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Received today — 19 de Maio de 2026Negócios

Santos comemora convocação de Neymar e considera plano para o jogador ‘bem-sucedido’

18 de Maio de 2026, 22:05

O Santos considera que o “plano Neymar” foi bem-sucedido, culminando na convocação do jogador para a seleção brasileira na Copa do Mundo. O jogador não atuava pela equipe nacional desde outubro de 2023 e almejava o retorno a partir da volta ao clube paulista, no começo de 2025.

Esse era também o planejamento da gestão do Santos. O plano envolvia que Neymar emplacasse uma sequência de jogos em um ambiente no qual “se sentisse em casa”. A avaliação é de que o jogador esteve sempre muito comprometido e em evolução física no período no clube.

“O Brasil inteiro vibrou com a convocação do Neymar, mas principalmente o torcedor santista. Isso confirma a importância do trabalho desenvolvido para a sua recuperação dentro de campo, permitindo que ele voltasse a atuar em alto nível, sendo importante para a nossa equipe e retornando à seleção brasileira. O Santos é a casa do Neymar. É onde ele se sente feliz e confiante para desempenhar o seu melhor futebol. Todos nós estamos muito felizes com esse momento. Depois de mais de 15 anos, a seleção brasileira voltará a ter um atleta do Santos”, disse o presidente santista, Marcelo Teixeira, ao Estadão.

Entre a Copa do Mundo de 2022 e o retorno ao Santos, Neymar havia feito apenas 20 jogos, marcando seis gols e concedendo 10 assistências. Desde que retornou ao Brasil, foram 45 partidas, 18 gols e nove assistências.

O clube tem mais motivos para comemorar. É a primeira vez que o Santos tem um jogador convocado para uma Copa do Mundo desde 2010, quando Robinho foi chamado.

Neste ano, a Fifa ampliou a premiação para clubes que cedem jogadores ao Mundial. Pela convocação de Neymar, o Santos deve receber aproximadamente US$ 250 mil (R$ 1,25 milhão na cotação atual).

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Received before yesterdayNegócios

Ibovespa recua aos 180 mil pontos com IPCA e queda da Petrobras (PETR4); dólar fecha a R$ 4,89

12 de Maio de 2026, 17:27

O Ibovespa (IBOV) encerrou a terça-feira (12) em queda, pela segunda sessão consecutiva, após os dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos

Os investidores acompanharam ainda o recuo da Petrobras após o balanço do primeiro trimestre de 2026 e a continuidade na escalada de tensões entre Irã e EUA.

Hoje, o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações em baixa de 0,86%, aos 180.342,33 pontos.

Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 4,8954, com ligeira alta de 0,08%.

Por aqui, o mercado acompanhou os dados da inflação de abril, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que foi a maior para o mês desde 2022.

O IPCA registrou alta de 0,67%, o que representa desaceleração após avanço de 0,88% em março. O resultado veio em linha com a mediana da pesquisa Projeções Broadcast.

No acumulado em 12 meses, a inflação acelerou de 4,14% em março para 4,39% em abril, ficando próximo do teto da meta inflacionária de 4,5% do Banco Central (BC).

Na avaliação da economista Claudia Moreno, do C6 Bank, as medidas do governo – como subsídios e redução de impostos – devem mitigar parte dos efeitos da alta do petróleo sobre a inflação brasileira no curto prazo. Ainda assim, ela afirma que combustíveis e alimentos já podem estar sendo impactados pelo conflito no Oriente Médio.

Além disso, “o mercado de trabalho aquecido junto com a perspectiva de desvalorização do real deve fazer com que os preços voltem a acelerar no segundo semestre”, diz Moreno. A projeção do C6 para o IPCA  de 2026 é de 4,8%, acima do intervalo de tolerância da meta, de 4,5%.

Altas e quedas do Ibovespa

No sentido contrário da véspera, a Petrobras (PETR3;PETR4) recuou após o balanço do primeiro trimestre e os dividendos virem abaixo do esperado pelo mercado, contrariando a alta do petróleo. PETR4 tombou 1,62% (R$ 45,68), enquanto PETR3 caiu 0,85% (R$ 50,38).

Segundo o time do Itaú BBA, liderado por Monique Martins Greco, o avanço do Brent ao longo de março “não foi totalmente refletido no trimestre”, já que existe uma defasagem entre o embarque do petróleo e o reconhecimento da receita na transferência de propriedade das cargas exportadas.

“Embora a frustração possa gerar pressão de curto prazo, a combinação de preços mais altos do petróleo e a realização das exportações em trânsito deve reverter esse efeito temporário, preparando um segundo trimestre mais forte”, escreveram os analistas.

Por outro lado, Vale (VALE3) conseguiu se recuperar no fim do pregão e subiu 0,37% (R$ 83,76), destoando da queda de 0,98% do minério de ferro, cotado a 812,5 yuans (US$ 119,57) a tonelada na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China. O avanço ocorreu após a mineradora divulgar suas projeções para 2026 e 2027.

Para o Safra, os números são positivos uma vez que o aumento na sensbilidade do fluxo de caixa livre das Soluções de Minério de Ferro não estava no cenário base do banco.

Adicionalmente, o banco avalia que isso ajuda a aliviar as preocupações do mercado em relação à perda de rentabilidade decorrente dos custos de caixa e do frete desde o início do conflito, algo que aparentemente pressionou as ações após o balanço do primeiro trimestre de 2026 (1T26).

A ponta negativa do índice foi encabeçada pela Natura (NATU3), que recuou 5,62%, a R$ 9,91, após o resultado do 1T26 ser considerado fraco pelos analistas do mercado.

Já a ponta positiva foi liderada pela Braskem (BRKM5), que disparou 29,02%, a R$ 11,87, depois de o JP Morgan realizar dupla elevação do papel. A recomendação passou de neutro para compra e o banco também subiu o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 15, com potencial de valorização de 63% ante o fechamento anterior (11).

Segundo o JP, a elevação do papel reflete a melhora nos fundamentos de mercado, oferta mais restrita e fortalecimento da governança após a reestruturação.

Exterior

Os índices de Wall Street fecharam sem direção única com a inflação pressionada, alta dos preços do petróleo e queda das ações de tecnologia.

No front econômico, o índice de preços ao consumidor (CPI, em inglês) dos EUA aumentou 0,6% em abril, depois de ter subido 0,9% em março, informou o Escritório de Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho nesta terça-feira. Economistas consultados pela Reuters previam alta de 0,6%, com as estimativas variando de 0,4% a 0,9%.

Mas nos 12 meses até abril, os preços ao consumidor avançaram 3,8%. Esse foi o maior aumento anual desde maio de 2023 e seguiu-se à alta de 3,3% em março, o que reforçou ainda mais as expectativas de que o Federal Reserve deve deixar a taxa de juros dos Estados Unidos inalterada por algum tempo.

Diante da recente escalada de tensões no Oriente Médio, o parlamentar iraniano Ebrahim Rezaei disse nesta terça-feira que o país pode enriquecer urânio a até 90% de pureza, um nível considerado grau de armamento, se o Irã for atacado novamente.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: +0,11%, aos 49.760,56 pontos;
  • S&P 500: -0,16%, aos 7.400,97 pontos;
  • Nasdaq: -0,71%, aos 26.088,203 pontos.

Na Europa, os índices fecharam em forte queda com a tensão geopolítica e crise política no Reino Unido. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou as negociações com recuo de 1,01%, aos 606,63 pontos.

Na Ásia, os principais índices encerram majoritariamente negativos. O índice de Nikkei, do Japão, encerrou com avanço de 0,52%, 62.742,57 pontos. Já o índice Hang Seng, de Hong Kong, recuou 0,22%, aos 26.347,91 pontos.

Alta das bolsas americanas acende alerta sobre o fim da queda do dólar, diz estrategista da Avenue

30 de Abril de 2026, 15:01

A alta recente das bolsas americanas traz um sinal de alerta para os brasileiros: o movimento de queda do dólar pode estar próximo do fim. Como mostramos nesta reportagem, a moeda americana deve encerrar abril no seu menor nível desde março de 2024, enquanto registra uma depreciação de 3,8% frente ao real no acumulado mensal. No entanto, o retorno do apetite dos investidores por ações ligadas à inteligência artificial pode inverter esse cenário.

Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, com a temporada de balanços, o mercado passa a observar as oportunidades no setor à medida que as companhias reportam seus resultados. Como os Estados Unidos reúnem o principal polo de tecnologia do mundo, o fluxo de capital dos investidores tende a ficar direcionado para as bolsas americanas.

“O fôlego visto nas bolsas americanas nas últimas semanas de abril não foi visto no Ibovespa. O índice da B3 não rompeu os 200 mil pontos, mas os índices Nasdaq e o S&P 500 estão próximos da sua máxima histórica. Isso é um sinal de alerta”, diz William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, durante participação de live do E-Investidor. “Vejo que o mercado está voltando a olhar as oportunidades em tecnologia”, acrescenta.

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Segundo a agência Reuters, o S&P500 ⁠e o Nasdaq estão devem encerrar o mês ⁠de abril com os maiores ganhos desde 2020. Além disso, na quarta-feira (29), a Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft reportaram resultados sólidos, com crescimento do lucro líquido em comparação ao mesmo período do ano passado.

A dona da Google foi o grande destaque. Como mostramos nesta reportagem, a companhia reportou lucro líquido de US$ 62,58 bilhões, quase o dobro dos US$ 34,54 bilhões do mesmo período de 2025. O ganho por ação de US$ 5,11 ficou bem acima da estimativa consensual de Wall Street de US$ 2,63, e acima dos US$ 2,81 do ano passado.

Entenda a queda do dólar

Em abril, o dólar caminha para encerrar o mês abaixo dos R$ 5, seu menor nível desde março de 2024, com queda acumulada de quase 4%. A depreciação recente da moeda americana, porém, não reflete apenas um movimento pontual do mercado financeiro com a escalada das tensões geopolíticas.

Castro Alves ressalta que, desde a chegada de Donald Trump ao poder, o mundo acompanha de perto a agenda política e econômica da Casa Branca, que fragilizou a percepção do papel do dólar como porto seguro e alterou parte do fluxo de capital. Logo no início do seu mandato, o republicano anunciou um amplo pacote de tarifas de importação que atingiu mais de 90 países.

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“Quando Trump assumiu, muitos não acreditavam que ele iria implementar todas as políticas que havia prometido, especialmente no campo das tarifas. Mas ele fez”, ressalta Castro Alves. Já em 2026, novos riscos geopolíticos entraram no radar do mercado. Antes da guerra contra o Irã, houve a captura do ditador Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, e as ameaças de Trump em usar a força militar para anexar a Groenlândia.

A sucessão desses eventos, aliada à imprevisibilidade dos desfechos, desencadeou um movimento de rotação de portfólio, com os investidores reduzindo suas alocações nos EUA e redirecionando para mercados emergentes, como o Brasil. Em 2026, os estrangeiros aportaram R$ 62,4 bilhões na Bolsa brasileira, segundo dados mais recentes da B3.

Além disso, a taxa Selic ainda permanece em patamares elevados em comparação a outras economias e atrai investidores estrangeiros que visam obter lucro pela diferença entre a taxa de juros de dois países, estratégia denominada como carry trade. “O Brasil também se beneficia porque, dentro dos emergentes, ele acaba sofrendo menos do que outras regiões em determinados cenários. O país produz petróleo, por exemplo, e isso ajuda”, ressalta o estrategista.

Apesar do cenário favorável, Castro Alves compartilha da mesma percepção do consenso do mercado: os níveis atuais do câmbio são frágeis. Com a proximidade das eleições de 2026, os riscos fiscais devem voltar a atormentar o mercado financeiro e inverter a direção do câmbio. A percepção tem sido incorporada nas projeções do mercado para a moeda. O boletim Focus da última segunda-feira (27) estima o dólar a R$ 5,27 até o fim do ano.

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“O risco fiscal continua sendo um grande problema. O governo atual continua gastando mais do que arrecada e flexibiliza algumas regras do arcabouço”, avalia Castro Alves.

De painéis solares a carros elétricos: como a China se beneficia da crise do petróleo com a guerra

24 de Abril de 2026, 12:07

Com a pressão da Guerra do Irã sobre o mercado de petróleo, diferentes indústrias e países passaram a buscar um plano B como fonte de energia. E um dos beneficiados tem sido o setor de painéis solares. As exportações da China, principal fornecedora global, dobraram em março.

Foram 68 gigawatts em capacidade de equipamentos para geração solar embarcados no mês, segundo dados de exportação analisados pelo think tank internacional Ember. Para comparar: em termos de escala, isso equivale a seis usinas hidrelétricas de Belo Monte, no Pará. Ou praticamente toda a capacidade solar instalada na Espanha.

Cinquenta países bateram seus recordes de importação de painéis chineses em março. E outros sessenta alcançaram o maior nível em pelo menos seis meses. 

Na Ásia, a Malásia ampliou as importações em 384%, e a Índia, em 141%. Na África, Nigéria, Quênia e Etiópia superaram pela primeira vez a marca do equivalente a 1 GW importado em um único mês. Ao mesmo tempo, países como Japão e Austrália, além da União Europeia, também registraram volumes recordes. 

Desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã no fim fevereiro, o fluxo de navios vem sendo limitado no Estreito de Ormuz, o que compromete o escoamento de petróleo do Golfo Pérsico. Por ali passam cerca de 20 milhões de barris por dia, algo como 25% do comércio marítimo global.

Estimativas de bancos e consultorias indicam que entre 13 milhões e 14,5 milhões de barris por dia ficaram fora do mercado em abril, seja por restrições logísticas ou por cortes preventivos de produção.

Diante de tantas limitações, o barril do tipo Brent já acumula alta superior a 20% desde fevereiro e voltou a ser negociado acima de US$ 100 por barril. 

Com a busca global por alternativas ao combustível, não foram apenas os painéis solares que ganharam tração nas exportações chinesas.

O país também ampliou os embarques de baterias e veículos elétricos, de marcas como a BYD. Juntos, as exportações desses três segmentos avançaram 70% em março na comparação anual e 38% frente a fevereiro. 

As baterias puxaram em valor: foram US$ 10 bilhões exportados em março, alta de 44% em relação a fevereiro, com demanda forte especialmente de União Europeia, Austrália e Índia.

No Brasil

Os dados da Ember não detalham o papel do Brasil nas exportações chinesas de painéis solares em março. Ainda assim, o movimento tem impacto direto no mercado local: mais de 90% dos módulos fotovoltaicos usados no país vêm da China.

Em 2025, esses produtos foram o quarto item chinês mais importado pelo Brasil, somando US$ 1,5 bilhão e 990 mil toneladas.

Na última década, a presença de painéis solares avançou de forma meteórica no sistema elétrico brasileiro. Hoje, o país tem quase 4 milhões de sistemas espalhados por telhados e fazendas. Em 2015, eram apenas 600.

A fonte já responde por cerca de 23% da capacidade instalada brasileira, ante pouco mais de 2% em 2019.

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Dólar em queda: ‘não vejo a cotação abaixo de R$ 5′, diz analista que recomenda se posicionar na moeda agora

9 de Abril de 2026, 17:04

Desde a quarta-feira (8), o dólar começou a recuar em relação ao real, tendência que se manteve até o fechamento deste texto, na tarde de quinta-feira (9). Na mínima intraday da quinta-feira, a cotação chegou a atingir R$ 5,06, o menor nível em dois anos.

De maneira geral, um câmbio mais baixo pode ser explicado pela maior oferta da moeda em solo nacional. O que explica esse maior fluxo de dólar em solo brasileiro agora, e até onde a queda da moeda pode ir?

Enzo Pacheco, analista da Empiricus Research, comentou o assunto na edição de quinta-feira (9) do programa Giro do Mercado, do Money Times. Confira:

Coincidência? Dólar em queda é concomitante às máximas históricas do Ibovespa nesta semana

Antes de abordar especificamente a cotação do dólar, é preciso relembrar os eventos que a acompanham. Em especial, os fatores que atraem o fluxo de investimentos estrangeiros para o Brasil no momento.

A tendência de queda coincide com a maior volatilidade das tensões da guerra do Oriente Médio. Na noite de terça-feira (7), os Estados Unidos anunciaram um cessar-fogo, que não foi totalmente confirmado por todas as partes envolvidas no conflito. 

Vale lembrar que o conflito no Oriente Médio está associado a fatores como:

  • Alta do preço do petróleo;
  • Maior sentimento de desconfiança dos investidores com a economia dos Estados Unidos, e
  • Pressão inflacionária ao redor do mundo, com a disrupção na cadeia de suprimentos.

Todos esses pontos convergem para o maior interesse do investidor estrangeiro em migrar parte do portfólio para o Brasil, que é um grande exportador de petróleo e outras commodities como a soja, por exemplo – refletindo também nas empresas representantes do setor na B3.

“Como o Brasil tem um mercado muito ‘pesado’ em commodities, os investidores estão buscando alternativas para se posicionar devido ao preço do petróleo, que não vai voltar aos níveis do começo de ano”, afirma Pacheco.

Segundo o analista, é provável que o barril de petróleo seja negociado na casa dos US$ 80 mesmo em um cenário de arrefecimento dos conflitos no Oriente Médio.

“Com isso, teremos as empresas de commodities entregando melhores resultados. E a bolsa brasileira, querendo ou não, tem esse peso importante”. Como principais exemplos, Pacheco cita Petrobras (PETR4) e Prio (PRIO3), grandes conhecidas dos investidores.

Carry trade: o fator dos juros que continua a atrair fluxo estrangeiro para os ativos brasileiros

Além de ser um nome de peso para commodities, um outro fator que pode jogar “a favor” da entrada de fluxo estrangeiro no Brasil são os juros altos.

Para Pacheco, se os EUA optarem por interromper seu ciclo de corte de juros em meio às incertezas geopolíticas, é provável que o ciclo de cortes na Selic também seja interrompido no Brasil, mantendo os juros nos dois dígitos por aqui.

Esse cenário favorece o chamado carry trade: se o ambiente nos EUA acabar não favorecendo os ativos de risco por lá, o investidor pode “pegar seus recursos na moeda americana, investir no Brasil [a juros altos] e, com isso, se proteger da variação cambial”, segundo o analista.

“Quando calculamos a diferença do juro brasileiro para o americano, aqui [o juro] é muito alto, e ainda muito atrativo para o investidor”, conclui.

Até onde o dólar pode cair? Para analista, preço abaixo de R$ 5 é improvável

“Não sei se veremos [o dólar] abaixo de R$ 5”, afirma Pacheco. “Há muito tempo é falado que um ‘dólar de equilíbrio’ pode estar entre R$ 4,50 e R$ 4,80, mas toda vez que chega perto disso, ‘alguma coisa estoura’”.

Nesse caso, o analista dá um “conselho” a investidores que ainda não carregam posições em moeda forte ou ativos internacionais no momento, por estarem à espera de uma queda ainda maior do dólar: a indicação é começar o quanto antes.

“Para quem não tem nenhuma posição em dólar hoje, eu não esperaria muito mais para começar a montar”, afirma.

Pacheco indica que, no momento, o dólar um pouco mais baixo não é a única vantagem. “Penso não apenas no câmbio em si, mas também em encontrar oportunidades ‘lá fora’ com patamares de preço muito interessantes”, conclui.

No caso, para o analista, há ações internacionais de qualidade e descontadas no momento, o que pode abrir janelas de oportunidade para quem se posicionar a partir de agora.

Como montar uma carteira ‘dolarizada’? Conheça as recomendações de Enzo Pacheco para o momento

Enzo Pacheco é responsável pelas principais recomendações de ativos internacionais da Empiricus Research.

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Dólar hoje fecha estável a R$ 5,15 à espera de desfecho para ultimato de Trump ao Irã

7 de Abril de 2026, 17:47

Após exibir altas em diferentes momentos da sessão, o dólar fechou a terça-feira praticamente estável ante o real, após notícia de que a Casa Branca avalia uma proposta para estender o prazo dado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, para que o Irã aceite um acordo e reabra o Estreito de Ormuz.

Leia mais: Dólar Hoje: Confira a cotação e fechamento diário do dólar comercial

Qual a cotação do dólar hoje?

O dólar à vista fechou com leve alta de 0,16%, aos R$5,1549. No ano, a divisa passou a acumular recuo de 6,09%.

Dólar comercial

  • Compra: R$ 5,154
  • Venda: R$ 5,154

O que aconteceu do dólar hoje?

O ultimato dado ao Irã permeou os mercados globais nesta terça-feira, sem que surgisse uma solução até o momento para que o Estreito de Ormuz seja reaberto à navegação. O prazo dado originalmente por Trump para que um acordo seja fechado vai até 21h (pelo horário de Brasília).

Pela manhã, Trump reiterou as ameaças contra o Irã e disse que “uma civilização inteira morrerá esta noite” se não for alcançado um acordo. Em contrapartida, uma fonte iraniana afirmou que “toda a região e a Arábia Saudita cairão na escuridão total com os ataques de retaliação do Irã”.

Neste cenário, o dólar à vista atingiu a cotação máxima intradia de R$5,1738 (+0,53%) às 14h, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior, como o peso chileno e o rand sul-africano.

No fim da sessão, no entanto, a notícia de que Trump foi informado sobre uma proposta do Paquistão para estender em duas semanas o prazo dado ao Irã trouxe certo alívio para os mercados globais de moedas. A Casa Branca prometeu uma resposta.

Em função disso, o dólar à vista se reaproximou da estabilidade ante o real, enquanto a divisa para maio, negociada até mais tarde na B3, desacelerou.

Como a guerra no Irã afetou o mercado

AtivoPreço 27/02Preço 07/04Variação (%)
Petróleo Brent (US$)72,48109,27+50,8%
Petróleo WTI (US$)67,02112,95+68,5%
Ibovespa (pontos)188.787188.259-0,28%
PETR4 (R$)39,3348,52+23,4%
S&P 500 (pontos)6.878,886.616,84-3,8%

(Com Reuters)

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Ibovespa ganha fôlego na reta final do pregão e fecha em leve alta; dólar sobe a R$ 5,15

7 de Abril de 2026, 17:23

O Ibovespa (IBOV) ganhou fôlego nos últimos minutos do pregão com expectativa de avanço nas negociações de última hora para um cessar-fogo no Oriente Médio.

Nesta terça-feira (7), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com leve alta de 0,05%, aos 188.258,91 pontos, na máxima intradia.

Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,1550, com alta de 0,16%.

Por aqui, os investidores dividiram as atenções com cenário eleitoral, novas medidas do governo para conter os preços dos combustíveis e dados econômicos.

Entre os dados, a balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 6,405 bilhões em março, segundo dados divulgados nesta terça-feira (7) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O resultado de março ficou abaixo da mediana das estimativas do mercado financeiro apontada na pesquisa Projeções Broadcast, de superávit comercial de US$ 7,55 bilhões, após saldo positivo de US$ 4,208 bilhões em fevereiro.

Na avaliação de Luiza Pinese, economista da XP, os efeitos do choque do petróleo decorrente do conflito no Oriente Médio devem se tornar mais evidentes nos próximos meses.

O MDIC também revisou as estimativas para 2026 e prevê saldo positivo de US$ 72,1 bilhões, próximo ao piso da projeção anterior, divulgada em janeiro.

Altas e quedas do Ibovespa

Entre as ações negociadas no Ibovespa, a Suzano (SUZB3) despencou 6,39% (R$ 46,43), pressionada pela revisão do Bank of America (BofA). O banco rebaixou a recomendação das ações de compra para neutra.

Além disso, a equipe de analistas cortou o preço-alvo para o fim de 2026 de R$ 82 para R$ 57.

SUZB3 também foi a ação mais negociada da B3 com 56,585 mil negócios e giro financeiro de R$ 2,122 bilhões.

A ponta negativa foi liderada por MRV (MVRE3), com queda de 9,45% (R$ 7,19), em reação à prévia operacional do primeiro trimestre deste ano (1T26).

Já a ponta positiva foi encabeçada por Braskem (BRKM5), que encerrou o pregão com alta de 7,26% (R$ 9,01), em recuperação das perdas da véspera. Ontem (6), os papéis caíram mais de 7%.

Exterior

Os índices de Wall Street tiveram mais um dia de perdas com novo ultimato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Pela manhã, o chefe da Casa Branca disse que “toda a civilização morrerá hoje à noite” se um acordo com o Irã não for firmado, em publicação na rede social Truth. O prazo final de negociações imposto por Trump se encerra ainda hoje, às 21h (horário de Brasília).

No final da tarde, o Pasquistão pediu para Trump estender o prazo de tratativas por duas semanas. Em resposta, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavit, disse ao Axios que Trump informado da proposta e uma “resposta será dada.”

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: -0,18%, aos 46.584,46 pontos;
  • S&P 500: +0,08%, aos 6.616,85 pontos;
  • Nasdaq: +0,10%, aos 22.017,84 pontos.

LEIA MAIS EM: Wall Street fecha sem direção única com expectativa de um cessar-fogo no Oriente Médio

Na Europa, os principais índices também encerraram em queda com incertezas sobre o conflito no Oriente Médio na retomada do feriado prolongado. O índice pan-europeu Stoxx 600 terminou as negociações com baixa de 1,01%, aos 590,59 pontos.

Na Ásia, os índices tiveram uma sessão mista no primeiro dia de negociações da semana. O índice Nikkei, do Japão, ficou praticamente estável com alta de 0,03%, aos 52.429,56 pontos.

Dólar tem leve alta a R$ 5,15 com ultimato de Trump ao Irã

7 de Abril de 2026, 17:08

O dólar à vista ganhou força ante o real, em uma sessão marcada pela expectativa de um acordo de paz no Oriente Médio após o ultimato do presidente norte-americano, Donald Trump.

Nesta terça-feira (7), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 5,1550, com leve alta de 0,17%.



O movimento destoou do desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com queda de 0,33%, aos 99,651 pontos.

O que mexeu com o dólar hoje?

A escalada de tensões no Oriente Médio continuou a concentrar o foco dos investidores.

Pela manhã, presidente dos Estados Unidos elevou o tom contra o Irã e disse que “toda uma civilização morrerá hoje à noite” se um acordo de cessar-fogo não fosse firmado ainda hoje, em publicação na rede social Truth.

O vice-presidente norte-americano, JD Vance, também afirmou que a guerra com o Irã será concluída “muito em breve” e indicou que Washington ainda espera avanços diplomáticos até o prazo final imposto pelo presidente Donald Trump, às 21h (de Brasília).

No início da tarde, o New York Times noticiou que o Irã suspendeu as negociações com os EUA e também informou ao Paquistão, mediador das tratativas entre os dois países, que não participará de mais conversas sobre um cessar-fogo.

Já na reta final do pregão, o Pasquistão pediu para Trump estender o prazo de tratativas por duas semanas.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, disse que os “os esforços diplomáticos para uma resolução pacífica da guerra em curso no Oriente Médio estão progredindo de forma constante, firme e eficaz, com potencial para alcançar resultados substanciais em um futuro próximo”, em publicação na rede social X.

Dados locais

Em segundo plano, os investidores reagiram a dados domésticos. Entre eles, a balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 6,405 bilhões em março, segundo dados divulgados nesta terça-feira (7) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O valor foi alcançado com exportações de US$ 31,603 bilhões e importações de US$ 25,199 bilhões.

O resultado de março ficou abaixo da mediana das estimativas do mercado financeiro apontada na pesquisa Projeções Broadcast, de superávit comercial de US$ 7,55 bilhões, após saldo positivo de US$ 4,208 bilhões em fevereiro.

O MDIC também revisou as estimativas para 2026 e prevê saldo positivo de US$ 72,1 bilhões, próximo ao piso da projeção anterior, divulgada em janeiro.

*Com informações de Estadão Conteúdo e Reuters

'Sandy' A-10s the Air Force says it no longer needs flew 'close-in gunfights' in high-risk Iran rescues

7 de Abril de 2026, 15:02
A-10 Warthog flying behind a refueling aircraft in the skies above Iran.
A task force including A-10s protected the rescue aircraft flying to pick up the downed F-15E pilot in Iran.

US Air Force photo

  • US Air Force A-10 Warthogs were part of the rescue operation for downed airmen in Iran.
  • The A-10s were in a "Sandy" role supporting search and rescue.
  • The Air Force has pushed for the retirement of its A-10 fleet, deeming them obsolete.

US Air Force A-10 Warthogs, decades-old attack aircraft the service has been pushing into retirement, were part of the risky rescue missions to retrieve downed American airmen in Iran.

The Warthogs flew in their "Sandy" roles, supporting search and rescue while engaging in close-in battles at low altitudes. The rescue marks the latest involvement of the A-10 in the US war in Iran despite the Air Force's plans to imminently shelve its remaining fleet.

Air Force Gen. Dan Caine, chairman of the Joint Chiefs of Staff, shared details on the aircraft used in the mission during a Monday briefing on the rescue of the pilot and weapon systems officer after an F-15E Strike Eagle was shot down over Iran last week.

Caine said that a task force including A-10 Thunderbolt II attack aircraft, commonly called Warthogs, "audaciously penetrated enemy territory in broad daylight" to rescue the F-15E pilot. "This was an incredibly dangerous mission," he added, sharing the task force faced Iranian fire while locating and retrieving the downed pilot.

In the operation, the A-10s, along with other aircraft, including drones, flew in so-called "Sandy" roles, "violently suppressing and engaging the enemy in a close-in gunfight" to draw attention away from the rescue activities, as well as keep the enemy at bay.

During the engagement, one A-10 aircraft was hit by enemy fire. The pilot flew it into friendly airspace but determined that they wouldn't be able to land it. The pilot ejected as the plane went down. They were recovered safely.

A US A-10 Thunderbolt II attack aircraft flying in the Middle East
The Air Force has deemed the A-10s ineffective in a potential future war with China.

US Air Force photo

"A 'Sandy' has one mission: get to the survivor, bring the rescue force forward, and put themselves between that survivor on the ground and the enemy," Caine said.

The "Sandy" role originated during the Vietnam War as the call sign for A-1 Skyraiders leading combat search-and-rescue missions. These aircraft located downed airmen, coordinated rescue efforts, and suppressed enemy fire to protect helicopters.

As the A-1 retired, the Sandy role — a mission, not a platform — passed to aircraft like the A-10 Warthog.

These “Sandy" aircraft are part of the larger CSAR package, which includes HH-60 helicopters and highly trained rescue personnel, HC-130 refueling tankers, fighter escorts, and intelligence, reconnaissance, and surveillance assets.

"The A-10 force and the rescue force did a fantastic job," Caine said Monday. Earlier in the war, the top general highlighted the involvement of Warthogs in hunting down Iranian fast-attack boats in the Strait of Hormuz.

The A-10's days are, however, numbered. The Air Force is planning the aircraft's retirement, though it has run into roadblocks. Congressional intervention has repeatedly thrown the attack plane a lifeline and prevented the service from fully retiring the entire fleet. There are over 160 Warthogs in service.

Pushing for the retirement of the fleet, Air Force leadership has previously argued that "the aircraft does not deter or survive against our pacing challenge," a reference to China. The service has been looking into whether F-35A Lightning II stealth fighters can fulfill the A-10's missions, such as close-air support. Supporters of the A-10 argue no other aircraft can currently fulfill its missions.

The A-10 was introduced in the 1970s and intended to be a tank-killer capable of blunting a Soviet armored assault. It can carry rockets, missiles, and bombs, but is best known for its 30mm GAU-8 Avenger seven-barrel Gatling-style autocannon.

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Iran shoots down US Air Force A-10 Warthog in a firefight during fighter jet rescue mission

A US Air Force A-10 Thunderbolt II was shot down in Iran while attempting to rescue crew members from the downed F-15 Strike Eagle fighter jet. According to US officials, the pilot safely ejected over friendly territory and was unharmed.

Known as the Warthog, the A-10 has been in service since 1977… but the Air Force has been pushing to retire it from service, deeming the aircraft obsolete.

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Bezos contra-ataca: Amazon negocia a compra da Globalstar para entrar na órbita da Starlink de Musk

2 de Abril de 2026, 12:32

Com fortunas, respectivamente, de US$ 651 bilhões e US$ 233 bilhões, Elon Musk e Jeff Bezos cultivam uma grande rivalidade. Além das trocas de farpas, essa disputa se estende a áreas como a corrida espacial, com a SpaceX e a Blue Origin, e aos robotáxis, com a Tesla e a Zoox, investida da Amazon. Agora, […]

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Trump vai assinar o dólar e encerrar 165 anos de tradição nas cédulas mais famosas do mundo

26 de Março de 2026, 20:08

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (26) que a assinatura do presidente Donald Trump passará a figurar nas cédulas de dólar, um feito inédito para um presidente americano em exercício.

As primeiras notas de US$ 100 com o nome de Trump e do secretário do Tesouro, Scott Bessent, serão impressas em junho. As cédulas de outros valores virão nos meses seguintes.

A decisão rompe uma convenção tão antiga quanto o próprio papel-moeda americano.

Desde 1861, quando o governo federal começou a emitir suas próprias cédulas, o dinheiro dos Estados Unidos carrega duas assinaturas: a do secretário do Tesouro e a do tesoureiro nacional. São dois cargos técnicos, não políticos. No Brasil, a lógica é semelhante: assinam as cédulas do real o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central.

Ao manter o presidente fora das cédulas, os Estados Unidos estabeleceram uma separação simbólica entre o chefe de Estado e o dinheiro que circula em seu nome. A legislação que rege a impressão das cédulas permite retratos apenas de indivíduos falecidos, e as assinaturas sempre pertenceram a funcionários do Tesouro, nunca ao ocupante da Casa Branca.

Trump rompe uma tradição de 34 ocupantes do cargo que assinaram cédulas ao longo de 165 anos. O Tesouro justificou a mudança como homenagem ao 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, celebrado neste 4 de Julho.

Personificação

O gesto se insere num padrão mais amplo do novo governo Trump. A troca de assinaturas é a mais recente de uma série de iniciativas do presidente para estampar o nome do presidente em edifícios, instituições, programas governamentais, navios de guerra e moedas, como lembrou o The Wall Street Journal.

O Kennedy Center, um dos principais espaços culturais de Washington, criado como memorial ao presidente assassinado John F. Kennedy, passou a carregar também o nome de Trump. O Instituto da Paz dos Estados Unidos foi renomeado.

Um painel federal aprovou o desenho de uma moeda de ouro comemorativa com o rosto do presidente, algo que, por tradição, só ocorre após a morte do homenageado. A exceção mais próxima é Calvin Coolidge, que apareceu numa moeda em 1926, no 150º aniversário do país.

Em seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, Trump já havia testado o recurso: assinou pessoalmente os cheques de auxílio emergencial distribuídos aos americanos durante a pandemia de covid-19. A diferença agora é de escala e permanência.

Uma cédula de dólar circula, em média, por anos, dentro e fora dos Estados Unidos, e carrega consigo o peso simbólico da maior economia do mundo.

Açúcar bruto atinge máxima de 5 meses com retomada da alta do petróleo

26 de Março de 2026, 18:36

Os contratos futuros do açúcar bruto na bolsa ICE atingiram uma máxima de cinco meses nesta quinta-feira, com a retomada da alta dos preços do petróleo em meio à incerteza entre os investidores sobre as perspectivas do fim da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.

Um aumento sustentado nos preços do petróleo pode fazer com que as usinas de cana no maior produtor, o Brasil, e em outros países reduzam a produção de açúcar em favor do etanol.

O açúcar bruto subiu 0,32 centavo, ou 2,1%, a 15,87 centavos de dólar por libra-peso, depois de ter atingido uma máxima de cinco meses de 15,97 centavos mais cedo.

Sinais contraditórios emitidos anteriormente pelos EUA e pelo Irã sobre as negociações para acabar com a guerra no Oriente Médio deixaram os mercados nervosos, com as ações e títulos caindo em meio ao aumento do preço do petróleo.

O Brasil deve reduzir as exportações de açúcar na temporada 2026/27 em 14,2%, já que as usinas desviam a cana-de-açúcar para produzir etanol devido aos altos preços da energia, informou a consultoria Safras & Mercado na quinta-feira.

A AP commodities disse que, embora o açúcar esteja sob pressão devido aos modestos excedentes e à forte venda especulativa, é provável que surjam recuperações, mesmo que temporárias, dada a sensibilidade do adoçante aos riscos climáticos e a fatores ligados ao etanol.

A consultoria acrescentou que as posições vendidas dos especuladores, ou apostas na queda dos preços, são grandes, o que significa que há o risco de que muitos revertam o curso e apostem em ganhos de preços se suas posições permanecerem no vermelho por muito mais tempo.

O açúcar branco subiu 1,2%, para US$459,60 a tonelada.

Café

O café arábica caiu 8,45 centavos de dólar, ou 2,7%, para US$3,0765 por libra-peso, depois de ter atingido a máxima de sete semanas, de US$3,1950, na terça-feira.

A anomalia climática conhecida como El Niño deverá se desenvolver globalmente por volta do terceiro trimestre deste ano e deverá trazer secura e temperaturas mais altas até o início de 2027 para as áreas tropicais onde o café e o cacau são cultivados, informou a trader Sucafina.

O café robusta caiu 0,9%, para US$3.596 a tonelada.

Os negociantes do Vietnã, maior produtor de robusta, disseram que os agricultores não estão vendendo no momento e que aqueles que precisam cumprir contratos começaram a buscar grãos no Brasil e na Indonésia.

Cacau

O cacau em Londres fechou em alta de 28 libras, ou 1,2%, a 2.356 libras por tonelada.

O cacau está sob pressão da fraca demanda e de uma perspectiva geralmente favorável para as safras na África Ocidental, embora grande parte disso esteja precificada por enquanto.

O cacau em Nova York subiu 1%, para US$3.164 a tonelada, depois de cair 3,2% na quarta-feira.

How the US Army turned this former Nazi-base into a rapid-response war machine

  • The US Army's Bavaria base hosts over 16,000 troops ready for instant deployment.
  • Its origins date back to pre-World War I. Later, it became a major training hub for the German Wehrmacht.
  • Today, US troops train in trenches — rain or shine — honing skills for potential conflicts with Russia.

Just a couple of hours north of Munich, the US Army runs its largest training site outside the United States. Once a Nazi artillery training ground, the sprawling base is now home to more than 16,000 troops kept ready to fight at a moment's notice.

Soldiers train in trenches and with armored Stryker combat vehicles to maintain constant combat readiness "so they can answer America's call in an instant," said Hermes Acevedo, who was the command sergeant major and senior enlisted advisor to the garrison commander at US Army Garrison Bavaria when Business Insider's Graham Flanagan visited last April.

That readiness serves as deterrence. From Bavaria, troops can reach the Czech Republic within about an hour and Ukraine's capital, Kyiv, in roughly 18 hours by road. "By us being ready, by us being here in this location, [it] kind of sends a signal," Acevedo said.

Map shows how close Bavaria is to Kyiv
The gold square on the left is the Army base in Bavaria, which is less than a day's drive from Ukraine's capital.

Business Insider

He didn't name a specific adversary, but soldiers in the trenches know who they're preparing for.

As Russia's war in Ukraine continues, the US Army's presence in Germany is crucial. These soldiers could be the first ones in the fight, defending NATO's eastern flank.

From Nazi training ground to NATO backbone

Aerial shot of trenches in US Army Garrison Bavaria.
A trench where US Army soldiers train at Garrison Bavaria.

Business Insider

US Army Garrison Bavaria's origins date back to pre-World War I, when the Royal Bavarian Army developed a training area for its own artillery forces.

That role expanded under Adolf Hitler, when the Third Reich used the same grounds as a major training hub for the German Wehrmacht — Nazi's unified armed forces.

At the end of World War II, US forces took control of the area. Today, it anchors US and NATO operations in Europe.

Army troops training in Bavaria for trench warfare.
US Army troops in Bavaria train for possible trench warfare against Russia.

Business Insider

The installation spans four main areas, including Tower Barracks and Rose Barracks. It houses the 7th Army Training Command — which sets standards for US Army Europe and Africa — and the 2nd Cavalry Regiment, a forward-positioned ground force.

"We're not going to deploy to an incident in Europe," Acevedo said. "We are already here."

Training for a potential war with Russia

Headshot of Hermes Acevedo.
Hermes Acevedo, former command sergeant major and senior enlisted advisor to the garrison commander at US Army Garrison Bavaria.

Business Insider

Troops can leave their barracks and reach live training ranges in less than two minutes, Acevedo said. Once there, they train in all conditions — snow, rain, heat, and cold — to build what he described as instinctive responses.

"It's all about readiness," Acevedo said.

The base also runs an opposing force, or OPFOR, that mimics enemy tactics. "We're basically supposed to act like Russians," Spc. Aaron Jude said, noting they study the war in Ukraine sometimes through open-source material like social media.

Army soldier wearing black pajamas.
Soldiers in the OPFOR unit wear "black pajamas" and fight with AK-style rifles.

Business Insider

OPFOR units use AK-style rifles and train in trench warfare, reflecting the realities of the conflict.

"That's what's so awesome about this unit," said Staff Sgt. Daniel Johnson, an OPFOR soldier. "Not only are we being able to train to our standards, but we're also training to Russia's standards. Honestly, to me, that's like a really good way to understand our adversaries."

Sensors across the training area collect data, allowing commanders to analyze performance and refine strategy. That constant feedback loop is central to the base's role, allowing it to test equipment and decision-making under pressure.

A self-contained military ecosystem

Army soldier deploying a drone.
At US Army Garrison Bavaria, more than 16,000 troops are ready to fight at a moment's notice.

Business Insider

The installation is designed to support both troops and their families. It includes more than 3,400 housing units, K—12 schools, childcare centers, and recreational facilities. Many families live both on and off base, integrated into nearby communities.

Acevedo said that these support systems help ease one of the biggest challenges for troops arriving from the US: uncertainty.

That environment is part of what keeps the base functioning at scale. Soldiers can focus on training and missions, while families have access to services designed to mirror life in the US.

The result is a well-oiled rapid-response war machine that turns a historically significant site into a modern military hub, readying troops for a hard fight.

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Larry Fink lays out 2 Iran war outcomes: cheaper oil and big growth, or a global recession

25 de Março de 2026, 13:30
Blackrock CEO Larry Fink wearing is sitting on a chair while speaking.
Larry Fink is the CEO of BlackRock.

Bloomberg/Getty Images

  • Larry Fink, CEO of BlackRock, says there are two "extreme" outcomes of the war in Iran.
  • He said that if oil hits $150 a barrel, there will be a "stark and steep recession."
  • But Fink said if Iran could be accepted by the international community, there would be growth.

Larry Fink laid out two outcomes from the Iran war: abundance and growth, or a global recession.

Speaking on the BBC's "Big Boss Interview" podcast on Wednesday, BlackRock CEO Fink said the outcome hinges on what happens next with Iran. If the country comes out of the war accepted by the global community and able to bring its oil back to market, that could boost supply and push prices lower.

But if Iran continues to pose a threat to trade, the Strait of Hormuz, and regional stability, oil prices could stay above $100 for the long term.

"Everybody has to recognize there's not going to be an outcome that's somewhere in the middle. It's going to either be two extremes," he said.

The US hasn't meaningfully imported crude or petroleum from Iran since 1979, according to the Energy Information Administration, after decades of sanctions.

Fink said a more open Iranian government could bring "Iranian oil back into the marketplace," helping drive prices back down to prewar levels and easing costs for consumers and businesses.

If that doesn't happen, though, and Iran doesn't move closer diplomatically to the US, Europe, and Gulf states, oil could climb toward $150 a barrel, with "profound implications" for the global economy.

"The $40 oil implication is one of abundance and growth. The other one is an outcome of probably a stark and steep recession," said Fink.

Rising energy prices are a 'regressive tax'

After the US and Israel launched airstrikes on Iran over three weeks ago, Iran has responded with strikes on Israel, Gulf states, US bases, and, crucially for oil markets, cargo vessels passing through the Strait of Hormuz.

