão das ações do Hezbollah no Líbano. A informação foi divulgada pela agência de notícias semioficial iraniana Fars.

Segundo a Fars, as conversas realizadas na Suíça estão em situação de incerteza, de acordo com fonte anônima. Outra agência semioficial iraniana, a Tasnim, informou que a delegação iraniana deixou o local das negociações, em território suíço.

No início deste domingo, enquanto as reuniões ainda estavam em andamento, Trump publicou nas redes sociais que voltaria a atacar o Irã caso o país não “interrompesse imediatamente seus PROXIES no Líbano de causar problemas”.

O presidente americano também ameaçou que os EUA poderiam passar a cobrar pedágios pelo estreito de Ormuz caso não haja acordo. Em entrevista à Fox News neste domingo, Trump afirmou ter dito diretamente às lideranças iranianas que, se fecharem Ormuz, “vocês nem vão conseguir voltar” ao Irã — usando um palavrão.

As primeiras reuniões de alto nível entre representantes dos EUA, Irã, Catar e Paquistão haviam começado neste domingo na estância suíça de Bürgenstock, com a presença do vice-presidente americano JD Vance e do ministro das Relações Exteriores iraniano Abbas Araghchi.

Segundo um oficial familiarizado com as discussões, que pediu anonimato por tratar de informações sensíveis, uma resolução para o conflito no Líbano será decisiva para o êxito das negociações entre EUA e Irã na Suíça.

A guerra no país vizinho se tornou o principal obstáculo das conversações, ao lado de outros temas como o Estreito de Ormuz, as sanções americanas e os ativos iranianos congelados.

As conversas quadripartites haviam começado às 14h45 no horário local e deveriam continuar ao longo da noite de domingo. Os suíços mantêm o local disponível até a manhã de segunda-feira, permitindo que as negociações se estendam até então, se necessário.

Israel, aliado de Washington na guerra contra o Irã iniciada em 28 de fevereiro, conduz uma campanha paralela contra o Hezbollah no Líbano.

O Irã tem insistido consistentemente em vincular o conflito libanês — que já matou milhares de pessoas e deslocou mais de 1 milhão de libaneses — às negociações mais amplas com os americanos.

Israel afirma que manterá tropas em suas fronteiras até ter certeza de que o Hezbollah, classificado como organização terrorista pelos EUA, não representa mais uma ameaça.

As forças de defesa de Israel informaram que suas operações recentes têm como alvo uma rede de bunkers subterrâneos onde combatentes do Hezbollah estariam se abrigando.

EUA e Irã se reúnem na Suíça e iniciam negociações de paz

21 de Junho de 2026, 09:36

Os Estados Unidos e o Irã deram início a negociações para um acordo de paz permanente. O objetivo é resolver o impasse em torno do programa nuclear da República Islâmica e garantir a reabertura definitiva do Estreito de Ormuz.

O Catar, que atua como mediador nas conversas, confirmou em uma publicação no X (antigo Twitter) neste domingo (21) que a primeira reunião de alto escalão entre representantes americanos, iranianos, catarianos e paquistaneses já começou no complexo de Bürgenstock, na Suíça.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, desembarcou em solo suíço nas primeiras horas de domingo. Embora o suado acordo preliminar assinado na semana passada tenha sinalizado o fim das hostilidades, o encontro atual deve ser apenas o ponto de partida para um longo e complexo embate diplomático, que terá a capacidade nuclear do Irã como um dos temas centrais.

Segundo a mídia estatal iraniana, esta rodada de discussões terá a duração de um dia. A agência de notícias Mehr, citando um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, informou que a comitiva de Teerã se reunirá primeiro com autoridades do Catar e do Paquistão. O encontro direto entre os delegados americanos e iranianos, com a presença dos mediadores, está previsto para o período da tarde.

As tensões são elevadas. Os combates recentes entre Israel — que não faz parte do acordo provisório — e o Hezbollah (grupo militante libanês financiado pelo Irã) ameaçam descarrilar os esforços diplomáticos.

Um correspondente da emissora estatal iraniana IRIB News, em transmissão ao vivo direto da Suíça, afirmou que um dos tópicos centrais das discussões será o primeiro artigo do acordo preliminar, que prevê o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano.

No sábado, Teerã acusou Israel de violar o cessar-fogo no Líbano e anunciou que o Estreito de Ormuz — rota marítima vital para o abastecimento global de petróleo — seria fechado novamente. Ainda não está claro, no entanto, se o Irã de fato chegou a bloquear a via.

Pelos termos do memorando de entendimento assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na última quarta-feira, Washington e Teerã têm um prazo de 60 dias para negociar, embora o pacto preveja a possibilidade de prorrogação.

“Só poderei ficar por um ou dois dias”, disse Vance aos jornalistas antes de deixar Washington. “Espero que consigamos avançar na questão nuclear e no cessar-fogo no Líbano.”

A delegação iraniana conta com figuras de peso, incluindo o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e o presidente do Banco Central, Abdolnaser Hemmati, segundo a IRIB News.

Vance explicou que a meta imediata é estabelecer “a estrutura real da negociação”, dando continuidade às discussões técnicas lideradas na Suíça por Jared Kushner e Steve Witkoff, os dois negociadores globais de Trump.

O fator Ormuz e o mercado de petróleo

Embora as ameaças do Irã sobre o Estreito de Ormuz tenham pairado como uma sombra sobre a cúpula, o impacto real no tráfego de navios ainda é incerto. Mesmo antes do cessar-fogo recente, milhões de barris de petróleo continuavam circulando diariamente pela região de forma discreta.

Dados de rastreamento de navios compilados pela Bloomberg indicam que três superpetroleiros ligados à Índia, totalmente carregados, reapareceram no Golfo de Omã neste domingo, após sinalizarem na sexta-feira a intenção de cruzar o estreito.

As embarcações transportam juntas quase 6 milhões de barris de petróleo do Iraque e do Kuwait. O deslocamento em direção à ilha de Qeshm sugere que os navios podem ter utilizado uma rota autorizada por Teerã.

O Comando Central dos EUA informou que o tráfego de navios comerciais no estreito aumentou no sábado, com a passagem de 55 embarcações mercantes e mais de 17 milhões de barris de petróleo.

O front paralelo no Líbano

Israel, aliado de Washington na guerra contra o Irã iniciada em 28 de fevereiro, mantém um conflito paralelo contra o Hezbollah no vizinho Líbano. O governo iraniano tem tentado vincular a guerra no território libanês — que já deixou milhares de mortos e mais de 1 milhão de desalojados — às negociações mais amplas com os EUA.

Teerã atribui aos EUA “responsabilidade direta” pela situação no Líbano e pelas ações militares israelenses, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, à agência de notícias IRNA.

Por outro lado, Israel insiste que manterá suas tropas na fronteira até ter garantias de que o Hezbollah (classificado como organização terrorista pelos EUA) não represente mais uma ameaça. As Forças de Defesa de Israel (FDI) afirmaram que suas operações recentes miram uma rede de bunkers subterrâneos usada como abrigo pelos combatentes do grupo.

O presidente Donald Trump já manifestou frustração com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por conta de ataques anteriores, sugerindo que tais ações colocavam em risco as conversas entre EUA e Irã.

“Israel tem o direito de se defender”, disse Vance na quinta-feira. “Mas, fundamentalmente, os israelenses, assim como todos os outros, precisam respeitar este processo de paz, que é essencialmente benéfico para eles e para toda a região.”

O memorando de entendimento entre EUA e Irã levou Washington a suspender o bloqueio naval aos portos iranianos e a prometer a isenção de sanções que barravam a venda do petróleo bruto do país. Em contrapartida, o Irã prometeu reabrir Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás do mundo.

Teerã, contudo, alertou que exigirá autorização prévia e seguros obrigatórios para que os navios façam a travessia. Os EUA, a Europa e as monarquias do Golfo rechaçaram a imposição de taxas por parte do Irã.

Na sexta-feira, Trump afirmou que ambos os lados têm tempo para costurar um acordo definitivo, mas não deixou de enviar um aviso velado a Teerã: “Caso contrário, faremos coisas que não vão deixá-los felizes. Mas não acho que chegaremos a esse ponto. Acho que o resultado será muito positivo”.

Cuba aprova mudanças pró-mercado após pressão de Trump

18 de Junho de 2026, 15:02

A liderança de Cuba aprovou uma ampla lista de 176 medidas de liberalização econômica que abrangem 23 áreas centrais, enquanto o país caribenho tenta resgatar uma economia estagnada que sofre com as sanções dos EUA.

O comitê central do Partido Comunista aprovou as medidas no fim da quarta-feira (17), segundo o jornal estatal Granma. A Assembleia Nacional foi convocada para uma sessão extraordinária nesta quinta-feira para ratificá-las.

O presidente Miguel Díaz-Canel havia sinalizado as reformas pela primeira vez na semana passada. Elas atingem praticamente todos os setores da economia, incluindo energia, agricultura e comércio exterior. Ainda não está claro, porém, se serão suficientes para satisfazer o presidente dos EUA, Donald Trump, que impôs à ilha um bloqueio de fato ao abastecimento de combustíveis e vem ampliando agressivamente as sanções na tentativa de pôr fim a quase sete décadas de governo de partido único.

Entre as medidas destacadas pelo governo cubano estão:

  • Estabelecer “regras jurídicas uniformes” para empresas estatais e privadas, bem como para investidores estrangeiros e nacionais;
  • Permitir a participação do setor privado em mais áreas da economia;
  • Eliminar a maior parte dos controles de preços, que o governo reconheceu terem fracassado no combate à inflação e provocado distorções econômicas;
  • Iniciar um processo de renegociação para trocar dívida pública por ativos domésticos;
  • Criar um “marco estável” para promover investimentos, transferência de tecnologia e doações de cubanos que vivem no exterior;
  • Autorizar investimento estrangeiro direto no setor privado, com regras claras sobre propriedade, resolução de disputas e distribuição de lucros;
  • Garantir aos agricultores acesso a moeda estrangeira e o direito de importar suas próprias matérias-primas sem intermediários estatais;
  • Conceder maior autonomia a empresas estatais e municípios;
  • Fundir instituições estatais e governamentais para eliminar funções duplicadas;
  • Eliminar impostos e tarifas sobre tecnologias de energia solar e permitir que empresas estrangeiras forneçam diretamente ao mercado painéis, baterias e inversores;
  • Reduzir o déficit fiscal por meio do aumento de impostos e do corte de gastos considerados desnecessários.

Além da abertura econômica, Trump e o secretário de Estado Marco Rubio exigem reformas políticas e uma mudança na liderança do país. O cerco cada vez mais rígido imposto pelos EUA agravou os apagões e comprometeu os sistemas de saúde pública e transporte. A Organização das Nações Unidas teme uma crise humanitária em formação, apontando, entre outros indicadores, o aumento da mortalidade infantil.

Ao falar após a reunião do comitê central na quarta-feira, Díaz-Canel atribuiu as dificuldades de Cuba ao embargo econômico dos EUA e ao amplo conjunto de sanções que afastou empresas estrangeiras.

“A realidade nos impõe mudanças urgentes e necessárias”, disse. “E quando a vida do povo se torna tão difícil, o primeiro dever do Partido Comunista e do governo revolucionário não é explicar melhor a crise, mas mudar o que precisa ser mudado para sair dela.”

O presidente cubano também afirmou que as reformas econômicas contam com o aval de Raúl Castro, o líder revolucionário de 95 anos que ainda exerce influência simbólica sobre o país. Em maio, o Departamento de Justiça dos EUA tornou pública uma acusação contra Castro por homicídio relacionada à derrubada, em 1996, de duas aeronaves civis.

Suíça perde liderança e deixa de ser a economia mais competitiva do mundo

18 de Junho de 2026, 09:34

A Suíça perdeu sua posição como a economia mais competitiva do mundo para Singapura, caindo para o terceiro lugar no ranking, à medida que as elevadas tarifas comerciais dos Estados Unidos e a valorização do franco suíço prejudicaram os fluxos de investimento.

Embora tenha permanecido como o país europeu mais bem colocado, a Suíça também foi ultrapassada por Hong Kong no Ranking Mundial de Competitividade 2026 do IMD, divulgado nesta quinta-feira (18). A eficiência empresarial foi o principal fator para que Singapura retornasse ao primeiro lugar, posição que havia ocupado pela última vez em 2024.

O IMD afirmou que a queda da Suíça mostra como até mesmo as economias mais fortes do mundo permanecem vulneráveis às mudanças nos fluxos de capital e ao aumento das incertezas geopolíticas. O revés ocorre em um momento em que o país enfrenta concorrência crescente: segundo o Boston Consulting Group, Hong Kong recentemente ultrapassou a Suíça como o maior centro mundial de gestão de fortunas transfronteiriças.

“Com uma moeda cara, vemos claramente uma deterioração nos rankings de preços, o que prejudica a atração de capital”, afirmou Arturo Bris, diretor do Centro Mundial de Competitividade do IMD. “E observamos a maior queda justamente na atração de investimento estrangeiro; o desempenho da Suíça foi significativamente inferior.”

Os fluxos de investimento direto estrangeiro para a Suíça passaram para um saldo negativo de US$ 60,7 bilhões, colocando o país na última posição entre as 70 economias avaliadas pelo IMD nesse indicador. Segundo a instituição, o movimento pode refletir ajustes de avaliação de ativos e repatriação de capital, e não necessariamente uma mudança estrutural permanente.

Parte desses fluxos é volátil e reflete investimentos em instituições financeiras e empresas holdings, explicou Ivo Germann, diretor de Assuntos Econômicos Externos da Secretaria de Estado para Assuntos Econômicos da Suíça.

“A Suíça enfrenta desafios, como muitos outros países, em um ambiente geopolítico cada vez mais instável, que precisará enfrentar nos próximos anos”, disse Germann. “Diante das tendências protecionistas e do enfraquecimento do sistema multilateral de comércio, o país deve continuar melhorando e diversificando seu acesso aos mercados estrangeiros por meio da agenda de acordos de livre comércio, que foi muito bem-sucedida no passado.”

Nos últimos 12 meses, a reputação da Suíça como refúgio de estabilidade política e econômica teve de conviver com debates internos importantes, incluindo referendos sobre limitar a população do país a 10 milhões de habitantes e a proposta de um imposto de 50% sobre heranças para residentes super-ricos.

A pequena nação, sede de instituições financeiras como UBS Group AG e da gigante alimentícia Nestlé SA, também entrou na mira do governo do presidente americano Donald Trump devido ao seu elevado superávit comercial com os Estados Unidos. O país chegou a receber a maior tarifa entre as economias ocidentais durante certo período, o que prejudicou o sentimento em relação ao setor privado suíço, segundo Bris.

“As tarifas certamente afetam mais os países pequenos e relativamente isolados, e a Suíça é uma vítima disso”, afirmou.

O relatório também destacou desafios no mercado de trabalho e no ambiente empresarial suíço. A remuneração de profissionais altamente qualificados, a participação feminina em cargos de gestão e a atividade empreendedora em estágio inicial foram apontadas entre os indicadores de pior desempenho do país.

Apesar da queda no ranking geral, a Suíça manteve a liderança mundial em eficiência governamental e infraestrutura, enquanto a eficiência empresarial permaneceu na sexta posição.

O IMD ressaltou que seus indicadores estatísticos são baseados principalmente em dados macroeconômicos de 2025 e ainda não incorporam integralmente os impactos da guerra envolvendo o Irã.

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Porta se fechou e BC vai interromper corte da Selic em agosto, projeta Silvia Matos, da FGV

18 de Junho de 2026, 06:20

O ciclo de cortes de juros do Banco Central pode ter durado só três reuniões. Se o Comitê de Política Monetária (Copom) realmente alcançou o limite das reduções da Selic na reunião desta quarta-feira (17) terá sido o menor ciclo de diminuições desde junho de 2002, quando a autoridade fez apenas um recuo, pausou o ciclo e, depois, teve que subir a taxa básica.

A avaliação que começa a se tornar consensual no mercado é a de que a porta dos cortes se fechou mesmo com o acordo para encerrar a Guerra do Irã. Se a pausa ou, eventualmente, o próprio fim do ciclo de queda da Selic se concretizar, há um impacto significativo sobre os investimentos.

A coordenadora do boletim Macro da FGV/Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), Silvia Matos, acredita que o BC, na verdade, só tinha duas opções sobre a mesa: parar o ciclo agora ou cortar mais uma vez e interromper as quedas na próxima reunião, que foi a visão que prevaleceu.

Isso diante de um cenário que se deteriorou e que agora combina pressões crescentes de altas de preços, desancoragem acentuada das expectativas de inflação futura – ou seja, na média, boa parte do mercado já não acredita que a inflação vai ficar dentro da meta no futuro -, choques de oferta e alta demanda do consumo interno, aquecido pelas injeções de recursos em um ano eleitoral.

É um cenário que o próprio BC reconheceu no comunicado que acompanhou a decisão de juros, em que cortou a taxa básica em 0,25 ponto percentual para 14,25% ao ano.

“O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho”, pontuou a autoridade.

Pressão sobre a Selic

“E nem mesmo quando colocamos a perspectiva de crescimento do PIB para este ano o cenário é positivo para a política monetária. Isso porque esse avanço está apoiado em crescimento do consumo das famílias e do próprio governo, com peso maior para o setor de serviços. Ou seja, uma combinação desfavorável para a busca do equilíbrio de preços”, ressalta Silvia Matos, da FGV.

A economista avalia que o BC não tem mais espaço para cortar juros, “porque a política monetária está sendo pressionada pela política fiscal”. Para ela, o Copom vai interromper o ciclo de redução da Selic a partir de agosto.

A especialista ressalta que vários choques de oferta ainda vão ocorrer e que o nível atual dos juros no mercado, mesmo em nível elevado, não colocou no preço esses eventos.

“Nós sabemos que tem mais choque de oferta pela frente, não é só da guerra. Temos, por exemplo, os efeitos climáticos sobre alimentos e energia. E, como a economia ainda cresce, ainda tem espaço para repassar essa inflação vinda desses choques.”

Para Matos, outro fator que restringe o espaço para mais cortes vem das eleições. A coordenadora macro da FGV/Ibre diz ver os efeitos da votação em outubro ainda em seu início.

“O mercado ainda está começando a precificar as eleições e, neste ano, a corrida será especialmente competitiva”, avalia a especialista, em referência ao fato de que os gastos públicos aceleram nesses períodos.

Diante de um crescimento das despesas do governo, “o quadro fiscal vai continuar sendo uma questão importante no resto do ano, então as curvas de juros futuras vão continuar pressionadas mesmo se o cenário externo melhorar”.

O economista do ASA Leonardo Costa também enxerga a possibilidade de a decisão do BC na quarta ter representado uma pausa do ciclo de cortes. No entanto o especialista acredita que a autoridade deixou uma porta aberta para retomar as quedas – se o cenário melhorar até agosto.

Conforme Costa, “nossa projeção é de encerramento de ciclo nessa reunião, em 14,25%, contudo abriu-se uma possibilidade (grande) de o Banco Central seguir em seu ciclo de calibragem de juros, cortando novamente na reunião de agosto, esperando o desenrolar do cenário até lá”.

Warsh quer que o Fed fale menos — e isso pode gerar mais surpresas para os mercados

16 de Junho de 2026, 09:53

O ex-presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, costumava dizer que a política monetária é 98% conversa e apenas 2% ação. Já Kevin Warsh quer mudar essa proporção.

O novo presidente do Fed, que comandará nesta semana sua primeira reunião de política monetária, prometeu reformular a comunicação da instituição. Sem entrar em muitos detalhes, ele deu sinais de que pretende reduzir a quantidade de mensagens emitidas pelo banco central.

Durante sua audiência de confirmação no Congresso, afirmou que o Fed se esforça demais para fornecer um roteiro detalhado de seus planos futuros. Também observou que os formuladores de política monetária “falam com bastante frequência”.

No entanto, o Fed e outros bancos centrais vêm ampliando sua comunicação com mercados e sociedade ao longo das últimas décadas, e seguir na direção oposta envolve riscos, segundo observadores veteranos da instituição.

“É preciso ter cuidado ao reduzir a comunicação”, disse William English, professor da Universidade Yale e ex-secretário do comitê responsável por definir os juros nos EUA. Fazer isso de forma muito brusca “prejudicaria a eficácia da política monetária e poderia gerar mais decisões inesperadas, provocando volatilidade nos mercados financeiros”.

Os defensores de uma comunicação frequente argumentam que a transparência ajuda investidores e o público a entender melhor o que está por vir e a se preparar para isso. Isso também facilita o trabalho dos banqueiros centrais ao influenciar os custos de financiamento de longo prazo.

Warsh vê a questão de forma diferente. Para ele, os bancos centrais precisam preservar flexibilidade e evitar a percepção de que estão presos a compromissos que podem deixar de fazer sentido diante de mudanças nas condições econômicas. Em uma palestra no International Monetary Fund no ano passado, afirmou que os formuladores de política monetária podem se tornar “prisioneiros de suas próprias palavras”.

Investidores do mercado de títulos estão tentando entender como exatamente o Fed de Warsh pretende mudar sua comunicação, inclusive se o tradicional Summary of Economic Projections (SEP) poderá ser simplificado. O documento reúne projeções para crescimento econômico, desemprego, inflação e juros, além do famoso “dot plot”, gráfico que mostra onde os dirigentes do Fed acreditam que as taxas de juros estarão no futuro.

Há outras possibilidades. Para Torsten Slok, da Apollo Global Management, os comunicados do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) podem ficar significativamente mais curtos. Já Cindy Beaulieu, diretora de investimentos para a América do Norte da gestora Conning, acredita que Warsh gostaria de realizar menos coletivas de imprensa após as reuniões e até eliminar o “dot plot”.

“Isso provavelmente tornará os juros mais voláteis”, afirmou Beaulieu. Segundo ela, uma redução na transparência pode levar os mercados a reagirem exageradamente a cada novo indicador econômico, tentando antecipar os próximos passos do Fed.

O debate sobre o “forward guidance”

O SEP existe desde 2007 e reúne projeções dos 19 participantes do FOMC para crescimento, desemprego, inflação e juros. Tornou-se uma das principais ferramentas de orientação ao mercado, embora alguns economistas questionem sua utilidade, já que as projeções podem rapidamente se tornar obsoletas. Ainda no ano passado, havia propostas para ampliar as informações divulgadas no documento, e não reduzi-las.

A discussão faz parte de um debate mais amplo sobre o chamado forward guidance, estratégia adotada pelo Fed após a crise financeira de 2008. Como os juros já estavam próximos de zero e não podiam cair muito mais, uma das alternativas para estimular a economia era sinalizar que permaneceriam baixos por um período prolongado.

Alguns economistas argumentam que esse tipo de orientação só funciona em circunstâncias excepcionais, como no período pós-crise. Em sua palestra no FMI, Warsh demonstrou simpatia por essa visão.

Além das discussões teóricas, Warsh assume o comando em meio a uma disputa concreta dentro do Fed sobre que tipo de orientação deve ser dada ao mercado. Na última reunião, o comitê manteve em seu comunicado a indicação de que o próximo movimento mais provável seria um corte de juros, embora vários membros defendessem a retirada dessa mensagem.

O episódio também revela uma limitação do forward guidance: investidores nem sempre acreditam no que o Fed está dizendo.

Em março, os mercados chegaram a apostar em aumentos de juros, mesmo quando dirigentes da instituição indicavam que o movimento mais provável seria uma redução. Agora, à medida que alguns dirigentes passaram a discutir publicamente cenários de alta dos juros, os investidores também elevaram suas apostas nessa direção.

Embora o mercado possa estar errado, uma orientação mais limitada é “provavelmente positiva”, afirmou Jack McIntyre, gestor da Brandywine Global Investment Management.

Menos discursos?

Outra forma direta de comunicação do Fed é por meio de discursos públicos. Dados da própria instituição mostram que seus dirigentes falam mais frequentemente hoje do que no passado. Em 2024 e 2025, os governadores realizaram cerca de 225 discursos, aproximadamente 20% a mais do que duas décadas antes.

Pesquisas indicam que comunicação excessiva ou mal coordenada pode prejudicar a capacidade de um banco central de orientar os mercados. Ainda assim, não está claro o que Warsh poderia mudar além de incentivar os dirigentes a falarem menos.

Uma ferramenta que ele controla diretamente é a coletiva de imprensa após as reuniões de política monetária. Quando esse formato foi criado, em 2011, havia apenas quatro coletivas por ano. Hoje são oito — uma após cada decisão sobre juros.

Essas entrevistas servem para explicar os argumentos discutidos pelos formuladores de política monetária e se comunicar diretamente com investidores e cidadãos. Durante sua audiência de confirmação, Warsh não se comprometeu a manter coletivas após todas as reuniões do FOMC.

Segundo Claudia Sahm, ex-economista do Fed, o estilo de comunicação que Warsh parece defender lembra a era de Alan Greenspan, quando o então presidente da instituição adotava deliberadamente uma linguagem vaga.

“Se eu parecer excessivamente claro para vocês”, disse Greenspan certa vez aos parlamentares, “então vocês devem ter entendido errado o que eu disse”.

Mesmo durante a gestão Greenspan, porém, o Fed iniciou um processo gradual de aumento da transparência. Episódios posteriores mostraram os riscos da comunicação aberta, como o chamado “taper tantrum” de 2013, quando Bernanke desencadeou uma forte venda de títulos do Tesouro americano ao sinalizar a retirada de estímulos monetários.

Ainda assim, esses episódios foram geralmente interpretados como evidência da necessidade de uma comunicação mais cuidadosa — e não menos comunicação. Hoje, a maioria dos observadores do Fed acredita compreender melhor como o banco central reage às mudanças na economia.

Por isso, economistas e investidores não esperam mudanças radicais de imediato. Qualquer alteração significativa no sistema atual provavelmente exigirá amplo debate interno.

“Quando você muda a forma de comunicação, é muito difícil voltar atrás”, afirmou Don Kohn, ex-vice-presidente do Fed. “Por isso existe a percepção de que é preciso haver amplo consenso antes de promover uma mudança desse tipo, porque será difícil recuar caso ela se revele um erro.”

No país da picanha, a Copa terá mais frango na churrasqueira

13 de Junho de 2026, 16:03

A disparada dos preços no Brasil, maior produtor de carne bovina do mundo, significa que as famílias comprarão menos carne vermelha quando se reunirem para assistir ao primeiro jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo da FIFA neste sábado.

César Visini vai diversificar e incluir frango e linguiças na churrasqueira para um encontro de família neste fim de semana.

“É mais econômico”, disse o professor de 29 anos, que mora na cidade litorânea de Praia Grande. Ele se irrita com o fato de os açougues terem reduzido a qualidade dos produtos oferecidos para contornar os altos custos dos cortes mais nobres. “Às vezes o preço continua o mesmo, mas a qualidade cai. Isso acontece bastante.”

Tradicionalmente, reunir-se para fazer churrasco e torcer pela seleção é um ritual dos brasileiros. Mas os preços da carne bovina próximos de níveis recordes e a crise de endividamento das famílias ameaçam reduzir o apetite do país, que se prepara para semanas de futebol e churrasco. Nesta Copa, os brasileiros servirão frango e linguiça suína com mais frequência do que carne bovina, segundo projeções da Worldpanel by Numerator.

A queda no consumo de carne no Brasil amplia os desafios para o governo Lula às vésperas das eleições nacionais de outubro. Em um país que está entre os três maiores consumidores de carne bovina per capita do mundo, reduzir o consumo é mais um sinal de estresse econômico e pode prejudicar as chances de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que em campanhas anteriores defendeu uma plataforma associada a mais churrasco e cerveja na mesa dos brasileiros.

A oferta global restrita e a forte demanda externa estão impulsionando as exportações brasileiras a um recorde histórico e reduzindo a disponibilidade do produto no mercado doméstico. Isso aumenta a pressão sobre os brasileiros de baixa renda, já com orçamento apertado e dificuldades para lidar com os altos custos dos alimentos e o elevado endividamento.

Nos três primeiros meses do ano, os brasileiros já destinaram uma parcela menor do orçamento total à compra de proteínas. A queda foi provocada pela redução no volume de carne bovina adquirida, segundo Daniela Jakobovski, gerente de contas da Worldpanel.

Em São Paulo, cidade mais populosa do país, o preço da picanha — corte preferido dos brasileiros para o churrasco — superou R$ 90 por quilo em março, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA), órgão público de pesquisa. Um ano antes, o valor era de R$ 81.

A inflação elevou os preços de alguns cortes nobres de carne bovina em até 11% nos últimos 12 meses, de acordo com dados de maio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os preços da carne bovina no atacado atingiram recentemente o maior nível já registrado na série histórica de mais de 20 anos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo.

“Pessoas como eu, que costumavam comer carne bovina duas ou três vezes por semana, agora estão limitando o consumo a uma vez por semana”, disse Thiago Durões, vendedor de 37 anos que mora em Brasília. “Estamos migrando para cortes mais baratos e, em muitos casos, substituindo a carne bovina por frango, carne suína ou pela proteína que oferecer o melhor custo-benefício.”

Gado; carne
Frigoríficos: Foto: Adobe Stock Photo

A carne bovina é apenas uma das muitas preocupações no Brasil, onde um recorde de 82% das famílias possui dívidas em aberto, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Reduzir o endividamento dos brasileiros tornou-se uma questão central da campanha de Lula, que recentemente lançou um novo programa de renegociação de dívidas das famílias na tentativa de aumentar sua popularidade.

O setor chegou até a apontar as apostas online como parte do problema. Recentemente, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) pediram ao governo medidas para limitar os gastos dos consumidores em plataformas de apostas.

Ainda assim, os brasileiros já enfrentaram momentos mais difíceis. Em 2022, ano em que a Argentina conquistou a Copa do Mundo, os preços dos alimentos dispararam após a invasão da Ucrânia pela Rússia elevar os custos globais das commodities. As empresas do setor de carnes estão otimistas com a perspectiva de aumento das vendas durante o torneio, com propagandas na televisão destacando não apenas os tradicionais e caros cortes bovinos, mas também alternativas mais acessíveis, como hambúrgueres, nuggets de frango e salsichas.

“Acreditamos em um portfólio democrático, com opções de proteínas tanto sofisticadas quanto acessíveis”, disse Luiz Franco, diretor de marketing da MBRF Global Foods, uma das patrocinadoras da seleção brasileira de futebol.

Mas mesmo as proteínas mais baratas enfrentam desafios diante da sensibilidade dos consumidores brasileiros aos preços. A guerra no Irã elevou os custos dos fornecedores em itens que vão de embalagens plásticas ao transporte rodoviário, e os reajustes de preços não têm sido suficientes para acompanhar e compensar integralmente esse aumento de custos, segundo Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

O conflito em curso no Oriente Médio surgiu como um novo risco inflacionário para os formuladores de política econômica no Brasil. A alta dos preços do petróleo aumenta as preocupações com os custos dos fertilizantes, insumo essencial para o agronegócio brasileiro, ameaçando elevar os custos de produção em toda a cadeia agrícola.

“O choque na cotação internacional do petróleo, além de afetar os preços dos combustíveis, passou a pressionar insumos industriais e custos de transporte, com possíveis desdobramentos em itens da cadeia de alimentos”, escreveu o Ministério da Fazenda em boletim divulgado em maio. “Esse cenário é compatível com uma trajetória de inflação mais disseminada e persistente ao longo de 2026.”

No Olinda Bar e Restaurante, localizado no bairro Asa Sul, em Brasília, a carne de sol sempre foi um dos pratos preferidos dos clientes. Mas o choque de preços tem levado cada vez mais frequentadores a optar pela salada.

“A carne bovina ficou muito mais cara, e isso inevitavelmente elevou os preços do cardápio”, disse Jaqueline Rodrigues, gerente do restaurante. “Mais pessoas estão escolhendo proteínas mais baratas, e algumas estão deixando de consumir carne completamente.”

