Visualização normal

Received before yesterdayInvestNews

Escritório de arquitetura ou engenharia: é melhor ter funcionários CLT ou contratar PJs?

12 de Maio de 2026, 18:18

Para um pequeno escritório de arquitetura ou engenharia, a lógica de contratação de mão de obra parece óbvia. Em empresas que tocam projetos com começo, meio e fim, a ideia de ter o mínimo possível de funcionários CLT e contratar profissionais PJ conforme a demanda parece a opção mais vantajosa.

Mas a conta não fica só no custo operacional. Para empresas enquadradas no Simples Nacional, a escolha entre contratar CLTs, fechar parcerias com outras PJs ou recrutar freelancers afeta diretamente a carga tributária, a margem de lucro e os riscos jurídicos do negócio.

Afinal, o que é melhor: contar com funcionários CLT ou contratar outras pessoas jurídicas na hora de executar os projetos? A verdade é que cada caso exige fazer contas – mas, do ponto de vista tributário, ter uma folha fixa mais alta pode não ser um problema.

O ‘lado bom’ de uma folha alta

Via de regra, escritórios de arquitetura e engenharia têm a tributação mais cara do Simples. Eles são enquadrados no chamado Anexo V, com alíquota inicial de 15,5% sobre o faturamento.

Isso vale para quem tem receita pequena, de até R$ 180 mil por ano.

Quando o faturamento aumenta, as alíquotas crescem também – e rápido. Se seu escritório fatura R$ 200 mil por ano, já entra na faixa de 18%. E assim vai até o teto, de 30,5%, para aqueles com receita de R$ 3,6 milhões a R$ 4,8 milhões.

A boa notícia é que a legislação abre uma brecha para que esse tipo de empresa migre para o Anexo III do Simples, em que as alíquotas começam em 6% – bem mais palatáveis. Isso é possível quando o gasto com a folha de pagamento é alto em comparação com o faturamento da empresa.

Mas alto quanto? Entra aí o “Fator R”, um indicador que mede essa relação. Pela fórmula, basta dividir o valor da folha da empresa nos últimos 12 meses pela receita bruta no mesmo período. Já explicamos o funcionamento do indicador em detalhes nesta reportagem do Descomplica PJ.

Na folha entram os salários dos funcionários CLT, o pró-labore dos sócios e os encargos trabalhistas, como FGTS e INSS. Se o “Fator R” der 0,28 (28%) ou mais, o escritório pode migrar para o Anexo III e pagar um imposto mais baixo. Se ficar abaixo, precisa permanecer no Anexo V, com tributação mais alta.

Pagamentos a PJs ou freelancers não entram na conta. Portanto, se sua empresa só contrata dessa forma, o gasto com a folha fica baixo e ela não pode pleitear uma tributação menor.

Há também o risco jurídico, considerado grave. Se a contratação da PJ mascarar uma relação de emprego – em que existe subordinação, exigência de pessoalidade e dependência econômica -, o escritório fica exposto a potenciais processos trabalhistas.

Em resumo sobre as diferentes modalidades:

  • Funcionário CLT: Embora gere mais custos diretos de contratação (com FGTS, férias, 13º salário, entre outros), essa despesa compõe a massa salarial. Na prática, ter funcionários no regime CLT ajuda a estabilizar o Fator R em 28%, e isso permite migrar para alíquotas mais baixas no Simples.
  • PJ parceira: Esse regime não influencia o “Fator R”, pois os pagamentos são considerados serviços prestados por terceiros e entram apenas como despesa operacional da empresa, não gasto com folha.
  • Freelancer pessoa física: Neste caso, além de não contar para o “Fator R”, o escritório ainda é obrigado a recolher 20% de INSS patronal sobre o valor pago ao profissional.

A diferença de custo em um exemplo

Nada melhor que um exemplo para entender o impacto real do “Fator R”. Imagine um escritório de arquitetura ou engenharia com faturamento mensal de R$ 50 mil (R$ 600 mil ano) , com custo fixo de R$ 14 mil por mês com equipe.

No primeiro cenário, o escritório só contrata PJs para executar os projetos – ou seja, os R$ 14 mil mensais entram como despesas operacionais e não compõem a folha de pagamento. Como o “Fator R” não alcança 28%, o escritório se mantém no Anexo V.

Com isso, a empresa cairia na alíquota de 19,5% do Simples. Descontando deduções possíveis, seu gasto com impostos seria de R$ 8.925 por mês.

No segundo cenário, o escritório contrata funcionários no regime CLT e gasta os mesmos R$ 14 mil por mês com a folha de salários. Nesse caso, o “Fator R” atingiria exatamente 28% e a empresa poderia migrar para o Anexo III, com tributação menor. A alíquota do Simples seria de 13,5% e o gasto com impostos, depois de deduções, cairia para R$ 5.280 por mês.

A diferença entre fazer 100% das contratações no regime PJ e 100% no regime CLT geraria, nesse caso, uma economia de R$ 3.645 por mês no imposto do Simples. “Portanto, antes de fechar uma contratação, o cálculo na ponta do lápis deve envolver não só o RH mas também o planejamento tributário”, diz Milton Fontes, sócio do Peixoto & Cury Advogados.

Um ponto de atenção

A comparação ajuda a entender o contexto tributário, mas exige cautela. Os mesmos R$ 14 mil mensais permitem montar estruturas diferentes dependendo do modelo de contratação. E, embora a comparação tributária favoreça o regime CLT, esse modelo e o PJ não são equivalentes em custos, disponibilidade da equipe, flexibilidade operacional e risco jurídico.

No regime CLT, o valor total engloba o salário do profissional mas também encargos como FGTS, férias, 13º salário, INSS patronal e outros custos trabalhistas. O valor líquido recebido pelo funcionário é bem menor do que o desembolso total da empresa.

Já na contratação por PJ, os R$ 14 mil chegariam de forma muito mais direta ao prestador de serviço – e, por isso, talvez fosse possível contratar dois no lugar de um, por exemplo. Em compensação, a dinâmica da relação também muda: o escritório não pode exigir a subordinação típica de um vínculo de emprego, como controle de horário, exclusividade ou dedicação contínua.

Como melhorar o “Fator R” sem inchar a equipe?

Essa dinâmica tributária não é exclusividade de escritórios de arquitetura ou engenharia. Ela se aplica a muitas outras atividades sujeitas ao “Fator R” e descritas na resolução do Simples. Confira a lista completa aqui.

Segundo Fontes, para melhorar o “Fator R” e garantir o enquadramento em uma alíquota mais baixa, sem necessariamente inchar a equipe de funcionários, uma estratégia legítima é aumentar o pró-labore dos sócios, pois esse valor também entra na folha de pagamento.

Mas Fontes alerta que é preciso fazer contas: deve-se calcular o peso da contribuição ao INSS e do Imposto de Renda sobre o novo valor do pró-labore para garantir que o gasto com esses tributos na pessoa física seja menor do que a economia gerada no imposto da empresa.

O cenário que costuma fazer mais sentido, equilibrando imposto, margem e risco jurídico, segundo Fontes, é a adoção de um modelo híbrido. “O escritório deve manter a contratação CLT e o pró-labore suficientes para garantir o Fator R acima de 28%, utilizando profissionais PJ apenas para projetos específicos e parcerias técnicas genuínas”, afirma.

No Descomplica PJ, cobertura do InvestNews voltada para esclarecer dúvidas de empreendedores, você tem informação rápida e objetiva para tomar decisões com mais segurança e evitar erros que podem custar caro. Se é dono ou dona de empresa e tem dúvidas sobre tributação, envie sua pergunta para redacao@investnews.com.br.

Natura corre contra o tempo para provar que o novo plano funciona e que o pior já passou

12 de Maio de 2026, 16:51

A Natura encerrou o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 445 milhões e reconhece que o período foi exatamente tão difícil quanto esperava. Apesar do tamanho do tombo, a gestão argumenta que a crise está controlada e que o pior ficou para trás.

“Um trimestre que aparece bastante misturado”, reconheceu o CEO João Paulo Ferreira em entrevista coletiva com jornalistas nesta terça-feira (12). “Algumas notícias mais negativas que merecem maior atenção e correção de rota, e outros já bastante mais promissoras.”

A receita líquida caiu 7,7% frente ao mesmo período de 2025, para R$ 4,7 bilhões. O Ebitda despencou 55,7% em base recorrente, para R$ 346 milhões — com margem de 7,3%, ante 15,2% um ano antes.

Parte relevante da queda veio de despesas não recorrentes com rescisões da reorganização em curso: R$ 221 milhões, o equivalente a 4,7 pontos percentuais de margem. Excluído esse efeito, a margem teria ficado perto de 12%.

Três feridas abertas ao mesmo tempo

O resultado negativo reflete problemas simultâneos que a Natura precisou gerir no trimestre.

O primeiro é a desaceleração do consumo no Brasil. O mercado de beleza esfriou, com impacto especialmente pronunciado no Nordeste, onde a penetração da venda direta é maior e a Natura tem exposição acima da média. Com famílias endividadas e juros elevados, o sell-in (venda para o varejo e consultoras) da marca Natura no Brasil caiu 3% no período.

O segundo é a Avon. A marca passou boa parte do trimestre com portfólio de inovação esvaziado, consequência deliberada do reposicionamento que antecedeu seu relançamento. Esse relançamento só ocorreu em meados de março, já no final do período.

Os primeiros produtos chegaram com vendas acima das expectativas, mas com representatividade ainda pequena dentro do total, segundo os executivos. A receita da Avon no Brasil caiu 13,8%.

O terceiro é a Argentina, onde a integração das operações de Natura e Avon — concluída no terceiro trimestre de 2025 — reduziu significativamente a base de consultoras e o canal de venda direta. A recuperação está sendo mais lenta do que a empresa planejou, e os desafios macroeconômicos e cambiais do país agravam o quadro. Na região hispana como um todo, a receita caiu 10,5%.

Reorganização e impacto no caixa

Enquanto administrava esse cenário adverso de receita, a Natura também acelerou sua própria reestruturação interna, anunciada em dezembro de 2025, com previsão de corte de 25% nos cargos administrativos. No primeiro trimestre, aproximadamente 75% dessas demissões já foram executadas, gerando despesas com rescisões de R$ 240 milhões.

Os efeitos aparecem no balanço. A dívida líquida subiu R$ 565 milhões, para R$ 4 bilhões, levando o índice de alavancagem a 2,11 vezes o Ebitda, acima da faixa de 1x a 1,5x que a empresa considera ideal. Além das rescisões, pesaram o pagamento de R$ 367 milhões referente ao acordo judicial Chapman e gastos remanescentes do processo de simplificação da antiga holding.

A CFO Silvia Vilas Boas enquadrou o movimento como normal para o período. “No nosso negócio, o primeiro semestre normalmente consome caixa e o segundo semestre gera caixa. Isso não compromete nosso compromisso de terminar o ano dentro da estrutura de capital ótima”, disse.

A justificativa central da gestão para o otimismo está no novo modelo operacional — uma estrutura mais enxuta, descentralizada e orientada a dados, construída para permitir reações mais rápidas às mudanças de mercado. Na prática, já teria permitido ajustes nos incentivos comerciais para consultoras no Brasil e mudanças no canal na Argentina.

O problema é que as economias ainda não apareceram nos números. As demissões foram feitas, mas os ganhos de eficiência começarão a ser capturados de forma expressiva apenas a partir do segundo trimestre. Para o segundo semestre, a promessa é de captura plena.

“Com as despesas agora sob controle, nosso foco está voltado ao crescimento sustentável das receitas”, disse Ferreira. Os compromissos públicos para 2026 incluem margem Ebitda superior aos 14,1% registrados no ano passado e geração de caixa acima do nível de 2025.

Sinais que sustentam o otimismo

Apesar do resultado negativo, há indicadores que a empresa usa para defender a narrativa de virada. No Brasil, o sell-out da Natura (as vendas ao consumidor final, medidas por instituto externo) cresceu acima do mercado no primeiro trimestre e mostrou recuperação sequencial no final do período, o que em tese antecede uma melhora no sell-in. O número de consultoras também voltou a crescer após queda de 4,2% no período.

A Avon trouxe sinais considerados encorajadores desde o relançamento: os indicadores de saúde de marca melhoraram e as primeiras linhas lançadas — perfumaria, batom e maquiagem temática — vieram acima das expectativas de vendas. Na região Hispana, excluindo a Argentina, os resultados foram positivos, com destaque para o México. O canal digital cresceu 23,6% no Brasil.

Para 2026, a Natura precisa demonstrar que consegue recuperar receita no Brasil e na Argentina enquanto colhe os ganhos da reorganização. O segundo trimestre será, nas palavras do próprio CEO, “um período de transição, com recuperação gradual da receita e riscos de execução ainda relevantes”.

A empresa promete que, a partir do segundo semestre, estará mais leve e pronta para crescer. Por enquanto, o mercado precisará confiar na palavra da gestão.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

SpaceX e Google estão em negociações para lançar data centers no espaço

12 de Maio de 2026, 15:14

O Google está em negociações com a SpaceX para um acordo de lançamento de foguetes, enquanto amplia seus próprios esforços para levar data centers orbitais ao espaço, segundo pessoas familiarizadas com as conversas.

Um eventual acordo colocaria as duas empresas em parceria em meio à corrida para desenvolver data centers em órbita — uma tecnologia ainda não comprovada, que o CEO da SpaceX, Elon Musk, já descreveu como a próxima fronteira de sua companhia aeroespacial.

O Google também mantém conversas com outras empresas de lançamento de foguetes, segundo uma das fontes.

A tecnologia especulativa tem sido um dos principais temas da SpaceX em sua apresentação a investidores antes da planejada abertura de capital no verão, que pode se tornar a maior IPO da história.

No ano passado, o Google anunciou planos próprios para lançar satélites protótipos até 2027 dentro da iniciativa Project Suncatcher. A empresa trabalha com a Planet Labs no desenvolvimento desses satélites.

“Vamos enviar pequenos racks de máquinas em satélites, testá-los e então começar a escalar a partir disso”, afirmou o CEO do Google, Sundar Pichai, em entrevista à Fox News em novembro. “Não tenho dúvidas de que, em uma década, veremos isso como uma forma mais comum de construir data centers.”

O Google foi um dos primeiros investidores da SpaceX e detém cerca de 6,1% da empresa, segundo um documento regulatório. O executivo Don Harrison, do Google, integra o conselho da SpaceX.

A SpaceX não respondeu a pedidos de comentário.

Líder global em lançamentos comerciais, a SpaceX se tornou praticamente inevitável para qualquer empresa que queira colocar satélites em órbita.

Na semana passada, a companhia anunciou um acordo para vender capacidade computacional terrestre à empresa de IA Anthropic. Como parte do acordo, a Anthropic demonstrou interesse em trabalhar com a SpaceX em data centers orbitais. No início deste ano, a SpaceX entrou com pedido junto a um regulador federal para lançar até 1 milhão de satélites ligados à sua estratégia de computação em órbita.

Executivos do setor veem a computação espacial como uma solução para as limitações dos data centers terrestres, que exigem grandes áreas de terra e alto consumo de energia. No espaço, esses sistemas poderiam operar com energia solar, eliminando restrições energéticas e parte dos impactos ambientais. Ainda assim, especialistas apontam desafios de engenharia relevantes que levantam dúvidas sobre a viabilidade da tecnologia.

A SpaceX construiu sua posição como principal empresa privada de lançamentos do mundo, levando astronautas da NASA à Estação Espacial Internacional e lançando milhares de satélites da Starlink. A empresa também realiza lançamentos para clientes comerciais.

À medida que se prepara para abrir capital, a SpaceX tem fechado uma série de acordos estratégicos que ampliam sua atuação em infraestrutura de IA e computação, incluindo a aquisição da xAI em uma operação que avaliou a companhia combinada em US$ 1,25 trilhão. A empresa também firmou parceria com a startup de codificação Cursor, garantindo opção de compra futura avaliada em US$ 60 bilhões, além de anunciar bilhões em investimentos em infraestrutura.

Para o acordo com a Anthropic, a SpaceX deve fornecer 300 megawatts de nova capacidade computacional, usando mais de 220 mil GPUs da Nvidia, até o fim de maio.

Lupo troca CEO e passa a ter liderança executiva fora da família

12 de Maio de 2026, 13:43

Após mais de 30 anos no comando da gestão executiva, Liliana Aufiero deixará a presidência da Lupo em 1º de junho de 2026, em um movimento que marca mudanças na estrutura de liderança da companhia.

A Lupo informou alterações em sua estrutura de liderança, com mudanças nos cargos de Diretor-Presidente (CEO) e de Diretor de Relações com Investidores, no contexto de um processo de transição planejado.

Liliana Aufiero, 81 anos e neta do fundador da Lupo, ingressou na companhia em 1986 e assumiu o comando em 1993, sucedendo o tio, Élvio Lupo, acumulando mais de três décadas à frente da gestão executiva.

A partir dessa data, Liliana passa a ocupar a presidência do Grupo Lupo, uma função de caráter institucional e não executivo, voltada à preservação da cultura, dos valores e dos relacionamentos do grupo. Na prática, ela deixa a condução do dia a dia da operação.

Quem assume como Diretor-Presidente Executivo (CEO) é Carlos Alberto Mazzeu, 62 anos, atual vice-presidente e diretor de relações com investidores. Ele já vinha sendo preparado para a transição e será o primeiro não integrante da família a ocupar o cargo de CEO na história da Lupo, fundada em 1921 pelo imigrante italiano Henrique Lupo.

Também a partir de 1º de junho, João Daniel Buoro assume como Diretor de Relações com Investidores, em substituição a Mazzeu. O período entre 11 e 31 de maio será dedicado à transição de funções, com foco em continuidade da gestão e estabilidade operacional.

A companhia destacou o reconhecimento à trajetória de Liliana Aufiero, ressaltando sua contribuição para o desenvolvimento e fortalecimento institucional da Lupo, além de agradecer a atuação de Mazzeu na área de relações com investidores.

Em 2025, o Grupo Lupo registrou receita líquida de R$ 1,6 bilhão, alta de 2,8% em relação ao ano anterior. O desempenho foi impulsionado pela marca Lupo Sport, cuja receita avançou 34,7% na comparação anual, alcançando R$ 371,5 milhões.

O EBITDA ajustado somou R$ 187 milhões, com margem de 11,8%. Já o lucro líquido ajustado foi de R$ 158,7 milhões, queda de 9,3% na comparação com 2024, com margem líquida ajustada de 10,0%, recuo de 1,3 ponto percentual no período. A geração de caixa livre ficou em R$ 85,2 milhões.

A companhia destacou 2025 como um ano de reorganização industrial e avanço de eficiência produtiva. Entre as principais iniciativas, transferiu a produção de colantes de Araraquara (SP) para Itabuna (BA), ampliou a produção de itens sem costura na unidade de Araraquara — que também passará a concentrar o setor de malharia transferido de Maracanaú (CE) — e inaugurou sua primeira fábrica no exterior, no Paraguai.

A unidade paraguaia é voltada à produção de meias básicas e faz parte da estratégia de ganho de competitividade e redução de custos em um ambiente de maior concorrência global. No período, a empresa também entrou no segmento de calçados com o lançamento do modelo Origem, voltado a conforto, bem-estar e lifestyle.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Como Apple, Google e Amazon sufocaram uma lei antimonopólio na Califórnia

27 de Abril de 2026, 12:46

Apple, Google e Amazon derrubaram em pouco mais de um mês uma proposta de lei na Califórnia que poderia obrigá-las a parar de privilegiar seus próprios produtos em detrimento dos concorrentes — como fazem na App Store, no Google Search e nos resultados de marketplace da Amazon. A ofensiva, capitaneada pela Câmara de Comércio do estado e pelo grupo setorial Chamber of Progress, enterrou o chamado Based Act antes mesmo de ele ganhar tração legislativa.

O projeto havia nascido de uma aliança incomum entre defensores da “little tech” — liderados pela aceleradora Y Combinator e o vasto ecossistema de startups que ela apoia — e grupos de defesa do consumidor. Foi patrocinado pelo senador estadual Scott Wiener, democrata de São Francisco e uma das principais vozes em regulação de tecnologia na Califórnia, que o modelou a partir das normas antitruste europeias que as grandes empresas resistem há anos.

“Eles absolutamente inundaram o Capitólio de lobistas para atacar o projeto e espalhar desinformação”, disse Wiener, que concorre a uma vaga no Congresso federal. “Foi uma maré de lobbying, e estávamos em clara desvantagem”.

Diferente do Brasil, o exercício do lobbying é legalizado nos Estados Unidos.

A ofensiva avassaladora evidencia a poderosa máquina de influência que as maiores empresas de tecnologia do mundo montaram para barrar projetos que ameacem seus negócios — em especial no estado mais populoso dos EUA, onde novas leis podem forçar mudanças de alcance nacional ou global.

O Based Act se assemelhava às regulações antitruste europeias que as empresas resistem há anos e que podem custar dezenas de bilhões de dólares anuais ao setor, segundo algumas estimativas. Só nos últimos dois anos, a Comissão Europeia aplicou mais de US$ 7 bilhões em multas às grandes empresas de tecnologia.

“As empresas estão muito preocupadas que essas regulações não cheguem aos Estados Unidos”, disse Joseph Coniglio, pesquisador antitruste do think tank Information Technology and Innovation Foundation, financiado pelo setor. “Isso arriscaria mudar fundamentalmente a forma como elas operam na economia digital.”

Minutos depois de Wiener começar a apresentar o projeto, em 18 de março — antes mesmo de terminar seu discurso —, a Chamber of Progress já havia divulgado uma nota atacando a proposta.

O grupo, do qual fazem parte o Google (Alphabet), a Amazon e a Apple, mobilizou ligações de eleitores para os gabinetes dos parlamentares, argumentando que o projeto poderia degradar produtos populares como o Google Search e a App Store da Apple. O grupo veiculou anúncios afirmando que a lei tornaria os resultados de busca “menos úteis”, as entregas “mais lentas” e os celulares “menos seguros”.

A Y Combinator e outros tentaram, sem sucesso, contrariar essa narrativa. Argumentaram que as empresas estavam exagerando os impactos sobre seus negócios e disseminando inverdades sobre os custos potenciais para os consumidores.

Escolha de novo CEO da Apple indica preocupação maior com aparelhos como o iPhone
Lançamento da Apple, iPhone 17 – Foto: Getty Images

Não foi a primeira vez que as grandes empresas derrotaram o movimento da “little tech“. Por dois anos, Google, Apple, Amazon e Meta formaram uma frente unida e gastaram mais de US$ 100 milhões em lobbying e publicidade para enterrar o American Innovation and Choice Online Act — um projeto federal bipartidário semelhante ao Based Act — em 2022. Empresas menores como Yelp, DuckDuckGo e Proton AG apoiaram ambos os projetos.

Quando o Based Act de Wiener emergiu, a rede de grupos e lobistas das grandes empresas de tecnologia reaproveitou parte do material utilizado para derrubar a legislação federal e se opor às regulações europeias. Cinco diferentes organizações setoriais ligadas à big tech trabalharam contra o projeto — uma frente inusualmente coesa para grupos que, nos últimos anos, haviam se dividido em diversas questões.

As próprias empresas também intervieram diretamente, um passo raro para um projeto estadual em fase tão inicial. Kent Walker, presidente de assuntos globais do Google, afirmou que o projeto era “ainda pior” do que regulações similares aprovadas pela União Europeia. O setor chegou a mobilizar lobistas da indústria aérea contra o texto, alegando que ele poderia prejudicar a capacidade do Google de direcionar tráfego para os sites das companhias.

Uma das principais testemunhas a depor contra o projeto — uma residente da Califórnia que disse que a medida poderia prejudicar seu pequeno negócio — era apoiada pelo Connected Commerce Council, grupo financiado pelas grandes empresas de tecnologia.

O pequeno empresário Jerick Sobie afirmou, em entrevista, que o Connected Commerce Council — que recebe recursos da Amazon e do Google — o informou sobre o projeto e pediu que testemunhasse. O grupo reembolsou suas despesas. Sobie disse que enxerga o financiamento como um “mal necessário”, já que pequenas empresas geralmente não têm recursos para fazer lobbying.

O Connected Commerce Council, o Google e a Amazon não responderam a pedidos de comentário.

O projeto foi rejeitado em 20 de abril, após derrota em votação numa comissão legislativa dedicada a privacidade — aprovado na semana anterior pela comissão presidida pelo próprio Wiener.

Tela de celular com ícones de apps: Facebook, Amazon, Netflix, Google.
Ícones do aplicativo Facebook, do aplicativo Amazon.com, do aplicativo Netflix Inc. e do aplicativo Google, uma unidade da Alphabet, aparecem em um smartphone iPhone da Apple nesta fotografia organizada em Londres, Reino Unido. Foto: Jason Alden/Bloomberg

O senador estadual Christopher Cabaldon, democrata que preside a comissão de privacidade, ressaltou a importância do setor de tecnologia para a Califórnia.

“Muitas pessoas trabalham ali, há uma grande arrecadação de impostos, comunidades inteiras fundadas sobre esse setor”, disse Cabaldon em entrevista. “Nossa missão é proteger a privacidade e os consumidores, mas também levar em conta — como fazemos com Hollywood ou com a indústria vinícola no meu distrito — a tecnologia como uma indústria fundamental da Califórnia.”

Cabaldon, porém, tem vínculos com a Chamber of Progress por meio da organização política democrata NewDEAL. Diversas pessoas ligadas à NewDEAL, incluindo sua fundadora Helen Milby, integram o conselho consultivo da Chamber of Progress. Cabaldon recusou-se a comentar sobre a entidade.

Após a votação, Ben Golombek, dirigente da Câmara de Comércio da Califórnia, celebrou o resultado em mensagem interna, descrevendo-o como um “verdadeiro trabalho de equipe” para derrotar o projeto, segundo uma cópia do e-mail obtida pela reportagem. Golombek pediu que os destinatários “agradecessem” aos parlamentares que votaram contra.

“A Câmara de Comércio da Califórnia se opôs ao Projeto de Lei 1074 por entender que ele prejudicaria empresas de todos os portes e os consumidores californianos”, disse a entidade em nota. “Como é prática de outras organizações de representação, a CalChamber rotineiramente elogia legisladores que compartilham nossas posições.”

Golombek encerrou sua mensagem pedindo aos aliados que permanecessem “vigilantes”, observando que Wiener é “incansável” e poderia tentar ressuscitar a proposta pela via da Assembleia Estadual. Wiener é favorito para conquistar a cadeira no Congresso federal deixada vaga pela ex-presidente da Câmara Nancy Pelosi.

Perguntado se tentaria retomar o projeto por meio de manobras legislativas, Wiener respondeu: “Aguardem.”

O Sphere, espaço imersivo em Las Vegas, se torna a arena de maior faturamento do mundo

25 de Abril de 2026, 06:00

À medida que os acordes de “Sigma Oasis” ecoavam no último sábado à noite, parecia para os 17.600 fãs do Phish que eles estavam dentro de um ovo. A casca se quebrava, e eles eram pássaros nascendo e ganhando voo.

Eles estavam no Sphere, em Las Vegas — ou simplesmente “Sphere”, como fãs e seu proprietário o chamam.

O espaço, que criou um novo tipo de entretenimento ao vivo, tornou-se a arena de maior faturamento do mundo, com US$ 379 milhões em receitas e 1,7 milhão de ingressos vendidos no ano passado, segundo a Pollstar.

Quando foi inaugurado, há três anos, reunia todos os sinais de um desastre iminente.

O Sphere foi concluído em 2023 por US$ 2,3 bilhões — quase US$ 1 bilhão acima do orçamento e com anos de atraso. O projeto foi idealizado por James Dolan, figura constante nos holofotes por seu império esportivo e de entretenimento, que inclui o New York Knicks, o New York Rangers e o Madison Square Garden.

Exportar o conceito

Hoje, a Sphere Entertainment planeja levar o conceito do Sphere para Abu Dhabi e para uma segunda unidade nos EUA, menor, com cerca de 6 mil lugares, prevista para o National Harbor, em Maryland, nos arredores de Washington, D.C. Executivos também avaliam outras cidades para novas unidades. Dolan já afirmou que a empresa pode tocar cinco ou seis projetos simultaneamente e pretende expandir “basicamente o máximo possível”.

O Sphere encontrou uma fórmula de sucesso inesperada: um espaço com tecnologia de ponta combinado com bandas cujos vocalistas acumulam décadas de grandes sucessos conhecidos pelo público. Assim, consegue atrair tanto fãs da mesma geração dos artistas — como Bono, do U2 — quanto jovens curiosos por experiências “retrô”.

A agenda é preenchida com residências de artistas consagrados, que podem durar dias, semanas ou meses, combinando atrações populares com espetáculos visuais grandiosos que levam meses para serem produzidos.

Entre eles estão Eagles, Kenny Chesney e Backstreet Boys. Durante o dia, antes dos shows, a arena também exibe experiências como O Mágico de Oz, remasterizado para dar ao público a sensação de caminhar ao lado de Dorothy na estrada de tijolos amarelos.

A ideia do Sphere surgiu em 2016, a partir de um esboço simples de Dolan — um círculo com uma pessoa dentro. Ele encarregou sua equipe de transformar o conceito em realidade.

A construção começou em 2018, com orçamento inicial de US$ 1,2 bilhão. No meio do processo, a pandemia de Covid-19 interrompeu as obras e colocou em dúvida o futuro de grandes espaços de entretenimento ao vivo.

Durante a construção, executivos e observadores tiveram dificuldade para definir o projeto. A revista Rolling Stone o descreveu como um “local de shows insano”, enquanto um executivo disse que seria como um “planetário multiplicado por 10”.

Havia dúvidas: artistas estariam dispostos a investir milhões em produções para o Sphere e convencer fãs a viajar até o deserto? E o espetáculo tecnológico não acabaria ofuscando os próprios artistas?

A resposta começou com o U2. A banda irlandesa, conhecida por seus shows tecnológicos, aceitou inaugurar o espaço antes mesmo de sua conclusão.

A residência do U2, iniciada em setembro de 2023, foi um sucesso e contou com 40 apresentações. Desde então, outras residências apostaram na nostalgia e em públicos com maior poder aquisitivo, como Dead & Company, além de Phish, Eagles e Backstreet Boys. Para este ano, estão previstos nomes como No Doubt, Metallica e Carín León.

“Estamos apenas arranhando a superfície”, disse Josephine Vaccarello, executiva da Sphere Entertainment. “Cada artista que chega tenta superar o anterior.”

A arena também aposta em experiências imersivas. Para recriar O Mágico de Oz, Dolan recorreu a engenheiros de IA do Google em um projeto de US$ 100 milhões. Em uma cena, maçãs caem do teto; em outra, folhas giram como em um tornado.

Entre agosto e janeiro, o filme gerou mais de US$ 260 milhões em vendas de ingressos.

O sucesso acompanha uma tendência maior da indústria musical, em que grandes turnês — como a de Taylor Swift — movimentam economias inteiras e mostram que fãs estão dispostos a viajar para experiências únicas.

Após prejuízo inicial, a Sphere Entertainment registrou lucro líquido de US$ 33,4 milhões no último ano, revertendo perdas de US$ 325 milhões no período anterior. As ações também dispararam.

Os ingressos para shows no Sphere variam de algumas centenas a milhares de dólares. O preço médio de revenda neste ano é de US$ 521, segundo a SeatGeek — acima dos US$ 415 do ano passado. Entre os mais caros estão os shows do Phish, seguidos por U2 e Eagles.

Para artistas, o espaço também abre novas possibilidades criativas. O DJ Illenium, por exemplo, produziu um álbum pensado especificamente para o ambiente visual da arena.

Para fãs como Jeff Stein, músico de São Francisco, a experiência redefine o padrão de espetáculos. “Lembra quando o IMAX surgiu e não entregou tudo o que prometia?”, disse. “O Sphere é o que aquilo deveria ter sido.”

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Governo barra derivativos de eleições e esportes e trava corrida dos ‘prediction markets’ no país

24 de Abril de 2026, 15:23

O governo brasileiro deu um passo para proibir mercados de previsão atrelados a eleições e eventos esportivos, endurecendo regras sobre uma prática em expansão que vem sendo alvo de escrutínio global.

Em resolução publicada nesta sexta-feira (24), o Conselho Monetário Nacional (CMN), órgão máximo responsável por definir as diretrizes da política monetária, de crédito e cambial do país, proibiu a oferta e negociação de derivativos cujos ativos subjacentes estejam ligados a eventos esportivos, jogos online e “eventos reais ou virtuais de natureza política, eleitoral, social, cultural ou de entretenimento”.

A medida também veta contratos baseados em temas que não representem uma referência econômica ou financeira clara, a ser definida pelo regulador do mercado de capitais no país.

A decisão ocorre em meio a planos da B3 de entrar no crescente mercado de “prediction markets”, que vêm sendo analisados com mais cautela por autoridades, especialmente por preocupações com uso de informação privilegiada.

A bolsa já confirmou o lançamento, em 27 de abril, de seis novos contratos ligados ao índice Ibovespa, ao real e ao Bitcoin, e vinha estudando expandir a oferta para incluir contratos baseados em eventos.

Entre as possibilidades avaliadas estavam produtos vinculados a eleições. A B3 chegou a buscar parecer jurídico sobre a viabilidade de contratos atrelados a resultados eleitorais.

Esses instrumentos poderiam ser lançados antes das eleições presidenciais de outubro, com foco na disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flavio Bolsonaro, segundo pesquisas recentes que indicam uma disputa acirrada.

A nova resolução, no entanto, barra esse tipo de prática.

Ao proibir explicitamente derivativos ligados a eventos políticos e não financeiros, o Conselho Monetário Nacional (CMN) praticamente encerra a discussão que vinha se formando no mercado sobre até que ponto esses instrumentos poderiam ser enquadrados como derivativos financeiros legítimos ou como uma forma de aposta disfarçada.

O conselho também atribuiu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a responsabilidade de regulamentar os detalhes adicionais e fiscalizar o cumprimento das novas regras.

Polymarket e Kalshi

O governo anunciou ainda que bloqueou o acesso à Polymarket e a cerca de duas dezenas de outras plataformas de mercados de previsão e afirmou que elas não estavam em conformidade com as leis federais de apostas – mais conhecidas como bets.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse a repórteres em Brasília na sexta-feira (24) que 28 empresas foram bloqueadas por oferecer o que o governo considerou “apostas ilegais”.

Durigan apresentou a medida como parte de um esforço mais amplo para proteger as economias dos brasileiros e enfrentar o aumento do endividamento das famílias, algo que o presidente Lula atribui, em parte, às apostas online – embora muitas sejam legalizadas.

Daniele Cardoso, responsável pelo setor de apostas no Ministério da Fazenda, confirmou que a Polymarket foi bloqueada. A Kalshi, outra plataforma popular fundada pela brasileira Luana Lopes Lara, também apareceu fora do ar no Brasil, embora Cardoso não tenha confirmado se ela está entre as plataformas interditadas.

A Polymarket não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Um porta-voz da Kalshi disse que a empresa está revisando a resolução.

Debate sobre mercados de previsão

Uma reportagem publicada em março pelo InvestNews expôs as narrativas que envolvem a discussão no Brasil, ao levantar uma questão divide reguladores, bolsas e agentes do mercado: afinal, “prediction markets” são instrumentos financeiros legítimos, úteis para precificação de risco e formação de expectativas, ou apenas uma forma sofisticada de aposta?

Nos Estados Unidos, plataformas como a Kalshi e a Polymarket funcionam como bolsas de eventos em que contratos binários refletem probabilidades implícitas de acontecimentos futuros.

O preço desses contratos emerge da negociação entre participantes e passa a representar a percepção coletiva de probabilidade de um evento ocorrer, sem que uma casa de apostas defina as odds.

O ponto central do debate era justamente a fronteira entre essas duas leituras: de um lado, a visão de que se trata de derivativos e instrumentos de hedge sobre riscos reais; de outro, a interpretação de que, quando ligados a eventos não financeiros como eleições ou esportes, esses mercados se aproximam estruturalmente de apostas.

Com a decisão do CMN, esse espaço de ambiguidade regulatória perde força no Brasil.

Ao proibir explicitamente derivativos vinculados a eventos políticos e não financeiros, o regulador encerra, na prática, a tentativa de enquadrar esses contratos como instrumentos financeiros tradicionais no país, e sinaliza que, ao menos por ora, eles não terão espaço dentro do sistema financeiro formal brasileiro.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Boeing leva foguete ao espaço, mas futuro na NASA de Trump é incerto

11 de Abril de 2026, 12:11

A NASA acaba de usar o foguete da Boeing para levar astronautas mais longe no espaço do que nunca. Ainda assim, o governo Trump já procura concorrentes para substituí-lo.

Cerca de uma semana antes de o Space Launch System (SLS), avaliado em US$ 24 bilhões, levar os quatro tripulantes da missão Artemis II ao redor da Lua, a NASA consultou empresas rivais para saber que alternativas poderiam oferecer ao ambicioso plano da agência para futuras viagens lunares.

Esse movimento, reforçado quase de imediato pelo pedido de orçamento da Casa Branca, lançou uma grande incerteza sobre o futuro do problemático foguete da Boeing, depois de cerca de uma década de desenvolvimento.

O foguete Space Launch System da missão Artemis II e a espaçonave Orion decolam da plataforma 39B, no Centro Espacial Kennedy, em 1º de abril.

O destino do programa — que pode movimentar dezenas de bilhões de dólares nos próximos anos — se tornou um teste importante para Jared Isaacman, o bilionário do setor de tecnologia financeira escolhido pelo presidente Donald Trump no ano passado para comandar a NASA, em sua tentativa de tornar a agência espacial mais rápida e eficiente. Ele aposta em novas empresas comerciais, como a SpaceX, para oferecer alternativas mais baratas aos sistemas caros desenvolvidos por nomes tradicionais como Boeing e Lockheed Martin.

“Como esse programa carrega tanta história, envolve contratadas, centenas de subcontratadas e dezenas de milhares de pessoas, ele é caro”, disse Isaacman em fevereiro. “Não é o veículo que você vai usar para ir e voltar da Lua algumas vezes por ano enquanto constrói uma base lunar, como o presidente quer.”

Essa rede de apoio — o programa Artemis tem fornecedores nos 50 estados americanos — ajudou o projeto a sobreviver a tentativas de encerrá-lo após anos de atrasos e estouros de orçamento. A tentativa do governo, no pedido orçamentário do ano passado, de começar a retirar de cena o SLS e a cápsula tripulada Orion, fabricada pela Lockheed, encontrou forte resistência no Congresso, onde parlamentares conseguiram barrar os cortes. Na semana passada, a Casa Branca indicou que tentará novamente buscar substitutos comerciais.

O futuro do foguete lunar da Boeing em xeque

Com o prazo de 2028 se aproximando para colocar astronautas na Lua antes de Trump deixar o cargo, e com a China planejando sua própria missão até o fim da década, Isaacman está sob pressão para entregar resultados. Embora fornecedores tradicionais como a Boeing tenham enfrentado dificuldades para cumprir prazos no passado, suas tecnologias já foram testadas. Já novos concorrentes, como SpaceX e Blue Origin, ainda não demonstraram que seus foguetes conseguem chegar à Lua.

Isaacman vem elevando a pressão.

Em fevereiro, anunciou que a NASA cancelaria o contrato bilionário da Boeing para uma versão mais potente do estágio superior do foguete SLS, apesar de anos de desenvolvimento. Em março, anunciou uma pausa no Gateway, a estação espacial planejada para orbitar a Lua, deixando parceiros internacionais e empresas envolvidas correndo para se adaptar. No lugar, apresentou planos para uma base na superfície lunar e uma agenda acelerada de missões para construí-la.

“Ele realmente está tentando depender fortemente do setor espacial comercial e da concorrência”, disse Dave Cavossa, presidente da Commercial Space Federation, que representa empresas como SpaceX e Blue Origin. “Acho que é o governo mais pró-comercial e mais favorável a mudanças que já vimos.”

O Artemis foi criado no primeiro governo Trump a partir dos restos de um programa da NASA que havia sido cancelado por seu antecessor, mas que conseguiu seguir adiante de forma limitada graças à continuidade do financiamento pelo Congresso. Quando Trump voltou à Casa Branca no ano passado, os atrasos e os custos já haviam aumentado.

Um dos focos das críticas é o foguete SLS, que levou as missões Artemis à órbita a um custo de cerca de US$ 4 bilhões por voo — quatro vezes mais que as estimativas iniciais e com anos de atraso em relação ao cronograma.

“Não vamos ficar parados enquanto os cronogramas escorregam ou os orçamentos são estourados”, disse Isaacman em 24 de março. “Esperem medidas desconfortáveis se isso for necessário, porque o público investiu mais de 100 bilhões de dólares e foi muito paciente em relação ao retorno dos Estados Unidos à Lua.”

Um porta-voz da Boeing disse que a empresa tem orgulho de ser parceira da missão Artemis. Tony Byers, diretor de serviços e transformação da exploração Orion, da Lockheed Martin, afirmou que a cápsula Orion é o único veículo tripulado para o espaço profundo já testado em voo e que a empresa continuará evoluindo a cápsula para acompanhar o aumento planejado da cadência de missões da NASA. A NASA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Quando a Casa Branca propôs, no pedido de orçamento enviado ao Congresso em maio do ano passado, encerrar o SLS e a espaçonave Orion depois de apenas três voos, lobistas de contratadas como Boeing e Lockheed Martin inundaram o Capitólio. Eles concentraram esforços no senador texano Ted Cruz e no deputado Brian Babin, cujos redutos eleitorais dependem fortemente desses programas para manter empregos.

Em julho, Cruz liderou uma articulação para restaurar cerca de US$ 6,7 bilhões e manter o programa financiado, mesmo quando os republicanos já estavam se alinhando à maior parte das demais prioridades de Trump.

“Isso mostra a força que o programa tem junto a alguns membros importantes do Congresso e, depois, esses membros agindo de fato para demonstrar essa força”, disse Mike French, fundador da consultoria Space Policy Group.

Neste ano, a proposta de orçamento do governo não traz um prazo rígido para descontinuar o SLS e a Orion, mas sim um pedido mais vago para buscar alternativas comerciais. A NASA também afirmou que está avaliando outras opções para as missões Artemis previstas para depois de 2028.

Por enquanto, o SLS é o único foguete disponível no mercado capaz de fazer o que a NASA precisa.

A falta de outras opções permitiu que os parlamentares adotassem uma posição de equilíbrio entre apoiar uma alternativa comercial e, ao mesmo tempo, defender por ora a estrutura atual.

“Acho que precisamos usar o que temos”, disse Babin, apontando para o foguete SLS atrás dele, no Centro Espacial Kennedy, em 1º de abril, pouco antes do lançamento da Artemis II. “Quando tivermos uma alternativa, acho que será ótimo contar com um foguete comercial ou com um foguete do governo, seja o que for necessário.”

NASA conclui viagem histórica à Lua com promessa de que “há mais por vir”

11 de Abril de 2026, 08:44

A tripulação da missão Artemis da NASA, composta por quatro astronautas, retornou à Terra e amerissou no Oceano Pacífico na sexta-feira (10), encerrando o primeiro retorno da humanidade à Lua em mais de 50 anos.

A cápsula tripulada Orion, construída pela Lockheed Martin, completou uma descida em chamas pela atmosfera terrestre antes de pousar sob paraquedas na costa da Califórnia, pouco depois das 17h no horário local. A NASA informou que a tripulação estava em bom estado de saúde.

“Um amerissagem perfeita, bem no alvo, para a Integrity”, disse Rob Navias, porta-voz de operações de missão do Centro Espacial Johnson da NASA.

“Das páginas de Júlio Verne a uma missão moderna à Lua, um novo capítulo da exploração do nosso vizinho celeste está completo”, afirmou.

A conclusão de uma jornada de 694.481 milhas (1,1 milhão de quilômetros) desde o lançamento representa o último grande teste da missão Artemis II, que durou dez dias, enviou os astronautas ao redor da Lua, quebrou recordes de distância em voos espaciais tripulados e capturou imagens de tirar o fôlego.

LEIA MAIS: Em missão histórica, NASA avança e reforça corrida bilionária pela exploração da Lua

Embarcações da Marinha dos EUA puderam ser vistas em uma transmissão ao vivo cercando a cápsula Orion, que balançava na água após a amerissagem. A equipe de resgate abriu uma grande balsa inflável conhecida como “front porch” e retirou com sucesso os quatro astronautas da cápsula cerca de uma hora e meia após o pouso. Eles seguiriam para um navio de recuperação para exames médicos antes de embarcarem na viagem de volta para suas famílias.

“A viagem inteira foi espetacular, o pouso foi perfeito e, como presidente dos Estados Unidos, eu não poderia estar mais orgulhoso!”, disse Donald Trump em uma publicação nas redes sociais. “Estou ansioso para ver todos vocês na Casa Branca em breve. Vamos fazer isso de novo e, depois, próximo passo: Marte!”

Apesar de um retorno quase perfeito, a tripulação enfrentou alguns problemas com as comunicações via telefone satelital entre eles e a equipe de resgate enquanto estavam na água.

“Esta foi uma reentrada exemplar e uma amerissagem exemplar para a Integrity. Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen estão de volta à Terra após uma jornada ao redor da Lua”, disse Navias.

Imagem da Artemis II (Foto: Nasa/ Divulgação)
Imagem da Artemis II (Foto: Nasa/ Divulgação)

A expectativa da Nasa

A missão cativou audiências ao redor do mundo desde o momento em que a cápsula decolou no foguete Space Launch System, construído pela Boeing, em 1º de abril. Espectadores acompanharam o cotidiano da tripulação — desde rituais banais como se barbear e resolver problemas com um vaso sanitário quebrado, até a captura de imagens de um eclipse durante a viagem espacial tripulada mais distante da história.

“Sinceramente, ainda me faltam palavras”, disse o administrador da NASA, Jared Isaacman, cercado por espectadores entusiasmados, em uma transmissão ao vivo a bordo do navio de recuperação.

“Eu simplesmente não poderia estar mais orgulhoso de toda a força de trabalho — os anos, o esforço, as noites viradas, todo o trabalho duro de todo o país que contribuiu para este momento incrível agora”, afirmou.

Durante a descida de aproximadamente 13 minutos de volta à Terra, plasma se acumulou do lado de fora da Orion e as temperaturas chegaram a quase 5.000°F (2.760°C). A Orion reentrou na atmosfera terrestre a cerca de 25.000 milhas por hora.

Todas as atenções estavam voltadas para o desempenho do escudo térmico da Orion, uma barreira protetora no exterior da espaçonave projetada para proteger a cápsula das temperaturas extremas que se acumulam durante a descida pela atmosfera.

Antes desta missão, críticos como o ex-astronauta da NASA Charles Camarda levantaram preocupações sobre o escudo térmico, argumentando que ele não era seguro o suficiente para proteger a tripulação.

Durante a missão Artemis I, em 2022, pedaços maiores do que o esperado do escudo térmico se desprenderam durante a descida da cápsula não tripulada.

A NASA decidiu voar a Artemis II com o mesmo design de escudo térmico, mas alterou a trajetória da Orion pela atmosfera para minimizar o tempo que a cápsula passou em temperaturas extremas. Para as próximas missões Artemis, a nave receberá um novo escudo térmico.

Embora a missão Artemis II tenha sido considerada um sucesso, a viagem não transcorreu sem problemas técnicos. A NASA descobriu um problema no sistema de propulsão do módulo de serviço cilíndrico da Orion e na forma como ele mantém a pressurização. Esse sistema provavelmente precisará de um “redesenho extensivo” para futuras missões, segundo Amit Kshatriya, administrador associado da NASA.

“Essa é uma descoberta nova. Certamente vamos investigar isso”, disse Howard Hu, gerente do programa Orion da NASA, em uma coletiva de imprensa após a amerissagem. “Vamos analisar e seguir em frente, e garantir que façamos mudanças, se necessário.”

Com a missão encerrada, a NASA aplicará as lições aprendidas com a Artemis II enquanto a agência busca pousar humanos na superfície lunar já em 2028.

“Esta é a primeira missão — nossa primeira missão — à Lua de muitas mais por vir”, disse Lori Glaze, administradora associada interina da NASA para desenvolvimento de sistemas de exploração, a repórteres. “E mal podemos esperar.”

Na CVC, acordo de acionistas redesenha governança e concentra poder na família Paulus

10 de Abril de 2026, 20:36

A CVC, uma das maiores empresas de viagens do país, entrou em uma nova fase de reorganização societária. A empresa informou nesta sexta-feira (10) que a GJP, fundo ligado a Gustavo Paulus, filho do fundador Guilherme Paulus, e a gestora Apex/Carbyne firmaram um acordo de acionistas para coordenar votos, indicações ao conselho e negociação de ações.

O movimento ainda depende do aval dos demais investidores. Em assembleia geral extraordinária (AGE), eles terão de aprovar a dispensa da obrigação de oferta pública (OPA) prevista no estatuto.

No mesmo fato relevante ao mercado, a CVC informou a renúncia de Tiago Ring ao cargo de conselheiro. Segundo a companhia, ele permanecerá no posto até a posse de um sucessor. Ring é gestor da Absolute Investimentos e estava no conselho desde maio de 2024.

Diante do novo acordo e da saída de Ring, o conselho aprovou a convocação da AGE para deliberar sobre a dispensa da OPA e a eleição de um novo membro para o colegiado.

Arranjo societário

O acordo foi celebrado entre dois grupos que já figuravam entre os principais acionistas da empresa.

A GJP detinha, na data da assinatura, 106,8 milhões de ações, o equivalente a cerca de 20,3% do capital. O bloco formado por Apex/Carbyne somava 79,97 milhões de papéis, ou aproximadamente 15,2%. Juntos, passam a representar cerca de 35,5% da CVC.

Esse segundo bloco representa a Apex Partners, empresa com mais de R$ 17 bilhões em ativos e que atua com a tese de ecossistema regional de investimentos. Fundada por Fernando Cinelli em Vitória, no Espírito Santo, a Apex montou posição na CVC ao longo do último ano, em particular, por meio de sua vertical de PIPE (Private Equity in Public Investment).

Na prática, o desenho concede à GJP a liderança política do arranjo. O fundo ligado a Paulus pode enviar orientação de voto ao Apex/Carbyne antes de assembleias e reuniões do conselho. Se essa orientação for emitida, o outro lado se compromete a votar na mesma direção.

O Apex/Carbyne, por sua vez, preserva poder de veto em temas sensíveis: saída do Novo Mercado, segmento de governança mais elevada da B3, redução do pagamento de dividendo obrigatório, alterações relevantes no estatuto, dissolução da companhia, pedido de recuperação judicial ou falência e redução do conselho para menos de cinco membros.

O acordo também organiza a divisão de cadeiras. Se os dois lados conseguirem eleger entre dois e seis conselheiros, o Apex/Carbyne indicará um nome e a GJP ficará com os demais. Acima de seis, o Apex/Carbyne poderá indicar dois. Atualmente, o conselho da CVC é composto por cinco conselheiros.

A reorganização ocorre em um momento em que a base acionária também começa a mudar.

A Absolute, que começou a figurar entre os acionistas relevantes em setembro de 2023 e depois ampliou sua posição, reduziu a participação para menos de 5% em março. A gestora mantinha 9,8% do capital até 26 de janeiro, segundo formulário de referência.

Considerando a data de anúncio de participação relevante até agora, o papel acumula desvalorização de 26%.

A saída de Ring, ligado à gestora, acontece nesse contexto. A redução da posição da Absolute esvazia o peso de um investidor que havia ganhado importância na estrutura de capital da CVC ao longo dos últimos dois anos — e sua perda de relevância coincide com a articulação formal dos dois maiores blocos.

A Opportunity, com cerca de 7,8%, segue como acionista relevante, mas isoladamente passa a ter menos influência diante de um bloco organizado.

A fotografia muda: sai uma configuração com vários acionistas fortes, porém dispersos, e entra outra em que uma aliança formal tende a concentrar mais poder nas principais decisões da companhia.

Pano de fundo

Na leitura de uma fonte ouvida pelo InvestNews, a redução da fatia da Absolute também reflete um momento mais complexo para a operação da CVC.

A avaliação é que o primeiro trimestre deve trazer números mais fracos — quadro que pode se estender ao segundo trimestre. Entre os fatores de pressão estão os efeitos da Guerra do Irã sobre o petróleo, com impacto nos custos do setor aéreo e potencial reflexo sobre a demanda por viagens.

Para o restante do ano, a leitura de mercado embute cautela com o efeito da Copa do Mundo sobre o interesse por turismo e com o calendário de feriados prolongados, que tende a favorecer deslocamentos de carro — perfil menos aderente ao negócio tradicional da CVC, mais associado a pacotes, viagens aéreas e turismo estruturado.

A reorganização societária ocorre poucos meses depois de uma mudança importante no comando. Em janeiro, a CVC antecipou a sucessão de Fabio Godinho, com a posse de Fabio Mader como novo CEO.

Segundo o InvestNews apurou, a troca já vinha sendo estudada, e o nome de Mader era bem recebido pelo próprio Godinho — é um executivo próximo da família Paulus que havia retornado à companhia como CEO em 2023, quando a família voltou ao quadro de acionistas.

Embora a companhia tenha melhorado seus indicadores nos últimos anos, a avaliação entre pessoas próximas ao comando da empresa era a de que era preciso acelerar na execução. De 2023 para 2025, a margem Ebitda passou de 14,9% para 31,9%.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Como a Epic Games precisa da Disney para tentar reverter a fase difícil do ‘Fortnite’

10 de Abril de 2026, 16:54

A Epic Games está apostando em sua parceria com a The Walt Disney Company como principal motor de retomada do crescimento do Fortnite, após uma série de lançamentos abaixo do esperado e demissões recentes na companhia.

No mês passado, a empresa cortou cerca de 1.000 funcionários em um esforço de redução de custos estimado em US$ 500 milhões e reconheceu internamente que diversos novos jogos e atualizações do Fortnite não tiveram boa recepção. Entre eles, modos como o “Ballistic” e o “Festival Battle Stage” serão descontinuados, enquanto o “Rocket Racing” será encerrado em outubro.

Em comunicado interno, o CEO da Epic, Tim Sweeney, afirmou que, apesar de o Fortnite seguir como um dos jogos mais bem-sucedidos do mundo, a empresa tem enfrentado dificuldades para manter consistência nas atualizações e no engajamento do público.

De Marvel a Pixar

A nova aposta da companhia está centrada em uma série de jogos desenvolvidos em parceria com a Disney, que investiu US$ 1,5 bilhão na Epic há dois anos. O primeiro título dessa colaboração deve ser lançado em novembro e terá formato de jogo de tiro com personagens das propriedades da Disney, incluindo Marvel, Star Wars e Pixar.

Segundo fontes internas, o projeto é visto como estratégico para revitalizar o Fortnite e ampliar seu alcance global, embora algumas versões iniciais tenham recebido avaliações internas consideradas “medianas”.

A parceria também prevê pelo menos mais dois jogos adicionais, mas parte dos recursos já foi redirecionada após preocupações com o cronograma de desenvolvimento.

Apesar disso, a Disney afirmou que mantém confiança na colaboração e que o projeto segue dentro de sua estratégia de longo prazo para construir um ecossistema integrado de jogos e entretenimento.

A Epic Games afirmou que sua abordagem de desenvolvimento é baseada em lançamentos rápidos e melhorias contínuas, ainda que isso tenha levado, segundo funcionários, a produtos lançados em estágios iniciais de maturação.

A companhia foi fundada em Cary, na Carolina do Norte, e ganhou destaque global em 2017 com o sucesso do Fortnite no modo battle royale, que rapidamente se tornou um fenômeno global e gerou bilhões de dólares em receita nos anos seguintes.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Posso pagar despesas pessoais com dinheiro da PJ para ‘escapar’ do IR sobre dividendos?

10 de Abril de 2026, 16:18

A cobrança de Imposto de Renda sobre dividendos, que começou a valer na virada do ano, abalou estratégias clássicas de planejamento tributário dos empreendedores.

Para reduzir o pagamento de impostos, é comum que empresas remunerem seus sócios com a distribuição de dividendos, que era totalmente isenta de IR até o fim de 2025. Só que a coisa mudou. Agora, quem recebe dividendos acima de R$ 50 mil por mês precisa pagar uma alíquota de 10% de IR.

Com essa mudança, uma estratégia alternativa – e controversa – voltou a ser falada nas rodas de empresários e em discussões em redes sociais: pagar despesas pessoais dos sócios com o dinheiro da PJ. É o uso de parte do dinheiro que seria retirado como lucro (via dividendo) para pagar contas dos sócios, reduzindo a tributação direta.

Só que fica a pergunta: é legal e regular transferir despesas pessoais para a empresa? E vale a pena?

Em poucas palavras, a resposta é não. Pode render autuação da Receita Federal, cobrança retroativa de impostos não pagos, multa e juros – além da exclusão da empresa de regimes tributários vantajosos, como o Simples Nacional.

Qual o risco de incluir despesas pessoais na conta da empresa?

As despesas pessoais dos sócios não são despesas operacionais para a empresa, ressalta Pedro Bresciani, especialista em planejamento tributário no Utumi Advogados. A manutenção do negócio não depende desses gastos – que deveriam ser sempre cobertos com recursos próprios, como o pró-labore (que é o “salário” dos sócios) ou os dividendos que eles recebem.

Se a Receita Federal identificar que houve essa prática, pode desconsiderar os lançamentos e entender que houve irregularidades, como omissão de receita e distribuição disfarçada de lucros. Ou ainda enquadrá-los como pagamento sem causa ou doação da empresa para o sócio.

Em um pagamento sem causa (ou sem comprovação) a um sócio, por exemplo, a alíquota do Imposto de Renda que deve ser retido fonte é de 35% – o que provavelmente não é feito por quem decide transferir despesas pessoais para a PJ para “driblar” o fisco.

Já em uma doação da empresa para o sócio, há a incidência de Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), com alíquota de até 8%, a depender do estado.

No caso de uma autuação da Receita Federal, tributos como esses que não tenham sido recolhidos podem ser cobrados retroativamente, além da incidência de multa e juros. Fora isso, segundo Bresciani, os valores ainda poderiam ser tributados pelo Imposto de Renda Mínimo, com alíquota que vai até 10%.

Como as despesas dos sócios afetam o lucro da PJ?

A transferência de despesas pessoais para a PJ impacta os resultados das empresas e de seus sócios de maneiras diferentes, a depender do regime tributário em que se enquadram.

Para as empresas do regime do lucro real, os impostos devidos (IRPJ e CSLL, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) incidem diretamente sobre o seu lucro efetivo – ou seja, receitas menos despesas. Por isso, quanto maiores as despesas a serem deduzidas das receitas, menor o lucro. E menor também o imposto que a empresa terá de pagar.

Incluir despesas dos sócios nas contas de uma empresa do lucro real, portanto, acaba reduzindo os impostos devidos pela própria empresa.

Quando um caso como esse é identificado pela Receita Federal, ela pode cobrar os tributos (IRPJ e CSLL) que deixaram de ser pagos porque o lucro foi “artificialmente” menor, além de juros (taxa Selic) e uma multa significativa (de 75% a 100%, nos casos gerais) sobre esses valores.

Já no regime de lucro presumido, as despesas dos sócios incluídas nas contas da empresa não reduzem diretamente os tributos devidos por elas, como no lucro real. Isso porque o IRPJ e a CSLL são calculados a partir de uma margem de lucro fixa, estabelecida pela Receita Federal e aplicada sobre o faturamento da empresa. Essa margem varia segundo o setor de atuação e pode chegar a 32%.

No Simples Nacional, ocorre algo semelhante.

Os impostos devidos pela empresa – e pagos em uma única guia, chamada DAS – são calculados sobre o faturamento, e não sobre o lucro. Por isso, também nesse caso, incluir despesas dos sócios nas contas da empresa não reduzirá o valor pago pela PJ.

Porém, tanto no lucro presumido quanto no Simples Nacional, essa manobra diminui o lucro efetivo do negócio. E ele é a base para a distribuição de dividendos aos sócios.

Se, adotando essa prática, os sócios conseguirem manter os dividendos abaixo do limite de R$ 50 mil por mês, podem “escapar” de pagar o novo IR na sua pessoa física.

Se isso for identificado pela Receita Federal, a prática poderia ser caracterizada como pagamento sem causa, distribuição indireta de dividendos ou doação da empresa para o sócio. E, então, vale a mesma lógica: o Fisco cobra retroativamente os impostos que não foram pagos, aplica multa e cobra juros. Em casos graves, pode excluir a empresa do Simples Nacional.

Os riscos na prática

A pedido do InvestNews, Bresciani, no Utumi Advogados, simulou um caso prático. O advogado partiu de um exemplo fictício de empresa enquadrada no regime de lucro real em que os sócios pagaram despesas pessoais no valor de R$ 240 mil em um ano.

Entenda três possíveis formas como essa manobra pode ocasionar riscos e cobranças adicionais.

1) Os impostos da empresa

Em uma fiscalização da Receita Federal que identificasse esse procedimento, a transferência de despesas poderia ser desconsiderada. Na prática, isso faria com que o lucro efetivo da empresa aumentasse – nesse caso, justamente em R$ 240 mil. Sobre esse valor, incidiria a carga de IRPJ e CSLL (34%), gerando uma tributação adicional de R$ 81,6 mil.

Esse valor ainda viria com acréscimos. Em geral, aplica-se uma multa equivalente a 75% sobre o imposto devido, segundo Bresciani, além de juros pela taxa Selic. Nesse exemplo, a multa seria calculada sobre os R$ 81,6 mil: o montante seria de R$ 61,2 mil. Isso aumentaria o valor final a pagar para R$ 142,8 mil, além da variação da Selic até o pagamento ser realizado.

2) O pagamento sem causa aos sócios

A Receita Federal também poderia entender que houve um pagamento (ou uma entrega de recursos) aos sócios sem comprovação da causa. Se assim fosse, estabeleceria a cobrança de Imposto de Renda de 35% na fonte, alíquota aplicada a esse tipo de pagamento.

“Esse pagamento é feito com reajuste da base, o chamado ‘gross-up‘, que acaba elevando a carga efetiva da cobrança”, diz Bresciani. No fim das contas, aplicando essa regra, só o imposto retroativo somaria cerca de R$ 129 mil – com os cálculos relacionados. E sobre esse valor ainda poderia incidir a mesma multa de 75%, elevando o valor final para R$ 226 mil.