This has led to a significant drop in traffic through the strait, which transits 20% of the world's oil and LNG supply. Oil has spiked by as much as 60% since the start of the war and has fluctuated with the perceived likelihood of peace negotiations — jumping on escalations, and falling when a solution looks more likely.

"Rising energy prices are a very regressive tax," Fink said. "It affects the poor more than the wealthy, because it's a larger component of their pocketbook."

The spike in oil prices is already being felt across the world — from the price of gas at the pump to flight tickets.

On Friday last week, the International Energy Agency outlined a range of measures that governments, businesses, and households could take to mitigate the impact of oil market disruptions.

These include working from home where possible and avoiding air travel.

Fink said countries, including the US, need to use the oil and gas that they have, but should "aggressively" lean into alternative energy sources, such as solar.

The BlackRock CEO said in the interview that he is a proponent of solar energy and that the US needs to "fully embrace solar."

Fink had said in his 2022 letter to CEOs said the next 1,000 unicorns will be companies making "the energy transition affordable for all consumers."

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Banco suíço fecha sob acusação de lavagem de dinheiro iraniano, russo e venezuelano

25 de Março de 2026, 13:21

Sempre que conseguia uma comissão de seis dígitos para seu pequeno banco suíço, Paul-Michel von Merey era conhecido por gritar pelo escritório em plano aberto, perto do Lago de Zurique, tocando ruidosamente um sino de vaca em celebração.

O barulho constante refletia uma fonte lucrativa que sua empresa explorava. O MBaer Merchant Bank, cofundado por von Merey em 2018, às vezes cobrava dos clientes até dez vezes a taxa de mercado para processar pagamentos, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, principalmente em transações que outros bancos não aceitavam.

Mas, mesmo após o banco ter sido apontado como um dos “mais prósperos” bancos privados suíços, no ano passado, em um evento local de gestão de fortunas, seu fim estava próximo. A suposta facilitação de lavagem de dinheiro chamou a atenção do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, que, às vésperas da guerra contra o Irã no final do mês passado, praticamente o forçou a fechar as portas.

“O MBAer canalizou mais de cem milhões de dólares por meio do sistema financeiro dos EUA em nome de agentes ilícitos ligados ao Irã e à Rússia”, disse Bessent em comunicado. A ameaça de cortar o acesso do banco ao sistema financeiro americano foi suficiente para superar os desafios legais da ordem anterior da autoridade reguladora suíça Finma de liquidar o banco.

A seguir está um relato de como o MBaer conseguiu operar sem ser detectado, enquanto, segundo autoridades dos EUA, em alguns casos, era “provavelmente cúmplice das atividades de lavagem de dinheiro de seus clientes”. Seu fim desonroso compromete os esforços de longa data da Suíça para sanear o sistema financeiro e provar que Zurique e Genebra não oferecem mais um refúgio fácil para dinheiro ligado ao crime.

Um porta-voz do MBaer não quis comentar sobre esta reportagem. A Finma também não se manifestou.

Banco foi fundado por herdeiro do Julius Baer

O MBaer foi fundado como um banco de investimentos concebido para atender tanto aos interesses empresariais dos clientes — como o financiamento do comércio — quanto ao seu patrimônio pessoal. Seu cofundador homônimo e primeiro diretor-executivo do banco, Mike Baer, ​​passou 12 anos no Julius Baer Group, banco fundado por seu bisavô. Durante esse período, ele ocupou diversos cargos sêniores, incluindo a chefia das áreas de banking, trading e TI, de acordo com seu perfil no LinkedIn. No Julius Baer, ​​ele também conheceu muitos clientes em potencial e alguns dos outros sócios do MBaer.

Mike Baer e Paul von Merey não quiseram comentar para esta reportagem.

No início de 2005, Mike Baer deixou o banco da família e, nos anos seguintes, ocupou vários cargos em conselhos de administração, de acordo com seu perfil no LinkedIn, incluindo na Odey Asset Management e no Falcon Private Bank, ambos com problemas regulatórios não relacionados nos últimos anos.

Corredor entusiasta, que completou maratonas nos polos Norte e Sul, Baer utilizou fortemente o nome da família. “A herança do MBaer Merchant Bank remonta a 1890, quando Julius Bär lançou as bases para uma longa tradição bancária em Zurique”, afirmou o banco em seu site.

Expansão acelerada a partir de 2023

Ao longo dos anos, o banco expandiu-se rapidamente, em particular, vivenciando um salto nos ativos em 2023. No final de 2025, detinha ativos de clientes no valor de cerca de 4,9 bilhões de francos suíços (US$ 6,2 bilhões), e contava com cerca de 700 clientes e 60 funcionários. Seu tamanho o enquadrava inicialmente na categoria mais baixa de supervisão da autoridade reguladora suíça Finma — destinada a pequenos participantes no mercado, ou de “baixo risco”.

Fontes internas descreveram a cultura do banco como uma reminiscência dos tempos mais liberais das finanças suíças — antes do confronto com os EUA sobre a evasão fiscal nos anos 2000, que levou a tentativas de “limpeza” e ao fim do sigilo bancário absoluto.

Segundo investigadores da unidade de crimes financeiros do Tesouro dos EUA, a FinCEN, o banco começou a atrair atenção por possíveis atividades de lavagem de dinheiro ligadas à Venezuela por volta de 2020. O banco teria então facilitado o financiamento da máquina de guerra russa e ajudado a canalizar fundos petrolíferos iranianos de volta ao regime — incluindo para o Corpo da Guarda Revolucionária.

Lavagem de dinheiro e apoio ao terrorismo

“O MBaer também proporcionou acesso ao sistema financeiro dos EUA a pessoas que oferecem apoio material a esforços de lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo relacionados ao Irã, incluindo apoio a organizações terroristas iranianas”, afirmou a FinCEN em um documento publicado em 2 de março.

As autoridades acusaram o MBaer de facilitar pagamentos em conexão com um esquema internacional de contrabando de petróleo e lavagem de dinheiro conduzido pela Força Quds, da Guarda Revolucionária. Os EUA consideram a Força Quds, que opera fora do país, como uma organização terrorista estrangeira.

Clientes do MBaer transferiram cerca de US$ 37 milhões em conexão com uma empresa sancionada, chamada Turkoca Import Export Transit Co. Ltd., em grandes pagamentos arredondados em dólares, que normalmente levantariam suspeitas de lavagem de dinheiro, declara a FinCEN. A Turkoca era uma “entidade intermediária” usada por afiliados da Força Quds para lavar fundos para o Irã, disse a FinCEN.

Cultura de medo

O MBaer supostamente tinha diversos métodos para conduzir negócios sem chamar atenção. Funcionários permitiam pagamentos em francos suíços ou euros para clientes de alto risco, em uma tentativa de contornar controles mais rigorosos sobre transações em dólares, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.

Alguns funcionários de fato geraram alarmes sobre deficiências operacionais. Muitos enfrentaram obstáculos internos significativos após expressarem suas preocupações ou acabaram deixando a empresa. Isso criou uma cultura de medo entre os funcionários e uma relutância em denunciar irregularidades percebidas, afirmaram as fontes.

Em 2023, autoridades dos EUA e a Finma começaram a investigar o banco mais de perto.

Por volta da mesma época, o MBaer rompeu com a empresa que atuava como seu banco correspondente nos EUA — o agora extinto Credit Suisse, de acordo com pessoas familiarizadas com o tema. O JPMorgan passou a prestar esse serviço posteriormente, disseram as pessoas a par do assunto, juntamente com diversas outras instituições financeiras.

O JPMorgan não quis comentar sobre seu relacionamento com o MBAer.

Em 2024, Bignia Vieli, então membro do conselho administrativo, contratou o escritório de advocacia do qual era sócia para realizar uma revisão da infraestrutura operacional do banco, que identificou riscos sistêmicos generalizados. O relatório chegou a sugerir que o banco deveria se autoreportar à Finma.

Fontes de ‘alto risco’

Apesar das preocupações com lavagem de dinheiro, aparentemente nenhuma medida corretiva significativa foi tomada após o relatório, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, que afirmaram que a administração continuou recebendo seus bônus integrais. Vieli não respondeu a um pedido de comentário.

A Finma iniciou formalmente procedimentos de execução contra o MBaer em 2024. Posteriormente, informou que 98% dos ativos recentes de clientes do banco vinham de fontes de “alto risco”, segundo um comunicado. O banco havia sistematicamente falhado em investigar o histórico dos relacionamentos de seus clientes e auxiliado ativamente clientes a contornar o congelamento de ativos, afirmou a Finma.

Contudo, no sistema regulatório suíço, um processo sancionador pode se arrastar por anos, e os bancos podem continuar a operar enquanto contestam judicialmente as ordens da Finma. No início de 2026, uma ordem da Finma para fechar o MBaer estava travada nos tribunais — até a intervenção do Tesouro dos EUA.

Liquidação forçada

Na segunda-feira, 9 de fevereiro, Annett Viehweg, CEO do MBaer desde janeiro de 2025, tentou tranquilizar os funcionários do banco, segundo uma pessoa presente na reunião. O MBaer se defenderia na justiça, Viehweg teria afirmado, de acordo com a pessoa.

O banco acabou negociando com a Finma os termos de sua autoliquidação, segundo fontes a par do assunto. As duas partes estavam em desacordo sobre se a lavagem de dinheiro seria mencionada especificamente no comunicado que anunciava o fechamento, até que o Tesouro dos EUA as forçou a agir, disseram as fontes. Posteriormente, o MBaer retirou seu recurso, o que significa que a ordem de liquidação entrou em vigor em 27 de fevereiro.

Von Merey e Mike Baer deixaram o banco, e ambos têm mantido um perfil discreto. O perfil de Von Merey no LinkedIn minimiza sua função no MBaer. No mês passado, a Finma também informou ter aberto processos contra quatro indivíduos não identificados associados ao MBaer. Esses procedimentos se concentram em pessoas que já deixaram o banco, afirmou uma fonte familiarizada com o assunto. Os funcionários foram informados de que até 25 pessoas seriam demitidas em março e abril.

A carteira de clientes de “alto risco” do MBaer agora enfrenta uma espera por uma resolução que pode levar anos, com poucos ou nenhum outro banco na Suíça dispostos a aceitá-los.

Para um banco acusado de lavagem de dinheiro para venezuelanos, russos e iranianos, o fim do MBaer demorou surpreendentemente a chegar. O país está em processo de reformulação da regulamentação financeira, incluindo medidas para ampliar os poderes da agência reguladora Finma. As lições da crise do Credit Suisse, em 2023, estão sendo incorporadas à legislação em tramitação no Parlamento suíço.

Por ora, a aparente incapacidade da Finma de fazer cumprir sua decisão inicial destaca a fragilidade da Suíça no combate eficaz aos crimes do setor financeiro, segundo Mark Pieth, advogado especializado na área e membro fundador do Grupo de Ação Financeira, radicado em Basileia, na Suíça.

“Os americanos tiveram que intervir novamente e apontar uma arma para o peito deles”, disse Pieth. “Em termos de sistema jurídico, a Suíça ainda é um centro offshore, onde os casos se arrastam por anos sob o pretexto do devido processo legal”.

How US Army soldiers in Europe are readying for a possible trench war with Russia

25 de Março de 2026, 13:01

Business Insider got exclusive access to see how the US Army's Germany-based 2nd Cavalry Regiment is training for a possible war with Russia.

A group of soldiers known as OPFOR pretends to be the enemy, practicing the same style of trench warfare that has become commonplace in the Russia-Ukraine war.

An Army platoon must traverse mountainous terrain before finding the OPFOR's trench and attacking it.

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JSL “asfalta” crescimento de novos contratos e cria empresa para cuidar de logística interna

25 de Março de 2026, 07:00

O volume de novos contratos, que alcançou R$ 4,9 bilhões em 2025, contribuiu de forma expressiva para que a JSL, companhia de logística do grupo Simpar, fechasse o ano com crescimento de 6,5% na receita, com R$ 9,6 bilhões. O Ebitda ajustado foi de R$ 1,9 bilhão, alta de 7,7% sobre o ano anterior. A […]

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Sanepar (SAPR11) desaba com ‘água fria’ em dividendos

24 de Março de 2026, 15:56

A Sanepar (SAPR11) cai forte nesta terça-feira (24) após a agência regulatória do Paraná, a Agepar, propor destinar R$ 3,9 bilhões em precatórios aos usuários — e não à companhia, como o mercado esperava.

Por volta das 15h10, a ação recuava 6,53%, a R$ 41,92. Desde 2025, analistas projetavam que ao menos parte desse valor poderia ser distribuída na forma de dividendos.

Pela proposta, o montante será integralmente direcionado para investimentos não onerosos e/ou descontos nas faturas.

Segundo a agência, a medida busca promover a modicidade tarifária e altera a premissa anterior, que previa o compartilhamento de ganhos com a recuperação de créditos fiscais.

O precatório — que nada mais é do que uma dívida da União — é fruto de ação judicial movida contra o governo federal sobre imunidade tributária recíproca de IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica).

De acordo com o analista da Empiricus, Ruy Hungria, o mercado retira do preço das ações essa possibilidade, que representava cerca de 5% do valor do papel.

Já existia um direcionamento do regulador indicando que pelo menos 75% dos ganhos com a recuperação de créditos fiscais deveriam ser repassados para a modicidade tarifária (ou seja, aos consumidores).

Agora, porém, a nova proposta praticamente elimina a chance de que os 25% restantes — ou parte deles — fossem utilizados para pagamento de dividendos.

Notícia negativa

Para a Genial Investimentos, a proposta da Agepar é claramente negativa para a tese de investimento, na medida em que elimina — ao menos em uma análise preliminar — a possibilidade de captura de valor relevante pelos acionistas associada ao precatório.

‘Trata-se de uma reinterpretação regulatória relevante, ao direcionar integralmente o ganho extraordinário para a modicidade tarifária, o que reduz (ou elimina) o potencial de dividendos extraordinários’, afirma a casa.

Na visão da corretora, os preços de tela precificavam entre 25% e 50% do valor total do precatório como potencial dividendo extraordinário — equivalente a algo entre 14% e 28% do valor de mercado da companhia.

Credores do GPA contratam Moelis como assessora financeira ante dívida de R$ 4,5 bilhões

24 de Março de 2026, 10:33

Detentores de títulos locais do GPA contrataram a Moelis como assessora financeira após a decisão da rede de supermercados brasileira de reestruturar sua dívida em uma recuperação extrajudicial, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A Cia. Brasileira de Distribuição, nome formal da empresa conhecida como Grupo Pão de Açúcar, anunciou um acordo para iniciar o processo para reestruturar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas no início deste mês.

Credores que representam 46% dos créditos afetados — ou R$ 2,1 bilhões — concordaram com a reestruturação, informou a empresa na ocasião. O GPA não possui títulos globais.

Os detentores de títulos da dívida no mercado local também estão próximo de contratar o Lefosse Advogados como assessor jurídico, disseram as pessoas. 

A Moelis não quis comentar. A Lefosse não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários.

O acordo ocorreu poucas semanas depois de a empresa ter levantado sérias dúvidas sobre sua capacidade de continuar operando após um balanço financeiro considerado desastroso.

O GPA, uma das redes de supermercados mais populares do Brasil, possui dívidas substanciais com vencimento este ano e tem enfrentado dificuldades para reativar seu principal negócio, o de alimentos, em meio a taxas de juros de dois dígitos.

A empresa, por sua vez, contratou o Munhoz Advogados, especializado em reestruturação de dívidas, segundo fontes familiarizadas com o assunto.

Em janeiro, já havia contratado a consultoria Alvarez & Marsal para auxiliá-la na implementação de seu plano de eficiência, de acordo com um documento apresentado na época.

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Credores do GPA contratam Moelis como assessora financeira ante dívida de R$ 4,5 bilhões

24 de Março de 2026, 10:33

Detentores de títulos locais do GPA contrataram a Moelis como assessora financeira após a decisão da rede de supermercados brasileira de reestruturar sua dívida em uma recuperação extrajudicial, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A Cia. Brasileira de Distribuição, nome formal da empresa conhecida como Grupo Pão de Açúcar, anunciou um acordo para iniciar o processo para reestruturar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas no início deste mês.

Credores que representam 46% dos créditos afetados — ou R$ 2,1 bilhões — concordaram com a reestruturação, informou a empresa na ocasião. O GPA não possui títulos globais.

Os detentores de títulos da dívida no mercado local também estão próximo de contratar o Lefosse Advogados como assessor jurídico, disseram as pessoas. 

A Moelis não quis comentar. A Lefosse não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários.

O acordo ocorreu poucas semanas depois de a empresa ter levantado sérias dúvidas sobre sua capacidade de continuar operando após um balanço financeiro considerado desastroso.

O GPA, uma das redes de supermercados mais populares do Brasil, possui dívidas substanciais com vencimento este ano e tem enfrentado dificuldades para reativar seu principal negócio, o de alimentos, em meio a taxas de juros de dois dígitos.

A empresa, por sua vez, contratou o Munhoz Advogados, especializado em reestruturação de dívidas, segundo fontes familiarizadas com o assunto.

Em janeiro, já havia contratado a consultoria Alvarez & Marsal para auxiliá-la na implementação de seu plano de eficiência, de acordo com um documento apresentado na época.

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Petróleo em alta testa ganhos de Vibra, Ipiranga e Raízen com repressão a combustível ilegal

24 de Março de 2026, 06:00

A disparada de mais de 30% no preço do petróleo desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã já começa a chegar com força ao Brasil – e voltou a colocar Vibra, Ipiranga e Raízen, as principais distribuidoras de combustíveis do país, sob pressão, após meses de relativa calmaria.

Desde o início da Guerra do Irã no fim de fevereiro, o preço médio do diesel subiu cerca de 19% no país, enquanto a gasolina avançou mais de 5%, segundo dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

visualization

O movimento reacendeu temores de impacto na inflação e levou o governo federal a agir, com medidas como a zeragem de tributos sobre o diesel e o reforço na fiscalização para conter repasses considerados abusivos, com multas que podem chegar a R$ 500 milhões.

Mas, para além da pressão estatal sobre os preços, o setor vê um outro risco emergir: o de que soluções de emergência para garantir o abastecimento acabem reabrindo espaço para práticas ilegais na cadeia de combustíveis, como permitir o funcionamento de refinarias que operam sob ilegalidade.

Para as distribuidoras, o cenário representa uma reversão brusca após um período de melhora operacional – ainda que o setor chegue a esse momento com alguma “gordura” para absorver parte da pressão.

Em meio a esse ambiente mais adverso, Vibra, Ipiranga e Raízen passaram a capturar um ganho que por anos parecia fora de alcance: aumento simultâneo de margens, volumes e participação de mercado.

Segundo as próprias empresas, todas de capital aberto na bolsa brasileira, o motor dessa mudança não esteve na demanda, mas no ambiente competitivo, marcado pelo avanço do combate ao mercado ilegal na cadeia de combustíveis – simbolizado especialmente pela Operação Carbono Oculto, que revelou a ligação do crime organizado com a distribuição de combustíveis e o mercado financeiro quando deflagrada em agosto de 2025.

Esse é um movimento que agora passa a ser testado pela volatilidade das cotações do petróleo.

Margem melhorou

A melhora operacional, agora em risco, aparece no principal indicador do setor: a margem por metro cúbico. No caso da Vibra, responsável pelos postos com a marca Petrobras, o indicador subiu 73,4% no quarto trimestre de 2025 na comparação com igual período do ano anterior, para R$ 251 por metro cúbico.

A analistas de mercado, o CEO Ernesto Pousada disse que “2025 foi um ano de inflexão […] muito pelas ações que nós vimos da Carbono Oculto e de todas as ações contra as irregularidades”. Ao mesmo tempo, a Vibra voltou a crescer em volume, com alta de 5% no quarto trimestre, e ampliou sua participação de mercado para 24,5%.

Outro efeito do ambiente de combate à venda ilegal foi o recorde de embandeiramento de postos – quando estabelecimentos independentes passam a operar sob a bandeira de uma grande distribuidora. Com a força da marca Petrobras, a Vibra adicionou 404 novos postos no período, o que levou a rede para cerca de 7,5 mil unidades no país.

Agora, com a escalada dos preços de combustíveis, essa melhora operacional passa a ser colocada à prova. Em entrevista à CNN Brasil na semana passada, Pousada afirmou que o setor enfrenta um choque externo sem precedentes recentes, com impactos diretos sobre custos e abastecimento.

“Estamos à beira de uma crise energética global”, disse o executivo, ao comentar os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a cadeia de suprimento. Como o Brasil depende de importações para cerca de 30% do diesel consumido, a pressão acaba sendo inevitável.

Ao mesmo tempo, o aumento da importação em caráter emergencial eleva os custos logísticos, pois exige mais transporte, armazenamento e frete. “Você mobiliza toda uma cadeia que aumenta exponencialmente o seu custo”, afirmou.

Na prática, o choque de custos reduz o espaço de manobra das distribuidoras. Segundo o CEO da Vibra, o diesel importado já chega ao Brasil até R$ 2,50 por litro mais caro do que o produto doméstico, enquanto a subvenção anunciada pelo governo cubra apenas cerca de R$ 0,30 dessa diferença.

Com a distribuição representando apenas cerca de 5% do preço final dos combustíveis, ainda de acordo com Pousada, o espaço para absorver esses custos sem repasse é limitado – o que coloca à prova o patamar de margens conquistado nos últimos trimestres.

Efeito Carbono Oculto

Para o Instituto Combustível Legal (ICL), que representa as principais empresas do setor, a melhora recente dos resultados está diretamente ligada à redução de práticas históricas de fraude, como sonegação fiscal e comercialização irregular de combustíveis – alvo de operações como Carbono Oculto, Poço de Lobato e Tank.

“O que estamos vendo agora é um mercado mais equilibrado, em que o preço começa a refletir o custo real”, afirmou Emerson Kapaz, presidente do ICL, em entrevista ao InvestNews, em referência ao quadro sem levar em conta as pressões com o encarecimento do petróleo.

Essas distorções da venda irregular permitiam que parte dos agentes operasse com custos artificialmente mais baixos, o que pressiona toda a cadeia formal. “Quando você combate o ilegal, você devolve competitividade para quem paga imposto”, prossegue Kapaz.

Na Ultrapar, dona da Ipiranga, os efeitos também já aparecem nos números. A receita subiu 5% em 2025, para R$ 127,6 bilhões, enquanto a margem recorrente avançou 2%, para R$ 145 por metro cúbico.

O CEO do grupo, Rodrigo Pizzinatto, atribuiu o resultado “ao início da recuperação do mercado após a intensificação das medidas de combate às irregularidades” e afirmou que o setor voltou a operar com margens mais saudáveis.

Ao mesmo tempo, a melhora do ambiente competitivo começou a atrair o interesse de investidores estratégicos. A gigante americana Chevron negocia a compra de uma fatia de cerca de 30% da Ipiranga junto à Ultrapar. “O interesse de empresas como a Chevron ajuda a chancelar a melhora que o mercado vem passando”, afirmou Kapaz.

Até mesmo na Raízen, que atravessa um delicado processo de reestruturação financeira com cerca de R$ 65 bilhões em dívidas na maior recuperação extrajudicial da história do país, a melhora operacional foi uma das poucas notícias positivas recentes.

A joint venture entre Cosan e Shell informou que sua divisão de distribuição registrou crescimento de 50% no Ebitda no terceiro trimestre da safra 2025/26 na comparação anual, impulsionado por aumento simultâneo de volumes e margens. No período, a rentabilidade por metro cúbico cresceu 35,2%, para R$ 215, enquanto o volume vendido avançou 11,6%.

Apesar dos avanços, o próprio ICL alerta que o cenário atual de alta de preços e risco de desabastecimento pode reabrir espaço para a atuação de agentes irregulares.

Segundo o instituto, mecanismos criados pelo governo federal para ampliar a oferta de combustíveis podem ser utilizados de forma oportunista por sonegadores e devedores contumazes.

Esse risco já começa a aparecer no radar do mercado.

Com a possibilidade de escassez de diesel, a Refit, refinaria ligada ao empresário Ricardo Magro, estaria em fase de estudo para retomar suas operações no Rio de Janeiro, aproveitando instrumentos como a subvenção ao combustível, de acordo com Lauro Jardim, de O Globo.

Em outras oportunidades, a Refit alegou que seus débitos tributários etão sendo questionados na Justiça e que esses procedimentos são normais para qualquer empresa do setor. Também afirma sofrer perseguições de outros concorrentes.

Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL)
Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL) (Divulgação)

A unidade está atualmente interditada pela ANP, após apontamentos relacionados a irregularidades operacionais e riscos de segurança.

Para o ICL, a preocupação é que soluções emergenciais possam abrir brechas para a rearticulação de agentes que, no passado, já foram associados a distorções concorrenciais e práticas irregulares.

“Abrir espaço para agentes com histórico de irregularidades não é solução; é retrocesso”, afirmou Emerson Kapaz, do ICL, que defende fiscalização rigorosa e maior controle sobre a origem e a movimentação dos combustíveis.

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Petróleo em alta testa ganhos de Vibra, Ipiranga e Raízen com repressão a combustível ilegal

24 de Março de 2026, 06:00

A disparada de mais de 30% no preço do petróleo desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã já começa a chegar com força ao Brasil – e voltou a colocar Vibra, Ipiranga e Raízen, as principais distribuidoras de combustíveis do país, sob pressão, após meses de relativa calmaria.

Desde o início da Guerra do Irã no fim de fevereiro, o preço médio do diesel subiu cerca de 19% no país, enquanto a gasolina avançou mais de 5%, segundo dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

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O movimento reacendeu temores de impacto na inflação e levou o governo federal a agir, com medidas como a zeragem de tributos sobre o diesel e o reforço na fiscalização para conter repasses considerados abusivos, com multas que podem chegar a R$ 500 milhões.

Mas, para além da pressão estatal sobre os preços, o setor vê um outro risco emergir: o de que soluções de emergência para garantir o abastecimento acabem reabrindo espaço para práticas ilegais na cadeia de combustíveis, como permitir o funcionamento de refinarias que operam sob ilegalidade.

Para as distribuidoras, o cenário representa uma reversão brusca após um período de melhora operacional – ainda que o setor chegue a esse momento com alguma “gordura” para absorver parte da pressão.

Em meio a esse ambiente mais adverso, Vibra, Ipiranga e Raízen passaram a capturar um ganho que por anos parecia fora de alcance: aumento simultâneo de margens, volumes e participação de mercado.

Segundo as próprias empresas, todas de capital aberto na bolsa brasileira, o motor dessa mudança não esteve na demanda, mas no ambiente competitivo, marcado pelo avanço do combate ao mercado ilegal na cadeia de combustíveis – simbolizado especialmente pela Operação Carbono Oculto, que revelou a ligação do crime organizado com a distribuição de combustíveis e o mercado financeiro quando deflagrada em agosto de 2025.

Esse é um movimento que agora passa a ser testado pela volatilidade das cotações do petróleo.

Margem melhorou

A melhora operacional, agora em risco, aparece no principal indicador do setor: a margem por metro cúbico. No caso da Vibra, responsável pelos postos com a marca Petrobras, o indicador subiu 73,4% no quarto trimestre de 2025 na comparação com igual período do ano anterior, para R$ 251 por metro cúbico.

A analistas de mercado, o CEO Ernesto Pousada disse que “2025 foi um ano de inflexão […] muito pelas ações que nós vimos da Carbono Oculto e de todas as ações contra as irregularidades”. Ao mesmo tempo, a Vibra voltou a crescer em volume, com alta de 5% no quarto trimestre, e ampliou sua participação de mercado para 24,5%.

Outro efeito do ambiente de combate à venda ilegal foi o recorde de embandeiramento de postos – quando estabelecimentos independentes passam a operar sob a bandeira de uma grande distribuidora. Com a força da marca Petrobras, a Vibra adicionou 404 novos postos no período, o que levou a rede para cerca de 7,5 mil unidades no país.

Agora, com a escalada dos preços de combustíveis, essa melhora operacional passa a ser colocada à prova. Em entrevista à CNN Brasil na semana passada, Pousada afirmou que o setor enfrenta um choque externo sem precedentes recentes, com impactos diretos sobre custos e abastecimento.

“Estamos à beira de uma crise energética global”, disse o executivo, ao comentar os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a cadeia de suprimento. Como o Brasil depende de importações para cerca de 30% do diesel consumido, a pressão acaba sendo inevitável.

Ao mesmo tempo, o aumento da importação em caráter emergencial eleva os custos logísticos, pois exige mais transporte, armazenamento e frete. “Você mobiliza toda uma cadeia que aumenta exponencialmente o seu custo”, afirmou.

Na prática, o choque de custos reduz o espaço de manobra das distribuidoras. Segundo o CEO da Vibra, o diesel importado já chega ao Brasil até R$ 2,50 por litro mais caro do que o produto doméstico, enquanto a subvenção anunciada pelo governo cubra apenas cerca de R$ 0,30 dessa diferença.

Com a distribuição representando apenas cerca de 5% do preço final dos combustíveis, ainda de acordo com Pousada, o espaço para absorver esses custos sem repasse é limitado – o que coloca à prova o patamar de margens conquistado nos últimos trimestres.

Efeito Carbono Oculto

Para o Instituto Combustível Legal (ICL), que representa as principais empresas do setor, a melhora recente dos resultados está diretamente ligada à redução de práticas históricas de fraude, como sonegação fiscal e comercialização irregular de combustíveis – alvo de operações como Carbono Oculto, Poço de Lobato e Tank.

“O que estamos vendo agora é um mercado mais equilibrado, em que o preço começa a refletir o custo real”, afirmou Emerson Kapaz, presidente do ICL, em entrevista ao InvestNews, em referência ao quadro sem levar em conta as pressões com o encarecimento do petróleo.

Essas distorções da venda irregular permitiam que parte dos agentes operasse com custos artificialmente mais baixos, o que pressiona toda a cadeia formal. “Quando você combate o ilegal, você devolve competitividade para quem paga imposto”, prossegue Kapaz.

Na Ultrapar, dona da Ipiranga, os efeitos também já aparecem nos números. A receita subiu 5% em 2025, para R$ 127,6 bilhões, enquanto a margem recorrente avançou 2%, para R$ 145 por metro cúbico.

O CEO do grupo, Rodrigo Pizzinatto, atribuiu o resultado “ao início da recuperação do mercado após a intensificação das medidas de combate às irregularidades” e afirmou que o setor voltou a operar com margens mais saudáveis.

Ao mesmo tempo, a melhora do ambiente competitivo começou a atrair o interesse de investidores estratégicos. A gigante americana Chevron negocia a compra de uma fatia de cerca de 30% da Ipiranga junto à Ultrapar. “O interesse de empresas como a Chevron ajuda a chancelar a melhora que o mercado vem passando”, afirmou Kapaz.

Até mesmo na Raízen, que atravessa um delicado processo de reestruturação financeira com cerca de R$ 65 bilhões em dívidas na maior recuperação extrajudicial da história do país, a melhora operacional foi uma das poucas notícias positivas recentes.

A joint venture entre Cosan e Shell informou que sua divisão de distribuição registrou crescimento de 50% no Ebitda no terceiro trimestre da safra 2025/26 na comparação anual, impulsionado por aumento simultâneo de volumes e margens. No período, a rentabilidade por metro cúbico cresceu 35,2%, para R$ 215, enquanto o volume vendido avançou 11,6%.

Apesar dos avanços, o próprio ICL alerta que o cenário atual de alta de preços e risco de desabastecimento pode reabrir espaço para a atuação de agentes irregulares.

Segundo o instituto, mecanismos criados pelo governo federal para ampliar a oferta de combustíveis podem ser utilizados de forma oportunista por sonegadores e devedores contumazes.

Esse risco já começa a aparecer no radar do mercado.

Com a possibilidade de escassez de diesel, a Refit, refinaria ligada ao empresário Ricardo Magro, estaria em fase de estudo para retomar suas operações no Rio de Janeiro, aproveitando instrumentos como a subvenção ao combustível, de acordo com Lauro Jardim, de O Globo.

Em outras oportunidades, a Refit alegou que seus débitos tributários etão sendo questionados na Justiça e que esses procedimentos são normais para qualquer empresa do setor. Também afirma sofrer perseguições de outros concorrentes.

Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL)
Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL) (Divulgação)

A unidade está atualmente interditada pela ANP, após apontamentos relacionados a irregularidades operacionais e riscos de segurança.

Para o ICL, a preocupação é que soluções emergenciais possam abrir brechas para a rearticulação de agentes que, no passado, já foram associados a distorções concorrenciais e práticas irregulares.

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Dow Jones hoje e futuros de NY estendem perdas com alta do petróleo após ameaças de Trump

23 de Março de 2026, 07:44

Dow Jones hoje estende perdas da semana passada diante da alta nos contratos futuros do petróleo, que subiram mais de 2% na madrugada desta segunda-feira (23), em meio à escalada das tensões da guerra no Oriente Médio.

No fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, deu ao Irã um ultimato de 48 horas para reabrir o Estreito de Ormuz, sob ameaça de ataques à infraestrutura de energia do país.

Às 7h40 (de Brasília), o barril do petróleo WTI para maio subia 0,50% na Nymex, a US$98,70, enquanto o do Brent para junho avançava 2,09% na ICE, a US$ 108,52.

Cenário internacional abala as bolsas de Nova York

Enquanto o petróleo dispara, os índices futuros das bolsas de Nova York operaram em baixa de cerca de 1% na madrugada, estendendo as perdas da semana passada.

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A agenda econômica dos EUA de hoje traz um índice de atividade e dados de investimentos em construção. Às 7h40 (de Brasília), no mercado futuro, o Dow Jones caía 0,80%, o S&P 500 recuava 0,91% e o Nasdaq tinha perda de 1,03%.

Treasuries avançam com incertezas econômicas

Os rendimentos dos títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano, Treasuries, operam em alta desde a madrugada de hoje, ampliando os ganhos da sessão anterior e permanecendo nos maiores níveis desde o segundo semestre de 2025.

O movimento ocorre em meio às incertezas econômicas relacionadas à guerra, que levaram grandes bancos centrais, incluindo o norte-americano, o Federal Reserve (Fed), a deixar suas taxas de juros inalteradas na semana passada.

Às 7h40 (de Brasília), o juro da T-note de 2 anos subia a 3,999%, o da T-note de 10 anos avançava a 4,439% e o do T-bond de 30 anos avançava a 4,967%.

Dólar não para de ganhar força

Seguido pela guerra e nova alta do petróleo, o dólar hoje segue subindo ante outras moedas de economias desenvolvidas.

Às 7h40 (de Brasília), o euro caía a US$ 1,149, a libra recuava a US$ 1,326 e o dólar avançava a 159,58 ienes. Já o índice DXY do dólar — que acompanha as flutuações da moeda norte-americana em relação a outras seis divisas relevantes — tinha alta de 0,47%, a 100,12 pontos.

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Com informações do Broadcast.

Inside OpenAI's talent pipeline: See who's feeding and hiring away workers at Sam Altman's AI giant

23 de Março de 2026, 06:56
sam altman

Anna Moneymaker/Getty Images

  • OpenAI has become a centerpiece in the AI talent wars, data reviewed by Business Insider shows.
  • Workers often leave Big Tech for Sam Altman's venture and then move on to smaller startups.
  • The average tenure for US-based OpenAI employees is around 16 months.

Workers leave Big Tech for OpenAI. They fan out across a growing ecosystem of startups. Rinse and repeat.

Since it launched ChatGPT, the Sam Altman-led company has quickly become a magnet for AI talent. It has pulled hundreds of researchers and engineers from competitors like Google, Meta, and Apple, according to data reviewed by Business Insider. After sticking around for a while, many of those employees go on to found or join rival startups of their own.

The company has nearly quadrupled in size since its chatbot took off in 2023, scaling from a small research lab of around 1,000 employees to a tech company with more than 4,000 workers.

To get a sense of how OpenAI is faring in the race for AI talent, Business Insider analyzed findings from workforce intelligence provider Live Data Technologies, which used LinkedIn to track the comings and goings of around 1,300 employees from January 2023 to March 2026.

Live Data Technologies analyzed publicly available professional profile data for OpenAI employees who had available information on previous employers. The roles analyzed ranged from engineering and research to product, human resources, and recruiting.

Representatives for OpenAI didn't respond to a request for comment.

The company's hiring pipeline is highly concentrated

OpenAI was originally founded by Altman and Elon Musk in 2015 to compete with Google's DeepMind AI lab.

Now, Google is the No. 1 source of talent for OpenAI, accounting for roughly a quarter of hires, according to the data.

Nearly half of OpenAI hires in the last three years came from either Google, Meta, Apple, or Microsoft.

Apple's Jony Ive joined OpenAI last summer to work on a new AI device. The project encompasses around 300 workers, many of whom came from Apple, The Information reported earlier this year.

The company has also made several high-profile hires over the past year, including Slack CEO Denise Dresser, OpenClaw founder Peter Steinberger, and Instacart CEO Fidji Simo.

Since 2023, OpenAI has added roughly four times as many engineers as it has lost, highlighting the company's rapid expansion as the AI race intensifies.

The battle for AI talent has become one of Silicon Valley's fiercest. Big Tech companies are aggressively competing for a relatively small pool of researchers capable of building advanced AI systems.

Meta CEO Mark Zuckerberg has reportedly taken a hands-on role in recruiting top AI employees, while Meta and other companies have reportedly offered massive compensation packages, sometimes valued in the tens and hundreds of millions of dollars in stock.

OpenAI is known for its high compensation packages. The Wall Street Journal reported last year that its employees receive an average of $1.5 million in stock-based compensation. Public salary data from H-1B visa applications shows that research scientists at the AI venture have salaries ranging from $245,000 to $685,000, while engineering roles are listed with a range of $165,000 to $290,000.

Where employees go after OpenAI tells a different story

Departures are fragmented, spreading across more than 150 different companies, including competitors like Meta, Anthropic, and emerging labs such as Thinking Machines Lab, according to the data. The majority of OpenAI employees left for smaller startups, venture capital firms, or academia, according to the data.

The data suggests OpenAI has become a centerpiece in the AI talent network, pulling researchers from Big Tech and sending alumni across the startup and VC ecosystem.

Only a handful of companies received more than 15 OpenAI alumni in the last three years: Anthropic, Meta, Google, and Thinking Machines Lab, the data shows.

Anthropic is perhaps the best-known example. It was founded by former OpenAI researchers, including siblings Dario and Daniela Amodei. VP of Research Max Schwarzer left OpenAI for Anthropic earlier this month.

Meanwhile, several OpenAI employees who left the company to help found Thinking Machine Labs in February, including Barret Zoph, rejoined OpenAI earlier this year.

Common roles at OpenAI include engineering and research, the data shows. The average tenure for US-based OpenAI employees is around 16 months.

Do you work for OpenAI or have a tip? Contact this reporter via email at gkay@businessinsider.com or Signal at 248-894-6012. Use a personal email address, a nonwork device, and nonwork WiFi; here's our guide to sharing information securely.

Read the original article on Business Insider

Ameaça de Trump sobre Irã deve gerar aversão a risco e favorecer dólar, diz Michael Brown

23 de Março de 2026, 05:35

Os mercados globais estão se preparando para um início de semana avesso ao risco, diz o estrategista sênior de Pesquisa da Pepperstone, Michael Brown.

Os traders enfrentam um evento de risco significativo com o prazo de 48 horas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para reabrir o Estreito de Ormuz, afirma ele.

Isso manterá os investidores em alerta, sustentando a demanda por refúgios como o dólar americano, diz Brown. O risco de retaliação do Irã também preocupa os traders.

É impossível precificar um caminho concreto sobre como tudo isso evoluirá, então a preservação de capital provavelmente será a prioridade, afirma Brown.

Ukrainian troops say they're combat-testing exoskeletons that can fit in a briefcase and help them run 12 mph

23 de Março de 2026, 01:35
Two soldiers in military fatigues, tactical vests, and exoskeletons walk the battlefield.
Two soldiers from the 147th Separate Artillery Brigade demonstrated the exoskeletons.

7th Air Assault Corps

  • A Ukrainian corps has released a video of its troops using exoskeletons on the battlefield.
  • Two soldiers can be seen loading artillery shells on a Howitzer with the help of the tech.
  • The 7th Air Assault Corps said they reduce physical load by 30% and help troops move faster.

Ukrainian forces say they're testing exoskeletons in battle for the first time, deploying them in logistics and combat positions on the Pokrovsk front.

The 7th Air Assault Corps posted a video on Friday of its 147th Separate Artillery Brigade demonstrating the new tech.

The exoskeletons are designed to be buckled at the waist and legs, with the apparatus wrapping behind the user's back and weaving toward the front of their knees. It also features two actuators at the hip that serve as hinges.

Each exoskeleton, the corps said, is meant to reduce the load on leg muscles by 30%, helping troops move at up to 12 mph for about 10 miles.

Clips showed two soldiers using the exoskeletons to carry and load artillery shells on a French CAESAR self-propelled Howitzer.

"Every day, artillerymen endure heavy physical loads. They carry 15 to 30 shells daily, each weighing 50 kg," said Colonel Vitalii Serdiuk, the corps' deputy commander, in a statement attached to the video.

The exoskeleton appears to be foldable, allowing it to fit inside a briefcase; the corps said the device itself weighs about 4.4 pounds.

Captions on the video said the exoskeletons are equipped with artificial intelligence that adapts in real time to the load on the soldier's legs and spine, allowing them to function in 10 different modes.

The 7th Air Assault Corps said this was the first time that any Ukrainian unit had trialed such technology in combat, and that the exoskeletons it received were test samples.

The US has also been designing its own exoskeletons, such as the Army's SABER, a soft, wearable exosuit that is strapped to the back and around each leg to reduce spinal strain.

Another example is Lockheed Martin's ONYX, a lower-body exoskeleton with knee actuators that wraps around the legs, but it hasn't been made standard-issue for the US military.

Read the original article on Business Insider

Ibovespa tomba 2% com Petrobras (PETR4) e Wall Street em meio à escalada das tensões no Irã; dólar sobe a R$ 5,31

20 de Março de 2026, 17:31

O Ibovespa (IBOV) derreteu 4 mil pontos durante a sessão e zerou os ganhos da semana com a escalada da aversão a risco global, em meio a novos desdobramentos do conflito no Oriente Médio.

Nesta sexta-feira (20), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com queda de 2,25%, aos 176.219,40 pontos. Na semana, o Ibovespa recuou 0,81%.

Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,3092, com alta de 1,79%. Apesar da forte valorização de hoje, o dólar acumulou queda de 0,13% ante o real na semana.

Por aqui, a cautela externa continuou a contaminar o mercado em dia de vencimento de opções. O risco de ingerência na Petrobras (PETR4) diante das medidas do governo para atenuar os efeitos da disparada do petróleo sobre os preços de energia também concentrou as atenções dos investidores.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a estatal poderá recomprar a Refinaria de Mataripe (antiga Refinaria Landulpho Alves – Rlam), na Bahia. “Vamos comprar de volta a refinaria na Bahia. Pode demorar um pouco, mas nós vamos”, disse Lula, ao lado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante evento na refinaria da Petrobras em Minas Gerais (Regap).

Altas e quedas do Ibovespa

Apenas cinco ações fecharam em alta no Ibovespa: Prio (PRIO3), Yduqs (YDUQ3), Rede D’Or (RDOR3), Vivara (VIVA3) e Cemig (CMIG4).

Em destaque, as ações da Cemig (CMIG4) figuraram como a única alta nas primeiras duas horas do pregão. Na máxima intradia, CMIG4 subiu 3,53% (R$ 12,62), em reação aos números do balanço do quarto trimestre (4T25) e anúncio da distribuição de juros sobre capital próprio (JCP) de R$ 658 milhões, com data “ex-direito” em 25 de março.  

Os papéis da elétrica fecharam com alta de 0,41%, a R$ 12,24.