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Equador vai reduzir preços da cerveja em 20% em gesto de apoio na Copa do Mundo

12 de Junho de 2026, 12:41

O Equador vai reduzir os preços da cerveja em mais de 20% por meio de um corte temporário de impostos para mobilizar “apoio extra” à seleção nacional durante a Copa do Mundo, afirmou o presidente do país Daniel Noboa.

O governo eliminará um imposto especial sobre a cerveja e outras bebidas de teor alcoólico moderado até 19 de julho, disse Noboa em declarações divulgadas pelo veículo El Universo.

A medida foi anunciada durante a inauguração de um projeto rodoviário na província de Guayas, uma das regiões costeiras do país afetadas por disputas entre gangues do narcotráfico. Vestindo a camisa da seleção, Noboa afirmou que “todos já estão mais focados no futebol do que em qualquer outra coisa” e disse esperar que o Equador “vá muito longe” no torneio.

A Copa do Mundo FIFA 2026 começou na quinta-feira (11), com uma partida entre México e África do Sul. A seleção do Equador estreia em 14 de junho contra a Costa do Marfim, na Filadélfia. Noboa deve viajar aos Estados Unidos ainda hoje e permanecer até a próxima segunda-feira, segundo um decreto executivo que não detalha sua agenda.

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União Europeia oficializa veto à carne do Brasil e fixa bloqueio para 3 de setembro

6 de Junho de 2026, 12:15

A União Europeia formalizou o veto às importações de carne bovina, de frango e de outros produtos de origem animal do Brasil. O bloqueio começa em 3 de setembro e atinge também pescado, mel, ovos, equinos e tripas. 

O documento foi assinado na quinta-feira (4) e publicado na sexta pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, formalizando a decisão que o bloco havia anunciado em maio.

A medida exclui o Brasil da lista de países considerados aptos a cumprir as exigências europeias sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A legislação do bloco proíbe o uso de certas substâncias para acelerar o crescimento dos rebanhos ou aumentar a produtividade, além de vetar antibióticos reservados ao tratamento de infecções humanas. 

A justificativa europeia não aponta carne contaminada nem surto sanitário. A Comissão afirma não ter recebido informações que garantam que o Brasil aplicou as medidas necessárias para assegurar o cumprimento, até 3 de setembro de 2026, dos requisitos estabelecidos.

Os demais integrantes do Mercosul, Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem habilitados a exportar produtos de origem animal ao bloco, o que enfraquece o argumento de que a decisão teve como alvo o acordo comercial firmado recentemente entre Mercosul e UE. 

A Comissão cita nominalmente Armênia, Índia, Indonésia, Quênia, Nigéria, Sérvia, Tanzânia, Tunísia, Uganda e Uzbequistão entre os países que enviaram as comprovações e foram aceitos.

Resposta tardia

A lista de países habilitados foi instituída pelo Regulamento de Execução (UE) 2024/2598, de outubro de 2024, com vigência marcada desde então para 3 de setembro de 2026. Ou seja, o prazo é conhecido há mais de um ano e meio.

Uma reportagem recente da Folha de S.Paulo mostrou que o Ministério da Agricultura tinha, pelo menos 40 dias antes da decisão, um parecer técnico interno apontando a fragilidade do sistema brasileiro. 

O Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal do ministério concluiu que os controles eram insuficientes porque dependem de autodeclaração dos produtores e das empresas, sem fiscalização oficial e independente em granjas e propriedades. 

A resposta brasileira veio tarde e com brecha. Em abril, o Ministério da Agricultura publicou duas portarias vedando os medicamentos questionados, uma sobre antimicrobianos reservados à medicina humana, outra sobre promotores de crescimento. 

Mas abriu uma janela de 180 dias para que as empresas esgotem estoques até outubro, prazo que extrapola a própria data-limite europeia de setembro. 

Efeito para os frigoríficos

A UE é o segundo maior destino das carnes brasileiras em valor, atrás apenas da China, e responde por cerca de 5,8% das vendas externas de carne bovina. 

A estimativa do setor é de perda de quase US$ 2 bilhões por ano. Quando o bloco anunciou a decisão, em 12 de maio, as ações dos frigoríficos reagiram: JBS recuou 3,47%, MBRF cedeu 5,38% e Minerva caiu 1,16%.

Para reabrir o mercado, o Brasil vai precisa demonstrar fiscalização verificável sobre o uso de medicamentos no campo, ou garantir cadeias segregadas de animais que nunca receberam as substâncias proibidas, o que esbarra na rastreabilidade e nos ciclos de produção do rebanho.

Índia aumenta em quatro vezes mistura de etanol na gasolina e pode impulsionar demanda de álcool e açúcar brasileiros

5 de Junho de 2026, 12:35

Em uma ofensiva para diversificar sua matriz energética e reduzir a forte dependência do petróleo importado, a Índia lançou oficialmente no mercado um novo combustível com altíssimo teor de etanol nesta sexta-feira (5).

Atualmente, a nação sul-asiática já comercializa em toda a sua rede varejista a gasolina com 20% de etanol, conhecida como E20. O novo combustível, batizado de E85, contará com cerca de 85% de etanol em sua composição e promete ser menos poluente que os concorrentes convencionais.

Além do apelo ecológico, o bolso do consumidor também deve sentir o reflexo: o E85 terá um preço 20 rúpias mais barato por litro do que a gasolina E20, ou uma economia de 20% para o bolso.

O anúncio foi feito pelo ministro do Petróleo, Hardeep Puri, que apresentou a novidade em um posto da Indian Oil Corp., na capital Nova Déli. Inicialmente, o produto começará a ser vendido em 50 postos de combustíveis espalhados pelo país.

De acordo com Puri, a Índia possui hoje uma capacidade instalada para produzir 19 bilhões de litros de etanol, sendo que o programa de mistura atual consome 11,5 bilhões de litros. A chegada do E85 ao mercado surge justamente como um motor para alavancar essa demanda pelo biocombustível.

Um crescimento acentuado na demanda pela nova mistura de combustível, no entanto, pode levar a Índia a buscar etanol no mercado externo. Essa necessidade coloca o Brasil, um dos maiores produtores do álcool combustível, em posição privilegiada.

O Brasil produziu em 2025 um pouco mais de 37 bilhões de litros.

Além da demanda por etanol, a novidade na Índia pode também trazer demanda extra para o açúcar do país. Isso porque como a Índia precisa desviar parte de sua safra de cana para garantir a mistura de etanol, a sua oferta global de açúcar diminui. Isso frequentemente exige que o mercado busque o Brasil (maior produtor mundial) para suprir essa lacuna.

Sem tração nos veículos elétricos

A estratégia da Índia ganha força diante do ritmo lento da transição para a mobilidade elétrica no país, travada pelos altos custos dos veículos e por uma infraestrutura de recarga ainda bastante limitada.

Nesse cenário, as autoridades indianas enxergam os veículos compatíveis com etanol como um caminho complementar e estratégico para cortar o consumo de petróleo, exigindo muito menos investimentos em infraestrutura do que a criação de uma rede nacional de carregamento para elétricos.

Esse movimento é crucial para o país, cuja demanda por gasolina — consumida majoritariamente por veículos de duas rodas — cresceu a uma média anual de 9% nos últimos cinco anos, inflando a conta de importação de petróleo.

Dando sinais claros do empenho do governo em estruturar um ecossistema de transporte que sustente esse maior uso do biocombustível, o ministro Puri apresentou novos modelos de motocicletas da Hero MotoCorp Ltd. e o hatch Wagon R, da Maruti Suzuki India Ltd., ambos já preparados para rodar com o E85.

O chefe da pasta do Petróleo revelou ainda que o governo estuda medidas políticas para acelerar a adoção de veículos híbridos e projetou que o novo combustível deverá estar disponível em até 500 postos até o final deste ano.

Apesar do otimismo do governo, o combustível chega às bombas em meio a discussões persistentes no mercado sobre o impacto de misturas tão ricas em etanol no rendimento por quilômetro e na durabilidade dos motores. Tentando mitigar os receios, o Ministério do Petróleo declarou no ano passado que a gasolina E20 já oferece melhor aceleração, maior suavidade na condução e menores emissões de carbono em comparação ao combustível convencional — benefícios que, segundo a pasta, tendem a ser amplificados com a chegada de misturas de etanol ainda mais concentradas.

Empregos nos EUA superam previsões e pressionam Fed a subir juros até o fim do ano

5 de Junho de 2026, 10:20

O mercado de trabalho americano deu sinais de forte recuperação em maio: a geração de empregos superou todas as expectativas dos analistas, enquanto a taxa de desemprego se manteve estável em 4,3%.

Os postos de trabalho cresceram 172 mil no mês passado, após revisões para cima nos dois meses anteriores, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (5) pelo Bureau of Labor Statistics (BLS). O resultado representa o melhor avanço trimestral em mais de dois anos.

Os números do “payroll” devem aumentar a pressão sobre o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) para que considere novas altas nos juros como forma de conter a inflação.

O relatório sugere um aquecimento do mercado de trabalho em diversos setores, após um crescimento próximo de zero no ano passado — e apesar das preocupações recentes com a alta dos preços de energia, que derrubou a confiança do consumidor a mínimas históricas.

Os títulos do Tesouro americano passaram a enfrentar uma onda de vendas, elevando os rendimentos dos papéis de dois anos em cerca de 10 pontos-base, para 4,14%. Os mercados passaram a precificar integralmente um aumento de 0,25 ponto percentual nos juros até o fim do ano.

Kevin Warsh, o novo presidente do Fed, conduzirá sua primeira reunião de política monetária nos dias 16 e 17 de junho. A expectativa do mercado é de que os juros sejam mantidos, mas as apostas em uma alta na segunda metade do ano aumentaram após declarações de dirigentes do banco central favoráveis a sinalizar que um aperto monetário é tão provável quanto um corte.

Data centers e IA afetam resultados

O setor de lazer e hospitalidade liderou a criação de vagas, com 70 mil novos postos — o maior volume em mais de três anos. A área de saúde e assistência social, que vinha sendo o principal motor das contratações, manteve o ritmo firme.

A construção comercial registrou crescimento pelo sétimo mês consecutivo, impulsionada pela forte demanda ligada à expansão de data centers. Um relatório separado divulgado esta semana apontou que os gastos com construção desse tipo de infraestrutura superaram US$ 50 bilhões em abril pela primeira vez.

A indústria manufatureira também gerou empregos em maio, beneficiada pela demanda aquecida de data centers, produção de defesa e pela corrida dos clientes para estocar produtos antes de novos reajustes ligados a conflitos internacionais.

O relatório também evidenciou o impacto crescente da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho. O setor de tecnologia da informação — que inclui desenvolvedores de software, redes sociais e portais de busca — voltou a perder vagas em maio, acumulando quedas em 16 dos últimos 17 meses. Gigantes como Meta e Microsoft vêm reduzindo seus quadros, em parte para compensar os altos investimentos em IA.

Outros indicadores recentes enviaram sinais mistos sobre a saúde do mercado de trabalho. As vagas abertas subiram em abril ao nível mais alto desde 2024, embora o aumento tenha ficado concentrado em poucos setores. As demissões seguem em patamares historicamente baixos, mas os consumidores ainda demonstram certo pessimismo quanto às oportunidades de emprego, e pequenas empresas estão reduzindo os planos de contratação.

Nos EUA, uma praga ameaça a oferta de gado – que já está no menor nível em 75 anos

4 de Junho de 2026, 12:39

Um parasita letal para o gado foi detectado nos Estados Unidos pela primeira vez em quase uma década, em um momento em que o rebanho do país já está no menor nível em 75 anos.

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) confirmou na noite de quarta-feira (3) que um caso suspeito no sul do Texas testou positivo para a mosca-da-bicheira-do-novo-mundo (New World screwworm).

O animal afetado é um bezerro de três semanas no condado de Zavala e, por enquanto, é o único caso monitorado pela agência, afirmou a secretária de Agricultura, Brooke Rollins.

Nova ameaça em meio à escassez de gado

Segundo Rollins, não há “razão para acreditar” que o parasita vá se estabelecer nos Estados Unidos.

Ainda assim, a confirmação do caso ocorre em um momento delicado para a pecuária americana. O tamanho reduzido do rebanho já levou os preços da carne bovina a níveis recordes.

As ações da Tyson Foods e da JBS avançavam no pré-mercado desta quinta-feira (4), depois de terem caído na véspera com as notícias sobre uma possível infecção, que ainda não havia sido confirmada. Já os contratos futuros de gado para reposição e de boi gordo negociados em Chicago recuaram na quarta-feira.

O principal risco, neste momento, é para os pecuaristas, não para frigoríficos ou consumidores, afirmou Corbitt Wall, analista de mercado da DV Auction. Segundo ele, a maior parte dos bezerros ainda está nos pastos nesta época do ano e não está sendo comercializada.

Wall disse que a presença da praga tende a sustentar os preços do gado, já que ameaça a oferta. Ao mesmo tempo, pode gerar receio nos consumidores na hora de comprar carne. “É sempre uma notícia negativa. Por isso o mercado está reagindo mal”, afirmou.

Os EUA tentam conter o avanço da praga, capaz de matar um animal em poucos dias, desde maio de 2025, quando casos registrados no México passaram a preocupar as autoridades. O USDA suspendeu as importações de gado vivo mexicano e construiu novas instalações para dispersar moscas estéreis.

Mesmo assim, o número de casos vem crescendo no México. Segundo o USDA, o foco mais próximo da fronteira americana foi identificado em uma cabra a cerca de 40 quilômetros dos Estados Unidos.

A presença da praga no México e a suspensão do comércio de gado vivo agravaram a escassez de animais para os frigoríficos americanos, que já enfrentavam dificuldades para manter suas operações diante da oferta reduzida e dos custos mais altos.

Essa restrição também levou os preços da carne bovina ao consumidor a máximas históricas, colocando pressão sobre a promessa de Donald Trump de reduzir o custo dos alimentos.

A volta da mosca-da-bicheira

A última vez que a mosca-da-bicheira foi detectada nos EUA foi em 2016, em cervos nas ilhas de Florida Keys. A praga foi erradicada no início de 2017. O último surto envolvendo bovinos infectados ocorreu em 1976 e causou prejuízos de até US$ 375 milhões para a economia do Texas, em valores da época, segundo o USDA.

Embora o risco para humanos seja baixo, os Estados Unidos registraram um caso da infecção em uma pessoa no ano passado, após uma viagem à América Central.

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Governos agora investigam se ‘efeito Ozempic’ se estende em estímulo ao mercado de trabalho

4 de Junho de 2026, 09:22

O novo governo da Dinamarca, país de origem da Novo Nordisk, do Ozempic, vai investigar se os medicamentos para perda de peso podem ajudar mais pessoas a entrarem no mercado de trabalho, adicionando uma nova dimensão econômica ao debate sobre os tratamentos para a obesidade.

A Novo, fabricante do Wegovy e do Ozempic, já transformou a economia dinamarquesa, com impulso a um crescimento significativo nos últimos anos, mesmo diante da concorrência crescente enfrentada pela gigante farmacêutica, como pela americana Eli Lilly.

O país nórdico agora investiga se os remédios também podem gerar benefícios econômicos ao aumentar a produtividade.

Em seu programa de governo divulgado nesta semana, a nova administração do país propôs um projeto-piloto para pessoas com obesidade grave, a fim de avaliar como medicamentos como o Wegovy afetam a economia além dos resultados de saúde, incluindo seu impacto na oferta de trabalho.

Não foram detalhadas as características do programa. A ideia reflete um interesse crescente entre formuladores de políticas públicas sobre os efeitos econômicos mais amplos dos tratamentos contra a obesidade, para além de efeitos mais evidentes no consumo de alimentos.

Estudo do ‘efeito Ozempic’ no Reino Unido

O governo britânico, no final de 2024, firmou parceria com a Eli Lilly para um ensaio de cinco anos destinado a analisar se os medicamentos para perda de peso podem ajudar mais pessoas a retornarem ao trabalho e aliviar a pressão sobre o sistema público de saúde.

Uma pesquisa apresentada no ano passado estimou que o princípio ativo por trás do Wegovy e do Ozempic da Novo poderia gerar mais de 4,5 bilhões de libras (6 bilhões de dólares) em ganhos anuais de produtividade no Reino Unido, segundo o jornal The Guardian.

A análise de 2.660 participantes com três ensaios clínicos concluiu que o medicamento adiciona o equivalente a cinco dias de trabalho e 12 dias de trabalho não remunerado por paciente a cada ano.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, que conquistou um terceiro mandato nesta semana, já declarou ser uma “grande fã” do Ozempic e do Wegovy, demonstrando apoio à empresa farmacêutica.

Frederiksen firmou um acordo de coalizão na segunda-feira (1), quase dez semanas após a eleição geral, reunindo Social-Democratas, Esquerda Verde, Liberais Sociais e Moderados em um governo minoritário apoiado por partidos de esquerda.

A Dinamarca foi um dos primeiros países onde a Novo lançou o Wegovy, no final de 2022, e quase 5% da população já utilizou o medicamento desde então, de acordo com dados do governo.

Cerca de 8% dos dinamarqueses preenchem os critérios para o tratamento, segundo uma análise divulgada no ano passado.

A crescente popularidade dos medicamentos para obesidade da Novo também pressionou as finanças públicas, levando a Dinamarca a reduzir os subsídios para o Ozempic em 2024 e a rejeitar os pedidos da empresa para reembolso público do Wegovy. 

É um mercado crescente que começa a ganhar ainda mais força em países em que a patente expirou, o que leva à venda de medicamentos genéricos, caso recente do Brasil.

Análise: Stablecoins dão e tiram poder dos bancos centrais ao mesmo tempo

31 de Maio de 2026, 13:57

Christopher Waller, um dos diretores do Fed, disse neste domingo (31) que a disseminação das stablecoins pelo mundo amplia a influência da política do banco central americano.

“Os países que adotam essas moedas entram em algo parecido com um regime de câmbio fixo”, ele disse, num evento em Dubrovnik, Croácia. “É uma forma de estender o alcance da política monetária americana aos países que usam mais stablecoins.”

Stablecoins são criptos que emulam o dólar. Os emissores, que são empresas comuns, prometem manter títulos do Tesouro americano num montante equivalente ao das criptos que produzem. Esse é o lastro que garante a estabilidade de moedas digitais como o USDC e o Theter. Há stables de outras moedas também, mas as que giram de fato pela economia global são as de dólar.

Na prática, elas funcionam como um “pix em dólar”. Você consegue fazer transferências internacionais em dólar de forma instantânea, via redes de blockchain, não importando em qual país você esteja. Isso não existe com o dinheiro convencional, que circula pelo sistema bancário. Se você faz um trabalho para uma empresa de fora, já é comum que o pagamento aconteça via transferência de alguma stable.

Ao afirmar que a disseminação das stables amplia o alcance da política econômica dos EUA, Weller está dizendo o seguinte: se o Fed reduz o juro para estimular a economia americana, isso acaba incentivando também a economia de países onde o uso de stable coins esteja disseminado.

Mas trata-se de uma via de mão dupla.

Stables também afetam bancos centrais

O lastro das stables são títulos públicos do governo americano, certo? O emissor compra os títulos, produz uma quantidade equivalente de cripto, e embolsa os juros. Por isso que produzir stable é um negócio – e por isso já existem tantas delas por aí.

E temos aí que a mera existência de stablecoins cria demanda para os títulos americanos. E quanto maior a demanda, menor o juro que o governo precisa pagar. Ou seja: se de um lado as stables ampliam a abrangência do BC americano, por outro elas influenciam nas taxas de juros dos títulos públicos – um componente central da política monetária. Quanto menor o juro, mais dinheiro circula, por exemplo.

Já autoridades europeias, incluindo Christine Lagarde, têm sido críticas das stablecoins. Em um discurso no início de maio, a presidente do banco central europeu disse que esse tipo de instrumento traz riscos à estabilidade financeira e à transmissão da política monetária.

Vale uma tradução aqui. Também existem stablecoins de euro, e é a elas que Lagarde se refere. BCs aumentam juros para tirar dinheiro de circulação e, assim, combater a inflação. Eles fazem isso vendendo títulos públicos em seu poder e estocando o dinheiro para que ele não gire pela economia. Com menos moeda na praça, os preços param de subir. “Política monetária” é isso.

Pois bem. Se alguém compra títulos públicos para usar como lastro de stablecoin, o dinheiro não fica parado. Segue circulando, na forma de stable. E alimenta a inflação que o banco central tenta combater.

O que Lagarde diz, portanto, não é uma opinião. É um fato. A existência dessa moedas, ao mesmo tempo em que amplia a influência do maior BC do mundo, também tira poder dos bancos centrais – incluindo o americano.

Eis o paradoxo.

Governo prorroga por dois meses o pacote contra a alta dos combustíveis

30 de Maio de 2026, 18:11

O governo federal estendeu por mais dois meses o conjunto de medidas voltadas a conter o avanço dos preços dos combustíveis, pressionados pelo conflito no Oriente Médio.

“As ações dão continuidade às medidas emergenciais adotadas pelo governo diante da volatilidade do mercado mundial de petróleo”, informou o Palácio do Planalto em nota, acrescentando que o pacote, que se encerraria em 31 de maio, agora vai até 31 de julho.

No caso do diesel, a partir de 1º de junho será mantido o pagamento de uma subvenção de R$ 1,12 por litro a refinarias nacionais e importadores do combustível, mas os dois subsídios anunciados em abril serão consolidados em um só — um sistema “mais eficiente e ágil para garantir a estabilização dos preços”, segundo o governo.

Uma portaria do Ministério da Fazenda também anunciou subvenção, válida a partir de 1º de junho, a produtores e importadores de óleo diesel para compensar custos tributários ligados à comercialização do combustível. O pagamento substitui – e equivale, em valor – à desoneração de R$ 0,35 de PIS/Cofins sobre o diesel, diz a nota.

No gás liquefeito de petróleo (GLP), o subsídio a produtores e importadores foi prorrogado até 31 de julho, e os recursos federais destinados aos pagamentos passaram de R$ 330 milhões para R$ 660 milhões. A medida permite uma subvenção equivalente a R$ 11 por botijão de 13 quilos vendido no período.

Em outro decreto, o governo estendeu até 31 de julho a desoneração de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação e sobre o biodiesel usado na mistura obrigatória com o diesel rodoviário.

“Os preços dos combustíveis já começaram a cair, mas acreditamos ser necessário continuar atuando enquanto houver incerteza no mercado internacional”, afirmou o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, em nota divulgada neste sábado.

O comunicado deste sábado não traz estimativa atualizada do custo da prorrogação. Em abril, quando as primeiras medidas foram anunciadas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o impacto fiscal seria de R$ 10 bilhões — e disse que esse custo seria, em boa parte, compensado por tributos sobre exportações de petróleo e outras receitas correlatas, o que permitiria ao governo cumprir a meta fiscal de 2026.

“Mantemos o compromisso com a neutralidade fiscal e reforçamos os esforços das equipes de fiscalização no uso dos recursos públicos”, declarou Durigan na nota deste sábado.

Por Leonardo Lara

Guerra no Irã eleva custo dos fertilizantes e ameaça produção global de alimentos

21 de Maio de 2026, 11:22

A disparada dos custos de fertilizantes provocada pela guerra no Irã atinge os agricultores brasileiros no pior momento possível, e reforça como o conflito no Oriente Médio ameaça o abastecimento global de alimentos.

Os produtores brasileiros já enfrentavam preços mais baixos das commodities, acesso restrito ao crédito, endividamento elevado, câmbio desfavorável e custos crescentes para transportar mercadorias aos portos. Agora, a rápida alta dos fertilizantes leva a situação a um ponto crítico, e muitos agricultores passaram a rever investimentos em terras e insumos diante da próxima safra.

É o caso da soja, principal cultura agrícola do país. A área plantada deve crescer no ritmo mais lento em 20 anos na temporada que começa em setembro, segundo a empresa de inteligência de mercado Veeries. A consultoria Agroconsult apresentou recentemente uma projeção semelhante, enquanto estimativas de analistas da Datagro apontam para a menor expansão em uma década.

“Quem acompanhou o agronegócio nos últimos 10 anos sempre viu o setor como próspero e em crescimento”, afirmou Marcos Rubin, fundador da Veeries. “Esse não é o cenário hoje.”

A mudança tem potencial para provocar impactos em toda a agricultura global. A soja brasileira abundante e de baixo custo ajudou a elevar os estoques internacionais da oleaginosa usada na produção de óleo de cozinha e ração animal. O país é o principal fornecedor da China, maior compradora mundial de commodities agrícolas. Uma desaceleração no Brasil pode significar inflação adicional de alimentos na Ásia e em outras regiões, à medida que importadores disputam a oferta disponível.

No Brasil, o pessimismo no agronegócio se espalha. O índice de sentimento do produtor calculado pela Bloomberg Intelligence caiu ao menor nível em mais de um ano. A situação representa um desafio político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputará a reeleição. O agronegócio responde por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto brasileiro, segundo algumas métricas, e produtores pressionados financeiramente pedem mais crédito subsidiado e ampliação do seguro rural.

Embora a área de soja ainda deva avançar, o ritmo será muito mais lento. A situação tende a ser ainda mais delicada para outras culturas. As áreas plantadas de algodão, arroz e milho de verão devem encolher, segundo a Veeries. Essas lavouras dependem mais do fornecimento de certos tipos fertilizantes afetados diretamente pelo conflito com o Irã, que praticamente paralisou o Estreito de Hormuz.

“Não vamos ter aumento de área plantada, isso já está definido”, disse Thiago Facco, produtor de soja e milho no Tocantins e vice-presidente da Aprosoja.

A região de Facco esteve entre as que lideraram o recente boom agrícola brasileiro. Agora, segundo ele, o crédito restrito e os custos crescentes da produção vão limitar o crescimento. As margens dos produtores, que já estão apertadas, podem piorar ainda mais na próxima safra, acrescentou.

Menores investimentos

Além da área plantada, a produtividade também está em risco, já que os custos mais altos devem forçar produtores a reduzir gastos com insumos, sementes, máquinas e fertilizantes. Relatório do Rabobank divulgado em abril estimou queda de 3,9% no consumo de fertilizantes até o fim de 2026.

“Vai ter corte de investimento”, disse Daniel Jaeger da Silva, produtor de soja, milho e arroz no Rio Grande do Sul, terceiro maior estado agrícola do Brasil. Silva pretende adiar planos antigos de expandir os negócios para outra região agrícola e também postergar a compra de novas máquinas.

Ainda assim, o Brasil está longe de perder o status de potência agrícola global. Mesmo os modestos aumentos de área previstos para a próxima safra podem resultar em mais uma colheita recorde de soja, enquanto os preços mais competitivos em relação aos EUA devem continuar sustentando as exportações.

Mas o crescimento seguirá ameaçado em meio às dificuldades enfrentadas pelos produtores. As finanças do setor não estão tão sólidas quanto durante o último choque de preços dos fertilizantes, em 2022, afirmou Marcela Marini, analista do Rabobank Brasil. A valorização do real e os elevados custos do frete rodoviário reduzem a rentabilidade dos sojicultores brasileiros nas vendas da commodity cotada em dólar.

“Este é um momento em que os produtores podem revisar o modelo de negócios”, disse Marini, após anos de investimentos intensivos.

As vendas de tratores e outros equipamentos agrícolas também devem cair neste ano. A receita do setor pode recuar até 7%, segundo a Abimaq. A projeção pode ser revisada para baixo em breve, afirmou Pedro Estevão, presidente da câmara setorial de máquinas agrícolas da entidade.

Até mesmo em Mato Grosso, maior e mais rico estado produtor de soja do país, a área plantada deve ficar estagnada na próxima safra, informou o instituto de pesquisa IMEA. Condições mais restritivas de financiamento e juros elevados limitam a expansão para novas áreas, segundo o grupo.

“Hoje me mostraram as condições de preço do adubo, e deu vontade de chorar”, disse Endrigo Dalcin, produtor de soja em Mato Grosso, que espera redução na aplicação de fosfato nesta safra, além da suspensão da abertura de novas áreas para plantio. “É a tempestade perfeita.”

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Brasil é excluído da lista da União Europeia para venda de carnes para o bloco

12 de Maio de 2026, 17:17

O Brasil não consta da lista de países autorizados a fornecer produtos de origem animal à União Europeia, o que representa um risco comercial para o maior exportador mundial de carne bovina.

A União Europeia publicou na terça-feira (12) uma versão atualizada da lista de países que cumprem suas normas contra o uso excessivo de antimicrobianos em animais destinados à produção de alimentos. O Brasil não foi incluído.

A lista destina-se atualmente a fins informativos e não tem efeitos legais. No entanto, será “formalmente adotada” nos próximos dias, afirmou a Comissão Europeia em comunicado em seu site, acrescentando que as regras sobre importações entrarão em vigor a partir de 3 de setembro.

“De acordo com as normas da UE, o uso de antimicrobianos em animais de criação para fins de crescimento ou produção não é permitido, nem os animais podem ser tratados com antimicrobianos reservados para infecções humanas”, afirmou a Comissão Europeia.

O Ministério da Agricultura do Brasil e a Comissão Europeia não responderam de imediato ao pedido de comentários.

A União Europeia e o Brasil são importantes parceiros comerciais. No entanto, as exportações de carne bovina para o bloco representaram apenas 4% do total das exportações brasileiras de carne bovina no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do Ministério da Agricultura.

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Brasil eleva mistura de etanol na gasolina para 32% para conter alta de preços

24 de Abril de 2026, 17:26

O Brasil está adotando medidas para aumentar o uso de etanol na gasolina em uma tentativa de conter os impactos da alta dos custos dos combustíveis, à medida que a guerra no Oriente Médio se prolonga.

O segundo maior produtor mundial de biocombustível está avançando com planos para uma nova exigência de mistura obrigatória de 32% de etanol na gasolina, segundo comunicado do Ministério de Minas e Energia nesta sexta-feira (24). O percentual atual é de 30%, e a ampla oferta de biocombustível, somada aos preços baixos, ajuda a aliviar a pressão sobre os combustíveis nos postos brasileiros.

“A medida tem potencial para reduzir a necessidade de importação de gasolina em aproximadamente 500 milhões de litros por mês”, afirmou o comunicado. “Com isso, o Brasil fortalece sua soberania energética e avança rumo à autossuficiência em gasolina, eliminando importações do combustível.”

A iniciativa faz parte de um conjunto de ações destinadas a proteger os consumidores dos impactos econômicos do conflito no Oriente Médio e ocorre enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca a reeleição em cerca de seis meses.

Imposto sobre combustível

Autoridades disseram na quinta-feira que o governo também pedirá ao Congresso autorização para usar receitas extraordinárias ligadas ao petróleo para reduzir impostos sobre combustíveis como gasolina, diesel, etanol e biodiesel. Isso ocorre após uma série de cortes de tributos e subsídios para diesel, gás de cozinha e combustível de aviação, além de linhas de crédito para companhias aéreas afetadas pelos custos mais altos.

O Brasil há muito tempo usa o etanol como instrumento em choques de preços de energia, com motores movidos exclusivamente a etanol produzidos desde o fim da década de 1970 ajudando a reduzir a dependência de importações de gasolina. Mais recentemente, uma lei de biocombustíveis sob o governo Lula estabeleceu a meta de atingir uma mistura de até 35% no futuro próximo, ainda dependendo de testes técnicos.

A implementação final da nova mistura ainda depende de aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que deve, em grande parte, seguir a recomendação do Ministério de Minas e Energia.

De painéis solares a carros elétricos: como a China se beneficia da crise do petróleo com a guerra

24 de Abril de 2026, 12:07

Com a pressão da Guerra do Irã sobre o mercado de petróleo, diferentes indústrias e países passaram a buscar um plano B como fonte de energia. E um dos beneficiados tem sido o setor de painéis solares. As exportações da China, principal fornecedora global, dobraram em março.