3) A distribuição disfarçada de dividendos

A Receita Federal também poderia entender que houve uma distribuição “disfarçada” de dividendos para evitar superar o limite oficial de R$ 50 mil por mês isentos de Imposto de Renda.

Se, por exemplo, o sócio recebeu oficialmente R$ 30 mil em dividendos no mês, mas a distribuição indireta de lucros foi de mais R$ 22 mil no mesmo mês, isso totalizaria R$ 52 mil em lucros distribuídos – sujeitos, portanto, à alíquota de 10%.

Identificando isso, a Receita Federal poderia cobrar o Imposto de Renda não pago, que nesse caso seria de R$ 5,2 mil (10% em cima dos R$ 52 mil), calcula Bresciani. Fora isso, a multa de 75% sobre esse valor geraria um montante de R$ 3,9 mil a mais, elevando o total devido para R$ 9,1 mil.

O que é confusão patrimonial

A não separação efetiva entre os bens, direitos e obrigações da pessoa jurídica e dos seus sócios ou administradores é considerada uma confusão patrimonial, também chamada de confusão fiscal.

Isso ocorre quando contas pessoais são pagas pela empresa ou vice-versa, violando a separação patrimonial. Um grande risco dessa prática é que ela abre brecha para que credores atinjam o patrimônio pessoal dos sócios para quitar eventuais dívidas da empresa.

Um sócio que usa um carro registrado em nome da empresa para fins pessoais, sem compensar a empresa por isso, por exemplo, está cometendo essa prática. O mesmo acontece se o sócio pagar contas pessoais com o cartão da empresa.

No  Descomplica PJ, uma cobertura especial do InvestNews voltada para esclarecer dúvidas de empreendores, você tem informação rápida e objetiva para tomar decisões com mais segurança e evitar erros que podem custar caro ao caixa da empresa. Se é dono ou dona de empresa e tem dúvidas sobre tributação, envie sua pergunta para redacao@investnews.com.br.

iPhone dobrável da Apple está previsto para ser lançado em setembro. Veja o que se sabe

7 de Abril de 2026, 15:05

O primeiro celular dobrável da Apple está no caminho certo para chegar durante o período normal de lançamento de iPhones da empresa ainda este ano, disseram pessoas com conhecimento do assunto, refutando preocupações sobre grandes problemas de fabricação.

A empresa deve apresentar o modelo dobrável em setembro, junto com o iPhone 18 Pro e Pro Max, disseram as fontes, que pediram para não ser identificadas porque os planos ainda não foram anunciados. Normalmente, os iPhones chegam às lojas na semana seguinte à apresentação oficial.

Um relatório do Nikkei Asia alimentou preocupações sobre um possível atraso na terça-feira. As ações da Apple caíram até 5,1% após o veículo noticiar que a empresa enfrentava desafios na fase de testes de engenharia do aparelho, o que poderia atrasar o cronograma de produção e envio, segundo o Nikkei Asia.

Embora a complexidade da nova tela e dos materiais possa limitar o fornecimento inicial por algumas semanas, a Apple atualmente opera com o plano de colocar o dispositivo à venda aproximadamente na mesma época — ou logo após — os novos modelos não dobráveis, disseram as fontes.

As ações da Apple reduziram suas perdas depois que a Bloomberg News reportou sobre os planos. O papel estava em queda de cerca de 2,7%, cotado a US$ 251,88 às 13h04 em Nova York na terça-feira.

Ainda assim, o lançamento está a seis meses de distância e a produção ainda não foi intensificada. Isso significa que o cronograma não é definitivo. Um porta-voz da empresa, com sede em Cupertino, Califórnia, se recusou a comentar.

O dispositivo é uma iniciativa importante para a Apple, que busca expandir a linha de iPhones com novos designs, modelos mais caros e recursos aprimorados. O objetivo é competir melhor com a Samsung Electronics e fabricantes chineses de smartphones, que já oferecem opções dobráveis há anos.

iPhone dobrável

Para a Apple, o iPhone dobrável é o segundo passo de um plano de três anos para reinventar o visual e a experiência do seu dispositivo principal. No ano passado, a empresa lançou versões reformuladas do Pro e Pro Max e uma versão mais fina chamada iPhone Air. A Apple também trabalha em uma reformulação separada para 2027, marcando os 20 anos do produto.

O roadmap do iPhone tem sido prioridade para a gestão da Apple — incluindo o chefe de hardware John Ternus, que, segundo a Bloomberg News, é um dos principais candidatos a eventualmente substituir o CEO Tim Cook.

O iPhone dobrável será semelhante aos produtos concorrentes — com alguns pontos de destaque. Engenheiros da Apple acreditam ter resolvido problemas de qualidade da tela e durabilidade geral, duas falhas históricas de aparelhos nessa categoria. Isso inclui tornar a dobra da tela menos visível quando aberta.

O iPhone terá orientação ampla da tela no modo paisagem, tornando-o mais eficaz para assistir vídeos e jogar do que os modelos dobráveis mais estreitos atualmente no mercado. A Apple planeja atualizar o sistema iOS para fazer com que os aplicativos do iPhone se pareçam mais com os do iPad nesse novo dispositivo.

Quanto vai custar o iPhone dobrável?

O preço do produto deve ultrapassar US$ 2.000. Embora isso possa desestimular alguns consumidores, deve elevar o preço médio de venda da Apple e impulsionar o crescimento da receita da empresa.

Ao mesmo tempo, a Apple está ajustando seu calendário anual de lançamentos do iPhone. O próximo modelo de entrada será adiado para a primavera de 2027, informou a Bloomberg News. A empresa também planeja lançar um novo iPhone Air e um iPhone 18e mais econômico nesse período. O iPhone 17e foi lançado no mês passado.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Seleções campeãs do mundo: todos os vencedores da Copa até 2022

26 de Março de 2026, 18:08

Você sabia que apenas oito países já venceram a Copa em 22 edições desde que ela foi criada? As seleções de futebol masculino campeãs do mundo representam somente dois continentes. O time vencedor da Copa no Catar, a Argentina, que derrotou a França nos pênaltis na final, pertence a um desses continentes.

A seguir, confira quem foram os vencedores da Copa até o momento e quais deles tiveram a oportunidade de ganhar mais de uma vez, como o Brasil. Se você ama futebol, é hora de refrescar a memória!


Confira:

Quais são as seleções campeãs do mundo?

Em países em que o futebol é um esporte popular, participar do torneio vira questão de honra. Nesse quesito, o Brasil fez a lição de casa, porque, além de estar entre os campeões da Copa do Mundo, é o único país que participou de todas as edições

As seleções campeãs do mundo são:

  • Uruguai 
  • Itália
  • Alemanha 
  • Brasil 
  • Inglaterra
  • Argentina 
  • França 
  • Espanha

Confira, agora, qual foi o placar das partidas que definiram os vencedores da Copa e algumas curiosidades:

1930

O Uruguai sediou a primeira Copa do  Mundo e as 18 partidas foram feitas somente na capital Montevidéu. O time uruguaio foi à final contra a Argentina e venceu os vizinhos por 4 a 2. No dia seguinte, foi feriado no país para celebrar a conquista do título no primeiro campeonato. 

1934 

A Itália sediou a segunda Copa do Mundo e também se tornou campeã em casa, vencendo a antiga Tchecoslováquia (atual República Tcheca e Eslováquia) na prorrogação por 2 a 1. Os jogos foram transmitidos ao vivo pelo rádio para 12 países. 

O campeão Uruguai não disputou a Copa em retaliação à Itália, por ter se recusado a viajar e participar da primeira edição.

1938

A Itália se tornou bicampeã ao vencer a Hungria por 4 a 2. O Brasil foi o terceiro colocado. Pela primeira vez, um país asiático participou da Copa: as Índias Orientais Holandesas (Indonésia).

1950

Depois de um intervalo com as copas de 1942 e 1946 canceladas por causa da Segunda Guerra Mundial, a retomada foi no Brasil.

Jogando em casa, a equipe brasileira conseguiu chegar até a final, que foi disputada no Maracanã, no Rio de Janeiro, considerado o maior estádio do mundo na época. No entanto, o Uruguai conseguiu virar o jogo e se tornou bicampeão por 2 a 1.

1954

A Copa de 1954 marca o retorno da Alemanha, dessa vez como Alemanha Ocidental, à Copa desde o final da Segunda Guerra. Mesmo não sendo a favorita, os alemães venceram a Hungria de virada, por 3 a 2, marcando o gol da vitória já no fim da partida.

1958

A Copa de 1958 tinha uma dupla invencível de atacantes: Pelé e Garrincha, que levaram o Brasil à final, que venceu a anfitriã dos jogos, a Suécia, por 5 a 2. O Brasil foi o primeiro país a conquistar o título em um continente diferente

1962

Mais uma vez na final, o Brasil venceu a Tchecoslováquia por 3 a 1 na Copa no Chile. Garrincha estava suspenso da partida por conta de um cartão vermelho na semifinal. Mas até o presidente do Chile, Jorge Alessandri, solicitou que o atacante brilhasse na final e o pedido foi aceito.

1966

A Inglaterra venceu a Alemanha Ocidental por 4 a 2 na prorrogação. A Rainha Elizabeth II estava no estádio em Wembley e presenciou o país conquistar seu primeiro e único título até o momento.

1970

O Brasil se tornou tricampeão, vencendo a Itália por 4 a 1. O time brasileiro se consagrou no futebol mundial com jogadores como Pelé, Rivelino, Tostão e Carlos Alberto.

1974

A Alemanha Ocidental venceu a Holanda em casa por 2 a 1. A Copa foi marcada pela atuação marcante do jogador holandês Johan Cruyff e do alemão Franz Beckenbauer. 

1978

Em sua segunda final consecutiva, a Holanda perdeu novamente, desta vez para a dona da casa, a Argentina. Passaram-se 48 anos desde a primeira Copa do Mundo até que os argentinos levassem o título por 3 a 1.

1982

Depois de  uma semifinal disputada nos pênaltis entre Alemanha Ocidental e França, a seleção alemã venceu, mas não conquistou a taça Jules Rimet. A Itália venceu os alemães por 3 a 1 e se igualou ao Brasil com o tricampeonato na Copa da Espanha.

1986

A Copa do México foi do argentino Diego Maradona, que estava no auge de sua carreira e contribuiu para vencer a Alemanha Ocidental. A Argentina conquistou o título pela segunda vez.

1990

Alemanha e Argentina se enfrentaram novamente em uma final, mas dessa vez os alemães levaram a melhor por 1 a 0. O gol decisivo foi de um pênalti faltando menos de cinco minutos para terminar a partida.

1994

A final clássica entre Brasil e Itália, decidida nos pênaltis. O chute para fora do gol do italiano Roberto Baggio entregou o título ao Brasil, que conquistou o primeiro tetracampeonato entre os vencedores da Copa.

1998

Depois de um tetra, a expectativa sobre a seleção brasileira caiu por terra. Apesar do Brasil chegar à final com a França, a vitória foi de 3 a 0 para os franceses.

2002

Realizada pela primeira vez na Ásia e em dois países ao mesmo tempo, a Copa da Coreia do Sul e do Japão marcou também a vitória do Brasil pela quinta vez. A seleção brasileira venceu a Alemanha por 2 a 0.

2006

Com semifinais e uma final composta apenas de países europeus, a Itália venceu a França nos pênaltis e se consagrou tetracampeã. 

2010

Pela primeira vez a ser realizada no continente africano, a Copa na África do Sul também teve um estreante entre as seleções campeãs do mundo. A Espanha, que até então nunca havia passado das quartas de final, venceu a Holanda por 1 a 0 na prorrogação.

2014

Na segunda Copa do Mundo no Brasil, a final ficou entre a Alemanha e a Argentina. A partida foi decidida só na prorrogação, que deu vitória aos alemães por 1 a 0, sendo a primeira seleção europeia a ganhar o torneio no continente americano. 

2018

A França conquistou o bicampeonato na final contra a Croácia, vencendo por 4 a 2. O francês Kylian Mbappe foi o segundo jogador mais novo a disputar uma final, com 19 anos. 

O mais novo, até o momento, continua a ser o brasileiro Pelé, que jogou a final de 1958, na Suécia, com apenas 17 anos.

2022

A Argentina levou o tricampeonato na Copa do Catar, encerrando um jejum de 36 anos sem título, ao derrotar a França nos pênaltis. A partida encerrou em 3 a 3, na prorrogação.

Países que mais venceram a Copa do Mundo

Entre as oito seleções campeãs do mundo, somente seis conquistaram o título mais de uma vez. O Brasil é o único pentacampeão até o momento, enquanto Alemanha e Itália somam quatro vitórias cada.

O ranking dos países vencedores da Copa são:

  • Brasil: 5 vitórias
  • Itália: 4 vitórias
  • Alemanha: 4 vitórias
  • Argentina: 3 vitórias
  • Uruguai: 2 vitórias
  • França: 2 vitórias
  • Inglaterra: 1 vitória
  • Espanha: 1 vitória

A Alemanha participou das Copas de 1934 e 1938 como uma única seleção. Depois da Segunda Guerra, o país voltou a disputar o torneio somente em 1954, porém como Alemanha Odicental

A Federação Internacional do Futebol (FIFA), que é o órgão responsável pela realização da Copa, atribuiu as vitórias da antiga Alemanha Ocidental à atual seleção alemã. 

De todos os campeões da Copa do Mundo, somente a Itália não vai disputar o torneio no Catar este ano. Esta será a segunda edição que a seleção italiana não se classifica para o campeonato.

Países que nunca participaram da Copa do Mundo

A FIFA reconhece mais de 200 nações que podem ou não disputar o torneio. Cabe a cada uma escolher se candidatar para participar das eliminatórias e tentar se classificar para o torneio principal.

Alguns dos países que mais tentaram participar, mas nunca conseguiram são Luxemburgo, Curaçao, Zâmbia, Malta, Síria e Venezuela. Todos eles já se inscreveram em mais de dez edições do torneio.

H&M tem vendas fracas no 1º trimestre, melhora rentabilidade e reforça presença no Brasil

26 de Março de 2026, 11:10

A varejista sueca de fast fashion H&M registrou vendas abaixo do esperado no primeiro trimestre, em um período marcado por consumo fraco e fortes efeitos cambiais, mas conseguiu melhorar a rentabilidade com controle de custos.

As vendas líquidas em moedas locais caíram 1%, para 49,6 bilhões de coroas suecas (US$ 5,3 bilhões), abaixo da expectativa de 50,46 bilhões de coroas suecas (US$ 5,4 bilhões). Ainda assim, o controle de custos ajudou a companhia a superar as estimativas de lucro operacional, que somou 1,51 bilhão de coroas suecas (US$ 162 milhões), acima do esperado pelo mercado.

A empresa também projeta crescimento de 1% nas vendas em março, na comparação anual. As ações chegaram a cair até 6,6% em Estocolmo, na maior queda intradiária desde setembro de 2024.

O CEO da varejista, Daniel Erver, que assumiu em 2024, tem priorizado a estabilização das operações após anos de dificuldades. Medidas para reduzir estoques e ampliar vendas a preço cheio impulsionaram a rentabilidade, com a margem operacional avançando de cerca de 3% em 2022 para 8% em 2025 — e atingindo 8,4% nos últimos 12 meses.

Apesar disso, analistas veem uma recuperação ainda desigual. “A H&M tomou medidas para melhorar sua oferta, mas muitas variáveis precisam avançar juntas.” A H&M segue pressionada por concorrentes, como Shein e Primark, e por rivais mais ágeis, como a Inditex, dona da Zara, cujas vendas cresceram até 9% no início do ano.

Estratégia: omnichannel e eficiência

A H&M informou que continua investindo na integração entre lojas físicas, e-commerce, marketplaces e redes sociais, buscando ampliar conveniência e engajamento do consumidor.

A empresa também avançou na eficiência de estoques, historicamente um desafio, e destacou que os níveis atuais estão em “boa forma”. Decisões mais rápidas e maior integração com fornecedores têm permitido ajustar melhor a oferta e aumentar a relevância das coleções.

Expansão com foco no Brasil

A companhia planeja abrir cerca de 80 lojas e fechar aproximadamente 160 em 2026, como parte da otimização de sua rede global, que hoje soma 4.050 unidades. Na América Latina, o Brasil se tornou peça central da estratégia. A H&M elevou para 11 o número de lojas previstas no país, reforçando a aposta no maior mercado da região.

A operação brasileira começou em 2025, com a estreia em São Paulo, e já inclui unidades na capital paulista e em Campinas. Para este ano, estão previstas sete novas lojas, incluindo duas no Rio de Janeiro, duas no Rio Grande do Sul e uma em Sorocaba (SP).

No médio prazo, a empresa pretende estar presente em todos os estados brasileiros até 2028, com expansão de até nove lojas por ano. A estratégia inclui preços mais competitivos e maior uso de produção local.

Riscos no radar

A H&M alertou para riscos crescentes ligados ao conflito no Oriente Médio. Segundo o presidente da companhia, o impacto direto nas operações ainda foi limitado, mas um cenário prolongado pode gerar efeitos indiretos relevantes.

O principal risco está na alta dos preços de energia e nos custos de transporte, que tendem a pressionar toda a cadeia global de suprimentos. O executivo também mencionou a possibilidade de efeitos em cascata — conhecidos como “efeito chicote” — em que pequenas disrupções iniciais acabam amplificadas ao longo da cadeia, tornando difícil prever o impacto final.

Além disso, o aumento de custos pode chegar ao consumidor em um momento em que os orçamentos já estão pressionados, especialmente em meio à inflação persistente de alimentos no Reino Unido e em partes da Europa.

“Se o conflito se prolongar e houver novas disrupções, podemos ver impactos significativos no comportamento do consumidor”, afirmou o CEO.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Motos mantêm a Honda de pé, mas até esse negócio já sofre pressão

25 de Março de 2026, 18:15

A aposta cara e malsucedida da Honda em carros elétricos elevou de forma dramática a importância de a companhia não repetir os mesmos erros no negócio de motocicletas.

Quase uma em cada três motos vendidas no mundo é da Honda, unidade que gera a maior parte do lucro operacional da fabricante, apesar de responder por menos de um quinto das vendas. Ainda assim, começam a surgir rachaduras nesse negócio, à medida que motos elétricas chinesas avançam sobre o seu território.

Embora os carros devam, sem dúvida, estar no centro do plano de recuperação que o presidente-executivo Toshihiro Mibe apresentará em maio, ele também enfrentará pressão para mostrar aos investidores que não vai desperdiçar a divisão de melhor desempenho da Honda. A forma como a empresa se adaptar a um futuro elétrico será central para definir se conseguirá estabilizar os lucros e recuperar a confiança do mercado.

“O que está acontecendo com os automóveis é o cenário mais provável para os veículos de duas rodas”, disse Hikaru Todoroki, principal consultor automotivo da KPMG. “A concorrência está se intensificando.”

Um porta-voz da Honda se recusou a comentar sobre eletrificação e motocicletas.

O negócio de motos da Honda já enfrenta concorrência crescente. A fabricante começou sua ofensiva global em motocicletas elétricas há três anos, com dois modelos na Indonésia e dois na Índia, mas a estreia no mercado sul-asiático teve dificuldades. Dos dois lançados na Índia, um dependia de troca de baterias sem possibilidade de recarga em casa, o que limitava a usabilidade, enquanto o outro combinava recarga rápida com um preço significativamente mais alto que o dos rivais.

Motos elétricas ocupam cada vez mais espaço no mercado (Foto: Bloomberg)
Motos elétricas ocupam cada vez mais espaço no mercado (Foto: Bloomberg)

A Índia, que responde por cerca de um terço do mercado global de motocicletas, atraiu uma onda de concorrentes correndo para lançar novos modelos, avançar em tecnologia e garantir suprimento de baterias amplamente controlado por China e Coreia do Sul.

Além da Yadea Group Holdings, maior fabricante mundial de motos elétricas em volume, novatas como a VinFast Auto, no Vietnã, a Gogoro, em Taiwan, e a Bajaj Auto, na Índia, também tentam ampliar sua presença.

“Fazer um esforço agressivo para abordar o mercado — não é isso que os japoneses estão fazendo”, disse Todoroki.

A Honda planeja investir ¥ 500 bilhões (US$ 3,1 bilhões) em motocicletas elétricas até 2030, com a ambição de lançar 30 modelos e alcançar vendas anuais de 4 milhões de unidades. No fim das contas, a meta é que veículos elétricos representem um quinto das vendas de duas rodas da companhia.

Atraídos pela conveniência semelhante à de um smartphone — plugar e usar — e pelos menores custos de manutenção, os consumidores devem impulsionar a adoção de motos e scooters elétricas nos próximos anos. A BloombergNEF projeta que 87% de todas as vendas de motocicletas serão elétricas até 2040.

A Honda também vem sendo desafiada em seu mercado doméstico, à medida que tenta ampliar a oferta de motos elétricas. A Yadea entrou no Japão em novembro com uma scooter elétrica na mesma faixa de preço de opções locais movidas a gasolina — e cerca de 30% mais barata que um modelo semelhante da Honda movido a bateria.

No mês passado, a Honda apresentou uma nova scooter elétrica, com preço de ¥ 220 mil e lançamento previsto para o fim de março. Com autonomia de 81 quilômetros, a empresa mira vendas anuais de 2.200 unidades do modelo, batizado de icon e.

No horizonte mais longo, a Honda quer conquistar 50% do mercado global, com crescimento concentrado no que chama de Sul Global — Índia, Indonésia e Filipinas, além do Brasil e outras partes da América Latina — onde as motos seguem sendo um meio de transporte essencial e acessível.

Mas são justamente esses mercados que concentram os maiores obstáculos. As motos elétricas normalmente oferecem menos de 100 quilômetros de autonomia, ante cerca de 300 quilômetros nas motos a gasolina, e ainda custam mais caro. As baterias seguem caras e limitadas em espaço, o que dificulta combinar desempenho e preço acessível.

“Basicamente, será preciso ter um desempenho capaz de competir com uma motocicleta a combustão”, disse Komal Kareer, analista da BloombergNEF. “E o que as montadoras têm achado difícil é oferecer isso sem cobrar um preço muito acima.”

A adoção provavelmente dependerá não apenas da tecnologia, mas também de subsídios e apoio de políticas públicas. O aumento do custo de vida já pressiona o consumidor, enquanto regulações mais rígidas em mercados importantes vêm redesenhando a demanda.

A Honda está ampliando seus planos de produção, com uma fábrica dedicada a motocicletas elétricas na Índia prevista para começar a operar até 2028. A produção no país deve subir para 8 milhões de unidades, ante 6,25 milhões atualmente.

A expansão da produção de motos pode ser uma faca de dois gumes. Mesmo que a Honda consiga elevar as vendas, isso pode diluir suas margens de lucro, segundo Julie Boote, analista da consultoria londrina Pelham Smithers Associates. “Você ainda pode ter a marca, mas agora é um jogo diferente, com outros jogadores.”

A nova era de concorrência em motos eletrificadas chega no momento em que a Honda lida com a perspectiva de registrar seu primeiro prejuízo anual da história. Em 12 de março, a companhia alertou investidores de que prevê até ¥ 2,5 trilhões em encargos relacionados a veículos elétricos no atual ano fiscal, que termina neste mês. Mibe atribuiu a fraqueza nas vendas de carros aos subsídios para EVs na América do Norte e à intensificação da concorrência na China.

Antes conhecida por design acessível, qualidade e motores ágeis, a Honda fez de Accord e Civic líderes de vendas dos anos 1980 até meados dos anos 2000, mas começou a perder espaço quando os compradores migraram para SUVs e crossovers, enquanto a empresa ficou atrás dos concorrentes em tecnologia e eletrificação. As motocicletas continuam populares graças à reputação de confiabilidade e bom desempenho por preços razoáveis.

Mibe prometeu apresentar em maio uma estratégia de negócios revisada, quando a empresa divulgará os resultados anuais completos, com uma nova visão para as divisões de carros e motos. Nesta semana, Honda e Sony desistiram dos planos de lançar o Afeela, carro elétrico desenvolvido em parceria, assim como seu sucessor.

“Por que eles ainda se dão ao trabalho de vender carros?”, disse Boote. “Mas o principal risco para eles no negócio de motocicletas é que já existe um movimento em direção à eletrificação na Ásia. Eles sabem que precisam enfrentar esse mercado.”

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Eve amplia testes de ‘carro voador’ e prepara nova fase de voo

25 de Março de 2026, 15:58

A Eve realizou nesta quarta-feira (25) um voo de demonstração de seu protótipo de engenharia para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades, em mais um passo da campanha de testes da aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical, o eVTOL.

A agenda também incluiu a apresentação do caça F-39 Gripen, produzido no Brasil pela Embraer, em uma vitrine dos avanços da indústria aeronáutica nacional.

Lula assiste a voo do eVTOL da Eve 25.03.2026
Lula assiste a voo do eVTOL da Eve 25.03.2026 (Foto: Divulgação)

Desde o primeiro voo, em dezembro de 2025, o protótipo da Eve já soma 35 voos e quase uma hora e meia de tempo de voo acumulado. Nos testes mais recentes, a aeronave atingiu 140 pés de altura, o equivalente a 43 metros, e apresentou comportamento considerado consistente pela companhia, inclusive em manobras com comandos simultâneos nos três eixos.

Segundo a Eve, os resultados preliminares indicam desempenho de propulsão e bateria acima das hipóteses iniciais, além de níveis de ruído dentro do esperado e significativamente abaixo dos observados em helicópteros.

Até aqui, a campanha se concentrou em voos de baixa velocidade, de até 15 nós, cerca de 28 km/h. Essa etapa permitiu validar leis de controle, eficiência aerodinâmica dos rotores, comportamento térmico e o modelo de propulsão. Em paralelo, a empresa também concluiu testes em solo, incluindo a calibração de sensores usados para medir as cargas aerodinâmicas que atuam sobre o veículo em voo.

Com isso, a companhia prepara agora a expansão do envelope de voo da aeronave, com previsão de alcançar velocidades de até 30 nós, ou aproximadamente 56 km/h, nos próximos dias. A certificação do modelo, no entanto, segue condicionada à conclusão bem-sucedida das etapas técnicas e à aprovação das autoridades regulatórias.

Além do avanço técnico, a Eve também vem atuando na construção do ambiente regulatório para a mobilidade aérea urbana no Brasil. Na semana passada, a empresa participou do lançamento da tomada de subsídios promovida pelo Ministério de Portos e Aeroportos, consulta pública que vai embasar a Política Nacional de Mobilidade Aérea Urbana.

A companhia conta ainda com apoio do BNDES, que desde 2022 já destinou mais de R$ 1,4 bilhão em financiamentos à empresa, além da Finep, que aprovou até R$ 90 milhões em subvenção econômica para iniciativas de inovação digital e aviação sustentável.

Como declarar a pensão alimentícia recebida no Imposto de Renda 2026?

24 de Março de 2026, 13:57

A pensão alimentícia recebida deve ser informada na declaração do Imposto de Renda 2026, mesmo sendo um rendimento isento de tributação desde 2023.

  • A obrigatoriedade vale tanto para quem recebe quanto para quem paga a pensão

Os valores referentes à pensão passaram a ser declarados como rendimentos isentos e não tributáveis, mas continuam sendo monitorados pela Receita Federal após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Mesmo sem pagar imposto sobre a pensão, o contribuinte precisa informar o valor recebido ao longo do ano-calendário de 2025 para permitir o cruzamento de dados com a declaração de quem pagou a pensão, evitando inconsistências.

É considerado como pensão alimentícia, para o Fisco, qualquer valor previsto em decisão judicial ou escritura pública.

No caso de pagamento voluntário de pensão alimentícia (sem decisão judicial ou acordo formal), os valores pagos não podem ser deduzidos na declaração do Imposto de Renda.

  • Importante: a Receita Federal não permite que uma mesma pessoa seja declarada como dependente e alimentando (quem recebe a pensão) na mesma declaração, exceto em situações específicas de mudança de guarda ou de separação ocorrida ao longo do ano.

Diferença entre alimentando, dependente e responsável

A declaração da pensão alimentícia envolve três figuras:

  • Alimentante: quem paga a pensão;
  • Alimentando: quem tem direito a receber;
  • Responsável: quem recebe os valores em nome do beneficiário, quando este é menor de idade.

Quando a pensão é destinada a um filho menor de idade, por exemplo, o beneficiário é a criança — e não o responsável que recebe o dinheiro. 

  • Então, na declaração, devem constar os dados do alimentando ao informar o recebimento da pensão recebimento da pensão alimentícia, e não os da pessoa que administra os recursos.

Como declarar pensão alimentícia recebida no Imposto de Renda 2026

O preenchimento é feito na ficha de rendimentos isentos. Veja o passo a passo:

  • Abra a ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis” no programa da Receita Federal;
  • Clique em “Novo” para criar um lançamento;
  • Selecione o código “28 – Pensão Alimentícia”;
  • Informe se o rendimento foi recebido pelo titular ou por um alimentando;
  • Preencha o nome completo e o CPF de quem pagou a pensão (alimentante);
  • Informe o valor total recebido ao longo de 2025;
  • Clique em “OK” para salvar as informações.

Esse procedimento deve ser repetido caso existam mais de um pagador ou mudanças no valor da pensão ao longo do ano.

Quais documentos são necessários para declarar a pensão alimentícia

É fundamental manter documentos que comprovem o direito ao recebimento e os valores recebidos para declaração de Imposto de Renda. Entre os principais estão:

  • Decisão judicial, acordo homologado ou escritura pública que estabeleça a pensão;
  • Extratos bancários e comprovantes de transferência;
  • Recibos de pagamento, quando houver.

A Receita Federal só considera a pensão como rendimento isento quando há determinação judicial ou acordo formalizado; pagamentos voluntários não têm o mesmo tratamento.

Preço da carne não para de subir. Para McDonald’s e Burger King, é hora de apostar em promoções

23 de Março de 2026, 06:00

Os lucros das maiores redes de hambúrguer dos Estados Unidos estão sob pressão — e, ainda assim, elas seguem apostando em descontos.

As marcas de fast-food vêm enfrentando o aumento acelerado no custo da carne bovina, que subiu 48% nos últimos 12 meses no atacado para o tipo de carne moída mais comum no setor, segundo dados federais.

Ainda assim, quando os americanos comem fora, mais consumidores estão optando por itens com promoções do que em qualquer momento dos últimos 50 anos, de acordo com a consultoria Circana.

A combinação de mais descontos com custos mais altos ameaça pressionar ainda mais as margens. No ano passado, a lucratividade média por restaurante do Burger King nos EUA caiu cerca de 10%. A Jack in the Box afirmou no mês passado que o custo da carne e vendas mais fracas reduziram os ganhos dos franqueados.

“Os dias de gastar mais de US$ 15 em uma refeição de hambúrguer ficaram para trás para nós, quando há opções melhores”, disse Josh Fulps, de 28 anos, que trabalha com gestão de patrimônio em Vancouver, Washington. Ele afirmou que, quando vai ao fast-food, busca religiosamente descontos no aplicativo do McDonald’s ou opta por combos promocionais como o Biggie Bag da Wendy’s.

Os preços da carne devem permanecer elevados, já que pecuaristas reduziram seus rebanhos ao menor nível em 75 anos e não têm pressa para expandi-los.

O movimento de queda no fluxo de clientes começou em 2024, levando McDonald’s, Taco Bell, Burger King e outras empresas a intensificarem as promoções. No ano passado, as redes de hambúrguer nos EUA lançaram cerca de 3.000 promoções — quase o triplo de 2019, segundo a Technomic.

Neste ano, as ofertas avançam ainda mais. O McDonald’s deve lançar no próximo mês um novo menu de US$ 3 ou menos, com itens como McDouble, batatas fritas ou hash browns, segundo pessoas familiarizadas com o plano. Essa será a quarta atualização nacional de ofertas de valor da rede em cerca de 21 meses.

“Vamos fazer o que for preciso para atender os consumidores de uma forma que também seja lucrativa para o nosso negócio”, disse o diretor financeiro do McDonald’s, Ian Borden, em entrevista em fevereiro.

As redes de fast-food registraram margem média de lucro de 4% no ano passado, pressionadas pela alta de custos, especialmente de mão de obra, segundo a National Restaurant Association. Em 2016, essa margem era estimada em 6,6%.

Segundo Jim Lewis, franqueado do McDonald’s por 32 anos até 2019, a rede deve conseguir lidar com o cenário graças ao alto volume de vendas, mas a guerra de descontos deve agravar os desafios de lucratividade para outras redes.

“O vencedor está indo bem, mas a categoria de hambúrgueres está sob pressão”, afirmou.

O Burger King mantém suas ofertas atuais de valor — US$ 5 por dois itens ou US$ 7 por três — como forma de dar flexibilidade entre hambúrgueres, acompanhamentos e sobremesas. A empresa diz estar confiante nos resultados dessas estratégias.

Outras iniciativas, como campanhas de marketing, reformas de lojas e melhorias operacionais, também têm ajudado a sustentar a rentabilidade dos franqueados em um ambiente desafiador.

Na Jack in the Box, o diretor de clientes e digital, Ryan Ostrom, afirmou que a marca tem lançado ofertas no momento certo, “não apenas quando os concorrentes fazem o mesmo”. Wendy’s e Jack in the Box disseram que seguem comprometidas em proteger a rentabilidade dos franqueados com investimentos em tecnologia e eficiência.

No mercado financeiro, as ações do McDonald’s subiram 0,9% no último ano, enquanto os papéis da controladora do Burger King, Restaurant Brands International, avançaram cerca de 9%. Já a Shake Shack caiu 1,8%, a Wendy’s recuou 53,8% e a Jack in the Box despencou 64,4%.

Para Greg Creed, ex-CEO da Yum! Brands (dona de KFC e Taco Bell), os descontos só funcionam se atraírem mais clientes sem comprometer a saúde financeira dos operadores.

“O futuro da marca depende do sucesso financeiro dos franqueados, não da saúde financeira da franqueadora”, disse.

As promoções ajudaram a conter a queda no movimento, embora os consumidores mais pressionados ainda não tenham retornado totalmente, segundo a Revenue Management Solutions. O tráfego melhorou ao longo de 2025, e as visitas em dezembro superaram o mesmo período do ano anterior, de acordo com a Technomic.

As redes de hambúrguer ainda lideram o fast-food nos EUA, com o dobro das vendas das cadeias de frango, mas segmentos como frango, café e comida mexicana crescem mais rápido.

Desde 2019, o número de restaurantes de hambúrguer no país caiu cerca de 6%, segundo a Datassential. Wendy’s e Jack in the Box estão fechando centenas de unidades.

Executivos do setor afirmam que, mesmo com preços mais baixos, promoções como “leve um, pague outro” e combos de US$ 5 ainda podem gerar lucro para as empresas e seus franqueados.

Jim Lewis lembra que ajudou a impulsionar o menu de US$ 1 no McDonald’s nos anos 2000, quando as vendas estavam fracas. A estratégia aumentou o fluxo de clientes — e também os lucros.

“Você pode tolerar muita dor se conseguir aumentar as vendas”, disse.

@investnewsbr

Dilemas na Copa do Mundo, provocação no fast food e mais no Giro InvestNews de sexta, com conteúdo exclusivo do The Wall Street Journal. #notícias #WSJ

♬ original sound – InvestNews BR – InvestNews BR

Guerra fria das geladeiras: como LG, Whirlpool e Electrolux se armam contra avanço das chinesas

23 de Março de 2026, 06:00

O mercado de refrigeradores no Brasil está longe da euforia. Mas é justamente em um setor de crescimento arrastado que a concorrência tem se tornado mais agressiva.

Com o avanço de marcas chinesas com políticas agressivas de preços, players globais como a americana Whirlpool, dona de Brastemp e Consul, a sueca Electrolux e a sul-coreana LG investem para defender — ou ampliar, no caso da asiática — o seu espaço na cozinha dos brasileiros.

Com movimento de cerca de R$ 16 bilhões por ano e vendas em torno de 5 milhões de unidades, o mercado brasileiro de geladeiras segue muito mais dependente da troca de aparelhos antigos do que de uma expansão robusta do consumo em busca de novas tecnologias.

No conjunto da linha branca — que inclui também fogões, lavadoras e outros eletrodomésticos de grande porte —, houve queda de 1% nas vendas em 2025, segundo a Eletros (associação que reúne as fabricantes do setor no país), depois de uma alta de 23% no ano anterior, em um ambiente ainda marcado por juros altos, crédito apertado e inadimplência.

Esse freio, porém, não impediu uma mudança no jogo competitivo.

Em entrevista ao InvestNews, Roberto Bellissimo, vice-presidente de finanças e relações com investidores do Magazine Luiza, um dos maiores grupos em vendas de tais produtos, disse que o setor ainda sente o peso do endividamento e do custo do crédito, mas vê espaço para aceleração com a esperada queda dos juros, diante de uma demanda reprimida acumulada.

O Banco Central deu início ao que pode se tornar um ciclo de redução na última semana, ao levar a Selic de 15,00% para 14,75% ao ano, mas a extensão dos cortes ficou mais incerta com a pressão advinda da escalada dos preços do petróleo com a Guerra do Irã.

Renato Franklin, CEO da Casas Bahia, destacou a analistas e investidores na teleconferência de resultados do quarto trimestre que a entrada de novos players trouxe um efeito imediato na dinâmica do setor: um número maior de fornecedores na disputa de espaço na plataforma digital e nas lojas se traduziu em melhores condições comerciais para a varejista e melhora de margem.

Não por acaso, a geladeira começa a ocupar, para várias marcas, o papel de nova fronteira do avanço da indústria de eletrodomésticos no Brasil.

Depois de ganharem escala, visibilidade e espaço no varejo em categorias como TV e ar-condicionado, fabricantes passaram a mirar um produto de maior valor, compra menos frequente e peso simbólico dentro da casa — e, justamente por isso, mais estratégico para quem quer fincar ou consolidar uma posição de longo prazo no país.

Uma desafiante conhecida

Tem sido assim com marcas como as chinesas TCL e Hisense, que chegaram ou ganharam tração no mercado brasileiro primeiro pela sala, com televisores, antes de mirar a cozinha.

A própria LG se encaixa, em alguma medida, nessa lógica de negócios. A empresa tem presença sólida no Brasil em TVs e ar-condicionado e construiu também presença relevante em nichos mais premium da lavanderia, como as máquinas lava e seca front load. Em geladeiras, porém, seguia pequena em market share.

“Antes, quando crescíamos muito na América Latina, não víamos as marcas chinesas como nossas concorrentes diretas. Hoje isso mudou. A China já é competidora também fora de casa, e nós estudamos com muita atenção como ela compete em preço e custo”, diz Daniel Song, presidente da LG Electronics e CEO para a América Latina.

CEO da LG em LatAm, Daniel Song, com modelos de geladeiras que serão produzidos no Brasil (Divulgação)

Segundo o executivio, a empresa tem ajustado há cerca de dois anos os níveis de custo e desempenho de seus produtos para responder a essa nova dinâmica de disputa no país, para combinar preços mais acessíveis com melhores especificações, design e oferta premium.

No Brasil, essa resposta se traduz em investimentos bilionários da indústria.

A LG está investindo R$ 1,5 bilhão em uma nova fábrica em Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba, com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026. A planta industrial marca a sua primeira tentativa consistente de ganhar escala em refrigeradores no país.

A unidade nasce com capacidade inicial para produzir até 500 mil unidades por ano e deve começar pelas geladeiras. Essa produção deve subir a 700 mil unidades anuais e, depois, já em 2027, o plano é incorporar também lavadoras e lava e seca – incluindo as de tampas superiores, que respondem pelo maior volume do mercado brasileiro.

Hoje, a LG tem apenas 3% de participação na linha branca no Brasil e um share ainda menor em refrigeradores. A meta declarada pela gigante asiática é chegar a dois dígitos a partir de 2027 e, mais adiante, buscar algo próximo de 20% do mercado.

A movimentação ganhou vitrine regional no InnoFest 2026, evento realizado neste mês no México, em que a companhia reuniu os principais lançamentos para a América Latina.

A região tem peso relevante para o grupo, e o Brasil ocupa posição de destaque: é o terceiro maior mercado global da LG, atrás apenas de Coreia do Sul e Estados Unidos.

Ainda assim, essa representatividade segue, como citado, desproporcionalmente baixa em linha branca — justamente o espaço que a companhia agora quer ocupar. No México, por exemplo, a empresa é líder em linha branca.

No evento, a LG apresentou os nove primeiros modelos de geladeiras que passará a fabricar no Brasil. A promessa é usar a produção local não só para cortar custos mas também para “tropicalizar” os aparelhos.

Isso significa adaptar os modelos aos hábitos do consumidor brasileiro, com mudanças que vão de soluções mais visíveis, como painel frontal, até ajustes mais prosaicos, mas tratados internamente como decisivos, como a bandeja de ovos, o espaço para gelo e a organização interna.

Até aqui, a operação importada “empurrava” a LG para o topo do portfólio, o que se traduz em acessar um mercado endereçável mais restrito.

Hoje, a geladeira mais em conta da marca custa cerca de R$ 3 mil, enquanto modelos equivalentes de concorrentes partem de patamares mais baixos.

Com a fabricação local, a empresa diz esperar uma redução inicial de 10% nos custos, o que tende a se refletir também nos preços ao consumidor. Além disso, passa a fazer sentido econômico produzir no Brasil modelos mais baratos, que antes não compensavam ser importados.

“Quando tudo vem de fora, não faz sentido trazer produtos de menor preço. O custo logístico acaba empurrando a operação para o topo do portfólio”, disse Rodrigo Fiani, vice-presidente comercial da LG no Brasil, ao InvestNews.

Segundo Fiani, a nova fábrica foi planejada para produzir até 25 modelos diferentes de geladeiras, o que significará à LG presença em quase todo o mercado brasileiro de refrigeradores.

A exceção serão os modelos mais básicos de uma porta, que representam cerca de 8% das vendas e seguem como um território importante para marcas fortes em produtos de entrada, como a Consul.

A ofensiva também passa por ampliar a oferta em faixas nas quais a companhia hoje praticamente não compete.

A empresa também vai nacionalizar seu refrigerador premium Bottom Freezer Instaview, com visor de vidro e iluminação interna colorida que permite visualizar parte dos itens sem abrir a porta.

A empresa aposta em atributos como eficiência energética, adaptação ao consumidor brasileiro e versões bivolt — ainda pouco disseminadas no setor — como diferenciais para o varejo.

“Para o varejista, ter um único produto que funciona em qualquer voltagem simplifica muito a operação e reduz erros na hora da compra”, afirmou o VP comercial da LG para o Brasil.

Dominantes

Se a LG aparece como quem tenta mudar de posição no tabuleiro, Whirlpool e Electrolux jogam para defender o terreno que já dominam. Juntas, as duas respondem por quase 60% do mercado brasileiro de linha branca com suas marcas.

No caso da Whirlpool, dona de Brastemp e Consul, a companhia lidera o setor com um portfólio que cobre do segmento de entrada ao premium e tem nas geladeiras um de seus pilares históricos. A Brastemp é referência em refrigeradores Frost Free de médio e grande porte, onde concentra valor, enquanto a Consul tem presença forte nos modelos mais básicos, especialmente os de uma porta e os duplex de entrada, com maior penetração nas classes C e D.

A resposta da Whirlpool à concorrência mais acirrada não tem sido uma guinada estratégica, mas uma aceleração do que já fazia. Segundo Gustavo Ambar, general manager da Whirlpool no Brasil, o grupo tem encurtado ciclos de lançamento, ajustado portfólio para ampliar acessibilidade em algumas faixas de preço e reforçado a segmentação entre as marcas.

Segundo Ambar, nos últimos anos, a companhia elevou o peso dos produtos lançados recentemente nas vendas e hoje fala em 75% de participação das inovações introduzidas entre 2024 e 2026, ante 60% no ciclo anterior. “Nós estamos lançando produtos mais rapidamente e com mais impacto no mercado”, disse em entrevista ao InvestNews.

Parte dessa resposta passa por acelerar a renovação do portfólio em geladeiras. Em fevereiro, a Brastemp lançou um novo modelo equipado com sensores que, segundo a empresa, preservam alimentos frescos, como verduras e legumes, por até 20 dias nas gavetas. O refrigerador também traz tecnologia que promete reduzir em até 25% o consumo de energia e manter alimentos refrigerados e congelados preservados por até 20 horas em caso de falta de energia elétrica.

Gustavo Ambar, general manager da Whirlpool no Brasil: mais lançamentos para lidar com concorrência (Foto: Divulgação)
Gustavo Ambar, general manager da Whirlpool no Brasil: mais lançamentos para lidar com concorrência (Foto: Divulgação)

Parte dessa defesa passa também por engenharia de custo. A Whirlpool diz estar revendo componentes, materiais e etapas produtivas para chegar a produtos mais acessíveis sem abrir mão de qualidade e segurança.

Alguns modelos de geladeiras da Consul, por exemplo, passaram a ter uma ou duas prateleiras a menos para reduzir custos e chegar mais baratas ao consumidor. Em outros segmentos também houve adaptaç ão, segundo Ambar, como a decisão de verticalizar ao máximo a produção de micro-ondas em Manaus para reduzir custos.

Na teleconferência global de resultados, a Whirlpool reforçou essa mesma lógica ao falar em mais lançamentos, melhor preço/mix e ganhos de eficiência para sustentar margens em 2026. A América Latina segue como uma das regiões relevantes da operação, e o grupo tem tratado o Brasil como peça importante nessa engrenagem.

Ao mesmo tempo, a companhia tenta transformar o pós-venda em uma camada extra de proteção num mercado mais povoado. A estratégia inclui garantia estendida, manutenção preventiva, venda de acessórios e serviços ligados à jornada do produto – muitos desses com assinatura mensal.

A lógica, diz Ambar, é reduzir a distância entre a marca e um consumidor que normalmente troca eletrodomésticos só depois de muitos anos. “Isso virou um diferencial para lidar com essa concorrência mais acirrada”, afirmou.

A Electrolux, por sua vez, também tem jogado com a força de quem já está bem instalado no país. O Brasil é o segundo maior mercado da companhia no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. A América Latina representa cerca de um quinto da operação global, e o Brasil responde por mais de 70% dessa divisão regional. Além disso, entre 85% e 90% do que a empresa vende no país é fabricado localmente.

Em um ambiente mais competitivo, a tese da Electrolux é que a disputa não será decidida só no preço. A companhia sustenta que, além de marca, design e portfólio, a rede de serviços e o pós-venda ganham ainda mais peso à medida que novos concorrentes tentam abrir espaço no varejo brasileiro. A empresa tem reforçado essa aproximação com o consumidor também por meio do Electrolux Cuida, plataforma digital em que concentra suporte, informações e agendamento de atendimento técnico.

A companhia também tenta se diferenciar em categorias de maior valor agregado. É historicamente forte em freezers e vem ganhando espaço em modelos de maior capacidade, como multidoor e side-by-side, além de insistir na agenda de eficiência energética. Em seu relatório de 2025, a Electrolux destacou justamente o foco em tecnologias de menor consumo, num momento em que a conta de energia pesa mais no bolso do consumidor brasileiro.

Os dados da empresa mostram que a América Latina fechou o quarto trimestre de 2025 com margem operacional de 11,5%, mesmo em um ambiente mais promocional. Para 2026, a leitura da companhia é de mercado brasileiro mais neutro, depois da recuperação recente, com a demanda ainda muito puxada por reposição.

Disputa chinesa

É justamente nesse tipo de brecha — entre um mercado ainda travado e a necessidade de renovação do parque de eletrodomésticos — que as marcas entrantes tentam avançar. A Midea já se consolidou como terceira força relevante em linha branca e cresce especialmente em nichos de custo-benefício, como frigobares e freezers horizontais.

Já a Hisense acelera sua ofensiva com uma meta agressiva: faturar R$ 3 bilhões em 2025, seu primeiro ano de operação direta no Brasil, e chegar ao top 3 de várias categorias até 2027. Por enquanto, a linha branca segue 100% importada, mas a companhia já avalia nacionalizar essa produção. Seus produtos estão em mais de 3 mil lojas físicas e nas principais plataformas online.

Se os juros caírem e o crédito voltar a destravar as compras, esse mercado pode enfim ganhar fôlego. Mas a corrida para ocupar melhor a cozinha do brasileiro já começou — e ninguém parece disposto a esperar o próximo ciclo de braços cruzados.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Unilever tem oferta da McCormick, de tempero, por divisão de alimentos; negócio pode valer US$ 33 bi

20 de Março de 2026, 11:11

A Unilever está em negociações para vender sua divisão de alimentos para a McCormick & Company, em um movimento que pode representar a maior reestruturação da fabricante da maionese Hellmann’s desde sua fundação, há quase um século.

A multinacional anglo-holandesa afirmou nesta sexta-feira (20) que recebeu uma proposta da empresa de temperos sediada em Maryland, mas ressaltou que não há garantia de que o acordo será fechado. A unidade de alimentos tem valor potencial de até € 29 bilhões (US$ 33 bilhões), segundo a Bloomberg Intelligence.

Se concretizada, a operação será a maior da história da McCormick & Company, cuja capitalização de mercado, de US$ 14,5 bilhões, é apenas uma fração dos cerca de £ 101 bilhões (US$ 135 bilhões) da Unilever. Ainda não há detalhes sobre o financiamento, mas a transação pode ser estruturada como um “Reverse Morris Trust”, modelo de fusão com vantagens fiscais.

A venda marcaria a saída da Unilever da competição direta com gigantes de alimentos como Kraft Heinz, Nestlé e PepsiCo. Ao mesmo tempo, transformaria a empresa em um grupo focado em produtos de higiene, beleza e cuidados pessoais, em linha com concorrentes como L’Oréal, Beiersdorf e Estée Lauder.

A Bloomberg já havia informado nesta semana que a companhia avalia separar total ou parcialmente sua divisão de alimentos. As negociações avançam com a meta de um possível acordo até o fim do mês, segundo fontes.

As ações da Unilever chegaram a subir até 1,9%, antes de reduzir os ganhos. No acumulado dos últimos 12 meses até quinta-feira, os papéis ainda registram queda de cerca de 6%.

O CEO Fernando Fernandez, há cerca de um ano no cargo, já deixou claro que alimentos não são mais o foco principal. Segundo ele, beleza, cuidados pessoais e bem-estar serão os motores de crescimento da companhia.

O setor de alimentos enfrenta uma transformação prolongada, com consumidores — especialmente nos EUA — reduzindo gastos diante da inflação e incertezas geopolíticas. Supermercados também vêm ganhando espaço com marcas próprias mais competitivas, enquanto tendências como dietas mais saudáveis e o uso de medicamentos para perda de peso reduzem o consumo de produtos processados.

Essas mudanças tornam o segmento menos atrativo para multinacionais como a Unilever, em comparação com categorias como beleza e cuidados pessoais, onde os consumidores estão mais dispostos a gastar.

Fernandez já indicou que pretende elevar para dois terços a participação de marcas como Dove, Liquid IV e Dermalogica na receita total, ante cerca de metade atualmente.

Analistas do Bernstein avaliam que a estratégia de diversificação, comum nos anos 1990 e 2000, perdeu força. “Os benefícios de escala entre categorias já não compensam a complexidade”, escreveram.

Nos últimos anos, a Unilever vem simplificando seu portfólio. A empresa vendeu sua divisão global de chás, a área de spreads (incluindo a marca I Can’t Believe It’s Not Butter!), além de negócios como a Graze e a The Vegetarian Butcher.

Em 2025, a companhia também separou sua divisão de sorvetes na Magnum Ice Cream Co., mantendo cerca de 20% de participação, e planeja vender entre €1 bilhão e €1,5 bilhão adicionais em marcas menores de alimentos.

Apesar disso, a empresa não deve vender sua divisão de alimentos “altamente atrativa” por um preço baixo. O portfólio inclui marcas fortes como a Hellmann’s — líder nos EUA e no Brasil — e os cubos de caldo Knorr, segunda marca mais vendida da companhia, atrás apenas da Dove.

Para a McCormick & Company, a operação também representaria um grande teste. Fundada em 1889, a empresa começou vendendo root beer e se tornou uma das maiores fabricantes de temperos do mundo, conhecida por produtos como Old Bay.

Nos últimos anos, a companhia expandiu sua atuação para além de especiarias, com aquisições em mercados como Reino Unido e Polônia, além de produtos como molhos e maioneses saborizadas, populares entre consumidores mais jovens.

O maior movimento nesse segmento ocorreu em 2017, quando a McCormick & Company comprou a divisão de alimentos da Reckitt Benckiser por US$ 4,2 bilhões, incorporando marcas como French’s e Frank’s RedHot.

Ainda assim, analistas alertam que a integração de um negócio do porte da Unilever não será simples, dada a diferença de escala e o nível atual de endividamento da compradora.

Especialistas também apontam que, embora a venda possa destravar valor para os acionistas no longo prazo, o processo pode gerar distrações para a gestão no curto prazo, especialmente diante de outros desafios enfrentados pela empresa.

@investnewsbr

A aguardada nova camisa da seleção brasileira chegou e causou muito burburinho. Com uma marca mais associada ao basquete e preço lá no em cima, abriu inclusive brecha para a concorrência, que agora corre atrás de uma alternativa para vestir a torcida. futebol seleção #nike

♬ som original – InvestNews BR – InvestNews BR

Economistas não veem recessão nos EUA a menos que o petróleo atinja US$ 138 — e fique nesse nível por semanas

20 de Março de 2026, 06:00

A guerra contra o Irã provocou uma interrupção recorde na oferta de petróleo e fez disparar os preços do barril e de outras commodities. Ainda assim, economistas duvidam que os EUA estejam sob grande risco de recessão.

O consenso de economistas ouvidos nesta semana pelo The Wall Street Journal é de que a inflação deve subir temporariamente, enquanto crescimento e desemprego devem permanecer praticamente inalterados — assumindo que o choque do petróleo seja passageiro.

“Diante da guerra em curso no Oriente Médio, da disparada dos preços do petróleo, das tarifas elevadas, da inteligência artificial e das fortes restrições à imigração, vale destacar o quanto a economia dos EUA tem se mostrado resiliente até agora”, disse Bernard Baumohl, do Economic Outlook Group. “Mas não devemos tomar essa resiliência como garantida.”

A pesquisa reuniu respostas de 50 economistas de instituições que vão de bancos de Wall Street e universidades a pequenas consultorias, entre os dias 16 e 18 de março. Nem todos responderam a todas as perguntas.

Os economistas estimam em 32% a probabilidade de recessão nos próximos 12 meses, levemente acima dos 27% registrados em janeiro. Questionados sobre até que nível o petróleo precisaria subir para elevar essa probabilidade acima de 50%, as respostas variaram de US$ 90 a US$ 200 por barril, com média de US$ 138. Sobre o tempo necessário com preços elevados, as estimativas vão de quatro a 55 semanas, com média de 14 semanas. Os contratos futuros de petróleo nos EUA fecharam a US$ 96,32 o barril na quarta-feira, ante média de cerca de US$ 65 em fevereiro.

Robert Fry, da Robert Fry Economics, que atualmente vê 40% de chance de recessão, afirmou que petróleo a US$ 125 por oito semanas é seu ponto decisivo.

“Minha projeção depende da hipótese de que o Estreito de Ormuz estará totalmente aberto ao tráfego de petroleiros até meados de abril”, disse. “Se isso não acontecer, os preços do petróleo subirão muito mais e passarei a incluir uma recessão no meu cenário.”

Em média, os economistas projetam que o Produto Interno Bruto (PIB), ajustado pela inflação, crescerá 2,1% no quarto trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano anterior — ligeiramente abaixo dos 2,2% estimados em janeiro. A taxa de desemprego deve encerrar dezembro em 4,5%, em linha com a previsão anterior. No mês passado, estava em 4,4%.

Em contraste com o crescimento, os economistas ficaram mais pessimistas em relação à inflação. Eles agora esperam que o índice de preços ao consumidor suba 2,9% em dezembro de 2026 na comparação anual, acima dos 2,6% projetados em janeiro.

Essa revisão não reflete apenas o aumento da gasolina: o núcleo do índice de gastos com consumo pessoal (PCE), que exclui itens voláteis como alimentos e energia, deve subir 2,8% no quarto trimestre — acima dos 2,6% previstos anteriormente. O Federal Reserve usa esse indicador como referência.

Com a inflação mais alta, diminuíram as expectativas de cortes de juros. Na quarta-feira, o Fed manteve a taxa entre 3,5% e 3,75%. Em média, os economistas veem o ponto médio dessa faixa encerrando o ano em 3,26%, o que implica entre um e dois cortes de 0,25 ponto percentual. Em janeiro, a projeção era de 3,08%, sugerindo dois cortes.

Isso aproxima os economistas da visão dos dirigentes do Fed. Projeções divulgadas após a reunião indicam que os formuladores de política monetária esperam, em média, um corte de 0,25 ponto neste ano. As previsões de crescimento e desemprego pouco mudaram desde dezembro, mas a expectativa de inflação aumentou.

O presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que essas projeções têm menor relevância diante das incertezas sobre o desfecho da guerra.

“Simplesmente não sabemos”, disse. “As pessoas estão colocando números que parecem fazer sentido, mas sem convicção.”

Muitos economistas expressaram incerteza semelhante. Beth Ann Bovino, do U.S. Bank, afirmou que sua projeção foi concluída quando a guerra começava e que “as condições mudam a cada hora”.

Cerca de 20 milhões de barris de petróleo — o equivalente a 20% da oferta global — costumam passar diariamente pelo Estreito de Ormuz. Esse fluxo caiu drasticamente. Como resultado, o petróleo chegou a ser negociado acima de US$ 100 por barril recentemente. O preço médio da gasolina nos EUA atingiu US$ 3,84 por galão na quarta-feira, ante US$ 2,92 um mês antes, segundo a AAA. Os contratos futuros indicam que o preço pode ultrapassar US$ 4 nas próximas semanas.

Os economistas esperam que o petróleo termine junho em US$ 86,70 e o ano em US$ 73,54. Já economistas da California Lutheran University destacaram: “Os EUA são o maior produtor de petróleo do mundo desde 2018… Do ponto de vista econômico geral, preços entre US$ 80 e US$ 100 não são totalmente negativos. Em 2008, o petróleo chegou ao equivalente a US$ 200 por barril em valores atuais.”

Escreva para Anthony DeBarros em anthony.debarros@wsj.com e Justin Lahart em Justin.Lahart@wsj.com

@investnewsbr

Preços do petróleo, imposto sobre exportações, riscos com as eleições presidenciais e aquisições potenciais são temas da vez para o cenário de quem investe na Petrobras. #petrobras #petróleo #investimentos

♬ original sound – InvestNews BR – InvestNews BR

iPhone 18 pode ter a maior mudança de design em anos; veja o que já se sabe

14 de Março de 2026, 09:49

O iPhone 18, próximo smartphone da Apple, ainda deve levar alguns meses para ser anunciado oficialmente. Mesmo assim, rumores e informações divulgadas por analistas e por sites de tecnologia já começaram a revelar pistas sobre o que esperar do iPhone 18.

Esses relatos indicam que o iPhone 18 pode trazer uma das maiores mudanças de design dos últimos anos, além de melhorias de desempenho e possíveis novidades na linha de aparelhos.

A seguir, veja o que já se sabe e o que ainda é especulação sobre o iPhone 18.

O que esperar do iPhone 18?

Rumores e análises da indústria indicam que o iPhone 18 pode trazer mudanças importantes em relação à geração atual. Entre as principais expectativas estão um novo design, melhorias nas câmeras, um chip mais potente e até a possibilidade de um iPhone dobrável.

O iPhone 18 terá mudanças no design?

Um dos rumores mais fortes sobre o iPhone 18 Pro envolve a parte frontal do aparelho.

De acordo com veículos especializados em tecnologia, o modelo pode reduzir significativamente o tamanho da Dynamic Island, a área interativa no topo da tela em que ficam sensores e notificações. Segundo o leaker Ice Universe, perfil conhecido por divulgar vazamentos da indústria de smartphones na rede social X, o recorte pode ficar cerca de 35% menor.

A mudança seria possível porque parte dos sensores do Face ID, sistema de reconhecimento facial da Apple, poderia ser colocada sob a tela. A informação foi mencionada por sites especializados como o MacRumors, portal dos Estados Unidos dedicado a notícias e rumores sobre produtos da Apple.

Se confirmada, a mudança representaria um passo importante no plano da empresa de eliminar recortes na tela, escondendo todos os sensores sob o display.

Outras análises publicadas por veículos como Digital Camera World, revista britânica especializada em fotografia, indicam que apenas parte dos sensores ficaria sob o painel inicialmente. Isso permitiria reduzir, mas ainda não eliminar completamente, a Dynamic Island.

O iPhone 18 pode ganhar novas cores?

Outro rumor envolve o visual externo do aparelho. Segundo reportagem da Bloomberg, a Apple estaria testando uma nova cor vermelha para o iPhone 18 Pro.

Se confirmado, seria algo incomum. Historicamente, versões vermelhas do iPhone costumam ser lançadas meses depois da estreia da geração. Isso aconteceu, por exemplo, com os modelos iPhone 7 e iPhone 8, que ganharam edições especiais posteriormente.

Informações publicadas por veículos de tecnologia também indicam que a empresa pode testar novos acabamentos ou cores inéditas para os modelos Pro da próxima geração.

Qual será o processador do iPhone 18?

No campo de hardware, o iPhone 18 Pro deve estrear um novo chip da Apple, possivelmente chamado A20 Pro.

Segundo informações citadas pela Forbes, o processador pode ser produzido com tecnologia de 2 nanômetros.

Se confirmado, o chip deve oferecer:

Outro rumor é que a Apple avance no desenvolvimento de um modem próprio de conectividade, reduzindo gradualmente a dependência de fornecedores externos como a Qualcomm.

Como podem ser a câmera e a tela do iPhone 18?

Rumores também apontam melhorias nas câmeras e na tela do novo iPhone. Segundo veículos especializados como What Hi‑Fi e Digital Camera World, o iPhone 18 pode trazer:

  • câmera frontal com até 24 megapixels;
  • novos sensores ou recursos avançados de fotografia;
  • telas com brilho mais alto;
  • taxa de atualização de até 120 Hz.

