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Fiscalização do CMS identifica problemas em unidades de saúde da Capital sob nova gestão

Por:Sul 21
9 de Setembro de 2026, 14:15

O Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre (CMS/POA) apresentou, durante plenária nesta quinta-feira (3), os resultados de fiscalizações realizadas em unidades de saúde das regiões Norte e Leste da Capital. As visitas tiveram como objetivo conhecer diretamente as condições de funcionamento dos serviços, a composição das equipes e, especialmente, os impactos da mudança de gestão das unidades para o Instituto de Apoio à Gestão (IAG).

Leia a cobertura do Sul21 sobre a transição das unidades de saúde para a gestão do IAG

Entre os locais visitados estão as unidades de saúde Santa Rosa, Ramos, Chácara da Fumaça e Mapa. Estiveram presentes conselheiros municipais e representantes dos Conselhos Locais de Saúde. Durante as visitas, a comitiva encontrou um cenário marcado por problemas na estrutura e no atendimento das unidades.

Na US Santa Rosa, visitada em 14 de agosto, duas semanas após o início da atuação do IAG, foram identificadas apenas três equipes de Saúde da Família. A unidade atende uma população oficialmente estimada em cerca de 13 mil pessoas, embora trabalhadores e comunidade avaliem que o número real seja maior.

Além disso, os três médicos que atuavam anteriormente na unidade deixaram o serviço, o que exigiu a adaptação da nova equipe aos fluxos de trabalho e aos sistemas de atendimento. Na primeira semana após a mudança, uma médica do programa Mais Médicos permaneceu no local para auxiliar na continuidade dos atendimentos.

A fiscalização também constatou a ausência de um técnico de enfermagem na composição prevista da equipe, além da falta, naquele momento, de uma escala de trabalho com a identificação dos profissionais. Segundo a unidade, a situação ocorreu em razão do processo recente de troca da gestão para o IAG.

Um dos principais problemas constatados, no entanto, está relacionado à estrutura física da US Santa Rosa. A construção de uma nova unidade é uma reivindicação antiga da comunidade e consta entre as demandas do CMS desde 2007.

Na US Ramos, também foram identificadas mudanças na composição e no funcionamento do serviço. O horário de atendimento, anteriormente das 7h às 22h, passou a ser das 7h às 19h. O número de equipes de Saúde da Família também foi reduzido de cinco para quatro.

Na Ramos, a transição de gestão também foi considerada difícil. Segundo os relatos apresentados, onze profissionais deixaram a unidade e somente dez foram repostos, que demandam tempo para aprender sistemas e processos.

Na US Chácara da Fumaça, a população atendida é de aproximadamente 30 mil pessoas, com cerca de 14 mil cadastradas. A unidade funciona das 7h às 22h e conta com cinco equipes de Saúde da Família, embora tenham sido registradas mudanças recentes na composição dos profissionais.

A fiscalização constatou a falta de um técnico de enfermagem e registrou a saída de profissionais após o início da nova gestão, entre eles uma médica, um auxiliar de Saúde Bucal, um farmacêutico e dois auxiliares de farmácia. A comunidade da Chácara da Fumaça também aguarda a construção de uma nova unidade de saúde.

Entre as dificuldades apontadas pela equipe estão a falta de alguns insumos, dificuldades para acesso a exames e problemas relacionados ao acesso da população aos serviços de referência. Também foi destacada a existência de uma demanda significativa de saúde mental nas escolas da região, que não estaria sendo suficientemente absorvida pelos serviços.

Na US Mapa, os conselheiros encontraram uma unidade relativamente nova, com condições de acessibilidade para cadeirantes. A fiscalização verificou a disponibilidade de medicamentos e vacinas, identificação visual da unidade, relação dos trabalhadores exposta no mural e informações sobre as reuniões do Conselho Local de Saúde.

Entretanto, durante a visita também foram identificadas vacâncias e mudanças recentes na composição da equipe, uma tônica da nova gestão.

“Para o controle social, a mudança de profissionais não representa apenas a substituição de postos de trabalho. Ela também pode interromper vínculos construídos entre trabalhadores e comunidade e exige novo período de adaptação e aprendizagem dos profissionais que chegam”, destaca o Conselho Municipal.

Durante as visitas, os relatos colhidos pelos representantes do CMS é de condições cada vez mais difíceis para desenvolver o trabalho por parte dos profissionais da saúde. Os problemas principais são sobrecarga, falta de equipe, dificuldades estruturais e perda de capacidade de resposta às necessidades da população.

Entenda o caso
Foto: Marcelo Pires/Sul21

A discussão sobre a gestão das unidades de saúde de Porto Alegre pelo IAG é um assunto que vem se arrastando desde a metade do ano. Em junho, o CMS emitiu uma uma nota pública em que repudiava a contratação do Instituto. A organização de Londrina, no Paraná, havia vencido um edital para assumir a gestão de 67 US das regiões Leste e Norte da Capital.

O processo é uma terceirização da Atenção Básica na Capital. O IAG tomou o lugar deixado pelas duas maiores operadoras de postos de saúde da cidade, a Santa Casa de Porto Alegre e a Rede de Saúde Divina Providência, que rescindiram o contrato para a operação das unidades em janeiro devido a questões financeiras.

Desde que o IAG passou a administrar as unidades, denúncias de redução de salários, corte de equipe e substituição de profissionais passaram a se acumular. No início de julho, o começo das atividades do Instituto em Porto Alegre foi marcado por instabilidade para trabalhadores e pacientes.

Sobre salários, o diretor-executivo do Instituto, Juan Monastério, justificou a redução em razão do orçamento proposto pela Prefeitura de Porto Alegre no edital que contratou a instituição. Ainda, afirmou “não há grande diferença” nos pagamentos. “O salário é R$ 19 mil. Para R$ 22 mil, R$ 23 mil, não há uma grande diferença”, disse Monastério em entrevista à Rádio Gaúcha.

A falta de contratos, uniforme, equipamento de proteção individual e de pagamento de vale-transporte e vale-alimentação também foram algumas das reclamações feitas por funcionários. Tanto a SMS quanto o IAG admitiram falhas na transição.

