Norte do RS registra 8 mortes por influenza e mais de 100 hospitalizações em 2026
Rosangela Borges
A circulação da influenza preocupa autoridades de saúde na Macrorregião Norte do Rio Grande do Sul, que já contabiliza oito mortes e 109 hospitalizações por complicações da gripe em 2026. A região, formada por 147 municípios e considerada uma das mais importantes do interior gaúcho, tem em Passo Fundo seu principal polo econômico, educacional e de saúde.
O cenário ocorre em meio à baixa cobertura vacinal entre os grupos prioritários. Dados da Secretaria Estadual da Saúde apontam que a vacinação contra a influenza está abaixo da meta recomendada pelo Ministério da Saúde tanto no Estado quanto na região Norte.
A Macrorregião Norte engloba municípios vinculados às regiões de saúde Planalto, Araucárias, Botucaraí, Alto Uruguai Gaúcho, Caminho das Águas e Rota da Produção, coordenadas pelas sedes regionais de Passo Fundo, Erechim, Frederico Westphalen e Palmeira das Missões.
Na área de abrangência da 6ª Coordenadoria Regional de Saúde, com sede em Passo Fundo, foram aplicadas 129.750 doses da vacina contra a gripe em 2026. Entre os grupos prioritários — idosos, gestantes e crianças entre seis meses e menores de seis anos — a cobertura vacinal chegou a 42,55%. O índice representa queda significativa em relação ao ano passado. Em 2025, a região havia aplicado 258.652 doses e alcançado 56% de cobertura nos grupos prioritários.
Em todo o Rio Grande do Sul, a cobertura vacinal dos grupos prioritários está em 41,61%, distante da meta de 90% estipulada pelo Ministério da Saúde. Até o momento, o Estado aplicou 155.250 doses em 2026, contra mais de 212 mil no mesmo período do ano passado.
O Rio Grande do Sul já registra 743 hospitalizações e 53 mortes por influenza em 2026. A incidência estadual é de 8,28 casos para cada 100 mil habitantes. Entre os pacientes internados no Estado, 27,86% precisaram de atendimento em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A taxa de letalidade hospitalar está em 7,13%.
As autoridades de saúde alertam que a maioria dos casos graves segue relacionada à ausência de vacinação, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
Maior cidade da macrorregião, Passo Fundo já confirmou três mortes por influenza neste ano, segundo o painel de Hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) da Secretaria Estadual da Saúde.
A primeira vítima foi uma criança entre um e quatro anos, cujo óbito havia sido confirmado no último domingo. Conforme os dados oficiais, a menina ainda não estava vacinada contra a gripe.
As outras duas mortes registradas no município envolvem uma adolescente entre 12 e 19 anos e uma idosa com mais de 80 anos. Nenhuma delas havia recebido a vacina contra a influenza.
Além dos óbitos, Passo Fundo soma 24 hospitalizações relacionadas à doença em 2026. Cerca de 33% dos pacientes internados precisaram de leitos de UTI. A taxa de letalidade hospitalar no município chega a 12,5%, índice acima da média estadual.
Os dados apontam ainda que a maior concentração de internações ocorre entre crianças de um a quatro anos, faixa etária que registra seis hospitalizações. Na sequência aparecem adultos entre 20 e 39 anos e idosos entre 60 e 79 anos, ambos com quatro casos.
Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde, todos os pacientes hospitalizados por influenza em Passo Fundo não estavam vacinados.
Diante do avanço da doença, a Prefeitura de Passo Fundo intensificou a campanha de imunização. Desde o início da mobilização, em 30 de março, o município já recebeu mais de 46 mil doses da vacina contra a gripe.
Recentemente, uma nova remessa com mais de cinco mil doses foi encaminhada ao município para reforçar o atendimento dos grupos prioritários.
Até agora, Passo Fundo aplicou 29.079 doses da vacina. Entre os grupos prioritários, foram 18.153 aplicações, atingindo cobertura de 33,38%.
Entre os idosos acima de 60 anos, a cobertura chega a 39,86%. Já entre gestantes, o índice é de 31,82%. O dado mais preocupante está entre crianças de seis meses a menores de seis anos: apenas 16,03% receberam a vacina até o momento.
A campanha segue até 31 de maio e, neste momento, conforme orientação do Ministério da Saúde, a vacinação permanece direcionada exclusivamente aos grupos prioritários.
Quem é o público prioritário?
– Crianças de 6 meses a menores de 6 anos
– Idosos acima de 60 anos
– Gestantes e puérperas
– Trabalhadores da saúde e educação
– Pessoas com doenças crônicas
– Pessoas com deficiência permanente
– Povos indígenas e quilombolas
– Caminhoneiros e trabalhadores do transporte coletivo
– Profissionais das forças de segurança
– Pessoas privadas de liberdade
– Trabalhadores dos Correios
As autoridades reforçam que a vacinação continua sendo a principal estratégia para reduzir internações e mortes causadas pela influenza, especialmente diante da aproximação do inverno e do aumento da circulação de vírus respiratórios em todo o Estado. Além da imunização, a orientação é manter cuidados básicos como higienização frequente das mãos, uso de máscara em caso de sintomas respiratórios e busca por atendimento médico diante de sinais de agravamento, como febre persistente e dificuldade para respirar.
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