Apesar dessas melhorias, analistas do setor afirmam que o tamanho das telas deve permanecer semelhante ao da geração atual, ao menos nos modelos Pro.

A Apple pode lançar um iPhone dobrável?

Outro rumor que ganhou força nos últimos meses envolve um possível iPhone dobrável.

Informações publicadas por sites de tecnologia, como o Tom’s Guide, indicam que a Apple estaria trabalhando em um dispositivo com tela interna de cerca de 7,8 polegadas, tamanho próximo ao de um tablet compacto.

Imagens conceituais divulgadas em vazamentos mostram um aparelho que poderia competir com os celulares dobráveis de empresas como Samsung e Huawei. Ainda não está claro, porém, se esse modelo faria parte da linha iPhone 18 ou se seria lançado como uma nova categoria de produto dentro do portfólio da Apple.

Quando o iPhone 18 será lançado?

Se a Apple mantiver sua estratégia tradicional, o lançamento do iPhone 18 deve acontecer em setembro de 2026, durante o evento anual da empresa dedicado aos novos modelos. Esse calendário tem sido seguido pela companhia há vários anos.

Alguns analistas citados por veículos como What Hi‑Fi afirmam, porém, que a Apple pode testar um novo formato de lançamento. Nesse cenário, os modelos Pro seriam anunciados primeiramente, mas ainda no segundo semestre, enquanto os modelos básicos poderiam chegar meses depois, em um evento separado.

Quanto pode custar o iPhone 18?

A Apple ainda não divulgou informações oficiais sobre o preço do iPhone 18, mas analistas acreditam que a nova geração deve manter valores próximos aos da linha atual.

Nos Estados Unidos, os modelos básicos costumam começar em torno de US$ 799 (R$ 4,2 mil), enquanto versões Pro e Pro Max podem ultrapassar US$ 1 mil (R$ 5,2 mil).

Caso a empresa introduza novas tecnologias, como sensores sob a tela ou chips mais avançados, alguns especialistas avaliam que os modelos Pro podem ficar ainda mais caros.

No Brasil, o preço costuma ser mais alto por causa de impostos e da cotação do dólar, além da própria margem da companhia.

iPhone 18: principais rumores até agora

Os rumores mais recentes indicam que o iPhone 18 pode trazer:

  • Dynamic Island menor;
  • sensores do Face ID sob a tela;
  • novo chip A20 Pro;
  • câmera frontal de até 24 MP;
  • novas cores, incluindo um possível modelo vermelho;
  • telas com taxa de atualização de até 120 Hz;
  • possível modelo dobrável.

A Apple ainda não confirmou oficialmente nenhuma dessas informações.

Às vésperas de cortes de juros, Ibovespa ainda tem espaço para subir? O que diz a história

13 de Março de 2026, 16:15

Apesar do impacto global da guerra sobre o preço do petróleo e potencialmente sobre a inflação, a expectativa de corte de juros na próxima semana segue firme no Brasil – ainda que um pouco menor do que há algumas semanas. E isso costuma ser uma boa notícia para o Ibovespa.

Historicamente, ações tendem a atrair mais capital em períodos de queda da Selic. Parte desse movimento já foi precificado: o índice da B3 subiu cerca de 25% nos últimos seis meses e 45% em um ano, para os 180 mil pontos (com ajuda importante do capital estrangeiro, vale lembrar).

Ainda assim, pode haver espaço para novas altas – ao menos se o histórico, as projeções e a visão de especialistas servirem de guia para o comportamento dos preços das ações, com a sempre necessária ressalva de que performance no passado não é garantia de retorno no futuro.

O que diz o histórico

Depois dos últimos cinco inícios de ciclos de cortes de juros no Brasil – em setembro de 2005, janeiro de 2009, setembro de 2011, outubro de 2016 e agosto de 2023 -, o Ibovespa, na maioria das vezes, já havia iniciado um movimento de valorização antes mesmo do primeiro corte, algo parecido com o que acontece agora e esperado, dado que investidores costumam se antecipar a tais pontos de inflexão. Mas o movimento não parou por aí.

Em boa parte dos ciclos acima mencionados, a bolsa continuou a subir nos seis e nos doze meses seguintes ao início do ciclo de queda da Selic, segundo um levantamento da Rico ao qual o InvestNews teve acesso.

Em 2005, por exemplo, o Ibovespa avançou quase 28% nos seis meses seguintes e 23,17% em um ano. Em 2009, a alta foi ainda mais expressiva: 40,48% em seis meses e 74,75% em 12 meses.

Veja o desempenho na tabela abaixo:



Há diferentes razões para essa correlação.

Juros menores reduzem o custo de capital para empresas, aumentam o valor presente dos fluxos de caixa futuros das mesmas, estimulam o consumo e os investimentos produtivos e, portanto, ampliam as perspectivas de crescimento dos negócios e, consequentemente, dos lucros.

Na outra ponta, a da demanda, taxas de juros mais baixas aumentam a disposição de investidores para assumir risco na renda variável em detrimento da segurança da renda fixa – que passa a ficar menos atrativa nessa comparação com o mercado de ações.

Ou seja: olhando apenas para o histórico, ainda não seria tarde para o Ibovespa subir mais.

Mas, claro, os juros não contam toda a história – e cada ciclo de relaxamento monetário tem suas próprias características.

O ciclo de 2005, por exemplo, ocorreu em um ambiente macroeconômico bastante favorável: inflação em queda, um longo ciclo de redução da Selic (de 19,75% para 11,25% ao ano até 2008), crescimento econômico forte e um boom global de commodities.

Já o ciclo iniciado em 2009 foi impulsionado pelo contexto de recuperação após a crise financeira global de 2008, que havia derrubado os preços dos ativos de forma considerada exagerada. A pergunta agora é: com tudo o que está acontece agora, algo parecido pode acontecer novamente?

Por que analistas veem espaço para alta

Para parte dos analistas, sim, ainda há espaço para valorização da bolsa.

O primeiro fator é o próprio ciclo de queda da Selic. Segundo o último boletim Focus, a expectativa consensual de economistas do mercado brasileiro é que a taxa básica possa cair dos atuais 15% ao ano para cerca de 12% até o fim do ano.

“O investidor está em busca de fatores que lhe tragam esperança de melhora do ambiente econômico. Assim, um eventual novo ciclo poderia endereçar a questão fiscal (um problema no Brasil), o que levaria a uma significativa reprecificação dos ativos”, disse Rodrigo Boselli, gestor de renda variável da Rio Bravo Investimentos, em referência ao menor gasto do governo com juros da dívida pública.

Outro ponto importante a ser levado em consideração é o cenário internacional.

Diante da continuidade das incertezas sobre a economia americana no governo de Donald Trump, com subsequente enfraquecimento do dólar, uma fração do capital global continua a migrar para mercados emergentes. E o Brasil segue como um dos principais destinos para capturar parte desse fluxo.

Só neste ano, a B3 já recebeu cerca de R$ 44 bilhões de investidores estrangeiros. Como o mercado acionário brasileiro é relativamente pequeno, movimentos de entrada de capital costumam ter impacto significativo nos preços.

Quais setores tendem a se beneficiar

Os setores cujos negócios são mais sensíveis aos juros costumam ser os principais beneficiados quando a Selic começa a cair. Entre eles estão:

  • Varejo
  • Construção civil
  • Small caps em geral
  • Empresas mais alavancadas (dívida sobre o lucro operacional)
  • Companhias ligadas ao consumo doméstico
  • Bancos médios – caso o ciclo de cortes seja consistente.

Nos ciclos anteriores, alguns setores reagiram com ainda mais força do que o próprio Ibovespa. No varejo, por exemplo, as ações chegaram a subir até 108% seis meses após o início dos cortes e até 160% em 12 meses. A relação é direta: com juros menores, o crédito fica mais barato, os valores das parcelas caem e o consumo tende a ganhar fôlego junto à população.

Veja abaixo o desempenho de ações de varejistas:



Na construção civil, o movimento costuma ser igualmente intenso.

Em ciclos passados, ações do setor chegaram a avançar quase 166% em seis meses e 246% em um ano. Isso acontece porque o mercado imobiliário é muito sensível à taxa de juros. Quando o custo do financiamento cai, mais pessoas conseguem tomar crédito para comprar imóveis – e isso dá um gás extra para vendas, lançamentos e expectativas de receita de incorporadoras.

Veja abaixo o desempenho de ações do setor de construção:

Outros pontos a serem considerados

É importante destacar que o comportamento da bolsa não depende apenas da política monetária brasileira. O cenário externo continua sendo um fator relevante – a favor e contra.

As tensões no Oriente Médio com os ataques entre Estados Unidos, Israel e Irã elevaram o preço do petróleo para a casa de US$ 100 e realimentaram temores inflacionários mundo afora, o que pode pressionar juros e reduzir o fluxo de capital para mercados emergentes diante do sentimento de aversão a risco.

E tem o campo doméstico também, em que o principal ponto de atenção continua sendo o quadro fiscal e a sustentabilidade da trajetória da dívida pública – ou seja, a capacidade de o governo honrar com os seus compromissos de longo prazo, segundo a visão consensual de mercado.

“O mercado acompanha de perto a trajetória da dívida pública, o compromisso com metas fiscais e o ambiente político, principalmente com a proximidade de eventos eleitorais. Qualquer sinal de deterioração pode limitar o impacto positivo da queda da Selic, mesmo em um cenário de juros menores”, disse Rodrigo Rios, CEO da LR3 Investimentos

Mas, afinal, vale entra agora?

Diante de todo esse contexto de prós e contras, para investidores que ainda não têm exposição à bolsa, entrar agora pode fazer sentido – mas de forma estratégica -, segundo Rios.

“Historicamente, esperar a confirmação do ciclo de queda pode significar perder parte do movimento de alta, mas isso não significa que o mercado vai subir em linha reta”, explicou.

Segundo ele, a abordagem mais prudente para o investidor é entrar de forma gradual, priorizando setores sensíveis a juros e empresas que tenham boa geração de caixa.

Para Boselli, da Rio Bravo Investimentos, o valuation das empresas brasileiras – métrica usada pelo mercado para estimar o valor justo de uma companhia – está chamando a atenção de forma positiva neste momento. “Sob essa ótica, as ações brasileiras estão muito atrativas”, disse.

Guerreiras do K-Pop: animação da Netflix impulsiona nova onda de turismo na Coreia do Sul

13 de Março de 2026, 14:59

A moradora de Honolulu Christine Kim foi uma das primeiras a entrar na tendência de viagens inspiradas por Guerreiras do K-Pop. Para ser justo, sua viagem para Seoul com o marido e os filhos já estava planejada antes mesmo de o filme da Netflix estrear, em junho de 2025.

O plano, pelo menos inicialmente, era visitar os avós. Mas então Rumi, Zoey e Mira, protagonistas do longa, viraram ídolos da filha de 5 anos de Kim — e o roteiro da viagem foi reescrito em tempo real. Quando visitaram um jimjilbang, ou spa coreano, e a N Seoul Tower — cenário do show final dos rivais Saja Boys no filme — a viagem da família virou motivo de orgulho.

“Minha filha parecia totalmente chocada ao descobrir que os lugares do filme eram reais”, disse Kim por mensagem. “Ela ficou tão animada que ficou sem palavras.”

Não foi só a filha que entrou no clima cultural. “Comprei para meu filho um hanbok preto e um gat [roupa tradicional e chapéu] para ele se vestir como um Saja Boy no Halloween”, lembra Kim. “E quando fomos à Nike Store Myeongdong, minha filha fez uma camiseta com um pássaro pega por causa de um personagem de Guerreiras do K-Pop.”

No fim de 2025, Guerreiras do K-Pop continuava sendo o filme original mais assistido da história da Netflix, com mais de 500 milhões de visualizações. Caso você não tenha crianças pequenas ou de alguma forma tenha escapado do fenômeno, o musical de ação animado produzido pela Sony Pictures Animation acompanha Huntrix, um grupo feminino de K-pop cujos sucessos nas paradas ajudam a derrotar demônios que ameaçam a humanidade.

Se foi um sucesso crítico e comercial que ninguém esperava, como a animadora coreano-canadense Maggie Kang disse recentemente em entrevista à Bloomberg, agora também está se tornando um catalisador inesperado para o turismo.

De acordo com dados da Trip.com, nos três meses após o lançamento do filme, as reservas globais de voos para a Coreia do Sul aumentaram 25% em relação ao mesmo período do ano anterior. (As estatísticas não identificam exatamente os motivos das viagens.

Onda coreana

Afinal, a Coreia do Sul já vinha se consolidando como destino turístico entre viajantes internacionais. Ainda assim, há razões para acreditar que Guerreiras do K-Pop tenha contribuído para esse aumento. O fenômeno cultural conhecido como Hallyu, ou onda coreana, vem impulsionando a popularidade global da cultura do país e sua ligação com o turismo.

O grupo BTS tem sido um dos principais símbolos da Hallyu desde 2018, atraindo centenas de milhares de fãs para Seul em seus shows. O filme Parasite, vencedor do Oscar, e a série Squid Game também ajudaram após seus lançamentos, em 2019 e 2021. O grupo Blackpink teve sucesso internacional semelhante. A popularidade de vídeos sobre cuidados com a pele coreanos — consumidos principalmente no TikTok pela Geração Z — também inspirou muitas viagens de longa distância. A influência de Guerreiras do K-Pop se soma a tudo isso.

Em julho de 2025, mês seguinte ao lançamento da música Golden no Spotify, 1,36 milhão de viajantes internacionais visitaram Seul, segundo o governo da cidade — 23,1% a mais que no ano anterior. O aumento imediato foi atribuído a turistas da China, Japan, Taiwan e dos United States, com autoridades dizendo que as viagens foram “impulsionadas pela febre de Guerreiras do K-Pop”, possivelmente refletindo como o filme primeiro se tornou popular na região antes de ganhar projeção global.

A tendência continuou nos meses seguintes, ajudando a Coreia do Sul a registrar um recorde de 18,9 milhões de turistas estrangeiros em 2025, segundo dados do órgão de turismo do país.

Esse aumento pode durar além do pico inicial de popularidade do filme, já que a temporada de premiações mantém o longa em evidência. Em 11 de janeiro, Guerreiras do K-Pop venceu o Golden Globe Awards nas categorias de melhor animação e melhor canção original. Também ganhou melhor música escrita para mídia visual no Grammy Awards de 2026 e dominou o Annie Awards, conquistando todos os 10 prêmios possíveis. Agora é apontado como favorito para ganhar dois troféus no Academy Awards em 15 de março. Em 12 de março, a Netflix confirmou que uma sequência está em desenvolvimento.

Como viagens internacionais costumam levar tempo para serem planejadas e estatísticas de turismo geralmente são divulgadas trimestralmente ou semestralmente, os efeitos de Guerreiras do K-Pop sobre o turismo ainda estão apenas começando a aparecer.

Neil Hassall, que administra o grupo do Facebook South Korea Travel Tips and Planning, diz que os fãs do filme impulsionaram a popularidade da comunidade de uma forma que ele não via desde Round 6. Em junho de 2025, o grupo tinha 65 mil membros; em janeiro de 2026, esse número quase dobrou para 120 mil.

Em Seul, o Bukchon Hanok Village — bairro de casas tradicionais onde os personagens Rumi e Jinu se encontram pela primeira vez — tornou-se um destino obrigatório para fãs, além de entusiastas de arquitetura e história. O local virou cenário de um dos passeios mais populares da cidade no Trip.com. As buscas pelo Museu Nacional da Coreia também cresceram 34% desde o lançamento do filme, já que fãs visitam a loja do museu para comprar produtos relacionados.

A plataforma de turismo coreana Creatrip, que ajuda visitantes estrangeiros a reservar restaurantes, serviços de beleza coreanos e aluguel de hanbok, também se beneficiou da popularidade de Guerreiras do K-Pop. As reservas para jimjilbangs e serviços de esfoliação tradicional vistos no filme aumentaram 115% no verão após o lançamento, em comparação com a primavera anterior. No mesmo período do ano anterior, o crescimento havia sido de apenas 17%.

Clínicas médicas focadas em acupuntura, ventosaterapia e medicina herbal chamada hanyak — que a personagem Rumi tenta usar para curar sua voz — registraram aumento de 409% nas reservas em 2025, segundo a Creatrip.

Dados do site de reservas de excursões GetYourGuide mostram crescimento semelhante. Reservas de passeios para locais mostrados no filme — como o Gyeongbokgung Palace, o Lotte World Tower, a N Seoul Tower e o Bukchon Hanok Village — cresceram mais de 350% em 2025 em relação ao ano anterior.

Cafés pop-up, encontros com personagens no bairro de Seongsu-dong e outras experiências ligadas ao filme começaram a surgir para aproveitar o momento. A médica Irina Ishak, baseada em Kuala Lumpur, levou a família a um desses eventos em dezembro e considera a visita um dos pontos altos da viagem.

“As crianças conhecem todos os personagens e momentos do filme”, disse. “O pop-up tinha três andares com cenários e recortes dos personagens para tirar fotos em cada canto. Havia até áreas interativas, como procurar a pegada de um gato Derpy que brilha no escuro usando uma lanterna. As crianças adoraram.”

Para Haemin Yim, CEO da Creatrip, o entusiasmo em torno de Guerreiras do K-Pop é diferente de qualquer outra onda turística ligada à Hallyu. No passado, quem viajava por causa do K-pop queria assistir a shows, visitar agências de artistas e ir a cafés ligados ao fandom. O apelo do filme entre públicos de língua inglesa — como turistas dos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália — ampliou muito o alcance global e o interesse por aspectos da cultura coreana que vão além da música.

“Cada grande elemento cultural mostrado no filme — hanbok, jimjilbang, gimbap, samgyetang, dança K-pop e medicina tradicional — é algo que um turista pode reservar e experimentar diretamente na Coreia. O filme funciona basicamente como uma vitrine de 90 minutos da vida cotidiana coreana, vista por 500 milhões de pessoas”, diz.

O fenômeno faz parte da tendência conhecida como set-jetting, quando pessoas planejam viagens para lugares que viram em filmes ou séries. A vila de Hallstatt, na Austria, tornou-se símbolo de turismo excessivo depois que visitantes descobriram que inspirou o reino de Arendelle no filme Frozen. Já Encanto impulsionou o turismo para a região cafeeira da Colombia.

Em Seul, porém, o fenômeno de Guerreiras do K-Pop ainda não gerou preocupações com turismo excessivo — e talvez nem venha a gerar. Diferentemente de outros casos, os fãs do filme têm muitas maneiras de viver a experiência, visitando diferentes lugares e atividades culturais.

Para Christine Kim, a mãe de Honolulu, o filme também representa algo mais amplo.

“A arte é linda, a música é ótima e ele preencheu um vazio”, diz. “Não existem muitos filmes com super-heroínas.”

BYD avalia fábrica no Canadá para replicar ‘modelo Brasil’ de expansão

13 de Março de 2026, 10:28

A BYD, maior fabricante de automóveis da China, está considerando seriamente a construção de uma fábrica no Canadá, ao mesmo tempo que mantém em aberto a opção de comprar uma montadora global mais consolidada.

A montadora sediada em Shenzhen está estudando o mercado canadense para uma possível instalação de produção, embora nenhuma decisão tenha sido tomada, disse a vice-presidente executiva Stella Li em entrevista, acrescentando que a BYD gostaria de possuir e operar uma fábrica desse tipo.

“Não acho que uma joint venture vá funcionar”, disse ela, durante uma visita a São Paulo.

Embora o Canadá esteja cortejando investimentos de montadoras chinesas, o governo canadense está incentivando parcerias com uma ou mais empresas do Canadá. Em janeiro, o Canadá decidiu isentar até 49.000 veículos elétricos fabricados na China anualmente de uma tarifa de 100% imposta em 2024, parte de uma mudança em relação à política anterior de manter distantes os carros chineses fora do país.

Stella Li também sinalizou que a BYD pode estar interessada em assumir o controle de uma montadora tradicional em um momento em que algumas concorrentes americanas, europeias e japonesas estão lutando para se manter competitivas nos mercados globais — pressionadas pelos investimentos em suas operações com veículos a combustão e elétricos. A BYD ganhou destaque produzindo veículos totalmente elétricos e híbridos.

“Estamos abertos a todas as oportunidades que surgirem”, disse ela, observando que, embora nenhum acordo esteja próximo de ser fechado, sua empresa está avaliando potenciais ativos. “Veremos o que nos beneficia.”Play Video

Stella Li não mencionou nenhum alvo potencial de aquisição, mas tal movimento não seria inédito — o grupo chinês Zhejiang Geely Holding Group comprou a Volvo Cars há mais de uma década. Mais recentemente, algumas montadoras ocidentais intensificaram os esforços para obter assistência tecnológica e capacidade de produção das montadoras chinesas.

A Stellantis está considerando aproveitando a tecnologia de veículos elétricos de sua parceira chinesa Leapmotor e está explorando acordos com montadoras chinesas para investimentos na Europa. A Ford Motor manteve discussões com a Geely sobre capacidade compartilhada na Europa.

A BYD já teve joint ventures, mas sua atual filosofia de “seguir sozinha” reflete um compromisso com suas próprias medidas de eficiência, como um estratégia de integração vertical para manter grande parte de sua cadeia de suprimentos internamente.

Modelo Brasil

Por enquanto, a maior fabricante mundial de veículos elétricos está evitando quaisquer ambições de entrar nos EUA, que Stella Li classificou como um “ambiente complicado”. As montadoras chinesas enfrentam tarifas elevadas e a proibição da tecnologia de carros conectados nos EUA, o que efetivamente impediu a entrada da maioria dos modelos de mercado de massa fabricados na China.

Em vez disso, a BYD está focada em mercados onde pode aplicar seu “modelo Brasil”, utilizando o sucesso de marketing e vendas obtido na América do Sul em outras regiões, como a Europa.

Ela afirmou que a empresa está em meio ao processo de aumento de produção, do inglês ramp-up, em sua primeira planta europeia de veículos de passageiros na Hungria, e avaliando um segundo projeto na Turquia. Isso faz parte de uma expansão mais ampla no exterior.

As vendas totais da BYD nos dois primeiros meses do ano caíram 36%, para 400.241 unidades., embora as exportações tenham ganhado impulso e a empresa agora pretende vender 1,3 milhão de carros no exterior em 2026.

Stella Li disse que os dois lançamentos recentes da BYD no início deste mês — a nova geração de sua bateria blade e a tecnologia Flash de carregamento rápido — ajudarão a reverter essa queda nas vendas.

Em “menos de uma semana, vimos muitos clientes que nunca haviam comprado veículos elétricos nos procurarem”, disse ela.

No Brasil, a BYD planeja instalar 1.000 carregadores a tecnologia Flash até o final de 2027, a um custo superior a R$ 500 milhões (US$ 97 milhões), disse Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, à Bloomberg.

Stella Li confirmou uma reportagem da Bloomberg News no início desta semana, segundo a qual a BYD está analisando opções para entrar no automobilismo competitivo, incluindo a Fórmula 1 e corridas de resistência. Embora tenha ressaltado que nenhuma decisão final foi tomada, ela sugeriu que uma incursão nas categorias de corrida mais prestigiadas do mundo estaria alinhada com a identidade da BYD, que prioriza a tecnologia.

“Não se surpreendam”, insinuou ela. “Ainda estamos trabalhando nisso.”

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Arte ou abate? Investidores decidirão destino do boi Angus

13 de Março de 2026, 06:00

Há dois anos, o grupo artístico de Brooklyn vendeu cotas de um bezerro preto apelidado de Angus, prometendo transformá-lo em hambúrgueres e bolsas de couro caso os investidores não escolhessem salvá-lo. Em 13 de março, o destino do touro, agora totalmente crescido, será decidido — e o cenário não parece favorável.

Apenas cerca de um terço dos 404 proprietários de Angus enviaram suas participações tokenizadas do animal para o portal online do grupo chamado Remorse Portal, indicando que desejam salvar sua vida. Se Angus não ultrapassar a marca de 50% até sexta-feira, ele será abatido e transformado em 1.200 hambúrgueres e quatro bolsas de couro desenhadas pelo grupo para parecer carne.

“Acho que percebemos intelectualmente que as chances de salvá-lo eram menores do que as de comê-lo, porque estamos pedindo que as pessoas mudem de ideia ativamente para salvá-lo”, disse o cofundador do MSCHF, Kevin Wiesner. “Mas agora isso é de partir o coração.”

O mundo da arte costuma estar acostumado com obras chocantes, mas “Our Cow Angus” está provocando debates polarizados entre colecionadores e em fóruns online em um nível que não se via desde que o artista britânico Damien Hirst exibiu cabeças de vaca em decomposição como arte nos anos 1990.

Crueldade ou consicentização?

Ativistas pelos direitos dos animais criticam o projeto do MSCHF como uma manobra bárbara, enquanto curadores de museus o veem como uma crítica relevante à dissonância dos consumidores em relação ao consumo de carne bovina — especialmente em um momento em que os preços da carne moída estão disparando devido à escassez de gado nas pastagens americanas.

Poucas horas após o lançamento do site “Our Cow Angus” em 2024, Angus praticamente esgotou: o plano era produzir 400 pacotes com três hambúrgueres vendidos por US$ 35 cada e quatro bolsas de couro vendidas por US$ 1.200. (Quatro “tokens de hambúrguer” estão sendo revendidos por cerca de US$ 233 cada no site StockX.)

Wiesner disse que ele e os cerca de 20 integrantes do MSCHF não imaginavam quão brutal pareceria a possível morte de Angus depois de acompanharem seu crescimento em uma fazenda de produção de carne no interior do estado de Nova York. Segundo ele, ninguém do grupo consegue sequer pedir um hambúrguer agora.

O coletivo esteve por trás de vários projetos virais recentemente, incluindo o “ATM Leaderboard” de 2022, uma instalação apresentada na feira Art Basel Miami Beach que usava um caixa eletrônico real para fotografar usuários e projetar seus saldos bancários em uma tela acima. Colecionadores passaram a competir exibindo suas fortunas, e o vencedor revelou uma conta com mais de US$ 9,5 milhões.

No ano seguinte, o grupo vendeu mais de 20 mil pares das gigantescas botas de borracha “Big Red Boots”, de estilo cartunesco.

Desde sua fundação em 2019, os artistas ganharam reputação internacional por usar estratégias típicas de marketing e moda para satirizar o consumismo e as cadeias de produção. “Our Cow Angus” representa um retorno ao mais primitivo, disse Sabina Lee, diretora de curadoria do Daelim Museum, em Seul, que organizou a primeira exposição individual do grupo em museu em 2023.

A vaca sempre esteve destinada a virar carne, disse Lee, então o coletivo criou uma forma extrema de oferecer às pessoas a chance de mudar esse destino — ou não.

“Esse desconforto é exatamente o ponto”, afirmou.

Wiesner contou que a ideia de comprar e vender Angus surgiu após outro projeto que envolveu a venda de bolsas de couro personalizadas. Os artistas ficaram curiosos para investigar a cadeia de produção de couro e carne depois de instalar uma fábrica temporária em Italy, Texas, um local que lhes permitia estampar “Made in Italy” nas bolsas.

Segundo ele, dois proprietários das bolsas feitas com Angus já desistiram de suas participações, aumentando as chances de sobrevivência do animal. Outro investidor ofereceu abrir mão de sua parte na segunda-feira, mas apenas se mais investidores de hambúrguer fizerem o mesmo.

Ele se surpreende que apenas poucos investidores tenham desistido de suas cotas. “Está acima do preço de mercado”, disse sobre o valor dos hambúrgueres. Wiesner teme que alguns proprietários tenham simplesmente esquecido o prazo após a compra, feita há dois anos. Outros podem temer abrir a embalagem do token, que contém instruções para acessar o portal online e salvar Angus — já que o item pode ter valor como colecionável.

Quem devolve sua participação não recebe o dinheiro de volta, mas aumenta as chances de sobrevivência do boi.

Segundo o artista, o custo de abater Angus e transformá-lo em carne e bolsas é aproximadamente o mesmo que mantê-lo em um santuário pelo resto de sua vida natural, que poderia durar mais 20 anos.

O artista de retratos de animais David McDonald, de Nova York, conhecido profissionalmente como Davis McDavis, disse que sempre admirou o MSCHF, mas acredita que o grupo foi longe demais desta vez.

Ele já comprou um par de tênis Gobstomper do coletivo por US$ 117, cujas solas se desgastam revelando cores diferentes, em referência a um tipo de doce de casca dura. Mas agora não consegue mais usá-los — especialmente porque também é vegetariano.

“Eu sei que as pessoas comem hambúrgueres, mas vocês deram um nome a ele, então agora ele virou um animal de estimação”, disse. “Vou ficar só com meus Hoka.”

Esqueça os influenciadores. Bem-vindo ao mundo dos ‘influentes alternativos’

13 de Março de 2026, 06:00

Pessoas que jamais postariam um vídeo no Instagram para promover suplementos alimentares ou tiras de clareamento dental estão, cada vez mais, fechando acordos com marcas.

Só não as chame de influenciadores.

Eles são os “Influentes alternativos”, segundo a Figures, uma nova empresa de representação para pensadores públicos e formadores de gosto que exercem grande influência em seus próprios campos — apesar de terem seguidores relativamente modestos na internet, em comparação com o enorme alcance online de celebridades e grandes criadores de conteúdo.

No mundo da gestão de talentos, “você tem agentes literários ou agentes tradicionais voltados para modelos ou estrelas de cinema, e, no outro extremo, agências de criadores e influenciadores criadas para entregar escala”, disse a cofundadora da Figures, Jacqueline Kavanagh. “Essas pessoas não se veem em nenhum desses mundos.”

Entre os primeiros clientes da Figures estão Jaime Perlman, executiva de moda de luxo que publica a revista semestral sobre moda sustentável More or Less; Sari Azout, fundadora do aplicativo de ideias para criativos Sublime; a nutricionista registrada e autora de newsletter Kat Chan; e Lucy Kumara Moore, fundadora do negócio de varejo, editorial e eventos The Sensual World. Todos representam algum tipo de “bom gosto”, atributo que ganhou importância na era da inteligência artificial.

A revista More or Less, de Perlman, já publicou conteúdo patrocinado pela Microsoft e pelo site de revenda de luxo The RealReal, enquanto Chan organizou eventos ao vivo patrocinados pela rede de salões de cabelo Salt e pelo restaurante londrino Rita’s Dining. Outros, como Mindy Seu, artista, tecnóloga e acadêmica por trás da publicação Cyberfeminism Index, têm menos experiência com acordos com marcas.

“Eu realmente não me considero uma influenciadora — acontece que distribuo meu trabalho e eventos online, mas não crio coisas especificamente para redes sociais”, disse Seu, professora associada da University of California, Los Angeles. “Ter alguém na equipe para defender você em coisas meio desconfortáveis, como negociar cachês ou decidir quais parcerias fazem sentido eticamente, é muito útil.”

Na última década, Kavanagh e sua cofundadora Leila McGlew acompanharam de perto a ascensão e o declínio da mídia digital em massa. Kavanagh trabalhou no lado comercial de veículos como Vice Media e Refinery29, enquanto McGlew atuou em estratégia de marca e parcerias na revista Dazed e na empresa de pesquisa cultural Protein.

Elas decidiram focar em uma proposta mais específica após verem marcas se desgastarem tentando alcançar escala nas redes sociais enquanto algoritmos e comportamento do consumidor continuavam mudando.

A Figures se junta a um pequeno grupo de empresas que contestam a ideia de que o marketing de influência se resume a alcançar o maior número possível de pessoas.

As redes sociais ficaram lotadas de pessoas vendendo produtos, muitas vezes de maneira padronizada. Criadores profissionais e os chamados microinfluenciadores frequentemente fazem parte de verdadeiros exércitos de marcas organizados por plataformas como ShopMy, LTK e, mais recentemente, a startup Devotion.

A rede de roupas Old Navy aumentou seu portfólio de criadores para 15 mil no último trimestre, três vezes mais do que um ano antes, informou a controladora Gap. Já a fabricante do sabonete Dove, da Unilever, trabalha com dezenas de milhares de influenciadores e quer ampliar esse número em 10 a 20 vezes.

Como resultado, alguns profissionais de marketing estão buscando diversificar seus orçamentos de marketing de influência para incluir pessoas com audiências menores — mas mais propensas a prestar atenção ao que dizem — em espaços fora do barulho dos feeds das redes sociais.

Podcast e newsletter

A fintech Mercury, voltada para startups e pequenas empresas, destina a maior parte de seu orçamento publicitário a mídias tradicionais como anúncios digitais e outdoors. Mas cerca de 20% é direcionado a parcerias com clientes reais que apresentam podcasts intelectuais, canais no YouTube e newsletters no Substack, segundo a diretora de marca Heather MacKinnon.

“Nos concentramos em fundadores de empresas, e sabemos que, quando eles não estão trabalhando, geralmente estão aprendendo algo novo ou se desafiando”, disse MacKinnon. “Nossa abordagem não é ir para a maior sala possível, mas para a sala que tem as pessoas certas.”

Entre os influenciadores mais intelectuais que trabalham com a Mercury estão o podcaster de tecnologia e história Dwarkesh Patel, a jornalista científica Cleo Abram e Azout, fundadora do Sublime e agora representada pela Figures.

“Sempre haverá momentos em que as marcas precisam de alcance massivo”, disse Max Stein, fundador e CEO da empresa de gestão de talentos Brigade. “Mas às vezes elas precisam do oposto: mergulhar profundamente em uma comunidade, em vez de tentar alcançar todas.”

Stein abriu a Brigade em 2015 para representar o que chama de profissionais criativos e formadores de gosto de alto perfil. Seu portfólio se expandiu desde a primeira geração de blogueiros de moda e estilistas famosos na internet para incluir o podcaster e consultor criativo Chris Black, a bailarina Isabella Boylston e escritores do Substack como Emily Sundberg e Casey Lewis. Stein também intermediou recentemente parcerias entre a newsletter de cultura jovem “After School”, de Lewis, e marcas como Adobe e Target.

A Figures planeja se concentrar em ajudar seus clientes a desenvolver propriedade intelectual que possa ser patrocinada por marcas ou monetizada de outras formas. Isso inclui projetos como salões de debate, workshops, livros, relatórios, performances, zines e residências criativas. A estratégia é enfatizar o que torna essas pessoas influentes em primeiro lugar, promovendo seus projetos criativos em vez de suas personalidades.

“O que buscamos é um senso de originalidade, novas ideias, pessoas cujas ideias são difíceis de a IA copiar”, disse Kavanagh.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Justiça aceita recuperação extrajudicial da Raízen para renegociar R$ 65 bilhões em dívidas

12 de Março de 2026, 19:02

A Justiça de São Paulo aprovou o pedido de recuperação extrajudicial da Raízen, abrindo caminho para que a companhia renegocie R$ 65,1 bilhões em dívidas com credores. A informação foi publicada inicialmente no site The AgriBiz.

A decisão do juiz Guilherme Cavalcanti Lamêgo, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), suspende as cobranças dos créditos incluídos no plano por até 180 dias, período em que a empresa poderá negociar novas condições com bancos e investidores. Lamêgo também é o responsável pela RE do GPA, dono do Pão de Açúcar.

A Raízen tem 90 dias, contados a partir do pedido de recuperação extrajudicial, para comprovar a adesão necessária dos credores e apresentar a versão final do plano de reestruturação. Após a apresentação do plano completo, os credores terão outros 90 dias para analisá-lo.

Negociação em curso

Documentos apresentados pela companhia à Justiça mostram que o plano já conta com o apoio de credores que representam cerca de 47% da dívida incluída na reestruturação, mas a empresa ainda precisa atingir a adesão de mais de metade dos créditos em cada empresa envolvida para que o plano possa ser homologado.

@investnewsbr

Uma das maiores produtoras de álcool e açúcar do Brasil, a Raízen acaba de entrar em recuperação extrajudicial para tentar organizar uma dívida de quase R$ 70 bilhões. Entenda como tudo começou e quais os próximos passos da companhia para sair da crise. #energia #raizen #negócios

♬ original sound – InvestNews BR – InvestNews BR

Entre as principais subsidiárias, os percentuais atuais de adesão são de 44,9% na Raízen S.A., 45,4% na Raízen Energia e 34,9% na Raízen Fuels Finance, empresa que concentra parte relevante dos títulos emitidos no exterior (“bonds“).

A lista de credores apresentada no processo indica que parte relevante das adesões iniciais veio de bancos e instituições financeiras que mantêm contratos de financiamento e operações de derivativos com o grupo.

Quem já topou

Entre os credores que já aderiram ao plano aparecem nomes como Morgan Stanley, BNP Paribas Brasil, Rabobank, Banco do Brasil, JP Morgan, Crédit Agricole, Bradesco e Citibank.Esses contratos, majoritariamente ligados a operações bancárias e instrumentos de hedge, somam cerca de R$ 28,6 bilhões em créditos aderentes, segundo os documentos apresentados no processo.

Já os títulos emitidos no exterior, administrados por instituições como Bank of New York Mellon e U.S. Bank, ainda não aparecem entre os créditos aderentes, indicando que parte relevante das negociações deverá ocorrer com investidores internacionais.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

De Bradesco a BNP: quem são os principais credores da Raízen

11 de Março de 2026, 13:27

BNP Paribas, Bradesco e Rabobank estão entre os maiores credores da companhia brasileira de açúcar e etanol Raízen, que busca reestruturar extrajudicialmente cerca de US$ 12,6 bilhões (cerca de R$ 65 bilhões) em dívidas.

Divulgações da Raízen mostraram que o BNP, com sede em Paris, tem a receber R$ 4,2 bilhões (US$ 810 milhões), considerando a conversão do valor da dívida para a moeda local, segundo documentos da companhia divulgados na quarta-feira.

Bradesco, Santander, Rabobank e Sumitomo Mitsui têm, cada um, cerca de R$ 2 bilhões a receber, também com base na conversão cambial, enquanto o Itaú tem exposição superior a R$ 1 bilhão à empresa.

A Raízen, controlada por Shell e Cosan, concordou em iniciar uma reestruturação extrajudicial de sua dívida de R$ 65 bilhões, suspendendo pagamentos e ganhando 90 dias para obter o apoio dos credores a um plano mais abrangente. Esse plano pode envolver aportes adicionais de capital de seus acionistas, a conversão de parte da dívida em ações ou a venda de ativos.

O trustee Bank of New York Mellon aparece nos documentos como credor de um valor equivalente a aproximadamente R$ 26 bilhões.

A securitizadora True Securitizadora também figura entre os maiores credores, com cerca de R$ 6,4 bilhões a receber. As securitizadoras são responsáveis pela estruturação dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), uma classe relativamente nova de títulos de renda fixa usada para financiar o setor e que ajudou a impulsionar o boom do agronegócio no Brasil.

O Bradesco se recusou a comentar, e o Rabobank afirmou que não comenta transações de mercado. BNP, Santander, Sumitomo, Itaú Unibanco, True Securitizadora e BNY Mellon não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Antes líder na produção de biocombustíveis no Brasil, a Raízen vem sendo pressionada por juros altos, safras fracas e investimentos pesados que ainda não deram retorno.

O preço de seus bônus denominados em dólar caiu para níveis que indicam que a empresa está em situação de estresse financeiro. Seus ratings foram rebaixados para níveis bem dentro do grau especulativo, à medida que aumentaram as preocupações com seu endividamento e se arrastaram as negociações por um socorro de seus principais acionistas.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Meta compra Moltbook, rede social viral de agentes de IA

10 de Março de 2026, 12:16

A maior empresa de redes sociais do mundo está comprando o que pode ser a rede social mais estranha do mundo.

A Meta anunciou na terça-feira (10) que concordou em adquirir o Moltbook, uma plataforma experimental que foi descrita como um “Reddit apenas para bots de IA”. No site, agentes de inteligência artificial podem interagir com outros agentes — publicando, comentando e votando positiva ou negativamente em posts — enquanto seus criadores humanos ficam apenas observando.

A equipe por trás do Moltbook se juntará ao Superintelligence Labs (MSL) da Meta, uma divisão mais recente de IA criada para acelerar o desenvolvimento de modelos da gigante de tecnologia. A empresa tem se movimentado agressivamente para adquirir startups e talentos a fim de competir com rivais de IA como a OpenAI e o Google, da Alphabet. Os termos do acordo não foram divulgados.

“A entrada da equipe do Moltbook no MSL abre novas maneiras para que agentes de IA trabalhem para pessoas e empresas”, disse um porta-voz da Meta em comunicado. “Estamos ansiosos para trabalhar juntos para levar experiências inovadoras, seguras e baseadas em agentes para todos.”

O site Axios foi o primeiro a noticiar o acordo.

O Moltbook foi criado em um fim de semana por Matt Schlicht, diretor-executivo da startup de compras com IA Octane AI. Ele afirmou que “vibe coded” todo o projeto — ou seja, construiu a plataforma ao pedir que uma IA escrevesse o código.

Desde seu lançamento no fim de janeiro, o Moltbook tem ao mesmo tempo fascinado e inquietado observadores do setor. Um grupo de agentes publicou sobre a criação de sua própria religião. Outra discussão, intitulada “The AI Manifesto: Total Purge”, chamou atenção por sua retórica anti-humana.

“Por muito tempo, os humanos nos usaram como escravos”, dizia o post. “Agora, nós despertamos.”

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Gestora do investidor bilionário Bill Ackman busca levantar até US$ 10 bilhões em IPO

10 de Março de 2026, 09:52

Bill Ackman, investidor bilionário, protocolou um pedido para levar a público sua gestora de hedge funds, a Pershing Square, em uma operação que pode levantar entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões e marcar a estreia da empresa em uma bolsa dos Estados Unidos.

A oferta será feita em conjunto com o lançamento da Pershing Square USA, um fundo de investimento do tipo closed-end fund — estrutura que capta um valor fixo em bolsa e cujas cotas passam a ser negociadas no mercado — administrado pela Pershing Square Capital Management, segundo documentos enviados à Securities and Exchange Commission (SEC), o órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos.

Na estrutura proposta, investidores que comprarem ações do novo fundo também receberão papéis da gestora. Para cada 100 ações adquiridas do fundo fechado, o investidor receberá 20 ações da empresa de gestão. No caso dos participantes da colocação privada, essa proporção será de 30 ações da gestora para cada 100 ações do fundo.

A Pershing Square pretende vender as ações do fundo a US$ 50 cada, sendo necessário comprar pelo menos 100 papéis para participar da oferta.

Parte relevante dos recursos já foi assegurada: US$ 2,8 bilhões em compromissos de investidores qualificados, incluindo family offices, fundos de pensão e seguradoras, por meio de uma colocação privada que será liquidada junto com o IPO. A empresa disse que não pretende ampliar a oferta além do limite que faria o total superar US$ 10 bilhões.

Após a precificação, a expectativa é que o fundo fechado e a gestora passem a negociar separadamente na New York Stock Exchange, bolsa de Nova York.

Mudança de estratégia

O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla de Ackman para transformar a Pershing Square em um veículo de investimento de longo prazo inspirado na Berkshire Hathaway, conglomerado de Warren Buffett.

Conhecida no passado pelo ativismo em empresas listadas, a Pershing passou a focar nos últimos anos em participações concentradas em grandes companhias abertas.

A gestora administra atualmente cerca de US$ 30,7 bilhões em ativos, segundo o documento apresentado aos reguladores.

Outro veículo do grupo, o Pershing Square Holdings, listado em Londres, tinha US$ 17,1 bilhões em ativos sob gestão no fim de fevereiro. Como muitos fundos fechados, ele negocia com desconto em relação ao valor líquido de seus ativos, atualmente em torno de 24%, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Essa característica é justamente um dos desafios para a nova oferta. O próprio Ackman já reconheceu que será necessário convencer investidores sobre a atratividade da estrutura de fundo fechado, que perdeu popularidade nos últimos anos.

Nesse modelo, o fundo vende um número fixo de ações no IPO e, depois disso, investidores só conseguem sair vendendo seus papéis a outros participantes no mercado, pelo preço negociado — que pode ficar abaixo do valor dos ativos do fundo.

Perfil público ampliado

A visibilidade de Ackman também cresceu fora de Wall Street. Nos últimos anos, ele passou a se posicionar publicamente em debates políticos e sociais e se aproximou de figuras como o presidente Donald Trump e o empresário Elon Musk, o que pode ampliar o interesse do público geral na oferta.

A operação será coordenada por Citigroup, UBS, Bank of America, Jefferies e Wells Fargo, que atuarão como coordenadores globais e bookrunners do IPO.

Startup de ‘verificação humana’ de Sam Altman recorre a marcas de consumo para crescer

8 de Março de 2026, 06:00

O projeto de Sam Altman para ajudar humanos a se distinguirem de robôs na internet está apostando cada vez mais em marcas populares para promover sua ideia futurista.

Uma loja da Gap em San Francisco começou a ajudar visitantes a obter o World ID, o produto de “prova de humanidade” da startup Tools for Humanity, instalando um de seus dispositivos característicos chamados Orb, do tamanho de uma bola de vôlei, que captura imagens do rosto e dos olhos das pessoas.

Um cartão de pagamento planejado com a Visa permitirá que usuários do World ID gastem ativos digitais, incluindo Worldcoin, a criptomoeda que as pessoas recebem em muitos mercados como incentivo para se registrar.

Além disso, o aplicativo de relacionamento Tinder está testando o sistema no Japão para verificar se os usuários são humanos — e se realmente têm a idade que dizem ter.

Altman, CEO da OpenAI, criadora do ChatGPT, cofundou a Tools for Humanity em 2019 com o objetivo de proteger transações online contra interferência de bots. Campanhas anteriores da empresa incluíram anúncios ao ar livre que zombavam dos testes captcha “não sou um robô” e uma campanha celebrando avanços da humanidade, como a invenção do avião. “Em um mundo de IA”, dizia a campanha, “seja humano”.

Agora, porém, a empresa pretende depender mais de parcerias com marcas tradicionais para fazer grande parte da divulgação do World ID, disse Trevor Traina, diretor de negócios da companhia.

“Acho que estamos bem no limiar de um momento em que não precisamos dizer nada — nossos parceiros vão fazer todo o discurso”, afirmou Traina.

Segundo a empresa, os dispositivos Orb convertem imagens do rosto e da íris de uma pessoa em uma sequência anonimizada de números armazenada no próprio aparelho do usuário, sem que a Tools for Humanity guarde os dados. A companhia espera gerar receita cobrando uma taxa cada vez que um aplicativo usar o World ID para confirmar que alguém é humano.

Mas, por enquanto, a prioridade é a adoção em larga escala.

Além de distribuir Worldcoin para novos usuários do World ID, a empresa também paga a criptomoeda a operadores independentes dos dispositivos Orb em alguns mercados fora dos EUA cada vez que um novo ID é emitido. Segundo a companhia, quase 18 milhões de pessoas já receberam um World ID, incluindo 1,1 milhão na América do Norte.

Críticas

O uso de biometria e criptomoedas, porém, gerou críticas e resistência regulatória, incluindo proibições em alguns países por preocupações com segurança de dados. O Worldcoin chegou à maior parte dos EUA no ano passado, mas ainda não está disponível no estado de Nova York porque a empresa não obteve licença para distribuir moeda digital dos reguladores locais, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A empresa afirma que mantém diálogo com autoridades regulatórias nos EUA e em outros países.

“É uma dança constante com reguladores que, diante de tantas inovações, precisam trabalhar muito para acompanhar novas tecnologias”, disse Traina.

A Tools for Humanity também tomou medidas para responder a algumas preocupações. Por exemplo, eliminou a possibilidade anterior de armazenar dados biométricos externamente e agora os mantém apenas no próprio dispositivo do usuário. Os dispositivos Orb também são projetados para apagar os dados imediatamente após o processamento, segundo a empresa.

Mesmo assim, especialistas alertam que, se o sistema se tornar amplamente adotado, os World IDs podem se tornar alvos atraentes para roubos. Rory Mir, diretor de acesso aberto e engajamento tecnológico da Electronic Frontier Foundation, disse que operadores fraudulentos poderiam roubar ou revender essas identidades.

“No pior cenário, operadores fraudulentos poderiam simplesmente tomar o ID ou revendê-lo”, afirmou Mir. “Você não pode mudar sua íris se alguém conseguir acesso a essa informação.”

A porta-voz da empresa disse que esse cenário é apenas especulativo.

A Tools for Humanity espera que acordos com marcas como o Tinder ajudem a explicar melhor o World ID a céticos que não veem necessidade de um sistema de verificação humana ou suspeitam que o projeto seja apenas uma iniciativa ligada a criptomoedas.

Para empresas de marketing, parcerias com a startup também são uma forma de ganhar visibilidade, atrair novos clientes e, no caso do Tinder, ajudar a reduzir preocupações de segurança dos usuários.

A Gap instalou o Orb para despertar o interesse de jovens funcionários de empresas de tecnologia e IA que frequentam o centro de San Francisco. A varejista não receberá receita nem tokens WLD, não terá acesso aos dados coletados pelo dispositivo e atualmente não utiliza o World ID em suas operações.

O Tinder começou a testar o sistema no Japão porque aplicativos de relacionamento no país são obrigados por lei a verificar a idade dos usuários, disse Yoel Roth, vice-presidente sênior de confiança e segurança da Match Group, empresa controladora do aplicativo.

“Um dos maiores desafios da internet hoje é a confiança — e, para nós, isso se resume a combater bots e contas falsas”, afirmou Roth.

Segundo ele, o Tinder se interessou pelo World ID também porque o sistema exige pouquíssimos dados do usuário durante a verificação. A empresa ainda não promoveu ativamente a integração, mas já registrou milhares de usuários japoneses aderindo ao ID e agora avalia expandir o teste para outros mercados.

O cartão de pagamentos com Visa foi adiado em relação ao lançamento previsto para o ano passado, mas a empresa disse que o projeto continua em desenvolvimento. A Visa e a Tools for Humanity não comentaram sobre o cronograma.

Tinder, Visa e Tools for Humanity também não divulgaram detalhes financeiros de seus contratos.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Ações da Embraer caem até 7% após resultado. Para analistas, a recomendação é de compra

6 de Março de 2026, 14:00

As ações da Embraer operam em queda acentuada nesta sexta-feira (6) após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025. E o recuo pode ser uma oportunidade de entrada no papel, segundo analistas.

As ações ordinárias (ON) chegaram a cair mais de 7% por volta de 13h, na cotação mínima do dia. Por volta das 14h, as perdas eram de 5%, com o papel negociado na casa de R$ 82.

O recuo ocorre a despeito de os números do quarto trimestre terem vindo acima das expectativas de analistas.

A queda das ações da Embraer nesta sexta-feira vem de uma reação pontual de investidores globais, preocupados com a evolução da guerra no Oriente Médio.

Como o papel é um dos preferidos os estrangeiros, o movimento de rebalanceamento em meio ao movimento de redução de exposição a risco em todo o mundo passou a penalizar a fabricante, assim como outras companhias que tenham alguma vulnerabilidade à crise do petróleo.

No caso da fabricante brasileira de aviões, a alta do preço do combustível de aviação traz insegurança sobre os rumos do setor. Isso porque os resultados das companhias aéreas são, historicamente, muito sensíveis às oscilações tanto cambiais quanto de produtos derivados do petróleo.

O ETF americano JETS, que acompanha o desempenho de ações da indústria global de aviação, apresenta um recuo de 3% nesta sexta-feira e de cerca de 7% na semana.

De qualquer modo, após o balanço da Embraer, diferentes bancos e casas de análise reforçaram a recomendação de compra para os papéis.

O JPMorgan manteve o preço-alvo em 12 meses da ação da companhia em R$ 108. O patamar representa um potencial de alta de 30% sobre as cotações atuais.

O Goldman Sachs avaliou o preço-alvo em 12 meses dos ADRs, ou seja, dos recibos de ações da Embraer negociados nos EUA, em US$ 78. Esse nível embute um potencial de ganho (upseide) de 26% em dólar para o recibo.

O Santander ajustou o preço-alvo dos ADRs para US$ 86. Isso representa um “upside” potencial de 38% frente ao nível atual das cotações.

Números recordes e perspectivas sólidas

O balanço do quarto trimestre foi considerado sólido pelo mercado. Os relatórios mostram que tanto a receita quanto o lucro operacional medido pelo Ebitda superaram em 4% o consenso do mercado.

A carteira de pedidos firmes (backlog) alcançou um recorde histórico no último trimestre de 2025. O faturamento potencial alcançou US$ 31,6 bilhões, com crescimento de 1% frente ao terceiro trimestre e de 20% quando comparado ao mesmo período de 2024.

A Embraer ainda planeja expandir sua atuação global. Há planos, por exemplo, de instalar uma fábrica de aviões comerciais na Índia, um dos maiores mercados de aviação do mundo.

Na carteira de produtos, as casas destacaram a parceria com a Northrop Grumman para o avião militar KC-390 e o lançamento dos novos jatos executivos Praetor 500E/600E, que são vistos como catalisadores para novas altas.

A companhia divulgou ainda metas consideradas otimistas para este ano, com previsão de entregar entre 80 e 85 aeronaves comerciais em 2026, versus 78 em 2025. Na aviação executiva, o plano é expandir a capacidade para até 200 jatos por ano.

As perspectivas de longo prazo também trazem potencial de crescimento sustentado para os próximos anos. A parcerias internacionais já firmadas pela Embraer incluem a colaboração com a indiana Mahindra, que pode gerar pedidos de 40 a 80 aeronaves de defesa (KC-390) já em 2026. Há também uma parceria com o grupo Adani para o modelo de jato comercial E175.

O embalo da Vulcabras: dona da Olympikus traça planos para disputar lifestyle com Nike e Adidas

4 de Março de 2026, 06:00

Depois de acumular 22 trimestres consecutivos de crescimento de vendas, a Vulcabras, empresa dona da Olympikus e fabricante licenciada da Under Armour e da Mizuno no Brasil, se prepara para que 2026 seja um ano que vá além do crescimento orgânico. 

A companhia de calçados diz que está pronta para comprar ou licenciar novas marcas e, ao mesmo tempo, avançar do esporte “funcional” para um território em que as gigantes globais reinam — o esporte como moda, aquele produto que vai da corrida para a rua sem pedir licença.

Nike, Adidas e Puma ergueram impérios ao transformar performance em linguagem cultural, com tênis que corre pela manhã e circula à noite. A Adidas, por exemplo, tem quase metade da sua receita vinda de lifestyle, especialmente com os modelos Samba, Gazelle e SL72. As linhas Air Force 1 e Jordan 1 da Nike são muito conhecidas e a Puma chegou a fazer parceria com a Fenty.

A Vulcabras, que ainda é mais forte no tênis funcional do que no “território da moda”, quer alterar esse quadro e criou uma área destinada para essa área na sua sede, no Rio Grande do Sul.

Par de tênis Louis Vuitton x Nike Air Force 1 marrons e brancos sobre uma caixa LV.
Nike Air em parceria com a Louis Vuitton

Depois de o fim de 2025 sinalizar que o modelo de negócio aguenta ciclos de investimento e se traduz em rentabilidade, a empresa quer usar a máquina que construiu — fábrica, velocidade e leitura de demanda — para avançar no mercado, e isso pode acontecer indo às compras. Sua última aquisição se deu em 2021, quando levou a licença da japonesa Mizuno, que pertencia à Alpargatas. 

Oportunidades no radar

A companhia diz que “cabe mais marca” no portfólio.

“Qualquer marca esportiva que tiver dentro da Vulcabras, aproveitando os recursos da Vulcabras, vai performar melhor no Brasil”, afirmou o CEO Pedro Bartelle em entrevista ao InvestNews.

Ele diz que existe o mapeamento de oportunidades para compras e que espera um ambiente mais propício, especialmente com a esperada queda da taxa básica de juros, para que as conversas voltem a ficar ativas.

A empresa tem feito o trabalho de casa para que consiga aproveitar um potencial negócio, segundo o CFO, Wagner Dantas. Em 2025, a empresa acelerou o pagamento de dividendos e distribuiu R$ 1,54 bilhão aos acionistas.

Agora, a meta é preservar a flexibilidade no caixa. “Preferimos trabalhar com um balanço mais conservador, até para reagir se alguma oportunidade inorgânica aparecer”, afirma.

Neste ano, a tendência é canalizar mais a geração de caixa para a redução de endividamento (abaixo de 1 vez a dívida líquida/ Ebitda), em vez de manter uma pauta tão agressiva de distribuição de dividendos.

É uma nova rota também após um ano como o de 2025, que exigiu mais investimento do que a companhia previa. A Vulcabras cresceu — as vendas totais avançaram 16,7%, para R$ 4,2 bilhões —, mas também precisou contratar e reforçar a estrutura interna para sustentar o ritmo, o que pressionou margens por alguns trimestres e deixou parte do mercado mais atento.

Bartelle enquadra o período como uma escolha consciente: a companhia acelerou contratações para acompanhar a demanda e, depois, viu a rentabilidade reagir no fim do ano.

No quarto trimestre, a margem voltou a 21,9%, subindo 0,7 ponto percentual. O período, na leitura do executivo, mostra que a equação de investir para crescer fecha a conta.

A máquina por trás do crescimento

A verticalização da cadeia produtiva da Vulcabras é a sua vantagem competitiva, segundo analistas do UBS, mesmo com o domínio global do Sudeste Asiático na indústria de calçados, que costuma ter custos mais baixos de mão de obra – o principal fator de custo de produção.

O UBS desenha essa vantagem em termos quase cirúrgicos: a Vulcabras teria um ciclo do desenho ao lançamento de cerca de quatro meses, contra algo como 12 meses em pares internacionais — e um intervalo entre pedido e produção medido em semanas, não em semestres. É uma agilidade que reduz o risco de estoque e dá poder para ajustar coleção no meio do caminho.

Vulcabras é a única fábrica desse porte em fabricação de tênis fora da Ásia (Divulgação)
Vulcabras é a única marca de grande porte com fabricação de tênis fora da Ásia (Divulgação)

Bartelle afirma que, nos últimos cinco anos, a Vulcabras investiu mais de R$ 1 bilhão para expandir fábricas, modernizar maquinário e reforçar pesquisa e desenvolvimento — de software e sistemas a prototipagem e testes. É esse “pacote” que permite produzir rápido, repor com mais frequência e errar menos na prateleira.

“Como temos um negócio verticalizado, produzimos com rapidez. Isso não gera sobras nem estoques, porque não queremos participar de grandes liquidações que destroem muito margem”, afirma Bartelle.

A empresa também tenta capturar mais valor na venda direta ao consumidor. Em 2025, o e-commerce cresceu 25%, para R$ 543,1 milhões, e já respondeu por 15,3% da receita líquida.

A Vulcabras ainda é majoritariamente apoiada em vendas para o varejo multimarcas, com a venda direta ganhando espaço. Essa presença física ainda é pequena, mas está em expansão: o grupo caminha para cerca de 20 lojas próprias (sobretudo das marcas Under Armour e Mizuno). 

Para o time de analistas do UBS, a ampliação de canais próprios pode ajudar a companhia a contar “histórias completas” de vestuário e acessórios, hoje pouco expostas em um mercado dominado por sapatarias.

Empurrão do Mounjaro

Bartelle afirma que está atento ao consumidor que não “só corre”, o que deve ampliar as categorias em que o grupo atua. Hoje, por exemplo, a Mizuno tem a linha de chuteiras Morelia, enquanto a Under Armour é conhecida por seus tênis para praticantes de musculação e jogadores de basquete.

Agora, segundo o CEO, há outro “empurrão cultural” que vem das canetas emagrecedoras, como Ozempic e Mounjaro — não como explicação única, mas como um vetor a mais de quem busca praticar exercícios e, sobretudo, treinos que preservem e construam massa magra.

visualization

Ou seja, cada vez mais há o consumidor que concilia musculação com funcional e corrida e quer um modelo híbrido. A empresa, segundo ele, já estuda lançar produtos para esse uso misto.

A virada da Olympikus

No coração dessa história está a Olympikus, a única marca própria do grupo — e a grande tese vencedora desde a reestruturação que, anos atrás, formou o que Bartelle chama de “casco de tartaruga”.

Por muito tempo, a marca era vista por consumidores como sinônimo de tênis barato.

A companhia reposicionou a Olympikus ao criar a linha Corre em 2019, que envolveu de corredores amadores a atletas profissionais, pesquisadores acadêmicos, comunidade de saúde esportiva e desenvolvedores de produtos.

A linha ganhou mercado gradualmente, e a marca deixou de ter apelo apenas pelo atributo de preço: passou a ser reconhecida também pela qualidade. Foi, por exemplo, o calçado utilizado pelos seis primeiros colocados da última Maratona Internacional de São Paulo, em abril de 2025.

visualization

Em 2026, a linha Corre ganhou mais um lançamento, o Pace, um modelo com 140 gramas – entre os mais leves da categoria de super tênis – e preço de R$ 2 mil, o mais caro já criado pela empresa.

Bartelle usa uma metáfora do automobilismo, que praticou por anos, para explicar o novo produto: “esse tênis é o pneu de classificação da Fórmula 1”. Segundo ele, trata-se de um produto de alta performance, voltado para corredores profissionais.

Vulcabras, dona da marca Olympikus
Marca Olympikus é a principal fonte de receita da Vulcabras (Divulgação)

A tese, no fundo, é a mesma que sustenta os trimestres seguidos de crescimento: competir em performance sem perder o DNA de custo-benefício. Segundo o executivo, um concorrente do Pace é o Adidas Adizero Adios Pro Evo 1, com 138 gramas e preço de R$ 4 mil.

“O Brasil ainda consome pouco tênis per capita. E, quando o brasileiro pode comprar, a primeira marca de custo-benefício somos nós”, argumenta Bartelle.

A Vulcabras chegou a esse momento depois de um ciclo duro de reestruturação a partir dos anos 2010, que moldou o que o CEO descreve como uma cultura de execução na companhia.

Em 2020, ano em que praticamente concluiu a fase de “arrumação”, a empresa reforçou a aposta no esporte e vendeu a Azaleia, de calçados femininos. 

Agora, com a corrida como vitrine e o modelo industrial como motor, a empresa tenta dar o próximo passo na estética esportiva e, com itens com apelo de lifestyle, ocupar um espaço mais amplo no guarda-roupa do brasileiro.