Fora da esfera da Saúde, segundo apuração do Correio do Povo, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) verificou que o IAG descumpriu obrigações contratuais firmadas com a Prefeitura de Tramandaí em outro serviço realizado com uma administração municipal gaúcha.

A investigação apontou que o Instituto teria superfaturado pagamentos e não alocou profissionais em alguns postos de saúde do município. Ainda, o IAG teria empregado apenas parte dos recursos, apesar da Prefeitura ter disponibilizado os valores na sua totalidade.

Alguns sindicatos buscaram a via judicial para tentar interromper a gestão dos serviços de saúde pelo IAG. A medida foi confirmada pelo Sindisaúde-RS, Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS) e Sindicato dos Odontologistas do Estado do Rio Grande do Sul (SOERGS).

Contudo, no dia 13 de julho, a Justiça negou pedido do Simers, que defendia a suspensão provisória do contrato entre o Município de Porto Alegre e o Instituto de Apoio à Gestão Pública. O Simers contestava a vitória do IAG no edital de chamamento público e levanta potenciais prejuízos à saúde de Porto Alegre.

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Quem fiscaliza a terceirização? (Coluna da ASERGHC)

Por:Sul 21
21 de Agosto de 2026, 11:12

ASERGHC (*)

A terceirização no serviço público costuma ser apresentada como uma solução administrativa: contrata-se uma empresa, ela fornece o serviço e o Estado supostamente ganha em eficiência. Mas o que acontece quando, dentro de um único hospital público, passam a atuar mais de 80 empresas diferentes?

Um levantamento exemplar realizado pelo SindSaúde Paraná ajuda a responder essa pergunta. A entidade analisou a escala de trabalho de agosto de 2026 do Hospital Regional do Sudoeste Walter Alberto Pecoits, em Francisco Beltrão, e encontrou um retrato impressionante da expansão da terceirização na saúde pública paranaense.

Nos 17 setores analisados, havia 458 trabalhadores. Destes, 204 eram servidores efetivos do Estado e cinco tinham vínculo com a Funeas. Outros 249 eram trabalhadores vinculados a empresas terceirizadas ou credenciadas. Isso significa que 54,4% dos profissionais identificados pelo sindicato não tinham vínculo direto com o Estado.

Em algumas categorias, a situação é ainda mais expressiva. Dos 99 enfermeiros encontrados na escala, 73 eram terceirizados, o equivalente a 73,7%. Entre os técnicos de enfermagem, metade dos profissionais não tinha vínculo público. E os 14 instrumentadores cirúrgicos identificados eram todos terceirizados.

Mas talvez o dado que melhor revele a dimensão do modelo seja outro: esses trabalhadores estão espalhados por mais de 80 empresas. Mais de 80 empresas diferentes atuando dentro de um único hospital público.

Isso significa profissionais trabalhando lado a lado, muitas vezes desempenhando atividades semelhantes, mas submetidos a empregadores diferentes, contratos diferentes, salários diferentes, direitos diferentes e relações distintas de trabalho. É uma fragmentação que não pode ser tratada como um simples detalhe administrativo.

O próprio SindSaúde chama a atenção para uma questão fundamental: o problema não são os trabalhadores terceirizados, que diariamente garantem o funcionamento dos serviços. O problema é o modelo adotado pelo Estado, que substitui progressivamente vínculos públicos permanentes por relações de trabalho fragmentadas e mais instáveis.

Os dados levantados pelo sindicato mostram que esse processo ocorre paralelamente à redução do quadro próprio da saúde no Paraná. Em 2014, o Quadro Próprio dos Servidores da Saúde tinha 8.963 trabalhadores. Em 2025, eram 5.967. Uma redução de 33,4%.

E isso ocorre mesmo depois da realização e homologação de concurso público para a saúde. Enquanto candidatos aprovados aguardam nomeação, o Estado continua recorrendo a processos seletivos simplificados e à contratação terceirizada. Em julho deste ano, foi lançado mais um edital para contratação temporária de profissionais.

O levantamento do SindSaúde Paraná é importante também por mostrar o papel que uma entidade dos trabalhadores pode cumprir. Ao olhar uma escala de serviço, contar vínculos, identificar empresas e comparar esses números com a evolução do quadro público, o sindicato torna visível uma transformação que, vista contrato por contrato, pode passar despercebida.

É justamente esse tipo de trabalho que precisamos fazer diante do avanço das terceirizações no Grupo Hospitalar Conceição.

Quantos trabalhadores terceirizados atuam hoje no GHC? Quantas empresas diferentes estão presentes dentro de seus hospitais? Em quais setores? Quanto esses contratos custam? Como são fiscalizados? E, principalmente, até onde a direção do GHC, identificada com o campo da esquerda, pretende levar esse modelo? Combatemos as políticas neoliberais de Sebastião Melo e Eduardo Leite, mas, aqui no GHC, a direção do Grupo Hospitalar Conceição adota práticas da mesma natureza ao ampliar terceirizações e avançar na perspectiva de uma Parceria Público-Privada. 

A experiência revelada pelo SindSaúde Paraná deixa uma advertência que não deveria ser ignorada: terceirização não é apenas contratar uma empresa para realizar determinado serviço. Quando esse modelo avança, ele pode modificar profundamente a composição da força de trabalho, fragmentar equipes e reduzir progressivamente a presença de trabalhadores com vínculo público permanente.

Por isso, antes de terceirizar mais, é preciso saber onde esse caminho está nos levando. E, sobretudo, quem está fiscalizando esse caminho.

(*) Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Conceição.

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As opiniões emitidas nos artigos publicados no espaço de opinião expressam a posição de seu autor e não necessariamente representam o pensamento editorial do Sul21.

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Saúde não é mercadoria: contra as PPPs e terceirizações no GHC (Coluna da ASERGHC)

Por:Sul 21
11 de Julho de 2026, 08:00

Coluna da (ASERGHC)

A ASERGHC manifesta seu repúdio às terceirizações e às Parcerias Público-Privadas (PPPs), que avançam sobre a saúde pública e ameaçam o caráter público, universal e gratuito do SUS.