Já a ponta negativa foi liderada por Braskem (BRKM5), que fechou em queda de 14,21%, a R$ 10,20. O movimento foi atribuído a uma realização de lucros recentes, com as mudanças do Regime Especial da Indústria Química (Reiq) já precificadas anteriormente. 

O benefício corresponde a créditos de PIS/Cofins, incidentes sobre as matérias-primas das indústrias química e petroquímica, passíveis de compensação com tributos federais.

Entre os pesos-pesados, Petrobras (PETR4;PETR3) caiu mais de 2%, em dia de alta nos preços do petróleo Brent no mercado internacional. O movimento de baixa foi acentuado após a publicação de uma Medida Provisória (MP) pelo governo federal que estabelece um subsídio ao diesel para mitigar os efeitos da alta das commodities no mercado global.

PETR4 fechou com queda de 2,37%, a R$ 45,67, sendo a ação mais negociada da B3. O papel teve 95,7 mil negócios e movimentou R$ 2,25 bilhões. PETR3 terminou o dia com baixa de 2,62%, a R$ 50,22.

Exterior 

Os índices de Wall Street encerraram a sessão em forte queda com as novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o conflito no Irã.

No final da tarde, Trump, disse que “está no processo de resolver a situação no Irã”, mas sem mencionar uma perspectiva de cessar-fogo. “Não fazemos cessar-fogo quando estamos vencendo e o outro lado está destruído. […] Estamos muito adiantados no cronograma”, disse o presidente norte-americano.

Mais cedo, a CBS News informou que autoridades do Pentágono fizeram preparativos detalhados para a possível mobilização de forças terrestres dos Estados Unidos no Irã.

O mercado também manteve as apostas de manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) até dezembro deste ano.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: -0,96%, aos 45.577,47 pontos;
  • S&P 500: -1,51%, aos 6.506,48 pontos; 
  • Nasdaq: -2,01%, aos 21.647,61 pontos.

Na Europa, os principais índices também encerraram em tom negativo, com o temor de um choque inflacionário com a escalada dos preços do petróleo no radar. O índice pan-europeu Stoxx 600 terminou as negociações com queda de 1,78%, aos 573,28 pontos.

Na Ásia, os índices fecharam em queda. O índice Nikkei, do Japão, não operou em razão de feriado local e o índice Hang Seng, de Hong Kong, teve recuo de 0,88%, aos 25.277,32 pontos. 

Por lá, o Banco da China (BPoC, na sigla em inglês) manteve os juros inalterados pela 10ª decisão consecutiva. A taxa primária de empréstimo de um ano (LPR) foi mantida em 3,0%, enquanto a LPR de cinco anos ficou inalterada em 3,5%.

BC volta a intervir no câmbio: o que fazer com os seus investimentos com a volatilidade do dólar

20 de Março de 2026, 12:37

O Banco Central entrou em campo ontem (19) com uma intervenção dupla no mercado de câmbio: vendeu dólares à vista e atuou com contratos futuros ao mesmo tempo.

O movimento, conhecido como “casadão”, é uma resposta ao nervosismo que tomou conta dos mercados desde o início da Guerra do Irã no fim de fevereiro. Nesse ambiente, uma pergunta que muitos investidores se fazem é: o que fazer com os investimentos em dólar na carteira?

O momento aponta para manter os ativos na moeda americana – seja via fundos negociados em plataformas de corretoras, seja via ETFs de câmbio – como uma clássica defesa contra choques externos.

Para quem não tem tais ativos no portfólio e deseja montar uma reserva em moeda forte, é preciso evitar exageros, porque o cenário está mais complexo do que o habitual.

O ideal é evitar um nível de exposição muito grande, que fique acima do equivalente a 5% do patrimônio em um portfólio, na média — pode ser um pouco mais se a posição estiver em ações, ativos de baixa correlação com o dólar.

Isso porque, como dizem economistas, o real está “resiliente”. Nos últimos 30 dias, mesmo diante da escalada dos conflitos no Oriente Médio entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, a moeda americana sobe apenas 0,9% contra a moeda brasileira.

Em relação ao sol peruano, o dólar já ganha 3% em valor no mesmo período; contra o peso colombiano, a alta é de 1,2%; ante o peso chileno, de 7%; em relação ao peso mexicano, a moeda avança 4,2%.

Desde o começo do ano, na verdade, a moeda americana está na contramão, com queda de 3% em relação ao real.

A palavra que define o momento, porém, é “instabilidade”.

visualization

O BC realizou o “casadão” ontem com o objetivo de providenciar liquidez e referência de preços ao mercado – uma resposta ao mesmo ambiente de estresse que levou o Tesouro Nacional a também intervir e fazer grandes recompras de títulos públicos nos últimos dias para conter o que classifica como disfuncionalidades no mercado de renda fixa.

Por isso, apesar da citada resiliência do real neste momento, é importante levar em conta movimentos mais amplos como parte de padrões históricos.

Quando há forte busca por proteção no mundo, moedas e ativos emergentes tendem a sofrer mais. É por essa razão que vender investimentos em dólar é uma má escolha.

Nesta sexta-feira (20), por exemplo, o dólar subiu 1,75%, cotado a R$ 5,3110, depois de uma sessão com estabilidade no dia anterior.

Diversificação global

O real tem demonstrado força ante o dólar diante de uma tendência mais ampla de desvalorização da moeda globalmente, motivada pelo interesse de grandes gestoras e fundos e de bancos centrais de diversificar suas reservas para além da moeda americana em um momento de incertezas nos Estados Unidos com as políticas de Donald Trump.

O que faz a moeda brasileira se destacar em relação a outros países emergentes é o chamado diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos, algo que segue elevado. E isso persiste mesmo com o corte da Selic feito pelo Banco Central nesta semana, que levou a taxa básica a 14,75% ao ano. Na maior economia do mundo, o juro está no intervalo entre 3,50% e 3,75%.

Isso mantém o Brasil relativamente atrativo para o investidor estrangeiro, dado que os ativos em reais oferecem maior remuneração. Isso tende a estimular a entrada de dólares e contribuir para a valorização do real.

E há ainda o efeito da alta do petróleo a ser observado nessa equação do dólar.

O aumento das cotações da commodity para o patamar de US$ 100 com a Guerra no Irã joga incerteza sobre a inflação diante da necessidade de repasses para os preços dos combustíveis.

Só que, de outro lado, o Brasil é um grande exportador de petróleo e de commodities em geral. Isso significa que o aumento dos preços tende a apreciar a nossa moeda, e não o contrário.

Com o petróleo mais caro, o Brasil exporta mais em valor e recebe mais dólares, o que aumenta a oferta de moeda estrangeira e isso acaba fortalecendo o real.

Tudo isso posto, é preciso levar em conta que o câmbio é um dos canais do mercado que mais expressam as incertezas na economia. Isso significa que tentar acertar o “momento certo” de adquirir ou vender dólares é uma má decisão.

Nos últimos 30 dias, o dólar oscilou entre o piso de R$ 5,12 e o teto de R$ 5,32 no mercado brasileiro com a escalada da guerra no Oriente Médio. Não é uma variação desprezível para um intervalo de tempo tão curto, e não à toa o Banco Central decidiu atuar para atenuar os movimentos.

One of the world's biggest energy groups is telling people to work from home as oil prices soar

20 de Março de 2026, 09:27
A man sitting at a desk working on a computer.
Working from home will conserve fuel by removing commutes, the IEA says.

Maxim Konankov/NurPhoto via Getty Images

  • The International Energy Agency released new guidance for people and governments as oil prices soar.
  • First on the list of recommendations: Work from home if you can.
  • The IEA also suggests minimizing air travel and driving more slowly on the highway.

The International Energy Agency, one of the world's most important energy groups, has issued 10 measures for governments, businesses, and households to take immediately as oil prices soar.

First on the list: Work from home where possible. This will reduce the use of oil used on commutes, the IEA wrote on its website on Friday.

Other measures the IEA suggests include reducing highway speed limits by at least six miles per hour, car sharing, cutting air travel, and using public transport more.

The IEA said that cutting down on business flights "can quickly ease pressure on jet fuel markets."

The agency also suggests switching to electric cooking and shifting bi-fuel and converted vehicles from liquefied petroleum gas (LPG) to gasoline where possible.

The price of Brent crude, the international oil benchmark, is around $106 per barrel on Friday, having risen to nearly $120 a barrel on Thursday following an attack by Iran on a major liquefied natural gas complex in Qatar.

The war in the Middle East continues to disrupt global supply chains, sending oil prices above $100 a barrel for the first time since 2022.

"The war in the Middle East is creating a major energy crisis, including the largest supply disruption in the history of the global oil market. In the absence of a swift resolution, the impacts on energy markets and economies are set to become more and more severe," IEA Executive Director Fatih Birol said in a statement.

The IEA advises governments and businesses on how to ensure energy systems are stable, sustainable, and affordable. The agency comprises 32 member countries, including the US and the UK.

It warned that the new measures, while potentially effective, cannot completely offset the disruption to the energy markets caused by the war.

"They can play a meaningful role in lowering costs for consumers, reducing markets strains and preserving fuels for essential uses until normal flows resume," it said.

Some countries have already taken measures to reduce energy use, especially those reliant on oil from the Middle East. The Indian government said in early March that non-domestic supplies from imported LPG were being prioritized for essential sectors.

The spike in crude has led to rising fuel costs for Americans. Although the US has not issued any guidance on how to lessen the impact, Business Insider's Sarah E. Needleman and Tim Paradis reported that some companies are allowing employees to work more from home.

Read the original article on Business Insider

Elon Musk has a history of doing the impossible. A Tesla Terafab may be his most difficult challenge yet.

20 de Março de 2026, 08:15
Elon Musk
Elon Musk has said building a Terafab is critical to Tesla's future.

Harun Ozalp/Anadolu via Getty Images

  • Elon Musk is about to unveil his most challenging project yet: a giant semiconductor factory.
  • The billionaire has said Tesla needs to build a "Terafab" to churn out chips for its robotaxis and Optimus robot.
  • One analyst said to never rule Musk out, but that building a Terafab could be harder than sending rockets to Mars.

Self-driving cars, cyborgs, and catching rockets in midair: Elon Musk can't resist the lure of the impossible.

The world's richest man has made a habit of taking on the world's most difficult engineering challenges at Tesla and SpaceX — and has often proved the doubters wrong. His latest target is a tall order even by his standards.

For several months, Musk has been talking about building a "Terafab," a mammoth factory that would churn out semiconductors critical for Tesla's ambitious rollout of robotaxis and humanoid robots.

On Saturday, he teased that an announcement was imminent. "Terafab Project launches in 7 days," Musk wrote in an X post, without providing further details.

In a January earnings call, the billionaire cited chip production as the major long-term headwind to the company's growth, suggesting that output from suppliers Samsung, TSMC, and Micron would be nowhere near enough to meet Tesla's targets as the EV giant scales its robotaxi and humanoid robot programs.

"This is definitely going to be sort of a controversial thing, but I think Tesla needs to build a Terafab," Musk told investors, adding that such a facility would also protect Tesla against geopolitical upheaval.

The Tesla CEO suggested that the company would pursue the hardest possible version of that vision, a "very big fab" that would produce and package logic and memory chips entirely in the US.

Speaking at Tesla's annual shareholder meeting last November, Musk estimated the Terafab would aim to initially produce 100,000 silicon wafers a month and could eventually grow to 1 million.

SpaceX's Super Heavy booster as it returned to its launch site, with the sun rising in the background.
SpaceX made history by returning the Heavy Booster to its launch site.

SpaceX/Getty Images

Ahead of the Terafab announcement, Tesla has begun laying the groundwork for Musk's grand plan. The tech giant is hiring a semiconductor infrastructure manager to oversee factory design and construction, per a recent job posting. The role is based in Austin, suggesting the Terafab could be built near Tesla's gigafactory on the outskirts of the city.

However, analysts told Business Insider that Tesla would face enormous challenges — and a huge bill — as it tries to master one of the most complex technologies on the planet.

"It's Musk, so I would never count it out. But I suspect this is actually harder than sending rockets to Mars," Stacy Rasgon, managing director and senior semiconductor analyst at Bernstein, told Business Insider.

Semi-impossible?

The global supply of semiconductors is almost entirely produced by a small handful of companies, many of them based in East Asia.

Manufacturing them is an expensive, complicated, and time-consuming process. Deep within hermetically sealed factories, chip designs are etched onto thin silicon wafers at the molecular level by specialist lithography machines, which are almost entirely made by one company in the Netherlands and can have a waitlist of over a year.

Rasgon said that procuring these in-demand ASML-built machines was a critical roadblock for any would-be chipmaker.

"If you're a brand new customer, you're probably waiting a couple of years before getting your hand on one of those," he said.

Rasgon added that chipmakers usually split up production of logic and memory chips and semiconductor packaging across different factories.

Musk's suggestion that Tesla could integrate them all into one facility would make scaling the Terafab even more complicated, Rasgon said, as each product has wildly different processes and economics.

TSMC factory Arizona
TSMC broke ground on its factory in Arizona in 2021.

: Jim West/UCG/Universal Images Group via Getty Images

Musk is not alone in fearing geopolitical disruption. The threat of a Chinese invasion of Taiwan, which would plunge global chip supply into chaos, has prompted companies, including TSMC, to build new chip fabs in the US.

But the road to US-produced semiconductors has been far from smooth. TSMC's Arizona expansion has faced years of delays and a total price tag of around $165 billion across multiple facilities.

The industry runs on technical knowledge that is deeply embedded within leading companies. TSMC flew employees out from Taiwan to help the Arizona facility ramp production and brought US workers to its home country to train them.

The need for specialized knowledge will make recruitment critical for Tesla's Terafab hopes, Rasgon said, adding that the semiconductor industry is already facing a worker shortage.

"These guys don't grow on trees," he said.

A 'Herculean' challenge

Analysts warned that overcoming these challenges would add to the severe cash burn Tesla is set to face in the coming years.

The company said in January it would spend $20 billion on building out its robotaxi and Optimus production lines this year, a figure which does not include the Terafab project.

Ben Kallo, a senior research analyst at Baird, told Business Insider that investors would have questions about how Tesla plans to fund such an ambitious project — especially considering Musk has also said Tesla will build around 100 gigawatts of solar panel manufacturing.

"Where's the money coming from? I think that's going to be a question," said Kallo, who added that he wouldn't rule out Tesla raising outside capital for the first time since 2020 to fulfill Musk's ambitious targets.

Musk hasn't given a specific timeline for building the Terafab and producing chips, but he said in the January earnings call that he was building it to "remove a probable constraint in three or four years."

In a Tuesday note, Morgan Stanley analysts led by Andrew Percoco pointed to Micron's factory in Boise — which began construction in late 2022 but isn't expected to begin shipping chips until mid-2027 — as evidence of how long it can take to build semiconductor infrastructure in the US.

They estimated that building a factory capable of producing 100,000 wafers for cutting-edge logic chips a month could cost as much as $45 billion. A note from UBS analysts in January estimated that just getting to Musk's initial production target of 100,000 silicon wafers a month would cost $30 billion.

"Even understanding Elon Musk's history of doing difficult things, this seems like a Herculean task," the Morgan Stanley analysts wrote.

Read the original article on Business Insider

Work from home and cut frivolous journeys: What countries are telling people to do as oil prices spike

Fuel pump
The AAA said that prices

Dan Kitwood/Getty Images

  • Nations across the world are taking steps to mitigate the impact of oil price spikes.
  • These include flexible working arrangements and reducing non-essential journeys.
  • Countries heavily reliant on Middle Eastern oil are particularly vulnerable to the war's impact.

Governments around the world are urging people to cut back on energy use amid surging oil prices.

Brent crude, the global benchmark, has climbed above $100 a barrel for the first time since 2022 and has held there for nearly two weeks.

The spike follows violent attacks on ships in the Strait of Hormuz since the outbreak of the Iran war and strikes on gas-related infrastructure, raising fears of prolonged disruptions to a route that carries roughly 20% of the world's supply chain.

In response, countries are rolling out measures to conserve fuel and protect domestic supplies. Thailand, for example, has said it will halt fuel exports to maintain its own energy demands, while other countries are asking citizens to pare back their consumption.

Here are some of the steps governments and international organizations are telling people to take.

International Energy Agency
The International Energy Agency logo is displayed on a phone with a blue reflection in the background.

Jonathan Raa/NurPhoto via Getty Images

The International Energy Agency, one of the world's most important energy groups, has issued 10 measures it says governments, businesses, and consumers can take immediately to help ease the impact of disruptions in oil markets.

These include working from home, avoiding air travel, and encouraging the use of electric cooking equipment.

Other steps include reducing highway speed limits by at least six miles per hour, car sharing, cutting air travel, and using public transport more.

The IEA said in the report that "the demand-side measures highlighted in the report cannot match the scale of disrupted supply."

However, it said "they can play a meaningful role in lowering costs for consumers, reducing markets strains and preserving fuels for essential uses until normal flows resume."

Philippines
Philippine President Ferdinand Bongbong Marcos, Jr shakes hands with a man while walking down a red carpet.

Philippine Presidential Com. Office/Anadolu via Getty Images

The Philippines has taken several measures in order to bring down energy use, including a four-day workweek for government staff and orders to cut the use of electricity and fuel costs in government agencies.

Government offices were told in early March to implement flexible working arrangements where practical, turn off lights and computers during lunch breaks, and adjust air conditioning unit thermostats to no lower than 75 degrees.

President Ferdinand Marcos Jr. said in a video message that the four-day workweek would be temporary and does not include emergency services.

"With the expected global oil price increase, the government is preparing measures to reduce its impact on Filipino families," the Facebook caption for the video said.

The Philippines is vulnerable to disruptions caused by the conflict, as it "relies on the Middle East for almost 90% of its oil supply," according to ING Think.

On March 18, Marcos said that the country is seeking alternative sources of petroleum products and asked the public not to worry.

"We are trying to find different methods to provide subsidies to give assistance," said Marcos in a press address. "The problem is that oil prices are very volatile. We can't anticipate them. So we are still adjusting right now."

Australia
Sydney skyline
Australia

Claudio Galdames/Anadolu via Getty Images

While no official rationing has been implemented in Australia, local media in at least two of the country's states reported that some fuel stations had begun limiting the amount of fuel customers can buy.

In comments to the media on Monday, March 9, Australia's energy minister Chris Bowen said that there is no shortage of fuel in Australia, but there are "some supply chain issues which are really being caused by a spike in demand of people seeking to buy extra diesel."

United Kingdom
A hydrogen powered commercial vehicle used by the AA is parked on grass while on display at a Fully Charged live show.
The AA provides breakdown cover, as well as finance, insurance, leisure and lifestyle services, in the UK.

Ian Forsyth/Getty Images

The president of the AA, the UK's largest motoring organization, advised drivers on Monday, March 9, that although they "should not change their refuelling habits," they could "consider cutting out some non-essential journeys and changing their driving style to conserve fuel."

Edmund King, AA's president, added: "Any time Brent Crude passes 100 dollars per barrel raises concern across the markets, for the haulage industry and drivers.

"There will be gradual increases in pump prices, but this shouldn't happen overnight as fuel has been purchased at previous prices."

Keir Starmer, the UK prime minister, said that the government would support citizens during the oil price spike.

"No matter the headwinds, supporting working people and their families with the cost of living is always top of my mind," he said.

Thailand
Anutin Charnvirakul
Thai Prime Minister Anutin Charnvirakul

Peerapon Boonyakiat/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

Prime Minister Anutin Charnvirakul urged citizens not to stockpile fuel. His comments came after long lines formed at gas stations across the country last week.

In early March, Anutin and the country's energy minister gave assurances that the diesel price would be capped for at least 15 days. He said that the Commerce Ministry was closely monitoring oil prices to prevent customer exploitation.

"Stockpiling fuel is dangerous. If you store it at home, it could accidentally cause fire — it could lead to all sorts of problems," he said. "There is no need to do that today."

India
A delivery staff carries a liquefied petroleum gas (LPG) cylinder at a distribution centre in Amritsar, India.

Narinder NANU / AFP via Getty Images

The Indian government invoked emergency powers on March 10 to divert liquefied petroleum gas supplies away from industrial users and toward households.

This was an expansion of previous measures. On March 9, India had ordered oil refineries to produce more LPG and said it was prioritizing that supply for households.

India's Ministry of Petroleum and Natural Gas said in a tweet on Monday that non-domestic supplies from imported LPG were being prioritized for essential sectors, such as hospitals and educational institutions.

Vietnam
Motorbike drivers wait in a line to pump gasoline into their vehicles at a blue gas station in Hanoi.

Nhac NGUYEN / AFP via Getty Images

Vietnam has urged local businesses to encourage employees to work from home in order to save fuel.

This comes after the country said it would remove tariffs on fuel imports.

Pakistan
Worker fills up the petrol tank of a white car while facing toward the pump.

Muhammed Semih Ugurlu/Anadolu via Getty Images

Pakistan has ordered measures to conserve fuel and reduce government spending, including implementing a four-day work week, having half of public sector employees work from home, and closing schools for two weeks.

Other measures include a pause on salaries for cabinet ministers and cutting government spending by 20%, Prime Minister Shehbaz Sharif announced on March 10.

Sri Lanka
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Ishara S. KODIKARA / AFP via Getty Images

Sri Lanka has made Wednesdays a public holiday to conserve fuel as the country braces for potential fuel shortages, according to the BBC.

"We must prepare for the worst, but hope for the best," President Anura Kumara Dissanayake said on March 9.

The shortened workweek will apply to schools and universities, but "essential" services like hospitals will keep the lights on.

Denmark
Gasoline prices at a Uno-X gas station in Copenhagen, Denmark, on March 9, 2026. Stock markets plunge on Monday as oil and gas prices soar on fears about supplies from the Middle East, with the US-Israeli war against Iran continuing into a second week with no sign of letting up. (Photo by Kristian Tuxen Ladegaard Berg/NurPhoto via Getty Images)

Kristian Tuxen Ladegaard Berg/NurPhoto via Getty Images

Denmark is urging citizens to reduce fuel.

"What the Danes should please, please, please do is that if there is any energy consumption that you can do without, if it is not strictly necessary to drive the car, then don't do it," Lars Aagaard, Denmark's energy and utilities minister, said during an interview with a local broadcaster on Wednesday.

"Firstly, it can be felt in the private wallet, and secondly, it can help stretch our reserves so that they last longer," Aagaard added.

Bangladesh
Vehicles queue at a fuel station, as concerns grow over fuel supplies following U.S.-Israel conflict with Iran, in Dhaka

Mohammad Ponir Hossain/REUTERS

Bangladesh's university students just got an early start to their Ramadan holidays, thanks to fuel conservation measures.

The country announced by mid-March that main colleges could cancel classes until later in the month. The government has shut down campuses completely to save electricity and has started imposing temporary blackouts for other facilities.

Egypt
This photograph taken on August 20, 2022 on Shobra Benha free highway in Qalyubia governorate of the Nile Delta outskirt of Cairo, Egypt, shows a petrol station at night. (Photo by Khaled DESOUKI / AFP) (Photo by KHALED DESOUKI/AFP via Getty Images)

KHALED DESOUKI/AFP via Getty Images

Egypt is enforcing some lifestyle changes to conserve gas and oil.

For a country that is used to shopping and dining well into the night, malls, restaurants, and retailers are being asked to shut down at 9 p.m. on weekdays starting on March 28.

The country also announced plans to turn off illuminated billboards and reduce public lighting, and to close government buildings by 6 p.m.

Spain
A woman refueling gasoline at a Plenergy low cost gas station in Madrid.
A woman refueling gasoline at a Plenergy low cost gas station in Madrid.

Marcos del Mazo/LightRocket via Getty Images

Spain's government has approved a $5.8 billion aid package to ease the economic effects of the war in the Middle East, Bloomberg reported.

The plan includes reducing VAT on electricity and gas from 21% to 10%, slashing the special electricity tax from 5% to 0.5%, and suspending the tax on electricity production, Prime Minister Pedro Sánchez said.

A subsidy of 20 cents per liter of fuel is being introduced for transport operators, farmers, and fishmongers, while the government will cover 80% of the electricity-grid charges for energy-intensive industries.

Read the original article on Business Insider

Não é só Vale e Petrobras: de Grupo Ultra a SLC, investidor estrangeiro diversifica compras

16 de Março de 2026, 16:04

A guerra do Irã não interrompeu o apetite de investidores estrangeiros pela bolsa no Brasil, o que sinaliza a continuidade de uma força que sustenta o Ibovespa próximo a patamares recordes.

Nos últimos cinco pregões da B3 até dia 13, ou seja, já na segunda semana de embates no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã, investidores internacionais acrescentaram mais R$ 1,1 bilhão líquido (aportes menos resgates) a um volume que já alcança R$ 43 bilhões só neste ano.

Esse capital de fora tem negociado em maior volume ações de empresas de commodities e serviços públicos (utilities) nas últimas semanas. E o interesse estrangeiro já vai muito além de Petrobras e Vale, segundo aponta um levantamento do time de pesquisa em ações do Itaú BBA.

O estrangeiro passou a comprar ações de companhias como SLC Agrícola (SLCE3), uma das maiores produtoras de soja do país; Copel (CPLE3), companhia de energia do Paraná; Grupo Ultra (UGPA3), dono da rede de postos Ipiranga e com atuação relevante em logística; e Copasa (CSMG3), companhia de saneamento mineira, que está em processo de privatização.

Todos os papéis acumulam altas acima de 18% no ano até a manhã desta segunda-feira (16): a SLC sobe 23,60%; a Copel tem alta de 18,95%; o Grupo Ultra avança 25%; e a Copasa tem ganho de 19,90%.

Existe um racional sobre o interesse do investidor por tais ativos. A procura pelo setor agrícola tem a ver com o período de safra no país. A colheita da soja, por exemplo, se estende de fevereiro a maio.

E as expectativas para a safra colocam a régua da produtividade no topo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima um volume histórico de 177,8 milhões de toneladas para a soja. Já a previsão para a safra total de grãos é a de uma colheita recorde de 353,4 milhões de toneladas.

No caso das utilities, as companhias são vistas como sendo de perfil defensivo, especialmente em um momento no qual o preço da energia está em alta diante da Guerra do Irã.

Empresas de serviços públicos têm receitas previsíveis e recorrentes no longo prazo e regulações bem definidas. Esse grupo pode se beneficiar tanto do crescimento de demanda por energia quanto pelo próprio déficit de infraestrutura de saneamento no país.

O banco de investimento do Itaú desenvolveu um indicador que leva em conta variáveis como o desempenhos dos papéis em relação ao Ibovespa, o volume diário negociado, a volatilidade e a quantidade de dias em que a ação subiu mais que o principal índice da bolsa.

Entre as dez primeiras da lista aparecem ainda empresas financeiras, uma telecom e uma construtora: Vivo (VIVT3), Caixa Seguridade (CXSE3), Banco do Brasil (BBAS3) e Tenda (TEND3).

O indicador levou em conta os resultados dos últimos dois meses. Como estrangeiros basicamente dominaram os aportes na bolsa neste ano, o levantamento pode ser visto como um reflexo dos ativos mais negociados por investidores globais no período.

Por outro lado, tanto investidores individuais quanto institucionais locais registraram resgates líquidos (resgates menos aportes) de R$ 5,8 bilhões e R$ 32 bilhões nos últimos dois meses e meio, respectivamente.

F-15E Strike Eagles, deployed during Operation Epic Fury, can fly 2.5 times the speed of sound. Take a closer look.

16 de Março de 2026, 13:43
An F-15E Strike Eagle prepares to land in the Middle East.
A U.S. Air Force F-15E Strike Eagle aircraft prepares to land at a base in the Middle East, Jan. 18, 2026. The F-15E Strike Eagle is a dual-role fighter designed to perform air-to-air and air-to-ground missions at low altitude, day or night and in all weather.

U.S. Air Force photo by Senior Airman Jonah Bliss

  • The US Air Force deployed F-15E Strike Eagles during Operation Epic Fury against Iran.
  • The fighter jets are designed for air-to-air and air-to-ground combat in all weather, day or night.
  • Kuwait mistakenly shot down three F-15E Strike Eagles in a "friendly fire" incident, CENTCOM said.

F-15E Strike Eagles, fighter jets designed for air-to-air and air-to-ground combat, are usually a dominating force in the skies.

When three F-15E Strike Eagles were mistakenly shot down by Kuwait during Operation Epic Fury, it brought renewed attention to one of the Air Force's fastest, most versatile aircraft.

Here's a closer look at the F-15E Strike Eagle, an advanced aircraft the US is using to destroy Iran's missile arsenal and drone bases from the skies above Iran.

The F-15E Strike Eagle has been in service in the US Air Force for nearly 40 years.
An F-15E Strike Eagle.
An F-15E Strike Eagle, aircraft assigned to the 40th Flight Test Squadron, Eglin Air Force Base, Florida, takes off from Nellis AFB, Nevada, Feb. 20, 2026. The 40th FLTS conducts developmental flight tests for fighter aircraft, focusing on weapon systems, software upgrades, and avionics.

U.S. Air Force photo by Airman 1st Class Jasmine Thomas

The first F-15A model flew in 1972, and the first F-15Es were produced in 1988, according to the US Air Force.

It's the fastest crewed aircraft in the US Air Force.
An F-15E Strike Eagle flies through the sky.
A U.S. Air Force F-15E Strike Eagle assigned to the 48th Fighter Wing flies during Exercise Ocean Sky 25 at Gando Air Base, Gran Canaria, Spain, Oct. 20, 2025. This annual exercise is designed to increase the operational proficiency of pilots, aircrew and air defense personnel through realistic, high-tempo air-to-air missions, supporting continued efforts to strengthen partnerships, alliances and combat readiness.

U.S. Air Force photo by Staff Sgt. Elizabeth Davis

The air-to-air and air-to-ground attack aircraft can fly at 1,875 miles per hour, or 2.5 times the speed of sound.

The F-15E Strike Eagle's high thrust-to-weight ratio enables it to accelerate during vertical climb.
An F-15E Strike Eagle.
A U.S. Air Force F-15E Strike Eagle turns left in the air during exercise Marauder Shield 26.1 within the U.S. Central Command area of responsibility, Nov. 11, 2025. Marauder Shield 26.1 was focused on enhancing counter-Unmanned Aircraft Systems capabilities, fighter integration, improving command and control, and fostering closer cooperation between the U.S. and Kuwait, ensuring a more secure and stable region.

U.S. Air Force photo by Staff Sgt. Tylin Rust

The high thrust-to-weight ratio also allows the F-15E Strike Eagle to execute tight turns without sacrificing speed. It has two Pratt & Whitney F100 engines, each producing over 23,000 pounds of thrust.

Another distinguishing capability is the plane's head-up display, which projects flight and tactical information directly on the windscreen.
The head-up display on a C-17 Globemaster III.
A U.S. Air Force C-17 Globemaster III aircraft, operated by the 204th Airlift Squadron, Hawaii Air National Guard, is captured through the head-up display of another C-17 during a training sortie Dec. 1, 2025, off the coast of Hawaii.The 204th Airlift Squadron operates under the Total Force Initiative, with aircraft crewed and maintained jointly by Hawaii Air National Guard Airmen of the 154th Wing and active-duty Airmen of the 15th Wing.

U.S. Air National Guard photo by Tech. Sgt. John Linzmeier

Pilots can track and attack targets, check the status of weapons, and see other tactical and flight information without taking their eyes off the windscreen.

The fighter jet also includes a low-altitude navigation and targeting infrared for night (LANTIRN) system.
The underside of an F-15E Strike Eagle.
A U.S. Air Force F-15E Strike Eagle assigned to the 492nd Fighter Squadron takes off from Royal Air Force Lakenheath, England, June 27, 2023. F-15 training sorties are conducted by 48th Fighter Wing members to ensure they stay prepared and efficient to provide a strategic force whenever they are called upon for a mission. (U.S. Air Force Photo by Airman 1st Class Olivia Gibson)

U.S. Air Force Photo by Airman 1st Class Olivia Gibson

The LANTIRN system allows the planes to fly in any weather and attack ground targets at low altitudes. The system consists of two pods, a navigation pod and a targeting pod, mounted under the plane.

F-15E Strike Eagles can carry both nuclear and conventional weapons.
Loading an AIM-120 missile onto an F-15E Strike Eagle
U.S. Air Force Staff Sgt. Sean Policarpio and Senior Airman Angelo Val, 389th Fighter Generation Squadron load crew members, load an AIM-120 missile onto an F-15E Strike Eagle aircraft at Mountain Home Air Force Base, Idaho, Oct. 24, 2025. Weapons load crews work together to ensure munitions are safely loaded and mission ready for F-15E Strike Eagle operations.

Airman 1st Class Donovin Watson/366th Fighter Wing

Its armament includes an internally mounted 20-millimeter gun with 500 rounds of ammunition, AIM-9 Sidewinder missiles, and AIM-120 AMRAAMs, an acronym for the radar-guided Advanced Medium-Range Air-to-Air Missiles.

The F-15 also regularly carries ground attack weapons like the Joint Direct Attack Munition, or JDAM, a kit that adapts an unguided munition into a "smart" bomb with fins and GPS guidance.

F-15E Strike Eagles are flown by a pilot and a weapons systems officer.
The cockpit of an F-15E Strike Eagle.
A U.S. Air Force KC-135 Stratotanker assigned to the 100th Air Refueling Wing fuels an F-15E Strike Eagle assigned to the 48th Fighter Wing during an aerial refueling mission over the North Sea as part of Exercise Point Blank, Feb. 2, 2026. Point Blank is a recurring exercise initiative, designed to increase tactical proficiency of U.S., U.K. Ministry of Defense and other NATO forces.

U.S. Air Force photo by Airman 1st Class Aidan Martínez Rosiere

The weapon system officer sits directly behind the pilot, and closely manages the plane's sensors and weapons.

Two variants of the F-15 are single-seaters: the F-15A and F-15C.

The planes can fly 2,400 miles without refueling, and can be refueled in flight.
An F-15E Strike Eagle receives in-flight refueling from a KC-135 Stratotanker.
A U.S. Air Force F-15E Strike Eagle receives in-flight refueling from a 100th Air Refueling Wing KC-135 Stratotanker during exercise Ocean Sky, over the Atlantic Ocean, Oct. 15, 2025. The Stratotanker provides air refueling capabilities, enhancing the Air Force's ability to accomplish its primary mission of global reach.

U.S. Air Force photo by Senior Airman Cody J. A. Mott

F-15E Strike Eagles have a fuel capacity of 35,550 pounds.

The fighter jets can be refueled in flight by KC-135 Stratotanker aircraft, which Boeing developed from its "Dash 80" prototype in the 1950s.

KC-135s were also deployed to Israel as part of Operation Epic Fury. One crashed in western Iraq on Thursday, killing six US service members. United States Central Command said the circumstances of the crash were under investigation, but it "was not due to hostile fire or friendly fire."

Each F-15E cost $31.1 million to produce in 1998, according to US Air Force figures. That would be around $62.3 million when adjusted for inflation.
F-15E Strike Eagles at Travis Air Force Base in California.
U.S. Air Force F-15E Strike Eagles assigned to the 336th Fighter Squadron are parked on the flight line during Exercise Bamboo Eagle 24-3 at Travis Air Force Base, California, Aug. 3, 2024. During Bamboo Eagle, Air Mobility Command assets supported warfighters implementing all-domain combat-power generation from disaggregated basing locations throughout the western part of the U.S., along with distributed command and control, agile logistics and tactical air-to-air refueling.

U.S. Air Force photo by Kenneth Abbate

Newer F-15 models cost around $100 million, The Wall Street Journal reported.

The newest version of the aircraft is the F-15EX Eagle II, which features more advanced controls and upgraded engines.

On March 1, Kuwait's air defenses mistakenly shot down three American F-15Es during Operation Epic Fury in what US Central Command described as a "friendly fire incident."
F-15E Strike Eagles in the Middle East.
U.S. Air Force F-15E Strike Eagle aircraft taxi off of the runway after landing at a base in the Middle East, Jan. 18, 2026. The U.S. maintains a highly agile fighting force, leveraging the most advanced capabilities to support the long-term security and stability of the region.

U.S. Air Force photo by Senior Airman Jared Brewer

All six crew members ejected safely. The incident is under investigation.

"Kuwait has acknowledged this incident, and we are grateful for the efforts of the Kuwaiti defense forces and their support in this ongoing operation," CENTCOM said.

Read the original article on Business Insider

Oil prices climb as the US and Israel's war on Iran enters its 3rd week

15 de Março de 2026, 19:35
Oil Rig
Oil futures climbed on Sunday as the Iran war showed no signs of slowing down.

David McNew/Getty Images

  • Oil climbed on Sunday as the US and Israel's war with Iran entered its third week.
  • The near closure of the Strait of Hormuz continues to disrupt the global oil supply chain.
  • Higher oil prices mean higher prices for Americans at the pump and in other goods.

Oil futures climbed in early trading on Sunday as the US and Israel's war with Iran entered its third week, disrupting the global supply chain.

Brent oil reached $106.33, up nearly $3 from when the market closed on Friday. West Texas Intermediate hit $101.19 on Sunday.

For Americans, surging oil prices mean spending more at the pump. The national average price for gasoline hit $3.69 on Sunday. Gas prices have surpassed $3 in all 50 US states for the first time since 2023.

The International Energy Agency said last week the war has caused the largest oil market disruption in history, and that global oil supply will drop by 8 million barrels per day in March.

Kevin Hassett, the US director of the National Economic Council and a top aide to President Donald Trump, said Sunday on CBS News' "Face the Nation" that the US is working to minimize the fallout for American consumers.

"The big problem right now would be energy prices, and we're watching and monitoring closely," Hassett said.

Much of the instability in the oil market stems from the near-closure of the Strait of Hormuz, which Iran controls and through which about 20% of the world's petroleum passes. Trump has called on other nations to help secure the strait, but has so far received either lukewarm replies or none at all.

Attacks on major oil hubs are also likely driving up prices. Trump said late Friday that the US had "totally obliterated" military targets on Iran's Kharg Island, where refineries process almost all of the nation's oil exports.

The president threatened to target oil infrastructure on the island if Iran continued to prevent ships from passing through the Strait of Hormuz. An attack on the key Iranian oil center would further destabilize the global oil market.

In response, Iran said that ports, docks, and "American hideouts" in the United Arab Emirates could be targeted. Fire later broke out near the Port of Fujairah in the United Arab Emirates, the only multipurpose maritime facility on the UAE's east coast and a major oil depot, on Saturday. The local government said an intercepted drone caused the fire.

Any end to the conflict, meanwhile, appears to be a long way off. Iran's foreign minister, Abbas Araghchi, said on Sunday that there has been no discussion of a ceasefire.

"We are only defending our people from this act of aggression," Araghchi said on "Face the Nation."We don't see any reason why we should talk with Americans, because we were talking with them when they decided to attack us, and that was for the second time."

Read the original article on Business Insider

Ibovespa cai com Petrobras (PETR4) e aversão a risco em Wall Street; dólar sobe a R$ 5,31 e atinge maior nível desde janeiro

13 de Março de 2026, 17:17

O Ibovespa (IBOV) acompanhou a piora do humor dos investidores no exterior e as mudanças nas precificações de corte nos juros nos Estados Unidos e no Brasil, em meio a disparada dos preços do petróleo.

Nesta sexta-feira (13), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com queda de 0,91%, aos 177.653,31 pontos. Na semana, o Ibovespa acumulou perda de 0,95%. 

Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,3163, com alta de 1,41%, no maior patamar desde janeiro. Na semana, o dólar teve valorização de 1,38% sobre o real.

Por aqui, os investidores ainda repercutiram o pacote de medidas do governo para conter os preços dos combustíveis, anunciado no dia anterior. Hoje, a Petrobras (PETR4) anunciou um reajuste de 11,6% no preço do litro do diesel para as refinarias – o que, nas contas do BCG Liquidez, cancelou o efeito baixista das medidas do governo no IPCA.

Os mercado também ajustou as apostas sobre a trajetória da taxa de juros brasileira, em meio a escalada das tensões geopolícias e possíveis impactos nos preços de energia.

Tanto as Opções do Copom da B3 quanto a curva a termo precificam, majoritariamente, um corte de 0,25 ponto percentual na Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom), de 15% para 14,75% ao ano, na próxima semana.

Antes da guerra no Irã, a aposta majoritária era de redução inicial de 0,50 ponto percentual.

As pesquisas eleitorais também continuaram no radar. Ainda na seara política, a Reuters noticiou que Fernando Haddad lançará a candidatura para o governo de São Paulo na próima quinta-feira (19).

Altas e quedas do Ibovespa

Em dia de forte aversão a risco, as ações cíclicas lideraram a ponta negativa do Ibovespa, com a abertura da curva de juros. Vivara (VIVA3) figurou enhtre as maiores perdas do pregão, acompanhada de Braskem (BRKM5),  CSN (CSNA3) ainda em reação aos balanços trimestrais e recentes notícias das companhias.

Em destaque, as ações da Petrobras (PETR4), um dos pesos-pesados do Ibovespa, também encerraram em tom negativo após o aumento nos preços do diesel. PETR3 fechou com queda de 0,10%, a R$ 49,60; PETR4 terminou o dia com perda de 0,53%, a R$ 44,76.

Apesar do reajuste, os analistas consideram que os preços praticados pela estatal seguem defasados na comparação a paridade de importação (PPI).

Segundo a Abicom, para alinhar totalmente os preços domésticos às referências internacionais, a Petrobras precisaria elevar o diesel em R$ 2,34 por litro, após mais de 300 dias sem reajustes. No caso da gasolina, a defasagem é de 43%, o que implicaria um aumento de R$ 1,10 por litro.

A expectativa, no entanto, é de que a estatal não repasse integralmente a volatilidade externa ao consumidor. Medidas anunciadas pelo governo nesta semana deram algum alívio à companhia, que já confirmou adesão ao programa de subvenção ao diesel.

Já a ponta positiva do Ibovespa foi liderada por BB Seguridade (BBSE3) e SLC Agrícola (SLCE3).

Exterior 

Os índices de Wall Street intensificaram as perdas na segunda parte do pregão, monitorando as tensões no Oriente Médio.

Os investidores também dividiram as atenções com novos dados de inflação nos Estados Unidos.

O índice de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), subiu 0,3% em janeiro, em linha com as expectativas. Na comparação anual, o índice apresentou um aumento de 2,8%, ligeiramente abaixo dos 2,9% previstos pelos economistas consultados pela Dow Jones. O dado é a principal referência de inflação para o Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano).

Com a escalada das tensões e dados de inflação em linha com o esperado, o mercado voltou a considerar setembro comoo mês mais provável para a retomada do ciclo de corte nos juros dos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano). Perto do fechamento, a probabilidade de corte no sétimo mês do ano era de 54,2%, de acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group. Na véspera, os traders observaram chance de redução dos juros apenas em dezembro.

Para a decisão da próxima semana, a probabilidade de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano é de 99,1%.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: -0,26%, aos 46.558,47 pontos;
  • S&P 500: -0,61%, aos 6.632,19 pontos; 
  • Nasdaq: -0,93%, aos 22.105,35 pontos.

Na Europa, os principais índices também encerraram em tom negativo, ainda pressionados pelas incertezas geopolíticas. O índice pan-europeu Stoxx 600 terminou as negociações com queda de 0,50%, aos 595,85 pontos.

Na Ásia, os índices tiveram mais uma sessão de perdas com os investidores incertos quanto à duração do fechamento do Estreito de Ormuz. O índice Nikkei, do Japão, caiu 1,16%, aos 53.819,61 pontos; enquanto o índice Hang Seng, de Hong Kong, recuou 0,98%, aos 25.465,60 pontos. 

Dólar tem novo salto e fecha a R$ 5,31 com disparada do petróleo e precificação de corte menor na Selic

13 de Março de 2026, 17:05

O dólar repetiu o movimento de fortes ganhos da véspera e encerrou o pregão em alta. 

