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Norte do RS registra 8 mortes por influenza e mais de 100 hospitalizações em 2026

Por:Sul 21
21 de Maio de 2026, 16:49

Rosangela Borges

A circulação da influenza preocupa autoridades de saúde na Macrorregião Norte do Rio Grande do Sul, que já contabiliza oito mortes e 109 hospitalizações por complicações da gripe em 2026. A região, formada por 147 municípios e considerada uma das mais importantes do interior gaúcho, tem em Passo Fundo seu principal polo econômico, educacional e de saúde.

O cenário ocorre em meio à baixa cobertura vacinal entre os grupos prioritários. Dados da Secretaria Estadual da Saúde apontam que a vacinação contra a influenza está abaixo da meta recomendada pelo Ministério da Saúde tanto no Estado quanto na região Norte.

A Macrorregião Norte engloba municípios vinculados às regiões de saúde Planalto, Araucárias, Botucaraí, Alto Uruguai Gaúcho, Caminho das Águas e Rota da Produção, coordenadas pelas sedes regionais de Passo Fundo, Erechim, Frederico Westphalen e Palmeira das Missões.

Na área de abrangência da 6ª Coordenadoria Regional de Saúde, com sede em Passo Fundo, foram aplicadas 129.750 doses da vacina contra a gripe em 2026. Entre os grupos prioritários — idosos, gestantes e crianças entre seis meses e menores de seis anos — a cobertura vacinal chegou a 42,55%. O índice representa queda significativa em relação ao ano passado. Em 2025, a região havia aplicado 258.652 doses e alcançado 56% de cobertura nos grupos prioritários.

Em todo o Rio Grande do Sul, a cobertura vacinal dos grupos prioritários está em 41,61%, distante da meta de 90% estipulada pelo Ministério da Saúde. Até o momento, o Estado aplicou 155.250 doses em 2026, contra mais de 212 mil no mesmo período do ano passado.

Estado soma 53 mortes por influenza

O Rio Grande do Sul já registra 743 hospitalizações e 53 mortes por influenza em 2026. A incidência estadual é de 8,28 casos para cada 100 mil habitantes. Entre os pacientes internados no Estado, 27,86% precisaram de atendimento em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A taxa de letalidade hospitalar está em 7,13%.

As autoridades de saúde alertam que a maioria dos casos graves segue relacionada à ausência de vacinação, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.

Maior cidade da macrorregião, Passo Fundo já confirmou três mortes por influenza neste ano, segundo o painel de Hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) da Secretaria Estadual da Saúde.

A primeira vítima foi uma criança entre um e quatro anos, cujo óbito havia sido confirmado no último domingo. Conforme os dados oficiais, a menina ainda não estava vacinada contra a gripe.

As outras duas mortes registradas no município envolvem uma adolescente entre 12 e 19 anos e uma idosa com mais de 80 anos. Nenhuma delas havia recebido a vacina contra a influenza.

Além dos óbitos, Passo Fundo soma 24 hospitalizações relacionadas à doença em 2026. Cerca de 33% dos pacientes internados precisaram de leitos de UTI. A taxa de letalidade hospitalar no município chega a 12,5%, índice acima da média estadual.

Os dados apontam ainda que a maior concentração de internações ocorre entre crianças de um a quatro anos, faixa etária que registra seis hospitalizações. Na sequência aparecem adultos entre 20 e 39 anos e idosos entre 60 e 79 anos, ambos com quatro casos.

Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde, todos os pacientes hospitalizados por influenza em Passo Fundo não estavam vacinados.

Reforço na campanha de vacinação

Diante do avanço da doença, a Prefeitura de Passo Fundo intensificou a campanha de imunização. Desde o início da mobilização, em 30 de março, o município já recebeu mais de 46 mil doses da vacina contra a gripe.

Recentemente, uma nova remessa com mais de cinco mil doses foi encaminhada ao município para reforçar o atendimento dos grupos prioritários.

Até agora, Passo Fundo aplicou 29.079 doses da vacina. Entre os grupos prioritários, foram 18.153 aplicações, atingindo cobertura de 33,38%.

Entre os idosos acima de 60 anos, a cobertura chega a 39,86%. Já entre gestantes, o índice é de 31,82%. O dado mais preocupante está entre crianças de seis meses a menores de seis anos: apenas 16,03% receberam a vacina até o momento.

A campanha segue até 31 de maio e, neste momento, conforme orientação do Ministério da Saúde, a vacinação permanece direcionada exclusivamente aos grupos prioritários.

Foco no público prioritário

Quem é o público prioritário?

– Crianças de 6 meses a menores de 6 anos
– Idosos acima de 60 anos
– Gestantes e puérperas
– Trabalhadores da saúde e educação
– Pessoas com doenças crônicas
– Pessoas com deficiência permanente
– Povos indígenas e quilombolas
– Caminhoneiros e trabalhadores do transporte coletivo
– Profissionais das forças de segurança
– Pessoas privadas de liberdade
– Trabalhadores dos Correios

As autoridades reforçam que a vacinação continua sendo a principal estratégia para reduzir internações e mortes causadas pela influenza, especialmente diante da aproximação do inverno e do aumento da circulação de vírus respiratórios em todo o Estado. Além da imunização, a orientação é manter cuidados básicos como higienização frequente das mãos, uso de máscara em caso de sintomas respiratórios e busca por atendimento médico diante de sinais de agravamento, como febre persistente e dificuldade para respirar.

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