Foram 68 gigawatts em capacidade de equipamentos para geração solar embarcados no mês, segundo dados de exportação analisados pelo think tank internacional Ember. Para comparar: em termos de escala, isso equivale a seis usinas hidrelétricas de Belo Monte, no Pará. Ou praticamente toda a capacidade solar instalada na Espanha.

Cinquenta países bateram seus recordes de importação de painéis chineses em março. E outros sessenta alcançaram o maior nível em pelo menos seis meses. 

Na Ásia, a Malásia ampliou as importações em 384%, e a Índia, em 141%. Na África, Nigéria, Quênia e Etiópia superaram pela primeira vez a marca do equivalente a 1 GW importado em um único mês. Ao mesmo tempo, países como Japão e Austrália, além da União Europeia, também registraram volumes recordes. 

Desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã no fim fevereiro, o fluxo de navios vem sendo limitado no Estreito de Ormuz, o que compromete o escoamento de petróleo do Golfo Pérsico. Por ali passam cerca de 20 milhões de barris por dia, algo como 25% do comércio marítimo global.

Estimativas de bancos e consultorias indicam que entre 13 milhões e 14,5 milhões de barris por dia ficaram fora do mercado em abril, seja por restrições logísticas ou por cortes preventivos de produção.

Diante de tantas limitações, o barril do tipo Brent já acumula alta superior a 20% desde fevereiro e voltou a ser negociado acima de US$ 100 por barril. 

Com a busca global por alternativas ao combustível, não foram apenas os painéis solares que ganharam tração nas exportações chinesas.

O país também ampliou os embarques de baterias e veículos elétricos, de marcas como a BYD. Juntos, as exportações desses três segmentos avançaram 70% em março na comparação anual e 38% frente a fevereiro. 

As baterias puxaram em valor: foram US$ 10 bilhões exportados em março, alta de 44% em relação a fevereiro, com demanda forte especialmente de União Europeia, Austrália e Índia.

No Brasil

Os dados da Ember não detalham o papel do Brasil nas exportações chinesas de painéis solares em março. Ainda assim, o movimento tem impacto direto no mercado local: mais de 90% dos módulos fotovoltaicos usados no país vêm da China.

Em 2025, esses produtos foram o quarto item chinês mais importado pelo Brasil, somando US$ 1,5 bilhão e 990 mil toneladas.

Na última década, a presença de painéis solares avançou de forma meteórica no sistema elétrico brasileiro. Hoje, o país tem quase 4 milhões de sistemas espalhados por telhados e fazendas. Em 2015, eram apenas 600.

A fonte já responde por cerca de 23% da capacidade instalada brasileira, ante pouco mais de 2% em 2019.

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Por que a China está apostando em pets, brinquedos e hobbies para reaquecer o consumo

11 de Abril de 2026, 17:21

A próxima ofensiva da China para estimular o consumo está ficando mais pessoal.

Durante anos, os esforços de Pequim para reaquecer os gastos se concentraram em categorias tradicionais de maior valor, como carros e eletrodomésticos. Agora, as autoridades estão sinalizando algo diferente. Um plano recente para impulsionar o consumo passou a promover gastos “baseados em interesses”, em categorias como pets, anime e brinquedos da moda.

Isso faz parte de uma mudança mais ampla para criar novos motores de demanda, num momento em que exportações e investimentos já não têm a mesma força de antes.

Isso importa porque sugere que a China não está apenas tentando fazer as famílias gastarem mais. O país está tentando direcionar esse gasto para categorias ligadas a estilo de vida, que geram consumo recorrente, têm apelo emocional e são mais fáceis de escalar por meio de marca, propriedade intelectual e experiências presenciais.

“O boom da economia emocional é um resultado inevitável do nosso tempo. Ele reflete uma mudança profunda na lógica do consumo, que deixa de ser centrada no produto para ser centrada nas pessoas, com os consumidores mais jovens se afastando das ‘necessidades práticas’ e se aproximando da ‘satisfação emocional’”, disse Yuan Shuai, diretor-adjunto do departamento de investimentos do Instituto de Pesquisa em Desenvolvimento Urbano da China.

Essa mudança já é grande o suficiente para aparecer em pesquisas de mercado. A chamada economia emocional da China atingiu cerca de 2,3 trilhões de yuans (US$ 335 bilhões) em 2025 e deve superar 4,5 trilhões de yuans até 2029, segundo a iiMedia Research. O mesmo relatório diz que os consumidores estão pagando cada vez mais não apenas pela função de um produto, mas também por ressonância emocional, identidade e conforto psicológico.

Não é que os consumidores chineses tenham, de repente, ficado obcecados por brinquedos fofos ou por pets supermimados. O ponto é que fandom, companhia, autoexpressão e experiências imersivas estão se tornando partes mais estruturadas da história do consumo.

Na prática, a China está tentando transformar os gastos com hobbies em uma indústria. Isso cria um novo tipo de vencedor no setor de consumo.

O exemplo mais óbvio é a Pop Mart International Group, cujos personagens colecionáveis ajudaram a transformar o gasto emocional em uma tese de investimento em bolsa. Mas a oportunidade é maior do que uma única empresa.

Negócios capazes de converter afeto em compras recorrentes — por meio de propriedade intelectual de personagens, licenciamento, eventos, assinaturas, acessórios e renovação constante de produtos — podem estar mais bem posicionados do que marcas ainda dependentes de transações pontuais.

Um relatório do governo divulgado em novembro sobre essa política destacou apoio oficial não apenas a pets e brinquedos, mas também ao desenvolvimento de produtos ligados às mudanças no estilo de vida dos consumidores.

Os pets talvez sejam um dos exemplos mais claros. Um cachorro ou um gato não é uma compra única. Ele gera uma longa cadeia de gastos com alimentação, banho e tosa, saúde, roupas, brinquedos, hospedagem e serviços. Do ponto de vista do consumo, isso significa demanda recorrente. Do ponto de vista do investidor, parece bem mais atraente do que apostar numa recuperação dos gastos discricionários de maior valor, ainda atrelados ao mercado imobiliário.

“Eu corto refeições em restaurantes antes de parar de comprar coisas para o meu gato”, disse Li Wen, uma trabalhadora de tecnologia de 29 anos, em Xangai. “Não parece um luxo. Parece uma forma de deixar a vida cotidiana um pouco melhor.”

A mesma lógica vale para produtos ligados a animação e brinquedos da moda. De fora, esses itens podem parecer supérfluos, mas fazem parte de um ecossistema mais amplo de vínculo afetivo que pode ser monetizado. Um personagem bem-sucedido pode vender bonecos, chaveiros, roupas, snacks, ingressos para eventos e produtos de marcas parceiras. Isso ajuda a explicar por que shoppings e áreas comerciais na China estão apostando cada vez mais em lojas temporárias, exposições e varejo temático para transformar entusiasmo online em fluxo de consumidores nas lojas físicas.

Há também uma razão estratégica mais profunda para que Pequim goste dessa tendência. O consumo baseado em interesses depende menos da riqueza gerada por imóveis financiados por dívida e é politicamente menos delicado do que o luxo ostensivo.

Ele combina com o humor atual da política econômica: apoiar a demanda doméstica, incentivar marcas locais, desenvolver serviços e cultivar novas categorias de consumo sem recorrer a mais um velho estímulo ao setor imobiliário.

A Reuters informou que as autoridades querem que o consumo represente uma parcela maior do PIB nos próximos cinco anos e que sua contribuição para o crescimento econômico aumente de forma constante até 2030.

Nada disso significa que toda tendência ligada a hobbies seja uma aposta segura. O consumo emocional pode ser volátil, passageiro e muito influenciado pelo hype das redes sociais. Reportagem do China Daily sobre a economia emocional também trouxe alertas de estudiosos e comentaristas de que o valor emocional é difícil de medir de forma consistente, o que abre espaço para distorções de preço, compras por impulso e excessos especulativos.

Por isso, os investidores deveriam se concentrar menos no item colecionável mais quente do momento e mais em quais empresas conseguem construir ecossistemas duradouros em torno do vínculo afetivo do consumidor. A questão central não é se os chineses vão continuar comprando coisas que os façam se sentir bem. As evidências indicam cada vez mais que sim. A pergunta é quais empresas conseguem transformar esse sentimento em receita recorrente.

A nova linguagem de consumo adotada por Pequim dá uma pista. O futuro do consumo na China pode não ser liderado apenas por geladeiras e sedãs. Ele também pode ser moldado por empresas que aprendam a vender identidade, conforto, fandom e diversão em escala.

Mercado de petróleo está refém de uma corrida frenética por barris

11 de Abril de 2026, 13:08

Enquanto os investidores se concentraram no frágil cessar-fogo iraniano esta semana, uma busca desesperada por cargas tomou conta do mercado de petróleo, com negociantes e refinarias vasculhando o globo atrás de suprimentos disponíveis para entrega imediata.

No Mar do Norte, o mercado físico de petróleo mais importante do mundo, os traders apresentaram 40 lances de compra por cargas nesta semana, dos quais apenas quatro foram atendidos por ofertas de venda.

Cargas para entrega nas próximas semanas trocaram de mãos a preços sem precedentes, acima de US$ 140 o barril. Em outros lugares, as refinarias têm buscado suprimentos em regiões cada vez mais distantes, resultando em uma série de transações incomuns e prêmios exorbitantes para qualquer petróleo que esteja pronto para embarque agora.

Operadores afirmam que os movimentos de pânico nos principais mercados físicos globais demonstram a escala da escassez de óleo bruto que será sentida nas próximas semanas, à medida que a interrupção dos suprimentos do Oriente Médio deixa um vácuo crescente.

A disparada dos preços sinaliza que algumas refinarias europeias provavelmente precisarão seguir o exemplo das asiáticas e reduzir a produção — uma medida que pode ajudar a equilibrar o mercado de petróleo bruto, mas que agravaria a escassez de produtos vitais, como diesel e combustível de aviação.

“Há simplesmente uma falta de óleo bruto”, afirmou Neil Crosby, chefe de pesquisa da Sparta Commodities AS. “O Brent físico está um caos e subiu demais. Nesse ritmo, até as refinarias europeias terão que reduzir a utilização, talvez já no próximo mês.”

Contraste entre Papel e Realidade

O frenesi no comércio físico contrasta com o mercado de futuros, onde o petróleo para entrega em junho caiu 13% esta semana, fechando em cerca de US$ 95 o barril, impulsionado pelo otimismo em relação ao cessar-fogo.

Houve alguns sinais precoces de aumento da atividade no Estreito de Ormuz no fim de semana, com dois superpetroleiros chineses e um grego atravessando a via, mas o tráfego ainda permanece muito abaixo dos níveis anteriores à guerra. Mesmo que as negociações deste fim de semana levem à retomada dos fluxos normais pelo estreito, é improvável que o alívio chegue a tempo de evitar um colapso. O petróleo do Golfo leva semanas para chegar às refinarias na Ásia e na Europa.

“As últimas cargas que transitaram pelo Estreito de Ormuz antes do conflito estão chegando agora aos seus destinos. É aqui que o mercado de papel encontra a realidade física, e o hiato de 40 dias nos fluxos globais de energia fica verdadeiramente exposto”, disse Sultan al Jaber, CEO da Abu Dhabi National Oil, em uma postagem no LinkedIn na quinta-feira.

Prêmios Recordes

Esse vácuo pode ser visto no prêmio que as refinarias estão dispostas a pagar para garantir cargas disponíveis no curto prazo. Operadores de algumas refinarias asiáticas, falando sob condição de anonimato, disseram que não estão mais focados no preço, mas simplesmente buscando garantir barris onde quer que possam para assegurar a segurança energética.

O Dated Brent — a referência mais importante no mercado físico, usada para precificar milhões de barris por dia — atingiu o recorde de US$ 144 o barril antes do cessar-fogo desta semana, superando as máximas de 2008, mesmo com os futuros permanecendo bem abaixo de seus níveis recordes.

Até sexta-feira, o preço havia caído para US$ 126 o barril, ainda assim mais de US$ 30 acima dos futuros do Brent para entrega em junho. Enquanto isso, tradings como Trafigura Group e Gunvor Group ofereciam lances de mais de US$ 22 o barril acima do Dated Brent para cargas no Mar do Norte com entrega entre o final de abril e o início de maio. Suprimentos da Nigéria para carregamento no próximo mês chegaram a ser oferecidos com ágio de US$ 25 por barril sobre a referência, comparado a menos de US$ 3 antes do início da guerra com o Irã.

Estreito de Ormuz: Superpetroleiros voltam a circular e sinalizam alívio no mercado global

11 de Abril de 2026, 12:40

Dois superpetroleiros chineses carregados com óleo bruto pareceram transitar pelo Estreito de Ormuz horas após um navio grego atravessar a via. O movimento sinaliza um aumento significativo no tráfego de petróleo dias após o anúncio de um frágil cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã.

Se os três navios completarem a travessia neste sábado (11) — uma jornada que leva cerca de oito horas —, este será o dia de maior saída de petróleo por Ormuz desde que a guerra paralisou quase todo o tráfego na região no início de março.

Nenhuma das embarcações transporta petróleo iraniano ou possui ligações diretas óbvias com o país. Desde o início do conflito, a vasta maioria do petróleo que deixou a região teve como origem a República Islâmica.

A reabertura de Ormuz é crítica para o comércio global de energia, pois seu fechamento resultou na perda de milhões de barris de oferta para os mercados mundiais. Uma retomada aliviaria a pressão sobre os mercados físicos, que estão cada vez mais apertados globalmente. EUA e Irã devem realizar negociações de paz em Islamabad nos próximos dias.

Os dois superpetroleiros chineses seriam os primeiros da nação asiática observados retirando barris da região — um benefício para Pequim, mas que ressalta como o país também foi pressionado pelo conflito.

Em termos de fluxo, as saídas são significativas, mas ainda estão longe dos níveis de tempos de paz. Juntos, os três navios têm capacidade de transporte de cerca de 6 milhões de barris. Somado a isso, o Irã exportou a uma taxa de 1,7 milhão de barris por dia no mês passado. Isso implicaria cerca de metade da taxa normal de embarques pela via — e apenas por um único dia.

Há também um terceiro navio chinês que não emitiu sinais neste sábado, mas que aguardava próximo aos outros dois antes de iniciarem a saída do Golfo Pérsico.

O navio grego sinalizava destino a Malaca, na Malásia, cujos meios de comunicação informaram na sexta-feira uma permissão para a partida dos cargueiros do país. Malaca também serve como ponto de passagem para navios que se dirigem a outras partes da Ásia. O Irã afirmou que as embarcações estão autorizadas a navegar pela via, mas que devem obter permissão para isso.

Os dois superpetroleiros chineses são o Cospearl Lake e o He Rong Hai. O grego é o Serifos. Chamadas para os operadores dos navios fora do horário comercial não foram atendidas ou retornadas de imediato. O Serifos e o He Rong Hai carregaram seus suprimentos na Arábia Saudita, enquanto o Cospearl Lake carregou no Iraque, mostram os dados de rastreamento.

Todos os três parecem ter seguido uma rota ao norte pelo estreito, conforme exigido por Teerã. Esse caminho passa por águas iranianas e ao longo das costas das ilhas Qeshm e Larak, afastando-se das rotas tradicionais de navegação de Ormuz que margeiam a costa sul da hidrovia.

Além deles, dois contratorpedeiros de mísseis guiados da Marinha dos EUA atravessaram o Estreito de Ormuz, de acordo com três funcionários americanos ouvidos pelo jornal Wall Street Journal, marcando a primeira vez que embarcações do país transitaram pela via desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.

Não foram relatados problemas, e a operação foi descrita como uma missão de navegação livre. Os navios não escoltavam embarcações comerciais, disseram as autoridades.

Quase todo o tráfego pela via, que normalmente movimenta cerca de um quinto do petróleo mundial e uma parcela semelhante de gás natural liquefeito (GNL), foi interrompido logo no primeiro dia da guerra.

Embora o rastreamento digital de navios possa estar sujeito a manipulações, os sinais das três embarcações parecem consistentes com movimentos reais de navegação.

Enel pode perder a concessão em São Paulo. Veja os próximos passos do processo do governo

7 de Abril de 2026, 17:35

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu, nesta terça-feira (7), instaurar um processo de caducidade contra a Enel SP, em um movimento que pode levar ao encerramento do contrato de concessão da distribuidora na Grande São Paulo.

A medida foi adotada após a Aneel identificar falhas recorrentes na prestação do serviço, com destaque para o desempenho da empresa em eventos climáticos extremos entre 2023 e 2025. Segundo a decisão, a concessionária não conseguiu atingir padrões considerados adequados, mantendo níveis elevados de interrupções prolongadas e tempo de resposta acima do esperado.

Com a abertura do processo, a Enel terá prazo para apresentar defesa antes que a Aneel conclua sua análise e decida se recomenda a caducidade ao Ministério de Minas e Energia (MME), responsável pela decisão final sobre o contrato.

Procurada pelo InvestNews, a Enel, em nota, afirmou que seguirá trabalhando para demonstrar, em todas as instâncias, que cumpre todos os indicadores previstos no contrato de concessão e no plano de recuperação apresentado em 2024 à Aneel.

Cronologia do caso

As reclamações em relação à Enel começaram em 2023, após uma série de apagões recorrentes na Grande São Paulo expor falhas no restabelecimento do serviço prestado.

  • Nov/2023: ventos fortes derrubam árvores e cabos e milhares de imóveis ficam dias sem luz após o temporal;
  • 2024 (ao longo do ano): novos apagões combinam impacto de chuvas com falhas na infraestrutura, incluindo problemas em rede subterrânea e interrupções prolongadas;
  • Out/2024: temporal derruba a rede em larga escala e milhões de imóveis ficam sem energia e normalização leva dias em parte da cidade;
  • No mesmo período, a Aneel intensifica fiscalização e aplica multas e cobra plano de recuperação após falhas no atendimento;
  • Dez/2024: novo temporal derruba árvores sobre a rede e deixa centenas de milhares de clientes sem luz;
  • Dez/2025: ventos fortes causam apagão que atinge mais de 4,4 milhões de imóveis e restabelecimento ocorre de forma gradual;
  • No mesmo período, o Governo Federal pede à Aneel abertura de processo para avaliar rompimento do contrato após sequência de falhas;
  • Fev/2026: área técnica da Aneel recomenda caducidade com base no histórico de interrupções e Enel contesta e atribui falhas à intensidade dos temporais;
  • Mar/2026: empresa recorre à Justiça e consegue suspender o processo e decisão posterior libera retomada da análise;
  • Abr/2026: Aneel abre processo de caducidade e concede 30 dias para defesa antes de possível decisão do governo.

Enel: o que é o processo de caducidade?

A caducidade é um instrumento jurídico que permite o encerramento antecipado de contratos de concessão quando há descumprimento de obrigações, de acordo com a lei Nº 8.987/1995.

No setor elétrico, isso ocorre quando a concessionária não atende aos padrões de qualidade e continuidade exigidos pela regulação e pelos órgãos competentes.

Com a instauração do processo administrativo, a Enel será avaliada pela Aneel após a empresa apresentar sua defesa. O processo poderá ser arquivado ou encaminhado para análise do MME.

Na prática, a pasta responsável decidirá se a Enel perderá o direito de exploração do serviço previsto no contrato de concessão.

Aneel x Enel: quais os próximos passos

Com a instauração do processo administrativo de caducidade, a Enel terá 30 dias para apresentar sua defesa.

Após esse prazo, a agência analisará os argumentos apresentados pela concessionária e decidirá se recomenda ou não o fim do contrato ao Ministério de Minas e Energia, que tem a competência para a decisão final.

O que muda para a Enel a partir de agora?

A Enel continua responsável pelo fornecimento de energia elétrica em São Paulo, mas passa a operar com o contrato sob avaliação.

A Aneel também determinou a suspensão da análise de renovação da concessão, o que impede a prorrogação do contrato enquanto o processo estiver em curso.

Além disso, a decisão reforça o acompanhamento regulatório sobre a operação da distribuidora, especialmente em relação ao cumprimento de metas de qualidade e atendimento.

O contrato da Enel será rescindido em São Paulo?

Não há rescisão automática no contrato de concessão da Enel. Mesmo em caso de caducidade, a saída não ocorreria de forma imediata.

  • A abertura do processo é uma etapa inicial que pode ou não resultar no encerramento da concessão.

Caso o entendimento seja de que houve descumprimento das obrigações contratuais, o contrato pode ser encerrado. Caso contrário, a concessão permanece vigente.

Por se trata de um serviço essencial, o fornecimento de energia precisa ser mantido durante a transição. O prazo para qualquer transição não é fixo, mas a continuidade do serviço é preservada até a definição de uma nova gestão.

Nesse caso, o governo federal pode assumir temporariamente a operação ou definir um novo operador.

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Trump reitera ameaça de destruir o Irã. ‘Uma civilização inteira morrerá esta noite’

7 de Abril de 2026, 10:12

O presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou seu ultimato para que o Irã aceite um acordo de cessar-fogo ou enfrente uma grande escalada militar, enquanto ambos os lados mantêm ataques na sexta semana de guerra.

“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser recuperada. Não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá”, disse Trump em uma postagem nas redes sociais na terça-feira (7). “Talvez algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE? Vamos descobrir esta noite.”

Os comentários vieram enquanto os EUA e Israel mantinham bombardeios contra o Irã — incluindo ataques ao polo exportador de petróleo da Ilha de Kharg — enquanto a República Islâmica disparava mísseis através do Golfo Pérsico. Trump ameaçou destruir usinas de energia, pontes e outras infraestruturas iranianas caso não haja acordo até as 20h (horário do leste dos EUA).

Falando em Budapeste, o vice-presidente JD Vance disse estar confiante de que o Irã dará uma resposta até lá.

Crime de guerra

As Nações Unidas alertaram que ataques indiscriminados a infraestrutura civil podem constituir crime de guerra. Trump afirmou não estar “nem um pouco” preocupado com essa possibilidade.

O mais recente ultimato marca um momento crítico no conflito, que já matou mais de 5.200 pessoas — a maioria no Irã e no Líbano — e atingiu instalações de energia em toda a região. O presidente começou a impor prazos em 21 de março para forçar o Irã a reabrir o estratégico Estreito de Ormuz, tendo prorrogado o prazo diversas vezes, mas disse na segunda-feira que é “altamente improvável” que volte a fazê-lo.

A liberdade de navegação pelo estreito deve fazer parte de qualquer acordo, afirmou Trump.

A agência semioficial iraniana Mehr informou que explosões foram ouvidas na Ilha de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do país.

A Fox News relatou que os EUA atingiram bunkers, uma estação de radar e depósitos de munição, além de um impacto não intencional nos cais da ilha. Duas pessoas morreram em um ataque EUA-Israel a uma ponte ferroviária próxima à cidade iraniana de Kashan, segundo a agência estatal Nour News.

Israel se prepara para a possibilidade de que os combates continuem por várias semanas e, na terça-feira, alertou iranianos a não utilizarem a rede ferroviária até as 21h no horário local — um tipo de aviso que costuma anteceder ataques a áreas civis.

Petróleo

O petróleo reduziu ganhos à medida que investidores hesitam diante do prazo imposto por Trump, com o risco de escalada sendo parcialmente compensado por sinais de cessar-fogo. O Brent era negociado ligeiramente acima de US$ 110 por barril em Londres.

Trump afirmou na segunda-feira que as negociações com o Irã estão “indo bem” e que a reabertura do estreito é “uma prioridade muito grande”.

“Precisamos de um acordo aceitável para mim, e parte disso será garantir o livre fluxo de petróleo e de tudo mais”, disse.

O militar norte-americano poderia destruir “todas as pontes do Irã”, acrescentou. Usinas seriam deixadas “em chamas, explodindo e sem nunca mais poderem ser usadas”.

O Irã alertou que responderia a uma escalada desse tipo intensificando seus próprios ataques à infraestrutura energética no Golfo — o que poderia agravar a crise global de combustíveis e ampliar os danos à economia mundial.

A República Islâmica lançou sete mísseis balísticos e vários drones contra a Arábia Saudita durante a madrugada de terça-feira, e destroços de interceptações caíram nas proximidades de instalações energéticas, segundo o reino. Uma ponte importante que liga Bahrein e Arábia Saudita foi temporariamente fechada como precaução.

As Forças de Defesa de Israel relataram três ondas de mísseis iranianos desde a meia-noite, mirando diversos pontos em Tel Aviv e cidades vizinhas.

Israel aprovou novas missões contra o Irã para as próximas três semanas, se necessário, segundo um porta-voz militar. O país também trava uma guerra paralela no Líbano contra o grupo Hezbollah, apoiado por Teerã, e atacou alvos em Beirute na segunda-feira.

O principal diplomata de Singapura alertou que o impacto econômico do conflito pode piorar e que os investidores ainda não ajustaram totalmente suas expectativas. “Tenho certeza de que os mercados não estão precificando completamente o pior cenário”, disse o chanceler Vivian Balakrishnan à Bloomberg Television.

Trump tem enfrentado dificuldades para encontrar uma saída para o conflito, que se torna cada vez mais impopular entre os americanos, com o preço médio da gasolina acima de US$ 4 por galão. Ele afirmou que JD Vance participa das negociações de cessar-fogo, junto com o enviado especial Steve Witkoff, embora Teerã tenha rejeitado uma proposta na segunda-feira.

“Posso dizer que temos um participante ativo e disposto do outro lado”, disse Trump. “Eles estão negociando, acreditamos, de boa-fé — vamos descobrir.”

O Irã pediu o fim permanente da guerra, esforços de reconstrução e o levantamento de sanções, além de protocolos para garantir a navegação segura pelo Estreito de Ormuz, segundo a agência estatal IRNA.

A ofensiva iraniana contra EUA e Israel não será afetada pelas ameaças de Trump, disse um porta-voz militar, citado pela mídia estatal.

Teerã afirmou que só permitirá a normalização do tráfego no estreito após ser compensado pelos danos da guerra.

A República Islâmica reduziu quase a zero o fluxo pelo Estreito de Ormuz — por onde normalmente passa cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito.

Dois navios carregados com GNL do Catar chegaram a deixar o Golfo Pérsico na segunda-feira, mas fizeram retorno poucas horas depois após terem a passagem negada por autoridades iranianas, segundo traders.

Teerã tem permitido apenas um fluxo limitado de embarcações na via marítima, que também utiliza para suas próprias exportações de petróleo.

Trump lamentou que gostaria de utilizar o petróleo iraniano para os EUA, mas afirmou que a opinião pública americana pressiona pelo fim do conflito.

“Sou um homem de negócios antes de tudo”, disse. “E já disse: por que não usamos isso? Ao vencedor, os despojos? Mas não temos isso.”

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Trump vai assinar o dólar e encerrar 165 anos de tradição nas cédulas mais famosas do mundo

26 de Março de 2026, 20:08

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (26) que a assinatura do presidente Donald Trump passará a figurar nas cédulas de dólar, um feito inédito para um presidente americano em exercício.

As primeiras notas de US$ 100 com o nome de Trump e do secretário do Tesouro, Scott Bessent, serão impressas em junho. As cédulas de outros valores virão nos meses seguintes.

A decisão rompe uma convenção tão antiga quanto o próprio papel-moeda americano.

Desde 1861, quando o governo federal começou a emitir suas próprias cédulas, o dinheiro dos Estados Unidos carrega duas assinaturas: a do secretário do Tesouro e a do tesoureiro nacional. São dois cargos técnicos, não políticos. No Brasil, a lógica é semelhante: assinam as cédulas do real o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central.

Ao manter o presidente fora das cédulas, os Estados Unidos estabeleceram uma separação simbólica entre o chefe de Estado e o dinheiro que circula em seu nome. A legislação que rege a impressão das cédulas permite retratos apenas de indivíduos falecidos, e as assinaturas sempre pertenceram a funcionários do Tesouro, nunca ao ocupante da Casa Branca.

Trump rompe uma tradição de 34 ocupantes do cargo que assinaram cédulas ao longo de 165 anos. O Tesouro justificou a mudança como homenagem ao 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, celebrado neste 4 de Julho.

Personificação

O gesto se insere num padrão mais amplo do novo governo Trump. A troca de assinaturas é a mais recente de uma série de iniciativas do presidente para estampar o nome do presidente em edifícios, instituições, programas governamentais, navios de guerra e moedas, como lembrou o The Wall Street Journal.

O Kennedy Center, um dos principais espaços culturais de Washington, criado como memorial ao presidente assassinado John F. Kennedy, passou a carregar também o nome de Trump. O Instituto da Paz dos Estados Unidos foi renomeado.

Um painel federal aprovou o desenho de uma moeda de ouro comemorativa com o rosto do presidente, algo que, por tradição, só ocorre após a morte do homenageado. A exceção mais próxima é Calvin Coolidge, que apareceu numa moeda em 1926, no 150º aniversário do país.

Em seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, Trump já havia testado o recurso: assinou pessoalmente os cheques de auxílio emergencial distribuídos aos americanos durante a pandemia de covid-19. A diferença agora é de escala e permanência.

Uma cédula de dólar circula, em média, por anos, dentro e fora dos Estados Unidos, e carrega consigo o peso simbólico da maior economia do mundo.

Seleções campeãs do mundo: todos os vencedores da Copa até 2022

26 de Março de 2026, 18:08

Você sabia que apenas oito países já venceram a Copa em 22 edições desde que ela foi criada? As seleções de futebol masculino campeãs do mundo representam somente dois continentes. O time vencedor da Copa no Catar, a Argentina, que derrotou a França nos pênaltis na final, pertence a um desses continentes.

A seguir, confira quem foram os vencedores da Copa até o momento e quais deles tiveram a oportunidade de ganhar mais de uma vez, como o Brasil. Se você ama futebol, é hora de refrescar a memória!


Confira:

Quais são as seleções campeãs do mundo?

Em países em que o futebol é um esporte popular, participar do torneio vira questão de honra. Nesse quesito, o Brasil fez a lição de casa, porque, além de estar entre os campeões da Copa do Mundo, é o único país que participou de todas as edições. 

As seleções campeãs do mundo são:

  • Uruguai 
  • Itália
  • Alemanha 
  • Brasil 
  • Inglaterra
  • Argentina 
  • França 
  • Espanha

Confira, agora, qual foi o placar das partidas que definiram os vencedores da Copa e algumas curiosidades:

1930

O Uruguai sediou a primeira Copa do  Mundo e as 18 partidas foram feitas somente na capital Montevidéu. O time uruguaio foi à final contra a Argentina e venceu os vizinhos por 4 a 2. No dia seguinte, foi feriado no país para celebrar a conquista do título no primeiro campeonato. 

1934 

A Itália sediou a segunda Copa do Mundo e também se tornou campeã em casa, vencendo a antiga Tchecoslováquia (atual República Tcheca e Eslováquia) na prorrogação por 2 a 1. Os jogos foram transmitidos ao vivo pelo rádio para 12 países. 

O campeão Uruguai não disputou a Copa em retaliação à Itália, por ter se recusado a viajar e participar da primeira edição.

1938

A Itália se tornou bicampeã ao vencer a Hungria por 4 a 2. O Brasil foi o terceiro colocado. Pela primeira vez, um país asiático participou da Copa: as Índias Orientais Holandesas (Indonésia).

1950

Depois de um intervalo com as copas de 1942 e 1946 canceladas por causa da Segunda Guerra Mundial, a retomada foi no Brasil.

Jogando em casa, a equipe brasileira conseguiu chegar até a final, que foi disputada no Maracanã, no Rio de Janeiro, considerado o maior estádio do mundo na época. No entanto, o Uruguai conseguiu virar o jogo e se tornou bicampeão por 2 a 1.

1954

A Copa de 1954 marca o retorno da Alemanha, dessa vez como Alemanha Ocidental, à Copa desde o final da Segunda Guerra. Mesmo não sendo a favorita, os alemães venceram a Hungria de virada, por 3 a 2, marcando o gol da vitória já no fim da partida.