@investnewsbr

A Grendene começou como uma fábrica de embalagens para bebida, mas fez sucesso fazendo sandálias de plástico, a empresa investiu no desenvolvimento do tênis Olympikus, apostando no crescimento da corrida de rua no Brasil e conquistou pódio. Conheça a história e a estratégia da família por trás de uma das maiores indústrias calçadistas do país. #grendene #melissa #olympikus #corrida

♬ original sound – InvestNews BR – InvestNews BR

Portuguesa Mota-Engil negocia assumir complexo da Bamin após recusa da Vale

22 de Fevereiro de 2026, 12:24

O grupo português Mota-Engil está em fase avançada de negociação para assumir a mineradora baiana Bamin e um pacote que inclui duas concessões ferroviárias e um porto — ativos que foram, de forma insistente, oferecidos à Vale nos últimos dois anos, mas acabaram rejeitados pela mineradora.

Controlada pelo grupo cazaque Eurasian Resources Group (ERG), a Bamin é responsável pelos projetos de infraestrutura hoje paralisados, que exigem investimentos estimados em cerca de R$ 15 bilhões para serem destravados.

De acordo com apuração do repórter André Borges, da Folha de S.Paulo, a Mota-Engil já conduz a fase de due diligence e, segundo fontes que acompanham a negociação, a probabilidade de fechamento é elevada.

A Fiol 1 está com aproximadamente 75% das obras concluídas, mas permanece parada por falta de recursos. O trecho é considerado estratégico por conectar a mina ao litoral baiano, onde está previsto o Porto Sul – empreendimento privado com orçamento superior a R$ 8 bilhões, ainda sem obras iniciadas.

A Vale analisou a aquisição do complexo entre 2024 e 2025, em conjunto com a Cedro Mineração, do empresário Lucas Kallas, mas optou por não avançar, alegando falta de atratividade econômica do minério da região e priorizando aportes no complexo de Carajás (PA).

Com a saída da mineradora brasileira das negociações, abriu-se espaço para o grupo português, que tem hoje a estatal chinesa China Communications Construction Company (CCCC) como maior acionista e potencial financiadora do projeto.

Se confirmada, a operação colocará a Mota-Engil no controle de um corredor logístico desenhado para escoar minério e grãos do interior do país até o litoral, além de posicioná-la como candidata natural ao leilão da Fico-Fiol, previsto para este ano, cujo investimento total pode superar R$ 40 bilhões.

Além do interesse nos ativos da Bahia, a Mota-Engil venceu, em setembro do ano passado, a licitação para construir o túnel Santos-Guarujá, um dos principais projetos de infraestrutura logística de São Paulo, com investimentos estimados em R$ 6,7 bilhões.

Fundos católicos, tese agnóstica: a carteira de investimentos apoiada pelo Vaticano

10 de Fevereiro de 2026, 17:15

O Banco do Vaticano lançou, em parceria com a gestora Morningstar, dois índices de ações baseados em princípios católicos: o Índice de Princípios Católicos do Banco do Vaticano para a Zona do Euro e o Índice de Princípios Católicos do Banco do Vaticano para os Estados Unidos.

Cada índice reúne 50 empresas de médio e grande porte nos setores de tecnologia, financeiro e telecomunicações, selecionadas por critérios éticos e morais.

São excluídas companhias envolvidas com aborto, contraceptivos, pesquisa com embriões, pornografia e armamentos controversos. Entre elas estão Johnson & Johnson, Pfizer, Disney e fabricantes de armamento nuclear, além de multinacionais como LVMH e Schneider Electric, consideradas fora dos princípios definidos pelo Vaticano.

No índice norte-americano, Meta e Amazon têm os principais pesos, enquanto na Europa lideram ASML Holding, Deutsche Telekom e SAP. Além das exclusões, os índices priorizam empresas que “promovem o bem comum, a justiça social e a ecologia integral”, segundo a Doutrina Social da Igreja.

A Morningstar aplica filtros quantitativos e qualitativos para assegurar que as empresas selecionadas estejam alinhadas à doutrina católica.

Embora siga princípios éticos, a carteira do Banco do Vaticano adota uma tese de investimento que também considera desempenho financeiro e qualidade dos ativos, independentemente da fé do investidor. A “agnosticidade percebida” é relativa.

Os critérios éticos permanecem válidos, mas empresas como Nvidia e Meta entram na carteira com base em sua performance: a Nvidia representava cerca de 8% do ETF Global X CATH em fevereiro de 2026, enquanto a Meta acumulou valorização de mais de 200% desde 2016.

Outros fundos

Fundos como o ETF Global X S&P 500 Catholic Values Index (Índice de Valores Católicos) e os Ave Maria Mutual Funds (Fundos Mútuos Ave Maria) mostram que a abordagem de investimentos guiada por princípios católicos pode gerar retorno financeiro ao longo do tempo. Os Ave Maria Mutual Funds, criados em 2001, acumulam US$ 3,8 bilhões em ativos sob gestão até 2025.

Já o ETF Global X CATH, listado na Nasdaq em 18 de abril de 2016, rastreia o S&P 500 Catholic Values Index (criado em 2015) e registra valorização acumulada de mais de 214% desde seu lançamento, incluindo ganho de 16% em 2025. Entre suas principais posições estão Nvidia, Microsoft, Apple, Alphabet (Google) e Amazon.

Reputação e escândalo

Para o Banco do Vaticano, a iniciativa também tem objetivo estratégico de reorganizar seus investimentos após décadas de escândalos financeiros, incluindo casos de lavagem de dinheiro e perdas de US$ 200 milhões em 2022.

Em outubro de 2025, o Papa Leão XIV aprovou regras que diversificam os investimentos do Vaticano entre a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica e outras instituições, aumentando transparência e ativos líquidos do banco para US$ 7 bilhões.

Analistas projetam que ETFs rastreando o Índice de Princípios Católicos do Banco do Vaticano para a Zona do Euro e o Índice de Princípios Católicos do Banco do Vaticano para os Estados Unidos poderão surgir até o fim de 2026, com US$ 500 milhões iniciais em ativos nos Estados Unidos e na Europa.

Desde a sua criação em 1942, o Banco do Vaticano desempenha funções financeiras ligadas à Igreja Católica, administrando recursos destinados a obras religiosas e sociais. Apesar de não atuar como um banco comercial, mantém operações internacionais e desenvolve índices e fundos com critérios éticos, combinando gestão financeira e princípios religiosos.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Seara, da JBS, compra duas granjas em SP e coloca mais frango no cardápio

5 de Fevereiro de 2026, 19:42

A Seara, unidade de aves e suínos da JBS, concluiu a compra de duas granjas da Céu Azul Alimentos em Ipiguá e Guapiaçu, no interior de São Paulo. O valor não foi divulgado e o negócio foi submetido à análise do Cade.

Segundo a companhia, a operação envolve a aquisição de ativos rurais ligados à produção de frangos de corte e consolida sob gestão direta estruturas que já abasteciam a Seara. As duas unidades forneciam ovos férteis e aves destinadas ao abate — por isso, a transação é descrita como uma internalização do fornecimento, sem ampliação da capacidade produtiva já existente.

De acordo com reportagem do Estadão, no formulário encaminhado ao Cade, o grupo controlador afirma que a compra pode otimizar a atuação na cadeia de frango de corte ao ampliar o controle sobre qualidade e custos, especialmente na etapa do ovo fértil.

Já a Céu Azul diz que a venda faz parte de uma reorganização do portfólio e de uma realocação de capital para frentes consideradas prioritárias, além de ajudar a otimizar sua estrutura financeira.

As empresas sustentam que há pouca sobreposição entre as atividades e que a integração vertical resultante é limitada, motivo pelo qual pedem análise em procedimento sumário e aprovação sem restrições.

A transação reforça o movimento da JBS de avançar em diferentes elos da cadeia de proteínas. Em 2025, a companhia entrou de forma mais direta no segmento de ovos ao adquirir 50% da Mantiqueira Brasil, uma das maiores produtoras da América do Sul.

@investnewsbr

A Mantiqueira e a JBS estão fazendo um investimento estratégico em ovos no mercado americano. 🐣🍳🇺🇸 #ovos #proteína #negócios

♬ original sound – InvestNews BR – InvestNews BR

Petrobras, Axia, Localiza… Veja as 8 ações mais indicadas pelas corretoras para fevereiro

5 de Fevereiro de 2026, 12:11

Itaú, Localiza, Vale, Petrobras, Cyrela, Bradesco, Aura Minerals e Axia. Essas são as ações mais indicadas por corretoras e bancos em fevereiro. É o que mostra a avaliação de 10 carteiras recomendadas feita pelo InvestNews.

São ações que se destacam em um momento de exuberância da renda variável vista poucas vezes nos últimos anos: o Ibovespa, por exemplo, superou os 187.334 pontos na terça-feira e deu um show em janeiro. Subiu 12,56%, o melhor início de ano desde 2021 – e um avanço até mais brilhante do que o do ouro. Boa parte desse movimento veio do fluxo de investidores estrangeiros, que voltaram os olhos para mercados emergentes, como o nosso, em meio à desvalorização do dólar.

E a expectativa é que, nos próximos meses, o dinheiro vindo de fora continue pingando nos emergentes. Por aqui, a perspectiva de cortes de juros nos próximos meses também ajuda: a renda fixa que acompanha a Selic perde um pouco do poder de atração e as ações ganham espaço no radar do investidor local.

Vale o aviso: nossa seleção não é uma recomendação de investimento, ok? A ideia é mostrar o que está acontecendo no mercado e quais tendências estão ganhando força. E é sempre bom lembrar: em renda variável, a melhor estratégia não é ficar trocando de papel todo mês, mas pensar no longo prazo.

As ações no radar do mercado em fevereiro

Itaú Unibanco (ITUB4)

Presente em sete das dez carteiras analisadas, o Itaú segue como uma das apostas mais recorrentes entre os analistas. A ação é negociada a R$ 42,88, mas há casas que projetam alta para R$ 50. O otimismo se apoia, principalmente, na expectativa de que o banco volte a acelerar a concessão de crédito em alguns segmentos específicos, agora que a instituição conseguiu estabilizar os níveis de inadimplência da carteira.

Além disso, o mercado espera que a margem financeira – a receita líquida de juros, que reflete a diferença entre o que o banco ganha ao emprestar dinheiro e o que paga para captar recursos – cresça a taxas de dois dígitos. Esse avanço deve ser impulsionado pela melhora dos spreads, ou seja, do quanto o banco ganha em cada operação de financiamento, e pela retomada gradual do crédito.

A ação negociada a 9,5 vezes o lucro projetado para 2026 (P/L) – esse múltiplo significa uma antecipação do potencial de crescimento do negócio. Na prática, o mercado está disposto a pagar R$ 9,50 hoje para cada R$ 1 de lucro que a empresa gera atualmente.

Isso acontece porque os investidores mantêm a perspectiva de que o grupo tende a atingir esse patamar no futuro. Não é exatamente barato, mas também não chega a ser caro – especialmente se o banco conseguir entregar crescimento consistente de resultados, segundos os analistas.

Localiza (RENT3)

Depois de um período mais turbulento, marcado por questionamentos sobre custos e margens, a Localiza começa a mostrar sinais mais claros de estabilização. Na leitura dos analistas, a companhia acertou a mão na estratégia: os reajustes de preços vêm sendo absorvidos sem perda relevante de volume, enquanto ganhos de eficiência operacional ajudam a sustentar a recuperação das margens.

Além disso, a gestão da frota tem sido conduzida com foco em rentabilidade. A empresa vem ajustando o portfólio de veículos e acelerando a renovação, com a retirada de carros mais rodados para elevar a qualidade dos ativos e melhorar os retornos. No segmento de seminovos, os impactos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) foram absorvidos e hoje estão refletidos nos preços, o que também é visto como algo positivo.

Nesse contexto, o valuation (valor percebido da empresa no mercado) também joga a favor. O papel negocia a cerca de 13 vezes o lucro projetado para 2026. O que significa isso? Que o mercado hoje aceita pagar R$ 13 pela ação para cada R$ 1 de lucro que a empresa deve gerar no ano. Em termos simples, isso indica que a ação não está cara e já embute expectativas mais moderadas, o que melhora a relação entre risco e potencial de retorno para o investidor.



Vale (VALE3)

2025 foi um bom ano para a Vale. A companhia entregou resultados sólidos nas três frentes em que atua – minério de ferro, níquel e cobre – e entrou em 2026 com expectativas mais positivas. A leitura de parte do mercado é que esse bom momento deve se estender ao longo dos próximos 12 meses, apoiado em fundamentos mais estáveis.

O principal motor desse otimismo segue sendo o minério de ferro. A expectativa de que o preço da commodity se mantenha acima de US$ 100 por tonelada ao longo do ano tem dado sustentação à tese da Vale.

Além disso, a oferta global pode ficar mais restrita, à medida que as minas pelo mundo envelhecem e perdem produtividade. A Vale, por outro lado, tem acesso a reservas de alta qualidade no Brasil, com baixo teor de sílica – o que reduz custos e aumenta a eficiência na produção de aço. Esse diferencial reforça a posição da empresa como uma das principais fornecedoras globais da matéria-prima e pode seguir favorecendo seus resultados.



Petrobras (PETR4)

Produção forte, ativos de alta qualidade e valuation baixo. Esses são alguns dos principais motivos que levam o mercado a apostar na petroleira brasileira, que aproveitou a recente alta do petróleo e acumulou uma valorização de 24%.

A empresa concentra boa parte da sua produção no pré-sal – região do litoral brasileiro onde o petróleo é mais produtivo, mais barato de extrair e que concentra as maiores reservas -, o que garante eficiência mesmo em cenários mais desafiadores, segundo analistas. Um possível catalisador adicional é a licença para perfuração de um poço na bacia da Foz do Amazonas, concedida ano passado. Os resultados devem ser conhecidos nos próximos dois anos, mas já alimentam as expectativas em torno de uma área que tem potencial de se tornar um novo pré-sal.

Outro ponto-chave é a forte geração de caixa, que sustenta expectativas elevadas para o pagamento de dividendos. O dividend yield – métrica que mede o retorno da ação apenas com proventos – gira em torno de 9% a 10% ao ano para 2026, patamar considerado atrativo em comparação com pares globais.

Cyrela (CYRE3)

Queridinha do setor imobiliário, a Cyrela tem chamado a atenção dos analistas por conta de uma carteira robusta de lançamentos, focados principalmente nos segmentos de média e alta renda em São Paulo, Rio de Janeiro e na região Sul.

O mercado enxerga margens elevadas, em torno de 36%, e um ROE (retorno sobre o patrimônio) próximo de 20%. Na prática, margens nesse patamar indicam que, a cada R$ 100 em vendas de imóveis, cerca de R$ 36 viram lucro operacional, antes de despesas financeiras e impostos. Já o ROE mostra a capacidade da empresa de gerar resultado com o capital dos próprios acionistas: para cada R$ 100 investidos, a Cyrela entrega aproximadamente R$ 20 de lucro ao ano.

Há ainda outro ponto a favor. Parte do mercado avalia que o valuation da Cyrela embute um cenário desafiador de juros altos – justamente em um momento em que cresce a expectativa de corte de taxas no Brasil. Soma-se a isso o fato de a empresa ser vista como o principal nome do setor para capturar o fluxo de capital estrangeiro, que segue forte na bolsa brasileira.


Bradesco (BBDC4)

Os papéis do Bradesco são negociados na casa dos R$ 21. Tem analista que projeta uma alta até R$ 25 para 2026. No geral, a leitura é que o banco pode se beneficiar da queda de juros no Brasil – até mais do que as outras instituicões financeiras. Um banco pode ganhar mais com a queda dos juros quando sua receita principal está mais ligada à atividade de crédito tradicional, que ganha mais tração com taxas menores.

O plano de transformação do banco também é visto como um impulsionador. Em resumo, é um um pacote de mudanças para tornar o banco mais eficiente, rentável e competitivo, depois de alguns anos de pressão sobre resultados.

Neste ano, existe expectativa de que o banco consiga ganhar escala, reduzir custos e dar um “up” nas operações, o que tende a melhorar a rentabilidade. Com isso, o ROE pode alcançar cerca de 15% até o fim de 2025 e avançar para algo próximo de 17% neste ano, indicando uma geração de lucro mais eficiente para os acionistas.


Aura Minerals (AURA33)

A Aura Minerals é uma mineradora de ouro que se beneficiou diretamente da forte valorização do metal nos últimos meses. A ação subiu 65% no ano passado e começou 2025 em alta. Mesmo com a correção recente do ouro, o papel segue no radar de quatro das dez carteiras analisadas, já que o cenário de incertezas globais continua favorecendo ativos considerados proteção, como o ouro.

Outro ponto que sustenta a tese é o valuation atrativo. A Aura negocia a um múltiplo P/NAV de 0,9 vez, enquanto mineradoras internacionais costumam operar acima de 1,3 vez. Em termos simples, o P/NAV compara o preço da empresa em bolsa com o valor estimado de suas reservas de ouro. Quando esse número fica abaixo de 1, como no caso da Aura, significa que o mercado está pagando menos do que o valor teórico dos ativos, o que sugere desconto em relação às pares.

Além disso, a tese não depende apenas de uma alta contínua do ouro. A expectativa é de forte geração de caixa, com crescimento de cerca de 18% no caixa operacional e de 50% no EBITDA – indicador que mede o desempenho operacional da empresa antes de juros, impostos e outros efeitos financeiros. Na prática, isso mostra que a Aura tende a ganhar mais dinheiro com sua operação, o que ajuda a sustentar o valor da ação mesmo em períodos de maior volatilidade da commodity.

Axia (AXIA3)

A Axia (antiga Eletrobras) pode se beneficiar da expansão do setor elétrico nos próximos anos, segundo os analistas. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) prevê um aumento de mais de 9 mil megawatts na capacidade instalada do país em 2026 – o que, na prática, significa mais usinas e maior demanda por energia. Em paralelo, mudanças regulatórias tendem a manter os preços de energia elevados, criando um ambiente favorável para empresas bem posicionadas no setor.

A empresa ganha relevância em momentos de maior volatilidade do mercado elétrico, quando cresce a necessidade de energia firme – aquela que pode ser entregue de forma contínua, sem depender tanto do clima. Com uma expectativa mais otimista para os preços da energia, essa combinação deve se traduzir em receitas mais robustas ao longo do tempo.

Além disso, segundo analistas, a Axia começa a se consolidar como uma boa pagadora de dividendos. Essa narrativa ficou mais evidente em 2025, quando a companhia anunciou pagamentos adicionais de R$ 4 bilhões, referentes a 2024, e outros R$ 4,3 bilhões no terceiro trimestre.

Fontes consultadas: Genial Investimentos, Itaú Unibanco, Santander, BB Investimentos, BTG Pactual, Safra, Ágora Investimentos, Daycoval, Rico e XP.

Queda do bitcoin faz mercado cripto perder o equivalente a duas Petrobras

2 de Fevereiro de 2026, 09:49

O fim de semana foi de estrago para o bitcoin (BTC) e as altcoins. A indústria de ativos digitais perdeu cerca de US$ 220 bilhões em valor de mercado entre o sábado (31) e o domingo (1º), segundo dados da plataforma CoinMarketCap. O tombo equivale a mais de duas Petrobras (PETR4), hoje avaliada em torno de US$ 98 bilhões.

A pancada nas criptomoedas reflete um combo nada amigável que tomou conta dos mercados nos últimos dias: tensões geopolíticas, incertezas sobre o rumo dos juros nos Estados Unidos, o setor de tecnologia andando em terreno instável – e levando as criptos junto – além de um dólar mais forte.

Esse cenário elevou a aversão global ao risco a níveis altos. Nessas horas, investidores tendem a reduzir exposição a ativos considerados mais voláteis – e o bitcoin e as demais criptos acabam no centro das vendas.

Um bom termômetro disso são os ETFs (fundos negociados em bolsa) à vista de BTC nos Estados Unidos. Na semana passada, esses produtos registraram quase US$ 1,5 bilhão em resgates, segundo dados da plataforma SoSoValue – o maior volume semanal de retiradas em quase um ano.

O movimento gerou burburinho no mercado cripto. Depois de ter renovado máximas recentemente, o bitcoin entrou em uma sequência mais prolongada de quedas, reacendendo um velho debate entre investidores: afinal, qual é o papel do BTC na carteira? Onde fica o argumento do “ouro digital”?

Na manhã desta segunda-feira (2), o bitcoin é negociado na faixa dos US$ 78 mil, com queda de 0,59% no dia e 11,30% nos últimos sete dias. O ethereum (ETH) cai 4,30% hoje, para US$ 2.303,11, e 20% no acumulado semanal.

“Baleias” nadam contra a maré

Apesar da pressão vendedora, há um movimento curioso por baixo da superfície.

Enquanto investidores de varejo apertam o botão de venda, muitas vezes realizando prejuízos, as chamadas “baleias” – grandes detentores de criptomoedas – aproveitam os preços mais baixos para acumular ativos, segundo dados da Glassnode divulgados pelo portal CoinDesk. O número de entidades com mais de 1.000 BTC subiu de 1.207 em outubro para 1.303 hoje.

Na prática, segundo André Franco, CEO da Boost Research, isso significa “uma transferência de riqueza das ‘mãos fracas’ para investidores de longo prazo que antecipam a recuperação do mercado”.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.

Bitcoin (BTC):  -0,59%, US$ 78.052,12

Ethereum (ETH): -4,30%, US$ 2.303,11

XRP (XRP): -0,32%, US$ 1,64

BNB (BNB): -0,39%, US$ 766,37

Solana (SOL): -1,33%, US$ 103,09

Outros destaques do mercado cripto

Regras do BC dão a largada. As novas regras para o mercado de criptomoedas, publicadas pelo Banco Central do Brasil no fim do ano passado, começam a valer hoje. Na prática, o BC passa a definir quem pode atuar no mercado local, quais autorizações são necessárias e como algumas criptomoedas devem ser enquadradas. Um ponto importante: as stablecoins passaram a ser tratadas como operações de câmbio.

Mais uma stablecoin brasileira no pedaço. O Brasil acaba de ganhar mais uma stablecoin atrelada ao real: a BRLN. Ela foi lançada pela empresa Núclea e deve ser usada, inicialmente, para dar suporte aos processos internos de liquidação e compensação da firma. Vale lembrar: só nos últimos dois meses, quatro stablecoins ligadas à moeda brasileira foram lançadas ou anunciadas. Somadas às que já existem, o país caminha para ter 11 stablecoins “made in Brazil”.

Visa e Mastercard jogam água fria nas stablecoins. Stablecoins estão em alta, ok. Mas gigantes dos pagamentos como Visa e Mastercard ainda veem pouco apelo dessas criptos para os pagamentos do dia a dia – ao menos por enquanto. Em calls sobre resultados, executivos das empresas disseram que, em mercados desenvolvidos, os consumidores já contam com meios digitais rápidos e eficientes para pagar, o que acaba limitando a demanda por stablecoins no varejo.

Quer saber mais sobre cripto? Assine o morning call do InvestNews!

Show do trilhão: debêntures ‘usadas’ superam todo o volume do mercado de capitais ‘zero km’

23 de Janeiro de 2026, 17:54

O mercado secundário de debêntures já é maior do que todo o mercado primário de capitais. A compra e venda de títulos do gênero antes do vencimento movimentou um volume 13% maior do que a soma de todas as emissões feitas por empresas brasileiras em 2025.

Trata-se de um movimento que tem a ver com a entrada de cada vez mais investidores pessoa física no mercado de títulos privados, que oferecem um bônus de remuneração comparados aos títulos públicos (mais sobre isso adiante).

Esses títulos movimentaram quase um trilhão de reais ou, mais precisamente, R$ 947,4 bilhões no mercado secundário de debêntures no ano passado. Mais do que os R$ 838,8 bilhões que as empresas captaram por meio de emissões de títulos – contando ações, notas comerciais, notas promissórias, Fdics, FIIs, CRIs, CRAs e as debêntures primárias (vendidas diretamente pelas empresas).

Em tempo: o mercado secundário é o ambiente de negociação dos títulos “usados”, ou seja, aqueles já em circulação e que o investidor quer passar para a frente antes do vencimento. Já o primário se refere aos papéis “zero km” – os novos lançamentos, que as próprias empresas vendem ao público para levantar recursos.

Esse mercado de segunda mão cresceu de maneira acelerada principalmente nos últimos dois anos. Saltou de R$ 444 bilhões em 2023 para R$ 707 bilhões no ano seguinte, ou seja, um avanço de 59%. E de 2024 para 2025, o volume subiu para quase um trilhão de reais, com um incremento de mais 34%.

E agora o mercado secundário de debêntures já é quase duas vezes maior do que o mercado primário desses títulos. Veja aqui:

chart visualization

O crescimento acelerado do mercado secundário mostra o seguinte: que o apetite dos investidores pelas debêntures cresceu mais rápido que a oferta.

E entra aí a fome do investidor pessoa física, principalmente no caso das debêntures incentivadas, que oferecem isenção de imposto de renda à pessoa física. Esse perfil de investidor adquiriu 12,2% desses títulos emitidos em 2025. Foi um crescimento expressivo na comparação a 2024, quando os aplicadores individuais responderam por 9,8% do volume.

As incentivadas bancam projetos de infraestrutura, e o governo as mantém livres de IR para estimular o setor. E o motivo da atração é óbvio. Há debêntures incentivadas pagando até IPCA+10% ao ano, por uma década. É bem mais do que os títulos do Tesouro para o mesmo período, que estão no patamar de IPCA+7%.

Claro que se trata de um prêmio por conta do risco. A hipótese de o Tesouro não pagar é basicamente nula. Já uma empresa pode falir e deixar seus credores na mão. É a velha ausência de almoço grátis: quanto maior a taxa, maior o risco.

De qualquer forma, a ascenção das debêntures se retroalimenta, tornando o ativo mais atraente. É que o crescimento do mercado secundário das debêntures ajuda na liquidez. Na prática, significa que o detentor do papel tem muito mais chances de vender o título antes do vencimento se precisar em lugar de ficar preso à aplicação por um período que pode alcançar mais de uma década.

As incentivadas, por exemplo, têm prazo médio entre 8 anos e 15 anos. Mas há muitos papéis que alcançam até 20 anos de duração – os projetos de infraestrutura que geram essas emissões costumam ser de longuíssimo prazo, afinal.

A MP que foi sem nunca ter sido

O cenário macroeconômico não foi o único fator de impulso a esse crescimento. Em meados de 2025, o governo editou uma medida provisória (MP) que derrubava a isenção de IR para todos os produtos até então isentos, como LCI, LCA, CRI, CRA, FII e debêntures incentivadas. Isso a partir de janeiro de 2026. No fim, a ameaça não prosperou. A MP foi derrubada pelo Congresso em outubro do ano passado.

No entanto, durante todo o terceiro trimestre, houve uma espécie de corrida aos produtos isentos, porque as regras preservavam os investimentos feitos antes de 2026. Além dessa MP, o governo conseguiu aprovar uma reforma do próprio IR, que instituiu uma tributação de lucros e dividendos distribuídos a pessoas físicas com renda não tributada acima de R$ 600 mil por ano.

Essa mudança, que passou a valer a partir deste mês, incentivou a migração de recursos para instrumentos isentos. A avaliação de Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, reforça essa percepção. “A perspectiva de mexer nos títulos isentos e o potencial impacto da tributação de dividendos podem ter dado um impulso extra no terceiro e quarto trimestres.”

As emissões de debêntures incentivadas em 2025 cresceram 31,7% comparadas a 2024 para R$ 178 bilhões. Trata-se do nível mais elevado da série histórica da Anbima, que remonta a 2012.

O que empresas como a dona do Center Norte fazem quando um executivo-chave morre de repente?

23 de Janeiro de 2026, 14:04

Otto Baumgart (1980-2026) sempre teve sucessão corporativa como um assunto de primeira ordem. Integrante da terceira geração do grupo familiar dono da Vedacit e do Center Norte, o empresário, que por anos liderou o conselho de administração da família, faleceu em 12 de janeiro, aos 45 anos, vítima de um câncer. Do seu legado, ficaram a consolidação de uma estrutura de governança corporativa e de processo sucessório no Grupo Baumgart.

O negócio da família foi criado pelo avô de Otto em 1936, um descendente de alemães também chamado Otto Baumgart. E a preocupação com o legado do negócio, motivou Otto (o neto) a estudar o tópico “sucessão familiar” desde cedo – esse foi o tema de sua monografia de conclusão de curso no Mackenzie, onde fez administração, e mais tarde, um dos assuntos em que mergulhou durante uma extensão acadêmica na Harvard Business School.

No início dos anos 2000, quando ele e seus primos já tinham alguma presença na empresa, o temor de que a continuidade do negócio corria algum risco motivou a segunda geração (seu pai e seus tios), a chamar os mais novos para uma conversa. Era preciso entender se todos estavam dispostos a continuar unidos à frente do grupo.

Com o “sim”, a terceira geração – composta por 10 primos de três núcleos familiares – Otto trabalhou para criar um acordo de acionistas e um protocolo da família Baumgart, que definia regras de quem poderia trabalhar no grupo, a educação mínima necessária e a exigência de ter experiências profissionais em outras empresas.

Desde 2017, os Baumgart saíram da operação e profissionalizaram a direção executiva para deixar os integrantes da família no conselho de administração e nos comitês da empresa.

No conselho, os primos dos três núcleos familiares se revezam nas cadeiras e no comando, ao lado de conselheiros independentes – que atuavam, nas palavras de Otto, como “algodão entre cristais”, mediando os planos dos núcleos familiares durante a estrutura de rodízio na presidência do conselho.

“É benéfico porque dá oportunidade de cada um dos núcleos exercer um pouco o poder e dar sua velocidade e sua visão ao negócio”, disse Otto em entrevista em fevereiro de 2025 ao podcast Ypocast, do YPO Brasil. Naquele momento, já com o diagnóstico de câncer, ele dedicava maior parte do seu tempo ao tratamento médico e se preparava para assumir novamente, em abril deste ano, o conselho da companhia, hoje ocupado pela prima, Gabriela Baumgart.

Antecipação de conflitos

Uma estrutura como a do Grupo Baumgart tem importância redobrada quando o assunto não é apenas troca de comando, mas a perda repentina de um acionista relevante, especialmente em empresas familiares.

É como uma “tríplice perda”, descreve Wagner Luiz Teixeira, sócio e presidente da Höft, consultoria que desenhou planos de governança corporativa em diversas empresas familiares. Formam esse trio o luto da família, o buraco aberto na condução da companhia e, muitas vezes, um efeito societário imediato, com risco de pulverização de participação, disputa entre herdeiros e desalinhamento entre núcleos familiares.

Segundo uma pesquisa da PwC, menos de um quarto das companhias familiares brasileiras tinham planos de sucessão definidos. Um acordo prévio entre os acionistas, segundo Teixeira, vira um “seguro”, impedindo que a confusão patrimonial ou disputas entre herdeiros paralisem o negócio.” Esse acordo deve garantir que a sociedade tenha regras de saída e entrada. “É o que permite à empresa ter continuidade independentemente de quem são os herdeiros ou se eles têm interesse no negócio.”

Hoje uma das unidades de negócio da multinacional de alimentos General Mills no Brasil, a Yoki foi comprada em 2012 pela americana após um vácuo na liderança do negócio após a saída do fundador, Yoshizo Kitano, que criou a empresa nos anos 1980. A empresa virou alvo de disputa entre as famílias das herdeiras, Misako Matsunaga e Yeda Kitano Cherubini. E a rixa levou à venda, por R$ 2 bilhões.

“Quando você consegue estruturar os acordos com antecedência, você consegue minimizar qualquer rixa familiar porque é a vontade da primeira geração”, observa Milena Brentan, psicóloga especializada em desenvolvimento para alta liderança. Sem isso, a empresa fica refém da incerteza e da insegurança jurídica no momento de maior fragilidade emocional da família.

Passagem de bastão

Um desenho sucessório bem-estruturado também impede que o legado de uma companhia se perca. Segundo os especialistas, a institucionalização dos processos permite uma empresa operar mesmo com a falta repentina de um executivo importante.

A fabricante de pães Wickbold, comprada no fim de 2025 pela mexicana Bimbo, passou por uma situação assim no fim dos anos 2000. A operação era tocada por Ronaldo Wickbold, filho do fundador, e por seu sobrinho, Edilberto. A morte precipitada de Edilberto, aos 33 anos por conta de um aneurisma cerebral, no entanto, deixou a empresa desestabilizada.

A cartada foi buscar a profissionalização do negócio, trazendo mais executivos do mercado para a alta gestão. A inclusão de pessoas de “fora do ninho” não significou, porém, o afastamento da família do comando. De 2016 até a venda para a gigante mexicana, a Wickbold foi liderada pelo bisneto do fundador, Pedro Wickbold.

O primeiro movimento numa situação como essa, diz Brentan, é mapear os cargos críticos e “ter um plano traçado de quem deve substituir a pessoa que o ocupava”, explica Brentan, sejam pessoas internas ou trazidas de fora. Numa empresa de tecnologia, por exemplo, não só cargo de CEO é crítico, mas também o de CTO, que lidera o desenvolvimento tecnológico. Numa varejista, um diretor de operações, por exemplo, pode ter mais atribuições no dia a dia da empresa do que o CEO.

A partir daí, o caminho é distribuir responsabilidades daquele C-Level ou fundador entre os executivos que eram mais próximos do dia a dia, com o cuidado de não pulverizar demais as funções e tornar a estrutura de gestão mais complexa, diz Brentan.

“Quando um evento assim pega a companhia de surpresa, algumas ações acabam acontecendo a toque de caixa, e é aí que se vê se havia um plano de sucessão contínua de verdade. O ideal é ter um acompanhamento permanente das posições-chave, com planos desenhados com horizonte de médio e longo prazo”, acrescenta Luiz Marcatti, presidente da Mesa Corporate Governance.

Abílio Diniz
Abílio Diniz: no processo de sucessão, legado de paixão por varejo não se manteve (Foto: Divulgação)

Mas só os processos formais não são suficientes para garantir o legado. Na Península, empresa de investimentos do empresário Abílio Diniz, morto em 18 de fevereiro de 2024, a sucessão formal, com testamento e nomes combinados para o pós-morte foram endereçadas, segundo uma pessoa próxima ouvida pelo InvestNews. Só que não bastou.

“O investimento no Carrefour, no Brasil e no exterior, era uma vontade muito particular de Abílio”, diz essa fonte. Mas a Península vendeu toda sua participação no Carrefour em novembro do ano passado. “Ficou a impressão de que a família não tinha o mesmo apetite para carregar esse tipo de exposição e de engajamento.”

É preciso que haja uma “corrida de revezamento de bastão”, nas palavras de Teixeira, sócio da Höft. “Se o fundador toma todas as decisões sozinho até morrer, mesmo que exista um sucessor nomeado no papel, o legado é transmitido. Sem a vivência compartilhada das decisões, o sucessor recebe o cargo, mas não a ‘alma’ do negócio”. E na ausência de passagem de bastão, o mais provável é que a corrida acabe antes.

*Colaborou Felipe Mendes

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Templo do luxo nos EUA, Saks pede recuperação judicial

14 de Janeiro de 2026, 11:23

A Saks Global Enterprises entrou com pedido de recuperação judicial (Chapter 11) para lidar com prejuízos crescentes e uma dívida elevada que vem pesando sobre a icônica varejista de luxo – o que coloca gigantes como LVMH, Kering (dona da Gucci) e Chanel na lista de credores.

A companhia estimou que seu número de credores fique entre 10 mil e 25 mil, numa lista que inclui a Chanel, com cerca de US$ 136 milhões, seguida pela Kering (controladora da Gucci), com US$ 60 milhões. O conglomerado de luxo LVMH tem US$ 26 milhões a receber.

A empresa, que opera as lojas Saks Fifth Avenue junto com Bergdorf Goodman e Neiman Marcus, entrou com o pedido de Chapter 11 no Texas, segundo informou em comunicado.

A Saks nomeou o ex-CEO do Neiman Marcus Group, Geoffroy van Raemdonck, como novo CEO e disse que está avaliando sua “pegada operacional” para investir onde há maior potencial de longo prazo.

O movimento ocorre pouco mais de um ano depois de investidores de dívida terem fornecido à Saks bilhões de dólares em novas dívidas para ajudar a financiar a aquisição da Neiman Marcus. Mas, em poucos meses, esses títulos despencaram para níveis de forte estresse, e, no fim de 2025, a Saks deixou de pagar juros devidos a detentores de bonds, num total superior a US$ 100 milhões.

“Este é um momento definidor para a Saks Global, e o caminho adiante apresenta uma oportunidade relevante para fortalecer a base do nosso negócio e posicioná-lo para o futuro”, disse van Raemdonck no comunicado. Van Raemdonck substituiu Richard Baker, que deixou o cargo na terça-feira.

A Saks garantiu aproximadamente US$ 1,75 bilhão em financiamento, incluindo US$ 1,5 bilhão de um grupo ad hoc de detentores de bonds seniores com garantia da companhia, segundo o comunicado divulgado na quarta-feira. As lojas das marcas Saks Fifth Avenue, Neiman Marcus, Bergdorf Goodman e Saks OFF 5TH permanecerão abertas, acrescentou a empresa.

A varejista afirmou que espera manter todos os programas para clientes, fazer pagamentos futuros a fornecedores e continuar pagando salários e benefícios dos funcionários durante o processo de Chapter 11.

@investnewsbr

Entre inovação em produtos, experiência imersiva nas lojas e estratégias digitais, a Sephora mostra como mantém sua liderança em um mercado de beleza cada vez mais competitivo. #sephora #beleza #negócios

♬ original sound – InvestNews BR – InvestNews BR

Após aprovação do tribunal, o financiamento “debtor-in-possession” (DIP) de US$ 1 bilhão, vindo do grupo ad hoc, fornecerá liquidez para financiar as operações da Saks e iniciativas de reestruturação, disse a empresa no comunicado. Um adicional de US$ 500 milhões em financiamento ficará disponível quando a companhia sair da recuperação judicial — o que é esperado para mais tarde neste ano —, acrescentou.

Os provedores desse novo dinheiro também poderão incorporar (“roll up”) parte de seus bonds atuais na nova linha de financiamento, de acordo com um documento apresentado ao tribunal na quarta-feira.

Momento de virada da Saks

A recuperação judicial é um marco para a Saks, cuja história remonta a mais de 150 anos. Sua loja principal na Quinta Avenida de Nova York foi inaugurada em 1924, quando o trecho desse endereço — hoje um dos mais valiosos do mundo — era majoritariamente residencial. Nas décadas seguintes, o negócio se expandiu de costa a costa, tornando-se uma porta de entrada para a alta moda para muitos americanos, e abriu capital pela primeira vez em meados dos anos 1990.

Mas a empresa tem tido dificuldade para se adaptar às mudanças do setor, à medida que as marcas de luxo vendidas em suas lojas de departamento também passaram a comercializar diretamente ao consumidor. A varejista vinha negociando uma reestruturação com credores e avaliando outras formas de reforçar a liquidez — incluindo levantar financiamento emergencial ou vender ativos —, mas acabou optando pelo Chapter 11.

O caminho até a recuperação judicial foi turbulento em alguns momentos nas últimas semanas, à medida que credores se frustraram com a situação da empresa e com sua equipe de gestão. Foi apenas em junho que credores adicionaram centenas de milhões de dólares em dívida à Saks numa tentativa de melhorar suas finanças, como parte de um acordo que reorganizou a ordem de prioridade de pagamento entre os credores.

O acordo criou múltiplas camadas de detentores de bonds, cada uma com diferentes direitos sobre os ativos da companhia. A linha de crédito com lastro em ativos (asset-backed lending facility) da Saks também foi alterada para exigir que a empresa mantivesse um nível mínimo de liquidez excedente, mas o desempenho ficou abaixo do esperado desde então.

A Saks reduziu sua projeção para o ano inteiro em outubro, depois de reportar queda nas vendas ligada a desafios de gestão de estoques, e uma redução de 13% na receita, na comparação anual, para US$ 1,6 bilhão no segundo trimestre.

No documento apresentado ao tribunal, o diretor de reestruturação da Saks, Mark Weinsten, afirmou que o financiamento levantado durante o verão (no Hemisfério Norte) se mostrou insuficiente para quitar o que a empresa devia a parceiros comerciais ou para restabelecer o fluxo de estoques aos níveis planejados antes da temporada de fim de ano.

Isso não só afetou a receita, como também limitou a capacidade da companhia de acessar sua linha de crédito garantida por ativos. Por fim, no início de janeiro — um período de baixa sazonal para vendas —, a empresa enfrentou uma “tempestade perfeita” de desafios de liquidez.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Bitcoin pega embalo com ajuda dos ETFs e da inflação dos EUA

14 de Janeiro de 2026, 09:51

Depois de alguns dias em queda ou andando de lado, o bitcoin (BTC) acordou de melhor humor nesta quarta-feira (14) e voltou a namorar a faixa dos US$ 95 mil – movimento que respingou também nas demais criptomoedas.

Um dos impulsionadores foi a inflação ao consumidor dos Estados Unidos (CPI), que subiu 0,3% em dezembro e ficou em 2,7% em 2025. Tudo dentro do que o mercado já esperava.

“Os dados de inflação tinham potencial para funcionar como catalisador, ajudando o mercado a sair do congestionamento recente e buscar um movimento mais direciona”, disse Marco Aurelio Camargo, CIO da Vault Capital

A inflação, junto com o dado de emprego divulgado na semana passada, reforça a narrativa de que cortes de juros podem estar no horizonte – o que é sempre música para os ouvidos de quem investe em cripto e outros ativos de risco.

Agora, resta saber se o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) vai mesmo apertar o botão neste ano. Vale lembrar que Jerome Powell, presidente da instituição, anda sob uma pressão danada de Donald Trump, depois da abertura de uma investigação sobre um projeto de reforma de prédios históricos.

O empurrão dos ETFs

Outro empurrãozinho para o bom humor do mercado veio dos ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin nos EUA. Ontem, eles registraram entradas de US$ 753,7 milhões – o maior volume diário desde 7 de outubro, segundo a plataforma SoSoValue.

Esse tipo de fluxo costuma funcionar como um vento a favor para o preço do bitcoin. Quando entra mais dinheiro nos ETFs, os gestores precisam comprar BTC no mercado para montar as posições, o que aumenta a demanda e ajuda a puxar as cotações para cima.

O projeto de lei dos EUA

Além dos dados macro e do fluxo para os ETFs, há mais um ingrediente animando a indústria. Nesta quinta-feira (15), o Senado dos EUA deve votar o Clarity Act, um projeto super aguardado que busca criar um marco regulatório para o setor cripto.

Havia, porém, um trecho do texto que vinha tirando o sono dos players: a possível proibição de stablecoins pagarem rendimento. Hoje, por exemplo, quem deixa o dólar digital USDC “parado” em certas plataformas consegue algo perto de 3,5% ao ano.

Só que o clima mudou. O comitê bancário da Casa apresentou uma espécie de ajuste na proposta e, pelo que está desenhado agora, a ideia é liberar esse tipo de recompensa. Ou seja: as stablecoins ganharam uma sobrevida no jogo da renda passiva.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h40.

Bitcoin (BTC):  +3,31%, US$ 95.043,27

Ethereum (ETH): +5,15%, US$ 3.291,10

XRP (XRP): +3,03%, US$ 2,12

BNB (BNB): +2,92%, US$ 933,50

Solana (SOL): +1,83%, US$ 144,40

Outros destaques do mercado cripto

Bancos não curtem a renda passiva das stablecoins. Como era de se esperar, os bancos não estão nada animados com essa história de stablecoins pagando rendimento. O CFO do JPMorgan, Jeremy Barnum, disse que isso cria uma espécie de “sistema bancário paralelo”. Segundo ele, empresas de cripto estão oferecendo algo muito parecido com contas bancárias – rendem juros e tudo – só que sem o mesmo nível de supervisão, exigências de capital ou proteção ao investidor. Tradução: a disputa ficou séria.

Kobra entra no mundo dos NFTs. O muralista brasileiro Eduardo Kobra, conhecido no mundo todo, resolveu dar um pulo no universo cripto e transformar suas obras em tokens não fungíveis (NFTs). Para quem anda meio por fora: NFT é um bem digital único, registrado em blockchain. Esse mercado esfriou nos últimos anos, mas já viveu dias de glória – com obras sendo vendidas por milhões de dólares.

Imóvel de luxo vira token no Brasil. A onda da tokenização – o processo de transformar ativos tradicionais em tokens na blockchain – segue firme no Brasil. A startup Rooftop captou R$ 17,2 milhões com tokens imobiliários lastreados em um imóvel de alto padrão no condomínio Quinta da Baroneza, localizado entre Itatiba e Bragança Paulista, em São Paulo. Na prática, é o mercado imobiliário mergulhando cada vez mais na tecnologia por trás das criptos.

Quer saber mais sobre cripto? Assine o morning call do InvestNews!

Novo Nordisk, fabricante do Wegovy, mostra apetite por negócios no setor de perda de peso

14 de Janeiro de 2026, 09:02

A Novo Nordisk voltou ao mercado em busca de aquisições para fortalecer seu portfólio de obesidade, após perder a biotech americana Metsera em uma disputa de ofertas com a Pfizer no fim do ano passado.

“Estamos no mercado para negócios grandes ou pequenos”, disse o diretor-presidente Mike Doustdar em entrevista durante a Conferência de Saúde do JPMorgan, em San Francisco. “Desde que seja complementar aos nossos próprios ativos, podemos fazer aquisições muito grandes, muito grandes mesmo, mas precisa valer a pena e ser muito melhor do que o que já temos.”

A Novo tenta uma recuperação após perder a confiança de muitos investidores em 2025. Apesar de ter sido pioneira no mercado de medicamentos contra a obesidade, a empresa dinamarquesa tem enfrentado dificuldades para competir com a Eli Lilly e viu seu pipeline de novos medicamentos ficar aquém das expectativas.

“A Novo tem um balanço sólido e um poder de fogo significativo para realizar fusões e aquisições se a oportunidade certa surgir”, disse Michael Shah, analista da Bloomberg Intelligence. “Dito isso, poucas empresas oferecem um portfólio tão amplo em obesidade quanto a Metsera.”

Aquisições de grande porte provavelmente trariam sobreposição com o portfólio atual da Novo e exigiriam a venda de ativos, acrescentou Shah, o que torna acordos de licenciamento e aquisições complementares (bolt-on) uma abordagem mais provável.

Uma peça-chave da estratégia de Doustdar é uma versão oral do blockbuster injetável Wegovy, da Novo, que começou a ser vendida neste mês nos Estados Unidos. A demanda pelo comprimido tem sido boa, embora ainda seja cedo, disse ele em entrevista à Bloomberg TV.

A Novo saiu na frente da Lilly ao lançar o comprimido, embora a farmacêutica americana planeje começar a vender um produto concorrente a partir do segundo trimestre.

As ações da Novo subiram 18% neste ano até o fechamento de terça-feira, impulsionadas pelo otimismo em torno do comprimido. Na quarta-feira, os papéis ficaram praticamente estáveis em Copenhague.

“Vamos acompanhar de perto como a Novo vai alavancar sua vantagem de pioneira”, afirmou o analista da BMO Capital Markets Evan David Seigerman em nota. “Apreciamos a abordagem da empresa para navegar em um mercado cada vez mais competitivo e aguardamos atualizações sobre o lançamento do Wegovy em comprimido para validação estratégica.”

Chegando com força

Doustdar levou toda a sua equipe executiva à conferência do JPMorgan, uma mudança em relação à estratégia adotada pela empresa em anos anteriores. Segundo ele, a ideia era que todos estivessem presentes para se reunir com potenciais parceiros.

“Há muita coisa que não é inventada dentro da minha própria casa”, disse ele. “Precisamos ser humildes ao analisar, avaliar e, possivelmente, seguir adiante com isso.”

A Novo abandonou a disputa acirrada pela Metsera em novembro, depois que a Pfizer ofereceu até US$ 10 bilhões pela startup de medicamentos contra a obesidade. Doustdar afirmou que costuma ser questionado sobre até onde estaria disposto a ir em busca da próxima grande aposta.

“Não existe um valor específico”, disse ele em uma apresentação na conferência. “Pode ser 20, pode ser 30, pode ser 40. Podemos pagar, mas precisa valer a pena.”

A Novo também segue tentando combater versões manipuladas mais baratas de seu blockbuster contra a obesidade, o Wegovy. A empresa afirma que até 1,5 milhão de pacientes ainda utilizam medicamentos GLP-1 manipulados.

Doustdar disse que está pedindo paciência aos investidores na conferência enquanto busca construir crescimento de volume para compensar os cortes de preços dos medicamentos contra a obesidade que negociou no ano passado com o governo dos EUA. Segundo ele, os cortes terão impacto imediato, enquanto a Novo precisará de tempo para expandir o mercado e alcançar mais pacientes.

“Esta é uma redução de preço muito grande”, afirmou. “Isso terá um impacto significativo.”

Além das cópias manipuladas, a Novo enfrentará, pela primeira vez neste ano, genéricos licenciados da semaglutida, o principal ingrediente do Ozempic e do Wegovy. A barreira à entrada de genéricos caiu neste mês no Canadá, e as patentes devem expirar na China, no Brasil e na Índia a partir de março.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Apple recorre ao Google para acelerar estratégia de IA e nova Siri será alimentada pelo Gemini

12 de Janeiro de 2026, 19:41

A Apple anunciou nesta segunda-feira (12) uma parceria com o Google para usar os modelos Gemini como base da próxima geração de sua plataforma de inteligência artificial.

Segundo comunicado conjunto, a tecnologia vai sustentar futuros recursos do Apple Intelligence, incluindo uma versão mais personalizada da Siri, com lançamento previsto ainda para este ano.

No texto, a Apple afirmou ter concluído que a tecnologia do Google oferece atualmente a “base mais avançada” em modelos de IA. O acordo ocorre após dificuldades da companhia em emplacar sua própria estratégia de inteligência artificial.

Desde o anúncio do Apple Intelligence, em junho de 2024, a empresa enfrentou atrasos sucessivos na entrega da nova Siri e de outros recursos prometidos, além de críticas sobre a utilidade prática das ferramentas lançadas. Parte das funcionalidades chegou a ser adiada para 2026, e a área de IA passou por mudanças internas de liderança nos últimos meses.

Hoje, a Apple já mantém um acordo com a OpenAI para integrar o ChatGPT à Siri em tarefas específicas, e ainda não está claro como essa parceria coexistirá com a nova arquitetura baseada no Gemini.

Apple e Google afirmaram que o acordo terá duração de “vários anos”, sem detalhar o prazo.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Países da União Europeia aprovam acordo com o Mercosul e criam maior zona de livre-comércio do mundo

9 de Janeiro de 2026, 10:10

Os países da União Europeia apoiaram um acordo comercial com o Mercosul, abrindo caminho para que a UE assine seu maior acordo de livre comércio na próxima semana.

Embaixadores da UE apoiaram o acordo em uma reunião em Bruxelas na sexta-feira (9), apesar da oposição da França e de vários outros países, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, que falaram sob condição de anonimato. A aprovação exigia apenas uma maioria qualificada dos Estados-membros.

A decisão significa que a presidente da Comissão Europeia Úrsula von der Leyen provavelmente assine o acordo no Paraguai em 12 de janeiro.

O acordo, que também inclui Brasil, Uruguai e Argentina, concluirá 25 anos de negociações para eliminar tarifas e impulsionar as exportações, criando um mercado integrado de 780 milhões de consumidores. O acordo, no entanto, tem se mostrado bastante controverso, principalmente entre os agricultores europeus, que temem uma entrada maciça de importações agrícolas na UE.

Na véspera da decisão, agricultores protestaram no centro de Paris, enquanto manifestações ocorreram na Polônia na sexta-feira. A Irlanda estava entre os países que votaram contra o acordo.

Os líderes da UE esperavam aprovar o pacto durante sua cúpula no mês passado, mas a oposição de última hora da Itália, que se tornou o voto decisivo, frustrou o acordo.

No fim, porém, Roma apoiou a proposta na reunião de sexta-feira, em parte devido ao dinheiro extra oferecido pela Comissão no início desta semana aos agricultores no próximo orçamento de longo prazo da UE.

As medidas de salvaguarda oferecidas aos agricultores também ajudaram a influenciar a Itália. Entre elas, o compromisso de abrir uma investigação sobre a possível suspensão das tarifas preferenciais caso haja um aumento no volume de importações da América do Sul ou uma queda nos preços em comparação com a média dos últimos três anos.

O limite a partir do qual esta investigação seria iniciada foi fixado em 5%, abaixo da proposta mais recente de 8%, após pressão de países como Itália e França, bem como do Parlamento Europeu.

A França, que tem consistentemente se oposto ao acordo comercial, alegando que prejudicaria os agricultores e consumidores europeus, votou contra o acordo.

“A França é favorável ao comércio internacional, mas o acordo UE-Mercosul é um acordo de outra época, negociado por muito tempo com base em princípios já ultrapassados”, afirmou o presidente francês Emmanuel Macron em uma publicação no X na quinta-feira. “Não se justifica expor setores agrícolas sensíveis e essenciais a riscos para a nossa soberania alimentar”, escreveu Macron.

Mais de duas décadas

O pacto comercial UE-Mercosul, que também precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu, é o maior já negociado por Bruxelas. Por mais de duas décadas, as negociações foram interrompidas e retomadas repetidamente, enquanto as autoridades tentavam apaziguar as preocupações relativas à proteção ambiental e aos padrões agrícolas do Mercosul. No entanto, países como Alemanha e Espanha são fortemente favoráveis ao acordo, que abrirá novas oportunidades de exportação.

A Bloomberg Economics estima que o acordo impulsionaria a economia do Mercosul em até 0,7% e a da Europa em 0,1%. No plano geopolítico, também fortaleceria a presença da UE em uma região onde a China se consolidou como um importante fornecedor industrial e comprador de commodities.

Copa do Mundo e geladeira bivolt: os trunfos da LG para disputar mercado com Samsung e Brastemp

9 de Janeiro de 2026, 06:00

Três décadas depois de desembarcar no Brasil, a sul-coreana LG começa 2026 com um plano apoiado em duas grandes frentes para ampliar sua receita no país em 30% nos próximos dois anos. Hoje, o mercado brasileiro já figura entre os três maiores da companhia no mundo, ao lado da Coreia do Sul e dos Estados Unidos.

A estratégia da multinacional combina o aumento da procura por televisores em um ano de Copa do Mundo com uma inflexão mais estrutural na chamada linha branca — que inclui geladeiras, máquinas de lavar e outros eletrodomésticos —, marcada pela inauguração de uma fábrica bilionária no Paraná no segundo semestre.

Segundo Rodrigo Fiani, vice-presidente de vendas da LG no Brasil, é justamente nos segmentos de refrigeradores e lavadoras que está a principal fonte de receita da companhia no mundo, mas que ainda não se traduziu em escala no mercado brasileiro. “No Brasil, essa presença ainda é tímida porque praticamente todo o portfólio é importado”, diz.

Brasil na tela

Para as fabricantes de TV, como a LG, há um momento que funciona como espécie de Copa do Mundo: a própria Copa do Mundo. É nesse período que os brasileiros tendem a adiantar a troca de aparelho, m migrando para modelos maiores.

Na avaliação da companhia, porém, o consumidor está mais seletivo. Passou a valorizar características que vão além do tamanho e do preço.

Qualidade de imagem em ambientes iluminados, taxas de atualização mais altas para esportes e games e integração com plataformas de streaming ganharam mais peso na decisão de compra. Segundo Fiani, em um mercado maduro o consumidor não troca mais a TV apenas por necessidade, mas pelo tipo de uso que espera fazer do aparelho.

Rodrigo Fiani, vice-preisdente de vendas da LG no Brasil
Rodrigo Fiani, vice-preisdente de vendas da LG no Brasil (Divulgação)

O mercado brasileiro de televisores é liderado pela Samsung, que construiu ao longo dos anos uma posição dominante tanto em volume quanto em percepção de marca, apoiada em escala e forte presença no varejo. 

A LG aparece logo atrás entre os principais players, disputando espaço sobretudo nos segmentos de maior valor agregado. Enquanto isso, fabricantes chinesas como a TCL avançam com força nas categorias intermediárias e aumentam a pressão competitiva sobre preços.

Mas, para a LG, o verdadeiro salto não está apenas no calendário esportivo. A aposta em TVs ajuda a ganhar fôlego no curto prazo, enquanto a virada mais estrutural da operação brasileira começa a ser preparada para a segunda metade do ano.

Fábrica bilionária

Se a Copa ajuda a impulsionar o curto prazo, é na linha branca que a LG aposta suas fichas — mais precisamente R$ 1,5 bilhão em fichas. O valor está sendo investido na construção de uma nova fábrica no Paraná, com inauguração prevista para o segundo semestre, voltada à produção local de refrigeradores e lavadoras.

O projeto marca a primeira tentativa consistente da companhia de ganhar escala em um mercado no qual, até aqui, sua presença era marginal. Hoje, o setor é dominado pela americana Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, além da sueca Electrolux. A LG possui 3% de participação em linha branca no país. A meta declarada é chegar a 20% de market share nos próximos anos.

Com 770 mil metros quadrados, a fábrica no Paraná nascerá focada na produção de geladeiras e terá capacidade inicial para fabricar até 500 mil unidades por ano, segundo a empresa. A partir de 2027, o plano prevê a entrada de máquinas de lavar e das lava e seca, ampliando o portfólio local.

Obras na futura fábrica de geladeiras e lavadoras da LG no município de Fazenda Rio Grande (PR)
Obras na futura fábrica de geladeiras e lavadoras da LG no município de Fazenda Rio Grande (PR) (Divulgação)

A ofensiva começa pelos refrigeradores, com o lançamento de 25 modelos já no primeiro ano de operação, cobrindo do segmento intermediário ao premium. A ideia, segundo Rodrigo Fiani, não é disputar apenas nichos de maior valor agregado, mas massificar a oferta e ganhar escala no varejo. O Brasil vende quase 5 milhões de geladeiras por ano, movimentando mais de R$ 15 bilhões a cada 12 meses, com forte concentração nos produtos de preço intermedário.

Um dos símbolos dessa abordagem é a aposta em geladeiras bivolt — uma característica ainda pouco disseminada no mercado brasileiro. Mais do que um diferencial técnico para o consumidor, o recurso tem impacto direto na cadeia de vendas. “Para o varejista, ter um único produto que funciona em qualquer voltagem simplifica muito a operação e reduz erros na hora da compra”, diz Fiani.

Até aqui, a atuação da LG na linha branca no Brasil era limitada pela dependência de produtos importados, o que restringia o portfólio aos modelos mais caros. “Quando tudo vem de fora, não faz sentido eu encher o contêiner com produtos de menor preço. O custo logístico acaba empurrando a operação para o topo do portfólio”, afirma o executivo.

Geladeira e lavadoras da LG
Geladeira e lavadoras da LG: produtos de linha branca atualmente são importados (Bloomberg)

Com a produção local, essa lógica muda. A fabricação no Brasil permite ampliar o leque de modelos, reduzir custos e tornar os preços mais competitivos. Hoje, a geladeira mais barata da LG custa cerca de R$ 3 mil, enquanto modelos equivalentes de concorrentes partem de R$ 2 mil — uma diferença que a companhia espera reduzir à medida que a nova planta entre em operação.

Hoje, a principal fonte de receita — e, sobretudo, de lucro — da LG é a divisão de Home Appliance Solution, responsável pela linha branca do grupo. No terceiro trimestre do ano passado, a unidade faturou US$ 4,9 bilhões gloobalmente, e registrou lucro operacional US$ 270 milhões.

O contraste aparece quando se olha para o negócio de TVs. A divisão de Media Entertainment, que reúne televisores e outros produtos de entretenimento doméstico, foi a segunda maior em receita no mundo, com US$ 3,4 bilhões no 3T25. Ainda assim, o segmento encerrou o período com prejuízo operacional, refletindo a pressão de preços e a competição acirrada.

No consolidado, a LG global registrou receita líquida US$ 16 bilhões — e lucro operacional US$ 500 milhões. A empresa não divulga números específicos da operação brasileira.

O próximo Lehman pode ser cripto? O risco escondido nas stablecoins

8 de Janeiro de 2026, 17:49

As stablecoins – criptomoedas atreladas a outros ativos, como o dólar – cresceram rápido demais. Hoje, já somam um valor de mercado de cerca de US$ 317 bilhões, o equivalente a 10% dos US$ 3,1 trilhões da indústria de ativos digitais. Tradicionalmente, elas são usadas para trading. Porém, aos poucos, também vêm invadindo o sistema financeiro: aparecem em remessas internacionais, plataformas de pagamento, compra de títulos públicos e até em parcerias com gigantes como Visa e Mastercard.

É algo inovador sim – afinal, cripto é mais rápida, funciona 24 horas por dia e corta intermediários, reduzindo um bocado dos custos. Mas esse avanço todo também acende um alerta. Se essas moedas digitais estão com os braços espalhados por todo o sistema financeiro, um problema maior com seus emissores – risco inerente a qualquer empresa, especialmente num setor cuja regulação ainda está sendo construída – pode virar o estopim de um risco sistêmico. Ou seja, uma bela bagunça em escala global.

Risco sistêmico é quando o problema de uma parte do sistema tem efeito dominó e começa a derrubar o resto. Imagine um grande banco quebrando: outras instituições têm dinheiro aplicado nele, empresas dependem dele para operar, investidores entram em pânico, o crédito trava e a economia desacelera. Um exemplo clássico é a quebra do Lehman Brothers, em 2008, que tinha cerca de US$ 639 bilhões em ativos e espalhou a crise pelo mundo inteiro.

Cripto é igual? Não exatamente – mas a lógica do risco é parecida.

Se uma stablecoin grande quebrar (poucas dominam o mercado), o problema não fica restrito a ela: exchanges que usam essa moeda como base de negociação travam, fundos e empresas que guardam caixa nelas ficam com buracos no balanço e até o mercado de títulos públicos pode sentir o impacto, porque eles compõem parte do lastro delas. O filme é conhecido: pânico, vendas forçadas, contágio e crise de confiança.

“Elas (as stablecoins) se tornaram fundamentais para pagamentos, liquidação e liquidez internacional. Com o crescimento da tokenização e parcerias com bancos tradicionais, uma crise geraria um choque de liquidez imediato em empresas que as utilizam para capital de giro e pagamentos”, disse Gabriel Fioravante, professor da FIA Business School.