No Grupo Hospitalar Conceição, o novo hospital é apresentado como símbolo de modernização e ampliação da capacidade de atendimento. A construção de um hospital público, moderno e 100% SUS, é uma necessidade legítima. O problema é o modelo escolhido: uma PPP entregará à iniciativa privada serviços essenciais ao funcionamento da instituição.

Chamados de “bata-cinza”, setores como higienização, manutenção, segurança, nutrição, logística, tecnologia, engenharia e apoio administrativo não são secundários. Eles sustentam a assistência. Não existe SUS forte com trabalhadores precarizados, serviços fragmentados e áreas estratégicas subordinadas à lógica do lucro.

A realidade das terceirizações no GHC já foi denunciada pela ASERGHC ao Ministério Público do Trabalho: trabalhadores receberam menos de mil reais e sofreram violações de direitos. Esse é o modelo que agora querem ampliar.

As PPPs representam uma privatização disfarçada. O patrimônio permanece público, mas a operação cotidiana passa a depender de contratos privados de longa duração. O Estado paga, empresas lucram e o serviço público perde autonomia, qualidade e capacidade de planejamento.

A ASERGHC é favorável à construção de um novo hospital, mas rejeita que essa necessidade seja usada para aprofundar a terceirização do GHC.

Hospital novo, sim. GHC terceirizado, não.

Defendemos investimento público direto, fortalecimento das equipes próprias, transparência total nos projetos, participação dos trabalhadores, controle social, chamamento de aprovados, realização de concursos públicos, reversão das terceirizações e revogação do modelo de PPP previsto para o novo complexo do GHC.

(*) Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Conceição

§§§

As opiniões emitidas nos artigos publicados no espaço de opinião expressam a posição de seu autor e não necessariamente representam o pensamento editorial do Sul21.

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Mudança na gestão de saúde de Porto Alegre gera apreensão entre funcionários e usuários

10 de Julho de 2026, 18:53

O começo das atividades do Instituto de Apoio à Gestão (IAG) em Porto Alegre, nesta semana, foi marcado por instabilidade para alguns trabalhadores e pacientes. A falta de contratos, uniforme, equipamento de proteção individual e de pagamento de vale-transporte e vale-alimentação foram algumas das reclamações feitas por funcionários desde a segunda-feira, quando a empresa paranaense assumiu a gestão  de 36 unidades de saúde na zona leste da Capital.

Até agosto, IAG será responsável por cerca de 50% da saúde primária da Capital. Foto: Marcelo Pires/Sul21

Conforme uma pessoa que não quis se identificar, na quarta-feira, “o clima ainda era de caos” em uma das unidades, com intimidação, e pessoas atuando em desvio de função, além da ausência de médicos, que teriam pedido demissão diante das mudanças na gestão e nos vencimentos propostos pelo IAG.

O Instituto de Apoio à Gestão, entidade de Londrina (PR), venceu edital da Prefeitura para gerir unidades de saúde das zonas leste e norte, que estavam sob administração, respectivamente, da Sociedade Sulina Divina Providência e da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. As entidades decidiram, em janeiro, romper com os termos de cooperação que permitiam que administrassem as unidades na Capital, e tiveram de ser substituídas em processo coordenado pelo Executivo.

O IAG foi habilitado para assumir a gestão de 67 unidades em julho. E está, desde esta semana, na administração de 36 delas, todos na zona leste. As 31 restantes só serão assumidas pelo Instituto na primeira semana de agosto. Essa alteração é resultado de uma mediação no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS), que vem tentando, ainda sem sucesso, conciliação no pedido de dissídio coletivo de greve proposto pela gestão municipal contra os sindicatos de trabalhadores. Entre os impasses, que envolvem a redução de salários, está também o teor na negociação, pois nem todos os sindicatos estão de acordo com a ação da Prefeitura, uma vez que não fizeram paralisação.

A negociação no TRT cobre a passagem da administração da Santa Casa para o IAG, que envolve 1,3 mil profissionais da área. Na reunião, os sindicatos que atuam representando médicos, auxiliares, técnicos e odontologistas salientaram denúncias que também chegaram à reportagem do Sul21, e que formam a imagem de uma mudança turbulenta, com rupturas com a equipe anterior e a chegada de profissionais, em sua maioria, sem experiência prévia com atendimento em atenção primária. “Os que ficaram estão sobrecarregados. Ontem eu nem almocei. Estamos com muitas funções ao mesmo tempo e meu salário diminui em 60%. Foi uma perda de mais de cinco mil reais. Quem cuida de quem cuida em uma situação como essa?”, pergunta uma funcionária de uma unidade na zona leste que não quis se identificar. Eles também reclamam de intimidação para que atuem mesmo sem contratos, uniforme, equipamento de proteção individual e de pagamento de vale-transporte e vale-alimentação.

A diretora do Sindicato dos Odontologistas no Estado do Rio Grande do Sul (Soergs), Ana Cristina Soletti, afirma que o movimento dos trabalhadores nessa mudança tem sido não apenas pela manutenção de salários, mas “pela valorização dos profissionais, pela dignidade do trabalho e pela qualidade da assistência prestada aos usuários do SUS”. “Defendemos que a substituição da empresa gestora jamais pode servir como justificativa para retirar direitos, desvalorizar carreiras ou precarizar o trabalho em um serviço essencial para a população. Quem perde não é apenas o trabalhador. Perde também a comunidade, que corre o risco de ver equipes desestruturadas. Profissionais experientes deixando o serviço, e o vínculo construído ao longo de anos sendo rompido”, critica.

Nesta semana, o Simers, sindicato que representa os médicos, visitou unidades de saúde e alertou para as consequências da descontinuidade de contratos, que afeta as equipes e pacientes. Tanto a \prefeitura de Porto Alegre, por meio da Secretaria da Saúde, quanto o IAG admitem falhas nessa primeira semana. “Foram identificadas situações pontuais relacionadas à adaptação de novos profissionais às rotinas e aos sistemas utilizados nas unidades, o que pode ter impactado o tempo de atendimento em alguns serviços”, diz a Secretaria da Saúde, por meio de nota.