Nesta sexta-feira (13), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 5,3163, com ganho de 1,41%. 



  • LEIA MAIS: Comunidade de investidores Money Times reúne tudo o que você precisa saber sobre o mercado; cadastre-se

O movimento acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com alta de 0,73%, aos 100,466 pontos.

Na semana, o dólar teve valorização de 1,38% sobre o real.

O que mexeu com o dólar hoje?

As tensões no Oriente Médio deram gás para uma nova valorização do petróleo, com o barril Brent encerrando o dia cotado acima de US$ 100.

Hoje, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os EUA escoltarão embarcações pelo Estreito de Ormuz, se necessário. Em entrevista à Fox News, o chefe da Casa Branca ainda declarou que as forças militares norte-americanas vão atacar o Irã  “com muita força na próxima semana”.

A declaração foi uma resposta ao Irã. Na véspera, o novo líder supremo Mojtaba Khamenei afirmou que o estreito deve permanecer fechado “como instrumento de pressão contra os EUA e Israel”.

Os investidores também dividiram as atenções com novos dados de inflação nos Estados Unidos.

O índice de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), subiu 0,3% em janeiro, em linha com as expectativas. Na comparação anual, o índice apresentou um aumento de 2,8%, ligeiramente abaixo dos 2,9% previstos pelos economistas consultados pela Dow Jones. O dado é a principal referência de inflação para o Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano).

Com a escalada das tensões e dados de inflação em linha com o esperado, o mercado voltou a considerar setembro como o mês mais provável para a retomada do ciclo de corte nos juros dos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano). Perto do fechamento, a probabilidade de corte no sétimo mês do ano era de 54,2%, de acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group. Na véspera, os traders observaram chance de redução dos juros apenas em dezembro.

Para a decisão da próxima semana, a probabilidade de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano é de 99,1%.

No Brasil, o mercado também ajustou as apostas de afrouxamento monetário. Tanto as Opções do Copom da B3 quanto a curva a termo precificam um corte de 0,25 ponto percentual na Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom), de 15% para 14,75% ao ano, na próxima semana. Antes da guerra no Irã, a aposta majoritária era de redução inicial de 0,50 ponto percentual.

Por aqui, o mercado ainda repercutiu o pacote de medidas do governo para conter os preços dos combustíveis, anunciado no dia anterior. As pesquisas eleitorais também continuaram no radar.

Pela manhã, o Banco Central vendeu, em dois leilões simultâneos, US$ 1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$ 1 bilhão de swap cambial reverso – neste caso, uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro.

Ao fazer o “casadão”, o BC eleva a liquidez no mercado à vista em momentos de estresse como o atual, em que o dólar tem sido pressionado pelos desdobramentos da guerra no Oriente Médio. O efeito das operações sobre as cotações do dólar é, na prática, nulo, já que o BC vendeu US$ 1 bilhão em uma ponta e comprou US$ 1 bilhão em outra.

*Com informações de Reuters

Investidor Silvio Tini ultrapassa Casino e vira o segundo maior acionista do GPA

12 de Março de 2026, 19:55

O investidor Silvio Tini, por meio de sua holding Bonsucex, elevou sua participação no GPA para 23,025% das ações ordinárias, tornando-se o segundo maior acionista da companhia e ultrapassando o varejista francês Casino, que detém cerca de 22,5% do capital.

A informação foi divulgada ao mercado nesta quinta-feira (12) após a Bonsucex comunicar que, somadas suas participações diretas e indiretas, passou a deter 113 milhões de ações ordinárias do grupo dono das redes Pão de Açúcar e Extra.

Com o movimento, Tini se aproxima da participação da família Coelho Diniz, dona de 24,6% do GPA, hoje o principal bloco de influência no conselho da companhia e responsável pela presidência do colegiado.

A ultrapassagem do Casino tem peso simbólico na história do GPA. O grupo francês foi controlador da companhia por mais de uma década, posição que começou a perder após a reestruturação financeira do varejista e a redução gradual de sua participação.

Mudanças no GPA

O avanço da Bonsucex ocorre em meio a um período de reacomodação acionária, enquanto o GPA lida com uma recuperação extrajudicial de R$ 4,5 bilhões.

No comunicado enviado ao GPA, a Bonsucex afirma que a participação foi adquirida para “fins de investimento, sem intenção de alterar o controle da companhia”. Em janeiro, Silvio Tini já havia indicado dois conselheiros na companhia, em seu primeiro movimento para participar da governança do grupo.

Tini é um investidor veterano do mercado acionário brasileiro. Por meio da Bonsucex, holding criada em 1982 para concentrar participações societárias, manteve ou já manteve posições relevantes em companhias como Alpargatas, Bombril e Paranapanema.

O investidor chegou a figurar entre os brasileiros mais ricos, com fortuna estimada em cerca de R$ 4 bilhões segundo ranking da revista Forbes.

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Investidor Silvio Tini ultrapassa Casino e vira o segundo maior acionista do GPA

12 de Março de 2026, 19:55

O investidor Silvio Tini, por meio de sua holding Bonsucex, elevou sua participação no GPA para 23,025% das ações ordinárias, tornando-se o segundo maior acionista da companhia e ultrapassando o varejista francês Casino, que detém cerca de 22,5% do capital.

A informação foi divulgada ao mercado nesta quinta-feira (12) após a Bonsucex comunicar que, somadas suas participações diretas e indiretas, passou a deter 113 milhões de ações ordinárias do grupo dono das redes Pão de Açúcar e Extra.

Com o movimento, Tini se aproxima da participação da família Coelho Diniz, dona de 24,6% do GPA, hoje o principal bloco de influência no conselho da companhia e responsável pela presidência do colegiado.

A ultrapassagem do Casino tem peso simbólico na história do GPA. O grupo francês foi controlador da companhia por mais de uma década, posição que começou a perder após a reestruturação financeira do varejista e a redução gradual de sua participação.

Mudanças no GPA

O avanço da Bonsucex ocorre em meio a um período de reacomodação acionária, enquanto o GPA lida com uma recuperação extrajudicial de R$ 4,5 bilhões.

No comunicado enviado ao GPA, a Bonsucex afirma que a participação foi adquirida para “fins de investimento, sem intenção de alterar o controle da companhia”. Em janeiro, Silvio Tini já havia indicado dois conselheiros na companhia, em seu primeiro movimento para participar da governança do grupo.

Tini é um investidor veterano do mercado acionário brasileiro. Por meio da Bonsucex, holding criada em 1982 para concentrar participações societárias, manteve ou já manteve posições relevantes em companhias como Alpargatas, Bombril e Paranapanema.

O investidor chegou a figurar entre os brasileiros mais ricos, com fortuna estimada em cerca de R$ 4 bilhões segundo ranking da revista Forbes.

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Dólar fica estável a R$ 5,15 com incertezas sobre a guerra no Irã

11 de Março de 2026, 17:02

Depois de duas sessões de queda, o dólar recuperou o fôlego com a escalada das tensões no Oriente Médio. Dados de inflação nos Estados Unidos e cenário eleitoral no Brasil ficaram em segundo plano 

Nesta quarta-feira (11), o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão a R$ 5,1593, com leve alta de 0,03%. 



  • LEIA MAIS: Comunidade de investidores Money Times reúne tudo o que você precisa saber sobre o mercado; cadastre-se

O movimento acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com alta de 0,38%, aos 99.210 pontos.

O que mexeu com o dólar hoje?

A guerra no Irã ganhou uma nova escalada nas tensões com ataques iranianos a três navios, durante a madrugada desta quarta-feira (11), no Golfo Pérsico.

O comando militar do país persa também afirmou que o mundo deve estar preparado para o petróleo atingir US$ 200 por barril. “Prepare-se para que o petróleo chegue a US$ 200 o barril porque o preço do petróleo depende da segurança regional que vocês desestabilizaram”, disse Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando militar do Irã, em comentários dirigidos aos Estados Unidos.

Até o momento, não houve nenhuma trégua em terra, nem qualquer sinal de que navios já podem navegar com segurança pelo Estreito de Ormuz – por onde 20% do petróleo do mundo é escoado em tempos de normalidade geopolítica – , na pior interrupção do fornecimento de energia desde os choques do petróleo da década de 1970.

Por outro lado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou que “praticamente não há mais nada” para atacar no Irã e que a guerra naquele país terminará “em breve”, em entrevista ao site Axios. “Pequenas coisas aqui e ali. Quando eu quiser que isso acabe, vai acabar”, declarou Trump.

Em segundo plano, os investidores acompanharam novos dados de inflação norte-americana. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,3% no mês de fevereiro, segundo dados do Departamento do Trabalho do país. No acumulado de 12 meses, o CPI acumula alta de 2,4%.

Embora o dado não seja a referência inflacionária do Federal Reserve (Fed), o CPI ‘ajuda’ o mercado a calibrar as apostas sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos. Após o resultado, os traders adiaram a leitura de que o Fed vai retomar o ciclo de cortes nos juros de julho para setembro.

Para a próxima decisão de política monetária, que acontece na semana que vem, há 99,4% de chance de o BC manter os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, de acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group.

“O mercado vem ajustando as expectativas para a política monetária norte-americana com o mercado passando a precificar cerca de 30 pontos-base de cortes até o fim do ano” como consequências das preocupações sobre inflação em meio a disparada dos preços do petróleo, afirma Bruno Shahini, especialista de investimentos da Nomad.

Saída de dólares e cenário eleitoral

Segundo dados do Banco Central, o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US $3,897 bilhões em março até o dia 6 – a primeira semana de conflitos no Irã.

Por aqui, o cenário eleitoral também movimentou o mercado de câmbio. As pesquisas de intenção de votos apontaram para um empate técnico entre os candidatos  Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

*Com informações de Reuters

GPA (PCAR3) aponta Casas Bahia como ‘inflexível’ em cobrança de R$ 170 milhões que vence hoje

11 de Março de 2026, 16:43

O GPA (PCAR3) apontou a Casas Bahia como uma credora inflexível na cobrança de R$ 170 milhões, valor que a companhia afirma não ter condições de pagar sem interromper suas operações, mostra o pedido de recuperação extrajudicial entregue à Justiça. O documento indica ainda que a ausência de acordo sobre antigas obrigações contratuais de pagamento elevou a pressão sobre o caixa do GPA.

As ações do dono da bandeira Pão de Açúcar enfrentam mais um dia negativo no Ibovespa (IBOV) no pregão desta quarta-feira (11), com o mercado ainda digerindo o pedido de recuperação extrajudicial anunciado na véspera e aceito hoje pelo juízo da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo.

Por volta de 16h10 (horário de Brasília), as ações PCAR3 caíam 2,26%, cotadas a R$ 2,59. Acompanhe o tempo real.



No pedido, o GPA aponta a evolução da carteira de contencioso como fator para a pressão do caixa no curto prazo.  Primeiro, com o aumento no custo anual de fianças e garantias para suspender os atos executivos nas contingências tributárias, que dobrou de R$ 125 milhões, em 2024, para R$ 250 milhões, em 2025.

“Segundo, o esgotamento das discussões judiciais a respeito de antigas obrigações contratuais de pagamento aumentou a pressão sobre o caixa da companhia”, diz o documento. O mais relevante desses casos é a cobrança que o GPA vem recebendo da Casas Bahia.

Em dezembro do ano passado, o GPA perdeu um processo arbitral relacionado a obrigações assumidas da antiga Globex (hoje Casas Bahia). Com isso, houve reconhecimento da obrigação de pagamento pelo GPA de aproximadamente R$ 170 milhões.

“Muito embora a companhia tenha tentado negociar tal pagamento, em especial à luz das dificuldades que vinha enfrentando, a Casas Bahia sempre se demonstrou inflexível, exigindo a quitação imediata. Em 27 de janeiro de 2026, a Casas Bahia ajuizou o cumprimento de sentença […] buscando a satisfação desse crédito. Após decisão do Juízo determinando o pagamento, o GPA tem prazo até dia 11 de março de 2026 para fazê-lo”, diz a petição.

O prazo mencionado vence nesta quarta-feira (11) e o GPA afirma não ter condições de realizar o pagamento sem interromper as suas operações, acrescentando que, sem a proteção legal do processo de recuperação extrajudicial, estaria sujeita a agravar significativamente a pressão sobre o seu caixa.

Os motivos da recuperação extrajudicial

No documento apresentado à Justiça, o Pão de Açúcar afirma que, embora conte com uma plataforma operacional robusta, escala relevante e presença consolidada no Brasil, o cenário de alta alavancagem e um “estrangulamento na liquidez de curto prazo” pressionam a companhia.

A expectativa é de que essas questões sejam solucionadas por meio do plano de recuperação extrajudicial.

Três fatores acumulados levaram ao cenário em que a varejista se encontra hoje, conforme a petição. O primeiro é o ambiente macroeconômico e setorial adverso, com os juros elevados (Selic em 15%) e aumento da pressão competitiva no segmento de atuação.

Somado a isso, está a concentração de vencimentos no curto prazo e obrigações contratuais de pagamento com valores significativos.

“Cada um desses fatores atua de maneira interdependente, intensificando a pressão sobre a liquidez e reforçando a necessidade de reequilíbrio financeiro, a despeito de os resultados operacionais serem positivos”, diz a empresa.

Tentativa de turnaround 

No final de 2021, o GPA já havia tentado engatar um turnaround na empresa, um processo que consiste em uma reestruturação profunda e estratégica para colocar a casa em ordem.

Logo de cara, a companhia decidiu encerrar a operação de hipermercados Extra com o fechamento das 100 lojas. Algumas foram vendidas, outras convertidas em “Pão de Açúcar”, ou fechadas em definitivo.

Entre 2022 e o primeiro semestre de 2025, o GPA direcionou seu foco para obter eficiência operacional, vendendo ativos e expandindo as operações nas lojas de proximidade, nas lojas “minuto”.

A partir do segundo semestre de 2025, a companhia reduziu o ritmo de abertura de novas lojas, anunciando um plano de redução de despesas e investimentos. Chegando em 2026, a reestruturação das obrigações financeiras da companhia ganhou ainda mais relevância.

“O passivo não-corrente atualizado da companhia é da ordem de R$ 4,5 bilhões e, caso não renegociados os termos e condições, a companhia teria que arcar neste ano com quase R$ 2,1 bilhões em despesas financeiras e outros R$ 370 milhões em obrigações contratuais, entre pagamento de juros, amortização de principal, multas, penalidades e outras estipulações contratuais”, diz o documento.

“Não é preciso de muito para concluir que a geração de caixa atual, da ordem de R$ 699 milhões, será insuficiente para arcar com todos esses pagamentos”, acrescenta.

GPA: recuperação extrajudicial acende alerta em fundos imobiliários expostos ao grupo

11 de Março de 2026, 15:16

O pedido de recuperação judicial do Grupo Pão de Açúcar (GPA) acendeu um alerta entre investidores de fundos imobiliários (FIIs). Isso porque tanto FIIs de tijolo, que investem em imóveis alugados para redes da empresa, quanto FIIs de papel, que compram CRIs ligados à companhia ou a operações estruturadas com seus imóveis, estão expostos à difícil situação da empresa.

O caso dos CRIs é mais dramático porque o impacto tende a ser mais direto, já que os fundos atuam como financiador dessas operações e ficam expostos ao risco de crédito do GPA – quer dizer, o risco da companhia não honrar seus débitos.

Parte das dívidas ligadas ao grupo já vinha sendo negociada no mercado com forte desconto, reflexo da percepção de risco crescente entre investidores e ao aumento da probabilidade de perdas mais relevantes para os credores.

Alguns títulos estavam a 60% do valor de face – ou seja, um papel que daria direito a receber R$ 100 no vencimento estava sendo vendido por aproximadamente R$ 60. Após o anúncio da reestruturação, o preço caiu para perto de R$ 25.

O que está em jogo?

Em um processo de reestruturação, é comum que credores tenham de fazer concessões. Isso pode incluir um haircut — quando o credor aceita receber apenas parte do valor da dívida — ou a conversão da dívida em participação acionária na empresa.

Para fundos que têm títulos de crédito ligados ao GPA, como CRIs, esse tipo de medida pode levar à desvalorização desses papéis e reduzir o patrimônio do fundo.

Segundo levantamento da EQI Research compartilhado com a reportagem do InvestNews, os fundos de papel com exposição ao GPA são:

  • XPCI11 (4,9%)
  • BTCI11 (4,3%)
  • MXRF11 (2,44%)
  • VRTA11 (2,19%)
  • KNIP11 (1,3%)
  • HGCR11 (1,25%)
  • AFHI11 (1,2%)
  • VGIP11 (0,76%)
  • CPTS11 (0,7%)
  • HSAF11 (0,44%)
  • VGHF11 (0,38%)

O quadro se torna mais delicado porque, mesmo com uma eventual renegociação das dívidas financeiras, o GPA ainda carrega um volume significativo de passivos tributários e trabalhistas, estimado em cerca de R$ 17 bilhões. Esse tipo de obrigação costuma ser mais difícil de reestruturar e, em muitos casos, não entra diretamente nos acordos com credores privados.

Alguns exemplos: o GPA estima desembolsos de cerca de R$ 389 milhões com processos trabalhistas, em sua maioria relacionados ao Extra Hiper, atualmente em fase de redução, segundo o balanço do quarto trimestre de 2025.

A companhia também prevê pagamentos de aproximadamente R$ 129 milhões referentes a acordos tributários, incluindo adesões ao Acordo Paulista e à Anistia da Bahia, entre outros compromissos.

Além disso, a empresa mantém discussões administrativas e judiciais sobre a apuração do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), além de processos ligados à cobrança de eventuais diferenças nesses tributos.

Em outras palavras: mesmo com ajustes na estrutura de capital, a companhia ainda precisa lidar com um passivo relevante fora da negociação principal, fator que ajuda a explicar por que o mercado tem precificado a dívida da empresa com descontos tão expressivos.

E os FIIs de tijolo?

Já no caso dos FIIs de tijolo, aqueles que têm o Pão de Açúcar como inquilino, o impacto tende a ser mais limitado. Isso porque a recuperação extrajudicial mira exclusivamente credores financeiros e não afeta o funcionamento do dia a dia da companhia. Ou seja, despesas operacionais como fornecedores, salários e aluguéis seguem sendo honradas.

Entre os fundos de tijolo com maior exposição ao GPA estão GARE11, TRXF11 e RBVA11, que têm imóveis alugados para a companhia em seus portfólios.

De acordo com levantamento da EQI Research, o fundo mais dependente da receita proveniente do grupo é o GARE11. Ao todo, são sete contratos de locação, que respondem por cerca de 14% da receita do fundo, com prazos de vigência que ultrapassam duas décadas.

O TRXF11 também mantém uma relação relevante com a varejista, somando 19 contratos de aluguel. Esses imóveis estão distribuídos principalmente entre São Paulo e Goiânia, com destaque para unidades maiores localizadas em bairros como Vila Mariana (SP) e na cidade de São Caetano do Sul (SP). A participação do GPA na receita do fundo é de aproximadamente 8%.

Já o RBVA11 tem oito imóveis locados ao grupo, espalhados por três estados, com contratos válidos até 2029. Nesse caso, os ativos tendem a ter menor área bruta locável (ABL) em comparação com os demais fundos citados. Ainda assim, o GPA representa cerca de 8,1% da receita total do portfóli.o

O que o investidor deve fazer agora?

Diante do cenário, analistas recomendam cautela, mas não necessariamente uma reação precipitada por parte dos investidores. No caso dos FIIs de papel, o principal ponto de atenção é acompanhar se haverá impacto direto nos CRIs ligados ao GPA e eventuais revisões no valor desses ativos nas carteiras dos fundos.

Como esses títulos podem passar por renegociação ou sofrer desvalorização no mercado secundário, mudanças no valor patrimonial ou até nos dividendos distribuídos não estão descartadas.

Já para os FIIs de tijolo, a recomendação é observar a evolução da situação financeira da companhia e eventuais mudanças operacionais, como fechamento de lojas ou renegociação de contratos. Apesar de os contratos de locação com o GPA serem, em sua maioria, atípicos e de longo prazo, investidores devem monitorar o peso do inquilino na receita de cada fundo.

Não é um monitoramento simples para a maioria dos investidores, mas as informações costumam estar disponíveis nos relatórios gerenciais nos sites de cada gestora.

Dólar, ouro ou petróleo: qual ativo oferece uma proteção mais eficiente hoje? Veja a opinião de 30 gestoras

11 de Março de 2026, 14:50

A intensificação dos conflitos no Oriente Médio já repercute em alguns estudos do mercado financeiro. Enquanto Estados Unidos, Israel e Irã aprofundam uma guerra ainda sem fim previsto, a produção de petróleo mundial é pressionada pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Assim, gestores começam a antecipar seus próximos movimentos.

Em uma pesquisa realizada com cerca de 30 gestoras de multimercados que somam mais de R$ 160 bilhões de patrimônio líquido, a equipe da série Os Melhores Fundos de Investimento, da Empiricus Research, constatou que há um ativo de proteção preferido pelas casas.

Segundo os gestores, entre os ativos avaliados para uma proteção mais eficiente em um portfólio global diversificado, o dólar americano lidera com 41% das respostas. “A moeda reforça o seu papel como principal ativo de liquidez em momentos de aversão a risco”, comenta Alexandre Alvarenga, um dos analistas da série.

Na sequência petróleo e ouro empatam com 18%, refletindo a percepção de que choques na região tendem a impactar o mercado de energia e aumentar a demanda por ativos tradicionais de proteção, segundo o analista.

Ademais, 73% das gestoras também apontam que as decisões de posicionamento atual estão embasadas de forma tática e temporária. Já os outros 27%, enxergam o movimento dentro de uma mudança mais estrutural de regime.

Juros no Brasil e EUA devem mudar de rota com pressão sobre o petróleo?

Alvarenga salienta que as expectativas das gestoras seguem indicando uma trajetória gradual de queda de juros tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, pelos próximos anos. Nos EUA, as projeções apontam taxas ligeiramente abaixo das estimativas do próprio Federal Reserve, com mediana estável em 3%.

Embora nesta semana as projeções do Boletim Focus, sugiram um ciclo de corte de juros menor, “o cenário sugerido pelas gestoras aponta para queda gradual da taxa nos próximos anos, com estabilização em patamar ainda elevado no horizonte mais longo”, comenta Alvarenga.

  • Contextualizando: A taxa Selic reside em 15,00% a.a atualmente e a projeção atual do Focus é que ela consiga regressar a um patamar de 12,13% ao ano.

Enquanto isso, a expectativa das gestoras para a taxa de juros no Brasil indica uma mediana de 12,00% em 2026. Para 2027 e 2028, as estimativas dos especialistas permanecem estáveis em 10,00%.

Já nos EUA, a taxa de juros atualmente está em torno de 3,75% ao ano. As gestoras enxergam um leve ajuste para baixo no curto prazo, com a mediana das projeções para 2026 recuando de 3,5% para 3,0% – valor abaixo da estimativa mais recente do Federal Reserve (3,6%).

Diante de conflitos no Oriente Médio, apetite por risco evaporou?

A pesquisa mostrou que o viés permanece favorável para bolsas fora dos EUA, tanto em mercados desenvolvidos quanto emergentes, ainda que com um posicionamento equilibrado considerando uma dinâmica de risco.

Alvarenga observa que há um aumento gradual do orçamento de risco. Assim, a maior parte das gestoras têm deixado uma fatia de 25% a 50% investida em ativos mais arriscados.

Em relação ao mês anterior, entretanto, nota-se um crescimento das estratégias que alocam 75% a 100% nesses ativos, indicando maior apetite ao risco.

Para os próximos seis meses, predomina a expectativa de aumento adicional do risco, seguida das visões de estabilidade. A possibilidade de redução permanece minoritária, ainda que tenha ganhado força se comparada ao mês anterior.

Acompanhe a pesquisa mensal completa no relatório da equipe de Os Melhores Fundos de Investimentos aqui.

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Dólar engata 2º dia de perdas e fecha a R$ com possível fim do conflito no Irã no radar

10 de Março de 2026, 17:03

O dólar engatou o segundo dia de perdas consecutivas com a melhora no apetite ao risco externo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizar o fim do conflito no Irã nos próximos dias. 

Nesta terça-feira (10), o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão a R$ 5,1575, com queda de 0,13%. 



  • LEIA MAIS: Comunidade de investidores Money Times reúne tudo o que você precisa saber sobre o mercado; cadastre-se

O movimento acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com baixa de 0,26%, aos 98,912 pontos.

O que mexeu com o dólar hoje?

A expectativa de cessar-fogo no Irã melhorou o apetite ao risco dos investidores e o dólar, considerado um dos ativos de proteção, manteve a trajetória de queda.

Nesta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pode negociar com o Irã, dependendo das condições, em entrevista à Fox News.

Questionado sobre a possibilidade de diálogo com líderes iranianos, Trump afirmou que há sinais de que Teerã deseja conversar. “Estou ouvindo que eles querem muito conversar”.

Na véspera, o chefe da Casa Branca já havia afirmado que a guerra contra o Irã “está praticamente concluída”.

Em reação, os preços do petróleo Brent, referência para o mercado global, tombaram mais de 10% ao longo do pregão e voltaram a operar abaixo de US$ 90 o barril.

“A sinalização [de Trump] levou a uma forte correção nos preços do petróleo, o que ajudou a reduzir os temores de um choque energético prolongado e de pressões inflacionárias globais. Com isso, a parte da demanda defensiva por dólar perdeu força”, afirmou Bruno Shahini. especialista de investimentos da Nomad.

No Brasil, o real também foi favorecido pela entrada de fluxo estrangeiro.

*Com informações de Reuters

Mercado ganha fôlego com possível fim da guerra; veja o que esperar de Ibovespa, petróleo e dólar no Giro do Mercado

10 de Março de 2026, 16:15

Nesta terça-feira (10), os ativos globais mostram sinais de acomodação, após a forte aversão ao risco que impactou os mercados nas últimas semanas. A sinalização do possível encerramento da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã impulsionou a recuperação das bolsas após as perdas recentes.

No Giro do Mercado desta terça-feira, a jornalista Paula Comassetto conversa com o Lucas Costa, analista técnico do BTG Pactual, sobre os principais destaques que movimentam os mercados no Brasil e no exterior.

Nesta manhã, o mercado apresentou um alívio após as quedas da última semana, com incertezas sobre o preço do petróleo e a duração da guerra no Oriente Médio.

“Nos últimos anos, o mercado americano era o mais atrativo para os investidores, mas nos últimos meses aconteceu uma rotação global para países emergentes. Outra mudança veio com o aumento das tensões geopolíticas, o que incentivou a fuga de fluxo e a busca por ativos mais seguros”, explicou Costa.

Outro destaque do dia é a decisão dos ministros de Energia do G7 sobre a liberação conjunta de 300 milhões a 400 milhões de barris de petróleo. A esse respeito, o especialista do BTG afirmou que “hoje o que vemos são as reações da fala do Trump e essas notícias que saíram. Eu costumo trabalhar com alguns níveis de preço que são referências. Entre US$ 76 e US$ 78 é a expectativa de suporte a curto prazo”.

Hoje, o dólar apresentava movimento lateral em relação aos principais pares desenvolvidos, enquanto subia frente ao real. De acordo com Castro, o suporte técnico da moeda americana está em R$ 5, R$ 4,90 e R$ 4,85. Já as resistências são próximas de R$ 5,28, enquanto a média móvel de 200 dias é R$ 5,39.

No cenário doméstico, o Ibovespa (IBOV) subia na manhã desta terça. “Quando olhamos para a tendência de longo e médio prazo, a expectativa é de alta. O Ibov teve uma alta muito forte desde 2025, o que faz com que a visão fique um pouco distorcida. Mesmo com a queda da semana passada, não chegamos próximo da média móvel de 21 semanas”, afirmou o especialista do BTG.

Segundo Castro, ainda que o índice caísse até o patamar de 171 mil pontos, “tecnicamente ele ainda estaria em tendência de alta”.

No mundo corporativo, o GPA (PCAR3) anunciou um pedido de recuperação extrajudicial após firmar acordo com credores que representam R$ 2,1 bilhões em dívidas, com adesão de 46% dos créditos afetados.

*Com supervisão de Renan Sousa.

Vai viajar ao exterior? ETFs e outros ativos que pagam juros em dólar ajudam no planejamento

10 de Março de 2026, 14:09

Para quem pretende viajar ao exterior nos próximos meses, o momento voltou a ficar favorável para a compra do dólar, que caiu de novo para a casa de R$ 5,15, o menor nível em quase dois anos. A moeda americana tem oscilado com força nas últimas semanas diante da Guerra do Irã.

Declarações de Donald Trump de que o conflito pode se estender menos que o esperado têm levado investidores a retomar a atenção a fundamentos. A janela para diversificação internacional voltou a reabrir, mas, como continua muito sensível ao noticiário, pode fechar rapidamente de novo.

De qualquer modo, quem tem de juntar recursos em moeda forte para viajar nos próximos meses pode aproveitar esses momentos de alívio antes de um novo repique.

O turista tem alternativas que vão muito além da compra da moeda física ou em carteiras digitais – as wallets. Há diferentes produtos – de ETFs (fundos passivos de índice) a BDRs de ETFs e mesmo renda fixa em dólar – que podem ser usados para montar uma reserva de viagem.

A melhor estratégia é aplicar regularmente os recursos em produtos que tragam exposição à moeda americana e que tenham alta liquidez.

O ETF USDB11, da Investo, por exemplo, segue um índice com títulos do mercado de renda fixa americana de melhor qualidade (grau de investimento) e prazos intermediários.

O investidor pode ainda aplicar em ETFs do exterior fazendo a aplicação na bolsa brasileira, por meio dos BDRs. Os Brazilian Depositary Receipts são recibos que representam cotas de fundos de índice internacionais. Por meio deles, é possível investir em ETFs de fora, mas na própria plataforma da bolsa brasileira e em reais.

A gestora BlackRock, por exemplo, disponibiliza BDRs de ETFs de renda fixa americana no Brasil. Entre eles estão o BGOV39, que segue o iShares US Treasury Bond ETF, focado em títulos do Tesouro americano com prazos variados; o BSHV39, que replica um índice de títulos do Tesouro americano de curto prazo; e o BLQD39, de títulos corporativos de empresas com grau de investimento.

Investir diretamente lá fora é opção

Outra maneira de montar sua reserva de viagem em dólar é investir diretamente em títulos de renda fixa de curto prazo emitidos pelo governo americano, as T-bills. São papéis com vencimentos entre 4 e 52 semanas, com alta liquidez no mercado secundário, o que permite ao investidor vendê-los rapidamente antes do vencimento se precisar do dinheiro.

Os americanos usam as T-Bills da mesma forma como os brasileiros usam o Tesouro Selic. É nesses papéis, cujas taxas variam hoje entre 3,5% e 3,7% ao ano, que os americanos montam suas reservas de emergência. Eles não são pós-fixados, como os nossos.

Mas, por serem prefixados de prazo curtíssimo, tais ativos tendem a fazer com que o saldo suba constantemente. Esse tipo de aplicação pode ser acessada pelos brasileiros por meio de plataformas de contas globais de empresas como Avenue, Wise e Nomad, entre outras.

ETFs estrangeiros facilitam investimento em dólar

Da mesma forma que é possível investir diretamente nas T-bils por meio de contas globais de investimentos, há a alternativa de ETFs internacionais.

Alguns ETFs de títulos públicos americanos de curto prazo, por exemplo, mantêm uma carteira com até 80% de alocação em papéis do Tesouro dos EUA com prazos de até 3 meses.

O ETF VBILL, da Vanguard, por exemplo, tem hoje um retorno em 12 meses de 3,54%. Outro fundo, TBLL, da Invesco, nos últimos 12 meses teve rentabilidade de 4,5%.

Existem outros ETFs de títulos curtos do Tesouro americano. Os dois com maior liquidez – facilidade de negociação – além do VBILL são o SPDR Bloomberg 1-3 Month T-Bill ETF e o iShares 0-3 Month Treasury Bond ETF. As cotas desses ETFs têm sido negociadas por preços entre US$ 75 e US$ 100.

Os Estados Unidos também têm um produto equivalente ao fundo DI no Brasil. No mercado americano esse é o papel do chamado money market. O nome diz tudo: aplicações nesses fundos são consideradas como equivalente a dinheiro em caixa na contabilidade de empresas e instituições.

A remuneração desses produtos segue de perto as taxas de curto prazo definidas pelo banco central americano, o Federal Reserve. Em fevereiro de 2026, estavam em torno de 4,01% ao ano em dólar. O investimento mínimo é de US$ 1 mil.

Outra vantagem de investir para viajar

Essa aplicação em dólar pode trazer um benefício extra: compensar parte da volatilidade ao longo dos meses. Aqui é preciso fazer uma conta para explicar.

Um retorno de 4% ao ano bruto equivale a cerca de 0,33% ao mês. Então, se o dólar recuar 0,33% frente ao real em um mês, o ganho, basicamente, vai zerar essa diferença. Ou, eventualmente, suavizar essa queda.

Por outro lado, qualquer valorização da moeda americana vai se somar ao ganho mensal. Se a divisa dos EUA subir, digamos, 0,5% no mês, significa que sua reserva valorizou 0,88% em reais no período.

E porque o câmbio médio? É uma forma de fazer um “seguro” contra a volatilidade. Se o dólar subir, você vai ter comprado a moeda por um preço médio menor do que esperar até a véspera de embarcar para comprar tudo de uma vez.

Caso a moeda americana recue ainda mais, o preço médio, na prática, reduz a diferença entre o maior e o menor valor no período. Além disso, os juros da aplicação vão atenuar ou até mesmo compensar essa oscilação.

Câmbio pode mudar a qualquer momento

Esperar para comprar tudo de uma vez é uma aposta muito arriscada. A volatilidade pode voltar com força – e de repente – por vários motivos. Esses fatores vão desde incertezas eleitorais, a fatores geopolíticos e até mesmo alguma supresa na política monetária dos EUA e do Brasil.

A boa notícia: a fraqueza do dólar ainda é estrutural, ou seja, vem de fatores que tendem a se manter presentes, pelo menos, ao longo do semestre. No entanto, como não dá para prever o comportamento do câmbio, então vale a pena aproveitar a janela atual mais favorável que pode fechar a qualquer momento.

“O período eleitoral, por exemplo, pode introduzir maior volatilidade ao longo do segundo semestre”, ressalta Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

E só para relembrar, a guerra no Irã ainda em andamento tem feito o dólar oscilar com força. Momentos como os da última semana, quando o dólar chegou a tocar os R$ 5,30, podem se tornar mais frequentes daqui para a frente.

Quer outro exemplo? No fim de 2024, as preocupações com a situação fiscal no Brasil pressionaram o real e levaram a cotação da moeda americana a mais de R$ 6,20. E esse cenário de trajetória de alta do endividamento púbico mudou pouco de lá para cá.

O próprio mercado vê o dólar na casa de R$ 5,41 no fim de 2026, segundo a pesquisa Focus, do BC, que faz um levantamento semanal das projeções de analistas e economistas de instituições financeiras.

GPA entra com recuperação extrajudicial para renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas

10 de Março de 2026, 08:42

O GPA, grupo dono das redes Pão de Açúcar e Extra, anunciou nesta manhã de terça-feira (10) um plano de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas não operacionais, em tentativa de reorganizar seu passivo e aliviar a pressão de vencimentos concentrados já neste ano.

A medida, aprovada por unanimidade pelo conselho de administração, mira exclusivamente credores financeiros e não afeta o funcionamento do dia a dia da companhia. Ficam fora do plano obrigações correntes com fornecedores, parceiros e clientes, além de salários, aluguéis e passivos trabalhistas.

A iniciativa mais extrema ocorre no momento em que o GPA tenta ganhar tempo para adequar o perfil da dívida à sua capacidade de geração de caixa. Quase metade desse passivo vence em 2026.

Só neste ano, a companhia tem pela frente compromissos financeiros relevantes de curto prazo, incluindo um vencimento de R$ 450 milhões em maio, R$ 889 milhões em debêntures em julho, R$ 127 milhões com vencimento em novembro, referentes a uma série da 20ª emissão de debêntures, e um empréstimo de R$ 508 milhões com o Rabobank também previsto para julho.

Segundo apurou o InvestNews, além do Rabobank, Itaú, HSBC e BTG Pactual já sinalizaram apoio ao plano. Juntos, esses credores representam 46% da dívida não operacional, percentual acima do piso mínimo de um terço exigido em lei para apresentação do plano.

Na prática, o pedido abre uma janela legal de 90 dias para negociação com os credores e cria uma espécie de standstill, o que suspende execuções judiciais relacionadas aos créditos abrangidos e dá à empresa espaço para tentar construir uma solução mais ampla para o passivo financeiro.

O CEO, Alexandre Santoro, afirma que o objetivo é tratar um problema estrutural de vencimentos, sem contaminar o dia a dia da companhia.

“A operação segue rodando bem. O que estamos endereçando aqui é um tema estrutural de vencimento que temos neste ano”, diz o executivo em entrevista ao InvestNews.

Santoro assumiu em janeiro, egresso do IMC (International Meal Company), em que – também como CEO – comandou a empresa em um processo de ganho de eficiência operacional e de reforço da estrutura de capital ao longo de quase cinco anos. O grupo opera redes como Pizza Hut e Viena no Brasil e fez o mesmo com a KFC até o ano passado, antes de vender o ativo.

Alexandre Santoro foi CEO da IMC por quase cinco anos
Alexandre Santoro foi CEO da IMC por quase cinco anos (foto: reprodução/Alexandre Santoro)

O CFO, Pedro Albuquerque, reforça que a companhia busca reequilibrar a estrutura financeira com base no fluxo de caixa operacional. Segundo ele, ainda é cedo para detalhar se a solução passará por alongamento de prazos, desconto ou outro desenho.

“O que de fato está acordando é dar essa pausa para sentar na mesa, criar esse comitê e entender qual é o instrumento mais adequado”, afirma.

Uma das possibilidades acompanhadas de perto pelo mercado é uma eventual injeção de capital. Questionado sobre essa hipótese, Albuquerque diz que isso não está descartado, mas sinaliza que qualquer desenho ainda está em fase inicial e dependerá das discussões com os credores.

Entre analistas e gestores, cresce a percepção de que a renegociação da dívida, sozinha, pode não ser suficiente para aliviar a pressão sobre o balanço. Essa discussão ganha peso em uma companhia que hoje tem uma base acionária que passou por muitas mudanças.

Atualmente, a família mineira Coelho Diniz, dona da rede de supermercados de mesmo nome em Minas Gerais, aparece como maior acionista do GPA, com 24% do capital. O investidor Silvio Tini, que também é acionista de empresas como Alpargatas, Bombril e Gerdau, detém 16%, enquanto o francês Casino, antigo controlador do grupo, ainda mantém cerca de 22% da companhia.

Custo alto

A pressão não vem só do calendário de vencimentos. O custo da dívida também pesa sobre uma empresa que tenta melhorar sua operação em ambiente de juros altos desde 2022. Em uma conta simplificada, segundo o CFO, uma dívida ao redor de R$ 4 bilhões corrigida a CDI de 15% implica despesa financeira anual próxima de R$ 600 milhões, sem contar spreads e custos adicionais.

Esse é justamente o ponto central do desafio do GPA. A companhia tem promovido ajustes operacionais, mas eles ainda não foram suficientes para neutralizar o peso da estrutura financeira.

Desde que assumiu o comando, Santoro diz que tem revisado frentes como sortimento, especialmente nas chamadas lojas de proximidade, estrutura de custos e disciplina de investimentos. O grupo também já sinalizou redução de capex praticamente pela metade.

“Não é hora para fazer expansão”, afirma o executivo, dizendo que a prioridade é crescer de forma saudável e com rentabilidade.

Além da dívida

A questão é que, para além da dívida financeira, o GPA convive com o peso de um passivo histórico bilionário. A companhia mantém cerca de R$ 17 bilhões em contingências tributárias e trabalhistas, parte delas herdada de uma época em que o grupo era bem maior e ainda tinha sob seu guarda-chuva o Assaí, empresa do ramo de “atacarejo”, e a operação colombiana de supermercados do Éxito.

A separação (spinoff) desses ativos deixou o GPA menor, mais exposto e sem a mesma geração de caixa do momento em que esses passivos tiveram origem. Só no quarto trimestre, a empresa desembolsou quase R$ 550 milhões com questões tributárias e trabalhistas. Além disso, essas disputas exigem seguros-garantia na esfera judicial, o que também consome caixa e pressiona o resultado financeiro.

Esses passivos não entram no perímetro da recuperação extrajudicial, mas seguem no radar da administração. “Os esforços de negociação seguem correntes como estavam antes”, diz Albuquerque, ao comentar as tratativas com a Receita Federal e secretarias da Fazenda estaduais.

O movimento de negociação com credores em esferas mais avançadas já vinha sendo desenhado pelo GPA havia alguns dias. No último dia 3, a Bloomberg noticiou que a companhia havia contratado o escritório Munhoz Advogados, especializado em reestruturação de dívidas.

No começo de janeiro, o grupo também contratou o “braço” voltado a ganhos de eficiência e performance da Alvarez & Marsal para assessorá-la nessa frente.

A aposta da administração agora é usar a recuperação extrajudicial como instrumento para reorganizar o passivo financeiro sem paralisar a empresa.

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Ultrapar e Perfin negociam comprar 30% da Rumo

9 de Março de 2026, 19:14

O presidente do conselho da Ultrapar, Marcos Lutz, está em negociações, junto com o fundo de infraestrutura Perfin, para comprar cerca de 30% da operadora ferroviária Rumo, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. A Rumo é parte do Grupo Cosan, do empresário Rubens Ometto.

As discussões ainda dependem de acordo sobre aspectos essenciais e não há garantia de que a transação será concluída, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas porque o tema é privado. O tamanho da participação e a estrutura de qualquer acordo ainda estão em análise e podem mudar, embora a expectativa seja de que a Perfin detenha uma fatia menor que a Ultrapar.

As duas empresas comprariam suas participações da Cosan. O BTG Pactual, que injetou capital na Cosan em setembro, está entre os interessados em pressionar a companhia a realizar desinvestimentos, segundo as fontes. A Cosan tem buscado novos recursos e avalia alternativas como um possível IPO de sua unidade de gás e energia, a Compass. Um IPO bem-sucedido da Compass poderia reduzir a necessidade de vender uma participação na Rumo, disse uma das pessoas.

Perfin, Cosan e Rumo se recusaram a comentar. A Ultrapar afirmou que não comentaria o assunto e acrescentou que, sempre que houver informação relevante, a companhia comunica o mercado conforme as regras aplicáveis.

Uma eventual transação representaria uma mudança relevante na base acionária da Rumo e aprofundaria a expansão da Ultrapar em infraestrutura e logística agrícola. A Ultrapar vem montando posição na Rumo nos últimos meses, segundo uma das pessoas.

Se concluído, o negócio ampliaria a presença da Ultrapar nos corredores de exportação de grãos do Brasil. O grupo controla a Hidrovias do Brasil, operadora de transporte hidroviário que escoa grãos e outros produtos do Centro-Oeste para portos do Norte do país. A Rumo, por sua vez, transporta safras do Centro-Oeste por ferrovia até portos do Sul, dando às duas empresas grande exposição às exportações agrícolas brasileiras.

Para a Cosan, a venda poderia ajudar a fortalecer o balanço enquanto o conglomerado revisa seu portfólio de ativos, disseram as fontes. O grupo tem sido pressionado pelo aumento da dívida em seu negócio de açúcar. A Perfin recentemente se juntou ao BTG Pactual em esforços para melhorar a posição financeira da Cosan depois que a empresa passou a enfrentar pressão.