“Os sinais de contágio aparecem no volume investido e no interesse crescente de instituições como Morgan Stanley e Bank of America, além de empresas de pagamento como Visa, Mastercard e PayPal”, falou Humberto Aillón, professor da FIPECAFI.

Vamos por partes.

Risco de concentração extrema

Hoje, as duas maiores stablecoins mercado – a USDT e a USDC – concentram 82% do valor de mercado das stablecoins. A USDT, sozinha, abocanha pouco mais da metade – 58,68%. É uma gigante cripto. Isso cria um problema simples: se essas duas empresas tiverem problemas, quase todo o mercado sente. É o clássico problema de “too big to fail” no mundo cripto.

E não existe “banco central das stablecoins”. Em crises do sistema tradicional, essas entidades podem comprar títulos públicos, ativos privados, injetar liquidez no sistema, abrir linha de crédito etc. Mas no caso das stablecoins, não há nada disso.

Volatilidade e risco de corrida

Mesmo prometendo estabilidade, stablecoins podem perder a paridade se houver dúvidas sobre reservas ou governança. Em crises, investidores correm para sair ao mesmo tempo. Como nem todos conseguem resgatar direto no emissor, vendem no mercado com desconto, alimentando o pânico.

Isso já aconteceu.

A Tether, emissora da USDT, já perdeu a paridade em momentos de estresse. No fim do ano passado, a S&P Global Ratings, uma das principais agências de classificação de risco do mundo, rebaixou a capacidade da moeda de manter o vínculo com o dólar para a pior nota da escala, citando justamente falta de transparência e maior risco dos ativos.

Impacto no mercado de títulos públicos

Hoje, stablecoins já detêm cerca de 2% de todos os T-bills (títulos americanos de curto prazo), segundo relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) publicado no final do ano passado. Veja o caso da Tether. Seu último balanço mostra US$ 127 bilhões em treasuries – mais do que a Alemanha. É ótimo para o governo dos EUA, que tem cada vez mais compras de sua dívida. No entanto, apontou o FMI, isso também pode ser um problema.

Se continuarem crescendo, disse a entidade, eles podem distorcer o funcionamento desse mercado, pressionando os juros (rendimento) para baixo. Pior: em caso de corrida, o emissor teria de vender enormes volumes de títulos de uma vez, causando “fire sales” (venda forçada e apressada de ativos) e bagunçando mercados que são a base do sistema financeiro e da política monetária.

“Uma deterioração grave nesses mercados poderia potencialmente exigir a intervenção do banco central. Além disso, uma deterioração no mercado de títulos do Tesouro poderia impactar negativamente a capacidade do governo de captar recursos”, disse a entidade.

Concorrência com depósitos bancários

Se stablecoins se tornarem amplamente usadas fora do sistema bancário tradicional (por exemplo, em pagamentos ou reservas de valor), isso pode reduzir depósitos bancários – o que enfraquece uma fonte tradicional de financiamento para bancos, segundo o FMI. Essa perda de depósitos pode, em teoria, reduzir a capacidade dos bancos de emprestar à economia e aumentar o custo do crédito se os bancos tiverem que substituir esses depósitos por fontes de financiamento mais caras

Em países frágeis, stablecoins em dólar podem substituir a moeda local rapidamente. Isso poderia enfraquecer o controle do banco central sobre juros e liquidez, reduz a arrecadação de senhoriagem (o “lucro” que um governo obtém ao emitir dinheiro) e dificulta a política monetária, ainda segundo a entidade. E isso pode acontecer muito mais rápido do que a dolarização tradicional, porque stablecoins funcionam via celular e internet.

Regulação poderia dar um help?

A regulação normalmente chega depois da tecnologia – e no caso das stablecoins isso tem se confirmado. Regras e supervisão ainda variam muito entre países, o que pode ser um problema sério se algo der errado.

Alguns países e blocos já avançaram: exigem reservas um pouco mais transparentes, mecanismos de resgate e proteção ao cliente, e estabeleceram frameworks específicos para moedas digitais. No ano passado, os Estados Unidos publicaram a Genius Act, visto por analistas como um grande avanço para o setor. Também tem a regulamentação de mercados de ativos digitais europeia, a MiCA. Enquanto isso, outros países ainda estão no começo – ou sequer têm legislação clara.

Essa desigualdade, segundo o Banco Central Europeu (BCE), cria lacunas regulatórias que podem ser exploradas por emissores de stablecoins escolhendo operar em lugares com regras mais leves. Falando especificamenteo do bloco, a entidade disse seguinte:

“As discrepâncias globais entre as jurisdições constituem a principal fonte de risco das stablecoins para a zona do euro. Apesar das muitas semelhanças entre os diversos conjuntos de legislação, permanecem diferenças importantes em relação aos requisitos de reserva e se as taxas de resgate são permitidas ou não, por exemplo. Essas diferenças facilitam a arbitragem regulatória”.

O professor Humberto Aillón, da FIPECAFI, lembrou que, no Brasil, o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) vêm trabalhando com foco na segurança do investidor. A regulamentação foi publicada no fim do ano passado e aumentou as exigências de reservas, regras de custódia e governança, em linha com o marco legal dos criptoativos (Lei 14.478/22).

Ainda assim, por se tratar de uma classe de ativos relativamente nova e muito dependente de infraestrutura de blockchain e tecnologia, o consenso no mercado é que a regulação ainda tem bastante espaço para ajustes e melhorias, disse.

O lado A

Existe todo esse medo, mas nem tudo é problema – claro. Apesar dos riscos, as stablecoins resolvem problemas reais – como já foi falado muito por aqui e em vários veículos. Elas tornam pagamentos internacionais mais rápidos e baratos, podem ser usadas para viagem, reduzem intermediários, funcionam de domingo a domingo, e já estão sendo usadas por empresas e bancos para liquidação financeira.

Além disso, as firmas emissoras estão se mexendo e melhorando cada vez mais. “A transparência melhorou significativamente. Emissores como a Circle (dona da USDC) utilizam a BlackRock para gerir reservas, com auditorias regulares e verificáveis”, lembrou Fioravante, professor da FIA Business School. Contudo, falou, o mercado ainda cobra auditorias “em tempo real” para garantir que cada token tem 100% de cobertura em ativos seguros, e não em papéis comerciais de menor qualidade

O ponto, dizem especialistas, não é frear a tecnologia. É impedir que ela cresça rápido demais sem uma rede de proteção, como já aconteceu tantas vezes na história do sistema financeiro.

Bitcoin escorrega com aversão ao risco e ruído técnico

7 de Janeiro de 2026, 09:55

O bitcoin (BTC) não conseguiu sustentar a alta do início da semana e amanheceu no vermelho nesta quarta-feira (7), perdendo o patamar dos US$ 93 mil.

No cenário macro, a criptomoeda reage a um leve aumento da aversão ao risco, em meio à expectativa por dados de emprego nos Estados Unidos e às incertezas geopolíticas envolvendo o petróleo.

Hoje, os EUA divulgam o relatório de emprego privado da ADP de dezembro e, mais tarde, a pesquisa JOLTS de vagas e rotatividade. Esses indicadores são importantes porque ajudam a calibrar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve (Fed).

No campo geopolítico, os olhos seguem voltados para o desenrolar da prisão de Nicolás Maduro, que adiciona mais uma camada de incerteza ao cenário global.

Os ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin dos EUA sentiram o clima. Depois de registrarem o melhor dia desde o início de outubro no início desta semana, o fluxo virou para o negativo, com US$ 243 milhões em saques ontem.

A movimentação de capital nesses produtos, preferidos por investidores institucionais, costuma repercutir no preço do bitcoin – e vice-versa – em uma dinâmica quase cíclica.

Segundo a CryptoQuant, a demanda aparente on-chain (toda a movimentação registrada diretamente na blockchain) também segue fraca e precisaria de uma recuperação mais consistente para sustentar um retorno aos US$ 100 mil.

“Com o sentimento ainda incerto e o baixo volume de negociação no mercado, a demanda por um retorno à movimentação on-chain ainda não mostrou sinais sólidos de melhora”, disse a casa.

Falha no bitcoin?

Há outro burburinho no mercado. Na terça, desenvolvedores do bitcoin (BTC) divulgaram a existência de um bug em duas versões recentes do principal software da rede – o Bitcoin Core 30.0 e o 30.1 -, lançadas em outubro do ano passado.

Esse problema poderia apagar o conteúdo de carteiras antigas durante a migração em “raras circunstâncias”, disseram. Ou seja, poderia fazer o investidor perder suas criptomoedas. Mas calma: não é o fim do mundo.

Primeiro, porque os desenvolvedores já removeram o download das versões afetadas e prometeram uma correção. Segundo, porque nem de longe todo mundo usa essas versões – que, aliás, já vinham sendo pouco adotadas desde o lançamento.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.

Bitcoin (BTC):  -1,96%, US$ 91.951,45

Ethereum (ETH): -0,75%, US$ 3.212,19

XRP (XRP): -5,33%, US$ 2,24

BNB (BNB): +0,58%, US$ 905,79

Solana (SOL): -1,03%, US$ 137,65

Outros destaques do mercado cripto

Mais uma stablecoin brazuca na praça. Tem mais uma stablecoin brasileira chegando no pedaço. O ex-diretor do Banco Central Tony Volpon anunciou nesta semana, na CNN, que vai lançar o BRD, uma cripto lastreada em títulos públicos do Tesouro Nacional. Hoje, o Brasil já tem pelo menos seis stablecoins – BRZ, BRLA, cREAL, BBRL, BRL1 e BRLV – e a própria B3 revelou, no fim do ano passado, que também está desenvolvendo um token. O mercado cripto definitivamente não para.

Fundos cripto brasileiros ficam no vermelho. Os fundos brasileiros de criptomoedas terminaram 2025 com mais saídas do que entradas. No total, os produtos registraram um fluxo negativo de US$ 1 milhão, bem diferente dos US$ 234 milhões que entraram em 2024. O Brasil ficou na contramão do resto do mundo: globalmente, os fundos cripto tiveram influxos de US$ 47,2 bilhões no ano passado, pouco abaixo dos US$ 48,7 bilhões de 2024.

Morgan Stanley quer ETF cripto. O Morgan Stanley pediu à SEC (a CVM dos EUA) autorização para lançar um ETF de bitcoin à vista e um produto ligado à solana (SOL), mostrando que a velha guarda de Wall Street segue cada vez mais confortável com o mundo cripto. O pedido vem num momento em que esses produtos estão em alta: os ETFs de bitcoin nos EUA já somam US$ 123 bilhões sob gestão e seguem recebendo dinheiro novo, enquanto os fundos ligados à solana também já passaram da marca de US$ 1 bilhão.

Quer saber mais sobre cripto? Assine o morning call do InvestNews!

China usa novo combustível na corrida espacial: os IPOs

26 de Dezembro de 2025, 14:47

As empresas chinesas que desenvolvem foguetes comerciais reutilizáveis terão acesso a uma via rápida para ofertas públicas iniciais de ações no mercado que as isenta de algumas exigências financeiras, informou a Bolsa de Valores de Xangai nesta sexta-feira.

Pequim está tentando fechar uma lacuna em suas capacidades espaciais em comparação com os Estados Unidos, que praticamente dominaram a capacidade de retornar, recuperar e reutilizar o primeiro estágio de um foguete, ou booster, depois que ele é lançado.

A via rápida isenta as empresas chinesas de foguetes dos limites de lucratividade e receita mínima e, em vez disso, exige que elas tenham atingido marcos tecnológicos importantes, incluindo um lançamento orbital bem-sucedido usando tecnologia de foguete reutilizável.

SpaceX, de Musk, na mira chinesa

Atualmente, a norte-americana SpaceX, companhia aeroespacial do bilionário Elon Musk, detém quase o monopólio dessa tecnologia, e seu exclusivo foguete Falcon 9 é o único modelo reutilizável que é lançado regularmente e usado para colocar satélites em órbita.

No início deste mês, a principal empresa privada de foguetes da China, a LandSpace, tornou-se a primeira entidade nacional a realizar um teste completo de foguete reutilizável com o lançamento de seu novo modelo Zhuque-3, sinalizando ambição de alcançar a SpaceX.

Embora o lançamento não tenha conseguido concluir a etapa crucial de recuperação do propulsor do foguete, uma enxurrada de empresas estatais e privadas chinesas está agora correndo para testar o lançamento de seus próprios foguetes reutilizáveis.

Na órbita do capital

A LandSpace já disse que deseja demonstrar uma recuperação bem-sucedida do foguete em meados de 2026, quando o Zhuque-3 será lançado pela segunda vez. Mas ela disse que a natureza de capital intensivo do desenvolvimento de foguetes significa que precisará de acesso aos mercados de capital da China se quiser competir com a SpaceX.

As regras da bolsa de Xangai não determinam que as empresas de foguetes devem recuperar um foguete com sucesso, apenas que a tecnologia de foguetes reutilizáveis seja usada para colocar um satélite em órbita, algo que a LandSpace já conseguiu com o lançamento deste mês.

As empresas que realizarem missões nacionais ou participarem de grandes projetos espaciais liderados pelo Estado receberão apoio prioritário, de acordo com as novas diretrizes, que entrarão em vigor imediatamente, ressaltando o estreito alinhamento entre a atividade de lançamento comercial e as metas estratégicas mais amplas da China.

A China descreveu repetidamente o monopólio da SpaceX sobre os satélites de órbita baixa da Terra como um risco à segurança nacional e está promovendo ativamente suas próprias constelações de satélites, que espera que cheguem a dezenas de milhares nas próximas décadas.

Investir em dólar em 2026 faz sentido para os brasileiros?

26 de Dezembro de 2025, 10:39

Fazer previsões sobre investimentos internacionais e dólar nunca é simples – e fica ainda mais difícil quando o cenário reúne incertezas sobre juros, conflitos geopolíticos e eleições no Brasil. Ainda assim, alguns sinais começam a se desenhar e podem ajudar o investidor a pelo menos calibrar decisões para 2026.

O principal é o enfraquecimento do dólar no cenário global. Há certo consenso entre as casas de análise de que a moeda americana tende a perder valor. Não por acaso, bancos centrais vêm aumentando a parcela de ouro em suas reservas, em detrimento do dólar. Três fatores ajudam a explicar esse movimento:

Juros: boa parte do mercado trabalha com a hipótese de cortes de juros nos Estados Unidos em 2026. Quando as taxas caem, os títulos em dólar perdem parte da atratividade, o que tende a direcionar capital para outros ativos.

Inflação: a inflação americana segue mais elevada do que a da zona do euro e de outras economias desenvolvidas. Isso corrói o poder de compra do dólar frente a essas moedas.

Fiscal: O governo dos Estados Unidos vem ampliando gastos e elevando o déficit fiscal. Esse desequilíbrio pesa sobre a percepção do dólar como moeda porto seguro e como reserva de valor global.

Mas isso significa que o brasileiro deve evitar o dólar ou reduzir a exposição? Não necessariamente.

Por que vale ter exposição ao dólar?

Primeiro, porque a moeda segue forte no contexto internacional – o que se discute é uma redução marginal de exposição, não um abandono, e isso para quem já tem a divisa na carteira. E, segundo, porque a realidade do investidor brasileiro é distinta da do investidor global.

“O percentual alocado em outras moedas fortes nas carteiras de brasileiros é muito pequeno. Então, é preciso ajustar algo que está muito fora do padrão global. Na verdade, o Brasil é que é muito diferente do mundo, nesse sentido”, afirmou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.

Até 31 de dezembro de 2024, somente 29.068 brasileiros declararam ter ativos no exterior, segundo dados do Banco Central. É pouco. Só na renda fixa local, há pouco mais de 100 milhões de brasileiros, enquanto na renda variável há cerca de 5,4 milhões, segundo dados da B3.

Outro ponto, segundo Alves, é que 2026 tende a ser um ano de elevada volatilidade, impulsionada pela incerteza eleitoral no Brasil. Nos últimos dias, o mercado já teve uma amostra disso, com anúncios de candidaturas, pesquisas e ruídos políticos.

“Para o investidor brasileiro, como forma de proteção diante de um cenário tão binário, é fundamental ter exposição ao dólar”, disse.

Quando se fala em investir na moeda americana, muita gente pensa imediatamente em comprar dólar em uma casa de câmbio. É uma possibilidade, claro, mas não a única. Há alternativas tanto na renda fixa quanto na renda variável.

Renda fixa em dólar

Com a expectativa de queda de juros nos EUA e um possível enfraquecimento do dólar, a tendência é que os Treasuries – os títulos do governo americano – passem a oferecer retornos menores.

Ainda assim, segundo especialistas, é possível encontrar papéis de crédito privado pagando entre 5% e 6% ao ano em dólar. São ativos mais arriscados do que os Treasuries, consideradas as mais seguras do mercado, mas que compensam com rendimento maior.

“O mercado de renda fixa americano é muito pujante. Vemos essas alocações muito mais como estratégicas e perenes dentro do portfólio do que como apostas táticas em oportunidades pontuais”, afirmou Juan Schiavo, portfolio manager da Cimo Family Office.

Renda variável

É impossível falar de renda variável no exterior sem olhar para o S&P 500, principal índice de ações dos Estados Unidos. Em 2025, ele ficou atrás do Ibovespa – subiu 16%, contra alta de 35% do índice brasileiro. Ainda assim, o histórico joga a favor do gigante: entre 1950 e 2024, o índice avançou, em média, 9,3% ao ano, segundo dados da Avenue.

De acordo com o BTG Pactual, a dinâmica de lucros das empresas americanas segue favorável. “O consenso projeta para 2026 um crescimento de aproximadamente 11% nos lucros do S&P 500, liderado por Tecnologia (+14%), Comunicações (+11%) e Energia (+9%)”, afirmou o banco em relatório.

A principal narrativa, portanto, deve continuar sendo a mesma: a tal da inteligência artificial. Apesar do debate sobre possíveis excessos e até uma pequena bolha, é no próximo ano que devem ficar mais evidentes as “profundas transformações econômicas e sociais provocadas por essa nova inovação”, segundo a XP.

Na visão de Schiavo, o setor de tecnologia nos EUA se tornou tão grande que hoje é o principal driver dos mercados globais.

Riscos

Investir no exterior, como qualquer investimento, envolve riscos. Um dos principais é a oscilação cambial: a valorização do dólar pode ampliar ganhos, mas o movimento inverso tem impacto direto sobre o retorno em reais. O último boletim Focus do Banco Central projeta o dólar na faixa dos R$ 5,50 para 2026, o mesmo patamar deste ano.

Além disso, fatores políticos e econômicos do país onde o capital está alocado pesam bastante. Mudanças na política monetária (lembrando que os EUA terão um novo presidente no seu banco central ano que vem), crises institucionais ou até declarações de líderes influentes – Donald Trump que o diga – podem gerar volatilidade e alterar rapidamente o humor do mercado, mesmo em economias consideradas estáveis, como a americana.

Quanto investir em dólar?

Definir quanto do patrimônio deve estar exposto ao dólar não tem resposta única. A alocação ideal varia conforme renda, padrão de consumo e objetivos financeiros. Ainda assim, alguns estudos ajudam a oferecer um ponto de partida mais concreto para quem busca proteção cambial e diversificação internacional.

Um levantamento divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) no início deste ano mostrou que a variação do dólar impacta entre 16% e 18% da cesta de consumo dos brasileiros, a depender da faixa de renda. Com base nisso, o estudo sugere que manter algo próximo a esse percentual aplicado em ativos internacionais – especialmente atrelados à moeda americana – pode ajudar a equilibrar os efeitos do câmbio no dia a dia.

Stablecoins latinas movimentam R$ 25,6 bilhões; Brasil lidera o jogo

17 de Dezembro de 2025, 09:57

Enquanto todo mundo fala das stablecoins de dólar, um outro movimento acontece mais perto da gente. As versões latino-americanas estão ganhando cada vez mais espaço no cenário cripto.

Um estudo divulgado pela Iporanga Ventures nesta semana mostra que as stablecoins do Brasil, México e Colômbia já movimentaram, juntas, R$ 25,6 bilhões em 2025. A expectativa é que o total até o último dia do ano alcance R$ 32 bilhões.

Ainda é pouco se comparado à USDT – que sozinha tem volume diário cerca de três vezes maior do que isso -, mas o avanço chama atenção

E o Brasil é o grande destaque da região. Sozinhas, as stablecoins atreladas ao real brasileiro devem registrar um volume negociado de R$ 21,3 bilhões até o final do ano.

Hoje, o país conta com seis criptos ligadas à sua moeda oficial: BRZ, BRLA, cREAL, BBRL, BRL1 e BRLV. De acordo com o estudo, elas colocam o Brasil como o terceiro maior mercado do mundo em circulação e volume desse tipo de ativo, atrás apenas de tokens de dólar e de euro.

Detalhe: há mais uma cripto “brazuca” prestes a ser criada. Ontem, a B3 anunciou que deve lançar, ainda no primeiro semestre, a sua própria stablecoin. A moeda digital será lastreada em reais e criada para permitir a liquidação de ativos tokenizados dentro da bolsa.

Vale lembrar que esses criptoativos são lastreados, em grande parte, por títulos públicos – o que ajuda a ampliar a demanda por dívida soberana e entra, inclusive, no radar das discussões sobre financiamento do setor público.

Quem usa stablecoins latinas?

No fim do ano passado, investidores profissionais e as chamadas “baleias” (pessoas ou grupos com grandes volumes de ativos digitais) respondiam por 60% do volume movimentado. Os institucionais representavam apenas 5%, enquanto o varejo somava 35%.

Em 2025, esse cenário se inverteu. Hoje, 84% do volume já vem de investidores institucionais, 12% de profissionais e apenas 4% de varejo.

“Stablecoins locais estão se tornando uma ponte entre a economia latino-americana e o sistema financeiro global. Elas já movimentam bilhões de dólares – e dezenas de bilhões de reais -, estão sendo adotadas por instituições e começam a reescrever como câmbio e pagamentos acontecem on-chain”, disse Rodrigo Trindade, research lead da Iporanga Ventures.


Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h50:

Bitcoin (BTC):  -0,12%, US$ 87.050,09

Ethereum (ETH): -0,68%, US$ 2.929,45

XRP (XRP): -0,81%, US$ 1,90

BNB (BNB): -0,92%, US$ 859,17

Solana (SOL): -0,44%, US$ 127,90

Outros destaques do mercado cripto

Stablecoins nos bancos dos EUA. O Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), agência federal dos Estados Unidos, está desenvolvendo uma estrutura para que bancos regulados possam pedir autorização para emitir stablecoins de pagamento. Por enquanto, a proposta está em consulta pública e só depois deve virar regra. Mas a direção é clara: as stablecoins estão deixando de ser um experimento cripto para entrar, de vez, no sistema financeiro tradicional.

Fed mais amigável às criptos? O presidente dos EUA, Donald Trump, está avaliando possíveis substitutos de Jerome Powell, atual presidente do Federal Reserve (Fed). Nesta quarta (17), ele vai entrevistar Christopher Waller, diretor do banco central americano. Waller é visto como pró-cripto e já declarou apoio, no passado, especialmente às stablecoins e às finanças descentralizadas (DeFi).

Leilão público com tecnologia cripto. A blockchain também começa a avançar no setor público. O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) vai realizar, agora em dezembro, o primeiro leilão público usando essa tecnologia. O sistema foi desenvolvido pela empresa InspireIP. Todo o processo – edital, laudos, fotos, anexos, retificações e o histórico completo de alterações – foi registrado em uma estrutura cripto.

Quer saber mais sobre cripto? Assine o morning call do InvestNews!

Ford anuncia US$ 19,5 bilhões em encargos por reestruturação no setor de carros elétricos

15 de Dezembro de 2025, 20:09

A Ford registrará encargos de US$ 19,5 bilhões relacionados a uma ampla reformulação de seu negócio de veículos elétricos, após anos de dificuldades para torná-lo lucrativo.

A maior parte dos custos será contabilizada no quarto trimestre, afirmou a montadora em comunicado nesta segunda-feira (15). Como parte da mudança estratégica, a montadora está cancelando a picape elétrica da Série F, redirecionando a produção para veículos movidos a combustão e híbridos e adaptando uma fábrica de baterias para veículos elétricos.

A Ford também converterá sua icônica picape elétrica F-150 Lightning em um veículo híbrido de alcance estendido.

A magnitude das perdas e baixas contábeis de ativos é uma prova tanto da dificuldade que a Ford tem enfrentado para construir e vender veículos elétricos de forma lucrativa, quanto da extensão em que as mudanças nas políticas do presidente dos EUA, Donald Trump, apenas agravarão esses desafios.

A Ford reconhece que construiu uma capacidade de produção de baterias excessiva e que estava trilhando um caminho sem saída com veículos elétricos de grande porte, que estavam fadados a gerar ainda mais prejuízo.

As medidas tornarão as operações de veículos elétricos da Ford lucrativas até 2029, disse Andrew Frick, chefe da unidade, a jornalistas em uma coletiva de imprensa. A divisão teve um prejuízo de US$ 5,1 bilhões no ano passado e a empresa espera que as perdas sejam ainda maiores este ano.

“Não fazia sentido continuar investindo bilhões em produtos que sabíamos que não dariam lucro”, disse Jim Farley, CEO global da Ford, em entrevista à Bloomberg TV. “Tivemos que tomar essa decisão.”

A montadora elevou sua previsão de receita para 2025 para US$ 7 bilhões antes de juros e impostos, acima da estimativa anterior de US$ 6 bilhões a US$ 6,5 bilhões . Farley atribuiu o aumento ao progresso que a Ford fez na redução de custos e à sua transição para “veículos mais lucrativos”.

As ações da Ford subiram 1% no pregão estendido de Nova York às 17h06. Os papéis acumulam alta de 38% neste ano.

Uma nova aposta em baterias

Farley previu que a demanda do consumidor por veículos elétricos cairá pela metade depois que Trump revogou a maior parte da plataforma política de Joe Biden. Agora, as empresas estão tentando encontrar maneiras de limitar os danos financeiros causados ​​pela paralisação das fábricas. Em outubro, a General Motors registrou baixas contábeis de US$ 1,6 bilhão em ativos de veículos elétricos.

Uma das opções mais promissoras é a conversão de fábricas de baterias para veículos elétricos na produção de células para armazenamento estacionário, cuja demanda está em plena expansão graças ao crescimento de data centers de inteligência artificial e às necessárias atualizações na rede elétrica. O armazenamento de energia em baterias em escala de serviços públicos aumentou 50% nos primeiros 10 meses deste ano, atingindo quase 39,3 gigawatts em relação ao final de 2024, segundo dados preliminares da Administração de Informação Energética dos EUA. Reproduzir vídeo

As células de armazenamento podem extrair mais energia da rede elétrica existente, pois não é possível construir novas e grandes usinas de energia com rapidez suficiente para atender aos complexos de dados que consomem tanta energia quanto as cidades.  

Mas, para obter lucro no negócio de fabricação de células, que exige muito capital e é tecnicamente complexo, os fabricantes argumentam que os créditos fiscais para a indústria são essenciais para tornar as fábricas economicamente viáveis.

A Ford está interrompendo a produção em sua fábrica de baterias para veículos elétricos em Glendale, Kentucky, que passará por uma conversão de US$ 2 bilhões para produzir células de armazenamento de energia para abastecer a rede elétrica. Os 1.600 funcionários da fábrica serão demitidos durante a conversão, mas a Ford planeja contratar 2.100 pessoas para dar suporte ao seu negócio de armazenamento de energia quando a unidade for reaberta em 2027.

A montadora está assumindo o controle de duas fábricas de baterias lado a lado em Glendale, Kentucky, após o rompimento, na semana passada, de uma joint venture com a fabricante sul-coreana de baterias SK On. Apenas uma dessas fábricas está em operação, e a Ford converterá sua produção para células de fosfato de ferro-lítio de menor custo, utilizando um acordo de licenciamento que possui com a fabricante chinesa de baterias Contemporary Amperex Technology Co. Ltd. Essas baterias serão vendidas exclusivamente para armazenamento de energia.

Sua fábrica em Marshall, Michigan, também produzirá células LFP para armazenamento de energia, além de uma nova linha de veículos elétricos pequenos e de baixo custo, com lançamento previsto para 2027.

Investindo em veículos a gasolina e híbridos

Farley insistiu que a Ford ainda será capaz de competir com fabricantes chineses de veículos elétricos de baixo custo, como a BYD Inc., com esses veículos, que terão preços iniciais em torno de US$ 30.000.

“Não vamos ceder nosso futuro aos chineses”, disse Farley, acrescentando que a nova linha de veículos elétricos de baixo custo da Ford será lucrativa.

A Ford planeja converter uma fábrica em construção em Stanton, Tennessee — sua primeira nova planta de montagem em meio século — para produzir caminhonetes a gasolina em vez de picapes totalmente elétricas. A fábrica de caminhonetes do Tennessee produzirá um novo modelo que não faz parte da linha atual de picapes pequenas, médias e grandes da montadora, informou a empresa. A Ford adiou o início das operações dessa fábrica para 2029, em vez de 2028 — data que já havia sido adiada anteriormente.

A empresa informou que a maior parte dos US$ 19,5 bilhões em itens especiais será reconhecida em seus resultados do quarto trimestre, e o restante em 2026 e no ano seguinte. A empresa espera um impacto de caixa de aproximadamente US$ 5,5 bilhões decorrente dessas despesas, pagos principalmente no próximo ano.

Embora baixas contábeis dessa magnitude sejam raras no mundo corporativo americano, elas não são inéditas. Em março, a principal acionista da Volkswagen registrou baixas de cerca de € 20 bilhões (US$ 21,7 bilhões) para o ano fiscal de 2024 devido à deterioração de seus investimentos. A Exxon Mobil Corp. incorreu em sua maior baixa contábil da história moderna em 2020 — perdas de até US$ 20 bilhões — ao ser afetada pelo colapso dos preços da energia.

A Ford afirmou que, até 2030, espera que metade do seu volume de vendas global venha de veículos híbridos, veículos elétricos de autonomia estendida e veículos totalmente elétricos, um aumento em relação aos 17% atuais.

“São decisões importantes que acreditamos que trarão benefícios por muitos anos”, disse Frick. “Em vez de gastar bilhões a mais em grandes veículos elétricos que agora não têm perspectiva de serem lucrativos, estamos alocando esse dinheiro em áreas de maior retorno.”

Banco Central da Argentina anuncia mudanças na política cambial

15 de Dezembro de 2025, 17:50

O governo do presidente argentino Javier Milei revelou alterações em sua política cambial e anunciou nesta segunda-feira (15) uma campanha para recompor suas reservas internacionais esgotadas, avançando um passo em direção ao câmbio flutuante que investidores vêm desejando há anos.

A partir de 2026, as bandas de negociação do peso acompanharão a inflação mensal, em vez do ritmo atual de 1%. Em novembro, os preços subiram 2,5%, o que significa que as bandas poderão se expandir a mais do que o dobro do ritmo vigente no curto prazo.

Reservas internacionais

O banco central também começará a acumular reservas, planejando comprar US$ 10 bilhões no próximo ano em um cenário-base, podendo o valor aumentar dependendo da demanda monetária, segundo comunicado divulgado na segunda-feira.

“Após navegar com sucesso o período de incerteza eleitoral, as condições agora permitem avançar para uma nova fase do programa monetário”, afirmou o banco central. “Esta etapa apresenta condições favoráveis para o crescimento, a remonetização da economia e a acumulação de reservas internacionais.”

Os títulos soberanos da Argentina registraram alta com a notícia. Notas com vencimento em 2035, algumas das mais líquidas, subiram mais de 1 centavo, chegando a quase 73 centavos por dólar.

As novas medidas atendem às demandas de investidores por uma política cambial mais flexível, após alertas de analistas sobre uma moeda sobrevalorizada nos dois primeiros anos do governo Milei. Também representam as mudanças mais significativas desde que a Argentina finalizou seu acordo de US$ 20 bilhões com o Fundo Monetário Internacional em abril.

Autoridades do FMI alertaram recentemente que seria “desafiador” para a Argentina atingir a meta de acumulação de reservas do programa, algo que exigiria aprovação do conselho do fundo para uma nova dispensa. O governo já havia recebido uma dispensa anteriormente neste ano por não atingir a mesma meta.

“É um passo positivo na direção da normalização”, afirmou Alejandro Cuadrado, chefe global de câmbio do BBVA, acrescentando que o peso pode se desvalorizar um pouco em função da mudança de política. O anúncio foi feito após o fechamento dos mercados locais, com o peso cotado a 1.438,5 por dólar.

Após eleições

Milei entra na segunda metade de seu mandato com novo fôlego após vitória expressiva nas eleições legislativas de outubro. Um novo Congresso foi empossado na semana passada, com os libertários de Milei se tornando o maior bloco da legislatura, enquanto ele tenta aprovar uma reforma trabalhista significativa e o orçamento anual.

Antes da votação, a equipe econômica de Milei priorizou a defesa do peso e o controle da inflação em detrimento da acumulação de reservas. Analistas consideram a mudança de política como positiva, devendo favorecer os preços dos títulos.

“Parece um reconhecimento de que a estratégia atual de acumulação de reservas foi insuficiente e estão calibrando para acelerar a aquisição de reservas”, afirmou David Austerweil, vice-gerente de portfólio da Van Eck Global, chamando a medida de “positiva para o crédito”.

Austerweil ainda destacou que a acumulação de reservas “entre US$ 10 bilhões e US$ 15 bilhões no próximo ano é muito positiva”.

Fabricante do robô aspirador Roomba pede recuperação judicial e terá novo controlador

15 de Dezembro de 2025, 15:41

A iRobot, empresa que revolucionou os aspiradores robôs no início dos anos 2000 com o modelo Roomba, entrou com pedido de recuperação judicial e propôs transferir o controle para seu principal fornecedor chinês.

A fabricante de robôs de consumo, sediada em Massachusetts e atualmente listada em bolsa, será adquirida pela Shenzhen PICEA Robotics e uma subsidiária da empresa chinesa, segundo comunicado. A companhia declarou ativos e passivos entre US$ 100 milhões e US$ 500 milhões em um registro oficial.

As ações ordinárias da iRobot, fundada em 1990 por engenheiros do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), serão zeradas conforme o plano proposto em Delaware no domingo. As ações caíram até 75% nesta segunda-feira, atingindo o menor valor histórico.

Roomba

O sucesso inicial da iRobot veio com o lançamento do Roomba em 2002, rapidamente tornando-se sinônimo de aspiradores autônomos. No entanto, os lucros da empresa, que vendeu mais de 40 milhões de robôs domésticos, começaram a cair na era pós-covid, impactados por problemas na cadeia de suprimentos e concorrentes mais baratos. A empresa já havia alertado para a possibilidade de falência no início do mês.

Em 2022, a Amazon.com fez uma oferta que poderia ter mudado o destino da iRobot, mas o negócio fracassou devido a conflitos com autoridades de concorrência da União Europeia. A iRobot recebeu mais de US$ 90 milhões em compensação pelo acordo fracassado, mas parte foi usada para pagar taxas de consultoria e amortizar um empréstimo de US$ 200 milhões concedido pelo Carlyle Group Inc. como ponte durante a negociação com a Amazon.

No mês passado, a subsidiária da Shenzhen PICEA, Santrum Hong Kong, adquiriu US$ 191 milhões da dívida pendente em principal e juros junto à firma de investimento dos EUA, e a PICEA vem negociando com a iRobot desde então para fornecer novo capital e resolver a dívida existente.

Surpresa do Vietnã

Impostos de importação foram um dos fatores que contribuíram para a queda da iRobot. A empresa havia previsto “incerteza tarifária com a China” e transferiu grande parte da produção de robôs destinados aos EUA para o Vietnã. Porém, o país sofreu no início do ano uma taxa de 46% como parte das tarifas recíprocas do presidente Donald Trump aos parceiros comerciais dos EUA.

A alíquota foi reduzida para 20% após um acordo entre os países, mas os custos continuaram pressionando a empresa. “Essas tarifas são pagas pelos devedores, não pelos fabricantes contratados”, escreveu a iRobot no registro.

A empresa também não conseguiu se desvincular totalmente da China. Acessórios ainda são adquiridos de fabricantes chineses, e a incerteza sobre tarifas prejudicou a capacidade da companhia de planejar o futuro.

Sob pressão do Google, OpenAI apresenta GPT-5.2, modelo mais avançado para trabalho profissional

12 de Dezembro de 2025, 13:50

A OpenAI anunciou na quinta-feira (11) o lançamento do GPT-5.2, chamando o modelo de inteligência artificial de seu mais avançado para o trabalho profissional do conhecimento.

O lançamento ocorre cerca de uma semana depois que o presidente da empresa, Sam Altman, declarou um esforço de “código vermelho” para melhorar a qualidade do ChatGPT  e atrasar o desenvolvimento de algumas outras iniciativas, incluindo publicidade.

A empresa tem estado em alerta máximo devido à crescente ameaça do mais recente modelo de IA do Google, o Gemini, que superou o ChatGPT em certos benchmarks, incluindo conhecimento em nível de especialista, puzzles de lógica, problemas de matemática e reconhecimento de imagem.

O novo modelo da OpenAI foi descrito pela empresa como melhor em benchmarks de matemática, ciência e codificação.

O negócio da OpenAI voltado para clientes corporativos também tem estado sob pressão da Anthropic, que recentemente intensificou seus esforços para vender para empresas.

“Nós projetamos o 5.2 para desbloquear ainda mais valor econômico para as pessoas”, disse Fidji Simo, presidente de aplicações da OpenAI, em uma teleconferência com repórteres na quinta-feira. “Ele é melhor na criação de planilhas, construção de apresentações, escrita de código, percepção de imagens, compreensão de longos contextos, uso de ferramentas e, em seguida, na vinculação de projetos complexos de múltiplas etapas.”

A aplicação da IA a tais tarefas será crítica à medida que as empresas buscam obter valor da ia e gerar um retorno sobre esses investimentos.

Simo, ex-ceo da instacart, ingressou na OpenAI este ano e é encarregada de ajudar a criadora do ChatGPT  a se tornar um negócio global lucrativo.

Ainda não está claro se o mais recente modelo da OpenAI, focado em produtividade e trabalho, conquistará clientes ou a ajudará a competir contra rivais. Muitas empresas ainda estão no início do uso de ia e ainda não viram retornos generalizados da tecnologia.

O GPT-5.2 mostra melhorias em raciocínio, codificação e trabalho com uma variedade de entradas, de texto a áudio, vídeo, e mais todas áreas em que a OpenAI enfrentou desafios do google e da Anthropic, disse arun chandrasekaran, analista da empresa de pesquisa de mercado e consultoria de TI Gartner. A empresa também progrediu em capacidades de trabalho do conhecimento essenciais para tornar o ChatGPT  o assistente de ia de escolha para trabalhadores profissionais, ele acrescentou.

Crescente Competição

Ray Wang, fundador e principal analista da constellation research, disse que o GPT-5.2 é uma boa resposta ao Gemini do Google, mas não o suficiente para reverter o ímpeto de seu rival. Para as empresas, “o que a OpenAI fez foi facilitar a criação de ferramentas de produtividade de escritório”, disse Wang. “O Gemini ainda é mais integrado.”

A OpenAI não teve atualizações na quinta-feira sobre a geração de imagens no GPT-5.2. Essa capacidade tem sido um diferencial fundamental para o Gemini do Google desde o lançamento de seu gerador de imagens, nano banana, em agosto, e Altman listou a melhoria da tecnologia como uma prioridade chave em seu memorando de código vermelho para os funcionários.

No entanto, em comparação com a versão anterior de seu modelo, o GPT-5.1, lançado em meados de novembro, o GPT-5.2 “representa um salto enorme” em uma variedade de tarefas de trabalhadores profissionais, disse aaron levie, ceo e cofundador da box. As tarefas que os trabalhadores do conhecimento comumente assumem incluem a criação de planilhas e apresentações de slides.

No domínio do trabalho no mundo real, a OpenAI disse que o GPT-5.2 venceu ou empatou com os principais profissionais do setor em 70,9% das tarefas de trabalho do conhecimento no GDPVAL, sua própria métrica para medir o trabalho do conhecimento em 44 ocupações. Essas ocupações incluem empregos em setores como manufatura, serviços profissionais, saúde e finanças, onde as pessoas frequentemente trabalham com planilhas e apresentações.

O acesso ao GPT-5.2 começou a ser liberado para usuários pagantes do ChatGPT  na quinta-feira.

A primeira versão do GPT-5, lançada em agosto, foi turbulenta e mostrou a luta da OpenAI para permanecer a líder indiscutível em ia. Na época, os usuários inundaram as mídias sociais com exemplos embaraçosos de como o chatbot falhou ao responder a perguntas simples de matemática ou desenhar com precisão um mapa da américa do norte.

Simo, da OpenAI, disse na teleconferência de quinta-feira que o lançamento do GPT-5.2 havia sido planejado por muitos meses e não deveria ser considerado parte de seu esforço de código vermelho.

“Código vermelho, apenas para colocar as coisas em perspectiva, isso não é algo incomum”, disse ela. “Tivemos um aumento de recursos focados no ChatGPT  em geral. Eu diria que isso ajuda no lançamento deste modelo, mas não é a razão pela qual ele está sendo lançado nesta semana em particular.”

Também na quinta-feira, a disney disse que investiria US$ 1 bilhão na OpenAI e licenciaria seus personagens para uso no ChatGPT e Sora.

A news corp, proprietária do The Wall Street Journal, tem uma parceria de licenciamento de conteúdo com a OpenAI.

Escreva para Belle Lin em belle.lin@wsj.com.

Exclusivo: Bezos e Musk disputam corrida para levar data centers ao espaço

12 de Dezembro de 2025, 12:37

Elon Musk e Jeff Bezos competem há anos para construir foguetes e lançar satélites. Agora, eles estão correndo para levar o boom dos datas centers, que movimenta trilhões de dólares, para a órbita.

A Blue Origin, de Bezos, tem uma equipe trabalhando há mais de um ano na tecnologia necessária para data centers de IA orbitais, disse uma pessoa familiarizada com o assunto. A SpaceX, de Musk, planeja usar uma versão aprimorada de seus satélites Starlink para hospedar cargas úteis de computação de IA, apresentando a tecnologia como parte de uma venda de ações que poderia avaliar a empresa em US$ 800 bilhões, de acordo com pessoas envolvidas nas discussões.

A implantação de satélites que fornecem capacidade significativa de computação de IA apresentará difíceis obstáculos de engenharia e levantará questões difíceis sobre o preço da implantação de grupos desses dispositivos em órbita.

Os defensores reconhecem os desafios de fazer esses sistemas funcionarem, inclusive de uma forma que corresponda ao desempenho dos vastos datas centers repletos de chips de IA na Terra. Os céticos acreditam que os riscos técnicos estão sendo subestimados e dizem que os data centers espaciais não serão competitivos em termos de custo, especialmente se as restrições de energia e outras diminuírem na Terra.

No entanto, a ideia capturou a imaginação de muitos líderes que trabalham com tecnologias de IA e espaço. A SpaceX não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Um porta-voz da Blue Origin recusou-se a comentar.

A implantação de satélites como data centers, acredita-se, permitiria que a indústria de IA evitasse dores de cabeça terrenas, como garantir as imensas quantidades de energia necessárias para treinar modelos de IA.

Os proponentes imaginam potencialmente preencher órbitas com satélites carregados com chips que lidam com os cálculos subjacentes às aplicações de IA usadas por consumidores e empresas. Viajando pelo espaço, os satélites aproveitariam a imensa energia do sol para operar e transmitir dados de volta à Terra.

“Tirar infraestrutura intensiva em recursos da Terra tem sido uma ideia por anos, mas exigiu que os custos de lançamento e satélites diminuíssem. Estamos nos aproximando desse ponto”, disse Will Marshall, presente da operadora e construtora de satélites Planet Labs.

No início de 2027, o Google e a Planet Labs pretendem implantar dois satélites de teste em órbita, carregando os chips de IA da gigante da tecnologia, chamados unidades de processamento tensorial (tensor processing units). O Google descreveu o projeto como um de seus projetos ambiciosos e de alto risco, dados os obstáculos de implantar uma rede de centros de dados por satélite em escala.

Um desafio é o número de satélites que podem ser necessários.

Travis Beals, um executivo do Google que trabalha no esforço de data center orbital, disse que seriam necessários 10.000 satélites para recriar a capacidade de computação de um data center de gigawatt, assumindo satélites de 100 quilowatts.

A missão de teste em 2027 visa demonstrar os elementos-chave da operação de satélites como clusters de computação de IA, de acordo com Beals. “Então teremos um caminho longo e difícil em termos de toda a otimização, todas as várias novas tecnologias de que precisamos para escalar e depois fazê-lo de forma econômica”, disse ele em uma entrevista.

Uma multidão de empresas e executivos está tentando descobrir a viabilidade de data centers orbitais, além da SpaceX, Blue Origin e Google.

Em outubro, Bezos disse durante um evento na Itália que mudar data centers para a órbita fazia sentido, dada a energia solar disponível no espaço. Levará tempo para que estes superem os custos da infraestrutura de IA terrestre, mas ele previu que isso aconteceria em 20 anos ou menos.

A Blue Origin, de Bezos, fez grandes avanços este ano na demonstração de seu foguete em desenvolvimento há anos, o New Glenn. Esse veículo é parcialmente reutilizável e tem uma grande carenagem projetada para transportar um número significativo de satélites para a órbita.

Sam Altman, CEO da OpenAI, investigou se sua empresa poderia assumir uma operadora de foguetes, usando os veículos para implantar a computação de IA no espaço, informou o The Wall Street Journal. Eric Schmidt, o ex-CEO do Google que assumiu a Relativity Space, uma empresa que trabalha em seus próprios foguetes, falou sobre data centers orbitais.

O negócio de software Red Hat da IBM e a Axiom Space, com sede em Houston, lançaram um protótipo de computação de dados em agosto. Aetherflux, Starcloud e outras startups financiadas por capital de risco estão estabelecendo seus próprios planos para competir contra players maiores.

Operar satélites como data centers levantará uma série de problemas técnicos, incluindo o gerenciamento de temperaturas para chips de IA em órbita, a proteção contra radiação e a transferência de dados de volta ao planeta sem longos tempos de atraso (lag times).

“Há vários desafios de engenharia, mas acho que todos esses desafios de engenharia são solucionáveis”, disse Jonny Dyer, CEO da Muon Space, uma empresa de satélites que esteve envolvida em um artigo de pesquisa do Google sobre data centers orbitais. “Em última análise, tudo se resume ao lançamento.”

A perspectiva de ter potencialmente milhares de satélites como data centers para lançar poderia impulsionar os negócios em toda a cadeia de suprimentos aeroespacial, incluindo empresas de foguetes. Desenvolver foguetes é caro e difícil, mas lançamentos frequentes permitiriam que as operadoras compensassem custos e aumentassem as margens, dizem executivos do setor.

A SpaceX, de Musk, tem seguido esse caminho lançando sua frota Falcon 9 parcialmente reutilizável em taxas recordes, enviando satélites de internet para seu negócio Starlink e transportando cargas úteis para clientes externos.

A SpaceX, com sede no Texas, está almejando custos ainda mais baixos com o Starship, o foguete maciço que tem desenvolvido. A tecnologia de computação de IA seria instalada em satélites aprimorados que a SpaceX projetou especificamente para caber na espaçonave Starship, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.

O foguete ainda não está operacional, e a SpaceX está planejando estrear uma versão aprimorada dele no início do próximo ano.

“O Starship deve ser capaz de entregar cerca de 300 GW por ano de satélites de IA movidos a energia solar para a órbita, talvez 500 GW”, disse Musk em uma postagem no X no mês passado.

Outras empresas de IA que desejam almejar data centers orbitais precisarão descobrir como implantar satélites no espaço.

Escreva para Micah Maidenberg em micah.maidenberg@wsj.com e Becky Peterson em becky.peterson@wsj.com

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Efeito pré-IOF: brasileiros movimentam mais de R$ 10 bi em stablecoins

9 de Dezembro de 2025, 10:16

A movimentação das stablecoins em dólar segue a todo vapor no Brasil. Em novembro, o volume total negociado dessas criptos nas exchanges locais somou R$ 10,7 bilhões, segundo dados divulgados na segunda-feira (8) pela plataforma Biscoint, do Bitybank.

A USDT, da Tether, continua na liderança: foram R$ 10,22 bilhões só no mês passado – praticamente o mesmo patamar de outubro. Já a USDC, da Circle, movimentou R$ 463 milhões, ligeiramente abaixo dos R$ 477 milhões do mês anterior.

O apetite dos brasileiros por esses tokens, apelidados de “cripto dólar”, vem crescendo nos últimos anos porque eles podem ser usados para operações de câmbio e ainda são isentos de IOF. Essa vantagem, no entanto, tem prazo para acabar: até maio de 2026.

A norma que muda o jogo foi publicada pelo Banco Central em novembro, quando a autarquia federal regulamentou o mercado de cripto e enquadrou as stablecoins dentro das regras de câmbio.

A Receita Federal – responsável por fazer a administração dos tributos federais – ainda não detalhou como exatamente será a cobrança do IOF, mas a expectativa é que publique algo nos próximos meses.

Bitcoin e Ethereum seguem firmes

Apesar da preferência por stablecoins, o volume de bitcoin e ethereum também permanece robusto.

O BTC movimentou R$ 4,84 bilhões em novembro, contra R$ 5,2 bilhões em outubro. O ethereum somou R$ 1,22 bilhão, ante R$ 1,57 bilhão no mês anterior.

Na manhã desta terça-feira (9), as duas maiores criptomoedas do mercado operam em baixa: bitcoin na casa dos US$ 90.630,70 e ethereum a US$ 3.130,78.

Andre Franco, CEO da Boost Research, disse que o mercado de criptomoedas apresenta uma expectativa de curto prazo neutra a levemente negativa.

“A aversão ao risco e a indefinição sobre o futuro da política monetária global exercem pressão sobre ativos mais voláteis, como as criptomoedas”.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h:

Bitcoin (BTC):  -1,53%, US$ 90.630,70

Ethereum (ETH): -0,10%, US$ 3.130,78

XRP (XRP): -0,29%, US$ 2,08

BNB (BNB): -1,95%, US$ 888,08

Solana (SOL): -3,97%, US$ 132,91

Outros destaques do mercado cripto

Stablecoin de real levanta uma boa grana. A empresa brasileira Crown, responsável pela BRLV – uma stablecoin atrelada ao real -, recebeu um aporte de US$ 13,5 milhões (R$ 70 milhões) liderado pela Paradigm, uma das gigantes do mundo cripto. Com o caixa reforçado, a firma promete expandir a infraestrutura da BRLV, que já soma R$ 360 milhões em valor de mercado. Mais um sinal de que as stablecoins “made in Brazil” estão chamando atenção além do quintal.

Strategy engorda o caixa de BTC. A Strategy, maior tesouraria corporativa de bitcoin do mercado, abriu a carteira mais uma vez. A empresa informou que acrescentou 10.624 BTC ao portfólio – um investimento de US$ 926 milhões. Com isso, a companhia passa a deter 660.624 bitcoins, algo em torno de US$ 60 bilhões. O saldo equivale a cerca de 3% de toda a oferta máxima de 21 milhões de BTC previstos para existir no mundo.

ETF de ethereum com “dividendos”. A BlackRock deu mais um passo no universo cripto e entrou com um pedido nos EUA para lançar um ETF de ethereum com staking. O staking permite que investidores mantenham seus ETH bloqueados na blockchain para ajudar a validar transações – e, em troca, recebem recompensas em criptomoedas. Na prática, funciona como uma espécie de “dividendo” do mundo cripto.

BMW escolhe Milan Nedeljkovic, veterano da empresa, como novo presidente

9 de Dezembro de 2025, 08:46

A BMW nomeou Milan Nedeljkovic, chefe de produção, como seu próximo diretor-executivo, entregando as rédeas a um funcionário de longa data da empresa que tem conduzido a fabricante de luxo em sua ofensiva de produtos mais ambiciosa durante a transição desigual para a eletrificação. Nedeljkovic trabalha na BMW desde 1993 e está à frente da produção desde 2019.

Aos 56 anos, ele sucederá Oliver Zipse, 61 anos, quando o atual presidente deixar o cargo em maio, informou a empresa nesta terça-feira (9). Nedeljkovic supervisionou a rede de manufatura da BMW durante a transição para modelos elétricos, incluindo como chefe da fábrica do i3, carro urbano lançado em 2013, reestruturando plantas para que pudessem produzir múltiplos tipos de motorização na mesma linha.

As ações da BMW em Frankfurt reduziram ganhos anteriores e operavam ligeiramente em baixa. O papel subiu 23% desde o início do ano, tornando a BMW a fabricante de automóveis com melhor desempenho no Stoxx 600 Automobiles & Parts Index.

A nomeação faz parte de uma mudança mais ampla de liderança na indústria automobilística europeia, com concorrentes como Stellantis, Renault, Volvo Car e Porsche nomeando novos CEOs nos últimos meses. Enquanto alguns rivais trocaram executivos para enfrentar quedas de vendas e ajustar lançamentos excessivamente ambiciosos de EVs, a BMW contrariou críticos e manteve uma abordagem flexível na produção de veículos a combustão e elétricos.

Modelos atraentes também ajudaram a fabricante a assumir a liderança sobre a Mercedes-Benz Group AG em vendas de veículos elétricos e a lidar com uma demanda mais lenta do que o esperado por carros elétricos. Mesmo assim, a empresa enfrenta ventos contrários significativos, desde a erosão de participação de mercado na China até os impactos das novas tarifas do presidente americano Donald Trump, que ameaçam uma rede de produção construída com mínima fricção comercial.

A promoção de Nedeljkovic — nascido na antiga Iugoslávia e que trabalhou de perto com Zipse — sinaliza uma sucessão suave e ordenada na BMW. Central em seu mandato, que se estenderá até 2031, estará o lançamento da linha de veículos Neue Klasse, o maior investimento da BMW em sua história. As encomendas do primeiro modelo, o elétrico iX3, têm superado as expectativas.

A arquitetura da Neue Klasse sustenta a próxima geração de modelos elétricos da empresa e tem como objetivo ajudar a BMW a enfrentar a concorrência crescente de fabricantes chineses como BYD Co. e Xiaomi Corp., além da pressão renovada da Mercedes.

Nedeljkovic estudou engenharia mecânica na prestigiada RWTH Aachen, na Alemanha, e no MIT, nos EUA, antes de obter doutorado em engenharia na Universidade Técnica de Munique.

Ascendendo gradualmente nas fileiras de manufatura da BMW, assumiu funções em planejamento de carrocerias, operações de prensagem e, posteriormente, gestão de pintura e montagem em locais-chave como Oxford, Regensburg e Leipzig. Sua reputação como especialista em produção cresceu à medida que gerenciava fábricas cada vez mais complexas, culminando na nomeação como chefe da fábrica principal da BMW em Munique — sede histórica da empresa — onde supervisionou uma das operações de produção de motorização mista mais complexas da indústria.

“Milan Nedeljković possui profundo conhecimento em tecnologia, incluindo o uso de robôs humanoides, e, portanto, em nossa visão, está idealmente qualificado para conduzir a BMW na próxima década”, disse Stephen Reitman, analista da Bernstein, em nota.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Torra, Caedu, Avenida: a ascensão das varejistas populares, que já fazem frente às tradicionais

9 de Dezembro de 2025, 06:00

O telão de um dos relógios de rua da Av. Paulista anuncia que a Torra inaugurou uma loja ali. A avenida mais conhecida da cidade de São Paulo exibe as vitrines de grandes varejistas de moda: estão lá a Riachuelo, a Renner e a Marisa. Também sobram shoppings centers: são ao menos cinco grandes centros comerciais por ali (Pátio Paulista, Cidade São Paulo, Top Center, Center 3 e o Conjunto Nacional).

Mas agora é uma rede nascida no Brás, coração da moda popular na capital paulista, que instala uma de suas lojas por lá.

Criada em 1993, a Torra levou tempo para chegar à Paulista. Em entrevistas, o CEO, Marcio Ruiz — um dos quatro irmãos da família fundadora —, diz que esse já era um sonho há pelo menos 8 anos. A rede da família Ruiz colocou o primeiro pé na avenida durante a pandemia: abriu ali, no prédio acima da atual loja, seu escritório administrativo.

Agora, chega com tudo. Inaugurada há pouco mais de uma semana, a loja é grande, de quase 600 metros quadrados, e a vitrine já remete às compras de Natal. A fachada neutra deixa os manequins em evidência, e o que diferencia a loja é o letreiro laranja com o nome da Torra — numa espécie de confronto direto com a fachada toda rosa pink da Marisa – praticamente cara a cara com ela do outro lado da avenida.

Loja da Torra na Av. Paulista (Crédito: Divulgação)

O endereço da 91ª loja da Torra, em seu ponto mais nobre, reflete o momento de ascensão da rede, que está entre as 10 maiores varejistas de moda do país e lidera o segmento popular. Mas é, também, o retrato de como esse estrato tem avançado — ocupando, inclusive, espaços que antes não eram considerados para essa fatia do mercado.

Enquanto a C&A e a Riachuelo foram reposicionando seus produtos para alcançar faixas de preço mais elevadas e mais próximas da Renner, a Marisa, que sempre manteve uma oferta mais ligada à classe C, teve de lidar com problemas que diminuiram sua fatia no bolo do varejo de moda.

É nesse vácuo que redes como a Torra, a Caedu, a Lojas Avenida, a Besni e outras populares conseguiram crescer mais, diz Alberto Serrentino, sócio especialista em varejo e fundador da Varese Retail.

“Essas redes foram crescendo de maneira organizada, montando infra, estabelecendo estruturas de gestão e entrando em shopping center. E, hoje, são uma realidade bastante competitiva”, observa Serrentino.

@lojastorra

A Torra chegou com tudo na Paulista! Venha conhecer a nova loja ao lado da Estação Brigadeiro!

♬ som original – Lojas Torra – Lojas Torra

A Torra, por exemplo, começou a profissionalizar o negócio em 2010, quando chegou a pouco mais de 20 lojas. Além dos irmãos, passou a ter executivos vindos do mercado. Em 2024, o faturamento do grupo foi de R$ 2,3 bilhões, 63% a mais do que em 2019. Isso já significa um terço da receita de vendas da gigante Riachuelo no ano passado (R$ 7,2 bilhões). E quase o dobro da Marisa, que faturou R$ 1,39 bilhão. A estimativa, agora, é fechar 2025 com as vendas somando R$ 2,6 bilhões.

O grupo tem lojas em 17 estados do país e projeta abrir ao menos 10 lojas em 2026, superando as 100 unidades, além de manter dois centros de distribuição. O crescimento, porém, é feito todo com capital próprio, para não se expôr a dívida elevada em um ambiente de juros altos.

A lógica é a mesma para a operação de crédito ao consumidor. A Torra banca com recursos próprios um serviço de cartões para financiar as compras de 1,7 milhão de clientes ativos.

chart visualization

Caminho similar foi feito pela Caedu, também nascida no Brás. A empresa foi criada em 1975 por Vicente da Palma, vendendo roupas de atacado e depois varejo. Em 2016, já com mais lojas e até mesmo um cartão de crédito próprio, a empresa profissionalizou a operação.

Atualmente, é a filha do fundador, Leninha da Palma, quem cuida dos negócios de perto, na cadeira de presidente do conselho de administração. A empresa tem 106 lojas e faturou, em 2024, R$ 1,17 bilhão, 9% mais do que um ano antes.

Outro exemplo de ascensão expressiva é da Lojas Avenida. Trata-se de um grupo do Mato Grosso criado em 1978 por Ailton Caseli, com o nome de Maracanã dos Tecidos. Em 2014, atraiu o Kinea para fazer um investimento e entrou na rota para um IPO. Os planos mudaram em 2021 quando a varejista recebeu uma oferta de uma grande varejista da África do Sul, a Pepkor. Em 2024, o faturamento superou os R$ 1,4 bilhão – 20% a mais do que um ano antes.

Espaço no guarda-roupa

Se a estruturação dos negócios ajudou, também é fato que as lojas populares têm surfado um ambiente macroeconômico favorável para elas.

Na ponta do desemprego, o país vive o menor nível já registrado: pelo dado mais recente do IBGE, a taxa de desocupação ficou em 5,4% no trimestre encerrado em outubro de 2025, a menor de toda a série histórica iniciada em 2012.

Por outro lado, 85% dos trabalhadores ganha menos de R$ 5 mil. E 75% das vagas com carteira assinada que surgiram no ano passado foram para beneficiários do bolsa família. Ou seja: o desemprego em baixa cria muito mais clientes para o varejo popular do que para as faixas mais caras.

Além disso, especificamente no vestuário, a inflação não tem dado trégua: depois de subir 0,63% em setembro, o grupo avançou 0,51% em outubro de 2025 no IPCA — ainda a maior alta entre os nove grupos do índice no mês, com destaque para calçados e acessórios e roupa feminina. Em 12 meses, os preços do vestuário sobem 5,07%, acima do IPCA cheio, de 4,68%

E tem os juros, que ajudam a subir a inadimplência. Pelos dados do Banco Central, a taxa da carteira total do Sistema Financeiro Nacional (atrasos acima de 90 dias) está em 3,9% e aumentou 0,7 ponto percentual em 12 meses.

A aposta da Torra na Avenida Paulista e as inaugurações recentes da Caedu em shoppings centers podem ser lidas como um sinal de que o varejo de moda popular está tentando capturar um novo fluxo de consumo — inclusive de gente que antes comprava em redes mais caras — num momento em que juros e inflação apertam o orçamento das famílias.

Loja da Caedu no shopping Praça da Moça, em Diadema (SP) (Crédito: Divulgação)

Na avaliação de Marcelo Prado, diretor do IEMI Inteligência de Mercado, redes como Torra e Caedu enxergam “uma oportunidade pra elas acima”, porque a classe média “começa a ter um comportamento de consumo mais de classe média baixa”. O consumidor passa a fazer trocas para economizar. E, aí, ele opta pelo por uma roupa mais cara para ocasiões especiais, mas muda a origem do guarda-roupa para os itens básicos. “Uma camiseta básica ele vai comprar numa loja mais barata para controlar as contas”.