US São Pedro, na Lomba do Pinheiro, é uma da que está sob gerência do IAG. Foto: Marcelo Pires

“A contratação e a manutenção dos profissionais são responsabilidades da organização gestora, que está sendo cobrada pela Secretaria para recompor as equipes e cumprir integralmente as obrigações previstas em contrato. Sempre que forem constatadas inconformidades serão adotadas as medidas administrativas cabíveis. As informações levantadas durante a transição na Região Leste também subsidiarão o acompanhamento da implantação da nova gestão nas unidades da Região Norte, com fiscalização desde o início da operação para garantir a continuidade da assistência à população”, conclui. A Prefeitura também indica o canal 156 para reclamações da população, bem como para registro de demandas e irregularidades.

O IAG reforçou, também por meio de nota, que o atendimento foi mantido em todas as 36 unidades que estão sob a gestão da empresa desde essa semana. “Nas UBSs da região leste, dos 101 médicos necessários, só existe uma vacância de 25 profissionais, cujas vagas já estão sendo substituídas, nos próximos dias, por novas contratações, que estão com documentações em andamento. É importante reforçar que nenhuma Unidade de Saúde deixou de atender as demandas de pacientes que buscam atendimento”, salientou.

Os problemas também foram foco de um debate na Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa na terça-feira (7), com presença de representantes de sindicatos de trabalhadores da saúde, CUT-RS, Conselho Estadual de Saúde, Defensoria Pública e vereadores da Capital.

A presidente do Conselho Estadual de Saúde, Inara Ruas, critica o processo de descontinuidade dos serviços causado pela troca de equipes. “Somos contra o modelo de gestão de terceirização, mas não somos contra os trabalhadores terceirizados, porque eles precisam trabalhar. Defendemos a carreira única do SUS, uma carreira interfederativa, para que não aconteça o que está acontecendo agora em Porto Alegre. Porque se o profissional é fixado no território, com remuneração adequada e valorização justa, com um plano de carreira do SUS, ele não vai ficar pipocando de unidade por unidade. Mesmo que a empresa não tivesse saído, o que acontece hoje em Porto Alegre é ter muita rotatividade de profissionais. Isso tira a continuidade do cuidado ao usuário. Ele vai a uma unidade de saúde, consulta com um médico, pede exames e daqui a dois meses quando ele for levar o estado dos exames já mudou o pessoal, ele tem contar toda a sua história de vida novamente, o vínculo da equipe com a comunidade se quebra cada vez que você vai trocando as equipes”, contextualiza Inara.

O vereador Alexandre Bublitz (PT), que é médico pediatra, diz que está acompanhando o caso e fez encaminhamento ao Ministério Público das possíveis irregularidades. Para ele, a situação demonstra queda de investimentos da Prefeitura no setor. ” A Prefeitura de Porto Alegre vem reduzindo o quanto investe em atenção primária. Há 10 anos atrás, a gente investia 25% dos recursos da saúde em atenção primária, hoje a gente investe apenas 15%. Ou seja, caiu quase até a metade. Precisamos olhar para essa situação com mais calma e realmente com planejamento. Se a atenção primária não funciona, a saúde da Capital não vai funcionar”, critica.

Com a mudança na administração, o IAG passa a gerir cerca de 50% da rede municipal até agosto. São pessoas que buscam regularmente o atendimento em saúde pelo SUS, como Fátima Dornelles, de 67 anos, que saiu da US Campo da Tuca, Rua Coronel José Rodrigues Sobral, no Partenon, e conversou com a reportagem sobre a apreensão do filho, que faz tratamento no local há oito anos, e precisa de cuidados permanentes. “Quem vai cuidar dele agora?”, questiona, referindo-se à troca nas equipes.

US Vila Vargas, localizada, localizada na rua Padre Ângelo Costa, é gerenciada pelo Instituto de Apoio à Gestão (IAG) desde 6 de julho de 2026. Foto: Fernanda Bastos/Sul21

Fátima também reclamou da falta de materiais de cuidado, como gaze e coletor de urina, que ela costuma retirar na unidade, mas estava, no dia, em falta. “É desesperador”. No mesmo dia a filha dela, que estava se recuperando de uma fratura, esperava atendimento, já com duas horas de atraso. “Falaram que houve uma reunião com os médicos. Por isso que está demorando”, disse.

Uma outra paciente, que não quis se identificar, afirmou que perguntou se o atendimento iria demorar naquela quinta-feira (9) e que ouviu que “iria, sim, e muito”.

Na entrada US Vila Vargas, na rua Padre Angêlo Costa, bairro Aparício Borges, a reportagem conversou com moradores que relataram ter acompanhado com preocupação a notícia de possíveis mudanças nas equipes. Pessoas que não quiserem se identificar elogiaram o serviço prestado pelos médicos da unidade e disseram que, apesar de o tempo de espera ter aumentado mais nessa semana, eles têm expectativa de que o serviço se normalize sob a nova administração.

Na US Campo da Tuca, pacientes também relataram atrasos e demora no atendimento. Famílias que esperam por consulta de rotina com especialistas em pediatria esperaram por mais de uma hora com as crianças no colo, como a reportagem apurou no local. Ainda conforme os relatos, na triagem, devido à reclamação sobre atrasos e espera excessiva, alguns pacientes também foram atendidos por funcionários com casacos identificados com o logo da Prefeitura de Porto Alegre a serviço da Secretaria Municipal da Saúde, que pediam compreensão devido às mudanças.

Em duas das três unidades da zona leste visitadas pela reportagem, pacientes e funcionários que não quiseram se identificar confirmaram a falta de uniformes e de material para atendimento. A demora também foi maior do que o normal, com pacientes regulares aguardando por horas pelo atendimento que estava previamente agendado.

Íntegra da nota à imprensa da Secretaria Municipal da Saúde

A Secretaria Municipal de Saúde acompanha de forma permanente a execução do contrato de gestão das unidades de saúde por meio de equipes técnicas da Diretoria de Atenção Primária à Saúde. Nesta segunda-feira, 6, profissionais da secretaria estiveram nas unidades da Região Leste para monitorar o funcionamento dos serviços, verificar as condições de atendimento e acompanhar o processo de transição da nova gestora.