O BTG também estuda oportunidades para vender terras agrícolas da Radar, outra subsidiária da Cosan, segundo uma das fontes. Essas discussões estão atualmente suspensas em meio à desaceleração do setor agrícola.

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Guerra no Irã coloca aposta de Wall Street em mercados emergentes à prova

8 de Março de 2026, 15:40

A guerra no Irã deu um golpe em uma das apostas favoritas de Wall Street: os mercados emergentes. Isso não significa que o cenário esteja perdido, mas os riscos aumentaram e continuam se acumulando.

Ações e moedas registraram fortes perdas recentes, com o índice de ações MSCI de mercados emergentes marcando sua maior queda semanal em seis anos, enquanto os rendimentos dos títulos subiram, em um tradicional movimento de busca por proteção.

Até aqui, gestores de recursos de empresas como Pimco, Barings e T. Rowe Price Group afirmam que o argumento de longo prazo a favor dos mercados emergentes permanece intacto. Alguns estão fazendo ajustes pontuais em seus portfólios, enquanto a maioria evita mudanças mais profundas – ao menos por enquanto.

A convicção desses investidores se baseia no que eles veem como os principais motores da alta recente dos emergentes: a busca por diversificação em relação aos ativos dos Estados Unidos, avaliações de preço mais atraentes e crescimento econômico sólido.

A expectativa é que esses fatores voltem a ganhar peso quando o choque geopolítico diminuir e parte do mercado já começa a aproveitar as quedas recentes para ampliar posições. Investidores injetaram US$ 12,6 bilhões em ações e títulos de mercados emergentes na semana até quarta-feira (4), segundo relatório do Bank of America, citando dados da EPFR Global.

Impactos e riscos

Os rendimentos dos títulos em moeda local de mercados emergentes atingiram os níveis mais altos desde abril. A queda das moedas desses países levou investidores a vender esses papéis, o que derrubou seus preços e elevou os juros.

“Estamos esperando mais clareza“, disse Nick Eisinger, chefe de estratégia de crédito soberano de mercados emergentes da J.P. Morgan Asset Management. “Gostamos da história fundamental de muitos emergentes, mas infelizmente os fundamentos não contam muito neste momento, então precisamos que esse choque passe.

Nesse ambiente, a percepção é de que os riscos estão aumentando, com o petróleo Brent superando US$ 90 por barril e o conflito no Oriente Médio se intensificando. A preocupação é que a alta dos preços do petróleo pressione o crescimento econômico em países que dependem de importações de energia.

Ao mesmo tempo, o dólar mais forte – que voltou a ser visto como um ativo de proteção em momentos de turbulência, especialmente frente às moedas emergentes – tende a apertar as condições financeiras globais e reduzir os retornos para investidores nesses mercados.

O J.P. Morgan reduziu suas recomendações para ativos de mercados emergentes três vezes na última semana, à medida que a incerteza aumentou em relação às perspectivas para essa classe de ativos.

Os estrategistas do banco reduziram suas posições otimistas para posição neutra em câmbio e juros locais e passaram a recomendar “subexposição tática” — quando a indicação é vender e permanecer com menos exposição no curto prazo — em títulos soberanos e corporativos denominados em dólar.

Eric Fine, chefe de dívida ativa de mercados emergentes da VanEck Associates, avalia que a queda nas moedas emergentes que abriu oportunidade de compra: a gestora aumentou exposição a países como África do Sul, Colômbia e Chile.

Segundo Fine, muitos mercados emergentes são exportadores de commodities, o que pode beneficiar regiões como América Latina e África Subsaariana em um cenário de preços elevados de matérias-primas.

A Ásia, por sua vez, pode enfrentar desafios econômicos maiores, embora ainda apresente oportunidades de investimento devido à solidez de suas políticas econômicas e à valorização do yuan chinês.

O fator decisivo agora é quanto tempo o conflito vai durar. “Se o mercado começar a estimar que a guerra será mais longa, aumentará também a probabilidade de recessão global”, disse.

Para Samy Muaddi, chefe de renda fixa de mercados emergentes da T. Rowe Price, os fundamentos dos emergentes continuam relativamente sólidos. A preocupação está na combinação de petróleo mais caro e política fiscal mais expansionista nos Estados Unidos, que pode alterar o cenário para taxas de juros globais e aumentar a volatilidade.

“Qualquer coisa que mude as taxas básicas, a volatilidade ou o risco nos mercados acionários tende a afetar os mercados emergentes”, disse. A gestora tem preferido ativos de maior qualidade e maior liquidez, reduzindo exposição a países considerados mais arriscados.

Nos mercados locais, Muaddi afirma que prefere países onde não há eleições importantes nos próximos meses e onde as taxas de juros reais permanecem elevadas, citando México, Romênia e Turquia como exemplos. Segundo ele, a América Latina tende a ser menos vulnerável do ponto de vista das condições financeiras globais e pode se beneficiar de uma rotação de portfólio de investidores internacionais.

Onde está o otimismo?

Se a crise permanecer contida, o ambiente global de crescimento e a convergência entre economias emergentes e desenvolvidas devem continuar favorecendo os ativos desses países. É a visão de Bill Campbell, gestor de portfólio da DoubleLine Group, para quem o conflito não altera os fundamentos de longo prazo dos emergentes.

“Não estou no grupo que acha que isso muda tudo fundamentalmente e que é hora de sair completamente dos mercados emergentes. Vejo isso muito mais como um choque externo”, disse. “Os mercados emergentes oferecem muito valor e formas diversificadas de investir.”

Campbell afirma que muitos dos movimentos recentes foram provocados pelo desmonte de posições muito populares no mercado, o que pode abrir oportunidades. “Se tivermos mais clareza sobre a situação no Irã, pode ser um excelente momento para voltar a investir em moedas e títulos locais de mercados emergentes.”

Para Pramol Dhawan, chefe de gestão de portfólios de mercados emergentes da Pimco, o episódio atual mostra justamente uma das principais fragilidades para a classe de ativos: tensões geopolíticas.

Ainda assim, ele acredita que os emergentes continuam sustentados por fatores estruturais, como maior credibilidade fiscal dos governos, inflação mais controlada graças à atuação dos bancos centrais e maior interesse de investidores globais em diversificar suas carteiras.

“Esse ciclo de mercados emergentes parece mais durável do que altas anteriores, incluindo o ciclo de 2008”, disse.

O efeito dos preços mais altos do petróleo de fato pode prejudicar os países importadores de energia, mas isso vale tanto para economias desenvolvidas, como as emergentes, segundo Ghadir Cooper, chefe global de ações da Barings. Ele acredita que os mercados emergentes seguem apoiados por avaliações atrativas e por ainda estarem sub-representados nas carteiras globais de investimento.

Como os emergentes tiveram desempenho inferior por mais de uma década, o argumento de diversificação ganha força: investidores podem migrar parte de seus recursos de ativos americanos para esses lugares agora.

Ibovespa abre em queda de olho no conflito no Oriente Médio; 5 coisas para saber antes de investir hoje (5)

5 de Março de 2026, 10:30

A incerteza quanto à duração no conflito no Irã deve seguir como ponto focal dos mercados internacionais, influenciando o Ibovespa (IBOV), que começa o dia em queda.

Por volta de 10h10 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira operava em queda de 0,44%, aos 184.551,33 pontos. 



O dólar à vista opera em alta ante o real e acompanha o desempenho da moeda no exterior. No mesmo horário, a moeda norte-americana subia a R$ 5,2455 (+0,51%).

O DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, voltou a subir aos 98,924 pontos.

Radar do Mercado: 

Day trade: 

5 assuntos para saber ao investir no Ibovespa nesta quinta-feira (5)

1 – Conflito no Oriente Médio

Apesar de na véspera o New York Times ter noticiado o contato entre agentes do Ministério da Inteligência do Irã e a CIA para negociações sobre um possível fim da guerra no Oriente Médio na quarta-feira (4), a tensão deu uma nova escalada nesta manhã.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atingido um petroleiro norte-americano na parte norte do Golfo e que o navio estava em chamas. A Guarda disse, em comunicado divulgado pela mídia estatal, que, em tempo de guerra, a passagem pelo Estreito de Ormuz estaria sob o controle da República Islâmica.

As defesas aéreas da Otan destruíram um míssil balístico iraniano disparado contra a Turquia na quarta-feira, disse a Turquia, marcando a primeira vez que o membro da aliança que faz fronteira com a Ásia foi envolvido no conflito do Oriente Médio e aumentando a possibilidade de uma grande expansão envolvendo seus aliados do bloco.

O Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, no entanto, negou hoje ter disparado mísseis contra a Turquia, afirmando que a República Islâmica respeita a soberania da “amiga” Turquia, de acordo com um comunicado divulgado pela mídia iraniana.

Ainda nesta manhã, Israel lançou uma grande onda de ataques contra Teerã, visando atingir infraestrutura pertencente às autoridades iranianas, depois que mísseis iranianos levaram milhões de israelenses a correr para abrigos antiaéreos.

Autoridades em Washington estão céticas quanto à possibilidade de o Irã ou o governo de Donald Trump estarem realmente dispostos a uma “saída”, pelo menos no curto prazo.

2 – Petróleo em alta

Os preços do petróleo sobem nesta quinta-feira, prolongando um rali, uma vez que a escalada da guerra entre os EUA e Israel com o Irã interrompeu o abastecimento e o transporte, levando alguns dos principais produtores a reduzir a produção.

O petróleo Brent subia 2,05%, para US$83,07 por barril às 10h25 (horário de Brasília), a quinta sessão de ganhos. O petróleo West Texas Intermediate dos EUA subiu 2,89%, para US$ 76,82.

Duas refinarias de petróleo na China e na Índia fecharam suas unidades de petróleo bruto após a interrupção no abastecimento, já que ambos os países dependem das importações de petróleo bruto do Oriente Médio.

Como resultado da perspectiva de menor oferta nos mercados de combustíveis, os futuros do diesel europeu atingiram seu nível mais alto desde outubro de 2022, a US$ 1.130.

3 – Taxa de desemprego estável

taxa de desemprego brasileira ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, mantendo-se estável em relação ao trimestre móvel de agosto a outubro de 2025, quando também havia marcado 5,4%.

Segundo os dados divulgados pelo IBGE, a população desocupada somou 5,9 milhões de pessoas.

Já na comparação anual, houve recuo de 1,1 ponto percentual, frente aos 6,5% registrados entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, sendo 1,2 milhão de pessoas a menos em busca de trabalho.

Já a população ocupada alcançou 102,7 milhões, mantendo estabilidade frente ao trimestre anterior e registrando alta de 1,7% em um ano, com a criação de 1,7 milhão de ocupações.

nível de ocupação, que mede a proporção de pessoas empregadas dentro da população em idade de trabalhar, ficou em 58,7%, praticamente estável no trimestre e 0,5 ponto percentual acima do observado um ano antes.

4 – Caso Banco Master

Novos desdobramentos do caso Banco Master vieram à tona ontem na terceira fase da Operação Compliance Zero. Pela manhã, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso, com suspeito de comandar uma estrutura privada de vigilância e coerção, denominada “A Turma”, voltada à obtenção ilegal de informações sigilosas e à intimidação de críticos da instituição financeira.

Ontem, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o ‘Sicário’, responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas e ao monitoramento de pessoas, que incluía agredir o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, se suicidou na prisão e entrou em protocolo de morte cerebral.

A Polícia Federal encontrou no telefone de Vorcaro diálogos com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e ordens do empresário para pagamento a uma pessoa de nome “Ciro”. Por ora, não há uma investigação formal instaurada contra o senador.

5 – Pesquisa Datafolha

Hoje, os investidores também devem acompanhar com atenção a primeira pesquisa Datafolha do ano voltada às eleições de 2026, com cenários da disputa à presidência e aos governo estaduais.

O levantamento trará o nome do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, contra o atual governador paulista, Tarcísio de Freitas, para o cargo do Executivo estadual.

*Com informações de Reuters

Após contratar consultoria, GPA começa a negociar dívidas para melhorar liquidez

4 de Março de 2026, 09:26

O GPA negocia com credores para repactuar dívidas de curto prazo e explorar alternativas para melhorar seu perfil de endividamento. A empresa contratou há poucos dias o escritório Munhoz Advogados, especializado em reestruturação de dívidas, para auxiliar no processo.

A varejista, que controla o Pão de Açúcar e o Extra, publicou um fato relevante nesta quarta-feira (4) para esclarecer detalhes sobre as negociações e tentar afastar temores sobre um eventual pedido de recuperação judicial, caso as negociações não alcancem os resultados desejados.

Conforme o grupo, as negociações têm como objetivo principal reforçar a liquidez da companhia e não envolvem suas operações diárias, como o relacionamento com fornecedores, clientes e parceiros.

O objetivo é negociar de forma ordenada com os credores e, eventualmente, até realizar uma reestruturação extrajudicial, sem recorrer a qualquer tipo de proteção legal.

Empresas de varejo no Brasil, como supermercados, têm sido afetadas por taxas de juros de dois dígitos e altos níveis de endividamento.

O GPA tem enfrentado dificuldades para recuperar seu negócio principal de alimentos. A empresa informou em fevereiro que a gestão está tomando medidas para mitigar riscos associados a grandes vencimentos de dívida previstos para 2026.

“Isso inclui negociações para estender os vencimentos da dívida financeira, reduzir custos e despesas financeiras, e monetizar créditos tributários”, disse a empresa nas notas explicativas do resultado do quarto trimestre.

Em meados de maio, vão vencer, por exemplo, cerca de R$ 450 milhões detidos pelo Itaú. Mas a empresa não tem caixa suficiente e o que gera de recursos com a operação é consumido justamente pelas despesas financeiras.

Para saldar esse vencimento, a companhia conta com o pagamento de R$ 260 milhões pela venda de sua participação na FIC, uma parceria que tinha com o próprio Itaú.

O índice de dívida líquida sobre Ebitda, que indica o nível de endividamento da companhia, saltou para 2,4 vezes no final de 2025, ante 1,6 vez no ano anterior. A dívida líquida passou para R$ 2,08 bilhões (US$ 395 milhões), ante R$ 1,39 bilhão em 2024.

Em janeiro, a rede de supermercados contratou a consultoria Alvarez & Marsal para implementar seu plano de eficiência, segundo registro de valores mobiliários.

Disclaimer: Este texto foi escrito por um agente de inteligência artificial a partir de informações oficiais e de bases de dados confiáveis selecionadas pelo InvestNews. O trabalho foi revisado pela equipe de jornalistas do IN antes de sua publicação.

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Atlas Renewable Energy, de energia solar, promove demissões no Brasil e cita impacto do curtailment

3 de Março de 2026, 18:10

A Atlas Renewable Energy, uma das principais geradoras de energia solar do país, promoveu nesta semana demissões em seu quadro de funcionários no Brasil após revisão da estrutura operacional, apurou o InvestNews.

Segundo a empresa, o ajuste foi “pontual” e está relacionado aos níveis elevados de curtailment – limitação da geração determinada pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) diante de gargalos na transmissão – que vêm afetando a previsibilidade de receitas das geradoras renováveis no sistema elétrico brasileiro.

Criada em 2017 e controlada pela gestora Global Infrastructure Partners (GIP), que participou da compra da AES nos Estados Unidos nesta segunda-feira (2), a Atlas soma mais de 10 GW em ativos renováveis na América Latina e tem presença em países como Chile, México, Colômbia e Brasil.

A companhia atua no desenvolvimento, financiamento, construção e operação de projetos de energia solar e, mais recentemente, de armazenamento em baterias. No Brasil, mantém ativos principalmente em Minas Gerais, com cerca de 80% da operação localizada no Estado.

Nos bastidores do setor, circulou a informação de que a redução teria alcançado cerca de 20% do quadro local e que estaria buscando compradores para alguns de seus ativos. Em nota enviada ao InvestNews, Atlas nega o número e afirma que o percentual foi “significativamente inferior”.

“Quando a geração é frequentemente limitada por gargalos estruturais no sistema, torna-se necessário que as empresas adequem, de forma responsável, suas estruturas operacionais a essa realidade”, disse a Atlas.

A empresa afirma que o Brasil segue como mercado estratégico, mas ressaltou que o enfrentamento “estrutural” do curtailment é fundamental para preservar a confiança dos investidores e sustentar a expansão das renováveis no país.

No fim de fevereiro, a Atlas anunciou o que classificou como o maior refinanciamento corporativo já registrado para energia limpa na América Latina, envolvendo US$ 3 bilhões e um pool de bancos internacionais, entre eles BNP Paribas, Crédit Agricole, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Santander CIB.

Atlas Renewable Energy, de energia solar, promove demissões no Brasil e cita impacto do curtailment

3 de Março de 2026, 18:10

A Atlas Renewable Energy, uma das principais geradoras de energia solar do país, promoveu nesta semana demissões em seu quadro de funcionários no Brasil após revisão da estrutura operacional, apurou o InvestNews.

Segundo a empresa, o ajuste foi “pontual” e está relacionado aos níveis elevados de curtailment – limitação da geração determinada pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) diante de gargalos na transmissão – que vêm afetando a previsibilidade de receitas das geradoras renováveis no sistema elétrico brasileiro.

Criada em 2017 e controlada pela gestora Global Infrastructure Partners (GIP), que participou da compra da AES nos Estados Unidos nesta segunda-feira (2), a Atlas soma mais de 10 GW em ativos renováveis na América Latina e tem presença em países como Chile, México, Colômbia e Brasil.

A companhia atua no desenvolvimento, financiamento, construção e operação de projetos de energia solar e, mais recentemente, de armazenamento em baterias. No Brasil, mantém ativos principalmente em Minas Gerais, com cerca de 80% da operação localizada no Estado.

Nos bastidores do setor, circulou a informação de que a redução teria alcançado cerca de 20% do quadro local e que estaria buscando compradores para alguns de seus ativos. Em nota enviada ao InvestNews, Atlas nega o número e afirma que o percentual foi “significativamente inferior”.

“Quando a geração é frequentemente limitada por gargalos estruturais no sistema, torna-se necessário que as empresas adequem, de forma responsável, suas estruturas operacionais a essa realidade”, disse a Atlas.

A empresa afirma que o Brasil segue como mercado estratégico, mas ressaltou que o enfrentamento “estrutural” do curtailment é fundamental para preservar a confiança dos investidores e sustentar a expansão das renováveis no país.

No fim de fevereiro, a Atlas anunciou o que classificou como o maior refinanciamento corporativo já registrado para energia limpa na América Latina, envolvendo US$ 3 bilhões e um pool de bancos internacionais, entre eles BNP Paribas, Crédit Agricole, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Santander CIB.

GPA contrata escritório Munhoz Advogados para reestruturação de dívida

3 de Março de 2026, 17:39

A Cia. Brasileira de Distribuição, a rede de supermercados brasileira conhecida como GPA, contratou o escritório Munhoz Advogados, especializado em reestruturação de dívidas, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

O objetivo é negociar de forma ordenada com os credores e, eventualmente, até realizar uma reestruturação extrajudicial, disse uma das fontes, que pediu anonimato porque a informação não é pública.

Um porta-voz do GPA negou qualquer discussão sobre pedido de proteção contra falência. O escritório Munhoz Advogados se recusou a comentar.

Empresas de varejo no Brasil, como supermercados, têm sido afetadas por taxas de juros de dois dígitos e altos níveis de endividamento.

O GPA, que tem enfrentado dificuldades para recuperar seu negócio principal de alimentos, informou em fevereiro que a gestão está tomando medidas para mitigar riscos associados a grandes vencimentos de dívida previstos para 2026.

“Isso inclui negociações para estender os vencimentos da dívida financeira, reduzir custos e despesas financeiras, e monetizar créditos tributários”, disse a empresa nas notas explicativas do resultado do quarto trimestre.

O índice de dívida líquida sobre EBITDA — uma medida de alavancagem — saltou para 2,4 vezes no final de 2025, ante 1,6 vez no ano anterior. A dívida líquida passou para R$ 2,08 bilhões (US$ 395 milhões), ante R$ 1,39 bilhão em 2024.

Em janeiro, a rede de supermercados contratou a consultoria Alvarez & Marsal para implementar seu plano de eficiência, segundo registro de valores mobiliários.

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GPA contrata escritório Munhoz Advogados para reestruturação de dívida

3 de Março de 2026, 17:39

A Cia. Brasileira de Distribuição, a rede de supermercados brasileira conhecida como GPA, contratou o escritório Munhoz Advogados, especializado em reestruturação de dívidas, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

O objetivo é negociar de forma ordenada com os credores e, eventualmente, até realizar uma reestruturação extrajudicial, disse uma das fontes, que pediu anonimato porque a informação não é pública.

Um porta-voz do GPA negou qualquer discussão sobre pedido de proteção contra falência. O escritório Munhoz Advogados se recusou a comentar.

Empresas de varejo no Brasil, como supermercados, têm sido afetadas por taxas de juros de dois dígitos e altos níveis de endividamento.

O GPA, que tem enfrentado dificuldades para recuperar seu negócio principal de alimentos, informou em fevereiro que a gestão está tomando medidas para mitigar riscos associados a grandes vencimentos de dívida previstos para 2026.

“Isso inclui negociações para estender os vencimentos da dívida financeira, reduzir custos e despesas financeiras, e monetizar créditos tributários”, disse a empresa nas notas explicativas do resultado do quarto trimestre.

O índice de dívida líquida sobre EBITDA — uma medida de alavancagem — saltou para 2,4 vezes no final de 2025, ante 1,6 vez no ano anterior. A dívida líquida passou para R$ 2,08 bilhões (US$ 395 milhões), ante R$ 1,39 bilhão em 2024.

Em janeiro, a rede de supermercados contratou a consultoria Alvarez & Marsal para implementar seu plano de eficiência, segundo registro de valores mobiliários.

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O reinado do dólar pode estar chegando ao fim – e o investidor vai precisar se adaptar

22 de Fevereiro de 2026, 10:11

O dólar está em declínio – e os investidores precisam aprender a conviver com isso. Os últimos 12 meses foram difíceis para a moeda americana. O índice do dólar que mede seu valor frente a uma cesta de moedas de países desenvolvidos, o DXY, recuou 8% no período, e a lista de preocupações só cresce. 

Entre elas estão a fragmentação do sistema multilateral liderado pelos EUA, o aumento das preocupações com o uso do dólar como instrumento de sanções e bloqueios de ativos, dúvidas sobre a independência do Federal Reserve (Fed), inquietação com os gastos excessivos do governo americano e um reequilíbrio há muito esperado, à medida que crescimento e rendimentos no exterior se tornam relativamente mais atraentes.

Nada disso significa que o dólar vá perder repentinamente seu prestígio, abandonado em uma onda de vendas em pânico. Ele não está prestes a perder seu status de moeda de reserva global, nem a ser substituído de forma súbita pelo yuan chinês ou por qualquer outra moeda. 

Mas o dólar está se tornando menos popular como reserva de poupança, meio de troca comercial e ativo de refúgio. Isso torna a diversificação – por meio de ações e títulos internacionais, especialmente em mercados emergentes – e uma parcela de ouro como proteção, boas alternativas para os próximos anos.

Se investidores individuais e grandes instituições decidirem coletivamente reduzir sua exposição ao dólar, isso deixará marcas. “Parte do privilégio exorbitante dos EUA vai desaparecer”, afirma Daleep Singh, vice-presidente do PGIM e economista-chefe global, além de ex-vice-assessor de segurança nacional no governo Biden. 

O custo dessa perda de brilho pode incluir custos mais altos de financiamento, menor capacidade de absorver choques financeiros e menor poder de aplicar sanções. O dólar sempre foi mais poderoso do que o tamanho da economia americana sugeriria. Sua participação nas reservas globais e nas emissões internacionais de dívida varia entre 60% e 80% – o equivalente a duas ou três vezes a fatia dos EUA na economia mundial. 

Durante anos, críticos argumentaram que essa primazia seria corroída. Não foi. Não havia alternativa. Isso começou a mudar há mais de uma década, quando a China passou a reduzir sua dependência do dólar, diversificando reservas em ouro e promovendo maior uso do yuan. 

Ponto de mudança

Mas o verdadeiro impulso veio com a invasão da Ucrânia pela Rússia e as sanções e congelamentos de ativos que se seguiram. A instrumentalização do dólar levou bancos centrais a reduzir parte de suas posições e aumentar reservas em ouro. 

A pressão do presidente Donald Trump para anexar a Groenlândia e suas constantes ameaças tarifárias também abalaram aliados europeus e sua confiança nos EUA, forçando-os a considerar alternativas.

Pense nisso como uma “demissão silenciosa”, e não como um frenesi de “Sell América”. Em vez de liquidar títulos do Tesouro em massa, muitos bancos centrais estão deixando seus papéis vencerem e substituindo-os por ouro. Muitos investidores também estão reduzindo o risco de duration nos EUA, migrando para títulos de prazo mais curto.

Uma colagem com elementos financeiros mostra um executivo de costas, uma mão oferecendo cem dólares, e duas mãos com uma calculadora e gesto de decisão, sobre símbolos de cálculos.
Ilustração: Daniela Arbex

Nos dois últimos meses de 2025, os fluxos líquidos para fundos de ações de mercados emergentes totalizaram US$ 70,8 bilhões, enquanto os fundos de ações americanas captaram US$ 43 bilhões.

Em janeiro, os fundos de ações dos EUA registraram saídas líquidas de US$ 34 bilhões, enquanto fundos internacionais captaram US$ 31 bilhões e emergentes receberam US$ 15 bilhões.

A mudança mais relevante ocorreu entre bancos centrais. O ouro deve representar um quarto das reservas globais ao fim de 2025, ante 10% em 2017. China, Turquia e Rússia lideram esse movimento.

Diversificação

A participação do dólar nas reservas caiu para cerca de 57%, ante 64% em 2017. Países também passaram a utilizar mais o yuan em financiamentos comerciais e investimento direto na China. Ainda assim, os controles de capital chineses dificultam que o yuan se torne um verdadeiro concorrente como moeda de reserva.

Mas diversificação não significa desdolarização. “Diversificação e fraqueza do dólar não devem ser confundidas com o fim do dólar”, afirma Joyce Chang, chefe global de pesquisa do J.P. Morgan.

Mesmo assim, a diversificação altera o comportamento dos ativos. Durante décadas, investidores estrangeiros podiam contar com a valorização do dólar em momentos de estresse, compensando perdas em ações americanas. Essa correlação começou a mudar.

Isso leva investidores a rever estratégias de hedge. Fundos de pensão com grande exposição a ações dos EUA estão repensando o risco cambial.

A expectativa de alguns estrategistas é de um ciclo de baixa de vários anos para o dólar, citando fragmentação de alianças e preocupações com dependência de cadeias produtivas.

Ilustração: João Brito

Ao mesmo tempo, condições econômicas fora dos EUA começam a melhorar. A Alemanha planeja investir 1 trilhão de euros em defesa e infraestrutura até 2035. O Japão busca reformas estruturais após vitória eleitoral robusta. 

Mercados emergentes combinam cortes de juros, reformas pró-negócios e boom de commodities. Os lucros em emergentes devem crescer 29% este ano, mais que o dobro do esperado nos EUA.

O dólar ainda pode ter períodos de força, especialmente se os EUA elevarem juros ou se tensões geopolíticas diminuírem. Além disso, a moeda segue próxima ao meio da faixa histórica das últimas três décadas — longe de qualquer colapso.

Ainda responde por mais de 90% das transações globais de câmbio e permanece a moeda dominante em mercados líquidos. Mas a dependência global diminuiu. O prêmio exigido para manter Treasuries longos subiu para cerca de 1,25 ponto percentual.

Para investidores, isso significa olhar além dos EUA. Fundos globais amplos, ETFs de mercados emergentes e exposição a títulos internacionais ganham relevância.

O ouro se tornou o sinal mais claro dessa mudança. Alguns estrategistas projetam que, se a alocação global subir modestamente, o metal poderia alcançar US$ 6.000, US$ 8.500 ou até US$ 10.000 até o fim da década.

Talvez não seja um movimento de “Sell América”. Mas, após décadas de domínio do dólar, pode ser hora de comprar mais fora dos EUA.

Escreva para Reshma Kapadia em reshma.kapadia@barrons.com

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Bolsa já sobe 46% em 12 meses com a entrada de estrangeiros. Entenda o que traz o dinheiro de fora para cá

23 de Janeiro de 2026, 16:17

Os investidores estrangeiros já aportaram R$ 12,3 bilhões nas ações brasileiras. O movimento é tão forte que já equivale a quase metade do dinheiro que entrou na bolsa no ano passado, de R$ 26,7 bilhões – na contabilidade líquida, ou seja, o tanto que as entradas superam as saídas. Esse é o grande motivo para o Ibovespa ter rompido recorde após recorde nesta semana, já na faixa dos 179 mil pontos.

Em apenas cinco pregões, o principal índice da B3 subiu 8%, impulsionado pelo movimento das maiores empresas da bolsa – caso da Vale, que também chegou aos picos históricos. No ano, alta já soma 11%. Em 12 meses, 46%.

Enquanto isso, o dólar permaneceu abaixo dos R$ 5,30, nos menores níveis desde novembro do ano passado.

No fechamento de hoje, o Ibovespa avançou 1,86%, aos 178.858 pontos. O dólar encerrou perto da estabilidade, a R$ 5,2865.

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Os estrangeiros estão fazendo a festa no Brasil porque o país é um dos mais líquidos entre os mercados emergentes e, em especial, na América Latina. Em um momento de alta procura por diversificação internacional, são os ativos brasileiros que entram na rota dos recursos internacionais.

Esta semana em especial foi propícia à demanda por ativos considerados mais arriscados. Donald Trump deu um passo atrás no “caso Groenlândia” ao dizer que não aplicaria as tarifas e que não tomaria o território à força. Com menos aversão nos mercados globais, a porteira abriu-se de novo aos emergentes, com mais intensidade.

Mas já faz tempo que uma parte do dinheiro de fora busca outros portos fora dos EUA. O EEM – ETF ligado ao iShares MSCI Emerging Markets, principal indicador das bolsas dos países emergentes – acumula ganhos acima de 7% no ano. Em 12 meses, 38%.

No mesmo período, o S&P 500 soma apenas 13%. Um sinal de que a apostas nas big techs, o motor das bolsas americanas, já não é tão intensa.

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Mas nada disso significa uma migração em massa de capital – das bolsas americanas para as da periferia do planeta, como a nossa. Para os estrangeiros, a quantidade de recursos remetida aos emergentes é muito pequena em relação ao que flui todos os dias em Nova York. Para bolsas como a nossa, porém, é um caminhão de dinheiro, capaz de mexer de forma significativa com os preços.

Essa procura por diversificação fora dos EUA explica a demanda pela moeda brasileira nesse momento, em um ambiente de enfraquecimento generalizado do dólar contra outras divisas globais. Do fim de dezembro para cá, o dólar já acumula baixa de 3,5% ante o real.

O desempenho do mercado de bolsa também destoa dos juros dos títulos públicos, justamente porque a justificativa para a disparada das ações é o movimento estrangeiro.

Do lado doméstico, o nível de “prêmio” (ou retorno a mais) exigido pelos investidores para comprar títulos de dívida do governo ainda é muito alto por questões domésticas sensíveis, caso das contas públicas e da proximidade das eleições presidenciais.

Mesmo assim, esse mercado vive um certo alívio. As taxas de juro real (acima da inflação) do Tesouro IPCA+2040 caem de 7,37%, taxa de fechamento de ontem, para 7,30% nesta sexta. AInda nos patamares da história. Mas, ainda assim, trata-se da maior queda no ano.

Volatilidade: como o ‘caso Groenlândia’ pode atrapalhar sua vida financeira

19 de Janeiro de 2026, 15:17

As novas ameaças comerciais de Donald Trump, agora parte do “caso Groenlândia“, voltaram a elevar a incerteza global.

Ao usar as tarifas comerciais como instrumento de pressão geopolítica, o presidente reforça um padrão já conhecido: quando a previsibilidade some, a volatilidade aumenta e a direção dos mercados se torna mais difícil de antecipar.

A experiência recente ajuda a ilustrar esse efeito. No anúncio do primeiro tarifaço, no ano passado, a volatilidade disparou e os investidores concentraram perdas justamente em ativos amplamente presentes nas carteiras, como ações, crédito e moedas de mercados emergentes, como a nossa.

Basta observar o comportamento do S&P/B3 Ibovespa VIX, índice que mede a volatilidade implícita do principal indicador da bolsa brasileira. Em termos simples, o indicador mede o grau de dispersão dos preços em relação ao seu comportamento médio esperado. Ele mostra o quanto o mercado vem se mostrando cada vez mais sensível a temas políticos e geopolíticos, dentro e fora do Brasil.

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Volatilidade, vale lembrar, não é apenas pressão negativa sobre os preços, mas a expressão da incerteza. Ela mede o grau de afastamento dos ativos em relação ao comportamento esperado diante de choques de informação e mudanças de percepção. Por isso, enfrentá-la não significa tentar prever o próximo movimento, mas estruturar o portfólio com ativos descorrelacionados antes que os choques ocorram.

“Dinheiro é rei”: liquidez como proteção estratégica

O ditado financeiro “cash is king” não se refere apenas a ter dinheiro parado, mas à capacidade de manter liquidez com baixo risco, algo essencial em ambientes de incerteza elevada, como o atual. Em ciclos de maior volatilidade, o valor da liquidez aumenta porque ela preserva opcionalidade: permite reagir rapidamente, seja para aproveitar distorções de preço, seja para amortecer perdas em outras classes de ativos.

Por isso, essa parcela do portfólio deve estar alocada em instrumentos de baixo risco de crédito, baixa volatilidade e alta previsibilidade. No Brasil, esse papel é cumprido de forma eficiente pelos títulos públicos pós-fixados, com destaque para o Tesouro Selic.

Trata-se de um ativo que carrega essencialmente o risco soberano, acompanha a taxa básica de juros e apresenta mínima sensibilidade a oscilações de mercado. Ele não é desenhado para gerar retornos extraordinários, mas para proteger capital, funcionar como reserva de emergência e servir como fonte de recursos para realocações táticas quando surgem oportunidades em ativos mais arriscados.

Títulos públicos dos EUA

Com a popularização das plataformas de investimento no exterior, o investidor brasileiro passou a ter acesso direto a ativos que historicamente cumprem um papel central na diversificação global de risco, como os títulos da dívida americana (Treasuries).

Mesmo em um ambiente de maior ruído político nos Estados Unidos, intensificado por decisões imprevisíveis da atual administração, o mercado americano continua sendo o mais profundo, líquido e institucionalmente robusto do mundo. Isso confere aos Treasuries um status singular: em momentos de estresse global, eles tendem a ser vistos como porto seguro, atraindo fluxo de capital justamente quando ativos de risco sofrem.

Do ponto de vista técnico, títulos de vencimento mais curto são preferíveis nesse contexto. Eles apresentam menor risco de duração, menor sensibilidade às oscilações de juros e funcionam quase como um “estacionamento” de capital em moeda forte, preservando valor com baixa volatilidade.

Esse comportamento explica por que Treasuries frequentemente se movem em sentido oposto a ativos como ações, crédito privado ou mercados emergentes, atuando com posição estratégica: um elemento estabilizador do portfólio na combinação com as demais classes.

O papel do dólar: a força da assimetria

O mesmo raciocínio se aplica ao dólar. À primeira vista, pode parecer contraditório investir na moeda americana em um momento em que há questionamentos sobre a liderança global dos EUA e maior busca por alternativas fora do país. No entanto, essa análise ignora um ponto crucial: a assimetria estrutural entre o real e o dólar.

O real é uma moeda de país emergente, altamente sensível a ciclos globais de liquidez, percepção de risco fiscal local, fluxo de capital estrangeiro e choques políticos e institucionais.

Já o dólar, apesar de suas fragilidades, segue sendo a principal moeda de reserva, de comércio e de financiamento global. Em períodos de aversão ao risco, o movimento típico não é a fuga do dólar, mas sim a fuga para o dólar, especialmente contra moedas emergentes.

Por isso, manter exposição cambial ao dólar não é uma aposta direcional, mas uma estratégia de hedge. Historicamente, ele tende a se valorizar justamente quando ativos locais e mercados mais arriscados sofrem, cumprindo um papel anticíclico dentro da carteira.

Por que não outras moedas?

É legítimo questionar se outras moedas fortes poderiam cumprir a mesma função. A resposta é: nem sempre.

A relação entre o real e o dólar é muito mais direta e estrutural do que com outras divisas. Além disso, nem todas as moedas têm mercados tão profundos e líquidos, nem todas funcionam como refúgio em crises globais e algumas são altamente correlacionadas com ciclos regionais específicos.

Isso faz com que o dólar continue sendo, na prática, a principal ferramenta de diversificação cambial para o investidor brasileiro.

Ouro: proteção contra risco sistêmico e geopolítico

O aumento da demanda por ativos clássicos de proteção recoloca o ouro no centro das estratégias defensivas. Diferentemente de moedas e títulos, o metal precioso não depende de governos, políticas monetárias ou sistemas financeiros para preservar valor.

Em um cenário de tensões geopolíticas crescentes, uso crescente de sanções financeiras, questionamentos sobre a neutralidade do sistema financeiro internacional, o ouro passa a ser visto como um ativo “fora do sistema”, o que explica a forte demanda recente.

Esse movimento não é exclusivo dos investidores privados. Bancos centrais ao redor do mundo vêm aumentando suas reservas em ouro e reduzindo exposição ao dólar. A lógica é simples: reservas concentradas em títulos públicos estrangeiros podem ser congeladas ou confiscadas em cenários de conflito político — como ocorreu com a Rússia.

A China lidera esse processo justamente por enxergar o risco de depender excessivamente de ativos financeiros denominados em dólar. Se governos e bancos centrais estão buscando proteção fora do sistema tradicional, é razoável supor que o ouro ainda tenha papel relevante como hedge e potencial de valorização em um mundo mais fragmentado e instável.

Mercados hoje: Livro Bege, inflação ao produtor nos EUA e varejo em foco

14 de Janeiro de 2026, 07:43

Bom dia!
A quarta-feira começa com os mercados globais atentos a dados econômicos que podem ajudar a desenhar o panorama de inflação e atividade, especialmente nos Estados Unidos. Aqui no Brasil, a agenda tem indicadores de produção industrial e fluxo cambial, em um dia em que o noticiário externo dita o tom. Vamos aos principais pontos.

Enquanto você dormia…

  • O mercado externo acordou alinhado com a expectativa por indicadores que ajudam a compor a fotografia da economia americana;
  • Futuros de NY: S&P, Nasdaq e Dow Jones operam em leve queda;
  • Europa e Ásia: bolsas europeias avançam moderadamente, com investidores à espera de desdobramentos dos protestos contra o governo no Irã e do embate entre o presidente americano, Donald Trump, contra a Dinamarca para “comprar” a Groenlândia, rica em minerais; o índice Nikkei do Japão renovou máximas, enquanto outras bolsas encerraram em leve queda.
  • Dólar (DXY) oscila em leve queda; petróleo WTI (EUA) e Brent (Reino Unido) operam em alta; ouro avança acima dos US$ 4,6 mil a onça.

Destaques do dia

  • Os investidores têm hoje três grandes focos externos: o Livro Bege, relatório do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) que reúne percepções qualitativas sobre a economia nos 12 distritos americanos; os dados de inflação ao produtor (PPI) e de vendas no varejo nos EUA, que são monitorados de perto pelo Fed para calibrar avaliação de preços e demanda;
  • E daí? Esses indicadores oferecem pistas sobre a saúde do consumo, pressões de preços e ambiente de crédito nos EUA, fatores que influenciam expectativas para os juros no país e podem mover dólar, juros e ações globalmente. Uma economia mais aquecida pode fazer o BC americano ficar ainda mais cauteloso pelo risco de uma nova pressão inflacionária.

Giro pelo mundo

  • Livro Bege em foco: o relatório qualitativo do Fed é publicado hoje, com percepções regionais sobre atividade econômica, emprego e preços que podem influenciar a visão sobre juros;
  • Inflação PPI e varejo: dados americanos de preços ao produtor e vendas no varejo ajudam a completar o quadro de inflação e consumo, antes do Livro Bege.
  • Balanços de bancos: após o J.P. Morgan, mercados aguardam balanços de Bank of America, Wells Fargo e Citigroup antes da abertura em Nova York.
  • Independência do Fed: ainda no foco do mercado está a pressão de Trump sobre o presidente do Fed, Jerome Powell. O republicano tem interesse que o Fed corte os juros mais rápido, enquanto a autoridade monetária defende sua posição técnica.

Giro pelo Brasil

  • Produção industrial regional: o IBGE divulga hoje pela manhã a produção industrial de novembro por região, dado importante para avaliar atividade econômica local.
  • Fluxo cambial semanal: também hoje sai o relatório de entradas e saídas de capital, indicador relevante para câmbio e confiança estrangeira.
  • Nova ofensiva: a polícia federal realiza hoje mais uma operação de busca e apreensão contra Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em meio à investigação de fraudes envolvendo a instituição financeira. O ex-banqueiro está em prisão domiciliar.

Giro corporativo

  • Amil: no mercado de planos de saúde mais populares, empresa bate de frente com Hapvida. A Amil liderou o ganho de novos beneficiários em 2025 em produtos de tíquete mais baixo e grande volume, especialmente no Rio de Janeiro e São Paulo.
  • Neogrid: companhia suspendeu temporariamente o processo de registro da sua oferta pública de ações (OPA) para aquisição do controle e deslitagem da empresa. A decisão ocorreu após a gestora L4acionista minoritária, contestar o preço de R$ 29 por ação oferecido pelo grupo Hindiana para a aquisição da empresa.
  • Yvy Capital, gestora fundada pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes e pelo ex-presidente do BNDES Gustavo Montezano, está estruturando um fundo de infraestrutura para captar até R$ 300 milhões para investir em concessões rodoviárias.

Agenda do dia

  • 09:00 — Produção industrial regional (Brasil) — indicador de atividade local por região do IBGE.
  • 10:30 — Inflação ao produtor e vendas no varejo (EUA) — pistas sobre dinâmica de preços e consumo.
  • 14:30 — Fluxo cambial semanal (Brasil) — revela movimentos de capital na conta financeira e comercial, relevante para câmbio e juros.
  • 16:00 — Livro Bege (Fed) — conjunto de avaliações qualitativas sobre economia americana.

Bons negócios!

Emprego nos EUA e IPCA no Brasil: como os novos dados mexem com os seus investimentos

9 de Janeiro de 2026, 12:13

Dois dados divulgados nesta sexta-feira (9) ajudaram o mercado a recalibrar as expectativas para os juros e, por consequência, para todo tipo de investimento.

Nos Estados Unidos, o relatório de emprego (payroll) mostrou uma economia que perde fôlego, mas sem sinais unânimes de fraqueza. No Brasil, um IPCA mais comportado abriu espaço para apostas mais firmes em cortes da Selic. Esse ajuste apareceu primeiro na chamada curva de juros, onde o mercado precifica o custo do dinheiro no futuro.

Na bolsa de valores, tudo se negocia, inclusive o futuro da taxa básica de juros. É para isso que existem os contratos de juros futuros, que têm vários vencimentos justamente para capturar as perspectivas para a Selic em diferentes horizontes. E, se a Selic reage a dados e estimativas do mercado, com esses contratos não seria diferente – e por isso, hoje, as informações novas sobre o mercado de trabalho nos EUA e inflação por aqui pautou o desempenho desses ativos.

Primeiro, o que aconteceu. Os contratos de juros futuros com vencimento em 2028 saíram de 13,02% para 13,07%, enquanto os contratos para 2029 avançaram de 13,01% para 13,06%.

Nos vértices de médio prazo, o movimento foi de queda uma parte do dia, mas, no fechamento, o desempenho teve uma pequena mudança: os contratos para 2033 saíram de 13,5% para 13,51%, enquanto a taxa do contrato para 2035 ficou praticamente estável.