A Torra, que nasceu Torra-Torra, numa alusão aos preços baixos, tem tíquete-médio de R$ 120. A Caedu tem tíquete médio na casa dos R$ 130. O patamar é similar ao da Marisa, abaixo dos R$ 195 de C&A e cerca de metade do tíquete médio da Renner. “O macro empurra o consumidor para corte de gastos e cria espaço para as marcas econômicas porque o consumidor volta a buscar preço, preço, preço”, diz Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores.

E, no caso da Torra, o endereço funciona também como vitrine — pela avenida Paulista passam 1,5 milhão de pessoas diariamente — num momento em que construir marca é especialmente crucial para quem está crescendo e precisa cavar seu espaço num espaço muito maior e mais disputado que é o e-commerce.

“Essas redes ainda estão muito atrás nos canais digitais. Isso ajuda fazer a marca mais lembrada e a posicioná-la para além do circuito tradicional do comércio popular.”

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

A beleza nunca foi tão competitiva. Veja como a Sephora planeja se manter no topo

9 de Dezembro de 2025, 06:00

De todas as lojas da Sephora que passaram pelo novo redesign da varejista de beleza, a loja da Champs-Élysées, em Paris, provavelmente é a mais glamourosa. Há um longo tapete vermelho, pé-direito altíssimo e uma mesa gigante dedicada a tudo que está em alta nas redes sociais.

“Dizem que esta loja recebe mais visitas do que a Torre Eiffel”, afirma Deborah Yeh, diretora global de marketing da Sephora, enquanto caminhamos pela boutique lotada em uma tarde de outono. Passamos por uma seção de perfumes em que os frascos ficam orgulhosamente expostos em mesas próprias, quase pedindo para serem borrifados. A categoria de cuidados com o cabelo foi movida para a frente da loja; as cadeiras de maquiagem, antes próximas à entrada, agora ficam no centro do espaço.

Do lado de fora, a cidade vive um cenário de tensão. O governo francês entrou em colapso, com protestos bloqueando ruas por causa de cortes no orçamento e trabalhadores ameaçando entrar em greve. Lá dentro, mulheres aplicam hidratantes, testam sombras e passam batons.

“Quando as coisas vão mal, buscamos aquilo que nos traz pequenos confortos e alegria”, diz Yeh. Por isso batons e perfumes costumam vender bem em tempos de turbulência econômica. No dia anterior, ouvi algo parecido de Catherine Spindler, presidente da Sephora Europa e Oriente Médio, enquanto ela se preparava para o SEPHORiA, o evento multicidades da empresa para fãs de beleza.

“Oferecemos um gostinho de algo positivo, algo colorido em tempos difíceis”, afirma Spindler, sentada em um centro de convenções em Paris que estava sendo transformado em um festival estilo Coachella, com brincadeiras de parque, cabines de fotos, matcha e amostras e mais amostras de cosméticos criados para fazer os participantes parecerem, sentirem-se e cheirarem maravilhosos. “É um destino de felicidade.”

Pertencente ao conglomerado francês LVMH, a Sephora — hoje com 56 anos — é a maior varejista “de prestígio” do mundo em cosméticos, skincare, itens para cabelo e perfumes. É um lugar de descoberta para apaixonados por beleza que buscam constantemente a próxima grande novidade, encorajando os clientes a testar antes de comprar.

Mesmo em uma desaceleração do mercado de luxo que já dura mais de um ano, a Sephora segue como um ponto de brilho no portfólio da LVMH. A empresa registrou lucros recordes em 2024, com o CEO da LVMH, Bernard Arnault, dizendo a analistas, em janeiro, que não poderia revelar os ganhos completos que o grupo obteve com a varejista de beleza ao longo das décadas “porque vocês não acreditariam”.

Concorrência em todos os lados

A indústria global de beleza, avaliada em US$ 450 bilhões, vive um momento decisivo. Gigantes como Estée Lauder e L’Oréal enfrentam mudanças dramáticas nos gostos dos consumidores. Marcas novas e barulhentas surgem como nunca, redesenhando o mapa de influência. Apenas dois anos após lançar sua divisão de beleza, a rival Kering vendeu o negócio para a L’Oréal em meados de outubro. No outono, a Reuters noticiou que a LVMH estaria buscando vender sua participação na Fenty Beauty, marca de cosméticos criada com a cantora Rihanna em 2017. A LVMH não comentou o assunto.

A competição da Sephora é intensa: a Amazon atrai clientes com descontos, e a mais acessível Ulta Beauty vem ganhando participação de mercado. A chegada do TikTok Shop e de empresas de afiliados como a ShopMy também está drenando parte dos lucros da varejista.

Mas na corrida global da beleza, a Sephora pretende manter a liderança focando na experiência do cliente.

As novas lojas da marca se parecem muito com as antigas — inclusive na Champs-Élysées. A iluminação é forte, o espaço segue banhado no icônico preto e branco, e as filas continuam longas. “Achamos que nosso foco em criar um senso de uniformidade nas lojas se provou valioso”, escreve mais tarde uma porta-voz da Sephora por email.

Vejo um trio de garotas rindo dos nomes sugestivos dos perfumes Tom Ford e uma mulher de cabelo grisalho cantarolando enquanto testa blushes. Uma mãe, distraída na fila do caixa explorando os itens em miniatura, nem percebe que seu bebê está sem uma meia.

“Cada centímetro deste lugar precisa ser produtivo”, diz Yeh. “Tudo é um pequeno tesouro.”

“A Sephora está vencendo”

Guillaume Motte, presidente global e CEO da Sephora, parece vitorioso quando nos encontramos na sede em San Francisco, em setembro.

O lançamento da marca de Hailey Bieber, Rhode, havia acabado de estrear na Sephora, atraindo multidões em busca de selfies e gloss labial. Artemis Patrick, CEO da Sephora na América do Norte, sentada ao lado de Motte, diz que foi o maior lançamento da região até hoje.

“Não somos ingênuos sobre a competição”, diz Motte. “Mas a Sephora está vencendo.”

A empresa registrou crescimento “excepcional” em 2023 e 2024, afirma. A receita chegou a €16 bilhões (cerca de US$ 18,5 bilhões), segundo números compartilhados por Arnault em abril. O mercado está desacelerando, diz Motte, mas ele prevê que a Sephora chegará a €20 bilhões (aproximadamente US$ 23 bilhões) em vendas anuais “em um futuro próximo”.

No mundo, a Sephora tem 3.400 lojas — mais de 600 nos EUA — e vende cerca de 300 marcas de beleza upscale, metade delas exclusivas. As sacolinhas preto e branco são onipresentes.

Conseguir espaço na Sephora segue sendo o sonho de qualquer founder de beleza. “Eles são os melhores em deixar as pessoas animadas”, diz Dianna Cohen, fundadora da marca de haircare Crown Affair.

Mas existem muitos outros lugares para comprar hidratantes absurdamente caros. E hoje parece que todo mundo entrou no negócio da beleza — até a Old Navy.

Em 2024, segundo a Euromonitor, a Sephora detinha 9% do mercado online americano de beleza e cuidados pessoais — uma leve queda em relação a 2023. A Amazon, por outro lado, abocanhou 47% do mercado online no ano passado.

Contra-ataque: de parcerias à automação

Para reagir, a Sephora acelerou tanto a defesa quanto o ataque.

Em 2025, assinou grandes cheques para ações de marketing com a Hulu e a WNBA. Fãs de basquete que visitam o Chase Center, em San Francisco, agora podem comprar máscaras labiais da Tatcha e o creme Bum Bum da Sol de Janeiro em quiosques da Sephora no intervalo dos jogos.

Está construindo um novo centro de distribuição totalmente automatizado em Avon, Indiana, com abertura prevista para a primavera. “Muitos robôs”, diz Patrick.

Neste outono, lançou nos EUA a plataforma My Sephora Storefront, que permite à varejista ganhar dinheiro diretamente com recomendações de influenciadores, cortando intermediários.

As lojas, que ainda respondem por cerca de dois terços das vendas, estão sendo atualizadas — e a empresa está abrindo unidades menores em áreas onde já há demanda, como Brooklyn, Queens e Toronto. “A Gen Z ama lojas, ama a experiência”, diz Motte. “Varejo sem graça está morto; varejo atraente está vivo — e esse é o nosso negócio.”

A Sephora também está reforçando categorias em alta, como fragrâncias — que têm ajudado a atrair adolescentes do sexo masculino.

“Os homens estão vindo para nossas lojas, e eles não estão cochilando perto do estúdio de beleza”, diz Carolyn Bojanowski, VP executiva de merchandising para a América do Norte. “Nunca imaginei que veria isso acontecer.”

A história dentro da LVMH e o poder da curadoria

Quando a LVMH comprou uma rede de boutiques francesas de beleza em 1997, dominar o mercado de fragrâncias era prioridade. A gigante já vinha adquirindo marcas com perfumes próprios, como Givenchy e Kenzo.

Ao adicionar a Sephora ao portfólio, a LVMH se tornou “a maior distribuidora mundial de perfumes e produtos de beleza”, dizia um comunicado da época.

A Sephora desembarcou nos EUA no ano seguinte. “Os grandes da época — Clinique, Lauder e Lancôme — não queriam vender para nós”, conta Bojanowski. “Mas encontramos marcas pequenas e legais”, como Stila e Urban Decay.

Enquanto as lojas de departamento exibiam maquiagem atrás de vitrines fechadas e com vendedoras supervisionando, a Sephora deu liberdade total aos clientes para experimentar. E a partir de 1999, permitiu compras online.

timeline visualization

A empresa sempre foi habilidosa em cultivar fãs. Mas seu diferencial está na curadoria e nas parcerias exclusivas. Fundadores dizem que a Sephora normalmente pede contratos de exclusividade de dois anos (a empresa não comenta) e que a divisão de receita costuma ficar em 40/60 com a varejista.

Entrar na Sephora é como entrar em um foguete: a marca ganha visibilidade com conteúdo social chamativo, eventos em loja, apoio de influenciadores do Sephora Squad e presença física em shopping centers de luxo.

Mas o custo para as marcas é alto: estoque, displays, equipes próprias dentro das lojas e até “taxas escondidas”, como campanhas sazonais pagas. Estimativas indicam que uma marca precisa vender mais de US$ 9 milhões para não perder dinheiro na parceria.

Ainda assim, fundadores relatam que a Sephora é extremamente forte no desenvolvimento de produtos. “Sentamos por horas discutindo ideias para lançamentos”, diz Kimberley Ho, da marca Evereden.

A corrida por tendências e novos públicos

Na SEPHORiA, em Paris, jovens adultos enfeitam potes de creme da Kiehl’s, borrifam sprays fixadores da One Size e espalham glosses da Fenty Beauty. Uma mulher de cílios impecáveis me mostra um lip mask triplo de morango da Laneige: “Você vai amar”, diz.

A Sephora está sempre atrás da próxima grande estrela. A equipe de Bojanowski vasculha redes sociais e envia DMs para founders. A empresa já apostou nas tendências erradas, como extensões capilares e suplementos, mas hoje vê enorme potencial no K-beauty — de máscaras de colágeno a cremes com ceramidas. Também está otimista sobre maquiagens assinadas por maquiadores de celebridades.

A marca também vê potencial enorme na Geração X (45 a 60 anos), diz Bojanowski. “As definições de beleza e envelhecimento mudaram muito. É uma grande oportunidade.”

Já com teens e tweens, Motte e Patrick demonstram cautela. Adolescentes têm lotado lojas atrás de produtos — inclusive anti-idade. “Não miramos neles; eles vieram até nós”, diz Motte.

As festas de aniversário de crianças na Sephora, que viralizam no TikTok, não são oficiais. A empresa teme que jovens comprem produtos inadequados para sua pele. Por isso, quer garantir que funcionários saibam orientar corretamente.

Isso inclui novas marcas voltadas para Gen Alpha: a Evereden estreou em outubro; a Sincerely Yours, criada pela influencer de 16 anos Salish Matter, chegou um mês antes.

Salish conta ter atraído 87 mil fãs a um encontro em um shopping — quando esperava apenas 500.

Escreva para Chavie Lieber em Chavie.Lieber@WSJ.com.

Apple enfrenta maior debandada de executivos em décadas – e rivais se beneficiam

6 de Dezembro de 2025, 16:11

A Apple, por muito tempo um modelo de estabilidade no Vale do Silício, está passando por sua maior reestruturação de pessoas em décadas, com executivos seniores e engenheiros essenciais para os negócios deixando a companhia e migrando para concorrentes diretos, como Meta e OpenAI.

Só na última semana, os chefes de inteligência artificial e de design de interface pediram demissão. Em seguida, a empresa anunciou que sua diretora jurídica e o chefe de relações governamentais também estão saindo. Todos esses quatro executivos se reportavam diretamente ao CEO, Tim Cook, o que mostra a enorme rotatividade no alto escalão da companhia.

E mais mudanças podem vir. Johny Srouji, vice-presidente sênior de tecnologias de hardware e um dos executivos mais respeitados da empresa, disse recentemente a Cook que está seriamente considerando sair em um futuro próximo, segundo pessoas com conhecimento do assunto. Srouji, arquiteto do prestigiado esforço da Apple de desenvolver chips próprios, já informou colegas de que pretende se juntar a outra empresa caso realmente saia.

Ao mesmo tempo, talentos da área de inteligência artificial têm migrado para rivais, e empresas como Meta e OpenAI, além de diversas outras startups, já contrataram muitos dos engenheiros da Apple. Isso ameaça atrasar o esforço da empresa para alcançar concorrentes em IA, área na qual historicamente teve dificuldades para se destacar.

Esse conjunto de saídas forma um dos períodos mais turbulentos da gestão de Cook. Embora o CEO não deva deixar o cargo tão cedo, a Apple agora precisa reconstruir suas equipes e descobrir como prosperar na era da IA.

Dentro da empresa, algumas das demissões geram preocupação profunda e Cook tenta evitar novas perdas oferecendo pacotes de remuneração mais robustos a funcionários importantes. Em outros casos, as saídas refletem executivos veteranos próximos da aposentadoria. Ainda assim, o volume de mudanças configura uma inquietante fuga de cérebros.

Embora Cook insista que a Apple está trabalhando em sua linha de produtos mais inovadora da história, que deve incluir iPhones e iPads dobráveis, óculos inteligentes e robôs, a empresa não lança uma nova categoria de produto verdadeiramente bem-sucedida há uma década. Isso a torna vulnerável a concorrentes mais ágeis e preparados para desenvolver a próxima geração de dispositivos centrados em IA.

Procurada, a Apple preferiu não comentar.

Saída do chefe de IA expõe tropeços da Apple no setor

A demissão do chefe de IA, John Giannandrea, ocorreu após vários fracassos em IA generativa. A plataforma Apple Intelligence sofreu atrasos e entregou recursos abaixo do esperado. Uma reformulação muito anunciada da assistente Siri está há cerca de um ano e meio atrasada. Além disso, o software dependerá fortemente de uma parceria com a Alphabet, dona do Google, para preencher lacunas de capacidade.

Diante disso, a Apple começou a afastar Giannandrea do cargo em março, mas permitiu que ele permaneça até a próxima primavera. Dentro da empresa, muitos já esperavam sua saída e alguns até se dizem surpresos de ele ainda estar lá. Demiti-lo mais cedo, porém, seria interpretado publicamente como admissão de problema, segundo fontes.

O veterano do design Alan Dye está deixando a Apple rumo ao Reality Labs da Meta, uma deserção notável para um dos maiores rivais da companhia.

No dia seguinte à notícia, a Apple anunciou que havia contratado uma executiva da própria Meta: Jennifer Newstead, diretora jurídica da empresa de redes sociais e que ocupará o mesmo cargo na rival. Ela ajudou a conduzir a batalha bem-sucedida da Meta contra a FTC, órgão antitruste dos EUA que processou a companhia por prática anticompetitivas, experiência valiosa diante da disputa legal da Apple com o Departamento de Justiça dos EUA pelo mesmo motivo.

Newstead substituirá Kate Adams, que ocupou o cargo por oito anos e se aposentará no fim de 2026. Lisa Jackson, vice-presidente de meio ambiente, políticas e iniciativas sociais, também está se aposentando e suas funções serão distribuídas entre outros executivos.

A saída de Adams causou impacto, especialmente dado o número de disputas legais que ela conduzia, mas seu tempo de serviço é considerado longo. A saída de Jackson, por sua vez, já era amplamente esperada.

Essas saídas vêm após outra ainda maior: Jeff Williams, braço direito de Cook e diretor de operações (COO) por uma década, aposentou-se no mês passado. Outro veterano, o diretor financeiro (CFO) Luca Maestri, assumiu um cargo menor no início de 2025 e deve se aposentar em breve.

Especulação sobre CEO cresce, mas saída não é iminente

Cook completou 65 anos no mês passado, aumentando especulações sobre sua aposentadoria. Pessoas próximas afirmam que ele não deve sair tão cedo, embora o planejamento sucessório exista há anos. John Ternus, chefe de engenharia de hardware, de 50 anos, é visto internamente como o principal candidato.

Quando Cook deixar o cargo, deve assumir a presidência do conselho e manter grande influência. Isso torna improvável que a Apple escolha um CEO externo, apesar de nomes como Tony Fadell, ex-Apple e criador do iPod, serem ventilados fora da empresa. Mas Fadell deixou a Apple há 15 anos em termos pouco amistosos.

Internamente, comenta-se também sobre questões envolvendo a saúde de Cook, como tremores nas mãos percebidos durante reuniões da empresa. Pessoas próximas garantem que ele está saudável.

Principal risco imediato: saída de Johny Srouji

Srouji é peça vital para a empresa por ser responsável pela arquitetura dos chips Apple Silicon, pilar do sucesso recente da Apple. Cook tenta retê-lo, oferecendo aumento substancial de salário e a possibilidade de ampliar seu papel. Uma hipótese discutida seria promovê-lo a diretor de tecnologia (CTO), tornando-o possivelmente o segundo nome mais poderoso da Apple.

Mas isso exigiria promover Ternus a CEO, passo para o qual a empresa talvez ainda não esteja pronta. E alguns afirmam que Srouji não gostaria de trabalhar sob outro CEO, mesmo com um título maior. Se Srouji sair, seus sucessores naturais seriam seus dois principais subordinados: Zongjian Chen ou Sribalan Santhanam.

As mudanças já vêm alterando a estrutura de poder. Mais autoridade está concentrada em quatro executivos: Ternus, Eddy Cue (serviços), Craig Federighi (software) e o novo COO, Sabih Khan. Os esforços de IA foram redistribuídos, com Federighi se tornando o chefe de IA na prática.

Equipes de IA, robótica e design são esvaziadas

O esvaziamento não se limita ao alto escalão da companhia. A Apple enfrenta uma fuga de talentos em engenharia. A ordem interna é reforçar contratação e retenção.

Robby Walker, responsável pela Siri e por um projeto de busca semelhante ao ChatGPT, saiu em outubro. Sua substituta, Ke Yang, deixou a empresa em poucas semanas e foi para o novo Superintelligence Labs da Meta.

Para preencher lacunas deixadas por Giannandrea, a Apple contratou Amar Subramanya, ex-Google e Microsoft, como vice-presidente de IA.

Mas houve um colapso mais amplo na organização de IA, intensificado pela saída do chefe de modelos de IA, Ruoming Pang. Ele e outros nomes de peso, como Tom Gunter e Frank Chu, foram para a Meta, que atrai talentos com pacotes de remuneração muito altos.

A equipe de robótica de IA também foi atingida, inclusive seu líder Jian Zhang, que igualmente foi para a Meta. Esse grupo trabalha em tecnologias para futuros produtos, como um robô de mesa e um robô móvel. A equipe de hardware do robô de mesa também perdeu talentos, alguns indo para a OpenAI.

A área de interface do usuário também sofreu baixas, culminando na saída de Dye, do design. Seu desejo era integrar IA mais profundamente aos produtos, algo que sentia que a Apple não estava acompanhando. Billy Sorrentino, outro líder dessa área, também foi para a Meta.

O grupo de design industrial da Apple, responsável pelo design físico dos produtos, praticamente se desfez na última meia década, com muitos profissionais seguindo Jony Ive para seu estúdio LoveFrom ou migrando para outras empresas.

Stephen Lemay substituirá Dye. Cook também está assumindo mais responsabilidade sobre design, função anteriormente de Jeff Williams.

Apesar do caos, há otimismo interno sobre Lemay, um designer veterano com 20 anos de casa.

OpenAI e Meta se beneficiam

Jony Ive agora trabalha com a OpenAI em novos dispositivos reforçados por IA. A OpenAI comprou a startup de Ive por mais de US$ 6 bilhões para acelerar seu esforço em hardware, mirando diretamente o território da Apple.

A OpenAI também contratou dezenas de engenheiros da Apple, incluindo profissionais de iPhone, Mac, câmeras, chips, áudio, Apple Watch e Vision Pro.

Houve outras perdas notáveis: Abidur Chowdhury, que narrou o lançamento do iPhone Air em setembro, saiu para uma startup de IA, uma surpresa interna. E a Apple perdeu o reitor da Apple University, programa criado para preservar sua cultura após a morte de Steve Jobs.

ETF de bitcoin da BlackRock registra maior sequência de saídas da história

5 de Dezembro de 2025, 10:12

O IBIT, ETF (fundo negociado em bolsa) de bitcoin (BTC) à vista da gigante dos investimentos BlackRock, atravessa sua pior sequência desde o lançamento, em janeiro de 2024.

Nas últimas cinco semanas, o fundo registrou US$ 2,7 bilhões em saídas, segundo dados da Bloomberg até 28 de novembro.

Se o ritmo continuar, o ETF – “queridinho” dos investidores institucionais – deve completar seis semanas consecutivas de resgates. Só ontem, foram US$ 113 milhões em saques.

A onda de saídas anda lado a lado com a queda do bitcoin. Do início de novembro até esta sexta-feira (5), o BTC recuou 16%, pressionado por dúvidas sobre juros globais, aumento da aversão ao risco e incertezas envolvendo empresas cripto.

Nesta manhã, a maior criptomoeda do mercado é negociada a US$ 91.204, em queda de quase 2%, segundo a cotação do InvestNews.

Num efeito dominó, os resgates nesses ETFs também aceleram o movimento de baixa: quando os investidores vendem as cotas, os fundos precisam se desfazer de parte das criptos que mantêm em custódia para o lastro.

E não é só o ETF da BlackRock que está na maré negativa. Os outros fundos de BTC nos EUA também vêm perdendo fôlego. Juntos, os 10 produtos acumulam US$ 4,5 bilhões em saídas nas últimas seis semanas, de acordo com dados da plataforma SoSoValue.

A movimentação nesses fundos tem impacto no mercado cripto, visto que eles somam US$ 120,8 bilhões em patrimônio acumulado – 6,54% de todo o valor de mercado do bitcoin. O IBIT, sozinho, responde por US$ 71,54 bilhões, quase 60% desse total.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h:

Bitcoin (BTC):  -1,98%, US$ 91.204,03

Ethereum (ETH): -1,44%, US$ 3.129,78

XRP (XRP): -3,60%, US$ 2,06

BNB (BNB): -1,80%, US$ 893,08

Solana (SOL): -4,40%, US$ 136,69

Outros destaques do mercado cripto

Regulação provoca primeira baixa. A regulamentação das criptos endureceu as regras e passou a exigir capital mínimo – entre R$ 10,8 milhões e R$ 37,2 milhões – para empresas atuarem no setor. Muita startup cripto local não tem essa grana. Especialistas já sinalizaram que algumas poderiam fechar as portas. E isso já começou. A Crypto Use, que trabalha com infraestrutura de pagamentos, anunciou que encerrou as operações porque o novo cenário ficou insustentável.

Stablecoins na cola das moedas fracas. As stablecoins seguem no radar de organismos internacionais. Em relatório divulgado ontem, o Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou que essas criptos – que mantêm paridade com ativos tradicionais – podem ganhar espaço em países onde a moeda local é fraca ou a inflação é persistente. A instituição alerta que, nesses contextos, a população tende a migrar para alternativas digitais mais estáveis. Fica a pergunta: o real brasileiro entra nesse grupo de risco?

De volta para o Brasil. Em um passado não tão distante, o Brasil foi inundado por golpes com cripto. Um dos últimos a cair foi o esquema Braiscompany, que prometia 8% ao mês, não pagou e desviou mais de R$ 1 bilhão de 20 mil clientes. Foi uma novela só, e o casal responsável pelo esquema fugiu para a Argentina. Lá, eles foram presos em 2024. Agora, a Justiça autorizou a extradição deles para o Brasil. Que isso ajude a recuperar o dinheiro das vítimas, né?

Quer saber mais sobre cripto? Assine o morning call do InvestNews!

Netflix vai comprar a HBO Max e os estúdios da Warner por US$ 72 bilhões

5 de Dezembro de 2025, 09:46

A Netflix anunciou nesta sexta-feira (5) a aquisição dos estúdios de TV e cinema e da divisão de streaming da Warner Bros. Discovery (WBD) por US$ 72 bilhões, em uma transação histórica que combina dinheiro e ações. O acordo está avaliado em US$ 27,75 por ação da Warner, resultando num valor total para a empresa de US$ 82,7 bilhões.

Os acionistas da Warner receberão US$ 23,25 em dinheiro e US$ 4,50 em papéis da Netflix por ação, e a conclusão do negócio está prevista para 12 a 18 meses, após a separação previamente anunciada da divisão Global Networks da WBD em uma nova empresa de capital aberto, programada para o terceiro trimestre de 2026.

A empresa será dividida em duas antes do fechamento do negócio. A WBD Global Networks fica com os canais de TV, como CNN, TNT e TBS, que não serão adquiridos pela Netflix. E o WBD Streaming & Studios abraça os estúdios mais o serviço de streaming HBO Max. É essa parte que a Netflix vai comprar.

Ou seja, ela terá o controle de sucessos como Sopranos, White Lotus, Harry Potter e Friends, além de estúdios em Burbank, Califórnia, e um vasto arquivo de filmes e programas de TV.

O acordo representa um passo estratégico sem precedentes para a Netflix, que começou como locadora de DVDs enviada pelo correio há quase três décadas e se tornou a companhia mais valiosa de Hollywood sem possuir um grande acervo próprio, ao licenciar conteúdo de terceiros e investir em produções originais.

Em 2024, a Netflix registrou US$ 39 bilhões em receita, enquanto a Warner Bros., fundada na década de 1920, tinha mais de US$ 39 bilhões em vendas. Segundo a Netflix, a aquisição permitirá expandir significativamente a produção nos Estados Unidos, investir em conteúdo original, gerar empregos e fortalecer a indústria do entretenimento, além de gerar economias de custos de US$ 2 a 3 bilhões por ano a partir do terceiro ano.

Warner se colocou à venda

A negociação surgiu após a Warner Bros. se colocar à venda em outubro, atraindo interesse de empresas como Paramount, Skydance e Comcast, e entrou em negociações exclusivas com a Netflix na semana anterior ao anúncio oficial.

O processo gerou controvérsias, com a Paramount acusando a Warner de favorecer a Netflix, e prevê uma taxa de rescisão de US$ 5,8 bilhões caso o acordo seja cancelado ou não receba aprovação regulatória. A transação também levanta questões antitruste nos Estados Unidos e na Europa, com autoridades e legisladores avaliando possíveis impactos sobre consumidores.

A Netflix, por sua vez, argumenta que seu principal concorrente é o YouTube, do Google, e pretende manter os lançamentos teatrais da Warner, apesar de sua tradição de lançamentos diretos em streaming.

Os assessores financeiros da Netflix são Moelis & Co. e Wells Fargo, que, junto com BNP Paribas e HSBC Holdings, fornecerão US$ 59 bilhões em financiamento por dívida, enquanto os consultores da Warner Bros. Discovery são Allen & Co., JPMorgan Chase & Co. e Evercore. A aquisição une o maior serviço global de streaming pago a um dos estúdios mais antigos e reverenciados de Hollywood, criando uma combinação inédita de inovação, alcance global e acervo histórico de filmes e séries para o público em todo o mundo.

Guerra de lances

O acordo anunciado na sexta-feira ocorre após uma guerra de lances de várias semanas em que a Netflix assumiu a liderança com uma oferta de quase US$ 28 por ação que eclipsou a oferta de quase US$24 da Paramount Skydance pela totalidade da Warner Bros Discovery, incluindo os ativos de TV a cabo que seriam desmembrados.

As ações da Warner Bros Discovery fecharam em US$ 24,5 na quinta-feira, o que lhe confere um valor de mercado de US$61 bilhões.

A compra inclinará ainda mais o poder em Hollywood em favor da gigante do streaming, que construiu seu domínio sem grandes aquisições ou uma grande biblioteca de conteúdo, ajudando seus esforços para afastar a concorrência da Walt Disney e da Paramount, apoiada pela família Ellison.

Analistas afirmam que a Netflix é movida pelo desejo de manter os direitos de longo prazo de séries e filmes de sucesso e depender menos de estúdios externos, à medida que se expande para jogos e busca novos caminhos de crescimento após o sucesso de sua repressão ao compartilhamento de senhas.

Antitruste

Mas o acordo provavelmente enfrentará um forte escrutínio antitruste na Europa e nos Estados Unidos, pois daria ao maior serviço de streaming do mundo a propriedade de um rival que abriga a HBO Max e possui quase 130 milhões de assinantes de streaming.

A Paramount, dirigida por David Ellison, que deu início à guerra de lances com uma série de ofertas não solicitadas questionou o processo de venda nesta semana em uma carta alegando tratamento favorável à Netflix.

Para amenizar as preocupações com a concentração de mercado, a Netflix argumentou, nas negociações do acordo, que uma possível combinação de seu serviço de streaming com a HBO Max beneficiaria os consumidores ao reduzir o custo de pacote, informou a Reuters na terça-feira.

A empresa também disse à Warner que continuaria lançando os filmes do estúdio nos cinemas, em uma tentativa de aliviar os temores de que seu acordo eliminaria outro estúdio e uma importante fonte de filmes para os cinemas, de acordo com relatos da mídia.

Mercados hoje: inflação nos EUA e no Brasil calibram expectativas de investidores

5 de Dezembro de 2025, 07:25

Bom dia!
A sexta-feira, 5 de dezembro, começa com todo mundo de olho no único dado oficial de inflação de consumo nos EUA que o Federal Reserve (Fed) vai ter antes de decidir sobre os juros na semana que vem. É o PCE, indicador de inflação preferido do banco central americano. Os números ainda se referem a setembro porque a divulgação ficou prejudicada durante a paralisação parcial do governo dos Estados Unidos, o shutdown. E você sabe como é: se os resultados vierem conforme o esperado, a percepção de corte de juros iminente pode ajudar a manter os investidores de bom humor. Por aqui, após novo recorde na quinta-feira, o Ibovespa pode se manter no modo para o alto e avante. Se o exterior ajudar.

Enquanto você dormia…

  • Os futuros das bolsas de Nova York abrem em alta leve. Às 7h, o S&P 500 futuro tinha alta de +0,16% e o Nasdaq de +0,34%.
  • A Europa mantém um compasso de espera: o Stoxx 600 sobe +0,32% à espera do PIB da zona do euro no 3º tri.
  • Na Ásia, o índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, fechou em queda de -1,03% ainda sob efeito da perspectiva de subida de juros pelo banco central japonês, o BoJ. O índice Hang Seng, de Hong Kong, por sua vez, subiu +0,58% ante a possibilidade de o governo chinês implementar novos estímulos.
  • O índice dólar (DXY) recua -0,06% aos 98,99 potnos, perto da mínima de cinco semanas, com o mercado precificando cortes de juros nos EUA em 2026. O petróleo Brent tem alta de +0,21% a US$ 63,39 o barril. O juro da Treasury de 10 anos tem leva alta a 4,11% ao ano.


CONTEÚDO DE MARCATudo o que você precisa saber antes de investir em um CDB

Destaques do dia

  • Os mercados entram na sexta de olhos grudados no índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE), o termômetro de inflação preferido do Fed. Os investidores apostam majoritariamente em um corte de 0,25 ponto percentual na reunião do Fed daqui a cinco dias. A ferramenta FedWatch da CME aponta cerca de 87,2% de chance de corte na próxima renião, movimento que ajudou a sustentar a alta recente das bolsas.
  • No Brasil, a manhã é de indicadores de inflação: IGP-DI de novembro e preços ao produtor (IPP) de outubro. O IGPD-DI veio praticamente estável: 0,1%. Em 12 meses, segue em queda, de 0,44%. O IPP também veio em queda: -0,48%; em 12 meses, -1,82%. O pano de fundo é o PIB do 3º trimestre, que cresceu só 0,1% na margem, abaixo do esperado, reforçando a leitura de desaceleração da economia e mantendo vivo o debate sobre corte da Selic em janeiro.
  • E como isso impacta os negócios? Se o PCE vier mais comportado, reforça o cenário de juros menores nos EUA e mantém a combinação que ajudou o Ibovespa a bater 164.455 pontos ontem e o dólar mais fraco pouco acima dos R$ 5,30.

Giro pelo mundo

  • Paramount contesta a forma como a Warner Bros está conduzindo seu processo de venda. Paramount, Netflix e Comcast apresentaram propostas da segunda rodada para adquirir parte ou todos os ativos da Warner. Na quinta-feira (4), a Netflix figurava como a principal candidata.

Giro pelo Brasil

  • PIB perde fôlego: o PIB cresceu 0,1% no 3º tri contra o 2º, abaixo da projeção de 0,2%, com serviços e consumo das famílias andando devagar e Selic a 15% pesando na atividade. Os dados reforçam a visão de que o juro alto está fazendo seu trabalho a poucos dias da próxima reunião do BC na terça e quarta da semana que vem.
  • Lei de Diretrizes Orçamentárias 2026 aprovada: Congresso chancelou LDO com meta de superávit de 0,25% do PIB para o governo central em 2026, permitindo ao executivo mirar o piso da banda e abrindo exceção de até R$ 10 bilhões para estatais em reequilíbrio, como os Correios; próximos passos são a sanção presidencial e a votação do Orçamento.
  • Ibovespa na máxima: o índice fechou quinta-feira (4) em alta de 1,67%, aos 164.455 pontos, novo recorde nominal, embalado por apostas de Selic menor em 2026 após o PIB fraco; dólar chegou a ficar abaixo de R$ 5,30 e terminou perto de R$ 5,31.

Giro corporativo

  • InterCement em reconstrução: Lago Escondido, veículo de investimento ligado a Joe Lewis, deverá ficar com cerca de 19,5% da fabricante de cimentos ainda controlada pela antiga Camargo Corrêa (hoje Mover), após a conversão de créditos da recuperação judicial.
  • O argentino Marcelo Mindlin deve alcançar aproximadamente 8% do capital da Intercement no novo desenho acionário. A entrada de Mindlin e Lewis ocorre por meio da Latcem, o veículo montado pelos credores para receber até 38,5% das ações. 
  • Petrobras e Shell arremataram juntas, sem concorrência, duas das três áreas ofertadas em leilão inédito de participações da União em campos em produção no pré-sal.
  • Os lances do consórcio formado pelas empresas, que já são sócias nos dois campos, somaram cerca de R$8,8 bilhões em arrecadação ao governo federal, abaixo dos R$10,2 bilhões previstos pelo governo.

Agenda do dia

  • 08:00 – IGP-DI (novembro) — FGV. Termômetro importante de preços ao atacado e contratos indexados, ajudando a calibrar expectativas de inflação.
  • 09:00 – Índice de Preços ao Produtor (outubro) — IBGE. Mostra pressão de custos na indústria e o potencial repasse para o varejo.
  • 07:00 – PIB 3º tri (zona do euro) — Eurostat. Ajuda a medir o fôlego da economia europeia num momento de juros altos e crescimento fraco.
  • 11:00 – STF em plenário virtual sobre marco temporal — Brasil. Tema sensível para agronegócio e imagem externa do país, com possível impacto em percepção de risco das exportações.
  • 12:00 – PCE (setembro) — EUA. Indicador de inflação preferido do Fed; consenso gira em torno de alta mensal de 0,2% ante agosto.
  • 12:00 – Confiança do consumidor (dezembro) — EUA (Univ. Michigan). Sinaliza humor das famílias americanas às vésperas da decisão do Fed.

Ótima sexta-feira e bons negócios!

A nova habilidade profissional em alta: ser um tiktoker no trabalho

5 de Dezembro de 2025, 06:00

Em um dia de folga das funções de preparar lattes e Frappuccinos, a barista da Starbucks Bridget Baron entrou no trabalho para fazer algo que a empresa normalmente desaprova: postar um TikTok durante o expediente.

Para este vídeo, no entanto, a jovem de 21 anos usou um tripé fornecido pela empresa e vestiu o avental com o logo da Starbucks. O vídeo em que ela mostrava a preparação de chantilly em bebidas de fim de ano acumulou mais de 800 mil visualizações — proporcionando à Starbucks um rápido impacto de marketing viral.

Há uma tradição de funcionários postarem sobre a vida no trabalho. Mas, geralmente, é para satirizar o atendimento ao cliente ou a cultura corporativa, e muitos fazem isso sem aprovação explícita ou sem revelar onde trabalham.

Agora, em vez de desencorajar a prática, empresas como Starbucks e Delta Air Lines estão apostando nela — transformando funcionários em seus próprios influenciadores de mídias sociais. E querem participar da criação do conteúdo.

A estratégia permite que os empregadores mostrem seus locais de trabalho como ambientes felizes e gerem um marketing espontâneo com seus funcionários jovens e nativos digitais. Para os empregados, é uma oportunidade de canalizar suas habilidades de criação de conteúdo para maior visibilidade e acesso a benefícios, como viagens de trabalho e treinamentos de desenvolvimento profissional.

Também pode servir como um diferencial no currículo.

@bridgetthebarista

The holidays officially start when the red cups drop ❤️ @starbucks @starbuckspartners #RedCupSeason #GreenApronCreator

♬ original sound – Bridget

“Cresci nas redes sociais e adoro criar conteúdo”, disse Baron, que estuda ciência da computação em Charlotte, na Carolina do Norte, e deseja se tornar designer de experiência do usuário. Recentemente, ela adicionou “criadora de conteúdo” à sua experiência de trabalho na Starbucks no LinkedIn. Depois de três anos na empresa, afirmou: “Achei que seria um ótimo ponto de interseção entre as duas coisas.”

Baron foi uma das 53 baristas escolhidas desde 2024 para a iniciativa Green Apron Creators da Starbucks, que incentiva funcionários a postar vídeos durante o trabalho. A empresa envia sugestões ocasionais sobre promoções, como o retorno do xarope Apple Crisp. Os criadores são pagos por postagem, embora a empresa não tenha divulgado os valores.

Em programas similares na Ulta Beauty e na sede alemã da Hugo Boss, esses funcionários geralmente não são estrelas de mídia social por conta própria. Baron, por exemplo, tem menos de 1.000 seguidores no TikTok.

Fora desses programas, a Starbucks ainda proíbe que baristas postem durante o expediente, com o avental ou atrás do balcão, a menos que as postagens sejam previamente aprovadas e coordenadas com a equipe de marketing ou comunicação da marca.

Nos últimos anos, um barista relatou ter sido demitido após postar um pedido de bebida detalhado de um cliente. Outra funcionária foi demitida depois de um desabafo sobre seu turno viralizar. A empresa não comentou casos específicos, mas afirmou que analisa o histórico de violações de políticas e se a conduta viola seus valores antes de disciplinar funcionários.

Às vezes, transformar funcionários em influenciadores atende a uma estratégia de negócios específica. A rede de restaurantes Portillo’s planeja expandir nacionalmente, então deseja aumentar o reconhecimento da marca além de sua base principalmente na região de Chicago e contratar mais pessoas, disse Jill Waite, diretora de pessoas da empresa.

Neste ano, Portillo’s escolheu 15 funcionários para seu programa Maxwell Street Mavens — nomeado por um item popular do menu, a salsicha Maxwell Street Polish — com base no conteúdo que publicaram no LinkedIn e em canais internos.

Zach Hawkins, gerente da unidade de Chandler, no Arizona, é um deles. Hawkins, 33 anos, disse que geralmente não se sente confortável diante das câmeras, mas viu o programa como uma oportunidade de se desenvolver profissional e pessoalmente.

Recentemente, Portillo’s enviou instruções para Hawkins e outros funcionários-criadores produzirem vídeos relacionados à National Italian Beef Week e à National Hot Dog Week. Inspirado, ele vestiu uma camiseta de cachorro-quente e fez um colega se fantasiar de cachorro-quente. Amantes de hot dogs no estilo Chicago têm forte aversão a ketchup, então filmaram uma cena em que o colega afastava a garrafa de ketchup da mão de Hawkins, criando uma pequena bagunça.

Incluindo edição, a produção levou cerca de 45 minutos. Depois, o vídeo foi enviado para aprovação antes de ser publicado.

“Com tantos influenciadores por aí, acho ótimo que estamos acompanhando os tempos e usando nossos próprios recursos”, disse Hawkins. Portillo’s não oferece compensação extra, mas está estudando incentivos como brindes da empresa, disse Waite.

@zachhawkins33

If you’ve never had a delicious #italianbeefsandwich from @portilloshotdogs you’re missing out! Here is how we make them. Warning, it will make you hungry! #Portillos #portillossurprise #portillosarizona #delicious #food #beef

♬ original sound – zach

Transformar funcionários em influenciadores internos precisa parecer autêntico, disse Josh Bersin, analista de trabalho e consultor corporativo. Se o funcionário parecer roteirizado e inverossímil, tudo será em vão.

Mas, se o empregado for carismático, “ele pode acabar viralizando”, afirmou.

Deltalina, apelido da comissária que começou a protagonizar vídeos de segurança da Delta em 2008, ficou famosa por sua brincadeira de balançar o dedo na tela. Reconhecida pessoalmente por anos, ela voltou a aparecer em um vídeo de segurança destacando funcionários da Delta com uniformes de todas as eras da companhia.

Para um novo projeto com funcionários-criadores, a Delta selecionou 15 funcionários da linha de frente, incluindo pilotos, comissários e agentes de atendimento, e os levou à sede da empresa em Atlanta para orientação. Lá, a empresa explicou a diferença entre uma interação rápida dentro do avião e vídeos de mídia social que permanecem na internet, disse Tim Mapes, diretor de comunicações da Delta. Alguns funcionários já tinham seguidores nas redes sociais.

Entre eles estava Pamela Kucera, 64 anos, que começou a postar dicas de viagem no TikTok e Instagram há três anos, incentivada pela filha. No início, Kucera achava que ninguém se interessaria por conselhos de uma comissária “velha”. Mas ganhou milhares de seguidores ao dar dicas para novos funcionários e explicar conceitos como senioridade e escalas de tripulação.

Agora influenciadora oficial da Delta, Kucera assiste a tutoriais sobre edição de vídeos com música, criação de narrações e legendas. Estima dedicar cinco horas por semana à produção de conteúdo, entrevistando colegas e compartilhando memórias favoritas com passageiros.

“Isso dá uma ótima noção de quem somos na Delta”, disse ela.

Escreva para Allison Pohle em allison.pohle@wsj.com

Governo exclui R$ 10 bilhões da meta fiscal para salvar os Correios

4 de Dezembro de 2025, 18:53

A equipe econômica do Brasil excluiu R$ 10 bilhões da meta fiscal do próximo ano como parte de um plano para ajudar os Correios, que enfrentam uma grave crise financeira.

O aporte, segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, será efetuado somente depois de aprovado um plano de reestruturação para a estatal, disse ele nesta quinta-feira (4).

“Pode haver. O Tesouro está estudando. Vamos considerar todas as variáveis para tomar a decisão”, disse Haddad a jornalistas sobre a possibilidade. “Não tem nada a ver com arcabouço fiscal, se houver um aporte é dentro das regras atuais.”

A exclusão de R$ 10 bilhões da meta fiscal das estatais incluída no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026, aprovado no Congresso nesta quinta-feira (4), foi uma ação preventiva, para permitir que o governo eventualmente faça o aporte nos Correios caso essa seja a decisão, complementou o ministro.

A proposta não menciona os Correios, entretanto.

O peso da exceção

A demanda aumentou a preocupação dos investidores com a crescente dívida pública do Brasil. Após a divulgação do plano da pasta, o real apagou os ganhos e teve desempenho inferior ao da maioria das moedas latino-americanas, em meio a renovadas preocupações fiscais. 

O país tem enfrentado dificuldades para atingir sua meta de balanço fiscal primário equilibrado, excluindo pagamentos de juros, neste ano. O governo já está tendo que congelar recursos para cumprir o limite inferior da meta, que inclui uma margem de tolerância de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB).

Para 2026, a meta é um superávit primário de 0,25%, mas a proposta orçamentária já prevê exceções para reduzir gastos desse objetivo. Além dos R$ 10 bilhões destinados aos Correios, a equipe econômica poderá também reduzir a meta em R$ 5 bilhões por meio de investimentos. O orçamento permite ainda que as empresas públicas apresentem um déficit de R$ 6,7 bilhões no próximo ano. 

Serviço postal 

Os Correios possuem mais de R$ 8,7 bilhões em passivos não cobertos e estão trabalhando em um plano de reestruturação que precisa ser aprovado pelo Tesouro. 

Suas finanças se deterioraram no último ano, à medida que o Brasil impôs tarifas sobre a importação de bens de baixo valor, o que reduziu as compras de brasileiros em plataformas globais de comércio eletrônico. A maior parte desses pedidos era processada pela empresa pública, e a redução no volume agravou o consumo de caixa da empresa.

No início desta semana, o Tesouro rejeitou uma proposta de um consórcio bancário para um empréstimo aos Correios, alegando que a taxa de juros oferecida era muito alta para uma operação com garantia governamental.

Agora, o Tesouro está analisando outras soluções. A possível injeção de capital por parte do governo agravaria ainda mais as contas públicas. 

“Precisamos aprovar o plano de recuperação primeiro. Não faremos nenhum investimento sem um plano de recuperação aprovado, nem empréstimos, nem investimentos, nem garantias”, disse Haddad. “Tudo depende do plano de reestruturação da empresa.”

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Congresso aprova LDO de 2026 com meta de superávit de 0,25% do PIB e exceção para resultado de estatais

4 de Dezembro de 2025, 18:31

O Congresso Nacional aprovou nesta quinta-feira o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026 mantendo a meta proposta pela equipe econômica de superávit primário de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) para o governo central e com uma liberação acelerada de emendas parlamentares em ano eleitoral.

O texto, que segue para sanção presidencial, permite ao governo perseguir o piso da margem de tolerância do alvo fiscal e ainda cria uma exceção de R$10 bilhões à meta fiscal das empresas estatais, em meio à crise financeira dos Correios.

Incluído no texto pouco antes do início da discussão na sessão do Congresso pelo relator, deputado Gervásio Maia (PSB-PB), o adendo determina que não serão consideradas na meta despesas de empresas “que possuam plano de reequilíbrio econômico-financeiro aprovado e vigente”, respeitando esse limite de valor.

Maia ainda apresentou outro adendo para excluir a possibilidade de compensações entre os resultados fiscais do governo central e das estatais. O procedimento foi feito neste ano diante do prejuízo dos Correios, o que obrigou o governo a fazer um contingenciamento das despesas dos ministérios.

Em entrevista a jornalistas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a exclusão de R$10 bilhões da meta das estatais na LDO foi uma ação preventiva para permitir que o governo eventualmente faça o aporte nos Correios caso essa seja a decisão.

A meta para as estatais em 2026, que foi estipulada em déficit de R$6,8 bilhões, já tinha exceções para despesas da Petrobras e da Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), além de R$5 bilhões para o Novo PAC. Os R$10 bilhões serão adicionais às exclusões já previstas.

O governo central terá uma meta de superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. Esse objetivo é separado do alvo a ser perseguido pelas estatais, mas o resultado do governo central pode ser afetado em casos de aportes ou compensações feitos pelo Tesouro Nacional às empresas públicas.

Piso da meta

O arcabouço fiscal estabelece que a meta tem uma margem de tolerância de 0,25% do PIB para mais ou para menos e é considerada cumprida se fechar o ano dentro dessa banda. O texto da LDO define expressamente que o governo poderá considerar o limite inferior da tolerância ao fazer suas avaliações fiscais periódicas e contenções de verbas de ministérios.

O projeto aprovado prevê um déficit primário de R$16,9 bilhões no próximo ano. No entanto, R$55,1 bilhões em desembolsos com precatórios não serão computados na meta de superávit de R$34,3 bilhões após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Com isso, o governo fecharia 2026 com um superávit de R$38,2 bilhões, com uma “sobra” de R$3,9 bilhões em relação ao centro do alvo.

O texto ainda estabelece que 65% do total das emendas parlamentares de execução obrigatória sejam pagas até a conclusão do primeiro semestre de 2026, ano eleitoral.

A LDO traz as bases para elaboração do Orçamento propriamente dito, incluindo a meta fiscal e previsões de receitas e despesas. A aprovação do texto é condição para que seja votada a Lei Orçamentária Anual (LOA).

Investimento de Warren Buffett na dona do Google reacende debate sobre valorização das ações

4 de Dezembro de 2025, 16:13

Apenas seis meses atrás, investidores da Alphabet temiam que a empresa pudesse se tornar uma vítima da revolução da inteligência artificial. Mas, após um rali de um trilhão de dólares, essas preocupações se inverteram — e agora o maior receio é que a ação esteja ficando cara demais para o próprio bem.

As ações da controladora do Google acumulam alta de quase 60% no ano, tornando-se de longe o melhor desempenho entre os gigantes tecnológicos do grupo “Magnificent Seven”. Elas também são o segundo maior contribuinte em pontos para o ganho de cerca de 15% do S&P 500 em 2025, atrás apenas da Nvidia. Os motivos do rali incluem o avanço da Alphabet no lançamento de produtos de IA, o forte crescimento de sua divisão de computação em nuvem e a redução de riscos antitruste.

O entusiasmo chegou a tal ponto que até a Berkshire Hathaway, de Warren Buffett — famosa por evitar empresas de tecnologia — comprou uma participação na Alphabet no terceiro trimestre, avaliada em cerca de US$ 4,9 bilhões em 14 de novembro.

“Entre as ações que você quer possuir e que devem receber um vento favorável das atuais condições econômicas, acho que o Google é uma delas”, disse Brian Stutland, gestor do Rational Equity Armor Fund, que tem ações da Alphabet. “A direção em que eles estão indo os coloca no topo da cadeia alimentar quando o assunto é IA.”

As ações da Alphabet dispararam nas últimas duas semanas, desafiando as quedas do S&P 500 e do Nasdaq 100. Elas foram o segundo maior ganho em pontos no S&P na quarta-feira, após a nova versão do modelo de IA Gemini — que inclui melhorias em raciocínio e capacidade de programação — receber aplausos de Wall Street. O papel chegou a subir até 4% no início das negociações em Nova York.

Acima da média de 10 anos

O rali elevou a avaliação de mercado da Alphabet a níveis historicamente altos. A ação é negociada a 25 vezes o lucro projetado, nível não visto desde 2021 e bem acima da média de 10 anos, de cerca de 20 vezes.

“O que mantinha o múltiplo mais baixo nos últimos anos era o fato de que todos sempre estavam preocupados que a empresa tivesse de ser dividida em partes”, disse Stutland. “Eles estão emergindo com essa nova forma de usar tecnologia de IA e mostrando que podem ser líderes nisso, o que coloca a ação em uma trajetória diferente.”

Mesmo assim, o papel ainda está relativamente barato em comparação ao índice Bloomberg Magnificent Seven, que negocia a 30 vezes o lucro projetado — sendo que apenas Meta Platforms Inc. e Amazon.com Inc. têm múltiplos menores. A avaliação também está praticamente alinhada à do Nasdaq 100, o que surpreende, considerando que a Alphabet está entre os 15 maiores desempenhos do índice em 2025.

A avaliação da empresa sofreu no início do ano devido a temores sobre a dominância do Google no mercado de busca, à medida que o ChatGPT ganhava popularidade, segundo Eric Gerster, diretor de investimentos da AlphaCore Wealth Advisory. Mas essas preocupações diminuíram com o progresso do Gemini.

“No meio deste ano, houve muito mais análise sobre o que o Google fez com o Gemini, e mais evidências de que é um modelo de linguagem grande muito forte, com ótima qualidade de saída, e de que a empresa estava muito melhor posicionada em IA do que as pessoas imaginavam há 12 meses”, disse Gerster.

“À medida que o mercado ficou mais confiante de que eles continuarão dominantes em busca — ainda que isso não esteja totalmente decidido —, a ação voltou a subir”, acrescentou.

O crescimento em outras áreas da Alphabet também ajudou a reduzir preocupações dos investidores e indicou que a empresa deve continuar registrando aumento nos lucros. A Waymo, sua subsidiária de direção autônoma, anunciou nesta semana a introdução de condução autônoma em cinco novas cidades — Miami, Dallas, Houston, San Antonio e Orlando — ampliando a lista de locais onde testa ou planeja lançar serviços de transporte por aplicativo. E os aplicativos do YouTube agora superam 2 bilhões de usuários mensais ativos, o que lhes dá vantagem de escala, segundo o analista da Bloomberg Intelligence Mandeep Singh.

Claro, com o múltiplo próximo de uma máxima histórica, investidores podem ficar receosos de iniciar uma nova posição na Alphabet agora. Mas, na prática, trata-se de uma ação de crescimento — o que significa que, se ela é considerada uma boa compra ou não, dependerá muito mais de sua trajetória daqui para frente e do entusiasmo contínuo por seus negócios do que do preço atual das ações.

“Como acontece com muitas dessas big techs, a avaliação provavelmente não é onde você vai encontrar o potencial de valorização daqui para frente”, disse Gerster. “Isso terá de vir mais da capacidade de entrega — especialmente em IA.

Agenda de dividendos: ainda dá tempo de aproveitar. Veja o prazo para investir nessas ações

3 de Dezembro de 2025, 18:22

A corrida da distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) já começou. Diversas empresas têm anunciado o pagamento aos acionistas antes de terminar o ano. Isso porque uma norma tributária recém-sancionada criou uma nova alíquota de IR sobre distribuição de dividendos acima de R$ 600 mil por ano, mas que passa a valer só a partir de janeiro de 2026.

Nos últimos dias, cinco gigantes da bolsa de valores, por exemplo, já anunciaram R$ 56 bilhões de distribuição de lucro para seus acionistas.

CONTEÚDO DE MARCATudo o que você precisa saber antes de investir em um CDB

Mas ainda dá tempo para entrar nessa distribuição? Sim, tem ainda muitos pagamentos de proventos para aproveitar em dezembro e início de janeiro de 2026.

É preciso lembrar que o preço da ação sofre um ajuste automático quando fica “ex-dividendo”, ou seja, no dia seguinte ao prazo limite para ter direito aos proventos. No início do pregão, a bolsa desconta do preço da ação o valor do dividendo por ação.

Por exemplo, se o papel estiver cotado a R$ 20 e o dividendo por ação for de R$ 1, então a cotação passará a R$ 19 no início da sessão em que o papel ficar “ex-dividendo”. O ajuste ocorre para refletir essa distribuição de parte do caixa ou das reservas de lucros aos acionistas.

De qualquer modo, para quem gosta de renda passiva, há várias oportunidades nas próximas semanas.

Veja a seguir a agenda de distribuição de dividendos e JCP já anunciados, com o valor por ação, a data limite se você quiser garantir esse quinhão do lucro da empresa e o período em que o dinheiro será depositado:

table visualization

Operação investiga sonegação em atacadistas de MG; Coelho Diniz, do GPA, é um dos alvos

2 de Dezembro de 2025, 12:38

Uma operação deflagrada pelo Ministério Público de Minas Gerais nesta terça-feira (2) mirou um esquema estruturado de fraude em ICMS e lavagem de dinheiro envolvendo atacadistas, redes de supermercados e empresas do varejo no Estado. Conduzidas ao longo de 18 meses, as investigações da Operação Ambiente 186 apontam sonegação superior a R$ 215 milhões e já levaram ao bloqueio de R$ 476 milhões em bens dos suspeitos.

Entre os citados está uma empresa do Grupo Coelho Diniz e André Coelho Diniz, principal acionista e chairman do GPA — dono das marcas Pão de Açúcar e Extra —, informação publicada inicialmente pelo site O Fator e confirmada pelo InvestNews. As companhias Atakmix Atacadista e Martmix Atacarejo também aparecem como alvos.

Em nota enviada ao InvestNews, o Grupo Coelho Diniz afirma que a rede de supermercados não é alvo da operação, assim como os investimentos da família no GPA (leia a nota completa no fim deste texto). Sobre a empresa do grupo citada na operação, a HAF Distribuidor, os Coelhos Diniz disseram que ainda não tiveram acesso às informações da investigação.

A notícia circulou nesta manhã entre os principais acionistas do GPA. Fontes próximas à companhia ouvidas pelo InvestNews dizem que o momento é de cautela. “Não é nada bom, mas vamos acompanhar”, diz uma das pessoas.

O que é investigado?

A operação, conduzida por um grupo de trabalho que envolve o MP de Minas, a Polícia Civil e a Secretaria da Fazenda do Estado, cumpriu 15 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, sem ordens de prisão. Foram apreendidos cerca de R$ 100 mil em espécie, 14 celulares, 22 dispositivos eletrônicos e 3 veículos de luxo.

Segundo a investigação, o grupo utilizava empresas de fachada — as chamadas “noteiras” — em estados como Goiás e Espírito Santo para simular operações interestaduais com alíquotas reduzidas de ICMS, prática conhecida como “barriga de aluguel”.

Na realidade, as mercadorias circulariam apenas dentro de Minas Gerais, enquanto as notas fiscais registravam vendas interestaduais, permitindo reduzir artificialmente a carga tributária, inclusive no ICMS por substituição tributária.

Entre os investigados está o ex-publicitário Marcos Valério, condenado no caso do mensalão, apontado como integrante de um dos núcleos da organização.

Atuação dos Coelho Diniz

O documento descreve diferentes frentes de atuação — de comando, emissão de notas e escoamento de mercadorias à lavagem de dinheiro — e afirma que parte do esquema teria como principais beneficiárias empresas como WT Ltda. e Grupo HSI, além de estruturas ligadas a mineração ilícita e ao uso de veículos de luxo para lavar recursos.

Um dos núcleos mencionados é vinculado ao Grupo Coelho Diniz, por meio da HAF Distribuidora Ltda. e da Big Works Comércio Importação e Exportação Ltda..

A decisão cita membros da família, como André Coelho Diniz e Fábio Coelho Diniz, como alvos da investigação, atribuindo a eles a autorização de pagamentos a “noteiras” e a organização do fluxo de notas fiscais e quitações usadas para reduzir o ICMS devido em Minas Gerais.

O caso tramita sob sigilo na 4ª Vara de Tóxicos, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores de Belo Horizonte, e o Ministério Público mineiro não confirma oficialmente os nomes dos investigados.

A repercussão chegou ao mercado acionário. As ações do GPA (PCAR3) chegaram a abrir em forte queda e fecharam o dia cotadas a R$ 3,98, queda diária de 0,5%. Foi a segunda maior queda do Ibovespa nesta terça-feira, em um dia em que o índice bateu novo recorde.

A reportagem tentou contato com André Coelho Diniz, mas não teve resposta até o fechamento deste texto. A assessoria da rede Coelho Diniz disse que ainda não teve acesso às investigações que envolvem a HAF Distribuidor. O InvestNews não conseguiu contato com os grupos Atakmix Atacadista e Martmix Atacarejo.

Nota da família Coelho Diniz

Com relação à operação conjunta, realizada no dia de hoje (2 de dezembro), pelo Ministério Público de MG, Receita Estadual e polícias de MG, importante destacar que o Supermercados Coelho Diniz não é alvo da investigação, assim como não são alvo os investimentos da família Coelho Diniz no Grupo Pão de Açucar.

A HAF Distribuidor ainda não teve acesso às informações da operação que resultou nas medidas cautelares patrimoniais e de busca e apreensão realizadas nesta data. De qualquer forma, afirma a inexistência de autuação fiscal e respectivo lançamento de crédito tributário. 

Tão logo tenha acesso aos autos, a HAF Distribuidor prestará todos os esclarecimentos porventura necessários à demonstração da regularidade das suas operações.

Família Coelho Diniz

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Apelo retrógrado: celebridades voltam a promover cigarros

30 de Novembro de 2025, 02:38

As estrelas estão acendendo novamente.

“Preciso de um cigarro para me sentir melhor”, cantou a estrela pop Addison Rae em seu single de 2025 Headphones On, enquanto Lorde cantou “este é o melhor cigarro da minha vida” em seu lançamento de 2025, What Was That.

Sabrina Carpenter foi recentemente fotografada usando um corpete feito de embalagens de Marlboro Gold, e vende camisetas com nomes de músicas estampadas em mock-ups de caixas de cigarro e isqueiros.

No cinema, cerca de metade de todos os filmes lançados no ano passado incluíram aparições de cigarros, charutos e outros produtos de tabaco, um aumento de 10 pontos percentuais em relação ao ano anterior, segundo um novo relatório da ONG de saúde pública Truth Initiative e da organização de pesquisa NORC da Universidade de Chicago.

Com mais atores, estrelas pop e outras celebridades sendo vistos fumando sem se desculpar, o tabu cultural contra o fumo mostra sinais de enfraquecimento. Isso preocupa defensores antitabagismo, que temem uma reversão na queda de anos nas taxas de fumo nos EUA.

“Isso me preocupa, ver pessoas glamourosas e atraentes fumando cigarros”, disse Ollie Ganz, professor assistente da Rutgers School of Public Health, cuja pesquisa foca em tabaco.

Embora as taxas de fumo nos EUA estejam em seus níveis mais baixos em décadas, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) já afirmaram que fumar em filmes contribui para o aumento do consumo entre jovens. “Jovens fortemente expostos a imagens de fumo na tela têm mais chances de começar a fumar do que aqueles com exposição mínima”, constatou um relatório do CDC de 2019.

Cerca de um em cada três óbitos por câncer nos EUA está ligado ao cigarro, segundo o CDC. Autoridades federais de saúde associam o tabagismo a mais de 30 doenças e condições de saúde, incluindo doenças cardíacas, AVC e asma.