Foram identificadas situações pontuais relacionadas à adaptação de novos profissionais às rotinas e aos sistemas utilizados nas unidades, o que pode ter impactado o tempo de atendimento em alguns serviços. A Secretaria está acompanhando diariamente a composição das equipes, o funcionamento das unidades e a prestação da assistência.

A contratação e a manutenção dos profissionais são responsabilidades da organização gestora, que está sendo cobrada pela Secretaria para recompor as equipes e cumprir integralmente as obrigações previstas em contrato. Sempre que forem constatadas inconformidades, serão adotadas as medidas administrativas cabíveis.

As informações levantadas durante a transição na Região Leste também subsidiarão o acompanhamento da implantação da nova gestão nas unidades da Região Norte, com fiscalização desde o início da operação para garantir a continuidade da assistência à população.
A população também pode registrar manifestações e eventuais ocorrências por meio do serviço 156. Todas as demandas são analisadas pela Secretaria e, quando identificadas irregularidades, são adotadas as providências previstas em contrato.

Íntegra da nota à imprensa do IAG

O Instituto de Apoio à Gestão Pública (IAG), vem a público esclarecer sobre o andamento da transição de gestão da saúde primária da região leste de Porto Alegre. O IAG reforça que todas as medidas adotadas seguem os princípios da transparência e responsabilidade com a população.

Nas UBSs da região leste, dos 101 médicos necessários, só existe uma vacância de 25 profissionais, cujas vagas já estão sendo substituídas, nos próximos dias, por novas contratações, que estão com documentações em andamento.

É importante reforçar, que nenhuma Unidade de Saúde, deixou de atender as demandas de pacientes, que buscam atendimento.
O IAG permanece à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas e reafirma seu compromisso com o bem-estar dos cidadãos de Porto Alegre.

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Porto Alegre inicia operação do Centro de Informação em Saúde e Clima

Por:Sul 21
10 de Julho de 2026, 17:06

Começou a funcionar em Porto Alegre nesta sexta-feira (10) um dos primeiros Centros de Informação em Saúde e Clima (Cisc) do país. A iniciativa representa um avanço estratégico para preparar o SUS diante dos efeitos das mudanças climáticas. Parceria do Município com o Governo Federal, a estrutura está instalada na sede da Diretoria de Vigilância em Saúde. As primeiras análises a serem feitas estão relacionadas com o efeito do frio e do calor na saúde das pessoas residentes na capital gaúcha.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou o Cisc nesta tarde. Acompanharam a agenda o prefeito Sebastião Melo, a vice-prefeita Betina Worm, a secretária estadual da Saúde, Lisiane Fagundes, o secretário municipal de Saúde, Fernando Ritter, o coordenador da Defesa Civil, Coronel Evaldo Rodrigues, além da gestão da Diretoria de Vigilância em Saúde e de outras diretorias da Secretaria de Saúde.

Melo destacou a importância do federalismo cooperativo para o enfrentamento das mudanças climáticas no município. “Esse novo normal de eventos climáticos extremos veio para ficar, então toda medida de preparação e adaptação dos serviços deve ser muito celebrada. Temos aqui um bom exemplo de federalismo cooperativo que dá certo. Prefeitura, estado e União atuando em conjunto pela saúde de todos, especialmente nas crises”.

Os Centros serão implementados no país de forma gradual, em Porto Alegre, Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Cuiabá (MT), Fortaleza (CE), Santarém (PA), Belém (PA) e Salvador (BA). O objetivo é ampliar a capacidade dos municípios de antecipar riscos, monitorar eventos extremos e organizar respostas rápidas, integradas e baseadas em evidências.

O ministro destacou que a integração de dados sobre saúde e clima permitirá antecipar ações para atender a população e informar as comunidades sobre a situação sempre que necessário. “É importante lembrar que os desastres são graves, e há outras tragédias relacionadas ao aumento da temperatura e às mudanças climáticas”, enfatizou Padilha.

Sobre o trabalho do Cisc Porto Alegre, a diretora da DVS, Aline Medeiros, explica que o trabalho prevê modelos preditivos e trabalho integrado com outras áreas da Vigilância em Saúde e de outras diretorias da Secretaria de Saúde e da Defesa Civil da Capital.

O projeto de instalação do Cisc Porto Alegre começou em abril, quando uma comitiva da SMS visitou o Rio de Janeiro, em agenda institucional com o Ministério da Saúde. Posteriormente, em visita técnica a Porto Alegre, o Ministério da Saúde confirmou Porto Alegre como uma das cidades-piloto a ter o Cisc implementado.

O Ministério da Saúde apoiará o funcionamento do serviço, com a contratação dos profissionais e doação de equipamentos. A DVS cedeu o espaço e vai coordenar o Cisc. O processo seletivo para contratação de profissionais foi realizado em maio. Formalizaram interesse 176 pessoas. A seleção levou em conta currículo e entrevista, chegando em cinco profissionais: dois da área da ciência de dados, um da meteorologia, um da geografia, com ênfase em análise espacial, e um da epidemiologia.

Durante a visita às instalações, foi realizada conexão com os outros Cisc. A  diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador, Agnes Soares, apresentou as ações federais para enfrentar as mudanças climáticas no âmbito do SUS.

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Anvisa libera produtos da Ypê produzidos a partir de janeiro de 2026

Por:Sul 21
22 de Junho de 2026, 16:03

Da Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atualizou, nesta segunda-feira (22), o status de produtos da marca Ypê que tiveram comercialização e uso suspensos em abril deste ano.

As resoluções liberam detergentes e desinfetantes de lotes terminados em 1, e produzidos a partir de 1º de janeiro de 2026.

“A medida foi adotada depois da apresentação, pela empresa, de laudos satisfatórios para todos os lotes de detergentes e desinfetantes produzidos este ano”, informou a Anvisa em nota.