Esse cenário conta a seguinte história: a pressão para uma Selic em alta, sem cortes profundos, se mantém nos próximos meses. Ou seja: bom para ativos que acompanham o CDI (que segue a taxa básica); ruim para títulos prefixados de curto prazo do Tesouro Direto. Se você tem eles na carteira, seu saldo cai quando a expectativa de juros no horizonte próximo sobe.

Na outra ponta, a dos juros longos caindo – como aconteceu durante boa parte do dia hoje –, é bom para os títulos de prazo mais longo (caso da maior parte dos IPCA+). A expectativa de juros menores para a próxima década, ditada pelo mercado de juros futuros, tende a fazer com que eles valorizem – ainda que de forma branda, já que a queda nos juros futuros está moderada.

Agora, o que está movimentando esse mercado? Resposta: o IPCA, a inflação “oficial” do Brasil, que veio abaixo do esperado em dezembro, fechando o ano dentro da meta do Banco Central. Boa notícia: inflação controlada eleva ainda mais as apostas de um corte da Selic no primeiro semestre, como acreditam (e esperam) os investidores.

Ok. Mas isso explicou o desempenho de uma parte do mercado – o dos títulos mais longos, que estavam caindo. Por que o jogo virou e esses contratos subiram junto com os demais?

Resposta: por causa do movimento dos títulos da dívida americana de curto prazo (Treasuries), de dois anos. O dia começou com um movimento mais modesto e ganhou força na reta final do dia: a taxa saiu de 3,501% no começo da tarde e foi para 3,536%. E essa alta acompanha a tentativa dos investidores de ajustarem suas perspectivas para o futuro da taxa de juros nos EUA, ditadas pelo payroll.

Duas leituras convivem nesse momento: de um lado, a criação de postos de trabalho veio abaixo do esperado; mas, de outro, a taxa de desemprego caiu e os salários aumentaram. É por isso que os juros futuros lá fora sobem: se a atividade perdeu força, mas não tanto a ponto de esfriar a inflação, o saldo ainda é favorável a um juro maior.

Ou seja, nos EUA, a expectativa é que postura do banco central deve continuar sendo mais cautelosa, sobretudo depois de uma sequência de cortes desde setembro de 2025. A leitura geral é de que os juros serão mantidos nos atuais níveis, e não elevados, mas o espaço para cortes como se viu antes não é mais unanimidade.

Mercados hoje: relatório de emprego nos EUA e inflação no Brasil orientam os negócios

9 de Janeiro de 2026, 07:46

Bom dia!
Os mercados começam o dia à espera dos dados do payroll, o relatório de emprego dos EUA que traz informações da taxa de ocupação do país, além da dinâmica de salários e horas trabalhadas. Depois de outros duas divulgações sobre o mercado de trabalho dos EUA nesta semana – o ADP e o Jolts –, investidores esperam uma menor abertura de vagas em dezembro. No Brasil, as atenções se voltam para os dados de inflação medidos pelo IPCA, com expectativa de um recuo para 4,30%, dentro da meta estabelecida.

Enquanto você dormia…

  • O viés dos mercados no exterior é levemente positivo, mas ainda em modo cautela antes do principal dado do dia nos EUA.
  • Futuros de NY: S&P 500 e Nasdaq em leve alta.
  • Europa e Ásia: bolsas europeias sobem de forma mais ampla, puxadas por ações de energia, mineração e tecnologia; na Ásia, os mercados fecharam em alta, estendendo o rali recente em Wall Street.
  • Dólar (DXY) em leve alta e petróleo sobe, mas sem movimentos bruscos, ainda resiliente às questões geopolíticas; minério de ferro oscila em queda, após máximas recentes e observando a inflação na China.

Destaques do dia

  • O payroll dos Estados Unidos está no centro das atenções hoje, com consenso projetando criação de cerca de 60 mil vagas e queda da taxa de desemprego para 4,5%. A leitura será crucial para as expectativas de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
  • No Brasil, o IPCA de dezembro, o índice oficial de inflação, está no calendário e pode influenciar o debate doméstico sobre juros e consumo.
  • E daí? Esses dois indicadores — um externo e um doméstico — pintam o quadro macro para o futuro do juro básico. Com uma economia perdendo força e um mercado de trabalho mais fraco, a inflação tende a cair e, com isso, elevar ainda mais as apostas de corte de juros.

Giro pelo mundo

  • Payroll em foco: mercado de trabalho dos EUA segue como principal ponto de atenção antes da divulgação de amanhã, com reflexos em juros e dólar.
  • Suprema Corte dos EUA: autoridade discute a legalidade das tarifas comerciais globais do presidente americano Donald Trump.

Giro pelo Brasil

  • Inflação na pauta: o IPCA de dezembro vai ajudar a reforçar ou a esfriar a trajetória de controle da inflação em relação à meta, de 3%, com teto em 4,5% ao ano.
  • Narrativas políticas continuam ecoando no mercado, agora com o governo decidindo que os Estados e municípios deverão cobrir o rombo dos fundos de previdência do Master. A novela sobre a anulação ou não da decisão do Banco Central de liquidar a instituição segue no radar.

Giro corporativo

  • GPA anunciou a renúncia de Rafael Russowsky dos cargos de vice-presidente executivo financeiro e diretor de relações com investidores. A função será acumulada interinamente pelo novo CEO, Alexandre Santoro, em meio a planos de corte de custos e reestruturação interna.
  • Alphabet supera Apple em valor de mercado: a controladora do Google ultrapassou a Apple e virou a segunda empresa mais valiosa do mundo em capitalização, depois da Nvidia, refletindo o papel crescente da tecnologia no mercado global.
  • Política alimentar nos EUA pode beneficiar carnes brasileiras: uma nova diretriz nos Estados Unidos favorece o consumo de proteína vermelha, o que pode representar um cenário de demanda para exportadoras como JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3).
  • O grupo Rio Tinto está em negociações para comprar a Glencore e criar a maior mineradora do mundo, com valor de mercado combinado superior a US$ 200 bilhões, pouco mais de um ano depois de conversas anteriores entre as duas empresas terem fracassado.

Agenda do dia

  • 9:00 – IPCA (Brasil)
  • 10:30 – Payroll (EUA)
  • 10:30 – Construção de novas casas (EUA)

Em meio a corte de custos, CFO do GPA renuncia

8 de Janeiro de 2026, 20:06

O GPA informou nesta quinta-feira (8) que Rafael Russowsky renunciou aos cargos de vice-presidente executivo financeiro e diretor de relações com investidores. Anunciado nesta segunda-feira como novo CEO, Alexandre Santoro, que antes de chegar aos supermercados liderava a rede de restaurantes IMC, vai acumular interinamente a posição de diretor interino vice-presidente de finanças.

Russowsky estava no cargo desde julho de 2023. Ele foi diretor do Casino e nome do grupo no conselho de 2020 a até assumir como CFO cerca de três anos depois. Ex-controlador do GPA, o grupo francês é hoje o segundo maior acionista do varejista, atrás dos Coelho Diniz, dona de rede que levava o nome da família no leste mineiro.

As trocas na direção do grupo dono das redes de supermercados Pão de Açúcar e Extra acontecem em meio ao um processo de corte custos. O GPA contratou a consultoria americana Alvarez & Marsal para apoiar a execução de um plano de eficiência iniciado em novembro do ano passado e que deve resultar em um corte de gastos superior a R$ 700 milhões.

De acordo com comunicado da companhia, a divisão de performance da Alvarez & Marsal dará suporte à execução de um plano de eficiência anunciado em novembro, que prevê uma redução relevante de custos, despesas e investimentos.

O programa projeta um corte mínimo de R$ 415 milhões em despesas operacionais, além de uma redução nos investimentos (capex), estimados entre R$ 300 milhões e R$ 350 milhões em 2026 — cerca de metade do volume investido nos 12 meses encerrados em setembro de 2025.

Disclaimer: Este texto foi escrito por um agente de inteligência artificial a partir de informações oficiais e de bases de dados confiáveis selecionadas pelo InvestNews. O trabalho foi revisado pela equipe de jornalistas do IN antes de sua publicação.

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Mercados hoje: dados de emprego nos EUA e política brasileira movimentam os negócios

7 de Janeiro de 2026, 07:46

Bom dia!
Os mercados acordam à espera dos dados de emprego nos Estados Unidos. Relatórios de emprego e desemprego serão divulgados ainda pela manhã, com potencial de ditar o rumo dos ativos lá fora e também no Brasil, onde a agenda é marcada pelo fluxo cambial e por temas políticos. Vamos aos pontos principais para abrir o pregão.

Enquanto você dormia…

  • O mercado global operou com pouca direção clara, em compasso de espera pela agenda de dados.
  • Futuros de NY: S&P 500 e Nasdaq em leve queda.
  • Europa e Ásia: bolsas europeias próximas da estabilidade; Ásia fechou também encerrou com os índices se movendo sem direção definida antes da leva de indicadores econômicos.
  • Dólar (DXY) em leve queda; petróleo e minério de ferro estáveis.

Destaques do dia

Emprego nos EUA é o grande termômetro
O grande destaque externo do dia são os dados de emprego dos Estados Unidos. Às 10h15 sai o relatório de emprego privado da ADP de dezembro, seguido mais tarde pela pesquisa JOLTS de vagas e rotatividade.

E daí? Emprego mais forte significa inflação potencialmente mais forte, e isso tende a diminuir expectativas de cortes de juros. Nesse cenário, os investidores se afastam de ativos de risco, enquanto dados mais fracos fazem o caminho contrário.

Giro pelo mundo

  • ADP e JOLTS em foco: indicadores do mercado de trabalho americano são vistos como prévia do payroll, o mais importante relatório de emprego e desemprego, e podem balizar decisões de política monetária.
  • Fed em cena: Michelle Bowman, dirigente do Fed, participa de evento hoje à noite, com possíveis comentários a mercado.
  • PMIs e inflação ao redor: leituras recentes e posteriores de atividade e inflação ajudam a compor o quadro de crescimento global esperado.

Giro pelo Brasil

  • Fluxo cambial semanal: números aguardados hoje devem dar pista sobre fluxo de capital, que é importante para câmbio e juros.
  • Agenda política no radar: movimentos políticos em Brasília podem ganhar importância para o clima de risco no curto prazo. Entre os eventos recentes, o PT ingressou com ações judiciais contra políticos de oposição que ligaram o partido e o presidente Lula ao narcotráfico nas redes, adicionando ruído no cenário.
  • Cenário eleitoral em movimento: Marina Silva descartou disputar a Câmara, mas uma eventual candidatura ao Senado dependerá de articulações com o ministro Haddad, o que pode movimentar expectativas sobre o ambiente político.

Giro corporativo

  • Petrobras e Foz do Amazonas: a Petrobras anunciou a interrupção temporária da perfuração do poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, após a detecção de um vazamento de fluido em uma tubulação auxiliar. A ocorrência volta a chamar atenção para os desafios ambientais e regulatórios associados à exploração na região, vista como uma das principais apostas da estatal para ampliar sua produção no futuro.
  • Batistas e a Venezuela: o grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, tem no geólogo Ricardo Savini — CEO da Fluxus, empresa controlada pelo grupo — um nome chave na estratégia de explorar oportunidades no setor de óleo e gás da Venezuela, que detém as maiores reservas de petróleo do mundo.
  • BYD acelera planos no Brasil: a montadora chinesa negocia a estreia de seus modelos em grandes locadoras e investe na expansão de sua rede de carregadores ultra-rápidos, aprofundando sua presença no mercado brasileiro de veículos eletrificados e intensificando a concorrência local.

Agenda do dia

  • 09:15: Emprego privado (ADP, EUA) — prévia da criação de vagas no setor privado.
  • 12:00: JOLTS (EUA) — vagas e rotatividade de emprego, outro componente importante do mercado de trabalho.
  • 14:30: Fluxo cambial semanal (Brasil) — indicador de entrada e saída de capital no país, relevante para câmbio e juros

Bons negócios!

Petrobras? Não. Por que a Aura Minerals reaparece no radar com aumento dos riscos geopolíticos

6 de Janeiro de 2026, 16:27

O petróleo mal se mexeu após o ataque dos EUA à Venezuela, mas o mercado segue em estado de alerta. Para o investidor brasileiro, é natural que a atenção se volte à Petrobras, mas há um nome menos óbvio que pode ser atingido – e para o bem – por esse novo equilíbrio geopolítico: a Aura Minerals.

A Aura é uma mineradora de ouro. O ouro subiu 65% no ano passado – e a tendência é que a escalada continue. Depois do ataque americano ao governo venezuelano e da retirada de Nicolás Maduro do poder, o mercado rapidamente reagiu para um movimento de procura por ativos considerados defensivos – e o ouro subiu 2% em seguida.

É aquela coisa: quando não se sabe o que vai acontecer, o melhor é já ter uma proteção na carteira. Vale para um grande investidor, como vale para você.

Do lado “macro”…

Na frente macroeconômica, o grande ponto é: o ouro deve seguir avançando nesse ano. Os riscos geopolíticos, que eram apenas “risco” há um tempo, cresceram: agora, eles se tornaram um medo recorrente com a escalada das tensões na América Latina. Lembrando: em um mundo que já enfrenta conflitos entre Rússia e Ucrânia e no Oriente Médio.

Junto disso vem a deterioração das contas públicas em várias economias e o temor de pressões inflacionárias, que reforçaram o status do metal como instrumento de proteção.

Não só entre investidores. O ouro conta com um comprador sólido: bancos centrais. Eles vêm recorrendo ao ouro como alternativa para diversificar reservas além do dólar.

O ouro, afinal, não é imune a crises geopolíticas. Para a China, por exemplo, não interessa ter só dólares em suas reservas internacionais. Em última instância, eles podem ser confiscados pelos EUA – como aconteceu com a Rússia –, já que ficam na forma de títulos públicos. Logo, o país de Xi Jinping tem trocado paulatinamente suas reservas em dólar por ouro. Com o caso da Venezuela, o caldeirão geopolítico ganha mais temperatura. E o jogo fica mais favorável para o metal amarelo.

A China não está sozinha, claro. Turquia, Polônia, Cazaquistão e até o Brasil estão entre os maiores compradores. Não só por “medo de confisco”, mas porque a dívida americana está no maior nível desde 1946 (120% do PIB). Isso tira confiança no dólar – os EUA podem imprimir moeda para pagar, gerando inflação e corroendo o valor da moeda. Não dá para imprimir ouro. Logo, os bancos centrais correm para o metal amarelo.

A perspectiva de afrouxamento monetário nos Estados Unidos – que no fim do ano passado virou realidade – também tornou o metal mais atrativo. Um corte de juros reduz o custo de carregar um ativo que não paga cupom. Em outras palavras: o ouro não paga juros nem dividendos; por isso, quem tem o metal como investimento “deixa de ganhar” o que receberia em aplicações seguras, como títulos do Tesouro dos EUA. Se o juro cai, melhor para o metal.

Para este ano, muitas casas já trabalham com um cenário em que o ouro possa perder um pouco de força, mas sem afetar o ciclo atual do metal, que é de alta, consolidado na faixa entre US$ 3 mil e US$ 4 mil a onça (o equivalente a 31 gramas).

…e do lado “micro”

Depois de ser negociada na bolsa do Canadá, a Aura Minerals estreou na Nasdaq em julho de 2025, de olho em um aumento da liquidez de seus papéis. De lá para cá, teve enorme valorização na bolsa americana – e o BDR, a “versão brasileira” da ação lá fora, acompanhou o desempenho.

O que explica o descolamento do BDR da ação em Nova York é a variação do ouro, que foi mais relevante que a do câmbio e é melhor capturada pela ação diretamente lá fora.

Toda essa euforia é resultado da leitura sobre o momento operacional da empresa. Na frente de volumes produzidos, o crescimento estimado é de 39% em 2026 na comparação anual, segundo cálculos do BTG Pactual. O impulso deve vir sobretudo do aumento de produção na mina de Borborema (RN) e da plena atividade da mina de Serra Grande (GO).

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Os papéis estão entre os mais “esticados” da bolsa, quer dizer, avaliados como caros no comparativo com outras companhias de mineração – Vale, CSN Mineração e Usiminas entre os mais importantes. Ainda assim, partindo da premissa que o ciclo do ouro vai permanecer, a expectativa é de que a Aura apresente uma forte geração de caixa.

O fluxo de caixa livre – o dinheiro que sobra após os investimentos para manter e expandir as operações – equivaleria a aproximadamente 11% do valor de mercado. É um nível elevado, que indica que, em um único ano, a empresa gera caixa correspondente a mais de um décimo do que o mercado paga hoje por ela. Um fluxo de caixa forte estimula a compra do papel, portanto, porque representa um percentual muito grande do preço da ação.

Além disso, a Aura seria avaliada a cerca de 3,9 vezes o Ebitda (uma medida de lucro operacional) projetado para 2026, também nas contas do BTG. Essa é uma métrica calculada dividindo-se a dívida líquida pelo Ebitda e expressa quantos anos a empresa levaria para quitar suas dívidas usando todo o lucro operacional. Em linhas gerais, níveis abaixo de 2 vezes são considerados mais saudáveis, mas empresas com operações mais alavancadas pode acabar operando com relações mais altas.

O papel também negociaria com “desconto” em relação ao valor de seus ativos, já que o múltiplo que relaciona o preço da ação ao valor patrimonial (P/NAV) é de 0,68 vez. Ou seja: o mercado ainda atribui à companhia um valor inferior ao das minas e projetos que ela tem.

Por fim, a empresa teria capacidade de sustentar um dividend yield na faixa de 7% a 8%, ou seja, um retorno anual em dividendos equivalente a esse percentual do preço da ação, desde que mantidas as atuais condições de geração de caixa.

Três meses após saída de CEO, GPA traz ex-Frango Assado como novo presidente

5 de Janeiro de 2026, 11:35

O GPA, dono das redes Pão de Açúcar e do Extra, anunciou nesta segunda-feira (5) um novo CEO, Alexandre Santoro, que comandava a International Meal Company (IMC), operadora do Frango Assado, do Viena e da Pizza Hut.

O alto escalão do grupo de supermercados tem passado por uma dança das cadeiras desde as mudanças na base acionária, em que a família Colho Diniz ascendeu como maior acionista. O GPA estava sem um CEO desde outubro, quando Marcelo Pimentel renunciou ao cargo após embates no conselho e foi substituído interinamente pelo diretor financeiro (CFO) Rafael Sirotsky Russowsky.

A saída de Pimentel aconteceu semanas depois de o CEO ameaçar deixar o cargo durante a primeira reunião do novo conselho de administração. O encontro foi marcado por um embate com o então conselheiro Edison Ticle, ligado ao investidor Rafael Ferri, que acabou eleito vice-presidente do board. Cerca de dois meses depois, em 26 de dezembro, foi Ticle quem renunciou e deixou o conselho do GPA.

Segundo fontes próximas ao GPA, os Coelho Diniz preparam um novo plano para a empresa, estruturado em duas etapas: primeiro, corte de custos e redução de capex; em seguida, foco nas operações mais rentáveis, especialmente no Estado de São Paulo, principal praça do grupo. Esse deverá ser o mandato do novo CEO do grupo.

O novo CEO

Santoro ficou quase cinco anos à frente da IMC. Antes disso, comandou operações da Restaurant Brands International (RBI), dona global do Burger King e da Popeyes.

Como último ato à frente da operadora de marcas de alimentação fora de casa, Santoro liderou a venda da operação brasileira da rede frango frito KFC para a Kentucky Foods Chile, que opera mais de 550 lojas da KFC na América Latina. O negócio foi anunciado em 30 de dezembro — em março, a IMC já tinha vendido o controle para o grupo chileno.

Alexandre Santoro foi CEO da IMC por quase cinco anos
Alexandre Santoro foi CEO da IMC por quase cinco anos (foto: reprodução/Alexandre Santoro)

A IMC vem tentando se reorganizar. Saiu das operações como a do Panamá, em 2022, e está renovando algumas de suas marcas, como a Frango Assado. Fechou as lojas deficitárias e diminuiu promoções nas operações do delivery. Ao fim do terceiro trimestre, a receita líquida do grupo cresceu 6%, para R$ 2,11 bilhões em nove meses, mas seu prejuízo mais do que triplicou para R$ 98,1 milhões.

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Investir em dólar em 2026 faz sentido para os brasileiros?

26 de Dezembro de 2025, 10:39

Fazer previsões sobre investimentos internacionais e dólar nunca é simples – e fica ainda mais difícil quando o cenário reúne incertezas sobre juros, conflitos geopolíticos e eleições no Brasil. Ainda assim, alguns sinais começam a se desenhar e podem ajudar o investidor a pelo menos calibrar decisões para 2026.

O principal é o enfraquecimento do dólar no cenário global. Há certo consenso entre as casas de análise de que a moeda americana tende a perder valor. Não por acaso, bancos centrais vêm aumentando a parcela de ouro em suas reservas, em detrimento do dólar. Três fatores ajudam a explicar esse movimento:

Juros: boa parte do mercado trabalha com a hipótese de cortes de juros nos Estados Unidos em 2026. Quando as taxas caem, os títulos em dólar perdem parte da atratividade, o que tende a direcionar capital para outros ativos.

Inflação: a inflação americana segue mais elevada do que a da zona do euro e de outras economias desenvolvidas. Isso corrói o poder de compra do dólar frente a essas moedas.

Fiscal: O governo dos Estados Unidos vem ampliando gastos e elevando o déficit fiscal. Esse desequilíbrio pesa sobre a percepção do dólar como moeda porto seguro e como reserva de valor global.

Mas isso significa que o brasileiro deve evitar o dólar ou reduzir a exposição? Não necessariamente.

Por que vale ter exposição ao dólar?

Primeiro, porque a moeda segue forte no contexto internacional – o que se discute é uma redução marginal de exposição, não um abandono, e isso para quem já tem a divisa na carteira. E, segundo, porque a realidade do investidor brasileiro é distinta da do investidor global.

“O percentual alocado em outras moedas fortes nas carteiras de brasileiros é muito pequeno. Então, é preciso ajustar algo que está muito fora do padrão global. Na verdade, o Brasil é que é muito diferente do mundo, nesse sentido”, afirmou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.

Até 31 de dezembro de 2024, somente 29.068 brasileiros declararam ter ativos no exterior, segundo dados do Banco Central. É pouco. Só na renda fixa local, há pouco mais de 100 milhões de brasileiros, enquanto na renda variável há cerca de 5,4 milhões, segundo dados da B3.

Outro ponto, segundo Alves, é que 2026 tende a ser um ano de elevada volatilidade, impulsionada pela incerteza eleitoral no Brasil. Nos últimos dias, o mercado já teve uma amostra disso, com anúncios de candidaturas, pesquisas e ruídos políticos.

“Para o investidor brasileiro, como forma de proteção diante de um cenário tão binário, é fundamental ter exposição ao dólar”, disse.

Quando se fala em investir na moeda americana, muita gente pensa imediatamente em comprar dólar em uma casa de câmbio. É uma possibilidade, claro, mas não a única. Há alternativas tanto na renda fixa quanto na renda variável.

Renda fixa em dólar

Com a expectativa de queda de juros nos EUA e um possível enfraquecimento do dólar, a tendência é que os Treasuries – os títulos do governo americano – passem a oferecer retornos menores.

Ainda assim, segundo especialistas, é possível encontrar papéis de crédito privado pagando entre 5% e 6% ao ano em dólar. São ativos mais arriscados do que os Treasuries, consideradas as mais seguras do mercado, mas que compensam com rendimento maior.

“O mercado de renda fixa americano é muito pujante. Vemos essas alocações muito mais como estratégicas e perenes dentro do portfólio do que como apostas táticas em oportunidades pontuais”, afirmou Juan Schiavo, portfolio manager da Cimo Family Office.

Renda variável

É impossível falar de renda variável no exterior sem olhar para o S&P 500, principal índice de ações dos Estados Unidos. Em 2025, ele ficou atrás do Ibovespa – subiu 16%, contra alta de 35% do índice brasileiro. Ainda assim, o histórico joga a favor do gigante: entre 1950 e 2024, o índice avançou, em média, 9,3% ao ano, segundo dados da Avenue.

De acordo com o BTG Pactual, a dinâmica de lucros das empresas americanas segue favorável. “O consenso projeta para 2026 um crescimento de aproximadamente 11% nos lucros do S&P 500, liderado por Tecnologia (+14%), Comunicações (+11%) e Energia (+9%)”, afirmou o banco em relatório.

A principal narrativa, portanto, deve continuar sendo a mesma: a tal da inteligência artificial. Apesar do debate sobre possíveis excessos e até uma pequena bolha, é no próximo ano que devem ficar mais evidentes as “profundas transformações econômicas e sociais provocadas por essa nova inovação”, segundo a XP.

Na visão de Schiavo, o setor de tecnologia nos EUA se tornou tão grande que hoje é o principal driver dos mercados globais.

Riscos

Investir no exterior, como qualquer investimento, envolve riscos. Um dos principais é a oscilação cambial: a valorização do dólar pode ampliar ganhos, mas o movimento inverso tem impacto direto sobre o retorno em reais. O último boletim Focus do Banco Central projeta o dólar na faixa dos R$ 5,50 para 2026, o mesmo patamar deste ano.

Além disso, fatores políticos e econômicos do país onde o capital está alocado pesam bastante. Mudanças na política monetária (lembrando que os EUA terão um novo presidente no seu banco central ano que vem), crises institucionais ou até declarações de líderes influentes – Donald Trump que o diga – podem gerar volatilidade e alterar rapidamente o humor do mercado, mesmo em economias consideradas estáveis, como a americana.

Quanto investir em dólar?

Definir quanto do patrimônio deve estar exposto ao dólar não tem resposta única. A alocação ideal varia conforme renda, padrão de consumo e objetivos financeiros. Ainda assim, alguns estudos ajudam a oferecer um ponto de partida mais concreto para quem busca proteção cambial e diversificação internacional.

Um levantamento divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) no início deste ano mostrou que a variação do dólar impacta entre 16% e 18% da cesta de consumo dos brasileiros, a depender da faixa de renda. Com base nisso, o estudo sugere que manter algo próximo a esse percentual aplicado em ativos internacionais – especialmente atrelados à moeda americana – pode ajudar a equilibrar os efeitos do câmbio no dia a dia.

Depois da alegria, o maremoto: Ibovespa derrete e dólar dispara com futuro das eleições em jogo

5 de Dezembro de 2025, 15:46

As especulações em torno do futuro das eleições presidenciais no Brasil começaram de vez a mexer com o humor dos investidores. Depois dos recordes do Ibovespa ao longo da semana, o mercado inverteu totalmente a direção na sessão de hoje com a notícia de que o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, teria sido o escolhido pelo pai para concorrer à Presidência.

Às 17h35, o Ibovespa recuava 4,29%, aos 157.395 pontos. Das 82 ações do Ibovespa, 78 registravam queda.

Enquanto isso, o dólar subiu 2,29%, fechando em R$ 5,431. Os contratos de juros futuros também disparam no dia, com todos os vencimentos entre 2027 e 2033 oscilando acima dos 13% – um claro sinal de aumento da aversão ao risco.

A informação de que Bolsonaro escolheu seu filho como candidato foi divulgada pelo portal Metrópoles e pela CNN, que afirmam que a escolha do integrante da família foi comunicada a interlocutores. Às 15h33, Flávio Bolsonaro confirmou a informação no X. A notícia joga um balde de água fria nas expectativas do mercado em torno na indicação do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como candidato.

Na leitura de operadores de mercado, os investidores receberam mal a notícia porque veem em Tarcísio um nome mais forte para disputar a cadeira com o presidente Lula, em especial com a agenda liberal que ele poderia trazer e pelo descolamento da sua imagem diretamente de Bolsonaro – algo que um membro da família não conseguiria fazer.

A oficialização de Flávio como candidato também divide a direita, pois o filho do ex-presidente tende a tirar votos de outros nomes que poderiam fazer frente a Lula, ao mesmo tempo em que carrega a alta rejeição a Bolsonaro. Em tese, então, a candidatura torna mais fácil o caminho de Lula para a reeleição – algo que o mercado sempre temeu por conta da leniência fiscal do atual presidente.

Por conta disso, os juros futuros entraram em disparada. E o Tesouro Nacional chegou a interromper as negociações de títulos prefixados e IPCA+, prerrogativa usada para evitar distorções pesadas nos preços em momentos como esse.

Venda de ações em bloco derruba Azzas e Allos

Um grande investidor institucional vendeu um bloco grande de ações de duas empresas – a Allos e a Azzas – na manhã desta sexta-feira (5), antes das notícias políticas. O movimento indica que as oscilações recentes das ações deixaram espaço para que grandes acionistas vendam papéis para realizar lucro ou ajustar seus portfólios.

As vendas de blocos de ações, ou block trade, ocorrem por muitos motivos. Nesse caso, um grande acionista faz esse movimento quando vê oportunidade de lucrar com os papéis após um período de valorização deles na bolsa ou porque quer executar uma estratégia específica para a empresa ou para a carteira de investimentos como um todo.

Quem vendeu os papéis das duas empresas na bolsa foi o fundo de pensão canadense CPPIB. Na Allos, o fundo detém hoje 14% das ações. Foram 23 milhões de ações vendidas a R$ 28,38 o papel, totalizando R$ 650 milhões. Os papéis caem 4,51% na bolsa, entre as maiores baixas das ações integrantes do Ibovespa.

Na Azzas, o fundo tem 5,1% do capital. O bloco de venda foi de 10 milhões ações, com preço de R$ 27,10. Ou seja: a operação movimentou R$ 270 milhões. As ações da companhia recuam 5,79%, segunda maior baixa entre os papéis do principal índice da bolsa.

Excesso de energia renovável está levando a rede ao seu ‘limite físico’ na Alemanha

30 de Novembro de 2025, 16:34

CEO da EON, a maior distribuidora de energia elétrica da Alemanha, afirmou que a maior economia da Europa deveria frear o ritmo de expansão da energia eólica e solar, dizendo que as redes elétricas do país estão com dificuldades para lidar com a onda de novos projetos renováveis.

O sistema de eletricidade da Alemanha está chegando aos seus limites físicos em várias regiões. Isso aumenta a conta de luz, já que as distribuidoras lá precisam pagar compensações a usinas eólicas e solares que são obrigadas a reduzir a geração nos picos de fornecimento, disse o CEO Leonhard Birnbaum em entrevista ao jornal Sueddeutsche Zeitung publicada no domingo.

Dessa forma, a geração renovável tem aumentado os preços de energia. Birnbaum disse que é a favor de reduzir as metas de expansão de renováveis na Alemanha, argumentando que a demanda de energia na Europa está estagnada há anos, ao contrário do que previam projeções anteriores ligadas à eletrificação.

“As renováveis já venceram — elas já respondem por mais de 60% da nossa eletricidade”, afirmou Birnbaum na entrevista. “Neste estágio, não faz mais sentido subsidiar maciçamente nova capacidade, especialmente quando mais uma turbina eólica adiciona custos, mas quase nenhum benefício.”

Como uma das maiores operadoras de redes de distribuição da Europa, a EON desempenha um papel central na eletrificação da economia. Os comentários de Birnbaum ressaltam a crescente preocupação em torno da transição energética alemã, à medida que a congestão nas redes se intensifica, os custos de corte de geração sobem para a casa dos bilhões e fábricas enfrentam dificuldades para obter conexão em tempo hábil.

Birnbaum disse esperar queda nos preços de energia elétrica e gás no ano que vem, ajudada por subsídios do governo às tarifas de rede, mas alertou que são necessárias mudanças regulatórias para manter a confiabilidade do sistema e apoiar a competitividade da indústria.

Mesmo após uma forte expansão das renováveis, a Alemanha continua dependendo de combustíveis fósseis para manter as luzes acesas quando a demanda dispara ou a geração eólica e solar recua. Essa dependência ficou mais evidente desde o fechamento das últimas usinas nucleares do país, em 2023. O governo lançará no ano que vem uma licitação para uma nova frota de usinas a gás que substituirão termelétricas a carvão que estão sendo desativadas.

Por Monica Raymunt


Foto da Abertura: Adobe Stock

Alta do Ibovespa em dólar já passa de 50% no ano. Ainda há lenha para queimar?

30 de Novembro de 2025, 13:11

O Ibovespa sobe 32% no ano. O dólar cai 14%. Significa o seguinte: um dos melhores investimentos do mundo para estrangeiros foi a bolsa brasileira. Somando a alta da bolsa com a valorização do real nesses 11 meses, temos que o Ibovespa sobe 53% em dólar.

Uma grande virada em relação a 2024, quando o Ibovespa em dólar tombou 30%. E algo comparável com a alta do ouro (63% em dólar), cantada em verso e prosa pelo noticiário internacional há meses. 

Mas o caso brasileiro não é um fenômeno isolado. Longe disso. Várias bolsas de países da série B (e C, e D) das finanças globais têm desempenhos semelhantes. E 12 delas estão na nossa frente. Veja aqui: 

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O maior destaque na tabela é para as bolsas da África subsaariana. Gana e Zâmbia lideram o ranking; além disso, Nigéria e Quênia compõem o top 20.

Outra participação relevante é a do Leste Europeu. Hungria, República Tcheca, Eslovênia e Polônia figuram com ganhos superiores aos do Ibovespa. 

Enquanto isso, a bolsa americana fica em mais modestos 17%. Ainda assim, é o terceiro ano seguido que o S&P 500 fecha em dois dígitos – depois de marcar 24% em 2023 e 23% em 2024.

Mas o momento é, sem dúvida, dos times pequenos. Só fica a pergunta: ainda há lenha para queimar? Vamos ver aqui. 

Se você somar o preço de todas as ações da B3 e dividir pelo lucro que as empresas deram nos últimos 12 meses, vai dar 11,5. Esse é o P/L (preço sobre lucro) atual do Ibovespa. Ele é baixo na comparação com o S&P 500, que opera num P/L de 30. Mas já está acima da média dos últimos 20 anos, que foi de 10,5%.

Pelo histórico, portanto, a bolsa já saiu daquele terreno em que pode ser chamada de “barata”. A ver o que 2026 trará.   

Vendas na Black Friday sobem nos EUA: má notícia para a trajetória dos juros do Brasil

29 de Novembro de 2025, 18:11

As vendas na Black Friday aumentaram 4,1% em relação ao ano passado nos EUA. O resultado supera a alta de 3,4% registrada em 2024. Bom para o consumidor americano, mas talvez nem tanto para a economia global – a começar pela nossa.

Consumo vigoroso faz de tudo, menos puxar os preços para baixo. Logo, uma Black Friday pródiga por lá joga contra a ideia de cortes mais profundos nos juros do Fed, o banco central dos EUA.

Juros americanos num patamar alto, como os 4% de agora, existem para baixar a inflação freando a atividade econômica. E se essa atividade se mostra forte, é sinal de que o remédio não está fazendo tanto efeito.

Como não há outro remédio contra a inflação, fica mais difícil reduzir a dose diante desse sintoma.

E como está a inflação? Não se sabe. O CPI (“IPCA” dos EUA) relativo a outubro, que deveria ser o mais recente, não foi apurado – uma cortesia do shutdown, a paralisação parcial do governo americano por falta de dinheiro autorizado pelo Congresso.

O CPI de setembro ficou em 3% para os últimos 12 meses – e sem sinais de convergência para a meta (de 2%), já que o índice foi subindo mês a mês desde abril, o ponto mais baixo do ano (2,4%).

O consenso do mercado aponta para mais um corte de 0,25 p.p. nos juros americanos na próxima reunião do Fomc (o Copom deles), que acontece no dia 10 de dezembro.

Mas dirigentes do banco central americano, como Beth Hammack, do Fed de Cleveland, já alertaram que vendas de fim de ano mais fortes que o esperado podem atrasar o retorno da inflação à meta, o que justificaria uma postura mais conservadora do Fomc. Em outras palavras: uma Black Friday exuberante alimenta um cenário de juros altos por mais tempo.

Juros altos nos EUA não são uma questão restrita aos EUA. Eles aumentam a remuneração dos títulos públicos americanos. Eles ficam mais atraentes. Como você precisa de dólares para comprar esses títulos, a demanda por moeda americana aumenta. E empurra o valor do dólar para cima.

Nos últimos meses, a queda do dólar foi importante para arrefecer a inflação no Brasil. O IPCA cedeu de 5,53% em abril para 4,68% em outubro. Caso a tendência arrefeça, ou se reverta, a desaceleração nos preços daqui fica comprometida. E aí quem se vê obrigado a manter os juros lá no alto é nosso Banco Central.


Foto da abertura: Getty Images

Sinal de corte de juros pelo Fed anima mercados internacionais – mas Brasil não segue a festa

21 de Novembro de 2025, 18:32

A sexta-feira dos mercados começou em clima azedo no exterior. Mas bastou o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Nova York, John Williams, colocar um corte de juros em dezembro no radar dos investidores para o humor mudar radicalmente.

Dá para notar essa mudança de rumo pelo comportamento da ferramenta CME FedWatch, que acompanha as apostas nos rumos da política monetária dos EUA. No início da manhã, o monitor mostrava que 39% dos investidores viam como possível um corte de 0,25 ponto percentual nos juros na reunião de 9 a 10 de dezembro do Fed.

Logo após o presidente do Fed de Nova York ponderar ver “espaço para um novo ajuste no curto prazo” em um discurso feito durante um evento em Santiago, no Chile, ainda nas primeiras horas de negócio, o indicador virou o ponteiro para 70% de chance de corte de 0,25 ponto. O FedWatch no fim do dia mostra que 71,7% do mercado acredita na redução dos juros no último mês de 2025.

Williams defendeu um movimento que aproxime a taxa de política monetária do chamado nível neutro, ou seja, aquele que mantém o crescimento sem impulsionar a inflação. Conforme o dirigente do BC americano, o atual patamar entre 3,75% e 4% está “levemente restritivo”.

As bolsas de Nova York vêm de um movimento de venda de ações de tecnologia em meio às preocupações sobre uma potencial bolha de preços de papéis ligados à cadeia de inteligência artificial. Nem mesmo o lucro acima do esperado da Nvidia, principal símbolo das companhias da economia da IA, de US$ 31,9 bilhões no terceiro trimestre, divulgado na quarta-feira após o fechamento dos mercados, foi suficiente para afastar os temores.

O S&P 500 fechou com alta de 0,98% aos 6.602,96 pontos. O Nasdaq subiu 0,88% para 22.273,08 pontos. Na semana, os indicadores acumularam quedas de, respectivamente, 2% e 2,7%.

O movimento de alta nesta sexta-feira contrastou com a bolsa brasileira. O Ibovespa amargou um recuo de 0,39% para 154.770 pontos. E o dólar registrou alta de 1,18% cotado a R$ 5,4010.

O recuo do índice de ações e a alta da moeda americana refletem a cautela que ainda impera entre os investidores globais. Mesmo após a sinalização do Fed ter recolocado um corte em dezembro no radar do mercado, as preocupações com uma eventual bolha de IA ainda pesam e têm inspirado um posicionamento mais cauteloso dos investidores.

Outro fator que traz cautela para o mercado é o mal-estar entre o governo e o presidente do Senado, David Alcolumbre. A indicação do chefe da Advocacia Geral da União (AGU), Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal na vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso contrariou o líder da casa legislativa, que apoiava a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

O presidente do Senado agendou a votação de um “projeto-bomba”, com forte impacto fiscal para a próxima semana. Trata-se do o projeto de lei complementar que confere aposentadoria especial aos agentes de saúde, que pode gerar despesas de até R$ 800 bilhões em 50 anos.

A votação do projeto ocorre em meio aos questionamentos sobre o equilíbrio fiscal do governo. O crescimento do endividamento público pode acelerar diante do esperado aumento de gastos devido às eleições em 2026. Esse avanço da dívida traz um aumento dos prêmios pedidos pelo mercado e pressiona a inflação diante da elevação de recursos injetados na economia.

O desequilíbrio fiscal torna a política monetária menos eficaz e, com isso, o Banco Central pode ser obrigado a manter os juros altos por mais tempo tanto para segurar a pressão sobre os preços quanto para evitar uma contaminação das expectativas futuras para a inflação.

Apple, Microsoft, Amazon… 5 dos BDRs das 7 Magníficas estão no negativo em 2025

19 de Novembro de 2025, 06:00

É um massacre. Enquanto o Ibovespa sobe 30% no ano, o grosso dos BDRs das sete companhias mais valiosas dos EUA amargam quedas. Em alguns casos, duras quedas. 

BDRs, vale lembrar, são “recibos” de ações gringas. Você negocia na B3 em reais, como se fossem papéis brasileiros. E eles refletem a variação das ações para valer, aquelas negociadas em Nova York.

Esses papéis também flutuam ao sabor do câmbio – já que ações americanas são precificadas em moeda americana, lógico. As quedas do dólar puxam os BDRs para baixo. E haja queda. No ano, as notas verdes cedem 15,5%. E o cenário que temos é o seguinte: 

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O tombo da moeda americana cria distorções interessantes. A Alphabet vai bem, obrigado – até a Berkshire, que não tem comprado quase nada, fez uma fezinha de US$ 5 bilhões na dona do Google. A alta, na bolsa americana, é de 50,1% ano ano. Em reais, porém, a alta se restringe a 26,4%. 

A Nvidia, rainha da IA, também segue testando limites, você sabe. Em julho, virou a primeira empresa a romper a barreira dos US$ 4 trilhões em valor de mercado. No final de outubro, inaugurou o patamar dos US$ 5 trilhões. Desde lá, Nvidia cai 12% (US$ 600 bilhões) – e o termo “bolha da IA” entrou de vez para o léxico popular do planeta. Mesmo assim, ela ainda sobe 35% no ano. Em reais, perém, a alta é menos gráfica: 14,5%.

E daí para baixo é todo mundo debaixo d’água: Microsoft (-0,8%), Apple (-8%), Meta (-13,8%) Amazon (-14,1%), Tesla (-17,2%). 

Mas o dólar não é o único vilão, claro. À parte a Microsoft, que sobe razoáveis 17,1% em sua moeda natal, o cenário é modorrento, com Apple abaixo dos 10%; e Amazon, Meta e Tesla praticamente no zero a zero. Aqui:

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Não é novidade: tem crescido entre investidores a percepção de que a bolsa americana está cara. E na letra fria dos dados está mesmo.

Sabe-se se uma bolsa está cara quando você olha o P/L (preço sobre lucro). Você soma o valor de mercado de todas as empresas do índice e divide pelo lucro que elas deram nos últimos 12 meses.

Se essa divisão dá 10, por exemplo, significa que as empresas valem, na média, 10 anos do lucro que elas propiciam hoje. Quanto dá o do S&P 500? 27,6. É mais do que a média dos últimos 10 anos, 22,8. E bem mais do que série de longo prazo (desde 1950), de 19. 

No Brasil é o contrário. P/L de 8,6, contra uma média maior, de 10,5, para os últimos 20 anos.

Em outros países emergentes, a situação é parecida. E tal como o Brasil eles têm recebido mais dinheiro de fora. Tanto dinheiro que as bolsas de alguns países latino americanos estão até mais exuberantes do que a nossa no ano: 

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Mas o fato é que os movimentos de mercado e de câmbio se retroalimentam. Quando cresce o fluxo de dólares para as bolsas dos emergentes, aumenta a oferta de dólares nesses países. E a moeda americana desvaloriza. É justamente o que está acontecendo: 

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Seja como for, a negociação de BDRs é relativamente pequena na B3. Um levantamento da Quantum Finance mostra que as Mag 7 movimentam algo entre 100 mil e 200 mil negócios por dia. Trata-se de um patamar equivalente ao de empresas brasileiras menos expressivas, que ficam de fora do ranking das 100 mais negociadas.