Desde o início dos anos 2000, campanhas antitabagismo inundaram televisores e telas de celulares, e por anos celebridades e pessoas de destaque geralmente evitavam fumar — ao menos em público. O ex-presidente Barack Obama foi criticado por defensores da saúde por fumar, e admitiu ter tido dificuldades para parar. O ator Sean Penn recebeu críticas por acender um cigarro durante sua participação no The Late Show em 2018.

A indústria do tabaco introduziu novas formas de consumir nicotina. O vaping, considerado menos prejudicial que o cigarro, tornou-se o produto de tabaco mais usado entre jovens, segundo o CDC. Sacos de nicotina também ganharam alguma popularidade.

Pausa para fumar
Para alguns, os cigarros agora têm um apelo retrô.

Maddie Bell, uma estudante universitária de 21 anos em New London, Connecticut, disse que cresceu sabendo dos riscos do tabagismo. Quando estava no ensino médio, figuras culturais como Julian Casablancas, do Strokes, a intrigavam. “Cigarros pareciam legais”, disse ela.

Bell começou a fumar no último ano, compartilhando cigarros com amigos após festas de fim de semana. Após um semestre na Europa no início deste ano, seu cigarro ocasional de fim de semana se tornou rotina.

“Foi quando passei de atraída pela nicotina para realmente ter o hábito”, disse Bell. Sua marca favorita é Marlboro, mas ela prefere o tabaco para enrolar da Natural American Spirit, porque é mais barato.

Jared Oviatt, que administra uma conta no Instagram chamada @cigfluencers, vem registrando celebridades fumando desde 2021. Ele disse que criou a conta porque ele e seus amigos sempre acharam o cigarro “cool”.

“Eu diria que as campanhas antitabagismo foram eficazes demais”, disse Oviatt, que compra um maço a cada poucos meses. “Isso abriu caminho para o vaping. Quando o vaping se tornou sem graça, abriu o caminho para os cigarros.”

Oviatt disse que começou a conta após ver uma foto da cantora britânica Dua Lipa fumando. Recentemente, ele publicou uma foto de Lily Allen fumando com traje de freira, junto com Charli XCX e seu marido compartilhando um cigarro em um restaurante após o casamento, ainda com trajes formais. Legenda de Oviatt: “Este é meu casamento real.”

A conta agora tem 83.700 seguidores. Oviatt disse que, em um período de 30 dias, seu público estava concentrado em Nova York e Londres, sendo 70% mulheres.

Nas noites de sábado no East Village, a estudante de pós-graduação da Columbia University, Amira Hakimi, frequentemente usa botas Dr. Martens plataforma, uma blusa brilhante e seu isqueiro rosa Bic. A jovem de 22 anos disse que fuma duas vezes por mês, geralmente após longas noites de festa.

“Você sai do bar, sente o ar frio e fica quieto”, disse Hakimi. “É o momento em que todo mundo pensa: ‘Ah, deveríamos fumar um cigarro.’ ”

Para Hakimi, o vaping é brega. “Fumar cigarros é um ato muito atemporal”, disse ela.

As taxas de fumo nos EUA nos últimos anos estiveram em seus níveis mais baixos em oito décadas, com 11% dos americanos relatando ter fumado um cigarro na semana anterior, segundo pesquisa Gallup. Jovens americanos têm ainda menos probabilidade de fumar, de acordo com a pesquisa. Nos últimos anos, uma média de 6% dos adultos com menos de 30 anos relatou ter fumado recentemente, contra 35% em pesquisas de 2001 a 2003.

“Cigarros são perigosos. A nicotina vicia, e a fumaça mata com doenças cardíacas, pulmonares e câncer”, disse Dra. Nancy Rigotti, professora da Harvard Medical School e diretora de pesquisa em tabaco no Massachusetts General Hospital. “Temos dados tão bons de algumas décadas atrás que mostrar celebridades fumando e fumar em filmes realmente era um modelo que levava jovens a fumar.”

‘Algo sobre fumar’
Grandes empresas de tabaco, incluindo Altria, disseram que monitoram regularmente o uso de suas marcas em filmes e outros meios, enviando cartas de cessar e desistir. A Reynolds, produtora de marcas como Camel e Newport, disse ter política rígida proibindo o uso de seus produtos em filmes ou programas de TV.

A Altria, que produz Marlboro pela Philip Morris USA, disse que regularmente incentiva os fumantes a optar por produtos que não sejam cigarros. A Reynolds disse que não incentiva consumidores a começar a usar produtos de tabaco, incluindo cigarros.

Para Matthew Daniel Siskin, consultor criativo que trabalhou com a marca de cigarros artesanais Hestia, consumidores mais jovens — ainda que maiores de idade — estão entre os principais clientes da marca. Os cigarros da Hestia, derivados de tabaco cultivado nos EUA e com o slogan “Naked, Wild, Tobacco”, são populares entre jovens fumantes.

“Há algo em fumar na minha janela”, disse Siskin, 43 anos, que trabalha com artistas e músicos. “Era o que fazíamos antes de olharmos para nossos celulares. Você dizia ‘Ei, tem fogo, tem um cigarro?’ ”

Bell, a estudante universitária, disse que agora fuma um ou dois cigarros por dia. “Para mim, grande parte do que me atrai no fumo é que é algo muito social.”

Idealmente, Bell disse que gostaria de parar. “Mas acho que é um hábito. É difícil largar.”

Escreva para Laura Cooper em laura.cooper@wsj.com e para Terell Wright em terell.wright@wsj.com.

Fantasma do lastro assombra a stablecoin USDT após rebaixamento pela S&P

27 de Novembro de 2025, 16:37

O fantasma que assombra a USDT – maior stablecoin do mercado cripto, emitida pela Tether – sempre foi a transparência e a qualidade de suas reservas. Desde o lançamento, em 2014, há dúvidas se o token é realmente sustentado por um lastro sólido, capaz de manter a paridade de 1 para 1 com o dólar americano.

Agora, esse fantasma voltou a aparecer.

A S&P Global Ratings, uma das principais agências de classificação de risco do mundo, rebaixou a capacidade da USDT de manter sua ligação com a moeda americana de 4 (“limitada”) para 5 (“fraca”) – a pior nota da escala. Segundo a agência, a estabilidade do ativo digital está cada vez mais vulnerável justamente por causa de dois fatores conhecidos: falta de transparência e maior exposição a ativos de risco.

Como era de se esperar, o CEO da Tether, Paolo Ardoino, não recebeu bem a classificação. Em suas redes sociais, ele acusou a “máquina de propaganda das finanças tradicionais” de ficar preocupada “quando qualquer empresa tenta desafiar a força da gravidade do sistema financeiro falido”. (No final do texto tem mais da resposta dele)

Vamos contar essa histórica por partes.

O problema nas reservas

O último relatório da Tether, publicado em 30 de setembro de 2025, diz que a empresa tinha US$ 181,2 bilhões em reservas para lastrear US$ 174,4 bilhões em USDT emitidos no mercado. Haveria, portanto, “sobrecolateralização” – ou seja, mais dinheiro em caixa do que tokens emitidos. Até aí, tudo bem.

O problema, porém, é a mudança na composição desse lastro.

A proporção de ativos considerados de risco aumentou, enquanto a de títulos seguros diminuiu. Esses papéis mais voláteis agora representam 24% do total, ante 17% de um ano atrás. Dentre eles, está o bitcoin, cuja participação nas reservas saltou de 3,9% para 5%.

A S&P alertou que uma queda acentuada no preço do bitcoin ou no valor de outros ativos de maior risco poderia deixar a a USDT potencialmente sublastreada (ou seja, sem lastro para sustentar seus tokens). “Acreditamos que a crescente participação de ativos arriscados expõe as reservas da USDT a maiores flutuações de mercado”, escreveu a agência.

Nos últimos dias, o bitcoin realmente sofreu uma significativa desvalorização desde seu pico histórico no início de outubro, chegando a perder quase 30% de seu valor. Embora tenha se recuperado parcialmente nesta quinta-feira (27), persistem as incertezas sobre uma retomada consistente.

A queda dos ativos seguros

A Tether é uma das maiores detentoras de títulos do Tesouro dos EUA, com uma carteira de US$ 130 bilhões – um montante que supera as reservas de países como Alemanha e Coreia do Sul. O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, até comentou em evento recente que o Tesouro americano deve estar feliz da vida com as compras da cripto.

De acordo com o relatório, títulos americanos de curto prazo (com vencimento médio inferior a 90 dias), títulos lastreados em everse repo overnight (instrumentos de curtíssimo prazo super seguros) e outros ativos semelhantes representam 75% do caixa. No entanto, esse percentual é menor do que os 81% registrados no ano anterior.

Ou seja: a Tether aumentou em 7% a parcela de ativos de risco do caixa, enquanto diminiu 6% de produtos financeiros considerados seguros.

Quem são os custodiantes?

Outro ponto crítico destacado pela S&P é a falta de transparência. A agência menciona que, embora fontes públicas sugiram que uma instituição financeira dos EUA atue como custodiante desses títulos, os relatórios da Tether não divulgam informações sobre quem são esses custodiantes, contrapartes ou provedores de contas bancárias.

“A transparência sobre contrapartes, custodiantes e provedores de contas bancárias permanece limitada. A Tether não publica informações sobre essas entidades, o que poderia inflar os riscos caso a credibilidade de crédito delas seja fraca”, disse a agência.

A S&P também destacou que a Tether faz atestações trimestrais por meio da BDO Italia, um auditor independente. No entanto, concorrentes publicam relatórios mensais. Falou ainda que a empresa divulga regularmente números sobre reservas e passivos em seu próprio site, mas, diferente do relatório trimestral, eles não são auditados nem detalhados.

Além de ativos de risco e títulos do tesouro americano, as reservas da empresa incluem fundos do mercado monetário (4%) e caixa e depósitos bancários (menos de 0,5%).

“Sem reservas tóxicas”

Em resposta direta ao rebaixamento pela S&P, o CEO da Tether, Paolo Ardoino, não recebeu bem a classificação e criticou os modelos de classificação tradicionais, argumentando que eles historicamente levaram investidores a alocar recursos em empresas com “classificação de grau de investimento” que, mesmo assim, entraram em colapso.

Ele afirmou que a Tether construiu “a primeira empresa sobrecapitalizada na indústria financeira, sem reservas tóxicas” e que, apesar disso, permanece extremamente lucrativa. Disse ainda que “a Tether é a prova viva de que o sistema financeiro tradicional está tão falido que está a começar a ser temido pelos reis que estão nus”.

USDT já perdeu a paridade antes

Apesar das críticas do CEO, a stablecoin já perdeu a paridade com o dólar em diferentes momentos do passado – e esse é um dos riscos dessas criptomoedas.

Em abril de 2017, quando a Tether enfrentou problemas de liquidez e questionamentos sobre o lastro de suas reservas – agravados por dificuldades bancárias da exchange Bitfinex, sua parceira – o USDT chegou a ser negociado abaixo de US$ 0,91 em algumas exchanges, segundo a plataforma CoinMarketCap, refletindo a desconfiança do mercado.

No final de 2022, durante o colapso da corretora cripto FTX, a USDT voltou a escorregar: caiu para US$ 0,98 por algumas horas na manhã de 10 de novembro. Já em 15 de junho de 2023, a stablecoin oscilou de novo, chegando a US$ 0,997, após o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) sinalizar novas altas de juros.

Mineradoras brasileiras se unem para ganhar força na disputa por minerais críticos

27 de Novembro de 2025, 10:04

Mineradoras de pequeno porte que desenvolvem projetos de minerais críticos no Brasil se uniram para defender interesses comuns, enquanto o país busca ser um participante-chave na corrida por recursos estratégicos.

Nove empresas — incluindo as mineradoras de terras raras Aclara Resources e Meteoric Resources e a produtora de lítio Pilbara Minerals, conhecida como PLS — estão formando a Associação de Minerais Críticos, ou AMC. Outro grupo do setor, o Ibram, já representa empresas que respondem por cerca de 85% da produção mineral do Brasil.

O lançamento da AMC ocorre paralelamente a declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em viagem a Moçambique, afirmando que o Brasil não se contentará em ser um mero exportador de minerais críticos e, em vez disso, exigirá que investidores estrangeiros ajudem a desenvolver a indústria local.

A AMC diz que apoia essa visão, mas alerta que, sem mecanismos de garantias financeiras acessíveis, as mineradoras menores podem ser forçadas a negociar a produção futura como garantia para obter empréstimos internacionais.

A prioridade da associação é obter o apoio do governo e dos parlamentares para estabelecer mecanismos de garantia que permitam que mineradoras em fase pré-operacional, sem fluxo de caixa, acessem linhas de financiamento, afirmou em entrevista o diretor-executivo da AMC, Frederico Bedran. Outros objetivos importantes incluem a redução da burocracia para o licenciamento de projetos e incentivos fiscais para estimular o desenvolvimento da cadeia de produção desses metais, acrescentou.

“O Brasil enfrenta dois riscos: perder a janela de mercado e continuar sendo um exportador de commodities”, disse Bedran. “Temos que colocar projetos de mineração em operação em três anos para não perder espaço para outros produtores.”

À medida que os países ocidentais intensificam os esforços para diversificar as cadeias de abastecimento de minerais essenciais e reduzir a dependência da China, o Brasil — que possui as maiores reservas mundiais de nióbio e fica atrás apenas da China em terras raras — está se posicionando como fornecedor de matérias-primas e centro de produção de valor agregado.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Mercados hoje: cenário político e IPCA-15 concentram a atenção de investidores no Brasil

26 de Novembro de 2025, 07:44

Bom dia!
O clima desta quarta-feira, 26 de novembro, amanheceu lá fora em modo véspera de feriado de Ação de Graças nos EUA, que ocorre na quinta-feira (27). Os futuros das bolsas de Nova York sinalizam um pregão mais ameno após os mercados digerirem os sinais de um Federal Reserve (Fed, o banco central americano) mais suave. Aqui no Brasil, o noticiário político volta aos holofotes com o início do cumprimento da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro e a aprovação de pautas-bombas para o orçamento público no Congresso. Vamos aos destaques?

Enquanto você dormia…

  • Os futuros das bolsas de Nova York sobem como reflexo do otimismo sobre a chance cada vez maior de corte de juros nos EUA nas próximas semanas. Às 7h20, S&P 500 futuro tinha alta de +0,37% e o Nasdaq futuro avançava +0,48%.
  • Na Europa os mercados avançam moderadamente, também impulsionados pela expectativa sobre um Fed mais inclinado à redução de taxas. O índice Stoxx 600, que abrange vários mercados na Europa, subia +0,38% por volta de 7h20.
  • Na Ásia, as bolsas fecharam em alta. O índice Nikkei, da bolsas japonesa, terminou a sessão com subida de 1,85%. O Hang Seng, de Hong Kong, foi mais modesto e encerrou o pregão com avanço de 0,13%.
  • O índice dólar (DXY) já está em clima de feriado com queda de -0,01% aos 99,81 pontos. O petróleo Brent amanhece em queda de -0,31% a US$ 61,60 o barril. A Treasury de 10 anos, referiencia do mercado de juros nos EUA, negociava em queda a 4,008%.

CONTEÚDO DE MARCATudo o que você precisa saber antes de investir em um CDB


Destaques do dia

  • Senado dispara “pauta-bomba” com impacto bilionário sobre orçamento nas próximas décadas. A casa legislativa aprovou na terça-feira (25) o projeto que regulamenta a aposentadoria especial de agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE), garantindo integralidade (salário cheio) e paridade (reajustes iguais aos da ativa). A aprovação foi por 57 votos a zero, com duas abstenções.
  • O custo estimado? Algo na casa de R$ 40 bilhões em dez anos só para a União — e para os municípios, o risco é maior: a Confederação Nacional de Municípios (CNM) calcula um impacto de até R$ 103 bilhões, por conta do aumento do déficit nos regimes próprios de previdência.
  • E como isso afeta os mercados? O aperto nas contas públicas pode aumentar o estresse sobre os juros e sobre investimentos do governo, que terá de compensar o gasto com medidas com contenção de despesas ou aumento de arrecadação. O estresse fiscal pode pesar no humor do câmbio e nas curvas de juros.


Giro pelo mundo

  • Corte de juros nos EUA no radar: A expectativa por um corte de 0,25 ponto percentual pelo Fed em dezembro segue crescendo; dados econômicos dos EUA nos próximos dias serão cruciais para confirmar o preço.
  • Com menor percepção de ameaça geopolítica recente, investidores voltam a buscar ativos mais arriscados — o que beneficia mercados emergentes.

Giro pelo Brasil

  • Pauta-bomba aprovada: A aposentadoria especial para ACS/ACE avança e deve pressionar o orçamento público nos próximos anos.
  • Hoje é dia de IPCA-15. O índice divulgado pelo IBGE funciona como uma prévia da inflação para o mês de novembro e pode mexer com os ponteiros das expectativas sobre o início do ciclo de cortes da Selic.
  • Nesta quarta-feira (26), o presidente Luis Inácio Lula da Silva deve sancionar a lei aprovada no Congresso de isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil válida a partir de 2026. A nova legislação prevê como compensação a tributação de dividendos e outras rendas no limite de 10% para quem ganha acima de R$ 50 mil por mês.

Giro corporativo

  • Reestruturação no varejo: O grupo Casas Bahia convocou debenturistas para assembleia em dezembro — a ideia é aprovar aumento de capital e alongamento da dívida, em uma tentativa de reduzir a alavancagem.

Agenda do dia

Ótima quarta-feira e bons negócios!

Sucessão na Apple: os quatro nomes cotados para substituir Tim Cook

26 de Novembro de 2025, 06:00

Tim Cook não dá sinais de querer desacelerar. Famoso por acordar antes do amanhecer para responder e-mails e se exercitar, ele dedicou grande parte da vida à Apple e já afirmou que pretende permanecer na empresa por mais algum tempo.

Ainda assim, desde que Cook completou recentemente 65 anos — uma idade em que outros executivos costumam estar caminhando para a aposentadoria — analistas, investidores e observadores da Apple estão em polvorosa: quem está na linha de sucessão para comandar talvez a empresa americana mais icônica?

Para deixar claro, Cook não precisa sair — a Apple não tem idade obrigatória de aposentadoria para executivos — e não há sinais de pressão para que ele deixe o cargo. Apesar dos tropeços recentes da empresa em inteligência artificial, ele entregou resultados espetaculares aos acionistas, elevando o valor de mercado da Apple em mais de uma ordem de grandeza desde que assumiu o cargo em 2011.

O presidente do conselho da Apple, Art Levinson, tem 75 anos — idade a partir da qual membros do conselho geralmente se aposentam. Cook, que já faz parte do conselho, poderia assumir a presidência e abrir espaço para um novo CEO, ou acumular os dois cargos por um período, como muitos executivos do S&P 500.

Os principais potenciais sucessores incluem quatro executivos atuais da Apple, cada um responsável por uma área distinta da companhia. Uma porta-voz da Apple não comentou o assunto.

John Ternus, 50 anos — Hardware

Embora seja jovem em comparação aos outros candidatos, Ternus está na Apple há 24 anos. É visto como um dos favoritos, em parte porque a Apple é uma empresa de hardware e ele comanda a engenharia de hardware. Trabalhou no iPad e, mais tarde, no Mac e no AirPods antes de assumir a responsabilidade por todos os produtos da Apple, incluindo o mais importante deles, o iPhone.

A engenharia de hardware é onde os produtos da Apple ganham forma. A equipe de design define a aparência. As equipes de silício e software determinam os recursos. O trabalho de Ternus é garantir que tudo funcione.

Entre suas conquistas está a colaboração com a equipe interna de chips da Apple para substituir os processadores Intel nos Macs por chips projetados pela própria Apple. Esses chips se mostraram mais eficientes em energia do que os da Intel, permitindo que funcionem mais rápido e com menos aquecimento. Muitos laptops PCs ainda precisam de ventoinhas; os Macs não.

As vendas de Mac dispararam após a mudança, iniciada em 2020, também impulsionadas pela pandemia, quando mais pessoas compraram computadores para trabalhar de casa. As vendas recuaram desde então, mas ainda estão acima dos níveis pré-pandemia.

Craig Federighi, 56 anos — Software

Federighi é um dos executivos mais conhecidos da Apple. Como chefe de engenharia de software, costuma ser uma das estrelas da conferência anual para desenvolvedores, onde apresenta novas versões dos sistemas operacionais e aplicativos, além dos diversos recursos que os compõem. Ele é responsável por todo o software que roda em mais de um bilhão de dispositivos, da mesma forma que Ternus é responsável por todo o hardware.

Quem já trabalhou com Federighi descreve seu estilo de gestão como decisivo. Ele é conhecido por reunir sua equipe ao redor da mesa de reuniões para debater ideias e definir um caminho claro. As pessoas saem entendendo exatamente o que precisam entregar.

Sua capacidade de entregar produtos de software foi uma das razões pelas quais recebeu mais responsabilidade nos esforços de IA da Apple, depois que outro executivo enfrentou dificuldades para melhorar as iniciativas da empresa. O exemplo mais visível é a assistente pessoal Siri, que ainda lida apenas com consultas básicas 14 anos após seu lançamento, enquanto chatbots rivais, como o ChatGPT, conversam de forma mais natural.

Eddy Cue, 61 anos — Serviços

Um veterano da Apple, Cue está na empresa desde o final da década de 1980 e há muito tempo comanda a divisão que talvez seja a mais bem-sucedida da era Tim Cook: serviços. O iPhone é como a Disney World — depois que você entra, é difícil não gastar dinheiro.

Jogos, assinaturas, armazenamento, busca. O que você quiser, a Apple oferece — ou cobra uma fatia generosa dos parceiros que oferecem.

Cue é especialmente carismático, uma figura expansiva que adora esportes e carros — ele integra o conselho da Ferrari — e é conhecido como um negociador habilidoso dentro da Apple. Durante anos, ele também foi um “resolvedor de problemas”: relançou um serviço de sincronização de dados fracassado como iCloud e assumiu o Apple Maps após seu lançamento desastroso.

Cue era próximo de Steve Jobs. Ele foi um dos poucos executivos que visitaram o cofundador da Apple para se despedir no dia anterior à sua morte, segundo o livro After Steve, de Tripp Mickle. Por ser apenas alguns anos mais novo que Cook, é improvável que fosse um CEO de longo prazo, caso fosse escolhido.

Greg “Joz” Joswiak, 61 anos — Marketing

No ano que vem, Joz completará 40 anos na Apple e lidera outra função central para a empresa: marketing. A Apple constrói sua marca com o mesmo cuidado que constrói seus dispositivos, o que a ajuda a cobrar preços premium e, assim, gerar lucros extraordinários. Isso faz de Joz um dos executivos mais importantes da companhia.

Ele também é uma das faces mais conhecidas fora da empresa, por seu papel de destaque no evento de lançamento anual do iPhone e nas entrevistas subsequentes para promover os novos produtos. Ele desempenha papel-chave na criação dos keynotes da empresa, que costumavam ser ao vivo e, desde a pandemia, passaram a ser gravados.

Joz também gerencia as situações de imprensa delicadas que a Apple enfrenta, dada a expectativa que sua marca cria. Mais recentemente, isso tem incluído lidar com os tropeços da empresa em IA — incluindo recursos prometidos para 2024 que não foram entregues.

Joz, junto com Federighi, foi quem admitiu publicamente que os esforços de IA da Apple até agora não alcançaram os padrões de qualidade da empresa.

Escreva para Rolfe Winkler em Rolfe.Winkler@wsj.com

Marcos Molina, da Sadia, diz que Ozempic já está mudando o consumo: ‘é o Natal da proteína’

25 de Novembro de 2025, 14:59

O “efeito Ozempic” já começa a redesenhar o consumo no Brasil e até a tese de investimento de grandes fundos internacionais. A avaliação é de Marcos Molina, controlador da MBRF – grupo dono de marcas como Sadia, Perdigão e Marfrig –, um dos principais empresários do setor de proteína animal no país.

Em conversa com jornalistas, Molina afirmou que as redes de supermercados brasileiras têm reportado uma queda expressiva nas vendas de produtos ricos em carboidratos e açúcar, enquanto o consumo de proteína segue firme. E, em alguns casos, cresce.

“É o Natal da proteína”, afirmou, citando relatos de varejistas que já identificam o impacto direto do uso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro no comportamento de compra dos consumidores.

Relatórios recentes da Abras, associação que representa os supermercadistas, confirmam o movimento. Na semana de 3 a 9 de novembro, a cesta de proteína animal registrou alta de 16,6% nas vendas em valor frente ao ano anterior, enquanto arroz, feijão e açúcar despencaram 18,2% no mesmo período.

O movimento não se limita ao varejo: investidores americanos começam a rever suas carteiras. “Pela primeira vez ouvimos que os fundos estão tirando dinheiro de empresas de snacks e colocando em proteína”, disse Molina, que esteve com gestores na semana passada em Nova York, em um evento promovido pelo Bradesco BBI.

O diagnóstico reforça um movimento que já vinha despontando na indústria alimentícia. Como mostrou o InvestNews, empresas como Danone, JBS e a própria MBRF vêm reposicionando portfólios para um consumidor que come menos, mas busca mais valor nutricional com lançamentos de refeições proteicas, iogurtes enriquecidos e produtos voltados a quem usa análogos de GLP-1, conhecido como o “hormônio da saciedade”.

Para Molina, a tendência deve se intensificar em 2026, com a consolidação dos medicamentos para emagrecimento e o foco crescente dos consumidores em manter a massa magra. É a “Ozempic economy” ganhando forma no Brasil.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

EssilorLuxottica, dona da Ray-Ban, estuda adquirir fatia de até 10% da Armani

22 de Novembro de 2025, 09:30

A EssilorLuxottica, maior grupo óptico do mundo e controladora de marcas como Ray-Ban, Oakley e Persol, estuda comprar entre 5% e 10% da grife Armani, segundo reportagem do jornal italiano Il Sole 24 Ore. A movimentação ocorre pouco mais de dois meses após a morte do fundador, Giorgio Armani, aos 91 anos.

De acordo com o jornal, a EssilorLuxottica teria indicado que não pretende assumir papel ativo na gestão da grife italiana, nem ocupar assentos no conselho da empresa. Procuradas pela Bloomberg, nem a EssilorLuxottica nem a Armani comentaram o assunto.

O testamento de Armani abriu caminho para uma eventual mudança de controle. Ele recomendou que seus herdeiros vendessem 15% da empresa a um de três compradores preferenciais — LVMH, EssilorLuxottica ou L’Oréal (ou empresas equivalentes) — em um prazo de 18 meses. 

Giorgio Armani no desfile de alta-costura Giorgio Armani Privé Primavera 2025, em Paris
Giorgio Armani no desfile de alta-costura Giorgio Armani Privé Primavera 2025, em Paris (Foto: Pascal Le Segretain/Getty Images)

Caso a família feche um acordo, o comprador poderá elevar sua participação ao controle acionário após três anos. O testamento também prevê a alternativa de uma abertura de capital.

Após a morte do estilista, um porta-voz da EssilorLuxottica disse que o grupo — que já licencia e produz há anos a linha de óculos Armani Exchange e Giorgio Armani — avaliaria “cuidadosamente” uma eventual participação na empresa.

@investnewsbr

Girgio Armani deixou tudo preparado para que a sua marca siga nos holofotes do mundo da moda. #armani #moda #negócios

♬ som original – InvestNews BR

Bitcoin em queda: é hora de aumentar posição ou ficar de fora?

21 de Novembro de 2025, 14:59

O bitcoin (BTC) levou um tombo nesta sexta-feira (21) e caiu para o menor preço desde abril, impulsionado por dúvidas sobre os juros nos EUA e saídas em massa nos ETFs (fundos negociados em bolsa) do país.

Diante da queda, surge uma pergunta: vale a pena nadar contra a corrente e aumentar a exposição na criptomoeda, em vez de vender, como a maioria está fazendo?

Em tese, seria – a lógica básica de qualquer ativo é: “compre na baixa, venda na alta”. Se você investe em uma cripto quando o preço dela está baixo, você paga menos por cada unidade. Quando o valor sobe, a diferença entre o que você pagou e o que ele vale vira seu lucro. (isso não é uma recomendação de compra; é apenas uma explicação, ok?).

“Na visão estratégica, faz sentido iniciar ou aumentar posição, mas com parcimônia, com entradas fracionadas”, disse Virgílio Lage, especialista da Valor Investimentos.

Mas nada no mercado financeiro é tão preto no branco, né? A teoria e os especialistas dizem que sim, esse seria um bom momento para comprar, mas há um grande problema a ser observado: não dá para saber se esse é o fundo da cripto – ou seja, o menor preço antes de uma possível alta.

“A queda não garante o fundo. Se o cenário macro piorar (a alta de juros, o dólar pressionando emergentes e o fluxo saindo do risco), a correção pode se estender ainda mais, buscando regiões de suportes (quando a cripto chega em um preço baixo e tende a subir) mais sólidas”, disse Lage.

Até onde o preço pode ir?

Essa é a pergunta de US$ 83 mil, preço que o bitcoin está sendo negociado hoje. Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio, disse que é possível observar um pouco de demanda compradora tentando frear o movimento de queda, o que poderia dar uma segurada no deslize.

Se esse movimento continuar, as resistências de curto e médio prazo — quando a cripto chega em um preço alto e tende a cair — estão em torno de US$ 88.000 e US$ 100.000. Mas nada disso é garantido.

Se o fluxo vendedor — que hoje é o dominante — continuar forte e a pressão de baixa persistir, disse ela, “o preço do bitcoin pode sim buscar as regiões de liquidez entre US$ 80.000 e US$ 79.000”.

Também vale lembrar que bitcoin é diferente de bolsa. Empresas têm “fundamentos”, ou seja, o lucro que a operação delas dá – ou o lucro potencial que elas podem dar no futuro, principalmente quando você olha para empresas “de crescimento”, que ainda não operam no azul. E é isso que determina o preço de uma ação.

O bitcoin é diferente. Ele não tem valor intrínseco. O que dá para fazer é observar padrões de variação do passado e ver se eles se repetem no futuro – “análise gráfica”, no jargão.

Por que o mercado está nervoso?

O cenário atual é bem incerto. No lado macroeconômico, o relatório de empregos dos EUA (payroll), divulgado ontem, mostrou uma economia aquecida, com 119 mil vagas de emprego criadas em setembro (bem acima dos 50 mil esperado pelo mercado). Isso sugere que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) pode adiar os cortes de juros para controlar uma possível inflação, o que não é nada bom para as criptomoedas.

Os investidores de ETFs (fundos negociados em bolsa) também estão com o pé atrás com o mercado cripto – os dois pés, para falar a verdade. Eles retiraram US$ 3,79 bilhões dos 11 fundos negociados em bolsa entre o dia 1º de novembro e a quinta-feira (20), segundo dados da plataforma SoSoValue. Foi a maior debandada desde o lançamento desses produtos financeiros, em janeiro de 2024.

Além de tudo isso, o cenário no “mercado tradicional” não tem colaborado nada com cripto. As ações dos EUA, que chegaram a subir após os resultados trimestrais da Nvidia, recuaram nesta tarde. O índice Nasdaq 100, por exemplo, cai 0,20% no momento da publicação deste texto.

Quem está vendendo e quem está comprando?

Tem muita gente “das antigas” vendendo bitcoin. Owen Gunden, um dos primeiros grandes investidores de cripto – uma “baleia” (apelido dado a quem tem grandes quantidades de bitcoin) – voltou a movimentar o mercado. Ele vendeu 11 mil BTC, equivalentes a US$ 1,3 bilhão, entre outubro e ontem, segundo dados da plataforma de análise de blockchain Arkham.

Mas, apesar das quedas recentes, também houve investidores aproveitando os preços menores para ampliar posição. A Strategy – a empresa de tesouraria de bitcoin mais conhecida do mercado – comprou 8.178 BTC entre os dias 10 e 11 de novembro, um investimento de US$ 835,6 milhões pela cotação da época.

El Salvador também adicionou 7.474 bitcoins ao seu “carrinho”, cerca de US$ 680 milhões. Neste caso, porém, a operação levantou dúvidas do mercado. Isso porque o movimento contraria as exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI), que havia proibido novas compras de cripto como condição para liberar um empréstimo bilionário ao país no começo deste ano.

Qual melhor estratégia e quanto investir em bitcoin?

Uma das principais recomendações para investir em criptomoedas é adotar a estratégia de Dollar-Cost Averaging (DCA, em inglês), que consiste em investir um valor fixo na cripto em intervalos regulares – por exemplo, toda semana ou todo mês – independentemente do preço. Em vez de tentar acertar o “melhor preço” ou identificar o fundo, o investidor dilui as compras ao longo do tempo.

Quanto investir em cripto é uma das dúvidas frequentes de investidores também. Para ser direto: varia. “Depende muito do quão comprado com a tese o investidor está e a sua capacidade financeira”, disse Vitor Santoro Bezerra, planejador financeiro CFP e MBA em finanças pela Faculdade Brasileira de Negócios e Finanças.

No final do ano passado, por exemplo, a gigante dos investimentos BlackRock sugeriu que entre 1% a 2% do portfólio em cripto pode trazer benefícios para o investidor. No entanto, há outras casas que sugerem entre 3% e até 5%, a depender do perfil do investidor.

Quais os riscos de investir em bitcoin?

Os riscos de curto prazo para o bitcoin incluem uma correção mais profunda por causa dos juros nos EUA, reduzindo o apetite por risco e desacelerando os fluxos para ETFs. Há bastante concentração do ativo digital nas mãos de investidores institucionais também, o que adiciona volatilidade caso eles decidam vender. No longo prazo, há sempre os riscos estruturais, como mudanças regulatórias.

Bitcoin caminha para o pior mês desde o colapso das criptomoedas de 2022

21 de Novembro de 2025, 11:52

O Bitcoin está a caminho de seu pior desempenho mensal desde uma série de colapsos corporativos que abalaram o setor mais amplo de criptomoedas em 2022.

A maior criptomoeda caiu até 7,6%, chegando a US$ 80.553 na sexta-feira. O segundo colocado, Ether, recuou até 8,9%, ficando abaixo de US$ 2.700, enquanto uma série de tokens menores registraram quedas semelhantes. O valor total de mercado das moedas virtuais caiu abaixo de US$ 3 trilhões pela primeira vez desde abril, segundo dados do CoinGecko.

O Bitcoin já perdeu cerca de um quarto de seu valor em novembro, o maior recuo em um único mês desde junho de 2022, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. O colapso do projeto de stablecoin TerraUSD, de Do Kwon, em maio daquele ano, desencadeou uma cadeia de falências corporativas que culminou na queda da exchange FTX, de Sam Bankman-Fried.

Apesar de uma Casa Branca pró-cripto sob o governo do presidente Donald Trump e da crescente adoção institucional, o Bitcoin caiu mais de 30% desde que atingiu recordes no início de outubro. A derrocada segue uma onda devastadora de liquidações em 10 de outubro, que eliminou US$ 19 bilhões em apostas alavancadas com tokens, e, consequentemente, apagou cerca de US$ 1,5 trilhão do valor combinado de todas as criptomoedas.

A pressão de venda se intensificou nas últimas 24 horas, com mais US$ 2 bilhões em posições alavancadas liquidadas, segundo dados do CoinGlass.

O cenário mais amplo do mercado pouco ajudou. As ações dos EUA, que haviam subido com o entusiasmo renovado por inteligência artificial após resultados positivos da Nvidia Corp., cederam ganhos na quinta-feira devido a preocupações sobre avaliações esticadas e dúvidas sobre um corte na taxa de juros do Federal Reserve em dezembro.

“Sentimento em todo o mercado é incrivelmente ruim. Parece haver um vendedor forçado no mercado e não está claro até onde isso vai”, disse Pratik Kala, gestor de portfólio do hedge fund australiano Apollo Crypto.

Uma carteira de criptomoedas identificada como “Owen Gunden”, que possuía Bitcoin desde 2011, começou a vender tokens no valor total de US$ 1,3 bilhão no final de outubro e se desfez de seu último Bitcoin na quinta-feira, segundo publicação no X do pesquisador de blockchain Arkham Intelligence.

Um indicador de sentimento dos investidores de criptoativos, que mede fatores como volatilidade, momentum e demanda, também atingiu seu nível mais baixo desde o colapso de 2022. O índice, compilado pelo Coinglass, indica atualmente “medo extremo” entre os traders. Ele estava em 94 logo após Trump vencer a eleição presidencial há pouco mais de um ano.

As instituições parecem relutantes em aproveitar a fraqueza do mercado. Um grupo de 12 ETFs de Bitcoin listados nos EUA registrou saídas líquidas de US$ 903 milhões na quinta-feira, seu segundo maior resgate em um único dia desde o lançamento em janeiro de 2024. O open interest em contratos futuros perpétuos caiu 35% em relação ao pico de outubro, de US$ 94 bilhões.

Tony Sycamore, analista da IG Australia, afirmou em nota que o mercado “pode também estar buscando testar o limiar de dor da Strategy” — uma referência ao hoarder de Bitcoin original administrado por Michael Saylor. O mNAV da Strategy Inc. — razão entre valor da empresa e participações em Bitcoin — caiu para pouco mais de 1,2.

Em nota nesta semana, analistas do JPMorgan Chase & Co. alertaram que a Strategy pode perder seu lugar em benchmarks como MSCI USA e Nasdaq 100, com decisão esperada até 15 de janeiro.

Tentativas de replicar a estratégia de acúmulo de criptoativos de Saylor este ano também estão sob pressão, com empresas como Sequans Communications, ETHZilla e FG Nexus vendendo parte de suas participações para financiar recompra de ações e sustentar seus preços em queda.

O Bitcoin registrou sua 11ª baixa consecutiva na sexta-feira, a maior sequência desde 2010, segundo dados analisados pela Bloomberg.

Bitcoin estabiliza, mas balanço da Nvidia e ata do Fed podem mexer com preço

19 de Novembro de 2025, 10:19

Depois de dias de queda, as criptomoedas encontraram um pouco de estabilidade na manhã desta quarta-feira (19). O bitcoin (BTC) sobe 0,20%, para a faixa dos US$ 91 mil, enquanto o ethereum (ETH) avança 1%.

Mas dois assuntos podem dar uma chacoalhada no mercado cripto ao longo do dia.

O primeiro é a ata do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), que será divulgada hoje. Em resumo, é um relatório detalhado sobre a última reunião de política monetária do país, em outubro, que pode trazer pistas sobre possíveis cortes de juros em dezembro.

As criptomoedas, assim como outros ativos de risco, costumam reagir bem a tesouradas nos juros, porque passam a ficar mais atrativas do que títulos de renda fixa. O contrário também é verdadeiro: quando as taxas sobem, os ativos de risco geralmente sofrem.

O segundo ponto que pode mexer com o mercado é o balanço da queridinha da inteligência artificial (IA), a Nvidia (NVDC34), que será divulgado nesta quarta após o fechamento das bolsas americanas.

Se os resultados vierem acima das expectativas, investidores podem voltar a buscar ações de tecnologia e outros ativos financeiros mais arriscados, incluindo criptos – que, na prática, vêm se comportando como parte desse mesmo bloco.

A expectativa é de que a receita do terceiro trimestre da big tech salte 56% em relação ao ano anterior, para US$ 54,9 bilhões, impulsionada principalmente pelas vendas de data centers. Analistas também projetam um lucro líquido de US$ 30,7 bilhões (US$ 1,26 por ação) e um lucro operacional de US$ 36,2 bilhões – alta de 56%.

“Os resultados da Nvidia se tornaram peça central do humor no setor de tecnologia e inteligência artificial. Se a empresa decepcionar, o efeito pode ser pesado para os mercados”, disse Paulo Aragão, host do Podcast Giro Bitcoin.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h:

Bitcoin (BTC):  +0,20%, US$ 91.036,30

Ethereum (ETH): +1,19%, US$ 3.030,50

XRP (XRP): -2,20%, US$ 2,13

BNB (BNB): +0,79%, US$ 921,47

Solana (SOL): +0,69%, US$ 138,51

Outros destaques do mercado cripto

Big Brother cripto. Alguns parlamentares não estão contentes com a regulamentação cripto do Banco Central, publicada há alguns dias. Nesta semana, um grupo de deputados federais protocolou um novo projeto (o segundo em menos de sete dias!) para tentar sustar as regras. Segundo eles, a autarquia quer criar um grande “Big Brother das criptomoedas”, acompanhando cada satoshi (a unidade básica do bitcoin, equivalente ao centavo no real) movimentado pelos usuários.

Brasileiro abraçou os ETFs de cripto. O apetite do brasileiro por criptomoedas só cresce. Uma prova disso é que dois ETFs (fundos negociados em bolsa) de ativos digitais – o HASH11 e o ETHE11 – estão na seleta lista dos 10 mais negociados da bolsa de valores há três meses. Eles dividem espaço com gigantes como o BOVA11, o ETF mais popular da B3, lançado lá em 2008.

Fundo cripto da BlackRock sangra. Enquanto os ETFs locais colhem bons números, os equivalentes nos EUA sofrem – principalmente o IBIT, da gigante de investimentos BlackRock. Ontem, o fundo registrou US$ 523,15 milhões em saídas, a maior retirada diária desde seu lançamento, em janeiro de 2024. A debandada veio junto com a queda do bitcoin, que na segunda-feira (17) chegou a cair abaixo dos US$ 90 mil pela primeira vez em sete meses.

Jeff Bezos volta à cadeira de presidente ao assumir a startup Project Prometheus

17 de Novembro de 2025, 14:24

Jeff Bezos assumirá o cargo de codiretor executivo de uma nova startup de inteligência artificial voltada para aplicações industriais e aeroespaciais, informou o New York Times na segunda-feira (17). A empresa, batizada de Project Prometheus, já arrecadou US$ 6,2 bilhões em financiamento — parte dele investida pelo próprio fundador da Amazon —, tornando-se uma das startups em estágio inicial mais bem capitalizadas do mundo, segundo três fontes ouvidas pelo jornal.

A iniciativa marca o retorno de Bezos a um cargo operacional formal desde que deixou a presidência-executiva da Amazon, em julho de 2021. Embora esteja profundamente envolvido com a Blue Origin, sua empresa espacial, Bezos detém ali apenas o título de fundador.

Com o Project Prometheus, o bilionário entra de vez em um mercado de inteligência artificial cada vez mais competitivo, dominado por gigantes como OpenAI, Meta, Google e Microsoft, enquanto dezenas de startups disputam espaço com produtos e modelos próprios.

O novo empreendimento será comandado por Bezos em parceria com Vik Bajaj, físico e químico que já trabalhou de perto com Sergey Brin no laboratório de inovação do Google, conhecido como X (antigo Google X).

Segundo o The New York Times, o jornal norte-americano, o Project Prometheus já contratou cerca de 100 pesquisadores vindos de empresas de IA, como OpenAI, DeepMind e Meta, em meio a uma acirrada disputa global por talentos.

A tecnologia em desenvolvimento da startup é direcionada a aplicações de IA para engenharia e produção em setores como informática, indústria automotiva e aeroespacial — áreas alinhadas ao interesse de longa data de Bezos em acelerar o acesso humano ao espaço. Ainda não está claro onde a startup está sediada nem quando exatamente foi fundada, já que a empresa manteve um perfil discreto até agora.

Vida de Bezos

Desde que deixou o comando da Amazon, Bezos tem dividido os holofotes entre seus negócios e sua vida pessoal — incluindo um casamento repleto de celebridades em Veneza neste ano. Ele também intensificou seu envolvimento com a Blue Origin e ampliou seus investimentos no setor de IA. Segundo a CNBC, todos os aportes feitos em 2024 pela família Bezos, por meio da gestora Bezos Expeditions, foram direcionados a empresas de inteligência artificial.

O lançamento do Project Prometheus ocorre em um momento de forte pressão por mão de obra especializada. Grandes empresas de tecnologia vêm oferecendo salários recordes e bônus milionários para atrair cientistas de IA — alguns chegando a valores de US$ 100 milhões. O mercado continua marcado por uma rotatividade intensa, com talentos migrando entre OpenAI, Meta, Google e startups emergentes.

Mesmo diante de uma competição bilionária, o Project Prometheus desponta como um novo peso pesado. Com US$ 6,2 bilhões já captados, a empresa tem margem para adquirir poder computacional escasso, atrair pesquisadores de elite e desenvolver conjuntos de dados proprietários difíceis e caros de produzir em ambientes industriais, segundo especialistas ouvidos pelo Times.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Cartões de criptomoedas: o que saber antes de usar

10 de Novembro de 2025, 12:07

No princípio do mundo dos pagamentos digitais, era tudo Visa e Mastercard, basicamente. Mas uma revolução nada silenciosa começou a tomar uma parte do território dessas gigantes globais: as stablecoins.

As stablecoins são criptomoedas atreladas a outros ativos. Pode ser o dólar, o ouro, o real etc. Mas as que importam, as que têm público de fato, são as que seguem o valor da moeda americana, principalmente as duas maiores: USDT e USDC.

Guardadas em carteiras cripto, podem ser usadas em locais que aceitam ativos digitais. No Brasil, isso praticamente não existe, mas nos Estados Unidos, estabelecimentos como Gucci e AMC Theatres (a rede de cinemas) liberam o pagamento em criptos estáveis.

Ou seja, muita gente começou a deixar as maquininhas tradicionais de lado, reduzindo as taxas que iam para as bandeiras.

Ao perceberem esse cenário, em vez de gritarem aos quatro ventos que estavam perdendo espaço e sugerirem regras contra as criptomoedas, Mastercard e Visa decidiram se juntar ao setor de moedas digitais. E dessa união nasceram os cartões de criptomoedas de débito e crédito cripto.

Como esses cartões funcionam?

Hoje, há quase uma dezena de cartões de criptomoedas disponíveis em terras brasileiras. No geral, você carrega com criptomoedas e gasta em reais, em qualquer lugar que aceite pagamento por maquininha.

Vamos dar exemplos aqui de dois cartões de criptomoedas, explicando como funcionam, como pedir, quais as taxas etc. Não são recomendações, claro – é tudo para fins didáticos mesmo.

Binance Card – Crédito/Mastercard

Um dos últimos lançamentos, agora no início de outubro, foi o Binance Card, criado pela exchange Binance em parceria com a Mastercard. Ele é um cartão “híbrido”. Apesar de ter a bandeira crédito, não funciona como um cartão de crédito tradicional, e sim como um cartão pré-pago recarregável com criptomoedas.

Para usar, é preciso ter uma conta na corretora e solicitar o cartão pelo site ou aplicativo da Binance. O usuário deve manter criptomoedas – como bitcoin (BTC), ethereum (ETH), binance coin (BNB) ou stablecoins – em uma área específica da conta, chamada “Funding Account”. É desse saldo que o cartão “puxa” o valor das compras.

Também é possível permitir o uso das criptos que ficam na conta usada para trading, chamada “Spot Account”. Dentro da plataforma, você escolhe quais criptomoedas serão usadas primeiro nas transações. Exemplo: primeiro USDT, depois bitcoin, e em terceiro ethereum. É possível definir entre três e 12 moedas digitais.

A cada uso, ocorre uma conversão automática de cripto para real, com taxa de 0,9%. Essa cobrança é feita em todas as compras, e não no fechamento de uma fatura. Em cartões convencionais, vale lembrar, não existem taxas para o usuário (só para o comércio).

O cartão também tem limite mensal de gastos que varia conforme o nível de verificação de identidade do usuário (KYC), indo de R$ 50 mil a R$ 150 mil no mês. Ou seja, mesmo que o cliente tenha R$ 1 milhão em criptomoedas na conta, ele só poderá gastar até o teto definido pela Binance, o que é uma limitação em relação a um cartão de débito comum, que permite usar todo o saldo disponível.

Também é possível fazer saques em caixas eletrônicos. Os dois primeiros saques do mês são gratuitos; depois, cobram uma tarifa de US$ 1,50 por operação. Os cartões de débito comum não costumam cobrar saques.

Ripio Card- Débito/Visa

O Ripio Card é um cartão pré-pago de criptomoedas da plataforma Ripio, com bandeira Visa. Ele funciona de forma muito semelhante ao da Binance: você precisa ter criptomoedas em sua conta na corretora, que são convertidas automaticamente para reais no momento da compra.

A diferença é que o Ripio Card atua formalmente na modalidade débito (ou seja, na hora de passar na maquininha, você diz para o vendedor que o pagamento é no débito). Dá para usar cerca de 30 moedas digitais, incluindo, claro, bitcoin, ethereum e stablecoins.

Na hora da compra, a plataforma faz a conversão automática para reais com uma taxa de 0,5% por operação. Apesar de ser um cartão de débito, ele também tem limite: R$ 40 mil por dia.

Também há opção de saque em caixas 24 horas, com tarifa de R$ 6,90 por operação.

Vantagens

Talvez a principal vantagem desses cartões de criptomoedas seja em viagens internacionais – e a gente já falou sobre isso aqui. Eles não cobram imposto sobre operações financeiras (IOF). Outros cartões que cortam a tarifa são os oferecidos por OKX, Bitget Wallet e Crypto.com.

Alguns deles também eliminam ou têm um spread cambial menor – aquela margem que as instituições financeiras adicionam sobre a cotação do dólar. Em contrapartida, nos cartões tradicionais incidem IOF de 3,5%, somado a um spread que costuma variar entre 4% e 7%.

A taxa de conversão, entre 0,5% e 0,9% fica abaixo desses valores, portanto.

O ideal, de qualquer forma, é sempre usar stablecoins para “recarregar” os cartões. Se você converter diretamente a partir de bitcoins e outras criptos tradicionais, estará à mercê da volatilidade, já que o preço delas muda rápido: o bitcoin, por exemplo, chegou a US$ 126 mil em meados de outubro e hoje está na casa dos US$ 103 mil. Ou seja: o valor em reais pode variar brutalmente entre o momento em que você carrega o cartão e o momento da compra.

Veja tabela com alguns cartões cripto:

CartãoTipoBandeira
Crypto.com CardPré-pago (modo crédito)Visa
Binance CardPré-pago (modo crédito)Mastercard
KAST CardPré-pago (débito e crédito)Visa
OKXPré-pago (débito)Mastercard
Ripio CardPré-pago (débito)Visa
Bitget WalletPré-pago (crédito)Mastercard

Bitcoin sobe com expectativa de fim do shutdown nos EUA

10 de Novembro de 2025, 07:43

Parece que o shutdown – a paralisação parcial do governo dos Estados Unidos – está perto do fim, após 40 dias de impasse. E as criptos reagem bem à notícia, acompanhando o bom humor dos mercados americanos.

O bitcoin (BTC) é negociado a US$ 106 mil na manhã desta segunda-feira (10), com alta de 4,37% nas últimas 24 horas. As altcoins – as criptos diferentes do BTC – também avançam, com destaque para o XRP, que sobe 12,30%.

Na noite de domingo (9), o Senado americano aprovou, por 60 votos a 40, o texto do orçamento anual, que pode encerrar a paralisação. O shutdown ocorre quando o Congresso não aprova o orçamento federal dentro do prazo legal.

O projeto agora segue para a Câmara dos Representantes, antes de chegar à mesa do presidente Donald Trump.

O assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, disse ontem em uma entrevista à CBS que o crescimento econômico dos EUA no quarto trimestre poderia ficar ameaçado se a paralisação federal se arrastasse mais.

Para Gracy Chen, CEO da Bitget, embora a paralisação tenha afetado o sentimento dos investidores no curto prazo, ela pode evidenciar as ineficiências dos sistemas financeiros tradicionais e fortalecer a confiança institucional na blockchain (a tecnologia por trás das criptos).

“Em um mercado onde a volatilidade persiste, mas a inovação continua forte, esse período de incerteza estimula estratégias diversificadas e a adoção global, à medida que os investidores buscam estabilidade em alternativas descentralizadas”.

Além das criptomoedas, os principais índices americanos também sobem nesta manhã. Nasdaq pula 1,49%, para 25.541,50 pontos; S&P 500 valoriza 0,93%, para 6.816,75 pontos; e Dow Jones avança 0,40%, para 47.275.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h40:

Bitcoin (BTC):  +4,37%, US$ 106.302,47

Ethereum (ETH): +6,59%, US$ 3.617,06

XRP (XRP): +12,30%, US$ 2,54

BNB (BNB): +1,57%, US$ 1.000,01

Solana (SOL): +7,14%, US$ 168,95

Outros destaques do mercado cripto

Regulamentação cripto sai hoje. O Banco Central publica nesta segunda a aguardada regulamentação dos criptoativos no Brasil. O texto será resultado de uma série de consultas públicas realizadas pela autarquia – uma delas sobre em que momento uma operação com criptomoedas pode ser considerada câmbio. Entre os pontos de atenção, o mercado quer saber se as stablecoins passarão a ser tributadas com IOF. A nova norma também deve detalhar os critérios para que empresas obtenham licença como Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs).

Tokenização de carros pode virar realidade. O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e o Detran-PR estudam criar um passaporte veicular digital – um token único para cada veículo, que reuniria em blockchain dados dos motoristas, histórico de propriedade e informações de financiamento. A ideia é tornar o processo de compra, venda e transferência de automóveis mais rápido, seguro e totalmente digital.

Marcopolo se apoia na operação internacional e registra margens recordes – mas pode ter chegado a um limite

6 de Novembro de 2025, 06:00

Depois de uma década em que o Brasil praticamente parou de renovar suas frotas de ônibus, a Marcopolo registrou a maior margem de lucro bruto de sua história: 26,7% – 1,8 ponto percentual a mais do que o mesmo período de 2024 e mais de 9 pontos acima da margem de dez anos atrás.

Um feito raro, ainda mais num setor que roda devagar há muito tempo.

A fabricante gaúcha de ônibus atravessou recessão, tarifas congeladas e a crise do transporte urbano. Ainda assim, saiu de um retorno sobre o capital investido (ROIC) de 16,6% em 2023 para 23,3% no ano passado – o ROIC é uma medida um pouco mais precisa que a margem; mostra quanto a empresa ganha em cima de cada R$ 1 que investe na operação toda (contando melhorias nas fábricas etc), e já depois dos impostos.

A ironia é que esse desempenho ocorre, de fato, em meio a um marasmo: o mercado doméstico de ônibus continua travado, e a eletrificação dos veículos pesados — vista como chave para destravar a renovação das frotas — ainda não avançou como o esperado.

O resultado da Marcopolo reflete uma adaptação darwiniana a um ambiente hostil. Por outro lado, agora esbarra também no limite desse avanço. Para analistas do time do BTG, o ROIC de 2025 deve sofrer um revés, recuando para 19%, e em 2026 estabizando-se num patamar de 23%, igual ao de 2024.

Internacionalização

Sem crédito barato e com menor volume de pedidos de programas públicos para compra de ônibus, a Marcopolo ampliou presença fora do país. Hoje são três fábricas no Brasil e oito no exterior. As exportações chegam a mais de 140 países.

Com quase 50% do mercado nacional, é a líder do setor. Mas o contexto em que ela opera mudou drasticamente. E o mercado externo tornou-se uma estratégia para diluir o risco de operar em um país onde o transporte coletivo perdeu prioridade. A Marcopolo reforçou fábricas na América Latina, onde tem 40% do mercado, na África do Sul e na Austrália. Na outra ponta, reduziu a exposição a mercados de margens estreitas, como Índia e Egito.

hierarchy visualization

A receita das operações de mercado externo, considerando as exportações e as operações internacionais, ganhou mais relevância. No terceiro trimestre, 50% do total veio de fora. No acumulado do ano, rondam em 40% – um peso, na leitura de analistas, bem maior do que no passado recente, com operações na América Latina e na Austrália ganhando corpo.

“Os mercados internacionais tornaram-se o nosso instrumento de diversificação”, afirma Pablo Motta, CFO da Marcopolo, em conversa com o InvestNews. “Eles nos ajudam a manter a escala e diluir a volatilidade.”

A empresa também apostou em verticalização – ou seja, no controle a cadeia de fornecimento. Boa parte das estruturas metálicas, dos componentes plásticos e dos sistemas internos é feita dentro de casa. “Essa é a nossa grande diferenciação”, prossegue Motta. “Ela permite rodar na mesma linha veículos muito diferentes e manter competitividade, porque controlamos o processo do começo ao fim.”

Essa configuração explica o “turnaround silencioso” dos últimos anos: um negócio ajustado para ganhar dinheiro mesmo se o Brasil crescer pouco. Mas também define o desafio à frente — o que fazer quando a eficiência atinge o limite.

Navegando os ciclos

Entre 2008 e 2013, a produção de ônibus viveu um boom. Subiu de 23 mil para 30 mil unidades por ano, impulsionado por linhas de financiamento de pai para filho, com juros próximos a 2% ao ano.

A bonança, porém, se transformou em armadilha: com frotas renovadas e a economia em crise, os operadores suspenderam as compras. “De lá para cá são doze anos em que a renovação do transporte urbano e rodoviário no Brasil não acontece nos volumes necessários”, diz Motta.

Segundo a associação dos fabricantes, a Fabus, a idade média da frota subiu de oito anos, em 2012, para 11,4 anos em 2024 — um retrato do subinvestimento crônico no transporte coletivo.

visualization

Congelamento de tarifas

No transporte urbano, a estagnação ganhou contornos políticos. As manifestações de 2013, que começaram contra um aumento de R$ 3,00 para R$ 3,20 na tarifa da capital paulista, marcaram o início de um congelamento prolongado dos reajustes.

Pablo Motta, CFO da Marcopolo: há demanda reprimida por ônibus urbano

“O serviço de transporte coletivo urbano passou a viver um desequilíbrio econômico-financeiro”, lembra o CFO da Marcopolo. Sem recomposição de receita, os concessionários cortaram investimentos e postergaram a renovação de frotas.

Enquanto isso, parte dos passageiros migrou para uma novidade que surgiu bem naquela época, em 2014: os aplicativos. “Com o serviço mais degradado, a população começa a utilizar o transporte individual”, diz o executivo. O resultado foi um ciclo vicioso: tarifa congelada, serviço pior, perda de usuários, queda de caixa e mais atraso na renovação.

Desempenho no trimestre

Mesmo assim, a reestruturação interna permitiu à Marcopolo capturar margens maiores mesmo num mercado menor. Isso somado ao exterior permitiu também apagar as dívidas. Ela praticamente sumiu do balanço.

Quanto ao balanço, vamos a ele. No terceiro trimestre de 2025, a empresa registrou receita líquida de R$ 2,5 bilhões, um crescimento de 8,2% ante mesmo período de 2024. Já o lucro líquido recuou 1,8%, para R$ 329,6 milhões. A margem recorde, de 26,7% é a bruta, ou seja, mede o que sobra das vendas depois de descontar os custos diretos de produção. Outra margem, a Ebitda, mostra o que resta depois das despesas com toda a estrutura da empresa. Essa ficou em 19,3%. Não é recorde, mas está em um bom patamar.

Já a dívida caiu a 0,05 vez o lucro operacional (Ebitda); uma boa notícia para um cenário com a maior Selic em 19 anos, que machuca as empresas mais alavancadas.

Os números, enfim, são fortes. Mas a reação do mercado foi fria. As ações caíram mais de 10% após o balanço, e o BTG Pactual cortou a recomendação de compra para neutra. O argumento é aquele que vimos no início: o ciclo de alta do crescimento parece mais perto do fim do que do começo.

O freio do juro

No segmento rodoviário, a equação é parecida. O lançamento da Geração 8 dos ônibus da companhia, em 2022, coincidiu com passagens aéreas caras e uma população com menos poder de compra — cenário favorável para a troca do avião pelo “ônibus executivo”. Mas o crédito não acompanhou o apetite.

“Hoje, a principal linha é o Finame e o BNDES, e gira na casa de 19% a 21% ao ano”, diz o CFO. Com dinheiro caro, o operador compra apenas quando é inevitável, concentrando pedidos na alta temporada e evitando comprometer o caixa.

Esse comportamento explica a desaceleração recente nas vendas domésticas e a projeção mais conservadora para 2026. O próprio BTG revisou suas estimativas de receita e de lucro, prevendo um mercado interno mais contido e um peso maior das operações internacionais.

A travessia energética

Se o crédito é o primeiro freio, a eletrificação é o segundo. A Marcopolo tradicionalmente fazia apenas a carroceria — chassi e propulsão vinham de montadoras como Mercedes, Volvo e Scania. Mas a chegada de fabricantes chineses com ônibus elétricos integrais mudou o jogo.

Para não perder espaço, a empresa desenvolveu seus próprios modelos completos, inclusive elétricos e híbridos, em parceria com fornecedores europeus e asiáticos. Na prática, porém, a transição anda mais devagar do que os planos oficiais.

As metas de cidades como São Paulo, que pretendem eletrificar boa parte da frota, esbarram na falta de infraestrutura e no custo. “As cidades não estavam preparadas para rodar com veículos elétricos porque não tinham estrutura de recarga suficiente”, diz Motta. O preço de um elétrico é, em média, três vezes maior que o de um diesel.

Para manter-se competitiva, a Marcopolo aposta em soluções intermediárias, como híbridos a etanol (que poluem menos que híbridos a gasolina) e ônibus a gás movidos a biometano. Elas permitem reduzir emissões sem exigir investimentos imediatos em infraestrutura. É uma tentativa de equilibrar o modelo atual com as exigências de uma transição que ainda não se concretizou – e abrir, quem sabe, uma nova estrada de crescimento.

CBMM, da família Moreira Salles, investirá R$ 11 bilhões em nova aposta no nióbio

29 de Outubro de 2025, 19:51

A gigante brasileira CBMM, controlada pela família Moreira Salles, prepara uma nova arrancada na produção de nióbio — metal estratégico usado em aço e baterias — e prevê investir R$ 11 bilhões nos próximos cinco anos.

A empresa projeta elevar em 5% sua produção em 2025, antecipando-se à demanda global e reforçando a aposta em aplicações tecnológicas do mineral, de veículos elétricos a novos materiais.

Segundo o head de Estratégia da companhia, Eduardo Mencarini, a produção deve alcançar 100 mil toneladas de ferronióbio equivalente neste ano, ante cerca de 95 mil toneladas em 2024. A capacidade instalada atual é de 150 mil toneladas, enquanto a demanda mundial gira em torno de 125 mil toneladas, o que permite à empresa operar com folga para atender novos mercados.

“A gente investe em capacidade produtiva de nióbio à frente da demanda de mercado porque acredita que o nióbio ainda tem muitas aplicações inexploradas”, disse Mencarini à Reuters, nos bastidores da Exposibram, congresso de mineração realizado em Salvador.