Confira, a seguir, a lista de produtos liberados:

  • Lava-louças com enzimas ativas Ypê
  • Lava-louças Ypê
  • Lava-louças concentrado Ypê Green
  • Lava-louças Ypê toque suave
  • Desinfetante  Bak Ypê
  • Desinfetante Pinho Ypê

Determinada em 1º de abril, a suspensão atingiu detergentes, desinfetantes e lava-roupas da marca, produzidos pela Química Amparo Ltda, de lotes com numeração final 1.

Recolhimento voluntário

Em relação aos lava-roupas, a Anvisa informou que manteve a determinação de recolhimento voluntário pela Ypê dos produtos com lotes terminados em 1 e fabricados até 31/3/2026.

“Segundo a empresa, trata-se de uma medida preventiva, inserida na estratégia de mitigação de riscos e de normalização operacional prevista no plano aprovado pela Diretoria Colegiada da Anvisa.”

Veja, a seguir, quais os produtos atingidos pelo recolhimento voluntário:

  • Lava-roupas líquido Tixan Ypê Combate ao Mau Odor
  • Lava-roupas líquido Tixan Ypê Cuida das Roupas
  • Lava-roupas líquido Tixan Ypê Antibac
  • Lava-roupas líquido Tixan Ypê Coco e Baunilha
  • Lava-roupas líquido Tixan Ypê Green
  • Lava-roupas líquido Tixan Ypê Express
  • Lava-roupas líquido Tixan Ypê Power Act
  • Lava-roupas líquido Tixan Ypê Premium
  • Lava-roupas líquido Tixan Ypê Maciez
  • Lava-roupas líquido Tixan Ypê Primavera
  • Lava-roupas líquido Tixan Ypê Power Act

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SUS precisa de financiamento, gestão e respeito aos trabalhadores (Coluna da ASERGHC)

Por:Sul 21
17 de Junho de 2026, 08:00

ASERGHC (*)

Mais de 70% da população brasileira depende diretamente do Sistema Único de Saúde. Esse dado deveria orientar qualquer debate sério sobre os desafios da saúde no Brasil. Estamos falando do sistema que garante atendimento, vacinação, urgência, emergência, consultas, exames, cirurgias e cuidado cotidiano para a maioria do povo brasileiro.

O SUS é uma das maiores conquistas sociais do país. Mas nenhuma conquista se sustenta apenas com discurso.

Não existe SUS forte com subfinanciamento permanente. A saúde pública deixa de ser tratada como direito quando o orçamento aparece sempre como obstáculo, e não como instrumento para garantir cuidado à população.

O debate sobre a saúde costuma falar em filas, falta de leitos, demora em exames e cirurgias, dificuldade de acesso e falta de profissionais. Tudo isso é verdade. Mas esses problemas são resultado de escolhas políticas, de modelos de gestão e de uma lógica fiscal que insiste em adaptar as necessidades da população ao tamanho do orçamento disponível.

A pergunta deveria ser outra: quanto custa garantir saúde pública de verdade para um país como o Brasil?

No lugar dessa pergunta, o que se impõe é a lógica do ajuste fiscal. O governo federal anunciou novo bloqueio bilionário de despesas no Orçamento de 2026 para cumprir as regras fiscais. A Saúde também aparece entre as áreas atingidas. Na prática, o recado é conhecido por quem vive o SUS diariamente: o direito é universal, mas o financiamento segue limitado.

Essa contradição tem consequência concreta. Aparece quando o usuário espera meses por um exame ou tem uma cirurgia adiada. Aparece quando faltam trabalhadores em uma escala. Aparece quando a enfermagem é remanejada para tapar buracos da gestão. Aparece quando trabalhadores adoecem e depois são tratados como se o problema fosse individual, e não resultado de um ambiente de trabalho cada vez mais desorganizado e adoecedor.

O GHC deveria ser referência de fortalecimento do SUS. Pela sua história, pelo seu tamanho e pelo papel que ocupa na rede pública, deveria ser exemplo de gestão técnica, democrática, transparente e comprometida com trabalhadores e usuários. Mas o que se vê hoje é uma instituição pressionada por problemas internos graves, enquanto a direção assume novas responsabilidades fora da sua base original.

A gestão do Hospital Federal de Bonsucesso, no Rio de Janeiro, e do Hospital de Pronto-Socorro de Pelotas é apresentada como expansão da capacidade pública. Mas é preciso perguntar: com qual estrutura? Com qual planejamento? Com qual modelo de gestão? Com qual participação dos trabalhadores?

Não se trata de negar a importância de ampliar o atendimento à população. O SUS precisa crescer e responder às demandas reprimidas. Mas expansão sem base sólida não é fortalecimento. Pode ser apenas vitrine. Quando uma instituição não resolve problemas estruturais dentro das suas próprias unidades, assumir novas frentes de gestão pode significar mais improviso e mais distanciamento entre a direção e a realidade concreta do trabalho.

No lugar de anúncios grandiosos, o SUS precisa de serviços funcionando, equipes completas e valorizadas, processos organizados, chefias qualificadas, orçamento suficiente e respeito aos trabalhadores.

O problema central do GHC é a falta de gestão. As trabalhadoras e os trabalhadores sabem disso porque vivem essa realidade na prática. Sabem o que significa entrar em um plantão com equipe reduzida. Sabem o que significa ser deslocado sem critério. Sabem o que significa acumular tarefas que não fazem parte da sua função. Sabem o que significa ver a assistência ser comprometida por decisões tomadas por indicados políticos sem qualificação técnica.

A solução passa por financiamento adequado do SUS, valorização dos quadros de carreira e enfrentamento da precarização do trabalho. Passa também por reduzir o peso das indicações políticas, profissionalizar a gestão e democratizar as decisões.

Não se administra hospital público apenas com cargos de confiança assim como não é possível organizar uma rede complexa com improviso. Não se fortalece o SUS tratando trabalhadores como peça substituível em uma engrenagem desregulada. O GHC precisa enfrentar o adoecimento dos trabalhadores, os remanejamentos abusivos, a falta de dimensionamento adequado, a ausência de uma política efetiva de saúde do trabalhador e a fragmentação dos processos de trabalho. Precisa ouvir quem trabalha nos hospitais todos os dias.