CVM questiona informações da Ambipar e solicita íntegra do processo de recuperação

7 de Novembro de 2025, 14:12

Em meio ao pedido de recuperação judicial, a Ambipar está tendo de lidar, agora, com mais questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Em ofício enviado ao juiz responsável pela RJ, a autarquia questiona a falta de transparência da companhia com o mercado e com o próprio regulador, e pede acesso integral aos autos da recuperação, inclusive às peças que tramitam sob segredo de Justiça – quando solicitou a recuperação judicial, a Ambipar entregou ao judiciário alguns documentos, como o fluxo de caixa detalhado, em envelope lacrado que só o juiz tem acesso.

No centro da ofensiva da CVM está uma aparente quebra de narrativa: em junho de 2025, a Ambipar reportava cerca de R$ 4,7 bilhões em caixa consolidado, mas quatro meses depois pediu proteção contra credores alegando risco de liquidez.

Como companhia aberta de categoria A, a Ambipar é obrigada a enviar à CVM, no mesmo dia do protocolo da recuperação judicial, a petição inicial e todos os documentos que a acompanham, conforme a Resolução 80. Segundo o ofício, isso não aconteceu.

LEIA MAIS: Opportunity vende ações do dono da Ambipar; participação de Tércio Borlenghi Junior cai para 53%

A empresa teria encaminhado apenas parte dos anexos exigidos pela Lei de Recuperação Judicial, deixando de fora, entre outros pontos, as demonstrações contábeis levantadas especialmente para o pedido e o relatório gerencial de fluxo de caixa com projeções para dois anos. São exatamente esses os documentos que permitem entender a real situação de liquidez, a evolução do caixa e a viabilidade do plano.

A companhia justificou à CVM que só divulgou o que não está sob Segredo de Justiça e que o restante será tornado público quando o sigilo for levantado pelo juízo. A autarquia rebate em duas frentes.

Primeiro, afirma que parte dos documentos ausentes sequer está formalmente protegida por sigilo no processo. Segundo, sustenta que, mesmo nos casos em que o sigilo foi decretado – por envolver dados pessoais de empregados, informações bancárias ou fiscais –, esse sigilo não pode ser oposto ao regulador do mercado de capitais.

Na visão da CVM, é possível proteger trechos estratégicos ou sensíveis sem privar investidores, credores e o próprio órgão de supervisão de enxergar o quadro financeiro de forma minimamente completa.

Opportunity vende ações do dono da Ambipar; participação de Tércio Borlenghi Junior cai para 53%

7 de Novembro de 2025, 10:10

A Ambipar informou nesta sexta-feira (7) que houve nova redução na participação acionária do seu controlador, Tércio Borlenghi Junior, de 59,54% para 53,26%. Segundo a companhia, a diminuição teria ocorrido por causa de uma “venda irregular de ações” por um fundo do grupo Opportunity.

De acordo com Tércio Borlenghi Junior, foram negociadas 105 milhões de ações ordinárias da companhia. Essa ação resulta na diminuição da participação direta e indireta do controlador no capital social total e votante da Ambipar.

Líder em gestão ambiental, a Ambipar oferece soluções em resíduos, logística reversa e resposta a emergências ambientais. A empresa de gestão ambiental está atualmente em recuperação judicial, com dívidas que superam os R$ 10 bilhões.

Disclaimer: Este texto foi escrito por um agente de inteligência artificial a partir de informações oficiais e de bases de dados confiáveis selecionadas pelo InvestNews. O trabalho foi revisado pela equipe de jornalistas do IN antes de sua publicação.

Ibovespa segura recorde, mesmo após o Fed esfriar apostas de um novo corte em dezembro

29 de Outubro de 2025, 17:54

Bastou Jerome Powell levantar dúvidas sobre a continuidade dos cortes de juros em dezembro para esfriar os ânimos dos investidores no mundo todo. Mas, mesmo com essa dose pouco esperada de cautela presidente do Fed, a bolsa brasileira conseguiu forças renovar sua pontuação recorde – pela nona vez neste ano.

O Ibovespa encerrou o dia com alta de 0,74% aos 148.520 pontos, pela primeira vez na história acima dos 148 mil pontos. E fez mais: na parte da manhã, o principal índice acionário brasileiro alcançou uma nova máxima intradiária, aos 149.067,16 pontos.

O dia começou com os mercados em modo euforia. E o Fed correspondeu ao cortar os juros em 0,25 ponto percentual, como amplamente esperado. Mas durante a coletiva após a decisão de politica monetária nesta quarta-feira (29), Jerome Powell, resolveu jogar água no chope das bolsas.

O dirigente pontuou o seguinte: que há um crescente movimento dentro do banco central americano no sentido de dar um “passo atrás”. No caso, pausar os cortes já e esperar para ver.

Nos EUA, as falas desasceleraram nitidamente o otimismo.

A ferramenta FedWatch, que monitora as apostas de investidores nos rumos da política monetária americana, agora coloca as chances de um corte em dezembro em 56,4%. Antes da coletiva, o percentual chegou a tocar os 90%.

Nas bolsas de Nova York, o S&P 500 terminou o dia quase na mesma, com queda de 0,01% aos 6.890,59 pontos. O Nasdaq subiu 0,55% para 23.958,47 em meio às expectativas para os balanços de Microsoft, Alphabet e Meta nesta quarta-feira. Já o Dow Jones caiu 0,16% aos 47.632 pontos.

Outros mercados acionários emergentes, além do Brasil, também se seguraram no território positivo – numa amostra de busca por diversificação entre os investidores globais. A bolsa mexicana subiu 0,97%. A chilena, 0,99%.

Por fim, o dólar. A moeda americana fechou estável: -0,04%, a R$ 5,35. No ano, a moeda já acumula queda de 13,29%.

Sem Eletrobras e ainda sem J&F, a Eletronuclear virou mais um problema bilionário para o governo

27 de Outubro de 2025, 14:13

A Eletronuclear vive de pedir ajuda. A estatal responsável pelas usinas nucleares de Angra dos Reis enviou um ofício à ENBPar, holding que representa a União no setor, solicitando um aporte emergencial de R$ 1,4 bilhão para evitar o “colapso operacional e financeiro” ainda neste ano. Sem o dinheiro, o caixa da empresa deve se esgotar em novembro.

O alerta escancara um jogo de empurra que se arrasta há meses e ajuda a explicar por que a empresa vive nessa corda bamba. A Eletrobras, rebatizada de Axia Energia, vendeu sua participação de 68% do capital total e 35% do votante à Âmbar Energia, do grupo J&F, por R$ 535 milhões. Mas o negócio ainda não foi concluído, e ninguém quer ficar com a conta.

A Axia diz que já se desfez do ativo e que as dívidas agora são problema da J&F. A Âmbar afirma que ainda não é dona formal da participação e que, portanto, não pode injetar recursos. O resultado é uma estatal que não tem quem a banque — e um governo que hesita em abrir o cofre.

O Ministério da Fazenda resiste à ideia de novos aportes, especialmente em meio às negociações de um empréstimo de R$ 20 bilhões aos Correios – tudo com a garantia do Tesouro. O argumento é que qualquer socorro precisa estar embasado em um plano de sustentabilidade. A ENBPar tenta convencer o Tesouro de que o repasse é uma pré-condição para reorganizar a empresa e evitar a antecipação de R$ 6,5 bilhões em dívidas com BNDES, Caixa e bancos privados.

Enquanto os ministérios discutem quem deve agir primeiro, o caixa da Eletronuclear se esgota. A empresa precisa pagar R$ 570 milhões em dezembro a BTG e Banco ABC, referentes a obras feitas para estender a vida útil de Angra 1 por mais 20 anos.

Também acumula R$ 700 milhões em débitos com as Indústrias Nucleares do Brasil, fornecedoras de combustível, conforme noticiou a Folha. E gasta cerca de R$ 1 bilhão por ano apenas para manter Angra 3, a usina que nunca saiu do papel.

A órfã

A Eletronuclear nasceu em 1997, a partir da reestruturação da Nuclebrás, antiga subsidiária da Eletrobras criada nos anos 1970 para tocar o programa nuclear brasileiro. A nova empresa foi fundada para concentrar a operação das usinas Angra 1 e 2 e concluir Angra 3, projeto iniciado ainda na ditadura e interrompido diversas vezes ao longo das décadas.

Por lei, a geração de energia nuclear não pode ser privatizada, e por isso a Eletronuclear sempre ficou sob controle direto da União — mesmo depois que a Eletrobras se tornou uma empresa de capital misto. Essa estrutura a deixou em uma espécie de terra de ninguém: dependente do governo para se financiar, mas sem os mesmos privilégios das grandes estatais lucrativas, como Petrobras ou Banco do Brasil.

Vista geral das Usinas de Angra 1 e Angra 2, na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O arranjo ficou ainda mais frágil com a privatização da Eletrobras, em 2022. A operação levou à criação da ENBPar, uma nova holding pública encarregada de abrigar os ativos estratégicos que não podiam ir para a iniciativa privada, como a participação em Itaipu e o controle da Eletronuclear.

A Eletrobras se livrou do fardo e manteve apenas a obrigação de investir R$ 2,4 bilhões em debêntures da estatal — papel que agora deve ser assumido pela Âmbar, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A expectatiava é que o novo sócio ajude a dar fôlego financeiro, mas o futuro ainda é incerto.

O impasse atual é resultado dessa engenharia institucional. A estatal é controlada pela União, mas tem sócios privados que não colocam dinheiro novo. Opera duas usinas lucrativas — Angra 1 e 2, responsáveis por cerca de 3% da energia do país —, mas carrega uma terceira que só consome recursos. E, sem perspectiva de retomada de Angra 3, cada mês de espera pesa nas contas.

O peso do passado

A história de Angra 3 ajuda a explicar por que a Eletronuclear chegou a este ponto. O projeto, concebido nos anos 1980, já consumiu R$ 12 bilhões e segue parado há quase dez anos. O BNDES estima que seriam necessários R$ 23 bilhões para concluir a obra e R$ 21 bilhões para abandoná-la.

A diferença é pequena demais para justificar uma decisão definitiva, mas grande o suficiente para manter o projeto travado. Nenhum governo quis gastar para terminar a usina. Nenhum quis assumir o custo político de enterrar um investimento bilionário.

O custo projetado da energia de Angra 3 — R$ 653 por megawatt-hora, segundo o BNDES — é maior que o das térmicas a gás, num sistema que hoje opera com sobra de oferta. Ainda assim, o Ministério de Minas e Energia insiste que a obra é estratégica e quer atualizar os estudos junto ao BNDES antes de decidir se a retomada vale a pena.

Há, porém, uma mudança estrutural prestes a entrar em vigor. A partir de janeiro de 2026, entra em operação um novo modelo de financiamento da energia nuclear no Brasil. A lei sancionada por Lula redistribui o custo mais alto da eletricidade produzida por Angra 1 e 2 entre todos os consumidores do país, por meio de um adicional tarifário. Até agora, esse custo estava concentrado em contratos específicos com poucas distribuidoras.

A mudança — que isenta as famílias de baixa renda — reduz o risco de desequilíbrio financeiro da Eletronuclear e tende a garantir receitas mais previsíveis para a operação das usinas. É também uma das razões que atraíram a Âmbar para o setor. A aposta é que o novo modelo criará um colchão tarifário estável e permitirá planejar investimentos de longo prazo.

A entrada da Âmbar é um teste para o novo desenho do mercado nuclear brasileiro. Mas, até que a transação seja concluída, a estatal segue sozinha e clamando por ajuda do contribuinte.

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Ambipar consegue manter o Rio de Janeiro como foro para recuperação judicial do grupo

27 de Outubro de 2025, 13:22

A Ambipar divulgou nesta segunda-feira (27) que a 21ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) decidiu, em caráter liminar, que a Justiça fluminense é competente para julgar o pedido de recuperação judicial do grupo.

“Com a decisão, o tribunal reconheceu que o principal centro de negócios da Ambipar está localizado no Rio de Janeiro, onde a empresa concentra a maior parte de sua receita e operações, contrariando argumentos de que a sede administrativa em São Paulo deveria ser o foro competente”, afirmou a empresa em comunicado.

A direção da Ambipar também informou que a Justiça concedeu medidas urgentes que garantem a continuidade das atividades do grupo, entre elas a suspensão de cláusulas que previam o vencimento antecipado de dívidas, evitando que credores acionem cobranças imediatas que poderiam inviabilizar a empresa.

A Justiça proibiu a rescisão de contratos essenciais, assegurando que fornecedores mantenham serviços fundamentais para o funcionamento da Ambipar, bem como bloqueios ou apreensões de bens e equipamentos, protegendo os ativos operacionais da empresa.

A decisão inclui autorização para participação em licitações públicas e privadas, mesmo durante o processo de recuperação judicial, sem necessidade de apresentar certidões negativas, e estabelece multa de R$ 100 mil ou 5% do valor do contrato, o que for maior, para quem descumprir as determinações judiciais.

Ultrapar compra 37,5% da Virtu GNL, empresa de logística, por R$ 102,5 milhões

24 de Outubro de 2025, 21:18

A Ultrapar anunciou nesta sexta-feira (24) a compra de 37,5% da Virtu GNL por R$ 102,5 milhões, dos quais R$ 85 milhões serão aportados no caixa da empresa e o restante pago aos atuais acionistas.

A Virtu é uma empresa de logística especializada em gás natural liquefeito (GNL), que atua no transporte e abastecimento de GNL para clientes (como a Eneva) e na operação de frotas próprias de caminhões movidos a GNL.

A operação marca a estreia da Ultrapar no segmento de GNL, em uma aposta no avanço de soluções logísticas de menor emissão de carbono.

Com a transação, a Ultrapar e a gestora Perfin, futura acionista da Cosan, formarão um bloco de controle com 75% do capital votante da Virtu, enquanto o fundador, José Moura Jr., seguirá como acionista relevante, com 25%.

Segundo o comunicado, o investimento está alinhado à estratégia do grupo — dono da Ipiranga, Ultragaz e Ultracargo — de ampliar a presença em negócios de alto potencial de crescimento e retorno. A conclusão da aquisição depende de aprovações regulatórias e condições precedentes usuais.

Saída anunciada: CEO do GPA, Marcelo Pimentel, renuncia após atritos no conselho

22 de Outubro de 2025, 16:10

O CEO do GPA, Marcelo Pimentel, renunciou nesta quarta-feira (22) ao cargo, apurou o InvestNews. O executivo será substituído interinamente pelo diretor financeiro (CFO) Rafael Sirotsky Russowsky, enquanto o conselho conduz a escolha de um novo nome para a presidência — que deverá ser mais alinhado à família Coelho Diniz, hoje a maior acionista do grupo.

A situação de Pimentel já era considerada insustentável, como o InvestNews publicou há duas semanas, quando o então CEO chegou a ameaçar deixar o cargo durante a primeira reunião do novo conselho de administração. O encontro foi marcado por um embate com o conselheiro Edison Ticle, ligado ao investidor Rafael Ferri, que acabou eleito vice-presidente do board; André Coelho Diniz comanda o conselho.

Naquele momento, Pimentel demonstrou desconforto com a eleição de Ticle por um suposto conflito de interesse (Ticle é CFO da Minerva e investidor da Shopper). Mas acabou sendo voto vencido, mostrando um enfraquecimento do executivo junto aos novos controladores.

Segundo fontes próximas ao GPA, os Coelho Diniz preparam um novo plano para a empresa, estruturado em duas etapas: primeiro, corte de custos e redução de capex; em seguida, foco nas operações mais rentáveis, especialmente no Estado de São Paulo, principal praça do grupo. Esse deverá ser o mandato do futuro CEO do grupo.

Um aumento de capital de R$ 500 milhões chegou a ser cogitado, mas não está em debate neste momento, após não encontrar adesão nem entre os Coelho Diniz, nem no Casino, os dois principais acionistas do grupo dono das redes Pão de Açúcar e Extra.

Indicado originalmente pelo grupo francês Casino, Pimentel também deixará o conselho, abrindo espaço para que os franceses nomeiem um novo representante. Após a publicação do texto, o GPA confirmou a renúncia do executivo em fato relevante.

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Ambipar pede recuperação judicial no Brasil e nos EUA. Dívida total soma R$ 10,7 bilhões

21 de Outubro de 2025, 08:12

O grupo Ambipar entrou com pedido de recuperação judicial no Brasil e, em paralelo, um pedido de Chapter 11 nos Estados Unidos, onde tem uma subsidiária listada na Nyse (Bolsa de Nova York), em meio a uma crise de liquidez deflagrada por operações de derivativos e pela renúncia do diretor financeiro no início de outubro.

O processo brasileiro foi protocolado na 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro em 20 de outubro e inclui a Ambipar Participações e Empreendimentos S.A., a Environmental ESG e mais de 60 controladas no país e no exterior. Já a petição americana envolve apenas a Ambipar Emergency Response, subsidiária sediada nas Ilhas Cayman e registrada no Texas.

Segundo o documento entregue à Justiça, o endividamento total do grupo — considerando todas as obrigações financeiras e operacionais, nacionais e externas — chega a R$ 10,7 bilhões. Desse total, R$ 7,86 bilhões estão sujeitos à recuperação judicial no Brasil, enquanto o restante inclui dívidas com garantias fiduciárias, impostos parcelados, arrendamentos e obrigações de subsidiárias fora do país.

A origem da crise está em contratos de swap cambial firmados com o Deutsche Bank. As operações teriam gerado perdas e cláusulas de vencimento antecipado, que, por sua vez, provocaram pedidos de execução cruzada de dívidas por parte de credores.

A Ambipar alega que a situação se agravou com a renúncia abrupta do CFO João Daniel Piran de Arruda, levando à perda de confiança do mercado e à pressão para pagamento imediato de obrigações. “Os pedidos foram necessários para preservar as atividades empresariais, manter empregos e assegurar tratamento equitativo aos credores”, diz a empresa em fato relevante.

Os primeiros sinais de alerta apareceram ainda no segundo trimestre de 2025, quando a Deloitte, nova auditora da companhia, incluiu uma nota explicativa sobre a composição do caixa de R$ 4,7 bilhões da Ambipar, considerado abundante por grande parte do mercado.

Dos cerca de R$ 5 bilhões em disponibilidades, R$ 2,6 bilhões estavam em caixa ou aplicações de resgate imediato e outros R$ 2,1 bilhões em um fundo de direitos creditórios (FIDC) com prazos de resgate entre 30 e 60 dias.

Mas a suposta abundância de caixa contrastou com o pedido de tutela cautelar de proteção a credores, apresentado no fim de setembro — quase um mês antes da recuperação judicial. Assim que o pedido foi protocolado, a principal dúvida passou a ser por que uma companhia com tamanho volume de recursos buscava proteção na Justiça.

Não está claro, no entanto, onde esses recursos estavam alocados ou se eram de fato líquidos e disponíveis. No dia 12 de outubro, o colunista Lauro Jardim, de O Globo, publicou que cerca de R$ 850 milhões do caixa da Ambipar estariam aplicados em CDBs do Banco Master, instituição que enfrenta uma grave crise de liquidez. A informação acentuou as desconfianças do mercado sobre a real posição de caixa da companhia e o destino dos recursos contabilizados como disponíveis no balanço.

O caso passou a tramitar no Rio de Janeiro, e não em São Paulo, onde está a sede administrativa da Ambipar, porque a companhia alegou que o principal estabelecimento econômico do grupo — em termos de faturamento e contratos — se concentra na capital fluminense.

Segundo o pedido, a Ambipar faturou R$ 303 milhões no Rio, contra R$ 69 milhões em São Paulo e R$ 1,6 milhão em Nova Odessa (SP), onde fica o endereço registrado da holding. O tribunal aceitou a justificativa, mas bancos credores contestaram a competência da Justiça fluminense.

Entre eles, o Bradesco e o BTG Pactual Chile, que apresentaram recursos e embargos de declaração pedindo a transferência do processo. Ambos tiveram os pedidos indeferidos pelo desembargador Mauro Pereira Martins, que manteve a tutela cautelar em vigor e reconheceu o risco de colapso das operações se as dívidas fossem executadas simultaneamente.

O passivo sujeito à recuperação judicial, de R$ 7,86 bilhões, é composto majoritariamente por bonds internacionais, que somam R$ 2,93 bilhões, seguidos por debêntures domésticas, no valor de R$ 1,82 bilhão. Além disso, há R$ 1,61 bilhão em empréstimos bancários e linhas de crédito, R$ 740 milhões em dívidas com fornecedores e prestadores de serviços, e outros R$ 760 milhões relacionados a arrendamentos, contratos operacionais e derivativos, incluindo os swaps que deram origem à crise.

Apesar de o pedido judicial mencionar R$ 2,93 bilhões em bonds, o valor nominal total dessas emissões no mercado internacional é muito maior — US$ 1,065 bilhão (cerca de R$ 6 bilhões) — somando papéis com vencimento em 2027 e 2030. A diferença ocorre porque o processo judicial considera apenas o valor contábil consolidado no Brasil, enquanto o mercado calcula o valor de face global dos títulos emitidos no exterior.

Entre os bancos, o maior credor é o Santander, com R$ 663 milhões em exposição ao grupo. Em seguida aparecem o Banco do Brasil, com R$ 352 milhões; o Banco do Nordeste, com R$ 207 milhões; o Deutsche Bank, com R$ 188 milhões; o Bradesco, com R$ 165 milhões; e o Daycoval, com R$ 109 milhões. Há ainda dívidas com o banco da Scania, no valor de R$ 77 milhões, e com o ABC Brasil, de R$ 56 milhões.

Esses bancos integram o grupo de credores financeiros ao lado de investidores institucionais internacionais, detentores dos bonds emitidos pela Ambipar Lux.

Segundo a empresa, as medidas buscam preservar a operação e permitir uma reorganização ordenada e transparente, sem interrupção dos serviços ambientais prestados a entes públicos e privados.

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Ultrapar avança na revenda direta de combustíveis e compra participação em distribuidora de MG

15 de Outubro de 2025, 16:15

A Ultrapar vem avançando em sua estratégia de ampliar a atuação em transporte e revenda direta de combustíveis, um segmento de margens mais altas e menos dependente da rede varejista tradicional. Nesse contexto, a dona da Ipiranga e da Ultragaz estreou em Minas Gerais com a compra de 60% da Petrovila Combustíveis, que comercializa cerca de 13 milhões de litros de diesel por mês.

O negócio marca a entrada do Grupo Ultra no mercado mineiro, um dos maiores polos regionais de combustíveis do país, onde o grupo ainda não tinha presença no segmento de TRR (Transportador-Revendedor-Retalhista). A companhia já atua nesse mercado nas regiões Sul, Norte e Nordeste, por meio das controladas Serra Diesel, MI TRR e Neoagro Diesel.

A operação em Minas foi conduzida pela subsidiária Neodiesel, criada para investimentos regionais em revenda e logística. O negócio ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Após a conclusão, a Neodiesel ficará com 60% do capital da Petrovila, enquanto o restante permanecerá com o Grupo Vila, controlado pela família Villanueva, tradicional no setor de combustíveis em Minas Gerais.

Fundada em Betim (MG), a Petrovila atua na comercialização e entrega de combustíveis a clientes corporativos de diversos setores. A empresa possui frota própria de 61 caminhões e 11 carretas, além de uma base de armazenamento voltada a operações delivery — modelo de abastecimento direto para frotas de transportadoras, usinas e indústrias.

A aquisição reforça a agenda de expansão da Ultra em negócios de maior margem, como revenda direta e soluções logísticas integradas. No primeiro semestre de 2025, o grupo registrou receita líquida de R$ 65,2 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 2,54 bilhões, com avanço de margens e crescimento nas vendas corporativas de combustíveis.

Segundo o balanço, a companhia tem ampliado sua presença em mercados regionais de maior rentabilidade, por meio de aquisições e da expansão da rede de TRRs.

A aposta nuclear dos irmãos Batista: Âmbar assume lugar da Eletrobras e herda o dilema de Angra 3

15 de Outubro de 2025, 13:24

O avanço dos irmãos Wesley e Joesley Batista no setor elétrico brasileiro ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (15) – um símbolo da ambição empresarial e da habilidade política dos goianos. A Âmbar Energia, do grupo J&F, agora é sócia do governo nas usinas nucleares de Angra dos Reis (RJ).  

Por R$ 535 milhões, a Âmbar tornou-se dona de 68% do capital total e de 35,% do capital votante da estatal Eletronuclear, responsável pelas usinas Angra 1, 2 e 3. As duas primeiras estão funcionando e, como destacou a Âmbar no comunicado de compra, “possuem contratos de longo prazo, o que garante receitas previsíveis”. 

Na quarta-feira (9) passada, o presidente Lula sancionou uma lei que altera o modelo de financiamento da energia nuclear. A partir de 1º de janeiro de 2026, o custo mais alto da eletricidade produzida em Angra 1 e 2 será diluído entre todos os consumidores por meio de um adicional tarifário — com exceção das famílias de baixa renda. Até aqui, os custos adicionais ficavam concentrados em contratos específicos com algumas distribuidoras.

Assim, a Âmbar terá uma base de financiamento mais estável para os seus compromissos com a Eletronuclear.

Angra 3 é um canteiro de obras inacabadas há 40 anos, protagonista de um dos jogos de empurra mais duradouros e caros do setor elétrico do país. Estima-se que o Brasil já tenha gastado cerca de R$ 12 bilhões com a usina-que-nunca-termina. Para finalizar a obra seriam necessários mais R$ 23 bilhões, dois bilhões a menos do que o custo para desmontá-la, segundo projeções feitas pelo BNDES. 

Quando da privatização da Eletrobras, em 2022, ficou acordado que a empresa teria obrigação de investir na usina inacabada, uma tentativa de mitigar os riscos da privatização e de encontrar um final feliz para Angra 3.

Isso significava que a Eletrobras teria de investir R$ 2,4 bilhões comprando títulos de dívida (debêntures) emitidos pela Eletronuclear, uma obrigação que agora passa a ser da Âmbar. A empresa dos Batista assume também as garantias financeiras antes dadas pela Eletrobras em favor da estatal. É um alívio para a Eletrobras: sem a Eletronuclear, seu perfil de risco melhora e sua estrutura societária fica mais simples.

Tempos depois da privatização da Eletrobras, um novo acordo mudou o jogo: em troca de mais duas cadeiras no conselho da ex-estatal, o governo se comprometeu a encontrar um novo sócio que assumisse os compromissos da companhia na usina. Quem ficou encarregado de conduzir o processo foi o BTG Pactual.

Nos bastidores, a expectativa era de que esse novo sócio poderia ser uma estatal estrangeira – entre abril e maio, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, se encontrou com executivos da chinesa CGN e da russa Rosatom. A solução com uma empresa brasileira, no entanto, foi considerada mais adequada.

Dados financeiros do impasse de uma usina: custos de construção (gasto e falta), desistência, manutenção e energia gerada.

“O ingresso de capital privado nacional pode ampliar o horizonte de financiamento da energia nuclear no Brasil, desde que preservadas a governança pública, o compliance rigoroso e a subordinação técnica às normas”, afirma Leonam Guimarães, ex-presidente da Eletronuclear.

A saída da Eletrobras e entrada da Âmbar, conjectura Guimarães, pode “reforçar o caixa necessário à conclusão de Angra 3”.

A Eletronuclear segue formalmente sob controle da União, por meio da ENBPar, estatal criada durante a privatização para abrigar ativos estratégicos que não poderiam ser privatizados, como as operações nucleares e a participação brasileira em Itaipu.

Pessoas próximas à negociação disseram ao InvestNews que “se o governo decidir fazer [a obra para finalizar Angra 3], o projeto será avaliado” pela Âmbar. É a primeira vez que um grupo privado brasileiro passa a ter presença relevante em uma empresa do setor nuclear.

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Criada para administrar termelétricas no Centro-Oeste, a Âmbar se tornou, em poucos anos, uma das maiores geradoras privadas do país. Desde 2023, comprou dezesseis termelétricas a gás natural, duas distribuidoras (Roraima Energia e Amazonas Energia), dezesseis pequenas hidrelétricas, usinas solares e de biomassa, e até um gasoduto de 645 quilômetros entre a Bolívia e o Mato Grosso.

Para o governo, a operação pode evitar o desgaste de um novo aporte público em Angra 3 (a equipe econômica sempre foi contra) enquanto preserva o controle formal da União sobre a energia nuclear e atrai um sócio de capital nacional, com fôlego financeiro e disposição para investir em longo prazo. 

Ainda assim, o desafio é imenso. A Eletronuclear segue fragilizada e a retomada de Angra 3 depende de um novo modelo de financiamento e de decisão política. O BNDES prepara um estudo atualizado, que deve redefinir custos, cronograma e responsabilidades. Até lá, o projeto continuará parado, custando até R$ 1,2 bilhão ao ano para não gerar energia.

*Colaboraram Felipe Mendes e Rikardy Tooge

Usina nuclear em complexo industrial costeiro, com reatores, subestação e píer, cercada por floresta e montanhas.
Foto: Getty Images

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Alívio à vista: expectativa de encontro entre EUA e China anima mercado e dólar cai

13 de Outubro de 2025, 15:08

Depois de elevar a temperatura do mercado na sexta-feira (10) com um anúncio de uma nova taxa de 100% sobre produtos chineses, o próprio presidente americano Donald Trump jogou água na fervura ao amenizar o tom em relação ao rival asiático. O resultado foi que o mercado buscou um meio termo nesta segunda-feira (13).

O dólar, que tinha subido 2,39% frente ao real na sexta-feira, agora compensou parte da alta e fechou em queda de 0,75% a R$ 5,4617. O movimento de baixa da moeda americana também se repetiu frente outras moedas emergentes ao longo do dia.

Na bolsa, a melhora nos ânimos também prevaleceu e o Ibovespa terminou o dia em alta de 0,78% aos 141.783 pontos.

A moeda americana, porém, avançou na comparação com pares de países desenvolvidos. O índice dólar (DXY), que acompanha a variação da divisa frente a uma cesta com as seis principais moedas do comércio internacional, subiu 0,30% a 99,27.

O último pregão da semana passada foi conturbado. Trump anunciou uma tarifa de 100% sobre os produtos comprados da China pelos EUA, além da imposição de controles de exportação sobre softwares críticos ao país asiático.

O presidente americano justificou a decisão como uma resposta aos controles criados pelo governo chinês, no dia anterior, sobre as exportações de terras raras, que são essenciais para vários setores da indústria, em especial aqueles ligados à tecnologia.

No fim de semana, porém, Trump adotou um tom mais conciliador. Afirmou que os EUA querem ajudar a China e não prejudicá-la. Além disso, a Casa Branca confirmou o encontro entre os presidentes dos Estados Unidos e da China, Xi Jinping, marcado para ocorrer em Seul, na Coreia do Sul.

Nesta segunda-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reforçou o tom mais conciliador ao afirmar que houve comunicações substanciais entre americanos e chineses no fim de semana.

“Houve uma desescalada significativa da situação”, disse Bessent em entrevista à Fox Business Network. “O presidente Trump disse que as tarifas não entrarão em vigor até 1º de novembro. Ele se reunirá com o presidente do Partido, Xi, na Coreia”, acrescentou.

Outro reforço para uma redução da volatilidade do dólar globalmente veio pelo discurso da nova presidente do Federal Reserve da Filadélfia, Anna Paulson. Em sua primeira fala no cargo, a dirigente defendeu mais cortes de juros pelo Fed. A redução das taxas seria necessária para dar suporte ao mercado de trabalho dos Estados Unidos.

A conta da luz do sol: como o boom dos painéis solares virou um problema para o sistema elétrico

13 de Outubro de 2025, 06:00

Os painéis solares viraram parte da paisagem nas cidades brasileiras – e um problema para o setor elétrico. Hoje, dos 5.571 municípios do país, só 11 não têm nenhum desses retângulos pretos instalado sobre algum telhado ou laje. São quase quatro milhões de sistemas do tipo funcionando, ante 600 dez anos atrás – em 2015, só havia painéis solares em 230 cidades brasileiras.

Essa brutal expansão foi incentivada por uma duradoura política de subsídios que tornou a instalação de painéis solares um ótimo negócio para quem pode pagar por eles. Ao apelo econômico, somou-se a ideia sedutora de depender menos do sistema integrado de energia. O resultado foi a receita perfeita para um fenômeno comercial que estruturou uma cadeia econômica bilionária cujo nome técnico é micro e minigeração distribuída, a MMGD.

Nem toda MMGD é feita de painéis solares. Mas quase toda: 97% da capacidade instalada vêm da energia solar fotovoltaica, de forma que esta reportagem vai tratar MMGD e painéis solares como sinônimos – não incluindo aqui as grandes usinas solares, que não são classificadas como geração distribuída, mas sim geração centralizada.

Hoje, as milhões de plaquinhas espalhadas pelo Brasil constituem 18,1% da capacidade instalada do país. São 44,6 GW, o equivalente a três usinas de Itaipu. Serão quatro “Itaipus” e meia até 2029, segundo projeção do Operador Nacional do Sistema (ONS).

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A Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD) calcula que foram empregados R$ 180 bilhões para atingir o estágio atual. “Não tem dinheiro do governo, foram os próprios prosumidores que investiram seus recursos, veio do bolso deles”, afirma Carlos Evangelista, presidente da entidade. No vocabulário da associação, o neologismo que funde “consumidor” e “produtor” define quem aderiu à MMGD.

Esse sucesso todo também cobra seu preço: primeiro porque os subsídios são compensados na conta dos consumidores que não têm painéis solares instalados, o que alimenta debates intensos entre os players do setor elétrico. Segundo porque os painéis injetam quantidades colossais de energia no sistema e não há muito o que o ONS possa fazer a respeito – para manter a estabilidade, ele opta por “desligar” usinas de geração centralizadas Brasil afora, ameaçando a sustentabilidade financeira de parques eólicos e solares.

A multiplicação dos painéis solares descambou numa enorme batalha política e econômica entre técnicos, empresas, setores e lobistas do setor elétrico brasileiro. O debate sobre a MMGD pode parecer hermético e distante para alguns, mas a resolução dessa briga será definidora para o futuro da segurança energética nacional.

Os dias de sol da MMGD

A política de incentivos que impulsionou os painéis solares começou em 2012, com a Resolução 482 da Aneel. Foi ela que criou o sistema de compensação de energia elétrica, uma espécie de balança de créditos e débitos de eletricidade. Funciona assim: o consumidor que gera mais energia do que consome durante o dia injeta o excedente na rede e, em troca, recebe créditos em quilowatt-hora para abater da conta quando o sol se põe.

É como se o relógio do medidor “girasse ao contrário” — e a distribuidora é obrigada a aceitar essa energia sem cobrar pelo uso da infraestrutura de fios e transformadores. Esse componente da tarifa é a TUSD — Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição, a “tarifa do fio”, que remunera a rede pelo serviço de levar a energia até o consumidor. A isenção da tarifa do fio para quem gera a própria energia foi o coração do incentivo e transformou o sistema de compensação num investimento de retorno rápido.

Para os defensores da MMGD, a isenção é questão de justiça. “A geração distribuída não usa as redes de transmissão, os grandes linhões. Eu estou produzindo aqui e só uso a rede de distribuição do meu quarteirão e dos quarteirões subsequentes. Então por que eu tenho que pagar pela rede de distribuição?”, questiona Carlos Evangelista, da ABGD.

Em 2015, a Resolução 687 ampliou o alcance do programa, permitindo a grupos de consumidores a organização de consórcios ou cooperativas capazes de instalar sistemas de geração remota, o que fez o mercado explodir – inclusive, alimentado por abusos.

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Empresas começaram a “empacotar” projetos de energia solar remota como se fossem produtos de investimento ou assinatura, vendendo energia subsidiada – o que é não se enquadra no propósito inicial da MMGD, pensada para autoconsumo, não para comércio de energia. Elas instalam uma usina solar numa cidade do interior, por exemplo, criam uma cooperativa e vendem assinaturas ou participações para consumidores urbanos.

Criam assim, uma distorção de mercado. Afinal, os custos são transferidos para quem não tem painel solar, já que o subsídio é bancado coletivamente na conta de luz. O motorista de ônibus paga a tarifa para que o “empresário do painel solar” tenha margens de lucro mais gordas. “Se alguém está pagando menos, vai sobrar para alguém pagar mais”, resume o Amilcar Guerreiro, executivo do setor elétrico e ex-diretor da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Em 2022, uma nova regulamentação foi aprovada para tentar minimizar as distorções. Chamada de Marco Legal da Geração Distribuída, a lei 14.300 criou um regime de transição para reduzir, aos poucos, os benefícios da GD. Mas bem aos poucos mesmo: quem instalou paineis solares até o começo de 2023 tem o direito de usar a rede sem pagar pelo fio até 2045. Sistemas instalados depois disso vão pagando uma tarifa do fio que cresce aos poucos, chegando aos 100% até 2029.

Desde o marco legal, no entanto, os valores anuais dos subsídios para os painéis solares disparam, refletindo a corrida para aproveitar os benefícios. Em 2022, os subsídios para a geração distribuída totalizaram R$ 2,8 bilhões. Em 2023, chegaram a R$ 7,1 bilhões. O valor cresceu para R$ 11,6 bilhões em 2024. Neste 2025, até outubro, já são R$ 10,2 bilhões, um terço do total de subsídios compensados na tarifa dos consumidores, segundo o subsidiômetro da Aneel.

O tempo fechou para o ONS

Enquanto o número de telhados com painéis solares crescia exponencialmente, o ONS começou a enfrentar um problema curioso: tinha energia demais sendo gerada em determinados momentos do dia. Pode parecer estranho à primeira vista, mas energia sobrando é um risco que um sistema integrado e nacional, como o nosso, não pode correr.

O pico de geração solar acontece entre as dez da manhã e as duas da tarde — justamente quando o consumo nacional costuma cair. O resultado é que, em dias de céu limpo, há momentos em que sobra energia, e o ONS simplesmente não tem como controlar essa oferta.

Diferente das grandes usinas hidrelétricas, térmicas, eólicas e mesmo as solares, cuja produção o operador pode ajustar a qualquer momento, a energia gerada pelos telhados e pequenas fazendas solares não passa pelos centros de despacho. Cada sistema injeta na rede o que gera — sem comando, sem supervisão e sem possibilidade de desligamento à distância. São milhões de “miniusinas” produzindo ao mesmo tempo, sem coordenação central.

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E há outro limite físico: não existe “banco” de energia. A eletricidade precisa ser consumida no exato instante em que é produzida — o sistema elétrico funciona em equilíbrio permanente entre oferta e demanda. Se entra mais energia do que a rede consegue absorver, o risco de colapso aumenta. Se falta, o país pode ter apagões.

Essa fragilidade ficou evidente no último Dia dos Pais. Com 40% da eletricidade nacional vindo do sol na hora do almoço, o ONS precisou cortar 17,5 gigawatts de geração de outras fontes para evitar uma pane, o que gerou o desligamento de algumas usinas hidrelétricas.

Os cortes de geração, cada vez mais frequentes, criam um novo tipo de tensão. De um lado, as empresas de geração centralizada (GC) reclamam de perdas financeiras. Também se aproveitando de subsídios – o subsidiômetro da Aneel calcula outros R$ 10 bilhões em 2025, até outubro – , elas fizeram investimentos bilionários nos últimos anos para construir parques solares e eólicos que agora passam boa parte do tempo sem gerar energia – como no caso da inauguração do parque eólico Pedra Pintada, da Enel. Trata-se do curtailment, palavrinha que tem aterrorizado parte do setor elétrico brasileiro nos últimos meses.

O presidente da ABGD, Carlos Evangelista, vê o fenômeno de outra forma. Para ele, trata-se de uma disputa de mercado travestida de problema técnico. “Os principais opositores da geração distribuída hoje são as distribuidoras e os grandes geradores. São multinacionais para quem a GD virou um problema por não estarmos comprando energia deles”, pontua. “Eles deveriam ter colocado esse risco no business plan“.

Em meio a esse impasse, a Aneel tenta encontrar novos mecanismos para dar estabilidade ao sistema. Um deles é o leilão de capacidade, um modelo que remunera usinas capazes de garantir energia firme nos momentos críticos — inclusive megabaterias, hidrelétricas reversíveis e termelétricas de resposta rápida. É um passo tímido, mas representa uma mudança de paradigma: a energia passa a ser comprada não apenas pelo megawatt-hora, mas pela confiabilidade que oferece ao sistema. O que importa é a estabilidade.

Outra proposta em estudo é ampliar o alcance do curtailment, permitindo que pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e outros geradores centralizados de pequeno porte também possam ser cortados em momentos de excesso — uma forma de repartir o peso do ajuste e dar mais flexibilidade operacional ao ONS.

Dá para incluir os painéis solares no corte? “Até dá, mas seria necessário ter centros de controle nas distribuidoras para que elas fossem capazes de executar os cortes. Seria mais um custo que provavelmente seria pago pelo consumidor”, explica Amilcar Guerreiro.

Paulo Pedrosa, presidente da Abrace — associação que representa as grandes indústrias consumidoras de energia —, enxerga o problema em outra escala. “O setor elétrico está capturado e o mercado de energia está pulverizado. Todo mundo vai no show levando um saco de farinha pra pagar meia entrada.” Para ele, a crise da geração distribuída é apenas o exemplo mais visível de um modelo em que cada agente busca o próprio privilégio — e a conta, no fim, sobra para o consumidor.

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Ambipar: Justiça mantém proteção judicial e reconhece competência do Rio em processo

10 de Outubro de 2025, 17:54

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve, nesta sexta-feira (10), a decisão que concedeu proteção judicial à Ambipar, em meio a uma disputa com instituições financeiras lideradas pelo BTG Pactual Chile, filial do banco brasileiro, e o Deutsche Bank.

O desembargador Mauro Pereira Martins, da 21ª Câmara de Direito Privado, negou o pedido do BTG para suspender os efeitos da liminar que impede a execução de dívidas e bloqueios de bens da companhia. A decisão preserva, por 30 dias — prorrogáveis —, a suspensão de cobranças e cláusulas de vencimento antecipado de contratos financeiros firmados pela Ambipar e suas subsidiárias.

Na ação, o grupo alegou que o Deutsche Bank vinha exigindo garantias adicionais em um empréstimo de US$ 35 milhões e em contratos de derivativos (“swaps”) atrelados a green bonds emitidos no exterior. Segundo a empresa, as exigências já levaram a desembolsos de R$ 200 milhões e poderiam acionar cláusulas de vencimento cruzado (cross-default) em outros contratos, com risco de um rombo de mais de R$ 10 bilhões.

O BTG contestou a decisão e argumentou que as empresas envolvidas são estrangeiras e não possuem sede no Brasil. O banco também defendeu que o caso deveria ser julgado em São Paulo, onde estariam concentradas as principais operações do grupo no país — e não no Rio de Janeiro, onde o processo tramita.

O tribunal, porém, manteve a decisão da 3ª Vara Empresarial do Rio e entendeu que suspender a medida poderia agravar a situação financeira da Ambipar, contrariando o princípio da preservação da empresa.

O juiz de primeira instância ainda vai analisar, com base em documentos sobre o volume de negócios em cada estado, qual será o foro competente para o eventual pedido de recuperação judicial do grupo.

Ontem, a empresa já havia obtido vitória sobre o Bradesco na Justiça de São Paulo, o que motivou uma alta de mais de 50% nas ações nesta manhã. O papel perdeu fôlego ao longo do dia e fechou em queda de 2,78% em relação ao fechamento de quinta-feira.

Na ação, o Bradesco acusava a empresa de praticar atos para fraudar credores e ocultar seu patrimônio e solicitava que o controlador, Tercio Borlenghi Junior, fosse impedido de vender bens ou promover “esvaziamento patrimonial”.

A juíza Ana Laura Correa Rodrigues, da 3ª Vara Cível do TJ-SP, negou o pedido e extinguiu o processo, argumentando que “não há qualquer indício de ocultação ou dissipação de bens pelo requerido, ou descrição de atos concretos de alienação patrimonial com o intuito de frustrar a satisfação de créditos”.