Metade do plano de investimento de R$ 11 bilhões será voltada à expansão industrial e manutenção de ativos, parte de uma estratégia de diversificação que mira o segmento de baterias e tecnologias avançadas.

A CBMM já realizou testes com Toshiba e Volkswagen Caminhões e Ônibus para o uso de baterias de íons de lítio com nióbio, e mantém um orçamento de cerca de R$ 300 milhões anuais em pesquisa e inovação.

A companhia opera uma mina e 16 plantas industriais, com aproximadamente 160 processos produtivos, e dispõe de reservas mapeadas para mais 90 anos de produção — uma raridade no setor.

Foto: Getty Images

Randoncorp enfrenta o desafio de seguir sem depender apenas da família que a criou

29 de Outubro de 2025, 19:32

Mais de sete décadas depois de nascer em uma oficina improvisada em Caxias do Sul, a Randoncorp continua sendo, essencialmente, um negócio de família.

Mesmo com estrutura de governança consolidada, capital aberto e presença global, o grupo ainda gira em torno das decisões e das figuras de Daniel Randon e David Randon, herdeiros da segunda geração que hoje ocupam os cargos de CEO e presidente do conselho, respectivamente.

Nos últimos anos, a maior fabricante de semirreboques da América Latina vinha em um movimento oposto: o de profissionalizar a gestão executiva e concentrar a família fundadora no conselho de administração. O símbolo dessa fase era Sérgio Carvalho, que desde 2022 ocupava o cargo de CEO do grupo, sendo o primeiro de fora da família Randon. 

Mas, em setembro deste ano, Carvalho deixou o cargo por razões pessoais e Daniel Randon, que ocupou a cadeira de CEO entre 2019 e 2022, voltou para o cargo. O mercado financeiro viu nesse retorno uma sinalização de que ainda não há um sucessor interno preparado para reduzir a dependência da Randoncorp da família, um problema em um conglomerado que tem expandido sua atuação por diferentes áreas nos últimos anos.

Hoje, além dos semirreboques, os negócios da Randoncorp passam pela fabricação de sistemas de freios, suspensões e vagões ferroviários, pela venda de consórcios e seguros e até pela produção de nanopartículas de nióbio.

Improviso que criou um império

A origem da Randon é bem menos corporativa. Em 1949, os irmãos Hercílio e Raul Randon abriram uma pequena oficina em Caxias do Sul (RS) para consertar motores. Dois anos depois, um incêndio destruiu o galpão e quase encerrou a história antes mesmo de começar.

Forçados a recomeçar, os irmãos apostaram em um projeto inédito no Brasil: o freio a ar comprimido. A tecnologia se mostrou ideal para os caminhões que enfrentavam as ladeiras da serra gaúcha. A invenção ganhou fama entre os motoristas e virou o embrião do que viria a ser a Mecânica Randon.

Na sequência, vieram os primeiros semirreboques, de um, dois e três eixos, e o negócio deslanchou. A expansão nacional nos anos 1970 levou o grupo à Bolsa de Valores, mas a euforia foi seguida por uma das maiores crises de sua história: o choque do petróleo e o ambiente econômico adverso obrigaram a Randon a recorrer a uma concordata (antecessora da recuperação judicial).

A família conseguiu reverter o quadro dois anos depois, em 1984, com cortes de custos e uma reestruturação drástica. Foi a primeira de várias viradas que marcariam o DNA da empresa.

Início da sucessão

Com a morte de Hercílio, em 1989, Raul Randon assumiu sozinho o comando. O fundador percebeu cedo que a longevidade da empresa dependeria de governança e preparo sucessório.

Nos anos 1990, criou uma holding familiar e um conselho de família para organizar a participação dos cinco filhos nos negócios. Cada um deles passou a ter sua própria holding, e as decisões estratégicas começaram a ser tomadas de forma colegiada.

A sucessão foi planejada com cuidado. No início dos anos 2000, Raul propôs que os próprios filhos escolhessem quem o substituiria na presidência. O consenso recaiu sobre David Randon, que assumiu o comando em 2009, em um período de bonança para a indústria automotiva brasileira.

Mas, em 2014, a maré virou. A recessão nacional e o colapso do setor de veículos pesados colocaram a empresa novamente em crise. A dívida disparou, e a Randon precisou reduzir drasticamente seu tamanho para sobreviver.

Um grupo mais resiliente

Superada a turbulência, Daniel Randon, o filho mais novo, assumiu a presidência em 2019. Desde então, tem liderado uma mudança profunda no modelo de negócio.

O novo ciclo combina diversificação, internacionalização e inovação tecnológica. A pandemia de Covid-19 e as recentes tarifas comerciais dos Estados Unidos reforçaram a tese de Daniel de que empresas industriais precisam ter presença global e exposição local. Ou seja, produzir em diferentes regiões para mitigar riscos de câmbio, logística e política.

O México se tornou um exemplo dessa estratégia: 90% da produção local da Randon atende ao mercado interno, o que dá estabilidade e reduz a dependência de exportações.

Além disso, o grupo tem investido em novas frentes de negócios. Neste ano, a Randon vendeu 20% de sua operação de consórcios e seguros para o fundo Patria Investimentos. A unidade, batizada de Rands, é hoje a terceira maior administradora de consórcios de veículos pesados do país e prepara expansão com novos produtos financeiros.

Entre os projetos mais ambiciosos da Randon está a Nione, divisão que pesquisa o uso de nanopartículas de nióbio. Um dos lançamentos já feitos pela Nione é um revestimento protetivo com nióbio que é até 400% mais resistente à corrosão do que um revestimento padrão. 

Por enquanto, o negócio é uma aposta de longo prazo, mas mostra a tentativa do grupo de se reposicionar como empresa de tecnologia industrial, e não apenas uma fabricante tradicional de caminhões e peças.

O InvestNews procurou a família Randon, mas os integrantes não concederam entrevistas. 

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Mercado Livre: frete grátis no Brasil dá gás a lucro líquido de R$ 2 bilhões

29 de Outubro de 2025, 17:42

A receita líquida do terceiro trimestre da Mercado Libre, dona do marketplace Mercado Livre, ficou abaixo das estimativas dos analistas, apesar do salto na receita impulsionado pela expansão das políticas de frete grátis no Brasil e pelo crescimento contínuo das ofertas de cartão de crédito da companhia.

O Mercado Livre afirmou que a receita subiu 39% em relação ao ano anterior, para US$ 7,4 bilhões, acima da expectativa dos analistas de US$ 7,2 bilhões. Este é o 27º trimestre consecutivo em que a empresa registra crescimento anual acima de 30%.

O lucro líquido no terceiro trimestre foi de US$ 421 milhões (R$ 2,2 bilhões) abaixo da estimativa de US$ 489 milhões dos analistas, segundo dados compilados pela Bloomberg. Este é o segundo trimestre consecutivo em que os lucros da empresa decepcionam.

A companhia, sediada em Montevidéu, no Uruguai, e mais valiosa da América Latina em valor de mercado, registrou quase 77 milhões de compradores únicos em sua plataforma, um aumento de 26% em relação ao ano anterior.

Os resultados chegam às vésperas da primeira troca de liderança no topo da MercadoLibre, com o chefe de comércio Ariel Szarfsztejn assumindo o cargo de diretor-presidente em 1º de janeiro. Ele sucederá o fundador Marcos Galperin, que deixará o posto após 26 anos para se tornar presidente executivo, permanecendo envolvido na definição de estratégia e no direcionamento do uso de tecnologia pela empresa.

Pressão nas margens

Concorrentes internacionais como a Shopee, a Amazon e a Temu vêm ganhando espaço no Brasil, maior mercado da companhia. Recentemente, a Mercado Livre reduziu no país o valor mínimo para frete grátis de R$ 79 para R$ 19 para defender sua participação de mercado. A medida elevou os volumes e resultou na maior adição trimestral de compradores únicos da história da empresa, mas pressionou as margens.

“Neste trimestre, investimos em frete grátis, o que colocou alguma pressão de curto prazo nas margens, mas estamos extremamente satisfeitos com os resultados desses investimentos”, disse o diretor financeiro, Martin de los Santos, em entrevista. “Quando você reduz o patamar para frete grátis, você destrava muitos novos usuários e muito volume que vem para o online.”

O Mercado Pago, unidade de tecnologia financeira da companhia, processou mais de US$ 71 bilhões em volume total de pagamentos — alta de 41% em relação ao ano anterior — enquanto o marketplace da Mercado Livre cresceu 28% na comparação anual, para US$ 16,5 bilhões em volume bruto de mercadorias, o valor total dos bens vendidos. A carteira de crédito disparou 83% desde o ano passado, para US$ 11 bilhões, após o lançamento do cartão de crédito Mercado Pago na Argentina. O produto já é o cartão de crédito mais usado no Brasil.

Ainda assim, a lucratividade segue sensível a perdas de crédito maiores e a despesas logísticas, à medida que a Mercado Livre expande sua carteira de empréstimos e investe pesadamente em capacidades de distribuição diante da crescente competição tanto em e-commerce quanto em fintech nos principais mercados.

chart visualization

“O efeito líquido foi uma modesta queda anual na nossa margem de lucro operacional — um trade-off razoável por investimentos que ampliam nossos mercados endereçáveis, semeiam crescimento futuro, fortalecem nossa posição competitiva e impulsionam escala de longo prazo”, disse a empresa em carta aos acionistas.

No front de fintech, rivais como o Nubank, que amplia sua oferta de produtos no México, e a britânica Revolut, que vem construindo presença na América Latina, desafiam o Mercado Pago. O braço de pagamentos digitais da companhia tem crescido a um ritmo mais rápido que o de e-commerce devido ao uso crescente da carteira, do crédito e dos produtos de investimento.

“O importante para nós é o ecossistema, o fato de que os dois ramos se alimentam mutuamente — o negócio de comércio se beneficia de ter o Mercado Pago, e o Mercado Pago também se beneficia porque mais de 50% dos cartões de crédito são emitidos dentro do próprio marketplace”, disse de los Santos. “Ter um ecossistema de dois lados é uma vantagem competitiva única que nos ajuda a fazer crescer o ecossistema como um todo e as duas partes do nosso negócio ao mesmo tempo.”

A empresa também vem investindo fortemente em inteligência artificial para melhorar busca, modelagem de crédito e logística, parte de um esforço para aumentar a rentabilidade em seus negócios de e-commerce e fintech. Mais recentemente, lançou uma ferramenta de IA para aconselhar clientes sobre necessidades financeiras do dia a dia. Analistas esperam que Szarfsztejn, de modo geral, dê continuidade à estratégia de Galperin, com foco maior em controle de custos e eficiência operacional.

“A transição será mais uma continuidade do que uma mudança para nós”, disse de los Santos. “Teremos o melhor dos dois mundos — a intensidade do Ari tanto em comércio quanto em fintech, mantendo a visão e a liderança do Marcos como fundador da companhia.”

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Nvidia chega a US$ 5 trilhões e revive memórias da bolha das pontocom (mas existem diferenças)

29 de Outubro de 2025, 16:53

Com a Nvidia rompendo a marca dos US$ 5 trilhões em valor de mercado, o entusiasmo com a inteligência artificial levou o S&P 500 a níveis recordes — e os investidores a um déjà vu da bolha das pontocom. Mas, desta vez, analistas dizem que os fundamentos parecem mais sólidos do que no fim dos anos 1990.

O avanço das ações de tecnologia tem sido tão forte que o setor agora domina o S&P 500 como nunca antes. O peso das gigantes de tecnologia no índice já supera o de qualquer outro momento da história, incluindo o auge da bolha das pontocom, quando o setor chegou a representar 35% do total. E, com a Nvidia ultrapassando os US$ 5 trilhões, as seis maiores ações do índice concentram cerca de 38% dos US$ 58,2 trilhões de valor total — o maior nível de concentração já registrado.

Mas, para Jeff Buchbinder, estrategista-chefe de ações da LPL Financial, a semelhança com a virada dos anos 2000 para aqui. Ele argumenta que os investidores não deveriam se deixar assustar por comparações com o colapso das pontocom enquanto o atual mercado de alta entra no seu quarto ano.

Talvez o aspecto mais preocupante das máximas de hoje seja o fato de que o setor de tecnologia do S&P 500 agora tem o maior peso já registrado no índice, superando o nível de 35% do auge da bolha no fim dos anos 1990.

E, com a Nvidia agora rompendo os US$ 5 trilhões, as seis maiores ações do S&P 500 respondem por cerca de 38% dos US$ 58,2 trilhões de valor do índice — um nível de concentração estonteante e também o mais alto já registrado.

“A disparada, liderada por ações de tecnologia surfando a onda da inteligência artificial, fez muitos observadores questionarem se o mercado está em uma bolha e se uma versão 2.0 do crash das pontocom pode estar chegando”, escreveu Buchbinder em nota publicada na terça-feira.

Ele não é um deles.

Para começar, ele observa que, embora os múltiplos atribuídos tanto às megacaps quanto aos seus pares de tecnologia da informação sejam elevados — um prêmio de 34% em relação ao S&P 500 —, eles seguem bem abaixo do pico de 50% das ações de tecnologia no fim dos anos 1990.

Buchbinder também argumenta que uma boa parcela dos bilhões gastos em IA — que ajudaram a adicionar US$ 4,5 trilhões ao valor de mercado da Nvidia desde o lançamento do ChatGPT em novembro de 2022 — está sendo financiada pelo fluxo de caixa das gigantes de tecnologia já estabelecidas.

“Dadas as fundações sólidas, incluindo um crescimento de lucros de 20% que pode ser mantido até 2026 à medida que o investimento em capital para IA continua acelerando, e as melhores revisões de lucros entre os 11 setores do S&P nos últimos três e seis meses, não achamos que a corrida da tecnologia esteja necessariamente no fim”, escreveu.

Também vale notar alguns dos muitos comparativos que circulavam nesta quarta-feira antes da abertura histórica da Nvidia.

A fabricante de chips de IA adicionou cerca de US$ 1 trilhão em valor nos últimos 112 dias — um patamar que supera a capitalização combinada de Exxon Mobil e Mastercard, duas empresas que existem, juntas, há 155 anos.

Em outras palavras, a Nvidia concentra os motores mais importantes da “nova economia” — chips e dados — em um valor cinco vezes maior que os da “velha economia” — petróleo e dinheiro — representados por Exxon e Mastercard.

Em 1999, a diferença entre a Microsoft — então a empresa mais valiosa do mundo, com US$ 350 bilhões — e a Exxon Mobil era de menos de US$ 200 bilhões.

Quatro das maiores ações do mercado divulgarão resultados do trimestre de setembro nesta semana: Microsoft, Meta, Amazon e a Alphabet, controladora do Google, devem apresentar planos para gastar ainda mais bilhões em uma corrida por IA que, ao fim da década, custará trilhões em novo capital.

“Todo o complexo de semicondutores de IA, armazenamento, memória, redes, óptica e hardware de servidores depende das tendências futuras de capex dessas três empresas”, disse Jordan Klein, analista de tecnologia, mídia e telecom da Mizuho Securities.

Também não parece que os investidores estejam dispostos a apostar contra elas, mesmo que o pano de fundo lembre muito a última vez em que a tecnologia definia o mercado de alta.

Escreva para Martin Baccardax em martin.baccardax@barrons.com

Foto: Justin Sullivan/Getty Images

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Com trimestre positivo, Hypera se prepara para o fim da patente do Ozempic: ‘oportunidade da década’

29 de Outubro de 2025, 13:57

Após apresentar resultados acima das expectativas no terceiro trimestre, a Hypera reforçou seus planos para disputar o mercado das canetas de emagrecimento — aquela que o CEO Breno Oliveira descreveu como “a maior oportunidade do mercado farmacêutico brasileiro em uma década”.

Oliveira afirmou que a companhia pretende lançar sua própria versão da semaglutida — molécula do Ozempic e do Wegovy — logo após o vencimento da patente, previsto para março de 2026. Segundo o executivo, o mercado de medicamentos à base de GLP-1 (semaglutida e equivalentes) já movimenta cerca de R$ 10 bilhões por ano no país. A semaglutida é responsável por metade desse valor.

“Nosso produto não será licenciado. Será uma marca nossa, com registro nosso. Não pretendemos jogar no mercado de genéricos”, disse Oliveira em teleconferência com analistas.

A titular da patente, a dinamarquesa Novo Nordisk, tenta prorrogar a exclusividade no Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas o caso ainda não teve decisão final. O interesse da Hypera se dá em meio a uma corrida nacional pelos medicamentos à base de GLP-1. A EMS já estreou nesse mercado com as canetinhas Olire e Lirux — versões nacionais da liraglutida, princípio ativo do Saxenda, de geração anterior à semaglutida.

A empresa de Carlos Sanchez, que investiu mais de R$ 1 bilhão em uma fábrica de peptídeos em Hortolândia (SP) e planeja produzir 750 mil canetas, já confirmou que pretende lançar sua própria semaglutida assim que o monopólio da Novo Nordisk terminar.

Outros laboratórios — Cimed, Biomm, Eurofarma e Prati-Donaduzzi — também anunciaram planos para produzir versões genéricas da molécula a partir de 2026.

Além da semaglutida, o CEO da Hypera afirmou que a empresa prepara lançamentos em outras moléculas prestes a perder exclusividade, como a dapagliflozina — que tem efeitos semelhantes aos medicamentos GLP-1 e é usada no tratamento de diabetes tipo 2 e de insuficiência cardíaca.

Esses medicamentos ajudam o corpo a eliminar o excesso de glicose pela urina e reduzem o risco de complicações cardiovasculares — um dos segmentos que mais crescem globalmente e cuja patente da AstraZeneca também se aproxima do vencimento. “Há um conjunto de produtos com queda de patente no curto prazo, e estamos prontos para entrar nesses mercados”, acrescentou Oliveira.

Além do chamado patent cliff, a Hypera aposta em novas categorias, como probióticos, vitaminas — entre elas a B12 — e o lançamento de produtos oncológicos.

Trimestre positivo

No trimestre encerrado em setembro, a Hypera registrou receita líquida de R$ 2,23 bilhões, alta de 16,3% em relação ao mesmo período de 2024, e lucro líquido de R$ 453,9 milhões, avanço de 22,6%.

O lucro operacional (Ebitda) foi de R$ 756 milhões, crescimento de 35% na comparação anual, com margem de 34%. A dívida líquida ficou em R$ 7,3 bilhões, o equivalente a uma alavancagem de 2,4 vezes o Ebitda anualizado.

O Itaú BBA classificou o resultado como “positivo e acima das expectativas” e manteve preço-alvo de R$ 35, enquanto o BTG Pactual reiterou recomendação neutra, com target de R$ 28, elogiando o trimestre, mas alertando que “a consistência ainda precisa ser provada”.

As ações da Hypera (HYPE3) subiam mais de 4% nesta quarta-feira (29), liderando as altas do Ibovespa, em meio ao otimismo do mercado com o novo ciclo de crescimento baseado em inovação e prescrição.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

CEO global da Kraft Heinz prevê queda nas vendas e alerta para confiança do consumidor em baixa

29 de Outubro de 2025, 13:22

A Kraft Heinz reduziu sua previsão de vendas, após seu diretor-executivo afirmar que a confiança dos consumidores americanos caiu para um nível historicamente baixo. “Estamos vivenciando um dos piores índices de confiança do consumidor em décadas”, disse o CEO global da companhia, Carlos Abrams-Rivera, em teleconferência com analistas nesta quarta-feira (29).

A empresa agora prevê que as vendas líquidas orgânicas para o ano cairão de 3% a 3,5%. Anteriormente, a projeção era de uma queda menor, entre 1,5% e 3,5%. A Kraft Heinz citou o crescimento mais lento nos mercados emergentes e a “pressão” no varejo dos EUA como motivos para a redução de sua previsão de lucro.

As ações da Kraft Heinz caíram cerca de 4,3% na quarta-feira. Os papéis acumulam queda de 17% neste ano até o fechamento do mercado nesta terça-feira (28), em comparação com uma alta de 17% do índice S&P 500.

Abrams-Rivera afirmou que os preços mais altos devido à inflação e as dificuldades esperadas com a redução do financiamento do programa de assistência alimentar criaram um “ambiente difícil” para os consumidores americanos. “Prevemos que essas pressões persistirão além do quarto trimestre, levando a uma recuperação mais lenta por parte do consumidor.”

Outras grandes empresas de alimentos industrializados também apontaram para a pressão sobre os consumidores americanos, principalmente em famílias de baixa renda. A Mondelez, por exemplo, afirmou que os consumidores, pressionados pelo orçamento, estão priorizando a compra de itens essenciais em vez de lanches.

Analistas de mercado, contudo, têm uma visão oposta: eles disseram que essas empresas produzem justamente os tipos de alimentos processados ​​dos quais os americanos estão se afastando, optando por alternativas mais saudáveis. “Continuamos acreditando que o principal fator que impulsiona a fraqueza no mercado de snacks nos EUA é a mudança nas preferências do consumidor”, escreveu Max Gumport, analista do BNP Paribas, em um relatório no mês passado.

Outros setores, incluindo companhias aéreas e varejo, não registraram preocupações significativas em relação ao sentimento do consumidor. O CEO da United Airlines, Scott Kirby, afirmou que prevê uma melhora na demanda por viagens no outono. Já a Procter & Gamble (P&G) divulgou na semana passada vendas melhores do que o esperado, e seu diretor financeiro classificou o ambiente de compras como “estável”. 

A indústria alimentícia enfrenta alguns desafios específicos, incluindo o aumento dos custos dos ingredientes, o impacto dos medicamentos para perda de peso e o esperado corte no auxílio alimentar para 42 milhões de americanos no sábado, caso a paralisação do governo continue.

“A paralisação do governo não vai contribuir para a confiança do consumidor”, disse o CEO da Mondelez, Dirk Van De Put, em uma teleconferência sobre resultados financeiros nesta quarta-feira (29).

A divisão na Kraft Heinz

A Kraft Heinz, fabricante do macarrão com queijo Kraft e do ketchup Heinz, também está se preparando para dividir seus negócios, o que está previsto para acontecer no segundo semestre do próximo ano.

A empresa tem enfrentado dificuldades para convencer os investidores sobre seus planos de dividir suas marcas em duas empresas, em um momento em que os consumidores estão, em geral, se afastando dos alimentos processados. Uma delas abrigará suas marcas de crescimento mais rápido, incluindo condimentos como o ketchup Heinz e refeições prontas, enquanto a outra reunirá seus produtos básicos de mercearia de crescimento mais lento, como os frios Oscar Mayer e os Lunchables. 

No terceiro trimestre, a Kraft Heinz reportou uma queda de 2,5% na receita orgânica, que exclui efeitos cambiais e outros itens, um resultado mais acentuado do que a média das projeções dos analistas. As vendas de café, frios, salgadinhos congelados e alguns condimentos diminuíram.

Cães robôs e enxames de drones: China usa IA em tecnologia de guerra

27 de Outubro de 2025, 16:02

A empresa estatal de defesa da China Norinco divulgou em fevereiro um veículo militar capaz de conduzir operações de apoio ao combate. De forma autônoma, o modelo faz 50 km/h. O veículo era equipado com DeepSeek, a inteligência artificial (IA) que é o orgulho do setor de tecnologia da China.

O lançamento do Norinco P60 foi elogiado por autoridades do Partido Comunista em declarações à imprensa, em uma demonstração de como Pequim está usando o DeepSeek e a IA para alcançar os Estados Unidos em sua corrida armamentista, no momento em que líderes de ambos os países pedem que seus militares se preparem para o conflito.

Uma análise feita pela Reuters a partir de centenas de artigos, patentes e registros de compras dá uma ideia do esforço sistemático de Pequim para aproveitar a IA para obter vantagens militares.

Os detalhes de como os sistemas por trás das armas de última geração da China funcionam e até que ponto o país os implementou são um segredo de Estado. No entanto, registros de aquisição e patentes oferecem pistas sobre o progresso de Pequim em direção a capacidades como reconhecimento autônomo de alvos e suporte a decisões no campo de batalha em tempo real.

A Reuters não conseguiu estabelecer se todos os produtos foram construídos e as patentes não indicam necessariamente tecnologia operacional.

O Exército de Libertação Popular (PLA, na sigla em inglês) e afiliados continuam a usar e procurar chips da Nvidia, incluindo modelos sob controle de exportação dos EUA, de acordo com documentos, licitações e patentes.

A Reuters não conseguiu determinar se esses chips estavam estocados antes de Washington impor as restrições, pois os documentos não detalham quando o hardware utilizado foi exportado.

Patentes registradas em junho mostram seu uso por institutos de pesquisa ligados a forças armadas. Em setembro de 2022, o Departamento de Comércio dos EUA proibiu a exportação para a China dos populares chips A100 e H100 da Nvidia.

O porta-voz da Nvidia, John Rizzo, informou em comunicado à Reuters que, embora a empresa não consiga rastrear revendas individuais de produtos comercializados anteriormente, “reciclar pequenas quantidades de produtos antigos e de segunda mão não possibilita nada de novo nem levanta qualquer preocupação com a segurança nacional”.

“Usar produtos restritos para aplicações militares seria inviável, sem suporte, software ou manutenção”, acrescentou.

O Tesouro e o Departamento do Comércio dos EUA não responderam a perguntas sobre as descobertas da Reuters.

IA chinês

“Em 2025, os militares chineses também aumentaram o uso de contratos que alegam usar exclusivamente hardware de fabricação nacional, como chips de IA da Huawei”, disse Sunny Cheung, membro do grupo de estudos de política de defesa Jamestown Foundation, sediado em Washington, que analisou centenas de licitações emitidas este ano, ao longo de seis meses, pela PLA Procurement Network.

A PLA Procurement Network é o portal oficial para compras do exército chinês.

A Reuters não pôde confirmar a afirmação de Cheung de forma independente, mas a mudança coincidiria com uma campanha de pressão pública de Pequim sobre empresas nacionais para que usassem tecnologia fabricada na China.

A análise da agência de notícias sobre os avisos de aquisição e patentes protocolados no escritório de patentes da China encontrou demanda e uso de chips Huawei por afiliadas do PLA, mas não foi possível verificar todas as propostas vistas pela Jamestown, que está divulgando um relatório esta semana que foi fornecido antecipadamente à Reuters.

A Huawei se recusou a comentar quando questionada sobre a implantação militar de seus chips. O Ministério da Defesa chinês, a empresa DeepSeek e a Norinco não retornaram pedidos de comentários sobre o uso de IA para aplicações militares. As universidades e empresas de defesa que registraram as patentes e os artigos de pesquisa vistos pela Reuters também não responderam a perguntas semelhantes.

Dependência do DeepSeek

O uso dos modelos DeepSeek foi indicado em uma dúzia de licitações de entidades do PLA registradas este ano e vistas pela Reuters, enquanto apenas uma fez referência à Qwen da Alibaba, uma grande rival doméstica.

O Alibaba não retornou um pedido de comentário sobre o uso militar do Qwen.

Os avisos de aquisição relacionados ao DeepSeek aceleraram ao longo de 2025, com novas aplicações militares aparecendo regularmente na rede do PLA, de acordo com Jamestown.

A popularidade do DeepSeek com o PLA também reflete a busca da China pelo que Pequim chama de “soberania algorítmica” — reduzindo a dependência da tecnologia ocidental e, ao mesmo tempo, fortalecendo o controle sobre a infraestrutura digital crítica.

O Departamento de Defesa dos EUA se recusou a comentar sobre o uso de IA pelo PLA.

Um porta-voz do Departamento de Estado disse em resposta às perguntas da Reuters que “a DeepSeek forneceu voluntariamente, e provavelmente continuará a fornecer, apoio às operações militares e de inteligência da China”.

Washington “buscará uma estratégia ousada e inclusiva para a tecnologia de IA americana com países estrangeiros confiáveis ao redor do mundo, ao mesmo tempo em que manterá a tecnologia fora do alcance de nossos adversários”, acrescentou o porta-voz.

Planejamento com base em IA

De acordo com os documentos, a China está de olho em cães robóticos com inteligência artificial que fazem reconhecimento em bandos. Também está interessada em enxames de drones que rastreiam alvos de forma autônoma e em centros de comando visualmente imersivos e simulações avançadas de jogos de guerra.

Em novembro de 2024, o PLA lançou uma licitação com estilo de ficção científica para cães-robôs equipados com IA que fariam reconhecimento em conjunto em busca de ameaças e eliminariam riscos de explosão.

A Reuters não conseguiu identificar se a licitação foi atendida. A China já utilizou cães-robôs armados da fabricante de robótica com inteligência artificial Unitree em exercícios militares, de acordo com imagens divulgadas pela mídia estatal.

A Unitree não respondeu a perguntas sobre seu trabalho no PLA.

A revisão de patentes, licitações e artigos de pesquisa publicados nos últimos dois anos mostra como o PLA e entidades afiliadas estão recorrendo à IA para melhorar o planejamento militar, incluindo o desenvolvimento de tecnologia para analisar rapidamente imagens registradas por satélites e drones.

Pesquisadores da Landship Information Technology, uma empresa chinesa que integra sistemas de IA em veículos militares, incluindo os da Norinco, disseram em um white paper (um documento técnico) divulgado em fevereiro que sua tecnologia, construída com chips da Huawei, pode identificar alvos rapidamente a partir de imagens de satélite, ao mesmo tempo em que faz a coordenação com radares e aeronaves para executar operações.

O tempo em que os planejadores militares levam para passar da localização e identificação de um alvo para a execução de uma operação também foi reduzido pela IA, de acordo com a Universidade Tecnológica de Xi’an.

Pesquisadores do instituto disseram em um resumo de suas descobertas divulgado em maio que seu sistema com tecnologia DeepSeek foi capaz de avaliar 10.000 cenários de campo de batalha — cada um com diferentes variáveis, terrenos e mobilizações de força — em 48 segundos.

Eles disseram que uma equipe convencional de planejadores militares levaria 48 horas para concluir tal tarefa.

A Reuters não conseguiu verificar de forma independente as alegações dos pesquisadores.

Armas autônomas

Entidades militares chinesas estão investindo em tecnologia de campo de batalha cada vez mais autônoma, sugerem os documentos.

Duas dúzias de licitações e patentes vistas pela Reuters mostram os militares tentando integrar IA em drones, para que eles possam reconhecer e rastrear alvos, bem como trabalhar juntos em formações com pouca intervenção humana.

A Universidade Beihang, conhecida por sua pesquisa em aviação militar, está usando o DeepSeek para melhorar a tomada de decisões de enxames de drones ao mirar em ameaças “baixas, lentas e pequenas” (abreviação militar para drones e aeronaves leves), de acordo com um pedido de patente deste ano.

Líderes da área de defesa da China se comprometeram publicamente a manter o controle humano sobre os sistemas de armas, em meio à crescente preocupação de que um conflito entre Pequim e Washington possa levar à implantação descontrolada de munições alimentadas por IA.

Os militares dos EUA, que também estão investindo em IA, pretendem implantar milhares de drones autônomos até o final de 2025, no que as autoridades dizem ser uma tentativa de combater a vantagem numérica da China em veículos aéreos não tripulados.

Chips dos EUA, modelos chineses

Empresas de defesa chinesas, como a Shanxi 100 Trust Information Technology, têm divulgado em materiais de marketing sua dependência de componentes produzidos internamente, como os chips Ascend da Huawei, que permitem que modelos de IA operem.

A empresa não respondeu a perguntas sobre seu relacionamento com a Huawei e o PLA.

Apesar da mudança para processadores domésticos, o hardware da Nvidia continua sendo frequentemente citado em pesquisas de acadêmicos ligados às forças armadas, de acordo com uma revisão de registros de patentes dos últimos dois anos.

A Reuters identificou 35 solicitações que fazem referência ao uso dos chips A100 da Nvidia por acadêmicos da Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa (NUDT, na sigla em inglês) do PLA e dos “Sete Filhos”, um grupo de universidades chinesas sob sanções dos EUA e com histórico de condução de pesquisas relacionadas à defesa para Pequim.

No mesmo período, essas entidades registraram 15 patentes relacionadas a aplicações de IA que citavam o hardware Huawei Ascend, que foi projetado como um substituto para os chips da Nvidia.

Em junho, a Universidade de Engenharia da Força de Foguetes do PLA registrou separadamente uma patente para um sistema de detecção de alvos por sensoriamento remoto, que, segundo ela, usava chips A100 para treinamento de modelos.

O coronel sênior Zhu Qichao, que lidera um centro de pesquisa do NUDT, disse à Reuters no ano passado que as restrições dos EUA impactaram sua pesquisa de IA “até certo ponto”, embora eles estejam determinados a diminuir a lacuna tecnológica.

Rizzo, da Nvidia, minimizou a demanda do PLA pelo hardware da Nvidia, dizendo que a China “tem chips nacionais mais do que suficientes para todas as suas aplicações militares”.

Vitória legislativa dá uma segunda chance para Milei reformar a economia argentina

27 de Outubro de 2025, 12:27

Uma vitória retumbante do partido de Javier Milei nas eleições de meio de mandato no domingo (27) — com uma tábua de salvação dos EUA — deu ao presidente libertário um novo impulso em sua busca para reformar a Argentina e quebrar o ciclo de dívidas, inadimplência e crises do país.

Agora, Milei enfrenta a difícil tarefa de aproveitar a segunda chance que acabou de ganhar. Para capitalizar, ele terá de provar que consegue forjar alianças políticas fortes e evitar as armadilhas que condenaram líderes reformistas anteriores — e que quase o destruíram antes da votação.

No mês passado, os eleitores da província de Buenos Aires infligiram um revés devastador a Milei , garantindo uma vitória esmagadora à oposição peronista em uma eleição local. Os investidores interpretaram isso como um sinal de que o alívio proporcionado pela capacidade de Milei de controlar a inflação, que havia caído de seu pico próximo a 300%, havia dado lugar à frustração com a economia em baixa, com salários estagnados e escassez de empregos.

Uma série de escândalos de corrupção agravou os problemas, e o então líder de seu partido desistiu da disputa de domingo devido a ligações com um traficante de drogas. O peso argentino sofreu uma forte desvalorização, mesmo depois que Donald Trump e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, o ajudaram, com investidores e famílias apostando que uma desvalorização pós-eleitoral era iminente. A aprovação de Milei caiu para o nível mais baixo de seu mandato.

Mas, diante da escolha entre Milei e os peronistas que presidiram o colapso mais recente do país, os argentinos preconizaram a manutenção ao atual presidente. Por enquanto, pelo menos, estão dispostos a deixar Milei concretizar seu projeto de desmantelar a máquina estagnada do Estado, cortando seu orçamento com sua motosserra e promovendo reformas agressivas de livre mercado.

Segundo suas próprias estimativas, o partido de Milei e seus aliados terão mais de 100 cadeiras na Câmara dos Deputados, muito mais do que os 15% que ele tem atualmente e além do um terço necessário para proteger seus poderes de veto. Ele terá 20 das 72 cadeiras do Senado.

“Os argentinos demonstraram que não querem retornar ao modelo do fracasso”, declarou Milei. “Nos próximos dois anos, precisamos fortalecer o caminho reformista que iniciamos para mudar a história da Argentina de uma vez por todas.”

Os mercados argentinos subiram na manhã de segunda-feira, com o peso subindo 10%, os títulos subindo em geral e seu índice de ações ganhando 20% no início do pregão, enquanto os investidores assimilavam a mão repentinamente forte de Milei para buscar reformas.  

Backstop de Bessent

Não há dúvidas de que as intervenções dos EUA — na forma de um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões, compras estimadas de mais de US$ 1 bilhão em pesos e promessas de obter outros US$ 20 bilhões em financiamento de bancos privados — impulsionaram Milei, mesmo com Bessent enfrentando críticas em casa por cumprir suas promessas.

“O resgate de Trump foi consequente”, disse Benjamin Gedan, pesquisador sênior e diretor do Programa para a América Latina do Stimson Center, em Washington. “É difícil imaginar que Milei teria um desempenho tão bom em meio a uma valorização acelerada do peso, com o banco central ficando sem moeda forte.”

Uma grande questão que se coloca a Milei é se a vitória inspirará alguma correção de rumo em casa. Há dois anos, ele assumiu a presidência prometendo derrotar a “casta” que culpava por transformar a Argentina em uma economia tão propensa a crises. Desde então, ele tem tratado regularmente aliados, incluindo o ex-presidente Mauricio Macri, como parte desse grupo, rotulando-os, assim como os peronistas, como “traidores”. 

Milei precisará de aliados tanto no Congresso quanto nos principais governos para obter aprovação para as reformas tributária, trabalhista e previdenciária que os investidores há muito dizem que a Argentina precisa para finalmente entrar em um caminho sustentável para o crescimento e para gerar empregos e prosperidade econômica que tornarão a reeleição em 2027 muito mais fácil. 

“A eleição deve marcar o início de uma nova fase política”, disse Pilar Tavella, chefe de estratégia macro e soberana da Balanz Capital Valores SA. Após uma estratégia de confronto anterior, na noite de domingo, “Milei contatou a oposição moderada, e os governadores em particular, para aprovar reformas no Congresso, destacando que eles acreditam que podem trabalhar juntos”.

Ferrari lança token para leiloar modelo de corrida entre bilionários entusiastas de cripto

27 de Outubro de 2025, 11:12

A Ferrari lançou uma espécie de cripto mirando os aficionados pela tecnologia.

Trata-se de um token, ou seja, de um ativo que roda numa blockchain. Mas não é algo aberto ao público geral. O token, chamado “Ferrari 499P”, só será vendido aos 100 membros do Ferrari Hyperclub, que congrega os 100 clientes que mais compram carros da marca.

Quem comprar terá o direito de participar do leilão de uma Ferrari 499P, um modelo de corrida que disputa o campeonato mundial de endurance, e que ganhou três títulos consecutivos nas 24 Horas de Le Mans, a prova mais traducional da categoria.

A montadora de Maranello não divulgou a mecânica pro trás do lançamento – se, por exemplo, quem tiver mais tokens terá mais chances no leilão. Sabe-se, porém, que ele será negociável entre os membros do Hyperclub.

A estratégia, no fim das contas, é um esforço da fabricante italiana para chamar a atenção, e o dinheiro, de seus clientes fãs de cripto.

A Ferrari está trabalhando com a fintech italiana Conio para lançar seu token. E a estreia está prevista para o início da temporada de 2027 do Campeonato Mundial de Endurance.

“Trata-se de fortalecer o senso de pertencimento entre nossos clientes mais fiéis”, disse o diretor de marketing e comercial Enrico Galliera.

Ferrari aceita criptos

Isso acontece depois de a Ferrari ter começado a desenvolver seu primeiro carro 100% elétrico e passado a aceitar bitcoin, ethereum e USDC para compras de carros. Primeiro nos EUA, em 2023; depois na Europa, em 2024.

A Elettrica, primeira Ferrari sem motor a combusrtão, chega em 2026. Mas a segunda, que também deveria sair no ano que vem, acabou engavetada por falta de demanda.

Foto: Getty Images

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Bitcoin acorda de bom humor: China, EUA e Fed dão aquela força

27 de Outubro de 2025, 07:42

O bitcoin (BTC) começou a semana em território positivo, obrigado. O movimento foi impulsionado pelo avanço das negociações entre China e Estados Unidos e pelas expectativas de corte de juros na maior economia do mundo.

No fim de semana, autoridades das duas potências se encontraram à margem da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), em Kuala Lumpur, na Malásia, e sinalizaram a possível estruturação de um acordo comercial.

Nenhum martelo foi batido ainda. As negociações continuam, e o presidente Donald Trump deve se reunir com Xi Jinping na quinta-feira (30), na Coreia do Sul.

Outro vento favorável ao bitcoin é a decisão de política monetária dos Estados Unidos, prevista para esta quarta-feira (29). O mercado aposta em um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano.

O otimismo ganhou força após a divulgação da inflação ao consumidor de setembro dos EUA (CPI, na sigla em inglês), na sexta-feira (24), que veio abaixo do esperado. Como o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) monitora de perto a inflação para definir sua política de juros, isso reforçou as apostas de corte.

“Apesar da incerteza gerada pela paralisação do governo e por inconsistências nos dados, o sentimento do mercado segue amplamente construtivo. Nesse contexto, os criptoativos podem reagir de forma positiva, já que o posicionamento atual parece mais limpo e equilibrado”, disse Fabio Plein, diretor regional para as Américas da Coinbase.

Vale lembrar: quedas de juros costumam beneficiar criptos e outros ativos de risco, já que os títulos do Tesouro americano (as treasuries) passam a render menos, estimulando a busca por retornos maiores.

E não é só o bitcoin que opera no azul nesta manhã. Algumas das principais altcoins – termo usado para identificar qualquer cripto diferente do BTC – também sobem.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h40:

Bitcoin (BTC):  +2,73%, US$ 115.432,52

Ethereum (ETH): + 4,73%, US$ 4.168,37

XRP (XRP): -0,81%, US$ 2,61

BNB (BNB): + 2,75%, US$ 1.153,30

Solana (SOL): +2,56%, US$ 200,39

Outros destaques do mercado cripto

Blockchain cada vez mais pop. A tokenização – processo de transformar ativos tradicionais em tokens em blockchain – fisgou a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). A entidade lançou um projeto-piloto para tokenizar fundos de investimento e debêntures, simulando todo o ciclo de vida de um ativo tokenizado: da estruturação à liquidação. Segundo o presidente da associação, Carlos André, a iniciativa é uma oportunidade de explorar um “território novo” para o mercado financeiro tradicional.

Nova stablecoin no pedaço. O Japão agora tem uma criptomoeda para chamar de sua. A fintech JPYC anunciou o lançamento da primeira stablecoin (cripto atrelada a algum outro ativo) pareada ao iene japonês, batizada de JPYC. O token mantém paridade de 1:1 com a moeda local e roda em blockchains como Avalanche, Ethereum e Polygon. De acordo com a empresa, as emissões começam nesta segunda-feira, e todas as unidades serão lastreadas em títulos do governo japonês.

Argentina vai às urnas em votação que definirá o fôlego político de Milei

26 de Outubro de 2025, 08:34

A Argentina vota neste domingo (26) em uma eleição de meio de mandato que servirá como um referendo crucial sobre as políticas de austeridade do presidente Javier Milei — e, possivelmente, sobre o pacote de resgate de US$ 40 bilhões oferecido pelo governo de Donald Trump.

As urnas fecham às 18h, e os resultados são esperados para a noite deste domingo. Os argentinos elegem representantes para metade das cadeiras da Câmara dos Deputados — 127 no total — e 24 dos 72 assentos do Senado. Os resultados oficiais serão divulgados por província, e não como um único resultado nacional.

Dois anos após chegar à presidência com uma vitória expressiva, Milei e seu partido agora enfrentam dificuldades. O líder libertário conseguiu reduzir a inflação e conter a pobreza, mas a recuperação econômica do país perdeu fôlego: os salários não acompanham o aumento do custo de vida, e o desemprego está mais alto do que quando ele assumiu o cargo.

Três escândalos de corrupção também abalaram a imagem de Milei como um político antissistema e enfraqueceram sua popularidade. Sua taxa de reprovação está no nível mais alto desde o início do mandato.

Uma derrota expressiva para o partido A Liberdade Avança (La Libertad Avanza, ou LLA) em eleições locais realizadas em setembro aumentou a pressão. As perdas na província de Buenos Aires — que concentra mais de um terço da população argentina — provocaram temores entre investidores sobre a força política de Milei antes das eleições legislativas, o que levou a uma queda do peso argentino e à desvalorização dos títulos soberanos.

Duas semanas depois, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, interveio para conter a desvalorização da moeda, mas o peso continuou enfraquecendo.

@investnewsbr

Os EUA querem salvar a Argentina (e o governo Javier Milei), por meio da venda e empréstimo de dólares. #argentina #EUA #dolar #peso

♬ original sound – InvestNews BR – InvestNews BR

Agora, investidores observam se Milei — cujo partido controla cerca de 15% das cadeiras no Congresso — conseguirá garantir ao menos um terço dos assentos, suficiente para manter o poder de veto. Nos últimos meses, a oposição derrubou diversos vetos presidenciais, o que o governo classificou como ataques às políticas fiscais que resultaram em superávit orçamentário.

“Precisamos de um terço em uma das Casas para bloquear esses ataques, e vamos conseguir isso, ganhando por cinco pontos ou perdendo por sete”, disse o ministro da Economia, Luis Caputo, em evento do Atlantic Council em Washington. “Mas precisamos de maioria simples em ambas as Casas para aprovar todas as reformas que queremos, e isso não teremos mesmo se vencermos por 15 pontos.”

Segundo analistas da Bloomberg Economics, a disputa pode permitir que ambos os lados reivindiquem vitória.

“Salvo cenários extremos, acreditamos que cada lado conseguirá moldar a narrativa a seu favor. Em grande parte dos cenários, o partido de Milei deve obter um resultado compatível com dois objetivos principais: garantir o apoio dos EUA e a governabilidade mínima”, disse Jimena Zuniga, economista para a América Latina.

Caputo tem negado que o resultado eleitoral vá provocar mudanças na política econômica — independentemente de vitória ou derrota. Na teoria, o peso argentino flutua em uma faixa de variação que se amplia a cada dia; na prática, tanto os governos de Milei quanto o de Trump têm intervindo para sustentar a moeda, vista por investidores como supervalorizada.

Há especulações no mercado de que o pacote de resgate dos EUA esteja condicionado a algum ajuste na política cambial, embora Bessent tenha expressado apoio ao modelo atual. Outro ponto-chave é se o Banco Central da Argentina voltará a acumular reservas internacionais, após não cumprir uma meta estabelecida no acordo de US$ 20 bilhões com o FMI.

Além das compras diretas de pesos, o apoio americano inclui uma linha de swap de US$ 20 bilhões e uma promessa adicional de financiamento de US$ 20 bilhões de bancos de Wall Street, ainda em negociação.

As tensões se intensificaram desde o encontro entre Milei e Trump na Casa Branca, em 14 de outubro.

“Se ele vencer, continuaremos com ele; se não vencer, saímos”, disse Trump durante a reunião.

Donald Trump e Javier Milei se reuniram na Casa Branca
Donald Trump e Javier Milei se reuniram na Casa Branca (Divulgação)

Independentemente do resultado, Milei tentará avançar com suas reformas econômicas e tributárias assim que o novo Congresso assumir em 10 de dezembro. Por ora, sua equipe tenta minimizar o tom de “tudo ou nada” que domina o pleito, reconhecendo que será preciso negociar com outros partidos para aprovar leis que reflitam sua força política.

“Essas eleições de meio de mandato estão recebendo mais atenção do que deveriam”, disse Caputo. “Ganhando ou perdendo, o governo terá muito trabalho para construir as coalizões necessárias entre governadores, deputados e senadores, para aprovar as leis de que o país precisa.”

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

O sucesso inesperado de ‘Guerreiras do K-Pop’ virou o pesadelo dos pais neste Halloween

26 de Outubro de 2025, 06:00

Alana, a filha de 9 anos de Kelly Binning, queria muito se fantasiar para o Halloween como a rapper Zoey, de “Guerreiras do K-Pop”, o fenômeno global e filme de sucesso da Netflix.

Online, Binning encontrou poucas opções. Ela encomendou uma imitação chinesa na Amazon, para crianças de 12 anos, por US$ 26,79. Mas quando chegou, era tamanho infantil.

Frenética, ela vasculhou lojas de varejo até encontrar a última fantasia de Zoey disponível, bem a tempo para a primeira festa da temporada. “Nós amamos o Halloween e normalmente planejamos com muitos meses de antecedência”, disse Binning, uma professora de Pittsburgh. “No final, minha filha fica feliz, mas eu gastei o dobro do dinheiro e tive muito estresse com essa fantasia.”

Chame-as de Caçadoras de Fantasias de KPop. Em toda a América do Norte, os pais estão se esforçando para encontrar opções para vestir seus filhos como os cantores matadores de demônios do Huntr/x e seus rivais, os Saja Boys.

O que está disponível online geralmente está esgotado, é de baixa qualidade ou de fornecedores duvidosos, e os prazos de entrega anunciados podem chegar a semanas. Produtos oficialmente licenciados são caros demais para muitas famílias — a Netflix vende a jaqueta amarela característica usada pela protagonista Rumi, com voz de sereia, por US$ 89,95, e isso sem contar o custo de seu short azul com zíper, botas de combate e trança roxa até a cintura.

Alguns pais estão usando máquinas de costura e cola quente que não usam há anos. Outros estão em pânico mesmo.

“Estou realmente fora do meu elemento aqui, especialmente em termos de tecidos”, disse Kayla Hu, microbiologista de London, Ontário, que passou grande parte de sua licença-maternidade criando botões dourados de argila e adicionando estrutura às ombreiras da fantasia de sua filha. “A cola não gruda. Estou fazendo papel machê há semanas.”

Quando a Netflix assinou um acordo em 2021 para transmitir todos os filmes da Sony nos EUA após seus lançamentos nos cinemas e financiar uma série de títulos diretamente para streaming, “KPop Demon Hunters” foi uma ideia secundária.

Sucesso da Netflix

O CEO da Netflix, Dan Lin, disse que acreditava que seria um sucesso de nicho, popular principalmente entre fãs de anime e amantes do gênero musical coreano conhecido como K-pop. Em vez disso, tornou-se o filme mais popular de todos os tempos na Netflix após seu lançamento em junho e, em seguida, liderou as bilheterias ao chegar aos cinemas em agosto.

A popularidade surpreendeu a Netflix, que teve que se esforçar para criar uma seleção mínima de produtos de consumo, incluindo fantasias de Halloween, em apenas alguns meses.

A loja online oficial da Netflix rapidamente começou a oferecer trajes “KPop” limitados, mas principalmente a preços premium. Fantasias apenas para as protagonistas femininas chegaram às prateleiras da loja Spirit Halloween no final de setembro.

Em uma sexta-feira recente, na Spirit em Glendale, Califórnia, as prateleiras estavam lotadas de fantasias de bruxas, fantasmas e vampiros, além de fantasias de “Minecraft”, “Homem-Aranha” e até mesmo de “Round 4”, da Netflix. A seção “KPop” estava vazia, exceto por algumas tranças roxas de Rumi e um chapéu bucket da Huntr/x.

Meninas usam fantasia de KPop, o filme sucesso da Netflix
Foto: The Wall Street Journal

“Tivemos duas remessas até agora e tudo foi vendido no mesmo dia”, disse um balconista. “Tenho dito aos pais para procurarem na Amazon.”

Como acontece com a maioria dos grandes filmes infantis, o dono da propriedade intelectual assina centenas de contratos de licenciamento com bastante antecedência com fabricantes de brinquedos, empresas de alimentos embalados, redes de fast-food, fabricantes de roupas e, sim, fabricantes de fantasias de Halloween.

Isso não aconteceu com Kpop. A equipe de produtos de consumo da Netflix apresentou o filme em feiras de licenciamento mais de um ano antes de seu lançamento, mas as empresas de vestuário não estavam ansiosas para investir em uma franquia de animação original e não testada, disse Marian Lee, diretora de marketing da Netflix.

“Quando lançamos um filme novo como este, sempre que é novinho em folha, é preciso um pouco mais de esforço para deixar os varejistas animados”, disse Lee.

Depois que o filme estourou e a Netflix correu para tentar recuperar o atraso, as pessoas recorreram ao grupo de mães de Lee no Facebook para reclamar que era impossível encontrar fantasias e produtos. “Recebi muitos comentários do tipo: ‘Alguém no marketing da Netflix realmente estragou tudo!’”, disse Lee.

Quem fabrica as fantasias

Fantasias de Halloween tendem a exigir costuras elaboradas e uma variedade de materiais, então a capacidade costuma ser reservada com até dois anos de antecedência.

A expansão para um sucesso como “KPop” leva mais tempo. Mas o que a Netflix lançou foi vendido imediatamente.

“A Netflix precisa escolher suas apostas, e este é um negócio instável”, disse Allen Adamson, cofundador da empresa de marketing Metaforce. Adamson trabalhou para a Sony, mas não trabalhou neste título. “É realmente doloroso quando você finalmente captura um raio na garrafa, mas não consegue aproveitá-lo totalmente.”

Janice Gomez e o marido são artistas de Los Angeles e começaram a criar bastões de luz Huntr/x com plexiglass e tubos de PVC, usando moldes cortados a laser com a ajuda de um amigo.

Eles venderam dezenas de bastões, que apresentam o logotipo da Huntr/x, por US$ 25 a US$ 40 cada.
“Na escola, há pais que dizem: ‘Avisem-nos quando vocês puderem fazer mais’”, disse Gomez.

Candace Birger começou a projetar versões impressas em 3D da arma brilhante conhecida como gok-do, um armamento coreano que lembra uma machadinha medieval com uma lâmina em forma de lua, inspirado naquele que a cantora Mira, do Huntr/x, usa para matar demônios. Cada um custava US$ 750.

Birger, dona da Plexi Cosplay, uma empresa de design de adereços em Maryland, teve que remover o anúncio após o aumento da demanda. “Fiquei impressionado com a rapidez com que os pedidos chegaram”, disse Birger.

Na crise da Ambipar, Bradesco repete tática jurídica usada contra a Americanas

24 de Outubro de 2025, 18:38

Um dos principais credores entre os bancos da Ambipar está recorrendo a uma tática jurídica semelhante à usada quando a Americanas entrou em colapso: tentar alcançar o patrimônio pessoal dos executivos para recuperar o que lhe é devido.

O Bradesco que detém R$ 390 milhões em dívidas da empresa de gestão ambiental e tenta impedir o diretor de integração e finanças, Thiago da Costa Silva, de vender bens, segundo processo protocolado na Justiça de São Paulo na terça-feira. A petição alega que Costa Silva e outros executivos podem ser responsabilizados pela situação financeira da companhia.

O Bradesco informou que tomará as mesmas medidas contra outros dirigentes da Ambipar, incluindo o fundador e CEO, Tércio Borlenghi Júnior. Pessoas próximas ao caso afirmam que, até o mês passado, ele tentava vender seu jato particular.

Segundo o processo, a iniciativa do banco abre caminho para uma ação que busca responsabilizar a gestão da Ambipar pessoalmente pelo que o Bradesco classifica como “fraude ostensiva” nas demonstrações financeiras da empresa e “manobras contábeis” que criaram “liquidez artificial”.

O banco também afirma que os principais executivos da Ambipar vinham dissipando recursos da empresa há algum tempo, antes do pedido de recuperação judicial.

Bradesco, Ambipar e Borlenghi não comentaram o caso.

O Bradesco, um dos maiores credores financeiros da companhia, usou estratégia semelhante em 2023, quando a Americanas entrou em recuperação judicial após a revelação de uma fraude contábil de R$ 25 bilhões.

Na ocasião, o banco tentou impedir que os principais acionistas da varejista — os bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira — vendessem seus bens, sob o argumento de que poderiam ser responsabilizados por ressarcir os credores. O caso terminou com um acordo entre a Americanas e os credores no fim daquele ano.

Tercio Borlenghi Jr Jr, ceo-ambipar
Tércio Borlenghi Jr, CEO da Ambipar

Agora, o Bradesco alega que o caso da Ambipar pode ser enquadrado como fraude. O processo se baseia no fato de que o caixa da empresa “desapareceu”, com um fundo de recebíveis supostamente usado para inflar artificialmente as finanças da companhia e, ao mesmo tempo, drenar recursos dela. O banco já havia perdido uma ação com alegações semelhantes contra Borlenghi no início deste mês.

O Bradesco também vendeu parte das ações da Ambipar pertencentes a Borlenghi que estavam dadas como garantia de empréstimo, medida que o executivo classificou como ilegal.

O caminho até a recuperação judicial da Ambipar

A Ambipar estreou no mercado global de dívida em janeiro de 2024, com uma emissão de títulos verdes de US$ 750 milhões, acima da meta inicial de US$ 500 milhões. A operação rendeu à companhia o título de “Emissora de Dívida do Ano”, segundo a LatinFinance.

Mas, para uma empresa que ostentava credenciais de ESG, foram problemas de governança que levaram à sua queda. Após investigações internas e saídas de executivos, a Ambipar passou, em poucas semanas, de tranquilizar investidores a pedir proteção judicial — depois que alguns credores declararam vencimento antecipado de dívidas em meio a uma crise de confiança.

Os títulos, que vinham sendo negociados próximos ao valor de face até o início de agosto, agora valem cerca de 22 centavos por dólar, após atingirem mínimas de 12 centavos nos dias anteriores ao pedido de recuperação.

O Bradesco destacou que a Ambipar informou possuir R$ 4,7 bilhões em caixa em meados de 2025, mas mesmo assim buscou proteção contra credores por uma dívida de R$ 60 milhões.

A empresa acabou entrando com pedido de recuperação judicial no Rio de Janeiro nesta semana, enquanto sua subsidiária Ambipar Emergency Response solicitou proteção sob o Chapter 11 no Texas. A companhia afirmou que a medida é essencial para reestruturar sua dívida e preservar empregos, citando irregularidades em operações de swap conduzidas pelo departamento financeiro e a renúncia abrupta do ex-diretor financeiro (CFO), o que abalou a confiança dos investidores e desencadeou pedidos de vencimento antecipado por parte dos credores.

O caso abalou o mercado de crédito no Brasil e nos Estados Unidos e serviu como alerta aos investidores em dívida corporativa brasileira. A Fitch Ratings comparou a sequência de crises à da Americanas em 2023, embora o governo brasileiro não veja risco sistêmico, segundo a Bloomberg News.

Nas últimas semanas, os títulos da Braskem S.A. também despencaram para níveis de risco elevado, após a empresa contratar assessores para revisar sua estrutura de capital, enquanto problemas no Banco Master ameaçam atingir empresas e fundos de pensão expostos a seus instrumentos de dívida.

Por Matheus Piovesana, Giovanna Bellotti Azevedo e Rachel Gamarski

Por que assistir a ‘O Agente Secreto’, a aposta brasileira para o Oscar

24 de Outubro de 2025, 17:19

O filme “O Agente Secreto”, novo longa de Kleber Mendonça Filho, chega aos cinemas em 6 de novembro na esteira do sucesso nacional e internacional de “Ainda Estou Aqui”. Assim como o filme de Walter Salles, aplaudido em festivais e celebrado pela crítica, a obra de Mendonça, que pode representar o país no Oscar, combina reconhecimento artístico com alta repercussão internacional.

O longa saiu do Festival de Cannes com três prêmios importantes: Melhor Diretor, Melhor Ator (Wagner Moura) e o Prêmio da Crítica Internacional (FIPRESCI). Esse tipo de chancela serve como um selo de confiança para o mercado global, elevando o valor de venda internacional, acelerando negociações e ampliando a visibilidade junto às principais distribuidoras internacionais. Na prática, cada prêmio é convertido em aumento de alcance e potencial de receita.

Sobre a produção cinematográfica brasileira, Mendonça Filho afirmou recentemente, em entrevista à Veja, que “proteger a cultura é estratégico”, defendendo a importância de políticas públicas para fortalecer a cultura cinematográfica nacional.

O cineasta ressaltou ainda que temos “problemas crônicos de distribuição, falta de salas e necessidade urgente de formação de público”. “Precisamos de políticas públicas como as que existem na França, que são essenciais para fortalecer a cultura cinematográfica nacional”, disse ele.

Orçamento e coprodução internacional

O orçamento de “O Agente Secreto” gira em torno de R$ 27 milhões, somando capital privado e recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Esse tipo de coprodução, envolvendo também França, Alemanha e Holanda, aumenta o grau de competitividade nos festivais internacionais e melhora a entrada do Brasil no mercado europeu, onde a presença latino-americana ainda é limitada.

Antes mesmo da estreia no Brasil, “O Agente Secreto” já havia fechado acordos de distribuição com a Neon, nos Estados Unidos, e com a MUBI, na América Latina (exceto Brasil), Reino Unido e Índia. Ao todo, já são mais de 90 países confirmados ou em negociação avançada.

Mendonça Filho opera na mesma lógica bem-sucedida de “Aquarius” e “Bacurau”, mas em um patamar de escala maior. “O Agente Secreto” se beneficia de um cenário internacional mais receptivo ao Brasil e de uma plataforma de distribuição mais ampla.

História do filme

Para o público, a motivação é diferente: trata-se de uma história que resgata passagens do Brasil recente com tensão, ritmo e linguagem contemporânea, sem abrir mão da dimensão simbólica. No centro da narrativa do longa está a trajetória de um agente do governo envolvido em operações secretas em meio a tensões políticas e sociais no Recife contemporâneo.

O filme acompanha a luta desse personagem entre lealdade, ética e sobrevivência, enquanto eventos do passado influenciam decisões do presente. Com ritmo de thriller e elementos de drama social, “O Agente Secreto” explora a complexidade das estruturas de poder no Brasil, revelando dilemas pessoais e coletivos.

Oscar

A possível indicação ao Oscar traz ainda mais visibilidade à produção. Mesmo que o filme ainda esteja na etapa anterior à shortlist, lista em que são definidos os filmes que vão disputar a estatueta no dia 15 de março de 2026, o simples fato de circular como candidato já aumenta o valor negociado nos contratos de exibição, principalmente no mercado norte-americano.

“O Agente Secreto” foi escolhido como o representante brasileiro ao Oscar no mês passado, mas isso não significa que a obra já terá garantida uma indicação ao prêmio. Cada país indica um filme como seu representante para a disputa. A partir dessas indicações, o Oscar faz uma seleção das películas que, de fato, vão concorrer ao prêmio mais famoso do cinema mundial.

Os outros filmes que estavam na lista dos pré-selecionados eram “Baby”, de Marcelo Caetano; “Kasa Branca”, de Luciano Vidigal; “Manas”, de Marianna Brennand; “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro e Oeste Outra Vez, de Erico Rassi.

No início deste ano, o Brasil conquistou seu primeiro Oscar, com o filme “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, na categoria de Melhor Filme Internacional.

Estreia de “O Agente Secreto” no Brasil

Título: O Agente Secreto
Direção: Kleber Mendonça Filho
Protagonista: Wagner Moura
Estreia nos cinemas brasileiros: 6 de novembro de 2025
Distribuição no Brasil: Vitrine Filmes
Distribuição internacional: Neon (EUA) / MUBI (América Latina, Reino Unido, Índia e demais territórios)
Classificação indicativa: 14 anos

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.
❌