Antes de vender soluções para fora, a direção precisa responder às denúncias de dentro.

Os desafios do SUS não serão resolvidos com expansão desordenada, bloqueio de recursos e gestão distante da realidade. Serão enfrentados com financiamento público adequado, gestão profissional, participação dos trabalhadores e compromisso real com a população.

O SUS que defendemos precisa ser universal, público, financiado e democrático. E o GHC que precisamos não é um laboratório de improvisos, nem uma plataforma de expansão para gestores. É uma instituição pública forte, comprometida com os usuários e capaz de cuidar sem adoecer quem cuida.

(*) Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Conceição

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As opiniões emitidas nos artigos publicados no espaço de opinião expressam a posição de seu autor e não necessariamente representam o pensamento editorial do Sul21.

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Seminário para debater inclusão da doação e transplantes nos currículos de saúde acontece em POA

Por:Sul 21
16 de Junho de 2026, 17:26

O Seminário Nacional pela Curricularização dos Conteúdos sobre Doação e Transplante de Órgãos e Tecidos nos Cursos da Saúde – Desafios e possibilidades reunirá especialistas, docentes, estudantes, entidades médicas e representantes do Sistema Nacional de Transplantes para discutir um desafio urgente: preparar melhor os futuros profissionais para uma realidade que salva vidas diariamente. O evento ocorre no dia 19 de junho, a partir das 9h, no Palácio do Ministério Público, Centro Histórico de Porto Alegre.

O encontro integra o movimento lançado pela Fundação Ecarta, por meio do projeto Cultura Doadora, em parceria com o Coletivo de Ligas Acadêmicas de Transplantes do RS. A iniciativa busca sensibilizar universidades, conselhos profissionais e gestores públicos para incluir conteúdos sobre doação e transplantes nas grades curriculares dos cursos da área da saúde.

Entre os temas debatidos estarão os conteúdos essenciais para os currículos, metodologias de ensino, diretrizes de implementação e vivências práticas relacionadas ao acolhimento de famílias, atuação hospitalar e experiência dos transplantados.

A programação contará com nomes de referência nacional na área, incluindo representantes da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem), Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn), Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) e do Sistema Nacional de Transplantes.

Hoje, mais de 80 mil pessoas aguardam por um órgão no Brasil, cerca de três mil apenas no Rio Grande do Sul. Para os organizadores, a educação é uma peça estratégica para transformar esse cenário. “A proposta do seminário é justamente construir caminhos para que o tema esteja presente de forma permanente na formação acadêmica, por meio de disciplinas obrigatórias, eletivas, projetos de extensão, seminários e atividades interdisciplinares”, diz Marina Ribeiro, representante do Coletivo de Ligas Acadêmicas de Doação e Transplante do RS.

Serviço

Seminário Nacional pela Curricularização dos Conteúdos sobre Doação e Transplante de Órgãos e Tecidos nos Cursos da Saúde – Desafios e possibilidades
Quando: 19 de junho de 2026, das 9h às 17h
Onde: Palácio do Ministério Público – Praça Marechal Deodoro, 110, Centro Histórico, Porto Alegre
Público-alvo: Estudantes, professores, médicos, enfermeiros, coordenadores de cursos, integrantes de ligas acadêmicas e interessados no tema.
Inscrições Gratuitas
Mais informações no link.

 

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Capital tem 11 unidades de saúde abertas neste fim de semana para vacinação e atendimento

Por:Sul 21
13 de Junho de 2026, 10:50

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) mantém a Operação Inverno com atendimento ampliado neste fim de semana em Porto Alegre. Além da vacinação contra gripe e demais do calendário vacinal, a população poderá acessar consultas, retirada de medicamentos e outros serviços da Atenção Primária em 11 unidades de saúde. A estratégia busca ampliar o acesso aos serviços durante o período de maior circulação de vírus respiratórios.

A vacina contra a gripe está disponível para todas as pessoas a partir dos seis meses de idade, mediante apresentação de documento de identificação. A oferta de imunização nos fins de semana seguirá até o final de agosto, conforme disponibilidade de estoque.

Unidades abertas neste fim de semana

Sábado, das 10h às 19h

* Unidade de Saúde Modelo
* Unidade de Saúde 1º de Maio
* Unidade de Saúde Lami
* Unidade de Saúde Diretor Pestana
* Unidade de Saúde Chácara da Fumaça
* ⁠Unidade de Saúde Divina Providência (das 10h às 16h)

Sábado e domingo, das 10h às 19h

* Unidade de Saúde Moab Caldas
* Unidade de Saúde José Mauro Ceratti
* Unidade de Saúde Assis Brasil
* Unidade de Saúde Bom Jesus
* Unidade de Saúde São Carlos

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Mais de 4,3 mil crianças foram tiradas do trabalho infantil em 2025

Por:Sul 21
13 de Junho de 2026, 09:36

Da Agência Brasil

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) informou nesta sexta-feira (12), Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, que 4.318 crianças e adolescentes foram afastados do trabalho infantil em todo o país, em 2025.

Os afastamentos foram resultado de 10.234 ações fiscais no ano passado – o maior número da última década no enfrentamento a esse tipo de violação de direitos.

Nos primeiros quatro meses de 2026, 1.108 crianças e adolescentes foram afastados de situações de trabalho infantil.

Nos casos identificados em 2025 e nos primeiros meses de 2026, mais de 70% das crianças e adolescentes estavam inseridos em formas de trabalho infantil com graves riscos à saúde, à segurança, à moralidade e ao desenvolvimento físico e psicológico.

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, as fiscalizações concentraram-se em setores tradicionalmente associados à utilização de mão de obra infantil, como comércio varejista, serviços ambulantes de alimentação, restaurantes, lanchonetes, supermercados, oficinas mecânicas e algumas atividades ligadas à indústria.

Entre as unidades da Federação que registraram os maiores números de crianças e adolescentes afastados do trabalho infantil em 2025 destacam-se Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Bahia e Rio de Janeiro.

Já nos primeiros quatro meses de 2026, os maiores quantitativos de afastamentos foram registrados em Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Bahia e Espírito Santo.