1958

A Copa de 1958 tinha uma dupla invencível de atacantes: Pelé e Garrincha, que levaram o Brasil à final, que venceu a anfitriã dos jogos, a Suécia, por 5 a 2. O Brasil foi o primeiro país a conquistar o título em um continente diferente. 

1962

Mais uma vez na final, o Brasil venceu a Tchecoslováquia por 3 a 1 na Copa no Chile. Garrincha estava suspenso da partida por conta de um cartão vermelho na semifinal. Mas até o presidente do Chile, Jorge Alessandri, solicitou que o atacante brilhasse na final e o pedido foi aceito.

1966

A Inglaterra venceu a Alemanha Ocidental por 4 a 2 na prorrogação. A Rainha Elizabeth II estava no estádio em Wembley e presenciou o país conquistar seu primeiro e único título até o momento.

1970

O Brasil se tornou tricampeão, vencendo a Itália por 4 a 1. O time brasileiro se consagrou no futebol mundial com jogadores como Pelé, Rivelino, Tostão e Carlos Alberto.

1974

A Alemanha Ocidental venceu a Holanda em casa por 2 a 1. A Copa foi marcada pela atuação marcante do jogador holandês Johan Cruyff e do alemão Franz Beckenbauer. 

1978

Em sua segunda final consecutiva, a Holanda perdeu novamente, desta vez para a dona da casa, a Argentina. Passaram-se 48 anos desde a primeira Copa do Mundo até que os argentinos levassem o título por 3 a 1.

1982

Depois de  uma semifinal disputada nos pênaltis entre Alemanha Ocidental e França, a seleção alemã venceu, mas não conquistou a taça Jules Rimet. A Itália venceu os alemães por 3 a 1 e se igualou ao Brasil com o tricampeonato na Copa da Espanha.

1986

A Copa do México foi do argentino Diego Maradona, que estava no auge de sua carreira e contribuiu para vencer a Alemanha Ocidental. A Argentina conquistou o título pela segunda vez.

1990

Alemanha e Argentina se enfrentaram novamente em uma final, mas dessa vez os alemães levaram a melhor por 1 a 0. O gol decisivo foi de um pênalti faltando menos de cinco minutos para terminar a partida.

1994

A final clássica entre Brasil e Itália, decidida nos pênaltis. O chute para fora do gol do italiano Roberto Baggio entregou o título ao Brasil, que conquistou o primeiro tetracampeonato entre os vencedores da Copa.

1998

Depois de um tetra, a expectativa sobre a seleção brasileira caiu por terra. Apesar do Brasil chegar à final com a França, a vitória foi de 3 a 0 para os franceses.

2002

Realizada pela primeira vez na Ásia e em dois países ao mesmo tempo, a Copa da Coreia do Sul e do Japão marcou também a vitória do Brasil pela quinta vez. A seleção brasileira venceu a Alemanha por 2 a 0.

2006

Com semifinais e uma final composta apenas de países europeus, a Itália venceu a França nos pênaltis e se consagrou tetracampeã. 

2010

Pela primeira vez a ser realizada no continente africano, a Copa na África do Sul também teve um estreante entre as seleções campeãs do mundo. A Espanha, que até então nunca havia passado das quartas de final, venceu a Holanda por 1 a 0 na prorrogação.

2014

Na segunda Copa do Mundo no Brasil, a final ficou entre a Alemanha e a Argentina. A partida foi decidida só na prorrogação, que deu vitória aos alemães por 1 a 0, sendo a primeira seleção europeia a ganhar o torneio no continente americano. 

2018

A França conquistou o bicampeonato na final contra a Croácia, vencendo por 4 a 2. O francês Kylian Mbappe foi o segundo jogador mais novo a disputar uma final, com 19 anos. 

O mais novo, até o momento, continua a ser o brasileiro Pelé, que jogou a final de 1958, na Suécia, com apenas 17 anos.

2022

A Argentina levou o tricampeonato na Copa do Catar, encerrando um jejum de 36 anos sem título, ao derrotar a França nos pênaltis. A partida encerrou em 3 a 3, na prorrogação.

Países que mais venceram a Copa do Mundo

Entre as oito seleções campeãs do mundo, somente seis conquistaram o título mais de uma vez. O Brasil é o único pentacampeão até o momento, enquanto Alemanha e Itália somam quatro vitórias cada.

O ranking dos países vencedores da Copa são:

  • Brasil: 5 vitórias
  • Itália: 4 vitórias
  • Alemanha: 4 vitórias
  • Argentina: 3 vitórias
  • Uruguai: 2 vitórias
  • França: 2 vitórias
  • Inglaterra: 1 vitória
  • Espanha: 1 vitória

A Alemanha participou das Copas de 1934 e 1938 como uma única seleção. Depois da Segunda Guerra, o país voltou a disputar o torneio somente em 1954, porém como Alemanha Odicental. 

A Federação Internacional do Futebol (FIFA), que é o órgão responsável pela realização da Copa, atribuiu as vitórias da antiga Alemanha Ocidental à atual seleção alemã. 

De todos os campeões da Copa do Mundo, somente a Itália não vai disputar o torneio no Catar este ano. Esta será a segunda edição que a seleção italiana não se classifica para o campeonato.

Países que nunca participaram da Copa do Mundo

A FIFA reconhece mais de 200 nações que podem ou não disputar o torneio. Cabe a cada uma escolher se candidatar para participar das eliminatórias e tentar se classificar para o torneio principal.

Alguns dos países que mais tentaram participar, mas nunca conseguiram são Luxemburgo, Curaçao, Zâmbia, Malta, Síria e Venezuela. Todos eles já se inscreveram em mais de dez edições do torneio.

Governo oferece R$ 15 bilhões a empresas afetadas por tarifas e Guerra no Oriente Médio

25 de Março de 2026, 14:10

O Brasil lançou um novo programa para oferecer financiamento a empresas que enfrentam dificuldades devido ao impacto das tarifas dos Estados Unidos e da guerra no Oriente Médio.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou nesta quarta-feira uma medida provisória que oferece R$ 15 bilhões em crédito para ajudar empresas afetadas por razões geopolíticas e instabilidade internacional, como a guerra no Oriente Médio e medidas tarifárias impostas pelo governo do Estados Unidos.

Uma ampla gama de empresas pode se qualificar, desde exportadores do setor industrial atingidos por tarifas até produtores de fertilizantes, considerados essenciais para reduzir a dependência do Brasil em relação às importações, interrompidas pela guerra.

A medida, noticiada inicialmente pelo jornal O Globo, marca uma nova fase do programa Brasil Soberano, lançado no ano passado após o presidente americano Donald Trump ter imposto tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras para os EUA.

Na época, o programa fazia parte de uma resposta mais ampla de Lula que ajudou a impulsionar sua popularidade. Agora, o líder de esquerda está lutando para conter o aumento dos custos dos combustíveis e as interrupções na oferta de fertilizantes, que ameaçam elevar a inflação e gerar insatisfação entre caminhoneiros, agricultores e empresários.

Os recursos serão direcionados para capital de giro, aquisição de bens de capital e investimentos voltados à adaptação da produção, ampliação da capacidade produtiva e investimentos em inovação tecnológica. Os recursos virão de superávits financeiros do Tesouro, do fundo garantidor de exportações e de outras fontes orçamentárias. 

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Governo Trump libera TotalEnergies de investir US$ 1 bilhão em energia eólica

24 de Março de 2026, 14:53

O governo Donald Trump liberou a TotalEnergies e seus parceiros de contratos de cerca de US$ 1 bilhão em projetos de energia eólica offshore, permitindo que a gigante francesa redirecione esses recursos para investimentos em petróleo e gás natural nos Estados Unidos.

Pelo acordo, a empresa não está mais comprometida a desenvolver parques eólicos nas costas de Nova York, Nova Jersey e Carolina do Norte, disse o secretário do Interior, Doug Burgum, durante a conferência CERAWeek, em Houston.

Reverter políticas climáticas

Em troca dos novos investimentos em combustíveis fósseis, os EUA vão reembolsar a TotalEnergies “dólar por dólar” até o valor pago originalmente pelos contratos, segundo comunicado do Departamento do Interior.

A ofensiva do presidente Donald Trump contra a energia eólica offshore faz parte de um esforço mais amplo para reverter políticas climáticas da era Biden e reforçar o apoio aos combustíveis fósseis. Tentativas de barrar a construção de cinco parques eólicos no mar, porém, têm enfrentado reveses na Justiça nos últimos meses.

O CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanne, afirmou que a empresa vai “acelerar” os investimentos em gás natural liquefeito (GNL) nos EUA. Segundo ele, o acordo não altera o compromisso da companhia com a energia eólica em outros países.

A empresa disse ainda que estudos indicam que projetos de eólica offshore nos EUA — ao contrário da Europa — são caros e podem encarecer a energia para os consumidores.

A TotalEnergies, já a maior exportadora de GNL dos EUA, pretende reinvestir os valores reembolsados para financiar o projeto Rio Grande LNG, no Texas, e outras atividades de petróleo e gás no país.

“Esses investimentos vão ajudar a fornecer GNL necessário para a Europa e gás para o desenvolvimento de data centers nos EUA”, disse Pouyanne.

A unidade Attentive Energy, da TotalEnergies, havia obtido licença para desenvolver mais de 3 gigawatts de energia eólica offshore entre Nova York e Nova Jersey — suficiente para abastecer mais de 1 milhão de residências. O contrato, concedido em 2022, custou US$ 795 milhões.

Posteriormente, a empresa vendeu uma participação de 44% no projeto por US$ 420 milhões para investidores, incluindo a Macquarie Group. A Total também havia obtido outro contrato, de 1 gigawatt, na costa da Carolina do Norte, por US$ 160 milhões.

As discussões sobre a desistência dos contratos foram noticiadas anteriormente pelo New York Times.

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Minha Casa Minha Vida passa a atender famílias com renda até R$ 13 mil mensais

24 de Março de 2026, 13:25

O programa habitacional Minha Casa, Minha Vida ganhou novos teto salarial e valor máximo de imóvel que pode ser financiado dentro das taxas subsidiadas. Todas as quatro faixas foram reajustadas e o limite máximo de renda familiar mensal passou de R$ 12 mil para R$ 13 mil.

As mudanças foram aprovadas pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) nesta terça-feira (24).

Com as alterações, a Faixa 1 passa a atender famílias com renda mensal até R$ 3,5 mil. Na regra antiga, o teto era de R$ 2.850.

Já a Faixa 2 passou de R$ 4.700 para até R$ 5 mil, enquanto a Faixa 3 avançou de R$ 8,6 mil para R$ 9,6 mil.

O mesmo incremento foi aplicado ao teto da Faixa 4, voltada à classe média. O limite subiu R$ 1 mil para R$ 13 mil.

Os valores máximos de imóveis que podem ser financiados no programa também subiu. A Faixa 3 teve um incremento de R$ 50 mil. Esse segmento vai atender aquisições de residências de até R$ 400 mil.

Na Faixa 4, o limite subiu R$ 100 mil e agora as famílias poderão comprar imóveis com valor de até R$ 600 mil.

A última grande mudança do programa ocorreu em abril do ano passado. Foi justamente a criação da Faixa 4 para atender famílias de classe média, que acabaram excluídas do crédito imobiliário no atual cenário de juros altos.

As taxas dos empréstimos não mudaram. A Faixa 1 continua com juros de até 4,25% ao ano. Na Faixa 2, as taxas vão até 7%, enquanto na 3, os custos podem alcançar 8,16% anuais. A Faixa 4 tem taxas de até 10,5% ao ano.

O sucesso industrial da China virou um problema diplomático. E Pequim sabe disso

22 de Março de 2026, 09:34

O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, prometeu responder às preocupações de parceiros comerciais com o grande superávit da China, num sinal de que Pequim teme que o tema prejudique suas relações com mais países durante a trégua com os Estados Unidos na disputa tarifária.

“Levamos a sério as preocupações de nossos parceiros comerciais e estamos prontos para trabalhar com todas as partes para promover um desenvolvimento saudável e equilibrado do comércio”, disse Li em um discurso de abertura no Fórum de Desenvolvimento da China, em Pequim, no domingo (22).

“Também vamos ampliar ainda mais o acesso ao mercado no setor de serviços e aumentar as importações de produtos médicos e de saúde, tecnologias digitais e serviços de baixo carbono, para oferecer mais oportunidades de negócios a empresas estrangeiras”, acrescentou.

A China registrou no ano passado um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão, e as exportações seguiram em forte alta nos dois primeiros meses deste ano, ampliando a preocupação em vários países com o futuro de suas próprias indústrias.

Estados Unidos e China travaram uma grande guerra comercial em 2025, que foi colocada em pausa com uma trégua de um ano acertada pelo presidente Donald Trump e pelo líder chinês Xi Jinping em outubro. Em dezembro, o presidente francês, Emmanuel Macron, alertou que a União Europeia poderia ser forçada a adotar “medidas fortes” contra a China, incluindo possíveis tarifas, se Pequim não enfrentar o desequilíbrio comercial crescente com o bloco.

As autoridades chinesas já tomaram algumas medidas para aliviar as tensões comerciais, entre elas a redução de incentivos tributários à exportação para centenas de produtos, como células solares e baterias.

Essa força industrial, porém, convive com uma economia fragilizada pelo consumo doméstico fraco. Setores como o de energia solar também sofrem com excesso de capacidade e concorrência acirrada nos preços.

Li afirmou que, “nos últimos anos, fizemos progressos positivos no enfrentamento da competição de estilo involutivo”.

Falando no mesmo fórum, o presidente do Banco do Povo da China, Pan Gongsheng, defendeu o superávit em conta corrente do país, dizendo que ele “é alocado entre diferentes regiões e setores do mundo por meio do investimento externo de empresas chinesas e dos bancos”.

Li Qiang, o premiê Chinês. Foto: Bloomberg

Segundo ele, esse superávit “tem sustentado o crescimento econômico global e a estabilidade financeira”.

O Fórum de Desenvolvimento da China foi criado em 2000 com apoio do então premiê Zhu Rongji. O evento costuma ocorrer logo após o encerramento das duas principais reuniões políticas anuais do país e atrai CEOs de grandes corporações, que conversam com autoridades sobre as prioridades econômicas e de política pública de Pequim.

No domingo, o CEO da Apple, Tim Cook, elogiou as inovações de desenvolvedores chineses e a automação das fábricas no país. Os comentários vieram dias depois de o principal jornal do Partido Comunista criticar a fabricante do iPhone por práticas monopolistas.

Neste ano, nenhum executivo japonês apareceu na lista oficial de participantes. As relações entre Pequim e Tóquio se deterioraram depois que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sugeriu que as Forças Armadas do país poderiam ser mobilizadas no caso de uma invasão chinesa de Taiwan.

O número 2 do Fundo Monetário Internacional, Dan Katz, afirmou no fórum que Pequim “pode fazer mais para estimular o consumo e a demanda doméstica — especialmente por serviços — elevando a renda das famílias e reduzindo os incentivos à poupança por precaução”.

Isso exigiria, segundo ele, “deslocar recursos hoje destinados a subsídios industriais e infraestrutura para programas de proteção social e para a estabilização do setor imobiliário, de modo a dar aos cidadãos confiança para gastar mais e poupar menos”.

Também significaria transferir parte da carga tributária das famílias de classe média para as mais ricas e reduzir isenções concedidas a empresas, acrescentou Katz.

A guerra no Irã também amplia os riscos para a economia chinesa. Custos mais altos de combustíveis e matérias-primas podem pressionar ainda mais as margens de lucro da indústria.

Li não mencionou diretamente o conflito, mas disse que “o desenvolvimento de alguns focos de tensão é profundamente preocupante”.

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Trump dá ultimato ao Irã e ameaça bombardear usinas se Hormuz não reabrir

22 de Março de 2026, 09:13

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu ao Irã um prazo de dois dias para reabrir o Estreito de Hormuz ou ver suas usinas de energia serem bombardeadas, elevando o tom de uma guerra que, já em sua quarta semana, não mostra sinais de desescalada.

Trump, num indicativo da pressão que enfrenta para conter a disparada dos preços do petróleo, disse que o Irã precisa “abrir totalmente, sem ameaças” a via marítima vital para o fluxo global de energia. Ele deu ao país 48 horas “a partir deste exato momento”, em uma postagem na Truth Social publicada no fim da noite de sábado (21).

Os militares iranianos responderam dizendo que vão mirar “toda a infraestrutura de energia, tecnologia da informação e dessalinização pertencente aos EUA e ao regime israelense na região” caso a infraestrutura de combustíveis e energia do Irã seja atacada, segundo a agência semioficial Tasnim. A TV estatal iraniana publicou relatos semelhantes.

A retórica indica que nenhum dos lados está disposto a recuar. A guerra — iniciada com ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã em 28 de fevereiro — já desencadeou uma crise inédita no fornecimento de petróleo e gás. As ameaças mais recentes vieram depois de uma semana de ataques pesados contra infraestrutura energética crucial no Oriente Médio, aprofundando o risco de efeitos mais duradouros sobre a economia global.

Os fluxos de petróleo e gás provavelmente levarão tempo para voltar ao normal mesmo depois da reabertura do Estreito de Hormuz, já que muitos locais de produção foram danificados. Os bloqueios também estão provocando escassez de fertilizantes e nutrientes agrícolas, o que eleva a perspectiva de disrupções graves na produção de alimentos.

Estados Unidos e Israel continuaram, no domingo, a atacar alvos no Irã, que por sua vez segue lançando mísseis e drones contra Israel e países árabes do Golfo.

Mais de 4 mil pessoas morreram em toda a região, segundo governos e organizações não governamentais, sendo mais de três quartos das vítimas no Irã. No Líbano, onde Israel intensificou a ofensiva contra militantes do Hezbollah apoiados por Teerã, o número de mortos já supera 1 mil. Dezenas de pessoas morreram em Israel e em países árabes.

Os ataques com mísseis iranianos contra Israel se intensificaram nos últimos dias. No sábado, cerca de 115 pessoas ficaram feridas nas cidades de Arad e Dimona, no sul do país — esta última conhecida por dar nome a uma instalação de pesquisa nuclear nas proximidades. A mídia iraniana afirmou que o ataque foi uma retaliação a uma ofensiva contra a instalação nuclear de Natanz.

“Esta é uma noite muito difícil na luta pelo nosso futuro”, disse o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acrescentando que estava reforçando as equipes de resgate nas áreas atingidas.

Donald Trump está com terno escuro e gravata vermelha, e aponta para à esquerda

Falando no domingo, Netanyahu pediu que líderes de outros países se juntem à guerra e afirmou que alguns já começam a dar sinais nessa direção. “Fico feliz em dizer que consigo ver alguns deles começando a se mover nessa direção”, afirmou.

A nova ameaça de Trump ao Irã veio um dia depois de ele dizer que estava pensando em “reduzir” as operações militares e que a responsabilidade por vigiar Hormuz caberia a outros países. Isso exemplifica os sinais contraditórios enviados pelo presidente ao longo da guerra, deixando governos e mercados correndo para acompanhar os desdobramentos.

O tráfego por Hormuz — por onde normalmente passa cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e gás natural liquefeito — praticamente parou desde o início da guerra. O barril do Brent disparou para mais de US$ 112, o maior nível em quase quatro anos. Também subiram os preços da gasolina nos Estados Unidos, dos fertilizantes e de vários metais transportados por Hormuz.

Autoridades iranianas relutam até mesmo em discutir a reabertura do estreito, enquanto concentram esforços em sobreviver à ofensiva de EUA e Israel, segundo uma pessoa envolvida em contatos diretos e de alto nível com Teerã.

Alguns países, no entanto, vêm encontrando formas de fazer cargas atravessarem o corredor. A Marinha iraniana escoltou um navio-tanque indiano de gás natural liquefeito pelo estreito após articulação diplomática de Nova Déli. O Irã afirmou que a passagem está aberta a todos, exceto embarcações ligadas a países inimigos.

Até agora, Estados Unidos e Israel evitaram em grande parte atacar usinas de energia e instalações de água do Irã. Israel chegou a bombardear depósitos de combustível em Teerã duas semanas atrás, provocando nuvens de chuva ácida e atraindo críticas veladas dos Estados Unidos, que avaliaram a ação como um erro estratégico capaz de voltar a população iraniana contra a ofensiva.

Israel e Estados Unidos falaram em mudança de regime nos primeiros dias da guerra, mas agora enfatizam objetivos mais limitados, como destruir as capacidades nuclear e de mísseis do Irã. O regime iraniano não parece perto de colapsar, e autoridades vêm se reagrupando em torno das lideranças remanescentes, segundo avaliações de inteligência ocidentais e pessoas familiarizadas com o assunto.

O Irã tem cerca de 100 usinas termelétricas a gás natural em operação, segundo dados compilados pela Bloomberg. Entre as maiores estão a usina de Damavand, perto de Teerã; a de Ramin, ao norte de Ahvaz, no oeste do país; e a de Kerman, em Chatroud, no sudeste.

Os ativos energéticos do Oriente Médio vêm entrando cada vez mais no centro do conflito à medida que os ataques se ampliam. Israel bombardeou o campo de gás de South Pars na quarta-feira passada, e o Irã retaliou com ataques contra a maior instalação de gás natural liquefeito do mundo, no Catar, além de outros ativos energéticos no Golfo.

Os preços do petróleo em Londres subiram mais de 50% desde o início da guerra, reacendendo temores de inflação global. A disparada dos preços — especialmente da gasolina — traz riscos políticos para Trump dentro dos Estados Unidos, faltando apenas oito meses para as eleições legislativas de meio de mandato.

Os Estados Unidos estão produzindo volumes recordes de petróleo e gás no mercado doméstico, mas regiões como Europa, China e Japão dependem mais dos recursos energéticos do Oriente Médio.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou no sábado que a campanha conjunta será intensificada de forma significativa, um dia depois de Teerã lançar mísseis balísticos contra a base militar conjunta de EUA e Reino Unido em Diego Garcia — a quase 4 mil quilômetros do Irã.

A base não sofreu danos, segundo uma pessoa a par do assunto que falou sob condição de anonimato. Ainda assim, o ataque demonstrou uma capacidade que vai além do que se sabia até então sobre o arsenal iraniano.

Os esforços de Trump para mobilizar aliados dos Estados Unidos na reabertura do estreito ao tráfego comercial em larga escala têm sido, em grande medida, rejeitados. Em resposta, o presidente americano atacou verbalmente membros da Otan, chamando-os de “covardes” por não aderirem à operação.

Guerra no Oriente Médio ameaça fertilizantes usados na soja

21 de Março de 2026, 13:15

A guerra no Oriente Médio provocou grandes disrupções na oferta global de nutrientes agrícolas à base de nitrogênio. Agora, uma ameaça potencialmente maior começa a surgir em outra frente importante do mercado de fertilizantes.

Desde o início do conflito, o foco tem estado na ureia, um fertilizante nitrogenado fundamental para culturas como o milho. Os preços do insumo dispararam à medida que a guerra bloqueia embarques pelo Estreito de Hormuz, levando produtores rurais a correr atrás de abastecimento. O que tem passado mais despercebido em meio ao caos é o risco para os fertilizantes fosfatados — essenciais para lavouras como a soja, uma das bases da produção mundial de alimentos.

O Oriente Médio responde por apenas cerca de um quinto do comércio global de três produtos-chave de fosfato, segundo o The Fertilizer Institute. Mas quase metade da oferta mundial de enxofre — que é transformado em ácido sulfúrico, insumo usado no processamento de fertilizantes fosfatados — vem de países do Oriente Médio vulneráveis a interrupções no Estreito de Hormuz.

Os efeitos ao longo da cadeia podem começar a se tornar “exponenciais” se o conflito durar muito mais tempo, à medida que os produtores consumirem seus estoques já existentes de enxofre e ácido sulfúrico, disse Andy Hemphill, analista do mercado de ácido sulfúrico na plataforma de preços de commodities ICIS.

Isso é uma má notícia para a oferta global de alimentos, que depende do fosfato para sustentar o crescimento de tudo, de soja a batata. O conflito já alimenta preocupações com inflação e segurança alimentar. Também representa uma nova ameaça aos agricultores americanos, que já vinham enfrentando anos de custos de produção elevados. Quase 80% do fósforo usado nos Estados Unidos é aplicado em lavouras de soja e milho, que depois são transformadas tanto em ração animal quanto em combustível.

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Fertilizantes: a estratégia da Petrobras para reduzir a dependência externa do agro. petrobras fertilizantes agro

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Mesmo antes da guerra, a oferta tanto de fosfato quanto de enxofre já estava apertada. Os preços do enxofre haviam disparado para níveis recordes, impulsionados em parte pela demanda da indústria de mineração, que usa ácido sulfúrico para extrair metais como cobre e níquel. As exportações russas foram limitadas pela guerra na Ucrânia e por uma proibição de exportações, enquanto a China reduziu os embarques de fosfato para priorizar o consumo doméstico.

A política comercial dos Estados Unidos adicionou mais pressão. Tarifas impostas em 2023 sobre o fosfato do Marrocos — ainda em vigor — e tarifas mais amplas implementadas no ano passado pelo presidente Donald Trump limitaram as importações.

“O fosfato já tinha problemas de sobra antes mesmo de a guerra começar. A guerra apenas piorou uma situação que já era ruim”, disse Josh Linville, vice-presidente da área de fertilizantes da corretora StoneX Group. “Eu diria até que ele está quase em situação pior do que a ureia e os nitrogenados hoje.”

Houve esforços para recompor estoques, especialmente de fosfato, depois que fertilizantes foram poupados de algumas tarifas no fim do ano passado, disse Veronica Nigh, economista-chefe do The Fertilizer Institute. Mas, segundo ela, o verdadeiro desafio está na oferta de enxofre. O conflito em Israel já havia elevado tanto os preços do insumo que parte da produção de fosfato acabou sendo paralisada.

Ilustração: João Brito

“O enxofre é usado em muitas coisas e, se estivermos num cenário de oferta restrita, fertilizantes podem não ser o primeiro destino desse enxofre”, disse Nigh. “Pode ser um problema mais prolongado.”

Os contratos de enxofre em Tampa — uma referência importante nos EUA, com liquidação trimestral — atingiram preço recorde no fim de janeiro, segundo dados da Bloomberg Green Markets desde 2012. Já os preços em Nova Orleans do fosfato diamônico, o fertilizante fosfatado mais usado do mundo, estão no maior nível em quase quatro meses.

Os produtores de fertilizantes tendem a ficar pressionados, já que compradores concorrentes, especialmente mineradoras, conseguem pagar mais, disse Faraz Ahmed, diretor da trading Montage Commodities, sediada nos Emirados Árabes Unidos. O impacto sobre os preços dos fertilizantes fosfatados pode aparecer já em abril, quando a Índia costuma aumentar as compras para sua produção doméstica — um movimento que pode empurrar o mercado para um “modo de pânico”, afirmou.

A situação reforça, nos Estados Unidos, os apelos por mais estabilidade nesse mercado. Os agricultores dependem de três grandes famílias de fertilizantes: nitrogenados, fosfatados e potássicos. Apenas esta última, majoritariamente abastecida pelo Canadá e aplicada junto com fosfato em lavouras de soja, está relativamente protegida do atual choque global de oferta.

Entidades do setor agrícola pressionam o governo americano a suspender as tarifas sobre fertilizantes do Marrocos, país que detém as maiores reservas mundiais de rocha fosfática. O argumento é que os preços elevados e os riscos geopolíticos já reduziram a necessidade de medidas protecionistas.

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Essas tarifas — impostas em 2021, depois que a Mosaic, da Flórida, pediu ao Departamento de Comércio uma investigação — estão atualmente em revisão. A American Farm Bureau Federation pediu a Trump a suspensão temporária dessas taxas, enquanto uma coalizão com alguns dos maiores grupos agrícolas dos EUA solicitou na semana passada que a Mosaic e a JR Simplot retirassem seu apoio à manutenção das tarifas. Em 17 de março, as empresas enviaram cartas ao Departamento de Comércio informando que pretendem participar da revisão conduzida pelo órgão.

Enquanto isso, o problema de acessibilidade já reduz a demanda. David Delaney, CEO da produtora de fosfato Itafos, afirmou esperar uma queda de cerca de 20% no uso de fosfato nos Estados Unidos nos 12 meses encerrados em junho. As restrições de oferta podem aprofundar esse recuo — especialmente se os agricultores plantarem mais soja no lugar de milho, para escapar dos altos custos dos fertilizantes nitrogenados.

“Vai continuar apertado na primavera, no verão e no outono”, disse Delaney. “Com um corte de 20%, talvez haja produto suficiente para atravessar a primavera. Mas a gente termina a temporada com os estoques completamente zerados.”

Não é só petróleo: guerra no Irã desorganiza cadeias globais e pressiona inflação

19 de Março de 2026, 19:18

A guerra no Irã não está afetando apenas o petróleo. O conflito já desencadeou uma desorganização nas cadeias globais de suprimento que atinge setores como tecnologia, medicamentos e agricultura – e tende a se agravar quanto mais durar.

Navios petroleiros à deriva no Golfo Pérsico podem ser o símbolo mais visível do impacto econômico da guerra, mas os efeitos começam a se espalhar para áreas menos óbvias, afetando agricultores americanos, fabricantes de chips na Ásia e produtores de medicamentos na Europa. 

O conflito provocou um choque nas cadeias de suprimento que vem pressionando a economia global e elevando a inflação. Os Estados Unidos, até agora, parecem relativamente protegidos, em parte por conta de sua forte produção doméstica de energia e químicos. Embora os preços da gasolina tenham subido, não há filas em postos como na crise energética dos anos 1970.

Ainda assim, o economista Mark Zandi, da Moody’s, afirmou nesta semana que a guerra, combinada com o enfraquecimento do mercado de trabalho americano, elevou a probabilidade de uma recessão no próximo ano para um nível “desconfortavelmente alto” de 49%.

O restante do mundo enfrenta uma situação mais difícil. O maior impacto, em termos financeiros, vem da energia. A guerra interrompeu o acesso a cerca de 20% do petróleo global e a volumes semelhantes de gás natural liquefeito que normalmente passam pelo Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao restante do mundo. Desde o início do conflito, o preço do petróleo subiu cerca de 50%.

Inflação em risco

Mas os efeitos sobre outras commodities começam a causar problemas relevantes. A ureia, fertilizante essencial, e o hélio, usado na produção de microchips, estão em falta. O alumínio, que já enfrentava déficit antes da guerra, está se tornando ainda mais escasso e caro com a redução da produção no Oriente Médio.

Alguns desses insumos foram diretamente afetados por ataques – instalações no Catar que produzem hélio, enxofre e gás natural liquefeito foram atingidas e podem ficar fora de operação por anos.

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“Grande parte das pessoas está focada no mercado de energia, mas o impacto é muito mais amplo”, disse Chris Tang, professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles. “As pessoas estão apenas começando a perceber isso.”

O impacto final sobre a economia global depende da duração da guerra, segundo economistas e especialistas em cadeias de suprimento.

Uma resolução rápida – em três a cinco semanas – elevaria a inflação, mas teria efeito limitado sobre o crescimento global. Já em um cenário mais prolongado, os riscos aumentam. 

Caso o Irã consiga bloquear o Estreito de Ormuz por meses e o petróleo permaneça acima de US$ 100, o crescimento global pode ser reduzido em cerca de 1 ponto percentual neste ano, segundo estimativas de economistas.

Outros problemas

Algumas regiões enfrentam riscos mais severos e podem entrar em recessão mais rapidamente. Ásia e Europa são as mais expostas no curto prazo. Historicamente, cerca de 80% do petróleo e do gás natural que passam pelo Estreito de Ormuz têm como destino a Ásia.

Na região, governos já adotam medidas emergenciais. A Índia enfrenta escassez de gás usado para cozinhar e abastecer fábricas, e limitou o consumo industrial. Restaurantes chegaram a fechar por falta de combustível. 