A crise da Ambipar

A decisão vem na esteira de um período de forte turbulência envolvendo a companhia. Nesta sexta-feira, Borlenghi Junior comunicou a redução de sua participação na empresa de 73,48% para 67,68%, alegando que houve venda ou execução irregular de ações sob sua titularidade, em desrespeito à tutela judicial concedida.

Segundo ele, parte dessas transações teria ocorrido entre 30 de setembro e 6 de outubro e envolvido Bradesco, Genial Investimentos e Grupo Opportunity. O controlador afirmou ainda que a alienação indevida de ações teria provocado uma perda de valor estimada em R$ 20 bilhões.

Trump contra a China e quadro fiscal no Brasil: nervosismo no mercado cresce e dólar vai a R$ 5,51

10 de Outubro de 2025, 17:24

Novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a China e mais preocupações dos investidores com o quadro fiscal brasileiro. Esses foram os motivos para os mercados encerrarem a semana sob forte pressão, com o dólar batendo o nível mais alto em sete meses e o Ibovespa estacionando na faixa dos 140 mil pontos.

A moeda americana terminou a sessão com alta de 2,4%, em R$ 5,503, após bater os R$ 5,51 no dia. Na semana, subiu 3%. O DXY, índice que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de divisas fortes – euro, iene japonês, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço –, cai 0,6%.

A tendência do dólar no acumulado do ano ainda é de queda. Em 2025 até hoje, a baixa já está em 11%. O grande ponto de atenção, na visão de profissionais do mercado, é que a moeda americana ainda é uma boa alternativa aos investidores que querem diminuir a exposição a ativos de risco no curto prazo. É também a razão para a disparada de metais preciosos, como o ouro, que ultrapassou a marca histórica de US$ 4 mil a onça-troy.

E a busca por ativos mais seguros não ficou restrita ao mercado de câmbio. As bolsas americanas também refletiram a debandada dos investidores e os três principais índices de Wall Street ficaram no vermelho: o Dow Jones caiu 1,9%, o S&P 500 cedeu 2,7% e o Nasdaq teve baixa de 3,6%.

Na mesma toada, o Ibovespa encerrou o dia em queda de 0,73%, aos 140.860 pontos, depois de ultrapassar os 144 mil pontos na semana. Em cinco dias, a baixa do índice foi de 2,4%.

Até ontem, a queda do dólar na semana estava na casa dos 0,5%. A fuga de mercados e ativos mais arriscados cresceu hoje, após Trump voltar a ameaçar a China com aumento de tarifas comerciais. A investida veio como resposta à decisão do gigante asiático de impor novas restrições às exportações de terras raras, como a exigência de licenças de exportação e mais controles sobre equipamentos usados no processamento dos materiais.

O presidente americano não apenas acusou a China de deixar o mundo “refém” da sua política, como reacendeu o medo de uma nova escalada dos conflitos comerciais em retaliação. E tudo isso às vésperas de uma reunião entre o governo americano e o chinês na Coreia do Sul – encontro que Trump diz “não ter mais motivo”.

Riscos fiscais de volta ao jogo

Não bastasse o exterior, o momento é de bastante nervosismo entre profissionais de mercado em relação às contas públicas do Brasil, sobretudo depois que o governo perdeu a batalha no aumento de impostos a partir da Medida Provisória 1303.

A MP, que aumentava os tributos de diversas aplicações financeiras, era a cartada que o governo Lula tinha na mão para compensar a tentativa frustrada de aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A Câmara dos Deputados sequer votou o texto, que perdeu validade. Com isso, cai por terra a alternativa que permitiria a arrecadação de R$ 17 bilhões para o ano que vem.

A partir daqui, sobram dúvidas de qual caminho o governo vai seguir para cumprir a meta fiscal, que é de superávit de 0,25% do PIB, ou R$ 34,3 bilhões. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já havia dito que não haverá mudança na meta mesmo que o Congresso derrubasse a MP.

Apostar contra o dólar pode sair caro para os investidores

10 de Outubro de 2025, 16:29

Apostar contra o dólar tem sido a negociação dominante no mercado de câmbio de US$ 9,6 trilhões por dia neste ano. Mas esta aposta começa a dar sinais de fraqueza.

A principal moeda de reserva mundial está perto de uma máxima há dois meses, mesmo com a paralisação do governo dos Estados Unidos se arrastando, e operadores da Ásia e da Europa dizendo que hedge funds adicionam opções com apostas de que a recuperação em relação à maioria dos principais concorrentes se estenderá até o final do ano.

Os acontecimentos no exterior foram um fator-chave, com o euro e o iene em queda abrupta neste mês. Ao mesmo tempo, comentários de autoridades do Federal Reserve que recomendavam cautela em relação a novos cortes na taxa de juros aumentaram o apelo do dólar.

Quanto mais tempo a força persistir, mais doloroso será para aqueles que insistem em que o dólar caia novamente. Entre os pessimistas estão o Goldman Sachs, o JPMorgan e o Morgan Stanley.

A tendência, se continuar, pode repercutir na economia global, ao dificultar que outros bancos centrais flexibilizem a política monetária, ao elevar o custo das commodities e ampliar o peso dos empréstimos estrangeiros na moeda.

Otimismo sobre o dólar

Uma recuperação rápida pode prejudicar algumas das negociações favoritas do ano, minando expectativas otimistas para as ações e títulos de dívida de mercados emergentes e pesando sobre ações dos exportadores americanos.

Entre os pessimistas em relação ao dólar que mudaram de ideia, está Ed Al-Hussainy, na Columbia Threadneedle. A gestora abriu uma posição vendida, que aposta na queda, no final de 2024, quando o dólar ainda estava em rali, como parte da chamada negociação Trump após a eleição nos EUA.

No último mês e meio, ele amenizou essa postura, e reduziu a exposição aos mercados emergentes. Para ele, isso se resume à inclinação excessiva dos mercados para cortes de juros pelo Fed, dada a resiliência da economia americana.

“Nos tornamos muito mais positivos em relação ao dólar”, disse. “Os mercados precificaram uma série de cortes muito agressivos, e será difícil executá-los sem causar muito mais sofrimento ao mercado de trabalho.”

O índice Bloomberg Dollar Spot subiu cerca de 2% desde meados do ano, após a maior queda no primeiro semestre em décadas.

O indicador acumulou alta de 1,2% nesta semana, o melhor desempenho desde novembro. No início de 2025, após o presidente americano Donald Trump ter adiado a aplicação de tarifas generalizadas quando assumiu o cargo, o dólar caiu, em parte, devido à visão de que a inflação seria controlada o suficiente para que o Fed retomasse os cortes dos juros.

A crise agravou-se com a implementação de impostos abrangentes em abril, o que alimentou preocupações de que a guerra comercial poderia azedar a percepção dos investidores estrangeiros sobre os EUA. Houve também especulações de que o presidente era a favor de um dólar mais fraco, o que ajudaria os exportadores americanos, além de sua pressão sobre o Fed para reduzir os juros, o que amplificou a onda de baixa.

Investidores globais

Contudo, como se viu, os investidores internacionais não se afastaram dos EUA, embora haja sinais de que tenham comprado derivativos para se proteger contra perdas do dólar. O apelo das ações americanas, lideradas por ações de tecnologia de megacaps, tem sido grande demais. E a demanda externa para leilões de Treasuries tem sido, em sua maioria, sólida.

Os dados mais recentes da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities mostram que hedge funds, gestoras de ativos e consultores de operações de commodities ainda estavam vendidos em dólar no final de setembro. Embora as posições estejam bem abaixo do pico atingido em meados do ano, isso ainda deixa espaço considerável para perdas, caso o dólar continue a se valorizar.

Hedge funds que intensificam as negociações de opções com apostas de alta sobre o dólar no final do ano estão expressando esta visão em relação à maioria das moedas do Grupo dos 10, de acordo com Mukund Daga, chefe global de opções de moedas no Barclays Bank.

Há também sinais de que operadores de opções estão pagando mais para se proteger contra o risco de um rali do dólar do que de uma queda. Uma medida da diferença na demanda por apostas otimistas e pessimistas mostra que os operadores estão no nível mais otimista em relação ao dólar desde abril.

Queda na volatilidade do dólar abre janela para investir lá fora. Saiba como aproveitar

10 de Outubro de 2025, 11:28

Quem buscou diversificar seus investimentos em dólar viveu “mixed feelings” desde a metade de 2024: ou a moeda americana não parava de subir, como no ano passado, ou manteve uma queda constante, como neste ano. E aí, ficava difícil acertar a hora de aplicar. Mas agora chegou a hora de tirar da gaveta os planos de investir no exterior.

Desde meados do ano, a moeda americana tem estado muito mais comportada. A volatilidade praticamente sumiu e o dólar se estabilizou em um patamar bem mais baixo do que o visto no início de 2025.

De julho para cá, o dólar acumulou uma leve queda de 1% frente ao real. No ano, a moeda dos EUA recua 14,74%, ou seja, a queda se concentrou, basicamente, na primeira metade do ano. Além disso, a perspectiva da taxa de câmbio é se manter abaixo de R$ 5,40, pelo menos, nos próximos meses.

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É justamente a volatilidade que traz um dos principais riscos e atrapalha a vida dos aplicadores que ficam tentando acerta o melhor momento de investir. Por isso, a calmaria cambial ajuda quem tem planos de manter uma parcela do patrimônio em moeda forte.

A estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, cita oportunidades, por exemplo, em títulos de renda fixa emitidos tanto pelo governo americano quanto por empresas de maior qualidade de crédito. “É uma chance de travar, em dólar, taxas prefixadas ainda elevadas.”

Uma possibilidade para o investidor brasileiro é aplicar em bonds de companhias brasileiras com melhor perfil de crédito. “Lá fora, o mercado enxerga nossas gigantes, como Petrobras e Vale, como empresas de mercados emergentes que precisam pagar um prêmio maior comparadas aos pares americanos”, explica. Mas, para os brasileiros, são os grupos mais sólidos do mercado.

A Petrobras tem um bond com vencimento em 2029 que hoje está sendo negociado com uma taxa de retorno (yield) de 5,80% ao ano. Outro papel com prazo em 2035 oferece um yield de 6,10% anual.

O bond da Vale com vencimento em 2034 é negociado a uma taxa de 8,20%. Outro título em dólar da mineradora com prazo até 2039 paga atualmente um yield de 6,87% ao ano.

No caso dos títulos públicos americanos, os chamadas Treasuries, os retornos prefixados se mantêm perto dos 4% ao ano. O papel de 5 anos, por exemplo, está pagando uma taxa de 3,74%. Já o de 10 anos está com um retorno de 4,15% anuais.

Para quem busca investir em dólar, mas quer manter a possibilidade de sacar o dinheiro a qualquer momento, a estrategista da Nomad cita como opção de aplicações os ETFs de títulos públicos americanos de curto prazo. São fundos de índices com cotas negociadas na bolsa. Esses veículos mantêm uma carteira com até 80% aplicada em papéis do Tesouro dos EUA com prazos de até 3 meses.

Como as cotas são negociadas na bolsa, o investidor pode entrar e sair a qualquer momento. O ETF VBILL da Vanguard, por exemplo, tem hoje um retorno em 12 meses de 3,44%. Outro fundo o TBLL, da Invesco, tem um yield em 12 meses de 3,89%. “Funciona de maneira parecida com o nosso CDI.”

Zogbi enxerga ainda oportunidade de diversificação em ações internacionais. Na visão da estrategista, o investidor brasileiro pode aplicar em vários mercados também por meio de ETFs. Há vários fundos de índice que seguem referenciais com os índices globais da MSCI. Um ETF do MSCI World ex-US, por exemplo, possibilita ao investidor ter exposição a 22 mercados desenvolvidos, mas tira os EUA da lista.

Por outro lado, quem busca manter um pé nas bolsas americanas encontra fundos de índice que replicam referenciais amplos do mercado acionário dos EUA, como o S&P 500 e o Russell 2000. “O setor de tecnologia lá fora pode até estar caro, mas há muitos outros entregando resultados acima das expectativas. Tem ainda muitas oportunidades nas ações dos Estados Unidos.”

Os títulos de renda fixa e os fundos são oferecidos em plataformas digitais e podem ser acessados por meio de contas globais de investimentos.

A especialista da Nomad lembra ainda que pensar em investimentos lá fora é muito diferente de comprar dólar para viajar. “Na viagem, o melhor é fazer um câmbio médio. Mas no caso de diversificação internacional, o quanto antes começar, melhor.”

Isso porque a oscilação cambial é atenuada pelo efeito dos juros compostos, então quanto mais tempo o dinheiro ficar investido maior a vantagem na rentabilidade da carteira. Zogbi ressalta ainda que manter os recursos no longo prazo ainda ajuda a aproveitar os melhores dias do mercado, que podem representar um reforço significativo na hora de resgatar.

De qualquer modo, essa janela de calmaria provavelmente tem um prazo de validade. A estrategista-chefe da Nomad vê a partir do ano que vem uma chance cada vez maior da volta da volatilidade. “A questão fiscal tende a influenciar mais o câmbio no ano que vem, principalmente quando o tema das eleições ficar mais no foco.”

A economista lembra que no fim de 2024 o dólar subiu para a casa dos R$ 6,18 principalmente por conta das preocupações com o desequilíbrio fiscal. Na visão da estrategista da Nomad, esse fator ganhou um contrapeso com o enfraquecimento global da moeda americana ao longo do ano e o grande diferencial de juros existente entre Brasil e EUA.

Para 2026, o cenário pode mudar. Essa virada pode acontecer porque o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) tem sinalizado para uma redução de ritmo ou até mesmo uma pausa nos cortes de juros a partir do ano que vem. Além disso, o BC brasileiro pode começar seu próprio ciclo de redução de taxas, o que reduzia a diferença entre os rendimentos de ativos locais e americanos. Essa diminuição do diferencial de juros tende a fortalecer a moeda americana.

Além disso, o Brasil tem suas próprias incertezas internas. A principal tem a ver com a trajetória do endividamento público e a menor disposição para enfrentar o problema em um ano de eleições. São incertezas que elevam o prêmio de risco pedido pelos investidores globais e, com um fluxo menor de dinheiro de fora vindo para o país, tendem a enfraquecer o real.

Controlador da Ambipar tem participação na empresa reduzida e cita alienação irregular

10 de Outubro de 2025, 10:20

A Ambipar comunicou nesta sexta-feira (10) que recebeu correspondência de seu acionista controlador, Tércio Borlenghi Junior, informando sobre a redução da participação detida direta e indiretamente por ele no capital social total e votante da companhia: de 73,48% para 67,68%.

Em fato relevante, a empresa cita que a redução ocorreu “em razão da excussão irregular de ações de emissão da companhia detidas pelo controlador, em descumprimento à medida cautelar deferida pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, objeto do fato relevante divulgado em 25 de setembro de 2025”.

Na ocasião, a Ambipar obteve da Justiça do Rio de Janeiro medida cautelar que, entre outras medidas de proteção, suspendeu efeitos de cláusulas contratuais que acionariam a aceleração de dívidas do grupo, bem como a exigibilidade de obrigações sob instrumentos contratuais relevantes.

De acordo com o controlador, entre os dias 25 de setembro e 6 de outubro, Bradesco e a Genial Investimentos, em conjunto com o Grupo Opportunity (Genial/Opportunity), “excutiram ilegalmente ações” de sua propriedade, sem sua autorização e em descumprimento à medida do dia 25.

Borlenghi Junior cita uma “indevida transferência” ao Bradesco de 72.233.230 ações, das quais 15.896.900 ações foram alienadas entre 30 de setembro e 6 de outubro. Também aponta “indevida alienação” pela Genial/Opportunity de 24.550.000 ações entre 2 e 6 de outubro.

Procurados, o Bradesco afirmou que não irá comentar e a Genial não respondeu de imediato ao pedido de entrevista.

Ações da Ambipar

A participação direta e indireta de Borlenghi Junior no capital social total e votante da Ambipar passou de 1.227.402.390 ações ordinárias (73,48%) para 1.130.619.160 ações ordinárias (67,68%).

“A alienação irregular de ações da companhia, em curto espaço de tempo e em violação à decisão judicial, resultou em perda estimada de valor de mercado de aproximadamente R$ 20 bilhões”, afirmou o controlador na correspondência enviada à empresa, que atua em gestão de resíduos.

Borlenghi Junior afirmou que “estão sendo adotadas todas as medidas legais cabíveis para reversão da situação e responsabilização dos envolvidos”.

No novo conselho do GPA, CEO ameaça sair e Coelho Diniz confirma favoritismo

10 de Outubro de 2025, 09:27

A primeira reunião do novo conselho de administração do GPA elegeu nesta sexta-feira (10) André Coelho Diniz como novo presidente, apurou o InvestNews, confirmando a expectativa do mercado, já que a família Coelho Diniz é hoje o principal acionista do grupo dono das redes Pão de Açúcar e Extra.

Mas o colegiado também viveu seu primeiro impasse, evidenciando que ainda haverá um jogo de forças entre os Coelho Diniz e seu sócio, o grupo francês Casino, apesar da melhora na relação entre eles.

Na eleição para a vice-presidência do board, o mais votado foi Edison Ticle, exatamente como era esperado. Ticle membro independente e ligado ao investidor Rafael Ferri. Mas a vitória teve um placar apertado: cinco votos a quatro.

A oposição veio dos representantes do Casino e do conselheiro Rodolfo Costa Neves, ligado ao ex-CEO do GPA, Ronaldo Iabrudi.

Fontes relataram ao InvestNews que o resultado gerou desconforto para o atual CEO do GPA, Marcelo Pimentel. Ele, que também é membro do board, teria manifestado preocupação com a decisão, alegando que Ticle, por ser CFO da Minerva Foods, um fornecedor do GPA, poderia incorrer em conflito de interesse. Durante o embate, Pimentel chegou a indicar que poderia renunciar do conselho e da presidência do GPA.

Após se confrontado por outros conselheiros, lembrando que Ticle já fazia parte da antiga formação do colegiado e que essa questão nunca havia sido levantada, Pimentel teria recuado das críticas e da renúncia. Ainda assim, o movimento evidencia uma crise que pode acelerar uma troca na diretoria-executiva do GPA, como já vinha sendo especulado.

Procurado pelo InvestNews, Pimentel e Ticle não responderam.

B3 exclui ação da Ambipar de 9 índices e não renovará certificação de ações verdes

9 de Outubro de 2025, 13:50

A Ambipar será excluída dos 9 índices da B3 dos quais faz parte e não terá a renovação da designação de ações verdes, afirmou a bolsa em comunicado nesta quinta-feira (9), em um momento de preocupações sobre a liquidez e a governança da empresa. As ações da empresa desabarem nos últimos dias.

Atualmente, os papéis da empresa de gestão de resíduos estão nos índices Brasil Amplo, de Diversidade, de Governança Corporativa Trade, de Ações com Governança Corporativa Diferenciada, de Governança Corporativa Novo Mercado, de Sustentabilidade Empresarial, de Ações com Tag Along Diferenciado, MidLarge Cap e Utilidade Pública.

De acordo com o comunicado da B3, as ações deixarão de fazer parte dessas carteiras ao preço de fechamento de 15 de outubro e sua participação será redistribuída proporcionalmente aos demais ativos.

Por que a B3 excluiu a Ambipar dos índices?

A decisão, segundo a B3, baseia-se em dispositivo do manual de definições e procedimentos dos índices, segundo o qual a bolsa brasileira pode excluir um ativo, visando preservar a continuidade, a replicabilidade, a representatividade e a integridade do índice.

A bolsa também informou que a empresa não terá renovada a certificação de “B3 Ações Verdes”, citando que a metodologia para tal designação prevê “que, caso a companhia, seus diretores ou administradores tenham sua imagem associada a eventos ou incidentes relacionados a aspectos Ambientais, Sociais e de Governança Corporativa (ASG) que suscitem risco de imagem, a titulação pode não ser concedida ou retirada”.

No final de setembro, a Ambipar obteve da Justiça do Rio de Janeiro medida cautelar que, entre outras medidas de proteção, suspendeu efeitos de cláusulas contratuais que acionariam a aceleração de dívidas do grupo, bem como a exigibilidade de obrigações sob instrumentos contratuais relevantes.

A busca da Ambipar por proteção teve como gatilho uma operação de crédito da companhia com o Deutsche Bank, que demandou garantias adicionais e que consumiu montante elevado no caixa da companhia em poucos dias.

No pedido, citado no despacho sobre a decisão que concedeu a tutela cautelar, a companhia citou riscos de cláusulas de vencimento cruzado que implicariam um rombo de R$ 10 bilhões, o que acarretaria um gravíssimo risco de insolvência imediata do grupo.

Em relatório, a agência de classificação Fitch afirmou que entendeu que a Ambipar entrou em um processo semelhante a inadimplência (default).

Em três semanas, Ambipar saiu da estabilidade para a beira da recuperação judicial

9 de Outubro de 2025, 09:20

Em cerca de três semanas, a Ambipar saiu da promessa de estabilidade para ficar à beira de um pedido de recuperação judicial.

A Ambipar está em mais de 40 países, atuando desde o descarte de resíduos perigosos até a remediação de solos. A empresa viu seus títulos em dólar caírem de forma constante à medida que processos na CVM, alertas das agências de classificação de rating e preocupações de governança se acumulavam.

Em resposta, a empresa decidiu ampliar seu conselho e revisar comitês — uma tentativa de convencer investidores de que estaria retomando o controle.

Mas o tiro saiu pela culatra.

Junto com as mudanças, os executivos disseram ter contratado um assessor para analisar uma gestão de passivos, assustando os investidores. O então diretor financeiro, João Arruda, o diretor de relações com investidores, Pedro Borges Petersen, e o diretor jurídico global, Mauro Nakamura, saíram com poucos dias de diferença. Os bonds da companhia despencaram.

Títulos da Ambipar em queda

A venda massiva das notas criou outro problema para a Ambipar. Os papéis faziam parte de um acordo de financiamento com o Deutsche Bank.

À medida que seu valor despencava, a empresa precisou aportar cada vez mais recursos para atender às chamadas de margem. Na última solicitação — de apenas R$ 60 milhões — a companhia não conseguiu cumprir.

No fim do mês passado, a Ambipar buscou proteção emergencial por meio de um tribunal do Rio de Janeiro, afirmando que exigências de pagamento poderiam acionar cláusulas de vencimento antecipado cruzado sobre sua dívida de aproximadamente R$ 10 bilhões. A pressa foi tamanha que um dos documentos apresentados continha erros —  uma das páginas chegou a nomear uma empresa totalmente diferente. 

Os investidores ficaram surpresos e confusos sobre como a empresa pôde repentinamente ter uma crise de liquidez, pois havia relatado um saldo de caixa de R$ 4,7 bilhões no segundo trimestre de 2025.

Procurados, Ambipar disse que não comenta e Deutsche Bank não retornou imediatamente. 

“O colapso nos preços dos títulos da Ambipar reflete uma crise de governança clássica em mercados emergentes”, disse Cesar Fernandez, sócio da Alpha Credit Advisors. “Os investidores perderam a confiança na empresa devido à falta de transparência e à má comunicação com o mercado.”

Embora a liminar concedida pelo tribunal tenha duração de 30 dias, prorrogáveis ​​por mais 30, a empresa trabalha para entrar com o pedido de recuperação judicial já na semana que vem, disseram pessoas com conhecimento do assunto.

Derivativos

A Ambipar, em documentos jurídicos analisados pela Bloomberg News, atribui sua crise a um aditivo assinado com o Deutsche Bank relativo a um acordo de swap originalmente firmado em fevereiro. Segundo a empresa, o contrato continha um “mecanismo abusivo” que vinculava as exigências de margem ao preço de seus green bonds.

O aditivo ao contrato de swaps, datado de 18 de agosto, afirma que os pagamentos da Ambipar ao banco também poderiam ser feitos por meio de instrumentos de crédito, incluindo seus títulos pelo valor de face.

Isso permitiu que a empresa obtivesse financiamento a taxas de juros muito mais baixas, de acordo com o documento, que informa que a operação de derivativos foi aprovada pelo CFO, CEO e tesoureiro da Ambipar.

A Ambipar responsabilizou o ex-CFO Arruda pelo aditivo ao acordo, que, segundo a empresa em documentos, foi feito sem a aprovação do conselho.

Arruda não comenta o assunto.

Mão forte do dono

A Ambipar estreou nos mercados globais de dívida com uma venda de títulos verdes em janeiro de 2024. A empresa captou US$ 750 milhões, superando sua meta inicial de US$ 500 milhões. Foi reconhecida pela LatinFinance como a “Emissora de Dívida do Ano”.

Os títulos, que eram negociados próximos ao valor de face até o início de agosto, agora valem cerca de 13 centavos de dólar. Eles acumularam uma perda 81% nas três semanas desde o anúncio da reformulação da governança. Agora, os títulos oferecem um rendimento estonteante de 77%.

Tercio Borlenghi Junior, fundador da Ambipar em 1995, a administra com um toque tipicamente old school. O CEO é frequentemente visto conversando com assessores em longas reuniões em restaurantes. Para ele, a vantagem da Ambipar está na “mão forte do dono” e, quando o desempenho o decepciona, ele demonstra pouca hesitação em mudar abruptamente de rumo.

Mas para uma empresa que alardeava suas credenciais ESG, seriam os problemas de governança que desencadeariam sua queda.

Reguladores investigaram supostas negociações coordenadas e irregularidades em um programa de recompra que impulsionou uma alta de 1.000% nas ações, tornando Borlenghi — que detém uma participação de mais de 70% — bilionário.

Empresas de classificação de risco sinalizaram falhas de governança e investidores especularam sobre vínculos com o problemático Banco Master. Todas são alegações que a Ambipar nega.

“Quando tendências chamativas como ESG se encontram com a governança corporativa confusa de nomes de mercados emergentes, geralmente não se obtêm empresas melhores — o que se obtém são escândalos”, disse Juan Manuel Patiño, analista da Sun Capital Valores. “Neste caso, os sinais de alerta já estavam lá: estruturas opacas, conflitos regulatórios, alta alavancagem e descasamento cambial.”

Patiño disse que as diversas subsidiárias da Ambipar — da Ambipar Response à Ambipar Environment — aumentaram a complexidade, enquanto os conflitos com a CVM destacaram os riscos de governança.

Em seu site, a Ambipar afirma ter mais de 500 “bases” em diversos países, do Brasil a Bangladesh, da Alemanha a Mônaco e até mesmo à Antártida.

Tercio Borlenghi Jr Jr, ceo-ambipar
Tercio Borlenghi Jr Jr, CEO da Ambipar

Problemas

Depois que a Ambipar buscou proteção contra credores, a S&P Global Ratings rebaixou a classificação da empresa de BB- para D, chamando a medida de “equivalente a uma reestruturação geral da dívida”.

A turbulência é um lembrete claro de quão rapidamente a confiança dos investidores pode mudar. As empresas brasileiras enfrentaram uma série de más notícias, com a Braskem contratando assessores para uma revisão da estrutura de capital, e os problemas em torno do Master ameaçando se espalhar para as empresas expostas aos seus instrumentos de dívida.

As empresas brasileiras podem enfrentar condições de liquidez e financiamento mais restritas nos próximos meses se os recentes eventos de crédito corroerem a confiança dos investidores — uma reminiscência da recuperação judicial da Americanas em janeiro de 2023, afirmou a Fitch Ratings em um relatório recente.

As ações da Ambipar — que ficariam praticamente sem valor em caso de pedido de recuperação judicial — caíram mais de 95% desde 22 de setembro, quando o ex-CFO Arruda saiu. A companhia perdeu mais de R$ 22 bilhões em valor de mercado.

As perdas se agravaram na semana passada, depois que a mídia local noticiou que um fundo de recebíveis, no qual a Ambipar afirma estar parte de seu caixa, registrou perdas na rentabilidade de suas ações e aumentou as provisões nos últimos dias. O veículo está vinculado a empresas controladas por Borlenghi, segundo a reportagem. A Ambipar não quis comentar.

“No crédito — e especialmente em mercados emergentes — a complacência sempre custa caro”, disse Luiz Felipe Scalercio, chefe de pesquisa de crédito para o Brasil da BCP Securities. “Os sinais de alerta estavam todos lá. Isso mostra que buscar o rendimento extra se mostra extremamente custoso quando esses sinais de alerta são ignorados.”

Argentina vende dólares pelo quinto dia seguido e reduz reservas

7 de Outubro de 2025, 10:19

O governo argentino vendeu dólares no mercado de câmbio na segunda-feira (6) pela quinta sessão consecutiva, enquanto tenta conter a queda do peso, de acordo com duas pessoas com conhecimento direto do assunto.

O banco central da Argentina realizou as vendas, provavelmente como agente financeiro do Tesouro no mercado de câmbio local.

O banco vendeu entre US$ 450 milhões e US$ 480 milhões, por cerca de 1.430 pesos por dólar, disseram as fontes, que pediram anonimato por discutirem operações confidenciais. O peso caiu 0,4%.

O governo do presidente Javier Milei vendeu cerca de US$ 1,3 bilhão desde a última terça-feira, esgotando a já escassa posição de caixa do Tesouro.

O governo tinha US$ 1,8 bilhão em depósitos em dólares em 1º de outubro, segundo os dados oficiais mais recentes.

De acordo com os termos do acordo do país com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o banco central da Argentina não pode usar suas reservas, a menos que o peso ultrapasse a faixa flutuante, que variou de 943 a 1.484 por dólar na segunda-feira (6).

Pressão na Argentina

As vendas ressaltam a pressão sobre o peso, mesmo depois que os Estados Unidos prometeram assistência e as autoridades locais reintroduziram controles de capital nas últimas semanas, incluindo uma proibição de 90 dias à revenda de dólares.

O ministro da Economia da Argentina, Luís Caputo, e o presidente do Banco Central, Santiago Bausili, viajaram para Washington na sexta-feira para conversas com o Secretário do Tesouro americano Scott Bessent e o FMI.

O governo havia vendido US$ 1,1 bilhão para estabilizar o peso antes de Bessent prometer socorro financeiro no mês passado.

Bessent reiterou novamente seu apoio em uma publicação no X na noite de segunda-feira, sem dar detalhes. Acompanhado de uma foto sua apertando a mão de Caputo, ele prometeu “continuar as discussões produtivas sobre as diversas opções que o Tesouro tem à disposição para apoiar as políticas firmes da Argentina”.

“Os títulos caíram tanto nas últimas semanas que vemos a distribuição de retorno distorcida para cima”, disse Matias Montes, estrategista da EMFI. “Por outro lado, a diferença mostrou alguma estabilidade hoje, mas acreditamos que os comentários de Bessent, demonstrando apoio renovado à Argentina, foram o principal impulsionador.”

Um porta-voz do banco central não quis comentar, enquanto o Ministério da Economia não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

O presidente Javier Milei minimizou questões sobre o custo de defender o peso em meio ao crescente ceticismo sobre a sustentabilidade de sua estratégia cambial durante uma entrevista. Ele acrescentou que os resultados das negociações com os EUA logo ficariam claros. “Você sabe quanto tínhamos em reservas brutas quando assumimos o cargo?”, perguntou, dizendo que as reservas haviam subido de US$ 21 bilhões para US$ 43 bilhões desde então. “É isso. A discussão acabou.”

Tanure e CEO da Ambipar têm garantias executadas na venda da Emae

7 de Outubro de 2025, 08:52

O CEO da Ambipar, juntamente com o investidor Nelson Tanure, pode ter perdido suas garantias em uma emissão de dívida que envolveu a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), em São Paulo. 

Tércio Borlenghi Junior e seu sócio Nelson Tanure haviam dado ações da Emae como garantia em uma emissão de debêntures. O fundo Phoenix FIP, vinculado a Tanure, adquiriu o controle da Emae no ano passado usando debêntures lastreadas por ambos, de acordo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

No domingo (5), a Sabesp anunciou a aquisição da participação majoritária na Emae, um negócio que seu CEO afirmou ter sido “originado passivamente” quando a empresa foi abordada por um credor. A Sabesp comprou cerca de 70% do capital total da Emae em um acordo com a Vórtx, agente fiduciário de debenturistas do Phoenix, e com a Eletrobras.

A rápida decisão reflete os problemas crescentes para Borlenghi e a Ambipar, uma empresa global de gestão de resíduos cujas ações e títulos despencaram nas últimas semanas após a empresa ter informado a um tribunal do Rio de Janeiro que corria risco de colapso financeiro. A empresa contratou recentemente a consultoria BR Partners para ajudar a reestruturar seus passivos após obter proteção emergencial de credores.

Borlenghi e a Ambipar não comentaram.

Tanure na Ambipar

Tanure busca manter o controle da Emae e entrou com uma ação judicial, disseram pessoas com conhecimento do assunto. O Brazil Journal noticiou anteriormente os bastidores do negócio, que também envolveu a XP como administradora do Phoenix FIP.

Tanure, conhecido no mundo da dívida inadimplente por sua postura de risco e táticas agressivas, também possui participação na Ambipar por meio da Trustee DTVM, conforme noticiado anteriormente pela Bloomberg.

O CEO da Sabesp, Carlos Piani, disse a analistas em teleconferência que o investimento na Emae é “pequeno, mas muito estratégico” para fortalecer a segurança do abastecimento de água. A região metropolitana de São Paulo tem atualmente menos água disponível per capita do que a ONU recomenda, afirmou a empresa.

Além de usinas hidrelétricas, a Emae opera um importante sistema hidrológico na região metropolitana de São Paulo.

A Sabesp espera uma disputa judicial sobre a transação, mas acredita ter documentação sólida para levá-la adiante, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto.

Mesmo que a aquisição não gere um ganho financeiro significativo, a melhoria na segurança hídrica à medida que São Paulo continua a se expandir pode tornar o negócio vantajoso, disse a pessoa.

“Briga sabemos que vai ter — mas por um ativo bom, sinérgico e operacional”, disse Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos. “Parece um risco-retorno interessante.”

Ambipar, Braskem e Banco Master: Eventos à la Americanas ameaçam o mercado de crédito

3 de Outubro de 2025, 08:58

As empresas brasileiras podem enfrentar uma liquidez mais apertada, à medida que uma série de eventos de crédito abala os mercados locais. A análise é da agência de classificação de risco de crédito Fitch Ratings.

O receio é de que contratempos das últimas semanas, como o pedido de proteção contra credores da Ambipar, a revisão da estrutura de capital da Braskem e os problemas do Banco Master, possam se espalhar para empresas e fundos de pensão que detêm títulos de dívida.

O cenário gera comparações com o início de 2023, quando a implosão da centenária varejista Americanas praticamente fechou os mercados locais de crédito, ressaltando quão rapidamente o sentimento pode mudar em resposta a choques inesperados.

“Os recentes eventos de crédito lembram o pedido de recuperação judicial da Americanas em janeiro de 2023, um precedente histórico de contração do mercado após desenvolvimentos negativos de crédito”, escreveu Saverio Minervini, chefe de ratings corporativos para a América Latina da Fitch Ratings.

A reação do mercado aos eventos permanece limitada por enquanto, com empresas locais com melhor classificação ainda conseguindo acessar financiamentos. Mas pode haver uma migração para ativos de maior qualidade, o que afetaria companhias com ratings mais baixos.

Segundo a agência, as empresas com necessidades imediatas de refinanciamento e acesso restrito aos mercados internacionais — que representam cerca de 10% da carteira classificada pela Fitch — seriam as mais vulneráveis.

Dólar fraco tem prazo de validade? Tudo pode mudar a partir de 2026

1 de Outubro de 2025, 16:30

O dólar vem comportado desde o início do ano. Mas do começo do segundo semestre para cá, a queda da moeda americana em relação ao real diminuiu o ritmo: foram apenas 2,6% de desvalorização, comparados aos 14% no acumulado do ano. Essa desaceleração parece prenunciar uma mudança de ventos se aproximando.

Por volta das 16h29, o dólar era negociado a R$ 5,3209, praticamente estável. Em setembro, a moeda americana acumulou recuo de 2%.

A queda do dólar está, atualmente, na conta do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Isso porque a autoridade planeja cortar os juros ao menos mais uma vez e, quem sabe, até mesmo duas antes de 2025 acabar.

Porém, no caso do Brasil, esse roteiro de fraqueza do dólar parece ter um “plot twist”, ou seja, uma reviravolta programada no próximo ano. E o que pode acontecer para mudar o cenário atual?

É que o início do ciclo de queda da taxa de juros no Brasil vai coincidir com uma desaceleração do ritmo de corte pelo Fed ou até mesmo uma pausa prolongada lá fora. Esse cenário pode reforçar a cautela entre investidores globais.

Uma postura menos voluntariosa para tomar risco pode secar, justamente, uma das fontes da recente valorização das moedas emergentes: a busca por diversificação fora do mercado americano.

Inflação nos EUA ainda não foi domada

Uma mudança de posicionamento do Fed teria como causa uma preocupação com um aumento de pressão sobre preços nos próximos trimestres. Acontece que o BC dos EUA passou a manifestar, logo após a decisão de retomar os corte de juros em setembro, estar desconfortável com a persistência da inflação.

O índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), a medida de inflação preferida do Fed, subiu para 2,7% em agosto, o que indica uma leve aceleração comparado aos 2,6% de julho. “Com o PCE avançando para 2,7% em 12 meses, fica claro que o Fed terá de manter cautela na condução da política monetária”, afirma Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital.

O plano de voo do Fed leva em consideração uma redução de juros para evitar a aceleração do desemprego. Mas, por outro lado, há a necessidade de calibrar o ritmo do afrouxamento de maneira a evitar a volta da inflação. Daí a necessidade de o BC americano adotar uma postura mais prudente em algum momento nos próximos trimestres.

“Acho que nem poderíamos chamar esse movimento de um ciclo de cortes”, afirma o sócio e gestor da Az Quest, Eduardo Aun. “Parece-me mais um ajuste fino devido à deterioração marginal do mercado de trabalho. Não vejo espaço para muito mais cortes além dos já sinalizados pelo Fed.”

BC brasileiro não tem pressa para cortar

Do lado de cá, o relatório Focus, que reúne as projeções de instituições financeiras em relação a juros, inflação e PIB, mostra que o mercado vê a Selic em 12% ao fim de de 2026. Isso significa uma redução de 3 pontos percentuais.

Se o BC fizer reduções de 0,25 ponto na Selic, precisaria de 12 reuniões para chegar na projeção do Focus. Porém, como o Comitê de Politica Monetária (Copom) se reúne apenas oito vezes no ano, a estimativa de Selic a 12% no fim do próximo ano embute a perspectiva de vários cortes de 0,5 ponto.

Em resumo, enquanto o Fed tem sinalizado haver chance de cortar uma vez ou nem cortar os juros em 2026, por aqui o mercado avalia que o BC brasileiro vai acelerar o passo no ano que vem. Com a redução do chamado diferencial de juros, o mercado local tende a se tornar menos atrativos aos investidores estrangeiros.

As estimativas da equipe de pesquisas econômicas do Itaú, por exemplo, reforçam essa dualidade de cenários daqui até o fim do ano e o que poderá ser visto já em 2026. O time do Itaú, liderado pelo economista-chefe Mario Mesquita, ressaltou ver o real forte no curto prazo. Mas, para o próximo ano, “o estreitamento do diferencial de juros, o prêmio de risco e o cenário desafiador das contas externas limitam perspectivas mais favoráveis”.

Os especialistas do banco enxergam o dólar no fim de 2025 em R$ 5,35. Mas preveem que a moeda americana termine 2026 cerca de 3% mais alta. Segundo a casa de análise, a taxa de câmbio deve subir para R$ 5,50 no ano que vem. Isso significa que, na visão do Itaú, a maior parte da potencial desvalorização do dólar frente ao real já passou.

O Focus também mostra uma visão menos otimista para 2026. O relatório do BC projeta uma taxa de câmbio de R$ 5,58 no final do ano que vem.

Volatilidade pode voltar

Aun, da AZ Quest, lembra ainda que o real tem sido muito utilizado em operações de “carry trade”, ou seja, quando uim investidor toma emprestado em moeda de juros baixos e investe em outra moeda de juros altos para capturar o diferencial de juros (“carry”). Se houver uma reversão da tendência do dólar fraco, o desmonte de posições de carry em reais levaria a um aumento da volatilidade no mercado brasileiro.

Para o ano que vem, o especialista em portfólio da Azimut Brasil WM, Marcelo Bacelar, cita ainda o problema da piora nos números de conta correte no país como outro ponto de pressão contra o real. “Não é um desespero, mas é um sinal amarelo porque começa a mostrar uma saída de dólares estrutural.”

Apesar das nuvens cambiais mais escuras em 2026, as previsões não desenham nenhum cenário crítico, mas, basicamente, uma mudança de ventos no horizonte. De qualquer modo, parece que, pelo menos as viagens internacionais no fim de ano estarão garantidas.

Ambipar contrata BR Partners para assessorar a negociação de dívida

30 de Setembro de 2025, 10:34

A empresa de gestão de resíduos Ambipar contratou a boutique de assessoria BR Partners para trabalhar em uma reestruturação de dívida, segundo pessoas a par do assunto.

A companhia já havia mantido conversas avançadas com a Seneca Evercore, conforme noticiado anteriormente pela Bloomberg News, mas acabou optando por outro caminho.

Um grupo de detentores de títulos de dívida da Ambipar também está se preparando para negociações, disse uma fonte na semana passada.

Credores da Ambipar

Na semana passada, a Ambipar obteve proteção emergencial contra seus credores após informar a um tribunal do Rio de Janeiro que corria risco de colapso financeiro. Alguns credores exigiram pagamentos antecipados que poderiam ter acionado cláusulas de vencimento cruzado em uma dívida de R$ 10 bilhões, segundo os autos.

Um juiz suspendeu todas as cobranças, execuções e medidas de enforcement contra a Ambipar e suas empresas relacionadas por 30 dias. A medida pode ser prorrogada por mais 30 dias, de acordo com os documentos.

Os títulos em dólar da Ambipar, que já vinham despencando há dias em meio à crescente preocupação de que a empresa buscaria reestruturar sua dívida, atingiram mínima histórica após as notícias na semana passada. Os papéis com vencimento em 2031 estavam sendo negociados a cerca de 17 centavos de dólar na segunda-feira, com rendimento de 64%, segundo dados compilados pela Bloomberg.

O jornal Valor Econômico noticiou a contratação do BR Partners na noite de segunda-feira.

Ambipar está prestes a contratar empresa para ajudar na reestruturação da dívida

29 de Setembro de 2025, 11:25

A empresa de gestão de resíduos Ambipar está perto de contratar a boutique de assessoria Seneca Evercore, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Se a parceria for de fato firmada, a Seneca Evercore iria assessorar a Ambipar na reestruturação da dívida. As fontes pediram para não serem identificadas por se tratar de um assunto que não é público. Um grupo de detentores de títulos da empresa também está se preparando para negociações, acrescentou uma pessoa na semana passada.

Representantes da Seneca Evercore e da Ambipar não quiseram comentar.

Proteção emergencial da Ambipar

A Ambipar obteve proteção emergencial contra seus credores na semana passada, após informar a um tribunal do Rio de Janeiro que corria risco de colapso financeiro depois de alguns credores exigirem pagamentos antecipados que poderiam acionar cláusulas de inadimplência em uma dívida de R$ 10 bilhões, de acordo com documentos judiciais.

Um juiz suspendeu todas as cobranças, execuções e ações de execução contra a Ambipar e suas empresas relacionadas por 30 dias, renováveis ​​por mais 30 dias, segundo os documentos.

As notas em dólar da Ambipar, que vinham caindo há dias em meio à crescente preocupação de que a empresa estivesse reestruturando sua dívida. As ações da empresa chegaram a despencar 61% na bolsa brasileira, a maior queda intradiária já registrada.

A empresa enfrentou um mês difícil em meio a uma investigação regulatória, alertas de agências de classificação de risco e mudanças de executivos.

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