“Os resultados alcançados ao longo de 2025 e nos primeiros meses de 2026 evidenciam que a atuação da Inspeção do trabalho constitui um instrumento essencial para a identificação, a interrupção e a prevenção do trabalho infantil, contribuindo de forma decisiva para a proteção e a garantia dos direitos fundamentais de crianças e adolescentes em todo o território nacional, destacou o coordenador de Erradicação e Fiscalização do Trabalho Infantil da Secretaria de Inspeção do Trabalho, Roberto Padilha Guimarães.

Para denúncias de casos de trabalho infantil, o ministério disponibiliza um canal exclusivo: o Sistema Ipê Trabalho Infantil, que pode ser acessado pelo endereço.

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Norte do RS registra 8 mortes por influenza e mais de 100 hospitalizações em 2026

Por:Sul 21
21 de Maio de 2026, 16:49

Rosangela Borges

A circulação da influenza preocupa autoridades de saúde na Macrorregião Norte do Rio Grande do Sul, que já contabiliza oito mortes e 109 hospitalizações por complicações da gripe em 2026. A região, formada por 147 municípios e considerada uma das mais importantes do interior gaúcho, tem em Passo Fundo seu principal polo econômico, educacional e de saúde.

O cenário ocorre em meio à baixa cobertura vacinal entre os grupos prioritários. Dados da Secretaria Estadual da Saúde apontam que a vacinação contra a influenza está abaixo da meta recomendada pelo Ministério da Saúde tanto no Estado quanto na região Norte.

A Macrorregião Norte engloba municípios vinculados às regiões de saúde Planalto, Araucárias, Botucaraí, Alto Uruguai Gaúcho, Caminho das Águas e Rota da Produção, coordenadas pelas sedes regionais de Passo Fundo, Erechim, Frederico Westphalen e Palmeira das Missões.

Na área de abrangência da 6ª Coordenadoria Regional de Saúde, com sede em Passo Fundo, foram aplicadas 129.750 doses da vacina contra a gripe em 2026. Entre os grupos prioritários — idosos, gestantes e crianças entre seis meses e menores de seis anos — a cobertura vacinal chegou a 42,55%. O índice representa queda significativa em relação ao ano passado. Em 2025, a região havia aplicado 258.652 doses e alcançado 56% de cobertura nos grupos prioritários.

Em todo o Rio Grande do Sul, a cobertura vacinal dos grupos prioritários está em 41,61%, distante da meta de 90% estipulada pelo Ministério da Saúde. Até o momento, o Estado aplicou 155.250 doses em 2026, contra mais de 212 mil no mesmo período do ano passado.

Estado soma 53 mortes por influenza

O Rio Grande do Sul já registra 743 hospitalizações e 53 mortes por influenza em 2026. A incidência estadual é de 8,28 casos para cada 100 mil habitantes. Entre os pacientes internados no Estado, 27,86% precisaram de atendimento em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A taxa de letalidade hospitalar está em 7,13%.

As autoridades de saúde alertam que a maioria dos casos graves segue relacionada à ausência de vacinação, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.

Maior cidade da macrorregião, Passo Fundo já confirmou três mortes por influenza neste ano, segundo o painel de Hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) da Secretaria Estadual da Saúde.

A primeira vítima foi uma criança entre um e quatro anos, cujo óbito havia sido confirmado no último domingo. Conforme os dados oficiais, a menina ainda não estava vacinada contra a gripe.

As outras duas mortes registradas no município envolvem uma adolescente entre 12 e 19 anos e uma idosa com mais de 80 anos. Nenhuma delas havia recebido a vacina contra a influenza.

Além dos óbitos, Passo Fundo soma 24 hospitalizações relacionadas à doença em 2026. Cerca de 33% dos pacientes internados precisaram de leitos de UTI. A taxa de letalidade hospitalar no município chega a 12,5%, índice acima da média estadual.

Os dados apontam ainda que a maior concentração de internações ocorre entre crianças de um a quatro anos, faixa etária que registra seis hospitalizações. Na sequência aparecem adultos entre 20 e 39 anos e idosos entre 60 e 79 anos, ambos com quatro casos.

Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde, todos os pacientes hospitalizados por influenza em Passo Fundo não estavam vacinados.

Reforço na campanha de vacinação

Diante do avanço da doença, a Prefeitura de Passo Fundo intensificou a campanha de imunização. Desde o início da mobilização, em 30 de março, o município já recebeu mais de 46 mil doses da vacina contra a gripe.

Recentemente, uma nova remessa com mais de cinco mil doses foi encaminhada ao município para reforçar o atendimento dos grupos prioritários.

Até agora, Passo Fundo aplicou 29.079 doses da vacina. Entre os grupos prioritários, foram 18.153 aplicações, atingindo cobertura de 33,38%.

Entre os idosos acima de 60 anos, a cobertura chega a 39,86%. Já entre gestantes, o índice é de 31,82%. O dado mais preocupante está entre crianças de seis meses a menores de seis anos: apenas 16,03% receberam a vacina até o momento.

A campanha segue até 31 de maio e, neste momento, conforme orientação do Ministério da Saúde, a vacinação permanece direcionada exclusivamente aos grupos prioritários.

Foco no público prioritário

Quem é o público prioritário?

– Crianças de 6 meses a menores de 6 anos
– Idosos acima de 60 anos
– Gestantes e puérperas
– Trabalhadores da saúde e educação
– Pessoas com doenças crônicas
– Pessoas com deficiência permanente
– Povos indígenas e quilombolas
– Caminhoneiros e trabalhadores do transporte coletivo
– Profissionais das forças de segurança
– Pessoas privadas de liberdade
– Trabalhadores dos Correios

As autoridades reforçam que a vacinação continua sendo a principal estratégia para reduzir internações e mortes causadas pela influenza, especialmente diante da aproximação do inverno e do aumento da circulação de vírus respiratórios em todo o Estado. Além da imunização, a orientação é manter cuidados básicos como higienização frequente das mãos, uso de máscara em caso de sintomas respiratórios e busca por atendimento médico diante de sinais de agravamento, como febre persistente e dificuldade para respirar.

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