O Sri Lanka declarou feriados semanais para economizar energia, enquanto Bangladesh antecipou o fechamento de universidades e o Paquistão restringiu o uso de combustíveis por empresas.

Setores afetados

A crise também começa a afetar setores específicos. Na indústria de tecnologia, empresas de semicondutores na Coreia do Sul e em Taiwan enfrentam risco de escassez de hélio, gás essencial para a produção de chips.

O mercado de alumínio também foi afetado. Produtores no Oriente Médio, responsáveis por cerca de 9% da produção global, enfrentam dificuldades para exportar. Com a oferta reduzida, os preços tendem a subir, impactando produtos que vão de automóveis a painéis solares.

Na agricultura, o impacto é imediato. Os preços da ureia subiram mais de 30% desde o início da guerra, elevando o custo de produção para agricultores. Nos Estados Unidos, produtores de milho já enfrentam anos consecutivos de dificuldades financeiras, e a alta de custos pode pressionar ainda mais os preços dos alimentos.

Até mesmo a cadeia de suprimentos de medicamentos começa a sofrer. O Oriente Médio funciona como um hub logístico importante para a distribuição de remédios entre a Ásia e a Europa. 

Com aeroportos fechados, empresas farmacêuticas estão sendo forçadas a buscar rotas alternativas, elevando custos e aumentando o risco de interrupções no fornecimento de medicamentos críticos.

Os efeitos completos da crise ainda não apareceram. O transporte marítimo entre o Oriente Médio e a Ásia leva cerca de duas semanas, e o conflito começou há pouco mais de duas semanas.

Ou seja, o impacto pode se intensificar nas próximas semanas, dependendo da duração do bloqueio no Estreito de Ormuz. “O tempo é o inimigo para o cenário macroeconômico”, disse Joyce Chang, do JPMorgan.

Mesmo com uma eventual resolução do conflito, analistas já esperam mudanças duradouras nas cadeias globais de suprimento, com maior diversificação de fornecedores e menor dependência do Oriente Médio.

Alta do diesel já afeta exportações de soja do Brasil

16 de Março de 2026, 18:51

A alta de preços de combustível gerada pela guerra no Oriente Médio tem prejudicado os exportadores do Brasil, que depende fortemente de caminhões movidos a diesel para o transporte de produtos. 

O Brasil está no no pico das exportações de soja, seu principal produto agrícola de exportação. O incremento nos preços do diesel está elevando o custo de transporte da soja até os terminais de exportação, além de aumentar as pressões inflacionárias de forma mais ampla.

Diversas empresas de comércio de commodities agrícolas paralisaram ofertas de compra de soja no mercado local na última semana em meio a medo de uma alta acentuada nos custos de frete, segundo analistas e corretores. O diesel representa uma parcela importante do custo de comercialização de soja, e a ausência de instrumentos de hedge que protejam contra elevações bruscas pode expor os traders a prejuízos.

Algumas das maiores companhias de comercialização de soja estiveram menos ativas no mercado brasileiro recentemente, uma vez que os riscos de frete se somaram a preocupações sanitárias que atingiram exportações para a China, disse João Henrique Teodoro, consultor de mercado na Patria Agronegócios. 

Os problemas ocorrem em um período particularmente sensível para a agricultura brasileira, uma vez que o país é o principal fornecedor de soja para a China nessa época do ano. Uma guerra prolongada, e contínua volatilidade nos fretes, poderia criar gargalos logísticos, eventualmente levando importadores a buscar outros fornecedores como os Estados Unidos ou a Argentina. 

“As companhias precisam de uma forma de planejamento, e dependendo de quanto tempo isso levar, podemos ver complicações na logística,” disse Adriano Gomes, analista de mercado da AgRural. 

Agora, empresas de transporte podem começar a cobrar taxas de emergência por conta da guerra, disse Silvio Kasnodzei, presidente de um sindicato que representa transportadoras no estado do Paraná. O governo brasileiro anunciou uma redução em impostos federais pra proteger consumidores da alta do petróleo, mas as transportadoras acreditam que o movimento foi insuficiente pra aliviar a incerteza, disse Kasnodzei.

Enquanto nos Estados Unidos as barcaças tem um papel significativo no transporte de longa distância da soja para exportação, no Brasil um estudo da Universidade de São Paulo apontou que 55% da soja depende de caminhões para chegar aos portos. Volumes movimentados por estrada tiveram um crescimento em anos recentes, uma vez que investimentos em ferrovias ou hidrovias não acompanharam o ritmo de crescimento da produção agrícola. 

Ao firmarem negócios de compra pra soja no Brasil, traders que compram cargas para serem entregues nos próximos meses ficam expostos à flutuações no custo de frete, disse Rodrigo Gonçalves, diretor-executivo da empresa de soluções logísticas goFlux. Se uma empresa negociando soja para maio for confrontada com aumentos no custo de frete, aquilo que antes seria uma transação lucrativa termina se transformando em prejuízo, disse ele.

Mão com bico de combustível amarelo abastecendo carro vermelho.

Isso ocorre num momento de custos já elevados para o frete de commodities agrícolas, devido a alta demanda nessa época do ano. Os custos de transporte por caminhão chegaram a um pico por conta de chuvas que forçaram os produtores rurais a acelerarem a colheita, fazendo o setor movimentar volumes grandes em um curto período de tempo. Más condições nas estradas também levaram a prazos mais longos do que o usual em algumas rotas durante o mês de fevereiro.

Embora os preços de combustível no Brasil sejam influenciados pela política da Petrobras, os caminhoneiros viram preços se elevarem no interior do país antes mesmo de a empresa implementar um aumento oficialmente.

Nos primeiros oito dias de março, o preço do diesel vendido pelas distribuidoras a postos de combustivel subiu cerca de 8%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). O preço da Petrobras não havia sido alterado no período, mas a companhia anunciou na última sexta-feira que iria elevar o custo aos distribuidores.

Custos de seguro para navios cruzarem o Estreito de Ormuz disparam após ataques a embarcações

16 de Março de 2026, 16:27

Ainda é possível contratar seguro para navios que navegam pelo Estreito de Ormuz, embora a um custo muito elevado, segundo pessoas envolvidas nesse mercado.

O custo da cobertura saltou para cerca de 5% do valor da embarcação, aproximadamente cinco vezes o nível observado nos primeiros dias da guerra com o Irã — e muito acima das frações de ponto percentual típicas de períodos com pouca tensão. As fontes pediram anonimato por se tratar de informações privadas. Isso significa que segurar um petroleiro avaliado em US$ 100 milhões pode custar cerca de US$ 5 milhões.

Embora as tarifas sejam altas, o fato de ainda haver seguro disponível indica que a cobertura continua sendo oferecida para o pequeno número de embarcações que tenta cruzar essa via marítima crucial, responsável normalmente por cerca de um quinto dos embarques globais de petróleo e gás natural liquefeito. A grande questão é se os armadores estarão dispostos a correr o risco, diante das preocupações com segurança.

Questionado sobre por que os Estados Unidos não poderiam reabrir imediatamente o Estreito de Ormuz caso os navios iranianos responsáveis pela colocação de minas fossem destruídos, o presidente Donald Trump afirmou na segunda-feira que é necessário que as embarcações estejam dispostas a atravessar a rota para que as operações normais sejam retomadas.

Os detalhes de um plano para que a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos ajude a garantir o seguro de petroleiros ainda não estão claros. Os EUA anunciaram um programa de resseguro de US$ 20 bilhões para ajudar a restabelecer o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz. Seguradoras demonstraram interesse em colaborar com a agência para oferecer esse resseguro, disse um funcionário da instituição na semana passada. A tentativa do presidente Donald Trump de convencer aliados a ajudar na segurança da rota, porém, tem encontrado resistência

Até agora, a maioria das cotações de seguro tem sido oferecida para navios com ligações com China, India ou Pakistan, disse uma das fontes. Seguradoras do mercado de London insistem que a cobertura continua disponível para embarcações no Oriente Médio e que isso não é um fator que impeça o comércio de entrada e saída da região.

O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido estima que ao menos 20 navios estiveram envolvidos em incidentes de segurança desde 1º de março no Golfo Pérsico e áreas próximas. O caso mais recente ocorreu em 12 de março, quando um navio porta-contêineres foi atingido, provocando um incêndio.


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Barril a US$ 120? Analistas esperam mais altas no petróleo após ataques à ilha de Kharg

15 de Março de 2026, 12:04

A semana do petróleo começa às 20h deste domingo – com a abertura das negociações do Brent, às 23h de Londres. Será a primeira sessão após o ataque americano ao principal hub de exportação iraniano, que vem operando apesar do conflito. Na sexta (13), o barril fechou a US$ 103.

Forças americanas atingiram alvos militares na estratégica Ilha de Kharg e ameaçou estender os ataques à infraestrutura de energia caso Teerã continue bloqueando o Estreito de Ormuz – a estreita passagem que liga o Golfo Pérsico ao resto do mundo.

Kharg é uma ilha a 25 km da costa iraniana. Ela serve como um hub de exportação porque o mar profundo ao redor da massa de terra é bom para receber superpetroleiros, que não navegam em águas rasas. O petróleo chega do continente via oleodutos e daí flui para os berços de atracação do lugar.

E mesmo com a guerra em andamento o Irã continua exportando petróleo, principalmente para a China – navios chineses e, claro, iranianos, têm passagem liberada pelo estreito de Ormuz. Seguem, portanto, indo e voltando à ilha de Kharg. Também foram identificados recentemente dois navios com destino à Índia, carregados de gás liquefeito de petróleo (GLP), e um petroleiro grego.

Caso esse fluxo pare também, o suprimento global de petróleo sofrerá mais uma baixa. Até agora, cortes nos países árabes já reduziram o output global em 10%.

O Irã afirmou que ataques à infraestrutura de petróleo em Kharg provocarão retaliação contra instalações de energia ligadas aos EUA na região.

Nos Emirados Árabes, as operações de carregamento no porto de Fujairah – outro hub estratégico – foram interrompidas após um ataque de drone nas primeiras horas de sábado (14), bloqueando os embarques pela única rota de exportação do país que não passa por Ormuz (fica de cara para o Oceano Índico, fora do Golfo). As atividades foram retomadas no domingo (15).

“Não acho que os mercados vão reagir bem aos últimos desdobramentos”, disse Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade. “Espero mais um início de semana tenso, com o destino da Ilha de Kharg ainda incerto, dada sua importância para o fornecimento global de energia.”

O Brent subiu 11% na semana passada, chegando a bater US$ 119,50 o barril, antes de fechar um pouco acima de US$ 103. Foi a semana mais volátil para o marcador europeu desde que os contratos futuros começaram a ser negociados, em 1988.

“Seguimos em disparada na rodovia, na faixa da esquerda, sem nenhum sinal de quando vamos conseguir pegar a saída”, disse Stephen Schork, fundador da Schork Group, com sede em Radnor, Pensilvânia, acrescentando que não ficaria surpreso de ver o petróleo abrir acima de US$ 117 o barril — “ou até além disso.”

Giovanni Staunovo, analista de commodities do UBS, concorda: “Com o fluxo de petróleo por Ormuz ainda restrito, o caminho de menor resistência para os preços do petróleo segue sendo o de alta”.

Para o Brasil, duas consequências diretas. De um lado, somos grandes exportadores de petróleo – e, obviamente, nenhum cliente que compra daqui precisa passar pelo Estreito de Ormuz.

Petrobras sobe 13% desde o início do conflito. Prio, 10%. Petroreconcavo vem mais atrás, com 5%. A exceção é a Brava Energia, que cai 4% no mesmo intervalo – ela vinha subindo também, mas entregou os pontos após divulgar um balanço mal visto pelo mercado na quinta (12).

Por outro lado, o país sofre com a alta nos preços internacionais do diesel, já que 25% do consumo nacional depende de importações.

O gargalo

O mercado global de petróleo foi jogado ao caos. A Agência Internacional de Energia alertou que a interrupção no abastecimento é sem precedentes, e os países-membros concordaram na semana passada em liberar 400 milhões de barris de reservas de emergência para tentar conter a alta dos preços.

O número pode impressionar, mas equivale a apenas quatro dias do consumo global.

Com o fechamento efetivo de Ormuz cortando as exportações marítimas dos demais países do Golfo, os tanques de armazenamento da região foram enchendo, forçando alguns produtores a reduzir a extração. A Arábia Saudita, o peso-pesado da região, vem aumentando o fluxo por um oleoduto que cruza o país até o litoral do Mar Vermelho, o que pode permitir exportações de cerca de 5 milhões de barris por dia.

A Ilha de Kharg é uma instalação vital para Teerã, pois por ela passa a maior parte das exportações de petróleo bruto do país. Ao anunciar o ataque, Trump disse que as instalações militares do local foram “destruídas por completo”. A agência de notícias estatal iraniana Fars informou que as exportações seguem normalmente após o ataque.

Trump pede que outros países enviem navios de guerra para reabrir o Estreito de Ormuz

14 de Março de 2026, 13:32

Donald Trump, intensificou os apelos para a reabertura do vital Estreito de Ormuz, afirmando “ter esperança” de que que navios de guerra de outros países também serão enviados à região para garantir a passagem de petroleiros.

Seus comentários, no Truth Social, vieram horas depois de ele ordenar ataques a instalações militares na Ilha de Kharg, de onde o Irã exporta quase todo o seu petróleo, escalando um conflito no Oriente Médio que dura duas semanas e não dá sinais de arrefecimento.

O presidente afirmou que as instalações militares na ilha do Golfo Pérsico foram “destruídas por completo”, acrescentando que optou por não atacar a infraestrutura petrolífera “por uma questão de decência”. Ele ameaçou fazer exatamente isso caso o Irã “tome qualquer atitude para interferir na passagem livre e segura de navios pelo Estreito de Ormuz.”

“Muitos países, especialmente os afetados pela tentativa do Irã de fechar o Estreito de Ormuz, enviarão navios de guerra em conjunto com os Estados Unidos da América para manter o Estreito aberto e seguro”, escreveu em sua publicação mais recente. Ele deu poucos detalhes além de expressar a esperança de que China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido também enviem navios de guerra.

Trump declarou que, embora as forças militares do Irã estivessem “já 100% destruídas”, era “fácil” para Teerã continuar ameaçando navios com drones, minas e mísseis de curto alcance. Os EUA, disse ele, irão “bombardear pesado” o litoral iraniano para tentar conter essas ameaças.

Quase ao mesmo tempo, o chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou que o estreito — por onde normalmente passa cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo — estava fechado apenas para navios de “países inimigos”.

Durante a noite e ao longo do sábado, Israel e os EUA continuaram atacando o Irã, que por sua vez seguiu bombardeando países árabes do Golfo.

O Irã, claramente inferior em poderio militar frente aos EUA e a Israel, está atacando países vizinhos, além de rotas marítimas e instalações de energia, numa tentativa de semear o caos na região e nos mercados de petróleo e gás — esperando pressionar Trump a encerrar os combates. O presidente americano enfrenta críticas internas à medida que os preços da gasolina disparam, com muitos opositores alegando que ele subestimou a resposta e a resiliência do Irã.

A incerteza sobre a duração da guerra cresce diante dos sinais contraditórios de Trump e da contínua resistência iraniana. Na sexta-feira, o presidente disse que os EUA manteriam sua campanha “pelo tempo que for necessário” e sinalizou que a Marinha americana começaria em breve a escortar navios pelo Estreito de Ormuz — uma mudança de tom em relação a declarações anteriores de que os objetivos militares americanos estavam “praticamente cumpridos.”

No sábado, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, elogiou o ataque a Kharg e afirmou que a guerra está entrando em sua “fase de vitória”, acrescentando que os combates durarão “o tempo que for preciso.”

Ataque nos Emirados

Nos Emirados Árabes Unidos, as operações no estratégico porto petrolífero de Fujairah, no Golfo de Omã, foram suspensas após um ataque de drone e um incêndio na manhã de sábado, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

O carregamento de petróleo bruto e derivados em Fujairah, localizado logo fora do Estreito de Ormuz, foi interrompido por precaução enquanto os danos são avaliados, de acordo com as fontes, que pediram anonimato por não estarem autorizadas a falar com a imprensa.

Fujairah é um importante hub de exportação tanto de petróleo bruto quanto de combustíveis, e ganhou relevância ainda maior para os Emirados e para os mercados globais por ser um dos poucos pontos de escoamento de petróleo do Golfo que contorna Ormuz.

O barril de petróleo fechou a US$ 103 na sexta-feira (13), atingindo seu nível mais alto desde 2022. Arábia Saudita, Iraque, EAU e Kuwait tiveram de reduzir a produção de petróleo bruto em razão do fechamento de fato de Ormuz, enquanto o Catar suspendeu as operações de gás natural liquefeito — sendo um dos três maiores fornecedores mundiais do combustível.

Dois petroleiros estavam atracados na Ilha de Kharg horas após o ataque americano às instalações militares, segundo o Tankertrackers.com, empresa especializada em monitoramento de embarcações. A mídia estatal iraniana afirmou que as exportações continuam normalmente.

Ainda assim, o Irã advertiu que atacará instalações de petróleo e energia ligadas aos EUA no Oriente Médio caso sua própria infraestrutura petroleira seja atingida. A mídia iraniana informou que todos os trabalhadores da indústria do petróleo na ilha — situada a cerca de 25 quilômetros do continente — estão sãos e salvos.

“Todas as instalações de petróleo, econômicas e energéticas pertencentes a empresas petrolíferas na região que sejam parcialmente de propriedade dos Estados Unidos ou que cooperem com os Estados Unidos serão imediatamente destruídas e reduzidas a cinzas” caso os ativos energéticos e econômicos do Irã sejam atacados, noticiou a agência Fars News, citando o comando central militar do país.

O veículo informou que mais de 15 explosões sacudiram a Ilha de Kharg, com alvos incluindo sistemas de defesa antiaérea, uma base naval, a torre de controle do aeroporto e um hangar de helicópteros — sem especificar a extensão dos danos.

Os militares americanos afirmaram ter destruído infraestruturas de armazenamento de mísseis e minas navais.

Nos dias anteriores aos ataques americano-israelenses, o Irã acelerou as exportações a partir de Kharg para níveis próximos ao recorde, acima de 3 milhões de barris por dia — quase o triplo do ritmo habitual —, segundo analistas do JPMorgan Chase, incluindo Natasha Kaneva, em nota de pesquisa.

Um ataque às instalações petrolíferas de Kharg “interromperia imediatamente a maior parte das exportações de petróleo bruto do Irã, provavelmente desencadeando uma retaliação severa no Estreito de Ormuz ou contra a infraestrutura energética regional”, avaliaram os analistas do JPMorgan.

Por Arsalan Shahla

Brasil importa um quarto do diesel que consome. E lá fora a alta já é de 50%

14 de Março de 2026, 12:57

Desde o início da guerra, há 15 dias, o diesel no mercado internacional sobe 50% – ainda mais do que os 42% do petróleo. E boa parte do diesel que abastece os caminhões brasileiros vem de fora. 

O Brasil, apesar de ser um grande exportador de petróleo, não tem capacidade de refino para atender a demanda interna por diesel. As importações suprem 25% do nosso consumo.

Daí as altas nos postos. De acordo com a ANP, o preço médio do diesel nos postos subiu 12% na última semana. E dados do sistema de monitoramento TruckPag,levantados pelo Valor, mostram um acréscimo de 18,75% desde o dia 27 de fevereiro, o último antes da eclosão do conflito. 

Foi nesse contexto que a Petrobras anunciou na sexta (13) o primeiro reajuste do diesel em refinarias após 312 dias: alta de R$ 0,38 por litro, ou 11,6%, com o preço passando de R$ 3,27 para R$ 3,65 a partir deste sábado (14).

O reajuste, de qualquer forma, não cobre nem de longe a defasagem ante o preço internacional. Para isso, o preço teria de subir a R$ 5,61 por litro, de acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). 

Essa diferença é central para entender como a guerra pesa no mercado brasileiro. Quando a cotação internacional dispara, os importadores passa a trazer diesel a um custo muito mais alto que o da Petrobras – a estatal controla 84% do nosso parque de refino. 

Isso aumenta a pressão sobre a Petrobras para abastecer o mercado. A estatal chegou a rejeitar pedidos extras de diesel. O aumento no preço, então, é uma forma de tentar conter a demanda e evitar uma crise de abastecimento.

O governo busca amortecer o choque de forma indireta. Na quinta (12), o Brasil zerou tributos federais sobre o diesel e anunciou uma subvenção para produtores e importadores, numa tentativa de conter o avanço dos preços domésticos.

Em grande parte porque altas no diesel significam altas no frete, o que afeta basicamente todos os setores da economia e joga a inflação para cima. 

Mas enquanto não houver um cessar-fogo no Irã qualquer medida será como enxugar gelo. O barril fechou ontem (13) acima de US$ 100 pelo segundo dia consecutivo – o que não acontecia desde 2022, com a invasão da Ucrânia. Cortesia do fechamento do Estreito de Ormuz. O bloqueio da passagem marítima de apenas 3,7 km de largura entre Irã e Omã tira de circulação 20 milhões de barris por dia. Um quinto do suprimento global. 

Na gasolina, o efeito para o Brasil é menor. Importamos entre 6% e 7%, apenas. E a frota de carros flex, que roda com etanol, dá um refresco para a demanda do derivado de petróleo. Com o diesel, porém, não há escapatória. A alta nos preços internacionais bate por aqui de forma automática, como o preço nas bombas deixa claro.

Guerreiras do K-Pop: animação da Netflix impulsiona nova onda de turismo na Coreia do Sul

13 de Março de 2026, 14:59

A moradora de Honolulu Christine Kim foi uma das primeiras a entrar na tendência de viagens inspiradas por Guerreiras do K-Pop. Para ser justo, sua viagem para Seoul com o marido e os filhos já estava planejada antes mesmo de o filme da Netflix estrear, em junho de 2025.

O plano, pelo menos inicialmente, era visitar os avós. Mas então Rumi, Zoey e Mira, protagonistas do longa, viraram ídolos da filha de 5 anos de Kim — e o roteiro da viagem foi reescrito em tempo real. Quando visitaram um jimjilbang, ou spa coreano, e a N Seoul Tower — cenário do show final dos rivais Saja Boys no filme — a viagem da família virou motivo de orgulho.

“Minha filha parecia totalmente chocada ao descobrir que os lugares do filme eram reais”, disse Kim por mensagem. “Ela ficou tão animada que ficou sem palavras.”

Não foi só a filha que entrou no clima cultural. “Comprei para meu filho um hanbok preto e um gat [roupa tradicional e chapéu] para ele se vestir como um Saja Boy no Halloween”, lembra Kim. “E quando fomos à Nike Store Myeongdong, minha filha fez uma camiseta com um pássaro pega por causa de um personagem de Guerreiras do K-Pop.”

No fim de 2025, Guerreiras do K-Pop continuava sendo o filme original mais assistido da história da Netflix, com mais de 500 milhões de visualizações. Caso você não tenha crianças pequenas ou de alguma forma tenha escapado do fenômeno, o musical de ação animado produzido pela Sony Pictures Animation acompanha Huntrix, um grupo feminino de K-pop cujos sucessos nas paradas ajudam a derrotar demônios que ameaçam a humanidade.

Se foi um sucesso crítico e comercial que ninguém esperava, como a animadora coreano-canadense Maggie Kang disse recentemente em entrevista à Bloomberg, agora também está se tornando um catalisador inesperado para o turismo.

De acordo com dados da Trip.com, nos três meses após o lançamento do filme, as reservas globais de voos para a Coreia do Sul aumentaram 25% em relação ao mesmo período do ano anterior. (As estatísticas não identificam exatamente os motivos das viagens.

Onda coreana

Afinal, a Coreia do Sul já vinha se consolidando como destino turístico entre viajantes internacionais. Ainda assim, há razões para acreditar que Guerreiras do K-Pop tenha contribuído para esse aumento. O fenômeno cultural conhecido como Hallyu, ou onda coreana, vem impulsionando a popularidade global da cultura do país e sua ligação com o turismo.

O grupo BTS tem sido um dos principais símbolos da Hallyu desde 2018, atraindo centenas de milhares de fãs para Seul em seus shows. O filme Parasite, vencedor do Oscar, e a série Squid Game também ajudaram após seus lançamentos, em 2019 e 2021. O grupo Blackpink teve sucesso internacional semelhante. A popularidade de vídeos sobre cuidados com a pele coreanos — consumidos principalmente no TikTok pela Geração Z — também inspirou muitas viagens de longa distância. A influência de Guerreiras do K-Pop se soma a tudo isso.

Em julho de 2025, mês seguinte ao lançamento da música Golden no Spotify, 1,36 milhão de viajantes internacionais visitaram Seul, segundo o governo da cidade — 23,1% a mais que no ano anterior. O aumento imediato foi atribuído a turistas da China, Japan, Taiwan e dos United States, com autoridades dizendo que as viagens foram “impulsionadas pela febre de Guerreiras do K-Pop”, possivelmente refletindo como o filme primeiro se tornou popular na região antes de ganhar projeção global.

A tendência continuou nos meses seguintes, ajudando a Coreia do Sul a registrar um recorde de 18,9 milhões de turistas estrangeiros em 2025, segundo dados do órgão de turismo do país.

Esse aumento pode durar além do pico inicial de popularidade do filme, já que a temporada de premiações mantém o longa em evidência. Em 11 de janeiro, Guerreiras do K-Pop venceu o Golden Globe Awards nas categorias de melhor animação e melhor canção original. Também ganhou melhor música escrita para mídia visual no Grammy Awards de 2026 e dominou o Annie Awards, conquistando todos os 10 prêmios possíveis. Agora é apontado como favorito para ganhar dois troféus no Academy Awards em 15 de março. Em 12 de março, a Netflix confirmou que uma sequência está em desenvolvimento.

Como viagens internacionais costumam levar tempo para serem planejadas e estatísticas de turismo geralmente são divulgadas trimestralmente ou semestralmente, os efeitos de Guerreiras do K-Pop sobre o turismo ainda estão apenas começando a aparecer.

Neil Hassall, que administra o grupo do Facebook South Korea Travel Tips and Planning, diz que os fãs do filme impulsionaram a popularidade da comunidade de uma forma que ele não via desde Round 6. Em junho de 2025, o grupo tinha 65 mil membros; em janeiro de 2026, esse número quase dobrou para 120 mil.

Em Seul, o Bukchon Hanok Village — bairro de casas tradicionais onde os personagens Rumi e Jinu se encontram pela primeira vez — tornou-se um destino obrigatório para fãs, além de entusiastas de arquitetura e história. O local virou cenário de um dos passeios mais populares da cidade no Trip.com. As buscas pelo Museu Nacional da Coreia também cresceram 34% desde o lançamento do filme, já que fãs visitam a loja do museu para comprar produtos relacionados.

A plataforma de turismo coreana Creatrip, que ajuda visitantes estrangeiros a reservar restaurantes, serviços de beleza coreanos e aluguel de hanbok, também se beneficiou da popularidade de Guerreiras do K-Pop. As reservas para jimjilbangs e serviços de esfoliação tradicional vistos no filme aumentaram 115% no verão após o lançamento, em comparação com a primavera anterior. No mesmo período do ano anterior, o crescimento havia sido de apenas 17%.

Clínicas médicas focadas em acupuntura, ventosaterapia e medicina herbal chamada hanyak — que a personagem Rumi tenta usar para curar sua voz — registraram aumento de 409% nas reservas em 2025, segundo a Creatrip.

Dados do site de reservas de excursões GetYourGuide mostram crescimento semelhante. Reservas de passeios para locais mostrados no filme — como o Gyeongbokgung Palace, o Lotte World Tower, a N Seoul Tower e o Bukchon Hanok Village — cresceram mais de 350% em 2025 em relação ao ano anterior.

Cafés pop-up, encontros com personagens no bairro de Seongsu-dong e outras experiências ligadas ao filme começaram a surgir para aproveitar o momento. A médica Irina Ishak, baseada em Kuala Lumpur, levou a família a um desses eventos em dezembro e considera a visita um dos pontos altos da viagem.

“As crianças conhecem todos os personagens e momentos do filme”, disse. “O pop-up tinha três andares com cenários e recortes dos personagens para tirar fotos em cada canto. Havia até áreas interativas, como procurar a pegada de um gato Derpy que brilha no escuro usando uma lanterna. As crianças adoraram.”

Para Haemin Yim, CEO da Creatrip, o entusiasmo em torno de Guerreiras do K-Pop é diferente de qualquer outra onda turística ligada à Hallyu. No passado, quem viajava por causa do K-pop queria assistir a shows, visitar agências de artistas e ir a cafés ligados ao fandom. O apelo do filme entre públicos de língua inglesa — como turistas dos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália — ampliou muito o alcance global e o interesse por aspectos da cultura coreana que vão além da música.

“Cada grande elemento cultural mostrado no filme — hanbok, jimjilbang, gimbap, samgyetang, dança K-pop e medicina tradicional — é algo que um turista pode reservar e experimentar diretamente na Coreia. O filme funciona basicamente como uma vitrine de 90 minutos da vida cotidiana coreana, vista por 500 milhões de pessoas”, diz.

O fenômeno faz parte da tendência conhecida como set-jetting, quando pessoas planejam viagens para lugares que viram em filmes ou séries. A vila de Hallstatt, na Austria, tornou-se símbolo de turismo excessivo depois que visitantes descobriram que inspirou o reino de Arendelle no filme Frozen. Já Encanto impulsionou o turismo para a região cafeeira da Colombia.

Em Seul, porém, o fenômeno de Guerreiras do K-Pop ainda não gerou preocupações com turismo excessivo — e talvez nem venha a gerar. Diferentemente de outros casos, os fãs do filme têm muitas maneiras de viver a experiência, visitando diferentes lugares e atividades culturais.

Para Christine Kim, a mãe de Honolulu, o filme também representa algo mais amplo.

“A arte é linda, a música é ótima e ele preencheu um vazio”, diz. “Não existem muitos filmes com super-heroínas.”

Petrobras aumenta o diesel em 11,6%, mas defasagem segue alta  

13 de Março de 2026, 13:31

A Petrobras anunciou o primeiro aumento do diesel em suas refinarias depois de 312 dias sem alteração. A partir de sábado (14), o litro sobe R$ 0,38, de R$ 3,27 para R$ 3,65. Uma alta de 11,6%.

O reajuste vem num momento de escassez de petróleo. A produção mundial já foi cortada em 10%, por conta do bloqueio ao estreito de Ormuz, e o barril passou dos US$ 100 pela primeira vez desde 2022.

Isso elevou o preço do diesel no mercado global, obviamente. De acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o litro do diesel nas refinarias teria de subir a R$ 5,61 para entrar em paridade com o preço internacional.

A defasagem do diesel, portanto, está agora em 54%. Na gasolina, de acordo com a entidade, ela é de 43%.

Não custa lembrar: o preço dos combustíveis na refinarias é livre. Só que a Petrobras tem 84% da capacidade brasileira de refino, então é ela quem determina, na prática, o valor de mercado.

Chevron pede mais desregulação de Milei para destravar Vaca Muerta

11 de Março de 2026, 11:37

A Chevron diz que o presidente Javier Milei deve tomar mais medidas para desregulamentar a economia da Argentina e liberar os investidores dos controles de capital para que possam aproveitar ao máximo o crescente boom do xisto no país.

“Temos observado o progresso que o governo Milei tem feito em relação a impostos e à reforma trabalhista, e depois removendo restrições de capital”, disse Mark Nelson, vice-presidente de petróleo da Chevron, em entrevista em Nova York, nos bastidores de uma conferência sobre a Argentina. “Agora, eles estão onde precisam estar para garantir que Vaca Muerta compita dólar por dólar com o Permian? Está no caminho. Mas ainda há mais a ser feito”.

Para se aproximar dos custos da Bacia do Permian, nos Estados Unidos, Javier Milei está ampliando um programa para atrair investimentos estrangeiros, que agora inclui novos projetos de óleo de xisto.

Mark Nelson disse esperar que a Chevron solicite os chamados benefícios do RIGI (Regime de Incentivo para Grandes Investimentos, programa do governo argentino que concede incentivos fiscais, cambiais e regulatórios para grandes projetos) para dois de seus blocos menos desenvolvidos na formação de xisto da Patagônia, acrescentou.

Nelson vê Milei continuando a melhorar o ambiente de negócios para empresas como a Chevron, mas enfatizou a necessidade de a Argentina, uma economia historicamente volátil com uma política de fortes oscilações, permanecer nesse caminho.

“Quando se trata dos fundamentos, a Argentina está em vantagem”, disse Nelson, em referência à qualidade da rocha de xisto, “desde que as medidas políticas adotadas hoje sejam duradouras”.

O desenvolvimento da bacia de Vaca Muerta percorreu um longo caminho desde que a Chevron se tornou a primeira investidora estrangeira na região, em 2013. Hoje, produz quase 600.000 barris de petróleo bruto por dia, uma boa parte proveniente de uma joint venture da Chevron chamada Loma Campana.

Nas condições atuais, a Chevron planeja triplicar a produção na bacia entre agora e 2035, disse Nelson. Atualmente, a empresa produz cerca de 74.000 barris por dia.

Nelson afirmou que, em seus dois blocos relativamente pouco desenvolvidos — Trapial e Narambuena — a Chevron espera solicitar adesão ao principal programa de incentivo a investidores de Milei, o RIGI, que oferece isenções fiscais e outros incentivos favoráveis ​​aos negócios. Isso reduziria a diferença de custos em relação à bacia do Permian, que ainda é maior do que a Chevron gostaria, de 35%.

O RIGI também protege as empresas de futuros controles de capital. Milei tem flexibilizado os controles — e, em particular para a Chevron, garantiu que benefícios concedidos em 2013 finalmente fossem implementados.

“O ritmo de melhora torna mais fácil para investidores de longo prazo dizerem: ‘sim, estou disposto a dar mais um passo’”, acrescentou Nelson. “Sei que eles farão mais melhorias, e é por isso que a Chevron acredita na Argentina”.

O ouro ficou para trás? Bancos centrais freiam compras, mas guerra mantém metal em evidência

7 de Março de 2026, 12:12

As compras de ouro por bancos centrais globais perderam força no início do ano, pressionadas pela volatilidade nos preços do metal. Mas a escalada da guerra entre Irã e EUA no Oriente Médio ainda mantém a commodity em evidência como grande alternativa de acumulação de reservas ao longo de 2026.

O banco central da China, um importante referencial quando o assunto é a troca de reservas em dólar pelo metal, comprou mais ouro em fevereiro, estendendo sua sequência de compras para 16 meses.

O volume de ouro detido pelo Banco do Povo da China aumentou em 30 mil onças-troy (0,93 tonelada) no mês passado, chegando a 74,22 milhões de onças (2.308 toneladas), segundo dados divulgados no sábado (7). A compra estende a rodada mais recente de acumulação que começou em novembro de 2024.

O movimento do metal precioso nos últimos dias tem respondido a uma queda de braço entre forças distintas. As baixas mais recentes respondem ao fato de que os investidores costumam aproveitar situações de forte estresse não apenas para comprar o metal, mas para usá-lo como forma de fazer caixa, por meio da venda da commodity.

É basicamente levantar recursos para investir em títulos públicos considerados mais seguros para cada país. Esse movimento já vinha acontecendo conforme o ouro atingia recordes, momento em que embolsar o que já foi ganho é uma estratégia melhor.

Mas, em um segundo momento, depois de recuar recentemente, o ouro superou novamente a marca dos US$ 5 mil por onça, respondendo à volta da clássica procura por ativos mais diversificados e que funcionam como reserva de valor.

A redução de compras de ouro por bancos centrais no mundo consta em nota divulgada nesta semana pelo World Gold Council, entidade financiada por produtores do metal. As compras líquidas, lideradas por países da Ásia Central e do Leste Asiático, somaram cinco toneladas em janeiro, em comparação com a média de 27 toneladas nos 12 meses anteriores.

Mas a trajetória para 2026 tende a seguir positiva para o metal enquanto os conflitos durarem. “Os preços voláteis do ouro e a temporada de feriados podem ter levado alguns bancos centrais a fazer uma pausa”, escreveu Marissa Salim, analista do World Gold Council, em relatório. “Mas as tensões geopolíticas, que mostram poucos sinais de diminuir, provavelmente manterão a acumulação ao longo de 2026 e além.”

Mercado de petróleo entra em fase crítica e redefine vencedores no setor de energia

7 de Março de 2026, 09:41

A guerra com o Irã elevou os preços do petróleo em 27% desde que começou, com o benchmark internacional ultrapassando US$ 90 na sexta-feira (6) pela primeira vez desde 2024. A maior parte desses ganhos ocorreu por causa do receio de que a demanda global começaria a superar a oferta, mesmo com os produtores de petróleo mantendo a produção nas mesmas taxas que antes da guerra. Isso está começando a mudar.

O mercado de petróleo entrou em um novo estágio de crise: a oferta está começando a desaparecer, ameaçando uma escassez que poderia rapidamente levar os preços acima de US$100 por barril. O Irã está ampliando seus ataques na região, e a infraestrutura de petróleo está entre os alvos.

O Iraque disse que está reduzindo mais da metade de sua produção e o Kuwait foi forçado a fazer o mesmo depois que seus tanques de armazenamento de petróleo atingiram o limite, de acordo com uma reportagem publicada na sexta-feira no The Wall Street Journal.

Esses países não conseguem exportar petróleo porque o Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, foi efetivamente bloqueado devido à guerra. Cerca de 20% do petróleo mundial é transportado através desse estreito.

“O cenário energético de pesadelo está chegando”, escreveu na sexta-feira o economista da Capital Economics David Oxley, que acredita que uma interrupção prolongada no estreito resultará em petróleo a US$ 100 por barril. Isso também elevaria ainda mais os preços da gasolina, depois de já terem subido 34 centavos por galão na última semana.

Os produtores vinham conseguindo manter o fluxo de petróleo e armazenar qualquer excesso em tanques em terra ou em navios no mar. Não mais. Cerca de 1,5 milhão de barris por dia de petróleo estão fora de operação no Iraque, segundo Natasha Kaneva, chefe de estratégia global de commodities do J.P. Morgan.

Kaneva diz que o Kuwait reduziu a produção de suas refinarias em 600 mil barris por dia, retirando barris que normalmente seriam exportados. Para colocar isso em contexto, a oferta global total de petróleo é de cerca de 107 milhões de barris por dia, mas pequenas mudanças na produção têm grande impacto nos preços.

Além disso, apenas cerca de 78 milhões de barris são petróleo bruto, a fonte dos combustíveis que mantém o mundo funcionando (grande parte do restante são líquidos de gás natural, que são usados principalmente na produção de produtos químicos).

Os cortes de produção no Oriente Médio derrubam uma suposição fundamental que os operadores do setor de petróleo tinham antes da guerra.

A maioria dos analistas acreditava que o Irã não atacaria a infraestrutura regional de petróleo e nem bloquearia o estreito. Se as exportações de petróleo fossem interrompidas, isso prejudicaria sua própria receita e suas relações de longo prazo com potências regionais como a Arábia Saudita.

Claramente, agora todas as apostas estão suspensas. O Irã está ampliando seus ataques na região, e a infraestrutura de petróleo está entre os alvos.

“O regime iraniano está lutando por sua sobrevivência”, escreveu Robin Brooks, pesquisador sênior da Brookings Institution. “Como não tem esperança de se igualar militarmente aos Estados Unidos e Israel, sua única estratégia é elevar os preços do petróleo o máximo possível, na esperança de que a opinião pública nos Estados Unidos se volte contra esta guerra.”

As ações de empresas de petróleo não subiram de forma generalizada com a escalada da guerra. As grandes petrolíferas – algumas das quais têm operações no Oriente Médio – registraram ganhos modestos ou nenhum ganho.

Entre as grandes empresas, a francesa Total Energies parece ter a maior produção no Oriente Médio, e suas ações na verdade têm caído. A ExxonMobil estava ligeiramente em queda na semana, embora tivesse subido fortemente para novos recordes em antecipação à guerra. A principal empresa de serviços petrolíferos SLB, que opera no Oriente Médio, caiu quase 9%.

Os grandes vencedores no setor de energia incluem as refinarias, que se beneficiaram da escassez global de combustíveis. Navios-tanque estrangeiros não conseguem chegar aos seus destinos por causa da guerra, e refinarias asiáticas começaram a limitar suas próprias exportações para garantir que haja oferta doméstica suficiente.

Além disso, compradores estão pagando mais por combustível de processadores americanos, elevando as margens. As ações da refinaria americana Valero Energy, por exemplo, subiram 10%.

Entre os produtores de petróleo, empresas de shale – petróleo extraído de rochas de xisto, formações rochosas muito compactas – dos Estados Unidos têm subido na bolsa devido à sua presumida segurança. Os produtores de shale podem entrar para compensar parte da produção perdida no Oriente Médio, embora poucos tenham se comprometido com isso até agora.

A partir daqui, a situação pode se tornar muito mais drástica. A Arábia Saudita tem mais capacidade de armazenamento do que o Kuwait, mas sua capacidade disponível também pode começar a se esgotar.

“Estamos em contagem regressiva para a próxima onda de paralisações de produção, impulsionadas por gargalos nas exportações e restrições nas refinarias”, escreveu Kaneva.

“Na trajetória atual, interrupções de cerca de 1,5 milhão de barris por dia podem subir para cerca de 3 milhões até o fim de semana; até o final da próxima semana, os cortes podem ultrapassar 4 milhões e potencialmente se aproximar de 6 milhões se o armazenamento de produtos refinados atingir a capacidade.”

No caso de a oferta desses produtores maiores do Golfo ser interrompida, os preços poderiam subir mais US$ 30 por barril, estima Kaneva. Há precedentes para que subam ainda mais. Nos primeiros dias do ataque da Rússia contra a Ucrânia, os preços saltaram para US$ 127.

Argumenta-se que esta guerra é mais perigosa para o mercado de petróleo do que a russa. Em 2022, a produção russa continuou fluindo. Desta vez, as torneiras estão começando a ser fechadas.

Contratos secretos de petróleo de Maduro atraem atenção dos Estados Unidos

5 de Março de 2026, 11:47

A Venezuela e os Estados Unidos examinam dezenas de contratos confidenciais de petróleo assinados durante o regime do líder deposto, Nicolás Maduro, de acordo com pessoas familiarizadas com a situação.

Os acordos, concebidos como um meio de contornar as sanções dos EUA para financiar o regime socialista, envolviam campos de petróleo em todo o país, disseram as fontes.

Os acordos conhecidos como contratos de participação produtiva permitiam que investidores bombeassem e comercializassem petróleo bruto, mantendo seus nomes em segredo para evitar represálias econômicas por parte dos EUA, disseram as pessoas, que pediram anonimato por se tratar de assunto confidencial.

Os contratos também permitiam que o governo trabalhasse com empresas privadas, apesar das restrições legais à venda de petróleo por entidades não estatais.

Agora, sob pressão do governo Trump, o governo venezuelano está auditando as empresas envolvidas, enquanto autoridades americanas inspecionam a documentação de exportação, disseram as fontes. As investigações podem desacelerar qualquer recuperação do setor petrolífero venezuelano, especialmente se fizerem com que outras empresas relutem em assinar novos contratos para perfuração de petróleo bruto.

“Há muitas preocupações sobre como esses contratos foram concedidos”, disse Juan Fernández, ex-executivo da estatal petrolífera PDVSA que agora assessora a líder da oposição, María Corina Machado, em política petrolífera. “Mas, por outro lado, se eles estão produzindo barris de petróleo atualmente, precisamos desses barris. Portanto, precisamos equilibrar como vamos lidar com isso”. 

Também não está claro se a Venezuela resistirá ao apelo dos EUA. Na terça-feira, a Petróleos de Venezuela (PDVSA) anunciou que havia assinado contratos de fornecimento com empresas que comercializam petróleo bruto e produtos refinados destinados aos EUA, poucos dias após a presidente interina, Delcy Rodríguez, pedir que os acordos firmados durante o governo de Maduro “sejam respeitados”.

A PDVSA e o Ministério da Informação não responderam a pedidos de comentários.

A PDVSA não publicou uma lista oficial das empresas que detêm contratos assinados antes da captura de Maduro pelas forças dos EUA, em 3 de janeiro.

Rodriguez tem afirmado que havia um total de 31 desses acordos. Apenas alguns, de fato, bombeiam e comercializam petróleo, de acordo com documentos analisados ​​pela Bloomberg. Oito deles produziam juntos, em média, 210.000 barris por dia em meados de fevereiro.

Muitos dos contratos cobrem partes da prolífica região do Lago Maracaibo e da Faixa do Orinoco. Os contratos foram uma iniciativa da PDVSA para preencher o vazio deixado quando os produtores ocidentais tiveram ativos retirados durante uma campanha de nacionalização, ou que posteriormente foram pressionados a deixar o país sob pressão dos EUA.

A guerra com o Irã tem destacado o valor geopolítico da produção de petróleo na América Latina, que fica próxima tanto da Europa quanto dos EUA e que não depende de rotas comerciais que atravessem a zona de conflito.

A Venezuela é única na região por possuir vastas quantidades de campos petrolíferos ainda pouco desenvolvidos que poderiam gerar um aumento sustentado da produção na próxima década. Muitos outros produtores de petróleo bruto na região estão em declínio ou atingirão o pico de produção até meados da década de 2030, sem grandes novas descobertas.

“O petróleo bruto pesado venezuelano, que pode abastecer as refinarias da Costa do Golfo nos EUA, torna-se ainda mais estratégico e valioso”, disse Theodore Kahn, diretor da Control Risks, em Bogotá. “Temos eleições legislativas se aproximando e Trump não quer que os preços da gasolina aumentem nos EUA”.

Também há joint ventures com entidades russas e chinesas, países que Trump quer afastar da Venezuela, que agora estão incertas.

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Navegação entra em colapso no Estreito de Ormuz

4 de Março de 2026, 14:35

O tráfego pelo estratégico Estreito de Ormuz praticamente paralisou em meio à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Apenas dois navios graneleiros e um pequeno porta-contêineres foram vistos atravessando a hidrovia na terça-feira (3). Todos estavam saindo do Golfo Pérsico, e não entrando.

O estreito mergulhou em uma espécie de “névoa digital”. Interferências de sinal e a desativação generalizada de transponders de posição dificultaram o rastreamento por satélite e tornaram mais complexo monitorar o tráfego na via marítima. Ainda assim, entender o que — se é que algo — está se movimentando é crucial para avaliar o impacto do conflito sobre os mercados de petróleo, gás e outras commodities.

Os países do Golfo Pérsico são fundamentais para o fornecimento global de petróleo bruto, combustíveis, gás natural e insumos para fertilizantes. Quase toda a produção da região precisa passar por Ormuz, tornando-o um gargalo estratégico para cerca de um quinto da oferta global de petróleo e gás natural liquefeito, além de metade do comércio marítimo mundial de enxofre.

O fechamento efetivo da hidrovia já está levando países como o Iraque a interromper parte da produção, contribuindo para uma alta de 14% nos preços do petróleo desde o fim de semana e elevando o gás natural ao nível mais alto desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. A situação também deixou traders de enxofre em busca de fontes alternativas de suprimento para as indústrias de fertilizantes e processamento de níquel.

Queda de 95%

Dados de rastreamento de navios compilados pela Bloomberg mostram que o tráfego despencou mais de 95%, com grandes petroleiros e navios de gás natural liquefeito evitando a rota. As poucas embarcações ainda em movimento estão deixando o Golfo com os transponders de localização desligados — uma prática comum em zonas de conflito.

Apenas sete embarcações cruzaram a região na segunda-feira, segundo dados de rastreamento, ante mais de 100 na sexta-feira — um dia antes de Estados Unidos e Israel lançarem a Operação Epic Fury. Na terça-feira, o número caiu para três.

As poucas travessias que continuaram ocorreram principalmente com navios deixando o Golfo Pérsico à medida que o conflito se intensificava e as embarcações recebiam comunicados informando que a passagem estava proibida.

Como os navios podem navegar sem sinais de AIS até estarem bem distantes de Ormuz, os sinais automáticos de posição foram compilados em uma ampla área que abrange o Golfo de Omã, o Mar da Arábia e o Mar Vermelho para identificar embarcações que possam ter saído ou entrado no Golfo Pérsico.

Quando possíveis travessias são identificadas, os históricos de sinal são analisados para determinar se o movimento parece genuíno ou resultado de spoofing — quando interferências eletrônicas falsificam a posição aparente de um navio.

Esse tipo de atividade se tornou generalizado na região de Ormuz desde o início do conflito, com sinais de embarcações provavelmente afetados por uma guerra eletrônica mais ampla.

Algumas travessias podem não ter sido detectadas caso os transponders não tenham sido religados. Petroleiros ligados ao Irã frequentemente partem do Golfo Pérsico sem transmitir sinais de AIS até alcançarem o Estreito de Malaca, cerca de 10 dias após passarem por Fujairah. Outras embarcações podem estar adotando táticas semelhantes e não aparecerão nas telas de rastreamento por vários dias.

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Tarifas de Trump devem subir a 15% nesta semana, diz secretário do Tesouro dos EUA

4 de Março de 2026, 13:51

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que o plano do presidente dos EUA, Donald Trump, de aumentar a alíquota da tarifa ampla de 10% para 15% será provavelmente concluído nesta semana.

“Isso provavelmente acontecerá em algum momento desta semana”, disse Bessent na quarta-feira à CNBC, em resposta a uma pergunta sobre quando o aumento para 15% seria implementado.

Os comentários de Bessent oferecem a indicação mais clara até agora sobre quando os EUA irão cumprir a promessa de Trump de elevar as tarifas. No mês passado, Trump impôs uma taxa universal de 10% depois que a Suprema Corte do país invalidou a maior parte de seu regime tarifário anterior, e logo em seguida ameaçou aumentar a alíquota para 15%.

O governo, no entanto, deixou a taxa de 10% entrar em vigor sem aumentá-la imediatamente. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, sugeriu na semana passada que a taxa mais alta não seria universal. A União Europeia espera não estar sujeita à tarifa de 15%, em virtude do seu pacto comercial-quadro com Washington, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Bessent, em entrevista à CNBC, não especificou a quais parceiros comerciais a tarifa mais alta se aplicaria. Ele observou que a autorização para as novas tarifas permite que elas permaneçam em vigor por apenas 150 dias sem a aprovação do Congresso. Durante esse período, ele afirmou que funcionários do governo usariam outros poderes legais para restabelecer o regime tarifário vigente antes da decisão da Suprema Corte.

“Acredito firmemente que as alíquotas das tarifas irão retornar aos seus níveis anteriores dentro de cinco meses”, disse Bessent. “Elas são de movimentação muito mais lenta, mas mais robustas”, afirmou, referindo-se às chamadas tarifas da Seção 301 e da Seção 232, que devem substituir as tarifas invalidadas implementadas sob uma lei de emergência.

Os futuros das bolsas em Nova York apagaram os ganhos após o comentário de Bessent sobre o aumento da tarifa, embora o S&P 500 tenha avançado após a abertura do pregão em Nova York.

Petróleo

O secretário do Tesouro americano também minimizou os riscos para o mercado de petróleo decorrentes da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, afirmando que há ampla oferta global da commodity e que o governo Trump irá tomar medidas para apoiar o setor.

“Eu encorajaria a todos a ignorar o ruído e ver para onde estamos caminhando depois disso em termos de mercados de petróleo bruto — os mercados de petróleo bruto estão muito bem abastecidos”, disse Bessent. “Há centenas de milhões de barris armazenados em alto-mar, longe do Golfo. Mas, mais importante ainda, temos uma série de anúncios que faremos.”

Ele mencionou o plano previamente anunciado para que o governo dos EUA oferecesse seguro para navios de carga de petróleo quando apropriado, e para que a marinha americana garantisse a travessia segura pelo Estreito de Ormuz.

Bessent destacou a vulnerabilidade da China a qualquer interrupção no fornecimento de petróleo do Golfo Pérsico, afirmando que mais de 50% da energia do país provém dessa região.

“Eles provavelmente estavam comprando 95% do petróleo bruto iraniano. Obviamente, isso está suspenso agora”, disse ele.

Questionado sobre o comentário de Trump na terça-feira, quando foi perguntado sobre a possibilidade de um embargo comercial à Espanha e se o secretário do Tesouro seria responsável por isso, Bessent disse que “seria um esforço conjunto”. Ele não comentou especificamente se tal sanção será implementada.

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O dinheiro que vai pra Cuba: sob pressão dos EUA, regime comunista amplia parcerias com setor privado

4 de Março de 2026, 12:59

Cuba autorizou empresas privadas a fazerem parcerias com empresas estatais, um passo cauteloso para afrouxar seu controle sobre a economia, enquanto Havana luta para fornecer serviços básicos sob intensa pressão de Washington.

De acordo com novas regulamentações publicadas nesta terça-feira (3), o incipiente setor privado da ilha poderá fechar acordos com entidades estatais em “qualquer área legal”, exceto educação, saúde e defesa. No entanto, as regras permitem que os braços comerciais desses setores celebrem contratos, o que significa que as empresas poderão trabalhar com a GAESA, o poderoso conglomerado empresarial militar que controla grande parte da economia.

A nova lei também concede ampla liberdade às joint ventures para decidir quantos funcionários terão, definir salários e importar e exportar mercadorias diretamente. Esses arranjos são reconhecidos desde 2021, mas nunca foram regulamentados. Céticos, contudo, devem recomendar cautela até que fique claro que as regras estão funcionando e que o governo comece a aprovar propostas.

O governo de Cuba enfrenta uma crise existencial à medida que a administração de Donald Trump corta os suprimentos de combustível da ilha. Os EUA, na esperança de romper o controle do regime comunista sobre a política e a economia, também buscam encerrar as brigadas médicas estrangeiras do país — uma importante fonte de divisas.

Embora os EUA tenham emitido novas diretrizes permitindo que empresas privadas cubanas importem seu próprio combustível, os volumes envolvidos representam uma fração do que a ilha necessita. As usinas termelétricas do país requerem cerca de 100 mil barris de petróleo por dia para atender à demanda, e a produção doméstica responde por apenas dois quintos desse total.

No início desta semana, o presidente Miguel Díaz-Canel disse aos legisladores que mudanças “urgentes” eram necessárias na economia, incluindo dar ao setor privado e aos municípios individuais “mais autonomia” — o reconhecimento de que a economia controlada pelo Estado está falhando.

Cuba culpa as políticas de Washington por tê-la levado à beira do colapso. As Nações Unidas e outras entidades alertaram que a ilha de 10 milhões de habitantes está à beira de uma crise humanitária, à medida que serviços básicos — de eletricidade à coleta de lixo — entram em colapso.

O secretário de Estado Marco Rubio mantém conversas com representantes cubanos, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, enquanto o governo Trump avança para tornar a ilha mais dependente dos EUA para suprimentos.

Autoridades em Havana e Washington, no entanto, parecem estar cooperando na investigação de um tiroteio fatal — entre forças de segurança e um grupo de cubanos que viviam nos EUA — a bordo de uma lancha registrada na Flórida, na costa norte da ilha. Os seis sobreviventes do incidente foram acusados de terrorismo na terça-feira.

Polícia Federal prende Daniel Vorcaro, do Banco Master, em nova fase de operação da Justiça

4 de Março de 2026, 08:14

A Polícia Federal prendeu nesta manhã de quarta-feira (4) o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A detenção faz parte da 3ª fase da Operação Compliance Zero.

Segundo nota da Polícia Federal, estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Trata-se da primeira medida autorizada pelo ministro André Medonça desde que ele assumiu a relatoria do caso em substituição ao ministro Dias Toffoli.

As investigações contaram com o apoio do Banco Central.

Segundo a PF, a operação investiga possíveis práticas de crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa.

Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões. O objetivo é “interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas”.

A Operação Compliance Zero foi deflagrada inicialmente em novembro de 2025 relacionada a investigações sobre as suspeitas de prática de crimes envolvendo o Banco Master e o BRB, como a criação de carteiras de crédito fictícias para inflar o patrimônio do banco de Daniel Vorcaro e ocultar perdas e passivos que não teriam condições de serem honrados.

Em ato relacionado à operação, o Banco Central decretou a liquidação do Master depois de meses de investigação com o objetivo declarado de mitigar riscos de contágio das perdas ao sistema financeiro nacional.

Na ocasião, Vorcaro chegou a ser detido no aeroporto internacional de São Paulo antes de embarque para o exterior, mas foi solto dez dias depois com habeas corpus do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

Efeito Master: Banco Central libera R$ 30 bilhões em compulsório para bancos recomporem o FGC

3 de Março de 2026, 20:02

O Banco Central editou nesta terça-feira (3) a Resolução BCB nº 551, que cria uma espécie de compensação contábil para evitar que a recomposição do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) drene liquidez do sistema bancário. A estimativa do BC é que a medida libere até R$ 30 bilhões em 2026.

O contexto é o seguinte: em fevereiro, o FGC obrigou todos os bancos associados a antecipar contribuições mensais para recompor o caixa do fundo, esvaziado após o pagamento de R$ 51,8 bilhões em garantias a depositantes de instituições ligadas ao banco Master — incluindo o Will Bank e o Banco Pleno, liquidados na sequência. Se os bancos simplesmente tirassem esse dinheiro de suas operações para depositar no FGC, o efeito prático seria um aperto de liquidez no sistema, algo que o BC quer evitar num momento de juros já elevados.

A solução foi permitir que cada banco desconte do compulsório — a reserva obrigatória que toda instituição financeira mantém depositada no BC — o valor exato que antecipar ao FGC. Em termos simples: o dinheiro que o banco já tinha parado no BC é redirecionado ao fundo, em vez de sair do caixa operacional. Para o sistema como um todo, o volume de recursos em circulação não muda — é o que o BC chama de “neutralizar o efeito da antecipação ao FGC na liquidez do sistema bancário”.

A resolução ainda dá aos bancos a liberdade de escolher de qual compulsório fazer a dedução — se do que incide sobre depósitos à vista ou sobre depósitos a prazo. A distinção importa porque a composição de passivos varia muito entre instituições: bancos de varejo com grande base de conta corrente podem preferir deduzir do compulsório à vista, enquanto bancos mais dependentes de CDBs podem optar pelo de depósitos a prazo. Na avaliação do BC, essa flexibilidade “amplia a efetividade do instrumento e potencializa seu alcance”.

O alívio é temporário. À medida que cada parcela antecipada ao FGC vence, o compulsório correspondente é recomposto. O efeito líquido, portanto, é o de um colchão rotativo: libera agora, recolhe depois — exatamente a função que o compulsório já deveria cumprir em situações de estresse.

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Trump diz que vai cortar comércio com Espanha após país negar uso de bases para atacar Irã

3 de Março de 2026, 18:19

Donald Trump disse que vai “cortar todo o comércio com a Espanha” após o país negar acesso às suas bases militares para sua campanha de bombardeio contra o Irã, o que provocou uma forte reprimenda de Madri de que o presidente dos Estados Unidos deve respeitar os acordos comerciais internacionais.

“Eu disse ao Scott para cortar todos os negócios com a Espanha,” disse Trump na terça-feira (3) durante uma reunião na Casa Branca, referindo-se ao Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.

Trump não explicou como planejava cumprir essa ameaça, que pode se mostrar particularmente difícil, dado que os EUA têm um relacionamento comercial com a União Europeia mais ampla.

Mais tarde, ele sugeriu que tinha o poder de impor um embargo total a bens do país, embora não tenha indicado explicitamente que planejava fazê-lo.

Se a administração Trump deseja revisar sua relação comercial com a Espanha, deve fazê-lo respeitando a autonomia das empresas privadas, o direito internacional e os acordos bilaterais entre a UE e os EUA, disse um funcionário do governo espanhol em resposta ao comentário de Trump.

A Espanha tem os recursos necessários para conter impactos potenciais e apoiar setores que podem ser afetados por uma proibição comercial, afirmou o funcionário.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, deve fazer uma declaração na quarta-feira (4) às 9h no horário de Madri.

Em uma entrevista em janeiro ao New York Times, Trump disse que não “precisa de direito internacional.” Ele então acrescentou que isso depende da definição de direito internacional.

“A Espanha não tem absolutamente nada de que precisamos, exceto por grandes pessoas,” disse Trump na terça-feira. “Eles têm grandes pessoas, mas não têm uma liderança grande.”

Impacto na bolsa

O comentário de Trump na terça-feira veio após o fechamento da Bolsa de Madri. O ETF iShares MSCI Espanha caía 5,7% às 18h32 em Madri, após reduzir uma queda anterior que havia chegado a 6,8%, enquanto as ações europeias eram atingidas por preocupações com a inflação ao longo da sessão.

No domingo (1), Sánchez disse que a operação dos EUA e de Israel equivalia a uma “intervenção militar injustificada e perigosa fora do direito internacional.”

O governo em Madri alertou Washington de que os EUA não poderiam usar as duas bases militares no sul do país para apoiar a operação, argumentando que tal envolvimento estaria fora do tratado que rege as instalações.

“Queremos ações militares sempre sob a carta das Nações Unidas e sob esforço coletivo,” disse o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, em uma entrevista à Bloomberg Television na terça-feira. “Um mundo baseado em regras previsíveis é melhor do que um mundo em que a força é a única regra.”

Trump expressou repetidamente frustração com Sánchez por rejeitar seu apelo para que os aliados da OTAN aumentassem os gastos com defesa para o equivalente a 5% do Produto Interno Bruto. Em outubro passado, o presidente dos EUA disse que a Espanha deveria receber uma “punição comercial” pela discordância.

“Eu poderia amanhã parar — ou hoje, ainda melhor — tudo que tem a ver com a Espanha, todos os negócios que têm a ver com a Espanha, ter o direito de parar, embargos, fazer o que eu quiser com isso,” continuou Trump. “E podemos fazer isso com a Espanha.”

Bessent, na reunião, afirmou sua crença de que Trump tinha a capacidade legal de embargar bens espanhóis, sem dizer se ele seguiria esse caminho.

“O anúncio poderia ter um efeito no sentimento do mercado mais do que em números macro, embora, se a ameaça avançar, seria ruim para as exportações de vinho e azeite para os EUA,” disse Ricardo Gil, vice-chefe de investimentos da Trea Asset Management. “Do lado político, isso é um golpe para a credibilidade do governo.”

O chanceler alemão Friedrich Merz, que estava na reunião da Casa Branca com Trump, interveio para apoiar o apelo do presidente para que Madri aumentasse seus gastos com defesa.

“Estamos tentando convencer a Espanha a alcançar” a meta de gastos da OTAN, disse Merz enquanto se sentava ao lado de Trump durante sua visita à Casa Branca.

“A Espanha é a única que não está disposta a aceitar isso, e estamos tentando convencê-los de que isso faz parte da nossa segurança comum, que todos devemos cumprir com esses números.”

Trump também criticou o Reino Unido por bloqueá-lo de usar uma base militar na ilha de Diego Garcia para realizar ataques ao Irã, dizendo que estava “surpreso” enquanto se absteve de fazer uma ameaça comercial semelhante.

“Esta não é a era de Churchill. Eu vou dizer, o Reino Unido tem sido muito, muito não cooperativo com aquela ilha estúpida que eles têm,” disse Trump.

O Supremo Tribunal dos EUA derrubou no mês passado o alegado direito de Trump de usar uma lei de poderes de emergência para impor suas chamadas tarifas recíprocas ao redor do mundo. Ele anunciou uma nova taxa global de 10%, que depois ameaçou aumentar para 15%.

A equipe de Trump disse que as tarifas continuarão sendo centrais em sua política comercial, reiterando planos de lançar uma série de investigações em cronogramas acelerados que lhe permitam impor unilateralmente direitos — tudo com o objetivo de reconstruir o regime tarifário que a decisão do tribunal mais alto dos EUA efetivamente destruiu.

Após decisão da Suprema Corte, China ganha vantagem antes de cúpula com Trump

22 de Fevereiro de 2026, 11:06

O presidente chinês Xi Jinping chega à mesa de negociação com Donald Trump em posição mais forte, depois que o líder americano perdeu a capacidade de elevar tarifas rapidamente por quase qualquer motivo.

Semanas antes de Trump desembarcar em Pequim, em 31 de março – a primeira visita de um presidente americano desde 2017 – a Suprema Corte dos EUA invalidou as tarifas emergenciais amplas impostas pelo republicano, um dos principais instrumentos de pressão sobre a China.

A decisão eliminou as tarifas adicionais do segundo mandato de Trump contra Pequim e deixou a China sujeita à mesma taxa global de 15% aplicada aos aliados dos Estados Unidos – tarifa que expira em 150 dias.

A remoção da ameaça de tarifas que no ano passado chegaram a 145% dificulta a pressão de Trump por compras maiores de soja, aeronaves da Boeing e petróleo. Também o deixa sem um instrumento-chave caso negociadores chineses façam novas exigências em troca da retomada do fluxo regular de terras raras — minerais estratégicos para a indústria americana.

“Essa decisão da Suprema Corte coloca a China em posição muito mais forte de negociação”, afirmou Wu Xinbo, diretor do Centro de Estudos Americanos da Universidade Fudan. 

Ele citou o exemplo do compromisso chinês de comprar cerca de 25 milhões de toneladas de soja, condicionado às negociações tarifárias anteriores. “Se essas tarifas agora são consideradas ilegais, a ‘carta da soja’ volta para a mão da China.”

A equipe de Xi deve pressionar com mais força por:

  • Acesso a semicondutores avançados;
  • Retirada de restrições comerciais a empresas chinesas;
  • Redução do apoio dos EUA a Taiwan.

Embora a decisão da Suprema Corte americana represente um ganho para Pequim, autoridades chinesas têm sido cautelosas na reação pública.

Cartas na manga

A decisão não impede Trump de usar outros instrumentos legais para impor tarifas, como as Seções 301, 232 e 122 da Lei de Comércio.

A tarifa global de 15% foi aplicada com base na Seção 122, que permite taxas por até 150 dias sem aprovação do Congresso. Já as Seções 301 e 232 permitem tarifas unilaterais, mas exigem investigações que podem levar meses.

A China ainda enfrenta investigação sob a Seção 301 por descumprimento do acordo comercial da “Fase Um”, firmado no primeiro mandato de Trump — o que pode servir como plano alternativo de pressão.

Efeito prático

Com os mercados chineses fechados pelo Ano Novo Lunar, investidores podem reagir positivamente à notícia quando as bolsas reabrirem. Empresas exportadoras chinesas podem acelerar embarques aos EUA enquanto as tarifas permanecem mais baixas, antes de eventuais novas mudanças.

“O governo americano provavelmente buscará alternativas para manter tarifas elevadas sobre a China”, disse Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management. “Mas isso pode levar tempo. Nesse intervalo, empresas podem antecipar exportações.”

A decisão da Suprema Corte remove também a tarifa de 10% vinculada à crise do fentanil e as chamadas tarifas “recíprocas”, reduzindo um dos principais pontos de atrito entre Washington e Pequim.

Nos últimos meses, os dois lados já haviam flexibilizado algumas restrições de segurança nacional. Houve acordo sobre as operações do TikTok nos EUA e liberação da venda de chips Nvidia H200 à China.

Ainda assim, Trump já mostrou disposição para ameaçar novas tarifas antes de encontros importantes – como fez antes da última cúpula com Xi.

Trump intensifica embate com Suprema Corte e eleva tarifa global para 15%

21 de Fevereiro de 2026, 14:13

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (21) que aumentará de 10% para 15% a tarifa global anunciada na véspera, em reação à decisão da Suprema Corte que considerou ilegal o mecanismo anterior usado por ele para impor taxas comerciais.

“Eu, como presidente dos Estados Unidos da América, estarei, com efeito imediato, elevando a tarifa mundial de 10% para o nível plenamente permitido e legalmente testado de 15%”, escreveu Trump em uma rede social, acrescentando que muitos países vinham “explorando” os EUA há décadas.

Horas após a decisão da Suprema Corte na sexta-feira (20), Trump havia imposto uma tarifa global de 10% sobre bens importados, numa tentativa de preservar sua agenda comercial.

A nova tarifa-base está sendo aplicada com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite ao presidente impor tarifas por até 150 dias sem aprovação do Congresso. Obter esse aval pode ser difícil, já que democratas e alguns republicanos têm resistido a partes da política comercial do presidente.

A tarifa de 10% anunciada na sexta-feira estava programada para entrar em vigor no dia 24 de fevereiro, à 0h01 (horário de Washington). Trump fará o discurso do Estado da União ao Congresso naquela noite. A publicação deste sábado, porém, não detalha o cronograma para a entrada em vigor da tarifa de 15%.

Na sexta-feira, a Suprema Corte decidiu por 6 votos a 3 que Trump agiu ilegalmente ao utilizar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para justificar suas chamadas “tarifas recíprocas”. Em abril, ele havia usado esse instrumento para impor tarifas entre 10% e 50% a dezenas de parceiros comerciais.

A Casa Branca e o escritório do Representante Comercial dos EUA não comentaram imediatamente.

E o Brasil?

Para o Brasil, o impacto imediato depende de um detalhe crucial: se as isenções anunciadas na sexta-feira – que incluíam carne bovina, laranjas e minerais críticos – serão mantidas também após a elevação da tarifa-base para 15%. 

Se forem preservadas, os principais itens da pauta exportadora brasileira aos EUA continuam protegidos, ao menos no curto prazo. Caso contrário, a escalada pode reacender a tensão comercial justamente em um momento em que os americanos vinham recuando de sobretaxas anteriores, sob pressão da inflação de alimentos.

Além disso, o Brasil segue sob investigação na Seção 301 por supostas práticas comerciais desleais – um instrumento mais duradouro e potencialmente mais agressivo que a Seção 122. Ou seja: mesmo que a tarifa de 15% tenha prazo de até 150 dias, o risco estrutural para as exportações brasileiras continua na mesa.

Vale e Embraer se aproximam do influente Grupo Adani em nova ofensiva brasileira na Índia

21 de Fevereiro de 2026, 12:54

O grupo indiano Adani, maior operador portuário da Índia e um dos conglomerados mais influentes da Ásia, assinou neste sábado (21) dois memorandos de entendimento com empresas brasileiras – Vale e Embraer – ampliando a presença do Brasil em setores considerados estratégicos para o crescimento indiano.

De um lado, a Vale fechou parceria com a Adani Ports e a estatal indiana NMDC para desenvolver um complexo integrado de minério de ferro no Porto de Gangavaram, na costa leste da Índia. De outro, a Embraer assinou memorando para instalar uma linha de montagem final do jato regional E175 no país, em parceria com a Adani Defence & Aerospace.

Os acordos foram firmados durante o Fórum Empresarial Índia–Brasil, em Nova Déli, na visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país. A aproximação empresarial ocorre em meio à tentativa de ampliar o fluxo comercial entre os dois países.

O comércio bilateral Brasil–Índia gira hoje em torno de US$ 15 bilhões por ano, e os governos estabeleceram a meta de elevá-lo para US$ 20 bilhões até 2030. Lula afirmou a jornalistas que o volume pode superar essa marca e alcançar US$ 30 bilhões até o fim da década, caso os dois lados acelerem os acordos.

E os acordos com Vale e Embraer colocam o conglomerado liderado por Gautam Adani no centro dos objetivos comerciais entre Brasil e Índia.

Minério

De acordo com a revista exame, o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que a Índia pode repetir a trajetória de expansão industrial observada na China nos anos 2000, quando o país se tornou o principal destino do minério brasileiro.

No ano passado, a Vale exportou 10 milhões de toneladas de minério de ferro para a Índia. O volume ainda é pequeno diante das vendas à China, mas vem crescendo. Segundo Pimenta, a Índia produz atualmente cerca de 150 milhões de toneladas de aço por ano e pode ultrapassar 300 milhões na próxima década.

Lula e Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, durante visita oficial do presidente do Brasil
Lula e Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, durante visita oficial do presidente do Brasil (Prakash Singh/Bloomberg)

O acordo com a Adani prevê a criação de uma estrutura de mistura de minério dentro de uma Zona Econômica Especial (SEZ) no Porto de Gangavaram, na costa leste da Índia. A estratégia é misturar minério brasileiro de alto teor com minério local, oferecendo uma solução mais eficiente às siderúrgicas indianas.

O projeto também inclui infraestrutura capaz de receber navios do tipo Valemax – embarcações com capacidade para até 400 mil toneladas, amplamente utilizadas pela Vale. Com isso, a capacidade do porto pode chegar a 75 milhões de toneladas por ano.

Aviões

Na frente aeronáutica, a Embraer assinou um memorando ampliado com a Adani Defence & Aerospace para estruturar a produção do jato regional E175 na Índia, dentro do programa indiano de aeronaves de transporte regional. O anúncio já havia sido feio no mês passado.

A Índia é um dos mercados de aviação que mais crescem no mundo e deve demandar ao menos 500 aeronaves na faixa de 80 a 146 assentos nos próximos 20 anos, segundo estimativas do governo indiano.

O plano é que a montagem ocorra na Índia, com participação da indústria local na cadeia de suprimentos, em linha com a política industrial do governo de Nova Déli, que busca fortalecer a autossuficiência em setores estratégicos.

O Grupo Adani

Fundado por Gautam Adani, o conglomerado se consolidou como o maior operador portuário da Índia e expandiu sua atuação para aeroportos, energia, defesa, cimento, mineração e infraestrutura.

O grupo controla o Aeroporto Internacional de Mumbai, administra diversos portos ao longo da costa indiana e tem planos ambiciosos em energia renovável, com investimentos anunciados de até US$ 70 bilhões no setor.

Brasil e Índia firmam acordo sobre terras raras e ampliam parceria comercial

21 de Fevereiro de 2026, 08:57

Brasil e Índia firmaram neste sábado (21) um acordo para cooperação em minerais críticos, com foco no processamento de terras raras. O objetivo é reforçar o acesso a insumos estratégicos em um momento de transformação nas cadeias globais.

“O acordo ajudará a moldar uma cadeia de suprimentos nova e resiliente”, disse o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Nova Délhi.

O Brasil abriga a segunda maior reserva de terras raras do mundo e surge como alternativa para a Índia reduzir sua dependência da China – especialmente em setores como veículos elétricos, painéis solares, smartphones e equipamentos de defesa, incluindo motores de jatos e mísseis guiados.

O movimento ocorre pouco depois de a Índia aderir à iniciativa Pax Silica, liderada pelos Estados Unidos, voltada à construção de cadeias mais resilientes em semicondutores, inteligência artificial e minerais críticos.

A concentração da oferta desses insumos na China tem gerado preocupação crescente, sobretudo em economias emergentes que dependem de materiais essenciais para manufatura avançada e tecnologia militar.

Além de diversificar fornecedores, Brasil e Índia querem avançar no processamento dos minerais – e não apenas permanecer como exportadores de matéria-prima. Hoje, a China domina tanto a extração quanto o refino, enquanto países como os Estados Unidos buscam acelerar parcerias alternativas.

“A ampliação dos investimentos e da cooperação em energias renováveis e minerais críticos está no centro do acordo pioneiro que assinamos hoje”, afirmou Lula.

A aproximação também tem dimensão comercial. As trocas bilaterais superaram US$ 15 bilhões em 2025, e os dois países estabeleceram a meta de elevar o comércio a US$ 20 bilhões até 2030. O Brasil é atualmente o principal parceiro comercial da Índia na América Latina.

A relação ganhou novo impulso após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impor tarifas de 50% sobre produtos de ambos os países. No caso da Índia, a alíquota foi reduzida para 18% após a assinatura de um acordo comercial neste mês.

O cenário voltou a mudar na sexta-feira (20), quando a Suprema Corte dos EUA derrubou parte das tarifas implementadas por Trump no ano passado. Em resposta, o presidente anunciou uma tarifa global de 10% sobre bens importados — ampliando a incerteza no comércio internacional.

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Argentina anuncia acordo de comércio e investimentos com governo Trump

5 de Fevereiro de 2026, 17:52

A Argentina afirmou que assinou um acordo de comércio e investimentos com o governo de Donald Trump, cumprindo o compromisso do presidente Javier Milei de abrir a economia sul-americana.

O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, disse que os dois países assinaram o acordo em uma publicação nas redes sociais na quinta-feira, mas não forneceu detalhes sobre o texto final.

Os dois países haviam concordado anteriormente com um acordo-quadro em novembro, que previa que a Argentina fizesse várias concessões em sua economia historicamente protecionista, enquanto os EUA concordaram em remover algumas tarifas recíprocas sobre produtos farmacêuticos e “recursos naturais indisponíveis”.

O chefe de gabinete de Milei, Manuel Adorni, e o Ministério das Relações Exteriores da Argentina não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA afirmou que não tinha comentários imediatos.

O acordo-quadro afirmou que a Argentina se comprometeu a importar carros fabricados nos EUA e a aceitar alimentos certificados pela Food and Drug Administration (FDA). A Argentina também abrirá seu mercado para o gado vivo e dará aos produtores americanos acesso preferencial para vender ao país “determinados medicamentos, produtos químicos, máquinas, produtos de tecnologia da informação, dispositivos médicos, veículos automotores e uma ampla gama de produtos agrícolas”.

O acordo também aborda direitos de propriedade intelectual e comércio digital, entre outros temas, segundo o documento-quadro.

Trump tem buscado repetidamente ajudar Milei, um de seus principais aliados na América Latina. Em setembro passado, quando Milei enfrentava uma difícil eleição de meio de mandato, o Tesouro dos EUA anunciou um pacote de ajuda de US$ 20 bilhões que ajudou a mitigar uma venda massiva da moeda e a reforçar a confiança do mercado em seu governo.

O partido de Milei então conquistou uma vitória esmagadora na eleição de outubro, desencadeando uma alta nos mercados.

A nação sul-americana frequentemente figura entre as piores do mundo em barreiras comerciais, já que suas tarifas tiveram média de 13% nos últimos anos, em comparação com 3,5% nos EUA, segundo dados do Banco Mundial. A última tentativa da Argentina de abrir sua economia, nos anos 1990, devastou a indústria local e fez com que o livre-comércio se tornasse sinônimo de perda de empregos para muitos eleitores.

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Trump anuncia corte de tarifas para 18% após Índia suspender compras de petróleo russo

2 de Fevereiro de 2026, 15:51

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que os EUA e a Índia chegaram a um acordo comercial que reduz tarifas sobre produtos indianos, desescalando tensões entre os dois países.

Trump afirmou na segunda-feira que reduzirá sua tarifa de 25% sobre produtos indianos para 18%, depois que o Primeiro-Ministro Narendra Modi concordou, durante uma ligação telefônica, em interromper a compra de petróleo russo. Trump também removerá a taxa extra de 25% aplicada sobre produtos indianos em resposta às compras de petróleo da Rússia, segundo autoridades familiarizadas com o assunto.

No total, as medidas reduzirão os encargos gerais sobre muitos produtos indianos de 50% para 18%, representando uma redução significativa para têxteis, maquinário e outros bens. O presidente americano afirmou ainda que a Índia “avançará na redução de suas tarifas e barreiras não tarifárias contra os Estados Unidos, até ZERO”, além de comprar “mais de 500 BILHÕES DE DÓLARES em energia, tecnologia, produtos agrícolas, carvão e muitos outros produtos dos EUA.”

“Por amizade e respeito ao Primeiro-Ministro Modi e, conforme seu pedido, com efeito imediato, concordamos com um Acordo Comercial entre os Estados Unidos e a Índia”, postou Trump nas redes sociais. “Nossa incrível relação com a Índia ficará ainda mais forte daqui para frente.”

Modi confirmou o pacto, postando nas redes sociais que “produtos Made in India terão agora uma tarifa reduzida de 18%.”

Os futuros do índice de referência da Índia, Nifty 50, negociados na Gujarat International Fin-Tec City, dispararam até 3,8% em volume reduzido, enquanto o ETF iShares MSCI India, listado nos EUA, atingiu máxima da sessão e subiu até 2,4%. A rupia avançou 1% contra o dólar em negociações offshore.

A medida oferece alívio significativo para Nova Délhi, que vinha tentando há meses negociar uma tarifa menor com Washington. A Índia envia quase um quinto de suas exportações totais para os EUA, e as tarifas de 50% de Trump eram a mais alta aplicada a produtos de qualquer parceiro comercial importante.

A alta tarifa afetava cerca de 55% das exportações indianas para o mercado americano e ameaçava comprometer suas ambições de se tornar uma potência manufatureira.

“Embora o diabo esteja nos detalhes, isso remove a espada suspensa sobre o mercado de rupia, ações e taxas”, disse Nilesh Shah, diretor-gerente da Kotak Mahindra AMC. “Esperamos que seja um acordo vantajoso para ambos os países, que têm muito a ganhar por meio da cooperação.”

Não estava imediatamente claro que um acordo fosse iminente antes da ligação entre Trump e Modi. O Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, disse na terça-feira anterior que, embora a Índia tenha “feito muito progresso” em limitar compras de petróleo russo, “ainda há caminho a percorrer nesse ponto.”

Longas negociações

A Índia foi um dos primeiros países a abrir negociações comerciais com a administração Trump, mas as relações azedaram depois que o presidente americano repetidamente se creditou pelo cessar-fogo entre Índia e Paquistão, afirmação que irritou autoridades em Nova Délhi. As tarifas agravaram ainda mais as relações.

Sinais de aproximação entre as duas economias surgiram após Trump ligar para Modi em seu aniversário, em setembro, reduzindo tensões e retomando negociações comerciais paradas.

O presidente americano afirmou em novembro que poderia visitar a Índia no próximo ano, a pedido de Modi.

A Índia também tomou medidas para agradar Trump. Refinarias reduziram compras da Rússia após os EUA aplicarem sanções às duas maiores produtoras de petróleo russas em outubro. Mais recentemente, o ministro de petróleo da Índia afirmou que refinarias estatais assinaram seu primeiro contrato de longo prazo para importar gás liquefeito dos EUA.

O acordo chega em um momento em que as tarifas pesam sobre a economia indiana. Os EUA são seu maior mercado de exportação, e as novas tarifas prejudicaram indústrias intensivas em mão de obra, incluindo têxtil, couro, calçados e joias. Os dados mais recentes mostram queda de quase 12% nas exportações em outubro em relação ao ano anterior, com déficit comercial atingindo recorde.

A concessão indiana sinaliza uma mudança significativa na dinâmica do mercado global de petróleo. O país asiático havia se tornado um destino importante para o petróleo russo após a invasão da Ucrânia em 2022, mas esse padrão agora começa a se desfazer. Em janeiro, os embarques de petróleo russo para portos indianos caíram para cerca de 1,2 milhão de barris por dia, o menor nível em mais de três anos.

O recuo deixa Moscou diante do desafio de colocar o petróleo já carregado nos navios, mas sem poder descarregá-lo em refinarias. Os barris encalhados se somam a um estoque crescente de barris sancionados não vendidos, contribuindo para um excesso de oferta que deve pressionar os preços do petróleo neste ano.

União Europeia cogita tarifas sobre US$ 108 bilhões em produtos dos Estados Unidos após ameaça de Trump

19 de Janeiro de 2026, 09:41

A União Europeia está em negociações para potencialmente impor tarifas sobre € 93 bilhões (US$ 108 bilhões) em produtos dos Estados Unidos, caso o presidente Donald Trump leve adiante a ameaça de aplicar uma taxa de 10% aos países europeus em 1º de fevereiro.

A UE também avalia contramedidas adicionais além das tarifas, mas primeiro tentará encontrar uma solução diplomática, de acordo com pessoas familiarizadas com as discussões. Representantes dos 27 países da UE se reuniram no domingo para começar a preparar as opções.

Os líderes da UE realizarão uma reunião de emergência em Bruxelas ainda nesta semana para analisar possíveis medidas retaliatórias. Em uma publicação nas redes sociais no domingo, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse que as nações do bloco estavam unidas em apoio à Dinamarca e à Groenlândia e estavam prontas “para se defenderem contra qualquer forma de coerção”.

No sábado, Trump anunciou uma tarifa de 10% sobre produtos de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro, subindo para 25% em junho, a menos que haja um acordo para a “compra da Groenlândia”. Trump fez a ameaça depois que os países disseram que realizariam exercícios simbólicos de planejamento militar da OTAN no território semiautônomo dinamarquês.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, criticou duramente os comentários de Trump como “completamente errados”, e Ulf Kristersson, da Suécia, disse que seu país não seria “chantageado”. O primeiro-ministro francês, Emmanuel Macron, que chamou a ameaça como “inaceitável”, planeja solicitar que a UE acione seu instrumento de retaliação comercial mais poderoso, o chamado instrumento anticoerção.

A reação mais imediata e tangível da UE foi que ela iria suspender a aprovação do acordo comercial de julho com os EUA, que ainda precisa da aprovação do Parlamento Europeu. O Partido Popular Europeu, o maior grupo no parlamento, afirmou que se uniria a outros partidos para bloquear a ratificação do acordo.

“O presidente Trump desencadeou uma avalanche que ameaça destruir décadas de cooperação transatlântica”, disse Stefan Lofven, presidente do Partido Socialista Europeu, em comunicado no domingo. O partido, cujo grupo parlamentar é o segundo maior em Bruxelas, apoia a suspensão do acordo comercial e pediu à UE que examine a utilização do instrumento anticoerção.

O acordo comercial, criticado por muitos na Europa por ser excessivamente desequilibrado a favor de Washington, previa que a UE concordasse em remover quase todas as tarifas sobre produtos americanos. A UE também aceitava uma taxa de 15% sobre a maioria das exportações para os EUA e de 50% sobre o aço e o alumínio. Desde então, os EUA ampliaram a lista de produtos sujeitos à alíquota mais alta de 50%, incluindo centenas de produtos adicionais que contêm esses metais.

A UE já aprovou tarifas retaliatórias sobre € 93 bilhões em produtos dos EUA, mas suspendeu a implementação. Se Trump levar adiante sua ameaça e impuser tarifas aos países no início de fevereiro, a UE poderá permitir a reintrodução de contramedidas, disseram as pessoas, que falaram sob condição de anonimato.

As medidas teriam como alvo produtos industriais americanos, incluindo aeronaves da Boeing, carros fabricados nos EUA e uísque bourbon.

A ameaça de tarifas de Trump pode se revelar uma interrupção indesejada do rali das ações europeias, que têm superado as dos EUA, conforme investidores direcionam recursos para diversos setores regionais, da defesa à mineração e fabricantes de equipamentos para chips. A perspectiva para a região tem sido impulsionada pelo aumento dos gastos fiscais na Alemanha, pela queda das taxas de juros e pela expectativa de melhora dos lucros.

Se Trump levar adiante a ameaça da tarifa total de 25%, as exportações dos países visados para os EUA poderão ser reduzidas em até 50%, sendo a Alemanha, a Suécia e a Dinamarca as mais expostas, segundo estimativas da Bloomberg Economics.

EUA suspendem emissão de vistos do Brasil e de mais 74 países

14 de Janeiro de 2026, 13:44

O Departamento de Estado dos Estados Unidos congelou a emissão de vistos para 75 países, incluindo o Brasil, de forma temporária. Ainda não se sabe se os vistos para turistas serão afetados pela medida.

A medida foi noticiada primeiramente pela rede de TV Fox News, mas confirmada posteriormente pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, que compartilhou a informação em suas redes sociais.

A suspensão dos vistos terá início em 21 de janeiro e permanecerá em vigor por tempo indeterminado, enquanto o Departamento de Estado revisa seus critérios para a concessão de vistos a estrangeiros solicitantes. Além do Brasil, estão na lista países como Somália, Rússia, Afeganistão, Irã, Iraque, Egito, Nigéria, Tailândia e Iêmen.

A nova diretriz visa, sobretudo, atingir candidatos considerados dependentes de benefícios públicos, levando em conta fatores como saúde, idade, proficiência em inglês, situação financeira e necessidades médicas de longo prazo. Em novembro, a agência de notícias Associated Press afirmou que o governo de Donald Trump considerava uma nova diretriz para restringir a entrada de pessoas obesas no país.

“O Departamento usará sua autoridade de longa data para determinar se potenciais imigrantes são inelegíveis, evitando que estrangeiros venham receber assistência pública nos Estados Unidos”, afirmou Tommy Piggott, porta-voz do Departamento de Estado.

Desde que Donald Trump assumiu a presidência, no ano passado, o Departamento de Estado já revogou mais de 100 mil vistos, incluindo cerca de 8 mil vistos de estudante e 2.500 vistos especializados, concedidos a indivíduos que tiveram envolvimento com a polícia dos EUA por atividades criminosas.

Medidas mais duras

Desde junho do ano passado, o governo de Trump adicionou uma nova exigência à concessão de vistos de estudantes no país: agora, todos os candidatos devem desbloquear seus perfis em redes sociais para análise dos EUA. A medida tem o intuito de identificar conteúdos considerados hostis ao país, seu governo, cultura, instituições ou princípios fundadores.

Embora os Estados Unidos ainda não tenham confirmado oficialmente as restrições de visto, a nova estratégia de defesa e política externa dos EUA, publicada pelo governo de Donald Trump em dezembro de 2025, previa o aumento de restrições de entrada de imigrantes.

Até US$ 9 bilhões a mais no PIB: o impacto positivo do acordo Mercosul-UE para o Brasil

9 de Janeiro de 2026, 17:06

Depois de mais de duas décadas de idas e vindas, a União Europeia deu aval político nesta sexta-feira (9) ao acordo de livre-comércio com o Mercosul. A decisão destrava a etapa de assinatura — prevista para 17 de janeiro — e abre o caminho para a ratificação no Parlamento Europeu e, do lado sul-americano, nos congressos nacionais, no que pode se converter num ganho de até 0,46% da atividade econômica brasileira, segundo o IPEA.

Pelos números atuais, seria um ganho de US$ 9,3 bilhões anuais para o PIB.

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O agro foi o ponto mais sensível em quase todo o percurso, com protestos recorrentes de produtores europeus preocupados com competição e padrões ambientais. De acordo com Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, o acordo é “benéfico” para cidadãos e empresas e só está avançando após a Comissão ouvir as preocupações dos agricultores, com salvaguardas e reforço de controles para importação.

Por “controles”, entenda cotas de importação. Por “salvaguardas”, a possibilidade de aumentos de impostos caso a abertura prejudique claramente algum setor.

Fazendeiros protestam em Bruxelas contra o acordo UE-Mercosul. Foto: Bloomberg

Mercosul e União Europeia reúnem cerca de 720 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 22 trilhões de dólares. A União Europeia é o 2º maior parceiro comercial do Mercosul em bens.

O bloco do Velho Continente manteve-se como o segundo principal destino das exportações brasileiras (14% do total), atrás apenas da China. Diferentemente do superávit recorde que o Brasil teve no total global (US$ 68,3 bilhões), com o bloco europeu houve um pequeno saldo negativo, impulsionado pelo aumento nas importações de bens industriais e tecnologia.

O Brasil exportou US$ 49,8 bilhões à União Europeia em 2025, uma alta de 3,2% em relação a 2024, mas importou US$ 50,290 bilhões, 6,4% a mais do que um ano antes.

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Entre os itens mais vendidos pelo Brasil aos países do bloco europeu estão ração/insumos agropecuários, minérios e café. Nas importações, pesam produtos farmacêuticos, máquinas e equipamentos e veículos.

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Pelo acordo, deixarão de existir tarifas de importação sobre 91% do que vem da Uniãio Europeia, incluindo automóveis. Não significa exatamente um programa Minha Porsche Minha Vida. A redução do imposto atual, de 35%, será lenta. Virá em etapas ao longo de 15 anos – quase uma geração inteira, justamente para não cair como um raio sobre a indústria brasileira de automóveis.

Do outro lado, o bloco europeu eliminará progressivamente as tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul ao longo de um período de até dez anos.

Para produtos agrícolas mais sensíveis, a UE vai impor cotas de isenção. No caso da carne bovina, abundante no Brasil, na Argentina e no Uruguai – e relativamente rara na Europa – a ausência de tarifa ficará limitada a 99 mil toneladas, para preservar os frigoríficos locais. Haverá também cotas restritas para aves, carne de porco, açúcar, etanol, arroz, mel, milho e milho doce.

Quando o jogo inverte, cotas também, claro. Os europeus produzem mais queijos. O Mercosul, então, impõe no acordo uma cota de até 30 mil toneladas para os camemberts e gruyères sem imposto.

E como fica o Brasil?

Maior economia do bloco latino-americano, o Brasil tende a se beneficiar mais, de acordo com o especialista. O estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada projeta ainda que o país conseguiria atrair mais investimento (um avanço de 1,49%) do que o restante do Mercosul e a própria União Europeia, com o volume tanto das exportações e importações passando por um aumento de 3% até 2040.

Esse é um ganho construído em camadas, porque o cronograma de redução tarifária é longo, fora as cotas. No desenho do estudo do IPEA, as importações crescem mais rápido no início, e o pico ocorre em 2034, quando terminam a maior parte das taxas para os produtos europeus no Brasil; as exportações sobem mais devagar no começo e seguem crescendo até 2040.

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O impacto mais relevante passa por máquinas, equipamentos industriais, químicos e farmacêuticos — justamente áreas em que hoje há tarifas e custos de importação mais elevados. A Comissão Europeia estima economia de mais de 4 bilhões de euros por ano em tarifas para exportadores europeus ao Mercosul, o que ajuda a entender a pressão de setores industriais pela aprovação.

O economista Carlos Honorato, professor da FIA Business School, ressalta os ganhos de longo prazo. Preços mais baixos de equipamentos e máquinas, ele aponta, podem a aprimorar nossa produção e, embora signifique mais concorrência para fabricantes nacionais, “pressionam empresas locais a buscar produtividade e padrão técnico”.

A forte presença de empresas europeias no Brasil também deve ser uma alavanca para mais ganhos brasileiros, segundo Honorato. O país tem filiais de empresas alemãs como Volkswagen, Siemens e Basf, espanholas, como Telefónica e Iberdrola, além das italianas Enel e TIM e das francesas Carrefour, L’Oréal e Engie, para ficar em alguns exemplos.

Na avaliação do economista, isso tende a destravar oportunidades práticas, como mais espaço para comércio intra-empresa, novos fornecedores e investimentos associados à redução de barreiras. Se há algo que a história ensina, afinal, é: não há ferramenta mais eficiente para a geração de riqueza do que o livre comércio.

Argentina quita totalmente saque de swap de US$ 20 bilhões

9 de Janeiro de 2026, 12:11

A Argentina quitou integralmente os US$ 2,5 bilhões que havia sacado de uma linha de swap de US$ 20 bilhões com a administração Trump, ao mesmo tempo em que realizou pagamentos importantes a detentores de títulos.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, confirmou na sexta-feira que o governo de Javier Milei “rapidamente e integralmente” pagou uma parte do swap. Embora ele não tenha detalhado os valores, o Tesouro divulgou o montante sacado em seu relatório mais recente sobre o fundo de estabilização cambial (ESF). Como resultado, Bessent acrescentou, os EUA não detêm mais pesos em seu ESF.

“Nossa nação foi totalmente reembolsada, gerando dezenas de milhões de dólares em lucro para o contribuinte americano”, disse Bessent em uma publicação no X. “A Argentina conseguiu reentrar com sucesso nos mercados financeiros e fez mudanças encorajadoras em sua política monetária e cambial.”

A Argentina também fez um pagamento de US$ 4,3 bilhões em seus títulos globais, após ter obtido um empréstimo de US$ 3 bilhões com seis bancos internacionais no início desta semana. O pagamento foi confirmado pelo regulador financeiro argentino, que informou que os detentores locais receberam seus valores e os investidores internacionais receberiam os fundos na segunda-feira.

Os títulos soberanos da Argentina, país historicamente propenso a crises, subiram em toda a curva. Os títulos globais com vencimento em 2035, alguns dos mais líquidos, ganharam 0,6 centavo, negociando cerca de 74,5 centavos por dólar; o rendimento caiu para 9,8%.

Desde setembro, Bessent socorreu o governo de Milei enquanto ele enfrentava volatilidade do mercado antes das eleições de meio de mandato no final de outubro, fornecendo um nível de apoio financeiro dos EUA não visto na América Latina há décadas. O partido libertário de Milei venceu a eleição, e a perspectiva do mercado desde então voltou a favorecer o presidente.

O Tesouro dos EUA e a Argentina forneceram poucas informações sobre a linha de swap ou suas condições.

Enquanto isso, o chamado empréstimo repo — liderado pelo Banco Santander SA, Banco Bilbao Vizcaya Argentaria SA e Deutsche Bank AG — foi uma facilidade de um ano com taxa média de 7,4%. O governo de Milei entregou quase US$ 5 bilhões em títulos locais com vencimento em 2035 e 2038 como garantia em troca do empréstimo de US$ 3 bilhões em dinheiro. O ministro da Economia, Luis Caputo, afirmou em dezembro que a linha repo estava disponível para a Argentina, reforçando a confiança de que o pagamento de 9 de janeiro seria efetuado.

Caputo enfatizou a necessidade de restaurar o acesso ao mercado para apoiar a acumulação de reservas, uma preocupação antiga dos investidores. Ele disse que, embora a administração Milei tenha conseguido comprar dólares com sucesso, a incapacidade de refinanciar vencimentos obrigou o governo a depender principalmente de recursos próprios para cumprir obrigações de dívida, impedindo que o Banco Central reconstruísse significativamente suas reservas em moeda forte.

Uma emissão de dívida local de US$ 1 bilhão em dezembro foi vista como um primeiro passo para uma venda de títulos globais, especialmente porque o risco-país está no nível mais baixo em cerca de sete anos.

A Argentina enfrentará uma fatura semelhante de US$ 4,3 bilhões em seis meses. Os investidores esperam que o governo tenha garantido acesso ao mercado internacional até lá, reduzindo preocupações sobre a capacidade de pagamento. Em dezembro, a administração também anunciou mudanças na política cambial, permitindo que o peso argentino seja negociado mais livremente dentro de uma banda de flutuação mais ampla, junto com um programa de acumulação de reservas com meta de US$ 10 bilhões neste ano.

Países da União Europeia aprovam acordo com o Mercosul e criam maior zona de livre-comércio do mundo

9 de Janeiro de 2026, 10:10

Os países da União Europeia apoiaram um acordo comercial com o Mercosul, abrindo caminho para que a UE assine seu maior acordo de livre comércio na próxima semana.

Embaixadores da UE apoiaram o acordo em uma reunião em Bruxelas na sexta-feira (9), apesar da oposição da França e de vários outros países, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, que falaram sob condição de anonimato. A aprovação exigia apenas uma maioria qualificada dos Estados-membros.

A decisão significa que a presidente da Comissão Europeia Úrsula von der Leyen provavelmente assine o acordo no Paraguai em 12 de janeiro.

O acordo, que também inclui Brasil, Uruguai e Argentina, concluirá 25 anos de negociações para eliminar tarifas e impulsionar as exportações, criando um mercado integrado de 780 milhões de consumidores. O acordo, no entanto, tem se mostrado bastante controverso, principalmente entre os agricultores europeus, que temem uma entrada maciça de importações agrícolas na UE.

Na véspera da decisão, agricultores protestaram no centro de Paris, enquanto manifestações ocorreram na Polônia na sexta-feira. A Irlanda estava entre os países que votaram contra o acordo.

Os líderes da UE esperavam aprovar o pacto durante sua cúpula no mês passado, mas a oposição de última hora da Itália, que se tornou o voto decisivo, frustrou o acordo.

No fim, porém, Roma apoiou a proposta na reunião de sexta-feira, em parte devido ao dinheiro extra oferecido pela Comissão no início desta semana aos agricultores no próximo orçamento de longo prazo da UE.

As medidas de salvaguarda oferecidas aos agricultores também ajudaram a influenciar a Itália. Entre elas, o compromisso de abrir uma investigação sobre a possível suspensão das tarifas preferenciais caso haja um aumento no volume de importações da América do Sul ou uma queda nos preços em comparação com a média dos últimos três anos.

O limite a partir do qual esta investigação seria iniciada foi fixado em 5%, abaixo da proposta mais recente de 8%, após pressão de países como Itália e França, bem como do Parlamento Europeu.

A França, que tem consistentemente se oposto ao acordo comercial, alegando que prejudicaria os agricultores e consumidores europeus, votou contra o acordo.

“A França é favorável ao comércio internacional, mas o acordo UE-Mercosul é um acordo de outra época, negociado por muito tempo com base em princípios já ultrapassados”, afirmou o presidente francês Emmanuel Macron em uma publicação no X na quinta-feira. “Não se justifica expor setores agrícolas sensíveis e essenciais a riscos para a nossa soberania alimentar”, escreveu Macron.

Mais de duas décadas

O pacto comercial UE-Mercosul, que também precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu, é o maior já negociado por Bruxelas. Por mais de duas décadas, as negociações foram interrompidas e retomadas repetidamente, enquanto as autoridades tentavam apaziguar as preocupações relativas à proteção ambiental e aos padrões agrícolas do Mercosul. No entanto, países como Alemanha e Espanha são fortemente favoráveis ao acordo, que abrirá novas oportunidades de exportação.

A Bloomberg Economics estima que o acordo impulsionaria a economia do Mercosul em até 0,7% e a da Europa em 0,1%. No plano geopolítico, também fortaleceria a presença da UE em uma região onde a China se consolidou como um importante fornecedor industrial e comprador de commodities.

Petróleo opera estável com investidores avaliando crise na Venezuela

5 de Janeiro de 2026, 08:39

O petróleo operava perto da estabilidade nesta segunda-feira (5), enquanto investidores avaliavam as consequências da captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos e o impacto mais amplo do episódio sobre a geopolítica do mercado de petróleo.

O WTI era negociado em torno de US$ 57,03 o barril, operando dentro de uma faixa entre cerca de US$ 56,30 e US$ 57,70 na sessão, enquanto o Brent girava em torno de US$ 60,99, após oscilar entre aproximadamente US$ 60,50 e US$ 61,20. O contrato de referência do Brent chegou a tocar o patamar de US$ 61, refletindo um mercado sem direção definida, com leves altas e baixas ao longo do pregão.

“Qualquer interrupção de curto prazo na produção venezuelana pode ser facilmente compensada por um aumento da produção em outros lugares”, escreveu Neil Shearing, economista-chefe do grupo da Capital Economics, em nota.

Apesar da turbulência ocorrida no fim de semana na Venezuela, o país que é membro da Opep responde por apenas uma pequena parcela da oferta global. A Venezuela já foi uma potência produtora de petróleo, mas a produção despencou ao longo das últimas duas décadas e hoje representa menos de 1% da oferta global, em sua maior parte exportada para a China.

Excedente de petróleo

O mercado enfrenta um grande excedente neste ano, à medida que a Opep+ e outros produtores adicionam mais barris enquanto a demanda perde força. No domingo, a Opep+ manteve os planos de pausar os aumentos de oferta no primeiro trimestre. O grupo, liderado por Arábia Saudita e Rússia, não discutiu a Venezuela durante a videoconferência de 10 minutos, segundo delegados, que afirmaram ser prematuro avaliar como responder à situação em desenvolvimento.

*matéria em atualização

Trump confirma ataque dos Estados Unidos a ‘grande instalação’ na Venezuela

29 de Dezembro de 2025, 17:13

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (29) que os EUA “atingiram” uma área na Venezuela onde barcos são carregados com drogas, o que marcaria a primeira vez conhecida em que os EUA realizaram uma operação em terra na Venezuela desde o início de uma campanha de pressão contra o governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

“Houve uma grande explosão na área do cais onde eles carregam os barcos com drogas”, disse Trump. “Atingimos todos os barcos e agora atingimos a área… é a área de implementação.”

Não estava claro de imediato qual órgão do governo dos EUA agiu e qual foi o alvo atingido. Trump já havia dito anteriormente que havia autorizado a CIA a realizar operações secretas na Venezuela.

Em um programa de rádio na semana passada, Trump fez comentários vagos sobre uma aparente operação dos EUA contra uma “grande instalação” na Venezuela.

A CIA, a Casa Branca e o Pentágono não elaboraram publicamente sobre esses comentários de Trump, e se recusaram a responder perguntas feitas pela Reuters.

O governo venezuelano não comentou o incidente descrito por Trump, e não houve relatos independentes da Venezuela sobre o fato.

O governo dos EUA já havia apontado seu sucesso em atacar embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe, e o Pentágono publicou nas redes sociais imagens de vários de seus ataques.

Pressão sob Maduro

No mês passado, a Reuters informou que os EUA estavam prontos para lançar uma nova fase de operações relacionadas à Venezuela, à medida que o governo Trump aumenta a pressão sobre o governo de Maduro.

Na época, duas autoridades dos EUA disseram que as operações secretas provavelmente seriam a primeira parte da nova ação contra Maduro.

A missão dos EUA tem se concentrado principalmente em ataques militares contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas e tem provocado intensa supervisão do Congresso norte-americano. Mais de 100 pessoas foram mortas em mais de 20 ataques no Caribe e no leste do Pacífico.

No início deste mês, os líderes militares dos EUA informaram os parlamentares sobre um incidente ocorrido em setembro, no qual um ataque norte-americano matou 11 pessoas, mas deixou vários sobreviventes, que foram mortos em um segundo ataque.

Banco Central do Uruguai inicia ofensiva contra o dólar

26 de Dezembro de 2025, 18:03

O presidente do Banco Central do Uruguai quer convencer os poupadores de uma das nações mais dolarizadas da América Latina de que sua relação de amor com a moeda dos Estados Unidos é ruim tanto para a economia quanto para seus bolsos.

A partir do próximo ano, Guillermo Tolosa planeja implementar medidas para estimular o uso do peso uruguaio como parte de uma estratégia para desenvolver um mercado de capitais interno que possa beneficiar tomadores de empréstimo locais — desde empresas, indivíduos e até o próprio governo.

Os primeiros passos incluirão maiores exigências de capital sobre bancos para alguns empréstimos concedidos em dólares, além da eliminação de níveis de reservas obrigatórias para alguns depósitos em pesos, a fim de incentivar os bancos a concederem mais empréstimos na moeda local. Outras medidas em consideração incluem a exigência de que empresas que precificam seus produtos em moedas estrangeiras também exibam os preços em pesos.

Será um longo caminho para desencorajar o uso do dólar em um país onde mais de dois terços dos depósitos bancários são mantidos na moeda dos EUA. Os uruguaios começaram a adotar o dólar durante períodos de alta inflação e desvalorização cambial na segunda metade do século 20. Hoje, os caixas eletrônicos oferecem pesos e dólares, e compras de alto valor, como carros e imóveis, são precificadas em dólares.

A iniciativa de desdolarização do presidente Yamandu Orsi contrasta com a de seu colega do outro lado do Rio da Prata. Na Argentina, o presidente Javier Milei busca reformas trabalhistas que permitiriam aos trabalhadores serem pagos em dólares ou pesos argentinos. Embora suas propostas cambiais mais radicais permaneçam em suspenso, o líder argetino também tem afirmado que poderia, no futuro, eliminar o peso por completo, fechar o banco central e adotar o dólar.

Tolosa diz que o apego do Uruguai ao dólar reflete um hábito antigo, formado em tempos de instabilidade econômica — algo que, segundo ele, o país já superou.

“Vamos largar a chupeta de uma vez por todas”, disse a líderes empresariais em setembro. “Seu poder de compra quando investe em dólares vai ser muito volátil. Investir em dólares em um contexto como este é uma forma de jogo, como um cassino.”

Abandono do dólar

A decisão do Uruguai de reduzir sua dependência do dólar, embora motivada principalmente por preocupações internas, também reflete um debate internacional mais amplo sobre o futuro do dólar. Poucos esperam que a moeda dos EUA perca seu papel dominante na economia global tão cedo, mas a crescente concorrência de outras moedas, tensões geopolíticas e déficits dos EUA têm corroído parte de seu apelo.

A participação do dólar nas reservas do banco central uruguaio caiu de cerca de 71% na virada do século para quase 59% no ano passado, segundo dados do Fundo Monetário Internacional. Os ativos em dólares nas reservas do Uruguai caíram para 84% em setembro, ante 90% em março, quando Tolosa assumiu o cargo.

O banco central pretende fazer progressos significativos no desenvolvimento dos mercados domésticos de pesos e na redução da dolarização durante o mandato de Tolosa, afirmou a autoridade monetária.
Para persuadir os uruguaios a manterem uma parcela maior de suas economias em pesos, no entanto, os dirigentes do banco central precisarão adotar uma meta de inflação mais baixa — 3% em vez dos atuais 4,5% — e defendê-la com sucesso por anos, disse Aldo Lema, economista e sócio da consultoria regional Vixion Consultores.

BC da China muda discurso e sinaliza cautela sobre estímulos agressivos para a economia

26 de Dezembro de 2025, 09:45

O banco central da China reafirmou sua postura de política monetária favorável ao crescimento, ao mesmo tempo em que sinalizou cautela contínua em relação a estímulos agressivos. Isso reforçou uma mudança de foco para a garantia da estabilidade a longo prazo em detrimento de soluções imediatas.

O Banco Popular da China (PBOC, na sigla em inglês) prometeu manter os juros em níveis baixos, de acordo com comunicado divulgado na quarta-feira, após a reunião do seu comitê de política monetária do quarto trimestre. O banco reiterou o compromisso de intensificar as políticas “transcíclicas”, uma expressão que sugere que a instituição pretende olhar além da volatilidade de curto prazo e evitar estímulos excessivos que possam criar desequilíbrios estruturais.

O comunicado não mencionou uma redução nas taxas de juros nem para o índice de requerimento de reserva, ou compulsório, que determina quanto dinheiro os bancos devem manter em reservas, enquanto o PBOC prometeu usar várias ferramentas de política monetária. Isso sugere que o banco central está cauteloso em relação a grandes passos de afrouxamento, mesmo após um comunicado divulgado na sequência de uma importante conferência anual econômica, que havia incluído uma referência a essas medidas no início deste mês.

A linguagem sugere “uma preferência por uma abordagem reativa em vez de proativa em relação ao afrouxamento monetário”, disse em nota o economista do Goldman Sachs, Xinquan Chen, na quinta-feira. As mudanças na linguagem “apontam para uma abordagem mais cautelosa e flexível em relação ao afrouxamento da política monetária”, afirmou.

Essa abordagem ponderada ocorre apesar do aprofundamento da fraqueza da demanda interna, com as vendas no varejo no mês passado expandindo ao ritmo mais lento desde o colapso causado pela Covid. O investimento em ativos fixos também está a caminho de registrar seu primeiro ano de declínio em meio a dados que remontam a 1998, após uma crise agravada por uma escassez de financiamento para projetos de infraestrutura.

O comitê afirmou que irá “avaliar a força, o ritmo e o momento” da implementação da política com base na evolução das condições internas e externas. O PBOC também reiterou o compromisso de manter a estabilidade básica do yuan em um nível razoável e equilibrado para evitar riscos de movimentos excessivos.

O PBOC tem adotado uma abordagem cautelosa neste ano, frequentemente decepcionando economistas que previam cortes mais agressivos nas taxas de juros. Essa contenção reflete preocupações mais profundas do banco central em proteger as margens bancárias cada vez menores e preservar espaço de políticas para futuras desacelerações.

Embora o comunicado da reunião tenha mencionado a manutenção de liquidez “ampla”, o foco na “qualidade e eficiência” em vez do volume bruto sugere que qualquer flexibilização adicional será majoritariamente direcionada.

O PBOC provavelmente cortará o compulsório, o RRR, em 50 pontos-base no primeiro trimestre para manter ampla liquidez e garantir que os juros do governo permaneçam baixos, escreveram economistas da China Galaxy Securities em um relatório na quinta-feira.

Embora possa reduzir a taxa básica de juros em 10 a 20 pontos-base em 2026, qualquer redução só será desencadeada por um aumento da pressão econômica, como uma deterioração nas relações entre os EUA e a China ou uma piora do desemprego, acrescentaram os economistas.

Setor de tecnologia dos EUA ainda sofre com falta de insumos chineses de terras raras

25 de Dezembro de 2025, 12:24

A China ainda está restringindo os elementos de terras raras de que os EUA precisam para produzir seus próprios ímãs permanentes e outros produtos, mesmo depois de o presidente Donald Trump ter fechado, em outubro, um acordo com seu contraparte chinês para suspender restrições ao fornecimento, segundo participantes do mercado.

Mais de uma dúzia de consumidores, produtores, autoridades do governo e especialistas em comércio disseram que, embora a China tenha aumentado as entregas de produtos acabados — principalmente ímãs permanentes —, a indústria americana continua sem conseguir adquirir os insumos necessários para fabricar esses itens por conta própria, uma prioridade-chave do governo. As pessoas pediram para não ser identificadas ao discutir assuntos que não são públicos.

A redução no comércio evidencia tensões persistentes na relação EUA–China nos meses desde que Trump e Xi Jinping costuraram uma trégua na Coreia do Sul em 30 de outubro, com os EUA reduzindo tarifas e a China se comprometendo a restabelecer o fornecimento de terras raras. Na época, Trump disse que o acordo equivalia à “remoção de fato” de uma série de limites que a China havia imposto.

Ao restringir as entregas de matérias-primas, a China está dificultando os esforços dos EUA para construir uma indústria própria capaz de processar terras raras e transformá-las em ímãs usados em tudo, de bens de consumo a sistemas de guiagem de mísseis. O governo Trump fez do desenvolvimento de capacidade doméstica de produção de ímãs permanentes e outros produtos de terras raras uma prioridade, depois de a China ter passado anos construindo um monopólio global.

A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário para esta reportagem. Autoridades do governo disseram, nas últimas semanas, que a China está cumprindo os termos do acordo sobre o fornecimento de terras raras.

Dados oficiais chineses divulgados em 20 de dezembro mostraram que o fornecimento de ímãs aos EUA caiu 11% em novembro em relação ao mês anterior, mas permanece acima das mínimas registradas quando Pequim restringiu o envio em abril. No total, as exportações chinesas de elementos e produtos de terras raras — incluindo ímãs — subiram 13% em novembro ante o mês anterior, segundo cálculos da Bloomberg com base em dados oficiais da alfândega.

Mineração em terras raras
Mineração em terras raras (Bloomberg)

Um porta-voz do Ministério do Comércio da China afirmou na quinta-feira que a oscilação nos dados mensais de comércio é “normal” e acrescentou que o país está comprometido em manter a estabilidade das cadeias globais de suprimento. Pequim disse que já aprovou alguns pedidos de exportação de terras raras, mas continua restringindo fornecimentos que poderiam chegar a contratantes militares.

Autoridades do setor e participantes do mercado disseram que, para os atores americanos, a realidade é diferente.

“As pessoas não estão conseguindo tirar materiais da China; você não está conseguindo metal ou óxido de disprósio se você é uma entidade dos EUA”, disse em entrevista Scott Dunn, CEO da Noveon Magnetics Inc., citando contatos com outros participantes da indústria. A Noveon é uma das poucas fabricantes americanas de ímãs permanentes. A empresa não compra insumos de terras raras da China, mas Dunn disse que alguns de seus clientes compram.

“Fora da China, o mundo consegue produzir 50.000 toneladas de ímãs, mas não chega nem perto de existir um volume equivalente de minerais de terras raras para sustentar essas toneladas fora da China”, disse Dunn. “A China restringe materiais muito além do que restringe em ímãs para manter essa dinâmica.”

Ainda assim, o afrouxamento das restrições de Pequim sobre produtos como ímãs feitos a partir de terras raras, por ora, eliminou o risco de que indústrias consumidoras — como a automotiva e a de tecnologia — tenham de interromper a produção, segundo Gracelin Baskaran, diretora do programa de segurança de minerais críticos do Center for Strategic and International Studies, em Washington.

“Como importamos mais adiante na cadeia de suprimentos, as empresas não sentem essa interrupção com a mesma intensidade”, disse ela. “Como importamos mais ímãs, o impacto é muito mais brando.”

As exportações totais de matérias-primas da China aumentaram desde o ano passado, mas os EUA não receberam uma alta semelhante, segundo dados do governo. A estagnação para empresas americanas continua mesmo depois de a União Europeia ter dito, em 15 de dezembro, que a China começou a conceder licenças com prazos mais longos para permitir que companhias europeias obtenham terras raras.

Segundo uma pessoa familiarizada com as negociações, EUA e China ainda não chegaram a um acordo sobre detalhes essenciais de como Pequim vai liberar as vendas de terras raras. A Bloomberg News informou no mês passado que os dois lados deram às suas equipes até o fim de novembro para acertar os termos das chamadas “licenças gerais” para exportações. Isso deixou participantes do mercado preocupados com a possibilidade de a trégua desmoronar.

“Chegamos a vários acordos temporários em Londres, em Genebra, na Coreia do Sul, e eles foram descumpridos”, disse Baskaran. “Então, até agora, nenhum acordo se provou definitivo — e isso deixa a indústria receosa, de um jeito que é justificável.”

A proximidade do vencimento, em seis meses, das licenças temporárias de exportação que a China aprovou no começo do verão também significa que empresas americanas vão buscar renovações ao mesmo tempo, o que pode criar um acúmulo de solicitações. Compradores temem que a China, como fez em maio e junho, possa desacelerar aprovações — um movimento que participantes do setor veem como uma forma de controle de exportações.

“Em conversas com advogados chineses, a recomendação é seguir com os pedidos de licença antes de a pausa expirar”, disse Mark Ludwikowski, chefe da área de comércio internacional do escritório Clark Hill. “Eles podem cortar isso a qualquer momento, se isso azedar.”

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Impasse com a Europa empurra Mercosul para outros acordos globais

21 de Dezembro de 2025, 09:26

Enquanto a União Europeia luta para concluir um acordo comercial com o Mercosul, concorrentes de olho no mercado consumidor da América do Sul e em seus vastos recursos minerais começam a se mexer.

Impulsionadas pelas tarifas de Donald Trump, as conversas entre o bloco sul-americano e parceiros como Emirados Árabes Unidos, Canadá e Índia ganham nova importância, enquanto uma UE dividida vacila após mais de um quarto de século de negociações. A perspectiva de rivais garantirem acesso preferencial aos mercados do Mercosul — inclusive a minerais críticos — está chamando a atenção de capitais de Londres a Tóquio.

“Estamos determinados a aprofundar nossos laços comerciais”, disse Yasushi Noguchi, embaixador do Japão no Brasil, em entrevista nesta semana. O Japão está “muito interessado em como isso vai se desenrolar” no acordo UE-Mercosul, já que empresas japonesas muitas vezes competem diretamente com as europeias, afirmou.

A impaciência com a UE veio à tona em uma reunião de líderes do Mercosul no sábado, depois que a resistência de agricultores europeus — especialmente na França e na Itália — voltou a provocar um adiamento.

“Sem vontade política e coragem de seus líderes, não será possível concluir uma negociação que já se arrasta há 26 anos”, disse o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva na cúpula que sediou no sábado. “Enquanto isso, o Mercosul continuará trabalhando com outros parceiros.”

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, era esperada no encontro para assinar o acordo UE-Mercosul. Ela cancelou a viagem de última hora depois que a UE não conseguiu reunir os votos necessários para aprová-lo.

Autoridades europeias agora miram uma ratificação em meados de janeiro. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, que detém o voto decisivo, disse a Lula nesta semana que está confiante de que poderá apoiar o acordo se tiver mais tempo para angariar apoio interno.

O Mercosul, que reúne Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, já havia aceitado uma exigência de última hora da UE para incluir salvaguardas destinadas a proteger os agricultores europeus.

Países da UE como França e Polônia há muito se opõem ao acordo, argumentando que dar acesso à gigantesca indústria agrícola da América do Sul prejudicaria os produtores europeus.

A Bloomberg Economics estima que o acordo poderia gerar um impulso econômico de até 0,7% para os países do Mercosul até 2040, e de 0,1% para a Europa.

Ainda assim, a UE teria o maior ganho geopolítico ao ampliar sua presença em uma parte do mundo onde a China vem ganhando cada vez mais espaço, segundo a análise.

Fazendeiros protestam em Bruxelas, na Bélgica, contra o acordo entre União Europeia e Mercosul. Foto: Bloomberg

O acordo UE-Mercosul continua sendo o “Santo Graal” para a América do Sul. Ele criaria um mercado integrado de cerca de 780 milhões de consumidores e provavelmente impulsionaria setores como o agronegócio, ao mesmo tempo em que aumentaria os investimentos europeus na região.

Com as tarifas de Trump redesenhando o comércio global, a UE corre contra o tempo para buscar novas parcerias e expandir as antigas, numa tentativa de diversificar suas trocas comerciais.

Neste ano, o Mercosul assinou um acordo de livre-comércio com o bloco formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, conhecido como EFTA. O grupo espera concluir negociações com os Emirados Árabes Unidos e com o Canadá em 2026.

O bloco também quer iniciar em breve negociações com o Reino Unido, já abriu conversas com Vietnã e El Salvador e trabalha no desenvolvimento de um marco comercial com o Japão.

“Estamos dispostos a avançar, entendendo que a Europa tem seus próprios prazos para lidar com suas questões institucionais internas”, disse o chanceler paraguaio Rubén Ramírez a jornalistas na sexta-feira. “Mas, ao mesmo tempo, esses prazos não são infinitos.”

Acordo com o Mercosul vira prova de fogo para a ambição global da União Europeia

20 de Dezembro de 2025, 11:51

Ursula von der Leyen deveria assinar no sábado (20) o maior acordo de livre-comércio da história da União Europeia, consolidando o bloco como uma força geoeconômica global.

Em vez disso, a presidente da Comissão Europeia terá de encontrar uma forma de salvar o pacto com o Mercosul, tentando costurar apoio de última hora de países como a Itália, que ajudaram a adiar o acordo — mais uma vez — por temerem impactos negativos sobre seus setores agrícolas.

As negociações do tratado comercial — com Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai — se arrastam há 25 anos, irritando os países sul-americanos. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva disse no início desta semana que agora era “agora ou nunca”.

Autoridades dizem que tentarão novamente assinar o acordo em 12 de janeiro, mas não há garantias.

O fracasso contínuo em ratificar o tratado é um golpe para a UE, que quer usar o acordo transatlântico como prova de que pode se afirmar como potência global. Bruxelas busca, em especial, mostrar que é capaz de sair da órbita da China e dos Estados Unidos, que vêm adotando relações comerciais cada vez mais tensas com a Europa.

Mulher loira em blazer claro posa diante de fundo azul com logo e nome "European Parliament".
Ursula von der Leyen Foto: Frederick Florin/AFP/Getty Images

“Este é o momento da independência da Europa”, disse von der Leyen no início da semana, antes de uma cúpula em que os líderes europeus discutiriam opções de financiamento para a Ucrânia, além do Mercosul.

A UE vê a China tanto como concorrente econômico quanto como rival sistêmico e vem lidando com uma escalada de tensões comerciais, que já levou os dois lados a impor tarifas sobre importações um do outro. No início deste ano, Pequim anunciou planos para apertar o controle sobre exportações de terras raras e outros materiais críticos, mostrando à UE o quão vulneráveis são suas indústrias.

E neste verão europeu, a UE aceitou o que considerou um acordo comercial desequilibrado com os EUA, concordando em impor uma tarifa de 15% sobre a maior parte de suas exportações, ao mesmo tempo em que se comprometeu a eliminar todas as tarifas sobre bens industriais americanos.

O acordo comercial UE-Mercosul poderia ajudar a Europa a escapar da deterioração de suas relações com os EUA e a China. O pacto criaria um mercado integrado de 780 milhões de consumidores, eliminaria gradualmente tarifas sobre produtos como automóveis e daria à Europa acesso facilitado à vasta produção agrícola e aos recursos naturais do Mercosul.

Mais do que isso, permitiria à UE construir laços econômicos e cadeias de suprimento para além dos EUA e da China. O acordo também mostraria à região que a Europa pode oferecer uma alternativa econômica crível às duas superpotências.

Deixar escapar a parceria com o Mercosul “certamente seria um erro de proporções épicas para as ambições da Europa de se posicionar como um ator relevante no cenário econômico global”, disse Agathe Demarais, pesquisadora sênior do European Council on Foreign Relations, um think tank.

Por enquanto, a UE não conseguiu reunir a maioria necessária para aprovar o acordo, principalmente por causa do temor arraigado de que a nova dinâmica comercial enfraqueça o setor agrícola europeu. Durante uma cúpula realizada na quinta-feira em Bruxelas, líderes do bloco enfrentaram milhares de agricultores em protesto, que queimaram pneus e despejaram batatas nas ruas.

Após o fim da reunião, no entanto, os líderes expressaram otimismo de que ainda seria possível avançar em janeiro.

Esperar mais três semanas é algo “tolerável” depois de 25 anos de negociações, disse von der Leyen a jornalistas. “Estou muito confiante de que vamos conseguir concluir.”

O destino do acordo pode depender da Itália. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que precisa de mais tempo para obter aprovação interna.

Fazendeiros protestam em Bruxelas, na Bélgica, contra o acordo entre União Europeia e Mercosul. Foto: Bloomberg

“Outras economias em desenvolvimento estão observando e vão levar em conta o quão difícil é fechar qualquer acordo com a UE”, disse Demarais.

Para Berlim e vários outros governos, porém, a líder italiana estaria tentando extrair o máximo possível de seu papel de fiel da balança, buscando mais concessões para o setor agrícola de seu país.

Lula disse que Meloni lhe contou que precisava apenas de mais alguns dias.

“Ela me explicou que não é contra o acordo. Está apenas enfrentando um certo constrangimento político por causa dos agricultores italianos”, disse Lula a jornalistas em Brasília, na quinta-feira. “Mas está confiante de que pode convencê-los a aceitar o acordo.”

Enquanto alguns esperam que a Itália acabe dando seu aval, diante dos benefícios potenciais para seus exportadores, outros são mais pessimistas.

“Se não houver assinatura até 20 de dezembro, então o acordo está morto, e isso terá consequências para a UE em futuras relações comerciais com países do mundo todo”, disse nesta semana Bernd Lange, presidente da comissão de comércio do Parlamento Europeu.

Na tentativa de destravar o acordo nesta semana, o Parlamento Europeu e as capitais do bloco concordaram em incluir novas salvaguardas para proteger os agricultores europeus de oscilações bruscas de preços ou importações.

Homem e mulher apertam as mãos à frente das bandeiras do Brasil e da UE.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumprimenta presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em Bruxelas 17/07/2023 REUTERS/Yves Herman

Não funcionou. E, se o impasse continuar sem uma conclusão, os dois blocos podem voltar suas atenções para outros parceiros.

O Mercosul quer concluir um acordo com os Emirados Árabes Unidos e estuda possíveis parcerias com Canadá, Reino Unido e Japão. A UE, por sua vez, tenta fechar um acordo com a Índia, que também se arrasta há quase duas décadas.

“Se a UE quiser continuar sendo crível na política comercial global, decisões precisam ser tomadas agora”, disse o chanceler alemão Friedrich Merz ao chegar à cúpula em Bruxelas.

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